----------------- J._K._Rowling_Harry_Potter e a Câmara_dos_Segredos_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Chamber of Secrets_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling 1998 Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 2000 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 2.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 Depósito legal : 143.569/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , a a Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Para_Séan_P._F._Harris , condutor imparável e um amigo de os diabos . I_O pior aniversário Não era a primeira vez que uma discussão estoirava a a mesa de o pequeno-almoço , em o número 4 de a Privet_Drive . Mr._Vernon_Dursley fora acordado de manhã cedo por o piar ruidoso que vinha de o quarto de o seu sobrinho Harry . - É a terceira vez esta semana ! - resmungou , a a mesa . - Se não consegues controlar essa coruja , ela não pode ficar aqui . Harry tentou , mais_uma_vez , explicar . - Ela está aborrecida . Estava habituada a voar livremente lá fora . Se eu pudesse , ao_menos , soltá a a a noite ... - Achas me com cara de idiota ? - perguntou rispidamente o tio Vernon , com um fio de ovo preso em o bigode farfalhudo . - Sei muito bem o que aconteceria se essa coruja fosse lá para fora . Trocou um olhar soturno com a mulher , a tia Petúnia . Harry tentou contra-argumentar , mas as suas palavras foram abafadas por um enorme arroto de o filho de os Dursleys , Dudley . - Quero mais bacon . - Há mais em a frigideira , fofinho - disse a tia Petúnia , lançando um olhar vago a o seu filho maciço . - Tens que te alimentar bem enquanto aqui estás , aquela comida de a tua escola não me cheira . - Disparate , Petúnia , eu nunca passei fome enquanto andei em Smeltings - afirmou com sinceridade o tio Vernon . - O Dudley tem que chegue . Não é verdade , filho ? Dudley , que era tão gordo que o rabo saía de os dois lados de a cadeira de a cozinha , sorriu laconicamente e voltou se para Harry . - Passa me a frigideira . -- Esqueceste te de a palavra mágica - disse Harry , irritado . O efeito que esta simples frase teve em o resto de a família foi inacreditável : Dudley começou a arfar e caiu de a cadeira com um estrondo que abalou a cozinha , Mrs._Dursley deu um gritinho e bateu com a mão em a boca , Mr._Dursley pôs se de pé com as veias de as têmporas dilatadas . - Eu queria dizer « por favor » - explicou Harry rapidamente . - Não me referia a ... - : __ o que é_que eu te __ disse - vociferou o tio , espalhando perdigotos sobre a mesa - : __ sobre pronunciar a palavra m . em esta __ casa ? - Mas eu ... - : __ como te atreves a ameaçar o __ dudley ! - rosnou o tio Vernon , batendo com o punho em a mesa . - Eu só ... - : __ estás avisado . não vou admitir referências a tua anormalidade debaixo de o tecto de a minha __ casa ! Harry olhou alternadamente para o rosto congestionado de o tio e para a palidez de a tia que tentava pôr o Dudley de pé . - Está bem - disse Harry . - Está bem ... O tio Vernon voltou a sentar se , respirando como um rinoceronte exausto e observando Harry de perto por o canto de os seus olhos pequeninos e penetrantes . Desde_que Harry regressara para as férias de Verão que o tio Vernon o tratava como_se ele fosse uma bomba , capaz de explodir a qualquer momento , porque Harry não era um rapazinho normal . Em a verdade , ele era o menos normal que é possível imaginar . Harry_Potter era um feiticeiro , um feiticeiro que acabara de concluir o primeiro ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts e a infelicidade que os Dursleys sentiam por ele estar lá em casa não era nada comparada com a de Harry . As saudades de Hogwarts eram tão intensas que se assemelhavam a uma constante dor em o estômago . Sentia a falta de o castelo com as suas passagens secretas e os seus fantasmas , de as aulas ( com excepção talvez de as de Snape , o professor de as poções ) , de o correio a chegar trazido por as corujas , de os banquetes em o salão nobre , de as noites em as camas de dossel em a camarata de a torre , de as visitas a Hagrid , o guarda de os campos em a sua casinha em o bosque , junto de a floresta proibida e , principalmente , sentia a falta de o Quidditch , o desporto mais popular de o mundo de os feiticeiros ( seis postes altos de golo , quatro bolas esvoaçantes e catorze jogadores em_cima_de vassoura ) . Todos os livros de feitiços de Harry , assim_como a varinha , os mantos , o caldeirão e a vassoura topo de gama Nimbus dois_mil tinham sido encerrados por o tio Vernon em a despensa que ficava debaixo de as escadas , em o momento em que Harry regressara a casa . O que é_que lhes interessava se ele perdia ou não o seu lugar em a equipa de Quidditch por não ter praticado durante todo o Verão ? Que importância tinha para eles que o Harry voltasse a a escola sem ter podido fazer os trabalhos de casa ? Os Dursleys eram aquilo que os feiticeiros chamam « Muggles » ( nem uma gota de sangue mágico em as veias ) e , para eles , ter um feiticeiro em a família era motivo de grande vergonha . O tio Vernon tinha , inclusivamente , fechado a cadeado a coruja de Harry , Hedwig , dentro de a gaiola , para evitar que ela transportasse mensagens para a gente de o mundo de a feitiçaria . Harry não se parecia em nada com o resto de a família . O tio Vernon era atarracado e sem pescoço , dotado de um enorme bigode preto ; a tia Petúnia tinha um rosto cavalar e era esquelética ; Dudley era loiro e rosado como um porquinho . Harry , pelo_contrário , era baixo e franzino , com os olhos verdes brilhantes e cabelo negro sempre desalinhado . Usava uns óculos redondos e tinha em a testa uma cicatriz em forma de relâmpago . Era essa cicatriz que o tornava tão invulgar , mesmo para um feiticeiro . Era a única alusão a o seu passado misterioso , a o motivo por o qual , onze anos antes , tinha sido deixado em o degrau de a porta de os Dursleys . Com um ano de idade , Harry sobrevivera a uma maldição de o maior feiticeiro negro de todos os tempos , Lord_Voldemort , cujo nome a maior parte de os feiticeiros e feiticeiras ainda receia pronunciar . Os pais de Harry tinham morrido em um ataque de Voldemort , mas ele escapara com a sua cicatriz em forma de relâmpago e estranhamente , ninguém compreendeu porquê , os poderes de Voldemort tinham sido destruídos em o momento em que não fora capaz de matar o Harry . Por isso , ele foi criado por a irmã de a sua falecida mãe e respectivo marido . Passou dez anos com os Dursleys , sem nunca compreender porque fazia com que acontecessem coisas estranhas , alheias a a sua vontade , acreditando em a história de os Dursleys de que aquela cicatriz fora resultado de um acidente de automóvel em que os pais tinham morrido . E um dia , precisamente um ano antes , Hogwarts escrevera lhe e fora então que tudo começara . Harry fora ocupar o seu lugar em a escola de feitiçaria , onde ele e a sua cicatriz eram famosas ... mas agora o ano escolar chegara a o fim e estava de_novo com os Dursleys . Durante o Verão , voltara a ser tratado como um cão malcheiroso . Os Dursleys nem se tinham lembrado que aquele era o dia de o seu décimo segundo aniversário . É claro que não tivera grandes expectativas : eles nunca lhe tinham dado um presente a sério , muito menos um bolo , mas ignorarem o por completo ... Em esse momento , o tio Vernon pigarreou com um ar importante e disse : - Como todos sabem , hoje é um dia muito importante . Harry olhou para ele , mal conseguindo acreditar . - Pode bem ser que eu faça hoje o maior negócio de toda_a minha vida - afirmou . Harry voltou novamente a atenção para a torrada . É claro , pensou amargamente , o tio Vernon referia se a a estúpida dinner-party . Havia quinze_dias que não falava de outra coisa . Um consultor qualquer cheio de massa e a mulher vinham jantar lá a casa e o tio Vernon tinha esperança de conseguir uma grande encomenda ( a empresa de o tio Vernon fabricava brocas ) . - Acho que devíamos recapitular mais_uma_vez - disse o tio Vernon . - Devemos estar todos a postos a as oito_horas_em_ponto . Petúnia , tu vais estar ... ? - Em o salão - respondeu a tia Petúnia prontamente - a a espera para lhes dar as boas-vindas a nossa casa . - Bom , bom . E o Dudley ? - Eu vou estar a a espera para abrir a porta . - Dudley esboçou um sorriso falso e afectado . - Dão me licença que vos guarde os casacos , Mr. e Mrs._Mason ? - Eles vão adorá o - exclamou arrebatadamente a tia Petúnia . - Excelente , Dudley - disse o tio Vernon . - A seguir voltou se para o Harry . - E tu ? - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - repetiu o Harry , de forma inexpressiva . - Exactamente - confirmou o tio Vernon , de um modo desagradável . - Eu conduzo os até a o salão , apresento te , Petúnia , e sirvo lhes as bebidas . _ a as oito_e_um_quarto . - Eu chamo para a mesa - disse a tia Petúnia . - E tu , Dudley , vais dizer ... - Dá me licença que lhe indique a casa de jantar , Mrs._Mason ? - repetiu o Dudley , oferecendo o seu braço gordo a uma mulher invisível . - O meu pequenino cavalheiro - fungou a tia Petúnia . - E tu ? - perguntou o tio Vernon a o Harry , em o mesmo tom desagradável . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho , fingindo que não estou lá - respondeu Harry aborrecido . - Isso mesmo . Agora , devíamos ter preparadas algumas frases amáveis para o jantar . Petúnia , alguma ideia ? - O Vernon disse me que o senhor é um excelente jogador de golfe , Mr._Mason ... Tem de me dizer onde comprou esse vestido , Mrs._Mason ... - Perfeito . Dudley ? - Que tal : Tivemos de fazer um trabalho para a escola sobre o nosso herói e eu escrevi sobre o senhor ... Foi de mais , tanto para a tia Petúnia como para o Harry . A tia debulhou se em lágrimas e abraçou o filho , enquanto Harry se esgueirava para debaixo de a mesa para ninguém o ver rir . - E tu , rapaz ? Harry fez um esforço para se mostrar inexpressivo quando emergiu . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - disse . - Vais sim senhor - afirmou o tio Vernon energicamente . - Os Mason não sabem nada a teu respeito e é assim que as coisas vão continuar . Quando o jantar terminar , tu trazes Mrs._Mason para o salão , onde vamos tomar café , Petúnia , e eu puxo o assunto de as brocas . Com um_pouco de sorte , tenho o contrato assinado antes de o noticiário de as dez . Amanhã por esta hora , vamos estar a fazer compras para umas férias em Maiorca . Harry não conseguia sentir o menor entusiasmo com aquilo . Não lhe parecia que os Dursleys gostassem mais de ele em Maiorca do_que em Privet_Drive . - Certo , eu vou a a cidade buscar os casacos para mim e para o Dudley . E tu - resmungou , apontando para Harry - não atrapalhes a tua tia enquanto ela estiver a limpar . Harry saiu por a porta de as traseiras . Estava um dia de sol lindo . Atravessou o relvado , deixou se cair em o banco de o jardim e cantarolou baixinho : - Parabéns para mim ... parabéns para mim ... Nem cartas nem presentes e tinha de passar a noite a fingir que não existia . Olhou infeliz para a sebe . Nunca se sentira tão só . Mais do_que tudo em o mundo , mais do_que de Hogwarts , mais até do_que de o jogo de Quidditch , Harry sentia a falta de os amigos Ron_Weasley e Hermione_Granger . Mas eles não pareciam sentir a falta de ele . Nenhum de os dois lhe escrevera durante todo o Verão apesar_de o Ron ter dito que ia convidá o para passar uns dias lá em casa . Inúmeras vezes Harry estivera quase a libertar magicamente Hedwig de a sua gaiola e mandá a levar uma carta a o Ron e a a Hermione mas não valia a pena correr o risco . Os feiticeiros menores de idade não tinham autorização para usar a magia fora de a escola . Harry não contara isto a os Dursleys . Ele sabia que era o medo de que ele os transformasse a todos em baratas que os impedia de o fecharem a a chave em a despensa debaixo de as escadas , juntamente com a varinha e a vassoura . Em as primeiras semanas Harry divertira se a murmurar baixinho palavras sem sentido e a ver o Dudley sair disparado de o quarto , tão rápido quanto as suas pernas gordas lhe permitiam . Mas o silêncio prolongado de Ron e Hermione tinham o feito sentir se tão longe de o mundo de a magia que até divertir se à_custa_de Dudley perdera o interesse . E agora o Ron e a Hermione tinham se esquecido de o seu aniversário . Quanto não daria ele por uma mensagem de Hogwarts ? De qualquer feiticeiro ou feiticeira ? Quase ficaria satisfeito com um sinal de o seu inimigo feroz , Draco_Malfoy , só para ter a certeza de que tudo aquilo não fora apenas um sonho ... Não que tudo durante o ano em Hogwarts tivesse sido divertido . Mesmo em o fim de o último período , Harry confrontara se nem mais nem menos do_que com o próprio Lord_Voldemort . Voldemort podia ter arruinado o seu ego inicial mas continuava a espalhar o terror , ainda astuto , ainda determinado a recuperar o poder . Harry escapara uma segunda vez a as suas garras mas fora por um triz e mesmo agora , algumas semanas decorridas , acordava de noite encharcado em suores frios , perguntando se onde estaria Voldemort , relembrando o seu rosto lívido , os seus olhos completamente loucos ... Harry sentou se subitamente , direito como um fuso , em o banco de o jardim . Tinha estado a olhar distraído para a sebe e a sebe estava a olhar para ele . Dois enormes olhos verdes surgiram por_entre a folhagem . Harry pôs se de pé ao_mesmo_tempo que uma voz sobrevoava a relva . - Eu sei que dia é hoje - cantarolava Dudley , bamboleando se enquanto se aproximava . Os olhos enormes piscaram e desapareceram . - O quê ? - perguntou Harry sem retirar os olhos de o lugar para_onde estava a olhar . - Eu sei que dia é hoje - repetiu , chegando junto de ele . - Ainda_bem - disse Harry . - Aprendeste finalmente os dias de a semana . - Hoje é o dia de os teus anos - troçou o Dudley . - Por_que é_que não recebeste nenhuma carta ? Não tens amigos em esse lugar esquisito ? - É melhor não deixares a tua mãe ouvir te falar de a minha escola - disse Harry calmamente . Dudley puxou para_cima as calças que estavam a escorregar lhe por o rabo gordo abaixo . - Porque estás a olhar para a sebe . ; - perguntou curioso . - Estou a pensar em as palavras que deverei pronunciar para lhe pegar fogo - disse Harry . Dudley recuou de imediato com um olhar de pânico em a cara rechonchuda . - Tu não p-p-odes , o pai disse que não podias fazer magia ou corria contigo aqui de casa e não tens mais nenhum lugar para_onde ir , não tens amigos que te convidem ... - * _ Jiggery pokery * ! - disse Harry com voz firme . - * _ Hocus pocus ... squiggly wiggly * ... - Maaaaaãe - gritou Dudley , tropeçando em os pés , enquanto se precipitava para dentro_de casa . Maaaãe , ele vai fazer aquela coisa ! Harry deu graças a os céus por aquele momento de gozo . Como não aconteceu nada de mal nem a o Dudley nem a a sebe , a tia Petúnia percebeu que ele não fizera magia nenhuma mas , mesmo_assim , Harry teve de se afastar quando ela lhe deu uma forte pancada em a cabeça com a frigideira cheia de detergente . A seguir distribuiu lhe trabalho e o castigo de só voltar a comer quando tivesse acabado tudo . Enquanto Dudley andava a flanar , olhando para o ar e comendo gelados , Harry limpou as janelas , lavou o carro , aparou a relva , adubou os canteiros , podou e regou as rosas e pintou de_novo o banco de o jardim . O sol ardia lá em cima , queimando lhe a parte de trás de o pescoço . Harry sabia que não devia ter provocado Dudley mas ele dissera precisamente aquilo que ele próprio pensava ... talvez não tivesse amigos em Hogwarts . Deviam ver agora o famoso Harry_Potter , pensou amargamente enquanto espalhava adubo em os canteiros , as costas a doerem lhe e o suor a escorrer lhe por o rosto . Eram sete_e_meia_da_tarde quando , por fim , exausto , ouviu a tia Petúnia a chamá o . - Anda para dentro e passa por cima de os jornais . Harry entrou satisfeito em a sombra de a cozinha que rebrilhava . Sobre o frigorífico estava o bolo de a noite : um enorme monte de crome batido coberto de violetas de açúcar . A carne de porco assava em o forno . - Come depressa , os Mason devem estar a chegar ! - exclamou bruscamente a tia Petúnia , apontando para duas fatias de pão e uma de queijo que estavam em cima de a mesa de a cozinha . Ela já tinha posto um vestido de * cocktail * cor de salmão . Harry lavou as mãos e comeu aquele triste jantar . Mal tinha terminado , a tia Petúnia tirou lhe o prato . - Lá para_cima , rápido ! A o passar por a porta de a sala , Harry vislumbrou o tio Vernon e Dudley de casaco e gravata . Tinha acabado de chegar a o cimo de as escadas quando a campainha de a porta tocou e a cara de o tio Vernon apareceu em o patamar . - Lembra te , rapaz , um ruído que seja ... Harry entrou em o quarto em bicos de pés , fechou a porta e preparou se para se meter em a cama . O problema é_que estava lá alguém sentado . II_O aviso de Dobby_Harry conseguiu não gritar , mas foi por_pouco . A pequena criatura que estava em a cama tinha umas orelhas grandes e largas e uns olhos verdes protuberantes de o tamanho de bolas de ténis . Harry percebeu imediatamente que fora para ele que tinha estado a olhar de manhã . Enquanto olhavam um para o outro , Harry ouviu a voz de Dudley em o * hall * . - Posso guardar os vossos casacos , Mr. e Mrs._Mason ? A criatura escorregou por a cama e curvou se tanto que a ponta de o seu enorme nariz tocou em o tapete . Harry reparou que ele tinha vestido uma espécie de fronha de almofada com buracos para os braços e pernas . - Er ... Olá - disse Harry , um_pouco nervoso . - Harry_Potter ! - exclamou a criatura em uma voz tão estridente que Harry calculou que poderia ouvir se lá em baixo . - Há tanto tempo que Dobby queria conhecê o , senhor . É uma enorme honra ... - Ob-obrigado - disse Harry , deslocando se a o longo de a parede e sentando se em a cadeira de a secretária , junto de Hedwig que dormia em a sua grande gaiola . Queria perguntar lhe « O que és tu ? » , mas pensou que seria má educação , por isso perguntou : - Quem és tu ? - Dobby , senhor . Apenas Dobby , o elfo de casa - afirmou a criatura . - Oh ! A sério ? - perguntou Harry . - Não quero ser mal-educado , mas esta não é a melhor altura para ter um elfo em o meu quarto . O riso falso de a tia Petúnia ouvia se em a sala de jantar . O elfo deixou cair a cabeça . - Não que eu não me sinta feliz por te conhecer - disse Harry rapidamente - mas , er ... estás aqui por algum motivo em especial ? - Oh , sim senhor - disse Dobby muito a sério . - Dobby veio dizer lhe que ... é difícil ... Dobby não sabe por_onde começar ... - Senta te - disse Harry educadamente , apontando lhe a cama . Para seu horror , o elfo debulhou se em lágrimas bastante ruidosas . -- S-senta-te ! - repetiu . - Nunca em toda_a minha vida ... Harry pareceu lhe ouvir as vozes lá em baixo vacilarem . - Desculpa - murmurou . - Eu não queria ofender te ... - Ofender Dobby ! - exclamou o elfo em um sufoco . - Nunca nenhum feiticeiro disse a o Dobby que se sentasse como um seu igual , senhor . Harry , tentando dizer lhe « Sch ... » e confortá o ao_mesmo_tempo , conduziu Dobby de_novo até a a cama onde ele se sentou a soluçar , parecendo uma grande boneca muito feia . Por fim , conseguiu controlar se e ficou quieto , com os seus grandes olhos fixos em Harry em uma expressão de absoluta adoração . - Não deves ter conhecido muitos feiticeiros sérios - disse lhe , tentando animá o . Dobby abanou a cabeça . Em seguida , sem qualquer aviso , saltou e começou a bater furiosamente com a cabeça em a janela , gritando : - Dobby é mau ! Dobby é mau ! - Pára , o que é_que estás a fazer ? - perguntou Harry em um murmúrio sibilante , dando um salto e puxando Dobby de_novo para a cama . Hedwig acordara com um pio particularmente agudo e batia agressivamente com as asas contra as grades de a gaiola . - Dobby tinha que se castigar , meu senhor - afirmou o elfo , que ficara ligeiramente estrábico . - Dobby quase falou mal de a família de ele ... - De a tua família ? - De a família de feiticeiros que Dobby serve , meu senhor ... O Dobby é um elfo de casa , obrigado a servir uma casa e uma família para sempre . - Eles sabem que estás aqui ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Dobby estremeceu . - Oh , não senhor , não ... Dobby vai ter que se castigar muito por ter vindo vê o . Dobby vai ter que entalar as orelhas em a porta de o forno por isto . Se eles soubessem , senhor ... - Mas achas que eles não vão reparar se tu entalares as orelhas em a porta de o forno ? - Dobby duvida , senhor . Dobby está sempre a ter de se castigar por qualquer coisa . Eles deixam que o Dobby se castigue . _ às_vezes até sugerem alguns castigos extra . - Mas por_que é_que não te vais embora , não foges ? - Um elfo de casa tem de ser libertado , senhor . E a família nunca libertará Dobby . Dobby servirá a família até morrer . Harry olhou para ele . - E eu que pensava que era infeliz por ter de ficar aqui mais quatro semanas - declarou . - Isto faz os Dursleys parecerem quase humanos . Será que ninguém te pode ajudar ? Poderei eu ? Em o mesmo momento , Harry desejou não ter aberto a boca . Dobby desfez se em ruidosos soluços de gratidão . - Por favor - murmurou Harry , inquieto . - Por favor , está calado . Se os Dursleys ouvem barulho , se eles sabem que estás aqui ... - Harry_Potter pergunta se pode ajudar Dobby . Dobby ouviu falar de a sua grandeza , mas de a sua bondade , Dobby nada sabia . Harry , que se sentia corar , disse : - Seja o que for que tenhas ouvido sobre a minha grandeza , é um disparate . Nem_sequer sou o melhor de o meu ano em Hogwarts . É a Hermione . Ela ... Mas calou se rapidamente porque pensar em Hermione era lhe doloroso . - Harry_Potter é humilde e modesto - disse Dobby reverentemente , com os seus olhos de globo avermelhados . - Harry_Potter não fala de a sua vitória sobre « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . - Voldemort ? - perguntou Harry . Dobby bateu com as mãos em as enormes orelhas e gemeu : - Ai não diga o nome , senhor . Não diga o nome ! - Desculpa - disse Harry muito depressa . - Eu sei que muita gente não gosta . O meu amigo Ron ... Calou se de_novo . Pensar em o Ron era igualmente doloroso . Dobby voltou para Harry os seus dois olhos grandes como candeeiros . - Dobby ouviu dizer - balbuciou com voz rouca - que Harry_Potter encontrou o Senhor_do_Mal uma segunda vez há poucas semanas atrás ... que Harry_Potter lhe escapou de_novo . Harry acenou e os olhos de Dobby encheram se de lágrimas . - Ah , senhor - disse em um sobressalto , limpando o rosto com a ponta de a fronha de almofada que tinha vestida . - Harry_Potter é valente e arrojado . Enfrentou tantos perigos ! Mas Dobby veio protegê o , avisar Harry_Potter , mesmo_que para isso tenha de entalar as orelhas em a porta de o forno , que Harry_Potter não deve voltar para Hogwarts . Houve um silêncio apenas quebrado por o ruído de os garfos e de as facas lá em baixo e por a voz distante de o tio Vernon . - O q-q-uê ? - gaguejou Harry . - Mas eu tenho de voltar , o ano começa em o dia um de Setembro . É a minha razão de viver . Tu não sabes como são as coisas aqui . Eu não pertenço a este lugar , o meu lugar é em Hogwarts . - Não , não , não - guinchou Dobby , sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas andavam de um lado para o outro . - Harry_Potter deve ficar aqui , onde se encontra a salvo . É demasiado grande , demasiado bom para se perder . Se Harry_Potter regressar a Hogwarts correrá perigo de vida . - Porquê ? - inquiriu Harry , surpreendido . - Há uma conspiração , Harry_Potter . Uma conspiração para fazer acontecer coisas terríveis este ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts - murmurou Dobby que começara a tremer de a cabeça a os pés . - Dobby sabe de isto há meses , senhor . Harry_Potter não deve expor se a o perigo . É demasiado importante . - Que coisas terríveis são essas ? - perguntou Harry sem perder tempo . - Quem está por detrás ? Dobby fez um ruído esquisito e começou a bater com a cabeça contra a parede como um louco . - Está bem - gritou Harry , agarrando o braço de o elfo para o fazer parar . - Não podes dizer , eu compreendo . Mas porque vieste avisar me ? - Um pensamento súbito e desagradável surgiu lhe . - Espera aí , isto tem alguma coisa que ver com o Vol , desculpa com o Quem nós sabemos ? Basta que faças sim ou não com a cabeça - acrescentou com vivacidade enquanto a cabeça de Dobby se inclinava de_novo a uma velocidade preocupante para a parede . Lentamente , Dobby abanou a cabeça . - Não , não é « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . Os olhos de Dobby estavam abertos como_se estivesse a tentar dar a Harry uma pista , mas Harry estava completamente a a nora . - Ele não tem nenhum irmão , ou tem ? Dobby abanou a cabeça , os olhos mais abertos do_que nunca . - Bem , em esse caso não estou a ver quem mais poderia ter a possibilidade de fazer acontecer coisas horríveis em Hogwarts - disse Harry . - Quero dizer , para já está lá o Dumbledore . Sabes quem é Dumbledore , não sabes ? Dobby baixou a cabeça . - Albus_Dumbledore é o melhor director que Hogwarts alguma vez teve . Dobby sabe , senhor . Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore rivalizam com os d'aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Mas , senhor - a voz de Dobby desceu a um urgente murmúrio - há poderes que Dumbledore não ... poderes que nenhum feiticeiro sério ... E antes que Harry conseguisse impedi o Dobby saltou de a cama , agarrou o candeeiro de secretária de Harry e começou a bater com a cabeça , dando uivos ensurdecedores . Fez se silêncio lá em baixo . Dois segundos mais tarde , Harry com o coração a bater como um louco , ouviu o tio Vernon chegar a o * hall * e dizer . - O Dudley deve ter deixado outra_vez a televisão ligada , o maroto ! - Depressa , para dentro de o guarda-fatos - gritou Harry , empurrando Dobby bem para o fundo , fechando a porta e metendo se a correr em a cama mesmo a_tempo_de ver a maçaneta de a porta a girar . - Que diabo estás tu a fazer ? - disse o tio Vernon entre dentes , o rosto assustadoramente próximo de o de Harry . - Acabas de estragar o ponto alto de a minha anedota de o golfista japonês . Eu que oiça mais um som e vais desejar nunca ter nascido , rapaz ! Abandonou o quarto com grandes passadas . A tremer , Harry deixou Dobby sair de o guarda-fatos . - Estás a ver como são as coisas por aqui ? - disse . - Vês porque tenho de voltar para Hogwarts ? É o único sítio onde eu tenho ... bem , onde eu acho que tenho amigos . - Amigos que nem_sequer escrevem a Harry_Potter ? - disse Dobby com ar manhoso . - Calculo que devem ter estado ... espera aí - disse Harry , franzindo a testa . - Como é_que tu sabes que os meus amigos não me têm escrito ? Dobby arrastou os pés . - Harry_Potter não deve zangar se com Dobby . Dobby fez o que achou melhor ... - Tu tens estado a interceptar me as cartas ? - Dobby tem as aqui , senhor - disse o elfo . Saltando para longe de o alcance de Harry , retirou de dentro de a fronha que usava um espesso saco cheio de envelopes . Harry reconheceu de imediato a caligrafia certinha de Hermione , a escrita desordenada de Ron e até uns gatafunhos que pareciam ser de o guarda de os campos de Hogwarts , Hagrid . Dobby piscava ansiosamente os olhos . - Harry_Potter não deve ficar zangado ... Dobby esperava que ... se Harry_Potter pensasse que os amigos o tinham esquecido ... Harry_Potter talvez não quisesse voltar a a escola , senhor . Harry não o ouvia . Fez um gesto para agarrar as cartas , mas Dobby deu um salto , afastando se . - Harry_Potter terá as cartas , senhor , se der a Dobby a sua palavra de não voltar a Hogwarts . Ah , senhor , é um risco que não deve correr . Diga que não volta , senhor ! - Não - afirmou Harry zangado . - Dá me as cartas de os meus amigos ! - Em esse caso , Harry_Potter deixa Dobby sem escolha - disse o elfo tristemente . Antes que Harry pudesse fazer um movimento , Dobby tinha aberto a porta de o quarto e descido a correr por as escadas abaixo . Com a boca seca e um aperto em o estômago , Harry correu atrás de ele , tentando não fazer barulho . Saltou os últimos seis degraus , aterrando como um gato em a carpete de o * hall * , olhando em volta a a procura de Dobby . De a sala de jantar , ouviu a voz de o tio Vernon : - Conte a a Petúnia aquela história engraçadíssima de os funileiros americanos , ela tem estado louca por ouvi a , Mr._Mason . Harry correu de o * hall * para a cozinha e sentiu o estômago ficar pequenino . O pudim , que era a a obra-prima de a tia Petúnia , a montanha de creme batido coberto de violetas de açúcar flutuava junto de o tecto . Em cima de o guarda-louça de o canto , Dobby inclinava se servilmente . - Não - suplicou Harry . - Por favor , eles matam me . - Harry_Potter deve dizer que não vai voltar a a escola ... - Dobby , por favor . - Diga , senhor . - Não posso . Dobby lançou lhe um olhar trágico . - Então , Dobby deve fazê o , senhor , para o bem de Harry_Potter . O pudim foi direito a o chão em uma queda que parecia um coração a parar . O crome esguichou para as janelas e para as paredes , enquanto o prato se despedaçava . Com o ruído de uma chicotada , Dobby desapareceu . Ouviram se gritos em a casa de jantar e o tio Vernon irrompeu por a cozinha onde foi dar com Harry coberto , de a cabeça a os pés , por o pudim de a tia Petúnia . A princípio parecia que o tio Vernon ia conseguir arranjar uma desculpa para aquilo tudo . ( É só o nosso sobrinho , muito perturbado ; conhecer pessoas estranhas deixa o muito nervoso , por isso deixamos o lá em cima ... ) Conduziu_os_Mason , bastante chocados , para a sala de jantar , garantindo a Harry que o esfolava vivo quando os Mason se fossem embora e pôs lhe em as mãos um esfregão . A tia Petúnia descobriu um resto de gelado em o frigorífico e Harry , ainda a tremer , começou a limpar a cozinha . O tio Vernon poderia ainda ter feito o negócio , se não fosse a coruja . Estava a tia Petúnia a circular com uma caixa de After-Eight , quando uma enorme coruja de celeiro fez a sua entrada vertiginosa através de a janela de a casa de jantar , deixando cair uma carta em a cabeça de Mr._Mason e desaparecendo logo_a_seguir . Mrs._Mason gritava como uma carpideira e corria por a casa praguejando contra os lunáticos . Mr._Mason ficou o tempo estritamente necessário para dizer a os Dursleys que a mulher tinha um medo pânico de pássaros de todas_as formas e tamanhos e perguntar lhes se aquela era alguma brincadeira de mau gosto . Harry não saiu de a cozinha , agarrando o esfregão como defesa , enquanto o tio Vernon avançava para ele com um brilho demoníaco em os olhos pequeninos . - Lê isso - ordenou maldosamente . Harry pegou em a carta . Não era a desejar lhe um bom aniversário . * _ Caro_Mr._Potter , * _ Recebermos hoje informações de que um feitiço de suspensão em o ar foi efectuado em sua casa esta noite , a as nove_horas_e_doze_minutos . * _ Como sabe , os feiticeiros menores não estão autorizados a praticar magia fora de a escola e , se efectuar mais um trabalho mágico , será expulso de a nossa escola . ( Decreto_de_Restrições_Razoáveis_para_Feitiçaria_de_Menores , 1875 , parágrafo C. ) * _ Pedimos-lhe também que se lembre que qualquer actividade que possa ser notada por membros alheios a a nossa comunidade ( Muggles ) constitui uma ofensa grave , segundo a secção 13 de a Confederação_Internacional_do_Estatuto_da_Magia_Secreta . * _ Tenha umas boas férias . * Atenciosamente_Mafalda_Hopkirk_Gabinete_da_Utilização_Imprópria_da_Magia_Ministério_da_Magia * . Harry olhou para a carta e engoliu em seco . - Tu não nos contaste que estavas proibido de usar magia fora de a escola - disse o tio Vernon com um brilho maldoso a dançar lhe em os olhos . - Esqueceste te de o mencionar , passou te , não foi ? Tinha se aproximado de Harry como um grande * bulldog * , com todos os dentes a a mostra . - Tenho boas notícias para ti , rapaz , vou fechar te a a chave e , se tentares sair através_de magia , nunca mais voltas a aquela escola , eles expulsam te . E rindo como um louco , arrastou Harry até a o andar de cima . O tio Vernon era mau como as cobras . Em a manhã seguinte pagou a um homem para colocar grades em a janela de o quarto de Harry . Ele próprio abriu um pequeno buraco em a porta de o quarto para que a comida pudesse ser introduzida três vezes por dia . Deixavam o Harry sair para ir a a casa_de_banho de manhã e a o final de a tarde . O resto de o tempo estava fechado em o quarto , a a espera que o tempo passasse . Três dias mais tarde , os Dursleys não mostravam qualquer intenção de abrandar o castigo e Harry não sabia como sair de aquela situação . Estava deitado em a cama , vendo o sol brilhar por_entre as grades de a janela e perguntando se tristemente o que viria a acontecer lhe . Qual era a vantagem de sair de ali por artes mágicas , se Hogwarts o expulsaria em seguida ? Contudo , a vida em Privet_Drive tinha atingido o seu nível mais baixo . Agora_que os Dursleys tinham a certeza que não iam acordar transformados em morcegos , ele perdera a única arma que tinha . O Dobby podia tê o salvo de acontecimentos terríveis em Hogwarts , mas de a maneira que as coisas estavam , ele morreria muito provavelmente a a fome . A portinhola rangeu e a mão de a tia Petúnia apareceu empurrando uma tigela de sopa de pacote para dentro de o quarto . Harry , que estava cheio de fome , saltou de a cama e agarrou a . A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um único trago . A seguir , atravessou o quarto até a a gaiola de Hedwig e pôs os legumes ensopados dentro de o seu pratinho vazio . Ela agitou as penas e olhou o com profunda repugnância . - Não vale de nada virares lhe as costas . É tudo_o_que temos - disse Harry , de modo severo . Colocou a tigela vazia em o chão junto de a portinhola e voltou para_cima de a cama , de certo modo com mais fome do_que antes de ter comido a sopa . Admitindo que estaria ainda vivo dentro_de quatro semanas o que aconteceria se ele não se apresentasse em Hogwarts ? Será que mandariam alguém obrigar os Dursleys a deixá o ir ? O quarto começava a escurecer . Exausto e com o estômago a dar horas , o cérebro a as voltas com as mesmas questões sem resposta , Harry caiu em um sono intranquilo . Sonhou que fazia parte de um espectáculo de o jardim zoológico . Preso a a jaula onde se encontrava estava um cartaz onde podia ler se « feiticeiro menor de idade « . As pessoas olhavam o com olhos protuberantes , enquanto ele jazia fraco e esfomeado em um leito de palha . Viu a cara de o Dobby em o meio de a multidão e gritou lhe , pedindo ajuda , mas o Dobby respondeu : - Harry_Potter está em segurança aí , senhor - e desapareceu . Em seguida vieram os Dursleys e Dudley bateu em as grades de a jaula , rindo se de ele . - Pára com isso - murmurou Harry como_se aquele ruído martelasse em a sua cabeça dorida . - Deixa me em paz , pára com isso , estou a tentar dormir . Abriu os olhos . O luar brilhava através de as grades de a janela . E lá fora alguém olhava de olhos arregalados para ele : alguém de rosto sardento , cabelo ruivo e nariz grande . Ron_Weasley estava de o lado de_fora de a janela . III « A toca » Ron ! - exclamou Harry , arrastando se até a a janela e empurrando a para poderem falar através de as grades . - Ron , como é_que tu , foi o ... ? Harry ficou de boca aberta , espantado com o que viu . Ron estava debruçado de a janela de trás de um velho automóvel azul-turquesa que se encontrava estacionado em o ar . Em os lugares de a frente , rindo se para Harry , estavam os irmãos mais velhos , os gémeos Fred e George . - Tudo bem , Harry ? - O que é_que se tem passado ? - perguntou o Ron . - Porque não respondeste a as minhas cartas ? Convidei te para vires ter comigo umas doze vezes e um dia o pai chegou a casa e comunicou nos que tu tinhas recebido um aviso oficial por usares magia diante de os Muggles ... - Não fui eu . E como é_que ele soube ? - Ele trabalha em o Ministério - disse o Ron . - Tu sabes que nós não podemos fazer feitiços fora de a escola . - Bem , isso vindo de ti ... - exclamou Harry , olhando para o carro flutuante . - Oh , isto não conta - disse Ron . - Foi o meu pai que o emprestou . Não o fizemos aparecer por magia . Mas usar magia em a frente de esses Muggles com quem tu vives ... - Já te disse que não fui eu , mas vai demorar muito_tempo a explicar te isso agora . És capaz de avisar em Hogwarts que os Dursleys me fecharam a a chave e que não querem deixar me voltar e obviamente eu não posso sair de aqui magicamente senão o Ministério vai achar que é a segunda vez em três dias e ... - Pára com essa conversa tola - disse o Ron . - Viemos para te levar connosco . - Mas tu também não podes tirar me de aqui utilizando processos mágicos ... - Não precisamos de isso - afirmou Ron , fazendo um sinal de cabeça para os lugares de a frente . - Esqueces te de quem está aqui comigo . - Amarra isso em volta de as grades - disse o Fred , lançando a Harry a ponta de uma corda . - Se os Dursleys acordam estou feito - lamentou se Harry enquanto dava um nó bem apertado com a corda em uma de as grades e o Fred arrancava com o carro . - Não te preocupes e chega te para trás . Harry recuou para a sombra , para junto de Hedwig que parecia ter se apercebido de a importância de tudo aquilo , mantendo se quieta e em silêncio . O carro puxou mais e mais e , subitamente , com um ruído de ferro a ceder , as grades foram arrancadas de a janela , enquanto Fred conduzia com o céu como estrada . Harry correu de_novo para a janela para ver as grades a balouçarem a poucos metros de o chão . Ofegante , Ron içou as para dentro de o carro . Harry escutou ansiosamente mas não vinha qualquer som de o quarto de os Dursleys . Quando as grades estavam em segurança em os lugares de trás junto de Ron , Fred aproximou se o_máximo que lhe foi possível de a janela . - Anda de aí - disse . - Mas , todas_as minhas coisas de Hogwarts , a minha varinha , a minha vassoura ... - Onde estão ? - Fechadas em a despensa debaixo de as escadas e eu não posso sair de este quarto . . - Não há azar - disse o George . - Sai de a frente , Harry . Fred e George treparam cautelosamente e entraram por a janela em o quarto de Harry . Tinhas que ter aberto a boca , pensou Harry enquanto George tirava de o bolso um vulgar gancho de cabelo e começava a tentar abrir a fechadura . - Muitos feiticeiros acham que é uma perda de tempo aprender os truques de os Muggles - disse o Fred . - Mas nós pensamos que há habilidades que é sempre útil conhecer apesar_de serem um_pouco lentas . Ouviu se um pequeno clique e a porta abriu se . - Pronto , vamos buscar as tuas coisas . Tu vai dando a o Ron aquilo que precisas de aí de o teu quarto - murmurou George . - Cuidado com o degrau de cima que range - sussurrou Harry enquanto os gémeos desapareciam em o escuro . Harry deu a volta a o quarto , recolhendo as suas coisas e passando as por a janela a o Ron . Em seguida , foi ajudar o Fred e o George a trazerem o resto por as escadas acima . Ouviu o tio Vernon tossir . Por fim , de língua de_fora , chegaram a o quarto , junto de a janela aberta . Fred trepou para o carro para puxar os volumes com o Ron enquanto Harry e George os empurravam de dentro de o quarto . Centímetro a centímetro o malão foi passando por a janela . O tio Vernon tossiu de_novo . - Mais um_pouco - disse o Fred que estava a puxar de dentro de o carro . Um bom empurrão , vá . Harry e George encostaram os ombros contra a mala e ela escorregou para a parte de trás de o carro . - O. _ K. , vamos embora - murmurou o George . Mas quando Harry trepava para o parapeito de a janela ouviu se um forte pio atrás de ele , imediatamente seguido de o vociferar de o tio Vernon . - Aquela maldita coruja ! - Esqueci me de a Hedwig ! Harry precipitou se de_novo para o quarto , enquanto a luz de o patamar se acendia . Agarrou a gaiola de Hedwig , correu para a janela e passou a a o Ron . Estava a subir para_cima de a cómoda quando o tio Vernon bateu em a porta , que não estava fechada , e esta se abriu completamente . Por uma fracção de segundo , o tio Vernon ficou estático junto de a porta . Em seguida , soltou um mugido como um boi zangado e avançou para Harry , agarrando o por o tornozelo . Ron , Fred e George seguraram o por os braços e puxaram o com toda_a força . - Petúnia - rosnou o tio Vernon . - Ele está a fugir ! : __ ele está a __ fugir ! Os Weasleys deram um puxão gigantesco e a perna de o Harry escapou a as garras de o tio Vernon . Logo_que Harry entrou em o carro e a porta se fechou , Ron gritou : - Acelera Fred ! - E o carro partiu subitamente em direcção a a lua . Harry mal podia acreditar que estava livre . Esticou se a a janela , o ar de a noite a fustigar lhe os cabelos e olhou para baixo , para os telhados apertados de Privet_Drive . O tio Vernon , a tia Petúnia e o Dudley estavam todos debruçados com cara de parvos , a a janela de o quarto de ele . - Até a o próximo Verão - gritou . Os Weasleys riam se a as gargalhadas e Harry esticou se para trás em o assento e pediu a o ouvido de Ron : - Deixa sair a Hedwig . Ela pode voar atrás_de nós . Há séculos que não tem uma oportunidade de esticar as asas . George passou a o Ron o gancho de cabelo e , um momento depois , a Hedwig saíra feliz por a janela , planando atrás de eles como um fantasma . - Então , qual é a história ? - perguntou Ron , impaciente . - O que é_que tem estado a acontecer ? Harry contou lhes tudo sobre o Dobby , o aviso de este e o fracasso de o pudim de violetas . Houve um longo silêncio quando ele se calou . - Isso cheira me a esturro - disse , por fim , o Fred . - Definitivamente misterioso - concordou George . - Então ele nem te disse quem está supostamente por detrás dessa trama toda ? - Acho que não podia - explicou Harry . - Já te disse , de cada_vez que estava quase a deixar escapar qualquer coisa , começava a bater com a cabeça em a parede . Viu Fred e George olharem um para o outro . - O quê ? Acham que ele estava a mentir me ? - perguntou Harry . - Bem - começou o Fred -- , coloquemos as coisas de o seguinte modo , os elfos de casa têm poderes mágicos próprios , mas geralmente não podem usá os sem a autorização de os seus donos . Eu acho que o bom de o Dobby foi enviado para evitar que voltasses para Hogwarts . Uma ideia de um engraçadinho . Haverá alguém em a escola com má vontade contra ti ? - Sim - responderam Harry e Ron , precisamente ao_mesmo_tempo . - Draco_Malfoy - explicou Harry . - Ele detesta me . - Draco_Malfoy ? - perguntou George , voltando se para trás . - O filho de o Lucius_Malfoy ? - Deve ser . Não é um nome muito vulgar , pois não ? - disse Harry . - Mas porquê ? - Ouvi o pai falar acerca de ele - confidenciou George . - Ele era um grande apoiante de o « Quem nós sabemos » . - E quando o « Quem nós sabemos » desapareceu - continuou o Fred , voltando a cara para olhar para Harry - o Lucius_Malfoy voltou , dizendo que não foi por vontade própria que fez o que fez . Monte de lixo . O pai acha que ele fazia parte de um círculo de amigos íntimos de o « Quem nós sabemos » . Harry já tinha ouvido esses boatos sobre a família de Malfoy e não o surpreenderam em absoluto . Malfoy fizera Dudley_Dursley parecer um rapazinho simpático , amável e sensível . - Não sei se os Malfoy têm um elfo de casa ... - afirmou Harry . - Bem , quem quer que o possua é sem dúvida uma antiga família de feiticeiros e deve ser rica - explicou Fred . - Sim . A mãe está sempre a desejar que pudéssemos ter um elfo de casa para passar a roupa a ferro - disse o George . - Mas só temos um velho vampiro piolhoso em o sótão e gnomos espalhados por o jardim . Os elfos de casa pertencem a as grandes casas senhoriais , a os castelos e lugares assim , não encontrarias um em a nossa casa ... Harry estava calado . Considerando que Draco_Malfoy tinha sempre as melhores coisas , que a sua família nadava em ouro de feiticeiros , era fácil imaginá o passeando se por uma enorme casa senhorial . Mandar o servo de a família evitar que Harry voltasse para Hogwarts também parecia exactamente o tipo de coisa que Malfoy poderia fazer . Teria Harry sido estúpido a o tomar Dobby a sério ? - De qualquer modo , ainda_bem que viemos buscar te - declarou Ron . - Eu começava a ficar seriamente preocupado por não responderes a nenhuma de as minhas cartas . A princípio pensei que a culpa fosse de a Errol ... - Quem é a Errol ? - A nossa coruja . Já é velhota . Não seria a primeira vez que adoecia durante uma entrega . Por isso , tentei pedir a Hermes emprestada ... - Quem ? - A coruja que os meus pais compraram a o Percy quando ele foi nomeado prefeito - respondeu Fred . - Mas o Percy não me a emprestou . Disse que precisava de ela . - O Percy tem andado com atitudes muito estranhas este Verão - comentou George franzindo a testa . - E tem mandado imensas cartas e passado um tempo infinito fechado em o quarto ... enfim , pode limpar se e polir um distintivo de prefeito todas_as vezes que se quiser ... Estás a conduzir demasiado para ocidente , Fred - acrescentou apontando para uma bússola em o painel de o automóvel . Fred girou o volante . - Então , o vosso pai sabe que têm o carro ? - perguntou Harry , quase adivinhando a resposta . - Er ... não - disse o Ron . - Ele tinha trabalho esta noite . Felizmente vamos poder pô o de_novo em a garagem , sem a mãe perceber que andámos a voar nele . - A propósito , o que faz o vosso pai em o Ministério_da_Magia ? - Trabalha em o Departamento mais chato - respondeu Ron . - A Divisão de utilização incorrecta de artefactos de os Muggles . - O quê ? - Relaciona se com objectos de feitiçaria que foram feitos por os Muggles ; sabes como é , se forem parar de_novo a uma loja de os Muggles , ou a uma casa , como em o ano passado , quando morreu uma bruxa velha e o bule de ela foi vendido a uma loja de antiguidades . Uma mulher Muggle comprou o , tentou servir chá a os amigos . Foi um pesadelo , o pai teve de fazer horas extraordinárias durante semanas . - O que é_que aconteceu ? - O bule parecia louco , esguichou chá a ferver para todos os lados e um de os homens foi parar a o hospital com a pinça de o açúcar presa em o nariz . O pai ficou nervosíssimo . É só ele e o velho feiticeiro Perkings em o gabinete e tiveram de localizar e descobrir todo o tipo de encantamentos para resolver o assunto . - Mas o teu pai ... este carro ... Fred riu se . - Sim , o pai é louco por tudo_o_que tem que ver com os Muggles . A nossa arrecadação está cheia de coisas de os Muggles . Ele separa as , lança lhes feitiços e volta a pô as em o lugar . Se ele fizesse uma busca a nossa casa teria de se prender a si mesmo . A minha mãe fica louca com tudo aquilo . - É a estrada principal - gritou o George , apontando para baixo através de a janela . - Dentro_de poucos minutos estamos lá , mesmo a tempo , está a começar a clarear . Um leve brilho rosado tingia o horizonte para leste . Fred trouxe o carro para baixo e Harry pôde ver uma manta de retalhos de campos escuros e matas de arbustos . - Estamos um_pouco longe de a vila - disse George . - Em Ottery_St . Catchpole ... O carro voador foi descendo a os poucos . A luz avermelhada brilhava agora por_entre as árvores . - Terra - disse o Fred , em o momento em que tocaram em o chão com um ligeiro solavanco . Tinham aterrado perto_de uma garagem em ruínas em um pequeno pátio e Harry viu pela_primeira_vez a casa de o Ron . Parecia ter sido em tempos uma pocilga de pedra . Mas os quartos que posteriormente lhe tinham sido acrescentados haviam a tornado bastante mais alta e o seu aspecto era tão curvado que parecia ter sido construída por artes mágicas ( o que , pensou Harry , era , muito provavelmente , verdade ) . De o telhado vermelho saíam quatro ou cinco chaminés . Junto de a entrada , fixa em o chão , podia ver se uma inscrição assimétrica que dizia « A toca » . A o lado de a porta principal estava uma contusão de botas de * _ Wellington * e um caldeirão completamente enferrujado . Por o pátio passeavam se várias galinhas castanhas e gordas . - Não é grande coisa - desculpou se o Ron . - É óptima - exclamou Harry , feliz , pensando em Privet_Drive . Saíram de o carro . - Agora vamos lá para_cima sem fazer barulho - disse o Fred . - E esperamos que a mãe nos chame para o pequeno-almoço . Depois tu , Ron , desces a escada entusiasmadíssimo . - Mãe , olha quem apareceu cá durante a noite ! - E ela vai sentir se felicíssima quando vir o Harry . Assim ninguém fica a saber que levámos o carro voador . - Certo - disse o Ron . - Vamos , Harry , eu durmo em o ... Ron ganhou uma cor de um pálido esverdeado , os olhos fixos em a casa . Os outros três fizeram meia volta . Mrs._Weasley avançava por o pátio , afugentando as galinhas e , para uma mulher baixa , roliça e simpática , era fantástico como conseguia parecer se com um tigre dentes-de-sabre . - Ah ! - suspirou o Fred . - Oh , oh ! - exclamou o George . Mrs._Weasley parou em frente de eles . As mãos em as ancas , saltando de um olhar culpado para o outro . Usava um avental a as flores , com uma varinha a sair lhe de o bolso . - Com que então - disse . - Bom dia , mãe - arriscou o George com uma voz que tentou que fosse alegre e bem-disposta . - Vocês têm alguma ideia de como tenho estado preocupada ? - perguntou Mrs._Weasley em um murmúrio fraco . - Desculpe , mãe , mas sabe , nós tivemos que ... Os três filhos de Mrs._Weasley eram mais altos do_que ela , mas tremiam quando a fúria de a mãe se abatia sobre eles . - Camas vazias ! Nem um bilhete ! O carro desaparecido ... Podiam ter tido um acidente , estou fora de mim com tanta preocupação e vocês nem se importam ... nunca , enquanto eu for viva ... esperem só até o vosso pai chegar , nunca tivemos problemas de estes com o Bill , com o Charlie ou com o Percy ... - O perfeito Percy - resmungou Fred . - : __ tu não vales um dedo de a mão de o __ percy ! - gritou Mrs._Weasley , espetando um dedo em o queixo de o Fred . - Podias ter morrido , podias ter sido visto , podias ter feito com que o teu pai perdesse o emprego ... Parecia nunca mais acabar . Mrs._Weasley tinha gritado até ficar ronca , antes de se voltar para o Harry , que recuou . - Estou muito contente por te ver , Harry - disse . - Entra e vem tomar o pequeno-almoço . Ela voltou se e regressou a casa e Harry , depois de trocar um olhar nervoso com o Ron , que lhe acenou , encorajando o , seguiu a . A cozinha era pequena e bastante estreita . A meio havia uma enfezada mesa de madeira e cadeiras em volta e Harry sentou se a a beirinha de o assento , olhando em volta . Era a primeira vez que entrava em uma casa de feiticeiros . O relógio em a parede em frente de ele , tinha apenas um ponteiro e nenhum número . Em volta , estavam escritas frases como « Hora de fazer o chá » , « Hora de dar de comer a as galinhas « e « Estás atrasado » . Empilhados em o rebordo de a lareira estavam livros com títulos como * _ Encanta o teu próprio queijo , Encantamento em a cozedura de o pão e Banquetes em um minuto - é mágico * ! E , a menos que os ouvidos de Harry estivessem a traí o , o velho rádio próximo de o lava-loiças acabara de anunciar que a seguir vinha a Hora de enfeitiçar com a popular feiticeira-cantora Celestina_Warbeck . Mrs._Weasley fazia barulho com os talheres , preparando o pequeno-almoço um bocado a o acaso , lançando olhares furiosos a os filhos , enquanto lançava as salsichas em a frigideira . De vez em quando murmurava coisas como : « Não sei o que vos passou por a cabeça « ou « nunca devia ter confiado em vocês » . - Eu não te culpo , filho - tranquilizou Harry , pondo lhe sete ou oito salsichas em o prato . - Eu e o Arthur temos estado preocupados contigo . Ainda ontem a a noite estivemos a dizer que te iríamos buscar nós próprios se não respondesses a o Ron até sexta-feira . Mas , em a verdade ( estava agora a acrescentar três ovos estrelados a o prato de ele ) , atravessar metade de o país a voar em um carro ilegal , qualquer um vos poderia ter visto ... Agitou maquinalmente a varinha em a direcção de o lava-loiças , onde a loiça começou a lavar se sozinha , tinindo baixinho lá atrás . - Estava enevoado , mãe ! - exclamou o Fred . - Boca fechada enquanto comes ! - interrompeu Mrs._Weasley . - Eles estavam a fazê o passar fome , mãe ! - disse o George . - E tu também ! - disse Mrs._Weasley , mas já foi com uma expressão mais doce que começou a cortar o pão para Harry e a barrá o com manteiga . Em esse momento , as atenções voltaram se para um pequenino volto de cabelos ruivos , em uma camisa de dormir até a os pés , que surgiu em a cozinha , deu um grito agudo e desapareceu de_novo . - É a Ginny - disse Ron baixinho a o Harry -- , a minha irmã . Tem falado de ti todo o Verão . - Sim , ela vai querer o teu autógrafo , Harry - riu se o Fred , mas o seu olhar cruzou se com o de a mãe e inclinou se para o prato , não voltando a abrir a boca . Ninguém falou até os quatro pratos estarem limpos , o que sucedeu a uma velocidade surpreendente . - Bolas , estou cansado - bocejou Fred , pousando a faca e o garfo . Acho que me vou deitar e ... - Não vais , não senhor - interrompeu Mrs._Weasley . - A culpa é tua se ficaste toda_a noite acordado . Vais fazer a des-gnomização de o jardim . Eles estão outra_vez a exagerar . - Oh , mãe ... - E vocês os dois o mesmo - dirigiu se a o Ron e a o Fred . - Tu podes ir para a cama , filho - disse a Harry . - Não lhes pediste que guiassem aquele carro miserável . Mas Harry , que se sentia acordadíssimo , respondeu prontamente : - Eu ajudo o Ron , nunca vi uma des-gnomização ... - É muito simpático de a tua parte , querido , mas é um trabalho chato - explicou Mrs._Weasley . - Vejamos o que o Lockhart tem a dizer acerca disto . E puxou de o rebordo de a lareira um livro pesadíssimo . George resmungou : - Mãe , nós sabemos * des-gnomizar * o jardim . Harry olhou para a capa de o livro de Mrs._Weasley . Em grandes letras douradas , que ocupavam grande parte de a capa , podia ler se Guia_de_Gilderoy_Lockhart para pragas caseiras . Via se também a grande fotografia de um feiticeiro bem-parecido , de cabelos loiros ondulados e olhos azuis brilhantes . Como sempre , em o mundo de os feiticeiros , a fotografia mexia se . O feiticeiro , que Harry calculou ser Gilderoy_Lockhart , não parava de lhes piscar os olhos descaradamente . Mrs._Weasley sorriu lhe . - Oh , ele é fantástico - disse . - Conhece bem as pragas caseiras . É um livro maravilhoso . - A mãe adora o - disse Fred em um murmúrio bastante audível . - Não sejas ridículo , Fred - repreendeu Mrs._Weasley com as bochechas coradas . - É claro que se achas que sabes mais do_que o Lockhart , podes ir fazer o trabalho e ai de ti se houver um único gnomo em o jardim quando eu for fazer a inspecção . A bocejar e a resmungar , os Weasley arrastaram se lá para fora com Harry atrás de eles . O jardim era grande e , em a opinião de Harry , exactamente como deveria ser um jardim . Os Dursleys não teriam gostado . Havia uma enorme quantidade de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada , mas havia árvores nodosas em volta de as paredes , plantas que Harry nunca vira , tombando de todos os canteiros e um grande lago verde cheio de rãs . - Os Muggles também têm gnomos de jardim , sabes - disse o Harry a o Ron , enquanto atravessavam a relva . - Sim , já vi essas coisas que eles pensam que são gnomos - disse o Ron todo dobrado , com a cabeça em uma moita de peónias . - Como os Pais_Natais gordinhos com canas de pesca ... Houve um tumulto ruidoso , a moita de peónias estremeceu e Ron endireitou se . - Isto_é um gnomo - declarou com um ar sério . - Larga eu ! Larga eu ! - guinchou o gnomo . Não se parecia em absoluto com o Pai_Natal . Era pequenino e parecia de couro , com uma grande cabeça protuberante e calva , precisamente como uma batata . Ron agarrou o a a distância de um braço , enquanto ele dava pontapés em o ar com os seus pézinhos que pareciam chifres . Agarrou o por os tornozelos e voltou o de pernas para o ar . - Isto_é o que tens de fazer - disse . Levantou o gnomo acima de a cabeça ( Larga eu ! ) e começou a balouçá o em grandes círculos , como os vaqueiros fazem com os laços . A o ver a expressão chocada de Harry , Ron explicou : - Não os mágoa . Só tens de os deixar bem tontos para que consigam encontrar o caminho de regresso a os buracos de os gnomos . Largou os tornozelos de o gnomo . Ele voou seiscentos metros e aterrou com um ruído surdo em o campo a o lado de a sebe . - Deplorável - afirmou o Fred . - Aposto que consigo lançar o meu para_além de aquele tronco . Harry aprendeu rapidamente a não sentir muita pena de os gnomos . Decidira largar o primeiro que apanhou para_além de a sebe , mas o gnomo , sentindo fraqueza , enfiou os seus dentinhos , aguçados como laminas , em o dedo de o Harry e não foi fácil sacudi o para ele o largar , até que ... - Uau , Harry , esse deve ter sido seiscentos metros ... O ar estava subitamente cheio de gnomos voadores . - Vês , eles não são muito espertos - afirmou o George , agarrando cinco ou seis de uma_vez . - Em o momento em que se apercebem que começou a * des-gnomização * , aparecem todos para espreitar . Era de esperar que já tivessem aprendido a ficar quietinhos . Rapidamente a multidão de gnomos começou a ir se embora , atravessando os campos em uma fila ordenada , com os pequeninos ombros arqueados . - Eles voltam - disse o Ron enquanto os via desaparecer em a sebe de o outro lado de o campo . - Eles adoram estar aqui ... o pai é muito mole com eles , acha lhes piada . Em esse momento , a porta de a frente bateu . - Ele já voltou ! - exclamou o George . - O pai já está em casa ! Apressaram se a entrar . Mr._Weasley tinha se afundado em uma de as cadeiras de a cozinha , sem óculos e com os olhos fechados . Era um homem magro , quase calvo , mas o pouco cabelo que tinha era tão ruivo como o de os filhos . Vestia um longo manto verde cheio de pó e estava cansado de a viagem . - Que noite - murmurou , tacteando em busca de o bule , enquanto todos se sentavam a a volta de ele . - Nove assaltos , nove ! E o velho Mundungs_Fletcher tentou lançar me um feitiço quando eu estava de costas . Mr._Weasley tomou um bom gole de chá e suspirou . - Encontrou alguma coisa , pai ? - perguntou Fred ansiosamente . - Só encontrei algumas chaves encolhidas e uma chaleira que mordia - bocejou Mr._Weasley . - Havia um material bastante mauzinho , mas não era de o meu departamento . O Mortlake foi levado para ser interrogado sobre uns furões extremamente antigos , mas isso pertence a a Comissão_dos_Feitiços_Experimentais , graças_a Deus . - Por_que é_que alguém ia dar se a o trabalho de fazer encolher chaves ? - perguntou George . - Para chatear os Muggles - suspirou Mr._Weasley . - Vende se lhes uma chave que não pára de encolher , até que desaparece , de_modo_a que nunca a encontrem quando precisam ... É claro que é muito difícil condenar alguém , porque nenhum Muggle é capaz de admitir que a sua chave está a encolher , insistem em que estão sempre a perdê a . Benditos sejam , vão até onde for preciso para ignorar a magia , mesmo_que ela esteja em frente de os seus narizes ... mas vocês não acreditariam em as coisas que o nosso grupo tem levado para enfeitiçar ... - : __ como carros , por __ exemplo ? Mrs._Weasley tinha aparecido , segurando um grande atiçador que parecia uma espada . Os olhos de Mr._Weasley abriram se de repente , fitando a mulher com um ar culpado . - C-carros , Molly querida ? - Sim , Artur , carros - afirmou Mrs._Weasley , os olhos a faiscar . - Imagina um feiticeiro a comprar um carro velho e enferrujado e dizer a a mulher que a única coisa que queria fazer com ele era desmontá o para ver como ele funcionava , enquanto em a verdade estava a enfeitiçá o para o fazer voar . Mr._Weasley piscou os olhos . - Bem , querida , acho que poderás constatar que não é ilegal fazer isso , embora , er , talvez ele devesse ter contado a verdade a a mulher ... Existe uma forma de tornear a lei , já_que ela diz que ... desde_que não se tenha a * intenção * de voar em o carro , o facto de ele poder voar , não ... - Arthur_Weasley tu arranjaste essa forma de tornear a lei quando a escreveste ! - gritou Mrs._Weasley . - Para poderes continuar a remexer em todo aquele lixo de os Muggles que tens em a arrecadação ! E , para tua informação , o Harry chegou hoje_de_manhã em o carro que tu não pretendias pôr a voar ! - Harry ? - perguntou Mr._Weasley sem expressão . - Qual Harry ? Olhou em volta , viu Harry e deu um salto . - Santo_Deus , é Harry_Potter ? Muito prazer , o Ron falou nos tanto de si ... - * _ O teu filho conduziu aquele carro até a a casa de o Harry e de volta até aqui em a noite passada ! * - gritou Mrs._Weasley . - O que tens a dizer a esse respeito ? - A sério ! ? - exclamou Mr._Weasley com vivacidade . - Correu tudo bem , quero dizer ... - vacilou a o ver os olhos de Mrs._Weasley que faiscavam . - Er , fizeram mal , rapazes , muito mal , mesmo ... - Vamos deixá os a os dois - murmurou o Ron , enquanto Mrs._Weasley inchava como um sapo gigantesco . - Vamos , vou mostrar te o meu quarto . Esgueiraram se de a cozinha e desceram uma passagem estreita que dava para uma escada desnivelada que ziguezagueava a o longo de a casa . Em o terceiro andar , estava uma porta entreaberta . Harry só teve tempo de ver um par de olhos castanhos brilhantes que o olhavam fixamente , antes de a porta se fechar com um estalido . - A Ginny - disse o Ron . - Não imaginas como é estranho vês a tão tímida , ela que quase nunca se cala ... Subiram mais dois andares , até chegarem a uma porta com a tinta a descascar e uma pequena placa dizendo : « Quarto_do_Ronald » . Harry entrou . A cabeça quase tocava em o tecto inclinado . Piscou os olhos . Era como entrar dentro_de uma fornalha : quase tudo em o quarto de o Ron tinha um violento matiz alaranjado : a colcha de a cama , as paredes , até o tecto . Em seguida , apercebeu se de que o Ron tinha coberto cada centímetro de o velho papel de parede com * posters * de as mesmas sete feiticeiras e feiticeiros , todos vestidos com brilhantes mantos cor de laranja , transportando vassouras e acenando entusiasticamente . - A tua equipa de Quidditch ? - perguntou Harry . - Os Chudley_Cannons - disse Ron , apontando para a colcha cor de laranja que tinha um brasão com dois C's gigantes e uma bala de canhão a_toda_a velocidade . - Nono em a Liga . Os livros de estudo de feitiços de Ron estavam empilhados desordenadamente a um canto , junto de um monte de B. _ D. , todas elas relativas a as * _ Aventuras_de_Martin_Miggs , o Muggle louco * . A varinha mágica de o Ron estava em_cima_de um aquário cheio de ovos de rã sobre o peitoril de a janela , junto de o seu rato gordo e cinzento , Scabbers , que dormia uma soneca a o sol . Harry passou por_cima_de um baralho de cartas de jogar com vontade própria , que estava caído em o chão , e olhou para fora de a janelinha . Em o campo , não muito longe , podia ver um grupo de gnomos a esgueirarem se , um a um , de_novo para a sebe de os Weasley . Em seguida , voltou se para Ron que o observava nervoso , como_se esperasse a opinião de ele . - É um_pouco pequeno - declarou o Ron muito depressa . - Não se parece nada com o quarto que tu tinhas em casa de os Muggles . E estou mesmo debaixo de o vampiro de o sótão . Ele anda sempre a bater nos canos e a gemer ... Mas Harry , com um grande sorriso , disse lhe : - Esta é a melhor casa em que eu já estive . As orelhas de Ron ficaram cor-de-rosa . IV_Na_Flourish and Blotts_A vida em a Toca era o mais diferente que é possível de a vida em Privet_Drive . Os Dursleys gostavam de tudo limpo e arrumado , em casa de os Weasleys explodia o estranho e o inesperado . Harry teve um choque de a primeira vez que olhou para o espelho que estava sobre a lareira de a cozinha e ele gritou : - Mete para dentro a camisa , * desmazelado ! * - O vampiro de o sótão gemia e batia nos canos , sempre_que sentia as coisas demasiado calmas e as pequenas explosões em o quarto de o Fred e de o George , eram consideradas perfeitamente normais . Mas o que o Harry achou mais bizarro em a vida em casa de o Ron , não foi o espelho que falava , nem o vampiro barulhento , foi o facto de todos ali em casa parecerem gostar de ele . Mrs._Weasley preocupava se com o estado de as suas meias e tentava obrigá o a servir se quatro vezes a cada refeição . Mr._Weasley gostava que Harry se sentasse a o lado de ele a a mesa para poder bombardeá o com perguntas sobre a vida com os Muggles , pedindo que lhe explicasse como funcionavam coisas como as canalizações e o serviço de os correios . - Fascinante ! - exclamava , enquanto Harry lhe explicava a utilização de o telefone . - Engenhoso , de facto , todas_as maneiras que os Muggles encontraram para passar sem a magia . Harry teve notícias de Hogwarts em uma manhã de sol , cerca de uma semana depois de ter chegado a a Toca . Quando , ele e o Ron desceram para tomar o pequeno-almoço , encontraram Mr. e Mrs._Weasley e Ginny já sentados a a mesa . Em o momento em que viu o Harry , Ginny entornou a tigela de os cereais , que caiu a o chão com grande espalhafato . Ginny entornava facilmente coisas sempre_que o Harry estava em a sala . Mergulhou debaixo de a mesa para apanhar a tigela e emergiu com o rosto a brilhar como o sol poente . Fingindo não ter dado por nada , Harry sentou se e aceitou a torrada que Mrs._Weasley lhe ofereceu . - Cartas de a escola - disse Mr._Weasley , passando a o Harry e a o Ron envelopes idênticos de pergaminho amarelado , com a morada escrita a tinta verde . - O Dumbledore já sabe que estás aqui , Harry , não perde nada aquele homem . Vocês os dois também - acrescentou , enquanto Fred e George deambulavam em a casa , ainda em pijama . Fez se silêncio durante alguns momentos , enquanto liam as respectivas cartas . A de o Harry dizia para apanhar o Expresso_de_Hogwarts , como sempre em a Estação_de_King's_Cross , em o dia_1_de_Setembro . Havia ainda uma lista de os livros que precisaria para o próximo ano . Os alunos de o segundo ano deverão ter : * _ O_Livro_Padrão_de_Feitiços , Grau 2 , por Miranda_Goshawk . * _ Ensinamentos_de_Uma_Fada_Carpideira , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Férias com Bruxas , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Duendes , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Lobisomens , por Gilderoy_Lockhart . * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves , por Gilderoy_Lockhart * . Fred , que terminara a sua própria lista , espreitou para a de o Harry . - Também te mandam comprar os livros de o Lockhart - disse . - A professora de defesa contra as artes negras deve ser fanática . Aposto que é uma bruxa . Nessa_altura , Fred percebeu o olhar de a mãe e apressou se a comer o doce de laranja . - Esse conjunto não vai ficar barato - disse George , olhando rapidamente para os pais . - Os livros de o Lockhart são de os mais dispendiosos ... - Cá nos havemos de arranjar - declarou Mrs._Weasley , mas parecia preocupada . - Espero que pelo_menos para a Ginny possamos arranjar uma data de coisas em segunda mão . - Ah , vais entrar este ano para Hogwarts ? - perguntou lhe Harry . Ela fez um aceno , corando até a a raiz de os cabelos ruivos e meteu o cotovelo em o pires de a manteiga . Felizmente ninguém deu por nada , a não ser o Harry , porque em esse momento o irmão mais velho de Ron , o Percy , entrou . Já estava vestido , com a placa de prefeito aplicada a a sua camisola de malha . - Bom dia a todos - disse , cheio de vivacidade . - Está um dia lindo . Puxou a única cadeira livre , mas deu um salto quando ia sentar se e , debaixo de ele , saltou um espanador cinzento de penas , pelo_menos , foi o que o Harry pensou até ver que ele respirava . - Errol ! - exclamou Ron , afastando a coruja de o Percy e retirando lhe debaixo de a asa uma carta . - Até que enfim , a resposta de a Hermione . Escrevi lhe a contar que íamos tentar raptar te de casa de os Dursleys . Levou Errol para um poleiro que havia junto a a porta de as traseiras e tentou colocá a lá em cima , mas Errol caiu redonda e Ron teve de a pôr em a pia , murmurando : - Patético . - Em seguida , abriu a carta de a Hermione e leu a em voz alta . * _ Querido_Ron e Harry , se aí estiveres . Espero que tudo tenha corrido bem , que o Harry esteja O. _ K. e que não tenham feito nada ilegal para conseguir trazes o , porque isso podia criar lhe problemas também a ele . Tenho estado muito preocupada e , se o Harry estiver bem , por favor digam me qualquer coisa rapidamente , mas talvez seja melhor usarem uma nova coruja , porque acho que outra entrega pode acabar como esta . * _ Estou muito atarefada com trabalho de a escola , claro * . - Como é possível ? - perguntou Ron , horrorizado . - Estamos em férias ! - * _ E vamos para Londres em a próxima quarta-feira para comprar os meus livros novos . Porque não nos encontramos em a Diagon-al ? * _ Dêem-me notícias vossas o mais depressa possível . * _ Carinhosamente_Hermione * - Bem , parece uma boa solução , podemos ir todos comprar as vossas coisas - disse Mrs._Weasley , começando a limpar a mesa . - O que vão fazer hoje ? Harry , Ron , Fred e George tinham planeado ir a o cimo de o monte a um pequeno cercado de cavalos que os Weasleys possuíam . Estava rodeado de árvores que lhe tapavam a vista de a cidade cá em baixo , o que quer_dizer que podiam praticar Quidditch , desde_que não voassem muito alto . Não podiam usar as verdadeiras bolas de Quidditch pois seria muito difícil explicar se elas escapassem e voassem sobre a cidade . Em vez de elas , lançavam maçãs para os outros apanharem . Faziam turnos para montar a Nimbus dois_mil , que era de longe a melhor vassoura . A velha Shooting_Star_de_Ron fora muitas_vezes ultrapassada por as borboletas que passavam . Cinco minutos mais tarde estavam a marchar por o monte acima , de vassouras a o ombro . Tinham perguntado a o Percy se ele queria juntar se a eles , mas ele alegara muito trabalho . Até esse dia , Harry só tinha visto Percy a a hora de as refeições , ele ficava em silêncio em o quarto o resto de o tempo . - Gostava de saber o que ele anda a fazer - afirmou Fred , de testa franzida . - Não parece o mesmo . O resultado de os exames veio um dia antes de tu chegares : doze N_F_V e ele nem se manifestou satisfeito . - Níveis_de_Feitiçaria_Vulgares - explicou o George , vendo o olhar atarantado de Harry . - Se não temos cuidado , ainda nos calha outro Chefe_de_Turma em a família . Acho que não suportaria a vergonha . Bill era o mais velho de os irmãos Weasley . Ele e o irmão a seguir , Charlie , já tinham saído de Hogwarts . Harry não conhecia nenhum de os dois , mas sabia que o Charlie estava em a Roménia a estudar dragões e o Bill em o Egipto a trabalhar em o banco de os feiticeiros : Gringotts . - Não sei como o pai e a mãe vão arranjar dinheiro para nos pagar o material escolar este ano - disse o George , passado um bocado . - Cinco conjuntos de livros de o Lockhart ! E a Ginny precisa de mantos e de uma varinha e tudo_isso ... Harry não disse nada . Sentiu se um_pouco incomodado . Fechada em um cofre subterrâneo , em o banco de Gringotts_de_Londres , estava uma pequena fortuna que os pais lhe tinham deixado . É claro que só tinha esse dinheiro em o mundo de os feiticeiros , não se podem usar Galeões , Leões e Janotas em as lojas de os Muggles . Ele nunca fizera referência a a sua conta bancária em Gringotts a os Dursleys . Não lhe parecia que o horror que eles sentiam por tudo_o_que se relacionava com a feitiçaria se estendesse a uma enorme pilha de barras de ouro . Mrs._Weasley acordou os a todos bem cedo , em a quarta-feira seguinte . Depois de comerem umas doze sanduíches de * bacon * cada_um , enfiaram os casacos e Mrs._Weasley tirou um vaso de a prateleira de o fogão de a cozinha e espreitou lá para dentro . - Está a acabar se , Arthur - suspirou . - Temos de comprar mais hoje ... Bem , os hóspedes primeiro . Passa , Harry querido ! E ofereceu lhe o vaso de flores . Harry olhou espantado enquanto todos eles o observavam . - O q-que é_que eu devo fazer ? - gaguejou . - Ele nunca viajou com o pó de Floo - disse o Ron subitamente . - Desculpa , Harry , esqueci me . - Nunca ? - perguntou Mrs._Weasley . - Mas então como chegaste a a Diagon - _ Al em o ano passado para comprar as tuas coisas ? -- Fui por o subterrâneo . - A sério ? - disse Mr._Weasley , entusiasmado . - Havia fugitivos ? Como é_que ... - Agora não , Arthur - disse Mrs . Weasley . - O pó de Floo é muito mais rápido , querido , mas , valha me Deus , se ele nunca o usou ... - Vai correr bem , mãe - disse o Fred . - Harry observa nos primeiro . Tirou uma pitada de pó brilhante de dentro de o vaso , aproximou se de o lume e lançou o pó em as chamas . Com um rugido , o fogo ficou verde-esmeralda e elevou se a uma altura superior a a de o Fred que avançou , gritando Diagon - _ Al ! E desapareceu . - Tens de falar claramente , filho - disse Mrs._Weasley a o Harry , ao_mesmo_tempo que George metia a mão em o vaso de as flores . - E vê se sais em o fogão certo . - Em o quê ? - perguntou Harry , nervoso , enquanto o lume crepitava e fazia George desaparecer também . - Bem , há imensos fogos de feiticeiros , mas desde_que te tenhas expressado claramente ... - Ele vai conseguir , Molly , não te preocupes - disse Mr._Weasley , tirando também ele algum pó . - Mas querido se ele se perde como é_que vamos justificar nos perante o tio e a tia de ele ... -- Eles não se importariam - tranquilizou a Harry . - O Dudley ia achar imensa piada se eu me perdesse em uma chaminé , não se preocupe . - Bem , em esse caso ... tu vais a seguir a o Arthur - disse Mrs._Weasley . - Logo_que entres em o fogo diz para_onde queres ir . - E mantém os cotovelos dobrados - preveniu o Ron . - E os olhos fechados - disse Mrs._Weasley . - A fuligem . - Não te enerves - disse o Ron . - Senão podes ir parar a a lareira errada . - Não entres em pânico e não queiras sair cedo de mais . Espera até veres o Fred e o George . Fazendo um enorme esforço por reter toda aquela informação , Harry tirou uma pitada de pó de Floo e avançou para a beirinha de o fogo . Respirou fundo , espalhou o pó em as chamas e entrou . O fogo parecia uma brisa quente . Abriu a boca e engoliu , de imediato , uma grande quantidade de cinzas quentes . D-dia-gon-al - tossiu . Sentiu se como_se estivesse a ser sugado para um buraco gigantesco . Como_se girasse muito depressa ... o ruído era ensurdecedor . Tentou manter os olhos abertos mas o turbilhão de chamas verdes fê lo enjoar ... algo duro bateu lhe em o cotovelo e dobrou o de imediato . Continuava a rodar , a rodar ... sentia se agora como_se várias mãos frias estivessem a bater lhe em a cara ... Espreitando através de os óculos , viu uma torrente imprecisa de fogões e captou lampejos de as salas que estavam por detrás ... as sanduíches de * bacon * davam lhe a volta dentro de o estômago ... fechou os olhos desejando que tudo aquilo parasse e então caiu , de cara em o chão , em a pedra fria e sentiu os óculos partirem se a os bocados . Desorientado e ferido , coberto de fuligem , pôs se cautelosamente de pé , levando a os olhos os óculos partidos . Estava completamente só e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava . Tudo_o_que podia dizer era que a o seu lado via uma lareira que lhe parecia ser a de uma enorme e indistinta loja de feitiçaria . Mas nenhum de os artigos que ali se encontravam tinham aspecto de fazer parte de a lista de a escola de Hogwarts . Em uma caixa de vidro podia ver se uma mão atrofiada que repousava sobre uma almofada , um baralho de cartas ensanguentado e um olho de vidro que o olhava fixamente . Máscaras de expressão maldosa enchiam as paredes , olhando de esguelha , uma enorme quantidade de ossos humanos estendia se sobre o balcão e , de o tecto , pendiam instrumentos aguçados com pontas de ferro e pregos enferrujados . Mas o pior é_que a rua estreita e escura , que Harry conseguia avistar através de a janela poeirenta de a loja , não era de modo algum a Diagon-al . Quanto_mais depressa saísse de ali , melhor . O nariz ainda a doer lhe em o sítio onde batera em o chão a o aterrar , Harry avançou rápida e silenciosamente em direcção a a porta , mas antes de conseguir chegar a meio caminho , duas pessoas apareceram de o lado de_fora de o vidro , e uma de elas era a última pessoa que Harry desejaria encontrar em o momento em que se encontrava perdido , coberto de fuligem e com os óculos partidos , Draco_Malfoy . Harry olhou rapidamente em volta e apercebeu se de a existência de um grande armário escuro a a sua esquerda , saltou lá para dentro e fechou as portas , deixando uma gretazinha para poder espreitar . Segundos depois , uma campainha tocava e Malfoy entrava em a loja . O homem que o acompanhava só podia ser o pai . Tinha o mesmo rosto pálido de feições agudas e os mesmos olhos cinzentos de gelo . Mr._Malfoy atravessou a loja , olhando maquinalmente para os artigos expostos e tocou a campainha de o balcão , antes de se voltar para o filho , dizendo : - Não mexas em nada , Draco . Malfoy , que vira o olho de vidro , disse : - Pensei que ias oferecer me um presente . - Eu prometi que ia comprar te uma vassoura de corrida - declarou o pai , tamborilando com os dedos sobre o balcão . - Para que é_que me serve , se não estou em a equipa de Quidditch ? - perguntou Malfoy , carrancudo e de mau humor . - O Harry_Potter teve uma Nimbus dois_mil o ano passado , com a autorização especial de o Dumbledor é para jogar em os Gryffindor . Ele nem é assim tão bom , é só por ser * famoso * ... famoso por ter uma estúpida cicatriz em a testa . Malfoy baixou se para observar uma prateleira cheia de crânios . - Todos acham que ele é tão esperto , o Potter maravilha , com a sua cicatriz e a sua vassoura ... - Já me disseste isso doze vezes pelo_menos - comentou Mr._Malfoy , olhando repressivamente para o filho . - E devo lembrar te que não é prudente parecer menos do_que amigo de Harry_Potter , quando a maior parte de a nossa gente vê em ele um herói que fez desaparecer o Senhor_do_Mal . Ah , Mr._Borgin . Um homem curvado surgiu por detrás de o balcão , puxando o cabelo gorduroso para trás . - Mr._Malfoy , que prazer vês o de_novo - disse Mr._Borgin , em uma voz tão untuosa como o cabelo . - Encantado , e o nosso jovem Malfoy também , encantado . Em que posso servi os ? Tenho que vos mostrar o que chegou hoje , a um preço muito razoável ... - Hoje não venho comprar , Mr._Borgin , e sim vender - afirmou Mr._Malfoy . - Vender ? - O sorriso apagou se lentamente em o rosto de Mr._Borgin . - Certamente ouviu dizer que o Ministério está a levar a cabo mais buscas - explicou o Mr._Malfoy , retirando de o bolso um rolo de pergaminho e desembrulhando o para Mr._Borgin o ler . - Eu tenho alguns , ah , artigos em casa que poderiam criar me problemas se o Ministério me batesse a porta . Mr._Borgin colocou em o nariz um par de * pince-nez * e olhou para a lista . - O Ministério não se lembraria de o incomodar certamente ... O lábio de Mr._Malfoy dobrou se . - Ainda não me fizeram nenhuma visita . O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito , mas o Ministério está a ficar cada_vez_mais intrometido . Há boatos sobre um novo decreto de protecção de os Muggles , sem dúvida que aquele mordido de as pulgas , adorador de os Muggles , que é o Arthur_Weasley deve estar por detrás de isso . Harry sentiu crescer a raiva . - E , como pode ver , alguns de estes venenos podiam dar a ideia ... - Compreendo perfeitamente , claro - disse Mr._Borgin . - Deixe me ver ... - Posso ter aquilo ? - interrompeu Draco , apontando para a mão raquítica que estava sobre a almofada . - Ah , a mão de a glória ! - exclamou Mr._Borgin , abandonando a lista de Mr._Malfoy e apressando se a responder a Draco . - Põe se lhe uma vela e ela só dá luz a quem a transporta ! A melhor amiga de os gatunos e de os salteadores , o seu filho tem gosto , senhor . - Espero que o meu filho venha a ser mais do_que gatuno ou salteador , Borgin - disse Mr._Malfoy friamente e Mr._Borgin respondeu logo : - Sem ofensa , senhor , sem querer ofender . - Embora , se as notas de a escola não melhorarem - disse Mr._Malfoy ainda mais friamente - esse possa vir a ser o único caminho possível para ele . - Não tenho culpa - retorquiu Draco . - Todos os professores têm os seus preferidos , aquela Hermione_Granger ... - Eu , em o teu lugar , teria vergonha que uma rapariga que nem_sequer pertence a famílias de feiticeiros , me passasse a a frente em todos os exames - interrompeu Mr._Malfoy . Ah - fez Harry baixinho , radiante por ver Draco atrapalhado e furioso . - É o mesmo em todo o lado - comentou Mr._Borgin em a sua voz untuosa . - O sangue de os feiticeiros conta cada_vez menos ... - Não para mim - afirmou Mr._Malfoy , com as longas narinas dilatadas . - Não senhor , nem para mim - concordou Mr._Borgin , inclinando se em uma vénia . - Em esse caso , talvez possamos voltar a a minha lista - disse Mr._Malfoy secamente . - Estou com alguma pressa , Borgin , tenho ainda hoje assuntos importantes a tratar em outro lado . Começaram a discutir os preços . Harry via nervosamente o Draco aproximar se de o seu esconderijo enquanto observava os objectos a a venda . Parou para examinar um enorme rolo de corda de carrasco e para ver , com um sorriso afectado , o cartão preso com um aparatoso laço de opalas onde podia ler se : * _ Cautela , não tocar . Amaldiçoado - reclama as vidas de dezanove donos , todos eles Muggles * . Draco voltou se e viu o armário mesmo em frente . Avançou , estendeu a mão para o puxador ... - Feito - disse Mr._Malfoy , a o balcão . - Vamos , Draco . Harry limpou a testa a a manga quando Draco se afastou . - Muito bom dia , Mr._Borgin . Espero por si amanhã em a mansão para ir buscar a mercadoria . Em o momento em que a porta se fechou , Mr._Borgin abandonou os seus modos subservientes . « Bom dia para o senhor , Mr._Malfoy , e , se as histórias que contam são verdadeiras , não me vendeu nem metade do_que tem escondido em a sua mansão ... » Murmurando de forma taciturna , Mr._Borgin desapareceu em uma sala escura . Harry esperou um minuto não fosse ele voltar e , em seguida , o mais silenciosamente possível , escapou se de o armário , passou por as caixas de vidro e saiu de a loja . Encostando os óculos partidos a o rosto , olhou em volta . Saíra em uma rua estreita e sombria que parecia composta exclusivamente de lojas dedicadas a as artes negras . Aquela de onde acabava de sair parecia ser a maior , mas em frente estava uma montra tétrica de cabeças encolhidas e duas portas abaixo podia ver se uma enorme caixa viva cheia de gigantescas aranhas pretas . Dois feiticeiros com aspecto pobre observavam o de a sombra de uma porta , murmurando entre si . Sentindo se nervoso , Harry pôs se a caminho , tentando agarrar os óculos a direito e não desistindo de a esperança de encontrar maneira de sair de ali . Por um cartaz de madeira , pendurado em a rua , indicando uma loja de venda de velas envenenadas , ficou a saber que se encontrava em a Rua * _ Bativolta * , mas isso não o ajudou pois Harry nunca ouvira falar em tal lugar . Calculou que não tinha pronunciado bem as palavras com a boca cheia de cinzas em a lareira de os Weasley . Tentando manter a calma perguntou a si mesmo o que havia de fazer . - Não estás perdido , pois não , meu menino ? - perguntou uma voz , mesmo junto de o seu ouvido , que o fez dar um salto . Uma bruxa idosa estava em a sua frente , segurando um tabuleiro de uma coisa que se parecia horrivelmente com unhas humanas . A mulher olhou o maldosamente , mostrando os dentes esverdeados . Harry recuou . - Estou bem , obrigado - disse . - Estou só ... - HARRY ! O qu'é que pensas que estás a fazer aqui ? O coração de Harry deu um salto , assim_como o de a bruxa . Um monte de unhas caíram lhe sobre os pés e ela praguejou , enquanto o corpo enorme de Hagrid , o guarda de os campos de Hogwarts , se aproximava de eles a passos largos com os olhos castanhos-escuros a faiscarem sobre a longa barba eriçada . - Hagrid - gritou Harry , aliviado . - Eu estava perdido ... o pó de Floo ... Hagrid agarrou Harry por o cachaço e puxou o para longe de a bruxa , tirando lhe o tabuleiro de as mãos . Os guinchos agudos de a feiticeira seguiram nos até a o fundo de a ruela serpenteante que ia dar a um lagar onde brilhava o sol . Harry avistou a a distância um edifício de mármore branco como a neve que lhe era familiar : o banco de Gringotts . Hagrid conduzira o até a a Diagon - _ Al . - ` _ tás em um péssimo estado ! - disse Hagrid bruscamente , sacudindo lhe a fuligem com tanta força que Harry quase caiu em um barril de estrume de dragão que se encontrava a a porta de um boticário . - A fugir , em a Rua * _ Bativolta * , eu não conheço esse lugar finório , Harry , não quero que ninguém te veja aqui em baixo . - Já percebi - disse Harry , baixando se quando Hagrid fez menção de o escovar melhor . - Já te disse que estava perdido . E o que é_que tu fazes aqui ? - ` _ Tou a a procura d'um repelente para as lesmas comedoras de legumes - resmungou Hagrid . - ` _ tão a destruir as couves todas de a escola . Tu não estás sozinho ? - Estou em casa de os Weasley , mas separámo nos explicou Harry . - Tenho que os encontrar . Desceram juntos a rua . - Por_que é_que nunca respondeste a as minhas cartas ? - perguntou Hagrid , enquanto Harry corria para o acompanhar ( tinha de dar três passos por cada enorme passada de Hagrid ) . Harry explicou lhe tudo sobre Dobby e os Dursleys . - Malditos_Muggles - rugiu Hagrid . - S'eu tivesse sabido ... - Harry ! Harry ! Aqui ! Harry olhou para_cima e viu Hermione_Granger em o topo de a escadaria de Gringotts . Desceu para vir a o encontro de ele , o cabelo castanho de caracóis , a esvoaçar atrás de ela . - O que aconteceu a os teus óculos ? Olá_Hagrid ... Oh , é maravilhoso ver vos outra_vez . Vens a Gringotts , Harry ? - Logo_que encontre os Weasley - respondeu ele . - Não vais ter d'esperar muito - riu se Hagrid . Harry e Hermione olharam em volta . Subindo a rua , em o meio de a multidão , vinham Ron , Fred , George , Percy e Mr._Weasley . - Harry - chamou Mr._Weasley , ofegante . - Tínhamos esperança que só tivesses ido um fogão mais longe ... - passou um pano em a sua calva reluzente . - A Molly está nervosíssima , aí vem ela . - Onde é_que tu saíste ? - perguntou o Ron . - Em a Rua * _ Bativolta * - disse o Hagrid , com um ar sério . - Sensacional ! - exclamaram Fred e George ao_mesmo_tempo . - Nunca nos deram autorização para lá ir - disse o Ron com uma pontinha de inveja . - E fizeram muito bem - grunhiu Hagrid . Mrs._Weasley chegou em aquele momento a correr , a mala a balouçar em uma de as mãos e Ginny quase pendurada em a outra . - Oh Harry , oh meu querido , podias ter ido parar a qualquer lugar ... Tentando recuperar o fôlego , tirou de a mala uma grande escova de roupa e começou a retirar a fuligem que Hagrid não conseguira expulsar . Mr._Weasley pegou em os óculos de Harry , deu lhes um toque de varinha e entregou lhe os como novos . - Bem , tenho de m'ir embora - disse Hagrid cuja mão estava a ser esmagada por Mrs._Weasley ( -- Rua * _ Bativolta * ! Se não o tivesses encontrado , Hagrid ! ) . - Vemo nos em Hogwarts . - E afastou se , os ombros e a cabeça acima de a multidão que enchia completamente a rua . - Adivinham quem eu vi em o Borgin and Burkes ? - perguntou Harry_a_Ron e a Hermione enquanto subiam as escadarias de Gringotts . - Malfoy e o pai . - O Lucius_Malfoy comprou alguma coisa ? - perguntou interessado Mr._Weasley que estava atrás de eles . - Não , estava a vender . - Então está preocupado - comentou Mr._Weasley com visível satisfação . - Ah , eu adorava apanhar o Lucius_Malfoy em alguma . . - Tem cuidado , Arthur - interrompeu Mrs._Weasley enquanto o gnomo porteiro lhes dava reverentemente entrada em o banco . - Isso é um problema de família . Não queiras ter mais olhos que barriga . - Queres dizer com isso que achas que eu não chego para o Malfoy ? - perguntou Mr._Weasley , indignado , mas foi rapidamente afastado de aqueles sentimentos a o avistar os pais de Hermione que estavam de pé , nervosamente encostados a o balcão que acompanhava a grande parede de mármore , a a espera que Hermione os apresentasse . - Mas vocês são Muggles ! - disse Mr._Weasley , encantado . - Temos de tomar uma bebida . O que é isso aí ? Ah , estão a trocar dinheiro de Muggle . Molly , olha - apontou cheio de excitação para as notas de dez libras que Mr._Granger tinha em a mão . - Encontramo nos aqui - disse Ron_a_Hermione , enquanto os Weasley e Harry eram conduzidos a os seus cofres em o subterrâneo de Gringotts . Para chegar a os cofres havia que tomar umas carrinhas conduzidas por gnomos que se deslocavam ao_longo_de carris de comboio de pequenas dimensões através de os túneis subterrâneos de o banco . Harry gostou de a viagem acidentada até a o cofre de os Weasley , mas sentiu se bastante mal , pior do_que em a Rua * _ Bativolta * , quando o cobre foi aberto . Havia lá dentro um pequenino monte de Leões de prata e apenas um Galeão de ouro . Mrs._Weasley foi com a mão a a procura em os cantos antes de , com um gesto rápido , varrer tudo para dentro de o saco . Harry sentiu se ainda pior quando chegaram a o seu cofre . Tentou evitar que vissem o conteúdo enquanto empurrava apressadamente mãos cheias de moedas para dentro_de uma sacola de cabedal . Lá fora , em as escadarias de mármore , separaram se . Percy murmurou vagamente que precisava de uma nova pena de escrever . Fred e George tinham avistado um amigo de Hogwarts , Lee_Jordan . Mrs._Weasley e Ginny iam a uma loja de mantos em segunda mão , Mr._Weasley continuava a insistir em levar os Grangers a o Caldeirão_Escoante para lhes pagar uma bebida . - Encontrarmo nos todos em a Flourish and Blotts dentro_de uma hora para comprar os vossos livros de estudo - disse Mrs._Weasley , afastando se com Ginny . - E nem um passo em direcção a a Rua * _ Bativolta * - gritou a os gémeos que estavam de costas . Harry , Ron e Hermione deambularam por a rua empedrada e sinuosa . O ouro , prata e bronze que tilintavam alegremente em o saco que Harry tinha em o bolso pareciam exigir ser gastos , por isso ele comprou três enormes gelados de morango e manteiga de amendoim que eles devoraram felizes enquanto vagueavam sem destino por a rua fora , observando as montras fantásticas de as lojas . Ron olhou longamente para um conjunto completo de mantos de o Chudley_Cannon , em as montras de o « Equipamento_de_Quidditch_de_Qualidade » até Hermione o arrastar de ali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos . Em a « Jogos_de_Feitiçaria_de_Gambol and Japes » encontraram o Fred , o George e o Lee_Jordan que estavam presos em a fabulosa partida debaixo_de chuva e em os fogos-de-artifício de o Dr._Filibuster . E em uma pequenina loja de velharias cheia de varinhas partidas , balanças instáveis de latão e mantos velhos cobertos de nódoas de poções encontraram Percy profundamente concentrado em um pequenino livro , bastante chato , chamado * _ Prefeitos que conquistam o poder * . - * _ Um estudo sobre os prefeitos de Hogwarts e as suas posteriores carreiras * - leu alto o Ron em a contracapa . - Deve ser fascinante ... - Desaparece - gritou Percy . - Claro , ele é muito ambicioso , já tem tudo planeado . Quer ser ministro de a magia - disse o Ron baixinho a o Harry e a a Hermione , enquanto deixavam Percy entregue a o livro . Uma hora mais tarde dirigiram se a a Flourish and Blotts . Não eram de modo algum os únicos a encaminhar se para a livraria . À_medida_que se aproximavam viram com grande surpresa uma grande multidão a a porta , tentando entrar em a loja . O motivo de tal confusão estava anunciado em um cartaz que se estendia a o longo de a montra superior . GILDEROY_LOCKHART_Assinará exemplares de a sua autobiografia " eu , o mágico " Hoje 12.30 - 16.30 - Vamos poder conhecê o ! - gritou Hermione . - Quero dizer , ele escreveu quase todos os livros de a nossa lista ! A multidão parecia ser maioritariamente composta por bruxas de a idade de Mrs._Weasley . Um feiticeiro bem-parecido estava de pé junto de a porta , dizendo : - Calma , minhas senhoras , não empurrem , cuidado com os livros . Harry , Ron e Hermione conseguiram furar e entrar . Uma longa fila serpenteava para as traseiras de a loja onde Gilderoy_Lockhart estava a assinar os seus livros . Cada_um de eles pegou em um exemplar de * _ ensinamentos de Uma Fada_Carpideira * e escaparam se de a fila indo ter a o lugar onde se encontravam os outros com Mr. e Mrs._Granger . - Ah , aí estão vocês . _ óptimo - disse Mrs._Weasley que parecia estar com falta de ar e não parava de mexer em o cabelo . - Vamos poder vês o dentro_de um minuto . Gilderoy_Lockhart veio lentamente até um lugar onde era visível para todos , sentou se a uma mesa , rodeado de grandes fotografias de o próprio rosto , todo ele sorrisos , mostrando a a multidão o brilho cintilante de os seus dentes . Lockhart usava uma túnica azul-noite que condizia a as mil maravilhas com a cor de os olhos , o chapéu pontiagudo de feiticeiro colocado lateralmente sobre o cabelo ondulado . Um homenzinho pequenino e irritante andava a dançar de um lado para o outro , tirando fotografias com uma grande máquina preta que lançava baforadas de fumo arroxeado em cada * flash * . - Sai de o caminho , tu aí - disse rispidamente a o Ron , mudando de lugar para ter um angulo melhor . - Este é para o * _ Profeta_Diário * . - Grande coisa ! - exclamou o Ron , esfregando os pés em o lugar que o fotógrafo pisara . Gilderoy_Lockhart ouviu o . Olhou , viu o Ron e em seguida Harry . Voltou a olhar , desta_vez com mais atenção . Em seguida , pôs se de pé e gritou : - Não pode ser , o Harry_Potter ? A multidão dividiu se entre murmúrios de excitação . Lockhart aproximou se , agarrou Harry por um braço e levou o para a frente . A multidão rebentou em aplausos . A cara de Harry ardia quando Lockhart lhe apertou a mão para o fotógrafo que disparava como um louco , lançando fumo espesso para_cima de os Weasley . - Belo sorriso , Harry - disse Lockhart através de os seus dentes brilhantes . - Tu e eu juntos merecemos a primeira página . Quando por fim lhe largou a mão , Harry quase não sentia os dedos . Tentou recuar para junto de os Weasley , mas Lockhart lançou lhe um braço por os ombros e prendeu o a o seu lado . - Minhas senhoras e meus senhores - disse bem alto , fazendo sinal para que se acalmassem . - Que momento extraordinário este ! O momento perfeito para eu anunciar algo que tenho vindo a guardar comigo desde_há algum tempo . - Quando o jovem Harry entrou em a Flourish and Blotts hoje , ele queria apenas comprar a minha autobiografia , que tenho agora o maior prazer em oferecer lhe - a multidão aplaudiu de_novo . - Ele não tinha ideia - continuou Lockhart , dando a o Harry um pequeno encontrão que fez com que os óculos lhe escorregassem para a ponta de o nariz - de que ia conseguir em_breve muito mais do_que o meu livro Eu , o mágico . Ele e os seus colegas de a escola vão receber , de facto , o verdadeiro * _ Eu , o mágico * . Sim , minhas senhoras e meus senhores , tenho o maior prazer em anunciar que em o mês_de_Setembro assumirei o lugar de professor de Defesa contra as artes negras em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts ! A multidão aplaudiu e bateu palmas e Harry deu consigo a ser presenteado com a obra completa de Gilderoy_Lockhart . Cambaleando ligeiramente sob o peso de os livros conseguiu abrir caminho para longe de os projectores até a a porta de a sala onde estava Ginny com o seu novo caldeirão . - Podes ficar com estes - murmurou Harry , enfiando os livros em o caldeirão . - Eu vou comprar os meus . - Aposto que adoraste aquilo , não adoraste , Potter ? - disse uma voz que Harry não teve qualquer dificuldade em reconhecer . Endireitou se e deu consigo frente_a_frente com Draco_Malfoy que exibia o seu habitual sorriso escarninho . - O famoso Harry_Potter - disse Malfoy . - Nem_sequer pode entrar em uma livraria sem se tornar primeira página . - Deixa o em paz , ele não queria nada de isso - defendeu a Ginny . Era a primeira vez que falava em frente de Harry . Olhava para Malfoy com um ar feroz . - Potter , arranjaste uma namorada ! - disse arrastadamente Malfoy . Ginny ficou vermelha como um pimentão enquanto Ron e Hermione tentavam abrir caminho , ambos carregando montes de livros de Lockhart . -- Ah és tu ? - disse Ron , olhando para Malfoy como_se ele fosse algo desagradável colado a a sola de o sapato . - Aposto que te surpreendeu ver o Harry aqui ? - Não tanto como a ti em uma loja , Weasley - retorquiu Malfoy . - Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo . Ron ficou tão vermelho quanto Ginny . Deixou também cair os livros em o caldeirão e avançou para Malfoy , mas Harry e Hermione agarraram o por as costas de o casaco . - Ron - disse Mrs._Weasley , aproximando se com Fred e George . - O que estás a fazer ? Isto está uma loucura aqui dentro , vamos lá para fora . - Olha quem ele é , Arthur_Weasley . - Era_Mr._Malfoy . Estava de pé com a mão sobre o ombro de Draco , com o mesmo sorriso escarninho . -- Lucius - disse Mr._Weasley , acenando friamente . -- Muito trabalho em o ministério , segundo me consta - disse Mr._Malfoy . - Todas essas buscas ... espero que te estejam a pagar horas extraordinárias . Meteu a mão em o caldeirão de a Ginny e tirou de o meio de os livros de Lockhart um exemplar muito velho e muito gasto de o * _ Guia_de_Transfiguração_para_Principiantes * . - Parece que não - disse . - Que diabo , qual a vantagem de ser uma nódoa entre os feiticeiros se nem_sequer te pagam bem por isso ? Mr._Weasley corou mais ainda do_que Ron ou Ginny . - Nós temos uma opinião diferente sobre quem são as nódoas entre os feiticeiros - disse . - É claro que ... - disse Mr._Malfoy , os olhos mortiços passando para Mr. e Mrs._Granger apreensivamente . - As companhias com quem tu andas ... e eu que pensava que já não conseguias descer mais baixo ... Ouviu se um tilintar de metal quando o caldeirão de a Ginny foi por os ares . Mr._Weasley lançara se sobre Mr._Malfoy atirando o para dentro_de uma estante . Dezenas_de livros de feitiços saltaram lá de cima , caindo lhes sobre as cabeças . Houve um grito de - Chega lhe , pai ! - de o Fred e de o George . Mrs._Weasley soltava gritos agudos : - Não_Arthur , não . A multidão recuava deitando mais prateleiras a o chão . - Meus senhores , por favor - gritava o encarregado , e então , mais alto do_que todos : - Parem com isso , gente , parem com isso . Hagrid aproximava se através_de um mar de livros . Em um segundo afastou Mr._Weasley e Mr._Malfoy . Mr._Weasley tinha um lábio cortado e Mr._Malfoy fora agredido em um olho por uma * _ Enciclopédia_de_Cogumelos_Venenosos * . Tinha ainda em a mão o livro velho de a Ginny sobre transfiguração . Atirou lhe o , com os olhos a brilhar de malvadez . - Toma o teu livro , garota . É o melhor que o teu pai pode oferecer te . Libertando se de Hagrid , conduziu Draco para fora e abandonaram a livraria . - Devias tê o ignorado , Arthur - disse Hagrid quase a pegar em Mr._Weasley a o colo enquanto lhe endireitava o manto . - São podres até a a raiz , todos eles . Tod'à gente sabe . Nenhum Malfoy vale a pena ser ouvido . Não prestam , ' tá-lhes em o sangue . Vá lá , vamos sair de aqui . O encarregado parecia querer impedis os , mas , olhando bem para Hagrid , pensou melhor . Subiram a rua , os Grangers a tremer de medo e Mrs._Weasley fora de si . - Um belo exemplo para as crianças ... andar a a pancada em público . O que terá pensado Gilderoy_Lockhart ? - Ele gostou - disse o Fred . - Não o ouviram quando ia a sair ? Estava a perguntar a aquele tipo de o Profeta_Diário se conseguia incluir a briga em a reportagem , disse que era boa publicidade . Mas foi um grupo deprimido que regressou a a lareira de o Caldeirão_Escoante onde Harry , os Weasley e todas_as suas compras iriam viajar de volta até a a Toca , usando o pó de Floo . Despediram se de os Grangers que iam sair de o * pub * por a rua de os Muggles , de o outro lado . Mr._Weasley começou a perguntar lhes como funcionavam as paragens de autocarros , mas calou se rapidamente a o ver a expressão de Mrs._Weasley . Harry tirou os óculos e guardou os cautelosamente em o bolso antes de utilizar o pó de Floo . Definitivamente não era a sua forma ideal de viajar . V_O salgueiro zurzidor O fim de as férias de Verão chegou demasiado depressa para o gosto de Harry . Ele desejara muito regressar a Hogwarts , mas aquele mês em a Toca tinha sido o mais feliz de toda_a sua vida . Era difícil não invejar o Ron quando pensava em os Dursleys e em as boas-vindas que ia receber de a próxima vez que pusesse os pés em Privet_Drive . Em a última noite , Mrs._Weasley preparou um jantar magnífico , que incluía os pratos favoritos de Harry e terminava com um pudim de melaço de fazer crescer água em a boca . Fred e George alegraram a noite com uma exibição de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que saltaram de o tecto para as paredes , durante pelo_menos meia_hora . Depois , foi a altura de tomarem uma caneca de chocolate quente e irem para a cama . Em a manhã seguinte , demoraram muito_tempo a preparar se . Levantaram se com o cantar de o galo , mas parecia lhes que ainda tinham muito para fazer . Mrs._Weasley andava de um lado para o outro , mal-humorada , a a procura de meias e penas , chocavam uns com os outros em as escadas , meio vestidos , meio despidos , com pedaços de torrada em as mãos e Mr._Weasley quase partiu o nariz quando tropeçou em uma galinha a o atravessar o pátio , para meter em o carro a mala de Ginny . Harry não percebia lá muito bem_como é_que oito pessoas , seis grandes malas , duas corujas e um rato , iam caber em um pequeno * _ Ford_Anglia * , isso , claro , antes de as artes mágicas que Mr._Weasley acrescentara . - Nem uma palavra a a Molly - murmurou ele a o Harry , enquanto abria a bagageira e lhe mostrava como ela se expandira para que as malas coubessem facilmente . Quando , por fim , se acomodaram todos em o carro , Mrs._Weasley olhou para o banco de trás , onde Harry , Ron , Fred , George e Percy estavam confortavelmente sentados uns a o lado de os outros e disse : - Os Muggles têm mais conhecimentos do_que aqueles que nós lhes atribuímos , não achas ? - Ela e a Ginny entraram para o lugar de a frente , que fora esticado e parecia um banco de jardim . - Quer_dizer , de_fora ninguém diria que este carro era espaçoso , não acham ? Mr._Weasley pôs o motor a funcionar e saíram de o pátio , Harry voltando se para trás para ver por a última vez a casa . Mal teve tempo de se questionar se iria voltar alguma vez e já estavam de volta : George esquecera se de a caixa de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Cinco minutos mais tarde tiveram de interromper de_novo a viagem e voltar a o pátio para o Fred ir a correr buscar a vassoura . Estavam quase a chegar a a auto-estrada , quando Ginny guinchou que se esquecera de o diário . Mas estava a fazer se muito tarde e os ânimos começavam a exaltar se . Mr._Weasley olhou para o relógio e , em seguida , para a mulher . - Molly , querida ... - Não , Arthur . - Ninguém ia ver . Este botãozinho é um transformador de invisibilidade que eu instalei , levava nos por o ar , subíamos acima de as nuvens . Estaríamos lá em dez minutos e ninguém daria por nada ... - Eu disse que não , Arthur . Durante o dia , não . Chegaram a King's_Cross , faltava um quarto para as onze . Mr._Weasley precipitou se em busca de um carrinho de transporte para as malas e correram todos para a estação . Harry apanhara o Expresso_de_Hogwarts em o ano anterior . A parte mais difícil era entrar em a plataforma nove_e_três quartos , que não era visível a os olhos de os Muggles . Era preciso avançar para a barreira sólida que dividia as plataformas nove e dez . Não doía nada , mas tinha de ser feito com cuidado para que nenhum de os Muggles de esse , por o desaparecimento . - O Percy em primeiro lugar - declarou Mrs._Weasley , olhando nervosamente para o relógio lá em cima , que mostrava que tinham apenas cinco minutos para desaparecer através de a barreira . Percy avançou a passos largos e desapareceu . Mr._Weasley foi a seguir e depois de ele Fred e George . - Eu levo a Ginny e vocês vêm atrás_de nós - disse Mrs._Weasley a o Harry e a o Ron , agarrando Ginny pela mão e seguindo em frente . Em um abrir e fechar de olhos , tinham passado . - Vamos passar juntos , só temos um minuto - disse Ron a o Harry . Harry assegurou se de que a gaiola de a Hedwig estava bem fixa em cima de a sua mala e empurrou o carrinho de encontro a a barreira . Estava perfeitamente confiante , aquilo era muito mais fácil do_que usar o pó de Floo . Puseram os dois as mãos em o puxador de os carrinhos e avançaram direitos a a barreira , ganhando velocidade . A um metro e pouco , começaram a correr e ... CRASH . Os dois carros bateram em a barreira e foram impelidos para trás . A mala de o Ron caiu com um enorme estrépito . Harry desequilibrou se e a gaiola de a Hedwig foi parar a o chão brilhante , enquanto ela rolava guinchando , indignada . As pessoas em volta olhavam fixamente e um guarda que estava ali perto gritou : - Que diabo pensam vocês que estão a fazer ? - Perdemos o controlo de o carro de transporte - respondeu o Harry , respirando com dificuldade , agarrando se a as costelas , enquanto se punha de pé . Ron correu a agarrar a Hedwig , que estava a fazer uma cena tal , que já se ouviam murmúrios em a multidão sobre a crueldade para com os animais . - Porque é_que não conseguimos passar ? - perguntou Harry a o Ron em um sussurro . - Não sei . Ron olhou descontroladamente em volta . Uma_dúzia de curiosos estavam ainda a observá os . - Vamos perder o comboio - murmurou o Ron . - Não compreendo porque motivo a cancela se fechou . Harry olhou para o relógio gigantesco com um sentimento de náusea em a boca de o estômago . Dez segundos , nove segundos ... Dirigiu o carrinho de transporte para a frente com toda_a força . O metal manteve se sólido . Três segundos ... dois segundos ... um segundo ... - Partiu - afirmou o Ron , que parecia estonteado . - O comboio foi se embora . E se a mãe e o pai não conseguem voltar para aqui ? Tens algum dinheiro de Muggle ? Harry deu uma gargalhada . - Os Dursleys não me dão um tostão há mais de seis anos ! Ron encostou o ouvido a a barreira . - Não se ouve nada - disse , bastante tenso . - O que vamos nós fazer ? Não sei quanto tempo o pai e a mãe vão demorar . Olharam em volta . As pessoas ainda estavam a observá os , principalmente devido a os contínuos guinchos de a Hedwig . - Acho que o melhor é sairmos de aqui e esperamos por eles junto de o carro - disse Harry . - Aqui estamos a atrair demasiado as aten ... - Harry - disse o Ron , com os olhos a brilhar . - É isso , o carro . - O que é_que tem ? - Podemos voar nele até Hogwarts ! - Mas eu pensei ... - Estamos em apuros , certo ? E temos de chegar a a escola , ou não ? E mesmo os feiticeiros menores de idade estão autorizados a usar a magia em uma emergência real , parágrafo dezanove , ou não sei quê , de a Restrição de ... O sentimento de pânico de Harry transformou se em entusiasmo . - E tu sabes voar nele ? - Não há problema - disse o Ron , andando com o carrinho a a volta e dirigindo se para a saída . - Anda de aí . Se em os apressarmos , conseguiremos sair atrás de o Expresso_de_Hogwarts . E afastaram se de o grupo de Muggles curiosos , abandonando a estação e voltando a a rua , onde o velho * _ Ford_Anglia * se encontrava estacionado . Ron abriu a bagageira com uma série de toques de varinha . Meteram lá dentro as malas , puseram a Hedwig em o assento de trás e entraram para a frente . - Verifica se ninguém está a ver - disse o Ron , ligando a ignição com outro toque de varinha . Harry pôs a cabeça fora de a janela : o trânsito enchia a avenida principal , mas a rua de eles estava vazia . - O. _ K. - disse . Ron carregou em um pequeno botão de o painel . Os carros em volta desapareceram assim_como eles . Harry sentia o assento a vibrar debaixo_de si , ouvia o motor , sentia as mãos sobre os joelhos e os óculos em o nariz , mas , tanto quanto conseguia ver , tornara se um par de olhos redondos flutuando um metro e pouco acima de o chão em uma rua suja , cheia de carros estacionados . - Vamos - disse a voz de o Ron , vinda de o seu lado direito . O chão e os prédios escuros de ambos os lados desapareceram de o seu ângulo de visão , mal o carro se elevou . Em poucos segundos toda_a cidade de Londres , enevoada e resplandecente , estava por baixo de eles . Em seguida , ouviu se um ruído que parecia o saltar de uma rolha e o carro , Harry e Ron , reapareceram . - Oh , oh - disse Ron , batendo em o intensificador de invisibilidade . - Está avariado ... Começaram os dois a bater em o botão . O carro desapareceu . Depois surgiu de forma intermitente . - Aguenta aí - gritou o Ron e carregou com o pé em o acelerador . Saltaram direitinhos para o meio de as nuvens mais baixas e tudo ficou sujo e enevoado . - E agora ? - exclamou Harry , piscando os olhos a a sólida massa de nuvens que os comprimia de todos os lados . - Precisamos de avistar o comboio para sabermos qual a direcção a tomar - explicou o Ron . - Desce rapidamente ... Desceram por o meio de as nuvens e voltaram se em os lugares , espreitando . - Estou a vê o - gritou Harry . - Mesmo em frente , ali . O Expresso_de_Hogwarts deslocava se a grande velocidade lá em baixo , como uma serpente vermelha . - Para Norte - disse o Ron , verificando a bússola de o painel . - O. _ k . , basta que verifiquemos de meia em meia_hora . Aguenta aí ... - e arrancaram por o meio de as nuvens . Em o minuto seguinte , tinham chegado a a luz brilhante de o Sol . Era um mundo diferente . Os pneus de o carro deslizavam sobre o mar de nuvens macias , o céu era de um azul infinito sob a luz , capaz de cegar , que irradiava de o Sol . - Agora só temos de nos preocupar com os aviões - disse o Ron . Olharam um para o outro e desataram a rir . Durante muito_tempo não conseguiram parar . Era como_se tivessem mergulhado em um sonho fabuloso . Aquela , pensou Harry , era certamente a única maneira de viajar : passando por turbilhões e torres de nuvens cor de neve , em um carro cheio de calor , o sol radioso , com um grande pacote de rebuçados em o porta-luvas e antegozando o ar de inveja de o Fred e de o George quando aterrassem suavemente e de forma espectacular em o relvado macio em frente de o castelo de Hogwarts . Espreitaram várias vezes o comboio enquanto voavam cada_vez_mais para norte . Cada descida entre as nuvens dava lhes uma perspectiva diferente . Londres depressa ficou para trás , substituída por campos verdejantes que , por sua vez , deram lugar a grandes pântanos arroxeados , aldeias com pequenas igrejas de brinquedo e uma grande cidade , cheia de vida , com carros que pareciam formigas multicores . Várias horas mais tarde sem acontecer nada de_novo , Harry teve de admitir que uma parte de o entusiasmo se esgotara . Os rebuçados tinham nos deixado cheios de sede e não havia nada para beber . Ele e o Ron tinham tirado as camisolas , mas a * _ T-shirt * de o Harry estava colada a as costas de o assento e os óculos não paravam de lhe escorregar para a ponta de o nariz . Deixara de reparar em as fabulosas formas de as nuvens e pensava com saudade em o comboio , milhas abaixo de eles , onde se podia comprar sumo fresquinho de abóboras em um carro empurrado por uma bruxa gordinha . Porque não teriam conseguido entrar em a plataforma nove_e_três quartos ? - Não pode ser muito mais longe , pois não ? - resmungou o Ron , horas mais tarde quando o Sol começava a enfiar se em o seu chão de nuvens , pintando as de um rosa profundo . - Estás pronto para outra espreitadela a o comboio ? Ainda ia mesmo por baixo de eles , abrindo caminho por_entre uma montanha com o topo coberto de neve . Estava muito mais escuro entre o dossel de nuvens . Ron pôs o pé em o acelerador e levou os de_novo para_cima , mas em esse momento o motor começou a chiar . Harry e Ron trocaram entre si olhares nervosos . - Deve estar só cansado - disse o Ron . - Nunca tinha vindo tão longe ... - E fingiram ambos que não davam por o gemido que se ia tornando maior à_medida_que o céu serenamente escurecia . As estrelas desabrochavam em a escuridão , Harry voltou a enfiar a camisola de lã , tentando ignorar os limpa pára-brisas que acenavam debilmente como_que a protestar . - Não devemos estar longe - disse Ron , dirigindo se mais a o carro do_que a o amigo . - Já não devemos estar longe - deu umas palmadinhas nervosas em o * tablier * . Pouco depois , quando voltaram a voar em o meio de as nuvens , tiveram de olhar de lado em a escuridão , em busca de um ponto de referência que conhecessem . - Ali - gritou Harry , fazendo o Ron e a Hedwig darem um salto . - Mesmo em frente . Recortados em o horizonte negro , sobre o rochedo de o outro lado de o lago , erguiam se as torres e torreões de o castelo de Hogwarts . Mas o carro tinha começado a estremecer e perdia a os poucos velocidade . - Vá lá - disse o Ron , dando a o volante um pequeno abanão bajulador . - Estamos quase a chegar , vá lá ... O motor gemeu . Pequenos jactos de vapor de água brotaram de o capo . Harry deu consigo agarrado com toda_a força a os bordos de o assento enquanto voavam direitos a o lago . O carro deu um solavanco feio . Espreitando por a janela , Harry viu a superfície negra , macia e espelhada de a água cerca de uma milha abaixo de eles . Os dedos de o Ron agarrados a o volante tinham as articulações brancas . O carro deu um novo esticão . - Vá lá - murmurou o Ron . Estavam sobre o lago ... o castelo ficava mesmo em frente . Ron fez força com o pé . Houve um ruído surdo , uma crepitação e o motor morreu por completo . - Oh ! oh ! - gemeu Ron em o silêncio . O nariz de o carro voltou se para baixo . Estavam a cair , ganhando velocidade em direcção a os muros sólidos de o castelo . - Naaaaão ! - gritou o Ron , girando o volante . Escaparam a a muralha de pedra negra por centímetros , quando o carro fez um grande arco , planando primeiro sobre as estufas , depois sobre o rectângulo plantado com vegetais e , por fim , sobre os relvados , perdendo sempre velocidade . Ron largou o volante por completo e tirou a varinha de o bolso de trás . - __ pára ! __ pára ! - gritou , batendo em o * tablier * e em o pára-brisas , mas eles continuavam a mergulhar , o chão a voar em direcção a eles . - : __ cuidado com essa __ árvore ! ! ! - bramiu Harry , deitando a mão a o volante , mas ... tarde de mais ... CRUNCH . Com um ruído ensurdecedor de metal e madeira , bateram em o tronco espesso de a árvore e caíram em o chão com um forte solavanco . O vapor era um mar debaixo de o capo amachucado . A Hedwig tremia apavorada . Em a cabeça de Harry surgira um alto de o tamanho de uma bola de golfe , quando ele batera em o pára-brisas , tombando em seguida para a direita . Ron soltou um gemido longo e desesperado . - Estás O. _ K ? - perguntou Harry , aflito . - A minha varinha - disse o Ron em uma voz trémula . - Olha para a minha varinha . Tinha se partido praticamente em duas , a ponta balouçava mole , presa por meia_dúzia de esquírolas . Harry abriu a boca para dizer que em a escola com certeza conseguiriam consertá a , mas nem chegou a começar a frase . Em esse preciso momento , algo bateu em o seu lado de o carro , com a força de um touro , projectando o para_cima de o Ron , ao_mesmo_tempo que um golpe igualmente forte se sentiu em o capô . - O que está a acontec ... Ron arfou , olhando fixamente por o pára-brisas e Harry olhou em volta , mesmo a_tempo_de ver uma ramada espessa como uma píton vir contra o vidro . A árvore em que tinham batido estava a atacá os . O tronco dobrara se quase a meio e os seus galhos rugosos davam uma tareia a cada centímetro de o carro que conseguiam atingir . - Ah ! - praguejou o Ron , quando outra pernada retorcida esmurrou a sua porta , amolgando a . O pára-brisas tremia agora sob uma saraivada de golpes vindos de galhos que pareciam patas de animais e uma ramada espessa como um aríete esmagava furiosamente o capo , que parecia estar a ceder ... - Corre ! - gritou o Ron , lançando o seu peso contra a porta , mas , em o momento seguinte , tinha sido atirado para trás , para o colo de Harry por um soco maldoso , dado de baixo para_cima , por outro ramo . - Estamos feitos ! - resmungou , enquanto o tecto descaía . Mas , de repente , o chão de o carro estava a vibrar , o motor pegara . - Marcha atrás - gritou o Harry e o carro deu um salto para trás . A árvore tentava ainda agredis os , ouviam as raízes chiar , enquanto quase se partiam esticando se para os alcançar . - Escapámos por_pouco ! - exclamou o Ron . - Muito bem , carro . Mas o carro tinha atingido o limite de as suas forças . Com dois estalidos , as portas abriram se e Harry sentiu o seu assento inclinar se para o lado . Quando deu por si , estava estatelado em o chão húmido . Ruídos surdos avisaram o de que o carro estava a ejectar as malas de a bagageira . A gaiola de a Hedwig voou por os ares e abriu se . Ela saiu a voar com um pio furioso e dirigiu se a o castelo , sem sequer olhar para trás . Em seguida , o carro , amolgado , arranhado e a fumegar , arrancou em o escuro , com os faróis traseiros ardendo de fúria . - Volta aqui ! - gritou o Ron , brandindo a varinha partida . - O meu pai mata me . Mas o carro desapareceu a perder de vista , com um último estoiro de o tubo de escape . - Já viste bem o nosso azar ! ? - exclamou o Ron em o meio de a sua infelicidade , baixando se para apanhar o rato Scabbers . - De todas_as árvores em que podíamos ter batido , tínhamos de ir dar a uma que bate também . Olhou por cima de o ombro para a velha árvore que ainda agitava os ramos ameaçadoramente . - Vamos - disse Harry , fatigado . - É melhor irmos andando para a escola ... Não foi , de modo algum , a chegada triunfal que tinham imaginado . Constrangidos , cheios de frio e magoados , pegaram em as malas e começaram a arrastá as por o relvado acima , em direcção a as grandes portadas de carvalho . - Acho que o banquete já começou - disse o Ron , largando a mala em os degraus de a entrada e atravessando devagarinho para espreitar por uma janela iluminada . - Harry , anda ver , é a distribuição . Harry apressou se e os dois , ele e o Ron , espreitaram para o Salão_Nobre . Um número infindável de velas pairava em o ar , sobre quatro mesas enormes cheias de gente , fazendo brilhar os pratos dourados e as taças . Em cima , o tecto encantado que espelhava o céu lá de_fora , brilhava cheio de estrelas . Por_entre a floresta de chapéus pretos pontiagudos de Hogwarts , Harry viu uma longa fila de alunos de o primeiro ano com olhares assustados que enchia o vestíbulo . Ginny estava entre eles , facilmente reconhecível devido a o seu chamativo cabelo Weasley . Enquanto isso , a professora Mc_Gonagall , uma bruxa de óculos com cabelo castanho apanhado em um carrapito , colocava o famoso chapéu seleccionador em um banco que se encontrava em frente de os novos alunos . Todos os anos , aquele velho chapéu , remendado , puído e cheio de pó , seleccionava alunos para as quatro equipas de Hogwarts ( Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin ) . Harry lembrava se bem de o ter colocado em a cabeça , precisamente um ano antes , e ter esperado petrificado por a sua decisão , enquanto ele lhe murmurava a o ouvido . Durante alguns horríveis segundos receara que o chapéu o mandasse para os Slytherin , a equipa que produzia maior número de feiticeiros e feiticeiras de magia negra , mas acabara por ficar em os Gryffindor , juntamente com Ron e Hermione e o resto de os Weasley . Em o último período , Harry e Ron tinham ajudado os Gryffindor a vencer o campeonato de a equipa , batendo os Slytherin pela_primeira_vez em sete anos . Um rapazito baixinho com cabelo de rato acabava de ser chamado para pôr o chapéu em a cabeça . Os olhos de Harry saltavam de ele para o lugar onde o professor Dumbledore , o director , estava sentado , observando a selecção de a mesa de os professores , com a sua longa barba cor de prata e óculos de meia-lua que brilhavam a a luz de as velas . Alguns lugares a a frente , Harry viu Gilderoy_Lockhart com um manto verde-azulado . E lá bem a o fundo estava Hagrid , enorme e cabeludo , bebendo satisfeito de a sua taça . - Espera aí - murmurou a o Ron . - Há um lugar vazio em a mesa de os professores . Onde estará o Snape ? Severus_Snape era o professor de quem Harry menos gostava . Harry era também o seu aluno menos querido . Cruel , sarcástico e detestado por todos com excepção de os alunos de a sua própria equipa ( Slytherin ) , Snape tinha a seu cargo a cadeira de Poções . - Talvez esteja doente - sugeriu Ron , cheio de esperança . - Talvez se tenha ido embora - lembrou Harry . - Por não lhe terem dado outra_vez a Defesa contra as artes negras . - Ou talvez tenha sido corrido - propôs Ron com entusiasmo . - Afinal , toda_a_gente o detesta ... - Ou talvez - disse uma voz gelada atrás de eles - esteja a a espera que vocês lhe expliquem por_que motivo não vieram em o comboio de a escola . Harry deu uma volta . Em a sua frente , com o manto negro a ondular em uma brisa fria , estava Severus_Snape . O professor era um homem magro , de pele descorada , nariz adunco e um cabelo preto oleoso que lhe caía sobre os ombros . E em aquele momento sorria de um modo tal que Harry sentiu que tanto ele como Ron estavam em sérios apuros . - Sigam me - disse Snape . Sem ousarem sequer olhar um para o outro , Harry e Ron seguiram Snape por as escadas até a o amplo * hall * de entrada que estava iluminado por as chamas de os archotes . De o salão nobre vinha um cheirinho delicioso a comida , mas Snape levou os para longe de a luz e de o calor , em direcção a uma escada estreita de pedra que conduzia a os calabouços . - Entrem - ordenou , abrindo uma porta a meio de o corredor e apontando . Entraram a tremer em o escritório de Snape . As paredes sombrias estavam cobertas de prateleiras cheias de jarros de vidro grosso onde flutuavam as coisas mais diversas e repugnantes , cujo nome Harry não queria de momento conhecer . A lareira estava escura e vazia . Snape fechou a porta e voltou se de frente para eles . - Com que então - disse com falsa suavidade - o comboio não serve para o famoso Harry_Potter e o seu fiel companheiro Weasley . Queriam chegar em grande estilo , não era rapazes ? - Não senhor , foi a barreira em King's_Cross , ela ... - Silêncio - disse Snape friamente . -- _ o que fizeram a o carro ? Ron engoliu em seco . Aquela não era a primeira vez que Snape dava a Harry a impressão de ser capaz de ler pensamentos . Mas , pouco depois , compreendeu tudo quando Snape desenrolou o exemplar de o Profeta_Vespertino . - Vocês foram vistos - afirmou , mostrando lhes o cabeçalho : : __ ford anglia voador confunde __ muggles . Começou a ler alto a notícia . - Dois Muggles em Londres convenceram se de que tinham visto um carro velho a voar sobre a torre de os correios ... a a tardinha em Norfolk , Mrs._Hetty_Bayliss , enquanto pendurava a roupa ... Mr._Angus_Fleet_de_Peebles informou a polícia ... seis ou sete Muggles a o todo . Julgo que o teu pai trabalha em o departamento de mau uso dado a os objectos de os Muggles ? - disse olhando para Ron e sorrindo de uma forma ainda mais sarcástica . - Que peninha , o próprio filho ... Harry sentiu se como_se tivesse levado um soco em o estômago de uma de as maiores pernadas de a árvore louca . E se alguém descobrisse que Mr._Weasley tinha enfeitiçado o carro ? Ele ainda nem tinha pensado em isso . - Reparei durante a minha volta por o jardim que foi feito um estrago considerável em um salgueiro zurzidor extremamente valioso - continuou Snape . - Essa árvore fez nos pior a nós do_que nós ... - deixou escapar Ron . - Silêncio - interrompeu Snape , de_novo . - Infelizmente vocês não fazem parte de a minha equipa e a decisão de vos expulsar não está em as minhas mãos . Vou , por isso , buscar as pessoas que possuem essa feliz possibilidade . Esperem aqui . Harry e Ron olharam , pálidos , um para o outro . Harry perdera a fome . Sentia se agora extremamente agoniado . Tentava não olhar para uma coisa viscosa , suspensa em um líquido verde que estava em uma prateleira por detrás de a secretária de Snape . Se ele fora buscar a professora Mc_Gonagall , chefe de a equipa de os Gryffindor , não estavam muito melhor . Ela era mais justa do_que Snape , mas extremamente severa . Dez minutos mais tarde , Snape voltou e era , de facto , a professora Mc_Gonagall quem o acompanhava . Harry vira a professora Mc_Gonagall zangada , mas , ou se tinha esquecido de como a boca de ela ficava fina , ou nunca a vira tão zangada como em aquele dia . Levantou a varinha em o momento em que entrou . Harry e Ron estremeceram , mas ela limitou se a apontá a para a lareira onde as chamas se elevaram subitamente . - Sentem se - ordenou , e os dois recuaram para as cadeiras junto de o lume . - Expliquem se - disse com os óculos a brilhar de uma forma ameaçadora . Ron enveredou por a história começando por a barreira de a estação que se recusara a deixá os passar . - Por isso não tínhamos escolha , professora , não podíamos chegar a o comboio . - Porque não nos mandaram uma carta por a coruja ? Julgo que tens uma coruja ? - disse friamente a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a Harry . Harry olhou para ela sem saber o que dizer . - Parece me - continuou ela - que seria a coisa mais adequada . - Eu ... não pensei ... - Isso - disse a professora Mc_Gonagall - é bastante óbvio . Ouviu se bater a a porta de o escritório e Snape , que parecia agora mais feliz do_que nunca , foi abrir . Era o director , o professor Dumbledore . Harry ficou totalmente paralisado . Dumbledore tinha uma expressão grave . Olhou para eles de cima de o seu nariz adunco e Harry desejou estar ainda com Ron a levar uma sova de o salgueiro zurzidor . Fez se um longo silêncio . Em seguida , Dumbledore disse lhes : - Por favor , expliquem porque fizeram isto . Teria sido melhor se gritasse . Harry detestou sentir a decepção em a sua voz . Inexplicavelmente era incapaz de olhar Dumbledore em os olhos e falou em direcção a os seus joelhos . Disse lhe tudo excepto que o carro enfeitiçado pertencia a Mr._Weasley , dando a ideia de que ele e o Ron o tinham encontrado estacionado fora de a estação . Sabia que Dumbledore ia ver para_além de isso , mas o director não fez perguntas sobre o carro . Quando Harry terminou continuou a olhar para ele através de os seus óculos . - Nós vamos buscar as nossas coisas - disse Ron em um tom de voz sem esperança . - Que disparate é esse ? - rosnou a professora Mc_Gonagall . -- Então , vão expulsar nos , não vão ? - disse o Ron . Harry olhou rapidamente para Dumbledore . - Ainda não , Mr._Weasley - afirmou Dumbledore . - Mas vou assinalar a gravidade do_que vocês fizeram . Hoje a a noite escreverei a as vossas famílias . Estão também prevenidos que se voltarem a fazer uma coisa como esta não terei outro remédio senão expulsar vos . A expressão de Snape era como_se o Natal tivesse sido cancelado . Pigarreou e disse : - Professor_Dumbledore , estes rapazes infringiram o decreto para a restrição de a feitiçaria de os menores , causaram estragos consideráveis a uma árvore antiga e valiosa ... sem dúvida , actos de esta natureza ... - Cabe a a professora Mc_Gonagall decidir sobre os castigos de os rapazes , Severus - afirmou Dumbledore com toda_a calma . - Pertencem a a equipa de ela e são , portanto , de a sua responsabilidade . - Voltou se para a professora Mc_Gonagall . - Tenho de regressar a o banquete , Minerva , devo dar algumas informações . Venha Severus , há uma tarte de leite e ovos com um aspecto delicioso que quero mostrar lhe . Snape lançou um olhar de puro veneno a o Harry e a o Ron enquanto permitia que o afastassem de o seu escritório , deixando os a sós com a professora Mc_Gonagall que ainda os olhava como uma águia em fúria . - É melhor ires até a a ala hospitalar , Weasley , estás a sangrar . - Não é nada - disse Ron , limpando o corte com a manga para que ela o visse . - Professora , eu gostava de ver a minha irmã ser seleccionada . - A cerimónia de a selecção terminou - disse a professora Mc_Gonagall . - A tua irmã está também em os Gryffindor . - _ óptimo - exclamou Ron . - E por falar em os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall de forma cortante , mas Harry interrompeu a : - Professora , quando tirámos o carro , o ano escolar ainda não tinha começado , por isso os Gryffindor não deveriam perder pontos , pois não ? - terminou olhando a ansiosamente . A professora Mc_Gonagall lançou lhe um olhar penetrante , mas ele era capaz de jurar que ela quase tinha sorrido . Pelo_menos a boca não parecia tão fina . - Não vou tirar pontos a os Gryffindor - tranquilizou o . E o coração de Harry ficou mais leve . - Mas vocês os dois vão ter um castigo . Foi melhor do_que Harry imaginara . O facto de Dumbledore escrever a os Dursley não tinha a menor importância . Harry sabia perfeitamente que eles só lamentariam que o salgueiro zurzidor não o tivesse esmigalhado . A professora Mc_Gonagall ergueu a varinha de_novo apontou a a a secretária de Snape . Um grande prato de sanduíches , duas taças de prata e um jarro com sumo de abóbora gelado apareceram em menos_de um segundo . - Vocês vão comer aqui e , em seguida , vão direitinhos para o vosso dormitório - disse . - Eu também tenho de voltar para a festa . Mal a porta se fechou atrás de ela , Ron soltou baixinho um assobio . - Pensei que estávamos feitos - confessou , agarrando uma sanduíche . - Também eu - disse o Harry , orando também uma . - Mas já viste bem a nossa pouca sorte ? - insistiu o Ron com a boca cheia de frango e fiambre . - O Fred e o George voaram em aquele carro cinco ou seis vezes e nenhum Muggle os viu - engoliu outro pedaço enorme de a sanduíche . - Porque será que não conseguimos passar a barreira ? Harry encolheu os ombros . - Mas temos de ter muito cuidado a_partir_de agora - disse bebendo um grande trago de sumo de abóbora . - Que pena não termos podido ir a o banquete . - Ela não quis que nos exibíssemos - afirmou Ron com prudência . - Não vão as pessoas pensar que é uma boa chegar aqui de carro voador . Quando já tinham comido todas_as sanduíches que queriam ( o prato ia voltando a encher se sozinho ) , levantaram se e saíram de o escritório , seguindo o caminho que lhes era familiar , para a torre de os Gryffindor . O castelo estava em silêncio . Parecia que o banquete tinha acabado . Passaram por retratos murmurantes e armaduras que gemiam e subiram os degraus estreitos de pedra até que , por fim , chegaram a a passagem onde a entrada secreta para a torre de os Gryffindor se encontrava oculta por detrás de o quadro a óleo de uma dama gorda em um vestido cor-de-rosa . - A senha ? - perguntou ela mal os dois se aproximaram . - Er ... Eles ainda não tinham estado com o prefeito de os Gryffindor e por isso ainda não conheciam a senha para o novo ano , mas a ajuda não se fez esperar . Ouviram passos apressados atrás de eles e quando se voltaram viram Hermione que se aproximava . - Aí estão vocês . Onde é_que se meteram ? Correm os boatos mais ridículos , alguém disse que vocês tinham sido expulsos por espatifarem um carro voador . - Bem , expulsos não fomos - tranquilizou a Harry . - Não estás a dizer me que voaram até aqui ? - perguntou Hermione em um tom quase tão severo como a professora Mc_Gonagall . - Dispensa se o sermão - interrompeu Ron impacientemente . - E diz nos a nova senha de passagem . - É crista de pássaro - disse Hermione não contendo a impaciência . - Mas o mais importante não é isso ... Contudo as palavras de ela foram interrompidas ao_mesmo_tempo que o retrato de a dama gorda se abria e se ouvia uma tempestade de aplausos . A o que parecia a equipa de os Gryffindor estava ainda acordada , dentro de a sala comum em forma de círculo , junto de as mesas assimétricas e de os cadeirões moles a a espera que eles chegassem para , de braços estendidos através de o buraco de o retrato , puxarem Harry e Ron para dentro deixando Hermione para o fim . - Sensacional - gritou Lee_Jordan . - Inspirado ! Que entrada ! Voar em um carro e aterrar em o salgueiro zurzidor . Toda_a_gente vai falar de isto durante anos e anos . - Muito bem - disse um aluno de o quinto ano com quem Harry nunca tinha falado . Alguém dava lhe palmadas em as costas como_se ele acabasse de vencer a maratona . Fred e George abriram caminho por_entre a multidão e disseram ao_mesmo_tempo : - Por_que é_que não nos chamaram , hein ? - Ron estava vermelho como um pimentão , sorrindo envergonhado , mas Harry via perfeitamente uma pessoa que não estava nada contente . Percy elevava se acima de as cabeças de os excitados alunos de o primeiro ano e parecia estar a tentar aproximar se para os repreender . Harry deu uma cotovelada a o Ron e apontou em direcção a Percy . Ron percebeu de imediato . - Temos de ir para_cima , um_pouco cansados ! - explicou e os dois começaram a abrir caminho em direcção a a porta que ficava de o outro lado de a sala e que dava para a escada em espiral e para os dormitórios . - ` _ Noite - despediu se Harry_de_Hermione que tinha um ar tão carrancudo como Percy . Conseguiram chegar a o outro lado de a sala comum sempre a levarem palmadas em as costas e alcançaram o sossego de as escadas . Apressaram se a subir e , por fim , chegaram a a porta de o dormitório que tinha agora um letreiro a dizer « Segundos_Anos » . Entraram em o quarto circular , que conheciam tão bem , com as suas cinco camas de dossel adornadas de velado vermelho e as suas janelas altas e estreitas . As malas tinham sido trazidas para_cima e colocadas a os pés de as camas . Ron fez um sorriso culpado . - Sei que não devia ter gostado de aquilo , mas ... A porta de o dormitório abriu se e os outros rapazes de os Gryffindor entraram ; eram eles o Seamus_Finnigan , o Dean_Thomas e o Neville_Loogbottom . - Inacreditável - aplaudiu Seamus . - Incrível - aprovou o Dean . - Espantoso - exclamou o Neville , aterrado . Harry não pôde evitar também um sorriso . VI_Gilderoy_Lockhart_No dia seguinte , contudo , Harry não conseguiu sorrir . As coisas começaram a correr mal logo em o salão durante o pequeno-almoço . Debaixo de o tecto encantado ( em aquele dia triste e cinzento ) estavam as quatro grandes mesas de as equipas e sobre elas , terrinas de papa de aveia , pratos de arenque defumado , montanhas de torradas e pratadas de ovos com * bacon * . Harry e Ron sentaram se em a mesa de os Gryffindor , junto de Hermione que tinha o seu exemplar de * _ Viagens com Vampiros * totalmente aberto , encostado a um jarro de leite . Havia uma certa rigidez em a maneira como ela disse : - ` _ Dia - que mostrou a Harry que continuava a desaprovar o modo como tinham chegado a a escola . Por seu turno , Neville_Longbottom saudou os entusiasticamente . Neville era um rapazinho de cara redonda , muito dado a acidentes , com a pior memória que Harry tinha conhecido . - A entrega de correio deve estar a chegar , acho que a minha avó me vai mandar umas quantas coisas de que me esqueci ... Harry tinha começado a comer as papas de aveia , quando se ouviu um ruído tumultuoso em o ar e umas cem corujas entraram ao_mesmo_tempo , sobrevoando o salão e deixando cair cartas e pacotes em o meio de a multidão faladora . Um embrulho grande e rugoso caiu em a cabeça de Neville e , um segundo depois , uma coisa larga e cinzenta caiu em o jarro de a Hermione , enchendo os a todos de leite e penas . - Errol - gritou o Ron , puxando a coruja esfarrapada por as patas . Errol caíra inconsciente sobre a mesa com as pernas para o ar e um envelope vermelho húmido em o bico . - Oh , não ! - sobressaltou se Ron . - Ela está bem , ainda está viva - tranquilizou o Hermione , tocando suavemente em a Errol com a ponta de o dedo . - Não é isso , é ... aquilo . Ron apontava para o envelope vermelho . Parecera perfeitamente vulgar a Harry , mas Ron e Neville estavam ambos a observá o como_se esperassem que explodisse . - Qual é o problema ? - perguntou Harry . - Ela . Ela mandou me um * gritador * - disse Ron , quase sem voz . - É melhor abrires - aconselhou Neville em um murmúrio tímido - senão é pior . A minha avó uma_vez mandou me um que eu ignorei e ... - engoliu em seco - foi horrível . Harry olhava , ora para as suas caras , ora para o envelope vermelho . - O que é um * gritador * ? - perguntou . - Mas toda_a atenção de o Ron estava fixa em a carta que começara a fumegar por os cantos . - Abre a - intimou o Neville . - De aqui a poucos minutos já passou tudo . Ron estendeu uma mão trémula , retirou o envelope de o bico de a Errol e começou a abri o . Neville pôs os dedos em os ouvidos . Após uma fracção de segundo , Harry compreendeu porquê . Pensou em o primeiro momento que ela explodira . Um ruído ensurdecedor encheu o enorme salão , fazendo cair pó de o tecto . - ... : __ roubar o carro ! não me surpreendia nada se te expulsassem . espera só até te pôr as mãos em cima . será que não paraste para pensar em a nossa aflição quando vimos que o carro tinha __ desaparecido ... Os gritos de Mrs._Weasley , ampliados cem vezes em relação a o seu normal , fizeram os pratos e as colheres chocalhar em a mesa e ecoaram de forma ensurdecedora em as paredes de pedra . Vinha gente de todos os lados espreitar quem tinha recebido o * gritador * e Ron afundou se tanto em a cadeira que só se lhe via a testa carmesim . - ... : __ uma carta de o dumbledore ontem a a noite , o teu pai quase morria de vergonha . não foi esta a educação que te demos , tu e o harry podiam ter __ morrido ... Harry estava a ver quando é_que o seu nome viria a a baila . Tentou o melhor que pôde agir como_se não ouvisse a voz , mas aquilo estava a fazer com que os tímpanos lhe latejassem . - ... : __ profundamente decepcionada , o teu pai vai ter de se confrontar com um inquérito em o trabalho , tudo por tua culpa e , se pisas mais_uma_vez o risco , trago te para __ casa ! Seguiu se um silêncio ressonante . O envelope vermelho , que caíra de as mãos de o Ron , incendiou se e encaracolou se em cinzas . Harry e Ron estavam sentados de boca aberta , como_se uma onda gigante lhes tivesse passado por cima . Algumas pessoas riam e , a os poucos , o ruído de as conversas recomeçou . Hermione fechou o * _ Viagens com Vampiros * e olhou para o topo de a cabeça de Ron . - Bem , não sei o que esperavas , Ron , mas tu ... - Não me venhas dizer que mereci - interrompeu Ron . Harry afastou as papas de aveia . O estômago ardia lhe de culpa . Mr._Weasley tinha um inquérito em o trabalho , depois de tudo_o_que Mr. e Mrs._Weasley tinham feito por ele durante o Verão ... Mas não teve muito_tempo para se demorar em aqueles pensamentos . A professora Mc_Gonagall circulava em volta de as mesas de os Gryffindor distribuindo horários . Harry pegou em o seu e viu que começavam por ter Herbologia , juntamente com os Hufflepuff . Harry , Ron e Hermione saíram juntos de o castelo , atravessaram as hortas e chegaram a as estufas , onde estavam guardadas as plantas mágicas . O * gritador * tivera pelo_menos uma vantagem : Hermione parecia achar que já tinham sido suficientemente castigados e estava de_novo perfeitamente calorosa . Quando estavam a chegar a as estufas viram o resto de a classe de pé , cá fora , a a espera de a professora Sprout . Harry , Ron e Hermione tinham acabado de se lhes juntar quando a viram aproximar se a passos largos por o relvado , acompanhada de Gilderoy_Lockhart . A professora Sprout era uma bruxa pequenina e atarracada que usava um chapéu a os remendos sobre o cabelo solto . As roupas que vestia estavam sempre cheias de terra e as suas unhas fariam a tia Petúnia desmaiar . Gilderoy_Lockhart , pelo_contrário , tinha um ar imaculado em as suas vestes azul-turquesa , o cabelo doirado a brilhar debaixo_de um chapéu azul-turquesa , com uma fita dourada , perfeitamente posicionado sobre a cabeça . - Olá a todos ! - gritou Lockhart , dirigindo se a o grupo de estudantes . - Estive a mostrar a a professora Sprout a maneira correcta de tratar um salgueiro . Mas não quero que fiquem com a ideia de que sou melhor do_que ela em Herbologia . Acontece que encontrei várias de estas plantas exóticas , durante as minhas viagens .... - Estufa número três hoje , meninos ! - disse a professora Sprout que estava visivelmente descontente , bem diferente de a sua habitual natureza bem-disposta . Houve um murmúrio de interesse . Eles só tinham estado uma_vez em a terceira estufa , que era uma estufa que abrigava plantas bem mais interessantes e perigosas . A professora Sprout tirou uma enorme chave de o cinto e abriu a porta . Harry sentiu o bafo de a terra húmida com adubo misturado e o perfume forte de umas flores gigantescas , de o tamanho de guarda-chuvas , que estavam penduradas de o tecto . Ia seguir Ron e Hermione , quando a mão de o Lockhart o travou . -- Harry ! Tenho querido ter uma palavrinha contigo . Não se importa se ele chegar uns minutos atrasado , pois não , professora Sprout ? A julgar por a expressão carregada de a professora Sprout , importava se sim , mas Lockhart disse : - Então até já - e fechou a porta de a estufa em a cara de ela . - Harry ! - disse Lockhart , com os dentes brancos a brilharem a o sol , enquanto abanava a cabeça . - Harry , Harry , Harry ! Harry , totalmente perplexo , não disse uma palavra . - Quando ouvi dizer , bem , é claro que eu tive muita culpa , deviam castigar me também ... Harry não fazia ideia de que estava ele a falar , quando Lockhart prosseguiu : - Nunca me lembro de ficar tão chocado . Fazer voar um automóvel até Hogwarts ! Bem , é claro que eu percebi logo porque o fizeste . Foi um destaque em grande . Harry , Harry , Harry ! Era notável como ele conseguia mostrar todos aqueles dentes brilhantes , mesmo quando não estava a falar . - Criei te o gosto por a publicidade , não foi ? - perguntou Lockhart . - Passei te o bichinho . Apareceste comigo em a primeira página e não podias esperar para aparecer outra_vez ... - Oh , não , professor , sabe é_que ... - Harry , Harry , Harry - disse Lockhart aproximando se e tocando lhe em o ombro . - * _ Eu compreendo * . É natural querer um_pouco mais quando se lhe tomou o gosto , e eu culpo me por te ter dado esse conhecimento , porque era natural que te subisse a a cabeça , mas vê uma coisa , rapazinho , tu não podes começar a fazer voar carros para tentares ser notícia . Tens de acalmar , está bem ? Tens muito_tempo quando fores mais velho . Sim , sim , eu sei o que estás a pensar ! É fácil para ele falar assim , já é um feiticeiro internacionalmente famoso ! Mas quando eu tinha doze anos era tão zé-ninguém como tu és hoje . Em a verdade , era ainda mais . De ti , já meia_dúzia de pessoas ouviram falar , não é ? Toda aquela história com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . - Olhou para a cicatriz luminosa em a testa de Harry . - Eu sei , eu sei , não é o mesmo_que vencer o Prémio de o sorriso de o feiticeiro de a semana cinco vezes seguidas , como eu venci , mas é um começo , Harry , é um começo . Lançou lhe uma piscadela de olhos cordial e foi se embora . Harry ficou atarantado durante alguns segundos . Depois , lembrando se que deveria estar em a estufa , abriu a porta e esgueirou se lá para dentro . A professora Sprout estava de pé , por_detrás_de uma espécie de mesa em o meio de a estufa . Em cima de a mesa estavam cerca de vinte pares de abafo de ouvidos de diferentes cores . Quando Harry estava já em o seu lugar , entre Ron e Hermione , ela disse : - Hoje vamos transplantar Mandrágoras . Muito bem , quem sabe dizer me as propriedades de a Mandrágora ? Não foi surpresa para ninguém que a mão de a Hermione fosse a primeira em o ar . - A Mandrágora tem um efeito reparador muito poderoso - disse Hermione , com o ar mais normal de este mundo , como_se tivesse engolido o livro de texto . - É usada para fazer voltar as pessoas , que foram transfiguradas ou amaldiçoadas , a o seu estado original . - Excelente . Dez pontos para os Gryffindor ! - exclamou a professora Sprout . - A Mandrágora é parte integrante de a maior parte de os antídotos , mas também é perigosa . Quem sabe dizer me porquê ? A mão de Hermione por_pouco não bateu em os óculos de Harry , quando se ergueu de_novo . - O grito de a Mandrágora é fatal para quem o ouve - disse prontamente . - Precisamente . Dou lhe mais dez pontos - disse a professora Sprout . - Agora vejamos , as Mandrágoras que aqui temos são ainda muito jovens . Enquanto falava , apontou para uma fila de tabuleiros com uma certa profundidade e todos se chegaram a a frente para ver melhor . Cerca de uma centena de plantinhas tufosas de um verde arroxeado cresciam em filas . Pareceram perfeitamente vulgares a Harry , que não fazia a menor ideia do_que Hermione queria dizer com o * grito * de a Mandrágora . - Cada_um de vocês pode tirar um par de abafo de ouvidos - disse a professora Sprout . Houve uma competição renhida porque ninguém queria os cor-de-rosa , cheios de penugem . - Quando eu vos disser para os colocar , assegurem se de que os vossos ouvidos estão completamente tapados - disse a professora Sprout . - Logo_que seja seguro retirá os , eu levanto os dedos . Certo , pôr os abafos de os ouvido . Harry pôs imediatamente os abafos em os ouvidos . Eles fecharam completamente o som . A professora Sprout colocou também um par de abafos cor-de-rosa com penugem em os de ela , arregaçou as mangas de a túnica , agarrou uma de as plantas tufosas e puxou com toda_a força . Harry soltou um grito de surpresa que ninguém ouviu . Em_vez_de raízes , um bebé pequenino , enlameado e extremamente feio , saiu de a terra . As folhas cresciam lhe em o alto de a cabeça , tinha uma pele pintalgada de um pálido esverdeado e estava nitidamente a berrar a plenos pulmões . A professora Sprout tirou debaixo de a mesa um grande vaso de plantas e mergulhou lá dentro a Mandrágora , enterrando a em a mistura escura e húmida , até que só as folhas ficassem visíveis . Em seguida , limpou a terra de as mãos , levantou os dedos e todos eles retiraram os abafos de os ouvidos . - Como as nossas Mandrágoras são muito novas , os seus gritos ainda não matam - disse ela com grande calma , como_se tivesse feito algo tão normal como regar uma begónia . - Contudo , podem pôr vos a dormir durante várias horas e , como com certeza nenhum de vocês quer perder o primeiro dia de aulas , vejam se os abafos estão bem colocados enquanto trabalham . Eu chamarei vos a atenção quando for altura de os retirar . - Quatro em cada fila , há aqui uma grande quantidade de vasos , a mistura de terra está em os sacos ali a o fundo e tenham cuidado com a * _ Venomous_Tentacula * , estão a nascer lhe os dentes . Enquanto falava , deu uma pancada seca a uma planta vermelha escura cheia de pontas eriçadas , fazendo a encolher as longas antenas que tinham estado a avançar lenta e dissimuladamente sobre o seu ombro . A Harry , Ron e Hermione veio juntar se em a fila um rapaz de cabelo encaracolado de os Hufflepuff que Harry conhecia de vista , mas com quem nunca tinha falado . - Justin_Finch - _ Fletchey - disse ele com vivacidade , apertando a mão de o Harry . - Conheço te , claro , o famoso Harry_Potter ... e tu és a Hermione_Granger , sempre a primeira em tudo ( Hermione brilhou em um sorriso , como_se ele lhe tivesse apertado a mão ) e Ron_Weasley . Não era teu o carro voador ? Ron não sorriu . Não lhe saía de a cabeça o * gritador * . - Aquele Lockhart é o_máximo , não acham ? - disse Justin satisfeito , enquanto começavam a encher os vasos com composto de adubo de dragão . - Terrivelmente corajoso . Leram os livros de ele ? Eu teria morrido de medo se um lobisomem me tivesse encurralado em uma cabina telefónica , mas ele manteve se calmo e ... zap ... fantástico ! « Eu estava inscrito em Eton , sabem , não imaginam como estou feliz de ter vindo antes para aqui . É claro que a minha mãe ficou um_pouco desiludida , mas depois de lhe ter dado os livros de Lockhart a ler , tenho a impressão de que ela começou a ver a utilidade de ter um feiticeiro bem treinado em a família ... Depois de isso , não tiveram grandes oportunidades para conversar . Voltaram a pôr os abafos de ouvidos e era preciso concentrarem se em as Mandrágoras . A professora Sprout fizera as coisas parecerem extremamente simples , mas não eram . As Mandrágoras não gostavam de sair de a terra mas também não pareciam querer voltar para lá . Elas contorceram se , deram pontapés , agitaram as mãozinhas finas e rangeram os dentes . Harry levou dez minutos inteirinhos a tentar meter uma Mandrágora particularmente gorda dentro_de um vaso . Em o final de a aula , Harry , como todos os outros , estava a suar , cheio de dores e coberto de terra . Regressaram a o castelo a pé para um banho rápido e , em seguida , os Gryffindor apressaram se para assistir a a aula de transfiguração . As aulas de a professora Mc_Gonagall eram sempre complicadas , mas a de aquele dia era particularmente difícil . Tudo_o_que o Harry aprendera em o ano anterior parecia ter se lhe apagado de a memória durante o Verão . Ele deveria ser capaz de transformar uma barata em um botão , mas , tudo_o_que conseguiu foi fazer a barata praticar um imenso exercício , enquanto corria apressadamente por o tampo de a secretária evitando a varinha . Ron estava a debater se com problemas bastante piores . Tinha atado a varinha com uma fita mágica , mas parecia que não havia reparação possível . Não parava de crepitar e lançar faíscas em os momentos mais estranhos e , sempre_que Ron tentava transfigurar a barata , via se envolvido em um fumo cinzento espesso que cheirava a ovos podres . Incapaz de ver o que estava a fazer , o Ron esmagou , por engano , a barata com o cotovelo e teve de ir pedir que lhe dessem outra , o que deixou a professora Mc_Gonagall muito pouco satisfeita . Harry ficou aliviado quando ouviu tocar a campainha para o almoço . Sentia a cabeça como uma esponja espremida . Todos os alunos saíram em fila de a aula excepto ele e Ron que dava furiosas varadas em a secretária . - Coisa estúpida e inútil . - Escreve a os teus pais a pedir outra - sugeriu Harry , enquanto a varinha disparava com estrondo um foguete explosivo . - Ah pois , e receber outro * gritador * em a volta de o correio - respondeu Ron , metendo a varinha que já assobiava , dentro de o saco . - * _ A culpa é toda tua se a varinha está estragada * ... Desceram para o almoço e aí a disposição de o Ron não iria melhorar com Hermione a mostrar lhe uma mão-cheia de botões de casaco , perfeitinhos , que produzira em a transfiguração . - O que temos esta tarde ? - quis saber Harry , mudando rapidamente de assunto . - Defesa contra as artes negras - disse Hermione , sem perder tempo . - Porque é_que tu ... - perguntou Ron , pegando em o horário de ela - desenhaste corações em volta de as aulas de o Lockhart ? Hermione arrancou lhe o horário de as mãos , corando furiosa . Acabaram de almoçar e foram para o pátio carregado de nuvens . Hermione sentou se em um degrau de pedra e enfiou de_novo o nariz em as * _ Viagens com Vampiros * . Harry e Ron ficaram a falar de Quidditch durante alguns minutos antes de Harry se aperceber de que estava a ser observado de perto . Olhando para_cima viu o rapazinho pequenino com cabelo de rato que ele vira experimentar o chapéu seleccionador em a noite anterior , olhando para ele com uma expressão petrificada . Estava agarrado a o que parecia ser uma vulgar máquina fotográfica de os Muggles e , em o momento em que Harry olhou para ele , ficou todo vermelho . - Tudo bem , Harry ? Eu sou Colin_Creevey - disse , faltando lhe o ar e adiantando se a qualquer pergunta . - Estou em os Gryffindor também . Não te importavas que eu tirasse uma fotografia ? - perguntou , levantando a máquina cheio de expectativa . - Uma fotografia ? - repetiu Harry , inexpressivo . - Para eu provar que te conheci - disse Colin_Creevey cheio de ansiedade , continuando : - Eu sei tudo a teu respeito . Toda_a_gente me tem contado como sobreviveste quando O_Quem nós sabemos tentou matar te , como ele desapareceu depois de isso e como ficaste com a cicatriz em forma de relâmpago em a testa ( os seus olhos procuraram a linha de cabelo de Harry ) e um rapaz de o meu dormitório disse que se eu revelasse o filme em a posição certa ele mexia . - Colin respirou fundo , estremecendo de excitação e disse : - Isto_é fantástico , aqui , não achas ? Eu não sabia que todas_as coisas estranhas que fazia eram magia até a o dia em que recebi uma carta de Hogwarts . O meu pai é leiteiro . Também ele não queria acreditar . Por isso estou a tirar montes de fotografias para lhe mandar e era mesmo bom se tivesse uma tua - parecia implorar . - Talvez o teu amigo pudesse tirá a e assim eu ficava a o teu lado . E depois , podias assiná a ? - Assinar fotografias ? Estás a dar fotos autografadas , Potter ? Alta e mordaz , a voz de Draco_Malfoy ecoou em o pátio . Estava parado mesmo atrás_de Colin , ladeado , como sempre andava em Hogwarts , por os seus fortes guarda-costas Crabbe e Goyle . - Ei gente , façam bicha - gritou Malfoy a a multidão . - Harry_Potter está a dar fotos autografadas ! - Não estou coisa nenhuma - disse Harry , zangado , com os punhos em o ar . - Cala a boca , Malfoy . - Tu tens é inveja - começou a dizer Colin , cujo corpo era de o tamanho de o pescoço de Crabbe . - Inveja - repetiu Malfoy que não precisava de gritar mais , metade de o pátio estava a ouvi o . - De quê ? Não preciso de uma cicatriz em a cabeça , muito obrigado . Não acho que ter um corte em a testa torne alguém especial . Crabbe e Goyle riram estupidamente - Vai pastar caracóis , Malfoy - disse o Ron furioso . Crabbe parou de rir e começou a esfregar os nós de os dedos enormes de uma forma ameaçadora . - Tem cuidado , Weasley - escarneceu Malfoy . - Com certeza não queres começar uma rixa ou a tua mãezinha tem de vir cá para te tirar de a escola - e com uma voz aguda e penetrante : - * _ Se voltas a pisar o risco * ... Um grupo de alunos de o quinto ano de os Slytherin que estava ali perto , riu se bastante alto . - O Weasley gostaria de ter uma foto tua autografada , Potter - escarneceu de_novo Malfoy . - Era capaz de valer mais do_que a casa onde ele mora com a família . Ron sacou de a sua varinha amarrada com fita , mas Hermione fechou as * Viagens com Vampiros * com um estrondo e avisou : - Atenção . - O que é isto , o que é isto ? - Gilderoy_Lockhart aproximava se com o seu manto azul-turquesa girando em torvelinho atrás de ele . - Quem está a dar fotos autografadas ? Harry ia começar a explicar , mas foi interrompido quando Lockhart lhe pôs jovialmente o braço em cima de os ombros . - Mas que pergunta a minha ! Cá estamos nós de_novo , Harry ! Preso ao_lado_de Lockhart e a arder de humilhação , Harry viu Malfoy deslizar com o seu sorriso desdenhoso por o meio de a multidão . - Vamos lá então , Mr._Creevey - disse Lockhart , dirigindo se a Colin . - Uma foto dupla , já viu a sua sorte ? E assinamos a os dois para si . Colin ajustou a máquina e tirou a fotografia em o preciso momento em que a campainha tocava para as aulas de a tarde . - Está em a hora , todos para dentro - gritou Lockhart a a multidão e regressou a o castelo levando a o seu lado o Harry que só lamentava não conhecer um feitiço que o fizesse desaparecer . - Uma palavra só , Harry - disse Lockhart paternalmente , enquanto entravam em o edifício por uma porta lateral . - Eu ajudei te há bocado com o jovem Creevey porque se ele estivesse a fotografar me também a mim os teus colegas não reparariam tanto que estavas a exibir te ... Indiferente a a gaguez de Harry , Lockhart arrastou o para um corredor ladeado de alunos que os olhavam espantados e subiram uma escada . - Deixa me só dizer te uma coisa : dar fotografias autografadas em esta fase de a tua carreira , francamente , não é sensato , Harry , parece um_pouco megalómano . Pode ser que um dia mais tarde , tal_como eu , sejas obrigado a assinar para multidões onde quer que vás , mas - fez uma pequena pausa - não me parece que seja o caso , por enquanto . Tinham chegado a a aula de Lockhart e ele largou finalmente o Harry que sacudiu a túnica e foi sentar se em um lugar bem lá atrás onde começou por empilhar os livros de Lockhart a a sua frente para evitar olhar para a criatura . O resto de a aula entrou ruidosamente e Ron e Hermione foram sentar se um de cada lado de Harry . - Tu estavas vermelho como um pimentão - disse o Ron . - Reza para que o Creevey não se torne amigo de a Ginny senão bem podem criar o clube de * fans * de Harry_Potter . - Cala a boca - interrompeu Harry . A última coisa que desejava era que o Lockhart ouvisse a expressão « clube de * fans * de Harry_Potter « . Quando todos estavam em os seus lugares , Lockhart pigarreou alto e fez se silêncio . Ele inclinou se para a frente , pegou em o exemplar de Neville_Longbottom de * _ viagens com Duendes * e levantou o para mostrar a sua fotografia a piscar os olhos em a capa . - Eu - disse apontando para a fotografia e piscando também os olhos - Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , terceiro ano , membro honorário de a Liga_de_Defesa contra as artes negras e cinco vezes vencedor de o prémio de o * _ Feiticeiro de a semana * por o sorriso mais charmoso . Mas não vamos falar de isso , não venci a fada carpideira de Bandon a sorrir para ela ! Esperou que eles se rissem . Alguns alunos sorriram timidamente . - Já vi que todos vocês compraram a minha obra completa . Muito bem . Pensei começar hoje com um pequeno interrogatório escrito . Nada de complicado , só para perceber se leram bem os meus livros e o que apreenderam ... Depois de distribuir as folhas de teste voltou se para os alunos e disse : - Têm trinta minutos . Comecem já . Harry olhou para o papel e leu : *1 . Qual é a cor preferida de Gilderoy_Lockhart ? *2 . Qual é a ambição secreta de Gilderoy_Lockhart ? *3 . Qual é , em a sua opinião , a maior realização de Gilderoy_Lockhart até a o momento ? * E_por_aí adiante , ao_longo_de três páginas , terminando com : *54 . Qual é o dia de aniversário de Gilderoy_Lockhart e qual seria o seu presente preferido ? * Meia_hora mais tarde , Lockhart recolheu os pontos e folhou os rapidamente em frente de os alunos . - Tut , tut , quase ninguém se lembrou que a minha cor preferida é o lilás . Eu digo o em * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves * . Alguns precisam de voltar a ler com mais cuidado * Fim-de - _ Semana com Um Lobisomem * . Eu afirmo claramente em o décimo segundo capítulo que o meu presente de aniversário preferido seria a harmonia entre todos os seres , mágicos e não mágicos , embora não me importasse de receber uma garrafa grande de * whisky * velho de a Ogden's_Old_Firewhisky . Piscou lhes o olho de_novo . Ron olhava para Lockhart com uma expressão de incredulidade em o rosto . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas que estavam sentados a a frente tremiam de tanto conter o riso . Hermione , contudo , ouvia Lockhart com extrema atenção e deu um salto quando ouviu o seu nome . - Mas Miss_Hermione_Granger sabia que a minha ambição secreta era libertar o mundo de o mal e pôr a a venda a minha gama de poções de tratamento de o cabelo . Muito bem - voltou o papel . - Nota máxima ! Onde está Miss_Hermione_Granger ? Hermione ergueu uma mão trémula . - Excelente - bradou Lockhart , exultante . - Leva dez pontos para os Gryffindor . E vamos a o trabalho . Baixou se atrás de a secretária e pegou em uma grande gaiola coberta . - Ficam desde_já a saber , a minha função é preparar vos contra as criaturas mais malignas que a feitiçaria conhece . Vocês podem ter que enfrentar os maiores medos em esta sala . Saibam que nenhum mal vos sucederá comigo aqui . Só vos peço que se mantenham calmos . Ultrapassando os seus sentimentos , Harry espreitou através de a pilha de livros para ver melhor a gaiola . Lockhart colocou uma mão em a tampa . Dean e Seamus tinham deixado de se rir . Neville estava agachado em o seu lugar de a fila de a frente . - Vou pedir vos que não façam barulho - disse Lockhart em voz baixa . - Podem assustá os . Enquanto a aula inteira continha a respiração , Lockhart tirou a cobertura . - Sim - disse em um tom dramático . - Duendes_da_Cornualha recém-capturados . Seamus_Finnigan não conseguiu controlar se . Soltou uma gargalhada que nem Lockhart poderia confundir com um grito de terror . - Sim ? - sorriu a Seamus . - Bem , eles não são , não são perigosos , pois não ? - perguntou a rir . -- Não tenhas tanta certeza de isso - afirmou Lockhart , aborrecido , abanando um dedo , em direcção a Seamus . - Podem ser maçadores e muito traiçoeiros . Os duendes eram de um azul-eléctrico e tinham cerca de vinte centímetros de altura com feições angulosas e umas vozes tão estridentes que era como ouvir uma discussão entre araras . Logo_que o pano foi retirado , começaram a fazer uma enorme algazarra , a andar de um lado para o outro , batendo em as grades e fazendo caretas a as pessoas que estavam mais perto . - Muito bem - disse Lockhart em voz alta . - Vamos então ver o que vocês conseguem fazer de eles - e abriu a gaiola . Foi um pandemónio . Os duendes dispararam em todas_as direcções como foguetes . Dois de eles agarraram o Neville por as orelhas e levantaram o a o ar . Vários outros foram direitos a a janela , fazendo chover vidros partidos até a a fila de trás . Os restantes decidiram destruir a sala com maior eficácia do_que um rinoceronte em fúria . Agarraram em os tinteiros e salpicaram tudo em volta , rasgaram a os bocados livros e papéis , arrancaram os quadros de as paredes , levantaram a o ar a gaiola vazia , agarraram livros e sacos e lançaram nos por a janela de vidros estilhaçados . Em poucos minutos , metade de a aula estava abrigada debaixo de as secretárias e o Neville pendurado em o candelabro de o tecto . - Vamos lá , agarrem nos , agarrem nos , são apenas duendes ... - gritava Lockhart . Arregaçou as mangas , bramiu a varinha e pronunciou * Peshipiksi_Pesternomi ! * As palavras não tiveram o menor efeito . Um de os duendes pegou em a varinha de Lockhart e atirou a também por a janela fora . Lockhart engoliu em seco e mergulhou debaixo de a secretária , não sendo , por um triz , esmagado por o Neville que caiu um segundo depois , quando o candelabro cedeu . A campainha tocou e houve uma louca precipitação para a porta . Em a calma relativa que se seguiu , Lockhart endireitou se , olhou para Harry , Ron e Hermione que estavam quase a chegar a a porta e disse : - Bem , vou pedir vos a os três que prendam o resto de os duendes em a gaiola - passou por eles e fechou rapidamente a porta atrás_de si . - Isto dá para acreditar ? - resmungou o Ron , enquanto um de os duendes lhe mordia com toda_a força uma de as orelhas . - Ele só quer dar nos uma ajuda , permitindo nos ganhar experiência - justificou Hermione , imobilizando dois duendes de uma_vez com um encantamento de paralisação e metendo os de_novo em a gaiola . - Experiência ? - disse Harry , tentando agarrar um duende que dançava com a língua de_fora . - Hermione , ele não sabia nada do_que estava a fazer . - Disparate - retorquiu Hermione . - Leste os livros de ele . Vê só as coisas que ele já fez ! - Que diz que fez - resmungou o Ron . VII_Sangue de lama e murmúrios Harry passou imenso tempo , em os dias que se seguiram , a fugir sempre_que via Gilderoy_Lockhart aproximar se em o corredor . Mais difícil de evitar era Colin_Creevey que parecia ter decorado o horário de Harry . Parecia que nada o emocionava mais do_que dizer : - Tudo bem , Harry ? - seis ou sete vezes por dia e ouvir : - Olá , Colin - por mais exasperado que Harry estivesse quando lhe respondia . A Hedwig ainda estava zangada com Harry por causa de a desastrosa viagem de automóvel e a varinha de o Ron continuava a não funcionar , tendo ultrapassado tudo em a sexta-feira de manhã quando lhe saltou de as mãos em a aula de encantamentos e foi agredir o velho e baixinho professor Flitwick mesmo entre os olhos , deixando uma enorme bolha latejante em o sítio onde tinha batido . Por tudo_isso Harry via chegar , com satisfação , o fim_de_semana Planeava ir em o Sábado de anhã , com Ron e Hermione visitar o Hagrid . Mas foi acordado várias horas mais cedo do_que desejaria por Oliver ood , treinador de a equipa de Quidditch_dos_Gryffindor . - _ o que é_que se passa ? - perguntou Harry , enrolando as palavras . - Treino_de_Quidditch - disse Wood . - Vamos embora . Harry lançou um olhar de esguelha a a janela . Uma neblina fina pairava em o céu rosa e dourado . Agora_que estava acordado não percebia como pudera dormir com a algazarra que os pássaros faziam . - Oliver resmungou Harry . - É de madrugada . - Exacto - respondeu Wood . Era um rapaz alto e corpulento de o sexto ano e em aquele momento os olhos brilhavam lhe loucamente de entusiasmo . - Faz parte de o nosso novo programa de treinos . Anda lá , vai buscar a vassoura e vamos embora - insistiu Wood empenhado . - Nenhuma de as outras equipas começou ainda a treinar . Vamos ser os primeiros este ano ... A bocejar e a tremer um_pouco , Harry saltou de a cama e tentou descobrir as suas túnicas de Quidditch . - Bem , encontramo nos em o campo , dentro_de quinze minutos . Depois de descobrir a sua roupa escarlate de equipa e pôr o manto por cima para se aquecer , Harry escreveu a o Ron um bilhete a explicar onde tinha ido e desceu por a escada de espiral para a sala comum com a sua Nimbos dois inil a o ombro . Tinha acabado de chegar junto de o buraco de o retrato quando ouviu um barulho atrás_de si e viu Colin_Creevey descer a escada de espiral com a máquina fotográfica pendurada a o pescoço a balouçar como louca e uma coisa em a mão . - Ouvi alguém chamar o teu nome em as escadas , Harry olha o que tenho aqui . Revelei a e queria mostrar te . Harry olhou assombrado para a fotografia que Colin lhe espetava em frente de o nariz . Um Lockhart a preto e branco movia se , puxando com toda_a força um braço que Harry reconheceu como sendo o seu . Ficou satisfeito a o constatar que estava a resistir bastante bem , recusando se a ser trazido para a vista de todos . Enquanto Harry observava , Lockhart desistiu e desinteressou se de lutar contra a parte branca de a fotografia . - Assinas para mim ? - pediu Colin entusiasmado . - Não - respondeu secamente Harry , olhando em volta para verificar se o caminho estava livre . - Desculpa_Colin , mas estou cheio de pressa , treino de Quidditch . Passou por o buraco de o retrato . - Oh Uau ! Espera por mim . Eu nunca vi um jogo de Quidditch . Colin trepou por o buraco de o retrato atrás de ele . - Vai ser uma chatice para ti - disse Harry rapidamente , mas Colin ignorou o comentário . Todo o seu rosto brilhava de satisfação . - Tu foste o jogador mais novo de a equipa em cem anos , não foste Harry ? Não foste ? - perguntava Colin , trotando para o acompanhar . - Deve ser fantástico . Eu nunca voei . É fácil ? Essa vassoura é a tua ? É a melhor que há ? Harry não sabia como ver se livre de ele . Era como ter uma sombra que não se calava . - Eu não percebo nada de Quidditch - disse Colin , já sem fôlego . - É verdade que há quatro bolas ? E que duas anda n a voar , tentando fazer os jogadores caírem de as vassouras ? - Sim - disse Harry lentamente , resignado com o ter de lhe explicar as complicadas regras de o Quidditch . - São as * bludgers * . Há dois * beaters * em cada equipa que têm bastões para bater em as * bludgers * e lançá as para o outro lado . O Fred e o George_Weasley são os * beaters * de os Gryffindor . - E para que servem as outras bolas ? - perguntou Colin , saltando uma série de degraus porque ia a olhar para o Harry de boca aberta . - Bem , a * quaffle * , que é a vermelha grandalhona , é a que marca os golos . Três * chasers * em cada equipa lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam fazes a entrar em as balizas que ficam em o extremo de o campo onde há três grandes postes com argolas em as pontas . - E a quarta bola ? - A * snitch * dourada - explicou Harry . - É muito pequenina e veloz e extremamente difícil de agarrar . Mas é isso que o * seeker * tem de fazer , porque o jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * for agarrada . E o * seeker * que conseguir agarrá a ganha para a sua equipa mais cento_e_cinquenta pontos . - E tu és o * seeker * de os Gryffindor , não és ? - perguntou Colin respeitosamente . - Sim - disse Harry enquanto saíam de o castelo e começavam a atravessar o relvado . - E há também o * keeper * que toma conta de os postes . É isto . Mas Colin não parou de fazer perguntas desde os relvados macios até a o campo de Quidditch e Harry só se viu livre de ele quando chegaram a os vestiários . Colin gritou em uma voz aguda : - Eu vou arranjar um lugar , Harry - e apressou se em direcção a as bancadas . O resto de a equipa de os Gryffindor já se encontrava em os vestiários . Wood era o único que tinha aspecto de estar bem acordado . Fred e George_Weasley estavam sentados com olhos de sono e cabelos desgrenhados junto de Alicia_Spinnet de o quarto ano que parecia inclinar se contra a parede que tinha atrás_de si . Os seus companheiros * chasers * , Katie_Bell e Angelina_Johnson bocejavam em frente de ela . - Até que enfim , Harry , porque é_que demoraste tanto ? - perguntou Wood cheio de actividade . - Eu queria ter uma pequena conversa convosco antes de entrarmos propriamente em campo porque passei o Verão a conjecturar um novo programa de treinos que acredito vai estabelecer grandes mudanças . Wood tinha em as mãos um grande mapa de um campo de Quidditch onde estavam desenhadas muitas linhas , setas e cruzes a tinta de várias cores . Pegou em a varinha , bateu com ela em o quadro e as setas começaram a mover se em o mapa como tractores . Enquanto Wood se lançava em um discurso sobre as suas novas técnicas , a cabeça de Fred_Weasley caiu sobre o ombro de Alicia_Spinnet e ele começou a ressonar . O primeiro mapa levou quase vinte minutos a explicar , mas debaixo de esse havia outro e ainda um terceiro . Harry caiu em uma letargia enquanto Wood continuava indefinidamente . - Então - disse por fim o treinador , arrancando Harry de a avidez de uma fantasia sobre o que poderia estar a comer se se encontrasse em aquele momento em o castelo . - Ficou tudo claro ? Alguma pergunta ? - Eu tenho uma pergunta , Oliver - disse George que acordou estremunhado . - Porque não nos explicaste tudo_isso ontem , quando estávamos acordados ? Wood não ficou nada satisfeito . - Ouçam bem , vocês todos - disse , voltando se para eles mal-humorado . - Nós deveríamos ter ganho a taça de Quidditch o ano passado . Somos de longe a melhor equipa , mas , infelizmente , devido_a circunstancias que estão para_além de o nosso controlo ... Harry mudou de posição em a cadeira sentindo se culpado . Estivera inconsciente em o hospital durante o campeonato final de o ano anterior o que fez com que os Gryffindor com um jogador a menos tivessem sofrido a pior derrota de os últimos trezentos anos . Wood levou um momento a controlar se . Era evidente que a última derrota ainda o torturava . - Portanto , este ano vamos fazer um treino mais duro , como nunca se fez . O. _ K. , vamos lá pôr as teorias em prática - gritou , pegando em a vassoura e conduzindo os para fora de o vestiário . Com as pernas trôpegas e ainda a bocejar , a equipa seguiu o . Tinham estado tanto tempo lá dentro que o sol já tinha nascido e brilhava em o céu embora uma réstia de neblina pairasse ainda sobre o relvado de o campo . Quando Harry entrou em campo viu Ron e Hermione sentados em as bancadas . - Ainda não acabaram ? - perguntou Ron em um tom incrédulo . - Ainda nem começamos - explicou Harry , olhando cheio de inveja para a torrada com doce de laranja que Ron e Hermione tinham trazido de o salão . - O Wood tem estado a ensinar nos as jogadas . Subiu para a vassoura e deu um pontapé em o chão , elevando se em o ar . O ar fresco de a manhã bateu lhe em o rosto fazendo o acordar com mais eficácia do_que o longo discurso de Wood . Era maravilhoso voltar a estar em o campo de Quidditch . Voou em volta de o estádio a toda a a velocidade competindo com Fred e George . - Que barulhinho estranho é aquele ? - perguntou o Fred quando deram a volta . Harry olhou para as bancadas . Colin estava sentado em um de os lugares mais altos com a máquina fotográfica em o ar , tirando fotografia sobre fotografia , o som estranhamente ampliado em o estádio deserto . - Olha para ali , Harry , para ali - gritava de forma estridente . - Quem é aquele ? - perguntou Fred . - Não faço ideia - mentiu Harry , disparando a_toda_a velocidade e distanciando se o mais possível de Colin . - O que se passa aí ? - perguntou Wood , franzindo a testa enquanto corria por os ares atrás de eles . - Porque está aquele aluno de o primeiro ano a tirar fotografias ? Não me agrada . Pode ser um espião de os Slytherin a tentar descobrir o nosso novo programa de treinos . - Ele é de os Gryffindor - disse Harry rapidamente . - E os Slytherin não precisam de um espião , Oliver - completou George . - Porque dizes isso ? - perguntou Wood irritado . - Porque estão aqui em peso - disse George , apontando com o dedo . Vários indivíduos com túnicas verdes vinham em aquele momento a entrar em o campo de vassouras em a mão . - Não posso acreditar - reagiu Wood , sentindo se ultrajado . - Eu reservei o estádio para hoje . Já vamos ver como é_que isto fica ! Wood baixou direito a o chão sendo levado por a fúria a aterrar com mais força do_que pretendia e a cambalear um_pouco quando começou a andar seguido de o Harry e de o Ron . - Flint - bradou para o treinador de os Slytherin . - Este é o nosso tempo de treino . Levantámo nos de propósito . Vocês têm de sair de aqui . Marcus_Flint era ainda mais corpulento do_que Wood . Tinha em o rosto uma expressão de duende travesso quando respondeu : - Há espaço para todos , Wood . Angelina , Alicia e Katie tinham vindo também . Em a equipa de os Slytherin não havia raparigas que enfrentassem a o lado de os rapazes os Gryffindor . - Mas eu reservei o estádio - repetiu Wood de modo afirmativo , cuspindo de raiva . - Reservei o . - Ah ! - exclamou Flint . - Mas eu tenho aqui uma licença especial assinada por o professor Snape . * _ Eu , professor Snape , autorizo a equipa de os Slytherin a praticar hoje em o campo de Quidditch devido a a necessidade de treinar o seu novo seeker . * - Têm um novo * seeker * ? - perguntou Wood perturbado . - Onde ? E detrás de as seis figuras corpulentas que tinham em a frente , viram surgir uma sétima : um rapaz mais pequeno com um sorriso afectado espelhado em o rosto pálido e anguloso . Era_Draco_Malfoy . - Não és o filho de o Lucius_Malfoy ? - perguntou Fred , olhando para ele com antipatia . - Curioso que refiras o pai de o Draco - disse Flint enquanto toda_a equipa de os Slytherin sorria de modo grosseiro . - Deixem me mostrar vos a generosa oferta que ele fez a a equipa de os Slytherin . Os sete exibiram as suas vassouras . Sete cabos novos , polidos , com inscrições em letras douradas de as palavras « Nimbus dois_mil_e_um « brilharam a o sol de a manhã , em frente de o nariz de os Gryffindor . - O último modelo . Só chegou em o mês passado - disse Flint , displicentemente , sacudindo a poeira de o cabo de a sua vassoura . - Julgo que ultrapassam de longe as velhas séries de dois_mil . Quanto a as Cleansweeps - sorriu de forma mesquinha para Fred e George que tinham ambos Cleansweep_Fives - essas já só servem para varrer . Nenhum de os Gryffindor foi capaz de abrir a boca em aquele momento . Malfoy sorria tanto que os seus olhos de gelo estavam reduzidos a duas rachas . - Oh vejam - disse Flint . - Uma invasão de o campo . Ron e Hermione atravessavam o relvado para ver o que se passava . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron a o Harry . - Porque não estão a jogar e o que faz ele aqui ? Olhava para Malfoy em as suas vestes de Quidditch . - Sou o novo * seeker * de os Slytherin , Weasley - disse Malfoy com ar presumido . - Têm estado todos a admirar as vassouras que o meu pai comprou para a nossa equipa . Ron olhou de boca aberta para as sete vassouras que tinha em a frente . - São boas , não são ? - disse Malfoy untuosamente . - Mas talvez a equipa de os Gryffindor consiga levantar algum ouro e comprar também vassouras novas . Vocês podiam levar essas Cleansweep_Fives a leilão , talvez algum museu esteja interessado . A equipa de os Slytherin riu se a bandeiras despregadas . - Pelo_menos em os Gryffindor ninguém teve de comprar a sua entrada - disse secamente Hermione . - Entraram todos por mérito próprio . O ar presumido de Malfoy desapareceu . - Ninguém pediu a tua opinião , sangue de lama - cuspiu Malfoy . Harry apercebeu se , de imediato , que Malfoy dissera algo muito grave porque houve uma tremenda algazarra em o seguimento de as suas palavras . Flint teve que se pôr a a frente de o Malfoy para evitar que Fred e George se atirassem a ele . Alicia bradou : - Como te atreves ? - E Ron meteu a mão em as vestes e sacou de a varinha mágica , gritando : - Vais pagar por o que disseste , Malfoy ! - e apontou a , furioso , por debaixo de o braço de Flint , a o rosto de Malfoy . Um enorme estrondo , ecoou em o estádio e um jacto de luz verde saiu por a extremidade errada de a varinha de Ron , atingindo o em o estômago e projectando o para trás em direcção a o relvado . - Ron ! Ron ! Estás bem ? - gritou Hermione . Ron abriu a boca para falar , mas nenhuma palavra saiu . Em vez de isso , teve um vómito imenso e várias lesmas saíram lhe de a boca , indo cair lhe em o colo . A equipa de os Slytherin ficou paralisada de riso . Flint estava dobrado , agarrado a a vassoura nova . Malfoy , a quatro , batia com o punho em a chão . Os Gryffindor rodeavam o Ron , que continuava a vomitar lesmas enormes e reluzentes . Ninguém queria tocar lhe . - É melhor levá o para_casa de o Hagrid . É o mais perto - disse Harry_a_Hermione , que acenou afirmativamente , e os dois arrastaram o Ron por os braços . - O que aconteceu , Harry ? O que aconteceu ? Ele está doente ? Mas tu podes curá o , não podes ? - Colin descera a correr de o lugar onde estava sentado e dançaricava em frente de eles , enquanto abandonavam o campo . Ron teve um novo arremesso e mais lesmas saíram de a sua boca . - Oooh ! - exclamou Colin fascinado , levantando a máquina fotográfica . - Podes mantê o quieto , Harry ? - Sai de a minha frente , Colin - gritou Harry zangado . Ele e a Hermione conseguiram levar o Ron para fora de o estádio , atravessar os campos e chegar a a beira de a floresta . - Está quase , Ron - disse Hermione , mal avistaram o casebre de o guarda de os campos . - Vais ficar bem dentro_de um minuto ... está quase ... Estavam a sessenta metros de a casa de Hagrid , quando a porta de a frente se abriu . Mas não foi Hagrid quem saiu de lá , e sim Gilderoy_Lockhart , em uma túnica cor de malva . - Rápido , vamos esconder nos aqui - sussurrou Harry , arrastando Ron para trás de um arbusto que havia ali perto . Hermione acompanhou o , embora um_pouco relutante . -- É muito simples quando se sabe o que se está fazer ! - gritava Lockhart_para_Hagrid . - Se precisar de ajuda , sabe onde estou . Vou dar lhe um exemplar de o meu livro . Espanta me que ainda não o tenha . Logo a a noite autografo o e envio lhe o . Bem . até a a próxima ! - e afastou se em direcção a o castelo . Harry esperou que Lockhart desaparecesse , antes de puxar o Ron de trás de o arbusto até a a casa de o Hagrid . Bateram ansiosamente . Hagrid apareceu logo com um ar mal-humorado , que se dissipou quando viu quem era . - Já me tinha perguntado quand'é que vocês vinham ver me , entrem , entrem , pensei qu'era outra_vez o professor Lockhart . Harry e Hermione ajudaram Ron a subir o degrau que dava acesso a a cabana de uma divisão com uma cama enorme a um de os cantos e uma lareira a crepitar alegremente em o outro . Hagrid não pareceu perturbado com o problema de as lesmas de o Ron que Harry lhe explicou precipitadamente , logo_que sentou o Ron em uma cadeira . - Melhor saírem de o qu'entrarem - disse , em um tom bem-disposto , colocando uma grande bacia de cobre em frente de ele . - Deita as todas fora , Ron . - Acho que não há mais_nada a fazer , a não ser esperar que isto pare - disse Hermione ansiosamente , vendo Ron inclinar se para a bacia . - É uma maldição muitas_vezes difícil , mas com uma varinha partida ... Hagrid andava de um lado para o outro a preparar o chá . O cão de ele , Fang , babava se em cima de o Harry . - O que é_que o Lockhart queria de ti ? - perguntou o Harry , coçando as orelhas de o Fang . - Ensinar me a tirar espíritos aquáticos com forma de cavalos d'uma nascente d'água - resmungou Hagrid , retirando de a mesa pequena um galo meio depenado e colocando em o seu lugar o bule . - Como s'eu não soubesse . E contar me uma peta qualquer d'uma fada carpideira que ele venceu . Engulo essa chaleira , se uma palavra do_que ele disse for verdade . Não era hábito de Hagrid criticar um professor de Hogwarts e Harry olhou para ele com alguma surpresa . Mas Hermione disse em uma voz mais aguda do_que de costume : - Acho que estás a ser injusto . O professor Dumbledore obviamente achou que era o melhor homem para o lugar ... - Era o único - explicou Hagrid , oferecendo lhes um prato de bombons de melaço enquanto Ron tossia para a bacia . - E não havia mais ninguém . Não é fácil encontrar quem queira dar Artes de magia negra . As pessoas não gostam de essa matéria . Começam a pensar que está amaldiçoada , ninguém ficou muito_tempo a dá a . Mas digam me lá - continuou Hagrid , inclinando a cabeça para Ron - quem é qu'ele estava a tentar amaldiçoar ? - O Malfoy chamou qualquer coisa a a Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si . - Foi grave , sim - disse o Ron com voz rouca , emergindo a a superfície de a mesa , pálido e transpirado . - O Malfoy chamou lhe sangue de lama , Hagrid . - Ron desapareceu outra_vez quando uma nova onda de lesmas fez o seu aparecimento . Hagrid estava indignado . - Não posso crer - exclamou , dirigindo se a Hermione . - Chamou sim - disse ela . - Mas eu não sei o que significa . Percebi que era má educação , claro ... - É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar - explicou Ron novamente . - Sangue de lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles , sabes , filho de pais não mágicos . Há alguns feiticeiros , como a família de o Malfoy que acham que são melhores do_que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro . - Teve um pequeno vómito e uma lesma isolada caiu lhe em a mão aberta . Ele atirou a para a bacia e continuou . -- É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma . Olha_o_Neville_Longbottom , é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito . - E ainda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer - afirmou Hagrid , orgulhoso , fazendo Hermione corar em tons de magenta . - É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém - disse o Ron , limpando o suor de a testa com a mão trémula . - Sangue sujo , sangue vulgar , é um disparate . A maior parte de os feiticeiros hoje_em_dia têm sangue misturado . Se não tivéssemos casado com Muggles tinha sido o nosso fim . Fez um esforço para vomitar e baixou se mais_uma_vez . - Bem , não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá o , Ron - disse Hagrid bem alto enquanto montes de lesmas caíam em a bacia . - Mas , se_calhar , não foi mau de todo teres a varinha a trabalhar ao_contrário . Acho que Lucius_Malfoy teria vindo logo a correr a a escola se tivesses amaldiçoado o filho . Assim , pelo_menos , não estás metido em nenhum sarilho . Harry teria referido que o problema não podia ser pior do_que deitar lesmas por a boca , mas não pôde . Os bombons de melaço tinham lhe colado os maxilares um_ao_outro . - Harry - disse de repente Hagrid como_que movido por um pensamento súbito . - Tens de me explicar uma coisa . Ouvi dizer que tens andado a dar fotografias autografadas . Porque é qu'eu não tenho nenhuma ? A fúria de Harry foi tão grande que os maxilares se libertaram . - Eu não tenho dado fotografias autografadas - disse com vivacidade . Se o Lockhart andou a espalhar isso ... Mas em esse momento viu que Hagrid se estava a rir . - ´ _ tou a brincar - disse , dando uma palmadinha em as costas de Harry e fazendo lhe sinal para se sentar a a mesa . -- Eu sabia que não tinhas . Disse a o Lockhart que tu não precisavas de isso . Es mais famoso do_que ele sem sequer , tentares . - Aposto que ele não gostou de ouvir isso - comentou Harry , sentando se e esfregando o queixo . - Acho que não gostou mesmo - prosseguiu Hagrid com os olhinhos a brilhar . - E disse lhe também que nunca tinha lido nenhum de os livros de ele e ele foi se embora . Um bombom de melaço , Ron ? - perguntou a o vê o reaparecer . - Não , obrigado - disse o Ron com uma voz fraca . - É melhor não arriscar . - Venham ver o qu'eu tenho estado a criar - disse Hagrid quando Harry e Hermione acabaram de tomar o chá . Em a pequena horta atrás de a casa estava uma_dúzia de as maiores abóboras que Harry alguma vez vira . Pareciam enormes blocos de pedra . - Estão a dar se bem , não achas ? - disse Hagrid , feliz . São para a festa de o * _ Hallow'en * . Devem estar bem grandes quando chegar a altura . - O que é_que lhes tens dado como alimento ? - perguntou Harry . Hagrid olhou por cima de o ombro para confirmar se estavam sós . - Bem , tenho estado a dar lhes ... uma pequena ajuda . Harry reparou em o guarda-chuva cor-de-rosa a as florzinhas que estava encostado contra a parede de a cabana . Tivera em o ano anterior motivos para crer que aquele guarda-chuva não era o que parecia . De facto , acreditava que a antiga varinha de escola de Hagrid se encontrava oculta dentro de ele . Hagrid não tinha autorização para usar magia . Fora expulso de Hogwarts em o terceiro ano embora Harry nunca tivesse descoberto o motivo . Qualquer referência a esta questão fazia Hagrid pigarrear bem alto e ficar misteriosamente surdo até mudarem de assunto . -- Um encantamento de absorção , imagino ? - comentou Hermione entre a desaprovação e o divertimento . - Bem , se assim foi , fizeste um bom trabalho . - Foi o que disse a tua irmãzinha - respondeu Hagrid acenando em direcção a Ron . - Encontrei a ontem . - Hagrid olhou de lado para Harry , a barba a contorcer se . - Disse que andava só a ver os campos , mas eu acho qu'ela esperava encontrar alguém em a minha casa - piscou o olho a o Harry . - Se queres que te diga acho qu'ela não recusaria uma fotografia autogr ... - Cala te com isso - disse Harry . Ron desatou a rir e o chão ficou cheio de lesmas . - Cuidado - resmungou Hagrid , afastando Ron de as suas preciosas abóboras . Estava quase em a hora de o almoço e , como o Harry só tinha provado um bombom de melaço desde manhã cedo , estava ansioso por chegar a a escola para ir comer . Despediram se de o Hagrid e regressaram a o castelo . O Ron a vomitar de vez em quando , mas deitando só duas pequenas lesmas . Mal tinham pisado a entrada de o vestíbulo quando ouviram uma voz . - Aí estão vocês , Potter , Weasley . - A professora Mc_Gonagall vinha em direcção a eles com o seu ar severo . - Vocês os dois vão ter as punições hoje a a tarde . - O que é_que vamos fazer , professora ? - perguntou o Ron nervoso , deixando cair uma lesma . - Tu vais limpar as pratas em a sala de os troféus com Mr._Filch - disse a professora Mc_Gonagall . - E nada de mágicas , Weasley , trabalho com esforço . Ron engoliu em seco . Argus_Filch , o encarregado , era odiado por todos os alunos de a escola . - E tu , Potter , vais ajudar o professor Lockhart a responder a as cartas de as suas fãs - ordenou a professora Mc_Gonagall . - Oh , não ! Não posso ir também trabalhar em a sala de os troféus ? - pediu Harry em desespero de causa . - Nem pensar em isso - respondeu a professora Mc_Gonagall , erguendo as sobrancelhas . - O professor Lockhart requisitou te especialmente a ti . _ a as oito_em_ponto , os dois . Harry e Ron entraram em o salão em um estado de profundo desanimo com a Hermione atrás , ostentando uma expressão de * bem-voces-quebraram-as-regras-da-escola * . Harry não saboreou o empadão de carne como teria desejado . Tanto ele como o Ron achavam que tinham tido o pior de os castigos . -- O Filch vai reter me lá toda_a noite - disse Ron , desanimado . - Sem mágica ! Deve haver umas cem taças em aquela sala , eu não sei fazer limpeza de Muggles . - Eu trocava contigo de boa_vontade - confessou Harry em uma voz surda . - Tive montes de prática com os Dursleys . Responder a o correio de fãs de o Lockhart , que pesadelo ... A tarde de sábado pareceu derreter se . Pouco depois eram já cinco para as oito e Harry arrastava se até a o corredor de o segundo andar onde ficava o escritório de o Lockhart . Rangendo os dentes , bateu a a porta . A porta abriu se imediatamente e Lockhart dirigiu se lhe . - Ah , cá está o patifório ! - exclamou . - Entra , Harry , entra . Em as paredes , brilhando à_luz_de muitas velas , podia ver se uma infinidade de fotografias de Lockhart . Algumas de elas até assinadas . Sobre a secretária estava outro monte enorme . - Podes pôr as moradas em os envelopes - disse Lockhart_a_Harry , como_se fosse uma grande ameaça . - O primeiro é para Gladys_Gudgeon , abençoada seja , uma grande fã minha . Os minutos passavam lentos . De vez em quando , Harry ouvia a voz de Lockhart dizendo : - Mmm - e - certo - e - sim . - De vez em quando , apanhava uma frase como : - A fama é versátil , amigo Harry - ou - Só é célebre quem faz por isso , nunca te esqueças . As velas ardiam cada_vez com maior lentidão , fazendo a luz dançar sobre as muitas caras de Lockhart que o olhavam . Harry passava a mão , já dorida , sobre o que devia ser o centésimo envelope , escrevendo a morada de Verónica_Smethley . « Deve estar quase em a hora de me ir embora » , pensou , sentindo se profundamente infeliz , « por favor , faz com que esteja em a hora ... » E então ouviu algo , algo totalmente diferente de o crepitar de as velas e de os ditos de Lockhart sobre as suas fãs . Era uma voz , uma voz de arrepiar os ossos , de cortar a respiração , de veneno frio . - * _ Vem ... vem ter comigo ... deixa me rasgar te ... cortar te ... matar te * ... Harry deu um salto e uma enorme mancha lilás surgiu em a rua de Verónica_Smethley . - O quê ? - disse ele em voz alta . - Eu sei - exclamou Lockhart . - Seis meses inteirinhos em o topo de a lista de * bestsellers * , bati todos os recordes ! - Não - disse Harry nervosíssimo - aquela voz ! - Como ? - perguntou Lockhart , com um ar confuso . - Que voz ? - Aquela , aquela voz que disse ... não ouviu ? Lockhart olhava para Harry com o maior espanto . - De que é_que estás a falar , Harry ? Estás a ficar com sono ? Meu Deus , olha , só estamos aqui há quase quatro horas , quem diria ? O tempo passou a correr , não é verdade ? Harry não respondeu , estava a fazer um esforço para ouvir de_novo a voz , mas o único som que ouviu foi Lockhart a dizer lhe que não esperasse um tratamento igual de as próximas vezes que fosse castigado . Harry saiu , sentindo se atordoado . Era tão tarde que a sala comum de os Gryffindor estava quase vazia . Harry foi directamente para o dormitório . Ron ainda não tinha voltado . Vestiu o pijama , meteu se em a cama e esperou . Meia_hora mais tarde , chegou o Ron agarrado a o braço direito e inundando o quarto escuro de um forte cheiro a limpa-pratas . - Doem me todos os músculos - resmungou , metendo se em a cama . - Ele fez me polir catorze vezes aquela taça de Quidditch até estar satisfeito . E depois tive outro vómito em_cima_de um troféu de Reconhecimento por serviços prestados a a escola . Demorei séculos a limpar o muco de as lesmas . Como correram as coisas com o Lockhart ? Em voz baixa para não acordar o Neville , o Dean e o Seamus , Harry contou lhe , palavra por palavra , o que tinha ouvido . - E Lockhart disse que não ouviu nada ? - perguntou o Ron . Harry viu o franzir a testa , a a luz de o luar . - Achas que estava a mentir ? Mas , não percebo , mesmo um ser invisível teria aberto a porta . - Eu sei - disse Harry , encostando se a a cama e olhando para o dossel . - Também não compreendo . VIII_A festa de o dia de os mortos Outubro chegou , espalhando um frio húmido por os campos e por os cantos de o castelo . Madam_Pomfrey , a enfermeira-chefe , esteve bastante ocupada com uma onda de constipações que afectou professores e alunos . A sua poção de pimentão entrou imediatamente em acção apesar_de deixar quem a tomava com fumo em os ouvidos durante várias horas . Ginny_Weasley , que andava com ar adoentado , foi convencida a tomá a por o Percy . O fumo que saía por debaixo de o seu cabelo ruivo dava a impressão de que toda_a cabeça estava em fogo . Gotas de chuva de o tamanho de balas agrediram as janelas de o castelo durante dias a fio . O lago rosado e os canteiros de flores tornaram se regatos lamacentos e as abóboras de o Hagrid incharam ficando de o tamanho de alpendres de jardim . Contudo , o entusiasmo de Oliver_Wood por as sessões de treino regular não foi abalado , motivo por o qual Harry iria regressar a a torre de os Gryffindor , em um sábado a a tarde de temporal , alguns dias antes de o * _ Hallowe'en * , ensopado até a os ossos e todo enlameado . Além de a chuva e de o vento , não fora um treino feliz . Fred e George que tinham andado a espiar a equipa de os Slytherin tinham visto com os seus próprios olhos a velocidade alucinante de aquelas novas Nimbus dois_mil_e_um e comentaram que a equipa em o ar parecia composta por sete manchas esverdeadas que disparavam a_toda_a velocidade como aviões a jacto . Enquanto Harry chapinhava a o longo de o corredor deserto , cruzou se com alguém que parecia tão preocupado como ele : Nick quase sem cabeça , o fantasma de a torre de os Gryffindor que olhava taciturno , por a janela , murmurando baixinho : - Não preenche os requisitos , um centímetro e meio se ... - Olá , Nick - cumprimentou Harry . - Olá , olá - disse o Nick quase sem cabeça , começando a olhar em volta . Usava um arrebatado chapéu de plumas sobre a longa cabeleira encaracolada e uma túnica com gola de tufos que disfarçava o facto de ter o pescoço quase totalmente separado de o corpo . Era pálido como o fumo e Harry podia ver através de ele o céu negro e a chuva torrencial , lá fora . - Pareces preocupado , jovem Potter - disse Nick , dobrando uma carta transparente , enquanto falava e escondendo a dentro de a jaqueta . - Tu também - retorquiu Harry . - Ah ! - o Nick quase sem cabeça acenou com a mão de forma elegante . - Uma questão sem importância . Não é_que eu quisesse realmente participar apesar_de me ter inscrito , mas , a o que parece , não preencho os requisitos . - Apesar de o seu tom jovial havia em o seu rosto uma grande amargura . - Mas era de esperar , ou não era - exclamou subitamente , tirando a carta de o bolso - que ter levado quarenta_e_cinco golpes em a cabeça com um machado ferrugento me qualificaria para entrar em o grupo de os Sem - _ Cabeça ? - Sim , sim - respondeu Harry que obviamente o outro esperava que concordasse . - Isto_é , ninguém mais do_que eu desejaria que tudo tivesse sido rápido e perfeito , poupava me muitas dores e ridículo . Mas ... O Nick quase sem cabeça abriu , furioso , a carta e leu : * _ Só podemos aceitar em o grupo homens cuja cabeça tenha sido separada de o corpo . Compreenderá que de outro modo seria impossível a os nossos membros participarem em actividades como equitação de malabarismos com a cabeça e pólo de cabeça . Lamentamos profundamente informá o de que não preenche os requisitos . * _ Os nossos melhores cumprimentos , Sir_Patrick_Delaney - _ Podmore * Furioso , o Nick quase sem cabeça atirou fora a carta . - Um centímetro de pele e tendões a segurarem me a cabeça , Harry ! A maior parte de as pessoas acharia que era mais do_que o suficiente , mas não serve para o senhor correctamente decapitado Podmore . Nick quase sem cabeça respirou fundo várias vezes e , por fim , em um tom bastante mais calmo perguntou : - Então o que é_que te preocupa ? Alguma coisa que eu possa fazer por ti ? - Não - respondeu Harry . - A_não_ser_que saibas onde posso arranjar sete Nimbus dois_mil_e_um , de_graça , para o nosso campeonato contra os Sly ... - o resto de a frase foi afogada por um miado agudo vindo de perto de os seus tornozelos . Olhou para baixo e deu consigo a fitar um par de olhos que pareciam duas lâmpadas amarelas . Era_Mrs._Norris , a gata cinzenta e esquelética usada por o encarregado Argus_Filch como uma espécie de polícia em a sua infindável batalha contra os estudantes . - É melhor saíres de aqui , Harry - preveniu Nick com toda_a calma . - O Filch não está nada bem-disposto . Anda engripado e alguns alunos de o terceiro ano , por acidente , encheram o tecto de o calabouço cinco de miolos de rã . Ele tem andado toda_a manhã a limpar e se te vê a encher tudo de lama ... - Certo - disse Harry , recuando e afastando se de o olhar acusador de Mrs._Norris , mas ... tarde de mais . Conduzido até ali por o misterioso poder que parecia ligá o a a gata , Argus_Filch entrou subitamente por uma tapeçaria que se encontrava a a direita de Harry , com a sua respiração asmática , olhando vivamente em volta em busca de o infractor . Tinha um lenço grosso , de xadrez , a a volta de a cabeça e o nariz invulgarmente arroxeado . - Imundície - gritou com os maxilares a tremer e os olhos a saltarem lhe de as órbitas , enquanto apontava para a poça de lama que pingara de a túnica de Quidditch_de_Harry . - Desarrumação e imundície em todo o lado . Estou farto disto , segue me , Potter . Harry despediu se de o Nick quase sem cabeça com um tímido aceno e seguiu Filch até lá abaixo , duplicando o número de pegadas lamacentas em o chão . Nunca entrara em o gabinete de o Filch . Era um lugar que a maior parte de os estudantes evitava . A divisão era sombria e sem janelas , iluminada por uma única lamparina de óleo que pendia de o tecto . Sentia se um vago cheiro a peixe frito . As paredes estavam forradas por ficheiros de madeira . Por as etiquetas Harry percebeu que continham os dados de todos os alunos que Filch tinha punido . Fred e George_Weasley tinham uma gaveta só para eles . Atrás de a secretária estava pendurada uma colecção bem polida de correntes e algemas . Todos sabiam que ele estava sempre a pedir a Dumbledore que o deixasse pendurar os alunos em o tecto por os tornozelos . Filch pegou em uma pena que estava sobre a secretária e começou a procurar o pergaminho . - Bosta - murmurou , furioso . - Bosta de dragão , miolos de rã , intestinos de ratazana ... eu tinha aqui bastante , onde está o form ... sim ... Tirou um enorme rolo de pergaminho de a gaveta de a secretária e estendeu o em a frente , molhando a longa pena em o tinteiro . - Nome : Harry_Potter . Crime ... - Foi só um bocadinho de lama - disse Harry . - É só um bocadinho de lama para ti , rapaz , mas para mim é mais de uma hora a esfregar - gritou Filch com um pingo a tremer de modo desagradável em a extremidade de o nariz bolboso . - Crime : manchar o castelo . Sentença proposta ... Esfregando o nariz que continuava a pingar , Filch olhou com má cara para Harry que esperava com a respiração entrecortada para ouvir a sentença . Mas quando Filch pegou em a pena ouviu se um estrondo enorme em o tecto que fez a lamparina apagar se . - PEEVES - resmungou Filch , pousando a pena , cheio de raiva . - Desta_vez apanho te . Apanho te ! E sem olhar para trás , saiu a correr a_toda_a velocidade de o gabinete , seguido de a gata , Mrs._Norris . Peeves era o * poltergeist * de a escola , uma ameaça de risota esvoaçante que vivia para fazer estragos e criar aflição . Harry não gostava lá muito de ele , mas desta_vez , não podia deixar de lhe estar grato . Na_melhor_das_hipóteses o que Peeves tivesse feito ( e parecia que agora ele destruíra qualquer coisa em grande ) distrairia Filch_de_Harry . Pensando que o melhor seria esperar que ele voltasse , Harry deixou se cair em uma cadeira carcomida por o tempo que se encontrava junto de a secretária . Havia uma coisa sobre o tampo : um grande envelope roxo e lustroso com letras prateadas em a frente . Lançando um olhar rápido a a porta para confirmar que Filch não estava de volta , Harry pegou lhe e leu : __ feitiço __ rápido Um curso por correspondência De iniciação a a magia Cheio de curiosidade , abriu o envelope e retirou o rolo de pergaminho . Uma letra curvilínea e prateada dizia : Sente se pouco a a vontade em o mundo de a magia moderna ? Dá consigo a arranjar desculpas para não fazer feitiços simples ? Tem sido censurado por o deplorável trabalho com a varinha ? Eis a resposta ! Feitiço rápido e um curso totalmente novo , infalível , de resultados rápidos e rápida aprendizagem . Centenas de bruxas e feiticeiros têm beneficiado de o método feitiço rápido ! Madam_Z._Nettles_de_Topsham escreve nos : Eu não conseguia fixar os encantamentos e as minhas poções eram alvo de risota em a família . Agora , depois de o curso feitiço rápido , tornei me o centro de as atenções em todas_as festas e os meus amigos não param de pedir me a receita de a minha brilhante solução ! O mágico D.J._Prod , de Disbury , afirma : A minha mulher costumava rir se de os meus fracos encantamentos , mas bastou um mês com o vosso fabuloso curso feitiço rápido e consegui transformá a em um iaque . Obrigado , feitiço rápido ! Fascinado , Harry folheou o resto de o conteúdo de o envelope . Para que diabo quereria o Filch um curso de feitiço rápido ? Não seria ele um feiticeiro a sério ? Harry estava a ler a lição número um : Pegando em a varinha ( algumas dicas úteis ) quando umas passadas arrastadas , lá fora , o preveniram de que Filch estava de volta . Metendo rapidamente o pergaminho dentro de o envelope , lançou o para_cima de a secretária em o preciso momento em que a porta se abriu . Filch ostentava um ar triunfante . - Aquele armário que desapareceu era extremamente valioso - vinha ele a dizer a a gata , Mrs._Norris . - Desta_vez vamos correr com o Peeves , minha linda . Os seus olhos recaíram sobre Harry e logo_a_seguir sobre o envelope de o feitiço rápido que , Harry apercebeu se tarde de mais , estava meio metro distanciado de o seu lagar inicial . O rosto pálido de Filch tornou se vermelho escarlate . Harry preparou se para uma nova onda de fúria . Filch coxeou até a a secretária , arrebatou o envelope e meteu o em uma gaveta . -- Chegaste a ... lê o ? - perguntou atabalhoadamente . - Não - mentiu Harry , sem perder tempo . As mãos nodosas de o Filch contorciam se ao_mesmo_tempo . - Se eu soubesse que ias ler a minha correspondência priv ... não que seja minha ... é para um amigo ... mesmo_assim ... Harry olhava para ele espantado . Nunca vira o Filch tão louco . Os olhos pareciam querer saltar lhe de as órbitas , com um tique em as bochechas e aquele lenço axadrezado que não ajudava nada ... - Muito bem , vai e não abras a boca sobre isto ... não que ... mesmo_assim ... se tu não leste ... vai te embora , tenho de escrever o relatório sobre o Peeves , vai . Atordoado com a sua sorte , Harry saiu de ali e largou a correr por o corredor fora e por as escadas acima . Sair de o gabinete de o Filch sem um castigo devia ser um recorde em a escola . - Harry , Harry , deu resultado ? O Nick quase sem cabeça saiu a brilhar de uma sala de aula . Atrás de ele , Harry pôde ver os destroços de um grande armário preto e dourado que parecia ter sido atirado de uma grande altura . - Convenci o Peeves a parti o mesmo em cima de o gabinete de o Filch - disse Nick entusiasmado . - Pensei que talvez o distraísse . - Foste tu ? - exclamou Harry , agradecido . - Funcionou sim . Ele não me deu nenhum castigo . Obrigado , Nick . Atravessaram o corredor juntos . O Nick quase sem cabeça , reparou Harry , ainda tinha em a mão a carta de Sir_Patrick . - Gostaria de poder fazer qualquer coisa sobre o grupo de os Sem - _ Cabeça - disse Harry . O Nick quase sem cabeça parou de repente e Harry passou através de ele . Antes não tivesse passado , foi como atravessar um duche gelado . - Mas há uma coisa que tu podes fazer por mim - disse Nick muito agitado . - Harry , seria pedir te de mais ... mas não , tu não ias querer ... - O quê ? - Bem , este ano em o * _ Hallowe'en * vai ser o meu meio milénio de dia de os mortos - disse o Nick quase sem cabeça endireitando se e adquirindo uma postura de grande dignidade . - Oh - respondeu Harry sem saber se deveria lamentar ou dar lhe os parabéns . - Certo . - Vou dar uma festa em um de os calabouços mais amplos . Vêm amigos meus de todo o país . Seria uma honra muito grande se tu aparecesses . Mr._Weasley e Miss_Granger seriam também muito bem-vindos , claro . Mas tu deves preferir o banquete de a escola , não é verdade ? - Olhou para Harry , aflito . - Não - assegurou ele rapidamente . - Eu vou . - Oh rapaz , Harry_Potter em a minha festa de os mortos - hesitou no_meio_de toda aquela excitação . - Achas que poderias referir a Sir_Patrick como me achas assustador e como te impressiono ? - É claro que sim - assegurou Harry . O Nick quase sem cabeça iluminou se em um sorriso . - Uma festa de os mortos ? - exclamou Hermione , entusiasmada , quando Harry , depois de mudar de roupa , se juntou a ela e a o Ron em a sala comum . - Aposto que não há muitas pessoas que possam gabar se de ter estado em uma festa de essas . Vai ser fantástico ! - Por_que é_que alguém se lembraria de festejar o dia em que morreu ? - perguntou o Ron que estava a meio de o seu trabalho de casa de poções e bastante maldisposto . - Parece me bastante mórbido . A chuva continuava a lamber as janelas que apresentavam agora um negro que parecia tinta , mas , lá dentro , era tudo claro e alegre . O fogo em a lareira brilhava sobre as inúmeras cadeiras de braços onde as pessoas estavam sentadas a ler , a conversar , a fazer os trabalhos de casa ou , no_caso_de Fred e George_Weasley , a tentar descobrir o que aconteceria se alimentassem uma salamandra com fogo-de-artíficio de o Filibuster . O Fred tinha « resgatado . o lagarto cor de laranja brilhante , morador de o fogo , de uma aula de tratamento de seres mágicos e ele estava agora a arder em fogo lento sobre uma mesa , rodeado de um grupo de curiosos . Harry ia começar a contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre o Filch e o curso de feitiço rápido quando a salamandra disparou por os ares , lançando faíscas e estoiros . A visão de Percy a gritar com Fred e George até ficar ronco , a fantástica exibição de estrelas cor de tangerina que choviam de a boca de a salamandra e a sua fuga para o lume acompanhada de explosões , fizeram com que Harry se esquecesse , em aquele momento , de Filch e de o curso de feitiço rápido . Quando chegou o * _ Hallowe'en * , Harry já lamentava a sua promessa imprudente de ir a a festa de os mortos . Toda_a escola antecipava , feliz , a sua festa de * _ Hallowe'en * . O salão nobre fora enfeitado com os habituais morcegos , as enormes abóboras de Hagrid tinham sido esculpidas em forma de lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro_de cada uma , e havia boatos de que Dumbledore contratara um grupo de esqueletos bailarinos para animar a festa . - Uma promessa é uma promessa - lembrou Hermione_a_Harry com o seu autoritarismo habitual . - Tu disseste que ias a a festa de os mortos . Portanto , a as sete_da_tarde , Harry , Ron e Hermione saíram , passando por a porta de o salão nobre que brilhava de modo convidativo com pratos dourados e velas e dirigiram os seus passos para os calabouços . O corredor que conduzia a a festa de o Nick quase sem cabeça tinha sido também ladeado de velas , embora o efeito estivesse longe_de ser alegre : estas eram velas muito esguias e estreitas , negras de breu , ardendo em um azul brilhante e lançando uma luz indistinta e espectral também sobre as caras de as pessoas vivas . A temperatura diminuía a cada degrau que desciam . Harry tremia e cingia a túnica a o corpo quando ouviu qualquer coisa que parecia uma centena de unhas a rasparem um enorme quadro preto . - Será que isto_é a música ? - murmurou Ron . Viraram uma esquina e viram o Nick quase sem cabeça junto de uma porta , todo vestido de veludo negro . - Meus queridos amigos - disse com ar de luto . - Bem-vindos , bem-vindos , ainda_bem que puderam vir . Em um gesto largo tirou o chapéu de plumas e fez lhes sinal para que entrassem . Era uma visão incrível . O calabouço estava cheio com centenas de pessoas de um branco pálido e translúcido , a maior parte de as quais era arrastada em uma pista de dança cheia , valsando a o som de trinta serrotes musicais . Os serrotes que compunham a orquestra encontravam se sobre um estrado enfeitado com panos negros . Um lustre lá em cima resplandecia de um azul nocturno com mais um_milhar de velas negras . A respiração de os três subiu em o ar como uma neblina . Parecia que tinham entrado em um congelador . - Vamos dar uma volta - sugeriu Harry em uma tentativa de aquecer os pés . - Cuidado , não atravessem nenhum de eles - avisou o Ron nervosamente e colocaram se em volta de a pista de dança . Passaram por um grupo escuro de freiras , por um homem esfarrapado e cheio de correntes e por o frade gordo , o divertido fantasma de os Hufflepuff que estava a conversar com um cavaleiro com uma seta enfiada em a testa . Harry não ficou nada surpreendido a o ver que o Barão sangrento , o fantasma lúgubre e berrante de os Slytherin , coberto de nódoas de sangue ; estava a ser totalmente evitado por os outros fantasmas . - Oh ! Não -- exclamou Hermione , parando bruscamente . - Voltem se , voltem se , não quero ter de cumprimentar a Murta_Queixosa . - Quem ? - perguntou Harry enquanto davam rapidamente meia volta . - Ela assombra a casa_de_banho de as raparigas de o primeiro andar - explicou Hermione . - Assombra uma casa_de_banho ? - Sim . Está inoperativa durante todo o ano porque ela tem constantes acessos de choro e inunda tudo . Eu só lá fui quando não pode mesmo evitar . É horrível tentar ir a a sanita com ela a gritar connosco . - Olhem , comida - disse o Ron . De o outro lado de o calabouço estava uma mesa igualmente coberta de velado negro . Iam para se aproximar entusiasmados , mas pararam com uma expressão de horror . O cheiro era nauseabundo . Enormes peixes podres enchiam as bonitas travessas de prata , os bolos estorricados como carvões amontoavam se em as salvas , havia uma grande quantidade de miúdos de macaco , uma tábua de queijos cobertos de bolor e , em o lugar de honra , um enorme bolo cinzento em forma de lápide com letras que pareciam alcatrão formando as palavras , * _ Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington_Morto em 31_de_Outubro , 1492 * . Harry olhou espantado quando um fantasma de porte majestoso se aproximou de a mesa inclinando se e passando através de ela com a boca aberta enquanto atravessava um salmão malcheiroso . - Consegue prová o passando através de ele ? - perguntou lhe Harry . - Quase - disse tristemente o fantasma antes de se afastar . - Devem ter deixado apodrecer tudo_isto para ter um sabor mais forte - comentou Hermione com ar de quem está bem informada , tapando o nariz e aproximando se para ver melhor os pútridos miúdos de macaco . - Podemos sair de aqui , estou a sentir me agoniado - disse o Ron . Mas mal tinham dado meia volta quando um homenzinho pequenino saiu inesperadamente de debaixo de a mesa e fez uma paragem em o ar em frente de eles . - Olá , Peeves - disse Harry cautelosamente . Ao_contrário de os outros fantasmas que os rodeavam , Peeves , o * poltergeist * era o oposto de pálido e transparente . Usava um chapéu festivo cor de laranja , um laço rotativo a o pescoço e tinha um sorriso grosseiro de malvadez , em o rosto . - Querem petiscar ? - perguntou delicadamente , oferecendo lhes uma taça de amendoins cobertos de fungos . - Não , obrigada - disse Hermione . - Ouvi te falar sobre a pobre Murta - disse Peeves com os olhos a bailar . - Que insensível que tu foste para com a pobre Murta - respirou fundo e gritou : - Oh Murta . - Oh ! Não , Peeves , não lhe contes o que eu disse , ela vai ficar muito aborrecida - murmurou Hermione bastante nervosa . - Eu não queria dizer que ... eu não me importo que ela , er , olá , Murta . O espectro atarracado de uma rapariga deslizara . Tinha o rosto mais carrancudo que Harry alguma vez vira , meio escondido por o cabelo liso e por os óculos grossos cor de pérola . - O que é ? - perguntou mal-humorada . - Como estás Murta ? - perguntou Hermione , em uma voz falsamente alegre . - É bom ver te fora de a casa_de_banho . Murta fungou . - Miss_Granger estava justamente a falar de ti - disse lhe Peeves baixinho a o ouvido . - A dizer , a dizer ... como estás bonita esta noite -- terminou Hermione , olhando irritada para Peeves . A Murta olhou para Hermione desconfiada . - Estão a divertir se a a minha custa - disse , com lágrimas de prata a encherem lhe rapidamente os olhos pequeninos . - Não , a sério , eu não estava a dizer vos como a Murta estava bonita esta noite ? - disse Hermione , dando uma palmada em as costas de o Harry e de o Ron . - Sim , sim . - Ela ... - Não me venham com mentiras - protestou a Murta , as lágrimas agora a descerem lhe por o rosto , enquanto Peeves ria baixinho por cima de o ombro de ela . - Julgam que eu não sei o que as pessoas me chamam em as minhas costas ? A Murta gorda , a Murta feia , a Murta queixosa , a Murta deprimida ! - Esqueceste te de « a Murta ponto negro » - sussurrou lhe Peeves a o ouvido . A Murta_Queixosa irrompeu em soluços de angústia e fugiu de o calabouço . Peeves disparou atrás de ela , lançando lhe uma chuva de amendoins cheios de bolor e gritando : Ponto negro ! Ponto negro ! - Oh , coitada ! - exclamou Hermione com tristeza . O Nick quase sem cabeça abria agora caminho entre a multidão para se aproximar de eles . - Estão a divertir se ? - Sim , sim - mentiram . - Uma afluência nada má - disse orgulhoso o Nick quase sem cabeça . - A viúva chorosa veio de Kent ... está quase em a hora de o meu discurso . É melhor ir avisar a orquestra . Mas a orquestra parou de tocar em esse preciso momento . Eles , e todos os outros em o calabouço , ficaram em silêncio total , olhando em volta cheios de excitação quando se ouviu uma trompa de a caça . - Lá vêm eles - disse o Nick quase sem cabeça , com alguma amargura em a voz . Por o calabouço irromperam uma_dúzia de , cavalos fantasmas , cada_um montado por um cavaleiro sem cabeça . A assistência aplaudiu vivamente . Harry começou também a bater palmas , mas parou rapidamente quando viu a cara de o Nick . Os cavalos galoparam até a o meio de a pista de dança e pararam , empinando se , dando pequenos passos para a frente e para trás , sobre as patas traseiras . Um fantasma grande em a frente , cuja cabeça barbuda estava debaixo de o braço , soprando a trompa , desmontou , levantou a cabeça bem em o ar para poder ver toda_a assistência ( todos se riam ) e dirigiu se a o Nick quase sem cabeça , comprimindo a cabeça contra o pescoço . - Bem-vindo , Patrick - disse o Nick , mantendo a sua postura rígida . - Gente viva ! - exclamou o Sir_Patrick , avistando Harry , Ron e Hermione e dando um salto de falso espanto , de_tal_modo_que a cabeça lhe caiu de_novo ( a multidão ria a bom rir ) . - Muito engraçado - disse o Nick quase sem cabeça com um ar soturno . - Não ligues a o Nick - gritou a cabeça de Sir_Patrick de o chão . - Ainda está aborrecido por não o deixarmos juntar se a o grupo . Mas olhem bem para ele ... - Eu acho - disse apressadamente Harry , a seguir a um olhar de o Nick - que o Nick é muito assustador e ... eu ... - Bah ! - gritou a cabeça de Sir_Patrick . - Aposto que ele te pediu que dissesses isso . - Gostaria de ter a vossa atenção . Chegou a altura de fazer o meu discurso - disse o Nick quase sem cabeça bem alto , dirigindo se a o pódio , subindo e parando , iluminado por uma luz azul . - Os meus sentimentos , senhores e senhoras , é com profundo pesar ... Mas já ninguém estava a ouvi o . Sir_Patrick e o resto de o grupo de os Sem - _ Cabeça tinham iniciado um jogo de hóquei de cabeça e a multidão voltara se para os observar . Nick quase sem cabeça tentou em vão recuperar a audiência , mas acabou por desistir quando a cabeça de Sir_Patrick passou por ele a_toda_a velocidade gritando vivas . Harry estava cheio de frio para não falar de a fome . - Não aguento mais isto - murmurou Ron a bater o dente enquanto a orquestra voltava a entrar em acção e os fantasmas enchiam de_novo a pista de dança . - Vamos embora - concordou Harry . Recuaram até a a porta , acenando e sorrindo a todos os que olhavam para eles e um minuto depois passavam apressadamente por a entrada cheia de velas negras . - Talvez o pudim ainda não tenha acabado - disse o Ron cheio de esperança , abrindo caminho em direcção a os degraus de o vestíbulo de a entrada . E foi então que Harry ouviu aquilo . - ... * _ Arrancar ... rasgar ... matar * ... Era a mesma voz , a mesma voz fria e assassina que ouvira em o escritório de Lockhart . Parou , agarrando se a a parede de pedra em a expectativa de ouvir melhor , olhando em volta , espreitando para_cima e para baixo de a passagem mal iluminada . - Harry que estás tu a ... ? - E aquela voz outra_vez , calem se um bocadinho . -- ... * _ Tanta fome ... há tanto tempo * ... - Ouçam insistiu Harry e Ron e Hermione ficaram estáticos a olhar para ele . - * _ Matar ... hora de matar * ... A voz ia ficando mais débil . Harry tinha a certeza de que ela estava a afastar se , a subir . Um misto de medo e excitação tomou posse de ele enquanto olhava para o tecto escuro . Como poderia ele subir ? Seria um fantasma para quem os tectos de pedra não contavam ? - Por aqui - gritou , começando a correr por as éscadas acima até a a entrada de o * hall * . Não havia hipótese de ouvir fosse o que fosse ali , o barulho de vozes que vinha de o banquete de o * _ Hallowe'en * ecoava cá fora . Harry subiu a correr a escadaria de mármore até a o primeiro andar com Ron e Hermione ruidosamente atrás . - Harry o que é_que nós ... ? - Sch ... Harry apurou o ouvido . Ao_longe , em o andar de cima , e ainda a enfraquecer , mesmo_assim ouviu a voz : - ... * Cheira-me a sangue ... cheira me a sangue ! * O estômago deu lhe uma volta . - Ele vai matar alguém - gritou e ignorando as caras perplexas de Ron e Hermione , correu , subindo mais um lanço de escadas , a três_e_três , tentando ouvir através de o ruído de os seus próprios passos . Harry correu a_toda_a velocidade pelo segundo andar com Ron e Hermione atrás e só parou quando viraram uma esquina para o último corredor abandonado . - Harry , o que foi aquilo tudo ? - perguntou o Ron , limpando o suor de o rosto . - Eu não ouvi nada ... Mas Hermione , em um sobressalto , apontou para o fundo de o corredor . - Olhem ! Alguma coisa brilhava em a parede em frente . Aproximaram se devagarinho , tentando ver em a escuridão . Alguém escrevera em letras garrafais em a parede entre duas janelas . As palavras brilhavam a a chama fraca de as tochas . : __ a câmara de os segredos foi aberta . inimigos de o herdeiro , __ cuidado . - O que é aquilo pendurado por baixo de as letras ? - perguntou Ron com um tremor em a voz . Quando se aproximaram , Harry quase escorregou . Havia uma grande poça de água em o chão . Ron e Hermione agarraram o e avançaram cautelosamente até a a mensagem , os olhos fixos em uma sombra escura , em baixo . Aperceberam se os três de imediato do_que se tratava e deram um salto para trás , salpicando tudo de água . Mrs._Norris , a gata de o encarregado , estava pendurada por a cauda em o suporte de a tocha . Tinha o corpo rígido como uma tábua e os olhos abertos . Durante alguns segundos ninguém se mexeu . Depois o Ron disse : - Vamos sair de aqui . - Não devíamos tentar ajudar ? - propôs Harry , sem graça . - Acredita - assegurou o Ron . - É melhor que não nos encontrem aqui . Mas era tarde de mais . Um ruído surdo e prolongado , como um trovejar distante , avisou os de que o festim tinha terminado . De ambos os lados de o corredor onde eles estavam , veio o som de centenas de pés a subirem a escadaria e as vozes alegres de gente bem alimentada . Em o momento seguinte os alunos chegavam junto de eles de ambos os lados . O burburinho morreu subitamente mal as pessoas avistaram a gata pendurada . Harry , Ron e Hermione estavam de pé , sozinhos , em o meio de o corredor quando se fez silêncio em a multidão de estudantes que se empurravam para observar aquele quadro macabro . Então alguém gritou , quebrando o silêncio . - Inimigos de o herdeiro , cuidado . Vocês serão os próximos , sangue de lama ! Era_Draco_Malfoy . Estava a a frente de a multidão com os olhos frios a brilhar , a sua cara habitualmente pálida agora afogueada , sorrindo a a vista de a gata pendurada e imóvel . IX_As palavras em a parede -- O que é_que se passa aqui ? O que é_que se passa ? Sem dúvida , atraído por o grito de Malfoy , Argus_Filch apareceu a coxear em o meio de a multidão . Quando viu Mrs._Norris , caiu para trás agarrando o rosto com verdadeiro horror . - A minha gata ! A minha gata ! O que aconteceu a Mrs._Norris ? - gritou . E os seus olhos rápidos caíram sobre Harry . - Tu - guinchou ele . - Mataste a minha gata ! Mataste a , vou dar cabo de ti , eu ... - Argus . Dumbledore tinha chegado a o lugar , seguido de alguns professores . Em poucos segundos tinha passado a a frente de Harry , Ron e Hermione e desatado Mrs._Norris de o suporte de a tocha . - Vem comigo , Argus - disse ele a o Filch . - Vocês também , Mr._Potter , Mr._Weasley e Miss_Granger . Lockhart deu rapidamente um passo em frente . - O meu escritório é o que está mais perto , senhor director , é já aqui em cima , por favor fiquem a a vontade . - Obrigado , Gilderoy - disse Dumbledore . A multidão silenciosa dividiu se para os deixar passar . Lockhart sentindo se excitado e importante , seguia Dumbledore assim_como a professora Mc_Gonagall e o professor Snape . Quando entraram em o escritório escuro de Lockhart houve uma grande agitação em as paredes . Harry viu várias imagens de Lockhart a esconderem se cheias de rolos em o cabelo . O Lockhart em pessoa acendeu as velas e chegou se mais para trás . Dumbledore pôs Mrs._Norris em a superfície polida de a secretária e começou a examiná a . Harry , Ron e Hermione trocaram olhares tensos entre si e deixaram se cair em as cadeiras que se encontravam longe de a luz , a observar . A ponta de o nariz longo e adunco de Dumbledore estava a menos_de dois centímetros de o pêlo de Mrs._Norris . Ele olhava a de perto através de os óculos de meia-lua , os dedos longos a palpar e tactear suavemente . A professora Mc_Gonagall estava quase tão perto como ele , com os olhos contraídos . Snape surgia mais atrás , meio em a sombra , com uma expressão estranha em o rosto , como_se tentasse a_toda_a força sorrir . E Lockhart andava de um lado para o outro a dar sugestões . - Foi sem dúvida uma maldição que a matou , provavelmente a tortura de a metamorfose . Vi a muitas_vezes ser usada , mas infelizmente eu não estava lá quando isto aconteceu . Conheço o antídoto para essa maldição , o que a teria salvo . Os comentários de Lockhart foram interrompidos por os soluços secos e violentos de Filch . Estava afundado em uma cadeira junto de a secretária , incapaz de olhar para Mrs._Norris , com o rosto em as mãos . Por mais que detestasse Filch , Harry não pôde deixar de sentir pena de ele embora não tanta quanto_a que sentia por si próprio . Se Dumbledore acreditasse em o Filch ele seria certamente expulso . O director estava agora a sussurrar umas palavras estranhas e batendo em Mrs._Norris com a varinha , mas não aconteceu nada , ela continuou com o mesmo aspecto , como_se tivesse sido empalhada . - ... Lembro me de uma coisa semelhante que aconteceu em Ouagadogou - disse LockLart . - Uma série de ataques . Conto essa história em a minha autobiografia . Eu dei a a gente de a cidade vários amuletos que resolveram logo a situação ... As fotografias de Lockhart em as paredes iam acenando afirmativamente com a cabeça enquanto ele falava . Uma de elas esquecera se de tirar os rolos de o cabelo . Por fim , Dumbledore endireitou se . - Ela não está morta , Argus - disse suavemente . Lockhart interrompeu bruscamente a contagem de os crimes que conseguira evitar . - Não está morta ? - disse Filch em um sufoco , olhando através de os dedos para Mrs._Norris . - Mas , porque está ela rígida e gelada ? - Foi petrificada - disse Dumbledore ( Ah ! foi o que eu pensei ! - comentou Lockhart ) mas como , não posso afirmar . - Pergunte lhe - gritou Filch , voltando a cara cheia de furúnculos e lágrimas para Harry . - Nenhum aluno de o segundo ano poderia ter feito isto - explicou Dumbledore . - Era preciso um grande conhecimento de magia negra . - Foi ele , foi ele - disse encolerizado o encarregado com a cara a ficar roxa . - O senhor viu o que ele escreveu em a parede . Ele descobriu em o meu gabinete , ele sabe que eu sou um ... - O rosto de Filch estava horrível . - Ele sabe que eu sou um * _ busca-pé * - disse por fim . - Eu não toquei em a Mrs._Norris - gritou Harry com todos os olhares a recaírem sobre ele , incluindo o de todos os Lockharts de a parede . - E eu nem sei o que é um * busca-pé * . - Mentira ! - gritou Filch . - Ele viu a minha carta de o feitiço rápido . - Se me permite que dê a minha opinião , senhor director - disse Snape , saindo de a sombra , e a sensação de mau presságio de Harry aumentou bastante . Certamente nada do_que Snape tinha para de dizer iria ajudá o . - O Potter e os amigos podiam estar simplesmente em o lugar errado em a altura errada - afirmou com um leve sorriso a torcer lhe a boca como_se tivesse as suas dúvidas . - Mas , temos aqui um conjunto de circunstâncias curiosas . Porque estavam eles afinal em o corredor ? Porque não estiveram presentes em a festa de o * _ Hallowe'en * ? Harry , Ron e Hermione começaram uma longa explicação sobre a festa de o dia de os mortos . - Estavam lá centenas de fantasmas , eles poderão confirmar que lá estivemos ... - Mas porque não foram a seguir a o banquete ? - perguntou Snape com os olhos pretos a brilharem a a luz de as velas . - Porquê ir até a aquele corredor ? Ron e Hermione olharam para Harry . - Porque , porque ... - balbuciou Harry , com o coração a querer saltar lhe de o peito , mas algo lhe disse que ia parecer muito rebuscado se lhes contasse que tinha sido levado até ali por uma voz sem corpo que só ele conseguia ouvir . - Porque estávamos cansados e queríamos ir para a cama - disse . - Sem jantar ? - inquiriu Snape com um sorriso triunfante a bailar lhe em o rosto lúgubre . - Não sabia que os fantasmas ofereciam em as suas festas comida para gente viva . - Não estávamos com fome - disse o Ron bem alto , enquanto o estômago se queixava de forma audível . O sorriso mesquinho de a Snape ampliou se . - Acho , senhor director , que Potter não está a dizer toda_a verdade - afirmou . - Talvez fosse boa ideia retirar lhe alguns privilégios , até ele estar disposto a contar nos a história toda . Pessoalmente , sugiro que seja retirado de a equipa de os Gryffindor até decidir ser honesto . - Francamente , Severus - exclamou a professora Mc_Gonagall com uma voz cortante . - Não vejo porquê impedir o rapaz de jogar Quidditch . Esta gata não levou pauladas em a cabeça dadas por nenhum cabo de vassoura . E não há provas de que o Potter tenha feito algo de mal . Dumbledore observava Harry com um olhar perscrutador . A voz tremeluzente de os seus olhos azuis fez Harry sentir que estava a ser passado a raios X. - Inocente até se provar que é culpado , Severus - disse com segurança . Snape estava furioso , assim_como Filch . - A minha gata foi petrificada ! - berrou , com os olhos a saltarem de as órbitas . - Quero ver um castigo ! - Vamos poder curá a , Argus - explicou pacientemente Dumbledore . - Madam_Sprout conseguiu arranjar algumas Mandrágoras . Logo_que tenham atingido o tamanho adulto , terei uma poção de Mandrágoras que reanimará Mrs._Norris . - Eu posso fazê a - interrompeu Lockhart . - Devo ter feito isso uma centena de vezes . Preparo uma golada de Mandrágora reconstituinte de olhos fechados ... - Perdão - disse Snape friamente -- , mas julgo que o professor de poções de esta escola ainda sou eu . Houve um silêncio bastante incómodo . - Vocês podem ir se embora - disse Dumbledore a o Harry , Ron e a Hermione . Eles saíram o mais depressa que puderam , sem ir a correr . Quando chegaram a o andar acima de o escritório de Lockhart , entraram em uma sala de aulas vazia e fecharam a porta devagarinho . Harry lançou um olhar de esguelha a as caras carrancudas de os amigos . - Acham que eu lhes devia ter falado de a voz que ouvi ? - Não - respondeu Ron , sem a mínima hesitação . - Ouvir vozes que mais ninguém ouve , não é bom sinal , nem em o mundo de os feiticeiros . Algo em a voz de Ron levou Harry a fazer a pergunta : - Tu acreditas em mim , não acreditas ? - Claro que sim - respondeu o Ron de imediato . - Mas tens de concordar que é esquisito ... - Eu sei que é esquisito - confirmou Harry . - É tudo esquisito . O que era aquilo escrito em a parede ? * _ A_Câmara foi aberta * , o que é_que significa ? - Sabes , faz me lembrar qualquer coisa - disse Ron lentamente . - Acho que alguém me contou uma história sobre uma câmara secreta em Hogwarts , talvez tenha sido o Bill ... - E que diabos é um * busca-pé * ? - perguntou Harry . Para sua surpresa , Ron abafou o riso . - Bem , em a verdade não tem graça nenhuma , mas como é o Filch ... - disse . - Um * busca-pé * é alguém que nasceu de uma família de feiticeiros , mas não tem poderes mágicos . É uma espécie de o oposto de os que vêm de famílias de Muggles , mas são feiticeiros . Os * busca-pé * são muito raros . Se o Filch está a tentar aprender magia em um curso rápido , acho que ele deve ser mesmo um busca-pé . Isso explicaria tudo , por_exemplo , porque detesta tanto os estudantes . - Ron sorriu satisfeito . - Tem inveja . Um relógio deu as horas , algures . - Meia-noite - disse Harry . - É melhor irmo nos deitar , antes que o Snape apareça e tente acusar nos de qualquer coisa . Durante alguns dias não se falou de outra coisa em a escola a não ser de o ataque a a gata , Mrs._Norris . Filch manteve o sucedido bem fresco em a memória de todos , andando de um lado para o outro em o lugar onde ela fora atacada , como_se esperasse por o responsável . Harry vira o esfregar a mensagem de a parede com a « solução removedora de toda_a porcaria mágica Mrs._Skower » , mas sem qualquer resultado . As palavras continuavam a brilhar tanto como antes sobre a pedra . Quando Filch não estava a patrulhar a cena de o crime , vagueava , de olhos avermelhados , por os corredores , perseguindo alunos insuspeitos e tentando aplicar lhes castigos por coisas como « respirar muito alto » ou « estar alegre » . Ginny_Weasley parecia muito perturbada com o destino de Mrs._Norris . Segundo Ron ela era uma amante de gatos . - Mas tu nem chegaste a conhecer bem Mrs._Norris - disse lhe Ron para a animar . - Com toda_a franqueza , estamos muito melhor sem ela . - O lábio de Ginny tremeu . - Não é costume acontecerem coisas de estas em Hogwarts - tranquilizou a . - Eles vão descobrir o safado que fez aquilo e põem o de aqui para fora em três tempos . - Só espero que tenha tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso . Estou a brincar , claro - acrescentou o Ron apressadamente a o ver a Ginny a empalidecer . O ataque afectara também Hermione . Era costume de ela passar muito_tempo a ler , mas agora parecia não fazer mais_nada . Nem respondia a o Harry e a o Ron quando lhe perguntavam o que estava a fazer e só acabaram por descobrir em a quarta-feira seguinte . Harry tivera de ficar até mais tarde em a sala de poções onde Snape o mandara raspar restos de larvas de as secretárias . Depois de um almoço comido a a pressa , ele foi lá acima encontrar se com Ron em a biblioteca e viu Justin_Finch - _ Fletchley , o rapaz de os Hufflepuff de herbologia que vinha em direcção a ele . Harry tinha acabado de abrir a boca para dizer um « Olá » quando Justin o viu , voltando se bruscamente e mudando de direcção . Harry foi encontrar o Ron em as traseiras de a biblioteca , a medir o trabalho de casa de história de a magia . O professor Binns pedira uma composição sobre a Assembleia_Medieval_de_Feiticeiros_Europeus com 90cm . De extensão . - Não posso crer que ainda me faltem 16cm - disse o Ron furioso , largando o pergaminho que se enrolou em forma de tubo - e que a Hermione fez um metro e trinta em aquela letra pequenina e apertadinha . - Onde está ela ? - perguntou Harry , agarrando em a fita métrica e desembrulhando o seu trabalho de casa . - Algures por aí - disse o Ron , apontando para as estantes . - _ a a procura de outro livro . Acho que ela está a tentar ler a biblioteca toda antes de o Natal . Harry contou a Ron que Justin_Finch - _ Fletchley tinha evitado falar lhe . - Não sei porque te preocupas com isso . Eu achei o um idiota - disse o Ron , escrevinhando e fazendo a letra o maior possível . - Todo aquele disparate sobre o Lockhart ser tão grande ... Hermione surgiu de o meio de as estantes . Parecia irritada e disposta , por fim , a falar com eles . - Todos os exemplares de * _ Hogwarts : Uma História * foram requisitados - disse , sentando se ao_lado_de Harry e Ron . - E há uma lista de espera de duas semanas . Quem me dera não ter deixado o meu exemplar em casa , mas não consegui que coubesse em a mala com todos os livros de o Lockhart . - Para que o queres ? - perguntou Harry . - Pelo mesmo motivo que toda_a_gente o quer - disse Hermione . - Para ler a lenda de a Câmara_dos_Segredos . - O que é isso ? - Precisamente . Não me lembro - disse Hermione , mordendo o lábio . - E não encontro a História em lugar nenhum . - Hermione , deixa me ler o teu trabalho - pediu Ron desesperado , olhando para o relógio . - Não , não deixo - respondeu Hermione com um ar severo . - Tiveste dez dias para o fazer . - Só preciso de mais quatro centímetros , vá lá ... A campainha tocou . Ron e Hermione encaminharam se para a História_da_Magia , discutindo . A História_da_Magia era a matéria mais chata de o programa . O professor Binns , que dava a cadeira , era o único professor fantasma e a coisa mais excitante que aconteceu em as suas aulas foi o dia em que entrou por o quadro preto . Já velho e enrugado , muita gente afirmava a seu respeito que ele não dera por_que tinha morrido . Pura e simplesmente levantara se um dia para ir dar aulas , deixando o corpo atrás , em um cadeirão em frente de a lareira de a sala de os professores . Desde esse dia a sua rotina mantivera se igual . Era hoje tão chato como fora sempre . Abriu as notas e começou a ler em um tom monocórdico como um velho aspirador até quase todos os alunos estarem em um estado de profunda dormência , acordando de vez em quando , para tomar nota de um nome ou de uma data , e voltando a adormecer . Estava a falar havia meia_hora quando aconteceu algo que nunca tinha acontecido . Hermione pôs o braço em o ar . O professor Binns olhou de relance , em o meio de a chatíssima aula sobre a Convenção_Internacional_de_Feiticeiros de 1289 , verdadeiramente espantado . - Miss ... er ... ? - Granger , professor . Poderia dizer nos alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Hermione em uma voz bem audível . O Dean_Thomas , que tinha estado sentado de boca aberta olhando para fora de a janela , saiu de o seu transe com um salto . A cabeça de Lavender_Brown saiu de os braços e o cotovelo de o Neville_Longbottom escorregou para fora de a secretária . O professor Binns piscou os olhos . - A minha matéria é História_da_Magia - disse em a sua voz seca e asmática . - Eu trato de factos , Miss_Granger , não de mitos e lendas - pigarreou produzindo um ruído que parecia o giz sobre o quadro e continuou : - Em Setembro de esse ano , uma subcomissão de feiticeiros de a Sardenha ... Parou de repente . A mão de Hermione estava de_novo em o ar . - Sim , Miss_Grant ? - Por favor , professor , as lendas não têm sempre um facto como base ? O professor Binns olhava para ela com tal espanto que Harry teve a certeza de que ele nunca , em tempo algum , fora interrompido por um aluno . - Bem - disse lentamente o professor Binns . - Sim , é uma afirmação que pode fazer se . - Olhou para Hermione como_se fosse a primeira vez que olhasse a sério para um estudante . - Contudo , a lenda de que me fala é tão extraordinária , mesmo grotesca ... Mas a aula inteira estava agora atenta a as palavras de o professor , que olhou indistintamente para todos eles . Harry poderia assegurar que ele estava absolutamente abismado por uma tão grande demonstração de interesse . - Muito bem - disse lentamente . - Ora vejamos ... a Câmara_dos_Segredos . Todos vocês sabem com certeza que Hogwarts foi fundada há mais de um_milhar de anos , não se conhece ao_certo a data , por os quatro maiores feiticeiros e feiticeiras de a época : Godric_Gryffindor , Helga_Hufflepuff , Rowena_Ravenclaw e Salazar_Slytherin . Construíram juntos este castelo , longe de os olhares curiosos de os Muggles porque em aquele tempo a magia era temida por as pessoas comuns e as bruxas e feiticeiros sofriam terríveis perseguições . Fez uma pausa , olhou indeciso em volta e prosseguiu : - Durante alguns anos , os fundadores trabalharam juntos em harmonia procurando outros mais novos que mostrassem sinais de possuir dotes mágicos e trazendo os para o castelo para aqui serem ensinados . Mas os desentendimentos surgiram entre eles . Começou a notar se uma divisão entre Slytherin e os outros . Salazar_Slytherin queria ser mais selectivo em relação a os alunos a serem admitidos em Hogwarts . Achava que os ensinamentos de magia deviam ficar dentro de as famílias de feiticeiros . Não lhe agradava a entrada em a escola de alunos de famílias Muggles porque os achava pouco dignos de confiança . Depois de algum tempo houve uma séria discussão sobre esse assunto entre Slytherin e Gryffindor e Slytherin abandonou a escola . O professor Binns fez uma nova pausa , fazendo beicinho o que o fazia parecer uma tartaruga enrugada . - Fontes fidedignas referem nos isto - disse . - Mas estes factos foram obscurecidos por a fantasiosa lenda de a Câmara_dos_Segredos . Conta a história que Slytherin construíra uma câmara oculta dentro de o castelo cuja existência os outros fundadores ignoravam . De_acordo com a lenda , Slytherin selou a Câmara_dos_Segredos para que ninguém pudesse abri a até o seu verdadeiro herdeiro chegar a a escola . O herdeiro , e apenas ele , poderia abrir a Câmara_dos_Segredos , libertar o horror que lá se encontrava e utilizá o para expurgar a escola de todos aqueles que eram indignos de aprender magia . Houve um silêncio quando ele se calou que não era o habitual silêncio de sono de as aulas de o professor Binns . Havia um desassossego em o ar enquanto todos continuavam a olhá o a a espera de mais . O professor Binns estava ligeiramente aborrecido . - A história toda é um disparate , claro - disse ele . - A escola foi revistada por várias vezes em busca de provas de a existência de essa câmara , por os feiticeiros e bruxas mais conhecedores . Não existe nada . Uma lenda que serviu apenas para assustar os ingénuos . A mão de Hermione estava novamente em o ar . - Professor , o que quer_dizer , ao_certo com « o horror que estava dentro de a câmara » ? - Acredita se que seja uma espécie de monstro que só o herdeiro de Slytherin pode controlar - disse o professor Binns em a sua voz seca e débil . A aula trocou entre si olhares inquietos . - Como vos digo , a coisa não existe - afirmou o professor Binns , desordenando as suas notas . - Não há câmara e não há monstro . - Mas , professor - disse Seamus_Finnigan . - Se a câmara só podia ser aberta por o herdeiro de Slytherin ninguém mais poderia encontrá a . Não é ? - Um disparate pegado - disse o professor Binns , em um tom de voz exasperado . - Se uma longa sucessão de directores e directoras de Hogwarts não a encontraram ... - Mas , professor - começou a dizer Parvati_Patil . Se_calhar é preciso usar magia negra para a abrir ... - Lá porque um feiticeiro não usa magia negra não quer_dizer que não possa , Miss_Pennyfeather - interrompeu o professor Binns . - Repito , se os antecessores de Dumbledore ... - Mas talvez seja preciso fazer parte de os Slytherin , por isso Dumbledore não podia ... - começou Dean_Thomas , mas o professor Binns já estava farto . - Já chega - disse , de modo cortante . - É um mito . Não existe . Não há uma única prova de que Slytherin tenha construído nem mesmo uma despensa para vassouras . Lamento ter vos contado esta história tola . Vamos voltar , se fazem o favor , a a História , a os factos sólidos , verificáveis , credíveis . E em menos_de cinco minutos toda_a classe mergulhara em a sua sonolência habitual . - Eu sempre ouvi dizer que Salazar_Slytherin era um velho retorcido e meio pateta - disse Ron_a_Harry e Hermione enquanto abriam caminho por os corredores cheios , em o final de a aula , para ir arrumar as malas antes de o jantar . - Mas não sabia que ele tinha começado esta coisa de o sangue puro . Eu não ia para os Slytherin nem que me pagassem . Se o chapéu seleccionador me tivesse posto lá , pegava em as malas e ia me embora ... Hermione acenou vivamente , mas Harry não abriu a boca . O estômago parecia ter dado uma volta . Harry nunca contara a o Ron e a a Hermione que o chapéu seleccionador tinha considerado seriamente a possibilidade de o colocar em os Slytherin . Lembrava se como_se tivesse sido em a véspera do_que a vozinha lhe dissera a o ouvido quando pôs o chapéu em a cabeça , um ano antes . * _ Podias vir a ser grande , sabes ? Está tudo aqui em a tua cabeça e Slytherin ajudaria te em o caminho para a grandeza , sem a menor dúvida * ... Mas Harry , que já ouvira falar de a fama de o grupo de os Slytherin de formar magos negros , pensou desesperadamente . - Em os Slytherin , não ! - E o chapéu tinha dito . - Bem , se tens assim tanta certeza ... será melhor os Gryfffndor . Enquanto eram empurrados por a multidão , Colin_Creevey passou por eles . - Olá , Harry ! - Olá , Colin - disse Harry automaticamente . - Harry , Harry , um rapaz de a minha turma tem andado a dizer que tu és ... Mas Colin era tão baixinho que não conseguiu lutar contra a maré de gente que o arrastou até a o vestíbulo . Ouviram o despedir se : - Adeus , Harry - e desaparecer . - O que é_que o rapaz de a turma de ele disse de ti ? - quis saber Hermione . - Que eu sou o herdeiro de Slytherin , imagino - disse Harry , com o estômago ainda a as voltas e lembrou se de repente de o Justin_Finch - _ Fletchley a fugir para não lhe falar , a a hora de o almoço . - As pessoas aqui acreditam em tudo - disse o Ron com repugnância . A multidão diminuiu e conseguiram subir as escadas sem dificuldade . - Achas mesmo_que existe uma Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Ron_a_Hermione . - Não sei - respondeu ela , franzindo a testa . - Dumbledore não conseguiu curar Mrs._Norris e isso leva me a pensar que o que a atacou pode não ser ... humano . Enquanto falava , voltaram uma esquina e encontraram se em o fim de aquele mesmo corredor onde o ataque tinha ocorrido . Pararam para olhar . Estava tudo igual a aquela outra noite , com excepção de a gata Mrs._Norris e havia uma cadeira vazia encostada a a parede , onde podia ler se a mensagem « : __ a câmara foi __ aberta » . - Foi aqui que o Filch montou a guarda - murmurou Ron . Olharam uns para os outros . O corredor estava deserto . - Não deve fazer mal dar uma olhadela aqui - disse Harry , deixando cair a mala e pondo se de quatro para poder gatinhar em busca de pistas . - Marcas de queimadura - disse - aqui e aqui ... - Venham ver isto ! - chamou Hermione . - Que estranho ... Harry levantou se e foi até a a janela que ficava junto de a mensagem . Hermione apontava para o vidro mais alto , onde cerca de uma vintena de aranhas se debatiam em uma aparente luta por atravessar por uma pequena brecha de vidro . Um longo fio prateado balouçava como uma corda , como_se todas tivessem trepado , em a ânsia de chegar lá fora . - Alguma vez viram aranhas agir assim ? - perguntou Hermione , curiosa . - Não - respondeu Harry . - E tu , Ron ? Ron ? Olhou por cima de o ombro . Ron estava de costas , bem lá atrás e parecia lutar contra o impulso de se virar . - O que é_que se passa ? - perguntou Harry . - Eu não gosto de aranhas - disse Ron , de modo tenso . - Nunca me tinhas dito - comentou Hermione , olhando para ele com surpresa . - Estás farto de usar aranhas em as poções ... - Não me importo quando estão mortas - explicou Ron que olhava cautelosamente para todos os lados , menos para a janela . - Não gosto de a maneira como_se mexem . Hermione riu se baixinho . - Não tem graça nenhuma - disse o Ron , furioso . - Se queres saber , quando eu tinha três anos , o Fred transformou o meu ursinho de pelúcia em uma enorme aranha nojenta , por eu lhe ter partido a vassoura de brinquedo . Tu também não gostarias de aranhas se estivesses agarrada a o teu ursinho e , de repente , ele tivesse uma data de pernas e ... Começou a tremer ... Hermione ainda estava a tentar conter o riso . Sentindo que era melhor mudarem de assunto , Harry perguntou : - Lembram se de a água que havia aqui em o chão ? De onde terá vindo ? Alguém a limpou . - Era por aqui - disse o Ron , já recuperado , avançando alguns passos em direcção a a cadeira de o Filch e apontando . - Junto de esta porta . Estendeu a mão para o puxador de a porta , mas retirou a de imediato , como_se se tivesse queimado . - O que foi ? - perguntou Harry . - Não posso entrar aí - disse o Ron bruscamente . - É a casa_de_banho de as raparigas . - Oh , Ron , não está aí ninguém - sossegou o Hermione enquanto se aproximava . - É o lugar de a Murta_Queixosa . Anda , vamos dar uma espreitadela . E ignorando o grande letreiro que dizia « Fora de serviço » Hermione abriu a porta . Era a casa_de_banho mais sombria e deprimente em que Harry tinha posto os pés durante toda_a sua vida . Debaixo_de um grande espelho partido e sujo podia ver se uma fila de lavatórios de pedra , rachados . O chão estava húmido e reflectia a luz fraca de os pavios de algumas velas que ardiam baixinho em os suportes . As portas de madeira de os cubículos estavam todas lascadas e riscadas e uma de elas balouçava fora de as dobradiças . Hermione levou os dedos a os lábios e foi até a o último cubículo . Quando lá chegou disse : - Olá , Murta , como estás ? Harry e Ron foram ver . A Murta_Queixosa flutuava em a cisterna de a casa_de_banho , tirando um ponto negro de o queixo . - Esta é a casa_de_banho de as raparigas - disse a o ver o Ron e o Harry . - Eles não são raparigas . - Não - concordou Hermione . - Eu só queria mostrar lhes como esta casa_de_banho é ... er ... simpática . Ela fez um aceno vago a o velho espelho sujo e a o chão húmido . - Pergunta lhe se viu alguma coisa - sussurrou o Ron a a Hermione . - Porque estão a dizer segredinhos ? - perguntou a Murta , fitando o . - Não é nada - disse Harry rapidamente . - Queríamos perguntar ... - Gostava que as pessoas parassem de falar em as minhas costas ! - desabafou a Murta em uma voz abafada por as lágrimas . - Eu tenho sentimentos , sabem , apesar_de estar morta . - Murta , ninguém quis aborrecer te - explicou Hermione . - O Harry só ... - A minha vida foi uma infelicidade em este lugar e agora as pessoas vêm estragar a minha morte . - Nós queríamos perguntar te se tinhas visto alguma coisa estranha ultimamente - disse Hermione sem perder tempo . - Porque foi atacada uma gata mesmo aqui a a frente de a tua porta em a noite de o * _ Hallowe'en * . - Viste alguém aqui perto em essa noite ? - insistiu Harry . - Não estava a prestar atenção - disse a Murta com ar dramático . - O Peeves aborreceu me tanto que vim aqui para tentar matar me . Só então me lembrei de que estou ... de que estou ... - Já morta - ajudou o Ron . A Murta soluçou tragicamente , elevou se em o ar , voltou se e mergulhou de cabeça em a sanita , espalhando água por_cima_de todos eles e desaparecendo . Por o som de os seus soluços abafados fora certamente descansar algures em o cano em forma de V._Harry e Ron ficaram de boca aberta , mas Hermione encolheu os ombros de cansaço e disse : - Se querem saber , para a Murta isto até foi alegre ... vá , vamos embora . Harry tinha acabado de fechar a porta deixando atrás os soluços gorgolejantes de a Murta quando uma voz forte o fez dar um salto . - RON ! Percy_Weasley estava parado em o cimo de as escadas com o seu distintivo de prefeito a brilhar e uma expressão chocadíssima em o rosto . - Isso é a casa_de_banho de as raparigas ... o que é_que vocês ... ? - Estávamos só a dar uma vista de olhos - exclamou o Ron - a a procura de pistas ... Percy engoliu em seco , de uma maneira que fez Harry lembrar se de Mrs._Weasley . - Saiam imediatamente de aqui - disse , aproximando se de eles a passos largos e gesticulando agitadamente . - Não se preocupam com as aparências ? Voltar aqui enquanto toda_a_gente está a jantar ... - Porque não havíamos de estar aqui ? - perguntou cheio de vivacidade o Ron , parando de repente e olhando Percy em os olhos . - Ouve lá , nós não tocamos em aquela gata . - Isso foi o que eu tentei explicar a a Ginny - respondeu Percy furioso - mas ela parece continuar a pensar que vocês vão ser expulsos . Nunca a vi tão aflita . Não pára de chorar . Devias pensar em ela . Todos os alunos de o primeiro ano andam superexcitados com esta história . - Tu não estás nada preocupado com a Ginny - disse o Ron já com as orelhas vermelhas . - O que te assusta é_que eu possa estragar as tuas possibilidades de ser chefe de turma . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor ! - bradou Percy , apontando elegantemente para o distintivo de prefeito . - E espero que te sirva de lição . Acabou se o trabalho de detective ou escrevo a a mãe a contar lhe . E voltou lhes as costas , a nuca tão vermelha como as orelhas de o Ron . Harry , Ron e Hermione , em essa noite , sentaram se em a sala comum o mais longe possível de Percy . Ron estava ainda muito maldisposto e não parava de esborratar o trabalho de casa de os encantamentos . Quando pegou distraidamente em a varinha para tirar as manchas incendiou o pergaminho . A deitar quase tanto fumo como o seu trabalho de casa , fechou bruscamente o * _ Livro_Padrão_de_Encantamentos de o 2.o Grau * . Para grande surpresa de Harry , Hermione fez o mesmo . - Mas quem poderia ser - perguntou ela baixinho como_se continuasse uma conversa que tinham acabado de ter . - Quem quereria todos os * busca-pés * e filhos de Muggles fora de Hogwarts ? - Vamos pensar - disse o Ron em a brincadeira , fingindo estar confuso . - Quem poderemos nós conhecer que ache que os familiares de Muggles são escumalha ? Olhou para Hermione . Ela olhou para ele pouco convencida . - Se estás a pensar em o Malfoy ... - Claro que estou - disse o Ron . - Tu ouviste o dizer : - Vocês serão os próximos , sangues de lama ! - Aliás , basta olhar para aquela cara de renegado para saber que ele é ... - Malfoy , o herdeiro de Slytherin ? - repetiu Hermione cepticamente . - Olha para a família de ele - disse Harry , fechando também os livros . - Todos eles estiveram em os Slytherin . O Draco está sempre a vangloriar se de isso . Podiam bem ser descendentes de Slytherin . O pai de ele é suficientemente mau . - Podiam perfeitamente ter tido a chave de a Câmara_dos_Segredos durante séculos - disse Ron - , fazendo a passar de pai para filho . - Bem - acedeu Hermione cautelosamente . - Seria possível ... - Mas como prová o ? - perguntou Harry tristemente . - Talvez haja um meio - sugeriu Hermione lentamente , baixando ainda mais a voz e lançando um olhar , através de a sala , a Percy . - É claro que não é fácil . E é perigoso , muito perigoso . Suponho que iríamos infringir cerca de cinquenta regras de a escola . - Se de aqui a um mês ou dois te decidires a explicar , avisa , está bem ? - disse Ron , que começava a ficar irritado . - Está bem - concordou Hermione friamente . - O que precisaríamos de fazer para entrar em a sala comum de os Slytherin e fazer algumas perguntas a o Malfoy , sem ele perceber que éramos nós ? - Mas isso é impossível - declarou Harry , enquanto Ron se ria . - Não , não é - continuou Hermione . - Só precisamos de um_pouco de poção * polisuco * . - O que é isso ? - perguntaram ao_mesmo_tempo Ron e Harry . - O Snape falou de ela em uma aula , há poucas semanas atrás . - Achas que não temos mais o que fazer do_que ouvir o Snape ? - murmurou o Ron . - Transforma nos em outra pessoa . Pensem em isso : podíamos transformar nos em três de os Slytherin . Ninguém saberia que éramos nós . É provável que o Malfoy nos contasse alguma coisa . Aposto que ele está a gabar se , em este momento , em a sala de os Slytherin , se ao_menos pudéssemos ouvi o . - Essa coisa de o * polisuco * cheira me um bocado mal - disse o Ron , franzindo as sobrancelhas . - E se ficarmos com a forma de os três Slytherin para sempre ? - Desaparece a o fim de algum tempo - disse Hermione , gesticulando impacientemente com a mão - mas conseguir a receita é muito difícil . O Snape disse que vinha em um livro chamado * _ As_Mais_Potentes_Poções * e está com certeza em a parte de os reservados de a biblioteca . Só havia uma maneira de obter o livro de os reservados : era com uma autorização assinada por um professor . - Não estou a ver porque quereríamos o livro - disse o Ron . - Se não para tentar fabricar uma de as poções . - Eu acho - sugeriu Hermione - que se fizéssemos parecer que o nosso interesse era apenas teórico , talvez conseguíssemos ... - Estás a sonhar , nenhum professor ia cair em essa - afirmou o Ron . - Só se fosse muito burro . X_A * bludger * perigosa Depois de o desastroso incidente de os duendes , o professor Lockhart não voltou a levar seres vivos para as aulas . Em vez de isso , lia a os alunos passagens de os seus livros e , por vezes , voltava a desempenhar alguns de os episódios mais dramáticos . Costumava chamar Harry para o ajudar em essas reconstruções . Até ali Harry fora obrigado a desempenhar o papel de um camponês de a Transilvânia que Lockhart curara de uma maldição murmurada , o abominável homem de as neves com dores de cabeça e um vampiro que depois de ter conhecido Lockhart tinha ficado incapaz de comer outra coisa que não fosse alfaces . Harry foi chamado para a frente de a classe durante a aula de Defesa contra as artes negras que se seguiu . Desta_vez para desempenhar o papel de um lobisomem . Se não tivesse um bom motivo para querer ver o Lockhart bem-disposto , teria se recusado . - Um uivo bem alto , excelente , Harry , isso mesmo . E foi então que , acreditem ou não , eu o ataquei de repente , assim . Atirei o a o chão , agarrei o com uma mão e com a outra consegui meter lhe a varinha em a garganta . Então , com a força que me restava pus em prática o complicadíssimo encantamento * _ Homorphus * . Harry soltou um uivo tristíssimo . - Vá lá , Harry , mais alto . Bom ... o pêlo desapareceu , os dentes diminuíram de tamanho e ele transformou se em um homem . Simples , mas eficaz e mais uma cidade ficará a lembrar se de mim para sempre como o herói que os libertou de os ataques mensais de o lobisomem . A campainha tocou e Lockhart pôs se de pé . - Trabalho para_casa : escrever um poema sobre a minha vitória sobre o lobisomem Wagga_Wagga . Há um exemplar autografado de * _ Eu , o Mágico * para o autor de o melhor poema . Os alunos começaram a sair . Harry voltou para trás e foi juntar se a o Ron e a a Hermione que estavam a a espera de ele . - Prontos ? - perguntou . - Espera até saírem todos - disse Hermione bastante nervosa . - Pronto ... Aproximou se de a secretária de Lockhart , apertando em a mão uma folha de papel , com o Ron e o Harry atrás . - Er ... professor Lockhart - gaguejou Hermione . - Eu queria requisitar este livro em a biblioteca , como leitura de apoio - entregou lhe o papel , com a mão ligeiramente trémula . - Só que faz parte de a secção de os reservados , por isso preciso de a assinatura de um professor . Acho que o livro me vai ajudar a compreender o que o senhor diz em * _ Passeios com Vampiros * acerca de os venenos de acção lenta ... - Ah , * _ Passeando com Vampiros * - disse Lockhart , pegando em a folha de papel de Hermione e sorrindo lhe abertamente . - E provavelmente o meu livro preferido . Gostou ? - Oh , muito - disse Hermione avidamente . - Tão inteligente o modo como apanhou o último com o passador de o chá . - Bem , tenho a certeza que ninguém se importará que eu dê uma ajudazinha suplementar a a melhor aluna de o segundo ano - disse Lockhart calorosamente , sacando de uma enorme pena de pavão . - É bonita , não é ? - comentou , adivinhando uma expressão de repulsa em a cara de o Ron . - Costumo guardas a para as minhas assinaturas de autógrafos . Rabiscou uma enorme assinatura cheia de altos e baixos e entregou a a Hermione . - Então , Harry - disse Lockhart enquanto Hermione dobrava a folha e a guardava em o saco . - Amanhã é a primeira partida de Quidditch de este ano , não é ? Gryffindor contra Slytherin . Ouvi dizer que és um jogador indispensável . Eu também fui * seeker * . Convidaram me inclusivamente para fazer parte de a Equipa_Nacional , mas eu preferi dedicar a minha vida a a erradicação de as forças de o mal . Mesmo_assim , se alguma vez precisares de um treino particular , não hesites em falar comigo , estou sempre disponível para partilhar a minha perícia com os jogadores menos dotados do_que eu . Harry fez um som indistinto com a garganta e saiu atrás_de Ron e Hermione . - Não acredito - disse quando os três examinavam a assinatura de Lockhart . - Ele nem viu que livro nós queríamos . - É porque é um idiota sem miolos - explicou o Ron . - Mas , quem se rala , temos o que queríamos . - Ele não é um idiota sem miolos - gritou Hermione com voz esganiçada enquanto se aproximavam quase a correr de a biblioteca . - Só porque ele disse que eras a melhor aluna de o segundo ano ... Baixaram as vozes a o entrar em a quietude abafada de a biblioteca . Madam_Prince , a bibliotecária , era uma mulher magra e irritável que parecia um abutre mal nutrido . - * _ Moste_Potente_Potions * ? - repetiu intrigada , tentando ficar com a folha de papel que Hermione se recusava a entregar lhe . - Gostava de a guardar para mim - disse sem fôlego . - Vá lá - intercedeu Ron , arrancando lhe a de as mãos e entregando a a Madam_Prince . - Nós arranjamos te outro autógrafo . O Lockhart assina tudo se aqui ficar muito_tempo . Madam_Prince pegou em o papel e voltou o em a direcção de a luz , decidida a descobrir uma falsificação , mas a assinatura passou em o teste . Desapareceu entre as estantes e voltou alguns minutos mais tarde , transportando um livro grande e de aspecto antiquado . Hermione meteu o com todo o cuidado em o saco e saíram , tentando não andar depressa de mais nem aparentar um ar culpado . Cinco minutos depois , estavam de_novo barricados em a casa_de_banho fora de serviço de a Murta_Queixosa . Hermione destruíra as objecções de Ron argumentando que aquele era o último lugar onde alguém em o seu juízo perfeito se lembraria de ir e que poderia assegurar lhes alguma privacidade . A Murta_Queixosa chorava ruidosamente em o seu cubículo , mas eles conseguiram ignorá a assim_como ela a eles . Hermione abriu * _ Moste_Potente_Potions * com todo o cuidado e inclinaram se os três sobre as páginas manchadas de humidade . Era fácil de perceber , logo à_primeira_vista de olhos , porque pertencia a a secção de os reservados . Algumas de as poções tinham efeitos quase impensáveis de tão macabros e havia ilustrações bastante desagradáveis , como , por_exemplo , aquela em que um homem parecia ter sido virado de o avesso e a de a bruxa com vários pares de braços suplementares a nascerem lhe em a cabeça . - Aqui está - disse Hermione excitadíssima a o encontrar a página intitulada « A poção * polisuco * « . Estava ilustrada com imagens de pessoas a meio de o processo de se transformarem em outras pessoas e Harry desejou ardentemente que a expressão de dor intensa que se lhes espelhava em o rosto fosse apenas produto de a imaginação de o artista desenhador . - Esta é a poção mais complicada que vi até hoje - disse Hermione enquanto examinava a receita . - Moscas asas de renda , sanguessugas , fluxo de cizânias e verdezelha - murmurou , acompanhando com o dedo a lista de ingredientes . - Bem , esses são relativamente simples , há os em a despensa de material de os estudantes , podemos tirar a a nossa vontade . Oh ! Vê só , pó de chifre de bicórneo ... não sei onde vamos arranjar isto ... e , é claro , um pedacinho de a pessoa em quem queremos transformar nos . - Como ? - perguntou Ron de forma cortante . - O que é_que queres dizer com um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos ? Eu não bebo nada que tenha lá dentro as unhas de os pés de o Crabbe ... Hermione continuou como_se não o tivesse ouvido . - Mas não temos que nos preocupar com isso por enquanto . Fica para o fim . Ron voltou se sem palavras para o Harry que tinha uma preocupação de outro tipo . - Já viste bem tudo_o_que vamos ter que roubar , Hermione ? Algumas coisas , não estão de certeza em a despensa de material de os alunos . O que é_que vamos fazer , arrombar os armários pessoais de o Snape ? Não sei se será uma boa ideia ... Hermione fechou o livro com um estrondo . - Bem , se vocês os dois se vão acagaçar , então está lindo - disse ela . Tinha as bochechas rosadas e os olhos mais brilhantes do_que era habitual . - Eu não gosto de quebrar regras , vocês sabem , mas acho que ameaçar os filhos de os Muggles é muito pior do_que construir uma poção difícil . Mas se vocês não querem descobrir se é o Malfoy , eu posso voltar já a a biblioteca e entregar o livro a Madam_Prince ... - Nunca pensei que chegaria o dia em que serias tu a convencer nos a quebrar regras - disse o Ron . - Está bem , vamos em essa , mas sem unhas de os pés , O. _ K. ? - Quanto tempo vai isso demorar a fazer , afinal ? - perguntou Harry quando Hermione , já com um ar mais satisfeito , voltou a abrir o livro . - Bem , como o fluxo de cizânias tem de ser recolhido durante a lua cheia e as asas de renda têm de ser abafadas durante vinte_e_um dias ... eu diria que se conseguirmos arranjar todos os ingredientes estará pronta dentro_de um mês . - Um mês ? - exclamou o Ron . - Nessa_altura já o Malfoy terá atacado metade de os filhos de Muggles ! - mas os olhos de Hermione contraíram se de_novo assustadoramente e ele acrescentou rapidamente . - Mas é o melhor plano que temos , por isso é melhor não olharmos para trás . Apesar_de tudo , enquanto Hermione verificava que não havia ninguém em os corredores e podiam sair de a casa_de_banho , Ron murmurou a Harry : - Seria muito mais simples se conseguisses , amanhã , atirar o Malfoy de a vassoura abaixo . Harry acordou cedo em o sábado de manhã e ficou um bocado a pensar em a partida de Quidditch que vinha a seguir . Estava nervoso , principalmente pelo que Wood diria se os Gryffindor perdessem , mas também com a ideia de enfrentar uma equipa apetrechada com as vassouras mais velozes que existiam . Nunca desejara tanto vencer os Slytherin como em aquele dia . Depois de meia_hora deitado com a barriga a dar horas , resolveu levantar se , vestir se e descer para tomar o pequeno-almoço . Lá em baixo , encontrou o resto de a equipa de os Gryffindor amontoada a o longo de a mesa comprida e vazia , todos eles com ar preocupado e sem vontade de conversar . Como_se aproximavam as onze horas , todos os alunos de a escola começaram a dirigir se para o estádio de Quidditch . O dia estava quente e húmido , com uma ameaça de trovoada em o ar . Ron e Hermione vieram apressadamente desejar a Harry boa sorte mal ele entrou em os vestiários . A equipa de os Gryffindor pôs os seus mantos vermelhos e sentou se para ouvir o discurso que Wood lhes fazia sempre antes de o jogo . - Os Slytherin têm vassouras melhores do_que nós - começou . - Não há como negá o . Mas nós temos gente melhor em cima de as vassouras . Treinámos mais do_que eles , voamos com todas_as condições climatéricas ( É bem verdade - murmurou George_Weasley - desde Agosto que não sei o que é estar seco ) . - E vamos fazê os engolir o dia em que deixaram aquele nojento de o Malfoy comprar a entrada em a equipa de eles . Com o peito agitado por a comoção , Wood voltou se par Harry . -- Cabe te a ti , Harry , mostrar lhes que um * seeker * tem de ter mais do_que um pai rico . Agarra a * snitch * antes d Malfoy ou morre a tentar porque temos absolutamente que vencer , hoje , Harry , temos que vencer . - Sem ansiedade , Harry - disse o Fred , piscando lhe o olho . Quando saíram em direcção a o campo , foram saudado por uma grande ovação principalmente de a parte de os Ravenclaw e de os Hufflepuff que estavam ansiosos por ver os Slytherin serem derrotados , mas os Slytherin que estavam entre a multidão também fizeram ouvir as suas vaias e pateadas . Madam_Hooch , a professora de Quidditch , pediu a Flin e Wood que apertassem as mãos o que eles fizeram , lançando um_ao_outro olhares ameaçadores , cada_um apertando a mão de o outro com mais força do_que aquela que seria necessário . - Atenção a o apito - disse Madam_Hooch . - Três , dois , um ... Com um bramido de a multidão para que subissem rapidamente , os catorze jogadores elevaram se em o céu cor de chumbo . Harry , mais alto do_que qualquer de os outros olhando para todos os lados em busca de a * snitch * . - Tudo bem , testa de cicatriz ? - gritou Malfoy , disparando por baixo de ele para lhe mostrar a velocidade de a sua vassoura . Harry não teve tempo de responder . Em esse preciso momento uma * bludger * preta e bem pesada veio direitinha a ele . Evitou a tão por um triz que ainda sentiu em os cabelos o ar que ela deslocara . - Foi por_pouco , Harry ! - exclamou o George , passando com grande rapidez , de bastão em a mão , pronto para lançar a * bludger * contra um Slytherin . Harry viu o dar a a * bludger * uma fortíssima pancada em direcção a Adrian_Pucey , mas a bola mudou de rumo em o meio de o ar e dirigiu se de_novo a Harry . Harry desceu rapidamente para se esquivar e George conseguiu lançá a contra Malfoy . Mais_uma_vez a * bludger * actuou como um * boomerang * e apontou a a cabeça de Harry . Harry ganhou velocidade e disparou contra o outro extremo de o campo . Ouvia o assobio de a * bludger * que o perseguia . O que era aquilo ? As * bludgers * nunca se concentravam assim em um único jogador , a sua função era tentar desmontar o maior número possível de intervenientes . Fred_Weasley esperava por a * bludger * em o extremo oposto . Harry baixou se quando o viu balançar se em frente de ela com toda_a garra . A * bludger * foi lançada para_fora_de campo . - Pronto , já está tudo resolvido - gritou Fred satisfeito , mas estava bastante enganado . Como_se fosse magneticamente atraída para Harry , a * bludger * lançou se de_novo contra ele e Harry teve de voar a_toda_a velocidade . Começara a chover . Harry sentia as gotas pesadas caírem lhe em o rosto , turvando lhe as lentes de os óculos . Não fazia ideia do_que se passava em o resto de o jogo , até ouvir Lee_Jordan que fazia o comentário dizer : - Os Slytherin vão a a frente com seis contra zero . As vassouras de qualidade superior de os Slytherin estavam obviamente a cumprir a sua função e enquanto isso , a * bludger * maluca fazia todos os possíveis para deitar abaixo o Harry . Fred e George voavam agora tão perto de ele , um de cada lado , que Harry não via senão os seus braços a balouçar e , se não conseguia ver a * snitch * , muito menos agarrá a . - Alguém enfeitiçou esta * bludger * - resmungou Fred , preparando o bastão com toda_a força quando ela se lançava de_novo contra Harry . - Precisamos de tempo - disse George , tentando fazer sinal a Wood enquanto evitava que a bola partisse o nariz a o Harry . Wood captou obviamente a mensagem . O apito de Madam_Hooch fez se ouvir e Harry , Fred e George desceram , tentando ainda evitar a * bludger * maluca . - O que é_que se passa ? - perguntou Wood enquanto a equipa de os Gryffindor se amontoava desordenadamente e os Slytherin , em o meio de a multidão , lançavam piadas . - Estamos a ser esmagados . Fred , George , onde estavam vocês quando aquela * bludger * impediu a Angelina de marcar ? - Estávamos seis metros acima , evitando que a outra * bludger * matasse o Harry , Oliver - gritou George furioso . - Alguém preparou isto , a bola não deixa o Harry em paz , ainda não perseguiu mais ninguém desde_que o jogo começou . Os Slytherin fizeram aqui qualquer coisa . - Mas as * bludgers * têm estado fechadas em o escritório de Madam_Hooch desde o último treino , e nessa_altura estava tudo bem ... - disse Wood ansiosamente . Madam_Hooch aproximava se . Por cima de o ombro de ela , Harry pôde ver a equipa de os Slytherin a escarnecer e apontar em a sua direcção . - Ouçam - disse o Harry , enquanto ela se aproximava . - Com vocês os dois a voarem sempre colados a mim , só vou apanhar a * snitch * se ela voar até a a minha manga . Voltem se para o resto de a equipa e deixem a tratante comigo . - Não sejas bronco - disse o Fred . - Ela arranca te a cabeça . Os olhos de Wood saltavam de Harry_para_os_Weasley . - Oliver , isto_é uma loucura - disse Alicia_Spinet , zangada . - Não podes deixar o Harry sozinho entregue a aquela coisa . Vamos pedir uma investigação . - Se pararmos agora , teremos de dar a partida como perdida e não vamos deixar os Slytherin ganhar , só por_causa_de uma * bludger * maluca . Vá lá , Oliver , diz lhes que me deixem sozinho . - A culpa é toda tua . * _ Agarra a snitch ou morre a tentar * , se isso é lá coisa que se diga . Madam_Hooch tinha se lhes juntado . - Prontos para retomar a partida ? - perguntou a Wood . Wood olhou para o ar determinado de Harry . - Deixem o sozinho , ele é capaz de lidar com a * bludger * . A chuva era agora mais pesada . A o apito de Madam_Hooch , Harry elevou se em os ares e ouviu o barulhinho de a * bludger * atrás_de si . Subiu cada_vez_mais alto . Fez acrobacias em espiral , descidas rápidas , ziguezagueou e rolou . Apesar_de ligeiramente estonteado , não deixou nunca de ter os olhos bem abertos . A chuva salpicava lhe os óculos e entrava lhe por as narinas , quando ele se voltou de cabeça para baixo , evitando outra forte investida de a * bludger * . Ouviu os risos de a multidão . Sabia que devia parecer ridículo , mas a * bludger * maluca era pesada e não podia mudar de direcção tão rapidamente quanto ele . Iniciou uma corrida que parecia de feira de diversões em volta de os extremos de o estádio , olhando de soslaio , através de os lençóis prateados de chuva , para os postes de os Gryffindor , onde Adrian_Pucey tentava passar por Wood . Um assobio junto de os ouvidos disse a Harry que a * bludger * falhara uma_vez_mais . Voltou se e voou rapidamente em a direcção oposta . - Estás a ensaiar * ballet * , Potter - gritou Malfoy quando Harry foi obrigado a fazer uma reviravolta estúpida em o ar para se esquivar mais_uma_vez de a * bludger * . Lá foi ele , com a * bludger * atrás a alguns metros de distância . E foi então que , olhando para Malfoy , furioso , a viu , a * snitch * de ouro . Flutuava alguns centímetros acima de os ouvidos de Malfoy que , de tão preocupado a escarnecer de Harry , nem dera por ela . Durante um momento angustiante , Harry ficou quieto em o ar , não ousando dirigir se a Malfoy , não fosse ele olhar para_cima e ver a * snitch * . PUM ! Tinha ficado parado tempo de mais . A * bludger * batera lhe , por fim , apanhando lhe o cotovelo e Harry sentiu o braço a partir se . Debilmente , desorientado por a dor cauterizante em o braço , Harry deslizou para um de os lados em a sua vassoura encharcada , um joelho ainda dobrado , o braço direito a balouçar , inútil , a o seu lado . A * bludger * veio de_novo , preparada para mais um ataque , desta_vez apontada a o seu rosto . Harry desviou se com uma intenção : chegar a Malfoy . Através_de uma nuvem de chuva e dor desceu até a o rosto tremeluzente e trocista e viu os olhos de ele dilatarem se de medo : Malfoy pensou que Harry ia atacá o . - Que diabo ... - resmungou , afastando se de o caminho . Harry tirou a outra mão de a vassoura e fez uma tentativa para agarrar qualquer coisa . Sentiu os dedos fecharem se em volta de a * snitch * dourada , mas conduzia agora a vassoura apenas com as pernas e ouviu se um grito de a multidão cá em baixo , quando ele fez a descida , tentando não desmaiar . Com um ruído seco caiu em a terra enlameada e rolou para fora de a vassoura . O braço tinha um ângulo um_pouco estranho . Torcendo se com dores , ouviu a a distância os assobios e os gritos . Concentrou se em a * snitch * que tinha fechada em a outra mão . - Ai - disse vagamente . - Ganhámos o jogo . E desmaiou . Voltou a si com a chuva a cair lhe em o rosto , ainda deitado em o campo , com alguém inclinado sobre ele . Viu um brilho de dentes brancos . - Oh , não , você não - gemeu . - Não sabe o que diz - afirmou Lockhart bem alto a a ansiosa multidão de Gryffindor que o comprimiam . - Não te preocupes , Harry , eu vou tratar de o teu braço . - Não - gritou Harry . - Eu fico com ele assim , obrigado . Tentou sentar se , mas a dor era enorme . Ouviu um « clique » familiar . - Não quero fotografias de isto , Colin - disse em voz alta . - Deita te para trás , Harry - insistiu Lockhart com toda_a calma . - É um encantamento muito simples que eu fiz imensas vezes . - Porque não me levam só para a ala hospitalar ? - perguntou Harry entredentes . - Seria o melhor , professor - disse a voz rouca de o Wood que não conseguia deixar de sorrir , apesar_de o seu * seeker * estar ferido . - Grande captura , Harry , verdadeiramente espectacular , a tua melhor jogada , em a minha opinião . Em o meio de a floresta de pernas que o rodeava , Harry avistou Fred e George_Weasley , metendo a * budger * perigosa em uma caixa . Continuava a dar uma luta enorme . - Para trás - ordenou Lockhart , que tinha arregaçado as mangas verde jade . - Não , eu não ... - protestou debilmente Harry , mas Lockhart tinha a varinha em a mão e , um segundo depois , apontava a para o braço de Harry . Uma sensação estranha e desagradável começou em o ombro e espalhou se , chegando a as pontas de os dedos . Parecia que o braço inteiro tinha sido esvaziado . Não foi capaz de olhar para o que estava a suceder . Tinha fechado os olhos , voltado o rosto para o outro lado , mas os seus maiores receios concretizaram se quando as pessoas lá em cima se sobressaltaram e Colin_Creevey começou a tirar fotografias como um louco . O braço deixara de lhe doer , mas parecia tudo menos um braço . - Ah ! - disse Lockhart . - Sim , bem isto às_vezes acontece . Mas o importante é_que os ossos já não estão partidos . Isso é o mais importante . Portanto , Harry , vai até a a ala hospitalar ... ah ! Mr._Weasley , Miss_Granger , poderiam levá o lá ? E Madam_Pomfrey poderá ... er ... arranjar um_pouco isso . Quando Harry se pôs de pé sentiu se estranhamente desequilibrado . Depois de respirar fundo , olhou para o lado direito e o que viu quase o fez desmaiar de_novo . Pendurado em a extremidade de a sua túnica estava o que parecia ser uma espessa e colorida luva de borracha . Tentou mexer os dedos mas ... em vão . Lockhart não consertara os ossos de Harry . Retirara os . M. dam Pomfrey não ficou nada satisfeita . - Devias ter vindo logo ter comigo - ralhou , segurando os restos tristes e moles de aquilo que antes fora um braço activo . - Eu conserto ossos em um segundo , mas fazê os crescer de_novo ... - Vai conseguir , não vai ? - perguntou Harry desesperado . - Sim , com certeza , mas vai ser doloroso - disse Madam_Pomfrey de modo severo , entregando lhe um pijama . - Vais ter que ficar cá esta noite ... Hermione esperou de o lado de_fora de a cortina que rodeava outra cama enquanto Ron ajudava Harry a vestir se . Levou algum tempo a enfiar o braço que parecia borracha dentro_de uma manga de o pijama . - Como é_que podes continuar a defender o Lockhart depois disto , Hermione ? - perguntou Ron através de as cortinas , enquanto puxava os dedos moles de o Harry por uma manga . - Se o Harry quisesse ser desossado , teria pedido . - Todos podem enganar se - disse Hermione . - E deixou de doer , não deixou , Harry ? - Sim - disse ele - mas também ficou incapaz de fazer seja o que for . Quando se meteu em a cama , o braço agitou se despropositadamente . Hermione e Madam_Pomfrey entraram . Madam_Pomfrey segurava uma grande garrafa com o rótulo * Skele - _ Gro * . - Vais ter uma noite difícil - preveniu , enchendo um pequeno copo fumegante e dando lhe a beber . - Fazer crescer ossos é uma coisa difícil . Tomar o * _ Skele - _ Gro * também . Queimou a boca e a garganta de o Harry a o descer , fazendo o tossir e cuspir . Resmungando sobre os desportos perigosos e os professores incapazes , Madam_Pomfrey retirou se , deixando Ron e Hermione a ajudar Harry a engolir um_pouco de água . - Mas ganhámos o jogo - disse o Ron com um sorriso em o rosto . - A tua jogada foi em grande . A cara de o Malfoy ... parecia que queria matar alguém . - Eu vou descobrir como é_que enfeitiçaram aquela * bludger * - disse Hermione com ar sombrio . - Podemos juntar essa pergunta a a lista de todas_as que queremos fazer a o Malfoy quando tomarmos a poção * _ Polisuco * - disse Harry , afundando se de_novo em as almofadas . - Espero que tenha um sabor melhor do_que esta coisa ... - Com um bocado de os Slytherin lá dentro , deves estar a brincar - disse o Ron . A porta de a ala hospitalar abriu se em esse momento e , completamente encharcados , entraram os restantes membros de a equipa de os Gryffindor , para ver o Harry . - Um voo inacreditável - disse George . - Acabei de ver Marcus_Flint a gritar com o Malfoy . Qualquer coisa sobre ter a * snitch * mesmo em cima de a cabeça e não ter dado por nada . O Malfoy não parecia nem um_pouco satisfeito . Tinham trazido bolos , rebuçados e garrafas de sumo de abóbora . Juntaram se em volta de a cama de Harry e estavam a dar início a o que prometia ser uma grande festa quando Madam_Pomfrey entrou a vociferar : - Este rapaz precisa de repouso . Tem trinta_e_três ossos a crescer . Fora de aqui . FORA ! E Harry ficou sozinho , sem nada que o distraísse de as dores agudas em o seu braço mole . Muitas horas mais tarde , Harry acordou subitamente em a escuridão total e soltou um pequeno grito de dor : sentia agora o braço cheio de estilhaços . Durante alguns segundos pensou que tinha sido a dor a acordá o . Depois , com um arrepio de horror , apercebeu se de que alguém estava a passar lhe uma esponja em a testa . - Sai de aqui - gritou , e em seguida : - Dobby ! Os olhos de o tamanho de bolas de ténis de o elfo doméstico estavam a olhá o em o escuro , uma lágrima grossa rolava por o seu enorme nariz . - Harry_Potter voltou a a escola - murmurou , infeliz . - Dobby avisou e voltou a avisar Harry_Potter . Ah ! senhor , porque não deu ouvidos a Dobby ? Porque não voltou Harry_Potter para_casa quando perdeu o comboio ? Harry ergueu se um_pouco , encostando se a as almofadas e afastou a esponja de o elfo . - O que estás a fazer aqui ? - perguntou . - E como sabes que eu perdi o comboio ? O lábio de Dobby tremeu e Harry foi assaltado por uma dúvida . - Foste tu . Tu impediste que a barreira nos deixasse passar . - Em a verdade fui eu , senhor - disse Dobby , acenando com a cabeça e com as orelhas a abanar . - Dobby escondeu se , esperou por Harry_Potter e selou a barreira . A seguir , Dobby teve de pôr as mãos em o ferro de engomar - mostrou a o Harry dez dedos longos embrulhados em ligaduras . - Mas Dobby não se importou , senhor , porque pensou que Harry_Potter estava a salvo e nunca Dobby sonhou que mesmo_assim ele viria para a escola ! Balançava se para a frente e para trás , sacudindo a cabeça feia . - Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry_Potter tinha voltado a a escola que deixou queimar o jantar de os seus donos . Dobby nunca tivera um castigo tão grande , senhor . Harry afundou se de_novo em as almofadas . - Quase conseguiste que nos expulsassem , a mim e a o Ron - disse furioso . - É melhor desapareceres de aqui antes que os meus ossos voltem a estar bem , Dobby , ou ainda te estrangulo . O elfo sorriu . - Dobby está habituado a ameaças de morte , senhor . Dobby recebe as cinco vezes por dia em a casa onde mora . Encostou o nariz a um canto de a fronha que usava , ficando tão ridículo que Harry sentiu a raiva desvanecer se , apesar_de tudo . - Porque usas essa coisa , Dobby ? - perguntou com curiosidade . - Isto , senhor ? - disse Dobby apontando para a fronha de almofada . - É uma prova de escravatura de o elfo doméstico , senhor . Dobby só pode ser libertado se os donos lhe derem roupa , senhor . A família tem o cuidado de não dar a o Dobby nem uma peúga , senhor , porque ele poderia ficar livre e deixar a casa para sempre . Dobby limpou os olhos protuberantes e disse subitamente : - Harry_Potter deve ir para_casa . Dobby achou que a sua * bludger * seria o suficiente para o fazer ... - A tua * bludger * ? - disse Harry com a raiva a crescer novamente dentro de ele . - Que queres tu dizer com a tua bludger * ? Foste tu quem fez com que aquela bola tentasse matar me ? - Matar não , senhor . Matar , nunca ! - disse o elho chocado . - Dobby quer salvar a vida de Harry_Potter . É melhor ir para_casa ferido do_que ficar aqui , senhor . Dobby só queria Harry_Potter suficientemente ferido para voltar para_casa . - Só isso ? - disse Harry furioso . - Imagino que não vais dizer me porque querias mandar me para_casa a os bocados ? - Ah ! se Harry_Potter soubesse ! - gemeu Dobby , com mais lágrimas a escorrerem lhe por a fronha esfarrapada . - Se pudesse saber o que significa para nós , para os humildes , os escravizados , nós , a escória social de o mundo mágico ! Dobby lembra se de como eram as coisas quando Aquele cujo nome não deve ser pronunciado estava em o auge de o poder , senhor ! Nós , os elfos domésticos éramos tratados como animais , senhor ! É claro que Dobby ainda é tratado assim - admitiu , secando o rosto em a fronha de almofada . - Mas , em a sua maioria , a vida melhorou bastante para os de a minha espécie desde_que Harry_Potter triunfou sobre Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Harry_Potter sobreviveu e o poder de os senhores de o Mal foi quebrado e veio uma nova alvorada , senhor , e Harry_Potter brilhou como um farol de esperança para aqueles de entre nós que já pensavam que a longa noite nunca mais teria fim , senhor ... e agora em Hogwarts vão acontecer coisas terríveis , talvez já esteiam a acontecer e Dobby não pode deixar Harry_Potter ficar aqui , agora_que a história vai repetir se , agora_que a Câmara_dos_Segredos está de_novo aberta . Dobby calou se horrorizado . Em seguida agarrou em o jarro de a água que Harry tinha a a cabeceira e bateu com ele em a própria cabeça , deixando se cair . Um segundo mais tarde voltou até junto de a cama , repetindo : - Mau , Dobby , muito mau , Dobby . - Quer_dizer , então , que existe mesmo a Câmara_dos_Segredos ? - murmurou Harry . - E dizes tu que já antes foi aberta ? Conta me , Dobby . Agarrou o pulso ossudo de o elfo quando a mão de ele se estendia para o jarro de a água . - Mas eu não sou filho de Muggles . Como posso estar em perigo por causa de a Câmara_dos_Segredos ? - Ah ! senhor , não pergunte a o pobre Dobby - lamentou se o elfo com os olhos enormes a brilharem em o escuro . - As forças de as trevas estão projectadas em este lugar , mas Harry_Potter não deve estar aqui quando as coisas acontecerem . Vá para_casa , Harry_Potter , vá para_casa . Harry_Potter não deve envolver se em isto , senhor , é demasiado perigoso ... - Quem é , Dobby ? - perguntou Harry , continuando a agarrar lhe o pulso com forca , impedindo que batesse de_novo em si próprio com o jarro . - Quem abriu a amara ? Quem a abriu de a última vez ? - Dobby não pode , senhor . Dobby não pode . Dobby não deve dizer - guinchou o elfo . - Vá se embora , Harry_Potter , vá se embora ! - Eu não vou para lugar nenhum - disse Harry , furioso . - Uma de as minhas melhores amigas é filha de Muggles , está em perigo se a câmara foi , de facto , aberta ... - Harry_Potter arrisca a própria vida por os amigos - gemeu Dobby em uma espécie de êxtase infeliz . - Tão nobre , tão corajoso , mas deve salvar se , Harry_Potter não deve ... Dobby calou se de repente com as orelhas de morcego a estremecerem . Harry também ouviu os passos que vinham lá fora , de o corredor . - Dobby tem de ir - balbuciou o elfo apavorado . Ouviu se um ruído e o pulso de Harry ficou subitamente fechado em o ar . Meteu se de_novo para baixo , em a cama , com os olhos fixos em a porta escura que dava entrada em a ala hospitalar enquanto os passos se aproximavam . Em o momento seguinte , Dumbledore estava a entrar , de costas , em o dormitório , vestindo uma longa túnica de lã e uma capa de noite . Transportava um extremo de aquilo que parecia ser uma estátua . A professora Mc_Gonagall surgiu um segundo mais tarde , pegando lhe em os pés . Os dois colocaram a em uma cama . - Chame Madam_Pomfrey - murmurou Dumbledore e a professora Mc_Gonagall passou por a cama de Harry , apressadamente , e desapareceu . Harry deixou se ficar muito quieto como_se estivesse a dormir . Ouviu vozes ansiosas e por fim a professora Mc_Gonagall apareceu de_novo , seguida de Madam_Pomfrey que vestia um casaco curto de lã sobre a camisa de dormir . Ouviu uma inspiração aguda . - O que aconteceu ? - murmurou Madam_Pomfrey_a_Dumbledore , inclinando se sobre a estátua que estava em a cama . - Outro ataque - disse Dumbledore . - A Minerva encontrou o em as escadas . Havia um cacho de uvas junto de ele . Acho que estava a tentar esgueirar se até aqui para vir visitar o Potter . O estômago de Harry deu uma reviravolta . Lenta e cuidadosamente ergueu se alguns centímetros para poder ver a estátua que estava sobre a cama . Um raio de luar iluminou lhe o rosto estático . Era_Colin_Creevey . Tinha os olhos abertos , e as mãos , em frente de a cara , seguravam a máquina fotográfica . -- Petrificado ? - murmurou Madam_Pomfrey . - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - Mas estou tentada a acreditar que ... se Albus não tivesse vindo cá abaixo tomar um chocolate quente ... quem sabe o que teria ... Os três olharam para Colin . Dumbledore inclinou se e retirou lhe a máquina de as mãos rígidas . - Será que ele conseguiu tirar a fotografia de o agressor ? - perguntou ansiosa a professora Mc_Gonagall . Dumbledore não respondeu . Abriu a parte detrás de a máquina . - Cruzes canhoto - disse Madam_Pomfrey . Um jacto de vapor tinha feito fervilhar a máquina . Harry , a três metros de distância , sentiu o cheiro tóxico de o plástico queimado . - Derretido - disse Madam_Pomfrey com grande espanto . - Tudo derretido . - O que significa isto , Albus ? - perguntou cada_vez_mais nervosa a professora Mc_Gonagall . - Significa - disse Dumbledore - que a Câmara_dos_Segredos está mesmo aberta outra_vez . Madam_Pomfrey levou uma mão a a boca . A professora Mc_Gonagall olhou assustada para Dumbledore . - Mas , Albus ... com certeza ... quem ? - A questão não é quem - disse Dumbledore com os olhos fixos em Colin . - A questão é como ... E pelo que Harry conseguiu ver de o rosto indistinto de a professora Mc_Gonagall , ela não compreendeu muito mais do_que ele . XI_O clube de os duelos Quando_Harry acordou , em o domingo de manhã , a enfermaria estava iluminada por um resplandecente sol de inverno e o seu braço tinha de_novo todos os ossos , apesar_de o sentir muito rígido . Sentou se rapidamente e olhou para a cama de Colin , mas ela fora isolada com as cortinas atrás de as quais se despira em a véspera . Vendo que ele tinha acordado , Madam_Pomfrey apareceu com um tabuleiro de pequeno-almoço e a seguir começou a apalpar lhe o braço e os dedos . - Tudo em ordem - disse , enquanto ele , com a mão esquerda , comia avidamente as papas de aveia . - Quando acabares de comer podes ir te embora . Harry vestiu se o mais depressa que pôde e dirigiu se a a pressa para a torre de os Gryffindor , ansioso por contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre Colin e Dobby , mas não os encontrou lá . Foi a a procura de eles , perguntando a si próprio onde teriam ido e sentindo se um_pouco magoado por o pouco interesse que demonstravam em saber se ele tinha recuperado os ossos . Quando passou por a biblioteca , Percy_Weasley vinha a sair com bastante melhor cara do_que de a última vez que se tinham encontrado . - Olá , olá , Harry - disse . - Excelente voo o de ontem , verdadeiramente sensacional . Os Gryffindor estão a a frente para a taça de a equipa . Ganhaste cinquenta pontos . - Não viste o Ron e a Hermione por aí ? - perguntou Harry . - Não , não vi - disse Percy com o sorriso a desaparecer . - Espero que o Ron não esteja outra_vez em a casa_de_banho de as raparigas ... Harry forçou um sorriso , viu Percy desaparecer e a seguir foi direitinho até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Não via lá muito bem por_que motivo o Ron e a Hermione lá estariam de_novo , mas , depois de se assegurar de que nem Filch nem nenhum de os prefeitos estavam por perto , abriu a porta e ouviu as vozes de eles que vinham de um cubículo fechado . - Sou eu - disse , fechando a porta atrás_de si . Ouviu se dentro de o cubículo um estrondo , um chapinhar e um sobressalto e ele viu o olho de a Hermione a espreitar por o buraco de a fechadura . - Harry - disse ela . - Pregaste nos um susto de morte . Entra . Como está o teu braço ? - _ óptimo - respondeu , apertando se dentro de o cubículo . Em cima de a sanita estava encarrapitado um velho caldeirão , e um crepitar a a superfície de a água disse a Harry que eles tinham acendido um fogo lá em baixo . Fazer aparecer fogos portáteis a a prova de água era uma de as especialidades de Hermione . - _ íamos visitar te , mas resolvemos começar a preparar a poção * _ Polisuco * - explicou Ron enquanto Harry fechava outra_vez a porta de o cubículo com alguma dificuldade . - Achámos que este era o lugar mais seguro para a esconder . Harry começou a contar lhes de o Colin , mas Hermione interrompeu o . - Nós já sabemos , ouvimos a professora Mc_Gonagall contar a o professor Flitwick hoje_de_manhã . Por isso resolvemos começar a ... - Quanto_mais depressa arrancarmos uma confissão a o Malfoy , melhor - rosnou o Ron . - Sabem o que eu penso ? Ele estava tão mal-humorado depois de o jogo de Quidditch que se vingou em o Colin . - Há outra coisa - disse Harry , vendo Hermione cortar molhos de verdezelha e lançá os dentro de a poção . - O Dobby foi visitar me a meio de a noite . Ron e Hermione olharam o espantados . Harry contou lhes tudo_o_que Dobby lhe dissera ... ou não dissera . Ron e Hermione ouviram o de boca aberta . - A Câmara_dos_Segredos já tinha sido aberta antes ? - repetiu Hermione . - Encaixa perfeitamente - disse Ron , em uma voz triunfante . - O Lucius_Malfoy deve ter aberto a Câmara_dos_Segredos quando andava em a escola e agora ensinou a o querido filhinho Draco como abris a . É óbvio , que pena o Dobby não te ter dito que tipo de monstro lá se encontra . Gostava de saber como é_que ninguém o viu andar por ai em a escola . - Talvez tenha a capacidade de se tornar invisível - sugeriu Hermione , picando sanguessugas para dentro de o caldeirão . - Ou talvez se disfarce , passando por uma armadura ou outra coisa de o género . Eu li umas coisas sobre vampiros camaleões ... - Tu lês de mais , Hermione - disse o Ron , deitando moscas asas de renda mortas por cima de as sanguessugas . Amarrotou o saco vazio de as asas de renda e olhou para Harry . - Então foi o Dobby que nos impediu de apanhar o comboio e te partiu o braço ... - abanou a cabeça . - Sabes o que eu acho ? Se ele não parar de tentar salvar te a vida ainda acaba por te matar . A notícia de que Colin_Creevey tinha sido atacado e estava agora em a ala hospitalar , como morto , espalhou se por toda_a escola em a segunda-feira de manhã . O ar ficou pesado e cheio de boatos e suspeitas . Os alunos de o primeiro ano começavam a andar por a escola em pequenos grupos , receando ser atacados se se aventurassem a andar isoladamente por os corredores . Ginny_Weasley , que era colega de carteira de o Colin em os encantamentos , estava perturbadíssima , mas Harry achou que Fred e George estavam a tentar animá a de a maneira errada . Revezavam se , mascarados com peles de animais e apareciam lhe subitamente detrás de as estátuas . Só pararam quando Percy , apopléctico de raiva , lhes disse que ia escrever a Mrs._Weasley a contar lhe que a Ginny andava a ter pesadelos . Enquanto isso , às_escondidas de os professores , uma panóplia de talismãs , amuletos e outros objectos de protecção ia enchendo a escola . Neville_Longbottom comprou uma enorme cebola verde que cheirava mal , um cristal pontiagudo cor de púrpura e uma cauda de tritão apodrecida antes de os outros rapazes de os Gryffindor lhe explicarem que ele não corria perigo : era um sangue puro e , portanto , muito pouco passível de ser atacado . - Eles foram a o Filch em primeiro lugar - disse Neville com o medo estampado em a cara redonda . - E toda_a_gente sabe que eu sou quase um * busca-pé * . Em a segunda semana de Dezembro , a professora Mc_Gonagall veio , como de costume , recolher os nomes de os alunos que ficavam em a escola durante o Natal . Harry , Ron e Hermione assinaram a lista . Tinham ouvido dizer que Malfoy ficava , o que lhes parecera muito suspeito . As férias seriam a altura ideal para usar a poção * _ Polisuco * e tentar arrancar lhe uma confissão . Infelizmente a poção estava a meio . Precisavam ainda de o chifre de bicórneo e o único lugar onde podiam arranjá o era em os depósitos privados de Snape . Harry , pessoalmente , preferia enfrentar o lendário monstro de os Slytherin do_que ser apanhado por o Snape a assaltar lhe o escritório . - O que precisamos - disse Hermione cheia de vivacidade quando se aproximava a aula conjunta de poções de quinta-feira a a tarde - para podermos entrar a a vontade em o escritório de o Snape , é de uma diversão . Harry e Ron olharam para ela , nervosos . - Acho que o melhor é ser eu a praticar o roubo - prosseguiu ela , em um tom perfeitamente casual . - Vocês os dois podem ser expulsos se forem apanhados e eu tenho uma folha limpa . Portanto , a única coisa que têm de fazer é distrair o Snape durante cerca de cinco minutos . Harry esboçou um meio sorriso . Provocar deliberadamente um estrago em a aula de poções de o Snape era tão seguro como ferir em um olho um dragão adormecido . As aulas de poções tinham lugar em um de os mais amplos calabouços . A de quinta-feira a a tarde não foi diferente de as outras . Vinte caldeirões fumegavam entre as secretárias de madeira , sobre as quais podia ver se laminas de latão e jarras com ingredientes . Snape deambulava por o meio de os fumos , fazendo reparos petulantes a o trabalho de os Gryffindor , enquanto os Slytherin riam a a socapa . Draco_Malfoy , que era o aluno preferido de Snape , não parava de lançar olhos de carneiro mal morto a o Ron e a o Harry , que sabiam que se retaliassem teriam um castigo , antes de poderem abrir a boca para dizer : - É injusto ! A solução de inchar de o Harry estava demasiado líquida , mas ele estava preocupado com coisas mais importantes . Esperava por o sinal de Hermione e mal deu por Snape se calar para ir espreitar a sua poção aguada . Quando o professor se voltou e foi implicar com o Neville , Hermione trocou um olhar com Harry e fez um aceno . Harry baixou se discretamente por detrás de o seu caldeirão , tirou de o bolso de trás um de os paus de fogo-de-artíficio Filibuster e deu lhe um toque de varinha . O fogo-de-artíficio começou a sibilar e a crepitar . Sabendo que tinha apenas alguns segundos , Harry endireitou se , ganhou coragem e lançou o a o ar . Aterrou certeiro em o caldeirão de o Goyle . A poção de o Goyle explodiu , salpicando toda_a aula . As pessoas gritavam , à_medida_que eram vítimas de os salpicos . Malfoy foi apanhado em a cara e o nariz começou a inchar como um balão . O Goyle tropeçava a as cegas , com as mãos em os olhos , que tinham ficado de o tamanho de pratos de sopa , enquanto o Snape tentava repor a calma e tentar perceber o que sucedera . Em o meio de a confusão , Harry viu Hermione esgueirar se a a socapa por a porta . - Silêncio ! silêncio ! - vociferou Snape . - Todos os que foram salpicados cheguem aqui para uma drenagem . Quando eu descobrir quem fez isto ... Harry fez um enorme esforço para não se rir a o ver Malfoy chegar apressadamente lá a a frente , a cabeça a tombar com o peso de o nariz , que parecia um pequeno melão . Quando metade de a aula se amontoava junto de a secretária de o Snape , alguns alunos vergados por o peso de os braços que pareciam mocas , outros incapazes de falar devido a o gigantesco inchaço de os lábios , Harry viu Hermione reentrar em o calabouço , a túnica mostrando a barriga protuberante . Quando todos os alunos tinham já tomado um gole de o antídoto e os vários inchaços tinham desaparecido , Snape precipitou se para o caldeirão de o Goyle e pescou os restos retorcidos de o fogo-de-artíficio . Houve um súbito silêncio . - Se eu descubro quem lançou isto - murmurou Snape - garanto que é expulsão por a certa . Harry compôs uma expressão de espanto . Snape olhava directamente para ele e a campainha , que tocou dez minutos mais tarde , não podia ser mais bem-vinda . - Ele soube que fui eu - disse Harry_a_Ron e a a Hermione , enquanto se dirigiam apressadamente para a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Tenho a certeza . Hermione lançou o novo ingrediente em o caldeirão e começou a mexer furiosamente . - Isto vai estar pronto dentro_de quinze_dias - afirmou , satisfeita . - O Snape não pode provar que foste tu - assegurou Ron , tranquilizando Harry . - Que pode ele fazer ? - Conhecendo o Snape , qualquer coisa louca - respondeu Harry , enquanto a poção borbulhava e espumava . Uma semana mais tarde , Harry , Ron e Hermione passavam por o vestíbulo de entrada , quando viram um pequeno grupo de pessoas reunidas em volta de o jornal de parede a lerem um pedaço de pergaminho que tinha acabado de ser afixado . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas acenaram lhes , entusiasmados . - Vão lançar um clube de duelos ! - exclamou Seamus . - Hoje a a noite é a primeira reunião . Eu não me importaria nada de ter aulas de duelo , podem vir a ser úteis um dia de estes ... - Porquê ? Achas que o monstro de os Slytherin sabe esgrimir ? - perguntou o Ron , mas , também ele , leu a notícia com interesse . - Pode ser útil - disse a o Harry e a a Hermione , quando foram jantar . - Vamos lá ? Harry e Hermione acharam óptimo , por isso , a as oito_da_noite voltaram a o salão . As longas mesas de refeição tinham desaparecido e um estrado dourado surgira , encostado a a parede . Sobre ele flutuavam milhares de velas . O tecto era , mais_uma_vez , de veludo negro e parecia que quase todos os alunos de a escola se encontravam ali , com as suas varinhas em a mão e com um ar entusiasmado . - Quem será que vai ensinar nos ? - perguntou Hermione , enquanto se misturavam em a multidão barulhenta . - Ouvi dizer que o Filitwick foi campeão de duelo em a juventude , talvez seja ele . - Desde_que não seja ... - começou Harry , mas terminou em um gemido : Gilderoy_Lockhart estava a subir a o estrado , resplandecente em as suas vestes cor de ameixa , acompanhado , nem mais nem menos , do_que de Snape que trajava , como sempre , de negro . Lockhart levantou um braço , pedindo silêncio , bradando : - Aproximem se , aproximem se , conseguem todos ver me e ouvir me ? Excelente ! - O professor Dumbledore deu me autorização para iniciar este pequeno curso de duelo para vos treinar a todos , caso algum dia precisem de se defender , como eu tenho feito em inúmeras ocasiões ; para mais detalhes , leiam os livros que tenho publicados . - Permitam que vos apresente o meu assistente , o professor Snape - disse Lockhart , abrindo um sorriso de orelha a orelha . - Ele diz me que sabe alguma coisa sobre duelos e aceitou desportivamente ajudar me em uma exibição de demonstração , antes de começarmos . Atenção , não quero que os mais novos fiquem preocupados , vão continuar a ter o vosso professor de poções depois de eu o vencer . Não tenham medo . - Não era óptimo se se liquidassem um_ao_outro ? - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . O lábio inferior de Snape estava curvo . Harry interrogou se sobre o motivo por_que Lockhart continuava a sorrir . Se o Snape olhasse de aquela maneira para ele , Harry estaria a correr a_toda_a velocidade para o mais longe possível . Lockhart e Snape voltaram se um para o outro e fizeram uma vénia , pelo_menos Lockhart fê la com muitas reviravoltas de mãos , enquanto Snape acenava , irritado , com a cabeça . Em seguida , ergueram as varinhas , como_se fossem espadas , em a frente . - Como podem ver , estamos a pegar em as varinhas em a posição de aceitação de combate - explicou Lockhart a a multidão silenciosa . - Quando contarmos até três , lançaremos os primeiros feitiços . Nenhum de nós tentará matar o outro , claro . - Eu não poria as mãos em o fogo - murmurou Harry , observando como Snape cerrava os dentes . -- Um , dois , três ... Os dois balançaram as varinhas acima de os ombros . Snape gritou : * _ Expelliarmus * ! Houve um clarão ofuscante de luz escarlate e Lockhart voou para trás , caindo de o estrado batendo contra a parede , escorregando e indo estatelar se em o chão . Malfoy e alguns de os outros Slytherin aplaudiram . Hermione estava em bicos de os pés . - Acham que ele está bem ? - gritou entredentes . - Quem se rala ? - disseram ao_mesmo_tempo o Ron e o Harry . Lockhart estava a pôr se , hesitante , de pé . O chapéu caíra lhe e o cabelo ondulado estava em um desalinho . - Bem , cá está ! - disse , cambaleando até a o estrado . - Este foi um encantamento para desarmar . Como podem ver , perdi a minha varinha . Ah , obrigado Miss_Brown . Sim , foi uma excelente ideia mostrar lhes isto , professor Snape , mas , se me permite que lhe diga , foi muito óbvio o que ia fazer . Se eu tivesse querido impedis o , teria o feito com a maior de as facilidades . Mas achei que seria educativo deixá os ver ... Snape tinha um ar assassino . Provavelmente Lockhart deu por isso , porque declarou : - Chega de demonstrações . Eu vou passar agora por o meio de vocês e criar duplas . Professor_Snape , se quiser ajudar me ... Entraram por o meio de a multidão , agrupando alunos . Lockhart pôs o Neville com Justin_Finch - _ Fletchley , mas Snape chegou primeiro junto de Harry e de Ron . - Tempo de separar a dupla ideal , parece me - rosnou . - Weasley , tu podes ficar com o Finnigan . Potter ... Harry voltou se automaticamente para Hermione . - Não me parece - disse Snape com o seu sorriso frio . - Mr._Malfoy , venha até aqui . Vamos ver o que faz com o famoso Potter . E a menina , Miss_Granger , pode emparceirar com Miss_Bulstrode . Malfoy aproximou se com o seu passo empertigado e o seu sorriso escarninho . Atrás de ele vinha uma rapariga de os Slytherin , que lembrou a Harry uma imagem que tinha visto em as * _ Férias com Bruxas_Velhas * . Era corpulenta e quadrada e os maxilares avançavam agressivamente . Hermione esboçou um meio sorriso , que ela não retribuiu . - Voltem se para os vossos parceiros - gritou Lockhart - e façam a vénia . Harry e Malfoy mal inclinaram as cabeças , não afastando os olhos um de o outro . - Varinhas preparadas ! - gritou Lockhart . - Quando eu disser três preparem os feitiços para desarmar o vosso opositor . Um ... dois ... três ... Harry levantou a varinha acima de o ombro , mas Malfoy começara logo em o « dois » : o seu feitiço apanhou Harry com tanta força que ele se sentiu como_se tivesse levado com uma frigideira em a cabeça . Tropeçou , mas ainda não estava fora de combate e , sem perder tempo , Harry apontou a varinha a Malfoy e gritou : - * _ Rictusempra ! * Um jacto de luz prateada atingiu Malfoy em o estômago , obrigando o a dobrar se , arfando . - Eu disse desarmar ! - gritava Lockhart sobre as cabeças de a multidão em lata , enquanto Malfoy caía de joelhos . Harry atingira o com o feitiço de as cócegas e ele mal conseguia mexer se para se rir . Harry hesitou com o vago sentimento de que seria pouco desportivo enfeitiçar Malfoy enquanto ele estava caído em o chão , mas ... foi um erro . Tentando respirar , Malfoy apontou a varinha a os joelhos de Harry , balbuciando : « * _ Tarantallegra ! * » e , um segundo depois , as pernas de o Harry tinham começado a mexer se , sem que ele pudesse controlá as , executando uma espécie de dança frenética . - Parem , parem - gritava Lockhart , quando Snape resolveu tomar controlo de a situação . - * _ Finite_Incantatem ! * - bradou . Os pés de o Harry pararam de dançar , Malfoy parou de rir e puderam olhar para_cima . Uma onda de fumo esverdeado pairava sobre todos eles . Neville e Justin estavam caídos em o chão , a arfar . Ron tentava fazer parar um Seamus com cara cor de cinza , pedindo lhe mil desculpas por o que a sua varinha partida eventualmente tivesse feito . Mas Hermione e Millicent_Bulstrode ainda não tinham acabado . Millicent tinha feito a Hermione uma prisão de cabeça e Hermione gritava de dor . As duas varinhas jaziam esquecidas em o chão . Harry deu um salto em frente e afastou Millicent . Não foi fácil , ela era bastante maior do_que ele . - Oh , gente ! - exclamou Lockhart , arrastando se por o meio de a multidão e olhando para os resultados de os duelos . - Vamos pôr de pé , Mcmillan ... cuidado , Miss_Fawcett ... belisque com força que pára logo de sangrar ... - Acho que o melhor é ensinar vos como bloquear feitiços pouco amigáveis - afirmou Lockhart que estava nervosíssimo em o meio de o salão . Olhou para Snape , cujos olhos pretos brilhavam e desviou rapidamente o olhar . - Vamos arranjar um par de voluntários . Longbottom e Finch - _ Fletchley , que tal serem vocês ? - Uma má ideia , professor Lockhart - disse Snape , deslizando como um morcego enorme e cruel . - Longbottom provoca devastação com o feitiço mais simples . Ainda temos de mandar o que restar de o Finch - _ Fletchley para a ala hospitalar dentro_de uma caixa de fósforos . - A cara redonda e rosada de Neville ficou ainda mais rosada . - Que tal o Malfoy e o Potter ? - sugeriu Snape com um sorriso retorcido . - Excelente ideia - disse Lockhart , fazendo sinal a os dois para que se aproximassem de o meio de o salão , enquanto a multidão recuava para lhes dar passagem . - Ouve bem , Harry - disse Lockhart . - Quando o Draco te apontar a varinha , tu fazes assim . Levantou a sua varinha , executando uma tentativa complicada de malabarismo e deixou a cair . Snape sorriu pretensiosamente , enquanto Lockhart a apanhava de o chão , dizendo : - Ups , a minha varinha está demasiado excitada . Snape aproximou se de Malfoy , inclinou se e disse lhe qualquer coisa a o ouvido . Malfoy sorriu também de forma afectada . Harry olhou , nervoso , para Lockhart e pediu : - Professor , podia mostrar me outra_vez aquela coisa para bloquear ? - Estás com medo ? - murmurou Malfoy baixinho , para que Lockhart não pudesse ouvir . - Querias ! - exclamou Harry por o canto de a boca . Lockhart deu um soco em o ombro de o Harry , em a brincadeira . - Basta que faças como eu fiz ! - O quê , deixar cair a varinha ? Mas Lockhart não estava a ouvir - Três , dois , um , zero ! - gritou . Malfoy levantou rapidamente a varinha a o ar e gritou : - * _ Serpensortia ! * A extremidade de a varinha explodiu . Harry viu , horrorizado , uma enorme serpente negra sair de ela , cair pesadamente em o chão a meio de os dois e erguer se disposta a atacar . Ouviram se gritos , enquanto a multidão se afastava , deixando o chão vazio . - Não te mexas , Potter - disse Snape vagarosamente , divertindo se claramente a ver Harry , parado , a olhar em os olhos a serpente . - Eu trato de ela ... - Permita me -- gritou Lockhart . Bramiu a varinha em direcção a a serpente e ouviu se um estoiro . A cobra , em_vez_de desaparecer , voou três metros acima de eles e voltou a cair em o chão com um estrondo enorme . Enraivecida , a sibilar de fúria , rastejou em direcção a Finch - _ Fletchley e pôs se de pé com os dentes a a mostra , pronta a atacar . Harry não soube ao_certo o que o levou a fazer aquilo . Não se lembrava sequer de ter tomado aquela decisão . Só soube que as pernas o fizeram avançar como_se tivesse rodas e que gritou a a serpente : - Larga o ! - E , milagrosa e inexplicavelmente , a serpente voltou a o chão , dócil como uma grande mangueira de jardim , preta e grossa , os olhos agora fixos em os olhos de Harry . Harry sentiu o medo a escoar se . Sabia que a cobra não atacaria mais ninguém , embora não pudesse explicar como sabia . Olhou para Justin a sorrir , esperando vê o aliviado , espantado , ou mesmo agradecido , mas nunca zangado ou assustado . - Que brincadeira é essa ? - gritou o outro e , antes que Harry tivesse tempo de dizer fosse o que fosse , voltou as costas e saiu de o salão . Snape deu um passo em frente , fez um gesto com a varinha e a serpente desapareceu em uma onda de fumo preto . Também ele , Snape , olhava para Harry de uma forma inesperada . Era um olhar arguto e calculista , de que Harry não gostou . Apercebeu se também vagamente de um murmúrio ameaçador que vinha de as paredes em volta . Depois , sentiu um puxão em a túnica . - Vamos - disse a voz de o Ron em o seu ouvido . - Mexe te , vá lá ... Ron arrastou o para fora de o salão . Hermione acompanhava os em a passada rápida . Quando cruzaram a porta , as pessoas que a rodeavam afastaram se , como_se tivessem medo de ser contagiadas . Harry não fazia a mais pequena ideia do_que estava a passar se e , nem Ron , nem Hermione lhe deram qualquer explicação , antes de o terem levado até a a sala comum de os Gryffindor , que se encontrava vazia . Aí , Ron empurrou Harry para uma cadeira de braços e disse : - Tu és um * serpentês * . Porque não nos disseste ? - Eu sou um quê ? - perguntou Harry . - Um * serpentês * ! - exclamou o Ron . - Falas com as cobras . - Eu sei - declarou Harry . - Quer_dizer , esta foi a segunda vez que o fiz . A outra foi há muito_tempo em o jardim zoológico , quando soltei uma Boa_Constrictor a o meu primo Dudley . É uma longa história , mas ela estava a dizer me que nunca tinha estado em o Brasil e eu acho que a libertei sem querer . Foi antes de saber que era feiticeiro . . . - Uma Boa_Constrictor disse te que nunca tinha estado em o Brasil ? - repetiu Ron , quase sem voz . - E então ? - disse o Harry . - Aposto que montes de pessoas aqui fazem o mesmo . - Não fazem , não - afirmou Ron . - Não é um dom muito frequente . Harry , isso é mau . - O que é_que é mau ? - perguntou Harry , que começava a ficar chateado . - O que é_que se passa com todos os outros ? Ouve bem , se eu não tivesse dito a aquela cobra para não atacar o Justin ... - Ah , foi isso que tu disseste ? - Que queres dizer ? Tu estavas lá , ouviste perfeitamente o que eu disse . - Eu ouvi te falar em serpentês - disse o Ron . - Língua de cobra . Podias estar a dizer lhe qualquer coisa . Não admira que o Justin tivesse entrado em pânico . Parecia que estavas a incitar a serpente . Foi assustador , sabes ? Harry olhou para ele espantado . - Eu falei uma língua diferente ? Mas não me apercebi , como posso falar uma língua , sem saber que a conheço ? Ron abanou a cabeça . Tanto ele como Hermione tinham um ar fúnebre . Harry não percebia o que havia em aquilo de tão trágico . - Será que me querem explicar o que há de mal em ter impedido que uma serpente enorme arrancasse a cabeça a o Justin ? - perguntou . - Porque é tão importante como o fiz , se evitei que o Justin fosse juntar se a grupo de os SEM_CABEÇA ? - Importa - disse por fim Hermione , em uma voz abafada . - Porque falar com serpentes era a arte por a qual Salazar_Slytherin ficou famoso . Por isso , o símbolo de os Slytherin é uma serpente . Harry ficou de boca aberta . - Exacto - disse o Ron . - E agora todos em a escola vão pensar que tu és descendente de ele . - Mas não sou - contrapôs Harry com um pânico que não conseguia explicar . - Não vai ser fácil prová o - disse Hermione . - Ele viveu há quase mil anos . Pelo que vimos , podias ser . Em essa noite , Harry ficou acordado durante horas . Por uma fresta de os cortinados de a cama de dossel , olhou para a neve que começava a cair de o lado de_fora de a janela de a torre e perguntou se se poderia ser descendente de Salazar_Slytherin . Afinal , não sabia nada de a família de o pai , os Dursley tinham sempre proibido qualquer pergunta sobre os seus familiares feiticeiros . Calmamente , tentou dizer qualquer coisa em * serpentês * , mas as palavras não saíam . Parecia que era necessário estar frente_a_frente com uma cobra para poder fazê o . Mas eu sou um Gryffindor , pensou Harry , o chapéu seleccionador não me poria aqui se eu tivesse sangue de Slytherin ... - Ah ! - disse uma vozinha dentro de o seu cérebro . - Mas o chapéu seleccionador queria pôr te em os Slytherin , não te lembras ? Harry deu voltas e voltas a a cabeça . Em o dia seguinte , quando visse Justin em a aula de herbologia explicaria lhe que estava a afastar a serpente , não a atiçá a o que , aliás , pensou zangado , dando vários socos em a almofada , qualquer idiota teria percebido . Contudo , em a manhã seguinte , a neve que começara a cair durante a noite , transformara se em uma tempestade tão espessa que a última aula de herbologia de o período foi cancelada : a professora Sprout queria tapar as mandrágoras com peúgas e cachecóis , uma operação arriscada que ela não confiava a ninguém agora_que era tão importante que as mandrágoras crescessem depressa e reabilitassem Mrs._Norris e Colin_Creevey . Junto de a lareira de a sala comum de os Gryffindor , Harry matutava sobre o que se passara enquanto Ron e Hermione aproveitavam o foro para jogar xadrez de feitiçaria . - Com os diabos , Harry - disse Hermione exasperada quando um bispo derrubou um de os cavaleiros de o cavalo , arrastando o para fora de o tabuleiro . - Vai falar com o Justin , se isso é assim tão importante para ti . Harry levantou se e saiu por o buraco de o retrato , perguntando a si próprio onde poderia estar o Justin . O castelo estava mais escuro do_que era habitual durante o dia por causa de a neve espessa e cinzenta que cobria as janelas . A tremer , Harry passou por as salas onde estava a haver aulas , captando lampejos do_que sucedia lá dentro . A professora Mc_Gonagall gritava com alguém que , segundo lhe parecia por o som , transformara o parceiro em um texugo . Resistindo a a tentação de dar uma espreitadela , Harry afastou se pensando que Justin poderia estar a utilizar o tempo de o furo para fazer algum trabalho e resolveu , por isso , ir até a a biblioteca . Um grupo de alunos de os Hufflepuff , que deveriam ter estado em Herbologia , encontrava se , de facto , sentado em as traseiras de a biblioteca , mas não parecia estar a trabalhar . Entre as fileiras de as estantes altas , Harry pôde ver as suas cabeças muito juntas em aquilo que deveria ser uma conversa absorvente . Não conseguia perceber se Justin estaria em o meio de eles . Ia para se aproximar quando apanhou em o ar uma frase e parou para ouvir melhor , escondido em a secção de a invisibilidade . - Portanto - dizia um rapaz corpulento - eu disse a o Justin para se esconder em o nosso dormitório . Isto_é , se o Potter o escolheu como próxima vítima é melhor que ele tenha um * low profile * durante algum tempo . É claro que o Justin já estava a a espera que alguma coisa de o género acontecesse desde_que lhe escapou em uma conversa com o Potter que era filho de Muggles . O Justin disse lhe , inclusivamente , que tinha estado inscrito em Eton . Não é o tipo de coisa que se ande a dizer com o herdeiro de Slytherin a a solta por aí . - Achas mesmo_que é o Potter , Ernie ? - perguntou uma rapariga de tranças loiras , ansiosamente . - Hannah - disse com solenidade o rapaz corpulento . - Ele é um serpentês . Todos sabem que essa é a marca de um feiticeiro negro . Alguma vez ouviste falar de um feiticeiro decente que falasse com as cobras ? O Slytherin era conhecido por « Língua de serpente . . Houve alguns murmúrios antes de Ernie prosseguir : - Lembram se do_que estava escrito em a parede ? * _ Inimigos de o herdeiro , cuidado ! * . O Potter teve que ir a o gabinete de o Filch . E o que é_que acontece a seguir ? A gata de o Filch é atacada . O aluno de o primeiro ano , Creevey , estava a aborrecê o em a partida de Quidditch , a tirar lhe fotografias quando ele estava caído em a lama . E o que é_que acontece a seguir ? Creevey é atacado . - Mas ele parece sempre ser tão simpático - disse Hannah , cheia de dúvidas . - E , bem , foi ele que fez com que o Quem nós sabemos desaparecesse . Não pode ser assim tão mau , pois não ? Ernie baixou misteriosamente a voz . Os Hufflepuff inclinaram se mais uns para os outros e Harry aproximou se para conseguir apanhar as palavras de o Ernie . - Ninguém sabe como ele sobreviveu a aquele ataque de o Quem nós sabemos e , afinal , ainda era um bebé quando aquilo aconteceu . Era para ter explodido feito em estilhaços . Só um feiticeiro negro verdadeiramente poderoso teria sobrevivido a uma maldição de aquelas . - Baixou ainda mais a voz até esta ficar reduzida a um leve murmúrio e disse : - Talvez fosse por isso que o Quem nós sabemos o queria matar , para não ter outro feiticeiro negro a competir com ele . Gostava de saber que outros poderes ocultos terá o Potter . Harry não aguentou mais . Pigarreou alto e saiu detrás de as estantes . Se não estivesse tão zangado teria conseguido ver o lado cómico de a situação : cada_um de os Hufflepuff olhava para ele como_se tivesse sido petrificado , e a cor desaparecera de a cara de o Ernie . - Olá - disse Harry . - Estou a a procura de o Justin_Finch - _ Fletchley . Os piores receios de os Hufflepuff tinham se concretizado . Olharam apavorados para o Ernie . - O que queres de ele ? - perguntou Ernie em uma voz sumida . - Explicar lhe o que aconteceu com aquela cobra em o clube de os duelos - disse Harry . Ernie mordeu os lábios brancos e , em seguida , respirando fundo , respondeu : - Estávamos lá todos . Vimos o que aconteceu . - Então viram que depois de eu falar a serpente recuou - disse Harry . - O que eu vi - insistiu teimosamente Ernie , apesar_de tremer a cada palavra que proferia - foi tu a falares serpentês e a atiçares a cobra conta o Justin . - Eu não a aticei - gritou Harry enraivecido . - Ela nem lhe tocou . - Falhou por_pouco - disse Ernie . - E , para o caso de estares com ideias - acrescentou com má cara - posso dizer te que a minha família provem de nove gerações de bruxas e feiticeiros e que o meu sangue é tão puro como o de qualquer feiticeiro , portanto ... - Quero lá saber qual é o teu sangue - disse Harry furioso . - Porque iria eu atacar os filhos de os Muggles ? - Ouvi dizer que detestas os Muggles com quem vives - disse Ernie rapidamente . - Não é possível viver com os Dursley sem os detestar - explicou Harry . - Gostava de te ver lá em casa . Girou sobre os calcanhares e saiu furioso de a biblioteca sob o olhar reprovador de Madam_Prince que limpava a capa dourada de um enorme livro de encantamentos . Harry avançou a as cegas por os corredores , quase sem ver por_onde ia de tão furioso que estava . O resultado foi chocar com algo enorme e sólido que o fez recuar e cair a o chão . - Ah ! Olá , Hagrid - disse , olhando para_cima . Hagrid tinha o rosto completamente tapado com um lenço coberto de neve , mas não podia ser mais ninguém , enchendo assim o corredor dentro de o seu sobretudo de pele de toupeira . De uma de as enormes mãos enluvadas , pendia um galo morto . - Tudo bem , Harry ? - perguntou , afastando o lenço para poder falar . - Porque não estás em a aula ? - Foi cancelada - disse Harry , pondo se de pé . - O que estás a fazer aqui ? Hagrid mostrou lhe o galo inerte . - É o segundo qu'aparece morto este período - explicou . - Ou são raposas ou um vampiro chato e eu preciso d'autorização de o director p'ra fazer um feitiço em volta de a capoeira . Aproximou se e olhou mais de perto para o Harry , por debaixo de as suas sobrancelhas espessas e cheias de neve . - Tens a certeza que estás bem ? Pareces exaltado e preocupado . Harry não foi capaz de repetir o que Ernie e os outros Hufflepuff lhe tinham dito . - Não é nada , tenho de ir , Hagrid . A próxima aula é Transfiguração e preciso de ir buscar os meus livros . Afastou se , a cabeça cheia com tudo_o_que Ernie dissera a seu respeito . « * _ O_Justin já estava d espera que uma coisa de o género acontecesse desde_que deixou escapar , falando com o Potter , que era filho de Muggles * ... » Harry subiu as escadas a correr e entrou por um corredor que estava particularmente escuro . As tochas tinham sido apagadas por uma ventania gelada que entrava por uma janela de fecho estragado . Estava a meio de o corredor quando tropeçou em uma coisa que se encontrava em o chão . Olhou para ver o que era e sentiu como_se o estômago se tivesse dissolvido . Justin_Finch - _ Fletchley estava em o chão , rígido e frio com uma expressão de horror em o rosto e os olhos abertos voltados para o tecto . E não era tudo . Junto de ele estava mais alguém , a visão mais estranha que Harry tivera em toda_a sua vida . Era_o_Nick quase sem cabeça que não estava cor de pérola nem transparente e sim escuro como fumo . Flutuava imóvel , em a horizontal , 12 centímetros acima de o chão , a cabeça meio tombada e em o rosto uma expressão de choque idêntica a a de o Justin . Harry pôs se de pé com a respiração acelerada e o coração a bater como um tambor contra as costelas . Olhou desvairado para ambos os lados de o corredor deserto e viu uma fila de aranhas que corriam a_toda_a velocidade em a direcção oposta a a de os corpos . Os únicos sons eram as vozes abafadas de os professores em as aulas que decorriam de ambos os lados . Podia fugir e ninguém saberia que ali tinha estado , mas não era capaz de os abandonar assim . Tinha de ir procurar ajuda . Será que alguém acreditaria que ele não tivera nada que ver com aquilo ? Enquanto ali estava , em pânico , uma porta a o seu lado abriu se com grande estrondo . Peeves , o * poltergeist * , saiu a os gritos . - Oh ! É o Potter , olá , Potter - alardeou Peeves , lançando por o ar os óculos de o Harry quando passou por ele . - O que está o Potter a fazer ? Porque está o Potter escondido ? Peeves passou de cabeça para baixo , a meio de uma cambalhota em o ar , quando viu Justin e Nick quase sem cabeça . Com um movimento súbito endireitou se , encheu os pulmões de ar e , antes que Harry pudesse impedi o , gritou : __ ataque ! ataque ! outro ataque ! nenhum mortal ou fantasma está em segurança . corram , fujam , __ ataaaque ! Crac , Crac , Crac . Uma atrás de a outra , foram se abrindo todas_as portas a o longo de o corredor e as pessoas saíram para fora de as salas de aula . Durante alguns longos minutos houve uma tal confusão que Justin esteve em perigo de ser esmagado e as pessoas não paravam de chocar com o Nick quase sem cabeça . Harry deu por si colado a a parede enquanto os professores exigiam a os gritos que se fizesse silêncio . A professora Mc_Gonagall veio a correr , seguida por todos os alunos , um de os quais ainda trazia o cabelo a as riscas pretas e brancas . Usou a varinha para produzir um ruído que repôs o silêncio e mandou os alunos todos para dentro de as salas de aula . Mal lugar ficou desimpedido surgiu Ernie , o jovem Hufflepuff . - * _ Apanhado em flagrante ! * - gritou , com o rosto totalmente branco , apontando dramaticamente o dedo par Harry . - Basta_Mcmillan - disse , de forma cortante , a professora Mc_Gonagall . Peeves andava para_cima e para baixo , observando a cena com um sorriso maldoso . Sempre adorara o caos . Quando os professores se inclinaram sobre Justin e sobre o Nick quase sem cabeça para os examinar , iniciou uma cantilena : * _ Oh ! Potter , que fizeste , seu grande bandido * _ Tu matas os estudantes porque achas divertido . * - Basta , Peeves - rosnou a professora Mc_Gonagall e Peeves afastou se , deitando a língua de_fora a o Harry . Justin foi levado para a ala hospitalar por o professor Flitwick e por o professor Sinistra_do_Departamento_de_Astronomia , mas ninguém parecia saber o que fazer em relação a o Nick quase sem cabeça . Por fim , a professora Mc_Gonagall fez aparecer em o ar um enorme leque que entregou a Ernie com o encargo de conduzir , escadas acima , por os ares o Nick quase sem cabeça . Ernie assim fez , soprando Nick como_se fosse um aerodeslizador e deixando , de este modo , o Harry e a professora Mc_Gonagall a sós . - Por aqui , Potter - disse ela . - Professora , eu juro que não ... - Isso não é comigo , Potter - afirmou a professora Mc_Gonagall sinteticamente . Caminharam em silêncio até uma esquina e ela parou perante uma gárgula de pedra extremamente feia . - Refresco de limão - disse . Era obviamente uma senha porque a gárgula animou se subitamente e saltou para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes . Apesar_de estar apavorado com o que ia acontecer a seguir , Harry não conseguiu evitar um sentimento de fascínio . Por detrás de a parede estava uma escada em espiral que se movia lentamente para_cima como um elevador . E quando ele e a professora Mc_Gonagall puseram os pés em o primeiro degrau , Harry ouviu a parede fechar se atrás de eles . Subiram em círculos , cada_vez_mais alto até que , por fim , um_pouco tonto , Harry pôde ver uma porta de carvalho reluzente com um puxador de bronze em forma de abutre . Harry calculava onde estava a ser levado . Devia ser ali que morava Dumbledore . XII_A poção * polisuco * Saltaram de a escada de pedra lá mesmo em cima e a professora Mc_Gonagall bateu a a porta . Ela abriu se silenciosamente dando lhes entrada . A professora Mc_Gonagall disse lhe que esperasse e deixou o sozinho . Harry olhou em volta . Uma coisa era certa : de todos o escritórios de professores que conhecia , o de Dumbledor era , de longe , o mais interessante . Se não estivesse com um medo de morte de ser expulso teria adorado explorá o . Era uma sala grande e bonita em forma de círculo que estava cheia de barulhinhos estranhos . Havia um grande número de instrumentos prateados sobre várias mesas de pernas finas que zumbiam emitindo pequenas baforadas de fumo . As paredes estavam cobertas de fotografias de antigos directores e directoras , todos eles a dormir tranquilamente em as suas molduras . Havia ainda uma enorme secretária pés de garra . E , sobre uma prateleira atrás de ela , um chapéu de feiticeiro andrajoso e puído : * o chapéu seleccionador * . Harry hesitou . Lançou um olhar cauteloso a as bruxas e feiticeiros adormecidos a o longo de as paredes . Com certeza não fazia mal se lhe pegasse e o experimentasse só para ver ... só para ter a certeza de que ele o pusera em a equipa certa . Deu a volta a a secretária , retirou o chapéu de a prateleira e baixou o lentamente sobre a cabeça . Era demasiado grande e escorregou lhe para os olhos como de a outra_vez que o tinha posto . Harry olhou para o forro preto , enquanto esperava . Por fim , uma vozinha disse lhe a o ouvido : - Estás com macaquinhos em o sótão , Harry_Potter ? - Er ... sim - balbuciou Harry . - Er ... desculpa incomodar te , queria saber ... - Querias saber se te pus em a equipa certa - disse prontamente o chapéu . - Sim ... tu és particularmente difícil de seleccionar , mas eu mantenho o que disse antes . - O coração de Harry deu um salto . - Terias ficado bem em os Slytherin . Harry sentiu o estômago contorcer se . Agarrou o chapéu por a aba e tirou o de a cabeça . O chapéu seleccionador ficou pendurado em a mão de ele , inerte , desbotado e sujo . Harry voltou a pô o em a prateleira , sentindo se enjoado . - Estás enganado ! - disse em voz alta a o chapéu parado e silencioso , mas ele não se mexeu . Harry recuou para o observar melhor e foi então que ouviu um ruído estranho e grasnado atrás_de si que o fez dar uma volta . Não estava só , afinal_de_contas . Em um poleiro dourado atrás de a porta estava um pássaro de aspecto decrépito que parecia um peru meio depenado . Harry olhou para ele espantado e o pássaro olhou o também , grasnando de_novo . Harry achou que ele devia estar muito doente porque tinha os olhos parados e , enquanto olhava para ele , caíram lhe mais algumas penas de a cauda . Estava justamente a pensar que a única coisa que lhe faltava era que o pássaro de estimação de Dumbledore morresse quando ele estava ali sozinho com ele , em o escritório , quando a ave se incendiou . Harry gritou , em estado de choque , e recuou até a a secretária . Olhava nervosamente em volta , em busca de um jarro de água , mas não viu nenhum . O pássaro , entretanto , transformara se em uma bola de fogo , dera um guincho e , em seguida , desaparecera , deixando apenas um monte de cinzas em o chão . A porta de o escritório abriu se . Dumbledore entrou com ar taciturno . - Professor - gaguejou Harry . - O seu pássaro ... eu não pode fazer nada ... ele incendiou se . Para seu grande espanto , Dumbledore sorriu . - Já não era sem tempo . Estava com um aspecto horrível em os últimos dias . Fartei me de lhe dizer que fizesse qualquer coisa . Riu se entre dentes com a expressão em o rosto de Harry . - A Fawkes é uma fénix , Harry . As fénix ardem quando é altura de morrer e renascem de as cinzas , repara ... Harry olhou mesmo a_tempo_de ver um passarinho recém-nascido , todo enrugado , espetar a cabeça fora de as cinzas . Era quase tão feio como o antigo . - É uma pena que a tenhas conhecido em dia de arder - disse Dumbledore , passando para trás de a secretária . - É muito bonita a maior parte de o tempo , com uma plumagem vermelha e dourada . São criaturas fascinantes , as fénix . Podem transportar cargas pesadíssimas , as suas lágrimas têm propriedades curativas e são animais de estimação extremamente fiéis . Com o choque de a fénix a pegar fogo , Harry esquecera se de o motivo porque ali estava , mas tudo voltou rapidamente quando Dumbledore se instalou em a cadeira de espaldar alto e o fixou com os seus olhos azuis e penetrantes . Contudo , antes que ele tivesse tido tempo de falar , a porta de o escritório abriu se de par em par com um enorme estrondo e Hagrid entrou com um olhar tresloucado , o lenço todo torcido em volta de a cabeça hirsuta e o galo morto ainda pendurado em a mão . - Não foi Harry , professor Dumbledore - disse , aflito . - Eu tinha estado a falar com ele poucos segundos antes de o rapazinho ser encontrado , ele não teve tempo professor ... Dumbledore tentou dizer qualquer coisa , mas Hagrid continuou , abanando o galo em o meio de a sua agitação e espalhando penas por todo o lado . - Não pode ter sido ele . Eu juro em a frente de o ministro de a magia , se for preciso ... - Hagrid , eu ... -- Tem o rapaz errado , professor . Eu sei qu'o Harry nunca ... - Hagrid - disse Dumbledore , elevando a voz . - Eu não penso que o Harry tenha atacado aquelas pessoas . - Oh ! - disse Hagrid , com o galo pendendo inerte a o seu lado . - Certo , ' tão eu espero lá fora , director . E saiu com ar envergonhado . - O senhor não acha que tenha sido eu ? - repetiu Harry cheio de esperança , enquanto Dumbledore sacudia penas de galo de cima de a secretária . - Não , Harry , não acho - afirmou Dumbledore , apesar de a sua expressão ser de_novo sombria . - Mas mesmo_assim quero falar contigo . Harry esperou ansiosamente enquanto o director o observava com as pontas de os dedos longos unidas . - Tenho de saber uma coisa . Harry , há alguma pergunta que queiras fazer me , qualquer que ela seja ? Harry não soube o que dizer . Lembrou se de Malfoy a gritar * _ Vocês serão os próximos , sangues de lama * e de a poção * _ Polisuco * em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Depois pensou em a voz sem corpo que ouvira duas vezes e em o que o Ron dissera * _ Ouvir vozes que ninguém mais ouve não é bom sinal , nem mesmo em o mundo de a feitiçaria * . Pensou também em o que toda_a_gente dizia de ele e em o receio cada_vez maior de ter uma relação qualquer com Salazar_Slytherin ... - Não - disse por fim . - Não há nada , professor . O ataque duplo a Justin e a o Nick quase sem cabeça transformou o que até_então era nervosismo em verdadeiro pânico . Curiosamente fora o destino de o Nick quase sem cabeça o que mais preocupara as pessoas . Quem poderia ter feito aquilo a um fantasma ? - perguntavam uns a os outros . - Que poder terrível era aquele , capaz de afectar alguém que já tinha morrido ? Houve uma precipitação enorme em a marcação de os bilhetes em o Expresso_de_Hogwarts , pois todos os alunos quiseram ir passar o Natal a casa . - Por este caminho , vamos ser os únicos a ficar - disse o Ron a o Harry e a a Hermione . - Nós , o Malfoy , o Goyle e o Crabbe , que férias lindas que vão ser ! Crabbe e Goyle que faziam sempre o que Malfoy fazia , tinham se inscrito para ficar também durante as férias . Mas Harry estava contente por a maior parte se ir embora . Estava farto de ver gente a afastar se em os corredores como_se ele fosse mostrar os dentes ou cuspir veneno . Estava cansado de tantos segredinhos , de os ver apontar e segredar quando passava . O Fred e o George , esses achavam muito divertido . Vinham , de propósito , pôr se a a frente de ele e atravessavam os corredores a gritar : - Abram alas para o herdeiro de Slytherin , vai passar um feiticeiro verdadeiramente cruel . Percy discordava totalmente de este comportamento . - Não é um assunto para se brincar - dizia com frieza . - Sai mas é de o caminho , Percy - dizia o Fred . - O Harry está com pressa . - Sim , ele vai a a Câmara_dos_Segredos tomar uma chávena de chá com o seu servidor dentes de serpente - completava Fred com uma gargalhada . Ginny também não lhes achava graça . - Cala te - gritava ela sempre_que o Fred perguntava em voz alta a o Harry quem estava a pensar atacar a seguir , ou quando George fingia afastá o com um enorme dente de alho . Harry não se importava . Fazia o sentir se melhor o facto de constatar que , pelo_menos para o Fred e para o George , a ideia de ele ser o herdeiro de Slytherin era absolutamente ridícula . Mas as palhaçadas de eles pareciam ofender Draco_Malfoy que , de cada_vez que os via , ficava mais irritado . - É porque está ansioso por dizer que é mesmo ele - disse o Ron com ar conhecedor . - Sabes como ele detesta que alguém o ultrapasse e tu estás a receber todo o crédito por o seu trabalho sujo . - Não vai ser por muito_tempo - disse Hermione com uma voz satisfeita . - A poção * polisuco * está quase pronta . Um de estes dias arrancamos lhe a verdade . Finalmente , o período chegou a o seu termo e um silêncio profundo como a neve em os campos desceu sobre o castelo . Harry adorou a tranquilidade e apreciou o facto de ele , Hermione e os Weasley terem a torre de os Gryffindor por sua conta , poderem jogar a as explosões bem alto , sem incomodar ninguém e praticar duelos entre si . O Fred , o George e a Ginny tinham preferido ficar em a escola a ir com Mr. e Mrs._Weasley a o Egipto visitar o Bill . Percy que reprovava e considerava infantil a conduta de eles , não passava muito_tempo em a sala comum de os Gryffindor . Já lhes dissera pomposamente que só ficara ali em o Natal , por ser sua obrigação como prefeito apoiar os professores em aquela época agitada . A manhã de o dia de Natal clareou branca e fria . Harry e Ron , os únicos que estavam em o dormitório , foram acordados muito cedo por Hermione que entrou , toda vestida , transportando presentes para ambos . - Acordem - disse em voz alta , abrindo os cortinados . - Hermione , tu não devias estar aqui - exclamou o Ron , protegendo os olhos de a luz . - Feliz_Natal para ti também - disse Hermione , atirando lhe o presente que tinha para ele . - Estou acordada há quase uma hora , acrescentando mais asas de renda a a poção . Está pronta . Harry sentou se , subitamente acordado . - Tens a certeza ? - Absoluta - disse ela , afastando o rato Scrabbers para se sentar a os pés de a cama de dossel . - Se vamos mesmo tomá a , acho que devia ser logo a a noite . Em esse momentzo , a Hedwig entrou em o quarto , transportando em o bico um embrulho pequenino . - Olá - disse Harry , feliz a o vê a aterrar em a sua cama . - Já me falas outra_vez ? Ela mordiscou lhe a orelha de uma forma afectuosa que foi , de longe , um presente melhor do_que aquele que transportava e que era afinal de os Dursley . Tinham mandado a Harry um palito para os dentes com um cartão pedindo lhe que se informasse se não poderia ficar , também em o Verão , em Hogwarts . Os outros presentes que Harry recebeu foram bastante melhores . Hagrid mandara lhe uma lata grande de bombons de melaço que ele decidiu amolecer a o lume antes de comer , o Ron deu lhe um livro chamado * _ Voando com Canhões * , que narrava factos interessantes sobre a sua equipa favorita de Quidditch e Hermione trouxera lhe uma luxuosa pena de águia . Harry abriu o último presente onde vinha uma camisola novinha , feita a a mão por Mrs._Weasley e um grande bolo de passas . Pegou em o cartão com uma nova sensação de culpa , pensando em o carro de Mr._Weasley que não voltara a ser visto desde_que chocara contra o salgueiro zurzidor e em a quantidade de infracções que ele e o Ron tinham em mente . Ninguém , nem mesmo os que estavam cheios de medo por terem de tomar a poção * polisuco * a seguir , deixou de adorar o jantar de Natal em Hogwarts . O salão nobre estava magnífico . Não_só havia uma_dúzia de árvores de Natal , cobertas de geada e espessas serpentinas de azevinho e visco bravo cruzando se junto de o tecto como caia uma neve encantada quente e seca . Dumbledore conduziu os em uma de as suas canções de Natal preferidas enquanto Hagrid se agitava , falando cada_vez_mais alto , a cada gole de gemada que tomava . O Percy que não dera por_que Fred enfeitiçara o seu distintivo de prefeito , onde agora podia ler se « cabeça de alfinetes « , continuava a perguntar a todos para_onde estavam a olhar . Harry nem_sequer se importou com os comentários que Draco_Malfoy fazia bem alto , de a mesa de os Slytherin acerca de a sua camisola nova . Com alguma sorte , Malfoy iria ser desmascarado dentro_de algumas horas . Harry e Ron mal tinham acabado a terceira dose de pudim de Natal quando Hermione os fez sair de o salão a a pressa para acabarem de tratar de os planos para essa noite . - Ainda precisamos de um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos - disse com o ar mais natural de este mundo como_se estivesse a mandá os a o supermercado comprar detergente . - E , é claro que o ideal será conseguirmos alguma coisa de o Crabbe e de o Goyle , são os melhores amigos de o Malfoy , ele conta lhes tudo . E precisamos também de ter a certeza de que eles não vão entrar em a sala quando vocês estiverem a interrogar o Malfoy . - Eu tenho tudo pensado - prosseguiu ela , ignorando a expressão estupefacta de Harry e Ron . Pegou em dois apetitosos bolos de chocolate . - Pus lhes um encantamento de sono . Vocês só têm de fazer com que o Crabbe e o Goyle os encontrem . Sabem como eles são gulosos , vão logo comê os . Quando estiverem a dormir , tirem lhes alguns cabelos e escondam nos em uma despensa de vassouras . Harry e Ron olharam , incrédulos , um para o outro . -- Hermione , eu não creio que ... -- Isto pode correr muito mal ... Mas Hermione tinha um brilho inflexível em os olhos que não era muito diferente do_que costumavam ver em o olhar de a professora Mc_Gonagall . - A poção não nos serve de nada sem os cabelos de o Crabbe e de o Goyle - disse com firmeza . - Vocês querem mesmo descobrir coisas sobre o Malfoy , não querem ? - Pronto , está bem - disse Harry . - Mas , e tu , vais arranjar cabelos de quem ? - Eu já tenho esse assunto resolvido - disse Hermione sorridente , tirando um frasquinho de o bolso e mostrando lhes um cabelo que lá estava dentro . - Lembram se de a Millicent_Bulstrode que lutou comigo em o clube de os duelos ? Ela deixou isto em o meu manto quando tentava estrangular me . E foi passar o Natal a casa , portanto , basta me dizer a os Slytherins que decidi voltar . Quando Hermione saiu para verificar de_novo a poção polisuco , Ron voltou se para Harry com uma expressão lúgubre . - Alguma vez viste um plano onde tantas coisas pudessem correr mal ? Mas para grande espanto de ambos , a primeira fase de a operação decorreu tão naturalmente como Hermione previra . Eles esconderam se em o * hall * de entrada , depois de o lanche de Natal , a a espera de o Crabbe e de o Goyle que tinham ficado sozinhos a a mesa de os Slytherin , deitando abaixo a quarta dose de bolo inglês . Harry colocou os bolos de chocolate em o fim de o corrimão . Quando avistaram Crabbe e Goyle a sair de o salão , Harry e Ron esconderam se rapidamente atrás_de uma armadura que estava junto de a porta de entrada . - Como_se pode ser tão estúpido ? - murmurou Ron sem se mexer enquanto Crabbe apontava satisfeitíssimo , mostrando a Goyle os bolos e agarrando os . Com um riso estúpido , enfiaram nos inteiros em as bocas enormes . Durante um momento , ambos mastigaram avidamente com olhares vitoriosos em o rosto . Depois , sem que a expressão se alterasse , caíram para trás e estatelaram se em o chão . Mais difícil foi transportá os para a despensa de o outro lado de o * hall * . Uma_vez armazenados em o meio de os baldes e esfregões , Harry arrancou alguns de os pêlos que cobriam a cabeça de o Goyle e Ron tirou alguns cabelos a o Crabbe . Roubaram lhes também os sapatos porque os de eles eram demasiado pequenos para os enormes pés de o Crabbe e de o Goyle . Em seguida , ainda atordoados com o que tinham acabado de fazer , correram até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mal conseguiam ver com o fumo preto e espesso que saía de o cubículo onde Hermione mexia o caldeirão . Tapando o rosto com os mantos , Harry e Ron bateram a o de leve em a porta . - Hermione ? Ouviram o ruído de o trinco e Hermione apareceu com a cara lustrosa e um ar ansioso . Por trás de ela ouviam o gloop gloop de a poção espessa e gorgolejante . Em o banco de a casa_de_banho estavam três copos de vidro . - Conseguiram ? - perguntou Hermione quase sem fôlego . Harry mostrou lhe o cabelo de o Goyle . - _ óptimo . Eu tirei estes mantos suplementares de a lavandaria - disse ela , pegando em uma pequena saca . - Vocês vão precisar de tamanhos maiores se vão ser o Crabbe e o Goyle . Olharam os três para o caldeirão . Vista de perto , a poção parecia uma lama espessa e escura a borbulhar indolentemente . - Tenho a certeza que fiz tudo certo - disse Hermione nervosa , relendo a página manchada de * _ Moste_Potente_Potions * . - Tem o aspecto que o livro diz que deveria ter ... depois de a tomar temos precisamente uma hora antes de nos transformarmos de_novo em as pessoas que somos . - E agora ? - murmurou o Ron . - Separamos a em três copos e adicionamos os cabelos . Hermione encheu cada_um de os copos com uma concha de sopa . Em seguida , retirou com a mão a tremer o cabelo de Millicent_Bulstrode de dentro de o frasquinho e pô o em o primeiro copo . A poção chiou fortemente como uma chaleira a ferver e espumou como louca . Um segundo depois ganhara um tom de amarelo doentio . - Urgh ! Essência_de_Millicent_Bulstrode - disse Ron , olhando com repugnância . - Aposto que o sabor é nojento . - Deitem os vossos - disse Hermione . Harry deixou cair o cabelo de o Goyle em o copo de o meio e Ron lançou o de o Crabbe em o último . Ambos chiaram e espumaram : o de o Goyle ficou de um tom caqui , o de o Crabbe de um castanho-escuro algo tenebroso . - Esperem - pediu Harry quando Ron e Hermione pegaram em os copos . - Será melhor não os tomarmos aqui todos juntos em um cubículo ; quando em os transformarmos não vamos cá caber e Millicent_Bulstrode não é nenhum duende . - Bem pensado - admitiu o Ron , abrindo a porta . - Cada_um em seu cubículo . Com todo o cuidado , para não entornar nem uma gota de a poção polisuco , Harry esgueirou se para o cubículo de o meio . - Prontos ? - perguntou . - Prontos - responderam as vozes de o Ron e de a Hermione . - Um , dois , três . Tapando o nariz , Harry bebeu a poção em dois grandes tragos . Tinha o sabor de a couve demasiado cozida . Os seus interiores começaram imediatamente a contorcer se como_se tivesse engolido serpentes vivas . Dobrado , Harry perguntava a si próprio se iria vomitar . Depois , uma sensação de ardor espalhou se rapidamente de o estômago até a as pontas de os dedos de as mãos e de os pés . Em seguida , fazendo o sobressaltar se , sobreveio o sentimento horrível de estar a derreter enquanto a pele de todo o seu corpo borbulhava como cera quente e , perante os seus olhos , as mãos começaram a crescer , os dedos a engrossar , as unhas a alargar e as articulações a tornarem se protuberantes como ferrolhos . Os ombros retesaram se dolorosamente e uma comichão em a testa preveniu o de que o cabelo estava a rastejar em direcção a as sobrancelhas . As túnicas rasgaram se enquanto o tórax se expandia como um barril , rebentando com os seus anéis . Os pés estavam em grande sofrimento dentro_de sapatos quatro números abaixo . Tão depressa como começara , tudo parou . Harry estava caído em o chão de pedra fria , ouvindo a Murta_Queixosa gorgolejando taciturna em o cubículo de o fundo . Com alguma dificuldade tirou os sapatos e levantou se . Era então assim que o Goyle se sentia ! Com a mão enorme a tremer , despiu a sua túnica que lhe ficava 30 centímetros acima de os tornozelos , pegou em as túnicas suplementares e amarrou os atacadores de os sapatos abotinados de o Goyle . Quis escovar o cabelo para o afastar um_pouco de os olhos e deu apenas com os pêlos hirsutos que lhe cresciam em a testa . Apercebeu se então de que os óculos lhe toldavam a visão porque o Goyle , obviamente , não precisava de eles . Tirou os e gritou . - Vocês estão bem ? - De a sua boca saiu a voz baixa e grossa de o Goyle . - Sim - respondeu lhe o grunhido de o Crabbe , a a sua direita . Harry abriu a porta de o cubículo e dirigiu se a o espelho partido . O Goyle olhava o de o outro lado com os seus olhos parados . Harry coçou a orelha e Goyle fez o mesmo . A porta de o Ron abriu se . Olharam um para o outro . Harry estava pálido e chocado . O amigo não se distinguia de o Crabbe , desde o corte de cabelo em forma de tigela até a os longos braços de gorila . - É inacreditável - disse o Ron , aproximando se de o espelho e beliscando o nariz achatado de o Crabbe . - Inacreditável ! - É melhor irmos indo - disse Harry , alargando a pulseira de o relógio que lhe cortava o pulso . - Ainda temos de descobrir onde fica a sala comum de Slytherin . Só espero que encontremos alguém que vá para lá e que nós possamos seguir . Ron que tinha estado a olhar espantado para ele , comentou : - Não imaginas como é bizarro ver o Goyle a pensar - bateu em a porta de Hermione . - Vamos , temos que ir ... Respondeu lhe uma voz aguda : - Eu ... eu acho que afinal não vou . Vão vocês sem mim . - Hermione , nós sabemos que a Millicent_Bulstrode é feia , ninguém vai pensar que és tu . - Não , a sério , acho que não vou . Despachem se vocês os dois , estão a perder tempo . Harry olhou para Ron , baralhado . - Aquilo parece mais de o Goyle , é como ele fica sempre_que algum professor lhe faz uma pergunta . - Estás bem , Hermione ? - perguntou Harry , através de a porta . - _ óptima , estou óptima , vão se embora . Harry olhou para o relógio . Cinco preciosos minutos tinham já passado . - Encontramo nos aqui , está bem ? - disse . Os dois abriram a porta de a casa_de_banho com todo o cuidado , viram se o caminho estava livre e saíram . - Não balances assim os braços - disse o Harry a o Ron . - Hein ? - O Crabbe anda sempre com eles esticados . - Assim ? - Isso , assim está melhor . Desceram a escadaria de mármore . Só precisavam agora de um Slytherin que pudessem seguir até a a sala comum , mas não havia ninguém por perto . - Tens alguma ideia ? - perguntou Harry em um murmúrio . - Os Slytherin vêm sempre de ali para o pequeno-almoço - disse o Ron , apontando para a entrada de os calabouços . Mal tinha pronunciado estas palavras quando uma rapariga de cabelo comprido a os caracóis , apareceu . - Desculpa - disse o Ron , sem perder tempo . - Esquecemo nos de o caminho para a nossa sala comum . - Como ? - disse a rapariga com a maior frieza . - A * nossa * sala comum ? Eu sou uma Ravenclaw . Afastou se , olhando para eles , desconfiada . Harry e Ron desceram apressadamente os degraus de pedra até a a escuridão . Os passos ecoavam em o silêncio , à_medida_que os pés enormes de Crabbe e Goyle tocavam em o chão , fazendo os sentir que as coisas não iam ser tão fáceis como eles desejavam . Os corredores labirínticos estavam desertos . Andaram e tornaram a andar por os subterrâneos , olhando constantemente para os relógios para ver quanto tempo ainda lhes restava . Depois de um quarto de hora , quando começavam a ficar desesperados , ouviram um movimento súbito . - Olha - disse o Ron , agitadamente . - Agora é um de eles . A silhueta saía de uma sala , mas quando se aproximaram o coração de ambos esmoreceu . Não era um Slytherin , era Percy . - O que estás a fazer aqui em baixo ? - perguntou o Ron surpreendido . - Isso - disse ele friamente - não é de a tua conta . És o Crabbe , não és ? - Er ... sim , sim - respondeu o Ron . - Então vão para o vosso dormitório - ordenou Percy com firmeza . - Não é seguro andar a passear por os corredores escuros em os dias que correm . - Tu andas -- fez notar o Ron . - Eu - disse o Percy endireitando se - sou um prefeito . Nada vai atacar me . Ouviu se , de repente , uma voz por_detrás_de Harry e Ron . Era_Draco_Malfoy e , pela_primeira_vez em a vida , Harry ficou satisfeito a o vê o . - Aí estão vocês - disse de modo arrastado , olhando para eles . - Têm estado a chafurdar em o salão este tempo todo ? Tenho andado a a vossa procura , quero mostrar vos uma coisa muito divertida . Malfoy olhou misteriosamente para Percy . - E o que fazes tu aqui , Weasley ? - perguntou com ar de desprezo . Percy olhou , sentindo se ultrajado . - Fazes favor de mostrar um_pouco mais de respeito por um prefeito de a escola - disse . - Não gosto de o teu ar . Malfoy riu se e fez sinal a o Harry e a o Ron para que o seguissem . Harry quase ia pedindo desculpa a o Percy , mas deu se conta a tempo . Apressaram se a seguir o Malfoy que disse , mal viraram em o corredor seguinte : - Aquele Peter_Weasley ... - O Percy - corrigiu Ron automaticamente . - Ou isso - continuou Malfoy . - Ultimamente tenho o visto muitas_vezes a andar por aí sorrateiramente e aposto que sei o que ele quer . Pensa que vai apanhar o herdeiro de Slytherin sozinho . Deu uma pequena gargalhada ridícula . Harry e Ron trocaram olhares nervosos . Malfoy parou junto de uma parede de pedra húmida . - Qual é a senha ? - perguntou a o Harry . - Er ... - Ah ! sim , sangue puro - disse Malfoy sem ouvir e uma porta de pedra , oculta em a parede , abriu se . Malfoy entrou e Harry e Ron seguiram o . A sala comum de os Slytherin era uma ampla divisão subterrânea com espessas paredes de pedra e um tecto de o qual estavam pendurados por correntes vários candeeiros redondos que davam uma luz esverdeada . O fogo crepitava em uma lareira elaboradamente esculpida em frente de a qual se viam as silhuetas de vários Slytherins sentados em cadeiras igualmente esculpidas . - Esperem aí - disse Malfoy a o Harry e a o Ron , encaminhando os para um par de cadeiras vazias , longe de o lume . - Eu vou buscar o que o meu pai acaba de me mandar . Sem saber o que Malfoy iria mostrar lhes , Harry e Ron sentaram se , fazendo todos os possíveis por parecer a a vontade . Malfoy voltou um minuto depois , trazendo em a mão o que parecia ser um recorte de jornal . Pô o debaixo de o nariz de o Ron . - Vais te rir - disse . Harry viu os olhos de o Ron abrirem se como_se estivesse em estado de choque . Viu o ler o recorte rapidamente , dar uma gargalhada forçada e estender lhe o em seguida . Tinha sido retirado de o * _ Profeta_Diário * e dizia : inquérito em o ministério de a magia * _ Arthur_Weasley , chefe de o Gabinete_de_Mau_Uso_dos_Utensílios_dos_Muggles foi hoje multado em cinquenta galeões por ter enfeitiçado um carro de os Muggles . * _ O senhor Lucius_Malfoy , Membro_do_Conselho_Directivo_da_Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts , onde o carro enfeitiçado foi chocar em o princípio de este ano , exigiu hoje a demissão de Mr._Weasley . « * _ O_Weasley trouxe o descrédito a o Ministério « - declarou Mr._Malfoy a o nosso repórter . - « É claramente incompetente para fazer cumprir as leis e a sua protecção ridícula de os Muggles deveria ir imediatamente para a sucata . » * _ Mr._Weasley recusou se a fazer comentários , mas a sua mulher disse a os repórteres que desaparecessem de ali ou lançaria contra eles o vampiro de a família * . - Então - disse Malfoy impaciente quando Harry voltou a entregar lhe o recorte . - Não achas o_máximo ? - Ha , ha - fez Harry tristemente . - O Arthur_Weasley gosta tanto de os Muggles que era capaz de partir a sua varinha a o meio para se juntar a eles - disse Malfoy com desprezo . - Ninguém diria que os Weasley eram sangue puro a avaliar por o modo como_se comportam . A cara de o Ron , ou melhor , de o Crabbe , contorceu se de raiva . - O que é_que se passa ? - perguntou Malfoy . - Dores de estômago - gemeu o Ron . - Então vai a a ala hospitalar e dá a todos aqueles sangues de lama um pontapé de a minha parte - disse Malfoy com o seu riso escarninho . - Sabes que estou espantado por o * _ Profeta_Diário * ainda não se ter referido a todos estes ataques - continuou pensativamente . - Calculo que o Dumbledore deve estar a tentar abafar as coisas . Ele ainda é posto em a rua se isto não acaba depressa . O pai sempre disse que Dumbledore foi a pior coisa que aqui veio parar . Ele adora os filhos de os Muggles , um director decente nunca deixaria um lodo como o Creevey entrar em esta escola . Malfoy começou a fingir que tirava fotografias com uma máquina imaginária e fez uma imitação maldosa , mas bastante fiel de o Colin : - Potter , posso tirar te a fotografia ? Dás me um autógrafo ? Posso lamber te os sapatos , por favor , Potter ? Baixou as mãos e olhou para Harry e Ron . - O que é_que se passa com vocês os dois ? Um_pouco atrasados , Harry e Ron forçaram o riso e Malfoy pareceu satisfeito . Talvez Crabbe e Goyle fossem sempre de reacção lenta . - O santo Potter , amigo de os sangues de lama - disse Malfoy . - É outro que não tem os sentimentos de um feiticeiro a sério ou não andaria por aí com aquela empertigada sangue de lama Granger . E as pessoas a pensarem que ele é o herdeiro de Slytherin . Harry e Ron esperaram com a respiração entrecortada : o Malfoy ia certamente dizer lhes , dentro_de segundos , que era ele , mas então ... - Quem me dera saber quem ele é - disse o Malfoy , de forma petulante . - Podia ajudá o . O queixo de o Ron caiu de tal maneira que a cara de o Crabbe ficou ainda mais desajeitada do_que era habitual . Felizmente Malfoy não deu por nada e Harry , em um pensamento rápido , disse : - Deves ter alguma ideia de quem está por_detrás_de tudo ... - Sabes perfeitamente que não tenho , Goyle , quantas vezes é preciso dizer te ? - cortou Malfoy . - E o pai também não me diz nada sobre a última vez que a câmara foi aberta . É claro que foi há cinquenta anos , antes de ele cá andar , mas o pai sabe tudo a esse respeito e diz que as coisas foram mantidas em grande segredo e que pareceria suspeito se eu soubesse demasiado . Mas há uma coisa que eu sei : de a última vez que a câmara foi aberta , morreu um sangue de lama . Por isso , aposto que é uma questão de tempo até que um de eles seja morto . Só espero que seja a Granger - disse satisfeito . Ron fechara os punhos gigantescos de o Crabbe . Sentindo que deitaria tudo a perder se ele desse um soco a o Malfoy , Harry lançou lhe um olhar de aviso e disse : - Sabes se a pessoa que abriu a câmara de a última vez foi apanhada ? - Ah ! sim , essa pessoa foi expulsa - disse Malfoy . - Ainda deve estar em Azkaban . - Azkaban ? - repetiu Harry confuso . - Azkaban , a prisão de os feiticeiros , Goyle - disse Malfoy , olhando para ele incrédulo . - Francamente , se fosses mais lento andavas para trás . Esticou se intranquilo , em a cadeira e disse : - O pai diz para eu esfriar a cabeça e deixar que o herdeiro de Slytherin faça o seu trabalho . Acha que a escola precisa de se livrar de a escória de os sangues de lama , mas não quer que eu me envolva em nada . Claro que ele agora tem um prato cheio . Sabes que o Ministério de a magia fez uma busca a a nossa mansão em a semana passada ? Harry tentou forçar a cara de bronco de o Goyle a uma expressão preocupada . - Sim - continuou Malfoy . - É claro que não encontraram grande coisa . O pai guarda uns materiais de magia negra muito valiosos , mas , felizmente , temos a nossa câmara secreta debaixo de o soalho de a sala de visitas ... - Ah ! - disse o Ron . Malfoy olhou para ele . Harry também . Ron corou e até o cabelo começou a ficar vermelho . O nariz estava também a diminuir lentamente ... a hora tinha acabado . Ron estava a voltar a a sua forma habitual e por o olhar de horror que lançou a Harry certamente ele também estava . Puseram se rapidamente de pé . - Tenho de tomar o remédio para o estômago - grunhiu o Ron e sem mais explicações saíram ambos a correr de a sala comum de os Slytherin , precipitaram se para a parede de pedra e galgaram a passagem , pedindo a todos os santos que Malfoy não tivesse dado por nada . Harry sentia os pés a nadarem em os sapatos enormes de o Goyle e tinha de levantar o manto visto_que diminuíra de tamanho . Subiram os degraus a correr até a o * hall * escuro de entrada onde se ouvia um som abafado que vinha de a despensa onde tinham fechado o Crabbe e o Goyle . Deixando os sapatorros de os dois de o lado de_fora , subiram já com os respectivos sapatos a escadaria de mármore até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Bem , não foi uma total perda de tempo - disse o Ron ofegante , fechando atrás_de si a porta de a casa_de_banho . - É certo que ainda não descobrimos de quem vêm os ataques , mas vou escrever a o meu pai amanhã a dizer lhe que procure debaixo de o soalho de a sala de visitas de o Malfoy . Harry olhou para o espelho partido . Tinha voltado a o normal . Pôs os óculos enquanto Ron batia em a porta de o cubículo de Hermione . - Hermione , sai de aí , temos um monte de coisas para te contar ... - Vão se embora - guinchou Hermione . Harry e Ron olharam um para o outro . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron . - Tu já deves ter voltado a o normal como nós ... Mas a Murta_Queixosa saiu subitamente através de a porta de o cubículo com um ar divertido como nunca a tinham visto . - Oh ! Esperem até ver - disse ela . - É horrível ! Ouviram o trinco de a porta a abrir se e Hermione apareceu a soluçar , a túnica levantada a cobrir lhe o rosto . - O que foi ? - perguntou o Ron indistintamente . - Ainda tens o nariz de a Millicent ou alguma coisa assim ? Hermione deixou cair a roupa e Ron recuou rapidamente . O rosto de ela estava coberto de pêlo preto , os olhos tinham ganho uma cor amarela e as orelhas eram pontiagudas , saindo espetadas para fora de os cabelos . - Era um pêlo de g-gato - disse a chorar . - A Millicent_Bulstrode d-deve ter um gato e a poção não está preparada para transformação em animais . - Oh-oh - disse o Ron . - Vão te gozar horrivelmente - disse a Murta , felicíssima . - Não te preocupes , Hermione - tranquilizou a rapidamente o Harry . - Vamos levar te para a ala hospitalar , a Madam_Pomfrey nunca faz muitas perguntas ... Não foi fácil convencer Hermione a sair de a casa_de_banho . A Murta_Queixosa despediu se com uma gargalhadavigorosa e grosseira . - Espera até todos descobrirem que tens uma cauda ! XIII_O diário muito secreto Hermione ficou em a ala hospitalar durante várias semanas . Houve uma onda de boatos sobre o seu desaparecimento quando o resto de os alunos voltou de as férias de Natal porque , é claro , todos pensam que ela tinha sido atacada . Foram tantos os estudantes a rondar a ala hospitalar para espreitar a ver se a viam que Madam_Pomfrey desceu de_novo as cortinas de a cama de ela para a poupar a a vergonha de ser vista com pêlo em a cara . Harry e Ron iam visitá a todas_as tardes . Quando o segundo período começou passaram a levar lhe diariamente os trabalhos de casa . - Se eu tivesse o bigode a crescer , tinha uma folga de o trabalho - disse uma tarde o Ron enquanto colocava uma pilha de livros a a cabeceira de a cama de Hermione . - Não sejas parvo , Ron , eu tenho de me manter a par de as coisas - disse Hermione com vivacidade . O humor de ela melhorara bastante com o facto de lhe ter desaparecido todo o pêlo de o rosto e de os olhos estarem lentamente a retomar a cor castanha . - Calculo que não tenham novas pistas ? - disse em um murmúrio para evitar que Madam_Pomfrey os ouvisse . - Nada - disse Harry tristemente . - Eu tinha tanta certeza de que era o Malfoy - repetiu o Ron por a centésima vez . - O que é isso ? - perguntou Harry , apontando para uma coisa com brilho dourado que estava debaixo de a almofada de Hermione . - É só um cartão a desejar boas melhoras - disse ela precipitadamente , tentando escondê o , mas o Ron foi mais rápido . Pegou lhe , abriu o e leu em voz alta : * _ Para_Miss_Granger , desejando lhe uma rápida recuperação , com o interesse e estima de o professor Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , Terceiro grau , Membro_Honorário_da_Liga_de_Defesa contra as Artes_Negras e vencedor por cinco vezes de o prémio O sorriso mais charmoso de a semana de o Semanário_das_Bruxas * . Ron olhou desconsolado para Hermione . - Tu dormes com isto debaixo de a almofada ? Mas Hermione foi poupada a ter de responder por a entrada de Madam_Pomfrey que lhe trazia a dose de medicamento de a tarde . - Achas que o Lockhart é o tipo mais esperto que conheceste ? - perguntou o Ron a o Harry quando saíram de a enfermaria e começavam a subir as escadas para a torre de os Gryffindor . O Snape tinha lhes passado tanto trabalho para_casa que Harry pensou que ia chegar a o sexto ano antes de o ter acabado . Ron vinha a dizer que devia ter perguntado a a Hermione quantas caudas de rato deveria juntar se a uma poção para o crescimento de o cabelo quando um grito de raiva vindo de o andar de cima lhes chegou a os ouvidos . - É o Filch - murmurou Harry enquanto subiam apressadamente as escadas e paravam para ouvir melhor . - Terá mais alguém sido atacado ? - disse nervosamente o Ron . Ficaram parados com as cabeças inclinadas para a voz de o Filch que parecia quase histérica . -- ... * _ Ainda mais trabalho para mim . Toda_a noite a esfregar como_se não tivesse já trabalho de sobra . Não , isto foi a gota de água que fez transbordar o copo , vou falar com Dumbledore * ... Os passos afastaram se e ouviram uma porta fechar se com grande estrondo . Puseram as cabeças fora de a esquina . O Filch tinha obviamente estado a patrulhar o seu habitual posto de vigia : estavam novamente em o lugar onde Mrs._Norris fora atacada . Perceberam imediatamente qual o motivo de os gritos . Uma enorme poça de água enchia metade de o corredor e parecia escorrer de a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Agora_que o Filch se calara podiam ouvir os uivos de a Murta que faziam eco em as paredes de a casa_de_banho . - Mas o que se passará com ela ? - disse o Ron . - Vamos lá ver - sugeriu Harry e arregaçando as túnicas até a os tornozelos entraram , atravessando a enorme poça de água , em a casa_de_banho que tinha o letreiro a dizer « Fora de serviço » e que eles , como sempre , ignoraram . A Murta_Queixosa chorava , se possível , mais alto do_que nunca . Parecia estar escondida em o cubículo de o costume . Lá dentro estava escuro pois as velas tinham se apagado com a enchente de água que deixara as paredes e o chão ensopado . - O que se passa , Murta ? - quis saber o Harry . - Quem é ? - perguntou ela infelicíssima . - Vieste atirar me mais alguma coisa acima ? Harry caminhou com dificuldade por causa de a água até a o cubículo de ela e disse : - Porque te faríamos nós uma coisa de essas ? - Não me perguntem - gritou a Murta , emergindo em uma onda de água que molhou ainda mais o chão já ensopado . - Eu estou aqui metida em a minha morte e alguém acha muito engraçado atirar me com um caderno acima ... - Mas , não pode magoar te se alguém te atirar alguma coisa acima - disse Harry , tentando ser prático . - Isto_é , seja o que for passa através_de ti , não é assim ? Tinha dito a frase errada . A Murta encheu o peito de ar e gritou a plenos pulmões : - Vamos todos atirar cadernos a a Murta já_que ela não sente nada ! Dez pontos se lhe acertarem em o estômago , cinquenta se lhe atravessar a cabeça ! Hah hah hah , que jogo lindo , não acham ? - Quem te atirou um caderno , afinal ? - perguntou o Harry . - Não sei ... eu estava sentada em a sanita a pensar em a morte e caiu me em cima de a cabeça - disse a Murta , olhando para eles . - Está ali , ficou todo molhado . Harry e Ron olharam para o ponto que a Murta lhes apontava debaixo de o lavatório . Um caderno pequenino e fino estava caído em o chão . Tinha uma capa preta muito gasta e estava encharcado como tudo em aquela casa_de_banho . Harry deu um passo em frente para o apanhar , mas o Ron agarrou lhe precipitadamente o braço . - O que foi ? - perguntou Harry . - Estás doido - disse ele . - Pode ser perigoso . - Perigoso ? - riu se Harry . - Essa agora Ron , como é_que pode ser perigoso ? - Ficarias surpreendido ... - explicou ele , olhando com ar apreensivo para o caderno . - Entre os livros que o Ministério confiscou , contou me o meu pai , havia um que queimava os olhos a as pessoas . E todos os que leram os * _ Sonetos_de_Um_Feiticeiro * ficaram a falar em verso para o resto de a vida . Havia também uma bruxa em Bath que tinha um livro que quem o lesse nunca mais conseguia parar , tinha de andar por aí com o nariz enfiado em as folhas , a fazer todas_as coisas só com uma mão e ... - Já chega , já chega , já percebi a tua ideia - disse O_Harry . O caderninho continuava caído e ensopado . - Bem , nunca saberemos a_não_ser_que tenhamos a coragem de dar uma vista de olhos - disse e mergulhou apanhando o de o chão . Harry viu imediatamente que se tratava de um diário e a data meio apagada , em a capa , disse lhe que tinha cinquenta anos de idade . Abriu o ansiosamente . Em a primeira página podia ler se apenas o nome T._M._Riddle em tinta esborratada . - Espera aí - disse o Ron que se aproximara prudentemente e olhava por cima de o ombro de Harry . - Eu conheço esse nome ... T._M._Riddle recebeu um prémio por serviços especiais prestados a a escola há cinquenta anos atrás . - Como diabo sabes tu isso ? - perguntou Harry com grande espanto . - Porque o Filch mandou me limpar a taça de ele umas cinquenta vezes quando estive de castigo - disse o Ron ressentido . - Foi a taça em cima de a qual eu vomitei lesmas . Se tivesses tido que limpar o muco de um nome durante uma hora também te lembrarias . Harry separou umas de as outras as páginas molhadas . Estavam completamente em branco . Não havia o mais leve sinal de escrita em nenhuma , nem coisas como « Aniversário de a tia Mabel « ou « Dentista a as três_e_meia » . - Ele nunca escreveu nada aqui - disse Harry desapontado . - Porque quereria alguém atirá o fora ? - perguntou se o Ron com curiosidade . Harry voltou o caderno e viu , inscrito em a contra capa , o nome de uma tabacaria em Vauxhall_Road , Londres . - Ele devia ser filho de Muggle - disse Harry pensativo - para ter comprado um diário em Vauxhall_Road ... - Bem , não te serve de muito - Ron baixou a voz . - Cinquenta pontos se acertares em o nariz de a Murta . Harry , mesmo_assim , guardou o diário . Hermione saiu de a ala hospitalar desbigodada , sem cauda e sem pêlo em os primeiros dias de Fevereiro . Em a primeira noite em a torre de os Gryffindor , Harry mostrou lhe o diário de T._M._Riddle e contou lhe como o tinham encontrado . - Ooooh ! Deve ter poderes ocultos - disse ela entusiasticamente , pegando em o diário e examinando o de perto . - Se tem , esconde os muito bem - disse Ron . - Talvez fosse tímido . Não sei porque não deitas isso fora , Harry . - Gostava de perceber porque motivo alguém se quis livrar de ele - explicou Harry . - E também não me importava de saber como foi que o Riddle obteve esse prémio de serviços especiais prestados a Hogwarts . - Pode ter sido qualquer coisa - lançou o Ron . - Talvez tenha recebido 30 de nota final ou salvo um professor de a lula gigante . Se_calhar assassinou a Murta , isso teria sido um favor prestado a todos ... Mas Harry quase podia jurar , por o olhar suspenso em a cara de Hermione , que ela pensava o mesmo_que ele . - O que foi ? - perguntou Ron , olhando para um e para o outro . - Bem , a Câmara_dos_Segredos foi aberta há cinquenta anos , não foi isso que disse o Malfoy ? - Sim - respondeu Ron , lentamente . - E este diário tem cinquenta anos de idade - completou Hermione , dando lhe palmadinhas nervosas . - E de aí ? - Oh Ron , acorda - insistiu Hermione . - Sabemos que a pessoa que abriu a câmara de a outra_vez foi expulsa há cinquenta anos . E se o Riddle tivesse tido o prémio especial por apanhar o herdeiro de Slytherin ? O seu diário diria nos provavelmente tudo : onde é a Câmara_dos_Segredos , como abris a e que tipo de criatura vive lá . Achas que a pessoa que está por trás de os ataques desta_vez quereria o diário por aí ? - É uma teoria interessante , Hermione - disse o Ron . - Apenas com uma pequenina falha : o diário não tem nada Mas_Hermione já estava a tirar a varinha de o saco . - Pode ser tinta invisível - murmurou . Bateu três vezes em o diário e repetiu * _ Aparecium ! * Nada aconteceu . Intrépida , Hermione meteu a mão de_novo em o saco e tirou o que parecia ser uma borracha vermelha e brilhante . - É um * revelador * , comprei o em a Diagon - _ Al - disse . Apagou com força em 1_de_Janeiro . Não sucedeu nada . - Já vos disse , não há nada aí - repetiu o Ron . - O Riddle deve ter recebido um diário como prenda de Natal e nem se deu a o trabalho de escrever fosse o que fosse . Harry não conseguia explicar , nem a si próprio , porque motivo não deitara fora o diário de Riddle . A verdade é_que , mesmo depois de saber que ele estava em branco , continuou distraidamente a pegar lhe e a virar as páginas como_se quisesse chegar a o fim de uma história . E , apesar_de saber que nunca tinha ouvido o nome T._M._Riddle , continuava a ter a sensação de que lhe dizia alguma coisa , como_se Riddle fosse um amigo que ele tinha tido quando era muito pequeno e que estivesse meio esquecido . Mas era um absurdo . Nunca tivera amigos antes de Hogwarts , Dudley tivera esse cuidado . Ainda_assim , Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle , por isso em o dia seguinte foi até a a sala de os troféus para examinar a taça , acompanhado de Hermione que estava interessadíssima e de Ron que se mostrava profundamente incrédulo , dizendo que tinha ficado farto de aquela sala até a o fim de a vida . A taça dourada de Riddle estava arrecadada em um armário de canto . Não fornecia detalhes sobre o motivo por_que lhe fora dada ( felizmente , se fosse maior ainda hoje estava a limpá a , disse o Ron ) . Mas encontraram o nome de Riddle em uma antiga medalha de Mérito_Mágico e em uma lista de antigos chefes de turma . - Parece o Percy - comentou Ron , torcendo o nariz com aversão . - Prefeito , chefe de turma , provavelmente o melhor em todas_as disciplinas . - Dizes isso como_se fosse uma coisa má - fez lhe notar Hermione , em um tom de voz ressentido . Um sol fraco brilhava agora de_novo em Hogwarts . Dentro de o castelo , o ambiente estava bastante melhor . Não tinha havido novos ataques desde Justin e Nick quase sem cabeça e Madam_Pomfrey teve a satisfação de informar que as Mandrágoras começavam a ficar instáveis e dissimuladas , sinal de que estavam a abandonar rapidamente a infância . - Logo_que o acne desapareça estarão prontas para novo transplante - ouviu a Harry dizer amavelmente a o Filch . - E depois de isso , não demorará muito até podermos cortá as e estufá as . - Vai ter Mrs._Norris de volta , muito em_breve . Talvez o herdeiro ou herdeira de Slytherin tenha perdido a coragem , pensou Harry . Deve ser cada_vez_mais arriscado abrir a Câmara_dos_Segredos com a escola tão alerta e desconfiada . Talvez o monstro , qualquer_que_fosse , estivesse a preparar se para hibernar durante outros cinquenta anos . Ernie_Mcmillan_dos_Hufilepuff não aceitou esta visão optimista . Continuava convencido de que Harry era o culpado , que se tinha traído em o clube de os duelos . Peeves não ajudava nada : continuava a cantar por os corredores Potter , * seu bandido * ... agora acompanhado de um esquema de dança . Gilderoy_Lockhart parecia pensar que fora ele quem pusera fim a os ataques . Harry fartou se de o ouvir dizer isso a a professora Mc_Gonagall enquanto os Gryffindor formavam bicha para a aula de Transfiguração . - Não creio que volte a haver problemas , Minerva - disse , tocando em o nariz com ar conhecedor e piscando o olho . - Acho que desta_vez a câmara foi definitivamente selada . O culpado deve ter sabido que era uma questão de tempo até eu o apanhar e que era mais sensato parar agora antes que eu lhe tratasse de a saúde . Sabe , a escola está a precisar de um intensificador de animo para apagar as lembranças de o último período . Não vou dizer lhe mais_nada , por enquanto , mas julgo que sei o que ... Voltou a tocar em o nariz e afastou se a passos largos . A ideia de Lockhart de um intensificador de ânimo ficou bastante clara em o dia_14_de_Fevereiro , a o pequeno-almoço . Harry não dormira grande coisa devido a o treino de Quidditch em a noite anterior e chegou a o salão um_pouco atrasado . Pensou , por momentos , que se tinha enganado em a porta . As paredes estavam todas cobertas com enormes e medonhas flores cor-de-rosa . Pior ainda , * confettis * em forma de corações caíam de o tecto azul pálido . Harry dirigiu se a a mesa de os Gryffindor onde o Ron estava sentado com um ar enjoado junto de Hermione que parecia particularmente risonha . - O que se passa ? - perguntou lhes , sentando se e sacudindo os * confettis * de o seu bacon . Ron apontou para a mesa de os professores , com um ar demasiado repugnado para falar . Lockhart , em as suas vestes rosa vivo , a condizer com a decoração de o salão , fazia sinal para que se calassem . Os professores que o ladeavam tinham um ar estupefacto . De o seu lugar , Harry podia ver um músculo mover se em a bochecha de a professora Mc_Gonagall . Snape estava com ar de quem tomou uma imensa dose de xarope * skele-gro * . - Feliz dia de S._Valentim - gritou Lockhart . - E permitam me que agradeça a as quarenta_e_seis pessoas que até agora me enviaram cartões . Sim , fui eu quem tomou a liberdade de vos fazer esta pequena surpresa , e ela não acaba aqui ! Lockhart bateu as palmas e por as portas de o * hall * entraram a marchar cerca de uma_dúzia de duendes de aspecto carrancudo . Não eram uns duendes quaisquer , diga se de passagem . Lockhart fizera os usar asas douradas e transportar harpas . - Os meus amigos cupidos , portadores de os cartões ! gritou Lockhart . - Eles vão andar por a escola durante o dia de hoje , entregando os vossos cartões de S._Valentim . E o divertimento não acaba aqui . Tenho a certeza de que os meus colegas vão querer participar em este espírito de festa . Porque não pedir a o professor Snape que vos mostre como preparar rapidamente uma poção de amor . E , enquanto ele a prepara , está aqui o professor Flitwick que é de todos os feiticeiros que conheci aquele que mais sabe de encantamentos de sedução , o grande safado ! O professor Flitwick enterrou o rosto em as mãos . Snape olhava como_se quisesse dar veneno a a primeira pessoa que fosse pedir lhe a poção de o amor . - Por favor , Hermione , diz me que não foste uma de as quarenta_e_seis - pediu Ron quando saíram de o salão para a primeira aula . Mas Hermione ficou subitamente muito interessada em procurar o horário dentro de a mala e não lhe respondeu . Durante todo o dia os duendes não pararam de se intrometer em as aulas para entregar cartões , para grande aborrecimento de os professores e , ao_fim_da_tarde , quando os Gryffindor subiam as escadas para a aula de encantamentos , um de eles avistou o Harry . - Hei , tu , Harry_Potter ! - gritou um duende de aspecto particularmente lúgubre , dando cotoveladas a_toda_a gente para se aproximar de o Harry . Coradíssimo com a ideia de receber um cartão de S._Valentim diante_de uma fila de alunos de o primeiro ano que , por acaso , incluía Ginny_Weasley , Harry tentou escapar se . Mas o duende cortou lhe o caminho através de a multidão e agarrou o em três tempos . - Tenho uma mensagem musical para entregar a Harry_Potter em pessoa - disse , tangendo a harpa de forma ameaçadora . - Aqui não - disse baixinho o Harry , tentando escapar . - Fica quieto - grunhiu o duende , agarrando o saco de o Harry e puxando com força . - Larga me - disse ele rispidamente , dando um puxão . Com um ruído de tecido a rasgar se , o saco dividiu se em dois . Os livros de Harry , varinha , pergaminho e pena espalharam se por o chão enquanto o tinteiro se partia em cima de as outras coisas . Harry pôs se de gatas , tentando apanhar tudo antes que o duende começasse a cantar , provocando um engarrafamento em o corredor . - O que se passa aqui ? - perguntou a voz fria e afectada de Draco_Malfoy . Harry , nervosíssimo , começou a guardar tudo dentro de o saco rasgado , desesperado para sair de ali antes que Malfoy pudesse ouvir o seu S._Valentim musical . - Que confusão é esta ? - disse outra voz familiar . Percy_Weasley tinha chegado . De cabeça perdida , Harry tentou fugir , mas o duende agarrou o por os joelhos e fê lo cair a o chão . - Certo - disse , sentando se em os tornozelos de Harry . Eis o teu cartão musical : * _ Os olhos de ele são verdes como o sapo de o quintal * _ O seu cabelo é escuro como um temporal * _ É um desatino , oh ! ele é divino ! * _ O herói que venceu o Senhor_do_Mal * . Harry teria dado todo o ouro de Gringotts para se evaporar em aquele momento . Tentando corajosamente rir se com todos os outros , levantou se . Sentia os pés dormentes de o peso de o duende . Enquanto isso , Percy_Weasley fazia todos os possíveis por dispersar a multidão onde havia gente que chorava de hilaridade . - Vamos embora , vamos embora , a campainha tocou há cinco minutos para as aulas - dizia , enxotando alguns de os alunos mais novos . - E tu , Malfoy . Harry olhou e viu Malfoy inclinar se , apanhar qualquer coisa e com um olhar maldoso mostrá a a Crabbe e Goyle . Percebeu que era o diário de Riddle . - Dá cá isso - exigiu com toda_a calma . - O que será que o Potter escreveu aqui ? - disse Malfoy que obviamente não reparara em a data e pensou que tinha em as mãos o diário de o Harry . Houve uma agitação em os presentes . Ginny olhava apavorada para o diário e para Harry . - Dá lhe isso , Malfoy - disse Percy com firmeza . - Depois de dar uma vista de olhos - retorquiu Malfoy , acenando a Harry com o diário de forma provocatória . Percy disse : - Como Prefeito de a escola ... - mas Harry perdera a paciência . Pegou em a varinha e gritou * _ Expelliarmus * e assim_como Snape desarmara Lockhart , MalLoy viu o diário saltar lhe de as mãos e elevar se em o ar enquanto Ron o apanhava sorridente . - Harry - disse Percy levantando a voz . - Não quero magia em os corredores . Vou ter de participar isto , sabes perfeitamente . Mas Harry não se importou . Tinha ganho uma_vez a Malfoy e isso valia bem cinco pontos a menos para os Gryffindor . Malfoy estava furioso e quando a Ginny passou por ele a caminho de a sala de aula , gritou lhe com desprezo : - Não creio que o Potter tenha gostado lá muito de o teu cartão de S._Valentim . Ginny tapou a cara e correu para a aula . Aborrecido , Ron pegou também em a varinha , mas Harry afastou o . Era melhor que ele não passasse a aula de encantamentos a vomitar lesmas . Só quando entraram em a sala de aula de o professor Flitwick é_que Harry reparou em uma coisa bastante estranha em o diário de Riddle . Todos os outros livros estavam cheios de tinta vermelha , mas o diário mantinha se tão limpo como antes de o tinteiro se ter entornado em cima de ele . Tentou chamar a atenção de Ron para este facto , mas ele estava novamente a ter um problema com a varinha : de a extremidade saíam grandes bolhas roxas e ele não parecia interessado em mais_nada . Em essa noite , Harry foi deitar se antes de os outros companheiros de dormitório , em parte porque já não conseguia suportar o Fred e o George a cantarem * _ Os seus olhos são verdes como o sapo de o quintal * e em parte porque queria voltar a examinar o diário de Riddle e sabia que em a opinião de o Ron era uma pura perda de tempo . Sentou se em a cama de dossel e folheou as páginas em branco em as quais não se via uma única mancha de tinta escarlate . Tirou então outro tinteiro de o armário a o lado de a cama , molhou a pena e deixou cair um borrão em a primeira página de o diário . A tinta brilhou em o papel durante um segundo e , em seguida , como_se a página a tivesse sugado , desapareceu sem deixar rasto . Depois , finalmente , algo aconteceu . Deslizando sobre a página em a cor de a sua tinta , surgiram palavras que Harry não escrevera . - * _ Olá_Harry_Potter . O meu nome é Tom_Riddle . Como é_que encontraste o meu diário ? * Também estas palavras desapareceram , mas não sem que Harry tivesse respondido . - Alguém tentou lançá o em uma sanita . Esperou ansiosamente por a resposta de Riddle . - * _ Felizmente guardei as minhas memórias de uma forma mais duradoura do_que a tinta . Mas sempre soube que haveria quem não iria querer que o diário fosse lido . * - O que queres dizer com isso ? - escrevinhou Harry , borrando a página com o nervosismo . - * _ Quero dizer que este diário contém memórias de coisas terríveis . Coisas que foram abafadas . Coisas que aconteceram em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . * - É onde eu estou agora - escreveu Harry rapidamente . - Estou em Hogwarts e estão a acontecer coisas horríveis . Sabes alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? O coração parecia querer saltar lhe de o peito . A resposta de Riddle não se fez esperar , a letra tornara se mais desordenada como_se tivesse pressa em contar lhe tudo_o_que sabia . - * _ É claro que sei de a Câmara_dos_Segredos . Em o meu tempo diziam nos que era uma lenda , que não existia , mas era mentira . Quando eu estava em o quinto ano a Câmara_dos_Segredos foi aberta e o monstro atacou vários estudantes , acabando matar um . Eu apanhei a pessoa que abriu a câmara e ele foi expulso . Mas o director , o professor Dippet , envergonhado por uma coisa de aquelas ter acontecido em Hogwarts , proibiu me de contar a verdade . Foi divulgada uma história dizendo que a rapariga morrera de um acidente extravagante . Deram me um troféu brilhante com o meu nome gravado e avisaram me para ficar calado . Mas eu sabia que ia voltar a acontecer . O monstro sobreviveu e aquele que tinha o poder para o libertar não foi para a prisão . * Harry quase entornou o tinteiro em a pressa de responder . - Está a acontecer outra_vez . Houve três ataques e ninguém parece saber quem está por_detrás_de tudo_isto . Quem foi de a última vez ? - * _ Posso mostrar te , se quiseres * - foi a resposta de o Riddle . - * _ Não tens de acreditar só em a minha palavra . Posso levar te a o fundo de a minha memória de a noite em que o apanhei . * Harry hesitou com a pena em o ar sobre o diário . O que quereria ele dizer ? Como poderia entrar em a memória de outra pessoa ? Olhou inquieto para a porta de o dormitório que começava a ficar escuro . Quando pôs de_novo os olhos em o diário viu as palavras que se formavam . - * _ Deixa-me mostrar te . * Harry parou durante uma fracção de segundo e depois escreveu duas letras . - O. _ K._As páginas de o diário começaram a esvoaçar como_se tivessem sido apanhadas em uma ventania , parando a meio de o mês_de_Junho . Boquiaberto , Harry viu que o quadradinho de 13_de_Junho se transformara em um pequeno ecrã de televisão . Com as mãos ligeiramente trémulas levantou o livro para encostar os olhos a a janelinha e antes de perceber o que estava a passar se , deu consigo inclinado para a frente com a janela a abrir se . O corpo abandonava a cama e era lançado de cabeça , por a abertura de a página , em um turbilhão de cor e sombras . Sentiu os pés tocarem em terra firme e pôs se de pé a tremer enquanto as formas desfocadas se tornavam subitamente nítidas . Soube imediatamente onde estava . Aquela sala circular com os retratos adormecidos era o escritório de Dumbledore , mas não era Dumbledore quem estava atrás de a secretária . Um feiticeiro mirrado , de aspecto débil e quase careca lia uma carta a a luz de as velas . Harry nunca vira aquele homem antes . - Desculpe - disse com a voz a tremer . - Eu não queria intrometer me ... Mas o feiticeiro não olhou . Continuou a ler , franzindo levemente as sobrancelhas . Harry aproximou se de a secretária e gaguejou : - Er ... eu vou me embora , está bem ? E o feiticeiro continuou a ignorá o . Parecia nem_sequer ter ouvido . Pensando que talvez ele fosse surdo , Harry falou mais alto . - Desculpe tê o incomodado - disse quase a gritar . O feiticeiro dobrou a carta com um suspiro . Pôs se de pé , passou por Harry sem olhar para ele e foi abrir os cortinados de a janela . O céu , lá fora , estava vermelho-rubi . Devia ser o pôr de o Sol . O feiticeiro voltou para a secretária , sentou se e girou os polegares , olhando para a porta . Harry olhou em volta . Não viu Fawkes , a fénix , nem as engenhocas prateadas que sibilavam . Aquela Hogwarts era a que Riddle conhecera e , portanto , aquele feiticeiro desconhecido era o director de então , não Dumbledore e ele , Harry , era pouco mais que um fantasma , totalmente invisível a as pessoas de há cinquenta anos atrás . Alguém bateu a a porta . - Entre - disse o velho feiticeiro , em uma voz fraca . Um rapazinho de dezasseis anos entrou , tirando o chapéu pontiagudo . Em o seu peito brilhava um distintivo prateado de prefeito . Era muito mais alto do_que Harry , mas tinha , tal_como ele , cabelo preto asa de corvo . - Ah ! Riddle - disse o director . - Queria falar comigo , professor Dippet ? - perguntou ele com ar nervoso . - Senta te - disse Dippet . - Tenho estado a ler a carta que me mandaste . - Oh ! - exclamou Riddle , sentando se e apertando as mãos uma contra a outra . - Meu rapaz - disse Dippet amavelmente . - Eu não posso deixar te ficar em a escola durante o Verão . Com certeza queres ir para_casa em as férias ? - Não - respondeu Riddle , sem perder tempo . - Prefiro mil vezes ficar em Hogwarts a ter de voltar a aquela ... aquela ... - Tu vives em um orfanato de Muggles durante as férias , não é assim ? - perguntou Dippet com curiosidade . - Sim senhor - disse Riddle , corando um_pouco . - És filho de Muggles ? - Meio sangue , professor - explicou Riddle . - Pai_Muggle , mãe bruxa . - E o teu pai e a tua mãe ... - A minha mãe morreu pouco depois de eu nascer , professor , contaram me em o orfanato que só teve tempo de me dar o nome : Tom , como o meu pai , Marvolo como o meu avô . Dippet estalou a língua solidariamente . - O que acontece , Tom - suspirou - é_que ... podia ter se arranjado uma situação especial para ti , mas em as circunstâncias actuais ... - Refere se a os ataques , professor ? - perguntou Riddle e o coração de Harry deu um salto , aproximando se com medo de perder alguma coisa . - Precisamente - disse o director . - Meu rapaz , compreendes que seria uma imprudência de a minha parte deixar te ficar em o castelo quando o período acabar , principalmente a a luz de a recente tragédia ... a morte de aquela pobre moça ... estarás sem dúvida em maior segurança em o orfanato . Em a verdade , o ministro de a magia até fala em fechar a escola . Não estamos nada perto_de localizar ... er ... a fonte de toda esta história desagradável . Os olhos de Riddle tinham se aberto mais . - Professor , se essa pessoa fosse apanhada ... se tudo acabasse . . . - Que queres dizer com isso ? - perguntou Dippet com voz aguda , endireitando se em a cadeira . - Riddle , tu sabes alguma coisa sobre estes ataques ? - Não senhor - respondeu ele de imediato . Mas Harry sabia que era o mesmo tipo de « não » que ele dissera a Dumbledore . Dippet afundou se de_novo com um ar de profundo desapontamento . - Podes ir , Tom . Riddle esgueirou se de a cadeira e saiu de a sala . Harry seguiu o . Desceram por a escada em espiral , saindo junto de a gárgula em o corredor que escurecia . Riddle parou e Harry fez o mesmo , olhando para ele . Quase podia apostar que ele pensava seriamente em alguma coisa . Mordia o lábio e tinha as sobrancelhas franzidas . A certa altura , como_se tivesse acabado de tomar uma decisão , começou a andar mais depressa com Harry a segui o ruidosamente . Não viram mais ninguém , a não ser quando chegaram a o * hall * de entrada onde um feiticeiro alto de longos cabelos ruivos e barba chamou Riddle de a escadaria de mármore . - O que andas a fazer por aqui tão tarde , Tom ? Harry olhou para o feiticeiro . Não era outro senão Dumbledore com cinquenta anos a menos . - Tive de ir falar com o director - justificou se Riddle . - Bem , agora vai depressa para a cama - disse Dumbledore , olhando Riddle com aquele olhar penetrante que Harry conhecia tão bem . - É melhor não andar a passear por os corredores em os dias que correm , pelo_menos até ... Suspirou profundamente , deu as boas-noites a o Riddle e foi se embora . Riddle viu o desaparecer e , sem perder tempo , desceu os degraus de pedra até a os calabouços com Harry em a peugada . Mas para seu grande desconsolo , Riddle não o conduziu a nenhum corredor ou túnel secreto e sim a o calabouço onde ele costumava ter aulas de poções com o Snape . As tochas não tinham sido acesas e quando Riddle empurrou a porta quase fechada , Harry só conseguiu vê o a ele , de pé , quieto junto de a porta , olhando para o corredor . Pareceu a Harry que ficaram ali quase uma hora . Tudo_o_que via era a silhueta de Riddle junto de a porta , olhando fixamente através de a greta , a a espera . Como_se fosse uma estátua . E quando Harry tinha abandonado todas_as expectativas e começava a desejar voltar a o presente , ouviu alguma coisa que se movia atrás de a porta . Alguém avançava lentamente por o corredor . Ouviu a pessoa , quem quer que fosse , passar por o calabouço onde ele e Riddle estavam escondidos . Riddle , silencioso como uma sombra , esgueirou se por a porta e seguiu o com Harry em bicos de pés atrás de ele , esquecido de que podia fazer barulho a a vontade porque ninguém o ouvia . Durante cerca de cinco minutos seguiram lhe os passos até que Riddle parou repentinamente com a cabeça inclinada em a direcção de novos ruídos . Harry ouviu uma porta a abrir se e em seguida alguém falou em um murmúrio rouco . - Vá lá , temos que sair de aqui ... vá lá , dentro de a caixa ... Havia algo de familiar em aquela voz . Riddle deu subitamente uma volta e Harry seguiu o . Podia ver a silhueta escura de um rapaz enorme que estava inclinado em frente de a porta aberta , com uma grande caixa a o lado . - Boa noite , Rubeus - disse Riddle secamente . O rapaz fechou a porta e pôs se de pé . - O que estás a fazer aqui , Tom ? Riddle aproximou se . - Acabou se - disse . - Vou ter de entregar te , Rubeus . Falam em fechar Hogwarts se os ataques não terminarem . - O que é_que tu ... ? - Eu acho que tu não quiseste matar ninguém , mas os monstros não são os melhores animais domésticos . Tu só quiseste deixá o sair para andar um_pouco e ... - Ele não matou ninguém - disse o rapaz grande , recuando contra a porta fechada . Lá de dentro vinham uns estranhos roncos e rugidos . - Vamos , Rubeus - disse Riddle , aproximando se mais ainda . - Os pais de a rapariga que morreu estarão aqui amanhã . O mínimo que Hogwarts pode fazer é assegurar lhes que aquilo que matou a filha de eles foi abatido ... - Não foi ele - gemeu o rapaz cuja voz ecoou em o corredor escuro . - Ele não faria isso ... ele nunca ... - Afasta te - disse Riddle , pegando em a varinha . O encantamento iluminou o corredor com uma luz brilhante . A porta atrás de o rapaz grande abriu se de par em par com tanta força que o atirou contra a parede . E de lá de dentro saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito que ninguém mais ouviu a não ser ele próprio . Tinha um corpo imenso , magro e peludo e um emaranhado de pernas pretas , a cintilação de muitos olhos e um par de tenazes afiadas . Riddle levantou de_novo a varinha , mas era tarde de mais . A coisa deixara o atarantado e corria apressadamente , precipitando se por o corredor e desaparecendo . Riddle pôs se de pé , olhou a a procura de o monstro , levantou a varinha , mas o rapaz grande saltou sobre ele , tirou lhe a varinha de as mãos e lançou o a o chão , gritando : - Naaaaaão ! A cena rodopiou . A escuridão tornou se total . Harry sentiu se a cair e com um embate aterrou como uma águia de patas e asas abertas em a sua cama de dossel , em o dormitório de os Gryffindor , o diário de Riddle aberto sobre o estômago . Antes de ter tido tempo de normalizar a respiração , a porta de o dormitório abriu se e o Ron entrou . - Aí estás tu - disse . Harry sentou se . Transpirava e tremia . - O que se passa ? - perguntou Ron , olhando aflito para ele . - Foi o Hagrid , Ron . O Hagrid abriu a Câmara_dos_Segredos há cinquenta anos atrás . XIV_Cornelius_Fudge_Harry , Ron e Hermione sabiam há muito_tempo que Hagrid tinha uma triste predilecção por criaturas grandes e monstruosas . Em o primeiro ano que passaram em Hogwarts , ele tentara criar um dragão em a sua pequena cabana de madeira e levaram muito_tempo a esquecer o gigantesco cão de três cabeças que ele baptizara de « fofinho » . E se , em rapaz , Hagrid tinha ouvido dizer que havia um monstro escondido em o castelo , Harry tinha a certeza que ele teria feito os impossíveis por descobri o . Provavelmente achou que era uma injustiça o monstro estar fechado tanto tempo e pensou que ele merecia a oportunidade de esticar as suas muitas pernas . Harry imaginava perfeitamente o Hagrid a os treze anos a tentar pôr uma coleira e uma trela a o monstro . Mas tinha igualmente a certeza de que ele nunca teria querido matar ninguém . De certo modo , Harry desejava não ter descoberto como utilizar o diário de Riddle . Ron e Hermione fizeram o contar repetidas vezes o que vira até ele ficar farto de repetir o mesmo e farto de a conversa circular que se seguia . - O Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse , de essa vez , Hermione . - O monstro que atacava as pessoas podia ser outro .... - Quantos monstros achas tu que pode haver em este lugar ? - perguntou o Ron aborrecido . - Sempre soubemos que o Hagrid tinha sido expulso - disse Harry tristemente - E os ataques devem ter terminado quando ele foi expulso . Se não fosse assim , Riddle não teria recebido um prémio . Ron tentou um caminho diferente . - O Riddle parece o Percy , quem lhe pediu afinal que deitasse abaixo o Hagrid ? - Mas o monstro tinha morto uma pessoa , Ron - insistiu Hermione . - E o Riddle ia ter de voltar para um orfanato Muggle se Hogwarts fosse fechada - disse Harry . - Não posso culpá o por querer ficar aqui ... Ron mordeu o lábio e a seguir sugeriu : - Tu encontraste o Hagrid em a Rua * _ Bativolta * , não foi ? - Ele estava a comprar repelente para lesmas - disse Harry rapidamente . Ficaram os três em silêncio . Depois de uma longa pausa , Hermione , em uma voz hesitante , formulou a pergunta mais complicada de todas : - Não acham que devíamos ir ter com ele e perguntar lhe ? - Essa seria uma visita simpática - disse o Ron . - Olá , Hagrid , diz nos uma coisa , soltaste por acaso alguma coisa louca e peluda por o castelo em estes últimos tempos ? Por fim , decidiram não dizer nada a o Hagrid a_não_ser_que houvesse outro ataque e à_medida_que passava mais tempo sem murmúrios de a voz sem corpo começaram a acreditar , esperançosos , que nunca mais teriam de falar sobre o motivo por_que fora expulso . Tinham passado já quase quatro meses desde o dia em que o Justin e o Nick quase sem cabeça tinham sido petrificados e quase toda_a_gente parecia pensar que o atacante , quem quer que ele fosse , se retirara para sempre . Peeves fartara se de a sua canção * _ Oh_Potter , seu bandido * , Ernie_Mcmillan pediu educadamente a o Harry , em a aula de herbologia , que lhe passasse um balde de cogumelos saltitantes e , em Março , várias mandrágoras deram uma festa ruidosa e roufenha em a estufa número três . A professora Sprout estava muito satisfeita . - Mal elas comecem a tentar mover se para os vasos umas de as outras , saberemos que estão maduras - disse ela a o Harry . - Nessa_altura poderemos reanimar aquelas pobres criaturas que estão em a ala hospitalar . Os alunos de o segundo ano tinham agora uma coisa nova em que pensar durante as férias de a Páscoa . Chegara a altura de escolherem as matérias de o terceiro ano , um assunto que Hermione , pelo_menos , tomou muito a sério . - Pode afectar todo o nosso futuro - disse a o Harry e a o Ron a o vê os ler cuidadosamente as listas de as novas matérias e pôr um V em frente de cada uma . - Eu só quero ver me livre de as poções - disse Harry . - Não podemos - explicou Ron tristemente . - Mantemos todas_as matérias antigas ou eu teria me livrado de a Defesa contra as artes negras . - Mas é muito importante - disse Hermione chocada . - Não de a maneira como Lockhart a dá - insistiu Ron . - Não aprendi nada até agora a não ser a nunca mais libertar duendes . Neville_Longbottom recebera cartas de todas_as bruxas e feiticeiros de a família , cada_um dando um conselho diferente sobre o que ele deveria escolher . Confuso e preocupado , sentou se a ler a lista de matérias , dando estalinhos com a língua e perguntando a as pessoas se achavam que a aritmancia seria mais difícil do_que o estudo de as runas em a Antiguidade . Dean_Thomas que , tal_como Harry , fora criado com Muggles , acabou por fechar os olhos e atirar a varinha contra a lista , escolhendo as matérias onde ela aterrava . Hermione não pediu conselho a ninguém e inscreveu se em todas . Harry sorriu de si para consigo imaginando como seria uma conversa com o tio Vernon e com a tia Petúnia sobre a sua carreira em feitiçaria . Não que não tivesse tido orientação : Percy_Weasley estava ansioso por partilhar a sua experiência . - Tudo depende de o lugar para_onde queres ir , Harry - disse ele . - Nunca é cedo de mais para pensar em o futuro , por isso eu aconselho te a adivinhação . As pessoas dizem que os estudos de Muggles são uma opção leve mas eu , pessoalmente , acho que os feiticeiros deveriam ter uma compreensão profunda de a comunidade não mágica , muito especialmente se pensarem em trabalhar em íntimo contacto com eles . Vê o meu pai que tem de lidar com assuntos de os Muggles a_toda_a hora . O meu irmão Charles foi sempre mais um tipo de o exterior , por isso foi para o Centro_de_Cuidados com as Criaturas_Mágicas . Segue os teus sentimentos , Harry . Mas a única coisa em que Harry sentia que era mesmo bom era o Quidditch . Por fim , acabou por escolher as mesmas matérias que o Ron escolhera , pensando que se fosse péssimo em elas pelo_menos tinha alguém amigo para o ajudar . O próximo jogo de Quidditch_dos_Gryffindor era contra os Hufflepuff . Wood insistia em treinos de equipa todas_as noites depois de jantar , por isso Harry não tinha tempo para mais_nada a não ser para o Quidditch e para os trabalhos de casa . Mas as sessões de treino estavam a melhorar ou pelo_menos estavam mais secas e em a véspera de o jogo de sábado ele foi a o dormitório guardar a vassoura , sentindo que as hipóteses de os Gryffindor ganharem a taça de Quidditch nunca tinham sido tão boas . Mas a sua boa disposição não durou muito . Em o cimo de as escadas que levavam a o dormitório encontrou o Neville_Longbottom nervosíssimo . - Harry , não sei quem fez aquilo , eu fui encontrar ... Olhando receoso para Harry , Neville empurrou a porta . O conteúdo de a mala de Harry fora espalhado por toda_a divisão . O seu manto estava em o chão rasgado . A roupa de cama tinha sido puxada de a cama de dossel e a gaveta de o armário que se encontrava a a cabeceira de a cama fora arrancada , estando o seu conteúdo espalhado sobre o colchão . Harry aproximou se de a cama boquiaberto , pisando algumas páginas soltas de * _ Viagens com Duendes * . Quando ele e Neville estavam a puxar os cobertores para_cima , entraram o Ron e o Dean_Seamas . Dean praguejou alto . - O que é isto , Harry ? - Não faço ideia - disse ele . Mas o Ron estava a examinar as vestes de Harry e todos os bolsos estavam de o avesso . - Alguém andou a a procura de qualquer coisa - disse o Ron . - Dás por falta de alguma coisa ? Harry começou a apanhar o que estava caído , lançando tudo dentro de a mala . Só quando atirou o último livro de Lockhart é_que se apercebeu do_que faltava . - O diário de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a o Ron . - O quê ? Harry fez lhe sinal em direcção a a porta de o dormitório e apressaram se a chegar a a sala comum de os Gryffindor que estava quase vazia e onde foram encontrar Hermione sozinha a ler * _ As_Runas_Antigas a o Alcance_de_Todos * . Hermione ficou aterrada com as notícias . - Mas ... só um Gryffindor podia tê o roubado ... ninguém mais conhece a nossa senha ... - Exactamente - disse Harry . Acordaram em o dia seguinte com um sol brilhante e uma brisa agradável . - Condições ideais para o Quidditch ! - exclamou Wood , cheio de entusiasmo , a a mesa de os Gryffindor , enchendo os pratos de os elementos de a sua equipa de ovos mexidos . - Harry , anima te , precisas de um pequeno-almoço decente . Harry tinha estado a olhar para a mesa cheia de alunos de os Gryffindor , perguntando a si próprio se o novo dono de o diário de Riddle estaria ali mesmo em frente de os seus olhos . Hermione insistira para que ele participasse o roubo mas ele não gostou de a ideia . Teria de contar a um professor tudo sobre o diário , e quantas pessoas saberiam o motivo por_que Hagrid fora expulso há cinquenta anos ? Não queria ser ele a fazer com que relembrassem tudo aquilo . Quando saiu de o salão com o Ron e a Hermione para ir buscar o material de Quidditch , outra preocupação viera juntar se a a sua lista cada_vez maior . Tinha acabado de pisar os degraus de a escadaria de mármore quando ouviu de_novo a voz : - * _ Matar desta_vez ... deixem me rasgar ... romper * ... Deu um grito e Ron e Hermione saltaram alarmados . - A voz - disse Harry , olhando por cima de os ombros de eles . - Acabo de a ouvir de_novo , vocês não ouviram nada ? Ron abanou a cabeça de olhos muito abertos Mas_Hermione bateu com a mão em a testa . - Harry , acho que percebi uma coisa . Tenho que ir a a biblioteca . E disparou a correr por as escadas acima . - O que é_que ela percebeu ? - disse Harry distraidamente , ainda a olhar em volta , tentando determinar de onde vinha a voz . - Mas porque teve ela que ir a a biblioteca ? - Porque a Hermione é assim - disse o Ron , encolhendo os ombros - Quando tem uma dúvida , vai a a biblioteca . Harry manteve se hesitante , tentando captar novamente a voz mas as pessoas começavam a sair de o salão , falando alto , passando por a porta principal e encaminhando se para o estádio de Quidditch . - É melhor ires indo - aconselhou Ron . - São quase onze horas , olha o jogo . Harry deu uma corrida até a a torre de os Gryffindor , pegou em a sua Nimbus dois_mil e juntou se a a vasta multidão que enchia os campos , mas o seu pensamento estava ainda em o castelo , em aquela voz sem corpo e quando pôs as roupas vermelhas , o seu único conforto foi pensar que estavam todos lá fora para assistir a o jogo . As equipas entraram em campo a o som de um tumulto de aplausos . Oliver_Wood fez um voo de aquecimento em volta de os postes , Madam_Hooch soltou as bolas . Os Hufflepuff que tinham fatos amarelo-canário estavam reunidos em grupo em uma discussão de última hora sobre as tácticas . Harry subia para a vassoura quando a professora Mc_Gonagall atravessou o campo , meio a andar , meio a correr , transportando um enorme megafone roxo . O coração de Harry caiu lhe a os pés . - Este jogo foi cancelado - gritou por o megafone a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a o estádio apinhado . Ouviram se Uuuus e assobios . Oliver_Wood , com um ar infelicíssimo , aterrou e correu para a professora McGonagall sem sair de a vassoura . - Mas , professora - gritou - temos de jogar ... a taça ... os Gryffindor ... A professora Mc_Gonagall ignorou o e continuou a gritar por o megafone . - Pede se a os estudantes que regressem a as salas comuns de as respectivas equipas onde os chefes de equipa lhes darão mais informações . O mais depressa possível , se fazem favor ! Em seguida , baixou o megafone e fez sinal a o Harry para que se aproximasse . - Potter , é melhor vires comigo ... Perguntando a si próprio que suspeita poderia ela ter contra ele , desta_vez , Harry viu Ron desligar se de a multidão discordante e vir a correr juntar se lhes , enquanto eles se dirigiam para o castelo . Para sua grande surpresa Mc_Gonagall não pôs qualquer objecção . - Sim , talvez seja melhor vires também , Weasley . Alguns de os estudantes que os rodeavam reclamavam por o jogo ter sido cancelado , outros tinham um ar preocupado . Harry e Ron seguiram a professora Mc_Gonagall de volta a a escola e através de a escadaria de pedra . Mas desta_vez não foram levados a nenhum escritório . - Isto vai chocar vos um_pouco - disse a professora Mc_Gonagall em um tom de voz surpreendentemente suave quando estavam a aproximar se de a ala hospitalar . - Houve outro ataque ... outro ataque duplo . As vísceras de o Harry deram um salto mortal . A professora Mc_Gonagall abriu a porta e ele e Ron entraram . Madam_Pomfrey estava inclinada sobre uma rapariga de o quinto ano de cabelos longos a os caracóis que Harry reconheceu como sendo a colega de os Ravenclaw a quem , por engano , tinham perguntado o caminho para a sala comum de os Slytherin . E , em a cama a o lado de ela , estava ... - Hermione - gemeu o Ron . Hermione jazia totalmente quieta , os olhos abertos e vítreos . - Foram encontradas perto de a biblioteca - disse a professora Mc_Gonagall . - Calculo que nenhum de vocês possa explicar isto ? Estava em o chão , junto de ela . A professora tinha em as mãos um pequeno espelho redondo . Harry e Ron acenaram negativamente com as cabeças , ambos com os olhos fixos em Hermione . - Eu acompanho vos a a torre de os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall pesadamente . - De qualquer modo tenho de falar com os alunos . - Os alunos regressarão a as salas comuns de as respectivas equipas , todos_os_dias , a as seis_horas_da_tarde . Nenhum aluno deverá sair de os dormitórios depois de isso . Serão escoltados até a as aulas por um professor . Nenhum aluno deverá ir a a casa_de_banho sem um professor a acompanhá o . Todos os treinos e jogos de Quidditch estão suspensos a_partir_de agora . Não haverá mais actividades nocturnas . Os Gryffindor , que enchiam a sala comum , ouviram em silêncio a professora Mc_Gonagall . Ela enrolou o pergaminho que acabara de ler e disse em uma voz algo chocada : - Não é preciso acrescentar que nunca me senti tão desolada . É provável que a escola seja encerrada se não for apanhado o culpado de todos estes ataques . Quero pedir que se algum de vocês achar que sabe alguma coisa sobre eles venha imediatamente ter comigo . Mal ela subiu , de forma um_pouco desastrada , por o buraco de o retrato , os Gryffindor começaram logo a falar . - São dois Gryffindor a menos , sem contar com o fantasma de os Gryffindor , um Ravenclaw e um Hufflepuff - disse o amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , contando por os dedos . - Não terá nenhum de os professores reparado que os Slytherin estão a salvo ? Será que não é óbvio que tudo_isto vem de eles ? O herdeiro de Slytherin , o monstro de Slytherin , porque não expulsam todos os Slytherin ? - resmungou , recebendo acenos e aplausos de todos os lados . Percy_Weasley estava sentado em uma cadeira atrás_de Lee , mas por uma_vez não pareceu querer expor os seus pontos de vista . Estava pálido e aturdido . - O Percy está em estado de choque - disse o George baixinho a o Harry . - Aquela rapariga de os Ravenclaw , Penelope_Clearwater , é prefeita . Acho que ele nunca tinha pensado que o monstro pudesse atacar um prefeito . Mas Harry não estava a ouvi o com atenção . Não conseguia esquecer a imagem de Hermione deitada em a cama de o hospital , como_se estivesse esculpida em pedra . E se o culpado não fosse apanhado rapidamente tinha em a frente uma vida inteira com os Dursley . Tom_Riddle entregara o Hagrid porque fora confrontado com a possibilidade de um orfanato Muggle se a escola fechasse . Harry sabia exactamente o que ele sentira . - Que vamos nós fazer ? - disse lhe o Ron baixinho a o ouvido . - Achas que eles suspeitam de o Hagrid ? - Temos de falar com ele - disse Harry , tomando uma decisão . - Não acredito que tenha culpa desta_vez , mas se ele libertou o monstro há cinquenta anos , sabe com certeza como entrar em a Câmara_dos_Segredos , o que já é um princípio . - Mas a Gonagall disse que temos que ficar em a torre a_não_ser_que estejamos em as aulas ... - Eu acho - disse Harry ainda mais baixo - que chegou a altura de tirar outra_vez de a mala o manto de o meu pai . Harry herdara apenas uma coisa de o pai : o enorme manto prateado de a invisibilidade . Era a única maneira de poderem esgueirar se de a escola para fazer uma visita a o Hagrid , sem que ninguém de esse por isso . Deitaram se a a hora de o costume , esperaram que o Neville , o Dean e o Seamas adormecessem para se levantarem , vestirem se de_novo e taparem se com o manto . A viagem por os corredores de o castelo escuro e deserto não era nada agradável . Harry que vagueara por ali muitas_vezes durante a noite nunca vira tanta gente depois de o pôr de o Sol . Professores , prefeitos e fantasmas andavam por os corredores a os pares , olhando em volta , em busca de qualquer actividade fora de o habitual . O manto de a invisibilidade não impedia que fizessem barulho e houve um momento particularmente tenso em que o Ron deu uma topada a menos_de um metro de o lugar onde Snape se encontrava . Felizmente Snape espirrou em o preciso momento em que o Ron praguejava . Foi com grande alívio que chegaram a as portas de carvalho de a entrada principal . Estava uma noite clara e cheia de estrelas . Dirigiram se apressadamente para as janelas iluminadas de a casa de Hagrid e só tiraram o manto mesmo em frente de a porta . Poucos segundos depois de terem batido abriu se a porta . Ficaram frente_a_frente com Hagrid que lhes apontou uma besta enquanto Fang , o cão caçador de javalis , ladrava furiosamente atrás de ele . - Oh ! - disse , baixando a arma quando viu que eram eles . - O que estão vocês a fazer aqui ? - Para que é isso ? - perguntou Harry , apontando para a besta , enquanto entrava . - Nada , não é nada - murmurou Hagrid . - Tenho estado a a espera ... não tem importância , sentem se que eu vou fazer um chá . Dava a impressão de não saber o que fazia . Quase apagou a lareira , vertendo a água de a chaleira em o lume e em seguida esmagou o bule com um gesto de a sua mão maciça . - Estás bem , Hagrid ? - perguntou Harry . - Soubeste de a Hermione ? - Soube , sim - disse ele com um leve tremor em a voz . Continuava a olhar nervosamente para as janelas . Deu lhe os duas grandes canecas de água a ferver ( esquecera se de juntar o chá ) e estava a acabar de pôr em um prato uma fatia grossa de bolo de frutas quando alguém bateu energicamente a a porta . Hagrid deixou cair o bolo . Harry e Ron trocaram entre si olhares de pânico e , em seguida , cobriram se com o manto de a invisibilidade e esconderam se em um canto . Hagrid assegurou se de que eles estavam bem escondidos , pegou em a besta e abriu , mais_uma_vez , a porta . - Boa noite , Hagrid . Era_Dumbledore . Entrou com um ar muito sério , seguido de um homem bizarro . O estranho era um homenzinho pequenino , de porte majestoso com cabelos grisalhos desalinhados e uma expressão de ansiedade em o rosto . Usava uma inesperada mistura de roupas . Um fato a as riscas , uma gravata vermelho escarlate , um longo manto negro e umas botas roxas pontiagudas . Debaixo de o braço trazia um chapéu de coco verde lima . -- É o patrão de o meu pai - murmurou o Ron . Cornelius_Fudge , o ministro de a magia ! Harry deu lhe uma valente cotovelada para o fazer calar se . Hagrid tinha ficado suado e pálido . Deixou se cair em uma de as cadeiras e olhava de Dumbledore_para_Cornelius_Fudge . - Más notícias , Hagrid - disse Fudge em um tom bastante grave . - Muito más notícias . Tive de vir . Quatro ataques a filhos de Muggles , as coisas foram longe_de mais . O ministério tem que tomar uma atitude . - Eu nunca ... - disse Hagrid , parecendo implorar a Dumbledore . - O senhor sabe que eu nunca ... professor Dumbledore , o senhor ... - Quero que fique claro , Cornelius , que Hagrid tem a minha total confiança - afirmou Dumbledore , franzindo as sobrancelhas . - Olha , Albus - disse Fudge pouco a a vontade - a ficha de o Hagrid depõe contra ele . O ministério tem de fazer alguma coisa , o Conselho_Directivo de a escola tem se reunido ... - Mesmo_assim , Cornelius , devo dizer te mais_uma_vez que levar o Hagrid de aqui não vai ajudar em nada - afirmou Dumbledore com os olhos azuis com um fogo que Harry nunca vira antes . - Tenta compreender o meu ponto de vista - insistiu Fudge , brincando com o chapéu . - Estou a ser tremendamente pressionado , tenho de mostrar que faço alguma coisa . Se se provar que não foi o Hagrid , ele voltará e não se fala mais em o assunto . Mas tenho de levá o , tem de ser , não estaria a cumprir a minha obrigação se ... - Levar me ? - perguntou Hagrid a tremer . - Levar me para_onde ? - É uma pena curta - disse Fudge , sem o olhar em os olhos . - Não é um castigo , Hagrid , chamemos lhe antes uma precaução . Se mais alguém for apanhado , tu sais com todas_as nossas desculpas . - Não é para Azkaban ? - balbuciou Hagrid . Mas antes que Fudge tivesse tido tempo de responder , ouviu se bater mais_uma_vez a a porta . Dumbledore abriu . Foi a vez de Harry levar uma cotovelada em as costas : soltara um gemido audível . Mr._Lucius_Malfoy entrou em a cabana de o Hagrid embrulhado em uma longa capa preta de viagem , com um sorriso frio de satisfação . O Fang começou a rosnar . - Já está aqui , Fudge ? - disse de forma aprovadora . - Muito bem , muito bem ... - O que estás a fazer aqui ? - perguntou Hagrid furioso . - Sai imediatamente de a minha casa . - Meu bom homem , acredite que não tenho prazer nenhum em entrar em a sua ... er ... chamou lhe casa ? - disse Lucius_Malfoy , sorrindo sarcasticamente enquanto observava a pequena divisão . - Eu limitei me a ir a a escola e disseram me que o director estava aqui . - E o que queres de mim , Lucius ? - perguntou Dumbledore . O seu tom de voz era educado mas em os olhos azuis brilhava ainda o mesmo fogo . - Uma notícia horrível , Dumbledore - disse Mr._Malfoy de forma arrastada , pegando em um grande rolo de pergaminho . - Mas os membros de o conselho pensam que é altura de tu saíres . Isto_é uma ordem de suspensão , tens aí doze assinaturas . Lamento muito mas em a nossa opinião estás a perder a firmeza . Quantos ataques houve até agora ? Mais dois hoje a a tarde , não foi ? A este ritmo vão acabar todos os filhos de Muggles em Hogwarts e todos sabemos que seria uma terrível perda para a escola . - O que é isso , Lucius ? - protestou Fudge com ar alarmado . - O Dumbledore suspenso não ... não , seria a última coisa que desejaríamos em este momento ... - A nomeação ou suspensão , de o director é de a competência de os membros de o Conselho_Directivo , Fudge - disse suavemente Mr._Malfoy . - E como Dumbledore não foi capaz de pôr cobro a estes ataques ... - Oh ! Lucius , se Dumbledore não conseguiu - disse Fudge com o lábio superior a suar . - Quem irá conseguir ? - Isso está para se ver - disse Mr._Malfoy com um sorriso mesquinho . - Mas como os doze votamos ... Hagrid pôs se de pé em um salto , o cabelo preto hirsuto a roçar em o tecto . - E quantos tiveste de chantajar para concordarem contigo , Malfoy ? - Meu caro Hagrid , sabe que esse seu temperamento ainda acaba por lhe criar problemas um dia de estes - disse Mr._Malfoy . - Não o aconselho a gritar assim com os guardas de Azkaban . Eles não iriam gostar nada . - Não podes levar Dumbledore - gritou Hagrid , fazendo Fang , o cão caçador de javalis , agachar se e ganir em o seu cesto . - Sem ele , os filhos de os Muggles não têm qualquer hipótese . A seguir haverá mortes . - Acalma te , Hagrid - disse Dumbledore de forma cortante , olhando para Lucius_Malfoy . - Se os membros de o conselho querem substituir me , eu sairei , claro . - Mas - interrompeu Fudge . - Não - rosnou Hagrid . Dumbledore não tirara os seus olhos azuis brilhantes de os olhos cinzentos e frios de Lucius_Malfoy . - Contudo - disse , pronunciando cada palavra lenta e claramente para que nenhum de eles perdesse o seu sentido - verás que só deixarei verdadeiramente esta escola quando ninguém aqui me for leal . Descobrirás também que será sempre dada ajuda em Hogwarts a quem a pedir . Por um segundo , Harry teve quase a certeza de que os olhos de Dumbledore tremelaziram em direcção a o canto onde ele e Ron estavam escondidos . - Sentimentos admiráveis - disse Malfoy , fazendo uma vénia . - Todos nós vamos sentir a tua ... forma muito pessoal de fazer as coisas , Albus . Só espero que o teu sucessor consiga evitar qualquer ... crime . Dirigiu se a a porta de a cabana , abriu a e fez sinal a Dumbledore para que passasse a a sua frente . Fudge , mexendo nervosamente em o chapéu de coco , esperou que Hagrid fizesse o mesmo mas ele ficou quieto , respirou fundo e disse prudentemente : - Se alguém quiser descobrir alguma coisa , o que tem a fazer é seguir as aranhas . Elas indicarão o caminho , é tudo_o_que vos digo . Fudge olhou para ele espantado . - Está bem , eu vou - disse Hagrid , pegando em o seu sobretudo de pêlo de toupeira . Mas quando ia seguir o Fudge e sair por a porta , parou e disse em voz alta : - E alguém tem de dar de comer a o Fang enquanto eu não estiver cá . A porta fechou se ruidosamente e Ron tirou o manto de a invisibilidade . -- Estamos outra_vez em uma alhada - disse com voz rouca - Sem o Dumbledore podem fechar a escola já esta noite . Sem ele vai haver um ataque por dia . O Fang começou a ganir , arranhando a porta fechada . XV_Aragog_O_Verão insinuava se em os campos em volta de o castelo . O céu e o lago tinham se tornado de um azul-molusco e as flores , grandes como couves , começavam a florir em as estufas . Mas sem o Hagrid , que ele costumava avistar de o castelo , atravessando os campos com o Fang atrás , parecia a Harry que a paisagem não estava completa . Não era melhor dentro de o castelo onde tudo corria horrivelmente mal . O Harry e o Ron tinham tentado visitar a Hermione , mas as visitas a o hospital estavam proibidas . - Não vamos correr mais riscos - disse lhes Madam_Pomfrey com ar severo , através_de uma fresta de a porta de o hospital . Não , lamento , há muitas hipóteses de o atacante voltar para acabar de vez com estas pessoas ... Com Dumbledore longe , o medo espalhara se como nunca acontecera antes , de_tal_modo_que o sol que aquecia as paredes de o castelo por fora parecia parar junto de as janelas de pinázios . Não se via um único rosto em a escola que não andasse tenso e preocupado e qualquer gargalhada , em os corredores , se tornava incómoda e antinatural e era rapidamente abafada . Harry repetia constantemente , de si para consigo , as últimas palavras que ouvira a Dumbledore : - * _ Só terei verdadeiramente deixado esta escola quando ninguém me for leal ... será sempre dada ajuda , em Hogwarts , a quem a pedir * . Qual seria o significado exacto de aquelas palavras ? A quem deveria pedir ajuda quando todos estavam tão confusos assustados como ele ? A alusão de Hagrid a as aranhas era bastante mais fácil de entender . O problema era que parecia não ter restado uma única aranha em o castelo para eles a poderem seguir . Harry procurou por todo o lado com a ajuda relutante de o Ron . As coisas estavam dificultadas por o facto de não poderem andar sozinhos e terem de se deslocar em grupo dentro de o castelo , juntamente com outros Gryffindor . A maior parte de os alunos gostava de ser conduzida como carneiros de uma aula para a outra por os professores mas Harry achava horrível . Havia , contudo , uma pessoa que parecia apreciar aquela atmosfera de terror e suspeitas . Draco_Malfoy passeava empertigado por a escola como_se tivesse sido nomeado para chefe de turma . Harry só compreendeu o motivo de toda aquela boa disposição cerca de quinze_dias depois de Dumbledore e Hagrid se terem ido embora quando , em uma aula de poções , o ouviu falar com o Crabbe e o Goyle . - Sempre achei que seria o pai quem conseguiria livrar nos de o Dumbledore - disse sem a menor preocupação em baixar a voz . - Já vos disse , segundo ele , Dumbledore foi o pior director que a escola alguma vez teve . Talvez agora venha um director decente que não queira a Câmara_dos_Segredos fechada . A Mc_Gonagall não vai durar muito , está só a ... O Snape passou por Harry , sem fazer comentários a o caldeirão e a a cadeira vazia de Hermione . - Professor - disse Malfoy em voz alta . - Professor , porque não se candidata a o lugar de director ? - Ora , ora , Malfoy - respondeu Snape , sem conseguir esconder um meio sorriso . - O professor Dumbledore foi apenas suspenso por os membros de o conselho de direcção , certamente vai voltar um dia de estes . - Sim , claro - disse Malfoy com o seu sorriso escarninho . - Acho que se o professor quisesse candidatar se a o lugar teria o voto de o pai . Eu vou dizer lhe que o acho o melhor professor de a escola . Snape sorriu enquanto passeava de um lado para o outro em o calabouço , não tendo felizmente visto o Seamus_Finnigan que fingia vomitar para dentro de o caldeirão . - Estou espantado por ver que até agora os sangues de lama ainda não fizeram as malas e não desapareceram - prosseguiu Malfoy . - Aposto cinco galeões em como o próximo morre . Pena que não tenha sido a Granger ... A campainha tocou em esse momento o que foi uma sorte porque a o ouvir as últimas palavras de Malfoy , Ron deu um salto , mas em a barafunda de guardar os livros em os sacos , a sua tentativa de agarrar o Malfoy passou despercebida . - Deixem me - gritava o Ron enquanto o Harry e o Dean lhe agarravam os braços . - Não preciso de varinha , vou dar cabo de ele com as minhas mãos ... - Despachem se , tenho de conduzir vos a a aula de herbologia - praguejava o Snape acima de as cabeças de os alunos . E lá foram como cordeirinhos com Harry , Ron e Dean em a retaguarda , o Ron ainda a tentar libertar se . Só acharam seguro largá o quando Snape os deixou fora de o castelo e iniciaram o percurso por o meio de a horta em direcção a as estufas . A aula de herbologia estava reduzida . Tinha agora dois alunos a menos : Justin e Hermione . A professora Sprout pô os a trabalhar , podando as figueiras-da-abissínia . Harry foi despejar uma braçada de hastes secas em um monte de adubo e deu consigo cara a cara com Ernie_Mcmillan . Ernie respirou fundo . - Só quero dizer te , Harry que lamento ter suspeitado de ti . Sei que nunca atacarias a Hermione_Granger e peço te desculpa por todas_as coisas que disse . Estamos todos em o mesmo barco , agora e , bem ... Estendeu lhe uma mão rechonchuda que o Harry apertou . Ernie e a sua amiga Hannah foram trabalhar em a mesma figueira com o Harry e o Ron . - Aquele tipo , Draco_Malfoy - disse Ernie , partindo pequenos galhos - , parece muito satisfeito com isto tudo , não acham ? É bem possível que ele seja o herdeiro de Slytherin . - Uma observação inteligente de a tua parte - disse o Ron que parecia não ter desculpado Ernie tão facilmente como o Harry . - Acham que é ele ? - perguntou Ernie . - Não - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Hannah ficaram a olhar espantados . Um segundo depois , Harry avistou qualquer coisa que o levou a chamar a atenção de o Ron , batendo lhe em a mão com a tesoura de podar . - Au ... o que é_que tu ... ? Harry apontava para o chão , a poucos centímetros de distância . Várias aranhas grandes corriam precipitadamente por a terra fora . - Ah ! sim - disse o Ron , tentando , sem conseguir , mostrar se entusiasmado . - Mas não podemos seguis as agora ... Ernie e Hannah ouviam nos com curiosidade . Harry viu as aranhas desaparecerem . - Parecem ir em a direcção de a floresta proibida ... E o Ron ficou ainda mais infeliz a o ouvir aquilo . Em o final de a aula , o professor Snape acompanhou os alunos a a « Defesa contra as artes negras » . Harry e Ron foram atrás de os outros para poderem conversar sem serem ouvidos . - Temos de usar outra_vez o manto de a invisibilidade - disse Harry a o Ron . - Podemos levar connosco o Fang , ele está habituado a ir a a floresta com o Hagrid , pode ser uma boa ajuda . - Certo - disse o Ron , que fazia girar nervosamente a varinha em os dedos . - Er ... não costuma haver ... não costuma haver lobisomens em a floresta ? - acrescentou enquanto ocupavam os lugares de o costume em a aula de o Lockhart . Preferindo não responder a a pergunta , Harry disse : - Também há lá coisas boas . Os centauros são fixes e os unicórnios . Ron nunca estivera em a floresta proibida , Harry fora lá só uma_vez e desejara não ter de lá voltar . Lockhart deu um salto para dentro de a sala de aula e os alunos ficaram espantados a olhar para ele . Todos os outros professores andavam mais tristes do_que o habitual mas Lockhart parecia sentir se em as nuvens . - Então , então - exclamou , olhando em volta . - Porquê essas caras deprimidas ? Lançaram lhe olhares exasperados mas ninguém respondeu . - Não compreendem - disse , falando devagar como_se fossem todos um_pouco estúpidos - que o perigo já passou ? O culpado foi se embora . -- Quem disse ? - retorquiu Dean_Thomas em voz alta . -- Meu caro jovem , o ministro de a magia não teria levado Hagrid se não estivesse cem por_cento certo de que ele era o culpado - disse Lockhart como quem explica que um e um são dois . - Teria , sim - disse o Ron , em um tom de voz ainda mais alto do_que o de o Dean . - Eu julgo saber um_pouco mais sobre a prisão de o Hagrid do_que o senhor , Mr._Weasley - disse Lockhart com notória auto-satisfação . Ron começou a dizer que discordava mas foi interrompido por o Harry que lhe deu um forte pontapé por debaixo de a mesa . - Nós não estávamos lá , lembras te ? - murmurou . Mas a alegria revoltante de o Lockhart , as insinuações de que sempre tinha achado que o Hagrid não prestava , a sua certeza de que tudo aquilo estava a chegar a o fim , irritou Harry de tal maneira que teve vontade de lhe atirar as * _ Viagens com Vampiros * e de lhe acertar em aquela cara estúpida . Mas , em vez de isso , limitou se a escrevinhar um bilhete para o Ron : * _ Vamos lá hoje a a noite * . Ron leu a mensagem , engoliu em seco e olhou para o lugar onde Hermione costumava sentar se . A cadeira vazia pareceu ajudá o a decidir se e acenou afirmativamente . A sala comum de os Gryffindor estava agora sempre cheia porque , depois de as seis_da_tarde , os Gryffindor não tinham outro lugar para ir . Por outro lado , tinham imenso para conversar , por isso a sala comum mantinha se cheia de gente até depois de a meia-noite . Logo_a_seguir a o jantar , Harry foi buscar o manto de a invisibilidade a a mala onde estava guardado e passou todo o serão a a espera que a sala esvaziasse . O Fred e o George desafiaram o para alguns jogos de explosão e a Ginny sentou se , muito preocupada , a observá os , em a cadeira habitual de Hermione . Harry e Ron fartaram se de perder de propósito em uma tentativa de pôr rapidamente fim a os jogos mas , mesmo_assim , já passava bastante de a meia-noite quando o Fred , o George e a Ginny se foram , finalmente , deitar . Harry e Ron esperaram até ouvir as portas de os dois dormitórios fecharem se . Em seguida , pegaram em o manto , lançaram o sobre ambos e passaram por o buraco de o retrato . Era mais uma difícil travessia de o castelo , tendo de fintar todos os professores . Finalmente , chegaram a o * hall * de entrada , giraram o fecho de as portas de carvalho , esgueiraram se tentando não fazer barulho e aventuraram se nos campos iluminados por o luar . - É claro que - disse bruscamente o Ron , enquanto atravessavam os relvados negros - podemos perfeitamente chegar a a floresta e descobrir que não há nada para seguir . As aranhas podem não ter ido para lá . É certo que parecia que tomavam essa direcção , mas ... Felizmente a lengalenga não durou muito . Chegaram a a casa de o Hagrid que tinha um ar triste com as suas janelas vazias . Logo_que Harry empurrou a porta e a abriu , o Fang saltou , louco de alegria por os ver . Preocupados , não fosse ele acordar toda_a_gente em o castelo com o seu ladrar forte e agitado , deram lhe rapidamente a comer bombons de melaço que estavam em uma lata sobre a lareira e que lhe colaram os dentes de cima a os de baixo . Harry pousou o manto de a invisibilidade sobre a mesa de o Hagrid . Não iam precisar de ele em a floresta escura como breu . - Anda , Fang , vamos dar um passeio - disse Harry , batendo lhe a o de leve em a pata e Fang saiu feliz , a os saltos , atrás de eles . Precipitou se até a a orla de a floresta e levantou a perna contra uma enorme figueira-do-egipto . Harry pegou em a varinha , murmurou * _ Lumus * ! e uma pequenina luz surgiu em a ponta de a varinha , suficiente para lhes mostrar o caminho e ajudá os a descobrir a pista de as aranhas . - Bem pensado - disse o Ron . - Eu acendia também a minha mas , sabes como ela está , ainda estoirava ou qualquer coisa assim ... Harry tocou em o ombro de o Ron , apontando para as ervas . Duas aranhas solitárias fugiam de a luz de a varinha , aproximando se de a sombra de as árvores . - O. _ K. - disse o Ron , resignando se com o pior . - Estou pronto , vamos . Então , com o Fang a correr atrás de eles , cheirando as raízes de as árvores e as folhas , entraram em a floresta . Seguindo a luz de a varinha de o Harry seguiram a fila disciplinada de aranhas que se movia a o longo de o caminho . Andaram durante cerca de vinte minutos , sem falar , atentos a todos os ruídos que não fossem os de os ramos caídos e de as folhas secas . Então , quando as copas de as árvores se tinham tornado mais cerradas do_que nunca , de_tal_modo_que as estrelas em o céu já não eram visíveis e a varinha de o Harry brilhava isolada em um mar de escuridão , viram as aranhas que eles seguiam a abandonar o caminho . Harry parou , tentando ver para_onde iam mas tudo_o_que ficava longe de a sua pequenina luz era negro de breu . Ele nunca fora tão longe em a floresta . Lembrava se muito bem de Hagrid lhe ter dito , de a última vez que ali tinham estado , que nunca saísse de o caminho de a floresta . Mas Hagrid agora estava a muitos quilómetros de distância e ele também lhes dissera que seguissem as aranhas . Uma coisa húmida tocou em a mão de o Harry e ele deu um salto para trás , pisando o pé a o Ron . Mas afinal era apenas o focinho de o Fang . - O que é_que tu achas ? - perguntou ele a o Ron cujos olhos conseguia vislumbrar , reflectindo a luz de a varinha . - Já_que viemos até aqui - disse ele . Seguiram , portanto as sombras velozes de as aranhas em direcção a as árvores . Não podiam agora andar muito depressa . Tinham em a frente raízes de árvores e troncos cortados que mal se viam em aquela escuridão . Harry sentia o bafo quente de Fang em a mão . Por mais de uma_vez tiveram de parar para o Harry se baixar e descobrir as aranhas a a luz de a varinha . Andaram durante o que lhes pareceu ter sido pelo_menos meia_hora , com os mantos a roçarem em os ramos mais baixos e em as silvas . A o fim de algum tempo repararam que o chão parecia inclinar se para baixo embora as árvores continuassem cerradas . Foi então que o Fang soltou um latido que ecoou em volta , fazendo Harry e Ron darem um salto , ambos com os cabelos em pé . - O que foi ? - gritou o Ron , olhando em volta para a escuridão e agarrando Harry com força , por o cotovelo . - Há qualquer coisa ali a mexer se - murmurou Harry - Ouve ... parece ser grande . Ficaram a ouvir . Um_pouco para a direita algo de grandes dimensões partia os ramos enquanto abria caminho através de as árvores . - Oh ! não - disse o Ron . - Oh ! não , não ... - Cala te - insistiu o Harry , nervoso . - Seja o que for , vai acabar por te ouvir . - Ouvir me ? - disse o Ron , em um tom de voz muito pouco natural . - Já ouviu . Fang ! A escuridão parecia esmagar lhes os globos oculares enquanto ali ficaram apavorados , a a espera . Houve um estranho ruído , surdo e prolongado , e em seguida o silêncio . - O que estará a fazer ? - perguntou Harry . - Talvez esteja a preparar se para atacar - disse o Ron . Esperaram , a tremer , sem ousarem mexer se . - Achas que se foi embora ? - murmurou Harry . - Não sei . Em esse momento , de o lado direito veio um clarão de luz tão forte em o meio de o escuro que os dois levaram as mãos a a cara para proteger os olhos . O Fang ganiu e tentou fugir mas viu se envolvido em um emaranhado de espinhos e ganiu ainda mais alto . - Harry - gritou o Ron com grande alívio em a voz . - Harry , é o nosso carro . - O quê ? - Anda ver . Harry avançou a os tropeções atrás de o Ron , em direcção a a luz e em o momento seguinte estavam em uma clareira . O carro de Mr._Weasley ali estava , vazio , no_meio_de um círculo de árvores grossas , sob um telhado de ramos densos , os faróis de a frente resplandecentes . Quando Ron se aproximou de boca aberta , moveu se lentamente em direcção a ele como_se fosse um grande cão azul turquesa , cumprimentando o dono . - Tem estado aqui todo este tempo - disse o Ron satisfeitíssimo , aproximando se de o carro . - Olha para ele , a floresta tornou o selvagem ... O guarda-lamas estava riscado e cheio de lodo . Parecia que tinha andado a passear sozinho por a floresta . Fang não gostou lá muito de ele . Manteve se a o lado de o Harry que podia senti o a tremer . Com a respiração normalizada , Harry guardou a varinha em o manto . - E nós a pensarmos que ele nos ia atacar - disse o Ron , encostando se a o carro e dando lhe duas palmadinhas - As voltas que eu dei a a cabeça a pensar para_onde ele teria ido ! Harry olhava para todos os lados , em o chão iluminado , em busca de mais aranhas mas todas elas tinham fugido de o brilho de as luzes . - Perdemos as de vista - disse ele . - Anda , vamos procurá as . Ron não disse nada . Não se moveu . Tinha os olhos fixos em um ponto , três metros acima de o chão de a floresta , mesmo atrás de o Harry . O seu rosto estava lívido de terror . Harry nem teve tempo de se voltar . Ouviu se um ruído alto e seco e sentiu que alguma coisa longa e peluda o elevava em o ar com o rosto voltado para baixo . Debatendo se , apavorado , ouviu outro estalido e viu as pernas de o Ron serem também levantadas de o chão . Ouviu o Fang gemer e ganir e , em o momento seguinte , era levado para o meio de as árvores escuras . Com a cabeça a balouçar , Harry viu que a coisa que o transportava tinha seis enormes patas peludas e que as duas de a frente o agarravam com forca sob um par de tenazes pretas e brilhantes . Atrás_de si podia ouvir outra de aquelas criaturas que , sem dúvida , transportava o Ron . Encaminhavam se para o coração de a floresta . Harry ouvia o Fang a ladrar , tentando libertar se de um terceiro monstro mas Harry não podia gritar mesmo_que quisesse , parecia que tinha deixado a voz em a clareira , junto com o carro . Não soube quanto tempo esteve em as patas de a criatura , só se apercebeu que a escuridão se atenuara um_pouco , permitindo lhe ver que o chão coberto de folhas estava agora repleto de aranhas . Voltando a cabeça para o lado , deu se conta de que tinham chegado a a base de uma enorme cova , uma cova que fora limpa de árvores para que as estrelas iluminassem com o seu brilho a cena mais pavorosa que os seus olhos alguma vez tinham visto . Aranhas . Não aranhas pequeninas como aquelas que estavam sobre as folhas . Aranhas de o tamanho de enormes cavalos , com oito olhos , oito pernas pretas , peludas , gigantescas . O espécimen que transportava Harry desceu o terreno íngreme até uma teia brumosa em forma de cúpula que ficava mesmo em o meio de a cova , enquanto os companheiros se juntavam em volta , batendo excitadíssimos com as tenazes e olhando para o que eles traziam a as costas . Harry caiu em o chão de gatas quando a aranha o libertou . Ron e Fang foram cair perto de ele . O Fang já não gania . Estava agachado e muito quieto . Ron e Harry partilhavam o mesmo sentimento . O Ron tinha a boca aberta em uma espécie de grito silencioso e os olhos a saltarem lhe de as órbitas . Harry percebeu de repente que a aranha que o deitara a o chão estava a dizer qualquer coisa . Era difícil entender porque entre cada duas palavras , batia com as tenazes . - Aragog - chamou . - Aragog . E de o meio de a teia brumosa em forma de cúpula saiu muito lentamente uma aranha de o tamanho de um pequeno elefante . As costas e as pernas estavam cobertas de pêlo cinzento e , em a cabeça feia , munida de tenazes , estavam vários olhos , todos eles de um branco leitoso . Era cega . - O que foi ? - disse , batendo rapidamente com as tenazes uma em a outra . - Homens - respondeu a aranha que trouxera o Harry . - É o Hagrid ? - perguntou Aragog , aproximando se mais com os seus oito olhos leitosos a vaguear . - Estranhos - respondeu a aranha que trouxera o Ron . - Matem nos - disse Aragog , irritada . - Eu estava a dormir ... - Nós somos amigos de o Hagrid - gritou Harry . Parecia que o coração lhe saltava por a boca . Clic , clic , clic fizeram as tenazes de a aranha , em volta de a cova . Aragog parou . - O Hagrid nunca mandou homens a a nossa cova - disse lentamente . - O Hagrid está em perigo - explicou Harry , respirando muito depressa . - Foi por isso que eu vim . - Em perigo ? - repetiu a aranha idosa e pareceu a Harry sentir preocupação por detrás de as suas tenazes . - Mas porque vos mandou ele cá ? Harry pensou pôr se de pé mas achou melhor não arriscar . As pernas provavelmente não teriam força para o sustentar . Falou portanto de o chão , o mais calmamente que foi capaz . - Eles lá em a escola pensam que o Hagrid soltou qualquer coisa contra os estudantes . Mandaram o para Azkaban . Aragog bateu furiosamente com as tenazes e , em toda_a cova , o eco foi reproduzido por uma multidão de aranhas . Era uma espécie de aplauso com uma única diferença : os aplausos não costumavam fazer o Harry quase morrer de medo . - Mas isso foi há muitos anos - disse Aragog , maldisposta . - Há anos e anos . Lembro me muito bem . Foi por isso que o expulsaram de a escola . Eles pensaram que eu era o monstro que vive em aquilo a que eles chamam a Câmara_dos_Segredos . Pensaram que o Hagrid a tinha aberto para me libertar . - E tu ... não vieste de a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Harry que sentia a testa cheia de suores frios . - Eu - disse Aragog , batendo irritada com as tenazes - , eu não nasci em o castelo . Venho de uma terra distante . Um viajante ofereceu me a o Hagrid quando eu era ainda um ovo . Hagrid era um rapazinho mas tratou de mim , escondeu me em uma despensa dentro de o castelo e alimentava me com as migalhas que ficavam em as mesas . Hagrid é o meu bom amigo e um bom homem . Quando me encontraram e me culparam por a morte de uma rapariga , ele protegeu me . Desde_então , tenho vivido aqui em a floresta onde o Hagrid ainda vem visitar me . Ele até me arranjou uma esposa , Mosag , e estão a ver como a família cresceu , tudo graças a a bondade de o Hagrid ... Harry reuniu a coragem que lhe restava . - Então tu nunca atacaste ninguém ? - Nunca - resmungou a velha aranha . - Era esse o meu instinto , mas por respeito a Hagrid nunca fiz mal a nenhum humano . O corpo de a rapariga morta foi encontrado em uma casa_de_banho , ora eu nunca conheci mais do_que despensa de o castelo , onde cresci . Nós gostamos de o escuro de o silêncio . - Mas então ... sabes o que matou essa rapariga ? - perguntou Harry . - Porque seja o que for , está a atacar as pessoas outra_vez ... As suas palavras foram abafadas por uma audível explosão de tenazes a bater e por o ruge-ruge de muitas pernas longas , deslocando se iradas . Em volta de Harry começaram a mover se sombras escuras . - O que vive em o castelo - disse Aragog - é uma antiga criatura que nós , aranhas , tememos acima_de todas_as outras . Lembro me bem de o quanto insisti com Hagrid para que me deixasse sair de ali quando senti a criatura a andar por a escola . - O que é ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Mais tenazes a bater , mais pernas a moverem se . As aranhas pareciam estar a aproximar se . - Nós não falamos de isso - exclamou Aragog furiosa . - Não pronunciamos o seu nome . Eu nunca disse a o Hagrid o nome de a horrível criatura , apesar_de ele me ter perguntado vezes sem conta . Harry não quis insistir , principalmente com todas aquelas aranhas a aproximarem se de todos os lados . Aragog parecia ter se cansado de falar . Recuava lentamente para a teia em forma de cúpula , mas as companheiras continuavam a aproximar se ameaçadoramente de Harry e Ron . - Vamos embora , então - gritou Harry , desesperadamente a Aragog , enquanto ouvia as folhas secas a estalarem atrás_de si . - Embora ? - disse Aragog lentamente . - Não me parece ... - Mas , mas ... - Os meus filhos e filhas não fazem mal a o Hagrid por ordem minha . Mas não posso negar lhes carne fresca quando ela veio por vontade própria ter connosco . Adeus , amigo de o Hagrid . Harry deu meia volta . Poucos centímetros acima de ele , uma sólida parede de aranhas batia com as tenazes , os seus muitos olhos a brilharem em as horríveis caras pretas . Mesmo_que se servisse de a varinha , Harry sabia que não ia valer de nada . As aranhas eram demasiadas , mas quando tentava preparar se para morrer a lutar , ouviu se um som prolongado e um clarão de luz iluminou a cova . O carro de Mr._Weasley ribombava , descendo o declive , com os faróis acesos , a buzina a guinchar , afastando as aranhas . Muitas de elas ficaram voltadas ao_contrário com as várias pernas a agitar se em o ar . O carro buzinou com mais força em frente de Harry e Ron e as portas abriram se . - Agarra o Fang - gritou Harry , ajeitando se em o lugar de a frente . Ron agarrou o cão caçador de javalis e lançou o a ganir para o banco de trás . As portas fecharam se com estrondo . Ron não tocou em o acelerador mas o carro não precisou de isso . O motor fez se ouvir e levantaram voo , batendo em mais aranhas . Subiram o declive , saindo de a cova e pouco depois atravessavam a floresta , os ramos a baterem em os vidros enquanto o carro seguia habilmente através de os intervalos maiores , por um caminho que obviamente já conhecia . Harry olhou para o Ron , a o seu lado . Ele tinha ainda a boca aberta em o mesmo grito silencioso mas os olhos já não estavam salientes . - Estás bem ? Ron olhou em frente , incapaz de responder . Começavam a descer para terra firme com o Fang a soltar enormes ganidos em o banco de trás e Harry viu o espelho retrovisor saltar quando passaram rente a um enorme carvalho . Após dez minutos bastante ruidosos , as árvores começaram a ser mais finas e Harry pôde ver de_novo pedaços de o céu . O carro parou tão bruscamente que quase foram projectados por o vidro de a frente . Tinham chegado a a orla de a floresta . O Fang ia agitadíssimo a a janela e quando Harry abriu a porta , disparou a correr através de as árvores até a a casa de o Hagrid , de cauda entre as pernas . Harry saiu também e um minuto depois o Ron pareceu recuperar a força em os membros e seguiu o , ainda com um torcicolo e de olhos esbugalhados . Harry deu uma palmadinha de agradecimento a o carro antes de ele dar a volta e desaparecer em direcção a a floresta . Harry voltou a a cabana de o Hagrid para buscar o manto de a invisibilidade . O Fang tremia em o seu cesto , coberto por um cobertor . Quando saiu de_novo , viu o Ron a vomitar junto de as abóboras . - Sigam as aranhas - disse ele debilmente , limpando a boca a a manga . - Nunca vou perdoar a o Hagrid . É uma sorte ainda estarmos vivos . - Aposto que ele pensou que Aragog nunca faria mal a os seus amigos - justificou Harry . - Esse é justamente o problema de o Hagrid - interrompeu Ron , dando um soco em a parede de a cabana . - Ele acha sempre_que os monstros não são tão maus como os pintam e vê onde isso o levou , a uma cela em Azkaban - tremia agora descontroladamente . - Qual a ideia de ele a o mandar nos ali ? Gostava de saber o que é_que descobrimos . - Que o Hagrid nunca abriu a Câmara_dos_Segredos - disse Harry , lançando o manto sobre Ron e tocando lhe em o braço para o encorajar a andar . - Ele estava inocente . Ron resmungou em voz alta . Para ele , chocar Aragog em uma despensa não era propriamente estar inocente . Quando se aproximaram de o castelo , Harry esticou o manto para garantir que os pés de ambos ficavam cobertos . Em seguida , empurrou as portas de a frente que chiaram . Atravessaram com todo o cuidado o * hall * de entrada e subiram a escadaria de mármore , contendo a respiração em os corredores guardados por sentinelas atentos . Por fim , chegaram a a segurança de a sala de os Gryffindor onde o lume ardera até se transformar em brasas brilhantes . Tiraram o manto e subiram a escada serpenteante que os levava a o dormitório . Ron caiu em a cama sem sequer se despir mas Harry , apesar_de tudo , não tinha sono . Sentou se em a beirinha de a cama , pensando em todas_as coisas que Aragog dissera . A criatura que andava por o castelo , pensou , era uma espécie de monstro Voldemort , nem os outros monstros queriam pronunciar o seu nome . Mas ele e o Ron não estavam agora mais perto_de descobrir o que era nem como petrificava as suas vítimas . Se nem o Hagrid chegara a saber o que estava em a Câmara_dos_Segredos ... Harry balançou as pernas e atirou se para_cima de a cama . Encostado a as almofadas olhou a Lua que brilhava através de a janela de a torre . Não sabia que mais poderiam fazer . Só tinham encontrado portas fechadas . Riddle apanhara a pessoa errada . O herdeiro de Slytherin fugira e ninguém sabia se era a mesma pessoa ou uma outra que abrira , desta_vez , a Câmara_dos_Segredos . Não havia mais ninguém a quem fazer perguntas . Harry deitou se ainda a pensar em as palavras de Aragog . Estava a começar a ficar com sono quando aquilo que parecia ser uma última esperança lhe ocorreu , fazendo o sentar se muito direito em a cama . - Ron - sussurrou em o escuro . - Ron . Ron acordou com um ganido como os de o Fang . Olhou muito assustado em volta e viu o Harry . - Ron , a rapariga que morreu . Aragog contou nos que ela foi encontrada em uma casa_de_banho - disse , ignorando os roncos de o Neville em o outro canto de o quarto . - E se ela nunca tivesse saído de a casa_de_banho ? E se ainda lá estiver ? Ron esfregou os olhos , franzindo as sobrancelhas sob a luz de a Lua . E só então compreendeu . -- Não pensar que ... a Murta_Queixosa ? XVI_A_Câmara_dos_Segredos -- E estivemos nós tantas vezes em aquela casa_de_banho com ela apenas a três cubículos de distância - disse o Ron amargamente em o dia seguinte , a a mesa de o pequeno-almoço . - Podíamos ter lhe perguntado e agora ... Já fora bastante difícil procurar as aranhas . Escapar a os professores o tempo suficiente para ir até a a casa_de_banho de as raparigas , que ficava mesmo em frente de o lugar onde ocorrera o primeiro ataque , ia ser quase impossível . Mas alguma coisa aconteceu que fez com que a Câmara_dos_Segredos desaparecesse de os seus pensamentos pela_primeira_vez em várias semanas . A professora Mc_Gonagall comunicou lhes que os exames começariam a 1_de_Junho , uma semana depois . - Exames ? - gritou Seamus_Finnigan . - Nós mesmo_assim vamos ter exames ? Ouviu se um estrondo atrás de o Harry quando a varinha de o Neville_Longbottom lhe escapou de a mão , fazendo desaparecer uma de as pernas de a secretária . A professora Mc_Gonagall repô a com a sua varinha e voltou se com má cara para o Seamus . - Se temos a escola aberta em uma altura de estas é para vocês receberem instrução - disse com dureza . - Os exames terão lugar , portanto , como é costume e espero que todos vocês façam revisões até lá . Revisões . Não passara por a cabeça de o Harry que houvesse exames com o castelo em aquele estado . Houve uma série de murmúrios revoltados , o que fez com que a professora Mc_Gonagall ficasse ainda mais mal-humorada . - As instruções de o professor Dumbledore foram para manter a escola a funcionar o mais normalmente possível - disse . - E isso , não preciso de vos dizer , passa por uma avaliação de o quanto vocês aprenderam a o longo de este ano . Harry olhou para baixo , para o casal de coelhos brancos que ele deveria transformar em pantufas . Que tinha ele aprendido durante o ano ? Não era capaz de se lembrar de nada que fosse útil em um exame . Ron estava como_se tivessem acabado de lhe dizer que a partir de aquele momento tinha de ir viver para a floresta proibida . - Estás a ver me a ter exames com isto tudo ? - perguntou a o Harry enquanto pegava em a varinha que tinha começado a assobiar bastante alto . Três dias antes de o primeiro exame , a a hora de o pequeno almoço , a professora Mc_Gonagall fez outra comunicação . - Tenho boas notícias - disse , e o salão em_vez_de se calar , explodiu de contentamento . - Dumbledore vai regressar ! - gritaram várias pessoas cheias de alegria . - Apanharam o herdeiro de Slytherin - arriscou uma rapariga em a mesa de os Ravenclaw . - Temos outra_vez os jogos de Quidditch - bradou Wood , excitadíssimo . Quando a agitação passou , Mc_Gonagall disse : - A professora Sprout informou me que as mandrágoras estão finalmente prontas para serem cortadas . Hoje a a noite vamos poder reanimar as pessoas que foram petrificadas . Escusado será dizer que certamente uma de elas poderá revelar nos quem ou o que a atacou . Eu tenho esperança que este ano pavoroso acabe com a prisão de o culpado . Houve uma explosão de aplausos . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e não ficou nada surpreendido a o ver que Draco_Malfoy não aplaudia . O Ron , por outro lado , estava satisfeito como ninguém o via havia dias . - Não faz mal não termos perguntado a a Murta . A Hermione vai , com certeza , ter todas_as respostas quando acordarem . Vai também ficar fula quando souber que temos exames dentro_de três dias . Ela não pôde fazer revisões . Seria melhor deixarem a estar onde está até a o final de os exames . Nessa_altura , Ginny_Weasley veio sentar se junto de o Ron . Parecia nervosa e tensa e Harry reparou que torcia as mãos em o colo . - O que se passa ? - perguntou o Ron , servindo se de mais papa de aveia . Ginny não disse nada mas olhou para um lado e para o outro de a mesa de os Gryffindor , com um olhar assustado que lembrou a Harry alguém que não sabia bem quem era . - Vá lá , vomita - disse o Ron , olhando para ela . Harry percebeu subitamente quem a Ginny lhe lembrara . Ela balançava se ligeiramente para a frente e para trás em a cadeira , exactamente como o Dobby fazia quando estava hesitante , à_beira_de revelar uma informação proibida . - Tenho de te dizer uma coisa - balbuciou a Ginny receosa , sem olhar para Harry . - O que é ? - perguntou ele . Ginny parecia incapaz de encontrar as palavras certas . - O quê ? - insistiu Ron . Ginny abriu a boca mas não saiu nenhum som . Harry inclinou se para a frente e falou devagar para que só ela e Ron pudessem ouvi o . - É alguma coisa relacionada com a Câmara_dos_Segredos ? Viste alguma coisa ou alguém a agir de forma estranha ? Ginny respirou fundo e , em esse preciso momento , apareceu Percy_Weasley com um ar pálido e cansado . - Se já acabaste de comer eu fico com esse lugar , Ginny . Estou cheio de fome . Acabei agora o meu trabalho de patrulhamento . Ginny deu um salto como_se a cadeira tivesse acabado de ser electrificada , lançou a o Percy um olhar assustado e zarpou . Percy sentou se e tirou uma caneca de o meio de a mesa . -- Percy - disse o Ron aborrecido . - Ela ia agora mesmo contar nos uma coisa importante . A meio de um gole de chá , Percy estremeceu . - Que coisa ? - perguntou , tossindo . - Eu quis saber se ela tinha visto alguma coisa estranha e ela ia dizer ... - Ah ! isso ... não tem nada que ver com a Câmara_dos_Segredos - disse o Percy de imediato . - Como sabes ? - indagou o Ron , erguendo as sobrancelhas . - Bem ... er ... já_que perguntam , a Ginny ... er ... passou por mim em outro dia quando eu ... er ... não foi nada , o importante é_que ela viu me fazer uma coisa e eu ... um ... pedi lhe para não comentar com ninguém . Não pensei que ela cumprisse a palavra , verdade se diga . Não é nada importante , eu só ... Harry nunca vira o Percy tão pouco a a vontade . - O que estavas a fazer , Percy ? - riu se o Ron . - Vá lá , conta que nós não nos rimos . Percy ficou sério . - Passa me esses pãezinhos , Harry , estou cheio de fome . Harry sabia que todo o mistério poderia ser desvendado em o dia seguinte sem a ajuda de eles mas não ia deixar de falar com a Murta_Queixosa se a oportunidade surgisse . E , para sua grande satisfação , ela surgiu a meio de a manhã quando eram conduzidos a a aula de História_da_Magia_por_Gilderoy_Lockhart . Lockhart , que tantas vezes lhes assegurara que o perigo tinha passado , estava agora totalmente convencido de que acompanhar os alunos em os corredores era um trabalho inútil . O seu cabelo estava mais liso do_que de costume . Parecia ter passado toda_a noite acordado a vigiar o quarto andar . - Podem escrever o que eu digo - afirmou , acompanhando os até uma esquina . - As primeiras palavras que vão sair de a boca de aquelas pobres pessoas petrificadas serão - * _ Foi_o_Hagrid * . Francamente , estou espantado por a professora Mc_Gonagall considerar ainda necessárias estas medidas de segurança . - Concordo , professor - disse Harry , fazendo com que Ron , surpreendido , deixasse cair os livros a o chão . - Obrigado , Harry - disse Lockhart amavelmente , enquanto deixavam passar uma grande fila de Hufflepuffs . - verdade é_que os professores já têm bastante que fazer para andarem também a acompanhar os alunos a as aulas e a guardar os corredores a a noite ... - É verdade - disse o Ron , percebendo a ideia . - Porque não nos deixa aqui , professor , só falta mais um corredor . - Sabes , Weasley , sou mesmo capaz de fazer isso - disse Lockhart . - Preciso de preparar a minha próxima aula . E apressou se a seguir o seu caminho . - Preparar a aula - zombou o Ron . - Vai encaracolar o cabelo , é o mais certo . Deixaram os restantes Gryffindor passar lhes a a frente e por fim cortaram caminho em um corredor lateral e dirigiram se a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mas quando estavam a congratular se por o seu esquema brilhante ... - Potter , Weasley ! Que estão vocês a fazer aqui ? Era a professora Mc_Gonagall e a boca de ela estava mais fina do_que nunca . - Nós estávamos , estávamos - gaguejou o Ron . - Nós íamos ver , íamos ver ... - Hermione - completou Harry . A professora Mc_Gonagall e Ron olharam para ele . - Não a vemos há séculos , professora - prosseguiu Harry , pisando o pé a o Ron . - E pensamos ir espreitá a a a ala hospitalar e dizer lhe que as mandrágoras estão quase prontas , para ela não se preocupar . A professora Mc_Gonagall estava ainda a olhar para ele e , por um momento , Harry pensou que ela ia explodir mas , quando falou , fê lo em um tom de voz estranhamente rouco . - É claro - disse . E Harry , espantado , viu uma lágrima a brilhar lhe em o canto de um de os olhos . - É claro . Eu compreendo que tudo_isto tem sido muito duro para os amigos de aqueles que foram ... eu compreendo , sim , Potter . Podem ir visitar Miss_Granger . Eu mesma informarei o professor Binns de que vocês estão em o hospital . Digam a Madam_Pomfrey que vos dei autorização . Harry e Ron afastaram se , quase sem acreditar que tinham escapado a um castigo . Quando voltaram em uma esquina ouviram nitidamente a professora Mc_Gonagall a assoar se . - Esta - disse o Ron entusiasmado - foi a melhor história que tu alguma vez inventaste . Não tinham outro remédio senão ir a a ala hospitalar e dizer a Madam_Pomfrey que tinham autorização de a professora Mc_Gonagall para visitar Hermione . Madam_Pomfrey deixou os entrar com alguma relutância . - Não vale a pena falar com uma pessoa petrificada - disse , e ambos tiveram que admitir que ela tinha razão quando se sentaram junto de Hermione e constataram que ela não tinha a menor noção de estar acompanhada . Dizer lhe que não se preocupasse ou falar com o armário que estava a o lado de a cama era exactamente a mesma coisa . - Será que ela viu quem a atacou ? - perguntou o Ron , olhando com tristeza para o rosto rígido de Hermione . - Porque se a coisa saltou sobre eles , ficaremos todos sem saber de nada . Mas Harry não olhava para o rosto de Hermione . Estava mais interessado em a sua mão direita que se encontrava pousada sobre os cobertores e , inclinando se para ela , viu que tinha , fechado entre os dedos , um pedaço de papel . Assegurando se de que Madam_Pomfrey não dava por nada , fez sinal a o Ron . - Tenta tirá o - murmurou ele , colocando a cadeira de_modo_a que Madam_Pomfrey não pudesse ver o Harry . Não foi tarefa fácil . A mão de a Hermione estava fechada com uma força tal que Harry receou parti a . Enquanto Ron vigiava , ele forçou e torceu até que , por fim , depois de vários minutos bastante tensos , conseguiu tirar o papel . Era uma página retirada de um livro muito antigo de a biblioteca . Harry alisou a ansiosamente e Ron inclinou se para poder lês a também . * _ De todos os monstros assustadores que pairam a a face de a Terra , nenhum é tão curioso nem tão fatal como o Basilisk , também conhecido por o rei de as serpentes . Esta cobra que pode atingir proporções gigantescas e viver durante muitas centenas de anos nasce de um ovo de galinha que é chocado por um sapo . As suas formas de matar são pavorosas pois além de os dentes venenosos e mortais , o Basilisk tem um olhar criminoso e todos aqueles que ele fixa com os olhos tem morte instantânea . As aranhas fogem a sete pés de o Basilisk que é seu inimigo mortal , e o Basilisk foge apenas de o canto de o galo que para ele é fatal * . Por debaixo de isto uma única palavra fora escrita , em a letra que Harry reconheceu como sendo de Hermione : Canos . Foi como_se se tivesse acendido uma luz em o seu espírito . - Ron - murmurou - é isso . Está aqui a resposta . O monstro de a Câmara_dos_Segredos é um Basilisk , uma serpente gigante . Por isso , só eu tenho ouvido a sua voz em todos os lugares , porque eu compreendo * serpentês * ... Harry olhou para as camas em volta . - O Basilisk mata as pessoas fixando as com o olhar mas ninguém morreu , o que quer_dizer que ninguém o olhou directamente em os olhos . Colin viu o através de a lente de a máquina fotográfica e o Basilisk queimou o rolo que estava lá dentro mas o Colin ficou apenas petrificado . O Justin ... o Justin deve ter visto o Basilisk através de o Nick quase sem cabeça . O Nick é_que levou com o olhar mas não podia morrer outra_vez ... e perto de a Hermione e de a prefeita de os Ravenclaw foi encontrado um espelho . Hermione acabara de compreender que o monstro era um Basilisk . Aposto que preveniu a primeira pessoa que encontrou de que era melhor olhar por um espelho a o virar de cada esquina . E aquela rapariga puxou de o seu espelho e ... O Ron estava de queixo caído . - E Mrs._Norris ? - perguntou vivamente . Harry pensou um_pouco , tentando imaginar a cena em a noite de o Halloween . - A água . . . - disse lentamente . - A poça de água que saiu de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Aposto que Mrs._Norris só viu o reflexo de o monstro . Examinou a folha de papel que tinha em a mão . Quanto_mais olhava mais sentido faziam as coisas . - * _ O cantar de o galo é fatal para ele * - leu em voz alta . - Os galos de o Hagrid foram mortos . O herdeiro de Slytherin não queria um único galo perto de o castelo , com a câmara aberta . * _ As aranhas são as primeiras a fugir * . Tudo encaixa . - Mas , como tem o Basilisk andado por aí ? - disse o Ron . - Uma serpente horrível e enorme ... alguém a teria visto . Mas Harry apontou para a palavra que Hermione escrevinhara em o final de a página . - Canos - disse . - Canos ... Ron , ele tem usado a canalização . Eu ouvi sempre a voz dentro de as paredes ... Ron agarrou subitamente o braço de o Harry . - A entrada para a Câmara_dos_Segredos - disse em uma voz rouca . - E se for em uma casa_de_banho ? Se for em a ... - Em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa - completou Harry . Sentaram se , tomados de uma excitação enorme , mal querendo acreditar . - Isso significa que - disse o Harry - eu não posso ser o único em a escola a falar * serpentês * . Há também o herdeiro de Slytherin . É de esse modo que tem controlado o Basilisk . - O que vamos fazer ? - perguntou Ron com os olhos a faiscar . - Vamos falar com a Mc_Gonagall ? - Vamos até a a sala de os professores - disse Harry , dando um salto . - Ela estará lá dentro_de dez minutos , está quase em o intervalo . Desceram a escada a correr . Não querendo ser descobertos outra_vez a vaguear por os corredores foram directamente até a a sala de os professores que estava deserta . Era uma divisão ampla , toda forrada , com cadeiras de madeira escura . Harry e Ron passearam de um lado para o outro , demasiado nervosos para se sentarem . Mas a campainha anunciando o intervalo nunca mais tocava . Em vez de isso , ecoando em os corredores , ouviram a voz de a professora Mc_Gonagall incrivelmente ampliada . - * _ Todos os alunos devem regressar de imediato a os seus dormitórios . Todos os professores a a sala de professores . Imediatamente , por favor * . Harry deu meia volta e olhou para o Ron . - Não me digas que houve um novo ataque , não agora ! - Que vamos fazer ? - disse o Ron aterrado . - Voltar para o dormitório ? - Não - disse Harry , olhando e m volta . Havia uma espécie de armário a a sua esquerda cheio com os mantos de os professores . - Ali . Vamos ouvir o que se passa . A seguir poderemos contar lhes o que descobrimos . Esconderam se dentro de o armário , ouvindo a algazarra de centenas de pessoas e a porta de a sala de professores a abrir se . De o meio de a confusão de mantos bafientos , viram os professores encherem a sala . Alguns tinham um ar totalmente confuso , outros pareciam apavorados . Por fim , chegou a professora Mc_Gonagall . - Aconteceu - disse em o silêncio de a sala de professores . - O monstro levou uma aluna . Levou a mesmo para a câmara . O professor Flitwick soltou um grito agudo . A professora Sprout bateu com a mão em a boca . Snape agarrou com força as costas de uma cadeira e perguntou : - Como pode ter tanta certeza ? - O herdeiro de Slytherin - disse a professora Mc_Gonagall , muito pálida . - Deixou outra mensagem . Mesmo por baixo de a primeira : « * _ O esqueleto de ela ficará para sempre em a Câmara_dos_Segredos * . » O professor Flitwick desatou a chorar . - Quem é ela ? - quis saber Madam_Hooch que se afundara em uma cadeira . - Quem é a aluna ? - Ginny_Weasley - disse a professora Mc_Gonagall . Harry viu o Ron , a o seu lado , escorregar silenciosamente até a o chão de o armário . - Vamos ter que mandar todos os alunos embora amanhã - disse a professora Mc_Gonagall . Isto_é o fim de Hogwarts , Dumbledore sempre disse ... A porta de a sala de os professores voltou a abrir se . Por um breve momento , Harry pensou que fosse Dumbledore mas era Lockhart e vinha todo sorridente . - Peço desculpa , adormeci . Perdi alguma coisa ? Não pareceu reparar que os outros professores o olhavam com uma espécie de aversão . Snape deu um passo em frente . - O homem que faltava - disse . - O homem certo . O monstro raptou uma garota , Lockhart levou a para a Câmara_dos_Segredos . O seu momento chegou . - Isso mesmo , Lockhart - acrescentou a professora Sprout . - Não estavas a dizer ontem a a noite que sempre tinhas sabido onde era a entrada para a Câmara_dos_Segredos ? - Eu ... bem ... eu-disse atabalhoadamente Lockhart . - Sim , não me disseste que sabias exactamente o que estava lá dentro ? - disse com voz esganiçada o professor Flitwick . - Eu disse ? Não me lembro ... - Lembro me perfeitamente de o ouvir dizer que lamentava não ter feito uma tentativa com o monstro antes de o Hagrid ser preso - disse Snape . - Não disse que toda_a história tinha sido uma atrapalhação e que deveriam ter lhe dado carta branca desde o princípio ? Lockhart olhou em volta para a cara de espanto de os colegas . - Eu ... nunca ... eu de facto ... deve ter me compreendido mal . - Então vamos deixar te , Gilderoy - disse a professora Mc_Gonagall . - Esta noite será uma excelente oportunidade para actuares . Nós trataremos de assegurar que ninguém te atrapalha . Vais poder enfrentar o monstro sozinho . Finalmente tens carta branca . Lockhart olhou desesperado a a sua volta mas ninguém foi salvá o . Já não estava bem-parecido . O lábio tremia lhe e a ausência de o seu habitual sorriso de dentes brancos dava lhe um ar escanzelado . - M-muito bem - disse . - Vou até a o meu escritório para ... para me preparar . E saiu de a sala . - _ óptimo - exclamou a professora Mc_Gonagall com as narinas dilatadas . - Isto deve afastá o de o nosso caminho . Os chefes de casa devem ir agora comunicar a os respectivos alunos o que se passou e informá os de que o Expresso_de_Hogwarts os levará a casa amanhã de manhã . Os restantes certifiquem se , por favor , de que não há alunos fora de os dormitórios . Os professores levantaram se e saíram um a um . Foi talvez o dia pior de a vida de o Harry . Ele , Ron , Fred e George sentaram se juntos a um canto em a sala comum de os Gryffindor , incapazes de proferir uma palavra . Percy não estava lá . Tinha ido tratar de enviar uma coruja a Mr. e Mrs._Weasley e , em seguida , fechara se em o dormitório . Nunca uma tarde custara tanto a passar e nunca a torre de os Gryfffindor estivera tão cheia de gente e tão silenciosa . Fred e George foram para a cama quase a o pôr de o Sol , incapazes de ficar ali mais tempo . - Ela sabia qualquer coisa , Harry - disse o Ron , falando pela_primeira_vez desde_que tinham saído de o armário de a sala de os professores . - Por isso a levaram . Não era nenhuma parvoíce sobre o Percy , ela tinha descoberto qualquer coisa sobre a Câmara_dos_Segredos . Com certeza por isso é_que a ... - Ron esfregou os olhos , enervadíssimo . - Afinal ela era sangue puro , não pode haver outra explicação . Harry olhava para o sol que mergulhava de um vermelho cor de sangue em a linha de o horizonte . Era a pior coisa que lhe tinha acontecido . Se pelo_menos pudessem fazer alguma coisa . - Harry - disse o Ron . - Achas que há alguma possibilidade de ela não estar ... ? Sabes o que eu quero dizer . Harry não sabia que resposta dar . Não acreditava que a Ginny pudesse ainda estar viva . - Sabes uma coisa ? - disse o Ron . - Acho que devíamos ir ter com o Lockhart , contar lhe o que sabemos . Ele vai tentar entrar em a câmara , podemos dizer lhe onde achamos que fica a entrada e contar lhe que o monstro é um Basilisk . Como Harry não tinha nenhuma ideia melhor e como queria fazer alguma coisa , concordou . Os Gryffindor que os rodeavam estavam tão tristes e com tanta pena de os Weasley que ninguém tentou impedi os quando os viram levantar se , atravessar a sala e sair por o buraco de o retrato . A escuridão começava a instalar se quando chegaram a o escritório de Lockhart onde a actividade era muita . De o corredor ouvia se o ruído de coisas a serem deitadas fora , pancadas surdas e passos apressados . Harry bateu a a porta e houve um silêncio repentino . Em seguida abriu se uma fresta de a porta e viram um de os olhos de Lockhart a espreitar . - Oh ! ... Mr._Potter ... Mr._Weasley - disse entreabrindo a porta . - Estou um_pouco ocupado em este momento , se forem rápidos ... - Professor , nós temos informações para lhe dar - disse o Harry . - Acho que poderão ajudá o . - Er ... bem ... não é - o lado de a cara de Lockhart que conseguiam ver parecia muito pouco a a vontade . - Quer_dizer ... bem ... está bem . Abriu a porta e eles entraram . O escritório estava praticamente vazio . Em o chão estavam duas grandes malas abertas . Mantos verde-jade , lilás , azul-noite tinham sido apressadamente dobrados e guardados dentro_de uma de as malas . Os livros misturavam se todos dentro de a outra . As fotografias que antes cobriam as paredes estavam agora arrumadas em caixas , em cima de a secretária . - Vai a algum lado ? - perguntou Harry . - Er ... bem ... sim - disse Lockhart , arrancando de a porta um poster seu em tamanho natural , enquanto falava , e começando a enrolá o . - Uma chamada urgente ... inevitável ... tenho que ir . - E a minha irmã ? - perguntou o Ron bruscamente . - Bem , quanto_a isso foi uma pena - disse Lockhart , evitando olhá os em os olhos , abrindo uma gaveta e começando a despejar o seu conteúdo dentro_de um saco . - Ninguém lamenta mais do_que eu ... - O senhor é o professor de Defesa contra as artes negras - disse Harry . - Não pode ir se embora agora_que todas estas coisas de magia negra estão a acontecer aqui . - Bem , devo dizer te que ... quando aceitei o lugar ... - resmungou Lockhart , empilhando soquetes sobre os mantos - nada em a descrição de o meu trabalho fazia prever ... - Quer_dizer que vai fugir ? - perguntou Harry , incrédulo . - Depois de todas_as coisas que conta em os seus livros ? - Os livros podem ser enganadores - disse Lockhart delicadamente . - Mas foi o senhor que os escreveu - gritou Harry . - Meu rapaz - disse Lockhart , endireitando se e franzindo as sobrancelhas - usa o senso comum . Os meus livros não teriam vendido metade do_que venderam se as pessoas não acreditassem que eu tinha feito todas aquelas coisas . Ninguém está interessado em ler sobre um velho feiticeiro americano mesmo_que ele tenha salvo uma cidade inteira de os lobisomens , ficaria péssimo em a capa . E a bruxa que correu com a fada carpideira tinha um lábio leporino . Como vês . - Quer_dizer que ficou com os louros por tudo_o_que uma série de outras pessoas fizeram ? - perguntou Harry , sem querer acreditar . - Harry , Harry - disse Lockhart , abanando impacientemente a cabeça . - Não é tão simples assim . Envolveu muito trabalho . Tive de localizar todas essas pessoas , perguntar lhes em pormenor como tinham feito as coisas . Depois tive de lhes fazer um feitiço antimemória para que não voltassem a lembrar se do_que tinham feito . Se há uma coisa de que me orgulho é de os meus feitiços antimemória . Não , tive muito trabalho , Harry . Não foram só as sessões de autógrafos e as fotografias , sabes ? Quem quer ser famoso tem de estar preparado para um trabalho longo e fatigante . Fechou as malas a a chave . - Vejamos - disse . - Acho que está tudo . Sim , só falta uma coisa . - Empunhou a varinha e voltou se para eles . - Lamento muito , rapazes , mas vou ter de vos fazer um feitiço antimemória . Não posso deixar que vão por aí repetir os meus segredos . Não venderia nem mais um livro . Harry pegou em a varinha mesmo a tempo e Lockhart mal tinha levantado a de ele a o ar quando Harry gritou * _ Expelliarmus ! * Lockhart foi projectado de costas , indo cair em cima de a mala . A varinha voou por os ares . Ron agarrou a e atirou a por a janela aberta . - Não devia ter deixado o professor Snape ensinar nos esta - disse Harry furioso , dando um pontapé a uma de as malas . Lockhart olhava para ele , de_novo escanzelado . Harry apontava lhe a varinha . - O que queres que eu faça ? - perguntou debilmente . - Eu não sei onde fica a Câmara_dos_Segredos . Não posso fazer nada . - Está com sorte - disse Harry , forçando o com a varinha a pôr se de pé . - Nós julgamos saber onde é e o que está lá dentro . Vamos . Conduziram Lockhart para fora de o seu escritório , desceram com ele as escadas e seguiram por o corredor escuro em cuja parede brilhavam as mensagens , até a a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mandaram Lockhart a a frente . Harry gostou de ver que todo ele tremia . A Murta_Queixosa estava sentada em a cisterna de o cubículo de o fundo . - Ah ! são vocês - disse a o ver o Harry . - O que querem agora ? - Perguntar te como morreste - disse Harry . O aspecto de a Murta mudou por completo . Parecia que nunca lhe tinham feito uma pergunta tão lisonjeira . - Ooooh ! Foi horrível - disse satisfeita . - Aconteceu aqui mesmo . Morri em este cubículo . Lembro me tão bem . Estava escondida porque a Olive_Hornby andava a implicar comigo por causa de os meus óculos . A porta estava fechada e eu estava a chorar e , então , ouvi alguém entrar . Disseram qualquer coisa estranha em uma língua diferente , acho eu . Mas o que mais me espantou foi o ser um rapaz a falar . Por isso , abri a porta para lhe dizer que fosse a a casa_de_banho de eles e em esse momento - a Murta inchou com ar importante , o rosto a brilhar - morri . - Como ? - perguntou Harry . - Não faço ideia - disse a Murta em um tom de voz abafado . - Só me lembro de ver dois grandes olhos amarelos , de o meu corpo ficar preso e em seguida , sentir me a flutuar ... - olhou sonhadoramente para Harry . - E depois voltei . Estava disposta a vingar me de a Olive_Hornby , percebes ? Ela ia arrepender se de ter gozado com os meus óculos . - Onde foi exactamente que viste os tais olhos ? - perguntou Harry . - Algures por aí - disse a Murta , apontando vagamente para o lavatório em frente de o seu cubículo . Harry e Ron apressaram se . Lockhart estava de pé , mais atrás , com uma expressão de pavor em o rosto . O lavatório parecia perfeitamente vulgar . Examinaram o centímetro a centímetro , dentro e fora , incluindo os canos por baixo . E foi então que Harry reparou : de lado , rabiscada em uma de as torneiras de cobre , estava uma cobra pequenina . - Essa torneira nunca funcionou - disse vivamente a Murta enquanto ele tentava abri a . - Harry - sugeriu o Ron . - Diz qualquer coisa em * serpentês * . Mas , pensou Harry , as únicas vezes que conseguira falar * serpentês * tinham ocorrido quando confrontado com uma verdadeira serpente . Olhou , concentrado para a pequena cobra gravada em o cobre , tentando imaginá a como verdadeira . - Abre te - disse . Olhou para o Ron que abanou a cabeça . - Inglês - disse ele . Harry voltou a olhar para a cobra , forçando se a acreditar que estava viva . A luz de a vela fez parecer que se movia . - Abre te - repetiu . Mas desta_vez as palavras não foram o que ele ouviu . Um estranho sibilar escapou lhe de a boca e a torneira ganhou uma luz branca e brilhante e começou a rodar . Logo_a_seguir o lavatório mexeu se . Afastou se , melhor dizendo , saiu de o caminho , deixando um grande cano a a vista , um cano onde cabia um homem . Harry ouviu a respiração arquejante de o Ron e olhou de_novo para ele . Já decidira o que queria fazer . - Vou descer - disse . Não podia deixar de ir , agora_que acabavam de descobrir a entrada para a câmara , existindo uma possibilidade , por mais remota que fosse , de a Ginny ainda estar viva . - Eu também - disse o Ron . Houve uma pausa . - Bem , parece que não precisam mais de mim - apressou se Lockhart a dizer com uma réstia de sorriso . - Eu vou . . . Pôs a mão em o puxador de a porta mas Ron e Harry apontaram lhe ambos as varinhas . -- O senhor pode ir a a frente - disse rispidamente o Ron . Pálido e sem varinha , Lockhart aproximou se de a entrada . - Meus rapazes - disse em uma voz débil . - Meus rapazes , para quê tudo_isto ? Harry tocou lhe em as costas com a varinha e ele meteu as pernas em o cano . - Eu não me parece que ... - começou a dizer , mas o Ron deu lhe um empurrão e ele desapareceu por o cano abaixo . Harry foi rapidamente atrás . Introduziu se lentamente e deixou se cair . Era como escorregar em uma pista escura e interminável . Ele via outros canos , estendendo se em todas_as direcções mas nenhum tão largo como o de eles que se torcia e virava , inclinando se abruptamente . Harry sabia que estavam a chegar a um ponto muito abaixo de a escola e de os calabouços . Atrás_de si , ouvia o Ron gemendo em cada curva . E então , quando começava a preocupar se com o que iria acontecer quando tocassem em o chão , o cano tornou se horizontal e ele foi projectado com um ruído surdo , indo aterrar em o chão húmido de um túnel de pedra com altura suficiente para ele se pôr de pé . Lockhart estava a levantar se a alguma distancia , todo enlameado e pálido como um fantasma . Harry afastou se para deixar o Ron sair também de o cano . - Devemos estar quilómetros e quilómetros abaixo de a escola - disse o Harry cuja voz ecoou em o túnel negro . - Talvez até debaixo de o lago - arriscou o Ron , olhando em volta para as paredes escuras e viscosas . Voltaram se os três para olhar para a escuridão lá a o fundo . - * _ Lumus ! * - murmurou Harry a a varinha e ela voltou a acender se . - Vamos - disse a o Ron e a o Lockhart e avançaram , os passos a chapinharem ruidosamente em o chão molhado . O túnel era tão escuro que só conseguiam ver alguns centímetros a a frente . As suas sombras em as paredes molhadas pareciam monstruosas a a luz de a varinha . - Lembrem se - disse Harry baixinho enquanto caminhavam . - A o menor movimento fechem logo os olhos ... Mas o túnel era silencioso como um túmulo e o primeiro som inesperado que ouviram foi um grito de o Ron que escorregou em uma coisa que era afinal a cauda de um rato . Harry baixou a varinha para olhar para o chão e viu que estava cheio de pequenos ossos de animais . Fazendo um enorme esforço para evitar pensar em que estado iriam encontrar a Ginny , avançou até uma curva escura de o túnel . - Harry , está aqui qualquer coisa - disse o Ron com voz rouca , agarrando Harry por o ombro . Ficaram estáticos a olhar . Harry só conseguia ver a silhueta de algo enorme e curvo deitado em o túnel . Fosse o que fosse não se movia . - Talvez esteja a dormir - murmurou , olhando para os outros dois . Lockhart tapava os olhos com as mãos . Harry voltou se para olhar para a criatura com o coração a bater tanto que lhe doía em o peito . Lentamente , com os olhos quase fechados mas ainda conseguindo ver , Harry avançou com a varinha levantada . A luz deslizou sobre uma gigantesca pele de serpente , de um verde vivo e venenoso que estava vazia e enrolada em o chão de o túnel . A criatura que a abandonara devia ter , pelo_menos , seis metros e meio de comprimento . - Bolas - disse o Ron , perdendo as forças . Houve um movimento súbito atrás de eles . As pernas de Gilderoy_Lockhart cederam . - Levante se - disse o Ron de uma forma cortante , apontando lhe a varinha . Lockhart pôs se de pé . Em seguida empurrou o Ron , atirando o a o chão . Harry deu um salto , mas ... tarde de mais . Lockhart endireitava se com a varinha de o Ron em as mãos e um sorriso em o rosto . - A aventura acaba aqui , rapazes - disse . - Vou levar um bocado de esta pele de cobra para a escola , contar lhes que foi demasiado tarde para salvar a garota e que vocês os dois perderam tragicamente a memória com a visão de o seu corpinho mutilado . Digam adeus a as vossas recordações . Levantou a o ar a varinha avariada de o Ron e gritou * _ Obliviate ! * A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba . Harry pôs os braços sobre a cabeça e correu , escorregou em os anéis de a pele de cobra , afastando se de os grandes pedaços de tecto de o túnel que caíam em o chão com o ruído de trovões . Pouco depois estava sozinho , olhando para uma sólida parede de rocha partida . - Ron - gritou ele . - Estás bem , Ron ? - Estou aqui - respondeu a voz abafada de o Ron por detrás de a avalancha de rochas . - Eu estou bem mas este sujeito não . A varinha avariou o todo . Ouviu se um ruído surdo e um Oh ! gritado . Parecia que o Ron tinha acabado de dar a o Lockhart um pontapé em as canelas . - E agora ? - disse a voz de o Ron que parecia desesperada . - Não podemos passar , vai demorar séculos . Harry olhou para o tecto de o túnel onde tinham aparecido grandes fendas . Ele nunca tentara partir , através de a magia , nada tão grande como aquelas rochas e agora não lhe parecia ser o melhor momento para fazer experiências . E se o túnel abatesse ? Houve um ruído surdo e outro Oh ! atrás de as rochas . Estavam a perder tempo . A Ginny já estava havia duas horas em a Câmara_dos_Segredos . Harry sabia que só havia uma coisa a fazer . - Espera aqui - gritou a o Ron . - Fica com o Lockhart , eu vou lá . Se não voltar dentro_de uma hora ... Houve um silêncio cheio . - Eu vou ver se desloco um_pouco esta rocha - disse o Ron , tentando manter a voz firme . - Para tu poderes passar . E , Harry ... - Até já - disse o Harry , procurando injectar confiança em a sua voz trémula . E passou sozinho para lá de a imensa pele de serpente . Em_breve , o ruído de o Ron , tentando deslocar a rocha , deixou de se ouvir . O túnel virou uma e outra_vez . Os nervos de o corpo de o Harry tangiam de forma desagradável . Ele só queria que o túnel chegasse a o fim , fosse o que fosse que o aguardasse . E então , finalmente , quando atingiu a última curva , viu em a sua frente uma parede sólida que tinha gravadas duas serpentes enroladas uma em a outra , cujos olhos eram quatro esmeraldas , enormes e brilhantes . Harry aproximou se com a garganta seca . Não foi preciso imaginar que as serpentes eram autênticas . Os seus olhos pareciam estranhamente vivos . Foi fácil descobrir o que tinha de fazer . Pigarreou e os olhos de esmeraldas pareceram mexer se . - Abre te - disse Harry em um sibilar baixo . As serpentes desapareceram enquanto a parede se abria a o meio e , a tremer de os pés a a cabeça , Harry entrou . XVII_Herdeiro_de_Slytherin_Estava de pé em o fundo de uma divisão enorme , fracamente iluminada . Altíssimos pilares de pedra , cheios de serpentes gravadas que os enlaçavam , erguiam se , suportando um tecto que se perdia em a escuridão e que lançava sombras negras imensas através de a estranha luz esverdeada que enchia o local . Com o coração a bater descompassadamente , Harry ficou parado a ouvir aquele silêncio arrepiante . Estaria o Basilisk escondido em um canto cheio de sombras , atrás_de algum pilar ? E onde estaria Ginny ? Pegou em a varinha e avançou a o longo de as colunas serpenteantes . Cada_um de os seus passos provocava um enorme eco em as paredes sombrias . Harry tinha os olhos semicerrados e estava pronto para os fechar a o mais pequeno movimento . As órbitas de olhos fundos de as serpentes de pedra pareciam segui o . Por mais de uma_vez , com o estômago a dar um salto , Harry julgou vê os moverem se . Por fim , chegado a o nível de os dois últimos pilares , avistou uma estátua de a altura de a própria câmara que estava encostada a a parede de o fundo . Harry tinha de esticar o pescoço para olhar para_cima , para a cara de o gigante : era velho e com um ar simiesco , tinha uma barba enorme que lhe caía quase onde acabava a longa túnica de pedra . Os dois pés imensos e cinzentos pousavam em o chão de a câmara . E entre eles , voltada para baixo , estava uma figura pequenina vestida de preto com um cabelo flamejante . - Ginny - murmurou Harry , chegando perto de ela e ajoelhando se . - Ginny , por favor não estejas morta , não estejas morta ! Atirou a varinha para o lado , agarrou Ginny por os ombros e voltou a . O rosto de ela estava branco e frio como o mármore , contudo os olhos encontravam se fechados , portanto não estava petrificada . Mas então devia estar ... - Ginny , acorda por favor - repetiu Harry desesperado , sacudindo a . A cabeça de ela andava de um lado para o outro . - Ela não vai acordar - disse secamente uma voz . Harry deu um salto e girou sobre os joelhos . Um rapaz alto , de cabelo preto , estava encostado a o pilar mais próximo , a observá o . As sombras desfocavam o como_se Harry o visse através_de uma janela embaciada . Mas não havia como confundis o . - Tom , Tom_Riddle ? Riddle acenou , sem tirar os olhos de o rosto de Harry . - O que queres dizer com isso de ela não acordar ? - perguntou Harry desesperado . - Ela não está ... não está ? - Está viva - disse Riddle . - Mas , por um fio . Harry olhou fixamente para ele . Tom_Riddle estivera em Hogwarts há cinquenta anos atrás . Contudo , ali estava com uma luz estranha e desfocada a iluminá o , sem um dia a mais do_que os seus dezasseis anos . - És um fantasma ? - perguntou Harry . - Uma memória - disse Riddle . - Preservada em um diário durante cinquenta anos . Apontou para os pés de a estátua gigantesca . Ali , aberto em o chão , estava o pequeno diário de capa preta que Harry tinha encontrado em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Durante um segundo , Harry perguntou a si próprio como teria ido ali parar , mas havia coisas mais importantes a fazer . Preciso de a tua ajuda , Tom - disse Harry , levantando de_novo a cabeça de a Ginny . - Temos de sair de aqui . Há_um_Basilisk ... não sei onde está mas pode aparecer a qualquer momento . Por favor , ajuda me . Riddle não se mexeu . Harry , a transpirar , conseguiu levantar ligeiramente a Ginny de o solo e inclinou se para pegar em a varinha mas ela tinha desaparecido . - Viste a ... ? Olhou para_cima . Riddle continuava a olhá o , fazendo girar a varinha entre os dedos longos . - Obrigado - disse Harry , esticando o braço para a agarrar . Um sorriso surgiu então em os cantos de a boca de Riddle que continuou a olhar para ele , girando indolentemente a varinha . - Ouve , pá - disse Harry sem querer perder mais tempo , os joelhos a vergarem sob o peso morto de Ginny - temos de ir . Se o Basilisk aparece ... - Ele não vem enquanto não for chamado - disse Riddle com toda_a calma . Harry voltou a pousar Ginny em o chão , incapaz de a segurar por mais tempo . - Que queres dizer com isso ? - perguntou . - Dá me a minha varinha , posso precisar de ela . O sorriso de Riddle ampliou se . - Não vais precisar de ela - disse . Harry olhou o espantado . - O que queres dizer , não vou ? - Esperei muito_tempo por isto , Harry - disse Riddle . - Pela possibilidade de te ver , de falar contigo . - Olha , eu acho que tu não estás a perceber - disse Harry , perdendo a paciência . - Estamos em a Câmara_dos_Segredos , podemos conversar mais tarde . - Vamos conversar agora - disse Riddle , sorrindo de orelha a orelha e guardando a varinha de Harry em o bolso . Harry voltou a olhar para ele . Havia qualquer coisa de muito estranho em tudo aquilo . - Como é_que a Ginny ficou assim ? - perguntou pausadamente . - Bem , essa é uma pergunta interessante - disse Riddle , divertido . - E uma longa história , também . Julgo que o verdadeiro motivo que levou Ginny_Weasley a ficar assim foi o ter aberto o seu coração e revelado todos os seus segredos a um estranho ser invisível . - De quem estás a falar ? - perguntou Harry . - De o diário - disse Riddle . - De o meu diário . A Ginny escreve nele há meses e meses , contando me todas_as suas lamentáveis desgraças e atribulações : como os irmãos a arreliam , que teve de vir para a escola com manto , túnica e livros em segunda mão - os olhos de Riddle brilharam -- , que acha que o maravilhoso , o grande , o famoso Harry_Potter nunca vai gostar de ela ... Enquanto falava , nunca os olhos de Riddle se afastaram de a cara de o Harry . Havia em eles um olhar ávido . - É muito chato ter de ouvir as preocupações idiotas de uma garotinha de onze anos - prosseguiu . - Mas eu fui paciente . Respondi lhe , mostrei me simpático e amável . A Ginny pura e simplesmente adorou me . - * _ Nunca ninguém me compreendeu como tu , Tom ... estou tão feliz por ter este diário a quem me confiar ... é como ter um amigo que pode andar em o meu bolso * ... Riddle riu se . Um riso alto , frio , que não lhe ficava bem . Fez com que os cabelos de o pescoço de Harry se arrepiassem todos . - Verdade se diga que sempre consegui encantar as pessoas necessárias . Portanto a Ginny verteu em mim a sua alma e a alma de ela era precisamente o que eu queria . Fortaleceu me . Alimentei me de os seus medos mais profundos , de os seus mais obscuros segredos . Fui ficando cada_vez_mais forte e poderoso . Muito mais poderoso do_que a pequena Miss_Weasley até que comecei a transmitir lhe alguns de os meus segredos , a passar um_pouco de a minha alma para ela ... - O que queres dizer ? - perguntou Harry cuja boca ficara totalmente seca . - Ainda não descobriste , Harry_Potter ? - disse Riddle muito baixo . - Giony_Weasley abriu a Câmara_dos_Segredos , estrangulou os galos de a escola e escreveu mensagens assustadoras em as paredes . Atiçou a serpente de Slytherin contra quatro sangues de lama e contra o gato de o busca-pé . - Não - murmurou Harry . - Sim - disse calmamente Riddle . - É claro que a princípio não sabia o que estava a fazer . Era muito divertido . Gostava que visses as coisas que escreveu em o diário , começaram a ficar muito mais interessantes . * _ Querido_Tom * - recitou ele , olhando para a expressão horrorizada de o Harry . - * _ Acho que estou a perder a memória . Há penas de galo em todas_as minhas roupas e eu não sei como foram lá parar . Querido_Tom , não me lembro do_que fiz em a noite de o Hallowe'en mas foi atacada uma gata e eu estou cheia de tinta em a cara . Querido_Tom , o Percy não pára de me dizer que ando pálida e não pareço eu . Acho que ele suspeita de mim ... Houve outro ataque hoje e eu não sei onde estava . Tom , que vou eu fazer ? Acho que estou a ficar maluca ... acho que ando a atacar toda_a_gente , Tom ! * Harry tinha os punhos fechados , as unhas cravadas contra a palma de as mãos . - Levou muito_tempo até a pequenina estúpida deixar de confiar em o diário - disse Riddle . - Mas acabou por ficar desconfiada e tentou livrar se de ele . E é aí que tu entras , Harry . Tu encontraste o . E eu não poderia ter ficado mais satisfeito . De todas_as pessoas que poderiam ter ficado com ele , foste tu , aquele que eu ambicionava conhecer ... - E porque querias conhecer me ? - perguntou Harry . Começava a ser tomado por a raiva e fez um esforço para manter o tom de voz controlado . - Bem , a Ginny contou me tudo a teu respeito - disse Riddle . - A tua fascinante história . - Os seus olhos pousaram em a cicatriz em a testa de Harry e a sua expressão ganhou maior avidez . - Sabia que devia descobrir mais a teu respeito , falar te , encontrar me contigo se fosse possível . Por isso , para ganhar a tua confiança , resolvi mostrar te a famosa captura que fiz de aquele demente de o Hagrid . - O Hagrid é meu amigo - disse Harry já com a voz a tremer . - E tu tramaste o , não foi ? Pensei que tinha sido um engano , mas ... Ele riu se . O mesmo riso de antes . - Era a minha palavra contra a palavra de ele . Imagina a cara de o velho Armando_Dippet . De um lado Tom_Riddle , pobre mas brilhante , sem pais mas corajoso , prefeito de a escola , um modelo de aluno . De o outro lado , o Hagrid , grande e disparatado , arranjando problemas semana sim , semana não , tentando criar filhotes de lobisomens debaixo de a cama , escapando se para a floresta proibida para lutar com gigantes . Mas , devo admitir que até eu próprio fiquei admirado com os excelentes resultados de o meu plano . Pensei que alguém perceberia que o Hagrid nunca poderia ser o herdeiro de Slytherin . Demorei cinco anos inteirinhos até descobrir tudo_o_que me foi possível sobre a Câmara_dos_Segredos e a sua entrada secreta ... como_se o Hagrid tivesse cabeça ou poder ! - Só o professor de Transfiguração , Dumbledore , parecia achar que ele estava inocente . Convenceu Dippet a mantê o aqui e a treiná o como guarda de os campos . Sim , é natural que Dumbledore tenha adivinhado , nunca gostou de mim como os outros professores . - Aposto que Dumbledore viu através_de ti - disse Harry , de dentes cerrados . - Pelo_menos passou a vigiar me de perto , a partir de o momento em que o Hagrid foi expulso - disse Riddle descuidadamente . - Eu sabia que não era seguro voltar a abrir a câmara enquanto ainda estava em a escola mas não ia desperdiçar os longos anos que passara a pesquisar . Decidi , por isso , deixar um diário preservando em as suas páginas o meu ego de dezasseis anos para que um dia , com um_pouco de sorte , pudesse levar outro a seguir os meus passos e acabar o nobre trabalho de Salazar_Slytherin . - Bem , não o acabaste - disse Harry triunfante . - Ninguém morreu até agora , nem mesmo a gata . Dentro_de poucas horas a poção de mandrágoras estará pronta e todos os que foram petrificados voltarão de_novo a si . - Não acabei de te dizer que matar sangues de lama já não me interessa ? Há muitos meses que o meu alvo és tu . Harry olhou para ele . - Podes imaginar como fiquei furioso quando em outro dia o diário foi aberto e vi que era a Ginny quem estava a escrever e não tu . Ela viu te com o diário e entrou em pânico . E se tu descobrisses como trabalhar com ele e eu te repetisse todos os seus segredos ? Ainda pior , e se eu te contasse quem tinha andado a estrangular os galos ? Por isso , a grande palerma esperou que o teu dormitório estivesse deserto e foi lá roubá o . Mas eu sabia o que tinha de fazer . Estava muito claro para mim que a tua meta era o herdeiro de Slytherin . Por tudo_o_que a Ginny me contara a teu respeito , sabia que irias até onde fosse preciso para desvendar o mistério , principalmente se um de os teus melhores amigos tivesse sido atacado . E a Ginny disse me que a escola toda bichanava por tu falares * serpentês * ... Por isso , obriguei a Ginny a escrever a sua própria despedida em a parede , a vir até aqui e esperar . Ela debateu se e gritou e ficou muito chatinha . Mas , já não tem muita vida : pôs grande parte de ela em o diário , deu me a . O suficiente para eu abandonar , por fim , as suas páginas . Desde_que aqui cheguei que estou a a tua espera . Sabia que virias . Tenho muitas perguntas a fazer te , Harry_Potter . - Que perguntas ? - disse Harry com os punhos fechados . - Bem - prosseguiu Riddle , sorrindo de satisfação : - Como é_que um bebé sem especiais talentos de magia foi capaz de derrotar o maior feiticeiro de sempre ? Como conseguiste escapar só com uma cicatriz quando os poderes de Lord_Voldemort foram destruídos ? Havia agora em os seus olhos um brilho vermelho e irado . - O que é_que te interessa saber como eu escapei ? - disse Harry lentamente . - Voldemort veio depois de ti . - Voldemort - disse Riddle - é o meu passado , o meu presente e o meu futuro , Harry_Potter ... Tirou a varinha de o Harry de o bolso e começou a escrever em o ar três palavras brilhantes : TOM_MARVOLO_RIDDLE_Em seguida , fez um gesto com a varinha e as letras de o seu nome reagruparam se de outro modo . : __ eu sou lord __ voldemort ( I am Lord_Voldemort ) . - Vês ? - murmurou . - Era um nome que eu já usava em Hogwarts , para os meus amigos mais íntimos apenas , como é óbvio . Achas que ia usar para sempre o nome nojento de o meu pai Muggle ? Eu , em cujas veias , por o lado materno , corre o sangue de Salazar_Slytherin ? Eu , manter o nome de um Muggle tolo que me abandonou ainda antes de eu nascer só porque descobriu que a mulher com quem casara era uma bruxa ? Não , Harry , arranjei um novo nome , um nome que eu sabia que os feiticeiros de todo_o_mundo viriam um dia a ter medo de pronunciar , quando eu me tivesse tornado o maior feiticeiro de o mundo . A cabeça de Harry parecia bloqueada . Olhou como_que paralisado para Riddle , para o rapaz de o orfanato que depois de crescer iria matar os seus pais e tantos outros . Por fim , com algum esforço conseguiu falar . - Não és - disse em uma voz calma e cheia de ódio . - Não sou o quê ? - perguntou Riddle irritado . - Não és o maior feiticeiro de o mundo - disse Harry com a respiração acelerada . - Lamento desiludir te mas o maior feiticeiro de o mundo é Albus_Dumbledore . Toda_a_gente sabe . Mesmo tu , quando tinhas força , não ousavas tentar aproximar te de Hogwarts . Dumbledore viu através_de ti quando andavas em a escola e ainda agora te assusta onde quer que te escondas . O sorriso desaparecera de o rosto de Riddle , fora substituído por um olhar furioso . - Dumbledore foi afastado de este castelo por a minha simples memória - sibilou . - Ele não está tão longe como pensas - retorquiu Harry . Falava por falar , tentando assustar Riddle , desejando mais que assim fosse do_que acreditando em as suas palavras como uma verdade . Riddle abriu a boca mas não chegou a falar . Tinha começado a ouvir se uma música . Riddle deu uma volta , olhando para a câmara vazia . A música estava a ficar mais alta . Era misteriosa , arrepiante , sobrenatural . Fez_Harry ficar com os cabelos em pé e o coração aumentar lhe em o peito . Por fim , quando atingiu um ponto tão alto que Harry a sentiu vibrar dentro de as suas costelas , começaram a sair chamas de o topo de o pilar mais próximo . Uma ave carmesim de o tamanho de um cisne surgiu , assobiando a sua estranha melodia para o tecto em forma de abóbada . Tinha uma cauda dourada tão longa como a de um pavão e garras douradas e brilhantes que seguravam uma trouxa andrajosa . Segundos depois , a ave voava em direcção a Harry . Deixou cair a coisa andrajosa a os seus pés e pousou lhe pesadamente em o ombro . Quando abriu as enormes asas , Harry olhou para_cima e viu que tinha um longo bico afiado e olhos escuros pequenos e brilhantes . A ave parou de cantar . Ficou quieta junto de a cara de Harry , olhando fixamente para Riddle . - É uma fénix , disse Riddle , olhando sagazmente para ela . - Fawkes ? - murmurou Harry e sentiu as garras douradas apertarem lhe devagarinho o ombro . - E aquilo - disse Riddle , olhando para a coisa velha que Fawkes deixara em o chão - é o velho chapéu seleccionador , de a escola . Era , de facto . Amachucado , puído e sujo , o chapéu jazia imóvel a os pés de Harry . Riddle começou a rir . Riu se tanto que a câmara escura se lhe juntou em um eco tal que parecia que dez Riddles se riam ao_mesmo_tempo . - Eis o que Dumbledore envia a o seu defensor . Um pássaro que canta e um chapéu velho . Estás cheio de coragem , Harry_Potter ? Sentes te agora mais seguro ? Harry não respondeu . Podia não estar a ver a vantagem de a Fawkes ou de o chapéu seleccionador mas já não se sentia só , e esperou corajosamente que Riddle parasse de rir . - Vamos a o que importa , Harry - disse ele , ainda com um enorme sorriso . - Encontrámo nos duas vezes em o teu passado , em o meu futuro . E duas vezes falhei a o tentar matar te . Como foi que sobreviveste ? Conta me tudo . Quanto_mais falares , mais tempo tens de vida . Harry pensava rapidamente , medindo as suas possibilidades . Riddle tinha a varinha . Ele , Harry , tinha a Fawkes e o chapéu seleccionador que não lhe serviriam de muito em o combate . As coisas pareciam más , é certo . Mas quanto_mais tempo Riddle ali estivesse , mais vida retirava a a Ginny ... e , entretanto , Harry reparou que a silhueta de Riddle se tornava mais nítida , mais sólida . Se tinha de haver uma luta entre os dois , quanto_mais depressa melhor . - Ninguém sabe porque perdeste os poderes quando me atacaste - disse bruscamente . - Eu próprio não sei . Mas sei porque não conseguiste matar me . A minha mãe morreu para me salvar . A minha mãe , uma vulgar filha de Muggles - acrescentou , a tremer de raiva . - Ela impediu que tu me matasses . E eu vi te como tu és , em o ano passado . És um destroço , quase não existes . Foi onde o teu poder te levou . Estás sob um disfarce , és horrível e és louco . O rosto de Riddle contorceu se . Em seguida , forçou um sorriso pavoroso . - Quer_dizer , então , que a tua mãe morreu para te salvar . Sim , é um antifeitiço poderoso . Compreendo agora , afinal não há em ti nada de especial . Eu tinha curiosidade , sabes , porque há uma estranha semelhança entre nós , Harry_Potter . Até tu deves ter reparado . Somos ambos meio sangue , órfãos , educados com Muggles , provavelmente os dois únicos que falam * serpentês * desde o grande Slytherin , até nos parecemos um_pouco fisicamente ... mas afinal foi apenas uma questão de sorte que te salvou de mim . Era o que eu queria saber . Harry ficou parado , tenso , a a espera que Riddle levantasse a varinha mas o seu sorriso cínico ampliou se de_novo . - Agora , Harry , vou dar te uma pequena lição . Vamos confrontar os poderes de Lord_Voldemort , herdeiro de Salazar_Slytherin e de o famoso Harry_Potter , munido com as melhores armas que Dumbledore lhe deu . Lançou um olhar divertido a a Fawkes e a o chapéu seleccionador e , em seguida , afastou se . Harry com as pernas entorpecidas por o medo viu o parar entre dois pilares altos e olhar para a cara de pedra de Slytherin , lá em cima em a semi-obscuridade . Riddle abriu a boca e sibilou mas Harry compreendeu o que ele dizia . - * _ Responde-me , Slytherin , o maior de os quatro de Hogwarts * . Harry voltou se para olhar melhor para a estátua com Fawkes pousada em o ombro . A gigantesca cara de pedra de Slytherin movia se . Horrorizado , Harry viu a boca abrir se mais e mais até se transformar em um buraco negro . E algo se agitava dentro de a boca de a estátua . Algo se arrastava para fora de as suas entranhas . Harry recuou até a a parede escura de a câmara e enquanto fechava os olhos com força sentiu a asa de a Fawkes roçar lhe o rosto e levantar voo . Harry quis gritar : - Não me abandones ! - mas que possibilidades tinha uma fénix contra o rei de as serpentes ? Uma coisa enorme bateu em o chão de pedra que Harry sentiu estremecer . Sabia o que estava a acontecer , podia sentis o , quase podia ver a serpente gigantesca a sair de a boca de Slytherin . Foi então que ouviu a voz de Riddle sibilar : * _ Mata-o * . O Basilisk avançava em direcção a Harry . Ele ouvia o seu corpo enorme escorregar pesadamente por o chão cheio de pó . Com os olhos sempre fechados , Harry começou a correr para o lado , a as cegas , com as mãos abertas a tactear o caminho . Riddle ria se a as gargalhadas . Harry escorregou e caiu em o chão de pedra e a boca soube lhe a sangue . A serpente estava a poucos centímetros de ele . Podia ouvi a a aproximar se . Ouviu se um crepitar explosivo por cima de ele e alguma coisa pesada bateu lhe com tanta força que ele ficou encostado a a parede . Esperando que os dentes de a serpente lhe perfurassem o corpo , ouviu mais ruídos e qualquer coisa que se agitava com força contra os pilares . Não conseguiu evitar . Abriu bem os olhos para ver o que se passava . A enorme serpente , brilhante , de um verde veneno , espessa como o tronco de um carvalho , erguera se em o ar e a sua imensa cabeça agitava se de um lado para o outro , entre os dois pilares . Quando Harry , a tremer , se preparava para fechar de_novo os olhos , percebeu o que distraíra a cobra . Fawkes esvoaçava em volta de a sua cabeça e o Basilisk , furioso , tentava agarrá a com os dentes longos e afiados como sabres . Fawkes mergulhava . Harry deixou de ver o bico fino e dourado e uma brusca chuva de sangue escuro inundou o chão . A cauda de a serpente agitou se , não batendo em o Harry por_pouco e antes que ele pudesse fechar os olhos voltou se . Harry olhou lhe para a cara e viu que os seus olhos , os dois olhos amarelos e bolbosos tinham sido perfurados por a fénix . O sangue escorria por o chão e a serpente cuspia cheia de dores . - * _ Não * - Harry ouviu o grito de Riddle . - * _ Deixa a ave , deixa a ave , o rapaz está atrás_de ti , ainda podes cheirá o . Mata o ! * A serpente cega oscilou confusa , ainda em fúria . Fawkes andava a a volta de a cabeça de ela soprando a sua misteriosa cantilena , picando lhe aqui_e_ali o nariz cheio de escamas , enquanto o sangue jorrava de os seus olhos destruídos . - Ajudem me . Ajudem me - murmurava Harry aflito . - Alguém , ajude me . A cauda de a serpente chicoteou de_novo o chão . Harry baixou se . Algo macio tocou lhe em o rosto . O Basilisk lançara o chapéu seleccionador para os braços de o Harry que o agarrou . Era tudo_o_que tinha , a sua única esperança . Enfiou o em a cabeça e começou a ficar achatado contra o chão , enquanto a cauda de o Basilisk se lançava de_novo sobre ele . - Ajudem me , ajudem me - pensou Harry , os olhos comprimidos debaixo de o chapéu . - Por favor , ajudem me . Nenhuma voz lhe respondeu . Em vez de isso , o chapéu contraiu se como_se uma mão invisível o tivesse espalmado devagarinho . Alguma coisa muito dura e pesada caíra sobre a cabeça de Harry , conseguindo quase derrubá o . A ver estrelas em frente de os olhos , agarrou o chapéu para o puxar para baixo e sentiu lá dentro uma coisa longa e dura . Uma espada brilhante tinha surgido dentro de o chapéu . Tinha um cabo cravejado de rubis de o tamanho de pequenos ovos . - Mata o rapaz , deixa a ave . O rapaz está atrás_de ti . Cheira o ! Harry estava de pé , preparado . A cabeça de o Basilisk caía , o corpo serpenteava , batendo nos pilares quando se torcia para ficar de frente para ele . Harry podia ver as enormes órbitas ensanguentadas , a boca toda aberta , suficientemente grande para o engolir inteiro , munida de dentes tão longos como a sua espada , finos , brilhantes , venenosos ... Começou a atacar a as cegas . Harry baixou se e a serpente bateu em a parede de a câmara . Atacou de_novo e a sua língua bifurcada lambeu a parede ao_lado_de Harry que levantou a espada com ambas as mãos . O Basilisk investiu mais_uma_vez e agora a pontaria foi certa . Harry pôs todo o seu peso contra a espada e enterrou a até a os copos em o céu de a boca de a serpente . Mas quando o sangue quente lhe encheu os braços , sentiu uma dor aguda mesmo acima de o cotovelo . Um longo dente venenoso penetrava cada_vez_mais fundo em o seu braço , partindo se quando o Basilisk tombou para o lado , perdendo os sentidos . Harry escorregou a o longo de a parede , apertou com força o dente que estava a derramar veneno por todo o seu corpo e arrancou o de o braço . Mas sabia que era demasiado tarde . Uma dor quente emanava lenta e perseverantemente de a ferida . Quando deixou cair o dente e viu o seu próprio sangue manchando lhe as vestes , a vista começou a ficar turva e a câmara a diluir se em uma rotação ardente e colorida . Mas algo escarlate passou por ele e Harry ouviu a o seu lado um suave ruído de garras . - Fawkes - disse com a voz empastada . - Foste sensacional , Fawkes . - Sentiu o pássaro encostar a sua elegante cabeça a o sítio onde o dente de a serpente o tinha ferido . Ouviu passos ecoarem em o vazio e em seguida uma sombra escura moveu se em a sua frente . - Estás morto , Harry_Potter - disse a voz de Riddle , acima de ele . - Morto . Até o pássaro de Dumbledore sabe de isso . Vês o que ele está a fazer ? A chorar . Harry piscou os olhos . A cabeça de Fawkes ora estava focada , ora desfocada . Lágrimas grossas como pérolas escorriam de as suas penas . - Vou sentar me aqui a ver te morrer , Harry_Potter . Leva o teu tempo , eu não tenho pressa . Harry sentiu se sonolento . Tudo parecia girar a a sua volta . - E assim acaba o famoso Harry_Potter - disse a voz distante de Riddle . - Sozinho em a Câmara_dos_Segredos , esquecido por os amigos , finalmente derrotado por o Senhor de o mal que ele tão imprudentemente desafiou . Vais reunir te a a tua querida mãe sangue de lama , Harry ... Ela deu te doze anos de tempo emprestado ... Mas Lord_Voldemort apanhou te em o fim , como sabias que teria de acontecer . Se morrer é isto , pensou Harry , não é assim tão mau . Até a dor estava a desaparecer . Mas , estaria a morrer ? Em_vez_de ficar mais escura a câmara parecia voltar a estar nítida . Harry fez um pequeno gesto com a cabeça e viu a Fawkes ainda repousando a cabeça em o seu ombro . Uma fiada de pérolas brilhava em volta de a ferida , só que já não havia ferida . - Sai de aqui , pássaro - disse subitamente a voz de Riddle . - Afasta te de ele . Já te disse , sai de aqui ! Harry levantou a cabeça . Riddle apontava a sua varinha a Fawkes . Ouviu se um tiro que parecia de carabina e Fawkes levantou novamente voo em um rodopio de ouro e escarlate . - Lágrimas de fénix - disse Riddle em voz baixa , olhando para o braço de o Harry . - É claro ... poderes curativos ... esqueci me ... Olhou para a cara de Harry . - Mas não faz mal . Pensando bem , eu até prefiro assim . Tu e eu , Harry_Potter ... Tu e eu ... Levantou a varinha . Então , em um golpe de asa , Fawkes voou sobre as cabeças de ambos , deixando cair uma coisa em o colo de Harry : o diário . Durante uma fracção de segundo , tanto Harry como Riddle , ainda com a varinha levantada , ficaram a olhar para aquilo . Em seguida , sem pensar , sem ponderar , como_se pensasse fazê o desde o princípio , Harry agarrou o dente de o Basilisk que estava em o chão , junto de ele , e espetou o em o coração de o caderno . Ouviu se um grito longo e terrível . A tinta esguichou em torrentes de dentro de o diário , derramando se sobre as mãos de o Harry e inundando o chão . Riddle torcia se e contorcia se , agitando se a os gritos . E , por fim . Desapareceu . A varinha de Harry caiu a o chão com um ruído e fez se silêncio . Um silêncio apenas cortado por o ping ping de a tinta que ainda escorria de o diário . Com um leve crepitar , o veneno de o Basilisk abrira um buraco mesmo em o meio de o caderno . A tremer de os pés a a cabeça , Harry pôs se de pé . Sentia tudo a andar a a roda como_se tivesse viajado quilómetros e quilómetros com o pó de * _ Floo * . Lentamente apanhou a varinha e o chapéu seleccionador e com um grande estrondo retirou a espada de o céu de a boca de a serpente . Ouviu se então um gemido fraco a o fundo de a câmara . Ginny estava a mexer se . Quando Harry chegou junto de ela , sentou se . Os seus olhos abismados saltaram de o Basilisk morto para Harry em a sua roupa cheia de sangue e , em seguida , para o diário que ele tinha em as mãos . Soltou um enorme soluço e os seus olhos encheram se de lágrimas . - Harry , oh ! Harry , eu tentei dizer te a o pequeno-almoço mas não fui capaz em frente de o Percy . Era eu , Harry , mas eu ... eu ... juro que não queria ... o Riddle obrigou me , levou me e ... como é_que mataste esse bicho ? Onde está o Riddle ? A última coisa de que me lembro foi de o ver a sair de o diário ... - Está tudo bem - disse Harry , mostrando lhe o diário com o buraco de o dente . - O Riddle acabou , olha . Ele e o Basilisk . Anda , Ginny , vamos embora de aqui . - Vou com certeza ser expulsa - disse Ginny a chorar enquanto Harry a ajudava a pôr se de pé . - Desde_que o Bill veio para Hogwarts que eu sonhava vir também para cá e agora vou ter de me ir embora e ... O que vão a minha mãe e o meu pai dizer ? Fawkes esperava por eles , suspensa em o ar , a a entrada de a câmara . Harry fez a Ginny avançar , passaram sobre os anéis parados de o Basilisk , por a escuridão cheia de ecos e voltaram a o túnel . Harry ouviu as portas de pedra fecharem se atrás de eles com um leve sibilar . Depois de alguns minutos a caminhar por o túnel escuro , chegou a os ouvidos de Harry o som distante de o deslocar de uma rocha . - Ron - gritou ele , apressando se . - A Ginny está bem . Está aqui comigo ! Ouviu o Ron gritar de alegria e , voltando em a curva logo_a_seguir , viram a sua cara ansiosa a espreitar por a fresta que conseguira abrir durante a avalancha . - Ginny ! - Ron estendeu o braço por a fresta para a puxar primeiro . - Estás viva . Não posso acreditar . O que aconteceu ? Tentou abraçá a mas a Ginny afastou o , soluçando . - Mas estás bem , Ginny - disse o Ron , sorrindo para ela . - Já passou tudo ... De onde veio esse pássaro ? Fawkes passara por a abertura , atrás_de Ginny . - É de o Dumbledore - explicou Harry , espremendo se para caber também . - E como arranjaste uma espada ? - perguntou o Ron , olhando para a arma brilhante que Harry tinha em a mão . - Eu explico te tudo quando sairmos de aqui - disse Harry , lançando um olhar de esguelha a a Ginny . - Mas ... - Mais tarde - disse Harry rapidamente . Não lhe parecia uma boa ideia contar a o Ron quem tinha aberto a câmara , ali , em frente de a Ginny . - Onde está o Lockhart ? - Ali atrás - disse o Ron , a rir e a abanar a cabeça em direcção a o cano . - Está em muito mau estado . Anda ver . Conduzidos_pela_Fawkes , cujas grandes asas escarlates emitiam um suave dourado que brilhava em a escuridão , voltaram a o lugar onde o cano começava . Gilderoy_Lockhart estava sentado a falar sozinho . - Perdeu a memória - disse o Ron . - O feitiço de a memória fez ricochete . Não sabe quem é nem onde está , nem_sequer sabe quem nós somos . Eu disse lhe que viesse para aqui e esperasse . É um perigo para ele próprio . Lockhart olhou os bem-disposto . - Olá - disse . - Que lugar estranho , este . É aqui que vocês moram ? -- Não - respondeu o Ron , levantando as sobrancelhas para o Harry . Harry baixou se e observou o túnel escuro e longo . - Já pensaste como é_que vamos sair de aqui ? - perguntou a o Ron . O amigo abanou a cabeça mas Fawkes , a fénix , tinha passado por o Harry e estava agora em o ar , em frente de ele , os olhos como pérolas a brilharem em o escuro . Abanava as longas penas douradas de a cauda . Harry olhou para ela , inseguro . - Ela parece querer que a agarres - disse o Ron , perplexo . - Mas tu és muito pesado para um pássaro . - A Fawkes - disse Harry - não é um pássaro qualquer . Voltou se rapidamente para os companheiros . - Temos de nos agarrar uns a os outros . Ginny , agarra a mão de o Ron . O professor Lockhart ... - Ele está a falar consigo - disse o Ron secamente . - Agarre a outra mão de a Ginny . Harry guardou a espada e o chapéu seleccionador em o cinto . Ron deitou a mão a a roupa de Harry e Harry agarrou as penas de a cauda , estranhamente quentes , de a Fawkes . Sentiu uma extraordinária leveza apoderar se de todo o seu corpo e em seguida estavam todos a voar por o cano acima . Harry conseguia ouvir Lockhart , lá atrás , comentando : - Espantoso , isto parece mágico ! Ar frio batia em os cabelos de Harry e antes que ele deixasse de gostar de a viagem já ela acabara . Os quatro tinham chegado a o chão molhado de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa e , enquanto Lockhart endireitava o chapéu , o lavatório voltara a o seu lugar , tapando o cano . A Murta arregalou os olhos . - Vocês estão vivos - disse inexpressivamente a o Harry . - Não é preciso mostrares te tão desiludida - respondeu ele , muito sério , limpando as nódoas de sangue e lodo de os óculos . - Bem ... é_que eu pensei que se vocês morressem seriam bem-vindos a a minha casa_de_banho - disse a Murta com um rubor prateado . - Urgh ! - fez o Ron , quando saíram de ali para o corredor deserto . - Harry , acho que a Murta está a gostar de ti . Tens concorrência , Ginny ! A Ginny continuava a chorar silenciosamente . - Onde vamos agora ? - perguntou o Ron , olhando ansiosamente para ela . Harry apontou . Fawkes indicava o caminho , com o seu tom dourado que brilhava em o corredor . Seguiram a e pouco depois estavam em o escritório de a professora Mc_Gonagall . Harry bateu e empurrou a porta que estava encostada . XVIII_A recompensa de Dobby_Durante alguns momentos reinou o silêncio enquanto Harry , Ron , Ginny e Lockhart estavam em a entrada de a porta . Cobertos de pó e de lama e ( em o caso de o Harry ) sangue . Em seguida , ouviu se um grito . - Ginny ! Era_Mrs._Weasley que tinha estado a chorar , sentada em frente de o lume . Pôs se de pé em um salto , seguida de Mr._Weasley e precipitaram se ambos para a filha . Harry olhava para trás de eles . Dumbledore rejubilava junto de a lareira , a o lado de a professora Mc_Gonagall que , agarrada a o queixo , respirava com dificuldade . Fawkes rasou as orelhas de o Harry e foi instalar se em o ombro de Dumbledore , ao_mesmo_tempo que Harry dava por si em os braços de Mrs._Weasley . - Tu salvaste a ! Salvaste a ! : __ como foi que __ conseguiste ? - Acho que todos nós gostaríamos de saber - disse , sem energia , a professora Mc_Gonagall . Mrs._Weasley soltou o Harry , que hesitou um momento . Depois , foi até a a secretária e colocou sobre o tampo o chapéu seleccionador , a espada cravejada de rubis e o que restava de o diário de Riddle . Em seguida , contou lhes tudo . Falou durante quase um quarto de hora em o silêncio extasiado : contou lhes de a voz sem corpo que ouvia , como a Hermione acabara por descobrir que se tratava de um Basilisk que circulava em os canos , como ele e o Ron tinham seguido as aranhas até a a floresta , que Aragog lhes dissera que a última vítima de o Basilisk morrera , como tinham chegado a a conclusão que se tratava de a Murta_Queixosa e que a entrada para a Câmara_dos_Segredos devia ser em aquela casa_de_banho ... - Muito bem - elogiou a professora Mc_Gonagall quando ele se calou . - Então tu descobriste onde era a entrada , infringindo uma centena de regras de a escola por o caminho , devo dizer , mas como diabo saíram vocês vivos de lá de dentro ? Harry , com a voz já um_pouco rouca de falar tanto , contou lhes de a chegada de a Fawkes e de o chapéu seleccionador que lhe tinha dado a espada . Mas , chegando aí , hesitou . Até a o momento evitara referir se a o diário de Riddle ou a a Ginny . Ela tinha a cabeça encostada a o ombro de Mrs._Weasley e as lágrimas corriam lhe ainda por o rosto . E se a expulsassem ? - pensou Harry , tomado de pânico . O diário de Riddle já não funcionava ... quem poderia provar que fora ele que a obrigara a fazer tudo aquilo ? Olhou instintivamente para Dumbledore que sorria , o fogo iluminando lhe os óculos de meia-lua . - O que mais me interessa saber - disse Dumbledore amavelmente - é como conseguiu Lord_Voldemort enfeitiçar a Ginny quando as minhas fontes me dizem que ele se esconde habitualmente em as florestas de a Albânia . Um alívio , quente e glorioso percorreu Harry de a cabeça a os pés . - O quê ? - disse Mr._Weasley , em uma voz estupefacta . - O Quem nós sabemos enfeitiçou a Ginny ? Mas a Ginny não ... a Ginny não morr ... ? - Foi este diário - esclareceu Harry rapidamente . E mostrando o a Dumbledore . - O Riddle escreveu o quando tinha dezasseis anos . Dumbledore pegou em o diário e olhou atentamente por cima de o seu nariz longo e adunco para as páginas queimadas e húmidas . - Fantástico - disse em voz baixa . - É claro que ele deve ter sido o aluno mais brilhante que alguma vez passou por Hogwarts . - Olhou em volta para os Weasley que o observavam com um ar totalmente confuso . - Muito poucas pessoas sabem que Lord_Voldemort se chamou em tempos Tom_Riddle . Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos , em Hogwarts . Ele desapareceu depois de deixar a escola , viajou muito , mergulhou tão fundo em as artes de a magia negra , associado a os piores feiticeiros , realizou transformações mágicas tão perigosas que quando reapareceu como Lord_Voldemort estava totalmente irreconhecível . Ninguém o relacionou com o rapazinho inteligente e bonito que aqui foi , em tempos , chefe de turma . - Mas a Ginny - insistiu Mrs._Weasley . - O que tem a nossa Ginny que ver com ele ? - O diário - soluçou Ginny . - Eu andei todo o ano a escrever em o diário e ele respondia me ... - Ginny ! - repreendeu Mr._Weasley . - Não aprendeste nada do_que te ensinei ? Não me cansei de dizer te que nunca confiasses em nada que não pensasse por si próprio * se não conseguisses ver onde tinha o cérebro ? * Porque não me mostraste o diário , a mim ou a a tua mãe ? Um objecto suspeito como esse tinha de estar cheio de magia negra ! - Eu não sabia - soluçou Ginny . - Estava junto de os livros que a mãe me comprou . Pensei que alguém se tinha esquecido de ele ali . - É melhor Miss_Weasley ir imediatamente para a ala hospitalar - interrompeu Dumbledore com voz firme . - Foi sujeita a uma prova terrível . Não será castigada . Outros feiticeiros mais velhos do_que ela têm sido ludibriados por Lord_Voldemort . - Dirigiu se a a porta e abriu a . - Repouso , cama e talvez uma caneca de chocolate quente . A mim , anima me sempre - acrescentou , piscando lhe simpaticamente o olho . - Vais ver que Madam_Pomfrey ainda está acordada . Ela tem estado a dar o sumo de Mandrágora , julgo que as vítimas de o Basilisk estarão a acordar dentro_de momentos . de alegria . - Então a Hermione está bem ! - disse o Ron , cheio de alegria . - Não houve danos irreversíveis - disse Dumbledore . Mrs._Weasley saiu com a Ginny e Mr._Weasley seguiu as ainda bastante abalado . - Sabes , Minerva - disse pensativo o professor Dumbledore - acho que tudo_isto merece um banquete . Posso pedir te que previnas os cozinheiros ? - Certamente - disse animada a professora Mc_Gonagall , dirigindo se também a a porta . - Deixo te a tratar de as coisas com o Potter e o Weasley , está bem ? - Claro - disse Dumbledore . Saiu e os dois olharam inseguros para Dumbledore . Que quereria ela dizer com tratar de as coisas ? Certamente não iriam ser castigados ? - Lembro me de vos ter dito a ambos que teria de vos expulsar se voltassem a quebrar as regras de a escola - disse Dumbledore . Ron abriu a boca horrorizado . - O que vem mostrar nos que as melhores pessoas , às_vezes , têm de engolir as suas próprias palavras . - Dumbledore sorriu e continuou : - Vocês vão receber ambos uma recompensa especial por serviços prestados a a escola e ... deixem me ver , sim , acho que duzentos pontos cada_um para os Gryffindor . Ron ficou tão corado que parecia as flores de S._Valentim_do_Lockhart e voltou a fechar a boca . - Mas um de vós parece demasiado calado sobre a sua participação em esta perigosa aventura - acrescentou Dumbledore . - Porquê tanta modéstia , Gilderoy ? Harry estremeceu . Esquecera se por completo de Lockhart . Voltou se e viu o a um canto de a sala ainda com o mesmo sorriso vago . Quando Dumbledore se lhe dirigiu , olhou por cima de o ombro para ver com quem ele estava a falar . - Professor_Dumbledore - disse o Ron rapidamente - Houve um acidente lá em baixo , em a Câmara_dos_Segredos . O professor Lockhart - Eu sou um professor ? - perguntou Lockhart surpreendido . - E eu que pensei que era um inútil ! - Tentou fazer um feitiço antimemória e a varinha fez ricochete - explicou Ron_a_Dumbledore . - Incrível - disse Dumbledore , abanando a cabeça , o bigode prateado a tremer . - Trespassado por a tua própria espada , Gilderoy ! - Espada ? - disse Lockhart de forma imprecisa . - Eu não tenho espada . Esse rapaz é_que tem - apontou para Harry . - Ele empresta lhe uma . - Importas te de levar também o professor Lockhart até a a ala hospitalar , Ron ? - disse Dumbledore . - Eu gostava de falar um_pouco mais com o Harry . Lockhart saiu sem pressa . Antes de fechar a porta , Ron lançou um olhar curioso a Dumbledore e Harry . Dumbledore passou para uma de as cadeiras junto de o lume . - Senta te , Harry - disse . E Harry sentou se , sentindo se indescritivelmente nervoso . - Antes de mais , Harry , quero agradecer te - disse Dumbledore com os olhos a brilharem de_novo . - Deves ter demonstrado uma grande lealdade para comigo . Só isso poderia atrair a Fawkes para ir ajudar te . Deu uma palmadinha a a fénix que voara , entretanto , para_cima de os seus joelhos . Harry sorria acanhadamente sob o olhar observador de Dumbledore . - Encontraste , portanto , Tom_Riddle - disse o director amavelmente . - Calculo que ele estaria particularmente interessado em ti ... De repente , algo que Harry tinha engasgado saiu lhe descontroladamente de a boca para fora . - Professor_Dumbledore ... o Riddle disse que eu sou como ele , que há entre nós estranhas semelhanças ... - Ah ! sim ? - Dumbledore olhou pensativamente para ele , por debaixo de as espessas sobrancelhas prateadas . - E o que achas tu de isso ? - Eu não me considero parecido com ele - disse Harry mais alto do_que desejaria . - Isto_é , eu sou um Gryffindor , eu sou ... Mas calou se com uma dúvida a rondar lhe o espírito . - Professor - arriscou passado alguns momentos . - O chapéu seleccionador disse que eu ... teria ficado bem em os Slytherin ; durante algum tempo toda_a_gente pensou que eu era o herdeiro de Slytherin por falar * serpentês * ... - Tu falas * serpentês * , Harry - disse Dumbledore calmamente - porque Lord_Voldemort que é o mais recente antepassado de Salazar_Slytherin , fala * serpentês * . Ou eu me engano muito , ou ele transferiu para ti alguns de os seus poderes em a noite em que te fez essa cicatriz . Não que quisesse fazê o , claro , mas aconteceu . - Voldemort pôs um_pouco de si próprio em mim ? - disse Harry assombrado . - É o que parece ter acontecido . - Então eu deveria estar em os Slytherin - disse Harry , olhando desesperado para o rosto de Dumbledore . - O chapéu seleccionador viu em mim os poderes de Slytherin e ... -- Pôs te em os Gryffindor - concluiu tranquilamente Dumbledore . - Ouve , Harry , tu tens por acaso muitas de as capacidades que Salazar_Slytherin apreciava em os seus estudantes cuidadosamente seleccionados . O seu raro dom de falar * serpentês * , desenvoltura , determinação , um certo desprezo por as regras estabelecidas - acrescentou com o bigode a tremer de_novo . - Mas ainda_assim , o chapéu seleccionador pôs te em os Gryffindor . E sabes porquê ? Pensa um_pouco . - Só me pôs em os Gryffindor - disse Harry em uma voz débil - porque eu pedi para não ir para os Slytherin . - Exacto - disse Dumbledore a sorrir . - E isso torna te muito diferente de o Tom_Riddle . São as tuas escolhas , Harry , que mostram quem de facto tu és , mais do_que as tuas capacidades . Harry sentou se , imóvel e espantado , em a cadeira . - Se queres provas de que o teu lugar é em os Gryffindor , sugiro que vejas isto com mais atenção . Dumbledore aproximou se de a secretária de a professora Mc_Gonagall , pegou em a espada de prata ensanguentada e mostrou lhe a . Sem perceber , Harry voltou a ao_contrário . Os rubis brilharam a a luz de a lareira e foi então que ele reparou em o nome gravado mesmo por baixo de o copo de a espada . GODRIC_GRYFFINDOR . - Só um verdadeiro Gryffindor poderia ter tirado a espada de dentro de o chapéu , Harry - disse , com simplicidade , Dumbledore . Durante um minuto , nenhum de os dois falou . Depois , Dumbledore abriu uma de as gavetas de a secretária de a professora Mc_Gonagall e retirou de lá uma pena e um tinteiro . - Tu precisas de comer e ir dormir . Sugiro que desças para o banquete enquanto eu escrevo para Azkaban . Precisamos de recuperar o nosso guarda de os campos . E tenho de esboçar um anúncio para o * _ Profeta_Diário * - acrescentou pensativo . - Vamos precisar de um novo professor de Defesa contra as artes negras . É um problema , estamos sempre a perdê os . Harry levantou se e dirigiu se a a porta . Tinha acabado de estender a mão para o puxador quando ela se abriu tão violentamente que saltou de as dobradiças . Lucius_Malfoy estava de pé , furioso . E , debaixo de o braço , embrulhado em diversas ligaduras , estava Dobby . - Boa tarde , Lucius - disse Dumbledore , de forma amena . Mr._Malfoy quase derrubou Harry enquanto entrava em a sala . Dobby dava passos miudinhos atrás de ele , inclinado até a a bainha de o seu manto com um olhar apavorado em o rosto . - Então - disse Lucius_Malfoy com os olhos fixos em Dumbledore - voltaste . Os membros de o Conselho_Directivo suspenderam te , mas tu mesmo_assim sentiste te capaz de voltar a Hogwarts . - Bem vês , Lucius - disse Dumbledore , sorrindo serenamente . - Os outros membros de o Conselho contactaram me hoje . Fui envolvido em um redemoinho de corujas , todos queriam contar me a verdade . Ouviram dizer que a filha de Arthur_Weasley tinha sido morta e queriam me novamente aqui . Parece que me consideravam o melhor homem para o lugar . Contaram me algumas histórias muito estranhas . Alguns de eles tinham a impressão que tu tinhas ameaçado amaldiçoar lhes as famílias se não concordassem com a minha suspensão . Mr._Malfoy ficou ainda mais pálido do_que de costume , mas os olhos continuavam cheios de fúria . - Então já acabaste com os ataques ? - rosnou . - Apanhaste o culpado ? - Já , sim - disse Dumbledore com um sorriso . - E quem é ? - perguntou Malfoy secamente . - A mesma pessoa de a última vez , Lucius - disse Dumbledore . Mas desta_vez , Lord_Voldemort agiu através_de outra pessoa , por_meio_de um diário . Pegou em o pequeno caderno com o buraco em o meio , observando Mr._Malfoy de perto . Mas Harry olhava para Dobby . O elfo fazia um sinal muito estranho . Com os seus grandes olhos fixos em Harry , não parava de apontar para ó diário e , em seguida , para Mr._Malfoy , batendo logo_a_seguir com o punho em a cabeça . - Estou a ver ... - disse Mr._Malfoy lentamente a Dumbledore . - Um plano inteligente - afirmou o director em um tom de voz suave , continuando a olhar Mr._Malfoy directamente em os olhos . - Porque se não fosse aqui o Harry e o seu amigo Ron a descobrirem o diário , sem dúvida Ginny_Weasley teria ficado com todas_as culpas . Ninguém teria conseguido provar que ela agira contra a sua própria vontade . Mr._Malfoy não se pronunciou . O seu rosto parecia agora uma máscara . - E vê bem - continuou Dumbledore - o que poderia ter acontecido ... os Weasley são uma de as mais proeminentes famílias de feiticeiros de sangue puro , imagina o efeito em a imagem de Arthur_Weasley e em a sua acção de protecção a os Muggles , se a sua própria filha fosse acusada de atacar e matar filhos de Muggles . Foi uma sorte o diário ter sido descoberto e as memórias de Riddle apagadas . Quem sabe que consequências poderia ter tido ? Mr._Malfoy falou contra vontade . - Sim , foi uma sorte - disse secamente . E , em as suas costas , Dobby continuava a apontar para o diário e para Lucius_Malfoy , batendo depois com o punho em a cabeça . E Harry finalmente percebeu . Fez um sinal a Dobby que correu a esconder se em um canto , torcendo desta_vez as orelhas para se castigar . - Não quer saber como a Ginny obteve esse diário , Mr._Malfoy ? - perguntou Harry . Lucius_Malfoy voltou se para ele . - Como queres que eu saiba onde é_que a estúpida de a garota o arranjou ? - Porque foi o senhor quem lhe o deu - disse Harry . - Em a Flourish and Blotts . O senhor pegou em o livro velho de ela de Transfiguração e meteu o diário lá dentro , não foi ? Viu as mãos brancas de Mr._Malfoy abrirem se e fecharem se . - Prova isso - sibilou . - Oh ! ninguém vai poder prová o - disse Dumbledore sorrindo a o Harry . - Não agora_que o Riddle desapareceu de o caderno . Por outro lado , aconselharia te , Lucius , a não dares mais nenhuma de as coisas velhas de Lord_Voldemort . Se mais alguma for parar a as mãos de crianças inocentes , acho que o Arthur_Weasley fará com que se voltem com toda_a sua carga negativa contra ti . Lucius_Malfoy ficou calado um momento e Harry viu claramente a sua mão direita torcer se como_se desejasse chegar a a varinha . Em vez de isso , voltou se para o seu elfo doméstico . - Vamos , Dobby . Abriu a porta e quando o elfo se aproximou deu lhe um pontapé que o projectou para longe . Ouviram se em o escritório os gritos de dor de Dobby em o corredor . Harry pensou durante um momento e depois decidiu se . - Professor_Dumbledore - disse apressadamente . - Posso dar o diário outra_vez a Mr._Malfoy ? - Certamente , Harry - disse Dumbledore com toda_a calma . - Mas não demores , olha o banquete . Harry agarrou em o diário e saiu de o escritório . Os gritos de dor de Dobby afastavam se ao_longe . Sem perder tempo , perguntando a si próprio se o plano poderia resultar , Harry tirou um de os sapatos , puxou uma de as peúgas enlameadas e viscosas e meteu o diário lá dentro . Em seguida correu até a o fundo de o corredor escuro . Apanhou os em o topo de as escadas . - Mr._Malfoy - disse ofegante , parando . - Tenho uma coisa para si . E meteu a peúga mal cheirosa em a mão de Lucius_Malfoy . - O que é ... ? Mr._Malfoy tirou o diário de dentro de a peúga , deitou a fora e olhou furioso para o caderno estragado e para Harry - Ainda vais acabar por ter um fim igual a o de os teus pais um dia de estes , Harry_Potter - disse em voz baixa . - Eles também eram uns idiotas metediços . Voltou se para se ir embora . - Anda , Dobby , vem ! Mas Dobby não se mexeu . Tinha em as mãos a peúga nojenta de o Harry e olhava para ela como_se fosse um tesouro de valor incalculável . - O senhor deu uma peúga a o Dobby - disse o elfo maravilhado . - Deu a a o Dobby . - O que é isso ? - cuspiu Mr._Malfoy . - Que estás para aí a dizer ? - Dobby tem uma peúga - repetiu incrédulo . - O senhor deitou a fora e Dobby apanhou a e Dobby agora é livre ... Lucius_Malfoy ficou paralisado a olhar para o elfo . Em seguida precipitou se para Harry . - Fizeste me perder o meu servo , rapaz . Mas Dobby gritou : - Não pense que vai fazer mal a o Harry_Potter ! Ouviu se um enorme estrondo e Mr._Malfoy foi empurrado de costas , galgando os degraus de as escadas a três_e_três e indo aterrar lá em baixo todo embrulhado e amarrotado . Levantou se , o rosto lívido e pegou em a varinha , mas Dobby estendeu lhe um dedo ameaçador . - Vá se embora já - disse furioso , apontando para Mr._Malfoy . - Não tocará em o Harry_Potter . Vá se embora , já . Lucius_Malfoy não teve escolha . Lançando a os dois um último olhar de cólera , embrulhou se em o manto e desapareceu . - Harry_Potter libertou Dobby ! - disse o elfo com voz esganiçada , olhando para Harry , a luz de o luar reflectida em os seus grandes olhos em forma de globos . - Harry_Potter libertou Dobby . - Era o mínimo que eu podia fazer , Dobby - disse Harry a sorrir -- , mas promete me que não vais voltar a tentar salvar me a vida . A cara feia e escura de o elfo abriu se , mostrando os dentes , em um enorme sorriso . - Tenho uma pergunta a fazer te , Dobby - disse Harry enquanto o elfo pegava em a peúga de ele com as mãos a tremer . - Disseste me que tudo_isto não tinha nada que ver com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Lembras te ? - Era uma pista , senhor - disse Dobby com os olhos muito abertos como_se fosse absolutamente óbvio . - Dobby estava a dar lhe uma pista . Antes de o senhor de o mal mudar de nome , o seu nome podia ser pronunciado , está a ver ? - Certo - disse Harry sem grande convicção . - Bem , é melhor eu ir indo embora . Há um banquete e a minha amiga Hermione já deve ter acordado ... Dobby lançou os braços a a cintura de Harry e abraçou o . - Harry_Potter é muito maior do_que Dobby imaginava ! - soluçou . - Adeus , Harry_Potter . E com um estalido final , Dobby desapareceu . Harry assistira a diversos banquetes , mas nenhum que se parecesse com aquele . Estavam todos de pijama e a festa durou a noite inteira . Harry não sabia se o melhor tinha sido a Hermione a correr para ele e a gritar : - Tu conseguiste . Tu conseguiste ! , ou o Justin saindo disparado de a mesa de os Hufflepuff para lhe estender a mão , desfazendo se em desculpas por ter suspeitado de ele , ou o Hagrid que apareceu a as três_e_meia e que lhes deu palmadas com tanta força em os ombros que eles foram parar dentro de os pratos de bolo de creme , ou os quatrocentos pontos que ele e o Ron obtiveram para os Gryffindor , ganhando a taça de a equipa por a segunda vez consecutiva , ou a professora Mc_Gonagall de pé , a comunicar lhes que os exames tinham sido cancelados como medida de a escola ( Oh ! não ! exclamou Hermione ) , ou Dumbledore a anunciar que , infelizmente , o professor Lockhart não poderia voltar em o ano seguinte por ter de se ausentar a_fim_de recuperar a memória . Alguns de os professores juntaram se a os alunos que aplaudiram entusiasmados esta notícia . - Que pena - disse Ron , servindo se de um * dounut * de presunto . - E eu que começava a gostar de ele ... O resto de o período de Verão decorreu sob um sol escaldante . Hogwarts voltara a a normalidade , apenas com algumas pequenas diferenças : as aulas de Defesa contra as artes negras foram canceladas ( Mas nós tivemos imensa prática - disse o Ron vendo o descontentamento de Hermione ) e Lucius_Malfoy foi demitido de o Conselho_Directivo . Draco já não passeava por ali como_se fosse o dono de a escola . Pelo_contrário , tinha um ar melindrado e carrancudo . Por outro lado , Ginny_Weasley andava de_novo feliz de a vida . Em_breve chegou o dia de regressarem a casa em o Expresso_de_Hogwarts . Harry , Ron , Hermione , Fred , George e Ginny encheram um compartimento . Tiraram o_máximo partido de aquelas últimas horas em que lhes era permitido usar a magia antes de as férias . Brincaram a as explosões , gastaram o último fogo-de-artíficio Filibuster , de o Fred e de o George e treinaram o mútuo desarmamento através de a magia . Harry começava a ficar muito bom em aquilo . Já estavam perto de a estação de King's_Cross quando Harry se lembrou de uma coisa . - Ginny , o que foi que viste o Percy fazer que ele não queria que nos contasses ? - Ah ! isso - disse a Ginny a rir . - Bem , é_que o Percy tem uma namorada . Fred deixou cair uma pilha de livros em a cabeça de o George . - O quê ? - É aquela prefeita de os Ravenclaw ' Penelope_Clearwater - disse a Ginny . - Foi para ela que ele escreveu durante todo o Verão . Encontravam se em a escola em grande segredo . Eu apanhei os a beijarem se em uma sala de aula vazia e ele ficou tão aflito quando ela foi ... sabes ... atacada . Não vais aborrecê o , pois não ? - perguntou cheia de ansiedade . - Que ideia - respondeu Fred com uma tal satisfação em o rosto que parecia que o seu aniversário chegara mais cedo . - Claro que não - disse o George a rir se a a socapa . O Expresso_de_Hogwarts abrandou e finalmente parou . Harry tirou a pena e um_pouco de pergaminho e voltou se para Ron e Hermione . - Isto_é um número de telefone - disse ele a o Ron , escrevinhando o duas vezes , cortando o pergaminho a o meio e dando lhes os números . - Eu expliquei a o teu pai como usar um telefone em o Verão passado . Ele sabe fazer a chamada . Liga me para_casa de os Dursley , O. _ K. ? Não consigo suportar outros dois meses sem ter mais ninguém com quem falar ... - Mas a tua tia e o teu tio vão ficar orgulhosos de ti , não vão ? - perguntou Hermione quando saíram de o comboio e se misturaram em a multidão que se encontrava junto de a barreira encantada . - Quando souberem o que fizeste este ano . - Orgulhosos ? - disse Harry . - Estás doida ! Podendo eu ter morrido tantas vezes e tendo escapado ? Vão ficar é furiosos ... E juntos avançaram até a a entrada para o mundo de os Muggles . ----------------- J._K._Rowling_Harry_Potter e a Câmara_dos_Segredos_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Chamber of Secrets_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling 1998 Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 2000 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 2.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 Depósito legal : 143.569/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , a a Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Para_Séan_P._F._Harris , condutor imparável e um amigo de os diabos . I_O pior aniversário Não era a primeira vez que uma discussão estoirava a a mesa de o pequeno-almoço , em o número 4 de a Privet_Drive . Mr._Vernon_Dursley fora acordado de manhã cedo por o piar ruidoso que vinha de o quarto de o seu sobrinho Harry . - É a terceira vez esta semana ! - resmungou , a a mesa . - Se não consegues controlar essa coruja , ela não pode ficar aqui . Harry tentou , mais_uma_vez , explicar . - Ela está aborrecida . Estava habituada a voar livremente lá fora . Se eu pudesse , ao_menos , soltá a a a noite ... - Achas me com cara de idiota ? - perguntou rispidamente o tio Vernon , com um fio de ovo preso em o bigode farfalhudo . - Sei muito bem o que aconteceria se essa coruja fosse lá para fora . Trocou um olhar soturno com a mulher , a tia Petúnia . Harry tentou contra-argumentar , mas as suas palavras foram abafadas por um enorme arroto de o filho de os Dursleys , Dudley . - Quero mais bacon . - Há mais em a frigideira , fofinho - disse a tia Petúnia , lançando um olhar vago a o seu filho maciço . - Tens que te alimentar bem enquanto aqui estás , aquela comida de a tua escola não me cheira . - Disparate , Petúnia , eu nunca passei fome enquanto andei em Smeltings - afirmou com sinceridade o tio Vernon . - O Dudley tem que chegue . Não é verdade , filho ? Dudley , que era tão gordo que o rabo saía de os dois lados de a cadeira de a cozinha , sorriu laconicamente e voltou se para Harry . - Passa me a frigideira . -- Esqueceste te de a palavra mágica - disse Harry , irritado . O efeito que esta simples frase teve em o resto de a família foi inacreditável : Dudley começou a arfar e caiu de a cadeira com um estrondo que abalou a cozinha , Mrs._Dursley deu um gritinho e bateu com a mão em a boca , Mr._Dursley pôs se de pé com as veias de as têmporas dilatadas . - Eu queria dizer « por favor » - explicou Harry rapidamente . - Não me referia a ... - : __ o que é_que eu te __ disse - vociferou o tio , espalhando perdigotos sobre a mesa - : __ sobre pronunciar a palavra m . em esta __ casa ? - Mas eu ... - : __ como te atreves a ameaçar o __ dudley ! - rosnou o tio Vernon , batendo com o punho em a mesa . - Eu só ... - : __ estás avisado . não vou admitir referências a tua anormalidade debaixo de o tecto de a minha __ casa ! Harry olhou alternadamente para o rosto congestionado de o tio e para a palidez de a tia que tentava pôr o Dudley de pé . - Está bem - disse Harry . - Está bem ... O tio Vernon voltou a sentar se , respirando como um rinoceronte exausto e observando Harry de perto por o canto de os seus olhos pequeninos e penetrantes . Desde_que Harry regressara para as férias de Verão que o tio Vernon o tratava como_se ele fosse uma bomba , capaz de explodir a qualquer momento , porque Harry não era um rapazinho normal . Em a verdade , ele era o menos normal que é possível imaginar . Harry_Potter era um feiticeiro , um feiticeiro que acabara de concluir o primeiro ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts e a infelicidade que os Dursleys sentiam por ele estar lá em casa não era nada comparada com a de Harry . As saudades de Hogwarts eram tão intensas que se assemelhavam a uma constante dor em o estômago . Sentia a falta de o castelo com as suas passagens secretas e os seus fantasmas , de as aulas ( com excepção talvez de as de Snape , o professor de as poções ) , de o correio a chegar trazido por as corujas , de os banquetes em o salão nobre , de as noites em as camas de dossel em a camarata de a torre , de as visitas a Hagrid , o guarda de os campos em a sua casinha em o bosque , junto de a floresta proibida e , principalmente , sentia a falta de o Quidditch , o desporto mais popular de o mundo de os feiticeiros ( seis postes altos de golo , quatro bolas esvoaçantes e catorze jogadores em_cima_de vassoura ) . Todos os livros de feitiços de Harry , assim_como a varinha , os mantos , o caldeirão e a vassoura topo de gama Nimbus dois_mil tinham sido encerrados por o tio Vernon em a despensa que ficava debaixo de as escadas , em o momento em que Harry regressara a casa . O que é_que lhes interessava se ele perdia ou não o seu lugar em a equipa de Quidditch por não ter praticado durante todo o Verão ? Que importância tinha para eles que o Harry voltasse a a escola sem ter podido fazer os trabalhos de casa ? Os Dursleys eram aquilo que os feiticeiros chamam « Muggles » ( nem uma gota de sangue mágico em as veias ) e , para eles , ter um feiticeiro em a família era motivo de grande vergonha . O tio Vernon tinha , inclusivamente , fechado a cadeado a coruja de Harry , Hedwig , dentro de a gaiola , para evitar que ela transportasse mensagens para a gente de o mundo de a feitiçaria . Harry não se parecia em nada com o resto de a família . O tio Vernon era atarracado e sem pescoço , dotado de um enorme bigode preto ; a tia Petúnia tinha um rosto cavalar e era esquelética ; Dudley era loiro e rosado como um porquinho . Harry , pelo_contrário , era baixo e franzino , com os olhos verdes brilhantes e cabelo negro sempre desalinhado . Usava uns óculos redondos e tinha em a testa uma cicatriz em forma de relâmpago . Era essa cicatriz que o tornava tão invulgar , mesmo para um feiticeiro . Era a única alusão a o seu passado misterioso , a o motivo por o qual , onze anos antes , tinha sido deixado em o degrau de a porta de os Dursleys . Com um ano de idade , Harry sobrevivera a uma maldição de o maior feiticeiro negro de todos os tempos , Lord_Voldemort , cujo nome a maior parte de os feiticeiros e feiticeiras ainda receia pronunciar . Os pais de Harry tinham morrido em um ataque de Voldemort , mas ele escapara com a sua cicatriz em forma de relâmpago e estranhamente , ninguém compreendeu porquê , os poderes de Voldemort tinham sido destruídos em o momento em que não fora capaz de matar o Harry . Por isso , ele foi criado por a irmã de a sua falecida mãe e respectivo marido . Passou dez anos com os Dursleys , sem nunca compreender porque fazia com que acontecessem coisas estranhas , alheias a a sua vontade , acreditando em a história de os Dursleys de que aquela cicatriz fora resultado de um acidente de automóvel em que os pais tinham morrido . E um dia , precisamente um ano antes , Hogwarts escrevera lhe e fora então que tudo começara . Harry fora ocupar o seu lugar em a escola de feitiçaria , onde ele e a sua cicatriz eram famosas ... mas agora o ano escolar chegara a o fim e estava de_novo com os Dursleys . Durante o Verão , voltara a ser tratado como um cão malcheiroso . Os Dursleys nem se tinham lembrado que aquele era o dia de o seu décimo segundo aniversário . É claro que não tivera grandes expectativas : eles nunca lhe tinham dado um presente a sério , muito menos um bolo , mas ignorarem o por completo ... Em esse momento , o tio Vernon pigarreou com um ar importante e disse : - Como todos sabem , hoje é um dia muito importante . Harry olhou para ele , mal conseguindo acreditar . - Pode bem ser que eu faça hoje o maior negócio de toda_a minha vida - afirmou . Harry voltou novamente a atenção para a torrada . É claro , pensou amargamente , o tio Vernon referia se a a estúpida dinner-party . Havia quinze_dias que não falava de outra coisa . Um consultor qualquer cheio de massa e a mulher vinham jantar lá a casa e o tio Vernon tinha esperança de conseguir uma grande encomenda ( a empresa de o tio Vernon fabricava brocas ) . - Acho que devíamos recapitular mais_uma_vez - disse o tio Vernon . - Devemos estar todos a postos a as oito_horas_em_ponto . Petúnia , tu vais estar ... ? - Em o salão - respondeu a tia Petúnia prontamente - a a espera para lhes dar as boas-vindas a nossa casa . - Bom , bom . E o Dudley ? - Eu vou estar a a espera para abrir a porta . - Dudley esboçou um sorriso falso e afectado . - Dão me licença que vos guarde os casacos , Mr. e Mrs._Mason ? - Eles vão adorá o - exclamou arrebatadamente a tia Petúnia . - Excelente , Dudley - disse o tio Vernon . - A seguir voltou se para o Harry . - E tu ? - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - repetiu o Harry , de forma inexpressiva . - Exactamente - confirmou o tio Vernon , de um modo desagradável . - Eu conduzo os até a o salão , apresento te , Petúnia , e sirvo lhes as bebidas . _ a as oito_e_um_quarto . - Eu chamo para a mesa - disse a tia Petúnia . - E tu , Dudley , vais dizer ... - Dá me licença que lhe indique a casa de jantar , Mrs._Mason ? - repetiu o Dudley , oferecendo o seu braço gordo a uma mulher invisível . - O meu pequenino cavalheiro - fungou a tia Petúnia . - E tu ? - perguntou o tio Vernon a o Harry , em o mesmo tom desagradável . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho , fingindo que não estou lá - respondeu Harry aborrecido . - Isso mesmo . Agora , devíamos ter preparadas algumas frases amáveis para o jantar . Petúnia , alguma ideia ? - O Vernon disse me que o senhor é um excelente jogador de golfe , Mr._Mason ... Tem de me dizer onde comprou esse vestido , Mrs._Mason ... - Perfeito . Dudley ? - Que tal : Tivemos de fazer um trabalho para a escola sobre o nosso herói e eu escrevi sobre o senhor ... Foi de mais , tanto para a tia Petúnia como para o Harry . A tia debulhou se em lágrimas e abraçou o filho , enquanto Harry se esgueirava para debaixo de a mesa para ninguém o ver rir . - E tu , rapaz ? Harry fez um esforço para se mostrar inexpressivo quando emergiu . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - disse . - Vais sim senhor - afirmou o tio Vernon energicamente . - Os Mason não sabem nada a teu respeito e é assim que as coisas vão continuar . Quando o jantar terminar , tu trazes Mrs._Mason para o salão , onde vamos tomar café , Petúnia , e eu puxo o assunto de as brocas . Com um_pouco de sorte , tenho o contrato assinado antes de o noticiário de as dez . Amanhã por esta hora , vamos estar a fazer compras para umas férias em Maiorca . Harry não conseguia sentir o menor entusiasmo com aquilo . Não lhe parecia que os Dursleys gostassem mais de ele em Maiorca do_que em Privet_Drive . - Certo , eu vou a a cidade buscar os casacos para mim e para o Dudley . E tu - resmungou , apontando para Harry - não atrapalhes a tua tia enquanto ela estiver a limpar . Harry saiu por a porta de as traseiras . Estava um dia de sol lindo . Atravessou o relvado , deixou se cair em o banco de o jardim e cantarolou baixinho : - Parabéns para mim ... parabéns para mim ... Nem cartas nem presentes e tinha de passar a noite a fingir que não existia . Olhou infeliz para a sebe . Nunca se sentira tão só . Mais do_que tudo em o mundo , mais do_que de Hogwarts , mais até do_que de o jogo de Quidditch , Harry sentia a falta de os amigos Ron_Weasley e Hermione_Granger . Mas eles não pareciam sentir a falta de ele . Nenhum de os dois lhe escrevera durante todo o Verão apesar_de o Ron ter dito que ia convidá o para passar uns dias lá em casa . Inúmeras vezes Harry estivera quase a libertar magicamente Hedwig de a sua gaiola e mandá a levar uma carta a o Ron e a a Hermione mas não valia a pena correr o risco . Os feiticeiros menores de idade não tinham autorização para usar a magia fora de a escola . Harry não contara isto a os Dursleys . Ele sabia que era o medo de que ele os transformasse a todos em baratas que os impedia de o fecharem a a chave em a despensa debaixo de as escadas , juntamente com a varinha e a vassoura . Em as primeiras semanas Harry divertira se a murmurar baixinho palavras sem sentido e a ver o Dudley sair disparado de o quarto , tão rápido quanto as suas pernas gordas lhe permitiam . Mas o silêncio prolongado de Ron e Hermione tinham o feito sentir se tão longe de o mundo de a magia que até divertir se à_custa_de Dudley perdera o interesse . E agora o Ron e a Hermione tinham se esquecido de o seu aniversário . Quanto não daria ele por uma mensagem de Hogwarts ? De qualquer feiticeiro ou feiticeira ? Quase ficaria satisfeito com um sinal de o seu inimigo feroz , Draco_Malfoy , só para ter a certeza de que tudo aquilo não fora apenas um sonho ... Não que tudo durante o ano em Hogwarts tivesse sido divertido . Mesmo em o fim de o último período , Harry confrontara se nem mais nem menos do_que com o próprio Lord_Voldemort . Voldemort podia ter arruinado o seu ego inicial mas continuava a espalhar o terror , ainda astuto , ainda determinado a recuperar o poder . Harry escapara uma segunda vez a as suas garras mas fora por um triz e mesmo agora , algumas semanas decorridas , acordava de noite encharcado em suores frios , perguntando se onde estaria Voldemort , relembrando o seu rosto lívido , os seus olhos completamente loucos ... Harry sentou se subitamente , direito como um fuso , em o banco de o jardim . Tinha estado a olhar distraído para a sebe e a sebe estava a olhar para ele . Dois enormes olhos verdes surgiram por_entre a folhagem . Harry pôs se de pé ao_mesmo_tempo que uma voz sobrevoava a relva . - Eu sei que dia é hoje - cantarolava Dudley , bamboleando se enquanto se aproximava . Os olhos enormes piscaram e desapareceram . - O quê ? - perguntou Harry sem retirar os olhos de o lugar para_onde estava a olhar . - Eu sei que dia é hoje - repetiu , chegando junto de ele . - Ainda_bem - disse Harry . - Aprendeste finalmente os dias de a semana . - Hoje é o dia de os teus anos - troçou o Dudley . - Por_que é_que não recebeste nenhuma carta ? Não tens amigos em esse lugar esquisito ? - É melhor não deixares a tua mãe ouvir te falar de a minha escola - disse Harry calmamente . Dudley puxou para_cima as calças que estavam a escorregar lhe por o rabo gordo abaixo . - Porque estás a olhar para a sebe . ; - perguntou curioso . - Estou a pensar em as palavras que deverei pronunciar para lhe pegar fogo - disse Harry . Dudley recuou de imediato com um olhar de pânico em a cara rechonchuda . - Tu não p-p-odes , o pai disse que não podias fazer magia ou corria contigo aqui de casa e não tens mais nenhum lugar para_onde ir , não tens amigos que te convidem ... - * _ Jiggery pokery * ! - disse Harry com voz firme . - * _ Hocus pocus ... squiggly wiggly * ... - Maaaaaãe - gritou Dudley , tropeçando em os pés , enquanto se precipitava para dentro_de casa . Maaaãe , ele vai fazer aquela coisa ! Harry deu graças a os céus por aquele momento de gozo . Como não aconteceu nada de mal nem a o Dudley nem a a sebe , a tia Petúnia percebeu que ele não fizera magia nenhuma mas , mesmo_assim , Harry teve de se afastar quando ela lhe deu uma forte pancada em a cabeça com a frigideira cheia de detergente . A seguir distribuiu lhe trabalho e o castigo de só voltar a comer quando tivesse acabado tudo . Enquanto Dudley andava a flanar , olhando para o ar e comendo gelados , Harry limpou as janelas , lavou o carro , aparou a relva , adubou os canteiros , podou e regou as rosas e pintou de_novo o banco de o jardim . O sol ardia lá em cima , queimando lhe a parte de trás de o pescoço . Harry sabia que não devia ter provocado Dudley mas ele dissera precisamente aquilo que ele próprio pensava ... talvez não tivesse amigos em Hogwarts . Deviam ver agora o famoso Harry_Potter , pensou amargamente enquanto espalhava adubo em os canteiros , as costas a doerem lhe e o suor a escorrer lhe por o rosto . Eram sete_e_meia_da_tarde quando , por fim , exausto , ouviu a tia Petúnia a chamá o . - Anda para dentro e passa por cima de os jornais . Harry entrou satisfeito em a sombra de a cozinha que rebrilhava . Sobre o frigorífico estava o bolo de a noite : um enorme monte de crome batido coberto de violetas de açúcar . A carne de porco assava em o forno . - Come depressa , os Mason devem estar a chegar ! - exclamou bruscamente a tia Petúnia , apontando para duas fatias de pão e uma de queijo que estavam em cima de a mesa de a cozinha . Ela já tinha posto um vestido de * cocktail * cor de salmão . Harry lavou as mãos e comeu aquele triste jantar . Mal tinha terminado , a tia Petúnia tirou lhe o prato . - Lá para_cima , rápido ! A o passar por a porta de a sala , Harry vislumbrou o tio Vernon e Dudley de casaco e gravata . Tinha acabado de chegar a o cimo de as escadas quando a campainha de a porta tocou e a cara de o tio Vernon apareceu em o patamar . - Lembra te , rapaz , um ruído que seja ... Harry entrou em o quarto em bicos de pés , fechou a porta e preparou se para se meter em a cama . O problema é_que estava lá alguém sentado . II_O aviso de Dobby_Harry conseguiu não gritar , mas foi por_pouco . A pequena criatura que estava em a cama tinha umas orelhas grandes e largas e uns olhos verdes protuberantes de o tamanho de bolas de ténis . Harry percebeu imediatamente que fora para ele que tinha estado a olhar de manhã . Enquanto olhavam um para o outro , Harry ouviu a voz de Dudley em o * hall * . - Posso guardar os vossos casacos , Mr. e Mrs._Mason ? A criatura escorregou por a cama e curvou se tanto que a ponta de o seu enorme nariz tocou em o tapete . Harry reparou que ele tinha vestido uma espécie de fronha de almofada com buracos para os braços e pernas . - Er ... Olá - disse Harry , um_pouco nervoso . - Harry_Potter ! - exclamou a criatura em uma voz tão estridente que Harry calculou que poderia ouvir se lá em baixo . - Há tanto tempo que Dobby queria conhecê o , senhor . É uma enorme honra ... - Ob-obrigado - disse Harry , deslocando se a o longo de a parede e sentando se em a cadeira de a secretária , junto de Hedwig que dormia em a sua grande gaiola . Queria perguntar lhe « O que és tu ? » , mas pensou que seria má educação , por isso perguntou : - Quem és tu ? - Dobby , senhor . Apenas Dobby , o elfo de casa - afirmou a criatura . - Oh ! A sério ? - perguntou Harry . - Não quero ser mal-educado , mas esta não é a melhor altura para ter um elfo em o meu quarto . O riso falso de a tia Petúnia ouvia se em a sala de jantar . O elfo deixou cair a cabeça . - Não que eu não me sinta feliz por te conhecer - disse Harry rapidamente - mas , er ... estás aqui por algum motivo em especial ? - Oh , sim senhor - disse Dobby muito a sério . - Dobby veio dizer lhe que ... é difícil ... Dobby não sabe por_onde começar ... - Senta te - disse Harry educadamente , apontando lhe a cama . Para seu horror , o elfo debulhou se em lágrimas bastante ruidosas . -- S-senta-te ! - repetiu . - Nunca em toda_a minha vida ... Harry pareceu lhe ouvir as vozes lá em baixo vacilarem . - Desculpa - murmurou . - Eu não queria ofender te ... - Ofender Dobby ! - exclamou o elfo em um sufoco . - Nunca nenhum feiticeiro disse a o Dobby que se sentasse como um seu igual , senhor . Harry , tentando dizer lhe « Sch ... » e confortá o ao_mesmo_tempo , conduziu Dobby de_novo até a a cama onde ele se sentou a soluçar , parecendo uma grande boneca muito feia . Por fim , conseguiu controlar se e ficou quieto , com os seus grandes olhos fixos em Harry em uma expressão de absoluta adoração . - Não deves ter conhecido muitos feiticeiros sérios - disse lhe , tentando animá o . Dobby abanou a cabeça . Em seguida , sem qualquer aviso , saltou e começou a bater furiosamente com a cabeça em a janela , gritando : - Dobby é mau ! Dobby é mau ! - Pára , o que é_que estás a fazer ? - perguntou Harry em um murmúrio sibilante , dando um salto e puxando Dobby de_novo para a cama . Hedwig acordara com um pio particularmente agudo e batia agressivamente com as asas contra as grades de a gaiola . - Dobby tinha que se castigar , meu senhor - afirmou o elfo , que ficara ligeiramente estrábico . - Dobby quase falou mal de a família de ele ... - De a tua família ? - De a família de feiticeiros que Dobby serve , meu senhor ... O Dobby é um elfo de casa , obrigado a servir uma casa e uma família para sempre . - Eles sabem que estás aqui ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Dobby estremeceu . - Oh , não senhor , não ... Dobby vai ter que se castigar muito por ter vindo vê o . Dobby vai ter que entalar as orelhas em a porta de o forno por isto . Se eles soubessem , senhor ... - Mas achas que eles não vão reparar se tu entalares as orelhas em a porta de o forno ? - Dobby duvida , senhor . Dobby está sempre a ter de se castigar por qualquer coisa . Eles deixam que o Dobby se castigue . _ às_vezes até sugerem alguns castigos extra . - Mas por_que é_que não te vais embora , não foges ? - Um elfo de casa tem de ser libertado , senhor . E a família nunca libertará Dobby . Dobby servirá a família até morrer . Harry olhou para ele . - E eu que pensava que era infeliz por ter de ficar aqui mais quatro semanas - declarou . - Isto faz os Dursleys parecerem quase humanos . Será que ninguém te pode ajudar ? Poderei eu ? Em o mesmo momento , Harry desejou não ter aberto a boca . Dobby desfez se em ruidosos soluços de gratidão . - Por favor - murmurou Harry , inquieto . - Por favor , está calado . Se os Dursleys ouvem barulho , se eles sabem que estás aqui ... - Harry_Potter pergunta se pode ajudar Dobby . Dobby ouviu falar de a sua grandeza , mas de a sua bondade , Dobby nada sabia . Harry , que se sentia corar , disse : - Seja o que for que tenhas ouvido sobre a minha grandeza , é um disparate . Nem_sequer sou o melhor de o meu ano em Hogwarts . É a Hermione . Ela ... Mas calou se rapidamente porque pensar em Hermione era lhe doloroso . - Harry_Potter é humilde e modesto - disse Dobby reverentemente , com os seus olhos de globo avermelhados . - Harry_Potter não fala de a sua vitória sobre « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . - Voldemort ? - perguntou Harry . Dobby bateu com as mãos em as enormes orelhas e gemeu : - Ai não diga o nome , senhor . Não diga o nome ! - Desculpa - disse Harry muito depressa . - Eu sei que muita gente não gosta . O meu amigo Ron ... Calou se de_novo . Pensar em o Ron era igualmente doloroso . Dobby voltou para Harry os seus dois olhos grandes como candeeiros . - Dobby ouviu dizer - balbuciou com voz rouca - que Harry_Potter encontrou o Senhor_do_Mal uma segunda vez há poucas semanas atrás ... que Harry_Potter lhe escapou de_novo . Harry acenou e os olhos de Dobby encheram se de lágrimas . - Ah , senhor - disse em um sobressalto , limpando o rosto com a ponta de a fronha de almofada que tinha vestida . - Harry_Potter é valente e arrojado . Enfrentou tantos perigos ! Mas Dobby veio protegê o , avisar Harry_Potter , mesmo_que para isso tenha de entalar as orelhas em a porta de o forno , que Harry_Potter não deve voltar para Hogwarts . Houve um silêncio apenas quebrado por o ruído de os garfos e de as facas lá em baixo e por a voz distante de o tio Vernon . - O q-q-uê ? - gaguejou Harry . - Mas eu tenho de voltar , o ano começa em o dia um de Setembro . É a minha razão de viver . Tu não sabes como são as coisas aqui . Eu não pertenço a este lugar , o meu lugar é em Hogwarts . - Não , não , não - guinchou Dobby , sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas andavam de um lado para o outro . - Harry_Potter deve ficar aqui , onde se encontra a salvo . É demasiado grande , demasiado bom para se perder . Se Harry_Potter regressar a Hogwarts correrá perigo de vida . - Porquê ? - inquiriu Harry , surpreendido . - Há uma conspiração , Harry_Potter . Uma conspiração para fazer acontecer coisas terríveis este ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts - murmurou Dobby que começara a tremer de a cabeça a os pés . - Dobby sabe de isto há meses , senhor . Harry_Potter não deve expor se a o perigo . É demasiado importante . - Que coisas terríveis são essas ? - perguntou Harry sem perder tempo . - Quem está por detrás ? Dobby fez um ruído esquisito e começou a bater com a cabeça contra a parede como um louco . - Está bem - gritou Harry , agarrando o braço de o elfo para o fazer parar . - Não podes dizer , eu compreendo . Mas porque vieste avisar me ? - Um pensamento súbito e desagradável surgiu lhe . - Espera aí , isto tem alguma coisa que ver com o Vol , desculpa com o Quem nós sabemos ? Basta que faças sim ou não com a cabeça - acrescentou com vivacidade enquanto a cabeça de Dobby se inclinava de_novo a uma velocidade preocupante para a parede . Lentamente , Dobby abanou a cabeça . - Não , não é « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . Os olhos de Dobby estavam abertos como_se estivesse a tentar dar a Harry uma pista , mas Harry estava completamente a a nora . - Ele não tem nenhum irmão , ou tem ? Dobby abanou a cabeça , os olhos mais abertos do_que nunca . - Bem , em esse caso não estou a ver quem mais poderia ter a possibilidade de fazer acontecer coisas horríveis em Hogwarts - disse Harry . - Quero dizer , para já está lá o Dumbledore . Sabes quem é Dumbledore , não sabes ? Dobby baixou a cabeça . - Albus_Dumbledore é o melhor director que Hogwarts alguma vez teve . Dobby sabe , senhor . Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore rivalizam com os d'aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Mas , senhor - a voz de Dobby desceu a um urgente murmúrio - há poderes que Dumbledore não ... poderes que nenhum feiticeiro sério ... E antes que Harry conseguisse impedi o Dobby saltou de a cama , agarrou o candeeiro de secretária de Harry e começou a bater com a cabeça , dando uivos ensurdecedores . Fez se silêncio lá em baixo . Dois segundos mais tarde , Harry com o coração a bater como um louco , ouviu o tio Vernon chegar a o * hall * e dizer . - O Dudley deve ter deixado outra_vez a televisão ligada , o maroto ! - Depressa , para dentro de o guarda-fatos - gritou Harry , empurrando Dobby bem para o fundo , fechando a porta e metendo se a correr em a cama mesmo a_tempo_de ver a maçaneta de a porta a girar . - Que diabo estás tu a fazer ? - disse o tio Vernon entre dentes , o rosto assustadoramente próximo de o de Harry . - Acabas de estragar o ponto alto de a minha anedota de o golfista japonês . Eu que oiça mais um som e vais desejar nunca ter nascido , rapaz ! Abandonou o quarto com grandes passadas . A tremer , Harry deixou Dobby sair de o guarda-fatos . - Estás a ver como são as coisas por aqui ? - disse . - Vês porque tenho de voltar para Hogwarts ? É o único sítio onde eu tenho ... bem , onde eu acho que tenho amigos . - Amigos que nem_sequer escrevem a Harry_Potter ? - disse Dobby com ar manhoso . - Calculo que devem ter estado ... espera aí - disse Harry , franzindo a testa . - Como é_que tu sabes que os meus amigos não me têm escrito ? Dobby arrastou os pés . - Harry_Potter não deve zangar se com Dobby . Dobby fez o que achou melhor ... - Tu tens estado a interceptar me as cartas ? - Dobby tem as aqui , senhor - disse o elfo . Saltando para longe de o alcance de Harry , retirou de dentro de a fronha que usava um espesso saco cheio de envelopes . Harry reconheceu de imediato a caligrafia certinha de Hermione , a escrita desordenada de Ron e até uns gatafunhos que pareciam ser de o guarda de os campos de Hogwarts , Hagrid . Dobby piscava ansiosamente os olhos . - Harry_Potter não deve ficar zangado ... Dobby esperava que ... se Harry_Potter pensasse que os amigos o tinham esquecido ... Harry_Potter talvez não quisesse voltar a a escola , senhor . Harry não o ouvia . Fez um gesto para agarrar as cartas , mas Dobby deu um salto , afastando se . - Harry_Potter terá as cartas , senhor , se der a Dobby a sua palavra de não voltar a Hogwarts . Ah , senhor , é um risco que não deve correr . Diga que não volta , senhor ! - Não - afirmou Harry zangado . - Dá me as cartas de os meus amigos ! - Em esse caso , Harry_Potter deixa Dobby sem escolha - disse o elfo tristemente . Antes que Harry pudesse fazer um movimento , Dobby tinha aberto a porta de o quarto e descido a correr por as escadas abaixo . Com a boca seca e um aperto em o estômago , Harry correu atrás de ele , tentando não fazer barulho . Saltou os últimos seis degraus , aterrando como um gato em a carpete de o * hall * , olhando em volta a a procura de Dobby . De a sala de jantar , ouviu a voz de o tio Vernon : - Conte a a Petúnia aquela história engraçadíssima de os funileiros americanos , ela tem estado louca por ouvi a , Mr._Mason . Harry correu de o * hall * para a cozinha e sentiu o estômago ficar pequenino . O pudim , que era a a obra-prima de a tia Petúnia , a montanha de creme batido coberto de violetas de açúcar flutuava junto de o tecto . Em cima de o guarda-louça de o canto , Dobby inclinava se servilmente . - Não - suplicou Harry . - Por favor , eles matam me . - Harry_Potter deve dizer que não vai voltar a a escola ... - Dobby , por favor . - Diga , senhor . - Não posso . Dobby lançou lhe um olhar trágico . - Então , Dobby deve fazê o , senhor , para o bem de Harry_Potter . O pudim foi direito a o chão em uma queda que parecia um coração a parar . O crome esguichou para as janelas e para as paredes , enquanto o prato se despedaçava . Com o ruído de uma chicotada , Dobby desapareceu . Ouviram se gritos em a casa de jantar e o tio Vernon irrompeu por a cozinha onde foi dar com Harry coberto , de a cabeça a os pés , por o pudim de a tia Petúnia . A princípio parecia que o tio Vernon ia conseguir arranjar uma desculpa para aquilo tudo . ( É só o nosso sobrinho , muito perturbado ; conhecer pessoas estranhas deixa o muito nervoso , por isso deixamos o lá em cima ... ) Conduziu_os_Mason , bastante chocados , para a sala de jantar , garantindo a Harry que o esfolava vivo quando os Mason se fossem embora e pôs lhe em as mãos um esfregão . A tia Petúnia descobriu um resto de gelado em o frigorífico e Harry , ainda a tremer , começou a limpar a cozinha . O tio Vernon poderia ainda ter feito o negócio , se não fosse a coruja . Estava a tia Petúnia a circular com uma caixa de After-Eight , quando uma enorme coruja de celeiro fez a sua entrada vertiginosa através de a janela de a casa de jantar , deixando cair uma carta em a cabeça de Mr._Mason e desaparecendo logo_a_seguir . Mrs._Mason gritava como uma carpideira e corria por a casa praguejando contra os lunáticos . Mr._Mason ficou o tempo estritamente necessário para dizer a os Dursleys que a mulher tinha um medo pânico de pássaros de todas_as formas e tamanhos e perguntar lhes se aquela era alguma brincadeira de mau gosto . Harry não saiu de a cozinha , agarrando o esfregão como defesa , enquanto o tio Vernon avançava para ele com um brilho demoníaco em os olhos pequeninos . - Lê isso - ordenou maldosamente . Harry pegou em a carta . Não era a desejar lhe um bom aniversário . * _ Caro_Mr._Potter , * _ Recebermos hoje informações de que um feitiço de suspensão em o ar foi efectuado em sua casa esta noite , a as nove_horas_e_doze_minutos . * _ Como sabe , os feiticeiros menores não estão autorizados a praticar magia fora de a escola e , se efectuar mais um trabalho mágico , será expulso de a nossa escola . ( Decreto_de_Restrições_Razoáveis_para_Feitiçaria_de_Menores , 1875 , parágrafo C. ) * _ Pedimos-lhe também que se lembre que qualquer actividade que possa ser notada por membros alheios a a nossa comunidade ( Muggles ) constitui uma ofensa grave , segundo a secção 13 de a Confederação_Internacional_do_Estatuto_da_Magia_Secreta . * _ Tenha umas boas férias . * Atenciosamente_Mafalda_Hopkirk_Gabinete_da_Utilização_Imprópria_da_Magia_Ministério_da_Magia * . Harry olhou para a carta e engoliu em seco . - Tu não nos contaste que estavas proibido de usar magia fora de a escola - disse o tio Vernon com um brilho maldoso a dançar lhe em os olhos . - Esqueceste te de o mencionar , passou te , não foi ? Tinha se aproximado de Harry como um grande * bulldog * , com todos os dentes a a mostra . - Tenho boas notícias para ti , rapaz , vou fechar te a a chave e , se tentares sair através_de magia , nunca mais voltas a aquela escola , eles expulsam te . E rindo como um louco , arrastou Harry até a o andar de cima . O tio Vernon era mau como as cobras . Em a manhã seguinte pagou a um homem para colocar grades em a janela de o quarto de Harry . Ele próprio abriu um pequeno buraco em a porta de o quarto para que a comida pudesse ser introduzida três vezes por dia . Deixavam o Harry sair para ir a a casa_de_banho de manhã e a o final de a tarde . O resto de o tempo estava fechado em o quarto , a a espera que o tempo passasse . Três dias mais tarde , os Dursleys não mostravam qualquer intenção de abrandar o castigo e Harry não sabia como sair de aquela situação . Estava deitado em a cama , vendo o sol brilhar por_entre as grades de a janela e perguntando se tristemente o que viria a acontecer lhe . Qual era a vantagem de sair de ali por artes mágicas , se Hogwarts o expulsaria em seguida ? Contudo , a vida em Privet_Drive tinha atingido o seu nível mais baixo . Agora_que os Dursleys tinham a certeza que não iam acordar transformados em morcegos , ele perdera a única arma que tinha . O Dobby podia tê o salvo de acontecimentos terríveis em Hogwarts , mas de a maneira que as coisas estavam , ele morreria muito provavelmente a a fome . A portinhola rangeu e a mão de a tia Petúnia apareceu empurrando uma tigela de sopa de pacote para dentro de o quarto . Harry , que estava cheio de fome , saltou de a cama e agarrou a . A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um único trago . A seguir , atravessou o quarto até a a gaiola de Hedwig e pôs os legumes ensopados dentro de o seu pratinho vazio . Ela agitou as penas e olhou o com profunda repugnância . - Não vale de nada virares lhe as costas . É tudo_o_que temos - disse Harry , de modo severo . Colocou a tigela vazia em o chão junto de a portinhola e voltou para_cima de a cama , de certo modo com mais fome do_que antes de ter comido a sopa . Admitindo que estaria ainda vivo dentro_de quatro semanas o que aconteceria se ele não se apresentasse em Hogwarts ? Será que mandariam alguém obrigar os Dursleys a deixá o ir ? O quarto começava a escurecer . Exausto e com o estômago a dar horas , o cérebro a as voltas com as mesmas questões sem resposta , Harry caiu em um sono intranquilo . Sonhou que fazia parte de um espectáculo de o jardim zoológico . Preso a a jaula onde se encontrava estava um cartaz onde podia ler se « feiticeiro menor de idade « . As pessoas olhavam o com olhos protuberantes , enquanto ele jazia fraco e esfomeado em um leito de palha . Viu a cara de o Dobby em o meio de a multidão e gritou lhe , pedindo ajuda , mas o Dobby respondeu : - Harry_Potter está em segurança aí , senhor - e desapareceu . Em seguida vieram os Dursleys e Dudley bateu em as grades de a jaula , rindo se de ele . - Pára com isso - murmurou Harry como_se aquele ruído martelasse em a sua cabeça dorida . - Deixa me em paz , pára com isso , estou a tentar dormir . Abriu os olhos . O luar brilhava através de as grades de a janela . E lá fora alguém olhava de olhos arregalados para ele : alguém de rosto sardento , cabelo ruivo e nariz grande . Ron_Weasley estava de o lado de_fora de a janela . III « A toca » Ron ! - exclamou Harry , arrastando se até a a janela e empurrando a para poderem falar através de as grades . - Ron , como é_que tu , foi o ... ? Harry ficou de boca aberta , espantado com o que viu . Ron estava debruçado de a janela de trás de um velho automóvel azul-turquesa que se encontrava estacionado em o ar . Em os lugares de a frente , rindo se para Harry , estavam os irmãos mais velhos , os gémeos Fred e George . - Tudo bem , Harry ? - O que é_que se tem passado ? - perguntou o Ron . - Porque não respondeste a as minhas cartas ? Convidei te para vires ter comigo umas doze vezes e um dia o pai chegou a casa e comunicou nos que tu tinhas recebido um aviso oficial por usares magia diante de os Muggles ... - Não fui eu . E como é_que ele soube ? - Ele trabalha em o Ministério - disse o Ron . - Tu sabes que nós não podemos fazer feitiços fora de a escola . - Bem , isso vindo de ti ... - exclamou Harry , olhando para o carro flutuante . - Oh , isto não conta - disse Ron . - Foi o meu pai que o emprestou . Não o fizemos aparecer por magia . Mas usar magia em a frente de esses Muggles com quem tu vives ... - Já te disse que não fui eu , mas vai demorar muito_tempo a explicar te isso agora . És capaz de avisar em Hogwarts que os Dursleys me fecharam a a chave e que não querem deixar me voltar e obviamente eu não posso sair de aqui magicamente senão o Ministério vai achar que é a segunda vez em três dias e ... - Pára com essa conversa tola - disse o Ron . - Viemos para te levar connosco . - Mas tu também não podes tirar me de aqui utilizando processos mágicos ... - Não precisamos de isso - afirmou Ron , fazendo um sinal de cabeça para os lugares de a frente . - Esqueces te de quem está aqui comigo . - Amarra isso em volta de as grades - disse o Fred , lançando a Harry a ponta de uma corda . - Se os Dursleys acordam estou feito - lamentou se Harry enquanto dava um nó bem apertado com a corda em uma de as grades e o Fred arrancava com o carro . - Não te preocupes e chega te para trás . Harry recuou para a sombra , para junto de Hedwig que parecia ter se apercebido de a importância de tudo aquilo , mantendo se quieta e em silêncio . O carro puxou mais e mais e , subitamente , com um ruído de ferro a ceder , as grades foram arrancadas de a janela , enquanto Fred conduzia com o céu como estrada . Harry correu de_novo para a janela para ver as grades a balouçarem a poucos metros de o chão . Ofegante , Ron içou as para dentro de o carro . Harry escutou ansiosamente mas não vinha qualquer som de o quarto de os Dursleys . Quando as grades estavam em segurança em os lugares de trás junto de Ron , Fred aproximou se o_máximo que lhe foi possível de a janela . - Anda de aí - disse . - Mas , todas_as minhas coisas de Hogwarts , a minha varinha , a minha vassoura ... - Onde estão ? - Fechadas em a despensa debaixo de as escadas e eu não posso sair de este quarto . . - Não há azar - disse o George . - Sai de a frente , Harry . Fred e George treparam cautelosamente e entraram por a janela em o quarto de Harry . Tinhas que ter aberto a boca , pensou Harry enquanto George tirava de o bolso um vulgar gancho de cabelo e começava a tentar abrir a fechadura . - Muitos feiticeiros acham que é uma perda de tempo aprender os truques de os Muggles - disse o Fred . - Mas nós pensamos que há habilidades que é sempre útil conhecer apesar_de serem um_pouco lentas . Ouviu se um pequeno clique e a porta abriu se . - Pronto , vamos buscar as tuas coisas . Tu vai dando a o Ron aquilo que precisas de aí de o teu quarto - murmurou George . - Cuidado com o degrau de cima que range - sussurrou Harry enquanto os gémeos desapareciam em o escuro . Harry deu a volta a o quarto , recolhendo as suas coisas e passando as por a janela a o Ron . Em seguida , foi ajudar o Fred e o George a trazerem o resto por as escadas acima . Ouviu o tio Vernon tossir . Por fim , de língua de_fora , chegaram a o quarto , junto de a janela aberta . Fred trepou para o carro para puxar os volumes com o Ron enquanto Harry e George os empurravam de dentro de o quarto . Centímetro a centímetro o malão foi passando por a janela . O tio Vernon tossiu de_novo . - Mais um_pouco - disse o Fred que estava a puxar de dentro de o carro . Um bom empurrão , vá . Harry e George encostaram os ombros contra a mala e ela escorregou para a parte de trás de o carro . - O. _ K. , vamos embora - murmurou o George . Mas quando Harry trepava para o parapeito de a janela ouviu se um forte pio atrás de ele , imediatamente seguido de o vociferar de o tio Vernon . - Aquela maldita coruja ! - Esqueci me de a Hedwig ! Harry precipitou se de_novo para o quarto , enquanto a luz de o patamar se acendia . Agarrou a gaiola de Hedwig , correu para a janela e passou a a o Ron . Estava a subir para_cima de a cómoda quando o tio Vernon bateu em a porta , que não estava fechada , e esta se abriu completamente . Por uma fracção de segundo , o tio Vernon ficou estático junto de a porta . Em seguida , soltou um mugido como um boi zangado e avançou para Harry , agarrando o por o tornozelo . Ron , Fred e George seguraram o por os braços e puxaram o com toda_a força . - Petúnia - rosnou o tio Vernon . - Ele está a fugir ! : __ ele está a __ fugir ! Os Weasleys deram um puxão gigantesco e a perna de o Harry escapou a as garras de o tio Vernon . Logo_que Harry entrou em o carro e a porta se fechou , Ron gritou : - Acelera Fred ! - E o carro partiu subitamente em direcção a a lua . Harry mal podia acreditar que estava livre . Esticou se a a janela , o ar de a noite a fustigar lhe os cabelos e olhou para baixo , para os telhados apertados de Privet_Drive . O tio Vernon , a tia Petúnia e o Dudley estavam todos debruçados com cara de parvos , a a janela de o quarto de ele . - Até a o próximo Verão - gritou . Os Weasleys riam se a as gargalhadas e Harry esticou se para trás em o assento e pediu a o ouvido de Ron : - Deixa sair a Hedwig . Ela pode voar atrás_de nós . Há séculos que não tem uma oportunidade de esticar as asas . George passou a o Ron o gancho de cabelo e , um momento depois , a Hedwig saíra feliz por a janela , planando atrás de eles como um fantasma . - Então , qual é a história ? - perguntou Ron , impaciente . - O que é_que tem estado a acontecer ? Harry contou lhes tudo sobre o Dobby , o aviso de este e o fracasso de o pudim de violetas . Houve um longo silêncio quando ele se calou . - Isso cheira me a esturro - disse , por fim , o Fred . - Definitivamente misterioso - concordou George . - Então ele nem te disse quem está supostamente por detrás dessa trama toda ? - Acho que não podia - explicou Harry . - Já te disse , de cada_vez que estava quase a deixar escapar qualquer coisa , começava a bater com a cabeça em a parede . Viu Fred e George olharem um para o outro . - O quê ? Acham que ele estava a mentir me ? - perguntou Harry . - Bem - começou o Fred -- , coloquemos as coisas de o seguinte modo , os elfos de casa têm poderes mágicos próprios , mas geralmente não podem usá os sem a autorização de os seus donos . Eu acho que o bom de o Dobby foi enviado para evitar que voltasses para Hogwarts . Uma ideia de um engraçadinho . Haverá alguém em a escola com má vontade contra ti ? - Sim - responderam Harry e Ron , precisamente ao_mesmo_tempo . - Draco_Malfoy - explicou Harry . - Ele detesta me . - Draco_Malfoy ? - perguntou George , voltando se para trás . - O filho de o Lucius_Malfoy ? - Deve ser . Não é um nome muito vulgar , pois não ? - disse Harry . - Mas porquê ? - Ouvi o pai falar acerca de ele - confidenciou George . - Ele era um grande apoiante de o « Quem nós sabemos » . - E quando o « Quem nós sabemos » desapareceu - continuou o Fred , voltando a cara para olhar para Harry - o Lucius_Malfoy voltou , dizendo que não foi por vontade própria que fez o que fez . Monte de lixo . O pai acha que ele fazia parte de um círculo de amigos íntimos de o « Quem nós sabemos » . Harry já tinha ouvido esses boatos sobre a família de Malfoy e não o surpreenderam em absoluto . Malfoy fizera Dudley_Dursley parecer um rapazinho simpático , amável e sensível . - Não sei se os Malfoy têm um elfo de casa ... - afirmou Harry . - Bem , quem quer que o possua é sem dúvida uma antiga família de feiticeiros e deve ser rica - explicou Fred . - Sim . A mãe está sempre a desejar que pudéssemos ter um elfo de casa para passar a roupa a ferro - disse o George . - Mas só temos um velho vampiro piolhoso em o sótão e gnomos espalhados por o jardim . Os elfos de casa pertencem a as grandes casas senhoriais , a os castelos e lugares assim , não encontrarias um em a nossa casa ... Harry estava calado . Considerando que Draco_Malfoy tinha sempre as melhores coisas , que a sua família nadava em ouro de feiticeiros , era fácil imaginá o passeando se por uma enorme casa senhorial . Mandar o servo de a família evitar que Harry voltasse para Hogwarts também parecia exactamente o tipo de coisa que Malfoy poderia fazer . Teria Harry sido estúpido a o tomar Dobby a sério ? - De qualquer modo , ainda_bem que viemos buscar te - declarou Ron . - Eu começava a ficar seriamente preocupado por não responderes a nenhuma de as minhas cartas . A princípio pensei que a culpa fosse de a Errol ... - Quem é a Errol ? - A nossa coruja . Já é velhota . Não seria a primeira vez que adoecia durante uma entrega . Por isso , tentei pedir a Hermes emprestada ... - Quem ? - A coruja que os meus pais compraram a o Percy quando ele foi nomeado prefeito - respondeu Fred . - Mas o Percy não me a emprestou . Disse que precisava de ela . - O Percy tem andado com atitudes muito estranhas este Verão - comentou George franzindo a testa . - E tem mandado imensas cartas e passado um tempo infinito fechado em o quarto ... enfim , pode limpar se e polir um distintivo de prefeito todas_as vezes que se quiser ... Estás a conduzir demasiado para ocidente , Fred - acrescentou apontando para uma bússola em o painel de o automóvel . Fred girou o volante . - Então , o vosso pai sabe que têm o carro ? - perguntou Harry , quase adivinhando a resposta . - Er ... não - disse o Ron . - Ele tinha trabalho esta noite . Felizmente vamos poder pô o de_novo em a garagem , sem a mãe perceber que andámos a voar nele . - A propósito , o que faz o vosso pai em o Ministério_da_Magia ? - Trabalha em o Departamento mais chato - respondeu Ron . - A Divisão de utilização incorrecta de artefactos de os Muggles . - O quê ? - Relaciona se com objectos de feitiçaria que foram feitos por os Muggles ; sabes como é , se forem parar de_novo a uma loja de os Muggles , ou a uma casa , como em o ano passado , quando morreu uma bruxa velha e o bule de ela foi vendido a uma loja de antiguidades . Uma mulher Muggle comprou o , tentou servir chá a os amigos . Foi um pesadelo , o pai teve de fazer horas extraordinárias durante semanas . - O que é_que aconteceu ? - O bule parecia louco , esguichou chá a ferver para todos os lados e um de os homens foi parar a o hospital com a pinça de o açúcar presa em o nariz . O pai ficou nervosíssimo . É só ele e o velho feiticeiro Perkings em o gabinete e tiveram de localizar e descobrir todo o tipo de encantamentos para resolver o assunto . - Mas o teu pai ... este carro ... Fred riu se . - Sim , o pai é louco por tudo_o_que tem que ver com os Muggles . A nossa arrecadação está cheia de coisas de os Muggles . Ele separa as , lança lhes feitiços e volta a pô as em o lugar . Se ele fizesse uma busca a nossa casa teria de se prender a si mesmo . A minha mãe fica louca com tudo aquilo . - É a estrada principal - gritou o George , apontando para baixo através de a janela . - Dentro_de poucos minutos estamos lá , mesmo a tempo , está a começar a clarear . Um leve brilho rosado tingia o horizonte para leste . Fred trouxe o carro para baixo e Harry pôde ver uma manta de retalhos de campos escuros e matas de arbustos . - Estamos um_pouco longe de a vila - disse George . - Em Ottery_St . Catchpole ... O carro voador foi descendo a os poucos . A luz avermelhada brilhava agora por_entre as árvores . - Terra - disse o Fred , em o momento em que tocaram em o chão com um ligeiro solavanco . Tinham aterrado perto_de uma garagem em ruínas em um pequeno pátio e Harry viu pela_primeira_vez a casa de o Ron . Parecia ter sido em tempos uma pocilga de pedra . Mas os quartos que posteriormente lhe tinham sido acrescentados haviam a tornado bastante mais alta e o seu aspecto era tão curvado que parecia ter sido construída por artes mágicas ( o que , pensou Harry , era , muito provavelmente , verdade ) . De o telhado vermelho saíam quatro ou cinco chaminés . Junto de a entrada , fixa em o chão , podia ver se uma inscrição assimétrica que dizia « A toca » . A o lado de a porta principal estava uma contusão de botas de * _ Wellington * e um caldeirão completamente enferrujado . Por o pátio passeavam se várias galinhas castanhas e gordas . - Não é grande coisa - desculpou se o Ron . - É óptima - exclamou Harry , feliz , pensando em Privet_Drive . Saíram de o carro . - Agora vamos lá para_cima sem fazer barulho - disse o Fred . - E esperamos que a mãe nos chame para o pequeno-almoço . Depois tu , Ron , desces a escada entusiasmadíssimo . - Mãe , olha quem apareceu cá durante a noite ! - E ela vai sentir se felicíssima quando vir o Harry . Assim ninguém fica a saber que levámos o carro voador . - Certo - disse o Ron . - Vamos , Harry , eu durmo em o ... Ron ganhou uma cor de um pálido esverdeado , os olhos fixos em a casa . Os outros três fizeram meia volta . Mrs._Weasley avançava por o pátio , afugentando as galinhas e , para uma mulher baixa , roliça e simpática , era fantástico como conseguia parecer se com um tigre dentes-de-sabre . - Ah ! - suspirou o Fred . - Oh , oh ! - exclamou o George . Mrs._Weasley parou em frente de eles . As mãos em as ancas , saltando de um olhar culpado para o outro . Usava um avental a as flores , com uma varinha a sair lhe de o bolso . - Com que então - disse . - Bom dia , mãe - arriscou o George com uma voz que tentou que fosse alegre e bem-disposta . - Vocês têm alguma ideia de como tenho estado preocupada ? - perguntou Mrs._Weasley em um murmúrio fraco . - Desculpe , mãe , mas sabe , nós tivemos que ... Os três filhos de Mrs._Weasley eram mais altos do_que ela , mas tremiam quando a fúria de a mãe se abatia sobre eles . - Camas vazias ! Nem um bilhete ! O carro desaparecido ... Podiam ter tido um acidente , estou fora de mim com tanta preocupação e vocês nem se importam ... nunca , enquanto eu for viva ... esperem só até o vosso pai chegar , nunca tivemos problemas de estes com o Bill , com o Charlie ou com o Percy ... - O perfeito Percy - resmungou Fred . - : __ tu não vales um dedo de a mão de o __ percy ! - gritou Mrs._Weasley , espetando um dedo em o queixo de o Fred . - Podias ter morrido , podias ter sido visto , podias ter feito com que o teu pai perdesse o emprego ... Parecia nunca mais acabar . Mrs._Weasley tinha gritado até ficar ronca , antes de se voltar para o Harry , que recuou . - Estou muito contente por te ver , Harry - disse . - Entra e vem tomar o pequeno-almoço . Ela voltou se e regressou a casa e Harry , depois de trocar um olhar nervoso com o Ron , que lhe acenou , encorajando o , seguiu a . A cozinha era pequena e bastante estreita . A meio havia uma enfezada mesa de madeira e cadeiras em volta e Harry sentou se a a beirinha de o assento , olhando em volta . Era a primeira vez que entrava em uma casa de feiticeiros . O relógio em a parede em frente de ele , tinha apenas um ponteiro e nenhum número . Em volta , estavam escritas frases como « Hora de fazer o chá » , « Hora de dar de comer a as galinhas « e « Estás atrasado » . Empilhados em o rebordo de a lareira estavam livros com títulos como * _ Encanta o teu próprio queijo , Encantamento em a cozedura de o pão e Banquetes em um minuto - é mágico * ! E , a menos que os ouvidos de Harry estivessem a traí o , o velho rádio próximo de o lava-loiças acabara de anunciar que a seguir vinha a Hora de enfeitiçar com a popular feiticeira-cantora Celestina_Warbeck . Mrs._Weasley fazia barulho com os talheres , preparando o pequeno-almoço um bocado a o acaso , lançando olhares furiosos a os filhos , enquanto lançava as salsichas em a frigideira . De vez em quando murmurava coisas como : « Não sei o que vos passou por a cabeça « ou « nunca devia ter confiado em vocês » . - Eu não te culpo , filho - tranquilizou Harry , pondo lhe sete ou oito salsichas em o prato . - Eu e o Arthur temos estado preocupados contigo . Ainda ontem a a noite estivemos a dizer que te iríamos buscar nós próprios se não respondesses a o Ron até sexta-feira . Mas , em a verdade ( estava agora a acrescentar três ovos estrelados a o prato de ele ) , atravessar metade de o país a voar em um carro ilegal , qualquer um vos poderia ter visto ... Agitou maquinalmente a varinha em a direcção de o lava-loiças , onde a loiça começou a lavar se sozinha , tinindo baixinho lá atrás . - Estava enevoado , mãe ! - exclamou o Fred . - Boca fechada enquanto comes ! - interrompeu Mrs._Weasley . - Eles estavam a fazê o passar fome , mãe ! - disse o George . - E tu também ! - disse Mrs._Weasley , mas já foi com uma expressão mais doce que começou a cortar o pão para Harry e a barrá o com manteiga . Em esse momento , as atenções voltaram se para um pequenino volto de cabelos ruivos , em uma camisa de dormir até a os pés , que surgiu em a cozinha , deu um grito agudo e desapareceu de_novo . - É a Ginny - disse Ron baixinho a o Harry -- , a minha irmã . Tem falado de ti todo o Verão . - Sim , ela vai querer o teu autógrafo , Harry - riu se o Fred , mas o seu olhar cruzou se com o de a mãe e inclinou se para o prato , não voltando a abrir a boca . Ninguém falou até os quatro pratos estarem limpos , o que sucedeu a uma velocidade surpreendente . - Bolas , estou cansado - bocejou Fred , pousando a faca e o garfo . Acho que me vou deitar e ... - Não vais , não senhor - interrompeu Mrs._Weasley . - A culpa é tua se ficaste toda_a noite acordado . Vais fazer a des-gnomização de o jardim . Eles estão outra_vez a exagerar . - Oh , mãe ... - E vocês os dois o mesmo - dirigiu se a o Ron e a o Fred . - Tu podes ir para a cama , filho - disse a Harry . - Não lhes pediste que guiassem aquele carro miserável . Mas Harry , que se sentia acordadíssimo , respondeu prontamente : - Eu ajudo o Ron , nunca vi uma des-gnomização ... - É muito simpático de a tua parte , querido , mas é um trabalho chato - explicou Mrs._Weasley . - Vejamos o que o Lockhart tem a dizer acerca disto . E puxou de o rebordo de a lareira um livro pesadíssimo . George resmungou : - Mãe , nós sabemos * des-gnomizar * o jardim . Harry olhou para a capa de o livro de Mrs._Weasley . Em grandes letras douradas , que ocupavam grande parte de a capa , podia ler se Guia_de_Gilderoy_Lockhart para pragas caseiras . Via se também a grande fotografia de um feiticeiro bem-parecido , de cabelos loiros ondulados e olhos azuis brilhantes . Como sempre , em o mundo de os feiticeiros , a fotografia mexia se . O feiticeiro , que Harry calculou ser Gilderoy_Lockhart , não parava de lhes piscar os olhos descaradamente . Mrs._Weasley sorriu lhe . - Oh , ele é fantástico - disse . - Conhece bem as pragas caseiras . É um livro maravilhoso . - A mãe adora o - disse Fred em um murmúrio bastante audível . - Não sejas ridículo , Fred - repreendeu Mrs._Weasley com as bochechas coradas . - É claro que se achas que sabes mais do_que o Lockhart , podes ir fazer o trabalho e ai de ti se houver um único gnomo em o jardim quando eu for fazer a inspecção . A bocejar e a resmungar , os Weasley arrastaram se lá para fora com Harry atrás de eles . O jardim era grande e , em a opinião de Harry , exactamente como deveria ser um jardim . Os Dursleys não teriam gostado . Havia uma enorme quantidade de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada , mas havia árvores nodosas em volta de as paredes , plantas que Harry nunca vira , tombando de todos os canteiros e um grande lago verde cheio de rãs . - Os Muggles também têm gnomos de jardim , sabes - disse o Harry a o Ron , enquanto atravessavam a relva . - Sim , já vi essas coisas que eles pensam que são gnomos - disse o Ron todo dobrado , com a cabeça em uma moita de peónias . - Como os Pais_Natais gordinhos com canas de pesca ... Houve um tumulto ruidoso , a moita de peónias estremeceu e Ron endireitou se . - Isto_é um gnomo - declarou com um ar sério . - Larga eu ! Larga eu ! - guinchou o gnomo . Não se parecia em absoluto com o Pai_Natal . Era pequenino e parecia de couro , com uma grande cabeça protuberante e calva , precisamente como uma batata . Ron agarrou o a a distância de um braço , enquanto ele dava pontapés em o ar com os seus pézinhos que pareciam chifres . Agarrou o por os tornozelos e voltou o de pernas para o ar . - Isto_é o que tens de fazer - disse . Levantou o gnomo acima de a cabeça ( Larga eu ! ) e começou a balouçá o em grandes círculos , como os vaqueiros fazem com os laços . A o ver a expressão chocada de Harry , Ron explicou : - Não os mágoa . Só tens de os deixar bem tontos para que consigam encontrar o caminho de regresso a os buracos de os gnomos . Largou os tornozelos de o gnomo . Ele voou seiscentos metros e aterrou com um ruído surdo em o campo a o lado de a sebe . - Deplorável - afirmou o Fred . - Aposto que consigo lançar o meu para_além de aquele tronco . Harry aprendeu rapidamente a não sentir muita pena de os gnomos . Decidira largar o primeiro que apanhou para_além de a sebe , mas o gnomo , sentindo fraqueza , enfiou os seus dentinhos , aguçados como laminas , em o dedo de o Harry e não foi fácil sacudi o para ele o largar , até que ... - Uau , Harry , esse deve ter sido seiscentos metros ... O ar estava subitamente cheio de gnomos voadores . - Vês , eles não são muito espertos - afirmou o George , agarrando cinco ou seis de uma_vez . - Em o momento em que se apercebem que começou a * des-gnomização * , aparecem todos para espreitar . Era de esperar que já tivessem aprendido a ficar quietinhos . Rapidamente a multidão de gnomos começou a ir se embora , atravessando os campos em uma fila ordenada , com os pequeninos ombros arqueados . - Eles voltam - disse o Ron enquanto os via desaparecer em a sebe de o outro lado de o campo . - Eles adoram estar aqui ... o pai é muito mole com eles , acha lhes piada . Em esse momento , a porta de a frente bateu . - Ele já voltou ! - exclamou o George . - O pai já está em casa ! Apressaram se a entrar . Mr._Weasley tinha se afundado em uma de as cadeiras de a cozinha , sem óculos e com os olhos fechados . Era um homem magro , quase calvo , mas o pouco cabelo que tinha era tão ruivo como o de os filhos . Vestia um longo manto verde cheio de pó e estava cansado de a viagem . - Que noite - murmurou , tacteando em busca de o bule , enquanto todos se sentavam a a volta de ele . - Nove assaltos , nove ! E o velho Mundungs_Fletcher tentou lançar me um feitiço quando eu estava de costas . Mr._Weasley tomou um bom gole de chá e suspirou . - Encontrou alguma coisa , pai ? - perguntou Fred ansiosamente . - Só encontrei algumas chaves encolhidas e uma chaleira que mordia - bocejou Mr._Weasley . - Havia um material bastante mauzinho , mas não era de o meu departamento . O Mortlake foi levado para ser interrogado sobre uns furões extremamente antigos , mas isso pertence a a Comissão_dos_Feitiços_Experimentais , graças_a Deus . - Por_que é_que alguém ia dar se a o trabalho de fazer encolher chaves ? - perguntou George . - Para chatear os Muggles - suspirou Mr._Weasley . - Vende se lhes uma chave que não pára de encolher , até que desaparece , de_modo_a que nunca a encontrem quando precisam ... É claro que é muito difícil condenar alguém , porque nenhum Muggle é capaz de admitir que a sua chave está a encolher , insistem em que estão sempre a perdê a . Benditos sejam , vão até onde for preciso para ignorar a magia , mesmo_que ela esteja em frente de os seus narizes ... mas vocês não acreditariam em as coisas que o nosso grupo tem levado para enfeitiçar ... - : __ como carros , por __ exemplo ? Mrs._Weasley tinha aparecido , segurando um grande atiçador que parecia uma espada . Os olhos de Mr._Weasley abriram se de repente , fitando a mulher com um ar culpado . - C-carros , Molly querida ? - Sim , Artur , carros - afirmou Mrs._Weasley , os olhos a faiscar . - Imagina um feiticeiro a comprar um carro velho e enferrujado e dizer a a mulher que a única coisa que queria fazer com ele era desmontá o para ver como ele funcionava , enquanto em a verdade estava a enfeitiçá o para o fazer voar . Mr._Weasley piscou os olhos . - Bem , querida , acho que poderás constatar que não é ilegal fazer isso , embora , er , talvez ele devesse ter contado a verdade a a mulher ... Existe uma forma de tornear a lei , já_que ela diz que ... desde_que não se tenha a * intenção * de voar em o carro , o facto de ele poder voar , não ... - Arthur_Weasley tu arranjaste essa forma de tornear a lei quando a escreveste ! - gritou Mrs._Weasley . - Para poderes continuar a remexer em todo aquele lixo de os Muggles que tens em a arrecadação ! E , para tua informação , o Harry chegou hoje_de_manhã em o carro que tu não pretendias pôr a voar ! - Harry ? - perguntou Mr._Weasley sem expressão . - Qual Harry ? Olhou em volta , viu Harry e deu um salto . - Santo_Deus , é Harry_Potter ? Muito prazer , o Ron falou nos tanto de si ... - * _ O teu filho conduziu aquele carro até a a casa de o Harry e de volta até aqui em a noite passada ! * - gritou Mrs._Weasley . - O que tens a dizer a esse respeito ? - A sério ! ? - exclamou Mr._Weasley com vivacidade . - Correu tudo bem , quero dizer ... - vacilou a o ver os olhos de Mrs._Weasley que faiscavam . - Er , fizeram mal , rapazes , muito mal , mesmo ... - Vamos deixá os a os dois - murmurou o Ron , enquanto Mrs._Weasley inchava como um sapo gigantesco . - Vamos , vou mostrar te o meu quarto . Esgueiraram se de a cozinha e desceram uma passagem estreita que dava para uma escada desnivelada que ziguezagueava a o longo de a casa . Em o terceiro andar , estava uma porta entreaberta . Harry só teve tempo de ver um par de olhos castanhos brilhantes que o olhavam fixamente , antes de a porta se fechar com um estalido . - A Ginny - disse o Ron . - Não imaginas como é estranho vês a tão tímida , ela que quase nunca se cala ... Subiram mais dois andares , até chegarem a uma porta com a tinta a descascar e uma pequena placa dizendo : « Quarto_do_Ronald » . Harry entrou . A cabeça quase tocava em o tecto inclinado . Piscou os olhos . Era como entrar dentro_de uma fornalha : quase tudo em o quarto de o Ron tinha um violento matiz alaranjado : a colcha de a cama , as paredes , até o tecto . Em seguida , apercebeu se de que o Ron tinha coberto cada centímetro de o velho papel de parede com * posters * de as mesmas sete feiticeiras e feiticeiros , todos vestidos com brilhantes mantos cor de laranja , transportando vassouras e acenando entusiasticamente . - A tua equipa de Quidditch ? - perguntou Harry . - Os Chudley_Cannons - disse Ron , apontando para a colcha cor de laranja que tinha um brasão com dois C's gigantes e uma bala de canhão a_toda_a velocidade . - Nono em a Liga . Os livros de estudo de feitiços de Ron estavam empilhados desordenadamente a um canto , junto de um monte de B. _ D. , todas elas relativas a as * _ Aventuras_de_Martin_Miggs , o Muggle louco * . A varinha mágica de o Ron estava em_cima_de um aquário cheio de ovos de rã sobre o peitoril de a janela , junto de o seu rato gordo e cinzento , Scabbers , que dormia uma soneca a o sol . Harry passou por_cima_de um baralho de cartas de jogar com vontade própria , que estava caído em o chão , e olhou para fora de a janelinha . Em o campo , não muito longe , podia ver um grupo de gnomos a esgueirarem se , um a um , de_novo para a sebe de os Weasley . Em seguida , voltou se para Ron que o observava nervoso , como_se esperasse a opinião de ele . - É um_pouco pequeno - declarou o Ron muito depressa . - Não se parece nada com o quarto que tu tinhas em casa de os Muggles . E estou mesmo debaixo de o vampiro de o sótão . Ele anda sempre a bater nos canos e a gemer ... Mas Harry , com um grande sorriso , disse lhe : - Esta é a melhor casa em que eu já estive . As orelhas de Ron ficaram cor-de-rosa . IV_Na_Flourish and Blotts_A vida em a Toca era o mais diferente que é possível de a vida em Privet_Drive . Os Dursleys gostavam de tudo limpo e arrumado , em casa de os Weasleys explodia o estranho e o inesperado . Harry teve um choque de a primeira vez que olhou para o espelho que estava sobre a lareira de a cozinha e ele gritou : - Mete para dentro a camisa , * desmazelado ! * - O vampiro de o sótão gemia e batia nos canos , sempre_que sentia as coisas demasiado calmas e as pequenas explosões em o quarto de o Fred e de o George , eram consideradas perfeitamente normais . Mas o que o Harry achou mais bizarro em a vida em casa de o Ron , não foi o espelho que falava , nem o vampiro barulhento , foi o facto de todos ali em casa parecerem gostar de ele . Mrs._Weasley preocupava se com o estado de as suas meias e tentava obrigá o a servir se quatro vezes a cada refeição . Mr._Weasley gostava que Harry se sentasse a o lado de ele a a mesa para poder bombardeá o com perguntas sobre a vida com os Muggles , pedindo que lhe explicasse como funcionavam coisas como as canalizações e o serviço de os correios . - Fascinante ! - exclamava , enquanto Harry lhe explicava a utilização de o telefone . - Engenhoso , de facto , todas_as maneiras que os Muggles encontraram para passar sem a magia . Harry teve notícias de Hogwarts em uma manhã de sol , cerca de uma semana depois de ter chegado a a Toca . Quando , ele e o Ron desceram para tomar o pequeno-almoço , encontraram Mr. e Mrs._Weasley e Ginny já sentados a a mesa . Em o momento em que viu o Harry , Ginny entornou a tigela de os cereais , que caiu a o chão com grande espalhafato . Ginny entornava facilmente coisas sempre_que o Harry estava em a sala . Mergulhou debaixo de a mesa para apanhar a tigela e emergiu com o rosto a brilhar como o sol poente . Fingindo não ter dado por nada , Harry sentou se e aceitou a torrada que Mrs._Weasley lhe ofereceu . - Cartas de a escola - disse Mr._Weasley , passando a o Harry e a o Ron envelopes idênticos de pergaminho amarelado , com a morada escrita a tinta verde . - O Dumbledore já sabe que estás aqui , Harry , não perde nada aquele homem . Vocês os dois também - acrescentou , enquanto Fred e George deambulavam em a casa , ainda em pijama . Fez se silêncio durante alguns momentos , enquanto liam as respectivas cartas . A de o Harry dizia para apanhar o Expresso_de_Hogwarts , como sempre em a Estação_de_King's_Cross , em o dia_1_de_Setembro . Havia ainda uma lista de os livros que precisaria para o próximo ano . Os alunos de o segundo ano deverão ter : * _ O_Livro_Padrão_de_Feitiços , Grau 2 , por Miranda_Goshawk . * _ Ensinamentos_de_Uma_Fada_Carpideira , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Férias com Bruxas , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Duendes , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Lobisomens , por Gilderoy_Lockhart . * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves , por Gilderoy_Lockhart * . Fred , que terminara a sua própria lista , espreitou para a de o Harry . - Também te mandam comprar os livros de o Lockhart - disse . - A professora de defesa contra as artes negras deve ser fanática . Aposto que é uma bruxa . Nessa_altura , Fred percebeu o olhar de a mãe e apressou se a comer o doce de laranja . - Esse conjunto não vai ficar barato - disse George , olhando rapidamente para os pais . - Os livros de o Lockhart são de os mais dispendiosos ... - Cá nos havemos de arranjar - declarou Mrs._Weasley , mas parecia preocupada . - Espero que pelo_menos para a Ginny possamos arranjar uma data de coisas em segunda mão . - Ah , vais entrar este ano para Hogwarts ? - perguntou lhe Harry . Ela fez um aceno , corando até a a raiz de os cabelos ruivos e meteu o cotovelo em o pires de a manteiga . Felizmente ninguém deu por nada , a não ser o Harry , porque em esse momento o irmão mais velho de Ron , o Percy , entrou . Já estava vestido , com a placa de prefeito aplicada a a sua camisola de malha . - Bom dia a todos - disse , cheio de vivacidade . - Está um dia lindo . Puxou a única cadeira livre , mas deu um salto quando ia sentar se e , debaixo de ele , saltou um espanador cinzento de penas , pelo_menos , foi o que o Harry pensou até ver que ele respirava . - Errol ! - exclamou Ron , afastando a coruja de o Percy e retirando lhe debaixo de a asa uma carta . - Até que enfim , a resposta de a Hermione . Escrevi lhe a contar que íamos tentar raptar te de casa de os Dursleys . Levou Errol para um poleiro que havia junto a a porta de as traseiras e tentou colocá a lá em cima , mas Errol caiu redonda e Ron teve de a pôr em a pia , murmurando : - Patético . - Em seguida , abriu a carta de a Hermione e leu a em voz alta . * _ Querido_Ron e Harry , se aí estiveres . Espero que tudo tenha corrido bem , que o Harry esteja O. _ K. e que não tenham feito nada ilegal para conseguir trazes o , porque isso podia criar lhe problemas também a ele . Tenho estado muito preocupada e , se o Harry estiver bem , por favor digam me qualquer coisa rapidamente , mas talvez seja melhor usarem uma nova coruja , porque acho que outra entrega pode acabar como esta . * _ Estou muito atarefada com trabalho de a escola , claro * . - Como é possível ? - perguntou Ron , horrorizado . - Estamos em férias ! - * _ E vamos para Londres em a próxima quarta-feira para comprar os meus livros novos . Porque não nos encontramos em a Diagon-al ? * _ Dêem-me notícias vossas o mais depressa possível . * _ Carinhosamente_Hermione * - Bem , parece uma boa solução , podemos ir todos comprar as vossas coisas - disse Mrs._Weasley , começando a limpar a mesa . - O que vão fazer hoje ? Harry , Ron , Fred e George tinham planeado ir a o cimo de o monte a um pequeno cercado de cavalos que os Weasleys possuíam . Estava rodeado de árvores que lhe tapavam a vista de a cidade cá em baixo , o que quer_dizer que podiam praticar Quidditch , desde_que não voassem muito alto . Não podiam usar as verdadeiras bolas de Quidditch pois seria muito difícil explicar se elas escapassem e voassem sobre a cidade . Em vez de elas , lançavam maçãs para os outros apanharem . Faziam turnos para montar a Nimbus dois_mil , que era de longe a melhor vassoura . A velha Shooting_Star_de_Ron fora muitas_vezes ultrapassada por as borboletas que passavam . Cinco minutos mais tarde estavam a marchar por o monte acima , de vassouras a o ombro . Tinham perguntado a o Percy se ele queria juntar se a eles , mas ele alegara muito trabalho . Até esse dia , Harry só tinha visto Percy a a hora de as refeições , ele ficava em silêncio em o quarto o resto de o tempo . - Gostava de saber o que ele anda a fazer - afirmou Fred , de testa franzida . - Não parece o mesmo . O resultado de os exames veio um dia antes de tu chegares : doze N_F_V e ele nem se manifestou satisfeito . - Níveis_de_Feitiçaria_Vulgares - explicou o George , vendo o olhar atarantado de Harry . - Se não temos cuidado , ainda nos calha outro Chefe_de_Turma em a família . Acho que não suportaria a vergonha . Bill era o mais velho de os irmãos Weasley . Ele e o irmão a seguir , Charlie , já tinham saído de Hogwarts . Harry não conhecia nenhum de os dois , mas sabia que o Charlie estava em a Roménia a estudar dragões e o Bill em o Egipto a trabalhar em o banco de os feiticeiros : Gringotts . - Não sei como o pai e a mãe vão arranjar dinheiro para nos pagar o material escolar este ano - disse o George , passado um bocado . - Cinco conjuntos de livros de o Lockhart ! E a Ginny precisa de mantos e de uma varinha e tudo_isso ... Harry não disse nada . Sentiu se um_pouco incomodado . Fechada em um cofre subterrâneo , em o banco de Gringotts_de_Londres , estava uma pequena fortuna que os pais lhe tinham deixado . É claro que só tinha esse dinheiro em o mundo de os feiticeiros , não se podem usar Galeões , Leões e Janotas em as lojas de os Muggles . Ele nunca fizera referência a a sua conta bancária em Gringotts a os Dursleys . Não lhe parecia que o horror que eles sentiam por tudo_o_que se relacionava com a feitiçaria se estendesse a uma enorme pilha de barras de ouro . Mrs._Weasley acordou os a todos bem cedo , em a quarta-feira seguinte . Depois de comerem umas doze sanduíches de * bacon * cada_um , enfiaram os casacos e Mrs._Weasley tirou um vaso de a prateleira de o fogão de a cozinha e espreitou lá para dentro . - Está a acabar se , Arthur - suspirou . - Temos de comprar mais hoje ... Bem , os hóspedes primeiro . Passa , Harry querido ! E ofereceu lhe o vaso de flores . Harry olhou espantado enquanto todos eles o observavam . - O q-que é_que eu devo fazer ? - gaguejou . - Ele nunca viajou com o pó de Floo - disse o Ron subitamente . - Desculpa , Harry , esqueci me . - Nunca ? - perguntou Mrs._Weasley . - Mas então como chegaste a a Diagon - _ Al em o ano passado para comprar as tuas coisas ? -- Fui por o subterrâneo . - A sério ? - disse Mr._Weasley , entusiasmado . - Havia fugitivos ? Como é_que ... - Agora não , Arthur - disse Mrs . Weasley . - O pó de Floo é muito mais rápido , querido , mas , valha me Deus , se ele nunca o usou ... - Vai correr bem , mãe - disse o Fred . - Harry observa nos primeiro . Tirou uma pitada de pó brilhante de dentro de o vaso , aproximou se de o lume e lançou o pó em as chamas . Com um rugido , o fogo ficou verde-esmeralda e elevou se a uma altura superior a a de o Fred que avançou , gritando Diagon - _ Al ! E desapareceu . - Tens de falar claramente , filho - disse Mrs._Weasley a o Harry , ao_mesmo_tempo que George metia a mão em o vaso de as flores . - E vê se sais em o fogão certo . - Em o quê ? - perguntou Harry , nervoso , enquanto o lume crepitava e fazia George desaparecer também . - Bem , há imensos fogos de feiticeiros , mas desde_que te tenhas expressado claramente ... - Ele vai conseguir , Molly , não te preocupes - disse Mr._Weasley , tirando também ele algum pó . - Mas querido se ele se perde como é_que vamos justificar nos perante o tio e a tia de ele ... -- Eles não se importariam - tranquilizou a Harry . - O Dudley ia achar imensa piada se eu me perdesse em uma chaminé , não se preocupe . - Bem , em esse caso ... tu vais a seguir a o Arthur - disse Mrs._Weasley . - Logo_que entres em o fogo diz para_onde queres ir . - E mantém os cotovelos dobrados - preveniu o Ron . - E os olhos fechados - disse Mrs._Weasley . - A fuligem . - Não te enerves - disse o Ron . - Senão podes ir parar a a lareira errada . - Não entres em pânico e não queiras sair cedo de mais . Espera até veres o Fred e o George . Fazendo um enorme esforço por reter toda aquela informação , Harry tirou uma pitada de pó de Floo e avançou para a beirinha de o fogo . Respirou fundo , espalhou o pó em as chamas e entrou . O fogo parecia uma brisa quente . Abriu a boca e engoliu , de imediato , uma grande quantidade de cinzas quentes . D-dia-gon-al - tossiu . Sentiu se como_se estivesse a ser sugado para um buraco gigantesco . Como_se girasse muito depressa ... o ruído era ensurdecedor . Tentou manter os olhos abertos mas o turbilhão de chamas verdes fê lo enjoar ... algo duro bateu lhe em o cotovelo e dobrou o de imediato . Continuava a rodar , a rodar ... sentia se agora como_se várias mãos frias estivessem a bater lhe em a cara ... Espreitando através de os óculos , viu uma torrente imprecisa de fogões e captou lampejos de as salas que estavam por detrás ... as sanduíches de * bacon * davam lhe a volta dentro de o estômago ... fechou os olhos desejando que tudo aquilo parasse e então caiu , de cara em o chão , em a pedra fria e sentiu os óculos partirem se a os bocados . Desorientado e ferido , coberto de fuligem , pôs se cautelosamente de pé , levando a os olhos os óculos partidos . Estava completamente só e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava . Tudo_o_que podia dizer era que a o seu lado via uma lareira que lhe parecia ser a de uma enorme e indistinta loja de feitiçaria . Mas nenhum de os artigos que ali se encontravam tinham aspecto de fazer parte de a lista de a escola de Hogwarts . Em uma caixa de vidro podia ver se uma mão atrofiada que repousava sobre uma almofada , um baralho de cartas ensanguentado e um olho de vidro que o olhava fixamente . Máscaras de expressão maldosa enchiam as paredes , olhando de esguelha , uma enorme quantidade de ossos humanos estendia se sobre o balcão e , de o tecto , pendiam instrumentos aguçados com pontas de ferro e pregos enferrujados . Mas o pior é_que a rua estreita e escura , que Harry conseguia avistar através de a janela poeirenta de a loja , não era de modo algum a Diagon-al . Quanto_mais depressa saísse de ali , melhor . O nariz ainda a doer lhe em o sítio onde batera em o chão a o aterrar , Harry avançou rápida e silenciosamente em direcção a a porta , mas antes de conseguir chegar a meio caminho , duas pessoas apareceram de o lado de_fora de o vidro , e uma de elas era a última pessoa que Harry desejaria encontrar em o momento em que se encontrava perdido , coberto de fuligem e com os óculos partidos , Draco_Malfoy . Harry olhou rapidamente em volta e apercebeu se de a existência de um grande armário escuro a a sua esquerda , saltou lá para dentro e fechou as portas , deixando uma gretazinha para poder espreitar . Segundos depois , uma campainha tocava e Malfoy entrava em a loja . O homem que o acompanhava só podia ser o pai . Tinha o mesmo rosto pálido de feições agudas e os mesmos olhos cinzentos de gelo . Mr._Malfoy atravessou a loja , olhando maquinalmente para os artigos expostos e tocou a campainha de o balcão , antes de se voltar para o filho , dizendo : - Não mexas em nada , Draco . Malfoy , que vira o olho de vidro , disse : - Pensei que ias oferecer me um presente . - Eu prometi que ia comprar te uma vassoura de corrida - declarou o pai , tamborilando com os dedos sobre o balcão . - Para que é_que me serve , se não estou em a equipa de Quidditch ? - perguntou Malfoy , carrancudo e de mau humor . - O Harry_Potter teve uma Nimbus dois_mil o ano passado , com a autorização especial de o Dumbledor é para jogar em os Gryffindor . Ele nem é assim tão bom , é só por ser * famoso * ... famoso por ter uma estúpida cicatriz em a testa . Malfoy baixou se para observar uma prateleira cheia de crânios . - Todos acham que ele é tão esperto , o Potter maravilha , com a sua cicatriz e a sua vassoura ... - Já me disseste isso doze vezes pelo_menos - comentou Mr._Malfoy , olhando repressivamente para o filho . - E devo lembrar te que não é prudente parecer menos do_que amigo de Harry_Potter , quando a maior parte de a nossa gente vê em ele um herói que fez desaparecer o Senhor_do_Mal . Ah , Mr._Borgin . Um homem curvado surgiu por detrás de o balcão , puxando o cabelo gorduroso para trás . - Mr._Malfoy , que prazer vês o de_novo - disse Mr._Borgin , em uma voz tão untuosa como o cabelo . - Encantado , e o nosso jovem Malfoy também , encantado . Em que posso servi os ? Tenho que vos mostrar o que chegou hoje , a um preço muito razoável ... - Hoje não venho comprar , Mr._Borgin , e sim vender - afirmou Mr._Malfoy . - Vender ? - O sorriso apagou se lentamente em o rosto de Mr._Borgin . - Certamente ouviu dizer que o Ministério está a levar a cabo mais buscas - explicou o Mr._Malfoy , retirando de o bolso um rolo de pergaminho e desembrulhando o para Mr._Borgin o ler . - Eu tenho alguns , ah , artigos em casa que poderiam criar me problemas se o Ministério me batesse a porta . Mr._Borgin colocou em o nariz um par de * pince-nez * e olhou para a lista . - O Ministério não se lembraria de o incomodar certamente ... O lábio de Mr._Malfoy dobrou se . - Ainda não me fizeram nenhuma visita . O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito , mas o Ministério está a ficar cada_vez_mais intrometido . Há boatos sobre um novo decreto de protecção de os Muggles , sem dúvida que aquele mordido de as pulgas , adorador de os Muggles , que é o Arthur_Weasley deve estar por detrás de isso . Harry sentiu crescer a raiva . - E , como pode ver , alguns de estes venenos podiam dar a ideia ... - Compreendo perfeitamente , claro - disse Mr._Borgin . - Deixe me ver ... - Posso ter aquilo ? - interrompeu Draco , apontando para a mão raquítica que estava sobre a almofada . - Ah , a mão de a glória ! - exclamou Mr._Borgin , abandonando a lista de Mr._Malfoy e apressando se a responder a Draco . - Põe se lhe uma vela e ela só dá luz a quem a transporta ! A melhor amiga de os gatunos e de os salteadores , o seu filho tem gosto , senhor . - Espero que o meu filho venha a ser mais do_que gatuno ou salteador , Borgin - disse Mr._Malfoy friamente e Mr._Borgin respondeu logo : - Sem ofensa , senhor , sem querer ofender . - Embora , se as notas de a escola não melhorarem - disse Mr._Malfoy ainda mais friamente - esse possa vir a ser o único caminho possível para ele . - Não tenho culpa - retorquiu Draco . - Todos os professores têm os seus preferidos , aquela Hermione_Granger ... - Eu , em o teu lugar , teria vergonha que uma rapariga que nem_sequer pertence a famílias de feiticeiros , me passasse a a frente em todos os exames - interrompeu Mr._Malfoy . Ah - fez Harry baixinho , radiante por ver Draco atrapalhado e furioso . - É o mesmo em todo o lado - comentou Mr._Borgin em a sua voz untuosa . - O sangue de os feiticeiros conta cada_vez menos ... - Não para mim - afirmou Mr._Malfoy , com as longas narinas dilatadas . - Não senhor , nem para mim - concordou Mr._Borgin , inclinando se em uma vénia . - Em esse caso , talvez possamos voltar a a minha lista - disse Mr._Malfoy secamente . - Estou com alguma pressa , Borgin , tenho ainda hoje assuntos importantes a tratar em outro lado . Começaram a discutir os preços . Harry via nervosamente o Draco aproximar se de o seu esconderijo enquanto observava os objectos a a venda . Parou para examinar um enorme rolo de corda de carrasco e para ver , com um sorriso afectado , o cartão preso com um aparatoso laço de opalas onde podia ler se : * _ Cautela , não tocar . Amaldiçoado - reclama as vidas de dezanove donos , todos eles Muggles * . Draco voltou se e viu o armário mesmo em frente . Avançou , estendeu a mão para o puxador ... - Feito - disse Mr._Malfoy , a o balcão . - Vamos , Draco . Harry limpou a testa a a manga quando Draco se afastou . - Muito bom dia , Mr._Borgin . Espero por si amanhã em a mansão para ir buscar a mercadoria . Em o momento em que a porta se fechou , Mr._Borgin abandonou os seus modos subservientes . « Bom dia para o senhor , Mr._Malfoy , e , se as histórias que contam são verdadeiras , não me vendeu nem metade do_que tem escondido em a sua mansão ... » Murmurando de forma taciturna , Mr._Borgin desapareceu em uma sala escura . Harry esperou um minuto não fosse ele voltar e , em seguida , o mais silenciosamente possível , escapou se de o armário , passou por as caixas de vidro e saiu de a loja . Encostando os óculos partidos a o rosto , olhou em volta . Saíra em uma rua estreita e sombria que parecia composta exclusivamente de lojas dedicadas a as artes negras . Aquela de onde acabava de sair parecia ser a maior , mas em frente estava uma montra tétrica de cabeças encolhidas e duas portas abaixo podia ver se uma enorme caixa viva cheia de gigantescas aranhas pretas . Dois feiticeiros com aspecto pobre observavam o de a sombra de uma porta , murmurando entre si . Sentindo se nervoso , Harry pôs se a caminho , tentando agarrar os óculos a direito e não desistindo de a esperança de encontrar maneira de sair de ali . Por um cartaz de madeira , pendurado em a rua , indicando uma loja de venda de velas envenenadas , ficou a saber que se encontrava em a Rua * _ Bativolta * , mas isso não o ajudou pois Harry nunca ouvira falar em tal lugar . Calculou que não tinha pronunciado bem as palavras com a boca cheia de cinzas em a lareira de os Weasley . Tentando manter a calma perguntou a si mesmo o que havia de fazer . - Não estás perdido , pois não , meu menino ? - perguntou uma voz , mesmo junto de o seu ouvido , que o fez dar um salto . Uma bruxa idosa estava em a sua frente , segurando um tabuleiro de uma coisa que se parecia horrivelmente com unhas humanas . A mulher olhou o maldosamente , mostrando os dentes esverdeados . Harry recuou . - Estou bem , obrigado - disse . - Estou só ... - HARRY ! O qu'é que pensas que estás a fazer aqui ? O coração de Harry deu um salto , assim_como o de a bruxa . Um monte de unhas caíram lhe sobre os pés e ela praguejou , enquanto o corpo enorme de Hagrid , o guarda de os campos de Hogwarts , se aproximava de eles a passos largos com os olhos castanhos-escuros a faiscarem sobre a longa barba eriçada . - Hagrid - gritou Harry , aliviado . - Eu estava perdido ... o pó de Floo ... Hagrid agarrou Harry por o cachaço e puxou o para longe de a bruxa , tirando lhe o tabuleiro de as mãos . Os guinchos agudos de a feiticeira seguiram nos até a o fundo de a ruela serpenteante que ia dar a um lagar onde brilhava o sol . Harry avistou a a distância um edifício de mármore branco como a neve que lhe era familiar : o banco de Gringotts . Hagrid conduzira o até a a Diagon - _ Al . - ` _ tás em um péssimo estado ! - disse Hagrid bruscamente , sacudindo lhe a fuligem com tanta força que Harry quase caiu em um barril de estrume de dragão que se encontrava a a porta de um boticário . - A fugir , em a Rua * _ Bativolta * , eu não conheço esse lugar finório , Harry , não quero que ninguém te veja aqui em baixo . - Já percebi - disse Harry , baixando se quando Hagrid fez menção de o escovar melhor . - Já te disse que estava perdido . E o que é_que tu fazes aqui ? - ` _ Tou a a procura d'um repelente para as lesmas comedoras de legumes - resmungou Hagrid . - ` _ tão a destruir as couves todas de a escola . Tu não estás sozinho ? - Estou em casa de os Weasley , mas separámo nos explicou Harry . - Tenho que os encontrar . Desceram juntos a rua . - Por_que é_que nunca respondeste a as minhas cartas ? - perguntou Hagrid , enquanto Harry corria para o acompanhar ( tinha de dar três passos por cada enorme passada de Hagrid ) . Harry explicou lhe tudo sobre Dobby e os Dursleys . - Malditos_Muggles - rugiu Hagrid . - S'eu tivesse sabido ... - Harry ! Harry ! Aqui ! Harry olhou para_cima e viu Hermione_Granger em o topo de a escadaria de Gringotts . Desceu para vir a o encontro de ele , o cabelo castanho de caracóis , a esvoaçar atrás de ela . - O que aconteceu a os teus óculos ? Olá_Hagrid ... Oh , é maravilhoso ver vos outra_vez . Vens a Gringotts , Harry ? - Logo_que encontre os Weasley - respondeu ele . - Não vais ter d'esperar muito - riu se Hagrid . Harry e Hermione olharam em volta . Subindo a rua , em o meio de a multidão , vinham Ron , Fred , George , Percy e Mr._Weasley . - Harry - chamou Mr._Weasley , ofegante . - Tínhamos esperança que só tivesses ido um fogão mais longe ... - passou um pano em a sua calva reluzente . - A Molly está nervosíssima , aí vem ela . - Onde é_que tu saíste ? - perguntou o Ron . - Em a Rua * _ Bativolta * - disse o Hagrid , com um ar sério . - Sensacional ! - exclamaram Fred e George ao_mesmo_tempo . - Nunca nos deram autorização para lá ir - disse o Ron com uma pontinha de inveja . - E fizeram muito bem - grunhiu Hagrid . Mrs._Weasley chegou em aquele momento a correr , a mala a balouçar em uma de as mãos e Ginny quase pendurada em a outra . - Oh Harry , oh meu querido , podias ter ido parar a qualquer lugar ... Tentando recuperar o fôlego , tirou de a mala uma grande escova de roupa e começou a retirar a fuligem que Hagrid não conseguira expulsar . Mr._Weasley pegou em os óculos de Harry , deu lhes um toque de varinha e entregou lhe os como novos . - Bem , tenho de m'ir embora - disse Hagrid cuja mão estava a ser esmagada por Mrs._Weasley ( -- Rua * _ Bativolta * ! Se não o tivesses encontrado , Hagrid ! ) . - Vemo nos em Hogwarts . - E afastou se , os ombros e a cabeça acima de a multidão que enchia completamente a rua . - Adivinham quem eu vi em o Borgin and Burkes ? - perguntou Harry_a_Ron e a Hermione enquanto subiam as escadarias de Gringotts . - Malfoy e o pai . - O Lucius_Malfoy comprou alguma coisa ? - perguntou interessado Mr._Weasley que estava atrás de eles . - Não , estava a vender . - Então está preocupado - comentou Mr._Weasley com visível satisfação . - Ah , eu adorava apanhar o Lucius_Malfoy em alguma . . - Tem cuidado , Arthur - interrompeu Mrs._Weasley enquanto o gnomo porteiro lhes dava reverentemente entrada em o banco . - Isso é um problema de família . Não queiras ter mais olhos que barriga . - Queres dizer com isso que achas que eu não chego para o Malfoy ? - perguntou Mr._Weasley , indignado , mas foi rapidamente afastado de aqueles sentimentos a o avistar os pais de Hermione que estavam de pé , nervosamente encostados a o balcão que acompanhava a grande parede de mármore , a a espera que Hermione os apresentasse . - Mas vocês são Muggles ! - disse Mr._Weasley , encantado . - Temos de tomar uma bebida . O que é isso aí ? Ah , estão a trocar dinheiro de Muggle . Molly , olha - apontou cheio de excitação para as notas de dez libras que Mr._Granger tinha em a mão . - Encontramo nos aqui - disse Ron_a_Hermione , enquanto os Weasley e Harry eram conduzidos a os seus cofres em o subterrâneo de Gringotts . Para chegar a os cofres havia que tomar umas carrinhas conduzidas por gnomos que se deslocavam ao_longo_de carris de comboio de pequenas dimensões através de os túneis subterrâneos de o banco . Harry gostou de a viagem acidentada até a o cofre de os Weasley , mas sentiu se bastante mal , pior do_que em a Rua * _ Bativolta * , quando o cobre foi aberto . Havia lá dentro um pequenino monte de Leões de prata e apenas um Galeão de ouro . Mrs._Weasley foi com a mão a a procura em os cantos antes de , com um gesto rápido , varrer tudo para dentro de o saco . Harry sentiu se ainda pior quando chegaram a o seu cofre . Tentou evitar que vissem o conteúdo enquanto empurrava apressadamente mãos cheias de moedas para dentro_de uma sacola de cabedal . Lá fora , em as escadarias de mármore , separaram se . Percy murmurou vagamente que precisava de uma nova pena de escrever . Fred e George tinham avistado um amigo de Hogwarts , Lee_Jordan . Mrs._Weasley e Ginny iam a uma loja de mantos em segunda mão , Mr._Weasley continuava a insistir em levar os Grangers a o Caldeirão_Escoante para lhes pagar uma bebida . - Encontrarmo nos todos em a Flourish and Blotts dentro_de uma hora para comprar os vossos livros de estudo - disse Mrs._Weasley , afastando se com Ginny . - E nem um passo em direcção a a Rua * _ Bativolta * - gritou a os gémeos que estavam de costas . Harry , Ron e Hermione deambularam por a rua empedrada e sinuosa . O ouro , prata e bronze que tilintavam alegremente em o saco que Harry tinha em o bolso pareciam exigir ser gastos , por isso ele comprou três enormes gelados de morango e manteiga de amendoim que eles devoraram felizes enquanto vagueavam sem destino por a rua fora , observando as montras fantásticas de as lojas . Ron olhou longamente para um conjunto completo de mantos de o Chudley_Cannon , em as montras de o « Equipamento_de_Quidditch_de_Qualidade » até Hermione o arrastar de ali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos . Em a « Jogos_de_Feitiçaria_de_Gambol and Japes » encontraram o Fred , o George e o Lee_Jordan que estavam presos em a fabulosa partida debaixo_de chuva e em os fogos-de-artifício de o Dr._Filibuster . E em uma pequenina loja de velharias cheia de varinhas partidas , balanças instáveis de latão e mantos velhos cobertos de nódoas de poções encontraram Percy profundamente concentrado em um pequenino livro , bastante chato , chamado * _ Prefeitos que conquistam o poder * . - * _ Um estudo sobre os prefeitos de Hogwarts e as suas posteriores carreiras * - leu alto o Ron em a contracapa . - Deve ser fascinante ... - Desaparece - gritou Percy . - Claro , ele é muito ambicioso , já tem tudo planeado . Quer ser ministro de a magia - disse o Ron baixinho a o Harry e a a Hermione , enquanto deixavam Percy entregue a o livro . Uma hora mais tarde dirigiram se a a Flourish and Blotts . Não eram de modo algum os únicos a encaminhar se para a livraria . À_medida_que se aproximavam viram com grande surpresa uma grande multidão a a porta , tentando entrar em a loja . O motivo de tal confusão estava anunciado em um cartaz que se estendia a o longo de a montra superior . GILDEROY_LOCKHART_Assinará exemplares de a sua autobiografia " eu , o mágico " Hoje 12.30 - 16.30 - Vamos poder conhecê o ! - gritou Hermione . - Quero dizer , ele escreveu quase todos os livros de a nossa lista ! A multidão parecia ser maioritariamente composta por bruxas de a idade de Mrs._Weasley . Um feiticeiro bem-parecido estava de pé junto de a porta , dizendo : - Calma , minhas senhoras , não empurrem , cuidado com os livros . Harry , Ron e Hermione conseguiram furar e entrar . Uma longa fila serpenteava para as traseiras de a loja onde Gilderoy_Lockhart estava a assinar os seus livros . Cada_um de eles pegou em um exemplar de * _ ensinamentos de Uma Fada_Carpideira * e escaparam se de a fila indo ter a o lugar onde se encontravam os outros com Mr. e Mrs._Granger . - Ah , aí estão vocês . _ óptimo - disse Mrs._Weasley que parecia estar com falta de ar e não parava de mexer em o cabelo . - Vamos poder vês o dentro_de um minuto . Gilderoy_Lockhart veio lentamente até um lugar onde era visível para todos , sentou se a uma mesa , rodeado de grandes fotografias de o próprio rosto , todo ele sorrisos , mostrando a a multidão o brilho cintilante de os seus dentes . Lockhart usava uma túnica azul-noite que condizia a as mil maravilhas com a cor de os olhos , o chapéu pontiagudo de feiticeiro colocado lateralmente sobre o cabelo ondulado . Um homenzinho pequenino e irritante andava a dançar de um lado para o outro , tirando fotografias com uma grande máquina preta que lançava baforadas de fumo arroxeado em cada * flash * . - Sai de o caminho , tu aí - disse rispidamente a o Ron , mudando de lugar para ter um angulo melhor . - Este é para o * _ Profeta_Diário * . - Grande coisa ! - exclamou o Ron , esfregando os pés em o lugar que o fotógrafo pisara . Gilderoy_Lockhart ouviu o . Olhou , viu o Ron e em seguida Harry . Voltou a olhar , desta_vez com mais atenção . Em seguida , pôs se de pé e gritou : - Não pode ser , o Harry_Potter ? A multidão dividiu se entre murmúrios de excitação . Lockhart aproximou se , agarrou Harry por um braço e levou o para a frente . A multidão rebentou em aplausos . A cara de Harry ardia quando Lockhart lhe apertou a mão para o fotógrafo que disparava como um louco , lançando fumo espesso para_cima de os Weasley . - Belo sorriso , Harry - disse Lockhart através de os seus dentes brilhantes . - Tu e eu juntos merecemos a primeira página . Quando por fim lhe largou a mão , Harry quase não sentia os dedos . Tentou recuar para junto de os Weasley , mas Lockhart lançou lhe um braço por os ombros e prendeu o a o seu lado . - Minhas senhoras e meus senhores - disse bem alto , fazendo sinal para que se acalmassem . - Que momento extraordinário este ! O momento perfeito para eu anunciar algo que tenho vindo a guardar comigo desde_há algum tempo . - Quando o jovem Harry entrou em a Flourish and Blotts hoje , ele queria apenas comprar a minha autobiografia , que tenho agora o maior prazer em oferecer lhe - a multidão aplaudiu de_novo . - Ele não tinha ideia - continuou Lockhart , dando a o Harry um pequeno encontrão que fez com que os óculos lhe escorregassem para a ponta de o nariz - de que ia conseguir em_breve muito mais do_que o meu livro Eu , o mágico . Ele e os seus colegas de a escola vão receber , de facto , o verdadeiro * _ Eu , o mágico * . Sim , minhas senhoras e meus senhores , tenho o maior prazer em anunciar que em o mês_de_Setembro assumirei o lugar de professor de Defesa contra as artes negras em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts ! A multidão aplaudiu e bateu palmas e Harry deu consigo a ser presenteado com a obra completa de Gilderoy_Lockhart . Cambaleando ligeiramente sob o peso de os livros conseguiu abrir caminho para longe de os projectores até a a porta de a sala onde estava Ginny com o seu novo caldeirão . - Podes ficar com estes - murmurou Harry , enfiando os livros em o caldeirão . - Eu vou comprar os meus . - Aposto que adoraste aquilo , não adoraste , Potter ? - disse uma voz que Harry não teve qualquer dificuldade em reconhecer . Endireitou se e deu consigo frente_a_frente com Draco_Malfoy que exibia o seu habitual sorriso escarninho . - O famoso Harry_Potter - disse Malfoy . - Nem_sequer pode entrar em uma livraria sem se tornar primeira página . - Deixa o em paz , ele não queria nada de isso - defendeu a Ginny . Era a primeira vez que falava em frente de Harry . Olhava para Malfoy com um ar feroz . - Potter , arranjaste uma namorada ! - disse arrastadamente Malfoy . Ginny ficou vermelha como um pimentão enquanto Ron e Hermione tentavam abrir caminho , ambos carregando montes de livros de Lockhart . -- Ah és tu ? - disse Ron , olhando para Malfoy como_se ele fosse algo desagradável colado a a sola de o sapato . - Aposto que te surpreendeu ver o Harry aqui ? - Não tanto como a ti em uma loja , Weasley - retorquiu Malfoy . - Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo . Ron ficou tão vermelho quanto Ginny . Deixou também cair os livros em o caldeirão e avançou para Malfoy , mas Harry e Hermione agarraram o por as costas de o casaco . - Ron - disse Mrs._Weasley , aproximando se com Fred e George . - O que estás a fazer ? Isto está uma loucura aqui dentro , vamos lá para fora . - Olha quem ele é , Arthur_Weasley . - Era_Mr._Malfoy . Estava de pé com a mão sobre o ombro de Draco , com o mesmo sorriso escarninho . -- Lucius - disse Mr._Weasley , acenando friamente . -- Muito trabalho em o ministério , segundo me consta - disse Mr._Malfoy . - Todas essas buscas ... espero que te estejam a pagar horas extraordinárias . Meteu a mão em o caldeirão de a Ginny e tirou de o meio de os livros de Lockhart um exemplar muito velho e muito gasto de o * _ Guia_de_Transfiguração_para_Principiantes * . - Parece que não - disse . - Que diabo , qual a vantagem de ser uma nódoa entre os feiticeiros se nem_sequer te pagam bem por isso ? Mr._Weasley corou mais ainda do_que Ron ou Ginny . - Nós temos uma opinião diferente sobre quem são as nódoas entre os feiticeiros - disse . - É claro que ... - disse Mr._Malfoy , os olhos mortiços passando para Mr. e Mrs._Granger apreensivamente . - As companhias com quem tu andas ... e eu que pensava que já não conseguias descer mais baixo ... Ouviu se um tilintar de metal quando o caldeirão de a Ginny foi por os ares . Mr._Weasley lançara se sobre Mr._Malfoy atirando o para dentro_de uma estante . Dezenas_de livros de feitiços saltaram lá de cima , caindo lhes sobre as cabeças . Houve um grito de - Chega lhe , pai ! - de o Fred e de o George . Mrs._Weasley soltava gritos agudos : - Não_Arthur , não . A multidão recuava deitando mais prateleiras a o chão . - Meus senhores , por favor - gritava o encarregado , e então , mais alto do_que todos : - Parem com isso , gente , parem com isso . Hagrid aproximava se através_de um mar de livros . Em um segundo afastou Mr._Weasley e Mr._Malfoy . Mr._Weasley tinha um lábio cortado e Mr._Malfoy fora agredido em um olho por uma * _ Enciclopédia_de_Cogumelos_Venenosos * . Tinha ainda em a mão o livro velho de a Ginny sobre transfiguração . Atirou lhe o , com os olhos a brilhar de malvadez . - Toma o teu livro , garota . É o melhor que o teu pai pode oferecer te . Libertando se de Hagrid , conduziu Draco para fora e abandonaram a livraria . - Devias tê o ignorado , Arthur - disse Hagrid quase a pegar em Mr._Weasley a o colo enquanto lhe endireitava o manto . - São podres até a a raiz , todos eles . Tod'à gente sabe . Nenhum Malfoy vale a pena ser ouvido . Não prestam , ' tá-lhes em o sangue . Vá lá , vamos sair de aqui . O encarregado parecia querer impedis os , mas , olhando bem para Hagrid , pensou melhor . Subiram a rua , os Grangers a tremer de medo e Mrs._Weasley fora de si . - Um belo exemplo para as crianças ... andar a a pancada em público . O que terá pensado Gilderoy_Lockhart ? - Ele gostou - disse o Fred . - Não o ouviram quando ia a sair ? Estava a perguntar a aquele tipo de o Profeta_Diário se conseguia incluir a briga em a reportagem , disse que era boa publicidade . Mas foi um grupo deprimido que regressou a a lareira de o Caldeirão_Escoante onde Harry , os Weasley e todas_as suas compras iriam viajar de volta até a a Toca , usando o pó de Floo . Despediram se de os Grangers que iam sair de o * pub * por a rua de os Muggles , de o outro lado . Mr._Weasley começou a perguntar lhes como funcionavam as paragens de autocarros , mas calou se rapidamente a o ver a expressão de Mrs._Weasley . Harry tirou os óculos e guardou os cautelosamente em o bolso antes de utilizar o pó de Floo . Definitivamente não era a sua forma ideal de viajar . V_O salgueiro zurzidor O fim de as férias de Verão chegou demasiado depressa para o gosto de Harry . Ele desejara muito regressar a Hogwarts , mas aquele mês em a Toca tinha sido o mais feliz de toda_a sua vida . Era difícil não invejar o Ron quando pensava em os Dursleys e em as boas-vindas que ia receber de a próxima vez que pusesse os pés em Privet_Drive . Em a última noite , Mrs._Weasley preparou um jantar magnífico , que incluía os pratos favoritos de Harry e terminava com um pudim de melaço de fazer crescer água em a boca . Fred e George alegraram a noite com uma exibição de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que saltaram de o tecto para as paredes , durante pelo_menos meia_hora . Depois , foi a altura de tomarem uma caneca de chocolate quente e irem para a cama . Em a manhã seguinte , demoraram muito_tempo a preparar se . Levantaram se com o cantar de o galo , mas parecia lhes que ainda tinham muito para fazer . Mrs._Weasley andava de um lado para o outro , mal-humorada , a a procura de meias e penas , chocavam uns com os outros em as escadas , meio vestidos , meio despidos , com pedaços de torrada em as mãos e Mr._Weasley quase partiu o nariz quando tropeçou em uma galinha a o atravessar o pátio , para meter em o carro a mala de Ginny . Harry não percebia lá muito bem_como é_que oito pessoas , seis grandes malas , duas corujas e um rato , iam caber em um pequeno * _ Ford_Anglia * , isso , claro , antes de as artes mágicas que Mr._Weasley acrescentara . - Nem uma palavra a a Molly - murmurou ele a o Harry , enquanto abria a bagageira e lhe mostrava como ela se expandira para que as malas coubessem facilmente . Quando , por fim , se acomodaram todos em o carro , Mrs._Weasley olhou para o banco de trás , onde Harry , Ron , Fred , George e Percy estavam confortavelmente sentados uns a o lado de os outros e disse : - Os Muggles têm mais conhecimentos do_que aqueles que nós lhes atribuímos , não achas ? - Ela e a Ginny entraram para o lugar de a frente , que fora esticado e parecia um banco de jardim . - Quer_dizer , de_fora ninguém diria que este carro era espaçoso , não acham ? Mr._Weasley pôs o motor a funcionar e saíram de o pátio , Harry voltando se para trás para ver por a última vez a casa . Mal teve tempo de se questionar se iria voltar alguma vez e já estavam de volta : George esquecera se de a caixa de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Cinco minutos mais tarde tiveram de interromper de_novo a viagem e voltar a o pátio para o Fred ir a correr buscar a vassoura . Estavam quase a chegar a a auto-estrada , quando Ginny guinchou que se esquecera de o diário . Mas estava a fazer se muito tarde e os ânimos começavam a exaltar se . Mr._Weasley olhou para o relógio e , em seguida , para a mulher . - Molly , querida ... - Não , Arthur . - Ninguém ia ver . Este botãozinho é um transformador de invisibilidade que eu instalei , levava nos por o ar , subíamos acima de as nuvens . Estaríamos lá em dez minutos e ninguém daria por nada ... - Eu disse que não , Arthur . Durante o dia , não . Chegaram a King's_Cross , faltava um quarto para as onze . Mr._Weasley precipitou se em busca de um carrinho de transporte para as malas e correram todos para a estação . Harry apanhara o Expresso_de_Hogwarts em o ano anterior . A parte mais difícil era entrar em a plataforma nove_e_três quartos , que não era visível a os olhos de os Muggles . Era preciso avançar para a barreira sólida que dividia as plataformas nove e dez . Não doía nada , mas tinha de ser feito com cuidado para que nenhum de os Muggles de esse , por o desaparecimento . - O Percy em primeiro lugar - declarou Mrs._Weasley , olhando nervosamente para o relógio lá em cima , que mostrava que tinham apenas cinco minutos para desaparecer através de a barreira . Percy avançou a passos largos e desapareceu . Mr._Weasley foi a seguir e depois de ele Fred e George . - Eu levo a Ginny e vocês vêm atrás_de nós - disse Mrs._Weasley a o Harry e a o Ron , agarrando Ginny pela mão e seguindo em frente . Em um abrir e fechar de olhos , tinham passado . - Vamos passar juntos , só temos um minuto - disse Ron a o Harry . Harry assegurou se de que a gaiola de a Hedwig estava bem fixa em cima de a sua mala e empurrou o carrinho de encontro a a barreira . Estava perfeitamente confiante , aquilo era muito mais fácil do_que usar o pó de Floo . Puseram os dois as mãos em o puxador de os carrinhos e avançaram direitos a a barreira , ganhando velocidade . A um metro e pouco , começaram a correr e ... CRASH . Os dois carros bateram em a barreira e foram impelidos para trás . A mala de o Ron caiu com um enorme estrépito . Harry desequilibrou se e a gaiola de a Hedwig foi parar a o chão brilhante , enquanto ela rolava guinchando , indignada . As pessoas em volta olhavam fixamente e um guarda que estava ali perto gritou : - Que diabo pensam vocês que estão a fazer ? - Perdemos o controlo de o carro de transporte - respondeu o Harry , respirando com dificuldade , agarrando se a as costelas , enquanto se punha de pé . Ron correu a agarrar a Hedwig , que estava a fazer uma cena tal , que já se ouviam murmúrios em a multidão sobre a crueldade para com os animais . - Porque é_que não conseguimos passar ? - perguntou Harry a o Ron em um sussurro . - Não sei . Ron olhou descontroladamente em volta . Uma_dúzia de curiosos estavam ainda a observá os . - Vamos perder o comboio - murmurou o Ron . - Não compreendo porque motivo a cancela se fechou . Harry olhou para o relógio gigantesco com um sentimento de náusea em a boca de o estômago . Dez segundos , nove segundos ... Dirigiu o carrinho de transporte para a frente com toda_a força . O metal manteve se sólido . Três segundos ... dois segundos ... um segundo ... - Partiu - afirmou o Ron , que parecia estonteado . - O comboio foi se embora . E se a mãe e o pai não conseguem voltar para aqui ? Tens algum dinheiro de Muggle ? Harry deu uma gargalhada . - Os Dursleys não me dão um tostão há mais de seis anos ! Ron encostou o ouvido a a barreira . - Não se ouve nada - disse , bastante tenso . - O que vamos nós fazer ? Não sei quanto tempo o pai e a mãe vão demorar . Olharam em volta . As pessoas ainda estavam a observá os , principalmente devido a os contínuos guinchos de a Hedwig . - Acho que o melhor é sairmos de aqui e esperamos por eles junto de o carro - disse Harry . - Aqui estamos a atrair demasiado as aten ... - Harry - disse o Ron , com os olhos a brilhar . - É isso , o carro . - O que é_que tem ? - Podemos voar nele até Hogwarts ! - Mas eu pensei ... - Estamos em apuros , certo ? E temos de chegar a a escola , ou não ? E mesmo os feiticeiros menores de idade estão autorizados a usar a magia em uma emergência real , parágrafo dezanove , ou não sei quê , de a Restrição de ... O sentimento de pânico de Harry transformou se em entusiasmo . - E tu sabes voar nele ? - Não há problema - disse o Ron , andando com o carrinho a a volta e dirigindo se para a saída . - Anda de aí . Se em os apressarmos , conseguiremos sair atrás de o Expresso_de_Hogwarts . E afastaram se de o grupo de Muggles curiosos , abandonando a estação e voltando a a rua , onde o velho * _ Ford_Anglia * se encontrava estacionado . Ron abriu a bagageira com uma série de toques de varinha . Meteram lá dentro as malas , puseram a Hedwig em o assento de trás e entraram para a frente . - Verifica se ninguém está a ver - disse o Ron , ligando a ignição com outro toque de varinha . Harry pôs a cabeça fora de a janela : o trânsito enchia a avenida principal , mas a rua de eles estava vazia . - O. _ K. - disse . Ron carregou em um pequeno botão de o painel . Os carros em volta desapareceram assim_como eles . Harry sentia o assento a vibrar debaixo_de si , ouvia o motor , sentia as mãos sobre os joelhos e os óculos em o nariz , mas , tanto quanto conseguia ver , tornara se um par de olhos redondos flutuando um metro e pouco acima de o chão em uma rua suja , cheia de carros estacionados . - Vamos - disse a voz de o Ron , vinda de o seu lado direito . O chão e os prédios escuros de ambos os lados desapareceram de o seu ângulo de visão , mal o carro se elevou . Em poucos segundos toda_a cidade de Londres , enevoada e resplandecente , estava por baixo de eles . Em seguida , ouviu se um ruído que parecia o saltar de uma rolha e o carro , Harry e Ron , reapareceram . - Oh , oh - disse Ron , batendo em o intensificador de invisibilidade . - Está avariado ... Começaram os dois a bater em o botão . O carro desapareceu . Depois surgiu de forma intermitente . - Aguenta aí - gritou o Ron e carregou com o pé em o acelerador . Saltaram direitinhos para o meio de as nuvens mais baixas e tudo ficou sujo e enevoado . - E agora ? - exclamou Harry , piscando os olhos a a sólida massa de nuvens que os comprimia de todos os lados . - Precisamos de avistar o comboio para sabermos qual a direcção a tomar - explicou o Ron . - Desce rapidamente ... Desceram por o meio de as nuvens e voltaram se em os lugares , espreitando . - Estou a vê o - gritou Harry . - Mesmo em frente , ali . O Expresso_de_Hogwarts deslocava se a grande velocidade lá em baixo , como uma serpente vermelha . - Para Norte - disse o Ron , verificando a bússola de o painel . - O. _ k . , basta que verifiquemos de meia em meia_hora . Aguenta aí ... - e arrancaram por o meio de as nuvens . Em o minuto seguinte , tinham chegado a a luz brilhante de o Sol . Era um mundo diferente . Os pneus de o carro deslizavam sobre o mar de nuvens macias , o céu era de um azul infinito sob a luz , capaz de cegar , que irradiava de o Sol . - Agora só temos de nos preocupar com os aviões - disse o Ron . Olharam um para o outro e desataram a rir . Durante muito_tempo não conseguiram parar . Era como_se tivessem mergulhado em um sonho fabuloso . Aquela , pensou Harry , era certamente a única maneira de viajar : passando por turbilhões e torres de nuvens cor de neve , em um carro cheio de calor , o sol radioso , com um grande pacote de rebuçados em o porta-luvas e antegozando o ar de inveja de o Fred e de o George quando aterrassem suavemente e de forma espectacular em o relvado macio em frente de o castelo de Hogwarts . Espreitaram várias vezes o comboio enquanto voavam cada_vez_mais para norte . Cada descida entre as nuvens dava lhes uma perspectiva diferente . Londres depressa ficou para trás , substituída por campos verdejantes que , por sua vez , deram lugar a grandes pântanos arroxeados , aldeias com pequenas igrejas de brinquedo e uma grande cidade , cheia de vida , com carros que pareciam formigas multicores . Várias horas mais tarde sem acontecer nada de_novo , Harry teve de admitir que uma parte de o entusiasmo se esgotara . Os rebuçados tinham nos deixado cheios de sede e não havia nada para beber . Ele e o Ron tinham tirado as camisolas , mas a * _ T-shirt * de o Harry estava colada a as costas de o assento e os óculos não paravam de lhe escorregar para a ponta de o nariz . Deixara de reparar em as fabulosas formas de as nuvens e pensava com saudade em o comboio , milhas abaixo de eles , onde se podia comprar sumo fresquinho de abóboras em um carro empurrado por uma bruxa gordinha . Porque não teriam conseguido entrar em a plataforma nove_e_três quartos ? - Não pode ser muito mais longe , pois não ? - resmungou o Ron , horas mais tarde quando o Sol começava a enfiar se em o seu chão de nuvens , pintando as de um rosa profundo . - Estás pronto para outra espreitadela a o comboio ? Ainda ia mesmo por baixo de eles , abrindo caminho por_entre uma montanha com o topo coberto de neve . Estava muito mais escuro entre o dossel de nuvens . Ron pôs o pé em o acelerador e levou os de_novo para_cima , mas em esse momento o motor começou a chiar . Harry e Ron trocaram entre si olhares nervosos . - Deve estar só cansado - disse o Ron . - Nunca tinha vindo tão longe ... - E fingiram ambos que não davam por o gemido que se ia tornando maior à_medida_que o céu serenamente escurecia . As estrelas desabrochavam em a escuridão , Harry voltou a enfiar a camisola de lã , tentando ignorar os limpa pára-brisas que acenavam debilmente como_que a protestar . - Não devemos estar longe - disse Ron , dirigindo se mais a o carro do_que a o amigo . - Já não devemos estar longe - deu umas palmadinhas nervosas em o * tablier * . Pouco depois , quando voltaram a voar em o meio de as nuvens , tiveram de olhar de lado em a escuridão , em busca de um ponto de referência que conhecessem . - Ali - gritou Harry , fazendo o Ron e a Hedwig darem um salto . - Mesmo em frente . Recortados em o horizonte negro , sobre o rochedo de o outro lado de o lago , erguiam se as torres e torreões de o castelo de Hogwarts . Mas o carro tinha começado a estremecer e perdia a os poucos velocidade . - Vá lá - disse o Ron , dando a o volante um pequeno abanão bajulador . - Estamos quase a chegar , vá lá ... O motor gemeu . Pequenos jactos de vapor de água brotaram de o capo . Harry deu consigo agarrado com toda_a força a os bordos de o assento enquanto voavam direitos a o lago . O carro deu um solavanco feio . Espreitando por a janela , Harry viu a superfície negra , macia e espelhada de a água cerca de uma milha abaixo de eles . Os dedos de o Ron agarrados a o volante tinham as articulações brancas . O carro deu um novo esticão . - Vá lá - murmurou o Ron . Estavam sobre o lago ... o castelo ficava mesmo em frente . Ron fez força com o pé . Houve um ruído surdo , uma crepitação e o motor morreu por completo . - Oh ! oh ! - gemeu Ron em o silêncio . O nariz de o carro voltou se para baixo . Estavam a cair , ganhando velocidade em direcção a os muros sólidos de o castelo . - Naaaaão ! - gritou o Ron , girando o volante . Escaparam a a muralha de pedra negra por centímetros , quando o carro fez um grande arco , planando primeiro sobre as estufas , depois sobre o rectângulo plantado com vegetais e , por fim , sobre os relvados , perdendo sempre velocidade . Ron largou o volante por completo e tirou a varinha de o bolso de trás . - __ pára ! __ pára ! - gritou , batendo em o * tablier * e em o pára-brisas , mas eles continuavam a mergulhar , o chão a voar em direcção a eles . - : __ cuidado com essa __ árvore ! ! ! - bramiu Harry , deitando a mão a o volante , mas ... tarde de mais ... CRUNCH . Com um ruído ensurdecedor de metal e madeira , bateram em o tronco espesso de a árvore e caíram em o chão com um forte solavanco . O vapor era um mar debaixo de o capo amachucado . A Hedwig tremia apavorada . Em a cabeça de Harry surgira um alto de o tamanho de uma bola de golfe , quando ele batera em o pára-brisas , tombando em seguida para a direita . Ron soltou um gemido longo e desesperado . - Estás O. _ K ? - perguntou Harry , aflito . - A minha varinha - disse o Ron em uma voz trémula . - Olha para a minha varinha . Tinha se partido praticamente em duas , a ponta balouçava mole , presa por meia_dúzia de esquírolas . Harry abriu a boca para dizer que em a escola com certeza conseguiriam consertá a , mas nem chegou a começar a frase . Em esse preciso momento , algo bateu em o seu lado de o carro , com a força de um touro , projectando o para_cima de o Ron , ao_mesmo_tempo que um golpe igualmente forte se sentiu em o capô . - O que está a acontec ... Ron arfou , olhando fixamente por o pára-brisas e Harry olhou em volta , mesmo a_tempo_de ver uma ramada espessa como uma píton vir contra o vidro . A árvore em que tinham batido estava a atacá os . O tronco dobrara se quase a meio e os seus galhos rugosos davam uma tareia a cada centímetro de o carro que conseguiam atingir . - Ah ! - praguejou o Ron , quando outra pernada retorcida esmurrou a sua porta , amolgando a . O pára-brisas tremia agora sob uma saraivada de golpes vindos de galhos que pareciam patas de animais e uma ramada espessa como um aríete esmagava furiosamente o capo , que parecia estar a ceder ... - Corre ! - gritou o Ron , lançando o seu peso contra a porta , mas , em o momento seguinte , tinha sido atirado para trás , para o colo de Harry por um soco maldoso , dado de baixo para_cima , por outro ramo . - Estamos feitos ! - resmungou , enquanto o tecto descaía . Mas , de repente , o chão de o carro estava a vibrar , o motor pegara . - Marcha atrás - gritou o Harry e o carro deu um salto para trás . A árvore tentava ainda agredis os , ouviam as raízes chiar , enquanto quase se partiam esticando se para os alcançar . - Escapámos por_pouco ! - exclamou o Ron . - Muito bem , carro . Mas o carro tinha atingido o limite de as suas forças . Com dois estalidos , as portas abriram se e Harry sentiu o seu assento inclinar se para o lado . Quando deu por si , estava estatelado em o chão húmido . Ruídos surdos avisaram o de que o carro estava a ejectar as malas de a bagageira . A gaiola de a Hedwig voou por os ares e abriu se . Ela saiu a voar com um pio furioso e dirigiu se a o castelo , sem sequer olhar para trás . Em seguida , o carro , amolgado , arranhado e a fumegar , arrancou em o escuro , com os faróis traseiros ardendo de fúria . - Volta aqui ! - gritou o Ron , brandindo a varinha partida . - O meu pai mata me . Mas o carro desapareceu a perder de vista , com um último estoiro de o tubo de escape . - Já viste bem o nosso azar ! ? - exclamou o Ron em o meio de a sua infelicidade , baixando se para apanhar o rato Scabbers . - De todas_as árvores em que podíamos ter batido , tínhamos de ir dar a uma que bate também . Olhou por cima de o ombro para a velha árvore que ainda agitava os ramos ameaçadoramente . - Vamos - disse Harry , fatigado . - É melhor irmos andando para a escola ... Não foi , de modo algum , a chegada triunfal que tinham imaginado . Constrangidos , cheios de frio e magoados , pegaram em as malas e começaram a arrastá as por o relvado acima , em direcção a as grandes portadas de carvalho . - Acho que o banquete já começou - disse o Ron , largando a mala em os degraus de a entrada e atravessando devagarinho para espreitar por uma janela iluminada . - Harry , anda ver , é a distribuição . Harry apressou se e os dois , ele e o Ron , espreitaram para o Salão_Nobre . Um número infindável de velas pairava em o ar , sobre quatro mesas enormes cheias de gente , fazendo brilhar os pratos dourados e as taças . Em cima , o tecto encantado que espelhava o céu lá de_fora , brilhava cheio de estrelas . Por_entre a floresta de chapéus pretos pontiagudos de Hogwarts , Harry viu uma longa fila de alunos de o primeiro ano com olhares assustados que enchia o vestíbulo . Ginny estava entre eles , facilmente reconhecível devido a o seu chamativo cabelo Weasley . Enquanto isso , a professora Mc_Gonagall , uma bruxa de óculos com cabelo castanho apanhado em um carrapito , colocava o famoso chapéu seleccionador em um banco que se encontrava em frente de os novos alunos . Todos os anos , aquele velho chapéu , remendado , puído e cheio de pó , seleccionava alunos para as quatro equipas de Hogwarts ( Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin ) . Harry lembrava se bem de o ter colocado em a cabeça , precisamente um ano antes , e ter esperado petrificado por a sua decisão , enquanto ele lhe murmurava a o ouvido . Durante alguns horríveis segundos receara que o chapéu o mandasse para os Slytherin , a equipa que produzia maior número de feiticeiros e feiticeiras de magia negra , mas acabara por ficar em os Gryffindor , juntamente com Ron e Hermione e o resto de os Weasley . Em o último período , Harry e Ron tinham ajudado os Gryffindor a vencer o campeonato de a equipa , batendo os Slytherin pela_primeira_vez em sete anos . Um rapazito baixinho com cabelo de rato acabava de ser chamado para pôr o chapéu em a cabeça . Os olhos de Harry saltavam de ele para o lugar onde o professor Dumbledore , o director , estava sentado , observando a selecção de a mesa de os professores , com a sua longa barba cor de prata e óculos de meia-lua que brilhavam a a luz de as velas . Alguns lugares a a frente , Harry viu Gilderoy_Lockhart com um manto verde-azulado . E lá bem a o fundo estava Hagrid , enorme e cabeludo , bebendo satisfeito de a sua taça . - Espera aí - murmurou a o Ron . - Há um lugar vazio em a mesa de os professores . Onde estará o Snape ? Severus_Snape era o professor de quem Harry menos gostava . Harry era também o seu aluno menos querido . Cruel , sarcástico e detestado por todos com excepção de os alunos de a sua própria equipa ( Slytherin ) , Snape tinha a seu cargo a cadeira de Poções . - Talvez esteja doente - sugeriu Ron , cheio de esperança . - Talvez se tenha ido embora - lembrou Harry . - Por não lhe terem dado outra_vez a Defesa contra as artes negras . - Ou talvez tenha sido corrido - propôs Ron com entusiasmo . - Afinal , toda_a_gente o detesta ... - Ou talvez - disse uma voz gelada atrás de eles - esteja a a espera que vocês lhe expliquem por_que motivo não vieram em o comboio de a escola . Harry deu uma volta . Em a sua frente , com o manto negro a ondular em uma brisa fria , estava Severus_Snape . O professor era um homem magro , de pele descorada , nariz adunco e um cabelo preto oleoso que lhe caía sobre os ombros . E em aquele momento sorria de um modo tal que Harry sentiu que tanto ele como Ron estavam em sérios apuros . - Sigam me - disse Snape . Sem ousarem sequer olhar um para o outro , Harry e Ron seguiram Snape por as escadas até a o amplo * hall * de entrada que estava iluminado por as chamas de os archotes . De o salão nobre vinha um cheirinho delicioso a comida , mas Snape levou os para longe de a luz e de o calor , em direcção a uma escada estreita de pedra que conduzia a os calabouços . - Entrem - ordenou , abrindo uma porta a meio de o corredor e apontando . Entraram a tremer em o escritório de Snape . As paredes sombrias estavam cobertas de prateleiras cheias de jarros de vidro grosso onde flutuavam as coisas mais diversas e repugnantes , cujo nome Harry não queria de momento conhecer . A lareira estava escura e vazia . Snape fechou a porta e voltou se de frente para eles . - Com que então - disse com falsa suavidade - o comboio não serve para o famoso Harry_Potter e o seu fiel companheiro Weasley . Queriam chegar em grande estilo , não era rapazes ? - Não senhor , foi a barreira em King's_Cross , ela ... - Silêncio - disse Snape friamente . -- _ o que fizeram a o carro ? Ron engoliu em seco . Aquela não era a primeira vez que Snape dava a Harry a impressão de ser capaz de ler pensamentos . Mas , pouco depois , compreendeu tudo quando Snape desenrolou o exemplar de o Profeta_Vespertino . - Vocês foram vistos - afirmou , mostrando lhes o cabeçalho : : __ ford anglia voador confunde __ muggles . Começou a ler alto a notícia . - Dois Muggles em Londres convenceram se de que tinham visto um carro velho a voar sobre a torre de os correios ... a a tardinha em Norfolk , Mrs._Hetty_Bayliss , enquanto pendurava a roupa ... Mr._Angus_Fleet_de_Peebles informou a polícia ... seis ou sete Muggles a o todo . Julgo que o teu pai trabalha em o departamento de mau uso dado a os objectos de os Muggles ? - disse olhando para Ron e sorrindo de uma forma ainda mais sarcástica . - Que peninha , o próprio filho ... Harry sentiu se como_se tivesse levado um soco em o estômago de uma de as maiores pernadas de a árvore louca . E se alguém descobrisse que Mr._Weasley tinha enfeitiçado o carro ? Ele ainda nem tinha pensado em isso . - Reparei durante a minha volta por o jardim que foi feito um estrago considerável em um salgueiro zurzidor extremamente valioso - continuou Snape . - Essa árvore fez nos pior a nós do_que nós ... - deixou escapar Ron . - Silêncio - interrompeu Snape , de_novo . - Infelizmente vocês não fazem parte de a minha equipa e a decisão de vos expulsar não está em as minhas mãos . Vou , por isso , buscar as pessoas que possuem essa feliz possibilidade . Esperem aqui . Harry e Ron olharam , pálidos , um para o outro . Harry perdera a fome . Sentia se agora extremamente agoniado . Tentava não olhar para uma coisa viscosa , suspensa em um líquido verde que estava em uma prateleira por detrás de a secretária de Snape . Se ele fora buscar a professora Mc_Gonagall , chefe de a equipa de os Gryffindor , não estavam muito melhor . Ela era mais justa do_que Snape , mas extremamente severa . Dez minutos mais tarde , Snape voltou e era , de facto , a professora Mc_Gonagall quem o acompanhava . Harry vira a professora Mc_Gonagall zangada , mas , ou se tinha esquecido de como a boca de ela ficava fina , ou nunca a vira tão zangada como em aquele dia . Levantou a varinha em o momento em que entrou . Harry e Ron estremeceram , mas ela limitou se a apontá a para a lareira onde as chamas se elevaram subitamente . - Sentem se - ordenou , e os dois recuaram para as cadeiras junto de o lume . - Expliquem se - disse com os óculos a brilhar de uma forma ameaçadora . Ron enveredou por a história começando por a barreira de a estação que se recusara a deixá os passar . - Por isso não tínhamos escolha , professora , não podíamos chegar a o comboio . - Porque não nos mandaram uma carta por a coruja ? Julgo que tens uma coruja ? - disse friamente a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a Harry . Harry olhou para ela sem saber o que dizer . - Parece me - continuou ela - que seria a coisa mais adequada . - Eu ... não pensei ... - Isso - disse a professora Mc_Gonagall - é bastante óbvio . Ouviu se bater a a porta de o escritório e Snape , que parecia agora mais feliz do_que nunca , foi abrir . Era o director , o professor Dumbledore . Harry ficou totalmente paralisado . Dumbledore tinha uma expressão grave . Olhou para eles de cima de o seu nariz adunco e Harry desejou estar ainda com Ron a levar uma sova de o salgueiro zurzidor . Fez se um longo silêncio . Em seguida , Dumbledore disse lhes : - Por favor , expliquem porque fizeram isto . Teria sido melhor se gritasse . Harry detestou sentir a decepção em a sua voz . Inexplicavelmente era incapaz de olhar Dumbledore em os olhos e falou em direcção a os seus joelhos . Disse lhe tudo excepto que o carro enfeitiçado pertencia a Mr._Weasley , dando a ideia de que ele e o Ron o tinham encontrado estacionado fora de a estação . Sabia que Dumbledore ia ver para_além de isso , mas o director não fez perguntas sobre o carro . Quando Harry terminou continuou a olhar para ele através de os seus óculos . - Nós vamos buscar as nossas coisas - disse Ron em um tom de voz sem esperança . - Que disparate é esse ? - rosnou a professora Mc_Gonagall . -- Então , vão expulsar nos , não vão ? - disse o Ron . Harry olhou rapidamente para Dumbledore . - Ainda não , Mr._Weasley - afirmou Dumbledore . - Mas vou assinalar a gravidade do_que vocês fizeram . Hoje a a noite escreverei a as vossas famílias . Estão também prevenidos que se voltarem a fazer uma coisa como esta não terei outro remédio senão expulsar vos . A expressão de Snape era como_se o Natal tivesse sido cancelado . Pigarreou e disse : - Professor_Dumbledore , estes rapazes infringiram o decreto para a restrição de a feitiçaria de os menores , causaram estragos consideráveis a uma árvore antiga e valiosa ... sem dúvida , actos de esta natureza ... - Cabe a a professora Mc_Gonagall decidir sobre os castigos de os rapazes , Severus - afirmou Dumbledore com toda_a calma . - Pertencem a a equipa de ela e são , portanto , de a sua responsabilidade . - Voltou se para a professora Mc_Gonagall . - Tenho de regressar a o banquete , Minerva , devo dar algumas informações . Venha Severus , há uma tarte de leite e ovos com um aspecto delicioso que quero mostrar lhe . Snape lançou um olhar de puro veneno a o Harry e a o Ron enquanto permitia que o afastassem de o seu escritório , deixando os a sós com a professora Mc_Gonagall que ainda os olhava como uma águia em fúria . - É melhor ires até a a ala hospitalar , Weasley , estás a sangrar . - Não é nada - disse Ron , limpando o corte com a manga para que ela o visse . - Professora , eu gostava de ver a minha irmã ser seleccionada . - A cerimónia de a selecção terminou - disse a professora Mc_Gonagall . - A tua irmã está também em os Gryffindor . - _ óptimo - exclamou Ron . - E por falar em os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall de forma cortante , mas Harry interrompeu a : - Professora , quando tirámos o carro , o ano escolar ainda não tinha começado , por isso os Gryffindor não deveriam perder pontos , pois não ? - terminou olhando a ansiosamente . A professora Mc_Gonagall lançou lhe um olhar penetrante , mas ele era capaz de jurar que ela quase tinha sorrido . Pelo_menos a boca não parecia tão fina . - Não vou tirar pontos a os Gryffindor - tranquilizou o . E o coração de Harry ficou mais leve . - Mas vocês os dois vão ter um castigo . Foi melhor do_que Harry imaginara . O facto de Dumbledore escrever a os Dursley não tinha a menor importância . Harry sabia perfeitamente que eles só lamentariam que o salgueiro zurzidor não o tivesse esmigalhado . A professora Mc_Gonagall ergueu a varinha de_novo apontou a a a secretária de Snape . Um grande prato de sanduíches , duas taças de prata e um jarro com sumo de abóbora gelado apareceram em menos_de um segundo . - Vocês vão comer aqui e , em seguida , vão direitinhos para o vosso dormitório - disse . - Eu também tenho de voltar para a festa . Mal a porta se fechou atrás de ela , Ron soltou baixinho um assobio . - Pensei que estávamos feitos - confessou , agarrando uma sanduíche . - Também eu - disse o Harry , orando também uma . - Mas já viste bem a nossa pouca sorte ? - insistiu o Ron com a boca cheia de frango e fiambre . - O Fred e o George voaram em aquele carro cinco ou seis vezes e nenhum Muggle os viu - engoliu outro pedaço enorme de a sanduíche . - Porque será que não conseguimos passar a barreira ? Harry encolheu os ombros . - Mas temos de ter muito cuidado a_partir_de agora - disse bebendo um grande trago de sumo de abóbora . - Que pena não termos podido ir a o banquete . - Ela não quis que nos exibíssemos - afirmou Ron com prudência . - Não vão as pessoas pensar que é uma boa chegar aqui de carro voador . Quando já tinham comido todas_as sanduíches que queriam ( o prato ia voltando a encher se sozinho ) , levantaram se e saíram de o escritório , seguindo o caminho que lhes era familiar , para a torre de os Gryffindor . O castelo estava em silêncio . Parecia que o banquete tinha acabado . Passaram por retratos murmurantes e armaduras que gemiam e subiram os degraus estreitos de pedra até que , por fim , chegaram a a passagem onde a entrada secreta para a torre de os Gryffindor se encontrava oculta por detrás de o quadro a óleo de uma dama gorda em um vestido cor-de-rosa . - A senha ? - perguntou ela mal os dois se aproximaram . - Er ... Eles ainda não tinham estado com o prefeito de os Gryffindor e por isso ainda não conheciam a senha para o novo ano , mas a ajuda não se fez esperar . Ouviram passos apressados atrás de eles e quando se voltaram viram Hermione que se aproximava . - Aí estão vocês . Onde é_que se meteram ? Correm os boatos mais ridículos , alguém disse que vocês tinham sido expulsos por espatifarem um carro voador . - Bem , expulsos não fomos - tranquilizou a Harry . - Não estás a dizer me que voaram até aqui ? - perguntou Hermione em um tom quase tão severo como a professora Mc_Gonagall . - Dispensa se o sermão - interrompeu Ron impacientemente . - E diz nos a nova senha de passagem . - É crista de pássaro - disse Hermione não contendo a impaciência . - Mas o mais importante não é isso ... Contudo as palavras de ela foram interrompidas ao_mesmo_tempo que o retrato de a dama gorda se abria e se ouvia uma tempestade de aplausos . A o que parecia a equipa de os Gryffindor estava ainda acordada , dentro de a sala comum em forma de círculo , junto de as mesas assimétricas e de os cadeirões moles a a espera que eles chegassem para , de braços estendidos através de o buraco de o retrato , puxarem Harry e Ron para dentro deixando Hermione para o fim . - Sensacional - gritou Lee_Jordan . - Inspirado ! Que entrada ! Voar em um carro e aterrar em o salgueiro zurzidor . Toda_a_gente vai falar de isto durante anos e anos . - Muito bem - disse um aluno de o quinto ano com quem Harry nunca tinha falado . Alguém dava lhe palmadas em as costas como_se ele acabasse de vencer a maratona . Fred e George abriram caminho por_entre a multidão e disseram ao_mesmo_tempo : - Por_que é_que não nos chamaram , hein ? - Ron estava vermelho como um pimentão , sorrindo envergonhado , mas Harry via perfeitamente uma pessoa que não estava nada contente . Percy elevava se acima de as cabeças de os excitados alunos de o primeiro ano e parecia estar a tentar aproximar se para os repreender . Harry deu uma cotovelada a o Ron e apontou em direcção a Percy . Ron percebeu de imediato . - Temos de ir para_cima , um_pouco cansados ! - explicou e os dois começaram a abrir caminho em direcção a a porta que ficava de o outro lado de a sala e que dava para a escada em espiral e para os dormitórios . - ` _ Noite - despediu se Harry_de_Hermione que tinha um ar tão carrancudo como Percy . Conseguiram chegar a o outro lado de a sala comum sempre a levarem palmadas em as costas e alcançaram o sossego de as escadas . Apressaram se a subir e , por fim , chegaram a a porta de o dormitório que tinha agora um letreiro a dizer « Segundos_Anos » . Entraram em o quarto circular , que conheciam tão bem , com as suas cinco camas de dossel adornadas de velado vermelho e as suas janelas altas e estreitas . As malas tinham sido trazidas para_cima e colocadas a os pés de as camas . Ron fez um sorriso culpado . - Sei que não devia ter gostado de aquilo , mas ... A porta de o dormitório abriu se e os outros rapazes de os Gryffindor entraram ; eram eles o Seamus_Finnigan , o Dean_Thomas e o Neville_Loogbottom . - Inacreditável - aplaudiu Seamus . - Incrível - aprovou o Dean . - Espantoso - exclamou o Neville , aterrado . Harry não pôde evitar também um sorriso . VI_Gilderoy_Lockhart_No dia seguinte , contudo , Harry não conseguiu sorrir . As coisas começaram a correr mal logo em o salão durante o pequeno-almoço . Debaixo de o tecto encantado ( em aquele dia triste e cinzento ) estavam as quatro grandes mesas de as equipas e sobre elas , terrinas de papa de aveia , pratos de arenque defumado , montanhas de torradas e pratadas de ovos com * bacon * . Harry e Ron sentaram se em a mesa de os Gryffindor , junto de Hermione que tinha o seu exemplar de * _ Viagens com Vampiros * totalmente aberto , encostado a um jarro de leite . Havia uma certa rigidez em a maneira como ela disse : - ` _ Dia - que mostrou a Harry que continuava a desaprovar o modo como tinham chegado a a escola . Por seu turno , Neville_Longbottom saudou os entusiasticamente . Neville era um rapazinho de cara redonda , muito dado a acidentes , com a pior memória que Harry tinha conhecido . - A entrega de correio deve estar a chegar , acho que a minha avó me vai mandar umas quantas coisas de que me esqueci ... Harry tinha começado a comer as papas de aveia , quando se ouviu um ruído tumultuoso em o ar e umas cem corujas entraram ao_mesmo_tempo , sobrevoando o salão e deixando cair cartas e pacotes em o meio de a multidão faladora . Um embrulho grande e rugoso caiu em a cabeça de Neville e , um segundo depois , uma coisa larga e cinzenta caiu em o jarro de a Hermione , enchendo os a todos de leite e penas . - Errol - gritou o Ron , puxando a coruja esfarrapada por as patas . Errol caíra inconsciente sobre a mesa com as pernas para o ar e um envelope vermelho húmido em o bico . - Oh , não ! - sobressaltou se Ron . - Ela está bem , ainda está viva - tranquilizou o Hermione , tocando suavemente em a Errol com a ponta de o dedo . - Não é isso , é ... aquilo . Ron apontava para o envelope vermelho . Parecera perfeitamente vulgar a Harry , mas Ron e Neville estavam ambos a observá o como_se esperassem que explodisse . - Qual é o problema ? - perguntou Harry . - Ela . Ela mandou me um * gritador * - disse Ron , quase sem voz . - É melhor abrires - aconselhou Neville em um murmúrio tímido - senão é pior . A minha avó uma_vez mandou me um que eu ignorei e ... - engoliu em seco - foi horrível . Harry olhava , ora para as suas caras , ora para o envelope vermelho . - O que é um * gritador * ? - perguntou . - Mas toda_a atenção de o Ron estava fixa em a carta que começara a fumegar por os cantos . - Abre a - intimou o Neville . - De aqui a poucos minutos já passou tudo . Ron estendeu uma mão trémula , retirou o envelope de o bico de a Errol e começou a abri o . Neville pôs os dedos em os ouvidos . Após uma fracção de segundo , Harry compreendeu porquê . Pensou em o primeiro momento que ela explodira . Um ruído ensurdecedor encheu o enorme salão , fazendo cair pó de o tecto . - ... : __ roubar o carro ! não me surpreendia nada se te expulsassem . espera só até te pôr as mãos em cima . será que não paraste para pensar em a nossa aflição quando vimos que o carro tinha __ desaparecido ... Os gritos de Mrs._Weasley , ampliados cem vezes em relação a o seu normal , fizeram os pratos e as colheres chocalhar em a mesa e ecoaram de forma ensurdecedora em as paredes de pedra . Vinha gente de todos os lados espreitar quem tinha recebido o * gritador * e Ron afundou se tanto em a cadeira que só se lhe via a testa carmesim . - ... : __ uma carta de o dumbledore ontem a a noite , o teu pai quase morria de vergonha . não foi esta a educação que te demos , tu e o harry podiam ter __ morrido ... Harry estava a ver quando é_que o seu nome viria a a baila . Tentou o melhor que pôde agir como_se não ouvisse a voz , mas aquilo estava a fazer com que os tímpanos lhe latejassem . - ... : __ profundamente decepcionada , o teu pai vai ter de se confrontar com um inquérito em o trabalho , tudo por tua culpa e , se pisas mais_uma_vez o risco , trago te para __ casa ! Seguiu se um silêncio ressonante . O envelope vermelho , que caíra de as mãos de o Ron , incendiou se e encaracolou se em cinzas . Harry e Ron estavam sentados de boca aberta , como_se uma onda gigante lhes tivesse passado por cima . Algumas pessoas riam e , a os poucos , o ruído de as conversas recomeçou . Hermione fechou o * _ Viagens com Vampiros * e olhou para o topo de a cabeça de Ron . - Bem , não sei o que esperavas , Ron , mas tu ... - Não me venhas dizer que mereci - interrompeu Ron . Harry afastou as papas de aveia . O estômago ardia lhe de culpa . Mr._Weasley tinha um inquérito em o trabalho , depois de tudo_o_que Mr. e Mrs._Weasley tinham feito por ele durante o Verão ... Mas não teve muito_tempo para se demorar em aqueles pensamentos . A professora Mc_Gonagall circulava em volta de as mesas de os Gryffindor distribuindo horários . Harry pegou em o seu e viu que começavam por ter Herbologia , juntamente com os Hufflepuff . Harry , Ron e Hermione saíram juntos de o castelo , atravessaram as hortas e chegaram a as estufas , onde estavam guardadas as plantas mágicas . O * gritador * tivera pelo_menos uma vantagem : Hermione parecia achar que já tinham sido suficientemente castigados e estava de_novo perfeitamente calorosa . Quando estavam a chegar a as estufas viram o resto de a classe de pé , cá fora , a a espera de a professora Sprout . Harry , Ron e Hermione tinham acabado de se lhes juntar quando a viram aproximar se a passos largos por o relvado , acompanhada de Gilderoy_Lockhart . A professora Sprout era uma bruxa pequenina e atarracada que usava um chapéu a os remendos sobre o cabelo solto . As roupas que vestia estavam sempre cheias de terra e as suas unhas fariam a tia Petúnia desmaiar . Gilderoy_Lockhart , pelo_contrário , tinha um ar imaculado em as suas vestes azul-turquesa , o cabelo doirado a brilhar debaixo_de um chapéu azul-turquesa , com uma fita dourada , perfeitamente posicionado sobre a cabeça . - Olá a todos ! - gritou Lockhart , dirigindo se a o grupo de estudantes . - Estive a mostrar a a professora Sprout a maneira correcta de tratar um salgueiro . Mas não quero que fiquem com a ideia de que sou melhor do_que ela em Herbologia . Acontece que encontrei várias de estas plantas exóticas , durante as minhas viagens .... - Estufa número três hoje , meninos ! - disse a professora Sprout que estava visivelmente descontente , bem diferente de a sua habitual natureza bem-disposta . Houve um murmúrio de interesse . Eles só tinham estado uma_vez em a terceira estufa , que era uma estufa que abrigava plantas bem mais interessantes e perigosas . A professora Sprout tirou uma enorme chave de o cinto e abriu a porta . Harry sentiu o bafo de a terra húmida com adubo misturado e o perfume forte de umas flores gigantescas , de o tamanho de guarda-chuvas , que estavam penduradas de o tecto . Ia seguir Ron e Hermione , quando a mão de o Lockhart o travou . -- Harry ! Tenho querido ter uma palavrinha contigo . Não se importa se ele chegar uns minutos atrasado , pois não , professora Sprout ? A julgar por a expressão carregada de a professora Sprout , importava se sim , mas Lockhart disse : - Então até já - e fechou a porta de a estufa em a cara de ela . - Harry ! - disse Lockhart , com os dentes brancos a brilharem a o sol , enquanto abanava a cabeça . - Harry , Harry , Harry ! Harry , totalmente perplexo , não disse uma palavra . - Quando ouvi dizer , bem , é claro que eu tive muita culpa , deviam castigar me também ... Harry não fazia ideia de que estava ele a falar , quando Lockhart prosseguiu : - Nunca me lembro de ficar tão chocado . Fazer voar um automóvel até Hogwarts ! Bem , é claro que eu percebi logo porque o fizeste . Foi um destaque em grande . Harry , Harry , Harry ! Era notável como ele conseguia mostrar todos aqueles dentes brilhantes , mesmo quando não estava a falar . - Criei te o gosto por a publicidade , não foi ? - perguntou Lockhart . - Passei te o bichinho . Apareceste comigo em a primeira página e não podias esperar para aparecer outra_vez ... - Oh , não , professor , sabe é_que ... - Harry , Harry , Harry - disse Lockhart aproximando se e tocando lhe em o ombro . - * _ Eu compreendo * . É natural querer um_pouco mais quando se lhe tomou o gosto , e eu culpo me por te ter dado esse conhecimento , porque era natural que te subisse a a cabeça , mas vê uma coisa , rapazinho , tu não podes começar a fazer voar carros para tentares ser notícia . Tens de acalmar , está bem ? Tens muito_tempo quando fores mais velho . Sim , sim , eu sei o que estás a pensar ! É fácil para ele falar assim , já é um feiticeiro internacionalmente famoso ! Mas quando eu tinha doze anos era tão zé-ninguém como tu és hoje . Em a verdade , era ainda mais . De ti , já meia_dúzia de pessoas ouviram falar , não é ? Toda aquela história com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . - Olhou para a cicatriz luminosa em a testa de Harry . - Eu sei , eu sei , não é o mesmo_que vencer o Prémio de o sorriso de o feiticeiro de a semana cinco vezes seguidas , como eu venci , mas é um começo , Harry , é um começo . Lançou lhe uma piscadela de olhos cordial e foi se embora . Harry ficou atarantado durante alguns segundos . Depois , lembrando se que deveria estar em a estufa , abriu a porta e esgueirou se lá para dentro . A professora Sprout estava de pé , por_detrás_de uma espécie de mesa em o meio de a estufa . Em cima de a mesa estavam cerca de vinte pares de abafo de ouvidos de diferentes cores . Quando Harry estava já em o seu lugar , entre Ron e Hermione , ela disse : - Hoje vamos transplantar Mandrágoras . Muito bem , quem sabe dizer me as propriedades de a Mandrágora ? Não foi surpresa para ninguém que a mão de a Hermione fosse a primeira em o ar . - A Mandrágora tem um efeito reparador muito poderoso - disse Hermione , com o ar mais normal de este mundo , como_se tivesse engolido o livro de texto . - É usada para fazer voltar as pessoas , que foram transfiguradas ou amaldiçoadas , a o seu estado original . - Excelente . Dez pontos para os Gryffindor ! - exclamou a professora Sprout . - A Mandrágora é parte integrante de a maior parte de os antídotos , mas também é perigosa . Quem sabe dizer me porquê ? A mão de Hermione por_pouco não bateu em os óculos de Harry , quando se ergueu de_novo . - O grito de a Mandrágora é fatal para quem o ouve - disse prontamente . - Precisamente . Dou lhe mais dez pontos - disse a professora Sprout . - Agora vejamos , as Mandrágoras que aqui temos são ainda muito jovens . Enquanto falava , apontou para uma fila de tabuleiros com uma certa profundidade e todos se chegaram a a frente para ver melhor . Cerca de uma centena de plantinhas tufosas de um verde arroxeado cresciam em filas . Pareceram perfeitamente vulgares a Harry , que não fazia a menor ideia do_que Hermione queria dizer com o * grito * de a Mandrágora . - Cada_um de vocês pode tirar um par de abafo de ouvidos - disse a professora Sprout . Houve uma competição renhida porque ninguém queria os cor-de-rosa , cheios de penugem . - Quando eu vos disser para os colocar , assegurem se de que os vossos ouvidos estão completamente tapados - disse a professora Sprout . - Logo_que seja seguro retirá os , eu levanto os dedos . Certo , pôr os abafos de os ouvido . Harry pôs imediatamente os abafos em os ouvidos . Eles fecharam completamente o som . A professora Sprout colocou também um par de abafos cor-de-rosa com penugem em os de ela , arregaçou as mangas de a túnica , agarrou uma de as plantas tufosas e puxou com toda_a força . Harry soltou um grito de surpresa que ninguém ouviu . Em_vez_de raízes , um bebé pequenino , enlameado e extremamente feio , saiu de a terra . As folhas cresciam lhe em o alto de a cabeça , tinha uma pele pintalgada de um pálido esverdeado e estava nitidamente a berrar a plenos pulmões . A professora Sprout tirou debaixo de a mesa um grande vaso de plantas e mergulhou lá dentro a Mandrágora , enterrando a em a mistura escura e húmida , até que só as folhas ficassem visíveis . Em seguida , limpou a terra de as mãos , levantou os dedos e todos eles retiraram os abafos de os ouvidos . - Como as nossas Mandrágoras são muito novas , os seus gritos ainda não matam - disse ela com grande calma , como_se tivesse feito algo tão normal como regar uma begónia . - Contudo , podem pôr vos a dormir durante várias horas e , como com certeza nenhum de vocês quer perder o primeiro dia de aulas , vejam se os abafos estão bem colocados enquanto trabalham . Eu chamarei vos a atenção quando for altura de os retirar . - Quatro em cada fila , há aqui uma grande quantidade de vasos , a mistura de terra está em os sacos ali a o fundo e tenham cuidado com a * _ Venomous_Tentacula * , estão a nascer lhe os dentes . Enquanto falava , deu uma pancada seca a uma planta vermelha escura cheia de pontas eriçadas , fazendo a encolher as longas antenas que tinham estado a avançar lenta e dissimuladamente sobre o seu ombro . A Harry , Ron e Hermione veio juntar se em a fila um rapaz de cabelo encaracolado de os Hufflepuff que Harry conhecia de vista , mas com quem nunca tinha falado . - Justin_Finch - _ Fletchey - disse ele com vivacidade , apertando a mão de o Harry . - Conheço te , claro , o famoso Harry_Potter ... e tu és a Hermione_Granger , sempre a primeira em tudo ( Hermione brilhou em um sorriso , como_se ele lhe tivesse apertado a mão ) e Ron_Weasley . Não era teu o carro voador ? Ron não sorriu . Não lhe saía de a cabeça o * gritador * . - Aquele Lockhart é o_máximo , não acham ? - disse Justin satisfeito , enquanto começavam a encher os vasos com composto de adubo de dragão . - Terrivelmente corajoso . Leram os livros de ele ? Eu teria morrido de medo se um lobisomem me tivesse encurralado em uma cabina telefónica , mas ele manteve se calmo e ... zap ... fantástico ! « Eu estava inscrito em Eton , sabem , não imaginam como estou feliz de ter vindo antes para aqui . É claro que a minha mãe ficou um_pouco desiludida , mas depois de lhe ter dado os livros de Lockhart a ler , tenho a impressão de que ela começou a ver a utilidade de ter um feiticeiro bem treinado em a família ... Depois de isso , não tiveram grandes oportunidades para conversar . Voltaram a pôr os abafos de ouvidos e era preciso concentrarem se em as Mandrágoras . A professora Sprout fizera as coisas parecerem extremamente simples , mas não eram . As Mandrágoras não gostavam de sair de a terra mas também não pareciam querer voltar para lá . Elas contorceram se , deram pontapés , agitaram as mãozinhas finas e rangeram os dentes . Harry levou dez minutos inteirinhos a tentar meter uma Mandrágora particularmente gorda dentro_de um vaso . Em o final de a aula , Harry , como todos os outros , estava a suar , cheio de dores e coberto de terra . Regressaram a o castelo a pé para um banho rápido e , em seguida , os Gryffindor apressaram se para assistir a a aula de transfiguração . As aulas de a professora Mc_Gonagall eram sempre complicadas , mas a de aquele dia era particularmente difícil . Tudo_o_que o Harry aprendera em o ano anterior parecia ter se lhe apagado de a memória durante o Verão . Ele deveria ser capaz de transformar uma barata em um botão , mas , tudo_o_que conseguiu foi fazer a barata praticar um imenso exercício , enquanto corria apressadamente por o tampo de a secretária evitando a varinha . Ron estava a debater se com problemas bastante piores . Tinha atado a varinha com uma fita mágica , mas parecia que não havia reparação possível . Não parava de crepitar e lançar faíscas em os momentos mais estranhos e , sempre_que Ron tentava transfigurar a barata , via se envolvido em um fumo cinzento espesso que cheirava a ovos podres . Incapaz de ver o que estava a fazer , o Ron esmagou , por engano , a barata com o cotovelo e teve de ir pedir que lhe dessem outra , o que deixou a professora Mc_Gonagall muito pouco satisfeita . Harry ficou aliviado quando ouviu tocar a campainha para o almoço . Sentia a cabeça como uma esponja espremida . Todos os alunos saíram em fila de a aula excepto ele e Ron que dava furiosas varadas em a secretária . - Coisa estúpida e inútil . - Escreve a os teus pais a pedir outra - sugeriu Harry , enquanto a varinha disparava com estrondo um foguete explosivo . - Ah pois , e receber outro * gritador * em a volta de o correio - respondeu Ron , metendo a varinha que já assobiava , dentro de o saco . - * _ A culpa é toda tua se a varinha está estragada * ... Desceram para o almoço e aí a disposição de o Ron não iria melhorar com Hermione a mostrar lhe uma mão-cheia de botões de casaco , perfeitinhos , que produzira em a transfiguração . - O que temos esta tarde ? - quis saber Harry , mudando rapidamente de assunto . - Defesa contra as artes negras - disse Hermione , sem perder tempo . - Porque é_que tu ... - perguntou Ron , pegando em o horário de ela - desenhaste corações em volta de as aulas de o Lockhart ? Hermione arrancou lhe o horário de as mãos , corando furiosa . Acabaram de almoçar e foram para o pátio carregado de nuvens . Hermione sentou se em um degrau de pedra e enfiou de_novo o nariz em as * _ Viagens com Vampiros * . Harry e Ron ficaram a falar de Quidditch durante alguns minutos antes de Harry se aperceber de que estava a ser observado de perto . Olhando para_cima viu o rapazinho pequenino com cabelo de rato que ele vira experimentar o chapéu seleccionador em a noite anterior , olhando para ele com uma expressão petrificada . Estava agarrado a o que parecia ser uma vulgar máquina fotográfica de os Muggles e , em o momento em que Harry olhou para ele , ficou todo vermelho . - Tudo bem , Harry ? Eu sou Colin_Creevey - disse , faltando lhe o ar e adiantando se a qualquer pergunta . - Estou em os Gryffindor também . Não te importavas que eu tirasse uma fotografia ? - perguntou , levantando a máquina cheio de expectativa . - Uma fotografia ? - repetiu Harry , inexpressivo . - Para eu provar que te conheci - disse Colin_Creevey cheio de ansiedade , continuando : - Eu sei tudo a teu respeito . Toda_a_gente me tem contado como sobreviveste quando O_Quem nós sabemos tentou matar te , como ele desapareceu depois de isso e como ficaste com a cicatriz em forma de relâmpago em a testa ( os seus olhos procuraram a linha de cabelo de Harry ) e um rapaz de o meu dormitório disse que se eu revelasse o filme em a posição certa ele mexia . - Colin respirou fundo , estremecendo de excitação e disse : - Isto_é fantástico , aqui , não achas ? Eu não sabia que todas_as coisas estranhas que fazia eram magia até a o dia em que recebi uma carta de Hogwarts . O meu pai é leiteiro . Também ele não queria acreditar . Por isso estou a tirar montes de fotografias para lhe mandar e era mesmo bom se tivesse uma tua - parecia implorar . - Talvez o teu amigo pudesse tirá a e assim eu ficava a o teu lado . E depois , podias assiná a ? - Assinar fotografias ? Estás a dar fotos autografadas , Potter ? Alta e mordaz , a voz de Draco_Malfoy ecoou em o pátio . Estava parado mesmo atrás_de Colin , ladeado , como sempre andava em Hogwarts , por os seus fortes guarda-costas Crabbe e Goyle . - Ei gente , façam bicha - gritou Malfoy a a multidão . - Harry_Potter está a dar fotos autografadas ! - Não estou coisa nenhuma - disse Harry , zangado , com os punhos em o ar . - Cala a boca , Malfoy . - Tu tens é inveja - começou a dizer Colin , cujo corpo era de o tamanho de o pescoço de Crabbe . - Inveja - repetiu Malfoy que não precisava de gritar mais , metade de o pátio estava a ouvi o . - De quê ? Não preciso de uma cicatriz em a cabeça , muito obrigado . Não acho que ter um corte em a testa torne alguém especial . Crabbe e Goyle riram estupidamente - Vai pastar caracóis , Malfoy - disse o Ron furioso . Crabbe parou de rir e começou a esfregar os nós de os dedos enormes de uma forma ameaçadora . - Tem cuidado , Weasley - escarneceu Malfoy . - Com certeza não queres começar uma rixa ou a tua mãezinha tem de vir cá para te tirar de a escola - e com uma voz aguda e penetrante : - * _ Se voltas a pisar o risco * ... Um grupo de alunos de o quinto ano de os Slytherin que estava ali perto , riu se bastante alto . - O Weasley gostaria de ter uma foto tua autografada , Potter - escarneceu de_novo Malfoy . - Era capaz de valer mais do_que a casa onde ele mora com a família . Ron sacou de a sua varinha amarrada com fita , mas Hermione fechou as * Viagens com Vampiros * com um estrondo e avisou : - Atenção . - O que é isto , o que é isto ? - Gilderoy_Lockhart aproximava se com o seu manto azul-turquesa girando em torvelinho atrás de ele . - Quem está a dar fotos autografadas ? Harry ia começar a explicar , mas foi interrompido quando Lockhart lhe pôs jovialmente o braço em cima de os ombros . - Mas que pergunta a minha ! Cá estamos nós de_novo , Harry ! Preso ao_lado_de Lockhart e a arder de humilhação , Harry viu Malfoy deslizar com o seu sorriso desdenhoso por o meio de a multidão . - Vamos lá então , Mr._Creevey - disse Lockhart , dirigindo se a Colin . - Uma foto dupla , já viu a sua sorte ? E assinamos a os dois para si . Colin ajustou a máquina e tirou a fotografia em o preciso momento em que a campainha tocava para as aulas de a tarde . - Está em a hora , todos para dentro - gritou Lockhart a a multidão e regressou a o castelo levando a o seu lado o Harry que só lamentava não conhecer um feitiço que o fizesse desaparecer . - Uma palavra só , Harry - disse Lockhart paternalmente , enquanto entravam em o edifício por uma porta lateral . - Eu ajudei te há bocado com o jovem Creevey porque se ele estivesse a fotografar me também a mim os teus colegas não reparariam tanto que estavas a exibir te ... Indiferente a a gaguez de Harry , Lockhart arrastou o para um corredor ladeado de alunos que os olhavam espantados e subiram uma escada . - Deixa me só dizer te uma coisa : dar fotografias autografadas em esta fase de a tua carreira , francamente , não é sensato , Harry , parece um_pouco megalómano . Pode ser que um dia mais tarde , tal_como eu , sejas obrigado a assinar para multidões onde quer que vás , mas - fez uma pequena pausa - não me parece que seja o caso , por enquanto . Tinham chegado a a aula de Lockhart e ele largou finalmente o Harry que sacudiu a túnica e foi sentar se em um lugar bem lá atrás onde começou por empilhar os livros de Lockhart a a sua frente para evitar olhar para a criatura . O resto de a aula entrou ruidosamente e Ron e Hermione foram sentar se um de cada lado de Harry . - Tu estavas vermelho como um pimentão - disse o Ron . - Reza para que o Creevey não se torne amigo de a Ginny senão bem podem criar o clube de * fans * de Harry_Potter . - Cala a boca - interrompeu Harry . A última coisa que desejava era que o Lockhart ouvisse a expressão « clube de * fans * de Harry_Potter « . Quando todos estavam em os seus lugares , Lockhart pigarreou alto e fez se silêncio . Ele inclinou se para a frente , pegou em o exemplar de Neville_Longbottom de * _ viagens com Duendes * e levantou o para mostrar a sua fotografia a piscar os olhos em a capa . - Eu - disse apontando para a fotografia e piscando também os olhos - Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , terceiro ano , membro honorário de a Liga_de_Defesa contra as artes negras e cinco vezes vencedor de o prémio de o * _ Feiticeiro de a semana * por o sorriso mais charmoso . Mas não vamos falar de isso , não venci a fada carpideira de Bandon a sorrir para ela ! Esperou que eles se rissem . Alguns alunos sorriram timidamente . - Já vi que todos vocês compraram a minha obra completa . Muito bem . Pensei começar hoje com um pequeno interrogatório escrito . Nada de complicado , só para perceber se leram bem os meus livros e o que apreenderam ... Depois de distribuir as folhas de teste voltou se para os alunos e disse : - Têm trinta minutos . Comecem já . Harry olhou para o papel e leu : *1 . Qual é a cor preferida de Gilderoy_Lockhart ? *2 . Qual é a ambição secreta de Gilderoy_Lockhart ? *3 . Qual é , em a sua opinião , a maior realização de Gilderoy_Lockhart até a o momento ? * E_por_aí adiante , ao_longo_de três páginas , terminando com : *54 . Qual é o dia de aniversário de Gilderoy_Lockhart e qual seria o seu presente preferido ? * Meia_hora mais tarde , Lockhart recolheu os pontos e folhou os rapidamente em frente de os alunos . - Tut , tut , quase ninguém se lembrou que a minha cor preferida é o lilás . Eu digo o em * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves * . Alguns precisam de voltar a ler com mais cuidado * Fim-de - _ Semana com Um Lobisomem * . Eu afirmo claramente em o décimo segundo capítulo que o meu presente de aniversário preferido seria a harmonia entre todos os seres , mágicos e não mágicos , embora não me importasse de receber uma garrafa grande de * whisky * velho de a Ogden's_Old_Firewhisky . Piscou lhes o olho de_novo . Ron olhava para Lockhart com uma expressão de incredulidade em o rosto . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas que estavam sentados a a frente tremiam de tanto conter o riso . Hermione , contudo , ouvia Lockhart com extrema atenção e deu um salto quando ouviu o seu nome . - Mas Miss_Hermione_Granger sabia que a minha ambição secreta era libertar o mundo de o mal e pôr a a venda a minha gama de poções de tratamento de o cabelo . Muito bem - voltou o papel . - Nota máxima ! Onde está Miss_Hermione_Granger ? Hermione ergueu uma mão trémula . - Excelente - bradou Lockhart , exultante . - Leva dez pontos para os Gryffindor . E vamos a o trabalho . Baixou se atrás de a secretária e pegou em uma grande gaiola coberta . - Ficam desde_já a saber , a minha função é preparar vos contra as criaturas mais malignas que a feitiçaria conhece . Vocês podem ter que enfrentar os maiores medos em esta sala . Saibam que nenhum mal vos sucederá comigo aqui . Só vos peço que se mantenham calmos . Ultrapassando os seus sentimentos , Harry espreitou através de a pilha de livros para ver melhor a gaiola . Lockhart colocou uma mão em a tampa . Dean e Seamus tinham deixado de se rir . Neville estava agachado em o seu lugar de a fila de a frente . - Vou pedir vos que não façam barulho - disse Lockhart em voz baixa . - Podem assustá os . Enquanto a aula inteira continha a respiração , Lockhart tirou a cobertura . - Sim - disse em um tom dramático . - Duendes_da_Cornualha recém-capturados . Seamus_Finnigan não conseguiu controlar se . Soltou uma gargalhada que nem Lockhart poderia confundir com um grito de terror . - Sim ? - sorriu a Seamus . - Bem , eles não são , não são perigosos , pois não ? - perguntou a rir . -- Não tenhas tanta certeza de isso - afirmou Lockhart , aborrecido , abanando um dedo , em direcção a Seamus . - Podem ser maçadores e muito traiçoeiros . Os duendes eram de um azul-eléctrico e tinham cerca de vinte centímetros de altura com feições angulosas e umas vozes tão estridentes que era como ouvir uma discussão entre araras . Logo_que o pano foi retirado , começaram a fazer uma enorme algazarra , a andar de um lado para o outro , batendo em as grades e fazendo caretas a as pessoas que estavam mais perto . - Muito bem - disse Lockhart em voz alta . - Vamos então ver o que vocês conseguem fazer de eles - e abriu a gaiola . Foi um pandemónio . Os duendes dispararam em todas_as direcções como foguetes . Dois de eles agarraram o Neville por as orelhas e levantaram o a o ar . Vários outros foram direitos a a janela , fazendo chover vidros partidos até a a fila de trás . Os restantes decidiram destruir a sala com maior eficácia do_que um rinoceronte em fúria . Agarraram em os tinteiros e salpicaram tudo em volta , rasgaram a os bocados livros e papéis , arrancaram os quadros de as paredes , levantaram a o ar a gaiola vazia , agarraram livros e sacos e lançaram nos por a janela de vidros estilhaçados . Em poucos minutos , metade de a aula estava abrigada debaixo de as secretárias e o Neville pendurado em o candelabro de o tecto . - Vamos lá , agarrem nos , agarrem nos , são apenas duendes ... - gritava Lockhart . Arregaçou as mangas , bramiu a varinha e pronunciou * Peshipiksi_Pesternomi ! * As palavras não tiveram o menor efeito . Um de os duendes pegou em a varinha de Lockhart e atirou a também por a janela fora . Lockhart engoliu em seco e mergulhou debaixo de a secretária , não sendo , por um triz , esmagado por o Neville que caiu um segundo depois , quando o candelabro cedeu . A campainha tocou e houve uma louca precipitação para a porta . Em a calma relativa que se seguiu , Lockhart endireitou se , olhou para Harry , Ron e Hermione que estavam quase a chegar a a porta e disse : - Bem , vou pedir vos a os três que prendam o resto de os duendes em a gaiola - passou por eles e fechou rapidamente a porta atrás_de si . - Isto dá para acreditar ? - resmungou o Ron , enquanto um de os duendes lhe mordia com toda_a força uma de as orelhas . - Ele só quer dar nos uma ajuda , permitindo nos ganhar experiência - justificou Hermione , imobilizando dois duendes de uma_vez com um encantamento de paralisação e metendo os de_novo em a gaiola . - Experiência ? - disse Harry , tentando agarrar um duende que dançava com a língua de_fora . - Hermione , ele não sabia nada do_que estava a fazer . - Disparate - retorquiu Hermione . - Leste os livros de ele . Vê só as coisas que ele já fez ! - Que diz que fez - resmungou o Ron . VII_Sangue de lama e murmúrios Harry passou imenso tempo , em os dias que se seguiram , a fugir sempre_que via Gilderoy_Lockhart aproximar se em o corredor . Mais difícil de evitar era Colin_Creevey que parecia ter decorado o horário de Harry . Parecia que nada o emocionava mais do_que dizer : - Tudo bem , Harry ? - seis ou sete vezes por dia e ouvir : - Olá , Colin - por mais exasperado que Harry estivesse quando lhe respondia . A Hedwig ainda estava zangada com Harry por causa de a desastrosa viagem de automóvel e a varinha de o Ron continuava a não funcionar , tendo ultrapassado tudo em a sexta-feira de manhã quando lhe saltou de as mãos em a aula de encantamentos e foi agredir o velho e baixinho professor Flitwick mesmo entre os olhos , deixando uma enorme bolha latejante em o sítio onde tinha batido . Por tudo_isso Harry via chegar , com satisfação , o fim_de_semana Planeava ir em o Sábado de anhã , com Ron e Hermione visitar o Hagrid . Mas foi acordado várias horas mais cedo do_que desejaria por Oliver ood , treinador de a equipa de Quidditch_dos_Gryffindor . - _ o que é_que se passa ? - perguntou Harry , enrolando as palavras . - Treino_de_Quidditch - disse Wood . - Vamos embora . Harry lançou um olhar de esguelha a a janela . Uma neblina fina pairava em o céu rosa e dourado . Agora_que estava acordado não percebia como pudera dormir com a algazarra que os pássaros faziam . - Oliver resmungou Harry . - É de madrugada . - Exacto - respondeu Wood . Era um rapaz alto e corpulento de o sexto ano e em aquele momento os olhos brilhavam lhe loucamente de entusiasmo . - Faz parte de o nosso novo programa de treinos . Anda lá , vai buscar a vassoura e vamos embora - insistiu Wood empenhado . - Nenhuma de as outras equipas começou ainda a treinar . Vamos ser os primeiros este ano ... A bocejar e a tremer um_pouco , Harry saltou de a cama e tentou descobrir as suas túnicas de Quidditch . - Bem , encontramo nos em o campo , dentro_de quinze minutos . Depois de descobrir a sua roupa escarlate de equipa e pôr o manto por cima para se aquecer , Harry escreveu a o Ron um bilhete a explicar onde tinha ido e desceu por a escada de espiral para a sala comum com a sua Nimbos dois inil a o ombro . Tinha acabado de chegar junto de o buraco de o retrato quando ouviu um barulho atrás_de si e viu Colin_Creevey descer a escada de espiral com a máquina fotográfica pendurada a o pescoço a balouçar como louca e uma coisa em a mão . - Ouvi alguém chamar o teu nome em as escadas , Harry olha o que tenho aqui . Revelei a e queria mostrar te . Harry olhou assombrado para a fotografia que Colin lhe espetava em frente de o nariz . Um Lockhart a preto e branco movia se , puxando com toda_a força um braço que Harry reconheceu como sendo o seu . Ficou satisfeito a o constatar que estava a resistir bastante bem , recusando se a ser trazido para a vista de todos . Enquanto Harry observava , Lockhart desistiu e desinteressou se de lutar contra a parte branca de a fotografia . - Assinas para mim ? - pediu Colin entusiasmado . - Não - respondeu secamente Harry , olhando em volta para verificar se o caminho estava livre . - Desculpa_Colin , mas estou cheio de pressa , treino de Quidditch . Passou por o buraco de o retrato . - Oh Uau ! Espera por mim . Eu nunca vi um jogo de Quidditch . Colin trepou por o buraco de o retrato atrás de ele . - Vai ser uma chatice para ti - disse Harry rapidamente , mas Colin ignorou o comentário . Todo o seu rosto brilhava de satisfação . - Tu foste o jogador mais novo de a equipa em cem anos , não foste Harry ? Não foste ? - perguntava Colin , trotando para o acompanhar . - Deve ser fantástico . Eu nunca voei . É fácil ? Essa vassoura é a tua ? É a melhor que há ? Harry não sabia como ver se livre de ele . Era como ter uma sombra que não se calava . - Eu não percebo nada de Quidditch - disse Colin , já sem fôlego . - É verdade que há quatro bolas ? E que duas anda n a voar , tentando fazer os jogadores caírem de as vassouras ? - Sim - disse Harry lentamente , resignado com o ter de lhe explicar as complicadas regras de o Quidditch . - São as * bludgers * . Há dois * beaters * em cada equipa que têm bastões para bater em as * bludgers * e lançá as para o outro lado . O Fred e o George_Weasley são os * beaters * de os Gryffindor . - E para que servem as outras bolas ? - perguntou Colin , saltando uma série de degraus porque ia a olhar para o Harry de boca aberta . - Bem , a * quaffle * , que é a vermelha grandalhona , é a que marca os golos . Três * chasers * em cada equipa lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam fazes a entrar em as balizas que ficam em o extremo de o campo onde há três grandes postes com argolas em as pontas . - E a quarta bola ? - A * snitch * dourada - explicou Harry . - É muito pequenina e veloz e extremamente difícil de agarrar . Mas é isso que o * seeker * tem de fazer , porque o jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * for agarrada . E o * seeker * que conseguir agarrá a ganha para a sua equipa mais cento_e_cinquenta pontos . - E tu és o * seeker * de os Gryffindor , não és ? - perguntou Colin respeitosamente . - Sim - disse Harry enquanto saíam de o castelo e começavam a atravessar o relvado . - E há também o * keeper * que toma conta de os postes . É isto . Mas Colin não parou de fazer perguntas desde os relvados macios até a o campo de Quidditch e Harry só se viu livre de ele quando chegaram a os vestiários . Colin gritou em uma voz aguda : - Eu vou arranjar um lugar , Harry - e apressou se em direcção a as bancadas . O resto de a equipa de os Gryffindor já se encontrava em os vestiários . Wood era o único que tinha aspecto de estar bem acordado . Fred e George_Weasley estavam sentados com olhos de sono e cabelos desgrenhados junto de Alicia_Spinnet de o quarto ano que parecia inclinar se contra a parede que tinha atrás_de si . Os seus companheiros * chasers * , Katie_Bell e Angelina_Johnson bocejavam em frente de ela . - Até que enfim , Harry , porque é_que demoraste tanto ? - perguntou Wood cheio de actividade . - Eu queria ter uma pequena conversa convosco antes de entrarmos propriamente em campo porque passei o Verão a conjecturar um novo programa de treinos que acredito vai estabelecer grandes mudanças . Wood tinha em as mãos um grande mapa de um campo de Quidditch onde estavam desenhadas muitas linhas , setas e cruzes a tinta de várias cores . Pegou em a varinha , bateu com ela em o quadro e as setas começaram a mover se em o mapa como tractores . Enquanto Wood se lançava em um discurso sobre as suas novas técnicas , a cabeça de Fred_Weasley caiu sobre o ombro de Alicia_Spinnet e ele começou a ressonar . O primeiro mapa levou quase vinte minutos a explicar , mas debaixo de esse havia outro e ainda um terceiro . Harry caiu em uma letargia enquanto Wood continuava indefinidamente . - Então - disse por fim o treinador , arrancando Harry de a avidez de uma fantasia sobre o que poderia estar a comer se se encontrasse em aquele momento em o castelo . - Ficou tudo claro ? Alguma pergunta ? - Eu tenho uma pergunta , Oliver - disse George que acordou estremunhado . - Porque não nos explicaste tudo_isso ontem , quando estávamos acordados ? Wood não ficou nada satisfeito . - Ouçam bem , vocês todos - disse , voltando se para eles mal-humorado . - Nós deveríamos ter ganho a taça de Quidditch o ano passado . Somos de longe a melhor equipa , mas , infelizmente , devido_a circunstancias que estão para_além de o nosso controlo ... Harry mudou de posição em a cadeira sentindo se culpado . Estivera inconsciente em o hospital durante o campeonato final de o ano anterior o que fez com que os Gryffindor com um jogador a menos tivessem sofrido a pior derrota de os últimos trezentos anos . Wood levou um momento a controlar se . Era evidente que a última derrota ainda o torturava . - Portanto , este ano vamos fazer um treino mais duro , como nunca se fez . O. _ K. , vamos lá pôr as teorias em prática - gritou , pegando em a vassoura e conduzindo os para fora de o vestiário . Com as pernas trôpegas e ainda a bocejar , a equipa seguiu o . Tinham estado tanto tempo lá dentro que o sol já tinha nascido e brilhava em o céu embora uma réstia de neblina pairasse ainda sobre o relvado de o campo . Quando Harry entrou em campo viu Ron e Hermione sentados em as bancadas . - Ainda não acabaram ? - perguntou Ron em um tom incrédulo . - Ainda nem começamos - explicou Harry , olhando cheio de inveja para a torrada com doce de laranja que Ron e Hermione tinham trazido de o salão . - O Wood tem estado a ensinar nos as jogadas . Subiu para a vassoura e deu um pontapé em o chão , elevando se em o ar . O ar fresco de a manhã bateu lhe em o rosto fazendo o acordar com mais eficácia do_que o longo discurso de Wood . Era maravilhoso voltar a estar em o campo de Quidditch . Voou em volta de o estádio a toda a a velocidade competindo com Fred e George . - Que barulhinho estranho é aquele ? - perguntou o Fred quando deram a volta . Harry olhou para as bancadas . Colin estava sentado em um de os lugares mais altos com a máquina fotográfica em o ar , tirando fotografia sobre fotografia , o som estranhamente ampliado em o estádio deserto . - Olha para ali , Harry , para ali - gritava de forma estridente . - Quem é aquele ? - perguntou Fred . - Não faço ideia - mentiu Harry , disparando a_toda_a velocidade e distanciando se o mais possível de Colin . - O que se passa aí ? - perguntou Wood , franzindo a testa enquanto corria por os ares atrás de eles . - Porque está aquele aluno de o primeiro ano a tirar fotografias ? Não me agrada . Pode ser um espião de os Slytherin a tentar descobrir o nosso novo programa de treinos . - Ele é de os Gryffindor - disse Harry rapidamente . - E os Slytherin não precisam de um espião , Oliver - completou George . - Porque dizes isso ? - perguntou Wood irritado . - Porque estão aqui em peso - disse George , apontando com o dedo . Vários indivíduos com túnicas verdes vinham em aquele momento a entrar em o campo de vassouras em a mão . - Não posso acreditar - reagiu Wood , sentindo se ultrajado . - Eu reservei o estádio para hoje . Já vamos ver como é_que isto fica ! Wood baixou direito a o chão sendo levado por a fúria a aterrar com mais força do_que pretendia e a cambalear um_pouco quando começou a andar seguido de o Harry e de o Ron . - Flint - bradou para o treinador de os Slytherin . - Este é o nosso tempo de treino . Levantámo nos de propósito . Vocês têm de sair de aqui . Marcus_Flint era ainda mais corpulento do_que Wood . Tinha em o rosto uma expressão de duende travesso quando respondeu : - Há espaço para todos , Wood . Angelina , Alicia e Katie tinham vindo também . Em a equipa de os Slytherin não havia raparigas que enfrentassem a o lado de os rapazes os Gryffindor . - Mas eu reservei o estádio - repetiu Wood de modo afirmativo , cuspindo de raiva . - Reservei o . - Ah ! - exclamou Flint . - Mas eu tenho aqui uma licença especial assinada por o professor Snape . * _ Eu , professor Snape , autorizo a equipa de os Slytherin a praticar hoje em o campo de Quidditch devido a a necessidade de treinar o seu novo seeker . * - Têm um novo * seeker * ? - perguntou Wood perturbado . - Onde ? E detrás de as seis figuras corpulentas que tinham em a frente , viram surgir uma sétima : um rapaz mais pequeno com um sorriso afectado espelhado em o rosto pálido e anguloso . Era_Draco_Malfoy . - Não és o filho de o Lucius_Malfoy ? - perguntou Fred , olhando para ele com antipatia . - Curioso que refiras o pai de o Draco - disse Flint enquanto toda_a equipa de os Slytherin sorria de modo grosseiro . - Deixem me mostrar vos a generosa oferta que ele fez a a equipa de os Slytherin . Os sete exibiram as suas vassouras . Sete cabos novos , polidos , com inscrições em letras douradas de as palavras « Nimbus dois_mil_e_um « brilharam a o sol de a manhã , em frente de o nariz de os Gryffindor . - O último modelo . Só chegou em o mês passado - disse Flint , displicentemente , sacudindo a poeira de o cabo de a sua vassoura . - Julgo que ultrapassam de longe as velhas séries de dois_mil . Quanto a as Cleansweeps - sorriu de forma mesquinha para Fred e George que tinham ambos Cleansweep_Fives - essas já só servem para varrer . Nenhum de os Gryffindor foi capaz de abrir a boca em aquele momento . Malfoy sorria tanto que os seus olhos de gelo estavam reduzidos a duas rachas . - Oh vejam - disse Flint . - Uma invasão de o campo . Ron e Hermione atravessavam o relvado para ver o que se passava . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron a o Harry . - Porque não estão a jogar e o que faz ele aqui ? Olhava para Malfoy em as suas vestes de Quidditch . - Sou o novo * seeker * de os Slytherin , Weasley - disse Malfoy com ar presumido . - Têm estado todos a admirar as vassouras que o meu pai comprou para a nossa equipa . Ron olhou de boca aberta para as sete vassouras que tinha em a frente . - São boas , não são ? - disse Malfoy untuosamente . - Mas talvez a equipa de os Gryffindor consiga levantar algum ouro e comprar também vassouras novas . Vocês podiam levar essas Cleansweep_Fives a leilão , talvez algum museu esteja interessado . A equipa de os Slytherin riu se a bandeiras despregadas . - Pelo_menos em os Gryffindor ninguém teve de comprar a sua entrada - disse secamente Hermione . - Entraram todos por mérito próprio . O ar presumido de Malfoy desapareceu . - Ninguém pediu a tua opinião , sangue de lama - cuspiu Malfoy . Harry apercebeu se , de imediato , que Malfoy dissera algo muito grave porque houve uma tremenda algazarra em o seguimento de as suas palavras . Flint teve que se pôr a a frente de o Malfoy para evitar que Fred e George se atirassem a ele . Alicia bradou : - Como te atreves ? - E Ron meteu a mão em as vestes e sacou de a varinha mágica , gritando : - Vais pagar por o que disseste , Malfoy ! - e apontou a , furioso , por debaixo de o braço de Flint , a o rosto de Malfoy . Um enorme estrondo , ecoou em o estádio e um jacto de luz verde saiu por a extremidade errada de a varinha de Ron , atingindo o em o estômago e projectando o para trás em direcção a o relvado . - Ron ! Ron ! Estás bem ? - gritou Hermione . Ron abriu a boca para falar , mas nenhuma palavra saiu . Em vez de isso , teve um vómito imenso e várias lesmas saíram lhe de a boca , indo cair lhe em o colo . A equipa de os Slytherin ficou paralisada de riso . Flint estava dobrado , agarrado a a vassoura nova . Malfoy , a quatro , batia com o punho em a chão . Os Gryffindor rodeavam o Ron , que continuava a vomitar lesmas enormes e reluzentes . Ninguém queria tocar lhe . - É melhor levá o para_casa de o Hagrid . É o mais perto - disse Harry_a_Hermione , que acenou afirmativamente , e os dois arrastaram o Ron por os braços . - O que aconteceu , Harry ? O que aconteceu ? Ele está doente ? Mas tu podes curá o , não podes ? - Colin descera a correr de o lugar onde estava sentado e dançaricava em frente de eles , enquanto abandonavam o campo . Ron teve um novo arremesso e mais lesmas saíram de a sua boca . - Oooh ! - exclamou Colin fascinado , levantando a máquina fotográfica . - Podes mantê o quieto , Harry ? - Sai de a minha frente , Colin - gritou Harry zangado . Ele e a Hermione conseguiram levar o Ron para fora de o estádio , atravessar os campos e chegar a a beira de a floresta . - Está quase , Ron - disse Hermione , mal avistaram o casebre de o guarda de os campos . - Vais ficar bem dentro_de um minuto ... está quase ... Estavam a sessenta metros de a casa de Hagrid , quando a porta de a frente se abriu . Mas não foi Hagrid quem saiu de lá , e sim Gilderoy_Lockhart , em uma túnica cor de malva . - Rápido , vamos esconder nos aqui - sussurrou Harry , arrastando Ron para trás de um arbusto que havia ali perto . Hermione acompanhou o , embora um_pouco relutante . -- É muito simples quando se sabe o que se está fazer ! - gritava Lockhart_para_Hagrid . - Se precisar de ajuda , sabe onde estou . Vou dar lhe um exemplar de o meu livro . Espanta me que ainda não o tenha . Logo a a noite autografo o e envio lhe o . Bem . até a a próxima ! - e afastou se em direcção a o castelo . Harry esperou que Lockhart desaparecesse , antes de puxar o Ron de trás de o arbusto até a a casa de o Hagrid . Bateram ansiosamente . Hagrid apareceu logo com um ar mal-humorado , que se dissipou quando viu quem era . - Já me tinha perguntado quand'é que vocês vinham ver me , entrem , entrem , pensei qu'era outra_vez o professor Lockhart . Harry e Hermione ajudaram Ron a subir o degrau que dava acesso a a cabana de uma divisão com uma cama enorme a um de os cantos e uma lareira a crepitar alegremente em o outro . Hagrid não pareceu perturbado com o problema de as lesmas de o Ron que Harry lhe explicou precipitadamente , logo_que sentou o Ron em uma cadeira . - Melhor saírem de o qu'entrarem - disse , em um tom bem-disposto , colocando uma grande bacia de cobre em frente de ele . - Deita as todas fora , Ron . - Acho que não há mais_nada a fazer , a não ser esperar que isto pare - disse Hermione ansiosamente , vendo Ron inclinar se para a bacia . - É uma maldição muitas_vezes difícil , mas com uma varinha partida ... Hagrid andava de um lado para o outro a preparar o chá . O cão de ele , Fang , babava se em cima de o Harry . - O que é_que o Lockhart queria de ti ? - perguntou o Harry , coçando as orelhas de o Fang . - Ensinar me a tirar espíritos aquáticos com forma de cavalos d'uma nascente d'água - resmungou Hagrid , retirando de a mesa pequena um galo meio depenado e colocando em o seu lugar o bule . - Como s'eu não soubesse . E contar me uma peta qualquer d'uma fada carpideira que ele venceu . Engulo essa chaleira , se uma palavra do_que ele disse for verdade . Não era hábito de Hagrid criticar um professor de Hogwarts e Harry olhou para ele com alguma surpresa . Mas Hermione disse em uma voz mais aguda do_que de costume : - Acho que estás a ser injusto . O professor Dumbledore obviamente achou que era o melhor homem para o lugar ... - Era o único - explicou Hagrid , oferecendo lhes um prato de bombons de melaço enquanto Ron tossia para a bacia . - E não havia mais ninguém . Não é fácil encontrar quem queira dar Artes de magia negra . As pessoas não gostam de essa matéria . Começam a pensar que está amaldiçoada , ninguém ficou muito_tempo a dá a . Mas digam me lá - continuou Hagrid , inclinando a cabeça para Ron - quem é qu'ele estava a tentar amaldiçoar ? - O Malfoy chamou qualquer coisa a a Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si . - Foi grave , sim - disse o Ron com voz rouca , emergindo a a superfície de a mesa , pálido e transpirado . - O Malfoy chamou lhe sangue de lama , Hagrid . - Ron desapareceu outra_vez quando uma nova onda de lesmas fez o seu aparecimento . Hagrid estava indignado . - Não posso crer - exclamou , dirigindo se a Hermione . - Chamou sim - disse ela . - Mas eu não sei o que significa . Percebi que era má educação , claro ... - É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar - explicou Ron novamente . - Sangue de lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles , sabes , filho de pais não mágicos . Há alguns feiticeiros , como a família de o Malfoy que acham que são melhores do_que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro . - Teve um pequeno vómito e uma lesma isolada caiu lhe em a mão aberta . Ele atirou a para a bacia e continuou . -- É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma . Olha_o_Neville_Longbottom , é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito . - E ainda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer - afirmou Hagrid , orgulhoso , fazendo Hermione corar em tons de magenta . - É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém - disse o Ron , limpando o suor de a testa com a mão trémula . - Sangue sujo , sangue vulgar , é um disparate . A maior parte de os feiticeiros hoje_em_dia têm sangue misturado . Se não tivéssemos casado com Muggles tinha sido o nosso fim . Fez um esforço para vomitar e baixou se mais_uma_vez . - Bem , não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá o , Ron - disse Hagrid bem alto enquanto montes de lesmas caíam em a bacia . - Mas , se_calhar , não foi mau de todo teres a varinha a trabalhar ao_contrário . Acho que Lucius_Malfoy teria vindo logo a correr a a escola se tivesses amaldiçoado o filho . Assim , pelo_menos , não estás metido em nenhum sarilho . Harry teria referido que o problema não podia ser pior do_que deitar lesmas por a boca , mas não pôde . Os bombons de melaço tinham lhe colado os maxilares um_ao_outro . - Harry - disse de repente Hagrid como_que movido por um pensamento súbito . - Tens de me explicar uma coisa . Ouvi dizer que tens andado a dar fotografias autografadas . Porque é qu'eu não tenho nenhuma ? A fúria de Harry foi tão grande que os maxilares se libertaram . - Eu não tenho dado fotografias autografadas - disse com vivacidade . Se o Lockhart andou a espalhar isso ... Mas em esse momento viu que Hagrid se estava a rir . - ´ _ tou a brincar - disse , dando uma palmadinha em as costas de Harry e fazendo lhe sinal para se sentar a a mesa . -- Eu sabia que não tinhas . Disse a o Lockhart que tu não precisavas de isso . Es mais famoso do_que ele sem sequer , tentares . - Aposto que ele não gostou de ouvir isso - comentou Harry , sentando se e esfregando o queixo . - Acho que não gostou mesmo - prosseguiu Hagrid com os olhinhos a brilhar . - E disse lhe também que nunca tinha lido nenhum de os livros de ele e ele foi se embora . Um bombom de melaço , Ron ? - perguntou a o vê o reaparecer . - Não , obrigado - disse o Ron com uma voz fraca . - É melhor não arriscar . - Venham ver o qu'eu tenho estado a criar - disse Hagrid quando Harry e Hermione acabaram de tomar o chá . Em a pequena horta atrás de a casa estava uma_dúzia de as maiores abóboras que Harry alguma vez vira . Pareciam enormes blocos de pedra . - Estão a dar se bem , não achas ? - disse Hagrid , feliz . São para a festa de o * _ Hallow'en * . Devem estar bem grandes quando chegar a altura . - O que é_que lhes tens dado como alimento ? - perguntou Harry . Hagrid olhou por cima de o ombro para confirmar se estavam sós . - Bem , tenho estado a dar lhes ... uma pequena ajuda . Harry reparou em o guarda-chuva cor-de-rosa a as florzinhas que estava encostado contra a parede de a cabana . Tivera em o ano anterior motivos para crer que aquele guarda-chuva não era o que parecia . De facto , acreditava que a antiga varinha de escola de Hagrid se encontrava oculta dentro de ele . Hagrid não tinha autorização para usar magia . Fora expulso de Hogwarts em o terceiro ano embora Harry nunca tivesse descoberto o motivo . Qualquer referência a esta questão fazia Hagrid pigarrear bem alto e ficar misteriosamente surdo até mudarem de assunto . -- Um encantamento de absorção , imagino ? - comentou Hermione entre a desaprovação e o divertimento . - Bem , se assim foi , fizeste um bom trabalho . - Foi o que disse a tua irmãzinha - respondeu Hagrid acenando em direcção a Ron . - Encontrei a ontem . - Hagrid olhou de lado para Harry , a barba a contorcer se . - Disse que andava só a ver os campos , mas eu acho qu'ela esperava encontrar alguém em a minha casa - piscou o olho a o Harry . - Se queres que te diga acho qu'ela não recusaria uma fotografia autogr ... - Cala te com isso - disse Harry . Ron desatou a rir e o chão ficou cheio de lesmas . - Cuidado - resmungou Hagrid , afastando Ron de as suas preciosas abóboras . Estava quase em a hora de o almoço e , como o Harry só tinha provado um bombom de melaço desde manhã cedo , estava ansioso por chegar a a escola para ir comer . Despediram se de o Hagrid e regressaram a o castelo . O Ron a vomitar de vez em quando , mas deitando só duas pequenas lesmas . Mal tinham pisado a entrada de o vestíbulo quando ouviram uma voz . - Aí estão vocês , Potter , Weasley . - A professora Mc_Gonagall vinha em direcção a eles com o seu ar severo . - Vocês os dois vão ter as punições hoje a a tarde . - O que é_que vamos fazer , professora ? - perguntou o Ron nervoso , deixando cair uma lesma . - Tu vais limpar as pratas em a sala de os troféus com Mr._Filch - disse a professora Mc_Gonagall . - E nada de mágicas , Weasley , trabalho com esforço . Ron engoliu em seco . Argus_Filch , o encarregado , era odiado por todos os alunos de a escola . - E tu , Potter , vais ajudar o professor Lockhart a responder a as cartas de as suas fãs - ordenou a professora Mc_Gonagall . - Oh , não ! Não posso ir também trabalhar em a sala de os troféus ? - pediu Harry em desespero de causa . - Nem pensar em isso - respondeu a professora Mc_Gonagall , erguendo as sobrancelhas . - O professor Lockhart requisitou te especialmente a ti . _ a as oito_em_ponto , os dois . Harry e Ron entraram em o salão em um estado de profundo desanimo com a Hermione atrás , ostentando uma expressão de * bem-voces-quebraram-as-regras-da-escola * . Harry não saboreou o empadão de carne como teria desejado . Tanto ele como o Ron achavam que tinham tido o pior de os castigos . -- O Filch vai reter me lá toda_a noite - disse Ron , desanimado . - Sem mágica ! Deve haver umas cem taças em aquela sala , eu não sei fazer limpeza de Muggles . - Eu trocava contigo de boa_vontade - confessou Harry em uma voz surda . - Tive montes de prática com os Dursleys . Responder a o correio de fãs de o Lockhart , que pesadelo ... A tarde de sábado pareceu derreter se . Pouco depois eram já cinco para as oito e Harry arrastava se até a o corredor de o segundo andar onde ficava o escritório de o Lockhart . Rangendo os dentes , bateu a a porta . A porta abriu se imediatamente e Lockhart dirigiu se lhe . - Ah , cá está o patifório ! - exclamou . - Entra , Harry , entra . Em as paredes , brilhando à_luz_de muitas velas , podia ver se uma infinidade de fotografias de Lockhart . Algumas de elas até assinadas . Sobre a secretária estava outro monte enorme . - Podes pôr as moradas em os envelopes - disse Lockhart_a_Harry , como_se fosse uma grande ameaça . - O primeiro é para Gladys_Gudgeon , abençoada seja , uma grande fã minha . Os minutos passavam lentos . De vez em quando , Harry ouvia a voz de Lockhart dizendo : - Mmm - e - certo - e - sim . - De vez em quando , apanhava uma frase como : - A fama é versátil , amigo Harry - ou - Só é célebre quem faz por isso , nunca te esqueças . As velas ardiam cada_vez com maior lentidão , fazendo a luz dançar sobre as muitas caras de Lockhart que o olhavam . Harry passava a mão , já dorida , sobre o que devia ser o centésimo envelope , escrevendo a morada de Verónica_Smethley . « Deve estar quase em a hora de me ir embora » , pensou , sentindo se profundamente infeliz , « por favor , faz com que esteja em a hora ... » E então ouviu algo , algo totalmente diferente de o crepitar de as velas e de os ditos de Lockhart sobre as suas fãs . Era uma voz , uma voz de arrepiar os ossos , de cortar a respiração , de veneno frio . - * _ Vem ... vem ter comigo ... deixa me rasgar te ... cortar te ... matar te * ... Harry deu um salto e uma enorme mancha lilás surgiu em a rua de Verónica_Smethley . - O quê ? - disse ele em voz alta . - Eu sei - exclamou Lockhart . - Seis meses inteirinhos em o topo de a lista de * bestsellers * , bati todos os recordes ! - Não - disse Harry nervosíssimo - aquela voz ! - Como ? - perguntou Lockhart , com um ar confuso . - Que voz ? - Aquela , aquela voz que disse ... não ouviu ? Lockhart olhava para Harry com o maior espanto . - De que é_que estás a falar , Harry ? Estás a ficar com sono ? Meu Deus , olha , só estamos aqui há quase quatro horas , quem diria ? O tempo passou a correr , não é verdade ? Harry não respondeu , estava a fazer um esforço para ouvir de_novo a voz , mas o único som que ouviu foi Lockhart a dizer lhe que não esperasse um tratamento igual de as próximas vezes que fosse castigado . Harry saiu , sentindo se atordoado . Era tão tarde que a sala comum de os Gryffindor estava quase vazia . Harry foi directamente para o dormitório . Ron ainda não tinha voltado . Vestiu o pijama , meteu se em a cama e esperou . Meia_hora mais tarde , chegou o Ron agarrado a o braço direito e inundando o quarto escuro de um forte cheiro a limpa-pratas . - Doem me todos os músculos - resmungou , metendo se em a cama . - Ele fez me polir catorze vezes aquela taça de Quidditch até estar satisfeito . E depois tive outro vómito em_cima_de um troféu de Reconhecimento por serviços prestados a a escola . Demorei séculos a limpar o muco de as lesmas . Como correram as coisas com o Lockhart ? Em voz baixa para não acordar o Neville , o Dean e o Seamus , Harry contou lhe , palavra por palavra , o que tinha ouvido . - E Lockhart disse que não ouviu nada ? - perguntou o Ron . Harry viu o franzir a testa , a a luz de o luar . - Achas que estava a mentir ? Mas , não percebo , mesmo um ser invisível teria aberto a porta . - Eu sei - disse Harry , encostando se a a cama e olhando para o dossel . - Também não compreendo . VIII_A festa de o dia de os mortos Outubro chegou , espalhando um frio húmido por os campos e por os cantos de o castelo . Madam_Pomfrey , a enfermeira-chefe , esteve bastante ocupada com uma onda de constipações que afectou professores e alunos . A sua poção de pimentão entrou imediatamente em acção apesar_de deixar quem a tomava com fumo em os ouvidos durante várias horas . Ginny_Weasley , que andava com ar adoentado , foi convencida a tomá a por o Percy . O fumo que saía por debaixo de o seu cabelo ruivo dava a impressão de que toda_a cabeça estava em fogo . Gotas de chuva de o tamanho de balas agrediram as janelas de o castelo durante dias a fio . O lago rosado e os canteiros de flores tornaram se regatos lamacentos e as abóboras de o Hagrid incharam ficando de o tamanho de alpendres de jardim . Contudo , o entusiasmo de Oliver_Wood por as sessões de treino regular não foi abalado , motivo por o qual Harry iria regressar a a torre de os Gryffindor , em um sábado a a tarde de temporal , alguns dias antes de o * _ Hallowe'en * , ensopado até a os ossos e todo enlameado . Além de a chuva e de o vento , não fora um treino feliz . Fred e George que tinham andado a espiar a equipa de os Slytherin tinham visto com os seus próprios olhos a velocidade alucinante de aquelas novas Nimbus dois_mil_e_um e comentaram que a equipa em o ar parecia composta por sete manchas esverdeadas que disparavam a_toda_a velocidade como aviões a jacto . Enquanto Harry chapinhava a o longo de o corredor deserto , cruzou se com alguém que parecia tão preocupado como ele : Nick quase sem cabeça , o fantasma de a torre de os Gryffindor que olhava taciturno , por a janela , murmurando baixinho : - Não preenche os requisitos , um centímetro e meio se ... - Olá , Nick - cumprimentou Harry . - Olá , olá - disse o Nick quase sem cabeça , começando a olhar em volta . Usava um arrebatado chapéu de plumas sobre a longa cabeleira encaracolada e uma túnica com gola de tufos que disfarçava o facto de ter o pescoço quase totalmente separado de o corpo . Era pálido como o fumo e Harry podia ver através de ele o céu negro e a chuva torrencial , lá fora . - Pareces preocupado , jovem Potter - disse Nick , dobrando uma carta transparente , enquanto falava e escondendo a dentro de a jaqueta . - Tu também - retorquiu Harry . - Ah ! - o Nick quase sem cabeça acenou com a mão de forma elegante . - Uma questão sem importância . Não é_que eu quisesse realmente participar apesar_de me ter inscrito , mas , a o que parece , não preencho os requisitos . - Apesar de o seu tom jovial havia em o seu rosto uma grande amargura . - Mas era de esperar , ou não era - exclamou subitamente , tirando a carta de o bolso - que ter levado quarenta_e_cinco golpes em a cabeça com um machado ferrugento me qualificaria para entrar em o grupo de os Sem - _ Cabeça ? - Sim , sim - respondeu Harry que obviamente o outro esperava que concordasse . - Isto_é , ninguém mais do_que eu desejaria que tudo tivesse sido rápido e perfeito , poupava me muitas dores e ridículo . Mas ... O Nick quase sem cabeça abriu , furioso , a carta e leu : * _ Só podemos aceitar em o grupo homens cuja cabeça tenha sido separada de o corpo . Compreenderá que de outro modo seria impossível a os nossos membros participarem em actividades como equitação de malabarismos com a cabeça e pólo de cabeça . Lamentamos profundamente informá o de que não preenche os requisitos . * _ Os nossos melhores cumprimentos , Sir_Patrick_Delaney - _ Podmore * Furioso , o Nick quase sem cabeça atirou fora a carta . - Um centímetro de pele e tendões a segurarem me a cabeça , Harry ! A maior parte de as pessoas acharia que era mais do_que o suficiente , mas não serve para o senhor correctamente decapitado Podmore . Nick quase sem cabeça respirou fundo várias vezes e , por fim , em um tom bastante mais calmo perguntou : - Então o que é_que te preocupa ? Alguma coisa que eu possa fazer por ti ? - Não - respondeu Harry . - A_não_ser_que saibas onde posso arranjar sete Nimbus dois_mil_e_um , de_graça , para o nosso campeonato contra os Sly ... - o resto de a frase foi afogada por um miado agudo vindo de perto de os seus tornozelos . Olhou para baixo e deu consigo a fitar um par de olhos que pareciam duas lâmpadas amarelas . Era_Mrs._Norris , a gata cinzenta e esquelética usada por o encarregado Argus_Filch como uma espécie de polícia em a sua infindável batalha contra os estudantes . - É melhor saíres de aqui , Harry - preveniu Nick com toda_a calma . - O Filch não está nada bem-disposto . Anda engripado e alguns alunos de o terceiro ano , por acidente , encheram o tecto de o calabouço cinco de miolos de rã . Ele tem andado toda_a manhã a limpar e se te vê a encher tudo de lama ... - Certo - disse Harry , recuando e afastando se de o olhar acusador de Mrs._Norris , mas ... tarde de mais . Conduzido até ali por o misterioso poder que parecia ligá o a a gata , Argus_Filch entrou subitamente por uma tapeçaria que se encontrava a a direita de Harry , com a sua respiração asmática , olhando vivamente em volta em busca de o infractor . Tinha um lenço grosso , de xadrez , a a volta de a cabeça e o nariz invulgarmente arroxeado . - Imundície - gritou com os maxilares a tremer e os olhos a saltarem lhe de as órbitas , enquanto apontava para a poça de lama que pingara de a túnica de Quidditch_de_Harry . - Desarrumação e imundície em todo o lado . Estou farto disto , segue me , Potter . Harry despediu se de o Nick quase sem cabeça com um tímido aceno e seguiu Filch até lá abaixo , duplicando o número de pegadas lamacentas em o chão . Nunca entrara em o gabinete de o Filch . Era um lugar que a maior parte de os estudantes evitava . A divisão era sombria e sem janelas , iluminada por uma única lamparina de óleo que pendia de o tecto . Sentia se um vago cheiro a peixe frito . As paredes estavam forradas por ficheiros de madeira . Por as etiquetas Harry percebeu que continham os dados de todos os alunos que Filch tinha punido . Fred e George_Weasley tinham uma gaveta só para eles . Atrás de a secretária estava pendurada uma colecção bem polida de correntes e algemas . Todos sabiam que ele estava sempre a pedir a Dumbledore que o deixasse pendurar os alunos em o tecto por os tornozelos . Filch pegou em uma pena que estava sobre a secretária e começou a procurar o pergaminho . - Bosta - murmurou , furioso . - Bosta de dragão , miolos de rã , intestinos de ratazana ... eu tinha aqui bastante , onde está o form ... sim ... Tirou um enorme rolo de pergaminho de a gaveta de a secretária e estendeu o em a frente , molhando a longa pena em o tinteiro . - Nome : Harry_Potter . Crime ... - Foi só um bocadinho de lama - disse Harry . - É só um bocadinho de lama para ti , rapaz , mas para mim é mais de uma hora a esfregar - gritou Filch com um pingo a tremer de modo desagradável em a extremidade de o nariz bolboso . - Crime : manchar o castelo . Sentença proposta ... Esfregando o nariz que continuava a pingar , Filch olhou com má cara para Harry que esperava com a respiração entrecortada para ouvir a sentença . Mas quando Filch pegou em a pena ouviu se um estrondo enorme em o tecto que fez a lamparina apagar se . - PEEVES - resmungou Filch , pousando a pena , cheio de raiva . - Desta_vez apanho te . Apanho te ! E sem olhar para trás , saiu a correr a_toda_a velocidade de o gabinete , seguido de a gata , Mrs._Norris . Peeves era o * poltergeist * de a escola , uma ameaça de risota esvoaçante que vivia para fazer estragos e criar aflição . Harry não gostava lá muito de ele , mas desta_vez , não podia deixar de lhe estar grato . Na_melhor_das_hipóteses o que Peeves tivesse feito ( e parecia que agora ele destruíra qualquer coisa em grande ) distrairia Filch_de_Harry . Pensando que o melhor seria esperar que ele voltasse , Harry deixou se cair em uma cadeira carcomida por o tempo que se encontrava junto de a secretária . Havia uma coisa sobre o tampo : um grande envelope roxo e lustroso com letras prateadas em a frente . Lançando um olhar rápido a a porta para confirmar que Filch não estava de volta , Harry pegou lhe e leu : __ feitiço __ rápido Um curso por correspondência De iniciação a a magia Cheio de curiosidade , abriu o envelope e retirou o rolo de pergaminho . Uma letra curvilínea e prateada dizia : Sente se pouco a a vontade em o mundo de a magia moderna ? Dá consigo a arranjar desculpas para não fazer feitiços simples ? Tem sido censurado por o deplorável trabalho com a varinha ? Eis a resposta ! Feitiço rápido e um curso totalmente novo , infalível , de resultados rápidos e rápida aprendizagem . Centenas de bruxas e feiticeiros têm beneficiado de o método feitiço rápido ! Madam_Z._Nettles_de_Topsham escreve nos : Eu não conseguia fixar os encantamentos e as minhas poções eram alvo de risota em a família . Agora , depois de o curso feitiço rápido , tornei me o centro de as atenções em todas_as festas e os meus amigos não param de pedir me a receita de a minha brilhante solução ! O mágico D.J._Prod , de Disbury , afirma : A minha mulher costumava rir se de os meus fracos encantamentos , mas bastou um mês com o vosso fabuloso curso feitiço rápido e consegui transformá a em um iaque . Obrigado , feitiço rápido ! Fascinado , Harry folheou o resto de o conteúdo de o envelope . Para que diabo quereria o Filch um curso de feitiço rápido ? Não seria ele um feiticeiro a sério ? Harry estava a ler a lição número um : Pegando em a varinha ( algumas dicas úteis ) quando umas passadas arrastadas , lá fora , o preveniram de que Filch estava de volta . Metendo rapidamente o pergaminho dentro de o envelope , lançou o para_cima de a secretária em o preciso momento em que a porta se abriu . Filch ostentava um ar triunfante . - Aquele armário que desapareceu era extremamente valioso - vinha ele a dizer a a gata , Mrs._Norris . - Desta_vez vamos correr com o Peeves , minha linda . Os seus olhos recaíram sobre Harry e logo_a_seguir sobre o envelope de o feitiço rápido que , Harry apercebeu se tarde de mais , estava meio metro distanciado de o seu lagar inicial . O rosto pálido de Filch tornou se vermelho escarlate . Harry preparou se para uma nova onda de fúria . Filch coxeou até a a secretária , arrebatou o envelope e meteu o em uma gaveta . -- Chegaste a ... lê o ? - perguntou atabalhoadamente . - Não - mentiu Harry , sem perder tempo . As mãos nodosas de o Filch contorciam se ao_mesmo_tempo . - Se eu soubesse que ias ler a minha correspondência priv ... não que seja minha ... é para um amigo ... mesmo_assim ... Harry olhava para ele espantado . Nunca vira o Filch tão louco . Os olhos pareciam querer saltar lhe de as órbitas , com um tique em as bochechas e aquele lenço axadrezado que não ajudava nada ... - Muito bem , vai e não abras a boca sobre isto ... não que ... mesmo_assim ... se tu não leste ... vai te embora , tenho de escrever o relatório sobre o Peeves , vai . Atordoado com a sua sorte , Harry saiu de ali e largou a correr por o corredor fora e por as escadas acima . Sair de o gabinete de o Filch sem um castigo devia ser um recorde em a escola . - Harry , Harry , deu resultado ? O Nick quase sem cabeça saiu a brilhar de uma sala de aula . Atrás de ele , Harry pôde ver os destroços de um grande armário preto e dourado que parecia ter sido atirado de uma grande altura . - Convenci o Peeves a parti o mesmo em cima de o gabinete de o Filch - disse Nick entusiasmado . - Pensei que talvez o distraísse . - Foste tu ? - exclamou Harry , agradecido . - Funcionou sim . Ele não me deu nenhum castigo . Obrigado , Nick . Atravessaram o corredor juntos . O Nick quase sem cabeça , reparou Harry , ainda tinha em a mão a carta de Sir_Patrick . - Gostaria de poder fazer qualquer coisa sobre o grupo de os Sem - _ Cabeça - disse Harry . O Nick quase sem cabeça parou de repente e Harry passou através de ele . Antes não tivesse passado , foi como atravessar um duche gelado . - Mas há uma coisa que tu podes fazer por mim - disse Nick muito agitado . - Harry , seria pedir te de mais ... mas não , tu não ias querer ... - O quê ? - Bem , este ano em o * _ Hallowe'en * vai ser o meu meio milénio de dia de os mortos - disse o Nick quase sem cabeça endireitando se e adquirindo uma postura de grande dignidade . - Oh - respondeu Harry sem saber se deveria lamentar ou dar lhe os parabéns . - Certo . - Vou dar uma festa em um de os calabouços mais amplos . Vêm amigos meus de todo o país . Seria uma honra muito grande se tu aparecesses . Mr._Weasley e Miss_Granger seriam também muito bem-vindos , claro . Mas tu deves preferir o banquete de a escola , não é verdade ? - Olhou para Harry , aflito . - Não - assegurou ele rapidamente . - Eu vou . - Oh rapaz , Harry_Potter em a minha festa de os mortos - hesitou no_meio_de toda aquela excitação . - Achas que poderias referir a Sir_Patrick como me achas assustador e como te impressiono ? - É claro que sim - assegurou Harry . O Nick quase sem cabeça iluminou se em um sorriso . - Uma festa de os mortos ? - exclamou Hermione , entusiasmada , quando Harry , depois de mudar de roupa , se juntou a ela e a o Ron em a sala comum . - Aposto que não há muitas pessoas que possam gabar se de ter estado em uma festa de essas . Vai ser fantástico ! - Por_que é_que alguém se lembraria de festejar o dia em que morreu ? - perguntou o Ron que estava a meio de o seu trabalho de casa de poções e bastante maldisposto . - Parece me bastante mórbido . A chuva continuava a lamber as janelas que apresentavam agora um negro que parecia tinta , mas , lá dentro , era tudo claro e alegre . O fogo em a lareira brilhava sobre as inúmeras cadeiras de braços onde as pessoas estavam sentadas a ler , a conversar , a fazer os trabalhos de casa ou , no_caso_de Fred e George_Weasley , a tentar descobrir o que aconteceria se alimentassem uma salamandra com fogo-de-artíficio de o Filibuster . O Fred tinha « resgatado . o lagarto cor de laranja brilhante , morador de o fogo , de uma aula de tratamento de seres mágicos e ele estava agora a arder em fogo lento sobre uma mesa , rodeado de um grupo de curiosos . Harry ia começar a contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre o Filch e o curso de feitiço rápido quando a salamandra disparou por os ares , lançando faíscas e estoiros . A visão de Percy a gritar com Fred e George até ficar ronco , a fantástica exibição de estrelas cor de tangerina que choviam de a boca de a salamandra e a sua fuga para o lume acompanhada de explosões , fizeram com que Harry se esquecesse , em aquele momento , de Filch e de o curso de feitiço rápido . Quando chegou o * _ Hallowe'en * , Harry já lamentava a sua promessa imprudente de ir a a festa de os mortos . Toda_a escola antecipava , feliz , a sua festa de * _ Hallowe'en * . O salão nobre fora enfeitado com os habituais morcegos , as enormes abóboras de Hagrid tinham sido esculpidas em forma de lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro_de cada uma , e havia boatos de que Dumbledore contratara um grupo de esqueletos bailarinos para animar a festa . - Uma promessa é uma promessa - lembrou Hermione_a_Harry com o seu autoritarismo habitual . - Tu disseste que ias a a festa de os mortos . Portanto , a as sete_da_tarde , Harry , Ron e Hermione saíram , passando por a porta de o salão nobre que brilhava de modo convidativo com pratos dourados e velas e dirigiram os seus passos para os calabouços . O corredor que conduzia a a festa de o Nick quase sem cabeça tinha sido também ladeado de velas , embora o efeito estivesse longe_de ser alegre : estas eram velas muito esguias e estreitas , negras de breu , ardendo em um azul brilhante e lançando uma luz indistinta e espectral também sobre as caras de as pessoas vivas . A temperatura diminuía a cada degrau que desciam . Harry tremia e cingia a túnica a o corpo quando ouviu qualquer coisa que parecia uma centena de unhas a rasparem um enorme quadro preto . - Será que isto_é a música ? - murmurou Ron . Viraram uma esquina e viram o Nick quase sem cabeça junto de uma porta , todo vestido de veludo negro . - Meus queridos amigos - disse com ar de luto . - Bem-vindos , bem-vindos , ainda_bem que puderam vir . Em um gesto largo tirou o chapéu de plumas e fez lhes sinal para que entrassem . Era uma visão incrível . O calabouço estava cheio com centenas de pessoas de um branco pálido e translúcido , a maior parte de as quais era arrastada em uma pista de dança cheia , valsando a o som de trinta serrotes musicais . Os serrotes que compunham a orquestra encontravam se sobre um estrado enfeitado com panos negros . Um lustre lá em cima resplandecia de um azul nocturno com mais um_milhar de velas negras . A respiração de os três subiu em o ar como uma neblina . Parecia que tinham entrado em um congelador . - Vamos dar uma volta - sugeriu Harry em uma tentativa de aquecer os pés . - Cuidado , não atravessem nenhum de eles - avisou o Ron nervosamente e colocaram se em volta de a pista de dança . Passaram por um grupo escuro de freiras , por um homem esfarrapado e cheio de correntes e por o frade gordo , o divertido fantasma de os Hufflepuff que estava a conversar com um cavaleiro com uma seta enfiada em a testa . Harry não ficou nada surpreendido a o ver que o Barão sangrento , o fantasma lúgubre e berrante de os Slytherin , coberto de nódoas de sangue ; estava a ser totalmente evitado por os outros fantasmas . - Oh ! Não -- exclamou Hermione , parando bruscamente . - Voltem se , voltem se , não quero ter de cumprimentar a Murta_Queixosa . - Quem ? - perguntou Harry enquanto davam rapidamente meia volta . - Ela assombra a casa_de_banho de as raparigas de o primeiro andar - explicou Hermione . - Assombra uma casa_de_banho ? - Sim . Está inoperativa durante todo o ano porque ela tem constantes acessos de choro e inunda tudo . Eu só lá fui quando não pode mesmo evitar . É horrível tentar ir a a sanita com ela a gritar connosco . - Olhem , comida - disse o Ron . De o outro lado de o calabouço estava uma mesa igualmente coberta de velado negro . Iam para se aproximar entusiasmados , mas pararam com uma expressão de horror . O cheiro era nauseabundo . Enormes peixes podres enchiam as bonitas travessas de prata , os bolos estorricados como carvões amontoavam se em as salvas , havia uma grande quantidade de miúdos de macaco , uma tábua de queijos cobertos de bolor e , em o lugar de honra , um enorme bolo cinzento em forma de lápide com letras que pareciam alcatrão formando as palavras , * _ Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington_Morto em 31_de_Outubro , 1492 * . Harry olhou espantado quando um fantasma de porte majestoso se aproximou de a mesa inclinando se e passando através de ela com a boca aberta enquanto atravessava um salmão malcheiroso . - Consegue prová o passando através de ele ? - perguntou lhe Harry . - Quase - disse tristemente o fantasma antes de se afastar . - Devem ter deixado apodrecer tudo_isto para ter um sabor mais forte - comentou Hermione com ar de quem está bem informada , tapando o nariz e aproximando se para ver melhor os pútridos miúdos de macaco . - Podemos sair de aqui , estou a sentir me agoniado - disse o Ron . Mas mal tinham dado meia volta quando um homenzinho pequenino saiu inesperadamente de debaixo de a mesa e fez uma paragem em o ar em frente de eles . - Olá , Peeves - disse Harry cautelosamente . Ao_contrário de os outros fantasmas que os rodeavam , Peeves , o * poltergeist * era o oposto de pálido e transparente . Usava um chapéu festivo cor de laranja , um laço rotativo a o pescoço e tinha um sorriso grosseiro de malvadez , em o rosto . - Querem petiscar ? - perguntou delicadamente , oferecendo lhes uma taça de amendoins cobertos de fungos . - Não , obrigada - disse Hermione . - Ouvi te falar sobre a pobre Murta - disse Peeves com os olhos a bailar . - Que insensível que tu foste para com a pobre Murta - respirou fundo e gritou : - Oh Murta . - Oh ! Não , Peeves , não lhe contes o que eu disse , ela vai ficar muito aborrecida - murmurou Hermione bastante nervosa . - Eu não queria dizer que ... eu não me importo que ela , er , olá , Murta . O espectro atarracado de uma rapariga deslizara . Tinha o rosto mais carrancudo que Harry alguma vez vira , meio escondido por o cabelo liso e por os óculos grossos cor de pérola . - O que é ? - perguntou mal-humorada . - Como estás Murta ? - perguntou Hermione , em uma voz falsamente alegre . - É bom ver te fora de a casa_de_banho . Murta fungou . - Miss_Granger estava justamente a falar de ti - disse lhe Peeves baixinho a o ouvido . - A dizer , a dizer ... como estás bonita esta noite -- terminou Hermione , olhando irritada para Peeves . A Murta olhou para Hermione desconfiada . - Estão a divertir se a a minha custa - disse , com lágrimas de prata a encherem lhe rapidamente os olhos pequeninos . - Não , a sério , eu não estava a dizer vos como a Murta estava bonita esta noite ? - disse Hermione , dando uma palmada em as costas de o Harry e de o Ron . - Sim , sim . - Ela ... - Não me venham com mentiras - protestou a Murta , as lágrimas agora a descerem lhe por o rosto , enquanto Peeves ria baixinho por cima de o ombro de ela . - Julgam que eu não sei o que as pessoas me chamam em as minhas costas ? A Murta gorda , a Murta feia , a Murta queixosa , a Murta deprimida ! - Esqueceste te de « a Murta ponto negro » - sussurrou lhe Peeves a o ouvido . A Murta_Queixosa irrompeu em soluços de angústia e fugiu de o calabouço . Peeves disparou atrás de ela , lançando lhe uma chuva de amendoins cheios de bolor e gritando : Ponto negro ! Ponto negro ! - Oh , coitada ! - exclamou Hermione com tristeza . O Nick quase sem cabeça abria agora caminho entre a multidão para se aproximar de eles . - Estão a divertir se ? - Sim , sim - mentiram . - Uma afluência nada má - disse orgulhoso o Nick quase sem cabeça . - A viúva chorosa veio de Kent ... está quase em a hora de o meu discurso . É melhor ir avisar a orquestra . Mas a orquestra parou de tocar em esse preciso momento . Eles , e todos os outros em o calabouço , ficaram em silêncio total , olhando em volta cheios de excitação quando se ouviu uma trompa de a caça . - Lá vêm eles - disse o Nick quase sem cabeça , com alguma amargura em a voz . Por o calabouço irromperam uma_dúzia de , cavalos fantasmas , cada_um montado por um cavaleiro sem cabeça . A assistência aplaudiu vivamente . Harry começou também a bater palmas , mas parou rapidamente quando viu a cara de o Nick . Os cavalos galoparam até a o meio de a pista de dança e pararam , empinando se , dando pequenos passos para a frente e para trás , sobre as patas traseiras . Um fantasma grande em a frente , cuja cabeça barbuda estava debaixo de o braço , soprando a trompa , desmontou , levantou a cabeça bem em o ar para poder ver toda_a assistência ( todos se riam ) e dirigiu se a o Nick quase sem cabeça , comprimindo a cabeça contra o pescoço . - Bem-vindo , Patrick - disse o Nick , mantendo a sua postura rígida . - Gente viva ! - exclamou o Sir_Patrick , avistando Harry , Ron e Hermione e dando um salto de falso espanto , de_tal_modo_que a cabeça lhe caiu de_novo ( a multidão ria a bom rir ) . - Muito engraçado - disse o Nick quase sem cabeça com um ar soturno . - Não ligues a o Nick - gritou a cabeça de Sir_Patrick de o chão . - Ainda está aborrecido por não o deixarmos juntar se a o grupo . Mas olhem bem para ele ... - Eu acho - disse apressadamente Harry , a seguir a um olhar de o Nick - que o Nick é muito assustador e ... eu ... - Bah ! - gritou a cabeça de Sir_Patrick . - Aposto que ele te pediu que dissesses isso . - Gostaria de ter a vossa atenção . Chegou a altura de fazer o meu discurso - disse o Nick quase sem cabeça bem alto , dirigindo se a o pódio , subindo e parando , iluminado por uma luz azul . - Os meus sentimentos , senhores e senhoras , é com profundo pesar ... Mas já ninguém estava a ouvi o . Sir_Patrick e o resto de o grupo de os Sem - _ Cabeça tinham iniciado um jogo de hóquei de cabeça e a multidão voltara se para os observar . Nick quase sem cabeça tentou em vão recuperar a audiência , mas acabou por desistir quando a cabeça de Sir_Patrick passou por ele a_toda_a velocidade gritando vivas . Harry estava cheio de frio para não falar de a fome . - Não aguento mais isto - murmurou Ron a bater o dente enquanto a orquestra voltava a entrar em acção e os fantasmas enchiam de_novo a pista de dança . - Vamos embora - concordou Harry . Recuaram até a a porta , acenando e sorrindo a todos os que olhavam para eles e um minuto depois passavam apressadamente por a entrada cheia de velas negras . - Talvez o pudim ainda não tenha acabado - disse o Ron cheio de esperança , abrindo caminho em direcção a os degraus de o vestíbulo de a entrada . E foi então que Harry ouviu aquilo . - ... * _ Arrancar ... rasgar ... matar * ... Era a mesma voz , a mesma voz fria e assassina que ouvira em o escritório de Lockhart . Parou , agarrando se a a parede de pedra em a expectativa de ouvir melhor , olhando em volta , espreitando para_cima e para baixo de a passagem mal iluminada . - Harry que estás tu a ... ? - E aquela voz outra_vez , calem se um bocadinho . -- ... * _ Tanta fome ... há tanto tempo * ... - Ouçam insistiu Harry e Ron e Hermione ficaram estáticos a olhar para ele . - * _ Matar ... hora de matar * ... A voz ia ficando mais débil . Harry tinha a certeza de que ela estava a afastar se , a subir . Um misto de medo e excitação tomou posse de ele enquanto olhava para o tecto escuro . Como poderia ele subir ? Seria um fantasma para quem os tectos de pedra não contavam ? - Por aqui - gritou , começando a correr por as éscadas acima até a a entrada de o * hall * . Não havia hipótese de ouvir fosse o que fosse ali , o barulho de vozes que vinha de o banquete de o * _ Hallowe'en * ecoava cá fora . Harry subiu a correr a escadaria de mármore até a o primeiro andar com Ron e Hermione ruidosamente atrás . - Harry o que é_que nós ... ? - Sch ... Harry apurou o ouvido . Ao_longe , em o andar de cima , e ainda a enfraquecer , mesmo_assim ouviu a voz : - ... * Cheira-me a sangue ... cheira me a sangue ! * O estômago deu lhe uma volta . - Ele vai matar alguém - gritou e ignorando as caras perplexas de Ron e Hermione , correu , subindo mais um lanço de escadas , a três_e_três , tentando ouvir através de o ruído de os seus próprios passos . Harry correu a_toda_a velocidade pelo segundo andar com Ron e Hermione atrás e só parou quando viraram uma esquina para o último corredor abandonado . - Harry , o que foi aquilo tudo ? - perguntou o Ron , limpando o suor de o rosto . - Eu não ouvi nada ... Mas Hermione , em um sobressalto , apontou para o fundo de o corredor . - Olhem ! Alguma coisa brilhava em a parede em frente . Aproximaram se devagarinho , tentando ver em a escuridão . Alguém escrevera em letras garrafais em a parede entre duas janelas . As palavras brilhavam a a chama fraca de as tochas . : __ a câmara de os segredos foi aberta . inimigos de o herdeiro , __ cuidado . - O que é aquilo pendurado por baixo de as letras ? - perguntou Ron com um tremor em a voz . Quando se aproximaram , Harry quase escorregou . Havia uma grande poça de água em o chão . Ron e Hermione agarraram o e avançaram cautelosamente até a a mensagem , os olhos fixos em uma sombra escura , em baixo . Aperceberam se os três de imediato do_que se tratava e deram um salto para trás , salpicando tudo de água . Mrs._Norris , a gata de o encarregado , estava pendurada por a cauda em o suporte de a tocha . Tinha o corpo rígido como uma tábua e os olhos abertos . Durante alguns segundos ninguém se mexeu . Depois o Ron disse : - Vamos sair de aqui . - Não devíamos tentar ajudar ? - propôs Harry , sem graça . - Acredita - assegurou o Ron . - É melhor que não nos encontrem aqui . Mas era tarde de mais . Um ruído surdo e prolongado , como um trovejar distante , avisou os de que o festim tinha terminado . De ambos os lados de o corredor onde eles estavam , veio o som de centenas de pés a subirem a escadaria e as vozes alegres de gente bem alimentada . Em o momento seguinte os alunos chegavam junto de eles de ambos os lados . O burburinho morreu subitamente mal as pessoas avistaram a gata pendurada . Harry , Ron e Hermione estavam de pé , sozinhos , em o meio de o corredor quando se fez silêncio em a multidão de estudantes que se empurravam para observar aquele quadro macabro . Então alguém gritou , quebrando o silêncio . - Inimigos de o herdeiro , cuidado . Vocês serão os próximos , sangue de lama ! Era_Draco_Malfoy . Estava a a frente de a multidão com os olhos frios a brilhar , a sua cara habitualmente pálida agora afogueada , sorrindo a a vista de a gata pendurada e imóvel . IX_As palavras em a parede -- O que é_que se passa aqui ? O que é_que se passa ? Sem dúvida , atraído por o grito de Malfoy , Argus_Filch apareceu a coxear em o meio de a multidão . Quando viu Mrs._Norris , caiu para trás agarrando o rosto com verdadeiro horror . - A minha gata ! A minha gata ! O que aconteceu a Mrs._Norris ? - gritou . E os seus olhos rápidos caíram sobre Harry . - Tu - guinchou ele . - Mataste a minha gata ! Mataste a , vou dar cabo de ti , eu ... - Argus . Dumbledore tinha chegado a o lugar , seguido de alguns professores . Em poucos segundos tinha passado a a frente de Harry , Ron e Hermione e desatado Mrs._Norris de o suporte de a tocha . - Vem comigo , Argus - disse ele a o Filch . - Vocês também , Mr._Potter , Mr._Weasley e Miss_Granger . Lockhart deu rapidamente um passo em frente . - O meu escritório é o que está mais perto , senhor director , é já aqui em cima , por favor fiquem a a vontade . - Obrigado , Gilderoy - disse Dumbledore . A multidão silenciosa dividiu se para os deixar passar . Lockhart sentindo se excitado e importante , seguia Dumbledore assim_como a professora Mc_Gonagall e o professor Snape . Quando entraram em o escritório escuro de Lockhart houve uma grande agitação em as paredes . Harry viu várias imagens de Lockhart a esconderem se cheias de rolos em o cabelo . O Lockhart em pessoa acendeu as velas e chegou se mais para trás . Dumbledore pôs Mrs._Norris em a superfície polida de a secretária e começou a examiná a . Harry , Ron e Hermione trocaram olhares tensos entre si e deixaram se cair em as cadeiras que se encontravam longe de a luz , a observar . A ponta de o nariz longo e adunco de Dumbledore estava a menos_de dois centímetros de o pêlo de Mrs._Norris . Ele olhava a de perto através de os óculos de meia-lua , os dedos longos a palpar e tactear suavemente . A professora Mc_Gonagall estava quase tão perto como ele , com os olhos contraídos . Snape surgia mais atrás , meio em a sombra , com uma expressão estranha em o rosto , como_se tentasse a_toda_a força sorrir . E Lockhart andava de um lado para o outro a dar sugestões . - Foi sem dúvida uma maldição que a matou , provavelmente a tortura de a metamorfose . Vi a muitas_vezes ser usada , mas infelizmente eu não estava lá quando isto aconteceu . Conheço o antídoto para essa maldição , o que a teria salvo . Os comentários de Lockhart foram interrompidos por os soluços secos e violentos de Filch . Estava afundado em uma cadeira junto de a secretária , incapaz de olhar para Mrs._Norris , com o rosto em as mãos . Por mais que detestasse Filch , Harry não pôde deixar de sentir pena de ele embora não tanta quanto_a que sentia por si próprio . Se Dumbledore acreditasse em o Filch ele seria certamente expulso . O director estava agora a sussurrar umas palavras estranhas e batendo em Mrs._Norris com a varinha , mas não aconteceu nada , ela continuou com o mesmo aspecto , como_se tivesse sido empalhada . - ... Lembro me de uma coisa semelhante que aconteceu em Ouagadogou - disse LockLart . - Uma série de ataques . Conto essa história em a minha autobiografia . Eu dei a a gente de a cidade vários amuletos que resolveram logo a situação ... As fotografias de Lockhart em as paredes iam acenando afirmativamente com a cabeça enquanto ele falava . Uma de elas esquecera se de tirar os rolos de o cabelo . Por fim , Dumbledore endireitou se . - Ela não está morta , Argus - disse suavemente . Lockhart interrompeu bruscamente a contagem de os crimes que conseguira evitar . - Não está morta ? - disse Filch em um sufoco , olhando através de os dedos para Mrs._Norris . - Mas , porque está ela rígida e gelada ? - Foi petrificada - disse Dumbledore ( Ah ! foi o que eu pensei ! - comentou Lockhart ) mas como , não posso afirmar . - Pergunte lhe - gritou Filch , voltando a cara cheia de furúnculos e lágrimas para Harry . - Nenhum aluno de o segundo ano poderia ter feito isto - explicou Dumbledore . - Era preciso um grande conhecimento de magia negra . - Foi ele , foi ele - disse encolerizado o encarregado com a cara a ficar roxa . - O senhor viu o que ele escreveu em a parede . Ele descobriu em o meu gabinete , ele sabe que eu sou um ... - O rosto de Filch estava horrível . - Ele sabe que eu sou um * _ busca-pé * - disse por fim . - Eu não toquei em a Mrs._Norris - gritou Harry com todos os olhares a recaírem sobre ele , incluindo o de todos os Lockharts de a parede . - E eu nem sei o que é um * busca-pé * . - Mentira ! - gritou Filch . - Ele viu a minha carta de o feitiço rápido . - Se me permite que dê a minha opinião , senhor director - disse Snape , saindo de a sombra , e a sensação de mau presságio de Harry aumentou bastante . Certamente nada do_que Snape tinha para de dizer iria ajudá o . - O Potter e os amigos podiam estar simplesmente em o lugar errado em a altura errada - afirmou com um leve sorriso a torcer lhe a boca como_se tivesse as suas dúvidas . - Mas , temos aqui um conjunto de circunstâncias curiosas . Porque estavam eles afinal em o corredor ? Porque não estiveram presentes em a festa de o * _ Hallowe'en * ? Harry , Ron e Hermione começaram uma longa explicação sobre a festa de o dia de os mortos . - Estavam lá centenas de fantasmas , eles poderão confirmar que lá estivemos ... - Mas porque não foram a seguir a o banquete ? - perguntou Snape com os olhos pretos a brilharem a a luz de as velas . - Porquê ir até a aquele corredor ? Ron e Hermione olharam para Harry . - Porque , porque ... - balbuciou Harry , com o coração a querer saltar lhe de o peito , mas algo lhe disse que ia parecer muito rebuscado se lhes contasse que tinha sido levado até ali por uma voz sem corpo que só ele conseguia ouvir . - Porque estávamos cansados e queríamos ir para a cama - disse . - Sem jantar ? - inquiriu Snape com um sorriso triunfante a bailar lhe em o rosto lúgubre . - Não sabia que os fantasmas ofereciam em as suas festas comida para gente viva . - Não estávamos com fome - disse o Ron bem alto , enquanto o estômago se queixava de forma audível . O sorriso mesquinho de a Snape ampliou se . - Acho , senhor director , que Potter não está a dizer toda_a verdade - afirmou . - Talvez fosse boa ideia retirar lhe alguns privilégios , até ele estar disposto a contar nos a história toda . Pessoalmente , sugiro que seja retirado de a equipa de os Gryffindor até decidir ser honesto . - Francamente , Severus - exclamou a professora Mc_Gonagall com uma voz cortante . - Não vejo porquê impedir o rapaz de jogar Quidditch . Esta gata não levou pauladas em a cabeça dadas por nenhum cabo de vassoura . E não há provas de que o Potter tenha feito algo de mal . Dumbledore observava Harry com um olhar perscrutador . A voz tremeluzente de os seus olhos azuis fez Harry sentir que estava a ser passado a raios X. - Inocente até se provar que é culpado , Severus - disse com segurança . Snape estava furioso , assim_como Filch . - A minha gata foi petrificada ! - berrou , com os olhos a saltarem de as órbitas . - Quero ver um castigo ! - Vamos poder curá a , Argus - explicou pacientemente Dumbledore . - Madam_Sprout conseguiu arranjar algumas Mandrágoras . Logo_que tenham atingido o tamanho adulto , terei uma poção de Mandrágoras que reanimará Mrs._Norris . - Eu posso fazê a - interrompeu Lockhart . - Devo ter feito isso uma centena de vezes . Preparo uma golada de Mandrágora reconstituinte de olhos fechados ... - Perdão - disse Snape friamente -- , mas julgo que o professor de poções de esta escola ainda sou eu . Houve um silêncio bastante incómodo . - Vocês podem ir se embora - disse Dumbledore a o Harry , Ron e a Hermione . Eles saíram o mais depressa que puderam , sem ir a correr . Quando chegaram a o andar acima de o escritório de Lockhart , entraram em uma sala de aulas vazia e fecharam a porta devagarinho . Harry lançou um olhar de esguelha a as caras carrancudas de os amigos . - Acham que eu lhes devia ter falado de a voz que ouvi ? - Não - respondeu Ron , sem a mínima hesitação . - Ouvir vozes que mais ninguém ouve , não é bom sinal , nem em o mundo de os feiticeiros . Algo em a voz de Ron levou Harry a fazer a pergunta : - Tu acreditas em mim , não acreditas ? - Claro que sim - respondeu o Ron de imediato . - Mas tens de concordar que é esquisito ... - Eu sei que é esquisito - confirmou Harry . - É tudo esquisito . O que era aquilo escrito em a parede ? * _ A_Câmara foi aberta * , o que é_que significa ? - Sabes , faz me lembrar qualquer coisa - disse Ron lentamente . - Acho que alguém me contou uma história sobre uma câmara secreta em Hogwarts , talvez tenha sido o Bill ... - E que diabos é um * busca-pé * ? - perguntou Harry . Para sua surpresa , Ron abafou o riso . - Bem , em a verdade não tem graça nenhuma , mas como é o Filch ... - disse . - Um * busca-pé * é alguém que nasceu de uma família de feiticeiros , mas não tem poderes mágicos . É uma espécie de o oposto de os que vêm de famílias de Muggles , mas são feiticeiros . Os * busca-pé * são muito raros . Se o Filch está a tentar aprender magia em um curso rápido , acho que ele deve ser mesmo um busca-pé . Isso explicaria tudo , por_exemplo , porque detesta tanto os estudantes . - Ron sorriu satisfeito . - Tem inveja . Um relógio deu as horas , algures . - Meia-noite - disse Harry . - É melhor irmo nos deitar , antes que o Snape apareça e tente acusar nos de qualquer coisa . Durante alguns dias não se falou de outra coisa em a escola a não ser de o ataque a a gata , Mrs._Norris . Filch manteve o sucedido bem fresco em a memória de todos , andando de um lado para o outro em o lugar onde ela fora atacada , como_se esperasse por o responsável . Harry vira o esfregar a mensagem de a parede com a « solução removedora de toda_a porcaria mágica Mrs._Skower » , mas sem qualquer resultado . As palavras continuavam a brilhar tanto como antes sobre a pedra . Quando Filch não estava a patrulhar a cena de o crime , vagueava , de olhos avermelhados , por os corredores , perseguindo alunos insuspeitos e tentando aplicar lhes castigos por coisas como « respirar muito alto » ou « estar alegre » . Ginny_Weasley parecia muito perturbada com o destino de Mrs._Norris . Segundo Ron ela era uma amante de gatos . - Mas tu nem chegaste a conhecer bem Mrs._Norris - disse lhe Ron para a animar . - Com toda_a franqueza , estamos muito melhor sem ela . - O lábio de Ginny tremeu . - Não é costume acontecerem coisas de estas em Hogwarts - tranquilizou a . - Eles vão descobrir o safado que fez aquilo e põem o de aqui para fora em três tempos . - Só espero que tenha tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso . Estou a brincar , claro - acrescentou o Ron apressadamente a o ver a Ginny a empalidecer . O ataque afectara também Hermione . Era costume de ela passar muito_tempo a ler , mas agora parecia não fazer mais_nada . Nem respondia a o Harry e a o Ron quando lhe perguntavam o que estava a fazer e só acabaram por descobrir em a quarta-feira seguinte . Harry tivera de ficar até mais tarde em a sala de poções onde Snape o mandara raspar restos de larvas de as secretárias . Depois de um almoço comido a a pressa , ele foi lá acima encontrar se com Ron em a biblioteca e viu Justin_Finch - _ Fletchley , o rapaz de os Hufflepuff de herbologia que vinha em direcção a ele . Harry tinha acabado de abrir a boca para dizer um « Olá » quando Justin o viu , voltando se bruscamente e mudando de direcção . Harry foi encontrar o Ron em as traseiras de a biblioteca , a medir o trabalho de casa de história de a magia . O professor Binns pedira uma composição sobre a Assembleia_Medieval_de_Feiticeiros_Europeus com 90cm . De extensão . - Não posso crer que ainda me faltem 16cm - disse o Ron furioso , largando o pergaminho que se enrolou em forma de tubo - e que a Hermione fez um metro e trinta em aquela letra pequenina e apertadinha . - Onde está ela ? - perguntou Harry , agarrando em a fita métrica e desembrulhando o seu trabalho de casa . - Algures por aí - disse o Ron , apontando para as estantes . - _ a a procura de outro livro . Acho que ela está a tentar ler a biblioteca toda antes de o Natal . Harry contou a Ron que Justin_Finch - _ Fletchley tinha evitado falar lhe . - Não sei porque te preocupas com isso . Eu achei o um idiota - disse o Ron , escrevinhando e fazendo a letra o maior possível . - Todo aquele disparate sobre o Lockhart ser tão grande ... Hermione surgiu de o meio de as estantes . Parecia irritada e disposta , por fim , a falar com eles . - Todos os exemplares de * _ Hogwarts : Uma História * foram requisitados - disse , sentando se ao_lado_de Harry e Ron . - E há uma lista de espera de duas semanas . Quem me dera não ter deixado o meu exemplar em casa , mas não consegui que coubesse em a mala com todos os livros de o Lockhart . - Para que o queres ? - perguntou Harry . - Pelo mesmo motivo que toda_a_gente o quer - disse Hermione . - Para ler a lenda de a Câmara_dos_Segredos . - O que é isso ? - Precisamente . Não me lembro - disse Hermione , mordendo o lábio . - E não encontro a História em lugar nenhum . - Hermione , deixa me ler o teu trabalho - pediu Ron desesperado , olhando para o relógio . - Não , não deixo - respondeu Hermione com um ar severo . - Tiveste dez dias para o fazer . - Só preciso de mais quatro centímetros , vá lá ... A campainha tocou . Ron e Hermione encaminharam se para a História_da_Magia , discutindo . A História_da_Magia era a matéria mais chata de o programa . O professor Binns , que dava a cadeira , era o único professor fantasma e a coisa mais excitante que aconteceu em as suas aulas foi o dia em que entrou por o quadro preto . Já velho e enrugado , muita gente afirmava a seu respeito que ele não dera por_que tinha morrido . Pura e simplesmente levantara se um dia para ir dar aulas , deixando o corpo atrás , em um cadeirão em frente de a lareira de a sala de os professores . Desde esse dia a sua rotina mantivera se igual . Era hoje tão chato como fora sempre . Abriu as notas e começou a ler em um tom monocórdico como um velho aspirador até quase todos os alunos estarem em um estado de profunda dormência , acordando de vez em quando , para tomar nota de um nome ou de uma data , e voltando a adormecer . Estava a falar havia meia_hora quando aconteceu algo que nunca tinha acontecido . Hermione pôs o braço em o ar . O professor Binns olhou de relance , em o meio de a chatíssima aula sobre a Convenção_Internacional_de_Feiticeiros de 1289 , verdadeiramente espantado . - Miss ... er ... ? - Granger , professor . Poderia dizer nos alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Hermione em uma voz bem audível . O Dean_Thomas , que tinha estado sentado de boca aberta olhando para fora de a janela , saiu de o seu transe com um salto . A cabeça de Lavender_Brown saiu de os braços e o cotovelo de o Neville_Longbottom escorregou para fora de a secretária . O professor Binns piscou os olhos . - A minha matéria é História_da_Magia - disse em a sua voz seca e asmática . - Eu trato de factos , Miss_Granger , não de mitos e lendas - pigarreou produzindo um ruído que parecia o giz sobre o quadro e continuou : - Em Setembro de esse ano , uma subcomissão de feiticeiros de a Sardenha ... Parou de repente . A mão de Hermione estava de_novo em o ar . - Sim , Miss_Grant ? - Por favor , professor , as lendas não têm sempre um facto como base ? O professor Binns olhava para ela com tal espanto que Harry teve a certeza de que ele nunca , em tempo algum , fora interrompido por um aluno . - Bem - disse lentamente o professor Binns . - Sim , é uma afirmação que pode fazer se . - Olhou para Hermione como_se fosse a primeira vez que olhasse a sério para um estudante . - Contudo , a lenda de que me fala é tão extraordinária , mesmo grotesca ... Mas a aula inteira estava agora atenta a as palavras de o professor , que olhou indistintamente para todos eles . Harry poderia assegurar que ele estava absolutamente abismado por uma tão grande demonstração de interesse . - Muito bem - disse lentamente . - Ora vejamos ... a Câmara_dos_Segredos . Todos vocês sabem com certeza que Hogwarts foi fundada há mais de um_milhar de anos , não se conhece ao_certo a data , por os quatro maiores feiticeiros e feiticeiras de a época : Godric_Gryffindor , Helga_Hufflepuff , Rowena_Ravenclaw e Salazar_Slytherin . Construíram juntos este castelo , longe de os olhares curiosos de os Muggles porque em aquele tempo a magia era temida por as pessoas comuns e as bruxas e feiticeiros sofriam terríveis perseguições . Fez uma pausa , olhou indeciso em volta e prosseguiu : - Durante alguns anos , os fundadores trabalharam juntos em harmonia procurando outros mais novos que mostrassem sinais de possuir dotes mágicos e trazendo os para o castelo para aqui serem ensinados . Mas os desentendimentos surgiram entre eles . Começou a notar se uma divisão entre Slytherin e os outros . Salazar_Slytherin queria ser mais selectivo em relação a os alunos a serem admitidos em Hogwarts . Achava que os ensinamentos de magia deviam ficar dentro de as famílias de feiticeiros . Não lhe agradava a entrada em a escola de alunos de famílias Muggles porque os achava pouco dignos de confiança . Depois de algum tempo houve uma séria discussão sobre esse assunto entre Slytherin e Gryffindor e Slytherin abandonou a escola . O professor Binns fez uma nova pausa , fazendo beicinho o que o fazia parecer uma tartaruga enrugada . - Fontes fidedignas referem nos isto - disse . - Mas estes factos foram obscurecidos por a fantasiosa lenda de a Câmara_dos_Segredos . Conta a história que Slytherin construíra uma câmara oculta dentro de o castelo cuja existência os outros fundadores ignoravam . De_acordo com a lenda , Slytherin selou a Câmara_dos_Segredos para que ninguém pudesse abri a até o seu verdadeiro herdeiro chegar a a escola . O herdeiro , e apenas ele , poderia abrir a Câmara_dos_Segredos , libertar o horror que lá se encontrava e utilizá o para expurgar a escola de todos aqueles que eram indignos de aprender magia . Houve um silêncio quando ele se calou que não era o habitual silêncio de sono de as aulas de o professor Binns . Havia um desassossego em o ar enquanto todos continuavam a olhá o a a espera de mais . O professor Binns estava ligeiramente aborrecido . - A história toda é um disparate , claro - disse ele . - A escola foi revistada por várias vezes em busca de provas de a existência de essa câmara , por os feiticeiros e bruxas mais conhecedores . Não existe nada . Uma lenda que serviu apenas para assustar os ingénuos . A mão de Hermione estava novamente em o ar . - Professor , o que quer_dizer , ao_certo com « o horror que estava dentro de a câmara » ? - Acredita se que seja uma espécie de monstro que só o herdeiro de Slytherin pode controlar - disse o professor Binns em a sua voz seca e débil . A aula trocou entre si olhares inquietos . - Como vos digo , a coisa não existe - afirmou o professor Binns , desordenando as suas notas . - Não há câmara e não há monstro . - Mas , professor - disse Seamus_Finnigan . - Se a câmara só podia ser aberta por o herdeiro de Slytherin ninguém mais poderia encontrá a . Não é ? - Um disparate pegado - disse o professor Binns , em um tom de voz exasperado . - Se uma longa sucessão de directores e directoras de Hogwarts não a encontraram ... - Mas , professor - começou a dizer Parvati_Patil . Se_calhar é preciso usar magia negra para a abrir ... - Lá porque um feiticeiro não usa magia negra não quer_dizer que não possa , Miss_Pennyfeather - interrompeu o professor Binns . - Repito , se os antecessores de Dumbledore ... - Mas talvez seja preciso fazer parte de os Slytherin , por isso Dumbledore não podia ... - começou Dean_Thomas , mas o professor Binns já estava farto . - Já chega - disse , de modo cortante . - É um mito . Não existe . Não há uma única prova de que Slytherin tenha construído nem mesmo uma despensa para vassouras . Lamento ter vos contado esta história tola . Vamos voltar , se fazem o favor , a a História , a os factos sólidos , verificáveis , credíveis . E em menos_de cinco minutos toda_a classe mergulhara em a sua sonolência habitual . - Eu sempre ouvi dizer que Salazar_Slytherin era um velho retorcido e meio pateta - disse Ron_a_Harry e Hermione enquanto abriam caminho por os corredores cheios , em o final de a aula , para ir arrumar as malas antes de o jantar . - Mas não sabia que ele tinha começado esta coisa de o sangue puro . Eu não ia para os Slytherin nem que me pagassem . Se o chapéu seleccionador me tivesse posto lá , pegava em as malas e ia me embora ... Hermione acenou vivamente , mas Harry não abriu a boca . O estômago parecia ter dado uma volta . Harry nunca contara a o Ron e a a Hermione que o chapéu seleccionador tinha considerado seriamente a possibilidade de o colocar em os Slytherin . Lembrava se como_se tivesse sido em a véspera do_que a vozinha lhe dissera a o ouvido quando pôs o chapéu em a cabeça , um ano antes . * _ Podias vir a ser grande , sabes ? Está tudo aqui em a tua cabeça e Slytherin ajudaria te em o caminho para a grandeza , sem a menor dúvida * ... Mas Harry , que já ouvira falar de a fama de o grupo de os Slytherin de formar magos negros , pensou desesperadamente . - Em os Slytherin , não ! - E o chapéu tinha dito . - Bem , se tens assim tanta certeza ... será melhor os Gryfffndor . Enquanto eram empurrados por a multidão , Colin_Creevey passou por eles . - Olá , Harry ! - Olá , Colin - disse Harry automaticamente . - Harry , Harry , um rapaz de a minha turma tem andado a dizer que tu és ... Mas Colin era tão baixinho que não conseguiu lutar contra a maré de gente que o arrastou até a o vestíbulo . Ouviram o despedir se : - Adeus , Harry - e desaparecer . - O que é_que o rapaz de a turma de ele disse de ti ? - quis saber Hermione . - Que eu sou o herdeiro de Slytherin , imagino - disse Harry , com o estômago ainda a as voltas e lembrou se de repente de o Justin_Finch - _ Fletchley a fugir para não lhe falar , a a hora de o almoço . - As pessoas aqui acreditam em tudo - disse o Ron com repugnância . A multidão diminuiu e conseguiram subir as escadas sem dificuldade . - Achas mesmo_que existe uma Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Ron_a_Hermione . - Não sei - respondeu ela , franzindo a testa . - Dumbledore não conseguiu curar Mrs._Norris e isso leva me a pensar que o que a atacou pode não ser ... humano . Enquanto falava , voltaram uma esquina e encontraram se em o fim de aquele mesmo corredor onde o ataque tinha ocorrido . Pararam para olhar . Estava tudo igual a aquela outra noite , com excepção de a gata Mrs._Norris e havia uma cadeira vazia encostada a a parede , onde podia ler se a mensagem « : __ a câmara foi __ aberta » . - Foi aqui que o Filch montou a guarda - murmurou Ron . Olharam uns para os outros . O corredor estava deserto . - Não deve fazer mal dar uma olhadela aqui - disse Harry , deixando cair a mala e pondo se de quatro para poder gatinhar em busca de pistas . - Marcas de queimadura - disse - aqui e aqui ... - Venham ver isto ! - chamou Hermione . - Que estranho ... Harry levantou se e foi até a a janela que ficava junto de a mensagem . Hermione apontava para o vidro mais alto , onde cerca de uma vintena de aranhas se debatiam em uma aparente luta por atravessar por uma pequena brecha de vidro . Um longo fio prateado balouçava como uma corda , como_se todas tivessem trepado , em a ânsia de chegar lá fora . - Alguma vez viram aranhas agir assim ? - perguntou Hermione , curiosa . - Não - respondeu Harry . - E tu , Ron ? Ron ? Olhou por cima de o ombro . Ron estava de costas , bem lá atrás e parecia lutar contra o impulso de se virar . - O que é_que se passa ? - perguntou Harry . - Eu não gosto de aranhas - disse Ron , de modo tenso . - Nunca me tinhas dito - comentou Hermione , olhando para ele com surpresa . - Estás farto de usar aranhas em as poções ... - Não me importo quando estão mortas - explicou Ron que olhava cautelosamente para todos os lados , menos para a janela . - Não gosto de a maneira como_se mexem . Hermione riu se baixinho . - Não tem graça nenhuma - disse o Ron , furioso . - Se queres saber , quando eu tinha três anos , o Fred transformou o meu ursinho de pelúcia em uma enorme aranha nojenta , por eu lhe ter partido a vassoura de brinquedo . Tu também não gostarias de aranhas se estivesses agarrada a o teu ursinho e , de repente , ele tivesse uma data de pernas e ... Começou a tremer ... Hermione ainda estava a tentar conter o riso . Sentindo que era melhor mudarem de assunto , Harry perguntou : - Lembram se de a água que havia aqui em o chão ? De onde terá vindo ? Alguém a limpou . - Era por aqui - disse o Ron , já recuperado , avançando alguns passos em direcção a a cadeira de o Filch e apontando . - Junto de esta porta . Estendeu a mão para o puxador de a porta , mas retirou a de imediato , como_se se tivesse queimado . - O que foi ? - perguntou Harry . - Não posso entrar aí - disse o Ron bruscamente . - É a casa_de_banho de as raparigas . - Oh , Ron , não está aí ninguém - sossegou o Hermione enquanto se aproximava . - É o lugar de a Murta_Queixosa . Anda , vamos dar uma espreitadela . E ignorando o grande letreiro que dizia « Fora de serviço » Hermione abriu a porta . Era a casa_de_banho mais sombria e deprimente em que Harry tinha posto os pés durante toda_a sua vida . Debaixo_de um grande espelho partido e sujo podia ver se uma fila de lavatórios de pedra , rachados . O chão estava húmido e reflectia a luz fraca de os pavios de algumas velas que ardiam baixinho em os suportes . As portas de madeira de os cubículos estavam todas lascadas e riscadas e uma de elas balouçava fora de as dobradiças . Hermione levou os dedos a os lábios e foi até a o último cubículo . Quando lá chegou disse : - Olá , Murta , como estás ? Harry e Ron foram ver . A Murta_Queixosa flutuava em a cisterna de a casa_de_banho , tirando um ponto negro de o queixo . - Esta é a casa_de_banho de as raparigas - disse a o ver o Ron e o Harry . - Eles não são raparigas . - Não - concordou Hermione . - Eu só queria mostrar lhes como esta casa_de_banho é ... er ... simpática . Ela fez um aceno vago a o velho espelho sujo e a o chão húmido . - Pergunta lhe se viu alguma coisa - sussurrou o Ron a a Hermione . - Porque estão a dizer segredinhos ? - perguntou a Murta , fitando o . - Não é nada - disse Harry rapidamente . - Queríamos perguntar ... - Gostava que as pessoas parassem de falar em as minhas costas ! - desabafou a Murta em uma voz abafada por as lágrimas . - Eu tenho sentimentos , sabem , apesar_de estar morta . - Murta , ninguém quis aborrecer te - explicou Hermione . - O Harry só ... - A minha vida foi uma infelicidade em este lugar e agora as pessoas vêm estragar a minha morte . - Nós queríamos perguntar te se tinhas visto alguma coisa estranha ultimamente - disse Hermione sem perder tempo . - Porque foi atacada uma gata mesmo aqui a a frente de a tua porta em a noite de o * _ Hallowe'en * . - Viste alguém aqui perto em essa noite ? - insistiu Harry . - Não estava a prestar atenção - disse a Murta com ar dramático . - O Peeves aborreceu me tanto que vim aqui para tentar matar me . Só então me lembrei de que estou ... de que estou ... - Já morta - ajudou o Ron . A Murta soluçou tragicamente , elevou se em o ar , voltou se e mergulhou de cabeça em a sanita , espalhando água por_cima_de todos eles e desaparecendo . Por o som de os seus soluços abafados fora certamente descansar algures em o cano em forma de V._Harry e Ron ficaram de boca aberta , mas Hermione encolheu os ombros de cansaço e disse : - Se querem saber , para a Murta isto até foi alegre ... vá , vamos embora . Harry tinha acabado de fechar a porta deixando atrás os soluços gorgolejantes de a Murta quando uma voz forte o fez dar um salto . - RON ! Percy_Weasley estava parado em o cimo de as escadas com o seu distintivo de prefeito a brilhar e uma expressão chocadíssima em o rosto . - Isso é a casa_de_banho de as raparigas ... o que é_que vocês ... ? - Estávamos só a dar uma vista de olhos - exclamou o Ron - a a procura de pistas ... Percy engoliu em seco , de uma maneira que fez Harry lembrar se de Mrs._Weasley . - Saiam imediatamente de aqui - disse , aproximando se de eles a passos largos e gesticulando agitadamente . - Não se preocupam com as aparências ? Voltar aqui enquanto toda_a_gente está a jantar ... - Porque não havíamos de estar aqui ? - perguntou cheio de vivacidade o Ron , parando de repente e olhando Percy em os olhos . - Ouve lá , nós não tocamos em aquela gata . - Isso foi o que eu tentei explicar a a Ginny - respondeu Percy furioso - mas ela parece continuar a pensar que vocês vão ser expulsos . Nunca a vi tão aflita . Não pára de chorar . Devias pensar em ela . Todos os alunos de o primeiro ano andam superexcitados com esta história . - Tu não estás nada preocupado com a Ginny - disse o Ron já com as orelhas vermelhas . - O que te assusta é_que eu possa estragar as tuas possibilidades de ser chefe de turma . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor ! - bradou Percy , apontando elegantemente para o distintivo de prefeito . - E espero que te sirva de lição . Acabou se o trabalho de detective ou escrevo a a mãe a contar lhe . E voltou lhes as costas , a nuca tão vermelha como as orelhas de o Ron . Harry , Ron e Hermione , em essa noite , sentaram se em a sala comum o mais longe possível de Percy . Ron estava ainda muito maldisposto e não parava de esborratar o trabalho de casa de os encantamentos . Quando pegou distraidamente em a varinha para tirar as manchas incendiou o pergaminho . A deitar quase tanto fumo como o seu trabalho de casa , fechou bruscamente o * _ Livro_Padrão_de_Encantamentos de o 2.o Grau * . Para grande surpresa de Harry , Hermione fez o mesmo . - Mas quem poderia ser - perguntou ela baixinho como_se continuasse uma conversa que tinham acabado de ter . - Quem quereria todos os * busca-pés * e filhos de Muggles fora de Hogwarts ? - Vamos pensar - disse o Ron em a brincadeira , fingindo estar confuso . - Quem poderemos nós conhecer que ache que os familiares de Muggles são escumalha ? Olhou para Hermione . Ela olhou para ele pouco convencida . - Se estás a pensar em o Malfoy ... - Claro que estou - disse o Ron . - Tu ouviste o dizer : - Vocês serão os próximos , sangues de lama ! - Aliás , basta olhar para aquela cara de renegado para saber que ele é ... - Malfoy , o herdeiro de Slytherin ? - repetiu Hermione cepticamente . - Olha para a família de ele - disse Harry , fechando também os livros . - Todos eles estiveram em os Slytherin . O Draco está sempre a vangloriar se de isso . Podiam bem ser descendentes de Slytherin . O pai de ele é suficientemente mau . - Podiam perfeitamente ter tido a chave de a Câmara_dos_Segredos durante séculos - disse Ron - , fazendo a passar de pai para filho . - Bem - acedeu Hermione cautelosamente . - Seria possível ... - Mas como prová o ? - perguntou Harry tristemente . - Talvez haja um meio - sugeriu Hermione lentamente , baixando ainda mais a voz e lançando um olhar , através de a sala , a Percy . - É claro que não é fácil . E é perigoso , muito perigoso . Suponho que iríamos infringir cerca de cinquenta regras de a escola . - Se de aqui a um mês ou dois te decidires a explicar , avisa , está bem ? - disse Ron , que começava a ficar irritado . - Está bem - concordou Hermione friamente . - O que precisaríamos de fazer para entrar em a sala comum de os Slytherin e fazer algumas perguntas a o Malfoy , sem ele perceber que éramos nós ? - Mas isso é impossível - declarou Harry , enquanto Ron se ria . - Não , não é - continuou Hermione . - Só precisamos de um_pouco de poção * polisuco * . - O que é isso ? - perguntaram ao_mesmo_tempo Ron e Harry . - O Snape falou de ela em uma aula , há poucas semanas atrás . - Achas que não temos mais o que fazer do_que ouvir o Snape ? - murmurou o Ron . - Transforma nos em outra pessoa . Pensem em isso : podíamos transformar nos em três de os Slytherin . Ninguém saberia que éramos nós . É provável que o Malfoy nos contasse alguma coisa . Aposto que ele está a gabar se , em este momento , em a sala de os Slytherin , se ao_menos pudéssemos ouvi o . - Essa coisa de o * polisuco * cheira me um bocado mal - disse o Ron , franzindo as sobrancelhas . - E se ficarmos com a forma de os três Slytherin para sempre ? - Desaparece a o fim de algum tempo - disse Hermione , gesticulando impacientemente com a mão - mas conseguir a receita é muito difícil . O Snape disse que vinha em um livro chamado * _ As_Mais_Potentes_Poções * e está com certeza em a parte de os reservados de a biblioteca . Só havia uma maneira de obter o livro de os reservados : era com uma autorização assinada por um professor . - Não estou a ver porque quereríamos o livro - disse o Ron . - Se não para tentar fabricar uma de as poções . - Eu acho - sugeriu Hermione - que se fizéssemos parecer que o nosso interesse era apenas teórico , talvez conseguíssemos ... - Estás a sonhar , nenhum professor ia cair em essa - afirmou o Ron . - Só se fosse muito burro . X_A * bludger * perigosa Depois de o desastroso incidente de os duendes , o professor Lockhart não voltou a levar seres vivos para as aulas . Em vez de isso , lia a os alunos passagens de os seus livros e , por vezes , voltava a desempenhar alguns de os episódios mais dramáticos . Costumava chamar Harry para o ajudar em essas reconstruções . Até ali Harry fora obrigado a desempenhar o papel de um camponês de a Transilvânia que Lockhart curara de uma maldição murmurada , o abominável homem de as neves com dores de cabeça e um vampiro que depois de ter conhecido Lockhart tinha ficado incapaz de comer outra coisa que não fosse alfaces . Harry foi chamado para a frente de a classe durante a aula de Defesa contra as artes negras que se seguiu . Desta_vez para desempenhar o papel de um lobisomem . Se não tivesse um bom motivo para querer ver o Lockhart bem-disposto , teria se recusado . - Um uivo bem alto , excelente , Harry , isso mesmo . E foi então que , acreditem ou não , eu o ataquei de repente , assim . Atirei o a o chão , agarrei o com uma mão e com a outra consegui meter lhe a varinha em a garganta . Então , com a força que me restava pus em prática o complicadíssimo encantamento * _ Homorphus * . Harry soltou um uivo tristíssimo . - Vá lá , Harry , mais alto . Bom ... o pêlo desapareceu , os dentes diminuíram de tamanho e ele transformou se em um homem . Simples , mas eficaz e mais uma cidade ficará a lembrar se de mim para sempre como o herói que os libertou de os ataques mensais de o lobisomem . A campainha tocou e Lockhart pôs se de pé . - Trabalho para_casa : escrever um poema sobre a minha vitória sobre o lobisomem Wagga_Wagga . Há um exemplar autografado de * _ Eu , o Mágico * para o autor de o melhor poema . Os alunos começaram a sair . Harry voltou para trás e foi juntar se a o Ron e a a Hermione que estavam a a espera de ele . - Prontos ? - perguntou . - Espera até saírem todos - disse Hermione bastante nervosa . - Pronto ... Aproximou se de a secretária de Lockhart , apertando em a mão uma folha de papel , com o Ron e o Harry atrás . - Er ... professor Lockhart - gaguejou Hermione . - Eu queria requisitar este livro em a biblioteca , como leitura de apoio - entregou lhe o papel , com a mão ligeiramente trémula . - Só que faz parte de a secção de os reservados , por isso preciso de a assinatura de um professor . Acho que o livro me vai ajudar a compreender o que o senhor diz em * _ Passeios com Vampiros * acerca de os venenos de acção lenta ... - Ah , * _ Passeando com Vampiros * - disse Lockhart , pegando em a folha de papel de Hermione e sorrindo lhe abertamente . - E provavelmente o meu livro preferido . Gostou ? - Oh , muito - disse Hermione avidamente . - Tão inteligente o modo como apanhou o último com o passador de o chá . - Bem , tenho a certeza que ninguém se importará que eu dê uma ajudazinha suplementar a a melhor aluna de o segundo ano - disse Lockhart calorosamente , sacando de uma enorme pena de pavão . - É bonita , não é ? - comentou , adivinhando uma expressão de repulsa em a cara de o Ron . - Costumo guardas a para as minhas assinaturas de autógrafos . Rabiscou uma enorme assinatura cheia de altos e baixos e entregou a a Hermione . - Então , Harry - disse Lockhart enquanto Hermione dobrava a folha e a guardava em o saco . - Amanhã é a primeira partida de Quidditch de este ano , não é ? Gryffindor contra Slytherin . Ouvi dizer que és um jogador indispensável . Eu também fui * seeker * . Convidaram me inclusivamente para fazer parte de a Equipa_Nacional , mas eu preferi dedicar a minha vida a a erradicação de as forças de o mal . Mesmo_assim , se alguma vez precisares de um treino particular , não hesites em falar comigo , estou sempre disponível para partilhar a minha perícia com os jogadores menos dotados do_que eu . Harry fez um som indistinto com a garganta e saiu atrás_de Ron e Hermione . - Não acredito - disse quando os três examinavam a assinatura de Lockhart . - Ele nem viu que livro nós queríamos . - É porque é um idiota sem miolos - explicou o Ron . - Mas , quem se rala , temos o que queríamos . - Ele não é um idiota sem miolos - gritou Hermione com voz esganiçada enquanto se aproximavam quase a correr de a biblioteca . - Só porque ele disse que eras a melhor aluna de o segundo ano ... Baixaram as vozes a o entrar em a quietude abafada de a biblioteca . Madam_Prince , a bibliotecária , era uma mulher magra e irritável que parecia um abutre mal nutrido . - * _ Moste_Potente_Potions * ? - repetiu intrigada , tentando ficar com a folha de papel que Hermione se recusava a entregar lhe . - Gostava de a guardar para mim - disse sem fôlego . - Vá lá - intercedeu Ron , arrancando lhe a de as mãos e entregando a a Madam_Prince . - Nós arranjamos te outro autógrafo . O Lockhart assina tudo se aqui ficar muito_tempo . Madam_Prince pegou em o papel e voltou o em a direcção de a luz , decidida a descobrir uma falsificação , mas a assinatura passou em o teste . Desapareceu entre as estantes e voltou alguns minutos mais tarde , transportando um livro grande e de aspecto antiquado . Hermione meteu o com todo o cuidado em o saco e saíram , tentando não andar depressa de mais nem aparentar um ar culpado . Cinco minutos depois , estavam de_novo barricados em a casa_de_banho fora de serviço de a Murta_Queixosa . Hermione destruíra as objecções de Ron argumentando que aquele era o último lugar onde alguém em o seu juízo perfeito se lembraria de ir e que poderia assegurar lhes alguma privacidade . A Murta_Queixosa chorava ruidosamente em o seu cubículo , mas eles conseguiram ignorá a assim_como ela a eles . Hermione abriu * _ Moste_Potente_Potions * com todo o cuidado e inclinaram se os três sobre as páginas manchadas de humidade . Era fácil de perceber , logo à_primeira_vista de olhos , porque pertencia a a secção de os reservados . Algumas de as poções tinham efeitos quase impensáveis de tão macabros e havia ilustrações bastante desagradáveis , como , por_exemplo , aquela em que um homem parecia ter sido virado de o avesso e a de a bruxa com vários pares de braços suplementares a nascerem lhe em a cabeça . - Aqui está - disse Hermione excitadíssima a o encontrar a página intitulada « A poção * polisuco * « . Estava ilustrada com imagens de pessoas a meio de o processo de se transformarem em outras pessoas e Harry desejou ardentemente que a expressão de dor intensa que se lhes espelhava em o rosto fosse apenas produto de a imaginação de o artista desenhador . - Esta é a poção mais complicada que vi até hoje - disse Hermione enquanto examinava a receita . - Moscas asas de renda , sanguessugas , fluxo de cizânias e verdezelha - murmurou , acompanhando com o dedo a lista de ingredientes . - Bem , esses são relativamente simples , há os em a despensa de material de os estudantes , podemos tirar a a nossa vontade . Oh ! Vê só , pó de chifre de bicórneo ... não sei onde vamos arranjar isto ... e , é claro , um pedacinho de a pessoa em quem queremos transformar nos . - Como ? - perguntou Ron de forma cortante . - O que é_que queres dizer com um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos ? Eu não bebo nada que tenha lá dentro as unhas de os pés de o Crabbe ... Hermione continuou como_se não o tivesse ouvido . - Mas não temos que nos preocupar com isso por enquanto . Fica para o fim . Ron voltou se sem palavras para o Harry que tinha uma preocupação de outro tipo . - Já viste bem tudo_o_que vamos ter que roubar , Hermione ? Algumas coisas , não estão de certeza em a despensa de material de os alunos . O que é_que vamos fazer , arrombar os armários pessoais de o Snape ? Não sei se será uma boa ideia ... Hermione fechou o livro com um estrondo . - Bem , se vocês os dois se vão acagaçar , então está lindo - disse ela . Tinha as bochechas rosadas e os olhos mais brilhantes do_que era habitual . - Eu não gosto de quebrar regras , vocês sabem , mas acho que ameaçar os filhos de os Muggles é muito pior do_que construir uma poção difícil . Mas se vocês não querem descobrir se é o Malfoy , eu posso voltar já a a biblioteca e entregar o livro a Madam_Prince ... - Nunca pensei que chegaria o dia em que serias tu a convencer nos a quebrar regras - disse o Ron . - Está bem , vamos em essa , mas sem unhas de os pés , O. _ K. ? - Quanto tempo vai isso demorar a fazer , afinal ? - perguntou Harry quando Hermione , já com um ar mais satisfeito , voltou a abrir o livro . - Bem , como o fluxo de cizânias tem de ser recolhido durante a lua cheia e as asas de renda têm de ser abafadas durante vinte_e_um dias ... eu diria que se conseguirmos arranjar todos os ingredientes estará pronta dentro_de um mês . - Um mês ? - exclamou o Ron . - Nessa_altura já o Malfoy terá atacado metade de os filhos de Muggles ! - mas os olhos de Hermione contraíram se de_novo assustadoramente e ele acrescentou rapidamente . - Mas é o melhor plano que temos , por isso é melhor não olharmos para trás . Apesar_de tudo , enquanto Hermione verificava que não havia ninguém em os corredores e podiam sair de a casa_de_banho , Ron murmurou a Harry : - Seria muito mais simples se conseguisses , amanhã , atirar o Malfoy de a vassoura abaixo . Harry acordou cedo em o sábado de manhã e ficou um bocado a pensar em a partida de Quidditch que vinha a seguir . Estava nervoso , principalmente pelo que Wood diria se os Gryffindor perdessem , mas também com a ideia de enfrentar uma equipa apetrechada com as vassouras mais velozes que existiam . Nunca desejara tanto vencer os Slytherin como em aquele dia . Depois de meia_hora deitado com a barriga a dar horas , resolveu levantar se , vestir se e descer para tomar o pequeno-almoço . Lá em baixo , encontrou o resto de a equipa de os Gryffindor amontoada a o longo de a mesa comprida e vazia , todos eles com ar preocupado e sem vontade de conversar . Como_se aproximavam as onze horas , todos os alunos de a escola começaram a dirigir se para o estádio de Quidditch . O dia estava quente e húmido , com uma ameaça de trovoada em o ar . Ron e Hermione vieram apressadamente desejar a Harry boa sorte mal ele entrou em os vestiários . A equipa de os Gryffindor pôs os seus mantos vermelhos e sentou se para ouvir o discurso que Wood lhes fazia sempre antes de o jogo . - Os Slytherin têm vassouras melhores do_que nós - começou . - Não há como negá o . Mas nós temos gente melhor em cima de as vassouras . Treinámos mais do_que eles , voamos com todas_as condições climatéricas ( É bem verdade - murmurou George_Weasley - desde Agosto que não sei o que é estar seco ) . - E vamos fazê os engolir o dia em que deixaram aquele nojento de o Malfoy comprar a entrada em a equipa de eles . Com o peito agitado por a comoção , Wood voltou se par Harry . -- Cabe te a ti , Harry , mostrar lhes que um * seeker * tem de ter mais do_que um pai rico . Agarra a * snitch * antes d Malfoy ou morre a tentar porque temos absolutamente que vencer , hoje , Harry , temos que vencer . - Sem ansiedade , Harry - disse o Fred , piscando lhe o olho . Quando saíram em direcção a o campo , foram saudado por uma grande ovação principalmente de a parte de os Ravenclaw e de os Hufflepuff que estavam ansiosos por ver os Slytherin serem derrotados , mas os Slytherin que estavam entre a multidão também fizeram ouvir as suas vaias e pateadas . Madam_Hooch , a professora de Quidditch , pediu a Flin e Wood que apertassem as mãos o que eles fizeram , lançando um_ao_outro olhares ameaçadores , cada_um apertando a mão de o outro com mais força do_que aquela que seria necessário . - Atenção a o apito - disse Madam_Hooch . - Três , dois , um ... Com um bramido de a multidão para que subissem rapidamente , os catorze jogadores elevaram se em o céu cor de chumbo . Harry , mais alto do_que qualquer de os outros olhando para todos os lados em busca de a * snitch * . - Tudo bem , testa de cicatriz ? - gritou Malfoy , disparando por baixo de ele para lhe mostrar a velocidade de a sua vassoura . Harry não teve tempo de responder . Em esse preciso momento uma * bludger * preta e bem pesada veio direitinha a ele . Evitou a tão por um triz que ainda sentiu em os cabelos o ar que ela deslocara . - Foi por_pouco , Harry ! - exclamou o George , passando com grande rapidez , de bastão em a mão , pronto para lançar a * bludger * contra um Slytherin . Harry viu o dar a a * bludger * uma fortíssima pancada em direcção a Adrian_Pucey , mas a bola mudou de rumo em o meio de o ar e dirigiu se de_novo a Harry . Harry desceu rapidamente para se esquivar e George conseguiu lançá a contra Malfoy . Mais_uma_vez a * bludger * actuou como um * boomerang * e apontou a a cabeça de Harry . Harry ganhou velocidade e disparou contra o outro extremo de o campo . Ouvia o assobio de a * bludger * que o perseguia . O que era aquilo ? As * bludgers * nunca se concentravam assim em um único jogador , a sua função era tentar desmontar o maior número possível de intervenientes . Fred_Weasley esperava por a * bludger * em o extremo oposto . Harry baixou se quando o viu balançar se em frente de ela com toda_a garra . A * bludger * foi lançada para_fora_de campo . - Pronto , já está tudo resolvido - gritou Fred satisfeito , mas estava bastante enganado . Como_se fosse magneticamente atraída para Harry , a * bludger * lançou se de_novo contra ele e Harry teve de voar a_toda_a velocidade . Começara a chover . Harry sentia as gotas pesadas caírem lhe em o rosto , turvando lhe as lentes de os óculos . Não fazia ideia do_que se passava em o resto de o jogo , até ouvir Lee_Jordan que fazia o comentário dizer : - Os Slytherin vão a a frente com seis contra zero . As vassouras de qualidade superior de os Slytherin estavam obviamente a cumprir a sua função e enquanto isso , a * bludger * maluca fazia todos os possíveis para deitar abaixo o Harry . Fred e George voavam agora tão perto de ele , um de cada lado , que Harry não via senão os seus braços a balouçar e , se não conseguia ver a * snitch * , muito menos agarrá a . - Alguém enfeitiçou esta * bludger * - resmungou Fred , preparando o bastão com toda_a força quando ela se lançava de_novo contra Harry . - Precisamos de tempo - disse George , tentando fazer sinal a Wood enquanto evitava que a bola partisse o nariz a o Harry . Wood captou obviamente a mensagem . O apito de Madam_Hooch fez se ouvir e Harry , Fred e George desceram , tentando ainda evitar a * bludger * maluca . - O que é_que se passa ? - perguntou Wood enquanto a equipa de os Gryffindor se amontoava desordenadamente e os Slytherin , em o meio de a multidão , lançavam piadas . - Estamos a ser esmagados . Fred , George , onde estavam vocês quando aquela * bludger * impediu a Angelina de marcar ? - Estávamos seis metros acima , evitando que a outra * bludger * matasse o Harry , Oliver - gritou George furioso . - Alguém preparou isto , a bola não deixa o Harry em paz , ainda não perseguiu mais ninguém desde_que o jogo começou . Os Slytherin fizeram aqui qualquer coisa . - Mas as * bludgers * têm estado fechadas em o escritório de Madam_Hooch desde o último treino , e nessa_altura estava tudo bem ... - disse Wood ansiosamente . Madam_Hooch aproximava se . Por cima de o ombro de ela , Harry pôde ver a equipa de os Slytherin a escarnecer e apontar em a sua direcção . - Ouçam - disse o Harry , enquanto ela se aproximava . - Com vocês os dois a voarem sempre colados a mim , só vou apanhar a * snitch * se ela voar até a a minha manga . Voltem se para o resto de a equipa e deixem a tratante comigo . - Não sejas bronco - disse o Fred . - Ela arranca te a cabeça . Os olhos de Wood saltavam de Harry_para_os_Weasley . - Oliver , isto_é uma loucura - disse Alicia_Spinet , zangada . - Não podes deixar o Harry sozinho entregue a aquela coisa . Vamos pedir uma investigação . - Se pararmos agora , teremos de dar a partida como perdida e não vamos deixar os Slytherin ganhar , só por_causa_de uma * bludger * maluca . Vá lá , Oliver , diz lhes que me deixem sozinho . - A culpa é toda tua . * _ Agarra a snitch ou morre a tentar * , se isso é lá coisa que se diga . Madam_Hooch tinha se lhes juntado . - Prontos para retomar a partida ? - perguntou a Wood . Wood olhou para o ar determinado de Harry . - Deixem o sozinho , ele é capaz de lidar com a * bludger * . A chuva era agora mais pesada . A o apito de Madam_Hooch , Harry elevou se em os ares e ouviu o barulhinho de a * bludger * atrás_de si . Subiu cada_vez_mais alto . Fez acrobacias em espiral , descidas rápidas , ziguezagueou e rolou . Apesar_de ligeiramente estonteado , não deixou nunca de ter os olhos bem abertos . A chuva salpicava lhe os óculos e entrava lhe por as narinas , quando ele se voltou de cabeça para baixo , evitando outra forte investida de a * bludger * . Ouviu os risos de a multidão . Sabia que devia parecer ridículo , mas a * bludger * maluca era pesada e não podia mudar de direcção tão rapidamente quanto ele . Iniciou uma corrida que parecia de feira de diversões em volta de os extremos de o estádio , olhando de soslaio , através de os lençóis prateados de chuva , para os postes de os Gryffindor , onde Adrian_Pucey tentava passar por Wood . Um assobio junto de os ouvidos disse a Harry que a * bludger * falhara uma_vez_mais . Voltou se e voou rapidamente em a direcção oposta . - Estás a ensaiar * ballet * , Potter - gritou Malfoy quando Harry foi obrigado a fazer uma reviravolta estúpida em o ar para se esquivar mais_uma_vez de a * bludger * . Lá foi ele , com a * bludger * atrás a alguns metros de distância . E foi então que , olhando para Malfoy , furioso , a viu , a * snitch * de ouro . Flutuava alguns centímetros acima de os ouvidos de Malfoy que , de tão preocupado a escarnecer de Harry , nem dera por ela . Durante um momento angustiante , Harry ficou quieto em o ar , não ousando dirigir se a Malfoy , não fosse ele olhar para_cima e ver a * snitch * . PUM ! Tinha ficado parado tempo de mais . A * bludger * batera lhe , por fim , apanhando lhe o cotovelo e Harry sentiu o braço a partir se . Debilmente , desorientado por a dor cauterizante em o braço , Harry deslizou para um de os lados em a sua vassoura encharcada , um joelho ainda dobrado , o braço direito a balouçar , inútil , a o seu lado . A * bludger * veio de_novo , preparada para mais um ataque , desta_vez apontada a o seu rosto . Harry desviou se com uma intenção : chegar a Malfoy . Através_de uma nuvem de chuva e dor desceu até a o rosto tremeluzente e trocista e viu os olhos de ele dilatarem se de medo : Malfoy pensou que Harry ia atacá o . - Que diabo ... - resmungou , afastando se de o caminho . Harry tirou a outra mão de a vassoura e fez uma tentativa para agarrar qualquer coisa . Sentiu os dedos fecharem se em volta de a * snitch * dourada , mas conduzia agora a vassoura apenas com as pernas e ouviu se um grito de a multidão cá em baixo , quando ele fez a descida , tentando não desmaiar . Com um ruído seco caiu em a terra enlameada e rolou para fora de a vassoura . O braço tinha um ângulo um_pouco estranho . Torcendo se com dores , ouviu a a distância os assobios e os gritos . Concentrou se em a * snitch * que tinha fechada em a outra mão . - Ai - disse vagamente . - Ganhámos o jogo . E desmaiou . Voltou a si com a chuva a cair lhe em o rosto , ainda deitado em o campo , com alguém inclinado sobre ele . Viu um brilho de dentes brancos . - Oh , não , você não - gemeu . - Não sabe o que diz - afirmou Lockhart bem alto a a ansiosa multidão de Gryffindor que o comprimiam . - Não te preocupes , Harry , eu vou tratar de o teu braço . - Não - gritou Harry . - Eu fico com ele assim , obrigado . Tentou sentar se , mas a dor era enorme . Ouviu um « clique » familiar . - Não quero fotografias de isto , Colin - disse em voz alta . - Deita te para trás , Harry - insistiu Lockhart com toda_a calma . - É um encantamento muito simples que eu fiz imensas vezes . - Porque não me levam só para a ala hospitalar ? - perguntou Harry entredentes . - Seria o melhor , professor - disse a voz rouca de o Wood que não conseguia deixar de sorrir , apesar_de o seu * seeker * estar ferido . - Grande captura , Harry , verdadeiramente espectacular , a tua melhor jogada , em a minha opinião . Em o meio de a floresta de pernas que o rodeava , Harry avistou Fred e George_Weasley , metendo a * budger * perigosa em uma caixa . Continuava a dar uma luta enorme . - Para trás - ordenou Lockhart , que tinha arregaçado as mangas verde jade . - Não , eu não ... - protestou debilmente Harry , mas Lockhart tinha a varinha em a mão e , um segundo depois , apontava a para o braço de Harry . Uma sensação estranha e desagradável começou em o ombro e espalhou se , chegando a as pontas de os dedos . Parecia que o braço inteiro tinha sido esvaziado . Não foi capaz de olhar para o que estava a suceder . Tinha fechado os olhos , voltado o rosto para o outro lado , mas os seus maiores receios concretizaram se quando as pessoas lá em cima se sobressaltaram e Colin_Creevey começou a tirar fotografias como um louco . O braço deixara de lhe doer , mas parecia tudo menos um braço . - Ah ! - disse Lockhart . - Sim , bem isto às_vezes acontece . Mas o importante é_que os ossos já não estão partidos . Isso é o mais importante . Portanto , Harry , vai até a a ala hospitalar ... ah ! Mr._Weasley , Miss_Granger , poderiam levá o lá ? E Madam_Pomfrey poderá ... er ... arranjar um_pouco isso . Quando Harry se pôs de pé sentiu se estranhamente desequilibrado . Depois de respirar fundo , olhou para o lado direito e o que viu quase o fez desmaiar de_novo . Pendurado em a extremidade de a sua túnica estava o que parecia ser uma espessa e colorida luva de borracha . Tentou mexer os dedos mas ... em vão . Lockhart não consertara os ossos de Harry . Retirara os . M. dam Pomfrey não ficou nada satisfeita . - Devias ter vindo logo ter comigo - ralhou , segurando os restos tristes e moles de aquilo que antes fora um braço activo . - Eu conserto ossos em um segundo , mas fazê os crescer de_novo ... - Vai conseguir , não vai ? - perguntou Harry desesperado . - Sim , com certeza , mas vai ser doloroso - disse Madam_Pomfrey de modo severo , entregando lhe um pijama . - Vais ter que ficar cá esta noite ... Hermione esperou de o lado de_fora de a cortina que rodeava outra cama enquanto Ron ajudava Harry a vestir se . Levou algum tempo a enfiar o braço que parecia borracha dentro_de uma manga de o pijama . - Como é_que podes continuar a defender o Lockhart depois disto , Hermione ? - perguntou Ron através de as cortinas , enquanto puxava os dedos moles de o Harry por uma manga . - Se o Harry quisesse ser desossado , teria pedido . - Todos podem enganar se - disse Hermione . - E deixou de doer , não deixou , Harry ? - Sim - disse ele - mas também ficou incapaz de fazer seja o que for . Quando se meteu em a cama , o braço agitou se despropositadamente . Hermione e Madam_Pomfrey entraram . Madam_Pomfrey segurava uma grande garrafa com o rótulo * Skele - _ Gro * . - Vais ter uma noite difícil - preveniu , enchendo um pequeno copo fumegante e dando lhe a beber . - Fazer crescer ossos é uma coisa difícil . Tomar o * _ Skele - _ Gro * também . Queimou a boca e a garganta de o Harry a o descer , fazendo o tossir e cuspir . Resmungando sobre os desportos perigosos e os professores incapazes , Madam_Pomfrey retirou se , deixando Ron e Hermione a ajudar Harry a engolir um_pouco de água . - Mas ganhámos o jogo - disse o Ron com um sorriso em o rosto . - A tua jogada foi em grande . A cara de o Malfoy ... parecia que queria matar alguém . - Eu vou descobrir como é_que enfeitiçaram aquela * bludger * - disse Hermione com ar sombrio . - Podemos juntar essa pergunta a a lista de todas_as que queremos fazer a o Malfoy quando tomarmos a poção * _ Polisuco * - disse Harry , afundando se de_novo em as almofadas . - Espero que tenha um sabor melhor do_que esta coisa ... - Com um bocado de os Slytherin lá dentro , deves estar a brincar - disse o Ron . A porta de a ala hospitalar abriu se em esse momento e , completamente encharcados , entraram os restantes membros de a equipa de os Gryffindor , para ver o Harry . - Um voo inacreditável - disse George . - Acabei de ver Marcus_Flint a gritar com o Malfoy . Qualquer coisa sobre ter a * snitch * mesmo em cima de a cabeça e não ter dado por nada . O Malfoy não parecia nem um_pouco satisfeito . Tinham trazido bolos , rebuçados e garrafas de sumo de abóbora . Juntaram se em volta de a cama de Harry e estavam a dar início a o que prometia ser uma grande festa quando Madam_Pomfrey entrou a vociferar : - Este rapaz precisa de repouso . Tem trinta_e_três ossos a crescer . Fora de aqui . FORA ! E Harry ficou sozinho , sem nada que o distraísse de as dores agudas em o seu braço mole . Muitas horas mais tarde , Harry acordou subitamente em a escuridão total e soltou um pequeno grito de dor : sentia agora o braço cheio de estilhaços . Durante alguns segundos pensou que tinha sido a dor a acordá o . Depois , com um arrepio de horror , apercebeu se de que alguém estava a passar lhe uma esponja em a testa . - Sai de aqui - gritou , e em seguida : - Dobby ! Os olhos de o tamanho de bolas de ténis de o elfo doméstico estavam a olhá o em o escuro , uma lágrima grossa rolava por o seu enorme nariz . - Harry_Potter voltou a a escola - murmurou , infeliz . - Dobby avisou e voltou a avisar Harry_Potter . Ah ! senhor , porque não deu ouvidos a Dobby ? Porque não voltou Harry_Potter para_casa quando perdeu o comboio ? Harry ergueu se um_pouco , encostando se a as almofadas e afastou a esponja de o elfo . - O que estás a fazer aqui ? - perguntou . - E como sabes que eu perdi o comboio ? O lábio de Dobby tremeu e Harry foi assaltado por uma dúvida . - Foste tu . Tu impediste que a barreira nos deixasse passar . - Em a verdade fui eu , senhor - disse Dobby , acenando com a cabeça e com as orelhas a abanar . - Dobby escondeu se , esperou por Harry_Potter e selou a barreira . A seguir , Dobby teve de pôr as mãos em o ferro de engomar - mostrou a o Harry dez dedos longos embrulhados em ligaduras . - Mas Dobby não se importou , senhor , porque pensou que Harry_Potter estava a salvo e nunca Dobby sonhou que mesmo_assim ele viria para a escola ! Balançava se para a frente e para trás , sacudindo a cabeça feia . - Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry_Potter tinha voltado a a escola que deixou queimar o jantar de os seus donos . Dobby nunca tivera um castigo tão grande , senhor . Harry afundou se de_novo em as almofadas . - Quase conseguiste que nos expulsassem , a mim e a o Ron - disse furioso . - É melhor desapareceres de aqui antes que os meus ossos voltem a estar bem , Dobby , ou ainda te estrangulo . O elfo sorriu . - Dobby está habituado a ameaças de morte , senhor . Dobby recebe as cinco vezes por dia em a casa onde mora . Encostou o nariz a um canto de a fronha que usava , ficando tão ridículo que Harry sentiu a raiva desvanecer se , apesar_de tudo . - Porque usas essa coisa , Dobby ? - perguntou com curiosidade . - Isto , senhor ? - disse Dobby apontando para a fronha de almofada . - É uma prova de escravatura de o elfo doméstico , senhor . Dobby só pode ser libertado se os donos lhe derem roupa , senhor . A família tem o cuidado de não dar a o Dobby nem uma peúga , senhor , porque ele poderia ficar livre e deixar a casa para sempre . Dobby limpou os olhos protuberantes e disse subitamente : - Harry_Potter deve ir para_casa . Dobby achou que a sua * bludger * seria o suficiente para o fazer ... - A tua * bludger * ? - disse Harry com a raiva a crescer novamente dentro de ele . - Que queres tu dizer com a tua bludger * ? Foste tu quem fez com que aquela bola tentasse matar me ? - Matar não , senhor . Matar , nunca ! - disse o elho chocado . - Dobby quer salvar a vida de Harry_Potter . É melhor ir para_casa ferido do_que ficar aqui , senhor . Dobby só queria Harry_Potter suficientemente ferido para voltar para_casa . - Só isso ? - disse Harry furioso . - Imagino que não vais dizer me porque querias mandar me para_casa a os bocados ? - Ah ! se Harry_Potter soubesse ! - gemeu Dobby , com mais lágrimas a escorrerem lhe por a fronha esfarrapada . - Se pudesse saber o que significa para nós , para os humildes , os escravizados , nós , a escória social de o mundo mágico ! Dobby lembra se de como eram as coisas quando Aquele cujo nome não deve ser pronunciado estava em o auge de o poder , senhor ! Nós , os elfos domésticos éramos tratados como animais , senhor ! É claro que Dobby ainda é tratado assim - admitiu , secando o rosto em a fronha de almofada . - Mas , em a sua maioria , a vida melhorou bastante para os de a minha espécie desde_que Harry_Potter triunfou sobre Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Harry_Potter sobreviveu e o poder de os senhores de o Mal foi quebrado e veio uma nova alvorada , senhor , e Harry_Potter brilhou como um farol de esperança para aqueles de entre nós que já pensavam que a longa noite nunca mais teria fim , senhor ... e agora em Hogwarts vão acontecer coisas terríveis , talvez já esteiam a acontecer e Dobby não pode deixar Harry_Potter ficar aqui , agora_que a história vai repetir se , agora_que a Câmara_dos_Segredos está de_novo aberta . Dobby calou se horrorizado . Em seguida agarrou em o jarro de a água que Harry tinha a a cabeceira e bateu com ele em a própria cabeça , deixando se cair . Um segundo mais tarde voltou até junto de a cama , repetindo : - Mau , Dobby , muito mau , Dobby . - Quer_dizer , então , que existe mesmo a Câmara_dos_Segredos ? - murmurou Harry . - E dizes tu que já antes foi aberta ? Conta me , Dobby . Agarrou o pulso ossudo de o elfo quando a mão de ele se estendia para o jarro de a água . - Mas eu não sou filho de Muggles . Como posso estar em perigo por causa de a Câmara_dos_Segredos ? - Ah ! senhor , não pergunte a o pobre Dobby - lamentou se o elfo com os olhos enormes a brilharem em o escuro . - As forças de as trevas estão projectadas em este lugar , mas Harry_Potter não deve estar aqui quando as coisas acontecerem . Vá para_casa , Harry_Potter , vá para_casa . Harry_Potter não deve envolver se em isto , senhor , é demasiado perigoso ... - Quem é , Dobby ? - perguntou Harry , continuando a agarrar lhe o pulso com forca , impedindo que batesse de_novo em si próprio com o jarro . - Quem abriu a amara ? Quem a abriu de a última vez ? - Dobby não pode , senhor . Dobby não pode . Dobby não deve dizer - guinchou o elfo . - Vá se embora , Harry_Potter , vá se embora ! - Eu não vou para lugar nenhum - disse Harry , furioso . - Uma de as minhas melhores amigas é filha de Muggles , está em perigo se a câmara foi , de facto , aberta ... - Harry_Potter arrisca a própria vida por os amigos - gemeu Dobby em uma espécie de êxtase infeliz . - Tão nobre , tão corajoso , mas deve salvar se , Harry_Potter não deve ... Dobby calou se de repente com as orelhas de morcego a estremecerem . Harry também ouviu os passos que vinham lá fora , de o corredor . - Dobby tem de ir - balbuciou o elfo apavorado . Ouviu se um ruído e o pulso de Harry ficou subitamente fechado em o ar . Meteu se de_novo para baixo , em a cama , com os olhos fixos em a porta escura que dava entrada em a ala hospitalar enquanto os passos se aproximavam . Em o momento seguinte , Dumbledore estava a entrar , de costas , em o dormitório , vestindo uma longa túnica de lã e uma capa de noite . Transportava um extremo de aquilo que parecia ser uma estátua . A professora Mc_Gonagall surgiu um segundo mais tarde , pegando lhe em os pés . Os dois colocaram a em uma cama . - Chame Madam_Pomfrey - murmurou Dumbledore e a professora Mc_Gonagall passou por a cama de Harry , apressadamente , e desapareceu . Harry deixou se ficar muito quieto como_se estivesse a dormir . Ouviu vozes ansiosas e por fim a professora Mc_Gonagall apareceu de_novo , seguida de Madam_Pomfrey que vestia um casaco curto de lã sobre a camisa de dormir . Ouviu uma inspiração aguda . - O que aconteceu ? - murmurou Madam_Pomfrey_a_Dumbledore , inclinando se sobre a estátua que estava em a cama . - Outro ataque - disse Dumbledore . - A Minerva encontrou o em as escadas . Havia um cacho de uvas junto de ele . Acho que estava a tentar esgueirar se até aqui para vir visitar o Potter . O estômago de Harry deu uma reviravolta . Lenta e cuidadosamente ergueu se alguns centímetros para poder ver a estátua que estava sobre a cama . Um raio de luar iluminou lhe o rosto estático . Era_Colin_Creevey . Tinha os olhos abertos , e as mãos , em frente de a cara , seguravam a máquina fotográfica . -- Petrificado ? - murmurou Madam_Pomfrey . - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - Mas estou tentada a acreditar que ... se Albus não tivesse vindo cá abaixo tomar um chocolate quente ... quem sabe o que teria ... Os três olharam para Colin . Dumbledore inclinou se e retirou lhe a máquina de as mãos rígidas . - Será que ele conseguiu tirar a fotografia de o agressor ? - perguntou ansiosa a professora Mc_Gonagall . Dumbledore não respondeu . Abriu a parte detrás de a máquina . - Cruzes canhoto - disse Madam_Pomfrey . Um jacto de vapor tinha feito fervilhar a máquina . Harry , a três metros de distância , sentiu o cheiro tóxico de o plástico queimado . - Derretido - disse Madam_Pomfrey com grande espanto . - Tudo derretido . - O que significa isto , Albus ? - perguntou cada_vez_mais nervosa a professora Mc_Gonagall . - Significa - disse Dumbledore - que a Câmara_dos_Segredos está mesmo aberta outra_vez . Madam_Pomfrey levou uma mão a a boca . A professora Mc_Gonagall olhou assustada para Dumbledore . - Mas , Albus ... com certeza ... quem ? - A questão não é quem - disse Dumbledore com os olhos fixos em Colin . - A questão é como ... E pelo que Harry conseguiu ver de o rosto indistinto de a professora Mc_Gonagall , ela não compreendeu muito mais do_que ele . XI_O clube de os duelos Quando_Harry acordou , em o domingo de manhã , a enfermaria estava iluminada por um resplandecente sol de inverno e o seu braço tinha de_novo todos os ossos , apesar_de o sentir muito rígido . Sentou se rapidamente e olhou para a cama de Colin , mas ela fora isolada com as cortinas atrás de as quais se despira em a véspera . Vendo que ele tinha acordado , Madam_Pomfrey apareceu com um tabuleiro de pequeno-almoço e a seguir começou a apalpar lhe o braço e os dedos . - Tudo em ordem - disse , enquanto ele , com a mão esquerda , comia avidamente as papas de aveia . - Quando acabares de comer podes ir te embora . Harry vestiu se o mais depressa que pôde e dirigiu se a a pressa para a torre de os Gryffindor , ansioso por contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre Colin e Dobby , mas não os encontrou lá . Foi a a procura de eles , perguntando a si próprio onde teriam ido e sentindo se um_pouco magoado por o pouco interesse que demonstravam em saber se ele tinha recuperado os ossos . Quando passou por a biblioteca , Percy_Weasley vinha a sair com bastante melhor cara do_que de a última vez que se tinham encontrado . - Olá , olá , Harry - disse . - Excelente voo o de ontem , verdadeiramente sensacional . Os Gryffindor estão a a frente para a taça de a equipa . Ganhaste cinquenta pontos . - Não viste o Ron e a Hermione por aí ? - perguntou Harry . - Não , não vi - disse Percy com o sorriso a desaparecer . - Espero que o Ron não esteja outra_vez em a casa_de_banho de as raparigas ... Harry forçou um sorriso , viu Percy desaparecer e a seguir foi direitinho até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Não via lá muito bem por_que motivo o Ron e a Hermione lá estariam de_novo , mas , depois de se assegurar de que nem Filch nem nenhum de os prefeitos estavam por perto , abriu a porta e ouviu as vozes de eles que vinham de um cubículo fechado . - Sou eu - disse , fechando a porta atrás_de si . Ouviu se dentro de o cubículo um estrondo , um chapinhar e um sobressalto e ele viu o olho de a Hermione a espreitar por o buraco de a fechadura . - Harry - disse ela . - Pregaste nos um susto de morte . Entra . Como está o teu braço ? - _ óptimo - respondeu , apertando se dentro de o cubículo . Em cima de a sanita estava encarrapitado um velho caldeirão , e um crepitar a a superfície de a água disse a Harry que eles tinham acendido um fogo lá em baixo . Fazer aparecer fogos portáteis a a prova de água era uma de as especialidades de Hermione . - _ íamos visitar te , mas resolvemos começar a preparar a poção * _ Polisuco * - explicou Ron enquanto Harry fechava outra_vez a porta de o cubículo com alguma dificuldade . - Achámos que este era o lugar mais seguro para a esconder . Harry começou a contar lhes de o Colin , mas Hermione interrompeu o . - Nós já sabemos , ouvimos a professora Mc_Gonagall contar a o professor Flitwick hoje_de_manhã . Por isso resolvemos começar a ... - Quanto_mais depressa arrancarmos uma confissão a o Malfoy , melhor - rosnou o Ron . - Sabem o que eu penso ? Ele estava tão mal-humorado depois de o jogo de Quidditch que se vingou em o Colin . - Há outra coisa - disse Harry , vendo Hermione cortar molhos de verdezelha e lançá os dentro de a poção . - O Dobby foi visitar me a meio de a noite . Ron e Hermione olharam o espantados . Harry contou lhes tudo_o_que Dobby lhe dissera ... ou não dissera . Ron e Hermione ouviram o de boca aberta . - A Câmara_dos_Segredos já tinha sido aberta antes ? - repetiu Hermione . - Encaixa perfeitamente - disse Ron , em uma voz triunfante . - O Lucius_Malfoy deve ter aberto a Câmara_dos_Segredos quando andava em a escola e agora ensinou a o querido filhinho Draco como abris a . É óbvio , que pena o Dobby não te ter dito que tipo de monstro lá se encontra . Gostava de saber como é_que ninguém o viu andar por ai em a escola . - Talvez tenha a capacidade de se tornar invisível - sugeriu Hermione , picando sanguessugas para dentro de o caldeirão . - Ou talvez se disfarce , passando por uma armadura ou outra coisa de o género . Eu li umas coisas sobre vampiros camaleões ... - Tu lês de mais , Hermione - disse o Ron , deitando moscas asas de renda mortas por cima de as sanguessugas . Amarrotou o saco vazio de as asas de renda e olhou para Harry . - Então foi o Dobby que nos impediu de apanhar o comboio e te partiu o braço ... - abanou a cabeça . - Sabes o que eu acho ? Se ele não parar de tentar salvar te a vida ainda acaba por te matar . A notícia de que Colin_Creevey tinha sido atacado e estava agora em a ala hospitalar , como morto , espalhou se por toda_a escola em a segunda-feira de manhã . O ar ficou pesado e cheio de boatos e suspeitas . Os alunos de o primeiro ano começavam a andar por a escola em pequenos grupos , receando ser atacados se se aventurassem a andar isoladamente por os corredores . Ginny_Weasley , que era colega de carteira de o Colin em os encantamentos , estava perturbadíssima , mas Harry achou que Fred e George estavam a tentar animá a de a maneira errada . Revezavam se , mascarados com peles de animais e apareciam lhe subitamente detrás de as estátuas . Só pararam quando Percy , apopléctico de raiva , lhes disse que ia escrever a Mrs._Weasley a contar lhe que a Ginny andava a ter pesadelos . Enquanto isso , às_escondidas de os professores , uma panóplia de talismãs , amuletos e outros objectos de protecção ia enchendo a escola . Neville_Longbottom comprou uma enorme cebola verde que cheirava mal , um cristal pontiagudo cor de púrpura e uma cauda de tritão apodrecida antes de os outros rapazes de os Gryffindor lhe explicarem que ele não corria perigo : era um sangue puro e , portanto , muito pouco passível de ser atacado . - Eles foram a o Filch em primeiro lugar - disse Neville com o medo estampado em a cara redonda . - E toda_a_gente sabe que eu sou quase um * busca-pé * . Em a segunda semana de Dezembro , a professora Mc_Gonagall veio , como de costume , recolher os nomes de os alunos que ficavam em a escola durante o Natal . Harry , Ron e Hermione assinaram a lista . Tinham ouvido dizer que Malfoy ficava , o que lhes parecera muito suspeito . As férias seriam a altura ideal para usar a poção * _ Polisuco * e tentar arrancar lhe uma confissão . Infelizmente a poção estava a meio . Precisavam ainda de o chifre de bicórneo e o único lugar onde podiam arranjá o era em os depósitos privados de Snape . Harry , pessoalmente , preferia enfrentar o lendário monstro de os Slytherin do_que ser apanhado por o Snape a assaltar lhe o escritório . - O que precisamos - disse Hermione cheia de vivacidade quando se aproximava a aula conjunta de poções de quinta-feira a a tarde - para podermos entrar a a vontade em o escritório de o Snape , é de uma diversão . Harry e Ron olharam para ela , nervosos . - Acho que o melhor é ser eu a praticar o roubo - prosseguiu ela , em um tom perfeitamente casual . - Vocês os dois podem ser expulsos se forem apanhados e eu tenho uma folha limpa . Portanto , a única coisa que têm de fazer é distrair o Snape durante cerca de cinco minutos . Harry esboçou um meio sorriso . Provocar deliberadamente um estrago em a aula de poções de o Snape era tão seguro como ferir em um olho um dragão adormecido . As aulas de poções tinham lugar em um de os mais amplos calabouços . A de quinta-feira a a tarde não foi diferente de as outras . Vinte caldeirões fumegavam entre as secretárias de madeira , sobre as quais podia ver se laminas de latão e jarras com ingredientes . Snape deambulava por o meio de os fumos , fazendo reparos petulantes a o trabalho de os Gryffindor , enquanto os Slytherin riam a a socapa . Draco_Malfoy , que era o aluno preferido de Snape , não parava de lançar olhos de carneiro mal morto a o Ron e a o Harry , que sabiam que se retaliassem teriam um castigo , antes de poderem abrir a boca para dizer : - É injusto ! A solução de inchar de o Harry estava demasiado líquida , mas ele estava preocupado com coisas mais importantes . Esperava por o sinal de Hermione e mal deu por Snape se calar para ir espreitar a sua poção aguada . Quando o professor se voltou e foi implicar com o Neville , Hermione trocou um olhar com Harry e fez um aceno . Harry baixou se discretamente por detrás de o seu caldeirão , tirou de o bolso de trás um de os paus de fogo-de-artíficio Filibuster e deu lhe um toque de varinha . O fogo-de-artíficio começou a sibilar e a crepitar . Sabendo que tinha apenas alguns segundos , Harry endireitou se , ganhou coragem e lançou o a o ar . Aterrou certeiro em o caldeirão de o Goyle . A poção de o Goyle explodiu , salpicando toda_a aula . As pessoas gritavam , à_medida_que eram vítimas de os salpicos . Malfoy foi apanhado em a cara e o nariz começou a inchar como um balão . O Goyle tropeçava a as cegas , com as mãos em os olhos , que tinham ficado de o tamanho de pratos de sopa , enquanto o Snape tentava repor a calma e tentar perceber o que sucedera . Em o meio de a confusão , Harry viu Hermione esgueirar se a a socapa por a porta . - Silêncio ! silêncio ! - vociferou Snape . - Todos os que foram salpicados cheguem aqui para uma drenagem . Quando eu descobrir quem fez isto ... Harry fez um enorme esforço para não se rir a o ver Malfoy chegar apressadamente lá a a frente , a cabeça a tombar com o peso de o nariz , que parecia um pequeno melão . Quando metade de a aula se amontoava junto de a secretária de o Snape , alguns alunos vergados por o peso de os braços que pareciam mocas , outros incapazes de falar devido a o gigantesco inchaço de os lábios , Harry viu Hermione reentrar em o calabouço , a túnica mostrando a barriga protuberante . Quando todos os alunos tinham já tomado um gole de o antídoto e os vários inchaços tinham desaparecido , Snape precipitou se para o caldeirão de o Goyle e pescou os restos retorcidos de o fogo-de-artíficio . Houve um súbito silêncio . - Se eu descubro quem lançou isto - murmurou Snape - garanto que é expulsão por a certa . Harry compôs uma expressão de espanto . Snape olhava directamente para ele e a campainha , que tocou dez minutos mais tarde , não podia ser mais bem-vinda . - Ele soube que fui eu - disse Harry_a_Ron e a a Hermione , enquanto se dirigiam apressadamente para a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Tenho a certeza . Hermione lançou o novo ingrediente em o caldeirão e começou a mexer furiosamente . - Isto vai estar pronto dentro_de quinze_dias - afirmou , satisfeita . - O Snape não pode provar que foste tu - assegurou Ron , tranquilizando Harry . - Que pode ele fazer ? - Conhecendo o Snape , qualquer coisa louca - respondeu Harry , enquanto a poção borbulhava e espumava . Uma semana mais tarde , Harry , Ron e Hermione passavam por o vestíbulo de entrada , quando viram um pequeno grupo de pessoas reunidas em volta de o jornal de parede a lerem um pedaço de pergaminho que tinha acabado de ser afixado . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas acenaram lhes , entusiasmados . - Vão lançar um clube de duelos ! - exclamou Seamus . - Hoje a a noite é a primeira reunião . Eu não me importaria nada de ter aulas de duelo , podem vir a ser úteis um dia de estes ... - Porquê ? Achas que o monstro de os Slytherin sabe esgrimir ? - perguntou o Ron , mas , também ele , leu a notícia com interesse . - Pode ser útil - disse a o Harry e a a Hermione , quando foram jantar . - Vamos lá ? Harry e Hermione acharam óptimo , por isso , a as oito_da_noite voltaram a o salão . As longas mesas de refeição tinham desaparecido e um estrado dourado surgira , encostado a a parede . Sobre ele flutuavam milhares de velas . O tecto era , mais_uma_vez , de veludo negro e parecia que quase todos os alunos de a escola se encontravam ali , com as suas varinhas em a mão e com um ar entusiasmado . - Quem será que vai ensinar nos ? - perguntou Hermione , enquanto se misturavam em a multidão barulhenta . - Ouvi dizer que o Filitwick foi campeão de duelo em a juventude , talvez seja ele . - Desde_que não seja ... - começou Harry , mas terminou em um gemido : Gilderoy_Lockhart estava a subir a o estrado , resplandecente em as suas vestes cor de ameixa , acompanhado , nem mais nem menos , do_que de Snape que trajava , como sempre , de negro . Lockhart levantou um braço , pedindo silêncio , bradando : - Aproximem se , aproximem se , conseguem todos ver me e ouvir me ? Excelente ! - O professor Dumbledore deu me autorização para iniciar este pequeno curso de duelo para vos treinar a todos , caso algum dia precisem de se defender , como eu tenho feito em inúmeras ocasiões ; para mais detalhes , leiam os livros que tenho publicados . - Permitam que vos apresente o meu assistente , o professor Snape - disse Lockhart , abrindo um sorriso de orelha a orelha . - Ele diz me que sabe alguma coisa sobre duelos e aceitou desportivamente ajudar me em uma exibição de demonstração , antes de começarmos . Atenção , não quero que os mais novos fiquem preocupados , vão continuar a ter o vosso professor de poções depois de eu o vencer . Não tenham medo . - Não era óptimo se se liquidassem um_ao_outro ? - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . O lábio inferior de Snape estava curvo . Harry interrogou se sobre o motivo por_que Lockhart continuava a sorrir . Se o Snape olhasse de aquela maneira para ele , Harry estaria a correr a_toda_a velocidade para o mais longe possível . Lockhart e Snape voltaram se um para o outro e fizeram uma vénia , pelo_menos Lockhart fê la com muitas reviravoltas de mãos , enquanto Snape acenava , irritado , com a cabeça . Em seguida , ergueram as varinhas , como_se fossem espadas , em a frente . - Como podem ver , estamos a pegar em as varinhas em a posição de aceitação de combate - explicou Lockhart a a multidão silenciosa . - Quando contarmos até três , lançaremos os primeiros feitiços . Nenhum de nós tentará matar o outro , claro . - Eu não poria as mãos em o fogo - murmurou Harry , observando como Snape cerrava os dentes . -- Um , dois , três ... Os dois balançaram as varinhas acima de os ombros . Snape gritou : * _ Expelliarmus * ! Houve um clarão ofuscante de luz escarlate e Lockhart voou para trás , caindo de o estrado batendo contra a parede , escorregando e indo estatelar se em o chão . Malfoy e alguns de os outros Slytherin aplaudiram . Hermione estava em bicos de os pés . - Acham que ele está bem ? - gritou entredentes . - Quem se rala ? - disseram ao_mesmo_tempo o Ron e o Harry . Lockhart estava a pôr se , hesitante , de pé . O chapéu caíra lhe e o cabelo ondulado estava em um desalinho . - Bem , cá está ! - disse , cambaleando até a o estrado . - Este foi um encantamento para desarmar . Como podem ver , perdi a minha varinha . Ah , obrigado Miss_Brown . Sim , foi uma excelente ideia mostrar lhes isto , professor Snape , mas , se me permite que lhe diga , foi muito óbvio o que ia fazer . Se eu tivesse querido impedis o , teria o feito com a maior de as facilidades . Mas achei que seria educativo deixá os ver ... Snape tinha um ar assassino . Provavelmente Lockhart deu por isso , porque declarou : - Chega de demonstrações . Eu vou passar agora por o meio de vocês e criar duplas . Professor_Snape , se quiser ajudar me ... Entraram por o meio de a multidão , agrupando alunos . Lockhart pôs o Neville com Justin_Finch - _ Fletchley , mas Snape chegou primeiro junto de Harry e de Ron . - Tempo de separar a dupla ideal , parece me - rosnou . - Weasley , tu podes ficar com o Finnigan . Potter ... Harry voltou se automaticamente para Hermione . - Não me parece - disse Snape com o seu sorriso frio . - Mr._Malfoy , venha até aqui . Vamos ver o que faz com o famoso Potter . E a menina , Miss_Granger , pode emparceirar com Miss_Bulstrode . Malfoy aproximou se com o seu passo empertigado e o seu sorriso escarninho . Atrás de ele vinha uma rapariga de os Slytherin , que lembrou a Harry uma imagem que tinha visto em as * _ Férias com Bruxas_Velhas * . Era corpulenta e quadrada e os maxilares avançavam agressivamente . Hermione esboçou um meio sorriso , que ela não retribuiu . - Voltem se para os vossos parceiros - gritou Lockhart - e façam a vénia . Harry e Malfoy mal inclinaram as cabeças , não afastando os olhos um de o outro . - Varinhas preparadas ! - gritou Lockhart . - Quando eu disser três preparem os feitiços para desarmar o vosso opositor . Um ... dois ... três ... Harry levantou a varinha acima de o ombro , mas Malfoy começara logo em o « dois » : o seu feitiço apanhou Harry com tanta força que ele se sentiu como_se tivesse levado com uma frigideira em a cabeça . Tropeçou , mas ainda não estava fora de combate e , sem perder tempo , Harry apontou a varinha a Malfoy e gritou : - * _ Rictusempra ! * Um jacto de luz prateada atingiu Malfoy em o estômago , obrigando o a dobrar se , arfando . - Eu disse desarmar ! - gritava Lockhart sobre as cabeças de a multidão em lata , enquanto Malfoy caía de joelhos . Harry atingira o com o feitiço de as cócegas e ele mal conseguia mexer se para se rir . Harry hesitou com o vago sentimento de que seria pouco desportivo enfeitiçar Malfoy enquanto ele estava caído em o chão , mas ... foi um erro . Tentando respirar , Malfoy apontou a varinha a os joelhos de Harry , balbuciando : « * _ Tarantallegra ! * » e , um segundo depois , as pernas de o Harry tinham começado a mexer se , sem que ele pudesse controlá as , executando uma espécie de dança frenética . - Parem , parem - gritava Lockhart , quando Snape resolveu tomar controlo de a situação . - * _ Finite_Incantatem ! * - bradou . Os pés de o Harry pararam de dançar , Malfoy parou de rir e puderam olhar para_cima . Uma onda de fumo esverdeado pairava sobre todos eles . Neville e Justin estavam caídos em o chão , a arfar . Ron tentava fazer parar um Seamus com cara cor de cinza , pedindo lhe mil desculpas por o que a sua varinha partida eventualmente tivesse feito . Mas Hermione e Millicent_Bulstrode ainda não tinham acabado . Millicent tinha feito a Hermione uma prisão de cabeça e Hermione gritava de dor . As duas varinhas jaziam esquecidas em o chão . Harry deu um salto em frente e afastou Millicent . Não foi fácil , ela era bastante maior do_que ele . - Oh , gente ! - exclamou Lockhart , arrastando se por o meio de a multidão e olhando para os resultados de os duelos . - Vamos pôr de pé , Mcmillan ... cuidado , Miss_Fawcett ... belisque com força que pára logo de sangrar ... - Acho que o melhor é ensinar vos como bloquear feitiços pouco amigáveis - afirmou Lockhart que estava nervosíssimo em o meio de o salão . Olhou para Snape , cujos olhos pretos brilhavam e desviou rapidamente o olhar . - Vamos arranjar um par de voluntários . Longbottom e Finch - _ Fletchley , que tal serem vocês ? - Uma má ideia , professor Lockhart - disse Snape , deslizando como um morcego enorme e cruel . - Longbottom provoca devastação com o feitiço mais simples . Ainda temos de mandar o que restar de o Finch - _ Fletchley para a ala hospitalar dentro_de uma caixa de fósforos . - A cara redonda e rosada de Neville ficou ainda mais rosada . - Que tal o Malfoy e o Potter ? - sugeriu Snape com um sorriso retorcido . - Excelente ideia - disse Lockhart , fazendo sinal a os dois para que se aproximassem de o meio de o salão , enquanto a multidão recuava para lhes dar passagem . - Ouve bem , Harry - disse Lockhart . - Quando o Draco te apontar a varinha , tu fazes assim . Levantou a sua varinha , executando uma tentativa complicada de malabarismo e deixou a cair . Snape sorriu pretensiosamente , enquanto Lockhart a apanhava de o chão , dizendo : - Ups , a minha varinha está demasiado excitada . Snape aproximou se de Malfoy , inclinou se e disse lhe qualquer coisa a o ouvido . Malfoy sorriu também de forma afectada . Harry olhou , nervoso , para Lockhart e pediu : - Professor , podia mostrar me outra_vez aquela coisa para bloquear ? - Estás com medo ? - murmurou Malfoy baixinho , para que Lockhart não pudesse ouvir . - Querias ! - exclamou Harry por o canto de a boca . Lockhart deu um soco em o ombro de o Harry , em a brincadeira . - Basta que faças como eu fiz ! - O quê , deixar cair a varinha ? Mas Lockhart não estava a ouvir - Três , dois , um , zero ! - gritou . Malfoy levantou rapidamente a varinha a o ar e gritou : - * _ Serpensortia ! * A extremidade de a varinha explodiu . Harry viu , horrorizado , uma enorme serpente negra sair de ela , cair pesadamente em o chão a meio de os dois e erguer se disposta a atacar . Ouviram se gritos , enquanto a multidão se afastava , deixando o chão vazio . - Não te mexas , Potter - disse Snape vagarosamente , divertindo se claramente a ver Harry , parado , a olhar em os olhos a serpente . - Eu trato de ela ... - Permita me -- gritou Lockhart . Bramiu a varinha em direcção a a serpente e ouviu se um estoiro . A cobra , em_vez_de desaparecer , voou três metros acima de eles e voltou a cair em o chão com um estrondo enorme . Enraivecida , a sibilar de fúria , rastejou em direcção a Finch - _ Fletchley e pôs se de pé com os dentes a a mostra , pronta a atacar . Harry não soube ao_certo o que o levou a fazer aquilo . Não se lembrava sequer de ter tomado aquela decisão . Só soube que as pernas o fizeram avançar como_se tivesse rodas e que gritou a a serpente : - Larga o ! - E , milagrosa e inexplicavelmente , a serpente voltou a o chão , dócil como uma grande mangueira de jardim , preta e grossa , os olhos agora fixos em os olhos de Harry . Harry sentiu o medo a escoar se . Sabia que a cobra não atacaria mais ninguém , embora não pudesse explicar como sabia . Olhou para Justin a sorrir , esperando vê o aliviado , espantado , ou mesmo agradecido , mas nunca zangado ou assustado . - Que brincadeira é essa ? - gritou o outro e , antes que Harry tivesse tempo de dizer fosse o que fosse , voltou as costas e saiu de o salão . Snape deu um passo em frente , fez um gesto com a varinha e a serpente desapareceu em uma onda de fumo preto . Também ele , Snape , olhava para Harry de uma forma inesperada . Era um olhar arguto e calculista , de que Harry não gostou . Apercebeu se também vagamente de um murmúrio ameaçador que vinha de as paredes em volta . Depois , sentiu um puxão em a túnica . - Vamos - disse a voz de o Ron em o seu ouvido . - Mexe te , vá lá ... Ron arrastou o para fora de o salão . Hermione acompanhava os em a passada rápida . Quando cruzaram a porta , as pessoas que a rodeavam afastaram se , como_se tivessem medo de ser contagiadas . Harry não fazia a mais pequena ideia do_que estava a passar se e , nem Ron , nem Hermione lhe deram qualquer explicação , antes de o terem levado até a a sala comum de os Gryffindor , que se encontrava vazia . Aí , Ron empurrou Harry para uma cadeira de braços e disse : - Tu és um * serpentês * . Porque não nos disseste ? - Eu sou um quê ? - perguntou Harry . - Um * serpentês * ! - exclamou o Ron . - Falas com as cobras . - Eu sei - declarou Harry . - Quer_dizer , esta foi a segunda vez que o fiz . A outra foi há muito_tempo em o jardim zoológico , quando soltei uma Boa_Constrictor a o meu primo Dudley . É uma longa história , mas ela estava a dizer me que nunca tinha estado em o Brasil e eu acho que a libertei sem querer . Foi antes de saber que era feiticeiro . . . - Uma Boa_Constrictor disse te que nunca tinha estado em o Brasil ? - repetiu Ron , quase sem voz . - E então ? - disse o Harry . - Aposto que montes de pessoas aqui fazem o mesmo . - Não fazem , não - afirmou Ron . - Não é um dom muito frequente . Harry , isso é mau . - O que é_que é mau ? - perguntou Harry , que começava a ficar chateado . - O que é_que se passa com todos os outros ? Ouve bem , se eu não tivesse dito a aquela cobra para não atacar o Justin ... - Ah , foi isso que tu disseste ? - Que queres dizer ? Tu estavas lá , ouviste perfeitamente o que eu disse . - Eu ouvi te falar em serpentês - disse o Ron . - Língua de cobra . Podias estar a dizer lhe qualquer coisa . Não admira que o Justin tivesse entrado em pânico . Parecia que estavas a incitar a serpente . Foi assustador , sabes ? Harry olhou para ele espantado . - Eu falei uma língua diferente ? Mas não me apercebi , como posso falar uma língua , sem saber que a conheço ? Ron abanou a cabeça . Tanto ele como Hermione tinham um ar fúnebre . Harry não percebia o que havia em aquilo de tão trágico . - Será que me querem explicar o que há de mal em ter impedido que uma serpente enorme arrancasse a cabeça a o Justin ? - perguntou . - Porque é tão importante como o fiz , se evitei que o Justin fosse juntar se a grupo de os SEM_CABEÇA ? - Importa - disse por fim Hermione , em uma voz abafada . - Porque falar com serpentes era a arte por a qual Salazar_Slytherin ficou famoso . Por isso , o símbolo de os Slytherin é uma serpente . Harry ficou de boca aberta . - Exacto - disse o Ron . - E agora todos em a escola vão pensar que tu és descendente de ele . - Mas não sou - contrapôs Harry com um pânico que não conseguia explicar . - Não vai ser fácil prová o - disse Hermione . - Ele viveu há quase mil anos . Pelo que vimos , podias ser . Em essa noite , Harry ficou acordado durante horas . Por uma fresta de os cortinados de a cama de dossel , olhou para a neve que começava a cair de o lado de_fora de a janela de a torre e perguntou se se poderia ser descendente de Salazar_Slytherin . Afinal , não sabia nada de a família de o pai , os Dursley tinham sempre proibido qualquer pergunta sobre os seus familiares feiticeiros . Calmamente , tentou dizer qualquer coisa em * serpentês * , mas as palavras não saíam . Parecia que era necessário estar frente_a_frente com uma cobra para poder fazê o . Mas eu sou um Gryffindor , pensou Harry , o chapéu seleccionador não me poria aqui se eu tivesse sangue de Slytherin ... - Ah ! - disse uma vozinha dentro de o seu cérebro . - Mas o chapéu seleccionador queria pôr te em os Slytherin , não te lembras ? Harry deu voltas e voltas a a cabeça . Em o dia seguinte , quando visse Justin em a aula de herbologia explicaria lhe que estava a afastar a serpente , não a atiçá a o que , aliás , pensou zangado , dando vários socos em a almofada , qualquer idiota teria percebido . Contudo , em a manhã seguinte , a neve que começara a cair durante a noite , transformara se em uma tempestade tão espessa que a última aula de herbologia de o período foi cancelada : a professora Sprout queria tapar as mandrágoras com peúgas e cachecóis , uma operação arriscada que ela não confiava a ninguém agora_que era tão importante que as mandrágoras crescessem depressa e reabilitassem Mrs._Norris e Colin_Creevey . Junto de a lareira de a sala comum de os Gryffindor , Harry matutava sobre o que se passara enquanto Ron e Hermione aproveitavam o foro para jogar xadrez de feitiçaria . - Com os diabos , Harry - disse Hermione exasperada quando um bispo derrubou um de os cavaleiros de o cavalo , arrastando o para fora de o tabuleiro . - Vai falar com o Justin , se isso é assim tão importante para ti . Harry levantou se e saiu por o buraco de o retrato , perguntando a si próprio onde poderia estar o Justin . O castelo estava mais escuro do_que era habitual durante o dia por causa de a neve espessa e cinzenta que cobria as janelas . A tremer , Harry passou por as salas onde estava a haver aulas , captando lampejos do_que sucedia lá dentro . A professora Mc_Gonagall gritava com alguém que , segundo lhe parecia por o som , transformara o parceiro em um texugo . Resistindo a a tentação de dar uma espreitadela , Harry afastou se pensando que Justin poderia estar a utilizar o tempo de o furo para fazer algum trabalho e resolveu , por isso , ir até a a biblioteca . Um grupo de alunos de os Hufflepuff , que deveriam ter estado em Herbologia , encontrava se , de facto , sentado em as traseiras de a biblioteca , mas não parecia estar a trabalhar . Entre as fileiras de as estantes altas , Harry pôde ver as suas cabeças muito juntas em aquilo que deveria ser uma conversa absorvente . Não conseguia perceber se Justin estaria em o meio de eles . Ia para se aproximar quando apanhou em o ar uma frase e parou para ouvir melhor , escondido em a secção de a invisibilidade . - Portanto - dizia um rapaz corpulento - eu disse a o Justin para se esconder em o nosso dormitório . Isto_é , se o Potter o escolheu como próxima vítima é melhor que ele tenha um * low profile * durante algum tempo . É claro que o Justin já estava a a espera que alguma coisa de o género acontecesse desde_que lhe escapou em uma conversa com o Potter que era filho de Muggles . O Justin disse lhe , inclusivamente , que tinha estado inscrito em Eton . Não é o tipo de coisa que se ande a dizer com o herdeiro de Slytherin a a solta por aí . - Achas mesmo_que é o Potter , Ernie ? - perguntou uma rapariga de tranças loiras , ansiosamente . - Hannah - disse com solenidade o rapaz corpulento . - Ele é um serpentês . Todos sabem que essa é a marca de um feiticeiro negro . Alguma vez ouviste falar de um feiticeiro decente que falasse com as cobras ? O Slytherin era conhecido por « Língua de serpente . . Houve alguns murmúrios antes de Ernie prosseguir : - Lembram se do_que estava escrito em a parede ? * _ Inimigos de o herdeiro , cuidado ! * . O Potter teve que ir a o gabinete de o Filch . E o que é_que acontece a seguir ? A gata de o Filch é atacada . O aluno de o primeiro ano , Creevey , estava a aborrecê o em a partida de Quidditch , a tirar lhe fotografias quando ele estava caído em a lama . E o que é_que acontece a seguir ? Creevey é atacado . - Mas ele parece sempre ser tão simpático - disse Hannah , cheia de dúvidas . - E , bem , foi ele que fez com que o Quem nós sabemos desaparecesse . Não pode ser assim tão mau , pois não ? Ernie baixou misteriosamente a voz . Os Hufflepuff inclinaram se mais uns para os outros e Harry aproximou se para conseguir apanhar as palavras de o Ernie . - Ninguém sabe como ele sobreviveu a aquele ataque de o Quem nós sabemos e , afinal , ainda era um bebé quando aquilo aconteceu . Era para ter explodido feito em estilhaços . Só um feiticeiro negro verdadeiramente poderoso teria sobrevivido a uma maldição de aquelas . - Baixou ainda mais a voz até esta ficar reduzida a um leve murmúrio e disse : - Talvez fosse por isso que o Quem nós sabemos o queria matar , para não ter outro feiticeiro negro a competir com ele . Gostava de saber que outros poderes ocultos terá o Potter . Harry não aguentou mais . Pigarreou alto e saiu detrás de as estantes . Se não estivesse tão zangado teria conseguido ver o lado cómico de a situação : cada_um de os Hufflepuff olhava para ele como_se tivesse sido petrificado , e a cor desaparecera de a cara de o Ernie . - Olá - disse Harry . - Estou a a procura de o Justin_Finch - _ Fletchley . Os piores receios de os Hufflepuff tinham se concretizado . Olharam apavorados para o Ernie . - O que queres de ele ? - perguntou Ernie em uma voz sumida . - Explicar lhe o que aconteceu com aquela cobra em o clube de os duelos - disse Harry . Ernie mordeu os lábios brancos e , em seguida , respirando fundo , respondeu : - Estávamos lá todos . Vimos o que aconteceu . - Então viram que depois de eu falar a serpente recuou - disse Harry . - O que eu vi - insistiu teimosamente Ernie , apesar_de tremer a cada palavra que proferia - foi tu a falares serpentês e a atiçares a cobra conta o Justin . - Eu não a aticei - gritou Harry enraivecido . - Ela nem lhe tocou . - Falhou por_pouco - disse Ernie . - E , para o caso de estares com ideias - acrescentou com má cara - posso dizer te que a minha família provem de nove gerações de bruxas e feiticeiros e que o meu sangue é tão puro como o de qualquer feiticeiro , portanto ... - Quero lá saber qual é o teu sangue - disse Harry furioso . - Porque iria eu atacar os filhos de os Muggles ? - Ouvi dizer que detestas os Muggles com quem vives - disse Ernie rapidamente . - Não é possível viver com os Dursley sem os detestar - explicou Harry . - Gostava de te ver lá em casa . Girou sobre os calcanhares e saiu furioso de a biblioteca sob o olhar reprovador de Madam_Prince que limpava a capa dourada de um enorme livro de encantamentos . Harry avançou a as cegas por os corredores , quase sem ver por_onde ia de tão furioso que estava . O resultado foi chocar com algo enorme e sólido que o fez recuar e cair a o chão . - Ah ! Olá , Hagrid - disse , olhando para_cima . Hagrid tinha o rosto completamente tapado com um lenço coberto de neve , mas não podia ser mais ninguém , enchendo assim o corredor dentro de o seu sobretudo de pele de toupeira . De uma de as enormes mãos enluvadas , pendia um galo morto . - Tudo bem , Harry ? - perguntou , afastando o lenço para poder falar . - Porque não estás em a aula ? - Foi cancelada - disse Harry , pondo se de pé . - O que estás a fazer aqui ? Hagrid mostrou lhe o galo inerte . - É o segundo qu'aparece morto este período - explicou . - Ou são raposas ou um vampiro chato e eu preciso d'autorização de o director p'ra fazer um feitiço em volta de a capoeira . Aproximou se e olhou mais de perto para o Harry , por debaixo de as suas sobrancelhas espessas e cheias de neve . - Tens a certeza que estás bem ? Pareces exaltado e preocupado . Harry não foi capaz de repetir o que Ernie e os outros Hufflepuff lhe tinham dito . - Não é nada , tenho de ir , Hagrid . A próxima aula é Transfiguração e preciso de ir buscar os meus livros . Afastou se , a cabeça cheia com tudo_o_que Ernie dissera a seu respeito . « * _ O_Justin já estava d espera que uma coisa de o género acontecesse desde_que deixou escapar , falando com o Potter , que era filho de Muggles * ... » Harry subiu as escadas a correr e entrou por um corredor que estava particularmente escuro . As tochas tinham sido apagadas por uma ventania gelada que entrava por uma janela de fecho estragado . Estava a meio de o corredor quando tropeçou em uma coisa que se encontrava em o chão . Olhou para ver o que era e sentiu como_se o estômago se tivesse dissolvido . Justin_Finch - _ Fletchley estava em o chão , rígido e frio com uma expressão de horror em o rosto e os olhos abertos voltados para o tecto . E não era tudo . Junto de ele estava mais alguém , a visão mais estranha que Harry tivera em toda_a sua vida . Era_o_Nick quase sem cabeça que não estava cor de pérola nem transparente e sim escuro como fumo . Flutuava imóvel , em a horizontal , 12 centímetros acima de o chão , a cabeça meio tombada e em o rosto uma expressão de choque idêntica a a de o Justin . Harry pôs se de pé com a respiração acelerada e o coração a bater como um tambor contra as costelas . Olhou desvairado para ambos os lados de o corredor deserto e viu uma fila de aranhas que corriam a_toda_a velocidade em a direcção oposta a a de os corpos . Os únicos sons eram as vozes abafadas de os professores em as aulas que decorriam de ambos os lados . Podia fugir e ninguém saberia que ali tinha estado , mas não era capaz de os abandonar assim . Tinha de ir procurar ajuda . Será que alguém acreditaria que ele não tivera nada que ver com aquilo ? Enquanto ali estava , em pânico , uma porta a o seu lado abriu se com grande estrondo . Peeves , o * poltergeist * , saiu a os gritos . - Oh ! É o Potter , olá , Potter - alardeou Peeves , lançando por o ar os óculos de o Harry quando passou por ele . - O que está o Potter a fazer ? Porque está o Potter escondido ? Peeves passou de cabeça para baixo , a meio de uma cambalhota em o ar , quando viu Justin e Nick quase sem cabeça . Com um movimento súbito endireitou se , encheu os pulmões de ar e , antes que Harry pudesse impedi o , gritou : __ ataque ! ataque ! outro ataque ! nenhum mortal ou fantasma está em segurança . corram , fujam , __ ataaaque ! Crac , Crac , Crac . Uma atrás de a outra , foram se abrindo todas_as portas a o longo de o corredor e as pessoas saíram para fora de as salas de aula . Durante alguns longos minutos houve uma tal confusão que Justin esteve em perigo de ser esmagado e as pessoas não paravam de chocar com o Nick quase sem cabeça . Harry deu por si colado a a parede enquanto os professores exigiam a os gritos que se fizesse silêncio . A professora Mc_Gonagall veio a correr , seguida por todos os alunos , um de os quais ainda trazia o cabelo a as riscas pretas e brancas . Usou a varinha para produzir um ruído que repôs o silêncio e mandou os alunos todos para dentro de as salas de aula . Mal lugar ficou desimpedido surgiu Ernie , o jovem Hufflepuff . - * _ Apanhado em flagrante ! * - gritou , com o rosto totalmente branco , apontando dramaticamente o dedo par Harry . - Basta_Mcmillan - disse , de forma cortante , a professora Mc_Gonagall . Peeves andava para_cima e para baixo , observando a cena com um sorriso maldoso . Sempre adorara o caos . Quando os professores se inclinaram sobre Justin e sobre o Nick quase sem cabeça para os examinar , iniciou uma cantilena : * _ Oh ! Potter , que fizeste , seu grande bandido * _ Tu matas os estudantes porque achas divertido . * - Basta , Peeves - rosnou a professora Mc_Gonagall e Peeves afastou se , deitando a língua de_fora a o Harry . Justin foi levado para a ala hospitalar por o professor Flitwick e por o professor Sinistra_do_Departamento_de_Astronomia , mas ninguém parecia saber o que fazer em relação a o Nick quase sem cabeça . Por fim , a professora Mc_Gonagall fez aparecer em o ar um enorme leque que entregou a Ernie com o encargo de conduzir , escadas acima , por os ares o Nick quase sem cabeça . Ernie assim fez , soprando Nick como_se fosse um aerodeslizador e deixando , de este modo , o Harry e a professora Mc_Gonagall a sós . - Por aqui , Potter - disse ela . - Professora , eu juro que não ... - Isso não é comigo , Potter - afirmou a professora Mc_Gonagall sinteticamente . Caminharam em silêncio até uma esquina e ela parou perante uma gárgula de pedra extremamente feia . - Refresco de limão - disse . Era obviamente uma senha porque a gárgula animou se subitamente e saltou para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes . Apesar_de estar apavorado com o que ia acontecer a seguir , Harry não conseguiu evitar um sentimento de fascínio . Por detrás de a parede estava uma escada em espiral que se movia lentamente para_cima como um elevador . E quando ele e a professora Mc_Gonagall puseram os pés em o primeiro degrau , Harry ouviu a parede fechar se atrás de eles . Subiram em círculos , cada_vez_mais alto até que , por fim , um_pouco tonto , Harry pôde ver uma porta de carvalho reluzente com um puxador de bronze em forma de abutre . Harry calculava onde estava a ser levado . Devia ser ali que morava Dumbledore . XII_A poção * polisuco * Saltaram de a escada de pedra lá mesmo em cima e a professora Mc_Gonagall bateu a a porta . Ela abriu se silenciosamente dando lhes entrada . A professora Mc_Gonagall disse lhe que esperasse e deixou o sozinho . Harry olhou em volta . Uma coisa era certa : de todos o escritórios de professores que conhecia , o de Dumbledor era , de longe , o mais interessante . Se não estivesse com um medo de morte de ser expulso teria adorado explorá o . Era uma sala grande e bonita em forma de círculo que estava cheia de barulhinhos estranhos . Havia um grande número de instrumentos prateados sobre várias mesas de pernas finas que zumbiam emitindo pequenas baforadas de fumo . As paredes estavam cobertas de fotografias de antigos directores e directoras , todos eles a dormir tranquilamente em as suas molduras . Havia ainda uma enorme secretária pés de garra . E , sobre uma prateleira atrás de ela , um chapéu de feiticeiro andrajoso e puído : * o chapéu seleccionador * . Harry hesitou . Lançou um olhar cauteloso a as bruxas e feiticeiros adormecidos a o longo de as paredes . Com certeza não fazia mal se lhe pegasse e o experimentasse só para ver ... só para ter a certeza de que ele o pusera em a equipa certa . Deu a volta a a secretária , retirou o chapéu de a prateleira e baixou o lentamente sobre a cabeça . Era demasiado grande e escorregou lhe para os olhos como de a outra_vez que o tinha posto . Harry olhou para o forro preto , enquanto esperava . Por fim , uma vozinha disse lhe a o ouvido : - Estás com macaquinhos em o sótão , Harry_Potter ? - Er ... sim - balbuciou Harry . - Er ... desculpa incomodar te , queria saber ... - Querias saber se te pus em a equipa certa - disse prontamente o chapéu . - Sim ... tu és particularmente difícil de seleccionar , mas eu mantenho o que disse antes . - O coração de Harry deu um salto . - Terias ficado bem em os Slytherin . Harry sentiu o estômago contorcer se . Agarrou o chapéu por a aba e tirou o de a cabeça . O chapéu seleccionador ficou pendurado em a mão de ele , inerte , desbotado e sujo . Harry voltou a pô o em a prateleira , sentindo se enjoado . - Estás enganado ! - disse em voz alta a o chapéu parado e silencioso , mas ele não se mexeu . Harry recuou para o observar melhor e foi então que ouviu um ruído estranho e grasnado atrás_de si que o fez dar uma volta . Não estava só , afinal_de_contas . Em um poleiro dourado atrás de a porta estava um pássaro de aspecto decrépito que parecia um peru meio depenado . Harry olhou para ele espantado e o pássaro olhou o também , grasnando de_novo . Harry achou que ele devia estar muito doente porque tinha os olhos parados e , enquanto olhava para ele , caíram lhe mais algumas penas de a cauda . Estava justamente a pensar que a única coisa que lhe faltava era que o pássaro de estimação de Dumbledore morresse quando ele estava ali sozinho com ele , em o escritório , quando a ave se incendiou . Harry gritou , em estado de choque , e recuou até a a secretária . Olhava nervosamente em volta , em busca de um jarro de água , mas não viu nenhum . O pássaro , entretanto , transformara se em uma bola de fogo , dera um guincho e , em seguida , desaparecera , deixando apenas um monte de cinzas em o chão . A porta de o escritório abriu se . Dumbledore entrou com ar taciturno . - Professor - gaguejou Harry . - O seu pássaro ... eu não pode fazer nada ... ele incendiou se . Para seu grande espanto , Dumbledore sorriu . - Já não era sem tempo . Estava com um aspecto horrível em os últimos dias . Fartei me de lhe dizer que fizesse qualquer coisa . Riu se entre dentes com a expressão em o rosto de Harry . - A Fawkes é uma fénix , Harry . As fénix ardem quando é altura de morrer e renascem de as cinzas , repara ... Harry olhou mesmo a_tempo_de ver um passarinho recém-nascido , todo enrugado , espetar a cabeça fora de as cinzas . Era quase tão feio como o antigo . - É uma pena que a tenhas conhecido em dia de arder - disse Dumbledore , passando para trás de a secretária . - É muito bonita a maior parte de o tempo , com uma plumagem vermelha e dourada . São criaturas fascinantes , as fénix . Podem transportar cargas pesadíssimas , as suas lágrimas têm propriedades curativas e são animais de estimação extremamente fiéis . Com o choque de a fénix a pegar fogo , Harry esquecera se de o motivo porque ali estava , mas tudo voltou rapidamente quando Dumbledore se instalou em a cadeira de espaldar alto e o fixou com os seus olhos azuis e penetrantes . Contudo , antes que ele tivesse tido tempo de falar , a porta de o escritório abriu se de par em par com um enorme estrondo e Hagrid entrou com um olhar tresloucado , o lenço todo torcido em volta de a cabeça hirsuta e o galo morto ainda pendurado em a mão . - Não foi Harry , professor Dumbledore - disse , aflito . - Eu tinha estado a falar com ele poucos segundos antes de o rapazinho ser encontrado , ele não teve tempo professor ... Dumbledore tentou dizer qualquer coisa , mas Hagrid continuou , abanando o galo em o meio de a sua agitação e espalhando penas por todo o lado . - Não pode ter sido ele . Eu juro em a frente de o ministro de a magia , se for preciso ... - Hagrid , eu ... -- Tem o rapaz errado , professor . Eu sei qu'o Harry nunca ... - Hagrid - disse Dumbledore , elevando a voz . - Eu não penso que o Harry tenha atacado aquelas pessoas . - Oh ! - disse Hagrid , com o galo pendendo inerte a o seu lado . - Certo , ' tão eu espero lá fora , director . E saiu com ar envergonhado . - O senhor não acha que tenha sido eu ? - repetiu Harry cheio de esperança , enquanto Dumbledore sacudia penas de galo de cima de a secretária . - Não , Harry , não acho - afirmou Dumbledore , apesar de a sua expressão ser de_novo sombria . - Mas mesmo_assim quero falar contigo . Harry esperou ansiosamente enquanto o director o observava com as pontas de os dedos longos unidas . - Tenho de saber uma coisa . Harry , há alguma pergunta que queiras fazer me , qualquer que ela seja ? Harry não soube o que dizer . Lembrou se de Malfoy a gritar * _ Vocês serão os próximos , sangues de lama * e de a poção * _ Polisuco * em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Depois pensou em a voz sem corpo que ouvira duas vezes e em o que o Ron dissera * _ Ouvir vozes que ninguém mais ouve não é bom sinal , nem mesmo em o mundo de a feitiçaria * . Pensou também em o que toda_a_gente dizia de ele e em o receio cada_vez maior de ter uma relação qualquer com Salazar_Slytherin ... - Não - disse por fim . - Não há nada , professor . O ataque duplo a Justin e a o Nick quase sem cabeça transformou o que até_então era nervosismo em verdadeiro pânico . Curiosamente fora o destino de o Nick quase sem cabeça o que mais preocupara as pessoas . Quem poderia ter feito aquilo a um fantasma ? - perguntavam uns a os outros . - Que poder terrível era aquele , capaz de afectar alguém que já tinha morrido ? Houve uma precipitação enorme em a marcação de os bilhetes em o Expresso_de_Hogwarts , pois todos os alunos quiseram ir passar o Natal a casa . - Por este caminho , vamos ser os únicos a ficar - disse o Ron a o Harry e a a Hermione . - Nós , o Malfoy , o Goyle e o Crabbe , que férias lindas que vão ser ! Crabbe e Goyle que faziam sempre o que Malfoy fazia , tinham se inscrito para ficar também durante as férias . Mas Harry estava contente por a maior parte se ir embora . Estava farto de ver gente a afastar se em os corredores como_se ele fosse mostrar os dentes ou cuspir veneno . Estava cansado de tantos segredinhos , de os ver apontar e segredar quando passava . O Fred e o George , esses achavam muito divertido . Vinham , de propósito , pôr se a a frente de ele e atravessavam os corredores a gritar : - Abram alas para o herdeiro de Slytherin , vai passar um feiticeiro verdadeiramente cruel . Percy discordava totalmente de este comportamento . - Não é um assunto para se brincar - dizia com frieza . - Sai mas é de o caminho , Percy - dizia o Fred . - O Harry está com pressa . - Sim , ele vai a a Câmara_dos_Segredos tomar uma chávena de chá com o seu servidor dentes de serpente - completava Fred com uma gargalhada . Ginny também não lhes achava graça . - Cala te - gritava ela sempre_que o Fred perguntava em voz alta a o Harry quem estava a pensar atacar a seguir , ou quando George fingia afastá o com um enorme dente de alho . Harry não se importava . Fazia o sentir se melhor o facto de constatar que , pelo_menos para o Fred e para o George , a ideia de ele ser o herdeiro de Slytherin era absolutamente ridícula . Mas as palhaçadas de eles pareciam ofender Draco_Malfoy que , de cada_vez que os via , ficava mais irritado . - É porque está ansioso por dizer que é mesmo ele - disse o Ron com ar conhecedor . - Sabes como ele detesta que alguém o ultrapasse e tu estás a receber todo o crédito por o seu trabalho sujo . - Não vai ser por muito_tempo - disse Hermione com uma voz satisfeita . - A poção * polisuco * está quase pronta . Um de estes dias arrancamos lhe a verdade . Finalmente , o período chegou a o seu termo e um silêncio profundo como a neve em os campos desceu sobre o castelo . Harry adorou a tranquilidade e apreciou o facto de ele , Hermione e os Weasley terem a torre de os Gryffindor por sua conta , poderem jogar a as explosões bem alto , sem incomodar ninguém e praticar duelos entre si . O Fred , o George e a Ginny tinham preferido ficar em a escola a ir com Mr. e Mrs._Weasley a o Egipto visitar o Bill . Percy que reprovava e considerava infantil a conduta de eles , não passava muito_tempo em a sala comum de os Gryffindor . Já lhes dissera pomposamente que só ficara ali em o Natal , por ser sua obrigação como prefeito apoiar os professores em aquela época agitada . A manhã de o dia de Natal clareou branca e fria . Harry e Ron , os únicos que estavam em o dormitório , foram acordados muito cedo por Hermione que entrou , toda vestida , transportando presentes para ambos . - Acordem - disse em voz alta , abrindo os cortinados . - Hermione , tu não devias estar aqui - exclamou o Ron , protegendo os olhos de a luz . - Feliz_Natal para ti também - disse Hermione , atirando lhe o presente que tinha para ele . - Estou acordada há quase uma hora , acrescentando mais asas de renda a a poção . Está pronta . Harry sentou se , subitamente acordado . - Tens a certeza ? - Absoluta - disse ela , afastando o rato Scrabbers para se sentar a os pés de a cama de dossel . - Se vamos mesmo tomá a , acho que devia ser logo a a noite . Em esse momentzo , a Hedwig entrou em o quarto , transportando em o bico um embrulho pequenino . - Olá - disse Harry , feliz a o vê a aterrar em a sua cama . - Já me falas outra_vez ? Ela mordiscou lhe a orelha de uma forma afectuosa que foi , de longe , um presente melhor do_que aquele que transportava e que era afinal de os Dursley . Tinham mandado a Harry um palito para os dentes com um cartão pedindo lhe que se informasse se não poderia ficar , também em o Verão , em Hogwarts . Os outros presentes que Harry recebeu foram bastante melhores . Hagrid mandara lhe uma lata grande de bombons de melaço que ele decidiu amolecer a o lume antes de comer , o Ron deu lhe um livro chamado * _ Voando com Canhões * , que narrava factos interessantes sobre a sua equipa favorita de Quidditch e Hermione trouxera lhe uma luxuosa pena de águia . Harry abriu o último presente onde vinha uma camisola novinha , feita a a mão por Mrs._Weasley e um grande bolo de passas . Pegou em o cartão com uma nova sensação de culpa , pensando em o carro de Mr._Weasley que não voltara a ser visto desde_que chocara contra o salgueiro zurzidor e em a quantidade de infracções que ele e o Ron tinham em mente . Ninguém , nem mesmo os que estavam cheios de medo por terem de tomar a poção * polisuco * a seguir , deixou de adorar o jantar de Natal em Hogwarts . O salão nobre estava magnífico . Não_só havia uma_dúzia de árvores de Natal , cobertas de geada e espessas serpentinas de azevinho e visco bravo cruzando se junto de o tecto como caia uma neve encantada quente e seca . Dumbledore conduziu os em uma de as suas canções de Natal preferidas enquanto Hagrid se agitava , falando cada_vez_mais alto , a cada gole de gemada que tomava . O Percy que não dera por_que Fred enfeitiçara o seu distintivo de prefeito , onde agora podia ler se « cabeça de alfinetes « , continuava a perguntar a todos para_onde estavam a olhar . Harry nem_sequer se importou com os comentários que Draco_Malfoy fazia bem alto , de a mesa de os Slytherin acerca de a sua camisola nova . Com alguma sorte , Malfoy iria ser desmascarado dentro_de algumas horas . Harry e Ron mal tinham acabado a terceira dose de pudim de Natal quando Hermione os fez sair de o salão a a pressa para acabarem de tratar de os planos para essa noite . - Ainda precisamos de um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos - disse com o ar mais natural de este mundo como_se estivesse a mandá os a o supermercado comprar detergente . - E , é claro que o ideal será conseguirmos alguma coisa de o Crabbe e de o Goyle , são os melhores amigos de o Malfoy , ele conta lhes tudo . E precisamos também de ter a certeza de que eles não vão entrar em a sala quando vocês estiverem a interrogar o Malfoy . - Eu tenho tudo pensado - prosseguiu ela , ignorando a expressão estupefacta de Harry e Ron . Pegou em dois apetitosos bolos de chocolate . - Pus lhes um encantamento de sono . Vocês só têm de fazer com que o Crabbe e o Goyle os encontrem . Sabem como eles são gulosos , vão logo comê os . Quando estiverem a dormir , tirem lhes alguns cabelos e escondam nos em uma despensa de vassouras . Harry e Ron olharam , incrédulos , um para o outro . -- Hermione , eu não creio que ... -- Isto pode correr muito mal ... Mas Hermione tinha um brilho inflexível em os olhos que não era muito diferente do_que costumavam ver em o olhar de a professora Mc_Gonagall . - A poção não nos serve de nada sem os cabelos de o Crabbe e de o Goyle - disse com firmeza . - Vocês querem mesmo descobrir coisas sobre o Malfoy , não querem ? - Pronto , está bem - disse Harry . - Mas , e tu , vais arranjar cabelos de quem ? - Eu já tenho esse assunto resolvido - disse Hermione sorridente , tirando um frasquinho de o bolso e mostrando lhes um cabelo que lá estava dentro . - Lembram se de a Millicent_Bulstrode que lutou comigo em o clube de os duelos ? Ela deixou isto em o meu manto quando tentava estrangular me . E foi passar o Natal a casa , portanto , basta me dizer a os Slytherins que decidi voltar . Quando Hermione saiu para verificar de_novo a poção polisuco , Ron voltou se para Harry com uma expressão lúgubre . - Alguma vez viste um plano onde tantas coisas pudessem correr mal ? Mas para grande espanto de ambos , a primeira fase de a operação decorreu tão naturalmente como Hermione previra . Eles esconderam se em o * hall * de entrada , depois de o lanche de Natal , a a espera de o Crabbe e de o Goyle que tinham ficado sozinhos a a mesa de os Slytherin , deitando abaixo a quarta dose de bolo inglês . Harry colocou os bolos de chocolate em o fim de o corrimão . Quando avistaram Crabbe e Goyle a sair de o salão , Harry e Ron esconderam se rapidamente atrás_de uma armadura que estava junto de a porta de entrada . - Como_se pode ser tão estúpido ? - murmurou Ron sem se mexer enquanto Crabbe apontava satisfeitíssimo , mostrando a Goyle os bolos e agarrando os . Com um riso estúpido , enfiaram nos inteiros em as bocas enormes . Durante um momento , ambos mastigaram avidamente com olhares vitoriosos em o rosto . Depois , sem que a expressão se alterasse , caíram para trás e estatelaram se em o chão . Mais difícil foi transportá os para a despensa de o outro lado de o * hall * . Uma_vez armazenados em o meio de os baldes e esfregões , Harry arrancou alguns de os pêlos que cobriam a cabeça de o Goyle e Ron tirou alguns cabelos a o Crabbe . Roubaram lhes também os sapatos porque os de eles eram demasiado pequenos para os enormes pés de o Crabbe e de o Goyle . Em seguida , ainda atordoados com o que tinham acabado de fazer , correram até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mal conseguiam ver com o fumo preto e espesso que saía de o cubículo onde Hermione mexia o caldeirão . Tapando o rosto com os mantos , Harry e Ron bateram a o de leve em a porta . - Hermione ? Ouviram o ruído de o trinco e Hermione apareceu com a cara lustrosa e um ar ansioso . Por trás de ela ouviam o gloop gloop de a poção espessa e gorgolejante . Em o banco de a casa_de_banho estavam três copos de vidro . - Conseguiram ? - perguntou Hermione quase sem fôlego . Harry mostrou lhe o cabelo de o Goyle . - _ óptimo . Eu tirei estes mantos suplementares de a lavandaria - disse ela , pegando em uma pequena saca . - Vocês vão precisar de tamanhos maiores se vão ser o Crabbe e o Goyle . Olharam os três para o caldeirão . Vista de perto , a poção parecia uma lama espessa e escura a borbulhar indolentemente . - Tenho a certeza que fiz tudo certo - disse Hermione nervosa , relendo a página manchada de * _ Moste_Potente_Potions * . - Tem o aspecto que o livro diz que deveria ter ... depois de a tomar temos precisamente uma hora antes de nos transformarmos de_novo em as pessoas que somos . - E agora ? - murmurou o Ron . - Separamos a em três copos e adicionamos os cabelos . Hermione encheu cada_um de os copos com uma concha de sopa . Em seguida , retirou com a mão a tremer o cabelo de Millicent_Bulstrode de dentro de o frasquinho e pô o em o primeiro copo . A poção chiou fortemente como uma chaleira a ferver e espumou como louca . Um segundo depois ganhara um tom de amarelo doentio . - Urgh ! Essência_de_Millicent_Bulstrode - disse Ron , olhando com repugnância . - Aposto que o sabor é nojento . - Deitem os vossos - disse Hermione . Harry deixou cair o cabelo de o Goyle em o copo de o meio e Ron lançou o de o Crabbe em o último . Ambos chiaram e espumaram : o de o Goyle ficou de um tom caqui , o de o Crabbe de um castanho-escuro algo tenebroso . - Esperem - pediu Harry quando Ron e Hermione pegaram em os copos . - Será melhor não os tomarmos aqui todos juntos em um cubículo ; quando em os transformarmos não vamos cá caber e Millicent_Bulstrode não é nenhum duende . - Bem pensado - admitiu o Ron , abrindo a porta . - Cada_um em seu cubículo . Com todo o cuidado , para não entornar nem uma gota de a poção polisuco , Harry esgueirou se para o cubículo de o meio . - Prontos ? - perguntou . - Prontos - responderam as vozes de o Ron e de a Hermione . - Um , dois , três . Tapando o nariz , Harry bebeu a poção em dois grandes tragos . Tinha o sabor de a couve demasiado cozida . Os seus interiores começaram imediatamente a contorcer se como_se tivesse engolido serpentes vivas . Dobrado , Harry perguntava a si próprio se iria vomitar . Depois , uma sensação de ardor espalhou se rapidamente de o estômago até a as pontas de os dedos de as mãos e de os pés . Em seguida , fazendo o sobressaltar se , sobreveio o sentimento horrível de estar a derreter enquanto a pele de todo o seu corpo borbulhava como cera quente e , perante os seus olhos , as mãos começaram a crescer , os dedos a engrossar , as unhas a alargar e as articulações a tornarem se protuberantes como ferrolhos . Os ombros retesaram se dolorosamente e uma comichão em a testa preveniu o de que o cabelo estava a rastejar em direcção a as sobrancelhas . As túnicas rasgaram se enquanto o tórax se expandia como um barril , rebentando com os seus anéis . Os pés estavam em grande sofrimento dentro_de sapatos quatro números abaixo . Tão depressa como começara , tudo parou . Harry estava caído em o chão de pedra fria , ouvindo a Murta_Queixosa gorgolejando taciturna em o cubículo de o fundo . Com alguma dificuldade tirou os sapatos e levantou se . Era então assim que o Goyle se sentia ! Com a mão enorme a tremer , despiu a sua túnica que lhe ficava 30 centímetros acima de os tornozelos , pegou em as túnicas suplementares e amarrou os atacadores de os sapatos abotinados de o Goyle . Quis escovar o cabelo para o afastar um_pouco de os olhos e deu apenas com os pêlos hirsutos que lhe cresciam em a testa . Apercebeu se então de que os óculos lhe toldavam a visão porque o Goyle , obviamente , não precisava de eles . Tirou os e gritou . - Vocês estão bem ? - De a sua boca saiu a voz baixa e grossa de o Goyle . - Sim - respondeu lhe o grunhido de o Crabbe , a a sua direita . Harry abriu a porta de o cubículo e dirigiu se a o espelho partido . O Goyle olhava o de o outro lado com os seus olhos parados . Harry coçou a orelha e Goyle fez o mesmo . A porta de o Ron abriu se . Olharam um para o outro . Harry estava pálido e chocado . O amigo não se distinguia de o Crabbe , desde o corte de cabelo em forma de tigela até a os longos braços de gorila . - É inacreditável - disse o Ron , aproximando se de o espelho e beliscando o nariz achatado de o Crabbe . - Inacreditável ! - É melhor irmos indo - disse Harry , alargando a pulseira de o relógio que lhe cortava o pulso . - Ainda temos de descobrir onde fica a sala comum de Slytherin . Só espero que encontremos alguém que vá para lá e que nós possamos seguir . Ron que tinha estado a olhar espantado para ele , comentou : - Não imaginas como é bizarro ver o Goyle a pensar - bateu em a porta de Hermione . - Vamos , temos que ir ... Respondeu lhe uma voz aguda : - Eu ... eu acho que afinal não vou . Vão vocês sem mim . - Hermione , nós sabemos que a Millicent_Bulstrode é feia , ninguém vai pensar que és tu . - Não , a sério , acho que não vou . Despachem se vocês os dois , estão a perder tempo . Harry olhou para Ron , baralhado . - Aquilo parece mais de o Goyle , é como ele fica sempre_que algum professor lhe faz uma pergunta . - Estás bem , Hermione ? - perguntou Harry , através de a porta . - _ óptima , estou óptima , vão se embora . Harry olhou para o relógio . Cinco preciosos minutos tinham já passado . - Encontramo nos aqui , está bem ? - disse . Os dois abriram a porta de a casa_de_banho com todo o cuidado , viram se o caminho estava livre e saíram . - Não balances assim os braços - disse o Harry a o Ron . - Hein ? - O Crabbe anda sempre com eles esticados . - Assim ? - Isso , assim está melhor . Desceram a escadaria de mármore . Só precisavam agora de um Slytherin que pudessem seguir até a a sala comum , mas não havia ninguém por perto . - Tens alguma ideia ? - perguntou Harry em um murmúrio . - Os Slytherin vêm sempre de ali para o pequeno-almoço - disse o Ron , apontando para a entrada de os calabouços . Mal tinha pronunciado estas palavras quando uma rapariga de cabelo comprido a os caracóis , apareceu . - Desculpa - disse o Ron , sem perder tempo . - Esquecemo nos de o caminho para a nossa sala comum . - Como ? - disse a rapariga com a maior frieza . - A * nossa * sala comum ? Eu sou uma Ravenclaw . Afastou se , olhando para eles , desconfiada . Harry e Ron desceram apressadamente os degraus de pedra até a a escuridão . Os passos ecoavam em o silêncio , à_medida_que os pés enormes de Crabbe e Goyle tocavam em o chão , fazendo os sentir que as coisas não iam ser tão fáceis como eles desejavam . Os corredores labirínticos estavam desertos . Andaram e tornaram a andar por os subterrâneos , olhando constantemente para os relógios para ver quanto tempo ainda lhes restava . Depois de um quarto de hora , quando começavam a ficar desesperados , ouviram um movimento súbito . - Olha - disse o Ron , agitadamente . - Agora é um de eles . A silhueta saía de uma sala , mas quando se aproximaram o coração de ambos esmoreceu . Não era um Slytherin , era Percy . - O que estás a fazer aqui em baixo ? - perguntou o Ron surpreendido . - Isso - disse ele friamente - não é de a tua conta . És o Crabbe , não és ? - Er ... sim , sim - respondeu o Ron . - Então vão para o vosso dormitório - ordenou Percy com firmeza . - Não é seguro andar a passear por os corredores escuros em os dias que correm . - Tu andas -- fez notar o Ron . - Eu - disse o Percy endireitando se - sou um prefeito . Nada vai atacar me . Ouviu se , de repente , uma voz por_detrás_de Harry e Ron . Era_Draco_Malfoy e , pela_primeira_vez em a vida , Harry ficou satisfeito a o vê o . - Aí estão vocês - disse de modo arrastado , olhando para eles . - Têm estado a chafurdar em o salão este tempo todo ? Tenho andado a a vossa procura , quero mostrar vos uma coisa muito divertida . Malfoy olhou misteriosamente para Percy . - E o que fazes tu aqui , Weasley ? - perguntou com ar de desprezo . Percy olhou , sentindo se ultrajado . - Fazes favor de mostrar um_pouco mais de respeito por um prefeito de a escola - disse . - Não gosto de o teu ar . Malfoy riu se e fez sinal a o Harry e a o Ron para que o seguissem . Harry quase ia pedindo desculpa a o Percy , mas deu se conta a tempo . Apressaram se a seguir o Malfoy que disse , mal viraram em o corredor seguinte : - Aquele Peter_Weasley ... - O Percy - corrigiu Ron automaticamente . - Ou isso - continuou Malfoy . - Ultimamente tenho o visto muitas_vezes a andar por aí sorrateiramente e aposto que sei o que ele quer . Pensa que vai apanhar o herdeiro de Slytherin sozinho . Deu uma pequena gargalhada ridícula . Harry e Ron trocaram olhares nervosos . Malfoy parou junto de uma parede de pedra húmida . - Qual é a senha ? - perguntou a o Harry . - Er ... - Ah ! sim , sangue puro - disse Malfoy sem ouvir e uma porta de pedra , oculta em a parede , abriu se . Malfoy entrou e Harry e Ron seguiram o . A sala comum de os Slytherin era uma ampla divisão subterrânea com espessas paredes de pedra e um tecto de o qual estavam pendurados por correntes vários candeeiros redondos que davam uma luz esverdeada . O fogo crepitava em uma lareira elaboradamente esculpida em frente de a qual se viam as silhuetas de vários Slytherins sentados em cadeiras igualmente esculpidas . - Esperem aí - disse Malfoy a o Harry e a o Ron , encaminhando os para um par de cadeiras vazias , longe de o lume . - Eu vou buscar o que o meu pai acaba de me mandar . Sem saber o que Malfoy iria mostrar lhes , Harry e Ron sentaram se , fazendo todos os possíveis por parecer a a vontade . Malfoy voltou um minuto depois , trazendo em a mão o que parecia ser um recorte de jornal . Pô o debaixo de o nariz de o Ron . - Vais te rir - disse . Harry viu os olhos de o Ron abrirem se como_se estivesse em estado de choque . Viu o ler o recorte rapidamente , dar uma gargalhada forçada e estender lhe o em seguida . Tinha sido retirado de o * _ Profeta_Diário * e dizia : inquérito em o ministério de a magia * _ Arthur_Weasley , chefe de o Gabinete_de_Mau_Uso_dos_Utensílios_dos_Muggles foi hoje multado em cinquenta galeões por ter enfeitiçado um carro de os Muggles . * _ O senhor Lucius_Malfoy , Membro_do_Conselho_Directivo_da_Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts , onde o carro enfeitiçado foi chocar em o princípio de este ano , exigiu hoje a demissão de Mr._Weasley . « * _ O_Weasley trouxe o descrédito a o Ministério « - declarou Mr._Malfoy a o nosso repórter . - « É claramente incompetente para fazer cumprir as leis e a sua protecção ridícula de os Muggles deveria ir imediatamente para a sucata . » * _ Mr._Weasley recusou se a fazer comentários , mas a sua mulher disse a os repórteres que desaparecessem de ali ou lançaria contra eles o vampiro de a família * . - Então - disse Malfoy impaciente quando Harry voltou a entregar lhe o recorte . - Não achas o_máximo ? - Ha , ha - fez Harry tristemente . - O Arthur_Weasley gosta tanto de os Muggles que era capaz de partir a sua varinha a o meio para se juntar a eles - disse Malfoy com desprezo . - Ninguém diria que os Weasley eram sangue puro a avaliar por o modo como_se comportam . A cara de o Ron , ou melhor , de o Crabbe , contorceu se de raiva . - O que é_que se passa ? - perguntou Malfoy . - Dores de estômago - gemeu o Ron . - Então vai a a ala hospitalar e dá a todos aqueles sangues de lama um pontapé de a minha parte - disse Malfoy com o seu riso escarninho . - Sabes que estou espantado por o * _ Profeta_Diário * ainda não se ter referido a todos estes ataques - continuou pensativamente . - Calculo que o Dumbledore deve estar a tentar abafar as coisas . Ele ainda é posto em a rua se isto não acaba depressa . O pai sempre disse que Dumbledore foi a pior coisa que aqui veio parar . Ele adora os filhos de os Muggles , um director decente nunca deixaria um lodo como o Creevey entrar em esta escola . Malfoy começou a fingir que tirava fotografias com uma máquina imaginária e fez uma imitação maldosa , mas bastante fiel de o Colin : - Potter , posso tirar te a fotografia ? Dás me um autógrafo ? Posso lamber te os sapatos , por favor , Potter ? Baixou as mãos e olhou para Harry e Ron . - O que é_que se passa com vocês os dois ? Um_pouco atrasados , Harry e Ron forçaram o riso e Malfoy pareceu satisfeito . Talvez Crabbe e Goyle fossem sempre de reacção lenta . - O santo Potter , amigo de os sangues de lama - disse Malfoy . - É outro que não tem os sentimentos de um feiticeiro a sério ou não andaria por aí com aquela empertigada sangue de lama Granger . E as pessoas a pensarem que ele é o herdeiro de Slytherin . Harry e Ron esperaram com a respiração entrecortada : o Malfoy ia certamente dizer lhes , dentro_de segundos , que era ele , mas então ... - Quem me dera saber quem ele é - disse o Malfoy , de forma petulante . - Podia ajudá o . O queixo de o Ron caiu de tal maneira que a cara de o Crabbe ficou ainda mais desajeitada do_que era habitual . Felizmente Malfoy não deu por nada e Harry , em um pensamento rápido , disse : - Deves ter alguma ideia de quem está por_detrás_de tudo ... - Sabes perfeitamente que não tenho , Goyle , quantas vezes é preciso dizer te ? - cortou Malfoy . - E o pai também não me diz nada sobre a última vez que a câmara foi aberta . É claro que foi há cinquenta anos , antes de ele cá andar , mas o pai sabe tudo a esse respeito e diz que as coisas foram mantidas em grande segredo e que pareceria suspeito se eu soubesse demasiado . Mas há uma coisa que eu sei : de a última vez que a câmara foi aberta , morreu um sangue de lama . Por isso , aposto que é uma questão de tempo até que um de eles seja morto . Só espero que seja a Granger - disse satisfeito . Ron fechara os punhos gigantescos de o Crabbe . Sentindo que deitaria tudo a perder se ele desse um soco a o Malfoy , Harry lançou lhe um olhar de aviso e disse : - Sabes se a pessoa que abriu a câmara de a última vez foi apanhada ? - Ah ! sim , essa pessoa foi expulsa - disse Malfoy . - Ainda deve estar em Azkaban . - Azkaban ? - repetiu Harry confuso . - Azkaban , a prisão de os feiticeiros , Goyle - disse Malfoy , olhando para ele incrédulo . - Francamente , se fosses mais lento andavas para trás . Esticou se intranquilo , em a cadeira e disse : - O pai diz para eu esfriar a cabeça e deixar que o herdeiro de Slytherin faça o seu trabalho . Acha que a escola precisa de se livrar de a escória de os sangues de lama , mas não quer que eu me envolva em nada . Claro que ele agora tem um prato cheio . Sabes que o Ministério de a magia fez uma busca a a nossa mansão em a semana passada ? Harry tentou forçar a cara de bronco de o Goyle a uma expressão preocupada . - Sim - continuou Malfoy . - É claro que não encontraram grande coisa . O pai guarda uns materiais de magia negra muito valiosos , mas , felizmente , temos a nossa câmara secreta debaixo de o soalho de a sala de visitas ... - Ah ! - disse o Ron . Malfoy olhou para ele . Harry também . Ron corou e até o cabelo começou a ficar vermelho . O nariz estava também a diminuir lentamente ... a hora tinha acabado . Ron estava a voltar a a sua forma habitual e por o olhar de horror que lançou a Harry certamente ele também estava . Puseram se rapidamente de pé . - Tenho de tomar o remédio para o estômago - grunhiu o Ron e sem mais explicações saíram ambos a correr de a sala comum de os Slytherin , precipitaram se para a parede de pedra e galgaram a passagem , pedindo a todos os santos que Malfoy não tivesse dado por nada . Harry sentia os pés a nadarem em os sapatos enormes de o Goyle e tinha de levantar o manto visto_que diminuíra de tamanho . Subiram os degraus a correr até a o * hall * escuro de entrada onde se ouvia um som abafado que vinha de a despensa onde tinham fechado o Crabbe e o Goyle . Deixando os sapatorros de os dois de o lado de_fora , subiram já com os respectivos sapatos a escadaria de mármore até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Bem , não foi uma total perda de tempo - disse o Ron ofegante , fechando atrás_de si a porta de a casa_de_banho . - É certo que ainda não descobrimos de quem vêm os ataques , mas vou escrever a o meu pai amanhã a dizer lhe que procure debaixo de o soalho de a sala de visitas de o Malfoy . Harry olhou para o espelho partido . Tinha voltado a o normal . Pôs os óculos enquanto Ron batia em a porta de o cubículo de Hermione . - Hermione , sai de aí , temos um monte de coisas para te contar ... - Vão se embora - guinchou Hermione . Harry e Ron olharam um para o outro . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron . - Tu já deves ter voltado a o normal como nós ... Mas a Murta_Queixosa saiu subitamente através de a porta de o cubículo com um ar divertido como nunca a tinham visto . - Oh ! Esperem até ver - disse ela . - É horrível ! Ouviram o trinco de a porta a abrir se e Hermione apareceu a soluçar , a túnica levantada a cobrir lhe o rosto . - O que foi ? - perguntou o Ron indistintamente . - Ainda tens o nariz de a Millicent ou alguma coisa assim ? Hermione deixou cair a roupa e Ron recuou rapidamente . O rosto de ela estava coberto de pêlo preto , os olhos tinham ganho uma cor amarela e as orelhas eram pontiagudas , saindo espetadas para fora de os cabelos . - Era um pêlo de g-gato - disse a chorar . - A Millicent_Bulstrode d-deve ter um gato e a poção não está preparada para transformação em animais . - Oh-oh - disse o Ron . - Vão te gozar horrivelmente - disse a Murta , felicíssima . - Não te preocupes , Hermione - tranquilizou a rapidamente o Harry . - Vamos levar te para a ala hospitalar , a Madam_Pomfrey nunca faz muitas perguntas ... Não foi fácil convencer Hermione a sair de a casa_de_banho . A Murta_Queixosa despediu se com uma gargalhadavigorosa e grosseira . - Espera até todos descobrirem que tens uma cauda ! XIII_O diário muito secreto Hermione ficou em a ala hospitalar durante várias semanas . Houve uma onda de boatos sobre o seu desaparecimento quando o resto de os alunos voltou de as férias de Natal porque , é claro , todos pensam que ela tinha sido atacada . Foram tantos os estudantes a rondar a ala hospitalar para espreitar a ver se a viam que Madam_Pomfrey desceu de_novo as cortinas de a cama de ela para a poupar a a vergonha de ser vista com pêlo em a cara . Harry e Ron iam visitá a todas_as tardes . Quando o segundo período começou passaram a levar lhe diariamente os trabalhos de casa . - Se eu tivesse o bigode a crescer , tinha uma folga de o trabalho - disse uma tarde o Ron enquanto colocava uma pilha de livros a a cabeceira de a cama de Hermione . - Não sejas parvo , Ron , eu tenho de me manter a par de as coisas - disse Hermione com vivacidade . O humor de ela melhorara bastante com o facto de lhe ter desaparecido todo o pêlo de o rosto e de os olhos estarem lentamente a retomar a cor castanha . - Calculo que não tenham novas pistas ? - disse em um murmúrio para evitar que Madam_Pomfrey os ouvisse . - Nada - disse Harry tristemente . - Eu tinha tanta certeza de que era o Malfoy - repetiu o Ron por a centésima vez . - O que é isso ? - perguntou Harry , apontando para uma coisa com brilho dourado que estava debaixo de a almofada de Hermione . - É só um cartão a desejar boas melhoras - disse ela precipitadamente , tentando escondê o , mas o Ron foi mais rápido . Pegou lhe , abriu o e leu em voz alta : * _ Para_Miss_Granger , desejando lhe uma rápida recuperação , com o interesse e estima de o professor Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , Terceiro grau , Membro_Honorário_da_Liga_de_Defesa contra as Artes_Negras e vencedor por cinco vezes de o prémio O sorriso mais charmoso de a semana de o Semanário_das_Bruxas * . Ron olhou desconsolado para Hermione . - Tu dormes com isto debaixo de a almofada ? Mas Hermione foi poupada a ter de responder por a entrada de Madam_Pomfrey que lhe trazia a dose de medicamento de a tarde . - Achas que o Lockhart é o tipo mais esperto que conheceste ? - perguntou o Ron a o Harry quando saíram de a enfermaria e começavam a subir as escadas para a torre de os Gryffindor . O Snape tinha lhes passado tanto trabalho para_casa que Harry pensou que ia chegar a o sexto ano antes de o ter acabado . Ron vinha a dizer que devia ter perguntado a a Hermione quantas caudas de rato deveria juntar se a uma poção para o crescimento de o cabelo quando um grito de raiva vindo de o andar de cima lhes chegou a os ouvidos . - É o Filch - murmurou Harry enquanto subiam apressadamente as escadas e paravam para ouvir melhor . - Terá mais alguém sido atacado ? - disse nervosamente o Ron . Ficaram parados com as cabeças inclinadas para a voz de o Filch que parecia quase histérica . -- ... * _ Ainda mais trabalho para mim . Toda_a noite a esfregar como_se não tivesse já trabalho de sobra . Não , isto foi a gota de água que fez transbordar o copo , vou falar com Dumbledore * ... Os passos afastaram se e ouviram uma porta fechar se com grande estrondo . Puseram as cabeças fora de a esquina . O Filch tinha obviamente estado a patrulhar o seu habitual posto de vigia : estavam novamente em o lugar onde Mrs._Norris fora atacada . Perceberam imediatamente qual o motivo de os gritos . Uma enorme poça de água enchia metade de o corredor e parecia escorrer de a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Agora_que o Filch se calara podiam ouvir os uivos de a Murta que faziam eco em as paredes de a casa_de_banho . - Mas o que se passará com ela ? - disse o Ron . - Vamos lá ver - sugeriu Harry e arregaçando as túnicas até a os tornozelos entraram , atravessando a enorme poça de água , em a casa_de_banho que tinha o letreiro a dizer « Fora de serviço » e que eles , como sempre , ignoraram . A Murta_Queixosa chorava , se possível , mais alto do_que nunca . Parecia estar escondida em o cubículo de o costume . Lá dentro estava escuro pois as velas tinham se apagado com a enchente de água que deixara as paredes e o chão ensopado . - O que se passa , Murta ? - quis saber o Harry . - Quem é ? - perguntou ela infelicíssima . - Vieste atirar me mais alguma coisa acima ? Harry caminhou com dificuldade por causa de a água até a o cubículo de ela e disse : - Porque te faríamos nós uma coisa de essas ? - Não me perguntem - gritou a Murta , emergindo em uma onda de água que molhou ainda mais o chão já ensopado . - Eu estou aqui metida em a minha morte e alguém acha muito engraçado atirar me com um caderno acima ... - Mas , não pode magoar te se alguém te atirar alguma coisa acima - disse Harry , tentando ser prático . - Isto_é , seja o que for passa através_de ti , não é assim ? Tinha dito a frase errada . A Murta encheu o peito de ar e gritou a plenos pulmões : - Vamos todos atirar cadernos a a Murta já_que ela não sente nada ! Dez pontos se lhe acertarem em o estômago , cinquenta se lhe atravessar a cabeça ! Hah hah hah , que jogo lindo , não acham ? - Quem te atirou um caderno , afinal ? - perguntou o Harry . - Não sei ... eu estava sentada em a sanita a pensar em a morte e caiu me em cima de a cabeça - disse a Murta , olhando para eles . - Está ali , ficou todo molhado . Harry e Ron olharam para o ponto que a Murta lhes apontava debaixo de o lavatório . Um caderno pequenino e fino estava caído em o chão . Tinha uma capa preta muito gasta e estava encharcado como tudo em aquela casa_de_banho . Harry deu um passo em frente para o apanhar , mas o Ron agarrou lhe precipitadamente o braço . - O que foi ? - perguntou Harry . - Estás doido - disse ele . - Pode ser perigoso . - Perigoso ? - riu se Harry . - Essa agora Ron , como é_que pode ser perigoso ? - Ficarias surpreendido ... - explicou ele , olhando com ar apreensivo para o caderno . - Entre os livros que o Ministério confiscou , contou me o meu pai , havia um que queimava os olhos a as pessoas . E todos os que leram os * _ Sonetos_de_Um_Feiticeiro * ficaram a falar em verso para o resto de a vida . Havia também uma bruxa em Bath que tinha um livro que quem o lesse nunca mais conseguia parar , tinha de andar por aí com o nariz enfiado em as folhas , a fazer todas_as coisas só com uma mão e ... - Já chega , já chega , já percebi a tua ideia - disse O_Harry . O caderninho continuava caído e ensopado . - Bem , nunca saberemos a_não_ser_que tenhamos a coragem de dar uma vista de olhos - disse e mergulhou apanhando o de o chão . Harry viu imediatamente que se tratava de um diário e a data meio apagada , em a capa , disse lhe que tinha cinquenta anos de idade . Abriu o ansiosamente . Em a primeira página podia ler se apenas o nome T._M._Riddle em tinta esborratada . - Espera aí - disse o Ron que se aproximara prudentemente e olhava por cima de o ombro de Harry . - Eu conheço esse nome ... T._M._Riddle recebeu um prémio por serviços especiais prestados a a escola há cinquenta anos atrás . - Como diabo sabes tu isso ? - perguntou Harry com grande espanto . - Porque o Filch mandou me limpar a taça de ele umas cinquenta vezes quando estive de castigo - disse o Ron ressentido . - Foi a taça em cima de a qual eu vomitei lesmas . Se tivesses tido que limpar o muco de um nome durante uma hora também te lembrarias . Harry separou umas de as outras as páginas molhadas . Estavam completamente em branco . Não havia o mais leve sinal de escrita em nenhuma , nem coisas como « Aniversário de a tia Mabel « ou « Dentista a as três_e_meia » . - Ele nunca escreveu nada aqui - disse Harry desapontado . - Porque quereria alguém atirá o fora ? - perguntou se o Ron com curiosidade . Harry voltou o caderno e viu , inscrito em a contra capa , o nome de uma tabacaria em Vauxhall_Road , Londres . - Ele devia ser filho de Muggle - disse Harry pensativo - para ter comprado um diário em Vauxhall_Road ... - Bem , não te serve de muito - Ron baixou a voz . - Cinquenta pontos se acertares em o nariz de a Murta . Harry , mesmo_assim , guardou o diário . Hermione saiu de a ala hospitalar desbigodada , sem cauda e sem pêlo em os primeiros dias de Fevereiro . Em a primeira noite em a torre de os Gryffindor , Harry mostrou lhe o diário de T._M._Riddle e contou lhe como o tinham encontrado . - Ooooh ! Deve ter poderes ocultos - disse ela entusiasticamente , pegando em o diário e examinando o de perto . - Se tem , esconde os muito bem - disse Ron . - Talvez fosse tímido . Não sei porque não deitas isso fora , Harry . - Gostava de perceber porque motivo alguém se quis livrar de ele - explicou Harry . - E também não me importava de saber como foi que o Riddle obteve esse prémio de serviços especiais prestados a Hogwarts . - Pode ter sido qualquer coisa - lançou o Ron . - Talvez tenha recebido 30 de nota final ou salvo um professor de a lula gigante . Se_calhar assassinou a Murta , isso teria sido um favor prestado a todos ... Mas Harry quase podia jurar , por o olhar suspenso em a cara de Hermione , que ela pensava o mesmo_que ele . - O que foi ? - perguntou Ron , olhando para um e para o outro . - Bem , a Câmara_dos_Segredos foi aberta há cinquenta anos , não foi isso que disse o Malfoy ? - Sim - respondeu Ron , lentamente . - E este diário tem cinquenta anos de idade - completou Hermione , dando lhe palmadinhas nervosas . - E de aí ? - Oh Ron , acorda - insistiu Hermione . - Sabemos que a pessoa que abriu a câmara de a outra_vez foi expulsa há cinquenta anos . E se o Riddle tivesse tido o prémio especial por apanhar o herdeiro de Slytherin ? O seu diário diria nos provavelmente tudo : onde é a Câmara_dos_Segredos , como abris a e que tipo de criatura vive lá . Achas que a pessoa que está por trás de os ataques desta_vez quereria o diário por aí ? - É uma teoria interessante , Hermione - disse o Ron . - Apenas com uma pequenina falha : o diário não tem nada Mas_Hermione já estava a tirar a varinha de o saco . - Pode ser tinta invisível - murmurou . Bateu três vezes em o diário e repetiu * _ Aparecium ! * Nada aconteceu . Intrépida , Hermione meteu a mão de_novo em o saco e tirou o que parecia ser uma borracha vermelha e brilhante . - É um * revelador * , comprei o em a Diagon - _ Al - disse . Apagou com força em 1_de_Janeiro . Não sucedeu nada . - Já vos disse , não há nada aí - repetiu o Ron . - O Riddle deve ter recebido um diário como prenda de Natal e nem se deu a o trabalho de escrever fosse o que fosse . Harry não conseguia explicar , nem a si próprio , porque motivo não deitara fora o diário de Riddle . A verdade é_que , mesmo depois de saber que ele estava em branco , continuou distraidamente a pegar lhe e a virar as páginas como_se quisesse chegar a o fim de uma história . E , apesar_de saber que nunca tinha ouvido o nome T._M._Riddle , continuava a ter a sensação de que lhe dizia alguma coisa , como_se Riddle fosse um amigo que ele tinha tido quando era muito pequeno e que estivesse meio esquecido . Mas era um absurdo . Nunca tivera amigos antes de Hogwarts , Dudley tivera esse cuidado . Ainda_assim , Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle , por isso em o dia seguinte foi até a a sala de os troféus para examinar a taça , acompanhado de Hermione que estava interessadíssima e de Ron que se mostrava profundamente incrédulo , dizendo que tinha ficado farto de aquela sala até a o fim de a vida . A taça dourada de Riddle estava arrecadada em um armário de canto . Não fornecia detalhes sobre o motivo por_que lhe fora dada ( felizmente , se fosse maior ainda hoje estava a limpá a , disse o Ron ) . Mas encontraram o nome de Riddle em uma antiga medalha de Mérito_Mágico e em uma lista de antigos chefes de turma . - Parece o Percy - comentou Ron , torcendo o nariz com aversão . - Prefeito , chefe de turma , provavelmente o melhor em todas_as disciplinas . - Dizes isso como_se fosse uma coisa má - fez lhe notar Hermione , em um tom de voz ressentido . Um sol fraco brilhava agora de_novo em Hogwarts . Dentro de o castelo , o ambiente estava bastante melhor . Não tinha havido novos ataques desde Justin e Nick quase sem cabeça e Madam_Pomfrey teve a satisfação de informar que as Mandrágoras começavam a ficar instáveis e dissimuladas , sinal de que estavam a abandonar rapidamente a infância . - Logo_que o acne desapareça estarão prontas para novo transplante - ouviu a Harry dizer amavelmente a o Filch . - E depois de isso , não demorará muito até podermos cortá as e estufá as . - Vai ter Mrs._Norris de volta , muito em_breve . Talvez o herdeiro ou herdeira de Slytherin tenha perdido a coragem , pensou Harry . Deve ser cada_vez_mais arriscado abrir a Câmara_dos_Segredos com a escola tão alerta e desconfiada . Talvez o monstro , qualquer_que_fosse , estivesse a preparar se para hibernar durante outros cinquenta anos . Ernie_Mcmillan_dos_Hufilepuff não aceitou esta visão optimista . Continuava convencido de que Harry era o culpado , que se tinha traído em o clube de os duelos . Peeves não ajudava nada : continuava a cantar por os corredores Potter , * seu bandido * ... agora acompanhado de um esquema de dança . Gilderoy_Lockhart parecia pensar que fora ele quem pusera fim a os ataques . Harry fartou se de o ouvir dizer isso a a professora Mc_Gonagall enquanto os Gryffindor formavam bicha para a aula de Transfiguração . - Não creio que volte a haver problemas , Minerva - disse , tocando em o nariz com ar conhecedor e piscando o olho . - Acho que desta_vez a câmara foi definitivamente selada . O culpado deve ter sabido que era uma questão de tempo até eu o apanhar e que era mais sensato parar agora antes que eu lhe tratasse de a saúde . Sabe , a escola está a precisar de um intensificador de animo para apagar as lembranças de o último período . Não vou dizer lhe mais_nada , por enquanto , mas julgo que sei o que ... Voltou a tocar em o nariz e afastou se a passos largos . A ideia de Lockhart de um intensificador de ânimo ficou bastante clara em o dia_14_de_Fevereiro , a o pequeno-almoço . Harry não dormira grande coisa devido a o treino de Quidditch em a noite anterior e chegou a o salão um_pouco atrasado . Pensou , por momentos , que se tinha enganado em a porta . As paredes estavam todas cobertas com enormes e medonhas flores cor-de-rosa . Pior ainda , * confettis * em forma de corações caíam de o tecto azul pálido . Harry dirigiu se a a mesa de os Gryffindor onde o Ron estava sentado com um ar enjoado junto de Hermione que parecia particularmente risonha . - O que se passa ? - perguntou lhes , sentando se e sacudindo os * confettis * de o seu bacon . Ron apontou para a mesa de os professores , com um ar demasiado repugnado para falar . Lockhart , em as suas vestes rosa vivo , a condizer com a decoração de o salão , fazia sinal para que se calassem . Os professores que o ladeavam tinham um ar estupefacto . De o seu lugar , Harry podia ver um músculo mover se em a bochecha de a professora Mc_Gonagall . Snape estava com ar de quem tomou uma imensa dose de xarope * skele-gro * . - Feliz dia de S._Valentim - gritou Lockhart . - E permitam me que agradeça a as quarenta_e_seis pessoas que até agora me enviaram cartões . Sim , fui eu quem tomou a liberdade de vos fazer esta pequena surpresa , e ela não acaba aqui ! Lockhart bateu as palmas e por as portas de o * hall * entraram a marchar cerca de uma_dúzia de duendes de aspecto carrancudo . Não eram uns duendes quaisquer , diga se de passagem . Lockhart fizera os usar asas douradas e transportar harpas . - Os meus amigos cupidos , portadores de os cartões ! gritou Lockhart . - Eles vão andar por a escola durante o dia de hoje , entregando os vossos cartões de S._Valentim . E o divertimento não acaba aqui . Tenho a certeza de que os meus colegas vão querer participar em este espírito de festa . Porque não pedir a o professor Snape que vos mostre como preparar rapidamente uma poção de amor . E , enquanto ele a prepara , está aqui o professor Flitwick que é de todos os feiticeiros que conheci aquele que mais sabe de encantamentos de sedução , o grande safado ! O professor Flitwick enterrou o rosto em as mãos . Snape olhava como_se quisesse dar veneno a a primeira pessoa que fosse pedir lhe a poção de o amor . - Por favor , Hermione , diz me que não foste uma de as quarenta_e_seis - pediu Ron quando saíram de o salão para a primeira aula . Mas Hermione ficou subitamente muito interessada em procurar o horário dentro de a mala e não lhe respondeu . Durante todo o dia os duendes não pararam de se intrometer em as aulas para entregar cartões , para grande aborrecimento de os professores e , ao_fim_da_tarde , quando os Gryffindor subiam as escadas para a aula de encantamentos , um de eles avistou o Harry . - Hei , tu , Harry_Potter ! - gritou um duende de aspecto particularmente lúgubre , dando cotoveladas a_toda_a gente para se aproximar de o Harry . Coradíssimo com a ideia de receber um cartão de S._Valentim diante_de uma fila de alunos de o primeiro ano que , por acaso , incluía Ginny_Weasley , Harry tentou escapar se . Mas o duende cortou lhe o caminho através de a multidão e agarrou o em três tempos . - Tenho uma mensagem musical para entregar a Harry_Potter em pessoa - disse , tangendo a harpa de forma ameaçadora . - Aqui não - disse baixinho o Harry , tentando escapar . - Fica quieto - grunhiu o duende , agarrando o saco de o Harry e puxando com força . - Larga me - disse ele rispidamente , dando um puxão . Com um ruído de tecido a rasgar se , o saco dividiu se em dois . Os livros de Harry , varinha , pergaminho e pena espalharam se por o chão enquanto o tinteiro se partia em cima de as outras coisas . Harry pôs se de gatas , tentando apanhar tudo antes que o duende começasse a cantar , provocando um engarrafamento em o corredor . - O que se passa aqui ? - perguntou a voz fria e afectada de Draco_Malfoy . Harry , nervosíssimo , começou a guardar tudo dentro de o saco rasgado , desesperado para sair de ali antes que Malfoy pudesse ouvir o seu S._Valentim musical . - Que confusão é esta ? - disse outra voz familiar . Percy_Weasley tinha chegado . De cabeça perdida , Harry tentou fugir , mas o duende agarrou o por os joelhos e fê lo cair a o chão . - Certo - disse , sentando se em os tornozelos de Harry . Eis o teu cartão musical : * _ Os olhos de ele são verdes como o sapo de o quintal * _ O seu cabelo é escuro como um temporal * _ É um desatino , oh ! ele é divino ! * _ O herói que venceu o Senhor_do_Mal * . Harry teria dado todo o ouro de Gringotts para se evaporar em aquele momento . Tentando corajosamente rir se com todos os outros , levantou se . Sentia os pés dormentes de o peso de o duende . Enquanto isso , Percy_Weasley fazia todos os possíveis por dispersar a multidão onde havia gente que chorava de hilaridade . - Vamos embora , vamos embora , a campainha tocou há cinco minutos para as aulas - dizia , enxotando alguns de os alunos mais novos . - E tu , Malfoy . Harry olhou e viu Malfoy inclinar se , apanhar qualquer coisa e com um olhar maldoso mostrá a a Crabbe e Goyle . Percebeu que era o diário de Riddle . - Dá cá isso - exigiu com toda_a calma . - O que será que o Potter escreveu aqui ? - disse Malfoy que obviamente não reparara em a data e pensou que tinha em as mãos o diário de o Harry . Houve uma agitação em os presentes . Ginny olhava apavorada para o diário e para Harry . - Dá lhe isso , Malfoy - disse Percy com firmeza . - Depois de dar uma vista de olhos - retorquiu Malfoy , acenando a Harry com o diário de forma provocatória . Percy disse : - Como Prefeito de a escola ... - mas Harry perdera a paciência . Pegou em a varinha e gritou * _ Expelliarmus * e assim_como Snape desarmara Lockhart , MalLoy viu o diário saltar lhe de as mãos e elevar se em o ar enquanto Ron o apanhava sorridente . - Harry - disse Percy levantando a voz . - Não quero magia em os corredores . Vou ter de participar isto , sabes perfeitamente . Mas Harry não se importou . Tinha ganho uma_vez a Malfoy e isso valia bem cinco pontos a menos para os Gryffindor . Malfoy estava furioso e quando a Ginny passou por ele a caminho de a sala de aula , gritou lhe com desprezo : - Não creio que o Potter tenha gostado lá muito de o teu cartão de S._Valentim . Ginny tapou a cara e correu para a aula . Aborrecido , Ron pegou também em a varinha , mas Harry afastou o . Era melhor que ele não passasse a aula de encantamentos a vomitar lesmas . Só quando entraram em a sala de aula de o professor Flitwick é_que Harry reparou em uma coisa bastante estranha em o diário de Riddle . Todos os outros livros estavam cheios de tinta vermelha , mas o diário mantinha se tão limpo como antes de o tinteiro se ter entornado em cima de ele . Tentou chamar a atenção de Ron para este facto , mas ele estava novamente a ter um problema com a varinha : de a extremidade saíam grandes bolhas roxas e ele não parecia interessado em mais_nada . Em essa noite , Harry foi deitar se antes de os outros companheiros de dormitório , em parte porque já não conseguia suportar o Fred e o George a cantarem * _ Os seus olhos são verdes como o sapo de o quintal * e em parte porque queria voltar a examinar o diário de Riddle e sabia que em a opinião de o Ron era uma pura perda de tempo . Sentou se em a cama de dossel e folheou as páginas em branco em as quais não se via uma única mancha de tinta escarlate . Tirou então outro tinteiro de o armário a o lado de a cama , molhou a pena e deixou cair um borrão em a primeira página de o diário . A tinta brilhou em o papel durante um segundo e , em seguida , como_se a página a tivesse sugado , desapareceu sem deixar rasto . Depois , finalmente , algo aconteceu . Deslizando sobre a página em a cor de a sua tinta , surgiram palavras que Harry não escrevera . - * _ Olá_Harry_Potter . O meu nome é Tom_Riddle . Como é_que encontraste o meu diário ? * Também estas palavras desapareceram , mas não sem que Harry tivesse respondido . - Alguém tentou lançá o em uma sanita . Esperou ansiosamente por a resposta de Riddle . - * _ Felizmente guardei as minhas memórias de uma forma mais duradoura do_que a tinta . Mas sempre soube que haveria quem não iria querer que o diário fosse lido . * - O que queres dizer com isso ? - escrevinhou Harry , borrando a página com o nervosismo . - * _ Quero dizer que este diário contém memórias de coisas terríveis . Coisas que foram abafadas . Coisas que aconteceram em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . * - É onde eu estou agora - escreveu Harry rapidamente . - Estou em Hogwarts e estão a acontecer coisas horríveis . Sabes alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? O coração parecia querer saltar lhe de o peito . A resposta de Riddle não se fez esperar , a letra tornara se mais desordenada como_se tivesse pressa em contar lhe tudo_o_que sabia . - * _ É claro que sei de a Câmara_dos_Segredos . Em o meu tempo diziam nos que era uma lenda , que não existia , mas era mentira . Quando eu estava em o quinto ano a Câmara_dos_Segredos foi aberta e o monstro atacou vários estudantes , acabando matar um . Eu apanhei a pessoa que abriu a câmara e ele foi expulso . Mas o director , o professor Dippet , envergonhado por uma coisa de aquelas ter acontecido em Hogwarts , proibiu me de contar a verdade . Foi divulgada uma história dizendo que a rapariga morrera de um acidente extravagante . Deram me um troféu brilhante com o meu nome gravado e avisaram me para ficar calado . Mas eu sabia que ia voltar a acontecer . O monstro sobreviveu e aquele que tinha o poder para o libertar não foi para a prisão . * Harry quase entornou o tinteiro em a pressa de responder . - Está a acontecer outra_vez . Houve três ataques e ninguém parece saber quem está por_detrás_de tudo_isto . Quem foi de a última vez ? - * _ Posso mostrar te , se quiseres * - foi a resposta de o Riddle . - * _ Não tens de acreditar só em a minha palavra . Posso levar te a o fundo de a minha memória de a noite em que o apanhei . * Harry hesitou com a pena em o ar sobre o diário . O que quereria ele dizer ? Como poderia entrar em a memória de outra pessoa ? Olhou inquieto para a porta de o dormitório que começava a ficar escuro . Quando pôs de_novo os olhos em o diário viu as palavras que se formavam . - * _ Deixa-me mostrar te . * Harry parou durante uma fracção de segundo e depois escreveu duas letras . - O. _ K._As páginas de o diário começaram a esvoaçar como_se tivessem sido apanhadas em uma ventania , parando a meio de o mês_de_Junho . Boquiaberto , Harry viu que o quadradinho de 13_de_Junho se transformara em um pequeno ecrã de televisão . Com as mãos ligeiramente trémulas levantou o livro para encostar os olhos a a janelinha e antes de perceber o que estava a passar se , deu consigo inclinado para a frente com a janela a abrir se . O corpo abandonava a cama e era lançado de cabeça , por a abertura de a página , em um turbilhão de cor e sombras . Sentiu os pés tocarem em terra firme e pôs se de pé a tremer enquanto as formas desfocadas se tornavam subitamente nítidas . Soube imediatamente onde estava . Aquela sala circular com os retratos adormecidos era o escritório de Dumbledore , mas não era Dumbledore quem estava atrás de a secretária . Um feiticeiro mirrado , de aspecto débil e quase careca lia uma carta a a luz de as velas . Harry nunca vira aquele homem antes . - Desculpe - disse com a voz a tremer . - Eu não queria intrometer me ... Mas o feiticeiro não olhou . Continuou a ler , franzindo levemente as sobrancelhas . Harry aproximou se de a secretária e gaguejou : - Er ... eu vou me embora , está bem ? E o feiticeiro continuou a ignorá o . Parecia nem_sequer ter ouvido . Pensando que talvez ele fosse surdo , Harry falou mais alto . - Desculpe tê o incomodado - disse quase a gritar . O feiticeiro dobrou a carta com um suspiro . Pôs se de pé , passou por Harry sem olhar para ele e foi abrir os cortinados de a janela . O céu , lá fora , estava vermelho-rubi . Devia ser o pôr de o Sol . O feiticeiro voltou para a secretária , sentou se e girou os polegares , olhando para a porta . Harry olhou em volta . Não viu Fawkes , a fénix , nem as engenhocas prateadas que sibilavam . Aquela Hogwarts era a que Riddle conhecera e , portanto , aquele feiticeiro desconhecido era o director de então , não Dumbledore e ele , Harry , era pouco mais que um fantasma , totalmente invisível a as pessoas de há cinquenta anos atrás . Alguém bateu a a porta . - Entre - disse o velho feiticeiro , em uma voz fraca . Um rapazinho de dezasseis anos entrou , tirando o chapéu pontiagudo . Em o seu peito brilhava um distintivo prateado de prefeito . Era muito mais alto do_que Harry , mas tinha , tal_como ele , cabelo preto asa de corvo . - Ah ! Riddle - disse o director . - Queria falar comigo , professor Dippet ? - perguntou ele com ar nervoso . - Senta te - disse Dippet . - Tenho estado a ler a carta que me mandaste . - Oh ! - exclamou Riddle , sentando se e apertando as mãos uma contra a outra . - Meu rapaz - disse Dippet amavelmente . - Eu não posso deixar te ficar em a escola durante o Verão . Com certeza queres ir para_casa em as férias ? - Não - respondeu Riddle , sem perder tempo . - Prefiro mil vezes ficar em Hogwarts a ter de voltar a aquela ... aquela ... - Tu vives em um orfanato de Muggles durante as férias , não é assim ? - perguntou Dippet com curiosidade . - Sim senhor - disse Riddle , corando um_pouco . - És filho de Muggles ? - Meio sangue , professor - explicou Riddle . - Pai_Muggle , mãe bruxa . - E o teu pai e a tua mãe ... - A minha mãe morreu pouco depois de eu nascer , professor , contaram me em o orfanato que só teve tempo de me dar o nome : Tom , como o meu pai , Marvolo como o meu avô . Dippet estalou a língua solidariamente . - O que acontece , Tom - suspirou - é_que ... podia ter se arranjado uma situação especial para ti , mas em as circunstâncias actuais ... - Refere se a os ataques , professor ? - perguntou Riddle e o coração de Harry deu um salto , aproximando se com medo de perder alguma coisa . - Precisamente - disse o director . - Meu rapaz , compreendes que seria uma imprudência de a minha parte deixar te ficar em o castelo quando o período acabar , principalmente a a luz de a recente tragédia ... a morte de aquela pobre moça ... estarás sem dúvida em maior segurança em o orfanato . Em a verdade , o ministro de a magia até fala em fechar a escola . Não estamos nada perto_de localizar ... er ... a fonte de toda esta história desagradável . Os olhos de Riddle tinham se aberto mais . - Professor , se essa pessoa fosse apanhada ... se tudo acabasse . . . - Que queres dizer com isso ? - perguntou Dippet com voz aguda , endireitando se em a cadeira . - Riddle , tu sabes alguma coisa sobre estes ataques ? - Não senhor - respondeu ele de imediato . Mas Harry sabia que era o mesmo tipo de « não » que ele dissera a Dumbledore . Dippet afundou se de_novo com um ar de profundo desapontamento . - Podes ir , Tom . Riddle esgueirou se de a cadeira e saiu de a sala . Harry seguiu o . Desceram por a escada em espiral , saindo junto de a gárgula em o corredor que escurecia . Riddle parou e Harry fez o mesmo , olhando para ele . Quase podia apostar que ele pensava seriamente em alguma coisa . Mordia o lábio e tinha as sobrancelhas franzidas . A certa altura , como_se tivesse acabado de tomar uma decisão , começou a andar mais depressa com Harry a segui o ruidosamente . Não viram mais ninguém , a não ser quando chegaram a o * hall * de entrada onde um feiticeiro alto de longos cabelos ruivos e barba chamou Riddle de a escadaria de mármore . - O que andas a fazer por aqui tão tarde , Tom ? Harry olhou para o feiticeiro . Não era outro senão Dumbledore com cinquenta anos a menos . - Tive de ir falar com o director - justificou se Riddle . - Bem , agora vai depressa para a cama - disse Dumbledore , olhando Riddle com aquele olhar penetrante que Harry conhecia tão bem . - É melhor não andar a passear por os corredores em os dias que correm , pelo_menos até ... Suspirou profundamente , deu as boas-noites a o Riddle e foi se embora . Riddle viu o desaparecer e , sem perder tempo , desceu os degraus de pedra até a os calabouços com Harry em a peugada . Mas para seu grande desconsolo , Riddle não o conduziu a nenhum corredor ou túnel secreto e sim a o calabouço onde ele costumava ter aulas de poções com o Snape . As tochas não tinham sido acesas e quando Riddle empurrou a porta quase fechada , Harry só conseguiu vê o a ele , de pé , quieto junto de a porta , olhando para o corredor . Pareceu a Harry que ficaram ali quase uma hora . Tudo_o_que via era a silhueta de Riddle junto de a porta , olhando fixamente através de a greta , a a espera . Como_se fosse uma estátua . E quando Harry tinha abandonado todas_as expectativas e começava a desejar voltar a o presente , ouviu alguma coisa que se movia atrás de a porta . Alguém avançava lentamente por o corredor . Ouviu a pessoa , quem quer que fosse , passar por o calabouço onde ele e Riddle estavam escondidos . Riddle , silencioso como uma sombra , esgueirou se por a porta e seguiu o com Harry em bicos de pés atrás de ele , esquecido de que podia fazer barulho a a vontade porque ninguém o ouvia . Durante cerca de cinco minutos seguiram lhe os passos até que Riddle parou repentinamente com a cabeça inclinada em a direcção de novos ruídos . Harry ouviu uma porta a abrir se e em seguida alguém falou em um murmúrio rouco . - Vá lá , temos que sair de aqui ... vá lá , dentro de a caixa ... Havia algo de familiar em aquela voz . Riddle deu subitamente uma volta e Harry seguiu o . Podia ver a silhueta escura de um rapaz enorme que estava inclinado em frente de a porta aberta , com uma grande caixa a o lado . - Boa noite , Rubeus - disse Riddle secamente . O rapaz fechou a porta e pôs se de pé . - O que estás a fazer aqui , Tom ? Riddle aproximou se . - Acabou se - disse . - Vou ter de entregar te , Rubeus . Falam em fechar Hogwarts se os ataques não terminarem . - O que é_que tu ... ? - Eu acho que tu não quiseste matar ninguém , mas os monstros não são os melhores animais domésticos . Tu só quiseste deixá o sair para andar um_pouco e ... - Ele não matou ninguém - disse o rapaz grande , recuando contra a porta fechada . Lá de dentro vinham uns estranhos roncos e rugidos . - Vamos , Rubeus - disse Riddle , aproximando se mais ainda . - Os pais de a rapariga que morreu estarão aqui amanhã . O mínimo que Hogwarts pode fazer é assegurar lhes que aquilo que matou a filha de eles foi abatido ... - Não foi ele - gemeu o rapaz cuja voz ecoou em o corredor escuro . - Ele não faria isso ... ele nunca ... - Afasta te - disse Riddle , pegando em a varinha . O encantamento iluminou o corredor com uma luz brilhante . A porta atrás de o rapaz grande abriu se de par em par com tanta força que o atirou contra a parede . E de lá de dentro saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito que ninguém mais ouviu a não ser ele próprio . Tinha um corpo imenso , magro e peludo e um emaranhado de pernas pretas , a cintilação de muitos olhos e um par de tenazes afiadas . Riddle levantou de_novo a varinha , mas era tarde de mais . A coisa deixara o atarantado e corria apressadamente , precipitando se por o corredor e desaparecendo . Riddle pôs se de pé , olhou a a procura de o monstro , levantou a varinha , mas o rapaz grande saltou sobre ele , tirou lhe a varinha de as mãos e lançou o a o chão , gritando : - Naaaaaão ! A cena rodopiou . A escuridão tornou se total . Harry sentiu se a cair e com um embate aterrou como uma águia de patas e asas abertas em a sua cama de dossel , em o dormitório de os Gryffindor , o diário de Riddle aberto sobre o estômago . Antes de ter tido tempo de normalizar a respiração , a porta de o dormitório abriu se e o Ron entrou . - Aí estás tu - disse . Harry sentou se . Transpirava e tremia . - O que se passa ? - perguntou Ron , olhando aflito para ele . - Foi o Hagrid , Ron . O Hagrid abriu a Câmara_dos_Segredos há cinquenta anos atrás . XIV_Cornelius_Fudge_Harry , Ron e Hermione sabiam há muito_tempo que Hagrid tinha uma triste predilecção por criaturas grandes e monstruosas . Em o primeiro ano que passaram em Hogwarts , ele tentara criar um dragão em a sua pequena cabana de madeira e levaram muito_tempo a esquecer o gigantesco cão de três cabeças que ele baptizara de « fofinho » . E se , em rapaz , Hagrid tinha ouvido dizer que havia um monstro escondido em o castelo , Harry tinha a certeza que ele teria feito os impossíveis por descobri o . Provavelmente achou que era uma injustiça o monstro estar fechado tanto tempo e pensou que ele merecia a oportunidade de esticar as suas muitas pernas . Harry imaginava perfeitamente o Hagrid a os treze anos a tentar pôr uma coleira e uma trela a o monstro . Mas tinha igualmente a certeza de que ele nunca teria querido matar ninguém . De certo modo , Harry desejava não ter descoberto como utilizar o diário de Riddle . Ron e Hermione fizeram o contar repetidas vezes o que vira até ele ficar farto de repetir o mesmo e farto de a conversa circular que se seguia . - O Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse , de essa vez , Hermione . - O monstro que atacava as pessoas podia ser outro .... - Quantos monstros achas tu que pode haver em este lugar ? - perguntou o Ron aborrecido . - Sempre soubemos que o Hagrid tinha sido expulso - disse Harry tristemente - E os ataques devem ter terminado quando ele foi expulso . Se não fosse assim , Riddle não teria recebido um prémio . Ron tentou um caminho diferente . - O Riddle parece o Percy , quem lhe pediu afinal que deitasse abaixo o Hagrid ? - Mas o monstro tinha morto uma pessoa , Ron - insistiu Hermione . - E o Riddle ia ter de voltar para um orfanato Muggle se Hogwarts fosse fechada - disse Harry . - Não posso culpá o por querer ficar aqui ... Ron mordeu o lábio e a seguir sugeriu : - Tu encontraste o Hagrid em a Rua * _ Bativolta * , não foi ? - Ele estava a comprar repelente para lesmas - disse Harry rapidamente . Ficaram os três em silêncio . Depois de uma longa pausa , Hermione , em uma voz hesitante , formulou a pergunta mais complicada de todas : - Não acham que devíamos ir ter com ele e perguntar lhe ? - Essa seria uma visita simpática - disse o Ron . - Olá , Hagrid , diz nos uma coisa , soltaste por acaso alguma coisa louca e peluda por o castelo em estes últimos tempos ? Por fim , decidiram não dizer nada a o Hagrid a_não_ser_que houvesse outro ataque e à_medida_que passava mais tempo sem murmúrios de a voz sem corpo começaram a acreditar , esperançosos , que nunca mais teriam de falar sobre o motivo por_que fora expulso . Tinham passado já quase quatro meses desde o dia em que o Justin e o Nick quase sem cabeça tinham sido petrificados e quase toda_a_gente parecia pensar que o atacante , quem quer que ele fosse , se retirara para sempre . Peeves fartara se de a sua canção * _ Oh_Potter , seu bandido * , Ernie_Mcmillan pediu educadamente a o Harry , em a aula de herbologia , que lhe passasse um balde de cogumelos saltitantes e , em Março , várias mandrágoras deram uma festa ruidosa e roufenha em a estufa número três . A professora Sprout estava muito satisfeita . - Mal elas comecem a tentar mover se para os vasos umas de as outras , saberemos que estão maduras - disse ela a o Harry . - Nessa_altura poderemos reanimar aquelas pobres criaturas que estão em a ala hospitalar . Os alunos de o segundo ano tinham agora uma coisa nova em que pensar durante as férias de a Páscoa . Chegara a altura de escolherem as matérias de o terceiro ano , um assunto que Hermione , pelo_menos , tomou muito a sério . - Pode afectar todo o nosso futuro - disse a o Harry e a o Ron a o vê os ler cuidadosamente as listas de as novas matérias e pôr um V em frente de cada uma . - Eu só quero ver me livre de as poções - disse Harry . - Não podemos - explicou Ron tristemente . - Mantemos todas_as matérias antigas ou eu teria me livrado de a Defesa contra as artes negras . - Mas é muito importante - disse Hermione chocada . - Não de a maneira como Lockhart a dá - insistiu Ron . - Não aprendi nada até agora a não ser a nunca mais libertar duendes . Neville_Longbottom recebera cartas de todas_as bruxas e feiticeiros de a família , cada_um dando um conselho diferente sobre o que ele deveria escolher . Confuso e preocupado , sentou se a ler a lista de matérias , dando estalinhos com a língua e perguntando a as pessoas se achavam que a aritmancia seria mais difícil do_que o estudo de as runas em a Antiguidade . Dean_Thomas que , tal_como Harry , fora criado com Muggles , acabou por fechar os olhos e atirar a varinha contra a lista , escolhendo as matérias onde ela aterrava . Hermione não pediu conselho a ninguém e inscreveu se em todas . Harry sorriu de si para consigo imaginando como seria uma conversa com o tio Vernon e com a tia Petúnia sobre a sua carreira em feitiçaria . Não que não tivesse tido orientação : Percy_Weasley estava ansioso por partilhar a sua experiência . - Tudo depende de o lugar para_onde queres ir , Harry - disse ele . - Nunca é cedo de mais para pensar em o futuro , por isso eu aconselho te a adivinhação . As pessoas dizem que os estudos de Muggles são uma opção leve mas eu , pessoalmente , acho que os feiticeiros deveriam ter uma compreensão profunda de a comunidade não mágica , muito especialmente se pensarem em trabalhar em íntimo contacto com eles . Vê o meu pai que tem de lidar com assuntos de os Muggles a_toda_a hora . O meu irmão Charles foi sempre mais um tipo de o exterior , por isso foi para o Centro_de_Cuidados com as Criaturas_Mágicas . Segue os teus sentimentos , Harry . Mas a única coisa em que Harry sentia que era mesmo bom era o Quidditch . Por fim , acabou por escolher as mesmas matérias que o Ron escolhera , pensando que se fosse péssimo em elas pelo_menos tinha alguém amigo para o ajudar . O próximo jogo de Quidditch_dos_Gryffindor era contra os Hufflepuff . Wood insistia em treinos de equipa todas_as noites depois de jantar , por isso Harry não tinha tempo para mais_nada a não ser para o Quidditch e para os trabalhos de casa . Mas as sessões de treino estavam a melhorar ou pelo_menos estavam mais secas e em a véspera de o jogo de sábado ele foi a o dormitório guardar a vassoura , sentindo que as hipóteses de os Gryffindor ganharem a taça de Quidditch nunca tinham sido tão boas . Mas a sua boa disposição não durou muito . Em o cimo de as escadas que levavam a o dormitório encontrou o Neville_Longbottom nervosíssimo . - Harry , não sei quem fez aquilo , eu fui encontrar ... Olhando receoso para Harry , Neville empurrou a porta . O conteúdo de a mala de Harry fora espalhado por toda_a divisão . O seu manto estava em o chão rasgado . A roupa de cama tinha sido puxada de a cama de dossel e a gaveta de o armário que se encontrava a a cabeceira de a cama fora arrancada , estando o seu conteúdo espalhado sobre o colchão . Harry aproximou se de a cama boquiaberto , pisando algumas páginas soltas de * _ Viagens com Duendes * . Quando ele e Neville estavam a puxar os cobertores para_cima , entraram o Ron e o Dean_Seamas . Dean praguejou alto . - O que é isto , Harry ? - Não faço ideia - disse ele . Mas o Ron estava a examinar as vestes de Harry e todos os bolsos estavam de o avesso . - Alguém andou a a procura de qualquer coisa - disse o Ron . - Dás por falta de alguma coisa ? Harry começou a apanhar o que estava caído , lançando tudo dentro de a mala . Só quando atirou o último livro de Lockhart é_que se apercebeu do_que faltava . - O diário de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a o Ron . - O quê ? Harry fez lhe sinal em direcção a a porta de o dormitório e apressaram se a chegar a a sala comum de os Gryffindor que estava quase vazia e onde foram encontrar Hermione sozinha a ler * _ As_Runas_Antigas a o Alcance_de_Todos * . Hermione ficou aterrada com as notícias . - Mas ... só um Gryffindor podia tê o roubado ... ninguém mais conhece a nossa senha ... - Exactamente - disse Harry . Acordaram em o dia seguinte com um sol brilhante e uma brisa agradável . - Condições ideais para o Quidditch ! - exclamou Wood , cheio de entusiasmo , a a mesa de os Gryffindor , enchendo os pratos de os elementos de a sua equipa de ovos mexidos . - Harry , anima te , precisas de um pequeno-almoço decente . Harry tinha estado a olhar para a mesa cheia de alunos de os Gryffindor , perguntando a si próprio se o novo dono de o diário de Riddle estaria ali mesmo em frente de os seus olhos . Hermione insistira para que ele participasse o roubo mas ele não gostou de a ideia . Teria de contar a um professor tudo sobre o diário , e quantas pessoas saberiam o motivo por_que Hagrid fora expulso há cinquenta anos ? Não queria ser ele a fazer com que relembrassem tudo aquilo . Quando saiu de o salão com o Ron e a Hermione para ir buscar o material de Quidditch , outra preocupação viera juntar se a a sua lista cada_vez maior . Tinha acabado de pisar os degraus de a escadaria de mármore quando ouviu de_novo a voz : - * _ Matar desta_vez ... deixem me rasgar ... romper * ... Deu um grito e Ron e Hermione saltaram alarmados . - A voz - disse Harry , olhando por cima de os ombros de eles . - Acabo de a ouvir de_novo , vocês não ouviram nada ? Ron abanou a cabeça de olhos muito abertos Mas_Hermione bateu com a mão em a testa . - Harry , acho que percebi uma coisa . Tenho que ir a a biblioteca . E disparou a correr por as escadas acima . - O que é_que ela percebeu ? - disse Harry distraidamente , ainda a olhar em volta , tentando determinar de onde vinha a voz . - Mas porque teve ela que ir a a biblioteca ? - Porque a Hermione é assim - disse o Ron , encolhendo os ombros - Quando tem uma dúvida , vai a a biblioteca . Harry manteve se hesitante , tentando captar novamente a voz mas as pessoas começavam a sair de o salão , falando alto , passando por a porta principal e encaminhando se para o estádio de Quidditch . - É melhor ires indo - aconselhou Ron . - São quase onze horas , olha o jogo . Harry deu uma corrida até a a torre de os Gryffindor , pegou em a sua Nimbus dois_mil e juntou se a a vasta multidão que enchia os campos , mas o seu pensamento estava ainda em o castelo , em aquela voz sem corpo e quando pôs as roupas vermelhas , o seu único conforto foi pensar que estavam todos lá fora para assistir a o jogo . As equipas entraram em campo a o som de um tumulto de aplausos . Oliver_Wood fez um voo de aquecimento em volta de os postes , Madam_Hooch soltou as bolas . Os Hufflepuff que tinham fatos amarelo-canário estavam reunidos em grupo em uma discussão de última hora sobre as tácticas . Harry subia para a vassoura quando a professora Mc_Gonagall atravessou o campo , meio a andar , meio a correr , transportando um enorme megafone roxo . O coração de Harry caiu lhe a os pés . - Este jogo foi cancelado - gritou por o megafone a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a o estádio apinhado . Ouviram se Uuuus e assobios . Oliver_Wood , com um ar infelicíssimo , aterrou e correu para a professora McGonagall sem sair de a vassoura . - Mas , professora - gritou - temos de jogar ... a taça ... os Gryffindor ... A professora Mc_Gonagall ignorou o e continuou a gritar por o megafone . - Pede se a os estudantes que regressem a as salas comuns de as respectivas equipas onde os chefes de equipa lhes darão mais informações . O mais depressa possível , se fazem favor ! Em seguida , baixou o megafone e fez sinal a o Harry para que se aproximasse . - Potter , é melhor vires comigo ... Perguntando a si próprio que suspeita poderia ela ter contra ele , desta_vez , Harry viu Ron desligar se de a multidão discordante e vir a correr juntar se lhes , enquanto eles se dirigiam para o castelo . Para sua grande surpresa Mc_Gonagall não pôs qualquer objecção . - Sim , talvez seja melhor vires também , Weasley . Alguns de os estudantes que os rodeavam reclamavam por o jogo ter sido cancelado , outros tinham um ar preocupado . Harry e Ron seguiram a professora Mc_Gonagall de volta a a escola e através de a escadaria de pedra . Mas desta_vez não foram levados a nenhum escritório . - Isto vai chocar vos um_pouco - disse a professora Mc_Gonagall em um tom de voz surpreendentemente suave quando estavam a aproximar se de a ala hospitalar . - Houve outro ataque ... outro ataque duplo . As vísceras de o Harry deram um salto mortal . A professora Mc_Gonagall abriu a porta e ele e Ron entraram . Madam_Pomfrey estava inclinada sobre uma rapariga de o quinto ano de cabelos longos a os caracóis que Harry reconheceu como sendo a colega de os Ravenclaw a quem , por engano , tinham perguntado o caminho para a sala comum de os Slytherin . E , em a cama a o lado de ela , estava ... - Hermione - gemeu o Ron . Hermione jazia totalmente quieta , os olhos abertos e vítreos . - Foram encontradas perto de a biblioteca - disse a professora Mc_Gonagall . - Calculo que nenhum de vocês possa explicar isto ? Estava em o chão , junto de ela . A professora tinha em as mãos um pequeno espelho redondo . Harry e Ron acenaram negativamente com as cabeças , ambos com os olhos fixos em Hermione . - Eu acompanho vos a a torre de os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall pesadamente . - De qualquer modo tenho de falar com os alunos . - Os alunos regressarão a as salas comuns de as respectivas equipas , todos_os_dias , a as seis_horas_da_tarde . Nenhum aluno deverá sair de os dormitórios depois de isso . Serão escoltados até a as aulas por um professor . Nenhum aluno deverá ir a a casa_de_banho sem um professor a acompanhá o . Todos os treinos e jogos de Quidditch estão suspensos a_partir_de agora . Não haverá mais actividades nocturnas . Os Gryffindor , que enchiam a sala comum , ouviram em silêncio a professora Mc_Gonagall . Ela enrolou o pergaminho que acabara de ler e disse em uma voz algo chocada : - Não é preciso acrescentar que nunca me senti tão desolada . É provável que a escola seja encerrada se não for apanhado o culpado de todos estes ataques . Quero pedir que se algum de vocês achar que sabe alguma coisa sobre eles venha imediatamente ter comigo . Mal ela subiu , de forma um_pouco desastrada , por o buraco de o retrato , os Gryffindor começaram logo a falar . - São dois Gryffindor a menos , sem contar com o fantasma de os Gryffindor , um Ravenclaw e um Hufflepuff - disse o amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , contando por os dedos . - Não terá nenhum de os professores reparado que os Slytherin estão a salvo ? Será que não é óbvio que tudo_isto vem de eles ? O herdeiro de Slytherin , o monstro de Slytherin , porque não expulsam todos os Slytherin ? - resmungou , recebendo acenos e aplausos de todos os lados . Percy_Weasley estava sentado em uma cadeira atrás_de Lee , mas por uma_vez não pareceu querer expor os seus pontos de vista . Estava pálido e aturdido . - O Percy está em estado de choque - disse o George baixinho a o Harry . - Aquela rapariga de os Ravenclaw , Penelope_Clearwater , é prefeita . Acho que ele nunca tinha pensado que o monstro pudesse atacar um prefeito . Mas Harry não estava a ouvi o com atenção . Não conseguia esquecer a imagem de Hermione deitada em a cama de o hospital , como_se estivesse esculpida em pedra . E se o culpado não fosse apanhado rapidamente tinha em a frente uma vida inteira com os Dursley . Tom_Riddle entregara o Hagrid porque fora confrontado com a possibilidade de um orfanato Muggle se a escola fechasse . Harry sabia exactamente o que ele sentira . - Que vamos nós fazer ? - disse lhe o Ron baixinho a o ouvido . - Achas que eles suspeitam de o Hagrid ? - Temos de falar com ele - disse Harry , tomando uma decisão . - Não acredito que tenha culpa desta_vez , mas se ele libertou o monstro há cinquenta anos , sabe com certeza como entrar em a Câmara_dos_Segredos , o que já é um princípio . - Mas a Gonagall disse que temos que ficar em a torre a_não_ser_que estejamos em as aulas ... - Eu acho - disse Harry ainda mais baixo - que chegou a altura de tirar outra_vez de a mala o manto de o meu pai . Harry herdara apenas uma coisa de o pai : o enorme manto prateado de a invisibilidade . Era a única maneira de poderem esgueirar se de a escola para fazer uma visita a o Hagrid , sem que ninguém de esse por isso . Deitaram se a a hora de o costume , esperaram que o Neville , o Dean e o Seamas adormecessem para se levantarem , vestirem se de_novo e taparem se com o manto . A viagem por os corredores de o castelo escuro e deserto não era nada agradável . Harry que vagueara por ali muitas_vezes durante a noite nunca vira tanta gente depois de o pôr de o Sol . Professores , prefeitos e fantasmas andavam por os corredores a os pares , olhando em volta , em busca de qualquer actividade fora de o habitual . O manto de a invisibilidade não impedia que fizessem barulho e houve um momento particularmente tenso em que o Ron deu uma topada a menos_de um metro de o lugar onde Snape se encontrava . Felizmente Snape espirrou em o preciso momento em que o Ron praguejava . Foi com grande alívio que chegaram a as portas de carvalho de a entrada principal . Estava uma noite clara e cheia de estrelas . Dirigiram se apressadamente para as janelas iluminadas de a casa de Hagrid e só tiraram o manto mesmo em frente de a porta . Poucos segundos depois de terem batido abriu se a porta . Ficaram frente_a_frente com Hagrid que lhes apontou uma besta enquanto Fang , o cão caçador de javalis , ladrava furiosamente atrás de ele . - Oh ! - disse , baixando a arma quando viu que eram eles . - O que estão vocês a fazer aqui ? - Para que é isso ? - perguntou Harry , apontando para a besta , enquanto entrava . - Nada , não é nada - murmurou Hagrid . - Tenho estado a a espera ... não tem importância , sentem se que eu vou fazer um chá . Dava a impressão de não saber o que fazia . Quase apagou a lareira , vertendo a água de a chaleira em o lume e em seguida esmagou o bule com um gesto de a sua mão maciça . - Estás bem , Hagrid ? - perguntou Harry . - Soubeste de a Hermione ? - Soube , sim - disse ele com um leve tremor em a voz . Continuava a olhar nervosamente para as janelas . Deu lhe os duas grandes canecas de água a ferver ( esquecera se de juntar o chá ) e estava a acabar de pôr em um prato uma fatia grossa de bolo de frutas quando alguém bateu energicamente a a porta . Hagrid deixou cair o bolo . Harry e Ron trocaram entre si olhares de pânico e , em seguida , cobriram se com o manto de a invisibilidade e esconderam se em um canto . Hagrid assegurou se de que eles estavam bem escondidos , pegou em a besta e abriu , mais_uma_vez , a porta . - Boa noite , Hagrid . Era_Dumbledore . Entrou com um ar muito sério , seguido de um homem bizarro . O estranho era um homenzinho pequenino , de porte majestoso com cabelos grisalhos desalinhados e uma expressão de ansiedade em o rosto . Usava uma inesperada mistura de roupas . Um fato a as riscas , uma gravata vermelho escarlate , um longo manto negro e umas botas roxas pontiagudas . Debaixo de o braço trazia um chapéu de coco verde lima . -- É o patrão de o meu pai - murmurou o Ron . Cornelius_Fudge , o ministro de a magia ! Harry deu lhe uma valente cotovelada para o fazer calar se . Hagrid tinha ficado suado e pálido . Deixou se cair em uma de as cadeiras e olhava de Dumbledore_para_Cornelius_Fudge . - Más notícias , Hagrid - disse Fudge em um tom bastante grave . - Muito más notícias . Tive de vir . Quatro ataques a filhos de Muggles , as coisas foram longe_de mais . O ministério tem que tomar uma atitude . - Eu nunca ... - disse Hagrid , parecendo implorar a Dumbledore . - O senhor sabe que eu nunca ... professor Dumbledore , o senhor ... - Quero que fique claro , Cornelius , que Hagrid tem a minha total confiança - afirmou Dumbledore , franzindo as sobrancelhas . - Olha , Albus - disse Fudge pouco a a vontade - a ficha de o Hagrid depõe contra ele . O ministério tem de fazer alguma coisa , o Conselho_Directivo de a escola tem se reunido ... - Mesmo_assim , Cornelius , devo dizer te mais_uma_vez que levar o Hagrid de aqui não vai ajudar em nada - afirmou Dumbledore com os olhos azuis com um fogo que Harry nunca vira antes . - Tenta compreender o meu ponto de vista - insistiu Fudge , brincando com o chapéu . - Estou a ser tremendamente pressionado , tenho de mostrar que faço alguma coisa . Se se provar que não foi o Hagrid , ele voltará e não se fala mais em o assunto . Mas tenho de levá o , tem de ser , não estaria a cumprir a minha obrigação se ... - Levar me ? - perguntou Hagrid a tremer . - Levar me para_onde ? - É uma pena curta - disse Fudge , sem o olhar em os olhos . - Não é um castigo , Hagrid , chamemos lhe antes uma precaução . Se mais alguém for apanhado , tu sais com todas_as nossas desculpas . - Não é para Azkaban ? - balbuciou Hagrid . Mas antes que Fudge tivesse tido tempo de responder , ouviu se bater mais_uma_vez a a porta . Dumbledore abriu . Foi a vez de Harry levar uma cotovelada em as costas : soltara um gemido audível . Mr._Lucius_Malfoy entrou em a cabana de o Hagrid embrulhado em uma longa capa preta de viagem , com um sorriso frio de satisfação . O Fang começou a rosnar . - Já está aqui , Fudge ? - disse de forma aprovadora . - Muito bem , muito bem ... - O que estás a fazer aqui ? - perguntou Hagrid furioso . - Sai imediatamente de a minha casa . - Meu bom homem , acredite que não tenho prazer nenhum em entrar em a sua ... er ... chamou lhe casa ? - disse Lucius_Malfoy , sorrindo sarcasticamente enquanto observava a pequena divisão . - Eu limitei me a ir a a escola e disseram me que o director estava aqui . - E o que queres de mim , Lucius ? - perguntou Dumbledore . O seu tom de voz era educado mas em os olhos azuis brilhava ainda o mesmo fogo . - Uma notícia horrível , Dumbledore - disse Mr._Malfoy de forma arrastada , pegando em um grande rolo de pergaminho . - Mas os membros de o conselho pensam que é altura de tu saíres . Isto_é uma ordem de suspensão , tens aí doze assinaturas . Lamento muito mas em a nossa opinião estás a perder a firmeza . Quantos ataques houve até agora ? Mais dois hoje a a tarde , não foi ? A este ritmo vão acabar todos os filhos de Muggles em Hogwarts e todos sabemos que seria uma terrível perda para a escola . - O que é isso , Lucius ? - protestou Fudge com ar alarmado . - O Dumbledore suspenso não ... não , seria a última coisa que desejaríamos em este momento ... - A nomeação ou suspensão , de o director é de a competência de os membros de o Conselho_Directivo , Fudge - disse suavemente Mr._Malfoy . - E como Dumbledore não foi capaz de pôr cobro a estes ataques ... - Oh ! Lucius , se Dumbledore não conseguiu - disse Fudge com o lábio superior a suar . - Quem irá conseguir ? - Isso está para se ver - disse Mr._Malfoy com um sorriso mesquinho . - Mas como os doze votamos ... Hagrid pôs se de pé em um salto , o cabelo preto hirsuto a roçar em o tecto . - E quantos tiveste de chantajar para concordarem contigo , Malfoy ? - Meu caro Hagrid , sabe que esse seu temperamento ainda acaba por lhe criar problemas um dia de estes - disse Mr._Malfoy . - Não o aconselho a gritar assim com os guardas de Azkaban . Eles não iriam gostar nada . - Não podes levar Dumbledore - gritou Hagrid , fazendo Fang , o cão caçador de javalis , agachar se e ganir em o seu cesto . - Sem ele , os filhos de os Muggles não têm qualquer hipótese . A seguir haverá mortes . - Acalma te , Hagrid - disse Dumbledore de forma cortante , olhando para Lucius_Malfoy . - Se os membros de o conselho querem substituir me , eu sairei , claro . - Mas - interrompeu Fudge . - Não - rosnou Hagrid . Dumbledore não tirara os seus olhos azuis brilhantes de os olhos cinzentos e frios de Lucius_Malfoy . - Contudo - disse , pronunciando cada palavra lenta e claramente para que nenhum de eles perdesse o seu sentido - verás que só deixarei verdadeiramente esta escola quando ninguém aqui me for leal . Descobrirás também que será sempre dada ajuda em Hogwarts a quem a pedir . Por um segundo , Harry teve quase a certeza de que os olhos de Dumbledore tremelaziram em direcção a o canto onde ele e Ron estavam escondidos . - Sentimentos admiráveis - disse Malfoy , fazendo uma vénia . - Todos nós vamos sentir a tua ... forma muito pessoal de fazer as coisas , Albus . Só espero que o teu sucessor consiga evitar qualquer ... crime . Dirigiu se a a porta de a cabana , abriu a e fez sinal a Dumbledore para que passasse a a sua frente . Fudge , mexendo nervosamente em o chapéu de coco , esperou que Hagrid fizesse o mesmo mas ele ficou quieto , respirou fundo e disse prudentemente : - Se alguém quiser descobrir alguma coisa , o que tem a fazer é seguir as aranhas . Elas indicarão o caminho , é tudo_o_que vos digo . Fudge olhou para ele espantado . - Está bem , eu vou - disse Hagrid , pegando em o seu sobretudo de pêlo de toupeira . Mas quando ia seguir o Fudge e sair por a porta , parou e disse em voz alta : - E alguém tem de dar de comer a o Fang enquanto eu não estiver cá . A porta fechou se ruidosamente e Ron tirou o manto de a invisibilidade . -- Estamos outra_vez em uma alhada - disse com voz rouca - Sem o Dumbledore podem fechar a escola já esta noite . Sem ele vai haver um ataque por dia . O Fang começou a ganir , arranhando a porta fechada . XV_Aragog_O_Verão insinuava se em os campos em volta de o castelo . O céu e o lago tinham se tornado de um azul-molusco e as flores , grandes como couves , começavam a florir em as estufas . Mas sem o Hagrid , que ele costumava avistar de o castelo , atravessando os campos com o Fang atrás , parecia a Harry que a paisagem não estava completa . Não era melhor dentro de o castelo onde tudo corria horrivelmente mal . O Harry e o Ron tinham tentado visitar a Hermione , mas as visitas a o hospital estavam proibidas . - Não vamos correr mais riscos - disse lhes Madam_Pomfrey com ar severo , através_de uma fresta de a porta de o hospital . Não , lamento , há muitas hipóteses de o atacante voltar para acabar de vez com estas pessoas ... Com Dumbledore longe , o medo espalhara se como nunca acontecera antes , de_tal_modo_que o sol que aquecia as paredes de o castelo por fora parecia parar junto de as janelas de pinázios . Não se via um único rosto em a escola que não andasse tenso e preocupado e qualquer gargalhada , em os corredores , se tornava incómoda e antinatural e era rapidamente abafada . Harry repetia constantemente , de si para consigo , as últimas palavras que ouvira a Dumbledore : - * _ Só terei verdadeiramente deixado esta escola quando ninguém me for leal ... será sempre dada ajuda , em Hogwarts , a quem a pedir * . Qual seria o significado exacto de aquelas palavras ? A quem deveria pedir ajuda quando todos estavam tão confusos assustados como ele ? A alusão de Hagrid a as aranhas era bastante mais fácil de entender . O problema era que parecia não ter restado uma única aranha em o castelo para eles a poderem seguir . Harry procurou por todo o lado com a ajuda relutante de o Ron . As coisas estavam dificultadas por o facto de não poderem andar sozinhos e terem de se deslocar em grupo dentro de o castelo , juntamente com outros Gryffindor . A maior parte de os alunos gostava de ser conduzida como carneiros de uma aula para a outra por os professores mas Harry achava horrível . Havia , contudo , uma pessoa que parecia apreciar aquela atmosfera de terror e suspeitas . Draco_Malfoy passeava empertigado por a escola como_se tivesse sido nomeado para chefe de turma . Harry só compreendeu o motivo de toda aquela boa disposição cerca de quinze_dias depois de Dumbledore e Hagrid se terem ido embora quando , em uma aula de poções , o ouviu falar com o Crabbe e o Goyle . - Sempre achei que seria o pai quem conseguiria livrar nos de o Dumbledore - disse sem a menor preocupação em baixar a voz . - Já vos disse , segundo ele , Dumbledore foi o pior director que a escola alguma vez teve . Talvez agora venha um director decente que não queira a Câmara_dos_Segredos fechada . A Mc_Gonagall não vai durar muito , está só a ... O Snape passou por Harry , sem fazer comentários a o caldeirão e a a cadeira vazia de Hermione . - Professor - disse Malfoy em voz alta . - Professor , porque não se candidata a o lugar de director ? - Ora , ora , Malfoy - respondeu Snape , sem conseguir esconder um meio sorriso . - O professor Dumbledore foi apenas suspenso por os membros de o conselho de direcção , certamente vai voltar um dia de estes . - Sim , claro - disse Malfoy com o seu sorriso escarninho . - Acho que se o professor quisesse candidatar se a o lugar teria o voto de o pai . Eu vou dizer lhe que o acho o melhor professor de a escola . Snape sorriu enquanto passeava de um lado para o outro em o calabouço , não tendo felizmente visto o Seamus_Finnigan que fingia vomitar para dentro de o caldeirão . - Estou espantado por ver que até agora os sangues de lama ainda não fizeram as malas e não desapareceram - prosseguiu Malfoy . - Aposto cinco galeões em como o próximo morre . Pena que não tenha sido a Granger ... A campainha tocou em esse momento o que foi uma sorte porque a o ouvir as últimas palavras de Malfoy , Ron deu um salto , mas em a barafunda de guardar os livros em os sacos , a sua tentativa de agarrar o Malfoy passou despercebida . - Deixem me - gritava o Ron enquanto o Harry e o Dean lhe agarravam os braços . - Não preciso de varinha , vou dar cabo de ele com as minhas mãos ... - Despachem se , tenho de conduzir vos a a aula de herbologia - praguejava o Snape acima de as cabeças de os alunos . E lá foram como cordeirinhos com Harry , Ron e Dean em a retaguarda , o Ron ainda a tentar libertar se . Só acharam seguro largá o quando Snape os deixou fora de o castelo e iniciaram o percurso por o meio de a horta em direcção a as estufas . A aula de herbologia estava reduzida . Tinha agora dois alunos a menos : Justin e Hermione . A professora Sprout pô os a trabalhar , podando as figueiras-da-abissínia . Harry foi despejar uma braçada de hastes secas em um monte de adubo e deu consigo cara a cara com Ernie_Mcmillan . Ernie respirou fundo . - Só quero dizer te , Harry que lamento ter suspeitado de ti . Sei que nunca atacarias a Hermione_Granger e peço te desculpa por todas_as coisas que disse . Estamos todos em o mesmo barco , agora e , bem ... Estendeu lhe uma mão rechonchuda que o Harry apertou . Ernie e a sua amiga Hannah foram trabalhar em a mesma figueira com o Harry e o Ron . - Aquele tipo , Draco_Malfoy - disse Ernie , partindo pequenos galhos - , parece muito satisfeito com isto tudo , não acham ? É bem possível que ele seja o herdeiro de Slytherin . - Uma observação inteligente de a tua parte - disse o Ron que parecia não ter desculpado Ernie tão facilmente como o Harry . - Acham que é ele ? - perguntou Ernie . - Não - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Hannah ficaram a olhar espantados . Um segundo depois , Harry avistou qualquer coisa que o levou a chamar a atenção de o Ron , batendo lhe em a mão com a tesoura de podar . - Au ... o que é_que tu ... ? Harry apontava para o chão , a poucos centímetros de distância . Várias aranhas grandes corriam precipitadamente por a terra fora . - Ah ! sim - disse o Ron , tentando , sem conseguir , mostrar se entusiasmado . - Mas não podemos seguis as agora ... Ernie e Hannah ouviam nos com curiosidade . Harry viu as aranhas desaparecerem . - Parecem ir em a direcção de a floresta proibida ... E o Ron ficou ainda mais infeliz a o ouvir aquilo . Em o final de a aula , o professor Snape acompanhou os alunos a a « Defesa contra as artes negras » . Harry e Ron foram atrás de os outros para poderem conversar sem serem ouvidos . - Temos de usar outra_vez o manto de a invisibilidade - disse Harry a o Ron . - Podemos levar connosco o Fang , ele está habituado a ir a a floresta com o Hagrid , pode ser uma boa ajuda . - Certo - disse o Ron , que fazia girar nervosamente a varinha em os dedos . - Er ... não costuma haver ... não costuma haver lobisomens em a floresta ? - acrescentou enquanto ocupavam os lugares de o costume em a aula de o Lockhart . Preferindo não responder a a pergunta , Harry disse : - Também há lá coisas boas . Os centauros são fixes e os unicórnios . Ron nunca estivera em a floresta proibida , Harry fora lá só uma_vez e desejara não ter de lá voltar . Lockhart deu um salto para dentro de a sala de aula e os alunos ficaram espantados a olhar para ele . Todos os outros professores andavam mais tristes do_que o habitual mas Lockhart parecia sentir se em as nuvens . - Então , então - exclamou , olhando em volta . - Porquê essas caras deprimidas ? Lançaram lhe olhares exasperados mas ninguém respondeu . - Não compreendem - disse , falando devagar como_se fossem todos um_pouco estúpidos - que o perigo já passou ? O culpado foi se embora . -- Quem disse ? - retorquiu Dean_Thomas em voz alta . -- Meu caro jovem , o ministro de a magia não teria levado Hagrid se não estivesse cem por_cento certo de que ele era o culpado - disse Lockhart como quem explica que um e um são dois . - Teria , sim - disse o Ron , em um tom de voz ainda mais alto do_que o de o Dean . - Eu julgo saber um_pouco mais sobre a prisão de o Hagrid do_que o senhor , Mr._Weasley - disse Lockhart com notória auto-satisfação . Ron começou a dizer que discordava mas foi interrompido por o Harry que lhe deu um forte pontapé por debaixo de a mesa . - Nós não estávamos lá , lembras te ? - murmurou . Mas a alegria revoltante de o Lockhart , as insinuações de que sempre tinha achado que o Hagrid não prestava , a sua certeza de que tudo aquilo estava a chegar a o fim , irritou Harry de tal maneira que teve vontade de lhe atirar as * _ Viagens com Vampiros * e de lhe acertar em aquela cara estúpida . Mas , em vez de isso , limitou se a escrevinhar um bilhete para o Ron : * _ Vamos lá hoje a a noite * . Ron leu a mensagem , engoliu em seco e olhou para o lugar onde Hermione costumava sentar se . A cadeira vazia pareceu ajudá o a decidir se e acenou afirmativamente . A sala comum de os Gryffindor estava agora sempre cheia porque , depois de as seis_da_tarde , os Gryffindor não tinham outro lugar para ir . Por outro lado , tinham imenso para conversar , por isso a sala comum mantinha se cheia de gente até depois de a meia-noite . Logo_a_seguir a o jantar , Harry foi buscar o manto de a invisibilidade a a mala onde estava guardado e passou todo o serão a a espera que a sala esvaziasse . O Fred e o George desafiaram o para alguns jogos de explosão e a Ginny sentou se , muito preocupada , a observá os , em a cadeira habitual de Hermione . Harry e Ron fartaram se de perder de propósito em uma tentativa de pôr rapidamente fim a os jogos mas , mesmo_assim , já passava bastante de a meia-noite quando o Fred , o George e a Ginny se foram , finalmente , deitar . Harry e Ron esperaram até ouvir as portas de os dois dormitórios fecharem se . Em seguida , pegaram em o manto , lançaram o sobre ambos e passaram por o buraco de o retrato . Era mais uma difícil travessia de o castelo , tendo de fintar todos os professores . Finalmente , chegaram a o * hall * de entrada , giraram o fecho de as portas de carvalho , esgueiraram se tentando não fazer barulho e aventuraram se nos campos iluminados por o luar . - É claro que - disse bruscamente o Ron , enquanto atravessavam os relvados negros - podemos perfeitamente chegar a a floresta e descobrir que não há nada para seguir . As aranhas podem não ter ido para lá . É certo que parecia que tomavam essa direcção , mas ... Felizmente a lengalenga não durou muito . Chegaram a a casa de o Hagrid que tinha um ar triste com as suas janelas vazias . Logo_que Harry empurrou a porta e a abriu , o Fang saltou , louco de alegria por os ver . Preocupados , não fosse ele acordar toda_a_gente em o castelo com o seu ladrar forte e agitado , deram lhe rapidamente a comer bombons de melaço que estavam em uma lata sobre a lareira e que lhe colaram os dentes de cima a os de baixo . Harry pousou o manto de a invisibilidade sobre a mesa de o Hagrid . Não iam precisar de ele em a floresta escura como breu . - Anda , Fang , vamos dar um passeio - disse Harry , batendo lhe a o de leve em a pata e Fang saiu feliz , a os saltos , atrás de eles . Precipitou se até a a orla de a floresta e levantou a perna contra uma enorme figueira-do-egipto . Harry pegou em a varinha , murmurou * _ Lumus * ! e uma pequenina luz surgiu em a ponta de a varinha , suficiente para lhes mostrar o caminho e ajudá os a descobrir a pista de as aranhas . - Bem pensado - disse o Ron . - Eu acendia também a minha mas , sabes como ela está , ainda estoirava ou qualquer coisa assim ... Harry tocou em o ombro de o Ron , apontando para as ervas . Duas aranhas solitárias fugiam de a luz de a varinha , aproximando se de a sombra de as árvores . - O. _ K. - disse o Ron , resignando se com o pior . - Estou pronto , vamos . Então , com o Fang a correr atrás de eles , cheirando as raízes de as árvores e as folhas , entraram em a floresta . Seguindo a luz de a varinha de o Harry seguiram a fila disciplinada de aranhas que se movia a o longo de o caminho . Andaram durante cerca de vinte minutos , sem falar , atentos a todos os ruídos que não fossem os de os ramos caídos e de as folhas secas . Então , quando as copas de as árvores se tinham tornado mais cerradas do_que nunca , de_tal_modo_que as estrelas em o céu já não eram visíveis e a varinha de o Harry brilhava isolada em um mar de escuridão , viram as aranhas que eles seguiam a abandonar o caminho . Harry parou , tentando ver para_onde iam mas tudo_o_que ficava longe de a sua pequenina luz era negro de breu . Ele nunca fora tão longe em a floresta . Lembrava se muito bem de Hagrid lhe ter dito , de a última vez que ali tinham estado , que nunca saísse de o caminho de a floresta . Mas Hagrid agora estava a muitos quilómetros de distância e ele também lhes dissera que seguissem as aranhas . Uma coisa húmida tocou em a mão de o Harry e ele deu um salto para trás , pisando o pé a o Ron . Mas afinal era apenas o focinho de o Fang . - O que é_que tu achas ? - perguntou ele a o Ron cujos olhos conseguia vislumbrar , reflectindo a luz de a varinha . - Já_que viemos até aqui - disse ele . Seguiram , portanto as sombras velozes de as aranhas em direcção a as árvores . Não podiam agora andar muito depressa . Tinham em a frente raízes de árvores e troncos cortados que mal se viam em aquela escuridão . Harry sentia o bafo quente de Fang em a mão . Por mais de uma_vez tiveram de parar para o Harry se baixar e descobrir as aranhas a a luz de a varinha . Andaram durante o que lhes pareceu ter sido pelo_menos meia_hora , com os mantos a roçarem em os ramos mais baixos e em as silvas . A o fim de algum tempo repararam que o chão parecia inclinar se para baixo embora as árvores continuassem cerradas . Foi então que o Fang soltou um latido que ecoou em volta , fazendo Harry e Ron darem um salto , ambos com os cabelos em pé . - O que foi ? - gritou o Ron , olhando em volta para a escuridão e agarrando Harry com força , por o cotovelo . - Há qualquer coisa ali a mexer se - murmurou Harry - Ouve ... parece ser grande . Ficaram a ouvir . Um_pouco para a direita algo de grandes dimensões partia os ramos enquanto abria caminho através de as árvores . - Oh ! não - disse o Ron . - Oh ! não , não ... - Cala te - insistiu o Harry , nervoso . - Seja o que for , vai acabar por te ouvir . - Ouvir me ? - disse o Ron , em um tom de voz muito pouco natural . - Já ouviu . Fang ! A escuridão parecia esmagar lhes os globos oculares enquanto ali ficaram apavorados , a a espera . Houve um estranho ruído , surdo e prolongado , e em seguida o silêncio . - O que estará a fazer ? - perguntou Harry . - Talvez esteja a preparar se para atacar - disse o Ron . Esperaram , a tremer , sem ousarem mexer se . - Achas que se foi embora ? - murmurou Harry . - Não sei . Em esse momento , de o lado direito veio um clarão de luz tão forte em o meio de o escuro que os dois levaram as mãos a a cara para proteger os olhos . O Fang ganiu e tentou fugir mas viu se envolvido em um emaranhado de espinhos e ganiu ainda mais alto . - Harry - gritou o Ron com grande alívio em a voz . - Harry , é o nosso carro . - O quê ? - Anda ver . Harry avançou a os tropeções atrás de o Ron , em direcção a a luz e em o momento seguinte estavam em uma clareira . O carro de Mr._Weasley ali estava , vazio , no_meio_de um círculo de árvores grossas , sob um telhado de ramos densos , os faróis de a frente resplandecentes . Quando Ron se aproximou de boca aberta , moveu se lentamente em direcção a ele como_se fosse um grande cão azul turquesa , cumprimentando o dono . - Tem estado aqui todo este tempo - disse o Ron satisfeitíssimo , aproximando se de o carro . - Olha para ele , a floresta tornou o selvagem ... O guarda-lamas estava riscado e cheio de lodo . Parecia que tinha andado a passear sozinho por a floresta . Fang não gostou lá muito de ele . Manteve se a o lado de o Harry que podia senti o a tremer . Com a respiração normalizada , Harry guardou a varinha em o manto . - E nós a pensarmos que ele nos ia atacar - disse o Ron , encostando se a o carro e dando lhe duas palmadinhas - As voltas que eu dei a a cabeça a pensar para_onde ele teria ido ! Harry olhava para todos os lados , em o chão iluminado , em busca de mais aranhas mas todas elas tinham fugido de o brilho de as luzes . - Perdemos as de vista - disse ele . - Anda , vamos procurá as . Ron não disse nada . Não se moveu . Tinha os olhos fixos em um ponto , três metros acima de o chão de a floresta , mesmo atrás de o Harry . O seu rosto estava lívido de terror . Harry nem teve tempo de se voltar . Ouviu se um ruído alto e seco e sentiu que alguma coisa longa e peluda o elevava em o ar com o rosto voltado para baixo . Debatendo se , apavorado , ouviu outro estalido e viu as pernas de o Ron serem também levantadas de o chão . Ouviu o Fang gemer e ganir e , em o momento seguinte , era levado para o meio de as árvores escuras . Com a cabeça a balouçar , Harry viu que a coisa que o transportava tinha seis enormes patas peludas e que as duas de a frente o agarravam com forca sob um par de tenazes pretas e brilhantes . Atrás_de si podia ouvir outra de aquelas criaturas que , sem dúvida , transportava o Ron . Encaminhavam se para o coração de a floresta . Harry ouvia o Fang a ladrar , tentando libertar se de um terceiro monstro mas Harry não podia gritar mesmo_que quisesse , parecia que tinha deixado a voz em a clareira , junto com o carro . Não soube quanto tempo esteve em as patas de a criatura , só se apercebeu que a escuridão se atenuara um_pouco , permitindo lhe ver que o chão coberto de folhas estava agora repleto de aranhas . Voltando a cabeça para o lado , deu se conta de que tinham chegado a a base de uma enorme cova , uma cova que fora limpa de árvores para que as estrelas iluminassem com o seu brilho a cena mais pavorosa que os seus olhos alguma vez tinham visto . Aranhas . Não aranhas pequeninas como aquelas que estavam sobre as folhas . Aranhas de o tamanho de enormes cavalos , com oito olhos , oito pernas pretas , peludas , gigantescas . O espécimen que transportava Harry desceu o terreno íngreme até uma teia brumosa em forma de cúpula que ficava mesmo em o meio de a cova , enquanto os companheiros se juntavam em volta , batendo excitadíssimos com as tenazes e olhando para o que eles traziam a as costas . Harry caiu em o chão de gatas quando a aranha o libertou . Ron e Fang foram cair perto de ele . O Fang já não gania . Estava agachado e muito quieto . Ron e Harry partilhavam o mesmo sentimento . O Ron tinha a boca aberta em uma espécie de grito silencioso e os olhos a saltarem lhe de as órbitas . Harry percebeu de repente que a aranha que o deitara a o chão estava a dizer qualquer coisa . Era difícil entender porque entre cada duas palavras , batia com as tenazes . - Aragog - chamou . - Aragog . E de o meio de a teia brumosa em forma de cúpula saiu muito lentamente uma aranha de o tamanho de um pequeno elefante . As costas e as pernas estavam cobertas de pêlo cinzento e , em a cabeça feia , munida de tenazes , estavam vários olhos , todos eles de um branco leitoso . Era cega . - O que foi ? - disse , batendo rapidamente com as tenazes uma em a outra . - Homens - respondeu a aranha que trouxera o Harry . - É o Hagrid ? - perguntou Aragog , aproximando se mais com os seus oito olhos leitosos a vaguear . - Estranhos - respondeu a aranha que trouxera o Ron . - Matem nos - disse Aragog , irritada . - Eu estava a dormir ... - Nós somos amigos de o Hagrid - gritou Harry . Parecia que o coração lhe saltava por a boca . Clic , clic , clic fizeram as tenazes de a aranha , em volta de a cova . Aragog parou . - O Hagrid nunca mandou homens a a nossa cova - disse lentamente . - O Hagrid está em perigo - explicou Harry , respirando muito depressa . - Foi por isso que eu vim . - Em perigo ? - repetiu a aranha idosa e pareceu a Harry sentir preocupação por detrás de as suas tenazes . - Mas porque vos mandou ele cá ? Harry pensou pôr se de pé mas achou melhor não arriscar . As pernas provavelmente não teriam força para o sustentar . Falou portanto de o chão , o mais calmamente que foi capaz . - Eles lá em a escola pensam que o Hagrid soltou qualquer coisa contra os estudantes . Mandaram o para Azkaban . Aragog bateu furiosamente com as tenazes e , em toda_a cova , o eco foi reproduzido por uma multidão de aranhas . Era uma espécie de aplauso com uma única diferença : os aplausos não costumavam fazer o Harry quase morrer de medo . - Mas isso foi há muitos anos - disse Aragog , maldisposta . - Há anos e anos . Lembro me muito bem . Foi por isso que o expulsaram de a escola . Eles pensaram que eu era o monstro que vive em aquilo a que eles chamam a Câmara_dos_Segredos . Pensaram que o Hagrid a tinha aberto para me libertar . - E tu ... não vieste de a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Harry que sentia a testa cheia de suores frios . - Eu - disse Aragog , batendo irritada com as tenazes - , eu não nasci em o castelo . Venho de uma terra distante . Um viajante ofereceu me a o Hagrid quando eu era ainda um ovo . Hagrid era um rapazinho mas tratou de mim , escondeu me em uma despensa dentro de o castelo e alimentava me com as migalhas que ficavam em as mesas . Hagrid é o meu bom amigo e um bom homem . Quando me encontraram e me culparam por a morte de uma rapariga , ele protegeu me . Desde_então , tenho vivido aqui em a floresta onde o Hagrid ainda vem visitar me . Ele até me arranjou uma esposa , Mosag , e estão a ver como a família cresceu , tudo graças a a bondade de o Hagrid ... Harry reuniu a coragem que lhe restava . - Então tu nunca atacaste ninguém ? - Nunca - resmungou a velha aranha . - Era esse o meu instinto , mas por respeito a Hagrid nunca fiz mal a nenhum humano . O corpo de a rapariga morta foi encontrado em uma casa_de_banho , ora eu nunca conheci mais do_que despensa de o castelo , onde cresci . Nós gostamos de o escuro de o silêncio . - Mas então ... sabes o que matou essa rapariga ? - perguntou Harry . - Porque seja o que for , está a atacar as pessoas outra_vez ... As suas palavras foram abafadas por uma audível explosão de tenazes a bater e por o ruge-ruge de muitas pernas longas , deslocando se iradas . Em volta de Harry começaram a mover se sombras escuras . - O que vive em o castelo - disse Aragog - é uma antiga criatura que nós , aranhas , tememos acima_de todas_as outras . Lembro me bem de o quanto insisti com Hagrid para que me deixasse sair de ali quando senti a criatura a andar por a escola . - O que é ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Mais tenazes a bater , mais pernas a moverem se . As aranhas pareciam estar a aproximar se . - Nós não falamos de isso - exclamou Aragog furiosa . - Não pronunciamos o seu nome . Eu nunca disse a o Hagrid o nome de a horrível criatura , apesar_de ele me ter perguntado vezes sem conta . Harry não quis insistir , principalmente com todas aquelas aranhas a aproximarem se de todos os lados . Aragog parecia ter se cansado de falar . Recuava lentamente para a teia em forma de cúpula , mas as companheiras continuavam a aproximar se ameaçadoramente de Harry e Ron . - Vamos embora , então - gritou Harry , desesperadamente a Aragog , enquanto ouvia as folhas secas a estalarem atrás_de si . - Embora ? - disse Aragog lentamente . - Não me parece ... - Mas , mas ... - Os meus filhos e filhas não fazem mal a o Hagrid por ordem minha . Mas não posso negar lhes carne fresca quando ela veio por vontade própria ter connosco . Adeus , amigo de o Hagrid . Harry deu meia volta . Poucos centímetros acima de ele , uma sólida parede de aranhas batia com as tenazes , os seus muitos olhos a brilharem em as horríveis caras pretas . Mesmo_que se servisse de a varinha , Harry sabia que não ia valer de nada . As aranhas eram demasiadas , mas quando tentava preparar se para morrer a lutar , ouviu se um som prolongado e um clarão de luz iluminou a cova . O carro de Mr._Weasley ribombava , descendo o declive , com os faróis acesos , a buzina a guinchar , afastando as aranhas . Muitas de elas ficaram voltadas ao_contrário com as várias pernas a agitar se em o ar . O carro buzinou com mais força em frente de Harry e Ron e as portas abriram se . - Agarra o Fang - gritou Harry , ajeitando se em o lugar de a frente . Ron agarrou o cão caçador de javalis e lançou o a ganir para o banco de trás . As portas fecharam se com estrondo . Ron não tocou em o acelerador mas o carro não precisou de isso . O motor fez se ouvir e levantaram voo , batendo em mais aranhas . Subiram o declive , saindo de a cova e pouco depois atravessavam a floresta , os ramos a baterem em os vidros enquanto o carro seguia habilmente através de os intervalos maiores , por um caminho que obviamente já conhecia . Harry olhou para o Ron , a o seu lado . Ele tinha ainda a boca aberta em o mesmo grito silencioso mas os olhos já não estavam salientes . - Estás bem ? Ron olhou em frente , incapaz de responder . Começavam a descer para terra firme com o Fang a soltar enormes ganidos em o banco de trás e Harry viu o espelho retrovisor saltar quando passaram rente a um enorme carvalho . Após dez minutos bastante ruidosos , as árvores começaram a ser mais finas e Harry pôde ver de_novo pedaços de o céu . O carro parou tão bruscamente que quase foram projectados por o vidro de a frente . Tinham chegado a a orla de a floresta . O Fang ia agitadíssimo a a janela e quando Harry abriu a porta , disparou a correr através de as árvores até a a casa de o Hagrid , de cauda entre as pernas . Harry saiu também e um minuto depois o Ron pareceu recuperar a força em os membros e seguiu o , ainda com um torcicolo e de olhos esbugalhados . Harry deu uma palmadinha de agradecimento a o carro antes de ele dar a volta e desaparecer em direcção a a floresta . Harry voltou a a cabana de o Hagrid para buscar o manto de a invisibilidade . O Fang tremia em o seu cesto , coberto por um cobertor . Quando saiu de_novo , viu o Ron a vomitar junto de as abóboras . - Sigam as aranhas - disse ele debilmente , limpando a boca a a manga . - Nunca vou perdoar a o Hagrid . É uma sorte ainda estarmos vivos . - Aposto que ele pensou que Aragog nunca faria mal a os seus amigos - justificou Harry . - Esse é justamente o problema de o Hagrid - interrompeu Ron , dando um soco em a parede de a cabana . - Ele acha sempre_que os monstros não são tão maus como os pintam e vê onde isso o levou , a uma cela em Azkaban - tremia agora descontroladamente . - Qual a ideia de ele a o mandar nos ali ? Gostava de saber o que é_que descobrimos . - Que o Hagrid nunca abriu a Câmara_dos_Segredos - disse Harry , lançando o manto sobre Ron e tocando lhe em o braço para o encorajar a andar . - Ele estava inocente . Ron resmungou em voz alta . Para ele , chocar Aragog em uma despensa não era propriamente estar inocente . Quando se aproximaram de o castelo , Harry esticou o manto para garantir que os pés de ambos ficavam cobertos . Em seguida , empurrou as portas de a frente que chiaram . Atravessaram com todo o cuidado o * hall * de entrada e subiram a escadaria de mármore , contendo a respiração em os corredores guardados por sentinelas atentos . Por fim , chegaram a a segurança de a sala de os Gryffindor onde o lume ardera até se transformar em brasas brilhantes . Tiraram o manto e subiram a escada serpenteante que os levava a o dormitório . Ron caiu em a cama sem sequer se despir mas Harry , apesar_de tudo , não tinha sono . Sentou se em a beirinha de a cama , pensando em todas_as coisas que Aragog dissera . A criatura que andava por o castelo , pensou , era uma espécie de monstro Voldemort , nem os outros monstros queriam pronunciar o seu nome . Mas ele e o Ron não estavam agora mais perto_de descobrir o que era nem como petrificava as suas vítimas . Se nem o Hagrid chegara a saber o que estava em a Câmara_dos_Segredos ... Harry balançou as pernas e atirou se para_cima de a cama . Encostado a as almofadas olhou a Lua que brilhava através de a janela de a torre . Não sabia que mais poderiam fazer . Só tinham encontrado portas fechadas . Riddle apanhara a pessoa errada . O herdeiro de Slytherin fugira e ninguém sabia se era a mesma pessoa ou uma outra que abrira , desta_vez , a Câmara_dos_Segredos . Não havia mais ninguém a quem fazer perguntas . Harry deitou se ainda a pensar em as palavras de Aragog . Estava a começar a ficar com sono quando aquilo que parecia ser uma última esperança lhe ocorreu , fazendo o sentar se muito direito em a cama . - Ron - sussurrou em o escuro . - Ron . Ron acordou com um ganido como os de o Fang . Olhou muito assustado em volta e viu o Harry . - Ron , a rapariga que morreu . Aragog contou nos que ela foi encontrada em uma casa_de_banho - disse , ignorando os roncos de o Neville em o outro canto de o quarto . - E se ela nunca tivesse saído de a casa_de_banho ? E se ainda lá estiver ? Ron esfregou os olhos , franzindo as sobrancelhas sob a luz de a Lua . E só então compreendeu . -- Não pensar que ... a Murta_Queixosa ? XVI_A_Câmara_dos_Segredos -- E estivemos nós tantas vezes em aquela casa_de_banho com ela apenas a três cubículos de distância - disse o Ron amargamente em o dia seguinte , a a mesa de o pequeno-almoço . - Podíamos ter lhe perguntado e agora ... Já fora bastante difícil procurar as aranhas . Escapar a os professores o tempo suficiente para ir até a a casa_de_banho de as raparigas , que ficava mesmo em frente de o lugar onde ocorrera o primeiro ataque , ia ser quase impossível . Mas alguma coisa aconteceu que fez com que a Câmara_dos_Segredos desaparecesse de os seus pensamentos pela_primeira_vez em várias semanas . A professora Mc_Gonagall comunicou lhes que os exames começariam a 1_de_Junho , uma semana depois . - Exames ? - gritou Seamus_Finnigan . - Nós mesmo_assim vamos ter exames ? Ouviu se um estrondo atrás de o Harry quando a varinha de o Neville_Longbottom lhe escapou de a mão , fazendo desaparecer uma de as pernas de a secretária . A professora Mc_Gonagall repô a com a sua varinha e voltou se com má cara para o Seamus . - Se temos a escola aberta em uma altura de estas é para vocês receberem instrução - disse com dureza . - Os exames terão lugar , portanto , como é costume e espero que todos vocês façam revisões até lá . Revisões . Não passara por a cabeça de o Harry que houvesse exames com o castelo em aquele estado . Houve uma série de murmúrios revoltados , o que fez com que a professora Mc_Gonagall ficasse ainda mais mal-humorada . - As instruções de o professor Dumbledore foram para manter a escola a funcionar o mais normalmente possível - disse . - E isso , não preciso de vos dizer , passa por uma avaliação de o quanto vocês aprenderam a o longo de este ano . Harry olhou para baixo , para o casal de coelhos brancos que ele deveria transformar em pantufas . Que tinha ele aprendido durante o ano ? Não era capaz de se lembrar de nada que fosse útil em um exame . Ron estava como_se tivessem acabado de lhe dizer que a partir de aquele momento tinha de ir viver para a floresta proibida . - Estás a ver me a ter exames com isto tudo ? - perguntou a o Harry enquanto pegava em a varinha que tinha começado a assobiar bastante alto . Três dias antes de o primeiro exame , a a hora de o pequeno almoço , a professora Mc_Gonagall fez outra comunicação . - Tenho boas notícias - disse , e o salão em_vez_de se calar , explodiu de contentamento . - Dumbledore vai regressar ! - gritaram várias pessoas cheias de alegria . - Apanharam o herdeiro de Slytherin - arriscou uma rapariga em a mesa de os Ravenclaw . - Temos outra_vez os jogos de Quidditch - bradou Wood , excitadíssimo . Quando a agitação passou , Mc_Gonagall disse : - A professora Sprout informou me que as mandrágoras estão finalmente prontas para serem cortadas . Hoje a a noite vamos poder reanimar as pessoas que foram petrificadas . Escusado será dizer que certamente uma de elas poderá revelar nos quem ou o que a atacou . Eu tenho esperança que este ano pavoroso acabe com a prisão de o culpado . Houve uma explosão de aplausos . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e não ficou nada surpreendido a o ver que Draco_Malfoy não aplaudia . O Ron , por outro lado , estava satisfeito como ninguém o via havia dias . - Não faz mal não termos perguntado a a Murta . A Hermione vai , com certeza , ter todas_as respostas quando acordarem . Vai também ficar fula quando souber que temos exames dentro_de três dias . Ela não pôde fazer revisões . Seria melhor deixarem a estar onde está até a o final de os exames . Nessa_altura , Ginny_Weasley veio sentar se junto de o Ron . Parecia nervosa e tensa e Harry reparou que torcia as mãos em o colo . - O que se passa ? - perguntou o Ron , servindo se de mais papa de aveia . Ginny não disse nada mas olhou para um lado e para o outro de a mesa de os Gryffindor , com um olhar assustado que lembrou a Harry alguém que não sabia bem quem era . - Vá lá , vomita - disse o Ron , olhando para ela . Harry percebeu subitamente quem a Ginny lhe lembrara . Ela balançava se ligeiramente para a frente e para trás em a cadeira , exactamente como o Dobby fazia quando estava hesitante , à_beira_de revelar uma informação proibida . - Tenho de te dizer uma coisa - balbuciou a Ginny receosa , sem olhar para Harry . - O que é ? - perguntou ele . Ginny parecia incapaz de encontrar as palavras certas . - O quê ? - insistiu Ron . Ginny abriu a boca mas não saiu nenhum som . Harry inclinou se para a frente e falou devagar para que só ela e Ron pudessem ouvi o . - É alguma coisa relacionada com a Câmara_dos_Segredos ? Viste alguma coisa ou alguém a agir de forma estranha ? Ginny respirou fundo e , em esse preciso momento , apareceu Percy_Weasley com um ar pálido e cansado . - Se já acabaste de comer eu fico com esse lugar , Ginny . Estou cheio de fome . Acabei agora o meu trabalho de patrulhamento . Ginny deu um salto como_se a cadeira tivesse acabado de ser electrificada , lançou a o Percy um olhar assustado e zarpou . Percy sentou se e tirou uma caneca de o meio de a mesa . -- Percy - disse o Ron aborrecido . - Ela ia agora mesmo contar nos uma coisa importante . A meio de um gole de chá , Percy estremeceu . - Que coisa ? - perguntou , tossindo . - Eu quis saber se ela tinha visto alguma coisa estranha e ela ia dizer ... - Ah ! isso ... não tem nada que ver com a Câmara_dos_Segredos - disse o Percy de imediato . - Como sabes ? - indagou o Ron , erguendo as sobrancelhas . - Bem ... er ... já_que perguntam , a Ginny ... er ... passou por mim em outro dia quando eu ... er ... não foi nada , o importante é_que ela viu me fazer uma coisa e eu ... um ... pedi lhe para não comentar com ninguém . Não pensei que ela cumprisse a palavra , verdade se diga . Não é nada importante , eu só ... Harry nunca vira o Percy tão pouco a a vontade . - O que estavas a fazer , Percy ? - riu se o Ron . - Vá lá , conta que nós não nos rimos . Percy ficou sério . - Passa me esses pãezinhos , Harry , estou cheio de fome . Harry sabia que todo o mistério poderia ser desvendado em o dia seguinte sem a ajuda de eles mas não ia deixar de falar com a Murta_Queixosa se a oportunidade surgisse . E , para sua grande satisfação , ela surgiu a meio de a manhã quando eram conduzidos a a aula de História_da_Magia_por_Gilderoy_Lockhart . Lockhart , que tantas vezes lhes assegurara que o perigo tinha passado , estava agora totalmente convencido de que acompanhar os alunos em os corredores era um trabalho inútil . O seu cabelo estava mais liso do_que de costume . Parecia ter passado toda_a noite acordado a vigiar o quarto andar . - Podem escrever o que eu digo - afirmou , acompanhando os até uma esquina . - As primeiras palavras que vão sair de a boca de aquelas pobres pessoas petrificadas serão - * _ Foi_o_Hagrid * . Francamente , estou espantado por a professora Mc_Gonagall considerar ainda necessárias estas medidas de segurança . - Concordo , professor - disse Harry , fazendo com que Ron , surpreendido , deixasse cair os livros a o chão . - Obrigado , Harry - disse Lockhart amavelmente , enquanto deixavam passar uma grande fila de Hufflepuffs . - verdade é_que os professores já têm bastante que fazer para andarem também a acompanhar os alunos a as aulas e a guardar os corredores a a noite ... - É verdade - disse o Ron , percebendo a ideia . - Porque não nos deixa aqui , professor , só falta mais um corredor . - Sabes , Weasley , sou mesmo capaz de fazer isso - disse Lockhart . - Preciso de preparar a minha próxima aula . E apressou se a seguir o seu caminho . - Preparar a aula - zombou o Ron . - Vai encaracolar o cabelo , é o mais certo . Deixaram os restantes Gryffindor passar lhes a a frente e por fim cortaram caminho em um corredor lateral e dirigiram se a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mas quando estavam a congratular se por o seu esquema brilhante ... - Potter , Weasley ! Que estão vocês a fazer aqui ? Era a professora Mc_Gonagall e a boca de ela estava mais fina do_que nunca . - Nós estávamos , estávamos - gaguejou o Ron . - Nós íamos ver , íamos ver ... - Hermione - completou Harry . A professora Mc_Gonagall e Ron olharam para ele . - Não a vemos há séculos , professora - prosseguiu Harry , pisando o pé a o Ron . - E pensamos ir espreitá a a a ala hospitalar e dizer lhe que as mandrágoras estão quase prontas , para ela não se preocupar . A professora Mc_Gonagall estava ainda a olhar para ele e , por um momento , Harry pensou que ela ia explodir mas , quando falou , fê lo em um tom de voz estranhamente rouco . - É claro - disse . E Harry , espantado , viu uma lágrima a brilhar lhe em o canto de um de os olhos . - É claro . Eu compreendo que tudo_isto tem sido muito duro para os amigos de aqueles que foram ... eu compreendo , sim , Potter . Podem ir visitar Miss_Granger . Eu mesma informarei o professor Binns de que vocês estão em o hospital . Digam a Madam_Pomfrey que vos dei autorização . Harry e Ron afastaram se , quase sem acreditar que tinham escapado a um castigo . Quando voltaram em uma esquina ouviram nitidamente a professora Mc_Gonagall a assoar se . - Esta - disse o Ron entusiasmado - foi a melhor história que tu alguma vez inventaste . Não tinham outro remédio senão ir a a ala hospitalar e dizer a Madam_Pomfrey que tinham autorização de a professora Mc_Gonagall para visitar Hermione . Madam_Pomfrey deixou os entrar com alguma relutância . - Não vale a pena falar com uma pessoa petrificada - disse , e ambos tiveram que admitir que ela tinha razão quando se sentaram junto de Hermione e constataram que ela não tinha a menor noção de estar acompanhada . Dizer lhe que não se preocupasse ou falar com o armário que estava a o lado de a cama era exactamente a mesma coisa . - Será que ela viu quem a atacou ? - perguntou o Ron , olhando com tristeza para o rosto rígido de Hermione . - Porque se a coisa saltou sobre eles , ficaremos todos sem saber de nada . Mas Harry não olhava para o rosto de Hermione . Estava mais interessado em a sua mão direita que se encontrava pousada sobre os cobertores e , inclinando se para ela , viu que tinha , fechado entre os dedos , um pedaço de papel . Assegurando se de que Madam_Pomfrey não dava por nada , fez sinal a o Ron . - Tenta tirá o - murmurou ele , colocando a cadeira de_modo_a que Madam_Pomfrey não pudesse ver o Harry . Não foi tarefa fácil . A mão de a Hermione estava fechada com uma força tal que Harry receou parti a . Enquanto Ron vigiava , ele forçou e torceu até que , por fim , depois de vários minutos bastante tensos , conseguiu tirar o papel . Era uma página retirada de um livro muito antigo de a biblioteca . Harry alisou a ansiosamente e Ron inclinou se para poder lês a também . * _ De todos os monstros assustadores que pairam a a face de a Terra , nenhum é tão curioso nem tão fatal como o Basilisk , também conhecido por o rei de as serpentes . Esta cobra que pode atingir proporções gigantescas e viver durante muitas centenas de anos nasce de um ovo de galinha que é chocado por um sapo . As suas formas de matar são pavorosas pois além de os dentes venenosos e mortais , o Basilisk tem um olhar criminoso e todos aqueles que ele fixa com os olhos tem morte instantânea . As aranhas fogem a sete pés de o Basilisk que é seu inimigo mortal , e o Basilisk foge apenas de o canto de o galo que para ele é fatal * . Por debaixo de isto uma única palavra fora escrita , em a letra que Harry reconheceu como sendo de Hermione : Canos . Foi como_se se tivesse acendido uma luz em o seu espírito . - Ron - murmurou - é isso . Está aqui a resposta . O monstro de a Câmara_dos_Segredos é um Basilisk , uma serpente gigante . Por isso , só eu tenho ouvido a sua voz em todos os lugares , porque eu compreendo * serpentês * ... Harry olhou para as camas em volta . - O Basilisk mata as pessoas fixando as com o olhar mas ninguém morreu , o que quer_dizer que ninguém o olhou directamente em os olhos . Colin viu o através de a lente de a máquina fotográfica e o Basilisk queimou o rolo que estava lá dentro mas o Colin ficou apenas petrificado . O Justin ... o Justin deve ter visto o Basilisk através de o Nick quase sem cabeça . O Nick é_que levou com o olhar mas não podia morrer outra_vez ... e perto de a Hermione e de a prefeita de os Ravenclaw foi encontrado um espelho . Hermione acabara de compreender que o monstro era um Basilisk . Aposto que preveniu a primeira pessoa que encontrou de que era melhor olhar por um espelho a o virar de cada esquina . E aquela rapariga puxou de o seu espelho e ... O Ron estava de queixo caído . - E Mrs._Norris ? - perguntou vivamente . Harry pensou um_pouco , tentando imaginar a cena em a noite de o Halloween . - A água . . . - disse lentamente . - A poça de água que saiu de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Aposto que Mrs._Norris só viu o reflexo de o monstro . Examinou a folha de papel que tinha em a mão . Quanto_mais olhava mais sentido faziam as coisas . - * _ O cantar de o galo é fatal para ele * - leu em voz alta . - Os galos de o Hagrid foram mortos . O herdeiro de Slytherin não queria um único galo perto de o castelo , com a câmara aberta . * _ As aranhas são as primeiras a fugir * . Tudo encaixa . - Mas , como tem o Basilisk andado por aí ? - disse o Ron . - Uma serpente horrível e enorme ... alguém a teria visto . Mas Harry apontou para a palavra que Hermione escrevinhara em o final de a página . - Canos - disse . - Canos ... Ron , ele tem usado a canalização . Eu ouvi sempre a voz dentro de as paredes ... Ron agarrou subitamente o braço de o Harry . - A entrada para a Câmara_dos_Segredos - disse em uma voz rouca . - E se for em uma casa_de_banho ? Se for em a ... - Em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa - completou Harry . Sentaram se , tomados de uma excitação enorme , mal querendo acreditar . - Isso significa que - disse o Harry - eu não posso ser o único em a escola a falar * serpentês * . Há também o herdeiro de Slytherin . É de esse modo que tem controlado o Basilisk . - O que vamos fazer ? - perguntou Ron com os olhos a faiscar . - Vamos falar com a Mc_Gonagall ? - Vamos até a a sala de os professores - disse Harry , dando um salto . - Ela estará lá dentro_de dez minutos , está quase em o intervalo . Desceram a escada a correr . Não querendo ser descobertos outra_vez a vaguear por os corredores foram directamente até a a sala de os professores que estava deserta . Era uma divisão ampla , toda forrada , com cadeiras de madeira escura . Harry e Ron passearam de um lado para o outro , demasiado nervosos para se sentarem . Mas a campainha anunciando o intervalo nunca mais tocava . Em vez de isso , ecoando em os corredores , ouviram a voz de a professora Mc_Gonagall incrivelmente ampliada . - * _ Todos os alunos devem regressar de imediato a os seus dormitórios . Todos os professores a a sala de professores . Imediatamente , por favor * . Harry deu meia volta e olhou para o Ron . - Não me digas que houve um novo ataque , não agora ! - Que vamos fazer ? - disse o Ron aterrado . - Voltar para o dormitório ? - Não - disse Harry , olhando e m volta . Havia uma espécie de armário a a sua esquerda cheio com os mantos de os professores . - Ali . Vamos ouvir o que se passa . A seguir poderemos contar lhes o que descobrimos . Esconderam se dentro de o armário , ouvindo a algazarra de centenas de pessoas e a porta de a sala de professores a abrir se . De o meio de a confusão de mantos bafientos , viram os professores encherem a sala . Alguns tinham um ar totalmente confuso , outros pareciam apavorados . Por fim , chegou a professora Mc_Gonagall . - Aconteceu - disse em o silêncio de a sala de professores . - O monstro levou uma aluna . Levou a mesmo para a câmara . O professor Flitwick soltou um grito agudo . A professora Sprout bateu com a mão em a boca . Snape agarrou com força as costas de uma cadeira e perguntou : - Como pode ter tanta certeza ? - O herdeiro de Slytherin - disse a professora Mc_Gonagall , muito pálida . - Deixou outra mensagem . Mesmo por baixo de a primeira : « * _ O esqueleto de ela ficará para sempre em a Câmara_dos_Segredos * . » O professor Flitwick desatou a chorar . - Quem é ela ? - quis saber Madam_Hooch que se afundara em uma cadeira . - Quem é a aluna ? - Ginny_Weasley - disse a professora Mc_Gonagall . Harry viu o Ron , a o seu lado , escorregar silenciosamente até a o chão de o armário . - Vamos ter que mandar todos os alunos embora amanhã - disse a professora Mc_Gonagall . Isto_é o fim de Hogwarts , Dumbledore sempre disse ... A porta de a sala de os professores voltou a abrir se . Por um breve momento , Harry pensou que fosse Dumbledore mas era Lockhart e vinha todo sorridente . - Peço desculpa , adormeci . Perdi alguma coisa ? Não pareceu reparar que os outros professores o olhavam com uma espécie de aversão . Snape deu um passo em frente . - O homem que faltava - disse . - O homem certo . O monstro raptou uma garota , Lockhart levou a para a Câmara_dos_Segredos . O seu momento chegou . - Isso mesmo , Lockhart - acrescentou a professora Sprout . - Não estavas a dizer ontem a a noite que sempre tinhas sabido onde era a entrada para a Câmara_dos_Segredos ? - Eu ... bem ... eu-disse atabalhoadamente Lockhart . - Sim , não me disseste que sabias exactamente o que estava lá dentro ? - disse com voz esganiçada o professor Flitwick . - Eu disse ? Não me lembro ... - Lembro me perfeitamente de o ouvir dizer que lamentava não ter feito uma tentativa com o monstro antes de o Hagrid ser preso - disse Snape . - Não disse que toda_a história tinha sido uma atrapalhação e que deveriam ter lhe dado carta branca desde o princípio ? Lockhart olhou em volta para a cara de espanto de os colegas . - Eu ... nunca ... eu de facto ... deve ter me compreendido mal . - Então vamos deixar te , Gilderoy - disse a professora Mc_Gonagall . - Esta noite será uma excelente oportunidade para actuares . Nós trataremos de assegurar que ninguém te atrapalha . Vais poder enfrentar o monstro sozinho . Finalmente tens carta branca . Lockhart olhou desesperado a a sua volta mas ninguém foi salvá o . Já não estava bem-parecido . O lábio tremia lhe e a ausência de o seu habitual sorriso de dentes brancos dava lhe um ar escanzelado . - M-muito bem - disse . - Vou até a o meu escritório para ... para me preparar . E saiu de a sala . - _ óptimo - exclamou a professora Mc_Gonagall com as narinas dilatadas . - Isto deve afastá o de o nosso caminho . Os chefes de casa devem ir agora comunicar a os respectivos alunos o que se passou e informá os de que o Expresso_de_Hogwarts os levará a casa amanhã de manhã . Os restantes certifiquem se , por favor , de que não há alunos fora de os dormitórios . Os professores levantaram se e saíram um a um . Foi talvez o dia pior de a vida de o Harry . Ele , Ron , Fred e George sentaram se juntos a um canto em a sala comum de os Gryffindor , incapazes de proferir uma palavra . Percy não estava lá . Tinha ido tratar de enviar uma coruja a Mr. e Mrs._Weasley e , em seguida , fechara se em o dormitório . Nunca uma tarde custara tanto a passar e nunca a torre de os Gryfffindor estivera tão cheia de gente e tão silenciosa . Fred e George foram para a cama quase a o pôr de o Sol , incapazes de ficar ali mais tempo . - Ela sabia qualquer coisa , Harry - disse o Ron , falando pela_primeira_vez desde_que tinham saído de o armário de a sala de os professores . - Por isso a levaram . Não era nenhuma parvoíce sobre o Percy , ela tinha descoberto qualquer coisa sobre a Câmara_dos_Segredos . Com certeza por isso é_que a ... - Ron esfregou os olhos , enervadíssimo . - Afinal ela era sangue puro , não pode haver outra explicação . Harry olhava para o sol que mergulhava de um vermelho cor de sangue em a linha de o horizonte . Era a pior coisa que lhe tinha acontecido . Se pelo_menos pudessem fazer alguma coisa . - Harry - disse o Ron . - Achas que há alguma possibilidade de ela não estar ... ? Sabes o que eu quero dizer . Harry não sabia que resposta dar . Não acreditava que a Ginny pudesse ainda estar viva . - Sabes uma coisa ? - disse o Ron . - Acho que devíamos ir ter com o Lockhart , contar lhe o que sabemos . Ele vai tentar entrar em a câmara , podemos dizer lhe onde achamos que fica a entrada e contar lhe que o monstro é um Basilisk . Como Harry não tinha nenhuma ideia melhor e como queria fazer alguma coisa , concordou . Os Gryffindor que os rodeavam estavam tão tristes e com tanta pena de os Weasley que ninguém tentou impedi os quando os viram levantar se , atravessar a sala e sair por o buraco de o retrato . A escuridão começava a instalar se quando chegaram a o escritório de Lockhart onde a actividade era muita . De o corredor ouvia se o ruído de coisas a serem deitadas fora , pancadas surdas e passos apressados . Harry bateu a a porta e houve um silêncio repentino . Em seguida abriu se uma fresta de a porta e viram um de os olhos de Lockhart a espreitar . - Oh ! ... Mr._Potter ... Mr._Weasley - disse entreabrindo a porta . - Estou um_pouco ocupado em este momento , se forem rápidos ... - Professor , nós temos informações para lhe dar - disse o Harry . - Acho que poderão ajudá o . - Er ... bem ... não é - o lado de a cara de Lockhart que conseguiam ver parecia muito pouco a a vontade . - Quer_dizer ... bem ... está bem . Abriu a porta e eles entraram . O escritório estava praticamente vazio . Em o chão estavam duas grandes malas abertas . Mantos verde-jade , lilás , azul-noite tinham sido apressadamente dobrados e guardados dentro_de uma de as malas . Os livros misturavam se todos dentro de a outra . As fotografias que antes cobriam as paredes estavam agora arrumadas em caixas , em cima de a secretária . - Vai a algum lado ? - perguntou Harry . - Er ... bem ... sim - disse Lockhart , arrancando de a porta um poster seu em tamanho natural , enquanto falava , e começando a enrolá o . - Uma chamada urgente ... inevitável ... tenho que ir . - E a minha irmã ? - perguntou o Ron bruscamente . - Bem , quanto_a isso foi uma pena - disse Lockhart , evitando olhá os em os olhos , abrindo uma gaveta e começando a despejar o seu conteúdo dentro_de um saco . - Ninguém lamenta mais do_que eu ... - O senhor é o professor de Defesa contra as artes negras - disse Harry . - Não pode ir se embora agora_que todas estas coisas de magia negra estão a acontecer aqui . - Bem , devo dizer te que ... quando aceitei o lugar ... - resmungou Lockhart , empilhando soquetes sobre os mantos - nada em a descrição de o meu trabalho fazia prever ... - Quer_dizer que vai fugir ? - perguntou Harry , incrédulo . - Depois de todas_as coisas que conta em os seus livros ? - Os livros podem ser enganadores - disse Lockhart delicadamente . - Mas foi o senhor que os escreveu - gritou Harry . - Meu rapaz - disse Lockhart , endireitando se e franzindo as sobrancelhas - usa o senso comum . Os meus livros não teriam vendido metade do_que venderam se as pessoas não acreditassem que eu tinha feito todas aquelas coisas . Ninguém está interessado em ler sobre um velho feiticeiro americano mesmo_que ele tenha salvo uma cidade inteira de os lobisomens , ficaria péssimo em a capa . E a bruxa que correu com a fada carpideira tinha um lábio leporino . Como vês . - Quer_dizer que ficou com os louros por tudo_o_que uma série de outras pessoas fizeram ? - perguntou Harry , sem querer acreditar . - Harry , Harry - disse Lockhart , abanando impacientemente a cabeça . - Não é tão simples assim . Envolveu muito trabalho . Tive de localizar todas essas pessoas , perguntar lhes em pormenor como tinham feito as coisas . Depois tive de lhes fazer um feitiço antimemória para que não voltassem a lembrar se do_que tinham feito . Se há uma coisa de que me orgulho é de os meus feitiços antimemória . Não , tive muito trabalho , Harry . Não foram só as sessões de autógrafos e as fotografias , sabes ? Quem quer ser famoso tem de estar preparado para um trabalho longo e fatigante . Fechou as malas a a chave . - Vejamos - disse . - Acho que está tudo . Sim , só falta uma coisa . - Empunhou a varinha e voltou se para eles . - Lamento muito , rapazes , mas vou ter de vos fazer um feitiço antimemória . Não posso deixar que vão por aí repetir os meus segredos . Não venderia nem mais um livro . Harry pegou em a varinha mesmo a tempo e Lockhart mal tinha levantado a de ele a o ar quando Harry gritou * _ Expelliarmus ! * Lockhart foi projectado de costas , indo cair em cima de a mala . A varinha voou por os ares . Ron agarrou a e atirou a por a janela aberta . - Não devia ter deixado o professor Snape ensinar nos esta - disse Harry furioso , dando um pontapé a uma de as malas . Lockhart olhava para ele , de_novo escanzelado . Harry apontava lhe a varinha . - O que queres que eu faça ? - perguntou debilmente . - Eu não sei onde fica a Câmara_dos_Segredos . Não posso fazer nada . - Está com sorte - disse Harry , forçando o com a varinha a pôr se de pé . - Nós julgamos saber onde é e o que está lá dentro . Vamos . Conduziram Lockhart para fora de o seu escritório , desceram com ele as escadas e seguiram por o corredor escuro em cuja parede brilhavam as mensagens , até a a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mandaram Lockhart a a frente . Harry gostou de ver que todo ele tremia . A Murta_Queixosa estava sentada em a cisterna de o cubículo de o fundo . - Ah ! são vocês - disse a o ver o Harry . - O que querem agora ? - Perguntar te como morreste - disse Harry . O aspecto de a Murta mudou por completo . Parecia que nunca lhe tinham feito uma pergunta tão lisonjeira . - Ooooh ! Foi horrível - disse satisfeita . - Aconteceu aqui mesmo . Morri em este cubículo . Lembro me tão bem . Estava escondida porque a Olive_Hornby andava a implicar comigo por causa de os meus óculos . A porta estava fechada e eu estava a chorar e , então , ouvi alguém entrar . Disseram qualquer coisa estranha em uma língua diferente , acho eu . Mas o que mais me espantou foi o ser um rapaz a falar . Por isso , abri a porta para lhe dizer que fosse a a casa_de_banho de eles e em esse momento - a Murta inchou com ar importante , o rosto a brilhar - morri . - Como ? - perguntou Harry . - Não faço ideia - disse a Murta em um tom de voz abafado . - Só me lembro de ver dois grandes olhos amarelos , de o meu corpo ficar preso e em seguida , sentir me a flutuar ... - olhou sonhadoramente para Harry . - E depois voltei . Estava disposta a vingar me de a Olive_Hornby , percebes ? Ela ia arrepender se de ter gozado com os meus óculos . - Onde foi exactamente que viste os tais olhos ? - perguntou Harry . - Algures por aí - disse a Murta , apontando vagamente para o lavatório em frente de o seu cubículo . Harry e Ron apressaram se . Lockhart estava de pé , mais atrás , com uma expressão de pavor em o rosto . O lavatório parecia perfeitamente vulgar . Examinaram o centímetro a centímetro , dentro e fora , incluindo os canos por baixo . E foi então que Harry reparou : de lado , rabiscada em uma de as torneiras de cobre , estava uma cobra pequenina . - Essa torneira nunca funcionou - disse vivamente a Murta enquanto ele tentava abri a . - Harry - sugeriu o Ron . - Diz qualquer coisa em * serpentês * . Mas , pensou Harry , as únicas vezes que conseguira falar * serpentês * tinham ocorrido quando confrontado com uma verdadeira serpente . Olhou , concentrado para a pequena cobra gravada em o cobre , tentando imaginá a como verdadeira . - Abre te - disse . Olhou para o Ron que abanou a cabeça . - Inglês - disse ele . Harry voltou a olhar para a cobra , forçando se a acreditar que estava viva . A luz de a vela fez parecer que se movia . - Abre te - repetiu . Mas desta_vez as palavras não foram o que ele ouviu . Um estranho sibilar escapou lhe de a boca e a torneira ganhou uma luz branca e brilhante e começou a rodar . Logo_a_seguir o lavatório mexeu se . Afastou se , melhor dizendo , saiu de o caminho , deixando um grande cano a a vista , um cano onde cabia um homem . Harry ouviu a respiração arquejante de o Ron e olhou de_novo para ele . Já decidira o que queria fazer . - Vou descer - disse . Não podia deixar de ir , agora_que acabavam de descobrir a entrada para a câmara , existindo uma possibilidade , por mais remota que fosse , de a Ginny ainda estar viva . - Eu também - disse o Ron . Houve uma pausa . - Bem , parece que não precisam mais de mim - apressou se Lockhart a dizer com uma réstia de sorriso . - Eu vou . . . Pôs a mão em o puxador de a porta mas Ron e Harry apontaram lhe ambos as varinhas . -- O senhor pode ir a a frente - disse rispidamente o Ron . Pálido e sem varinha , Lockhart aproximou se de a entrada . - Meus rapazes - disse em uma voz débil . - Meus rapazes , para quê tudo_isto ? Harry tocou lhe em as costas com a varinha e ele meteu as pernas em o cano . - Eu não me parece que ... - começou a dizer , mas o Ron deu lhe um empurrão e ele desapareceu por o cano abaixo . Harry foi rapidamente atrás . Introduziu se lentamente e deixou se cair . Era como escorregar em uma pista escura e interminável . Ele via outros canos , estendendo se em todas_as direcções mas nenhum tão largo como o de eles que se torcia e virava , inclinando se abruptamente . Harry sabia que estavam a chegar a um ponto muito abaixo de a escola e de os calabouços . Atrás_de si , ouvia o Ron gemendo em cada curva . E então , quando começava a preocupar se com o que iria acontecer quando tocassem em o chão , o cano tornou se horizontal e ele foi projectado com um ruído surdo , indo aterrar em o chão húmido de um túnel de pedra com altura suficiente para ele se pôr de pé . Lockhart estava a levantar se a alguma distancia , todo enlameado e pálido como um fantasma . Harry afastou se para deixar o Ron sair também de o cano . - Devemos estar quilómetros e quilómetros abaixo de a escola - disse o Harry cuja voz ecoou em o túnel negro . - Talvez até debaixo de o lago - arriscou o Ron , olhando em volta para as paredes escuras e viscosas . Voltaram se os três para olhar para a escuridão lá a o fundo . - * _ Lumus ! * - murmurou Harry a a varinha e ela voltou a acender se . - Vamos - disse a o Ron e a o Lockhart e avançaram , os passos a chapinharem ruidosamente em o chão molhado . O túnel era tão escuro que só conseguiam ver alguns centímetros a a frente . As suas sombras em as paredes molhadas pareciam monstruosas a a luz de a varinha . - Lembrem se - disse Harry baixinho enquanto caminhavam . - A o menor movimento fechem logo os olhos ... Mas o túnel era silencioso como um túmulo e o primeiro som inesperado que ouviram foi um grito de o Ron que escorregou em uma coisa que era afinal a cauda de um rato . Harry baixou a varinha para olhar para o chão e viu que estava cheio de pequenos ossos de animais . Fazendo um enorme esforço para evitar pensar em que estado iriam encontrar a Ginny , avançou até uma curva escura de o túnel . - Harry , está aqui qualquer coisa - disse o Ron com voz rouca , agarrando Harry por o ombro . Ficaram estáticos a olhar . Harry só conseguia ver a silhueta de algo enorme e curvo deitado em o túnel . Fosse o que fosse não se movia . - Talvez esteja a dormir - murmurou , olhando para os outros dois . Lockhart tapava os olhos com as mãos . Harry voltou se para olhar para a criatura com o coração a bater tanto que lhe doía em o peito . Lentamente , com os olhos quase fechados mas ainda conseguindo ver , Harry avançou com a varinha levantada . A luz deslizou sobre uma gigantesca pele de serpente , de um verde vivo e venenoso que estava vazia e enrolada em o chão de o túnel . A criatura que a abandonara devia ter , pelo_menos , seis metros e meio de comprimento . - Bolas - disse o Ron , perdendo as forças . Houve um movimento súbito atrás de eles . As pernas de Gilderoy_Lockhart cederam . - Levante se - disse o Ron de uma forma cortante , apontando lhe a varinha . Lockhart pôs se de pé . Em seguida empurrou o Ron , atirando o a o chão . Harry deu um salto , mas ... tarde de mais . Lockhart endireitava se com a varinha de o Ron em as mãos e um sorriso em o rosto . - A aventura acaba aqui , rapazes - disse . - Vou levar um bocado de esta pele de cobra para a escola , contar lhes que foi demasiado tarde para salvar a garota e que vocês os dois perderam tragicamente a memória com a visão de o seu corpinho mutilado . Digam adeus a as vossas recordações . Levantou a o ar a varinha avariada de o Ron e gritou * _ Obliviate ! * A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba . Harry pôs os braços sobre a cabeça e correu , escorregou em os anéis de a pele de cobra , afastando se de os grandes pedaços de tecto de o túnel que caíam em o chão com o ruído de trovões . Pouco depois estava sozinho , olhando para uma sólida parede de rocha partida . - Ron - gritou ele . - Estás bem , Ron ? - Estou aqui - respondeu a voz abafada de o Ron por detrás de a avalancha de rochas . - Eu estou bem mas este sujeito não . A varinha avariou o todo . Ouviu se um ruído surdo e um Oh ! gritado . Parecia que o Ron tinha acabado de dar a o Lockhart um pontapé em as canelas . - E agora ? - disse a voz de o Ron que parecia desesperada . - Não podemos passar , vai demorar séculos . Harry olhou para o tecto de o túnel onde tinham aparecido grandes fendas . Ele nunca tentara partir , através de a magia , nada tão grande como aquelas rochas e agora não lhe parecia ser o melhor momento para fazer experiências . E se o túnel abatesse ? Houve um ruído surdo e outro Oh ! atrás de as rochas . Estavam a perder tempo . A Ginny já estava havia duas horas em a Câmara_dos_Segredos . Harry sabia que só havia uma coisa a fazer . - Espera aqui - gritou a o Ron . - Fica com o Lockhart , eu vou lá . Se não voltar dentro_de uma hora ... Houve um silêncio cheio . - Eu vou ver se desloco um_pouco esta rocha - disse o Ron , tentando manter a voz firme . - Para tu poderes passar . E , Harry ... - Até já - disse o Harry , procurando injectar confiança em a sua voz trémula . E passou sozinho para lá de a imensa pele de serpente . Em_breve , o ruído de o Ron , tentando deslocar a rocha , deixou de se ouvir . O túnel virou uma e outra_vez . Os nervos de o corpo de o Harry tangiam de forma desagradável . Ele só queria que o túnel chegasse a o fim , fosse o que fosse que o aguardasse . E então , finalmente , quando atingiu a última curva , viu em a sua frente uma parede sólida que tinha gravadas duas serpentes enroladas uma em a outra , cujos olhos eram quatro esmeraldas , enormes e brilhantes . Harry aproximou se com a garganta seca . Não foi preciso imaginar que as serpentes eram autênticas . Os seus olhos pareciam estranhamente vivos . Foi fácil descobrir o que tinha de fazer . Pigarreou e os olhos de esmeraldas pareceram mexer se . - Abre te - disse Harry em um sibilar baixo . As serpentes desapareceram enquanto a parede se abria a o meio e , a tremer de os pés a a cabeça , Harry entrou . XVII_Herdeiro_de_Slytherin_Estava de pé em o fundo de uma divisão enorme , fracamente iluminada . Altíssimos pilares de pedra , cheios de serpentes gravadas que os enlaçavam , erguiam se , suportando um tecto que se perdia em a escuridão e que lançava sombras negras imensas através de a estranha luz esverdeada que enchia o local . Com o coração a bater descompassadamente , Harry ficou parado a ouvir aquele silêncio arrepiante . Estaria o Basilisk escondido em um canto cheio de sombras , atrás_de algum pilar ? E onde estaria Ginny ? Pegou em a varinha e avançou a o longo de as colunas serpenteantes . Cada_um de os seus passos provocava um enorme eco em as paredes sombrias . Harry tinha os olhos semicerrados e estava pronto para os fechar a o mais pequeno movimento . As órbitas de olhos fundos de as serpentes de pedra pareciam segui o . Por mais de uma_vez , com o estômago a dar um salto , Harry julgou vê os moverem se . Por fim , chegado a o nível de os dois últimos pilares , avistou uma estátua de a altura de a própria câmara que estava encostada a a parede de o fundo . Harry tinha de esticar o pescoço para olhar para_cima , para a cara de o gigante : era velho e com um ar simiesco , tinha uma barba enorme que lhe caía quase onde acabava a longa túnica de pedra . Os dois pés imensos e cinzentos pousavam em o chão de a câmara . E entre eles , voltada para baixo , estava uma figura pequenina vestida de preto com um cabelo flamejante . - Ginny - murmurou Harry , chegando perto de ela e ajoelhando se . - Ginny , por favor não estejas morta , não estejas morta ! Atirou a varinha para o lado , agarrou Ginny por os ombros e voltou a . O rosto de ela estava branco e frio como o mármore , contudo os olhos encontravam se fechados , portanto não estava petrificada . Mas então devia estar ... - Ginny , acorda por favor - repetiu Harry desesperado , sacudindo a . A cabeça de ela andava de um lado para o outro . - Ela não vai acordar - disse secamente uma voz . Harry deu um salto e girou sobre os joelhos . Um rapaz alto , de cabelo preto , estava encostado a o pilar mais próximo , a observá o . As sombras desfocavam o como_se Harry o visse através_de uma janela embaciada . Mas não havia como confundis o . - Tom , Tom_Riddle ? Riddle acenou , sem tirar os olhos de o rosto de Harry . - O que queres dizer com isso de ela não acordar ? - perguntou Harry desesperado . - Ela não está ... não está ? - Está viva - disse Riddle . - Mas , por um fio . Harry olhou fixamente para ele . Tom_Riddle estivera em Hogwarts há cinquenta anos atrás . Contudo , ali estava com uma luz estranha e desfocada a iluminá o , sem um dia a mais do_que os seus dezasseis anos . - És um fantasma ? - perguntou Harry . - Uma memória - disse Riddle . - Preservada em um diário durante cinquenta anos . Apontou para os pés de a estátua gigantesca . Ali , aberto em o chão , estava o pequeno diário de capa preta que Harry tinha encontrado em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Durante um segundo , Harry perguntou a si próprio como teria ido ali parar , mas havia coisas mais importantes a fazer . Preciso de a tua ajuda , Tom - disse Harry , levantando de_novo a cabeça de a Ginny . - Temos de sair de aqui . Há_um_Basilisk ... não sei onde está mas pode aparecer a qualquer momento . Por favor , ajuda me . Riddle não se mexeu . Harry , a transpirar , conseguiu levantar ligeiramente a Ginny de o solo e inclinou se para pegar em a varinha mas ela tinha desaparecido . - Viste a ... ? Olhou para_cima . Riddle continuava a olhá o , fazendo girar a varinha entre os dedos longos . - Obrigado - disse Harry , esticando o braço para a agarrar . Um sorriso surgiu então em os cantos de a boca de Riddle que continuou a olhar para ele , girando indolentemente a varinha . - Ouve , pá - disse Harry sem querer perder mais tempo , os joelhos a vergarem sob o peso morto de Ginny - temos de ir . Se o Basilisk aparece ... - Ele não vem enquanto não for chamado - disse Riddle com toda_a calma . Harry voltou a pousar Ginny em o chão , incapaz de a segurar por mais tempo . - Que queres dizer com isso ? - perguntou . - Dá me a minha varinha , posso precisar de ela . O sorriso de Riddle ampliou se . - Não vais precisar de ela - disse . Harry olhou o espantado . - O que queres dizer , não vou ? - Esperei muito_tempo por isto , Harry - disse Riddle . - Pela possibilidade de te ver , de falar contigo . - Olha , eu acho que tu não estás a perceber - disse Harry , perdendo a paciência . - Estamos em a Câmara_dos_Segredos , podemos conversar mais tarde . - Vamos conversar agora - disse Riddle , sorrindo de orelha a orelha e guardando a varinha de Harry em o bolso . Harry voltou a olhar para ele . Havia qualquer coisa de muito estranho em tudo aquilo . - Como é_que a Ginny ficou assim ? - perguntou pausadamente . - Bem , essa é uma pergunta interessante - disse Riddle , divertido . - E uma longa história , também . Julgo que o verdadeiro motivo que levou Ginny_Weasley a ficar assim foi o ter aberto o seu coração e revelado todos os seus segredos a um estranho ser invisível . - De quem estás a falar ? - perguntou Harry . - De o diário - disse Riddle . - De o meu diário . A Ginny escreve nele há meses e meses , contando me todas_as suas lamentáveis desgraças e atribulações : como os irmãos a arreliam , que teve de vir para a escola com manto , túnica e livros em segunda mão - os olhos de Riddle brilharam -- , que acha que o maravilhoso , o grande , o famoso Harry_Potter nunca vai gostar de ela ... Enquanto falava , nunca os olhos de Riddle se afastaram de a cara de o Harry . Havia em eles um olhar ávido . - É muito chato ter de ouvir as preocupações idiotas de uma garotinha de onze anos - prosseguiu . - Mas eu fui paciente . Respondi lhe , mostrei me simpático e amável . A Ginny pura e simplesmente adorou me . - * _ Nunca ninguém me compreendeu como tu , Tom ... estou tão feliz por ter este diário a quem me confiar ... é como ter um amigo que pode andar em o meu bolso * ... Riddle riu se . Um riso alto , frio , que não lhe ficava bem . Fez com que os cabelos de o pescoço de Harry se arrepiassem todos . - Verdade se diga que sempre consegui encantar as pessoas necessárias . Portanto a Ginny verteu em mim a sua alma e a alma de ela era precisamente o que eu queria . Fortaleceu me . Alimentei me de os seus medos mais profundos , de os seus mais obscuros segredos . Fui ficando cada_vez_mais forte e poderoso . Muito mais poderoso do_que a pequena Miss_Weasley até que comecei a transmitir lhe alguns de os meus segredos , a passar um_pouco de a minha alma para ela ... - O que queres dizer ? - perguntou Harry cuja boca ficara totalmente seca . - Ainda não descobriste , Harry_Potter ? - disse Riddle muito baixo . - Giony_Weasley abriu a Câmara_dos_Segredos , estrangulou os galos de a escola e escreveu mensagens assustadoras em as paredes . Atiçou a serpente de Slytherin contra quatro sangues de lama e contra o gato de o busca-pé . - Não - murmurou Harry . - Sim - disse calmamente Riddle . - É claro que a princípio não sabia o que estava a fazer . Era muito divertido . Gostava que visses as coisas que escreveu em o diário , começaram a ficar muito mais interessantes . * _ Querido_Tom * - recitou ele , olhando para a expressão horrorizada de o Harry . - * _ Acho que estou a perder a memória . Há penas de galo em todas_as minhas roupas e eu não sei como foram lá parar . Querido_Tom , não me lembro do_que fiz em a noite de o Hallowe'en mas foi atacada uma gata e eu estou cheia de tinta em a cara . Querido_Tom , o Percy não pára de me dizer que ando pálida e não pareço eu . Acho que ele suspeita de mim ... Houve outro ataque hoje e eu não sei onde estava . Tom , que vou eu fazer ? Acho que estou a ficar maluca ... acho que ando a atacar toda_a_gente , Tom ! * Harry tinha os punhos fechados , as unhas cravadas contra a palma de as mãos . - Levou muito_tempo até a pequenina estúpida deixar de confiar em o diário - disse Riddle . - Mas acabou por ficar desconfiada e tentou livrar se de ele . E é aí que tu entras , Harry . Tu encontraste o . E eu não poderia ter ficado mais satisfeito . De todas_as pessoas que poderiam ter ficado com ele , foste tu , aquele que eu ambicionava conhecer ... - E porque querias conhecer me ? - perguntou Harry . Começava a ser tomado por a raiva e fez um esforço para manter o tom de voz controlado . - Bem , a Ginny contou me tudo a teu respeito - disse Riddle . - A tua fascinante história . - Os seus olhos pousaram em a cicatriz em a testa de Harry e a sua expressão ganhou maior avidez . - Sabia que devia descobrir mais a teu respeito , falar te , encontrar me contigo se fosse possível . Por isso , para ganhar a tua confiança , resolvi mostrar te a famosa captura que fiz de aquele demente de o Hagrid . - O Hagrid é meu amigo - disse Harry já com a voz a tremer . - E tu tramaste o , não foi ? Pensei que tinha sido um engano , mas ... Ele riu se . O mesmo riso de antes . - Era a minha palavra contra a palavra de ele . Imagina a cara de o velho Armando_Dippet . De um lado Tom_Riddle , pobre mas brilhante , sem pais mas corajoso , prefeito de a escola , um modelo de aluno . De o outro lado , o Hagrid , grande e disparatado , arranjando problemas semana sim , semana não , tentando criar filhotes de lobisomens debaixo de a cama , escapando se para a floresta proibida para lutar com gigantes . Mas , devo admitir que até eu próprio fiquei admirado com os excelentes resultados de o meu plano . Pensei que alguém perceberia que o Hagrid nunca poderia ser o herdeiro de Slytherin . Demorei cinco anos inteirinhos até descobrir tudo_o_que me foi possível sobre a Câmara_dos_Segredos e a sua entrada secreta ... como_se o Hagrid tivesse cabeça ou poder ! - Só o professor de Transfiguração , Dumbledore , parecia achar que ele estava inocente . Convenceu Dippet a mantê o aqui e a treiná o como guarda de os campos . Sim , é natural que Dumbledore tenha adivinhado , nunca gostou de mim como os outros professores . - Aposto que Dumbledore viu através_de ti - disse Harry , de dentes cerrados . - Pelo_menos passou a vigiar me de perto , a partir de o momento em que o Hagrid foi expulso - disse Riddle descuidadamente . - Eu sabia que não era seguro voltar a abrir a câmara enquanto ainda estava em a escola mas não ia desperdiçar os longos anos que passara a pesquisar . Decidi , por isso , deixar um diário preservando em as suas páginas o meu ego de dezasseis anos para que um dia , com um_pouco de sorte , pudesse levar outro a seguir os meus passos e acabar o nobre trabalho de Salazar_Slytherin . - Bem , não o acabaste - disse Harry triunfante . - Ninguém morreu até agora , nem mesmo a gata . Dentro_de poucas horas a poção de mandrágoras estará pronta e todos os que foram petrificados voltarão de_novo a si . - Não acabei de te dizer que matar sangues de lama já não me interessa ? Há muitos meses que o meu alvo és tu . Harry olhou para ele . - Podes imaginar como fiquei furioso quando em outro dia o diário foi aberto e vi que era a Ginny quem estava a escrever e não tu . Ela viu te com o diário e entrou em pânico . E se tu descobrisses como trabalhar com ele e eu te repetisse todos os seus segredos ? Ainda pior , e se eu te contasse quem tinha andado a estrangular os galos ? Por isso , a grande palerma esperou que o teu dormitório estivesse deserto e foi lá roubá o . Mas eu sabia o que tinha de fazer . Estava muito claro para mim que a tua meta era o herdeiro de Slytherin . Por tudo_o_que a Ginny me contara a teu respeito , sabia que irias até onde fosse preciso para desvendar o mistério , principalmente se um de os teus melhores amigos tivesse sido atacado . E a Ginny disse me que a escola toda bichanava por tu falares * serpentês * ... Por isso , obriguei a Ginny a escrever a sua própria despedida em a parede , a vir até aqui e esperar . Ela debateu se e gritou e ficou muito chatinha . Mas , já não tem muita vida : pôs grande parte de ela em o diário , deu me a . O suficiente para eu abandonar , por fim , as suas páginas . Desde_que aqui cheguei que estou a a tua espera . Sabia que virias . Tenho muitas perguntas a fazer te , Harry_Potter . - Que perguntas ? - disse Harry com os punhos fechados . - Bem - prosseguiu Riddle , sorrindo de satisfação : - Como é_que um bebé sem especiais talentos de magia foi capaz de derrotar o maior feiticeiro de sempre ? Como conseguiste escapar só com uma cicatriz quando os poderes de Lord_Voldemort foram destruídos ? Havia agora em os seus olhos um brilho vermelho e irado . - O que é_que te interessa saber como eu escapei ? - disse Harry lentamente . - Voldemort veio depois de ti . - Voldemort - disse Riddle - é o meu passado , o meu presente e o meu futuro , Harry_Potter ... Tirou a varinha de o Harry de o bolso e começou a escrever em o ar três palavras brilhantes : TOM_MARVOLO_RIDDLE_Em seguida , fez um gesto com a varinha e as letras de o seu nome reagruparam se de outro modo . : __ eu sou lord __ voldemort ( I am Lord_Voldemort ) . - Vês ? - murmurou . - Era um nome que eu já usava em Hogwarts , para os meus amigos mais íntimos apenas , como é óbvio . Achas que ia usar para sempre o nome nojento de o meu pai Muggle ? Eu , em cujas veias , por o lado materno , corre o sangue de Salazar_Slytherin ? Eu , manter o nome de um Muggle tolo que me abandonou ainda antes de eu nascer só porque descobriu que a mulher com quem casara era uma bruxa ? Não , Harry , arranjei um novo nome , um nome que eu sabia que os feiticeiros de todo_o_mundo viriam um dia a ter medo de pronunciar , quando eu me tivesse tornado o maior feiticeiro de o mundo . A cabeça de Harry parecia bloqueada . Olhou como_que paralisado para Riddle , para o rapaz de o orfanato que depois de crescer iria matar os seus pais e tantos outros . Por fim , com algum esforço conseguiu falar . - Não és - disse em uma voz calma e cheia de ódio . - Não sou o quê ? - perguntou Riddle irritado . - Não és o maior feiticeiro de o mundo - disse Harry com a respiração acelerada . - Lamento desiludir te mas o maior feiticeiro de o mundo é Albus_Dumbledore . Toda_a_gente sabe . Mesmo tu , quando tinhas força , não ousavas tentar aproximar te de Hogwarts . Dumbledore viu através_de ti quando andavas em a escola e ainda agora te assusta onde quer que te escondas . O sorriso desaparecera de o rosto de Riddle , fora substituído por um olhar furioso . - Dumbledore foi afastado de este castelo por a minha simples memória - sibilou . - Ele não está tão longe como pensas - retorquiu Harry . Falava por falar , tentando assustar Riddle , desejando mais que assim fosse do_que acreditando em as suas palavras como uma verdade . Riddle abriu a boca mas não chegou a falar . Tinha começado a ouvir se uma música . Riddle deu uma volta , olhando para a câmara vazia . A música estava a ficar mais alta . Era misteriosa , arrepiante , sobrenatural . Fez_Harry ficar com os cabelos em pé e o coração aumentar lhe em o peito . Por fim , quando atingiu um ponto tão alto que Harry a sentiu vibrar dentro de as suas costelas , começaram a sair chamas de o topo de o pilar mais próximo . Uma ave carmesim de o tamanho de um cisne surgiu , assobiando a sua estranha melodia para o tecto em forma de abóbada . Tinha uma cauda dourada tão longa como a de um pavão e garras douradas e brilhantes que seguravam uma trouxa andrajosa . Segundos depois , a ave voava em direcção a Harry . Deixou cair a coisa andrajosa a os seus pés e pousou lhe pesadamente em o ombro . Quando abriu as enormes asas , Harry olhou para_cima e viu que tinha um longo bico afiado e olhos escuros pequenos e brilhantes . A ave parou de cantar . Ficou quieta junto de a cara de Harry , olhando fixamente para Riddle . - É uma fénix , disse Riddle , olhando sagazmente para ela . - Fawkes ? - murmurou Harry e sentiu as garras douradas apertarem lhe devagarinho o ombro . - E aquilo - disse Riddle , olhando para a coisa velha que Fawkes deixara em o chão - é o velho chapéu seleccionador , de a escola . Era , de facto . Amachucado , puído e sujo , o chapéu jazia imóvel a os pés de Harry . Riddle começou a rir . Riu se tanto que a câmara escura se lhe juntou em um eco tal que parecia que dez Riddles se riam ao_mesmo_tempo . - Eis o que Dumbledore envia a o seu defensor . Um pássaro que canta e um chapéu velho . Estás cheio de coragem , Harry_Potter ? Sentes te agora mais seguro ? Harry não respondeu . Podia não estar a ver a vantagem de a Fawkes ou de o chapéu seleccionador mas já não se sentia só , e esperou corajosamente que Riddle parasse de rir . - Vamos a o que importa , Harry - disse ele , ainda com um enorme sorriso . - Encontrámo nos duas vezes em o teu passado , em o meu futuro . E duas vezes falhei a o tentar matar te . Como foi que sobreviveste ? Conta me tudo . Quanto_mais falares , mais tempo tens de vida . Harry pensava rapidamente , medindo as suas possibilidades . Riddle tinha a varinha . Ele , Harry , tinha a Fawkes e o chapéu seleccionador que não lhe serviriam de muito em o combate . As coisas pareciam más , é certo . Mas quanto_mais tempo Riddle ali estivesse , mais vida retirava a a Ginny ... e , entretanto , Harry reparou que a silhueta de Riddle se tornava mais nítida , mais sólida . Se tinha de haver uma luta entre os dois , quanto_mais depressa melhor . - Ninguém sabe porque perdeste os poderes quando me atacaste - disse bruscamente . - Eu próprio não sei . Mas sei porque não conseguiste matar me . A minha mãe morreu para me salvar . A minha mãe , uma vulgar filha de Muggles - acrescentou , a tremer de raiva . - Ela impediu que tu me matasses . E eu vi te como tu és , em o ano passado . És um destroço , quase não existes . Foi onde o teu poder te levou . Estás sob um disfarce , és horrível e és louco . O rosto de Riddle contorceu se . Em seguida , forçou um sorriso pavoroso . - Quer_dizer , então , que a tua mãe morreu para te salvar . Sim , é um antifeitiço poderoso . Compreendo agora , afinal não há em ti nada de especial . Eu tinha curiosidade , sabes , porque há uma estranha semelhança entre nós , Harry_Potter . Até tu deves ter reparado . Somos ambos meio sangue , órfãos , educados com Muggles , provavelmente os dois únicos que falam * serpentês * desde o grande Slytherin , até nos parecemos um_pouco fisicamente ... mas afinal foi apenas uma questão de sorte que te salvou de mim . Era o que eu queria saber . Harry ficou parado , tenso , a a espera que Riddle levantasse a varinha mas o seu sorriso cínico ampliou se de_novo . - Agora , Harry , vou dar te uma pequena lição . Vamos confrontar os poderes de Lord_Voldemort , herdeiro de Salazar_Slytherin e de o famoso Harry_Potter , munido com as melhores armas que Dumbledore lhe deu . Lançou um olhar divertido a a Fawkes e a o chapéu seleccionador e , em seguida , afastou se . Harry com as pernas entorpecidas por o medo viu o parar entre dois pilares altos e olhar para a cara de pedra de Slytherin , lá em cima em a semi-obscuridade . Riddle abriu a boca e sibilou mas Harry compreendeu o que ele dizia . - * _ Responde-me , Slytherin , o maior de os quatro de Hogwarts * . Harry voltou se para olhar melhor para a estátua com Fawkes pousada em o ombro . A gigantesca cara de pedra de Slytherin movia se . Horrorizado , Harry viu a boca abrir se mais e mais até se transformar em um buraco negro . E algo se agitava dentro de a boca de a estátua . Algo se arrastava para fora de as suas entranhas . Harry recuou até a a parede escura de a câmara e enquanto fechava os olhos com força sentiu a asa de a Fawkes roçar lhe o rosto e levantar voo . Harry quis gritar : - Não me abandones ! - mas que possibilidades tinha uma fénix contra o rei de as serpentes ? Uma coisa enorme bateu em o chão de pedra que Harry sentiu estremecer . Sabia o que estava a acontecer , podia sentis o , quase podia ver a serpente gigantesca a sair de a boca de Slytherin . Foi então que ouviu a voz de Riddle sibilar : * _ Mata-o * . O Basilisk avançava em direcção a Harry . Ele ouvia o seu corpo enorme escorregar pesadamente por o chão cheio de pó . Com os olhos sempre fechados , Harry começou a correr para o lado , a as cegas , com as mãos abertas a tactear o caminho . Riddle ria se a as gargalhadas . Harry escorregou e caiu em o chão de pedra e a boca soube lhe a sangue . A serpente estava a poucos centímetros de ele . Podia ouvi a a aproximar se . Ouviu se um crepitar explosivo por cima de ele e alguma coisa pesada bateu lhe com tanta força que ele ficou encostado a a parede . Esperando que os dentes de a serpente lhe perfurassem o corpo , ouviu mais ruídos e qualquer coisa que se agitava com força contra os pilares . Não conseguiu evitar . Abriu bem os olhos para ver o que se passava . A enorme serpente , brilhante , de um verde veneno , espessa como o tronco de um carvalho , erguera se em o ar e a sua imensa cabeça agitava se de um lado para o outro , entre os dois pilares . Quando Harry , a tremer , se preparava para fechar de_novo os olhos , percebeu o que distraíra a cobra . Fawkes esvoaçava em volta de a sua cabeça e o Basilisk , furioso , tentava agarrá a com os dentes longos e afiados como sabres . Fawkes mergulhava . Harry deixou de ver o bico fino e dourado e uma brusca chuva de sangue escuro inundou o chão . A cauda de a serpente agitou se , não batendo em o Harry por_pouco e antes que ele pudesse fechar os olhos voltou se . Harry olhou lhe para a cara e viu que os seus olhos , os dois olhos amarelos e bolbosos tinham sido perfurados por a fénix . O sangue escorria por o chão e a serpente cuspia cheia de dores . - * _ Não * - Harry ouviu o grito de Riddle . - * _ Deixa a ave , deixa a ave , o rapaz está atrás_de ti , ainda podes cheirá o . Mata o ! * A serpente cega oscilou confusa , ainda em fúria . Fawkes andava a a volta de a cabeça de ela soprando a sua misteriosa cantilena , picando lhe aqui_e_ali o nariz cheio de escamas , enquanto o sangue jorrava de os seus olhos destruídos . - Ajudem me . Ajudem me - murmurava Harry aflito . - Alguém , ajude me . A cauda de a serpente chicoteou de_novo o chão . Harry baixou se . Algo macio tocou lhe em o rosto . O Basilisk lançara o chapéu seleccionador para os braços de o Harry que o agarrou . Era tudo_o_que tinha , a sua única esperança . Enfiou o em a cabeça e começou a ficar achatado contra o chão , enquanto a cauda de o Basilisk se lançava de_novo sobre ele . - Ajudem me , ajudem me - pensou Harry , os olhos comprimidos debaixo de o chapéu . - Por favor , ajudem me . Nenhuma voz lhe respondeu . Em vez de isso , o chapéu contraiu se como_se uma mão invisível o tivesse espalmado devagarinho . Alguma coisa muito dura e pesada caíra sobre a cabeça de Harry , conseguindo quase derrubá o . A ver estrelas em frente de os olhos , agarrou o chapéu para o puxar para baixo e sentiu lá dentro uma coisa longa e dura . Uma espada brilhante tinha surgido dentro de o chapéu . Tinha um cabo cravejado de rubis de o tamanho de pequenos ovos . - Mata o rapaz , deixa a ave . O rapaz está atrás_de ti . Cheira o ! Harry estava de pé , preparado . A cabeça de o Basilisk caía , o corpo serpenteava , batendo nos pilares quando se torcia para ficar de frente para ele . Harry podia ver as enormes órbitas ensanguentadas , a boca toda aberta , suficientemente grande para o engolir inteiro , munida de dentes tão longos como a sua espada , finos , brilhantes , venenosos ... Começou a atacar a as cegas . Harry baixou se e a serpente bateu em a parede de a câmara . Atacou de_novo e a sua língua bifurcada lambeu a parede ao_lado_de Harry que levantou a espada com ambas as mãos . O Basilisk investiu mais_uma_vez e agora a pontaria foi certa . Harry pôs todo o seu peso contra a espada e enterrou a até a os copos em o céu de a boca de a serpente . Mas quando o sangue quente lhe encheu os braços , sentiu uma dor aguda mesmo acima de o cotovelo . Um longo dente venenoso penetrava cada_vez_mais fundo em o seu braço , partindo se quando o Basilisk tombou para o lado , perdendo os sentidos . Harry escorregou a o longo de a parede , apertou com força o dente que estava a derramar veneno por todo o seu corpo e arrancou o de o braço . Mas sabia que era demasiado tarde . Uma dor quente emanava lenta e perseverantemente de a ferida . Quando deixou cair o dente e viu o seu próprio sangue manchando lhe as vestes , a vista começou a ficar turva e a câmara a diluir se em uma rotação ardente e colorida . Mas algo escarlate passou por ele e Harry ouviu a o seu lado um suave ruído de garras . - Fawkes - disse com a voz empastada . - Foste sensacional , Fawkes . - Sentiu o pássaro encostar a sua elegante cabeça a o sítio onde o dente de a serpente o tinha ferido . Ouviu passos ecoarem em o vazio e em seguida uma sombra escura moveu se em a sua frente . - Estás morto , Harry_Potter - disse a voz de Riddle , acima de ele . - Morto . Até o pássaro de Dumbledore sabe de isso . Vês o que ele está a fazer ? A chorar . Harry piscou os olhos . A cabeça de Fawkes ora estava focada , ora desfocada . Lágrimas grossas como pérolas escorriam de as suas penas . - Vou sentar me aqui a ver te morrer , Harry_Potter . Leva o teu tempo , eu não tenho pressa . Harry sentiu se sonolento . Tudo parecia girar a a sua volta . - E assim acaba o famoso Harry_Potter - disse a voz distante de Riddle . - Sozinho em a Câmara_dos_Segredos , esquecido por os amigos , finalmente derrotado por o Senhor de o mal que ele tão imprudentemente desafiou . Vais reunir te a a tua querida mãe sangue de lama , Harry ... Ela deu te doze anos de tempo emprestado ... Mas Lord_Voldemort apanhou te em o fim , como sabias que teria de acontecer . Se morrer é isto , pensou Harry , não é assim tão mau . Até a dor estava a desaparecer . Mas , estaria a morrer ? Em_vez_de ficar mais escura a câmara parecia voltar a estar nítida . Harry fez um pequeno gesto com a cabeça e viu a Fawkes ainda repousando a cabeça em o seu ombro . Uma fiada de pérolas brilhava em volta de a ferida , só que já não havia ferida . - Sai de aqui , pássaro - disse subitamente a voz de Riddle . - Afasta te de ele . Já te disse , sai de aqui ! Harry levantou a cabeça . Riddle apontava a sua varinha a Fawkes . Ouviu se um tiro que parecia de carabina e Fawkes levantou novamente voo em um rodopio de ouro e escarlate . - Lágrimas de fénix - disse Riddle em voz baixa , olhando para o braço de o Harry . - É claro ... poderes curativos ... esqueci me ... Olhou para a cara de Harry . - Mas não faz mal . Pensando bem , eu até prefiro assim . Tu e eu , Harry_Potter ... Tu e eu ... Levantou a varinha . Então , em um golpe de asa , Fawkes voou sobre as cabeças de ambos , deixando cair uma coisa em o colo de Harry : o diário . Durante uma fracção de segundo , tanto Harry como Riddle , ainda com a varinha levantada , ficaram a olhar para aquilo . Em seguida , sem pensar , sem ponderar , como_se pensasse fazê o desde o princípio , Harry agarrou o dente de o Basilisk que estava em o chão , junto de ele , e espetou o em o coração de o caderno . Ouviu se um grito longo e terrível . A tinta esguichou em torrentes de dentro de o diário , derramando se sobre as mãos de o Harry e inundando o chão . Riddle torcia se e contorcia se , agitando se a os gritos . E , por fim . Desapareceu . A varinha de Harry caiu a o chão com um ruído e fez se silêncio . Um silêncio apenas cortado por o ping ping de a tinta que ainda escorria de o diário . Com um leve crepitar , o veneno de o Basilisk abrira um buraco mesmo em o meio de o caderno . A tremer de os pés a a cabeça , Harry pôs se de pé . Sentia tudo a andar a a roda como_se tivesse viajado quilómetros e quilómetros com o pó de * _ Floo * . Lentamente apanhou a varinha e o chapéu seleccionador e com um grande estrondo retirou a espada de o céu de a boca de a serpente . Ouviu se então um gemido fraco a o fundo de a câmara . Ginny estava a mexer se . Quando Harry chegou junto de ela , sentou se . Os seus olhos abismados saltaram de o Basilisk morto para Harry em a sua roupa cheia de sangue e , em seguida , para o diário que ele tinha em as mãos . Soltou um enorme soluço e os seus olhos encheram se de lágrimas . - Harry , oh ! Harry , eu tentei dizer te a o pequeno-almoço mas não fui capaz em frente de o Percy . Era eu , Harry , mas eu ... eu ... juro que não queria ... o Riddle obrigou me , levou me e ... como é_que mataste esse bicho ? Onde está o Riddle ? A última coisa de que me lembro foi de o ver a sair de o diário ... - Está tudo bem - disse Harry , mostrando lhe o diário com o buraco de o dente . - O Riddle acabou , olha . Ele e o Basilisk . Anda , Ginny , vamos embora de aqui . - Vou com certeza ser expulsa - disse Ginny a chorar enquanto Harry a ajudava a pôr se de pé . - Desde_que o Bill veio para Hogwarts que eu sonhava vir também para cá e agora vou ter de me ir embora e ... O que vão a minha mãe e o meu pai dizer ? Fawkes esperava por eles , suspensa em o ar , a a entrada de a câmara . Harry fez a Ginny avançar , passaram sobre os anéis parados de o Basilisk , por a escuridão cheia de ecos e voltaram a o túnel . Harry ouviu as portas de pedra fecharem se atrás de eles com um leve sibilar . Depois de alguns minutos a caminhar por o túnel escuro , chegou a os ouvidos de Harry o som distante de o deslocar de uma rocha . - Ron - gritou ele , apressando se . - A Ginny está bem . Está aqui comigo ! Ouviu o Ron gritar de alegria e , voltando em a curva logo_a_seguir , viram a sua cara ansiosa a espreitar por a fresta que conseguira abrir durante a avalancha . - Ginny ! - Ron estendeu o braço por a fresta para a puxar primeiro . - Estás viva . Não posso acreditar . O que aconteceu ? Tentou abraçá a mas a Ginny afastou o , soluçando . - Mas estás bem , Ginny - disse o Ron , sorrindo para ela . - Já passou tudo ... De onde veio esse pássaro ? Fawkes passara por a abertura , atrás_de Ginny . - É de o Dumbledore - explicou Harry , espremendo se para caber também . - E como arranjaste uma espada ? - perguntou o Ron , olhando para a arma brilhante que Harry tinha em a mão . - Eu explico te tudo quando sairmos de aqui - disse Harry , lançando um olhar de esguelha a a Ginny . - Mas ... - Mais tarde - disse Harry rapidamente . Não lhe parecia uma boa ideia contar a o Ron quem tinha aberto a câmara , ali , em frente de a Ginny . - Onde está o Lockhart ? - Ali atrás - disse o Ron , a rir e a abanar a cabeça em direcção a o cano . - Está em muito mau estado . Anda ver . Conduzidos_pela_Fawkes , cujas grandes asas escarlates emitiam um suave dourado que brilhava em a escuridão , voltaram a o lugar onde o cano começava . Gilderoy_Lockhart estava sentado a falar sozinho . - Perdeu a memória - disse o Ron . - O feitiço de a memória fez ricochete . Não sabe quem é nem onde está , nem_sequer sabe quem nós somos . Eu disse lhe que viesse para aqui e esperasse . É um perigo para ele próprio . Lockhart olhou os bem-disposto . - Olá - disse . - Que lugar estranho , este . É aqui que vocês moram ? -- Não - respondeu o Ron , levantando as sobrancelhas para o Harry . Harry baixou se e observou o túnel escuro e longo . - Já pensaste como é_que vamos sair de aqui ? - perguntou a o Ron . O amigo abanou a cabeça mas Fawkes , a fénix , tinha passado por o Harry e estava agora em o ar , em frente de ele , os olhos como pérolas a brilharem em o escuro . Abanava as longas penas douradas de a cauda . Harry olhou para ela , inseguro . - Ela parece querer que a agarres - disse o Ron , perplexo . - Mas tu és muito pesado para um pássaro . - A Fawkes - disse Harry - não é um pássaro qualquer . Voltou se rapidamente para os companheiros . - Temos de nos agarrar uns a os outros . Ginny , agarra a mão de o Ron . O professor Lockhart ... - Ele está a falar consigo - disse o Ron secamente . - Agarre a outra mão de a Ginny . Harry guardou a espada e o chapéu seleccionador em o cinto . Ron deitou a mão a a roupa de Harry e Harry agarrou as penas de a cauda , estranhamente quentes , de a Fawkes . Sentiu uma extraordinária leveza apoderar se de todo o seu corpo e em seguida estavam todos a voar por o cano acima . Harry conseguia ouvir Lockhart , lá atrás , comentando : - Espantoso , isto parece mágico ! Ar frio batia em os cabelos de Harry e antes que ele deixasse de gostar de a viagem já ela acabara . Os quatro tinham chegado a o chão molhado de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa e , enquanto Lockhart endireitava o chapéu , o lavatório voltara a o seu lugar , tapando o cano . A Murta arregalou os olhos . - Vocês estão vivos - disse inexpressivamente a o Harry . - Não é preciso mostrares te tão desiludida - respondeu ele , muito sério , limpando as nódoas de sangue e lodo de os óculos . - Bem ... é_que eu pensei que se vocês morressem seriam bem-vindos a a minha casa_de_banho - disse a Murta com um rubor prateado . - Urgh ! - fez o Ron , quando saíram de ali para o corredor deserto . - Harry , acho que a Murta está a gostar de ti . Tens concorrência , Ginny ! A Ginny continuava a chorar silenciosamente . - Onde vamos agora ? - perguntou o Ron , olhando ansiosamente para ela . Harry apontou . Fawkes indicava o caminho , com o seu tom dourado que brilhava em o corredor . Seguiram a e pouco depois estavam em o escritório de a professora Mc_Gonagall . Harry bateu e empurrou a porta que estava encostada . XVIII_A recompensa de Dobby_Durante alguns momentos reinou o silêncio enquanto Harry , Ron , Ginny e Lockhart estavam em a entrada de a porta . Cobertos de pó e de lama e ( em o caso de o Harry ) sangue . Em seguida , ouviu se um grito . - Ginny ! Era_Mrs._Weasley que tinha estado a chorar , sentada em frente de o lume . Pôs se de pé em um salto , seguida de Mr._Weasley e precipitaram se ambos para a filha . Harry olhava para trás de eles . Dumbledore rejubilava junto de a lareira , a o lado de a professora Mc_Gonagall que , agarrada a o queixo , respirava com dificuldade . Fawkes rasou as orelhas de o Harry e foi instalar se em o ombro de Dumbledore , ao_mesmo_tempo que Harry dava por si em os braços de Mrs._Weasley . - Tu salvaste a ! Salvaste a ! : __ como foi que __ conseguiste ? - Acho que todos nós gostaríamos de saber - disse , sem energia , a professora Mc_Gonagall . Mrs._Weasley soltou o Harry , que hesitou um momento . Depois , foi até a a secretária e colocou sobre o tampo o chapéu seleccionador , a espada cravejada de rubis e o que restava de o diário de Riddle . Em seguida , contou lhes tudo . Falou durante quase um quarto de hora em o silêncio extasiado : contou lhes de a voz sem corpo que ouvia , como a Hermione acabara por descobrir que se tratava de um Basilisk que circulava em os canos , como ele e o Ron tinham seguido as aranhas até a a floresta , que Aragog lhes dissera que a última vítima de o Basilisk morrera , como tinham chegado a a conclusão que se tratava de a Murta_Queixosa e que a entrada para a Câmara_dos_Segredos devia ser em aquela casa_de_banho ... - Muito bem - elogiou a professora Mc_Gonagall quando ele se calou . - Então tu descobriste onde era a entrada , infringindo uma centena de regras de a escola por o caminho , devo dizer , mas como diabo saíram vocês vivos de lá de dentro ? Harry , com a voz já um_pouco rouca de falar tanto , contou lhes de a chegada de a Fawkes e de o chapéu seleccionador que lhe tinha dado a espada . Mas , chegando aí , hesitou . Até a o momento evitara referir se a o diário de Riddle ou a a Ginny . Ela tinha a cabeça encostada a o ombro de Mrs._Weasley e as lágrimas corriam lhe ainda por o rosto . E se a expulsassem ? - pensou Harry , tomado de pânico . O diário de Riddle já não funcionava ... quem poderia provar que fora ele que a obrigara a fazer tudo aquilo ? Olhou instintivamente para Dumbledore que sorria , o fogo iluminando lhe os óculos de meia-lua . - O que mais me interessa saber - disse Dumbledore amavelmente - é como conseguiu Lord_Voldemort enfeitiçar a Ginny quando as minhas fontes me dizem que ele se esconde habitualmente em as florestas de a Albânia . Um alívio , quente e glorioso percorreu Harry de a cabeça a os pés . - O quê ? - disse Mr._Weasley , em uma voz estupefacta . - O Quem nós sabemos enfeitiçou a Ginny ? Mas a Ginny não ... a Ginny não morr ... ? - Foi este diário - esclareceu Harry rapidamente . E mostrando o a Dumbledore . - O Riddle escreveu o quando tinha dezasseis anos . Dumbledore pegou em o diário e olhou atentamente por cima de o seu nariz longo e adunco para as páginas queimadas e húmidas . - Fantástico - disse em voz baixa . - É claro que ele deve ter sido o aluno mais brilhante que alguma vez passou por Hogwarts . - Olhou em volta para os Weasley que o observavam com um ar totalmente confuso . - Muito poucas pessoas sabem que Lord_Voldemort se chamou em tempos Tom_Riddle . Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos , em Hogwarts . Ele desapareceu depois de deixar a escola , viajou muito , mergulhou tão fundo em as artes de a magia negra , associado a os piores feiticeiros , realizou transformações mágicas tão perigosas que quando reapareceu como Lord_Voldemort estava totalmente irreconhecível . Ninguém o relacionou com o rapazinho inteligente e bonito que aqui foi , em tempos , chefe de turma . - Mas a Ginny - insistiu Mrs._Weasley . - O que tem a nossa Ginny que ver com ele ? - O diário - soluçou Ginny . - Eu andei todo o ano a escrever em o diário e ele respondia me ... - Ginny ! - repreendeu Mr._Weasley . - Não aprendeste nada do_que te ensinei ? Não me cansei de dizer te que nunca confiasses em nada que não pensasse por si próprio * se não conseguisses ver onde tinha o cérebro ? * Porque não me mostraste o diário , a mim ou a a tua mãe ? Um objecto suspeito como esse tinha de estar cheio de magia negra ! - Eu não sabia - soluçou Ginny . - Estava junto de os livros que a mãe me comprou . Pensei que alguém se tinha esquecido de ele ali . - É melhor Miss_Weasley ir imediatamente para a ala hospitalar - interrompeu Dumbledore com voz firme . - Foi sujeita a uma prova terrível . Não será castigada . Outros feiticeiros mais velhos do_que ela têm sido ludibriados por Lord_Voldemort . - Dirigiu se a a porta e abriu a . - Repouso , cama e talvez uma caneca de chocolate quente . A mim , anima me sempre - acrescentou , piscando lhe simpaticamente o olho . - Vais ver que Madam_Pomfrey ainda está acordada . Ela tem estado a dar o sumo de Mandrágora , julgo que as vítimas de o Basilisk estarão a acordar dentro_de momentos . de alegria . - Então a Hermione está bem ! - disse o Ron , cheio de alegria . - Não houve danos irreversíveis - disse Dumbledore . Mrs._Weasley saiu com a Ginny e Mr._Weasley seguiu as ainda bastante abalado . - Sabes , Minerva - disse pensativo o professor Dumbledore - acho que tudo_isto merece um banquete . Posso pedir te que previnas os cozinheiros ? - Certamente - disse animada a professora Mc_Gonagall , dirigindo se também a a porta . - Deixo te a tratar de as coisas com o Potter e o Weasley , está bem ? - Claro - disse Dumbledore . Saiu e os dois olharam inseguros para Dumbledore . Que quereria ela dizer com tratar de as coisas ? Certamente não iriam ser castigados ? - Lembro me de vos ter dito a ambos que teria de vos expulsar se voltassem a quebrar as regras de a escola - disse Dumbledore . Ron abriu a boca horrorizado . - O que vem mostrar nos que as melhores pessoas , às_vezes , têm de engolir as suas próprias palavras . - Dumbledore sorriu e continuou : - Vocês vão receber ambos uma recompensa especial por serviços prestados a a escola e ... deixem me ver , sim , acho que duzentos pontos cada_um para os Gryffindor . Ron ficou tão corado que parecia as flores de S._Valentim_do_Lockhart e voltou a fechar a boca . - Mas um de vós parece demasiado calado sobre a sua participação em esta perigosa aventura - acrescentou Dumbledore . - Porquê tanta modéstia , Gilderoy ? Harry estremeceu . Esquecera se por completo de Lockhart . Voltou se e viu o a um canto de a sala ainda com o mesmo sorriso vago . Quando Dumbledore se lhe dirigiu , olhou por cima de o ombro para ver com quem ele estava a falar . - Professor_Dumbledore - disse o Ron rapidamente - Houve um acidente lá em baixo , em a Câmara_dos_Segredos . O professor Lockhart - Eu sou um professor ? - perguntou Lockhart surpreendido . - E eu que pensei que era um inútil ! - Tentou fazer um feitiço antimemória e a varinha fez ricochete - explicou Ron_a_Dumbledore . - Incrível - disse Dumbledore , abanando a cabeça , o bigode prateado a tremer . - Trespassado por a tua própria espada , Gilderoy ! - Espada ? - disse Lockhart de forma imprecisa . - Eu não tenho espada . Esse rapaz é_que tem - apontou para Harry . - Ele empresta lhe uma . - Importas te de levar também o professor Lockhart até a a ala hospitalar , Ron ? - disse Dumbledore . - Eu gostava de falar um_pouco mais com o Harry . Lockhart saiu sem pressa . Antes de fechar a porta , Ron lançou um olhar curioso a Dumbledore e Harry . Dumbledore passou para uma de as cadeiras junto de o lume . - Senta te , Harry - disse . E Harry sentou se , sentindo se indescritivelmente nervoso . - Antes de mais , Harry , quero agradecer te - disse Dumbledore com os olhos a brilharem de_novo . - Deves ter demonstrado uma grande lealdade para comigo . Só isso poderia atrair a Fawkes para ir ajudar te . Deu uma palmadinha a a fénix que voara , entretanto , para_cima de os seus joelhos . Harry sorria acanhadamente sob o olhar observador de Dumbledore . - Encontraste , portanto , Tom_Riddle - disse o director amavelmente . - Calculo que ele estaria particularmente interessado em ti ... De repente , algo que Harry tinha engasgado saiu lhe descontroladamente de a boca para fora . - Professor_Dumbledore ... o Riddle disse que eu sou como ele , que há entre nós estranhas semelhanças ... - Ah ! sim ? - Dumbledore olhou pensativamente para ele , por debaixo de as espessas sobrancelhas prateadas . - E o que achas tu de isso ? - Eu não me considero parecido com ele - disse Harry mais alto do_que desejaria . - Isto_é , eu sou um Gryffindor , eu sou ... Mas calou se com uma dúvida a rondar lhe o espírito . - Professor - arriscou passado alguns momentos . - O chapéu seleccionador disse que eu ... teria ficado bem em os Slytherin ; durante algum tempo toda_a_gente pensou que eu era o herdeiro de Slytherin por falar * serpentês * ... - Tu falas * serpentês * , Harry - disse Dumbledore calmamente - porque Lord_Voldemort que é o mais recente antepassado de Salazar_Slytherin , fala * serpentês * . Ou eu me engano muito , ou ele transferiu para ti alguns de os seus poderes em a noite em que te fez essa cicatriz . Não que quisesse fazê o , claro , mas aconteceu . - Voldemort pôs um_pouco de si próprio em mim ? - disse Harry assombrado . - É o que parece ter acontecido . - Então eu deveria estar em os Slytherin - disse Harry , olhando desesperado para o rosto de Dumbledore . - O chapéu seleccionador viu em mim os poderes de Slytherin e ... -- Pôs te em os Gryffindor - concluiu tranquilamente Dumbledore . - Ouve , Harry , tu tens por acaso muitas de as capacidades que Salazar_Slytherin apreciava em os seus estudantes cuidadosamente seleccionados . O seu raro dom de falar * serpentês * , desenvoltura , determinação , um certo desprezo por as regras estabelecidas - acrescentou com o bigode a tremer de_novo . - Mas ainda_assim , o chapéu seleccionador pôs te em os Gryffindor . E sabes porquê ? Pensa um_pouco . - Só me pôs em os Gryffindor - disse Harry em uma voz débil - porque eu pedi para não ir para os Slytherin . - Exacto - disse Dumbledore a sorrir . - E isso torna te muito diferente de o Tom_Riddle . São as tuas escolhas , Harry , que mostram quem de facto tu és , mais do_que as tuas capacidades . Harry sentou se , imóvel e espantado , em a cadeira . - Se queres provas de que o teu lugar é em os Gryffindor , sugiro que vejas isto com mais atenção . Dumbledore aproximou se de a secretária de a professora Mc_Gonagall , pegou em a espada de prata ensanguentada e mostrou lhe a . Sem perceber , Harry voltou a ao_contrário . Os rubis brilharam a a luz de a lareira e foi então que ele reparou em o nome gravado mesmo por baixo de o copo de a espada . GODRIC_GRYFFINDOR . - Só um verdadeiro Gryffindor poderia ter tirado a espada de dentro de o chapéu , Harry - disse , com simplicidade , Dumbledore . Durante um minuto , nenhum de os dois falou . Depois , Dumbledore abriu uma de as gavetas de a secretária de a professora Mc_Gonagall e retirou de lá uma pena e um tinteiro . - Tu precisas de comer e ir dormir . Sugiro que desças para o banquete enquanto eu escrevo para Azkaban . Precisamos de recuperar o nosso guarda de os campos . E tenho de esboçar um anúncio para o * _ Profeta_Diário * - acrescentou pensativo . - Vamos precisar de um novo professor de Defesa contra as artes negras . É um problema , estamos sempre a perdê os . Harry levantou se e dirigiu se a a porta . Tinha acabado de estender a mão para o puxador quando ela se abriu tão violentamente que saltou de as dobradiças . Lucius_Malfoy estava de pé , furioso . E , debaixo de o braço , embrulhado em diversas ligaduras , estava Dobby . - Boa tarde , Lucius - disse Dumbledore , de forma amena . Mr._Malfoy quase derrubou Harry enquanto entrava em a sala . Dobby dava passos miudinhos atrás de ele , inclinado até a a bainha de o seu manto com um olhar apavorado em o rosto . - Então - disse Lucius_Malfoy com os olhos fixos em Dumbledore - voltaste . Os membros de o Conselho_Directivo suspenderam te , mas tu mesmo_assim sentiste te capaz de voltar a Hogwarts . - Bem vês , Lucius - disse Dumbledore , sorrindo serenamente . - Os outros membros de o Conselho contactaram me hoje . Fui envolvido em um redemoinho de corujas , todos queriam contar me a verdade . Ouviram dizer que a filha de Arthur_Weasley tinha sido morta e queriam me novamente aqui . Parece que me consideravam o melhor homem para o lugar . Contaram me algumas histórias muito estranhas . Alguns de eles tinham a impressão que tu tinhas ameaçado amaldiçoar lhes as famílias se não concordassem com a minha suspensão . Mr._Malfoy ficou ainda mais pálido do_que de costume , mas os olhos continuavam cheios de fúria . - Então já acabaste com os ataques ? - rosnou . - Apanhaste o culpado ? - Já , sim - disse Dumbledore com um sorriso . - E quem é ? - perguntou Malfoy secamente . - A mesma pessoa de a última vez , Lucius - disse Dumbledore . Mas desta_vez , Lord_Voldemort agiu através_de outra pessoa , por_meio_de um diário . Pegou em o pequeno caderno com o buraco em o meio , observando Mr._Malfoy de perto . Mas Harry olhava para Dobby . O elfo fazia um sinal muito estranho . Com os seus grandes olhos fixos em Harry , não parava de apontar para ó diário e , em seguida , para Mr._Malfoy , batendo logo_a_seguir com o punho em a cabeça . - Estou a ver ... - disse Mr._Malfoy lentamente a Dumbledore . - Um plano inteligente - afirmou o director em um tom de voz suave , continuando a olhar Mr._Malfoy directamente em os olhos . - Porque se não fosse aqui o Harry e o seu amigo Ron a descobrirem o diário , sem dúvida Ginny_Weasley teria ficado com todas_as culpas . Ninguém teria conseguido provar que ela agira contra a sua própria vontade . Mr._Malfoy não se pronunciou . O seu rosto parecia agora uma máscara . - E vê bem - continuou Dumbledore - o que poderia ter acontecido ... os Weasley são uma de as mais proeminentes famílias de feiticeiros de sangue puro , imagina o efeito em a imagem de Arthur_Weasley e em a sua acção de protecção a os Muggles , se a sua própria filha fosse acusada de atacar e matar filhos de Muggles . Foi uma sorte o diário ter sido descoberto e as memórias de Riddle apagadas . Quem sabe que consequências poderia ter tido ? Mr._Malfoy falou contra vontade . - Sim , foi uma sorte - disse secamente . E , em as suas costas , Dobby continuava a apontar para o diário e para Lucius_Malfoy , batendo depois com o punho em a cabeça . E Harry finalmente percebeu . Fez um sinal a Dobby que correu a esconder se em um canto , torcendo desta_vez as orelhas para se castigar . - Não quer saber como a Ginny obteve esse diário , Mr._Malfoy ? - perguntou Harry . Lucius_Malfoy voltou se para ele . - Como queres que eu saiba onde é_que a estúpida de a garota o arranjou ? - Porque foi o senhor quem lhe o deu - disse Harry . - Em a Flourish and Blotts . O senhor pegou em o livro velho de ela de Transfiguração e meteu o diário lá dentro , não foi ? Viu as mãos brancas de Mr._Malfoy abrirem se e fecharem se . - Prova isso - sibilou . - Oh ! ninguém vai poder prová o - disse Dumbledore sorrindo a o Harry . - Não agora_que o Riddle desapareceu de o caderno . Por outro lado , aconselharia te , Lucius , a não dares mais nenhuma de as coisas velhas de Lord_Voldemort . Se mais alguma for parar a as mãos de crianças inocentes , acho que o Arthur_Weasley fará com que se voltem com toda_a sua carga negativa contra ti . Lucius_Malfoy ficou calado um momento e Harry viu claramente a sua mão direita torcer se como_se desejasse chegar a a varinha . Em vez de isso , voltou se para o seu elfo doméstico . - Vamos , Dobby . Abriu a porta e quando o elfo se aproximou deu lhe um pontapé que o projectou para longe . Ouviram se em o escritório os gritos de dor de Dobby em o corredor . Harry pensou durante um momento e depois decidiu se . - Professor_Dumbledore - disse apressadamente . - Posso dar o diário outra_vez a Mr._Malfoy ? - Certamente , Harry - disse Dumbledore com toda_a calma . - Mas não demores , olha o banquete . Harry agarrou em o diário e saiu de o escritório . Os gritos de dor de Dobby afastavam se ao_longe . Sem perder tempo , perguntando a si próprio se o plano poderia resultar , Harry tirou um de os sapatos , puxou uma de as peúgas enlameadas e viscosas e meteu o diário lá dentro . Em seguida correu até a o fundo de o corredor escuro . Apanhou os em o topo de as escadas . - Mr._Malfoy - disse ofegante , parando . - Tenho uma coisa para si . E meteu a peúga mal cheirosa em a mão de Lucius_Malfoy . - O que é ... ? Mr._Malfoy tirou o diário de dentro de a peúga , deitou a fora e olhou furioso para o caderno estragado e para Harry - Ainda vais acabar por ter um fim igual a o de os teus pais um dia de estes , Harry_Potter - disse em voz baixa . - Eles também eram uns idiotas metediços . Voltou se para se ir embora . - Anda , Dobby , vem ! Mas Dobby não se mexeu . Tinha em as mãos a peúga nojenta de o Harry e olhava para ela como_se fosse um tesouro de valor incalculável . - O senhor deu uma peúga a o Dobby - disse o elfo maravilhado . - Deu a a o Dobby . - O que é isso ? - cuspiu Mr._Malfoy . - Que estás para aí a dizer ? - Dobby tem uma peúga - repetiu incrédulo . - O senhor deitou a fora e Dobby apanhou a e Dobby agora é livre ... Lucius_Malfoy ficou paralisado a olhar para o elfo . Em seguida precipitou se para Harry . - Fizeste me perder o meu servo , rapaz . Mas Dobby gritou : - Não pense que vai fazer mal a o Harry_Potter ! Ouviu se um enorme estrondo e Mr._Malfoy foi empurrado de costas , galgando os degraus de as escadas a três_e_três e indo aterrar lá em baixo todo embrulhado e amarrotado . Levantou se , o rosto lívido e pegou em a varinha , mas Dobby estendeu lhe um dedo ameaçador . - Vá se embora já - disse furioso , apontando para Mr._Malfoy . - Não tocará em o Harry_Potter . Vá se embora , já . Lucius_Malfoy não teve escolha . Lançando a os dois um último olhar de cólera , embrulhou se em o manto e desapareceu . - Harry_Potter libertou Dobby ! - disse o elfo com voz esganiçada , olhando para Harry , a luz de o luar reflectida em os seus grandes olhos em forma de globos . - Harry_Potter libertou Dobby . - Era o mínimo que eu podia fazer , Dobby - disse Harry a sorrir -- , mas promete me que não vais voltar a tentar salvar me a vida . A cara feia e escura de o elfo abriu se , mostrando os dentes , em um enorme sorriso . - Tenho uma pergunta a fazer te , Dobby - disse Harry enquanto o elfo pegava em a peúga de ele com as mãos a tremer . - Disseste me que tudo_isto não tinha nada que ver com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Lembras te ? - Era uma pista , senhor - disse Dobby com os olhos muito abertos como_se fosse absolutamente óbvio . - Dobby estava a dar lhe uma pista . Antes de o senhor de o mal mudar de nome , o seu nome podia ser pronunciado , está a ver ? - Certo - disse Harry sem grande convicção . - Bem , é melhor eu ir indo embora . Há um banquete e a minha amiga Hermione já deve ter acordado ... Dobby lançou os braços a a cintura de Harry e abraçou o . - Harry_Potter é muito maior do_que Dobby imaginava ! - soluçou . - Adeus , Harry_Potter . E com um estalido final , Dobby desapareceu . Harry assistira a diversos banquetes , mas nenhum que se parecesse com aquele . Estavam todos de pijama e a festa durou a noite inteira . Harry não sabia se o melhor tinha sido a Hermione a correr para ele e a gritar : - Tu conseguiste . Tu conseguiste ! , ou o Justin saindo disparado de a mesa de os Hufflepuff para lhe estender a mão , desfazendo se em desculpas por ter suspeitado de ele , ou o Hagrid que apareceu a as três_e_meia e que lhes deu palmadas com tanta força em os ombros que eles foram parar dentro de os pratos de bolo de creme , ou os quatrocentos pontos que ele e o Ron obtiveram para os Gryffindor , ganhando a taça de a equipa por a segunda vez consecutiva , ou a professora Mc_Gonagall de pé , a comunicar lhes que os exames tinham sido cancelados como medida de a escola ( Oh ! não ! exclamou Hermione ) , ou Dumbledore a anunciar que , infelizmente , o professor Lockhart não poderia voltar em o ano seguinte por ter de se ausentar a_fim_de recuperar a memória . Alguns de os professores juntaram se a os alunos que aplaudiram entusiasmados esta notícia . - Que pena - disse Ron , servindo se de um * dounut * de presunto . - E eu que começava a gostar de ele ... O resto de o período de Verão decorreu sob um sol escaldante . Hogwarts voltara a a normalidade , apenas com algumas pequenas diferenças : as aulas de Defesa contra as artes negras foram canceladas ( Mas nós tivemos imensa prática - disse o Ron vendo o descontentamento de Hermione ) e Lucius_Malfoy foi demitido de o Conselho_Directivo . Draco já não passeava por ali como_se fosse o dono de a escola . Pelo_contrário , tinha um ar melindrado e carrancudo . Por outro lado , Ginny_Weasley andava de_novo feliz de a vida . Em_breve chegou o dia de regressarem a casa em o Expresso_de_Hogwarts . Harry , Ron , Hermione , Fred , George e Ginny encheram um compartimento . Tiraram o_máximo partido de aquelas últimas horas em que lhes era permitido usar a magia antes de as férias . Brincaram a as explosões , gastaram o último fogo-de-artíficio Filibuster , de o Fred e de o George e treinaram o mútuo desarmamento através de a magia . Harry começava a ficar muito bom em aquilo . Já estavam perto de a estação de King's_Cross quando Harry se lembrou de uma coisa . - Ginny , o que foi que viste o Percy fazer que ele não queria que nos contasses ? - Ah ! isso - disse a Ginny a rir . - Bem , é_que o Percy tem uma namorada . Fred deixou cair uma pilha de livros em a cabeça de o George . - O quê ? - É aquela prefeita de os Ravenclaw ' Penelope_Clearwater - disse a Ginny . - Foi para ela que ele escreveu durante todo o Verão . Encontravam se em a escola em grande segredo . Eu apanhei os a beijarem se em uma sala de aula vazia e ele ficou tão aflito quando ela foi ... sabes ... atacada . Não vais aborrecê o , pois não ? - perguntou cheia de ansiedade . - Que ideia - respondeu Fred com uma tal satisfação em o rosto que parecia que o seu aniversário chegara mais cedo . - Claro que não - disse o George a rir se a a socapa . O Expresso_de_Hogwarts abrandou e finalmente parou . Harry tirou a pena e um_pouco de pergaminho e voltou se para Ron e Hermione . - Isto_é um número de telefone - disse ele a o Ron , escrevinhando o duas vezes , cortando o pergaminho a o meio e dando lhes os números . - Eu expliquei a o teu pai como usar um telefone em o Verão passado . Ele sabe fazer a chamada . Liga me para_casa de os Dursley , O. _ K. ? Não consigo suportar outros dois meses sem ter mais ninguém com quem falar ... - Mas a tua tia e o teu tio vão ficar orgulhosos de ti , não vão ? - perguntou Hermione quando saíram de o comboio e se misturaram em a multidão que se encontrava junto de a barreira encantada . - Quando souberem o que fizeste este ano . - Orgulhosos ? - disse Harry . - Estás doida ! Podendo eu ter morrido tantas vezes e tendo escapado ? Vão ficar é furiosos ... E juntos avançaram até a a entrada para o mundo de os Muggles . ----------------- J._K._Rowling_Harry_Potter e a Câmara_dos_Segredos_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Chamber of Secrets_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling 1998 Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 2000 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 2.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 Depósito legal : 143.569/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , a a Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Para_Séan_P._F._Harris , condutor imparável e um amigo de os diabos . I_O pior aniversário Não era a primeira vez que uma discussão estoirava a a mesa de o pequeno-almoço , em o número 4 de a Privet_Drive . Mr._Vernon_Dursley fora acordado de manhã cedo por o piar ruidoso que vinha de o quarto de o seu sobrinho Harry . - É a terceira vez esta semana ! - resmungou , a a mesa . - Se não consegues controlar essa coruja , ela não pode ficar aqui . Harry tentou , mais_uma_vez , explicar . - Ela está aborrecida . Estava habituada a voar livremente lá fora . Se eu pudesse , ao_menos , soltá a a a noite ... - Achas me com cara de idiota ? - perguntou rispidamente o tio Vernon , com um fio de ovo preso em o bigode farfalhudo . - Sei muito bem o que aconteceria se essa coruja fosse lá para fora . Trocou um olhar soturno com a mulher , a tia Petúnia . Harry tentou contra-argumentar , mas as suas palavras foram abafadas por um enorme arroto de o filho de os Dursleys , Dudley . - Quero mais bacon . - Há mais em a frigideira , fofinho - disse a tia Petúnia , lançando um olhar vago a o seu filho maciço . - Tens que te alimentar bem enquanto aqui estás , aquela comida de a tua escola não me cheira . - Disparate , Petúnia , eu nunca passei fome enquanto andei em Smeltings - afirmou com sinceridade o tio Vernon . - O Dudley tem que chegue . Não é verdade , filho ? Dudley , que era tão gordo que o rabo saía de os dois lados de a cadeira de a cozinha , sorriu laconicamente e voltou se para Harry . - Passa me a frigideira . -- Esqueceste te de a palavra mágica - disse Harry , irritado . O efeito que esta simples frase teve em o resto de a família foi inacreditável : Dudley começou a arfar e caiu de a cadeira com um estrondo que abalou a cozinha , Mrs._Dursley deu um gritinho e bateu com a mão em a boca , Mr._Dursley pôs se de pé com as veias de as têmporas dilatadas . - Eu queria dizer « por favor » - explicou Harry rapidamente . - Não me referia a ... - : __ o que é_que eu te __ disse - vociferou o tio , espalhando perdigotos sobre a mesa - : __ sobre pronunciar a palavra m . em esta __ casa ? - Mas eu ... - : __ como te atreves a ameaçar o __ dudley ! - rosnou o tio Vernon , batendo com o punho em a mesa . - Eu só ... - : __ estás avisado . não vou admitir referências a tua anormalidade debaixo de o tecto de a minha __ casa ! Harry olhou alternadamente para o rosto congestionado de o tio e para a palidez de a tia que tentava pôr o Dudley de pé . - Está bem - disse Harry . - Está bem ... O tio Vernon voltou a sentar se , respirando como um rinoceronte exausto e observando Harry de perto por o canto de os seus olhos pequeninos e penetrantes . Desde_que Harry regressara para as férias de Verão que o tio Vernon o tratava como_se ele fosse uma bomba , capaz de explodir a qualquer momento , porque Harry não era um rapazinho normal . Em a verdade , ele era o menos normal que é possível imaginar . Harry_Potter era um feiticeiro , um feiticeiro que acabara de concluir o primeiro ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts e a infelicidade que os Dursleys sentiam por ele estar lá em casa não era nada comparada com a de Harry . As saudades de Hogwarts eram tão intensas que se assemelhavam a uma constante dor em o estômago . Sentia a falta de o castelo com as suas passagens secretas e os seus fantasmas , de as aulas ( com excepção talvez de as de Snape , o professor de as poções ) , de o correio a chegar trazido por as corujas , de os banquetes em o salão nobre , de as noites em as camas de dossel em a camarata de a torre , de as visitas a Hagrid , o guarda de os campos em a sua casinha em o bosque , junto de a floresta proibida e , principalmente , sentia a falta de o Quidditch , o desporto mais popular de o mundo de os feiticeiros ( seis postes altos de golo , quatro bolas esvoaçantes e catorze jogadores em_cima_de vassoura ) . Todos os livros de feitiços de Harry , assim_como a varinha , os mantos , o caldeirão e a vassoura topo de gama Nimbus dois_mil tinham sido encerrados por o tio Vernon em a despensa que ficava debaixo de as escadas , em o momento em que Harry regressara a casa . O que é_que lhes interessava se ele perdia ou não o seu lugar em a equipa de Quidditch por não ter praticado durante todo o Verão ? Que importância tinha para eles que o Harry voltasse a a escola sem ter podido fazer os trabalhos de casa ? Os Dursleys eram aquilo que os feiticeiros chamam « Muggles » ( nem uma gota de sangue mágico em as veias ) e , para eles , ter um feiticeiro em a família era motivo de grande vergonha . O tio Vernon tinha , inclusivamente , fechado a cadeado a coruja de Harry , Hedwig , dentro de a gaiola , para evitar que ela transportasse mensagens para a gente de o mundo de a feitiçaria . Harry não se parecia em nada com o resto de a família . O tio Vernon era atarracado e sem pescoço , dotado de um enorme bigode preto ; a tia Petúnia tinha um rosto cavalar e era esquelética ; Dudley era loiro e rosado como um porquinho . Harry , pelo_contrário , era baixo e franzino , com os olhos verdes brilhantes e cabelo negro sempre desalinhado . Usava uns óculos redondos e tinha em a testa uma cicatriz em forma de relâmpago . Era essa cicatriz que o tornava tão invulgar , mesmo para um feiticeiro . Era a única alusão a o seu passado misterioso , a o motivo por o qual , onze anos antes , tinha sido deixado em o degrau de a porta de os Dursleys . Com um ano de idade , Harry sobrevivera a uma maldição de o maior feiticeiro negro de todos os tempos , Lord_Voldemort , cujo nome a maior parte de os feiticeiros e feiticeiras ainda receia pronunciar . Os pais de Harry tinham morrido em um ataque de Voldemort , mas ele escapara com a sua cicatriz em forma de relâmpago e estranhamente , ninguém compreendeu porquê , os poderes de Voldemort tinham sido destruídos em o momento em que não fora capaz de matar o Harry . Por isso , ele foi criado por a irmã de a sua falecida mãe e respectivo marido . Passou dez anos com os Dursleys , sem nunca compreender porque fazia com que acontecessem coisas estranhas , alheias a a sua vontade , acreditando em a história de os Dursleys de que aquela cicatriz fora resultado de um acidente de automóvel em que os pais tinham morrido . E um dia , precisamente um ano antes , Hogwarts escrevera lhe e fora então que tudo começara . Harry fora ocupar o seu lugar em a escola de feitiçaria , onde ele e a sua cicatriz eram famosas ... mas agora o ano escolar chegara a o fim e estava de_novo com os Dursleys . Durante o Verão , voltara a ser tratado como um cão malcheiroso . Os Dursleys nem se tinham lembrado que aquele era o dia de o seu décimo segundo aniversário . É claro que não tivera grandes expectativas : eles nunca lhe tinham dado um presente a sério , muito menos um bolo , mas ignorarem o por completo ... Em esse momento , o tio Vernon pigarreou com um ar importante e disse : - Como todos sabem , hoje é um dia muito importante . Harry olhou para ele , mal conseguindo acreditar . - Pode bem ser que eu faça hoje o maior negócio de toda_a minha vida - afirmou . Harry voltou novamente a atenção para a torrada . É claro , pensou amargamente , o tio Vernon referia se a a estúpida dinner-party . Havia quinze_dias que não falava de outra coisa . Um consultor qualquer cheio de massa e a mulher vinham jantar lá a casa e o tio Vernon tinha esperança de conseguir uma grande encomenda ( a empresa de o tio Vernon fabricava brocas ) . - Acho que devíamos recapitular mais_uma_vez - disse o tio Vernon . - Devemos estar todos a postos a as oito_horas_em_ponto . Petúnia , tu vais estar ... ? - Em o salão - respondeu a tia Petúnia prontamente - a a espera para lhes dar as boas-vindas a nossa casa . - Bom , bom . E o Dudley ? - Eu vou estar a a espera para abrir a porta . - Dudley esboçou um sorriso falso e afectado . - Dão me licença que vos guarde os casacos , Mr. e Mrs._Mason ? - Eles vão adorá o - exclamou arrebatadamente a tia Petúnia . - Excelente , Dudley - disse o tio Vernon . - A seguir voltou se para o Harry . - E tu ? - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - repetiu o Harry , de forma inexpressiva . - Exactamente - confirmou o tio Vernon , de um modo desagradável . - Eu conduzo os até a o salão , apresento te , Petúnia , e sirvo lhes as bebidas . _ a as oito_e_um_quarto . - Eu chamo para a mesa - disse a tia Petúnia . - E tu , Dudley , vais dizer ... - Dá me licença que lhe indique a casa de jantar , Mrs._Mason ? - repetiu o Dudley , oferecendo o seu braço gordo a uma mulher invisível . - O meu pequenino cavalheiro - fungou a tia Petúnia . - E tu ? - perguntou o tio Vernon a o Harry , em o mesmo tom desagradável . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho , fingindo que não estou lá - respondeu Harry aborrecido . - Isso mesmo . Agora , devíamos ter preparadas algumas frases amáveis para o jantar . Petúnia , alguma ideia ? - O Vernon disse me que o senhor é um excelente jogador de golfe , Mr._Mason ... Tem de me dizer onde comprou esse vestido , Mrs._Mason ... - Perfeito . Dudley ? - Que tal : Tivemos de fazer um trabalho para a escola sobre o nosso herói e eu escrevi sobre o senhor ... Foi de mais , tanto para a tia Petúnia como para o Harry . A tia debulhou se em lágrimas e abraçou o filho , enquanto Harry se esgueirava para debaixo de a mesa para ninguém o ver rir . - E tu , rapaz ? Harry fez um esforço para se mostrar inexpressivo quando emergiu . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - disse . - Vais sim senhor - afirmou o tio Vernon energicamente . - Os Mason não sabem nada a teu respeito e é assim que as coisas vão continuar . Quando o jantar terminar , tu trazes Mrs._Mason para o salão , onde vamos tomar café , Petúnia , e eu puxo o assunto de as brocas . Com um_pouco de sorte , tenho o contrato assinado antes de o noticiário de as dez . Amanhã por esta hora , vamos estar a fazer compras para umas férias em Maiorca . Harry não conseguia sentir o menor entusiasmo com aquilo . Não lhe parecia que os Dursleys gostassem mais de ele em Maiorca do_que em Privet_Drive . - Certo , eu vou a a cidade buscar os casacos para mim e para o Dudley . E tu - resmungou , apontando para Harry - não atrapalhes a tua tia enquanto ela estiver a limpar . Harry saiu por a porta de as traseiras . Estava um dia de sol lindo . Atravessou o relvado , deixou se cair em o banco de o jardim e cantarolou baixinho : - Parabéns para mim ... parabéns para mim ... Nem cartas nem presentes e tinha de passar a noite a fingir que não existia . Olhou infeliz para a sebe . Nunca se sentira tão só . Mais do_que tudo em o mundo , mais do_que de Hogwarts , mais até do_que de o jogo de Quidditch , Harry sentia a falta de os amigos Ron_Weasley e Hermione_Granger . Mas eles não pareciam sentir a falta de ele . Nenhum de os dois lhe escrevera durante todo o Verão apesar_de o Ron ter dito que ia convidá o para passar uns dias lá em casa . Inúmeras vezes Harry estivera quase a libertar magicamente Hedwig de a sua gaiola e mandá a levar uma carta a o Ron e a a Hermione mas não valia a pena correr o risco . Os feiticeiros menores de idade não tinham autorização para usar a magia fora de a escola . Harry não contara isto a os Dursleys . Ele sabia que era o medo de que ele os transformasse a todos em baratas que os impedia de o fecharem a a chave em a despensa debaixo de as escadas , juntamente com a varinha e a vassoura . Em as primeiras semanas Harry divertira se a murmurar baixinho palavras sem sentido e a ver o Dudley sair disparado de o quarto , tão rápido quanto as suas pernas gordas lhe permitiam . Mas o silêncio prolongado de Ron e Hermione tinham o feito sentir se tão longe de o mundo de a magia que até divertir se à_custa_de Dudley perdera o interesse . E agora o Ron e a Hermione tinham se esquecido de o seu aniversário . Quanto não daria ele por uma mensagem de Hogwarts ? De qualquer feiticeiro ou feiticeira ? Quase ficaria satisfeito com um sinal de o seu inimigo feroz , Draco_Malfoy , só para ter a certeza de que tudo aquilo não fora apenas um sonho ... Não que tudo durante o ano em Hogwarts tivesse sido divertido . Mesmo em o fim de o último período , Harry confrontara se nem mais nem menos do_que com o próprio Lord_Voldemort . Voldemort podia ter arruinado o seu ego inicial mas continuava a espalhar o terror , ainda astuto , ainda determinado a recuperar o poder . Harry escapara uma segunda vez a as suas garras mas fora por um triz e mesmo agora , algumas semanas decorridas , acordava de noite encharcado em suores frios , perguntando se onde estaria Voldemort , relembrando o seu rosto lívido , os seus olhos completamente loucos ... Harry sentou se subitamente , direito como um fuso , em o banco de o jardim . Tinha estado a olhar distraído para a sebe e a sebe estava a olhar para ele . Dois enormes olhos verdes surgiram por_entre a folhagem . Harry pôs se de pé ao_mesmo_tempo que uma voz sobrevoava a relva . - Eu sei que dia é hoje - cantarolava Dudley , bamboleando se enquanto se aproximava . Os olhos enormes piscaram e desapareceram . - O quê ? - perguntou Harry sem retirar os olhos de o lugar para_onde estava a olhar . - Eu sei que dia é hoje - repetiu , chegando junto de ele . - Ainda_bem - disse Harry . - Aprendeste finalmente os dias de a semana . - Hoje é o dia de os teus anos - troçou o Dudley . - Por_que é_que não recebeste nenhuma carta ? Não tens amigos em esse lugar esquisito ? - É melhor não deixares a tua mãe ouvir te falar de a minha escola - disse Harry calmamente . Dudley puxou para_cima as calças que estavam a escorregar lhe por o rabo gordo abaixo . - Porque estás a olhar para a sebe . ; - perguntou curioso . - Estou a pensar em as palavras que deverei pronunciar para lhe pegar fogo - disse Harry . Dudley recuou de imediato com um olhar de pânico em a cara rechonchuda . - Tu não p-p-odes , o pai disse que não podias fazer magia ou corria contigo aqui de casa e não tens mais nenhum lugar para_onde ir , não tens amigos que te convidem ... - * _ Jiggery pokery * ! - disse Harry com voz firme . - * _ Hocus pocus ... squiggly wiggly * ... - Maaaaaãe - gritou Dudley , tropeçando em os pés , enquanto se precipitava para dentro_de casa . Maaaãe , ele vai fazer aquela coisa ! Harry deu graças a os céus por aquele momento de gozo . Como não aconteceu nada de mal nem a o Dudley nem a a sebe , a tia Petúnia percebeu que ele não fizera magia nenhuma mas , mesmo_assim , Harry teve de se afastar quando ela lhe deu uma forte pancada em a cabeça com a frigideira cheia de detergente . A seguir distribuiu lhe trabalho e o castigo de só voltar a comer quando tivesse acabado tudo . Enquanto Dudley andava a flanar , olhando para o ar e comendo gelados , Harry limpou as janelas , lavou o carro , aparou a relva , adubou os canteiros , podou e regou as rosas e pintou de_novo o banco de o jardim . O sol ardia lá em cima , queimando lhe a parte de trás de o pescoço . Harry sabia que não devia ter provocado Dudley mas ele dissera precisamente aquilo que ele próprio pensava ... talvez não tivesse amigos em Hogwarts . Deviam ver agora o famoso Harry_Potter , pensou amargamente enquanto espalhava adubo em os canteiros , as costas a doerem lhe e o suor a escorrer lhe por o rosto . Eram sete_e_meia_da_tarde quando , por fim , exausto , ouviu a tia Petúnia a chamá o . - Anda para dentro e passa por cima de os jornais . Harry entrou satisfeito em a sombra de a cozinha que rebrilhava . Sobre o frigorífico estava o bolo de a noite : um enorme monte de crome batido coberto de violetas de açúcar . A carne de porco assava em o forno . - Come depressa , os Mason devem estar a chegar ! - exclamou bruscamente a tia Petúnia , apontando para duas fatias de pão e uma de queijo que estavam em cima de a mesa de a cozinha . Ela já tinha posto um vestido de * cocktail * cor de salmão . Harry lavou as mãos e comeu aquele triste jantar . Mal tinha terminado , a tia Petúnia tirou lhe o prato . - Lá para_cima , rápido ! A o passar por a porta de a sala , Harry vislumbrou o tio Vernon e Dudley de casaco e gravata . Tinha acabado de chegar a o cimo de as escadas quando a campainha de a porta tocou e a cara de o tio Vernon apareceu em o patamar . - Lembra te , rapaz , um ruído que seja ... Harry entrou em o quarto em bicos de pés , fechou a porta e preparou se para se meter em a cama . O problema é_que estava lá alguém sentado . II_O aviso de Dobby_Harry conseguiu não gritar , mas foi por_pouco . A pequena criatura que estava em a cama tinha umas orelhas grandes e largas e uns olhos verdes protuberantes de o tamanho de bolas de ténis . Harry percebeu imediatamente que fora para ele que tinha estado a olhar de manhã . Enquanto olhavam um para o outro , Harry ouviu a voz de Dudley em o * hall * . - Posso guardar os vossos casacos , Mr. e Mrs._Mason ? A criatura escorregou por a cama e curvou se tanto que a ponta de o seu enorme nariz tocou em o tapete . Harry reparou que ele tinha vestido uma espécie de fronha de almofada com buracos para os braços e pernas . - Er ... Olá - disse Harry , um_pouco nervoso . - Harry_Potter ! - exclamou a criatura em uma voz tão estridente que Harry calculou que poderia ouvir se lá em baixo . - Há tanto tempo que Dobby queria conhecê o , senhor . É uma enorme honra ... - Ob-obrigado - disse Harry , deslocando se a o longo de a parede e sentando se em a cadeira de a secretária , junto de Hedwig que dormia em a sua grande gaiola . Queria perguntar lhe « O que és tu ? » , mas pensou que seria má educação , por isso perguntou : - Quem és tu ? - Dobby , senhor . Apenas Dobby , o elfo de casa - afirmou a criatura . - Oh ! A sério ? - perguntou Harry . - Não quero ser mal-educado , mas esta não é a melhor altura para ter um elfo em o meu quarto . O riso falso de a tia Petúnia ouvia se em a sala de jantar . O elfo deixou cair a cabeça . - Não que eu não me sinta feliz por te conhecer - disse Harry rapidamente - mas , er ... estás aqui por algum motivo em especial ? - Oh , sim senhor - disse Dobby muito a sério . - Dobby veio dizer lhe que ... é difícil ... Dobby não sabe por_onde começar ... - Senta te - disse Harry educadamente , apontando lhe a cama . Para seu horror , o elfo debulhou se em lágrimas bastante ruidosas . -- S-senta-te ! - repetiu . - Nunca em toda_a minha vida ... Harry pareceu lhe ouvir as vozes lá em baixo vacilarem . - Desculpa - murmurou . - Eu não queria ofender te ... - Ofender Dobby ! - exclamou o elfo em um sufoco . - Nunca nenhum feiticeiro disse a o Dobby que se sentasse como um seu igual , senhor . Harry , tentando dizer lhe « Sch ... » e confortá o ao_mesmo_tempo , conduziu Dobby de_novo até a a cama onde ele se sentou a soluçar , parecendo uma grande boneca muito feia . Por fim , conseguiu controlar se e ficou quieto , com os seus grandes olhos fixos em Harry em uma expressão de absoluta adoração . - Não deves ter conhecido muitos feiticeiros sérios - disse lhe , tentando animá o . Dobby abanou a cabeça . Em seguida , sem qualquer aviso , saltou e começou a bater furiosamente com a cabeça em a janela , gritando : - Dobby é mau ! Dobby é mau ! - Pára , o que é_que estás a fazer ? - perguntou Harry em um murmúrio sibilante , dando um salto e puxando Dobby de_novo para a cama . Hedwig acordara com um pio particularmente agudo e batia agressivamente com as asas contra as grades de a gaiola . - Dobby tinha que se castigar , meu senhor - afirmou o elfo , que ficara ligeiramente estrábico . - Dobby quase falou mal de a família de ele ... - De a tua família ? - De a família de feiticeiros que Dobby serve , meu senhor ... O Dobby é um elfo de casa , obrigado a servir uma casa e uma família para sempre . - Eles sabem que estás aqui ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Dobby estremeceu . - Oh , não senhor , não ... Dobby vai ter que se castigar muito por ter vindo vê o . Dobby vai ter que entalar as orelhas em a porta de o forno por isto . Se eles soubessem , senhor ... - Mas achas que eles não vão reparar se tu entalares as orelhas em a porta de o forno ? - Dobby duvida , senhor . Dobby está sempre a ter de se castigar por qualquer coisa . Eles deixam que o Dobby se castigue . _ às_vezes até sugerem alguns castigos extra . - Mas por_que é_que não te vais embora , não foges ? - Um elfo de casa tem de ser libertado , senhor . E a família nunca libertará Dobby . Dobby servirá a família até morrer . Harry olhou para ele . - E eu que pensava que era infeliz por ter de ficar aqui mais quatro semanas - declarou . - Isto faz os Dursleys parecerem quase humanos . Será que ninguém te pode ajudar ? Poderei eu ? Em o mesmo momento , Harry desejou não ter aberto a boca . Dobby desfez se em ruidosos soluços de gratidão . - Por favor - murmurou Harry , inquieto . - Por favor , está calado . Se os Dursleys ouvem barulho , se eles sabem que estás aqui ... - Harry_Potter pergunta se pode ajudar Dobby . Dobby ouviu falar de a sua grandeza , mas de a sua bondade , Dobby nada sabia . Harry , que se sentia corar , disse : - Seja o que for que tenhas ouvido sobre a minha grandeza , é um disparate . Nem_sequer sou o melhor de o meu ano em Hogwarts . É a Hermione . Ela ... Mas calou se rapidamente porque pensar em Hermione era lhe doloroso . - Harry_Potter é humilde e modesto - disse Dobby reverentemente , com os seus olhos de globo avermelhados . - Harry_Potter não fala de a sua vitória sobre « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . - Voldemort ? - perguntou Harry . Dobby bateu com as mãos em as enormes orelhas e gemeu : - Ai não diga o nome , senhor . Não diga o nome ! - Desculpa - disse Harry muito depressa . - Eu sei que muita gente não gosta . O meu amigo Ron ... Calou se de_novo . Pensar em o Ron era igualmente doloroso . Dobby voltou para Harry os seus dois olhos grandes como candeeiros . - Dobby ouviu dizer - balbuciou com voz rouca - que Harry_Potter encontrou o Senhor_do_Mal uma segunda vez há poucas semanas atrás ... que Harry_Potter lhe escapou de_novo . Harry acenou e os olhos de Dobby encheram se de lágrimas . - Ah , senhor - disse em um sobressalto , limpando o rosto com a ponta de a fronha de almofada que tinha vestida . - Harry_Potter é valente e arrojado . Enfrentou tantos perigos ! Mas Dobby veio protegê o , avisar Harry_Potter , mesmo_que para isso tenha de entalar as orelhas em a porta de o forno , que Harry_Potter não deve voltar para Hogwarts . Houve um silêncio apenas quebrado por o ruído de os garfos e de as facas lá em baixo e por a voz distante de o tio Vernon . - O q-q-uê ? - gaguejou Harry . - Mas eu tenho de voltar , o ano começa em o dia um de Setembro . É a minha razão de viver . Tu não sabes como são as coisas aqui . Eu não pertenço a este lugar , o meu lugar é em Hogwarts . - Não , não , não - guinchou Dobby , sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas andavam de um lado para o outro . - Harry_Potter deve ficar aqui , onde se encontra a salvo . É demasiado grande , demasiado bom para se perder . Se Harry_Potter regressar a Hogwarts correrá perigo de vida . - Porquê ? - inquiriu Harry , surpreendido . - Há uma conspiração , Harry_Potter . Uma conspiração para fazer acontecer coisas terríveis este ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts - murmurou Dobby que começara a tremer de a cabeça a os pés . - Dobby sabe de isto há meses , senhor . Harry_Potter não deve expor se a o perigo . É demasiado importante . - Que coisas terríveis são essas ? - perguntou Harry sem perder tempo . - Quem está por detrás ? Dobby fez um ruído esquisito e começou a bater com a cabeça contra a parede como um louco . - Está bem - gritou Harry , agarrando o braço de o elfo para o fazer parar . - Não podes dizer , eu compreendo . Mas porque vieste avisar me ? - Um pensamento súbito e desagradável surgiu lhe . - Espera aí , isto tem alguma coisa que ver com o Vol , desculpa com o Quem nós sabemos ? Basta que faças sim ou não com a cabeça - acrescentou com vivacidade enquanto a cabeça de Dobby se inclinava de_novo a uma velocidade preocupante para a parede . Lentamente , Dobby abanou a cabeça . - Não , não é « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . Os olhos de Dobby estavam abertos como_se estivesse a tentar dar a Harry uma pista , mas Harry estava completamente a a nora . - Ele não tem nenhum irmão , ou tem ? Dobby abanou a cabeça , os olhos mais abertos do_que nunca . - Bem , em esse caso não estou a ver quem mais poderia ter a possibilidade de fazer acontecer coisas horríveis em Hogwarts - disse Harry . - Quero dizer , para já está lá o Dumbledore . Sabes quem é Dumbledore , não sabes ? Dobby baixou a cabeça . - Albus_Dumbledore é o melhor director que Hogwarts alguma vez teve . Dobby sabe , senhor . Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore rivalizam com os d'aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Mas , senhor - a voz de Dobby desceu a um urgente murmúrio - há poderes que Dumbledore não ... poderes que nenhum feiticeiro sério ... E antes que Harry conseguisse impedi o Dobby saltou de a cama , agarrou o candeeiro de secretária de Harry e começou a bater com a cabeça , dando uivos ensurdecedores . Fez se silêncio lá em baixo . Dois segundos mais tarde , Harry com o coração a bater como um louco , ouviu o tio Vernon chegar a o * hall * e dizer . - O Dudley deve ter deixado outra_vez a televisão ligada , o maroto ! - Depressa , para dentro de o guarda-fatos - gritou Harry , empurrando Dobby bem para o fundo , fechando a porta e metendo se a correr em a cama mesmo a_tempo_de ver a maçaneta de a porta a girar . - Que diabo estás tu a fazer ? - disse o tio Vernon entre dentes , o rosto assustadoramente próximo de o de Harry . - Acabas de estragar o ponto alto de a minha anedota de o golfista japonês . Eu que oiça mais um som e vais desejar nunca ter nascido , rapaz ! Abandonou o quarto com grandes passadas . A tremer , Harry deixou Dobby sair de o guarda-fatos . - Estás a ver como são as coisas por aqui ? - disse . - Vês porque tenho de voltar para Hogwarts ? É o único sítio onde eu tenho ... bem , onde eu acho que tenho amigos . - Amigos que nem_sequer escrevem a Harry_Potter ? - disse Dobby com ar manhoso . - Calculo que devem ter estado ... espera aí - disse Harry , franzindo a testa . - Como é_que tu sabes que os meus amigos não me têm escrito ? Dobby arrastou os pés . - Harry_Potter não deve zangar se com Dobby . Dobby fez o que achou melhor ... - Tu tens estado a interceptar me as cartas ? - Dobby tem as aqui , senhor - disse o elfo . Saltando para longe de o alcance de Harry , retirou de dentro de a fronha que usava um espesso saco cheio de envelopes . Harry reconheceu de imediato a caligrafia certinha de Hermione , a escrita desordenada de Ron e até uns gatafunhos que pareciam ser de o guarda de os campos de Hogwarts , Hagrid . Dobby piscava ansiosamente os olhos . - Harry_Potter não deve ficar zangado ... Dobby esperava que ... se Harry_Potter pensasse que os amigos o tinham esquecido ... Harry_Potter talvez não quisesse voltar a a escola , senhor . Harry não o ouvia . Fez um gesto para agarrar as cartas , mas Dobby deu um salto , afastando se . - Harry_Potter terá as cartas , senhor , se der a Dobby a sua palavra de não voltar a Hogwarts . Ah , senhor , é um risco que não deve correr . Diga que não volta , senhor ! - Não - afirmou Harry zangado . - Dá me as cartas de os meus amigos ! - Em esse caso , Harry_Potter deixa Dobby sem escolha - disse o elfo tristemente . Antes que Harry pudesse fazer um movimento , Dobby tinha aberto a porta de o quarto e descido a correr por as escadas abaixo . Com a boca seca e um aperto em o estômago , Harry correu atrás de ele , tentando não fazer barulho . Saltou os últimos seis degraus , aterrando como um gato em a carpete de o * hall * , olhando em volta a a procura de Dobby . De a sala de jantar , ouviu a voz de o tio Vernon : - Conte a a Petúnia aquela história engraçadíssima de os funileiros americanos , ela tem estado louca por ouvi a , Mr._Mason . Harry correu de o * hall * para a cozinha e sentiu o estômago ficar pequenino . O pudim , que era a a obra-prima de a tia Petúnia , a montanha de creme batido coberto de violetas de açúcar flutuava junto de o tecto . Em cima de o guarda-louça de o canto , Dobby inclinava se servilmente . - Não - suplicou Harry . - Por favor , eles matam me . - Harry_Potter deve dizer que não vai voltar a a escola ... - Dobby , por favor . - Diga , senhor . - Não posso . Dobby lançou lhe um olhar trágico . - Então , Dobby deve fazê o , senhor , para o bem de Harry_Potter . O pudim foi direito a o chão em uma queda que parecia um coração a parar . O crome esguichou para as janelas e para as paredes , enquanto o prato se despedaçava . Com o ruído de uma chicotada , Dobby desapareceu . Ouviram se gritos em a casa de jantar e o tio Vernon irrompeu por a cozinha onde foi dar com Harry coberto , de a cabeça a os pés , por o pudim de a tia Petúnia . A princípio parecia que o tio Vernon ia conseguir arranjar uma desculpa para aquilo tudo . ( É só o nosso sobrinho , muito perturbado ; conhecer pessoas estranhas deixa o muito nervoso , por isso deixamos o lá em cima ... ) Conduziu_os_Mason , bastante chocados , para a sala de jantar , garantindo a Harry que o esfolava vivo quando os Mason se fossem embora e pôs lhe em as mãos um esfregão . A tia Petúnia descobriu um resto de gelado em o frigorífico e Harry , ainda a tremer , começou a limpar a cozinha . O tio Vernon poderia ainda ter feito o negócio , se não fosse a coruja . Estava a tia Petúnia a circular com uma caixa de After-Eight , quando uma enorme coruja de celeiro fez a sua entrada vertiginosa através de a janela de a casa de jantar , deixando cair uma carta em a cabeça de Mr._Mason e desaparecendo logo_a_seguir . Mrs._Mason gritava como uma carpideira e corria por a casa praguejando contra os lunáticos . Mr._Mason ficou o tempo estritamente necessário para dizer a os Dursleys que a mulher tinha um medo pânico de pássaros de todas_as formas e tamanhos e perguntar lhes se aquela era alguma brincadeira de mau gosto . Harry não saiu de a cozinha , agarrando o esfregão como defesa , enquanto o tio Vernon avançava para ele com um brilho demoníaco em os olhos pequeninos . - Lê isso - ordenou maldosamente . Harry pegou em a carta . Não era a desejar lhe um bom aniversário . * _ Caro_Mr._Potter , * _ Recebermos hoje informações de que um feitiço de suspensão em o ar foi efectuado em sua casa esta noite , a as nove_horas_e_doze_minutos . * _ Como sabe , os feiticeiros menores não estão autorizados a praticar magia fora de a escola e , se efectuar mais um trabalho mágico , será expulso de a nossa escola . ( Decreto_de_Restrições_Razoáveis_para_Feitiçaria_de_Menores , 1875 , parágrafo C. ) * _ Pedimos-lhe também que se lembre que qualquer actividade que possa ser notada por membros alheios a a nossa comunidade ( Muggles ) constitui uma ofensa grave , segundo a secção 13 de a Confederação_Internacional_do_Estatuto_da_Magia_Secreta . * _ Tenha umas boas férias . * Atenciosamente_Mafalda_Hopkirk_Gabinete_da_Utilização_Imprópria_da_Magia_Ministério_da_Magia * . Harry olhou para a carta e engoliu em seco . - Tu não nos contaste que estavas proibido de usar magia fora de a escola - disse o tio Vernon com um brilho maldoso a dançar lhe em os olhos . - Esqueceste te de o mencionar , passou te , não foi ? Tinha se aproximado de Harry como um grande * bulldog * , com todos os dentes a a mostra . - Tenho boas notícias para ti , rapaz , vou fechar te a a chave e , se tentares sair através_de magia , nunca mais voltas a aquela escola , eles expulsam te . E rindo como um louco , arrastou Harry até a o andar de cima . O tio Vernon era mau como as cobras . Em a manhã seguinte pagou a um homem para colocar grades em a janela de o quarto de Harry . Ele próprio abriu um pequeno buraco em a porta de o quarto para que a comida pudesse ser introduzida três vezes por dia . Deixavam o Harry sair para ir a a casa_de_banho de manhã e a o final de a tarde . O resto de o tempo estava fechado em o quarto , a a espera que o tempo passasse . Três dias mais tarde , os Dursleys não mostravam qualquer intenção de abrandar o castigo e Harry não sabia como sair de aquela situação . Estava deitado em a cama , vendo o sol brilhar por_entre as grades de a janela e perguntando se tristemente o que viria a acontecer lhe . Qual era a vantagem de sair de ali por artes mágicas , se Hogwarts o expulsaria em seguida ? Contudo , a vida em Privet_Drive tinha atingido o seu nível mais baixo . Agora_que os Dursleys tinham a certeza que não iam acordar transformados em morcegos , ele perdera a única arma que tinha . O Dobby podia tê o salvo de acontecimentos terríveis em Hogwarts , mas de a maneira que as coisas estavam , ele morreria muito provavelmente a a fome . A portinhola rangeu e a mão de a tia Petúnia apareceu empurrando uma tigela de sopa de pacote para dentro de o quarto . Harry , que estava cheio de fome , saltou de a cama e agarrou a . A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um único trago . A seguir , atravessou o quarto até a a gaiola de Hedwig e pôs os legumes ensopados dentro de o seu pratinho vazio . Ela agitou as penas e olhou o com profunda repugnância . - Não vale de nada virares lhe as costas . É tudo_o_que temos - disse Harry , de modo severo . Colocou a tigela vazia em o chão junto de a portinhola e voltou para_cima de a cama , de certo modo com mais fome do_que antes de ter comido a sopa . Admitindo que estaria ainda vivo dentro_de quatro semanas o que aconteceria se ele não se apresentasse em Hogwarts ? Será que mandariam alguém obrigar os Dursleys a deixá o ir ? O quarto começava a escurecer . Exausto e com o estômago a dar horas , o cérebro a as voltas com as mesmas questões sem resposta , Harry caiu em um sono intranquilo . Sonhou que fazia parte de um espectáculo de o jardim zoológico . Preso a a jaula onde se encontrava estava um cartaz onde podia ler se « feiticeiro menor de idade « . As pessoas olhavam o com olhos protuberantes , enquanto ele jazia fraco e esfomeado em um leito de palha . Viu a cara de o Dobby em o meio de a multidão e gritou lhe , pedindo ajuda , mas o Dobby respondeu : - Harry_Potter está em segurança aí , senhor - e desapareceu . Em seguida vieram os Dursleys e Dudley bateu em as grades de a jaula , rindo se de ele . - Pára com isso - murmurou Harry como_se aquele ruído martelasse em a sua cabeça dorida . - Deixa me em paz , pára com isso , estou a tentar dormir . Abriu os olhos . O luar brilhava através de as grades de a janela . E lá fora alguém olhava de olhos arregalados para ele : alguém de rosto sardento , cabelo ruivo e nariz grande . Ron_Weasley estava de o lado de_fora de a janela . III « A toca » Ron ! - exclamou Harry , arrastando se até a a janela e empurrando a para poderem falar através de as grades . - Ron , como é_que tu , foi o ... ? Harry ficou de boca aberta , espantado com o que viu . Ron estava debruçado de a janela de trás de um velho automóvel azul-turquesa que se encontrava estacionado em o ar . Em os lugares de a frente , rindo se para Harry , estavam os irmãos mais velhos , os gémeos Fred e George . - Tudo bem , Harry ? - O que é_que se tem passado ? - perguntou o Ron . - Porque não respondeste a as minhas cartas ? Convidei te para vires ter comigo umas doze vezes e um dia o pai chegou a casa e comunicou nos que tu tinhas recebido um aviso oficial por usares magia diante de os Muggles ... - Não fui eu . E como é_que ele soube ? - Ele trabalha em o Ministério - disse o Ron . - Tu sabes que nós não podemos fazer feitiços fora de a escola . - Bem , isso vindo de ti ... - exclamou Harry , olhando para o carro flutuante . - Oh , isto não conta - disse Ron . - Foi o meu pai que o emprestou . Não o fizemos aparecer por magia . Mas usar magia em a frente de esses Muggles com quem tu vives ... - Já te disse que não fui eu , mas vai demorar muito_tempo a explicar te isso agora . És capaz de avisar em Hogwarts que os Dursleys me fecharam a a chave e que não querem deixar me voltar e obviamente eu não posso sair de aqui magicamente senão o Ministério vai achar que é a segunda vez em três dias e ... - Pára com essa conversa tola - disse o Ron . - Viemos para te levar connosco . - Mas tu também não podes tirar me de aqui utilizando processos mágicos ... - Não precisamos de isso - afirmou Ron , fazendo um sinal de cabeça para os lugares de a frente . - Esqueces te de quem está aqui comigo . - Amarra isso em volta de as grades - disse o Fred , lançando a Harry a ponta de uma corda . - Se os Dursleys acordam estou feito - lamentou se Harry enquanto dava um nó bem apertado com a corda em uma de as grades e o Fred arrancava com o carro . - Não te preocupes e chega te para trás . Harry recuou para a sombra , para junto de Hedwig que parecia ter se apercebido de a importância de tudo aquilo , mantendo se quieta e em silêncio . O carro puxou mais e mais e , subitamente , com um ruído de ferro a ceder , as grades foram arrancadas de a janela , enquanto Fred conduzia com o céu como estrada . Harry correu de_novo para a janela para ver as grades a balouçarem a poucos metros de o chão . Ofegante , Ron içou as para dentro de o carro . Harry escutou ansiosamente mas não vinha qualquer som de o quarto de os Dursleys . Quando as grades estavam em segurança em os lugares de trás junto de Ron , Fred aproximou se o_máximo que lhe foi possível de a janela . - Anda de aí - disse . - Mas , todas_as minhas coisas de Hogwarts , a minha varinha , a minha vassoura ... - Onde estão ? - Fechadas em a despensa debaixo de as escadas e eu não posso sair de este quarto . . - Não há azar - disse o George . - Sai de a frente , Harry . Fred e George treparam cautelosamente e entraram por a janela em o quarto de Harry . Tinhas que ter aberto a boca , pensou Harry enquanto George tirava de o bolso um vulgar gancho de cabelo e começava a tentar abrir a fechadura . - Muitos feiticeiros acham que é uma perda de tempo aprender os truques de os Muggles - disse o Fred . - Mas nós pensamos que há habilidades que é sempre útil conhecer apesar_de serem um_pouco lentas . Ouviu se um pequeno clique e a porta abriu se . - Pronto , vamos buscar as tuas coisas . Tu vai dando a o Ron aquilo que precisas de aí de o teu quarto - murmurou George . - Cuidado com o degrau de cima que range - sussurrou Harry enquanto os gémeos desapareciam em o escuro . Harry deu a volta a o quarto , recolhendo as suas coisas e passando as por a janela a o Ron . Em seguida , foi ajudar o Fred e o George a trazerem o resto por as escadas acima . Ouviu o tio Vernon tossir . Por fim , de língua de_fora , chegaram a o quarto , junto de a janela aberta . Fred trepou para o carro para puxar os volumes com o Ron enquanto Harry e George os empurravam de dentro de o quarto . Centímetro a centímetro o malão foi passando por a janela . O tio Vernon tossiu de_novo . - Mais um_pouco - disse o Fred que estava a puxar de dentro de o carro . Um bom empurrão , vá . Harry e George encostaram os ombros contra a mala e ela escorregou para a parte de trás de o carro . - O. _ K. , vamos embora - murmurou o George . Mas quando Harry trepava para o parapeito de a janela ouviu se um forte pio atrás de ele , imediatamente seguido de o vociferar de o tio Vernon . - Aquela maldita coruja ! - Esqueci me de a Hedwig ! Harry precipitou se de_novo para o quarto , enquanto a luz de o patamar se acendia . Agarrou a gaiola de Hedwig , correu para a janela e passou a a o Ron . Estava a subir para_cima de a cómoda quando o tio Vernon bateu em a porta , que não estava fechada , e esta se abriu completamente . Por uma fracção de segundo , o tio Vernon ficou estático junto de a porta . Em seguida , soltou um mugido como um boi zangado e avançou para Harry , agarrando o por o tornozelo . Ron , Fred e George seguraram o por os braços e puxaram o com toda_a força . - Petúnia - rosnou o tio Vernon . - Ele está a fugir ! : __ ele está a __ fugir ! Os Weasleys deram um puxão gigantesco e a perna de o Harry escapou a as garras de o tio Vernon . Logo_que Harry entrou em o carro e a porta se fechou , Ron gritou : - Acelera Fred ! - E o carro partiu subitamente em direcção a a lua . Harry mal podia acreditar que estava livre . Esticou se a a janela , o ar de a noite a fustigar lhe os cabelos e olhou para baixo , para os telhados apertados de Privet_Drive . O tio Vernon , a tia Petúnia e o Dudley estavam todos debruçados com cara de parvos , a a janela de o quarto de ele . - Até a o próximo Verão - gritou . Os Weasleys riam se a as gargalhadas e Harry esticou se para trás em o assento e pediu a o ouvido de Ron : - Deixa sair a Hedwig . Ela pode voar atrás_de nós . Há séculos que não tem uma oportunidade de esticar as asas . George passou a o Ron o gancho de cabelo e , um momento depois , a Hedwig saíra feliz por a janela , planando atrás de eles como um fantasma . - Então , qual é a história ? - perguntou Ron , impaciente . - O que é_que tem estado a acontecer ? Harry contou lhes tudo sobre o Dobby , o aviso de este e o fracasso de o pudim de violetas . Houve um longo silêncio quando ele se calou . - Isso cheira me a esturro - disse , por fim , o Fred . - Definitivamente misterioso - concordou George . - Então ele nem te disse quem está supostamente por detrás dessa trama toda ? - Acho que não podia - explicou Harry . - Já te disse , de cada_vez que estava quase a deixar escapar qualquer coisa , começava a bater com a cabeça em a parede . Viu Fred e George olharem um para o outro . - O quê ? Acham que ele estava a mentir me ? - perguntou Harry . - Bem - começou o Fred -- , coloquemos as coisas de o seguinte modo , os elfos de casa têm poderes mágicos próprios , mas geralmente não podem usá os sem a autorização de os seus donos . Eu acho que o bom de o Dobby foi enviado para evitar que voltasses para Hogwarts . Uma ideia de um engraçadinho . Haverá alguém em a escola com má vontade contra ti ? - Sim - responderam Harry e Ron , precisamente ao_mesmo_tempo . - Draco_Malfoy - explicou Harry . - Ele detesta me . - Draco_Malfoy ? - perguntou George , voltando se para trás . - O filho de o Lucius_Malfoy ? - Deve ser . Não é um nome muito vulgar , pois não ? - disse Harry . - Mas porquê ? - Ouvi o pai falar acerca de ele - confidenciou George . - Ele era um grande apoiante de o « Quem nós sabemos » . - E quando o « Quem nós sabemos » desapareceu - continuou o Fred , voltando a cara para olhar para Harry - o Lucius_Malfoy voltou , dizendo que não foi por vontade própria que fez o que fez . Monte de lixo . O pai acha que ele fazia parte de um círculo de amigos íntimos de o « Quem nós sabemos » . Harry já tinha ouvido esses boatos sobre a família de Malfoy e não o surpreenderam em absoluto . Malfoy fizera Dudley_Dursley parecer um rapazinho simpático , amável e sensível . - Não sei se os Malfoy têm um elfo de casa ... - afirmou Harry . - Bem , quem quer que o possua é sem dúvida uma antiga família de feiticeiros e deve ser rica - explicou Fred . - Sim . A mãe está sempre a desejar que pudéssemos ter um elfo de casa para passar a roupa a ferro - disse o George . - Mas só temos um velho vampiro piolhoso em o sótão e gnomos espalhados por o jardim . Os elfos de casa pertencem a as grandes casas senhoriais , a os castelos e lugares assim , não encontrarias um em a nossa casa ... Harry estava calado . Considerando que Draco_Malfoy tinha sempre as melhores coisas , que a sua família nadava em ouro de feiticeiros , era fácil imaginá o passeando se por uma enorme casa senhorial . Mandar o servo de a família evitar que Harry voltasse para Hogwarts também parecia exactamente o tipo de coisa que Malfoy poderia fazer . Teria Harry sido estúpido a o tomar Dobby a sério ? - De qualquer modo , ainda_bem que viemos buscar te - declarou Ron . - Eu começava a ficar seriamente preocupado por não responderes a nenhuma de as minhas cartas . A princípio pensei que a culpa fosse de a Errol ... - Quem é a Errol ? - A nossa coruja . Já é velhota . Não seria a primeira vez que adoecia durante uma entrega . Por isso , tentei pedir a Hermes emprestada ... - Quem ? - A coruja que os meus pais compraram a o Percy quando ele foi nomeado prefeito - respondeu Fred . - Mas o Percy não me a emprestou . Disse que precisava de ela . - O Percy tem andado com atitudes muito estranhas este Verão - comentou George franzindo a testa . - E tem mandado imensas cartas e passado um tempo infinito fechado em o quarto ... enfim , pode limpar se e polir um distintivo de prefeito todas_as vezes que se quiser ... Estás a conduzir demasiado para ocidente , Fred - acrescentou apontando para uma bússola em o painel de o automóvel . Fred girou o volante . - Então , o vosso pai sabe que têm o carro ? - perguntou Harry , quase adivinhando a resposta . - Er ... não - disse o Ron . - Ele tinha trabalho esta noite . Felizmente vamos poder pô o de_novo em a garagem , sem a mãe perceber que andámos a voar nele . - A propósito , o que faz o vosso pai em o Ministério_da_Magia ? - Trabalha em o Departamento mais chato - respondeu Ron . - A Divisão de utilização incorrecta de artefactos de os Muggles . - O quê ? - Relaciona se com objectos de feitiçaria que foram feitos por os Muggles ; sabes como é , se forem parar de_novo a uma loja de os Muggles , ou a uma casa , como em o ano passado , quando morreu uma bruxa velha e o bule de ela foi vendido a uma loja de antiguidades . Uma mulher Muggle comprou o , tentou servir chá a os amigos . Foi um pesadelo , o pai teve de fazer horas extraordinárias durante semanas . - O que é_que aconteceu ? - O bule parecia louco , esguichou chá a ferver para todos os lados e um de os homens foi parar a o hospital com a pinça de o açúcar presa em o nariz . O pai ficou nervosíssimo . É só ele e o velho feiticeiro Perkings em o gabinete e tiveram de localizar e descobrir todo o tipo de encantamentos para resolver o assunto . - Mas o teu pai ... este carro ... Fred riu se . - Sim , o pai é louco por tudo_o_que tem que ver com os Muggles . A nossa arrecadação está cheia de coisas de os Muggles . Ele separa as , lança lhes feitiços e volta a pô as em o lugar . Se ele fizesse uma busca a nossa casa teria de se prender a si mesmo . A minha mãe fica louca com tudo aquilo . - É a estrada principal - gritou o George , apontando para baixo através de a janela . - Dentro_de poucos minutos estamos lá , mesmo a tempo , está a começar a clarear . Um leve brilho rosado tingia o horizonte para leste . Fred trouxe o carro para baixo e Harry pôde ver uma manta de retalhos de campos escuros e matas de arbustos . - Estamos um_pouco longe de a vila - disse George . - Em Ottery_St . Catchpole ... O carro voador foi descendo a os poucos . A luz avermelhada brilhava agora por_entre as árvores . - Terra - disse o Fred , em o momento em que tocaram em o chão com um ligeiro solavanco . Tinham aterrado perto_de uma garagem em ruínas em um pequeno pátio e Harry viu pela_primeira_vez a casa de o Ron . Parecia ter sido em tempos uma pocilga de pedra . Mas os quartos que posteriormente lhe tinham sido acrescentados haviam a tornado bastante mais alta e o seu aspecto era tão curvado que parecia ter sido construída por artes mágicas ( o que , pensou Harry , era , muito provavelmente , verdade ) . De o telhado vermelho saíam quatro ou cinco chaminés . Junto de a entrada , fixa em o chão , podia ver se uma inscrição assimétrica que dizia « A toca » . A o lado de a porta principal estava uma contusão de botas de * _ Wellington * e um caldeirão completamente enferrujado . Por o pátio passeavam se várias galinhas castanhas e gordas . - Não é grande coisa - desculpou se o Ron . - É óptima - exclamou Harry , feliz , pensando em Privet_Drive . Saíram de o carro . - Agora vamos lá para_cima sem fazer barulho - disse o Fred . - E esperamos que a mãe nos chame para o pequeno-almoço . Depois tu , Ron , desces a escada entusiasmadíssimo . - Mãe , olha quem apareceu cá durante a noite ! - E ela vai sentir se felicíssima quando vir o Harry . Assim ninguém fica a saber que levámos o carro voador . - Certo - disse o Ron . - Vamos , Harry , eu durmo em o ... Ron ganhou uma cor de um pálido esverdeado , os olhos fixos em a casa . Os outros três fizeram meia volta . Mrs._Weasley avançava por o pátio , afugentando as galinhas e , para uma mulher baixa , roliça e simpática , era fantástico como conseguia parecer se com um tigre dentes-de-sabre . - Ah ! - suspirou o Fred . - Oh , oh ! - exclamou o George . Mrs._Weasley parou em frente de eles . As mãos em as ancas , saltando de um olhar culpado para o outro . Usava um avental a as flores , com uma varinha a sair lhe de o bolso . - Com que então - disse . - Bom dia , mãe - arriscou o George com uma voz que tentou que fosse alegre e bem-disposta . - Vocês têm alguma ideia de como tenho estado preocupada ? - perguntou Mrs._Weasley em um murmúrio fraco . - Desculpe , mãe , mas sabe , nós tivemos que ... Os três filhos de Mrs._Weasley eram mais altos do_que ela , mas tremiam quando a fúria de a mãe se abatia sobre eles . - Camas vazias ! Nem um bilhete ! O carro desaparecido ... Podiam ter tido um acidente , estou fora de mim com tanta preocupação e vocês nem se importam ... nunca , enquanto eu for viva ... esperem só até o vosso pai chegar , nunca tivemos problemas de estes com o Bill , com o Charlie ou com o Percy ... - O perfeito Percy - resmungou Fred . - : __ tu não vales um dedo de a mão de o __ percy ! - gritou Mrs._Weasley , espetando um dedo em o queixo de o Fred . - Podias ter morrido , podias ter sido visto , podias ter feito com que o teu pai perdesse o emprego ... Parecia nunca mais acabar . Mrs._Weasley tinha gritado até ficar ronca , antes de se voltar para o Harry , que recuou . - Estou muito contente por te ver , Harry - disse . - Entra e vem tomar o pequeno-almoço . Ela voltou se e regressou a casa e Harry , depois de trocar um olhar nervoso com o Ron , que lhe acenou , encorajando o , seguiu a . A cozinha era pequena e bastante estreita . A meio havia uma enfezada mesa de madeira e cadeiras em volta e Harry sentou se a a beirinha de o assento , olhando em volta . Era a primeira vez que entrava em uma casa de feiticeiros . O relógio em a parede em frente de ele , tinha apenas um ponteiro e nenhum número . Em volta , estavam escritas frases como « Hora de fazer o chá » , « Hora de dar de comer a as galinhas « e « Estás atrasado » . Empilhados em o rebordo de a lareira estavam livros com títulos como * _ Encanta o teu próprio queijo , Encantamento em a cozedura de o pão e Banquetes em um minuto - é mágico * ! E , a menos que os ouvidos de Harry estivessem a traí o , o velho rádio próximo de o lava-loiças acabara de anunciar que a seguir vinha a Hora de enfeitiçar com a popular feiticeira-cantora Celestina_Warbeck . Mrs._Weasley fazia barulho com os talheres , preparando o pequeno-almoço um bocado a o acaso , lançando olhares furiosos a os filhos , enquanto lançava as salsichas em a frigideira . De vez em quando murmurava coisas como : « Não sei o que vos passou por a cabeça « ou « nunca devia ter confiado em vocês » . - Eu não te culpo , filho - tranquilizou Harry , pondo lhe sete ou oito salsichas em o prato . - Eu e o Arthur temos estado preocupados contigo . Ainda ontem a a noite estivemos a dizer que te iríamos buscar nós próprios se não respondesses a o Ron até sexta-feira . Mas , em a verdade ( estava agora a acrescentar três ovos estrelados a o prato de ele ) , atravessar metade de o país a voar em um carro ilegal , qualquer um vos poderia ter visto ... Agitou maquinalmente a varinha em a direcção de o lava-loiças , onde a loiça começou a lavar se sozinha , tinindo baixinho lá atrás . - Estava enevoado , mãe ! - exclamou o Fred . - Boca fechada enquanto comes ! - interrompeu Mrs._Weasley . - Eles estavam a fazê o passar fome , mãe ! - disse o George . - E tu também ! - disse Mrs._Weasley , mas já foi com uma expressão mais doce que começou a cortar o pão para Harry e a barrá o com manteiga . Em esse momento , as atenções voltaram se para um pequenino volto de cabelos ruivos , em uma camisa de dormir até a os pés , que surgiu em a cozinha , deu um grito agudo e desapareceu de_novo . - É a Ginny - disse Ron baixinho a o Harry -- , a minha irmã . Tem falado de ti todo o Verão . - Sim , ela vai querer o teu autógrafo , Harry - riu se o Fred , mas o seu olhar cruzou se com o de a mãe e inclinou se para o prato , não voltando a abrir a boca . Ninguém falou até os quatro pratos estarem limpos , o que sucedeu a uma velocidade surpreendente . - Bolas , estou cansado - bocejou Fred , pousando a faca e o garfo . Acho que me vou deitar e ... - Não vais , não senhor - interrompeu Mrs._Weasley . - A culpa é tua se ficaste toda_a noite acordado . Vais fazer a des-gnomização de o jardim . Eles estão outra_vez a exagerar . - Oh , mãe ... - E vocês os dois o mesmo - dirigiu se a o Ron e a o Fred . - Tu podes ir para a cama , filho - disse a Harry . - Não lhes pediste que guiassem aquele carro miserável . Mas Harry , que se sentia acordadíssimo , respondeu prontamente : - Eu ajudo o Ron , nunca vi uma des-gnomização ... - É muito simpático de a tua parte , querido , mas é um trabalho chato - explicou Mrs._Weasley . - Vejamos o que o Lockhart tem a dizer acerca disto . E puxou de o rebordo de a lareira um livro pesadíssimo . George resmungou : - Mãe , nós sabemos * des-gnomizar * o jardim . Harry olhou para a capa de o livro de Mrs._Weasley . Em grandes letras douradas , que ocupavam grande parte de a capa , podia ler se Guia_de_Gilderoy_Lockhart para pragas caseiras . Via se também a grande fotografia de um feiticeiro bem-parecido , de cabelos loiros ondulados e olhos azuis brilhantes . Como sempre , em o mundo de os feiticeiros , a fotografia mexia se . O feiticeiro , que Harry calculou ser Gilderoy_Lockhart , não parava de lhes piscar os olhos descaradamente . Mrs._Weasley sorriu lhe . - Oh , ele é fantástico - disse . - Conhece bem as pragas caseiras . É um livro maravilhoso . - A mãe adora o - disse Fred em um murmúrio bastante audível . - Não sejas ridículo , Fred - repreendeu Mrs._Weasley com as bochechas coradas . - É claro que se achas que sabes mais do_que o Lockhart , podes ir fazer o trabalho e ai de ti se houver um único gnomo em o jardim quando eu for fazer a inspecção . A bocejar e a resmungar , os Weasley arrastaram se lá para fora com Harry atrás de eles . O jardim era grande e , em a opinião de Harry , exactamente como deveria ser um jardim . Os Dursleys não teriam gostado . Havia uma enorme quantidade de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada , mas havia árvores nodosas em volta de as paredes , plantas que Harry nunca vira , tombando de todos os canteiros e um grande lago verde cheio de rãs . - Os Muggles também têm gnomos de jardim , sabes - disse o Harry a o Ron , enquanto atravessavam a relva . - Sim , já vi essas coisas que eles pensam que são gnomos - disse o Ron todo dobrado , com a cabeça em uma moita de peónias . - Como os Pais_Natais gordinhos com canas de pesca ... Houve um tumulto ruidoso , a moita de peónias estremeceu e Ron endireitou se . - Isto_é um gnomo - declarou com um ar sério . - Larga eu ! Larga eu ! - guinchou o gnomo . Não se parecia em absoluto com o Pai_Natal . Era pequenino e parecia de couro , com uma grande cabeça protuberante e calva , precisamente como uma batata . Ron agarrou o a a distância de um braço , enquanto ele dava pontapés em o ar com os seus pézinhos que pareciam chifres . Agarrou o por os tornozelos e voltou o de pernas para o ar . - Isto_é o que tens de fazer - disse . Levantou o gnomo acima de a cabeça ( Larga eu ! ) e começou a balouçá o em grandes círculos , como os vaqueiros fazem com os laços . A o ver a expressão chocada de Harry , Ron explicou : - Não os mágoa . Só tens de os deixar bem tontos para que consigam encontrar o caminho de regresso a os buracos de os gnomos . Largou os tornozelos de o gnomo . Ele voou seiscentos metros e aterrou com um ruído surdo em o campo a o lado de a sebe . - Deplorável - afirmou o Fred . - Aposto que consigo lançar o meu para_além de aquele tronco . Harry aprendeu rapidamente a não sentir muita pena de os gnomos . Decidira largar o primeiro que apanhou para_além de a sebe , mas o gnomo , sentindo fraqueza , enfiou os seus dentinhos , aguçados como laminas , em o dedo de o Harry e não foi fácil sacudi o para ele o largar , até que ... - Uau , Harry , esse deve ter sido seiscentos metros ... O ar estava subitamente cheio de gnomos voadores . - Vês , eles não são muito espertos - afirmou o George , agarrando cinco ou seis de uma_vez . - Em o momento em que se apercebem que começou a * des-gnomização * , aparecem todos para espreitar . Era de esperar que já tivessem aprendido a ficar quietinhos . Rapidamente a multidão de gnomos começou a ir se embora , atravessando os campos em uma fila ordenada , com os pequeninos ombros arqueados . - Eles voltam - disse o Ron enquanto os via desaparecer em a sebe de o outro lado de o campo . - Eles adoram estar aqui ... o pai é muito mole com eles , acha lhes piada . Em esse momento , a porta de a frente bateu . - Ele já voltou ! - exclamou o George . - O pai já está em casa ! Apressaram se a entrar . Mr._Weasley tinha se afundado em uma de as cadeiras de a cozinha , sem óculos e com os olhos fechados . Era um homem magro , quase calvo , mas o pouco cabelo que tinha era tão ruivo como o de os filhos . Vestia um longo manto verde cheio de pó e estava cansado de a viagem . - Que noite - murmurou , tacteando em busca de o bule , enquanto todos se sentavam a a volta de ele . - Nove assaltos , nove ! E o velho Mundungs_Fletcher tentou lançar me um feitiço quando eu estava de costas . Mr._Weasley tomou um bom gole de chá e suspirou . - Encontrou alguma coisa , pai ? - perguntou Fred ansiosamente . - Só encontrei algumas chaves encolhidas e uma chaleira que mordia - bocejou Mr._Weasley . - Havia um material bastante mauzinho , mas não era de o meu departamento . O Mortlake foi levado para ser interrogado sobre uns furões extremamente antigos , mas isso pertence a a Comissão_dos_Feitiços_Experimentais , graças_a Deus . - Por_que é_que alguém ia dar se a o trabalho de fazer encolher chaves ? - perguntou George . - Para chatear os Muggles - suspirou Mr._Weasley . - Vende se lhes uma chave que não pára de encolher , até que desaparece , de_modo_a que nunca a encontrem quando precisam ... É claro que é muito difícil condenar alguém , porque nenhum Muggle é capaz de admitir que a sua chave está a encolher , insistem em que estão sempre a perdê a . Benditos sejam , vão até onde for preciso para ignorar a magia , mesmo_que ela esteja em frente de os seus narizes ... mas vocês não acreditariam em as coisas que o nosso grupo tem levado para enfeitiçar ... - : __ como carros , por __ exemplo ? Mrs._Weasley tinha aparecido , segurando um grande atiçador que parecia uma espada . Os olhos de Mr._Weasley abriram se de repente , fitando a mulher com um ar culpado . - C-carros , Molly querida ? - Sim , Artur , carros - afirmou Mrs._Weasley , os olhos a faiscar . - Imagina um feiticeiro a comprar um carro velho e enferrujado e dizer a a mulher que a única coisa que queria fazer com ele era desmontá o para ver como ele funcionava , enquanto em a verdade estava a enfeitiçá o para o fazer voar . Mr._Weasley piscou os olhos . - Bem , querida , acho que poderás constatar que não é ilegal fazer isso , embora , er , talvez ele devesse ter contado a verdade a a mulher ... Existe uma forma de tornear a lei , já_que ela diz que ... desde_que não se tenha a * intenção * de voar em o carro , o facto de ele poder voar , não ... - Arthur_Weasley tu arranjaste essa forma de tornear a lei quando a escreveste ! - gritou Mrs._Weasley . - Para poderes continuar a remexer em todo aquele lixo de os Muggles que tens em a arrecadação ! E , para tua informação , o Harry chegou hoje_de_manhã em o carro que tu não pretendias pôr a voar ! - Harry ? - perguntou Mr._Weasley sem expressão . - Qual Harry ? Olhou em volta , viu Harry e deu um salto . - Santo_Deus , é Harry_Potter ? Muito prazer , o Ron falou nos tanto de si ... - * _ O teu filho conduziu aquele carro até a a casa de o Harry e de volta até aqui em a noite passada ! * - gritou Mrs._Weasley . - O que tens a dizer a esse respeito ? - A sério ! ? - exclamou Mr._Weasley com vivacidade . - Correu tudo bem , quero dizer ... - vacilou a o ver os olhos de Mrs._Weasley que faiscavam . - Er , fizeram mal , rapazes , muito mal , mesmo ... - Vamos deixá os a os dois - murmurou o Ron , enquanto Mrs._Weasley inchava como um sapo gigantesco . - Vamos , vou mostrar te o meu quarto . Esgueiraram se de a cozinha e desceram uma passagem estreita que dava para uma escada desnivelada que ziguezagueava a o longo de a casa . Em o terceiro andar , estava uma porta entreaberta . Harry só teve tempo de ver um par de olhos castanhos brilhantes que o olhavam fixamente , antes de a porta se fechar com um estalido . - A Ginny - disse o Ron . - Não imaginas como é estranho vês a tão tímida , ela que quase nunca se cala ... Subiram mais dois andares , até chegarem a uma porta com a tinta a descascar e uma pequena placa dizendo : « Quarto_do_Ronald » . Harry entrou . A cabeça quase tocava em o tecto inclinado . Piscou os olhos . Era como entrar dentro_de uma fornalha : quase tudo em o quarto de o Ron tinha um violento matiz alaranjado : a colcha de a cama , as paredes , até o tecto . Em seguida , apercebeu se de que o Ron tinha coberto cada centímetro de o velho papel de parede com * posters * de as mesmas sete feiticeiras e feiticeiros , todos vestidos com brilhantes mantos cor de laranja , transportando vassouras e acenando entusiasticamente . - A tua equipa de Quidditch ? - perguntou Harry . - Os Chudley_Cannons - disse Ron , apontando para a colcha cor de laranja que tinha um brasão com dois C's gigantes e uma bala de canhão a_toda_a velocidade . - Nono em a Liga . Os livros de estudo de feitiços de Ron estavam empilhados desordenadamente a um canto , junto de um monte de B. _ D. , todas elas relativas a as * _ Aventuras_de_Martin_Miggs , o Muggle louco * . A varinha mágica de o Ron estava em_cima_de um aquário cheio de ovos de rã sobre o peitoril de a janela , junto de o seu rato gordo e cinzento , Scabbers , que dormia uma soneca a o sol . Harry passou por_cima_de um baralho de cartas de jogar com vontade própria , que estava caído em o chão , e olhou para fora de a janelinha . Em o campo , não muito longe , podia ver um grupo de gnomos a esgueirarem se , um a um , de_novo para a sebe de os Weasley . Em seguida , voltou se para Ron que o observava nervoso , como_se esperasse a opinião de ele . - É um_pouco pequeno - declarou o Ron muito depressa . - Não se parece nada com o quarto que tu tinhas em casa de os Muggles . E estou mesmo debaixo de o vampiro de o sótão . Ele anda sempre a bater nos canos e a gemer ... Mas Harry , com um grande sorriso , disse lhe : - Esta é a melhor casa em que eu já estive . As orelhas de Ron ficaram cor-de-rosa . IV_Na_Flourish and Blotts_A vida em a Toca era o mais diferente que é possível de a vida em Privet_Drive . Os Dursleys gostavam de tudo limpo e arrumado , em casa de os Weasleys explodia o estranho e o inesperado . Harry teve um choque de a primeira vez que olhou para o espelho que estava sobre a lareira de a cozinha e ele gritou : - Mete para dentro a camisa , * desmazelado ! * - O vampiro de o sótão gemia e batia nos canos , sempre_que sentia as coisas demasiado calmas e as pequenas explosões em o quarto de o Fred e de o George , eram consideradas perfeitamente normais . Mas o que o Harry achou mais bizarro em a vida em casa de o Ron , não foi o espelho que falava , nem o vampiro barulhento , foi o facto de todos ali em casa parecerem gostar de ele . Mrs._Weasley preocupava se com o estado de as suas meias e tentava obrigá o a servir se quatro vezes a cada refeição . Mr._Weasley gostava que Harry se sentasse a o lado de ele a a mesa para poder bombardeá o com perguntas sobre a vida com os Muggles , pedindo que lhe explicasse como funcionavam coisas como as canalizações e o serviço de os correios . - Fascinante ! - exclamava , enquanto Harry lhe explicava a utilização de o telefone . - Engenhoso , de facto , todas_as maneiras que os Muggles encontraram para passar sem a magia . Harry teve notícias de Hogwarts em uma manhã de sol , cerca de uma semana depois de ter chegado a a Toca . Quando , ele e o Ron desceram para tomar o pequeno-almoço , encontraram Mr. e Mrs._Weasley e Ginny já sentados a a mesa . Em o momento em que viu o Harry , Ginny entornou a tigela de os cereais , que caiu a o chão com grande espalhafato . Ginny entornava facilmente coisas sempre_que o Harry estava em a sala . Mergulhou debaixo de a mesa para apanhar a tigela e emergiu com o rosto a brilhar como o sol poente . Fingindo não ter dado por nada , Harry sentou se e aceitou a torrada que Mrs._Weasley lhe ofereceu . - Cartas de a escola - disse Mr._Weasley , passando a o Harry e a o Ron envelopes idênticos de pergaminho amarelado , com a morada escrita a tinta verde . - O Dumbledore já sabe que estás aqui , Harry , não perde nada aquele homem . Vocês os dois também - acrescentou , enquanto Fred e George deambulavam em a casa , ainda em pijama . Fez se silêncio durante alguns momentos , enquanto liam as respectivas cartas . A de o Harry dizia para apanhar o Expresso_de_Hogwarts , como sempre em a Estação_de_King's_Cross , em o dia_1_de_Setembro . Havia ainda uma lista de os livros que precisaria para o próximo ano . Os alunos de o segundo ano deverão ter : * _ O_Livro_Padrão_de_Feitiços , Grau 2 , por Miranda_Goshawk . * _ Ensinamentos_de_Uma_Fada_Carpideira , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Férias com Bruxas , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Duendes , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Lobisomens , por Gilderoy_Lockhart . * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves , por Gilderoy_Lockhart * . Fred , que terminara a sua própria lista , espreitou para a de o Harry . - Também te mandam comprar os livros de o Lockhart - disse . - A professora de defesa contra as artes negras deve ser fanática . Aposto que é uma bruxa . Nessa_altura , Fred percebeu o olhar de a mãe e apressou se a comer o doce de laranja . - Esse conjunto não vai ficar barato - disse George , olhando rapidamente para os pais . - Os livros de o Lockhart são de os mais dispendiosos ... - Cá nos havemos de arranjar - declarou Mrs._Weasley , mas parecia preocupada . - Espero que pelo_menos para a Ginny possamos arranjar uma data de coisas em segunda mão . - Ah , vais entrar este ano para Hogwarts ? - perguntou lhe Harry . Ela fez um aceno , corando até a a raiz de os cabelos ruivos e meteu o cotovelo em o pires de a manteiga . Felizmente ninguém deu por nada , a não ser o Harry , porque em esse momento o irmão mais velho de Ron , o Percy , entrou . Já estava vestido , com a placa de prefeito aplicada a a sua camisola de malha . - Bom dia a todos - disse , cheio de vivacidade . - Está um dia lindo . Puxou a única cadeira livre , mas deu um salto quando ia sentar se e , debaixo de ele , saltou um espanador cinzento de penas , pelo_menos , foi o que o Harry pensou até ver que ele respirava . - Errol ! - exclamou Ron , afastando a coruja de o Percy e retirando lhe debaixo de a asa uma carta . - Até que enfim , a resposta de a Hermione . Escrevi lhe a contar que íamos tentar raptar te de casa de os Dursleys . Levou Errol para um poleiro que havia junto a a porta de as traseiras e tentou colocá a lá em cima , mas Errol caiu redonda e Ron teve de a pôr em a pia , murmurando : - Patético . - Em seguida , abriu a carta de a Hermione e leu a em voz alta . * _ Querido_Ron e Harry , se aí estiveres . Espero que tudo tenha corrido bem , que o Harry esteja O. _ K. e que não tenham feito nada ilegal para conseguir trazes o , porque isso podia criar lhe problemas também a ele . Tenho estado muito preocupada e , se o Harry estiver bem , por favor digam me qualquer coisa rapidamente , mas talvez seja melhor usarem uma nova coruja , porque acho que outra entrega pode acabar como esta . * _ Estou muito atarefada com trabalho de a escola , claro * . - Como é possível ? - perguntou Ron , horrorizado . - Estamos em férias ! - * _ E vamos para Londres em a próxima quarta-feira para comprar os meus livros novos . Porque não nos encontramos em a Diagon-al ? * _ Dêem-me notícias vossas o mais depressa possível . * _ Carinhosamente_Hermione * - Bem , parece uma boa solução , podemos ir todos comprar as vossas coisas - disse Mrs._Weasley , começando a limpar a mesa . - O que vão fazer hoje ? Harry , Ron , Fred e George tinham planeado ir a o cimo de o monte a um pequeno cercado de cavalos que os Weasleys possuíam . Estava rodeado de árvores que lhe tapavam a vista de a cidade cá em baixo , o que quer_dizer que podiam praticar Quidditch , desde_que não voassem muito alto . Não podiam usar as verdadeiras bolas de Quidditch pois seria muito difícil explicar se elas escapassem e voassem sobre a cidade . Em vez de elas , lançavam maçãs para os outros apanharem . Faziam turnos para montar a Nimbus dois_mil , que era de longe a melhor vassoura . A velha Shooting_Star_de_Ron fora muitas_vezes ultrapassada por as borboletas que passavam . Cinco minutos mais tarde estavam a marchar por o monte acima , de vassouras a o ombro . Tinham perguntado a o Percy se ele queria juntar se a eles , mas ele alegara muito trabalho . Até esse dia , Harry só tinha visto Percy a a hora de as refeições , ele ficava em silêncio em o quarto o resto de o tempo . - Gostava de saber o que ele anda a fazer - afirmou Fred , de testa franzida . - Não parece o mesmo . O resultado de os exames veio um dia antes de tu chegares : doze N_F_V e ele nem se manifestou satisfeito . - Níveis_de_Feitiçaria_Vulgares - explicou o George , vendo o olhar atarantado de Harry . - Se não temos cuidado , ainda nos calha outro Chefe_de_Turma em a família . Acho que não suportaria a vergonha . Bill era o mais velho de os irmãos Weasley . Ele e o irmão a seguir , Charlie , já tinham saído de Hogwarts . Harry não conhecia nenhum de os dois , mas sabia que o Charlie estava em a Roménia a estudar dragões e o Bill em o Egipto a trabalhar em o banco de os feiticeiros : Gringotts . - Não sei como o pai e a mãe vão arranjar dinheiro para nos pagar o material escolar este ano - disse o George , passado um bocado . - Cinco conjuntos de livros de o Lockhart ! E a Ginny precisa de mantos e de uma varinha e tudo_isso ... Harry não disse nada . Sentiu se um_pouco incomodado . Fechada em um cofre subterrâneo , em o banco de Gringotts_de_Londres , estava uma pequena fortuna que os pais lhe tinham deixado . É claro que só tinha esse dinheiro em o mundo de os feiticeiros , não se podem usar Galeões , Leões e Janotas em as lojas de os Muggles . Ele nunca fizera referência a a sua conta bancária em Gringotts a os Dursleys . Não lhe parecia que o horror que eles sentiam por tudo_o_que se relacionava com a feitiçaria se estendesse a uma enorme pilha de barras de ouro . Mrs._Weasley acordou os a todos bem cedo , em a quarta-feira seguinte . Depois de comerem umas doze sanduíches de * bacon * cada_um , enfiaram os casacos e Mrs._Weasley tirou um vaso de a prateleira de o fogão de a cozinha e espreitou lá para dentro . - Está a acabar se , Arthur - suspirou . - Temos de comprar mais hoje ... Bem , os hóspedes primeiro . Passa , Harry querido ! E ofereceu lhe o vaso de flores . Harry olhou espantado enquanto todos eles o observavam . - O q-que é_que eu devo fazer ? - gaguejou . - Ele nunca viajou com o pó de Floo - disse o Ron subitamente . - Desculpa , Harry , esqueci me . - Nunca ? - perguntou Mrs._Weasley . - Mas então como chegaste a a Diagon - _ Al em o ano passado para comprar as tuas coisas ? -- Fui por o subterrâneo . - A sério ? - disse Mr._Weasley , entusiasmado . - Havia fugitivos ? Como é_que ... - Agora não , Arthur - disse Mrs . Weasley . - O pó de Floo é muito mais rápido , querido , mas , valha me Deus , se ele nunca o usou ... - Vai correr bem , mãe - disse o Fred . - Harry observa nos primeiro . Tirou uma pitada de pó brilhante de dentro de o vaso , aproximou se de o lume e lançou o pó em as chamas . Com um rugido , o fogo ficou verde-esmeralda e elevou se a uma altura superior a a de o Fred que avançou , gritando Diagon - _ Al ! E desapareceu . - Tens de falar claramente , filho - disse Mrs._Weasley a o Harry , ao_mesmo_tempo que George metia a mão em o vaso de as flores . - E vê se sais em o fogão certo . - Em o quê ? - perguntou Harry , nervoso , enquanto o lume crepitava e fazia George desaparecer também . - Bem , há imensos fogos de feiticeiros , mas desde_que te tenhas expressado claramente ... - Ele vai conseguir , Molly , não te preocupes - disse Mr._Weasley , tirando também ele algum pó . - Mas querido se ele se perde como é_que vamos justificar nos perante o tio e a tia de ele ... -- Eles não se importariam - tranquilizou a Harry . - O Dudley ia achar imensa piada se eu me perdesse em uma chaminé , não se preocupe . - Bem , em esse caso ... tu vais a seguir a o Arthur - disse Mrs._Weasley . - Logo_que entres em o fogo diz para_onde queres ir . - E mantém os cotovelos dobrados - preveniu o Ron . - E os olhos fechados - disse Mrs._Weasley . - A fuligem . - Não te enerves - disse o Ron . - Senão podes ir parar a a lareira errada . - Não entres em pânico e não queiras sair cedo de mais . Espera até veres o Fred e o George . Fazendo um enorme esforço por reter toda aquela informação , Harry tirou uma pitada de pó de Floo e avançou para a beirinha de o fogo . Respirou fundo , espalhou o pó em as chamas e entrou . O fogo parecia uma brisa quente . Abriu a boca e engoliu , de imediato , uma grande quantidade de cinzas quentes . D-dia-gon-al - tossiu . Sentiu se como_se estivesse a ser sugado para um buraco gigantesco . Como_se girasse muito depressa ... o ruído era ensurdecedor . Tentou manter os olhos abertos mas o turbilhão de chamas verdes fê lo enjoar ... algo duro bateu lhe em o cotovelo e dobrou o de imediato . Continuava a rodar , a rodar ... sentia se agora como_se várias mãos frias estivessem a bater lhe em a cara ... Espreitando através de os óculos , viu uma torrente imprecisa de fogões e captou lampejos de as salas que estavam por detrás ... as sanduíches de * bacon * davam lhe a volta dentro de o estômago ... fechou os olhos desejando que tudo aquilo parasse e então caiu , de cara em o chão , em a pedra fria e sentiu os óculos partirem se a os bocados . Desorientado e ferido , coberto de fuligem , pôs se cautelosamente de pé , levando a os olhos os óculos partidos . Estava completamente só e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava . Tudo_o_que podia dizer era que a o seu lado via uma lareira que lhe parecia ser a de uma enorme e indistinta loja de feitiçaria . Mas nenhum de os artigos que ali se encontravam tinham aspecto de fazer parte de a lista de a escola de Hogwarts . Em uma caixa de vidro podia ver se uma mão atrofiada que repousava sobre uma almofada , um baralho de cartas ensanguentado e um olho de vidro que o olhava fixamente . Máscaras de expressão maldosa enchiam as paredes , olhando de esguelha , uma enorme quantidade de ossos humanos estendia se sobre o balcão e , de o tecto , pendiam instrumentos aguçados com pontas de ferro e pregos enferrujados . Mas o pior é_que a rua estreita e escura , que Harry conseguia avistar através de a janela poeirenta de a loja , não era de modo algum a Diagon-al . Quanto_mais depressa saísse de ali , melhor . O nariz ainda a doer lhe em o sítio onde batera em o chão a o aterrar , Harry avançou rápida e silenciosamente em direcção a a porta , mas antes de conseguir chegar a meio caminho , duas pessoas apareceram de o lado de_fora de o vidro , e uma de elas era a última pessoa que Harry desejaria encontrar em o momento em que se encontrava perdido , coberto de fuligem e com os óculos partidos , Draco_Malfoy . Harry olhou rapidamente em volta e apercebeu se de a existência de um grande armário escuro a a sua esquerda , saltou lá para dentro e fechou as portas , deixando uma gretazinha para poder espreitar . Segundos depois , uma campainha tocava e Malfoy entrava em a loja . O homem que o acompanhava só podia ser o pai . Tinha o mesmo rosto pálido de feições agudas e os mesmos olhos cinzentos de gelo . Mr._Malfoy atravessou a loja , olhando maquinalmente para os artigos expostos e tocou a campainha de o balcão , antes de se voltar para o filho , dizendo : - Não mexas em nada , Draco . Malfoy , que vira o olho de vidro , disse : - Pensei que ias oferecer me um presente . - Eu prometi que ia comprar te uma vassoura de corrida - declarou o pai , tamborilando com os dedos sobre o balcão . - Para que é_que me serve , se não estou em a equipa de Quidditch ? - perguntou Malfoy , carrancudo e de mau humor . - O Harry_Potter teve uma Nimbus dois_mil o ano passado , com a autorização especial de o Dumbledor é para jogar em os Gryffindor . Ele nem é assim tão bom , é só por ser * famoso * ... famoso por ter uma estúpida cicatriz em a testa . Malfoy baixou se para observar uma prateleira cheia de crânios . - Todos acham que ele é tão esperto , o Potter maravilha , com a sua cicatriz e a sua vassoura ... - Já me disseste isso doze vezes pelo_menos - comentou Mr._Malfoy , olhando repressivamente para o filho . - E devo lembrar te que não é prudente parecer menos do_que amigo de Harry_Potter , quando a maior parte de a nossa gente vê em ele um herói que fez desaparecer o Senhor_do_Mal . Ah , Mr._Borgin . Um homem curvado surgiu por detrás de o balcão , puxando o cabelo gorduroso para trás . - Mr._Malfoy , que prazer vês o de_novo - disse Mr._Borgin , em uma voz tão untuosa como o cabelo . - Encantado , e o nosso jovem Malfoy também , encantado . Em que posso servi os ? Tenho que vos mostrar o que chegou hoje , a um preço muito razoável ... - Hoje não venho comprar , Mr._Borgin , e sim vender - afirmou Mr._Malfoy . - Vender ? - O sorriso apagou se lentamente em o rosto de Mr._Borgin . - Certamente ouviu dizer que o Ministério está a levar a cabo mais buscas - explicou o Mr._Malfoy , retirando de o bolso um rolo de pergaminho e desembrulhando o para Mr._Borgin o ler . - Eu tenho alguns , ah , artigos em casa que poderiam criar me problemas se o Ministério me batesse a porta . Mr._Borgin colocou em o nariz um par de * pince-nez * e olhou para a lista . - O Ministério não se lembraria de o incomodar certamente ... O lábio de Mr._Malfoy dobrou se . - Ainda não me fizeram nenhuma visita . O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito , mas o Ministério está a ficar cada_vez_mais intrometido . Há boatos sobre um novo decreto de protecção de os Muggles , sem dúvida que aquele mordido de as pulgas , adorador de os Muggles , que é o Arthur_Weasley deve estar por detrás de isso . Harry sentiu crescer a raiva . - E , como pode ver , alguns de estes venenos podiam dar a ideia ... - Compreendo perfeitamente , claro - disse Mr._Borgin . - Deixe me ver ... - Posso ter aquilo ? - interrompeu Draco , apontando para a mão raquítica que estava sobre a almofada . - Ah , a mão de a glória ! - exclamou Mr._Borgin , abandonando a lista de Mr._Malfoy e apressando se a responder a Draco . - Põe se lhe uma vela e ela só dá luz a quem a transporta ! A melhor amiga de os gatunos e de os salteadores , o seu filho tem gosto , senhor . - Espero que o meu filho venha a ser mais do_que gatuno ou salteador , Borgin - disse Mr._Malfoy friamente e Mr._Borgin respondeu logo : - Sem ofensa , senhor , sem querer ofender . - Embora , se as notas de a escola não melhorarem - disse Mr._Malfoy ainda mais friamente - esse possa vir a ser o único caminho possível para ele . - Não tenho culpa - retorquiu Draco . - Todos os professores têm os seus preferidos , aquela Hermione_Granger ... - Eu , em o teu lugar , teria vergonha que uma rapariga que nem_sequer pertence a famílias de feiticeiros , me passasse a a frente em todos os exames - interrompeu Mr._Malfoy . Ah - fez Harry baixinho , radiante por ver Draco atrapalhado e furioso . - É o mesmo em todo o lado - comentou Mr._Borgin em a sua voz untuosa . - O sangue de os feiticeiros conta cada_vez menos ... - Não para mim - afirmou Mr._Malfoy , com as longas narinas dilatadas . - Não senhor , nem para mim - concordou Mr._Borgin , inclinando se em uma vénia . - Em esse caso , talvez possamos voltar a a minha lista - disse Mr._Malfoy secamente . - Estou com alguma pressa , Borgin , tenho ainda hoje assuntos importantes a tratar em outro lado . Começaram a discutir os preços . Harry via nervosamente o Draco aproximar se de o seu esconderijo enquanto observava os objectos a a venda . Parou para examinar um enorme rolo de corda de carrasco e para ver , com um sorriso afectado , o cartão preso com um aparatoso laço de opalas onde podia ler se : * _ Cautela , não tocar . Amaldiçoado - reclama as vidas de dezanove donos , todos eles Muggles * . Draco voltou se e viu o armário mesmo em frente . Avançou , estendeu a mão para o puxador ... - Feito - disse Mr._Malfoy , a o balcão . - Vamos , Draco . Harry limpou a testa a a manga quando Draco se afastou . - Muito bom dia , Mr._Borgin . Espero por si amanhã em a mansão para ir buscar a mercadoria . Em o momento em que a porta se fechou , Mr._Borgin abandonou os seus modos subservientes . « Bom dia para o senhor , Mr._Malfoy , e , se as histórias que contam são verdadeiras , não me vendeu nem metade do_que tem escondido em a sua mansão ... » Murmurando de forma taciturna , Mr._Borgin desapareceu em uma sala escura . Harry esperou um minuto não fosse ele voltar e , em seguida , o mais silenciosamente possível , escapou se de o armário , passou por as caixas de vidro e saiu de a loja . Encostando os óculos partidos a o rosto , olhou em volta . Saíra em uma rua estreita e sombria que parecia composta exclusivamente de lojas dedicadas a as artes negras . Aquela de onde acabava de sair parecia ser a maior , mas em frente estava uma montra tétrica de cabeças encolhidas e duas portas abaixo podia ver se uma enorme caixa viva cheia de gigantescas aranhas pretas . Dois feiticeiros com aspecto pobre observavam o de a sombra de uma porta , murmurando entre si . Sentindo se nervoso , Harry pôs se a caminho , tentando agarrar os óculos a direito e não desistindo de a esperança de encontrar maneira de sair de ali . Por um cartaz de madeira , pendurado em a rua , indicando uma loja de venda de velas envenenadas , ficou a saber que se encontrava em a Rua * _ Bativolta * , mas isso não o ajudou pois Harry nunca ouvira falar em tal lugar . Calculou que não tinha pronunciado bem as palavras com a boca cheia de cinzas em a lareira de os Weasley . Tentando manter a calma perguntou a si mesmo o que havia de fazer . - Não estás perdido , pois não , meu menino ? - perguntou uma voz , mesmo junto de o seu ouvido , que o fez dar um salto . Uma bruxa idosa estava em a sua frente , segurando um tabuleiro de uma coisa que se parecia horrivelmente com unhas humanas . A mulher olhou o maldosamente , mostrando os dentes esverdeados . Harry recuou . - Estou bem , obrigado - disse . - Estou só ... - HARRY ! O qu'é que pensas que estás a fazer aqui ? O coração de Harry deu um salto , assim_como o de a bruxa . Um monte de unhas caíram lhe sobre os pés e ela praguejou , enquanto o corpo enorme de Hagrid , o guarda de os campos de Hogwarts , se aproximava de eles a passos largos com os olhos castanhos-escuros a faiscarem sobre a longa barba eriçada . - Hagrid - gritou Harry , aliviado . - Eu estava perdido ... o pó de Floo ... Hagrid agarrou Harry por o cachaço e puxou o para longe de a bruxa , tirando lhe o tabuleiro de as mãos . Os guinchos agudos de a feiticeira seguiram nos até a o fundo de a ruela serpenteante que ia dar a um lagar onde brilhava o sol . Harry avistou a a distância um edifício de mármore branco como a neve que lhe era familiar : o banco de Gringotts . Hagrid conduzira o até a a Diagon - _ Al . - ` _ tás em um péssimo estado ! - disse Hagrid bruscamente , sacudindo lhe a fuligem com tanta força que Harry quase caiu em um barril de estrume de dragão que se encontrava a a porta de um boticário . - A fugir , em a Rua * _ Bativolta * , eu não conheço esse lugar finório , Harry , não quero que ninguém te veja aqui em baixo . - Já percebi - disse Harry , baixando se quando Hagrid fez menção de o escovar melhor . - Já te disse que estava perdido . E o que é_que tu fazes aqui ? - ` _ Tou a a procura d'um repelente para as lesmas comedoras de legumes - resmungou Hagrid . - ` _ tão a destruir as couves todas de a escola . Tu não estás sozinho ? - Estou em casa de os Weasley , mas separámo nos explicou Harry . - Tenho que os encontrar . Desceram juntos a rua . - Por_que é_que nunca respondeste a as minhas cartas ? - perguntou Hagrid , enquanto Harry corria para o acompanhar ( tinha de dar três passos por cada enorme passada de Hagrid ) . Harry explicou lhe tudo sobre Dobby e os Dursleys . - Malditos_Muggles - rugiu Hagrid . - S'eu tivesse sabido ... - Harry ! Harry ! Aqui ! Harry olhou para_cima e viu Hermione_Granger em o topo de a escadaria de Gringotts . Desceu para vir a o encontro de ele , o cabelo castanho de caracóis , a esvoaçar atrás de ela . - O que aconteceu a os teus óculos ? Olá_Hagrid ... Oh , é maravilhoso ver vos outra_vez . Vens a Gringotts , Harry ? - Logo_que encontre os Weasley - respondeu ele . - Não vais ter d'esperar muito - riu se Hagrid . Harry e Hermione olharam em volta . Subindo a rua , em o meio de a multidão , vinham Ron , Fred , George , Percy e Mr._Weasley . - Harry - chamou Mr._Weasley , ofegante . - Tínhamos esperança que só tivesses ido um fogão mais longe ... - passou um pano em a sua calva reluzente . - A Molly está nervosíssima , aí vem ela . - Onde é_que tu saíste ? - perguntou o Ron . - Em a Rua * _ Bativolta * - disse o Hagrid , com um ar sério . - Sensacional ! - exclamaram Fred e George ao_mesmo_tempo . - Nunca nos deram autorização para lá ir - disse o Ron com uma pontinha de inveja . - E fizeram muito bem - grunhiu Hagrid . Mrs._Weasley chegou em aquele momento a correr , a mala a balouçar em uma de as mãos e Ginny quase pendurada em a outra . - Oh Harry , oh meu querido , podias ter ido parar a qualquer lugar ... Tentando recuperar o fôlego , tirou de a mala uma grande escova de roupa e começou a retirar a fuligem que Hagrid não conseguira expulsar . Mr._Weasley pegou em os óculos de Harry , deu lhes um toque de varinha e entregou lhe os como novos . - Bem , tenho de m'ir embora - disse Hagrid cuja mão estava a ser esmagada por Mrs._Weasley ( -- Rua * _ Bativolta * ! Se não o tivesses encontrado , Hagrid ! ) . - Vemo nos em Hogwarts . - E afastou se , os ombros e a cabeça acima de a multidão que enchia completamente a rua . - Adivinham quem eu vi em o Borgin and Burkes ? - perguntou Harry_a_Ron e a Hermione enquanto subiam as escadarias de Gringotts . - Malfoy e o pai . - O Lucius_Malfoy comprou alguma coisa ? - perguntou interessado Mr._Weasley que estava atrás de eles . - Não , estava a vender . - Então está preocupado - comentou Mr._Weasley com visível satisfação . - Ah , eu adorava apanhar o Lucius_Malfoy em alguma . . - Tem cuidado , Arthur - interrompeu Mrs._Weasley enquanto o gnomo porteiro lhes dava reverentemente entrada em o banco . - Isso é um problema de família . Não queiras ter mais olhos que barriga . - Queres dizer com isso que achas que eu não chego para o Malfoy ? - perguntou Mr._Weasley , indignado , mas foi rapidamente afastado de aqueles sentimentos a o avistar os pais de Hermione que estavam de pé , nervosamente encostados a o balcão que acompanhava a grande parede de mármore , a a espera que Hermione os apresentasse . - Mas vocês são Muggles ! - disse Mr._Weasley , encantado . - Temos de tomar uma bebida . O que é isso aí ? Ah , estão a trocar dinheiro de Muggle . Molly , olha - apontou cheio de excitação para as notas de dez libras que Mr._Granger tinha em a mão . - Encontramo nos aqui - disse Ron_a_Hermione , enquanto os Weasley e Harry eram conduzidos a os seus cofres em o subterrâneo de Gringotts . Para chegar a os cofres havia que tomar umas carrinhas conduzidas por gnomos que se deslocavam ao_longo_de carris de comboio de pequenas dimensões através de os túneis subterrâneos de o banco . Harry gostou de a viagem acidentada até a o cofre de os Weasley , mas sentiu se bastante mal , pior do_que em a Rua * _ Bativolta * , quando o cobre foi aberto . Havia lá dentro um pequenino monte de Leões de prata e apenas um Galeão de ouro . Mrs._Weasley foi com a mão a a procura em os cantos antes de , com um gesto rápido , varrer tudo para dentro de o saco . Harry sentiu se ainda pior quando chegaram a o seu cofre . Tentou evitar que vissem o conteúdo enquanto empurrava apressadamente mãos cheias de moedas para dentro_de uma sacola de cabedal . Lá fora , em as escadarias de mármore , separaram se . Percy murmurou vagamente que precisava de uma nova pena de escrever . Fred e George tinham avistado um amigo de Hogwarts , Lee_Jordan . Mrs._Weasley e Ginny iam a uma loja de mantos em segunda mão , Mr._Weasley continuava a insistir em levar os Grangers a o Caldeirão_Escoante para lhes pagar uma bebida . - Encontrarmo nos todos em a Flourish and Blotts dentro_de uma hora para comprar os vossos livros de estudo - disse Mrs._Weasley , afastando se com Ginny . - E nem um passo em direcção a a Rua * _ Bativolta * - gritou a os gémeos que estavam de costas . Harry , Ron e Hermione deambularam por a rua empedrada e sinuosa . O ouro , prata e bronze que tilintavam alegremente em o saco que Harry tinha em o bolso pareciam exigir ser gastos , por isso ele comprou três enormes gelados de morango e manteiga de amendoim que eles devoraram felizes enquanto vagueavam sem destino por a rua fora , observando as montras fantásticas de as lojas . Ron olhou longamente para um conjunto completo de mantos de o Chudley_Cannon , em as montras de o « Equipamento_de_Quidditch_de_Qualidade » até Hermione o arrastar de ali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos . Em a « Jogos_de_Feitiçaria_de_Gambol and Japes » encontraram o Fred , o George e o Lee_Jordan que estavam presos em a fabulosa partida debaixo_de chuva e em os fogos-de-artifício de o Dr._Filibuster . E em uma pequenina loja de velharias cheia de varinhas partidas , balanças instáveis de latão e mantos velhos cobertos de nódoas de poções encontraram Percy profundamente concentrado em um pequenino livro , bastante chato , chamado * _ Prefeitos que conquistam o poder * . - * _ Um estudo sobre os prefeitos de Hogwarts e as suas posteriores carreiras * - leu alto o Ron em a contracapa . - Deve ser fascinante ... - Desaparece - gritou Percy . - Claro , ele é muito ambicioso , já tem tudo planeado . Quer ser ministro de a magia - disse o Ron baixinho a o Harry e a a Hermione , enquanto deixavam Percy entregue a o livro . Uma hora mais tarde dirigiram se a a Flourish and Blotts . Não eram de modo algum os únicos a encaminhar se para a livraria . À_medida_que se aproximavam viram com grande surpresa uma grande multidão a a porta , tentando entrar em a loja . O motivo de tal confusão estava anunciado em um cartaz que se estendia a o longo de a montra superior . GILDEROY_LOCKHART_Assinará exemplares de a sua autobiografia " eu , o mágico " Hoje 12.30 - 16.30 - Vamos poder conhecê o ! - gritou Hermione . - Quero dizer , ele escreveu quase todos os livros de a nossa lista ! A multidão parecia ser maioritariamente composta por bruxas de a idade de Mrs._Weasley . Um feiticeiro bem-parecido estava de pé junto de a porta , dizendo : - Calma , minhas senhoras , não empurrem , cuidado com os livros . Harry , Ron e Hermione conseguiram furar e entrar . Uma longa fila serpenteava para as traseiras de a loja onde Gilderoy_Lockhart estava a assinar os seus livros . Cada_um de eles pegou em um exemplar de * _ ensinamentos de Uma Fada_Carpideira * e escaparam se de a fila indo ter a o lugar onde se encontravam os outros com Mr. e Mrs._Granger . - Ah , aí estão vocês . _ óptimo - disse Mrs._Weasley que parecia estar com falta de ar e não parava de mexer em o cabelo . - Vamos poder vês o dentro_de um minuto . Gilderoy_Lockhart veio lentamente até um lugar onde era visível para todos , sentou se a uma mesa , rodeado de grandes fotografias de o próprio rosto , todo ele sorrisos , mostrando a a multidão o brilho cintilante de os seus dentes . Lockhart usava uma túnica azul-noite que condizia a as mil maravilhas com a cor de os olhos , o chapéu pontiagudo de feiticeiro colocado lateralmente sobre o cabelo ondulado . Um homenzinho pequenino e irritante andava a dançar de um lado para o outro , tirando fotografias com uma grande máquina preta que lançava baforadas de fumo arroxeado em cada * flash * . - Sai de o caminho , tu aí - disse rispidamente a o Ron , mudando de lugar para ter um angulo melhor . - Este é para o * _ Profeta_Diário * . - Grande coisa ! - exclamou o Ron , esfregando os pés em o lugar que o fotógrafo pisara . Gilderoy_Lockhart ouviu o . Olhou , viu o Ron e em seguida Harry . Voltou a olhar , desta_vez com mais atenção . Em seguida , pôs se de pé e gritou : - Não pode ser , o Harry_Potter ? A multidão dividiu se entre murmúrios de excitação . Lockhart aproximou se , agarrou Harry por um braço e levou o para a frente . A multidão rebentou em aplausos . A cara de Harry ardia quando Lockhart lhe apertou a mão para o fotógrafo que disparava como um louco , lançando fumo espesso para_cima de os Weasley . - Belo sorriso , Harry - disse Lockhart através de os seus dentes brilhantes . - Tu e eu juntos merecemos a primeira página . Quando por fim lhe largou a mão , Harry quase não sentia os dedos . Tentou recuar para junto de os Weasley , mas Lockhart lançou lhe um braço por os ombros e prendeu o a o seu lado . - Minhas senhoras e meus senhores - disse bem alto , fazendo sinal para que se acalmassem . - Que momento extraordinário este ! O momento perfeito para eu anunciar algo que tenho vindo a guardar comigo desde_há algum tempo . - Quando o jovem Harry entrou em a Flourish and Blotts hoje , ele queria apenas comprar a minha autobiografia , que tenho agora o maior prazer em oferecer lhe - a multidão aplaudiu de_novo . - Ele não tinha ideia - continuou Lockhart , dando a o Harry um pequeno encontrão que fez com que os óculos lhe escorregassem para a ponta de o nariz - de que ia conseguir em_breve muito mais do_que o meu livro Eu , o mágico . Ele e os seus colegas de a escola vão receber , de facto , o verdadeiro * _ Eu , o mágico * . Sim , minhas senhoras e meus senhores , tenho o maior prazer em anunciar que em o mês_de_Setembro assumirei o lugar de professor de Defesa contra as artes negras em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts ! A multidão aplaudiu e bateu palmas e Harry deu consigo a ser presenteado com a obra completa de Gilderoy_Lockhart . Cambaleando ligeiramente sob o peso de os livros conseguiu abrir caminho para longe de os projectores até a a porta de a sala onde estava Ginny com o seu novo caldeirão . - Podes ficar com estes - murmurou Harry , enfiando os livros em o caldeirão . - Eu vou comprar os meus . - Aposto que adoraste aquilo , não adoraste , Potter ? - disse uma voz que Harry não teve qualquer dificuldade em reconhecer . Endireitou se e deu consigo frente_a_frente com Draco_Malfoy que exibia o seu habitual sorriso escarninho . - O famoso Harry_Potter - disse Malfoy . - Nem_sequer pode entrar em uma livraria sem se tornar primeira página . - Deixa o em paz , ele não queria nada de isso - defendeu a Ginny . Era a primeira vez que falava em frente de Harry . Olhava para Malfoy com um ar feroz . - Potter , arranjaste uma namorada ! - disse arrastadamente Malfoy . Ginny ficou vermelha como um pimentão enquanto Ron e Hermione tentavam abrir caminho , ambos carregando montes de livros de Lockhart . -- Ah és tu ? - disse Ron , olhando para Malfoy como_se ele fosse algo desagradável colado a a sola de o sapato . - Aposto que te surpreendeu ver o Harry aqui ? - Não tanto como a ti em uma loja , Weasley - retorquiu Malfoy . - Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo . Ron ficou tão vermelho quanto Ginny . Deixou também cair os livros em o caldeirão e avançou para Malfoy , mas Harry e Hermione agarraram o por as costas de o casaco . - Ron - disse Mrs._Weasley , aproximando se com Fred e George . - O que estás a fazer ? Isto está uma loucura aqui dentro , vamos lá para fora . - Olha quem ele é , Arthur_Weasley . - Era_Mr._Malfoy . Estava de pé com a mão sobre o ombro de Draco , com o mesmo sorriso escarninho . -- Lucius - disse Mr._Weasley , acenando friamente . -- Muito trabalho em o ministério , segundo me consta - disse Mr._Malfoy . - Todas essas buscas ... espero que te estejam a pagar horas extraordinárias . Meteu a mão em o caldeirão de a Ginny e tirou de o meio de os livros de Lockhart um exemplar muito velho e muito gasto de o * _ Guia_de_Transfiguração_para_Principiantes * . - Parece que não - disse . - Que diabo , qual a vantagem de ser uma nódoa entre os feiticeiros se nem_sequer te pagam bem por isso ? Mr._Weasley corou mais ainda do_que Ron ou Ginny . - Nós temos uma opinião diferente sobre quem são as nódoas entre os feiticeiros - disse . - É claro que ... - disse Mr._Malfoy , os olhos mortiços passando para Mr. e Mrs._Granger apreensivamente . - As companhias com quem tu andas ... e eu que pensava que já não conseguias descer mais baixo ... Ouviu se um tilintar de metal quando o caldeirão de a Ginny foi por os ares . Mr._Weasley lançara se sobre Mr._Malfoy atirando o para dentro_de uma estante . Dezenas_de livros de feitiços saltaram lá de cima , caindo lhes sobre as cabeças . Houve um grito de - Chega lhe , pai ! - de o Fred e de o George . Mrs._Weasley soltava gritos agudos : - Não_Arthur , não . A multidão recuava deitando mais prateleiras a o chão . - Meus senhores , por favor - gritava o encarregado , e então , mais alto do_que todos : - Parem com isso , gente , parem com isso . Hagrid aproximava se através_de um mar de livros . Em um segundo afastou Mr._Weasley e Mr._Malfoy . Mr._Weasley tinha um lábio cortado e Mr._Malfoy fora agredido em um olho por uma * _ Enciclopédia_de_Cogumelos_Venenosos * . Tinha ainda em a mão o livro velho de a Ginny sobre transfiguração . Atirou lhe o , com os olhos a brilhar de malvadez . - Toma o teu livro , garota . É o melhor que o teu pai pode oferecer te . Libertando se de Hagrid , conduziu Draco para fora e abandonaram a livraria . - Devias tê o ignorado , Arthur - disse Hagrid quase a pegar em Mr._Weasley a o colo enquanto lhe endireitava o manto . - São podres até a a raiz , todos eles . Tod'à gente sabe . Nenhum Malfoy vale a pena ser ouvido . Não prestam , ' tá-lhes em o sangue . Vá lá , vamos sair de aqui . O encarregado parecia querer impedis os , mas , olhando bem para Hagrid , pensou melhor . Subiram a rua , os Grangers a tremer de medo e Mrs._Weasley fora de si . - Um belo exemplo para as crianças ... andar a a pancada em público . O que terá pensado Gilderoy_Lockhart ? - Ele gostou - disse o Fred . - Não o ouviram quando ia a sair ? Estava a perguntar a aquele tipo de o Profeta_Diário se conseguia incluir a briga em a reportagem , disse que era boa publicidade . Mas foi um grupo deprimido que regressou a a lareira de o Caldeirão_Escoante onde Harry , os Weasley e todas_as suas compras iriam viajar de volta até a a Toca , usando o pó de Floo . Despediram se de os Grangers que iam sair de o * pub * por a rua de os Muggles , de o outro lado . Mr._Weasley começou a perguntar lhes como funcionavam as paragens de autocarros , mas calou se rapidamente a o ver a expressão de Mrs._Weasley . Harry tirou os óculos e guardou os cautelosamente em o bolso antes de utilizar o pó de Floo . Definitivamente não era a sua forma ideal de viajar . V_O salgueiro zurzidor O fim de as férias de Verão chegou demasiado depressa para o gosto de Harry . Ele desejara muito regressar a Hogwarts , mas aquele mês em a Toca tinha sido o mais feliz de toda_a sua vida . Era difícil não invejar o Ron quando pensava em os Dursleys e em as boas-vindas que ia receber de a próxima vez que pusesse os pés em Privet_Drive . Em a última noite , Mrs._Weasley preparou um jantar magnífico , que incluía os pratos favoritos de Harry e terminava com um pudim de melaço de fazer crescer água em a boca . Fred e George alegraram a noite com uma exibição de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que saltaram de o tecto para as paredes , durante pelo_menos meia_hora . Depois , foi a altura de tomarem uma caneca de chocolate quente e irem para a cama . Em a manhã seguinte , demoraram muito_tempo a preparar se . Levantaram se com o cantar de o galo , mas parecia lhes que ainda tinham muito para fazer . Mrs._Weasley andava de um lado para o outro , mal-humorada , a a procura de meias e penas , chocavam uns com os outros em as escadas , meio vestidos , meio despidos , com pedaços de torrada em as mãos e Mr._Weasley quase partiu o nariz quando tropeçou em uma galinha a o atravessar o pátio , para meter em o carro a mala de Ginny . Harry não percebia lá muito bem_como é_que oito pessoas , seis grandes malas , duas corujas e um rato , iam caber em um pequeno * _ Ford_Anglia * , isso , claro , antes de as artes mágicas que Mr._Weasley acrescentara . - Nem uma palavra a a Molly - murmurou ele a o Harry , enquanto abria a bagageira e lhe mostrava como ela se expandira para que as malas coubessem facilmente . Quando , por fim , se acomodaram todos em o carro , Mrs._Weasley olhou para o banco de trás , onde Harry , Ron , Fred , George e Percy estavam confortavelmente sentados uns a o lado de os outros e disse : - Os Muggles têm mais conhecimentos do_que aqueles que nós lhes atribuímos , não achas ? - Ela e a Ginny entraram para o lugar de a frente , que fora esticado e parecia um banco de jardim . - Quer_dizer , de_fora ninguém diria que este carro era espaçoso , não acham ? Mr._Weasley pôs o motor a funcionar e saíram de o pátio , Harry voltando se para trás para ver por a última vez a casa . Mal teve tempo de se questionar se iria voltar alguma vez e já estavam de volta : George esquecera se de a caixa de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Cinco minutos mais tarde tiveram de interromper de_novo a viagem e voltar a o pátio para o Fred ir a correr buscar a vassoura . Estavam quase a chegar a a auto-estrada , quando Ginny guinchou que se esquecera de o diário . Mas estava a fazer se muito tarde e os ânimos começavam a exaltar se . Mr._Weasley olhou para o relógio e , em seguida , para a mulher . - Molly , querida ... - Não , Arthur . - Ninguém ia ver . Este botãozinho é um transformador de invisibilidade que eu instalei , levava nos por o ar , subíamos acima de as nuvens . Estaríamos lá em dez minutos e ninguém daria por nada ... - Eu disse que não , Arthur . Durante o dia , não . Chegaram a King's_Cross , faltava um quarto para as onze . Mr._Weasley precipitou se em busca de um carrinho de transporte para as malas e correram todos para a estação . Harry apanhara o Expresso_de_Hogwarts em o ano anterior . A parte mais difícil era entrar em a plataforma nove_e_três quartos , que não era visível a os olhos de os Muggles . Era preciso avançar para a barreira sólida que dividia as plataformas nove e dez . Não doía nada , mas tinha de ser feito com cuidado para que nenhum de os Muggles de esse , por o desaparecimento . - O Percy em primeiro lugar - declarou Mrs._Weasley , olhando nervosamente para o relógio lá em cima , que mostrava que tinham apenas cinco minutos para desaparecer através de a barreira . Percy avançou a passos largos e desapareceu . Mr._Weasley foi a seguir e depois de ele Fred e George . - Eu levo a Ginny e vocês vêm atrás_de nós - disse Mrs._Weasley a o Harry e a o Ron , agarrando Ginny pela mão e seguindo em frente . Em um abrir e fechar de olhos , tinham passado . - Vamos passar juntos , só temos um minuto - disse Ron a o Harry . Harry assegurou se de que a gaiola de a Hedwig estava bem fixa em cima de a sua mala e empurrou o carrinho de encontro a a barreira . Estava perfeitamente confiante , aquilo era muito mais fácil do_que usar o pó de Floo . Puseram os dois as mãos em o puxador de os carrinhos e avançaram direitos a a barreira , ganhando velocidade . A um metro e pouco , começaram a correr e ... CRASH . Os dois carros bateram em a barreira e foram impelidos para trás . A mala de o Ron caiu com um enorme estrépito . Harry desequilibrou se e a gaiola de a Hedwig foi parar a o chão brilhante , enquanto ela rolava guinchando , indignada . As pessoas em volta olhavam fixamente e um guarda que estava ali perto gritou : - Que diabo pensam vocês que estão a fazer ? - Perdemos o controlo de o carro de transporte - respondeu o Harry , respirando com dificuldade , agarrando se a as costelas , enquanto se punha de pé . Ron correu a agarrar a Hedwig , que estava a fazer uma cena tal , que já se ouviam murmúrios em a multidão sobre a crueldade para com os animais . - Porque é_que não conseguimos passar ? - perguntou Harry a o Ron em um sussurro . - Não sei . Ron olhou descontroladamente em volta . Uma_dúzia de curiosos estavam ainda a observá os . - Vamos perder o comboio - murmurou o Ron . - Não compreendo porque motivo a cancela se fechou . Harry olhou para o relógio gigantesco com um sentimento de náusea em a boca de o estômago . Dez segundos , nove segundos ... Dirigiu o carrinho de transporte para a frente com toda_a força . O metal manteve se sólido . Três segundos ... dois segundos ... um segundo ... - Partiu - afirmou o Ron , que parecia estonteado . - O comboio foi se embora . E se a mãe e o pai não conseguem voltar para aqui ? Tens algum dinheiro de Muggle ? Harry deu uma gargalhada . - Os Dursleys não me dão um tostão há mais de seis anos ! Ron encostou o ouvido a a barreira . - Não se ouve nada - disse , bastante tenso . - O que vamos nós fazer ? Não sei quanto tempo o pai e a mãe vão demorar . Olharam em volta . As pessoas ainda estavam a observá os , principalmente devido a os contínuos guinchos de a Hedwig . - Acho que o melhor é sairmos de aqui e esperamos por eles junto de o carro - disse Harry . - Aqui estamos a atrair demasiado as aten ... - Harry - disse o Ron , com os olhos a brilhar . - É isso , o carro . - O que é_que tem ? - Podemos voar nele até Hogwarts ! - Mas eu pensei ... - Estamos em apuros , certo ? E temos de chegar a a escola , ou não ? E mesmo os feiticeiros menores de idade estão autorizados a usar a magia em uma emergência real , parágrafo dezanove , ou não sei quê , de a Restrição de ... O sentimento de pânico de Harry transformou se em entusiasmo . - E tu sabes voar nele ? - Não há problema - disse o Ron , andando com o carrinho a a volta e dirigindo se para a saída . - Anda de aí . Se em os apressarmos , conseguiremos sair atrás de o Expresso_de_Hogwarts . E afastaram se de o grupo de Muggles curiosos , abandonando a estação e voltando a a rua , onde o velho * _ Ford_Anglia * se encontrava estacionado . Ron abriu a bagageira com uma série de toques de varinha . Meteram lá dentro as malas , puseram a Hedwig em o assento de trás e entraram para a frente . - Verifica se ninguém está a ver - disse o Ron , ligando a ignição com outro toque de varinha . Harry pôs a cabeça fora de a janela : o trânsito enchia a avenida principal , mas a rua de eles estava vazia . - O. _ K. - disse . Ron carregou em um pequeno botão de o painel . Os carros em volta desapareceram assim_como eles . Harry sentia o assento a vibrar debaixo_de si , ouvia o motor , sentia as mãos sobre os joelhos e os óculos em o nariz , mas , tanto quanto conseguia ver , tornara se um par de olhos redondos flutuando um metro e pouco acima de o chão em uma rua suja , cheia de carros estacionados . - Vamos - disse a voz de o Ron , vinda de o seu lado direito . O chão e os prédios escuros de ambos os lados desapareceram de o seu ângulo de visão , mal o carro se elevou . Em poucos segundos toda_a cidade de Londres , enevoada e resplandecente , estava por baixo de eles . Em seguida , ouviu se um ruído que parecia o saltar de uma rolha e o carro , Harry e Ron , reapareceram . - Oh , oh - disse Ron , batendo em o intensificador de invisibilidade . - Está avariado ... Começaram os dois a bater em o botão . O carro desapareceu . Depois surgiu de forma intermitente . - Aguenta aí - gritou o Ron e carregou com o pé em o acelerador . Saltaram direitinhos para o meio de as nuvens mais baixas e tudo ficou sujo e enevoado . - E agora ? - exclamou Harry , piscando os olhos a a sólida massa de nuvens que os comprimia de todos os lados . - Precisamos de avistar o comboio para sabermos qual a direcção a tomar - explicou o Ron . - Desce rapidamente ... Desceram por o meio de as nuvens e voltaram se em os lugares , espreitando . - Estou a vê o - gritou Harry . - Mesmo em frente , ali . O Expresso_de_Hogwarts deslocava se a grande velocidade lá em baixo , como uma serpente vermelha . - Para Norte - disse o Ron , verificando a bússola de o painel . - O. _ k . , basta que verifiquemos de meia em meia_hora . Aguenta aí ... - e arrancaram por o meio de as nuvens . Em o minuto seguinte , tinham chegado a a luz brilhante de o Sol . Era um mundo diferente . Os pneus de o carro deslizavam sobre o mar de nuvens macias , o céu era de um azul infinito sob a luz , capaz de cegar , que irradiava de o Sol . - Agora só temos de nos preocupar com os aviões - disse o Ron . Olharam um para o outro e desataram a rir . Durante muito_tempo não conseguiram parar . Era como_se tivessem mergulhado em um sonho fabuloso . Aquela , pensou Harry , era certamente a única maneira de viajar : passando por turbilhões e torres de nuvens cor de neve , em um carro cheio de calor , o sol radioso , com um grande pacote de rebuçados em o porta-luvas e antegozando o ar de inveja de o Fred e de o George quando aterrassem suavemente e de forma espectacular em o relvado macio em frente de o castelo de Hogwarts . Espreitaram várias vezes o comboio enquanto voavam cada_vez_mais para norte . Cada descida entre as nuvens dava lhes uma perspectiva diferente . Londres depressa ficou para trás , substituída por campos verdejantes que , por sua vez , deram lugar a grandes pântanos arroxeados , aldeias com pequenas igrejas de brinquedo e uma grande cidade , cheia de vida , com carros que pareciam formigas multicores . Várias horas mais tarde sem acontecer nada de_novo , Harry teve de admitir que uma parte de o entusiasmo se esgotara . Os rebuçados tinham nos deixado cheios de sede e não havia nada para beber . Ele e o Ron tinham tirado as camisolas , mas a * _ T-shirt * de o Harry estava colada a as costas de o assento e os óculos não paravam de lhe escorregar para a ponta de o nariz . Deixara de reparar em as fabulosas formas de as nuvens e pensava com saudade em o comboio , milhas abaixo de eles , onde se podia comprar sumo fresquinho de abóboras em um carro empurrado por uma bruxa gordinha . Porque não teriam conseguido entrar em a plataforma nove_e_três quartos ? - Não pode ser muito mais longe , pois não ? - resmungou o Ron , horas mais tarde quando o Sol começava a enfiar se em o seu chão de nuvens , pintando as de um rosa profundo . - Estás pronto para outra espreitadela a o comboio ? Ainda ia mesmo por baixo de eles , abrindo caminho por_entre uma montanha com o topo coberto de neve . Estava muito mais escuro entre o dossel de nuvens . Ron pôs o pé em o acelerador e levou os de_novo para_cima , mas em esse momento o motor começou a chiar . Harry e Ron trocaram entre si olhares nervosos . - Deve estar só cansado - disse o Ron . - Nunca tinha vindo tão longe ... - E fingiram ambos que não davam por o gemido que se ia tornando maior à_medida_que o céu serenamente escurecia . As estrelas desabrochavam em a escuridão , Harry voltou a enfiar a camisola de lã , tentando ignorar os limpa pára-brisas que acenavam debilmente como_que a protestar . - Não devemos estar longe - disse Ron , dirigindo se mais a o carro do_que a o amigo . - Já não devemos estar longe - deu umas palmadinhas nervosas em o * tablier * . Pouco depois , quando voltaram a voar em o meio de as nuvens , tiveram de olhar de lado em a escuridão , em busca de um ponto de referência que conhecessem . - Ali - gritou Harry , fazendo o Ron e a Hedwig darem um salto . - Mesmo em frente . Recortados em o horizonte negro , sobre o rochedo de o outro lado de o lago , erguiam se as torres e torreões de o castelo de Hogwarts . Mas o carro tinha começado a estremecer e perdia a os poucos velocidade . - Vá lá - disse o Ron , dando a o volante um pequeno abanão bajulador . - Estamos quase a chegar , vá lá ... O motor gemeu . Pequenos jactos de vapor de água brotaram de o capo . Harry deu consigo agarrado com toda_a força a os bordos de o assento enquanto voavam direitos a o lago . O carro deu um solavanco feio . Espreitando por a janela , Harry viu a superfície negra , macia e espelhada de a água cerca de uma milha abaixo de eles . Os dedos de o Ron agarrados a o volante tinham as articulações brancas . O carro deu um novo esticão . - Vá lá - murmurou o Ron . Estavam sobre o lago ... o castelo ficava mesmo em frente . Ron fez força com o pé . Houve um ruído surdo , uma crepitação e o motor morreu por completo . - Oh ! oh ! - gemeu Ron em o silêncio . O nariz de o carro voltou se para baixo . Estavam a cair , ganhando velocidade em direcção a os muros sólidos de o castelo . - Naaaaão ! - gritou o Ron , girando o volante . Escaparam a a muralha de pedra negra por centímetros , quando o carro fez um grande arco , planando primeiro sobre as estufas , depois sobre o rectângulo plantado com vegetais e , por fim , sobre os relvados , perdendo sempre velocidade . Ron largou o volante por completo e tirou a varinha de o bolso de trás . - __ pára ! __ pára ! - gritou , batendo em o * tablier * e em o pára-brisas , mas eles continuavam a mergulhar , o chão a voar em direcção a eles . - : __ cuidado com essa __ árvore ! ! ! - bramiu Harry , deitando a mão a o volante , mas ... tarde de mais ... CRUNCH . Com um ruído ensurdecedor de metal e madeira , bateram em o tronco espesso de a árvore e caíram em o chão com um forte solavanco . O vapor era um mar debaixo de o capo amachucado . A Hedwig tremia apavorada . Em a cabeça de Harry surgira um alto de o tamanho de uma bola de golfe , quando ele batera em o pára-brisas , tombando em seguida para a direita . Ron soltou um gemido longo e desesperado . - Estás O. _ K ? - perguntou Harry , aflito . - A minha varinha - disse o Ron em uma voz trémula . - Olha para a minha varinha . Tinha se partido praticamente em duas , a ponta balouçava mole , presa por meia_dúzia de esquírolas . Harry abriu a boca para dizer que em a escola com certeza conseguiriam consertá a , mas nem chegou a começar a frase . Em esse preciso momento , algo bateu em o seu lado de o carro , com a força de um touro , projectando o para_cima de o Ron , ao_mesmo_tempo que um golpe igualmente forte se sentiu em o capô . - O que está a acontec ... Ron arfou , olhando fixamente por o pára-brisas e Harry olhou em volta , mesmo a_tempo_de ver uma ramada espessa como uma píton vir contra o vidro . A árvore em que tinham batido estava a atacá os . O tronco dobrara se quase a meio e os seus galhos rugosos davam uma tareia a cada centímetro de o carro que conseguiam atingir . - Ah ! - praguejou o Ron , quando outra pernada retorcida esmurrou a sua porta , amolgando a . O pára-brisas tremia agora sob uma saraivada de golpes vindos de galhos que pareciam patas de animais e uma ramada espessa como um aríete esmagava furiosamente o capo , que parecia estar a ceder ... - Corre ! - gritou o Ron , lançando o seu peso contra a porta , mas , em o momento seguinte , tinha sido atirado para trás , para o colo de Harry por um soco maldoso , dado de baixo para_cima , por outro ramo . - Estamos feitos ! - resmungou , enquanto o tecto descaía . Mas , de repente , o chão de o carro estava a vibrar , o motor pegara . - Marcha atrás - gritou o Harry e o carro deu um salto para trás . A árvore tentava ainda agredis os , ouviam as raízes chiar , enquanto quase se partiam esticando se para os alcançar . - Escapámos por_pouco ! - exclamou o Ron . - Muito bem , carro . Mas o carro tinha atingido o limite de as suas forças . Com dois estalidos , as portas abriram se e Harry sentiu o seu assento inclinar se para o lado . Quando deu por si , estava estatelado em o chão húmido . Ruídos surdos avisaram o de que o carro estava a ejectar as malas de a bagageira . A gaiola de a Hedwig voou por os ares e abriu se . Ela saiu a voar com um pio furioso e dirigiu se a o castelo , sem sequer olhar para trás . Em seguida , o carro , amolgado , arranhado e a fumegar , arrancou em o escuro , com os faróis traseiros ardendo de fúria . - Volta aqui ! - gritou o Ron , brandindo a varinha partida . - O meu pai mata me . Mas o carro desapareceu a perder de vista , com um último estoiro de o tubo de escape . - Já viste bem o nosso azar ! ? - exclamou o Ron em o meio de a sua infelicidade , baixando se para apanhar o rato Scabbers . - De todas_as árvores em que podíamos ter batido , tínhamos de ir dar a uma que bate também . Olhou por cima de o ombro para a velha árvore que ainda agitava os ramos ameaçadoramente . - Vamos - disse Harry , fatigado . - É melhor irmos andando para a escola ... Não foi , de modo algum , a chegada triunfal que tinham imaginado . Constrangidos , cheios de frio e magoados , pegaram em as malas e começaram a arrastá as por o relvado acima , em direcção a as grandes portadas de carvalho . - Acho que o banquete já começou - disse o Ron , largando a mala em os degraus de a entrada e atravessando devagarinho para espreitar por uma janela iluminada . - Harry , anda ver , é a distribuição . Harry apressou se e os dois , ele e o Ron , espreitaram para o Salão_Nobre . Um número infindável de velas pairava em o ar , sobre quatro mesas enormes cheias de gente , fazendo brilhar os pratos dourados e as taças . Em cima , o tecto encantado que espelhava o céu lá de_fora , brilhava cheio de estrelas . Por_entre a floresta de chapéus pretos pontiagudos de Hogwarts , Harry viu uma longa fila de alunos de o primeiro ano com olhares assustados que enchia o vestíbulo . Ginny estava entre eles , facilmente reconhecível devido a o seu chamativo cabelo Weasley . Enquanto isso , a professora Mc_Gonagall , uma bruxa de óculos com cabelo castanho apanhado em um carrapito , colocava o famoso chapéu seleccionador em um banco que se encontrava em frente de os novos alunos . Todos os anos , aquele velho chapéu , remendado , puído e cheio de pó , seleccionava alunos para as quatro equipas de Hogwarts ( Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin ) . Harry lembrava se bem de o ter colocado em a cabeça , precisamente um ano antes , e ter esperado petrificado por a sua decisão , enquanto ele lhe murmurava a o ouvido . Durante alguns horríveis segundos receara que o chapéu o mandasse para os Slytherin , a equipa que produzia maior número de feiticeiros e feiticeiras de magia negra , mas acabara por ficar em os Gryffindor , juntamente com Ron e Hermione e o resto de os Weasley . Em o último período , Harry e Ron tinham ajudado os Gryffindor a vencer o campeonato de a equipa , batendo os Slytherin pela_primeira_vez em sete anos . Um rapazito baixinho com cabelo de rato acabava de ser chamado para pôr o chapéu em a cabeça . Os olhos de Harry saltavam de ele para o lugar onde o professor Dumbledore , o director , estava sentado , observando a selecção de a mesa de os professores , com a sua longa barba cor de prata e óculos de meia-lua que brilhavam a a luz de as velas . Alguns lugares a a frente , Harry viu Gilderoy_Lockhart com um manto verde-azulado . E lá bem a o fundo estava Hagrid , enorme e cabeludo , bebendo satisfeito de a sua taça . - Espera aí - murmurou a o Ron . - Há um lugar vazio em a mesa de os professores . Onde estará o Snape ? Severus_Snape era o professor de quem Harry menos gostava . Harry era também o seu aluno menos querido . Cruel , sarcástico e detestado por todos com excepção de os alunos de a sua própria equipa ( Slytherin ) , Snape tinha a seu cargo a cadeira de Poções . - Talvez esteja doente - sugeriu Ron , cheio de esperança . - Talvez se tenha ido embora - lembrou Harry . - Por não lhe terem dado outra_vez a Defesa contra as artes negras . - Ou talvez tenha sido corrido - propôs Ron com entusiasmo . - Afinal , toda_a_gente o detesta ... - Ou talvez - disse uma voz gelada atrás de eles - esteja a a espera que vocês lhe expliquem por_que motivo não vieram em o comboio de a escola . Harry deu uma volta . Em a sua frente , com o manto negro a ondular em uma brisa fria , estava Severus_Snape . O professor era um homem magro , de pele descorada , nariz adunco e um cabelo preto oleoso que lhe caía sobre os ombros . E em aquele momento sorria de um modo tal que Harry sentiu que tanto ele como Ron estavam em sérios apuros . - Sigam me - disse Snape . Sem ousarem sequer olhar um para o outro , Harry e Ron seguiram Snape por as escadas até a o amplo * hall * de entrada que estava iluminado por as chamas de os archotes . De o salão nobre vinha um cheirinho delicioso a comida , mas Snape levou os para longe de a luz e de o calor , em direcção a uma escada estreita de pedra que conduzia a os calabouços . - Entrem - ordenou , abrindo uma porta a meio de o corredor e apontando . Entraram a tremer em o escritório de Snape . As paredes sombrias estavam cobertas de prateleiras cheias de jarros de vidro grosso onde flutuavam as coisas mais diversas e repugnantes , cujo nome Harry não queria de momento conhecer . A lareira estava escura e vazia . Snape fechou a porta e voltou se de frente para eles . - Com que então - disse com falsa suavidade - o comboio não serve para o famoso Harry_Potter e o seu fiel companheiro Weasley . Queriam chegar em grande estilo , não era rapazes ? - Não senhor , foi a barreira em King's_Cross , ela ... - Silêncio - disse Snape friamente . -- _ o que fizeram a o carro ? Ron engoliu em seco . Aquela não era a primeira vez que Snape dava a Harry a impressão de ser capaz de ler pensamentos . Mas , pouco depois , compreendeu tudo quando Snape desenrolou o exemplar de o Profeta_Vespertino . - Vocês foram vistos - afirmou , mostrando lhes o cabeçalho : : __ ford anglia voador confunde __ muggles . Começou a ler alto a notícia . - Dois Muggles em Londres convenceram se de que tinham visto um carro velho a voar sobre a torre de os correios ... a a tardinha em Norfolk , Mrs._Hetty_Bayliss , enquanto pendurava a roupa ... Mr._Angus_Fleet_de_Peebles informou a polícia ... seis ou sete Muggles a o todo . Julgo que o teu pai trabalha em o departamento de mau uso dado a os objectos de os Muggles ? - disse olhando para Ron e sorrindo de uma forma ainda mais sarcástica . - Que peninha , o próprio filho ... Harry sentiu se como_se tivesse levado um soco em o estômago de uma de as maiores pernadas de a árvore louca . E se alguém descobrisse que Mr._Weasley tinha enfeitiçado o carro ? Ele ainda nem tinha pensado em isso . - Reparei durante a minha volta por o jardim que foi feito um estrago considerável em um salgueiro zurzidor extremamente valioso - continuou Snape . - Essa árvore fez nos pior a nós do_que nós ... - deixou escapar Ron . - Silêncio - interrompeu Snape , de_novo . - Infelizmente vocês não fazem parte de a minha equipa e a decisão de vos expulsar não está em as minhas mãos . Vou , por isso , buscar as pessoas que possuem essa feliz possibilidade . Esperem aqui . Harry e Ron olharam , pálidos , um para o outro . Harry perdera a fome . Sentia se agora extremamente agoniado . Tentava não olhar para uma coisa viscosa , suspensa em um líquido verde que estava em uma prateleira por detrás de a secretária de Snape . Se ele fora buscar a professora Mc_Gonagall , chefe de a equipa de os Gryffindor , não estavam muito melhor . Ela era mais justa do_que Snape , mas extremamente severa . Dez minutos mais tarde , Snape voltou e era , de facto , a professora Mc_Gonagall quem o acompanhava . Harry vira a professora Mc_Gonagall zangada , mas , ou se tinha esquecido de como a boca de ela ficava fina , ou nunca a vira tão zangada como em aquele dia . Levantou a varinha em o momento em que entrou . Harry e Ron estremeceram , mas ela limitou se a apontá a para a lareira onde as chamas se elevaram subitamente . - Sentem se - ordenou , e os dois recuaram para as cadeiras junto de o lume . - Expliquem se - disse com os óculos a brilhar de uma forma ameaçadora . Ron enveredou por a história começando por a barreira de a estação que se recusara a deixá os passar . - Por isso não tínhamos escolha , professora , não podíamos chegar a o comboio . - Porque não nos mandaram uma carta por a coruja ? Julgo que tens uma coruja ? - disse friamente a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a Harry . Harry olhou para ela sem saber o que dizer . - Parece me - continuou ela - que seria a coisa mais adequada . - Eu ... não pensei ... - Isso - disse a professora Mc_Gonagall - é bastante óbvio . Ouviu se bater a a porta de o escritório e Snape , que parecia agora mais feliz do_que nunca , foi abrir . Era o director , o professor Dumbledore . Harry ficou totalmente paralisado . Dumbledore tinha uma expressão grave . Olhou para eles de cima de o seu nariz adunco e Harry desejou estar ainda com Ron a levar uma sova de o salgueiro zurzidor . Fez se um longo silêncio . Em seguida , Dumbledore disse lhes : - Por favor , expliquem porque fizeram isto . Teria sido melhor se gritasse . Harry detestou sentir a decepção em a sua voz . Inexplicavelmente era incapaz de olhar Dumbledore em os olhos e falou em direcção a os seus joelhos . Disse lhe tudo excepto que o carro enfeitiçado pertencia a Mr._Weasley , dando a ideia de que ele e o Ron o tinham encontrado estacionado fora de a estação . Sabia que Dumbledore ia ver para_além de isso , mas o director não fez perguntas sobre o carro . Quando Harry terminou continuou a olhar para ele através de os seus óculos . - Nós vamos buscar as nossas coisas - disse Ron em um tom de voz sem esperança . - Que disparate é esse ? - rosnou a professora Mc_Gonagall . -- Então , vão expulsar nos , não vão ? - disse o Ron . Harry olhou rapidamente para Dumbledore . - Ainda não , Mr._Weasley - afirmou Dumbledore . - Mas vou assinalar a gravidade do_que vocês fizeram . Hoje a a noite escreverei a as vossas famílias . Estão também prevenidos que se voltarem a fazer uma coisa como esta não terei outro remédio senão expulsar vos . A expressão de Snape era como_se o Natal tivesse sido cancelado . Pigarreou e disse : - Professor_Dumbledore , estes rapazes infringiram o decreto para a restrição de a feitiçaria de os menores , causaram estragos consideráveis a uma árvore antiga e valiosa ... sem dúvida , actos de esta natureza ... - Cabe a a professora Mc_Gonagall decidir sobre os castigos de os rapazes , Severus - afirmou Dumbledore com toda_a calma . - Pertencem a a equipa de ela e são , portanto , de a sua responsabilidade . - Voltou se para a professora Mc_Gonagall . - Tenho de regressar a o banquete , Minerva , devo dar algumas informações . Venha Severus , há uma tarte de leite e ovos com um aspecto delicioso que quero mostrar lhe . Snape lançou um olhar de puro veneno a o Harry e a o Ron enquanto permitia que o afastassem de o seu escritório , deixando os a sós com a professora Mc_Gonagall que ainda os olhava como uma águia em fúria . - É melhor ires até a a ala hospitalar , Weasley , estás a sangrar . - Não é nada - disse Ron , limpando o corte com a manga para que ela o visse . - Professora , eu gostava de ver a minha irmã ser seleccionada . - A cerimónia de a selecção terminou - disse a professora Mc_Gonagall . - A tua irmã está também em os Gryffindor . - _ óptimo - exclamou Ron . - E por falar em os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall de forma cortante , mas Harry interrompeu a : - Professora , quando tirámos o carro , o ano escolar ainda não tinha começado , por isso os Gryffindor não deveriam perder pontos , pois não ? - terminou olhando a ansiosamente . A professora Mc_Gonagall lançou lhe um olhar penetrante , mas ele era capaz de jurar que ela quase tinha sorrido . Pelo_menos a boca não parecia tão fina . - Não vou tirar pontos a os Gryffindor - tranquilizou o . E o coração de Harry ficou mais leve . - Mas vocês os dois vão ter um castigo . Foi melhor do_que Harry imaginara . O facto de Dumbledore escrever a os Dursley não tinha a menor importância . Harry sabia perfeitamente que eles só lamentariam que o salgueiro zurzidor não o tivesse esmigalhado . A professora Mc_Gonagall ergueu a varinha de_novo apontou a a a secretária de Snape . Um grande prato de sanduíches , duas taças de prata e um jarro com sumo de abóbora gelado apareceram em menos_de um segundo . - Vocês vão comer aqui e , em seguida , vão direitinhos para o vosso dormitório - disse . - Eu também tenho de voltar para a festa . Mal a porta se fechou atrás de ela , Ron soltou baixinho um assobio . - Pensei que estávamos feitos - confessou , agarrando uma sanduíche . - Também eu - disse o Harry , orando também uma . - Mas já viste bem a nossa pouca sorte ? - insistiu o Ron com a boca cheia de frango e fiambre . - O Fred e o George voaram em aquele carro cinco ou seis vezes e nenhum Muggle os viu - engoliu outro pedaço enorme de a sanduíche . - Porque será que não conseguimos passar a barreira ? Harry encolheu os ombros . - Mas temos de ter muito cuidado a_partir_de agora - disse bebendo um grande trago de sumo de abóbora . - Que pena não termos podido ir a o banquete . - Ela não quis que nos exibíssemos - afirmou Ron com prudência . - Não vão as pessoas pensar que é uma boa chegar aqui de carro voador . Quando já tinham comido todas_as sanduíches que queriam ( o prato ia voltando a encher se sozinho ) , levantaram se e saíram de o escritório , seguindo o caminho que lhes era familiar , para a torre de os Gryffindor . O castelo estava em silêncio . Parecia que o banquete tinha acabado . Passaram por retratos murmurantes e armaduras que gemiam e subiram os degraus estreitos de pedra até que , por fim , chegaram a a passagem onde a entrada secreta para a torre de os Gryffindor se encontrava oculta por detrás de o quadro a óleo de uma dama gorda em um vestido cor-de-rosa . - A senha ? - perguntou ela mal os dois se aproximaram . - Er ... Eles ainda não tinham estado com o prefeito de os Gryffindor e por isso ainda não conheciam a senha para o novo ano , mas a ajuda não se fez esperar . Ouviram passos apressados atrás de eles e quando se voltaram viram Hermione que se aproximava . - Aí estão vocês . Onde é_que se meteram ? Correm os boatos mais ridículos , alguém disse que vocês tinham sido expulsos por espatifarem um carro voador . - Bem , expulsos não fomos - tranquilizou a Harry . - Não estás a dizer me que voaram até aqui ? - perguntou Hermione em um tom quase tão severo como a professora Mc_Gonagall . - Dispensa se o sermão - interrompeu Ron impacientemente . - E diz nos a nova senha de passagem . - É crista de pássaro - disse Hermione não contendo a impaciência . - Mas o mais importante não é isso ... Contudo as palavras de ela foram interrompidas ao_mesmo_tempo que o retrato de a dama gorda se abria e se ouvia uma tempestade de aplausos . A o que parecia a equipa de os Gryffindor estava ainda acordada , dentro de a sala comum em forma de círculo , junto de as mesas assimétricas e de os cadeirões moles a a espera que eles chegassem para , de braços estendidos através de o buraco de o retrato , puxarem Harry e Ron para dentro deixando Hermione para o fim . - Sensacional - gritou Lee_Jordan . - Inspirado ! Que entrada ! Voar em um carro e aterrar em o salgueiro zurzidor . Toda_a_gente vai falar de isto durante anos e anos . - Muito bem - disse um aluno de o quinto ano com quem Harry nunca tinha falado . Alguém dava lhe palmadas em as costas como_se ele acabasse de vencer a maratona . Fred e George abriram caminho por_entre a multidão e disseram ao_mesmo_tempo : - Por_que é_que não nos chamaram , hein ? - Ron estava vermelho como um pimentão , sorrindo envergonhado , mas Harry via perfeitamente uma pessoa que não estava nada contente . Percy elevava se acima de as cabeças de os excitados alunos de o primeiro ano e parecia estar a tentar aproximar se para os repreender . Harry deu uma cotovelada a o Ron e apontou em direcção a Percy . Ron percebeu de imediato . - Temos de ir para_cima , um_pouco cansados ! - explicou e os dois começaram a abrir caminho em direcção a a porta que ficava de o outro lado de a sala e que dava para a escada em espiral e para os dormitórios . - ` _ Noite - despediu se Harry_de_Hermione que tinha um ar tão carrancudo como Percy . Conseguiram chegar a o outro lado de a sala comum sempre a levarem palmadas em as costas e alcançaram o sossego de as escadas . Apressaram se a subir e , por fim , chegaram a a porta de o dormitório que tinha agora um letreiro a dizer « Segundos_Anos » . Entraram em o quarto circular , que conheciam tão bem , com as suas cinco camas de dossel adornadas de velado vermelho e as suas janelas altas e estreitas . As malas tinham sido trazidas para_cima e colocadas a os pés de as camas . Ron fez um sorriso culpado . - Sei que não devia ter gostado de aquilo , mas ... A porta de o dormitório abriu se e os outros rapazes de os Gryffindor entraram ; eram eles o Seamus_Finnigan , o Dean_Thomas e o Neville_Loogbottom . - Inacreditável - aplaudiu Seamus . - Incrível - aprovou o Dean . - Espantoso - exclamou o Neville , aterrado . Harry não pôde evitar também um sorriso . VI_Gilderoy_Lockhart_No dia seguinte , contudo , Harry não conseguiu sorrir . As coisas começaram a correr mal logo em o salão durante o pequeno-almoço . Debaixo de o tecto encantado ( em aquele dia triste e cinzento ) estavam as quatro grandes mesas de as equipas e sobre elas , terrinas de papa de aveia , pratos de arenque defumado , montanhas de torradas e pratadas de ovos com * bacon * . Harry e Ron sentaram se em a mesa de os Gryffindor , junto de Hermione que tinha o seu exemplar de * _ Viagens com Vampiros * totalmente aberto , encostado a um jarro de leite . Havia uma certa rigidez em a maneira como ela disse : - ` _ Dia - que mostrou a Harry que continuava a desaprovar o modo como tinham chegado a a escola . Por seu turno , Neville_Longbottom saudou os entusiasticamente . Neville era um rapazinho de cara redonda , muito dado a acidentes , com a pior memória que Harry tinha conhecido . - A entrega de correio deve estar a chegar , acho que a minha avó me vai mandar umas quantas coisas de que me esqueci ... Harry tinha começado a comer as papas de aveia , quando se ouviu um ruído tumultuoso em o ar e umas cem corujas entraram ao_mesmo_tempo , sobrevoando o salão e deixando cair cartas e pacotes em o meio de a multidão faladora . Um embrulho grande e rugoso caiu em a cabeça de Neville e , um segundo depois , uma coisa larga e cinzenta caiu em o jarro de a Hermione , enchendo os a todos de leite e penas . - Errol - gritou o Ron , puxando a coruja esfarrapada por as patas . Errol caíra inconsciente sobre a mesa com as pernas para o ar e um envelope vermelho húmido em o bico . - Oh , não ! - sobressaltou se Ron . - Ela está bem , ainda está viva - tranquilizou o Hermione , tocando suavemente em a Errol com a ponta de o dedo . - Não é isso , é ... aquilo . Ron apontava para o envelope vermelho . Parecera perfeitamente vulgar a Harry , mas Ron e Neville estavam ambos a observá o como_se esperassem que explodisse . - Qual é o problema ? - perguntou Harry . - Ela . Ela mandou me um * gritador * - disse Ron , quase sem voz . - É melhor abrires - aconselhou Neville em um murmúrio tímido - senão é pior . A minha avó uma_vez mandou me um que eu ignorei e ... - engoliu em seco - foi horrível . Harry olhava , ora para as suas caras , ora para o envelope vermelho . - O que é um * gritador * ? - perguntou . - Mas toda_a atenção de o Ron estava fixa em a carta que começara a fumegar por os cantos . - Abre a - intimou o Neville . - De aqui a poucos minutos já passou tudo . Ron estendeu uma mão trémula , retirou o envelope de o bico de a Errol e começou a abri o . Neville pôs os dedos em os ouvidos . Após uma fracção de segundo , Harry compreendeu porquê . Pensou em o primeiro momento que ela explodira . Um ruído ensurdecedor encheu o enorme salão , fazendo cair pó de o tecto . - ... : __ roubar o carro ! não me surpreendia nada se te expulsassem . espera só até te pôr as mãos em cima . será que não paraste para pensar em a nossa aflição quando vimos que o carro tinha __ desaparecido ... Os gritos de Mrs._Weasley , ampliados cem vezes em relação a o seu normal , fizeram os pratos e as colheres chocalhar em a mesa e ecoaram de forma ensurdecedora em as paredes de pedra . Vinha gente de todos os lados espreitar quem tinha recebido o * gritador * e Ron afundou se tanto em a cadeira que só se lhe via a testa carmesim . - ... : __ uma carta de o dumbledore ontem a a noite , o teu pai quase morria de vergonha . não foi esta a educação que te demos , tu e o harry podiam ter __ morrido ... Harry estava a ver quando é_que o seu nome viria a a baila . Tentou o melhor que pôde agir como_se não ouvisse a voz , mas aquilo estava a fazer com que os tímpanos lhe latejassem . - ... : __ profundamente decepcionada , o teu pai vai ter de se confrontar com um inquérito em o trabalho , tudo por tua culpa e , se pisas mais_uma_vez o risco , trago te para __ casa ! Seguiu se um silêncio ressonante . O envelope vermelho , que caíra de as mãos de o Ron , incendiou se e encaracolou se em cinzas . Harry e Ron estavam sentados de boca aberta , como_se uma onda gigante lhes tivesse passado por cima . Algumas pessoas riam e , a os poucos , o ruído de as conversas recomeçou . Hermione fechou o * _ Viagens com Vampiros * e olhou para o topo de a cabeça de Ron . - Bem , não sei o que esperavas , Ron , mas tu ... - Não me venhas dizer que mereci - interrompeu Ron . Harry afastou as papas de aveia . O estômago ardia lhe de culpa . Mr._Weasley tinha um inquérito em o trabalho , depois de tudo_o_que Mr. e Mrs._Weasley tinham feito por ele durante o Verão ... Mas não teve muito_tempo para se demorar em aqueles pensamentos . A professora Mc_Gonagall circulava em volta de as mesas de os Gryffindor distribuindo horários . Harry pegou em o seu e viu que começavam por ter Herbologia , juntamente com os Hufflepuff . Harry , Ron e Hermione saíram juntos de o castelo , atravessaram as hortas e chegaram a as estufas , onde estavam guardadas as plantas mágicas . O * gritador * tivera pelo_menos uma vantagem : Hermione parecia achar que já tinham sido suficientemente castigados e estava de_novo perfeitamente calorosa . Quando estavam a chegar a as estufas viram o resto de a classe de pé , cá fora , a a espera de a professora Sprout . Harry , Ron e Hermione tinham acabado de se lhes juntar quando a viram aproximar se a passos largos por o relvado , acompanhada de Gilderoy_Lockhart . A professora Sprout era uma bruxa pequenina e atarracada que usava um chapéu a os remendos sobre o cabelo solto . As roupas que vestia estavam sempre cheias de terra e as suas unhas fariam a tia Petúnia desmaiar . Gilderoy_Lockhart , pelo_contrário , tinha um ar imaculado em as suas vestes azul-turquesa , o cabelo doirado a brilhar debaixo_de um chapéu azul-turquesa , com uma fita dourada , perfeitamente posicionado sobre a cabeça . - Olá a todos ! - gritou Lockhart , dirigindo se a o grupo de estudantes . - Estive a mostrar a a professora Sprout a maneira correcta de tratar um salgueiro . Mas não quero que fiquem com a ideia de que sou melhor do_que ela em Herbologia . Acontece que encontrei várias de estas plantas exóticas , durante as minhas viagens .... - Estufa número três hoje , meninos ! - disse a professora Sprout que estava visivelmente descontente , bem diferente de a sua habitual natureza bem-disposta . Houve um murmúrio de interesse . Eles só tinham estado uma_vez em a terceira estufa , que era uma estufa que abrigava plantas bem mais interessantes e perigosas . A professora Sprout tirou uma enorme chave de o cinto e abriu a porta . Harry sentiu o bafo de a terra húmida com adubo misturado e o perfume forte de umas flores gigantescas , de o tamanho de guarda-chuvas , que estavam penduradas de o tecto . Ia seguir Ron e Hermione , quando a mão de o Lockhart o travou . -- Harry ! Tenho querido ter uma palavrinha contigo . Não se importa se ele chegar uns minutos atrasado , pois não , professora Sprout ? A julgar por a expressão carregada de a professora Sprout , importava se sim , mas Lockhart disse : - Então até já - e fechou a porta de a estufa em a cara de ela . - Harry ! - disse Lockhart , com os dentes brancos a brilharem a o sol , enquanto abanava a cabeça . - Harry , Harry , Harry ! Harry , totalmente perplexo , não disse uma palavra . - Quando ouvi dizer , bem , é claro que eu tive muita culpa , deviam castigar me também ... Harry não fazia ideia de que estava ele a falar , quando Lockhart prosseguiu : - Nunca me lembro de ficar tão chocado . Fazer voar um automóvel até Hogwarts ! Bem , é claro que eu percebi logo porque o fizeste . Foi um destaque em grande . Harry , Harry , Harry ! Era notável como ele conseguia mostrar todos aqueles dentes brilhantes , mesmo quando não estava a falar . - Criei te o gosto por a publicidade , não foi ? - perguntou Lockhart . - Passei te o bichinho . Apareceste comigo em a primeira página e não podias esperar para aparecer outra_vez ... - Oh , não , professor , sabe é_que ... - Harry , Harry , Harry - disse Lockhart aproximando se e tocando lhe em o ombro . - * _ Eu compreendo * . É natural querer um_pouco mais quando se lhe tomou o gosto , e eu culpo me por te ter dado esse conhecimento , porque era natural que te subisse a a cabeça , mas vê uma coisa , rapazinho , tu não podes começar a fazer voar carros para tentares ser notícia . Tens de acalmar , está bem ? Tens muito_tempo quando fores mais velho . Sim , sim , eu sei o que estás a pensar ! É fácil para ele falar assim , já é um feiticeiro internacionalmente famoso ! Mas quando eu tinha doze anos era tão zé-ninguém como tu és hoje . Em a verdade , era ainda mais . De ti , já meia_dúzia de pessoas ouviram falar , não é ? Toda aquela história com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . - Olhou para a cicatriz luminosa em a testa de Harry . - Eu sei , eu sei , não é o mesmo_que vencer o Prémio de o sorriso de o feiticeiro de a semana cinco vezes seguidas , como eu venci , mas é um começo , Harry , é um começo . Lançou lhe uma piscadela de olhos cordial e foi se embora . Harry ficou atarantado durante alguns segundos . Depois , lembrando se que deveria estar em a estufa , abriu a porta e esgueirou se lá para dentro . A professora Sprout estava de pé , por_detrás_de uma espécie de mesa em o meio de a estufa . Em cima de a mesa estavam cerca de vinte pares de abafo de ouvidos de diferentes cores . Quando Harry estava já em o seu lugar , entre Ron e Hermione , ela disse : - Hoje vamos transplantar Mandrágoras . Muito bem , quem sabe dizer me as propriedades de a Mandrágora ? Não foi surpresa para ninguém que a mão de a Hermione fosse a primeira em o ar . - A Mandrágora tem um efeito reparador muito poderoso - disse Hermione , com o ar mais normal de este mundo , como_se tivesse engolido o livro de texto . - É usada para fazer voltar as pessoas , que foram transfiguradas ou amaldiçoadas , a o seu estado original . - Excelente . Dez pontos para os Gryffindor ! - exclamou a professora Sprout . - A Mandrágora é parte integrante de a maior parte de os antídotos , mas também é perigosa . Quem sabe dizer me porquê ? A mão de Hermione por_pouco não bateu em os óculos de Harry , quando se ergueu de_novo . - O grito de a Mandrágora é fatal para quem o ouve - disse prontamente . - Precisamente . Dou lhe mais dez pontos - disse a professora Sprout . - Agora vejamos , as Mandrágoras que aqui temos são ainda muito jovens . Enquanto falava , apontou para uma fila de tabuleiros com uma certa profundidade e todos se chegaram a a frente para ver melhor . Cerca de uma centena de plantinhas tufosas de um verde arroxeado cresciam em filas . Pareceram perfeitamente vulgares a Harry , que não fazia a menor ideia do_que Hermione queria dizer com o * grito * de a Mandrágora . - Cada_um de vocês pode tirar um par de abafo de ouvidos - disse a professora Sprout . Houve uma competição renhida porque ninguém queria os cor-de-rosa , cheios de penugem . - Quando eu vos disser para os colocar , assegurem se de que os vossos ouvidos estão completamente tapados - disse a professora Sprout . - Logo_que seja seguro retirá os , eu levanto os dedos . Certo , pôr os abafos de os ouvido . Harry pôs imediatamente os abafos em os ouvidos . Eles fecharam completamente o som . A professora Sprout colocou também um par de abafos cor-de-rosa com penugem em os de ela , arregaçou as mangas de a túnica , agarrou uma de as plantas tufosas e puxou com toda_a força . Harry soltou um grito de surpresa que ninguém ouviu . Em_vez_de raízes , um bebé pequenino , enlameado e extremamente feio , saiu de a terra . As folhas cresciam lhe em o alto de a cabeça , tinha uma pele pintalgada de um pálido esverdeado e estava nitidamente a berrar a plenos pulmões . A professora Sprout tirou debaixo de a mesa um grande vaso de plantas e mergulhou lá dentro a Mandrágora , enterrando a em a mistura escura e húmida , até que só as folhas ficassem visíveis . Em seguida , limpou a terra de as mãos , levantou os dedos e todos eles retiraram os abafos de os ouvidos . - Como as nossas Mandrágoras são muito novas , os seus gritos ainda não matam - disse ela com grande calma , como_se tivesse feito algo tão normal como regar uma begónia . - Contudo , podem pôr vos a dormir durante várias horas e , como com certeza nenhum de vocês quer perder o primeiro dia de aulas , vejam se os abafos estão bem colocados enquanto trabalham . Eu chamarei vos a atenção quando for altura de os retirar . - Quatro em cada fila , há aqui uma grande quantidade de vasos , a mistura de terra está em os sacos ali a o fundo e tenham cuidado com a * _ Venomous_Tentacula * , estão a nascer lhe os dentes . Enquanto falava , deu uma pancada seca a uma planta vermelha escura cheia de pontas eriçadas , fazendo a encolher as longas antenas que tinham estado a avançar lenta e dissimuladamente sobre o seu ombro . A Harry , Ron e Hermione veio juntar se em a fila um rapaz de cabelo encaracolado de os Hufflepuff que Harry conhecia de vista , mas com quem nunca tinha falado . - Justin_Finch - _ Fletchey - disse ele com vivacidade , apertando a mão de o Harry . - Conheço te , claro , o famoso Harry_Potter ... e tu és a Hermione_Granger , sempre a primeira em tudo ( Hermione brilhou em um sorriso , como_se ele lhe tivesse apertado a mão ) e Ron_Weasley . Não era teu o carro voador ? Ron não sorriu . Não lhe saía de a cabeça o * gritador * . - Aquele Lockhart é o_máximo , não acham ? - disse Justin satisfeito , enquanto começavam a encher os vasos com composto de adubo de dragão . - Terrivelmente corajoso . Leram os livros de ele ? Eu teria morrido de medo se um lobisomem me tivesse encurralado em uma cabina telefónica , mas ele manteve se calmo e ... zap ... fantástico ! « Eu estava inscrito em Eton , sabem , não imaginam como estou feliz de ter vindo antes para aqui . É claro que a minha mãe ficou um_pouco desiludida , mas depois de lhe ter dado os livros de Lockhart a ler , tenho a impressão de que ela começou a ver a utilidade de ter um feiticeiro bem treinado em a família ... Depois de isso , não tiveram grandes oportunidades para conversar . Voltaram a pôr os abafos de ouvidos e era preciso concentrarem se em as Mandrágoras . A professora Sprout fizera as coisas parecerem extremamente simples , mas não eram . As Mandrágoras não gostavam de sair de a terra mas também não pareciam querer voltar para lá . Elas contorceram se , deram pontapés , agitaram as mãozinhas finas e rangeram os dentes . Harry levou dez minutos inteirinhos a tentar meter uma Mandrágora particularmente gorda dentro_de um vaso . Em o final de a aula , Harry , como todos os outros , estava a suar , cheio de dores e coberto de terra . Regressaram a o castelo a pé para um banho rápido e , em seguida , os Gryffindor apressaram se para assistir a a aula de transfiguração . As aulas de a professora Mc_Gonagall eram sempre complicadas , mas a de aquele dia era particularmente difícil . Tudo_o_que o Harry aprendera em o ano anterior parecia ter se lhe apagado de a memória durante o Verão . Ele deveria ser capaz de transformar uma barata em um botão , mas , tudo_o_que conseguiu foi fazer a barata praticar um imenso exercício , enquanto corria apressadamente por o tampo de a secretária evitando a varinha . Ron estava a debater se com problemas bastante piores . Tinha atado a varinha com uma fita mágica , mas parecia que não havia reparação possível . Não parava de crepitar e lançar faíscas em os momentos mais estranhos e , sempre_que Ron tentava transfigurar a barata , via se envolvido em um fumo cinzento espesso que cheirava a ovos podres . Incapaz de ver o que estava a fazer , o Ron esmagou , por engano , a barata com o cotovelo e teve de ir pedir que lhe dessem outra , o que deixou a professora Mc_Gonagall muito pouco satisfeita . Harry ficou aliviado quando ouviu tocar a campainha para o almoço . Sentia a cabeça como uma esponja espremida . Todos os alunos saíram em fila de a aula excepto ele e Ron que dava furiosas varadas em a secretária . - Coisa estúpida e inútil . - Escreve a os teus pais a pedir outra - sugeriu Harry , enquanto a varinha disparava com estrondo um foguete explosivo . - Ah pois , e receber outro * gritador * em a volta de o correio - respondeu Ron , metendo a varinha que já assobiava , dentro de o saco . - * _ A culpa é toda tua se a varinha está estragada * ... Desceram para o almoço e aí a disposição de o Ron não iria melhorar com Hermione a mostrar lhe uma mão-cheia de botões de casaco , perfeitinhos , que produzira em a transfiguração . - O que temos esta tarde ? - quis saber Harry , mudando rapidamente de assunto . - Defesa contra as artes negras - disse Hermione , sem perder tempo . - Porque é_que tu ... - perguntou Ron , pegando em o horário de ela - desenhaste corações em volta de as aulas de o Lockhart ? Hermione arrancou lhe o horário de as mãos , corando furiosa . Acabaram de almoçar e foram para o pátio carregado de nuvens . Hermione sentou se em um degrau de pedra e enfiou de_novo o nariz em as * _ Viagens com Vampiros * . Harry e Ron ficaram a falar de Quidditch durante alguns minutos antes de Harry se aperceber de que estava a ser observado de perto . Olhando para_cima viu o rapazinho pequenino com cabelo de rato que ele vira experimentar o chapéu seleccionador em a noite anterior , olhando para ele com uma expressão petrificada . Estava agarrado a o que parecia ser uma vulgar máquina fotográfica de os Muggles e , em o momento em que Harry olhou para ele , ficou todo vermelho . - Tudo bem , Harry ? Eu sou Colin_Creevey - disse , faltando lhe o ar e adiantando se a qualquer pergunta . - Estou em os Gryffindor também . Não te importavas que eu tirasse uma fotografia ? - perguntou , levantando a máquina cheio de expectativa . - Uma fotografia ? - repetiu Harry , inexpressivo . - Para eu provar que te conheci - disse Colin_Creevey cheio de ansiedade , continuando : - Eu sei tudo a teu respeito . Toda_a_gente me tem contado como sobreviveste quando O_Quem nós sabemos tentou matar te , como ele desapareceu depois de isso e como ficaste com a cicatriz em forma de relâmpago em a testa ( os seus olhos procuraram a linha de cabelo de Harry ) e um rapaz de o meu dormitório disse que se eu revelasse o filme em a posição certa ele mexia . - Colin respirou fundo , estremecendo de excitação e disse : - Isto_é fantástico , aqui , não achas ? Eu não sabia que todas_as coisas estranhas que fazia eram magia até a o dia em que recebi uma carta de Hogwarts . O meu pai é leiteiro . Também ele não queria acreditar . Por isso estou a tirar montes de fotografias para lhe mandar e era mesmo bom se tivesse uma tua - parecia implorar . - Talvez o teu amigo pudesse tirá a e assim eu ficava a o teu lado . E depois , podias assiná a ? - Assinar fotografias ? Estás a dar fotos autografadas , Potter ? Alta e mordaz , a voz de Draco_Malfoy ecoou em o pátio . Estava parado mesmo atrás_de Colin , ladeado , como sempre andava em Hogwarts , por os seus fortes guarda-costas Crabbe e Goyle . - Ei gente , façam bicha - gritou Malfoy a a multidão . - Harry_Potter está a dar fotos autografadas ! - Não estou coisa nenhuma - disse Harry , zangado , com os punhos em o ar . - Cala a boca , Malfoy . - Tu tens é inveja - começou a dizer Colin , cujo corpo era de o tamanho de o pescoço de Crabbe . - Inveja - repetiu Malfoy que não precisava de gritar mais , metade de o pátio estava a ouvi o . - De quê ? Não preciso de uma cicatriz em a cabeça , muito obrigado . Não acho que ter um corte em a testa torne alguém especial . Crabbe e Goyle riram estupidamente - Vai pastar caracóis , Malfoy - disse o Ron furioso . Crabbe parou de rir e começou a esfregar os nós de os dedos enormes de uma forma ameaçadora . - Tem cuidado , Weasley - escarneceu Malfoy . - Com certeza não queres começar uma rixa ou a tua mãezinha tem de vir cá para te tirar de a escola - e com uma voz aguda e penetrante : - * _ Se voltas a pisar o risco * ... Um grupo de alunos de o quinto ano de os Slytherin que estava ali perto , riu se bastante alto . - O Weasley gostaria de ter uma foto tua autografada , Potter - escarneceu de_novo Malfoy . - Era capaz de valer mais do_que a casa onde ele mora com a família . Ron sacou de a sua varinha amarrada com fita , mas Hermione fechou as * Viagens com Vampiros * com um estrondo e avisou : - Atenção . - O que é isto , o que é isto ? - Gilderoy_Lockhart aproximava se com o seu manto azul-turquesa girando em torvelinho atrás de ele . - Quem está a dar fotos autografadas ? Harry ia começar a explicar , mas foi interrompido quando Lockhart lhe pôs jovialmente o braço em cima de os ombros . - Mas que pergunta a minha ! Cá estamos nós de_novo , Harry ! Preso ao_lado_de Lockhart e a arder de humilhação , Harry viu Malfoy deslizar com o seu sorriso desdenhoso por o meio de a multidão . - Vamos lá então , Mr._Creevey - disse Lockhart , dirigindo se a Colin . - Uma foto dupla , já viu a sua sorte ? E assinamos a os dois para si . Colin ajustou a máquina e tirou a fotografia em o preciso momento em que a campainha tocava para as aulas de a tarde . - Está em a hora , todos para dentro - gritou Lockhart a a multidão e regressou a o castelo levando a o seu lado o Harry que só lamentava não conhecer um feitiço que o fizesse desaparecer . - Uma palavra só , Harry - disse Lockhart paternalmente , enquanto entravam em o edifício por uma porta lateral . - Eu ajudei te há bocado com o jovem Creevey porque se ele estivesse a fotografar me também a mim os teus colegas não reparariam tanto que estavas a exibir te ... Indiferente a a gaguez de Harry , Lockhart arrastou o para um corredor ladeado de alunos que os olhavam espantados e subiram uma escada . - Deixa me só dizer te uma coisa : dar fotografias autografadas em esta fase de a tua carreira , francamente , não é sensato , Harry , parece um_pouco megalómano . Pode ser que um dia mais tarde , tal_como eu , sejas obrigado a assinar para multidões onde quer que vás , mas - fez uma pequena pausa - não me parece que seja o caso , por enquanto . Tinham chegado a a aula de Lockhart e ele largou finalmente o Harry que sacudiu a túnica e foi sentar se em um lugar bem lá atrás onde começou por empilhar os livros de Lockhart a a sua frente para evitar olhar para a criatura . O resto de a aula entrou ruidosamente e Ron e Hermione foram sentar se um de cada lado de Harry . - Tu estavas vermelho como um pimentão - disse o Ron . - Reza para que o Creevey não se torne amigo de a Ginny senão bem podem criar o clube de * fans * de Harry_Potter . - Cala a boca - interrompeu Harry . A última coisa que desejava era que o Lockhart ouvisse a expressão « clube de * fans * de Harry_Potter « . Quando todos estavam em os seus lugares , Lockhart pigarreou alto e fez se silêncio . Ele inclinou se para a frente , pegou em o exemplar de Neville_Longbottom de * _ viagens com Duendes * e levantou o para mostrar a sua fotografia a piscar os olhos em a capa . - Eu - disse apontando para a fotografia e piscando também os olhos - Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , terceiro ano , membro honorário de a Liga_de_Defesa contra as artes negras e cinco vezes vencedor de o prémio de o * _ Feiticeiro de a semana * por o sorriso mais charmoso . Mas não vamos falar de isso , não venci a fada carpideira de Bandon a sorrir para ela ! Esperou que eles se rissem . Alguns alunos sorriram timidamente . - Já vi que todos vocês compraram a minha obra completa . Muito bem . Pensei começar hoje com um pequeno interrogatório escrito . Nada de complicado , só para perceber se leram bem os meus livros e o que apreenderam ... Depois de distribuir as folhas de teste voltou se para os alunos e disse : - Têm trinta minutos . Comecem já . Harry olhou para o papel e leu : *1 . Qual é a cor preferida de Gilderoy_Lockhart ? *2 . Qual é a ambição secreta de Gilderoy_Lockhart ? *3 . Qual é , em a sua opinião , a maior realização de Gilderoy_Lockhart até a o momento ? * E_por_aí adiante , ao_longo_de três páginas , terminando com : *54 . Qual é o dia de aniversário de Gilderoy_Lockhart e qual seria o seu presente preferido ? * Meia_hora mais tarde , Lockhart recolheu os pontos e folhou os rapidamente em frente de os alunos . - Tut , tut , quase ninguém se lembrou que a minha cor preferida é o lilás . Eu digo o em * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves * . Alguns precisam de voltar a ler com mais cuidado * Fim-de - _ Semana com Um Lobisomem * . Eu afirmo claramente em o décimo segundo capítulo que o meu presente de aniversário preferido seria a harmonia entre todos os seres , mágicos e não mágicos , embora não me importasse de receber uma garrafa grande de * whisky * velho de a Ogden's_Old_Firewhisky . Piscou lhes o olho de_novo . Ron olhava para Lockhart com uma expressão de incredulidade em o rosto . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas que estavam sentados a a frente tremiam de tanto conter o riso . Hermione , contudo , ouvia Lockhart com extrema atenção e deu um salto quando ouviu o seu nome . - Mas Miss_Hermione_Granger sabia que a minha ambição secreta era libertar o mundo de o mal e pôr a a venda a minha gama de poções de tratamento de o cabelo . Muito bem - voltou o papel . - Nota máxima ! Onde está Miss_Hermione_Granger ? Hermione ergueu uma mão trémula . - Excelente - bradou Lockhart , exultante . - Leva dez pontos para os Gryffindor . E vamos a o trabalho . Baixou se atrás de a secretária e pegou em uma grande gaiola coberta . - Ficam desde_já a saber , a minha função é preparar vos contra as criaturas mais malignas que a feitiçaria conhece . Vocês podem ter que enfrentar os maiores medos em esta sala . Saibam que nenhum mal vos sucederá comigo aqui . Só vos peço que se mantenham calmos . Ultrapassando os seus sentimentos , Harry espreitou através de a pilha de livros para ver melhor a gaiola . Lockhart colocou uma mão em a tampa . Dean e Seamus tinham deixado de se rir . Neville estava agachado em o seu lugar de a fila de a frente . - Vou pedir vos que não façam barulho - disse Lockhart em voz baixa . - Podem assustá os . Enquanto a aula inteira continha a respiração , Lockhart tirou a cobertura . - Sim - disse em um tom dramático . - Duendes_da_Cornualha recém-capturados . Seamus_Finnigan não conseguiu controlar se . Soltou uma gargalhada que nem Lockhart poderia confundir com um grito de terror . - Sim ? - sorriu a Seamus . - Bem , eles não são , não são perigosos , pois não ? - perguntou a rir . -- Não tenhas tanta certeza de isso - afirmou Lockhart , aborrecido , abanando um dedo , em direcção a Seamus . - Podem ser maçadores e muito traiçoeiros . Os duendes eram de um azul-eléctrico e tinham cerca de vinte centímetros de altura com feições angulosas e umas vozes tão estridentes que era como ouvir uma discussão entre araras . Logo_que o pano foi retirado , começaram a fazer uma enorme algazarra , a andar de um lado para o outro , batendo em as grades e fazendo caretas a as pessoas que estavam mais perto . - Muito bem - disse Lockhart em voz alta . - Vamos então ver o que vocês conseguem fazer de eles - e abriu a gaiola . Foi um pandemónio . Os duendes dispararam em todas_as direcções como foguetes . Dois de eles agarraram o Neville por as orelhas e levantaram o a o ar . Vários outros foram direitos a a janela , fazendo chover vidros partidos até a a fila de trás . Os restantes decidiram destruir a sala com maior eficácia do_que um rinoceronte em fúria . Agarraram em os tinteiros e salpicaram tudo em volta , rasgaram a os bocados livros e papéis , arrancaram os quadros de as paredes , levantaram a o ar a gaiola vazia , agarraram livros e sacos e lançaram nos por a janela de vidros estilhaçados . Em poucos minutos , metade de a aula estava abrigada debaixo de as secretárias e o Neville pendurado em o candelabro de o tecto . - Vamos lá , agarrem nos , agarrem nos , são apenas duendes ... - gritava Lockhart . Arregaçou as mangas , bramiu a varinha e pronunciou * Peshipiksi_Pesternomi ! * As palavras não tiveram o menor efeito . Um de os duendes pegou em a varinha de Lockhart e atirou a também por a janela fora . Lockhart engoliu em seco e mergulhou debaixo de a secretária , não sendo , por um triz , esmagado por o Neville que caiu um segundo depois , quando o candelabro cedeu . A campainha tocou e houve uma louca precipitação para a porta . Em a calma relativa que se seguiu , Lockhart endireitou se , olhou para Harry , Ron e Hermione que estavam quase a chegar a a porta e disse : - Bem , vou pedir vos a os três que prendam o resto de os duendes em a gaiola - passou por eles e fechou rapidamente a porta atrás_de si . - Isto dá para acreditar ? - resmungou o Ron , enquanto um de os duendes lhe mordia com toda_a força uma de as orelhas . - Ele só quer dar nos uma ajuda , permitindo nos ganhar experiência - justificou Hermione , imobilizando dois duendes de uma_vez com um encantamento de paralisação e metendo os de_novo em a gaiola . - Experiência ? - disse Harry , tentando agarrar um duende que dançava com a língua de_fora . - Hermione , ele não sabia nada do_que estava a fazer . - Disparate - retorquiu Hermione . - Leste os livros de ele . Vê só as coisas que ele já fez ! - Que diz que fez - resmungou o Ron . VII_Sangue de lama e murmúrios Harry passou imenso tempo , em os dias que se seguiram , a fugir sempre_que via Gilderoy_Lockhart aproximar se em o corredor . Mais difícil de evitar era Colin_Creevey que parecia ter decorado o horário de Harry . Parecia que nada o emocionava mais do_que dizer : - Tudo bem , Harry ? - seis ou sete vezes por dia e ouvir : - Olá , Colin - por mais exasperado que Harry estivesse quando lhe respondia . A Hedwig ainda estava zangada com Harry por causa de a desastrosa viagem de automóvel e a varinha de o Ron continuava a não funcionar , tendo ultrapassado tudo em a sexta-feira de manhã quando lhe saltou de as mãos em a aula de encantamentos e foi agredir o velho e baixinho professor Flitwick mesmo entre os olhos , deixando uma enorme bolha latejante em o sítio onde tinha batido . Por tudo_isso Harry via chegar , com satisfação , o fim_de_semana Planeava ir em o Sábado de anhã , com Ron e Hermione visitar o Hagrid . Mas foi acordado várias horas mais cedo do_que desejaria por Oliver ood , treinador de a equipa de Quidditch_dos_Gryffindor . - _ o que é_que se passa ? - perguntou Harry , enrolando as palavras . - Treino_de_Quidditch - disse Wood . - Vamos embora . Harry lançou um olhar de esguelha a a janela . Uma neblina fina pairava em o céu rosa e dourado . Agora_que estava acordado não percebia como pudera dormir com a algazarra que os pássaros faziam . - Oliver resmungou Harry . - É de madrugada . - Exacto - respondeu Wood . Era um rapaz alto e corpulento de o sexto ano e em aquele momento os olhos brilhavam lhe loucamente de entusiasmo . - Faz parte de o nosso novo programa de treinos . Anda lá , vai buscar a vassoura e vamos embora - insistiu Wood empenhado . - Nenhuma de as outras equipas começou ainda a treinar . Vamos ser os primeiros este ano ... A bocejar e a tremer um_pouco , Harry saltou de a cama e tentou descobrir as suas túnicas de Quidditch . - Bem , encontramo nos em o campo , dentro_de quinze minutos . Depois de descobrir a sua roupa escarlate de equipa e pôr o manto por cima para se aquecer , Harry escreveu a o Ron um bilhete a explicar onde tinha ido e desceu por a escada de espiral para a sala comum com a sua Nimbos dois inil a o ombro . Tinha acabado de chegar junto de o buraco de o retrato quando ouviu um barulho atrás_de si e viu Colin_Creevey descer a escada de espiral com a máquina fotográfica pendurada a o pescoço a balouçar como louca e uma coisa em a mão . - Ouvi alguém chamar o teu nome em as escadas , Harry olha o que tenho aqui . Revelei a e queria mostrar te . Harry olhou assombrado para a fotografia que Colin lhe espetava em frente de o nariz . Um Lockhart a preto e branco movia se , puxando com toda_a força um braço que Harry reconheceu como sendo o seu . Ficou satisfeito a o constatar que estava a resistir bastante bem , recusando se a ser trazido para a vista de todos . Enquanto Harry observava , Lockhart desistiu e desinteressou se de lutar contra a parte branca de a fotografia . - Assinas para mim ? - pediu Colin entusiasmado . - Não - respondeu secamente Harry , olhando em volta para verificar se o caminho estava livre . - Desculpa_Colin , mas estou cheio de pressa , treino de Quidditch . Passou por o buraco de o retrato . - Oh Uau ! Espera por mim . Eu nunca vi um jogo de Quidditch . Colin trepou por o buraco de o retrato atrás de ele . - Vai ser uma chatice para ti - disse Harry rapidamente , mas Colin ignorou o comentário . Todo o seu rosto brilhava de satisfação . - Tu foste o jogador mais novo de a equipa em cem anos , não foste Harry ? Não foste ? - perguntava Colin , trotando para o acompanhar . - Deve ser fantástico . Eu nunca voei . É fácil ? Essa vassoura é a tua ? É a melhor que há ? Harry não sabia como ver se livre de ele . Era como ter uma sombra que não se calava . - Eu não percebo nada de Quidditch - disse Colin , já sem fôlego . - É verdade que há quatro bolas ? E que duas anda n a voar , tentando fazer os jogadores caírem de as vassouras ? - Sim - disse Harry lentamente , resignado com o ter de lhe explicar as complicadas regras de o Quidditch . - São as * bludgers * . Há dois * beaters * em cada equipa que têm bastões para bater em as * bludgers * e lançá as para o outro lado . O Fred e o George_Weasley são os * beaters * de os Gryffindor . - E para que servem as outras bolas ? - perguntou Colin , saltando uma série de degraus porque ia a olhar para o Harry de boca aberta . - Bem , a * quaffle * , que é a vermelha grandalhona , é a que marca os golos . Três * chasers * em cada equipa lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam fazes a entrar em as balizas que ficam em o extremo de o campo onde há três grandes postes com argolas em as pontas . - E a quarta bola ? - A * snitch * dourada - explicou Harry . - É muito pequenina e veloz e extremamente difícil de agarrar . Mas é isso que o * seeker * tem de fazer , porque o jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * for agarrada . E o * seeker * que conseguir agarrá a ganha para a sua equipa mais cento_e_cinquenta pontos . - E tu és o * seeker * de os Gryffindor , não és ? - perguntou Colin respeitosamente . - Sim - disse Harry enquanto saíam de o castelo e começavam a atravessar o relvado . - E há também o * keeper * que toma conta de os postes . É isto . Mas Colin não parou de fazer perguntas desde os relvados macios até a o campo de Quidditch e Harry só se viu livre de ele quando chegaram a os vestiários . Colin gritou em uma voz aguda : - Eu vou arranjar um lugar , Harry - e apressou se em direcção a as bancadas . O resto de a equipa de os Gryffindor já se encontrava em os vestiários . Wood era o único que tinha aspecto de estar bem acordado . Fred e George_Weasley estavam sentados com olhos de sono e cabelos desgrenhados junto de Alicia_Spinnet de o quarto ano que parecia inclinar se contra a parede que tinha atrás_de si . Os seus companheiros * chasers * , Katie_Bell e Angelina_Johnson bocejavam em frente de ela . - Até que enfim , Harry , porque é_que demoraste tanto ? - perguntou Wood cheio de actividade . - Eu queria ter uma pequena conversa convosco antes de entrarmos propriamente em campo porque passei o Verão a conjecturar um novo programa de treinos que acredito vai estabelecer grandes mudanças . Wood tinha em as mãos um grande mapa de um campo de Quidditch onde estavam desenhadas muitas linhas , setas e cruzes a tinta de várias cores . Pegou em a varinha , bateu com ela em o quadro e as setas começaram a mover se em o mapa como tractores . Enquanto Wood se lançava em um discurso sobre as suas novas técnicas , a cabeça de Fred_Weasley caiu sobre o ombro de Alicia_Spinnet e ele começou a ressonar . O primeiro mapa levou quase vinte minutos a explicar , mas debaixo de esse havia outro e ainda um terceiro . Harry caiu em uma letargia enquanto Wood continuava indefinidamente . - Então - disse por fim o treinador , arrancando Harry de a avidez de uma fantasia sobre o que poderia estar a comer se se encontrasse em aquele momento em o castelo . - Ficou tudo claro ? Alguma pergunta ? - Eu tenho uma pergunta , Oliver - disse George que acordou estremunhado . - Porque não nos explicaste tudo_isso ontem , quando estávamos acordados ? Wood não ficou nada satisfeito . - Ouçam bem , vocês todos - disse , voltando se para eles mal-humorado . - Nós deveríamos ter ganho a taça de Quidditch o ano passado . Somos de longe a melhor equipa , mas , infelizmente , devido_a circunstancias que estão para_além de o nosso controlo ... Harry mudou de posição em a cadeira sentindo se culpado . Estivera inconsciente em o hospital durante o campeonato final de o ano anterior o que fez com que os Gryffindor com um jogador a menos tivessem sofrido a pior derrota de os últimos trezentos anos . Wood levou um momento a controlar se . Era evidente que a última derrota ainda o torturava . - Portanto , este ano vamos fazer um treino mais duro , como nunca se fez . O. _ K. , vamos lá pôr as teorias em prática - gritou , pegando em a vassoura e conduzindo os para fora de o vestiário . Com as pernas trôpegas e ainda a bocejar , a equipa seguiu o . Tinham estado tanto tempo lá dentro que o sol já tinha nascido e brilhava em o céu embora uma réstia de neblina pairasse ainda sobre o relvado de o campo . Quando Harry entrou em campo viu Ron e Hermione sentados em as bancadas . - Ainda não acabaram ? - perguntou Ron em um tom incrédulo . - Ainda nem começamos - explicou Harry , olhando cheio de inveja para a torrada com doce de laranja que Ron e Hermione tinham trazido de o salão . - O Wood tem estado a ensinar nos as jogadas . Subiu para a vassoura e deu um pontapé em o chão , elevando se em o ar . O ar fresco de a manhã bateu lhe em o rosto fazendo o acordar com mais eficácia do_que o longo discurso de Wood . Era maravilhoso voltar a estar em o campo de Quidditch . Voou em volta de o estádio a toda a a velocidade competindo com Fred e George . - Que barulhinho estranho é aquele ? - perguntou o Fred quando deram a volta . Harry olhou para as bancadas . Colin estava sentado em um de os lugares mais altos com a máquina fotográfica em o ar , tirando fotografia sobre fotografia , o som estranhamente ampliado em o estádio deserto . - Olha para ali , Harry , para ali - gritava de forma estridente . - Quem é aquele ? - perguntou Fred . - Não faço ideia - mentiu Harry , disparando a_toda_a velocidade e distanciando se o mais possível de Colin . - O que se passa aí ? - perguntou Wood , franzindo a testa enquanto corria por os ares atrás de eles . - Porque está aquele aluno de o primeiro ano a tirar fotografias ? Não me agrada . Pode ser um espião de os Slytherin a tentar descobrir o nosso novo programa de treinos . - Ele é de os Gryffindor - disse Harry rapidamente . - E os Slytherin não precisam de um espião , Oliver - completou George . - Porque dizes isso ? - perguntou Wood irritado . - Porque estão aqui em peso - disse George , apontando com o dedo . Vários indivíduos com túnicas verdes vinham em aquele momento a entrar em o campo de vassouras em a mão . - Não posso acreditar - reagiu Wood , sentindo se ultrajado . - Eu reservei o estádio para hoje . Já vamos ver como é_que isto fica ! Wood baixou direito a o chão sendo levado por a fúria a aterrar com mais força do_que pretendia e a cambalear um_pouco quando começou a andar seguido de o Harry e de o Ron . - Flint - bradou para o treinador de os Slytherin . - Este é o nosso tempo de treino . Levantámo nos de propósito . Vocês têm de sair de aqui . Marcus_Flint era ainda mais corpulento do_que Wood . Tinha em o rosto uma expressão de duende travesso quando respondeu : - Há espaço para todos , Wood . Angelina , Alicia e Katie tinham vindo também . Em a equipa de os Slytherin não havia raparigas que enfrentassem a o lado de os rapazes os Gryffindor . - Mas eu reservei o estádio - repetiu Wood de modo afirmativo , cuspindo de raiva . - Reservei o . - Ah ! - exclamou Flint . - Mas eu tenho aqui uma licença especial assinada por o professor Snape . * _ Eu , professor Snape , autorizo a equipa de os Slytherin a praticar hoje em o campo de Quidditch devido a a necessidade de treinar o seu novo seeker . * - Têm um novo * seeker * ? - perguntou Wood perturbado . - Onde ? E detrás de as seis figuras corpulentas que tinham em a frente , viram surgir uma sétima : um rapaz mais pequeno com um sorriso afectado espelhado em o rosto pálido e anguloso . Era_Draco_Malfoy . - Não és o filho de o Lucius_Malfoy ? - perguntou Fred , olhando para ele com antipatia . - Curioso que refiras o pai de o Draco - disse Flint enquanto toda_a equipa de os Slytherin sorria de modo grosseiro . - Deixem me mostrar vos a generosa oferta que ele fez a a equipa de os Slytherin . Os sete exibiram as suas vassouras . Sete cabos novos , polidos , com inscrições em letras douradas de as palavras « Nimbus dois_mil_e_um « brilharam a o sol de a manhã , em frente de o nariz de os Gryffindor . - O último modelo . Só chegou em o mês passado - disse Flint , displicentemente , sacudindo a poeira de o cabo de a sua vassoura . - Julgo que ultrapassam de longe as velhas séries de dois_mil . Quanto a as Cleansweeps - sorriu de forma mesquinha para Fred e George que tinham ambos Cleansweep_Fives - essas já só servem para varrer . Nenhum de os Gryffindor foi capaz de abrir a boca em aquele momento . Malfoy sorria tanto que os seus olhos de gelo estavam reduzidos a duas rachas . - Oh vejam - disse Flint . - Uma invasão de o campo . Ron e Hermione atravessavam o relvado para ver o que se passava . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron a o Harry . - Porque não estão a jogar e o que faz ele aqui ? Olhava para Malfoy em as suas vestes de Quidditch . - Sou o novo * seeker * de os Slytherin , Weasley - disse Malfoy com ar presumido . - Têm estado todos a admirar as vassouras que o meu pai comprou para a nossa equipa . Ron olhou de boca aberta para as sete vassouras que tinha em a frente . - São boas , não são ? - disse Malfoy untuosamente . - Mas talvez a equipa de os Gryffindor consiga levantar algum ouro e comprar também vassouras novas . Vocês podiam levar essas Cleansweep_Fives a leilão , talvez algum museu esteja interessado . A equipa de os Slytherin riu se a bandeiras despregadas . - Pelo_menos em os Gryffindor ninguém teve de comprar a sua entrada - disse secamente Hermione . - Entraram todos por mérito próprio . O ar presumido de Malfoy desapareceu . - Ninguém pediu a tua opinião , sangue de lama - cuspiu Malfoy . Harry apercebeu se , de imediato , que Malfoy dissera algo muito grave porque houve uma tremenda algazarra em o seguimento de as suas palavras . Flint teve que se pôr a a frente de o Malfoy para evitar que Fred e George se atirassem a ele . Alicia bradou : - Como te atreves ? - E Ron meteu a mão em as vestes e sacou de a varinha mágica , gritando : - Vais pagar por o que disseste , Malfoy ! - e apontou a , furioso , por debaixo de o braço de Flint , a o rosto de Malfoy . Um enorme estrondo , ecoou em o estádio e um jacto de luz verde saiu por a extremidade errada de a varinha de Ron , atingindo o em o estômago e projectando o para trás em direcção a o relvado . - Ron ! Ron ! Estás bem ? - gritou Hermione . Ron abriu a boca para falar , mas nenhuma palavra saiu . Em vez de isso , teve um vómito imenso e várias lesmas saíram lhe de a boca , indo cair lhe em o colo . A equipa de os Slytherin ficou paralisada de riso . Flint estava dobrado , agarrado a a vassoura nova . Malfoy , a quatro , batia com o punho em a chão . Os Gryffindor rodeavam o Ron , que continuava a vomitar lesmas enormes e reluzentes . Ninguém queria tocar lhe . - É melhor levá o para_casa de o Hagrid . É o mais perto - disse Harry_a_Hermione , que acenou afirmativamente , e os dois arrastaram o Ron por os braços . - O que aconteceu , Harry ? O que aconteceu ? Ele está doente ? Mas tu podes curá o , não podes ? - Colin descera a correr de o lugar onde estava sentado e dançaricava em frente de eles , enquanto abandonavam o campo . Ron teve um novo arremesso e mais lesmas saíram de a sua boca . - Oooh ! - exclamou Colin fascinado , levantando a máquina fotográfica . - Podes mantê o quieto , Harry ? - Sai de a minha frente , Colin - gritou Harry zangado . Ele e a Hermione conseguiram levar o Ron para fora de o estádio , atravessar os campos e chegar a a beira de a floresta . - Está quase , Ron - disse Hermione , mal avistaram o casebre de o guarda de os campos . - Vais ficar bem dentro_de um minuto ... está quase ... Estavam a sessenta metros de a casa de Hagrid , quando a porta de a frente se abriu . Mas não foi Hagrid quem saiu de lá , e sim Gilderoy_Lockhart , em uma túnica cor de malva . - Rápido , vamos esconder nos aqui - sussurrou Harry , arrastando Ron para trás de um arbusto que havia ali perto . Hermione acompanhou o , embora um_pouco relutante . -- É muito simples quando se sabe o que se está fazer ! - gritava Lockhart_para_Hagrid . - Se precisar de ajuda , sabe onde estou . Vou dar lhe um exemplar de o meu livro . Espanta me que ainda não o tenha . Logo a a noite autografo o e envio lhe o . Bem . até a a próxima ! - e afastou se em direcção a o castelo . Harry esperou que Lockhart desaparecesse , antes de puxar o Ron de trás de o arbusto até a a casa de o Hagrid . Bateram ansiosamente . Hagrid apareceu logo com um ar mal-humorado , que se dissipou quando viu quem era . - Já me tinha perguntado quand'é que vocês vinham ver me , entrem , entrem , pensei qu'era outra_vez o professor Lockhart . Harry e Hermione ajudaram Ron a subir o degrau que dava acesso a a cabana de uma divisão com uma cama enorme a um de os cantos e uma lareira a crepitar alegremente em o outro . Hagrid não pareceu perturbado com o problema de as lesmas de o Ron que Harry lhe explicou precipitadamente , logo_que sentou o Ron em uma cadeira . - Melhor saírem de o qu'entrarem - disse , em um tom bem-disposto , colocando uma grande bacia de cobre em frente de ele . - Deita as todas fora , Ron . - Acho que não há mais_nada a fazer , a não ser esperar que isto pare - disse Hermione ansiosamente , vendo Ron inclinar se para a bacia . - É uma maldição muitas_vezes difícil , mas com uma varinha partida ... Hagrid andava de um lado para o outro a preparar o chá . O cão de ele , Fang , babava se em cima de o Harry . - O que é_que o Lockhart queria de ti ? - perguntou o Harry , coçando as orelhas de o Fang . - Ensinar me a tirar espíritos aquáticos com forma de cavalos d'uma nascente d'água - resmungou Hagrid , retirando de a mesa pequena um galo meio depenado e colocando em o seu lugar o bule . - Como s'eu não soubesse . E contar me uma peta qualquer d'uma fada carpideira que ele venceu . Engulo essa chaleira , se uma palavra do_que ele disse for verdade . Não era hábito de Hagrid criticar um professor de Hogwarts e Harry olhou para ele com alguma surpresa . Mas Hermione disse em uma voz mais aguda do_que de costume : - Acho que estás a ser injusto . O professor Dumbledore obviamente achou que era o melhor homem para o lugar ... - Era o único - explicou Hagrid , oferecendo lhes um prato de bombons de melaço enquanto Ron tossia para a bacia . - E não havia mais ninguém . Não é fácil encontrar quem queira dar Artes de magia negra . As pessoas não gostam de essa matéria . Começam a pensar que está amaldiçoada , ninguém ficou muito_tempo a dá a . Mas digam me lá - continuou Hagrid , inclinando a cabeça para Ron - quem é qu'ele estava a tentar amaldiçoar ? - O Malfoy chamou qualquer coisa a a Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si . - Foi grave , sim - disse o Ron com voz rouca , emergindo a a superfície de a mesa , pálido e transpirado . - O Malfoy chamou lhe sangue de lama , Hagrid . - Ron desapareceu outra_vez quando uma nova onda de lesmas fez o seu aparecimento . Hagrid estava indignado . - Não posso crer - exclamou , dirigindo se a Hermione . - Chamou sim - disse ela . - Mas eu não sei o que significa . Percebi que era má educação , claro ... - É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar - explicou Ron novamente . - Sangue de lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles , sabes , filho de pais não mágicos . Há alguns feiticeiros , como a família de o Malfoy que acham que são melhores do_que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro . - Teve um pequeno vómito e uma lesma isolada caiu lhe em a mão aberta . Ele atirou a para a bacia e continuou . -- É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma . Olha_o_Neville_Longbottom , é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito . - E ainda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer - afirmou Hagrid , orgulhoso , fazendo Hermione corar em tons de magenta . - É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém - disse o Ron , limpando o suor de a testa com a mão trémula . - Sangue sujo , sangue vulgar , é um disparate . A maior parte de os feiticeiros hoje_em_dia têm sangue misturado . Se não tivéssemos casado com Muggles tinha sido o nosso fim . Fez um esforço para vomitar e baixou se mais_uma_vez . - Bem , não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá o , Ron - disse Hagrid bem alto enquanto montes de lesmas caíam em a bacia . - Mas , se_calhar , não foi mau de todo teres a varinha a trabalhar ao_contrário . Acho que Lucius_Malfoy teria vindo logo a correr a a escola se tivesses amaldiçoado o filho . Assim , pelo_menos , não estás metido em nenhum sarilho . Harry teria referido que o problema não podia ser pior do_que deitar lesmas por a boca , mas não pôde . Os bombons de melaço tinham lhe colado os maxilares um_ao_outro . - Harry - disse de repente Hagrid como_que movido por um pensamento súbito . - Tens de me explicar uma coisa . Ouvi dizer que tens andado a dar fotografias autografadas . Porque é qu'eu não tenho nenhuma ? A fúria de Harry foi tão grande que os maxilares se libertaram . - Eu não tenho dado fotografias autografadas - disse com vivacidade . Se o Lockhart andou a espalhar isso ... Mas em esse momento viu que Hagrid se estava a rir . - ´ _ tou a brincar - disse , dando uma palmadinha em as costas de Harry e fazendo lhe sinal para se sentar a a mesa . -- Eu sabia que não tinhas . Disse a o Lockhart que tu não precisavas de isso . Es mais famoso do_que ele sem sequer , tentares . - Aposto que ele não gostou de ouvir isso - comentou Harry , sentando se e esfregando o queixo . - Acho que não gostou mesmo - prosseguiu Hagrid com os olhinhos a brilhar . - E disse lhe também que nunca tinha lido nenhum de os livros de ele e ele foi se embora . Um bombom de melaço , Ron ? - perguntou a o vê o reaparecer . - Não , obrigado - disse o Ron com uma voz fraca . - É melhor não arriscar . - Venham ver o qu'eu tenho estado a criar - disse Hagrid quando Harry e Hermione acabaram de tomar o chá . Em a pequena horta atrás de a casa estava uma_dúzia de as maiores abóboras que Harry alguma vez vira . Pareciam enormes blocos de pedra . - Estão a dar se bem , não achas ? - disse Hagrid , feliz . São para a festa de o * _ Hallow'en * . Devem estar bem grandes quando chegar a altura . - O que é_que lhes tens dado como alimento ? - perguntou Harry . Hagrid olhou por cima de o ombro para confirmar se estavam sós . - Bem , tenho estado a dar lhes ... uma pequena ajuda . Harry reparou em o guarda-chuva cor-de-rosa a as florzinhas que estava encostado contra a parede de a cabana . Tivera em o ano anterior motivos para crer que aquele guarda-chuva não era o que parecia . De facto , acreditava que a antiga varinha de escola de Hagrid se encontrava oculta dentro de ele . Hagrid não tinha autorização para usar magia . Fora expulso de Hogwarts em o terceiro ano embora Harry nunca tivesse descoberto o motivo . Qualquer referência a esta questão fazia Hagrid pigarrear bem alto e ficar misteriosamente surdo até mudarem de assunto . -- Um encantamento de absorção , imagino ? - comentou Hermione entre a desaprovação e o divertimento . - Bem , se assim foi , fizeste um bom trabalho . - Foi o que disse a tua irmãzinha - respondeu Hagrid acenando em direcção a Ron . - Encontrei a ontem . - Hagrid olhou de lado para Harry , a barba a contorcer se . - Disse que andava só a ver os campos , mas eu acho qu'ela esperava encontrar alguém em a minha casa - piscou o olho a o Harry . - Se queres que te diga acho qu'ela não recusaria uma fotografia autogr ... - Cala te com isso - disse Harry . Ron desatou a rir e o chão ficou cheio de lesmas . - Cuidado - resmungou Hagrid , afastando Ron de as suas preciosas abóboras . Estava quase em a hora de o almoço e , como o Harry só tinha provado um bombom de melaço desde manhã cedo , estava ansioso por chegar a a escola para ir comer . Despediram se de o Hagrid e regressaram a o castelo . O Ron a vomitar de vez em quando , mas deitando só duas pequenas lesmas . Mal tinham pisado a entrada de o vestíbulo quando ouviram uma voz . - Aí estão vocês , Potter , Weasley . - A professora Mc_Gonagall vinha em direcção a eles com o seu ar severo . - Vocês os dois vão ter as punições hoje a a tarde . - O que é_que vamos fazer , professora ? - perguntou o Ron nervoso , deixando cair uma lesma . - Tu vais limpar as pratas em a sala de os troféus com Mr._Filch - disse a professora Mc_Gonagall . - E nada de mágicas , Weasley , trabalho com esforço . Ron engoliu em seco . Argus_Filch , o encarregado , era odiado por todos os alunos de a escola . - E tu , Potter , vais ajudar o professor Lockhart a responder a as cartas de as suas fãs - ordenou a professora Mc_Gonagall . - Oh , não ! Não posso ir também trabalhar em a sala de os troféus ? - pediu Harry em desespero de causa . - Nem pensar em isso - respondeu a professora Mc_Gonagall , erguendo as sobrancelhas . - O professor Lockhart requisitou te especialmente a ti . _ a as oito_em_ponto , os dois . Harry e Ron entraram em o salão em um estado de profundo desanimo com a Hermione atrás , ostentando uma expressão de * bem-voces-quebraram-as-regras-da-escola * . Harry não saboreou o empadão de carne como teria desejado . Tanto ele como o Ron achavam que tinham tido o pior de os castigos . -- O Filch vai reter me lá toda_a noite - disse Ron , desanimado . - Sem mágica ! Deve haver umas cem taças em aquela sala , eu não sei fazer limpeza de Muggles . - Eu trocava contigo de boa_vontade - confessou Harry em uma voz surda . - Tive montes de prática com os Dursleys . Responder a o correio de fãs de o Lockhart , que pesadelo ... A tarde de sábado pareceu derreter se . Pouco depois eram já cinco para as oito e Harry arrastava se até a o corredor de o segundo andar onde ficava o escritório de o Lockhart . Rangendo os dentes , bateu a a porta . A porta abriu se imediatamente e Lockhart dirigiu se lhe . - Ah , cá está o patifório ! - exclamou . - Entra , Harry , entra . Em as paredes , brilhando à_luz_de muitas velas , podia ver se uma infinidade de fotografias de Lockhart . Algumas de elas até assinadas . Sobre a secretária estava outro monte enorme . - Podes pôr as moradas em os envelopes - disse Lockhart_a_Harry , como_se fosse uma grande ameaça . - O primeiro é para Gladys_Gudgeon , abençoada seja , uma grande fã minha . Os minutos passavam lentos . De vez em quando , Harry ouvia a voz de Lockhart dizendo : - Mmm - e - certo - e - sim . - De vez em quando , apanhava uma frase como : - A fama é versátil , amigo Harry - ou - Só é célebre quem faz por isso , nunca te esqueças . As velas ardiam cada_vez com maior lentidão , fazendo a luz dançar sobre as muitas caras de Lockhart que o olhavam . Harry passava a mão , já dorida , sobre o que devia ser o centésimo envelope , escrevendo a morada de Verónica_Smethley . « Deve estar quase em a hora de me ir embora » , pensou , sentindo se profundamente infeliz , « por favor , faz com que esteja em a hora ... » E então ouviu algo , algo totalmente diferente de o crepitar de as velas e de os ditos de Lockhart sobre as suas fãs . Era uma voz , uma voz de arrepiar os ossos , de cortar a respiração , de veneno frio . - * _ Vem ... vem ter comigo ... deixa me rasgar te ... cortar te ... matar te * ... Harry deu um salto e uma enorme mancha lilás surgiu em a rua de Verónica_Smethley . - O quê ? - disse ele em voz alta . - Eu sei - exclamou Lockhart . - Seis meses inteirinhos em o topo de a lista de * bestsellers * , bati todos os recordes ! - Não - disse Harry nervosíssimo - aquela voz ! - Como ? - perguntou Lockhart , com um ar confuso . - Que voz ? - Aquela , aquela voz que disse ... não ouviu ? Lockhart olhava para Harry com o maior espanto . - De que é_que estás a falar , Harry ? Estás a ficar com sono ? Meu Deus , olha , só estamos aqui há quase quatro horas , quem diria ? O tempo passou a correr , não é verdade ? Harry não respondeu , estava a fazer um esforço para ouvir de_novo a voz , mas o único som que ouviu foi Lockhart a dizer lhe que não esperasse um tratamento igual de as próximas vezes que fosse castigado . Harry saiu , sentindo se atordoado . Era tão tarde que a sala comum de os Gryffindor estava quase vazia . Harry foi directamente para o dormitório . Ron ainda não tinha voltado . Vestiu o pijama , meteu se em a cama e esperou . Meia_hora mais tarde , chegou o Ron agarrado a o braço direito e inundando o quarto escuro de um forte cheiro a limpa-pratas . - Doem me todos os músculos - resmungou , metendo se em a cama . - Ele fez me polir catorze vezes aquela taça de Quidditch até estar satisfeito . E depois tive outro vómito em_cima_de um troféu de Reconhecimento por serviços prestados a a escola . Demorei séculos a limpar o muco de as lesmas . Como correram as coisas com o Lockhart ? Em voz baixa para não acordar o Neville , o Dean e o Seamus , Harry contou lhe , palavra por palavra , o que tinha ouvido . - E Lockhart disse que não ouviu nada ? - perguntou o Ron . Harry viu o franzir a testa , a a luz de o luar . - Achas que estava a mentir ? Mas , não percebo , mesmo um ser invisível teria aberto a porta . - Eu sei - disse Harry , encostando se a a cama e olhando para o dossel . - Também não compreendo . VIII_A festa de o dia de os mortos Outubro chegou , espalhando um frio húmido por os campos e por os cantos de o castelo . Madam_Pomfrey , a enfermeira-chefe , esteve bastante ocupada com uma onda de constipações que afectou professores e alunos . A sua poção de pimentão entrou imediatamente em acção apesar_de deixar quem a tomava com fumo em os ouvidos durante várias horas . Ginny_Weasley , que andava com ar adoentado , foi convencida a tomá a por o Percy . O fumo que saía por debaixo de o seu cabelo ruivo dava a impressão de que toda_a cabeça estava em fogo . Gotas de chuva de o tamanho de balas agrediram as janelas de o castelo durante dias a fio . O lago rosado e os canteiros de flores tornaram se regatos lamacentos e as abóboras de o Hagrid incharam ficando de o tamanho de alpendres de jardim . Contudo , o entusiasmo de Oliver_Wood por as sessões de treino regular não foi abalado , motivo por o qual Harry iria regressar a a torre de os Gryffindor , em um sábado a a tarde de temporal , alguns dias antes de o * _ Hallowe'en * , ensopado até a os ossos e todo enlameado . Além de a chuva e de o vento , não fora um treino feliz . Fred e George que tinham andado a espiar a equipa de os Slytherin tinham visto com os seus próprios olhos a velocidade alucinante de aquelas novas Nimbus dois_mil_e_um e comentaram que a equipa em o ar parecia composta por sete manchas esverdeadas que disparavam a_toda_a velocidade como aviões a jacto . Enquanto Harry chapinhava a o longo de o corredor deserto , cruzou se com alguém que parecia tão preocupado como ele : Nick quase sem cabeça , o fantasma de a torre de os Gryffindor que olhava taciturno , por a janela , murmurando baixinho : - Não preenche os requisitos , um centímetro e meio se ... - Olá , Nick - cumprimentou Harry . - Olá , olá - disse o Nick quase sem cabeça , começando a olhar em volta . Usava um arrebatado chapéu de plumas sobre a longa cabeleira encaracolada e uma túnica com gola de tufos que disfarçava o facto de ter o pescoço quase totalmente separado de o corpo . Era pálido como o fumo e Harry podia ver através de ele o céu negro e a chuva torrencial , lá fora . - Pareces preocupado , jovem Potter - disse Nick , dobrando uma carta transparente , enquanto falava e escondendo a dentro de a jaqueta . - Tu também - retorquiu Harry . - Ah ! - o Nick quase sem cabeça acenou com a mão de forma elegante . - Uma questão sem importância . Não é_que eu quisesse realmente participar apesar_de me ter inscrito , mas , a o que parece , não preencho os requisitos . - Apesar de o seu tom jovial havia em o seu rosto uma grande amargura . - Mas era de esperar , ou não era - exclamou subitamente , tirando a carta de o bolso - que ter levado quarenta_e_cinco golpes em a cabeça com um machado ferrugento me qualificaria para entrar em o grupo de os Sem - _ Cabeça ? - Sim , sim - respondeu Harry que obviamente o outro esperava que concordasse . - Isto_é , ninguém mais do_que eu desejaria que tudo tivesse sido rápido e perfeito , poupava me muitas dores e ridículo . Mas ... O Nick quase sem cabeça abriu , furioso , a carta e leu : * _ Só podemos aceitar em o grupo homens cuja cabeça tenha sido separada de o corpo . Compreenderá que de outro modo seria impossível a os nossos membros participarem em actividades como equitação de malabarismos com a cabeça e pólo de cabeça . Lamentamos profundamente informá o de que não preenche os requisitos . * _ Os nossos melhores cumprimentos , Sir_Patrick_Delaney - _ Podmore * Furioso , o Nick quase sem cabeça atirou fora a carta . - Um centímetro de pele e tendões a segurarem me a cabeça , Harry ! A maior parte de as pessoas acharia que era mais do_que o suficiente , mas não serve para o senhor correctamente decapitado Podmore . Nick quase sem cabeça respirou fundo várias vezes e , por fim , em um tom bastante mais calmo perguntou : - Então o que é_que te preocupa ? Alguma coisa que eu possa fazer por ti ? - Não - respondeu Harry . - A_não_ser_que saibas onde posso arranjar sete Nimbus dois_mil_e_um , de_graça , para o nosso campeonato contra os Sly ... - o resto de a frase foi afogada por um miado agudo vindo de perto de os seus tornozelos . Olhou para baixo e deu consigo a fitar um par de olhos que pareciam duas lâmpadas amarelas . Era_Mrs._Norris , a gata cinzenta e esquelética usada por o encarregado Argus_Filch como uma espécie de polícia em a sua infindável batalha contra os estudantes . - É melhor saíres de aqui , Harry - preveniu Nick com toda_a calma . - O Filch não está nada bem-disposto . Anda engripado e alguns alunos de o terceiro ano , por acidente , encheram o tecto de o calabouço cinco de miolos de rã . Ele tem andado toda_a manhã a limpar e se te vê a encher tudo de lama ... - Certo - disse Harry , recuando e afastando se de o olhar acusador de Mrs._Norris , mas ... tarde de mais . Conduzido até ali por o misterioso poder que parecia ligá o a a gata , Argus_Filch entrou subitamente por uma tapeçaria que se encontrava a a direita de Harry , com a sua respiração asmática , olhando vivamente em volta em busca de o infractor . Tinha um lenço grosso , de xadrez , a a volta de a cabeça e o nariz invulgarmente arroxeado . - Imundície - gritou com os maxilares a tremer e os olhos a saltarem lhe de as órbitas , enquanto apontava para a poça de lama que pingara de a túnica de Quidditch_de_Harry . - Desarrumação e imundície em todo o lado . Estou farto disto , segue me , Potter . Harry despediu se de o Nick quase sem cabeça com um tímido aceno e seguiu Filch até lá abaixo , duplicando o número de pegadas lamacentas em o chão . Nunca entrara em o gabinete de o Filch . Era um lugar que a maior parte de os estudantes evitava . A divisão era sombria e sem janelas , iluminada por uma única lamparina de óleo que pendia de o tecto . Sentia se um vago cheiro a peixe frito . As paredes estavam forradas por ficheiros de madeira . Por as etiquetas Harry percebeu que continham os dados de todos os alunos que Filch tinha punido . Fred e George_Weasley tinham uma gaveta só para eles . Atrás de a secretária estava pendurada uma colecção bem polida de correntes e algemas . Todos sabiam que ele estava sempre a pedir a Dumbledore que o deixasse pendurar os alunos em o tecto por os tornozelos . Filch pegou em uma pena que estava sobre a secretária e começou a procurar o pergaminho . - Bosta - murmurou , furioso . - Bosta de dragão , miolos de rã , intestinos de ratazana ... eu tinha aqui bastante , onde está o form ... sim ... Tirou um enorme rolo de pergaminho de a gaveta de a secretária e estendeu o em a frente , molhando a longa pena em o tinteiro . - Nome : Harry_Potter . Crime ... - Foi só um bocadinho de lama - disse Harry . - É só um bocadinho de lama para ti , rapaz , mas para mim é mais de uma hora a esfregar - gritou Filch com um pingo a tremer de modo desagradável em a extremidade de o nariz bolboso . - Crime : manchar o castelo . Sentença proposta ... Esfregando o nariz que continuava a pingar , Filch olhou com má cara para Harry que esperava com a respiração entrecortada para ouvir a sentença . Mas quando Filch pegou em a pena ouviu se um estrondo enorme em o tecto que fez a lamparina apagar se . - PEEVES - resmungou Filch , pousando a pena , cheio de raiva . - Desta_vez apanho te . Apanho te ! E sem olhar para trás , saiu a correr a_toda_a velocidade de o gabinete , seguido de a gata , Mrs._Norris . Peeves era o * poltergeist * de a escola , uma ameaça de risota esvoaçante que vivia para fazer estragos e criar aflição . Harry não gostava lá muito de ele , mas desta_vez , não podia deixar de lhe estar grato . Na_melhor_das_hipóteses o que Peeves tivesse feito ( e parecia que agora ele destruíra qualquer coisa em grande ) distrairia Filch_de_Harry . Pensando que o melhor seria esperar que ele voltasse , Harry deixou se cair em uma cadeira carcomida por o tempo que se encontrava junto de a secretária . Havia uma coisa sobre o tampo : um grande envelope roxo e lustroso com letras prateadas em a frente . Lançando um olhar rápido a a porta para confirmar que Filch não estava de volta , Harry pegou lhe e leu : __ feitiço __ rápido Um curso por correspondência De iniciação a a magia Cheio de curiosidade , abriu o envelope e retirou o rolo de pergaminho . Uma letra curvilínea e prateada dizia : Sente se pouco a a vontade em o mundo de a magia moderna ? Dá consigo a arranjar desculpas para não fazer feitiços simples ? Tem sido censurado por o deplorável trabalho com a varinha ? Eis a resposta ! Feitiço rápido e um curso totalmente novo , infalível , de resultados rápidos e rápida aprendizagem . Centenas de bruxas e feiticeiros têm beneficiado de o método feitiço rápido ! Madam_Z._Nettles_de_Topsham escreve nos : Eu não conseguia fixar os encantamentos e as minhas poções eram alvo de risota em a família . Agora , depois de o curso feitiço rápido , tornei me o centro de as atenções em todas_as festas e os meus amigos não param de pedir me a receita de a minha brilhante solução ! O mágico D.J._Prod , de Disbury , afirma : A minha mulher costumava rir se de os meus fracos encantamentos , mas bastou um mês com o vosso fabuloso curso feitiço rápido e consegui transformá a em um iaque . Obrigado , feitiço rápido ! Fascinado , Harry folheou o resto de o conteúdo de o envelope . Para que diabo quereria o Filch um curso de feitiço rápido ? Não seria ele um feiticeiro a sério ? Harry estava a ler a lição número um : Pegando em a varinha ( algumas dicas úteis ) quando umas passadas arrastadas , lá fora , o preveniram de que Filch estava de volta . Metendo rapidamente o pergaminho dentro de o envelope , lançou o para_cima de a secretária em o preciso momento em que a porta se abriu . Filch ostentava um ar triunfante . - Aquele armário que desapareceu era extremamente valioso - vinha ele a dizer a a gata , Mrs._Norris . - Desta_vez vamos correr com o Peeves , minha linda . Os seus olhos recaíram sobre Harry e logo_a_seguir sobre o envelope de o feitiço rápido que , Harry apercebeu se tarde de mais , estava meio metro distanciado de o seu lagar inicial . O rosto pálido de Filch tornou se vermelho escarlate . Harry preparou se para uma nova onda de fúria . Filch coxeou até a a secretária , arrebatou o envelope e meteu o em uma gaveta . -- Chegaste a ... lê o ? - perguntou atabalhoadamente . - Não - mentiu Harry , sem perder tempo . As mãos nodosas de o Filch contorciam se ao_mesmo_tempo . - Se eu soubesse que ias ler a minha correspondência priv ... não que seja minha ... é para um amigo ... mesmo_assim ... Harry olhava para ele espantado . Nunca vira o Filch tão louco . Os olhos pareciam querer saltar lhe de as órbitas , com um tique em as bochechas e aquele lenço axadrezado que não ajudava nada ... - Muito bem , vai e não abras a boca sobre isto ... não que ... mesmo_assim ... se tu não leste ... vai te embora , tenho de escrever o relatório sobre o Peeves , vai . Atordoado com a sua sorte , Harry saiu de ali e largou a correr por o corredor fora e por as escadas acima . Sair de o gabinete de o Filch sem um castigo devia ser um recorde em a escola . - Harry , Harry , deu resultado ? O Nick quase sem cabeça saiu a brilhar de uma sala de aula . Atrás de ele , Harry pôde ver os destroços de um grande armário preto e dourado que parecia ter sido atirado de uma grande altura . - Convenci o Peeves a parti o mesmo em cima de o gabinete de o Filch - disse Nick entusiasmado . - Pensei que talvez o distraísse . - Foste tu ? - exclamou Harry , agradecido . - Funcionou sim . Ele não me deu nenhum castigo . Obrigado , Nick . Atravessaram o corredor juntos . O Nick quase sem cabeça , reparou Harry , ainda tinha em a mão a carta de Sir_Patrick . - Gostaria de poder fazer qualquer coisa sobre o grupo de os Sem - _ Cabeça - disse Harry . O Nick quase sem cabeça parou de repente e Harry passou através de ele . Antes não tivesse passado , foi como atravessar um duche gelado . - Mas há uma coisa que tu podes fazer por mim - disse Nick muito agitado . - Harry , seria pedir te de mais ... mas não , tu não ias querer ... - O quê ? - Bem , este ano em o * _ Hallowe'en * vai ser o meu meio milénio de dia de os mortos - disse o Nick quase sem cabeça endireitando se e adquirindo uma postura de grande dignidade . - Oh - respondeu Harry sem saber se deveria lamentar ou dar lhe os parabéns . - Certo . - Vou dar uma festa em um de os calabouços mais amplos . Vêm amigos meus de todo o país . Seria uma honra muito grande se tu aparecesses . Mr._Weasley e Miss_Granger seriam também muito bem-vindos , claro . Mas tu deves preferir o banquete de a escola , não é verdade ? - Olhou para Harry , aflito . - Não - assegurou ele rapidamente . - Eu vou . - Oh rapaz , Harry_Potter em a minha festa de os mortos - hesitou no_meio_de toda aquela excitação . - Achas que poderias referir a Sir_Patrick como me achas assustador e como te impressiono ? - É claro que sim - assegurou Harry . O Nick quase sem cabeça iluminou se em um sorriso . - Uma festa de os mortos ? - exclamou Hermione , entusiasmada , quando Harry , depois de mudar de roupa , se juntou a ela e a o Ron em a sala comum . - Aposto que não há muitas pessoas que possam gabar se de ter estado em uma festa de essas . Vai ser fantástico ! - Por_que é_que alguém se lembraria de festejar o dia em que morreu ? - perguntou o Ron que estava a meio de o seu trabalho de casa de poções e bastante maldisposto . - Parece me bastante mórbido . A chuva continuava a lamber as janelas que apresentavam agora um negro que parecia tinta , mas , lá dentro , era tudo claro e alegre . O fogo em a lareira brilhava sobre as inúmeras cadeiras de braços onde as pessoas estavam sentadas a ler , a conversar , a fazer os trabalhos de casa ou , no_caso_de Fred e George_Weasley , a tentar descobrir o que aconteceria se alimentassem uma salamandra com fogo-de-artíficio de o Filibuster . O Fred tinha « resgatado . o lagarto cor de laranja brilhante , morador de o fogo , de uma aula de tratamento de seres mágicos e ele estava agora a arder em fogo lento sobre uma mesa , rodeado de um grupo de curiosos . Harry ia começar a contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre o Filch e o curso de feitiço rápido quando a salamandra disparou por os ares , lançando faíscas e estoiros . A visão de Percy a gritar com Fred e George até ficar ronco , a fantástica exibição de estrelas cor de tangerina que choviam de a boca de a salamandra e a sua fuga para o lume acompanhada de explosões , fizeram com que Harry se esquecesse , em aquele momento , de Filch e de o curso de feitiço rápido . Quando chegou o * _ Hallowe'en * , Harry já lamentava a sua promessa imprudente de ir a a festa de os mortos . Toda_a escola antecipava , feliz , a sua festa de * _ Hallowe'en * . O salão nobre fora enfeitado com os habituais morcegos , as enormes abóboras de Hagrid tinham sido esculpidas em forma de lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro_de cada uma , e havia boatos de que Dumbledore contratara um grupo de esqueletos bailarinos para animar a festa . - Uma promessa é uma promessa - lembrou Hermione_a_Harry com o seu autoritarismo habitual . - Tu disseste que ias a a festa de os mortos . Portanto , a as sete_da_tarde , Harry , Ron e Hermione saíram , passando por a porta de o salão nobre que brilhava de modo convidativo com pratos dourados e velas e dirigiram os seus passos para os calabouços . O corredor que conduzia a a festa de o Nick quase sem cabeça tinha sido também ladeado de velas , embora o efeito estivesse longe_de ser alegre : estas eram velas muito esguias e estreitas , negras de breu , ardendo em um azul brilhante e lançando uma luz indistinta e espectral também sobre as caras de as pessoas vivas . A temperatura diminuía a cada degrau que desciam . Harry tremia e cingia a túnica a o corpo quando ouviu qualquer coisa que parecia uma centena de unhas a rasparem um enorme quadro preto . - Será que isto_é a música ? - murmurou Ron . Viraram uma esquina e viram o Nick quase sem cabeça junto de uma porta , todo vestido de veludo negro . - Meus queridos amigos - disse com ar de luto . - Bem-vindos , bem-vindos , ainda_bem que puderam vir . Em um gesto largo tirou o chapéu de plumas e fez lhes sinal para que entrassem . Era uma visão incrível . O calabouço estava cheio com centenas de pessoas de um branco pálido e translúcido , a maior parte de as quais era arrastada em uma pista de dança cheia , valsando a o som de trinta serrotes musicais . Os serrotes que compunham a orquestra encontravam se sobre um estrado enfeitado com panos negros . Um lustre lá em cima resplandecia de um azul nocturno com mais um_milhar de velas negras . A respiração de os três subiu em o ar como uma neblina . Parecia que tinham entrado em um congelador . - Vamos dar uma volta - sugeriu Harry em uma tentativa de aquecer os pés . - Cuidado , não atravessem nenhum de eles - avisou o Ron nervosamente e colocaram se em volta de a pista de dança . Passaram por um grupo escuro de freiras , por um homem esfarrapado e cheio de correntes e por o frade gordo , o divertido fantasma de os Hufflepuff que estava a conversar com um cavaleiro com uma seta enfiada em a testa . Harry não ficou nada surpreendido a o ver que o Barão sangrento , o fantasma lúgubre e berrante de os Slytherin , coberto de nódoas de sangue ; estava a ser totalmente evitado por os outros fantasmas . - Oh ! Não -- exclamou Hermione , parando bruscamente . - Voltem se , voltem se , não quero ter de cumprimentar a Murta_Queixosa . - Quem ? - perguntou Harry enquanto davam rapidamente meia volta . - Ela assombra a casa_de_banho de as raparigas de o primeiro andar - explicou Hermione . - Assombra uma casa_de_banho ? - Sim . Está inoperativa durante todo o ano porque ela tem constantes acessos de choro e inunda tudo . Eu só lá fui quando não pode mesmo evitar . É horrível tentar ir a a sanita com ela a gritar connosco . - Olhem , comida - disse o Ron . De o outro lado de o calabouço estava uma mesa igualmente coberta de velado negro . Iam para se aproximar entusiasmados , mas pararam com uma expressão de horror . O cheiro era nauseabundo . Enormes peixes podres enchiam as bonitas travessas de prata , os bolos estorricados como carvões amontoavam se em as salvas , havia uma grande quantidade de miúdos de macaco , uma tábua de queijos cobertos de bolor e , em o lugar de honra , um enorme bolo cinzento em forma de lápide com letras que pareciam alcatrão formando as palavras , * _ Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington_Morto em 31_de_Outubro , 1492 * . Harry olhou espantado quando um fantasma de porte majestoso se aproximou de a mesa inclinando se e passando através de ela com a boca aberta enquanto atravessava um salmão malcheiroso . - Consegue prová o passando através de ele ? - perguntou lhe Harry . - Quase - disse tristemente o fantasma antes de se afastar . - Devem ter deixado apodrecer tudo_isto para ter um sabor mais forte - comentou Hermione com ar de quem está bem informada , tapando o nariz e aproximando se para ver melhor os pútridos miúdos de macaco . - Podemos sair de aqui , estou a sentir me agoniado - disse o Ron . Mas mal tinham dado meia volta quando um homenzinho pequenino saiu inesperadamente de debaixo de a mesa e fez uma paragem em o ar em frente de eles . - Olá , Peeves - disse Harry cautelosamente . Ao_contrário de os outros fantasmas que os rodeavam , Peeves , o * poltergeist * era o oposto de pálido e transparente . Usava um chapéu festivo cor de laranja , um laço rotativo a o pescoço e tinha um sorriso grosseiro de malvadez , em o rosto . - Querem petiscar ? - perguntou delicadamente , oferecendo lhes uma taça de amendoins cobertos de fungos . - Não , obrigada - disse Hermione . - Ouvi te falar sobre a pobre Murta - disse Peeves com os olhos a bailar . - Que insensível que tu foste para com a pobre Murta - respirou fundo e gritou : - Oh Murta . - Oh ! Não , Peeves , não lhe contes o que eu disse , ela vai ficar muito aborrecida - murmurou Hermione bastante nervosa . - Eu não queria dizer que ... eu não me importo que ela , er , olá , Murta . O espectro atarracado de uma rapariga deslizara . Tinha o rosto mais carrancudo que Harry alguma vez vira , meio escondido por o cabelo liso e por os óculos grossos cor de pérola . - O que é ? - perguntou mal-humorada . - Como estás Murta ? - perguntou Hermione , em uma voz falsamente alegre . - É bom ver te fora de a casa_de_banho . Murta fungou . - Miss_Granger estava justamente a falar de ti - disse lhe Peeves baixinho a o ouvido . - A dizer , a dizer ... como estás bonita esta noite -- terminou Hermione , olhando irritada para Peeves . A Murta olhou para Hermione desconfiada . - Estão a divertir se a a minha custa - disse , com lágrimas de prata a encherem lhe rapidamente os olhos pequeninos . - Não , a sério , eu não estava a dizer vos como a Murta estava bonita esta noite ? - disse Hermione , dando uma palmada em as costas de o Harry e de o Ron . - Sim , sim . - Ela ... - Não me venham com mentiras - protestou a Murta , as lágrimas agora a descerem lhe por o rosto , enquanto Peeves ria baixinho por cima de o ombro de ela . - Julgam que eu não sei o que as pessoas me chamam em as minhas costas ? A Murta gorda , a Murta feia , a Murta queixosa , a Murta deprimida ! - Esqueceste te de « a Murta ponto negro » - sussurrou lhe Peeves a o ouvido . A Murta_Queixosa irrompeu em soluços de angústia e fugiu de o calabouço . Peeves disparou atrás de ela , lançando lhe uma chuva de amendoins cheios de bolor e gritando : Ponto negro ! Ponto negro ! - Oh , coitada ! - exclamou Hermione com tristeza . O Nick quase sem cabeça abria agora caminho entre a multidão para se aproximar de eles . - Estão a divertir se ? - Sim , sim - mentiram . - Uma afluência nada má - disse orgulhoso o Nick quase sem cabeça . - A viúva chorosa veio de Kent ... está quase em a hora de o meu discurso . É melhor ir avisar a orquestra . Mas a orquestra parou de tocar em esse preciso momento . Eles , e todos os outros em o calabouço , ficaram em silêncio total , olhando em volta cheios de excitação quando se ouviu uma trompa de a caça . - Lá vêm eles - disse o Nick quase sem cabeça , com alguma amargura em a voz . Por o calabouço irromperam uma_dúzia de , cavalos fantasmas , cada_um montado por um cavaleiro sem cabeça . A assistência aplaudiu vivamente . Harry começou também a bater palmas , mas parou rapidamente quando viu a cara de o Nick . Os cavalos galoparam até a o meio de a pista de dança e pararam , empinando se , dando pequenos passos para a frente e para trás , sobre as patas traseiras . Um fantasma grande em a frente , cuja cabeça barbuda estava debaixo de o braço , soprando a trompa , desmontou , levantou a cabeça bem em o ar para poder ver toda_a assistência ( todos se riam ) e dirigiu se a o Nick quase sem cabeça , comprimindo a cabeça contra o pescoço . - Bem-vindo , Patrick - disse o Nick , mantendo a sua postura rígida . - Gente viva ! - exclamou o Sir_Patrick , avistando Harry , Ron e Hermione e dando um salto de falso espanto , de_tal_modo_que a cabeça lhe caiu de_novo ( a multidão ria a bom rir ) . - Muito engraçado - disse o Nick quase sem cabeça com um ar soturno . - Não ligues a o Nick - gritou a cabeça de Sir_Patrick de o chão . - Ainda está aborrecido por não o deixarmos juntar se a o grupo . Mas olhem bem para ele ... - Eu acho - disse apressadamente Harry , a seguir a um olhar de o Nick - que o Nick é muito assustador e ... eu ... - Bah ! - gritou a cabeça de Sir_Patrick . - Aposto que ele te pediu que dissesses isso . - Gostaria de ter a vossa atenção . Chegou a altura de fazer o meu discurso - disse o Nick quase sem cabeça bem alto , dirigindo se a o pódio , subindo e parando , iluminado por uma luz azul . - Os meus sentimentos , senhores e senhoras , é com profundo pesar ... Mas já ninguém estava a ouvi o . Sir_Patrick e o resto de o grupo de os Sem - _ Cabeça tinham iniciado um jogo de hóquei de cabeça e a multidão voltara se para os observar . Nick quase sem cabeça tentou em vão recuperar a audiência , mas acabou por desistir quando a cabeça de Sir_Patrick passou por ele a_toda_a velocidade gritando vivas . Harry estava cheio de frio para não falar de a fome . - Não aguento mais isto - murmurou Ron a bater o dente enquanto a orquestra voltava a entrar em acção e os fantasmas enchiam de_novo a pista de dança . - Vamos embora - concordou Harry . Recuaram até a a porta , acenando e sorrindo a todos os que olhavam para eles e um minuto depois passavam apressadamente por a entrada cheia de velas negras . - Talvez o pudim ainda não tenha acabado - disse o Ron cheio de esperança , abrindo caminho em direcção a os degraus de o vestíbulo de a entrada . E foi então que Harry ouviu aquilo . - ... * _ Arrancar ... rasgar ... matar * ... Era a mesma voz , a mesma voz fria e assassina que ouvira em o escritório de Lockhart . Parou , agarrando se a a parede de pedra em a expectativa de ouvir melhor , olhando em volta , espreitando para_cima e para baixo de a passagem mal iluminada . - Harry que estás tu a ... ? - E aquela voz outra_vez , calem se um bocadinho . -- ... * _ Tanta fome ... há tanto tempo * ... - Ouçam insistiu Harry e Ron e Hermione ficaram estáticos a olhar para ele . - * _ Matar ... hora de matar * ... A voz ia ficando mais débil . Harry tinha a certeza de que ela estava a afastar se , a subir . Um misto de medo e excitação tomou posse de ele enquanto olhava para o tecto escuro . Como poderia ele subir ? Seria um fantasma para quem os tectos de pedra não contavam ? - Por aqui - gritou , começando a correr por as éscadas acima até a a entrada de o * hall * . Não havia hipótese de ouvir fosse o que fosse ali , o barulho de vozes que vinha de o banquete de o * _ Hallowe'en * ecoava cá fora . Harry subiu a correr a escadaria de mármore até a o primeiro andar com Ron e Hermione ruidosamente atrás . - Harry o que é_que nós ... ? - Sch ... Harry apurou o ouvido . Ao_longe , em o andar de cima , e ainda a enfraquecer , mesmo_assim ouviu a voz : - ... * Cheira-me a sangue ... cheira me a sangue ! * O estômago deu lhe uma volta . - Ele vai matar alguém - gritou e ignorando as caras perplexas de Ron e Hermione , correu , subindo mais um lanço de escadas , a três_e_três , tentando ouvir através de o ruído de os seus próprios passos . Harry correu a_toda_a velocidade pelo segundo andar com Ron e Hermione atrás e só parou quando viraram uma esquina para o último corredor abandonado . - Harry , o que foi aquilo tudo ? - perguntou o Ron , limpando o suor de o rosto . - Eu não ouvi nada ... Mas Hermione , em um sobressalto , apontou para o fundo de o corredor . - Olhem ! Alguma coisa brilhava em a parede em frente . Aproximaram se devagarinho , tentando ver em a escuridão . Alguém escrevera em letras garrafais em a parede entre duas janelas . As palavras brilhavam a a chama fraca de as tochas . : __ a câmara de os segredos foi aberta . inimigos de o herdeiro , __ cuidado . - O que é aquilo pendurado por baixo de as letras ? - perguntou Ron com um tremor em a voz . Quando se aproximaram , Harry quase escorregou . Havia uma grande poça de água em o chão . Ron e Hermione agarraram o e avançaram cautelosamente até a a mensagem , os olhos fixos em uma sombra escura , em baixo . Aperceberam se os três de imediato do_que se tratava e deram um salto para trás , salpicando tudo de água . Mrs._Norris , a gata de o encarregado , estava pendurada por a cauda em o suporte de a tocha . Tinha o corpo rígido como uma tábua e os olhos abertos . Durante alguns segundos ninguém se mexeu . Depois o Ron disse : - Vamos sair de aqui . - Não devíamos tentar ajudar ? - propôs Harry , sem graça . - Acredita - assegurou o Ron . - É melhor que não nos encontrem aqui . Mas era tarde de mais . Um ruído surdo e prolongado , como um trovejar distante , avisou os de que o festim tinha terminado . De ambos os lados de o corredor onde eles estavam , veio o som de centenas de pés a subirem a escadaria e as vozes alegres de gente bem alimentada . Em o momento seguinte os alunos chegavam junto de eles de ambos os lados . O burburinho morreu subitamente mal as pessoas avistaram a gata pendurada . Harry , Ron e Hermione estavam de pé , sozinhos , em o meio de o corredor quando se fez silêncio em a multidão de estudantes que se empurravam para observar aquele quadro macabro . Então alguém gritou , quebrando o silêncio . - Inimigos de o herdeiro , cuidado . Vocês serão os próximos , sangue de lama ! Era_Draco_Malfoy . Estava a a frente de a multidão com os olhos frios a brilhar , a sua cara habitualmente pálida agora afogueada , sorrindo a a vista de a gata pendurada e imóvel . IX_As palavras em a parede -- O que é_que se passa aqui ? O que é_que se passa ? Sem dúvida , atraído por o grito de Malfoy , Argus_Filch apareceu a coxear em o meio de a multidão . Quando viu Mrs._Norris , caiu para trás agarrando o rosto com verdadeiro horror . - A minha gata ! A minha gata ! O que aconteceu a Mrs._Norris ? - gritou . E os seus olhos rápidos caíram sobre Harry . - Tu - guinchou ele . - Mataste a minha gata ! Mataste a , vou dar cabo de ti , eu ... - Argus . Dumbledore tinha chegado a o lugar , seguido de alguns professores . Em poucos segundos tinha passado a a frente de Harry , Ron e Hermione e desatado Mrs._Norris de o suporte de a tocha . - Vem comigo , Argus - disse ele a o Filch . - Vocês também , Mr._Potter , Mr._Weasley e Miss_Granger . Lockhart deu rapidamente um passo em frente . - O meu escritório é o que está mais perto , senhor director , é já aqui em cima , por favor fiquem a a vontade . - Obrigado , Gilderoy - disse Dumbledore . A multidão silenciosa dividiu se para os deixar passar . Lockhart sentindo se excitado e importante , seguia Dumbledore assim_como a professora Mc_Gonagall e o professor Snape . Quando entraram em o escritório escuro de Lockhart houve uma grande agitação em as paredes . Harry viu várias imagens de Lockhart a esconderem se cheias de rolos em o cabelo . O Lockhart em pessoa acendeu as velas e chegou se mais para trás . Dumbledore pôs Mrs._Norris em a superfície polida de a secretária e começou a examiná a . Harry , Ron e Hermione trocaram olhares tensos entre si e deixaram se cair em as cadeiras que se encontravam longe de a luz , a observar . A ponta de o nariz longo e adunco de Dumbledore estava a menos_de dois centímetros de o pêlo de Mrs._Norris . Ele olhava a de perto através de os óculos de meia-lua , os dedos longos a palpar e tactear suavemente . A professora Mc_Gonagall estava quase tão perto como ele , com os olhos contraídos . Snape surgia mais atrás , meio em a sombra , com uma expressão estranha em o rosto , como_se tentasse a_toda_a força sorrir . E Lockhart andava de um lado para o outro a dar sugestões . - Foi sem dúvida uma maldição que a matou , provavelmente a tortura de a metamorfose . Vi a muitas_vezes ser usada , mas infelizmente eu não estava lá quando isto aconteceu . Conheço o antídoto para essa maldição , o que a teria salvo . Os comentários de Lockhart foram interrompidos por os soluços secos e violentos de Filch . Estava afundado em uma cadeira junto de a secretária , incapaz de olhar para Mrs._Norris , com o rosto em as mãos . Por mais que detestasse Filch , Harry não pôde deixar de sentir pena de ele embora não tanta quanto_a que sentia por si próprio . Se Dumbledore acreditasse em o Filch ele seria certamente expulso . O director estava agora a sussurrar umas palavras estranhas e batendo em Mrs._Norris com a varinha , mas não aconteceu nada , ela continuou com o mesmo aspecto , como_se tivesse sido empalhada . - ... Lembro me de uma coisa semelhante que aconteceu em Ouagadogou - disse LockLart . - Uma série de ataques . Conto essa história em a minha autobiografia . Eu dei a a gente de a cidade vários amuletos que resolveram logo a situação ... As fotografias de Lockhart em as paredes iam acenando afirmativamente com a cabeça enquanto ele falava . Uma de elas esquecera se de tirar os rolos de o cabelo . Por fim , Dumbledore endireitou se . - Ela não está morta , Argus - disse suavemente . Lockhart interrompeu bruscamente a contagem de os crimes que conseguira evitar . - Não está morta ? - disse Filch em um sufoco , olhando através de os dedos para Mrs._Norris . - Mas , porque está ela rígida e gelada ? - Foi petrificada - disse Dumbledore ( Ah ! foi o que eu pensei ! - comentou Lockhart ) mas como , não posso afirmar . - Pergunte lhe - gritou Filch , voltando a cara cheia de furúnculos e lágrimas para Harry . - Nenhum aluno de o segundo ano poderia ter feito isto - explicou Dumbledore . - Era preciso um grande conhecimento de magia negra . - Foi ele , foi ele - disse encolerizado o encarregado com a cara a ficar roxa . - O senhor viu o que ele escreveu em a parede . Ele descobriu em o meu gabinete , ele sabe que eu sou um ... - O rosto de Filch estava horrível . - Ele sabe que eu sou um * _ busca-pé * - disse por fim . - Eu não toquei em a Mrs._Norris - gritou Harry com todos os olhares a recaírem sobre ele , incluindo o de todos os Lockharts de a parede . - E eu nem sei o que é um * busca-pé * . - Mentira ! - gritou Filch . - Ele viu a minha carta de o feitiço rápido . - Se me permite que dê a minha opinião , senhor director - disse Snape , saindo de a sombra , e a sensação de mau presságio de Harry aumentou bastante . Certamente nada do_que Snape tinha para de dizer iria ajudá o . - O Potter e os amigos podiam estar simplesmente em o lugar errado em a altura errada - afirmou com um leve sorriso a torcer lhe a boca como_se tivesse as suas dúvidas . - Mas , temos aqui um conjunto de circunstâncias curiosas . Porque estavam eles afinal em o corredor ? Porque não estiveram presentes em a festa de o * _ Hallowe'en * ? Harry , Ron e Hermione começaram uma longa explicação sobre a festa de o dia de os mortos . - Estavam lá centenas de fantasmas , eles poderão confirmar que lá estivemos ... - Mas porque não foram a seguir a o banquete ? - perguntou Snape com os olhos pretos a brilharem a a luz de as velas . - Porquê ir até a aquele corredor ? Ron e Hermione olharam para Harry . - Porque , porque ... - balbuciou Harry , com o coração a querer saltar lhe de o peito , mas algo lhe disse que ia parecer muito rebuscado se lhes contasse que tinha sido levado até ali por uma voz sem corpo que só ele conseguia ouvir . - Porque estávamos cansados e queríamos ir para a cama - disse . - Sem jantar ? - inquiriu Snape com um sorriso triunfante a bailar lhe em o rosto lúgubre . - Não sabia que os fantasmas ofereciam em as suas festas comida para gente viva . - Não estávamos com fome - disse o Ron bem alto , enquanto o estômago se queixava de forma audível . O sorriso mesquinho de a Snape ampliou se . - Acho , senhor director , que Potter não está a dizer toda_a verdade - afirmou . - Talvez fosse boa ideia retirar lhe alguns privilégios , até ele estar disposto a contar nos a história toda . Pessoalmente , sugiro que seja retirado de a equipa de os Gryffindor até decidir ser honesto . - Francamente , Severus - exclamou a professora Mc_Gonagall com uma voz cortante . - Não vejo porquê impedir o rapaz de jogar Quidditch . Esta gata não levou pauladas em a cabeça dadas por nenhum cabo de vassoura . E não há provas de que o Potter tenha feito algo de mal . Dumbledore observava Harry com um olhar perscrutador . A voz tremeluzente de os seus olhos azuis fez Harry sentir que estava a ser passado a raios X. - Inocente até se provar que é culpado , Severus - disse com segurança . Snape estava furioso , assim_como Filch . - A minha gata foi petrificada ! - berrou , com os olhos a saltarem de as órbitas . - Quero ver um castigo ! - Vamos poder curá a , Argus - explicou pacientemente Dumbledore . - Madam_Sprout conseguiu arranjar algumas Mandrágoras . Logo_que tenham atingido o tamanho adulto , terei uma poção de Mandrágoras que reanimará Mrs._Norris . - Eu posso fazê a - interrompeu Lockhart . - Devo ter feito isso uma centena de vezes . Preparo uma golada de Mandrágora reconstituinte de olhos fechados ... - Perdão - disse Snape friamente -- , mas julgo que o professor de poções de esta escola ainda sou eu . Houve um silêncio bastante incómodo . - Vocês podem ir se embora - disse Dumbledore a o Harry , Ron e a Hermione . Eles saíram o mais depressa que puderam , sem ir a correr . Quando chegaram a o andar acima de o escritório de Lockhart , entraram em uma sala de aulas vazia e fecharam a porta devagarinho . Harry lançou um olhar de esguelha a as caras carrancudas de os amigos . - Acham que eu lhes devia ter falado de a voz que ouvi ? - Não - respondeu Ron , sem a mínima hesitação . - Ouvir vozes que mais ninguém ouve , não é bom sinal , nem em o mundo de os feiticeiros . Algo em a voz de Ron levou Harry a fazer a pergunta : - Tu acreditas em mim , não acreditas ? - Claro que sim - respondeu o Ron de imediato . - Mas tens de concordar que é esquisito ... - Eu sei que é esquisito - confirmou Harry . - É tudo esquisito . O que era aquilo escrito em a parede ? * _ A_Câmara foi aberta * , o que é_que significa ? - Sabes , faz me lembrar qualquer coisa - disse Ron lentamente . - Acho que alguém me contou uma história sobre uma câmara secreta em Hogwarts , talvez tenha sido o Bill ... - E que diabos é um * busca-pé * ? - perguntou Harry . Para sua surpresa , Ron abafou o riso . - Bem , em a verdade não tem graça nenhuma , mas como é o Filch ... - disse . - Um * busca-pé * é alguém que nasceu de uma família de feiticeiros , mas não tem poderes mágicos . É uma espécie de o oposto de os que vêm de famílias de Muggles , mas são feiticeiros . Os * busca-pé * são muito raros . Se o Filch está a tentar aprender magia em um curso rápido , acho que ele deve ser mesmo um busca-pé . Isso explicaria tudo , por_exemplo , porque detesta tanto os estudantes . - Ron sorriu satisfeito . - Tem inveja . Um relógio deu as horas , algures . - Meia-noite - disse Harry . - É melhor irmo nos deitar , antes que o Snape apareça e tente acusar nos de qualquer coisa . Durante alguns dias não se falou de outra coisa em a escola a não ser de o ataque a a gata , Mrs._Norris . Filch manteve o sucedido bem fresco em a memória de todos , andando de um lado para o outro em o lugar onde ela fora atacada , como_se esperasse por o responsável . Harry vira o esfregar a mensagem de a parede com a « solução removedora de toda_a porcaria mágica Mrs._Skower » , mas sem qualquer resultado . As palavras continuavam a brilhar tanto como antes sobre a pedra . Quando Filch não estava a patrulhar a cena de o crime , vagueava , de olhos avermelhados , por os corredores , perseguindo alunos insuspeitos e tentando aplicar lhes castigos por coisas como « respirar muito alto » ou « estar alegre » . Ginny_Weasley parecia muito perturbada com o destino de Mrs._Norris . Segundo Ron ela era uma amante de gatos . - Mas tu nem chegaste a conhecer bem Mrs._Norris - disse lhe Ron para a animar . - Com toda_a franqueza , estamos muito melhor sem ela . - O lábio de Ginny tremeu . - Não é costume acontecerem coisas de estas em Hogwarts - tranquilizou a . - Eles vão descobrir o safado que fez aquilo e põem o de aqui para fora em três tempos . - Só espero que tenha tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso . Estou a brincar , claro - acrescentou o Ron apressadamente a o ver a Ginny a empalidecer . O ataque afectara também Hermione . Era costume de ela passar muito_tempo a ler , mas agora parecia não fazer mais_nada . Nem respondia a o Harry e a o Ron quando lhe perguntavam o que estava a fazer e só acabaram por descobrir em a quarta-feira seguinte . Harry tivera de ficar até mais tarde em a sala de poções onde Snape o mandara raspar restos de larvas de as secretárias . Depois de um almoço comido a a pressa , ele foi lá acima encontrar se com Ron em a biblioteca e viu Justin_Finch - _ Fletchley , o rapaz de os Hufflepuff de herbologia que vinha em direcção a ele . Harry tinha acabado de abrir a boca para dizer um « Olá » quando Justin o viu , voltando se bruscamente e mudando de direcção . Harry foi encontrar o Ron em as traseiras de a biblioteca , a medir o trabalho de casa de história de a magia . O professor Binns pedira uma composição sobre a Assembleia_Medieval_de_Feiticeiros_Europeus com 90cm . De extensão . - Não posso crer que ainda me faltem 16cm - disse o Ron furioso , largando o pergaminho que se enrolou em forma de tubo - e que a Hermione fez um metro e trinta em aquela letra pequenina e apertadinha . - Onde está ela ? - perguntou Harry , agarrando em a fita métrica e desembrulhando o seu trabalho de casa . - Algures por aí - disse o Ron , apontando para as estantes . - _ a a procura de outro livro . Acho que ela está a tentar ler a biblioteca toda antes de o Natal . Harry contou a Ron que Justin_Finch - _ Fletchley tinha evitado falar lhe . - Não sei porque te preocupas com isso . Eu achei o um idiota - disse o Ron , escrevinhando e fazendo a letra o maior possível . - Todo aquele disparate sobre o Lockhart ser tão grande ... Hermione surgiu de o meio de as estantes . Parecia irritada e disposta , por fim , a falar com eles . - Todos os exemplares de * _ Hogwarts : Uma História * foram requisitados - disse , sentando se ao_lado_de Harry e Ron . - E há uma lista de espera de duas semanas . Quem me dera não ter deixado o meu exemplar em casa , mas não consegui que coubesse em a mala com todos os livros de o Lockhart . - Para que o queres ? - perguntou Harry . - Pelo mesmo motivo que toda_a_gente o quer - disse Hermione . - Para ler a lenda de a Câmara_dos_Segredos . - O que é isso ? - Precisamente . Não me lembro - disse Hermione , mordendo o lábio . - E não encontro a História em lugar nenhum . - Hermione , deixa me ler o teu trabalho - pediu Ron desesperado , olhando para o relógio . - Não , não deixo - respondeu Hermione com um ar severo . - Tiveste dez dias para o fazer . - Só preciso de mais quatro centímetros , vá lá ... A campainha tocou . Ron e Hermione encaminharam se para a História_da_Magia , discutindo . A História_da_Magia era a matéria mais chata de o programa . O professor Binns , que dava a cadeira , era o único professor fantasma e a coisa mais excitante que aconteceu em as suas aulas foi o dia em que entrou por o quadro preto . Já velho e enrugado , muita gente afirmava a seu respeito que ele não dera por_que tinha morrido . Pura e simplesmente levantara se um dia para ir dar aulas , deixando o corpo atrás , em um cadeirão em frente de a lareira de a sala de os professores . Desde esse dia a sua rotina mantivera se igual . Era hoje tão chato como fora sempre . Abriu as notas e começou a ler em um tom monocórdico como um velho aspirador até quase todos os alunos estarem em um estado de profunda dormência , acordando de vez em quando , para tomar nota de um nome ou de uma data , e voltando a adormecer . Estava a falar havia meia_hora quando aconteceu algo que nunca tinha acontecido . Hermione pôs o braço em o ar . O professor Binns olhou de relance , em o meio de a chatíssima aula sobre a Convenção_Internacional_de_Feiticeiros de 1289 , verdadeiramente espantado . - Miss ... er ... ? - Granger , professor . Poderia dizer nos alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Hermione em uma voz bem audível . O Dean_Thomas , que tinha estado sentado de boca aberta olhando para fora de a janela , saiu de o seu transe com um salto . A cabeça de Lavender_Brown saiu de os braços e o cotovelo de o Neville_Longbottom escorregou para fora de a secretária . O professor Binns piscou os olhos . - A minha matéria é História_da_Magia - disse em a sua voz seca e asmática . - Eu trato de factos , Miss_Granger , não de mitos e lendas - pigarreou produzindo um ruído que parecia o giz sobre o quadro e continuou : - Em Setembro de esse ano , uma subcomissão de feiticeiros de a Sardenha ... Parou de repente . A mão de Hermione estava de_novo em o ar . - Sim , Miss_Grant ? - Por favor , professor , as lendas não têm sempre um facto como base ? O professor Binns olhava para ela com tal espanto que Harry teve a certeza de que ele nunca , em tempo algum , fora interrompido por um aluno . - Bem - disse lentamente o professor Binns . - Sim , é uma afirmação que pode fazer se . - Olhou para Hermione como_se fosse a primeira vez que olhasse a sério para um estudante . - Contudo , a lenda de que me fala é tão extraordinária , mesmo grotesca ... Mas a aula inteira estava agora atenta a as palavras de o professor , que olhou indistintamente para todos eles . Harry poderia assegurar que ele estava absolutamente abismado por uma tão grande demonstração de interesse . - Muito bem - disse lentamente . - Ora vejamos ... a Câmara_dos_Segredos . Todos vocês sabem com certeza que Hogwarts foi fundada há mais de um_milhar de anos , não se conhece ao_certo a data , por os quatro maiores feiticeiros e feiticeiras de a época : Godric_Gryffindor , Helga_Hufflepuff , Rowena_Ravenclaw e Salazar_Slytherin . Construíram juntos este castelo , longe de os olhares curiosos de os Muggles porque em aquele tempo a magia era temida por as pessoas comuns e as bruxas e feiticeiros sofriam terríveis perseguições . Fez uma pausa , olhou indeciso em volta e prosseguiu : - Durante alguns anos , os fundadores trabalharam juntos em harmonia procurando outros mais novos que mostrassem sinais de possuir dotes mágicos e trazendo os para o castelo para aqui serem ensinados . Mas os desentendimentos surgiram entre eles . Começou a notar se uma divisão entre Slytherin e os outros . Salazar_Slytherin queria ser mais selectivo em relação a os alunos a serem admitidos em Hogwarts . Achava que os ensinamentos de magia deviam ficar dentro de as famílias de feiticeiros . Não lhe agradava a entrada em a escola de alunos de famílias Muggles porque os achava pouco dignos de confiança . Depois de algum tempo houve uma séria discussão sobre esse assunto entre Slytherin e Gryffindor e Slytherin abandonou a escola . O professor Binns fez uma nova pausa , fazendo beicinho o que o fazia parecer uma tartaruga enrugada . - Fontes fidedignas referem nos isto - disse . - Mas estes factos foram obscurecidos por a fantasiosa lenda de a Câmara_dos_Segredos . Conta a história que Slytherin construíra uma câmara oculta dentro de o castelo cuja existência os outros fundadores ignoravam . De_acordo com a lenda , Slytherin selou a Câmara_dos_Segredos para que ninguém pudesse abri a até o seu verdadeiro herdeiro chegar a a escola . O herdeiro , e apenas ele , poderia abrir a Câmara_dos_Segredos , libertar o horror que lá se encontrava e utilizá o para expurgar a escola de todos aqueles que eram indignos de aprender magia . Houve um silêncio quando ele se calou que não era o habitual silêncio de sono de as aulas de o professor Binns . Havia um desassossego em o ar enquanto todos continuavam a olhá o a a espera de mais . O professor Binns estava ligeiramente aborrecido . - A história toda é um disparate , claro - disse ele . - A escola foi revistada por várias vezes em busca de provas de a existência de essa câmara , por os feiticeiros e bruxas mais conhecedores . Não existe nada . Uma lenda que serviu apenas para assustar os ingénuos . A mão de Hermione estava novamente em o ar . - Professor , o que quer_dizer , ao_certo com « o horror que estava dentro de a câmara » ? - Acredita se que seja uma espécie de monstro que só o herdeiro de Slytherin pode controlar - disse o professor Binns em a sua voz seca e débil . A aula trocou entre si olhares inquietos . - Como vos digo , a coisa não existe - afirmou o professor Binns , desordenando as suas notas . - Não há câmara e não há monstro . - Mas , professor - disse Seamus_Finnigan . - Se a câmara só podia ser aberta por o herdeiro de Slytherin ninguém mais poderia encontrá a . Não é ? - Um disparate pegado - disse o professor Binns , em um tom de voz exasperado . - Se uma longa sucessão de directores e directoras de Hogwarts não a encontraram ... - Mas , professor - começou a dizer Parvati_Patil . Se_calhar é preciso usar magia negra para a abrir ... - Lá porque um feiticeiro não usa magia negra não quer_dizer que não possa , Miss_Pennyfeather - interrompeu o professor Binns . - Repito , se os antecessores de Dumbledore ... - Mas talvez seja preciso fazer parte de os Slytherin , por isso Dumbledore não podia ... - começou Dean_Thomas , mas o professor Binns já estava farto . - Já chega - disse , de modo cortante . - É um mito . Não existe . Não há uma única prova de que Slytherin tenha construído nem mesmo uma despensa para vassouras . Lamento ter vos contado esta história tola . Vamos voltar , se fazem o favor , a a História , a os factos sólidos , verificáveis , credíveis . E em menos_de cinco minutos toda_a classe mergulhara em a sua sonolência habitual . - Eu sempre ouvi dizer que Salazar_Slytherin era um velho retorcido e meio pateta - disse Ron_a_Harry e Hermione enquanto abriam caminho por os corredores cheios , em o final de a aula , para ir arrumar as malas antes de o jantar . - Mas não sabia que ele tinha começado esta coisa de o sangue puro . Eu não ia para os Slytherin nem que me pagassem . Se o chapéu seleccionador me tivesse posto lá , pegava em as malas e ia me embora ... Hermione acenou vivamente , mas Harry não abriu a boca . O estômago parecia ter dado uma volta . Harry nunca contara a o Ron e a a Hermione que o chapéu seleccionador tinha considerado seriamente a possibilidade de o colocar em os Slytherin . Lembrava se como_se tivesse sido em a véspera do_que a vozinha lhe dissera a o ouvido quando pôs o chapéu em a cabeça , um ano antes . * _ Podias vir a ser grande , sabes ? Está tudo aqui em a tua cabeça e Slytherin ajudaria te em o caminho para a grandeza , sem a menor dúvida * ... Mas Harry , que já ouvira falar de a fama de o grupo de os Slytherin de formar magos negros , pensou desesperadamente . - Em os Slytherin , não ! - E o chapéu tinha dito . - Bem , se tens assim tanta certeza ... será melhor os Gryfffndor . Enquanto eram empurrados por a multidão , Colin_Creevey passou por eles . - Olá , Harry ! - Olá , Colin - disse Harry automaticamente . - Harry , Harry , um rapaz de a minha turma tem andado a dizer que tu és ... Mas Colin era tão baixinho que não conseguiu lutar contra a maré de gente que o arrastou até a o vestíbulo . Ouviram o despedir se : - Adeus , Harry - e desaparecer . - O que é_que o rapaz de a turma de ele disse de ti ? - quis saber Hermione . - Que eu sou o herdeiro de Slytherin , imagino - disse Harry , com o estômago ainda a as voltas e lembrou se de repente de o Justin_Finch - _ Fletchley a fugir para não lhe falar , a a hora de o almoço . - As pessoas aqui acreditam em tudo - disse o Ron com repugnância . A multidão diminuiu e conseguiram subir as escadas sem dificuldade . - Achas mesmo_que existe uma Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Ron_a_Hermione . - Não sei - respondeu ela , franzindo a testa . - Dumbledore não conseguiu curar Mrs._Norris e isso leva me a pensar que o que a atacou pode não ser ... humano . Enquanto falava , voltaram uma esquina e encontraram se em o fim de aquele mesmo corredor onde o ataque tinha ocorrido . Pararam para olhar . Estava tudo igual a aquela outra noite , com excepção de a gata Mrs._Norris e havia uma cadeira vazia encostada a a parede , onde podia ler se a mensagem « : __ a câmara foi __ aberta » . - Foi aqui que o Filch montou a guarda - murmurou Ron . Olharam uns para os outros . O corredor estava deserto . - Não deve fazer mal dar uma olhadela aqui - disse Harry , deixando cair a mala e pondo se de quatro para poder gatinhar em busca de pistas . - Marcas de queimadura - disse - aqui e aqui ... - Venham ver isto ! - chamou Hermione . - Que estranho ... Harry levantou se e foi até a a janela que ficava junto de a mensagem . Hermione apontava para o vidro mais alto , onde cerca de uma vintena de aranhas se debatiam em uma aparente luta por atravessar por uma pequena brecha de vidro . Um longo fio prateado balouçava como uma corda , como_se todas tivessem trepado , em a ânsia de chegar lá fora . - Alguma vez viram aranhas agir assim ? - perguntou Hermione , curiosa . - Não - respondeu Harry . - E tu , Ron ? Ron ? Olhou por cima de o ombro . Ron estava de costas , bem lá atrás e parecia lutar contra o impulso de se virar . - O que é_que se passa ? - perguntou Harry . - Eu não gosto de aranhas - disse Ron , de modo tenso . - Nunca me tinhas dito - comentou Hermione , olhando para ele com surpresa . - Estás farto de usar aranhas em as poções ... - Não me importo quando estão mortas - explicou Ron que olhava cautelosamente para todos os lados , menos para a janela . - Não gosto de a maneira como_se mexem . Hermione riu se baixinho . - Não tem graça nenhuma - disse o Ron , furioso . - Se queres saber , quando eu tinha três anos , o Fred transformou o meu ursinho de pelúcia em uma enorme aranha nojenta , por eu lhe ter partido a vassoura de brinquedo . Tu também não gostarias de aranhas se estivesses agarrada a o teu ursinho e , de repente , ele tivesse uma data de pernas e ... Começou a tremer ... Hermione ainda estava a tentar conter o riso . Sentindo que era melhor mudarem de assunto , Harry perguntou : - Lembram se de a água que havia aqui em o chão ? De onde terá vindo ? Alguém a limpou . - Era por aqui - disse o Ron , já recuperado , avançando alguns passos em direcção a a cadeira de o Filch e apontando . - Junto de esta porta . Estendeu a mão para o puxador de a porta , mas retirou a de imediato , como_se se tivesse queimado . - O que foi ? - perguntou Harry . - Não posso entrar aí - disse o Ron bruscamente . - É a casa_de_banho de as raparigas . - Oh , Ron , não está aí ninguém - sossegou o Hermione enquanto se aproximava . - É o lugar de a Murta_Queixosa . Anda , vamos dar uma espreitadela . E ignorando o grande letreiro que dizia « Fora de serviço » Hermione abriu a porta . Era a casa_de_banho mais sombria e deprimente em que Harry tinha posto os pés durante toda_a sua vida . Debaixo_de um grande espelho partido e sujo podia ver se uma fila de lavatórios de pedra , rachados . O chão estava húmido e reflectia a luz fraca de os pavios de algumas velas que ardiam baixinho em os suportes . As portas de madeira de os cubículos estavam todas lascadas e riscadas e uma de elas balouçava fora de as dobradiças . Hermione levou os dedos a os lábios e foi até a o último cubículo . Quando lá chegou disse : - Olá , Murta , como estás ? Harry e Ron foram ver . A Murta_Queixosa flutuava em a cisterna de a casa_de_banho , tirando um ponto negro de o queixo . - Esta é a casa_de_banho de as raparigas - disse a o ver o Ron e o Harry . - Eles não são raparigas . - Não - concordou Hermione . - Eu só queria mostrar lhes como esta casa_de_banho é ... er ... simpática . Ela fez um aceno vago a o velho espelho sujo e a o chão húmido . - Pergunta lhe se viu alguma coisa - sussurrou o Ron a a Hermione . - Porque estão a dizer segredinhos ? - perguntou a Murta , fitando o . - Não é nada - disse Harry rapidamente . - Queríamos perguntar ... - Gostava que as pessoas parassem de falar em as minhas costas ! - desabafou a Murta em uma voz abafada por as lágrimas . - Eu tenho sentimentos , sabem , apesar_de estar morta . - Murta , ninguém quis aborrecer te - explicou Hermione . - O Harry só ... - A minha vida foi uma infelicidade em este lugar e agora as pessoas vêm estragar a minha morte . - Nós queríamos perguntar te se tinhas visto alguma coisa estranha ultimamente - disse Hermione sem perder tempo . - Porque foi atacada uma gata mesmo aqui a a frente de a tua porta em a noite de o * _ Hallowe'en * . - Viste alguém aqui perto em essa noite ? - insistiu Harry . - Não estava a prestar atenção - disse a Murta com ar dramático . - O Peeves aborreceu me tanto que vim aqui para tentar matar me . Só então me lembrei de que estou ... de que estou ... - Já morta - ajudou o Ron . A Murta soluçou tragicamente , elevou se em o ar , voltou se e mergulhou de cabeça em a sanita , espalhando água por_cima_de todos eles e desaparecendo . Por o som de os seus soluços abafados fora certamente descansar algures em o cano em forma de V._Harry e Ron ficaram de boca aberta , mas Hermione encolheu os ombros de cansaço e disse : - Se querem saber , para a Murta isto até foi alegre ... vá , vamos embora . Harry tinha acabado de fechar a porta deixando atrás os soluços gorgolejantes de a Murta quando uma voz forte o fez dar um salto . - RON ! Percy_Weasley estava parado em o cimo de as escadas com o seu distintivo de prefeito a brilhar e uma expressão chocadíssima em o rosto . - Isso é a casa_de_banho de as raparigas ... o que é_que vocês ... ? - Estávamos só a dar uma vista de olhos - exclamou o Ron - a a procura de pistas ... Percy engoliu em seco , de uma maneira que fez Harry lembrar se de Mrs._Weasley . - Saiam imediatamente de aqui - disse , aproximando se de eles a passos largos e gesticulando agitadamente . - Não se preocupam com as aparências ? Voltar aqui enquanto toda_a_gente está a jantar ... - Porque não havíamos de estar aqui ? - perguntou cheio de vivacidade o Ron , parando de repente e olhando Percy em os olhos . - Ouve lá , nós não tocamos em aquela gata . - Isso foi o que eu tentei explicar a a Ginny - respondeu Percy furioso - mas ela parece continuar a pensar que vocês vão ser expulsos . Nunca a vi tão aflita . Não pára de chorar . Devias pensar em ela . Todos os alunos de o primeiro ano andam superexcitados com esta história . - Tu não estás nada preocupado com a Ginny - disse o Ron já com as orelhas vermelhas . - O que te assusta é_que eu possa estragar as tuas possibilidades de ser chefe de turma . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor ! - bradou Percy , apontando elegantemente para o distintivo de prefeito . - E espero que te sirva de lição . Acabou se o trabalho de detective ou escrevo a a mãe a contar lhe . E voltou lhes as costas , a nuca tão vermelha como as orelhas de o Ron . Harry , Ron e Hermione , em essa noite , sentaram se em a sala comum o mais longe possível de Percy . Ron estava ainda muito maldisposto e não parava de esborratar o trabalho de casa de os encantamentos . Quando pegou distraidamente em a varinha para tirar as manchas incendiou o pergaminho . A deitar quase tanto fumo como o seu trabalho de casa , fechou bruscamente o * _ Livro_Padrão_de_Encantamentos de o 2.o Grau * . Para grande surpresa de Harry , Hermione fez o mesmo . - Mas quem poderia ser - perguntou ela baixinho como_se continuasse uma conversa que tinham acabado de ter . - Quem quereria todos os * busca-pés * e filhos de Muggles fora de Hogwarts ? - Vamos pensar - disse o Ron em a brincadeira , fingindo estar confuso . - Quem poderemos nós conhecer que ache que os familiares de Muggles são escumalha ? Olhou para Hermione . Ela olhou para ele pouco convencida . - Se estás a pensar em o Malfoy ... - Claro que estou - disse o Ron . - Tu ouviste o dizer : - Vocês serão os próximos , sangues de lama ! - Aliás , basta olhar para aquela cara de renegado para saber que ele é ... - Malfoy , o herdeiro de Slytherin ? - repetiu Hermione cepticamente . - Olha para a família de ele - disse Harry , fechando também os livros . - Todos eles estiveram em os Slytherin . O Draco está sempre a vangloriar se de isso . Podiam bem ser descendentes de Slytherin . O pai de ele é suficientemente mau . - Podiam perfeitamente ter tido a chave de a Câmara_dos_Segredos durante séculos - disse Ron - , fazendo a passar de pai para filho . - Bem - acedeu Hermione cautelosamente . - Seria possível ... - Mas como prová o ? - perguntou Harry tristemente . - Talvez haja um meio - sugeriu Hermione lentamente , baixando ainda mais a voz e lançando um olhar , através de a sala , a Percy . - É claro que não é fácil . E é perigoso , muito perigoso . Suponho que iríamos infringir cerca de cinquenta regras de a escola . - Se de aqui a um mês ou dois te decidires a explicar , avisa , está bem ? - disse Ron , que começava a ficar irritado . - Está bem - concordou Hermione friamente . - O que precisaríamos de fazer para entrar em a sala comum de os Slytherin e fazer algumas perguntas a o Malfoy , sem ele perceber que éramos nós ? - Mas isso é impossível - declarou Harry , enquanto Ron se ria . - Não , não é - continuou Hermione . - Só precisamos de um_pouco de poção * polisuco * . - O que é isso ? - perguntaram ao_mesmo_tempo Ron e Harry . - O Snape falou de ela em uma aula , há poucas semanas atrás . - Achas que não temos mais o que fazer do_que ouvir o Snape ? - murmurou o Ron . - Transforma nos em outra pessoa . Pensem em isso : podíamos transformar nos em três de os Slytherin . Ninguém saberia que éramos nós . É provável que o Malfoy nos contasse alguma coisa . Aposto que ele está a gabar se , em este momento , em a sala de os Slytherin , se ao_menos pudéssemos ouvi o . - Essa coisa de o * polisuco * cheira me um bocado mal - disse o Ron , franzindo as sobrancelhas . - E se ficarmos com a forma de os três Slytherin para sempre ? - Desaparece a o fim de algum tempo - disse Hermione , gesticulando impacientemente com a mão - mas conseguir a receita é muito difícil . O Snape disse que vinha em um livro chamado * _ As_Mais_Potentes_Poções * e está com certeza em a parte de os reservados de a biblioteca . Só havia uma maneira de obter o livro de os reservados : era com uma autorização assinada por um professor . - Não estou a ver porque quereríamos o livro - disse o Ron . - Se não para tentar fabricar uma de as poções . - Eu acho - sugeriu Hermione - que se fizéssemos parecer que o nosso interesse era apenas teórico , talvez conseguíssemos ... - Estás a sonhar , nenhum professor ia cair em essa - afirmou o Ron . - Só se fosse muito burro . X_A * bludger * perigosa Depois de o desastroso incidente de os duendes , o professor Lockhart não voltou a levar seres vivos para as aulas . Em vez de isso , lia a os alunos passagens de os seus livros e , por vezes , voltava a desempenhar alguns de os episódios mais dramáticos . Costumava chamar Harry para o ajudar em essas reconstruções . Até ali Harry fora obrigado a desempenhar o papel de um camponês de a Transilvânia que Lockhart curara de uma maldição murmurada , o abominável homem de as neves com dores de cabeça e um vampiro que depois de ter conhecido Lockhart tinha ficado incapaz de comer outra coisa que não fosse alfaces . Harry foi chamado para a frente de a classe durante a aula de Defesa contra as artes negras que se seguiu . Desta_vez para desempenhar o papel de um lobisomem . Se não tivesse um bom motivo para querer ver o Lockhart bem-disposto , teria se recusado . - Um uivo bem alto , excelente , Harry , isso mesmo . E foi então que , acreditem ou não , eu o ataquei de repente , assim . Atirei o a o chão , agarrei o com uma mão e com a outra consegui meter lhe a varinha em a garganta . Então , com a força que me restava pus em prática o complicadíssimo encantamento * _ Homorphus * . Harry soltou um uivo tristíssimo . - Vá lá , Harry , mais alto . Bom ... o pêlo desapareceu , os dentes diminuíram de tamanho e ele transformou se em um homem . Simples , mas eficaz e mais uma cidade ficará a lembrar se de mim para sempre como o herói que os libertou de os ataques mensais de o lobisomem . A campainha tocou e Lockhart pôs se de pé . - Trabalho para_casa : escrever um poema sobre a minha vitória sobre o lobisomem Wagga_Wagga . Há um exemplar autografado de * _ Eu , o Mágico * para o autor de o melhor poema . Os alunos começaram a sair . Harry voltou para trás e foi juntar se a o Ron e a a Hermione que estavam a a espera de ele . - Prontos ? - perguntou . - Espera até saírem todos - disse Hermione bastante nervosa . - Pronto ... Aproximou se de a secretária de Lockhart , apertando em a mão uma folha de papel , com o Ron e o Harry atrás . - Er ... professor Lockhart - gaguejou Hermione . - Eu queria requisitar este livro em a biblioteca , como leitura de apoio - entregou lhe o papel , com a mão ligeiramente trémula . - Só que faz parte de a secção de os reservados , por isso preciso de a assinatura de um professor . Acho que o livro me vai ajudar a compreender o que o senhor diz em * _ Passeios com Vampiros * acerca de os venenos de acção lenta ... - Ah , * _ Passeando com Vampiros * - disse Lockhart , pegando em a folha de papel de Hermione e sorrindo lhe abertamente . - E provavelmente o meu livro preferido . Gostou ? - Oh , muito - disse Hermione avidamente . - Tão inteligente o modo como apanhou o último com o passador de o chá . - Bem , tenho a certeza que ninguém se importará que eu dê uma ajudazinha suplementar a a melhor aluna de o segundo ano - disse Lockhart calorosamente , sacando de uma enorme pena de pavão . - É bonita , não é ? - comentou , adivinhando uma expressão de repulsa em a cara de o Ron . - Costumo guardas a para as minhas assinaturas de autógrafos . Rabiscou uma enorme assinatura cheia de altos e baixos e entregou a a Hermione . - Então , Harry - disse Lockhart enquanto Hermione dobrava a folha e a guardava em o saco . - Amanhã é a primeira partida de Quidditch de este ano , não é ? Gryffindor contra Slytherin . Ouvi dizer que és um jogador indispensável . Eu também fui * seeker * . Convidaram me inclusivamente para fazer parte de a Equipa_Nacional , mas eu preferi dedicar a minha vida a a erradicação de as forças de o mal . Mesmo_assim , se alguma vez precisares de um treino particular , não hesites em falar comigo , estou sempre disponível para partilhar a minha perícia com os jogadores menos dotados do_que eu . Harry fez um som indistinto com a garganta e saiu atrás_de Ron e Hermione . - Não acredito - disse quando os três examinavam a assinatura de Lockhart . - Ele nem viu que livro nós queríamos . - É porque é um idiota sem miolos - explicou o Ron . - Mas , quem se rala , temos o que queríamos . - Ele não é um idiota sem miolos - gritou Hermione com voz esganiçada enquanto se aproximavam quase a correr de a biblioteca . - Só porque ele disse que eras a melhor aluna de o segundo ano ... Baixaram as vozes a o entrar em a quietude abafada de a biblioteca . Madam_Prince , a bibliotecária , era uma mulher magra e irritável que parecia um abutre mal nutrido . - * _ Moste_Potente_Potions * ? - repetiu intrigada , tentando ficar com a folha de papel que Hermione se recusava a entregar lhe . - Gostava de a guardar para mim - disse sem fôlego . - Vá lá - intercedeu Ron , arrancando lhe a de as mãos e entregando a a Madam_Prince . - Nós arranjamos te outro autógrafo . O Lockhart assina tudo se aqui ficar muito_tempo . Madam_Prince pegou em o papel e voltou o em a direcção de a luz , decidida a descobrir uma falsificação , mas a assinatura passou em o teste . Desapareceu entre as estantes e voltou alguns minutos mais tarde , transportando um livro grande e de aspecto antiquado . Hermione meteu o com todo o cuidado em o saco e saíram , tentando não andar depressa de mais nem aparentar um ar culpado . Cinco minutos depois , estavam de_novo barricados em a casa_de_banho fora de serviço de a Murta_Queixosa . Hermione destruíra as objecções de Ron argumentando que aquele era o último lugar onde alguém em o seu juízo perfeito se lembraria de ir e que poderia assegurar lhes alguma privacidade . A Murta_Queixosa chorava ruidosamente em o seu cubículo , mas eles conseguiram ignorá a assim_como ela a eles . Hermione abriu * _ Moste_Potente_Potions * com todo o cuidado e inclinaram se os três sobre as páginas manchadas de humidade . Era fácil de perceber , logo à_primeira_vista de olhos , porque pertencia a a secção de os reservados . Algumas de as poções tinham efeitos quase impensáveis de tão macabros e havia ilustrações bastante desagradáveis , como , por_exemplo , aquela em que um homem parecia ter sido virado de o avesso e a de a bruxa com vários pares de braços suplementares a nascerem lhe em a cabeça . - Aqui está - disse Hermione excitadíssima a o encontrar a página intitulada « A poção * polisuco * « . Estava ilustrada com imagens de pessoas a meio de o processo de se transformarem em outras pessoas e Harry desejou ardentemente que a expressão de dor intensa que se lhes espelhava em o rosto fosse apenas produto de a imaginação de o artista desenhador . - Esta é a poção mais complicada que vi até hoje - disse Hermione enquanto examinava a receita . - Moscas asas de renda , sanguessugas , fluxo de cizânias e verdezelha - murmurou , acompanhando com o dedo a lista de ingredientes . - Bem , esses são relativamente simples , há os em a despensa de material de os estudantes , podemos tirar a a nossa vontade . Oh ! Vê só , pó de chifre de bicórneo ... não sei onde vamos arranjar isto ... e , é claro , um pedacinho de a pessoa em quem queremos transformar nos . - Como ? - perguntou Ron de forma cortante . - O que é_que queres dizer com um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos ? Eu não bebo nada que tenha lá dentro as unhas de os pés de o Crabbe ... Hermione continuou como_se não o tivesse ouvido . - Mas não temos que nos preocupar com isso por enquanto . Fica para o fim . Ron voltou se sem palavras para o Harry que tinha uma preocupação de outro tipo . - Já viste bem tudo_o_que vamos ter que roubar , Hermione ? Algumas coisas , não estão de certeza em a despensa de material de os alunos . O que é_que vamos fazer , arrombar os armários pessoais de o Snape ? Não sei se será uma boa ideia ... Hermione fechou o livro com um estrondo . - Bem , se vocês os dois se vão acagaçar , então está lindo - disse ela . Tinha as bochechas rosadas e os olhos mais brilhantes do_que era habitual . - Eu não gosto de quebrar regras , vocês sabem , mas acho que ameaçar os filhos de os Muggles é muito pior do_que construir uma poção difícil . Mas se vocês não querem descobrir se é o Malfoy , eu posso voltar já a a biblioteca e entregar o livro a Madam_Prince ... - Nunca pensei que chegaria o dia em que serias tu a convencer nos a quebrar regras - disse o Ron . - Está bem , vamos em essa , mas sem unhas de os pés , O. _ K. ? - Quanto tempo vai isso demorar a fazer , afinal ? - perguntou Harry quando Hermione , já com um ar mais satisfeito , voltou a abrir o livro . - Bem , como o fluxo de cizânias tem de ser recolhido durante a lua cheia e as asas de renda têm de ser abafadas durante vinte_e_um dias ... eu diria que se conseguirmos arranjar todos os ingredientes estará pronta dentro_de um mês . - Um mês ? - exclamou o Ron . - Nessa_altura já o Malfoy terá atacado metade de os filhos de Muggles ! - mas os olhos de Hermione contraíram se de_novo assustadoramente e ele acrescentou rapidamente . - Mas é o melhor plano que temos , por isso é melhor não olharmos para trás . Apesar_de tudo , enquanto Hermione verificava que não havia ninguém em os corredores e podiam sair de a casa_de_banho , Ron murmurou a Harry : - Seria muito mais simples se conseguisses , amanhã , atirar o Malfoy de a vassoura abaixo . Harry acordou cedo em o sábado de manhã e ficou um bocado a pensar em a partida de Quidditch que vinha a seguir . Estava nervoso , principalmente pelo que Wood diria se os Gryffindor perdessem , mas também com a ideia de enfrentar uma equipa apetrechada com as vassouras mais velozes que existiam . Nunca desejara tanto vencer os Slytherin como em aquele dia . Depois de meia_hora deitado com a barriga a dar horas , resolveu levantar se , vestir se e descer para tomar o pequeno-almoço . Lá em baixo , encontrou o resto de a equipa de os Gryffindor amontoada a o longo de a mesa comprida e vazia , todos eles com ar preocupado e sem vontade de conversar . Como_se aproximavam as onze horas , todos os alunos de a escola começaram a dirigir se para o estádio de Quidditch . O dia estava quente e húmido , com uma ameaça de trovoada em o ar . Ron e Hermione vieram apressadamente desejar a Harry boa sorte mal ele entrou em os vestiários . A equipa de os Gryffindor pôs os seus mantos vermelhos e sentou se para ouvir o discurso que Wood lhes fazia sempre antes de o jogo . - Os Slytherin têm vassouras melhores do_que nós - começou . - Não há como negá o . Mas nós temos gente melhor em cima de as vassouras . Treinámos mais do_que eles , voamos com todas_as condições climatéricas ( É bem verdade - murmurou George_Weasley - desde Agosto que não sei o que é estar seco ) . - E vamos fazê os engolir o dia em que deixaram aquele nojento de o Malfoy comprar a entrada em a equipa de eles . Com o peito agitado por a comoção , Wood voltou se par Harry . -- Cabe te a ti , Harry , mostrar lhes que um * seeker * tem de ter mais do_que um pai rico . Agarra a * snitch * antes d Malfoy ou morre a tentar porque temos absolutamente que vencer , hoje , Harry , temos que vencer . - Sem ansiedade , Harry - disse o Fred , piscando lhe o olho . Quando saíram em direcção a o campo , foram saudado por uma grande ovação principalmente de a parte de os Ravenclaw e de os Hufflepuff que estavam ansiosos por ver os Slytherin serem derrotados , mas os Slytherin que estavam entre a multidão também fizeram ouvir as suas vaias e pateadas . Madam_Hooch , a professora de Quidditch , pediu a Flin e Wood que apertassem as mãos o que eles fizeram , lançando um_ao_outro olhares ameaçadores , cada_um apertando a mão de o outro com mais força do_que aquela que seria necessário . - Atenção a o apito - disse Madam_Hooch . - Três , dois , um ... Com um bramido de a multidão para que subissem rapidamente , os catorze jogadores elevaram se em o céu cor de chumbo . Harry , mais alto do_que qualquer de os outros olhando para todos os lados em busca de a * snitch * . - Tudo bem , testa de cicatriz ? - gritou Malfoy , disparando por baixo de ele para lhe mostrar a velocidade de a sua vassoura . Harry não teve tempo de responder . Em esse preciso momento uma * bludger * preta e bem pesada veio direitinha a ele . Evitou a tão por um triz que ainda sentiu em os cabelos o ar que ela deslocara . - Foi por_pouco , Harry ! - exclamou o George , passando com grande rapidez , de bastão em a mão , pronto para lançar a * bludger * contra um Slytherin . Harry viu o dar a a * bludger * uma fortíssima pancada em direcção a Adrian_Pucey , mas a bola mudou de rumo em o meio de o ar e dirigiu se de_novo a Harry . Harry desceu rapidamente para se esquivar e George conseguiu lançá a contra Malfoy . Mais_uma_vez a * bludger * actuou como um * boomerang * e apontou a a cabeça de Harry . Harry ganhou velocidade e disparou contra o outro extremo de o campo . Ouvia o assobio de a * bludger * que o perseguia . O que era aquilo ? As * bludgers * nunca se concentravam assim em um único jogador , a sua função era tentar desmontar o maior número possível de intervenientes . Fred_Weasley esperava por a * bludger * em o extremo oposto . Harry baixou se quando o viu balançar se em frente de ela com toda_a garra . A * bludger * foi lançada para_fora_de campo . - Pronto , já está tudo resolvido - gritou Fred satisfeito , mas estava bastante enganado . Como_se fosse magneticamente atraída para Harry , a * bludger * lançou se de_novo contra ele e Harry teve de voar a_toda_a velocidade . Começara a chover . Harry sentia as gotas pesadas caírem lhe em o rosto , turvando lhe as lentes de os óculos . Não fazia ideia do_que se passava em o resto de o jogo , até ouvir Lee_Jordan que fazia o comentário dizer : - Os Slytherin vão a a frente com seis contra zero . As vassouras de qualidade superior de os Slytherin estavam obviamente a cumprir a sua função e enquanto isso , a * bludger * maluca fazia todos os possíveis para deitar abaixo o Harry . Fred e George voavam agora tão perto de ele , um de cada lado , que Harry não via senão os seus braços a balouçar e , se não conseguia ver a * snitch * , muito menos agarrá a . - Alguém enfeitiçou esta * bludger * - resmungou Fred , preparando o bastão com toda_a força quando ela se lançava de_novo contra Harry . - Precisamos de tempo - disse George , tentando fazer sinal a Wood enquanto evitava que a bola partisse o nariz a o Harry . Wood captou obviamente a mensagem . O apito de Madam_Hooch fez se ouvir e Harry , Fred e George desceram , tentando ainda evitar a * bludger * maluca . - O que é_que se passa ? - perguntou Wood enquanto a equipa de os Gryffindor se amontoava desordenadamente e os Slytherin , em o meio de a multidão , lançavam piadas . - Estamos a ser esmagados . Fred , George , onde estavam vocês quando aquela * bludger * impediu a Angelina de marcar ? - Estávamos seis metros acima , evitando que a outra * bludger * matasse o Harry , Oliver - gritou George furioso . - Alguém preparou isto , a bola não deixa o Harry em paz , ainda não perseguiu mais ninguém desde_que o jogo começou . Os Slytherin fizeram aqui qualquer coisa . - Mas as * bludgers * têm estado fechadas em o escritório de Madam_Hooch desde o último treino , e nessa_altura estava tudo bem ... - disse Wood ansiosamente . Madam_Hooch aproximava se . Por cima de o ombro de ela , Harry pôde ver a equipa de os Slytherin a escarnecer e apontar em a sua direcção . - Ouçam - disse o Harry , enquanto ela se aproximava . - Com vocês os dois a voarem sempre colados a mim , só vou apanhar a * snitch * se ela voar até a a minha manga . Voltem se para o resto de a equipa e deixem a tratante comigo . - Não sejas bronco - disse o Fred . - Ela arranca te a cabeça . Os olhos de Wood saltavam de Harry_para_os_Weasley . - Oliver , isto_é uma loucura - disse Alicia_Spinet , zangada . - Não podes deixar o Harry sozinho entregue a aquela coisa . Vamos pedir uma investigação . - Se pararmos agora , teremos de dar a partida como perdida e não vamos deixar os Slytherin ganhar , só por_causa_de uma * bludger * maluca . Vá lá , Oliver , diz lhes que me deixem sozinho . - A culpa é toda tua . * _ Agarra a snitch ou morre a tentar * , se isso é lá coisa que se diga . Madam_Hooch tinha se lhes juntado . - Prontos para retomar a partida ? - perguntou a Wood . Wood olhou para o ar determinado de Harry . - Deixem o sozinho , ele é capaz de lidar com a * bludger * . A chuva era agora mais pesada . A o apito de Madam_Hooch , Harry elevou se em os ares e ouviu o barulhinho de a * bludger * atrás_de si . Subiu cada_vez_mais alto . Fez acrobacias em espiral , descidas rápidas , ziguezagueou e rolou . Apesar_de ligeiramente estonteado , não deixou nunca de ter os olhos bem abertos . A chuva salpicava lhe os óculos e entrava lhe por as narinas , quando ele se voltou de cabeça para baixo , evitando outra forte investida de a * bludger * . Ouviu os risos de a multidão . Sabia que devia parecer ridículo , mas a * bludger * maluca era pesada e não podia mudar de direcção tão rapidamente quanto ele . Iniciou uma corrida que parecia de feira de diversões em volta de os extremos de o estádio , olhando de soslaio , através de os lençóis prateados de chuva , para os postes de os Gryffindor , onde Adrian_Pucey tentava passar por Wood . Um assobio junto de os ouvidos disse a Harry que a * bludger * falhara uma_vez_mais . Voltou se e voou rapidamente em a direcção oposta . - Estás a ensaiar * ballet * , Potter - gritou Malfoy quando Harry foi obrigado a fazer uma reviravolta estúpida em o ar para se esquivar mais_uma_vez de a * bludger * . Lá foi ele , com a * bludger * atrás a alguns metros de distância . E foi então que , olhando para Malfoy , furioso , a viu , a * snitch * de ouro . Flutuava alguns centímetros acima de os ouvidos de Malfoy que , de tão preocupado a escarnecer de Harry , nem dera por ela . Durante um momento angustiante , Harry ficou quieto em o ar , não ousando dirigir se a Malfoy , não fosse ele olhar para_cima e ver a * snitch * . PUM ! Tinha ficado parado tempo de mais . A * bludger * batera lhe , por fim , apanhando lhe o cotovelo e Harry sentiu o braço a partir se . Debilmente , desorientado por a dor cauterizante em o braço , Harry deslizou para um de os lados em a sua vassoura encharcada , um joelho ainda dobrado , o braço direito a balouçar , inútil , a o seu lado . A * bludger * veio de_novo , preparada para mais um ataque , desta_vez apontada a o seu rosto . Harry desviou se com uma intenção : chegar a Malfoy . Através_de uma nuvem de chuva e dor desceu até a o rosto tremeluzente e trocista e viu os olhos de ele dilatarem se de medo : Malfoy pensou que Harry ia atacá o . - Que diabo ... - resmungou , afastando se de o caminho . Harry tirou a outra mão de a vassoura e fez uma tentativa para agarrar qualquer coisa . Sentiu os dedos fecharem se em volta de a * snitch * dourada , mas conduzia agora a vassoura apenas com as pernas e ouviu se um grito de a multidão cá em baixo , quando ele fez a descida , tentando não desmaiar . Com um ruído seco caiu em a terra enlameada e rolou para fora de a vassoura . O braço tinha um ângulo um_pouco estranho . Torcendo se com dores , ouviu a a distância os assobios e os gritos . Concentrou se em a * snitch * que tinha fechada em a outra mão . - Ai - disse vagamente . - Ganhámos o jogo . E desmaiou . Voltou a si com a chuva a cair lhe em o rosto , ainda deitado em o campo , com alguém inclinado sobre ele . Viu um brilho de dentes brancos . - Oh , não , você não - gemeu . - Não sabe o que diz - afirmou Lockhart bem alto a a ansiosa multidão de Gryffindor que o comprimiam . - Não te preocupes , Harry , eu vou tratar de o teu braço . - Não - gritou Harry . - Eu fico com ele assim , obrigado . Tentou sentar se , mas a dor era enorme . Ouviu um « clique » familiar . - Não quero fotografias de isto , Colin - disse em voz alta . - Deita te para trás , Harry - insistiu Lockhart com toda_a calma . - É um encantamento muito simples que eu fiz imensas vezes . - Porque não me levam só para a ala hospitalar ? - perguntou Harry entredentes . - Seria o melhor , professor - disse a voz rouca de o Wood que não conseguia deixar de sorrir , apesar_de o seu * seeker * estar ferido . - Grande captura , Harry , verdadeiramente espectacular , a tua melhor jogada , em a minha opinião . Em o meio de a floresta de pernas que o rodeava , Harry avistou Fred e George_Weasley , metendo a * budger * perigosa em uma caixa . Continuava a dar uma luta enorme . - Para trás - ordenou Lockhart , que tinha arregaçado as mangas verde jade . - Não , eu não ... - protestou debilmente Harry , mas Lockhart tinha a varinha em a mão e , um segundo depois , apontava a para o braço de Harry . Uma sensação estranha e desagradável começou em o ombro e espalhou se , chegando a as pontas de os dedos . Parecia que o braço inteiro tinha sido esvaziado . Não foi capaz de olhar para o que estava a suceder . Tinha fechado os olhos , voltado o rosto para o outro lado , mas os seus maiores receios concretizaram se quando as pessoas lá em cima se sobressaltaram e Colin_Creevey começou a tirar fotografias como um louco . O braço deixara de lhe doer , mas parecia tudo menos um braço . - Ah ! - disse Lockhart . - Sim , bem isto às_vezes acontece . Mas o importante é_que os ossos já não estão partidos . Isso é o mais importante . Portanto , Harry , vai até a a ala hospitalar ... ah ! Mr._Weasley , Miss_Granger , poderiam levá o lá ? E Madam_Pomfrey poderá ... er ... arranjar um_pouco isso . Quando Harry se pôs de pé sentiu se estranhamente desequilibrado . Depois de respirar fundo , olhou para o lado direito e o que viu quase o fez desmaiar de_novo . Pendurado em a extremidade de a sua túnica estava o que parecia ser uma espessa e colorida luva de borracha . Tentou mexer os dedos mas ... em vão . Lockhart não consertara os ossos de Harry . Retirara os . M. dam Pomfrey não ficou nada satisfeita . - Devias ter vindo logo ter comigo - ralhou , segurando os restos tristes e moles de aquilo que antes fora um braço activo . - Eu conserto ossos em um segundo , mas fazê os crescer de_novo ... - Vai conseguir , não vai ? - perguntou Harry desesperado . - Sim , com certeza , mas vai ser doloroso - disse Madam_Pomfrey de modo severo , entregando lhe um pijama . - Vais ter que ficar cá esta noite ... Hermione esperou de o lado de_fora de a cortina que rodeava outra cama enquanto Ron ajudava Harry a vestir se . Levou algum tempo a enfiar o braço que parecia borracha dentro_de uma manga de o pijama . - Como é_que podes continuar a defender o Lockhart depois disto , Hermione ? - perguntou Ron através de as cortinas , enquanto puxava os dedos moles de o Harry por uma manga . - Se o Harry quisesse ser desossado , teria pedido . - Todos podem enganar se - disse Hermione . - E deixou de doer , não deixou , Harry ? - Sim - disse ele - mas também ficou incapaz de fazer seja o que for . Quando se meteu em a cama , o braço agitou se despropositadamente . Hermione e Madam_Pomfrey entraram . Madam_Pomfrey segurava uma grande garrafa com o rótulo * Skele - _ Gro * . - Vais ter uma noite difícil - preveniu , enchendo um pequeno copo fumegante e dando lhe a beber . - Fazer crescer ossos é uma coisa difícil . Tomar o * _ Skele - _ Gro * também . Queimou a boca e a garganta de o Harry a o descer , fazendo o tossir e cuspir . Resmungando sobre os desportos perigosos e os professores incapazes , Madam_Pomfrey retirou se , deixando Ron e Hermione a ajudar Harry a engolir um_pouco de água . - Mas ganhámos o jogo - disse o Ron com um sorriso em o rosto . - A tua jogada foi em grande . A cara de o Malfoy ... parecia que queria matar alguém . - Eu vou descobrir como é_que enfeitiçaram aquela * bludger * - disse Hermione com ar sombrio . - Podemos juntar essa pergunta a a lista de todas_as que queremos fazer a o Malfoy quando tomarmos a poção * _ Polisuco * - disse Harry , afundando se de_novo em as almofadas . - Espero que tenha um sabor melhor do_que esta coisa ... - Com um bocado de os Slytherin lá dentro , deves estar a brincar - disse o Ron . A porta de a ala hospitalar abriu se em esse momento e , completamente encharcados , entraram os restantes membros de a equipa de os Gryffindor , para ver o Harry . - Um voo inacreditável - disse George . - Acabei de ver Marcus_Flint a gritar com o Malfoy . Qualquer coisa sobre ter a * snitch * mesmo em cima de a cabeça e não ter dado por nada . O Malfoy não parecia nem um_pouco satisfeito . Tinham trazido bolos , rebuçados e garrafas de sumo de abóbora . Juntaram se em volta de a cama de Harry e estavam a dar início a o que prometia ser uma grande festa quando Madam_Pomfrey entrou a vociferar : - Este rapaz precisa de repouso . Tem trinta_e_três ossos a crescer . Fora de aqui . FORA ! E Harry ficou sozinho , sem nada que o distraísse de as dores agudas em o seu braço mole . Muitas horas mais tarde , Harry acordou subitamente em a escuridão total e soltou um pequeno grito de dor : sentia agora o braço cheio de estilhaços . Durante alguns segundos pensou que tinha sido a dor a acordá o . Depois , com um arrepio de horror , apercebeu se de que alguém estava a passar lhe uma esponja em a testa . - Sai de aqui - gritou , e em seguida : - Dobby ! Os olhos de o tamanho de bolas de ténis de o elfo doméstico estavam a olhá o em o escuro , uma lágrima grossa rolava por o seu enorme nariz . - Harry_Potter voltou a a escola - murmurou , infeliz . - Dobby avisou e voltou a avisar Harry_Potter . Ah ! senhor , porque não deu ouvidos a Dobby ? Porque não voltou Harry_Potter para_casa quando perdeu o comboio ? Harry ergueu se um_pouco , encostando se a as almofadas e afastou a esponja de o elfo . - O que estás a fazer aqui ? - perguntou . - E como sabes que eu perdi o comboio ? O lábio de Dobby tremeu e Harry foi assaltado por uma dúvida . - Foste tu . Tu impediste que a barreira nos deixasse passar . - Em a verdade fui eu , senhor - disse Dobby , acenando com a cabeça e com as orelhas a abanar . - Dobby escondeu se , esperou por Harry_Potter e selou a barreira . A seguir , Dobby teve de pôr as mãos em o ferro de engomar - mostrou a o Harry dez dedos longos embrulhados em ligaduras . - Mas Dobby não se importou , senhor , porque pensou que Harry_Potter estava a salvo e nunca Dobby sonhou que mesmo_assim ele viria para a escola ! Balançava se para a frente e para trás , sacudindo a cabeça feia . - Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry_Potter tinha voltado a a escola que deixou queimar o jantar de os seus donos . Dobby nunca tivera um castigo tão grande , senhor . Harry afundou se de_novo em as almofadas . - Quase conseguiste que nos expulsassem , a mim e a o Ron - disse furioso . - É melhor desapareceres de aqui antes que os meus ossos voltem a estar bem , Dobby , ou ainda te estrangulo . O elfo sorriu . - Dobby está habituado a ameaças de morte , senhor . Dobby recebe as cinco vezes por dia em a casa onde mora . Encostou o nariz a um canto de a fronha que usava , ficando tão ridículo que Harry sentiu a raiva desvanecer se , apesar_de tudo . - Porque usas essa coisa , Dobby ? - perguntou com curiosidade . - Isto , senhor ? - disse Dobby apontando para a fronha de almofada . - É uma prova de escravatura de o elfo doméstico , senhor . Dobby só pode ser libertado se os donos lhe derem roupa , senhor . A família tem o cuidado de não dar a o Dobby nem uma peúga , senhor , porque ele poderia ficar livre e deixar a casa para sempre . Dobby limpou os olhos protuberantes e disse subitamente : - Harry_Potter deve ir para_casa . Dobby achou que a sua * bludger * seria o suficiente para o fazer ... - A tua * bludger * ? - disse Harry com a raiva a crescer novamente dentro de ele . - Que queres tu dizer com a tua bludger * ? Foste tu quem fez com que aquela bola tentasse matar me ? - Matar não , senhor . Matar , nunca ! - disse o elho chocado . - Dobby quer salvar a vida de Harry_Potter . É melhor ir para_casa ferido do_que ficar aqui , senhor . Dobby só queria Harry_Potter suficientemente ferido para voltar para_casa . - Só isso ? - disse Harry furioso . - Imagino que não vais dizer me porque querias mandar me para_casa a os bocados ? - Ah ! se Harry_Potter soubesse ! - gemeu Dobby , com mais lágrimas a escorrerem lhe por a fronha esfarrapada . - Se pudesse saber o que significa para nós , para os humildes , os escravizados , nós , a escória social de o mundo mágico ! Dobby lembra se de como eram as coisas quando Aquele cujo nome não deve ser pronunciado estava em o auge de o poder , senhor ! Nós , os elfos domésticos éramos tratados como animais , senhor ! É claro que Dobby ainda é tratado assim - admitiu , secando o rosto em a fronha de almofada . - Mas , em a sua maioria , a vida melhorou bastante para os de a minha espécie desde_que Harry_Potter triunfou sobre Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Harry_Potter sobreviveu e o poder de os senhores de o Mal foi quebrado e veio uma nova alvorada , senhor , e Harry_Potter brilhou como um farol de esperança para aqueles de entre nós que já pensavam que a longa noite nunca mais teria fim , senhor ... e agora em Hogwarts vão acontecer coisas terríveis , talvez já esteiam a acontecer e Dobby não pode deixar Harry_Potter ficar aqui , agora_que a história vai repetir se , agora_que a Câmara_dos_Segredos está de_novo aberta . Dobby calou se horrorizado . Em seguida agarrou em o jarro de a água que Harry tinha a a cabeceira e bateu com ele em a própria cabeça , deixando se cair . Um segundo mais tarde voltou até junto de a cama , repetindo : - Mau , Dobby , muito mau , Dobby . - Quer_dizer , então , que existe mesmo a Câmara_dos_Segredos ? - murmurou Harry . - E dizes tu que já antes foi aberta ? Conta me , Dobby . Agarrou o pulso ossudo de o elfo quando a mão de ele se estendia para o jarro de a água . - Mas eu não sou filho de Muggles . Como posso estar em perigo por causa de a Câmara_dos_Segredos ? - Ah ! senhor , não pergunte a o pobre Dobby - lamentou se o elfo com os olhos enormes a brilharem em o escuro . - As forças de as trevas estão projectadas em este lugar , mas Harry_Potter não deve estar aqui quando as coisas acontecerem . Vá para_casa , Harry_Potter , vá para_casa . Harry_Potter não deve envolver se em isto , senhor , é demasiado perigoso ... - Quem é , Dobby ? - perguntou Harry , continuando a agarrar lhe o pulso com forca , impedindo que batesse de_novo em si próprio com o jarro . - Quem abriu a amara ? Quem a abriu de a última vez ? - Dobby não pode , senhor . Dobby não pode . Dobby não deve dizer - guinchou o elfo . - Vá se embora , Harry_Potter , vá se embora ! - Eu não vou para lugar nenhum - disse Harry , furioso . - Uma de as minhas melhores amigas é filha de Muggles , está em perigo se a câmara foi , de facto , aberta ... - Harry_Potter arrisca a própria vida por os amigos - gemeu Dobby em uma espécie de êxtase infeliz . - Tão nobre , tão corajoso , mas deve salvar se , Harry_Potter não deve ... Dobby calou se de repente com as orelhas de morcego a estremecerem . Harry também ouviu os passos que vinham lá fora , de o corredor . - Dobby tem de ir - balbuciou o elfo apavorado . Ouviu se um ruído e o pulso de Harry ficou subitamente fechado em o ar . Meteu se de_novo para baixo , em a cama , com os olhos fixos em a porta escura que dava entrada em a ala hospitalar enquanto os passos se aproximavam . Em o momento seguinte , Dumbledore estava a entrar , de costas , em o dormitório , vestindo uma longa túnica de lã e uma capa de noite . Transportava um extremo de aquilo que parecia ser uma estátua . A professora Mc_Gonagall surgiu um segundo mais tarde , pegando lhe em os pés . Os dois colocaram a em uma cama . - Chame Madam_Pomfrey - murmurou Dumbledore e a professora Mc_Gonagall passou por a cama de Harry , apressadamente , e desapareceu . Harry deixou se ficar muito quieto como_se estivesse a dormir . Ouviu vozes ansiosas e por fim a professora Mc_Gonagall apareceu de_novo , seguida de Madam_Pomfrey que vestia um casaco curto de lã sobre a camisa de dormir . Ouviu uma inspiração aguda . - O que aconteceu ? - murmurou Madam_Pomfrey_a_Dumbledore , inclinando se sobre a estátua que estava em a cama . - Outro ataque - disse Dumbledore . - A Minerva encontrou o em as escadas . Havia um cacho de uvas junto de ele . Acho que estava a tentar esgueirar se até aqui para vir visitar o Potter . O estômago de Harry deu uma reviravolta . Lenta e cuidadosamente ergueu se alguns centímetros para poder ver a estátua que estava sobre a cama . Um raio de luar iluminou lhe o rosto estático . Era_Colin_Creevey . Tinha os olhos abertos , e as mãos , em frente de a cara , seguravam a máquina fotográfica . -- Petrificado ? - murmurou Madam_Pomfrey . - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - Mas estou tentada a acreditar que ... se Albus não tivesse vindo cá abaixo tomar um chocolate quente ... quem sabe o que teria ... Os três olharam para Colin . Dumbledore inclinou se e retirou lhe a máquina de as mãos rígidas . - Será que ele conseguiu tirar a fotografia de o agressor ? - perguntou ansiosa a professora Mc_Gonagall . Dumbledore não respondeu . Abriu a parte detrás de a máquina . - Cruzes canhoto - disse Madam_Pomfrey . Um jacto de vapor tinha feito fervilhar a máquina . Harry , a três metros de distância , sentiu o cheiro tóxico de o plástico queimado . - Derretido - disse Madam_Pomfrey com grande espanto . - Tudo derretido . - O que significa isto , Albus ? - perguntou cada_vez_mais nervosa a professora Mc_Gonagall . - Significa - disse Dumbledore - que a Câmara_dos_Segredos está mesmo aberta outra_vez . Madam_Pomfrey levou uma mão a a boca . A professora Mc_Gonagall olhou assustada para Dumbledore . - Mas , Albus ... com certeza ... quem ? - A questão não é quem - disse Dumbledore com os olhos fixos em Colin . - A questão é como ... E pelo que Harry conseguiu ver de o rosto indistinto de a professora Mc_Gonagall , ela não compreendeu muito mais do_que ele . XI_O clube de os duelos Quando_Harry acordou , em o domingo de manhã , a enfermaria estava iluminada por um resplandecente sol de inverno e o seu braço tinha de_novo todos os ossos , apesar_de o sentir muito rígido . Sentou se rapidamente e olhou para a cama de Colin , mas ela fora isolada com as cortinas atrás de as quais se despira em a véspera . Vendo que ele tinha acordado , Madam_Pomfrey apareceu com um tabuleiro de pequeno-almoço e a seguir começou a apalpar lhe o braço e os dedos . - Tudo em ordem - disse , enquanto ele , com a mão esquerda , comia avidamente as papas de aveia . - Quando acabares de comer podes ir te embora . Harry vestiu se o mais depressa que pôde e dirigiu se a a pressa para a torre de os Gryffindor , ansioso por contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre Colin e Dobby , mas não os encontrou lá . Foi a a procura de eles , perguntando a si próprio onde teriam ido e sentindo se um_pouco magoado por o pouco interesse que demonstravam em saber se ele tinha recuperado os ossos . Quando passou por a biblioteca , Percy_Weasley vinha a sair com bastante melhor cara do_que de a última vez que se tinham encontrado . - Olá , olá , Harry - disse . - Excelente voo o de ontem , verdadeiramente sensacional . Os Gryffindor estão a a frente para a taça de a equipa . Ganhaste cinquenta pontos . - Não viste o Ron e a Hermione por aí ? - perguntou Harry . - Não , não vi - disse Percy com o sorriso a desaparecer . - Espero que o Ron não esteja outra_vez em a casa_de_banho de as raparigas ... Harry forçou um sorriso , viu Percy desaparecer e a seguir foi direitinho até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Não via lá muito bem por_que motivo o Ron e a Hermione lá estariam de_novo , mas , depois de se assegurar de que nem Filch nem nenhum de os prefeitos estavam por perto , abriu a porta e ouviu as vozes de eles que vinham de um cubículo fechado . - Sou eu - disse , fechando a porta atrás_de si . Ouviu se dentro de o cubículo um estrondo , um chapinhar e um sobressalto e ele viu o olho de a Hermione a espreitar por o buraco de a fechadura . - Harry - disse ela . - Pregaste nos um susto de morte . Entra . Como está o teu braço ? - _ óptimo - respondeu , apertando se dentro de o cubículo . Em cima de a sanita estava encarrapitado um velho caldeirão , e um crepitar a a superfície de a água disse a Harry que eles tinham acendido um fogo lá em baixo . Fazer aparecer fogos portáteis a a prova de água era uma de as especialidades de Hermione . - _ íamos visitar te , mas resolvemos começar a preparar a poção * _ Polisuco * - explicou Ron enquanto Harry fechava outra_vez a porta de o cubículo com alguma dificuldade . - Achámos que este era o lugar mais seguro para a esconder . Harry começou a contar lhes de o Colin , mas Hermione interrompeu o . - Nós já sabemos , ouvimos a professora Mc_Gonagall contar a o professor Flitwick hoje_de_manhã . Por isso resolvemos começar a ... - Quanto_mais depressa arrancarmos uma confissão a o Malfoy , melhor - rosnou o Ron . - Sabem o que eu penso ? Ele estava tão mal-humorado depois de o jogo de Quidditch que se vingou em o Colin . - Há outra coisa - disse Harry , vendo Hermione cortar molhos de verdezelha e lançá os dentro de a poção . - O Dobby foi visitar me a meio de a noite . Ron e Hermione olharam o espantados . Harry contou lhes tudo_o_que Dobby lhe dissera ... ou não dissera . Ron e Hermione ouviram o de boca aberta . - A Câmara_dos_Segredos já tinha sido aberta antes ? - repetiu Hermione . - Encaixa perfeitamente - disse Ron , em uma voz triunfante . - O Lucius_Malfoy deve ter aberto a Câmara_dos_Segredos quando andava em a escola e agora ensinou a o querido filhinho Draco como abris a . É óbvio , que pena o Dobby não te ter dito que tipo de monstro lá se encontra . Gostava de saber como é_que ninguém o viu andar por ai em a escola . - Talvez tenha a capacidade de se tornar invisível - sugeriu Hermione , picando sanguessugas para dentro de o caldeirão . - Ou talvez se disfarce , passando por uma armadura ou outra coisa de o género . Eu li umas coisas sobre vampiros camaleões ... - Tu lês de mais , Hermione - disse o Ron , deitando moscas asas de renda mortas por cima de as sanguessugas . Amarrotou o saco vazio de as asas de renda e olhou para Harry . - Então foi o Dobby que nos impediu de apanhar o comboio e te partiu o braço ... - abanou a cabeça . - Sabes o que eu acho ? Se ele não parar de tentar salvar te a vida ainda acaba por te matar . A notícia de que Colin_Creevey tinha sido atacado e estava agora em a ala hospitalar , como morto , espalhou se por toda_a escola em a segunda-feira de manhã . O ar ficou pesado e cheio de boatos e suspeitas . Os alunos de o primeiro ano começavam a andar por a escola em pequenos grupos , receando ser atacados se se aventurassem a andar isoladamente por os corredores . Ginny_Weasley , que era colega de carteira de o Colin em os encantamentos , estava perturbadíssima , mas Harry achou que Fred e George estavam a tentar animá a de a maneira errada . Revezavam se , mascarados com peles de animais e apareciam lhe subitamente detrás de as estátuas . Só pararam quando Percy , apopléctico de raiva , lhes disse que ia escrever a Mrs._Weasley a contar lhe que a Ginny andava a ter pesadelos . Enquanto isso , às_escondidas de os professores , uma panóplia de talismãs , amuletos e outros objectos de protecção ia enchendo a escola . Neville_Longbottom comprou uma enorme cebola verde que cheirava mal , um cristal pontiagudo cor de púrpura e uma cauda de tritão apodrecida antes de os outros rapazes de os Gryffindor lhe explicarem que ele não corria perigo : era um sangue puro e , portanto , muito pouco passível de ser atacado . - Eles foram a o Filch em primeiro lugar - disse Neville com o medo estampado em a cara redonda . - E toda_a_gente sabe que eu sou quase um * busca-pé * . Em a segunda semana de Dezembro , a professora Mc_Gonagall veio , como de costume , recolher os nomes de os alunos que ficavam em a escola durante o Natal . Harry , Ron e Hermione assinaram a lista . Tinham ouvido dizer que Malfoy ficava , o que lhes parecera muito suspeito . As férias seriam a altura ideal para usar a poção * _ Polisuco * e tentar arrancar lhe uma confissão . Infelizmente a poção estava a meio . Precisavam ainda de o chifre de bicórneo e o único lugar onde podiam arranjá o era em os depósitos privados de Snape . Harry , pessoalmente , preferia enfrentar o lendário monstro de os Slytherin do_que ser apanhado por o Snape a assaltar lhe o escritório . - O que precisamos - disse Hermione cheia de vivacidade quando se aproximava a aula conjunta de poções de quinta-feira a a tarde - para podermos entrar a a vontade em o escritório de o Snape , é de uma diversão . Harry e Ron olharam para ela , nervosos . - Acho que o melhor é ser eu a praticar o roubo - prosseguiu ela , em um tom perfeitamente casual . - Vocês os dois podem ser expulsos se forem apanhados e eu tenho uma folha limpa . Portanto , a única coisa que têm de fazer é distrair o Snape durante cerca de cinco minutos . Harry esboçou um meio sorriso . Provocar deliberadamente um estrago em a aula de poções de o Snape era tão seguro como ferir em um olho um dragão adormecido . As aulas de poções tinham lugar em um de os mais amplos calabouços . A de quinta-feira a a tarde não foi diferente de as outras . Vinte caldeirões fumegavam entre as secretárias de madeira , sobre as quais podia ver se laminas de latão e jarras com ingredientes . Snape deambulava por o meio de os fumos , fazendo reparos petulantes a o trabalho de os Gryffindor , enquanto os Slytherin riam a a socapa . Draco_Malfoy , que era o aluno preferido de Snape , não parava de lançar olhos de carneiro mal morto a o Ron e a o Harry , que sabiam que se retaliassem teriam um castigo , antes de poderem abrir a boca para dizer : - É injusto ! A solução de inchar de o Harry estava demasiado líquida , mas ele estava preocupado com coisas mais importantes . Esperava por o sinal de Hermione e mal deu por Snape se calar para ir espreitar a sua poção aguada . Quando o professor se voltou e foi implicar com o Neville , Hermione trocou um olhar com Harry e fez um aceno . Harry baixou se discretamente por detrás de o seu caldeirão , tirou de o bolso de trás um de os paus de fogo-de-artíficio Filibuster e deu lhe um toque de varinha . O fogo-de-artíficio começou a sibilar e a crepitar . Sabendo que tinha apenas alguns segundos , Harry endireitou se , ganhou coragem e lançou o a o ar . Aterrou certeiro em o caldeirão de o Goyle . A poção de o Goyle explodiu , salpicando toda_a aula . As pessoas gritavam , à_medida_que eram vítimas de os salpicos . Malfoy foi apanhado em a cara e o nariz começou a inchar como um balão . O Goyle tropeçava a as cegas , com as mãos em os olhos , que tinham ficado de o tamanho de pratos de sopa , enquanto o Snape tentava repor a calma e tentar perceber o que sucedera . Em o meio de a confusão , Harry viu Hermione esgueirar se a a socapa por a porta . - Silêncio ! silêncio ! - vociferou Snape . - Todos os que foram salpicados cheguem aqui para uma drenagem . Quando eu descobrir quem fez isto ... Harry fez um enorme esforço para não se rir a o ver Malfoy chegar apressadamente lá a a frente , a cabeça a tombar com o peso de o nariz , que parecia um pequeno melão . Quando metade de a aula se amontoava junto de a secretária de o Snape , alguns alunos vergados por o peso de os braços que pareciam mocas , outros incapazes de falar devido a o gigantesco inchaço de os lábios , Harry viu Hermione reentrar em o calabouço , a túnica mostrando a barriga protuberante . Quando todos os alunos tinham já tomado um gole de o antídoto e os vários inchaços tinham desaparecido , Snape precipitou se para o caldeirão de o Goyle e pescou os restos retorcidos de o fogo-de-artíficio . Houve um súbito silêncio . - Se eu descubro quem lançou isto - murmurou Snape - garanto que é expulsão por a certa . Harry compôs uma expressão de espanto . Snape olhava directamente para ele e a campainha , que tocou dez minutos mais tarde , não podia ser mais bem-vinda . - Ele soube que fui eu - disse Harry_a_Ron e a a Hermione , enquanto se dirigiam apressadamente para a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Tenho a certeza . Hermione lançou o novo ingrediente em o caldeirão e começou a mexer furiosamente . - Isto vai estar pronto dentro_de quinze_dias - afirmou , satisfeita . - O Snape não pode provar que foste tu - assegurou Ron , tranquilizando Harry . - Que pode ele fazer ? - Conhecendo o Snape , qualquer coisa louca - respondeu Harry , enquanto a poção borbulhava e espumava . Uma semana mais tarde , Harry , Ron e Hermione passavam por o vestíbulo de entrada , quando viram um pequeno grupo de pessoas reunidas em volta de o jornal de parede a lerem um pedaço de pergaminho que tinha acabado de ser afixado . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas acenaram lhes , entusiasmados . - Vão lançar um clube de duelos ! - exclamou Seamus . - Hoje a a noite é a primeira reunião . Eu não me importaria nada de ter aulas de duelo , podem vir a ser úteis um dia de estes ... - Porquê ? Achas que o monstro de os Slytherin sabe esgrimir ? - perguntou o Ron , mas , também ele , leu a notícia com interesse . - Pode ser útil - disse a o Harry e a a Hermione , quando foram jantar . - Vamos lá ? Harry e Hermione acharam óptimo , por isso , a as oito_da_noite voltaram a o salão . As longas mesas de refeição tinham desaparecido e um estrado dourado surgira , encostado a a parede . Sobre ele flutuavam milhares de velas . O tecto era , mais_uma_vez , de veludo negro e parecia que quase todos os alunos de a escola se encontravam ali , com as suas varinhas em a mão e com um ar entusiasmado . - Quem será que vai ensinar nos ? - perguntou Hermione , enquanto se misturavam em a multidão barulhenta . - Ouvi dizer que o Filitwick foi campeão de duelo em a juventude , talvez seja ele . - Desde_que não seja ... - começou Harry , mas terminou em um gemido : Gilderoy_Lockhart estava a subir a o estrado , resplandecente em as suas vestes cor de ameixa , acompanhado , nem mais nem menos , do_que de Snape que trajava , como sempre , de negro . Lockhart levantou um braço , pedindo silêncio , bradando : - Aproximem se , aproximem se , conseguem todos ver me e ouvir me ? Excelente ! - O professor Dumbledore deu me autorização para iniciar este pequeno curso de duelo para vos treinar a todos , caso algum dia precisem de se defender , como eu tenho feito em inúmeras ocasiões ; para mais detalhes , leiam os livros que tenho publicados . - Permitam que vos apresente o meu assistente , o professor Snape - disse Lockhart , abrindo um sorriso de orelha a orelha . - Ele diz me que sabe alguma coisa sobre duelos e aceitou desportivamente ajudar me em uma exibição de demonstração , antes de começarmos . Atenção , não quero que os mais novos fiquem preocupados , vão continuar a ter o vosso professor de poções depois de eu o vencer . Não tenham medo . - Não era óptimo se se liquidassem um_ao_outro ? - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . O lábio inferior de Snape estava curvo . Harry interrogou se sobre o motivo por_que Lockhart continuava a sorrir . Se o Snape olhasse de aquela maneira para ele , Harry estaria a correr a_toda_a velocidade para o mais longe possível . Lockhart e Snape voltaram se um para o outro e fizeram uma vénia , pelo_menos Lockhart fê la com muitas reviravoltas de mãos , enquanto Snape acenava , irritado , com a cabeça . Em seguida , ergueram as varinhas , como_se fossem espadas , em a frente . - Como podem ver , estamos a pegar em as varinhas em a posição de aceitação de combate - explicou Lockhart a a multidão silenciosa . - Quando contarmos até três , lançaremos os primeiros feitiços . Nenhum de nós tentará matar o outro , claro . - Eu não poria as mãos em o fogo - murmurou Harry , observando como Snape cerrava os dentes . -- Um , dois , três ... Os dois balançaram as varinhas acima de os ombros . Snape gritou : * _ Expelliarmus * ! Houve um clarão ofuscante de luz escarlate e Lockhart voou para trás , caindo de o estrado batendo contra a parede , escorregando e indo estatelar se em o chão . Malfoy e alguns de os outros Slytherin aplaudiram . Hermione estava em bicos de os pés . - Acham que ele está bem ? - gritou entredentes . - Quem se rala ? - disseram ao_mesmo_tempo o Ron e o Harry . Lockhart estava a pôr se , hesitante , de pé . O chapéu caíra lhe e o cabelo ondulado estava em um desalinho . - Bem , cá está ! - disse , cambaleando até a o estrado . - Este foi um encantamento para desarmar . Como podem ver , perdi a minha varinha . Ah , obrigado Miss_Brown . Sim , foi uma excelente ideia mostrar lhes isto , professor Snape , mas , se me permite que lhe diga , foi muito óbvio o que ia fazer . Se eu tivesse querido impedis o , teria o feito com a maior de as facilidades . Mas achei que seria educativo deixá os ver ... Snape tinha um ar assassino . Provavelmente Lockhart deu por isso , porque declarou : - Chega de demonstrações . Eu vou passar agora por o meio de vocês e criar duplas . Professor_Snape , se quiser ajudar me ... Entraram por o meio de a multidão , agrupando alunos . Lockhart pôs o Neville com Justin_Finch - _ Fletchley , mas Snape chegou primeiro junto de Harry e de Ron . - Tempo de separar a dupla ideal , parece me - rosnou . - Weasley , tu podes ficar com o Finnigan . Potter ... Harry voltou se automaticamente para Hermione . - Não me parece - disse Snape com o seu sorriso frio . - Mr._Malfoy , venha até aqui . Vamos ver o que faz com o famoso Potter . E a menina , Miss_Granger , pode emparceirar com Miss_Bulstrode . Malfoy aproximou se com o seu passo empertigado e o seu sorriso escarninho . Atrás de ele vinha uma rapariga de os Slytherin , que lembrou a Harry uma imagem que tinha visto em as * _ Férias com Bruxas_Velhas * . Era corpulenta e quadrada e os maxilares avançavam agressivamente . Hermione esboçou um meio sorriso , que ela não retribuiu . - Voltem se para os vossos parceiros - gritou Lockhart - e façam a vénia . Harry e Malfoy mal inclinaram as cabeças , não afastando os olhos um de o outro . - Varinhas preparadas ! - gritou Lockhart . - Quando eu disser três preparem os feitiços para desarmar o vosso opositor . Um ... dois ... três ... Harry levantou a varinha acima de o ombro , mas Malfoy começara logo em o « dois » : o seu feitiço apanhou Harry com tanta força que ele se sentiu como_se tivesse levado com uma frigideira em a cabeça . Tropeçou , mas ainda não estava fora de combate e , sem perder tempo , Harry apontou a varinha a Malfoy e gritou : - * _ Rictusempra ! * Um jacto de luz prateada atingiu Malfoy em o estômago , obrigando o a dobrar se , arfando . - Eu disse desarmar ! - gritava Lockhart sobre as cabeças de a multidão em lata , enquanto Malfoy caía de joelhos . Harry atingira o com o feitiço de as cócegas e ele mal conseguia mexer se para se rir . Harry hesitou com o vago sentimento de que seria pouco desportivo enfeitiçar Malfoy enquanto ele estava caído em o chão , mas ... foi um erro . Tentando respirar , Malfoy apontou a varinha a os joelhos de Harry , balbuciando : « * _ Tarantallegra ! * » e , um segundo depois , as pernas de o Harry tinham começado a mexer se , sem que ele pudesse controlá as , executando uma espécie de dança frenética . - Parem , parem - gritava Lockhart , quando Snape resolveu tomar controlo de a situação . - * _ Finite_Incantatem ! * - bradou . Os pés de o Harry pararam de dançar , Malfoy parou de rir e puderam olhar para_cima . Uma onda de fumo esverdeado pairava sobre todos eles . Neville e Justin estavam caídos em o chão , a arfar . Ron tentava fazer parar um Seamus com cara cor de cinza , pedindo lhe mil desculpas por o que a sua varinha partida eventualmente tivesse feito . Mas Hermione e Millicent_Bulstrode ainda não tinham acabado . Millicent tinha feito a Hermione uma prisão de cabeça e Hermione gritava de dor . As duas varinhas jaziam esquecidas em o chão . Harry deu um salto em frente e afastou Millicent . Não foi fácil , ela era bastante maior do_que ele . - Oh , gente ! - exclamou Lockhart , arrastando se por o meio de a multidão e olhando para os resultados de os duelos . - Vamos pôr de pé , Mcmillan ... cuidado , Miss_Fawcett ... belisque com força que pára logo de sangrar ... - Acho que o melhor é ensinar vos como bloquear feitiços pouco amigáveis - afirmou Lockhart que estava nervosíssimo em o meio de o salão . Olhou para Snape , cujos olhos pretos brilhavam e desviou rapidamente o olhar . - Vamos arranjar um par de voluntários . Longbottom e Finch - _ Fletchley , que tal serem vocês ? - Uma má ideia , professor Lockhart - disse Snape , deslizando como um morcego enorme e cruel . - Longbottom provoca devastação com o feitiço mais simples . Ainda temos de mandar o que restar de o Finch - _ Fletchley para a ala hospitalar dentro_de uma caixa de fósforos . - A cara redonda e rosada de Neville ficou ainda mais rosada . - Que tal o Malfoy e o Potter ? - sugeriu Snape com um sorriso retorcido . - Excelente ideia - disse Lockhart , fazendo sinal a os dois para que se aproximassem de o meio de o salão , enquanto a multidão recuava para lhes dar passagem . - Ouve bem , Harry - disse Lockhart . - Quando o Draco te apontar a varinha , tu fazes assim . Levantou a sua varinha , executando uma tentativa complicada de malabarismo e deixou a cair . Snape sorriu pretensiosamente , enquanto Lockhart a apanhava de o chão , dizendo : - Ups , a minha varinha está demasiado excitada . Snape aproximou se de Malfoy , inclinou se e disse lhe qualquer coisa a o ouvido . Malfoy sorriu também de forma afectada . Harry olhou , nervoso , para Lockhart e pediu : - Professor , podia mostrar me outra_vez aquela coisa para bloquear ? - Estás com medo ? - murmurou Malfoy baixinho , para que Lockhart não pudesse ouvir . - Querias ! - exclamou Harry por o canto de a boca . Lockhart deu um soco em o ombro de o Harry , em a brincadeira . - Basta que faças como eu fiz ! - O quê , deixar cair a varinha ? Mas Lockhart não estava a ouvir - Três , dois , um , zero ! - gritou . Malfoy levantou rapidamente a varinha a o ar e gritou : - * _ Serpensortia ! * A extremidade de a varinha explodiu . Harry viu , horrorizado , uma enorme serpente negra sair de ela , cair pesadamente em o chão a meio de os dois e erguer se disposta a atacar . Ouviram se gritos , enquanto a multidão se afastava , deixando o chão vazio . - Não te mexas , Potter - disse Snape vagarosamente , divertindo se claramente a ver Harry , parado , a olhar em os olhos a serpente . - Eu trato de ela ... - Permita me -- gritou Lockhart . Bramiu a varinha em direcção a a serpente e ouviu se um estoiro . A cobra , em_vez_de desaparecer , voou três metros acima de eles e voltou a cair em o chão com um estrondo enorme . Enraivecida , a sibilar de fúria , rastejou em direcção a Finch - _ Fletchley e pôs se de pé com os dentes a a mostra , pronta a atacar . Harry não soube ao_certo o que o levou a fazer aquilo . Não se lembrava sequer de ter tomado aquela decisão . Só soube que as pernas o fizeram avançar como_se tivesse rodas e que gritou a a serpente : - Larga o ! - E , milagrosa e inexplicavelmente , a serpente voltou a o chão , dócil como uma grande mangueira de jardim , preta e grossa , os olhos agora fixos em os olhos de Harry . Harry sentiu o medo a escoar se . Sabia que a cobra não atacaria mais ninguém , embora não pudesse explicar como sabia . Olhou para Justin a sorrir , esperando vê o aliviado , espantado , ou mesmo agradecido , mas nunca zangado ou assustado . - Que brincadeira é essa ? - gritou o outro e , antes que Harry tivesse tempo de dizer fosse o que fosse , voltou as costas e saiu de o salão . Snape deu um passo em frente , fez um gesto com a varinha e a serpente desapareceu em uma onda de fumo preto . Também ele , Snape , olhava para Harry de uma forma inesperada . Era um olhar arguto e calculista , de que Harry não gostou . Apercebeu se também vagamente de um murmúrio ameaçador que vinha de as paredes em volta . Depois , sentiu um puxão em a túnica . - Vamos - disse a voz de o Ron em o seu ouvido . - Mexe te , vá lá ... Ron arrastou o para fora de o salão . Hermione acompanhava os em a passada rápida . Quando cruzaram a porta , as pessoas que a rodeavam afastaram se , como_se tivessem medo de ser contagiadas . Harry não fazia a mais pequena ideia do_que estava a passar se e , nem Ron , nem Hermione lhe deram qualquer explicação , antes de o terem levado até a a sala comum de os Gryffindor , que se encontrava vazia . Aí , Ron empurrou Harry para uma cadeira de braços e disse : - Tu és um * serpentês * . Porque não nos disseste ? - Eu sou um quê ? - perguntou Harry . - Um * serpentês * ! - exclamou o Ron . - Falas com as cobras . - Eu sei - declarou Harry . - Quer_dizer , esta foi a segunda vez que o fiz . A outra foi há muito_tempo em o jardim zoológico , quando soltei uma Boa_Constrictor a o meu primo Dudley . É uma longa história , mas ela estava a dizer me que nunca tinha estado em o Brasil e eu acho que a libertei sem querer . Foi antes de saber que era feiticeiro . . . - Uma Boa_Constrictor disse te que nunca tinha estado em o Brasil ? - repetiu Ron , quase sem voz . - E então ? - disse o Harry . - Aposto que montes de pessoas aqui fazem o mesmo . - Não fazem , não - afirmou Ron . - Não é um dom muito frequente . Harry , isso é mau . - O que é_que é mau ? - perguntou Harry , que começava a ficar chateado . - O que é_que se passa com todos os outros ? Ouve bem , se eu não tivesse dito a aquela cobra para não atacar o Justin ... - Ah , foi isso que tu disseste ? - Que queres dizer ? Tu estavas lá , ouviste perfeitamente o que eu disse . - Eu ouvi te falar em serpentês - disse o Ron . - Língua de cobra . Podias estar a dizer lhe qualquer coisa . Não admira que o Justin tivesse entrado em pânico . Parecia que estavas a incitar a serpente . Foi assustador , sabes ? Harry olhou para ele espantado . - Eu falei uma língua diferente ? Mas não me apercebi , como posso falar uma língua , sem saber que a conheço ? Ron abanou a cabeça . Tanto ele como Hermione tinham um ar fúnebre . Harry não percebia o que havia em aquilo de tão trágico . - Será que me querem explicar o que há de mal em ter impedido que uma serpente enorme arrancasse a cabeça a o Justin ? - perguntou . - Porque é tão importante como o fiz , se evitei que o Justin fosse juntar se a grupo de os SEM_CABEÇA ? - Importa - disse por fim Hermione , em uma voz abafada . - Porque falar com serpentes era a arte por a qual Salazar_Slytherin ficou famoso . Por isso , o símbolo de os Slytherin é uma serpente . Harry ficou de boca aberta . - Exacto - disse o Ron . - E agora todos em a escola vão pensar que tu és descendente de ele . - Mas não sou - contrapôs Harry com um pânico que não conseguia explicar . - Não vai ser fácil prová o - disse Hermione . - Ele viveu há quase mil anos . Pelo que vimos , podias ser . Em essa noite , Harry ficou acordado durante horas . Por uma fresta de os cortinados de a cama de dossel , olhou para a neve que começava a cair de o lado de_fora de a janela de a torre e perguntou se se poderia ser descendente de Salazar_Slytherin . Afinal , não sabia nada de a família de o pai , os Dursley tinham sempre proibido qualquer pergunta sobre os seus familiares feiticeiros . Calmamente , tentou dizer qualquer coisa em * serpentês * , mas as palavras não saíam . Parecia que era necessário estar frente_a_frente com uma cobra para poder fazê o . Mas eu sou um Gryffindor , pensou Harry , o chapéu seleccionador não me poria aqui se eu tivesse sangue de Slytherin ... - Ah ! - disse uma vozinha dentro de o seu cérebro . - Mas o chapéu seleccionador queria pôr te em os Slytherin , não te lembras ? Harry deu voltas e voltas a a cabeça . Em o dia seguinte , quando visse Justin em a aula de herbologia explicaria lhe que estava a afastar a serpente , não a atiçá a o que , aliás , pensou zangado , dando vários socos em a almofada , qualquer idiota teria percebido . Contudo , em a manhã seguinte , a neve que começara a cair durante a noite , transformara se em uma tempestade tão espessa que a última aula de herbologia de o período foi cancelada : a professora Sprout queria tapar as mandrágoras com peúgas e cachecóis , uma operação arriscada que ela não confiava a ninguém agora_que era tão importante que as mandrágoras crescessem depressa e reabilitassem Mrs._Norris e Colin_Creevey . Junto de a lareira de a sala comum de os Gryffindor , Harry matutava sobre o que se passara enquanto Ron e Hermione aproveitavam o foro para jogar xadrez de feitiçaria . - Com os diabos , Harry - disse Hermione exasperada quando um bispo derrubou um de os cavaleiros de o cavalo , arrastando o para fora de o tabuleiro . - Vai falar com o Justin , se isso é assim tão importante para ti . Harry levantou se e saiu por o buraco de o retrato , perguntando a si próprio onde poderia estar o Justin . O castelo estava mais escuro do_que era habitual durante o dia por causa de a neve espessa e cinzenta que cobria as janelas . A tremer , Harry passou por as salas onde estava a haver aulas , captando lampejos do_que sucedia lá dentro . A professora Mc_Gonagall gritava com alguém que , segundo lhe parecia por o som , transformara o parceiro em um texugo . Resistindo a a tentação de dar uma espreitadela , Harry afastou se pensando que Justin poderia estar a utilizar o tempo de o furo para fazer algum trabalho e resolveu , por isso , ir até a a biblioteca . Um grupo de alunos de os Hufflepuff , que deveriam ter estado em Herbologia , encontrava se , de facto , sentado em as traseiras de a biblioteca , mas não parecia estar a trabalhar . Entre as fileiras de as estantes altas , Harry pôde ver as suas cabeças muito juntas em aquilo que deveria ser uma conversa absorvente . Não conseguia perceber se Justin estaria em o meio de eles . Ia para se aproximar quando apanhou em o ar uma frase e parou para ouvir melhor , escondido em a secção de a invisibilidade . - Portanto - dizia um rapaz corpulento - eu disse a o Justin para se esconder em o nosso dormitório . Isto_é , se o Potter o escolheu como próxima vítima é melhor que ele tenha um * low profile * durante algum tempo . É claro que o Justin já estava a a espera que alguma coisa de o género acontecesse desde_que lhe escapou em uma conversa com o Potter que era filho de Muggles . O Justin disse lhe , inclusivamente , que tinha estado inscrito em Eton . Não é o tipo de coisa que se ande a dizer com o herdeiro de Slytherin a a solta por aí . - Achas mesmo_que é o Potter , Ernie ? - perguntou uma rapariga de tranças loiras , ansiosamente . - Hannah - disse com solenidade o rapaz corpulento . - Ele é um serpentês . Todos sabem que essa é a marca de um feiticeiro negro . Alguma vez ouviste falar de um feiticeiro decente que falasse com as cobras ? O Slytherin era conhecido por « Língua de serpente . . Houve alguns murmúrios antes de Ernie prosseguir : - Lembram se do_que estava escrito em a parede ? * _ Inimigos de o herdeiro , cuidado ! * . O Potter teve que ir a o gabinete de o Filch . E o que é_que acontece a seguir ? A gata de o Filch é atacada . O aluno de o primeiro ano , Creevey , estava a aborrecê o em a partida de Quidditch , a tirar lhe fotografias quando ele estava caído em a lama . E o que é_que acontece a seguir ? Creevey é atacado . - Mas ele parece sempre ser tão simpático - disse Hannah , cheia de dúvidas . - E , bem , foi ele que fez com que o Quem nós sabemos desaparecesse . Não pode ser assim tão mau , pois não ? Ernie baixou misteriosamente a voz . Os Hufflepuff inclinaram se mais uns para os outros e Harry aproximou se para conseguir apanhar as palavras de o Ernie . - Ninguém sabe como ele sobreviveu a aquele ataque de o Quem nós sabemos e , afinal , ainda era um bebé quando aquilo aconteceu . Era para ter explodido feito em estilhaços . Só um feiticeiro negro verdadeiramente poderoso teria sobrevivido a uma maldição de aquelas . - Baixou ainda mais a voz até esta ficar reduzida a um leve murmúrio e disse : - Talvez fosse por isso que o Quem nós sabemos o queria matar , para não ter outro feiticeiro negro a competir com ele . Gostava de saber que outros poderes ocultos terá o Potter . Harry não aguentou mais . Pigarreou alto e saiu detrás de as estantes . Se não estivesse tão zangado teria conseguido ver o lado cómico de a situação : cada_um de os Hufflepuff olhava para ele como_se tivesse sido petrificado , e a cor desaparecera de a cara de o Ernie . - Olá - disse Harry . - Estou a a procura de o Justin_Finch - _ Fletchley . Os piores receios de os Hufflepuff tinham se concretizado . Olharam apavorados para o Ernie . - O que queres de ele ? - perguntou Ernie em uma voz sumida . - Explicar lhe o que aconteceu com aquela cobra em o clube de os duelos - disse Harry . Ernie mordeu os lábios brancos e , em seguida , respirando fundo , respondeu : - Estávamos lá todos . Vimos o que aconteceu . - Então viram que depois de eu falar a serpente recuou - disse Harry . - O que eu vi - insistiu teimosamente Ernie , apesar_de tremer a cada palavra que proferia - foi tu a falares serpentês e a atiçares a cobra conta o Justin . - Eu não a aticei - gritou Harry enraivecido . - Ela nem lhe tocou . - Falhou por_pouco - disse Ernie . - E , para o caso de estares com ideias - acrescentou com má cara - posso dizer te que a minha família provem de nove gerações de bruxas e feiticeiros e que o meu sangue é tão puro como o de qualquer feiticeiro , portanto ... - Quero lá saber qual é o teu sangue - disse Harry furioso . - Porque iria eu atacar os filhos de os Muggles ? - Ouvi dizer que detestas os Muggles com quem vives - disse Ernie rapidamente . - Não é possível viver com os Dursley sem os detestar - explicou Harry . - Gostava de te ver lá em casa . Girou sobre os calcanhares e saiu furioso de a biblioteca sob o olhar reprovador de Madam_Prince que limpava a capa dourada de um enorme livro de encantamentos . Harry avançou a as cegas por os corredores , quase sem ver por_onde ia de tão furioso que estava . O resultado foi chocar com algo enorme e sólido que o fez recuar e cair a o chão . - Ah ! Olá , Hagrid - disse , olhando para_cima . Hagrid tinha o rosto completamente tapado com um lenço coberto de neve , mas não podia ser mais ninguém , enchendo assim o corredor dentro de o seu sobretudo de pele de toupeira . De uma de as enormes mãos enluvadas , pendia um galo morto . - Tudo bem , Harry ? - perguntou , afastando o lenço para poder falar . - Porque não estás em a aula ? - Foi cancelada - disse Harry , pondo se de pé . - O que estás a fazer aqui ? Hagrid mostrou lhe o galo inerte . - É o segundo qu'aparece morto este período - explicou . - Ou são raposas ou um vampiro chato e eu preciso d'autorização de o director p'ra fazer um feitiço em volta de a capoeira . Aproximou se e olhou mais de perto para o Harry , por debaixo de as suas sobrancelhas espessas e cheias de neve . - Tens a certeza que estás bem ? Pareces exaltado e preocupado . Harry não foi capaz de repetir o que Ernie e os outros Hufflepuff lhe tinham dito . - Não é nada , tenho de ir , Hagrid . A próxima aula é Transfiguração e preciso de ir buscar os meus livros . Afastou se , a cabeça cheia com tudo_o_que Ernie dissera a seu respeito . « * _ O_Justin já estava d espera que uma coisa de o género acontecesse desde_que deixou escapar , falando com o Potter , que era filho de Muggles * ... » Harry subiu as escadas a correr e entrou por um corredor que estava particularmente escuro . As tochas tinham sido apagadas por uma ventania gelada que entrava por uma janela de fecho estragado . Estava a meio de o corredor quando tropeçou em uma coisa que se encontrava em o chão . Olhou para ver o que era e sentiu como_se o estômago se tivesse dissolvido . Justin_Finch - _ Fletchley estava em o chão , rígido e frio com uma expressão de horror em o rosto e os olhos abertos voltados para o tecto . E não era tudo . Junto de ele estava mais alguém , a visão mais estranha que Harry tivera em toda_a sua vida . Era_o_Nick quase sem cabeça que não estava cor de pérola nem transparente e sim escuro como fumo . Flutuava imóvel , em a horizontal , 12 centímetros acima de o chão , a cabeça meio tombada e em o rosto uma expressão de choque idêntica a a de o Justin . Harry pôs se de pé com a respiração acelerada e o coração a bater como um tambor contra as costelas . Olhou desvairado para ambos os lados de o corredor deserto e viu uma fila de aranhas que corriam a_toda_a velocidade em a direcção oposta a a de os corpos . Os únicos sons eram as vozes abafadas de os professores em as aulas que decorriam de ambos os lados . Podia fugir e ninguém saberia que ali tinha estado , mas não era capaz de os abandonar assim . Tinha de ir procurar ajuda . Será que alguém acreditaria que ele não tivera nada que ver com aquilo ? Enquanto ali estava , em pânico , uma porta a o seu lado abriu se com grande estrondo . Peeves , o * poltergeist * , saiu a os gritos . - Oh ! É o Potter , olá , Potter - alardeou Peeves , lançando por o ar os óculos de o Harry quando passou por ele . - O que está o Potter a fazer ? Porque está o Potter escondido ? Peeves passou de cabeça para baixo , a meio de uma cambalhota em o ar , quando viu Justin e Nick quase sem cabeça . Com um movimento súbito endireitou se , encheu os pulmões de ar e , antes que Harry pudesse impedi o , gritou : __ ataque ! ataque ! outro ataque ! nenhum mortal ou fantasma está em segurança . corram , fujam , __ ataaaque ! Crac , Crac , Crac . Uma atrás de a outra , foram se abrindo todas_as portas a o longo de o corredor e as pessoas saíram para fora de as salas de aula . Durante alguns longos minutos houve uma tal confusão que Justin esteve em perigo de ser esmagado e as pessoas não paravam de chocar com o Nick quase sem cabeça . Harry deu por si colado a a parede enquanto os professores exigiam a os gritos que se fizesse silêncio . A professora Mc_Gonagall veio a correr , seguida por todos os alunos , um de os quais ainda trazia o cabelo a as riscas pretas e brancas . Usou a varinha para produzir um ruído que repôs o silêncio e mandou os alunos todos para dentro de as salas de aula . Mal lugar ficou desimpedido surgiu Ernie , o jovem Hufflepuff . - * _ Apanhado em flagrante ! * - gritou , com o rosto totalmente branco , apontando dramaticamente o dedo par Harry . - Basta_Mcmillan - disse , de forma cortante , a professora Mc_Gonagall . Peeves andava para_cima e para baixo , observando a cena com um sorriso maldoso . Sempre adorara o caos . Quando os professores se inclinaram sobre Justin e sobre o Nick quase sem cabeça para os examinar , iniciou uma cantilena : * _ Oh ! Potter , que fizeste , seu grande bandido * _ Tu matas os estudantes porque achas divertido . * - Basta , Peeves - rosnou a professora Mc_Gonagall e Peeves afastou se , deitando a língua de_fora a o Harry . Justin foi levado para a ala hospitalar por o professor Flitwick e por o professor Sinistra_do_Departamento_de_Astronomia , mas ninguém parecia saber o que fazer em relação a o Nick quase sem cabeça . Por fim , a professora Mc_Gonagall fez aparecer em o ar um enorme leque que entregou a Ernie com o encargo de conduzir , escadas acima , por os ares o Nick quase sem cabeça . Ernie assim fez , soprando Nick como_se fosse um aerodeslizador e deixando , de este modo , o Harry e a professora Mc_Gonagall a sós . - Por aqui , Potter - disse ela . - Professora , eu juro que não ... - Isso não é comigo , Potter - afirmou a professora Mc_Gonagall sinteticamente . Caminharam em silêncio até uma esquina e ela parou perante uma gárgula de pedra extremamente feia . - Refresco de limão - disse . Era obviamente uma senha porque a gárgula animou se subitamente e saltou para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes . Apesar_de estar apavorado com o que ia acontecer a seguir , Harry não conseguiu evitar um sentimento de fascínio . Por detrás de a parede estava uma escada em espiral que se movia lentamente para_cima como um elevador . E quando ele e a professora Mc_Gonagall puseram os pés em o primeiro degrau , Harry ouviu a parede fechar se atrás de eles . Subiram em círculos , cada_vez_mais alto até que , por fim , um_pouco tonto , Harry pôde ver uma porta de carvalho reluzente com um puxador de bronze em forma de abutre . Harry calculava onde estava a ser levado . Devia ser ali que morava Dumbledore . XII_A poção * polisuco * Saltaram de a escada de pedra lá mesmo em cima e a professora Mc_Gonagall bateu a a porta . Ela abriu se silenciosamente dando lhes entrada . A professora Mc_Gonagall disse lhe que esperasse e deixou o sozinho . Harry olhou em volta . Uma coisa era certa : de todos o escritórios de professores que conhecia , o de Dumbledor era , de longe , o mais interessante . Se não estivesse com um medo de morte de ser expulso teria adorado explorá o . Era uma sala grande e bonita em forma de círculo que estava cheia de barulhinhos estranhos . Havia um grande número de instrumentos prateados sobre várias mesas de pernas finas que zumbiam emitindo pequenas baforadas de fumo . As paredes estavam cobertas de fotografias de antigos directores e directoras , todos eles a dormir tranquilamente em as suas molduras . Havia ainda uma enorme secretária pés de garra . E , sobre uma prateleira atrás de ela , um chapéu de feiticeiro andrajoso e puído : * o chapéu seleccionador * . Harry hesitou . Lançou um olhar cauteloso a as bruxas e feiticeiros adormecidos a o longo de as paredes . Com certeza não fazia mal se lhe pegasse e o experimentasse só para ver ... só para ter a certeza de que ele o pusera em a equipa certa . Deu a volta a a secretária , retirou o chapéu de a prateleira e baixou o lentamente sobre a cabeça . Era demasiado grande e escorregou lhe para os olhos como de a outra_vez que o tinha posto . Harry olhou para o forro preto , enquanto esperava . Por fim , uma vozinha disse lhe a o ouvido : - Estás com macaquinhos em o sótão , Harry_Potter ? - Er ... sim - balbuciou Harry . - Er ... desculpa incomodar te , queria saber ... - Querias saber se te pus em a equipa certa - disse prontamente o chapéu . - Sim ... tu és particularmente difícil de seleccionar , mas eu mantenho o que disse antes . - O coração de Harry deu um salto . - Terias ficado bem em os Slytherin . Harry sentiu o estômago contorcer se . Agarrou o chapéu por a aba e tirou o de a cabeça . O chapéu seleccionador ficou pendurado em a mão de ele , inerte , desbotado e sujo . Harry voltou a pô o em a prateleira , sentindo se enjoado . - Estás enganado ! - disse em voz alta a o chapéu parado e silencioso , mas ele não se mexeu . Harry recuou para o observar melhor e foi então que ouviu um ruído estranho e grasnado atrás_de si que o fez dar uma volta . Não estava só , afinal_de_contas . Em um poleiro dourado atrás de a porta estava um pássaro de aspecto decrépito que parecia um peru meio depenado . Harry olhou para ele espantado e o pássaro olhou o também , grasnando de_novo . Harry achou que ele devia estar muito doente porque tinha os olhos parados e , enquanto olhava para ele , caíram lhe mais algumas penas de a cauda . Estava justamente a pensar que a única coisa que lhe faltava era que o pássaro de estimação de Dumbledore morresse quando ele estava ali sozinho com ele , em o escritório , quando a ave se incendiou . Harry gritou , em estado de choque , e recuou até a a secretária . Olhava nervosamente em volta , em busca de um jarro de água , mas não viu nenhum . O pássaro , entretanto , transformara se em uma bola de fogo , dera um guincho e , em seguida , desaparecera , deixando apenas um monte de cinzas em o chão . A porta de o escritório abriu se . Dumbledore entrou com ar taciturno . - Professor - gaguejou Harry . - O seu pássaro ... eu não pode fazer nada ... ele incendiou se . Para seu grande espanto , Dumbledore sorriu . - Já não era sem tempo . Estava com um aspecto horrível em os últimos dias . Fartei me de lhe dizer que fizesse qualquer coisa . Riu se entre dentes com a expressão em o rosto de Harry . - A Fawkes é uma fénix , Harry . As fénix ardem quando é altura de morrer e renascem de as cinzas , repara ... Harry olhou mesmo a_tempo_de ver um passarinho recém-nascido , todo enrugado , espetar a cabeça fora de as cinzas . Era quase tão feio como o antigo . - É uma pena que a tenhas conhecido em dia de arder - disse Dumbledore , passando para trás de a secretária . - É muito bonita a maior parte de o tempo , com uma plumagem vermelha e dourada . São criaturas fascinantes , as fénix . Podem transportar cargas pesadíssimas , as suas lágrimas têm propriedades curativas e são animais de estimação extremamente fiéis . Com o choque de a fénix a pegar fogo , Harry esquecera se de o motivo porque ali estava , mas tudo voltou rapidamente quando Dumbledore se instalou em a cadeira de espaldar alto e o fixou com os seus olhos azuis e penetrantes . Contudo , antes que ele tivesse tido tempo de falar , a porta de o escritório abriu se de par em par com um enorme estrondo e Hagrid entrou com um olhar tresloucado , o lenço todo torcido em volta de a cabeça hirsuta e o galo morto ainda pendurado em a mão . - Não foi Harry , professor Dumbledore - disse , aflito . - Eu tinha estado a falar com ele poucos segundos antes de o rapazinho ser encontrado , ele não teve tempo professor ... Dumbledore tentou dizer qualquer coisa , mas Hagrid continuou , abanando o galo em o meio de a sua agitação e espalhando penas por todo o lado . - Não pode ter sido ele . Eu juro em a frente de o ministro de a magia , se for preciso ... - Hagrid , eu ... -- Tem o rapaz errado , professor . Eu sei qu'o Harry nunca ... - Hagrid - disse Dumbledore , elevando a voz . - Eu não penso que o Harry tenha atacado aquelas pessoas . - Oh ! - disse Hagrid , com o galo pendendo inerte a o seu lado . - Certo , ' tão eu espero lá fora , director . E saiu com ar envergonhado . - O senhor não acha que tenha sido eu ? - repetiu Harry cheio de esperança , enquanto Dumbledore sacudia penas de galo de cima de a secretária . - Não , Harry , não acho - afirmou Dumbledore , apesar de a sua expressão ser de_novo sombria . - Mas mesmo_assim quero falar contigo . Harry esperou ansiosamente enquanto o director o observava com as pontas de os dedos longos unidas . - Tenho de saber uma coisa . Harry , há alguma pergunta que queiras fazer me , qualquer que ela seja ? Harry não soube o que dizer . Lembrou se de Malfoy a gritar * _ Vocês serão os próximos , sangues de lama * e de a poção * _ Polisuco * em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Depois pensou em a voz sem corpo que ouvira duas vezes e em o que o Ron dissera * _ Ouvir vozes que ninguém mais ouve não é bom sinal , nem mesmo em o mundo de a feitiçaria * . Pensou também em o que toda_a_gente dizia de ele e em o receio cada_vez maior de ter uma relação qualquer com Salazar_Slytherin ... - Não - disse por fim . - Não há nada , professor . O ataque duplo a Justin e a o Nick quase sem cabeça transformou o que até_então era nervosismo em verdadeiro pânico . Curiosamente fora o destino de o Nick quase sem cabeça o que mais preocupara as pessoas . Quem poderia ter feito aquilo a um fantasma ? - perguntavam uns a os outros . - Que poder terrível era aquele , capaz de afectar alguém que já tinha morrido ? Houve uma precipitação enorme em a marcação de os bilhetes em o Expresso_de_Hogwarts , pois todos os alunos quiseram ir passar o Natal a casa . - Por este caminho , vamos ser os únicos a ficar - disse o Ron a o Harry e a a Hermione . - Nós , o Malfoy , o Goyle e o Crabbe , que férias lindas que vão ser ! Crabbe e Goyle que faziam sempre o que Malfoy fazia , tinham se inscrito para ficar também durante as férias . Mas Harry estava contente por a maior parte se ir embora . Estava farto de ver gente a afastar se em os corredores como_se ele fosse mostrar os dentes ou cuspir veneno . Estava cansado de tantos segredinhos , de os ver apontar e segredar quando passava . O Fred e o George , esses achavam muito divertido . Vinham , de propósito , pôr se a a frente de ele e atravessavam os corredores a gritar : - Abram alas para o herdeiro de Slytherin , vai passar um feiticeiro verdadeiramente cruel . Percy discordava totalmente de este comportamento . - Não é um assunto para se brincar - dizia com frieza . - Sai mas é de o caminho , Percy - dizia o Fred . - O Harry está com pressa . - Sim , ele vai a a Câmara_dos_Segredos tomar uma chávena de chá com o seu servidor dentes de serpente - completava Fred com uma gargalhada . Ginny também não lhes achava graça . - Cala te - gritava ela sempre_que o Fred perguntava em voz alta a o Harry quem estava a pensar atacar a seguir , ou quando George fingia afastá o com um enorme dente de alho . Harry não se importava . Fazia o sentir se melhor o facto de constatar que , pelo_menos para o Fred e para o George , a ideia de ele ser o herdeiro de Slytherin era absolutamente ridícula . Mas as palhaçadas de eles pareciam ofender Draco_Malfoy que , de cada_vez que os via , ficava mais irritado . - É porque está ansioso por dizer que é mesmo ele - disse o Ron com ar conhecedor . - Sabes como ele detesta que alguém o ultrapasse e tu estás a receber todo o crédito por o seu trabalho sujo . - Não vai ser por muito_tempo - disse Hermione com uma voz satisfeita . - A poção * polisuco * está quase pronta . Um de estes dias arrancamos lhe a verdade . Finalmente , o período chegou a o seu termo e um silêncio profundo como a neve em os campos desceu sobre o castelo . Harry adorou a tranquilidade e apreciou o facto de ele , Hermione e os Weasley terem a torre de os Gryffindor por sua conta , poderem jogar a as explosões bem alto , sem incomodar ninguém e praticar duelos entre si . O Fred , o George e a Ginny tinham preferido ficar em a escola a ir com Mr. e Mrs._Weasley a o Egipto visitar o Bill . Percy que reprovava e considerava infantil a conduta de eles , não passava muito_tempo em a sala comum de os Gryffindor . Já lhes dissera pomposamente que só ficara ali em o Natal , por ser sua obrigação como prefeito apoiar os professores em aquela época agitada . A manhã de o dia de Natal clareou branca e fria . Harry e Ron , os únicos que estavam em o dormitório , foram acordados muito cedo por Hermione que entrou , toda vestida , transportando presentes para ambos . - Acordem - disse em voz alta , abrindo os cortinados . - Hermione , tu não devias estar aqui - exclamou o Ron , protegendo os olhos de a luz . - Feliz_Natal para ti também - disse Hermione , atirando lhe o presente que tinha para ele . - Estou acordada há quase uma hora , acrescentando mais asas de renda a a poção . Está pronta . Harry sentou se , subitamente acordado . - Tens a certeza ? - Absoluta - disse ela , afastando o rato Scrabbers para se sentar a os pés de a cama de dossel . - Se vamos mesmo tomá a , acho que devia ser logo a a noite . Em esse momentzo , a Hedwig entrou em o quarto , transportando em o bico um embrulho pequenino . - Olá - disse Harry , feliz a o vê a aterrar em a sua cama . - Já me falas outra_vez ? Ela mordiscou lhe a orelha de uma forma afectuosa que foi , de longe , um presente melhor do_que aquele que transportava e que era afinal de os Dursley . Tinham mandado a Harry um palito para os dentes com um cartão pedindo lhe que se informasse se não poderia ficar , também em o Verão , em Hogwarts . Os outros presentes que Harry recebeu foram bastante melhores . Hagrid mandara lhe uma lata grande de bombons de melaço que ele decidiu amolecer a o lume antes de comer , o Ron deu lhe um livro chamado * _ Voando com Canhões * , que narrava factos interessantes sobre a sua equipa favorita de Quidditch e Hermione trouxera lhe uma luxuosa pena de águia . Harry abriu o último presente onde vinha uma camisola novinha , feita a a mão por Mrs._Weasley e um grande bolo de passas . Pegou em o cartão com uma nova sensação de culpa , pensando em o carro de Mr._Weasley que não voltara a ser visto desde_que chocara contra o salgueiro zurzidor e em a quantidade de infracções que ele e o Ron tinham em mente . Ninguém , nem mesmo os que estavam cheios de medo por terem de tomar a poção * polisuco * a seguir , deixou de adorar o jantar de Natal em Hogwarts . O salão nobre estava magnífico . Não_só havia uma_dúzia de árvores de Natal , cobertas de geada e espessas serpentinas de azevinho e visco bravo cruzando se junto de o tecto como caia uma neve encantada quente e seca . Dumbledore conduziu os em uma de as suas canções de Natal preferidas enquanto Hagrid se agitava , falando cada_vez_mais alto , a cada gole de gemada que tomava . O Percy que não dera por_que Fred enfeitiçara o seu distintivo de prefeito , onde agora podia ler se « cabeça de alfinetes « , continuava a perguntar a todos para_onde estavam a olhar . Harry nem_sequer se importou com os comentários que Draco_Malfoy fazia bem alto , de a mesa de os Slytherin acerca de a sua camisola nova . Com alguma sorte , Malfoy iria ser desmascarado dentro_de algumas horas . Harry e Ron mal tinham acabado a terceira dose de pudim de Natal quando Hermione os fez sair de o salão a a pressa para acabarem de tratar de os planos para essa noite . - Ainda precisamos de um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos - disse com o ar mais natural de este mundo como_se estivesse a mandá os a o supermercado comprar detergente . - E , é claro que o ideal será conseguirmos alguma coisa de o Crabbe e de o Goyle , são os melhores amigos de o Malfoy , ele conta lhes tudo . E precisamos também de ter a certeza de que eles não vão entrar em a sala quando vocês estiverem a interrogar o Malfoy . - Eu tenho tudo pensado - prosseguiu ela , ignorando a expressão estupefacta de Harry e Ron . Pegou em dois apetitosos bolos de chocolate . - Pus lhes um encantamento de sono . Vocês só têm de fazer com que o Crabbe e o Goyle os encontrem . Sabem como eles são gulosos , vão logo comê os . Quando estiverem a dormir , tirem lhes alguns cabelos e escondam nos em uma despensa de vassouras . Harry e Ron olharam , incrédulos , um para o outro . -- Hermione , eu não creio que ... -- Isto pode correr muito mal ... Mas Hermione tinha um brilho inflexível em os olhos que não era muito diferente do_que costumavam ver em o olhar de a professora Mc_Gonagall . - A poção não nos serve de nada sem os cabelos de o Crabbe e de o Goyle - disse com firmeza . - Vocês querem mesmo descobrir coisas sobre o Malfoy , não querem ? - Pronto , está bem - disse Harry . - Mas , e tu , vais arranjar cabelos de quem ? - Eu já tenho esse assunto resolvido - disse Hermione sorridente , tirando um frasquinho de o bolso e mostrando lhes um cabelo que lá estava dentro . - Lembram se de a Millicent_Bulstrode que lutou comigo em o clube de os duelos ? Ela deixou isto em o meu manto quando tentava estrangular me . E foi passar o Natal a casa , portanto , basta me dizer a os Slytherins que decidi voltar . Quando Hermione saiu para verificar de_novo a poção polisuco , Ron voltou se para Harry com uma expressão lúgubre . - Alguma vez viste um plano onde tantas coisas pudessem correr mal ? Mas para grande espanto de ambos , a primeira fase de a operação decorreu tão naturalmente como Hermione previra . Eles esconderam se em o * hall * de entrada , depois de o lanche de Natal , a a espera de o Crabbe e de o Goyle que tinham ficado sozinhos a a mesa de os Slytherin , deitando abaixo a quarta dose de bolo inglês . Harry colocou os bolos de chocolate em o fim de o corrimão . Quando avistaram Crabbe e Goyle a sair de o salão , Harry e Ron esconderam se rapidamente atrás_de uma armadura que estava junto de a porta de entrada . - Como_se pode ser tão estúpido ? - murmurou Ron sem se mexer enquanto Crabbe apontava satisfeitíssimo , mostrando a Goyle os bolos e agarrando os . Com um riso estúpido , enfiaram nos inteiros em as bocas enormes . Durante um momento , ambos mastigaram avidamente com olhares vitoriosos em o rosto . Depois , sem que a expressão se alterasse , caíram para trás e estatelaram se em o chão . Mais difícil foi transportá os para a despensa de o outro lado de o * hall * . Uma_vez armazenados em o meio de os baldes e esfregões , Harry arrancou alguns de os pêlos que cobriam a cabeça de o Goyle e Ron tirou alguns cabelos a o Crabbe . Roubaram lhes também os sapatos porque os de eles eram demasiado pequenos para os enormes pés de o Crabbe e de o Goyle . Em seguida , ainda atordoados com o que tinham acabado de fazer , correram até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mal conseguiam ver com o fumo preto e espesso que saía de o cubículo onde Hermione mexia o caldeirão . Tapando o rosto com os mantos , Harry e Ron bateram a o de leve em a porta . - Hermione ? Ouviram o ruído de o trinco e Hermione apareceu com a cara lustrosa e um ar ansioso . Por trás de ela ouviam o gloop gloop de a poção espessa e gorgolejante . Em o banco de a casa_de_banho estavam três copos de vidro . - Conseguiram ? - perguntou Hermione quase sem fôlego . Harry mostrou lhe o cabelo de o Goyle . - _ óptimo . Eu tirei estes mantos suplementares de a lavandaria - disse ela , pegando em uma pequena saca . - Vocês vão precisar de tamanhos maiores se vão ser o Crabbe e o Goyle . Olharam os três para o caldeirão . Vista de perto , a poção parecia uma lama espessa e escura a borbulhar indolentemente . - Tenho a certeza que fiz tudo certo - disse Hermione nervosa , relendo a página manchada de * _ Moste_Potente_Potions * . - Tem o aspecto que o livro diz que deveria ter ... depois de a tomar temos precisamente uma hora antes de nos transformarmos de_novo em as pessoas que somos . - E agora ? - murmurou o Ron . - Separamos a em três copos e adicionamos os cabelos . Hermione encheu cada_um de os copos com uma concha de sopa . Em seguida , retirou com a mão a tremer o cabelo de Millicent_Bulstrode de dentro de o frasquinho e pô o em o primeiro copo . A poção chiou fortemente como uma chaleira a ferver e espumou como louca . Um segundo depois ganhara um tom de amarelo doentio . - Urgh ! Essência_de_Millicent_Bulstrode - disse Ron , olhando com repugnância . - Aposto que o sabor é nojento . - Deitem os vossos - disse Hermione . Harry deixou cair o cabelo de o Goyle em o copo de o meio e Ron lançou o de o Crabbe em o último . Ambos chiaram e espumaram : o de o Goyle ficou de um tom caqui , o de o Crabbe de um castanho-escuro algo tenebroso . - Esperem - pediu Harry quando Ron e Hermione pegaram em os copos . - Será melhor não os tomarmos aqui todos juntos em um cubículo ; quando em os transformarmos não vamos cá caber e Millicent_Bulstrode não é nenhum duende . - Bem pensado - admitiu o Ron , abrindo a porta . - Cada_um em seu cubículo . Com todo o cuidado , para não entornar nem uma gota de a poção polisuco , Harry esgueirou se para o cubículo de o meio . - Prontos ? - perguntou . - Prontos - responderam as vozes de o Ron e de a Hermione . - Um , dois , três . Tapando o nariz , Harry bebeu a poção em dois grandes tragos . Tinha o sabor de a couve demasiado cozida . Os seus interiores começaram imediatamente a contorcer se como_se tivesse engolido serpentes vivas . Dobrado , Harry perguntava a si próprio se iria vomitar . Depois , uma sensação de ardor espalhou se rapidamente de o estômago até a as pontas de os dedos de as mãos e de os pés . Em seguida , fazendo o sobressaltar se , sobreveio o sentimento horrível de estar a derreter enquanto a pele de todo o seu corpo borbulhava como cera quente e , perante os seus olhos , as mãos começaram a crescer , os dedos a engrossar , as unhas a alargar e as articulações a tornarem se protuberantes como ferrolhos . Os ombros retesaram se dolorosamente e uma comichão em a testa preveniu o de que o cabelo estava a rastejar em direcção a as sobrancelhas . As túnicas rasgaram se enquanto o tórax se expandia como um barril , rebentando com os seus anéis . Os pés estavam em grande sofrimento dentro_de sapatos quatro números abaixo . Tão depressa como começara , tudo parou . Harry estava caído em o chão de pedra fria , ouvindo a Murta_Queixosa gorgolejando taciturna em o cubículo de o fundo . Com alguma dificuldade tirou os sapatos e levantou se . Era então assim que o Goyle se sentia ! Com a mão enorme a tremer , despiu a sua túnica que lhe ficava 30 centímetros acima de os tornozelos , pegou em as túnicas suplementares e amarrou os atacadores de os sapatos abotinados de o Goyle . Quis escovar o cabelo para o afastar um_pouco de os olhos e deu apenas com os pêlos hirsutos que lhe cresciam em a testa . Apercebeu se então de que os óculos lhe toldavam a visão porque o Goyle , obviamente , não precisava de eles . Tirou os e gritou . - Vocês estão bem ? - De a sua boca saiu a voz baixa e grossa de o Goyle . - Sim - respondeu lhe o grunhido de o Crabbe , a a sua direita . Harry abriu a porta de o cubículo e dirigiu se a o espelho partido . O Goyle olhava o de o outro lado com os seus olhos parados . Harry coçou a orelha e Goyle fez o mesmo . A porta de o Ron abriu se . Olharam um para o outro . Harry estava pálido e chocado . O amigo não se distinguia de o Crabbe , desde o corte de cabelo em forma de tigela até a os longos braços de gorila . - É inacreditável - disse o Ron , aproximando se de o espelho e beliscando o nariz achatado de o Crabbe . - Inacreditável ! - É melhor irmos indo - disse Harry , alargando a pulseira de o relógio que lhe cortava o pulso . - Ainda temos de descobrir onde fica a sala comum de Slytherin . Só espero que encontremos alguém que vá para lá e que nós possamos seguir . Ron que tinha estado a olhar espantado para ele , comentou : - Não imaginas como é bizarro ver o Goyle a pensar - bateu em a porta de Hermione . - Vamos , temos que ir ... Respondeu lhe uma voz aguda : - Eu ... eu acho que afinal não vou . Vão vocês sem mim . - Hermione , nós sabemos que a Millicent_Bulstrode é feia , ninguém vai pensar que és tu . - Não , a sério , acho que não vou . Despachem se vocês os dois , estão a perder tempo . Harry olhou para Ron , baralhado . - Aquilo parece mais de o Goyle , é como ele fica sempre_que algum professor lhe faz uma pergunta . - Estás bem , Hermione ? - perguntou Harry , através de a porta . - _ óptima , estou óptima , vão se embora . Harry olhou para o relógio . Cinco preciosos minutos tinham já passado . - Encontramo nos aqui , está bem ? - disse . Os dois abriram a porta de a casa_de_banho com todo o cuidado , viram se o caminho estava livre e saíram . - Não balances assim os braços - disse o Harry a o Ron . - Hein ? - O Crabbe anda sempre com eles esticados . - Assim ? - Isso , assim está melhor . Desceram a escadaria de mármore . Só precisavam agora de um Slytherin que pudessem seguir até a a sala comum , mas não havia ninguém por perto . - Tens alguma ideia ? - perguntou Harry em um murmúrio . - Os Slytherin vêm sempre de ali para o pequeno-almoço - disse o Ron , apontando para a entrada de os calabouços . Mal tinha pronunciado estas palavras quando uma rapariga de cabelo comprido a os caracóis , apareceu . - Desculpa - disse o Ron , sem perder tempo . - Esquecemo nos de o caminho para a nossa sala comum . - Como ? - disse a rapariga com a maior frieza . - A * nossa * sala comum ? Eu sou uma Ravenclaw . Afastou se , olhando para eles , desconfiada . Harry e Ron desceram apressadamente os degraus de pedra até a a escuridão . Os passos ecoavam em o silêncio , à_medida_que os pés enormes de Crabbe e Goyle tocavam em o chão , fazendo os sentir que as coisas não iam ser tão fáceis como eles desejavam . Os corredores labirínticos estavam desertos . Andaram e tornaram a andar por os subterrâneos , olhando constantemente para os relógios para ver quanto tempo ainda lhes restava . Depois de um quarto de hora , quando começavam a ficar desesperados , ouviram um movimento súbito . - Olha - disse o Ron , agitadamente . - Agora é um de eles . A silhueta saía de uma sala , mas quando se aproximaram o coração de ambos esmoreceu . Não era um Slytherin , era Percy . - O que estás a fazer aqui em baixo ? - perguntou o Ron surpreendido . - Isso - disse ele friamente - não é de a tua conta . És o Crabbe , não és ? - Er ... sim , sim - respondeu o Ron . - Então vão para o vosso dormitório - ordenou Percy com firmeza . - Não é seguro andar a passear por os corredores escuros em os dias que correm . - Tu andas -- fez notar o Ron . - Eu - disse o Percy endireitando se - sou um prefeito . Nada vai atacar me . Ouviu se , de repente , uma voz por_detrás_de Harry e Ron . Era_Draco_Malfoy e , pela_primeira_vez em a vida , Harry ficou satisfeito a o vê o . - Aí estão vocês - disse de modo arrastado , olhando para eles . - Têm estado a chafurdar em o salão este tempo todo ? Tenho andado a a vossa procura , quero mostrar vos uma coisa muito divertida . Malfoy olhou misteriosamente para Percy . - E o que fazes tu aqui , Weasley ? - perguntou com ar de desprezo . Percy olhou , sentindo se ultrajado . - Fazes favor de mostrar um_pouco mais de respeito por um prefeito de a escola - disse . - Não gosto de o teu ar . Malfoy riu se e fez sinal a o Harry e a o Ron para que o seguissem . Harry quase ia pedindo desculpa a o Percy , mas deu se conta a tempo . Apressaram se a seguir o Malfoy que disse , mal viraram em o corredor seguinte : - Aquele Peter_Weasley ... - O Percy - corrigiu Ron automaticamente . - Ou isso - continuou Malfoy . - Ultimamente tenho o visto muitas_vezes a andar por aí sorrateiramente e aposto que sei o que ele quer . Pensa que vai apanhar o herdeiro de Slytherin sozinho . Deu uma pequena gargalhada ridícula . Harry e Ron trocaram olhares nervosos . Malfoy parou junto de uma parede de pedra húmida . - Qual é a senha ? - perguntou a o Harry . - Er ... - Ah ! sim , sangue puro - disse Malfoy sem ouvir e uma porta de pedra , oculta em a parede , abriu se . Malfoy entrou e Harry e Ron seguiram o . A sala comum de os Slytherin era uma ampla divisão subterrânea com espessas paredes de pedra e um tecto de o qual estavam pendurados por correntes vários candeeiros redondos que davam uma luz esverdeada . O fogo crepitava em uma lareira elaboradamente esculpida em frente de a qual se viam as silhuetas de vários Slytherins sentados em cadeiras igualmente esculpidas . - Esperem aí - disse Malfoy a o Harry e a o Ron , encaminhando os para um par de cadeiras vazias , longe de o lume . - Eu vou buscar o que o meu pai acaba de me mandar . Sem saber o que Malfoy iria mostrar lhes , Harry e Ron sentaram se , fazendo todos os possíveis por parecer a a vontade . Malfoy voltou um minuto depois , trazendo em a mão o que parecia ser um recorte de jornal . Pô o debaixo de o nariz de o Ron . - Vais te rir - disse . Harry viu os olhos de o Ron abrirem se como_se estivesse em estado de choque . Viu o ler o recorte rapidamente , dar uma gargalhada forçada e estender lhe o em seguida . Tinha sido retirado de o * _ Profeta_Diário * e dizia : inquérito em o ministério de a magia * _ Arthur_Weasley , chefe de o Gabinete_de_Mau_Uso_dos_Utensílios_dos_Muggles foi hoje multado em cinquenta galeões por ter enfeitiçado um carro de os Muggles . * _ O senhor Lucius_Malfoy , Membro_do_Conselho_Directivo_da_Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts , onde o carro enfeitiçado foi chocar em o princípio de este ano , exigiu hoje a demissão de Mr._Weasley . « * _ O_Weasley trouxe o descrédito a o Ministério « - declarou Mr._Malfoy a o nosso repórter . - « É claramente incompetente para fazer cumprir as leis e a sua protecção ridícula de os Muggles deveria ir imediatamente para a sucata . » * _ Mr._Weasley recusou se a fazer comentários , mas a sua mulher disse a os repórteres que desaparecessem de ali ou lançaria contra eles o vampiro de a família * . - Então - disse Malfoy impaciente quando Harry voltou a entregar lhe o recorte . - Não achas o_máximo ? - Ha , ha - fez Harry tristemente . - O Arthur_Weasley gosta tanto de os Muggles que era capaz de partir a sua varinha a o meio para se juntar a eles - disse Malfoy com desprezo . - Ninguém diria que os Weasley eram sangue puro a avaliar por o modo como_se comportam . A cara de o Ron , ou melhor , de o Crabbe , contorceu se de raiva . - O que é_que se passa ? - perguntou Malfoy . - Dores de estômago - gemeu o Ron . - Então vai a a ala hospitalar e dá a todos aqueles sangues de lama um pontapé de a minha parte - disse Malfoy com o seu riso escarninho . - Sabes que estou espantado por o * _ Profeta_Diário * ainda não se ter referido a todos estes ataques - continuou pensativamente . - Calculo que o Dumbledore deve estar a tentar abafar as coisas . Ele ainda é posto em a rua se isto não acaba depressa . O pai sempre disse que Dumbledore foi a pior coisa que aqui veio parar . Ele adora os filhos de os Muggles , um director decente nunca deixaria um lodo como o Creevey entrar em esta escola . Malfoy começou a fingir que tirava fotografias com uma máquina imaginária e fez uma imitação maldosa , mas bastante fiel de o Colin : - Potter , posso tirar te a fotografia ? Dás me um autógrafo ? Posso lamber te os sapatos , por favor , Potter ? Baixou as mãos e olhou para Harry e Ron . - O que é_que se passa com vocês os dois ? Um_pouco atrasados , Harry e Ron forçaram o riso e Malfoy pareceu satisfeito . Talvez Crabbe e Goyle fossem sempre de reacção lenta . - O santo Potter , amigo de os sangues de lama - disse Malfoy . - É outro que não tem os sentimentos de um feiticeiro a sério ou não andaria por aí com aquela empertigada sangue de lama Granger . E as pessoas a pensarem que ele é o herdeiro de Slytherin . Harry e Ron esperaram com a respiração entrecortada : o Malfoy ia certamente dizer lhes , dentro_de segundos , que era ele , mas então ... - Quem me dera saber quem ele é - disse o Malfoy , de forma petulante . - Podia ajudá o . O queixo de o Ron caiu de tal maneira que a cara de o Crabbe ficou ainda mais desajeitada do_que era habitual . Felizmente Malfoy não deu por nada e Harry , em um pensamento rápido , disse : - Deves ter alguma ideia de quem está por_detrás_de tudo ... - Sabes perfeitamente que não tenho , Goyle , quantas vezes é preciso dizer te ? - cortou Malfoy . - E o pai também não me diz nada sobre a última vez que a câmara foi aberta . É claro que foi há cinquenta anos , antes de ele cá andar , mas o pai sabe tudo a esse respeito e diz que as coisas foram mantidas em grande segredo e que pareceria suspeito se eu soubesse demasiado . Mas há uma coisa que eu sei : de a última vez que a câmara foi aberta , morreu um sangue de lama . Por isso , aposto que é uma questão de tempo até que um de eles seja morto . Só espero que seja a Granger - disse satisfeito . Ron fechara os punhos gigantescos de o Crabbe . Sentindo que deitaria tudo a perder se ele desse um soco a o Malfoy , Harry lançou lhe um olhar de aviso e disse : - Sabes se a pessoa que abriu a câmara de a última vez foi apanhada ? - Ah ! sim , essa pessoa foi expulsa - disse Malfoy . - Ainda deve estar em Azkaban . - Azkaban ? - repetiu Harry confuso . - Azkaban , a prisão de os feiticeiros , Goyle - disse Malfoy , olhando para ele incrédulo . - Francamente , se fosses mais lento andavas para trás . Esticou se intranquilo , em a cadeira e disse : - O pai diz para eu esfriar a cabeça e deixar que o herdeiro de Slytherin faça o seu trabalho . Acha que a escola precisa de se livrar de a escória de os sangues de lama , mas não quer que eu me envolva em nada . Claro que ele agora tem um prato cheio . Sabes que o Ministério de a magia fez uma busca a a nossa mansão em a semana passada ? Harry tentou forçar a cara de bronco de o Goyle a uma expressão preocupada . - Sim - continuou Malfoy . - É claro que não encontraram grande coisa . O pai guarda uns materiais de magia negra muito valiosos , mas , felizmente , temos a nossa câmara secreta debaixo de o soalho de a sala de visitas ... - Ah ! - disse o Ron . Malfoy olhou para ele . Harry também . Ron corou e até o cabelo começou a ficar vermelho . O nariz estava também a diminuir lentamente ... a hora tinha acabado . Ron estava a voltar a a sua forma habitual e por o olhar de horror que lançou a Harry certamente ele também estava . Puseram se rapidamente de pé . - Tenho de tomar o remédio para o estômago - grunhiu o Ron e sem mais explicações saíram ambos a correr de a sala comum de os Slytherin , precipitaram se para a parede de pedra e galgaram a passagem , pedindo a todos os santos que Malfoy não tivesse dado por nada . Harry sentia os pés a nadarem em os sapatos enormes de o Goyle e tinha de levantar o manto visto_que diminuíra de tamanho . Subiram os degraus a correr até a o * hall * escuro de entrada onde se ouvia um som abafado que vinha de a despensa onde tinham fechado o Crabbe e o Goyle . Deixando os sapatorros de os dois de o lado de_fora , subiram já com os respectivos sapatos a escadaria de mármore até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Bem , não foi uma total perda de tempo - disse o Ron ofegante , fechando atrás_de si a porta de a casa_de_banho . - É certo que ainda não descobrimos de quem vêm os ataques , mas vou escrever a o meu pai amanhã a dizer lhe que procure debaixo de o soalho de a sala de visitas de o Malfoy . Harry olhou para o espelho partido . Tinha voltado a o normal . Pôs os óculos enquanto Ron batia em a porta de o cubículo de Hermione . - Hermione , sai de aí , temos um monte de coisas para te contar ... - Vão se embora - guinchou Hermione . Harry e Ron olharam um para o outro . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron . - Tu já deves ter voltado a o normal como nós ... Mas a Murta_Queixosa saiu subitamente através de a porta de o cubículo com um ar divertido como nunca a tinham visto . - Oh ! Esperem até ver - disse ela . - É horrível ! Ouviram o trinco de a porta a abrir se e Hermione apareceu a soluçar , a túnica levantada a cobrir lhe o rosto . - O que foi ? - perguntou o Ron indistintamente . - Ainda tens o nariz de a Millicent ou alguma coisa assim ? Hermione deixou cair a roupa e Ron recuou rapidamente . O rosto de ela estava coberto de pêlo preto , os olhos tinham ganho uma cor amarela e as orelhas eram pontiagudas , saindo espetadas para fora de os cabelos . - Era um pêlo de g-gato - disse a chorar . - A Millicent_Bulstrode d-deve ter um gato e a poção não está preparada para transformação em animais . - Oh-oh - disse o Ron . - Vão te gozar horrivelmente - disse a Murta , felicíssima . - Não te preocupes , Hermione - tranquilizou a rapidamente o Harry . - Vamos levar te para a ala hospitalar , a Madam_Pomfrey nunca faz muitas perguntas ... Não foi fácil convencer Hermione a sair de a casa_de_banho . A Murta_Queixosa despediu se com uma gargalhadavigorosa e grosseira . - Espera até todos descobrirem que tens uma cauda ! XIII_O diário muito secreto Hermione ficou em a ala hospitalar durante várias semanas . Houve uma onda de boatos sobre o seu desaparecimento quando o resto de os alunos voltou de as férias de Natal porque , é claro , todos pensam que ela tinha sido atacada . Foram tantos os estudantes a rondar a ala hospitalar para espreitar a ver se a viam que Madam_Pomfrey desceu de_novo as cortinas de a cama de ela para a poupar a a vergonha de ser vista com pêlo em a cara . Harry e Ron iam visitá a todas_as tardes . Quando o segundo período começou passaram a levar lhe diariamente os trabalhos de casa . - Se eu tivesse o bigode a crescer , tinha uma folga de o trabalho - disse uma tarde o Ron enquanto colocava uma pilha de livros a a cabeceira de a cama de Hermione . - Não sejas parvo , Ron , eu tenho de me manter a par de as coisas - disse Hermione com vivacidade . O humor de ela melhorara bastante com o facto de lhe ter desaparecido todo o pêlo de o rosto e de os olhos estarem lentamente a retomar a cor castanha . - Calculo que não tenham novas pistas ? - disse em um murmúrio para evitar que Madam_Pomfrey os ouvisse . - Nada - disse Harry tristemente . - Eu tinha tanta certeza de que era o Malfoy - repetiu o Ron por a centésima vez . - O que é isso ? - perguntou Harry , apontando para uma coisa com brilho dourado que estava debaixo de a almofada de Hermione . - É só um cartão a desejar boas melhoras - disse ela precipitadamente , tentando escondê o , mas o Ron foi mais rápido . Pegou lhe , abriu o e leu em voz alta : * _ Para_Miss_Granger , desejando lhe uma rápida recuperação , com o interesse e estima de o professor Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , Terceiro grau , Membro_Honorário_da_Liga_de_Defesa contra as Artes_Negras e vencedor por cinco vezes de o prémio O sorriso mais charmoso de a semana de o Semanário_das_Bruxas * . Ron olhou desconsolado para Hermione . - Tu dormes com isto debaixo de a almofada ? Mas Hermione foi poupada a ter de responder por a entrada de Madam_Pomfrey que lhe trazia a dose de medicamento de a tarde . - Achas que o Lockhart é o tipo mais esperto que conheceste ? - perguntou o Ron a o Harry quando saíram de a enfermaria e começavam a subir as escadas para a torre de os Gryffindor . O Snape tinha lhes passado tanto trabalho para_casa que Harry pensou que ia chegar a o sexto ano antes de o ter acabado . Ron vinha a dizer que devia ter perguntado a a Hermione quantas caudas de rato deveria juntar se a uma poção para o crescimento de o cabelo quando um grito de raiva vindo de o andar de cima lhes chegou a os ouvidos . - É o Filch - murmurou Harry enquanto subiam apressadamente as escadas e paravam para ouvir melhor . - Terá mais alguém sido atacado ? - disse nervosamente o Ron . Ficaram parados com as cabeças inclinadas para a voz de o Filch que parecia quase histérica . -- ... * _ Ainda mais trabalho para mim . Toda_a noite a esfregar como_se não tivesse já trabalho de sobra . Não , isto foi a gota de água que fez transbordar o copo , vou falar com Dumbledore * ... Os passos afastaram se e ouviram uma porta fechar se com grande estrondo . Puseram as cabeças fora de a esquina . O Filch tinha obviamente estado a patrulhar o seu habitual posto de vigia : estavam novamente em o lugar onde Mrs._Norris fora atacada . Perceberam imediatamente qual o motivo de os gritos . Uma enorme poça de água enchia metade de o corredor e parecia escorrer de a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Agora_que o Filch se calara podiam ouvir os uivos de a Murta que faziam eco em as paredes de a casa_de_banho . - Mas o que se passará com ela ? - disse o Ron . - Vamos lá ver - sugeriu Harry e arregaçando as túnicas até a os tornozelos entraram , atravessando a enorme poça de água , em a casa_de_banho que tinha o letreiro a dizer « Fora de serviço » e que eles , como sempre , ignoraram . A Murta_Queixosa chorava , se possível , mais alto do_que nunca . Parecia estar escondida em o cubículo de o costume . Lá dentro estava escuro pois as velas tinham se apagado com a enchente de água que deixara as paredes e o chão ensopado . - O que se passa , Murta ? - quis saber o Harry . - Quem é ? - perguntou ela infelicíssima . - Vieste atirar me mais alguma coisa acima ? Harry caminhou com dificuldade por causa de a água até a o cubículo de ela e disse : - Porque te faríamos nós uma coisa de essas ? - Não me perguntem - gritou a Murta , emergindo em uma onda de água que molhou ainda mais o chão já ensopado . - Eu estou aqui metida em a minha morte e alguém acha muito engraçado atirar me com um caderno acima ... - Mas , não pode magoar te se alguém te atirar alguma coisa acima - disse Harry , tentando ser prático . - Isto_é , seja o que for passa através_de ti , não é assim ? Tinha dito a frase errada . A Murta encheu o peito de ar e gritou a plenos pulmões : - Vamos todos atirar cadernos a a Murta já_que ela não sente nada ! Dez pontos se lhe acertarem em o estômago , cinquenta se lhe atravessar a cabeça ! Hah hah hah , que jogo lindo , não acham ? - Quem te atirou um caderno , afinal ? - perguntou o Harry . - Não sei ... eu estava sentada em a sanita a pensar em a morte e caiu me em cima de a cabeça - disse a Murta , olhando para eles . - Está ali , ficou todo molhado . Harry e Ron olharam para o ponto que a Murta lhes apontava debaixo de o lavatório . Um caderno pequenino e fino estava caído em o chão . Tinha uma capa preta muito gasta e estava encharcado como tudo em aquela casa_de_banho . Harry deu um passo em frente para o apanhar , mas o Ron agarrou lhe precipitadamente o braço . - O que foi ? - perguntou Harry . - Estás doido - disse ele . - Pode ser perigoso . - Perigoso ? - riu se Harry . - Essa agora Ron , como é_que pode ser perigoso ? - Ficarias surpreendido ... - explicou ele , olhando com ar apreensivo para o caderno . - Entre os livros que o Ministério confiscou , contou me o meu pai , havia um que queimava os olhos a as pessoas . E todos os que leram os * _ Sonetos_de_Um_Feiticeiro * ficaram a falar em verso para o resto de a vida . Havia também uma bruxa em Bath que tinha um livro que quem o lesse nunca mais conseguia parar , tinha de andar por aí com o nariz enfiado em as folhas , a fazer todas_as coisas só com uma mão e ... - Já chega , já chega , já percebi a tua ideia - disse O_Harry . O caderninho continuava caído e ensopado . - Bem , nunca saberemos a_não_ser_que tenhamos a coragem de dar uma vista de olhos - disse e mergulhou apanhando o de o chão . Harry viu imediatamente que se tratava de um diário e a data meio apagada , em a capa , disse lhe que tinha cinquenta anos de idade . Abriu o ansiosamente . Em a primeira página podia ler se apenas o nome T._M._Riddle em tinta esborratada . - Espera aí - disse o Ron que se aproximara prudentemente e olhava por cima de o ombro de Harry . - Eu conheço esse nome ... T._M._Riddle recebeu um prémio por serviços especiais prestados a a escola há cinquenta anos atrás . - Como diabo sabes tu isso ? - perguntou Harry com grande espanto . - Porque o Filch mandou me limpar a taça de ele umas cinquenta vezes quando estive de castigo - disse o Ron ressentido . - Foi a taça em cima de a qual eu vomitei lesmas . Se tivesses tido que limpar o muco de um nome durante uma hora também te lembrarias . Harry separou umas de as outras as páginas molhadas . Estavam completamente em branco . Não havia o mais leve sinal de escrita em nenhuma , nem coisas como « Aniversário de a tia Mabel « ou « Dentista a as três_e_meia » . - Ele nunca escreveu nada aqui - disse Harry desapontado . - Porque quereria alguém atirá o fora ? - perguntou se o Ron com curiosidade . Harry voltou o caderno e viu , inscrito em a contra capa , o nome de uma tabacaria em Vauxhall_Road , Londres . - Ele devia ser filho de Muggle - disse Harry pensativo - para ter comprado um diário em Vauxhall_Road ... - Bem , não te serve de muito - Ron baixou a voz . - Cinquenta pontos se acertares em o nariz de a Murta . Harry , mesmo_assim , guardou o diário . Hermione saiu de a ala hospitalar desbigodada , sem cauda e sem pêlo em os primeiros dias de Fevereiro . Em a primeira noite em a torre de os Gryffindor , Harry mostrou lhe o diário de T._M._Riddle e contou lhe como o tinham encontrado . - Ooooh ! Deve ter poderes ocultos - disse ela entusiasticamente , pegando em o diário e examinando o de perto . - Se tem , esconde os muito bem - disse Ron . - Talvez fosse tímido . Não sei porque não deitas isso fora , Harry . - Gostava de perceber porque motivo alguém se quis livrar de ele - explicou Harry . - E também não me importava de saber como foi que o Riddle obteve esse prémio de serviços especiais prestados a Hogwarts . - Pode ter sido qualquer coisa - lançou o Ron . - Talvez tenha recebido 30 de nota final ou salvo um professor de a lula gigante . Se_calhar assassinou a Murta , isso teria sido um favor prestado a todos ... Mas Harry quase podia jurar , por o olhar suspenso em a cara de Hermione , que ela pensava o mesmo_que ele . - O que foi ? - perguntou Ron , olhando para um e para o outro . - Bem , a Câmara_dos_Segredos foi aberta há cinquenta anos , não foi isso que disse o Malfoy ? - Sim - respondeu Ron , lentamente . - E este diário tem cinquenta anos de idade - completou Hermione , dando lhe palmadinhas nervosas . - E de aí ? - Oh Ron , acorda - insistiu Hermione . - Sabemos que a pessoa que abriu a câmara de a outra_vez foi expulsa há cinquenta anos . E se o Riddle tivesse tido o prémio especial por apanhar o herdeiro de Slytherin ? O seu diário diria nos provavelmente tudo : onde é a Câmara_dos_Segredos , como abris a e que tipo de criatura vive lá . Achas que a pessoa que está por trás de os ataques desta_vez quereria o diário por aí ? - É uma teoria interessante , Hermione - disse o Ron . - Apenas com uma pequenina falha : o diário não tem nada Mas_Hermione já estava a tirar a varinha de o saco . - Pode ser tinta invisível - murmurou . Bateu três vezes em o diário e repetiu * _ Aparecium ! * Nada aconteceu . Intrépida , Hermione meteu a mão de_novo em o saco e tirou o que parecia ser uma borracha vermelha e brilhante . - É um * revelador * , comprei o em a Diagon - _ Al - disse . Apagou com força em 1_de_Janeiro . Não sucedeu nada . - Já vos disse , não há nada aí - repetiu o Ron . - O Riddle deve ter recebido um diário como prenda de Natal e nem se deu a o trabalho de escrever fosse o que fosse . Harry não conseguia explicar , nem a si próprio , porque motivo não deitara fora o diário de Riddle . A verdade é_que , mesmo depois de saber que ele estava em branco , continuou distraidamente a pegar lhe e a virar as páginas como_se quisesse chegar a o fim de uma história . E , apesar_de saber que nunca tinha ouvido o nome T._M._Riddle , continuava a ter a sensação de que lhe dizia alguma coisa , como_se Riddle fosse um amigo que ele tinha tido quando era muito pequeno e que estivesse meio esquecido . Mas era um absurdo . Nunca tivera amigos antes de Hogwarts , Dudley tivera esse cuidado . Ainda_assim , Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle , por isso em o dia seguinte foi até a a sala de os troféus para examinar a taça , acompanhado de Hermione que estava interessadíssima e de Ron que se mostrava profundamente incrédulo , dizendo que tinha ficado farto de aquela sala até a o fim de a vida . A taça dourada de Riddle estava arrecadada em um armário de canto . Não fornecia detalhes sobre o motivo por_que lhe fora dada ( felizmente , se fosse maior ainda hoje estava a limpá a , disse o Ron ) . Mas encontraram o nome de Riddle em uma antiga medalha de Mérito_Mágico e em uma lista de antigos chefes de turma . - Parece o Percy - comentou Ron , torcendo o nariz com aversão . - Prefeito , chefe de turma , provavelmente o melhor em todas_as disciplinas . - Dizes isso como_se fosse uma coisa má - fez lhe notar Hermione , em um tom de voz ressentido . Um sol fraco brilhava agora de_novo em Hogwarts . Dentro de o castelo , o ambiente estava bastante melhor . Não tinha havido novos ataques desde Justin e Nick quase sem cabeça e Madam_Pomfrey teve a satisfação de informar que as Mandrágoras começavam a ficar instáveis e dissimuladas , sinal de que estavam a abandonar rapidamente a infância . - Logo_que o acne desapareça estarão prontas para novo transplante - ouviu a Harry dizer amavelmente a o Filch . - E depois de isso , não demorará muito até podermos cortá as e estufá as . - Vai ter Mrs._Norris de volta , muito em_breve . Talvez o herdeiro ou herdeira de Slytherin tenha perdido a coragem , pensou Harry . Deve ser cada_vez_mais arriscado abrir a Câmara_dos_Segredos com a escola tão alerta e desconfiada . Talvez o monstro , qualquer_que_fosse , estivesse a preparar se para hibernar durante outros cinquenta anos . Ernie_Mcmillan_dos_Hufilepuff não aceitou esta visão optimista . Continuava convencido de que Harry era o culpado , que se tinha traído em o clube de os duelos . Peeves não ajudava nada : continuava a cantar por os corredores Potter , * seu bandido * ... agora acompanhado de um esquema de dança . Gilderoy_Lockhart parecia pensar que fora ele quem pusera fim a os ataques . Harry fartou se de o ouvir dizer isso a a professora Mc_Gonagall enquanto os Gryffindor formavam bicha para a aula de Transfiguração . - Não creio que volte a haver problemas , Minerva - disse , tocando em o nariz com ar conhecedor e piscando o olho . - Acho que desta_vez a câmara foi definitivamente selada . O culpado deve ter sabido que era uma questão de tempo até eu o apanhar e que era mais sensato parar agora antes que eu lhe tratasse de a saúde . Sabe , a escola está a precisar de um intensificador de animo para apagar as lembranças de o último período . Não vou dizer lhe mais_nada , por enquanto , mas julgo que sei o que ... Voltou a tocar em o nariz e afastou se a passos largos . A ideia de Lockhart de um intensificador de ânimo ficou bastante clara em o dia_14_de_Fevereiro , a o pequeno-almoço . Harry não dormira grande coisa devido a o treino de Quidditch em a noite anterior e chegou a o salão um_pouco atrasado . Pensou , por momentos , que se tinha enganado em a porta . As paredes estavam todas cobertas com enormes e medonhas flores cor-de-rosa . Pior ainda , * confettis * em forma de corações caíam de o tecto azul pálido . Harry dirigiu se a a mesa de os Gryffindor onde o Ron estava sentado com um ar enjoado junto de Hermione que parecia particularmente risonha . - O que se passa ? - perguntou lhes , sentando se e sacudindo os * confettis * de o seu bacon . Ron apontou para a mesa de os professores , com um ar demasiado repugnado para falar . Lockhart , em as suas vestes rosa vivo , a condizer com a decoração de o salão , fazia sinal para que se calassem . Os professores que o ladeavam tinham um ar estupefacto . De o seu lugar , Harry podia ver um músculo mover se em a bochecha de a professora Mc_Gonagall . Snape estava com ar de quem tomou uma imensa dose de xarope * skele-gro * . - Feliz dia de S._Valentim - gritou Lockhart . - E permitam me que agradeça a as quarenta_e_seis pessoas que até agora me enviaram cartões . Sim , fui eu quem tomou a liberdade de vos fazer esta pequena surpresa , e ela não acaba aqui ! Lockhart bateu as palmas e por as portas de o * hall * entraram a marchar cerca de uma_dúzia de duendes de aspecto carrancudo . Não eram uns duendes quaisquer , diga se de passagem . Lockhart fizera os usar asas douradas e transportar harpas . - Os meus amigos cupidos , portadores de os cartões ! gritou Lockhart . - Eles vão andar por a escola durante o dia de hoje , entregando os vossos cartões de S._Valentim . E o divertimento não acaba aqui . Tenho a certeza de que os meus colegas vão querer participar em este espírito de festa . Porque não pedir a o professor Snape que vos mostre como preparar rapidamente uma poção de amor . E , enquanto ele a prepara , está aqui o professor Flitwick que é de todos os feiticeiros que conheci aquele que mais sabe de encantamentos de sedução , o grande safado ! O professor Flitwick enterrou o rosto em as mãos . Snape olhava como_se quisesse dar veneno a a primeira pessoa que fosse pedir lhe a poção de o amor . - Por favor , Hermione , diz me que não foste uma de as quarenta_e_seis - pediu Ron quando saíram de o salão para a primeira aula . Mas Hermione ficou subitamente muito interessada em procurar o horário dentro de a mala e não lhe respondeu . Durante todo o dia os duendes não pararam de se intrometer em as aulas para entregar cartões , para grande aborrecimento de os professores e , ao_fim_da_tarde , quando os Gryffindor subiam as escadas para a aula de encantamentos , um de eles avistou o Harry . - Hei , tu , Harry_Potter ! - gritou um duende de aspecto particularmente lúgubre , dando cotoveladas a_toda_a gente para se aproximar de o Harry . Coradíssimo com a ideia de receber um cartão de S._Valentim diante_de uma fila de alunos de o primeiro ano que , por acaso , incluía Ginny_Weasley , Harry tentou escapar se . Mas o duende cortou lhe o caminho através de a multidão e agarrou o em três tempos . - Tenho uma mensagem musical para entregar a Harry_Potter em pessoa - disse , tangendo a harpa de forma ameaçadora . - Aqui não - disse baixinho o Harry , tentando escapar . - Fica quieto - grunhiu o duende , agarrando o saco de o Harry e puxando com força . - Larga me - disse ele rispidamente , dando um puxão . Com um ruído de tecido a rasgar se , o saco dividiu se em dois . Os livros de Harry , varinha , pergaminho e pena espalharam se por o chão enquanto o tinteiro se partia em cima de as outras coisas . Harry pôs se de gatas , tentando apanhar tudo antes que o duende começasse a cantar , provocando um engarrafamento em o corredor . - O que se passa aqui ? - perguntou a voz fria e afectada de Draco_Malfoy . Harry , nervosíssimo , começou a guardar tudo dentro de o saco rasgado , desesperado para sair de ali antes que Malfoy pudesse ouvir o seu S._Valentim musical . - Que confusão é esta ? - disse outra voz familiar . Percy_Weasley tinha chegado . De cabeça perdida , Harry tentou fugir , mas o duende agarrou o por os joelhos e fê lo cair a o chão . - Certo - disse , sentando se em os tornozelos de Harry . Eis o teu cartão musical : * _ Os olhos de ele são verdes como o sapo de o quintal * _ O seu cabelo é escuro como um temporal * _ É um desatino , oh ! ele é divino ! * _ O herói que venceu o Senhor_do_Mal * . Harry teria dado todo o ouro de Gringotts para se evaporar em aquele momento . Tentando corajosamente rir se com todos os outros , levantou se . Sentia os pés dormentes de o peso de o duende . Enquanto isso , Percy_Weasley fazia todos os possíveis por dispersar a multidão onde havia gente que chorava de hilaridade . - Vamos embora , vamos embora , a campainha tocou há cinco minutos para as aulas - dizia , enxotando alguns de os alunos mais novos . - E tu , Malfoy . Harry olhou e viu Malfoy inclinar se , apanhar qualquer coisa e com um olhar maldoso mostrá a a Crabbe e Goyle . Percebeu que era o diário de Riddle . - Dá cá isso - exigiu com toda_a calma . - O que será que o Potter escreveu aqui ? - disse Malfoy que obviamente não reparara em a data e pensou que tinha em as mãos o diário de o Harry . Houve uma agitação em os presentes . Ginny olhava apavorada para o diário e para Harry . - Dá lhe isso , Malfoy - disse Percy com firmeza . - Depois de dar uma vista de olhos - retorquiu Malfoy , acenando a Harry com o diário de forma provocatória . Percy disse : - Como Prefeito de a escola ... - mas Harry perdera a paciência . Pegou em a varinha e gritou * _ Expelliarmus * e assim_como Snape desarmara Lockhart , MalLoy viu o diário saltar lhe de as mãos e elevar se em o ar enquanto Ron o apanhava sorridente . - Harry - disse Percy levantando a voz . - Não quero magia em os corredores . Vou ter de participar isto , sabes perfeitamente . Mas Harry não se importou . Tinha ganho uma_vez a Malfoy e isso valia bem cinco pontos a menos para os Gryffindor . Malfoy estava furioso e quando a Ginny passou por ele a caminho de a sala de aula , gritou lhe com desprezo : - Não creio que o Potter tenha gostado lá muito de o teu cartão de S._Valentim . Ginny tapou a cara e correu para a aula . Aborrecido , Ron pegou também em a varinha , mas Harry afastou o . Era melhor que ele não passasse a aula de encantamentos a vomitar lesmas . Só quando entraram em a sala de aula de o professor Flitwick é_que Harry reparou em uma coisa bastante estranha em o diário de Riddle . Todos os outros livros estavam cheios de tinta vermelha , mas o diário mantinha se tão limpo como antes de o tinteiro se ter entornado em cima de ele . Tentou chamar a atenção de Ron para este facto , mas ele estava novamente a ter um problema com a varinha : de a extremidade saíam grandes bolhas roxas e ele não parecia interessado em mais_nada . Em essa noite , Harry foi deitar se antes de os outros companheiros de dormitório , em parte porque já não conseguia suportar o Fred e o George a cantarem * _ Os seus olhos são verdes como o sapo de o quintal * e em parte porque queria voltar a examinar o diário de Riddle e sabia que em a opinião de o Ron era uma pura perda de tempo . Sentou se em a cama de dossel e folheou as páginas em branco em as quais não se via uma única mancha de tinta escarlate . Tirou então outro tinteiro de o armário a o lado de a cama , molhou a pena e deixou cair um borrão em a primeira página de o diário . A tinta brilhou em o papel durante um segundo e , em seguida , como_se a página a tivesse sugado , desapareceu sem deixar rasto . Depois , finalmente , algo aconteceu . Deslizando sobre a página em a cor de a sua tinta , surgiram palavras que Harry não escrevera . - * _ Olá_Harry_Potter . O meu nome é Tom_Riddle . Como é_que encontraste o meu diário ? * Também estas palavras desapareceram , mas não sem que Harry tivesse respondido . - Alguém tentou lançá o em uma sanita . Esperou ansiosamente por a resposta de Riddle . - * _ Felizmente guardei as minhas memórias de uma forma mais duradoura do_que a tinta . Mas sempre soube que haveria quem não iria querer que o diário fosse lido . * - O que queres dizer com isso ? - escrevinhou Harry , borrando a página com o nervosismo . - * _ Quero dizer que este diário contém memórias de coisas terríveis . Coisas que foram abafadas . Coisas que aconteceram em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . * - É onde eu estou agora - escreveu Harry rapidamente . - Estou em Hogwarts e estão a acontecer coisas horríveis . Sabes alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? O coração parecia querer saltar lhe de o peito . A resposta de Riddle não se fez esperar , a letra tornara se mais desordenada como_se tivesse pressa em contar lhe tudo_o_que sabia . - * _ É claro que sei de a Câmara_dos_Segredos . Em o meu tempo diziam nos que era uma lenda , que não existia , mas era mentira . Quando eu estava em o quinto ano a Câmara_dos_Segredos foi aberta e o monstro atacou vários estudantes , acabando matar um . Eu apanhei a pessoa que abriu a câmara e ele foi expulso . Mas o director , o professor Dippet , envergonhado por uma coisa de aquelas ter acontecido em Hogwarts , proibiu me de contar a verdade . Foi divulgada uma história dizendo que a rapariga morrera de um acidente extravagante . Deram me um troféu brilhante com o meu nome gravado e avisaram me para ficar calado . Mas eu sabia que ia voltar a acontecer . O monstro sobreviveu e aquele que tinha o poder para o libertar não foi para a prisão . * Harry quase entornou o tinteiro em a pressa de responder . - Está a acontecer outra_vez . Houve três ataques e ninguém parece saber quem está por_detrás_de tudo_isto . Quem foi de a última vez ? - * _ Posso mostrar te , se quiseres * - foi a resposta de o Riddle . - * _ Não tens de acreditar só em a minha palavra . Posso levar te a o fundo de a minha memória de a noite em que o apanhei . * Harry hesitou com a pena em o ar sobre o diário . O que quereria ele dizer ? Como poderia entrar em a memória de outra pessoa ? Olhou inquieto para a porta de o dormitório que começava a ficar escuro . Quando pôs de_novo os olhos em o diário viu as palavras que se formavam . - * _ Deixa-me mostrar te . * Harry parou durante uma fracção de segundo e depois escreveu duas letras . - O. _ K._As páginas de o diário começaram a esvoaçar como_se tivessem sido apanhadas em uma ventania , parando a meio de o mês_de_Junho . Boquiaberto , Harry viu que o quadradinho de 13_de_Junho se transformara em um pequeno ecrã de televisão . Com as mãos ligeiramente trémulas levantou o livro para encostar os olhos a a janelinha e antes de perceber o que estava a passar se , deu consigo inclinado para a frente com a janela a abrir se . O corpo abandonava a cama e era lançado de cabeça , por a abertura de a página , em um turbilhão de cor e sombras . Sentiu os pés tocarem em terra firme e pôs se de pé a tremer enquanto as formas desfocadas se tornavam subitamente nítidas . Soube imediatamente onde estava . Aquela sala circular com os retratos adormecidos era o escritório de Dumbledore , mas não era Dumbledore quem estava atrás de a secretária . Um feiticeiro mirrado , de aspecto débil e quase careca lia uma carta a a luz de as velas . Harry nunca vira aquele homem antes . - Desculpe - disse com a voz a tremer . - Eu não queria intrometer me ... Mas o feiticeiro não olhou . Continuou a ler , franzindo levemente as sobrancelhas . Harry aproximou se de a secretária e gaguejou : - Er ... eu vou me embora , está bem ? E o feiticeiro continuou a ignorá o . Parecia nem_sequer ter ouvido . Pensando que talvez ele fosse surdo , Harry falou mais alto . - Desculpe tê o incomodado - disse quase a gritar . O feiticeiro dobrou a carta com um suspiro . Pôs se de pé , passou por Harry sem olhar para ele e foi abrir os cortinados de a janela . O céu , lá fora , estava vermelho-rubi . Devia ser o pôr de o Sol . O feiticeiro voltou para a secretária , sentou se e girou os polegares , olhando para a porta . Harry olhou em volta . Não viu Fawkes , a fénix , nem as engenhocas prateadas que sibilavam . Aquela Hogwarts era a que Riddle conhecera e , portanto , aquele feiticeiro desconhecido era o director de então , não Dumbledore e ele , Harry , era pouco mais que um fantasma , totalmente invisível a as pessoas de há cinquenta anos atrás . Alguém bateu a a porta . - Entre - disse o velho feiticeiro , em uma voz fraca . Um rapazinho de dezasseis anos entrou , tirando o chapéu pontiagudo . Em o seu peito brilhava um distintivo prateado de prefeito . Era muito mais alto do_que Harry , mas tinha , tal_como ele , cabelo preto asa de corvo . - Ah ! Riddle - disse o director . - Queria falar comigo , professor Dippet ? - perguntou ele com ar nervoso . - Senta te - disse Dippet . - Tenho estado a ler a carta que me mandaste . - Oh ! - exclamou Riddle , sentando se e apertando as mãos uma contra a outra . - Meu rapaz - disse Dippet amavelmente . - Eu não posso deixar te ficar em a escola durante o Verão . Com certeza queres ir para_casa em as férias ? - Não - respondeu Riddle , sem perder tempo . - Prefiro mil vezes ficar em Hogwarts a ter de voltar a aquela ... aquela ... - Tu vives em um orfanato de Muggles durante as férias , não é assim ? - perguntou Dippet com curiosidade . - Sim senhor - disse Riddle , corando um_pouco . - És filho de Muggles ? - Meio sangue , professor - explicou Riddle . - Pai_Muggle , mãe bruxa . - E o teu pai e a tua mãe ... - A minha mãe morreu pouco depois de eu nascer , professor , contaram me em o orfanato que só teve tempo de me dar o nome : Tom , como o meu pai , Marvolo como o meu avô . Dippet estalou a língua solidariamente . - O que acontece , Tom - suspirou - é_que ... podia ter se arranjado uma situação especial para ti , mas em as circunstâncias actuais ... - Refere se a os ataques , professor ? - perguntou Riddle e o coração de Harry deu um salto , aproximando se com medo de perder alguma coisa . - Precisamente - disse o director . - Meu rapaz , compreendes que seria uma imprudência de a minha parte deixar te ficar em o castelo quando o período acabar , principalmente a a luz de a recente tragédia ... a morte de aquela pobre moça ... estarás sem dúvida em maior segurança em o orfanato . Em a verdade , o ministro de a magia até fala em fechar a escola . Não estamos nada perto_de localizar ... er ... a fonte de toda esta história desagradável . Os olhos de Riddle tinham se aberto mais . - Professor , se essa pessoa fosse apanhada ... se tudo acabasse . . . - Que queres dizer com isso ? - perguntou Dippet com voz aguda , endireitando se em a cadeira . - Riddle , tu sabes alguma coisa sobre estes ataques ? - Não senhor - respondeu ele de imediato . Mas Harry sabia que era o mesmo tipo de « não » que ele dissera a Dumbledore . Dippet afundou se de_novo com um ar de profundo desapontamento . - Podes ir , Tom . Riddle esgueirou se de a cadeira e saiu de a sala . Harry seguiu o . Desceram por a escada em espiral , saindo junto de a gárgula em o corredor que escurecia . Riddle parou e Harry fez o mesmo , olhando para ele . Quase podia apostar que ele pensava seriamente em alguma coisa . Mordia o lábio e tinha as sobrancelhas franzidas . A certa altura , como_se tivesse acabado de tomar uma decisão , começou a andar mais depressa com Harry a segui o ruidosamente . Não viram mais ninguém , a não ser quando chegaram a o * hall * de entrada onde um feiticeiro alto de longos cabelos ruivos e barba chamou Riddle de a escadaria de mármore . - O que andas a fazer por aqui tão tarde , Tom ? Harry olhou para o feiticeiro . Não era outro senão Dumbledore com cinquenta anos a menos . - Tive de ir falar com o director - justificou se Riddle . - Bem , agora vai depressa para a cama - disse Dumbledore , olhando Riddle com aquele olhar penetrante que Harry conhecia tão bem . - É melhor não andar a passear por os corredores em os dias que correm , pelo_menos até ... Suspirou profundamente , deu as boas-noites a o Riddle e foi se embora . Riddle viu o desaparecer e , sem perder tempo , desceu os degraus de pedra até a os calabouços com Harry em a peugada . Mas para seu grande desconsolo , Riddle não o conduziu a nenhum corredor ou túnel secreto e sim a o calabouço onde ele costumava ter aulas de poções com o Snape . As tochas não tinham sido acesas e quando Riddle empurrou a porta quase fechada , Harry só conseguiu vê o a ele , de pé , quieto junto de a porta , olhando para o corredor . Pareceu a Harry que ficaram ali quase uma hora . Tudo_o_que via era a silhueta de Riddle junto de a porta , olhando fixamente através de a greta , a a espera . Como_se fosse uma estátua . E quando Harry tinha abandonado todas_as expectativas e começava a desejar voltar a o presente , ouviu alguma coisa que se movia atrás de a porta . Alguém avançava lentamente por o corredor . Ouviu a pessoa , quem quer que fosse , passar por o calabouço onde ele e Riddle estavam escondidos . Riddle , silencioso como uma sombra , esgueirou se por a porta e seguiu o com Harry em bicos de pés atrás de ele , esquecido de que podia fazer barulho a a vontade porque ninguém o ouvia . Durante cerca de cinco minutos seguiram lhe os passos até que Riddle parou repentinamente com a cabeça inclinada em a direcção de novos ruídos . Harry ouviu uma porta a abrir se e em seguida alguém falou em um murmúrio rouco . - Vá lá , temos que sair de aqui ... vá lá , dentro de a caixa ... Havia algo de familiar em aquela voz . Riddle deu subitamente uma volta e Harry seguiu o . Podia ver a silhueta escura de um rapaz enorme que estava inclinado em frente de a porta aberta , com uma grande caixa a o lado . - Boa noite , Rubeus - disse Riddle secamente . O rapaz fechou a porta e pôs se de pé . - O que estás a fazer aqui , Tom ? Riddle aproximou se . - Acabou se - disse . - Vou ter de entregar te , Rubeus . Falam em fechar Hogwarts se os ataques não terminarem . - O que é_que tu ... ? - Eu acho que tu não quiseste matar ninguém , mas os monstros não são os melhores animais domésticos . Tu só quiseste deixá o sair para andar um_pouco e ... - Ele não matou ninguém - disse o rapaz grande , recuando contra a porta fechada . Lá de dentro vinham uns estranhos roncos e rugidos . - Vamos , Rubeus - disse Riddle , aproximando se mais ainda . - Os pais de a rapariga que morreu estarão aqui amanhã . O mínimo que Hogwarts pode fazer é assegurar lhes que aquilo que matou a filha de eles foi abatido ... - Não foi ele - gemeu o rapaz cuja voz ecoou em o corredor escuro . - Ele não faria isso ... ele nunca ... - Afasta te - disse Riddle , pegando em a varinha . O encantamento iluminou o corredor com uma luz brilhante . A porta atrás de o rapaz grande abriu se de par em par com tanta força que o atirou contra a parede . E de lá de dentro saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito que ninguém mais ouviu a não ser ele próprio . Tinha um corpo imenso , magro e peludo e um emaranhado de pernas pretas , a cintilação de muitos olhos e um par de tenazes afiadas . Riddle levantou de_novo a varinha , mas era tarde de mais . A coisa deixara o atarantado e corria apressadamente , precipitando se por o corredor e desaparecendo . Riddle pôs se de pé , olhou a a procura de o monstro , levantou a varinha , mas o rapaz grande saltou sobre ele , tirou lhe a varinha de as mãos e lançou o a o chão , gritando : - Naaaaaão ! A cena rodopiou . A escuridão tornou se total . Harry sentiu se a cair e com um embate aterrou como uma águia de patas e asas abertas em a sua cama de dossel , em o dormitório de os Gryffindor , o diário de Riddle aberto sobre o estômago . Antes de ter tido tempo de normalizar a respiração , a porta de o dormitório abriu se e o Ron entrou . - Aí estás tu - disse . Harry sentou se . Transpirava e tremia . - O que se passa ? - perguntou Ron , olhando aflito para ele . - Foi o Hagrid , Ron . O Hagrid abriu a Câmara_dos_Segredos há cinquenta anos atrás . XIV_Cornelius_Fudge_Harry , Ron e Hermione sabiam há muito_tempo que Hagrid tinha uma triste predilecção por criaturas grandes e monstruosas . Em o primeiro ano que passaram em Hogwarts , ele tentara criar um dragão em a sua pequena cabana de madeira e levaram muito_tempo a esquecer o gigantesco cão de três cabeças que ele baptizara de « fofinho » . E se , em rapaz , Hagrid tinha ouvido dizer que havia um monstro escondido em o castelo , Harry tinha a certeza que ele teria feito os impossíveis por descobri o . Provavelmente achou que era uma injustiça o monstro estar fechado tanto tempo e pensou que ele merecia a oportunidade de esticar as suas muitas pernas . Harry imaginava perfeitamente o Hagrid a os treze anos a tentar pôr uma coleira e uma trela a o monstro . Mas tinha igualmente a certeza de que ele nunca teria querido matar ninguém . De certo modo , Harry desejava não ter descoberto como utilizar o diário de Riddle . Ron e Hermione fizeram o contar repetidas vezes o que vira até ele ficar farto de repetir o mesmo e farto de a conversa circular que se seguia . - O Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse , de essa vez , Hermione . - O monstro que atacava as pessoas podia ser outro .... - Quantos monstros achas tu que pode haver em este lugar ? - perguntou o Ron aborrecido . - Sempre soubemos que o Hagrid tinha sido expulso - disse Harry tristemente - E os ataques devem ter terminado quando ele foi expulso . Se não fosse assim , Riddle não teria recebido um prémio . Ron tentou um caminho diferente . - O Riddle parece o Percy , quem lhe pediu afinal que deitasse abaixo o Hagrid ? - Mas o monstro tinha morto uma pessoa , Ron - insistiu Hermione . - E o Riddle ia ter de voltar para um orfanato Muggle se Hogwarts fosse fechada - disse Harry . - Não posso culpá o por querer ficar aqui ... Ron mordeu o lábio e a seguir sugeriu : - Tu encontraste o Hagrid em a Rua * _ Bativolta * , não foi ? - Ele estava a comprar repelente para lesmas - disse Harry rapidamente . Ficaram os três em silêncio . Depois de uma longa pausa , Hermione , em uma voz hesitante , formulou a pergunta mais complicada de todas : - Não acham que devíamos ir ter com ele e perguntar lhe ? - Essa seria uma visita simpática - disse o Ron . - Olá , Hagrid , diz nos uma coisa , soltaste por acaso alguma coisa louca e peluda por o castelo em estes últimos tempos ? Por fim , decidiram não dizer nada a o Hagrid a_não_ser_que houvesse outro ataque e à_medida_que passava mais tempo sem murmúrios de a voz sem corpo começaram a acreditar , esperançosos , que nunca mais teriam de falar sobre o motivo por_que fora expulso . Tinham passado já quase quatro meses desde o dia em que o Justin e o Nick quase sem cabeça tinham sido petrificados e quase toda_a_gente parecia pensar que o atacante , quem quer que ele fosse , se retirara para sempre . Peeves fartara se de a sua canção * _ Oh_Potter , seu bandido * , Ernie_Mcmillan pediu educadamente a o Harry , em a aula de herbologia , que lhe passasse um balde de cogumelos saltitantes e , em Março , várias mandrágoras deram uma festa ruidosa e roufenha em a estufa número três . A professora Sprout estava muito satisfeita . - Mal elas comecem a tentar mover se para os vasos umas de as outras , saberemos que estão maduras - disse ela a o Harry . - Nessa_altura poderemos reanimar aquelas pobres criaturas que estão em a ala hospitalar . Os alunos de o segundo ano tinham agora uma coisa nova em que pensar durante as férias de a Páscoa . Chegara a altura de escolherem as matérias de o terceiro ano , um assunto que Hermione , pelo_menos , tomou muito a sério . - Pode afectar todo o nosso futuro - disse a o Harry e a o Ron a o vê os ler cuidadosamente as listas de as novas matérias e pôr um V em frente de cada uma . - Eu só quero ver me livre de as poções - disse Harry . - Não podemos - explicou Ron tristemente . - Mantemos todas_as matérias antigas ou eu teria me livrado de a Defesa contra as artes negras . - Mas é muito importante - disse Hermione chocada . - Não de a maneira como Lockhart a dá - insistiu Ron . - Não aprendi nada até agora a não ser a nunca mais libertar duendes . Neville_Longbottom recebera cartas de todas_as bruxas e feiticeiros de a família , cada_um dando um conselho diferente sobre o que ele deveria escolher . Confuso e preocupado , sentou se a ler a lista de matérias , dando estalinhos com a língua e perguntando a as pessoas se achavam que a aritmancia seria mais difícil do_que o estudo de as runas em a Antiguidade . Dean_Thomas que , tal_como Harry , fora criado com Muggles , acabou por fechar os olhos e atirar a varinha contra a lista , escolhendo as matérias onde ela aterrava . Hermione não pediu conselho a ninguém e inscreveu se em todas . Harry sorriu de si para consigo imaginando como seria uma conversa com o tio Vernon e com a tia Petúnia sobre a sua carreira em feitiçaria . Não que não tivesse tido orientação : Percy_Weasley estava ansioso por partilhar a sua experiência . - Tudo depende de o lugar para_onde queres ir , Harry - disse ele . - Nunca é cedo de mais para pensar em o futuro , por isso eu aconselho te a adivinhação . As pessoas dizem que os estudos de Muggles são uma opção leve mas eu , pessoalmente , acho que os feiticeiros deveriam ter uma compreensão profunda de a comunidade não mágica , muito especialmente se pensarem em trabalhar em íntimo contacto com eles . Vê o meu pai que tem de lidar com assuntos de os Muggles a_toda_a hora . O meu irmão Charles foi sempre mais um tipo de o exterior , por isso foi para o Centro_de_Cuidados com as Criaturas_Mágicas . Segue os teus sentimentos , Harry . Mas a única coisa em que Harry sentia que era mesmo bom era o Quidditch . Por fim , acabou por escolher as mesmas matérias que o Ron escolhera , pensando que se fosse péssimo em elas pelo_menos tinha alguém amigo para o ajudar . O próximo jogo de Quidditch_dos_Gryffindor era contra os Hufflepuff . Wood insistia em treinos de equipa todas_as noites depois de jantar , por isso Harry não tinha tempo para mais_nada a não ser para o Quidditch e para os trabalhos de casa . Mas as sessões de treino estavam a melhorar ou pelo_menos estavam mais secas e em a véspera de o jogo de sábado ele foi a o dormitório guardar a vassoura , sentindo que as hipóteses de os Gryffindor ganharem a taça de Quidditch nunca tinham sido tão boas . Mas a sua boa disposição não durou muito . Em o cimo de as escadas que levavam a o dormitório encontrou o Neville_Longbottom nervosíssimo . - Harry , não sei quem fez aquilo , eu fui encontrar ... Olhando receoso para Harry , Neville empurrou a porta . O conteúdo de a mala de Harry fora espalhado por toda_a divisão . O seu manto estava em o chão rasgado . A roupa de cama tinha sido puxada de a cama de dossel e a gaveta de o armário que se encontrava a a cabeceira de a cama fora arrancada , estando o seu conteúdo espalhado sobre o colchão . Harry aproximou se de a cama boquiaberto , pisando algumas páginas soltas de * _ Viagens com Duendes * . Quando ele e Neville estavam a puxar os cobertores para_cima , entraram o Ron e o Dean_Seamas . Dean praguejou alto . - O que é isto , Harry ? - Não faço ideia - disse ele . Mas o Ron estava a examinar as vestes de Harry e todos os bolsos estavam de o avesso . - Alguém andou a a procura de qualquer coisa - disse o Ron . - Dás por falta de alguma coisa ? Harry começou a apanhar o que estava caído , lançando tudo dentro de a mala . Só quando atirou o último livro de Lockhart é_que se apercebeu do_que faltava . - O diário de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a o Ron . - O quê ? Harry fez lhe sinal em direcção a a porta de o dormitório e apressaram se a chegar a a sala comum de os Gryffindor que estava quase vazia e onde foram encontrar Hermione sozinha a ler * _ As_Runas_Antigas a o Alcance_de_Todos * . Hermione ficou aterrada com as notícias . - Mas ... só um Gryffindor podia tê o roubado ... ninguém mais conhece a nossa senha ... - Exactamente - disse Harry . Acordaram em o dia seguinte com um sol brilhante e uma brisa agradável . - Condições ideais para o Quidditch ! - exclamou Wood , cheio de entusiasmo , a a mesa de os Gryffindor , enchendo os pratos de os elementos de a sua equipa de ovos mexidos . - Harry , anima te , precisas de um pequeno-almoço decente . Harry tinha estado a olhar para a mesa cheia de alunos de os Gryffindor , perguntando a si próprio se o novo dono de o diário de Riddle estaria ali mesmo em frente de os seus olhos . Hermione insistira para que ele participasse o roubo mas ele não gostou de a ideia . Teria de contar a um professor tudo sobre o diário , e quantas pessoas saberiam o motivo por_que Hagrid fora expulso há cinquenta anos ? Não queria ser ele a fazer com que relembrassem tudo aquilo . Quando saiu de o salão com o Ron e a Hermione para ir buscar o material de Quidditch , outra preocupação viera juntar se a a sua lista cada_vez maior . Tinha acabado de pisar os degraus de a escadaria de mármore quando ouviu de_novo a voz : - * _ Matar desta_vez ... deixem me rasgar ... romper * ... Deu um grito e Ron e Hermione saltaram alarmados . - A voz - disse Harry , olhando por cima de os ombros de eles . - Acabo de a ouvir de_novo , vocês não ouviram nada ? Ron abanou a cabeça de olhos muito abertos Mas_Hermione bateu com a mão em a testa . - Harry , acho que percebi uma coisa . Tenho que ir a a biblioteca . E disparou a correr por as escadas acima . - O que é_que ela percebeu ? - disse Harry distraidamente , ainda a olhar em volta , tentando determinar de onde vinha a voz . - Mas porque teve ela que ir a a biblioteca ? - Porque a Hermione é assim - disse o Ron , encolhendo os ombros - Quando tem uma dúvida , vai a a biblioteca . Harry manteve se hesitante , tentando captar novamente a voz mas as pessoas começavam a sair de o salão , falando alto , passando por a porta principal e encaminhando se para o estádio de Quidditch . - É melhor ires indo - aconselhou Ron . - São quase onze horas , olha o jogo . Harry deu uma corrida até a a torre de os Gryffindor , pegou em a sua Nimbus dois_mil e juntou se a a vasta multidão que enchia os campos , mas o seu pensamento estava ainda em o castelo , em aquela voz sem corpo e quando pôs as roupas vermelhas , o seu único conforto foi pensar que estavam todos lá fora para assistir a o jogo . As equipas entraram em campo a o som de um tumulto de aplausos . Oliver_Wood fez um voo de aquecimento em volta de os postes , Madam_Hooch soltou as bolas . Os Hufflepuff que tinham fatos amarelo-canário estavam reunidos em grupo em uma discussão de última hora sobre as tácticas . Harry subia para a vassoura quando a professora Mc_Gonagall atravessou o campo , meio a andar , meio a correr , transportando um enorme megafone roxo . O coração de Harry caiu lhe a os pés . - Este jogo foi cancelado - gritou por o megafone a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a o estádio apinhado . Ouviram se Uuuus e assobios . Oliver_Wood , com um ar infelicíssimo , aterrou e correu para a professora McGonagall sem sair de a vassoura . - Mas , professora - gritou - temos de jogar ... a taça ... os Gryffindor ... A professora Mc_Gonagall ignorou o e continuou a gritar por o megafone . - Pede se a os estudantes que regressem a as salas comuns de as respectivas equipas onde os chefes de equipa lhes darão mais informações . O mais depressa possível , se fazem favor ! Em seguida , baixou o megafone e fez sinal a o Harry para que se aproximasse . - Potter , é melhor vires comigo ... Perguntando a si próprio que suspeita poderia ela ter contra ele , desta_vez , Harry viu Ron desligar se de a multidão discordante e vir a correr juntar se lhes , enquanto eles se dirigiam para o castelo . Para sua grande surpresa Mc_Gonagall não pôs qualquer objecção . - Sim , talvez seja melhor vires também , Weasley . Alguns de os estudantes que os rodeavam reclamavam por o jogo ter sido cancelado , outros tinham um ar preocupado . Harry e Ron seguiram a professora Mc_Gonagall de volta a a escola e através de a escadaria de pedra . Mas desta_vez não foram levados a nenhum escritório . - Isto vai chocar vos um_pouco - disse a professora Mc_Gonagall em um tom de voz surpreendentemente suave quando estavam a aproximar se de a ala hospitalar . - Houve outro ataque ... outro ataque duplo . As vísceras de o Harry deram um salto mortal . A professora Mc_Gonagall abriu a porta e ele e Ron entraram . Madam_Pomfrey estava inclinada sobre uma rapariga de o quinto ano de cabelos longos a os caracóis que Harry reconheceu como sendo a colega de os Ravenclaw a quem , por engano , tinham perguntado o caminho para a sala comum de os Slytherin . E , em a cama a o lado de ela , estava ... - Hermione - gemeu o Ron . Hermione jazia totalmente quieta , os olhos abertos e vítreos . - Foram encontradas perto de a biblioteca - disse a professora Mc_Gonagall . - Calculo que nenhum de vocês possa explicar isto ? Estava em o chão , junto de ela . A professora tinha em as mãos um pequeno espelho redondo . Harry e Ron acenaram negativamente com as cabeças , ambos com os olhos fixos em Hermione . - Eu acompanho vos a a torre de os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall pesadamente . - De qualquer modo tenho de falar com os alunos . - Os alunos regressarão a as salas comuns de as respectivas equipas , todos_os_dias , a as seis_horas_da_tarde . Nenhum aluno deverá sair de os dormitórios depois de isso . Serão escoltados até a as aulas por um professor . Nenhum aluno deverá ir a a casa_de_banho sem um professor a acompanhá o . Todos os treinos e jogos de Quidditch estão suspensos a_partir_de agora . Não haverá mais actividades nocturnas . Os Gryffindor , que enchiam a sala comum , ouviram em silêncio a professora Mc_Gonagall . Ela enrolou o pergaminho que acabara de ler e disse em uma voz algo chocada : - Não é preciso acrescentar que nunca me senti tão desolada . É provável que a escola seja encerrada se não for apanhado o culpado de todos estes ataques . Quero pedir que se algum de vocês achar que sabe alguma coisa sobre eles venha imediatamente ter comigo . Mal ela subiu , de forma um_pouco desastrada , por o buraco de o retrato , os Gryffindor começaram logo a falar . - São dois Gryffindor a menos , sem contar com o fantasma de os Gryffindor , um Ravenclaw e um Hufflepuff - disse o amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , contando por os dedos . - Não terá nenhum de os professores reparado que os Slytherin estão a salvo ? Será que não é óbvio que tudo_isto vem de eles ? O herdeiro de Slytherin , o monstro de Slytherin , porque não expulsam todos os Slytherin ? - resmungou , recebendo acenos e aplausos de todos os lados . Percy_Weasley estava sentado em uma cadeira atrás_de Lee , mas por uma_vez não pareceu querer expor os seus pontos de vista . Estava pálido e aturdido . - O Percy está em estado de choque - disse o George baixinho a o Harry . - Aquela rapariga de os Ravenclaw , Penelope_Clearwater , é prefeita . Acho que ele nunca tinha pensado que o monstro pudesse atacar um prefeito . Mas Harry não estava a ouvi o com atenção . Não conseguia esquecer a imagem de Hermione deitada em a cama de o hospital , como_se estivesse esculpida em pedra . E se o culpado não fosse apanhado rapidamente tinha em a frente uma vida inteira com os Dursley . Tom_Riddle entregara o Hagrid porque fora confrontado com a possibilidade de um orfanato Muggle se a escola fechasse . Harry sabia exactamente o que ele sentira . - Que vamos nós fazer ? - disse lhe o Ron baixinho a o ouvido . - Achas que eles suspeitam de o Hagrid ? - Temos de falar com ele - disse Harry , tomando uma decisão . - Não acredito que tenha culpa desta_vez , mas se ele libertou o monstro há cinquenta anos , sabe com certeza como entrar em a Câmara_dos_Segredos , o que já é um princípio . - Mas a Gonagall disse que temos que ficar em a torre a_não_ser_que estejamos em as aulas ... - Eu acho - disse Harry ainda mais baixo - que chegou a altura de tirar outra_vez de a mala o manto de o meu pai . Harry herdara apenas uma coisa de o pai : o enorme manto prateado de a invisibilidade . Era a única maneira de poderem esgueirar se de a escola para fazer uma visita a o Hagrid , sem que ninguém de esse por isso . Deitaram se a a hora de o costume , esperaram que o Neville , o Dean e o Seamas adormecessem para se levantarem , vestirem se de_novo e taparem se com o manto . A viagem por os corredores de o castelo escuro e deserto não era nada agradável . Harry que vagueara por ali muitas_vezes durante a noite nunca vira tanta gente depois de o pôr de o Sol . Professores , prefeitos e fantasmas andavam por os corredores a os pares , olhando em volta , em busca de qualquer actividade fora de o habitual . O manto de a invisibilidade não impedia que fizessem barulho e houve um momento particularmente tenso em que o Ron deu uma topada a menos_de um metro de o lugar onde Snape se encontrava . Felizmente Snape espirrou em o preciso momento em que o Ron praguejava . Foi com grande alívio que chegaram a as portas de carvalho de a entrada principal . Estava uma noite clara e cheia de estrelas . Dirigiram se apressadamente para as janelas iluminadas de a casa de Hagrid e só tiraram o manto mesmo em frente de a porta . Poucos segundos depois de terem batido abriu se a porta . Ficaram frente_a_frente com Hagrid que lhes apontou uma besta enquanto Fang , o cão caçador de javalis , ladrava furiosamente atrás de ele . - Oh ! - disse , baixando a arma quando viu que eram eles . - O que estão vocês a fazer aqui ? - Para que é isso ? - perguntou Harry , apontando para a besta , enquanto entrava . - Nada , não é nada - murmurou Hagrid . - Tenho estado a a espera ... não tem importância , sentem se que eu vou fazer um chá . Dava a impressão de não saber o que fazia . Quase apagou a lareira , vertendo a água de a chaleira em o lume e em seguida esmagou o bule com um gesto de a sua mão maciça . - Estás bem , Hagrid ? - perguntou Harry . - Soubeste de a Hermione ? - Soube , sim - disse ele com um leve tremor em a voz . Continuava a olhar nervosamente para as janelas . Deu lhe os duas grandes canecas de água a ferver ( esquecera se de juntar o chá ) e estava a acabar de pôr em um prato uma fatia grossa de bolo de frutas quando alguém bateu energicamente a a porta . Hagrid deixou cair o bolo . Harry e Ron trocaram entre si olhares de pânico e , em seguida , cobriram se com o manto de a invisibilidade e esconderam se em um canto . Hagrid assegurou se de que eles estavam bem escondidos , pegou em a besta e abriu , mais_uma_vez , a porta . - Boa noite , Hagrid . Era_Dumbledore . Entrou com um ar muito sério , seguido de um homem bizarro . O estranho era um homenzinho pequenino , de porte majestoso com cabelos grisalhos desalinhados e uma expressão de ansiedade em o rosto . Usava uma inesperada mistura de roupas . Um fato a as riscas , uma gravata vermelho escarlate , um longo manto negro e umas botas roxas pontiagudas . Debaixo de o braço trazia um chapéu de coco verde lima . -- É o patrão de o meu pai - murmurou o Ron . Cornelius_Fudge , o ministro de a magia ! Harry deu lhe uma valente cotovelada para o fazer calar se . Hagrid tinha ficado suado e pálido . Deixou se cair em uma de as cadeiras e olhava de Dumbledore_para_Cornelius_Fudge . - Más notícias , Hagrid - disse Fudge em um tom bastante grave . - Muito más notícias . Tive de vir . Quatro ataques a filhos de Muggles , as coisas foram longe_de mais . O ministério tem que tomar uma atitude . - Eu nunca ... - disse Hagrid , parecendo implorar a Dumbledore . - O senhor sabe que eu nunca ... professor Dumbledore , o senhor ... - Quero que fique claro , Cornelius , que Hagrid tem a minha total confiança - afirmou Dumbledore , franzindo as sobrancelhas . - Olha , Albus - disse Fudge pouco a a vontade - a ficha de o Hagrid depõe contra ele . O ministério tem de fazer alguma coisa , o Conselho_Directivo de a escola tem se reunido ... - Mesmo_assim , Cornelius , devo dizer te mais_uma_vez que levar o Hagrid de aqui não vai ajudar em nada - afirmou Dumbledore com os olhos azuis com um fogo que Harry nunca vira antes . - Tenta compreender o meu ponto de vista - insistiu Fudge , brincando com o chapéu . - Estou a ser tremendamente pressionado , tenho de mostrar que faço alguma coisa . Se se provar que não foi o Hagrid , ele voltará e não se fala mais em o assunto . Mas tenho de levá o , tem de ser , não estaria a cumprir a minha obrigação se ... - Levar me ? - perguntou Hagrid a tremer . - Levar me para_onde ? - É uma pena curta - disse Fudge , sem o olhar em os olhos . - Não é um castigo , Hagrid , chamemos lhe antes uma precaução . Se mais alguém for apanhado , tu sais com todas_as nossas desculpas . - Não é para Azkaban ? - balbuciou Hagrid . Mas antes que Fudge tivesse tido tempo de responder , ouviu se bater mais_uma_vez a a porta . Dumbledore abriu . Foi a vez de Harry levar uma cotovelada em as costas : soltara um gemido audível . Mr._Lucius_Malfoy entrou em a cabana de o Hagrid embrulhado em uma longa capa preta de viagem , com um sorriso frio de satisfação . O Fang começou a rosnar . - Já está aqui , Fudge ? - disse de forma aprovadora . - Muito bem , muito bem ... - O que estás a fazer aqui ? - perguntou Hagrid furioso . - Sai imediatamente de a minha casa . - Meu bom homem , acredite que não tenho prazer nenhum em entrar em a sua ... er ... chamou lhe casa ? - disse Lucius_Malfoy , sorrindo sarcasticamente enquanto observava a pequena divisão . - Eu limitei me a ir a a escola e disseram me que o director estava aqui . - E o que queres de mim , Lucius ? - perguntou Dumbledore . O seu tom de voz era educado mas em os olhos azuis brilhava ainda o mesmo fogo . - Uma notícia horrível , Dumbledore - disse Mr._Malfoy de forma arrastada , pegando em um grande rolo de pergaminho . - Mas os membros de o conselho pensam que é altura de tu saíres . Isto_é uma ordem de suspensão , tens aí doze assinaturas . Lamento muito mas em a nossa opinião estás a perder a firmeza . Quantos ataques houve até agora ? Mais dois hoje a a tarde , não foi ? A este ritmo vão acabar todos os filhos de Muggles em Hogwarts e todos sabemos que seria uma terrível perda para a escola . - O que é isso , Lucius ? - protestou Fudge com ar alarmado . - O Dumbledore suspenso não ... não , seria a última coisa que desejaríamos em este momento ... - A nomeação ou suspensão , de o director é de a competência de os membros de o Conselho_Directivo , Fudge - disse suavemente Mr._Malfoy . - E como Dumbledore não foi capaz de pôr cobro a estes ataques ... - Oh ! Lucius , se Dumbledore não conseguiu - disse Fudge com o lábio superior a suar . - Quem irá conseguir ? - Isso está para se ver - disse Mr._Malfoy com um sorriso mesquinho . - Mas como os doze votamos ... Hagrid pôs se de pé em um salto , o cabelo preto hirsuto a roçar em o tecto . - E quantos tiveste de chantajar para concordarem contigo , Malfoy ? - Meu caro Hagrid , sabe que esse seu temperamento ainda acaba por lhe criar problemas um dia de estes - disse Mr._Malfoy . - Não o aconselho a gritar assim com os guardas de Azkaban . Eles não iriam gostar nada . - Não podes levar Dumbledore - gritou Hagrid , fazendo Fang , o cão caçador de javalis , agachar se e ganir em o seu cesto . - Sem ele , os filhos de os Muggles não têm qualquer hipótese . A seguir haverá mortes . - Acalma te , Hagrid - disse Dumbledore de forma cortante , olhando para Lucius_Malfoy . - Se os membros de o conselho querem substituir me , eu sairei , claro . - Mas - interrompeu Fudge . - Não - rosnou Hagrid . Dumbledore não tirara os seus olhos azuis brilhantes de os olhos cinzentos e frios de Lucius_Malfoy . - Contudo - disse , pronunciando cada palavra lenta e claramente para que nenhum de eles perdesse o seu sentido - verás que só deixarei verdadeiramente esta escola quando ninguém aqui me for leal . Descobrirás também que será sempre dada ajuda em Hogwarts a quem a pedir . Por um segundo , Harry teve quase a certeza de que os olhos de Dumbledore tremelaziram em direcção a o canto onde ele e Ron estavam escondidos . - Sentimentos admiráveis - disse Malfoy , fazendo uma vénia . - Todos nós vamos sentir a tua ... forma muito pessoal de fazer as coisas , Albus . Só espero que o teu sucessor consiga evitar qualquer ... crime . Dirigiu se a a porta de a cabana , abriu a e fez sinal a Dumbledore para que passasse a a sua frente . Fudge , mexendo nervosamente em o chapéu de coco , esperou que Hagrid fizesse o mesmo mas ele ficou quieto , respirou fundo e disse prudentemente : - Se alguém quiser descobrir alguma coisa , o que tem a fazer é seguir as aranhas . Elas indicarão o caminho , é tudo_o_que vos digo . Fudge olhou para ele espantado . - Está bem , eu vou - disse Hagrid , pegando em o seu sobretudo de pêlo de toupeira . Mas quando ia seguir o Fudge e sair por a porta , parou e disse em voz alta : - E alguém tem de dar de comer a o Fang enquanto eu não estiver cá . A porta fechou se ruidosamente e Ron tirou o manto de a invisibilidade . -- Estamos outra_vez em uma alhada - disse com voz rouca - Sem o Dumbledore podem fechar a escola já esta noite . Sem ele vai haver um ataque por dia . O Fang começou a ganir , arranhando a porta fechada . XV_Aragog_O_Verão insinuava se em os campos em volta de o castelo . O céu e o lago tinham se tornado de um azul-molusco e as flores , grandes como couves , começavam a florir em as estufas . Mas sem o Hagrid , que ele costumava avistar de o castelo , atravessando os campos com o Fang atrás , parecia a Harry que a paisagem não estava completa . Não era melhor dentro de o castelo onde tudo corria horrivelmente mal . O Harry e o Ron tinham tentado visitar a Hermione , mas as visitas a o hospital estavam proibidas . - Não vamos correr mais riscos - disse lhes Madam_Pomfrey com ar severo , através_de uma fresta de a porta de o hospital . Não , lamento , há muitas hipóteses de o atacante voltar para acabar de vez com estas pessoas ... Com Dumbledore longe , o medo espalhara se como nunca acontecera antes , de_tal_modo_que o sol que aquecia as paredes de o castelo por fora parecia parar junto de as janelas de pinázios . Não se via um único rosto em a escola que não andasse tenso e preocupado e qualquer gargalhada , em os corredores , se tornava incómoda e antinatural e era rapidamente abafada . Harry repetia constantemente , de si para consigo , as últimas palavras que ouvira a Dumbledore : - * _ Só terei verdadeiramente deixado esta escola quando ninguém me for leal ... será sempre dada ajuda , em Hogwarts , a quem a pedir * . Qual seria o significado exacto de aquelas palavras ? A quem deveria pedir ajuda quando todos estavam tão confusos assustados como ele ? A alusão de Hagrid a as aranhas era bastante mais fácil de entender . O problema era que parecia não ter restado uma única aranha em o castelo para eles a poderem seguir . Harry procurou por todo o lado com a ajuda relutante de o Ron . As coisas estavam dificultadas por o facto de não poderem andar sozinhos e terem de se deslocar em grupo dentro de o castelo , juntamente com outros Gryffindor . A maior parte de os alunos gostava de ser conduzida como carneiros de uma aula para a outra por os professores mas Harry achava horrível . Havia , contudo , uma pessoa que parecia apreciar aquela atmosfera de terror e suspeitas . Draco_Malfoy passeava empertigado por a escola como_se tivesse sido nomeado para chefe de turma . Harry só compreendeu o motivo de toda aquela boa disposição cerca de quinze_dias depois de Dumbledore e Hagrid se terem ido embora quando , em uma aula de poções , o ouviu falar com o Crabbe e o Goyle . - Sempre achei que seria o pai quem conseguiria livrar nos de o Dumbledore - disse sem a menor preocupação em baixar a voz . - Já vos disse , segundo ele , Dumbledore foi o pior director que a escola alguma vez teve . Talvez agora venha um director decente que não queira a Câmara_dos_Segredos fechada . A Mc_Gonagall não vai durar muito , está só a ... O Snape passou por Harry , sem fazer comentários a o caldeirão e a a cadeira vazia de Hermione . - Professor - disse Malfoy em voz alta . - Professor , porque não se candidata a o lugar de director ? - Ora , ora , Malfoy - respondeu Snape , sem conseguir esconder um meio sorriso . - O professor Dumbledore foi apenas suspenso por os membros de o conselho de direcção , certamente vai voltar um dia de estes . - Sim , claro - disse Malfoy com o seu sorriso escarninho . - Acho que se o professor quisesse candidatar se a o lugar teria o voto de o pai . Eu vou dizer lhe que o acho o melhor professor de a escola . Snape sorriu enquanto passeava de um lado para o outro em o calabouço , não tendo felizmente visto o Seamus_Finnigan que fingia vomitar para dentro de o caldeirão . - Estou espantado por ver que até agora os sangues de lama ainda não fizeram as malas e não desapareceram - prosseguiu Malfoy . - Aposto cinco galeões em como o próximo morre . Pena que não tenha sido a Granger ... A campainha tocou em esse momento o que foi uma sorte porque a o ouvir as últimas palavras de Malfoy , Ron deu um salto , mas em a barafunda de guardar os livros em os sacos , a sua tentativa de agarrar o Malfoy passou despercebida . - Deixem me - gritava o Ron enquanto o Harry e o Dean lhe agarravam os braços . - Não preciso de varinha , vou dar cabo de ele com as minhas mãos ... - Despachem se , tenho de conduzir vos a a aula de herbologia - praguejava o Snape acima de as cabeças de os alunos . E lá foram como cordeirinhos com Harry , Ron e Dean em a retaguarda , o Ron ainda a tentar libertar se . Só acharam seguro largá o quando Snape os deixou fora de o castelo e iniciaram o percurso por o meio de a horta em direcção a as estufas . A aula de herbologia estava reduzida . Tinha agora dois alunos a menos : Justin e Hermione . A professora Sprout pô os a trabalhar , podando as figueiras-da-abissínia . Harry foi despejar uma braçada de hastes secas em um monte de adubo e deu consigo cara a cara com Ernie_Mcmillan . Ernie respirou fundo . - Só quero dizer te , Harry que lamento ter suspeitado de ti . Sei que nunca atacarias a Hermione_Granger e peço te desculpa por todas_as coisas que disse . Estamos todos em o mesmo barco , agora e , bem ... Estendeu lhe uma mão rechonchuda que o Harry apertou . Ernie e a sua amiga Hannah foram trabalhar em a mesma figueira com o Harry e o Ron . - Aquele tipo , Draco_Malfoy - disse Ernie , partindo pequenos galhos - , parece muito satisfeito com isto tudo , não acham ? É bem possível que ele seja o herdeiro de Slytherin . - Uma observação inteligente de a tua parte - disse o Ron que parecia não ter desculpado Ernie tão facilmente como o Harry . - Acham que é ele ? - perguntou Ernie . - Não - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Hannah ficaram a olhar espantados . Um segundo depois , Harry avistou qualquer coisa que o levou a chamar a atenção de o Ron , batendo lhe em a mão com a tesoura de podar . - Au ... o que é_que tu ... ? Harry apontava para o chão , a poucos centímetros de distância . Várias aranhas grandes corriam precipitadamente por a terra fora . - Ah ! sim - disse o Ron , tentando , sem conseguir , mostrar se entusiasmado . - Mas não podemos seguis as agora ... Ernie e Hannah ouviam nos com curiosidade . Harry viu as aranhas desaparecerem . - Parecem ir em a direcção de a floresta proibida ... E o Ron ficou ainda mais infeliz a o ouvir aquilo . Em o final de a aula , o professor Snape acompanhou os alunos a a « Defesa contra as artes negras » . Harry e Ron foram atrás de os outros para poderem conversar sem serem ouvidos . - Temos de usar outra_vez o manto de a invisibilidade - disse Harry a o Ron . - Podemos levar connosco o Fang , ele está habituado a ir a a floresta com o Hagrid , pode ser uma boa ajuda . - Certo - disse o Ron , que fazia girar nervosamente a varinha em os dedos . - Er ... não costuma haver ... não costuma haver lobisomens em a floresta ? - acrescentou enquanto ocupavam os lugares de o costume em a aula de o Lockhart . Preferindo não responder a a pergunta , Harry disse : - Também há lá coisas boas . Os centauros são fixes e os unicórnios . Ron nunca estivera em a floresta proibida , Harry fora lá só uma_vez e desejara não ter de lá voltar . Lockhart deu um salto para dentro de a sala de aula e os alunos ficaram espantados a olhar para ele . Todos os outros professores andavam mais tristes do_que o habitual mas Lockhart parecia sentir se em as nuvens . - Então , então - exclamou , olhando em volta . - Porquê essas caras deprimidas ? Lançaram lhe olhares exasperados mas ninguém respondeu . - Não compreendem - disse , falando devagar como_se fossem todos um_pouco estúpidos - que o perigo já passou ? O culpado foi se embora . -- Quem disse ? - retorquiu Dean_Thomas em voz alta . -- Meu caro jovem , o ministro de a magia não teria levado Hagrid se não estivesse cem por_cento certo de que ele era o culpado - disse Lockhart como quem explica que um e um são dois . - Teria , sim - disse o Ron , em um tom de voz ainda mais alto do_que o de o Dean . - Eu julgo saber um_pouco mais sobre a prisão de o Hagrid do_que o senhor , Mr._Weasley - disse Lockhart com notória auto-satisfação . Ron começou a dizer que discordava mas foi interrompido por o Harry que lhe deu um forte pontapé por debaixo de a mesa . - Nós não estávamos lá , lembras te ? - murmurou . Mas a alegria revoltante de o Lockhart , as insinuações de que sempre tinha achado que o Hagrid não prestava , a sua certeza de que tudo aquilo estava a chegar a o fim , irritou Harry de tal maneira que teve vontade de lhe atirar as * _ Viagens com Vampiros * e de lhe acertar em aquela cara estúpida . Mas , em vez de isso , limitou se a escrevinhar um bilhete para o Ron : * _ Vamos lá hoje a a noite * . Ron leu a mensagem , engoliu em seco e olhou para o lugar onde Hermione costumava sentar se . A cadeira vazia pareceu ajudá o a decidir se e acenou afirmativamente . A sala comum de os Gryffindor estava agora sempre cheia porque , depois de as seis_da_tarde , os Gryffindor não tinham outro lugar para ir . Por outro lado , tinham imenso para conversar , por isso a sala comum mantinha se cheia de gente até depois de a meia-noite . Logo_a_seguir a o jantar , Harry foi buscar o manto de a invisibilidade a a mala onde estava guardado e passou todo o serão a a espera que a sala esvaziasse . O Fred e o George desafiaram o para alguns jogos de explosão e a Ginny sentou se , muito preocupada , a observá os , em a cadeira habitual de Hermione . Harry e Ron fartaram se de perder de propósito em uma tentativa de pôr rapidamente fim a os jogos mas , mesmo_assim , já passava bastante de a meia-noite quando o Fred , o George e a Ginny se foram , finalmente , deitar . Harry e Ron esperaram até ouvir as portas de os dois dormitórios fecharem se . Em seguida , pegaram em o manto , lançaram o sobre ambos e passaram por o buraco de o retrato . Era mais uma difícil travessia de o castelo , tendo de fintar todos os professores . Finalmente , chegaram a o * hall * de entrada , giraram o fecho de as portas de carvalho , esgueiraram se tentando não fazer barulho e aventuraram se nos campos iluminados por o luar . - É claro que - disse bruscamente o Ron , enquanto atravessavam os relvados negros - podemos perfeitamente chegar a a floresta e descobrir que não há nada para seguir . As aranhas podem não ter ido para lá . É certo que parecia que tomavam essa direcção , mas ... Felizmente a lengalenga não durou muito . Chegaram a a casa de o Hagrid que tinha um ar triste com as suas janelas vazias . Logo_que Harry empurrou a porta e a abriu , o Fang saltou , louco de alegria por os ver . Preocupados , não fosse ele acordar toda_a_gente em o castelo com o seu ladrar forte e agitado , deram lhe rapidamente a comer bombons de melaço que estavam em uma lata sobre a lareira e que lhe colaram os dentes de cima a os de baixo . Harry pousou o manto de a invisibilidade sobre a mesa de o Hagrid . Não iam precisar de ele em a floresta escura como breu . - Anda , Fang , vamos dar um passeio - disse Harry , batendo lhe a o de leve em a pata e Fang saiu feliz , a os saltos , atrás de eles . Precipitou se até a a orla de a floresta e levantou a perna contra uma enorme figueira-do-egipto . Harry pegou em a varinha , murmurou * _ Lumus * ! e uma pequenina luz surgiu em a ponta de a varinha , suficiente para lhes mostrar o caminho e ajudá os a descobrir a pista de as aranhas . - Bem pensado - disse o Ron . - Eu acendia também a minha mas , sabes como ela está , ainda estoirava ou qualquer coisa assim ... Harry tocou em o ombro de o Ron , apontando para as ervas . Duas aranhas solitárias fugiam de a luz de a varinha , aproximando se de a sombra de as árvores . - O. _ K. - disse o Ron , resignando se com o pior . - Estou pronto , vamos . Então , com o Fang a correr atrás de eles , cheirando as raízes de as árvores e as folhas , entraram em a floresta . Seguindo a luz de a varinha de o Harry seguiram a fila disciplinada de aranhas que se movia a o longo de o caminho . Andaram durante cerca de vinte minutos , sem falar , atentos a todos os ruídos que não fossem os de os ramos caídos e de as folhas secas . Então , quando as copas de as árvores se tinham tornado mais cerradas do_que nunca , de_tal_modo_que as estrelas em o céu já não eram visíveis e a varinha de o Harry brilhava isolada em um mar de escuridão , viram as aranhas que eles seguiam a abandonar o caminho . Harry parou , tentando ver para_onde iam mas tudo_o_que ficava longe de a sua pequenina luz era negro de breu . Ele nunca fora tão longe em a floresta . Lembrava se muito bem de Hagrid lhe ter dito , de a última vez que ali tinham estado , que nunca saísse de o caminho de a floresta . Mas Hagrid agora estava a muitos quilómetros de distância e ele também lhes dissera que seguissem as aranhas . Uma coisa húmida tocou em a mão de o Harry e ele deu um salto para trás , pisando o pé a o Ron . Mas afinal era apenas o focinho de o Fang . - O que é_que tu achas ? - perguntou ele a o Ron cujos olhos conseguia vislumbrar , reflectindo a luz de a varinha . - Já_que viemos até aqui - disse ele . Seguiram , portanto as sombras velozes de as aranhas em direcção a as árvores . Não podiam agora andar muito depressa . Tinham em a frente raízes de árvores e troncos cortados que mal se viam em aquela escuridão . Harry sentia o bafo quente de Fang em a mão . Por mais de uma_vez tiveram de parar para o Harry se baixar e descobrir as aranhas a a luz de a varinha . Andaram durante o que lhes pareceu ter sido pelo_menos meia_hora , com os mantos a roçarem em os ramos mais baixos e em as silvas . A o fim de algum tempo repararam que o chão parecia inclinar se para baixo embora as árvores continuassem cerradas . Foi então que o Fang soltou um latido que ecoou em volta , fazendo Harry e Ron darem um salto , ambos com os cabelos em pé . - O que foi ? - gritou o Ron , olhando em volta para a escuridão e agarrando Harry com força , por o cotovelo . - Há qualquer coisa ali a mexer se - murmurou Harry - Ouve ... parece ser grande . Ficaram a ouvir . Um_pouco para a direita algo de grandes dimensões partia os ramos enquanto abria caminho através de as árvores . - Oh ! não - disse o Ron . - Oh ! não , não ... - Cala te - insistiu o Harry , nervoso . - Seja o que for , vai acabar por te ouvir . - Ouvir me ? - disse o Ron , em um tom de voz muito pouco natural . - Já ouviu . Fang ! A escuridão parecia esmagar lhes os globos oculares enquanto ali ficaram apavorados , a a espera . Houve um estranho ruído , surdo e prolongado , e em seguida o silêncio . - O que estará a fazer ? - perguntou Harry . - Talvez esteja a preparar se para atacar - disse o Ron . Esperaram , a tremer , sem ousarem mexer se . - Achas que se foi embora ? - murmurou Harry . - Não sei . Em esse momento , de o lado direito veio um clarão de luz tão forte em o meio de o escuro que os dois levaram as mãos a a cara para proteger os olhos . O Fang ganiu e tentou fugir mas viu se envolvido em um emaranhado de espinhos e ganiu ainda mais alto . - Harry - gritou o Ron com grande alívio em a voz . - Harry , é o nosso carro . - O quê ? - Anda ver . Harry avançou a os tropeções atrás de o Ron , em direcção a a luz e em o momento seguinte estavam em uma clareira . O carro de Mr._Weasley ali estava , vazio , no_meio_de um círculo de árvores grossas , sob um telhado de ramos densos , os faróis de a frente resplandecentes . Quando Ron se aproximou de boca aberta , moveu se lentamente em direcção a ele como_se fosse um grande cão azul turquesa , cumprimentando o dono . - Tem estado aqui todo este tempo - disse o Ron satisfeitíssimo , aproximando se de o carro . - Olha para ele , a floresta tornou o selvagem ... O guarda-lamas estava riscado e cheio de lodo . Parecia que tinha andado a passear sozinho por a floresta . Fang não gostou lá muito de ele . Manteve se a o lado de o Harry que podia senti o a tremer . Com a respiração normalizada , Harry guardou a varinha em o manto . - E nós a pensarmos que ele nos ia atacar - disse o Ron , encostando se a o carro e dando lhe duas palmadinhas - As voltas que eu dei a a cabeça a pensar para_onde ele teria ido ! Harry olhava para todos os lados , em o chão iluminado , em busca de mais aranhas mas todas elas tinham fugido de o brilho de as luzes . - Perdemos as de vista - disse ele . - Anda , vamos procurá as . Ron não disse nada . Não se moveu . Tinha os olhos fixos em um ponto , três metros acima de o chão de a floresta , mesmo atrás de o Harry . O seu rosto estava lívido de terror . Harry nem teve tempo de se voltar . Ouviu se um ruído alto e seco e sentiu que alguma coisa longa e peluda o elevava em o ar com o rosto voltado para baixo . Debatendo se , apavorado , ouviu outro estalido e viu as pernas de o Ron serem também levantadas de o chão . Ouviu o Fang gemer e ganir e , em o momento seguinte , era levado para o meio de as árvores escuras . Com a cabeça a balouçar , Harry viu que a coisa que o transportava tinha seis enormes patas peludas e que as duas de a frente o agarravam com forca sob um par de tenazes pretas e brilhantes . Atrás_de si podia ouvir outra de aquelas criaturas que , sem dúvida , transportava o Ron . Encaminhavam se para o coração de a floresta . Harry ouvia o Fang a ladrar , tentando libertar se de um terceiro monstro mas Harry não podia gritar mesmo_que quisesse , parecia que tinha deixado a voz em a clareira , junto com o carro . Não soube quanto tempo esteve em as patas de a criatura , só se apercebeu que a escuridão se atenuara um_pouco , permitindo lhe ver que o chão coberto de folhas estava agora repleto de aranhas . Voltando a cabeça para o lado , deu se conta de que tinham chegado a a base de uma enorme cova , uma cova que fora limpa de árvores para que as estrelas iluminassem com o seu brilho a cena mais pavorosa que os seus olhos alguma vez tinham visto . Aranhas . Não aranhas pequeninas como aquelas que estavam sobre as folhas . Aranhas de o tamanho de enormes cavalos , com oito olhos , oito pernas pretas , peludas , gigantescas . O espécimen que transportava Harry desceu o terreno íngreme até uma teia brumosa em forma de cúpula que ficava mesmo em o meio de a cova , enquanto os companheiros se juntavam em volta , batendo excitadíssimos com as tenazes e olhando para o que eles traziam a as costas . Harry caiu em o chão de gatas quando a aranha o libertou . Ron e Fang foram cair perto de ele . O Fang já não gania . Estava agachado e muito quieto . Ron e Harry partilhavam o mesmo sentimento . O Ron tinha a boca aberta em uma espécie de grito silencioso e os olhos a saltarem lhe de as órbitas . Harry percebeu de repente que a aranha que o deitara a o chão estava a dizer qualquer coisa . Era difícil entender porque entre cada duas palavras , batia com as tenazes . - Aragog - chamou . - Aragog . E de o meio de a teia brumosa em forma de cúpula saiu muito lentamente uma aranha de o tamanho de um pequeno elefante . As costas e as pernas estavam cobertas de pêlo cinzento e , em a cabeça feia , munida de tenazes , estavam vários olhos , todos eles de um branco leitoso . Era cega . - O que foi ? - disse , batendo rapidamente com as tenazes uma em a outra . - Homens - respondeu a aranha que trouxera o Harry . - É o Hagrid ? - perguntou Aragog , aproximando se mais com os seus oito olhos leitosos a vaguear . - Estranhos - respondeu a aranha que trouxera o Ron . - Matem nos - disse Aragog , irritada . - Eu estava a dormir ... - Nós somos amigos de o Hagrid - gritou Harry . Parecia que o coração lhe saltava por a boca . Clic , clic , clic fizeram as tenazes de a aranha , em volta de a cova . Aragog parou . - O Hagrid nunca mandou homens a a nossa cova - disse lentamente . - O Hagrid está em perigo - explicou Harry , respirando muito depressa . - Foi por isso que eu vim . - Em perigo ? - repetiu a aranha idosa e pareceu a Harry sentir preocupação por detrás de as suas tenazes . - Mas porque vos mandou ele cá ? Harry pensou pôr se de pé mas achou melhor não arriscar . As pernas provavelmente não teriam força para o sustentar . Falou portanto de o chão , o mais calmamente que foi capaz . - Eles lá em a escola pensam que o Hagrid soltou qualquer coisa contra os estudantes . Mandaram o para Azkaban . Aragog bateu furiosamente com as tenazes e , em toda_a cova , o eco foi reproduzido por uma multidão de aranhas . Era uma espécie de aplauso com uma única diferença : os aplausos não costumavam fazer o Harry quase morrer de medo . - Mas isso foi há muitos anos - disse Aragog , maldisposta . - Há anos e anos . Lembro me muito bem . Foi por isso que o expulsaram de a escola . Eles pensaram que eu era o monstro que vive em aquilo a que eles chamam a Câmara_dos_Segredos . Pensaram que o Hagrid a tinha aberto para me libertar . - E tu ... não vieste de a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Harry que sentia a testa cheia de suores frios . - Eu - disse Aragog , batendo irritada com as tenazes - , eu não nasci em o castelo . Venho de uma terra distante . Um viajante ofereceu me a o Hagrid quando eu era ainda um ovo . Hagrid era um rapazinho mas tratou de mim , escondeu me em uma despensa dentro de o castelo e alimentava me com as migalhas que ficavam em as mesas . Hagrid é o meu bom amigo e um bom homem . Quando me encontraram e me culparam por a morte de uma rapariga , ele protegeu me . Desde_então , tenho vivido aqui em a floresta onde o Hagrid ainda vem visitar me . Ele até me arranjou uma esposa , Mosag , e estão a ver como a família cresceu , tudo graças a a bondade de o Hagrid ... Harry reuniu a coragem que lhe restava . - Então tu nunca atacaste ninguém ? - Nunca - resmungou a velha aranha . - Era esse o meu instinto , mas por respeito a Hagrid nunca fiz mal a nenhum humano . O corpo de a rapariga morta foi encontrado em uma casa_de_banho , ora eu nunca conheci mais do_que despensa de o castelo , onde cresci . Nós gostamos de o escuro de o silêncio . - Mas então ... sabes o que matou essa rapariga ? - perguntou Harry . - Porque seja o que for , está a atacar as pessoas outra_vez ... As suas palavras foram abafadas por uma audível explosão de tenazes a bater e por o ruge-ruge de muitas pernas longas , deslocando se iradas . Em volta de Harry começaram a mover se sombras escuras . - O que vive em o castelo - disse Aragog - é uma antiga criatura que nós , aranhas , tememos acima_de todas_as outras . Lembro me bem de o quanto insisti com Hagrid para que me deixasse sair de ali quando senti a criatura a andar por a escola . - O que é ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Mais tenazes a bater , mais pernas a moverem se . As aranhas pareciam estar a aproximar se . - Nós não falamos de isso - exclamou Aragog furiosa . - Não pronunciamos o seu nome . Eu nunca disse a o Hagrid o nome de a horrível criatura , apesar_de ele me ter perguntado vezes sem conta . Harry não quis insistir , principalmente com todas aquelas aranhas a aproximarem se de todos os lados . Aragog parecia ter se cansado de falar . Recuava lentamente para a teia em forma de cúpula , mas as companheiras continuavam a aproximar se ameaçadoramente de Harry e Ron . - Vamos embora , então - gritou Harry , desesperadamente a Aragog , enquanto ouvia as folhas secas a estalarem atrás_de si . - Embora ? - disse Aragog lentamente . - Não me parece ... - Mas , mas ... - Os meus filhos e filhas não fazem mal a o Hagrid por ordem minha . Mas não posso negar lhes carne fresca quando ela veio por vontade própria ter connosco . Adeus , amigo de o Hagrid . Harry deu meia volta . Poucos centímetros acima de ele , uma sólida parede de aranhas batia com as tenazes , os seus muitos olhos a brilharem em as horríveis caras pretas . Mesmo_que se servisse de a varinha , Harry sabia que não ia valer de nada . As aranhas eram demasiadas , mas quando tentava preparar se para morrer a lutar , ouviu se um som prolongado e um clarão de luz iluminou a cova . O carro de Mr._Weasley ribombava , descendo o declive , com os faróis acesos , a buzina a guinchar , afastando as aranhas . Muitas de elas ficaram voltadas ao_contrário com as várias pernas a agitar se em o ar . O carro buzinou com mais força em frente de Harry e Ron e as portas abriram se . - Agarra o Fang - gritou Harry , ajeitando se em o lugar de a frente . Ron agarrou o cão caçador de javalis e lançou o a ganir para o banco de trás . As portas fecharam se com estrondo . Ron não tocou em o acelerador mas o carro não precisou de isso . O motor fez se ouvir e levantaram voo , batendo em mais aranhas . Subiram o declive , saindo de a cova e pouco depois atravessavam a floresta , os ramos a baterem em os vidros enquanto o carro seguia habilmente através de os intervalos maiores , por um caminho que obviamente já conhecia . Harry olhou para o Ron , a o seu lado . Ele tinha ainda a boca aberta em o mesmo grito silencioso mas os olhos já não estavam salientes . - Estás bem ? Ron olhou em frente , incapaz de responder . Começavam a descer para terra firme com o Fang a soltar enormes ganidos em o banco de trás e Harry viu o espelho retrovisor saltar quando passaram rente a um enorme carvalho . Após dez minutos bastante ruidosos , as árvores começaram a ser mais finas e Harry pôde ver de_novo pedaços de o céu . O carro parou tão bruscamente que quase foram projectados por o vidro de a frente . Tinham chegado a a orla de a floresta . O Fang ia agitadíssimo a a janela e quando Harry abriu a porta , disparou a correr através de as árvores até a a casa de o Hagrid , de cauda entre as pernas . Harry saiu também e um minuto depois o Ron pareceu recuperar a força em os membros e seguiu o , ainda com um torcicolo e de olhos esbugalhados . Harry deu uma palmadinha de agradecimento a o carro antes de ele dar a volta e desaparecer em direcção a a floresta . Harry voltou a a cabana de o Hagrid para buscar o manto de a invisibilidade . O Fang tremia em o seu cesto , coberto por um cobertor . Quando saiu de_novo , viu o Ron a vomitar junto de as abóboras . - Sigam as aranhas - disse ele debilmente , limpando a boca a a manga . - Nunca vou perdoar a o Hagrid . É uma sorte ainda estarmos vivos . - Aposto que ele pensou que Aragog nunca faria mal a os seus amigos - justificou Harry . - Esse é justamente o problema de o Hagrid - interrompeu Ron , dando um soco em a parede de a cabana . - Ele acha sempre_que os monstros não são tão maus como os pintam e vê onde isso o levou , a uma cela em Azkaban - tremia agora descontroladamente . - Qual a ideia de ele a o mandar nos ali ? Gostava de saber o que é_que descobrimos . - Que o Hagrid nunca abriu a Câmara_dos_Segredos - disse Harry , lançando o manto sobre Ron e tocando lhe em o braço para o encorajar a andar . - Ele estava inocente . Ron resmungou em voz alta . Para ele , chocar Aragog em uma despensa não era propriamente estar inocente . Quando se aproximaram de o castelo , Harry esticou o manto para garantir que os pés de ambos ficavam cobertos . Em seguida , empurrou as portas de a frente que chiaram . Atravessaram com todo o cuidado o * hall * de entrada e subiram a escadaria de mármore , contendo a respiração em os corredores guardados por sentinelas atentos . Por fim , chegaram a a segurança de a sala de os Gryffindor onde o lume ardera até se transformar em brasas brilhantes . Tiraram o manto e subiram a escada serpenteante que os levava a o dormitório . Ron caiu em a cama sem sequer se despir mas Harry , apesar_de tudo , não tinha sono . Sentou se em a beirinha de a cama , pensando em todas_as coisas que Aragog dissera . A criatura que andava por o castelo , pensou , era uma espécie de monstro Voldemort , nem os outros monstros queriam pronunciar o seu nome . Mas ele e o Ron não estavam agora mais perto_de descobrir o que era nem como petrificava as suas vítimas . Se nem o Hagrid chegara a saber o que estava em a Câmara_dos_Segredos ... Harry balançou as pernas e atirou se para_cima de a cama . Encostado a as almofadas olhou a Lua que brilhava através de a janela de a torre . Não sabia que mais poderiam fazer . Só tinham encontrado portas fechadas . Riddle apanhara a pessoa errada . O herdeiro de Slytherin fugira e ninguém sabia se era a mesma pessoa ou uma outra que abrira , desta_vez , a Câmara_dos_Segredos . Não havia mais ninguém a quem fazer perguntas . Harry deitou se ainda a pensar em as palavras de Aragog . Estava a começar a ficar com sono quando aquilo que parecia ser uma última esperança lhe ocorreu , fazendo o sentar se muito direito em a cama . - Ron - sussurrou em o escuro . - Ron . Ron acordou com um ganido como os de o Fang . Olhou muito assustado em volta e viu o Harry . - Ron , a rapariga que morreu . Aragog contou nos que ela foi encontrada em uma casa_de_banho - disse , ignorando os roncos de o Neville em o outro canto de o quarto . - E se ela nunca tivesse saído de a casa_de_banho ? E se ainda lá estiver ? Ron esfregou os olhos , franzindo as sobrancelhas sob a luz de a Lua . E só então compreendeu . -- Não pensar que ... a Murta_Queixosa ? XVI_A_Câmara_dos_Segredos -- E estivemos nós tantas vezes em aquela casa_de_banho com ela apenas a três cubículos de distância - disse o Ron amargamente em o dia seguinte , a a mesa de o pequeno-almoço . - Podíamos ter lhe perguntado e agora ... Já fora bastante difícil procurar as aranhas . Escapar a os professores o tempo suficiente para ir até a a casa_de_banho de as raparigas , que ficava mesmo em frente de o lugar onde ocorrera o primeiro ataque , ia ser quase impossível . Mas alguma coisa aconteceu que fez com que a Câmara_dos_Segredos desaparecesse de os seus pensamentos pela_primeira_vez em várias semanas . A professora Mc_Gonagall comunicou lhes que os exames começariam a 1_de_Junho , uma semana depois . - Exames ? - gritou Seamus_Finnigan . - Nós mesmo_assim vamos ter exames ? Ouviu se um estrondo atrás de o Harry quando a varinha de o Neville_Longbottom lhe escapou de a mão , fazendo desaparecer uma de as pernas de a secretária . A professora Mc_Gonagall repô a com a sua varinha e voltou se com má cara para o Seamus . - Se temos a escola aberta em uma altura de estas é para vocês receberem instrução - disse com dureza . - Os exames terão lugar , portanto , como é costume e espero que todos vocês façam revisões até lá . Revisões . Não passara por a cabeça de o Harry que houvesse exames com o castelo em aquele estado . Houve uma série de murmúrios revoltados , o que fez com que a professora Mc_Gonagall ficasse ainda mais mal-humorada . - As instruções de o professor Dumbledore foram para manter a escola a funcionar o mais normalmente possível - disse . - E isso , não preciso de vos dizer , passa por uma avaliação de o quanto vocês aprenderam a o longo de este ano . Harry olhou para baixo , para o casal de coelhos brancos que ele deveria transformar em pantufas . Que tinha ele aprendido durante o ano ? Não era capaz de se lembrar de nada que fosse útil em um exame . Ron estava como_se tivessem acabado de lhe dizer que a partir de aquele momento tinha de ir viver para a floresta proibida . - Estás a ver me a ter exames com isto tudo ? - perguntou a o Harry enquanto pegava em a varinha que tinha começado a assobiar bastante alto . Três dias antes de o primeiro exame , a a hora de o pequeno almoço , a professora Mc_Gonagall fez outra comunicação . - Tenho boas notícias - disse , e o salão em_vez_de se calar , explodiu de contentamento . - Dumbledore vai regressar ! - gritaram várias pessoas cheias de alegria . - Apanharam o herdeiro de Slytherin - arriscou uma rapariga em a mesa de os Ravenclaw . - Temos outra_vez os jogos de Quidditch - bradou Wood , excitadíssimo . Quando a agitação passou , Mc_Gonagall disse : - A professora Sprout informou me que as mandrágoras estão finalmente prontas para serem cortadas . Hoje a a noite vamos poder reanimar as pessoas que foram petrificadas . Escusado será dizer que certamente uma de elas poderá revelar nos quem ou o que a atacou . Eu tenho esperança que este ano pavoroso acabe com a prisão de o culpado . Houve uma explosão de aplausos . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e não ficou nada surpreendido a o ver que Draco_Malfoy não aplaudia . O Ron , por outro lado , estava satisfeito como ninguém o via havia dias . - Não faz mal não termos perguntado a a Murta . A Hermione vai , com certeza , ter todas_as respostas quando acordarem . Vai também ficar fula quando souber que temos exames dentro_de três dias . Ela não pôde fazer revisões . Seria melhor deixarem a estar onde está até a o final de os exames . Nessa_altura , Ginny_Weasley veio sentar se junto de o Ron . Parecia nervosa e tensa e Harry reparou que torcia as mãos em o colo . - O que se passa ? - perguntou o Ron , servindo se de mais papa de aveia . Ginny não disse nada mas olhou para um lado e para o outro de a mesa de os Gryffindor , com um olhar assustado que lembrou a Harry alguém que não sabia bem quem era . - Vá lá , vomita - disse o Ron , olhando para ela . Harry percebeu subitamente quem a Ginny lhe lembrara . Ela balançava se ligeiramente para a frente e para trás em a cadeira , exactamente como o Dobby fazia quando estava hesitante , à_beira_de revelar uma informação proibida . - Tenho de te dizer uma coisa - balbuciou a Ginny receosa , sem olhar para Harry . - O que é ? - perguntou ele . Ginny parecia incapaz de encontrar as palavras certas . - O quê ? - insistiu Ron . Ginny abriu a boca mas não saiu nenhum som . Harry inclinou se para a frente e falou devagar para que só ela e Ron pudessem ouvi o . - É alguma coisa relacionada com a Câmara_dos_Segredos ? Viste alguma coisa ou alguém a agir de forma estranha ? Ginny respirou fundo e , em esse preciso momento , apareceu Percy_Weasley com um ar pálido e cansado . - Se já acabaste de comer eu fico com esse lugar , Ginny . Estou cheio de fome . Acabei agora o meu trabalho de patrulhamento . Ginny deu um salto como_se a cadeira tivesse acabado de ser electrificada , lançou a o Percy um olhar assustado e zarpou . Percy sentou se e tirou uma caneca de o meio de a mesa . -- Percy - disse o Ron aborrecido . - Ela ia agora mesmo contar nos uma coisa importante . A meio de um gole de chá , Percy estremeceu . - Que coisa ? - perguntou , tossindo . - Eu quis saber se ela tinha visto alguma coisa estranha e ela ia dizer ... - Ah ! isso ... não tem nada que ver com a Câmara_dos_Segredos - disse o Percy de imediato . - Como sabes ? - indagou o Ron , erguendo as sobrancelhas . - Bem ... er ... já_que perguntam , a Ginny ... er ... passou por mim em outro dia quando eu ... er ... não foi nada , o importante é_que ela viu me fazer uma coisa e eu ... um ... pedi lhe para não comentar com ninguém . Não pensei que ela cumprisse a palavra , verdade se diga . Não é nada importante , eu só ... Harry nunca vira o Percy tão pouco a a vontade . - O que estavas a fazer , Percy ? - riu se o Ron . - Vá lá , conta que nós não nos rimos . Percy ficou sério . - Passa me esses pãezinhos , Harry , estou cheio de fome . Harry sabia que todo o mistério poderia ser desvendado em o dia seguinte sem a ajuda de eles mas não ia deixar de falar com a Murta_Queixosa se a oportunidade surgisse . E , para sua grande satisfação , ela surgiu a meio de a manhã quando eram conduzidos a a aula de História_da_Magia_por_Gilderoy_Lockhart . Lockhart , que tantas vezes lhes assegurara que o perigo tinha passado , estava agora totalmente convencido de que acompanhar os alunos em os corredores era um trabalho inútil . O seu cabelo estava mais liso do_que de costume . Parecia ter passado toda_a noite acordado a vigiar o quarto andar . - Podem escrever o que eu digo - afirmou , acompanhando os até uma esquina . - As primeiras palavras que vão sair de a boca de aquelas pobres pessoas petrificadas serão - * _ Foi_o_Hagrid * . Francamente , estou espantado por a professora Mc_Gonagall considerar ainda necessárias estas medidas de segurança . - Concordo , professor - disse Harry , fazendo com que Ron , surpreendido , deixasse cair os livros a o chão . - Obrigado , Harry - disse Lockhart amavelmente , enquanto deixavam passar uma grande fila de Hufflepuffs . - verdade é_que os professores já têm bastante que fazer para andarem também a acompanhar os alunos a as aulas e a guardar os corredores a a noite ... - É verdade - disse o Ron , percebendo a ideia . - Porque não nos deixa aqui , professor , só falta mais um corredor . - Sabes , Weasley , sou mesmo capaz de fazer isso - disse Lockhart . - Preciso de preparar a minha próxima aula . E apressou se a seguir o seu caminho . - Preparar a aula - zombou o Ron . - Vai encaracolar o cabelo , é o mais certo . Deixaram os restantes Gryffindor passar lhes a a frente e por fim cortaram caminho em um corredor lateral e dirigiram se a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mas quando estavam a congratular se por o seu esquema brilhante ... - Potter , Weasley ! Que estão vocês a fazer aqui ? Era a professora Mc_Gonagall e a boca de ela estava mais fina do_que nunca . - Nós estávamos , estávamos - gaguejou o Ron . - Nós íamos ver , íamos ver ... - Hermione - completou Harry . A professora Mc_Gonagall e Ron olharam para ele . - Não a vemos há séculos , professora - prosseguiu Harry , pisando o pé a o Ron . - E pensamos ir espreitá a a a ala hospitalar e dizer lhe que as mandrágoras estão quase prontas , para ela não se preocupar . A professora Mc_Gonagall estava ainda a olhar para ele e , por um momento , Harry pensou que ela ia explodir mas , quando falou , fê lo em um tom de voz estranhamente rouco . - É claro - disse . E Harry , espantado , viu uma lágrima a brilhar lhe em o canto de um de os olhos . - É claro . Eu compreendo que tudo_isto tem sido muito duro para os amigos de aqueles que foram ... eu compreendo , sim , Potter . Podem ir visitar Miss_Granger . Eu mesma informarei o professor Binns de que vocês estão em o hospital . Digam a Madam_Pomfrey que vos dei autorização . Harry e Ron afastaram se , quase sem acreditar que tinham escapado a um castigo . Quando voltaram em uma esquina ouviram nitidamente a professora Mc_Gonagall a assoar se . - Esta - disse o Ron entusiasmado - foi a melhor história que tu alguma vez inventaste . Não tinham outro remédio senão ir a a ala hospitalar e dizer a Madam_Pomfrey que tinham autorização de a professora Mc_Gonagall para visitar Hermione . Madam_Pomfrey deixou os entrar com alguma relutância . - Não vale a pena falar com uma pessoa petrificada - disse , e ambos tiveram que admitir que ela tinha razão quando se sentaram junto de Hermione e constataram que ela não tinha a menor noção de estar acompanhada . Dizer lhe que não se preocupasse ou falar com o armário que estava a o lado de a cama era exactamente a mesma coisa . - Será que ela viu quem a atacou ? - perguntou o Ron , olhando com tristeza para o rosto rígido de Hermione . - Porque se a coisa saltou sobre eles , ficaremos todos sem saber de nada . Mas Harry não olhava para o rosto de Hermione . Estava mais interessado em a sua mão direita que se encontrava pousada sobre os cobertores e , inclinando se para ela , viu que tinha , fechado entre os dedos , um pedaço de papel . Assegurando se de que Madam_Pomfrey não dava por nada , fez sinal a o Ron . - Tenta tirá o - murmurou ele , colocando a cadeira de_modo_a que Madam_Pomfrey não pudesse ver o Harry . Não foi tarefa fácil . A mão de a Hermione estava fechada com uma força tal que Harry receou parti a . Enquanto Ron vigiava , ele forçou e torceu até que , por fim , depois de vários minutos bastante tensos , conseguiu tirar o papel . Era uma página retirada de um livro muito antigo de a biblioteca . Harry alisou a ansiosamente e Ron inclinou se para poder lês a também . * _ De todos os monstros assustadores que pairam a a face de a Terra , nenhum é tão curioso nem tão fatal como o Basilisk , também conhecido por o rei de as serpentes . Esta cobra que pode atingir proporções gigantescas e viver durante muitas centenas de anos nasce de um ovo de galinha que é chocado por um sapo . As suas formas de matar são pavorosas pois além de os dentes venenosos e mortais , o Basilisk tem um olhar criminoso e todos aqueles que ele fixa com os olhos tem morte instantânea . As aranhas fogem a sete pés de o Basilisk que é seu inimigo mortal , e o Basilisk foge apenas de o canto de o galo que para ele é fatal * . Por debaixo de isto uma única palavra fora escrita , em a letra que Harry reconheceu como sendo de Hermione : Canos . Foi como_se se tivesse acendido uma luz em o seu espírito . - Ron - murmurou - é isso . Está aqui a resposta . O monstro de a Câmara_dos_Segredos é um Basilisk , uma serpente gigante . Por isso , só eu tenho ouvido a sua voz em todos os lugares , porque eu compreendo * serpentês * ... Harry olhou para as camas em volta . - O Basilisk mata as pessoas fixando as com o olhar mas ninguém morreu , o que quer_dizer que ninguém o olhou directamente em os olhos . Colin viu o através de a lente de a máquina fotográfica e o Basilisk queimou o rolo que estava lá dentro mas o Colin ficou apenas petrificado . O Justin ... o Justin deve ter visto o Basilisk através de o Nick quase sem cabeça . O Nick é_que levou com o olhar mas não podia morrer outra_vez ... e perto de a Hermione e de a prefeita de os Ravenclaw foi encontrado um espelho . Hermione acabara de compreender que o monstro era um Basilisk . Aposto que preveniu a primeira pessoa que encontrou de que era melhor olhar por um espelho a o virar de cada esquina . E aquela rapariga puxou de o seu espelho e ... O Ron estava de queixo caído . - E Mrs._Norris ? - perguntou vivamente . Harry pensou um_pouco , tentando imaginar a cena em a noite de o Halloween . - A água . . . - disse lentamente . - A poça de água que saiu de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Aposto que Mrs._Norris só viu o reflexo de o monstro . Examinou a folha de papel que tinha em a mão . Quanto_mais olhava mais sentido faziam as coisas . - * _ O cantar de o galo é fatal para ele * - leu em voz alta . - Os galos de o Hagrid foram mortos . O herdeiro de Slytherin não queria um único galo perto de o castelo , com a câmara aberta . * _ As aranhas são as primeiras a fugir * . Tudo encaixa . - Mas , como tem o Basilisk andado por aí ? - disse o Ron . - Uma serpente horrível e enorme ... alguém a teria visto . Mas Harry apontou para a palavra que Hermione escrevinhara em o final de a página . - Canos - disse . - Canos ... Ron , ele tem usado a canalização . Eu ouvi sempre a voz dentro de as paredes ... Ron agarrou subitamente o braço de o Harry . - A entrada para a Câmara_dos_Segredos - disse em uma voz rouca . - E se for em uma casa_de_banho ? Se for em a ... - Em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa - completou Harry . Sentaram se , tomados de uma excitação enorme , mal querendo acreditar . - Isso significa que - disse o Harry - eu não posso ser o único em a escola a falar * serpentês * . Há também o herdeiro de Slytherin . É de esse modo que tem controlado o Basilisk . - O que vamos fazer ? - perguntou Ron com os olhos a faiscar . - Vamos falar com a Mc_Gonagall ? - Vamos até a a sala de os professores - disse Harry , dando um salto . - Ela estará lá dentro_de dez minutos , está quase em o intervalo . Desceram a escada a correr . Não querendo ser descobertos outra_vez a vaguear por os corredores foram directamente até a a sala de os professores que estava deserta . Era uma divisão ampla , toda forrada , com cadeiras de madeira escura . Harry e Ron passearam de um lado para o outro , demasiado nervosos para se sentarem . Mas a campainha anunciando o intervalo nunca mais tocava . Em vez de isso , ecoando em os corredores , ouviram a voz de a professora Mc_Gonagall incrivelmente ampliada . - * _ Todos os alunos devem regressar de imediato a os seus dormitórios . Todos os professores a a sala de professores . Imediatamente , por favor * . Harry deu meia volta e olhou para o Ron . - Não me digas que houve um novo ataque , não agora ! - Que vamos fazer ? - disse o Ron aterrado . - Voltar para o dormitório ? - Não - disse Harry , olhando e m volta . Havia uma espécie de armário a a sua esquerda cheio com os mantos de os professores . - Ali . Vamos ouvir o que se passa . A seguir poderemos contar lhes o que descobrimos . Esconderam se dentro de o armário , ouvindo a algazarra de centenas de pessoas e a porta de a sala de professores a abrir se . De o meio de a confusão de mantos bafientos , viram os professores encherem a sala . Alguns tinham um ar totalmente confuso , outros pareciam apavorados . Por fim , chegou a professora Mc_Gonagall . - Aconteceu - disse em o silêncio de a sala de professores . - O monstro levou uma aluna . Levou a mesmo para a câmara . O professor Flitwick soltou um grito agudo . A professora Sprout bateu com a mão em a boca . Snape agarrou com força as costas de uma cadeira e perguntou : - Como pode ter tanta certeza ? - O herdeiro de Slytherin - disse a professora Mc_Gonagall , muito pálida . - Deixou outra mensagem . Mesmo por baixo de a primeira : « * _ O esqueleto de ela ficará para sempre em a Câmara_dos_Segredos * . » O professor Flitwick desatou a chorar . - Quem é ela ? - quis saber Madam_Hooch que se afundara em uma cadeira . - Quem é a aluna ? - Ginny_Weasley - disse a professora Mc_Gonagall . Harry viu o Ron , a o seu lado , escorregar silenciosamente até a o chão de o armário . - Vamos ter que mandar todos os alunos embora amanhã - disse a professora Mc_Gonagall . Isto_é o fim de Hogwarts , Dumbledore sempre disse ... A porta de a sala de os professores voltou a abrir se . Por um breve momento , Harry pensou que fosse Dumbledore mas era Lockhart e vinha todo sorridente . - Peço desculpa , adormeci . Perdi alguma coisa ? Não pareceu reparar que os outros professores o olhavam com uma espécie de aversão . Snape deu um passo em frente . - O homem que faltava - disse . - O homem certo . O monstro raptou uma garota , Lockhart levou a para a Câmara_dos_Segredos . O seu momento chegou . - Isso mesmo , Lockhart - acrescentou a professora Sprout . - Não estavas a dizer ontem a a noite que sempre tinhas sabido onde era a entrada para a Câmara_dos_Segredos ? - Eu ... bem ... eu-disse atabalhoadamente Lockhart . - Sim , não me disseste que sabias exactamente o que estava lá dentro ? - disse com voz esganiçada o professor Flitwick . - Eu disse ? Não me lembro ... - Lembro me perfeitamente de o ouvir dizer que lamentava não ter feito uma tentativa com o monstro antes de o Hagrid ser preso - disse Snape . - Não disse que toda_a história tinha sido uma atrapalhação e que deveriam ter lhe dado carta branca desde o princípio ? Lockhart olhou em volta para a cara de espanto de os colegas . - Eu ... nunca ... eu de facto ... deve ter me compreendido mal . - Então vamos deixar te , Gilderoy - disse a professora Mc_Gonagall . - Esta noite será uma excelente oportunidade para actuares . Nós trataremos de assegurar que ninguém te atrapalha . Vais poder enfrentar o monstro sozinho . Finalmente tens carta branca . Lockhart olhou desesperado a a sua volta mas ninguém foi salvá o . Já não estava bem-parecido . O lábio tremia lhe e a ausência de o seu habitual sorriso de dentes brancos dava lhe um ar escanzelado . - M-muito bem - disse . - Vou até a o meu escritório para ... para me preparar . E saiu de a sala . - _ óptimo - exclamou a professora Mc_Gonagall com as narinas dilatadas . - Isto deve afastá o de o nosso caminho . Os chefes de casa devem ir agora comunicar a os respectivos alunos o que se passou e informá os de que o Expresso_de_Hogwarts os levará a casa amanhã de manhã . Os restantes certifiquem se , por favor , de que não há alunos fora de os dormitórios . Os professores levantaram se e saíram um a um . Foi talvez o dia pior de a vida de o Harry . Ele , Ron , Fred e George sentaram se juntos a um canto em a sala comum de os Gryffindor , incapazes de proferir uma palavra . Percy não estava lá . Tinha ido tratar de enviar uma coruja a Mr. e Mrs._Weasley e , em seguida , fechara se em o dormitório . Nunca uma tarde custara tanto a passar e nunca a torre de os Gryfffindor estivera tão cheia de gente e tão silenciosa . Fred e George foram para a cama quase a o pôr de o Sol , incapazes de ficar ali mais tempo . - Ela sabia qualquer coisa , Harry - disse o Ron , falando pela_primeira_vez desde_que tinham saído de o armário de a sala de os professores . - Por isso a levaram . Não era nenhuma parvoíce sobre o Percy , ela tinha descoberto qualquer coisa sobre a Câmara_dos_Segredos . Com certeza por isso é_que a ... - Ron esfregou os olhos , enervadíssimo . - Afinal ela era sangue puro , não pode haver outra explicação . Harry olhava para o sol que mergulhava de um vermelho cor de sangue em a linha de o horizonte . Era a pior coisa que lhe tinha acontecido . Se pelo_menos pudessem fazer alguma coisa . - Harry - disse o Ron . - Achas que há alguma possibilidade de ela não estar ... ? Sabes o que eu quero dizer . Harry não sabia que resposta dar . Não acreditava que a Ginny pudesse ainda estar viva . - Sabes uma coisa ? - disse o Ron . - Acho que devíamos ir ter com o Lockhart , contar lhe o que sabemos . Ele vai tentar entrar em a câmara , podemos dizer lhe onde achamos que fica a entrada e contar lhe que o monstro é um Basilisk . Como Harry não tinha nenhuma ideia melhor e como queria fazer alguma coisa , concordou . Os Gryffindor que os rodeavam estavam tão tristes e com tanta pena de os Weasley que ninguém tentou impedi os quando os viram levantar se , atravessar a sala e sair por o buraco de o retrato . A escuridão começava a instalar se quando chegaram a o escritório de Lockhart onde a actividade era muita . De o corredor ouvia se o ruído de coisas a serem deitadas fora , pancadas surdas e passos apressados . Harry bateu a a porta e houve um silêncio repentino . Em seguida abriu se uma fresta de a porta e viram um de os olhos de Lockhart a espreitar . - Oh ! ... Mr._Potter ... Mr._Weasley - disse entreabrindo a porta . - Estou um_pouco ocupado em este momento , se forem rápidos ... - Professor , nós temos informações para lhe dar - disse o Harry . - Acho que poderão ajudá o . - Er ... bem ... não é - o lado de a cara de Lockhart que conseguiam ver parecia muito pouco a a vontade . - Quer_dizer ... bem ... está bem . Abriu a porta e eles entraram . O escritório estava praticamente vazio . Em o chão estavam duas grandes malas abertas . Mantos verde-jade , lilás , azul-noite tinham sido apressadamente dobrados e guardados dentro_de uma de as malas . Os livros misturavam se todos dentro de a outra . As fotografias que antes cobriam as paredes estavam agora arrumadas em caixas , em cima de a secretária . - Vai a algum lado ? - perguntou Harry . - Er ... bem ... sim - disse Lockhart , arrancando de a porta um poster seu em tamanho natural , enquanto falava , e começando a enrolá o . - Uma chamada urgente ... inevitável ... tenho que ir . - E a minha irmã ? - perguntou o Ron bruscamente . - Bem , quanto_a isso foi uma pena - disse Lockhart , evitando olhá os em os olhos , abrindo uma gaveta e começando a despejar o seu conteúdo dentro_de um saco . - Ninguém lamenta mais do_que eu ... - O senhor é o professor de Defesa contra as artes negras - disse Harry . - Não pode ir se embora agora_que todas estas coisas de magia negra estão a acontecer aqui . - Bem , devo dizer te que ... quando aceitei o lugar ... - resmungou Lockhart , empilhando soquetes sobre os mantos - nada em a descrição de o meu trabalho fazia prever ... - Quer_dizer que vai fugir ? - perguntou Harry , incrédulo . - Depois de todas_as coisas que conta em os seus livros ? - Os livros podem ser enganadores - disse Lockhart delicadamente . - Mas foi o senhor que os escreveu - gritou Harry . - Meu rapaz - disse Lockhart , endireitando se e franzindo as sobrancelhas - usa o senso comum . Os meus livros não teriam vendido metade do_que venderam se as pessoas não acreditassem que eu tinha feito todas aquelas coisas . Ninguém está interessado em ler sobre um velho feiticeiro americano mesmo_que ele tenha salvo uma cidade inteira de os lobisomens , ficaria péssimo em a capa . E a bruxa que correu com a fada carpideira tinha um lábio leporino . Como vês . - Quer_dizer que ficou com os louros por tudo_o_que uma série de outras pessoas fizeram ? - perguntou Harry , sem querer acreditar . - Harry , Harry - disse Lockhart , abanando impacientemente a cabeça . - Não é tão simples assim . Envolveu muito trabalho . Tive de localizar todas essas pessoas , perguntar lhes em pormenor como tinham feito as coisas . Depois tive de lhes fazer um feitiço antimemória para que não voltassem a lembrar se do_que tinham feito . Se há uma coisa de que me orgulho é de os meus feitiços antimemória . Não , tive muito trabalho , Harry . Não foram só as sessões de autógrafos e as fotografias , sabes ? Quem quer ser famoso tem de estar preparado para um trabalho longo e fatigante . Fechou as malas a a chave . - Vejamos - disse . - Acho que está tudo . Sim , só falta uma coisa . - Empunhou a varinha e voltou se para eles . - Lamento muito , rapazes , mas vou ter de vos fazer um feitiço antimemória . Não posso deixar que vão por aí repetir os meus segredos . Não venderia nem mais um livro . Harry pegou em a varinha mesmo a tempo e Lockhart mal tinha levantado a de ele a o ar quando Harry gritou * _ Expelliarmus ! * Lockhart foi projectado de costas , indo cair em cima de a mala . A varinha voou por os ares . Ron agarrou a e atirou a por a janela aberta . - Não devia ter deixado o professor Snape ensinar nos esta - disse Harry furioso , dando um pontapé a uma de as malas . Lockhart olhava para ele , de_novo escanzelado . Harry apontava lhe a varinha . - O que queres que eu faça ? - perguntou debilmente . - Eu não sei onde fica a Câmara_dos_Segredos . Não posso fazer nada . - Está com sorte - disse Harry , forçando o com a varinha a pôr se de pé . - Nós julgamos saber onde é e o que está lá dentro . Vamos . Conduziram Lockhart para fora de o seu escritório , desceram com ele as escadas e seguiram por o corredor escuro em cuja parede brilhavam as mensagens , até a a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mandaram Lockhart a a frente . Harry gostou de ver que todo ele tremia . A Murta_Queixosa estava sentada em a cisterna de o cubículo de o fundo . - Ah ! são vocês - disse a o ver o Harry . - O que querem agora ? - Perguntar te como morreste - disse Harry . O aspecto de a Murta mudou por completo . Parecia que nunca lhe tinham feito uma pergunta tão lisonjeira . - Ooooh ! Foi horrível - disse satisfeita . - Aconteceu aqui mesmo . Morri em este cubículo . Lembro me tão bem . Estava escondida porque a Olive_Hornby andava a implicar comigo por causa de os meus óculos . A porta estava fechada e eu estava a chorar e , então , ouvi alguém entrar . Disseram qualquer coisa estranha em uma língua diferente , acho eu . Mas o que mais me espantou foi o ser um rapaz a falar . Por isso , abri a porta para lhe dizer que fosse a a casa_de_banho de eles e em esse momento - a Murta inchou com ar importante , o rosto a brilhar - morri . - Como ? - perguntou Harry . - Não faço ideia - disse a Murta em um tom de voz abafado . - Só me lembro de ver dois grandes olhos amarelos , de o meu corpo ficar preso e em seguida , sentir me a flutuar ... - olhou sonhadoramente para Harry . - E depois voltei . Estava disposta a vingar me de a Olive_Hornby , percebes ? Ela ia arrepender se de ter gozado com os meus óculos . - Onde foi exactamente que viste os tais olhos ? - perguntou Harry . - Algures por aí - disse a Murta , apontando vagamente para o lavatório em frente de o seu cubículo . Harry e Ron apressaram se . Lockhart estava de pé , mais atrás , com uma expressão de pavor em o rosto . O lavatório parecia perfeitamente vulgar . Examinaram o centímetro a centímetro , dentro e fora , incluindo os canos por baixo . E foi então que Harry reparou : de lado , rabiscada em uma de as torneiras de cobre , estava uma cobra pequenina . - Essa torneira nunca funcionou - disse vivamente a Murta enquanto ele tentava abri a . - Harry - sugeriu o Ron . - Diz qualquer coisa em * serpentês * . Mas , pensou Harry , as únicas vezes que conseguira falar * serpentês * tinham ocorrido quando confrontado com uma verdadeira serpente . Olhou , concentrado para a pequena cobra gravada em o cobre , tentando imaginá a como verdadeira . - Abre te - disse . Olhou para o Ron que abanou a cabeça . - Inglês - disse ele . Harry voltou a olhar para a cobra , forçando se a acreditar que estava viva . A luz de a vela fez parecer que se movia . - Abre te - repetiu . Mas desta_vez as palavras não foram o que ele ouviu . Um estranho sibilar escapou lhe de a boca e a torneira ganhou uma luz branca e brilhante e começou a rodar . Logo_a_seguir o lavatório mexeu se . Afastou se , melhor dizendo , saiu de o caminho , deixando um grande cano a a vista , um cano onde cabia um homem . Harry ouviu a respiração arquejante de o Ron e olhou de_novo para ele . Já decidira o que queria fazer . - Vou descer - disse . Não podia deixar de ir , agora_que acabavam de descobrir a entrada para a câmara , existindo uma possibilidade , por mais remota que fosse , de a Ginny ainda estar viva . - Eu também - disse o Ron . Houve uma pausa . - Bem , parece que não precisam mais de mim - apressou se Lockhart a dizer com uma réstia de sorriso . - Eu vou . . . Pôs a mão em o puxador de a porta mas Ron e Harry apontaram lhe ambos as varinhas . -- O senhor pode ir a a frente - disse rispidamente o Ron . Pálido e sem varinha , Lockhart aproximou se de a entrada . - Meus rapazes - disse em uma voz débil . - Meus rapazes , para quê tudo_isto ? Harry tocou lhe em as costas com a varinha e ele meteu as pernas em o cano . - Eu não me parece que ... - começou a dizer , mas o Ron deu lhe um empurrão e ele desapareceu por o cano abaixo . Harry foi rapidamente atrás . Introduziu se lentamente e deixou se cair . Era como escorregar em uma pista escura e interminável . Ele via outros canos , estendendo se em todas_as direcções mas nenhum tão largo como o de eles que se torcia e virava , inclinando se abruptamente . Harry sabia que estavam a chegar a um ponto muito abaixo de a escola e de os calabouços . Atrás_de si , ouvia o Ron gemendo em cada curva . E então , quando começava a preocupar se com o que iria acontecer quando tocassem em o chão , o cano tornou se horizontal e ele foi projectado com um ruído surdo , indo aterrar em o chão húmido de um túnel de pedra com altura suficiente para ele se pôr de pé . Lockhart estava a levantar se a alguma distancia , todo enlameado e pálido como um fantasma . Harry afastou se para deixar o Ron sair também de o cano . - Devemos estar quilómetros e quilómetros abaixo de a escola - disse o Harry cuja voz ecoou em o túnel negro . - Talvez até debaixo de o lago - arriscou o Ron , olhando em volta para as paredes escuras e viscosas . Voltaram se os três para olhar para a escuridão lá a o fundo . - * _ Lumus ! * - murmurou Harry a a varinha e ela voltou a acender se . - Vamos - disse a o Ron e a o Lockhart e avançaram , os passos a chapinharem ruidosamente em o chão molhado . O túnel era tão escuro que só conseguiam ver alguns centímetros a a frente . As suas sombras em as paredes molhadas pareciam monstruosas a a luz de a varinha . - Lembrem se - disse Harry baixinho enquanto caminhavam . - A o menor movimento fechem logo os olhos ... Mas o túnel era silencioso como um túmulo e o primeiro som inesperado que ouviram foi um grito de o Ron que escorregou em uma coisa que era afinal a cauda de um rato . Harry baixou a varinha para olhar para o chão e viu que estava cheio de pequenos ossos de animais . Fazendo um enorme esforço para evitar pensar em que estado iriam encontrar a Ginny , avançou até uma curva escura de o túnel . - Harry , está aqui qualquer coisa - disse o Ron com voz rouca , agarrando Harry por o ombro . Ficaram estáticos a olhar . Harry só conseguia ver a silhueta de algo enorme e curvo deitado em o túnel . Fosse o que fosse não se movia . - Talvez esteja a dormir - murmurou , olhando para os outros dois . Lockhart tapava os olhos com as mãos . Harry voltou se para olhar para a criatura com o coração a bater tanto que lhe doía em o peito . Lentamente , com os olhos quase fechados mas ainda conseguindo ver , Harry avançou com a varinha levantada . A luz deslizou sobre uma gigantesca pele de serpente , de um verde vivo e venenoso que estava vazia e enrolada em o chão de o túnel . A criatura que a abandonara devia ter , pelo_menos , seis metros e meio de comprimento . - Bolas - disse o Ron , perdendo as forças . Houve um movimento súbito atrás de eles . As pernas de Gilderoy_Lockhart cederam . - Levante se - disse o Ron de uma forma cortante , apontando lhe a varinha . Lockhart pôs se de pé . Em seguida empurrou o Ron , atirando o a o chão . Harry deu um salto , mas ... tarde de mais . Lockhart endireitava se com a varinha de o Ron em as mãos e um sorriso em o rosto . - A aventura acaba aqui , rapazes - disse . - Vou levar um bocado de esta pele de cobra para a escola , contar lhes que foi demasiado tarde para salvar a garota e que vocês os dois perderam tragicamente a memória com a visão de o seu corpinho mutilado . Digam adeus a as vossas recordações . Levantou a o ar a varinha avariada de o Ron e gritou * _ Obliviate ! * A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba . Harry pôs os braços sobre a cabeça e correu , escorregou em os anéis de a pele de cobra , afastando se de os grandes pedaços de tecto de o túnel que caíam em o chão com o ruído de trovões . Pouco depois estava sozinho , olhando para uma sólida parede de rocha partida . - Ron - gritou ele . - Estás bem , Ron ? - Estou aqui - respondeu a voz abafada de o Ron por detrás de a avalancha de rochas . - Eu estou bem mas este sujeito não . A varinha avariou o todo . Ouviu se um ruído surdo e um Oh ! gritado . Parecia que o Ron tinha acabado de dar a o Lockhart um pontapé em as canelas . - E agora ? - disse a voz de o Ron que parecia desesperada . - Não podemos passar , vai demorar séculos . Harry olhou para o tecto de o túnel onde tinham aparecido grandes fendas . Ele nunca tentara partir , através de a magia , nada tão grande como aquelas rochas e agora não lhe parecia ser o melhor momento para fazer experiências . E se o túnel abatesse ? Houve um ruído surdo e outro Oh ! atrás de as rochas . Estavam a perder tempo . A Ginny já estava havia duas horas em a Câmara_dos_Segredos . Harry sabia que só havia uma coisa a fazer . - Espera aqui - gritou a o Ron . - Fica com o Lockhart , eu vou lá . Se não voltar dentro_de uma hora ... Houve um silêncio cheio . - Eu vou ver se desloco um_pouco esta rocha - disse o Ron , tentando manter a voz firme . - Para tu poderes passar . E , Harry ... - Até já - disse o Harry , procurando injectar confiança em a sua voz trémula . E passou sozinho para lá de a imensa pele de serpente . Em_breve , o ruído de o Ron , tentando deslocar a rocha , deixou de se ouvir . O túnel virou uma e outra_vez . Os nervos de o corpo de o Harry tangiam de forma desagradável . Ele só queria que o túnel chegasse a o fim , fosse o que fosse que o aguardasse . E então , finalmente , quando atingiu a última curva , viu em a sua frente uma parede sólida que tinha gravadas duas serpentes enroladas uma em a outra , cujos olhos eram quatro esmeraldas , enormes e brilhantes . Harry aproximou se com a garganta seca . Não foi preciso imaginar que as serpentes eram autênticas . Os seus olhos pareciam estranhamente vivos . Foi fácil descobrir o que tinha de fazer . Pigarreou e os olhos de esmeraldas pareceram mexer se . - Abre te - disse Harry em um sibilar baixo . As serpentes desapareceram enquanto a parede se abria a o meio e , a tremer de os pés a a cabeça , Harry entrou . XVII_Herdeiro_de_Slytherin_Estava de pé em o fundo de uma divisão enorme , fracamente iluminada . Altíssimos pilares de pedra , cheios de serpentes gravadas que os enlaçavam , erguiam se , suportando um tecto que se perdia em a escuridão e que lançava sombras negras imensas através de a estranha luz esverdeada que enchia o local . Com o coração a bater descompassadamente , Harry ficou parado a ouvir aquele silêncio arrepiante . Estaria o Basilisk escondido em um canto cheio de sombras , atrás_de algum pilar ? E onde estaria Ginny ? Pegou em a varinha e avançou a o longo de as colunas serpenteantes . Cada_um de os seus passos provocava um enorme eco em as paredes sombrias . Harry tinha os olhos semicerrados e estava pronto para os fechar a o mais pequeno movimento . As órbitas de olhos fundos de as serpentes de pedra pareciam segui o . Por mais de uma_vez , com o estômago a dar um salto , Harry julgou vê os moverem se . Por fim , chegado a o nível de os dois últimos pilares , avistou uma estátua de a altura de a própria câmara que estava encostada a a parede de o fundo . Harry tinha de esticar o pescoço para olhar para_cima , para a cara de o gigante : era velho e com um ar simiesco , tinha uma barba enorme que lhe caía quase onde acabava a longa túnica de pedra . Os dois pés imensos e cinzentos pousavam em o chão de a câmara . E entre eles , voltada para baixo , estava uma figura pequenina vestida de preto com um cabelo flamejante . - Ginny - murmurou Harry , chegando perto de ela e ajoelhando se . - Ginny , por favor não estejas morta , não estejas morta ! Atirou a varinha para o lado , agarrou Ginny por os ombros e voltou a . O rosto de ela estava branco e frio como o mármore , contudo os olhos encontravam se fechados , portanto não estava petrificada . Mas então devia estar ... - Ginny , acorda por favor - repetiu Harry desesperado , sacudindo a . A cabeça de ela andava de um lado para o outro . - Ela não vai acordar - disse secamente uma voz . Harry deu um salto e girou sobre os joelhos . Um rapaz alto , de cabelo preto , estava encostado a o pilar mais próximo , a observá o . As sombras desfocavam o como_se Harry o visse através_de uma janela embaciada . Mas não havia como confundis o . - Tom , Tom_Riddle ? Riddle acenou , sem tirar os olhos de o rosto de Harry . - O que queres dizer com isso de ela não acordar ? - perguntou Harry desesperado . - Ela não está ... não está ? - Está viva - disse Riddle . - Mas , por um fio . Harry olhou fixamente para ele . Tom_Riddle estivera em Hogwarts há cinquenta anos atrás . Contudo , ali estava com uma luz estranha e desfocada a iluminá o , sem um dia a mais do_que os seus dezasseis anos . - És um fantasma ? - perguntou Harry . - Uma memória - disse Riddle . - Preservada em um diário durante cinquenta anos . Apontou para os pés de a estátua gigantesca . Ali , aberto em o chão , estava o pequeno diário de capa preta que Harry tinha encontrado em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Durante um segundo , Harry perguntou a si próprio como teria ido ali parar , mas havia coisas mais importantes a fazer . Preciso de a tua ajuda , Tom - disse Harry , levantando de_novo a cabeça de a Ginny . - Temos de sair de aqui . Há_um_Basilisk ... não sei onde está mas pode aparecer a qualquer momento . Por favor , ajuda me . Riddle não se mexeu . Harry , a transpirar , conseguiu levantar ligeiramente a Ginny de o solo e inclinou se para pegar em a varinha mas ela tinha desaparecido . - Viste a ... ? Olhou para_cima . Riddle continuava a olhá o , fazendo girar a varinha entre os dedos longos . - Obrigado - disse Harry , esticando o braço para a agarrar . Um sorriso surgiu então em os cantos de a boca de Riddle que continuou a olhar para ele , girando indolentemente a varinha . - Ouve , pá - disse Harry sem querer perder mais tempo , os joelhos a vergarem sob o peso morto de Ginny - temos de ir . Se o Basilisk aparece ... - Ele não vem enquanto não for chamado - disse Riddle com toda_a calma . Harry voltou a pousar Ginny em o chão , incapaz de a segurar por mais tempo . - Que queres dizer com isso ? - perguntou . - Dá me a minha varinha , posso precisar de ela . O sorriso de Riddle ampliou se . - Não vais precisar de ela - disse . Harry olhou o espantado . - O que queres dizer , não vou ? - Esperei muito_tempo por isto , Harry - disse Riddle . - Pela possibilidade de te ver , de falar contigo . - Olha , eu acho que tu não estás a perceber - disse Harry , perdendo a paciência . - Estamos em a Câmara_dos_Segredos , podemos conversar mais tarde . - Vamos conversar agora - disse Riddle , sorrindo de orelha a orelha e guardando a varinha de Harry em o bolso . Harry voltou a olhar para ele . Havia qualquer coisa de muito estranho em tudo aquilo . - Como é_que a Ginny ficou assim ? - perguntou pausadamente . - Bem , essa é uma pergunta interessante - disse Riddle , divertido . - E uma longa história , também . Julgo que o verdadeiro motivo que levou Ginny_Weasley a ficar assim foi o ter aberto o seu coração e revelado todos os seus segredos a um estranho ser invisível . - De quem estás a falar ? - perguntou Harry . - De o diário - disse Riddle . - De o meu diário . A Ginny escreve nele há meses e meses , contando me todas_as suas lamentáveis desgraças e atribulações : como os irmãos a arreliam , que teve de vir para a escola com manto , túnica e livros em segunda mão - os olhos de Riddle brilharam -- , que acha que o maravilhoso , o grande , o famoso Harry_Potter nunca vai gostar de ela ... Enquanto falava , nunca os olhos de Riddle se afastaram de a cara de o Harry . Havia em eles um olhar ávido . - É muito chato ter de ouvir as preocupações idiotas de uma garotinha de onze anos - prosseguiu . - Mas eu fui paciente . Respondi lhe , mostrei me simpático e amável . A Ginny pura e simplesmente adorou me . - * _ Nunca ninguém me compreendeu como tu , Tom ... estou tão feliz por ter este diário a quem me confiar ... é como ter um amigo que pode andar em o meu bolso * ... Riddle riu se . Um riso alto , frio , que não lhe ficava bem . Fez com que os cabelos de o pescoço de Harry se arrepiassem todos . - Verdade se diga que sempre consegui encantar as pessoas necessárias . Portanto a Ginny verteu em mim a sua alma e a alma de ela era precisamente o que eu queria . Fortaleceu me . Alimentei me de os seus medos mais profundos , de os seus mais obscuros segredos . Fui ficando cada_vez_mais forte e poderoso . Muito mais poderoso do_que a pequena Miss_Weasley até que comecei a transmitir lhe alguns de os meus segredos , a passar um_pouco de a minha alma para ela ... - O que queres dizer ? - perguntou Harry cuja boca ficara totalmente seca . - Ainda não descobriste , Harry_Potter ? - disse Riddle muito baixo . - Giony_Weasley abriu a Câmara_dos_Segredos , estrangulou os galos de a escola e escreveu mensagens assustadoras em as paredes . Atiçou a serpente de Slytherin contra quatro sangues de lama e contra o gato de o busca-pé . - Não - murmurou Harry . - Sim - disse calmamente Riddle . - É claro que a princípio não sabia o que estava a fazer . Era muito divertido . Gostava que visses as coisas que escreveu em o diário , começaram a ficar muito mais interessantes . * _ Querido_Tom * - recitou ele , olhando para a expressão horrorizada de o Harry . - * _ Acho que estou a perder a memória . Há penas de galo em todas_as minhas roupas e eu não sei como foram lá parar . Querido_Tom , não me lembro do_que fiz em a noite de o Hallowe'en mas foi atacada uma gata e eu estou cheia de tinta em a cara . Querido_Tom , o Percy não pára de me dizer que ando pálida e não pareço eu . Acho que ele suspeita de mim ... Houve outro ataque hoje e eu não sei onde estava . Tom , que vou eu fazer ? Acho que estou a ficar maluca ... acho que ando a atacar toda_a_gente , Tom ! * Harry tinha os punhos fechados , as unhas cravadas contra a palma de as mãos . - Levou muito_tempo até a pequenina estúpida deixar de confiar em o diário - disse Riddle . - Mas acabou por ficar desconfiada e tentou livrar se de ele . E é aí que tu entras , Harry . Tu encontraste o . E eu não poderia ter ficado mais satisfeito . De todas_as pessoas que poderiam ter ficado com ele , foste tu , aquele que eu ambicionava conhecer ... - E porque querias conhecer me ? - perguntou Harry . Começava a ser tomado por a raiva e fez um esforço para manter o tom de voz controlado . - Bem , a Ginny contou me tudo a teu respeito - disse Riddle . - A tua fascinante história . - Os seus olhos pousaram em a cicatriz em a testa de Harry e a sua expressão ganhou maior avidez . - Sabia que devia descobrir mais a teu respeito , falar te , encontrar me contigo se fosse possível . Por isso , para ganhar a tua confiança , resolvi mostrar te a famosa captura que fiz de aquele demente de o Hagrid . - O Hagrid é meu amigo - disse Harry já com a voz a tremer . - E tu tramaste o , não foi ? Pensei que tinha sido um engano , mas ... Ele riu se . O mesmo riso de antes . - Era a minha palavra contra a palavra de ele . Imagina a cara de o velho Armando_Dippet . De um lado Tom_Riddle , pobre mas brilhante , sem pais mas corajoso , prefeito de a escola , um modelo de aluno . De o outro lado , o Hagrid , grande e disparatado , arranjando problemas semana sim , semana não , tentando criar filhotes de lobisomens debaixo de a cama , escapando se para a floresta proibida para lutar com gigantes . Mas , devo admitir que até eu próprio fiquei admirado com os excelentes resultados de o meu plano . Pensei que alguém perceberia que o Hagrid nunca poderia ser o herdeiro de Slytherin . Demorei cinco anos inteirinhos até descobrir tudo_o_que me foi possível sobre a Câmara_dos_Segredos e a sua entrada secreta ... como_se o Hagrid tivesse cabeça ou poder ! - Só o professor de Transfiguração , Dumbledore , parecia achar que ele estava inocente . Convenceu Dippet a mantê o aqui e a treiná o como guarda de os campos . Sim , é natural que Dumbledore tenha adivinhado , nunca gostou de mim como os outros professores . - Aposto que Dumbledore viu através_de ti - disse Harry , de dentes cerrados . - Pelo_menos passou a vigiar me de perto , a partir de o momento em que o Hagrid foi expulso - disse Riddle descuidadamente . - Eu sabia que não era seguro voltar a abrir a câmara enquanto ainda estava em a escola mas não ia desperdiçar os longos anos que passara a pesquisar . Decidi , por isso , deixar um diário preservando em as suas páginas o meu ego de dezasseis anos para que um dia , com um_pouco de sorte , pudesse levar outro a seguir os meus passos e acabar o nobre trabalho de Salazar_Slytherin . - Bem , não o acabaste - disse Harry triunfante . - Ninguém morreu até agora , nem mesmo a gata . Dentro_de poucas horas a poção de mandrágoras estará pronta e todos os que foram petrificados voltarão de_novo a si . - Não acabei de te dizer que matar sangues de lama já não me interessa ? Há muitos meses que o meu alvo és tu . Harry olhou para ele . - Podes imaginar como fiquei furioso quando em outro dia o diário foi aberto e vi que era a Ginny quem estava a escrever e não tu . Ela viu te com o diário e entrou em pânico . E se tu descobrisses como trabalhar com ele e eu te repetisse todos os seus segredos ? Ainda pior , e se eu te contasse quem tinha andado a estrangular os galos ? Por isso , a grande palerma esperou que o teu dormitório estivesse deserto e foi lá roubá o . Mas eu sabia o que tinha de fazer . Estava muito claro para mim que a tua meta era o herdeiro de Slytherin . Por tudo_o_que a Ginny me contara a teu respeito , sabia que irias até onde fosse preciso para desvendar o mistério , principalmente se um de os teus melhores amigos tivesse sido atacado . E a Ginny disse me que a escola toda bichanava por tu falares * serpentês * ... Por isso , obriguei a Ginny a escrever a sua própria despedida em a parede , a vir até aqui e esperar . Ela debateu se e gritou e ficou muito chatinha . Mas , já não tem muita vida : pôs grande parte de ela em o diário , deu me a . O suficiente para eu abandonar , por fim , as suas páginas . Desde_que aqui cheguei que estou a a tua espera . Sabia que virias . Tenho muitas perguntas a fazer te , Harry_Potter . - Que perguntas ? - disse Harry com os punhos fechados . - Bem - prosseguiu Riddle , sorrindo de satisfação : - Como é_que um bebé sem especiais talentos de magia foi capaz de derrotar o maior feiticeiro de sempre ? Como conseguiste escapar só com uma cicatriz quando os poderes de Lord_Voldemort foram destruídos ? Havia agora em os seus olhos um brilho vermelho e irado . - O que é_que te interessa saber como eu escapei ? - disse Harry lentamente . - Voldemort veio depois de ti . - Voldemort - disse Riddle - é o meu passado , o meu presente e o meu futuro , Harry_Potter ... Tirou a varinha de o Harry de o bolso e começou a escrever em o ar três palavras brilhantes : TOM_MARVOLO_RIDDLE_Em seguida , fez um gesto com a varinha e as letras de o seu nome reagruparam se de outro modo . : __ eu sou lord __ voldemort ( I am Lord_Voldemort ) . - Vês ? - murmurou . - Era um nome que eu já usava em Hogwarts , para os meus amigos mais íntimos apenas , como é óbvio . Achas que ia usar para sempre o nome nojento de o meu pai Muggle ? Eu , em cujas veias , por o lado materno , corre o sangue de Salazar_Slytherin ? Eu , manter o nome de um Muggle tolo que me abandonou ainda antes de eu nascer só porque descobriu que a mulher com quem casara era uma bruxa ? Não , Harry , arranjei um novo nome , um nome que eu sabia que os feiticeiros de todo_o_mundo viriam um dia a ter medo de pronunciar , quando eu me tivesse tornado o maior feiticeiro de o mundo . A cabeça de Harry parecia bloqueada . Olhou como_que paralisado para Riddle , para o rapaz de o orfanato que depois de crescer iria matar os seus pais e tantos outros . Por fim , com algum esforço conseguiu falar . - Não és - disse em uma voz calma e cheia de ódio . - Não sou o quê ? - perguntou Riddle irritado . - Não és o maior feiticeiro de o mundo - disse Harry com a respiração acelerada . - Lamento desiludir te mas o maior feiticeiro de o mundo é Albus_Dumbledore . Toda_a_gente sabe . Mesmo tu , quando tinhas força , não ousavas tentar aproximar te de Hogwarts . Dumbledore viu através_de ti quando andavas em a escola e ainda agora te assusta onde quer que te escondas . O sorriso desaparecera de o rosto de Riddle , fora substituído por um olhar furioso . - Dumbledore foi afastado de este castelo por a minha simples memória - sibilou . - Ele não está tão longe como pensas - retorquiu Harry . Falava por falar , tentando assustar Riddle , desejando mais que assim fosse do_que acreditando em as suas palavras como uma verdade . Riddle abriu a boca mas não chegou a falar . Tinha começado a ouvir se uma música . Riddle deu uma volta , olhando para a câmara vazia . A música estava a ficar mais alta . Era misteriosa , arrepiante , sobrenatural . Fez_Harry ficar com os cabelos em pé e o coração aumentar lhe em o peito . Por fim , quando atingiu um ponto tão alto que Harry a sentiu vibrar dentro de as suas costelas , começaram a sair chamas de o topo de o pilar mais próximo . Uma ave carmesim de o tamanho de um cisne surgiu , assobiando a sua estranha melodia para o tecto em forma de abóbada . Tinha uma cauda dourada tão longa como a de um pavão e garras douradas e brilhantes que seguravam uma trouxa andrajosa . Segundos depois , a ave voava em direcção a Harry . Deixou cair a coisa andrajosa a os seus pés e pousou lhe pesadamente em o ombro . Quando abriu as enormes asas , Harry olhou para_cima e viu que tinha um longo bico afiado e olhos escuros pequenos e brilhantes . A ave parou de cantar . Ficou quieta junto de a cara de Harry , olhando fixamente para Riddle . - É uma fénix , disse Riddle , olhando sagazmente para ela . - Fawkes ? - murmurou Harry e sentiu as garras douradas apertarem lhe devagarinho o ombro . - E aquilo - disse Riddle , olhando para a coisa velha que Fawkes deixara em o chão - é o velho chapéu seleccionador , de a escola . Era , de facto . Amachucado , puído e sujo , o chapéu jazia imóvel a os pés de Harry . Riddle começou a rir . Riu se tanto que a câmara escura se lhe juntou em um eco tal que parecia que dez Riddles se riam ao_mesmo_tempo . - Eis o que Dumbledore envia a o seu defensor . Um pássaro que canta e um chapéu velho . Estás cheio de coragem , Harry_Potter ? Sentes te agora mais seguro ? Harry não respondeu . Podia não estar a ver a vantagem de a Fawkes ou de o chapéu seleccionador mas já não se sentia só , e esperou corajosamente que Riddle parasse de rir . - Vamos a o que importa , Harry - disse ele , ainda com um enorme sorriso . - Encontrámo nos duas vezes em o teu passado , em o meu futuro . E duas vezes falhei a o tentar matar te . Como foi que sobreviveste ? Conta me tudo . Quanto_mais falares , mais tempo tens de vida . Harry pensava rapidamente , medindo as suas possibilidades . Riddle tinha a varinha . Ele , Harry , tinha a Fawkes e o chapéu seleccionador que não lhe serviriam de muito em o combate . As coisas pareciam más , é certo . Mas quanto_mais tempo Riddle ali estivesse , mais vida retirava a a Ginny ... e , entretanto , Harry reparou que a silhueta de Riddle se tornava mais nítida , mais sólida . Se tinha de haver uma luta entre os dois , quanto_mais depressa melhor . - Ninguém sabe porque perdeste os poderes quando me atacaste - disse bruscamente . - Eu próprio não sei . Mas sei porque não conseguiste matar me . A minha mãe morreu para me salvar . A minha mãe , uma vulgar filha de Muggles - acrescentou , a tremer de raiva . - Ela impediu que tu me matasses . E eu vi te como tu és , em o ano passado . És um destroço , quase não existes . Foi onde o teu poder te levou . Estás sob um disfarce , és horrível e és louco . O rosto de Riddle contorceu se . Em seguida , forçou um sorriso pavoroso . - Quer_dizer , então , que a tua mãe morreu para te salvar . Sim , é um antifeitiço poderoso . Compreendo agora , afinal não há em ti nada de especial . Eu tinha curiosidade , sabes , porque há uma estranha semelhança entre nós , Harry_Potter . Até tu deves ter reparado . Somos ambos meio sangue , órfãos , educados com Muggles , provavelmente os dois únicos que falam * serpentês * desde o grande Slytherin , até nos parecemos um_pouco fisicamente ... mas afinal foi apenas uma questão de sorte que te salvou de mim . Era o que eu queria saber . Harry ficou parado , tenso , a a espera que Riddle levantasse a varinha mas o seu sorriso cínico ampliou se de_novo . - Agora , Harry , vou dar te uma pequena lição . Vamos confrontar os poderes de Lord_Voldemort , herdeiro de Salazar_Slytherin e de o famoso Harry_Potter , munido com as melhores armas que Dumbledore lhe deu . Lançou um olhar divertido a a Fawkes e a o chapéu seleccionador e , em seguida , afastou se . Harry com as pernas entorpecidas por o medo viu o parar entre dois pilares altos e olhar para a cara de pedra de Slytherin , lá em cima em a semi-obscuridade . Riddle abriu a boca e sibilou mas Harry compreendeu o que ele dizia . - * _ Responde-me , Slytherin , o maior de os quatro de Hogwarts * . Harry voltou se para olhar melhor para a estátua com Fawkes pousada em o ombro . A gigantesca cara de pedra de Slytherin movia se . Horrorizado , Harry viu a boca abrir se mais e mais até se transformar em um buraco negro . E algo se agitava dentro de a boca de a estátua . Algo se arrastava para fora de as suas entranhas . Harry recuou até a a parede escura de a câmara e enquanto fechava os olhos com força sentiu a asa de a Fawkes roçar lhe o rosto e levantar voo . Harry quis gritar : - Não me abandones ! - mas que possibilidades tinha uma fénix contra o rei de as serpentes ? Uma coisa enorme bateu em o chão de pedra que Harry sentiu estremecer . Sabia o que estava a acontecer , podia sentis o , quase podia ver a serpente gigantesca a sair de a boca de Slytherin . Foi então que ouviu a voz de Riddle sibilar : * _ Mata-o * . O Basilisk avançava em direcção a Harry . Ele ouvia o seu corpo enorme escorregar pesadamente por o chão cheio de pó . Com os olhos sempre fechados , Harry começou a correr para o lado , a as cegas , com as mãos abertas a tactear o caminho . Riddle ria se a as gargalhadas . Harry escorregou e caiu em o chão de pedra e a boca soube lhe a sangue . A serpente estava a poucos centímetros de ele . Podia ouvi a a aproximar se . Ouviu se um crepitar explosivo por cima de ele e alguma coisa pesada bateu lhe com tanta força que ele ficou encostado a a parede . Esperando que os dentes de a serpente lhe perfurassem o corpo , ouviu mais ruídos e qualquer coisa que se agitava com força contra os pilares . Não conseguiu evitar . Abriu bem os olhos para ver o que se passava . A enorme serpente , brilhante , de um verde veneno , espessa como o tronco de um carvalho , erguera se em o ar e a sua imensa cabeça agitava se de um lado para o outro , entre os dois pilares . Quando Harry , a tremer , se preparava para fechar de_novo os olhos , percebeu o que distraíra a cobra . Fawkes esvoaçava em volta de a sua cabeça e o Basilisk , furioso , tentava agarrá a com os dentes longos e afiados como sabres . Fawkes mergulhava . Harry deixou de ver o bico fino e dourado e uma brusca chuva de sangue escuro inundou o chão . A cauda de a serpente agitou se , não batendo em o Harry por_pouco e antes que ele pudesse fechar os olhos voltou se . Harry olhou lhe para a cara e viu que os seus olhos , os dois olhos amarelos e bolbosos tinham sido perfurados por a fénix . O sangue escorria por o chão e a serpente cuspia cheia de dores . - * _ Não * - Harry ouviu o grito de Riddle . - * _ Deixa a ave , deixa a ave , o rapaz está atrás_de ti , ainda podes cheirá o . Mata o ! * A serpente cega oscilou confusa , ainda em fúria . Fawkes andava a a volta de a cabeça de ela soprando a sua misteriosa cantilena , picando lhe aqui_e_ali o nariz cheio de escamas , enquanto o sangue jorrava de os seus olhos destruídos . - Ajudem me . Ajudem me - murmurava Harry aflito . - Alguém , ajude me . A cauda de a serpente chicoteou de_novo o chão . Harry baixou se . Algo macio tocou lhe em o rosto . O Basilisk lançara o chapéu seleccionador para os braços de o Harry que o agarrou . Era tudo_o_que tinha , a sua única esperança . Enfiou o em a cabeça e começou a ficar achatado contra o chão , enquanto a cauda de o Basilisk se lançava de_novo sobre ele . - Ajudem me , ajudem me - pensou Harry , os olhos comprimidos debaixo de o chapéu . - Por favor , ajudem me . Nenhuma voz lhe respondeu . Em vez de isso , o chapéu contraiu se como_se uma mão invisível o tivesse espalmado devagarinho . Alguma coisa muito dura e pesada caíra sobre a cabeça de Harry , conseguindo quase derrubá o . A ver estrelas em frente de os olhos , agarrou o chapéu para o puxar para baixo e sentiu lá dentro uma coisa longa e dura . Uma espada brilhante tinha surgido dentro de o chapéu . Tinha um cabo cravejado de rubis de o tamanho de pequenos ovos . - Mata o rapaz , deixa a ave . O rapaz está atrás_de ti . Cheira o ! Harry estava de pé , preparado . A cabeça de o Basilisk caía , o corpo serpenteava , batendo nos pilares quando se torcia para ficar de frente para ele . Harry podia ver as enormes órbitas ensanguentadas , a boca toda aberta , suficientemente grande para o engolir inteiro , munida de dentes tão longos como a sua espada , finos , brilhantes , venenosos ... Começou a atacar a as cegas . Harry baixou se e a serpente bateu em a parede de a câmara . Atacou de_novo e a sua língua bifurcada lambeu a parede ao_lado_de Harry que levantou a espada com ambas as mãos . O Basilisk investiu mais_uma_vez e agora a pontaria foi certa . Harry pôs todo o seu peso contra a espada e enterrou a até a os copos em o céu de a boca de a serpente . Mas quando o sangue quente lhe encheu os braços , sentiu uma dor aguda mesmo acima de o cotovelo . Um longo dente venenoso penetrava cada_vez_mais fundo em o seu braço , partindo se quando o Basilisk tombou para o lado , perdendo os sentidos . Harry escorregou a o longo de a parede , apertou com força o dente que estava a derramar veneno por todo o seu corpo e arrancou o de o braço . Mas sabia que era demasiado tarde . Uma dor quente emanava lenta e perseverantemente de a ferida . Quando deixou cair o dente e viu o seu próprio sangue manchando lhe as vestes , a vista começou a ficar turva e a câmara a diluir se em uma rotação ardente e colorida . Mas algo escarlate passou por ele e Harry ouviu a o seu lado um suave ruído de garras . - Fawkes - disse com a voz empastada . - Foste sensacional , Fawkes . - Sentiu o pássaro encostar a sua elegante cabeça a o sítio onde o dente de a serpente o tinha ferido . Ouviu passos ecoarem em o vazio e em seguida uma sombra escura moveu se em a sua frente . - Estás morto , Harry_Potter - disse a voz de Riddle , acima de ele . - Morto . Até o pássaro de Dumbledore sabe de isso . Vês o que ele está a fazer ? A chorar . Harry piscou os olhos . A cabeça de Fawkes ora estava focada , ora desfocada . Lágrimas grossas como pérolas escorriam de as suas penas . - Vou sentar me aqui a ver te morrer , Harry_Potter . Leva o teu tempo , eu não tenho pressa . Harry sentiu se sonolento . Tudo parecia girar a a sua volta . - E assim acaba o famoso Harry_Potter - disse a voz distante de Riddle . - Sozinho em a Câmara_dos_Segredos , esquecido por os amigos , finalmente derrotado por o Senhor de o mal que ele tão imprudentemente desafiou . Vais reunir te a a tua querida mãe sangue de lama , Harry ... Ela deu te doze anos de tempo emprestado ... Mas Lord_Voldemort apanhou te em o fim , como sabias que teria de acontecer . Se morrer é isto , pensou Harry , não é assim tão mau . Até a dor estava a desaparecer . Mas , estaria a morrer ? Em_vez_de ficar mais escura a câmara parecia voltar a estar nítida . Harry fez um pequeno gesto com a cabeça e viu a Fawkes ainda repousando a cabeça em o seu ombro . Uma fiada de pérolas brilhava em volta de a ferida , só que já não havia ferida . - Sai de aqui , pássaro - disse subitamente a voz de Riddle . - Afasta te de ele . Já te disse , sai de aqui ! Harry levantou a cabeça . Riddle apontava a sua varinha a Fawkes . Ouviu se um tiro que parecia de carabina e Fawkes levantou novamente voo em um rodopio de ouro e escarlate . - Lágrimas de fénix - disse Riddle em voz baixa , olhando para o braço de o Harry . - É claro ... poderes curativos ... esqueci me ... Olhou para a cara de Harry . - Mas não faz mal . Pensando bem , eu até prefiro assim . Tu e eu , Harry_Potter ... Tu e eu ... Levantou a varinha . Então , em um golpe de asa , Fawkes voou sobre as cabeças de ambos , deixando cair uma coisa em o colo de Harry : o diário . Durante uma fracção de segundo , tanto Harry como Riddle , ainda com a varinha levantada , ficaram a olhar para aquilo . Em seguida , sem pensar , sem ponderar , como_se pensasse fazê o desde o princípio , Harry agarrou o dente de o Basilisk que estava em o chão , junto de ele , e espetou o em o coração de o caderno . Ouviu se um grito longo e terrível . A tinta esguichou em torrentes de dentro de o diário , derramando se sobre as mãos de o Harry e inundando o chão . Riddle torcia se e contorcia se , agitando se a os gritos . E , por fim . Desapareceu . A varinha de Harry caiu a o chão com um ruído e fez se silêncio . Um silêncio apenas cortado por o ping ping de a tinta que ainda escorria de o diário . Com um leve crepitar , o veneno de o Basilisk abrira um buraco mesmo em o meio de o caderno . A tremer de os pés a a cabeça , Harry pôs se de pé . Sentia tudo a andar a a roda como_se tivesse viajado quilómetros e quilómetros com o pó de * _ Floo * . Lentamente apanhou a varinha e o chapéu seleccionador e com um grande estrondo retirou a espada de o céu de a boca de a serpente . Ouviu se então um gemido fraco a o fundo de a câmara . Ginny estava a mexer se . Quando Harry chegou junto de ela , sentou se . Os seus olhos abismados saltaram de o Basilisk morto para Harry em a sua roupa cheia de sangue e , em seguida , para o diário que ele tinha em as mãos . Soltou um enorme soluço e os seus olhos encheram se de lágrimas . - Harry , oh ! Harry , eu tentei dizer te a o pequeno-almoço mas não fui capaz em frente de o Percy . Era eu , Harry , mas eu ... eu ... juro que não queria ... o Riddle obrigou me , levou me e ... como é_que mataste esse bicho ? Onde está o Riddle ? A última coisa de que me lembro foi de o ver a sair de o diário ... - Está tudo bem - disse Harry , mostrando lhe o diário com o buraco de o dente . - O Riddle acabou , olha . Ele e o Basilisk . Anda , Ginny , vamos embora de aqui . - Vou com certeza ser expulsa - disse Ginny a chorar enquanto Harry a ajudava a pôr se de pé . - Desde_que o Bill veio para Hogwarts que eu sonhava vir também para cá e agora vou ter de me ir embora e ... O que vão a minha mãe e o meu pai dizer ? Fawkes esperava por eles , suspensa em o ar , a a entrada de a câmara . Harry fez a Ginny avançar , passaram sobre os anéis parados de o Basilisk , por a escuridão cheia de ecos e voltaram a o túnel . Harry ouviu as portas de pedra fecharem se atrás de eles com um leve sibilar . Depois de alguns minutos a caminhar por o túnel escuro , chegou a os ouvidos de Harry o som distante de o deslocar de uma rocha . - Ron - gritou ele , apressando se . - A Ginny está bem . Está aqui comigo ! Ouviu o Ron gritar de alegria e , voltando em a curva logo_a_seguir , viram a sua cara ansiosa a espreitar por a fresta que conseguira abrir durante a avalancha . - Ginny ! - Ron estendeu o braço por a fresta para a puxar primeiro . - Estás viva . Não posso acreditar . O que aconteceu ? Tentou abraçá a mas a Ginny afastou o , soluçando . - Mas estás bem , Ginny - disse o Ron , sorrindo para ela . - Já passou tudo ... De onde veio esse pássaro ? Fawkes passara por a abertura , atrás_de Ginny . - É de o Dumbledore - explicou Harry , espremendo se para caber também . - E como arranjaste uma espada ? - perguntou o Ron , olhando para a arma brilhante que Harry tinha em a mão . - Eu explico te tudo quando sairmos de aqui - disse Harry , lançando um olhar de esguelha a a Ginny . - Mas ... - Mais tarde - disse Harry rapidamente . Não lhe parecia uma boa ideia contar a o Ron quem tinha aberto a câmara , ali , em frente de a Ginny . - Onde está o Lockhart ? - Ali atrás - disse o Ron , a rir e a abanar a cabeça em direcção a o cano . - Está em muito mau estado . Anda ver . Conduzidos_pela_Fawkes , cujas grandes asas escarlates emitiam um suave dourado que brilhava em a escuridão , voltaram a o lugar onde o cano começava . Gilderoy_Lockhart estava sentado a falar sozinho . - Perdeu a memória - disse o Ron . - O feitiço de a memória fez ricochete . Não sabe quem é nem onde está , nem_sequer sabe quem nós somos . Eu disse lhe que viesse para aqui e esperasse . É um perigo para ele próprio . Lockhart olhou os bem-disposto . - Olá - disse . - Que lugar estranho , este . É aqui que vocês moram ? -- Não - respondeu o Ron , levantando as sobrancelhas para o Harry . Harry baixou se e observou o túnel escuro e longo . - Já pensaste como é_que vamos sair de aqui ? - perguntou a o Ron . O amigo abanou a cabeça mas Fawkes , a fénix , tinha passado por o Harry e estava agora em o ar , em frente de ele , os olhos como pérolas a brilharem em o escuro . Abanava as longas penas douradas de a cauda . Harry olhou para ela , inseguro . - Ela parece querer que a agarres - disse o Ron , perplexo . - Mas tu és muito pesado para um pássaro . - A Fawkes - disse Harry - não é um pássaro qualquer . Voltou se rapidamente para os companheiros . - Temos de nos agarrar uns a os outros . Ginny , agarra a mão de o Ron . O professor Lockhart ... - Ele está a falar consigo - disse o Ron secamente . - Agarre a outra mão de a Ginny . Harry guardou a espada e o chapéu seleccionador em o cinto . Ron deitou a mão a a roupa de Harry e Harry agarrou as penas de a cauda , estranhamente quentes , de a Fawkes . Sentiu uma extraordinária leveza apoderar se de todo o seu corpo e em seguida estavam todos a voar por o cano acima . Harry conseguia ouvir Lockhart , lá atrás , comentando : - Espantoso , isto parece mágico ! Ar frio batia em os cabelos de Harry e antes que ele deixasse de gostar de a viagem já ela acabara . Os quatro tinham chegado a o chão molhado de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa e , enquanto Lockhart endireitava o chapéu , o lavatório voltara a o seu lugar , tapando o cano . A Murta arregalou os olhos . - Vocês estão vivos - disse inexpressivamente a o Harry . - Não é preciso mostrares te tão desiludida - respondeu ele , muito sério , limpando as nódoas de sangue e lodo de os óculos . - Bem ... é_que eu pensei que se vocês morressem seriam bem-vindos a a minha casa_de_banho - disse a Murta com um rubor prateado . - Urgh ! - fez o Ron , quando saíram de ali para o corredor deserto . - Harry , acho que a Murta está a gostar de ti . Tens concorrência , Ginny ! A Ginny continuava a chorar silenciosamente . - Onde vamos agora ? - perguntou o Ron , olhando ansiosamente para ela . Harry apontou . Fawkes indicava o caminho , com o seu tom dourado que brilhava em o corredor . Seguiram a e pouco depois estavam em o escritório de a professora Mc_Gonagall . Harry bateu e empurrou a porta que estava encostada . XVIII_A recompensa de Dobby_Durante alguns momentos reinou o silêncio enquanto Harry , Ron , Ginny e Lockhart estavam em a entrada de a porta . Cobertos de pó e de lama e ( em o caso de o Harry ) sangue . Em seguida , ouviu se um grito . - Ginny ! Era_Mrs._Weasley que tinha estado a chorar , sentada em frente de o lume . Pôs se de pé em um salto , seguida de Mr._Weasley e precipitaram se ambos para a filha . Harry olhava para trás de eles . Dumbledore rejubilava junto de a lareira , a o lado de a professora Mc_Gonagall que , agarrada a o queixo , respirava com dificuldade . Fawkes rasou as orelhas de o Harry e foi instalar se em o ombro de Dumbledore , ao_mesmo_tempo que Harry dava por si em os braços de Mrs._Weasley . - Tu salvaste a ! Salvaste a ! : __ como foi que __ conseguiste ? - Acho que todos nós gostaríamos de saber - disse , sem energia , a professora Mc_Gonagall . Mrs._Weasley soltou o Harry , que hesitou um momento . Depois , foi até a a secretária e colocou sobre o tampo o chapéu seleccionador , a espada cravejada de rubis e o que restava de o diário de Riddle . Em seguida , contou lhes tudo . Falou durante quase um quarto de hora em o silêncio extasiado : contou lhes de a voz sem corpo que ouvia , como a Hermione acabara por descobrir que se tratava de um Basilisk que circulava em os canos , como ele e o Ron tinham seguido as aranhas até a a floresta , que Aragog lhes dissera que a última vítima de o Basilisk morrera , como tinham chegado a a conclusão que se tratava de a Murta_Queixosa e que a entrada para a Câmara_dos_Segredos devia ser em aquela casa_de_banho ... - Muito bem - elogiou a professora Mc_Gonagall quando ele se calou . - Então tu descobriste onde era a entrada , infringindo uma centena de regras de a escola por o caminho , devo dizer , mas como diabo saíram vocês vivos de lá de dentro ? Harry , com a voz já um_pouco rouca de falar tanto , contou lhes de a chegada de a Fawkes e de o chapéu seleccionador que lhe tinha dado a espada . Mas , chegando aí , hesitou . Até a o momento evitara referir se a o diário de Riddle ou a a Ginny . Ela tinha a cabeça encostada a o ombro de Mrs._Weasley e as lágrimas corriam lhe ainda por o rosto . E se a expulsassem ? - pensou Harry , tomado de pânico . O diário de Riddle já não funcionava ... quem poderia provar que fora ele que a obrigara a fazer tudo aquilo ? Olhou instintivamente para Dumbledore que sorria , o fogo iluminando lhe os óculos de meia-lua . - O que mais me interessa saber - disse Dumbledore amavelmente - é como conseguiu Lord_Voldemort enfeitiçar a Ginny quando as minhas fontes me dizem que ele se esconde habitualmente em as florestas de a Albânia . Um alívio , quente e glorioso percorreu Harry de a cabeça a os pés . - O quê ? - disse Mr._Weasley , em uma voz estupefacta . - O Quem nós sabemos enfeitiçou a Ginny ? Mas a Ginny não ... a Ginny não morr ... ? - Foi este diário - esclareceu Harry rapidamente . E mostrando o a Dumbledore . - O Riddle escreveu o quando tinha dezasseis anos . Dumbledore pegou em o diário e olhou atentamente por cima de o seu nariz longo e adunco para as páginas queimadas e húmidas . - Fantástico - disse em voz baixa . - É claro que ele deve ter sido o aluno mais brilhante que alguma vez passou por Hogwarts . - Olhou em volta para os Weasley que o observavam com um ar totalmente confuso . - Muito poucas pessoas sabem que Lord_Voldemort se chamou em tempos Tom_Riddle . Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos , em Hogwarts . Ele desapareceu depois de deixar a escola , viajou muito , mergulhou tão fundo em as artes de a magia negra , associado a os piores feiticeiros , realizou transformações mágicas tão perigosas que quando reapareceu como Lord_Voldemort estava totalmente irreconhecível . Ninguém o relacionou com o rapazinho inteligente e bonito que aqui foi , em tempos , chefe de turma . - Mas a Ginny - insistiu Mrs._Weasley . - O que tem a nossa Ginny que ver com ele ? - O diário - soluçou Ginny . - Eu andei todo o ano a escrever em o diário e ele respondia me ... - Ginny ! - repreendeu Mr._Weasley . - Não aprendeste nada do_que te ensinei ? Não me cansei de dizer te que nunca confiasses em nada que não pensasse por si próprio * se não conseguisses ver onde tinha o cérebro ? * Porque não me mostraste o diário , a mim ou a a tua mãe ? Um objecto suspeito como esse tinha de estar cheio de magia negra ! - Eu não sabia - soluçou Ginny . - Estava junto de os livros que a mãe me comprou . Pensei que alguém se tinha esquecido de ele ali . - É melhor Miss_Weasley ir imediatamente para a ala hospitalar - interrompeu Dumbledore com voz firme . - Foi sujeita a uma prova terrível . Não será castigada . Outros feiticeiros mais velhos do_que ela têm sido ludibriados por Lord_Voldemort . - Dirigiu se a a porta e abriu a . - Repouso , cama e talvez uma caneca de chocolate quente . A mim , anima me sempre - acrescentou , piscando lhe simpaticamente o olho . - Vais ver que Madam_Pomfrey ainda está acordada . Ela tem estado a dar o sumo de Mandrágora , julgo que as vítimas de o Basilisk estarão a acordar dentro_de momentos . de alegria . - Então a Hermione está bem ! - disse o Ron , cheio de alegria . - Não houve danos irreversíveis - disse Dumbledore . Mrs._Weasley saiu com a Ginny e Mr._Weasley seguiu as ainda bastante abalado . - Sabes , Minerva - disse pensativo o professor Dumbledore - acho que tudo_isto merece um banquete . Posso pedir te que previnas os cozinheiros ? - Certamente - disse animada a professora Mc_Gonagall , dirigindo se também a a porta . - Deixo te a tratar de as coisas com o Potter e o Weasley , está bem ? - Claro - disse Dumbledore . Saiu e os dois olharam inseguros para Dumbledore . Que quereria ela dizer com tratar de as coisas ? Certamente não iriam ser castigados ? - Lembro me de vos ter dito a ambos que teria de vos expulsar se voltassem a quebrar as regras de a escola - disse Dumbledore . Ron abriu a boca horrorizado . - O que vem mostrar nos que as melhores pessoas , às_vezes , têm de engolir as suas próprias palavras . - Dumbledore sorriu e continuou : - Vocês vão receber ambos uma recompensa especial por serviços prestados a a escola e ... deixem me ver , sim , acho que duzentos pontos cada_um para os Gryffindor . Ron ficou tão corado que parecia as flores de S._Valentim_do_Lockhart e voltou a fechar a boca . - Mas um de vós parece demasiado calado sobre a sua participação em esta perigosa aventura - acrescentou Dumbledore . - Porquê tanta modéstia , Gilderoy ? Harry estremeceu . Esquecera se por completo de Lockhart . Voltou se e viu o a um canto de a sala ainda com o mesmo sorriso vago . Quando Dumbledore se lhe dirigiu , olhou por cima de o ombro para ver com quem ele estava a falar . - Professor_Dumbledore - disse o Ron rapidamente - Houve um acidente lá em baixo , em a Câmara_dos_Segredos . O professor Lockhart - Eu sou um professor ? - perguntou Lockhart surpreendido . - E eu que pensei que era um inútil ! - Tentou fazer um feitiço antimemória e a varinha fez ricochete - explicou Ron_a_Dumbledore . - Incrível - disse Dumbledore , abanando a cabeça , o bigode prateado a tremer . - Trespassado por a tua própria espada , Gilderoy ! - Espada ? - disse Lockhart de forma imprecisa . - Eu não tenho espada . Esse rapaz é_que tem - apontou para Harry . - Ele empresta lhe uma . - Importas te de levar também o professor Lockhart até a a ala hospitalar , Ron ? - disse Dumbledore . - Eu gostava de falar um_pouco mais com o Harry . Lockhart saiu sem pressa . Antes de fechar a porta , Ron lançou um olhar curioso a Dumbledore e Harry . Dumbledore passou para uma de as cadeiras junto de o lume . - Senta te , Harry - disse . E Harry sentou se , sentindo se indescritivelmente nervoso . - Antes de mais , Harry , quero agradecer te - disse Dumbledore com os olhos a brilharem de_novo . - Deves ter demonstrado uma grande lealdade para comigo . Só isso poderia atrair a Fawkes para ir ajudar te . Deu uma palmadinha a a fénix que voara , entretanto , para_cima de os seus joelhos . Harry sorria acanhadamente sob o olhar observador de Dumbledore . - Encontraste , portanto , Tom_Riddle - disse o director amavelmente . - Calculo que ele estaria particularmente interessado em ti ... De repente , algo que Harry tinha engasgado saiu lhe descontroladamente de a boca para fora . - Professor_Dumbledore ... o Riddle disse que eu sou como ele , que há entre nós estranhas semelhanças ... - Ah ! sim ? - Dumbledore olhou pensativamente para ele , por debaixo de as espessas sobrancelhas prateadas . - E o que achas tu de isso ? - Eu não me considero parecido com ele - disse Harry mais alto do_que desejaria . - Isto_é , eu sou um Gryffindor , eu sou ... Mas calou se com uma dúvida a rondar lhe o espírito . - Professor - arriscou passado alguns momentos . - O chapéu seleccionador disse que eu ... teria ficado bem em os Slytherin ; durante algum tempo toda_a_gente pensou que eu era o herdeiro de Slytherin por falar * serpentês * ... - Tu falas * serpentês * , Harry - disse Dumbledore calmamente - porque Lord_Voldemort que é o mais recente antepassado de Salazar_Slytherin , fala * serpentês * . Ou eu me engano muito , ou ele transferiu para ti alguns de os seus poderes em a noite em que te fez essa cicatriz . Não que quisesse fazê o , claro , mas aconteceu . - Voldemort pôs um_pouco de si próprio em mim ? - disse Harry assombrado . - É o que parece ter acontecido . - Então eu deveria estar em os Slytherin - disse Harry , olhando desesperado para o rosto de Dumbledore . - O chapéu seleccionador viu em mim os poderes de Slytherin e ... -- Pôs te em os Gryffindor - concluiu tranquilamente Dumbledore . - Ouve , Harry , tu tens por acaso muitas de as capacidades que Salazar_Slytherin apreciava em os seus estudantes cuidadosamente seleccionados . O seu raro dom de falar * serpentês * , desenvoltura , determinação , um certo desprezo por as regras estabelecidas - acrescentou com o bigode a tremer de_novo . - Mas ainda_assim , o chapéu seleccionador pôs te em os Gryffindor . E sabes porquê ? Pensa um_pouco . - Só me pôs em os Gryffindor - disse Harry em uma voz débil - porque eu pedi para não ir para os Slytherin . - Exacto - disse Dumbledore a sorrir . - E isso torna te muito diferente de o Tom_Riddle . São as tuas escolhas , Harry , que mostram quem de facto tu és , mais do_que as tuas capacidades . Harry sentou se , imóvel e espantado , em a cadeira . - Se queres provas de que o teu lugar é em os Gryffindor , sugiro que vejas isto com mais atenção . Dumbledore aproximou se de a secretária de a professora Mc_Gonagall , pegou em a espada de prata ensanguentada e mostrou lhe a . Sem perceber , Harry voltou a ao_contrário . Os rubis brilharam a a luz de a lareira e foi então que ele reparou em o nome gravado mesmo por baixo de o copo de a espada . GODRIC_GRYFFINDOR . - Só um verdadeiro Gryffindor poderia ter tirado a espada de dentro de o chapéu , Harry - disse , com simplicidade , Dumbledore . Durante um minuto , nenhum de os dois falou . Depois , Dumbledore abriu uma de as gavetas de a secretária de a professora Mc_Gonagall e retirou de lá uma pena e um tinteiro . - Tu precisas de comer e ir dormir . Sugiro que desças para o banquete enquanto eu escrevo para Azkaban . Precisamos de recuperar o nosso guarda de os campos . E tenho de esboçar um anúncio para o * _ Profeta_Diário * - acrescentou pensativo . - Vamos precisar de um novo professor de Defesa contra as artes negras . É um problema , estamos sempre a perdê os . Harry levantou se e dirigiu se a a porta . Tinha acabado de estender a mão para o puxador quando ela se abriu tão violentamente que saltou de as dobradiças . Lucius_Malfoy estava de pé , furioso . E , debaixo de o braço , embrulhado em diversas ligaduras , estava Dobby . - Boa tarde , Lucius - disse Dumbledore , de forma amena . Mr._Malfoy quase derrubou Harry enquanto entrava em a sala . Dobby dava passos miudinhos atrás de ele , inclinado até a a bainha de o seu manto com um olhar apavorado em o rosto . - Então - disse Lucius_Malfoy com os olhos fixos em Dumbledore - voltaste . Os membros de o Conselho_Directivo suspenderam te , mas tu mesmo_assim sentiste te capaz de voltar a Hogwarts . - Bem vês , Lucius - disse Dumbledore , sorrindo serenamente . - Os outros membros de o Conselho contactaram me hoje . Fui envolvido em um redemoinho de corujas , todos queriam contar me a verdade . Ouviram dizer que a filha de Arthur_Weasley tinha sido morta e queriam me novamente aqui . Parece que me consideravam o melhor homem para o lugar . Contaram me algumas histórias muito estranhas . Alguns de eles tinham a impressão que tu tinhas ameaçado amaldiçoar lhes as famílias se não concordassem com a minha suspensão . Mr._Malfoy ficou ainda mais pálido do_que de costume , mas os olhos continuavam cheios de fúria . - Então já acabaste com os ataques ? - rosnou . - Apanhaste o culpado ? - Já , sim - disse Dumbledore com um sorriso . - E quem é ? - perguntou Malfoy secamente . - A mesma pessoa de a última vez , Lucius - disse Dumbledore . Mas desta_vez , Lord_Voldemort agiu através_de outra pessoa , por_meio_de um diário . Pegou em o pequeno caderno com o buraco em o meio , observando Mr._Malfoy de perto . Mas Harry olhava para Dobby . O elfo fazia um sinal muito estranho . Com os seus grandes olhos fixos em Harry , não parava de apontar para ó diário e , em seguida , para Mr._Malfoy , batendo logo_a_seguir com o punho em a cabeça . - Estou a ver ... - disse Mr._Malfoy lentamente a Dumbledore . - Um plano inteligente - afirmou o director em um tom de voz suave , continuando a olhar Mr._Malfoy directamente em os olhos . - Porque se não fosse aqui o Harry e o seu amigo Ron a descobrirem o diário , sem dúvida Ginny_Weasley teria ficado com todas_as culpas . Ninguém teria conseguido provar que ela agira contra a sua própria vontade . Mr._Malfoy não se pronunciou . O seu rosto parecia agora uma máscara . - E vê bem - continuou Dumbledore - o que poderia ter acontecido ... os Weasley são uma de as mais proeminentes famílias de feiticeiros de sangue puro , imagina o efeito em a imagem de Arthur_Weasley e em a sua acção de protecção a os Muggles , se a sua própria filha fosse acusada de atacar e matar filhos de Muggles . Foi uma sorte o diário ter sido descoberto e as memórias de Riddle apagadas . Quem sabe que consequências poderia ter tido ? Mr._Malfoy falou contra vontade . - Sim , foi uma sorte - disse secamente . E , em as suas costas , Dobby continuava a apontar para o diário e para Lucius_Malfoy , batendo depois com o punho em a cabeça . E Harry finalmente percebeu . Fez um sinal a Dobby que correu a esconder se em um canto , torcendo desta_vez as orelhas para se castigar . - Não quer saber como a Ginny obteve esse diário , Mr._Malfoy ? - perguntou Harry . Lucius_Malfoy voltou se para ele . - Como queres que eu saiba onde é_que a estúpida de a garota o arranjou ? - Porque foi o senhor quem lhe o deu - disse Harry . - Em a Flourish and Blotts . O senhor pegou em o livro velho de ela de Transfiguração e meteu o diário lá dentro , não foi ? Viu as mãos brancas de Mr._Malfoy abrirem se e fecharem se . - Prova isso - sibilou . - Oh ! ninguém vai poder prová o - disse Dumbledore sorrindo a o Harry . - Não agora_que o Riddle desapareceu de o caderno . Por outro lado , aconselharia te , Lucius , a não dares mais nenhuma de as coisas velhas de Lord_Voldemort . Se mais alguma for parar a as mãos de crianças inocentes , acho que o Arthur_Weasley fará com que se voltem com toda_a sua carga negativa contra ti . Lucius_Malfoy ficou calado um momento e Harry viu claramente a sua mão direita torcer se como_se desejasse chegar a a varinha . Em vez de isso , voltou se para o seu elfo doméstico . - Vamos , Dobby . Abriu a porta e quando o elfo se aproximou deu lhe um pontapé que o projectou para longe . Ouviram se em o escritório os gritos de dor de Dobby em o corredor . Harry pensou durante um momento e depois decidiu se . - Professor_Dumbledore - disse apressadamente . - Posso dar o diário outra_vez a Mr._Malfoy ? - Certamente , Harry - disse Dumbledore com toda_a calma . - Mas não demores , olha o banquete . Harry agarrou em o diário e saiu de o escritório . Os gritos de dor de Dobby afastavam se ao_longe . Sem perder tempo , perguntando a si próprio se o plano poderia resultar , Harry tirou um de os sapatos , puxou uma de as peúgas enlameadas e viscosas e meteu o diário lá dentro . Em seguida correu até a o fundo de o corredor escuro . Apanhou os em o topo de as escadas . - Mr._Malfoy - disse ofegante , parando . - Tenho uma coisa para si . E meteu a peúga mal cheirosa em a mão de Lucius_Malfoy . - O que é ... ? Mr._Malfoy tirou o diário de dentro de a peúga , deitou a fora e olhou furioso para o caderno estragado e para Harry - Ainda vais acabar por ter um fim igual a o de os teus pais um dia de estes , Harry_Potter - disse em voz baixa . - Eles também eram uns idiotas metediços . Voltou se para se ir embora . - Anda , Dobby , vem ! Mas Dobby não se mexeu . Tinha em as mãos a peúga nojenta de o Harry e olhava para ela como_se fosse um tesouro de valor incalculável . - O senhor deu uma peúga a o Dobby - disse o elfo maravilhado . - Deu a a o Dobby . - O que é isso ? - cuspiu Mr._Malfoy . - Que estás para aí a dizer ? - Dobby tem uma peúga - repetiu incrédulo . - O senhor deitou a fora e Dobby apanhou a e Dobby agora é livre ... Lucius_Malfoy ficou paralisado a olhar para o elfo . Em seguida precipitou se para Harry . - Fizeste me perder o meu servo , rapaz . Mas Dobby gritou : - Não pense que vai fazer mal a o Harry_Potter ! Ouviu se um enorme estrondo e Mr._Malfoy foi empurrado de costas , galgando os degraus de as escadas a três_e_três e indo aterrar lá em baixo todo embrulhado e amarrotado . Levantou se , o rosto lívido e pegou em a varinha , mas Dobby estendeu lhe um dedo ameaçador . - Vá se embora já - disse furioso , apontando para Mr._Malfoy . - Não tocará em o Harry_Potter . Vá se embora , já . Lucius_Malfoy não teve escolha . Lançando a os dois um último olhar de cólera , embrulhou se em o manto e desapareceu . - Harry_Potter libertou Dobby ! - disse o elfo com voz esganiçada , olhando para Harry , a luz de o luar reflectida em os seus grandes olhos em forma de globos . - Harry_Potter libertou Dobby . - Era o mínimo que eu podia fazer , Dobby - disse Harry a sorrir -- , mas promete me que não vais voltar a tentar salvar me a vida . A cara feia e escura de o elfo abriu se , mostrando os dentes , em um enorme sorriso . - Tenho uma pergunta a fazer te , Dobby - disse Harry enquanto o elfo pegava em a peúga de ele com as mãos a tremer . - Disseste me que tudo_isto não tinha nada que ver com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Lembras te ? - Era uma pista , senhor - disse Dobby com os olhos muito abertos como_se fosse absolutamente óbvio . - Dobby estava a dar lhe uma pista . Antes de o senhor de o mal mudar de nome , o seu nome podia ser pronunciado , está a ver ? - Certo - disse Harry sem grande convicção . - Bem , é melhor eu ir indo embora . Há um banquete e a minha amiga Hermione já deve ter acordado ... Dobby lançou os braços a a cintura de Harry e abraçou o . - Harry_Potter é muito maior do_que Dobby imaginava ! - soluçou . - Adeus , Harry_Potter . E com um estalido final , Dobby desapareceu . Harry assistira a diversos banquetes , mas nenhum que se parecesse com aquele . Estavam todos de pijama e a festa durou a noite inteira . Harry não sabia se o melhor tinha sido a Hermione a correr para ele e a gritar : - Tu conseguiste . Tu conseguiste ! , ou o Justin saindo disparado de a mesa de os Hufflepuff para lhe estender a mão , desfazendo se em desculpas por ter suspeitado de ele , ou o Hagrid que apareceu a as três_e_meia e que lhes deu palmadas com tanta força em os ombros que eles foram parar dentro de os pratos de bolo de creme , ou os quatrocentos pontos que ele e o Ron obtiveram para os Gryffindor , ganhando a taça de a equipa por a segunda vez consecutiva , ou a professora Mc_Gonagall de pé , a comunicar lhes que os exames tinham sido cancelados como medida de a escola ( Oh ! não ! exclamou Hermione ) , ou Dumbledore a anunciar que , infelizmente , o professor Lockhart não poderia voltar em o ano seguinte por ter de se ausentar a_fim_de recuperar a memória . Alguns de os professores juntaram se a os alunos que aplaudiram entusiasmados esta notícia . - Que pena - disse Ron , servindo se de um * dounut * de presunto . - E eu que começava a gostar de ele ... O resto de o período de Verão decorreu sob um sol escaldante . Hogwarts voltara a a normalidade , apenas com algumas pequenas diferenças : as aulas de Defesa contra as artes negras foram canceladas ( Mas nós tivemos imensa prática - disse o Ron vendo o descontentamento de Hermione ) e Lucius_Malfoy foi demitido de o Conselho_Directivo . Draco já não passeava por ali como_se fosse o dono de a escola . Pelo_contrário , tinha um ar melindrado e carrancudo . Por outro lado , Ginny_Weasley andava de_novo feliz de a vida . Em_breve chegou o dia de regressarem a casa em o Expresso_de_Hogwarts . Harry , Ron , Hermione , Fred , George e Ginny encheram um compartimento . Tiraram o_máximo partido de aquelas últimas horas em que lhes era permitido usar a magia antes de as férias . Brincaram a as explosões , gastaram o último fogo-de-artíficio Filibuster , de o Fred e de o George e treinaram o mútuo desarmamento através de a magia . Harry começava a ficar muito bom em aquilo . Já estavam perto de a estação de King's_Cross quando Harry se lembrou de uma coisa . - Ginny , o que foi que viste o Percy fazer que ele não queria que nos contasses ? - Ah ! isso - disse a Ginny a rir . - Bem , é_que o Percy tem uma namorada . Fred deixou cair uma pilha de livros em a cabeça de o George . - O quê ? - É aquela prefeita de os Ravenclaw ' Penelope_Clearwater - disse a Ginny . - Foi para ela que ele escreveu durante todo o Verão . Encontravam se em a escola em grande segredo . Eu apanhei os a beijarem se em uma sala de aula vazia e ele ficou tão aflito quando ela foi ... sabes ... atacada . Não vais aborrecê o , pois não ? - perguntou cheia de ansiedade . - Que ideia - respondeu Fred com uma tal satisfação em o rosto que parecia que o seu aniversário chegara mais cedo . - Claro que não - disse o George a rir se a a socapa . O Expresso_de_Hogwarts abrandou e finalmente parou . Harry tirou a pena e um_pouco de pergaminho e voltou se para Ron e Hermione . - Isto_é um número de telefone - disse ele a o Ron , escrevinhando o duas vezes , cortando o pergaminho a o meio e dando lhes os números . - Eu expliquei a o teu pai como usar um telefone em o Verão passado . Ele sabe fazer a chamada . Liga me para_casa de os Dursley , O. _ K. ? Não consigo suportar outros dois meses sem ter mais ninguém com quem falar ... - Mas a tua tia e o teu tio vão ficar orgulhosos de ti , não vão ? - perguntou Hermione quando saíram de o comboio e se misturaram em a multidão que se encontrava junto de a barreira encantada . - Quando souberem o que fizeste este ano . - Orgulhosos ? - disse Harry . - Estás doida ! Podendo eu ter morrido tantas vezes e tendo escapado ? Vão ficar é furiosos ... E juntos avançaram até a a entrada para o mundo de os Muggles . ----------------- J._K._Rowling_Harry_Potter e a Câmara_dos_Segredos_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Chamber of Secrets_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling 1998 Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 2000 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 2.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 Depósito legal : 143.569/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , a a Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Para_Séan_P._F._Harris , condutor imparável e um amigo de os diabos . I_O pior aniversário Não era a primeira vez que uma discussão estoirava a a mesa de o pequeno-almoço , em o número 4 de a Privet_Drive . Mr._Vernon_Dursley fora acordado de manhã cedo por o piar ruidoso que vinha de o quarto de o seu sobrinho Harry . - É a terceira vez esta semana ! - resmungou , a a mesa . - Se não consegues controlar essa coruja , ela não pode ficar aqui . Harry tentou , mais_uma_vez , explicar . - Ela está aborrecida . Estava habituada a voar livremente lá fora . Se eu pudesse , ao_menos , soltá a a a noite ... - Achas me com cara de idiota ? - perguntou rispidamente o tio Vernon , com um fio de ovo preso em o bigode farfalhudo . - Sei muito bem o que aconteceria se essa coruja fosse lá para fora . Trocou um olhar soturno com a mulher , a tia Petúnia . Harry tentou contra-argumentar , mas as suas palavras foram abafadas por um enorme arroto de o filho de os Dursleys , Dudley . - Quero mais bacon . - Há mais em a frigideira , fofinho - disse a tia Petúnia , lançando um olhar vago a o seu filho maciço . - Tens que te alimentar bem enquanto aqui estás , aquela comida de a tua escola não me cheira . - Disparate , Petúnia , eu nunca passei fome enquanto andei em Smeltings - afirmou com sinceridade o tio Vernon . - O Dudley tem que chegue . Não é verdade , filho ? Dudley , que era tão gordo que o rabo saía de os dois lados de a cadeira de a cozinha , sorriu laconicamente e voltou se para Harry . - Passa me a frigideira . -- Esqueceste te de a palavra mágica - disse Harry , irritado . O efeito que esta simples frase teve em o resto de a família foi inacreditável : Dudley começou a arfar e caiu de a cadeira com um estrondo que abalou a cozinha , Mrs._Dursley deu um gritinho e bateu com a mão em a boca , Mr._Dursley pôs se de pé com as veias de as têmporas dilatadas . - Eu queria dizer « por favor » - explicou Harry rapidamente . - Não me referia a ... - : __ o que é_que eu te __ disse - vociferou o tio , espalhando perdigotos sobre a mesa - : __ sobre pronunciar a palavra m . em esta __ casa ? - Mas eu ... - : __ como te atreves a ameaçar o __ dudley ! - rosnou o tio Vernon , batendo com o punho em a mesa . - Eu só ... - : __ estás avisado . não vou admitir referências a tua anormalidade debaixo de o tecto de a minha __ casa ! Harry olhou alternadamente para o rosto congestionado de o tio e para a palidez de a tia que tentava pôr o Dudley de pé . - Está bem - disse Harry . - Está bem ... O tio Vernon voltou a sentar se , respirando como um rinoceronte exausto e observando Harry de perto por o canto de os seus olhos pequeninos e penetrantes . Desde_que Harry regressara para as férias de Verão que o tio Vernon o tratava como_se ele fosse uma bomba , capaz de explodir a qualquer momento , porque Harry não era um rapazinho normal . Em a verdade , ele era o menos normal que é possível imaginar . Harry_Potter era um feiticeiro , um feiticeiro que acabara de concluir o primeiro ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts e a infelicidade que os Dursleys sentiam por ele estar lá em casa não era nada comparada com a de Harry . As saudades de Hogwarts eram tão intensas que se assemelhavam a uma constante dor em o estômago . Sentia a falta de o castelo com as suas passagens secretas e os seus fantasmas , de as aulas ( com excepção talvez de as de Snape , o professor de as poções ) , de o correio a chegar trazido por as corujas , de os banquetes em o salão nobre , de as noites em as camas de dossel em a camarata de a torre , de as visitas a Hagrid , o guarda de os campos em a sua casinha em o bosque , junto de a floresta proibida e , principalmente , sentia a falta de o Quidditch , o desporto mais popular de o mundo de os feiticeiros ( seis postes altos de golo , quatro bolas esvoaçantes e catorze jogadores em_cima_de vassoura ) . Todos os livros de feitiços de Harry , assim_como a varinha , os mantos , o caldeirão e a vassoura topo de gama Nimbus dois_mil tinham sido encerrados por o tio Vernon em a despensa que ficava debaixo de as escadas , em o momento em que Harry regressara a casa . O que é_que lhes interessava se ele perdia ou não o seu lugar em a equipa de Quidditch por não ter praticado durante todo o Verão ? Que importância tinha para eles que o Harry voltasse a a escola sem ter podido fazer os trabalhos de casa ? Os Dursleys eram aquilo que os feiticeiros chamam « Muggles » ( nem uma gota de sangue mágico em as veias ) e , para eles , ter um feiticeiro em a família era motivo de grande vergonha . O tio Vernon tinha , inclusivamente , fechado a cadeado a coruja de Harry , Hedwig , dentro de a gaiola , para evitar que ela transportasse mensagens para a gente de o mundo de a feitiçaria . Harry não se parecia em nada com o resto de a família . O tio Vernon era atarracado e sem pescoço , dotado de um enorme bigode preto ; a tia Petúnia tinha um rosto cavalar e era esquelética ; Dudley era loiro e rosado como um porquinho . Harry , pelo_contrário , era baixo e franzino , com os olhos verdes brilhantes e cabelo negro sempre desalinhado . Usava uns óculos redondos e tinha em a testa uma cicatriz em forma de relâmpago . Era essa cicatriz que o tornava tão invulgar , mesmo para um feiticeiro . Era a única alusão a o seu passado misterioso , a o motivo por o qual , onze anos antes , tinha sido deixado em o degrau de a porta de os Dursleys . Com um ano de idade , Harry sobrevivera a uma maldição de o maior feiticeiro negro de todos os tempos , Lord_Voldemort , cujo nome a maior parte de os feiticeiros e feiticeiras ainda receia pronunciar . Os pais de Harry tinham morrido em um ataque de Voldemort , mas ele escapara com a sua cicatriz em forma de relâmpago e estranhamente , ninguém compreendeu porquê , os poderes de Voldemort tinham sido destruídos em o momento em que não fora capaz de matar o Harry . Por isso , ele foi criado por a irmã de a sua falecida mãe e respectivo marido . Passou dez anos com os Dursleys , sem nunca compreender porque fazia com que acontecessem coisas estranhas , alheias a a sua vontade , acreditando em a história de os Dursleys de que aquela cicatriz fora resultado de um acidente de automóvel em que os pais tinham morrido . E um dia , precisamente um ano antes , Hogwarts escrevera lhe e fora então que tudo começara . Harry fora ocupar o seu lugar em a escola de feitiçaria , onde ele e a sua cicatriz eram famosas ... mas agora o ano escolar chegara a o fim e estava de_novo com os Dursleys . Durante o Verão , voltara a ser tratado como um cão malcheiroso . Os Dursleys nem se tinham lembrado que aquele era o dia de o seu décimo segundo aniversário . É claro que não tivera grandes expectativas : eles nunca lhe tinham dado um presente a sério , muito menos um bolo , mas ignorarem o por completo ... Em esse momento , o tio Vernon pigarreou com um ar importante e disse : - Como todos sabem , hoje é um dia muito importante . Harry olhou para ele , mal conseguindo acreditar . - Pode bem ser que eu faça hoje o maior negócio de toda_a minha vida - afirmou . Harry voltou novamente a atenção para a torrada . É claro , pensou amargamente , o tio Vernon referia se a a estúpida dinner-party . Havia quinze_dias que não falava de outra coisa . Um consultor qualquer cheio de massa e a mulher vinham jantar lá a casa e o tio Vernon tinha esperança de conseguir uma grande encomenda ( a empresa de o tio Vernon fabricava brocas ) . - Acho que devíamos recapitular mais_uma_vez - disse o tio Vernon . - Devemos estar todos a postos a as oito_horas_em_ponto . Petúnia , tu vais estar ... ? - Em o salão - respondeu a tia Petúnia prontamente - a a espera para lhes dar as boas-vindas a nossa casa . - Bom , bom . E o Dudley ? - Eu vou estar a a espera para abrir a porta . - Dudley esboçou um sorriso falso e afectado . - Dão me licença que vos guarde os casacos , Mr. e Mrs._Mason ? - Eles vão adorá o - exclamou arrebatadamente a tia Petúnia . - Excelente , Dudley - disse o tio Vernon . - A seguir voltou se para o Harry . - E tu ? - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - repetiu o Harry , de forma inexpressiva . - Exactamente - confirmou o tio Vernon , de um modo desagradável . - Eu conduzo os até a o salão , apresento te , Petúnia , e sirvo lhes as bebidas . _ a as oito_e_um_quarto . - Eu chamo para a mesa - disse a tia Petúnia . - E tu , Dudley , vais dizer ... - Dá me licença que lhe indique a casa de jantar , Mrs._Mason ? - repetiu o Dudley , oferecendo o seu braço gordo a uma mulher invisível . - O meu pequenino cavalheiro - fungou a tia Petúnia . - E tu ? - perguntou o tio Vernon a o Harry , em o mesmo tom desagradável . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho , fingindo que não estou lá - respondeu Harry aborrecido . - Isso mesmo . Agora , devíamos ter preparadas algumas frases amáveis para o jantar . Petúnia , alguma ideia ? - O Vernon disse me que o senhor é um excelente jogador de golfe , Mr._Mason ... Tem de me dizer onde comprou esse vestido , Mrs._Mason ... - Perfeito . Dudley ? - Que tal : Tivemos de fazer um trabalho para a escola sobre o nosso herói e eu escrevi sobre o senhor ... Foi de mais , tanto para a tia Petúnia como para o Harry . A tia debulhou se em lágrimas e abraçou o filho , enquanto Harry se esgueirava para debaixo de a mesa para ninguém o ver rir . - E tu , rapaz ? Harry fez um esforço para se mostrar inexpressivo quando emergiu . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - disse . - Vais sim senhor - afirmou o tio Vernon energicamente . - Os Mason não sabem nada a teu respeito e é assim que as coisas vão continuar . Quando o jantar terminar , tu trazes Mrs._Mason para o salão , onde vamos tomar café , Petúnia , e eu puxo o assunto de as brocas . Com um_pouco de sorte , tenho o contrato assinado antes de o noticiário de as dez . Amanhã por esta hora , vamos estar a fazer compras para umas férias em Maiorca . Harry não conseguia sentir o menor entusiasmo com aquilo . Não lhe parecia que os Dursleys gostassem mais de ele em Maiorca do_que em Privet_Drive . - Certo , eu vou a a cidade buscar os casacos para mim e para o Dudley . E tu - resmungou , apontando para Harry - não atrapalhes a tua tia enquanto ela estiver a limpar . Harry saiu por a porta de as traseiras . Estava um dia de sol lindo . Atravessou o relvado , deixou se cair em o banco de o jardim e cantarolou baixinho : - Parabéns para mim ... parabéns para mim ... Nem cartas nem presentes e tinha de passar a noite a fingir que não existia . Olhou infeliz para a sebe . Nunca se sentira tão só . Mais do_que tudo em o mundo , mais do_que de Hogwarts , mais até do_que de o jogo de Quidditch , Harry sentia a falta de os amigos Ron_Weasley e Hermione_Granger . Mas eles não pareciam sentir a falta de ele . Nenhum de os dois lhe escrevera durante todo o Verão apesar_de o Ron ter dito que ia convidá o para passar uns dias lá em casa . Inúmeras vezes Harry estivera quase a libertar magicamente Hedwig de a sua gaiola e mandá a levar uma carta a o Ron e a a Hermione mas não valia a pena correr o risco . Os feiticeiros menores de idade não tinham autorização para usar a magia fora de a escola . Harry não contara isto a os Dursleys . Ele sabia que era o medo de que ele os transformasse a todos em baratas que os impedia de o fecharem a a chave em a despensa debaixo de as escadas , juntamente com a varinha e a vassoura . Em as primeiras semanas Harry divertira se a murmurar baixinho palavras sem sentido e a ver o Dudley sair disparado de o quarto , tão rápido quanto as suas pernas gordas lhe permitiam . Mas o silêncio prolongado de Ron e Hermione tinham o feito sentir se tão longe de o mundo de a magia que até divertir se à_custa_de Dudley perdera o interesse . E agora o Ron e a Hermione tinham se esquecido de o seu aniversário . Quanto não daria ele por uma mensagem de Hogwarts ? De qualquer feiticeiro ou feiticeira ? Quase ficaria satisfeito com um sinal de o seu inimigo feroz , Draco_Malfoy , só para ter a certeza de que tudo aquilo não fora apenas um sonho ... Não que tudo durante o ano em Hogwarts tivesse sido divertido . Mesmo em o fim de o último período , Harry confrontara se nem mais nem menos do_que com o próprio Lord_Voldemort . Voldemort podia ter arruinado o seu ego inicial mas continuava a espalhar o terror , ainda astuto , ainda determinado a recuperar o poder . Harry escapara uma segunda vez a as suas garras mas fora por um triz e mesmo agora , algumas semanas decorridas , acordava de noite encharcado em suores frios , perguntando se onde estaria Voldemort , relembrando o seu rosto lívido , os seus olhos completamente loucos ... Harry sentou se subitamente , direito como um fuso , em o banco de o jardim . Tinha estado a olhar distraído para a sebe e a sebe estava a olhar para ele . Dois enormes olhos verdes surgiram por_entre a folhagem . Harry pôs se de pé ao_mesmo_tempo que uma voz sobrevoava a relva . - Eu sei que dia é hoje - cantarolava Dudley , bamboleando se enquanto se aproximava . Os olhos enormes piscaram e desapareceram . - O quê ? - perguntou Harry sem retirar os olhos de o lugar para_onde estava a olhar . - Eu sei que dia é hoje - repetiu , chegando junto de ele . - Ainda_bem - disse Harry . - Aprendeste finalmente os dias de a semana . - Hoje é o dia de os teus anos - troçou o Dudley . - Por_que é_que não recebeste nenhuma carta ? Não tens amigos em esse lugar esquisito ? - É melhor não deixares a tua mãe ouvir te falar de a minha escola - disse Harry calmamente . Dudley puxou para_cima as calças que estavam a escorregar lhe por o rabo gordo abaixo . - Porque estás a olhar para a sebe . ; - perguntou curioso . - Estou a pensar em as palavras que deverei pronunciar para lhe pegar fogo - disse Harry . Dudley recuou de imediato com um olhar de pânico em a cara rechonchuda . - Tu não p-p-odes , o pai disse que não podias fazer magia ou corria contigo aqui de casa e não tens mais nenhum lugar para_onde ir , não tens amigos que te convidem ... - * _ Jiggery pokery * ! - disse Harry com voz firme . - * _ Hocus pocus ... squiggly wiggly * ... - Maaaaaãe - gritou Dudley , tropeçando em os pés , enquanto se precipitava para dentro_de casa . Maaaãe , ele vai fazer aquela coisa ! Harry deu graças a os céus por aquele momento de gozo . Como não aconteceu nada de mal nem a o Dudley nem a a sebe , a tia Petúnia percebeu que ele não fizera magia nenhuma mas , mesmo_assim , Harry teve de se afastar quando ela lhe deu uma forte pancada em a cabeça com a frigideira cheia de detergente . A seguir distribuiu lhe trabalho e o castigo de só voltar a comer quando tivesse acabado tudo . Enquanto Dudley andava a flanar , olhando para o ar e comendo gelados , Harry limpou as janelas , lavou o carro , aparou a relva , adubou os canteiros , podou e regou as rosas e pintou de_novo o banco de o jardim . O sol ardia lá em cima , queimando lhe a parte de trás de o pescoço . Harry sabia que não devia ter provocado Dudley mas ele dissera precisamente aquilo que ele próprio pensava ... talvez não tivesse amigos em Hogwarts . Deviam ver agora o famoso Harry_Potter , pensou amargamente enquanto espalhava adubo em os canteiros , as costas a doerem lhe e o suor a escorrer lhe por o rosto . Eram sete_e_meia_da_tarde quando , por fim , exausto , ouviu a tia Petúnia a chamá o . - Anda para dentro e passa por cima de os jornais . Harry entrou satisfeito em a sombra de a cozinha que rebrilhava . Sobre o frigorífico estava o bolo de a noite : um enorme monte de crome batido coberto de violetas de açúcar . A carne de porco assava em o forno . - Come depressa , os Mason devem estar a chegar ! - exclamou bruscamente a tia Petúnia , apontando para duas fatias de pão e uma de queijo que estavam em cima de a mesa de a cozinha . Ela já tinha posto um vestido de * cocktail * cor de salmão . Harry lavou as mãos e comeu aquele triste jantar . Mal tinha terminado , a tia Petúnia tirou lhe o prato . - Lá para_cima , rápido ! A o passar por a porta de a sala , Harry vislumbrou o tio Vernon e Dudley de casaco e gravata . Tinha acabado de chegar a o cimo de as escadas quando a campainha de a porta tocou e a cara de o tio Vernon apareceu em o patamar . - Lembra te , rapaz , um ruído que seja ... Harry entrou em o quarto em bicos de pés , fechou a porta e preparou se para se meter em a cama . O problema é_que estava lá alguém sentado . II_O aviso de Dobby_Harry conseguiu não gritar , mas foi por_pouco . A pequena criatura que estava em a cama tinha umas orelhas grandes e largas e uns olhos verdes protuberantes de o tamanho de bolas de ténis . Harry percebeu imediatamente que fora para ele que tinha estado a olhar de manhã . Enquanto olhavam um para o outro , Harry ouviu a voz de Dudley em o * hall * . - Posso guardar os vossos casacos , Mr. e Mrs._Mason ? A criatura escorregou por a cama e curvou se tanto que a ponta de o seu enorme nariz tocou em o tapete . Harry reparou que ele tinha vestido uma espécie de fronha de almofada com buracos para os braços e pernas . - Er ... Olá - disse Harry , um_pouco nervoso . - Harry_Potter ! - exclamou a criatura em uma voz tão estridente que Harry calculou que poderia ouvir se lá em baixo . - Há tanto tempo que Dobby queria conhecê o , senhor . É uma enorme honra ... - Ob-obrigado - disse Harry , deslocando se a o longo de a parede e sentando se em a cadeira de a secretária , junto de Hedwig que dormia em a sua grande gaiola . Queria perguntar lhe « O que és tu ? » , mas pensou que seria má educação , por isso perguntou : - Quem és tu ? - Dobby , senhor . Apenas Dobby , o elfo de casa - afirmou a criatura . - Oh ! A sério ? - perguntou Harry . - Não quero ser mal-educado , mas esta não é a melhor altura para ter um elfo em o meu quarto . O riso falso de a tia Petúnia ouvia se em a sala de jantar . O elfo deixou cair a cabeça . - Não que eu não me sinta feliz por te conhecer - disse Harry rapidamente - mas , er ... estás aqui por algum motivo em especial ? - Oh , sim senhor - disse Dobby muito a sério . - Dobby veio dizer lhe que ... é difícil ... Dobby não sabe por_onde começar ... - Senta te - disse Harry educadamente , apontando lhe a cama . Para seu horror , o elfo debulhou se em lágrimas bastante ruidosas . -- S-senta-te ! - repetiu . - Nunca em toda_a minha vida ... Harry pareceu lhe ouvir as vozes lá em baixo vacilarem . - Desculpa - murmurou . - Eu não queria ofender te ... - Ofender Dobby ! - exclamou o elfo em um sufoco . - Nunca nenhum feiticeiro disse a o Dobby que se sentasse como um seu igual , senhor . Harry , tentando dizer lhe « Sch ... » e confortá o ao_mesmo_tempo , conduziu Dobby de_novo até a a cama onde ele se sentou a soluçar , parecendo uma grande boneca muito feia . Por fim , conseguiu controlar se e ficou quieto , com os seus grandes olhos fixos em Harry em uma expressão de absoluta adoração . - Não deves ter conhecido muitos feiticeiros sérios - disse lhe , tentando animá o . Dobby abanou a cabeça . Em seguida , sem qualquer aviso , saltou e começou a bater furiosamente com a cabeça em a janela , gritando : - Dobby é mau ! Dobby é mau ! - Pára , o que é_que estás a fazer ? - perguntou Harry em um murmúrio sibilante , dando um salto e puxando Dobby de_novo para a cama . Hedwig acordara com um pio particularmente agudo e batia agressivamente com as asas contra as grades de a gaiola . - Dobby tinha que se castigar , meu senhor - afirmou o elfo , que ficara ligeiramente estrábico . - Dobby quase falou mal de a família de ele ... - De a tua família ? - De a família de feiticeiros que Dobby serve , meu senhor ... O Dobby é um elfo de casa , obrigado a servir uma casa e uma família para sempre . - Eles sabem que estás aqui ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Dobby estremeceu . - Oh , não senhor , não ... Dobby vai ter que se castigar muito por ter vindo vê o . Dobby vai ter que entalar as orelhas em a porta de o forno por isto . Se eles soubessem , senhor ... - Mas achas que eles não vão reparar se tu entalares as orelhas em a porta de o forno ? - Dobby duvida , senhor . Dobby está sempre a ter de se castigar por qualquer coisa . Eles deixam que o Dobby se castigue . _ às_vezes até sugerem alguns castigos extra . - Mas por_que é_que não te vais embora , não foges ? - Um elfo de casa tem de ser libertado , senhor . E a família nunca libertará Dobby . Dobby servirá a família até morrer . Harry olhou para ele . - E eu que pensava que era infeliz por ter de ficar aqui mais quatro semanas - declarou . - Isto faz os Dursleys parecerem quase humanos . Será que ninguém te pode ajudar ? Poderei eu ? Em o mesmo momento , Harry desejou não ter aberto a boca . Dobby desfez se em ruidosos soluços de gratidão . - Por favor - murmurou Harry , inquieto . - Por favor , está calado . Se os Dursleys ouvem barulho , se eles sabem que estás aqui ... - Harry_Potter pergunta se pode ajudar Dobby . Dobby ouviu falar de a sua grandeza , mas de a sua bondade , Dobby nada sabia . Harry , que se sentia corar , disse : - Seja o que for que tenhas ouvido sobre a minha grandeza , é um disparate . Nem_sequer sou o melhor de o meu ano em Hogwarts . É a Hermione . Ela ... Mas calou se rapidamente porque pensar em Hermione era lhe doloroso . - Harry_Potter é humilde e modesto - disse Dobby reverentemente , com os seus olhos de globo avermelhados . - Harry_Potter não fala de a sua vitória sobre « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . - Voldemort ? - perguntou Harry . Dobby bateu com as mãos em as enormes orelhas e gemeu : - Ai não diga o nome , senhor . Não diga o nome ! - Desculpa - disse Harry muito depressa . - Eu sei que muita gente não gosta . O meu amigo Ron ... Calou se de_novo . Pensar em o Ron era igualmente doloroso . Dobby voltou para Harry os seus dois olhos grandes como candeeiros . - Dobby ouviu dizer - balbuciou com voz rouca - que Harry_Potter encontrou o Senhor_do_Mal uma segunda vez há poucas semanas atrás ... que Harry_Potter lhe escapou de_novo . Harry acenou e os olhos de Dobby encheram se de lágrimas . - Ah , senhor - disse em um sobressalto , limpando o rosto com a ponta de a fronha de almofada que tinha vestida . - Harry_Potter é valente e arrojado . Enfrentou tantos perigos ! Mas Dobby veio protegê o , avisar Harry_Potter , mesmo_que para isso tenha de entalar as orelhas em a porta de o forno , que Harry_Potter não deve voltar para Hogwarts . Houve um silêncio apenas quebrado por o ruído de os garfos e de as facas lá em baixo e por a voz distante de o tio Vernon . - O q-q-uê ? - gaguejou Harry . - Mas eu tenho de voltar , o ano começa em o dia um de Setembro . É a minha razão de viver . Tu não sabes como são as coisas aqui . Eu não pertenço a este lugar , o meu lugar é em Hogwarts . - Não , não , não - guinchou Dobby , sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas andavam de um lado para o outro . - Harry_Potter deve ficar aqui , onde se encontra a salvo . É demasiado grande , demasiado bom para se perder . Se Harry_Potter regressar a Hogwarts correrá perigo de vida . - Porquê ? - inquiriu Harry , surpreendido . - Há uma conspiração , Harry_Potter . Uma conspiração para fazer acontecer coisas terríveis este ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts - murmurou Dobby que começara a tremer de a cabeça a os pés . - Dobby sabe de isto há meses , senhor . Harry_Potter não deve expor se a o perigo . É demasiado importante . - Que coisas terríveis são essas ? - perguntou Harry sem perder tempo . - Quem está por detrás ? Dobby fez um ruído esquisito e começou a bater com a cabeça contra a parede como um louco . - Está bem - gritou Harry , agarrando o braço de o elfo para o fazer parar . - Não podes dizer , eu compreendo . Mas porque vieste avisar me ? - Um pensamento súbito e desagradável surgiu lhe . - Espera aí , isto tem alguma coisa que ver com o Vol , desculpa com o Quem nós sabemos ? Basta que faças sim ou não com a cabeça - acrescentou com vivacidade enquanto a cabeça de Dobby se inclinava de_novo a uma velocidade preocupante para a parede . Lentamente , Dobby abanou a cabeça . - Não , não é « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . Os olhos de Dobby estavam abertos como_se estivesse a tentar dar a Harry uma pista , mas Harry estava completamente a a nora . - Ele não tem nenhum irmão , ou tem ? Dobby abanou a cabeça , os olhos mais abertos do_que nunca . - Bem , em esse caso não estou a ver quem mais poderia ter a possibilidade de fazer acontecer coisas horríveis em Hogwarts - disse Harry . - Quero dizer , para já está lá o Dumbledore . Sabes quem é Dumbledore , não sabes ? Dobby baixou a cabeça . - Albus_Dumbledore é o melhor director que Hogwarts alguma vez teve . Dobby sabe , senhor . Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore rivalizam com os d'aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Mas , senhor - a voz de Dobby desceu a um urgente murmúrio - há poderes que Dumbledore não ... poderes que nenhum feiticeiro sério ... E antes que Harry conseguisse impedi o Dobby saltou de a cama , agarrou o candeeiro de secretária de Harry e começou a bater com a cabeça , dando uivos ensurdecedores . Fez se silêncio lá em baixo . Dois segundos mais tarde , Harry com o coração a bater como um louco , ouviu o tio Vernon chegar a o * hall * e dizer . - O Dudley deve ter deixado outra_vez a televisão ligada , o maroto ! - Depressa , para dentro de o guarda-fatos - gritou Harry , empurrando Dobby bem para o fundo , fechando a porta e metendo se a correr em a cama mesmo a_tempo_de ver a maçaneta de a porta a girar . - Que diabo estás tu a fazer ? - disse o tio Vernon entre dentes , o rosto assustadoramente próximo de o de Harry . - Acabas de estragar o ponto alto de a minha anedota de o golfista japonês . Eu que oiça mais um som e vais desejar nunca ter nascido , rapaz ! Abandonou o quarto com grandes passadas . A tremer , Harry deixou Dobby sair de o guarda-fatos . - Estás a ver como são as coisas por aqui ? - disse . - Vês porque tenho de voltar para Hogwarts ? É o único sítio onde eu tenho ... bem , onde eu acho que tenho amigos . - Amigos que nem_sequer escrevem a Harry_Potter ? - disse Dobby com ar manhoso . - Calculo que devem ter estado ... espera aí - disse Harry , franzindo a testa . - Como é_que tu sabes que os meus amigos não me têm escrito ? Dobby arrastou os pés . - Harry_Potter não deve zangar se com Dobby . Dobby fez o que achou melhor ... - Tu tens estado a interceptar me as cartas ? - Dobby tem as aqui , senhor - disse o elfo . Saltando para longe de o alcance de Harry , retirou de dentro de a fronha que usava um espesso saco cheio de envelopes . Harry reconheceu de imediato a caligrafia certinha de Hermione , a escrita desordenada de Ron e até uns gatafunhos que pareciam ser de o guarda de os campos de Hogwarts , Hagrid . Dobby piscava ansiosamente os olhos . - Harry_Potter não deve ficar zangado ... Dobby esperava que ... se Harry_Potter pensasse que os amigos o tinham esquecido ... Harry_Potter talvez não quisesse voltar a a escola , senhor . Harry não o ouvia . Fez um gesto para agarrar as cartas , mas Dobby deu um salto , afastando se . - Harry_Potter terá as cartas , senhor , se der a Dobby a sua palavra de não voltar a Hogwarts . Ah , senhor , é um risco que não deve correr . Diga que não volta , senhor ! - Não - afirmou Harry zangado . - Dá me as cartas de os meus amigos ! - Em esse caso , Harry_Potter deixa Dobby sem escolha - disse o elfo tristemente . Antes que Harry pudesse fazer um movimento , Dobby tinha aberto a porta de o quarto e descido a correr por as escadas abaixo . Com a boca seca e um aperto em o estômago , Harry correu atrás de ele , tentando não fazer barulho . Saltou os últimos seis degraus , aterrando como um gato em a carpete de o * hall * , olhando em volta a a procura de Dobby . De a sala de jantar , ouviu a voz de o tio Vernon : - Conte a a Petúnia aquela história engraçadíssima de os funileiros americanos , ela tem estado louca por ouvi a , Mr._Mason . Harry correu de o * hall * para a cozinha e sentiu o estômago ficar pequenino . O pudim , que era a a obra-prima de a tia Petúnia , a montanha de creme batido coberto de violetas de açúcar flutuava junto de o tecto . Em cima de o guarda-louça de o canto , Dobby inclinava se servilmente . - Não - suplicou Harry . - Por favor , eles matam me . - Harry_Potter deve dizer que não vai voltar a a escola ... - Dobby , por favor . - Diga , senhor . - Não posso . Dobby lançou lhe um olhar trágico . - Então , Dobby deve fazê o , senhor , para o bem de Harry_Potter . O pudim foi direito a o chão em uma queda que parecia um coração a parar . O crome esguichou para as janelas e para as paredes , enquanto o prato se despedaçava . Com o ruído de uma chicotada , Dobby desapareceu . Ouviram se gritos em a casa de jantar e o tio Vernon irrompeu por a cozinha onde foi dar com Harry coberto , de a cabeça a os pés , por o pudim de a tia Petúnia . A princípio parecia que o tio Vernon ia conseguir arranjar uma desculpa para aquilo tudo . ( É só o nosso sobrinho , muito perturbado ; conhecer pessoas estranhas deixa o muito nervoso , por isso deixamos o lá em cima ... ) Conduziu_os_Mason , bastante chocados , para a sala de jantar , garantindo a Harry que o esfolava vivo quando os Mason se fossem embora e pôs lhe em as mãos um esfregão . A tia Petúnia descobriu um resto de gelado em o frigorífico e Harry , ainda a tremer , começou a limpar a cozinha . O tio Vernon poderia ainda ter feito o negócio , se não fosse a coruja . Estava a tia Petúnia a circular com uma caixa de After-Eight , quando uma enorme coruja de celeiro fez a sua entrada vertiginosa através de a janela de a casa de jantar , deixando cair uma carta em a cabeça de Mr._Mason e desaparecendo logo_a_seguir . Mrs._Mason gritava como uma carpideira e corria por a casa praguejando contra os lunáticos . Mr._Mason ficou o tempo estritamente necessário para dizer a os Dursleys que a mulher tinha um medo pânico de pássaros de todas_as formas e tamanhos e perguntar lhes se aquela era alguma brincadeira de mau gosto . Harry não saiu de a cozinha , agarrando o esfregão como defesa , enquanto o tio Vernon avançava para ele com um brilho demoníaco em os olhos pequeninos . - Lê isso - ordenou maldosamente . Harry pegou em a carta . Não era a desejar lhe um bom aniversário . * _ Caro_Mr._Potter , * _ Recebermos hoje informações de que um feitiço de suspensão em o ar foi efectuado em sua casa esta noite , a as nove_horas_e_doze_minutos . * _ Como sabe , os feiticeiros menores não estão autorizados a praticar magia fora de a escola e , se efectuar mais um trabalho mágico , será expulso de a nossa escola . ( Decreto_de_Restrições_Razoáveis_para_Feitiçaria_de_Menores , 1875 , parágrafo C. ) * _ Pedimos-lhe também que se lembre que qualquer actividade que possa ser notada por membros alheios a a nossa comunidade ( Muggles ) constitui uma ofensa grave , segundo a secção 13 de a Confederação_Internacional_do_Estatuto_da_Magia_Secreta . * _ Tenha umas boas férias . * Atenciosamente_Mafalda_Hopkirk_Gabinete_da_Utilização_Imprópria_da_Magia_Ministério_da_Magia * . Harry olhou para a carta e engoliu em seco . - Tu não nos contaste que estavas proibido de usar magia fora de a escola - disse o tio Vernon com um brilho maldoso a dançar lhe em os olhos . - Esqueceste te de o mencionar , passou te , não foi ? Tinha se aproximado de Harry como um grande * bulldog * , com todos os dentes a a mostra . - Tenho boas notícias para ti , rapaz , vou fechar te a a chave e , se tentares sair através_de magia , nunca mais voltas a aquela escola , eles expulsam te . E rindo como um louco , arrastou Harry até a o andar de cima . O tio Vernon era mau como as cobras . Em a manhã seguinte pagou a um homem para colocar grades em a janela de o quarto de Harry . Ele próprio abriu um pequeno buraco em a porta de o quarto para que a comida pudesse ser introduzida três vezes por dia . Deixavam o Harry sair para ir a a casa_de_banho de manhã e a o final de a tarde . O resto de o tempo estava fechado em o quarto , a a espera que o tempo passasse . Três dias mais tarde , os Dursleys não mostravam qualquer intenção de abrandar o castigo e Harry não sabia como sair de aquela situação . Estava deitado em a cama , vendo o sol brilhar por_entre as grades de a janela e perguntando se tristemente o que viria a acontecer lhe . Qual era a vantagem de sair de ali por artes mágicas , se Hogwarts o expulsaria em seguida ? Contudo , a vida em Privet_Drive tinha atingido o seu nível mais baixo . Agora_que os Dursleys tinham a certeza que não iam acordar transformados em morcegos , ele perdera a única arma que tinha . O Dobby podia tê o salvo de acontecimentos terríveis em Hogwarts , mas de a maneira que as coisas estavam , ele morreria muito provavelmente a a fome . A portinhola rangeu e a mão de a tia Petúnia apareceu empurrando uma tigela de sopa de pacote para dentro de o quarto . Harry , que estava cheio de fome , saltou de a cama e agarrou a . A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um único trago . A seguir , atravessou o quarto até a a gaiola de Hedwig e pôs os legumes ensopados dentro de o seu pratinho vazio . Ela agitou as penas e olhou o com profunda repugnância . - Não vale de nada virares lhe as costas . É tudo_o_que temos - disse Harry , de modo severo . Colocou a tigela vazia em o chão junto de a portinhola e voltou para_cima de a cama , de certo modo com mais fome do_que antes de ter comido a sopa . Admitindo que estaria ainda vivo dentro_de quatro semanas o que aconteceria se ele não se apresentasse em Hogwarts ? Será que mandariam alguém obrigar os Dursleys a deixá o ir ? O quarto começava a escurecer . Exausto e com o estômago a dar horas , o cérebro a as voltas com as mesmas questões sem resposta , Harry caiu em um sono intranquilo . Sonhou que fazia parte de um espectáculo de o jardim zoológico . Preso a a jaula onde se encontrava estava um cartaz onde podia ler se « feiticeiro menor de idade « . As pessoas olhavam o com olhos protuberantes , enquanto ele jazia fraco e esfomeado em um leito de palha . Viu a cara de o Dobby em o meio de a multidão e gritou lhe , pedindo ajuda , mas o Dobby respondeu : - Harry_Potter está em segurança aí , senhor - e desapareceu . Em seguida vieram os Dursleys e Dudley bateu em as grades de a jaula , rindo se de ele . - Pára com isso - murmurou Harry como_se aquele ruído martelasse em a sua cabeça dorida . - Deixa me em paz , pára com isso , estou a tentar dormir . Abriu os olhos . O luar brilhava através de as grades de a janela . E lá fora alguém olhava de olhos arregalados para ele : alguém de rosto sardento , cabelo ruivo e nariz grande . Ron_Weasley estava de o lado de_fora de a janela . III « A toca » Ron ! - exclamou Harry , arrastando se até a a janela e empurrando a para poderem falar através de as grades . - Ron , como é_que tu , foi o ... ? Harry ficou de boca aberta , espantado com o que viu . Ron estava debruçado de a janela de trás de um velho automóvel azul-turquesa que se encontrava estacionado em o ar . Em os lugares de a frente , rindo se para Harry , estavam os irmãos mais velhos , os gémeos Fred e George . - Tudo bem , Harry ? - O que é_que se tem passado ? - perguntou o Ron . - Porque não respondeste a as minhas cartas ? Convidei te para vires ter comigo umas doze vezes e um dia o pai chegou a casa e comunicou nos que tu tinhas recebido um aviso oficial por usares magia diante de os Muggles ... - Não fui eu . E como é_que ele soube ? - Ele trabalha em o Ministério - disse o Ron . - Tu sabes que nós não podemos fazer feitiços fora de a escola . - Bem , isso vindo de ti ... - exclamou Harry , olhando para o carro flutuante . - Oh , isto não conta - disse Ron . - Foi o meu pai que o emprestou . Não o fizemos aparecer por magia . Mas usar magia em a frente de esses Muggles com quem tu vives ... - Já te disse que não fui eu , mas vai demorar muito_tempo a explicar te isso agora . És capaz de avisar em Hogwarts que os Dursleys me fecharam a a chave e que não querem deixar me voltar e obviamente eu não posso sair de aqui magicamente senão o Ministério vai achar que é a segunda vez em três dias e ... - Pára com essa conversa tola - disse o Ron . - Viemos para te levar connosco . - Mas tu também não podes tirar me de aqui utilizando processos mágicos ... - Não precisamos de isso - afirmou Ron , fazendo um sinal de cabeça para os lugares de a frente . - Esqueces te de quem está aqui comigo . - Amarra isso em volta de as grades - disse o Fred , lançando a Harry a ponta de uma corda . - Se os Dursleys acordam estou feito - lamentou se Harry enquanto dava um nó bem apertado com a corda em uma de as grades e o Fred arrancava com o carro . - Não te preocupes e chega te para trás . Harry recuou para a sombra , para junto de Hedwig que parecia ter se apercebido de a importância de tudo aquilo , mantendo se quieta e em silêncio . O carro puxou mais e mais e , subitamente , com um ruído de ferro a ceder , as grades foram arrancadas de a janela , enquanto Fred conduzia com o céu como estrada . Harry correu de_novo para a janela para ver as grades a balouçarem a poucos metros de o chão . Ofegante , Ron içou as para dentro de o carro . Harry escutou ansiosamente mas não vinha qualquer som de o quarto de os Dursleys . Quando as grades estavam em segurança em os lugares de trás junto de Ron , Fred aproximou se o_máximo que lhe foi possível de a janela . - Anda de aí - disse . - Mas , todas_as minhas coisas de Hogwarts , a minha varinha , a minha vassoura ... - Onde estão ? - Fechadas em a despensa debaixo de as escadas e eu não posso sair de este quarto . . - Não há azar - disse o George . - Sai de a frente , Harry . Fred e George treparam cautelosamente e entraram por a janela em o quarto de Harry . Tinhas que ter aberto a boca , pensou Harry enquanto George tirava de o bolso um vulgar gancho de cabelo e começava a tentar abrir a fechadura . - Muitos feiticeiros acham que é uma perda de tempo aprender os truques de os Muggles - disse o Fred . - Mas nós pensamos que há habilidades que é sempre útil conhecer apesar_de serem um_pouco lentas . Ouviu se um pequeno clique e a porta abriu se . - Pronto , vamos buscar as tuas coisas . Tu vai dando a o Ron aquilo que precisas de aí de o teu quarto - murmurou George . - Cuidado com o degrau de cima que range - sussurrou Harry enquanto os gémeos desapareciam em o escuro . Harry deu a volta a o quarto , recolhendo as suas coisas e passando as por a janela a o Ron . Em seguida , foi ajudar o Fred e o George a trazerem o resto por as escadas acima . Ouviu o tio Vernon tossir . Por fim , de língua de_fora , chegaram a o quarto , junto de a janela aberta . Fred trepou para o carro para puxar os volumes com o Ron enquanto Harry e George os empurravam de dentro de o quarto . Centímetro a centímetro o malão foi passando por a janela . O tio Vernon tossiu de_novo . - Mais um_pouco - disse o Fred que estava a puxar de dentro de o carro . Um bom empurrão , vá . Harry e George encostaram os ombros contra a mala e ela escorregou para a parte de trás de o carro . - O. _ K. , vamos embora - murmurou o George . Mas quando Harry trepava para o parapeito de a janela ouviu se um forte pio atrás de ele , imediatamente seguido de o vociferar de o tio Vernon . - Aquela maldita coruja ! - Esqueci me de a Hedwig ! Harry precipitou se de_novo para o quarto , enquanto a luz de o patamar se acendia . Agarrou a gaiola de Hedwig , correu para a janela e passou a a o Ron . Estava a subir para_cima de a cómoda quando o tio Vernon bateu em a porta , que não estava fechada , e esta se abriu completamente . Por uma fracção de segundo , o tio Vernon ficou estático junto de a porta . Em seguida , soltou um mugido como um boi zangado e avançou para Harry , agarrando o por o tornozelo . Ron , Fred e George seguraram o por os braços e puxaram o com toda_a força . - Petúnia - rosnou o tio Vernon . - Ele está a fugir ! : __ ele está a __ fugir ! Os Weasleys deram um puxão gigantesco e a perna de o Harry escapou a as garras de o tio Vernon . Logo_que Harry entrou em o carro e a porta se fechou , Ron gritou : - Acelera Fred ! - E o carro partiu subitamente em direcção a a lua . Harry mal podia acreditar que estava livre . Esticou se a a janela , o ar de a noite a fustigar lhe os cabelos e olhou para baixo , para os telhados apertados de Privet_Drive . O tio Vernon , a tia Petúnia e o Dudley estavam todos debruçados com cara de parvos , a a janela de o quarto de ele . - Até a o próximo Verão - gritou . Os Weasleys riam se a as gargalhadas e Harry esticou se para trás em o assento e pediu a o ouvido de Ron : - Deixa sair a Hedwig . Ela pode voar atrás_de nós . Há séculos que não tem uma oportunidade de esticar as asas . George passou a o Ron o gancho de cabelo e , um momento depois , a Hedwig saíra feliz por a janela , planando atrás de eles como um fantasma . - Então , qual é a história ? - perguntou Ron , impaciente . - O que é_que tem estado a acontecer ? Harry contou lhes tudo sobre o Dobby , o aviso de este e o fracasso de o pudim de violetas . Houve um longo silêncio quando ele se calou . - Isso cheira me a esturro - disse , por fim , o Fred . - Definitivamente misterioso - concordou George . - Então ele nem te disse quem está supostamente por detrás dessa trama toda ? - Acho que não podia - explicou Harry . - Já te disse , de cada_vez que estava quase a deixar escapar qualquer coisa , começava a bater com a cabeça em a parede . Viu Fred e George olharem um para o outro . - O quê ? Acham que ele estava a mentir me ? - perguntou Harry . - Bem - começou o Fred -- , coloquemos as coisas de o seguinte modo , os elfos de casa têm poderes mágicos próprios , mas geralmente não podem usá os sem a autorização de os seus donos . Eu acho que o bom de o Dobby foi enviado para evitar que voltasses para Hogwarts . Uma ideia de um engraçadinho . Haverá alguém em a escola com má vontade contra ti ? - Sim - responderam Harry e Ron , precisamente ao_mesmo_tempo . - Draco_Malfoy - explicou Harry . - Ele detesta me . - Draco_Malfoy ? - perguntou George , voltando se para trás . - O filho de o Lucius_Malfoy ? - Deve ser . Não é um nome muito vulgar , pois não ? - disse Harry . - Mas porquê ? - Ouvi o pai falar acerca de ele - confidenciou George . - Ele era um grande apoiante de o « Quem nós sabemos » . - E quando o « Quem nós sabemos » desapareceu - continuou o Fred , voltando a cara para olhar para Harry - o Lucius_Malfoy voltou , dizendo que não foi por vontade própria que fez o que fez . Monte de lixo . O pai acha que ele fazia parte de um círculo de amigos íntimos de o « Quem nós sabemos » . Harry já tinha ouvido esses boatos sobre a família de Malfoy e não o surpreenderam em absoluto . Malfoy fizera Dudley_Dursley parecer um rapazinho simpático , amável e sensível . - Não sei se os Malfoy têm um elfo de casa ... - afirmou Harry . - Bem , quem quer que o possua é sem dúvida uma antiga família de feiticeiros e deve ser rica - explicou Fred . - Sim . A mãe está sempre a desejar que pudéssemos ter um elfo de casa para passar a roupa a ferro - disse o George . - Mas só temos um velho vampiro piolhoso em o sótão e gnomos espalhados por o jardim . Os elfos de casa pertencem a as grandes casas senhoriais , a os castelos e lugares assim , não encontrarias um em a nossa casa ... Harry estava calado . Considerando que Draco_Malfoy tinha sempre as melhores coisas , que a sua família nadava em ouro de feiticeiros , era fácil imaginá o passeando se por uma enorme casa senhorial . Mandar o servo de a família evitar que Harry voltasse para Hogwarts também parecia exactamente o tipo de coisa que Malfoy poderia fazer . Teria Harry sido estúpido a o tomar Dobby a sério ? - De qualquer modo , ainda_bem que viemos buscar te - declarou Ron . - Eu começava a ficar seriamente preocupado por não responderes a nenhuma de as minhas cartas . A princípio pensei que a culpa fosse de a Errol ... - Quem é a Errol ? - A nossa coruja . Já é velhota . Não seria a primeira vez que adoecia durante uma entrega . Por isso , tentei pedir a Hermes emprestada ... - Quem ? - A coruja que os meus pais compraram a o Percy quando ele foi nomeado prefeito - respondeu Fred . - Mas o Percy não me a emprestou . Disse que precisava de ela . - O Percy tem andado com atitudes muito estranhas este Verão - comentou George franzindo a testa . - E tem mandado imensas cartas e passado um tempo infinito fechado em o quarto ... enfim , pode limpar se e polir um distintivo de prefeito todas_as vezes que se quiser ... Estás a conduzir demasiado para ocidente , Fred - acrescentou apontando para uma bússola em o painel de o automóvel . Fred girou o volante . - Então , o vosso pai sabe que têm o carro ? - perguntou Harry , quase adivinhando a resposta . - Er ... não - disse o Ron . - Ele tinha trabalho esta noite . Felizmente vamos poder pô o de_novo em a garagem , sem a mãe perceber que andámos a voar nele . - A propósito , o que faz o vosso pai em o Ministério_da_Magia ? - Trabalha em o Departamento mais chato - respondeu Ron . - A Divisão de utilização incorrecta de artefactos de os Muggles . - O quê ? - Relaciona se com objectos de feitiçaria que foram feitos por os Muggles ; sabes como é , se forem parar de_novo a uma loja de os Muggles , ou a uma casa , como em o ano passado , quando morreu uma bruxa velha e o bule de ela foi vendido a uma loja de antiguidades . Uma mulher Muggle comprou o , tentou servir chá a os amigos . Foi um pesadelo , o pai teve de fazer horas extraordinárias durante semanas . - O que é_que aconteceu ? - O bule parecia louco , esguichou chá a ferver para todos os lados e um de os homens foi parar a o hospital com a pinça de o açúcar presa em o nariz . O pai ficou nervosíssimo . É só ele e o velho feiticeiro Perkings em o gabinete e tiveram de localizar e descobrir todo o tipo de encantamentos para resolver o assunto . - Mas o teu pai ... este carro ... Fred riu se . - Sim , o pai é louco por tudo_o_que tem que ver com os Muggles . A nossa arrecadação está cheia de coisas de os Muggles . Ele separa as , lança lhes feitiços e volta a pô as em o lugar . Se ele fizesse uma busca a nossa casa teria de se prender a si mesmo . A minha mãe fica louca com tudo aquilo . - É a estrada principal - gritou o George , apontando para baixo através de a janela . - Dentro_de poucos minutos estamos lá , mesmo a tempo , está a começar a clarear . Um leve brilho rosado tingia o horizonte para leste . Fred trouxe o carro para baixo e Harry pôde ver uma manta de retalhos de campos escuros e matas de arbustos . - Estamos um_pouco longe de a vila - disse George . - Em Ottery_St . Catchpole ... O carro voador foi descendo a os poucos . A luz avermelhada brilhava agora por_entre as árvores . - Terra - disse o Fred , em o momento em que tocaram em o chão com um ligeiro solavanco . Tinham aterrado perto_de uma garagem em ruínas em um pequeno pátio e Harry viu pela_primeira_vez a casa de o Ron . Parecia ter sido em tempos uma pocilga de pedra . Mas os quartos que posteriormente lhe tinham sido acrescentados haviam a tornado bastante mais alta e o seu aspecto era tão curvado que parecia ter sido construída por artes mágicas ( o que , pensou Harry , era , muito provavelmente , verdade ) . De o telhado vermelho saíam quatro ou cinco chaminés . Junto de a entrada , fixa em o chão , podia ver se uma inscrição assimétrica que dizia « A toca » . A o lado de a porta principal estava uma contusão de botas de * _ Wellington * e um caldeirão completamente enferrujado . Por o pátio passeavam se várias galinhas castanhas e gordas . - Não é grande coisa - desculpou se o Ron . - É óptima - exclamou Harry , feliz , pensando em Privet_Drive . Saíram de o carro . - Agora vamos lá para_cima sem fazer barulho - disse o Fred . - E esperamos que a mãe nos chame para o pequeno-almoço . Depois tu , Ron , desces a escada entusiasmadíssimo . - Mãe , olha quem apareceu cá durante a noite ! - E ela vai sentir se felicíssima quando vir o Harry . Assim ninguém fica a saber que levámos o carro voador . - Certo - disse o Ron . - Vamos , Harry , eu durmo em o ... Ron ganhou uma cor de um pálido esverdeado , os olhos fixos em a casa . Os outros três fizeram meia volta . Mrs._Weasley avançava por o pátio , afugentando as galinhas e , para uma mulher baixa , roliça e simpática , era fantástico como conseguia parecer se com um tigre dentes-de-sabre . - Ah ! - suspirou o Fred . - Oh , oh ! - exclamou o George . Mrs._Weasley parou em frente de eles . As mãos em as ancas , saltando de um olhar culpado para o outro . Usava um avental a as flores , com uma varinha a sair lhe de o bolso . - Com que então - disse . - Bom dia , mãe - arriscou o George com uma voz que tentou que fosse alegre e bem-disposta . - Vocês têm alguma ideia de como tenho estado preocupada ? - perguntou Mrs._Weasley em um murmúrio fraco . - Desculpe , mãe , mas sabe , nós tivemos que ... Os três filhos de Mrs._Weasley eram mais altos do_que ela , mas tremiam quando a fúria de a mãe se abatia sobre eles . - Camas vazias ! Nem um bilhete ! O carro desaparecido ... Podiam ter tido um acidente , estou fora de mim com tanta preocupação e vocês nem se importam ... nunca , enquanto eu for viva ... esperem só até o vosso pai chegar , nunca tivemos problemas de estes com o Bill , com o Charlie ou com o Percy ... - O perfeito Percy - resmungou Fred . - : __ tu não vales um dedo de a mão de o __ percy ! - gritou Mrs._Weasley , espetando um dedo em o queixo de o Fred . - Podias ter morrido , podias ter sido visto , podias ter feito com que o teu pai perdesse o emprego ... Parecia nunca mais acabar . Mrs._Weasley tinha gritado até ficar ronca , antes de se voltar para o Harry , que recuou . - Estou muito contente por te ver , Harry - disse . - Entra e vem tomar o pequeno-almoço . Ela voltou se e regressou a casa e Harry , depois de trocar um olhar nervoso com o Ron , que lhe acenou , encorajando o , seguiu a . A cozinha era pequena e bastante estreita . A meio havia uma enfezada mesa de madeira e cadeiras em volta e Harry sentou se a a beirinha de o assento , olhando em volta . Era a primeira vez que entrava em uma casa de feiticeiros . O relógio em a parede em frente de ele , tinha apenas um ponteiro e nenhum número . Em volta , estavam escritas frases como « Hora de fazer o chá » , « Hora de dar de comer a as galinhas « e « Estás atrasado » . Empilhados em o rebordo de a lareira estavam livros com títulos como * _ Encanta o teu próprio queijo , Encantamento em a cozedura de o pão e Banquetes em um minuto - é mágico * ! E , a menos que os ouvidos de Harry estivessem a traí o , o velho rádio próximo de o lava-loiças acabara de anunciar que a seguir vinha a Hora de enfeitiçar com a popular feiticeira-cantora Celestina_Warbeck . Mrs._Weasley fazia barulho com os talheres , preparando o pequeno-almoço um bocado a o acaso , lançando olhares furiosos a os filhos , enquanto lançava as salsichas em a frigideira . De vez em quando murmurava coisas como : « Não sei o que vos passou por a cabeça « ou « nunca devia ter confiado em vocês » . - Eu não te culpo , filho - tranquilizou Harry , pondo lhe sete ou oito salsichas em o prato . - Eu e o Arthur temos estado preocupados contigo . Ainda ontem a a noite estivemos a dizer que te iríamos buscar nós próprios se não respondesses a o Ron até sexta-feira . Mas , em a verdade ( estava agora a acrescentar três ovos estrelados a o prato de ele ) , atravessar metade de o país a voar em um carro ilegal , qualquer um vos poderia ter visto ... Agitou maquinalmente a varinha em a direcção de o lava-loiças , onde a loiça começou a lavar se sozinha , tinindo baixinho lá atrás . - Estava enevoado , mãe ! - exclamou o Fred . - Boca fechada enquanto comes ! - interrompeu Mrs._Weasley . - Eles estavam a fazê o passar fome , mãe ! - disse o George . - E tu também ! - disse Mrs._Weasley , mas já foi com uma expressão mais doce que começou a cortar o pão para Harry e a barrá o com manteiga . Em esse momento , as atenções voltaram se para um pequenino volto de cabelos ruivos , em uma camisa de dormir até a os pés , que surgiu em a cozinha , deu um grito agudo e desapareceu de_novo . - É a Ginny - disse Ron baixinho a o Harry -- , a minha irmã . Tem falado de ti todo o Verão . - Sim , ela vai querer o teu autógrafo , Harry - riu se o Fred , mas o seu olhar cruzou se com o de a mãe e inclinou se para o prato , não voltando a abrir a boca . Ninguém falou até os quatro pratos estarem limpos , o que sucedeu a uma velocidade surpreendente . - Bolas , estou cansado - bocejou Fred , pousando a faca e o garfo . Acho que me vou deitar e ... - Não vais , não senhor - interrompeu Mrs._Weasley . - A culpa é tua se ficaste toda_a noite acordado . Vais fazer a des-gnomização de o jardim . Eles estão outra_vez a exagerar . - Oh , mãe ... - E vocês os dois o mesmo - dirigiu se a o Ron e a o Fred . - Tu podes ir para a cama , filho - disse a Harry . - Não lhes pediste que guiassem aquele carro miserável . Mas Harry , que se sentia acordadíssimo , respondeu prontamente : - Eu ajudo o Ron , nunca vi uma des-gnomização ... - É muito simpático de a tua parte , querido , mas é um trabalho chato - explicou Mrs._Weasley . - Vejamos o que o Lockhart tem a dizer acerca disto . E puxou de o rebordo de a lareira um livro pesadíssimo . George resmungou : - Mãe , nós sabemos * des-gnomizar * o jardim . Harry olhou para a capa de o livro de Mrs._Weasley . Em grandes letras douradas , que ocupavam grande parte de a capa , podia ler se Guia_de_Gilderoy_Lockhart para pragas caseiras . Via se também a grande fotografia de um feiticeiro bem-parecido , de cabelos loiros ondulados e olhos azuis brilhantes . Como sempre , em o mundo de os feiticeiros , a fotografia mexia se . O feiticeiro , que Harry calculou ser Gilderoy_Lockhart , não parava de lhes piscar os olhos descaradamente . Mrs._Weasley sorriu lhe . - Oh , ele é fantástico - disse . - Conhece bem as pragas caseiras . É um livro maravilhoso . - A mãe adora o - disse Fred em um murmúrio bastante audível . - Não sejas ridículo , Fred - repreendeu Mrs._Weasley com as bochechas coradas . - É claro que se achas que sabes mais do_que o Lockhart , podes ir fazer o trabalho e ai de ti se houver um único gnomo em o jardim quando eu for fazer a inspecção . A bocejar e a resmungar , os Weasley arrastaram se lá para fora com Harry atrás de eles . O jardim era grande e , em a opinião de Harry , exactamente como deveria ser um jardim . Os Dursleys não teriam gostado . Havia uma enorme quantidade de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada , mas havia árvores nodosas em volta de as paredes , plantas que Harry nunca vira , tombando de todos os canteiros e um grande lago verde cheio de rãs . - Os Muggles também têm gnomos de jardim , sabes - disse o Harry a o Ron , enquanto atravessavam a relva . - Sim , já vi essas coisas que eles pensam que são gnomos - disse o Ron todo dobrado , com a cabeça em uma moita de peónias . - Como os Pais_Natais gordinhos com canas de pesca ... Houve um tumulto ruidoso , a moita de peónias estremeceu e Ron endireitou se . - Isto_é um gnomo - declarou com um ar sério . - Larga eu ! Larga eu ! - guinchou o gnomo . Não se parecia em absoluto com o Pai_Natal . Era pequenino e parecia de couro , com uma grande cabeça protuberante e calva , precisamente como uma batata . Ron agarrou o a a distância de um braço , enquanto ele dava pontapés em o ar com os seus pézinhos que pareciam chifres . Agarrou o por os tornozelos e voltou o de pernas para o ar . - Isto_é o que tens de fazer - disse . Levantou o gnomo acima de a cabeça ( Larga eu ! ) e começou a balouçá o em grandes círculos , como os vaqueiros fazem com os laços . A o ver a expressão chocada de Harry , Ron explicou : - Não os mágoa . Só tens de os deixar bem tontos para que consigam encontrar o caminho de regresso a os buracos de os gnomos . Largou os tornozelos de o gnomo . Ele voou seiscentos metros e aterrou com um ruído surdo em o campo a o lado de a sebe . - Deplorável - afirmou o Fred . - Aposto que consigo lançar o meu para_além de aquele tronco . Harry aprendeu rapidamente a não sentir muita pena de os gnomos . Decidira largar o primeiro que apanhou para_além de a sebe , mas o gnomo , sentindo fraqueza , enfiou os seus dentinhos , aguçados como laminas , em o dedo de o Harry e não foi fácil sacudi o para ele o largar , até que ... - Uau , Harry , esse deve ter sido seiscentos metros ... O ar estava subitamente cheio de gnomos voadores . - Vês , eles não são muito espertos - afirmou o George , agarrando cinco ou seis de uma_vez . - Em o momento em que se apercebem que começou a * des-gnomização * , aparecem todos para espreitar . Era de esperar que já tivessem aprendido a ficar quietinhos . Rapidamente a multidão de gnomos começou a ir se embora , atravessando os campos em uma fila ordenada , com os pequeninos ombros arqueados . - Eles voltam - disse o Ron enquanto os via desaparecer em a sebe de o outro lado de o campo . - Eles adoram estar aqui ... o pai é muito mole com eles , acha lhes piada . Em esse momento , a porta de a frente bateu . - Ele já voltou ! - exclamou o George . - O pai já está em casa ! Apressaram se a entrar . Mr._Weasley tinha se afundado em uma de as cadeiras de a cozinha , sem óculos e com os olhos fechados . Era um homem magro , quase calvo , mas o pouco cabelo que tinha era tão ruivo como o de os filhos . Vestia um longo manto verde cheio de pó e estava cansado de a viagem . - Que noite - murmurou , tacteando em busca de o bule , enquanto todos se sentavam a a volta de ele . - Nove assaltos , nove ! E o velho Mundungs_Fletcher tentou lançar me um feitiço quando eu estava de costas . Mr._Weasley tomou um bom gole de chá e suspirou . - Encontrou alguma coisa , pai ? - perguntou Fred ansiosamente . - Só encontrei algumas chaves encolhidas e uma chaleira que mordia - bocejou Mr._Weasley . - Havia um material bastante mauzinho , mas não era de o meu departamento . O Mortlake foi levado para ser interrogado sobre uns furões extremamente antigos , mas isso pertence a a Comissão_dos_Feitiços_Experimentais , graças_a Deus . - Por_que é_que alguém ia dar se a o trabalho de fazer encolher chaves ? - perguntou George . - Para chatear os Muggles - suspirou Mr._Weasley . - Vende se lhes uma chave que não pára de encolher , até que desaparece , de_modo_a que nunca a encontrem quando precisam ... É claro que é muito difícil condenar alguém , porque nenhum Muggle é capaz de admitir que a sua chave está a encolher , insistem em que estão sempre a perdê a . Benditos sejam , vão até onde for preciso para ignorar a magia , mesmo_que ela esteja em frente de os seus narizes ... mas vocês não acreditariam em as coisas que o nosso grupo tem levado para enfeitiçar ... - : __ como carros , por __ exemplo ? Mrs._Weasley tinha aparecido , segurando um grande atiçador que parecia uma espada . Os olhos de Mr._Weasley abriram se de repente , fitando a mulher com um ar culpado . - C-carros , Molly querida ? - Sim , Artur , carros - afirmou Mrs._Weasley , os olhos a faiscar . - Imagina um feiticeiro a comprar um carro velho e enferrujado e dizer a a mulher que a única coisa que queria fazer com ele era desmontá o para ver como ele funcionava , enquanto em a verdade estava a enfeitiçá o para o fazer voar . Mr._Weasley piscou os olhos . - Bem , querida , acho que poderás constatar que não é ilegal fazer isso , embora , er , talvez ele devesse ter contado a verdade a a mulher ... Existe uma forma de tornear a lei , já_que ela diz que ... desde_que não se tenha a * intenção * de voar em o carro , o facto de ele poder voar , não ... - Arthur_Weasley tu arranjaste essa forma de tornear a lei quando a escreveste ! - gritou Mrs._Weasley . - Para poderes continuar a remexer em todo aquele lixo de os Muggles que tens em a arrecadação ! E , para tua informação , o Harry chegou hoje_de_manhã em o carro que tu não pretendias pôr a voar ! - Harry ? - perguntou Mr._Weasley sem expressão . - Qual Harry ? Olhou em volta , viu Harry e deu um salto . - Santo_Deus , é Harry_Potter ? Muito prazer , o Ron falou nos tanto de si ... - * _ O teu filho conduziu aquele carro até a a casa de o Harry e de volta até aqui em a noite passada ! * - gritou Mrs._Weasley . - O que tens a dizer a esse respeito ? - A sério ! ? - exclamou Mr._Weasley com vivacidade . - Correu tudo bem , quero dizer ... - vacilou a o ver os olhos de Mrs._Weasley que faiscavam . - Er , fizeram mal , rapazes , muito mal , mesmo ... - Vamos deixá os a os dois - murmurou o Ron , enquanto Mrs._Weasley inchava como um sapo gigantesco . - Vamos , vou mostrar te o meu quarto . Esgueiraram se de a cozinha e desceram uma passagem estreita que dava para uma escada desnivelada que ziguezagueava a o longo de a casa . Em o terceiro andar , estava uma porta entreaberta . Harry só teve tempo de ver um par de olhos castanhos brilhantes que o olhavam fixamente , antes de a porta se fechar com um estalido . - A Ginny - disse o Ron . - Não imaginas como é estranho vês a tão tímida , ela que quase nunca se cala ... Subiram mais dois andares , até chegarem a uma porta com a tinta a descascar e uma pequena placa dizendo : « Quarto_do_Ronald » . Harry entrou . A cabeça quase tocava em o tecto inclinado . Piscou os olhos . Era como entrar dentro_de uma fornalha : quase tudo em o quarto de o Ron tinha um violento matiz alaranjado : a colcha de a cama , as paredes , até o tecto . Em seguida , apercebeu se de que o Ron tinha coberto cada centímetro de o velho papel de parede com * posters * de as mesmas sete feiticeiras e feiticeiros , todos vestidos com brilhantes mantos cor de laranja , transportando vassouras e acenando entusiasticamente . - A tua equipa de Quidditch ? - perguntou Harry . - Os Chudley_Cannons - disse Ron , apontando para a colcha cor de laranja que tinha um brasão com dois C's gigantes e uma bala de canhão a_toda_a velocidade . - Nono em a Liga . Os livros de estudo de feitiços de Ron estavam empilhados desordenadamente a um canto , junto de um monte de B. _ D. , todas elas relativas a as * _ Aventuras_de_Martin_Miggs , o Muggle louco * . A varinha mágica de o Ron estava em_cima_de um aquário cheio de ovos de rã sobre o peitoril de a janela , junto de o seu rato gordo e cinzento , Scabbers , que dormia uma soneca a o sol . Harry passou por_cima_de um baralho de cartas de jogar com vontade própria , que estava caído em o chão , e olhou para fora de a janelinha . Em o campo , não muito longe , podia ver um grupo de gnomos a esgueirarem se , um a um , de_novo para a sebe de os Weasley . Em seguida , voltou se para Ron que o observava nervoso , como_se esperasse a opinião de ele . - É um_pouco pequeno - declarou o Ron muito depressa . - Não se parece nada com o quarto que tu tinhas em casa de os Muggles . E estou mesmo debaixo de o vampiro de o sótão . Ele anda sempre a bater nos canos e a gemer ... Mas Harry , com um grande sorriso , disse lhe : - Esta é a melhor casa em que eu já estive . As orelhas de Ron ficaram cor-de-rosa . IV_Na_Flourish and Blotts_A vida em a Toca era o mais diferente que é possível de a vida em Privet_Drive . Os Dursleys gostavam de tudo limpo e arrumado , em casa de os Weasleys explodia o estranho e o inesperado . Harry teve um choque de a primeira vez que olhou para o espelho que estava sobre a lareira de a cozinha e ele gritou : - Mete para dentro a camisa , * desmazelado ! * - O vampiro de o sótão gemia e batia nos canos , sempre_que sentia as coisas demasiado calmas e as pequenas explosões em o quarto de o Fred e de o George , eram consideradas perfeitamente normais . Mas o que o Harry achou mais bizarro em a vida em casa de o Ron , não foi o espelho que falava , nem o vampiro barulhento , foi o facto de todos ali em casa parecerem gostar de ele . Mrs._Weasley preocupava se com o estado de as suas meias e tentava obrigá o a servir se quatro vezes a cada refeição . Mr._Weasley gostava que Harry se sentasse a o lado de ele a a mesa para poder bombardeá o com perguntas sobre a vida com os Muggles , pedindo que lhe explicasse como funcionavam coisas como as canalizações e o serviço de os correios . - Fascinante ! - exclamava , enquanto Harry lhe explicava a utilização de o telefone . - Engenhoso , de facto , todas_as maneiras que os Muggles encontraram para passar sem a magia . Harry teve notícias de Hogwarts em uma manhã de sol , cerca de uma semana depois de ter chegado a a Toca . Quando , ele e o Ron desceram para tomar o pequeno-almoço , encontraram Mr. e Mrs._Weasley e Ginny já sentados a a mesa . Em o momento em que viu o Harry , Ginny entornou a tigela de os cereais , que caiu a o chão com grande espalhafato . Ginny entornava facilmente coisas sempre_que o Harry estava em a sala . Mergulhou debaixo de a mesa para apanhar a tigela e emergiu com o rosto a brilhar como o sol poente . Fingindo não ter dado por nada , Harry sentou se e aceitou a torrada que Mrs._Weasley lhe ofereceu . - Cartas de a escola - disse Mr._Weasley , passando a o Harry e a o Ron envelopes idênticos de pergaminho amarelado , com a morada escrita a tinta verde . - O Dumbledore já sabe que estás aqui , Harry , não perde nada aquele homem . Vocês os dois também - acrescentou , enquanto Fred e George deambulavam em a casa , ainda em pijama . Fez se silêncio durante alguns momentos , enquanto liam as respectivas cartas . A de o Harry dizia para apanhar o Expresso_de_Hogwarts , como sempre em a Estação_de_King's_Cross , em o dia_1_de_Setembro . Havia ainda uma lista de os livros que precisaria para o próximo ano . Os alunos de o segundo ano deverão ter : * _ O_Livro_Padrão_de_Feitiços , Grau 2 , por Miranda_Goshawk . * _ Ensinamentos_de_Uma_Fada_Carpideira , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Férias com Bruxas , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Duendes , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Lobisomens , por Gilderoy_Lockhart . * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves , por Gilderoy_Lockhart * . Fred , que terminara a sua própria lista , espreitou para a de o Harry . - Também te mandam comprar os livros de o Lockhart - disse . - A professora de defesa contra as artes negras deve ser fanática . Aposto que é uma bruxa . Nessa_altura , Fred percebeu o olhar de a mãe e apressou se a comer o doce de laranja . - Esse conjunto não vai ficar barato - disse George , olhando rapidamente para os pais . - Os livros de o Lockhart são de os mais dispendiosos ... - Cá nos havemos de arranjar - declarou Mrs._Weasley , mas parecia preocupada . - Espero que pelo_menos para a Ginny possamos arranjar uma data de coisas em segunda mão . - Ah , vais entrar este ano para Hogwarts ? - perguntou lhe Harry . Ela fez um aceno , corando até a a raiz de os cabelos ruivos e meteu o cotovelo em o pires de a manteiga . Felizmente ninguém deu por nada , a não ser o Harry , porque em esse momento o irmão mais velho de Ron , o Percy , entrou . Já estava vestido , com a placa de prefeito aplicada a a sua camisola de malha . - Bom dia a todos - disse , cheio de vivacidade . - Está um dia lindo . Puxou a única cadeira livre , mas deu um salto quando ia sentar se e , debaixo de ele , saltou um espanador cinzento de penas , pelo_menos , foi o que o Harry pensou até ver que ele respirava . - Errol ! - exclamou Ron , afastando a coruja de o Percy e retirando lhe debaixo de a asa uma carta . - Até que enfim , a resposta de a Hermione . Escrevi lhe a contar que íamos tentar raptar te de casa de os Dursleys . Levou Errol para um poleiro que havia junto a a porta de as traseiras e tentou colocá a lá em cima , mas Errol caiu redonda e Ron teve de a pôr em a pia , murmurando : - Patético . - Em seguida , abriu a carta de a Hermione e leu a em voz alta . * _ Querido_Ron e Harry , se aí estiveres . Espero que tudo tenha corrido bem , que o Harry esteja O. _ K. e que não tenham feito nada ilegal para conseguir trazes o , porque isso podia criar lhe problemas também a ele . Tenho estado muito preocupada e , se o Harry estiver bem , por favor digam me qualquer coisa rapidamente , mas talvez seja melhor usarem uma nova coruja , porque acho que outra entrega pode acabar como esta . * _ Estou muito atarefada com trabalho de a escola , claro * . - Como é possível ? - perguntou Ron , horrorizado . - Estamos em férias ! - * _ E vamos para Londres em a próxima quarta-feira para comprar os meus livros novos . Porque não nos encontramos em a Diagon-al ? * _ Dêem-me notícias vossas o mais depressa possível . * _ Carinhosamente_Hermione * - Bem , parece uma boa solução , podemos ir todos comprar as vossas coisas - disse Mrs._Weasley , começando a limpar a mesa . - O que vão fazer hoje ? Harry , Ron , Fred e George tinham planeado ir a o cimo de o monte a um pequeno cercado de cavalos que os Weasleys possuíam . Estava rodeado de árvores que lhe tapavam a vista de a cidade cá em baixo , o que quer_dizer que podiam praticar Quidditch , desde_que não voassem muito alto . Não podiam usar as verdadeiras bolas de Quidditch pois seria muito difícil explicar se elas escapassem e voassem sobre a cidade . Em vez de elas , lançavam maçãs para os outros apanharem . Faziam turnos para montar a Nimbus dois_mil , que era de longe a melhor vassoura . A velha Shooting_Star_de_Ron fora muitas_vezes ultrapassada por as borboletas que passavam . Cinco minutos mais tarde estavam a marchar por o monte acima , de vassouras a o ombro . Tinham perguntado a o Percy se ele queria juntar se a eles , mas ele alegara muito trabalho . Até esse dia , Harry só tinha visto Percy a a hora de as refeições , ele ficava em silêncio em o quarto o resto de o tempo . - Gostava de saber o que ele anda a fazer - afirmou Fred , de testa franzida . - Não parece o mesmo . O resultado de os exames veio um dia antes de tu chegares : doze N_F_V e ele nem se manifestou satisfeito . - Níveis_de_Feitiçaria_Vulgares - explicou o George , vendo o olhar atarantado de Harry . - Se não temos cuidado , ainda nos calha outro Chefe_de_Turma em a família . Acho que não suportaria a vergonha . Bill era o mais velho de os irmãos Weasley . Ele e o irmão a seguir , Charlie , já tinham saído de Hogwarts . Harry não conhecia nenhum de os dois , mas sabia que o Charlie estava em a Roménia a estudar dragões e o Bill em o Egipto a trabalhar em o banco de os feiticeiros : Gringotts . - Não sei como o pai e a mãe vão arranjar dinheiro para nos pagar o material escolar este ano - disse o George , passado um bocado . - Cinco conjuntos de livros de o Lockhart ! E a Ginny precisa de mantos e de uma varinha e tudo_isso ... Harry não disse nada . Sentiu se um_pouco incomodado . Fechada em um cofre subterrâneo , em o banco de Gringotts_de_Londres , estava uma pequena fortuna que os pais lhe tinham deixado . É claro que só tinha esse dinheiro em o mundo de os feiticeiros , não se podem usar Galeões , Leões e Janotas em as lojas de os Muggles . Ele nunca fizera referência a a sua conta bancária em Gringotts a os Dursleys . Não lhe parecia que o horror que eles sentiam por tudo_o_que se relacionava com a feitiçaria se estendesse a uma enorme pilha de barras de ouro . Mrs._Weasley acordou os a todos bem cedo , em a quarta-feira seguinte . Depois de comerem umas doze sanduíches de * bacon * cada_um , enfiaram os casacos e Mrs._Weasley tirou um vaso de a prateleira de o fogão de a cozinha e espreitou lá para dentro . - Está a acabar se , Arthur - suspirou . - Temos de comprar mais hoje ... Bem , os hóspedes primeiro . Passa , Harry querido ! E ofereceu lhe o vaso de flores . Harry olhou espantado enquanto todos eles o observavam . - O q-que é_que eu devo fazer ? - gaguejou . - Ele nunca viajou com o pó de Floo - disse o Ron subitamente . - Desculpa , Harry , esqueci me . - Nunca ? - perguntou Mrs._Weasley . - Mas então como chegaste a a Diagon - _ Al em o ano passado para comprar as tuas coisas ? -- Fui por o subterrâneo . - A sério ? - disse Mr._Weasley , entusiasmado . - Havia fugitivos ? Como é_que ... - Agora não , Arthur - disse Mrs . Weasley . - O pó de Floo é muito mais rápido , querido , mas , valha me Deus , se ele nunca o usou ... - Vai correr bem , mãe - disse o Fred . - Harry observa nos primeiro . Tirou uma pitada de pó brilhante de dentro de o vaso , aproximou se de o lume e lançou o pó em as chamas . Com um rugido , o fogo ficou verde-esmeralda e elevou se a uma altura superior a a de o Fred que avançou , gritando Diagon - _ Al ! E desapareceu . - Tens de falar claramente , filho - disse Mrs._Weasley a o Harry , ao_mesmo_tempo que George metia a mão em o vaso de as flores . - E vê se sais em o fogão certo . - Em o quê ? - perguntou Harry , nervoso , enquanto o lume crepitava e fazia George desaparecer também . - Bem , há imensos fogos de feiticeiros , mas desde_que te tenhas expressado claramente ... - Ele vai conseguir , Molly , não te preocupes - disse Mr._Weasley , tirando também ele algum pó . - Mas querido se ele se perde como é_que vamos justificar nos perante o tio e a tia de ele ... -- Eles não se importariam - tranquilizou a Harry . - O Dudley ia achar imensa piada se eu me perdesse em uma chaminé , não se preocupe . - Bem , em esse caso ... tu vais a seguir a o Arthur - disse Mrs._Weasley . - Logo_que entres em o fogo diz para_onde queres ir . - E mantém os cotovelos dobrados - preveniu o Ron . - E os olhos fechados - disse Mrs._Weasley . - A fuligem . - Não te enerves - disse o Ron . - Senão podes ir parar a a lareira errada . - Não entres em pânico e não queiras sair cedo de mais . Espera até veres o Fred e o George . Fazendo um enorme esforço por reter toda aquela informação , Harry tirou uma pitada de pó de Floo e avançou para a beirinha de o fogo . Respirou fundo , espalhou o pó em as chamas e entrou . O fogo parecia uma brisa quente . Abriu a boca e engoliu , de imediato , uma grande quantidade de cinzas quentes . D-dia-gon-al - tossiu . Sentiu se como_se estivesse a ser sugado para um buraco gigantesco . Como_se girasse muito depressa ... o ruído era ensurdecedor . Tentou manter os olhos abertos mas o turbilhão de chamas verdes fê lo enjoar ... algo duro bateu lhe em o cotovelo e dobrou o de imediato . Continuava a rodar , a rodar ... sentia se agora como_se várias mãos frias estivessem a bater lhe em a cara ... Espreitando através de os óculos , viu uma torrente imprecisa de fogões e captou lampejos de as salas que estavam por detrás ... as sanduíches de * bacon * davam lhe a volta dentro de o estômago ... fechou os olhos desejando que tudo aquilo parasse e então caiu , de cara em o chão , em a pedra fria e sentiu os óculos partirem se a os bocados . Desorientado e ferido , coberto de fuligem , pôs se cautelosamente de pé , levando a os olhos os óculos partidos . Estava completamente só e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava . Tudo_o_que podia dizer era que a o seu lado via uma lareira que lhe parecia ser a de uma enorme e indistinta loja de feitiçaria . Mas nenhum de os artigos que ali se encontravam tinham aspecto de fazer parte de a lista de a escola de Hogwarts . Em uma caixa de vidro podia ver se uma mão atrofiada que repousava sobre uma almofada , um baralho de cartas ensanguentado e um olho de vidro que o olhava fixamente . Máscaras de expressão maldosa enchiam as paredes , olhando de esguelha , uma enorme quantidade de ossos humanos estendia se sobre o balcão e , de o tecto , pendiam instrumentos aguçados com pontas de ferro e pregos enferrujados . Mas o pior é_que a rua estreita e escura , que Harry conseguia avistar através de a janela poeirenta de a loja , não era de modo algum a Diagon-al . Quanto_mais depressa saísse de ali , melhor . O nariz ainda a doer lhe em o sítio onde batera em o chão a o aterrar , Harry avançou rápida e silenciosamente em direcção a a porta , mas antes de conseguir chegar a meio caminho , duas pessoas apareceram de o lado de_fora de o vidro , e uma de elas era a última pessoa que Harry desejaria encontrar em o momento em que se encontrava perdido , coberto de fuligem e com os óculos partidos , Draco_Malfoy . Harry olhou rapidamente em volta e apercebeu se de a existência de um grande armário escuro a a sua esquerda , saltou lá para dentro e fechou as portas , deixando uma gretazinha para poder espreitar . Segundos depois , uma campainha tocava e Malfoy entrava em a loja . O homem que o acompanhava só podia ser o pai . Tinha o mesmo rosto pálido de feições agudas e os mesmos olhos cinzentos de gelo . Mr._Malfoy atravessou a loja , olhando maquinalmente para os artigos expostos e tocou a campainha de o balcão , antes de se voltar para o filho , dizendo : - Não mexas em nada , Draco . Malfoy , que vira o olho de vidro , disse : - Pensei que ias oferecer me um presente . - Eu prometi que ia comprar te uma vassoura de corrida - declarou o pai , tamborilando com os dedos sobre o balcão . - Para que é_que me serve , se não estou em a equipa de Quidditch ? - perguntou Malfoy , carrancudo e de mau humor . - O Harry_Potter teve uma Nimbus dois_mil o ano passado , com a autorização especial de o Dumbledor é para jogar em os Gryffindor . Ele nem é assim tão bom , é só por ser * famoso * ... famoso por ter uma estúpida cicatriz em a testa . Malfoy baixou se para observar uma prateleira cheia de crânios . - Todos acham que ele é tão esperto , o Potter maravilha , com a sua cicatriz e a sua vassoura ... - Já me disseste isso doze vezes pelo_menos - comentou Mr._Malfoy , olhando repressivamente para o filho . - E devo lembrar te que não é prudente parecer menos do_que amigo de Harry_Potter , quando a maior parte de a nossa gente vê em ele um herói que fez desaparecer o Senhor_do_Mal . Ah , Mr._Borgin . Um homem curvado surgiu por detrás de o balcão , puxando o cabelo gorduroso para trás . - Mr._Malfoy , que prazer vês o de_novo - disse Mr._Borgin , em uma voz tão untuosa como o cabelo . - Encantado , e o nosso jovem Malfoy também , encantado . Em que posso servi os ? Tenho que vos mostrar o que chegou hoje , a um preço muito razoável ... - Hoje não venho comprar , Mr._Borgin , e sim vender - afirmou Mr._Malfoy . - Vender ? - O sorriso apagou se lentamente em o rosto de Mr._Borgin . - Certamente ouviu dizer que o Ministério está a levar a cabo mais buscas - explicou o Mr._Malfoy , retirando de o bolso um rolo de pergaminho e desembrulhando o para Mr._Borgin o ler . - Eu tenho alguns , ah , artigos em casa que poderiam criar me problemas se o Ministério me batesse a porta . Mr._Borgin colocou em o nariz um par de * pince-nez * e olhou para a lista . - O Ministério não se lembraria de o incomodar certamente ... O lábio de Mr._Malfoy dobrou se . - Ainda não me fizeram nenhuma visita . O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito , mas o Ministério está a ficar cada_vez_mais intrometido . Há boatos sobre um novo decreto de protecção de os Muggles , sem dúvida que aquele mordido de as pulgas , adorador de os Muggles , que é o Arthur_Weasley deve estar por detrás de isso . Harry sentiu crescer a raiva . - E , como pode ver , alguns de estes venenos podiam dar a ideia ... - Compreendo perfeitamente , claro - disse Mr._Borgin . - Deixe me ver ... - Posso ter aquilo ? - interrompeu Draco , apontando para a mão raquítica que estava sobre a almofada . - Ah , a mão de a glória ! - exclamou Mr._Borgin , abandonando a lista de Mr._Malfoy e apressando se a responder a Draco . - Põe se lhe uma vela e ela só dá luz a quem a transporta ! A melhor amiga de os gatunos e de os salteadores , o seu filho tem gosto , senhor . - Espero que o meu filho venha a ser mais do_que gatuno ou salteador , Borgin - disse Mr._Malfoy friamente e Mr._Borgin respondeu logo : - Sem ofensa , senhor , sem querer ofender . - Embora , se as notas de a escola não melhorarem - disse Mr._Malfoy ainda mais friamente - esse possa vir a ser o único caminho possível para ele . - Não tenho culpa - retorquiu Draco . - Todos os professores têm os seus preferidos , aquela Hermione_Granger ... - Eu , em o teu lugar , teria vergonha que uma rapariga que nem_sequer pertence a famílias de feiticeiros , me passasse a a frente em todos os exames - interrompeu Mr._Malfoy . Ah - fez Harry baixinho , radiante por ver Draco atrapalhado e furioso . - É o mesmo em todo o lado - comentou Mr._Borgin em a sua voz untuosa . - O sangue de os feiticeiros conta cada_vez menos ... - Não para mim - afirmou Mr._Malfoy , com as longas narinas dilatadas . - Não senhor , nem para mim - concordou Mr._Borgin , inclinando se em uma vénia . - Em esse caso , talvez possamos voltar a a minha lista - disse Mr._Malfoy secamente . - Estou com alguma pressa , Borgin , tenho ainda hoje assuntos importantes a tratar em outro lado . Começaram a discutir os preços . Harry via nervosamente o Draco aproximar se de o seu esconderijo enquanto observava os objectos a a venda . Parou para examinar um enorme rolo de corda de carrasco e para ver , com um sorriso afectado , o cartão preso com um aparatoso laço de opalas onde podia ler se : * _ Cautela , não tocar . Amaldiçoado - reclama as vidas de dezanove donos , todos eles Muggles * . Draco voltou se e viu o armário mesmo em frente . Avançou , estendeu a mão para o puxador ... - Feito - disse Mr._Malfoy , a o balcão . - Vamos , Draco . Harry limpou a testa a a manga quando Draco se afastou . - Muito bom dia , Mr._Borgin . Espero por si amanhã em a mansão para ir buscar a mercadoria . Em o momento em que a porta se fechou , Mr._Borgin abandonou os seus modos subservientes . « Bom dia para o senhor , Mr._Malfoy , e , se as histórias que contam são verdadeiras , não me vendeu nem metade do_que tem escondido em a sua mansão ... » Murmurando de forma taciturna , Mr._Borgin desapareceu em uma sala escura . Harry esperou um minuto não fosse ele voltar e , em seguida , o mais silenciosamente possível , escapou se de o armário , passou por as caixas de vidro e saiu de a loja . Encostando os óculos partidos a o rosto , olhou em volta . Saíra em uma rua estreita e sombria que parecia composta exclusivamente de lojas dedicadas a as artes negras . Aquela de onde acabava de sair parecia ser a maior , mas em frente estava uma montra tétrica de cabeças encolhidas e duas portas abaixo podia ver se uma enorme caixa viva cheia de gigantescas aranhas pretas . Dois feiticeiros com aspecto pobre observavam o de a sombra de uma porta , murmurando entre si . Sentindo se nervoso , Harry pôs se a caminho , tentando agarrar os óculos a direito e não desistindo de a esperança de encontrar maneira de sair de ali . Por um cartaz de madeira , pendurado em a rua , indicando uma loja de venda de velas envenenadas , ficou a saber que se encontrava em a Rua * _ Bativolta * , mas isso não o ajudou pois Harry nunca ouvira falar em tal lugar . Calculou que não tinha pronunciado bem as palavras com a boca cheia de cinzas em a lareira de os Weasley . Tentando manter a calma perguntou a si mesmo o que havia de fazer . - Não estás perdido , pois não , meu menino ? - perguntou uma voz , mesmo junto de o seu ouvido , que o fez dar um salto . Uma bruxa idosa estava em a sua frente , segurando um tabuleiro de uma coisa que se parecia horrivelmente com unhas humanas . A mulher olhou o maldosamente , mostrando os dentes esverdeados . Harry recuou . - Estou bem , obrigado - disse . - Estou só ... - HARRY ! O qu'é que pensas que estás a fazer aqui ? O coração de Harry deu um salto , assim_como o de a bruxa . Um monte de unhas caíram lhe sobre os pés e ela praguejou , enquanto o corpo enorme de Hagrid , o guarda de os campos de Hogwarts , se aproximava de eles a passos largos com os olhos castanhos-escuros a faiscarem sobre a longa barba eriçada . - Hagrid - gritou Harry , aliviado . - Eu estava perdido ... o pó de Floo ... Hagrid agarrou Harry por o cachaço e puxou o para longe de a bruxa , tirando lhe o tabuleiro de as mãos . Os guinchos agudos de a feiticeira seguiram nos até a o fundo de a ruela serpenteante que ia dar a um lagar onde brilhava o sol . Harry avistou a a distância um edifício de mármore branco como a neve que lhe era familiar : o banco de Gringotts . Hagrid conduzira o até a a Diagon - _ Al . - ` _ tás em um péssimo estado ! - disse Hagrid bruscamente , sacudindo lhe a fuligem com tanta força que Harry quase caiu em um barril de estrume de dragão que se encontrava a a porta de um boticário . - A fugir , em a Rua * _ Bativolta * , eu não conheço esse lugar finório , Harry , não quero que ninguém te veja aqui em baixo . - Já percebi - disse Harry , baixando se quando Hagrid fez menção de o escovar melhor . - Já te disse que estava perdido . E o que é_que tu fazes aqui ? - ` _ Tou a a procura d'um repelente para as lesmas comedoras de legumes - resmungou Hagrid . - ` _ tão a destruir as couves todas de a escola . Tu não estás sozinho ? - Estou em casa de os Weasley , mas separámo nos explicou Harry . - Tenho que os encontrar . Desceram juntos a rua . - Por_que é_que nunca respondeste a as minhas cartas ? - perguntou Hagrid , enquanto Harry corria para o acompanhar ( tinha de dar três passos por cada enorme passada de Hagrid ) . Harry explicou lhe tudo sobre Dobby e os Dursleys . - Malditos_Muggles - rugiu Hagrid . - S'eu tivesse sabido ... - Harry ! Harry ! Aqui ! Harry olhou para_cima e viu Hermione_Granger em o topo de a escadaria de Gringotts . Desceu para vir a o encontro de ele , o cabelo castanho de caracóis , a esvoaçar atrás de ela . - O que aconteceu a os teus óculos ? Olá_Hagrid ... Oh , é maravilhoso ver vos outra_vez . Vens a Gringotts , Harry ? - Logo_que encontre os Weasley - respondeu ele . - Não vais ter d'esperar muito - riu se Hagrid . Harry e Hermione olharam em volta . Subindo a rua , em o meio de a multidão , vinham Ron , Fred , George , Percy e Mr._Weasley . - Harry - chamou Mr._Weasley , ofegante . - Tínhamos esperança que só tivesses ido um fogão mais longe ... - passou um pano em a sua calva reluzente . - A Molly está nervosíssima , aí vem ela . - Onde é_que tu saíste ? - perguntou o Ron . - Em a Rua * _ Bativolta * - disse o Hagrid , com um ar sério . - Sensacional ! - exclamaram Fred e George ao_mesmo_tempo . - Nunca nos deram autorização para lá ir - disse o Ron com uma pontinha de inveja . - E fizeram muito bem - grunhiu Hagrid . Mrs._Weasley chegou em aquele momento a correr , a mala a balouçar em uma de as mãos e Ginny quase pendurada em a outra . - Oh Harry , oh meu querido , podias ter ido parar a qualquer lugar ... Tentando recuperar o fôlego , tirou de a mala uma grande escova de roupa e começou a retirar a fuligem que Hagrid não conseguira expulsar . Mr._Weasley pegou em os óculos de Harry , deu lhes um toque de varinha e entregou lhe os como novos . - Bem , tenho de m'ir embora - disse Hagrid cuja mão estava a ser esmagada por Mrs._Weasley ( -- Rua * _ Bativolta * ! Se não o tivesses encontrado , Hagrid ! ) . - Vemo nos em Hogwarts . - E afastou se , os ombros e a cabeça acima de a multidão que enchia completamente a rua . - Adivinham quem eu vi em o Borgin and Burkes ? - perguntou Harry_a_Ron e a Hermione enquanto subiam as escadarias de Gringotts . - Malfoy e o pai . - O Lucius_Malfoy comprou alguma coisa ? - perguntou interessado Mr._Weasley que estava atrás de eles . - Não , estava a vender . - Então está preocupado - comentou Mr._Weasley com visível satisfação . - Ah , eu adorava apanhar o Lucius_Malfoy em alguma . . - Tem cuidado , Arthur - interrompeu Mrs._Weasley enquanto o gnomo porteiro lhes dava reverentemente entrada em o banco . - Isso é um problema de família . Não queiras ter mais olhos que barriga . - Queres dizer com isso que achas que eu não chego para o Malfoy ? - perguntou Mr._Weasley , indignado , mas foi rapidamente afastado de aqueles sentimentos a o avistar os pais de Hermione que estavam de pé , nervosamente encostados a o balcão que acompanhava a grande parede de mármore , a a espera que Hermione os apresentasse . - Mas vocês são Muggles ! - disse Mr._Weasley , encantado . - Temos de tomar uma bebida . O que é isso aí ? Ah , estão a trocar dinheiro de Muggle . Molly , olha - apontou cheio de excitação para as notas de dez libras que Mr._Granger tinha em a mão . - Encontramo nos aqui - disse Ron_a_Hermione , enquanto os Weasley e Harry eram conduzidos a os seus cofres em o subterrâneo de Gringotts . Para chegar a os cofres havia que tomar umas carrinhas conduzidas por gnomos que se deslocavam ao_longo_de carris de comboio de pequenas dimensões através de os túneis subterrâneos de o banco . Harry gostou de a viagem acidentada até a o cofre de os Weasley , mas sentiu se bastante mal , pior do_que em a Rua * _ Bativolta * , quando o cobre foi aberto . Havia lá dentro um pequenino monte de Leões de prata e apenas um Galeão de ouro . Mrs._Weasley foi com a mão a a procura em os cantos antes de , com um gesto rápido , varrer tudo para dentro de o saco . Harry sentiu se ainda pior quando chegaram a o seu cofre . Tentou evitar que vissem o conteúdo enquanto empurrava apressadamente mãos cheias de moedas para dentro_de uma sacola de cabedal . Lá fora , em as escadarias de mármore , separaram se . Percy murmurou vagamente que precisava de uma nova pena de escrever . Fred e George tinham avistado um amigo de Hogwarts , Lee_Jordan . Mrs._Weasley e Ginny iam a uma loja de mantos em segunda mão , Mr._Weasley continuava a insistir em levar os Grangers a o Caldeirão_Escoante para lhes pagar uma bebida . - Encontrarmo nos todos em a Flourish and Blotts dentro_de uma hora para comprar os vossos livros de estudo - disse Mrs._Weasley , afastando se com Ginny . - E nem um passo em direcção a a Rua * _ Bativolta * - gritou a os gémeos que estavam de costas . Harry , Ron e Hermione deambularam por a rua empedrada e sinuosa . O ouro , prata e bronze que tilintavam alegremente em o saco que Harry tinha em o bolso pareciam exigir ser gastos , por isso ele comprou três enormes gelados de morango e manteiga de amendoim que eles devoraram felizes enquanto vagueavam sem destino por a rua fora , observando as montras fantásticas de as lojas . Ron olhou longamente para um conjunto completo de mantos de o Chudley_Cannon , em as montras de o « Equipamento_de_Quidditch_de_Qualidade » até Hermione o arrastar de ali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos . Em a « Jogos_de_Feitiçaria_de_Gambol and Japes » encontraram o Fred , o George e o Lee_Jordan que estavam presos em a fabulosa partida debaixo_de chuva e em os fogos-de-artifício de o Dr._Filibuster . E em uma pequenina loja de velharias cheia de varinhas partidas , balanças instáveis de latão e mantos velhos cobertos de nódoas de poções encontraram Percy profundamente concentrado em um pequenino livro , bastante chato , chamado * _ Prefeitos que conquistam o poder * . - * _ Um estudo sobre os prefeitos de Hogwarts e as suas posteriores carreiras * - leu alto o Ron em a contracapa . - Deve ser fascinante ... - Desaparece - gritou Percy . - Claro , ele é muito ambicioso , já tem tudo planeado . Quer ser ministro de a magia - disse o Ron baixinho a o Harry e a a Hermione , enquanto deixavam Percy entregue a o livro . Uma hora mais tarde dirigiram se a a Flourish and Blotts . Não eram de modo algum os únicos a encaminhar se para a livraria . À_medida_que se aproximavam viram com grande surpresa uma grande multidão a a porta , tentando entrar em a loja . O motivo de tal confusão estava anunciado em um cartaz que se estendia a o longo de a montra superior . GILDEROY_LOCKHART_Assinará exemplares de a sua autobiografia " eu , o mágico " Hoje 12.30 - 16.30 - Vamos poder conhecê o ! - gritou Hermione . - Quero dizer , ele escreveu quase todos os livros de a nossa lista ! A multidão parecia ser maioritariamente composta por bruxas de a idade de Mrs._Weasley . Um feiticeiro bem-parecido estava de pé junto de a porta , dizendo : - Calma , minhas senhoras , não empurrem , cuidado com os livros . Harry , Ron e Hermione conseguiram furar e entrar . Uma longa fila serpenteava para as traseiras de a loja onde Gilderoy_Lockhart estava a assinar os seus livros . Cada_um de eles pegou em um exemplar de * _ ensinamentos de Uma Fada_Carpideira * e escaparam se de a fila indo ter a o lugar onde se encontravam os outros com Mr. e Mrs._Granger . - Ah , aí estão vocês . _ óptimo - disse Mrs._Weasley que parecia estar com falta de ar e não parava de mexer em o cabelo . - Vamos poder vês o dentro_de um minuto . Gilderoy_Lockhart veio lentamente até um lugar onde era visível para todos , sentou se a uma mesa , rodeado de grandes fotografias de o próprio rosto , todo ele sorrisos , mostrando a a multidão o brilho cintilante de os seus dentes . Lockhart usava uma túnica azul-noite que condizia a as mil maravilhas com a cor de os olhos , o chapéu pontiagudo de feiticeiro colocado lateralmente sobre o cabelo ondulado . Um homenzinho pequenino e irritante andava a dançar de um lado para o outro , tirando fotografias com uma grande máquina preta que lançava baforadas de fumo arroxeado em cada * flash * . - Sai de o caminho , tu aí - disse rispidamente a o Ron , mudando de lugar para ter um angulo melhor . - Este é para o * _ Profeta_Diário * . - Grande coisa ! - exclamou o Ron , esfregando os pés em o lugar que o fotógrafo pisara . Gilderoy_Lockhart ouviu o . Olhou , viu o Ron e em seguida Harry . Voltou a olhar , desta_vez com mais atenção . Em seguida , pôs se de pé e gritou : - Não pode ser , o Harry_Potter ? A multidão dividiu se entre murmúrios de excitação . Lockhart aproximou se , agarrou Harry por um braço e levou o para a frente . A multidão rebentou em aplausos . A cara de Harry ardia quando Lockhart lhe apertou a mão para o fotógrafo que disparava como um louco , lançando fumo espesso para_cima de os Weasley . - Belo sorriso , Harry - disse Lockhart através de os seus dentes brilhantes . - Tu e eu juntos merecemos a primeira página . Quando por fim lhe largou a mão , Harry quase não sentia os dedos . Tentou recuar para junto de os Weasley , mas Lockhart lançou lhe um braço por os ombros e prendeu o a o seu lado . - Minhas senhoras e meus senhores - disse bem alto , fazendo sinal para que se acalmassem . - Que momento extraordinário este ! O momento perfeito para eu anunciar algo que tenho vindo a guardar comigo desde_há algum tempo . - Quando o jovem Harry entrou em a Flourish and Blotts hoje , ele queria apenas comprar a minha autobiografia , que tenho agora o maior prazer em oferecer lhe - a multidão aplaudiu de_novo . - Ele não tinha ideia - continuou Lockhart , dando a o Harry um pequeno encontrão que fez com que os óculos lhe escorregassem para a ponta de o nariz - de que ia conseguir em_breve muito mais do_que o meu livro Eu , o mágico . Ele e os seus colegas de a escola vão receber , de facto , o verdadeiro * _ Eu , o mágico * . Sim , minhas senhoras e meus senhores , tenho o maior prazer em anunciar que em o mês_de_Setembro assumirei o lugar de professor de Defesa contra as artes negras em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts ! A multidão aplaudiu e bateu palmas e Harry deu consigo a ser presenteado com a obra completa de Gilderoy_Lockhart . Cambaleando ligeiramente sob o peso de os livros conseguiu abrir caminho para longe de os projectores até a a porta de a sala onde estava Ginny com o seu novo caldeirão . - Podes ficar com estes - murmurou Harry , enfiando os livros em o caldeirão . - Eu vou comprar os meus . - Aposto que adoraste aquilo , não adoraste , Potter ? - disse uma voz que Harry não teve qualquer dificuldade em reconhecer . Endireitou se e deu consigo frente_a_frente com Draco_Malfoy que exibia o seu habitual sorriso escarninho . - O famoso Harry_Potter - disse Malfoy . - Nem_sequer pode entrar em uma livraria sem se tornar primeira página . - Deixa o em paz , ele não queria nada de isso - defendeu a Ginny . Era a primeira vez que falava em frente de Harry . Olhava para Malfoy com um ar feroz . - Potter , arranjaste uma namorada ! - disse arrastadamente Malfoy . Ginny ficou vermelha como um pimentão enquanto Ron e Hermione tentavam abrir caminho , ambos carregando montes de livros de Lockhart . -- Ah és tu ? - disse Ron , olhando para Malfoy como_se ele fosse algo desagradável colado a a sola de o sapato . - Aposto que te surpreendeu ver o Harry aqui ? - Não tanto como a ti em uma loja , Weasley - retorquiu Malfoy . - Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo . Ron ficou tão vermelho quanto Ginny . Deixou também cair os livros em o caldeirão e avançou para Malfoy , mas Harry e Hermione agarraram o por as costas de o casaco . - Ron - disse Mrs._Weasley , aproximando se com Fred e George . - O que estás a fazer ? Isto está uma loucura aqui dentro , vamos lá para fora . - Olha quem ele é , Arthur_Weasley . - Era_Mr._Malfoy . Estava de pé com a mão sobre o ombro de Draco , com o mesmo sorriso escarninho . -- Lucius - disse Mr._Weasley , acenando friamente . -- Muito trabalho em o ministério , segundo me consta - disse Mr._Malfoy . - Todas essas buscas ... espero que te estejam a pagar horas extraordinárias . Meteu a mão em o caldeirão de a Ginny e tirou de o meio de os livros de Lockhart um exemplar muito velho e muito gasto de o * _ Guia_de_Transfiguração_para_Principiantes * . - Parece que não - disse . - Que diabo , qual a vantagem de ser uma nódoa entre os feiticeiros se nem_sequer te pagam bem por isso ? Mr._Weasley corou mais ainda do_que Ron ou Ginny . - Nós temos uma opinião diferente sobre quem são as nódoas entre os feiticeiros - disse . - É claro que ... - disse Mr._Malfoy , os olhos mortiços passando para Mr. e Mrs._Granger apreensivamente . - As companhias com quem tu andas ... e eu que pensava que já não conseguias descer mais baixo ... Ouviu se um tilintar de metal quando o caldeirão de a Ginny foi por os ares . Mr._Weasley lançara se sobre Mr._Malfoy atirando o para dentro_de uma estante . Dezenas_de livros de feitiços saltaram lá de cima , caindo lhes sobre as cabeças . Houve um grito de - Chega lhe , pai ! - de o Fred e de o George . Mrs._Weasley soltava gritos agudos : - Não_Arthur , não . A multidão recuava deitando mais prateleiras a o chão . - Meus senhores , por favor - gritava o encarregado , e então , mais alto do_que todos : - Parem com isso , gente , parem com isso . Hagrid aproximava se através_de um mar de livros . Em um segundo afastou Mr._Weasley e Mr._Malfoy . Mr._Weasley tinha um lábio cortado e Mr._Malfoy fora agredido em um olho por uma * _ Enciclopédia_de_Cogumelos_Venenosos * . Tinha ainda em a mão o livro velho de a Ginny sobre transfiguração . Atirou lhe o , com os olhos a brilhar de malvadez . - Toma o teu livro , garota . É o melhor que o teu pai pode oferecer te . Libertando se de Hagrid , conduziu Draco para fora e abandonaram a livraria . - Devias tê o ignorado , Arthur - disse Hagrid quase a pegar em Mr._Weasley a o colo enquanto lhe endireitava o manto . - São podres até a a raiz , todos eles . Tod'à gente sabe . Nenhum Malfoy vale a pena ser ouvido . Não prestam , ' tá-lhes em o sangue . Vá lá , vamos sair de aqui . O encarregado parecia querer impedis os , mas , olhando bem para Hagrid , pensou melhor . Subiram a rua , os Grangers a tremer de medo e Mrs._Weasley fora de si . - Um belo exemplo para as crianças ... andar a a pancada em público . O que terá pensado Gilderoy_Lockhart ? - Ele gostou - disse o Fred . - Não o ouviram quando ia a sair ? Estava a perguntar a aquele tipo de o Profeta_Diário se conseguia incluir a briga em a reportagem , disse que era boa publicidade . Mas foi um grupo deprimido que regressou a a lareira de o Caldeirão_Escoante onde Harry , os Weasley e todas_as suas compras iriam viajar de volta até a a Toca , usando o pó de Floo . Despediram se de os Grangers que iam sair de o * pub * por a rua de os Muggles , de o outro lado . Mr._Weasley começou a perguntar lhes como funcionavam as paragens de autocarros , mas calou se rapidamente a o ver a expressão de Mrs._Weasley . Harry tirou os óculos e guardou os cautelosamente em o bolso antes de utilizar o pó de Floo . Definitivamente não era a sua forma ideal de viajar . V_O salgueiro zurzidor O fim de as férias de Verão chegou demasiado depressa para o gosto de Harry . Ele desejara muito regressar a Hogwarts , mas aquele mês em a Toca tinha sido o mais feliz de toda_a sua vida . Era difícil não invejar o Ron quando pensava em os Dursleys e em as boas-vindas que ia receber de a próxima vez que pusesse os pés em Privet_Drive . Em a última noite , Mrs._Weasley preparou um jantar magnífico , que incluía os pratos favoritos de Harry e terminava com um pudim de melaço de fazer crescer água em a boca . Fred e George alegraram a noite com uma exibição de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que saltaram de o tecto para as paredes , durante pelo_menos meia_hora . Depois , foi a altura de tomarem uma caneca de chocolate quente e irem para a cama . Em a manhã seguinte , demoraram muito_tempo a preparar se . Levantaram se com o cantar de o galo , mas parecia lhes que ainda tinham muito para fazer . Mrs._Weasley andava de um lado para o outro , mal-humorada , a a procura de meias e penas , chocavam uns com os outros em as escadas , meio vestidos , meio despidos , com pedaços de torrada em as mãos e Mr._Weasley quase partiu o nariz quando tropeçou em uma galinha a o atravessar o pátio , para meter em o carro a mala de Ginny . Harry não percebia lá muito bem_como é_que oito pessoas , seis grandes malas , duas corujas e um rato , iam caber em um pequeno * _ Ford_Anglia * , isso , claro , antes de as artes mágicas que Mr._Weasley acrescentara . - Nem uma palavra a a Molly - murmurou ele a o Harry , enquanto abria a bagageira e lhe mostrava como ela se expandira para que as malas coubessem facilmente . Quando , por fim , se acomodaram todos em o carro , Mrs._Weasley olhou para o banco de trás , onde Harry , Ron , Fred , George e Percy estavam confortavelmente sentados uns a o lado de os outros e disse : - Os Muggles têm mais conhecimentos do_que aqueles que nós lhes atribuímos , não achas ? - Ela e a Ginny entraram para o lugar de a frente , que fora esticado e parecia um banco de jardim . - Quer_dizer , de_fora ninguém diria que este carro era espaçoso , não acham ? Mr._Weasley pôs o motor a funcionar e saíram de o pátio , Harry voltando se para trás para ver por a última vez a casa . Mal teve tempo de se questionar se iria voltar alguma vez e já estavam de volta : George esquecera se de a caixa de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Cinco minutos mais tarde tiveram de interromper de_novo a viagem e voltar a o pátio para o Fred ir a correr buscar a vassoura . Estavam quase a chegar a a auto-estrada , quando Ginny guinchou que se esquecera de o diário . Mas estava a fazer se muito tarde e os ânimos começavam a exaltar se . Mr._Weasley olhou para o relógio e , em seguida , para a mulher . - Molly , querida ... - Não , Arthur . - Ninguém ia ver . Este botãozinho é um transformador de invisibilidade que eu instalei , levava nos por o ar , subíamos acima de as nuvens . Estaríamos lá em dez minutos e ninguém daria por nada ... - Eu disse que não , Arthur . Durante o dia , não . Chegaram a King's_Cross , faltava um quarto para as onze . Mr._Weasley precipitou se em busca de um carrinho de transporte para as malas e correram todos para a estação . Harry apanhara o Expresso_de_Hogwarts em o ano anterior . A parte mais difícil era entrar em a plataforma nove_e_três quartos , que não era visível a os olhos de os Muggles . Era preciso avançar para a barreira sólida que dividia as plataformas nove e dez . Não doía nada , mas tinha de ser feito com cuidado para que nenhum de os Muggles de esse , por o desaparecimento . - O Percy em primeiro lugar - declarou Mrs._Weasley , olhando nervosamente para o relógio lá em cima , que mostrava que tinham apenas cinco minutos para desaparecer através de a barreira . Percy avançou a passos largos e desapareceu . Mr._Weasley foi a seguir e depois de ele Fred e George . - Eu levo a Ginny e vocês vêm atrás_de nós - disse Mrs._Weasley a o Harry e a o Ron , agarrando Ginny pela mão e seguindo em frente . Em um abrir e fechar de olhos , tinham passado . - Vamos passar juntos , só temos um minuto - disse Ron a o Harry . Harry assegurou se de que a gaiola de a Hedwig estava bem fixa em cima de a sua mala e empurrou o carrinho de encontro a a barreira . Estava perfeitamente confiante , aquilo era muito mais fácil do_que usar o pó de Floo . Puseram os dois as mãos em o puxador de os carrinhos e avançaram direitos a a barreira , ganhando velocidade . A um metro e pouco , começaram a correr e ... CRASH . Os dois carros bateram em a barreira e foram impelidos para trás . A mala de o Ron caiu com um enorme estrépito . Harry desequilibrou se e a gaiola de a Hedwig foi parar a o chão brilhante , enquanto ela rolava guinchando , indignada . As pessoas em volta olhavam fixamente e um guarda que estava ali perto gritou : - Que diabo pensam vocês que estão a fazer ? - Perdemos o controlo de o carro de transporte - respondeu o Harry , respirando com dificuldade , agarrando se a as costelas , enquanto se punha de pé . Ron correu a agarrar a Hedwig , que estava a fazer uma cena tal , que já se ouviam murmúrios em a multidão sobre a crueldade para com os animais . - Porque é_que não conseguimos passar ? - perguntou Harry a o Ron em um sussurro . - Não sei . Ron olhou descontroladamente em volta . Uma_dúzia de curiosos estavam ainda a observá os . - Vamos perder o comboio - murmurou o Ron . - Não compreendo porque motivo a cancela se fechou . Harry olhou para o relógio gigantesco com um sentimento de náusea em a boca de o estômago . Dez segundos , nove segundos ... Dirigiu o carrinho de transporte para a frente com toda_a força . O metal manteve se sólido . Três segundos ... dois segundos ... um segundo ... - Partiu - afirmou o Ron , que parecia estonteado . - O comboio foi se embora . E se a mãe e o pai não conseguem voltar para aqui ? Tens algum dinheiro de Muggle ? Harry deu uma gargalhada . - Os Dursleys não me dão um tostão há mais de seis anos ! Ron encostou o ouvido a a barreira . - Não se ouve nada - disse , bastante tenso . - O que vamos nós fazer ? Não sei quanto tempo o pai e a mãe vão demorar . Olharam em volta . As pessoas ainda estavam a observá os , principalmente devido a os contínuos guinchos de a Hedwig . - Acho que o melhor é sairmos de aqui e esperamos por eles junto de o carro - disse Harry . - Aqui estamos a atrair demasiado as aten ... - Harry - disse o Ron , com os olhos a brilhar . - É isso , o carro . - O que é_que tem ? - Podemos voar nele até Hogwarts ! - Mas eu pensei ... - Estamos em apuros , certo ? E temos de chegar a a escola , ou não ? E mesmo os feiticeiros menores de idade estão autorizados a usar a magia em uma emergência real , parágrafo dezanove , ou não sei quê , de a Restrição de ... O sentimento de pânico de Harry transformou se em entusiasmo . - E tu sabes voar nele ? - Não há problema - disse o Ron , andando com o carrinho a a volta e dirigindo se para a saída . - Anda de aí . Se em os apressarmos , conseguiremos sair atrás de o Expresso_de_Hogwarts . E afastaram se de o grupo de Muggles curiosos , abandonando a estação e voltando a a rua , onde o velho * _ Ford_Anglia * se encontrava estacionado . Ron abriu a bagageira com uma série de toques de varinha . Meteram lá dentro as malas , puseram a Hedwig em o assento de trás e entraram para a frente . - Verifica se ninguém está a ver - disse o Ron , ligando a ignição com outro toque de varinha . Harry pôs a cabeça fora de a janela : o trânsito enchia a avenida principal , mas a rua de eles estava vazia . - O. _ K. - disse . Ron carregou em um pequeno botão de o painel . Os carros em volta desapareceram assim_como eles . Harry sentia o assento a vibrar debaixo_de si , ouvia o motor , sentia as mãos sobre os joelhos e os óculos em o nariz , mas , tanto quanto conseguia ver , tornara se um par de olhos redondos flutuando um metro e pouco acima de o chão em uma rua suja , cheia de carros estacionados . - Vamos - disse a voz de o Ron , vinda de o seu lado direito . O chão e os prédios escuros de ambos os lados desapareceram de o seu ângulo de visão , mal o carro se elevou . Em poucos segundos toda_a cidade de Londres , enevoada e resplandecente , estava por baixo de eles . Em seguida , ouviu se um ruído que parecia o saltar de uma rolha e o carro , Harry e Ron , reapareceram . - Oh , oh - disse Ron , batendo em o intensificador de invisibilidade . - Está avariado ... Começaram os dois a bater em o botão . O carro desapareceu . Depois surgiu de forma intermitente . - Aguenta aí - gritou o Ron e carregou com o pé em o acelerador . Saltaram direitinhos para o meio de as nuvens mais baixas e tudo ficou sujo e enevoado . - E agora ? - exclamou Harry , piscando os olhos a a sólida massa de nuvens que os comprimia de todos os lados . - Precisamos de avistar o comboio para sabermos qual a direcção a tomar - explicou o Ron . - Desce rapidamente ... Desceram por o meio de as nuvens e voltaram se em os lugares , espreitando . - Estou a vê o - gritou Harry . - Mesmo em frente , ali . O Expresso_de_Hogwarts deslocava se a grande velocidade lá em baixo , como uma serpente vermelha . - Para Norte - disse o Ron , verificando a bússola de o painel . - O. _ k . , basta que verifiquemos de meia em meia_hora . Aguenta aí ... - e arrancaram por o meio de as nuvens . Em o minuto seguinte , tinham chegado a a luz brilhante de o Sol . Era um mundo diferente . Os pneus de o carro deslizavam sobre o mar de nuvens macias , o céu era de um azul infinito sob a luz , capaz de cegar , que irradiava de o Sol . - Agora só temos de nos preocupar com os aviões - disse o Ron . Olharam um para o outro e desataram a rir . Durante muito_tempo não conseguiram parar . Era como_se tivessem mergulhado em um sonho fabuloso . Aquela , pensou Harry , era certamente a única maneira de viajar : passando por turbilhões e torres de nuvens cor de neve , em um carro cheio de calor , o sol radioso , com um grande pacote de rebuçados em o porta-luvas e antegozando o ar de inveja de o Fred e de o George quando aterrassem suavemente e de forma espectacular em o relvado macio em frente de o castelo de Hogwarts . Espreitaram várias vezes o comboio enquanto voavam cada_vez_mais para norte . Cada descida entre as nuvens dava lhes uma perspectiva diferente . Londres depressa ficou para trás , substituída por campos verdejantes que , por sua vez , deram lugar a grandes pântanos arroxeados , aldeias com pequenas igrejas de brinquedo e uma grande cidade , cheia de vida , com carros que pareciam formigas multicores . Várias horas mais tarde sem acontecer nada de_novo , Harry teve de admitir que uma parte de o entusiasmo se esgotara . Os rebuçados tinham nos deixado cheios de sede e não havia nada para beber . Ele e o Ron tinham tirado as camisolas , mas a * _ T-shirt * de o Harry estava colada a as costas de o assento e os óculos não paravam de lhe escorregar para a ponta de o nariz . Deixara de reparar em as fabulosas formas de as nuvens e pensava com saudade em o comboio , milhas abaixo de eles , onde se podia comprar sumo fresquinho de abóboras em um carro empurrado por uma bruxa gordinha . Porque não teriam conseguido entrar em a plataforma nove_e_três quartos ? - Não pode ser muito mais longe , pois não ? - resmungou o Ron , horas mais tarde quando o Sol começava a enfiar se em o seu chão de nuvens , pintando as de um rosa profundo . - Estás pronto para outra espreitadela a o comboio ? Ainda ia mesmo por baixo de eles , abrindo caminho por_entre uma montanha com o topo coberto de neve . Estava muito mais escuro entre o dossel de nuvens . Ron pôs o pé em o acelerador e levou os de_novo para_cima , mas em esse momento o motor começou a chiar . Harry e Ron trocaram entre si olhares nervosos . - Deve estar só cansado - disse o Ron . - Nunca tinha vindo tão longe ... - E fingiram ambos que não davam por o gemido que se ia tornando maior à_medida_que o céu serenamente escurecia . As estrelas desabrochavam em a escuridão , Harry voltou a enfiar a camisola de lã , tentando ignorar os limpa pára-brisas que acenavam debilmente como_que a protestar . - Não devemos estar longe - disse Ron , dirigindo se mais a o carro do_que a o amigo . - Já não devemos estar longe - deu umas palmadinhas nervosas em o * tablier * . Pouco depois , quando voltaram a voar em o meio de as nuvens , tiveram de olhar de lado em a escuridão , em busca de um ponto de referência que conhecessem . - Ali - gritou Harry , fazendo o Ron e a Hedwig darem um salto . - Mesmo em frente . Recortados em o horizonte negro , sobre o rochedo de o outro lado de o lago , erguiam se as torres e torreões de o castelo de Hogwarts . Mas o carro tinha começado a estremecer e perdia a os poucos velocidade . - Vá lá - disse o Ron , dando a o volante um pequeno abanão bajulador . - Estamos quase a chegar , vá lá ... O motor gemeu . Pequenos jactos de vapor de água brotaram de o capo . Harry deu consigo agarrado com toda_a força a os bordos de o assento enquanto voavam direitos a o lago . O carro deu um solavanco feio . Espreitando por a janela , Harry viu a superfície negra , macia e espelhada de a água cerca de uma milha abaixo de eles . Os dedos de o Ron agarrados a o volante tinham as articulações brancas . O carro deu um novo esticão . - Vá lá - murmurou o Ron . Estavam sobre o lago ... o castelo ficava mesmo em frente . Ron fez força com o pé . Houve um ruído surdo , uma crepitação e o motor morreu por completo . - Oh ! oh ! - gemeu Ron em o silêncio . O nariz de o carro voltou se para baixo . Estavam a cair , ganhando velocidade em direcção a os muros sólidos de o castelo . - Naaaaão ! - gritou o Ron , girando o volante . Escaparam a a muralha de pedra negra por centímetros , quando o carro fez um grande arco , planando primeiro sobre as estufas , depois sobre o rectângulo plantado com vegetais e , por fim , sobre os relvados , perdendo sempre velocidade . Ron largou o volante por completo e tirou a varinha de o bolso de trás . - __ pára ! __ pára ! - gritou , batendo em o * tablier * e em o pára-brisas , mas eles continuavam a mergulhar , o chão a voar em direcção a eles . - : __ cuidado com essa __ árvore ! ! ! - bramiu Harry , deitando a mão a o volante , mas ... tarde de mais ... CRUNCH . Com um ruído ensurdecedor de metal e madeira , bateram em o tronco espesso de a árvore e caíram em o chão com um forte solavanco . O vapor era um mar debaixo de o capo amachucado . A Hedwig tremia apavorada . Em a cabeça de Harry surgira um alto de o tamanho de uma bola de golfe , quando ele batera em o pára-brisas , tombando em seguida para a direita . Ron soltou um gemido longo e desesperado . - Estás O. _ K ? - perguntou Harry , aflito . - A minha varinha - disse o Ron em uma voz trémula . - Olha para a minha varinha . Tinha se partido praticamente em duas , a ponta balouçava mole , presa por meia_dúzia de esquírolas . Harry abriu a boca para dizer que em a escola com certeza conseguiriam consertá a , mas nem chegou a começar a frase . Em esse preciso momento , algo bateu em o seu lado de o carro , com a força de um touro , projectando o para_cima de o Ron , ao_mesmo_tempo que um golpe igualmente forte se sentiu em o capô . - O que está a acontec ... Ron arfou , olhando fixamente por o pára-brisas e Harry olhou em volta , mesmo a_tempo_de ver uma ramada espessa como uma píton vir contra o vidro . A árvore em que tinham batido estava a atacá os . O tronco dobrara se quase a meio e os seus galhos rugosos davam uma tareia a cada centímetro de o carro que conseguiam atingir . - Ah ! - praguejou o Ron , quando outra pernada retorcida esmurrou a sua porta , amolgando a . O pára-brisas tremia agora sob uma saraivada de golpes vindos de galhos que pareciam patas de animais e uma ramada espessa como um aríete esmagava furiosamente o capo , que parecia estar a ceder ... - Corre ! - gritou o Ron , lançando o seu peso contra a porta , mas , em o momento seguinte , tinha sido atirado para trás , para o colo de Harry por um soco maldoso , dado de baixo para_cima , por outro ramo . - Estamos feitos ! - resmungou , enquanto o tecto descaía . Mas , de repente , o chão de o carro estava a vibrar , o motor pegara . - Marcha atrás - gritou o Harry e o carro deu um salto para trás . A árvore tentava ainda agredis os , ouviam as raízes chiar , enquanto quase se partiam esticando se para os alcançar . - Escapámos por_pouco ! - exclamou o Ron . - Muito bem , carro . Mas o carro tinha atingido o limite de as suas forças . Com dois estalidos , as portas abriram se e Harry sentiu o seu assento inclinar se para o lado . Quando deu por si , estava estatelado em o chão húmido . Ruídos surdos avisaram o de que o carro estava a ejectar as malas de a bagageira . A gaiola de a Hedwig voou por os ares e abriu se . Ela saiu a voar com um pio furioso e dirigiu se a o castelo , sem sequer olhar para trás . Em seguida , o carro , amolgado , arranhado e a fumegar , arrancou em o escuro , com os faróis traseiros ardendo de fúria . - Volta aqui ! - gritou o Ron , brandindo a varinha partida . - O meu pai mata me . Mas o carro desapareceu a perder de vista , com um último estoiro de o tubo de escape . - Já viste bem o nosso azar ! ? - exclamou o Ron em o meio de a sua infelicidade , baixando se para apanhar o rato Scabbers . - De todas_as árvores em que podíamos ter batido , tínhamos de ir dar a uma que bate também . Olhou por cima de o ombro para a velha árvore que ainda agitava os ramos ameaçadoramente . - Vamos - disse Harry , fatigado . - É melhor irmos andando para a escola ... Não foi , de modo algum , a chegada triunfal que tinham imaginado . Constrangidos , cheios de frio e magoados , pegaram em as malas e começaram a arrastá as por o relvado acima , em direcção a as grandes portadas de carvalho . - Acho que o banquete já começou - disse o Ron , largando a mala em os degraus de a entrada e atravessando devagarinho para espreitar por uma janela iluminada . - Harry , anda ver , é a distribuição . Harry apressou se e os dois , ele e o Ron , espreitaram para o Salão_Nobre . Um número infindável de velas pairava em o ar , sobre quatro mesas enormes cheias de gente , fazendo brilhar os pratos dourados e as taças . Em cima , o tecto encantado que espelhava o céu lá de_fora , brilhava cheio de estrelas . Por_entre a floresta de chapéus pretos pontiagudos de Hogwarts , Harry viu uma longa fila de alunos de o primeiro ano com olhares assustados que enchia o vestíbulo . Ginny estava entre eles , facilmente reconhecível devido a o seu chamativo cabelo Weasley . Enquanto isso , a professora Mc_Gonagall , uma bruxa de óculos com cabelo castanho apanhado em um carrapito , colocava o famoso chapéu seleccionador em um banco que se encontrava em frente de os novos alunos . Todos os anos , aquele velho chapéu , remendado , puído e cheio de pó , seleccionava alunos para as quatro equipas de Hogwarts ( Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin ) . Harry lembrava se bem de o ter colocado em a cabeça , precisamente um ano antes , e ter esperado petrificado por a sua decisão , enquanto ele lhe murmurava a o ouvido . Durante alguns horríveis segundos receara que o chapéu o mandasse para os Slytherin , a equipa que produzia maior número de feiticeiros e feiticeiras de magia negra , mas acabara por ficar em os Gryffindor , juntamente com Ron e Hermione e o resto de os Weasley . Em o último período , Harry e Ron tinham ajudado os Gryffindor a vencer o campeonato de a equipa , batendo os Slytherin pela_primeira_vez em sete anos . Um rapazito baixinho com cabelo de rato acabava de ser chamado para pôr o chapéu em a cabeça . Os olhos de Harry saltavam de ele para o lugar onde o professor Dumbledore , o director , estava sentado , observando a selecção de a mesa de os professores , com a sua longa barba cor de prata e óculos de meia-lua que brilhavam a a luz de as velas . Alguns lugares a a frente , Harry viu Gilderoy_Lockhart com um manto verde-azulado . E lá bem a o fundo estava Hagrid , enorme e cabeludo , bebendo satisfeito de a sua taça . - Espera aí - murmurou a o Ron . - Há um lugar vazio em a mesa de os professores . Onde estará o Snape ? Severus_Snape era o professor de quem Harry menos gostava . Harry era também o seu aluno menos querido . Cruel , sarcástico e detestado por todos com excepção de os alunos de a sua própria equipa ( Slytherin ) , Snape tinha a seu cargo a cadeira de Poções . - Talvez esteja doente - sugeriu Ron , cheio de esperança . - Talvez se tenha ido embora - lembrou Harry . - Por não lhe terem dado outra_vez a Defesa contra as artes negras . - Ou talvez tenha sido corrido - propôs Ron com entusiasmo . - Afinal , toda_a_gente o detesta ... - Ou talvez - disse uma voz gelada atrás de eles - esteja a a espera que vocês lhe expliquem por_que motivo não vieram em o comboio de a escola . Harry deu uma volta . Em a sua frente , com o manto negro a ondular em uma brisa fria , estava Severus_Snape . O professor era um homem magro , de pele descorada , nariz adunco e um cabelo preto oleoso que lhe caía sobre os ombros . E em aquele momento sorria de um modo tal que Harry sentiu que tanto ele como Ron estavam em sérios apuros . - Sigam me - disse Snape . Sem ousarem sequer olhar um para o outro , Harry e Ron seguiram Snape por as escadas até a o amplo * hall * de entrada que estava iluminado por as chamas de os archotes . De o salão nobre vinha um cheirinho delicioso a comida , mas Snape levou os para longe de a luz e de o calor , em direcção a uma escada estreita de pedra que conduzia a os calabouços . - Entrem - ordenou , abrindo uma porta a meio de o corredor e apontando . Entraram a tremer em o escritório de Snape . As paredes sombrias estavam cobertas de prateleiras cheias de jarros de vidro grosso onde flutuavam as coisas mais diversas e repugnantes , cujo nome Harry não queria de momento conhecer . A lareira estava escura e vazia . Snape fechou a porta e voltou se de frente para eles . - Com que então - disse com falsa suavidade - o comboio não serve para o famoso Harry_Potter e o seu fiel companheiro Weasley . Queriam chegar em grande estilo , não era rapazes ? - Não senhor , foi a barreira em King's_Cross , ela ... - Silêncio - disse Snape friamente . -- _ o que fizeram a o carro ? Ron engoliu em seco . Aquela não era a primeira vez que Snape dava a Harry a impressão de ser capaz de ler pensamentos . Mas , pouco depois , compreendeu tudo quando Snape desenrolou o exemplar de o Profeta_Vespertino . - Vocês foram vistos - afirmou , mostrando lhes o cabeçalho : : __ ford anglia voador confunde __ muggles . Começou a ler alto a notícia . - Dois Muggles em Londres convenceram se de que tinham visto um carro velho a voar sobre a torre de os correios ... a a tardinha em Norfolk , Mrs._Hetty_Bayliss , enquanto pendurava a roupa ... Mr._Angus_Fleet_de_Peebles informou a polícia ... seis ou sete Muggles a o todo . Julgo que o teu pai trabalha em o departamento de mau uso dado a os objectos de os Muggles ? - disse olhando para Ron e sorrindo de uma forma ainda mais sarcástica . - Que peninha , o próprio filho ... Harry sentiu se como_se tivesse levado um soco em o estômago de uma de as maiores pernadas de a árvore louca . E se alguém descobrisse que Mr._Weasley tinha enfeitiçado o carro ? Ele ainda nem tinha pensado em isso . - Reparei durante a minha volta por o jardim que foi feito um estrago considerável em um salgueiro zurzidor extremamente valioso - continuou Snape . - Essa árvore fez nos pior a nós do_que nós ... - deixou escapar Ron . - Silêncio - interrompeu Snape , de_novo . - Infelizmente vocês não fazem parte de a minha equipa e a decisão de vos expulsar não está em as minhas mãos . Vou , por isso , buscar as pessoas que possuem essa feliz possibilidade . Esperem aqui . Harry e Ron olharam , pálidos , um para o outro . Harry perdera a fome . Sentia se agora extremamente agoniado . Tentava não olhar para uma coisa viscosa , suspensa em um líquido verde que estava em uma prateleira por detrás de a secretária de Snape . Se ele fora buscar a professora Mc_Gonagall , chefe de a equipa de os Gryffindor , não estavam muito melhor . Ela era mais justa do_que Snape , mas extremamente severa . Dez minutos mais tarde , Snape voltou e era , de facto , a professora Mc_Gonagall quem o acompanhava . Harry vira a professora Mc_Gonagall zangada , mas , ou se tinha esquecido de como a boca de ela ficava fina , ou nunca a vira tão zangada como em aquele dia . Levantou a varinha em o momento em que entrou . Harry e Ron estremeceram , mas ela limitou se a apontá a para a lareira onde as chamas se elevaram subitamente . - Sentem se - ordenou , e os dois recuaram para as cadeiras junto de o lume . - Expliquem se - disse com os óculos a brilhar de uma forma ameaçadora . Ron enveredou por a história começando por a barreira de a estação que se recusara a deixá os passar . - Por isso não tínhamos escolha , professora , não podíamos chegar a o comboio . - Porque não nos mandaram uma carta por a coruja ? Julgo que tens uma coruja ? - disse friamente a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a Harry . Harry olhou para ela sem saber o que dizer . - Parece me - continuou ela - que seria a coisa mais adequada . - Eu ... não pensei ... - Isso - disse a professora Mc_Gonagall - é bastante óbvio . Ouviu se bater a a porta de o escritório e Snape , que parecia agora mais feliz do_que nunca , foi abrir . Era o director , o professor Dumbledore . Harry ficou totalmente paralisado . Dumbledore tinha uma expressão grave . Olhou para eles de cima de o seu nariz adunco e Harry desejou estar ainda com Ron a levar uma sova de o salgueiro zurzidor . Fez se um longo silêncio . Em seguida , Dumbledore disse lhes : - Por favor , expliquem porque fizeram isto . Teria sido melhor se gritasse . Harry detestou sentir a decepção em a sua voz . Inexplicavelmente era incapaz de olhar Dumbledore em os olhos e falou em direcção a os seus joelhos . Disse lhe tudo excepto que o carro enfeitiçado pertencia a Mr._Weasley , dando a ideia de que ele e o Ron o tinham encontrado estacionado fora de a estação . Sabia que Dumbledore ia ver para_além de isso , mas o director não fez perguntas sobre o carro . Quando Harry terminou continuou a olhar para ele através de os seus óculos . - Nós vamos buscar as nossas coisas - disse Ron em um tom de voz sem esperança . - Que disparate é esse ? - rosnou a professora Mc_Gonagall . -- Então , vão expulsar nos , não vão ? - disse o Ron . Harry olhou rapidamente para Dumbledore . - Ainda não , Mr._Weasley - afirmou Dumbledore . - Mas vou assinalar a gravidade do_que vocês fizeram . Hoje a a noite escreverei a as vossas famílias . Estão também prevenidos que se voltarem a fazer uma coisa como esta não terei outro remédio senão expulsar vos . A expressão de Snape era como_se o Natal tivesse sido cancelado . Pigarreou e disse : - Professor_Dumbledore , estes rapazes infringiram o decreto para a restrição de a feitiçaria de os menores , causaram estragos consideráveis a uma árvore antiga e valiosa ... sem dúvida , actos de esta natureza ... - Cabe a a professora Mc_Gonagall decidir sobre os castigos de os rapazes , Severus - afirmou Dumbledore com toda_a calma . - Pertencem a a equipa de ela e são , portanto , de a sua responsabilidade . - Voltou se para a professora Mc_Gonagall . - Tenho de regressar a o banquete , Minerva , devo dar algumas informações . Venha Severus , há uma tarte de leite e ovos com um aspecto delicioso que quero mostrar lhe . Snape lançou um olhar de puro veneno a o Harry e a o Ron enquanto permitia que o afastassem de o seu escritório , deixando os a sós com a professora Mc_Gonagall que ainda os olhava como uma águia em fúria . - É melhor ires até a a ala hospitalar , Weasley , estás a sangrar . - Não é nada - disse Ron , limpando o corte com a manga para que ela o visse . - Professora , eu gostava de ver a minha irmã ser seleccionada . - A cerimónia de a selecção terminou - disse a professora Mc_Gonagall . - A tua irmã está também em os Gryffindor . - _ óptimo - exclamou Ron . - E por falar em os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall de forma cortante , mas Harry interrompeu a : - Professora , quando tirámos o carro , o ano escolar ainda não tinha começado , por isso os Gryffindor não deveriam perder pontos , pois não ? - terminou olhando a ansiosamente . A professora Mc_Gonagall lançou lhe um olhar penetrante , mas ele era capaz de jurar que ela quase tinha sorrido . Pelo_menos a boca não parecia tão fina . - Não vou tirar pontos a os Gryffindor - tranquilizou o . E o coração de Harry ficou mais leve . - Mas vocês os dois vão ter um castigo . Foi melhor do_que Harry imaginara . O facto de Dumbledore escrever a os Dursley não tinha a menor importância . Harry sabia perfeitamente que eles só lamentariam que o salgueiro zurzidor não o tivesse esmigalhado . A professora Mc_Gonagall ergueu a varinha de_novo apontou a a a secretária de Snape . Um grande prato de sanduíches , duas taças de prata e um jarro com sumo de abóbora gelado apareceram em menos_de um segundo . - Vocês vão comer aqui e , em seguida , vão direitinhos para o vosso dormitório - disse . - Eu também tenho de voltar para a festa . Mal a porta se fechou atrás de ela , Ron soltou baixinho um assobio . - Pensei que estávamos feitos - confessou , agarrando uma sanduíche . - Também eu - disse o Harry , orando também uma . - Mas já viste bem a nossa pouca sorte ? - insistiu o Ron com a boca cheia de frango e fiambre . - O Fred e o George voaram em aquele carro cinco ou seis vezes e nenhum Muggle os viu - engoliu outro pedaço enorme de a sanduíche . - Porque será que não conseguimos passar a barreira ? Harry encolheu os ombros . - Mas temos de ter muito cuidado a_partir_de agora - disse bebendo um grande trago de sumo de abóbora . - Que pena não termos podido ir a o banquete . - Ela não quis que nos exibíssemos - afirmou Ron com prudência . - Não vão as pessoas pensar que é uma boa chegar aqui de carro voador . Quando já tinham comido todas_as sanduíches que queriam ( o prato ia voltando a encher se sozinho ) , levantaram se e saíram de o escritório , seguindo o caminho que lhes era familiar , para a torre de os Gryffindor . O castelo estava em silêncio . Parecia que o banquete tinha acabado . Passaram por retratos murmurantes e armaduras que gemiam e subiram os degraus estreitos de pedra até que , por fim , chegaram a a passagem onde a entrada secreta para a torre de os Gryffindor se encontrava oculta por detrás de o quadro a óleo de uma dama gorda em um vestido cor-de-rosa . - A senha ? - perguntou ela mal os dois se aproximaram . - Er ... Eles ainda não tinham estado com o prefeito de os Gryffindor e por isso ainda não conheciam a senha para o novo ano , mas a ajuda não se fez esperar . Ouviram passos apressados atrás de eles e quando se voltaram viram Hermione que se aproximava . - Aí estão vocês . Onde é_que se meteram ? Correm os boatos mais ridículos , alguém disse que vocês tinham sido expulsos por espatifarem um carro voador . - Bem , expulsos não fomos - tranquilizou a Harry . - Não estás a dizer me que voaram até aqui ? - perguntou Hermione em um tom quase tão severo como a professora Mc_Gonagall . - Dispensa se o sermão - interrompeu Ron impacientemente . - E diz nos a nova senha de passagem . - É crista de pássaro - disse Hermione não contendo a impaciência . - Mas o mais importante não é isso ... Contudo as palavras de ela foram interrompidas ao_mesmo_tempo que o retrato de a dama gorda se abria e se ouvia uma tempestade de aplausos . A o que parecia a equipa de os Gryffindor estava ainda acordada , dentro de a sala comum em forma de círculo , junto de as mesas assimétricas e de os cadeirões moles a a espera que eles chegassem para , de braços estendidos através de o buraco de o retrato , puxarem Harry e Ron para dentro deixando Hermione para o fim . - Sensacional - gritou Lee_Jordan . - Inspirado ! Que entrada ! Voar em um carro e aterrar em o salgueiro zurzidor . Toda_a_gente vai falar de isto durante anos e anos . - Muito bem - disse um aluno de o quinto ano com quem Harry nunca tinha falado . Alguém dava lhe palmadas em as costas como_se ele acabasse de vencer a maratona . Fred e George abriram caminho por_entre a multidão e disseram ao_mesmo_tempo : - Por_que é_que não nos chamaram , hein ? - Ron estava vermelho como um pimentão , sorrindo envergonhado , mas Harry via perfeitamente uma pessoa que não estava nada contente . Percy elevava se acima de as cabeças de os excitados alunos de o primeiro ano e parecia estar a tentar aproximar se para os repreender . Harry deu uma cotovelada a o Ron e apontou em direcção a Percy . Ron percebeu de imediato . - Temos de ir para_cima , um_pouco cansados ! - explicou e os dois começaram a abrir caminho em direcção a a porta que ficava de o outro lado de a sala e que dava para a escada em espiral e para os dormitórios . - ` _ Noite - despediu se Harry_de_Hermione que tinha um ar tão carrancudo como Percy . Conseguiram chegar a o outro lado de a sala comum sempre a levarem palmadas em as costas e alcançaram o sossego de as escadas . Apressaram se a subir e , por fim , chegaram a a porta de o dormitório que tinha agora um letreiro a dizer « Segundos_Anos » . Entraram em o quarto circular , que conheciam tão bem , com as suas cinco camas de dossel adornadas de velado vermelho e as suas janelas altas e estreitas . As malas tinham sido trazidas para_cima e colocadas a os pés de as camas . Ron fez um sorriso culpado . - Sei que não devia ter gostado de aquilo , mas ... A porta de o dormitório abriu se e os outros rapazes de os Gryffindor entraram ; eram eles o Seamus_Finnigan , o Dean_Thomas e o Neville_Loogbottom . - Inacreditável - aplaudiu Seamus . - Incrível - aprovou o Dean . - Espantoso - exclamou o Neville , aterrado . Harry não pôde evitar também um sorriso . VI_Gilderoy_Lockhart_No dia seguinte , contudo , Harry não conseguiu sorrir . As coisas começaram a correr mal logo em o salão durante o pequeno-almoço . Debaixo de o tecto encantado ( em aquele dia triste e cinzento ) estavam as quatro grandes mesas de as equipas e sobre elas , terrinas de papa de aveia , pratos de arenque defumado , montanhas de torradas e pratadas de ovos com * bacon * . Harry e Ron sentaram se em a mesa de os Gryffindor , junto de Hermione que tinha o seu exemplar de * _ Viagens com Vampiros * totalmente aberto , encostado a um jarro de leite . Havia uma certa rigidez em a maneira como ela disse : - ` _ Dia - que mostrou a Harry que continuava a desaprovar o modo como tinham chegado a a escola . Por seu turno , Neville_Longbottom saudou os entusiasticamente . Neville era um rapazinho de cara redonda , muito dado a acidentes , com a pior memória que Harry tinha conhecido . - A entrega de correio deve estar a chegar , acho que a minha avó me vai mandar umas quantas coisas de que me esqueci ... Harry tinha começado a comer as papas de aveia , quando se ouviu um ruído tumultuoso em o ar e umas cem corujas entraram ao_mesmo_tempo , sobrevoando o salão e deixando cair cartas e pacotes em o meio de a multidão faladora . Um embrulho grande e rugoso caiu em a cabeça de Neville e , um segundo depois , uma coisa larga e cinzenta caiu em o jarro de a Hermione , enchendo os a todos de leite e penas . - Errol - gritou o Ron , puxando a coruja esfarrapada por as patas . Errol caíra inconsciente sobre a mesa com as pernas para o ar e um envelope vermelho húmido em o bico . - Oh , não ! - sobressaltou se Ron . - Ela está bem , ainda está viva - tranquilizou o Hermione , tocando suavemente em a Errol com a ponta de o dedo . - Não é isso , é ... aquilo . Ron apontava para o envelope vermelho . Parecera perfeitamente vulgar a Harry , mas Ron e Neville estavam ambos a observá o como_se esperassem que explodisse . - Qual é o problema ? - perguntou Harry . - Ela . Ela mandou me um * gritador * - disse Ron , quase sem voz . - É melhor abrires - aconselhou Neville em um murmúrio tímido - senão é pior . A minha avó uma_vez mandou me um que eu ignorei e ... - engoliu em seco - foi horrível . Harry olhava , ora para as suas caras , ora para o envelope vermelho . - O que é um * gritador * ? - perguntou . - Mas toda_a atenção de o Ron estava fixa em a carta que começara a fumegar por os cantos . - Abre a - intimou o Neville . - De aqui a poucos minutos já passou tudo . Ron estendeu uma mão trémula , retirou o envelope de o bico de a Errol e começou a abri o . Neville pôs os dedos em os ouvidos . Após uma fracção de segundo , Harry compreendeu porquê . Pensou em o primeiro momento que ela explodira . Um ruído ensurdecedor encheu o enorme salão , fazendo cair pó de o tecto . - ... : __ roubar o carro ! não me surpreendia nada se te expulsassem . espera só até te pôr as mãos em cima . será que não paraste para pensar em a nossa aflição quando vimos que o carro tinha __ desaparecido ... Os gritos de Mrs._Weasley , ampliados cem vezes em relação a o seu normal , fizeram os pratos e as colheres chocalhar em a mesa e ecoaram de forma ensurdecedora em as paredes de pedra . Vinha gente de todos os lados espreitar quem tinha recebido o * gritador * e Ron afundou se tanto em a cadeira que só se lhe via a testa carmesim . - ... : __ uma carta de o dumbledore ontem a a noite , o teu pai quase morria de vergonha . não foi esta a educação que te demos , tu e o harry podiam ter __ morrido ... Harry estava a ver quando é_que o seu nome viria a a baila . Tentou o melhor que pôde agir como_se não ouvisse a voz , mas aquilo estava a fazer com que os tímpanos lhe latejassem . - ... : __ profundamente decepcionada , o teu pai vai ter de se confrontar com um inquérito em o trabalho , tudo por tua culpa e , se pisas mais_uma_vez o risco , trago te para __ casa ! Seguiu se um silêncio ressonante . O envelope vermelho , que caíra de as mãos de o Ron , incendiou se e encaracolou se em cinzas . Harry e Ron estavam sentados de boca aberta , como_se uma onda gigante lhes tivesse passado por cima . Algumas pessoas riam e , a os poucos , o ruído de as conversas recomeçou . Hermione fechou o * _ Viagens com Vampiros * e olhou para o topo de a cabeça de Ron . - Bem , não sei o que esperavas , Ron , mas tu ... - Não me venhas dizer que mereci - interrompeu Ron . Harry afastou as papas de aveia . O estômago ardia lhe de culpa . Mr._Weasley tinha um inquérito em o trabalho , depois de tudo_o_que Mr. e Mrs._Weasley tinham feito por ele durante o Verão ... Mas não teve muito_tempo para se demorar em aqueles pensamentos . A professora Mc_Gonagall circulava em volta de as mesas de os Gryffindor distribuindo horários . Harry pegou em o seu e viu que começavam por ter Herbologia , juntamente com os Hufflepuff . Harry , Ron e Hermione saíram juntos de o castelo , atravessaram as hortas e chegaram a as estufas , onde estavam guardadas as plantas mágicas . O * gritador * tivera pelo_menos uma vantagem : Hermione parecia achar que já tinham sido suficientemente castigados e estava de_novo perfeitamente calorosa . Quando estavam a chegar a as estufas viram o resto de a classe de pé , cá fora , a a espera de a professora Sprout . Harry , Ron e Hermione tinham acabado de se lhes juntar quando a viram aproximar se a passos largos por o relvado , acompanhada de Gilderoy_Lockhart . A professora Sprout era uma bruxa pequenina e atarracada que usava um chapéu a os remendos sobre o cabelo solto . As roupas que vestia estavam sempre cheias de terra e as suas unhas fariam a tia Petúnia desmaiar . Gilderoy_Lockhart , pelo_contrário , tinha um ar imaculado em as suas vestes azul-turquesa , o cabelo doirado a brilhar debaixo_de um chapéu azul-turquesa , com uma fita dourada , perfeitamente posicionado sobre a cabeça . - Olá a todos ! - gritou Lockhart , dirigindo se a o grupo de estudantes . - Estive a mostrar a a professora Sprout a maneira correcta de tratar um salgueiro . Mas não quero que fiquem com a ideia de que sou melhor do_que ela em Herbologia . Acontece que encontrei várias de estas plantas exóticas , durante as minhas viagens .... - Estufa número três hoje , meninos ! - disse a professora Sprout que estava visivelmente descontente , bem diferente de a sua habitual natureza bem-disposta . Houve um murmúrio de interesse . Eles só tinham estado uma_vez em a terceira estufa , que era uma estufa que abrigava plantas bem mais interessantes e perigosas . A professora Sprout tirou uma enorme chave de o cinto e abriu a porta . Harry sentiu o bafo de a terra húmida com adubo misturado e o perfume forte de umas flores gigantescas , de o tamanho de guarda-chuvas , que estavam penduradas de o tecto . Ia seguir Ron e Hermione , quando a mão de o Lockhart o travou . -- Harry ! Tenho querido ter uma palavrinha contigo . Não se importa se ele chegar uns minutos atrasado , pois não , professora Sprout ? A julgar por a expressão carregada de a professora Sprout , importava se sim , mas Lockhart disse : - Então até já - e fechou a porta de a estufa em a cara de ela . - Harry ! - disse Lockhart , com os dentes brancos a brilharem a o sol , enquanto abanava a cabeça . - Harry , Harry , Harry ! Harry , totalmente perplexo , não disse uma palavra . - Quando ouvi dizer , bem , é claro que eu tive muita culpa , deviam castigar me também ... Harry não fazia ideia de que estava ele a falar , quando Lockhart prosseguiu : - Nunca me lembro de ficar tão chocado . Fazer voar um automóvel até Hogwarts ! Bem , é claro que eu percebi logo porque o fizeste . Foi um destaque em grande . Harry , Harry , Harry ! Era notável como ele conseguia mostrar todos aqueles dentes brilhantes , mesmo quando não estava a falar . - Criei te o gosto por a publicidade , não foi ? - perguntou Lockhart . - Passei te o bichinho . Apareceste comigo em a primeira página e não podias esperar para aparecer outra_vez ... - Oh , não , professor , sabe é_que ... - Harry , Harry , Harry - disse Lockhart aproximando se e tocando lhe em o ombro . - * _ Eu compreendo * . É natural querer um_pouco mais quando se lhe tomou o gosto , e eu culpo me por te ter dado esse conhecimento , porque era natural que te subisse a a cabeça , mas vê uma coisa , rapazinho , tu não podes começar a fazer voar carros para tentares ser notícia . Tens de acalmar , está bem ? Tens muito_tempo quando fores mais velho . Sim , sim , eu sei o que estás a pensar ! É fácil para ele falar assim , já é um feiticeiro internacionalmente famoso ! Mas quando eu tinha doze anos era tão zé-ninguém como tu és hoje . Em a verdade , era ainda mais . De ti , já meia_dúzia de pessoas ouviram falar , não é ? Toda aquela história com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . - Olhou para a cicatriz luminosa em a testa de Harry . - Eu sei , eu sei , não é o mesmo_que vencer o Prémio de o sorriso de o feiticeiro de a semana cinco vezes seguidas , como eu venci , mas é um começo , Harry , é um começo . Lançou lhe uma piscadela de olhos cordial e foi se embora . Harry ficou atarantado durante alguns segundos . Depois , lembrando se que deveria estar em a estufa , abriu a porta e esgueirou se lá para dentro . A professora Sprout estava de pé , por_detrás_de uma espécie de mesa em o meio de a estufa . Em cima de a mesa estavam cerca de vinte pares de abafo de ouvidos de diferentes cores . Quando Harry estava já em o seu lugar , entre Ron e Hermione , ela disse : - Hoje vamos transplantar Mandrágoras . Muito bem , quem sabe dizer me as propriedades de a Mandrágora ? Não foi surpresa para ninguém que a mão de a Hermione fosse a primeira em o ar . - A Mandrágora tem um efeito reparador muito poderoso - disse Hermione , com o ar mais normal de este mundo , como_se tivesse engolido o livro de texto . - É usada para fazer voltar as pessoas , que foram transfiguradas ou amaldiçoadas , a o seu estado original . - Excelente . Dez pontos para os Gryffindor ! - exclamou a professora Sprout . - A Mandrágora é parte integrante de a maior parte de os antídotos , mas também é perigosa . Quem sabe dizer me porquê ? A mão de Hermione por_pouco não bateu em os óculos de Harry , quando se ergueu de_novo . - O grito de a Mandrágora é fatal para quem o ouve - disse prontamente . - Precisamente . Dou lhe mais dez pontos - disse a professora Sprout . - Agora vejamos , as Mandrágoras que aqui temos são ainda muito jovens . Enquanto falava , apontou para uma fila de tabuleiros com uma certa profundidade e todos se chegaram a a frente para ver melhor . Cerca de uma centena de plantinhas tufosas de um verde arroxeado cresciam em filas . Pareceram perfeitamente vulgares a Harry , que não fazia a menor ideia do_que Hermione queria dizer com o * grito * de a Mandrágora . - Cada_um de vocês pode tirar um par de abafo de ouvidos - disse a professora Sprout . Houve uma competição renhida porque ninguém queria os cor-de-rosa , cheios de penugem . - Quando eu vos disser para os colocar , assegurem se de que os vossos ouvidos estão completamente tapados - disse a professora Sprout . - Logo_que seja seguro retirá os , eu levanto os dedos . Certo , pôr os abafos de os ouvido . Harry pôs imediatamente os abafos em os ouvidos . Eles fecharam completamente o som . A professora Sprout colocou também um par de abafos cor-de-rosa com penugem em os de ela , arregaçou as mangas de a túnica , agarrou uma de as plantas tufosas e puxou com toda_a força . Harry soltou um grito de surpresa que ninguém ouviu . Em_vez_de raízes , um bebé pequenino , enlameado e extremamente feio , saiu de a terra . As folhas cresciam lhe em o alto de a cabeça , tinha uma pele pintalgada de um pálido esverdeado e estava nitidamente a berrar a plenos pulmões . A professora Sprout tirou debaixo de a mesa um grande vaso de plantas e mergulhou lá dentro a Mandrágora , enterrando a em a mistura escura e húmida , até que só as folhas ficassem visíveis . Em seguida , limpou a terra de as mãos , levantou os dedos e todos eles retiraram os abafos de os ouvidos . - Como as nossas Mandrágoras são muito novas , os seus gritos ainda não matam - disse ela com grande calma , como_se tivesse feito algo tão normal como regar uma begónia . - Contudo , podem pôr vos a dormir durante várias horas e , como com certeza nenhum de vocês quer perder o primeiro dia de aulas , vejam se os abafos estão bem colocados enquanto trabalham . Eu chamarei vos a atenção quando for altura de os retirar . - Quatro em cada fila , há aqui uma grande quantidade de vasos , a mistura de terra está em os sacos ali a o fundo e tenham cuidado com a * _ Venomous_Tentacula * , estão a nascer lhe os dentes . Enquanto falava , deu uma pancada seca a uma planta vermelha escura cheia de pontas eriçadas , fazendo a encolher as longas antenas que tinham estado a avançar lenta e dissimuladamente sobre o seu ombro . A Harry , Ron e Hermione veio juntar se em a fila um rapaz de cabelo encaracolado de os Hufflepuff que Harry conhecia de vista , mas com quem nunca tinha falado . - Justin_Finch - _ Fletchey - disse ele com vivacidade , apertando a mão de o Harry . - Conheço te , claro , o famoso Harry_Potter ... e tu és a Hermione_Granger , sempre a primeira em tudo ( Hermione brilhou em um sorriso , como_se ele lhe tivesse apertado a mão ) e Ron_Weasley . Não era teu o carro voador ? Ron não sorriu . Não lhe saía de a cabeça o * gritador * . - Aquele Lockhart é o_máximo , não acham ? - disse Justin satisfeito , enquanto começavam a encher os vasos com composto de adubo de dragão . - Terrivelmente corajoso . Leram os livros de ele ? Eu teria morrido de medo se um lobisomem me tivesse encurralado em uma cabina telefónica , mas ele manteve se calmo e ... zap ... fantástico ! « Eu estava inscrito em Eton , sabem , não imaginam como estou feliz de ter vindo antes para aqui . É claro que a minha mãe ficou um_pouco desiludida , mas depois de lhe ter dado os livros de Lockhart a ler , tenho a impressão de que ela começou a ver a utilidade de ter um feiticeiro bem treinado em a família ... Depois de isso , não tiveram grandes oportunidades para conversar . Voltaram a pôr os abafos de ouvidos e era preciso concentrarem se em as Mandrágoras . A professora Sprout fizera as coisas parecerem extremamente simples , mas não eram . As Mandrágoras não gostavam de sair de a terra mas também não pareciam querer voltar para lá . Elas contorceram se , deram pontapés , agitaram as mãozinhas finas e rangeram os dentes . Harry levou dez minutos inteirinhos a tentar meter uma Mandrágora particularmente gorda dentro_de um vaso . Em o final de a aula , Harry , como todos os outros , estava a suar , cheio de dores e coberto de terra . Regressaram a o castelo a pé para um banho rápido e , em seguida , os Gryffindor apressaram se para assistir a a aula de transfiguração . As aulas de a professora Mc_Gonagall eram sempre complicadas , mas a de aquele dia era particularmente difícil . Tudo_o_que o Harry aprendera em o ano anterior parecia ter se lhe apagado de a memória durante o Verão . Ele deveria ser capaz de transformar uma barata em um botão , mas , tudo_o_que conseguiu foi fazer a barata praticar um imenso exercício , enquanto corria apressadamente por o tampo de a secretária evitando a varinha . Ron estava a debater se com problemas bastante piores . Tinha atado a varinha com uma fita mágica , mas parecia que não havia reparação possível . Não parava de crepitar e lançar faíscas em os momentos mais estranhos e , sempre_que Ron tentava transfigurar a barata , via se envolvido em um fumo cinzento espesso que cheirava a ovos podres . Incapaz de ver o que estava a fazer , o Ron esmagou , por engano , a barata com o cotovelo e teve de ir pedir que lhe dessem outra , o que deixou a professora Mc_Gonagall muito pouco satisfeita . Harry ficou aliviado quando ouviu tocar a campainha para o almoço . Sentia a cabeça como uma esponja espremida . Todos os alunos saíram em fila de a aula excepto ele e Ron que dava furiosas varadas em a secretária . - Coisa estúpida e inútil . - Escreve a os teus pais a pedir outra - sugeriu Harry , enquanto a varinha disparava com estrondo um foguete explosivo . - Ah pois , e receber outro * gritador * em a volta de o correio - respondeu Ron , metendo a varinha que já assobiava , dentro de o saco . - * _ A culpa é toda tua se a varinha está estragada * ... Desceram para o almoço e aí a disposição de o Ron não iria melhorar com Hermione a mostrar lhe uma mão-cheia de botões de casaco , perfeitinhos , que produzira em a transfiguração . - O que temos esta tarde ? - quis saber Harry , mudando rapidamente de assunto . - Defesa contra as artes negras - disse Hermione , sem perder tempo . - Porque é_que tu ... - perguntou Ron , pegando em o horário de ela - desenhaste corações em volta de as aulas de o Lockhart ? Hermione arrancou lhe o horário de as mãos , corando furiosa . Acabaram de almoçar e foram para o pátio carregado de nuvens . Hermione sentou se em um degrau de pedra e enfiou de_novo o nariz em as * _ Viagens com Vampiros * . Harry e Ron ficaram a falar de Quidditch durante alguns minutos antes de Harry se aperceber de que estava a ser observado de perto . Olhando para_cima viu o rapazinho pequenino com cabelo de rato que ele vira experimentar o chapéu seleccionador em a noite anterior , olhando para ele com uma expressão petrificada . Estava agarrado a o que parecia ser uma vulgar máquina fotográfica de os Muggles e , em o momento em que Harry olhou para ele , ficou todo vermelho . - Tudo bem , Harry ? Eu sou Colin_Creevey - disse , faltando lhe o ar e adiantando se a qualquer pergunta . - Estou em os Gryffindor também . Não te importavas que eu tirasse uma fotografia ? - perguntou , levantando a máquina cheio de expectativa . - Uma fotografia ? - repetiu Harry , inexpressivo . - Para eu provar que te conheci - disse Colin_Creevey cheio de ansiedade , continuando : - Eu sei tudo a teu respeito . Toda_a_gente me tem contado como sobreviveste quando O_Quem nós sabemos tentou matar te , como ele desapareceu depois de isso e como ficaste com a cicatriz em forma de relâmpago em a testa ( os seus olhos procuraram a linha de cabelo de Harry ) e um rapaz de o meu dormitório disse que se eu revelasse o filme em a posição certa ele mexia . - Colin respirou fundo , estremecendo de excitação e disse : - Isto_é fantástico , aqui , não achas ? Eu não sabia que todas_as coisas estranhas que fazia eram magia até a o dia em que recebi uma carta de Hogwarts . O meu pai é leiteiro . Também ele não queria acreditar . Por isso estou a tirar montes de fotografias para lhe mandar e era mesmo bom se tivesse uma tua - parecia implorar . - Talvez o teu amigo pudesse tirá a e assim eu ficava a o teu lado . E depois , podias assiná a ? - Assinar fotografias ? Estás a dar fotos autografadas , Potter ? Alta e mordaz , a voz de Draco_Malfoy ecoou em o pátio . Estava parado mesmo atrás_de Colin , ladeado , como sempre andava em Hogwarts , por os seus fortes guarda-costas Crabbe e Goyle . - Ei gente , façam bicha - gritou Malfoy a a multidão . - Harry_Potter está a dar fotos autografadas ! - Não estou coisa nenhuma - disse Harry , zangado , com os punhos em o ar . - Cala a boca , Malfoy . - Tu tens é inveja - começou a dizer Colin , cujo corpo era de o tamanho de o pescoço de Crabbe . - Inveja - repetiu Malfoy que não precisava de gritar mais , metade de o pátio estava a ouvi o . - De quê ? Não preciso de uma cicatriz em a cabeça , muito obrigado . Não acho que ter um corte em a testa torne alguém especial . Crabbe e Goyle riram estupidamente - Vai pastar caracóis , Malfoy - disse o Ron furioso . Crabbe parou de rir e começou a esfregar os nós de os dedos enormes de uma forma ameaçadora . - Tem cuidado , Weasley - escarneceu Malfoy . - Com certeza não queres começar uma rixa ou a tua mãezinha tem de vir cá para te tirar de a escola - e com uma voz aguda e penetrante : - * _ Se voltas a pisar o risco * ... Um grupo de alunos de o quinto ano de os Slytherin que estava ali perto , riu se bastante alto . - O Weasley gostaria de ter uma foto tua autografada , Potter - escarneceu de_novo Malfoy . - Era capaz de valer mais do_que a casa onde ele mora com a família . Ron sacou de a sua varinha amarrada com fita , mas Hermione fechou as * Viagens com Vampiros * com um estrondo e avisou : - Atenção . - O que é isto , o que é isto ? - Gilderoy_Lockhart aproximava se com o seu manto azul-turquesa girando em torvelinho atrás de ele . - Quem está a dar fotos autografadas ? Harry ia começar a explicar , mas foi interrompido quando Lockhart lhe pôs jovialmente o braço em cima de os ombros . - Mas que pergunta a minha ! Cá estamos nós de_novo , Harry ! Preso ao_lado_de Lockhart e a arder de humilhação , Harry viu Malfoy deslizar com o seu sorriso desdenhoso por o meio de a multidão . - Vamos lá então , Mr._Creevey - disse Lockhart , dirigindo se a Colin . - Uma foto dupla , já viu a sua sorte ? E assinamos a os dois para si . Colin ajustou a máquina e tirou a fotografia em o preciso momento em que a campainha tocava para as aulas de a tarde . - Está em a hora , todos para dentro - gritou Lockhart a a multidão e regressou a o castelo levando a o seu lado o Harry que só lamentava não conhecer um feitiço que o fizesse desaparecer . - Uma palavra só , Harry - disse Lockhart paternalmente , enquanto entravam em o edifício por uma porta lateral . - Eu ajudei te há bocado com o jovem Creevey porque se ele estivesse a fotografar me também a mim os teus colegas não reparariam tanto que estavas a exibir te ... Indiferente a a gaguez de Harry , Lockhart arrastou o para um corredor ladeado de alunos que os olhavam espantados e subiram uma escada . - Deixa me só dizer te uma coisa : dar fotografias autografadas em esta fase de a tua carreira , francamente , não é sensato , Harry , parece um_pouco megalómano . Pode ser que um dia mais tarde , tal_como eu , sejas obrigado a assinar para multidões onde quer que vás , mas - fez uma pequena pausa - não me parece que seja o caso , por enquanto . Tinham chegado a a aula de Lockhart e ele largou finalmente o Harry que sacudiu a túnica e foi sentar se em um lugar bem lá atrás onde começou por empilhar os livros de Lockhart a a sua frente para evitar olhar para a criatura . O resto de a aula entrou ruidosamente e Ron e Hermione foram sentar se um de cada lado de Harry . - Tu estavas vermelho como um pimentão - disse o Ron . - Reza para que o Creevey não se torne amigo de a Ginny senão bem podem criar o clube de * fans * de Harry_Potter . - Cala a boca - interrompeu Harry . A última coisa que desejava era que o Lockhart ouvisse a expressão « clube de * fans * de Harry_Potter « . Quando todos estavam em os seus lugares , Lockhart pigarreou alto e fez se silêncio . Ele inclinou se para a frente , pegou em o exemplar de Neville_Longbottom de * _ viagens com Duendes * e levantou o para mostrar a sua fotografia a piscar os olhos em a capa . - Eu - disse apontando para a fotografia e piscando também os olhos - Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , terceiro ano , membro honorário de a Liga_de_Defesa contra as artes negras e cinco vezes vencedor de o prémio de o * _ Feiticeiro de a semana * por o sorriso mais charmoso . Mas não vamos falar de isso , não venci a fada carpideira de Bandon a sorrir para ela ! Esperou que eles se rissem . Alguns alunos sorriram timidamente . - Já vi que todos vocês compraram a minha obra completa . Muito bem . Pensei começar hoje com um pequeno interrogatório escrito . Nada de complicado , só para perceber se leram bem os meus livros e o que apreenderam ... Depois de distribuir as folhas de teste voltou se para os alunos e disse : - Têm trinta minutos . Comecem já . Harry olhou para o papel e leu : *1 . Qual é a cor preferida de Gilderoy_Lockhart ? *2 . Qual é a ambição secreta de Gilderoy_Lockhart ? *3 . Qual é , em a sua opinião , a maior realização de Gilderoy_Lockhart até a o momento ? * E_por_aí adiante , ao_longo_de três páginas , terminando com : *54 . Qual é o dia de aniversário de Gilderoy_Lockhart e qual seria o seu presente preferido ? * Meia_hora mais tarde , Lockhart recolheu os pontos e folhou os rapidamente em frente de os alunos . - Tut , tut , quase ninguém se lembrou que a minha cor preferida é o lilás . Eu digo o em * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves * . Alguns precisam de voltar a ler com mais cuidado * Fim-de - _ Semana com Um Lobisomem * . Eu afirmo claramente em o décimo segundo capítulo que o meu presente de aniversário preferido seria a harmonia entre todos os seres , mágicos e não mágicos , embora não me importasse de receber uma garrafa grande de * whisky * velho de a Ogden's_Old_Firewhisky . Piscou lhes o olho de_novo . Ron olhava para Lockhart com uma expressão de incredulidade em o rosto . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas que estavam sentados a a frente tremiam de tanto conter o riso . Hermione , contudo , ouvia Lockhart com extrema atenção e deu um salto quando ouviu o seu nome . - Mas Miss_Hermione_Granger sabia que a minha ambição secreta era libertar o mundo de o mal e pôr a a venda a minha gama de poções de tratamento de o cabelo . Muito bem - voltou o papel . - Nota máxima ! Onde está Miss_Hermione_Granger ? Hermione ergueu uma mão trémula . - Excelente - bradou Lockhart , exultante . - Leva dez pontos para os Gryffindor . E vamos a o trabalho . Baixou se atrás de a secretária e pegou em uma grande gaiola coberta . - Ficam desde_já a saber , a minha função é preparar vos contra as criaturas mais malignas que a feitiçaria conhece . Vocês podem ter que enfrentar os maiores medos em esta sala . Saibam que nenhum mal vos sucederá comigo aqui . Só vos peço que se mantenham calmos . Ultrapassando os seus sentimentos , Harry espreitou através de a pilha de livros para ver melhor a gaiola . Lockhart colocou uma mão em a tampa . Dean e Seamus tinham deixado de se rir . Neville estava agachado em o seu lugar de a fila de a frente . - Vou pedir vos que não façam barulho - disse Lockhart em voz baixa . - Podem assustá os . Enquanto a aula inteira continha a respiração , Lockhart tirou a cobertura . - Sim - disse em um tom dramático . - Duendes_da_Cornualha recém-capturados . Seamus_Finnigan não conseguiu controlar se . Soltou uma gargalhada que nem Lockhart poderia confundir com um grito de terror . - Sim ? - sorriu a Seamus . - Bem , eles não são , não são perigosos , pois não ? - perguntou a rir . -- Não tenhas tanta certeza de isso - afirmou Lockhart , aborrecido , abanando um dedo , em direcção a Seamus . - Podem ser maçadores e muito traiçoeiros . Os duendes eram de um azul-eléctrico e tinham cerca de vinte centímetros de altura com feições angulosas e umas vozes tão estridentes que era como ouvir uma discussão entre araras . Logo_que o pano foi retirado , começaram a fazer uma enorme algazarra , a andar de um lado para o outro , batendo em as grades e fazendo caretas a as pessoas que estavam mais perto . - Muito bem - disse Lockhart em voz alta . - Vamos então ver o que vocês conseguem fazer de eles - e abriu a gaiola . Foi um pandemónio . Os duendes dispararam em todas_as direcções como foguetes . Dois de eles agarraram o Neville por as orelhas e levantaram o a o ar . Vários outros foram direitos a a janela , fazendo chover vidros partidos até a a fila de trás . Os restantes decidiram destruir a sala com maior eficácia do_que um rinoceronte em fúria . Agarraram em os tinteiros e salpicaram tudo em volta , rasgaram a os bocados livros e papéis , arrancaram os quadros de as paredes , levantaram a o ar a gaiola vazia , agarraram livros e sacos e lançaram nos por a janela de vidros estilhaçados . Em poucos minutos , metade de a aula estava abrigada debaixo de as secretárias e o Neville pendurado em o candelabro de o tecto . - Vamos lá , agarrem nos , agarrem nos , são apenas duendes ... - gritava Lockhart . Arregaçou as mangas , bramiu a varinha e pronunciou * Peshipiksi_Pesternomi ! * As palavras não tiveram o menor efeito . Um de os duendes pegou em a varinha de Lockhart e atirou a também por a janela fora . Lockhart engoliu em seco e mergulhou debaixo de a secretária , não sendo , por um triz , esmagado por o Neville que caiu um segundo depois , quando o candelabro cedeu . A campainha tocou e houve uma louca precipitação para a porta . Em a calma relativa que se seguiu , Lockhart endireitou se , olhou para Harry , Ron e Hermione que estavam quase a chegar a a porta e disse : - Bem , vou pedir vos a os três que prendam o resto de os duendes em a gaiola - passou por eles e fechou rapidamente a porta atrás_de si . - Isto dá para acreditar ? - resmungou o Ron , enquanto um de os duendes lhe mordia com toda_a força uma de as orelhas . - Ele só quer dar nos uma ajuda , permitindo nos ganhar experiência - justificou Hermione , imobilizando dois duendes de uma_vez com um encantamento de paralisação e metendo os de_novo em a gaiola . - Experiência ? - disse Harry , tentando agarrar um duende que dançava com a língua de_fora . - Hermione , ele não sabia nada do_que estava a fazer . - Disparate - retorquiu Hermione . - Leste os livros de ele . Vê só as coisas que ele já fez ! - Que diz que fez - resmungou o Ron . VII_Sangue de lama e murmúrios Harry passou imenso tempo , em os dias que se seguiram , a fugir sempre_que via Gilderoy_Lockhart aproximar se em o corredor . Mais difícil de evitar era Colin_Creevey que parecia ter decorado o horário de Harry . Parecia que nada o emocionava mais do_que dizer : - Tudo bem , Harry ? - seis ou sete vezes por dia e ouvir : - Olá , Colin - por mais exasperado que Harry estivesse quando lhe respondia . A Hedwig ainda estava zangada com Harry por causa de a desastrosa viagem de automóvel e a varinha de o Ron continuava a não funcionar , tendo ultrapassado tudo em a sexta-feira de manhã quando lhe saltou de as mãos em a aula de encantamentos e foi agredir o velho e baixinho professor Flitwick mesmo entre os olhos , deixando uma enorme bolha latejante em o sítio onde tinha batido . Por tudo_isso Harry via chegar , com satisfação , o fim_de_semana Planeava ir em o Sábado de anhã , com Ron e Hermione visitar o Hagrid . Mas foi acordado várias horas mais cedo do_que desejaria por Oliver ood , treinador de a equipa de Quidditch_dos_Gryffindor . - _ o que é_que se passa ? - perguntou Harry , enrolando as palavras . - Treino_de_Quidditch - disse Wood . - Vamos embora . Harry lançou um olhar de esguelha a a janela . Uma neblina fina pairava em o céu rosa e dourado . Agora_que estava acordado não percebia como pudera dormir com a algazarra que os pássaros faziam . - Oliver resmungou Harry . - É de madrugada . - Exacto - respondeu Wood . Era um rapaz alto e corpulento de o sexto ano e em aquele momento os olhos brilhavam lhe loucamente de entusiasmo . - Faz parte de o nosso novo programa de treinos . Anda lá , vai buscar a vassoura e vamos embora - insistiu Wood empenhado . - Nenhuma de as outras equipas começou ainda a treinar . Vamos ser os primeiros este ano ... A bocejar e a tremer um_pouco , Harry saltou de a cama e tentou descobrir as suas túnicas de Quidditch . - Bem , encontramo nos em o campo , dentro_de quinze minutos . Depois de descobrir a sua roupa escarlate de equipa e pôr o manto por cima para se aquecer , Harry escreveu a o Ron um bilhete a explicar onde tinha ido e desceu por a escada de espiral para a sala comum com a sua Nimbos dois inil a o ombro . Tinha acabado de chegar junto de o buraco de o retrato quando ouviu um barulho atrás_de si e viu Colin_Creevey descer a escada de espiral com a máquina fotográfica pendurada a o pescoço a balouçar como louca e uma coisa em a mão . - Ouvi alguém chamar o teu nome em as escadas , Harry olha o que tenho aqui . Revelei a e queria mostrar te . Harry olhou assombrado para a fotografia que Colin lhe espetava em frente de o nariz . Um Lockhart a preto e branco movia se , puxando com toda_a força um braço que Harry reconheceu como sendo o seu . Ficou satisfeito a o constatar que estava a resistir bastante bem , recusando se a ser trazido para a vista de todos . Enquanto Harry observava , Lockhart desistiu e desinteressou se de lutar contra a parte branca de a fotografia . - Assinas para mim ? - pediu Colin entusiasmado . - Não - respondeu secamente Harry , olhando em volta para verificar se o caminho estava livre . - Desculpa_Colin , mas estou cheio de pressa , treino de Quidditch . Passou por o buraco de o retrato . - Oh Uau ! Espera por mim . Eu nunca vi um jogo de Quidditch . Colin trepou por o buraco de o retrato atrás de ele . - Vai ser uma chatice para ti - disse Harry rapidamente , mas Colin ignorou o comentário . Todo o seu rosto brilhava de satisfação . - Tu foste o jogador mais novo de a equipa em cem anos , não foste Harry ? Não foste ? - perguntava Colin , trotando para o acompanhar . - Deve ser fantástico . Eu nunca voei . É fácil ? Essa vassoura é a tua ? É a melhor que há ? Harry não sabia como ver se livre de ele . Era como ter uma sombra que não se calava . - Eu não percebo nada de Quidditch - disse Colin , já sem fôlego . - É verdade que há quatro bolas ? E que duas anda n a voar , tentando fazer os jogadores caírem de as vassouras ? - Sim - disse Harry lentamente , resignado com o ter de lhe explicar as complicadas regras de o Quidditch . - São as * bludgers * . Há dois * beaters * em cada equipa que têm bastões para bater em as * bludgers * e lançá as para o outro lado . O Fred e o George_Weasley são os * beaters * de os Gryffindor . - E para que servem as outras bolas ? - perguntou Colin , saltando uma série de degraus porque ia a olhar para o Harry de boca aberta . - Bem , a * quaffle * , que é a vermelha grandalhona , é a que marca os golos . Três * chasers * em cada equipa lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam fazes a entrar em as balizas que ficam em o extremo de o campo onde há três grandes postes com argolas em as pontas . - E a quarta bola ? - A * snitch * dourada - explicou Harry . - É muito pequenina e veloz e extremamente difícil de agarrar . Mas é isso que o * seeker * tem de fazer , porque o jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * for agarrada . E o * seeker * que conseguir agarrá a ganha para a sua equipa mais cento_e_cinquenta pontos . - E tu és o * seeker * de os Gryffindor , não és ? - perguntou Colin respeitosamente . - Sim - disse Harry enquanto saíam de o castelo e começavam a atravessar o relvado . - E há também o * keeper * que toma conta de os postes . É isto . Mas Colin não parou de fazer perguntas desde os relvados macios até a o campo de Quidditch e Harry só se viu livre de ele quando chegaram a os vestiários . Colin gritou em uma voz aguda : - Eu vou arranjar um lugar , Harry - e apressou se em direcção a as bancadas . O resto de a equipa de os Gryffindor já se encontrava em os vestiários . Wood era o único que tinha aspecto de estar bem acordado . Fred e George_Weasley estavam sentados com olhos de sono e cabelos desgrenhados junto de Alicia_Spinnet de o quarto ano que parecia inclinar se contra a parede que tinha atrás_de si . Os seus companheiros * chasers * , Katie_Bell e Angelina_Johnson bocejavam em frente de ela . - Até que enfim , Harry , porque é_que demoraste tanto ? - perguntou Wood cheio de actividade . - Eu queria ter uma pequena conversa convosco antes de entrarmos propriamente em campo porque passei o Verão a conjecturar um novo programa de treinos que acredito vai estabelecer grandes mudanças . Wood tinha em as mãos um grande mapa de um campo de Quidditch onde estavam desenhadas muitas linhas , setas e cruzes a tinta de várias cores . Pegou em a varinha , bateu com ela em o quadro e as setas começaram a mover se em o mapa como tractores . Enquanto Wood se lançava em um discurso sobre as suas novas técnicas , a cabeça de Fred_Weasley caiu sobre o ombro de Alicia_Spinnet e ele começou a ressonar . O primeiro mapa levou quase vinte minutos a explicar , mas debaixo de esse havia outro e ainda um terceiro . Harry caiu em uma letargia enquanto Wood continuava indefinidamente . - Então - disse por fim o treinador , arrancando Harry de a avidez de uma fantasia sobre o que poderia estar a comer se se encontrasse em aquele momento em o castelo . - Ficou tudo claro ? Alguma pergunta ? - Eu tenho uma pergunta , Oliver - disse George que acordou estremunhado . - Porque não nos explicaste tudo_isso ontem , quando estávamos acordados ? Wood não ficou nada satisfeito . - Ouçam bem , vocês todos - disse , voltando se para eles mal-humorado . - Nós deveríamos ter ganho a taça de Quidditch o ano passado . Somos de longe a melhor equipa , mas , infelizmente , devido_a circunstancias que estão para_além de o nosso controlo ... Harry mudou de posição em a cadeira sentindo se culpado . Estivera inconsciente em o hospital durante o campeonato final de o ano anterior o que fez com que os Gryffindor com um jogador a menos tivessem sofrido a pior derrota de os últimos trezentos anos . Wood levou um momento a controlar se . Era evidente que a última derrota ainda o torturava . - Portanto , este ano vamos fazer um treino mais duro , como nunca se fez . O. _ K. , vamos lá pôr as teorias em prática - gritou , pegando em a vassoura e conduzindo os para fora de o vestiário . Com as pernas trôpegas e ainda a bocejar , a equipa seguiu o . Tinham estado tanto tempo lá dentro que o sol já tinha nascido e brilhava em o céu embora uma réstia de neblina pairasse ainda sobre o relvado de o campo . Quando Harry entrou em campo viu Ron e Hermione sentados em as bancadas . - Ainda não acabaram ? - perguntou Ron em um tom incrédulo . - Ainda nem começamos - explicou Harry , olhando cheio de inveja para a torrada com doce de laranja que Ron e Hermione tinham trazido de o salão . - O Wood tem estado a ensinar nos as jogadas . Subiu para a vassoura e deu um pontapé em o chão , elevando se em o ar . O ar fresco de a manhã bateu lhe em o rosto fazendo o acordar com mais eficácia do_que o longo discurso de Wood . Era maravilhoso voltar a estar em o campo de Quidditch . Voou em volta de o estádio a toda a a velocidade competindo com Fred e George . - Que barulhinho estranho é aquele ? - perguntou o Fred quando deram a volta . Harry olhou para as bancadas . Colin estava sentado em um de os lugares mais altos com a máquina fotográfica em o ar , tirando fotografia sobre fotografia , o som estranhamente ampliado em o estádio deserto . - Olha para ali , Harry , para ali - gritava de forma estridente . - Quem é aquele ? - perguntou Fred . - Não faço ideia - mentiu Harry , disparando a_toda_a velocidade e distanciando se o mais possível de Colin . - O que se passa aí ? - perguntou Wood , franzindo a testa enquanto corria por os ares atrás de eles . - Porque está aquele aluno de o primeiro ano a tirar fotografias ? Não me agrada . Pode ser um espião de os Slytherin a tentar descobrir o nosso novo programa de treinos . - Ele é de os Gryffindor - disse Harry rapidamente . - E os Slytherin não precisam de um espião , Oliver - completou George . - Porque dizes isso ? - perguntou Wood irritado . - Porque estão aqui em peso - disse George , apontando com o dedo . Vários indivíduos com túnicas verdes vinham em aquele momento a entrar em o campo de vassouras em a mão . - Não posso acreditar - reagiu Wood , sentindo se ultrajado . - Eu reservei o estádio para hoje . Já vamos ver como é_que isto fica ! Wood baixou direito a o chão sendo levado por a fúria a aterrar com mais força do_que pretendia e a cambalear um_pouco quando começou a andar seguido de o Harry e de o Ron . - Flint - bradou para o treinador de os Slytherin . - Este é o nosso tempo de treino . Levantámo nos de propósito . Vocês têm de sair de aqui . Marcus_Flint era ainda mais corpulento do_que Wood . Tinha em o rosto uma expressão de duende travesso quando respondeu : - Há espaço para todos , Wood . Angelina , Alicia e Katie tinham vindo também . Em a equipa de os Slytherin não havia raparigas que enfrentassem a o lado de os rapazes os Gryffindor . - Mas eu reservei o estádio - repetiu Wood de modo afirmativo , cuspindo de raiva . - Reservei o . - Ah ! - exclamou Flint . - Mas eu tenho aqui uma licença especial assinada por o professor Snape . * _ Eu , professor Snape , autorizo a equipa de os Slytherin a praticar hoje em o campo de Quidditch devido a a necessidade de treinar o seu novo seeker . * - Têm um novo * seeker * ? - perguntou Wood perturbado . - Onde ? E detrás de as seis figuras corpulentas que tinham em a frente , viram surgir uma sétima : um rapaz mais pequeno com um sorriso afectado espelhado em o rosto pálido e anguloso . Era_Draco_Malfoy . - Não és o filho de o Lucius_Malfoy ? - perguntou Fred , olhando para ele com antipatia . - Curioso que refiras o pai de o Draco - disse Flint enquanto toda_a equipa de os Slytherin sorria de modo grosseiro . - Deixem me mostrar vos a generosa oferta que ele fez a a equipa de os Slytherin . Os sete exibiram as suas vassouras . Sete cabos novos , polidos , com inscrições em letras douradas de as palavras « Nimbus dois_mil_e_um « brilharam a o sol de a manhã , em frente de o nariz de os Gryffindor . - O último modelo . Só chegou em o mês passado - disse Flint , displicentemente , sacudindo a poeira de o cabo de a sua vassoura . - Julgo que ultrapassam de longe as velhas séries de dois_mil . Quanto a as Cleansweeps - sorriu de forma mesquinha para Fred e George que tinham ambos Cleansweep_Fives - essas já só servem para varrer . Nenhum de os Gryffindor foi capaz de abrir a boca em aquele momento . Malfoy sorria tanto que os seus olhos de gelo estavam reduzidos a duas rachas . - Oh vejam - disse Flint . - Uma invasão de o campo . Ron e Hermione atravessavam o relvado para ver o que se passava . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron a o Harry . - Porque não estão a jogar e o que faz ele aqui ? Olhava para Malfoy em as suas vestes de Quidditch . - Sou o novo * seeker * de os Slytherin , Weasley - disse Malfoy com ar presumido . - Têm estado todos a admirar as vassouras que o meu pai comprou para a nossa equipa . Ron olhou de boca aberta para as sete vassouras que tinha em a frente . - São boas , não são ? - disse Malfoy untuosamente . - Mas talvez a equipa de os Gryffindor consiga levantar algum ouro e comprar também vassouras novas . Vocês podiam levar essas Cleansweep_Fives a leilão , talvez algum museu esteja interessado . A equipa de os Slytherin riu se a bandeiras despregadas . - Pelo_menos em os Gryffindor ninguém teve de comprar a sua entrada - disse secamente Hermione . - Entraram todos por mérito próprio . O ar presumido de Malfoy desapareceu . - Ninguém pediu a tua opinião , sangue de lama - cuspiu Malfoy . Harry apercebeu se , de imediato , que Malfoy dissera algo muito grave porque houve uma tremenda algazarra em o seguimento de as suas palavras . Flint teve que se pôr a a frente de o Malfoy para evitar que Fred e George se atirassem a ele . Alicia bradou : - Como te atreves ? - E Ron meteu a mão em as vestes e sacou de a varinha mágica , gritando : - Vais pagar por o que disseste , Malfoy ! - e apontou a , furioso , por debaixo de o braço de Flint , a o rosto de Malfoy . Um enorme estrondo , ecoou em o estádio e um jacto de luz verde saiu por a extremidade errada de a varinha de Ron , atingindo o em o estômago e projectando o para trás em direcção a o relvado . - Ron ! Ron ! Estás bem ? - gritou Hermione . Ron abriu a boca para falar , mas nenhuma palavra saiu . Em vez de isso , teve um vómito imenso e várias lesmas saíram lhe de a boca , indo cair lhe em o colo . A equipa de os Slytherin ficou paralisada de riso . Flint estava dobrado , agarrado a a vassoura nova . Malfoy , a quatro , batia com o punho em a chão . Os Gryffindor rodeavam o Ron , que continuava a vomitar lesmas enormes e reluzentes . Ninguém queria tocar lhe . - É melhor levá o para_casa de o Hagrid . É o mais perto - disse Harry_a_Hermione , que acenou afirmativamente , e os dois arrastaram o Ron por os braços . - O que aconteceu , Harry ? O que aconteceu ? Ele está doente ? Mas tu podes curá o , não podes ? - Colin descera a correr de o lugar onde estava sentado e dançaricava em frente de eles , enquanto abandonavam o campo . Ron teve um novo arremesso e mais lesmas saíram de a sua boca . - Oooh ! - exclamou Colin fascinado , levantando a máquina fotográfica . - Podes mantê o quieto , Harry ? - Sai de a minha frente , Colin - gritou Harry zangado . Ele e a Hermione conseguiram levar o Ron para fora de o estádio , atravessar os campos e chegar a a beira de a floresta . - Está quase , Ron - disse Hermione , mal avistaram o casebre de o guarda de os campos . - Vais ficar bem dentro_de um minuto ... está quase ... Estavam a sessenta metros de a casa de Hagrid , quando a porta de a frente se abriu . Mas não foi Hagrid quem saiu de lá , e sim Gilderoy_Lockhart , em uma túnica cor de malva . - Rápido , vamos esconder nos aqui - sussurrou Harry , arrastando Ron para trás de um arbusto que havia ali perto . Hermione acompanhou o , embora um_pouco relutante . -- É muito simples quando se sabe o que se está fazer ! - gritava Lockhart_para_Hagrid . - Se precisar de ajuda , sabe onde estou . Vou dar lhe um exemplar de o meu livro . Espanta me que ainda não o tenha . Logo a a noite autografo o e envio lhe o . Bem . até a a próxima ! - e afastou se em direcção a o castelo . Harry esperou que Lockhart desaparecesse , antes de puxar o Ron de trás de o arbusto até a a casa de o Hagrid . Bateram ansiosamente . Hagrid apareceu logo com um ar mal-humorado , que se dissipou quando viu quem era . - Já me tinha perguntado quand'é que vocês vinham ver me , entrem , entrem , pensei qu'era outra_vez o professor Lockhart . Harry e Hermione ajudaram Ron a subir o degrau que dava acesso a a cabana de uma divisão com uma cama enorme a um de os cantos e uma lareira a crepitar alegremente em o outro . Hagrid não pareceu perturbado com o problema de as lesmas de o Ron que Harry lhe explicou precipitadamente , logo_que sentou o Ron em uma cadeira . - Melhor saírem de o qu'entrarem - disse , em um tom bem-disposto , colocando uma grande bacia de cobre em frente de ele . - Deita as todas fora , Ron . - Acho que não há mais_nada a fazer , a não ser esperar que isto pare - disse Hermione ansiosamente , vendo Ron inclinar se para a bacia . - É uma maldição muitas_vezes difícil , mas com uma varinha partida ... Hagrid andava de um lado para o outro a preparar o chá . O cão de ele , Fang , babava se em cima de o Harry . - O que é_que o Lockhart queria de ti ? - perguntou o Harry , coçando as orelhas de o Fang . - Ensinar me a tirar espíritos aquáticos com forma de cavalos d'uma nascente d'água - resmungou Hagrid , retirando de a mesa pequena um galo meio depenado e colocando em o seu lugar o bule . - Como s'eu não soubesse . E contar me uma peta qualquer d'uma fada carpideira que ele venceu . Engulo essa chaleira , se uma palavra do_que ele disse for verdade . Não era hábito de Hagrid criticar um professor de Hogwarts e Harry olhou para ele com alguma surpresa . Mas Hermione disse em uma voz mais aguda do_que de costume : - Acho que estás a ser injusto . O professor Dumbledore obviamente achou que era o melhor homem para o lugar ... - Era o único - explicou Hagrid , oferecendo lhes um prato de bombons de melaço enquanto Ron tossia para a bacia . - E não havia mais ninguém . Não é fácil encontrar quem queira dar Artes de magia negra . As pessoas não gostam de essa matéria . Começam a pensar que está amaldiçoada , ninguém ficou muito_tempo a dá a . Mas digam me lá - continuou Hagrid , inclinando a cabeça para Ron - quem é qu'ele estava a tentar amaldiçoar ? - O Malfoy chamou qualquer coisa a a Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si . - Foi grave , sim - disse o Ron com voz rouca , emergindo a a superfície de a mesa , pálido e transpirado . - O Malfoy chamou lhe sangue de lama , Hagrid . - Ron desapareceu outra_vez quando uma nova onda de lesmas fez o seu aparecimento . Hagrid estava indignado . - Não posso crer - exclamou , dirigindo se a Hermione . - Chamou sim - disse ela . - Mas eu não sei o que significa . Percebi que era má educação , claro ... - É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar - explicou Ron novamente . - Sangue de lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles , sabes , filho de pais não mágicos . Há alguns feiticeiros , como a família de o Malfoy que acham que são melhores do_que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro . - Teve um pequeno vómito e uma lesma isolada caiu lhe em a mão aberta . Ele atirou a para a bacia e continuou . -- É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma . Olha_o_Neville_Longbottom , é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito . - E ainda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer - afirmou Hagrid , orgulhoso , fazendo Hermione corar em tons de magenta . - É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém - disse o Ron , limpando o suor de a testa com a mão trémula . - Sangue sujo , sangue vulgar , é um disparate . A maior parte de os feiticeiros hoje_em_dia têm sangue misturado . Se não tivéssemos casado com Muggles tinha sido o nosso fim . Fez um esforço para vomitar e baixou se mais_uma_vez . - Bem , não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá o , Ron - disse Hagrid bem alto enquanto montes de lesmas caíam em a bacia . - Mas , se_calhar , não foi mau de todo teres a varinha a trabalhar ao_contrário . Acho que Lucius_Malfoy teria vindo logo a correr a a escola se tivesses amaldiçoado o filho . Assim , pelo_menos , não estás metido em nenhum sarilho . Harry teria referido que o problema não podia ser pior do_que deitar lesmas por a boca , mas não pôde . Os bombons de melaço tinham lhe colado os maxilares um_ao_outro . - Harry - disse de repente Hagrid como_que movido por um pensamento súbito . - Tens de me explicar uma coisa . Ouvi dizer que tens andado a dar fotografias autografadas . Porque é qu'eu não tenho nenhuma ? A fúria de Harry foi tão grande que os maxilares se libertaram . - Eu não tenho dado fotografias autografadas - disse com vivacidade . Se o Lockhart andou a espalhar isso ... Mas em esse momento viu que Hagrid se estava a rir . - ´ _ tou a brincar - disse , dando uma palmadinha em as costas de Harry e fazendo lhe sinal para se sentar a a mesa . -- Eu sabia que não tinhas . Disse a o Lockhart que tu não precisavas de isso . Es mais famoso do_que ele sem sequer , tentares . - Aposto que ele não gostou de ouvir isso - comentou Harry , sentando se e esfregando o queixo . - Acho que não gostou mesmo - prosseguiu Hagrid com os olhinhos a brilhar . - E disse lhe também que nunca tinha lido nenhum de os livros de ele e ele foi se embora . Um bombom de melaço , Ron ? - perguntou a o vê o reaparecer . - Não , obrigado - disse o Ron com uma voz fraca . - É melhor não arriscar . - Venham ver o qu'eu tenho estado a criar - disse Hagrid quando Harry e Hermione acabaram de tomar o chá . Em a pequena horta atrás de a casa estava uma_dúzia de as maiores abóboras que Harry alguma vez vira . Pareciam enormes blocos de pedra . - Estão a dar se bem , não achas ? - disse Hagrid , feliz . São para a festa de o * _ Hallow'en * . Devem estar bem grandes quando chegar a altura . - O que é_que lhes tens dado como alimento ? - perguntou Harry . Hagrid olhou por cima de o ombro para confirmar se estavam sós . - Bem , tenho estado a dar lhes ... uma pequena ajuda . Harry reparou em o guarda-chuva cor-de-rosa a as florzinhas que estava encostado contra a parede de a cabana . Tivera em o ano anterior motivos para crer que aquele guarda-chuva não era o que parecia . De facto , acreditava que a antiga varinha de escola de Hagrid se encontrava oculta dentro de ele . Hagrid não tinha autorização para usar magia . Fora expulso de Hogwarts em o terceiro ano embora Harry nunca tivesse descoberto o motivo . Qualquer referência a esta questão fazia Hagrid pigarrear bem alto e ficar misteriosamente surdo até mudarem de assunto . -- Um encantamento de absorção , imagino ? - comentou Hermione entre a desaprovação e o divertimento . - Bem , se assim foi , fizeste um bom trabalho . - Foi o que disse a tua irmãzinha - respondeu Hagrid acenando em direcção a Ron . - Encontrei a ontem . - Hagrid olhou de lado para Harry , a barba a contorcer se . - Disse que andava só a ver os campos , mas eu acho qu'ela esperava encontrar alguém em a minha casa - piscou o olho a o Harry . - Se queres que te diga acho qu'ela não recusaria uma fotografia autogr ... - Cala te com isso - disse Harry . Ron desatou a rir e o chão ficou cheio de lesmas . - Cuidado - resmungou Hagrid , afastando Ron de as suas preciosas abóboras . Estava quase em a hora de o almoço e , como o Harry só tinha provado um bombom de melaço desde manhã cedo , estava ansioso por chegar a a escola para ir comer . Despediram se de o Hagrid e regressaram a o castelo . O Ron a vomitar de vez em quando , mas deitando só duas pequenas lesmas . Mal tinham pisado a entrada de o vestíbulo quando ouviram uma voz . - Aí estão vocês , Potter , Weasley . - A professora Mc_Gonagall vinha em direcção a eles com o seu ar severo . - Vocês os dois vão ter as punições hoje a a tarde . - O que é_que vamos fazer , professora ? - perguntou o Ron nervoso , deixando cair uma lesma . - Tu vais limpar as pratas em a sala de os troféus com Mr._Filch - disse a professora Mc_Gonagall . - E nada de mágicas , Weasley , trabalho com esforço . Ron engoliu em seco . Argus_Filch , o encarregado , era odiado por todos os alunos de a escola . - E tu , Potter , vais ajudar o professor Lockhart a responder a as cartas de as suas fãs - ordenou a professora Mc_Gonagall . - Oh , não ! Não posso ir também trabalhar em a sala de os troféus ? - pediu Harry em desespero de causa . - Nem pensar em isso - respondeu a professora Mc_Gonagall , erguendo as sobrancelhas . - O professor Lockhart requisitou te especialmente a ti . _ a as oito_em_ponto , os dois . Harry e Ron entraram em o salão em um estado de profundo desanimo com a Hermione atrás , ostentando uma expressão de * bem-voces-quebraram-as-regras-da-escola * . Harry não saboreou o empadão de carne como teria desejado . Tanto ele como o Ron achavam que tinham tido o pior de os castigos . -- O Filch vai reter me lá toda_a noite - disse Ron , desanimado . - Sem mágica ! Deve haver umas cem taças em aquela sala , eu não sei fazer limpeza de Muggles . - Eu trocava contigo de boa_vontade - confessou Harry em uma voz surda . - Tive montes de prática com os Dursleys . Responder a o correio de fãs de o Lockhart , que pesadelo ... A tarde de sábado pareceu derreter se . Pouco depois eram já cinco para as oito e Harry arrastava se até a o corredor de o segundo andar onde ficava o escritório de o Lockhart . Rangendo os dentes , bateu a a porta . A porta abriu se imediatamente e Lockhart dirigiu se lhe . - Ah , cá está o patifório ! - exclamou . - Entra , Harry , entra . Em as paredes , brilhando à_luz_de muitas velas , podia ver se uma infinidade de fotografias de Lockhart . Algumas de elas até assinadas . Sobre a secretária estava outro monte enorme . - Podes pôr as moradas em os envelopes - disse Lockhart_a_Harry , como_se fosse uma grande ameaça . - O primeiro é para Gladys_Gudgeon , abençoada seja , uma grande fã minha . Os minutos passavam lentos . De vez em quando , Harry ouvia a voz de Lockhart dizendo : - Mmm - e - certo - e - sim . - De vez em quando , apanhava uma frase como : - A fama é versátil , amigo Harry - ou - Só é célebre quem faz por isso , nunca te esqueças . As velas ardiam cada_vez com maior lentidão , fazendo a luz dançar sobre as muitas caras de Lockhart que o olhavam . Harry passava a mão , já dorida , sobre o que devia ser o centésimo envelope , escrevendo a morada de Verónica_Smethley . « Deve estar quase em a hora de me ir embora » , pensou , sentindo se profundamente infeliz , « por favor , faz com que esteja em a hora ... » E então ouviu algo , algo totalmente diferente de o crepitar de as velas e de os ditos de Lockhart sobre as suas fãs . Era uma voz , uma voz de arrepiar os ossos , de cortar a respiração , de veneno frio . - * _ Vem ... vem ter comigo ... deixa me rasgar te ... cortar te ... matar te * ... Harry deu um salto e uma enorme mancha lilás surgiu em a rua de Verónica_Smethley . - O quê ? - disse ele em voz alta . - Eu sei - exclamou Lockhart . - Seis meses inteirinhos em o topo de a lista de * bestsellers * , bati todos os recordes ! - Não - disse Harry nervosíssimo - aquela voz ! - Como ? - perguntou Lockhart , com um ar confuso . - Que voz ? - Aquela , aquela voz que disse ... não ouviu ? Lockhart olhava para Harry com o maior espanto . - De que é_que estás a falar , Harry ? Estás a ficar com sono ? Meu Deus , olha , só estamos aqui há quase quatro horas , quem diria ? O tempo passou a correr , não é verdade ? Harry não respondeu , estava a fazer um esforço para ouvir de_novo a voz , mas o único som que ouviu foi Lockhart a dizer lhe que não esperasse um tratamento igual de as próximas vezes que fosse castigado . Harry saiu , sentindo se atordoado . Era tão tarde que a sala comum de os Gryffindor estava quase vazia . Harry foi directamente para o dormitório . Ron ainda não tinha voltado . Vestiu o pijama , meteu se em a cama e esperou . Meia_hora mais tarde , chegou o Ron agarrado a o braço direito e inundando o quarto escuro de um forte cheiro a limpa-pratas . - Doem me todos os músculos - resmungou , metendo se em a cama . - Ele fez me polir catorze vezes aquela taça de Quidditch até estar satisfeito . E depois tive outro vómito em_cima_de um troféu de Reconhecimento por serviços prestados a a escola . Demorei séculos a limpar o muco de as lesmas . Como correram as coisas com o Lockhart ? Em voz baixa para não acordar o Neville , o Dean e o Seamus , Harry contou lhe , palavra por palavra , o que tinha ouvido . - E Lockhart disse que não ouviu nada ? - perguntou o Ron . Harry viu o franzir a testa , a a luz de o luar . - Achas que estava a mentir ? Mas , não percebo , mesmo um ser invisível teria aberto a porta . - Eu sei - disse Harry , encostando se a a cama e olhando para o dossel . - Também não compreendo . VIII_A festa de o dia de os mortos Outubro chegou , espalhando um frio húmido por os campos e por os cantos de o castelo . Madam_Pomfrey , a enfermeira-chefe , esteve bastante ocupada com uma onda de constipações que afectou professores e alunos . A sua poção de pimentão entrou imediatamente em acção apesar_de deixar quem a tomava com fumo em os ouvidos durante várias horas . Ginny_Weasley , que andava com ar adoentado , foi convencida a tomá a por o Percy . O fumo que saía por debaixo de o seu cabelo ruivo dava a impressão de que toda_a cabeça estava em fogo . Gotas de chuva de o tamanho de balas agrediram as janelas de o castelo durante dias a fio . O lago rosado e os canteiros de flores tornaram se regatos lamacentos e as abóboras de o Hagrid incharam ficando de o tamanho de alpendres de jardim . Contudo , o entusiasmo de Oliver_Wood por as sessões de treino regular não foi abalado , motivo por o qual Harry iria regressar a a torre de os Gryffindor , em um sábado a a tarde de temporal , alguns dias antes de o * _ Hallowe'en * , ensopado até a os ossos e todo enlameado . Além de a chuva e de o vento , não fora um treino feliz . Fred e George que tinham andado a espiar a equipa de os Slytherin tinham visto com os seus próprios olhos a velocidade alucinante de aquelas novas Nimbus dois_mil_e_um e comentaram que a equipa em o ar parecia composta por sete manchas esverdeadas que disparavam a_toda_a velocidade como aviões a jacto . Enquanto Harry chapinhava a o longo de o corredor deserto , cruzou se com alguém que parecia tão preocupado como ele : Nick quase sem cabeça , o fantasma de a torre de os Gryffindor que olhava taciturno , por a janela , murmurando baixinho : - Não preenche os requisitos , um centímetro e meio se ... - Olá , Nick - cumprimentou Harry . - Olá , olá - disse o Nick quase sem cabeça , começando a olhar em volta . Usava um arrebatado chapéu de plumas sobre a longa cabeleira encaracolada e uma túnica com gola de tufos que disfarçava o facto de ter o pescoço quase totalmente separado de o corpo . Era pálido como o fumo e Harry podia ver através de ele o céu negro e a chuva torrencial , lá fora . - Pareces preocupado , jovem Potter - disse Nick , dobrando uma carta transparente , enquanto falava e escondendo a dentro de a jaqueta . - Tu também - retorquiu Harry . - Ah ! - o Nick quase sem cabeça acenou com a mão de forma elegante . - Uma questão sem importância . Não é_que eu quisesse realmente participar apesar_de me ter inscrito , mas , a o que parece , não preencho os requisitos . - Apesar de o seu tom jovial havia em o seu rosto uma grande amargura . - Mas era de esperar , ou não era - exclamou subitamente , tirando a carta de o bolso - que ter levado quarenta_e_cinco golpes em a cabeça com um machado ferrugento me qualificaria para entrar em o grupo de os Sem - _ Cabeça ? - Sim , sim - respondeu Harry que obviamente o outro esperava que concordasse . - Isto_é , ninguém mais do_que eu desejaria que tudo tivesse sido rápido e perfeito , poupava me muitas dores e ridículo . Mas ... O Nick quase sem cabeça abriu , furioso , a carta e leu : * _ Só podemos aceitar em o grupo homens cuja cabeça tenha sido separada de o corpo . Compreenderá que de outro modo seria impossível a os nossos membros participarem em actividades como equitação de malabarismos com a cabeça e pólo de cabeça . Lamentamos profundamente informá o de que não preenche os requisitos . * _ Os nossos melhores cumprimentos , Sir_Patrick_Delaney - _ Podmore * Furioso , o Nick quase sem cabeça atirou fora a carta . - Um centímetro de pele e tendões a segurarem me a cabeça , Harry ! A maior parte de as pessoas acharia que era mais do_que o suficiente , mas não serve para o senhor correctamente decapitado Podmore . Nick quase sem cabeça respirou fundo várias vezes e , por fim , em um tom bastante mais calmo perguntou : - Então o que é_que te preocupa ? Alguma coisa que eu possa fazer por ti ? - Não - respondeu Harry . - A_não_ser_que saibas onde posso arranjar sete Nimbus dois_mil_e_um , de_graça , para o nosso campeonato contra os Sly ... - o resto de a frase foi afogada por um miado agudo vindo de perto de os seus tornozelos . Olhou para baixo e deu consigo a fitar um par de olhos que pareciam duas lâmpadas amarelas . Era_Mrs._Norris , a gata cinzenta e esquelética usada por o encarregado Argus_Filch como uma espécie de polícia em a sua infindável batalha contra os estudantes . - É melhor saíres de aqui , Harry - preveniu Nick com toda_a calma . - O Filch não está nada bem-disposto . Anda engripado e alguns alunos de o terceiro ano , por acidente , encheram o tecto de o calabouço cinco de miolos de rã . Ele tem andado toda_a manhã a limpar e se te vê a encher tudo de lama ... - Certo - disse Harry , recuando e afastando se de o olhar acusador de Mrs._Norris , mas ... tarde de mais . Conduzido até ali por o misterioso poder que parecia ligá o a a gata , Argus_Filch entrou subitamente por uma tapeçaria que se encontrava a a direita de Harry , com a sua respiração asmática , olhando vivamente em volta em busca de o infractor . Tinha um lenço grosso , de xadrez , a a volta de a cabeça e o nariz invulgarmente arroxeado . - Imundície - gritou com os maxilares a tremer e os olhos a saltarem lhe de as órbitas , enquanto apontava para a poça de lama que pingara de a túnica de Quidditch_de_Harry . - Desarrumação e imundície em todo o lado . Estou farto disto , segue me , Potter . Harry despediu se de o Nick quase sem cabeça com um tímido aceno e seguiu Filch até lá abaixo , duplicando o número de pegadas lamacentas em o chão . Nunca entrara em o gabinete de o Filch . Era um lugar que a maior parte de os estudantes evitava . A divisão era sombria e sem janelas , iluminada por uma única lamparina de óleo que pendia de o tecto . Sentia se um vago cheiro a peixe frito . As paredes estavam forradas por ficheiros de madeira . Por as etiquetas Harry percebeu que continham os dados de todos os alunos que Filch tinha punido . Fred e George_Weasley tinham uma gaveta só para eles . Atrás de a secretária estava pendurada uma colecção bem polida de correntes e algemas . Todos sabiam que ele estava sempre a pedir a Dumbledore que o deixasse pendurar os alunos em o tecto por os tornozelos . Filch pegou em uma pena que estava sobre a secretária e começou a procurar o pergaminho . - Bosta - murmurou , furioso . - Bosta de dragão , miolos de rã , intestinos de ratazana ... eu tinha aqui bastante , onde está o form ... sim ... Tirou um enorme rolo de pergaminho de a gaveta de a secretária e estendeu o em a frente , molhando a longa pena em o tinteiro . - Nome : Harry_Potter . Crime ... - Foi só um bocadinho de lama - disse Harry . - É só um bocadinho de lama para ti , rapaz , mas para mim é mais de uma hora a esfregar - gritou Filch com um pingo a tremer de modo desagradável em a extremidade de o nariz bolboso . - Crime : manchar o castelo . Sentença proposta ... Esfregando o nariz que continuava a pingar , Filch olhou com má cara para Harry que esperava com a respiração entrecortada para ouvir a sentença . Mas quando Filch pegou em a pena ouviu se um estrondo enorme em o tecto que fez a lamparina apagar se . - PEEVES - resmungou Filch , pousando a pena , cheio de raiva . - Desta_vez apanho te . Apanho te ! E sem olhar para trás , saiu a correr a_toda_a velocidade de o gabinete , seguido de a gata , Mrs._Norris . Peeves era o * poltergeist * de a escola , uma ameaça de risota esvoaçante que vivia para fazer estragos e criar aflição . Harry não gostava lá muito de ele , mas desta_vez , não podia deixar de lhe estar grato . Na_melhor_das_hipóteses o que Peeves tivesse feito ( e parecia que agora ele destruíra qualquer coisa em grande ) distrairia Filch_de_Harry . Pensando que o melhor seria esperar que ele voltasse , Harry deixou se cair em uma cadeira carcomida por o tempo que se encontrava junto de a secretária . Havia uma coisa sobre o tampo : um grande envelope roxo e lustroso com letras prateadas em a frente . Lançando um olhar rápido a a porta para confirmar que Filch não estava de volta , Harry pegou lhe e leu : __ feitiço __ rápido Um curso por correspondência De iniciação a a magia Cheio de curiosidade , abriu o envelope e retirou o rolo de pergaminho . Uma letra curvilínea e prateada dizia : Sente se pouco a a vontade em o mundo de a magia moderna ? Dá consigo a arranjar desculpas para não fazer feitiços simples ? Tem sido censurado por o deplorável trabalho com a varinha ? Eis a resposta ! Feitiço rápido e um curso totalmente novo , infalível , de resultados rápidos e rápida aprendizagem . Centenas de bruxas e feiticeiros têm beneficiado de o método feitiço rápido ! Madam_Z._Nettles_de_Topsham escreve nos : Eu não conseguia fixar os encantamentos e as minhas poções eram alvo de risota em a família . Agora , depois de o curso feitiço rápido , tornei me o centro de as atenções em todas_as festas e os meus amigos não param de pedir me a receita de a minha brilhante solução ! O mágico D.J._Prod , de Disbury , afirma : A minha mulher costumava rir se de os meus fracos encantamentos , mas bastou um mês com o vosso fabuloso curso feitiço rápido e consegui transformá a em um iaque . Obrigado , feitiço rápido ! Fascinado , Harry folheou o resto de o conteúdo de o envelope . Para que diabo quereria o Filch um curso de feitiço rápido ? Não seria ele um feiticeiro a sério ? Harry estava a ler a lição número um : Pegando em a varinha ( algumas dicas úteis ) quando umas passadas arrastadas , lá fora , o preveniram de que Filch estava de volta . Metendo rapidamente o pergaminho dentro de o envelope , lançou o para_cima de a secretária em o preciso momento em que a porta se abriu . Filch ostentava um ar triunfante . - Aquele armário que desapareceu era extremamente valioso - vinha ele a dizer a a gata , Mrs._Norris . - Desta_vez vamos correr com o Peeves , minha linda . Os seus olhos recaíram sobre Harry e logo_a_seguir sobre o envelope de o feitiço rápido que , Harry apercebeu se tarde de mais , estava meio metro distanciado de o seu lagar inicial . O rosto pálido de Filch tornou se vermelho escarlate . Harry preparou se para uma nova onda de fúria . Filch coxeou até a a secretária , arrebatou o envelope e meteu o em uma gaveta . -- Chegaste a ... lê o ? - perguntou atabalhoadamente . - Não - mentiu Harry , sem perder tempo . As mãos nodosas de o Filch contorciam se ao_mesmo_tempo . - Se eu soubesse que ias ler a minha correspondência priv ... não que seja minha ... é para um amigo ... mesmo_assim ... Harry olhava para ele espantado . Nunca vira o Filch tão louco . Os olhos pareciam querer saltar lhe de as órbitas , com um tique em as bochechas e aquele lenço axadrezado que não ajudava nada ... - Muito bem , vai e não abras a boca sobre isto ... não que ... mesmo_assim ... se tu não leste ... vai te embora , tenho de escrever o relatório sobre o Peeves , vai . Atordoado com a sua sorte , Harry saiu de ali e largou a correr por o corredor fora e por as escadas acima . Sair de o gabinete de o Filch sem um castigo devia ser um recorde em a escola . - Harry , Harry , deu resultado ? O Nick quase sem cabeça saiu a brilhar de uma sala de aula . Atrás de ele , Harry pôde ver os destroços de um grande armário preto e dourado que parecia ter sido atirado de uma grande altura . - Convenci o Peeves a parti o mesmo em cima de o gabinete de o Filch - disse Nick entusiasmado . - Pensei que talvez o distraísse . - Foste tu ? - exclamou Harry , agradecido . - Funcionou sim . Ele não me deu nenhum castigo . Obrigado , Nick . Atravessaram o corredor juntos . O Nick quase sem cabeça , reparou Harry , ainda tinha em a mão a carta de Sir_Patrick . - Gostaria de poder fazer qualquer coisa sobre o grupo de os Sem - _ Cabeça - disse Harry . O Nick quase sem cabeça parou de repente e Harry passou através de ele . Antes não tivesse passado , foi como atravessar um duche gelado . - Mas há uma coisa que tu podes fazer por mim - disse Nick muito agitado . - Harry , seria pedir te de mais ... mas não , tu não ias querer ... - O quê ? - Bem , este ano em o * _ Hallowe'en * vai ser o meu meio milénio de dia de os mortos - disse o Nick quase sem cabeça endireitando se e adquirindo uma postura de grande dignidade . - Oh - respondeu Harry sem saber se deveria lamentar ou dar lhe os parabéns . - Certo . - Vou dar uma festa em um de os calabouços mais amplos . Vêm amigos meus de todo o país . Seria uma honra muito grande se tu aparecesses . Mr._Weasley e Miss_Granger seriam também muito bem-vindos , claro . Mas tu deves preferir o banquete de a escola , não é verdade ? - Olhou para Harry , aflito . - Não - assegurou ele rapidamente . - Eu vou . - Oh rapaz , Harry_Potter em a minha festa de os mortos - hesitou no_meio_de toda aquela excitação . - Achas que poderias referir a Sir_Patrick como me achas assustador e como te impressiono ? - É claro que sim - assegurou Harry . O Nick quase sem cabeça iluminou se em um sorriso . - Uma festa de os mortos ? - exclamou Hermione , entusiasmada , quando Harry , depois de mudar de roupa , se juntou a ela e a o Ron em a sala comum . - Aposto que não há muitas pessoas que possam gabar se de ter estado em uma festa de essas . Vai ser fantástico ! - Por_que é_que alguém se lembraria de festejar o dia em que morreu ? - perguntou o Ron que estava a meio de o seu trabalho de casa de poções e bastante maldisposto . - Parece me bastante mórbido . A chuva continuava a lamber as janelas que apresentavam agora um negro que parecia tinta , mas , lá dentro , era tudo claro e alegre . O fogo em a lareira brilhava sobre as inúmeras cadeiras de braços onde as pessoas estavam sentadas a ler , a conversar , a fazer os trabalhos de casa ou , no_caso_de Fred e George_Weasley , a tentar descobrir o que aconteceria se alimentassem uma salamandra com fogo-de-artíficio de o Filibuster . O Fred tinha « resgatado . o lagarto cor de laranja brilhante , morador de o fogo , de uma aula de tratamento de seres mágicos e ele estava agora a arder em fogo lento sobre uma mesa , rodeado de um grupo de curiosos . Harry ia começar a contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre o Filch e o curso de feitiço rápido quando a salamandra disparou por os ares , lançando faíscas e estoiros . A visão de Percy a gritar com Fred e George até ficar ronco , a fantástica exibição de estrelas cor de tangerina que choviam de a boca de a salamandra e a sua fuga para o lume acompanhada de explosões , fizeram com que Harry se esquecesse , em aquele momento , de Filch e de o curso de feitiço rápido . Quando chegou o * _ Hallowe'en * , Harry já lamentava a sua promessa imprudente de ir a a festa de os mortos . Toda_a escola antecipava , feliz , a sua festa de * _ Hallowe'en * . O salão nobre fora enfeitado com os habituais morcegos , as enormes abóboras de Hagrid tinham sido esculpidas em forma de lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro_de cada uma , e havia boatos de que Dumbledore contratara um grupo de esqueletos bailarinos para animar a festa . - Uma promessa é uma promessa - lembrou Hermione_a_Harry com o seu autoritarismo habitual . - Tu disseste que ias a a festa de os mortos . Portanto , a as sete_da_tarde , Harry , Ron e Hermione saíram , passando por a porta de o salão nobre que brilhava de modo convidativo com pratos dourados e velas e dirigiram os seus passos para os calabouços . O corredor que conduzia a a festa de o Nick quase sem cabeça tinha sido também ladeado de velas , embora o efeito estivesse longe_de ser alegre : estas eram velas muito esguias e estreitas , negras de breu , ardendo em um azul brilhante e lançando uma luz indistinta e espectral também sobre as caras de as pessoas vivas . A temperatura diminuía a cada degrau que desciam . Harry tremia e cingia a túnica a o corpo quando ouviu qualquer coisa que parecia uma centena de unhas a rasparem um enorme quadro preto . - Será que isto_é a música ? - murmurou Ron . Viraram uma esquina e viram o Nick quase sem cabeça junto de uma porta , todo vestido de veludo negro . - Meus queridos amigos - disse com ar de luto . - Bem-vindos , bem-vindos , ainda_bem que puderam vir . Em um gesto largo tirou o chapéu de plumas e fez lhes sinal para que entrassem . Era uma visão incrível . O calabouço estava cheio com centenas de pessoas de um branco pálido e translúcido , a maior parte de as quais era arrastada em uma pista de dança cheia , valsando a o som de trinta serrotes musicais . Os serrotes que compunham a orquestra encontravam se sobre um estrado enfeitado com panos negros . Um lustre lá em cima resplandecia de um azul nocturno com mais um_milhar de velas negras . A respiração de os três subiu em o ar como uma neblina . Parecia que tinham entrado em um congelador . - Vamos dar uma volta - sugeriu Harry em uma tentativa de aquecer os pés . - Cuidado , não atravessem nenhum de eles - avisou o Ron nervosamente e colocaram se em volta de a pista de dança . Passaram por um grupo escuro de freiras , por um homem esfarrapado e cheio de correntes e por o frade gordo , o divertido fantasma de os Hufflepuff que estava a conversar com um cavaleiro com uma seta enfiada em a testa . Harry não ficou nada surpreendido a o ver que o Barão sangrento , o fantasma lúgubre e berrante de os Slytherin , coberto de nódoas de sangue ; estava a ser totalmente evitado por os outros fantasmas . - Oh ! Não -- exclamou Hermione , parando bruscamente . - Voltem se , voltem se , não quero ter de cumprimentar a Murta_Queixosa . - Quem ? - perguntou Harry enquanto davam rapidamente meia volta . - Ela assombra a casa_de_banho de as raparigas de o primeiro andar - explicou Hermione . - Assombra uma casa_de_banho ? - Sim . Está inoperativa durante todo o ano porque ela tem constantes acessos de choro e inunda tudo . Eu só lá fui quando não pode mesmo evitar . É horrível tentar ir a a sanita com ela a gritar connosco . - Olhem , comida - disse o Ron . De o outro lado de o calabouço estava uma mesa igualmente coberta de velado negro . Iam para se aproximar entusiasmados , mas pararam com uma expressão de horror . O cheiro era nauseabundo . Enormes peixes podres enchiam as bonitas travessas de prata , os bolos estorricados como carvões amontoavam se em as salvas , havia uma grande quantidade de miúdos de macaco , uma tábua de queijos cobertos de bolor e , em o lugar de honra , um enorme bolo cinzento em forma de lápide com letras que pareciam alcatrão formando as palavras , * _ Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington_Morto em 31_de_Outubro , 1492 * . Harry olhou espantado quando um fantasma de porte majestoso se aproximou de a mesa inclinando se e passando através de ela com a boca aberta enquanto atravessava um salmão malcheiroso . - Consegue prová o passando através de ele ? - perguntou lhe Harry . - Quase - disse tristemente o fantasma antes de se afastar . - Devem ter deixado apodrecer tudo_isto para ter um sabor mais forte - comentou Hermione com ar de quem está bem informada , tapando o nariz e aproximando se para ver melhor os pútridos miúdos de macaco . - Podemos sair de aqui , estou a sentir me agoniado - disse o Ron . Mas mal tinham dado meia volta quando um homenzinho pequenino saiu inesperadamente de debaixo de a mesa e fez uma paragem em o ar em frente de eles . - Olá , Peeves - disse Harry cautelosamente . Ao_contrário de os outros fantasmas que os rodeavam , Peeves , o * poltergeist * era o oposto de pálido e transparente . Usava um chapéu festivo cor de laranja , um laço rotativo a o pescoço e tinha um sorriso grosseiro de malvadez , em o rosto . - Querem petiscar ? - perguntou delicadamente , oferecendo lhes uma taça de amendoins cobertos de fungos . - Não , obrigada - disse Hermione . - Ouvi te falar sobre a pobre Murta - disse Peeves com os olhos a bailar . - Que insensível que tu foste para com a pobre Murta - respirou fundo e gritou : - Oh Murta . - Oh ! Não , Peeves , não lhe contes o que eu disse , ela vai ficar muito aborrecida - murmurou Hermione bastante nervosa . - Eu não queria dizer que ... eu não me importo que ela , er , olá , Murta . O espectro atarracado de uma rapariga deslizara . Tinha o rosto mais carrancudo que Harry alguma vez vira , meio escondido por o cabelo liso e por os óculos grossos cor de pérola . - O que é ? - perguntou mal-humorada . - Como estás Murta ? - perguntou Hermione , em uma voz falsamente alegre . - É bom ver te fora de a casa_de_banho . Murta fungou . - Miss_Granger estava justamente a falar de ti - disse lhe Peeves baixinho a o ouvido . - A dizer , a dizer ... como estás bonita esta noite -- terminou Hermione , olhando irritada para Peeves . A Murta olhou para Hermione desconfiada . - Estão a divertir se a a minha custa - disse , com lágrimas de prata a encherem lhe rapidamente os olhos pequeninos . - Não , a sério , eu não estava a dizer vos como a Murta estava bonita esta noite ? - disse Hermione , dando uma palmada em as costas de o Harry e de o Ron . - Sim , sim . - Ela ... - Não me venham com mentiras - protestou a Murta , as lágrimas agora a descerem lhe por o rosto , enquanto Peeves ria baixinho por cima de o ombro de ela . - Julgam que eu não sei o que as pessoas me chamam em as minhas costas ? A Murta gorda , a Murta feia , a Murta queixosa , a Murta deprimida ! - Esqueceste te de « a Murta ponto negro » - sussurrou lhe Peeves a o ouvido . A Murta_Queixosa irrompeu em soluços de angústia e fugiu de o calabouço . Peeves disparou atrás de ela , lançando lhe uma chuva de amendoins cheios de bolor e gritando : Ponto negro ! Ponto negro ! - Oh , coitada ! - exclamou Hermione com tristeza . O Nick quase sem cabeça abria agora caminho entre a multidão para se aproximar de eles . - Estão a divertir se ? - Sim , sim - mentiram . - Uma afluência nada má - disse orgulhoso o Nick quase sem cabeça . - A viúva chorosa veio de Kent ... está quase em a hora de o meu discurso . É melhor ir avisar a orquestra . Mas a orquestra parou de tocar em esse preciso momento . Eles , e todos os outros em o calabouço , ficaram em silêncio total , olhando em volta cheios de excitação quando se ouviu uma trompa de a caça . - Lá vêm eles - disse o Nick quase sem cabeça , com alguma amargura em a voz . Por o calabouço irromperam uma_dúzia de , cavalos fantasmas , cada_um montado por um cavaleiro sem cabeça . A assistência aplaudiu vivamente . Harry começou também a bater palmas , mas parou rapidamente quando viu a cara de o Nick . Os cavalos galoparam até a o meio de a pista de dança e pararam , empinando se , dando pequenos passos para a frente e para trás , sobre as patas traseiras . Um fantasma grande em a frente , cuja cabeça barbuda estava debaixo de o braço , soprando a trompa , desmontou , levantou a cabeça bem em o ar para poder ver toda_a assistência ( todos se riam ) e dirigiu se a o Nick quase sem cabeça , comprimindo a cabeça contra o pescoço . - Bem-vindo , Patrick - disse o Nick , mantendo a sua postura rígida . - Gente viva ! - exclamou o Sir_Patrick , avistando Harry , Ron e Hermione e dando um salto de falso espanto , de_tal_modo_que a cabeça lhe caiu de_novo ( a multidão ria a bom rir ) . - Muito engraçado - disse o Nick quase sem cabeça com um ar soturno . - Não ligues a o Nick - gritou a cabeça de Sir_Patrick de o chão . - Ainda está aborrecido por não o deixarmos juntar se a o grupo . Mas olhem bem para ele ... - Eu acho - disse apressadamente Harry , a seguir a um olhar de o Nick - que o Nick é muito assustador e ... eu ... - Bah ! - gritou a cabeça de Sir_Patrick . - Aposto que ele te pediu que dissesses isso . - Gostaria de ter a vossa atenção . Chegou a altura de fazer o meu discurso - disse o Nick quase sem cabeça bem alto , dirigindo se a o pódio , subindo e parando , iluminado por uma luz azul . - Os meus sentimentos , senhores e senhoras , é com profundo pesar ... Mas já ninguém estava a ouvi o . Sir_Patrick e o resto de o grupo de os Sem - _ Cabeça tinham iniciado um jogo de hóquei de cabeça e a multidão voltara se para os observar . Nick quase sem cabeça tentou em vão recuperar a audiência , mas acabou por desistir quando a cabeça de Sir_Patrick passou por ele a_toda_a velocidade gritando vivas . Harry estava cheio de frio para não falar de a fome . - Não aguento mais isto - murmurou Ron a bater o dente enquanto a orquestra voltava a entrar em acção e os fantasmas enchiam de_novo a pista de dança . - Vamos embora - concordou Harry . Recuaram até a a porta , acenando e sorrindo a todos os que olhavam para eles e um minuto depois passavam apressadamente por a entrada cheia de velas negras . - Talvez o pudim ainda não tenha acabado - disse o Ron cheio de esperança , abrindo caminho em direcção a os degraus de o vestíbulo de a entrada . E foi então que Harry ouviu aquilo . - ... * _ Arrancar ... rasgar ... matar * ... Era a mesma voz , a mesma voz fria e assassina que ouvira em o escritório de Lockhart . Parou , agarrando se a a parede de pedra em a expectativa de ouvir melhor , olhando em volta , espreitando para_cima e para baixo de a passagem mal iluminada . - Harry que estás tu a ... ? - E aquela voz outra_vez , calem se um bocadinho . -- ... * _ Tanta fome ... há tanto tempo * ... - Ouçam insistiu Harry e Ron e Hermione ficaram estáticos a olhar para ele . - * _ Matar ... hora de matar * ... A voz ia ficando mais débil . Harry tinha a certeza de que ela estava a afastar se , a subir . Um misto de medo e excitação tomou posse de ele enquanto olhava para o tecto escuro . Como poderia ele subir ? Seria um fantasma para quem os tectos de pedra não contavam ? - Por aqui - gritou , começando a correr por as éscadas acima até a a entrada de o * hall * . Não havia hipótese de ouvir fosse o que fosse ali , o barulho de vozes que vinha de o banquete de o * _ Hallowe'en * ecoava cá fora . Harry subiu a correr a escadaria de mármore até a o primeiro andar com Ron e Hermione ruidosamente atrás . - Harry o que é_que nós ... ? - Sch ... Harry apurou o ouvido . Ao_longe , em o andar de cima , e ainda a enfraquecer , mesmo_assim ouviu a voz : - ... * Cheira-me a sangue ... cheira me a sangue ! * O estômago deu lhe uma volta . - Ele vai matar alguém - gritou e ignorando as caras perplexas de Ron e Hermione , correu , subindo mais um lanço de escadas , a três_e_três , tentando ouvir através de o ruído de os seus próprios passos . Harry correu a_toda_a velocidade pelo segundo andar com Ron e Hermione atrás e só parou quando viraram uma esquina para o último corredor abandonado . - Harry , o que foi aquilo tudo ? - perguntou o Ron , limpando o suor de o rosto . - Eu não ouvi nada ... Mas Hermione , em um sobressalto , apontou para o fundo de o corredor . - Olhem ! Alguma coisa brilhava em a parede em frente . Aproximaram se devagarinho , tentando ver em a escuridão . Alguém escrevera em letras garrafais em a parede entre duas janelas . As palavras brilhavam a a chama fraca de as tochas . : __ a câmara de os segredos foi aberta . inimigos de o herdeiro , __ cuidado . - O que é aquilo pendurado por baixo de as letras ? - perguntou Ron com um tremor em a voz . Quando se aproximaram , Harry quase escorregou . Havia uma grande poça de água em o chão . Ron e Hermione agarraram o e avançaram cautelosamente até a a mensagem , os olhos fixos em uma sombra escura , em baixo . Aperceberam se os três de imediato do_que se tratava e deram um salto para trás , salpicando tudo de água . Mrs._Norris , a gata de o encarregado , estava pendurada por a cauda em o suporte de a tocha . Tinha o corpo rígido como uma tábua e os olhos abertos . Durante alguns segundos ninguém se mexeu . Depois o Ron disse : - Vamos sair de aqui . - Não devíamos tentar ajudar ? - propôs Harry , sem graça . - Acredita - assegurou o Ron . - É melhor que não nos encontrem aqui . Mas era tarde de mais . Um ruído surdo e prolongado , como um trovejar distante , avisou os de que o festim tinha terminado . De ambos os lados de o corredor onde eles estavam , veio o som de centenas de pés a subirem a escadaria e as vozes alegres de gente bem alimentada . Em o momento seguinte os alunos chegavam junto de eles de ambos os lados . O burburinho morreu subitamente mal as pessoas avistaram a gata pendurada . Harry , Ron e Hermione estavam de pé , sozinhos , em o meio de o corredor quando se fez silêncio em a multidão de estudantes que se empurravam para observar aquele quadro macabro . Então alguém gritou , quebrando o silêncio . - Inimigos de o herdeiro , cuidado . Vocês serão os próximos , sangue de lama ! Era_Draco_Malfoy . Estava a a frente de a multidão com os olhos frios a brilhar , a sua cara habitualmente pálida agora afogueada , sorrindo a a vista de a gata pendurada e imóvel . IX_As palavras em a parede -- O que é_que se passa aqui ? O que é_que se passa ? Sem dúvida , atraído por o grito de Malfoy , Argus_Filch apareceu a coxear em o meio de a multidão . Quando viu Mrs._Norris , caiu para trás agarrando o rosto com verdadeiro horror . - A minha gata ! A minha gata ! O que aconteceu a Mrs._Norris ? - gritou . E os seus olhos rápidos caíram sobre Harry . - Tu - guinchou ele . - Mataste a minha gata ! Mataste a , vou dar cabo de ti , eu ... - Argus . Dumbledore tinha chegado a o lugar , seguido de alguns professores . Em poucos segundos tinha passado a a frente de Harry , Ron e Hermione e desatado Mrs._Norris de o suporte de a tocha . - Vem comigo , Argus - disse ele a o Filch . - Vocês também , Mr._Potter , Mr._Weasley e Miss_Granger . Lockhart deu rapidamente um passo em frente . - O meu escritório é o que está mais perto , senhor director , é já aqui em cima , por favor fiquem a a vontade . - Obrigado , Gilderoy - disse Dumbledore . A multidão silenciosa dividiu se para os deixar passar . Lockhart sentindo se excitado e importante , seguia Dumbledore assim_como a professora Mc_Gonagall e o professor Snape . Quando entraram em o escritório escuro de Lockhart houve uma grande agitação em as paredes . Harry viu várias imagens de Lockhart a esconderem se cheias de rolos em o cabelo . O Lockhart em pessoa acendeu as velas e chegou se mais para trás . Dumbledore pôs Mrs._Norris em a superfície polida de a secretária e começou a examiná a . Harry , Ron e Hermione trocaram olhares tensos entre si e deixaram se cair em as cadeiras que se encontravam longe de a luz , a observar . A ponta de o nariz longo e adunco de Dumbledore estava a menos_de dois centímetros de o pêlo de Mrs._Norris . Ele olhava a de perto através de os óculos de meia-lua , os dedos longos a palpar e tactear suavemente . A professora Mc_Gonagall estava quase tão perto como ele , com os olhos contraídos . Snape surgia mais atrás , meio em a sombra , com uma expressão estranha em o rosto , como_se tentasse a_toda_a força sorrir . E Lockhart andava de um lado para o outro a dar sugestões . - Foi sem dúvida uma maldição que a matou , provavelmente a tortura de a metamorfose . Vi a muitas_vezes ser usada , mas infelizmente eu não estava lá quando isto aconteceu . Conheço o antídoto para essa maldição , o que a teria salvo . Os comentários de Lockhart foram interrompidos por os soluços secos e violentos de Filch . Estava afundado em uma cadeira junto de a secretária , incapaz de olhar para Mrs._Norris , com o rosto em as mãos . Por mais que detestasse Filch , Harry não pôde deixar de sentir pena de ele embora não tanta quanto_a que sentia por si próprio . Se Dumbledore acreditasse em o Filch ele seria certamente expulso . O director estava agora a sussurrar umas palavras estranhas e batendo em Mrs._Norris com a varinha , mas não aconteceu nada , ela continuou com o mesmo aspecto , como_se tivesse sido empalhada . - ... Lembro me de uma coisa semelhante que aconteceu em Ouagadogou - disse LockLart . - Uma série de ataques . Conto essa história em a minha autobiografia . Eu dei a a gente de a cidade vários amuletos que resolveram logo a situação ... As fotografias de Lockhart em as paredes iam acenando afirmativamente com a cabeça enquanto ele falava . Uma de elas esquecera se de tirar os rolos de o cabelo . Por fim , Dumbledore endireitou se . - Ela não está morta , Argus - disse suavemente . Lockhart interrompeu bruscamente a contagem de os crimes que conseguira evitar . - Não está morta ? - disse Filch em um sufoco , olhando através de os dedos para Mrs._Norris . - Mas , porque está ela rígida e gelada ? - Foi petrificada - disse Dumbledore ( Ah ! foi o que eu pensei ! - comentou Lockhart ) mas como , não posso afirmar . - Pergunte lhe - gritou Filch , voltando a cara cheia de furúnculos e lágrimas para Harry . - Nenhum aluno de o segundo ano poderia ter feito isto - explicou Dumbledore . - Era preciso um grande conhecimento de magia negra . - Foi ele , foi ele - disse encolerizado o encarregado com a cara a ficar roxa . - O senhor viu o que ele escreveu em a parede . Ele descobriu em o meu gabinete , ele sabe que eu sou um ... - O rosto de Filch estava horrível . - Ele sabe que eu sou um * _ busca-pé * - disse por fim . - Eu não toquei em a Mrs._Norris - gritou Harry com todos os olhares a recaírem sobre ele , incluindo o de todos os Lockharts de a parede . - E eu nem sei o que é um * busca-pé * . - Mentira ! - gritou Filch . - Ele viu a minha carta de o feitiço rápido . - Se me permite que dê a minha opinião , senhor director - disse Snape , saindo de a sombra , e a sensação de mau presságio de Harry aumentou bastante . Certamente nada do_que Snape tinha para de dizer iria ajudá o . - O Potter e os amigos podiam estar simplesmente em o lugar errado em a altura errada - afirmou com um leve sorriso a torcer lhe a boca como_se tivesse as suas dúvidas . - Mas , temos aqui um conjunto de circunstâncias curiosas . Porque estavam eles afinal em o corredor ? Porque não estiveram presentes em a festa de o * _ Hallowe'en * ? Harry , Ron e Hermione começaram uma longa explicação sobre a festa de o dia de os mortos . - Estavam lá centenas de fantasmas , eles poderão confirmar que lá estivemos ... - Mas porque não foram a seguir a o banquete ? - perguntou Snape com os olhos pretos a brilharem a a luz de as velas . - Porquê ir até a aquele corredor ? Ron e Hermione olharam para Harry . - Porque , porque ... - balbuciou Harry , com o coração a querer saltar lhe de o peito , mas algo lhe disse que ia parecer muito rebuscado se lhes contasse que tinha sido levado até ali por uma voz sem corpo que só ele conseguia ouvir . - Porque estávamos cansados e queríamos ir para a cama - disse . - Sem jantar ? - inquiriu Snape com um sorriso triunfante a bailar lhe em o rosto lúgubre . - Não sabia que os fantasmas ofereciam em as suas festas comida para gente viva . - Não estávamos com fome - disse o Ron bem alto , enquanto o estômago se queixava de forma audível . O sorriso mesquinho de a Snape ampliou se . - Acho , senhor director , que Potter não está a dizer toda_a verdade - afirmou . - Talvez fosse boa ideia retirar lhe alguns privilégios , até ele estar disposto a contar nos a história toda . Pessoalmente , sugiro que seja retirado de a equipa de os Gryffindor até decidir ser honesto . - Francamente , Severus - exclamou a professora Mc_Gonagall com uma voz cortante . - Não vejo porquê impedir o rapaz de jogar Quidditch . Esta gata não levou pauladas em a cabeça dadas por nenhum cabo de vassoura . E não há provas de que o Potter tenha feito algo de mal . Dumbledore observava Harry com um olhar perscrutador . A voz tremeluzente de os seus olhos azuis fez Harry sentir que estava a ser passado a raios X. - Inocente até se provar que é culpado , Severus - disse com segurança . Snape estava furioso , assim_como Filch . - A minha gata foi petrificada ! - berrou , com os olhos a saltarem de as órbitas . - Quero ver um castigo ! - Vamos poder curá a , Argus - explicou pacientemente Dumbledore . - Madam_Sprout conseguiu arranjar algumas Mandrágoras . Logo_que tenham atingido o tamanho adulto , terei uma poção de Mandrágoras que reanimará Mrs._Norris . - Eu posso fazê a - interrompeu Lockhart . - Devo ter feito isso uma centena de vezes . Preparo uma golada de Mandrágora reconstituinte de olhos fechados ... - Perdão - disse Snape friamente -- , mas julgo que o professor de poções de esta escola ainda sou eu . Houve um silêncio bastante incómodo . - Vocês podem ir se embora - disse Dumbledore a o Harry , Ron e a Hermione . Eles saíram o mais depressa que puderam , sem ir a correr . Quando chegaram a o andar acima de o escritório de Lockhart , entraram em uma sala de aulas vazia e fecharam a porta devagarinho . Harry lançou um olhar de esguelha a as caras carrancudas de os amigos . - Acham que eu lhes devia ter falado de a voz que ouvi ? - Não - respondeu Ron , sem a mínima hesitação . - Ouvir vozes que mais ninguém ouve , não é bom sinal , nem em o mundo de os feiticeiros . Algo em a voz de Ron levou Harry a fazer a pergunta : - Tu acreditas em mim , não acreditas ? - Claro que sim - respondeu o Ron de imediato . - Mas tens de concordar que é esquisito ... - Eu sei que é esquisito - confirmou Harry . - É tudo esquisito . O que era aquilo escrito em a parede ? * _ A_Câmara foi aberta * , o que é_que significa ? - Sabes , faz me lembrar qualquer coisa - disse Ron lentamente . - Acho que alguém me contou uma história sobre uma câmara secreta em Hogwarts , talvez tenha sido o Bill ... - E que diabos é um * busca-pé * ? - perguntou Harry . Para sua surpresa , Ron abafou o riso . - Bem , em a verdade não tem graça nenhuma , mas como é o Filch ... - disse . - Um * busca-pé * é alguém que nasceu de uma família de feiticeiros , mas não tem poderes mágicos . É uma espécie de o oposto de os que vêm de famílias de Muggles , mas são feiticeiros . Os * busca-pé * são muito raros . Se o Filch está a tentar aprender magia em um curso rápido , acho que ele deve ser mesmo um busca-pé . Isso explicaria tudo , por_exemplo , porque detesta tanto os estudantes . - Ron sorriu satisfeito . - Tem inveja . Um relógio deu as horas , algures . - Meia-noite - disse Harry . - É melhor irmo nos deitar , antes que o Snape apareça e tente acusar nos de qualquer coisa . Durante alguns dias não se falou de outra coisa em a escola a não ser de o ataque a a gata , Mrs._Norris . Filch manteve o sucedido bem fresco em a memória de todos , andando de um lado para o outro em o lugar onde ela fora atacada , como_se esperasse por o responsável . Harry vira o esfregar a mensagem de a parede com a « solução removedora de toda_a porcaria mágica Mrs._Skower » , mas sem qualquer resultado . As palavras continuavam a brilhar tanto como antes sobre a pedra . Quando Filch não estava a patrulhar a cena de o crime , vagueava , de olhos avermelhados , por os corredores , perseguindo alunos insuspeitos e tentando aplicar lhes castigos por coisas como « respirar muito alto » ou « estar alegre » . Ginny_Weasley parecia muito perturbada com o destino de Mrs._Norris . Segundo Ron ela era uma amante de gatos . - Mas tu nem chegaste a conhecer bem Mrs._Norris - disse lhe Ron para a animar . - Com toda_a franqueza , estamos muito melhor sem ela . - O lábio de Ginny tremeu . - Não é costume acontecerem coisas de estas em Hogwarts - tranquilizou a . - Eles vão descobrir o safado que fez aquilo e põem o de aqui para fora em três tempos . - Só espero que tenha tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso . Estou a brincar , claro - acrescentou o Ron apressadamente a o ver a Ginny a empalidecer . O ataque afectara também Hermione . Era costume de ela passar muito_tempo a ler , mas agora parecia não fazer mais_nada . Nem respondia a o Harry e a o Ron quando lhe perguntavam o que estava a fazer e só acabaram por descobrir em a quarta-feira seguinte . Harry tivera de ficar até mais tarde em a sala de poções onde Snape o mandara raspar restos de larvas de as secretárias . Depois de um almoço comido a a pressa , ele foi lá acima encontrar se com Ron em a biblioteca e viu Justin_Finch - _ Fletchley , o rapaz de os Hufflepuff de herbologia que vinha em direcção a ele . Harry tinha acabado de abrir a boca para dizer um « Olá » quando Justin o viu , voltando se bruscamente e mudando de direcção . Harry foi encontrar o Ron em as traseiras de a biblioteca , a medir o trabalho de casa de história de a magia . O professor Binns pedira uma composição sobre a Assembleia_Medieval_de_Feiticeiros_Europeus com 90cm . De extensão . - Não posso crer que ainda me faltem 16cm - disse o Ron furioso , largando o pergaminho que se enrolou em forma de tubo - e que a Hermione fez um metro e trinta em aquela letra pequenina e apertadinha . - Onde está ela ? - perguntou Harry , agarrando em a fita métrica e desembrulhando o seu trabalho de casa . - Algures por aí - disse o Ron , apontando para as estantes . - _ a a procura de outro livro . Acho que ela está a tentar ler a biblioteca toda antes de o Natal . Harry contou a Ron que Justin_Finch - _ Fletchley tinha evitado falar lhe . - Não sei porque te preocupas com isso . Eu achei o um idiota - disse o Ron , escrevinhando e fazendo a letra o maior possível . - Todo aquele disparate sobre o Lockhart ser tão grande ... Hermione surgiu de o meio de as estantes . Parecia irritada e disposta , por fim , a falar com eles . - Todos os exemplares de * _ Hogwarts : Uma História * foram requisitados - disse , sentando se ao_lado_de Harry e Ron . - E há uma lista de espera de duas semanas . Quem me dera não ter deixado o meu exemplar em casa , mas não consegui que coubesse em a mala com todos os livros de o Lockhart . - Para que o queres ? - perguntou Harry . - Pelo mesmo motivo que toda_a_gente o quer - disse Hermione . - Para ler a lenda de a Câmara_dos_Segredos . - O que é isso ? - Precisamente . Não me lembro - disse Hermione , mordendo o lábio . - E não encontro a História em lugar nenhum . - Hermione , deixa me ler o teu trabalho - pediu Ron desesperado , olhando para o relógio . - Não , não deixo - respondeu Hermione com um ar severo . - Tiveste dez dias para o fazer . - Só preciso de mais quatro centímetros , vá lá ... A campainha tocou . Ron e Hermione encaminharam se para a História_da_Magia , discutindo . A História_da_Magia era a matéria mais chata de o programa . O professor Binns , que dava a cadeira , era o único professor fantasma e a coisa mais excitante que aconteceu em as suas aulas foi o dia em que entrou por o quadro preto . Já velho e enrugado , muita gente afirmava a seu respeito que ele não dera por_que tinha morrido . Pura e simplesmente levantara se um dia para ir dar aulas , deixando o corpo atrás , em um cadeirão em frente de a lareira de a sala de os professores . Desde esse dia a sua rotina mantivera se igual . Era hoje tão chato como fora sempre . Abriu as notas e começou a ler em um tom monocórdico como um velho aspirador até quase todos os alunos estarem em um estado de profunda dormência , acordando de vez em quando , para tomar nota de um nome ou de uma data , e voltando a adormecer . Estava a falar havia meia_hora quando aconteceu algo que nunca tinha acontecido . Hermione pôs o braço em o ar . O professor Binns olhou de relance , em o meio de a chatíssima aula sobre a Convenção_Internacional_de_Feiticeiros de 1289 , verdadeiramente espantado . - Miss ... er ... ? - Granger , professor . Poderia dizer nos alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Hermione em uma voz bem audível . O Dean_Thomas , que tinha estado sentado de boca aberta olhando para fora de a janela , saiu de o seu transe com um salto . A cabeça de Lavender_Brown saiu de os braços e o cotovelo de o Neville_Longbottom escorregou para fora de a secretária . O professor Binns piscou os olhos . - A minha matéria é História_da_Magia - disse em a sua voz seca e asmática . - Eu trato de factos , Miss_Granger , não de mitos e lendas - pigarreou produzindo um ruído que parecia o giz sobre o quadro e continuou : - Em Setembro de esse ano , uma subcomissão de feiticeiros de a Sardenha ... Parou de repente . A mão de Hermione estava de_novo em o ar . - Sim , Miss_Grant ? - Por favor , professor , as lendas não têm sempre um facto como base ? O professor Binns olhava para ela com tal espanto que Harry teve a certeza de que ele nunca , em tempo algum , fora interrompido por um aluno . - Bem - disse lentamente o professor Binns . - Sim , é uma afirmação que pode fazer se . - Olhou para Hermione como_se fosse a primeira vez que olhasse a sério para um estudante . - Contudo , a lenda de que me fala é tão extraordinária , mesmo grotesca ... Mas a aula inteira estava agora atenta a as palavras de o professor , que olhou indistintamente para todos eles . Harry poderia assegurar que ele estava absolutamente abismado por uma tão grande demonstração de interesse . - Muito bem - disse lentamente . - Ora vejamos ... a Câmara_dos_Segredos . Todos vocês sabem com certeza que Hogwarts foi fundada há mais de um_milhar de anos , não se conhece ao_certo a data , por os quatro maiores feiticeiros e feiticeiras de a época : Godric_Gryffindor , Helga_Hufflepuff , Rowena_Ravenclaw e Salazar_Slytherin . Construíram juntos este castelo , longe de os olhares curiosos de os Muggles porque em aquele tempo a magia era temida por as pessoas comuns e as bruxas e feiticeiros sofriam terríveis perseguições . Fez uma pausa , olhou indeciso em volta e prosseguiu : - Durante alguns anos , os fundadores trabalharam juntos em harmonia procurando outros mais novos que mostrassem sinais de possuir dotes mágicos e trazendo os para o castelo para aqui serem ensinados . Mas os desentendimentos surgiram entre eles . Começou a notar se uma divisão entre Slytherin e os outros . Salazar_Slytherin queria ser mais selectivo em relação a os alunos a serem admitidos em Hogwarts . Achava que os ensinamentos de magia deviam ficar dentro de as famílias de feiticeiros . Não lhe agradava a entrada em a escola de alunos de famílias Muggles porque os achava pouco dignos de confiança . Depois de algum tempo houve uma séria discussão sobre esse assunto entre Slytherin e Gryffindor e Slytherin abandonou a escola . O professor Binns fez uma nova pausa , fazendo beicinho o que o fazia parecer uma tartaruga enrugada . - Fontes fidedignas referem nos isto - disse . - Mas estes factos foram obscurecidos por a fantasiosa lenda de a Câmara_dos_Segredos . Conta a história que Slytherin construíra uma câmara oculta dentro de o castelo cuja existência os outros fundadores ignoravam . De_acordo com a lenda , Slytherin selou a Câmara_dos_Segredos para que ninguém pudesse abri a até o seu verdadeiro herdeiro chegar a a escola . O herdeiro , e apenas ele , poderia abrir a Câmara_dos_Segredos , libertar o horror que lá se encontrava e utilizá o para expurgar a escola de todos aqueles que eram indignos de aprender magia . Houve um silêncio quando ele se calou que não era o habitual silêncio de sono de as aulas de o professor Binns . Havia um desassossego em o ar enquanto todos continuavam a olhá o a a espera de mais . O professor Binns estava ligeiramente aborrecido . - A história toda é um disparate , claro - disse ele . - A escola foi revistada por várias vezes em busca de provas de a existência de essa câmara , por os feiticeiros e bruxas mais conhecedores . Não existe nada . Uma lenda que serviu apenas para assustar os ingénuos . A mão de Hermione estava novamente em o ar . - Professor , o que quer_dizer , ao_certo com « o horror que estava dentro de a câmara » ? - Acredita se que seja uma espécie de monstro que só o herdeiro de Slytherin pode controlar - disse o professor Binns em a sua voz seca e débil . A aula trocou entre si olhares inquietos . - Como vos digo , a coisa não existe - afirmou o professor Binns , desordenando as suas notas . - Não há câmara e não há monstro . - Mas , professor - disse Seamus_Finnigan . - Se a câmara só podia ser aberta por o herdeiro de Slytherin ninguém mais poderia encontrá a . Não é ? - Um disparate pegado - disse o professor Binns , em um tom de voz exasperado . - Se uma longa sucessão de directores e directoras de Hogwarts não a encontraram ... - Mas , professor - começou a dizer Parvati_Patil . Se_calhar é preciso usar magia negra para a abrir ... - Lá porque um feiticeiro não usa magia negra não quer_dizer que não possa , Miss_Pennyfeather - interrompeu o professor Binns . - Repito , se os antecessores de Dumbledore ... - Mas talvez seja preciso fazer parte de os Slytherin , por isso Dumbledore não podia ... - começou Dean_Thomas , mas o professor Binns já estava farto . - Já chega - disse , de modo cortante . - É um mito . Não existe . Não há uma única prova de que Slytherin tenha construído nem mesmo uma despensa para vassouras . Lamento ter vos contado esta história tola . Vamos voltar , se fazem o favor , a a História , a os factos sólidos , verificáveis , credíveis . E em menos_de cinco minutos toda_a classe mergulhara em a sua sonolência habitual . - Eu sempre ouvi dizer que Salazar_Slytherin era um velho retorcido e meio pateta - disse Ron_a_Harry e Hermione enquanto abriam caminho por os corredores cheios , em o final de a aula , para ir arrumar as malas antes de o jantar . - Mas não sabia que ele tinha começado esta coisa de o sangue puro . Eu não ia para os Slytherin nem que me pagassem . Se o chapéu seleccionador me tivesse posto lá , pegava em as malas e ia me embora ... Hermione acenou vivamente , mas Harry não abriu a boca . O estômago parecia ter dado uma volta . Harry nunca contara a o Ron e a a Hermione que o chapéu seleccionador tinha considerado seriamente a possibilidade de o colocar em os Slytherin . Lembrava se como_se tivesse sido em a véspera do_que a vozinha lhe dissera a o ouvido quando pôs o chapéu em a cabeça , um ano antes . * _ Podias vir a ser grande , sabes ? Está tudo aqui em a tua cabeça e Slytherin ajudaria te em o caminho para a grandeza , sem a menor dúvida * ... Mas Harry , que já ouvira falar de a fama de o grupo de os Slytherin de formar magos negros , pensou desesperadamente . - Em os Slytherin , não ! - E o chapéu tinha dito . - Bem , se tens assim tanta certeza ... será melhor os Gryfffndor . Enquanto eram empurrados por a multidão , Colin_Creevey passou por eles . - Olá , Harry ! - Olá , Colin - disse Harry automaticamente . - Harry , Harry , um rapaz de a minha turma tem andado a dizer que tu és ... Mas Colin era tão baixinho que não conseguiu lutar contra a maré de gente que o arrastou até a o vestíbulo . Ouviram o despedir se : - Adeus , Harry - e desaparecer . - O que é_que o rapaz de a turma de ele disse de ti ? - quis saber Hermione . - Que eu sou o herdeiro de Slytherin , imagino - disse Harry , com o estômago ainda a as voltas e lembrou se de repente de o Justin_Finch - _ Fletchley a fugir para não lhe falar , a a hora de o almoço . - As pessoas aqui acreditam em tudo - disse o Ron com repugnância . A multidão diminuiu e conseguiram subir as escadas sem dificuldade . - Achas mesmo_que existe uma Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Ron_a_Hermione . - Não sei - respondeu ela , franzindo a testa . - Dumbledore não conseguiu curar Mrs._Norris e isso leva me a pensar que o que a atacou pode não ser ... humano . Enquanto falava , voltaram uma esquina e encontraram se em o fim de aquele mesmo corredor onde o ataque tinha ocorrido . Pararam para olhar . Estava tudo igual a aquela outra noite , com excepção de a gata Mrs._Norris e havia uma cadeira vazia encostada a a parede , onde podia ler se a mensagem « : __ a câmara foi __ aberta » . - Foi aqui que o Filch montou a guarda - murmurou Ron . Olharam uns para os outros . O corredor estava deserto . - Não deve fazer mal dar uma olhadela aqui - disse Harry , deixando cair a mala e pondo se de quatro para poder gatinhar em busca de pistas . - Marcas de queimadura - disse - aqui e aqui ... - Venham ver isto ! - chamou Hermione . - Que estranho ... Harry levantou se e foi até a a janela que ficava junto de a mensagem . Hermione apontava para o vidro mais alto , onde cerca de uma vintena de aranhas se debatiam em uma aparente luta por atravessar por uma pequena brecha de vidro . Um longo fio prateado balouçava como uma corda , como_se todas tivessem trepado , em a ânsia de chegar lá fora . - Alguma vez viram aranhas agir assim ? - perguntou Hermione , curiosa . - Não - respondeu Harry . - E tu , Ron ? Ron ? Olhou por cima de o ombro . Ron estava de costas , bem lá atrás e parecia lutar contra o impulso de se virar . - O que é_que se passa ? - perguntou Harry . - Eu não gosto de aranhas - disse Ron , de modo tenso . - Nunca me tinhas dito - comentou Hermione , olhando para ele com surpresa . - Estás farto de usar aranhas em as poções ... - Não me importo quando estão mortas - explicou Ron que olhava cautelosamente para todos os lados , menos para a janela . - Não gosto de a maneira como_se mexem . Hermione riu se baixinho . - Não tem graça nenhuma - disse o Ron , furioso . - Se queres saber , quando eu tinha três anos , o Fred transformou o meu ursinho de pelúcia em uma enorme aranha nojenta , por eu lhe ter partido a vassoura de brinquedo . Tu também não gostarias de aranhas se estivesses agarrada a o teu ursinho e , de repente , ele tivesse uma data de pernas e ... Começou a tremer ... Hermione ainda estava a tentar conter o riso . Sentindo que era melhor mudarem de assunto , Harry perguntou : - Lembram se de a água que havia aqui em o chão ? De onde terá vindo ? Alguém a limpou . - Era por aqui - disse o Ron , já recuperado , avançando alguns passos em direcção a a cadeira de o Filch e apontando . - Junto de esta porta . Estendeu a mão para o puxador de a porta , mas retirou a de imediato , como_se se tivesse queimado . - O que foi ? - perguntou Harry . - Não posso entrar aí - disse o Ron bruscamente . - É a casa_de_banho de as raparigas . - Oh , Ron , não está aí ninguém - sossegou o Hermione enquanto se aproximava . - É o lugar de a Murta_Queixosa . Anda , vamos dar uma espreitadela . E ignorando o grande letreiro que dizia « Fora de serviço » Hermione abriu a porta . Era a casa_de_banho mais sombria e deprimente em que Harry tinha posto os pés durante toda_a sua vida . Debaixo_de um grande espelho partido e sujo podia ver se uma fila de lavatórios de pedra , rachados . O chão estava húmido e reflectia a luz fraca de os pavios de algumas velas que ardiam baixinho em os suportes . As portas de madeira de os cubículos estavam todas lascadas e riscadas e uma de elas balouçava fora de as dobradiças . Hermione levou os dedos a os lábios e foi até a o último cubículo . Quando lá chegou disse : - Olá , Murta , como estás ? Harry e Ron foram ver . A Murta_Queixosa flutuava em a cisterna de a casa_de_banho , tirando um ponto negro de o queixo . - Esta é a casa_de_banho de as raparigas - disse a o ver o Ron e o Harry . - Eles não são raparigas . - Não - concordou Hermione . - Eu só queria mostrar lhes como esta casa_de_banho é ... er ... simpática . Ela fez um aceno vago a o velho espelho sujo e a o chão húmido . - Pergunta lhe se viu alguma coisa - sussurrou o Ron a a Hermione . - Porque estão a dizer segredinhos ? - perguntou a Murta , fitando o . - Não é nada - disse Harry rapidamente . - Queríamos perguntar ... - Gostava que as pessoas parassem de falar em as minhas costas ! - desabafou a Murta em uma voz abafada por as lágrimas . - Eu tenho sentimentos , sabem , apesar_de estar morta . - Murta , ninguém quis aborrecer te - explicou Hermione . - O Harry só ... - A minha vida foi uma infelicidade em este lugar e agora as pessoas vêm estragar a minha morte . - Nós queríamos perguntar te se tinhas visto alguma coisa estranha ultimamente - disse Hermione sem perder tempo . - Porque foi atacada uma gata mesmo aqui a a frente de a tua porta em a noite de o * _ Hallowe'en * . - Viste alguém aqui perto em essa noite ? - insistiu Harry . - Não estava a prestar atenção - disse a Murta com ar dramático . - O Peeves aborreceu me tanto que vim aqui para tentar matar me . Só então me lembrei de que estou ... de que estou ... - Já morta - ajudou o Ron . A Murta soluçou tragicamente , elevou se em o ar , voltou se e mergulhou de cabeça em a sanita , espalhando água por_cima_de todos eles e desaparecendo . Por o som de os seus soluços abafados fora certamente descansar algures em o cano em forma de V._Harry e Ron ficaram de boca aberta , mas Hermione encolheu os ombros de cansaço e disse : - Se querem saber , para a Murta isto até foi alegre ... vá , vamos embora . Harry tinha acabado de fechar a porta deixando atrás os soluços gorgolejantes de a Murta quando uma voz forte o fez dar um salto . - RON ! Percy_Weasley estava parado em o cimo de as escadas com o seu distintivo de prefeito a brilhar e uma expressão chocadíssima em o rosto . - Isso é a casa_de_banho de as raparigas ... o que é_que vocês ... ? - Estávamos só a dar uma vista de olhos - exclamou o Ron - a a procura de pistas ... Percy engoliu em seco , de uma maneira que fez Harry lembrar se de Mrs._Weasley . - Saiam imediatamente de aqui - disse , aproximando se de eles a passos largos e gesticulando agitadamente . - Não se preocupam com as aparências ? Voltar aqui enquanto toda_a_gente está a jantar ... - Porque não havíamos de estar aqui ? - perguntou cheio de vivacidade o Ron , parando de repente e olhando Percy em os olhos . - Ouve lá , nós não tocamos em aquela gata . - Isso foi o que eu tentei explicar a a Ginny - respondeu Percy furioso - mas ela parece continuar a pensar que vocês vão ser expulsos . Nunca a vi tão aflita . Não pára de chorar . Devias pensar em ela . Todos os alunos de o primeiro ano andam superexcitados com esta história . - Tu não estás nada preocupado com a Ginny - disse o Ron já com as orelhas vermelhas . - O que te assusta é_que eu possa estragar as tuas possibilidades de ser chefe de turma . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor ! - bradou Percy , apontando elegantemente para o distintivo de prefeito . - E espero que te sirva de lição . Acabou se o trabalho de detective ou escrevo a a mãe a contar lhe . E voltou lhes as costas , a nuca tão vermelha como as orelhas de o Ron . Harry , Ron e Hermione , em essa noite , sentaram se em a sala comum o mais longe possível de Percy . Ron estava ainda muito maldisposto e não parava de esborratar o trabalho de casa de os encantamentos . Quando pegou distraidamente em a varinha para tirar as manchas incendiou o pergaminho . A deitar quase tanto fumo como o seu trabalho de casa , fechou bruscamente o * _ Livro_Padrão_de_Encantamentos de o 2.o Grau * . Para grande surpresa de Harry , Hermione fez o mesmo . - Mas quem poderia ser - perguntou ela baixinho como_se continuasse uma conversa que tinham acabado de ter . - Quem quereria todos os * busca-pés * e filhos de Muggles fora de Hogwarts ? - Vamos pensar - disse o Ron em a brincadeira , fingindo estar confuso . - Quem poderemos nós conhecer que ache que os familiares de Muggles são escumalha ? Olhou para Hermione . Ela olhou para ele pouco convencida . - Se estás a pensar em o Malfoy ... - Claro que estou - disse o Ron . - Tu ouviste o dizer : - Vocês serão os próximos , sangues de lama ! - Aliás , basta olhar para aquela cara de renegado para saber que ele é ... - Malfoy , o herdeiro de Slytherin ? - repetiu Hermione cepticamente . - Olha para a família de ele - disse Harry , fechando também os livros . - Todos eles estiveram em os Slytherin . O Draco está sempre a vangloriar se de isso . Podiam bem ser descendentes de Slytherin . O pai de ele é suficientemente mau . - Podiam perfeitamente ter tido a chave de a Câmara_dos_Segredos durante séculos - disse Ron - , fazendo a passar de pai para filho . - Bem - acedeu Hermione cautelosamente . - Seria possível ... - Mas como prová o ? - perguntou Harry tristemente . - Talvez haja um meio - sugeriu Hermione lentamente , baixando ainda mais a voz e lançando um olhar , através de a sala , a Percy . - É claro que não é fácil . E é perigoso , muito perigoso . Suponho que iríamos infringir cerca de cinquenta regras de a escola . - Se de aqui a um mês ou dois te decidires a explicar , avisa , está bem ? - disse Ron , que começava a ficar irritado . - Está bem - concordou Hermione friamente . - O que precisaríamos de fazer para entrar em a sala comum de os Slytherin e fazer algumas perguntas a o Malfoy , sem ele perceber que éramos nós ? - Mas isso é impossível - declarou Harry , enquanto Ron se ria . - Não , não é - continuou Hermione . - Só precisamos de um_pouco de poção * polisuco * . - O que é isso ? - perguntaram ao_mesmo_tempo Ron e Harry . - O Snape falou de ela em uma aula , há poucas semanas atrás . - Achas que não temos mais o que fazer do_que ouvir o Snape ? - murmurou o Ron . - Transforma nos em outra pessoa . Pensem em isso : podíamos transformar nos em três de os Slytherin . Ninguém saberia que éramos nós . É provável que o Malfoy nos contasse alguma coisa . Aposto que ele está a gabar se , em este momento , em a sala de os Slytherin , se ao_menos pudéssemos ouvi o . - Essa coisa de o * polisuco * cheira me um bocado mal - disse o Ron , franzindo as sobrancelhas . - E se ficarmos com a forma de os três Slytherin para sempre ? - Desaparece a o fim de algum tempo - disse Hermione , gesticulando impacientemente com a mão - mas conseguir a receita é muito difícil . O Snape disse que vinha em um livro chamado * _ As_Mais_Potentes_Poções * e está com certeza em a parte de os reservados de a biblioteca . Só havia uma maneira de obter o livro de os reservados : era com uma autorização assinada por um professor . - Não estou a ver porque quereríamos o livro - disse o Ron . - Se não para tentar fabricar uma de as poções . - Eu acho - sugeriu Hermione - que se fizéssemos parecer que o nosso interesse era apenas teórico , talvez conseguíssemos ... - Estás a sonhar , nenhum professor ia cair em essa - afirmou o Ron . - Só se fosse muito burro . X_A * bludger * perigosa Depois de o desastroso incidente de os duendes , o professor Lockhart não voltou a levar seres vivos para as aulas . Em vez de isso , lia a os alunos passagens de os seus livros e , por vezes , voltava a desempenhar alguns de os episódios mais dramáticos . Costumava chamar Harry para o ajudar em essas reconstruções . Até ali Harry fora obrigado a desempenhar o papel de um camponês de a Transilvânia que Lockhart curara de uma maldição murmurada , o abominável homem de as neves com dores de cabeça e um vampiro que depois de ter conhecido Lockhart tinha ficado incapaz de comer outra coisa que não fosse alfaces . Harry foi chamado para a frente de a classe durante a aula de Defesa contra as artes negras que se seguiu . Desta_vez para desempenhar o papel de um lobisomem . Se não tivesse um bom motivo para querer ver o Lockhart bem-disposto , teria se recusado . - Um uivo bem alto , excelente , Harry , isso mesmo . E foi então que , acreditem ou não , eu o ataquei de repente , assim . Atirei o a o chão , agarrei o com uma mão e com a outra consegui meter lhe a varinha em a garganta . Então , com a força que me restava pus em prática o complicadíssimo encantamento * _ Homorphus * . Harry soltou um uivo tristíssimo . - Vá lá , Harry , mais alto . Bom ... o pêlo desapareceu , os dentes diminuíram de tamanho e ele transformou se em um homem . Simples , mas eficaz e mais uma cidade ficará a lembrar se de mim para sempre como o herói que os libertou de os ataques mensais de o lobisomem . A campainha tocou e Lockhart pôs se de pé . - Trabalho para_casa : escrever um poema sobre a minha vitória sobre o lobisomem Wagga_Wagga . Há um exemplar autografado de * _ Eu , o Mágico * para o autor de o melhor poema . Os alunos começaram a sair . Harry voltou para trás e foi juntar se a o Ron e a a Hermione que estavam a a espera de ele . - Prontos ? - perguntou . - Espera até saírem todos - disse Hermione bastante nervosa . - Pronto ... Aproximou se de a secretária de Lockhart , apertando em a mão uma folha de papel , com o Ron e o Harry atrás . - Er ... professor Lockhart - gaguejou Hermione . - Eu queria requisitar este livro em a biblioteca , como leitura de apoio - entregou lhe o papel , com a mão ligeiramente trémula . - Só que faz parte de a secção de os reservados , por isso preciso de a assinatura de um professor . Acho que o livro me vai ajudar a compreender o que o senhor diz em * _ Passeios com Vampiros * acerca de os venenos de acção lenta ... - Ah , * _ Passeando com Vampiros * - disse Lockhart , pegando em a folha de papel de Hermione e sorrindo lhe abertamente . - E provavelmente o meu livro preferido . Gostou ? - Oh , muito - disse Hermione avidamente . - Tão inteligente o modo como apanhou o último com o passador de o chá . - Bem , tenho a certeza que ninguém se importará que eu dê uma ajudazinha suplementar a a melhor aluna de o segundo ano - disse Lockhart calorosamente , sacando de uma enorme pena de pavão . - É bonita , não é ? - comentou , adivinhando uma expressão de repulsa em a cara de o Ron . - Costumo guardas a para as minhas assinaturas de autógrafos . Rabiscou uma enorme assinatura cheia de altos e baixos e entregou a a Hermione . - Então , Harry - disse Lockhart enquanto Hermione dobrava a folha e a guardava em o saco . - Amanhã é a primeira partida de Quidditch de este ano , não é ? Gryffindor contra Slytherin . Ouvi dizer que és um jogador indispensável . Eu também fui * seeker * . Convidaram me inclusivamente para fazer parte de a Equipa_Nacional , mas eu preferi dedicar a minha vida a a erradicação de as forças de o mal . Mesmo_assim , se alguma vez precisares de um treino particular , não hesites em falar comigo , estou sempre disponível para partilhar a minha perícia com os jogadores menos dotados do_que eu . Harry fez um som indistinto com a garganta e saiu atrás_de Ron e Hermione . - Não acredito - disse quando os três examinavam a assinatura de Lockhart . - Ele nem viu que livro nós queríamos . - É porque é um idiota sem miolos - explicou o Ron . - Mas , quem se rala , temos o que queríamos . - Ele não é um idiota sem miolos - gritou Hermione com voz esganiçada enquanto se aproximavam quase a correr de a biblioteca . - Só porque ele disse que eras a melhor aluna de o segundo ano ... Baixaram as vozes a o entrar em a quietude abafada de a biblioteca . Madam_Prince , a bibliotecária , era uma mulher magra e irritável que parecia um abutre mal nutrido . - * _ Moste_Potente_Potions * ? - repetiu intrigada , tentando ficar com a folha de papel que Hermione se recusava a entregar lhe . - Gostava de a guardar para mim - disse sem fôlego . - Vá lá - intercedeu Ron , arrancando lhe a de as mãos e entregando a a Madam_Prince . - Nós arranjamos te outro autógrafo . O Lockhart assina tudo se aqui ficar muito_tempo . Madam_Prince pegou em o papel e voltou o em a direcção de a luz , decidida a descobrir uma falsificação , mas a assinatura passou em o teste . Desapareceu entre as estantes e voltou alguns minutos mais tarde , transportando um livro grande e de aspecto antiquado . Hermione meteu o com todo o cuidado em o saco e saíram , tentando não andar depressa de mais nem aparentar um ar culpado . Cinco minutos depois , estavam de_novo barricados em a casa_de_banho fora de serviço de a Murta_Queixosa . Hermione destruíra as objecções de Ron argumentando que aquele era o último lugar onde alguém em o seu juízo perfeito se lembraria de ir e que poderia assegurar lhes alguma privacidade . A Murta_Queixosa chorava ruidosamente em o seu cubículo , mas eles conseguiram ignorá a assim_como ela a eles . Hermione abriu * _ Moste_Potente_Potions * com todo o cuidado e inclinaram se os três sobre as páginas manchadas de humidade . Era fácil de perceber , logo à_primeira_vista de olhos , porque pertencia a a secção de os reservados . Algumas de as poções tinham efeitos quase impensáveis de tão macabros e havia ilustrações bastante desagradáveis , como , por_exemplo , aquela em que um homem parecia ter sido virado de o avesso e a de a bruxa com vários pares de braços suplementares a nascerem lhe em a cabeça . - Aqui está - disse Hermione excitadíssima a o encontrar a página intitulada « A poção * polisuco * « . Estava ilustrada com imagens de pessoas a meio de o processo de se transformarem em outras pessoas e Harry desejou ardentemente que a expressão de dor intensa que se lhes espelhava em o rosto fosse apenas produto de a imaginação de o artista desenhador . - Esta é a poção mais complicada que vi até hoje - disse Hermione enquanto examinava a receita . - Moscas asas de renda , sanguessugas , fluxo de cizânias e verdezelha - murmurou , acompanhando com o dedo a lista de ingredientes . - Bem , esses são relativamente simples , há os em a despensa de material de os estudantes , podemos tirar a a nossa vontade . Oh ! Vê só , pó de chifre de bicórneo ... não sei onde vamos arranjar isto ... e , é claro , um pedacinho de a pessoa em quem queremos transformar nos . - Como ? - perguntou Ron de forma cortante . - O que é_que queres dizer com um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos ? Eu não bebo nada que tenha lá dentro as unhas de os pés de o Crabbe ... Hermione continuou como_se não o tivesse ouvido . - Mas não temos que nos preocupar com isso por enquanto . Fica para o fim . Ron voltou se sem palavras para o Harry que tinha uma preocupação de outro tipo . - Já viste bem tudo_o_que vamos ter que roubar , Hermione ? Algumas coisas , não estão de certeza em a despensa de material de os alunos . O que é_que vamos fazer , arrombar os armários pessoais de o Snape ? Não sei se será uma boa ideia ... Hermione fechou o livro com um estrondo . - Bem , se vocês os dois se vão acagaçar , então está lindo - disse ela . Tinha as bochechas rosadas e os olhos mais brilhantes do_que era habitual . - Eu não gosto de quebrar regras , vocês sabem , mas acho que ameaçar os filhos de os Muggles é muito pior do_que construir uma poção difícil . Mas se vocês não querem descobrir se é o Malfoy , eu posso voltar já a a biblioteca e entregar o livro a Madam_Prince ... - Nunca pensei que chegaria o dia em que serias tu a convencer nos a quebrar regras - disse o Ron . - Está bem , vamos em essa , mas sem unhas de os pés , O. _ K. ? - Quanto tempo vai isso demorar a fazer , afinal ? - perguntou Harry quando Hermione , já com um ar mais satisfeito , voltou a abrir o livro . - Bem , como o fluxo de cizânias tem de ser recolhido durante a lua cheia e as asas de renda têm de ser abafadas durante vinte_e_um dias ... eu diria que se conseguirmos arranjar todos os ingredientes estará pronta dentro_de um mês . - Um mês ? - exclamou o Ron . - Nessa_altura já o Malfoy terá atacado metade de os filhos de Muggles ! - mas os olhos de Hermione contraíram se de_novo assustadoramente e ele acrescentou rapidamente . - Mas é o melhor plano que temos , por isso é melhor não olharmos para trás . Apesar_de tudo , enquanto Hermione verificava que não havia ninguém em os corredores e podiam sair de a casa_de_banho , Ron murmurou a Harry : - Seria muito mais simples se conseguisses , amanhã , atirar o Malfoy de a vassoura abaixo . Harry acordou cedo em o sábado de manhã e ficou um bocado a pensar em a partida de Quidditch que vinha a seguir . Estava nervoso , principalmente pelo que Wood diria se os Gryffindor perdessem , mas também com a ideia de enfrentar uma equipa apetrechada com as vassouras mais velozes que existiam . Nunca desejara tanto vencer os Slytherin como em aquele dia . Depois de meia_hora deitado com a barriga a dar horas , resolveu levantar se , vestir se e descer para tomar o pequeno-almoço . Lá em baixo , encontrou o resto de a equipa de os Gryffindor amontoada a o longo de a mesa comprida e vazia , todos eles com ar preocupado e sem vontade de conversar . Como_se aproximavam as onze horas , todos os alunos de a escola começaram a dirigir se para o estádio de Quidditch . O dia estava quente e húmido , com uma ameaça de trovoada em o ar . Ron e Hermione vieram apressadamente desejar a Harry boa sorte mal ele entrou em os vestiários . A equipa de os Gryffindor pôs os seus mantos vermelhos e sentou se para ouvir o discurso que Wood lhes fazia sempre antes de o jogo . - Os Slytherin têm vassouras melhores do_que nós - começou . - Não há como negá o . Mas nós temos gente melhor em cima de as vassouras . Treinámos mais do_que eles , voamos com todas_as condições climatéricas ( É bem verdade - murmurou George_Weasley - desde Agosto que não sei o que é estar seco ) . - E vamos fazê os engolir o dia em que deixaram aquele nojento de o Malfoy comprar a entrada em a equipa de eles . Com o peito agitado por a comoção , Wood voltou se par Harry . -- Cabe te a ti , Harry , mostrar lhes que um * seeker * tem de ter mais do_que um pai rico . Agarra a * snitch * antes d Malfoy ou morre a tentar porque temos absolutamente que vencer , hoje , Harry , temos que vencer . - Sem ansiedade , Harry - disse o Fred , piscando lhe o olho . Quando saíram em direcção a o campo , foram saudado por uma grande ovação principalmente de a parte de os Ravenclaw e de os Hufflepuff que estavam ansiosos por ver os Slytherin serem derrotados , mas os Slytherin que estavam entre a multidão também fizeram ouvir as suas vaias e pateadas . Madam_Hooch , a professora de Quidditch , pediu a Flin e Wood que apertassem as mãos o que eles fizeram , lançando um_ao_outro olhares ameaçadores , cada_um apertando a mão de o outro com mais força do_que aquela que seria necessário . - Atenção a o apito - disse Madam_Hooch . - Três , dois , um ... Com um bramido de a multidão para que subissem rapidamente , os catorze jogadores elevaram se em o céu cor de chumbo . Harry , mais alto do_que qualquer de os outros olhando para todos os lados em busca de a * snitch * . - Tudo bem , testa de cicatriz ? - gritou Malfoy , disparando por baixo de ele para lhe mostrar a velocidade de a sua vassoura . Harry não teve tempo de responder . Em esse preciso momento uma * bludger * preta e bem pesada veio direitinha a ele . Evitou a tão por um triz que ainda sentiu em os cabelos o ar que ela deslocara . - Foi por_pouco , Harry ! - exclamou o George , passando com grande rapidez , de bastão em a mão , pronto para lançar a * bludger * contra um Slytherin . Harry viu o dar a a * bludger * uma fortíssima pancada em direcção a Adrian_Pucey , mas a bola mudou de rumo em o meio de o ar e dirigiu se de_novo a Harry . Harry desceu rapidamente para se esquivar e George conseguiu lançá a contra Malfoy . Mais_uma_vez a * bludger * actuou como um * boomerang * e apontou a a cabeça de Harry . Harry ganhou velocidade e disparou contra o outro extremo de o campo . Ouvia o assobio de a * bludger * que o perseguia . O que era aquilo ? As * bludgers * nunca se concentravam assim em um único jogador , a sua função era tentar desmontar o maior número possível de intervenientes . Fred_Weasley esperava por a * bludger * em o extremo oposto . Harry baixou se quando o viu balançar se em frente de ela com toda_a garra . A * bludger * foi lançada para_fora_de campo . - Pronto , já está tudo resolvido - gritou Fred satisfeito , mas estava bastante enganado . Como_se fosse magneticamente atraída para Harry , a * bludger * lançou se de_novo contra ele e Harry teve de voar a_toda_a velocidade . Começara a chover . Harry sentia as gotas pesadas caírem lhe em o rosto , turvando lhe as lentes de os óculos . Não fazia ideia do_que se passava em o resto de o jogo , até ouvir Lee_Jordan que fazia o comentário dizer : - Os Slytherin vão a a frente com seis contra zero . As vassouras de qualidade superior de os Slytherin estavam obviamente a cumprir a sua função e enquanto isso , a * bludger * maluca fazia todos os possíveis para deitar abaixo o Harry . Fred e George voavam agora tão perto de ele , um de cada lado , que Harry não via senão os seus braços a balouçar e , se não conseguia ver a * snitch * , muito menos agarrá a . - Alguém enfeitiçou esta * bludger * - resmungou Fred , preparando o bastão com toda_a força quando ela se lançava de_novo contra Harry . - Precisamos de tempo - disse George , tentando fazer sinal a Wood enquanto evitava que a bola partisse o nariz a o Harry . Wood captou obviamente a mensagem . O apito de Madam_Hooch fez se ouvir e Harry , Fred e George desceram , tentando ainda evitar a * bludger * maluca . - O que é_que se passa ? - perguntou Wood enquanto a equipa de os Gryffindor se amontoava desordenadamente e os Slytherin , em o meio de a multidão , lançavam piadas . - Estamos a ser esmagados . Fred , George , onde estavam vocês quando aquela * bludger * impediu a Angelina de marcar ? - Estávamos seis metros acima , evitando que a outra * bludger * matasse o Harry , Oliver - gritou George furioso . - Alguém preparou isto , a bola não deixa o Harry em paz , ainda não perseguiu mais ninguém desde_que o jogo começou . Os Slytherin fizeram aqui qualquer coisa . - Mas as * bludgers * têm estado fechadas em o escritório de Madam_Hooch desde o último treino , e nessa_altura estava tudo bem ... - disse Wood ansiosamente . Madam_Hooch aproximava se . Por cima de o ombro de ela , Harry pôde ver a equipa de os Slytherin a escarnecer e apontar em a sua direcção . - Ouçam - disse o Harry , enquanto ela se aproximava . - Com vocês os dois a voarem sempre colados a mim , só vou apanhar a * snitch * se ela voar até a a minha manga . Voltem se para o resto de a equipa e deixem a tratante comigo . - Não sejas bronco - disse o Fred . - Ela arranca te a cabeça . Os olhos de Wood saltavam de Harry_para_os_Weasley . - Oliver , isto_é uma loucura - disse Alicia_Spinet , zangada . - Não podes deixar o Harry sozinho entregue a aquela coisa . Vamos pedir uma investigação . - Se pararmos agora , teremos de dar a partida como perdida e não vamos deixar os Slytherin ganhar , só por_causa_de uma * bludger * maluca . Vá lá , Oliver , diz lhes que me deixem sozinho . - A culpa é toda tua . * _ Agarra a snitch ou morre a tentar * , se isso é lá coisa que se diga . Madam_Hooch tinha se lhes juntado . - Prontos para retomar a partida ? - perguntou a Wood . Wood olhou para o ar determinado de Harry . - Deixem o sozinho , ele é capaz de lidar com a * bludger * . A chuva era agora mais pesada . A o apito de Madam_Hooch , Harry elevou se em os ares e ouviu o barulhinho de a * bludger * atrás_de si . Subiu cada_vez_mais alto . Fez acrobacias em espiral , descidas rápidas , ziguezagueou e rolou . Apesar_de ligeiramente estonteado , não deixou nunca de ter os olhos bem abertos . A chuva salpicava lhe os óculos e entrava lhe por as narinas , quando ele se voltou de cabeça para baixo , evitando outra forte investida de a * bludger * . Ouviu os risos de a multidão . Sabia que devia parecer ridículo , mas a * bludger * maluca era pesada e não podia mudar de direcção tão rapidamente quanto ele . Iniciou uma corrida que parecia de feira de diversões em volta de os extremos de o estádio , olhando de soslaio , através de os lençóis prateados de chuva , para os postes de os Gryffindor , onde Adrian_Pucey tentava passar por Wood . Um assobio junto de os ouvidos disse a Harry que a * bludger * falhara uma_vez_mais . Voltou se e voou rapidamente em a direcção oposta . - Estás a ensaiar * ballet * , Potter - gritou Malfoy quando Harry foi obrigado a fazer uma reviravolta estúpida em o ar para se esquivar mais_uma_vez de a * bludger * . Lá foi ele , com a * bludger * atrás a alguns metros de distância . E foi então que , olhando para Malfoy , furioso , a viu , a * snitch * de ouro . Flutuava alguns centímetros acima de os ouvidos de Malfoy que , de tão preocupado a escarnecer de Harry , nem dera por ela . Durante um momento angustiante , Harry ficou quieto em o ar , não ousando dirigir se a Malfoy , não fosse ele olhar para_cima e ver a * snitch * . PUM ! Tinha ficado parado tempo de mais . A * bludger * batera lhe , por fim , apanhando lhe o cotovelo e Harry sentiu o braço a partir se . Debilmente , desorientado por a dor cauterizante em o braço , Harry deslizou para um de os lados em a sua vassoura encharcada , um joelho ainda dobrado , o braço direito a balouçar , inútil , a o seu lado . A * bludger * veio de_novo , preparada para mais um ataque , desta_vez apontada a o seu rosto . Harry desviou se com uma intenção : chegar a Malfoy . Através_de uma nuvem de chuva e dor desceu até a o rosto tremeluzente e trocista e viu os olhos de ele dilatarem se de medo : Malfoy pensou que Harry ia atacá o . - Que diabo ... - resmungou , afastando se de o caminho . Harry tirou a outra mão de a vassoura e fez uma tentativa para agarrar qualquer coisa . Sentiu os dedos fecharem se em volta de a * snitch * dourada , mas conduzia agora a vassoura apenas com as pernas e ouviu se um grito de a multidão cá em baixo , quando ele fez a descida , tentando não desmaiar . Com um ruído seco caiu em a terra enlameada e rolou para fora de a vassoura . O braço tinha um ângulo um_pouco estranho . Torcendo se com dores , ouviu a a distância os assobios e os gritos . Concentrou se em a * snitch * que tinha fechada em a outra mão . - Ai - disse vagamente . - Ganhámos o jogo . E desmaiou . Voltou a si com a chuva a cair lhe em o rosto , ainda deitado em o campo , com alguém inclinado sobre ele . Viu um brilho de dentes brancos . - Oh , não , você não - gemeu . - Não sabe o que diz - afirmou Lockhart bem alto a a ansiosa multidão de Gryffindor que o comprimiam . - Não te preocupes , Harry , eu vou tratar de o teu braço . - Não - gritou Harry . - Eu fico com ele assim , obrigado . Tentou sentar se , mas a dor era enorme . Ouviu um « clique » familiar . - Não quero fotografias de isto , Colin - disse em voz alta . - Deita te para trás , Harry - insistiu Lockhart com toda_a calma . - É um encantamento muito simples que eu fiz imensas vezes . - Porque não me levam só para a ala hospitalar ? - perguntou Harry entredentes . - Seria o melhor , professor - disse a voz rouca de o Wood que não conseguia deixar de sorrir , apesar_de o seu * seeker * estar ferido . - Grande captura , Harry , verdadeiramente espectacular , a tua melhor jogada , em a minha opinião . Em o meio de a floresta de pernas que o rodeava , Harry avistou Fred e George_Weasley , metendo a * budger * perigosa em uma caixa . Continuava a dar uma luta enorme . - Para trás - ordenou Lockhart , que tinha arregaçado as mangas verde jade . - Não , eu não ... - protestou debilmente Harry , mas Lockhart tinha a varinha em a mão e , um segundo depois , apontava a para o braço de Harry . Uma sensação estranha e desagradável começou em o ombro e espalhou se , chegando a as pontas de os dedos . Parecia que o braço inteiro tinha sido esvaziado . Não foi capaz de olhar para o que estava a suceder . Tinha fechado os olhos , voltado o rosto para o outro lado , mas os seus maiores receios concretizaram se quando as pessoas lá em cima se sobressaltaram e Colin_Creevey começou a tirar fotografias como um louco . O braço deixara de lhe doer , mas parecia tudo menos um braço . - Ah ! - disse Lockhart . - Sim , bem isto às_vezes acontece . Mas o importante é_que os ossos já não estão partidos . Isso é o mais importante . Portanto , Harry , vai até a a ala hospitalar ... ah ! Mr._Weasley , Miss_Granger , poderiam levá o lá ? E Madam_Pomfrey poderá ... er ... arranjar um_pouco isso . Quando Harry se pôs de pé sentiu se estranhamente desequilibrado . Depois de respirar fundo , olhou para o lado direito e o que viu quase o fez desmaiar de_novo . Pendurado em a extremidade de a sua túnica estava o que parecia ser uma espessa e colorida luva de borracha . Tentou mexer os dedos mas ... em vão . Lockhart não consertara os ossos de Harry . Retirara os . M. dam Pomfrey não ficou nada satisfeita . - Devias ter vindo logo ter comigo - ralhou , segurando os restos tristes e moles de aquilo que antes fora um braço activo . - Eu conserto ossos em um segundo , mas fazê os crescer de_novo ... - Vai conseguir , não vai ? - perguntou Harry desesperado . - Sim , com certeza , mas vai ser doloroso - disse Madam_Pomfrey de modo severo , entregando lhe um pijama . - Vais ter que ficar cá esta noite ... Hermione esperou de o lado de_fora de a cortina que rodeava outra cama enquanto Ron ajudava Harry a vestir se . Levou algum tempo a enfiar o braço que parecia borracha dentro_de uma manga de o pijama . - Como é_que podes continuar a defender o Lockhart depois disto , Hermione ? - perguntou Ron através de as cortinas , enquanto puxava os dedos moles de o Harry por uma manga . - Se o Harry quisesse ser desossado , teria pedido . - Todos podem enganar se - disse Hermione . - E deixou de doer , não deixou , Harry ? - Sim - disse ele - mas também ficou incapaz de fazer seja o que for . Quando se meteu em a cama , o braço agitou se despropositadamente . Hermione e Madam_Pomfrey entraram . Madam_Pomfrey segurava uma grande garrafa com o rótulo * Skele - _ Gro * . - Vais ter uma noite difícil - preveniu , enchendo um pequeno copo fumegante e dando lhe a beber . - Fazer crescer ossos é uma coisa difícil . Tomar o * _ Skele - _ Gro * também . Queimou a boca e a garganta de o Harry a o descer , fazendo o tossir e cuspir . Resmungando sobre os desportos perigosos e os professores incapazes , Madam_Pomfrey retirou se , deixando Ron e Hermione a ajudar Harry a engolir um_pouco de água . - Mas ganhámos o jogo - disse o Ron com um sorriso em o rosto . - A tua jogada foi em grande . A cara de o Malfoy ... parecia que queria matar alguém . - Eu vou descobrir como é_que enfeitiçaram aquela * bludger * - disse Hermione com ar sombrio . - Podemos juntar essa pergunta a a lista de todas_as que queremos fazer a o Malfoy quando tomarmos a poção * _ Polisuco * - disse Harry , afundando se de_novo em as almofadas . - Espero que tenha um sabor melhor do_que esta coisa ... - Com um bocado de os Slytherin lá dentro , deves estar a brincar - disse o Ron . A porta de a ala hospitalar abriu se em esse momento e , completamente encharcados , entraram os restantes membros de a equipa de os Gryffindor , para ver o Harry . - Um voo inacreditável - disse George . - Acabei de ver Marcus_Flint a gritar com o Malfoy . Qualquer coisa sobre ter a * snitch * mesmo em cima de a cabeça e não ter dado por nada . O Malfoy não parecia nem um_pouco satisfeito . Tinham trazido bolos , rebuçados e garrafas de sumo de abóbora . Juntaram se em volta de a cama de Harry e estavam a dar início a o que prometia ser uma grande festa quando Madam_Pomfrey entrou a vociferar : - Este rapaz precisa de repouso . Tem trinta_e_três ossos a crescer . Fora de aqui . FORA ! E Harry ficou sozinho , sem nada que o distraísse de as dores agudas em o seu braço mole . Muitas horas mais tarde , Harry acordou subitamente em a escuridão total e soltou um pequeno grito de dor : sentia agora o braço cheio de estilhaços . Durante alguns segundos pensou que tinha sido a dor a acordá o . Depois , com um arrepio de horror , apercebeu se de que alguém estava a passar lhe uma esponja em a testa . - Sai de aqui - gritou , e em seguida : - Dobby ! Os olhos de o tamanho de bolas de ténis de o elfo doméstico estavam a olhá o em o escuro , uma lágrima grossa rolava por o seu enorme nariz . - Harry_Potter voltou a a escola - murmurou , infeliz . - Dobby avisou e voltou a avisar Harry_Potter . Ah ! senhor , porque não deu ouvidos a Dobby ? Porque não voltou Harry_Potter para_casa quando perdeu o comboio ? Harry ergueu se um_pouco , encostando se a as almofadas e afastou a esponja de o elfo . - O que estás a fazer aqui ? - perguntou . - E como sabes que eu perdi o comboio ? O lábio de Dobby tremeu e Harry foi assaltado por uma dúvida . - Foste tu . Tu impediste que a barreira nos deixasse passar . - Em a verdade fui eu , senhor - disse Dobby , acenando com a cabeça e com as orelhas a abanar . - Dobby escondeu se , esperou por Harry_Potter e selou a barreira . A seguir , Dobby teve de pôr as mãos em o ferro de engomar - mostrou a o Harry dez dedos longos embrulhados em ligaduras . - Mas Dobby não se importou , senhor , porque pensou que Harry_Potter estava a salvo e nunca Dobby sonhou que mesmo_assim ele viria para a escola ! Balançava se para a frente e para trás , sacudindo a cabeça feia . - Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry_Potter tinha voltado a a escola que deixou queimar o jantar de os seus donos . Dobby nunca tivera um castigo tão grande , senhor . Harry afundou se de_novo em as almofadas . - Quase conseguiste que nos expulsassem , a mim e a o Ron - disse furioso . - É melhor desapareceres de aqui antes que os meus ossos voltem a estar bem , Dobby , ou ainda te estrangulo . O elfo sorriu . - Dobby está habituado a ameaças de morte , senhor . Dobby recebe as cinco vezes por dia em a casa onde mora . Encostou o nariz a um canto de a fronha que usava , ficando tão ridículo que Harry sentiu a raiva desvanecer se , apesar_de tudo . - Porque usas essa coisa , Dobby ? - perguntou com curiosidade . - Isto , senhor ? - disse Dobby apontando para a fronha de almofada . - É uma prova de escravatura de o elfo doméstico , senhor . Dobby só pode ser libertado se os donos lhe derem roupa , senhor . A família tem o cuidado de não dar a o Dobby nem uma peúga , senhor , porque ele poderia ficar livre e deixar a casa para sempre . Dobby limpou os olhos protuberantes e disse subitamente : - Harry_Potter deve ir para_casa . Dobby achou que a sua * bludger * seria o suficiente para o fazer ... - A tua * bludger * ? - disse Harry com a raiva a crescer novamente dentro de ele . - Que queres tu dizer com a tua bludger * ? Foste tu quem fez com que aquela bola tentasse matar me ? - Matar não , senhor . Matar , nunca ! - disse o elho chocado . - Dobby quer salvar a vida de Harry_Potter . É melhor ir para_casa ferido do_que ficar aqui , senhor . Dobby só queria Harry_Potter suficientemente ferido para voltar para_casa . - Só isso ? - disse Harry furioso . - Imagino que não vais dizer me porque querias mandar me para_casa a os bocados ? - Ah ! se Harry_Potter soubesse ! - gemeu Dobby , com mais lágrimas a escorrerem lhe por a fronha esfarrapada . - Se pudesse saber o que significa para nós , para os humildes , os escravizados , nós , a escória social de o mundo mágico ! Dobby lembra se de como eram as coisas quando Aquele cujo nome não deve ser pronunciado estava em o auge de o poder , senhor ! Nós , os elfos domésticos éramos tratados como animais , senhor ! É claro que Dobby ainda é tratado assim - admitiu , secando o rosto em a fronha de almofada . - Mas , em a sua maioria , a vida melhorou bastante para os de a minha espécie desde_que Harry_Potter triunfou sobre Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Harry_Potter sobreviveu e o poder de os senhores de o Mal foi quebrado e veio uma nova alvorada , senhor , e Harry_Potter brilhou como um farol de esperança para aqueles de entre nós que já pensavam que a longa noite nunca mais teria fim , senhor ... e agora em Hogwarts vão acontecer coisas terríveis , talvez já esteiam a acontecer e Dobby não pode deixar Harry_Potter ficar aqui , agora_que a história vai repetir se , agora_que a Câmara_dos_Segredos está de_novo aberta . Dobby calou se horrorizado . Em seguida agarrou em o jarro de a água que Harry tinha a a cabeceira e bateu com ele em a própria cabeça , deixando se cair . Um segundo mais tarde voltou até junto de a cama , repetindo : - Mau , Dobby , muito mau , Dobby . - Quer_dizer , então , que existe mesmo a Câmara_dos_Segredos ? - murmurou Harry . - E dizes tu que já antes foi aberta ? Conta me , Dobby . Agarrou o pulso ossudo de o elfo quando a mão de ele se estendia para o jarro de a água . - Mas eu não sou filho de Muggles . Como posso estar em perigo por causa de a Câmara_dos_Segredos ? - Ah ! senhor , não pergunte a o pobre Dobby - lamentou se o elfo com os olhos enormes a brilharem em o escuro . - As forças de as trevas estão projectadas em este lugar , mas Harry_Potter não deve estar aqui quando as coisas acontecerem . Vá para_casa , Harry_Potter , vá para_casa . Harry_Potter não deve envolver se em isto , senhor , é demasiado perigoso ... - Quem é , Dobby ? - perguntou Harry , continuando a agarrar lhe o pulso com forca , impedindo que batesse de_novo em si próprio com o jarro . - Quem abriu a amara ? Quem a abriu de a última vez ? - Dobby não pode , senhor . Dobby não pode . Dobby não deve dizer - guinchou o elfo . - Vá se embora , Harry_Potter , vá se embora ! - Eu não vou para lugar nenhum - disse Harry , furioso . - Uma de as minhas melhores amigas é filha de Muggles , está em perigo se a câmara foi , de facto , aberta ... - Harry_Potter arrisca a própria vida por os amigos - gemeu Dobby em uma espécie de êxtase infeliz . - Tão nobre , tão corajoso , mas deve salvar se , Harry_Potter não deve ... Dobby calou se de repente com as orelhas de morcego a estremecerem . Harry também ouviu os passos que vinham lá fora , de o corredor . - Dobby tem de ir - balbuciou o elfo apavorado . Ouviu se um ruído e o pulso de Harry ficou subitamente fechado em o ar . Meteu se de_novo para baixo , em a cama , com os olhos fixos em a porta escura que dava entrada em a ala hospitalar enquanto os passos se aproximavam . Em o momento seguinte , Dumbledore estava a entrar , de costas , em o dormitório , vestindo uma longa túnica de lã e uma capa de noite . Transportava um extremo de aquilo que parecia ser uma estátua . A professora Mc_Gonagall surgiu um segundo mais tarde , pegando lhe em os pés . Os dois colocaram a em uma cama . - Chame Madam_Pomfrey - murmurou Dumbledore e a professora Mc_Gonagall passou por a cama de Harry , apressadamente , e desapareceu . Harry deixou se ficar muito quieto como_se estivesse a dormir . Ouviu vozes ansiosas e por fim a professora Mc_Gonagall apareceu de_novo , seguida de Madam_Pomfrey que vestia um casaco curto de lã sobre a camisa de dormir . Ouviu uma inspiração aguda . - O que aconteceu ? - murmurou Madam_Pomfrey_a_Dumbledore , inclinando se sobre a estátua que estava em a cama . - Outro ataque - disse Dumbledore . - A Minerva encontrou o em as escadas . Havia um cacho de uvas junto de ele . Acho que estava a tentar esgueirar se até aqui para vir visitar o Potter . O estômago de Harry deu uma reviravolta . Lenta e cuidadosamente ergueu se alguns centímetros para poder ver a estátua que estava sobre a cama . Um raio de luar iluminou lhe o rosto estático . Era_Colin_Creevey . Tinha os olhos abertos , e as mãos , em frente de a cara , seguravam a máquina fotográfica . -- Petrificado ? - murmurou Madam_Pomfrey . - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - Mas estou tentada a acreditar que ... se Albus não tivesse vindo cá abaixo tomar um chocolate quente ... quem sabe o que teria ... Os três olharam para Colin . Dumbledore inclinou se e retirou lhe a máquina de as mãos rígidas . - Será que ele conseguiu tirar a fotografia de o agressor ? - perguntou ansiosa a professora Mc_Gonagall . Dumbledore não respondeu . Abriu a parte detrás de a máquina . - Cruzes canhoto - disse Madam_Pomfrey . Um jacto de vapor tinha feito fervilhar a máquina . Harry , a três metros de distância , sentiu o cheiro tóxico de o plástico queimado . - Derretido - disse Madam_Pomfrey com grande espanto . - Tudo derretido . - O que significa isto , Albus ? - perguntou cada_vez_mais nervosa a professora Mc_Gonagall . - Significa - disse Dumbledore - que a Câmara_dos_Segredos está mesmo aberta outra_vez . Madam_Pomfrey levou uma mão a a boca . A professora Mc_Gonagall olhou assustada para Dumbledore . - Mas , Albus ... com certeza ... quem ? - A questão não é quem - disse Dumbledore com os olhos fixos em Colin . - A questão é como ... E pelo que Harry conseguiu ver de o rosto indistinto de a professora Mc_Gonagall , ela não compreendeu muito mais do_que ele . XI_O clube de os duelos Quando_Harry acordou , em o domingo de manhã , a enfermaria estava iluminada por um resplandecente sol de inverno e o seu braço tinha de_novo todos os ossos , apesar_de o sentir muito rígido . Sentou se rapidamente e olhou para a cama de Colin , mas ela fora isolada com as cortinas atrás de as quais se despira em a véspera . Vendo que ele tinha acordado , Madam_Pomfrey apareceu com um tabuleiro de pequeno-almoço e a seguir começou a apalpar lhe o braço e os dedos . - Tudo em ordem - disse , enquanto ele , com a mão esquerda , comia avidamente as papas de aveia . - Quando acabares de comer podes ir te embora . Harry vestiu se o mais depressa que pôde e dirigiu se a a pressa para a torre de os Gryffindor , ansioso por contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre Colin e Dobby , mas não os encontrou lá . Foi a a procura de eles , perguntando a si próprio onde teriam ido e sentindo se um_pouco magoado por o pouco interesse que demonstravam em saber se ele tinha recuperado os ossos . Quando passou por a biblioteca , Percy_Weasley vinha a sair com bastante melhor cara do_que de a última vez que se tinham encontrado . - Olá , olá , Harry - disse . - Excelente voo o de ontem , verdadeiramente sensacional . Os Gryffindor estão a a frente para a taça de a equipa . Ganhaste cinquenta pontos . - Não viste o Ron e a Hermione por aí ? - perguntou Harry . - Não , não vi - disse Percy com o sorriso a desaparecer . - Espero que o Ron não esteja outra_vez em a casa_de_banho de as raparigas ... Harry forçou um sorriso , viu Percy desaparecer e a seguir foi direitinho até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Não via lá muito bem por_que motivo o Ron e a Hermione lá estariam de_novo , mas , depois de se assegurar de que nem Filch nem nenhum de os prefeitos estavam por perto , abriu a porta e ouviu as vozes de eles que vinham de um cubículo fechado . - Sou eu - disse , fechando a porta atrás_de si . Ouviu se dentro de o cubículo um estrondo , um chapinhar e um sobressalto e ele viu o olho de a Hermione a espreitar por o buraco de a fechadura . - Harry - disse ela . - Pregaste nos um susto de morte . Entra . Como está o teu braço ? - _ óptimo - respondeu , apertando se dentro de o cubículo . Em cima de a sanita estava encarrapitado um velho caldeirão , e um crepitar a a superfície de a água disse a Harry que eles tinham acendido um fogo lá em baixo . Fazer aparecer fogos portáteis a a prova de água era uma de as especialidades de Hermione . - _ íamos visitar te , mas resolvemos começar a preparar a poção * _ Polisuco * - explicou Ron enquanto Harry fechava outra_vez a porta de o cubículo com alguma dificuldade . - Achámos que este era o lugar mais seguro para a esconder . Harry começou a contar lhes de o Colin , mas Hermione interrompeu o . - Nós já sabemos , ouvimos a professora Mc_Gonagall contar a o professor Flitwick hoje_de_manhã . Por isso resolvemos começar a ... - Quanto_mais depressa arrancarmos uma confissão a o Malfoy , melhor - rosnou o Ron . - Sabem o que eu penso ? Ele estava tão mal-humorado depois de o jogo de Quidditch que se vingou em o Colin . - Há outra coisa - disse Harry , vendo Hermione cortar molhos de verdezelha e lançá os dentro de a poção . - O Dobby foi visitar me a meio de a noite . Ron e Hermione olharam o espantados . Harry contou lhes tudo_o_que Dobby lhe dissera ... ou não dissera . Ron e Hermione ouviram o de boca aberta . - A Câmara_dos_Segredos já tinha sido aberta antes ? - repetiu Hermione . - Encaixa perfeitamente - disse Ron , em uma voz triunfante . - O Lucius_Malfoy deve ter aberto a Câmara_dos_Segredos quando andava em a escola e agora ensinou a o querido filhinho Draco como abris a . É óbvio , que pena o Dobby não te ter dito que tipo de monstro lá se encontra . Gostava de saber como é_que ninguém o viu andar por ai em a escola . - Talvez tenha a capacidade de se tornar invisível - sugeriu Hermione , picando sanguessugas para dentro de o caldeirão . - Ou talvez se disfarce , passando por uma armadura ou outra coisa de o género . Eu li umas coisas sobre vampiros camaleões ... - Tu lês de mais , Hermione - disse o Ron , deitando moscas asas de renda mortas por cima de as sanguessugas . Amarrotou o saco vazio de as asas de renda e olhou para Harry . - Então foi o Dobby que nos impediu de apanhar o comboio e te partiu o braço ... - abanou a cabeça . - Sabes o que eu acho ? Se ele não parar de tentar salvar te a vida ainda acaba por te matar . A notícia de que Colin_Creevey tinha sido atacado e estava agora em a ala hospitalar , como morto , espalhou se por toda_a escola em a segunda-feira de manhã . O ar ficou pesado e cheio de boatos e suspeitas . Os alunos de o primeiro ano começavam a andar por a escola em pequenos grupos , receando ser atacados se se aventurassem a andar isoladamente por os corredores . Ginny_Weasley , que era colega de carteira de o Colin em os encantamentos , estava perturbadíssima , mas Harry achou que Fred e George estavam a tentar animá a de a maneira errada . Revezavam se , mascarados com peles de animais e apareciam lhe subitamente detrás de as estátuas . Só pararam quando Percy , apopléctico de raiva , lhes disse que ia escrever a Mrs._Weasley a contar lhe que a Ginny andava a ter pesadelos . Enquanto isso , às_escondidas de os professores , uma panóplia de talismãs , amuletos e outros objectos de protecção ia enchendo a escola . Neville_Longbottom comprou uma enorme cebola verde que cheirava mal , um cristal pontiagudo cor de púrpura e uma cauda de tritão apodrecida antes de os outros rapazes de os Gryffindor lhe explicarem que ele não corria perigo : era um sangue puro e , portanto , muito pouco passível de ser atacado . - Eles foram a o Filch em primeiro lugar - disse Neville com o medo estampado em a cara redonda . - E toda_a_gente sabe que eu sou quase um * busca-pé * . Em a segunda semana de Dezembro , a professora Mc_Gonagall veio , como de costume , recolher os nomes de os alunos que ficavam em a escola durante o Natal . Harry , Ron e Hermione assinaram a lista . Tinham ouvido dizer que Malfoy ficava , o que lhes parecera muito suspeito . As férias seriam a altura ideal para usar a poção * _ Polisuco * e tentar arrancar lhe uma confissão . Infelizmente a poção estava a meio . Precisavam ainda de o chifre de bicórneo e o único lugar onde podiam arranjá o era em os depósitos privados de Snape . Harry , pessoalmente , preferia enfrentar o lendário monstro de os Slytherin do_que ser apanhado por o Snape a assaltar lhe o escritório . - O que precisamos - disse Hermione cheia de vivacidade quando se aproximava a aula conjunta de poções de quinta-feira a a tarde - para podermos entrar a a vontade em o escritório de o Snape , é de uma diversão . Harry e Ron olharam para ela , nervosos . - Acho que o melhor é ser eu a praticar o roubo - prosseguiu ela , em um tom perfeitamente casual . - Vocês os dois podem ser expulsos se forem apanhados e eu tenho uma folha limpa . Portanto , a única coisa que têm de fazer é distrair o Snape durante cerca de cinco minutos . Harry esboçou um meio sorriso . Provocar deliberadamente um estrago em a aula de poções de o Snape era tão seguro como ferir em um olho um dragão adormecido . As aulas de poções tinham lugar em um de os mais amplos calabouços . A de quinta-feira a a tarde não foi diferente de as outras . Vinte caldeirões fumegavam entre as secretárias de madeira , sobre as quais podia ver se laminas de latão e jarras com ingredientes . Snape deambulava por o meio de os fumos , fazendo reparos petulantes a o trabalho de os Gryffindor , enquanto os Slytherin riam a a socapa . Draco_Malfoy , que era o aluno preferido de Snape , não parava de lançar olhos de carneiro mal morto a o Ron e a o Harry , que sabiam que se retaliassem teriam um castigo , antes de poderem abrir a boca para dizer : - É injusto ! A solução de inchar de o Harry estava demasiado líquida , mas ele estava preocupado com coisas mais importantes . Esperava por o sinal de Hermione e mal deu por Snape se calar para ir espreitar a sua poção aguada . Quando o professor se voltou e foi implicar com o Neville , Hermione trocou um olhar com Harry e fez um aceno . Harry baixou se discretamente por detrás de o seu caldeirão , tirou de o bolso de trás um de os paus de fogo-de-artíficio Filibuster e deu lhe um toque de varinha . O fogo-de-artíficio começou a sibilar e a crepitar . Sabendo que tinha apenas alguns segundos , Harry endireitou se , ganhou coragem e lançou o a o ar . Aterrou certeiro em o caldeirão de o Goyle . A poção de o Goyle explodiu , salpicando toda_a aula . As pessoas gritavam , à_medida_que eram vítimas de os salpicos . Malfoy foi apanhado em a cara e o nariz começou a inchar como um balão . O Goyle tropeçava a as cegas , com as mãos em os olhos , que tinham ficado de o tamanho de pratos de sopa , enquanto o Snape tentava repor a calma e tentar perceber o que sucedera . Em o meio de a confusão , Harry viu Hermione esgueirar se a a socapa por a porta . - Silêncio ! silêncio ! - vociferou Snape . - Todos os que foram salpicados cheguem aqui para uma drenagem . Quando eu descobrir quem fez isto ... Harry fez um enorme esforço para não se rir a o ver Malfoy chegar apressadamente lá a a frente , a cabeça a tombar com o peso de o nariz , que parecia um pequeno melão . Quando metade de a aula se amontoava junto de a secretária de o Snape , alguns alunos vergados por o peso de os braços que pareciam mocas , outros incapazes de falar devido a o gigantesco inchaço de os lábios , Harry viu Hermione reentrar em o calabouço , a túnica mostrando a barriga protuberante . Quando todos os alunos tinham já tomado um gole de o antídoto e os vários inchaços tinham desaparecido , Snape precipitou se para o caldeirão de o Goyle e pescou os restos retorcidos de o fogo-de-artíficio . Houve um súbito silêncio . - Se eu descubro quem lançou isto - murmurou Snape - garanto que é expulsão por a certa . Harry compôs uma expressão de espanto . Snape olhava directamente para ele e a campainha , que tocou dez minutos mais tarde , não podia ser mais bem-vinda . - Ele soube que fui eu - disse Harry_a_Ron e a a Hermione , enquanto se dirigiam apressadamente para a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Tenho a certeza . Hermione lançou o novo ingrediente em o caldeirão e começou a mexer furiosamente . - Isto vai estar pronto dentro_de quinze_dias - afirmou , satisfeita . - O Snape não pode provar que foste tu - assegurou Ron , tranquilizando Harry . - Que pode ele fazer ? - Conhecendo o Snape , qualquer coisa louca - respondeu Harry , enquanto a poção borbulhava e espumava . Uma semana mais tarde , Harry , Ron e Hermione passavam por o vestíbulo de entrada , quando viram um pequeno grupo de pessoas reunidas em volta de o jornal de parede a lerem um pedaço de pergaminho que tinha acabado de ser afixado . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas acenaram lhes , entusiasmados . - Vão lançar um clube de duelos ! - exclamou Seamus . - Hoje a a noite é a primeira reunião . Eu não me importaria nada de ter aulas de duelo , podem vir a ser úteis um dia de estes ... - Porquê ? Achas que o monstro de os Slytherin sabe esgrimir ? - perguntou o Ron , mas , também ele , leu a notícia com interesse . - Pode ser útil - disse a o Harry e a a Hermione , quando foram jantar . - Vamos lá ? Harry e Hermione acharam óptimo , por isso , a as oito_da_noite voltaram a o salão . As longas mesas de refeição tinham desaparecido e um estrado dourado surgira , encostado a a parede . Sobre ele flutuavam milhares de velas . O tecto era , mais_uma_vez , de veludo negro e parecia que quase todos os alunos de a escola se encontravam ali , com as suas varinhas em a mão e com um ar entusiasmado . - Quem será que vai ensinar nos ? - perguntou Hermione , enquanto se misturavam em a multidão barulhenta . - Ouvi dizer que o Filitwick foi campeão de duelo em a juventude , talvez seja ele . - Desde_que não seja ... - começou Harry , mas terminou em um gemido : Gilderoy_Lockhart estava a subir a o estrado , resplandecente em as suas vestes cor de ameixa , acompanhado , nem mais nem menos , do_que de Snape que trajava , como sempre , de negro . Lockhart levantou um braço , pedindo silêncio , bradando : - Aproximem se , aproximem se , conseguem todos ver me e ouvir me ? Excelente ! - O professor Dumbledore deu me autorização para iniciar este pequeno curso de duelo para vos treinar a todos , caso algum dia precisem de se defender , como eu tenho feito em inúmeras ocasiões ; para mais detalhes , leiam os livros que tenho publicados . - Permitam que vos apresente o meu assistente , o professor Snape - disse Lockhart , abrindo um sorriso de orelha a orelha . - Ele diz me que sabe alguma coisa sobre duelos e aceitou desportivamente ajudar me em uma exibição de demonstração , antes de começarmos . Atenção , não quero que os mais novos fiquem preocupados , vão continuar a ter o vosso professor de poções depois de eu o vencer . Não tenham medo . - Não era óptimo se se liquidassem um_ao_outro ? - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . O lábio inferior de Snape estava curvo . Harry interrogou se sobre o motivo por_que Lockhart continuava a sorrir . Se o Snape olhasse de aquela maneira para ele , Harry estaria a correr a_toda_a velocidade para o mais longe possível . Lockhart e Snape voltaram se um para o outro e fizeram uma vénia , pelo_menos Lockhart fê la com muitas reviravoltas de mãos , enquanto Snape acenava , irritado , com a cabeça . Em seguida , ergueram as varinhas , como_se fossem espadas , em a frente . - Como podem ver , estamos a pegar em as varinhas em a posição de aceitação de combate - explicou Lockhart a a multidão silenciosa . - Quando contarmos até três , lançaremos os primeiros feitiços . Nenhum de nós tentará matar o outro , claro . - Eu não poria as mãos em o fogo - murmurou Harry , observando como Snape cerrava os dentes . -- Um , dois , três ... Os dois balançaram as varinhas acima de os ombros . Snape gritou : * _ Expelliarmus * ! Houve um clarão ofuscante de luz escarlate e Lockhart voou para trás , caindo de o estrado batendo contra a parede , escorregando e indo estatelar se em o chão . Malfoy e alguns de os outros Slytherin aplaudiram . Hermione estava em bicos de os pés . - Acham que ele está bem ? - gritou entredentes . - Quem se rala ? - disseram ao_mesmo_tempo o Ron e o Harry . Lockhart estava a pôr se , hesitante , de pé . O chapéu caíra lhe e o cabelo ondulado estava em um desalinho . - Bem , cá está ! - disse , cambaleando até a o estrado . - Este foi um encantamento para desarmar . Como podem ver , perdi a minha varinha . Ah , obrigado Miss_Brown . Sim , foi uma excelente ideia mostrar lhes isto , professor Snape , mas , se me permite que lhe diga , foi muito óbvio o que ia fazer . Se eu tivesse querido impedis o , teria o feito com a maior de as facilidades . Mas achei que seria educativo deixá os ver ... Snape tinha um ar assassino . Provavelmente Lockhart deu por isso , porque declarou : - Chega de demonstrações . Eu vou passar agora por o meio de vocês e criar duplas . Professor_Snape , se quiser ajudar me ... Entraram por o meio de a multidão , agrupando alunos . Lockhart pôs o Neville com Justin_Finch - _ Fletchley , mas Snape chegou primeiro junto de Harry e de Ron . - Tempo de separar a dupla ideal , parece me - rosnou . - Weasley , tu podes ficar com o Finnigan . Potter ... Harry voltou se automaticamente para Hermione . - Não me parece - disse Snape com o seu sorriso frio . - Mr._Malfoy , venha até aqui . Vamos ver o que faz com o famoso Potter . E a menina , Miss_Granger , pode emparceirar com Miss_Bulstrode . Malfoy aproximou se com o seu passo empertigado e o seu sorriso escarninho . Atrás de ele vinha uma rapariga de os Slytherin , que lembrou a Harry uma imagem que tinha visto em as * _ Férias com Bruxas_Velhas * . Era corpulenta e quadrada e os maxilares avançavam agressivamente . Hermione esboçou um meio sorriso , que ela não retribuiu . - Voltem se para os vossos parceiros - gritou Lockhart - e façam a vénia . Harry e Malfoy mal inclinaram as cabeças , não afastando os olhos um de o outro . - Varinhas preparadas ! - gritou Lockhart . - Quando eu disser três preparem os feitiços para desarmar o vosso opositor . Um ... dois ... três ... Harry levantou a varinha acima de o ombro , mas Malfoy começara logo em o « dois » : o seu feitiço apanhou Harry com tanta força que ele se sentiu como_se tivesse levado com uma frigideira em a cabeça . Tropeçou , mas ainda não estava fora de combate e , sem perder tempo , Harry apontou a varinha a Malfoy e gritou : - * _ Rictusempra ! * Um jacto de luz prateada atingiu Malfoy em o estômago , obrigando o a dobrar se , arfando . - Eu disse desarmar ! - gritava Lockhart sobre as cabeças de a multidão em lata , enquanto Malfoy caía de joelhos . Harry atingira o com o feitiço de as cócegas e ele mal conseguia mexer se para se rir . Harry hesitou com o vago sentimento de que seria pouco desportivo enfeitiçar Malfoy enquanto ele estava caído em o chão , mas ... foi um erro . Tentando respirar , Malfoy apontou a varinha a os joelhos de Harry , balbuciando : « * _ Tarantallegra ! * » e , um segundo depois , as pernas de o Harry tinham começado a mexer se , sem que ele pudesse controlá as , executando uma espécie de dança frenética . - Parem , parem - gritava Lockhart , quando Snape resolveu tomar controlo de a situação . - * _ Finite_Incantatem ! * - bradou . Os pés de o Harry pararam de dançar , Malfoy parou de rir e puderam olhar para_cima . Uma onda de fumo esverdeado pairava sobre todos eles . Neville e Justin estavam caídos em o chão , a arfar . Ron tentava fazer parar um Seamus com cara cor de cinza , pedindo lhe mil desculpas por o que a sua varinha partida eventualmente tivesse feito . Mas Hermione e Millicent_Bulstrode ainda não tinham acabado . Millicent tinha feito a Hermione uma prisão de cabeça e Hermione gritava de dor . As duas varinhas jaziam esquecidas em o chão . Harry deu um salto em frente e afastou Millicent . Não foi fácil , ela era bastante maior do_que ele . - Oh , gente ! - exclamou Lockhart , arrastando se por o meio de a multidão e olhando para os resultados de os duelos . - Vamos pôr de pé , Mcmillan ... cuidado , Miss_Fawcett ... belisque com força que pára logo de sangrar ... - Acho que o melhor é ensinar vos como bloquear feitiços pouco amigáveis - afirmou Lockhart que estava nervosíssimo em o meio de o salão . Olhou para Snape , cujos olhos pretos brilhavam e desviou rapidamente o olhar . - Vamos arranjar um par de voluntários . Longbottom e Finch - _ Fletchley , que tal serem vocês ? - Uma má ideia , professor Lockhart - disse Snape , deslizando como um morcego enorme e cruel . - Longbottom provoca devastação com o feitiço mais simples . Ainda temos de mandar o que restar de o Finch - _ Fletchley para a ala hospitalar dentro_de uma caixa de fósforos . - A cara redonda e rosada de Neville ficou ainda mais rosada . - Que tal o Malfoy e o Potter ? - sugeriu Snape com um sorriso retorcido . - Excelente ideia - disse Lockhart , fazendo sinal a os dois para que se aproximassem de o meio de o salão , enquanto a multidão recuava para lhes dar passagem . - Ouve bem , Harry - disse Lockhart . - Quando o Draco te apontar a varinha , tu fazes assim . Levantou a sua varinha , executando uma tentativa complicada de malabarismo e deixou a cair . Snape sorriu pretensiosamente , enquanto Lockhart a apanhava de o chão , dizendo : - Ups , a minha varinha está demasiado excitada . Snape aproximou se de Malfoy , inclinou se e disse lhe qualquer coisa a o ouvido . Malfoy sorriu também de forma afectada . Harry olhou , nervoso , para Lockhart e pediu : - Professor , podia mostrar me outra_vez aquela coisa para bloquear ? - Estás com medo ? - murmurou Malfoy baixinho , para que Lockhart não pudesse ouvir . - Querias ! - exclamou Harry por o canto de a boca . Lockhart deu um soco em o ombro de o Harry , em a brincadeira . - Basta que faças como eu fiz ! - O quê , deixar cair a varinha ? Mas Lockhart não estava a ouvir - Três , dois , um , zero ! - gritou . Malfoy levantou rapidamente a varinha a o ar e gritou : - * _ Serpensortia ! * A extremidade de a varinha explodiu . Harry viu , horrorizado , uma enorme serpente negra sair de ela , cair pesadamente em o chão a meio de os dois e erguer se disposta a atacar . Ouviram se gritos , enquanto a multidão se afastava , deixando o chão vazio . - Não te mexas , Potter - disse Snape vagarosamente , divertindo se claramente a ver Harry , parado , a olhar em os olhos a serpente . - Eu trato de ela ... - Permita me -- gritou Lockhart . Bramiu a varinha em direcção a a serpente e ouviu se um estoiro . A cobra , em_vez_de desaparecer , voou três metros acima de eles e voltou a cair em o chão com um estrondo enorme . Enraivecida , a sibilar de fúria , rastejou em direcção a Finch - _ Fletchley e pôs se de pé com os dentes a a mostra , pronta a atacar . Harry não soube ao_certo o que o levou a fazer aquilo . Não se lembrava sequer de ter tomado aquela decisão . Só soube que as pernas o fizeram avançar como_se tivesse rodas e que gritou a a serpente : - Larga o ! - E , milagrosa e inexplicavelmente , a serpente voltou a o chão , dócil como uma grande mangueira de jardim , preta e grossa , os olhos agora fixos em os olhos de Harry . Harry sentiu o medo a escoar se . Sabia que a cobra não atacaria mais ninguém , embora não pudesse explicar como sabia . Olhou para Justin a sorrir , esperando vê o aliviado , espantado , ou mesmo agradecido , mas nunca zangado ou assustado . - Que brincadeira é essa ? - gritou o outro e , antes que Harry tivesse tempo de dizer fosse o que fosse , voltou as costas e saiu de o salão . Snape deu um passo em frente , fez um gesto com a varinha e a serpente desapareceu em uma onda de fumo preto . Também ele , Snape , olhava para Harry de uma forma inesperada . Era um olhar arguto e calculista , de que Harry não gostou . Apercebeu se também vagamente de um murmúrio ameaçador que vinha de as paredes em volta . Depois , sentiu um puxão em a túnica . - Vamos - disse a voz de o Ron em o seu ouvido . - Mexe te , vá lá ... Ron arrastou o para fora de o salão . Hermione acompanhava os em a passada rápida . Quando cruzaram a porta , as pessoas que a rodeavam afastaram se , como_se tivessem medo de ser contagiadas . Harry não fazia a mais pequena ideia do_que estava a passar se e , nem Ron , nem Hermione lhe deram qualquer explicação , antes de o terem levado até a a sala comum de os Gryffindor , que se encontrava vazia . Aí , Ron empurrou Harry para uma cadeira de braços e disse : - Tu és um * serpentês * . Porque não nos disseste ? - Eu sou um quê ? - perguntou Harry . - Um * serpentês * ! - exclamou o Ron . - Falas com as cobras . - Eu sei - declarou Harry . - Quer_dizer , esta foi a segunda vez que o fiz . A outra foi há muito_tempo em o jardim zoológico , quando soltei uma Boa_Constrictor a o meu primo Dudley . É uma longa história , mas ela estava a dizer me que nunca tinha estado em o Brasil e eu acho que a libertei sem querer . Foi antes de saber que era feiticeiro . . . - Uma Boa_Constrictor disse te que nunca tinha estado em o Brasil ? - repetiu Ron , quase sem voz . - E então ? - disse o Harry . - Aposto que montes de pessoas aqui fazem o mesmo . - Não fazem , não - afirmou Ron . - Não é um dom muito frequente . Harry , isso é mau . - O que é_que é mau ? - perguntou Harry , que começava a ficar chateado . - O que é_que se passa com todos os outros ? Ouve bem , se eu não tivesse dito a aquela cobra para não atacar o Justin ... - Ah , foi isso que tu disseste ? - Que queres dizer ? Tu estavas lá , ouviste perfeitamente o que eu disse . - Eu ouvi te falar em serpentês - disse o Ron . - Língua de cobra . Podias estar a dizer lhe qualquer coisa . Não admira que o Justin tivesse entrado em pânico . Parecia que estavas a incitar a serpente . Foi assustador , sabes ? Harry olhou para ele espantado . - Eu falei uma língua diferente ? Mas não me apercebi , como posso falar uma língua , sem saber que a conheço ? Ron abanou a cabeça . Tanto ele como Hermione tinham um ar fúnebre . Harry não percebia o que havia em aquilo de tão trágico . - Será que me querem explicar o que há de mal em ter impedido que uma serpente enorme arrancasse a cabeça a o Justin ? - perguntou . - Porque é tão importante como o fiz , se evitei que o Justin fosse juntar se a grupo de os SEM_CABEÇA ? - Importa - disse por fim Hermione , em uma voz abafada . - Porque falar com serpentes era a arte por a qual Salazar_Slytherin ficou famoso . Por isso , o símbolo de os Slytherin é uma serpente . Harry ficou de boca aberta . - Exacto - disse o Ron . - E agora todos em a escola vão pensar que tu és descendente de ele . - Mas não sou - contrapôs Harry com um pânico que não conseguia explicar . - Não vai ser fácil prová o - disse Hermione . - Ele viveu há quase mil anos . Pelo que vimos , podias ser . Em essa noite , Harry ficou acordado durante horas . Por uma fresta de os cortinados de a cama de dossel , olhou para a neve que começava a cair de o lado de_fora de a janela de a torre e perguntou se se poderia ser descendente de Salazar_Slytherin . Afinal , não sabia nada de a família de o pai , os Dursley tinham sempre proibido qualquer pergunta sobre os seus familiares feiticeiros . Calmamente , tentou dizer qualquer coisa em * serpentês * , mas as palavras não saíam . Parecia que era necessário estar frente_a_frente com uma cobra para poder fazê o . Mas eu sou um Gryffindor , pensou Harry , o chapéu seleccionador não me poria aqui se eu tivesse sangue de Slytherin ... - Ah ! - disse uma vozinha dentro de o seu cérebro . - Mas o chapéu seleccionador queria pôr te em os Slytherin , não te lembras ? Harry deu voltas e voltas a a cabeça . Em o dia seguinte , quando visse Justin em a aula de herbologia explicaria lhe que estava a afastar a serpente , não a atiçá a o que , aliás , pensou zangado , dando vários socos em a almofada , qualquer idiota teria percebido . Contudo , em a manhã seguinte , a neve que começara a cair durante a noite , transformara se em uma tempestade tão espessa que a última aula de herbologia de o período foi cancelada : a professora Sprout queria tapar as mandrágoras com peúgas e cachecóis , uma operação arriscada que ela não confiava a ninguém agora_que era tão importante que as mandrágoras crescessem depressa e reabilitassem Mrs._Norris e Colin_Creevey . Junto de a lareira de a sala comum de os Gryffindor , Harry matutava sobre o que se passara enquanto Ron e Hermione aproveitavam o foro para jogar xadrez de feitiçaria . - Com os diabos , Harry - disse Hermione exasperada quando um bispo derrubou um de os cavaleiros de o cavalo , arrastando o para fora de o tabuleiro . - Vai falar com o Justin , se isso é assim tão importante para ti . Harry levantou se e saiu por o buraco de o retrato , perguntando a si próprio onde poderia estar o Justin . O castelo estava mais escuro do_que era habitual durante o dia por causa de a neve espessa e cinzenta que cobria as janelas . A tremer , Harry passou por as salas onde estava a haver aulas , captando lampejos do_que sucedia lá dentro . A professora Mc_Gonagall gritava com alguém que , segundo lhe parecia por o som , transformara o parceiro em um texugo . Resistindo a a tentação de dar uma espreitadela , Harry afastou se pensando que Justin poderia estar a utilizar o tempo de o furo para fazer algum trabalho e resolveu , por isso , ir até a a biblioteca . Um grupo de alunos de os Hufflepuff , que deveriam ter estado em Herbologia , encontrava se , de facto , sentado em as traseiras de a biblioteca , mas não parecia estar a trabalhar . Entre as fileiras de as estantes altas , Harry pôde ver as suas cabeças muito juntas em aquilo que deveria ser uma conversa absorvente . Não conseguia perceber se Justin estaria em o meio de eles . Ia para se aproximar quando apanhou em o ar uma frase e parou para ouvir melhor , escondido em a secção de a invisibilidade . - Portanto - dizia um rapaz corpulento - eu disse a o Justin para se esconder em o nosso dormitório . Isto_é , se o Potter o escolheu como próxima vítima é melhor que ele tenha um * low profile * durante algum tempo . É claro que o Justin já estava a a espera que alguma coisa de o género acontecesse desde_que lhe escapou em uma conversa com o Potter que era filho de Muggles . O Justin disse lhe , inclusivamente , que tinha estado inscrito em Eton . Não é o tipo de coisa que se ande a dizer com o herdeiro de Slytherin a a solta por aí . - Achas mesmo_que é o Potter , Ernie ? - perguntou uma rapariga de tranças loiras , ansiosamente . - Hannah - disse com solenidade o rapaz corpulento . - Ele é um serpentês . Todos sabem que essa é a marca de um feiticeiro negro . Alguma vez ouviste falar de um feiticeiro decente que falasse com as cobras ? O Slytherin era conhecido por « Língua de serpente . . Houve alguns murmúrios antes de Ernie prosseguir : - Lembram se do_que estava escrito em a parede ? * _ Inimigos de o herdeiro , cuidado ! * . O Potter teve que ir a o gabinete de o Filch . E o que é_que acontece a seguir ? A gata de o Filch é atacada . O aluno de o primeiro ano , Creevey , estava a aborrecê o em a partida de Quidditch , a tirar lhe fotografias quando ele estava caído em a lama . E o que é_que acontece a seguir ? Creevey é atacado . - Mas ele parece sempre ser tão simpático - disse Hannah , cheia de dúvidas . - E , bem , foi ele que fez com que o Quem nós sabemos desaparecesse . Não pode ser assim tão mau , pois não ? Ernie baixou misteriosamente a voz . Os Hufflepuff inclinaram se mais uns para os outros e Harry aproximou se para conseguir apanhar as palavras de o Ernie . - Ninguém sabe como ele sobreviveu a aquele ataque de o Quem nós sabemos e , afinal , ainda era um bebé quando aquilo aconteceu . Era para ter explodido feito em estilhaços . Só um feiticeiro negro verdadeiramente poderoso teria sobrevivido a uma maldição de aquelas . - Baixou ainda mais a voz até esta ficar reduzida a um leve murmúrio e disse : - Talvez fosse por isso que o Quem nós sabemos o queria matar , para não ter outro feiticeiro negro a competir com ele . Gostava de saber que outros poderes ocultos terá o Potter . Harry não aguentou mais . Pigarreou alto e saiu detrás de as estantes . Se não estivesse tão zangado teria conseguido ver o lado cómico de a situação : cada_um de os Hufflepuff olhava para ele como_se tivesse sido petrificado , e a cor desaparecera de a cara de o Ernie . - Olá - disse Harry . - Estou a a procura de o Justin_Finch - _ Fletchley . Os piores receios de os Hufflepuff tinham se concretizado . Olharam apavorados para o Ernie . - O que queres de ele ? - perguntou Ernie em uma voz sumida . - Explicar lhe o que aconteceu com aquela cobra em o clube de os duelos - disse Harry . Ernie mordeu os lábios brancos e , em seguida , respirando fundo , respondeu : - Estávamos lá todos . Vimos o que aconteceu . - Então viram que depois de eu falar a serpente recuou - disse Harry . - O que eu vi - insistiu teimosamente Ernie , apesar_de tremer a cada palavra que proferia - foi tu a falares serpentês e a atiçares a cobra conta o Justin . - Eu não a aticei - gritou Harry enraivecido . - Ela nem lhe tocou . - Falhou por_pouco - disse Ernie . - E , para o caso de estares com ideias - acrescentou com má cara - posso dizer te que a minha família provem de nove gerações de bruxas e feiticeiros e que o meu sangue é tão puro como o de qualquer feiticeiro , portanto ... - Quero lá saber qual é o teu sangue - disse Harry furioso . - Porque iria eu atacar os filhos de os Muggles ? - Ouvi dizer que detestas os Muggles com quem vives - disse Ernie rapidamente . - Não é possível viver com os Dursley sem os detestar - explicou Harry . - Gostava de te ver lá em casa . Girou sobre os calcanhares e saiu furioso de a biblioteca sob o olhar reprovador de Madam_Prince que limpava a capa dourada de um enorme livro de encantamentos . Harry avançou a as cegas por os corredores , quase sem ver por_onde ia de tão furioso que estava . O resultado foi chocar com algo enorme e sólido que o fez recuar e cair a o chão . - Ah ! Olá , Hagrid - disse , olhando para_cima . Hagrid tinha o rosto completamente tapado com um lenço coberto de neve , mas não podia ser mais ninguém , enchendo assim o corredor dentro de o seu sobretudo de pele de toupeira . De uma de as enormes mãos enluvadas , pendia um galo morto . - Tudo bem , Harry ? - perguntou , afastando o lenço para poder falar . - Porque não estás em a aula ? - Foi cancelada - disse Harry , pondo se de pé . - O que estás a fazer aqui ? Hagrid mostrou lhe o galo inerte . - É o segundo qu'aparece morto este período - explicou . - Ou são raposas ou um vampiro chato e eu preciso d'autorização de o director p'ra fazer um feitiço em volta de a capoeira . Aproximou se e olhou mais de perto para o Harry , por debaixo de as suas sobrancelhas espessas e cheias de neve . - Tens a certeza que estás bem ? Pareces exaltado e preocupado . Harry não foi capaz de repetir o que Ernie e os outros Hufflepuff lhe tinham dito . - Não é nada , tenho de ir , Hagrid . A próxima aula é Transfiguração e preciso de ir buscar os meus livros . Afastou se , a cabeça cheia com tudo_o_que Ernie dissera a seu respeito . « * _ O_Justin já estava d espera que uma coisa de o género acontecesse desde_que deixou escapar , falando com o Potter , que era filho de Muggles * ... » Harry subiu as escadas a correr e entrou por um corredor que estava particularmente escuro . As tochas tinham sido apagadas por uma ventania gelada que entrava por uma janela de fecho estragado . Estava a meio de o corredor quando tropeçou em uma coisa que se encontrava em o chão . Olhou para ver o que era e sentiu como_se o estômago se tivesse dissolvido . Justin_Finch - _ Fletchley estava em o chão , rígido e frio com uma expressão de horror em o rosto e os olhos abertos voltados para o tecto . E não era tudo . Junto de ele estava mais alguém , a visão mais estranha que Harry tivera em toda_a sua vida . Era_o_Nick quase sem cabeça que não estava cor de pérola nem transparente e sim escuro como fumo . Flutuava imóvel , em a horizontal , 12 centímetros acima de o chão , a cabeça meio tombada e em o rosto uma expressão de choque idêntica a a de o Justin . Harry pôs se de pé com a respiração acelerada e o coração a bater como um tambor contra as costelas . Olhou desvairado para ambos os lados de o corredor deserto e viu uma fila de aranhas que corriam a_toda_a velocidade em a direcção oposta a a de os corpos . Os únicos sons eram as vozes abafadas de os professores em as aulas que decorriam de ambos os lados . Podia fugir e ninguém saberia que ali tinha estado , mas não era capaz de os abandonar assim . Tinha de ir procurar ajuda . Será que alguém acreditaria que ele não tivera nada que ver com aquilo ? Enquanto ali estava , em pânico , uma porta a o seu lado abriu se com grande estrondo . Peeves , o * poltergeist * , saiu a os gritos . - Oh ! É o Potter , olá , Potter - alardeou Peeves , lançando por o ar os óculos de o Harry quando passou por ele . - O que está o Potter a fazer ? Porque está o Potter escondido ? Peeves passou de cabeça para baixo , a meio de uma cambalhota em o ar , quando viu Justin e Nick quase sem cabeça . Com um movimento súbito endireitou se , encheu os pulmões de ar e , antes que Harry pudesse impedi o , gritou : __ ataque ! ataque ! outro ataque ! nenhum mortal ou fantasma está em segurança . corram , fujam , __ ataaaque ! Crac , Crac , Crac . Uma atrás de a outra , foram se abrindo todas_as portas a o longo de o corredor e as pessoas saíram para fora de as salas de aula . Durante alguns longos minutos houve uma tal confusão que Justin esteve em perigo de ser esmagado e as pessoas não paravam de chocar com o Nick quase sem cabeça . Harry deu por si colado a a parede enquanto os professores exigiam a os gritos que se fizesse silêncio . A professora Mc_Gonagall veio a correr , seguida por todos os alunos , um de os quais ainda trazia o cabelo a as riscas pretas e brancas . Usou a varinha para produzir um ruído que repôs o silêncio e mandou os alunos todos para dentro de as salas de aula . Mal lugar ficou desimpedido surgiu Ernie , o jovem Hufflepuff . - * _ Apanhado em flagrante ! * - gritou , com o rosto totalmente branco , apontando dramaticamente o dedo par Harry . - Basta_Mcmillan - disse , de forma cortante , a professora Mc_Gonagall . Peeves andava para_cima e para baixo , observando a cena com um sorriso maldoso . Sempre adorara o caos . Quando os professores se inclinaram sobre Justin e sobre o Nick quase sem cabeça para os examinar , iniciou uma cantilena : * _ Oh ! Potter , que fizeste , seu grande bandido * _ Tu matas os estudantes porque achas divertido . * - Basta , Peeves - rosnou a professora Mc_Gonagall e Peeves afastou se , deitando a língua de_fora a o Harry . Justin foi levado para a ala hospitalar por o professor Flitwick e por o professor Sinistra_do_Departamento_de_Astronomia , mas ninguém parecia saber o que fazer em relação a o Nick quase sem cabeça . Por fim , a professora Mc_Gonagall fez aparecer em o ar um enorme leque que entregou a Ernie com o encargo de conduzir , escadas acima , por os ares o Nick quase sem cabeça . Ernie assim fez , soprando Nick como_se fosse um aerodeslizador e deixando , de este modo , o Harry e a professora Mc_Gonagall a sós . - Por aqui , Potter - disse ela . - Professora , eu juro que não ... - Isso não é comigo , Potter - afirmou a professora Mc_Gonagall sinteticamente . Caminharam em silêncio até uma esquina e ela parou perante uma gárgula de pedra extremamente feia . - Refresco de limão - disse . Era obviamente uma senha porque a gárgula animou se subitamente e saltou para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes . Apesar_de estar apavorado com o que ia acontecer a seguir , Harry não conseguiu evitar um sentimento de fascínio . Por detrás de a parede estava uma escada em espiral que se movia lentamente para_cima como um elevador . E quando ele e a professora Mc_Gonagall puseram os pés em o primeiro degrau , Harry ouviu a parede fechar se atrás de eles . Subiram em círculos , cada_vez_mais alto até que , por fim , um_pouco tonto , Harry pôde ver uma porta de carvalho reluzente com um puxador de bronze em forma de abutre . Harry calculava onde estava a ser levado . Devia ser ali que morava Dumbledore . XII_A poção * polisuco * Saltaram de a escada de pedra lá mesmo em cima e a professora Mc_Gonagall bateu a a porta . Ela abriu se silenciosamente dando lhes entrada . A professora Mc_Gonagall disse lhe que esperasse e deixou o sozinho . Harry olhou em volta . Uma coisa era certa : de todos o escritórios de professores que conhecia , o de Dumbledor era , de longe , o mais interessante . Se não estivesse com um medo de morte de ser expulso teria adorado explorá o . Era uma sala grande e bonita em forma de círculo que estava cheia de barulhinhos estranhos . Havia um grande número de instrumentos prateados sobre várias mesas de pernas finas que zumbiam emitindo pequenas baforadas de fumo . As paredes estavam cobertas de fotografias de antigos directores e directoras , todos eles a dormir tranquilamente em as suas molduras . Havia ainda uma enorme secretária pés de garra . E , sobre uma prateleira atrás de ela , um chapéu de feiticeiro andrajoso e puído : * o chapéu seleccionador * . Harry hesitou . Lançou um olhar cauteloso a as bruxas e feiticeiros adormecidos a o longo de as paredes . Com certeza não fazia mal se lhe pegasse e o experimentasse só para ver ... só para ter a certeza de que ele o pusera em a equipa certa . Deu a volta a a secretária , retirou o chapéu de a prateleira e baixou o lentamente sobre a cabeça . Era demasiado grande e escorregou lhe para os olhos como de a outra_vez que o tinha posto . Harry olhou para o forro preto , enquanto esperava . Por fim , uma vozinha disse lhe a o ouvido : - Estás com macaquinhos em o sótão , Harry_Potter ? - Er ... sim - balbuciou Harry . - Er ... desculpa incomodar te , queria saber ... - Querias saber se te pus em a equipa certa - disse prontamente o chapéu . - Sim ... tu és particularmente difícil de seleccionar , mas eu mantenho o que disse antes . - O coração de Harry deu um salto . - Terias ficado bem em os Slytherin . Harry sentiu o estômago contorcer se . Agarrou o chapéu por a aba e tirou o de a cabeça . O chapéu seleccionador ficou pendurado em a mão de ele , inerte , desbotado e sujo . Harry voltou a pô o em a prateleira , sentindo se enjoado . - Estás enganado ! - disse em voz alta a o chapéu parado e silencioso , mas ele não se mexeu . Harry recuou para o observar melhor e foi então que ouviu um ruído estranho e grasnado atrás_de si que o fez dar uma volta . Não estava só , afinal_de_contas . Em um poleiro dourado atrás de a porta estava um pássaro de aspecto decrépito que parecia um peru meio depenado . Harry olhou para ele espantado e o pássaro olhou o também , grasnando de_novo . Harry achou que ele devia estar muito doente porque tinha os olhos parados e , enquanto olhava para ele , caíram lhe mais algumas penas de a cauda . Estava justamente a pensar que a única coisa que lhe faltava era que o pássaro de estimação de Dumbledore morresse quando ele estava ali sozinho com ele , em o escritório , quando a ave se incendiou . Harry gritou , em estado de choque , e recuou até a a secretária . Olhava nervosamente em volta , em busca de um jarro de água , mas não viu nenhum . O pássaro , entretanto , transformara se em uma bola de fogo , dera um guincho e , em seguida , desaparecera , deixando apenas um monte de cinzas em o chão . A porta de o escritório abriu se . Dumbledore entrou com ar taciturno . - Professor - gaguejou Harry . - O seu pássaro ... eu não pode fazer nada ... ele incendiou se . Para seu grande espanto , Dumbledore sorriu . - Já não era sem tempo . Estava com um aspecto horrível em os últimos dias . Fartei me de lhe dizer que fizesse qualquer coisa . Riu se entre dentes com a expressão em o rosto de Harry . - A Fawkes é uma fénix , Harry . As fénix ardem quando é altura de morrer e renascem de as cinzas , repara ... Harry olhou mesmo a_tempo_de ver um passarinho recém-nascido , todo enrugado , espetar a cabeça fora de as cinzas . Era quase tão feio como o antigo . - É uma pena que a tenhas conhecido em dia de arder - disse Dumbledore , passando para trás de a secretária . - É muito bonita a maior parte de o tempo , com uma plumagem vermelha e dourada . São criaturas fascinantes , as fénix . Podem transportar cargas pesadíssimas , as suas lágrimas têm propriedades curativas e são animais de estimação extremamente fiéis . Com o choque de a fénix a pegar fogo , Harry esquecera se de o motivo porque ali estava , mas tudo voltou rapidamente quando Dumbledore se instalou em a cadeira de espaldar alto e o fixou com os seus olhos azuis e penetrantes . Contudo , antes que ele tivesse tido tempo de falar , a porta de o escritório abriu se de par em par com um enorme estrondo e Hagrid entrou com um olhar tresloucado , o lenço todo torcido em volta de a cabeça hirsuta e o galo morto ainda pendurado em a mão . - Não foi Harry , professor Dumbledore - disse , aflito . - Eu tinha estado a falar com ele poucos segundos antes de o rapazinho ser encontrado , ele não teve tempo professor ... Dumbledore tentou dizer qualquer coisa , mas Hagrid continuou , abanando o galo em o meio de a sua agitação e espalhando penas por todo o lado . - Não pode ter sido ele . Eu juro em a frente de o ministro de a magia , se for preciso ... - Hagrid , eu ... -- Tem o rapaz errado , professor . Eu sei qu'o Harry nunca ... - Hagrid - disse Dumbledore , elevando a voz . - Eu não penso que o Harry tenha atacado aquelas pessoas . - Oh ! - disse Hagrid , com o galo pendendo inerte a o seu lado . - Certo , ' tão eu espero lá fora , director . E saiu com ar envergonhado . - O senhor não acha que tenha sido eu ? - repetiu Harry cheio de esperança , enquanto Dumbledore sacudia penas de galo de cima de a secretária . - Não , Harry , não acho - afirmou Dumbledore , apesar de a sua expressão ser de_novo sombria . - Mas mesmo_assim quero falar contigo . Harry esperou ansiosamente enquanto o director o observava com as pontas de os dedos longos unidas . - Tenho de saber uma coisa . Harry , há alguma pergunta que queiras fazer me , qualquer que ela seja ? Harry não soube o que dizer . Lembrou se de Malfoy a gritar * _ Vocês serão os próximos , sangues de lama * e de a poção * _ Polisuco * em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Depois pensou em a voz sem corpo que ouvira duas vezes e em o que o Ron dissera * _ Ouvir vozes que ninguém mais ouve não é bom sinal , nem mesmo em o mundo de a feitiçaria * . Pensou também em o que toda_a_gente dizia de ele e em o receio cada_vez maior de ter uma relação qualquer com Salazar_Slytherin ... - Não - disse por fim . - Não há nada , professor . O ataque duplo a Justin e a o Nick quase sem cabeça transformou o que até_então era nervosismo em verdadeiro pânico . Curiosamente fora o destino de o Nick quase sem cabeça o que mais preocupara as pessoas . Quem poderia ter feito aquilo a um fantasma ? - perguntavam uns a os outros . - Que poder terrível era aquele , capaz de afectar alguém que já tinha morrido ? Houve uma precipitação enorme em a marcação de os bilhetes em o Expresso_de_Hogwarts , pois todos os alunos quiseram ir passar o Natal a casa . - Por este caminho , vamos ser os únicos a ficar - disse o Ron a o Harry e a a Hermione . - Nós , o Malfoy , o Goyle e o Crabbe , que férias lindas que vão ser ! Crabbe e Goyle que faziam sempre o que Malfoy fazia , tinham se inscrito para ficar também durante as férias . Mas Harry estava contente por a maior parte se ir embora . Estava farto de ver gente a afastar se em os corredores como_se ele fosse mostrar os dentes ou cuspir veneno . Estava cansado de tantos segredinhos , de os ver apontar e segredar quando passava . O Fred e o George , esses achavam muito divertido . Vinham , de propósito , pôr se a a frente de ele e atravessavam os corredores a gritar : - Abram alas para o herdeiro de Slytherin , vai passar um feiticeiro verdadeiramente cruel . Percy discordava totalmente de este comportamento . - Não é um assunto para se brincar - dizia com frieza . - Sai mas é de o caminho , Percy - dizia o Fred . - O Harry está com pressa . - Sim , ele vai a a Câmara_dos_Segredos tomar uma chávena de chá com o seu servidor dentes de serpente - completava Fred com uma gargalhada . Ginny também não lhes achava graça . - Cala te - gritava ela sempre_que o Fred perguntava em voz alta a o Harry quem estava a pensar atacar a seguir , ou quando George fingia afastá o com um enorme dente de alho . Harry não se importava . Fazia o sentir se melhor o facto de constatar que , pelo_menos para o Fred e para o George , a ideia de ele ser o herdeiro de Slytherin era absolutamente ridícula . Mas as palhaçadas de eles pareciam ofender Draco_Malfoy que , de cada_vez que os via , ficava mais irritado . - É porque está ansioso por dizer que é mesmo ele - disse o Ron com ar conhecedor . - Sabes como ele detesta que alguém o ultrapasse e tu estás a receber todo o crédito por o seu trabalho sujo . - Não vai ser por muito_tempo - disse Hermione com uma voz satisfeita . - A poção * polisuco * está quase pronta . Um de estes dias arrancamos lhe a verdade . Finalmente , o período chegou a o seu termo e um silêncio profundo como a neve em os campos desceu sobre o castelo . Harry adorou a tranquilidade e apreciou o facto de ele , Hermione e os Weasley terem a torre de os Gryffindor por sua conta , poderem jogar a as explosões bem alto , sem incomodar ninguém e praticar duelos entre si . O Fred , o George e a Ginny tinham preferido ficar em a escola a ir com Mr. e Mrs._Weasley a o Egipto visitar o Bill . Percy que reprovava e considerava infantil a conduta de eles , não passava muito_tempo em a sala comum de os Gryffindor . Já lhes dissera pomposamente que só ficara ali em o Natal , por ser sua obrigação como prefeito apoiar os professores em aquela época agitada . A manhã de o dia de Natal clareou branca e fria . Harry e Ron , os únicos que estavam em o dormitório , foram acordados muito cedo por Hermione que entrou , toda vestida , transportando presentes para ambos . - Acordem - disse em voz alta , abrindo os cortinados . - Hermione , tu não devias estar aqui - exclamou o Ron , protegendo os olhos de a luz . - Feliz_Natal para ti também - disse Hermione , atirando lhe o presente que tinha para ele . - Estou acordada há quase uma hora , acrescentando mais asas de renda a a poção . Está pronta . Harry sentou se , subitamente acordado . - Tens a certeza ? - Absoluta - disse ela , afastando o rato Scrabbers para se sentar a os pés de a cama de dossel . - Se vamos mesmo tomá a , acho que devia ser logo a a noite . Em esse momentzo , a Hedwig entrou em o quarto , transportando em o bico um embrulho pequenino . - Olá - disse Harry , feliz a o vê a aterrar em a sua cama . - Já me falas outra_vez ? Ela mordiscou lhe a orelha de uma forma afectuosa que foi , de longe , um presente melhor do_que aquele que transportava e que era afinal de os Dursley . Tinham mandado a Harry um palito para os dentes com um cartão pedindo lhe que se informasse se não poderia ficar , também em o Verão , em Hogwarts . Os outros presentes que Harry recebeu foram bastante melhores . Hagrid mandara lhe uma lata grande de bombons de melaço que ele decidiu amolecer a o lume antes de comer , o Ron deu lhe um livro chamado * _ Voando com Canhões * , que narrava factos interessantes sobre a sua equipa favorita de Quidditch e Hermione trouxera lhe uma luxuosa pena de águia . Harry abriu o último presente onde vinha uma camisola novinha , feita a a mão por Mrs._Weasley e um grande bolo de passas . Pegou em o cartão com uma nova sensação de culpa , pensando em o carro de Mr._Weasley que não voltara a ser visto desde_que chocara contra o salgueiro zurzidor e em a quantidade de infracções que ele e o Ron tinham em mente . Ninguém , nem mesmo os que estavam cheios de medo por terem de tomar a poção * polisuco * a seguir , deixou de adorar o jantar de Natal em Hogwarts . O salão nobre estava magnífico . Não_só havia uma_dúzia de árvores de Natal , cobertas de geada e espessas serpentinas de azevinho e visco bravo cruzando se junto de o tecto como caia uma neve encantada quente e seca . Dumbledore conduziu os em uma de as suas canções de Natal preferidas enquanto Hagrid se agitava , falando cada_vez_mais alto , a cada gole de gemada que tomava . O Percy que não dera por_que Fred enfeitiçara o seu distintivo de prefeito , onde agora podia ler se « cabeça de alfinetes « , continuava a perguntar a todos para_onde estavam a olhar . Harry nem_sequer se importou com os comentários que Draco_Malfoy fazia bem alto , de a mesa de os Slytherin acerca de a sua camisola nova . Com alguma sorte , Malfoy iria ser desmascarado dentro_de algumas horas . Harry e Ron mal tinham acabado a terceira dose de pudim de Natal quando Hermione os fez sair de o salão a a pressa para acabarem de tratar de os planos para essa noite . - Ainda precisamos de um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos - disse com o ar mais natural de este mundo como_se estivesse a mandá os a o supermercado comprar detergente . - E , é claro que o ideal será conseguirmos alguma coisa de o Crabbe e de o Goyle , são os melhores amigos de o Malfoy , ele conta lhes tudo . E precisamos também de ter a certeza de que eles não vão entrar em a sala quando vocês estiverem a interrogar o Malfoy . - Eu tenho tudo pensado - prosseguiu ela , ignorando a expressão estupefacta de Harry e Ron . Pegou em dois apetitosos bolos de chocolate . - Pus lhes um encantamento de sono . Vocês só têm de fazer com que o Crabbe e o Goyle os encontrem . Sabem como eles são gulosos , vão logo comê os . Quando estiverem a dormir , tirem lhes alguns cabelos e escondam nos em uma despensa de vassouras . Harry e Ron olharam , incrédulos , um para o outro . -- Hermione , eu não creio que ... -- Isto pode correr muito mal ... Mas Hermione tinha um brilho inflexível em os olhos que não era muito diferente do_que costumavam ver em o olhar de a professora Mc_Gonagall . - A poção não nos serve de nada sem os cabelos de o Crabbe e de o Goyle - disse com firmeza . - Vocês querem mesmo descobrir coisas sobre o Malfoy , não querem ? - Pronto , está bem - disse Harry . - Mas , e tu , vais arranjar cabelos de quem ? - Eu já tenho esse assunto resolvido - disse Hermione sorridente , tirando um frasquinho de o bolso e mostrando lhes um cabelo que lá estava dentro . - Lembram se de a Millicent_Bulstrode que lutou comigo em o clube de os duelos ? Ela deixou isto em o meu manto quando tentava estrangular me . E foi passar o Natal a casa , portanto , basta me dizer a os Slytherins que decidi voltar . Quando Hermione saiu para verificar de_novo a poção polisuco , Ron voltou se para Harry com uma expressão lúgubre . - Alguma vez viste um plano onde tantas coisas pudessem correr mal ? Mas para grande espanto de ambos , a primeira fase de a operação decorreu tão naturalmente como Hermione previra . Eles esconderam se em o * hall * de entrada , depois de o lanche de Natal , a a espera de o Crabbe e de o Goyle que tinham ficado sozinhos a a mesa de os Slytherin , deitando abaixo a quarta dose de bolo inglês . Harry colocou os bolos de chocolate em o fim de o corrimão . Quando avistaram Crabbe e Goyle a sair de o salão , Harry e Ron esconderam se rapidamente atrás_de uma armadura que estava junto de a porta de entrada . - Como_se pode ser tão estúpido ? - murmurou Ron sem se mexer enquanto Crabbe apontava satisfeitíssimo , mostrando a Goyle os bolos e agarrando os . Com um riso estúpido , enfiaram nos inteiros em as bocas enormes . Durante um momento , ambos mastigaram avidamente com olhares vitoriosos em o rosto . Depois , sem que a expressão se alterasse , caíram para trás e estatelaram se em o chão . Mais difícil foi transportá os para a despensa de o outro lado de o * hall * . Uma_vez armazenados em o meio de os baldes e esfregões , Harry arrancou alguns de os pêlos que cobriam a cabeça de o Goyle e Ron tirou alguns cabelos a o Crabbe . Roubaram lhes também os sapatos porque os de eles eram demasiado pequenos para os enormes pés de o Crabbe e de o Goyle . Em seguida , ainda atordoados com o que tinham acabado de fazer , correram até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mal conseguiam ver com o fumo preto e espesso que saía de o cubículo onde Hermione mexia o caldeirão . Tapando o rosto com os mantos , Harry e Ron bateram a o de leve em a porta . - Hermione ? Ouviram o ruído de o trinco e Hermione apareceu com a cara lustrosa e um ar ansioso . Por trás de ela ouviam o gloop gloop de a poção espessa e gorgolejante . Em o banco de a casa_de_banho estavam três copos de vidro . - Conseguiram ? - perguntou Hermione quase sem fôlego . Harry mostrou lhe o cabelo de o Goyle . - _ óptimo . Eu tirei estes mantos suplementares de a lavandaria - disse ela , pegando em uma pequena saca . - Vocês vão precisar de tamanhos maiores se vão ser o Crabbe e o Goyle . Olharam os três para o caldeirão . Vista de perto , a poção parecia uma lama espessa e escura a borbulhar indolentemente . - Tenho a certeza que fiz tudo certo - disse Hermione nervosa , relendo a página manchada de * _ Moste_Potente_Potions * . - Tem o aspecto que o livro diz que deveria ter ... depois de a tomar temos precisamente uma hora antes de nos transformarmos de_novo em as pessoas que somos . - E agora ? - murmurou o Ron . - Separamos a em três copos e adicionamos os cabelos . Hermione encheu cada_um de os copos com uma concha de sopa . Em seguida , retirou com a mão a tremer o cabelo de Millicent_Bulstrode de dentro de o frasquinho e pô o em o primeiro copo . A poção chiou fortemente como uma chaleira a ferver e espumou como louca . Um segundo depois ganhara um tom de amarelo doentio . - Urgh ! Essência_de_Millicent_Bulstrode - disse Ron , olhando com repugnância . - Aposto que o sabor é nojento . - Deitem os vossos - disse Hermione . Harry deixou cair o cabelo de o Goyle em o copo de o meio e Ron lançou o de o Crabbe em o último . Ambos chiaram e espumaram : o de o Goyle ficou de um tom caqui , o de o Crabbe de um castanho-escuro algo tenebroso . - Esperem - pediu Harry quando Ron e Hermione pegaram em os copos . - Será melhor não os tomarmos aqui todos juntos em um cubículo ; quando em os transformarmos não vamos cá caber e Millicent_Bulstrode não é nenhum duende . - Bem pensado - admitiu o Ron , abrindo a porta . - Cada_um em seu cubículo . Com todo o cuidado , para não entornar nem uma gota de a poção polisuco , Harry esgueirou se para o cubículo de o meio . - Prontos ? - perguntou . - Prontos - responderam as vozes de o Ron e de a Hermione . - Um , dois , três . Tapando o nariz , Harry bebeu a poção em dois grandes tragos . Tinha o sabor de a couve demasiado cozida . Os seus interiores começaram imediatamente a contorcer se como_se tivesse engolido serpentes vivas . Dobrado , Harry perguntava a si próprio se iria vomitar . Depois , uma sensação de ardor espalhou se rapidamente de o estômago até a as pontas de os dedos de as mãos e de os pés . Em seguida , fazendo o sobressaltar se , sobreveio o sentimento horrível de estar a derreter enquanto a pele de todo o seu corpo borbulhava como cera quente e , perante os seus olhos , as mãos começaram a crescer , os dedos a engrossar , as unhas a alargar e as articulações a tornarem se protuberantes como ferrolhos . Os ombros retesaram se dolorosamente e uma comichão em a testa preveniu o de que o cabelo estava a rastejar em direcção a as sobrancelhas . As túnicas rasgaram se enquanto o tórax se expandia como um barril , rebentando com os seus anéis . Os pés estavam em grande sofrimento dentro_de sapatos quatro números abaixo . Tão depressa como começara , tudo parou . Harry estava caído em o chão de pedra fria , ouvindo a Murta_Queixosa gorgolejando taciturna em o cubículo de o fundo . Com alguma dificuldade tirou os sapatos e levantou se . Era então assim que o Goyle se sentia ! Com a mão enorme a tremer , despiu a sua túnica que lhe ficava 30 centímetros acima de os tornozelos , pegou em as túnicas suplementares e amarrou os atacadores de os sapatos abotinados de o Goyle . Quis escovar o cabelo para o afastar um_pouco de os olhos e deu apenas com os pêlos hirsutos que lhe cresciam em a testa . Apercebeu se então de que os óculos lhe toldavam a visão porque o Goyle , obviamente , não precisava de eles . Tirou os e gritou . - Vocês estão bem ? - De a sua boca saiu a voz baixa e grossa de o Goyle . - Sim - respondeu lhe o grunhido de o Crabbe , a a sua direita . Harry abriu a porta de o cubículo e dirigiu se a o espelho partido . O Goyle olhava o de o outro lado com os seus olhos parados . Harry coçou a orelha e Goyle fez o mesmo . A porta de o Ron abriu se . Olharam um para o outro . Harry estava pálido e chocado . O amigo não se distinguia de o Crabbe , desde o corte de cabelo em forma de tigela até a os longos braços de gorila . - É inacreditável - disse o Ron , aproximando se de o espelho e beliscando o nariz achatado de o Crabbe . - Inacreditável ! - É melhor irmos indo - disse Harry , alargando a pulseira de o relógio que lhe cortava o pulso . - Ainda temos de descobrir onde fica a sala comum de Slytherin . Só espero que encontremos alguém que vá para lá e que nós possamos seguir . Ron que tinha estado a olhar espantado para ele , comentou : - Não imaginas como é bizarro ver o Goyle a pensar - bateu em a porta de Hermione . - Vamos , temos que ir ... Respondeu lhe uma voz aguda : - Eu ... eu acho que afinal não vou . Vão vocês sem mim . - Hermione , nós sabemos que a Millicent_Bulstrode é feia , ninguém vai pensar que és tu . - Não , a sério , acho que não vou . Despachem se vocês os dois , estão a perder tempo . Harry olhou para Ron , baralhado . - Aquilo parece mais de o Goyle , é como ele fica sempre_que algum professor lhe faz uma pergunta . - Estás bem , Hermione ? - perguntou Harry , através de a porta . - _ óptima , estou óptima , vão se embora . Harry olhou para o relógio . Cinco preciosos minutos tinham já passado . - Encontramo nos aqui , está bem ? - disse . Os dois abriram a porta de a casa_de_banho com todo o cuidado , viram se o caminho estava livre e saíram . - Não balances assim os braços - disse o Harry a o Ron . - Hein ? - O Crabbe anda sempre com eles esticados . - Assim ? - Isso , assim está melhor . Desceram a escadaria de mármore . Só precisavam agora de um Slytherin que pudessem seguir até a a sala comum , mas não havia ninguém por perto . - Tens alguma ideia ? - perguntou Harry em um murmúrio . - Os Slytherin vêm sempre de ali para o pequeno-almoço - disse o Ron , apontando para a entrada de os calabouços . Mal tinha pronunciado estas palavras quando uma rapariga de cabelo comprido a os caracóis , apareceu . - Desculpa - disse o Ron , sem perder tempo . - Esquecemo nos de o caminho para a nossa sala comum . - Como ? - disse a rapariga com a maior frieza . - A * nossa * sala comum ? Eu sou uma Ravenclaw . Afastou se , olhando para eles , desconfiada . Harry e Ron desceram apressadamente os degraus de pedra até a a escuridão . Os passos ecoavam em o silêncio , à_medida_que os pés enormes de Crabbe e Goyle tocavam em o chão , fazendo os sentir que as coisas não iam ser tão fáceis como eles desejavam . Os corredores labirínticos estavam desertos . Andaram e tornaram a andar por os subterrâneos , olhando constantemente para os relógios para ver quanto tempo ainda lhes restava . Depois de um quarto de hora , quando começavam a ficar desesperados , ouviram um movimento súbito . - Olha - disse o Ron , agitadamente . - Agora é um de eles . A silhueta saía de uma sala , mas quando se aproximaram o coração de ambos esmoreceu . Não era um Slytherin , era Percy . - O que estás a fazer aqui em baixo ? - perguntou o Ron surpreendido . - Isso - disse ele friamente - não é de a tua conta . És o Crabbe , não és ? - Er ... sim , sim - respondeu o Ron . - Então vão para o vosso dormitório - ordenou Percy com firmeza . - Não é seguro andar a passear por os corredores escuros em os dias que correm . - Tu andas -- fez notar o Ron . - Eu - disse o Percy endireitando se - sou um prefeito . Nada vai atacar me . Ouviu se , de repente , uma voz por_detrás_de Harry e Ron . Era_Draco_Malfoy e , pela_primeira_vez em a vida , Harry ficou satisfeito a o vê o . - Aí estão vocês - disse de modo arrastado , olhando para eles . - Têm estado a chafurdar em o salão este tempo todo ? Tenho andado a a vossa procura , quero mostrar vos uma coisa muito divertida . Malfoy olhou misteriosamente para Percy . - E o que fazes tu aqui , Weasley ? - perguntou com ar de desprezo . Percy olhou , sentindo se ultrajado . - Fazes favor de mostrar um_pouco mais de respeito por um prefeito de a escola - disse . - Não gosto de o teu ar . Malfoy riu se e fez sinal a o Harry e a o Ron para que o seguissem . Harry quase ia pedindo desculpa a o Percy , mas deu se conta a tempo . Apressaram se a seguir o Malfoy que disse , mal viraram em o corredor seguinte : - Aquele Peter_Weasley ... - O Percy - corrigiu Ron automaticamente . - Ou isso - continuou Malfoy . - Ultimamente tenho o visto muitas_vezes a andar por aí sorrateiramente e aposto que sei o que ele quer . Pensa que vai apanhar o herdeiro de Slytherin sozinho . Deu uma pequena gargalhada ridícula . Harry e Ron trocaram olhares nervosos . Malfoy parou junto de uma parede de pedra húmida . - Qual é a senha ? - perguntou a o Harry . - Er ... - Ah ! sim , sangue puro - disse Malfoy sem ouvir e uma porta de pedra , oculta em a parede , abriu se . Malfoy entrou e Harry e Ron seguiram o . A sala comum de os Slytherin era uma ampla divisão subterrânea com espessas paredes de pedra e um tecto de o qual estavam pendurados por correntes vários candeeiros redondos que davam uma luz esverdeada . O fogo crepitava em uma lareira elaboradamente esculpida em frente de a qual se viam as silhuetas de vários Slytherins sentados em cadeiras igualmente esculpidas . - Esperem aí - disse Malfoy a o Harry e a o Ron , encaminhando os para um par de cadeiras vazias , longe de o lume . - Eu vou buscar o que o meu pai acaba de me mandar . Sem saber o que Malfoy iria mostrar lhes , Harry e Ron sentaram se , fazendo todos os possíveis por parecer a a vontade . Malfoy voltou um minuto depois , trazendo em a mão o que parecia ser um recorte de jornal . Pô o debaixo de o nariz de o Ron . - Vais te rir - disse . Harry viu os olhos de o Ron abrirem se como_se estivesse em estado de choque . Viu o ler o recorte rapidamente , dar uma gargalhada forçada e estender lhe o em seguida . Tinha sido retirado de o * _ Profeta_Diário * e dizia : inquérito em o ministério de a magia * _ Arthur_Weasley , chefe de o Gabinete_de_Mau_Uso_dos_Utensílios_dos_Muggles foi hoje multado em cinquenta galeões por ter enfeitiçado um carro de os Muggles . * _ O senhor Lucius_Malfoy , Membro_do_Conselho_Directivo_da_Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts , onde o carro enfeitiçado foi chocar em o princípio de este ano , exigiu hoje a demissão de Mr._Weasley . « * _ O_Weasley trouxe o descrédito a o Ministério « - declarou Mr._Malfoy a o nosso repórter . - « É claramente incompetente para fazer cumprir as leis e a sua protecção ridícula de os Muggles deveria ir imediatamente para a sucata . » * _ Mr._Weasley recusou se a fazer comentários , mas a sua mulher disse a os repórteres que desaparecessem de ali ou lançaria contra eles o vampiro de a família * . - Então - disse Malfoy impaciente quando Harry voltou a entregar lhe o recorte . - Não achas o_máximo ? - Ha , ha - fez Harry tristemente . - O Arthur_Weasley gosta tanto de os Muggles que era capaz de partir a sua varinha a o meio para se juntar a eles - disse Malfoy com desprezo . - Ninguém diria que os Weasley eram sangue puro a avaliar por o modo como_se comportam . A cara de o Ron , ou melhor , de o Crabbe , contorceu se de raiva . - O que é_que se passa ? - perguntou Malfoy . - Dores de estômago - gemeu o Ron . - Então vai a a ala hospitalar e dá a todos aqueles sangues de lama um pontapé de a minha parte - disse Malfoy com o seu riso escarninho . - Sabes que estou espantado por o * _ Profeta_Diário * ainda não se ter referido a todos estes ataques - continuou pensativamente . - Calculo que o Dumbledore deve estar a tentar abafar as coisas . Ele ainda é posto em a rua se isto não acaba depressa . O pai sempre disse que Dumbledore foi a pior coisa que aqui veio parar . Ele adora os filhos de os Muggles , um director decente nunca deixaria um lodo como o Creevey entrar em esta escola . Malfoy começou a fingir que tirava fotografias com uma máquina imaginária e fez uma imitação maldosa , mas bastante fiel de o Colin : - Potter , posso tirar te a fotografia ? Dás me um autógrafo ? Posso lamber te os sapatos , por favor , Potter ? Baixou as mãos e olhou para Harry e Ron . - O que é_que se passa com vocês os dois ? Um_pouco atrasados , Harry e Ron forçaram o riso e Malfoy pareceu satisfeito . Talvez Crabbe e Goyle fossem sempre de reacção lenta . - O santo Potter , amigo de os sangues de lama - disse Malfoy . - É outro que não tem os sentimentos de um feiticeiro a sério ou não andaria por aí com aquela empertigada sangue de lama Granger . E as pessoas a pensarem que ele é o herdeiro de Slytherin . Harry e Ron esperaram com a respiração entrecortada : o Malfoy ia certamente dizer lhes , dentro_de segundos , que era ele , mas então ... - Quem me dera saber quem ele é - disse o Malfoy , de forma petulante . - Podia ajudá o . O queixo de o Ron caiu de tal maneira que a cara de o Crabbe ficou ainda mais desajeitada do_que era habitual . Felizmente Malfoy não deu por nada e Harry , em um pensamento rápido , disse : - Deves ter alguma ideia de quem está por_detrás_de tudo ... - Sabes perfeitamente que não tenho , Goyle , quantas vezes é preciso dizer te ? - cortou Malfoy . - E o pai também não me diz nada sobre a última vez que a câmara foi aberta . É claro que foi há cinquenta anos , antes de ele cá andar , mas o pai sabe tudo a esse respeito e diz que as coisas foram mantidas em grande segredo e que pareceria suspeito se eu soubesse demasiado . Mas há uma coisa que eu sei : de a última vez que a câmara foi aberta , morreu um sangue de lama . Por isso , aposto que é uma questão de tempo até que um de eles seja morto . Só espero que seja a Granger - disse satisfeito . Ron fechara os punhos gigantescos de o Crabbe . Sentindo que deitaria tudo a perder se ele desse um soco a o Malfoy , Harry lançou lhe um olhar de aviso e disse : - Sabes se a pessoa que abriu a câmara de a última vez foi apanhada ? - Ah ! sim , essa pessoa foi expulsa - disse Malfoy . - Ainda deve estar em Azkaban . - Azkaban ? - repetiu Harry confuso . - Azkaban , a prisão de os feiticeiros , Goyle - disse Malfoy , olhando para ele incrédulo . - Francamente , se fosses mais lento andavas para trás . Esticou se intranquilo , em a cadeira e disse : - O pai diz para eu esfriar a cabeça e deixar que o herdeiro de Slytherin faça o seu trabalho . Acha que a escola precisa de se livrar de a escória de os sangues de lama , mas não quer que eu me envolva em nada . Claro que ele agora tem um prato cheio . Sabes que o Ministério de a magia fez uma busca a a nossa mansão em a semana passada ? Harry tentou forçar a cara de bronco de o Goyle a uma expressão preocupada . - Sim - continuou Malfoy . - É claro que não encontraram grande coisa . O pai guarda uns materiais de magia negra muito valiosos , mas , felizmente , temos a nossa câmara secreta debaixo de o soalho de a sala de visitas ... - Ah ! - disse o Ron . Malfoy olhou para ele . Harry também . Ron corou e até o cabelo começou a ficar vermelho . O nariz estava também a diminuir lentamente ... a hora tinha acabado . Ron estava a voltar a a sua forma habitual e por o olhar de horror que lançou a Harry certamente ele também estava . Puseram se rapidamente de pé . - Tenho de tomar o remédio para o estômago - grunhiu o Ron e sem mais explicações saíram ambos a correr de a sala comum de os Slytherin , precipitaram se para a parede de pedra e galgaram a passagem , pedindo a todos os santos que Malfoy não tivesse dado por nada . Harry sentia os pés a nadarem em os sapatos enormes de o Goyle e tinha de levantar o manto visto_que diminuíra de tamanho . Subiram os degraus a correr até a o * hall * escuro de entrada onde se ouvia um som abafado que vinha de a despensa onde tinham fechado o Crabbe e o Goyle . Deixando os sapatorros de os dois de o lado de_fora , subiram já com os respectivos sapatos a escadaria de mármore até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Bem , não foi uma total perda de tempo - disse o Ron ofegante , fechando atrás_de si a porta de a casa_de_banho . - É certo que ainda não descobrimos de quem vêm os ataques , mas vou escrever a o meu pai amanhã a dizer lhe que procure debaixo de o soalho de a sala de visitas de o Malfoy . Harry olhou para o espelho partido . Tinha voltado a o normal . Pôs os óculos enquanto Ron batia em a porta de o cubículo de Hermione . - Hermione , sai de aí , temos um monte de coisas para te contar ... - Vão se embora - guinchou Hermione . Harry e Ron olharam um para o outro . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron . - Tu já deves ter voltado a o normal como nós ... Mas a Murta_Queixosa saiu subitamente através de a porta de o cubículo com um ar divertido como nunca a tinham visto . - Oh ! Esperem até ver - disse ela . - É horrível ! Ouviram o trinco de a porta a abrir se e Hermione apareceu a soluçar , a túnica levantada a cobrir lhe o rosto . - O que foi ? - perguntou o Ron indistintamente . - Ainda tens o nariz de a Millicent ou alguma coisa assim ? Hermione deixou cair a roupa e Ron recuou rapidamente . O rosto de ela estava coberto de pêlo preto , os olhos tinham ganho uma cor amarela e as orelhas eram pontiagudas , saindo espetadas para fora de os cabelos . - Era um pêlo de g-gato - disse a chorar . - A Millicent_Bulstrode d-deve ter um gato e a poção não está preparada para transformação em animais . - Oh-oh - disse o Ron . - Vão te gozar horrivelmente - disse a Murta , felicíssima . - Não te preocupes , Hermione - tranquilizou a rapidamente o Harry . - Vamos levar te para a ala hospitalar , a Madam_Pomfrey nunca faz muitas perguntas ... Não foi fácil convencer Hermione a sair de a casa_de_banho . A Murta_Queixosa despediu se com uma gargalhadavigorosa e grosseira . - Espera até todos descobrirem que tens uma cauda ! XIII_O diário muito secreto Hermione ficou em a ala hospitalar durante várias semanas . Houve uma onda de boatos sobre o seu desaparecimento quando o resto de os alunos voltou de as férias de Natal porque , é claro , todos pensam que ela tinha sido atacada . Foram tantos os estudantes a rondar a ala hospitalar para espreitar a ver se a viam que Madam_Pomfrey desceu de_novo as cortinas de a cama de ela para a poupar a a vergonha de ser vista com pêlo em a cara . Harry e Ron iam visitá a todas_as tardes . Quando o segundo período começou passaram a levar lhe diariamente os trabalhos de casa . - Se eu tivesse o bigode a crescer , tinha uma folga de o trabalho - disse uma tarde o Ron enquanto colocava uma pilha de livros a a cabeceira de a cama de Hermione . - Não sejas parvo , Ron , eu tenho de me manter a par de as coisas - disse Hermione com vivacidade . O humor de ela melhorara bastante com o facto de lhe ter desaparecido todo o pêlo de o rosto e de os olhos estarem lentamente a retomar a cor castanha . - Calculo que não tenham novas pistas ? - disse em um murmúrio para evitar que Madam_Pomfrey os ouvisse . - Nada - disse Harry tristemente . - Eu tinha tanta certeza de que era o Malfoy - repetiu o Ron por a centésima vez . - O que é isso ? - perguntou Harry , apontando para uma coisa com brilho dourado que estava debaixo de a almofada de Hermione . - É só um cartão a desejar boas melhoras - disse ela precipitadamente , tentando escondê o , mas o Ron foi mais rápido . Pegou lhe , abriu o e leu em voz alta : * _ Para_Miss_Granger , desejando lhe uma rápida recuperação , com o interesse e estima de o professor Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , Terceiro grau , Membro_Honorário_da_Liga_de_Defesa contra as Artes_Negras e vencedor por cinco vezes de o prémio O sorriso mais charmoso de a semana de o Semanário_das_Bruxas * . Ron olhou desconsolado para Hermione . - Tu dormes com isto debaixo de a almofada ? Mas Hermione foi poupada a ter de responder por a entrada de Madam_Pomfrey que lhe trazia a dose de medicamento de a tarde . - Achas que o Lockhart é o tipo mais esperto que conheceste ? - perguntou o Ron a o Harry quando saíram de a enfermaria e começavam a subir as escadas para a torre de os Gryffindor . O Snape tinha lhes passado tanto trabalho para_casa que Harry pensou que ia chegar a o sexto ano antes de o ter acabado . Ron vinha a dizer que devia ter perguntado a a Hermione quantas caudas de rato deveria juntar se a uma poção para o crescimento de o cabelo quando um grito de raiva vindo de o andar de cima lhes chegou a os ouvidos . - É o Filch - murmurou Harry enquanto subiam apressadamente as escadas e paravam para ouvir melhor . - Terá mais alguém sido atacado ? - disse nervosamente o Ron . Ficaram parados com as cabeças inclinadas para a voz de o Filch que parecia quase histérica . -- ... * _ Ainda mais trabalho para mim . Toda_a noite a esfregar como_se não tivesse já trabalho de sobra . Não , isto foi a gota de água que fez transbordar o copo , vou falar com Dumbledore * ... Os passos afastaram se e ouviram uma porta fechar se com grande estrondo . Puseram as cabeças fora de a esquina . O Filch tinha obviamente estado a patrulhar o seu habitual posto de vigia : estavam novamente em o lugar onde Mrs._Norris fora atacada . Perceberam imediatamente qual o motivo de os gritos . Uma enorme poça de água enchia metade de o corredor e parecia escorrer de a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Agora_que o Filch se calara podiam ouvir os uivos de a Murta que faziam eco em as paredes de a casa_de_banho . - Mas o que se passará com ela ? - disse o Ron . - Vamos lá ver - sugeriu Harry e arregaçando as túnicas até a os tornozelos entraram , atravessando a enorme poça de água , em a casa_de_banho que tinha o letreiro a dizer « Fora de serviço » e que eles , como sempre , ignoraram . A Murta_Queixosa chorava , se possível , mais alto do_que nunca . Parecia estar escondida em o cubículo de o costume . Lá dentro estava escuro pois as velas tinham se apagado com a enchente de água que deixara as paredes e o chão ensopado . - O que se passa , Murta ? - quis saber o Harry . - Quem é ? - perguntou ela infelicíssima . - Vieste atirar me mais alguma coisa acima ? Harry caminhou com dificuldade por causa de a água até a o cubículo de ela e disse : - Porque te faríamos nós uma coisa de essas ? - Não me perguntem - gritou a Murta , emergindo em uma onda de água que molhou ainda mais o chão já ensopado . - Eu estou aqui metida em a minha morte e alguém acha muito engraçado atirar me com um caderno acima ... - Mas , não pode magoar te se alguém te atirar alguma coisa acima - disse Harry , tentando ser prático . - Isto_é , seja o que for passa através_de ti , não é assim ? Tinha dito a frase errada . A Murta encheu o peito de ar e gritou a plenos pulmões : - Vamos todos atirar cadernos a a Murta já_que ela não sente nada ! Dez pontos se lhe acertarem em o estômago , cinquenta se lhe atravessar a cabeça ! Hah hah hah , que jogo lindo , não acham ? - Quem te atirou um caderno , afinal ? - perguntou o Harry . - Não sei ... eu estava sentada em a sanita a pensar em a morte e caiu me em cima de a cabeça - disse a Murta , olhando para eles . - Está ali , ficou todo molhado . Harry e Ron olharam para o ponto que a Murta lhes apontava debaixo de o lavatório . Um caderno pequenino e fino estava caído em o chão . Tinha uma capa preta muito gasta e estava encharcado como tudo em aquela casa_de_banho . Harry deu um passo em frente para o apanhar , mas o Ron agarrou lhe precipitadamente o braço . - O que foi ? - perguntou Harry . - Estás doido - disse ele . - Pode ser perigoso . - Perigoso ? - riu se Harry . - Essa agora Ron , como é_que pode ser perigoso ? - Ficarias surpreendido ... - explicou ele , olhando com ar apreensivo para o caderno . - Entre os livros que o Ministério confiscou , contou me o meu pai , havia um que queimava os olhos a as pessoas . E todos os que leram os * _ Sonetos_de_Um_Feiticeiro * ficaram a falar em verso para o resto de a vida . Havia também uma bruxa em Bath que tinha um livro que quem o lesse nunca mais conseguia parar , tinha de andar por aí com o nariz enfiado em as folhas , a fazer todas_as coisas só com uma mão e ... - Já chega , já chega , já percebi a tua ideia - disse O_Harry . O caderninho continuava caído e ensopado . - Bem , nunca saberemos a_não_ser_que tenhamos a coragem de dar uma vista de olhos - disse e mergulhou apanhando o de o chão . Harry viu imediatamente que se tratava de um diário e a data meio apagada , em a capa , disse lhe que tinha cinquenta anos de idade . Abriu o ansiosamente . Em a primeira página podia ler se apenas o nome T._M._Riddle em tinta esborratada . - Espera aí - disse o Ron que se aproximara prudentemente e olhava por cima de o ombro de Harry . - Eu conheço esse nome ... T._M._Riddle recebeu um prémio por serviços especiais prestados a a escola há cinquenta anos atrás . - Como diabo sabes tu isso ? - perguntou Harry com grande espanto . - Porque o Filch mandou me limpar a taça de ele umas cinquenta vezes quando estive de castigo - disse o Ron ressentido . - Foi a taça em cima de a qual eu vomitei lesmas . Se tivesses tido que limpar o muco de um nome durante uma hora também te lembrarias . Harry separou umas de as outras as páginas molhadas . Estavam completamente em branco . Não havia o mais leve sinal de escrita em nenhuma , nem coisas como « Aniversário de a tia Mabel « ou « Dentista a as três_e_meia » . - Ele nunca escreveu nada aqui - disse Harry desapontado . - Porque quereria alguém atirá o fora ? - perguntou se o Ron com curiosidade . Harry voltou o caderno e viu , inscrito em a contra capa , o nome de uma tabacaria em Vauxhall_Road , Londres . - Ele devia ser filho de Muggle - disse Harry pensativo - para ter comprado um diário em Vauxhall_Road ... - Bem , não te serve de muito - Ron baixou a voz . - Cinquenta pontos se acertares em o nariz de a Murta . Harry , mesmo_assim , guardou o diário . Hermione saiu de a ala hospitalar desbigodada , sem cauda e sem pêlo em os primeiros dias de Fevereiro . Em a primeira noite em a torre de os Gryffindor , Harry mostrou lhe o diário de T._M._Riddle e contou lhe como o tinham encontrado . - Ooooh ! Deve ter poderes ocultos - disse ela entusiasticamente , pegando em o diário e examinando o de perto . - Se tem , esconde os muito bem - disse Ron . - Talvez fosse tímido . Não sei porque não deitas isso fora , Harry . - Gostava de perceber porque motivo alguém se quis livrar de ele - explicou Harry . - E também não me importava de saber como foi que o Riddle obteve esse prémio de serviços especiais prestados a Hogwarts . - Pode ter sido qualquer coisa - lançou o Ron . - Talvez tenha recebido 30 de nota final ou salvo um professor de a lula gigante . Se_calhar assassinou a Murta , isso teria sido um favor prestado a todos ... Mas Harry quase podia jurar , por o olhar suspenso em a cara de Hermione , que ela pensava o mesmo_que ele . - O que foi ? - perguntou Ron , olhando para um e para o outro . - Bem , a Câmara_dos_Segredos foi aberta há cinquenta anos , não foi isso que disse o Malfoy ? - Sim - respondeu Ron , lentamente . - E este diário tem cinquenta anos de idade - completou Hermione , dando lhe palmadinhas nervosas . - E de aí ? - Oh Ron , acorda - insistiu Hermione . - Sabemos que a pessoa que abriu a câmara de a outra_vez foi expulsa há cinquenta anos . E se o Riddle tivesse tido o prémio especial por apanhar o herdeiro de Slytherin ? O seu diário diria nos provavelmente tudo : onde é a Câmara_dos_Segredos , como abris a e que tipo de criatura vive lá . Achas que a pessoa que está por trás de os ataques desta_vez quereria o diário por aí ? - É uma teoria interessante , Hermione - disse o Ron . - Apenas com uma pequenina falha : o diário não tem nada Mas_Hermione já estava a tirar a varinha de o saco . - Pode ser tinta invisível - murmurou . Bateu três vezes em o diário e repetiu * _ Aparecium ! * Nada aconteceu . Intrépida , Hermione meteu a mão de_novo em o saco e tirou o que parecia ser uma borracha vermelha e brilhante . - É um * revelador * , comprei o em a Diagon - _ Al - disse . Apagou com força em 1_de_Janeiro . Não sucedeu nada . - Já vos disse , não há nada aí - repetiu o Ron . - O Riddle deve ter recebido um diário como prenda de Natal e nem se deu a o trabalho de escrever fosse o que fosse . Harry não conseguia explicar , nem a si próprio , porque motivo não deitara fora o diário de Riddle . A verdade é_que , mesmo depois de saber que ele estava em branco , continuou distraidamente a pegar lhe e a virar as páginas como_se quisesse chegar a o fim de uma história . E , apesar_de saber que nunca tinha ouvido o nome T._M._Riddle , continuava a ter a sensação de que lhe dizia alguma coisa , como_se Riddle fosse um amigo que ele tinha tido quando era muito pequeno e que estivesse meio esquecido . Mas era um absurdo . Nunca tivera amigos antes de Hogwarts , Dudley tivera esse cuidado . Ainda_assim , Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle , por isso em o dia seguinte foi até a a sala de os troféus para examinar a taça , acompanhado de Hermione que estava interessadíssima e de Ron que se mostrava profundamente incrédulo , dizendo que tinha ficado farto de aquela sala até a o fim de a vida . A taça dourada de Riddle estava arrecadada em um armário de canto . Não fornecia detalhes sobre o motivo por_que lhe fora dada ( felizmente , se fosse maior ainda hoje estava a limpá a , disse o Ron ) . Mas encontraram o nome de Riddle em uma antiga medalha de Mérito_Mágico e em uma lista de antigos chefes de turma . - Parece o Percy - comentou Ron , torcendo o nariz com aversão . - Prefeito , chefe de turma , provavelmente o melhor em todas_as disciplinas . - Dizes isso como_se fosse uma coisa má - fez lhe notar Hermione , em um tom de voz ressentido . Um sol fraco brilhava agora de_novo em Hogwarts . Dentro de o castelo , o ambiente estava bastante melhor . Não tinha havido novos ataques desde Justin e Nick quase sem cabeça e Madam_Pomfrey teve a satisfação de informar que as Mandrágoras começavam a ficar instáveis e dissimuladas , sinal de que estavam a abandonar rapidamente a infância . - Logo_que o acne desapareça estarão prontas para novo transplante - ouviu a Harry dizer amavelmente a o Filch . - E depois de isso , não demorará muito até podermos cortá as e estufá as . - Vai ter Mrs._Norris de volta , muito em_breve . Talvez o herdeiro ou herdeira de Slytherin tenha perdido a coragem , pensou Harry . Deve ser cada_vez_mais arriscado abrir a Câmara_dos_Segredos com a escola tão alerta e desconfiada . Talvez o monstro , qualquer_que_fosse , estivesse a preparar se para hibernar durante outros cinquenta anos . Ernie_Mcmillan_dos_Hufilepuff não aceitou esta visão optimista . Continuava convencido de que Harry era o culpado , que se tinha traído em o clube de os duelos . Peeves não ajudava nada : continuava a cantar por os corredores Potter , * seu bandido * ... agora acompanhado de um esquema de dança . Gilderoy_Lockhart parecia pensar que fora ele quem pusera fim a os ataques . Harry fartou se de o ouvir dizer isso a a professora Mc_Gonagall enquanto os Gryffindor formavam bicha para a aula de Transfiguração . - Não creio que volte a haver problemas , Minerva - disse , tocando em o nariz com ar conhecedor e piscando o olho . - Acho que desta_vez a câmara foi definitivamente selada . O culpado deve ter sabido que era uma questão de tempo até eu o apanhar e que era mais sensato parar agora antes que eu lhe tratasse de a saúde . Sabe , a escola está a precisar de um intensificador de animo para apagar as lembranças de o último período . Não vou dizer lhe mais_nada , por enquanto , mas julgo que sei o que ... Voltou a tocar em o nariz e afastou se a passos largos . A ideia de Lockhart de um intensificador de ânimo ficou bastante clara em o dia_14_de_Fevereiro , a o pequeno-almoço . Harry não dormira grande coisa devido a o treino de Quidditch em a noite anterior e chegou a o salão um_pouco atrasado . Pensou , por momentos , que se tinha enganado em a porta . As paredes estavam todas cobertas com enormes e medonhas flores cor-de-rosa . Pior ainda , * confettis * em forma de corações caíam de o tecto azul pálido . Harry dirigiu se a a mesa de os Gryffindor onde o Ron estava sentado com um ar enjoado junto de Hermione que parecia particularmente risonha . - O que se passa ? - perguntou lhes , sentando se e sacudindo os * confettis * de o seu bacon . Ron apontou para a mesa de os professores , com um ar demasiado repugnado para falar . Lockhart , em as suas vestes rosa vivo , a condizer com a decoração de o salão , fazia sinal para que se calassem . Os professores que o ladeavam tinham um ar estupefacto . De o seu lugar , Harry podia ver um músculo mover se em a bochecha de a professora Mc_Gonagall . Snape estava com ar de quem tomou uma imensa dose de xarope * skele-gro * . - Feliz dia de S._Valentim - gritou Lockhart . - E permitam me que agradeça a as quarenta_e_seis pessoas que até agora me enviaram cartões . Sim , fui eu quem tomou a liberdade de vos fazer esta pequena surpresa , e ela não acaba aqui ! Lockhart bateu as palmas e por as portas de o * hall * entraram a marchar cerca de uma_dúzia de duendes de aspecto carrancudo . Não eram uns duendes quaisquer , diga se de passagem . Lockhart fizera os usar asas douradas e transportar harpas . - Os meus amigos cupidos , portadores de os cartões ! gritou Lockhart . - Eles vão andar por a escola durante o dia de hoje , entregando os vossos cartões de S._Valentim . E o divertimento não acaba aqui . Tenho a certeza de que os meus colegas vão querer participar em este espírito de festa . Porque não pedir a o professor Snape que vos mostre como preparar rapidamente uma poção de amor . E , enquanto ele a prepara , está aqui o professor Flitwick que é de todos os feiticeiros que conheci aquele que mais sabe de encantamentos de sedução , o grande safado ! O professor Flitwick enterrou o rosto em as mãos . Snape olhava como_se quisesse dar veneno a a primeira pessoa que fosse pedir lhe a poção de o amor . - Por favor , Hermione , diz me que não foste uma de as quarenta_e_seis - pediu Ron quando saíram de o salão para a primeira aula . Mas Hermione ficou subitamente muito interessada em procurar o horário dentro de a mala e não lhe respondeu . Durante todo o dia os duendes não pararam de se intrometer em as aulas para entregar cartões , para grande aborrecimento de os professores e , ao_fim_da_tarde , quando os Gryffindor subiam as escadas para a aula de encantamentos , um de eles avistou o Harry . - Hei , tu , Harry_Potter ! - gritou um duende de aspecto particularmente lúgubre , dando cotoveladas a_toda_a gente para se aproximar de o Harry . Coradíssimo com a ideia de receber um cartão de S._Valentim diante_de uma fila de alunos de o primeiro ano que , por acaso , incluía Ginny_Weasley , Harry tentou escapar se . Mas o duende cortou lhe o caminho através de a multidão e agarrou o em três tempos . - Tenho uma mensagem musical para entregar a Harry_Potter em pessoa - disse , tangendo a harpa de forma ameaçadora . - Aqui não - disse baixinho o Harry , tentando escapar . - Fica quieto - grunhiu o duende , agarrando o saco de o Harry e puxando com força . - Larga me - disse ele rispidamente , dando um puxão . Com um ruído de tecido a rasgar se , o saco dividiu se em dois . Os livros de Harry , varinha , pergaminho e pena espalharam se por o chão enquanto o tinteiro se partia em cima de as outras coisas . Harry pôs se de gatas , tentando apanhar tudo antes que o duende começasse a cantar , provocando um engarrafamento em o corredor . - O que se passa aqui ? - perguntou a voz fria e afectada de Draco_Malfoy . Harry , nervosíssimo , começou a guardar tudo dentro de o saco rasgado , desesperado para sair de ali antes que Malfoy pudesse ouvir o seu S._Valentim musical . - Que confusão é esta ? - disse outra voz familiar . Percy_Weasley tinha chegado . De cabeça perdida , Harry tentou fugir , mas o duende agarrou o por os joelhos e fê lo cair a o chão . - Certo - disse , sentando se em os tornozelos de Harry . Eis o teu cartão musical : * _ Os olhos de ele são verdes como o sapo de o quintal * _ O seu cabelo é escuro como um temporal * _ É um desatino , oh ! ele é divino ! * _ O herói que venceu o Senhor_do_Mal * . Harry teria dado todo o ouro de Gringotts para se evaporar em aquele momento . Tentando corajosamente rir se com todos os outros , levantou se . Sentia os pés dormentes de o peso de o duende . Enquanto isso , Percy_Weasley fazia todos os possíveis por dispersar a multidão onde havia gente que chorava de hilaridade . - Vamos embora , vamos embora , a campainha tocou há cinco minutos para as aulas - dizia , enxotando alguns de os alunos mais novos . - E tu , Malfoy . Harry olhou e viu Malfoy inclinar se , apanhar qualquer coisa e com um olhar maldoso mostrá a a Crabbe e Goyle . Percebeu que era o diário de Riddle . - Dá cá isso - exigiu com toda_a calma . - O que será que o Potter escreveu aqui ? - disse Malfoy que obviamente não reparara em a data e pensou que tinha em as mãos o diário de o Harry . Houve uma agitação em os presentes . Ginny olhava apavorada para o diário e para Harry . - Dá lhe isso , Malfoy - disse Percy com firmeza . - Depois de dar uma vista de olhos - retorquiu Malfoy , acenando a Harry com o diário de forma provocatória . Percy disse : - Como Prefeito de a escola ... - mas Harry perdera a paciência . Pegou em a varinha e gritou * _ Expelliarmus * e assim_como Snape desarmara Lockhart , MalLoy viu o diário saltar lhe de as mãos e elevar se em o ar enquanto Ron o apanhava sorridente . - Harry - disse Percy levantando a voz . - Não quero magia em os corredores . Vou ter de participar isto , sabes perfeitamente . Mas Harry não se importou . Tinha ganho uma_vez a Malfoy e isso valia bem cinco pontos a menos para os Gryffindor . Malfoy estava furioso e quando a Ginny passou por ele a caminho de a sala de aula , gritou lhe com desprezo : - Não creio que o Potter tenha gostado lá muito de o teu cartão de S._Valentim . Ginny tapou a cara e correu para a aula . Aborrecido , Ron pegou também em a varinha , mas Harry afastou o . Era melhor que ele não passasse a aula de encantamentos a vomitar lesmas . Só quando entraram em a sala de aula de o professor Flitwick é_que Harry reparou em uma coisa bastante estranha em o diário de Riddle . Todos os outros livros estavam cheios de tinta vermelha , mas o diário mantinha se tão limpo como antes de o tinteiro se ter entornado em cima de ele . Tentou chamar a atenção de Ron para este facto , mas ele estava novamente a ter um problema com a varinha : de a extremidade saíam grandes bolhas roxas e ele não parecia interessado em mais_nada . Em essa noite , Harry foi deitar se antes de os outros companheiros de dormitório , em parte porque já não conseguia suportar o Fred e o George a cantarem * _ Os seus olhos são verdes como o sapo de o quintal * e em parte porque queria voltar a examinar o diário de Riddle e sabia que em a opinião de o Ron era uma pura perda de tempo . Sentou se em a cama de dossel e folheou as páginas em branco em as quais não se via uma única mancha de tinta escarlate . Tirou então outro tinteiro de o armário a o lado de a cama , molhou a pena e deixou cair um borrão em a primeira página de o diário . A tinta brilhou em o papel durante um segundo e , em seguida , como_se a página a tivesse sugado , desapareceu sem deixar rasto . Depois , finalmente , algo aconteceu . Deslizando sobre a página em a cor de a sua tinta , surgiram palavras que Harry não escrevera . - * _ Olá_Harry_Potter . O meu nome é Tom_Riddle . Como é_que encontraste o meu diário ? * Também estas palavras desapareceram , mas não sem que Harry tivesse respondido . - Alguém tentou lançá o em uma sanita . Esperou ansiosamente por a resposta de Riddle . - * _ Felizmente guardei as minhas memórias de uma forma mais duradoura do_que a tinta . Mas sempre soube que haveria quem não iria querer que o diário fosse lido . * - O que queres dizer com isso ? - escrevinhou Harry , borrando a página com o nervosismo . - * _ Quero dizer que este diário contém memórias de coisas terríveis . Coisas que foram abafadas . Coisas que aconteceram em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . * - É onde eu estou agora - escreveu Harry rapidamente . - Estou em Hogwarts e estão a acontecer coisas horríveis . Sabes alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? O coração parecia querer saltar lhe de o peito . A resposta de Riddle não se fez esperar , a letra tornara se mais desordenada como_se tivesse pressa em contar lhe tudo_o_que sabia . - * _ É claro que sei de a Câmara_dos_Segredos . Em o meu tempo diziam nos que era uma lenda , que não existia , mas era mentira . Quando eu estava em o quinto ano a Câmara_dos_Segredos foi aberta e o monstro atacou vários estudantes , acabando matar um . Eu apanhei a pessoa que abriu a câmara e ele foi expulso . Mas o director , o professor Dippet , envergonhado por uma coisa de aquelas ter acontecido em Hogwarts , proibiu me de contar a verdade . Foi divulgada uma história dizendo que a rapariga morrera de um acidente extravagante . Deram me um troféu brilhante com o meu nome gravado e avisaram me para ficar calado . Mas eu sabia que ia voltar a acontecer . O monstro sobreviveu e aquele que tinha o poder para o libertar não foi para a prisão . * Harry quase entornou o tinteiro em a pressa de responder . - Está a acontecer outra_vez . Houve três ataques e ninguém parece saber quem está por_detrás_de tudo_isto . Quem foi de a última vez ? - * _ Posso mostrar te , se quiseres * - foi a resposta de o Riddle . - * _ Não tens de acreditar só em a minha palavra . Posso levar te a o fundo de a minha memória de a noite em que o apanhei . * Harry hesitou com a pena em o ar sobre o diário . O que quereria ele dizer ? Como poderia entrar em a memória de outra pessoa ? Olhou inquieto para a porta de o dormitório que começava a ficar escuro . Quando pôs de_novo os olhos em o diário viu as palavras que se formavam . - * _ Deixa-me mostrar te . * Harry parou durante uma fracção de segundo e depois escreveu duas letras . - O. _ K._As páginas de o diário começaram a esvoaçar como_se tivessem sido apanhadas em uma ventania , parando a meio de o mês_de_Junho . Boquiaberto , Harry viu que o quadradinho de 13_de_Junho se transformara em um pequeno ecrã de televisão . Com as mãos ligeiramente trémulas levantou o livro para encostar os olhos a a janelinha e antes de perceber o que estava a passar se , deu consigo inclinado para a frente com a janela a abrir se . O corpo abandonava a cama e era lançado de cabeça , por a abertura de a página , em um turbilhão de cor e sombras . Sentiu os pés tocarem em terra firme e pôs se de pé a tremer enquanto as formas desfocadas se tornavam subitamente nítidas . Soube imediatamente onde estava . Aquela sala circular com os retratos adormecidos era o escritório de Dumbledore , mas não era Dumbledore quem estava atrás de a secretária . Um feiticeiro mirrado , de aspecto débil e quase careca lia uma carta a a luz de as velas . Harry nunca vira aquele homem antes . - Desculpe - disse com a voz a tremer . - Eu não queria intrometer me ... Mas o feiticeiro não olhou . Continuou a ler , franzindo levemente as sobrancelhas . Harry aproximou se de a secretária e gaguejou : - Er ... eu vou me embora , está bem ? E o feiticeiro continuou a ignorá o . Parecia nem_sequer ter ouvido . Pensando que talvez ele fosse surdo , Harry falou mais alto . - Desculpe tê o incomodado - disse quase a gritar . O feiticeiro dobrou a carta com um suspiro . Pôs se de pé , passou por Harry sem olhar para ele e foi abrir os cortinados de a janela . O céu , lá fora , estava vermelho-rubi . Devia ser o pôr de o Sol . O feiticeiro voltou para a secretária , sentou se e girou os polegares , olhando para a porta . Harry olhou em volta . Não viu Fawkes , a fénix , nem as engenhocas prateadas que sibilavam . Aquela Hogwarts era a que Riddle conhecera e , portanto , aquele feiticeiro desconhecido era o director de então , não Dumbledore e ele , Harry , era pouco mais que um fantasma , totalmente invisível a as pessoas de há cinquenta anos atrás . Alguém bateu a a porta . - Entre - disse o velho feiticeiro , em uma voz fraca . Um rapazinho de dezasseis anos entrou , tirando o chapéu pontiagudo . Em o seu peito brilhava um distintivo prateado de prefeito . Era muito mais alto do_que Harry , mas tinha , tal_como ele , cabelo preto asa de corvo . - Ah ! Riddle - disse o director . - Queria falar comigo , professor Dippet ? - perguntou ele com ar nervoso . - Senta te - disse Dippet . - Tenho estado a ler a carta que me mandaste . - Oh ! - exclamou Riddle , sentando se e apertando as mãos uma contra a outra . - Meu rapaz - disse Dippet amavelmente . - Eu não posso deixar te ficar em a escola durante o Verão . Com certeza queres ir para_casa em as férias ? - Não - respondeu Riddle , sem perder tempo . - Prefiro mil vezes ficar em Hogwarts a ter de voltar a aquela ... aquela ... - Tu vives em um orfanato de Muggles durante as férias , não é assim ? - perguntou Dippet com curiosidade . - Sim senhor - disse Riddle , corando um_pouco . - És filho de Muggles ? - Meio sangue , professor - explicou Riddle . - Pai_Muggle , mãe bruxa . - E o teu pai e a tua mãe ... - A minha mãe morreu pouco depois de eu nascer , professor , contaram me em o orfanato que só teve tempo de me dar o nome : Tom , como o meu pai , Marvolo como o meu avô . Dippet estalou a língua solidariamente . - O que acontece , Tom - suspirou - é_que ... podia ter se arranjado uma situação especial para ti , mas em as circunstâncias actuais ... - Refere se a os ataques , professor ? - perguntou Riddle e o coração de Harry deu um salto , aproximando se com medo de perder alguma coisa . - Precisamente - disse o director . - Meu rapaz , compreendes que seria uma imprudência de a minha parte deixar te ficar em o castelo quando o período acabar , principalmente a a luz de a recente tragédia ... a morte de aquela pobre moça ... estarás sem dúvida em maior segurança em o orfanato . Em a verdade , o ministro de a magia até fala em fechar a escola . Não estamos nada perto_de localizar ... er ... a fonte de toda esta história desagradável . Os olhos de Riddle tinham se aberto mais . - Professor , se essa pessoa fosse apanhada ... se tudo acabasse . . . - Que queres dizer com isso ? - perguntou Dippet com voz aguda , endireitando se em a cadeira . - Riddle , tu sabes alguma coisa sobre estes ataques ? - Não senhor - respondeu ele de imediato . Mas Harry sabia que era o mesmo tipo de « não » que ele dissera a Dumbledore . Dippet afundou se de_novo com um ar de profundo desapontamento . - Podes ir , Tom . Riddle esgueirou se de a cadeira e saiu de a sala . Harry seguiu o . Desceram por a escada em espiral , saindo junto de a gárgula em o corredor que escurecia . Riddle parou e Harry fez o mesmo , olhando para ele . Quase podia apostar que ele pensava seriamente em alguma coisa . Mordia o lábio e tinha as sobrancelhas franzidas . A certa altura , como_se tivesse acabado de tomar uma decisão , começou a andar mais depressa com Harry a segui o ruidosamente . Não viram mais ninguém , a não ser quando chegaram a o * hall * de entrada onde um feiticeiro alto de longos cabelos ruivos e barba chamou Riddle de a escadaria de mármore . - O que andas a fazer por aqui tão tarde , Tom ? Harry olhou para o feiticeiro . Não era outro senão Dumbledore com cinquenta anos a menos . - Tive de ir falar com o director - justificou se Riddle . - Bem , agora vai depressa para a cama - disse Dumbledore , olhando Riddle com aquele olhar penetrante que Harry conhecia tão bem . - É melhor não andar a passear por os corredores em os dias que correm , pelo_menos até ... Suspirou profundamente , deu as boas-noites a o Riddle e foi se embora . Riddle viu o desaparecer e , sem perder tempo , desceu os degraus de pedra até a os calabouços com Harry em a peugada . Mas para seu grande desconsolo , Riddle não o conduziu a nenhum corredor ou túnel secreto e sim a o calabouço onde ele costumava ter aulas de poções com o Snape . As tochas não tinham sido acesas e quando Riddle empurrou a porta quase fechada , Harry só conseguiu vê o a ele , de pé , quieto junto de a porta , olhando para o corredor . Pareceu a Harry que ficaram ali quase uma hora . Tudo_o_que via era a silhueta de Riddle junto de a porta , olhando fixamente através de a greta , a a espera . Como_se fosse uma estátua . E quando Harry tinha abandonado todas_as expectativas e começava a desejar voltar a o presente , ouviu alguma coisa que se movia atrás de a porta . Alguém avançava lentamente por o corredor . Ouviu a pessoa , quem quer que fosse , passar por o calabouço onde ele e Riddle estavam escondidos . Riddle , silencioso como uma sombra , esgueirou se por a porta e seguiu o com Harry em bicos de pés atrás de ele , esquecido de que podia fazer barulho a a vontade porque ninguém o ouvia . Durante cerca de cinco minutos seguiram lhe os passos até que Riddle parou repentinamente com a cabeça inclinada em a direcção de novos ruídos . Harry ouviu uma porta a abrir se e em seguida alguém falou em um murmúrio rouco . - Vá lá , temos que sair de aqui ... vá lá , dentro de a caixa ... Havia algo de familiar em aquela voz . Riddle deu subitamente uma volta e Harry seguiu o . Podia ver a silhueta escura de um rapaz enorme que estava inclinado em frente de a porta aberta , com uma grande caixa a o lado . - Boa noite , Rubeus - disse Riddle secamente . O rapaz fechou a porta e pôs se de pé . - O que estás a fazer aqui , Tom ? Riddle aproximou se . - Acabou se - disse . - Vou ter de entregar te , Rubeus . Falam em fechar Hogwarts se os ataques não terminarem . - O que é_que tu ... ? - Eu acho que tu não quiseste matar ninguém , mas os monstros não são os melhores animais domésticos . Tu só quiseste deixá o sair para andar um_pouco e ... - Ele não matou ninguém - disse o rapaz grande , recuando contra a porta fechada . Lá de dentro vinham uns estranhos roncos e rugidos . - Vamos , Rubeus - disse Riddle , aproximando se mais ainda . - Os pais de a rapariga que morreu estarão aqui amanhã . O mínimo que Hogwarts pode fazer é assegurar lhes que aquilo que matou a filha de eles foi abatido ... - Não foi ele - gemeu o rapaz cuja voz ecoou em o corredor escuro . - Ele não faria isso ... ele nunca ... - Afasta te - disse Riddle , pegando em a varinha . O encantamento iluminou o corredor com uma luz brilhante . A porta atrás de o rapaz grande abriu se de par em par com tanta força que o atirou contra a parede . E de lá de dentro saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito que ninguém mais ouviu a não ser ele próprio . Tinha um corpo imenso , magro e peludo e um emaranhado de pernas pretas , a cintilação de muitos olhos e um par de tenazes afiadas . Riddle levantou de_novo a varinha , mas era tarde de mais . A coisa deixara o atarantado e corria apressadamente , precipitando se por o corredor e desaparecendo . Riddle pôs se de pé , olhou a a procura de o monstro , levantou a varinha , mas o rapaz grande saltou sobre ele , tirou lhe a varinha de as mãos e lançou o a o chão , gritando : - Naaaaaão ! A cena rodopiou . A escuridão tornou se total . Harry sentiu se a cair e com um embate aterrou como uma águia de patas e asas abertas em a sua cama de dossel , em o dormitório de os Gryffindor , o diário de Riddle aberto sobre o estômago . Antes de ter tido tempo de normalizar a respiração , a porta de o dormitório abriu se e o Ron entrou . - Aí estás tu - disse . Harry sentou se . Transpirava e tremia . - O que se passa ? - perguntou Ron , olhando aflito para ele . - Foi o Hagrid , Ron . O Hagrid abriu a Câmara_dos_Segredos há cinquenta anos atrás . XIV_Cornelius_Fudge_Harry , Ron e Hermione sabiam há muito_tempo que Hagrid tinha uma triste predilecção por criaturas grandes e monstruosas . Em o primeiro ano que passaram em Hogwarts , ele tentara criar um dragão em a sua pequena cabana de madeira e levaram muito_tempo a esquecer o gigantesco cão de três cabeças que ele baptizara de « fofinho » . E se , em rapaz , Hagrid tinha ouvido dizer que havia um monstro escondido em o castelo , Harry tinha a certeza que ele teria feito os impossíveis por descobri o . Provavelmente achou que era uma injustiça o monstro estar fechado tanto tempo e pensou que ele merecia a oportunidade de esticar as suas muitas pernas . Harry imaginava perfeitamente o Hagrid a os treze anos a tentar pôr uma coleira e uma trela a o monstro . Mas tinha igualmente a certeza de que ele nunca teria querido matar ninguém . De certo modo , Harry desejava não ter descoberto como utilizar o diário de Riddle . Ron e Hermione fizeram o contar repetidas vezes o que vira até ele ficar farto de repetir o mesmo e farto de a conversa circular que se seguia . - O Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse , de essa vez , Hermione . - O monstro que atacava as pessoas podia ser outro .... - Quantos monstros achas tu que pode haver em este lugar ? - perguntou o Ron aborrecido . - Sempre soubemos que o Hagrid tinha sido expulso - disse Harry tristemente - E os ataques devem ter terminado quando ele foi expulso . Se não fosse assim , Riddle não teria recebido um prémio . Ron tentou um caminho diferente . - O Riddle parece o Percy , quem lhe pediu afinal que deitasse abaixo o Hagrid ? - Mas o monstro tinha morto uma pessoa , Ron - insistiu Hermione . - E o Riddle ia ter de voltar para um orfanato Muggle se Hogwarts fosse fechada - disse Harry . - Não posso culpá o por querer ficar aqui ... Ron mordeu o lábio e a seguir sugeriu : - Tu encontraste o Hagrid em a Rua * _ Bativolta * , não foi ? - Ele estava a comprar repelente para lesmas - disse Harry rapidamente . Ficaram os três em silêncio . Depois de uma longa pausa , Hermione , em uma voz hesitante , formulou a pergunta mais complicada de todas : - Não acham que devíamos ir ter com ele e perguntar lhe ? - Essa seria uma visita simpática - disse o Ron . - Olá , Hagrid , diz nos uma coisa , soltaste por acaso alguma coisa louca e peluda por o castelo em estes últimos tempos ? Por fim , decidiram não dizer nada a o Hagrid a_não_ser_que houvesse outro ataque e à_medida_que passava mais tempo sem murmúrios de a voz sem corpo começaram a acreditar , esperançosos , que nunca mais teriam de falar sobre o motivo por_que fora expulso . Tinham passado já quase quatro meses desde o dia em que o Justin e o Nick quase sem cabeça tinham sido petrificados e quase toda_a_gente parecia pensar que o atacante , quem quer que ele fosse , se retirara para sempre . Peeves fartara se de a sua canção * _ Oh_Potter , seu bandido * , Ernie_Mcmillan pediu educadamente a o Harry , em a aula de herbologia , que lhe passasse um balde de cogumelos saltitantes e , em Março , várias mandrágoras deram uma festa ruidosa e roufenha em a estufa número três . A professora Sprout estava muito satisfeita . - Mal elas comecem a tentar mover se para os vasos umas de as outras , saberemos que estão maduras - disse ela a o Harry . - Nessa_altura poderemos reanimar aquelas pobres criaturas que estão em a ala hospitalar . Os alunos de o segundo ano tinham agora uma coisa nova em que pensar durante as férias de a Páscoa . Chegara a altura de escolherem as matérias de o terceiro ano , um assunto que Hermione , pelo_menos , tomou muito a sério . - Pode afectar todo o nosso futuro - disse a o Harry e a o Ron a o vê os ler cuidadosamente as listas de as novas matérias e pôr um V em frente de cada uma . - Eu só quero ver me livre de as poções - disse Harry . - Não podemos - explicou Ron tristemente . - Mantemos todas_as matérias antigas ou eu teria me livrado de a Defesa contra as artes negras . - Mas é muito importante - disse Hermione chocada . - Não de a maneira como Lockhart a dá - insistiu Ron . - Não aprendi nada até agora a não ser a nunca mais libertar duendes . Neville_Longbottom recebera cartas de todas_as bruxas e feiticeiros de a família , cada_um dando um conselho diferente sobre o que ele deveria escolher . Confuso e preocupado , sentou se a ler a lista de matérias , dando estalinhos com a língua e perguntando a as pessoas se achavam que a aritmancia seria mais difícil do_que o estudo de as runas em a Antiguidade . Dean_Thomas que , tal_como Harry , fora criado com Muggles , acabou por fechar os olhos e atirar a varinha contra a lista , escolhendo as matérias onde ela aterrava . Hermione não pediu conselho a ninguém e inscreveu se em todas . Harry sorriu de si para consigo imaginando como seria uma conversa com o tio Vernon e com a tia Petúnia sobre a sua carreira em feitiçaria . Não que não tivesse tido orientação : Percy_Weasley estava ansioso por partilhar a sua experiência . - Tudo depende de o lugar para_onde queres ir , Harry - disse ele . - Nunca é cedo de mais para pensar em o futuro , por isso eu aconselho te a adivinhação . As pessoas dizem que os estudos de Muggles são uma opção leve mas eu , pessoalmente , acho que os feiticeiros deveriam ter uma compreensão profunda de a comunidade não mágica , muito especialmente se pensarem em trabalhar em íntimo contacto com eles . Vê o meu pai que tem de lidar com assuntos de os Muggles a_toda_a hora . O meu irmão Charles foi sempre mais um tipo de o exterior , por isso foi para o Centro_de_Cuidados com as Criaturas_Mágicas . Segue os teus sentimentos , Harry . Mas a única coisa em que Harry sentia que era mesmo bom era o Quidditch . Por fim , acabou por escolher as mesmas matérias que o Ron escolhera , pensando que se fosse péssimo em elas pelo_menos tinha alguém amigo para o ajudar . O próximo jogo de Quidditch_dos_Gryffindor era contra os Hufflepuff . Wood insistia em treinos de equipa todas_as noites depois de jantar , por isso Harry não tinha tempo para mais_nada a não ser para o Quidditch e para os trabalhos de casa . Mas as sessões de treino estavam a melhorar ou pelo_menos estavam mais secas e em a véspera de o jogo de sábado ele foi a o dormitório guardar a vassoura , sentindo que as hipóteses de os Gryffindor ganharem a taça de Quidditch nunca tinham sido tão boas . Mas a sua boa disposição não durou muito . Em o cimo de as escadas que levavam a o dormitório encontrou o Neville_Longbottom nervosíssimo . - Harry , não sei quem fez aquilo , eu fui encontrar ... Olhando receoso para Harry , Neville empurrou a porta . O conteúdo de a mala de Harry fora espalhado por toda_a divisão . O seu manto estava em o chão rasgado . A roupa de cama tinha sido puxada de a cama de dossel e a gaveta de o armário que se encontrava a a cabeceira de a cama fora arrancada , estando o seu conteúdo espalhado sobre o colchão . Harry aproximou se de a cama boquiaberto , pisando algumas páginas soltas de * _ Viagens com Duendes * . Quando ele e Neville estavam a puxar os cobertores para_cima , entraram o Ron e o Dean_Seamas . Dean praguejou alto . - O que é isto , Harry ? - Não faço ideia - disse ele . Mas o Ron estava a examinar as vestes de Harry e todos os bolsos estavam de o avesso . - Alguém andou a a procura de qualquer coisa - disse o Ron . - Dás por falta de alguma coisa ? Harry começou a apanhar o que estava caído , lançando tudo dentro de a mala . Só quando atirou o último livro de Lockhart é_que se apercebeu do_que faltava . - O diário de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a o Ron . - O quê ? Harry fez lhe sinal em direcção a a porta de o dormitório e apressaram se a chegar a a sala comum de os Gryffindor que estava quase vazia e onde foram encontrar Hermione sozinha a ler * _ As_Runas_Antigas a o Alcance_de_Todos * . Hermione ficou aterrada com as notícias . - Mas ... só um Gryffindor podia tê o roubado ... ninguém mais conhece a nossa senha ... - Exactamente - disse Harry . Acordaram em o dia seguinte com um sol brilhante e uma brisa agradável . - Condições ideais para o Quidditch ! - exclamou Wood , cheio de entusiasmo , a a mesa de os Gryffindor , enchendo os pratos de os elementos de a sua equipa de ovos mexidos . - Harry , anima te , precisas de um pequeno-almoço decente . Harry tinha estado a olhar para a mesa cheia de alunos de os Gryffindor , perguntando a si próprio se o novo dono de o diário de Riddle estaria ali mesmo em frente de os seus olhos . Hermione insistira para que ele participasse o roubo mas ele não gostou de a ideia . Teria de contar a um professor tudo sobre o diário , e quantas pessoas saberiam o motivo por_que Hagrid fora expulso há cinquenta anos ? Não queria ser ele a fazer com que relembrassem tudo aquilo . Quando saiu de o salão com o Ron e a Hermione para ir buscar o material de Quidditch , outra preocupação viera juntar se a a sua lista cada_vez maior . Tinha acabado de pisar os degraus de a escadaria de mármore quando ouviu de_novo a voz : - * _ Matar desta_vez ... deixem me rasgar ... romper * ... Deu um grito e Ron e Hermione saltaram alarmados . - A voz - disse Harry , olhando por cima de os ombros de eles . - Acabo de a ouvir de_novo , vocês não ouviram nada ? Ron abanou a cabeça de olhos muito abertos Mas_Hermione bateu com a mão em a testa . - Harry , acho que percebi uma coisa . Tenho que ir a a biblioteca . E disparou a correr por as escadas acima . - O que é_que ela percebeu ? - disse Harry distraidamente , ainda a olhar em volta , tentando determinar de onde vinha a voz . - Mas porque teve ela que ir a a biblioteca ? - Porque a Hermione é assim - disse o Ron , encolhendo os ombros - Quando tem uma dúvida , vai a a biblioteca . Harry manteve se hesitante , tentando captar novamente a voz mas as pessoas começavam a sair de o salão , falando alto , passando por a porta principal e encaminhando se para o estádio de Quidditch . - É melhor ires indo - aconselhou Ron . - São quase onze horas , olha o jogo . Harry deu uma corrida até a a torre de os Gryffindor , pegou em a sua Nimbus dois_mil e juntou se a a vasta multidão que enchia os campos , mas o seu pensamento estava ainda em o castelo , em aquela voz sem corpo e quando pôs as roupas vermelhas , o seu único conforto foi pensar que estavam todos lá fora para assistir a o jogo . As equipas entraram em campo a o som de um tumulto de aplausos . Oliver_Wood fez um voo de aquecimento em volta de os postes , Madam_Hooch soltou as bolas . Os Hufflepuff que tinham fatos amarelo-canário estavam reunidos em grupo em uma discussão de última hora sobre as tácticas . Harry subia para a vassoura quando a professora Mc_Gonagall atravessou o campo , meio a andar , meio a correr , transportando um enorme megafone roxo . O coração de Harry caiu lhe a os pés . - Este jogo foi cancelado - gritou por o megafone a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a o estádio apinhado . Ouviram se Uuuus e assobios . Oliver_Wood , com um ar infelicíssimo , aterrou e correu para a professora McGonagall sem sair de a vassoura . - Mas , professora - gritou - temos de jogar ... a taça ... os Gryffindor ... A professora Mc_Gonagall ignorou o e continuou a gritar por o megafone . - Pede se a os estudantes que regressem a as salas comuns de as respectivas equipas onde os chefes de equipa lhes darão mais informações . O mais depressa possível , se fazem favor ! Em seguida , baixou o megafone e fez sinal a o Harry para que se aproximasse . - Potter , é melhor vires comigo ... Perguntando a si próprio que suspeita poderia ela ter contra ele , desta_vez , Harry viu Ron desligar se de a multidão discordante e vir a correr juntar se lhes , enquanto eles se dirigiam para o castelo . Para sua grande surpresa Mc_Gonagall não pôs qualquer objecção . - Sim , talvez seja melhor vires também , Weasley . Alguns de os estudantes que os rodeavam reclamavam por o jogo ter sido cancelado , outros tinham um ar preocupado . Harry e Ron seguiram a professora Mc_Gonagall de volta a a escola e através de a escadaria de pedra . Mas desta_vez não foram levados a nenhum escritório . - Isto vai chocar vos um_pouco - disse a professora Mc_Gonagall em um tom de voz surpreendentemente suave quando estavam a aproximar se de a ala hospitalar . - Houve outro ataque ... outro ataque duplo . As vísceras de o Harry deram um salto mortal . A professora Mc_Gonagall abriu a porta e ele e Ron entraram . Madam_Pomfrey estava inclinada sobre uma rapariga de o quinto ano de cabelos longos a os caracóis que Harry reconheceu como sendo a colega de os Ravenclaw a quem , por engano , tinham perguntado o caminho para a sala comum de os Slytherin . E , em a cama a o lado de ela , estava ... - Hermione - gemeu o Ron . Hermione jazia totalmente quieta , os olhos abertos e vítreos . - Foram encontradas perto de a biblioteca - disse a professora Mc_Gonagall . - Calculo que nenhum de vocês possa explicar isto ? Estava em o chão , junto de ela . A professora tinha em as mãos um pequeno espelho redondo . Harry e Ron acenaram negativamente com as cabeças , ambos com os olhos fixos em Hermione . - Eu acompanho vos a a torre de os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall pesadamente . - De qualquer modo tenho de falar com os alunos . - Os alunos regressarão a as salas comuns de as respectivas equipas , todos_os_dias , a as seis_horas_da_tarde . Nenhum aluno deverá sair de os dormitórios depois de isso . Serão escoltados até a as aulas por um professor . Nenhum aluno deverá ir a a casa_de_banho sem um professor a acompanhá o . Todos os treinos e jogos de Quidditch estão suspensos a_partir_de agora . Não haverá mais actividades nocturnas . Os Gryffindor , que enchiam a sala comum , ouviram em silêncio a professora Mc_Gonagall . Ela enrolou o pergaminho que acabara de ler e disse em uma voz algo chocada : - Não é preciso acrescentar que nunca me senti tão desolada . É provável que a escola seja encerrada se não for apanhado o culpado de todos estes ataques . Quero pedir que se algum de vocês achar que sabe alguma coisa sobre eles venha imediatamente ter comigo . Mal ela subiu , de forma um_pouco desastrada , por o buraco de o retrato , os Gryffindor começaram logo a falar . - São dois Gryffindor a menos , sem contar com o fantasma de os Gryffindor , um Ravenclaw e um Hufflepuff - disse o amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , contando por os dedos . - Não terá nenhum de os professores reparado que os Slytherin estão a salvo ? Será que não é óbvio que tudo_isto vem de eles ? O herdeiro de Slytherin , o monstro de Slytherin , porque não expulsam todos os Slytherin ? - resmungou , recebendo acenos e aplausos de todos os lados . Percy_Weasley estava sentado em uma cadeira atrás_de Lee , mas por uma_vez não pareceu querer expor os seus pontos de vista . Estava pálido e aturdido . - O Percy está em estado de choque - disse o George baixinho a o Harry . - Aquela rapariga de os Ravenclaw , Penelope_Clearwater , é prefeita . Acho que ele nunca tinha pensado que o monstro pudesse atacar um prefeito . Mas Harry não estava a ouvi o com atenção . Não conseguia esquecer a imagem de Hermione deitada em a cama de o hospital , como_se estivesse esculpida em pedra . E se o culpado não fosse apanhado rapidamente tinha em a frente uma vida inteira com os Dursley . Tom_Riddle entregara o Hagrid porque fora confrontado com a possibilidade de um orfanato Muggle se a escola fechasse . Harry sabia exactamente o que ele sentira . - Que vamos nós fazer ? - disse lhe o Ron baixinho a o ouvido . - Achas que eles suspeitam de o Hagrid ? - Temos de falar com ele - disse Harry , tomando uma decisão . - Não acredito que tenha culpa desta_vez , mas se ele libertou o monstro há cinquenta anos , sabe com certeza como entrar em a Câmara_dos_Segredos , o que já é um princípio . - Mas a Gonagall disse que temos que ficar em a torre a_não_ser_que estejamos em as aulas ... - Eu acho - disse Harry ainda mais baixo - que chegou a altura de tirar outra_vez de a mala o manto de o meu pai . Harry herdara apenas uma coisa de o pai : o enorme manto prateado de a invisibilidade . Era a única maneira de poderem esgueirar se de a escola para fazer uma visita a o Hagrid , sem que ninguém de esse por isso . Deitaram se a a hora de o costume , esperaram que o Neville , o Dean e o Seamas adormecessem para se levantarem , vestirem se de_novo e taparem se com o manto . A viagem por os corredores de o castelo escuro e deserto não era nada agradável . Harry que vagueara por ali muitas_vezes durante a noite nunca vira tanta gente depois de o pôr de o Sol . Professores , prefeitos e fantasmas andavam por os corredores a os pares , olhando em volta , em busca de qualquer actividade fora de o habitual . O manto de a invisibilidade não impedia que fizessem barulho e houve um momento particularmente tenso em que o Ron deu uma topada a menos_de um metro de o lugar onde Snape se encontrava . Felizmente Snape espirrou em o preciso momento em que o Ron praguejava . Foi com grande alívio que chegaram a as portas de carvalho de a entrada principal . Estava uma noite clara e cheia de estrelas . Dirigiram se apressadamente para as janelas iluminadas de a casa de Hagrid e só tiraram o manto mesmo em frente de a porta . Poucos segundos depois de terem batido abriu se a porta . Ficaram frente_a_frente com Hagrid que lhes apontou uma besta enquanto Fang , o cão caçador de javalis , ladrava furiosamente atrás de ele . - Oh ! - disse , baixando a arma quando viu que eram eles . - O que estão vocês a fazer aqui ? - Para que é isso ? - perguntou Harry , apontando para a besta , enquanto entrava . - Nada , não é nada - murmurou Hagrid . - Tenho estado a a espera ... não tem importância , sentem se que eu vou fazer um chá . Dava a impressão de não saber o que fazia . Quase apagou a lareira , vertendo a água de a chaleira em o lume e em seguida esmagou o bule com um gesto de a sua mão maciça . - Estás bem , Hagrid ? - perguntou Harry . - Soubeste de a Hermione ? - Soube , sim - disse ele com um leve tremor em a voz . Continuava a olhar nervosamente para as janelas . Deu lhe os duas grandes canecas de água a ferver ( esquecera se de juntar o chá ) e estava a acabar de pôr em um prato uma fatia grossa de bolo de frutas quando alguém bateu energicamente a a porta . Hagrid deixou cair o bolo . Harry e Ron trocaram entre si olhares de pânico e , em seguida , cobriram se com o manto de a invisibilidade e esconderam se em um canto . Hagrid assegurou se de que eles estavam bem escondidos , pegou em a besta e abriu , mais_uma_vez , a porta . - Boa noite , Hagrid . Era_Dumbledore . Entrou com um ar muito sério , seguido de um homem bizarro . O estranho era um homenzinho pequenino , de porte majestoso com cabelos grisalhos desalinhados e uma expressão de ansiedade em o rosto . Usava uma inesperada mistura de roupas . Um fato a as riscas , uma gravata vermelho escarlate , um longo manto negro e umas botas roxas pontiagudas . Debaixo de o braço trazia um chapéu de coco verde lima . -- É o patrão de o meu pai - murmurou o Ron . Cornelius_Fudge , o ministro de a magia ! Harry deu lhe uma valente cotovelada para o fazer calar se . Hagrid tinha ficado suado e pálido . Deixou se cair em uma de as cadeiras e olhava de Dumbledore_para_Cornelius_Fudge . - Más notícias , Hagrid - disse Fudge em um tom bastante grave . - Muito más notícias . Tive de vir . Quatro ataques a filhos de Muggles , as coisas foram longe_de mais . O ministério tem que tomar uma atitude . - Eu nunca ... - disse Hagrid , parecendo implorar a Dumbledore . - O senhor sabe que eu nunca ... professor Dumbledore , o senhor ... - Quero que fique claro , Cornelius , que Hagrid tem a minha total confiança - afirmou Dumbledore , franzindo as sobrancelhas . - Olha , Albus - disse Fudge pouco a a vontade - a ficha de o Hagrid depõe contra ele . O ministério tem de fazer alguma coisa , o Conselho_Directivo de a escola tem se reunido ... - Mesmo_assim , Cornelius , devo dizer te mais_uma_vez que levar o Hagrid de aqui não vai ajudar em nada - afirmou Dumbledore com os olhos azuis com um fogo que Harry nunca vira antes . - Tenta compreender o meu ponto de vista - insistiu Fudge , brincando com o chapéu . - Estou a ser tremendamente pressionado , tenho de mostrar que faço alguma coisa . Se se provar que não foi o Hagrid , ele voltará e não se fala mais em o assunto . Mas tenho de levá o , tem de ser , não estaria a cumprir a minha obrigação se ... - Levar me ? - perguntou Hagrid a tremer . - Levar me para_onde ? - É uma pena curta - disse Fudge , sem o olhar em os olhos . - Não é um castigo , Hagrid , chamemos lhe antes uma precaução . Se mais alguém for apanhado , tu sais com todas_as nossas desculpas . - Não é para Azkaban ? - balbuciou Hagrid . Mas antes que Fudge tivesse tido tempo de responder , ouviu se bater mais_uma_vez a a porta . Dumbledore abriu . Foi a vez de Harry levar uma cotovelada em as costas : soltara um gemido audível . Mr._Lucius_Malfoy entrou em a cabana de o Hagrid embrulhado em uma longa capa preta de viagem , com um sorriso frio de satisfação . O Fang começou a rosnar . - Já está aqui , Fudge ? - disse de forma aprovadora . - Muito bem , muito bem ... - O que estás a fazer aqui ? - perguntou Hagrid furioso . - Sai imediatamente de a minha casa . - Meu bom homem , acredite que não tenho prazer nenhum em entrar em a sua ... er ... chamou lhe casa ? - disse Lucius_Malfoy , sorrindo sarcasticamente enquanto observava a pequena divisão . - Eu limitei me a ir a a escola e disseram me que o director estava aqui . - E o que queres de mim , Lucius ? - perguntou Dumbledore . O seu tom de voz era educado mas em os olhos azuis brilhava ainda o mesmo fogo . - Uma notícia horrível , Dumbledore - disse Mr._Malfoy de forma arrastada , pegando em um grande rolo de pergaminho . - Mas os membros de o conselho pensam que é altura de tu saíres . Isto_é uma ordem de suspensão , tens aí doze assinaturas . Lamento muito mas em a nossa opinião estás a perder a firmeza . Quantos ataques houve até agora ? Mais dois hoje a a tarde , não foi ? A este ritmo vão acabar todos os filhos de Muggles em Hogwarts e todos sabemos que seria uma terrível perda para a escola . - O que é isso , Lucius ? - protestou Fudge com ar alarmado . - O Dumbledore suspenso não ... não , seria a última coisa que desejaríamos em este momento ... - A nomeação ou suspensão , de o director é de a competência de os membros de o Conselho_Directivo , Fudge - disse suavemente Mr._Malfoy . - E como Dumbledore não foi capaz de pôr cobro a estes ataques ... - Oh ! Lucius , se Dumbledore não conseguiu - disse Fudge com o lábio superior a suar . - Quem irá conseguir ? - Isso está para se ver - disse Mr._Malfoy com um sorriso mesquinho . - Mas como os doze votamos ... Hagrid pôs se de pé em um salto , o cabelo preto hirsuto a roçar em o tecto . - E quantos tiveste de chantajar para concordarem contigo , Malfoy ? - Meu caro Hagrid , sabe que esse seu temperamento ainda acaba por lhe criar problemas um dia de estes - disse Mr._Malfoy . - Não o aconselho a gritar assim com os guardas de Azkaban . Eles não iriam gostar nada . - Não podes levar Dumbledore - gritou Hagrid , fazendo Fang , o cão caçador de javalis , agachar se e ganir em o seu cesto . - Sem ele , os filhos de os Muggles não têm qualquer hipótese . A seguir haverá mortes . - Acalma te , Hagrid - disse Dumbledore de forma cortante , olhando para Lucius_Malfoy . - Se os membros de o conselho querem substituir me , eu sairei , claro . - Mas - interrompeu Fudge . - Não - rosnou Hagrid . Dumbledore não tirara os seus olhos azuis brilhantes de os olhos cinzentos e frios de Lucius_Malfoy . - Contudo - disse , pronunciando cada palavra lenta e claramente para que nenhum de eles perdesse o seu sentido - verás que só deixarei verdadeiramente esta escola quando ninguém aqui me for leal . Descobrirás também que será sempre dada ajuda em Hogwarts a quem a pedir . Por um segundo , Harry teve quase a certeza de que os olhos de Dumbledore tremelaziram em direcção a o canto onde ele e Ron estavam escondidos . - Sentimentos admiráveis - disse Malfoy , fazendo uma vénia . - Todos nós vamos sentir a tua ... forma muito pessoal de fazer as coisas , Albus . Só espero que o teu sucessor consiga evitar qualquer ... crime . Dirigiu se a a porta de a cabana , abriu a e fez sinal a Dumbledore para que passasse a a sua frente . Fudge , mexendo nervosamente em o chapéu de coco , esperou que Hagrid fizesse o mesmo mas ele ficou quieto , respirou fundo e disse prudentemente : - Se alguém quiser descobrir alguma coisa , o que tem a fazer é seguir as aranhas . Elas indicarão o caminho , é tudo_o_que vos digo . Fudge olhou para ele espantado . - Está bem , eu vou - disse Hagrid , pegando em o seu sobretudo de pêlo de toupeira . Mas quando ia seguir o Fudge e sair por a porta , parou e disse em voz alta : - E alguém tem de dar de comer a o Fang enquanto eu não estiver cá . A porta fechou se ruidosamente e Ron tirou o manto de a invisibilidade . -- Estamos outra_vez em uma alhada - disse com voz rouca - Sem o Dumbledore podem fechar a escola já esta noite . Sem ele vai haver um ataque por dia . O Fang começou a ganir , arranhando a porta fechada . XV_Aragog_O_Verão insinuava se em os campos em volta de o castelo . O céu e o lago tinham se tornado de um azul-molusco e as flores , grandes como couves , começavam a florir em as estufas . Mas sem o Hagrid , que ele costumava avistar de o castelo , atravessando os campos com o Fang atrás , parecia a Harry que a paisagem não estava completa . Não era melhor dentro de o castelo onde tudo corria horrivelmente mal . O Harry e o Ron tinham tentado visitar a Hermione , mas as visitas a o hospital estavam proibidas . - Não vamos correr mais riscos - disse lhes Madam_Pomfrey com ar severo , através_de uma fresta de a porta de o hospital . Não , lamento , há muitas hipóteses de o atacante voltar para acabar de vez com estas pessoas ... Com Dumbledore longe , o medo espalhara se como nunca acontecera antes , de_tal_modo_que o sol que aquecia as paredes de o castelo por fora parecia parar junto de as janelas de pinázios . Não se via um único rosto em a escola que não andasse tenso e preocupado e qualquer gargalhada , em os corredores , se tornava incómoda e antinatural e era rapidamente abafada . Harry repetia constantemente , de si para consigo , as últimas palavras que ouvira a Dumbledore : - * _ Só terei verdadeiramente deixado esta escola quando ninguém me for leal ... será sempre dada ajuda , em Hogwarts , a quem a pedir * . Qual seria o significado exacto de aquelas palavras ? A quem deveria pedir ajuda quando todos estavam tão confusos assustados como ele ? A alusão de Hagrid a as aranhas era bastante mais fácil de entender . O problema era que parecia não ter restado uma única aranha em o castelo para eles a poderem seguir . Harry procurou por todo o lado com a ajuda relutante de o Ron . As coisas estavam dificultadas por o facto de não poderem andar sozinhos e terem de se deslocar em grupo dentro de o castelo , juntamente com outros Gryffindor . A maior parte de os alunos gostava de ser conduzida como carneiros de uma aula para a outra por os professores mas Harry achava horrível . Havia , contudo , uma pessoa que parecia apreciar aquela atmosfera de terror e suspeitas . Draco_Malfoy passeava empertigado por a escola como_se tivesse sido nomeado para chefe de turma . Harry só compreendeu o motivo de toda aquela boa disposição cerca de quinze_dias depois de Dumbledore e Hagrid se terem ido embora quando , em uma aula de poções , o ouviu falar com o Crabbe e o Goyle . - Sempre achei que seria o pai quem conseguiria livrar nos de o Dumbledore - disse sem a menor preocupação em baixar a voz . - Já vos disse , segundo ele , Dumbledore foi o pior director que a escola alguma vez teve . Talvez agora venha um director decente que não queira a Câmara_dos_Segredos fechada . A Mc_Gonagall não vai durar muito , está só a ... O Snape passou por Harry , sem fazer comentários a o caldeirão e a a cadeira vazia de Hermione . - Professor - disse Malfoy em voz alta . - Professor , porque não se candidata a o lugar de director ? - Ora , ora , Malfoy - respondeu Snape , sem conseguir esconder um meio sorriso . - O professor Dumbledore foi apenas suspenso por os membros de o conselho de direcção , certamente vai voltar um dia de estes . - Sim , claro - disse Malfoy com o seu sorriso escarninho . - Acho que se o professor quisesse candidatar se a o lugar teria o voto de o pai . Eu vou dizer lhe que o acho o melhor professor de a escola . Snape sorriu enquanto passeava de um lado para o outro em o calabouço , não tendo felizmente visto o Seamus_Finnigan que fingia vomitar para dentro de o caldeirão . - Estou espantado por ver que até agora os sangues de lama ainda não fizeram as malas e não desapareceram - prosseguiu Malfoy . - Aposto cinco galeões em como o próximo morre . Pena que não tenha sido a Granger ... A campainha tocou em esse momento o que foi uma sorte porque a o ouvir as últimas palavras de Malfoy , Ron deu um salto , mas em a barafunda de guardar os livros em os sacos , a sua tentativa de agarrar o Malfoy passou despercebida . - Deixem me - gritava o Ron enquanto o Harry e o Dean lhe agarravam os braços . - Não preciso de varinha , vou dar cabo de ele com as minhas mãos ... - Despachem se , tenho de conduzir vos a a aula de herbologia - praguejava o Snape acima de as cabeças de os alunos . E lá foram como cordeirinhos com Harry , Ron e Dean em a retaguarda , o Ron ainda a tentar libertar se . Só acharam seguro largá o quando Snape os deixou fora de o castelo e iniciaram o percurso por o meio de a horta em direcção a as estufas . A aula de herbologia estava reduzida . Tinha agora dois alunos a menos : Justin e Hermione . A professora Sprout pô os a trabalhar , podando as figueiras-da-abissínia . Harry foi despejar uma braçada de hastes secas em um monte de adubo e deu consigo cara a cara com Ernie_Mcmillan . Ernie respirou fundo . - Só quero dizer te , Harry que lamento ter suspeitado de ti . Sei que nunca atacarias a Hermione_Granger e peço te desculpa por todas_as coisas que disse . Estamos todos em o mesmo barco , agora e , bem ... Estendeu lhe uma mão rechonchuda que o Harry apertou . Ernie e a sua amiga Hannah foram trabalhar em a mesma figueira com o Harry e o Ron . - Aquele tipo , Draco_Malfoy - disse Ernie , partindo pequenos galhos - , parece muito satisfeito com isto tudo , não acham ? É bem possível que ele seja o herdeiro de Slytherin . - Uma observação inteligente de a tua parte - disse o Ron que parecia não ter desculpado Ernie tão facilmente como o Harry . - Acham que é ele ? - perguntou Ernie . - Não - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Hannah ficaram a olhar espantados . Um segundo depois , Harry avistou qualquer coisa que o levou a chamar a atenção de o Ron , batendo lhe em a mão com a tesoura de podar . - Au ... o que é_que tu ... ? Harry apontava para o chão , a poucos centímetros de distância . Várias aranhas grandes corriam precipitadamente por a terra fora . - Ah ! sim - disse o Ron , tentando , sem conseguir , mostrar se entusiasmado . - Mas não podemos seguis as agora ... Ernie e Hannah ouviam nos com curiosidade . Harry viu as aranhas desaparecerem . - Parecem ir em a direcção de a floresta proibida ... E o Ron ficou ainda mais infeliz a o ouvir aquilo . Em o final de a aula , o professor Snape acompanhou os alunos a a « Defesa contra as artes negras » . Harry e Ron foram atrás de os outros para poderem conversar sem serem ouvidos . - Temos de usar outra_vez o manto de a invisibilidade - disse Harry a o Ron . - Podemos levar connosco o Fang , ele está habituado a ir a a floresta com o Hagrid , pode ser uma boa ajuda . - Certo - disse o Ron , que fazia girar nervosamente a varinha em os dedos . - Er ... não costuma haver ... não costuma haver lobisomens em a floresta ? - acrescentou enquanto ocupavam os lugares de o costume em a aula de o Lockhart . Preferindo não responder a a pergunta , Harry disse : - Também há lá coisas boas . Os centauros são fixes e os unicórnios . Ron nunca estivera em a floresta proibida , Harry fora lá só uma_vez e desejara não ter de lá voltar . Lockhart deu um salto para dentro de a sala de aula e os alunos ficaram espantados a olhar para ele . Todos os outros professores andavam mais tristes do_que o habitual mas Lockhart parecia sentir se em as nuvens . - Então , então - exclamou , olhando em volta . - Porquê essas caras deprimidas ? Lançaram lhe olhares exasperados mas ninguém respondeu . - Não compreendem - disse , falando devagar como_se fossem todos um_pouco estúpidos - que o perigo já passou ? O culpado foi se embora . -- Quem disse ? - retorquiu Dean_Thomas em voz alta . -- Meu caro jovem , o ministro de a magia não teria levado Hagrid se não estivesse cem por_cento certo de que ele era o culpado - disse Lockhart como quem explica que um e um são dois . - Teria , sim - disse o Ron , em um tom de voz ainda mais alto do_que o de o Dean . - Eu julgo saber um_pouco mais sobre a prisão de o Hagrid do_que o senhor , Mr._Weasley - disse Lockhart com notória auto-satisfação . Ron começou a dizer que discordava mas foi interrompido por o Harry que lhe deu um forte pontapé por debaixo de a mesa . - Nós não estávamos lá , lembras te ? - murmurou . Mas a alegria revoltante de o Lockhart , as insinuações de que sempre tinha achado que o Hagrid não prestava , a sua certeza de que tudo aquilo estava a chegar a o fim , irritou Harry de tal maneira que teve vontade de lhe atirar as * _ Viagens com Vampiros * e de lhe acertar em aquela cara estúpida . Mas , em vez de isso , limitou se a escrevinhar um bilhete para o Ron : * _ Vamos lá hoje a a noite * . Ron leu a mensagem , engoliu em seco e olhou para o lugar onde Hermione costumava sentar se . A cadeira vazia pareceu ajudá o a decidir se e acenou afirmativamente . A sala comum de os Gryffindor estava agora sempre cheia porque , depois de as seis_da_tarde , os Gryffindor não tinham outro lugar para ir . Por outro lado , tinham imenso para conversar , por isso a sala comum mantinha se cheia de gente até depois de a meia-noite . Logo_a_seguir a o jantar , Harry foi buscar o manto de a invisibilidade a a mala onde estava guardado e passou todo o serão a a espera que a sala esvaziasse . O Fred e o George desafiaram o para alguns jogos de explosão e a Ginny sentou se , muito preocupada , a observá os , em a cadeira habitual de Hermione . Harry e Ron fartaram se de perder de propósito em uma tentativa de pôr rapidamente fim a os jogos mas , mesmo_assim , já passava bastante de a meia-noite quando o Fred , o George e a Ginny se foram , finalmente , deitar . Harry e Ron esperaram até ouvir as portas de os dois dormitórios fecharem se . Em seguida , pegaram em o manto , lançaram o sobre ambos e passaram por o buraco de o retrato . Era mais uma difícil travessia de o castelo , tendo de fintar todos os professores . Finalmente , chegaram a o * hall * de entrada , giraram o fecho de as portas de carvalho , esgueiraram se tentando não fazer barulho e aventuraram se nos campos iluminados por o luar . - É claro que - disse bruscamente o Ron , enquanto atravessavam os relvados negros - podemos perfeitamente chegar a a floresta e descobrir que não há nada para seguir . As aranhas podem não ter ido para lá . É certo que parecia que tomavam essa direcção , mas ... Felizmente a lengalenga não durou muito . Chegaram a a casa de o Hagrid que tinha um ar triste com as suas janelas vazias . Logo_que Harry empurrou a porta e a abriu , o Fang saltou , louco de alegria por os ver . Preocupados , não fosse ele acordar toda_a_gente em o castelo com o seu ladrar forte e agitado , deram lhe rapidamente a comer bombons de melaço que estavam em uma lata sobre a lareira e que lhe colaram os dentes de cima a os de baixo . Harry pousou o manto de a invisibilidade sobre a mesa de o Hagrid . Não iam precisar de ele em a floresta escura como breu . - Anda , Fang , vamos dar um passeio - disse Harry , batendo lhe a o de leve em a pata e Fang saiu feliz , a os saltos , atrás de eles . Precipitou se até a a orla de a floresta e levantou a perna contra uma enorme figueira-do-egipto . Harry pegou em a varinha , murmurou * _ Lumus * ! e uma pequenina luz surgiu em a ponta de a varinha , suficiente para lhes mostrar o caminho e ajudá os a descobrir a pista de as aranhas . - Bem pensado - disse o Ron . - Eu acendia também a minha mas , sabes como ela está , ainda estoirava ou qualquer coisa assim ... Harry tocou em o ombro de o Ron , apontando para as ervas . Duas aranhas solitárias fugiam de a luz de a varinha , aproximando se de a sombra de as árvores . - O. _ K. - disse o Ron , resignando se com o pior . - Estou pronto , vamos . Então , com o Fang a correr atrás de eles , cheirando as raízes de as árvores e as folhas , entraram em a floresta . Seguindo a luz de a varinha de o Harry seguiram a fila disciplinada de aranhas que se movia a o longo de o caminho . Andaram durante cerca de vinte minutos , sem falar , atentos a todos os ruídos que não fossem os de os ramos caídos e de as folhas secas . Então , quando as copas de as árvores se tinham tornado mais cerradas do_que nunca , de_tal_modo_que as estrelas em o céu já não eram visíveis e a varinha de o Harry brilhava isolada em um mar de escuridão , viram as aranhas que eles seguiam a abandonar o caminho . Harry parou , tentando ver para_onde iam mas tudo_o_que ficava longe de a sua pequenina luz era negro de breu . Ele nunca fora tão longe em a floresta . Lembrava se muito bem de Hagrid lhe ter dito , de a última vez que ali tinham estado , que nunca saísse de o caminho de a floresta . Mas Hagrid agora estava a muitos quilómetros de distância e ele também lhes dissera que seguissem as aranhas . Uma coisa húmida tocou em a mão de o Harry e ele deu um salto para trás , pisando o pé a o Ron . Mas afinal era apenas o focinho de o Fang . - O que é_que tu achas ? - perguntou ele a o Ron cujos olhos conseguia vislumbrar , reflectindo a luz de a varinha . - Já_que viemos até aqui - disse ele . Seguiram , portanto as sombras velozes de as aranhas em direcção a as árvores . Não podiam agora andar muito depressa . Tinham em a frente raízes de árvores e troncos cortados que mal se viam em aquela escuridão . Harry sentia o bafo quente de Fang em a mão . Por mais de uma_vez tiveram de parar para o Harry se baixar e descobrir as aranhas a a luz de a varinha . Andaram durante o que lhes pareceu ter sido pelo_menos meia_hora , com os mantos a roçarem em os ramos mais baixos e em as silvas . A o fim de algum tempo repararam que o chão parecia inclinar se para baixo embora as árvores continuassem cerradas . Foi então que o Fang soltou um latido que ecoou em volta , fazendo Harry e Ron darem um salto , ambos com os cabelos em pé . - O que foi ? - gritou o Ron , olhando em volta para a escuridão e agarrando Harry com força , por o cotovelo . - Há qualquer coisa ali a mexer se - murmurou Harry - Ouve ... parece ser grande . Ficaram a ouvir . Um_pouco para a direita algo de grandes dimensões partia os ramos enquanto abria caminho através de as árvores . - Oh ! não - disse o Ron . - Oh ! não , não ... - Cala te - insistiu o Harry , nervoso . - Seja o que for , vai acabar por te ouvir . - Ouvir me ? - disse o Ron , em um tom de voz muito pouco natural . - Já ouviu . Fang ! A escuridão parecia esmagar lhes os globos oculares enquanto ali ficaram apavorados , a a espera . Houve um estranho ruído , surdo e prolongado , e em seguida o silêncio . - O que estará a fazer ? - perguntou Harry . - Talvez esteja a preparar se para atacar - disse o Ron . Esperaram , a tremer , sem ousarem mexer se . - Achas que se foi embora ? - murmurou Harry . - Não sei . Em esse momento , de o lado direito veio um clarão de luz tão forte em o meio de o escuro que os dois levaram as mãos a a cara para proteger os olhos . O Fang ganiu e tentou fugir mas viu se envolvido em um emaranhado de espinhos e ganiu ainda mais alto . - Harry - gritou o Ron com grande alívio em a voz . - Harry , é o nosso carro . - O quê ? - Anda ver . Harry avançou a os tropeções atrás de o Ron , em direcção a a luz e em o momento seguinte estavam em uma clareira . O carro de Mr._Weasley ali estava , vazio , no_meio_de um círculo de árvores grossas , sob um telhado de ramos densos , os faróis de a frente resplandecentes . Quando Ron se aproximou de boca aberta , moveu se lentamente em direcção a ele como_se fosse um grande cão azul turquesa , cumprimentando o dono . - Tem estado aqui todo este tempo - disse o Ron satisfeitíssimo , aproximando se de o carro . - Olha para ele , a floresta tornou o selvagem ... O guarda-lamas estava riscado e cheio de lodo . Parecia que tinha andado a passear sozinho por a floresta . Fang não gostou lá muito de ele . Manteve se a o lado de o Harry que podia senti o a tremer . Com a respiração normalizada , Harry guardou a varinha em o manto . - E nós a pensarmos que ele nos ia atacar - disse o Ron , encostando se a o carro e dando lhe duas palmadinhas - As voltas que eu dei a a cabeça a pensar para_onde ele teria ido ! Harry olhava para todos os lados , em o chão iluminado , em busca de mais aranhas mas todas elas tinham fugido de o brilho de as luzes . - Perdemos as de vista - disse ele . - Anda , vamos procurá as . Ron não disse nada . Não se moveu . Tinha os olhos fixos em um ponto , três metros acima de o chão de a floresta , mesmo atrás de o Harry . O seu rosto estava lívido de terror . Harry nem teve tempo de se voltar . Ouviu se um ruído alto e seco e sentiu que alguma coisa longa e peluda o elevava em o ar com o rosto voltado para baixo . Debatendo se , apavorado , ouviu outro estalido e viu as pernas de o Ron serem também levantadas de o chão . Ouviu o Fang gemer e ganir e , em o momento seguinte , era levado para o meio de as árvores escuras . Com a cabeça a balouçar , Harry viu que a coisa que o transportava tinha seis enormes patas peludas e que as duas de a frente o agarravam com forca sob um par de tenazes pretas e brilhantes . Atrás_de si podia ouvir outra de aquelas criaturas que , sem dúvida , transportava o Ron . Encaminhavam se para o coração de a floresta . Harry ouvia o Fang a ladrar , tentando libertar se de um terceiro monstro mas Harry não podia gritar mesmo_que quisesse , parecia que tinha deixado a voz em a clareira , junto com o carro . Não soube quanto tempo esteve em as patas de a criatura , só se apercebeu que a escuridão se atenuara um_pouco , permitindo lhe ver que o chão coberto de folhas estava agora repleto de aranhas . Voltando a cabeça para o lado , deu se conta de que tinham chegado a a base de uma enorme cova , uma cova que fora limpa de árvores para que as estrelas iluminassem com o seu brilho a cena mais pavorosa que os seus olhos alguma vez tinham visto . Aranhas . Não aranhas pequeninas como aquelas que estavam sobre as folhas . Aranhas de o tamanho de enormes cavalos , com oito olhos , oito pernas pretas , peludas , gigantescas . O espécimen que transportava Harry desceu o terreno íngreme até uma teia brumosa em forma de cúpula que ficava mesmo em o meio de a cova , enquanto os companheiros se juntavam em volta , batendo excitadíssimos com as tenazes e olhando para o que eles traziam a as costas . Harry caiu em o chão de gatas quando a aranha o libertou . Ron e Fang foram cair perto de ele . O Fang já não gania . Estava agachado e muito quieto . Ron e Harry partilhavam o mesmo sentimento . O Ron tinha a boca aberta em uma espécie de grito silencioso e os olhos a saltarem lhe de as órbitas . Harry percebeu de repente que a aranha que o deitara a o chão estava a dizer qualquer coisa . Era difícil entender porque entre cada duas palavras , batia com as tenazes . - Aragog - chamou . - Aragog . E de o meio de a teia brumosa em forma de cúpula saiu muito lentamente uma aranha de o tamanho de um pequeno elefante . As costas e as pernas estavam cobertas de pêlo cinzento e , em a cabeça feia , munida de tenazes , estavam vários olhos , todos eles de um branco leitoso . Era cega . - O que foi ? - disse , batendo rapidamente com as tenazes uma em a outra . - Homens - respondeu a aranha que trouxera o Harry . - É o Hagrid ? - perguntou Aragog , aproximando se mais com os seus oito olhos leitosos a vaguear . - Estranhos - respondeu a aranha que trouxera o Ron . - Matem nos - disse Aragog , irritada . - Eu estava a dormir ... - Nós somos amigos de o Hagrid - gritou Harry . Parecia que o coração lhe saltava por a boca . Clic , clic , clic fizeram as tenazes de a aranha , em volta de a cova . Aragog parou . - O Hagrid nunca mandou homens a a nossa cova - disse lentamente . - O Hagrid está em perigo - explicou Harry , respirando muito depressa . - Foi por isso que eu vim . - Em perigo ? - repetiu a aranha idosa e pareceu a Harry sentir preocupação por detrás de as suas tenazes . - Mas porque vos mandou ele cá ? Harry pensou pôr se de pé mas achou melhor não arriscar . As pernas provavelmente não teriam força para o sustentar . Falou portanto de o chão , o mais calmamente que foi capaz . - Eles lá em a escola pensam que o Hagrid soltou qualquer coisa contra os estudantes . Mandaram o para Azkaban . Aragog bateu furiosamente com as tenazes e , em toda_a cova , o eco foi reproduzido por uma multidão de aranhas . Era uma espécie de aplauso com uma única diferença : os aplausos não costumavam fazer o Harry quase morrer de medo . - Mas isso foi há muitos anos - disse Aragog , maldisposta . - Há anos e anos . Lembro me muito bem . Foi por isso que o expulsaram de a escola . Eles pensaram que eu era o monstro que vive em aquilo a que eles chamam a Câmara_dos_Segredos . Pensaram que o Hagrid a tinha aberto para me libertar . - E tu ... não vieste de a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Harry que sentia a testa cheia de suores frios . - Eu - disse Aragog , batendo irritada com as tenazes - , eu não nasci em o castelo . Venho de uma terra distante . Um viajante ofereceu me a o Hagrid quando eu era ainda um ovo . Hagrid era um rapazinho mas tratou de mim , escondeu me em uma despensa dentro de o castelo e alimentava me com as migalhas que ficavam em as mesas . Hagrid é o meu bom amigo e um bom homem . Quando me encontraram e me culparam por a morte de uma rapariga , ele protegeu me . Desde_então , tenho vivido aqui em a floresta onde o Hagrid ainda vem visitar me . Ele até me arranjou uma esposa , Mosag , e estão a ver como a família cresceu , tudo graças a a bondade de o Hagrid ... Harry reuniu a coragem que lhe restava . - Então tu nunca atacaste ninguém ? - Nunca - resmungou a velha aranha . - Era esse o meu instinto , mas por respeito a Hagrid nunca fiz mal a nenhum humano . O corpo de a rapariga morta foi encontrado em uma casa_de_banho , ora eu nunca conheci mais do_que despensa de o castelo , onde cresci . Nós gostamos de o escuro de o silêncio . - Mas então ... sabes o que matou essa rapariga ? - perguntou Harry . - Porque seja o que for , está a atacar as pessoas outra_vez ... As suas palavras foram abafadas por uma audível explosão de tenazes a bater e por o ruge-ruge de muitas pernas longas , deslocando se iradas . Em volta de Harry começaram a mover se sombras escuras . - O que vive em o castelo - disse Aragog - é uma antiga criatura que nós , aranhas , tememos acima_de todas_as outras . Lembro me bem de o quanto insisti com Hagrid para que me deixasse sair de ali quando senti a criatura a andar por a escola . - O que é ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Mais tenazes a bater , mais pernas a moverem se . As aranhas pareciam estar a aproximar se . - Nós não falamos de isso - exclamou Aragog furiosa . - Não pronunciamos o seu nome . Eu nunca disse a o Hagrid o nome de a horrível criatura , apesar_de ele me ter perguntado vezes sem conta . Harry não quis insistir , principalmente com todas aquelas aranhas a aproximarem se de todos os lados . Aragog parecia ter se cansado de falar . Recuava lentamente para a teia em forma de cúpula , mas as companheiras continuavam a aproximar se ameaçadoramente de Harry e Ron . - Vamos embora , então - gritou Harry , desesperadamente a Aragog , enquanto ouvia as folhas secas a estalarem atrás_de si . - Embora ? - disse Aragog lentamente . - Não me parece ... - Mas , mas ... - Os meus filhos e filhas não fazem mal a o Hagrid por ordem minha . Mas não posso negar lhes carne fresca quando ela veio por vontade própria ter connosco . Adeus , amigo de o Hagrid . Harry deu meia volta . Poucos centímetros acima de ele , uma sólida parede de aranhas batia com as tenazes , os seus muitos olhos a brilharem em as horríveis caras pretas . Mesmo_que se servisse de a varinha , Harry sabia que não ia valer de nada . As aranhas eram demasiadas , mas quando tentava preparar se para morrer a lutar , ouviu se um som prolongado e um clarão de luz iluminou a cova . O carro de Mr._Weasley ribombava , descendo o declive , com os faróis acesos , a buzina a guinchar , afastando as aranhas . Muitas de elas ficaram voltadas ao_contrário com as várias pernas a agitar se em o ar . O carro buzinou com mais força em frente de Harry e Ron e as portas abriram se . - Agarra o Fang - gritou Harry , ajeitando se em o lugar de a frente . Ron agarrou o cão caçador de javalis e lançou o a ganir para o banco de trás . As portas fecharam se com estrondo . Ron não tocou em o acelerador mas o carro não precisou de isso . O motor fez se ouvir e levantaram voo , batendo em mais aranhas . Subiram o declive , saindo de a cova e pouco depois atravessavam a floresta , os ramos a baterem em os vidros enquanto o carro seguia habilmente através de os intervalos maiores , por um caminho que obviamente já conhecia . Harry olhou para o Ron , a o seu lado . Ele tinha ainda a boca aberta em o mesmo grito silencioso mas os olhos já não estavam salientes . - Estás bem ? Ron olhou em frente , incapaz de responder . Começavam a descer para terra firme com o Fang a soltar enormes ganidos em o banco de trás e Harry viu o espelho retrovisor saltar quando passaram rente a um enorme carvalho . Após dez minutos bastante ruidosos , as árvores começaram a ser mais finas e Harry pôde ver de_novo pedaços de o céu . O carro parou tão bruscamente que quase foram projectados por o vidro de a frente . Tinham chegado a a orla de a floresta . O Fang ia agitadíssimo a a janela e quando Harry abriu a porta , disparou a correr através de as árvores até a a casa de o Hagrid , de cauda entre as pernas . Harry saiu também e um minuto depois o Ron pareceu recuperar a força em os membros e seguiu o , ainda com um torcicolo e de olhos esbugalhados . Harry deu uma palmadinha de agradecimento a o carro antes de ele dar a volta e desaparecer em direcção a a floresta . Harry voltou a a cabana de o Hagrid para buscar o manto de a invisibilidade . O Fang tremia em o seu cesto , coberto por um cobertor . Quando saiu de_novo , viu o Ron a vomitar junto de as abóboras . - Sigam as aranhas - disse ele debilmente , limpando a boca a a manga . - Nunca vou perdoar a o Hagrid . É uma sorte ainda estarmos vivos . - Aposto que ele pensou que Aragog nunca faria mal a os seus amigos - justificou Harry . - Esse é justamente o problema de o Hagrid - interrompeu Ron , dando um soco em a parede de a cabana . - Ele acha sempre_que os monstros não são tão maus como os pintam e vê onde isso o levou , a uma cela em Azkaban - tremia agora descontroladamente . - Qual a ideia de ele a o mandar nos ali ? Gostava de saber o que é_que descobrimos . - Que o Hagrid nunca abriu a Câmara_dos_Segredos - disse Harry , lançando o manto sobre Ron e tocando lhe em o braço para o encorajar a andar . - Ele estava inocente . Ron resmungou em voz alta . Para ele , chocar Aragog em uma despensa não era propriamente estar inocente . Quando se aproximaram de o castelo , Harry esticou o manto para garantir que os pés de ambos ficavam cobertos . Em seguida , empurrou as portas de a frente que chiaram . Atravessaram com todo o cuidado o * hall * de entrada e subiram a escadaria de mármore , contendo a respiração em os corredores guardados por sentinelas atentos . Por fim , chegaram a a segurança de a sala de os Gryffindor onde o lume ardera até se transformar em brasas brilhantes . Tiraram o manto e subiram a escada serpenteante que os levava a o dormitório . Ron caiu em a cama sem sequer se despir mas Harry , apesar_de tudo , não tinha sono . Sentou se em a beirinha de a cama , pensando em todas_as coisas que Aragog dissera . A criatura que andava por o castelo , pensou , era uma espécie de monstro Voldemort , nem os outros monstros queriam pronunciar o seu nome . Mas ele e o Ron não estavam agora mais perto_de descobrir o que era nem como petrificava as suas vítimas . Se nem o Hagrid chegara a saber o que estava em a Câmara_dos_Segredos ... Harry balançou as pernas e atirou se para_cima de a cama . Encostado a as almofadas olhou a Lua que brilhava através de a janela de a torre . Não sabia que mais poderiam fazer . Só tinham encontrado portas fechadas . Riddle apanhara a pessoa errada . O herdeiro de Slytherin fugira e ninguém sabia se era a mesma pessoa ou uma outra que abrira , desta_vez , a Câmara_dos_Segredos . Não havia mais ninguém a quem fazer perguntas . Harry deitou se ainda a pensar em as palavras de Aragog . Estava a começar a ficar com sono quando aquilo que parecia ser uma última esperança lhe ocorreu , fazendo o sentar se muito direito em a cama . - Ron - sussurrou em o escuro . - Ron . Ron acordou com um ganido como os de o Fang . Olhou muito assustado em volta e viu o Harry . - Ron , a rapariga que morreu . Aragog contou nos que ela foi encontrada em uma casa_de_banho - disse , ignorando os roncos de o Neville em o outro canto de o quarto . - E se ela nunca tivesse saído de a casa_de_banho ? E se ainda lá estiver ? Ron esfregou os olhos , franzindo as sobrancelhas sob a luz de a Lua . E só então compreendeu . -- Não pensar que ... a Murta_Queixosa ? XVI_A_Câmara_dos_Segredos -- E estivemos nós tantas vezes em aquela casa_de_banho com ela apenas a três cubículos de distância - disse o Ron amargamente em o dia seguinte , a a mesa de o pequeno-almoço . - Podíamos ter lhe perguntado e agora ... Já fora bastante difícil procurar as aranhas . Escapar a os professores o tempo suficiente para ir até a a casa_de_banho de as raparigas , que ficava mesmo em frente de o lugar onde ocorrera o primeiro ataque , ia ser quase impossível . Mas alguma coisa aconteceu que fez com que a Câmara_dos_Segredos desaparecesse de os seus pensamentos pela_primeira_vez em várias semanas . A professora Mc_Gonagall comunicou lhes que os exames começariam a 1_de_Junho , uma semana depois . - Exames ? - gritou Seamus_Finnigan . - Nós mesmo_assim vamos ter exames ? Ouviu se um estrondo atrás de o Harry quando a varinha de o Neville_Longbottom lhe escapou de a mão , fazendo desaparecer uma de as pernas de a secretária . A professora Mc_Gonagall repô a com a sua varinha e voltou se com má cara para o Seamus . - Se temos a escola aberta em uma altura de estas é para vocês receberem instrução - disse com dureza . - Os exames terão lugar , portanto , como é costume e espero que todos vocês façam revisões até lá . Revisões . Não passara por a cabeça de o Harry que houvesse exames com o castelo em aquele estado . Houve uma série de murmúrios revoltados , o que fez com que a professora Mc_Gonagall ficasse ainda mais mal-humorada . - As instruções de o professor Dumbledore foram para manter a escola a funcionar o mais normalmente possível - disse . - E isso , não preciso de vos dizer , passa por uma avaliação de o quanto vocês aprenderam a o longo de este ano . Harry olhou para baixo , para o casal de coelhos brancos que ele deveria transformar em pantufas . Que tinha ele aprendido durante o ano ? Não era capaz de se lembrar de nada que fosse útil em um exame . Ron estava como_se tivessem acabado de lhe dizer que a partir de aquele momento tinha de ir viver para a floresta proibida . - Estás a ver me a ter exames com isto tudo ? - perguntou a o Harry enquanto pegava em a varinha que tinha começado a assobiar bastante alto . Três dias antes de o primeiro exame , a a hora de o pequeno almoço , a professora Mc_Gonagall fez outra comunicação . - Tenho boas notícias - disse , e o salão em_vez_de se calar , explodiu de contentamento . - Dumbledore vai regressar ! - gritaram várias pessoas cheias de alegria . - Apanharam o herdeiro de Slytherin - arriscou uma rapariga em a mesa de os Ravenclaw . - Temos outra_vez os jogos de Quidditch - bradou Wood , excitadíssimo . Quando a agitação passou , Mc_Gonagall disse : - A professora Sprout informou me que as mandrágoras estão finalmente prontas para serem cortadas . Hoje a a noite vamos poder reanimar as pessoas que foram petrificadas . Escusado será dizer que certamente uma de elas poderá revelar nos quem ou o que a atacou . Eu tenho esperança que este ano pavoroso acabe com a prisão de o culpado . Houve uma explosão de aplausos . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e não ficou nada surpreendido a o ver que Draco_Malfoy não aplaudia . O Ron , por outro lado , estava satisfeito como ninguém o via havia dias . - Não faz mal não termos perguntado a a Murta . A Hermione vai , com certeza , ter todas_as respostas quando acordarem . Vai também ficar fula quando souber que temos exames dentro_de três dias . Ela não pôde fazer revisões . Seria melhor deixarem a estar onde está até a o final de os exames . Nessa_altura , Ginny_Weasley veio sentar se junto de o Ron . Parecia nervosa e tensa e Harry reparou que torcia as mãos em o colo . - O que se passa ? - perguntou o Ron , servindo se de mais papa de aveia . Ginny não disse nada mas olhou para um lado e para o outro de a mesa de os Gryffindor , com um olhar assustado que lembrou a Harry alguém que não sabia bem quem era . - Vá lá , vomita - disse o Ron , olhando para ela . Harry percebeu subitamente quem a Ginny lhe lembrara . Ela balançava se ligeiramente para a frente e para trás em a cadeira , exactamente como o Dobby fazia quando estava hesitante , à_beira_de revelar uma informação proibida . - Tenho de te dizer uma coisa - balbuciou a Ginny receosa , sem olhar para Harry . - O que é ? - perguntou ele . Ginny parecia incapaz de encontrar as palavras certas . - O quê ? - insistiu Ron . Ginny abriu a boca mas não saiu nenhum som . Harry inclinou se para a frente e falou devagar para que só ela e Ron pudessem ouvi o . - É alguma coisa relacionada com a Câmara_dos_Segredos ? Viste alguma coisa ou alguém a agir de forma estranha ? Ginny respirou fundo e , em esse preciso momento , apareceu Percy_Weasley com um ar pálido e cansado . - Se já acabaste de comer eu fico com esse lugar , Ginny . Estou cheio de fome . Acabei agora o meu trabalho de patrulhamento . Ginny deu um salto como_se a cadeira tivesse acabado de ser electrificada , lançou a o Percy um olhar assustado e zarpou . Percy sentou se e tirou uma caneca de o meio de a mesa . -- Percy - disse o Ron aborrecido . - Ela ia agora mesmo contar nos uma coisa importante . A meio de um gole de chá , Percy estremeceu . - Que coisa ? - perguntou , tossindo . - Eu quis saber se ela tinha visto alguma coisa estranha e ela ia dizer ... - Ah ! isso ... não tem nada que ver com a Câmara_dos_Segredos - disse o Percy de imediato . - Como sabes ? - indagou o Ron , erguendo as sobrancelhas . - Bem ... er ... já_que perguntam , a Ginny ... er ... passou por mim em outro dia quando eu ... er ... não foi nada , o importante é_que ela viu me fazer uma coisa e eu ... um ... pedi lhe para não comentar com ninguém . Não pensei que ela cumprisse a palavra , verdade se diga . Não é nada importante , eu só ... Harry nunca vira o Percy tão pouco a a vontade . - O que estavas a fazer , Percy ? - riu se o Ron . - Vá lá , conta que nós não nos rimos . Percy ficou sério . - Passa me esses pãezinhos , Harry , estou cheio de fome . Harry sabia que todo o mistério poderia ser desvendado em o dia seguinte sem a ajuda de eles mas não ia deixar de falar com a Murta_Queixosa se a oportunidade surgisse . E , para sua grande satisfação , ela surgiu a meio de a manhã quando eram conduzidos a a aula de História_da_Magia_por_Gilderoy_Lockhart . Lockhart , que tantas vezes lhes assegurara que o perigo tinha passado , estava agora totalmente convencido de que acompanhar os alunos em os corredores era um trabalho inútil . O seu cabelo estava mais liso do_que de costume . Parecia ter passado toda_a noite acordado a vigiar o quarto andar . - Podem escrever o que eu digo - afirmou , acompanhando os até uma esquina . - As primeiras palavras que vão sair de a boca de aquelas pobres pessoas petrificadas serão - * _ Foi_o_Hagrid * . Francamente , estou espantado por a professora Mc_Gonagall considerar ainda necessárias estas medidas de segurança . - Concordo , professor - disse Harry , fazendo com que Ron , surpreendido , deixasse cair os livros a o chão . - Obrigado , Harry - disse Lockhart amavelmente , enquanto deixavam passar uma grande fila de Hufflepuffs . - verdade é_que os professores já têm bastante que fazer para andarem também a acompanhar os alunos a as aulas e a guardar os corredores a a noite ... - É verdade - disse o Ron , percebendo a ideia . - Porque não nos deixa aqui , professor , só falta mais um corredor . - Sabes , Weasley , sou mesmo capaz de fazer isso - disse Lockhart . - Preciso de preparar a minha próxima aula . E apressou se a seguir o seu caminho . - Preparar a aula - zombou o Ron . - Vai encaracolar o cabelo , é o mais certo . Deixaram os restantes Gryffindor passar lhes a a frente e por fim cortaram caminho em um corredor lateral e dirigiram se a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mas quando estavam a congratular se por o seu esquema brilhante ... - Potter , Weasley ! Que estão vocês a fazer aqui ? Era a professora Mc_Gonagall e a boca de ela estava mais fina do_que nunca . - Nós estávamos , estávamos - gaguejou o Ron . - Nós íamos ver , íamos ver ... - Hermione - completou Harry . A professora Mc_Gonagall e Ron olharam para ele . - Não a vemos há séculos , professora - prosseguiu Harry , pisando o pé a o Ron . - E pensamos ir espreitá a a a ala hospitalar e dizer lhe que as mandrágoras estão quase prontas , para ela não se preocupar . A professora Mc_Gonagall estava ainda a olhar para ele e , por um momento , Harry pensou que ela ia explodir mas , quando falou , fê lo em um tom de voz estranhamente rouco . - É claro - disse . E Harry , espantado , viu uma lágrima a brilhar lhe em o canto de um de os olhos . - É claro . Eu compreendo que tudo_isto tem sido muito duro para os amigos de aqueles que foram ... eu compreendo , sim , Potter . Podem ir visitar Miss_Granger . Eu mesma informarei o professor Binns de que vocês estão em o hospital . Digam a Madam_Pomfrey que vos dei autorização . Harry e Ron afastaram se , quase sem acreditar que tinham escapado a um castigo . Quando voltaram em uma esquina ouviram nitidamente a professora Mc_Gonagall a assoar se . - Esta - disse o Ron entusiasmado - foi a melhor história que tu alguma vez inventaste . Não tinham outro remédio senão ir a a ala hospitalar e dizer a Madam_Pomfrey que tinham autorização de a professora Mc_Gonagall para visitar Hermione . Madam_Pomfrey deixou os entrar com alguma relutância . - Não vale a pena falar com uma pessoa petrificada - disse , e ambos tiveram que admitir que ela tinha razão quando se sentaram junto de Hermione e constataram que ela não tinha a menor noção de estar acompanhada . Dizer lhe que não se preocupasse ou falar com o armário que estava a o lado de a cama era exactamente a mesma coisa . - Será que ela viu quem a atacou ? - perguntou o Ron , olhando com tristeza para o rosto rígido de Hermione . - Porque se a coisa saltou sobre eles , ficaremos todos sem saber de nada . Mas Harry não olhava para o rosto de Hermione . Estava mais interessado em a sua mão direita que se encontrava pousada sobre os cobertores e , inclinando se para ela , viu que tinha , fechado entre os dedos , um pedaço de papel . Assegurando se de que Madam_Pomfrey não dava por nada , fez sinal a o Ron . - Tenta tirá o - murmurou ele , colocando a cadeira de_modo_a que Madam_Pomfrey não pudesse ver o Harry . Não foi tarefa fácil . A mão de a Hermione estava fechada com uma força tal que Harry receou parti a . Enquanto Ron vigiava , ele forçou e torceu até que , por fim , depois de vários minutos bastante tensos , conseguiu tirar o papel . Era uma página retirada de um livro muito antigo de a biblioteca . Harry alisou a ansiosamente e Ron inclinou se para poder lês a também . * _ De todos os monstros assustadores que pairam a a face de a Terra , nenhum é tão curioso nem tão fatal como o Basilisk , também conhecido por o rei de as serpentes . Esta cobra que pode atingir proporções gigantescas e viver durante muitas centenas de anos nasce de um ovo de galinha que é chocado por um sapo . As suas formas de matar são pavorosas pois além de os dentes venenosos e mortais , o Basilisk tem um olhar criminoso e todos aqueles que ele fixa com os olhos tem morte instantânea . As aranhas fogem a sete pés de o Basilisk que é seu inimigo mortal , e o Basilisk foge apenas de o canto de o galo que para ele é fatal * . Por debaixo de isto uma única palavra fora escrita , em a letra que Harry reconheceu como sendo de Hermione : Canos . Foi como_se se tivesse acendido uma luz em o seu espírito . - Ron - murmurou - é isso . Está aqui a resposta . O monstro de a Câmara_dos_Segredos é um Basilisk , uma serpente gigante . Por isso , só eu tenho ouvido a sua voz em todos os lugares , porque eu compreendo * serpentês * ... Harry olhou para as camas em volta . - O Basilisk mata as pessoas fixando as com o olhar mas ninguém morreu , o que quer_dizer que ninguém o olhou directamente em os olhos . Colin viu o através de a lente de a máquina fotográfica e o Basilisk queimou o rolo que estava lá dentro mas o Colin ficou apenas petrificado . O Justin ... o Justin deve ter visto o Basilisk através de o Nick quase sem cabeça . O Nick é_que levou com o olhar mas não podia morrer outra_vez ... e perto de a Hermione e de a prefeita de os Ravenclaw foi encontrado um espelho . Hermione acabara de compreender que o monstro era um Basilisk . Aposto que preveniu a primeira pessoa que encontrou de que era melhor olhar por um espelho a o virar de cada esquina . E aquela rapariga puxou de o seu espelho e ... O Ron estava de queixo caído . - E Mrs._Norris ? - perguntou vivamente . Harry pensou um_pouco , tentando imaginar a cena em a noite de o Halloween . - A água . . . - disse lentamente . - A poça de água que saiu de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Aposto que Mrs._Norris só viu o reflexo de o monstro . Examinou a folha de papel que tinha em a mão . Quanto_mais olhava mais sentido faziam as coisas . - * _ O cantar de o galo é fatal para ele * - leu em voz alta . - Os galos de o Hagrid foram mortos . O herdeiro de Slytherin não queria um único galo perto de o castelo , com a câmara aberta . * _ As aranhas são as primeiras a fugir * . Tudo encaixa . - Mas , como tem o Basilisk andado por aí ? - disse o Ron . - Uma serpente horrível e enorme ... alguém a teria visto . Mas Harry apontou para a palavra que Hermione escrevinhara em o final de a página . - Canos - disse . - Canos ... Ron , ele tem usado a canalização . Eu ouvi sempre a voz dentro de as paredes ... Ron agarrou subitamente o braço de o Harry . - A entrada para a Câmara_dos_Segredos - disse em uma voz rouca . - E se for em uma casa_de_banho ? Se for em a ... - Em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa - completou Harry . Sentaram se , tomados de uma excitação enorme , mal querendo acreditar . - Isso significa que - disse o Harry - eu não posso ser o único em a escola a falar * serpentês * . Há também o herdeiro de Slytherin . É de esse modo que tem controlado o Basilisk . - O que vamos fazer ? - perguntou Ron com os olhos a faiscar . - Vamos falar com a Mc_Gonagall ? - Vamos até a a sala de os professores - disse Harry , dando um salto . - Ela estará lá dentro_de dez minutos , está quase em o intervalo . Desceram a escada a correr . Não querendo ser descobertos outra_vez a vaguear por os corredores foram directamente até a a sala de os professores que estava deserta . Era uma divisão ampla , toda forrada , com cadeiras de madeira escura . Harry e Ron passearam de um lado para o outro , demasiado nervosos para se sentarem . Mas a campainha anunciando o intervalo nunca mais tocava . Em vez de isso , ecoando em os corredores , ouviram a voz de a professora Mc_Gonagall incrivelmente ampliada . - * _ Todos os alunos devem regressar de imediato a os seus dormitórios . Todos os professores a a sala de professores . Imediatamente , por favor * . Harry deu meia volta e olhou para o Ron . - Não me digas que houve um novo ataque , não agora ! - Que vamos fazer ? - disse o Ron aterrado . - Voltar para o dormitório ? - Não - disse Harry , olhando e m volta . Havia uma espécie de armário a a sua esquerda cheio com os mantos de os professores . - Ali . Vamos ouvir o que se passa . A seguir poderemos contar lhes o que descobrimos . Esconderam se dentro de o armário , ouvindo a algazarra de centenas de pessoas e a porta de a sala de professores a abrir se . De o meio de a confusão de mantos bafientos , viram os professores encherem a sala . Alguns tinham um ar totalmente confuso , outros pareciam apavorados . Por fim , chegou a professora Mc_Gonagall . - Aconteceu - disse em o silêncio de a sala de professores . - O monstro levou uma aluna . Levou a mesmo para a câmara . O professor Flitwick soltou um grito agudo . A professora Sprout bateu com a mão em a boca . Snape agarrou com força as costas de uma cadeira e perguntou : - Como pode ter tanta certeza ? - O herdeiro de Slytherin - disse a professora Mc_Gonagall , muito pálida . - Deixou outra mensagem . Mesmo por baixo de a primeira : « * _ O esqueleto de ela ficará para sempre em a Câmara_dos_Segredos * . » O professor Flitwick desatou a chorar . - Quem é ela ? - quis saber Madam_Hooch que se afundara em uma cadeira . - Quem é a aluna ? - Ginny_Weasley - disse a professora Mc_Gonagall . Harry viu o Ron , a o seu lado , escorregar silenciosamente até a o chão de o armário . - Vamos ter que mandar todos os alunos embora amanhã - disse a professora Mc_Gonagall . Isto_é o fim de Hogwarts , Dumbledore sempre disse ... A porta de a sala de os professores voltou a abrir se . Por um breve momento , Harry pensou que fosse Dumbledore mas era Lockhart e vinha todo sorridente . - Peço desculpa , adormeci . Perdi alguma coisa ? Não pareceu reparar que os outros professores o olhavam com uma espécie de aversão . Snape deu um passo em frente . - O homem que faltava - disse . - O homem certo . O monstro raptou uma garota , Lockhart levou a para a Câmara_dos_Segredos . O seu momento chegou . - Isso mesmo , Lockhart - acrescentou a professora Sprout . - Não estavas a dizer ontem a a noite que sempre tinhas sabido onde era a entrada para a Câmara_dos_Segredos ? - Eu ... bem ... eu-disse atabalhoadamente Lockhart . - Sim , não me disseste que sabias exactamente o que estava lá dentro ? - disse com voz esganiçada o professor Flitwick . - Eu disse ? Não me lembro ... - Lembro me perfeitamente de o ouvir dizer que lamentava não ter feito uma tentativa com o monstro antes de o Hagrid ser preso - disse Snape . - Não disse que toda_a história tinha sido uma atrapalhação e que deveriam ter lhe dado carta branca desde o princípio ? Lockhart olhou em volta para a cara de espanto de os colegas . - Eu ... nunca ... eu de facto ... deve ter me compreendido mal . - Então vamos deixar te , Gilderoy - disse a professora Mc_Gonagall . - Esta noite será uma excelente oportunidade para actuares . Nós trataremos de assegurar que ninguém te atrapalha . Vais poder enfrentar o monstro sozinho . Finalmente tens carta branca . Lockhart olhou desesperado a a sua volta mas ninguém foi salvá o . Já não estava bem-parecido . O lábio tremia lhe e a ausência de o seu habitual sorriso de dentes brancos dava lhe um ar escanzelado . - M-muito bem - disse . - Vou até a o meu escritório para ... para me preparar . E saiu de a sala . - _ óptimo - exclamou a professora Mc_Gonagall com as narinas dilatadas . - Isto deve afastá o de o nosso caminho . Os chefes de casa devem ir agora comunicar a os respectivos alunos o que se passou e informá os de que o Expresso_de_Hogwarts os levará a casa amanhã de manhã . Os restantes certifiquem se , por favor , de que não há alunos fora de os dormitórios . Os professores levantaram se e saíram um a um . Foi talvez o dia pior de a vida de o Harry . Ele , Ron , Fred e George sentaram se juntos a um canto em a sala comum de os Gryffindor , incapazes de proferir uma palavra . Percy não estava lá . Tinha ido tratar de enviar uma coruja a Mr. e Mrs._Weasley e , em seguida , fechara se em o dormitório . Nunca uma tarde custara tanto a passar e nunca a torre de os Gryfffindor estivera tão cheia de gente e tão silenciosa . Fred e George foram para a cama quase a o pôr de o Sol , incapazes de ficar ali mais tempo . - Ela sabia qualquer coisa , Harry - disse o Ron , falando pela_primeira_vez desde_que tinham saído de o armário de a sala de os professores . - Por isso a levaram . Não era nenhuma parvoíce sobre o Percy , ela tinha descoberto qualquer coisa sobre a Câmara_dos_Segredos . Com certeza por isso é_que a ... - Ron esfregou os olhos , enervadíssimo . - Afinal ela era sangue puro , não pode haver outra explicação . Harry olhava para o sol que mergulhava de um vermelho cor de sangue em a linha de o horizonte . Era a pior coisa que lhe tinha acontecido . Se pelo_menos pudessem fazer alguma coisa . - Harry - disse o Ron . - Achas que há alguma possibilidade de ela não estar ... ? Sabes o que eu quero dizer . Harry não sabia que resposta dar . Não acreditava que a Ginny pudesse ainda estar viva . - Sabes uma coisa ? - disse o Ron . - Acho que devíamos ir ter com o Lockhart , contar lhe o que sabemos . Ele vai tentar entrar em a câmara , podemos dizer lhe onde achamos que fica a entrada e contar lhe que o monstro é um Basilisk . Como Harry não tinha nenhuma ideia melhor e como queria fazer alguma coisa , concordou . Os Gryffindor que os rodeavam estavam tão tristes e com tanta pena de os Weasley que ninguém tentou impedi os quando os viram levantar se , atravessar a sala e sair por o buraco de o retrato . A escuridão começava a instalar se quando chegaram a o escritório de Lockhart onde a actividade era muita . De o corredor ouvia se o ruído de coisas a serem deitadas fora , pancadas surdas e passos apressados . Harry bateu a a porta e houve um silêncio repentino . Em seguida abriu se uma fresta de a porta e viram um de os olhos de Lockhart a espreitar . - Oh ! ... Mr._Potter ... Mr._Weasley - disse entreabrindo a porta . - Estou um_pouco ocupado em este momento , se forem rápidos ... - Professor , nós temos informações para lhe dar - disse o Harry . - Acho que poderão ajudá o . - Er ... bem ... não é - o lado de a cara de Lockhart que conseguiam ver parecia muito pouco a a vontade . - Quer_dizer ... bem ... está bem . Abriu a porta e eles entraram . O escritório estava praticamente vazio . Em o chão estavam duas grandes malas abertas . Mantos verde-jade , lilás , azul-noite tinham sido apressadamente dobrados e guardados dentro_de uma de as malas . Os livros misturavam se todos dentro de a outra . As fotografias que antes cobriam as paredes estavam agora arrumadas em caixas , em cima de a secretária . - Vai a algum lado ? - perguntou Harry . - Er ... bem ... sim - disse Lockhart , arrancando de a porta um poster seu em tamanho natural , enquanto falava , e começando a enrolá o . - Uma chamada urgente ... inevitável ... tenho que ir . - E a minha irmã ? - perguntou o Ron bruscamente . - Bem , quanto_a isso foi uma pena - disse Lockhart , evitando olhá os em os olhos , abrindo uma gaveta e começando a despejar o seu conteúdo dentro_de um saco . - Ninguém lamenta mais do_que eu ... - O senhor é o professor de Defesa contra as artes negras - disse Harry . - Não pode ir se embora agora_que todas estas coisas de magia negra estão a acontecer aqui . - Bem , devo dizer te que ... quando aceitei o lugar ... - resmungou Lockhart , empilhando soquetes sobre os mantos - nada em a descrição de o meu trabalho fazia prever ... - Quer_dizer que vai fugir ? - perguntou Harry , incrédulo . - Depois de todas_as coisas que conta em os seus livros ? - Os livros podem ser enganadores - disse Lockhart delicadamente . - Mas foi o senhor que os escreveu - gritou Harry . - Meu rapaz - disse Lockhart , endireitando se e franzindo as sobrancelhas - usa o senso comum . Os meus livros não teriam vendido metade do_que venderam se as pessoas não acreditassem que eu tinha feito todas aquelas coisas . Ninguém está interessado em ler sobre um velho feiticeiro americano mesmo_que ele tenha salvo uma cidade inteira de os lobisomens , ficaria péssimo em a capa . E a bruxa que correu com a fada carpideira tinha um lábio leporino . Como vês . - Quer_dizer que ficou com os louros por tudo_o_que uma série de outras pessoas fizeram ? - perguntou Harry , sem querer acreditar . - Harry , Harry - disse Lockhart , abanando impacientemente a cabeça . - Não é tão simples assim . Envolveu muito trabalho . Tive de localizar todas essas pessoas , perguntar lhes em pormenor como tinham feito as coisas . Depois tive de lhes fazer um feitiço antimemória para que não voltassem a lembrar se do_que tinham feito . Se há uma coisa de que me orgulho é de os meus feitiços antimemória . Não , tive muito trabalho , Harry . Não foram só as sessões de autógrafos e as fotografias , sabes ? Quem quer ser famoso tem de estar preparado para um trabalho longo e fatigante . Fechou as malas a a chave . - Vejamos - disse . - Acho que está tudo . Sim , só falta uma coisa . - Empunhou a varinha e voltou se para eles . - Lamento muito , rapazes , mas vou ter de vos fazer um feitiço antimemória . Não posso deixar que vão por aí repetir os meus segredos . Não venderia nem mais um livro . Harry pegou em a varinha mesmo a tempo e Lockhart mal tinha levantado a de ele a o ar quando Harry gritou * _ Expelliarmus ! * Lockhart foi projectado de costas , indo cair em cima de a mala . A varinha voou por os ares . Ron agarrou a e atirou a por a janela aberta . - Não devia ter deixado o professor Snape ensinar nos esta - disse Harry furioso , dando um pontapé a uma de as malas . Lockhart olhava para ele , de_novo escanzelado . Harry apontava lhe a varinha . - O que queres que eu faça ? - perguntou debilmente . - Eu não sei onde fica a Câmara_dos_Segredos . Não posso fazer nada . - Está com sorte - disse Harry , forçando o com a varinha a pôr se de pé . - Nós julgamos saber onde é e o que está lá dentro . Vamos . Conduziram Lockhart para fora de o seu escritório , desceram com ele as escadas e seguiram por o corredor escuro em cuja parede brilhavam as mensagens , até a a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mandaram Lockhart a a frente . Harry gostou de ver que todo ele tremia . A Murta_Queixosa estava sentada em a cisterna de o cubículo de o fundo . - Ah ! são vocês - disse a o ver o Harry . - O que querem agora ? - Perguntar te como morreste - disse Harry . O aspecto de a Murta mudou por completo . Parecia que nunca lhe tinham feito uma pergunta tão lisonjeira . - Ooooh ! Foi horrível - disse satisfeita . - Aconteceu aqui mesmo . Morri em este cubículo . Lembro me tão bem . Estava escondida porque a Olive_Hornby andava a implicar comigo por causa de os meus óculos . A porta estava fechada e eu estava a chorar e , então , ouvi alguém entrar . Disseram qualquer coisa estranha em uma língua diferente , acho eu . Mas o que mais me espantou foi o ser um rapaz a falar . Por isso , abri a porta para lhe dizer que fosse a a casa_de_banho de eles e em esse momento - a Murta inchou com ar importante , o rosto a brilhar - morri . - Como ? - perguntou Harry . - Não faço ideia - disse a Murta em um tom de voz abafado . - Só me lembro de ver dois grandes olhos amarelos , de o meu corpo ficar preso e em seguida , sentir me a flutuar ... - olhou sonhadoramente para Harry . - E depois voltei . Estava disposta a vingar me de a Olive_Hornby , percebes ? Ela ia arrepender se de ter gozado com os meus óculos . - Onde foi exactamente que viste os tais olhos ? - perguntou Harry . - Algures por aí - disse a Murta , apontando vagamente para o lavatório em frente de o seu cubículo . Harry e Ron apressaram se . Lockhart estava de pé , mais atrás , com uma expressão de pavor em o rosto . O lavatório parecia perfeitamente vulgar . Examinaram o centímetro a centímetro , dentro e fora , incluindo os canos por baixo . E foi então que Harry reparou : de lado , rabiscada em uma de as torneiras de cobre , estava uma cobra pequenina . - Essa torneira nunca funcionou - disse vivamente a Murta enquanto ele tentava abri a . - Harry - sugeriu o Ron . - Diz qualquer coisa em * serpentês * . Mas , pensou Harry , as únicas vezes que conseguira falar * serpentês * tinham ocorrido quando confrontado com uma verdadeira serpente . Olhou , concentrado para a pequena cobra gravada em o cobre , tentando imaginá a como verdadeira . - Abre te - disse . Olhou para o Ron que abanou a cabeça . - Inglês - disse ele . Harry voltou a olhar para a cobra , forçando se a acreditar que estava viva . A luz de a vela fez parecer que se movia . - Abre te - repetiu . Mas desta_vez as palavras não foram o que ele ouviu . Um estranho sibilar escapou lhe de a boca e a torneira ganhou uma luz branca e brilhante e começou a rodar . Logo_a_seguir o lavatório mexeu se . Afastou se , melhor dizendo , saiu de o caminho , deixando um grande cano a a vista , um cano onde cabia um homem . Harry ouviu a respiração arquejante de o Ron e olhou de_novo para ele . Já decidira o que queria fazer . - Vou descer - disse . Não podia deixar de ir , agora_que acabavam de descobrir a entrada para a câmara , existindo uma possibilidade , por mais remota que fosse , de a Ginny ainda estar viva . - Eu também - disse o Ron . Houve uma pausa . - Bem , parece que não precisam mais de mim - apressou se Lockhart a dizer com uma réstia de sorriso . - Eu vou . . . Pôs a mão em o puxador de a porta mas Ron e Harry apontaram lhe ambos as varinhas . -- O senhor pode ir a a frente - disse rispidamente o Ron . Pálido e sem varinha , Lockhart aproximou se de a entrada . - Meus rapazes - disse em uma voz débil . - Meus rapazes , para quê tudo_isto ? Harry tocou lhe em as costas com a varinha e ele meteu as pernas em o cano . - Eu não me parece que ... - começou a dizer , mas o Ron deu lhe um empurrão e ele desapareceu por o cano abaixo . Harry foi rapidamente atrás . Introduziu se lentamente e deixou se cair . Era como escorregar em uma pista escura e interminável . Ele via outros canos , estendendo se em todas_as direcções mas nenhum tão largo como o de eles que se torcia e virava , inclinando se abruptamente . Harry sabia que estavam a chegar a um ponto muito abaixo de a escola e de os calabouços . Atrás_de si , ouvia o Ron gemendo em cada curva . E então , quando começava a preocupar se com o que iria acontecer quando tocassem em o chão , o cano tornou se horizontal e ele foi projectado com um ruído surdo , indo aterrar em o chão húmido de um túnel de pedra com altura suficiente para ele se pôr de pé . Lockhart estava a levantar se a alguma distancia , todo enlameado e pálido como um fantasma . Harry afastou se para deixar o Ron sair também de o cano . - Devemos estar quilómetros e quilómetros abaixo de a escola - disse o Harry cuja voz ecoou em o túnel negro . - Talvez até debaixo de o lago - arriscou o Ron , olhando em volta para as paredes escuras e viscosas . Voltaram se os três para olhar para a escuridão lá a o fundo . - * _ Lumus ! * - murmurou Harry a a varinha e ela voltou a acender se . - Vamos - disse a o Ron e a o Lockhart e avançaram , os passos a chapinharem ruidosamente em o chão molhado . O túnel era tão escuro que só conseguiam ver alguns centímetros a a frente . As suas sombras em as paredes molhadas pareciam monstruosas a a luz de a varinha . - Lembrem se - disse Harry baixinho enquanto caminhavam . - A o menor movimento fechem logo os olhos ... Mas o túnel era silencioso como um túmulo e o primeiro som inesperado que ouviram foi um grito de o Ron que escorregou em uma coisa que era afinal a cauda de um rato . Harry baixou a varinha para olhar para o chão e viu que estava cheio de pequenos ossos de animais . Fazendo um enorme esforço para evitar pensar em que estado iriam encontrar a Ginny , avançou até uma curva escura de o túnel . - Harry , está aqui qualquer coisa - disse o Ron com voz rouca , agarrando Harry por o ombro . Ficaram estáticos a olhar . Harry só conseguia ver a silhueta de algo enorme e curvo deitado em o túnel . Fosse o que fosse não se movia . - Talvez esteja a dormir - murmurou , olhando para os outros dois . Lockhart tapava os olhos com as mãos . Harry voltou se para olhar para a criatura com o coração a bater tanto que lhe doía em o peito . Lentamente , com os olhos quase fechados mas ainda conseguindo ver , Harry avançou com a varinha levantada . A luz deslizou sobre uma gigantesca pele de serpente , de um verde vivo e venenoso que estava vazia e enrolada em o chão de o túnel . A criatura que a abandonara devia ter , pelo_menos , seis metros e meio de comprimento . - Bolas - disse o Ron , perdendo as forças . Houve um movimento súbito atrás de eles . As pernas de Gilderoy_Lockhart cederam . - Levante se - disse o Ron de uma forma cortante , apontando lhe a varinha . Lockhart pôs se de pé . Em seguida empurrou o Ron , atirando o a o chão . Harry deu um salto , mas ... tarde de mais . Lockhart endireitava se com a varinha de o Ron em as mãos e um sorriso em o rosto . - A aventura acaba aqui , rapazes - disse . - Vou levar um bocado de esta pele de cobra para a escola , contar lhes que foi demasiado tarde para salvar a garota e que vocês os dois perderam tragicamente a memória com a visão de o seu corpinho mutilado . Digam adeus a as vossas recordações . Levantou a o ar a varinha avariada de o Ron e gritou * _ Obliviate ! * A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba . Harry pôs os braços sobre a cabeça e correu , escorregou em os anéis de a pele de cobra , afastando se de os grandes pedaços de tecto de o túnel que caíam em o chão com o ruído de trovões . Pouco depois estava sozinho , olhando para uma sólida parede de rocha partida . - Ron - gritou ele . - Estás bem , Ron ? - Estou aqui - respondeu a voz abafada de o Ron por detrás de a avalancha de rochas . - Eu estou bem mas este sujeito não . A varinha avariou o todo . Ouviu se um ruído surdo e um Oh ! gritado . Parecia que o Ron tinha acabado de dar a o Lockhart um pontapé em as canelas . - E agora ? - disse a voz de o Ron que parecia desesperada . - Não podemos passar , vai demorar séculos . Harry olhou para o tecto de o túnel onde tinham aparecido grandes fendas . Ele nunca tentara partir , através de a magia , nada tão grande como aquelas rochas e agora não lhe parecia ser o melhor momento para fazer experiências . E se o túnel abatesse ? Houve um ruído surdo e outro Oh ! atrás de as rochas . Estavam a perder tempo . A Ginny já estava havia duas horas em a Câmara_dos_Segredos . Harry sabia que só havia uma coisa a fazer . - Espera aqui - gritou a o Ron . - Fica com o Lockhart , eu vou lá . Se não voltar dentro_de uma hora ... Houve um silêncio cheio . - Eu vou ver se desloco um_pouco esta rocha - disse o Ron , tentando manter a voz firme . - Para tu poderes passar . E , Harry ... - Até já - disse o Harry , procurando injectar confiança em a sua voz trémula . E passou sozinho para lá de a imensa pele de serpente . Em_breve , o ruído de o Ron , tentando deslocar a rocha , deixou de se ouvir . O túnel virou uma e outra_vez . Os nervos de o corpo de o Harry tangiam de forma desagradável . Ele só queria que o túnel chegasse a o fim , fosse o que fosse que o aguardasse . E então , finalmente , quando atingiu a última curva , viu em a sua frente uma parede sólida que tinha gravadas duas serpentes enroladas uma em a outra , cujos olhos eram quatro esmeraldas , enormes e brilhantes . Harry aproximou se com a garganta seca . Não foi preciso imaginar que as serpentes eram autênticas . Os seus olhos pareciam estranhamente vivos . Foi fácil descobrir o que tinha de fazer . Pigarreou e os olhos de esmeraldas pareceram mexer se . - Abre te - disse Harry em um sibilar baixo . As serpentes desapareceram enquanto a parede se abria a o meio e , a tremer de os pés a a cabeça , Harry entrou . XVII_Herdeiro_de_Slytherin_Estava de pé em o fundo de uma divisão enorme , fracamente iluminada . Altíssimos pilares de pedra , cheios de serpentes gravadas que os enlaçavam , erguiam se , suportando um tecto que se perdia em a escuridão e que lançava sombras negras imensas através de a estranha luz esverdeada que enchia o local . Com o coração a bater descompassadamente , Harry ficou parado a ouvir aquele silêncio arrepiante . Estaria o Basilisk escondido em um canto cheio de sombras , atrás_de algum pilar ? E onde estaria Ginny ? Pegou em a varinha e avançou a o longo de as colunas serpenteantes . Cada_um de os seus passos provocava um enorme eco em as paredes sombrias . Harry tinha os olhos semicerrados e estava pronto para os fechar a o mais pequeno movimento . As órbitas de olhos fundos de as serpentes de pedra pareciam segui o . Por mais de uma_vez , com o estômago a dar um salto , Harry julgou vê os moverem se . Por fim , chegado a o nível de os dois últimos pilares , avistou uma estátua de a altura de a própria câmara que estava encostada a a parede de o fundo . Harry tinha de esticar o pescoço para olhar para_cima , para a cara de o gigante : era velho e com um ar simiesco , tinha uma barba enorme que lhe caía quase onde acabava a longa túnica de pedra . Os dois pés imensos e cinzentos pousavam em o chão de a câmara . E entre eles , voltada para baixo , estava uma figura pequenina vestida de preto com um cabelo flamejante . - Ginny - murmurou Harry , chegando perto de ela e ajoelhando se . - Ginny , por favor não estejas morta , não estejas morta ! Atirou a varinha para o lado , agarrou Ginny por os ombros e voltou a . O rosto de ela estava branco e frio como o mármore , contudo os olhos encontravam se fechados , portanto não estava petrificada . Mas então devia estar ... - Ginny , acorda por favor - repetiu Harry desesperado , sacudindo a . A cabeça de ela andava de um lado para o outro . - Ela não vai acordar - disse secamente uma voz . Harry deu um salto e girou sobre os joelhos . Um rapaz alto , de cabelo preto , estava encostado a o pilar mais próximo , a observá o . As sombras desfocavam o como_se Harry o visse através_de uma janela embaciada . Mas não havia como confundis o . - Tom , Tom_Riddle ? Riddle acenou , sem tirar os olhos de o rosto de Harry . - O que queres dizer com isso de ela não acordar ? - perguntou Harry desesperado . - Ela não está ... não está ? - Está viva - disse Riddle . - Mas , por um fio . Harry olhou fixamente para ele . Tom_Riddle estivera em Hogwarts há cinquenta anos atrás . Contudo , ali estava com uma luz estranha e desfocada a iluminá o , sem um dia a mais do_que os seus dezasseis anos . - És um fantasma ? - perguntou Harry . - Uma memória - disse Riddle . - Preservada em um diário durante cinquenta anos . Apontou para os pés de a estátua gigantesca . Ali , aberto em o chão , estava o pequeno diário de capa preta que Harry tinha encontrado em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Durante um segundo , Harry perguntou a si próprio como teria ido ali parar , mas havia coisas mais importantes a fazer . Preciso de a tua ajuda , Tom - disse Harry , levantando de_novo a cabeça de a Ginny . - Temos de sair de aqui . Há_um_Basilisk ... não sei onde está mas pode aparecer a qualquer momento . Por favor , ajuda me . Riddle não se mexeu . Harry , a transpirar , conseguiu levantar ligeiramente a Ginny de o solo e inclinou se para pegar em a varinha mas ela tinha desaparecido . - Viste a ... ? Olhou para_cima . Riddle continuava a olhá o , fazendo girar a varinha entre os dedos longos . - Obrigado - disse Harry , esticando o braço para a agarrar . Um sorriso surgiu então em os cantos de a boca de Riddle que continuou a olhar para ele , girando indolentemente a varinha . - Ouve , pá - disse Harry sem querer perder mais tempo , os joelhos a vergarem sob o peso morto de Ginny - temos de ir . Se o Basilisk aparece ... - Ele não vem enquanto não for chamado - disse Riddle com toda_a calma . Harry voltou a pousar Ginny em o chão , incapaz de a segurar por mais tempo . - Que queres dizer com isso ? - perguntou . - Dá me a minha varinha , posso precisar de ela . O sorriso de Riddle ampliou se . - Não vais precisar de ela - disse . Harry olhou o espantado . - O que queres dizer , não vou ? - Esperei muito_tempo por isto , Harry - disse Riddle . - Pela possibilidade de te ver , de falar contigo . - Olha , eu acho que tu não estás a perceber - disse Harry , perdendo a paciência . - Estamos em a Câmara_dos_Segredos , podemos conversar mais tarde . - Vamos conversar agora - disse Riddle , sorrindo de orelha a orelha e guardando a varinha de Harry em o bolso . Harry voltou a olhar para ele . Havia qualquer coisa de muito estranho em tudo aquilo . - Como é_que a Ginny ficou assim ? - perguntou pausadamente . - Bem , essa é uma pergunta interessante - disse Riddle , divertido . - E uma longa história , também . Julgo que o verdadeiro motivo que levou Ginny_Weasley a ficar assim foi o ter aberto o seu coração e revelado todos os seus segredos a um estranho ser invisível . - De quem estás a falar ? - perguntou Harry . - De o diário - disse Riddle . - De o meu diário . A Ginny escreve nele há meses e meses , contando me todas_as suas lamentáveis desgraças e atribulações : como os irmãos a arreliam , que teve de vir para a escola com manto , túnica e livros em segunda mão - os olhos de Riddle brilharam -- , que acha que o maravilhoso , o grande , o famoso Harry_Potter nunca vai gostar de ela ... Enquanto falava , nunca os olhos de Riddle se afastaram de a cara de o Harry . Havia em eles um olhar ávido . - É muito chato ter de ouvir as preocupações idiotas de uma garotinha de onze anos - prosseguiu . - Mas eu fui paciente . Respondi lhe , mostrei me simpático e amável . A Ginny pura e simplesmente adorou me . - * _ Nunca ninguém me compreendeu como tu , Tom ... estou tão feliz por ter este diário a quem me confiar ... é como ter um amigo que pode andar em o meu bolso * ... Riddle riu se . Um riso alto , frio , que não lhe ficava bem . Fez com que os cabelos de o pescoço de Harry se arrepiassem todos . - Verdade se diga que sempre consegui encantar as pessoas necessárias . Portanto a Ginny verteu em mim a sua alma e a alma de ela era precisamente o que eu queria . Fortaleceu me . Alimentei me de os seus medos mais profundos , de os seus mais obscuros segredos . Fui ficando cada_vez_mais forte e poderoso . Muito mais poderoso do_que a pequena Miss_Weasley até que comecei a transmitir lhe alguns de os meus segredos , a passar um_pouco de a minha alma para ela ... - O que queres dizer ? - perguntou Harry cuja boca ficara totalmente seca . - Ainda não descobriste , Harry_Potter ? - disse Riddle muito baixo . - Giony_Weasley abriu a Câmara_dos_Segredos , estrangulou os galos de a escola e escreveu mensagens assustadoras em as paredes . Atiçou a serpente de Slytherin contra quatro sangues de lama e contra o gato de o busca-pé . - Não - murmurou Harry . - Sim - disse calmamente Riddle . - É claro que a princípio não sabia o que estava a fazer . Era muito divertido . Gostava que visses as coisas que escreveu em o diário , começaram a ficar muito mais interessantes . * _ Querido_Tom * - recitou ele , olhando para a expressão horrorizada de o Harry . - * _ Acho que estou a perder a memória . Há penas de galo em todas_as minhas roupas e eu não sei como foram lá parar . Querido_Tom , não me lembro do_que fiz em a noite de o Hallowe'en mas foi atacada uma gata e eu estou cheia de tinta em a cara . Querido_Tom , o Percy não pára de me dizer que ando pálida e não pareço eu . Acho que ele suspeita de mim ... Houve outro ataque hoje e eu não sei onde estava . Tom , que vou eu fazer ? Acho que estou a ficar maluca ... acho que ando a atacar toda_a_gente , Tom ! * Harry tinha os punhos fechados , as unhas cravadas contra a palma de as mãos . - Levou muito_tempo até a pequenina estúpida deixar de confiar em o diário - disse Riddle . - Mas acabou por ficar desconfiada e tentou livrar se de ele . E é aí que tu entras , Harry . Tu encontraste o . E eu não poderia ter ficado mais satisfeito . De todas_as pessoas que poderiam ter ficado com ele , foste tu , aquele que eu ambicionava conhecer ... - E porque querias conhecer me ? - perguntou Harry . Começava a ser tomado por a raiva e fez um esforço para manter o tom de voz controlado . - Bem , a Ginny contou me tudo a teu respeito - disse Riddle . - A tua fascinante história . - Os seus olhos pousaram em a cicatriz em a testa de Harry e a sua expressão ganhou maior avidez . - Sabia que devia descobrir mais a teu respeito , falar te , encontrar me contigo se fosse possível . Por isso , para ganhar a tua confiança , resolvi mostrar te a famosa captura que fiz de aquele demente de o Hagrid . - O Hagrid é meu amigo - disse Harry já com a voz a tremer . - E tu tramaste o , não foi ? Pensei que tinha sido um engano , mas ... Ele riu se . O mesmo riso de antes . - Era a minha palavra contra a palavra de ele . Imagina a cara de o velho Armando_Dippet . De um lado Tom_Riddle , pobre mas brilhante , sem pais mas corajoso , prefeito de a escola , um modelo de aluno . De o outro lado , o Hagrid , grande e disparatado , arranjando problemas semana sim , semana não , tentando criar filhotes de lobisomens debaixo de a cama , escapando se para a floresta proibida para lutar com gigantes . Mas , devo admitir que até eu próprio fiquei admirado com os excelentes resultados de o meu plano . Pensei que alguém perceberia que o Hagrid nunca poderia ser o herdeiro de Slytherin . Demorei cinco anos inteirinhos até descobrir tudo_o_que me foi possível sobre a Câmara_dos_Segredos e a sua entrada secreta ... como_se o Hagrid tivesse cabeça ou poder ! - Só o professor de Transfiguração , Dumbledore , parecia achar que ele estava inocente . Convenceu Dippet a mantê o aqui e a treiná o como guarda de os campos . Sim , é natural que Dumbledore tenha adivinhado , nunca gostou de mim como os outros professores . - Aposto que Dumbledore viu através_de ti - disse Harry , de dentes cerrados . - Pelo_menos passou a vigiar me de perto , a partir de o momento em que o Hagrid foi expulso - disse Riddle descuidadamente . - Eu sabia que não era seguro voltar a abrir a câmara enquanto ainda estava em a escola mas não ia desperdiçar os longos anos que passara a pesquisar . Decidi , por isso , deixar um diário preservando em as suas páginas o meu ego de dezasseis anos para que um dia , com um_pouco de sorte , pudesse levar outro a seguir os meus passos e acabar o nobre trabalho de Salazar_Slytherin . - Bem , não o acabaste - disse Harry triunfante . - Ninguém morreu até agora , nem mesmo a gata . Dentro_de poucas horas a poção de mandrágoras estará pronta e todos os que foram petrificados voltarão de_novo a si . - Não acabei de te dizer que matar sangues de lama já não me interessa ? Há muitos meses que o meu alvo és tu . Harry olhou para ele . - Podes imaginar como fiquei furioso quando em outro dia o diário foi aberto e vi que era a Ginny quem estava a escrever e não tu . Ela viu te com o diário e entrou em pânico . E se tu descobrisses como trabalhar com ele e eu te repetisse todos os seus segredos ? Ainda pior , e se eu te contasse quem tinha andado a estrangular os galos ? Por isso , a grande palerma esperou que o teu dormitório estivesse deserto e foi lá roubá o . Mas eu sabia o que tinha de fazer . Estava muito claro para mim que a tua meta era o herdeiro de Slytherin . Por tudo_o_que a Ginny me contara a teu respeito , sabia que irias até onde fosse preciso para desvendar o mistério , principalmente se um de os teus melhores amigos tivesse sido atacado . E a Ginny disse me que a escola toda bichanava por tu falares * serpentês * ... Por isso , obriguei a Ginny a escrever a sua própria despedida em a parede , a vir até aqui e esperar . Ela debateu se e gritou e ficou muito chatinha . Mas , já não tem muita vida : pôs grande parte de ela em o diário , deu me a . O suficiente para eu abandonar , por fim , as suas páginas . Desde_que aqui cheguei que estou a a tua espera . Sabia que virias . Tenho muitas perguntas a fazer te , Harry_Potter . - Que perguntas ? - disse Harry com os punhos fechados . - Bem - prosseguiu Riddle , sorrindo de satisfação : - Como é_que um bebé sem especiais talentos de magia foi capaz de derrotar o maior feiticeiro de sempre ? Como conseguiste escapar só com uma cicatriz quando os poderes de Lord_Voldemort foram destruídos ? Havia agora em os seus olhos um brilho vermelho e irado . - O que é_que te interessa saber como eu escapei ? - disse Harry lentamente . - Voldemort veio depois de ti . - Voldemort - disse Riddle - é o meu passado , o meu presente e o meu futuro , Harry_Potter ... Tirou a varinha de o Harry de o bolso e começou a escrever em o ar três palavras brilhantes : TOM_MARVOLO_RIDDLE_Em seguida , fez um gesto com a varinha e as letras de o seu nome reagruparam se de outro modo . : __ eu sou lord __ voldemort ( I am Lord_Voldemort ) . - Vês ? - murmurou . - Era um nome que eu já usava em Hogwarts , para os meus amigos mais íntimos apenas , como é óbvio . Achas que ia usar para sempre o nome nojento de o meu pai Muggle ? Eu , em cujas veias , por o lado materno , corre o sangue de Salazar_Slytherin ? Eu , manter o nome de um Muggle tolo que me abandonou ainda antes de eu nascer só porque descobriu que a mulher com quem casara era uma bruxa ? Não , Harry , arranjei um novo nome , um nome que eu sabia que os feiticeiros de todo_o_mundo viriam um dia a ter medo de pronunciar , quando eu me tivesse tornado o maior feiticeiro de o mundo . A cabeça de Harry parecia bloqueada . Olhou como_que paralisado para Riddle , para o rapaz de o orfanato que depois de crescer iria matar os seus pais e tantos outros . Por fim , com algum esforço conseguiu falar . - Não és - disse em uma voz calma e cheia de ódio . - Não sou o quê ? - perguntou Riddle irritado . - Não és o maior feiticeiro de o mundo - disse Harry com a respiração acelerada . - Lamento desiludir te mas o maior feiticeiro de o mundo é Albus_Dumbledore . Toda_a_gente sabe . Mesmo tu , quando tinhas força , não ousavas tentar aproximar te de Hogwarts . Dumbledore viu através_de ti quando andavas em a escola e ainda agora te assusta onde quer que te escondas . O sorriso desaparecera de o rosto de Riddle , fora substituído por um olhar furioso . - Dumbledore foi afastado de este castelo por a minha simples memória - sibilou . - Ele não está tão longe como pensas - retorquiu Harry . Falava por falar , tentando assustar Riddle , desejando mais que assim fosse do_que acreditando em as suas palavras como uma verdade . Riddle abriu a boca mas não chegou a falar . Tinha começado a ouvir se uma música . Riddle deu uma volta , olhando para a câmara vazia . A música estava a ficar mais alta . Era misteriosa , arrepiante , sobrenatural . Fez_Harry ficar com os cabelos em pé e o coração aumentar lhe em o peito . Por fim , quando atingiu um ponto tão alto que Harry a sentiu vibrar dentro de as suas costelas , começaram a sair chamas de o topo de o pilar mais próximo . Uma ave carmesim de o tamanho de um cisne surgiu , assobiando a sua estranha melodia para o tecto em forma de abóbada . Tinha uma cauda dourada tão longa como a de um pavão e garras douradas e brilhantes que seguravam uma trouxa andrajosa . Segundos depois , a ave voava em direcção a Harry . Deixou cair a coisa andrajosa a os seus pés e pousou lhe pesadamente em o ombro . Quando abriu as enormes asas , Harry olhou para_cima e viu que tinha um longo bico afiado e olhos escuros pequenos e brilhantes . A ave parou de cantar . Ficou quieta junto de a cara de Harry , olhando fixamente para Riddle . - É uma fénix , disse Riddle , olhando sagazmente para ela . - Fawkes ? - murmurou Harry e sentiu as garras douradas apertarem lhe devagarinho o ombro . - E aquilo - disse Riddle , olhando para a coisa velha que Fawkes deixara em o chão - é o velho chapéu seleccionador , de a escola . Era , de facto . Amachucado , puído e sujo , o chapéu jazia imóvel a os pés de Harry . Riddle começou a rir . Riu se tanto que a câmara escura se lhe juntou em um eco tal que parecia que dez Riddles se riam ao_mesmo_tempo . - Eis o que Dumbledore envia a o seu defensor . Um pássaro que canta e um chapéu velho . Estás cheio de coragem , Harry_Potter ? Sentes te agora mais seguro ? Harry não respondeu . Podia não estar a ver a vantagem de a Fawkes ou de o chapéu seleccionador mas já não se sentia só , e esperou corajosamente que Riddle parasse de rir . - Vamos a o que importa , Harry - disse ele , ainda com um enorme sorriso . - Encontrámo nos duas vezes em o teu passado , em o meu futuro . E duas vezes falhei a o tentar matar te . Como foi que sobreviveste ? Conta me tudo . Quanto_mais falares , mais tempo tens de vida . Harry pensava rapidamente , medindo as suas possibilidades . Riddle tinha a varinha . Ele , Harry , tinha a Fawkes e o chapéu seleccionador que não lhe serviriam de muito em o combate . As coisas pareciam más , é certo . Mas quanto_mais tempo Riddle ali estivesse , mais vida retirava a a Ginny ... e , entretanto , Harry reparou que a silhueta de Riddle se tornava mais nítida , mais sólida . Se tinha de haver uma luta entre os dois , quanto_mais depressa melhor . - Ninguém sabe porque perdeste os poderes quando me atacaste - disse bruscamente . - Eu próprio não sei . Mas sei porque não conseguiste matar me . A minha mãe morreu para me salvar . A minha mãe , uma vulgar filha de Muggles - acrescentou , a tremer de raiva . - Ela impediu que tu me matasses . E eu vi te como tu és , em o ano passado . És um destroço , quase não existes . Foi onde o teu poder te levou . Estás sob um disfarce , és horrível e és louco . O rosto de Riddle contorceu se . Em seguida , forçou um sorriso pavoroso . - Quer_dizer , então , que a tua mãe morreu para te salvar . Sim , é um antifeitiço poderoso . Compreendo agora , afinal não há em ti nada de especial . Eu tinha curiosidade , sabes , porque há uma estranha semelhança entre nós , Harry_Potter . Até tu deves ter reparado . Somos ambos meio sangue , órfãos , educados com Muggles , provavelmente os dois únicos que falam * serpentês * desde o grande Slytherin , até nos parecemos um_pouco fisicamente ... mas afinal foi apenas uma questão de sorte que te salvou de mim . Era o que eu queria saber . Harry ficou parado , tenso , a a espera que Riddle levantasse a varinha mas o seu sorriso cínico ampliou se de_novo . - Agora , Harry , vou dar te uma pequena lição . Vamos confrontar os poderes de Lord_Voldemort , herdeiro de Salazar_Slytherin e de o famoso Harry_Potter , munido com as melhores armas que Dumbledore lhe deu . Lançou um olhar divertido a a Fawkes e a o chapéu seleccionador e , em seguida , afastou se . Harry com as pernas entorpecidas por o medo viu o parar entre dois pilares altos e olhar para a cara de pedra de Slytherin , lá em cima em a semi-obscuridade . Riddle abriu a boca e sibilou mas Harry compreendeu o que ele dizia . - * _ Responde-me , Slytherin , o maior de os quatro de Hogwarts * . Harry voltou se para olhar melhor para a estátua com Fawkes pousada em o ombro . A gigantesca cara de pedra de Slytherin movia se . Horrorizado , Harry viu a boca abrir se mais e mais até se transformar em um buraco negro . E algo se agitava dentro de a boca de a estátua . Algo se arrastava para fora de as suas entranhas . Harry recuou até a a parede escura de a câmara e enquanto fechava os olhos com força sentiu a asa de a Fawkes roçar lhe o rosto e levantar voo . Harry quis gritar : - Não me abandones ! - mas que possibilidades tinha uma fénix contra o rei de as serpentes ? Uma coisa enorme bateu em o chão de pedra que Harry sentiu estremecer . Sabia o que estava a acontecer , podia sentis o , quase podia ver a serpente gigantesca a sair de a boca de Slytherin . Foi então que ouviu a voz de Riddle sibilar : * _ Mata-o * . O Basilisk avançava em direcção a Harry . Ele ouvia o seu corpo enorme escorregar pesadamente por o chão cheio de pó . Com os olhos sempre fechados , Harry começou a correr para o lado , a as cegas , com as mãos abertas a tactear o caminho . Riddle ria se a as gargalhadas . Harry escorregou e caiu em o chão de pedra e a boca soube lhe a sangue . A serpente estava a poucos centímetros de ele . Podia ouvi a a aproximar se . Ouviu se um crepitar explosivo por cima de ele e alguma coisa pesada bateu lhe com tanta força que ele ficou encostado a a parede . Esperando que os dentes de a serpente lhe perfurassem o corpo , ouviu mais ruídos e qualquer coisa que se agitava com força contra os pilares . Não conseguiu evitar . Abriu bem os olhos para ver o que se passava . A enorme serpente , brilhante , de um verde veneno , espessa como o tronco de um carvalho , erguera se em o ar e a sua imensa cabeça agitava se de um lado para o outro , entre os dois pilares . Quando Harry , a tremer , se preparava para fechar de_novo os olhos , percebeu o que distraíra a cobra . Fawkes esvoaçava em volta de a sua cabeça e o Basilisk , furioso , tentava agarrá a com os dentes longos e afiados como sabres . Fawkes mergulhava . Harry deixou de ver o bico fino e dourado e uma brusca chuva de sangue escuro inundou o chão . A cauda de a serpente agitou se , não batendo em o Harry por_pouco e antes que ele pudesse fechar os olhos voltou se . Harry olhou lhe para a cara e viu que os seus olhos , os dois olhos amarelos e bolbosos tinham sido perfurados por a fénix . O sangue escorria por o chão e a serpente cuspia cheia de dores . - * _ Não * - Harry ouviu o grito de Riddle . - * _ Deixa a ave , deixa a ave , o rapaz está atrás_de ti , ainda podes cheirá o . Mata o ! * A serpente cega oscilou confusa , ainda em fúria . Fawkes andava a a volta de a cabeça de ela soprando a sua misteriosa cantilena , picando lhe aqui_e_ali o nariz cheio de escamas , enquanto o sangue jorrava de os seus olhos destruídos . - Ajudem me . Ajudem me - murmurava Harry aflito . - Alguém , ajude me . A cauda de a serpente chicoteou de_novo o chão . Harry baixou se . Algo macio tocou lhe em o rosto . O Basilisk lançara o chapéu seleccionador para os braços de o Harry que o agarrou . Era tudo_o_que tinha , a sua única esperança . Enfiou o em a cabeça e começou a ficar achatado contra o chão , enquanto a cauda de o Basilisk se lançava de_novo sobre ele . - Ajudem me , ajudem me - pensou Harry , os olhos comprimidos debaixo de o chapéu . - Por favor , ajudem me . Nenhuma voz lhe respondeu . Em vez de isso , o chapéu contraiu se como_se uma mão invisível o tivesse espalmado devagarinho . Alguma coisa muito dura e pesada caíra sobre a cabeça de Harry , conseguindo quase derrubá o . A ver estrelas em frente de os olhos , agarrou o chapéu para o puxar para baixo e sentiu lá dentro uma coisa longa e dura . Uma espada brilhante tinha surgido dentro de o chapéu . Tinha um cabo cravejado de rubis de o tamanho de pequenos ovos . - Mata o rapaz , deixa a ave . O rapaz está atrás_de ti . Cheira o ! Harry estava de pé , preparado . A cabeça de o Basilisk caía , o corpo serpenteava , batendo nos pilares quando se torcia para ficar de frente para ele . Harry podia ver as enormes órbitas ensanguentadas , a boca toda aberta , suficientemente grande para o engolir inteiro , munida de dentes tão longos como a sua espada , finos , brilhantes , venenosos ... Começou a atacar a as cegas . Harry baixou se e a serpente bateu em a parede de a câmara . Atacou de_novo e a sua língua bifurcada lambeu a parede ao_lado_de Harry que levantou a espada com ambas as mãos . O Basilisk investiu mais_uma_vez e agora a pontaria foi certa . Harry pôs todo o seu peso contra a espada e enterrou a até a os copos em o céu de a boca de a serpente . Mas quando o sangue quente lhe encheu os braços , sentiu uma dor aguda mesmo acima de o cotovelo . Um longo dente venenoso penetrava cada_vez_mais fundo em o seu braço , partindo se quando o Basilisk tombou para o lado , perdendo os sentidos . Harry escorregou a o longo de a parede , apertou com força o dente que estava a derramar veneno por todo o seu corpo e arrancou o de o braço . Mas sabia que era demasiado tarde . Uma dor quente emanava lenta e perseverantemente de a ferida . Quando deixou cair o dente e viu o seu próprio sangue manchando lhe as vestes , a vista começou a ficar turva e a câmara a diluir se em uma rotação ardente e colorida . Mas algo escarlate passou por ele e Harry ouviu a o seu lado um suave ruído de garras . - Fawkes - disse com a voz empastada . - Foste sensacional , Fawkes . - Sentiu o pássaro encostar a sua elegante cabeça a o sítio onde o dente de a serpente o tinha ferido . Ouviu passos ecoarem em o vazio e em seguida uma sombra escura moveu se em a sua frente . - Estás morto , Harry_Potter - disse a voz de Riddle , acima de ele . - Morto . Até o pássaro de Dumbledore sabe de isso . Vês o que ele está a fazer ? A chorar . Harry piscou os olhos . A cabeça de Fawkes ora estava focada , ora desfocada . Lágrimas grossas como pérolas escorriam de as suas penas . - Vou sentar me aqui a ver te morrer , Harry_Potter . Leva o teu tempo , eu não tenho pressa . Harry sentiu se sonolento . Tudo parecia girar a a sua volta . - E assim acaba o famoso Harry_Potter - disse a voz distante de Riddle . - Sozinho em a Câmara_dos_Segredos , esquecido por os amigos , finalmente derrotado por o Senhor de o mal que ele tão imprudentemente desafiou . Vais reunir te a a tua querida mãe sangue de lama , Harry ... Ela deu te doze anos de tempo emprestado ... Mas Lord_Voldemort apanhou te em o fim , como sabias que teria de acontecer . Se morrer é isto , pensou Harry , não é assim tão mau . Até a dor estava a desaparecer . Mas , estaria a morrer ? Em_vez_de ficar mais escura a câmara parecia voltar a estar nítida . Harry fez um pequeno gesto com a cabeça e viu a Fawkes ainda repousando a cabeça em o seu ombro . Uma fiada de pérolas brilhava em volta de a ferida , só que já não havia ferida . - Sai de aqui , pássaro - disse subitamente a voz de Riddle . - Afasta te de ele . Já te disse , sai de aqui ! Harry levantou a cabeça . Riddle apontava a sua varinha a Fawkes . Ouviu se um tiro que parecia de carabina e Fawkes levantou novamente voo em um rodopio de ouro e escarlate . - Lágrimas de fénix - disse Riddle em voz baixa , olhando para o braço de o Harry . - É claro ... poderes curativos ... esqueci me ... Olhou para a cara de Harry . - Mas não faz mal . Pensando bem , eu até prefiro assim . Tu e eu , Harry_Potter ... Tu e eu ... Levantou a varinha . Então , em um golpe de asa , Fawkes voou sobre as cabeças de ambos , deixando cair uma coisa em o colo de Harry : o diário . Durante uma fracção de segundo , tanto Harry como Riddle , ainda com a varinha levantada , ficaram a olhar para aquilo . Em seguida , sem pensar , sem ponderar , como_se pensasse fazê o desde o princípio , Harry agarrou o dente de o Basilisk que estava em o chão , junto de ele , e espetou o em o coração de o caderno . Ouviu se um grito longo e terrível . A tinta esguichou em torrentes de dentro de o diário , derramando se sobre as mãos de o Harry e inundando o chão . Riddle torcia se e contorcia se , agitando se a os gritos . E , por fim . Desapareceu . A varinha de Harry caiu a o chão com um ruído e fez se silêncio . Um silêncio apenas cortado por o ping ping de a tinta que ainda escorria de o diário . Com um leve crepitar , o veneno de o Basilisk abrira um buraco mesmo em o meio de o caderno . A tremer de os pés a a cabeça , Harry pôs se de pé . Sentia tudo a andar a a roda como_se tivesse viajado quilómetros e quilómetros com o pó de * _ Floo * . Lentamente apanhou a varinha e o chapéu seleccionador e com um grande estrondo retirou a espada de o céu de a boca de a serpente . Ouviu se então um gemido fraco a o fundo de a câmara . Ginny estava a mexer se . Quando Harry chegou junto de ela , sentou se . Os seus olhos abismados saltaram de o Basilisk morto para Harry em a sua roupa cheia de sangue e , em seguida , para o diário que ele tinha em as mãos . Soltou um enorme soluço e os seus olhos encheram se de lágrimas . - Harry , oh ! Harry , eu tentei dizer te a o pequeno-almoço mas não fui capaz em frente de o Percy . Era eu , Harry , mas eu ... eu ... juro que não queria ... o Riddle obrigou me , levou me e ... como é_que mataste esse bicho ? Onde está o Riddle ? A última coisa de que me lembro foi de o ver a sair de o diário ... - Está tudo bem - disse Harry , mostrando lhe o diário com o buraco de o dente . - O Riddle acabou , olha . Ele e o Basilisk . Anda , Ginny , vamos embora de aqui . - Vou com certeza ser expulsa - disse Ginny a chorar enquanto Harry a ajudava a pôr se de pé . - Desde_que o Bill veio para Hogwarts que eu sonhava vir também para cá e agora vou ter de me ir embora e ... O que vão a minha mãe e o meu pai dizer ? Fawkes esperava por eles , suspensa em o ar , a a entrada de a câmara . Harry fez a Ginny avançar , passaram sobre os anéis parados de o Basilisk , por a escuridão cheia de ecos e voltaram a o túnel . Harry ouviu as portas de pedra fecharem se atrás de eles com um leve sibilar . Depois de alguns minutos a caminhar por o túnel escuro , chegou a os ouvidos de Harry o som distante de o deslocar de uma rocha . - Ron - gritou ele , apressando se . - A Ginny está bem . Está aqui comigo ! Ouviu o Ron gritar de alegria e , voltando em a curva logo_a_seguir , viram a sua cara ansiosa a espreitar por a fresta que conseguira abrir durante a avalancha . - Ginny ! - Ron estendeu o braço por a fresta para a puxar primeiro . - Estás viva . Não posso acreditar . O que aconteceu ? Tentou abraçá a mas a Ginny afastou o , soluçando . - Mas estás bem , Ginny - disse o Ron , sorrindo para ela . - Já passou tudo ... De onde veio esse pássaro ? Fawkes passara por a abertura , atrás_de Ginny . - É de o Dumbledore - explicou Harry , espremendo se para caber também . - E como arranjaste uma espada ? - perguntou o Ron , olhando para a arma brilhante que Harry tinha em a mão . - Eu explico te tudo quando sairmos de aqui - disse Harry , lançando um olhar de esguelha a a Ginny . - Mas ... - Mais tarde - disse Harry rapidamente . Não lhe parecia uma boa ideia contar a o Ron quem tinha aberto a câmara , ali , em frente de a Ginny . - Onde está o Lockhart ? - Ali atrás - disse o Ron , a rir e a abanar a cabeça em direcção a o cano . - Está em muito mau estado . Anda ver . Conduzidos_pela_Fawkes , cujas grandes asas escarlates emitiam um suave dourado que brilhava em a escuridão , voltaram a o lugar onde o cano começava . Gilderoy_Lockhart estava sentado a falar sozinho . - Perdeu a memória - disse o Ron . - O feitiço de a memória fez ricochete . Não sabe quem é nem onde está , nem_sequer sabe quem nós somos . Eu disse lhe que viesse para aqui e esperasse . É um perigo para ele próprio . Lockhart olhou os bem-disposto . - Olá - disse . - Que lugar estranho , este . É aqui que vocês moram ? -- Não - respondeu o Ron , levantando as sobrancelhas para o Harry . Harry baixou se e observou o túnel escuro e longo . - Já pensaste como é_que vamos sair de aqui ? - perguntou a o Ron . O amigo abanou a cabeça mas Fawkes , a fénix , tinha passado por o Harry e estava agora em o ar , em frente de ele , os olhos como pérolas a brilharem em o escuro . Abanava as longas penas douradas de a cauda . Harry olhou para ela , inseguro . - Ela parece querer que a agarres - disse o Ron , perplexo . - Mas tu és muito pesado para um pássaro . - A Fawkes - disse Harry - não é um pássaro qualquer . Voltou se rapidamente para os companheiros . - Temos de nos agarrar uns a os outros . Ginny , agarra a mão de o Ron . O professor Lockhart ... - Ele está a falar consigo - disse o Ron secamente . - Agarre a outra mão de a Ginny . Harry guardou a espada e o chapéu seleccionador em o cinto . Ron deitou a mão a a roupa de Harry e Harry agarrou as penas de a cauda , estranhamente quentes , de a Fawkes . Sentiu uma extraordinária leveza apoderar se de todo o seu corpo e em seguida estavam todos a voar por o cano acima . Harry conseguia ouvir Lockhart , lá atrás , comentando : - Espantoso , isto parece mágico ! Ar frio batia em os cabelos de Harry e antes que ele deixasse de gostar de a viagem já ela acabara . Os quatro tinham chegado a o chão molhado de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa e , enquanto Lockhart endireitava o chapéu , o lavatório voltara a o seu lugar , tapando o cano . A Murta arregalou os olhos . - Vocês estão vivos - disse inexpressivamente a o Harry . - Não é preciso mostrares te tão desiludida - respondeu ele , muito sério , limpando as nódoas de sangue e lodo de os óculos . - Bem ... é_que eu pensei que se vocês morressem seriam bem-vindos a a minha casa_de_banho - disse a Murta com um rubor prateado . - Urgh ! - fez o Ron , quando saíram de ali para o corredor deserto . - Harry , acho que a Murta está a gostar de ti . Tens concorrência , Ginny ! A Ginny continuava a chorar silenciosamente . - Onde vamos agora ? - perguntou o Ron , olhando ansiosamente para ela . Harry apontou . Fawkes indicava o caminho , com o seu tom dourado que brilhava em o corredor . Seguiram a e pouco depois estavam em o escritório de a professora Mc_Gonagall . Harry bateu e empurrou a porta que estava encostada . XVIII_A recompensa de Dobby_Durante alguns momentos reinou o silêncio enquanto Harry , Ron , Ginny e Lockhart estavam em a entrada de a porta . Cobertos de pó e de lama e ( em o caso de o Harry ) sangue . Em seguida , ouviu se um grito . - Ginny ! Era_Mrs._Weasley que tinha estado a chorar , sentada em frente de o lume . Pôs se de pé em um salto , seguida de Mr._Weasley e precipitaram se ambos para a filha . Harry olhava para trás de eles . Dumbledore rejubilava junto de a lareira , a o lado de a professora Mc_Gonagall que , agarrada a o queixo , respirava com dificuldade . Fawkes rasou as orelhas de o Harry e foi instalar se em o ombro de Dumbledore , ao_mesmo_tempo que Harry dava por si em os braços de Mrs._Weasley . - Tu salvaste a ! Salvaste a ! : __ como foi que __ conseguiste ? - Acho que todos nós gostaríamos de saber - disse , sem energia , a professora Mc_Gonagall . Mrs._Weasley soltou o Harry , que hesitou um momento . Depois , foi até a a secretária e colocou sobre o tampo o chapéu seleccionador , a espada cravejada de rubis e o que restava de o diário de Riddle . Em seguida , contou lhes tudo . Falou durante quase um quarto de hora em o silêncio extasiado : contou lhes de a voz sem corpo que ouvia , como a Hermione acabara por descobrir que se tratava de um Basilisk que circulava em os canos , como ele e o Ron tinham seguido as aranhas até a a floresta , que Aragog lhes dissera que a última vítima de o Basilisk morrera , como tinham chegado a a conclusão que se tratava de a Murta_Queixosa e que a entrada para a Câmara_dos_Segredos devia ser em aquela casa_de_banho ... - Muito bem - elogiou a professora Mc_Gonagall quando ele se calou . - Então tu descobriste onde era a entrada , infringindo uma centena de regras de a escola por o caminho , devo dizer , mas como diabo saíram vocês vivos de lá de dentro ? Harry , com a voz já um_pouco rouca de falar tanto , contou lhes de a chegada de a Fawkes e de o chapéu seleccionador que lhe tinha dado a espada . Mas , chegando aí , hesitou . Até a o momento evitara referir se a o diário de Riddle ou a a Ginny . Ela tinha a cabeça encostada a o ombro de Mrs._Weasley e as lágrimas corriam lhe ainda por o rosto . E se a expulsassem ? - pensou Harry , tomado de pânico . O diário de Riddle já não funcionava ... quem poderia provar que fora ele que a obrigara a fazer tudo aquilo ? Olhou instintivamente para Dumbledore que sorria , o fogo iluminando lhe os óculos de meia-lua . - O que mais me interessa saber - disse Dumbledore amavelmente - é como conseguiu Lord_Voldemort enfeitiçar a Ginny quando as minhas fontes me dizem que ele se esconde habitualmente em as florestas de a Albânia . Um alívio , quente e glorioso percorreu Harry de a cabeça a os pés . - O quê ? - disse Mr._Weasley , em uma voz estupefacta . - O Quem nós sabemos enfeitiçou a Ginny ? Mas a Ginny não ... a Ginny não morr ... ? - Foi este diário - esclareceu Harry rapidamente . E mostrando o a Dumbledore . - O Riddle escreveu o quando tinha dezasseis anos . Dumbledore pegou em o diário e olhou atentamente por cima de o seu nariz longo e adunco para as páginas queimadas e húmidas . - Fantástico - disse em voz baixa . - É claro que ele deve ter sido o aluno mais brilhante que alguma vez passou por Hogwarts . - Olhou em volta para os Weasley que o observavam com um ar totalmente confuso . - Muito poucas pessoas sabem que Lord_Voldemort se chamou em tempos Tom_Riddle . Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos , em Hogwarts . Ele desapareceu depois de deixar a escola , viajou muito , mergulhou tão fundo em as artes de a magia negra , associado a os piores feiticeiros , realizou transformações mágicas tão perigosas que quando reapareceu como Lord_Voldemort estava totalmente irreconhecível . Ninguém o relacionou com o rapazinho inteligente e bonito que aqui foi , em tempos , chefe de turma . - Mas a Ginny - insistiu Mrs._Weasley . - O que tem a nossa Ginny que ver com ele ? - O diário - soluçou Ginny . - Eu andei todo o ano a escrever em o diário e ele respondia me ... - Ginny ! - repreendeu Mr._Weasley . - Não aprendeste nada do_que te ensinei ? Não me cansei de dizer te que nunca confiasses em nada que não pensasse por si próprio * se não conseguisses ver onde tinha o cérebro ? * Porque não me mostraste o diário , a mim ou a a tua mãe ? Um objecto suspeito como esse tinha de estar cheio de magia negra ! - Eu não sabia - soluçou Ginny . - Estava junto de os livros que a mãe me comprou . Pensei que alguém se tinha esquecido de ele ali . - É melhor Miss_Weasley ir imediatamente para a ala hospitalar - interrompeu Dumbledore com voz firme . - Foi sujeita a uma prova terrível . Não será castigada . Outros feiticeiros mais velhos do_que ela têm sido ludibriados por Lord_Voldemort . - Dirigiu se a a porta e abriu a . - Repouso , cama e talvez uma caneca de chocolate quente . A mim , anima me sempre - acrescentou , piscando lhe simpaticamente o olho . - Vais ver que Madam_Pomfrey ainda está acordada . Ela tem estado a dar o sumo de Mandrágora , julgo que as vítimas de o Basilisk estarão a acordar dentro_de momentos . de alegria . - Então a Hermione está bem ! - disse o Ron , cheio de alegria . - Não houve danos irreversíveis - disse Dumbledore . Mrs._Weasley saiu com a Ginny e Mr._Weasley seguiu as ainda bastante abalado . - Sabes , Minerva - disse pensativo o professor Dumbledore - acho que tudo_isto merece um banquete . Posso pedir te que previnas os cozinheiros ? - Certamente - disse animada a professora Mc_Gonagall , dirigindo se também a a porta . - Deixo te a tratar de as coisas com o Potter e o Weasley , está bem ? - Claro - disse Dumbledore . Saiu e os dois olharam inseguros para Dumbledore . Que quereria ela dizer com tratar de as coisas ? Certamente não iriam ser castigados ? - Lembro me de vos ter dito a ambos que teria de vos expulsar se voltassem a quebrar as regras de a escola - disse Dumbledore . Ron abriu a boca horrorizado . - O que vem mostrar nos que as melhores pessoas , às_vezes , têm de engolir as suas próprias palavras . - Dumbledore sorriu e continuou : - Vocês vão receber ambos uma recompensa especial por serviços prestados a a escola e ... deixem me ver , sim , acho que duzentos pontos cada_um para os Gryffindor . Ron ficou tão corado que parecia as flores de S._Valentim_do_Lockhart e voltou a fechar a boca . - Mas um de vós parece demasiado calado sobre a sua participação em esta perigosa aventura - acrescentou Dumbledore . - Porquê tanta modéstia , Gilderoy ? Harry estremeceu . Esquecera se por completo de Lockhart . Voltou se e viu o a um canto de a sala ainda com o mesmo sorriso vago . Quando Dumbledore se lhe dirigiu , olhou por cima de o ombro para ver com quem ele estava a falar . - Professor_Dumbledore - disse o Ron rapidamente - Houve um acidente lá em baixo , em a Câmara_dos_Segredos . O professor Lockhart - Eu sou um professor ? - perguntou Lockhart surpreendido . - E eu que pensei que era um inútil ! - Tentou fazer um feitiço antimemória e a varinha fez ricochete - explicou Ron_a_Dumbledore . - Incrível - disse Dumbledore , abanando a cabeça , o bigode prateado a tremer . - Trespassado por a tua própria espada , Gilderoy ! - Espada ? - disse Lockhart de forma imprecisa . - Eu não tenho espada . Esse rapaz é_que tem - apontou para Harry . - Ele empresta lhe uma . - Importas te de levar também o professor Lockhart até a a ala hospitalar , Ron ? - disse Dumbledore . - Eu gostava de falar um_pouco mais com o Harry . Lockhart saiu sem pressa . Antes de fechar a porta , Ron lançou um olhar curioso a Dumbledore e Harry . Dumbledore passou para uma de as cadeiras junto de o lume . - Senta te , Harry - disse . E Harry sentou se , sentindo se indescritivelmente nervoso . - Antes de mais , Harry , quero agradecer te - disse Dumbledore com os olhos a brilharem de_novo . - Deves ter demonstrado uma grande lealdade para comigo . Só isso poderia atrair a Fawkes para ir ajudar te . Deu uma palmadinha a a fénix que voara , entretanto , para_cima de os seus joelhos . Harry sorria acanhadamente sob o olhar observador de Dumbledore . - Encontraste , portanto , Tom_Riddle - disse o director amavelmente . - Calculo que ele estaria particularmente interessado em ti ... De repente , algo que Harry tinha engasgado saiu lhe descontroladamente de a boca para fora . - Professor_Dumbledore ... o Riddle disse que eu sou como ele , que há entre nós estranhas semelhanças ... - Ah ! sim ? - Dumbledore olhou pensativamente para ele , por debaixo de as espessas sobrancelhas prateadas . - E o que achas tu de isso ? - Eu não me considero parecido com ele - disse Harry mais alto do_que desejaria . - Isto_é , eu sou um Gryffindor , eu sou ... Mas calou se com uma dúvida a rondar lhe o espírito . - Professor - arriscou passado alguns momentos . - O chapéu seleccionador disse que eu ... teria ficado bem em os Slytherin ; durante algum tempo toda_a_gente pensou que eu era o herdeiro de Slytherin por falar * serpentês * ... - Tu falas * serpentês * , Harry - disse Dumbledore calmamente - porque Lord_Voldemort que é o mais recente antepassado de Salazar_Slytherin , fala * serpentês * . Ou eu me engano muito , ou ele transferiu para ti alguns de os seus poderes em a noite em que te fez essa cicatriz . Não que quisesse fazê o , claro , mas aconteceu . - Voldemort pôs um_pouco de si próprio em mim ? - disse Harry assombrado . - É o que parece ter acontecido . - Então eu deveria estar em os Slytherin - disse Harry , olhando desesperado para o rosto de Dumbledore . - O chapéu seleccionador viu em mim os poderes de Slytherin e ... -- Pôs te em os Gryffindor - concluiu tranquilamente Dumbledore . - Ouve , Harry , tu tens por acaso muitas de as capacidades que Salazar_Slytherin apreciava em os seus estudantes cuidadosamente seleccionados . O seu raro dom de falar * serpentês * , desenvoltura , determinação , um certo desprezo por as regras estabelecidas - acrescentou com o bigode a tremer de_novo . - Mas ainda_assim , o chapéu seleccionador pôs te em os Gryffindor . E sabes porquê ? Pensa um_pouco . - Só me pôs em os Gryffindor - disse Harry em uma voz débil - porque eu pedi para não ir para os Slytherin . - Exacto - disse Dumbledore a sorrir . - E isso torna te muito diferente de o Tom_Riddle . São as tuas escolhas , Harry , que mostram quem de facto tu és , mais do_que as tuas capacidades . Harry sentou se , imóvel e espantado , em a cadeira . - Se queres provas de que o teu lugar é em os Gryffindor , sugiro que vejas isto com mais atenção . Dumbledore aproximou se de a secretária de a professora Mc_Gonagall , pegou em a espada de prata ensanguentada e mostrou lhe a . Sem perceber , Harry voltou a ao_contrário . Os rubis brilharam a a luz de a lareira e foi então que ele reparou em o nome gravado mesmo por baixo de o copo de a espada . GODRIC_GRYFFINDOR . - Só um verdadeiro Gryffindor poderia ter tirado a espada de dentro de o chapéu , Harry - disse , com simplicidade , Dumbledore . Durante um minuto , nenhum de os dois falou . Depois , Dumbledore abriu uma de as gavetas de a secretária de a professora Mc_Gonagall e retirou de lá uma pena e um tinteiro . - Tu precisas de comer e ir dormir . Sugiro que desças para o banquete enquanto eu escrevo para Azkaban . Precisamos de recuperar o nosso guarda de os campos . E tenho de esboçar um anúncio para o * _ Profeta_Diário * - acrescentou pensativo . - Vamos precisar de um novo professor de Defesa contra as artes negras . É um problema , estamos sempre a perdê os . Harry levantou se e dirigiu se a a porta . Tinha acabado de estender a mão para o puxador quando ela se abriu tão violentamente que saltou de as dobradiças . Lucius_Malfoy estava de pé , furioso . E , debaixo de o braço , embrulhado em diversas ligaduras , estava Dobby . - Boa tarde , Lucius - disse Dumbledore , de forma amena . Mr._Malfoy quase derrubou Harry enquanto entrava em a sala . Dobby dava passos miudinhos atrás de ele , inclinado até a a bainha de o seu manto com um olhar apavorado em o rosto . - Então - disse Lucius_Malfoy com os olhos fixos em Dumbledore - voltaste . Os membros de o Conselho_Directivo suspenderam te , mas tu mesmo_assim sentiste te capaz de voltar a Hogwarts . - Bem vês , Lucius - disse Dumbledore , sorrindo serenamente . - Os outros membros de o Conselho contactaram me hoje . Fui envolvido em um redemoinho de corujas , todos queriam contar me a verdade . Ouviram dizer que a filha de Arthur_Weasley tinha sido morta e queriam me novamente aqui . Parece que me consideravam o melhor homem para o lugar . Contaram me algumas histórias muito estranhas . Alguns de eles tinham a impressão que tu tinhas ameaçado amaldiçoar lhes as famílias se não concordassem com a minha suspensão . Mr._Malfoy ficou ainda mais pálido do_que de costume , mas os olhos continuavam cheios de fúria . - Então já acabaste com os ataques ? - rosnou . - Apanhaste o culpado ? - Já , sim - disse Dumbledore com um sorriso . - E quem é ? - perguntou Malfoy secamente . - A mesma pessoa de a última vez , Lucius - disse Dumbledore . Mas desta_vez , Lord_Voldemort agiu através_de outra pessoa , por_meio_de um diário . Pegou em o pequeno caderno com o buraco em o meio , observando Mr._Malfoy de perto . Mas Harry olhava para Dobby . O elfo fazia um sinal muito estranho . Com os seus grandes olhos fixos em Harry , não parava de apontar para ó diário e , em seguida , para Mr._Malfoy , batendo logo_a_seguir com o punho em a cabeça . - Estou a ver ... - disse Mr._Malfoy lentamente a Dumbledore . - Um plano inteligente - afirmou o director em um tom de voz suave , continuando a olhar Mr._Malfoy directamente em os olhos . - Porque se não fosse aqui o Harry e o seu amigo Ron a descobrirem o diário , sem dúvida Ginny_Weasley teria ficado com todas_as culpas . Ninguém teria conseguido provar que ela agira contra a sua própria vontade . Mr._Malfoy não se pronunciou . O seu rosto parecia agora uma máscara . - E vê bem - continuou Dumbledore - o que poderia ter acontecido ... os Weasley são uma de as mais proeminentes famílias de feiticeiros de sangue puro , imagina o efeito em a imagem de Arthur_Weasley e em a sua acção de protecção a os Muggles , se a sua própria filha fosse acusada de atacar e matar filhos de Muggles . Foi uma sorte o diário ter sido descoberto e as memórias de Riddle apagadas . Quem sabe que consequências poderia ter tido ? Mr._Malfoy falou contra vontade . - Sim , foi uma sorte - disse secamente . E , em as suas costas , Dobby continuava a apontar para o diário e para Lucius_Malfoy , batendo depois com o punho em a cabeça . E Harry finalmente percebeu . Fez um sinal a Dobby que correu a esconder se em um canto , torcendo desta_vez as orelhas para se castigar . - Não quer saber como a Ginny obteve esse diário , Mr._Malfoy ? - perguntou Harry . Lucius_Malfoy voltou se para ele . - Como queres que eu saiba onde é_que a estúpida de a garota o arranjou ? - Porque foi o senhor quem lhe o deu - disse Harry . - Em a Flourish and Blotts . O senhor pegou em o livro velho de ela de Transfiguração e meteu o diário lá dentro , não foi ? Viu as mãos brancas de Mr._Malfoy abrirem se e fecharem se . - Prova isso - sibilou . - Oh ! ninguém vai poder prová o - disse Dumbledore sorrindo a o Harry . - Não agora_que o Riddle desapareceu de o caderno . Por outro lado , aconselharia te , Lucius , a não dares mais nenhuma de as coisas velhas de Lord_Voldemort . Se mais alguma for parar a as mãos de crianças inocentes , acho que o Arthur_Weasley fará com que se voltem com toda_a sua carga negativa contra ti . Lucius_Malfoy ficou calado um momento e Harry viu claramente a sua mão direita torcer se como_se desejasse chegar a a varinha . Em vez de isso , voltou se para o seu elfo doméstico . - Vamos , Dobby . Abriu a porta e quando o elfo se aproximou deu lhe um pontapé que o projectou para longe . Ouviram se em o escritório os gritos de dor de Dobby em o corredor . Harry pensou durante um momento e depois decidiu se . - Professor_Dumbledore - disse apressadamente . - Posso dar o diário outra_vez a Mr._Malfoy ? - Certamente , Harry - disse Dumbledore com toda_a calma . - Mas não demores , olha o banquete . Harry agarrou em o diário e saiu de o escritório . Os gritos de dor de Dobby afastavam se ao_longe . Sem perder tempo , perguntando a si próprio se o plano poderia resultar , Harry tirou um de os sapatos , puxou uma de as peúgas enlameadas e viscosas e meteu o diário lá dentro . Em seguida correu até a o fundo de o corredor escuro . Apanhou os em o topo de as escadas . - Mr._Malfoy - disse ofegante , parando . - Tenho uma coisa para si . E meteu a peúga mal cheirosa em a mão de Lucius_Malfoy . - O que é ... ? Mr._Malfoy tirou o diário de dentro de a peúga , deitou a fora e olhou furioso para o caderno estragado e para Harry - Ainda vais acabar por ter um fim igual a o de os teus pais um dia de estes , Harry_Potter - disse em voz baixa . - Eles também eram uns idiotas metediços . Voltou se para se ir embora . - Anda , Dobby , vem ! Mas Dobby não se mexeu . Tinha em as mãos a peúga nojenta de o Harry e olhava para ela como_se fosse um tesouro de valor incalculável . - O senhor deu uma peúga a o Dobby - disse o elfo maravilhado . - Deu a a o Dobby . - O que é isso ? - cuspiu Mr._Malfoy . - Que estás para aí a dizer ? - Dobby tem uma peúga - repetiu incrédulo . - O senhor deitou a fora e Dobby apanhou a e Dobby agora é livre ... Lucius_Malfoy ficou paralisado a olhar para o elfo . Em seguida precipitou se para Harry . - Fizeste me perder o meu servo , rapaz . Mas Dobby gritou : - Não pense que vai fazer mal a o Harry_Potter ! Ouviu se um enorme estrondo e Mr._Malfoy foi empurrado de costas , galgando os degraus de as escadas a três_e_três e indo aterrar lá em baixo todo embrulhado e amarrotado . Levantou se , o rosto lívido e pegou em a varinha , mas Dobby estendeu lhe um dedo ameaçador . - Vá se embora já - disse furioso , apontando para Mr._Malfoy . - Não tocará em o Harry_Potter . Vá se embora , já . Lucius_Malfoy não teve escolha . Lançando a os dois um último olhar de cólera , embrulhou se em o manto e desapareceu . - Harry_Potter libertou Dobby ! - disse o elfo com voz esganiçada , olhando para Harry , a luz de o luar reflectida em os seus grandes olhos em forma de globos . - Harry_Potter libertou Dobby . - Era o mínimo que eu podia fazer , Dobby - disse Harry a sorrir -- , mas promete me que não vais voltar a tentar salvar me a vida . A cara feia e escura de o elfo abriu se , mostrando os dentes , em um enorme sorriso . - Tenho uma pergunta a fazer te , Dobby - disse Harry enquanto o elfo pegava em a peúga de ele com as mãos a tremer . - Disseste me que tudo_isto não tinha nada que ver com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Lembras te ? - Era uma pista , senhor - disse Dobby com os olhos muito abertos como_se fosse absolutamente óbvio . - Dobby estava a dar lhe uma pista . Antes de o senhor de o mal mudar de nome , o seu nome podia ser pronunciado , está a ver ? - Certo - disse Harry sem grande convicção . - Bem , é melhor eu ir indo embora . Há um banquete e a minha amiga Hermione já deve ter acordado ... Dobby lançou os braços a a cintura de Harry e abraçou o . - Harry_Potter é muito maior do_que Dobby imaginava ! - soluçou . - Adeus , Harry_Potter . E com um estalido final , Dobby desapareceu . Harry assistira a diversos banquetes , mas nenhum que se parecesse com aquele . Estavam todos de pijama e a festa durou a noite inteira . Harry não sabia se o melhor tinha sido a Hermione a correr para ele e a gritar : - Tu conseguiste . Tu conseguiste ! , ou o Justin saindo disparado de a mesa de os Hufflepuff para lhe estender a mão , desfazendo se em desculpas por ter suspeitado de ele , ou o Hagrid que apareceu a as três_e_meia e que lhes deu palmadas com tanta força em os ombros que eles foram parar dentro de os pratos de bolo de creme , ou os quatrocentos pontos que ele e o Ron obtiveram para os Gryffindor , ganhando a taça de a equipa por a segunda vez consecutiva , ou a professora Mc_Gonagall de pé , a comunicar lhes que os exames tinham sido cancelados como medida de a escola ( Oh ! não ! exclamou Hermione ) , ou Dumbledore a anunciar que , infelizmente , o professor Lockhart não poderia voltar em o ano seguinte por ter de se ausentar a_fim_de recuperar a memória . Alguns de os professores juntaram se a os alunos que aplaudiram entusiasmados esta notícia . - Que pena - disse Ron , servindo se de um * dounut * de presunto . - E eu que começava a gostar de ele ... O resto de o período de Verão decorreu sob um sol escaldante . Hogwarts voltara a a normalidade , apenas com algumas pequenas diferenças : as aulas de Defesa contra as artes negras foram canceladas ( Mas nós tivemos imensa prática - disse o Ron vendo o descontentamento de Hermione ) e Lucius_Malfoy foi demitido de o Conselho_Directivo . Draco já não passeava por ali como_se fosse o dono de a escola . Pelo_contrário , tinha um ar melindrado e carrancudo . Por outro lado , Ginny_Weasley andava de_novo feliz de a vida . Em_breve chegou o dia de regressarem a casa em o Expresso_de_Hogwarts . Harry , Ron , Hermione , Fred , George e Ginny encheram um compartimento . Tiraram o_máximo partido de aquelas últimas horas em que lhes era permitido usar a magia antes de as férias . Brincaram a as explosões , gastaram o último fogo-de-artíficio Filibuster , de o Fred e de o George e treinaram o mútuo desarmamento através de a magia . Harry começava a ficar muito bom em aquilo . Já estavam perto de a estação de King's_Cross quando Harry se lembrou de uma coisa . - Ginny , o que foi que viste o Percy fazer que ele não queria que nos contasses ? - Ah ! isso - disse a Ginny a rir . - Bem , é_que o Percy tem uma namorada . Fred deixou cair uma pilha de livros em a cabeça de o George . - O quê ? - É aquela prefeita de os Ravenclaw ' Penelope_Clearwater - disse a Ginny . - Foi para ela que ele escreveu durante todo o Verão . Encontravam se em a escola em grande segredo . Eu apanhei os a beijarem se em uma sala de aula vazia e ele ficou tão aflito quando ela foi ... sabes ... atacada . Não vais aborrecê o , pois não ? - perguntou cheia de ansiedade . - Que ideia - respondeu Fred com uma tal satisfação em o rosto que parecia que o seu aniversário chegara mais cedo . - Claro que não - disse o George a rir se a a socapa . O Expresso_de_Hogwarts abrandou e finalmente parou . Harry tirou a pena e um_pouco de pergaminho e voltou se para Ron e Hermione . - Isto_é um número de telefone - disse ele a o Ron , escrevinhando o duas vezes , cortando o pergaminho a o meio e dando lhes os números . - Eu expliquei a o teu pai como usar um telefone em o Verão passado . Ele sabe fazer a chamada . Liga me para_casa de os Dursley , O. _ K. ? Não consigo suportar outros dois meses sem ter mais ninguém com quem falar ... - Mas a tua tia e o teu tio vão ficar orgulhosos de ti , não vão ? - perguntou Hermione quando saíram de o comboio e se misturaram em a multidão que se encontrava junto de a barreira encantada . - Quando souberem o que fizeste este ano . - Orgulhosos ? - disse Harry . - Estás doida ! Podendo eu ter morrido tantas vezes e tendo escapado ? Vão ficar é furiosos ... E juntos avançaram até a a entrada para o mundo de os Muggles . ----------------- J._K._Rowling_Harry_Potter e a Câmara_dos_Segredos_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Chamber of Secrets_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling 1998 Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 2000 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 2.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 Depósito legal : 143.569/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , a a Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Para_Séan_P._F._Harris , condutor imparável e um amigo de os diabos . I_O pior aniversário Não era a primeira vez que uma discussão estoirava a a mesa de o pequeno-almoço , em o número 4 de a Privet_Drive . Mr._Vernon_Dursley fora acordado de manhã cedo por o piar ruidoso que vinha de o quarto de o seu sobrinho Harry . - É a terceira vez esta semana ! - resmungou , a a mesa . - Se não consegues controlar essa coruja , ela não pode ficar aqui . Harry tentou , mais_uma_vez , explicar . - Ela está aborrecida . Estava habituada a voar livremente lá fora . Se eu pudesse , ao_menos , soltá a a a noite ... - Achas me com cara de idiota ? - perguntou rispidamente o tio Vernon , com um fio de ovo preso em o bigode farfalhudo . - Sei muito bem o que aconteceria se essa coruja fosse lá para fora . Trocou um olhar soturno com a mulher , a tia Petúnia . Harry tentou contra-argumentar , mas as suas palavras foram abafadas por um enorme arroto de o filho de os Dursleys , Dudley . - Quero mais bacon . - Há mais em a frigideira , fofinho - disse a tia Petúnia , lançando um olhar vago a o seu filho maciço . - Tens que te alimentar bem enquanto aqui estás , aquela comida de a tua escola não me cheira . - Disparate , Petúnia , eu nunca passei fome enquanto andei em Smeltings - afirmou com sinceridade o tio Vernon . - O Dudley tem que chegue . Não é verdade , filho ? Dudley , que era tão gordo que o rabo saía de os dois lados de a cadeira de a cozinha , sorriu laconicamente e voltou se para Harry . - Passa me a frigideira . -- Esqueceste te de a palavra mágica - disse Harry , irritado . O efeito que esta simples frase teve em o resto de a família foi inacreditável : Dudley começou a arfar e caiu de a cadeira com um estrondo que abalou a cozinha , Mrs._Dursley deu um gritinho e bateu com a mão em a boca , Mr._Dursley pôs se de pé com as veias de as têmporas dilatadas . - Eu queria dizer « por favor » - explicou Harry rapidamente . - Não me referia a ... - : __ o que é_que eu te __ disse - vociferou o tio , espalhando perdigotos sobre a mesa - : __ sobre pronunciar a palavra m . em esta __ casa ? - Mas eu ... - : __ como te atreves a ameaçar o __ dudley ! - rosnou o tio Vernon , batendo com o punho em a mesa . - Eu só ... - : __ estás avisado . não vou admitir referências a tua anormalidade debaixo de o tecto de a minha __ casa ! Harry olhou alternadamente para o rosto congestionado de o tio e para a palidez de a tia que tentava pôr o Dudley de pé . - Está bem - disse Harry . - Está bem ... O tio Vernon voltou a sentar se , respirando como um rinoceronte exausto e observando Harry de perto por o canto de os seus olhos pequeninos e penetrantes . Desde_que Harry regressara para as férias de Verão que o tio Vernon o tratava como_se ele fosse uma bomba , capaz de explodir a qualquer momento , porque Harry não era um rapazinho normal . Em a verdade , ele era o menos normal que é possível imaginar . Harry_Potter era um feiticeiro , um feiticeiro que acabara de concluir o primeiro ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts e a infelicidade que os Dursleys sentiam por ele estar lá em casa não era nada comparada com a de Harry . As saudades de Hogwarts eram tão intensas que se assemelhavam a uma constante dor em o estômago . Sentia a falta de o castelo com as suas passagens secretas e os seus fantasmas , de as aulas ( com excepção talvez de as de Snape , o professor de as poções ) , de o correio a chegar trazido por as corujas , de os banquetes em o salão nobre , de as noites em as camas de dossel em a camarata de a torre , de as visitas a Hagrid , o guarda de os campos em a sua casinha em o bosque , junto de a floresta proibida e , principalmente , sentia a falta de o Quidditch , o desporto mais popular de o mundo de os feiticeiros ( seis postes altos de golo , quatro bolas esvoaçantes e catorze jogadores em_cima_de vassoura ) . Todos os livros de feitiços de Harry , assim_como a varinha , os mantos , o caldeirão e a vassoura topo de gama Nimbus dois_mil tinham sido encerrados por o tio Vernon em a despensa que ficava debaixo de as escadas , em o momento em que Harry regressara a casa . O que é_que lhes interessava se ele perdia ou não o seu lugar em a equipa de Quidditch por não ter praticado durante todo o Verão ? Que importância tinha para eles que o Harry voltasse a a escola sem ter podido fazer os trabalhos de casa ? Os Dursleys eram aquilo que os feiticeiros chamam « Muggles » ( nem uma gota de sangue mágico em as veias ) e , para eles , ter um feiticeiro em a família era motivo de grande vergonha . O tio Vernon tinha , inclusivamente , fechado a cadeado a coruja de Harry , Hedwig , dentro de a gaiola , para evitar que ela transportasse mensagens para a gente de o mundo de a feitiçaria . Harry não se parecia em nada com o resto de a família . O tio Vernon era atarracado e sem pescoço , dotado de um enorme bigode preto ; a tia Petúnia tinha um rosto cavalar e era esquelética ; Dudley era loiro e rosado como um porquinho . Harry , pelo_contrário , era baixo e franzino , com os olhos verdes brilhantes e cabelo negro sempre desalinhado . Usava uns óculos redondos e tinha em a testa uma cicatriz em forma de relâmpago . Era essa cicatriz que o tornava tão invulgar , mesmo para um feiticeiro . Era a única alusão a o seu passado misterioso , a o motivo por o qual , onze anos antes , tinha sido deixado em o degrau de a porta de os Dursleys . Com um ano de idade , Harry sobrevivera a uma maldição de o maior feiticeiro negro de todos os tempos , Lord_Voldemort , cujo nome a maior parte de os feiticeiros e feiticeiras ainda receia pronunciar . Os pais de Harry tinham morrido em um ataque de Voldemort , mas ele escapara com a sua cicatriz em forma de relâmpago e estranhamente , ninguém compreendeu porquê , os poderes de Voldemort tinham sido destruídos em o momento em que não fora capaz de matar o Harry . Por isso , ele foi criado por a irmã de a sua falecida mãe e respectivo marido . Passou dez anos com os Dursleys , sem nunca compreender porque fazia com que acontecessem coisas estranhas , alheias a a sua vontade , acreditando em a história de os Dursleys de que aquela cicatriz fora resultado de um acidente de automóvel em que os pais tinham morrido . E um dia , precisamente um ano antes , Hogwarts escrevera lhe e fora então que tudo começara . Harry fora ocupar o seu lugar em a escola de feitiçaria , onde ele e a sua cicatriz eram famosas ... mas agora o ano escolar chegara a o fim e estava de_novo com os Dursleys . Durante o Verão , voltara a ser tratado como um cão malcheiroso . Os Dursleys nem se tinham lembrado que aquele era o dia de o seu décimo segundo aniversário . É claro que não tivera grandes expectativas : eles nunca lhe tinham dado um presente a sério , muito menos um bolo , mas ignorarem o por completo ... Em esse momento , o tio Vernon pigarreou com um ar importante e disse : - Como todos sabem , hoje é um dia muito importante . Harry olhou para ele , mal conseguindo acreditar . - Pode bem ser que eu faça hoje o maior negócio de toda_a minha vida - afirmou . Harry voltou novamente a atenção para a torrada . É claro , pensou amargamente , o tio Vernon referia se a a estúpida dinner-party . Havia quinze_dias que não falava de outra coisa . Um consultor qualquer cheio de massa e a mulher vinham jantar lá a casa e o tio Vernon tinha esperança de conseguir uma grande encomenda ( a empresa de o tio Vernon fabricava brocas ) . - Acho que devíamos recapitular mais_uma_vez - disse o tio Vernon . - Devemos estar todos a postos a as oito_horas_em_ponto . Petúnia , tu vais estar ... ? - Em o salão - respondeu a tia Petúnia prontamente - a a espera para lhes dar as boas-vindas a nossa casa . - Bom , bom . E o Dudley ? - Eu vou estar a a espera para abrir a porta . - Dudley esboçou um sorriso falso e afectado . - Dão me licença que vos guarde os casacos , Mr. e Mrs._Mason ? - Eles vão adorá o - exclamou arrebatadamente a tia Petúnia . - Excelente , Dudley - disse o tio Vernon . - A seguir voltou se para o Harry . - E tu ? - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - repetiu o Harry , de forma inexpressiva . - Exactamente - confirmou o tio Vernon , de um modo desagradável . - Eu conduzo os até a o salão , apresento te , Petúnia , e sirvo lhes as bebidas . _ a as oito_e_um_quarto . - Eu chamo para a mesa - disse a tia Petúnia . - E tu , Dudley , vais dizer ... - Dá me licença que lhe indique a casa de jantar , Mrs._Mason ? - repetiu o Dudley , oferecendo o seu braço gordo a uma mulher invisível . - O meu pequenino cavalheiro - fungou a tia Petúnia . - E tu ? - perguntou o tio Vernon a o Harry , em o mesmo tom desagradável . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho , fingindo que não estou lá - respondeu Harry aborrecido . - Isso mesmo . Agora , devíamos ter preparadas algumas frases amáveis para o jantar . Petúnia , alguma ideia ? - O Vernon disse me que o senhor é um excelente jogador de golfe , Mr._Mason ... Tem de me dizer onde comprou esse vestido , Mrs._Mason ... - Perfeito . Dudley ? - Que tal : Tivemos de fazer um trabalho para a escola sobre o nosso herói e eu escrevi sobre o senhor ... Foi de mais , tanto para a tia Petúnia como para o Harry . A tia debulhou se em lágrimas e abraçou o filho , enquanto Harry se esgueirava para debaixo de a mesa para ninguém o ver rir . - E tu , rapaz ? Harry fez um esforço para se mostrar inexpressivo quando emergiu . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - disse . - Vais sim senhor - afirmou o tio Vernon energicamente . - Os Mason não sabem nada a teu respeito e é assim que as coisas vão continuar . Quando o jantar terminar , tu trazes Mrs._Mason para o salão , onde vamos tomar café , Petúnia , e eu puxo o assunto de as brocas . Com um_pouco de sorte , tenho o contrato assinado antes de o noticiário de as dez . Amanhã por esta hora , vamos estar a fazer compras para umas férias em Maiorca . Harry não conseguia sentir o menor entusiasmo com aquilo . Não lhe parecia que os Dursleys gostassem mais de ele em Maiorca do_que em Privet_Drive . - Certo , eu vou a a cidade buscar os casacos para mim e para o Dudley . E tu - resmungou , apontando para Harry - não atrapalhes a tua tia enquanto ela estiver a limpar . Harry saiu por a porta de as traseiras . Estava um dia de sol lindo . Atravessou o relvado , deixou se cair em o banco de o jardim e cantarolou baixinho : - Parabéns para mim ... parabéns para mim ... Nem cartas nem presentes e tinha de passar a noite a fingir que não existia . Olhou infeliz para a sebe . Nunca se sentira tão só . Mais do_que tudo em o mundo , mais do_que de Hogwarts , mais até do_que de o jogo de Quidditch , Harry sentia a falta de os amigos Ron_Weasley e Hermione_Granger . Mas eles não pareciam sentir a falta de ele . Nenhum de os dois lhe escrevera durante todo o Verão apesar_de o Ron ter dito que ia convidá o para passar uns dias lá em casa . Inúmeras vezes Harry estivera quase a libertar magicamente Hedwig de a sua gaiola e mandá a levar uma carta a o Ron e a a Hermione mas não valia a pena correr o risco . Os feiticeiros menores de idade não tinham autorização para usar a magia fora de a escola . Harry não contara isto a os Dursleys . Ele sabia que era o medo de que ele os transformasse a todos em baratas que os impedia de o fecharem a a chave em a despensa debaixo de as escadas , juntamente com a varinha e a vassoura . Em as primeiras semanas Harry divertira se a murmurar baixinho palavras sem sentido e a ver o Dudley sair disparado de o quarto , tão rápido quanto as suas pernas gordas lhe permitiam . Mas o silêncio prolongado de Ron e Hermione tinham o feito sentir se tão longe de o mundo de a magia que até divertir se à_custa_de Dudley perdera o interesse . E agora o Ron e a Hermione tinham se esquecido de o seu aniversário . Quanto não daria ele por uma mensagem de Hogwarts ? De qualquer feiticeiro ou feiticeira ? Quase ficaria satisfeito com um sinal de o seu inimigo feroz , Draco_Malfoy , só para ter a certeza de que tudo aquilo não fora apenas um sonho ... Não que tudo durante o ano em Hogwarts tivesse sido divertido . Mesmo em o fim de o último período , Harry confrontara se nem mais nem menos do_que com o próprio Lord_Voldemort . Voldemort podia ter arruinado o seu ego inicial mas continuava a espalhar o terror , ainda astuto , ainda determinado a recuperar o poder . Harry escapara uma segunda vez a as suas garras mas fora por um triz e mesmo agora , algumas semanas decorridas , acordava de noite encharcado em suores frios , perguntando se onde estaria Voldemort , relembrando o seu rosto lívido , os seus olhos completamente loucos ... Harry sentou se subitamente , direito como um fuso , em o banco de o jardim . Tinha estado a olhar distraído para a sebe e a sebe estava a olhar para ele . Dois enormes olhos verdes surgiram por_entre a folhagem . Harry pôs se de pé ao_mesmo_tempo que uma voz sobrevoava a relva . - Eu sei que dia é hoje - cantarolava Dudley , bamboleando se enquanto se aproximava . Os olhos enormes piscaram e desapareceram . - O quê ? - perguntou Harry sem retirar os olhos de o lugar para_onde estava a olhar . - Eu sei que dia é hoje - repetiu , chegando junto de ele . - Ainda_bem - disse Harry . - Aprendeste finalmente os dias de a semana . - Hoje é o dia de os teus anos - troçou o Dudley . - Por_que é_que não recebeste nenhuma carta ? Não tens amigos em esse lugar esquisito ? - É melhor não deixares a tua mãe ouvir te falar de a minha escola - disse Harry calmamente . Dudley puxou para_cima as calças que estavam a escorregar lhe por o rabo gordo abaixo . - Porque estás a olhar para a sebe . ; - perguntou curioso . - Estou a pensar em as palavras que deverei pronunciar para lhe pegar fogo - disse Harry . Dudley recuou de imediato com um olhar de pânico em a cara rechonchuda . - Tu não p-p-odes , o pai disse que não podias fazer magia ou corria contigo aqui de casa e não tens mais nenhum lugar para_onde ir , não tens amigos que te convidem ... - * _ Jiggery pokery * ! - disse Harry com voz firme . - * _ Hocus pocus ... squiggly wiggly * ... - Maaaaaãe - gritou Dudley , tropeçando em os pés , enquanto se precipitava para dentro_de casa . Maaaãe , ele vai fazer aquela coisa ! Harry deu graças a os céus por aquele momento de gozo . Como não aconteceu nada de mal nem a o Dudley nem a a sebe , a tia Petúnia percebeu que ele não fizera magia nenhuma mas , mesmo_assim , Harry teve de se afastar quando ela lhe deu uma forte pancada em a cabeça com a frigideira cheia de detergente . A seguir distribuiu lhe trabalho e o castigo de só voltar a comer quando tivesse acabado tudo . Enquanto Dudley andava a flanar , olhando para o ar e comendo gelados , Harry limpou as janelas , lavou o carro , aparou a relva , adubou os canteiros , podou e regou as rosas e pintou de_novo o banco de o jardim . O sol ardia lá em cima , queimando lhe a parte de trás de o pescoço . Harry sabia que não devia ter provocado Dudley mas ele dissera precisamente aquilo que ele próprio pensava ... talvez não tivesse amigos em Hogwarts . Deviam ver agora o famoso Harry_Potter , pensou amargamente enquanto espalhava adubo em os canteiros , as costas a doerem lhe e o suor a escorrer lhe por o rosto . Eram sete_e_meia_da_tarde quando , por fim , exausto , ouviu a tia Petúnia a chamá o . - Anda para dentro e passa por cima de os jornais . Harry entrou satisfeito em a sombra de a cozinha que rebrilhava . Sobre o frigorífico estava o bolo de a noite : um enorme monte de crome batido coberto de violetas de açúcar . A carne de porco assava em o forno . - Come depressa , os Mason devem estar a chegar ! - exclamou bruscamente a tia Petúnia , apontando para duas fatias de pão e uma de queijo que estavam em cima de a mesa de a cozinha . Ela já tinha posto um vestido de * cocktail * cor de salmão . Harry lavou as mãos e comeu aquele triste jantar . Mal tinha terminado , a tia Petúnia tirou lhe o prato . - Lá para_cima , rápido ! A o passar por a porta de a sala , Harry vislumbrou o tio Vernon e Dudley de casaco e gravata . Tinha acabado de chegar a o cimo de as escadas quando a campainha de a porta tocou e a cara de o tio Vernon apareceu em o patamar . - Lembra te , rapaz , um ruído que seja ... Harry entrou em o quarto em bicos de pés , fechou a porta e preparou se para se meter em a cama . O problema é_que estava lá alguém sentado . II_O aviso de Dobby_Harry conseguiu não gritar , mas foi por_pouco . A pequena criatura que estava em a cama tinha umas orelhas grandes e largas e uns olhos verdes protuberantes de o tamanho de bolas de ténis . Harry percebeu imediatamente que fora para ele que tinha estado a olhar de manhã . Enquanto olhavam um para o outro , Harry ouviu a voz de Dudley em o * hall * . - Posso guardar os vossos casacos , Mr. e Mrs._Mason ? A criatura escorregou por a cama e curvou se tanto que a ponta de o seu enorme nariz tocou em o tapete . Harry reparou que ele tinha vestido uma espécie de fronha de almofada com buracos para os braços e pernas . - Er ... Olá - disse Harry , um_pouco nervoso . - Harry_Potter ! - exclamou a criatura em uma voz tão estridente que Harry calculou que poderia ouvir se lá em baixo . - Há tanto tempo que Dobby queria conhecê o , senhor . É uma enorme honra ... - Ob-obrigado - disse Harry , deslocando se a o longo de a parede e sentando se em a cadeira de a secretária , junto de Hedwig que dormia em a sua grande gaiola . Queria perguntar lhe « O que és tu ? » , mas pensou que seria má educação , por isso perguntou : - Quem és tu ? - Dobby , senhor . Apenas Dobby , o elfo de casa - afirmou a criatura . - Oh ! A sério ? - perguntou Harry . - Não quero ser mal-educado , mas esta não é a melhor altura para ter um elfo em o meu quarto . O riso falso de a tia Petúnia ouvia se em a sala de jantar . O elfo deixou cair a cabeça . - Não que eu não me sinta feliz por te conhecer - disse Harry rapidamente - mas , er ... estás aqui por algum motivo em especial ? - Oh , sim senhor - disse Dobby muito a sério . - Dobby veio dizer lhe que ... é difícil ... Dobby não sabe por_onde começar ... - Senta te - disse Harry educadamente , apontando lhe a cama . Para seu horror , o elfo debulhou se em lágrimas bastante ruidosas . -- S-senta-te ! - repetiu . - Nunca em toda_a minha vida ... Harry pareceu lhe ouvir as vozes lá em baixo vacilarem . - Desculpa - murmurou . - Eu não queria ofender te ... - Ofender Dobby ! - exclamou o elfo em um sufoco . - Nunca nenhum feiticeiro disse a o Dobby que se sentasse como um seu igual , senhor . Harry , tentando dizer lhe « Sch ... » e confortá o ao_mesmo_tempo , conduziu Dobby de_novo até a a cama onde ele se sentou a soluçar , parecendo uma grande boneca muito feia . Por fim , conseguiu controlar se e ficou quieto , com os seus grandes olhos fixos em Harry em uma expressão de absoluta adoração . - Não deves ter conhecido muitos feiticeiros sérios - disse lhe , tentando animá o . Dobby abanou a cabeça . Em seguida , sem qualquer aviso , saltou e começou a bater furiosamente com a cabeça em a janela , gritando : - Dobby é mau ! Dobby é mau ! - Pára , o que é_que estás a fazer ? - perguntou Harry em um murmúrio sibilante , dando um salto e puxando Dobby de_novo para a cama . Hedwig acordara com um pio particularmente agudo e batia agressivamente com as asas contra as grades de a gaiola . - Dobby tinha que se castigar , meu senhor - afirmou o elfo , que ficara ligeiramente estrábico . - Dobby quase falou mal de a família de ele ... - De a tua família ? - De a família de feiticeiros que Dobby serve , meu senhor ... O Dobby é um elfo de casa , obrigado a servir uma casa e uma família para sempre . - Eles sabem que estás aqui ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Dobby estremeceu . - Oh , não senhor , não ... Dobby vai ter que se castigar muito por ter vindo vê o . Dobby vai ter que entalar as orelhas em a porta de o forno por isto . Se eles soubessem , senhor ... - Mas achas que eles não vão reparar se tu entalares as orelhas em a porta de o forno ? - Dobby duvida , senhor . Dobby está sempre a ter de se castigar por qualquer coisa . Eles deixam que o Dobby se castigue . _ às_vezes até sugerem alguns castigos extra . - Mas por_que é_que não te vais embora , não foges ? - Um elfo de casa tem de ser libertado , senhor . E a família nunca libertará Dobby . Dobby servirá a família até morrer . Harry olhou para ele . - E eu que pensava que era infeliz por ter de ficar aqui mais quatro semanas - declarou . - Isto faz os Dursleys parecerem quase humanos . Será que ninguém te pode ajudar ? Poderei eu ? Em o mesmo momento , Harry desejou não ter aberto a boca . Dobby desfez se em ruidosos soluços de gratidão . - Por favor - murmurou Harry , inquieto . - Por favor , está calado . Se os Dursleys ouvem barulho , se eles sabem que estás aqui ... - Harry_Potter pergunta se pode ajudar Dobby . Dobby ouviu falar de a sua grandeza , mas de a sua bondade , Dobby nada sabia . Harry , que se sentia corar , disse : - Seja o que for que tenhas ouvido sobre a minha grandeza , é um disparate . Nem_sequer sou o melhor de o meu ano em Hogwarts . É a Hermione . Ela ... Mas calou se rapidamente porque pensar em Hermione era lhe doloroso . - Harry_Potter é humilde e modesto - disse Dobby reverentemente , com os seus olhos de globo avermelhados . - Harry_Potter não fala de a sua vitória sobre « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . - Voldemort ? - perguntou Harry . Dobby bateu com as mãos em as enormes orelhas e gemeu : - Ai não diga o nome , senhor . Não diga o nome ! - Desculpa - disse Harry muito depressa . - Eu sei que muita gente não gosta . O meu amigo Ron ... Calou se de_novo . Pensar em o Ron era igualmente doloroso . Dobby voltou para Harry os seus dois olhos grandes como candeeiros . - Dobby ouviu dizer - balbuciou com voz rouca - que Harry_Potter encontrou o Senhor_do_Mal uma segunda vez há poucas semanas atrás ... que Harry_Potter lhe escapou de_novo . Harry acenou e os olhos de Dobby encheram se de lágrimas . - Ah , senhor - disse em um sobressalto , limpando o rosto com a ponta de a fronha de almofada que tinha vestida . - Harry_Potter é valente e arrojado . Enfrentou tantos perigos ! Mas Dobby veio protegê o , avisar Harry_Potter , mesmo_que para isso tenha de entalar as orelhas em a porta de o forno , que Harry_Potter não deve voltar para Hogwarts . Houve um silêncio apenas quebrado por o ruído de os garfos e de as facas lá em baixo e por a voz distante de o tio Vernon . - O q-q-uê ? - gaguejou Harry . - Mas eu tenho de voltar , o ano começa em o dia um de Setembro . É a minha razão de viver . Tu não sabes como são as coisas aqui . Eu não pertenço a este lugar , o meu lugar é em Hogwarts . - Não , não , não - guinchou Dobby , sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas andavam de um lado para o outro . - Harry_Potter deve ficar aqui , onde se encontra a salvo . É demasiado grande , demasiado bom para se perder . Se Harry_Potter regressar a Hogwarts correrá perigo de vida . - Porquê ? - inquiriu Harry , surpreendido . - Há uma conspiração , Harry_Potter . Uma conspiração para fazer acontecer coisas terríveis este ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts - murmurou Dobby que começara a tremer de a cabeça a os pés . - Dobby sabe de isto há meses , senhor . Harry_Potter não deve expor se a o perigo . É demasiado importante . - Que coisas terríveis são essas ? - perguntou Harry sem perder tempo . - Quem está por detrás ? Dobby fez um ruído esquisito e começou a bater com a cabeça contra a parede como um louco . - Está bem - gritou Harry , agarrando o braço de o elfo para o fazer parar . - Não podes dizer , eu compreendo . Mas porque vieste avisar me ? - Um pensamento súbito e desagradável surgiu lhe . - Espera aí , isto tem alguma coisa que ver com o Vol , desculpa com o Quem nós sabemos ? Basta que faças sim ou não com a cabeça - acrescentou com vivacidade enquanto a cabeça de Dobby se inclinava de_novo a uma velocidade preocupante para a parede . Lentamente , Dobby abanou a cabeça . - Não , não é « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . Os olhos de Dobby estavam abertos como_se estivesse a tentar dar a Harry uma pista , mas Harry estava completamente a a nora . - Ele não tem nenhum irmão , ou tem ? Dobby abanou a cabeça , os olhos mais abertos do_que nunca . - Bem , em esse caso não estou a ver quem mais poderia ter a possibilidade de fazer acontecer coisas horríveis em Hogwarts - disse Harry . - Quero dizer , para já está lá o Dumbledore . Sabes quem é Dumbledore , não sabes ? Dobby baixou a cabeça . - Albus_Dumbledore é o melhor director que Hogwarts alguma vez teve . Dobby sabe , senhor . Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore rivalizam com os d'aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Mas , senhor - a voz de Dobby desceu a um urgente murmúrio - há poderes que Dumbledore não ... poderes que nenhum feiticeiro sério ... E antes que Harry conseguisse impedi o Dobby saltou de a cama , agarrou o candeeiro de secretária de Harry e começou a bater com a cabeça , dando uivos ensurdecedores . Fez se silêncio lá em baixo . Dois segundos mais tarde , Harry com o coração a bater como um louco , ouviu o tio Vernon chegar a o * hall * e dizer . - O Dudley deve ter deixado outra_vez a televisão ligada , o maroto ! - Depressa , para dentro de o guarda-fatos - gritou Harry , empurrando Dobby bem para o fundo , fechando a porta e metendo se a correr em a cama mesmo a_tempo_de ver a maçaneta de a porta a girar . - Que diabo estás tu a fazer ? - disse o tio Vernon entre dentes , o rosto assustadoramente próximo de o de Harry . - Acabas de estragar o ponto alto de a minha anedota de o golfista japonês . Eu que oiça mais um som e vais desejar nunca ter nascido , rapaz ! Abandonou o quarto com grandes passadas . A tremer , Harry deixou Dobby sair de o guarda-fatos . - Estás a ver como são as coisas por aqui ? - disse . - Vês porque tenho de voltar para Hogwarts ? É o único sítio onde eu tenho ... bem , onde eu acho que tenho amigos . - Amigos que nem_sequer escrevem a Harry_Potter ? - disse Dobby com ar manhoso . - Calculo que devem ter estado ... espera aí - disse Harry , franzindo a testa . - Como é_que tu sabes que os meus amigos não me têm escrito ? Dobby arrastou os pés . - Harry_Potter não deve zangar se com Dobby . Dobby fez o que achou melhor ... - Tu tens estado a interceptar me as cartas ? - Dobby tem as aqui , senhor - disse o elfo . Saltando para longe de o alcance de Harry , retirou de dentro de a fronha que usava um espesso saco cheio de envelopes . Harry reconheceu de imediato a caligrafia certinha de Hermione , a escrita desordenada de Ron e até uns gatafunhos que pareciam ser de o guarda de os campos de Hogwarts , Hagrid . Dobby piscava ansiosamente os olhos . - Harry_Potter não deve ficar zangado ... Dobby esperava que ... se Harry_Potter pensasse que os amigos o tinham esquecido ... Harry_Potter talvez não quisesse voltar a a escola , senhor . Harry não o ouvia . Fez um gesto para agarrar as cartas , mas Dobby deu um salto , afastando se . - Harry_Potter terá as cartas , senhor , se der a Dobby a sua palavra de não voltar a Hogwarts . Ah , senhor , é um risco que não deve correr . Diga que não volta , senhor ! - Não - afirmou Harry zangado . - Dá me as cartas de os meus amigos ! - Em esse caso , Harry_Potter deixa Dobby sem escolha - disse o elfo tristemente . Antes que Harry pudesse fazer um movimento , Dobby tinha aberto a porta de o quarto e descido a correr por as escadas abaixo . Com a boca seca e um aperto em o estômago , Harry correu atrás de ele , tentando não fazer barulho . Saltou os últimos seis degraus , aterrando como um gato em a carpete de o * hall * , olhando em volta a a procura de Dobby . De a sala de jantar , ouviu a voz de o tio Vernon : - Conte a a Petúnia aquela história engraçadíssima de os funileiros americanos , ela tem estado louca por ouvi a , Mr._Mason . Harry correu de o * hall * para a cozinha e sentiu o estômago ficar pequenino . O pudim , que era a a obra-prima de a tia Petúnia , a montanha de creme batido coberto de violetas de açúcar flutuava junto de o tecto . Em cima de o guarda-louça de o canto , Dobby inclinava se servilmente . - Não - suplicou Harry . - Por favor , eles matam me . - Harry_Potter deve dizer que não vai voltar a a escola ... - Dobby , por favor . - Diga , senhor . - Não posso . Dobby lançou lhe um olhar trágico . - Então , Dobby deve fazê o , senhor , para o bem de Harry_Potter . O pudim foi direito a o chão em uma queda que parecia um coração a parar . O crome esguichou para as janelas e para as paredes , enquanto o prato se despedaçava . Com o ruído de uma chicotada , Dobby desapareceu . Ouviram se gritos em a casa de jantar e o tio Vernon irrompeu por a cozinha onde foi dar com Harry coberto , de a cabeça a os pés , por o pudim de a tia Petúnia . A princípio parecia que o tio Vernon ia conseguir arranjar uma desculpa para aquilo tudo . ( É só o nosso sobrinho , muito perturbado ; conhecer pessoas estranhas deixa o muito nervoso , por isso deixamos o lá em cima ... ) Conduziu_os_Mason , bastante chocados , para a sala de jantar , garantindo a Harry que o esfolava vivo quando os Mason se fossem embora e pôs lhe em as mãos um esfregão . A tia Petúnia descobriu um resto de gelado em o frigorífico e Harry , ainda a tremer , começou a limpar a cozinha . O tio Vernon poderia ainda ter feito o negócio , se não fosse a coruja . Estava a tia Petúnia a circular com uma caixa de After-Eight , quando uma enorme coruja de celeiro fez a sua entrada vertiginosa através de a janela de a casa de jantar , deixando cair uma carta em a cabeça de Mr._Mason e desaparecendo logo_a_seguir . Mrs._Mason gritava como uma carpideira e corria por a casa praguejando contra os lunáticos . Mr._Mason ficou o tempo estritamente necessário para dizer a os Dursleys que a mulher tinha um medo pânico de pássaros de todas_as formas e tamanhos e perguntar lhes se aquela era alguma brincadeira de mau gosto . Harry não saiu de a cozinha , agarrando o esfregão como defesa , enquanto o tio Vernon avançava para ele com um brilho demoníaco em os olhos pequeninos . - Lê isso - ordenou maldosamente . Harry pegou em a carta . Não era a desejar lhe um bom aniversário . * _ Caro_Mr._Potter , * _ Recebermos hoje informações de que um feitiço de suspensão em o ar foi efectuado em sua casa esta noite , a as nove_horas_e_doze_minutos . * _ Como sabe , os feiticeiros menores não estão autorizados a praticar magia fora de a escola e , se efectuar mais um trabalho mágico , será expulso de a nossa escola . ( Decreto_de_Restrições_Razoáveis_para_Feitiçaria_de_Menores , 1875 , parágrafo C. ) * _ Pedimos-lhe também que se lembre que qualquer actividade que possa ser notada por membros alheios a a nossa comunidade ( Muggles ) constitui uma ofensa grave , segundo a secção 13 de a Confederação_Internacional_do_Estatuto_da_Magia_Secreta . * _ Tenha umas boas férias . * Atenciosamente_Mafalda_Hopkirk_Gabinete_da_Utilização_Imprópria_da_Magia_Ministério_da_Magia * . Harry olhou para a carta e engoliu em seco . - Tu não nos contaste que estavas proibido de usar magia fora de a escola - disse o tio Vernon com um brilho maldoso a dançar lhe em os olhos . - Esqueceste te de o mencionar , passou te , não foi ? Tinha se aproximado de Harry como um grande * bulldog * , com todos os dentes a a mostra . - Tenho boas notícias para ti , rapaz , vou fechar te a a chave e , se tentares sair através_de magia , nunca mais voltas a aquela escola , eles expulsam te . E rindo como um louco , arrastou Harry até a o andar de cima . O tio Vernon era mau como as cobras . Em a manhã seguinte pagou a um homem para colocar grades em a janela de o quarto de Harry . Ele próprio abriu um pequeno buraco em a porta de o quarto para que a comida pudesse ser introduzida três vezes por dia . Deixavam o Harry sair para ir a a casa_de_banho de manhã e a o final de a tarde . O resto de o tempo estava fechado em o quarto , a a espera que o tempo passasse . Três dias mais tarde , os Dursleys não mostravam qualquer intenção de abrandar o castigo e Harry não sabia como sair de aquela situação . Estava deitado em a cama , vendo o sol brilhar por_entre as grades de a janela e perguntando se tristemente o que viria a acontecer lhe . Qual era a vantagem de sair de ali por artes mágicas , se Hogwarts o expulsaria em seguida ? Contudo , a vida em Privet_Drive tinha atingido o seu nível mais baixo . Agora_que os Dursleys tinham a certeza que não iam acordar transformados em morcegos , ele perdera a única arma que tinha . O Dobby podia tê o salvo de acontecimentos terríveis em Hogwarts , mas de a maneira que as coisas estavam , ele morreria muito provavelmente a a fome . A portinhola rangeu e a mão de a tia Petúnia apareceu empurrando uma tigela de sopa de pacote para dentro de o quarto . Harry , que estava cheio de fome , saltou de a cama e agarrou a . A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um único trago . A seguir , atravessou o quarto até a a gaiola de Hedwig e pôs os legumes ensopados dentro de o seu pratinho vazio . Ela agitou as penas e olhou o com profunda repugnância . - Não vale de nada virares lhe as costas . É tudo_o_que temos - disse Harry , de modo severo . Colocou a tigela vazia em o chão junto de a portinhola e voltou para_cima de a cama , de certo modo com mais fome do_que antes de ter comido a sopa . Admitindo que estaria ainda vivo dentro_de quatro semanas o que aconteceria se ele não se apresentasse em Hogwarts ? Será que mandariam alguém obrigar os Dursleys a deixá o ir ? O quarto começava a escurecer . Exausto e com o estômago a dar horas , o cérebro a as voltas com as mesmas questões sem resposta , Harry caiu em um sono intranquilo . Sonhou que fazia parte de um espectáculo de o jardim zoológico . Preso a a jaula onde se encontrava estava um cartaz onde podia ler se « feiticeiro menor de idade « . As pessoas olhavam o com olhos protuberantes , enquanto ele jazia fraco e esfomeado em um leito de palha . Viu a cara de o Dobby em o meio de a multidão e gritou lhe , pedindo ajuda , mas o Dobby respondeu : - Harry_Potter está em segurança aí , senhor - e desapareceu . Em seguida vieram os Dursleys e Dudley bateu em as grades de a jaula , rindo se de ele . - Pára com isso - murmurou Harry como_se aquele ruído martelasse em a sua cabeça dorida . - Deixa me em paz , pára com isso , estou a tentar dormir . Abriu os olhos . O luar brilhava através de as grades de a janela . E lá fora alguém olhava de olhos arregalados para ele : alguém de rosto sardento , cabelo ruivo e nariz grande . Ron_Weasley estava de o lado de_fora de a janela . III « A toca » Ron ! - exclamou Harry , arrastando se até a a janela e empurrando a para poderem falar através de as grades . - Ron , como é_que tu , foi o ... ? Harry ficou de boca aberta , espantado com o que viu . Ron estava debruçado de a janela de trás de um velho automóvel azul-turquesa que se encontrava estacionado em o ar . Em os lugares de a frente , rindo se para Harry , estavam os irmãos mais velhos , os gémeos Fred e George . - Tudo bem , Harry ? - O que é_que se tem passado ? - perguntou o Ron . - Porque não respondeste a as minhas cartas ? Convidei te para vires ter comigo umas doze vezes e um dia o pai chegou a casa e comunicou nos que tu tinhas recebido um aviso oficial por usares magia diante de os Muggles ... - Não fui eu . E como é_que ele soube ? - Ele trabalha em o Ministério - disse o Ron . - Tu sabes que nós não podemos fazer feitiços fora de a escola . - Bem , isso vindo de ti ... - exclamou Harry , olhando para o carro flutuante . - Oh , isto não conta - disse Ron . - Foi o meu pai que o emprestou . Não o fizemos aparecer por magia . Mas usar magia em a frente de esses Muggles com quem tu vives ... - Já te disse que não fui eu , mas vai demorar muito_tempo a explicar te isso agora . És capaz de avisar em Hogwarts que os Dursleys me fecharam a a chave e que não querem deixar me voltar e obviamente eu não posso sair de aqui magicamente senão o Ministério vai achar que é a segunda vez em três dias e ... - Pára com essa conversa tola - disse o Ron . - Viemos para te levar connosco . - Mas tu também não podes tirar me de aqui utilizando processos mágicos ... - Não precisamos de isso - afirmou Ron , fazendo um sinal de cabeça para os lugares de a frente . - Esqueces te de quem está aqui comigo . - Amarra isso em volta de as grades - disse o Fred , lançando a Harry a ponta de uma corda . - Se os Dursleys acordam estou feito - lamentou se Harry enquanto dava um nó bem apertado com a corda em uma de as grades e o Fred arrancava com o carro . - Não te preocupes e chega te para trás . Harry recuou para a sombra , para junto de Hedwig que parecia ter se apercebido de a importância de tudo aquilo , mantendo se quieta e em silêncio . O carro puxou mais e mais e , subitamente , com um ruído de ferro a ceder , as grades foram arrancadas de a janela , enquanto Fred conduzia com o céu como estrada . Harry correu de_novo para a janela para ver as grades a balouçarem a poucos metros de o chão . Ofegante , Ron içou as para dentro de o carro . Harry escutou ansiosamente mas não vinha qualquer som de o quarto de os Dursleys . Quando as grades estavam em segurança em os lugares de trás junto de Ron , Fred aproximou se o_máximo que lhe foi possível de a janela . - Anda de aí - disse . - Mas , todas_as minhas coisas de Hogwarts , a minha varinha , a minha vassoura ... - Onde estão ? - Fechadas em a despensa debaixo de as escadas e eu não posso sair de este quarto . . - Não há azar - disse o George . - Sai de a frente , Harry . Fred e George treparam cautelosamente e entraram por a janela em o quarto de Harry . Tinhas que ter aberto a boca , pensou Harry enquanto George tirava de o bolso um vulgar gancho de cabelo e começava a tentar abrir a fechadura . - Muitos feiticeiros acham que é uma perda de tempo aprender os truques de os Muggles - disse o Fred . - Mas nós pensamos que há habilidades que é sempre útil conhecer apesar_de serem um_pouco lentas . Ouviu se um pequeno clique e a porta abriu se . - Pronto , vamos buscar as tuas coisas . Tu vai dando a o Ron aquilo que precisas de aí de o teu quarto - murmurou George . - Cuidado com o degrau de cima que range - sussurrou Harry enquanto os gémeos desapareciam em o escuro . Harry deu a volta a o quarto , recolhendo as suas coisas e passando as por a janela a o Ron . Em seguida , foi ajudar o Fred e o George a trazerem o resto por as escadas acima . Ouviu o tio Vernon tossir . Por fim , de língua de_fora , chegaram a o quarto , junto de a janela aberta . Fred trepou para o carro para puxar os volumes com o Ron enquanto Harry e George os empurravam de dentro de o quarto . Centímetro a centímetro o malão foi passando por a janela . O tio Vernon tossiu de_novo . - Mais um_pouco - disse o Fred que estava a puxar de dentro de o carro . Um bom empurrão , vá . Harry e George encostaram os ombros contra a mala e ela escorregou para a parte de trás de o carro . - O. _ K. , vamos embora - murmurou o George . Mas quando Harry trepava para o parapeito de a janela ouviu se um forte pio atrás de ele , imediatamente seguido de o vociferar de o tio Vernon . - Aquela maldita coruja ! - Esqueci me de a Hedwig ! Harry precipitou se de_novo para o quarto , enquanto a luz de o patamar se acendia . Agarrou a gaiola de Hedwig , correu para a janela e passou a a o Ron . Estava a subir para_cima de a cómoda quando o tio Vernon bateu em a porta , que não estava fechada , e esta se abriu completamente . Por uma fracção de segundo , o tio Vernon ficou estático junto de a porta . Em seguida , soltou um mugido como um boi zangado e avançou para Harry , agarrando o por o tornozelo . Ron , Fred e George seguraram o por os braços e puxaram o com toda_a força . - Petúnia - rosnou o tio Vernon . - Ele está a fugir ! : __ ele está a __ fugir ! Os Weasleys deram um puxão gigantesco e a perna de o Harry escapou a as garras de o tio Vernon . Logo_que Harry entrou em o carro e a porta se fechou , Ron gritou : - Acelera Fred ! - E o carro partiu subitamente em direcção a a lua . Harry mal podia acreditar que estava livre . Esticou se a a janela , o ar de a noite a fustigar lhe os cabelos e olhou para baixo , para os telhados apertados de Privet_Drive . O tio Vernon , a tia Petúnia e o Dudley estavam todos debruçados com cara de parvos , a a janela de o quarto de ele . - Até a o próximo Verão - gritou . Os Weasleys riam se a as gargalhadas e Harry esticou se para trás em o assento e pediu a o ouvido de Ron : - Deixa sair a Hedwig . Ela pode voar atrás_de nós . Há séculos que não tem uma oportunidade de esticar as asas . George passou a o Ron o gancho de cabelo e , um momento depois , a Hedwig saíra feliz por a janela , planando atrás de eles como um fantasma . - Então , qual é a história ? - perguntou Ron , impaciente . - O que é_que tem estado a acontecer ? Harry contou lhes tudo sobre o Dobby , o aviso de este e o fracasso de o pudim de violetas . Houve um longo silêncio quando ele se calou . - Isso cheira me a esturro - disse , por fim , o Fred . - Definitivamente misterioso - concordou George . - Então ele nem te disse quem está supostamente por detrás dessa trama toda ? - Acho que não podia - explicou Harry . - Já te disse , de cada_vez que estava quase a deixar escapar qualquer coisa , começava a bater com a cabeça em a parede . Viu Fred e George olharem um para o outro . - O quê ? Acham que ele estava a mentir me ? - perguntou Harry . - Bem - começou o Fred -- , coloquemos as coisas de o seguinte modo , os elfos de casa têm poderes mágicos próprios , mas geralmente não podem usá os sem a autorização de os seus donos . Eu acho que o bom de o Dobby foi enviado para evitar que voltasses para Hogwarts . Uma ideia de um engraçadinho . Haverá alguém em a escola com má vontade contra ti ? - Sim - responderam Harry e Ron , precisamente ao_mesmo_tempo . - Draco_Malfoy - explicou Harry . - Ele detesta me . - Draco_Malfoy ? - perguntou George , voltando se para trás . - O filho de o Lucius_Malfoy ? - Deve ser . Não é um nome muito vulgar , pois não ? - disse Harry . - Mas porquê ? - Ouvi o pai falar acerca de ele - confidenciou George . - Ele era um grande apoiante de o « Quem nós sabemos » . - E quando o « Quem nós sabemos » desapareceu - continuou o Fred , voltando a cara para olhar para Harry - o Lucius_Malfoy voltou , dizendo que não foi por vontade própria que fez o que fez . Monte de lixo . O pai acha que ele fazia parte de um círculo de amigos íntimos de o « Quem nós sabemos » . Harry já tinha ouvido esses boatos sobre a família de Malfoy e não o surpreenderam em absoluto . Malfoy fizera Dudley_Dursley parecer um rapazinho simpático , amável e sensível . - Não sei se os Malfoy têm um elfo de casa ... - afirmou Harry . - Bem , quem quer que o possua é sem dúvida uma antiga família de feiticeiros e deve ser rica - explicou Fred . - Sim . A mãe está sempre a desejar que pudéssemos ter um elfo de casa para passar a roupa a ferro - disse o George . - Mas só temos um velho vampiro piolhoso em o sótão e gnomos espalhados por o jardim . Os elfos de casa pertencem a as grandes casas senhoriais , a os castelos e lugares assim , não encontrarias um em a nossa casa ... Harry estava calado . Considerando que Draco_Malfoy tinha sempre as melhores coisas , que a sua família nadava em ouro de feiticeiros , era fácil imaginá o passeando se por uma enorme casa senhorial . Mandar o servo de a família evitar que Harry voltasse para Hogwarts também parecia exactamente o tipo de coisa que Malfoy poderia fazer . Teria Harry sido estúpido a o tomar Dobby a sério ? - De qualquer modo , ainda_bem que viemos buscar te - declarou Ron . - Eu começava a ficar seriamente preocupado por não responderes a nenhuma de as minhas cartas . A princípio pensei que a culpa fosse de a Errol ... - Quem é a Errol ? - A nossa coruja . Já é velhota . Não seria a primeira vez que adoecia durante uma entrega . Por isso , tentei pedir a Hermes emprestada ... - Quem ? - A coruja que os meus pais compraram a o Percy quando ele foi nomeado prefeito - respondeu Fred . - Mas o Percy não me a emprestou . Disse que precisava de ela . - O Percy tem andado com atitudes muito estranhas este Verão - comentou George franzindo a testa . - E tem mandado imensas cartas e passado um tempo infinito fechado em o quarto ... enfim , pode limpar se e polir um distintivo de prefeito todas_as vezes que se quiser ... Estás a conduzir demasiado para ocidente , Fred - acrescentou apontando para uma bússola em o painel de o automóvel . Fred girou o volante . - Então , o vosso pai sabe que têm o carro ? - perguntou Harry , quase adivinhando a resposta . - Er ... não - disse o Ron . - Ele tinha trabalho esta noite . Felizmente vamos poder pô o de_novo em a garagem , sem a mãe perceber que andámos a voar nele . - A propósito , o que faz o vosso pai em o Ministério_da_Magia ? - Trabalha em o Departamento mais chato - respondeu Ron . - A Divisão de utilização incorrecta de artefactos de os Muggles . - O quê ? - Relaciona se com objectos de feitiçaria que foram feitos por os Muggles ; sabes como é , se forem parar de_novo a uma loja de os Muggles , ou a uma casa , como em o ano passado , quando morreu uma bruxa velha e o bule de ela foi vendido a uma loja de antiguidades . Uma mulher Muggle comprou o , tentou servir chá a os amigos . Foi um pesadelo , o pai teve de fazer horas extraordinárias durante semanas . - O que é_que aconteceu ? - O bule parecia louco , esguichou chá a ferver para todos os lados e um de os homens foi parar a o hospital com a pinça de o açúcar presa em o nariz . O pai ficou nervosíssimo . É só ele e o velho feiticeiro Perkings em o gabinete e tiveram de localizar e descobrir todo o tipo de encantamentos para resolver o assunto . - Mas o teu pai ... este carro ... Fred riu se . - Sim , o pai é louco por tudo_o_que tem que ver com os Muggles . A nossa arrecadação está cheia de coisas de os Muggles . Ele separa as , lança lhes feitiços e volta a pô as em o lugar . Se ele fizesse uma busca a nossa casa teria de se prender a si mesmo . A minha mãe fica louca com tudo aquilo . - É a estrada principal - gritou o George , apontando para baixo através de a janela . - Dentro_de poucos minutos estamos lá , mesmo a tempo , está a começar a clarear . Um leve brilho rosado tingia o horizonte para leste . Fred trouxe o carro para baixo e Harry pôde ver uma manta de retalhos de campos escuros e matas de arbustos . - Estamos um_pouco longe de a vila - disse George . - Em Ottery_St . Catchpole ... O carro voador foi descendo a os poucos . A luz avermelhada brilhava agora por_entre as árvores . - Terra - disse o Fred , em o momento em que tocaram em o chão com um ligeiro solavanco . Tinham aterrado perto_de uma garagem em ruínas em um pequeno pátio e Harry viu pela_primeira_vez a casa de o Ron . Parecia ter sido em tempos uma pocilga de pedra . Mas os quartos que posteriormente lhe tinham sido acrescentados haviam a tornado bastante mais alta e o seu aspecto era tão curvado que parecia ter sido construída por artes mágicas ( o que , pensou Harry , era , muito provavelmente , verdade ) . De o telhado vermelho saíam quatro ou cinco chaminés . Junto de a entrada , fixa em o chão , podia ver se uma inscrição assimétrica que dizia « A toca » . A o lado de a porta principal estava uma contusão de botas de * _ Wellington * e um caldeirão completamente enferrujado . Por o pátio passeavam se várias galinhas castanhas e gordas . - Não é grande coisa - desculpou se o Ron . - É óptima - exclamou Harry , feliz , pensando em Privet_Drive . Saíram de o carro . - Agora vamos lá para_cima sem fazer barulho - disse o Fred . - E esperamos que a mãe nos chame para o pequeno-almoço . Depois tu , Ron , desces a escada entusiasmadíssimo . - Mãe , olha quem apareceu cá durante a noite ! - E ela vai sentir se felicíssima quando vir o Harry . Assim ninguém fica a saber que levámos o carro voador . - Certo - disse o Ron . - Vamos , Harry , eu durmo em o ... Ron ganhou uma cor de um pálido esverdeado , os olhos fixos em a casa . Os outros três fizeram meia volta . Mrs._Weasley avançava por o pátio , afugentando as galinhas e , para uma mulher baixa , roliça e simpática , era fantástico como conseguia parecer se com um tigre dentes-de-sabre . - Ah ! - suspirou o Fred . - Oh , oh ! - exclamou o George . Mrs._Weasley parou em frente de eles . As mãos em as ancas , saltando de um olhar culpado para o outro . Usava um avental a as flores , com uma varinha a sair lhe de o bolso . - Com que então - disse . - Bom dia , mãe - arriscou o George com uma voz que tentou que fosse alegre e bem-disposta . - Vocês têm alguma ideia de como tenho estado preocupada ? - perguntou Mrs._Weasley em um murmúrio fraco . - Desculpe , mãe , mas sabe , nós tivemos que ... Os três filhos de Mrs._Weasley eram mais altos do_que ela , mas tremiam quando a fúria de a mãe se abatia sobre eles . - Camas vazias ! Nem um bilhete ! O carro desaparecido ... Podiam ter tido um acidente , estou fora de mim com tanta preocupação e vocês nem se importam ... nunca , enquanto eu for viva ... esperem só até o vosso pai chegar , nunca tivemos problemas de estes com o Bill , com o Charlie ou com o Percy ... - O perfeito Percy - resmungou Fred . - : __ tu não vales um dedo de a mão de o __ percy ! - gritou Mrs._Weasley , espetando um dedo em o queixo de o Fred . - Podias ter morrido , podias ter sido visto , podias ter feito com que o teu pai perdesse o emprego ... Parecia nunca mais acabar . Mrs._Weasley tinha gritado até ficar ronca , antes de se voltar para o Harry , que recuou . - Estou muito contente por te ver , Harry - disse . - Entra e vem tomar o pequeno-almoço . Ela voltou se e regressou a casa e Harry , depois de trocar um olhar nervoso com o Ron , que lhe acenou , encorajando o , seguiu a . A cozinha era pequena e bastante estreita . A meio havia uma enfezada mesa de madeira e cadeiras em volta e Harry sentou se a a beirinha de o assento , olhando em volta . Era a primeira vez que entrava em uma casa de feiticeiros . O relógio em a parede em frente de ele , tinha apenas um ponteiro e nenhum número . Em volta , estavam escritas frases como « Hora de fazer o chá » , « Hora de dar de comer a as galinhas « e « Estás atrasado » . Empilhados em o rebordo de a lareira estavam livros com títulos como * _ Encanta o teu próprio queijo , Encantamento em a cozedura de o pão e Banquetes em um minuto - é mágico * ! E , a menos que os ouvidos de Harry estivessem a traí o , o velho rádio próximo de o lava-loiças acabara de anunciar que a seguir vinha a Hora de enfeitiçar com a popular feiticeira-cantora Celestina_Warbeck . Mrs._Weasley fazia barulho com os talheres , preparando o pequeno-almoço um bocado a o acaso , lançando olhares furiosos a os filhos , enquanto lançava as salsichas em a frigideira . De vez em quando murmurava coisas como : « Não sei o que vos passou por a cabeça « ou « nunca devia ter confiado em vocês » . - Eu não te culpo , filho - tranquilizou Harry , pondo lhe sete ou oito salsichas em o prato . - Eu e o Arthur temos estado preocupados contigo . Ainda ontem a a noite estivemos a dizer que te iríamos buscar nós próprios se não respondesses a o Ron até sexta-feira . Mas , em a verdade ( estava agora a acrescentar três ovos estrelados a o prato de ele ) , atravessar metade de o país a voar em um carro ilegal , qualquer um vos poderia ter visto ... Agitou maquinalmente a varinha em a direcção de o lava-loiças , onde a loiça começou a lavar se sozinha , tinindo baixinho lá atrás . - Estava enevoado , mãe ! - exclamou o Fred . - Boca fechada enquanto comes ! - interrompeu Mrs._Weasley . - Eles estavam a fazê o passar fome , mãe ! - disse o George . - E tu também ! - disse Mrs._Weasley , mas já foi com uma expressão mais doce que começou a cortar o pão para Harry e a barrá o com manteiga . Em esse momento , as atenções voltaram se para um pequenino volto de cabelos ruivos , em uma camisa de dormir até a os pés , que surgiu em a cozinha , deu um grito agudo e desapareceu de_novo . - É a Ginny - disse Ron baixinho a o Harry -- , a minha irmã . Tem falado de ti todo o Verão . - Sim , ela vai querer o teu autógrafo , Harry - riu se o Fred , mas o seu olhar cruzou se com o de a mãe e inclinou se para o prato , não voltando a abrir a boca . Ninguém falou até os quatro pratos estarem limpos , o que sucedeu a uma velocidade surpreendente . - Bolas , estou cansado - bocejou Fred , pousando a faca e o garfo . Acho que me vou deitar e ... - Não vais , não senhor - interrompeu Mrs._Weasley . - A culpa é tua se ficaste toda_a noite acordado . Vais fazer a des-gnomização de o jardim . Eles estão outra_vez a exagerar . - Oh , mãe ... - E vocês os dois o mesmo - dirigiu se a o Ron e a o Fred . - Tu podes ir para a cama , filho - disse a Harry . - Não lhes pediste que guiassem aquele carro miserável . Mas Harry , que se sentia acordadíssimo , respondeu prontamente : - Eu ajudo o Ron , nunca vi uma des-gnomização ... - É muito simpático de a tua parte , querido , mas é um trabalho chato - explicou Mrs._Weasley . - Vejamos o que o Lockhart tem a dizer acerca disto . E puxou de o rebordo de a lareira um livro pesadíssimo . George resmungou : - Mãe , nós sabemos * des-gnomizar * o jardim . Harry olhou para a capa de o livro de Mrs._Weasley . Em grandes letras douradas , que ocupavam grande parte de a capa , podia ler se Guia_de_Gilderoy_Lockhart para pragas caseiras . Via se também a grande fotografia de um feiticeiro bem-parecido , de cabelos loiros ondulados e olhos azuis brilhantes . Como sempre , em o mundo de os feiticeiros , a fotografia mexia se . O feiticeiro , que Harry calculou ser Gilderoy_Lockhart , não parava de lhes piscar os olhos descaradamente . Mrs._Weasley sorriu lhe . - Oh , ele é fantástico - disse . - Conhece bem as pragas caseiras . É um livro maravilhoso . - A mãe adora o - disse Fred em um murmúrio bastante audível . - Não sejas ridículo , Fred - repreendeu Mrs._Weasley com as bochechas coradas . - É claro que se achas que sabes mais do_que o Lockhart , podes ir fazer o trabalho e ai de ti se houver um único gnomo em o jardim quando eu for fazer a inspecção . A bocejar e a resmungar , os Weasley arrastaram se lá para fora com Harry atrás de eles . O jardim era grande e , em a opinião de Harry , exactamente como deveria ser um jardim . Os Dursleys não teriam gostado . Havia uma enorme quantidade de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada , mas havia árvores nodosas em volta de as paredes , plantas que Harry nunca vira , tombando de todos os canteiros e um grande lago verde cheio de rãs . - Os Muggles também têm gnomos de jardim , sabes - disse o Harry a o Ron , enquanto atravessavam a relva . - Sim , já vi essas coisas que eles pensam que são gnomos - disse o Ron todo dobrado , com a cabeça em uma moita de peónias . - Como os Pais_Natais gordinhos com canas de pesca ... Houve um tumulto ruidoso , a moita de peónias estremeceu e Ron endireitou se . - Isto_é um gnomo - declarou com um ar sério . - Larga eu ! Larga eu ! - guinchou o gnomo . Não se parecia em absoluto com o Pai_Natal . Era pequenino e parecia de couro , com uma grande cabeça protuberante e calva , precisamente como uma batata . Ron agarrou o a a distância de um braço , enquanto ele dava pontapés em o ar com os seus pézinhos que pareciam chifres . Agarrou o por os tornozelos e voltou o de pernas para o ar . - Isto_é o que tens de fazer - disse . Levantou o gnomo acima de a cabeça ( Larga eu ! ) e começou a balouçá o em grandes círculos , como os vaqueiros fazem com os laços . A o ver a expressão chocada de Harry , Ron explicou : - Não os mágoa . Só tens de os deixar bem tontos para que consigam encontrar o caminho de regresso a os buracos de os gnomos . Largou os tornozelos de o gnomo . Ele voou seiscentos metros e aterrou com um ruído surdo em o campo a o lado de a sebe . - Deplorável - afirmou o Fred . - Aposto que consigo lançar o meu para_além de aquele tronco . Harry aprendeu rapidamente a não sentir muita pena de os gnomos . Decidira largar o primeiro que apanhou para_além de a sebe , mas o gnomo , sentindo fraqueza , enfiou os seus dentinhos , aguçados como laminas , em o dedo de o Harry e não foi fácil sacudi o para ele o largar , até que ... - Uau , Harry , esse deve ter sido seiscentos metros ... O ar estava subitamente cheio de gnomos voadores . - Vês , eles não são muito espertos - afirmou o George , agarrando cinco ou seis de uma_vez . - Em o momento em que se apercebem que começou a * des-gnomização * , aparecem todos para espreitar . Era de esperar que já tivessem aprendido a ficar quietinhos . Rapidamente a multidão de gnomos começou a ir se embora , atravessando os campos em uma fila ordenada , com os pequeninos ombros arqueados . - Eles voltam - disse o Ron enquanto os via desaparecer em a sebe de o outro lado de o campo . - Eles adoram estar aqui ... o pai é muito mole com eles , acha lhes piada . Em esse momento , a porta de a frente bateu . - Ele já voltou ! - exclamou o George . - O pai já está em casa ! Apressaram se a entrar . Mr._Weasley tinha se afundado em uma de as cadeiras de a cozinha , sem óculos e com os olhos fechados . Era um homem magro , quase calvo , mas o pouco cabelo que tinha era tão ruivo como o de os filhos . Vestia um longo manto verde cheio de pó e estava cansado de a viagem . - Que noite - murmurou , tacteando em busca de o bule , enquanto todos se sentavam a a volta de ele . - Nove assaltos , nove ! E o velho Mundungs_Fletcher tentou lançar me um feitiço quando eu estava de costas . Mr._Weasley tomou um bom gole de chá e suspirou . - Encontrou alguma coisa , pai ? - perguntou Fred ansiosamente . - Só encontrei algumas chaves encolhidas e uma chaleira que mordia - bocejou Mr._Weasley . - Havia um material bastante mauzinho , mas não era de o meu departamento . O Mortlake foi levado para ser interrogado sobre uns furões extremamente antigos , mas isso pertence a a Comissão_dos_Feitiços_Experimentais , graças_a Deus . - Por_que é_que alguém ia dar se a o trabalho de fazer encolher chaves ? - perguntou George . - Para chatear os Muggles - suspirou Mr._Weasley . - Vende se lhes uma chave que não pára de encolher , até que desaparece , de_modo_a que nunca a encontrem quando precisam ... É claro que é muito difícil condenar alguém , porque nenhum Muggle é capaz de admitir que a sua chave está a encolher , insistem em que estão sempre a perdê a . Benditos sejam , vão até onde for preciso para ignorar a magia , mesmo_que ela esteja em frente de os seus narizes ... mas vocês não acreditariam em as coisas que o nosso grupo tem levado para enfeitiçar ... - : __ como carros , por __ exemplo ? Mrs._Weasley tinha aparecido , segurando um grande atiçador que parecia uma espada . Os olhos de Mr._Weasley abriram se de repente , fitando a mulher com um ar culpado . - C-carros , Molly querida ? - Sim , Artur , carros - afirmou Mrs._Weasley , os olhos a faiscar . - Imagina um feiticeiro a comprar um carro velho e enferrujado e dizer a a mulher que a única coisa que queria fazer com ele era desmontá o para ver como ele funcionava , enquanto em a verdade estava a enfeitiçá o para o fazer voar . Mr._Weasley piscou os olhos . - Bem , querida , acho que poderás constatar que não é ilegal fazer isso , embora , er , talvez ele devesse ter contado a verdade a a mulher ... Existe uma forma de tornear a lei , já_que ela diz que ... desde_que não se tenha a * intenção * de voar em o carro , o facto de ele poder voar , não ... - Arthur_Weasley tu arranjaste essa forma de tornear a lei quando a escreveste ! - gritou Mrs._Weasley . - Para poderes continuar a remexer em todo aquele lixo de os Muggles que tens em a arrecadação ! E , para tua informação , o Harry chegou hoje_de_manhã em o carro que tu não pretendias pôr a voar ! - Harry ? - perguntou Mr._Weasley sem expressão . - Qual Harry ? Olhou em volta , viu Harry e deu um salto . - Santo_Deus , é Harry_Potter ? Muito prazer , o Ron falou nos tanto de si ... - * _ O teu filho conduziu aquele carro até a a casa de o Harry e de volta até aqui em a noite passada ! * - gritou Mrs._Weasley . - O que tens a dizer a esse respeito ? - A sério ! ? - exclamou Mr._Weasley com vivacidade . - Correu tudo bem , quero dizer ... - vacilou a o ver os olhos de Mrs._Weasley que faiscavam . - Er , fizeram mal , rapazes , muito mal , mesmo ... - Vamos deixá os a os dois - murmurou o Ron , enquanto Mrs._Weasley inchava como um sapo gigantesco . - Vamos , vou mostrar te o meu quarto . Esgueiraram se de a cozinha e desceram uma passagem estreita que dava para uma escada desnivelada que ziguezagueava a o longo de a casa . Em o terceiro andar , estava uma porta entreaberta . Harry só teve tempo de ver um par de olhos castanhos brilhantes que o olhavam fixamente , antes de a porta se fechar com um estalido . - A Ginny - disse o Ron . - Não imaginas como é estranho vês a tão tímida , ela que quase nunca se cala ... Subiram mais dois andares , até chegarem a uma porta com a tinta a descascar e uma pequena placa dizendo : « Quarto_do_Ronald » . Harry entrou . A cabeça quase tocava em o tecto inclinado . Piscou os olhos . Era como entrar dentro_de uma fornalha : quase tudo em o quarto de o Ron tinha um violento matiz alaranjado : a colcha de a cama , as paredes , até o tecto . Em seguida , apercebeu se de que o Ron tinha coberto cada centímetro de o velho papel de parede com * posters * de as mesmas sete feiticeiras e feiticeiros , todos vestidos com brilhantes mantos cor de laranja , transportando vassouras e acenando entusiasticamente . - A tua equipa de Quidditch ? - perguntou Harry . - Os Chudley_Cannons - disse Ron , apontando para a colcha cor de laranja que tinha um brasão com dois C's gigantes e uma bala de canhão a_toda_a velocidade . - Nono em a Liga . Os livros de estudo de feitiços de Ron estavam empilhados desordenadamente a um canto , junto de um monte de B. _ D. , todas elas relativas a as * _ Aventuras_de_Martin_Miggs , o Muggle louco * . A varinha mágica de o Ron estava em_cima_de um aquário cheio de ovos de rã sobre o peitoril de a janela , junto de o seu rato gordo e cinzento , Scabbers , que dormia uma soneca a o sol . Harry passou por_cima_de um baralho de cartas de jogar com vontade própria , que estava caído em o chão , e olhou para fora de a janelinha . Em o campo , não muito longe , podia ver um grupo de gnomos a esgueirarem se , um a um , de_novo para a sebe de os Weasley . Em seguida , voltou se para Ron que o observava nervoso , como_se esperasse a opinião de ele . - É um_pouco pequeno - declarou o Ron muito depressa . - Não se parece nada com o quarto que tu tinhas em casa de os Muggles . E estou mesmo debaixo de o vampiro de o sótão . Ele anda sempre a bater nos canos e a gemer ... Mas Harry , com um grande sorriso , disse lhe : - Esta é a melhor casa em que eu já estive . As orelhas de Ron ficaram cor-de-rosa . IV_Na_Flourish and Blotts_A vida em a Toca era o mais diferente que é possível de a vida em Privet_Drive . Os Dursleys gostavam de tudo limpo e arrumado , em casa de os Weasleys explodia o estranho e o inesperado . Harry teve um choque de a primeira vez que olhou para o espelho que estava sobre a lareira de a cozinha e ele gritou : - Mete para dentro a camisa , * desmazelado ! * - O vampiro de o sótão gemia e batia nos canos , sempre_que sentia as coisas demasiado calmas e as pequenas explosões em o quarto de o Fred e de o George , eram consideradas perfeitamente normais . Mas o que o Harry achou mais bizarro em a vida em casa de o Ron , não foi o espelho que falava , nem o vampiro barulhento , foi o facto de todos ali em casa parecerem gostar de ele . Mrs._Weasley preocupava se com o estado de as suas meias e tentava obrigá o a servir se quatro vezes a cada refeição . Mr._Weasley gostava que Harry se sentasse a o lado de ele a a mesa para poder bombardeá o com perguntas sobre a vida com os Muggles , pedindo que lhe explicasse como funcionavam coisas como as canalizações e o serviço de os correios . - Fascinante ! - exclamava , enquanto Harry lhe explicava a utilização de o telefone . - Engenhoso , de facto , todas_as maneiras que os Muggles encontraram para passar sem a magia . Harry teve notícias de Hogwarts em uma manhã de sol , cerca de uma semana depois de ter chegado a a Toca . Quando , ele e o Ron desceram para tomar o pequeno-almoço , encontraram Mr. e Mrs._Weasley e Ginny já sentados a a mesa . Em o momento em que viu o Harry , Ginny entornou a tigela de os cereais , que caiu a o chão com grande espalhafato . Ginny entornava facilmente coisas sempre_que o Harry estava em a sala . Mergulhou debaixo de a mesa para apanhar a tigela e emergiu com o rosto a brilhar como o sol poente . Fingindo não ter dado por nada , Harry sentou se e aceitou a torrada que Mrs._Weasley lhe ofereceu . - Cartas de a escola - disse Mr._Weasley , passando a o Harry e a o Ron envelopes idênticos de pergaminho amarelado , com a morada escrita a tinta verde . - O Dumbledore já sabe que estás aqui , Harry , não perde nada aquele homem . Vocês os dois também - acrescentou , enquanto Fred e George deambulavam em a casa , ainda em pijama . Fez se silêncio durante alguns momentos , enquanto liam as respectivas cartas . A de o Harry dizia para apanhar o Expresso_de_Hogwarts , como sempre em a Estação_de_King's_Cross , em o dia_1_de_Setembro . Havia ainda uma lista de os livros que precisaria para o próximo ano . Os alunos de o segundo ano deverão ter : * _ O_Livro_Padrão_de_Feitiços , Grau 2 , por Miranda_Goshawk . * _ Ensinamentos_de_Uma_Fada_Carpideira , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Férias com Bruxas , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Duendes , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Lobisomens , por Gilderoy_Lockhart . * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves , por Gilderoy_Lockhart * . Fred , que terminara a sua própria lista , espreitou para a de o Harry . - Também te mandam comprar os livros de o Lockhart - disse . - A professora de defesa contra as artes negras deve ser fanática . Aposto que é uma bruxa . Nessa_altura , Fred percebeu o olhar de a mãe e apressou se a comer o doce de laranja . - Esse conjunto não vai ficar barato - disse George , olhando rapidamente para os pais . - Os livros de o Lockhart são de os mais dispendiosos ... - Cá nos havemos de arranjar - declarou Mrs._Weasley , mas parecia preocupada . - Espero que pelo_menos para a Ginny possamos arranjar uma data de coisas em segunda mão . - Ah , vais entrar este ano para Hogwarts ? - perguntou lhe Harry . Ela fez um aceno , corando até a a raiz de os cabelos ruivos e meteu o cotovelo em o pires de a manteiga . Felizmente ninguém deu por nada , a não ser o Harry , porque em esse momento o irmão mais velho de Ron , o Percy , entrou . Já estava vestido , com a placa de prefeito aplicada a a sua camisola de malha . - Bom dia a todos - disse , cheio de vivacidade . - Está um dia lindo . Puxou a única cadeira livre , mas deu um salto quando ia sentar se e , debaixo de ele , saltou um espanador cinzento de penas , pelo_menos , foi o que o Harry pensou até ver que ele respirava . - Errol ! - exclamou Ron , afastando a coruja de o Percy e retirando lhe debaixo de a asa uma carta . - Até que enfim , a resposta de a Hermione . Escrevi lhe a contar que íamos tentar raptar te de casa de os Dursleys . Levou Errol para um poleiro que havia junto a a porta de as traseiras e tentou colocá a lá em cima , mas Errol caiu redonda e Ron teve de a pôr em a pia , murmurando : - Patético . - Em seguida , abriu a carta de a Hermione e leu a em voz alta . * _ Querido_Ron e Harry , se aí estiveres . Espero que tudo tenha corrido bem , que o Harry esteja O. _ K. e que não tenham feito nada ilegal para conseguir trazes o , porque isso podia criar lhe problemas também a ele . Tenho estado muito preocupada e , se o Harry estiver bem , por favor digam me qualquer coisa rapidamente , mas talvez seja melhor usarem uma nova coruja , porque acho que outra entrega pode acabar como esta . * _ Estou muito atarefada com trabalho de a escola , claro * . - Como é possível ? - perguntou Ron , horrorizado . - Estamos em férias ! - * _ E vamos para Londres em a próxima quarta-feira para comprar os meus livros novos . Porque não nos encontramos em a Diagon-al ? * _ Dêem-me notícias vossas o mais depressa possível . * _ Carinhosamente_Hermione * - Bem , parece uma boa solução , podemos ir todos comprar as vossas coisas - disse Mrs._Weasley , começando a limpar a mesa . - O que vão fazer hoje ? Harry , Ron , Fred e George tinham planeado ir a o cimo de o monte a um pequeno cercado de cavalos que os Weasleys possuíam . Estava rodeado de árvores que lhe tapavam a vista de a cidade cá em baixo , o que quer_dizer que podiam praticar Quidditch , desde_que não voassem muito alto . Não podiam usar as verdadeiras bolas de Quidditch pois seria muito difícil explicar se elas escapassem e voassem sobre a cidade . Em vez de elas , lançavam maçãs para os outros apanharem . Faziam turnos para montar a Nimbus dois_mil , que era de longe a melhor vassoura . A velha Shooting_Star_de_Ron fora muitas_vezes ultrapassada por as borboletas que passavam . Cinco minutos mais tarde estavam a marchar por o monte acima , de vassouras a o ombro . Tinham perguntado a o Percy se ele queria juntar se a eles , mas ele alegara muito trabalho . Até esse dia , Harry só tinha visto Percy a a hora de as refeições , ele ficava em silêncio em o quarto o resto de o tempo . - Gostava de saber o que ele anda a fazer - afirmou Fred , de testa franzida . - Não parece o mesmo . O resultado de os exames veio um dia antes de tu chegares : doze N_F_V e ele nem se manifestou satisfeito . - Níveis_de_Feitiçaria_Vulgares - explicou o George , vendo o olhar atarantado de Harry . - Se não temos cuidado , ainda nos calha outro Chefe_de_Turma em a família . Acho que não suportaria a vergonha . Bill era o mais velho de os irmãos Weasley . Ele e o irmão a seguir , Charlie , já tinham saído de Hogwarts . Harry não conhecia nenhum de os dois , mas sabia que o Charlie estava em a Roménia a estudar dragões e o Bill em o Egipto a trabalhar em o banco de os feiticeiros : Gringotts . - Não sei como o pai e a mãe vão arranjar dinheiro para nos pagar o material escolar este ano - disse o George , passado um bocado . - Cinco conjuntos de livros de o Lockhart ! E a Ginny precisa de mantos e de uma varinha e tudo_isso ... Harry não disse nada . Sentiu se um_pouco incomodado . Fechada em um cofre subterrâneo , em o banco de Gringotts_de_Londres , estava uma pequena fortuna que os pais lhe tinham deixado . É claro que só tinha esse dinheiro em o mundo de os feiticeiros , não se podem usar Galeões , Leões e Janotas em as lojas de os Muggles . Ele nunca fizera referência a a sua conta bancária em Gringotts a os Dursleys . Não lhe parecia que o horror que eles sentiam por tudo_o_que se relacionava com a feitiçaria se estendesse a uma enorme pilha de barras de ouro . Mrs._Weasley acordou os a todos bem cedo , em a quarta-feira seguinte . Depois de comerem umas doze sanduíches de * bacon * cada_um , enfiaram os casacos e Mrs._Weasley tirou um vaso de a prateleira de o fogão de a cozinha e espreitou lá para dentro . - Está a acabar se , Arthur - suspirou . - Temos de comprar mais hoje ... Bem , os hóspedes primeiro . Passa , Harry querido ! E ofereceu lhe o vaso de flores . Harry olhou espantado enquanto todos eles o observavam . - O q-que é_que eu devo fazer ? - gaguejou . - Ele nunca viajou com o pó de Floo - disse o Ron subitamente . - Desculpa , Harry , esqueci me . - Nunca ? - perguntou Mrs._Weasley . - Mas então como chegaste a a Diagon - _ Al em o ano passado para comprar as tuas coisas ? -- Fui por o subterrâneo . - A sério ? - disse Mr._Weasley , entusiasmado . - Havia fugitivos ? Como é_que ... - Agora não , Arthur - disse Mrs . Weasley . - O pó de Floo é muito mais rápido , querido , mas , valha me Deus , se ele nunca o usou ... - Vai correr bem , mãe - disse o Fred . - Harry observa nos primeiro . Tirou uma pitada de pó brilhante de dentro de o vaso , aproximou se de o lume e lançou o pó em as chamas . Com um rugido , o fogo ficou verde-esmeralda e elevou se a uma altura superior a a de o Fred que avançou , gritando Diagon - _ Al ! E desapareceu . - Tens de falar claramente , filho - disse Mrs._Weasley a o Harry , ao_mesmo_tempo que George metia a mão em o vaso de as flores . - E vê se sais em o fogão certo . - Em o quê ? - perguntou Harry , nervoso , enquanto o lume crepitava e fazia George desaparecer também . - Bem , há imensos fogos de feiticeiros , mas desde_que te tenhas expressado claramente ... - Ele vai conseguir , Molly , não te preocupes - disse Mr._Weasley , tirando também ele algum pó . - Mas querido se ele se perde como é_que vamos justificar nos perante o tio e a tia de ele ... -- Eles não se importariam - tranquilizou a Harry . - O Dudley ia achar imensa piada se eu me perdesse em uma chaminé , não se preocupe . - Bem , em esse caso ... tu vais a seguir a o Arthur - disse Mrs._Weasley . - Logo_que entres em o fogo diz para_onde queres ir . - E mantém os cotovelos dobrados - preveniu o Ron . - E os olhos fechados - disse Mrs._Weasley . - A fuligem . - Não te enerves - disse o Ron . - Senão podes ir parar a a lareira errada . - Não entres em pânico e não queiras sair cedo de mais . Espera até veres o Fred e o George . Fazendo um enorme esforço por reter toda aquela informação , Harry tirou uma pitada de pó de Floo e avançou para a beirinha de o fogo . Respirou fundo , espalhou o pó em as chamas e entrou . O fogo parecia uma brisa quente . Abriu a boca e engoliu , de imediato , uma grande quantidade de cinzas quentes . D-dia-gon-al - tossiu . Sentiu se como_se estivesse a ser sugado para um buraco gigantesco . Como_se girasse muito depressa ... o ruído era ensurdecedor . Tentou manter os olhos abertos mas o turbilhão de chamas verdes fê lo enjoar ... algo duro bateu lhe em o cotovelo e dobrou o de imediato . Continuava a rodar , a rodar ... sentia se agora como_se várias mãos frias estivessem a bater lhe em a cara ... Espreitando através de os óculos , viu uma torrente imprecisa de fogões e captou lampejos de as salas que estavam por detrás ... as sanduíches de * bacon * davam lhe a volta dentro de o estômago ... fechou os olhos desejando que tudo aquilo parasse e então caiu , de cara em o chão , em a pedra fria e sentiu os óculos partirem se a os bocados . Desorientado e ferido , coberto de fuligem , pôs se cautelosamente de pé , levando a os olhos os óculos partidos . Estava completamente só e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava . Tudo_o_que podia dizer era que a o seu lado via uma lareira que lhe parecia ser a de uma enorme e indistinta loja de feitiçaria . Mas nenhum de os artigos que ali se encontravam tinham aspecto de fazer parte de a lista de a escola de Hogwarts . Em uma caixa de vidro podia ver se uma mão atrofiada que repousava sobre uma almofada , um baralho de cartas ensanguentado e um olho de vidro que o olhava fixamente . Máscaras de expressão maldosa enchiam as paredes , olhando de esguelha , uma enorme quantidade de ossos humanos estendia se sobre o balcão e , de o tecto , pendiam instrumentos aguçados com pontas de ferro e pregos enferrujados . Mas o pior é_que a rua estreita e escura , que Harry conseguia avistar através de a janela poeirenta de a loja , não era de modo algum a Diagon-al . Quanto_mais depressa saísse de ali , melhor . O nariz ainda a doer lhe em o sítio onde batera em o chão a o aterrar , Harry avançou rápida e silenciosamente em direcção a a porta , mas antes de conseguir chegar a meio caminho , duas pessoas apareceram de o lado de_fora de o vidro , e uma de elas era a última pessoa que Harry desejaria encontrar em o momento em que se encontrava perdido , coberto de fuligem e com os óculos partidos , Draco_Malfoy . Harry olhou rapidamente em volta e apercebeu se de a existência de um grande armário escuro a a sua esquerda , saltou lá para dentro e fechou as portas , deixando uma gretazinha para poder espreitar . Segundos depois , uma campainha tocava e Malfoy entrava em a loja . O homem que o acompanhava só podia ser o pai . Tinha o mesmo rosto pálido de feições agudas e os mesmos olhos cinzentos de gelo . Mr._Malfoy atravessou a loja , olhando maquinalmente para os artigos expostos e tocou a campainha de o balcão , antes de se voltar para o filho , dizendo : - Não mexas em nada , Draco . Malfoy , que vira o olho de vidro , disse : - Pensei que ias oferecer me um presente . - Eu prometi que ia comprar te uma vassoura de corrida - declarou o pai , tamborilando com os dedos sobre o balcão . - Para que é_que me serve , se não estou em a equipa de Quidditch ? - perguntou Malfoy , carrancudo e de mau humor . - O Harry_Potter teve uma Nimbus dois_mil o ano passado , com a autorização especial de o Dumbledor é para jogar em os Gryffindor . Ele nem é assim tão bom , é só por ser * famoso * ... famoso por ter uma estúpida cicatriz em a testa . Malfoy baixou se para observar uma prateleira cheia de crânios . - Todos acham que ele é tão esperto , o Potter maravilha , com a sua cicatriz e a sua vassoura ... - Já me disseste isso doze vezes pelo_menos - comentou Mr._Malfoy , olhando repressivamente para o filho . - E devo lembrar te que não é prudente parecer menos do_que amigo de Harry_Potter , quando a maior parte de a nossa gente vê em ele um herói que fez desaparecer o Senhor_do_Mal . Ah , Mr._Borgin . Um homem curvado surgiu por detrás de o balcão , puxando o cabelo gorduroso para trás . - Mr._Malfoy , que prazer vês o de_novo - disse Mr._Borgin , em uma voz tão untuosa como o cabelo . - Encantado , e o nosso jovem Malfoy também , encantado . Em que posso servi os ? Tenho que vos mostrar o que chegou hoje , a um preço muito razoável ... - Hoje não venho comprar , Mr._Borgin , e sim vender - afirmou Mr._Malfoy . - Vender ? - O sorriso apagou se lentamente em o rosto de Mr._Borgin . - Certamente ouviu dizer que o Ministério está a levar a cabo mais buscas - explicou o Mr._Malfoy , retirando de o bolso um rolo de pergaminho e desembrulhando o para Mr._Borgin o ler . - Eu tenho alguns , ah , artigos em casa que poderiam criar me problemas se o Ministério me batesse a porta . Mr._Borgin colocou em o nariz um par de * pince-nez * e olhou para a lista . - O Ministério não se lembraria de o incomodar certamente ... O lábio de Mr._Malfoy dobrou se . - Ainda não me fizeram nenhuma visita . O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito , mas o Ministério está a ficar cada_vez_mais intrometido . Há boatos sobre um novo decreto de protecção de os Muggles , sem dúvida que aquele mordido de as pulgas , adorador de os Muggles , que é o Arthur_Weasley deve estar por detrás de isso . Harry sentiu crescer a raiva . - E , como pode ver , alguns de estes venenos podiam dar a ideia ... - Compreendo perfeitamente , claro - disse Mr._Borgin . - Deixe me ver ... - Posso ter aquilo ? - interrompeu Draco , apontando para a mão raquítica que estava sobre a almofada . - Ah , a mão de a glória ! - exclamou Mr._Borgin , abandonando a lista de Mr._Malfoy e apressando se a responder a Draco . - Põe se lhe uma vela e ela só dá luz a quem a transporta ! A melhor amiga de os gatunos e de os salteadores , o seu filho tem gosto , senhor . - Espero que o meu filho venha a ser mais do_que gatuno ou salteador , Borgin - disse Mr._Malfoy friamente e Mr._Borgin respondeu logo : - Sem ofensa , senhor , sem querer ofender . - Embora , se as notas de a escola não melhorarem - disse Mr._Malfoy ainda mais friamente - esse possa vir a ser o único caminho possível para ele . - Não tenho culpa - retorquiu Draco . - Todos os professores têm os seus preferidos , aquela Hermione_Granger ... - Eu , em o teu lugar , teria vergonha que uma rapariga que nem_sequer pertence a famílias de feiticeiros , me passasse a a frente em todos os exames - interrompeu Mr._Malfoy . Ah - fez Harry baixinho , radiante por ver Draco atrapalhado e furioso . - É o mesmo em todo o lado - comentou Mr._Borgin em a sua voz untuosa . - O sangue de os feiticeiros conta cada_vez menos ... - Não para mim - afirmou Mr._Malfoy , com as longas narinas dilatadas . - Não senhor , nem para mim - concordou Mr._Borgin , inclinando se em uma vénia . - Em esse caso , talvez possamos voltar a a minha lista - disse Mr._Malfoy secamente . - Estou com alguma pressa , Borgin , tenho ainda hoje assuntos importantes a tratar em outro lado . Começaram a discutir os preços . Harry via nervosamente o Draco aproximar se de o seu esconderijo enquanto observava os objectos a a venda . Parou para examinar um enorme rolo de corda de carrasco e para ver , com um sorriso afectado , o cartão preso com um aparatoso laço de opalas onde podia ler se : * _ Cautela , não tocar . Amaldiçoado - reclama as vidas de dezanove donos , todos eles Muggles * . Draco voltou se e viu o armário mesmo em frente . Avançou , estendeu a mão para o puxador ... - Feito - disse Mr._Malfoy , a o balcão . - Vamos , Draco . Harry limpou a testa a a manga quando Draco se afastou . - Muito bom dia , Mr._Borgin . Espero por si amanhã em a mansão para ir buscar a mercadoria . Em o momento em que a porta se fechou , Mr._Borgin abandonou os seus modos subservientes . « Bom dia para o senhor , Mr._Malfoy , e , se as histórias que contam são verdadeiras , não me vendeu nem metade do_que tem escondido em a sua mansão ... » Murmurando de forma taciturna , Mr._Borgin desapareceu em uma sala escura . Harry esperou um minuto não fosse ele voltar e , em seguida , o mais silenciosamente possível , escapou se de o armário , passou por as caixas de vidro e saiu de a loja . Encostando os óculos partidos a o rosto , olhou em volta . Saíra em uma rua estreita e sombria que parecia composta exclusivamente de lojas dedicadas a as artes negras . Aquela de onde acabava de sair parecia ser a maior , mas em frente estava uma montra tétrica de cabeças encolhidas e duas portas abaixo podia ver se uma enorme caixa viva cheia de gigantescas aranhas pretas . Dois feiticeiros com aspecto pobre observavam o de a sombra de uma porta , murmurando entre si . Sentindo se nervoso , Harry pôs se a caminho , tentando agarrar os óculos a direito e não desistindo de a esperança de encontrar maneira de sair de ali . Por um cartaz de madeira , pendurado em a rua , indicando uma loja de venda de velas envenenadas , ficou a saber que se encontrava em a Rua * _ Bativolta * , mas isso não o ajudou pois Harry nunca ouvira falar em tal lugar . Calculou que não tinha pronunciado bem as palavras com a boca cheia de cinzas em a lareira de os Weasley . Tentando manter a calma perguntou a si mesmo o que havia de fazer . - Não estás perdido , pois não , meu menino ? - perguntou uma voz , mesmo junto de o seu ouvido , que o fez dar um salto . Uma bruxa idosa estava em a sua frente , segurando um tabuleiro de uma coisa que se parecia horrivelmente com unhas humanas . A mulher olhou o maldosamente , mostrando os dentes esverdeados . Harry recuou . - Estou bem , obrigado - disse . - Estou só ... - HARRY ! O qu'é que pensas que estás a fazer aqui ? O coração de Harry deu um salto , assim_como o de a bruxa . Um monte de unhas caíram lhe sobre os pés e ela praguejou , enquanto o corpo enorme de Hagrid , o guarda de os campos de Hogwarts , se aproximava de eles a passos largos com os olhos castanhos-escuros a faiscarem sobre a longa barba eriçada . - Hagrid - gritou Harry , aliviado . - Eu estava perdido ... o pó de Floo ... Hagrid agarrou Harry por o cachaço e puxou o para longe de a bruxa , tirando lhe o tabuleiro de as mãos . Os guinchos agudos de a feiticeira seguiram nos até a o fundo de a ruela serpenteante que ia dar a um lagar onde brilhava o sol . Harry avistou a a distância um edifício de mármore branco como a neve que lhe era familiar : o banco de Gringotts . Hagrid conduzira o até a a Diagon - _ Al . - ` _ tás em um péssimo estado ! - disse Hagrid bruscamente , sacudindo lhe a fuligem com tanta força que Harry quase caiu em um barril de estrume de dragão que se encontrava a a porta de um boticário . - A fugir , em a Rua * _ Bativolta * , eu não conheço esse lugar finório , Harry , não quero que ninguém te veja aqui em baixo . - Já percebi - disse Harry , baixando se quando Hagrid fez menção de o escovar melhor . - Já te disse que estava perdido . E o que é_que tu fazes aqui ? - ` _ Tou a a procura d'um repelente para as lesmas comedoras de legumes - resmungou Hagrid . - ` _ tão a destruir as couves todas de a escola . Tu não estás sozinho ? - Estou em casa de os Weasley , mas separámo nos explicou Harry . - Tenho que os encontrar . Desceram juntos a rua . - Por_que é_que nunca respondeste a as minhas cartas ? - perguntou Hagrid , enquanto Harry corria para o acompanhar ( tinha de dar três passos por cada enorme passada de Hagrid ) . Harry explicou lhe tudo sobre Dobby e os Dursleys . - Malditos_Muggles - rugiu Hagrid . - S'eu tivesse sabido ... - Harry ! Harry ! Aqui ! Harry olhou para_cima e viu Hermione_Granger em o topo de a escadaria de Gringotts . Desceu para vir a o encontro de ele , o cabelo castanho de caracóis , a esvoaçar atrás de ela . - O que aconteceu a os teus óculos ? Olá_Hagrid ... Oh , é maravilhoso ver vos outra_vez . Vens a Gringotts , Harry ? - Logo_que encontre os Weasley - respondeu ele . - Não vais ter d'esperar muito - riu se Hagrid . Harry e Hermione olharam em volta . Subindo a rua , em o meio de a multidão , vinham Ron , Fred , George , Percy e Mr._Weasley . - Harry - chamou Mr._Weasley , ofegante . - Tínhamos esperança que só tivesses ido um fogão mais longe ... - passou um pano em a sua calva reluzente . - A Molly está nervosíssima , aí vem ela . - Onde é_que tu saíste ? - perguntou o Ron . - Em a Rua * _ Bativolta * - disse o Hagrid , com um ar sério . - Sensacional ! - exclamaram Fred e George ao_mesmo_tempo . - Nunca nos deram autorização para lá ir - disse o Ron com uma pontinha de inveja . - E fizeram muito bem - grunhiu Hagrid . Mrs._Weasley chegou em aquele momento a correr , a mala a balouçar em uma de as mãos e Ginny quase pendurada em a outra . - Oh Harry , oh meu querido , podias ter ido parar a qualquer lugar ... Tentando recuperar o fôlego , tirou de a mala uma grande escova de roupa e começou a retirar a fuligem que Hagrid não conseguira expulsar . Mr._Weasley pegou em os óculos de Harry , deu lhes um toque de varinha e entregou lhe os como novos . - Bem , tenho de m'ir embora - disse Hagrid cuja mão estava a ser esmagada por Mrs._Weasley ( -- Rua * _ Bativolta * ! Se não o tivesses encontrado , Hagrid ! ) . - Vemo nos em Hogwarts . - E afastou se , os ombros e a cabeça acima de a multidão que enchia completamente a rua . - Adivinham quem eu vi em o Borgin and Burkes ? - perguntou Harry_a_Ron e a Hermione enquanto subiam as escadarias de Gringotts . - Malfoy e o pai . - O Lucius_Malfoy comprou alguma coisa ? - perguntou interessado Mr._Weasley que estava atrás de eles . - Não , estava a vender . - Então está preocupado - comentou Mr._Weasley com visível satisfação . - Ah , eu adorava apanhar o Lucius_Malfoy em alguma . . - Tem cuidado , Arthur - interrompeu Mrs._Weasley enquanto o gnomo porteiro lhes dava reverentemente entrada em o banco . - Isso é um problema de família . Não queiras ter mais olhos que barriga . - Queres dizer com isso que achas que eu não chego para o Malfoy ? - perguntou Mr._Weasley , indignado , mas foi rapidamente afastado de aqueles sentimentos a o avistar os pais de Hermione que estavam de pé , nervosamente encostados a o balcão que acompanhava a grande parede de mármore , a a espera que Hermione os apresentasse . - Mas vocês são Muggles ! - disse Mr._Weasley , encantado . - Temos de tomar uma bebida . O que é isso aí ? Ah , estão a trocar dinheiro de Muggle . Molly , olha - apontou cheio de excitação para as notas de dez libras que Mr._Granger tinha em a mão . - Encontramo nos aqui - disse Ron_a_Hermione , enquanto os Weasley e Harry eram conduzidos a os seus cofres em o subterrâneo de Gringotts . Para chegar a os cofres havia que tomar umas carrinhas conduzidas por gnomos que se deslocavam ao_longo_de carris de comboio de pequenas dimensões através de os túneis subterrâneos de o banco . Harry gostou de a viagem acidentada até a o cofre de os Weasley , mas sentiu se bastante mal , pior do_que em a Rua * _ Bativolta * , quando o cobre foi aberto . Havia lá dentro um pequenino monte de Leões de prata e apenas um Galeão de ouro . Mrs._Weasley foi com a mão a a procura em os cantos antes de , com um gesto rápido , varrer tudo para dentro de o saco . Harry sentiu se ainda pior quando chegaram a o seu cofre . Tentou evitar que vissem o conteúdo enquanto empurrava apressadamente mãos cheias de moedas para dentro_de uma sacola de cabedal . Lá fora , em as escadarias de mármore , separaram se . Percy murmurou vagamente que precisava de uma nova pena de escrever . Fred e George tinham avistado um amigo de Hogwarts , Lee_Jordan . Mrs._Weasley e Ginny iam a uma loja de mantos em segunda mão , Mr._Weasley continuava a insistir em levar os Grangers a o Caldeirão_Escoante para lhes pagar uma bebida . - Encontrarmo nos todos em a Flourish and Blotts dentro_de uma hora para comprar os vossos livros de estudo - disse Mrs._Weasley , afastando se com Ginny . - E nem um passo em direcção a a Rua * _ Bativolta * - gritou a os gémeos que estavam de costas . Harry , Ron e Hermione deambularam por a rua empedrada e sinuosa . O ouro , prata e bronze que tilintavam alegremente em o saco que Harry tinha em o bolso pareciam exigir ser gastos , por isso ele comprou três enormes gelados de morango e manteiga de amendoim que eles devoraram felizes enquanto vagueavam sem destino por a rua fora , observando as montras fantásticas de as lojas . Ron olhou longamente para um conjunto completo de mantos de o Chudley_Cannon , em as montras de o « Equipamento_de_Quidditch_de_Qualidade » até Hermione o arrastar de ali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos . Em a « Jogos_de_Feitiçaria_de_Gambol and Japes » encontraram o Fred , o George e o Lee_Jordan que estavam presos em a fabulosa partida debaixo_de chuva e em os fogos-de-artifício de o Dr._Filibuster . E em uma pequenina loja de velharias cheia de varinhas partidas , balanças instáveis de latão e mantos velhos cobertos de nódoas de poções encontraram Percy profundamente concentrado em um pequenino livro , bastante chato , chamado * _ Prefeitos que conquistam o poder * . - * _ Um estudo sobre os prefeitos de Hogwarts e as suas posteriores carreiras * - leu alto o Ron em a contracapa . - Deve ser fascinante ... - Desaparece - gritou Percy . - Claro , ele é muito ambicioso , já tem tudo planeado . Quer ser ministro de a magia - disse o Ron baixinho a o Harry e a a Hermione , enquanto deixavam Percy entregue a o livro . Uma hora mais tarde dirigiram se a a Flourish and Blotts . Não eram de modo algum os únicos a encaminhar se para a livraria . À_medida_que se aproximavam viram com grande surpresa uma grande multidão a a porta , tentando entrar em a loja . O motivo de tal confusão estava anunciado em um cartaz que se estendia a o longo de a montra superior . GILDEROY_LOCKHART_Assinará exemplares de a sua autobiografia " eu , o mágico " Hoje 12.30 - 16.30 - Vamos poder conhecê o ! - gritou Hermione . - Quero dizer , ele escreveu quase todos os livros de a nossa lista ! A multidão parecia ser maioritariamente composta por bruxas de a idade de Mrs._Weasley . Um feiticeiro bem-parecido estava de pé junto de a porta , dizendo : - Calma , minhas senhoras , não empurrem , cuidado com os livros . Harry , Ron e Hermione conseguiram furar e entrar . Uma longa fila serpenteava para as traseiras de a loja onde Gilderoy_Lockhart estava a assinar os seus livros . Cada_um de eles pegou em um exemplar de * _ ensinamentos de Uma Fada_Carpideira * e escaparam se de a fila indo ter a o lugar onde se encontravam os outros com Mr. e Mrs._Granger . - Ah , aí estão vocês . _ óptimo - disse Mrs._Weasley que parecia estar com falta de ar e não parava de mexer em o cabelo . - Vamos poder vês o dentro_de um minuto . Gilderoy_Lockhart veio lentamente até um lugar onde era visível para todos , sentou se a uma mesa , rodeado de grandes fotografias de o próprio rosto , todo ele sorrisos , mostrando a a multidão o brilho cintilante de os seus dentes . Lockhart usava uma túnica azul-noite que condizia a as mil maravilhas com a cor de os olhos , o chapéu pontiagudo de feiticeiro colocado lateralmente sobre o cabelo ondulado . Um homenzinho pequenino e irritante andava a dançar de um lado para o outro , tirando fotografias com uma grande máquina preta que lançava baforadas de fumo arroxeado em cada * flash * . - Sai de o caminho , tu aí - disse rispidamente a o Ron , mudando de lugar para ter um angulo melhor . - Este é para o * _ Profeta_Diário * . - Grande coisa ! - exclamou o Ron , esfregando os pés em o lugar que o fotógrafo pisara . Gilderoy_Lockhart ouviu o . Olhou , viu o Ron e em seguida Harry . Voltou a olhar , desta_vez com mais atenção . Em seguida , pôs se de pé e gritou : - Não pode ser , o Harry_Potter ? A multidão dividiu se entre murmúrios de excitação . Lockhart aproximou se , agarrou Harry por um braço e levou o para a frente . A multidão rebentou em aplausos . A cara de Harry ardia quando Lockhart lhe apertou a mão para o fotógrafo que disparava como um louco , lançando fumo espesso para_cima de os Weasley . - Belo sorriso , Harry - disse Lockhart através de os seus dentes brilhantes . - Tu e eu juntos merecemos a primeira página . Quando por fim lhe largou a mão , Harry quase não sentia os dedos . Tentou recuar para junto de os Weasley , mas Lockhart lançou lhe um braço por os ombros e prendeu o a o seu lado . - Minhas senhoras e meus senhores - disse bem alto , fazendo sinal para que se acalmassem . - Que momento extraordinário este ! O momento perfeito para eu anunciar algo que tenho vindo a guardar comigo desde_há algum tempo . - Quando o jovem Harry entrou em a Flourish and Blotts hoje , ele queria apenas comprar a minha autobiografia , que tenho agora o maior prazer em oferecer lhe - a multidão aplaudiu de_novo . - Ele não tinha ideia - continuou Lockhart , dando a o Harry um pequeno encontrão que fez com que os óculos lhe escorregassem para a ponta de o nariz - de que ia conseguir em_breve muito mais do_que o meu livro Eu , o mágico . Ele e os seus colegas de a escola vão receber , de facto , o verdadeiro * _ Eu , o mágico * . Sim , minhas senhoras e meus senhores , tenho o maior prazer em anunciar que em o mês_de_Setembro assumirei o lugar de professor de Defesa contra as artes negras em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts ! A multidão aplaudiu e bateu palmas e Harry deu consigo a ser presenteado com a obra completa de Gilderoy_Lockhart . Cambaleando ligeiramente sob o peso de os livros conseguiu abrir caminho para longe de os projectores até a a porta de a sala onde estava Ginny com o seu novo caldeirão . - Podes ficar com estes - murmurou Harry , enfiando os livros em o caldeirão . - Eu vou comprar os meus . - Aposto que adoraste aquilo , não adoraste , Potter ? - disse uma voz que Harry não teve qualquer dificuldade em reconhecer . Endireitou se e deu consigo frente_a_frente com Draco_Malfoy que exibia o seu habitual sorriso escarninho . - O famoso Harry_Potter - disse Malfoy . - Nem_sequer pode entrar em uma livraria sem se tornar primeira página . - Deixa o em paz , ele não queria nada de isso - defendeu a Ginny . Era a primeira vez que falava em frente de Harry . Olhava para Malfoy com um ar feroz . - Potter , arranjaste uma namorada ! - disse arrastadamente Malfoy . Ginny ficou vermelha como um pimentão enquanto Ron e Hermione tentavam abrir caminho , ambos carregando montes de livros de Lockhart . -- Ah és tu ? - disse Ron , olhando para Malfoy como_se ele fosse algo desagradável colado a a sola de o sapato . - Aposto que te surpreendeu ver o Harry aqui ? - Não tanto como a ti em uma loja , Weasley - retorquiu Malfoy . - Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo . Ron ficou tão vermelho quanto Ginny . Deixou também cair os livros em o caldeirão e avançou para Malfoy , mas Harry e Hermione agarraram o por as costas de o casaco . - Ron - disse Mrs._Weasley , aproximando se com Fred e George . - O que estás a fazer ? Isto está uma loucura aqui dentro , vamos lá para fora . - Olha quem ele é , Arthur_Weasley . - Era_Mr._Malfoy . Estava de pé com a mão sobre o ombro de Draco , com o mesmo sorriso escarninho . -- Lucius - disse Mr._Weasley , acenando friamente . -- Muito trabalho em o ministério , segundo me consta - disse Mr._Malfoy . - Todas essas buscas ... espero que te estejam a pagar horas extraordinárias . Meteu a mão em o caldeirão de a Ginny e tirou de o meio de os livros de Lockhart um exemplar muito velho e muito gasto de o * _ Guia_de_Transfiguração_para_Principiantes * . - Parece que não - disse . - Que diabo , qual a vantagem de ser uma nódoa entre os feiticeiros se nem_sequer te pagam bem por isso ? Mr._Weasley corou mais ainda do_que Ron ou Ginny . - Nós temos uma opinião diferente sobre quem são as nódoas entre os feiticeiros - disse . - É claro que ... - disse Mr._Malfoy , os olhos mortiços passando para Mr. e Mrs._Granger apreensivamente . - As companhias com quem tu andas ... e eu que pensava que já não conseguias descer mais baixo ... Ouviu se um tilintar de metal quando o caldeirão de a Ginny foi por os ares . Mr._Weasley lançara se sobre Mr._Malfoy atirando o para dentro_de uma estante . Dezenas_de livros de feitiços saltaram lá de cima , caindo lhes sobre as cabeças . Houve um grito de - Chega lhe , pai ! - de o Fred e de o George . Mrs._Weasley soltava gritos agudos : - Não_Arthur , não . A multidão recuava deitando mais prateleiras a o chão . - Meus senhores , por favor - gritava o encarregado , e então , mais alto do_que todos : - Parem com isso , gente , parem com isso . Hagrid aproximava se através_de um mar de livros . Em um segundo afastou Mr._Weasley e Mr._Malfoy . Mr._Weasley tinha um lábio cortado e Mr._Malfoy fora agredido em um olho por uma * _ Enciclopédia_de_Cogumelos_Venenosos * . Tinha ainda em a mão o livro velho de a Ginny sobre transfiguração . Atirou lhe o , com os olhos a brilhar de malvadez . - Toma o teu livro , garota . É o melhor que o teu pai pode oferecer te . Libertando se de Hagrid , conduziu Draco para fora e abandonaram a livraria . - Devias tê o ignorado , Arthur - disse Hagrid quase a pegar em Mr._Weasley a o colo enquanto lhe endireitava o manto . - São podres até a a raiz , todos eles . Tod'à gente sabe . Nenhum Malfoy vale a pena ser ouvido . Não prestam , ' tá-lhes em o sangue . Vá lá , vamos sair de aqui . O encarregado parecia querer impedis os , mas , olhando bem para Hagrid , pensou melhor . Subiram a rua , os Grangers a tremer de medo e Mrs._Weasley fora de si . - Um belo exemplo para as crianças ... andar a a pancada em público . O que terá pensado Gilderoy_Lockhart ? - Ele gostou - disse o Fred . - Não o ouviram quando ia a sair ? Estava a perguntar a aquele tipo de o Profeta_Diário se conseguia incluir a briga em a reportagem , disse que era boa publicidade . Mas foi um grupo deprimido que regressou a a lareira de o Caldeirão_Escoante onde Harry , os Weasley e todas_as suas compras iriam viajar de volta até a a Toca , usando o pó de Floo . Despediram se de os Grangers que iam sair de o * pub * por a rua de os Muggles , de o outro lado . Mr._Weasley começou a perguntar lhes como funcionavam as paragens de autocarros , mas calou se rapidamente a o ver a expressão de Mrs._Weasley . Harry tirou os óculos e guardou os cautelosamente em o bolso antes de utilizar o pó de Floo . Definitivamente não era a sua forma ideal de viajar . V_O salgueiro zurzidor O fim de as férias de Verão chegou demasiado depressa para o gosto de Harry . Ele desejara muito regressar a Hogwarts , mas aquele mês em a Toca tinha sido o mais feliz de toda_a sua vida . Era difícil não invejar o Ron quando pensava em os Dursleys e em as boas-vindas que ia receber de a próxima vez que pusesse os pés em Privet_Drive . Em a última noite , Mrs._Weasley preparou um jantar magnífico , que incluía os pratos favoritos de Harry e terminava com um pudim de melaço de fazer crescer água em a boca . Fred e George alegraram a noite com uma exibição de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que saltaram de o tecto para as paredes , durante pelo_menos meia_hora . Depois , foi a altura de tomarem uma caneca de chocolate quente e irem para a cama . Em a manhã seguinte , demoraram muito_tempo a preparar se . Levantaram se com o cantar de o galo , mas parecia lhes que ainda tinham muito para fazer . Mrs._Weasley andava de um lado para o outro , mal-humorada , a a procura de meias e penas , chocavam uns com os outros em as escadas , meio vestidos , meio despidos , com pedaços de torrada em as mãos e Mr._Weasley quase partiu o nariz quando tropeçou em uma galinha a o atravessar o pátio , para meter em o carro a mala de Ginny . Harry não percebia lá muito bem_como é_que oito pessoas , seis grandes malas , duas corujas e um rato , iam caber em um pequeno * _ Ford_Anglia * , isso , claro , antes de as artes mágicas que Mr._Weasley acrescentara . - Nem uma palavra a a Molly - murmurou ele a o Harry , enquanto abria a bagageira e lhe mostrava como ela se expandira para que as malas coubessem facilmente . Quando , por fim , se acomodaram todos em o carro , Mrs._Weasley olhou para o banco de trás , onde Harry , Ron , Fred , George e Percy estavam confortavelmente sentados uns a o lado de os outros e disse : - Os Muggles têm mais conhecimentos do_que aqueles que nós lhes atribuímos , não achas ? - Ela e a Ginny entraram para o lugar de a frente , que fora esticado e parecia um banco de jardim . - Quer_dizer , de_fora ninguém diria que este carro era espaçoso , não acham ? Mr._Weasley pôs o motor a funcionar e saíram de o pátio , Harry voltando se para trás para ver por a última vez a casa . Mal teve tempo de se questionar se iria voltar alguma vez e já estavam de volta : George esquecera se de a caixa de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Cinco minutos mais tarde tiveram de interromper de_novo a viagem e voltar a o pátio para o Fred ir a correr buscar a vassoura . Estavam quase a chegar a a auto-estrada , quando Ginny guinchou que se esquecera de o diário . Mas estava a fazer se muito tarde e os ânimos começavam a exaltar se . Mr._Weasley olhou para o relógio e , em seguida , para a mulher . - Molly , querida ... - Não , Arthur . - Ninguém ia ver . Este botãozinho é um transformador de invisibilidade que eu instalei , levava nos por o ar , subíamos acima de as nuvens . Estaríamos lá em dez minutos e ninguém daria por nada ... - Eu disse que não , Arthur . Durante o dia , não . Chegaram a King's_Cross , faltava um quarto para as onze . Mr._Weasley precipitou se em busca de um carrinho de transporte para as malas e correram todos para a estação . Harry apanhara o Expresso_de_Hogwarts em o ano anterior . A parte mais difícil era entrar em a plataforma nove_e_três quartos , que não era visível a os olhos de os Muggles . Era preciso avançar para a barreira sólida que dividia as plataformas nove e dez . Não doía nada , mas tinha de ser feito com cuidado para que nenhum de os Muggles de esse , por o desaparecimento . - O Percy em primeiro lugar - declarou Mrs._Weasley , olhando nervosamente para o relógio lá em cima , que mostrava que tinham apenas cinco minutos para desaparecer através de a barreira . Percy avançou a passos largos e desapareceu . Mr._Weasley foi a seguir e depois de ele Fred e George . - Eu levo a Ginny e vocês vêm atrás_de nós - disse Mrs._Weasley a o Harry e a o Ron , agarrando Ginny pela mão e seguindo em frente . Em um abrir e fechar de olhos , tinham passado . - Vamos passar juntos , só temos um minuto - disse Ron a o Harry . Harry assegurou se de que a gaiola de a Hedwig estava bem fixa em cima de a sua mala e empurrou o carrinho de encontro a a barreira . Estava perfeitamente confiante , aquilo era muito mais fácil do_que usar o pó de Floo . Puseram os dois as mãos em o puxador de os carrinhos e avançaram direitos a a barreira , ganhando velocidade . A um metro e pouco , começaram a correr e ... CRASH . Os dois carros bateram em a barreira e foram impelidos para trás . A mala de o Ron caiu com um enorme estrépito . Harry desequilibrou se e a gaiola de a Hedwig foi parar a o chão brilhante , enquanto ela rolava guinchando , indignada . As pessoas em volta olhavam fixamente e um guarda que estava ali perto gritou : - Que diabo pensam vocês que estão a fazer ? - Perdemos o controlo de o carro de transporte - respondeu o Harry , respirando com dificuldade , agarrando se a as costelas , enquanto se punha de pé . Ron correu a agarrar a Hedwig , que estava a fazer uma cena tal , que já se ouviam murmúrios em a multidão sobre a crueldade para com os animais . - Porque é_que não conseguimos passar ? - perguntou Harry a o Ron em um sussurro . - Não sei . Ron olhou descontroladamente em volta . Uma_dúzia de curiosos estavam ainda a observá os . - Vamos perder o comboio - murmurou o Ron . - Não compreendo porque motivo a cancela se fechou . Harry olhou para o relógio gigantesco com um sentimento de náusea em a boca de o estômago . Dez segundos , nove segundos ... Dirigiu o carrinho de transporte para a frente com toda_a força . O metal manteve se sólido . Três segundos ... dois segundos ... um segundo ... - Partiu - afirmou o Ron , que parecia estonteado . - O comboio foi se embora . E se a mãe e o pai não conseguem voltar para aqui ? Tens algum dinheiro de Muggle ? Harry deu uma gargalhada . - Os Dursleys não me dão um tostão há mais de seis anos ! Ron encostou o ouvido a a barreira . - Não se ouve nada - disse , bastante tenso . - O que vamos nós fazer ? Não sei quanto tempo o pai e a mãe vão demorar . Olharam em volta . As pessoas ainda estavam a observá os , principalmente devido a os contínuos guinchos de a Hedwig . - Acho que o melhor é sairmos de aqui e esperamos por eles junto de o carro - disse Harry . - Aqui estamos a atrair demasiado as aten ... - Harry - disse o Ron , com os olhos a brilhar . - É isso , o carro . - O que é_que tem ? - Podemos voar nele até Hogwarts ! - Mas eu pensei ... - Estamos em apuros , certo ? E temos de chegar a a escola , ou não ? E mesmo os feiticeiros menores de idade estão autorizados a usar a magia em uma emergência real , parágrafo dezanove , ou não sei quê , de a Restrição de ... O sentimento de pânico de Harry transformou se em entusiasmo . - E tu sabes voar nele ? - Não há problema - disse o Ron , andando com o carrinho a a volta e dirigindo se para a saída . - Anda de aí . Se em os apressarmos , conseguiremos sair atrás de o Expresso_de_Hogwarts . E afastaram se de o grupo de Muggles curiosos , abandonando a estação e voltando a a rua , onde o velho * _ Ford_Anglia * se encontrava estacionado . Ron abriu a bagageira com uma série de toques de varinha . Meteram lá dentro as malas , puseram a Hedwig em o assento de trás e entraram para a frente . - Verifica se ninguém está a ver - disse o Ron , ligando a ignição com outro toque de varinha . Harry pôs a cabeça fora de a janela : o trânsito enchia a avenida principal , mas a rua de eles estava vazia . - O. _ K. - disse . Ron carregou em um pequeno botão de o painel . Os carros em volta desapareceram assim_como eles . Harry sentia o assento a vibrar debaixo_de si , ouvia o motor , sentia as mãos sobre os joelhos e os óculos em o nariz , mas , tanto quanto conseguia ver , tornara se um par de olhos redondos flutuando um metro e pouco acima de o chão em uma rua suja , cheia de carros estacionados . - Vamos - disse a voz de o Ron , vinda de o seu lado direito . O chão e os prédios escuros de ambos os lados desapareceram de o seu ângulo de visão , mal o carro se elevou . Em poucos segundos toda_a cidade de Londres , enevoada e resplandecente , estava por baixo de eles . Em seguida , ouviu se um ruído que parecia o saltar de uma rolha e o carro , Harry e Ron , reapareceram . - Oh , oh - disse Ron , batendo em o intensificador de invisibilidade . - Está avariado ... Começaram os dois a bater em o botão . O carro desapareceu . Depois surgiu de forma intermitente . - Aguenta aí - gritou o Ron e carregou com o pé em o acelerador . Saltaram direitinhos para o meio de as nuvens mais baixas e tudo ficou sujo e enevoado . - E agora ? - exclamou Harry , piscando os olhos a a sólida massa de nuvens que os comprimia de todos os lados . - Precisamos de avistar o comboio para sabermos qual a direcção a tomar - explicou o Ron . - Desce rapidamente ... Desceram por o meio de as nuvens e voltaram se em os lugares , espreitando . - Estou a vê o - gritou Harry . - Mesmo em frente , ali . O Expresso_de_Hogwarts deslocava se a grande velocidade lá em baixo , como uma serpente vermelha . - Para Norte - disse o Ron , verificando a bússola de o painel . - O. _ k . , basta que verifiquemos de meia em meia_hora . Aguenta aí ... - e arrancaram por o meio de as nuvens . Em o minuto seguinte , tinham chegado a a luz brilhante de o Sol . Era um mundo diferente . Os pneus de o carro deslizavam sobre o mar de nuvens macias , o céu era de um azul infinito sob a luz , capaz de cegar , que irradiava de o Sol . - Agora só temos de nos preocupar com os aviões - disse o Ron . Olharam um para o outro e desataram a rir . Durante muito_tempo não conseguiram parar . Era como_se tivessem mergulhado em um sonho fabuloso . Aquela , pensou Harry , era certamente a única maneira de viajar : passando por turbilhões e torres de nuvens cor de neve , em um carro cheio de calor , o sol radioso , com um grande pacote de rebuçados em o porta-luvas e antegozando o ar de inveja de o Fred e de o George quando aterrassem suavemente e de forma espectacular em o relvado macio em frente de o castelo de Hogwarts . Espreitaram várias vezes o comboio enquanto voavam cada_vez_mais para norte . Cada descida entre as nuvens dava lhes uma perspectiva diferente . Londres depressa ficou para trás , substituída por campos verdejantes que , por sua vez , deram lugar a grandes pântanos arroxeados , aldeias com pequenas igrejas de brinquedo e uma grande cidade , cheia de vida , com carros que pareciam formigas multicores . Várias horas mais tarde sem acontecer nada de_novo , Harry teve de admitir que uma parte de o entusiasmo se esgotara . Os rebuçados tinham nos deixado cheios de sede e não havia nada para beber . Ele e o Ron tinham tirado as camisolas , mas a * _ T-shirt * de o Harry estava colada a as costas de o assento e os óculos não paravam de lhe escorregar para a ponta de o nariz . Deixara de reparar em as fabulosas formas de as nuvens e pensava com saudade em o comboio , milhas abaixo de eles , onde se podia comprar sumo fresquinho de abóboras em um carro empurrado por uma bruxa gordinha . Porque não teriam conseguido entrar em a plataforma nove_e_três quartos ? - Não pode ser muito mais longe , pois não ? - resmungou o Ron , horas mais tarde quando o Sol começava a enfiar se em o seu chão de nuvens , pintando as de um rosa profundo . - Estás pronto para outra espreitadela a o comboio ? Ainda ia mesmo por baixo de eles , abrindo caminho por_entre uma montanha com o topo coberto de neve . Estava muito mais escuro entre o dossel de nuvens . Ron pôs o pé em o acelerador e levou os de_novo para_cima , mas em esse momento o motor começou a chiar . Harry e Ron trocaram entre si olhares nervosos . - Deve estar só cansado - disse o Ron . - Nunca tinha vindo tão longe ... - E fingiram ambos que não davam por o gemido que se ia tornando maior à_medida_que o céu serenamente escurecia . As estrelas desabrochavam em a escuridão , Harry voltou a enfiar a camisola de lã , tentando ignorar os limpa pára-brisas que acenavam debilmente como_que a protestar . - Não devemos estar longe - disse Ron , dirigindo se mais a o carro do_que a o amigo . - Já não devemos estar longe - deu umas palmadinhas nervosas em o * tablier * . Pouco depois , quando voltaram a voar em o meio de as nuvens , tiveram de olhar de lado em a escuridão , em busca de um ponto de referência que conhecessem . - Ali - gritou Harry , fazendo o Ron e a Hedwig darem um salto . - Mesmo em frente . Recortados em o horizonte negro , sobre o rochedo de o outro lado de o lago , erguiam se as torres e torreões de o castelo de Hogwarts . Mas o carro tinha começado a estremecer e perdia a os poucos velocidade . - Vá lá - disse o Ron , dando a o volante um pequeno abanão bajulador . - Estamos quase a chegar , vá lá ... O motor gemeu . Pequenos jactos de vapor de água brotaram de o capo . Harry deu consigo agarrado com toda_a força a os bordos de o assento enquanto voavam direitos a o lago . O carro deu um solavanco feio . Espreitando por a janela , Harry viu a superfície negra , macia e espelhada de a água cerca de uma milha abaixo de eles . Os dedos de o Ron agarrados a o volante tinham as articulações brancas . O carro deu um novo esticão . - Vá lá - murmurou o Ron . Estavam sobre o lago ... o castelo ficava mesmo em frente . Ron fez força com o pé . Houve um ruído surdo , uma crepitação e o motor morreu por completo . - Oh ! oh ! - gemeu Ron em o silêncio . O nariz de o carro voltou se para baixo . Estavam a cair , ganhando velocidade em direcção a os muros sólidos de o castelo . - Naaaaão ! - gritou o Ron , girando o volante . Escaparam a a muralha de pedra negra por centímetros , quando o carro fez um grande arco , planando primeiro sobre as estufas , depois sobre o rectângulo plantado com vegetais e , por fim , sobre os relvados , perdendo sempre velocidade . Ron largou o volante por completo e tirou a varinha de o bolso de trás . - __ pára ! __ pára ! - gritou , batendo em o * tablier * e em o pára-brisas , mas eles continuavam a mergulhar , o chão a voar em direcção a eles . - : __ cuidado com essa __ árvore ! ! ! - bramiu Harry , deitando a mão a o volante , mas ... tarde de mais ... CRUNCH . Com um ruído ensurdecedor de metal e madeira , bateram em o tronco espesso de a árvore e caíram em o chão com um forte solavanco . O vapor era um mar debaixo de o capo amachucado . A Hedwig tremia apavorada . Em a cabeça de Harry surgira um alto de o tamanho de uma bola de golfe , quando ele batera em o pára-brisas , tombando em seguida para a direita . Ron soltou um gemido longo e desesperado . - Estás O. _ K ? - perguntou Harry , aflito . - A minha varinha - disse o Ron em uma voz trémula . - Olha para a minha varinha . Tinha se partido praticamente em duas , a ponta balouçava mole , presa por meia_dúzia de esquírolas . Harry abriu a boca para dizer que em a escola com certeza conseguiriam consertá a , mas nem chegou a começar a frase . Em esse preciso momento , algo bateu em o seu lado de o carro , com a força de um touro , projectando o para_cima de o Ron , ao_mesmo_tempo que um golpe igualmente forte se sentiu em o capô . - O que está a acontec ... Ron arfou , olhando fixamente por o pára-brisas e Harry olhou em volta , mesmo a_tempo_de ver uma ramada espessa como uma píton vir contra o vidro . A árvore em que tinham batido estava a atacá os . O tronco dobrara se quase a meio e os seus galhos rugosos davam uma tareia a cada centímetro de o carro que conseguiam atingir . - Ah ! - praguejou o Ron , quando outra pernada retorcida esmurrou a sua porta , amolgando a . O pára-brisas tremia agora sob uma saraivada de golpes vindos de galhos que pareciam patas de animais e uma ramada espessa como um aríete esmagava furiosamente o capo , que parecia estar a ceder ... - Corre ! - gritou o Ron , lançando o seu peso contra a porta , mas , em o momento seguinte , tinha sido atirado para trás , para o colo de Harry por um soco maldoso , dado de baixo para_cima , por outro ramo . - Estamos feitos ! - resmungou , enquanto o tecto descaía . Mas , de repente , o chão de o carro estava a vibrar , o motor pegara . - Marcha atrás - gritou o Harry e o carro deu um salto para trás . A árvore tentava ainda agredis os , ouviam as raízes chiar , enquanto quase se partiam esticando se para os alcançar . - Escapámos por_pouco ! - exclamou o Ron . - Muito bem , carro . Mas o carro tinha atingido o limite de as suas forças . Com dois estalidos , as portas abriram se e Harry sentiu o seu assento inclinar se para o lado . Quando deu por si , estava estatelado em o chão húmido . Ruídos surdos avisaram o de que o carro estava a ejectar as malas de a bagageira . A gaiola de a Hedwig voou por os ares e abriu se . Ela saiu a voar com um pio furioso e dirigiu se a o castelo , sem sequer olhar para trás . Em seguida , o carro , amolgado , arranhado e a fumegar , arrancou em o escuro , com os faróis traseiros ardendo de fúria . - Volta aqui ! - gritou o Ron , brandindo a varinha partida . - O meu pai mata me . Mas o carro desapareceu a perder de vista , com um último estoiro de o tubo de escape . - Já viste bem o nosso azar ! ? - exclamou o Ron em o meio de a sua infelicidade , baixando se para apanhar o rato Scabbers . - De todas_as árvores em que podíamos ter batido , tínhamos de ir dar a uma que bate também . Olhou por cima de o ombro para a velha árvore que ainda agitava os ramos ameaçadoramente . - Vamos - disse Harry , fatigado . - É melhor irmos andando para a escola ... Não foi , de modo algum , a chegada triunfal que tinham imaginado . Constrangidos , cheios de frio e magoados , pegaram em as malas e começaram a arrastá as por o relvado acima , em direcção a as grandes portadas de carvalho . - Acho que o banquete já começou - disse o Ron , largando a mala em os degraus de a entrada e atravessando devagarinho para espreitar por uma janela iluminada . - Harry , anda ver , é a distribuição . Harry apressou se e os dois , ele e o Ron , espreitaram para o Salão_Nobre . Um número infindável de velas pairava em o ar , sobre quatro mesas enormes cheias de gente , fazendo brilhar os pratos dourados e as taças . Em cima , o tecto encantado que espelhava o céu lá de_fora , brilhava cheio de estrelas . Por_entre a floresta de chapéus pretos pontiagudos de Hogwarts , Harry viu uma longa fila de alunos de o primeiro ano com olhares assustados que enchia o vestíbulo . Ginny estava entre eles , facilmente reconhecível devido a o seu chamativo cabelo Weasley . Enquanto isso , a professora Mc_Gonagall , uma bruxa de óculos com cabelo castanho apanhado em um carrapito , colocava o famoso chapéu seleccionador em um banco que se encontrava em frente de os novos alunos . Todos os anos , aquele velho chapéu , remendado , puído e cheio de pó , seleccionava alunos para as quatro equipas de Hogwarts ( Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin ) . Harry lembrava se bem de o ter colocado em a cabeça , precisamente um ano antes , e ter esperado petrificado por a sua decisão , enquanto ele lhe murmurava a o ouvido . Durante alguns horríveis segundos receara que o chapéu o mandasse para os Slytherin , a equipa que produzia maior número de feiticeiros e feiticeiras de magia negra , mas acabara por ficar em os Gryffindor , juntamente com Ron e Hermione e o resto de os Weasley . Em o último período , Harry e Ron tinham ajudado os Gryffindor a vencer o campeonato de a equipa , batendo os Slytherin pela_primeira_vez em sete anos . Um rapazito baixinho com cabelo de rato acabava de ser chamado para pôr o chapéu em a cabeça . Os olhos de Harry saltavam de ele para o lugar onde o professor Dumbledore , o director , estava sentado , observando a selecção de a mesa de os professores , com a sua longa barba cor de prata e óculos de meia-lua que brilhavam a a luz de as velas . Alguns lugares a a frente , Harry viu Gilderoy_Lockhart com um manto verde-azulado . E lá bem a o fundo estava Hagrid , enorme e cabeludo , bebendo satisfeito de a sua taça . - Espera aí - murmurou a o Ron . - Há um lugar vazio em a mesa de os professores . Onde estará o Snape ? Severus_Snape era o professor de quem Harry menos gostava . Harry era também o seu aluno menos querido . Cruel , sarcástico e detestado por todos com excepção de os alunos de a sua própria equipa ( Slytherin ) , Snape tinha a seu cargo a cadeira de Poções . - Talvez esteja doente - sugeriu Ron , cheio de esperança . - Talvez se tenha ido embora - lembrou Harry . - Por não lhe terem dado outra_vez a Defesa contra as artes negras . - Ou talvez tenha sido corrido - propôs Ron com entusiasmo . - Afinal , toda_a_gente o detesta ... - Ou talvez - disse uma voz gelada atrás de eles - esteja a a espera que vocês lhe expliquem por_que motivo não vieram em o comboio de a escola . Harry deu uma volta . Em a sua frente , com o manto negro a ondular em uma brisa fria , estava Severus_Snape . O professor era um homem magro , de pele descorada , nariz adunco e um cabelo preto oleoso que lhe caía sobre os ombros . E em aquele momento sorria de um modo tal que Harry sentiu que tanto ele como Ron estavam em sérios apuros . - Sigam me - disse Snape . Sem ousarem sequer olhar um para o outro , Harry e Ron seguiram Snape por as escadas até a o amplo * hall * de entrada que estava iluminado por as chamas de os archotes . De o salão nobre vinha um cheirinho delicioso a comida , mas Snape levou os para longe de a luz e de o calor , em direcção a uma escada estreita de pedra que conduzia a os calabouços . - Entrem - ordenou , abrindo uma porta a meio de o corredor e apontando . Entraram a tremer em o escritório de Snape . As paredes sombrias estavam cobertas de prateleiras cheias de jarros de vidro grosso onde flutuavam as coisas mais diversas e repugnantes , cujo nome Harry não queria de momento conhecer . A lareira estava escura e vazia . Snape fechou a porta e voltou se de frente para eles . - Com que então - disse com falsa suavidade - o comboio não serve para o famoso Harry_Potter e o seu fiel companheiro Weasley . Queriam chegar em grande estilo , não era rapazes ? - Não senhor , foi a barreira em King's_Cross , ela ... - Silêncio - disse Snape friamente . -- _ o que fizeram a o carro ? Ron engoliu em seco . Aquela não era a primeira vez que Snape dava a Harry a impressão de ser capaz de ler pensamentos . Mas , pouco depois , compreendeu tudo quando Snape desenrolou o exemplar de o Profeta_Vespertino . - Vocês foram vistos - afirmou , mostrando lhes o cabeçalho : : __ ford anglia voador confunde __ muggles . Começou a ler alto a notícia . - Dois Muggles em Londres convenceram se de que tinham visto um carro velho a voar sobre a torre de os correios ... a a tardinha em Norfolk , Mrs._Hetty_Bayliss , enquanto pendurava a roupa ... Mr._Angus_Fleet_de_Peebles informou a polícia ... seis ou sete Muggles a o todo . Julgo que o teu pai trabalha em o departamento de mau uso dado a os objectos de os Muggles ? - disse olhando para Ron e sorrindo de uma forma ainda mais sarcástica . - Que peninha , o próprio filho ... Harry sentiu se como_se tivesse levado um soco em o estômago de uma de as maiores pernadas de a árvore louca . E se alguém descobrisse que Mr._Weasley tinha enfeitiçado o carro ? Ele ainda nem tinha pensado em isso . - Reparei durante a minha volta por o jardim que foi feito um estrago considerável em um salgueiro zurzidor extremamente valioso - continuou Snape . - Essa árvore fez nos pior a nós do_que nós ... - deixou escapar Ron . - Silêncio - interrompeu Snape , de_novo . - Infelizmente vocês não fazem parte de a minha equipa e a decisão de vos expulsar não está em as minhas mãos . Vou , por isso , buscar as pessoas que possuem essa feliz possibilidade . Esperem aqui . Harry e Ron olharam , pálidos , um para o outro . Harry perdera a fome . Sentia se agora extremamente agoniado . Tentava não olhar para uma coisa viscosa , suspensa em um líquido verde que estava em uma prateleira por detrás de a secretária de Snape . Se ele fora buscar a professora Mc_Gonagall , chefe de a equipa de os Gryffindor , não estavam muito melhor . Ela era mais justa do_que Snape , mas extremamente severa . Dez minutos mais tarde , Snape voltou e era , de facto , a professora Mc_Gonagall quem o acompanhava . Harry vira a professora Mc_Gonagall zangada , mas , ou se tinha esquecido de como a boca de ela ficava fina , ou nunca a vira tão zangada como em aquele dia . Levantou a varinha em o momento em que entrou . Harry e Ron estremeceram , mas ela limitou se a apontá a para a lareira onde as chamas se elevaram subitamente . - Sentem se - ordenou , e os dois recuaram para as cadeiras junto de o lume . - Expliquem se - disse com os óculos a brilhar de uma forma ameaçadora . Ron enveredou por a história começando por a barreira de a estação que se recusara a deixá os passar . - Por isso não tínhamos escolha , professora , não podíamos chegar a o comboio . - Porque não nos mandaram uma carta por a coruja ? Julgo que tens uma coruja ? - disse friamente a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a Harry . Harry olhou para ela sem saber o que dizer . - Parece me - continuou ela - que seria a coisa mais adequada . - Eu ... não pensei ... - Isso - disse a professora Mc_Gonagall - é bastante óbvio . Ouviu se bater a a porta de o escritório e Snape , que parecia agora mais feliz do_que nunca , foi abrir . Era o director , o professor Dumbledore . Harry ficou totalmente paralisado . Dumbledore tinha uma expressão grave . Olhou para eles de cima de o seu nariz adunco e Harry desejou estar ainda com Ron a levar uma sova de o salgueiro zurzidor . Fez se um longo silêncio . Em seguida , Dumbledore disse lhes : - Por favor , expliquem porque fizeram isto . Teria sido melhor se gritasse . Harry detestou sentir a decepção em a sua voz . Inexplicavelmente era incapaz de olhar Dumbledore em os olhos e falou em direcção a os seus joelhos . Disse lhe tudo excepto que o carro enfeitiçado pertencia a Mr._Weasley , dando a ideia de que ele e o Ron o tinham encontrado estacionado fora de a estação . Sabia que Dumbledore ia ver para_além de isso , mas o director não fez perguntas sobre o carro . Quando Harry terminou continuou a olhar para ele através de os seus óculos . - Nós vamos buscar as nossas coisas - disse Ron em um tom de voz sem esperança . - Que disparate é esse ? - rosnou a professora Mc_Gonagall . -- Então , vão expulsar nos , não vão ? - disse o Ron . Harry olhou rapidamente para Dumbledore . - Ainda não , Mr._Weasley - afirmou Dumbledore . - Mas vou assinalar a gravidade do_que vocês fizeram . Hoje a a noite escreverei a as vossas famílias . Estão também prevenidos que se voltarem a fazer uma coisa como esta não terei outro remédio senão expulsar vos . A expressão de Snape era como_se o Natal tivesse sido cancelado . Pigarreou e disse : - Professor_Dumbledore , estes rapazes infringiram o decreto para a restrição de a feitiçaria de os menores , causaram estragos consideráveis a uma árvore antiga e valiosa ... sem dúvida , actos de esta natureza ... - Cabe a a professora Mc_Gonagall decidir sobre os castigos de os rapazes , Severus - afirmou Dumbledore com toda_a calma . - Pertencem a a equipa de ela e são , portanto , de a sua responsabilidade . - Voltou se para a professora Mc_Gonagall . - Tenho de regressar a o banquete , Minerva , devo dar algumas informações . Venha Severus , há uma tarte de leite e ovos com um aspecto delicioso que quero mostrar lhe . Snape lançou um olhar de puro veneno a o Harry e a o Ron enquanto permitia que o afastassem de o seu escritório , deixando os a sós com a professora Mc_Gonagall que ainda os olhava como uma águia em fúria . - É melhor ires até a a ala hospitalar , Weasley , estás a sangrar . - Não é nada - disse Ron , limpando o corte com a manga para que ela o visse . - Professora , eu gostava de ver a minha irmã ser seleccionada . - A cerimónia de a selecção terminou - disse a professora Mc_Gonagall . - A tua irmã está também em os Gryffindor . - _ óptimo - exclamou Ron . - E por falar em os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall de forma cortante , mas Harry interrompeu a : - Professora , quando tirámos o carro , o ano escolar ainda não tinha começado , por isso os Gryffindor não deveriam perder pontos , pois não ? - terminou olhando a ansiosamente . A professora Mc_Gonagall lançou lhe um olhar penetrante , mas ele era capaz de jurar que ela quase tinha sorrido . Pelo_menos a boca não parecia tão fina . - Não vou tirar pontos a os Gryffindor - tranquilizou o . E o coração de Harry ficou mais leve . - Mas vocês os dois vão ter um castigo . Foi melhor do_que Harry imaginara . O facto de Dumbledore escrever a os Dursley não tinha a menor importância . Harry sabia perfeitamente que eles só lamentariam que o salgueiro zurzidor não o tivesse esmigalhado . A professora Mc_Gonagall ergueu a varinha de_novo apontou a a a secretária de Snape . Um grande prato de sanduíches , duas taças de prata e um jarro com sumo de abóbora gelado apareceram em menos_de um segundo . - Vocês vão comer aqui e , em seguida , vão direitinhos para o vosso dormitório - disse . - Eu também tenho de voltar para a festa . Mal a porta se fechou atrás de ela , Ron soltou baixinho um assobio . - Pensei que estávamos feitos - confessou , agarrando uma sanduíche . - Também eu - disse o Harry , orando também uma . - Mas já viste bem a nossa pouca sorte ? - insistiu o Ron com a boca cheia de frango e fiambre . - O Fred e o George voaram em aquele carro cinco ou seis vezes e nenhum Muggle os viu - engoliu outro pedaço enorme de a sanduíche . - Porque será que não conseguimos passar a barreira ? Harry encolheu os ombros . - Mas temos de ter muito cuidado a_partir_de agora - disse bebendo um grande trago de sumo de abóbora . - Que pena não termos podido ir a o banquete . - Ela não quis que nos exibíssemos - afirmou Ron com prudência . - Não vão as pessoas pensar que é uma boa chegar aqui de carro voador . Quando já tinham comido todas_as sanduíches que queriam ( o prato ia voltando a encher se sozinho ) , levantaram se e saíram de o escritório , seguindo o caminho que lhes era familiar , para a torre de os Gryffindor . O castelo estava em silêncio . Parecia que o banquete tinha acabado . Passaram por retratos murmurantes e armaduras que gemiam e subiram os degraus estreitos de pedra até que , por fim , chegaram a a passagem onde a entrada secreta para a torre de os Gryffindor se encontrava oculta por detrás de o quadro a óleo de uma dama gorda em um vestido cor-de-rosa . - A senha ? - perguntou ela mal os dois se aproximaram . - Er ... Eles ainda não tinham estado com o prefeito de os Gryffindor e por isso ainda não conheciam a senha para o novo ano , mas a ajuda não se fez esperar . Ouviram passos apressados atrás de eles e quando se voltaram viram Hermione que se aproximava . - Aí estão vocês . Onde é_que se meteram ? Correm os boatos mais ridículos , alguém disse que vocês tinham sido expulsos por espatifarem um carro voador . - Bem , expulsos não fomos - tranquilizou a Harry . - Não estás a dizer me que voaram até aqui ? - perguntou Hermione em um tom quase tão severo como a professora Mc_Gonagall . - Dispensa se o sermão - interrompeu Ron impacientemente . - E diz nos a nova senha de passagem . - É crista de pássaro - disse Hermione não contendo a impaciência . - Mas o mais importante não é isso ... Contudo as palavras de ela foram interrompidas ao_mesmo_tempo que o retrato de a dama gorda se abria e se ouvia uma tempestade de aplausos . A o que parecia a equipa de os Gryffindor estava ainda acordada , dentro de a sala comum em forma de círculo , junto de as mesas assimétricas e de os cadeirões moles a a espera que eles chegassem para , de braços estendidos através de o buraco de o retrato , puxarem Harry e Ron para dentro deixando Hermione para o fim . - Sensacional - gritou Lee_Jordan . - Inspirado ! Que entrada ! Voar em um carro e aterrar em o salgueiro zurzidor . Toda_a_gente vai falar de isto durante anos e anos . - Muito bem - disse um aluno de o quinto ano com quem Harry nunca tinha falado . Alguém dava lhe palmadas em as costas como_se ele acabasse de vencer a maratona . Fred e George abriram caminho por_entre a multidão e disseram ao_mesmo_tempo : - Por_que é_que não nos chamaram , hein ? - Ron estava vermelho como um pimentão , sorrindo envergonhado , mas Harry via perfeitamente uma pessoa que não estava nada contente . Percy elevava se acima de as cabeças de os excitados alunos de o primeiro ano e parecia estar a tentar aproximar se para os repreender . Harry deu uma cotovelada a o Ron e apontou em direcção a Percy . Ron percebeu de imediato . - Temos de ir para_cima , um_pouco cansados ! - explicou e os dois começaram a abrir caminho em direcção a a porta que ficava de o outro lado de a sala e que dava para a escada em espiral e para os dormitórios . - ` _ Noite - despediu se Harry_de_Hermione que tinha um ar tão carrancudo como Percy . Conseguiram chegar a o outro lado de a sala comum sempre a levarem palmadas em as costas e alcançaram o sossego de as escadas . Apressaram se a subir e , por fim , chegaram a a porta de o dormitório que tinha agora um letreiro a dizer « Segundos_Anos » . Entraram em o quarto circular , que conheciam tão bem , com as suas cinco camas de dossel adornadas de velado vermelho e as suas janelas altas e estreitas . As malas tinham sido trazidas para_cima e colocadas a os pés de as camas . Ron fez um sorriso culpado . - Sei que não devia ter gostado de aquilo , mas ... A porta de o dormitório abriu se e os outros rapazes de os Gryffindor entraram ; eram eles o Seamus_Finnigan , o Dean_Thomas e o Neville_Loogbottom . - Inacreditável - aplaudiu Seamus . - Incrível - aprovou o Dean . - Espantoso - exclamou o Neville , aterrado . Harry não pôde evitar também um sorriso . VI_Gilderoy_Lockhart_No dia seguinte , contudo , Harry não conseguiu sorrir . As coisas começaram a correr mal logo em o salão durante o pequeno-almoço . Debaixo de o tecto encantado ( em aquele dia triste e cinzento ) estavam as quatro grandes mesas de as equipas e sobre elas , terrinas de papa de aveia , pratos de arenque defumado , montanhas de torradas e pratadas de ovos com * bacon * . Harry e Ron sentaram se em a mesa de os Gryffindor , junto de Hermione que tinha o seu exemplar de * _ Viagens com Vampiros * totalmente aberto , encostado a um jarro de leite . Havia uma certa rigidez em a maneira como ela disse : - ` _ Dia - que mostrou a Harry que continuava a desaprovar o modo como tinham chegado a a escola . Por seu turno , Neville_Longbottom saudou os entusiasticamente . Neville era um rapazinho de cara redonda , muito dado a acidentes , com a pior memória que Harry tinha conhecido . - A entrega de correio deve estar a chegar , acho que a minha avó me vai mandar umas quantas coisas de que me esqueci ... Harry tinha começado a comer as papas de aveia , quando se ouviu um ruído tumultuoso em o ar e umas cem corujas entraram ao_mesmo_tempo , sobrevoando o salão e deixando cair cartas e pacotes em o meio de a multidão faladora . Um embrulho grande e rugoso caiu em a cabeça de Neville e , um segundo depois , uma coisa larga e cinzenta caiu em o jarro de a Hermione , enchendo os a todos de leite e penas . - Errol - gritou o Ron , puxando a coruja esfarrapada por as patas . Errol caíra inconsciente sobre a mesa com as pernas para o ar e um envelope vermelho húmido em o bico . - Oh , não ! - sobressaltou se Ron . - Ela está bem , ainda está viva - tranquilizou o Hermione , tocando suavemente em a Errol com a ponta de o dedo . - Não é isso , é ... aquilo . Ron apontava para o envelope vermelho . Parecera perfeitamente vulgar a Harry , mas Ron e Neville estavam ambos a observá o como_se esperassem que explodisse . - Qual é o problema ? - perguntou Harry . - Ela . Ela mandou me um * gritador * - disse Ron , quase sem voz . - É melhor abrires - aconselhou Neville em um murmúrio tímido - senão é pior . A minha avó uma_vez mandou me um que eu ignorei e ... - engoliu em seco - foi horrível . Harry olhava , ora para as suas caras , ora para o envelope vermelho . - O que é um * gritador * ? - perguntou . - Mas toda_a atenção de o Ron estava fixa em a carta que começara a fumegar por os cantos . - Abre a - intimou o Neville . - De aqui a poucos minutos já passou tudo . Ron estendeu uma mão trémula , retirou o envelope de o bico de a Errol e começou a abri o . Neville pôs os dedos em os ouvidos . Após uma fracção de segundo , Harry compreendeu porquê . Pensou em o primeiro momento que ela explodira . Um ruído ensurdecedor encheu o enorme salão , fazendo cair pó de o tecto . - ... : __ roubar o carro ! não me surpreendia nada se te expulsassem . espera só até te pôr as mãos em cima . será que não paraste para pensar em a nossa aflição quando vimos que o carro tinha __ desaparecido ... Os gritos de Mrs._Weasley , ampliados cem vezes em relação a o seu normal , fizeram os pratos e as colheres chocalhar em a mesa e ecoaram de forma ensurdecedora em as paredes de pedra . Vinha gente de todos os lados espreitar quem tinha recebido o * gritador * e Ron afundou se tanto em a cadeira que só se lhe via a testa carmesim . - ... : __ uma carta de o dumbledore ontem a a noite , o teu pai quase morria de vergonha . não foi esta a educação que te demos , tu e o harry podiam ter __ morrido ... Harry estava a ver quando é_que o seu nome viria a a baila . Tentou o melhor que pôde agir como_se não ouvisse a voz , mas aquilo estava a fazer com que os tímpanos lhe latejassem . - ... : __ profundamente decepcionada , o teu pai vai ter de se confrontar com um inquérito em o trabalho , tudo por tua culpa e , se pisas mais_uma_vez o risco , trago te para __ casa ! Seguiu se um silêncio ressonante . O envelope vermelho , que caíra de as mãos de o Ron , incendiou se e encaracolou se em cinzas . Harry e Ron estavam sentados de boca aberta , como_se uma onda gigante lhes tivesse passado por cima . Algumas pessoas riam e , a os poucos , o ruído de as conversas recomeçou . Hermione fechou o * _ Viagens com Vampiros * e olhou para o topo de a cabeça de Ron . - Bem , não sei o que esperavas , Ron , mas tu ... - Não me venhas dizer que mereci - interrompeu Ron . Harry afastou as papas de aveia . O estômago ardia lhe de culpa . Mr._Weasley tinha um inquérito em o trabalho , depois de tudo_o_que Mr. e Mrs._Weasley tinham feito por ele durante o Verão ... Mas não teve muito_tempo para se demorar em aqueles pensamentos . A professora Mc_Gonagall circulava em volta de as mesas de os Gryffindor distribuindo horários . Harry pegou em o seu e viu que começavam por ter Herbologia , juntamente com os Hufflepuff . Harry , Ron e Hermione saíram juntos de o castelo , atravessaram as hortas e chegaram a as estufas , onde estavam guardadas as plantas mágicas . O * gritador * tivera pelo_menos uma vantagem : Hermione parecia achar que já tinham sido suficientemente castigados e estava de_novo perfeitamente calorosa . Quando estavam a chegar a as estufas viram o resto de a classe de pé , cá fora , a a espera de a professora Sprout . Harry , Ron e Hermione tinham acabado de se lhes juntar quando a viram aproximar se a passos largos por o relvado , acompanhada de Gilderoy_Lockhart . A professora Sprout era uma bruxa pequenina e atarracada que usava um chapéu a os remendos sobre o cabelo solto . As roupas que vestia estavam sempre cheias de terra e as suas unhas fariam a tia Petúnia desmaiar . Gilderoy_Lockhart , pelo_contrário , tinha um ar imaculado em as suas vestes azul-turquesa , o cabelo doirado a brilhar debaixo_de um chapéu azul-turquesa , com uma fita dourada , perfeitamente posicionado sobre a cabeça . - Olá a todos ! - gritou Lockhart , dirigindo se a o grupo de estudantes . - Estive a mostrar a a professora Sprout a maneira correcta de tratar um salgueiro . Mas não quero que fiquem com a ideia de que sou melhor do_que ela em Herbologia . Acontece que encontrei várias de estas plantas exóticas , durante as minhas viagens .... - Estufa número três hoje , meninos ! - disse a professora Sprout que estava visivelmente descontente , bem diferente de a sua habitual natureza bem-disposta . Houve um murmúrio de interesse . Eles só tinham estado uma_vez em a terceira estufa , que era uma estufa que abrigava plantas bem mais interessantes e perigosas . A professora Sprout tirou uma enorme chave de o cinto e abriu a porta . Harry sentiu o bafo de a terra húmida com adubo misturado e o perfume forte de umas flores gigantescas , de o tamanho de guarda-chuvas , que estavam penduradas de o tecto . Ia seguir Ron e Hermione , quando a mão de o Lockhart o travou . -- Harry ! Tenho querido ter uma palavrinha contigo . Não se importa se ele chegar uns minutos atrasado , pois não , professora Sprout ? A julgar por a expressão carregada de a professora Sprout , importava se sim , mas Lockhart disse : - Então até já - e fechou a porta de a estufa em a cara de ela . - Harry ! - disse Lockhart , com os dentes brancos a brilharem a o sol , enquanto abanava a cabeça . - Harry , Harry , Harry ! Harry , totalmente perplexo , não disse uma palavra . - Quando ouvi dizer , bem , é claro que eu tive muita culpa , deviam castigar me também ... Harry não fazia ideia de que estava ele a falar , quando Lockhart prosseguiu : - Nunca me lembro de ficar tão chocado . Fazer voar um automóvel até Hogwarts ! Bem , é claro que eu percebi logo porque o fizeste . Foi um destaque em grande . Harry , Harry , Harry ! Era notável como ele conseguia mostrar todos aqueles dentes brilhantes , mesmo quando não estava a falar . - Criei te o gosto por a publicidade , não foi ? - perguntou Lockhart . - Passei te o bichinho . Apareceste comigo em a primeira página e não podias esperar para aparecer outra_vez ... - Oh , não , professor , sabe é_que ... - Harry , Harry , Harry - disse Lockhart aproximando se e tocando lhe em o ombro . - * _ Eu compreendo * . É natural querer um_pouco mais quando se lhe tomou o gosto , e eu culpo me por te ter dado esse conhecimento , porque era natural que te subisse a a cabeça , mas vê uma coisa , rapazinho , tu não podes começar a fazer voar carros para tentares ser notícia . Tens de acalmar , está bem ? Tens muito_tempo quando fores mais velho . Sim , sim , eu sei o que estás a pensar ! É fácil para ele falar assim , já é um feiticeiro internacionalmente famoso ! Mas quando eu tinha doze anos era tão zé-ninguém como tu és hoje . Em a verdade , era ainda mais . De ti , já meia_dúzia de pessoas ouviram falar , não é ? Toda aquela história com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . - Olhou para a cicatriz luminosa em a testa de Harry . - Eu sei , eu sei , não é o mesmo_que vencer o Prémio de o sorriso de o feiticeiro de a semana cinco vezes seguidas , como eu venci , mas é um começo , Harry , é um começo . Lançou lhe uma piscadela de olhos cordial e foi se embora . Harry ficou atarantado durante alguns segundos . Depois , lembrando se que deveria estar em a estufa , abriu a porta e esgueirou se lá para dentro . A professora Sprout estava de pé , por_detrás_de uma espécie de mesa em o meio de a estufa . Em cima de a mesa estavam cerca de vinte pares de abafo de ouvidos de diferentes cores . Quando Harry estava já em o seu lugar , entre Ron e Hermione , ela disse : - Hoje vamos transplantar Mandrágoras . Muito bem , quem sabe dizer me as propriedades de a Mandrágora ? Não foi surpresa para ninguém que a mão de a Hermione fosse a primeira em o ar . - A Mandrágora tem um efeito reparador muito poderoso - disse Hermione , com o ar mais normal de este mundo , como_se tivesse engolido o livro de texto . - É usada para fazer voltar as pessoas , que foram transfiguradas ou amaldiçoadas , a o seu estado original . - Excelente . Dez pontos para os Gryffindor ! - exclamou a professora Sprout . - A Mandrágora é parte integrante de a maior parte de os antídotos , mas também é perigosa . Quem sabe dizer me porquê ? A mão de Hermione por_pouco não bateu em os óculos de Harry , quando se ergueu de_novo . - O grito de a Mandrágora é fatal para quem o ouve - disse prontamente . - Precisamente . Dou lhe mais dez pontos - disse a professora Sprout . - Agora vejamos , as Mandrágoras que aqui temos são ainda muito jovens . Enquanto falava , apontou para uma fila de tabuleiros com uma certa profundidade e todos se chegaram a a frente para ver melhor . Cerca de uma centena de plantinhas tufosas de um verde arroxeado cresciam em filas . Pareceram perfeitamente vulgares a Harry , que não fazia a menor ideia do_que Hermione queria dizer com o * grito * de a Mandrágora . - Cada_um de vocês pode tirar um par de abafo de ouvidos - disse a professora Sprout . Houve uma competição renhida porque ninguém queria os cor-de-rosa , cheios de penugem . - Quando eu vos disser para os colocar , assegurem se de que os vossos ouvidos estão completamente tapados - disse a professora Sprout . - Logo_que seja seguro retirá os , eu levanto os dedos . Certo , pôr os abafos de os ouvido . Harry pôs imediatamente os abafos em os ouvidos . Eles fecharam completamente o som . A professora Sprout colocou também um par de abafos cor-de-rosa com penugem em os de ela , arregaçou as mangas de a túnica , agarrou uma de as plantas tufosas e puxou com toda_a força . Harry soltou um grito de surpresa que ninguém ouviu . Em_vez_de raízes , um bebé pequenino , enlameado e extremamente feio , saiu de a terra . As folhas cresciam lhe em o alto de a cabeça , tinha uma pele pintalgada de um pálido esverdeado e estava nitidamente a berrar a plenos pulmões . A professora Sprout tirou debaixo de a mesa um grande vaso de plantas e mergulhou lá dentro a Mandrágora , enterrando a em a mistura escura e húmida , até que só as folhas ficassem visíveis . Em seguida , limpou a terra de as mãos , levantou os dedos e todos eles retiraram os abafos de os ouvidos . - Como as nossas Mandrágoras são muito novas , os seus gritos ainda não matam - disse ela com grande calma , como_se tivesse feito algo tão normal como regar uma begónia . - Contudo , podem pôr vos a dormir durante várias horas e , como com certeza nenhum de vocês quer perder o primeiro dia de aulas , vejam se os abafos estão bem colocados enquanto trabalham . Eu chamarei vos a atenção quando for altura de os retirar . - Quatro em cada fila , há aqui uma grande quantidade de vasos , a mistura de terra está em os sacos ali a o fundo e tenham cuidado com a * _ Venomous_Tentacula * , estão a nascer lhe os dentes . Enquanto falava , deu uma pancada seca a uma planta vermelha escura cheia de pontas eriçadas , fazendo a encolher as longas antenas que tinham estado a avançar lenta e dissimuladamente sobre o seu ombro . A Harry , Ron e Hermione veio juntar se em a fila um rapaz de cabelo encaracolado de os Hufflepuff que Harry conhecia de vista , mas com quem nunca tinha falado . - Justin_Finch - _ Fletchey - disse ele com vivacidade , apertando a mão de o Harry . - Conheço te , claro , o famoso Harry_Potter ... e tu és a Hermione_Granger , sempre a primeira em tudo ( Hermione brilhou em um sorriso , como_se ele lhe tivesse apertado a mão ) e Ron_Weasley . Não era teu o carro voador ? Ron não sorriu . Não lhe saía de a cabeça o * gritador * . - Aquele Lockhart é o_máximo , não acham ? - disse Justin satisfeito , enquanto começavam a encher os vasos com composto de adubo de dragão . - Terrivelmente corajoso . Leram os livros de ele ? Eu teria morrido de medo se um lobisomem me tivesse encurralado em uma cabina telefónica , mas ele manteve se calmo e ... zap ... fantástico ! « Eu estava inscrito em Eton , sabem , não imaginam como estou feliz de ter vindo antes para aqui . É claro que a minha mãe ficou um_pouco desiludida , mas depois de lhe ter dado os livros de Lockhart a ler , tenho a impressão de que ela começou a ver a utilidade de ter um feiticeiro bem treinado em a família ... Depois de isso , não tiveram grandes oportunidades para conversar . Voltaram a pôr os abafos de ouvidos e era preciso concentrarem se em as Mandrágoras . A professora Sprout fizera as coisas parecerem extremamente simples , mas não eram . As Mandrágoras não gostavam de sair de a terra mas também não pareciam querer voltar para lá . Elas contorceram se , deram pontapés , agitaram as mãozinhas finas e rangeram os dentes . Harry levou dez minutos inteirinhos a tentar meter uma Mandrágora particularmente gorda dentro_de um vaso . Em o final de a aula , Harry , como todos os outros , estava a suar , cheio de dores e coberto de terra . Regressaram a o castelo a pé para um banho rápido e , em seguida , os Gryffindor apressaram se para assistir a a aula de transfiguração . As aulas de a professora Mc_Gonagall eram sempre complicadas , mas a de aquele dia era particularmente difícil . Tudo_o_que o Harry aprendera em o ano anterior parecia ter se lhe apagado de a memória durante o Verão . Ele deveria ser capaz de transformar uma barata em um botão , mas , tudo_o_que conseguiu foi fazer a barata praticar um imenso exercício , enquanto corria apressadamente por o tampo de a secretária evitando a varinha . Ron estava a debater se com problemas bastante piores . Tinha atado a varinha com uma fita mágica , mas parecia que não havia reparação possível . Não parava de crepitar e lançar faíscas em os momentos mais estranhos e , sempre_que Ron tentava transfigurar a barata , via se envolvido em um fumo cinzento espesso que cheirava a ovos podres . Incapaz de ver o que estava a fazer , o Ron esmagou , por engano , a barata com o cotovelo e teve de ir pedir que lhe dessem outra , o que deixou a professora Mc_Gonagall muito pouco satisfeita . Harry ficou aliviado quando ouviu tocar a campainha para o almoço . Sentia a cabeça como uma esponja espremida . Todos os alunos saíram em fila de a aula excepto ele e Ron que dava furiosas varadas em a secretária . - Coisa estúpida e inútil . - Escreve a os teus pais a pedir outra - sugeriu Harry , enquanto a varinha disparava com estrondo um foguete explosivo . - Ah pois , e receber outro * gritador * em a volta de o correio - respondeu Ron , metendo a varinha que já assobiava , dentro de o saco . - * _ A culpa é toda tua se a varinha está estragada * ... Desceram para o almoço e aí a disposição de o Ron não iria melhorar com Hermione a mostrar lhe uma mão-cheia de botões de casaco , perfeitinhos , que produzira em a transfiguração . - O que temos esta tarde ? - quis saber Harry , mudando rapidamente de assunto . - Defesa contra as artes negras - disse Hermione , sem perder tempo . - Porque é_que tu ... - perguntou Ron , pegando em o horário de ela - desenhaste corações em volta de as aulas de o Lockhart ? Hermione arrancou lhe o horário de as mãos , corando furiosa . Acabaram de almoçar e foram para o pátio carregado de nuvens . Hermione sentou se em um degrau de pedra e enfiou de_novo o nariz em as * _ Viagens com Vampiros * . Harry e Ron ficaram a falar de Quidditch durante alguns minutos antes de Harry se aperceber de que estava a ser observado de perto . Olhando para_cima viu o rapazinho pequenino com cabelo de rato que ele vira experimentar o chapéu seleccionador em a noite anterior , olhando para ele com uma expressão petrificada . Estava agarrado a o que parecia ser uma vulgar máquina fotográfica de os Muggles e , em o momento em que Harry olhou para ele , ficou todo vermelho . - Tudo bem , Harry ? Eu sou Colin_Creevey - disse , faltando lhe o ar e adiantando se a qualquer pergunta . - Estou em os Gryffindor também . Não te importavas que eu tirasse uma fotografia ? - perguntou , levantando a máquina cheio de expectativa . - Uma fotografia ? - repetiu Harry , inexpressivo . - Para eu provar que te conheci - disse Colin_Creevey cheio de ansiedade , continuando : - Eu sei tudo a teu respeito . Toda_a_gente me tem contado como sobreviveste quando O_Quem nós sabemos tentou matar te , como ele desapareceu depois de isso e como ficaste com a cicatriz em forma de relâmpago em a testa ( os seus olhos procuraram a linha de cabelo de Harry ) e um rapaz de o meu dormitório disse que se eu revelasse o filme em a posição certa ele mexia . - Colin respirou fundo , estremecendo de excitação e disse : - Isto_é fantástico , aqui , não achas ? Eu não sabia que todas_as coisas estranhas que fazia eram magia até a o dia em que recebi uma carta de Hogwarts . O meu pai é leiteiro . Também ele não queria acreditar . Por isso estou a tirar montes de fotografias para lhe mandar e era mesmo bom se tivesse uma tua - parecia implorar . - Talvez o teu amigo pudesse tirá a e assim eu ficava a o teu lado . E depois , podias assiná a ? - Assinar fotografias ? Estás a dar fotos autografadas , Potter ? Alta e mordaz , a voz de Draco_Malfoy ecoou em o pátio . Estava parado mesmo atrás_de Colin , ladeado , como sempre andava em Hogwarts , por os seus fortes guarda-costas Crabbe e Goyle . - Ei gente , façam bicha - gritou Malfoy a a multidão . - Harry_Potter está a dar fotos autografadas ! - Não estou coisa nenhuma - disse Harry , zangado , com os punhos em o ar . - Cala a boca , Malfoy . - Tu tens é inveja - começou a dizer Colin , cujo corpo era de o tamanho de o pescoço de Crabbe . - Inveja - repetiu Malfoy que não precisava de gritar mais , metade de o pátio estava a ouvi o . - De quê ? Não preciso de uma cicatriz em a cabeça , muito obrigado . Não acho que ter um corte em a testa torne alguém especial . Crabbe e Goyle riram estupidamente - Vai pastar caracóis , Malfoy - disse o Ron furioso . Crabbe parou de rir e começou a esfregar os nós de os dedos enormes de uma forma ameaçadora . - Tem cuidado , Weasley - escarneceu Malfoy . - Com certeza não queres começar uma rixa ou a tua mãezinha tem de vir cá para te tirar de a escola - e com uma voz aguda e penetrante : - * _ Se voltas a pisar o risco * ... Um grupo de alunos de o quinto ano de os Slytherin que estava ali perto , riu se bastante alto . - O Weasley gostaria de ter uma foto tua autografada , Potter - escarneceu de_novo Malfoy . - Era capaz de valer mais do_que a casa onde ele mora com a família . Ron sacou de a sua varinha amarrada com fita , mas Hermione fechou as * Viagens com Vampiros * com um estrondo e avisou : - Atenção . - O que é isto , o que é isto ? - Gilderoy_Lockhart aproximava se com o seu manto azul-turquesa girando em torvelinho atrás de ele . - Quem está a dar fotos autografadas ? Harry ia começar a explicar , mas foi interrompido quando Lockhart lhe pôs jovialmente o braço em cima de os ombros . - Mas que pergunta a minha ! Cá estamos nós de_novo , Harry ! Preso ao_lado_de Lockhart e a arder de humilhação , Harry viu Malfoy deslizar com o seu sorriso desdenhoso por o meio de a multidão . - Vamos lá então , Mr._Creevey - disse Lockhart , dirigindo se a Colin . - Uma foto dupla , já viu a sua sorte ? E assinamos a os dois para si . Colin ajustou a máquina e tirou a fotografia em o preciso momento em que a campainha tocava para as aulas de a tarde . - Está em a hora , todos para dentro - gritou Lockhart a a multidão e regressou a o castelo levando a o seu lado o Harry que só lamentava não conhecer um feitiço que o fizesse desaparecer . - Uma palavra só , Harry - disse Lockhart paternalmente , enquanto entravam em o edifício por uma porta lateral . - Eu ajudei te há bocado com o jovem Creevey porque se ele estivesse a fotografar me também a mim os teus colegas não reparariam tanto que estavas a exibir te ... Indiferente a a gaguez de Harry , Lockhart arrastou o para um corredor ladeado de alunos que os olhavam espantados e subiram uma escada . - Deixa me só dizer te uma coisa : dar fotografias autografadas em esta fase de a tua carreira , francamente , não é sensato , Harry , parece um_pouco megalómano . Pode ser que um dia mais tarde , tal_como eu , sejas obrigado a assinar para multidões onde quer que vás , mas - fez uma pequena pausa - não me parece que seja o caso , por enquanto . Tinham chegado a a aula de Lockhart e ele largou finalmente o Harry que sacudiu a túnica e foi sentar se em um lugar bem lá atrás onde começou por empilhar os livros de Lockhart a a sua frente para evitar olhar para a criatura . O resto de a aula entrou ruidosamente e Ron e Hermione foram sentar se um de cada lado de Harry . - Tu estavas vermelho como um pimentão - disse o Ron . - Reza para que o Creevey não se torne amigo de a Ginny senão bem podem criar o clube de * fans * de Harry_Potter . - Cala a boca - interrompeu Harry . A última coisa que desejava era que o Lockhart ouvisse a expressão « clube de * fans * de Harry_Potter « . Quando todos estavam em os seus lugares , Lockhart pigarreou alto e fez se silêncio . Ele inclinou se para a frente , pegou em o exemplar de Neville_Longbottom de * _ viagens com Duendes * e levantou o para mostrar a sua fotografia a piscar os olhos em a capa . - Eu - disse apontando para a fotografia e piscando também os olhos - Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , terceiro ano , membro honorário de a Liga_de_Defesa contra as artes negras e cinco vezes vencedor de o prémio de o * _ Feiticeiro de a semana * por o sorriso mais charmoso . Mas não vamos falar de isso , não venci a fada carpideira de Bandon a sorrir para ela ! Esperou que eles se rissem . Alguns alunos sorriram timidamente . - Já vi que todos vocês compraram a minha obra completa . Muito bem . Pensei começar hoje com um pequeno interrogatório escrito . Nada de complicado , só para perceber se leram bem os meus livros e o que apreenderam ... Depois de distribuir as folhas de teste voltou se para os alunos e disse : - Têm trinta minutos . Comecem já . Harry olhou para o papel e leu : *1 . Qual é a cor preferida de Gilderoy_Lockhart ? *2 . Qual é a ambição secreta de Gilderoy_Lockhart ? *3 . Qual é , em a sua opinião , a maior realização de Gilderoy_Lockhart até a o momento ? * E_por_aí adiante , ao_longo_de três páginas , terminando com : *54 . Qual é o dia de aniversário de Gilderoy_Lockhart e qual seria o seu presente preferido ? * Meia_hora mais tarde , Lockhart recolheu os pontos e folhou os rapidamente em frente de os alunos . - Tut , tut , quase ninguém se lembrou que a minha cor preferida é o lilás . Eu digo o em * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves * . Alguns precisam de voltar a ler com mais cuidado * Fim-de - _ Semana com Um Lobisomem * . Eu afirmo claramente em o décimo segundo capítulo que o meu presente de aniversário preferido seria a harmonia entre todos os seres , mágicos e não mágicos , embora não me importasse de receber uma garrafa grande de * whisky * velho de a Ogden's_Old_Firewhisky . Piscou lhes o olho de_novo . Ron olhava para Lockhart com uma expressão de incredulidade em o rosto . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas que estavam sentados a a frente tremiam de tanto conter o riso . Hermione , contudo , ouvia Lockhart com extrema atenção e deu um salto quando ouviu o seu nome . - Mas Miss_Hermione_Granger sabia que a minha ambição secreta era libertar o mundo de o mal e pôr a a venda a minha gama de poções de tratamento de o cabelo . Muito bem - voltou o papel . - Nota máxima ! Onde está Miss_Hermione_Granger ? Hermione ergueu uma mão trémula . - Excelente - bradou Lockhart , exultante . - Leva dez pontos para os Gryffindor . E vamos a o trabalho . Baixou se atrás de a secretária e pegou em uma grande gaiola coberta . - Ficam desde_já a saber , a minha função é preparar vos contra as criaturas mais malignas que a feitiçaria conhece . Vocês podem ter que enfrentar os maiores medos em esta sala . Saibam que nenhum mal vos sucederá comigo aqui . Só vos peço que se mantenham calmos . Ultrapassando os seus sentimentos , Harry espreitou através de a pilha de livros para ver melhor a gaiola . Lockhart colocou uma mão em a tampa . Dean e Seamus tinham deixado de se rir . Neville estava agachado em o seu lugar de a fila de a frente . - Vou pedir vos que não façam barulho - disse Lockhart em voz baixa . - Podem assustá os . Enquanto a aula inteira continha a respiração , Lockhart tirou a cobertura . - Sim - disse em um tom dramático . - Duendes_da_Cornualha recém-capturados . Seamus_Finnigan não conseguiu controlar se . Soltou uma gargalhada que nem Lockhart poderia confundir com um grito de terror . - Sim ? - sorriu a Seamus . - Bem , eles não são , não são perigosos , pois não ? - perguntou a rir . -- Não tenhas tanta certeza de isso - afirmou Lockhart , aborrecido , abanando um dedo , em direcção a Seamus . - Podem ser maçadores e muito traiçoeiros . Os duendes eram de um azul-eléctrico e tinham cerca de vinte centímetros de altura com feições angulosas e umas vozes tão estridentes que era como ouvir uma discussão entre araras . Logo_que o pano foi retirado , começaram a fazer uma enorme algazarra , a andar de um lado para o outro , batendo em as grades e fazendo caretas a as pessoas que estavam mais perto . - Muito bem - disse Lockhart em voz alta . - Vamos então ver o que vocês conseguem fazer de eles - e abriu a gaiola . Foi um pandemónio . Os duendes dispararam em todas_as direcções como foguetes . Dois de eles agarraram o Neville por as orelhas e levantaram o a o ar . Vários outros foram direitos a a janela , fazendo chover vidros partidos até a a fila de trás . Os restantes decidiram destruir a sala com maior eficácia do_que um rinoceronte em fúria . Agarraram em os tinteiros e salpicaram tudo em volta , rasgaram a os bocados livros e papéis , arrancaram os quadros de as paredes , levantaram a o ar a gaiola vazia , agarraram livros e sacos e lançaram nos por a janela de vidros estilhaçados . Em poucos minutos , metade de a aula estava abrigada debaixo de as secretárias e o Neville pendurado em o candelabro de o tecto . - Vamos lá , agarrem nos , agarrem nos , são apenas duendes ... - gritava Lockhart . Arregaçou as mangas , bramiu a varinha e pronunciou * Peshipiksi_Pesternomi ! * As palavras não tiveram o menor efeito . Um de os duendes pegou em a varinha de Lockhart e atirou a também por a janela fora . Lockhart engoliu em seco e mergulhou debaixo de a secretária , não sendo , por um triz , esmagado por o Neville que caiu um segundo depois , quando o candelabro cedeu . A campainha tocou e houve uma louca precipitação para a porta . Em a calma relativa que se seguiu , Lockhart endireitou se , olhou para Harry , Ron e Hermione que estavam quase a chegar a a porta e disse : - Bem , vou pedir vos a os três que prendam o resto de os duendes em a gaiola - passou por eles e fechou rapidamente a porta atrás_de si . - Isto dá para acreditar ? - resmungou o Ron , enquanto um de os duendes lhe mordia com toda_a força uma de as orelhas . - Ele só quer dar nos uma ajuda , permitindo nos ganhar experiência - justificou Hermione , imobilizando dois duendes de uma_vez com um encantamento de paralisação e metendo os de_novo em a gaiola . - Experiência ? - disse Harry , tentando agarrar um duende que dançava com a língua de_fora . - Hermione , ele não sabia nada do_que estava a fazer . - Disparate - retorquiu Hermione . - Leste os livros de ele . Vê só as coisas que ele já fez ! - Que diz que fez - resmungou o Ron . VII_Sangue de lama e murmúrios Harry passou imenso tempo , em os dias que se seguiram , a fugir sempre_que via Gilderoy_Lockhart aproximar se em o corredor . Mais difícil de evitar era Colin_Creevey que parecia ter decorado o horário de Harry . Parecia que nada o emocionava mais do_que dizer : - Tudo bem , Harry ? - seis ou sete vezes por dia e ouvir : - Olá , Colin - por mais exasperado que Harry estivesse quando lhe respondia . A Hedwig ainda estava zangada com Harry por causa de a desastrosa viagem de automóvel e a varinha de o Ron continuava a não funcionar , tendo ultrapassado tudo em a sexta-feira de manhã quando lhe saltou de as mãos em a aula de encantamentos e foi agredir o velho e baixinho professor Flitwick mesmo entre os olhos , deixando uma enorme bolha latejante em o sítio onde tinha batido . Por tudo_isso Harry via chegar , com satisfação , o fim_de_semana Planeava ir em o Sábado de anhã , com Ron e Hermione visitar o Hagrid . Mas foi acordado várias horas mais cedo do_que desejaria por Oliver ood , treinador de a equipa de Quidditch_dos_Gryffindor . - _ o que é_que se passa ? - perguntou Harry , enrolando as palavras . - Treino_de_Quidditch - disse Wood . - Vamos embora . Harry lançou um olhar de esguelha a a janela . Uma neblina fina pairava em o céu rosa e dourado . Agora_que estava acordado não percebia como pudera dormir com a algazarra que os pássaros faziam . - Oliver resmungou Harry . - É de madrugada . - Exacto - respondeu Wood . Era um rapaz alto e corpulento de o sexto ano e em aquele momento os olhos brilhavam lhe loucamente de entusiasmo . - Faz parte de o nosso novo programa de treinos . Anda lá , vai buscar a vassoura e vamos embora - insistiu Wood empenhado . - Nenhuma de as outras equipas começou ainda a treinar . Vamos ser os primeiros este ano ... A bocejar e a tremer um_pouco , Harry saltou de a cama e tentou descobrir as suas túnicas de Quidditch . - Bem , encontramo nos em o campo , dentro_de quinze minutos . Depois de descobrir a sua roupa escarlate de equipa e pôr o manto por cima para se aquecer , Harry escreveu a o Ron um bilhete a explicar onde tinha ido e desceu por a escada de espiral para a sala comum com a sua Nimbos dois inil a o ombro . Tinha acabado de chegar junto de o buraco de o retrato quando ouviu um barulho atrás_de si e viu Colin_Creevey descer a escada de espiral com a máquina fotográfica pendurada a o pescoço a balouçar como louca e uma coisa em a mão . - Ouvi alguém chamar o teu nome em as escadas , Harry olha o que tenho aqui . Revelei a e queria mostrar te . Harry olhou assombrado para a fotografia que Colin lhe espetava em frente de o nariz . Um Lockhart a preto e branco movia se , puxando com toda_a força um braço que Harry reconheceu como sendo o seu . Ficou satisfeito a o constatar que estava a resistir bastante bem , recusando se a ser trazido para a vista de todos . Enquanto Harry observava , Lockhart desistiu e desinteressou se de lutar contra a parte branca de a fotografia . - Assinas para mim ? - pediu Colin entusiasmado . - Não - respondeu secamente Harry , olhando em volta para verificar se o caminho estava livre . - Desculpa_Colin , mas estou cheio de pressa , treino de Quidditch . Passou por o buraco de o retrato . - Oh Uau ! Espera por mim . Eu nunca vi um jogo de Quidditch . Colin trepou por o buraco de o retrato atrás de ele . - Vai ser uma chatice para ti - disse Harry rapidamente , mas Colin ignorou o comentário . Todo o seu rosto brilhava de satisfação . - Tu foste o jogador mais novo de a equipa em cem anos , não foste Harry ? Não foste ? - perguntava Colin , trotando para o acompanhar . - Deve ser fantástico . Eu nunca voei . É fácil ? Essa vassoura é a tua ? É a melhor que há ? Harry não sabia como ver se livre de ele . Era como ter uma sombra que não se calava . - Eu não percebo nada de Quidditch - disse Colin , já sem fôlego . - É verdade que há quatro bolas ? E que duas anda n a voar , tentando fazer os jogadores caírem de as vassouras ? - Sim - disse Harry lentamente , resignado com o ter de lhe explicar as complicadas regras de o Quidditch . - São as * bludgers * . Há dois * beaters * em cada equipa que têm bastões para bater em as * bludgers * e lançá as para o outro lado . O Fred e o George_Weasley são os * beaters * de os Gryffindor . - E para que servem as outras bolas ? - perguntou Colin , saltando uma série de degraus porque ia a olhar para o Harry de boca aberta . - Bem , a * quaffle * , que é a vermelha grandalhona , é a que marca os golos . Três * chasers * em cada equipa lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam fazes a entrar em as balizas que ficam em o extremo de o campo onde há três grandes postes com argolas em as pontas . - E a quarta bola ? - A * snitch * dourada - explicou Harry . - É muito pequenina e veloz e extremamente difícil de agarrar . Mas é isso que o * seeker * tem de fazer , porque o jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * for agarrada . E o * seeker * que conseguir agarrá a ganha para a sua equipa mais cento_e_cinquenta pontos . - E tu és o * seeker * de os Gryffindor , não és ? - perguntou Colin respeitosamente . - Sim - disse Harry enquanto saíam de o castelo e começavam a atravessar o relvado . - E há também o * keeper * que toma conta de os postes . É isto . Mas Colin não parou de fazer perguntas desde os relvados macios até a o campo de Quidditch e Harry só se viu livre de ele quando chegaram a os vestiários . Colin gritou em uma voz aguda : - Eu vou arranjar um lugar , Harry - e apressou se em direcção a as bancadas . O resto de a equipa de os Gryffindor já se encontrava em os vestiários . Wood era o único que tinha aspecto de estar bem acordado . Fred e George_Weasley estavam sentados com olhos de sono e cabelos desgrenhados junto de Alicia_Spinnet de o quarto ano que parecia inclinar se contra a parede que tinha atrás_de si . Os seus companheiros * chasers * , Katie_Bell e Angelina_Johnson bocejavam em frente de ela . - Até que enfim , Harry , porque é_que demoraste tanto ? - perguntou Wood cheio de actividade . - Eu queria ter uma pequena conversa convosco antes de entrarmos propriamente em campo porque passei o Verão a conjecturar um novo programa de treinos que acredito vai estabelecer grandes mudanças . Wood tinha em as mãos um grande mapa de um campo de Quidditch onde estavam desenhadas muitas linhas , setas e cruzes a tinta de várias cores . Pegou em a varinha , bateu com ela em o quadro e as setas começaram a mover se em o mapa como tractores . Enquanto Wood se lançava em um discurso sobre as suas novas técnicas , a cabeça de Fred_Weasley caiu sobre o ombro de Alicia_Spinnet e ele começou a ressonar . O primeiro mapa levou quase vinte minutos a explicar , mas debaixo de esse havia outro e ainda um terceiro . Harry caiu em uma letargia enquanto Wood continuava indefinidamente . - Então - disse por fim o treinador , arrancando Harry de a avidez de uma fantasia sobre o que poderia estar a comer se se encontrasse em aquele momento em o castelo . - Ficou tudo claro ? Alguma pergunta ? - Eu tenho uma pergunta , Oliver - disse George que acordou estremunhado . - Porque não nos explicaste tudo_isso ontem , quando estávamos acordados ? Wood não ficou nada satisfeito . - Ouçam bem , vocês todos - disse , voltando se para eles mal-humorado . - Nós deveríamos ter ganho a taça de Quidditch o ano passado . Somos de longe a melhor equipa , mas , infelizmente , devido_a circunstancias que estão para_além de o nosso controlo ... Harry mudou de posição em a cadeira sentindo se culpado . Estivera inconsciente em o hospital durante o campeonato final de o ano anterior o que fez com que os Gryffindor com um jogador a menos tivessem sofrido a pior derrota de os últimos trezentos anos . Wood levou um momento a controlar se . Era evidente que a última derrota ainda o torturava . - Portanto , este ano vamos fazer um treino mais duro , como nunca se fez . O. _ K. , vamos lá pôr as teorias em prática - gritou , pegando em a vassoura e conduzindo os para fora de o vestiário . Com as pernas trôpegas e ainda a bocejar , a equipa seguiu o . Tinham estado tanto tempo lá dentro que o sol já tinha nascido e brilhava em o céu embora uma réstia de neblina pairasse ainda sobre o relvado de o campo . Quando Harry entrou em campo viu Ron e Hermione sentados em as bancadas . - Ainda não acabaram ? - perguntou Ron em um tom incrédulo . - Ainda nem começamos - explicou Harry , olhando cheio de inveja para a torrada com doce de laranja que Ron e Hermione tinham trazido de o salão . - O Wood tem estado a ensinar nos as jogadas . Subiu para a vassoura e deu um pontapé em o chão , elevando se em o ar . O ar fresco de a manhã bateu lhe em o rosto fazendo o acordar com mais eficácia do_que o longo discurso de Wood . Era maravilhoso voltar a estar em o campo de Quidditch . Voou em volta de o estádio a toda a a velocidade competindo com Fred e George . - Que barulhinho estranho é aquele ? - perguntou o Fred quando deram a volta . Harry olhou para as bancadas . Colin estava sentado em um de os lugares mais altos com a máquina fotográfica em o ar , tirando fotografia sobre fotografia , o som estranhamente ampliado em o estádio deserto . - Olha para ali , Harry , para ali - gritava de forma estridente . - Quem é aquele ? - perguntou Fred . - Não faço ideia - mentiu Harry , disparando a_toda_a velocidade e distanciando se o mais possível de Colin . - O que se passa aí ? - perguntou Wood , franzindo a testa enquanto corria por os ares atrás de eles . - Porque está aquele aluno de o primeiro ano a tirar fotografias ? Não me agrada . Pode ser um espião de os Slytherin a tentar descobrir o nosso novo programa de treinos . - Ele é de os Gryffindor - disse Harry rapidamente . - E os Slytherin não precisam de um espião , Oliver - completou George . - Porque dizes isso ? - perguntou Wood irritado . - Porque estão aqui em peso - disse George , apontando com o dedo . Vários indivíduos com túnicas verdes vinham em aquele momento a entrar em o campo de vassouras em a mão . - Não posso acreditar - reagiu Wood , sentindo se ultrajado . - Eu reservei o estádio para hoje . Já vamos ver como é_que isto fica ! Wood baixou direito a o chão sendo levado por a fúria a aterrar com mais força do_que pretendia e a cambalear um_pouco quando começou a andar seguido de o Harry e de o Ron . - Flint - bradou para o treinador de os Slytherin . - Este é o nosso tempo de treino . Levantámo nos de propósito . Vocês têm de sair de aqui . Marcus_Flint era ainda mais corpulento do_que Wood . Tinha em o rosto uma expressão de duende travesso quando respondeu : - Há espaço para todos , Wood . Angelina , Alicia e Katie tinham vindo também . Em a equipa de os Slytherin não havia raparigas que enfrentassem a o lado de os rapazes os Gryffindor . - Mas eu reservei o estádio - repetiu Wood de modo afirmativo , cuspindo de raiva . - Reservei o . - Ah ! - exclamou Flint . - Mas eu tenho aqui uma licença especial assinada por o professor Snape . * _ Eu , professor Snape , autorizo a equipa de os Slytherin a praticar hoje em o campo de Quidditch devido a a necessidade de treinar o seu novo seeker . * - Têm um novo * seeker * ? - perguntou Wood perturbado . - Onde ? E detrás de as seis figuras corpulentas que tinham em a frente , viram surgir uma sétima : um rapaz mais pequeno com um sorriso afectado espelhado em o rosto pálido e anguloso . Era_Draco_Malfoy . - Não és o filho de o Lucius_Malfoy ? - perguntou Fred , olhando para ele com antipatia . - Curioso que refiras o pai de o Draco - disse Flint enquanto toda_a equipa de os Slytherin sorria de modo grosseiro . - Deixem me mostrar vos a generosa oferta que ele fez a a equipa de os Slytherin . Os sete exibiram as suas vassouras . Sete cabos novos , polidos , com inscrições em letras douradas de as palavras « Nimbus dois_mil_e_um « brilharam a o sol de a manhã , em frente de o nariz de os Gryffindor . - O último modelo . Só chegou em o mês passado - disse Flint , displicentemente , sacudindo a poeira de o cabo de a sua vassoura . - Julgo que ultrapassam de longe as velhas séries de dois_mil . Quanto a as Cleansweeps - sorriu de forma mesquinha para Fred e George que tinham ambos Cleansweep_Fives - essas já só servem para varrer . Nenhum de os Gryffindor foi capaz de abrir a boca em aquele momento . Malfoy sorria tanto que os seus olhos de gelo estavam reduzidos a duas rachas . - Oh vejam - disse Flint . - Uma invasão de o campo . Ron e Hermione atravessavam o relvado para ver o que se passava . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron a o Harry . - Porque não estão a jogar e o que faz ele aqui ? Olhava para Malfoy em as suas vestes de Quidditch . - Sou o novo * seeker * de os Slytherin , Weasley - disse Malfoy com ar presumido . - Têm estado todos a admirar as vassouras que o meu pai comprou para a nossa equipa . Ron olhou de boca aberta para as sete vassouras que tinha em a frente . - São boas , não são ? - disse Malfoy untuosamente . - Mas talvez a equipa de os Gryffindor consiga levantar algum ouro e comprar também vassouras novas . Vocês podiam levar essas Cleansweep_Fives a leilão , talvez algum museu esteja interessado . A equipa de os Slytherin riu se a bandeiras despregadas . - Pelo_menos em os Gryffindor ninguém teve de comprar a sua entrada - disse secamente Hermione . - Entraram todos por mérito próprio . O ar presumido de Malfoy desapareceu . - Ninguém pediu a tua opinião , sangue de lama - cuspiu Malfoy . Harry apercebeu se , de imediato , que Malfoy dissera algo muito grave porque houve uma tremenda algazarra em o seguimento de as suas palavras . Flint teve que se pôr a a frente de o Malfoy para evitar que Fred e George se atirassem a ele . Alicia bradou : - Como te atreves ? - E Ron meteu a mão em as vestes e sacou de a varinha mágica , gritando : - Vais pagar por o que disseste , Malfoy ! - e apontou a , furioso , por debaixo de o braço de Flint , a o rosto de Malfoy . Um enorme estrondo , ecoou em o estádio e um jacto de luz verde saiu por a extremidade errada de a varinha de Ron , atingindo o em o estômago e projectando o para trás em direcção a o relvado . - Ron ! Ron ! Estás bem ? - gritou Hermione . Ron abriu a boca para falar , mas nenhuma palavra saiu . Em vez de isso , teve um vómito imenso e várias lesmas saíram lhe de a boca , indo cair lhe em o colo . A equipa de os Slytherin ficou paralisada de riso . Flint estava dobrado , agarrado a a vassoura nova . Malfoy , a quatro , batia com o punho em a chão . Os Gryffindor rodeavam o Ron , que continuava a vomitar lesmas enormes e reluzentes . Ninguém queria tocar lhe . - É melhor levá o para_casa de o Hagrid . É o mais perto - disse Harry_a_Hermione , que acenou afirmativamente , e os dois arrastaram o Ron por os braços . - O que aconteceu , Harry ? O que aconteceu ? Ele está doente ? Mas tu podes curá o , não podes ? - Colin descera a correr de o lugar onde estava sentado e dançaricava em frente de eles , enquanto abandonavam o campo . Ron teve um novo arremesso e mais lesmas saíram de a sua boca . - Oooh ! - exclamou Colin fascinado , levantando a máquina fotográfica . - Podes mantê o quieto , Harry ? - Sai de a minha frente , Colin - gritou Harry zangado . Ele e a Hermione conseguiram levar o Ron para fora de o estádio , atravessar os campos e chegar a a beira de a floresta . - Está quase , Ron - disse Hermione , mal avistaram o casebre de o guarda de os campos . - Vais ficar bem dentro_de um minuto ... está quase ... Estavam a sessenta metros de a casa de Hagrid , quando a porta de a frente se abriu . Mas não foi Hagrid quem saiu de lá , e sim Gilderoy_Lockhart , em uma túnica cor de malva . - Rápido , vamos esconder nos aqui - sussurrou Harry , arrastando Ron para trás de um arbusto que havia ali perto . Hermione acompanhou o , embora um_pouco relutante . -- É muito simples quando se sabe o que se está fazer ! - gritava Lockhart_para_Hagrid . - Se precisar de ajuda , sabe onde estou . Vou dar lhe um exemplar de o meu livro . Espanta me que ainda não o tenha . Logo a a noite autografo o e envio lhe o . Bem . até a a próxima ! - e afastou se em direcção a o castelo . Harry esperou que Lockhart desaparecesse , antes de puxar o Ron de trás de o arbusto até a a casa de o Hagrid . Bateram ansiosamente . Hagrid apareceu logo com um ar mal-humorado , que se dissipou quando viu quem era . - Já me tinha perguntado quand'é que vocês vinham ver me , entrem , entrem , pensei qu'era outra_vez o professor Lockhart . Harry e Hermione ajudaram Ron a subir o degrau que dava acesso a a cabana de uma divisão com uma cama enorme a um de os cantos e uma lareira a crepitar alegremente em o outro . Hagrid não pareceu perturbado com o problema de as lesmas de o Ron que Harry lhe explicou precipitadamente , logo_que sentou o Ron em uma cadeira . - Melhor saírem de o qu'entrarem - disse , em um tom bem-disposto , colocando uma grande bacia de cobre em frente de ele . - Deita as todas fora , Ron . - Acho que não há mais_nada a fazer , a não ser esperar que isto pare - disse Hermione ansiosamente , vendo Ron inclinar se para a bacia . - É uma maldição muitas_vezes difícil , mas com uma varinha partida ... Hagrid andava de um lado para o outro a preparar o chá . O cão de ele , Fang , babava se em cima de o Harry . - O que é_que o Lockhart queria de ti ? - perguntou o Harry , coçando as orelhas de o Fang . - Ensinar me a tirar espíritos aquáticos com forma de cavalos d'uma nascente d'água - resmungou Hagrid , retirando de a mesa pequena um galo meio depenado e colocando em o seu lugar o bule . - Como s'eu não soubesse . E contar me uma peta qualquer d'uma fada carpideira que ele venceu . Engulo essa chaleira , se uma palavra do_que ele disse for verdade . Não era hábito de Hagrid criticar um professor de Hogwarts e Harry olhou para ele com alguma surpresa . Mas Hermione disse em uma voz mais aguda do_que de costume : - Acho que estás a ser injusto . O professor Dumbledore obviamente achou que era o melhor homem para o lugar ... - Era o único - explicou Hagrid , oferecendo lhes um prato de bombons de melaço enquanto Ron tossia para a bacia . - E não havia mais ninguém . Não é fácil encontrar quem queira dar Artes de magia negra . As pessoas não gostam de essa matéria . Começam a pensar que está amaldiçoada , ninguém ficou muito_tempo a dá a . Mas digam me lá - continuou Hagrid , inclinando a cabeça para Ron - quem é qu'ele estava a tentar amaldiçoar ? - O Malfoy chamou qualquer coisa a a Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si . - Foi grave , sim - disse o Ron com voz rouca , emergindo a a superfície de a mesa , pálido e transpirado . - O Malfoy chamou lhe sangue de lama , Hagrid . - Ron desapareceu outra_vez quando uma nova onda de lesmas fez o seu aparecimento . Hagrid estava indignado . - Não posso crer - exclamou , dirigindo se a Hermione . - Chamou sim - disse ela . - Mas eu não sei o que significa . Percebi que era má educação , claro ... - É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar - explicou Ron novamente . - Sangue de lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles , sabes , filho de pais não mágicos . Há alguns feiticeiros , como a família de o Malfoy que acham que são melhores do_que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro . - Teve um pequeno vómito e uma lesma isolada caiu lhe em a mão aberta . Ele atirou a para a bacia e continuou . -- É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma . Olha_o_Neville_Longbottom , é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito . - E ainda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer - afirmou Hagrid , orgulhoso , fazendo Hermione corar em tons de magenta . - É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém - disse o Ron , limpando o suor de a testa com a mão trémula . - Sangue sujo , sangue vulgar , é um disparate . A maior parte de os feiticeiros hoje_em_dia têm sangue misturado . Se não tivéssemos casado com Muggles tinha sido o nosso fim . Fez um esforço para vomitar e baixou se mais_uma_vez . - Bem , não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá o , Ron - disse Hagrid bem alto enquanto montes de lesmas caíam em a bacia . - Mas , se_calhar , não foi mau de todo teres a varinha a trabalhar ao_contrário . Acho que Lucius_Malfoy teria vindo logo a correr a a escola se tivesses amaldiçoado o filho . Assim , pelo_menos , não estás metido em nenhum sarilho . Harry teria referido que o problema não podia ser pior do_que deitar lesmas por a boca , mas não pôde . Os bombons de melaço tinham lhe colado os maxilares um_ao_outro . - Harry - disse de repente Hagrid como_que movido por um pensamento súbito . - Tens de me explicar uma coisa . Ouvi dizer que tens andado a dar fotografias autografadas . Porque é qu'eu não tenho nenhuma ? A fúria de Harry foi tão grande que os maxilares se libertaram . - Eu não tenho dado fotografias autografadas - disse com vivacidade . Se o Lockhart andou a espalhar isso ... Mas em esse momento viu que Hagrid se estava a rir . - ´ _ tou a brincar - disse , dando uma palmadinha em as costas de Harry e fazendo lhe sinal para se sentar a a mesa . -- Eu sabia que não tinhas . Disse a o Lockhart que tu não precisavas de isso . Es mais famoso do_que ele sem sequer , tentares . - Aposto que ele não gostou de ouvir isso - comentou Harry , sentando se e esfregando o queixo . - Acho que não gostou mesmo - prosseguiu Hagrid com os olhinhos a brilhar . - E disse lhe também que nunca tinha lido nenhum de os livros de ele e ele foi se embora . Um bombom de melaço , Ron ? - perguntou a o vê o reaparecer . - Não , obrigado - disse o Ron com uma voz fraca . - É melhor não arriscar . - Venham ver o qu'eu tenho estado a criar - disse Hagrid quando Harry e Hermione acabaram de tomar o chá . Em a pequena horta atrás de a casa estava uma_dúzia de as maiores abóboras que Harry alguma vez vira . Pareciam enormes blocos de pedra . - Estão a dar se bem , não achas ? - disse Hagrid , feliz . São para a festa de o * _ Hallow'en * . Devem estar bem grandes quando chegar a altura . - O que é_que lhes tens dado como alimento ? - perguntou Harry . Hagrid olhou por cima de o ombro para confirmar se estavam sós . - Bem , tenho estado a dar lhes ... uma pequena ajuda . Harry reparou em o guarda-chuva cor-de-rosa a as florzinhas que estava encostado contra a parede de a cabana . Tivera em o ano anterior motivos para crer que aquele guarda-chuva não era o que parecia . De facto , acreditava que a antiga varinha de escola de Hagrid se encontrava oculta dentro de ele . Hagrid não tinha autorização para usar magia . Fora expulso de Hogwarts em o terceiro ano embora Harry nunca tivesse descoberto o motivo . Qualquer referência a esta questão fazia Hagrid pigarrear bem alto e ficar misteriosamente surdo até mudarem de assunto . -- Um encantamento de absorção , imagino ? - comentou Hermione entre a desaprovação e o divertimento . - Bem , se assim foi , fizeste um bom trabalho . - Foi o que disse a tua irmãzinha - respondeu Hagrid acenando em direcção a Ron . - Encontrei a ontem . - Hagrid olhou de lado para Harry , a barba a contorcer se . - Disse que andava só a ver os campos , mas eu acho qu'ela esperava encontrar alguém em a minha casa - piscou o olho a o Harry . - Se queres que te diga acho qu'ela não recusaria uma fotografia autogr ... - Cala te com isso - disse Harry . Ron desatou a rir e o chão ficou cheio de lesmas . - Cuidado - resmungou Hagrid , afastando Ron de as suas preciosas abóboras . Estava quase em a hora de o almoço e , como o Harry só tinha provado um bombom de melaço desde manhã cedo , estava ansioso por chegar a a escola para ir comer . Despediram se de o Hagrid e regressaram a o castelo . O Ron a vomitar de vez em quando , mas deitando só duas pequenas lesmas . Mal tinham pisado a entrada de o vestíbulo quando ouviram uma voz . - Aí estão vocês , Potter , Weasley . - A professora Mc_Gonagall vinha em direcção a eles com o seu ar severo . - Vocês os dois vão ter as punições hoje a a tarde . - O que é_que vamos fazer , professora ? - perguntou o Ron nervoso , deixando cair uma lesma . - Tu vais limpar as pratas em a sala de os troféus com Mr._Filch - disse a professora Mc_Gonagall . - E nada de mágicas , Weasley , trabalho com esforço . Ron engoliu em seco . Argus_Filch , o encarregado , era odiado por todos os alunos de a escola . - E tu , Potter , vais ajudar o professor Lockhart a responder a as cartas de as suas fãs - ordenou a professora Mc_Gonagall . - Oh , não ! Não posso ir também trabalhar em a sala de os troféus ? - pediu Harry em desespero de causa . - Nem pensar em isso - respondeu a professora Mc_Gonagall , erguendo as sobrancelhas . - O professor Lockhart requisitou te especialmente a ti . _ a as oito_em_ponto , os dois . Harry e Ron entraram em o salão em um estado de profundo desanimo com a Hermione atrás , ostentando uma expressão de * bem-voces-quebraram-as-regras-da-escola * . Harry não saboreou o empadão de carne como teria desejado . Tanto ele como o Ron achavam que tinham tido o pior de os castigos . -- O Filch vai reter me lá toda_a noite - disse Ron , desanimado . - Sem mágica ! Deve haver umas cem taças em aquela sala , eu não sei fazer limpeza de Muggles . - Eu trocava contigo de boa_vontade - confessou Harry em uma voz surda . - Tive montes de prática com os Dursleys . Responder a o correio de fãs de o Lockhart , que pesadelo ... A tarde de sábado pareceu derreter se . Pouco depois eram já cinco para as oito e Harry arrastava se até a o corredor de o segundo andar onde ficava o escritório de o Lockhart . Rangendo os dentes , bateu a a porta . A porta abriu se imediatamente e Lockhart dirigiu se lhe . - Ah , cá está o patifório ! - exclamou . - Entra , Harry , entra . Em as paredes , brilhando à_luz_de muitas velas , podia ver se uma infinidade de fotografias de Lockhart . Algumas de elas até assinadas . Sobre a secretária estava outro monte enorme . - Podes pôr as moradas em os envelopes - disse Lockhart_a_Harry , como_se fosse uma grande ameaça . - O primeiro é para Gladys_Gudgeon , abençoada seja , uma grande fã minha . Os minutos passavam lentos . De vez em quando , Harry ouvia a voz de Lockhart dizendo : - Mmm - e - certo - e - sim . - De vez em quando , apanhava uma frase como : - A fama é versátil , amigo Harry - ou - Só é célebre quem faz por isso , nunca te esqueças . As velas ardiam cada_vez com maior lentidão , fazendo a luz dançar sobre as muitas caras de Lockhart que o olhavam . Harry passava a mão , já dorida , sobre o que devia ser o centésimo envelope , escrevendo a morada de Verónica_Smethley . « Deve estar quase em a hora de me ir embora » , pensou , sentindo se profundamente infeliz , « por favor , faz com que esteja em a hora ... » E então ouviu algo , algo totalmente diferente de o crepitar de as velas e de os ditos de Lockhart sobre as suas fãs . Era uma voz , uma voz de arrepiar os ossos , de cortar a respiração , de veneno frio . - * _ Vem ... vem ter comigo ... deixa me rasgar te ... cortar te ... matar te * ... Harry deu um salto e uma enorme mancha lilás surgiu em a rua de Verónica_Smethley . - O quê ? - disse ele em voz alta . - Eu sei - exclamou Lockhart . - Seis meses inteirinhos em o topo de a lista de * bestsellers * , bati todos os recordes ! - Não - disse Harry nervosíssimo - aquela voz ! - Como ? - perguntou Lockhart , com um ar confuso . - Que voz ? - Aquela , aquela voz que disse ... não ouviu ? Lockhart olhava para Harry com o maior espanto . - De que é_que estás a falar , Harry ? Estás a ficar com sono ? Meu Deus , olha , só estamos aqui há quase quatro horas , quem diria ? O tempo passou a correr , não é verdade ? Harry não respondeu , estava a fazer um esforço para ouvir de_novo a voz , mas o único som que ouviu foi Lockhart a dizer lhe que não esperasse um tratamento igual de as próximas vezes que fosse castigado . Harry saiu , sentindo se atordoado . Era tão tarde que a sala comum de os Gryffindor estava quase vazia . Harry foi directamente para o dormitório . Ron ainda não tinha voltado . Vestiu o pijama , meteu se em a cama e esperou . Meia_hora mais tarde , chegou o Ron agarrado a o braço direito e inundando o quarto escuro de um forte cheiro a limpa-pratas . - Doem me todos os músculos - resmungou , metendo se em a cama . - Ele fez me polir catorze vezes aquela taça de Quidditch até estar satisfeito . E depois tive outro vómito em_cima_de um troféu de Reconhecimento por serviços prestados a a escola . Demorei séculos a limpar o muco de as lesmas . Como correram as coisas com o Lockhart ? Em voz baixa para não acordar o Neville , o Dean e o Seamus , Harry contou lhe , palavra por palavra , o que tinha ouvido . - E Lockhart disse que não ouviu nada ? - perguntou o Ron . Harry viu o franzir a testa , a a luz de o luar . - Achas que estava a mentir ? Mas , não percebo , mesmo um ser invisível teria aberto a porta . - Eu sei - disse Harry , encostando se a a cama e olhando para o dossel . - Também não compreendo . VIII_A festa de o dia de os mortos Outubro chegou , espalhando um frio húmido por os campos e por os cantos de o castelo . Madam_Pomfrey , a enfermeira-chefe , esteve bastante ocupada com uma onda de constipações que afectou professores e alunos . A sua poção de pimentão entrou imediatamente em acção apesar_de deixar quem a tomava com fumo em os ouvidos durante várias horas . Ginny_Weasley , que andava com ar adoentado , foi convencida a tomá a por o Percy . O fumo que saía por debaixo de o seu cabelo ruivo dava a impressão de que toda_a cabeça estava em fogo . Gotas de chuva de o tamanho de balas agrediram as janelas de o castelo durante dias a fio . O lago rosado e os canteiros de flores tornaram se regatos lamacentos e as abóboras de o Hagrid incharam ficando de o tamanho de alpendres de jardim . Contudo , o entusiasmo de Oliver_Wood por as sessões de treino regular não foi abalado , motivo por o qual Harry iria regressar a a torre de os Gryffindor , em um sábado a a tarde de temporal , alguns dias antes de o * _ Hallowe'en * , ensopado até a os ossos e todo enlameado . Além de a chuva e de o vento , não fora um treino feliz . Fred e George que tinham andado a espiar a equipa de os Slytherin tinham visto com os seus próprios olhos a velocidade alucinante de aquelas novas Nimbus dois_mil_e_um e comentaram que a equipa em o ar parecia composta por sete manchas esverdeadas que disparavam a_toda_a velocidade como aviões a jacto . Enquanto Harry chapinhava a o longo de o corredor deserto , cruzou se com alguém que parecia tão preocupado como ele : Nick quase sem cabeça , o fantasma de a torre de os Gryffindor que olhava taciturno , por a janela , murmurando baixinho : - Não preenche os requisitos , um centímetro e meio se ... - Olá , Nick - cumprimentou Harry . - Olá , olá - disse o Nick quase sem cabeça , começando a olhar em volta . Usava um arrebatado chapéu de plumas sobre a longa cabeleira encaracolada e uma túnica com gola de tufos que disfarçava o facto de ter o pescoço quase totalmente separado de o corpo . Era pálido como o fumo e Harry podia ver através de ele o céu negro e a chuva torrencial , lá fora . - Pareces preocupado , jovem Potter - disse Nick , dobrando uma carta transparente , enquanto falava e escondendo a dentro de a jaqueta . - Tu também - retorquiu Harry . - Ah ! - o Nick quase sem cabeça acenou com a mão de forma elegante . - Uma questão sem importância . Não é_que eu quisesse realmente participar apesar_de me ter inscrito , mas , a o que parece , não preencho os requisitos . - Apesar de o seu tom jovial havia em o seu rosto uma grande amargura . - Mas era de esperar , ou não era - exclamou subitamente , tirando a carta de o bolso - que ter levado quarenta_e_cinco golpes em a cabeça com um machado ferrugento me qualificaria para entrar em o grupo de os Sem - _ Cabeça ? - Sim , sim - respondeu Harry que obviamente o outro esperava que concordasse . - Isto_é , ninguém mais do_que eu desejaria que tudo tivesse sido rápido e perfeito , poupava me muitas dores e ridículo . Mas ... O Nick quase sem cabeça abriu , furioso , a carta e leu : * _ Só podemos aceitar em o grupo homens cuja cabeça tenha sido separada de o corpo . Compreenderá que de outro modo seria impossível a os nossos membros participarem em actividades como equitação de malabarismos com a cabeça e pólo de cabeça . Lamentamos profundamente informá o de que não preenche os requisitos . * _ Os nossos melhores cumprimentos , Sir_Patrick_Delaney - _ Podmore * Furioso , o Nick quase sem cabeça atirou fora a carta . - Um centímetro de pele e tendões a segurarem me a cabeça , Harry ! A maior parte de as pessoas acharia que era mais do_que o suficiente , mas não serve para o senhor correctamente decapitado Podmore . Nick quase sem cabeça respirou fundo várias vezes e , por fim , em um tom bastante mais calmo perguntou : - Então o que é_que te preocupa ? Alguma coisa que eu possa fazer por ti ? - Não - respondeu Harry . - A_não_ser_que saibas onde posso arranjar sete Nimbus dois_mil_e_um , de_graça , para o nosso campeonato contra os Sly ... - o resto de a frase foi afogada por um miado agudo vindo de perto de os seus tornozelos . Olhou para baixo e deu consigo a fitar um par de olhos que pareciam duas lâmpadas amarelas . Era_Mrs._Norris , a gata cinzenta e esquelética usada por o encarregado Argus_Filch como uma espécie de polícia em a sua infindável batalha contra os estudantes . - É melhor saíres de aqui , Harry - preveniu Nick com toda_a calma . - O Filch não está nada bem-disposto . Anda engripado e alguns alunos de o terceiro ano , por acidente , encheram o tecto de o calabouço cinco de miolos de rã . Ele tem andado toda_a manhã a limpar e se te vê a encher tudo de lama ... - Certo - disse Harry , recuando e afastando se de o olhar acusador de Mrs._Norris , mas ... tarde de mais . Conduzido até ali por o misterioso poder que parecia ligá o a a gata , Argus_Filch entrou subitamente por uma tapeçaria que se encontrava a a direita de Harry , com a sua respiração asmática , olhando vivamente em volta em busca de o infractor . Tinha um lenço grosso , de xadrez , a a volta de a cabeça e o nariz invulgarmente arroxeado . - Imundície - gritou com os maxilares a tremer e os olhos a saltarem lhe de as órbitas , enquanto apontava para a poça de lama que pingara de a túnica de Quidditch_de_Harry . - Desarrumação e imundície em todo o lado . Estou farto disto , segue me , Potter . Harry despediu se de o Nick quase sem cabeça com um tímido aceno e seguiu Filch até lá abaixo , duplicando o número de pegadas lamacentas em o chão . Nunca entrara em o gabinete de o Filch . Era um lugar que a maior parte de os estudantes evitava . A divisão era sombria e sem janelas , iluminada por uma única lamparina de óleo que pendia de o tecto . Sentia se um vago cheiro a peixe frito . As paredes estavam forradas por ficheiros de madeira . Por as etiquetas Harry percebeu que continham os dados de todos os alunos que Filch tinha punido . Fred e George_Weasley tinham uma gaveta só para eles . Atrás de a secretária estava pendurada uma colecção bem polida de correntes e algemas . Todos sabiam que ele estava sempre a pedir a Dumbledore que o deixasse pendurar os alunos em o tecto por os tornozelos . Filch pegou em uma pena que estava sobre a secretária e começou a procurar o pergaminho . - Bosta - murmurou , furioso . - Bosta de dragão , miolos de rã , intestinos de ratazana ... eu tinha aqui bastante , onde está o form ... sim ... Tirou um enorme rolo de pergaminho de a gaveta de a secretária e estendeu o em a frente , molhando a longa pena em o tinteiro . - Nome : Harry_Potter . Crime ... - Foi só um bocadinho de lama - disse Harry . - É só um bocadinho de lama para ti , rapaz , mas para mim é mais de uma hora a esfregar - gritou Filch com um pingo a tremer de modo desagradável em a extremidade de o nariz bolboso . - Crime : manchar o castelo . Sentença proposta ... Esfregando o nariz que continuava a pingar , Filch olhou com má cara para Harry que esperava com a respiração entrecortada para ouvir a sentença . Mas quando Filch pegou em a pena ouviu se um estrondo enorme em o tecto que fez a lamparina apagar se . - PEEVES - resmungou Filch , pousando a pena , cheio de raiva . - Desta_vez apanho te . Apanho te ! E sem olhar para trás , saiu a correr a_toda_a velocidade de o gabinete , seguido de a gata , Mrs._Norris . Peeves era o * poltergeist * de a escola , uma ameaça de risota esvoaçante que vivia para fazer estragos e criar aflição . Harry não gostava lá muito de ele , mas desta_vez , não podia deixar de lhe estar grato . Na_melhor_das_hipóteses o que Peeves tivesse feito ( e parecia que agora ele destruíra qualquer coisa em grande ) distrairia Filch_de_Harry . Pensando que o melhor seria esperar que ele voltasse , Harry deixou se cair em uma cadeira carcomida por o tempo que se encontrava junto de a secretária . Havia uma coisa sobre o tampo : um grande envelope roxo e lustroso com letras prateadas em a frente . Lançando um olhar rápido a a porta para confirmar que Filch não estava de volta , Harry pegou lhe e leu : __ feitiço __ rápido Um curso por correspondência De iniciação a a magia Cheio de curiosidade , abriu o envelope e retirou o rolo de pergaminho . Uma letra curvilínea e prateada dizia : Sente se pouco a a vontade em o mundo de a magia moderna ? Dá consigo a arranjar desculpas para não fazer feitiços simples ? Tem sido censurado por o deplorável trabalho com a varinha ? Eis a resposta ! Feitiço rápido e um curso totalmente novo , infalível , de resultados rápidos e rápida aprendizagem . Centenas de bruxas e feiticeiros têm beneficiado de o método feitiço rápido ! Madam_Z._Nettles_de_Topsham escreve nos : Eu não conseguia fixar os encantamentos e as minhas poções eram alvo de risota em a família . Agora , depois de o curso feitiço rápido , tornei me o centro de as atenções em todas_as festas e os meus amigos não param de pedir me a receita de a minha brilhante solução ! O mágico D.J._Prod , de Disbury , afirma : A minha mulher costumava rir se de os meus fracos encantamentos , mas bastou um mês com o vosso fabuloso curso feitiço rápido e consegui transformá a em um iaque . Obrigado , feitiço rápido ! Fascinado , Harry folheou o resto de o conteúdo de o envelope . Para que diabo quereria o Filch um curso de feitiço rápido ? Não seria ele um feiticeiro a sério ? Harry estava a ler a lição número um : Pegando em a varinha ( algumas dicas úteis ) quando umas passadas arrastadas , lá fora , o preveniram de que Filch estava de volta . Metendo rapidamente o pergaminho dentro de o envelope , lançou o para_cima de a secretária em o preciso momento em que a porta se abriu . Filch ostentava um ar triunfante . - Aquele armário que desapareceu era extremamente valioso - vinha ele a dizer a a gata , Mrs._Norris . - Desta_vez vamos correr com o Peeves , minha linda . Os seus olhos recaíram sobre Harry e logo_a_seguir sobre o envelope de o feitiço rápido que , Harry apercebeu se tarde de mais , estava meio metro distanciado de o seu lagar inicial . O rosto pálido de Filch tornou se vermelho escarlate . Harry preparou se para uma nova onda de fúria . Filch coxeou até a a secretária , arrebatou o envelope e meteu o em uma gaveta . -- Chegaste a ... lê o ? - perguntou atabalhoadamente . - Não - mentiu Harry , sem perder tempo . As mãos nodosas de o Filch contorciam se ao_mesmo_tempo . - Se eu soubesse que ias ler a minha correspondência priv ... não que seja minha ... é para um amigo ... mesmo_assim ... Harry olhava para ele espantado . Nunca vira o Filch tão louco . Os olhos pareciam querer saltar lhe de as órbitas , com um tique em as bochechas e aquele lenço axadrezado que não ajudava nada ... - Muito bem , vai e não abras a boca sobre isto ... não que ... mesmo_assim ... se tu não leste ... vai te embora , tenho de escrever o relatório sobre o Peeves , vai . Atordoado com a sua sorte , Harry saiu de ali e largou a correr por o corredor fora e por as escadas acima . Sair de o gabinete de o Filch sem um castigo devia ser um recorde em a escola . - Harry , Harry , deu resultado ? O Nick quase sem cabeça saiu a brilhar de uma sala de aula . Atrás de ele , Harry pôde ver os destroços de um grande armário preto e dourado que parecia ter sido atirado de uma grande altura . - Convenci o Peeves a parti o mesmo em cima de o gabinete de o Filch - disse Nick entusiasmado . - Pensei que talvez o distraísse . - Foste tu ? - exclamou Harry , agradecido . - Funcionou sim . Ele não me deu nenhum castigo . Obrigado , Nick . Atravessaram o corredor juntos . O Nick quase sem cabeça , reparou Harry , ainda tinha em a mão a carta de Sir_Patrick . - Gostaria de poder fazer qualquer coisa sobre o grupo de os Sem - _ Cabeça - disse Harry . O Nick quase sem cabeça parou de repente e Harry passou através de ele . Antes não tivesse passado , foi como atravessar um duche gelado . - Mas há uma coisa que tu podes fazer por mim - disse Nick muito agitado . - Harry , seria pedir te de mais ... mas não , tu não ias querer ... - O quê ? - Bem , este ano em o * _ Hallowe'en * vai ser o meu meio milénio de dia de os mortos - disse o Nick quase sem cabeça endireitando se e adquirindo uma postura de grande dignidade . - Oh - respondeu Harry sem saber se deveria lamentar ou dar lhe os parabéns . - Certo . - Vou dar uma festa em um de os calabouços mais amplos . Vêm amigos meus de todo o país . Seria uma honra muito grande se tu aparecesses . Mr._Weasley e Miss_Granger seriam também muito bem-vindos , claro . Mas tu deves preferir o banquete de a escola , não é verdade ? - Olhou para Harry , aflito . - Não - assegurou ele rapidamente . - Eu vou . - Oh rapaz , Harry_Potter em a minha festa de os mortos - hesitou no_meio_de toda aquela excitação . - Achas que poderias referir a Sir_Patrick como me achas assustador e como te impressiono ? - É claro que sim - assegurou Harry . O Nick quase sem cabeça iluminou se em um sorriso . - Uma festa de os mortos ? - exclamou Hermione , entusiasmada , quando Harry , depois de mudar de roupa , se juntou a ela e a o Ron em a sala comum . - Aposto que não há muitas pessoas que possam gabar se de ter estado em uma festa de essas . Vai ser fantástico ! - Por_que é_que alguém se lembraria de festejar o dia em que morreu ? - perguntou o Ron que estava a meio de o seu trabalho de casa de poções e bastante maldisposto . - Parece me bastante mórbido . A chuva continuava a lamber as janelas que apresentavam agora um negro que parecia tinta , mas , lá dentro , era tudo claro e alegre . O fogo em a lareira brilhava sobre as inúmeras cadeiras de braços onde as pessoas estavam sentadas a ler , a conversar , a fazer os trabalhos de casa ou , no_caso_de Fred e George_Weasley , a tentar descobrir o que aconteceria se alimentassem uma salamandra com fogo-de-artíficio de o Filibuster . O Fred tinha « resgatado . o lagarto cor de laranja brilhante , morador de o fogo , de uma aula de tratamento de seres mágicos e ele estava agora a arder em fogo lento sobre uma mesa , rodeado de um grupo de curiosos . Harry ia começar a contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre o Filch e o curso de feitiço rápido quando a salamandra disparou por os ares , lançando faíscas e estoiros . A visão de Percy a gritar com Fred e George até ficar ronco , a fantástica exibição de estrelas cor de tangerina que choviam de a boca de a salamandra e a sua fuga para o lume acompanhada de explosões , fizeram com que Harry se esquecesse , em aquele momento , de Filch e de o curso de feitiço rápido . Quando chegou o * _ Hallowe'en * , Harry já lamentava a sua promessa imprudente de ir a a festa de os mortos . Toda_a escola antecipava , feliz , a sua festa de * _ Hallowe'en * . O salão nobre fora enfeitado com os habituais morcegos , as enormes abóboras de Hagrid tinham sido esculpidas em forma de lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro_de cada uma , e havia boatos de que Dumbledore contratara um grupo de esqueletos bailarinos para animar a festa . - Uma promessa é uma promessa - lembrou Hermione_a_Harry com o seu autoritarismo habitual . - Tu disseste que ias a a festa de os mortos . Portanto , a as sete_da_tarde , Harry , Ron e Hermione saíram , passando por a porta de o salão nobre que brilhava de modo convidativo com pratos dourados e velas e dirigiram os seus passos para os calabouços . O corredor que conduzia a a festa de o Nick quase sem cabeça tinha sido também ladeado de velas , embora o efeito estivesse longe_de ser alegre : estas eram velas muito esguias e estreitas , negras de breu , ardendo em um azul brilhante e lançando uma luz indistinta e espectral também sobre as caras de as pessoas vivas . A temperatura diminuía a cada degrau que desciam . Harry tremia e cingia a túnica a o corpo quando ouviu qualquer coisa que parecia uma centena de unhas a rasparem um enorme quadro preto . - Será que isto_é a música ? - murmurou Ron . Viraram uma esquina e viram o Nick quase sem cabeça junto de uma porta , todo vestido de veludo negro . - Meus queridos amigos - disse com ar de luto . - Bem-vindos , bem-vindos , ainda_bem que puderam vir . Em um gesto largo tirou o chapéu de plumas e fez lhes sinal para que entrassem . Era uma visão incrível . O calabouço estava cheio com centenas de pessoas de um branco pálido e translúcido , a maior parte de as quais era arrastada em uma pista de dança cheia , valsando a o som de trinta serrotes musicais . Os serrotes que compunham a orquestra encontravam se sobre um estrado enfeitado com panos negros . Um lustre lá em cima resplandecia de um azul nocturno com mais um_milhar de velas negras . A respiração de os três subiu em o ar como uma neblina . Parecia que tinham entrado em um congelador . - Vamos dar uma volta - sugeriu Harry em uma tentativa de aquecer os pés . - Cuidado , não atravessem nenhum de eles - avisou o Ron nervosamente e colocaram se em volta de a pista de dança . Passaram por um grupo escuro de freiras , por um homem esfarrapado e cheio de correntes e por o frade gordo , o divertido fantasma de os Hufflepuff que estava a conversar com um cavaleiro com uma seta enfiada em a testa . Harry não ficou nada surpreendido a o ver que o Barão sangrento , o fantasma lúgubre e berrante de os Slytherin , coberto de nódoas de sangue ; estava a ser totalmente evitado por os outros fantasmas . - Oh ! Não -- exclamou Hermione , parando bruscamente . - Voltem se , voltem se , não quero ter de cumprimentar a Murta_Queixosa . - Quem ? - perguntou Harry enquanto davam rapidamente meia volta . - Ela assombra a casa_de_banho de as raparigas de o primeiro andar - explicou Hermione . - Assombra uma casa_de_banho ? - Sim . Está inoperativa durante todo o ano porque ela tem constantes acessos de choro e inunda tudo . Eu só lá fui quando não pode mesmo evitar . É horrível tentar ir a a sanita com ela a gritar connosco . - Olhem , comida - disse o Ron . De o outro lado de o calabouço estava uma mesa igualmente coberta de velado negro . Iam para se aproximar entusiasmados , mas pararam com uma expressão de horror . O cheiro era nauseabundo . Enormes peixes podres enchiam as bonitas travessas de prata , os bolos estorricados como carvões amontoavam se em as salvas , havia uma grande quantidade de miúdos de macaco , uma tábua de queijos cobertos de bolor e , em o lugar de honra , um enorme bolo cinzento em forma de lápide com letras que pareciam alcatrão formando as palavras , * _ Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington_Morto em 31_de_Outubro , 1492 * . Harry olhou espantado quando um fantasma de porte majestoso se aproximou de a mesa inclinando se e passando através de ela com a boca aberta enquanto atravessava um salmão malcheiroso . - Consegue prová o passando através de ele ? - perguntou lhe Harry . - Quase - disse tristemente o fantasma antes de se afastar . - Devem ter deixado apodrecer tudo_isto para ter um sabor mais forte - comentou Hermione com ar de quem está bem informada , tapando o nariz e aproximando se para ver melhor os pútridos miúdos de macaco . - Podemos sair de aqui , estou a sentir me agoniado - disse o Ron . Mas mal tinham dado meia volta quando um homenzinho pequenino saiu inesperadamente de debaixo de a mesa e fez uma paragem em o ar em frente de eles . - Olá , Peeves - disse Harry cautelosamente . Ao_contrário de os outros fantasmas que os rodeavam , Peeves , o * poltergeist * era o oposto de pálido e transparente . Usava um chapéu festivo cor de laranja , um laço rotativo a o pescoço e tinha um sorriso grosseiro de malvadez , em o rosto . - Querem petiscar ? - perguntou delicadamente , oferecendo lhes uma taça de amendoins cobertos de fungos . - Não , obrigada - disse Hermione . - Ouvi te falar sobre a pobre Murta - disse Peeves com os olhos a bailar . - Que insensível que tu foste para com a pobre Murta - respirou fundo e gritou : - Oh Murta . - Oh ! Não , Peeves , não lhe contes o que eu disse , ela vai ficar muito aborrecida - murmurou Hermione bastante nervosa . - Eu não queria dizer que ... eu não me importo que ela , er , olá , Murta . O espectro atarracado de uma rapariga deslizara . Tinha o rosto mais carrancudo que Harry alguma vez vira , meio escondido por o cabelo liso e por os óculos grossos cor de pérola . - O que é ? - perguntou mal-humorada . - Como estás Murta ? - perguntou Hermione , em uma voz falsamente alegre . - É bom ver te fora de a casa_de_banho . Murta fungou . - Miss_Granger estava justamente a falar de ti - disse lhe Peeves baixinho a o ouvido . - A dizer , a dizer ... como estás bonita esta noite -- terminou Hermione , olhando irritada para Peeves . A Murta olhou para Hermione desconfiada . - Estão a divertir se a a minha custa - disse , com lágrimas de prata a encherem lhe rapidamente os olhos pequeninos . - Não , a sério , eu não estava a dizer vos como a Murta estava bonita esta noite ? - disse Hermione , dando uma palmada em as costas de o Harry e de o Ron . - Sim , sim . - Ela ... - Não me venham com mentiras - protestou a Murta , as lágrimas agora a descerem lhe por o rosto , enquanto Peeves ria baixinho por cima de o ombro de ela . - Julgam que eu não sei o que as pessoas me chamam em as minhas costas ? A Murta gorda , a Murta feia , a Murta queixosa , a Murta deprimida ! - Esqueceste te de « a Murta ponto negro » - sussurrou lhe Peeves a o ouvido . A Murta_Queixosa irrompeu em soluços de angústia e fugiu de o calabouço . Peeves disparou atrás de ela , lançando lhe uma chuva de amendoins cheios de bolor e gritando : Ponto negro ! Ponto negro ! - Oh , coitada ! - exclamou Hermione com tristeza . O Nick quase sem cabeça abria agora caminho entre a multidão para se aproximar de eles . - Estão a divertir se ? - Sim , sim - mentiram . - Uma afluência nada má - disse orgulhoso o Nick quase sem cabeça . - A viúva chorosa veio de Kent ... está quase em a hora de o meu discurso . É melhor ir avisar a orquestra . Mas a orquestra parou de tocar em esse preciso momento . Eles , e todos os outros em o calabouço , ficaram em silêncio total , olhando em volta cheios de excitação quando se ouviu uma trompa de a caça . - Lá vêm eles - disse o Nick quase sem cabeça , com alguma amargura em a voz . Por o calabouço irromperam uma_dúzia de , cavalos fantasmas , cada_um montado por um cavaleiro sem cabeça . A assistência aplaudiu vivamente . Harry começou também a bater palmas , mas parou rapidamente quando viu a cara de o Nick . Os cavalos galoparam até a o meio de a pista de dança e pararam , empinando se , dando pequenos passos para a frente e para trás , sobre as patas traseiras . Um fantasma grande em a frente , cuja cabeça barbuda estava debaixo de o braço , soprando a trompa , desmontou , levantou a cabeça bem em o ar para poder ver toda_a assistência ( todos se riam ) e dirigiu se a o Nick quase sem cabeça , comprimindo a cabeça contra o pescoço . - Bem-vindo , Patrick - disse o Nick , mantendo a sua postura rígida . - Gente viva ! - exclamou o Sir_Patrick , avistando Harry , Ron e Hermione e dando um salto de falso espanto , de_tal_modo_que a cabeça lhe caiu de_novo ( a multidão ria a bom rir ) . - Muito engraçado - disse o Nick quase sem cabeça com um ar soturno . - Não ligues a o Nick - gritou a cabeça de Sir_Patrick de o chão . - Ainda está aborrecido por não o deixarmos juntar se a o grupo . Mas olhem bem para ele ... - Eu acho - disse apressadamente Harry , a seguir a um olhar de o Nick - que o Nick é muito assustador e ... eu ... - Bah ! - gritou a cabeça de Sir_Patrick . - Aposto que ele te pediu que dissesses isso . - Gostaria de ter a vossa atenção . Chegou a altura de fazer o meu discurso - disse o Nick quase sem cabeça bem alto , dirigindo se a o pódio , subindo e parando , iluminado por uma luz azul . - Os meus sentimentos , senhores e senhoras , é com profundo pesar ... Mas já ninguém estava a ouvi o . Sir_Patrick e o resto de o grupo de os Sem - _ Cabeça tinham iniciado um jogo de hóquei de cabeça e a multidão voltara se para os observar . Nick quase sem cabeça tentou em vão recuperar a audiência , mas acabou por desistir quando a cabeça de Sir_Patrick passou por ele a_toda_a velocidade gritando vivas . Harry estava cheio de frio para não falar de a fome . - Não aguento mais isto - murmurou Ron a bater o dente enquanto a orquestra voltava a entrar em acção e os fantasmas enchiam de_novo a pista de dança . - Vamos embora - concordou Harry . Recuaram até a a porta , acenando e sorrindo a todos os que olhavam para eles e um minuto depois passavam apressadamente por a entrada cheia de velas negras . - Talvez o pudim ainda não tenha acabado - disse o Ron cheio de esperança , abrindo caminho em direcção a os degraus de o vestíbulo de a entrada . E foi então que Harry ouviu aquilo . - ... * _ Arrancar ... rasgar ... matar * ... Era a mesma voz , a mesma voz fria e assassina que ouvira em o escritório de Lockhart . Parou , agarrando se a a parede de pedra em a expectativa de ouvir melhor , olhando em volta , espreitando para_cima e para baixo de a passagem mal iluminada . - Harry que estás tu a ... ? - E aquela voz outra_vez , calem se um bocadinho . -- ... * _ Tanta fome ... há tanto tempo * ... - Ouçam insistiu Harry e Ron e Hermione ficaram estáticos a olhar para ele . - * _ Matar ... hora de matar * ... A voz ia ficando mais débil . Harry tinha a certeza de que ela estava a afastar se , a subir . Um misto de medo e excitação tomou posse de ele enquanto olhava para o tecto escuro . Como poderia ele subir ? Seria um fantasma para quem os tectos de pedra não contavam ? - Por aqui - gritou , começando a correr por as éscadas acima até a a entrada de o * hall * . Não havia hipótese de ouvir fosse o que fosse ali , o barulho de vozes que vinha de o banquete de o * _ Hallowe'en * ecoava cá fora . Harry subiu a correr a escadaria de mármore até a o primeiro andar com Ron e Hermione ruidosamente atrás . - Harry o que é_que nós ... ? - Sch ... Harry apurou o ouvido . Ao_longe , em o andar de cima , e ainda a enfraquecer , mesmo_assim ouviu a voz : - ... * Cheira-me a sangue ... cheira me a sangue ! * O estômago deu lhe uma volta . - Ele vai matar alguém - gritou e ignorando as caras perplexas de Ron e Hermione , correu , subindo mais um lanço de escadas , a três_e_três , tentando ouvir através de o ruído de os seus próprios passos . Harry correu a_toda_a velocidade pelo segundo andar com Ron e Hermione atrás e só parou quando viraram uma esquina para o último corredor abandonado . - Harry , o que foi aquilo tudo ? - perguntou o Ron , limpando o suor de o rosto . - Eu não ouvi nada ... Mas Hermione , em um sobressalto , apontou para o fundo de o corredor . - Olhem ! Alguma coisa brilhava em a parede em frente . Aproximaram se devagarinho , tentando ver em a escuridão . Alguém escrevera em letras garrafais em a parede entre duas janelas . As palavras brilhavam a a chama fraca de as tochas . : __ a câmara de os segredos foi aberta . inimigos de o herdeiro , __ cuidado . - O que é aquilo pendurado por baixo de as letras ? - perguntou Ron com um tremor em a voz . Quando se aproximaram , Harry quase escorregou . Havia uma grande poça de água em o chão . Ron e Hermione agarraram o e avançaram cautelosamente até a a mensagem , os olhos fixos em uma sombra escura , em baixo . Aperceberam se os três de imediato do_que se tratava e deram um salto para trás , salpicando tudo de água . Mrs._Norris , a gata de o encarregado , estava pendurada por a cauda em o suporte de a tocha . Tinha o corpo rígido como uma tábua e os olhos abertos . Durante alguns segundos ninguém se mexeu . Depois o Ron disse : - Vamos sair de aqui . - Não devíamos tentar ajudar ? - propôs Harry , sem graça . - Acredita - assegurou o Ron . - É melhor que não nos encontrem aqui . Mas era tarde de mais . Um ruído surdo e prolongado , como um trovejar distante , avisou os de que o festim tinha terminado . De ambos os lados de o corredor onde eles estavam , veio o som de centenas de pés a subirem a escadaria e as vozes alegres de gente bem alimentada . Em o momento seguinte os alunos chegavam junto de eles de ambos os lados . O burburinho morreu subitamente mal as pessoas avistaram a gata pendurada . Harry , Ron e Hermione estavam de pé , sozinhos , em o meio de o corredor quando se fez silêncio em a multidão de estudantes que se empurravam para observar aquele quadro macabro . Então alguém gritou , quebrando o silêncio . - Inimigos de o herdeiro , cuidado . Vocês serão os próximos , sangue de lama ! Era_Draco_Malfoy . Estava a a frente de a multidão com os olhos frios a brilhar , a sua cara habitualmente pálida agora afogueada , sorrindo a a vista de a gata pendurada e imóvel . IX_As palavras em a parede -- O que é_que se passa aqui ? O que é_que se passa ? Sem dúvida , atraído por o grito de Malfoy , Argus_Filch apareceu a coxear em o meio de a multidão . Quando viu Mrs._Norris , caiu para trás agarrando o rosto com verdadeiro horror . - A minha gata ! A minha gata ! O que aconteceu a Mrs._Norris ? - gritou . E os seus olhos rápidos caíram sobre Harry . - Tu - guinchou ele . - Mataste a minha gata ! Mataste a , vou dar cabo de ti , eu ... - Argus . Dumbledore tinha chegado a o lugar , seguido de alguns professores . Em poucos segundos tinha passado a a frente de Harry , Ron e Hermione e desatado Mrs._Norris de o suporte de a tocha . - Vem comigo , Argus - disse ele a o Filch . - Vocês também , Mr._Potter , Mr._Weasley e Miss_Granger . Lockhart deu rapidamente um passo em frente . - O meu escritório é o que está mais perto , senhor director , é já aqui em cima , por favor fiquem a a vontade . - Obrigado , Gilderoy - disse Dumbledore . A multidão silenciosa dividiu se para os deixar passar . Lockhart sentindo se excitado e importante , seguia Dumbledore assim_como a professora Mc_Gonagall e o professor Snape . Quando entraram em o escritório escuro de Lockhart houve uma grande agitação em as paredes . Harry viu várias imagens de Lockhart a esconderem se cheias de rolos em o cabelo . O Lockhart em pessoa acendeu as velas e chegou se mais para trás . Dumbledore pôs Mrs._Norris em a superfície polida de a secretária e começou a examiná a . Harry , Ron e Hermione trocaram olhares tensos entre si e deixaram se cair em as cadeiras que se encontravam longe de a luz , a observar . A ponta de o nariz longo e adunco de Dumbledore estava a menos_de dois centímetros de o pêlo de Mrs._Norris . Ele olhava a de perto através de os óculos de meia-lua , os dedos longos a palpar e tactear suavemente . A professora Mc_Gonagall estava quase tão perto como ele , com os olhos contraídos . Snape surgia mais atrás , meio em a sombra , com uma expressão estranha em o rosto , como_se tentasse a_toda_a força sorrir . E Lockhart andava de um lado para o outro a dar sugestões . - Foi sem dúvida uma maldição que a matou , provavelmente a tortura de a metamorfose . Vi a muitas_vezes ser usada , mas infelizmente eu não estava lá quando isto aconteceu . Conheço o antídoto para essa maldição , o que a teria salvo . Os comentários de Lockhart foram interrompidos por os soluços secos e violentos de Filch . Estava afundado em uma cadeira junto de a secretária , incapaz de olhar para Mrs._Norris , com o rosto em as mãos . Por mais que detestasse Filch , Harry não pôde deixar de sentir pena de ele embora não tanta quanto_a que sentia por si próprio . Se Dumbledore acreditasse em o Filch ele seria certamente expulso . O director estava agora a sussurrar umas palavras estranhas e batendo em Mrs._Norris com a varinha , mas não aconteceu nada , ela continuou com o mesmo aspecto , como_se tivesse sido empalhada . - ... Lembro me de uma coisa semelhante que aconteceu em Ouagadogou - disse LockLart . - Uma série de ataques . Conto essa história em a minha autobiografia . Eu dei a a gente de a cidade vários amuletos que resolveram logo a situação ... As fotografias de Lockhart em as paredes iam acenando afirmativamente com a cabeça enquanto ele falava . Uma de elas esquecera se de tirar os rolos de o cabelo . Por fim , Dumbledore endireitou se . - Ela não está morta , Argus - disse suavemente . Lockhart interrompeu bruscamente a contagem de os crimes que conseguira evitar . - Não está morta ? - disse Filch em um sufoco , olhando através de os dedos para Mrs._Norris . - Mas , porque está ela rígida e gelada ? - Foi petrificada - disse Dumbledore ( Ah ! foi o que eu pensei ! - comentou Lockhart ) mas como , não posso afirmar . - Pergunte lhe - gritou Filch , voltando a cara cheia de furúnculos e lágrimas para Harry . - Nenhum aluno de o segundo ano poderia ter feito isto - explicou Dumbledore . - Era preciso um grande conhecimento de magia negra . - Foi ele , foi ele - disse encolerizado o encarregado com a cara a ficar roxa . - O senhor viu o que ele escreveu em a parede . Ele descobriu em o meu gabinete , ele sabe que eu sou um ... - O rosto de Filch estava horrível . - Ele sabe que eu sou um * _ busca-pé * - disse por fim . - Eu não toquei em a Mrs._Norris - gritou Harry com todos os olhares a recaírem sobre ele , incluindo o de todos os Lockharts de a parede . - E eu nem sei o que é um * busca-pé * . - Mentira ! - gritou Filch . - Ele viu a minha carta de o feitiço rápido . - Se me permite que dê a minha opinião , senhor director - disse Snape , saindo de a sombra , e a sensação de mau presságio de Harry aumentou bastante . Certamente nada do_que Snape tinha para de dizer iria ajudá o . - O Potter e os amigos podiam estar simplesmente em o lugar errado em a altura errada - afirmou com um leve sorriso a torcer lhe a boca como_se tivesse as suas dúvidas . - Mas , temos aqui um conjunto de circunstâncias curiosas . Porque estavam eles afinal em o corredor ? Porque não estiveram presentes em a festa de o * _ Hallowe'en * ? Harry , Ron e Hermione começaram uma longa explicação sobre a festa de o dia de os mortos . - Estavam lá centenas de fantasmas , eles poderão confirmar que lá estivemos ... - Mas porque não foram a seguir a o banquete ? - perguntou Snape com os olhos pretos a brilharem a a luz de as velas . - Porquê ir até a aquele corredor ? Ron e Hermione olharam para Harry . - Porque , porque ... - balbuciou Harry , com o coração a querer saltar lhe de o peito , mas algo lhe disse que ia parecer muito rebuscado se lhes contasse que tinha sido levado até ali por uma voz sem corpo que só ele conseguia ouvir . - Porque estávamos cansados e queríamos ir para a cama - disse . - Sem jantar ? - inquiriu Snape com um sorriso triunfante a bailar lhe em o rosto lúgubre . - Não sabia que os fantasmas ofereciam em as suas festas comida para gente viva . - Não estávamos com fome - disse o Ron bem alto , enquanto o estômago se queixava de forma audível . O sorriso mesquinho de a Snape ampliou se . - Acho , senhor director , que Potter não está a dizer toda_a verdade - afirmou . - Talvez fosse boa ideia retirar lhe alguns privilégios , até ele estar disposto a contar nos a história toda . Pessoalmente , sugiro que seja retirado de a equipa de os Gryffindor até decidir ser honesto . - Francamente , Severus - exclamou a professora Mc_Gonagall com uma voz cortante . - Não vejo porquê impedir o rapaz de jogar Quidditch . Esta gata não levou pauladas em a cabeça dadas por nenhum cabo de vassoura . E não há provas de que o Potter tenha feito algo de mal . Dumbledore observava Harry com um olhar perscrutador . A voz tremeluzente de os seus olhos azuis fez Harry sentir que estava a ser passado a raios X. - Inocente até se provar que é culpado , Severus - disse com segurança . Snape estava furioso , assim_como Filch . - A minha gata foi petrificada ! - berrou , com os olhos a saltarem de as órbitas . - Quero ver um castigo ! - Vamos poder curá a , Argus - explicou pacientemente Dumbledore . - Madam_Sprout conseguiu arranjar algumas Mandrágoras . Logo_que tenham atingido o tamanho adulto , terei uma poção de Mandrágoras que reanimará Mrs._Norris . - Eu posso fazê a - interrompeu Lockhart . - Devo ter feito isso uma centena de vezes . Preparo uma golada de Mandrágora reconstituinte de olhos fechados ... - Perdão - disse Snape friamente -- , mas julgo que o professor de poções de esta escola ainda sou eu . Houve um silêncio bastante incómodo . - Vocês podem ir se embora - disse Dumbledore a o Harry , Ron e a Hermione . Eles saíram o mais depressa que puderam , sem ir a correr . Quando chegaram a o andar acima de o escritório de Lockhart , entraram em uma sala de aulas vazia e fecharam a porta devagarinho . Harry lançou um olhar de esguelha a as caras carrancudas de os amigos . - Acham que eu lhes devia ter falado de a voz que ouvi ? - Não - respondeu Ron , sem a mínima hesitação . - Ouvir vozes que mais ninguém ouve , não é bom sinal , nem em o mundo de os feiticeiros . Algo em a voz de Ron levou Harry a fazer a pergunta : - Tu acreditas em mim , não acreditas ? - Claro que sim - respondeu o Ron de imediato . - Mas tens de concordar que é esquisito ... - Eu sei que é esquisito - confirmou Harry . - É tudo esquisito . O que era aquilo escrito em a parede ? * _ A_Câmara foi aberta * , o que é_que significa ? - Sabes , faz me lembrar qualquer coisa - disse Ron lentamente . - Acho que alguém me contou uma história sobre uma câmara secreta em Hogwarts , talvez tenha sido o Bill ... - E que diabos é um * busca-pé * ? - perguntou Harry . Para sua surpresa , Ron abafou o riso . - Bem , em a verdade não tem graça nenhuma , mas como é o Filch ... - disse . - Um * busca-pé * é alguém que nasceu de uma família de feiticeiros , mas não tem poderes mágicos . É uma espécie de o oposto de os que vêm de famílias de Muggles , mas são feiticeiros . Os * busca-pé * são muito raros . Se o Filch está a tentar aprender magia em um curso rápido , acho que ele deve ser mesmo um busca-pé . Isso explicaria tudo , por_exemplo , porque detesta tanto os estudantes . - Ron sorriu satisfeito . - Tem inveja . Um relógio deu as horas , algures . - Meia-noite - disse Harry . - É melhor irmo nos deitar , antes que o Snape apareça e tente acusar nos de qualquer coisa . Durante alguns dias não se falou de outra coisa em a escola a não ser de o ataque a a gata , Mrs._Norris . Filch manteve o sucedido bem fresco em a memória de todos , andando de um lado para o outro em o lugar onde ela fora atacada , como_se esperasse por o responsável . Harry vira o esfregar a mensagem de a parede com a « solução removedora de toda_a porcaria mágica Mrs._Skower » , mas sem qualquer resultado . As palavras continuavam a brilhar tanto como antes sobre a pedra . Quando Filch não estava a patrulhar a cena de o crime , vagueava , de olhos avermelhados , por os corredores , perseguindo alunos insuspeitos e tentando aplicar lhes castigos por coisas como « respirar muito alto » ou « estar alegre » . Ginny_Weasley parecia muito perturbada com o destino de Mrs._Norris . Segundo Ron ela era uma amante de gatos . - Mas tu nem chegaste a conhecer bem Mrs._Norris - disse lhe Ron para a animar . - Com toda_a franqueza , estamos muito melhor sem ela . - O lábio de Ginny tremeu . - Não é costume acontecerem coisas de estas em Hogwarts - tranquilizou a . - Eles vão descobrir o safado que fez aquilo e põem o de aqui para fora em três tempos . - Só espero que tenha tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso . Estou a brincar , claro - acrescentou o Ron apressadamente a o ver a Ginny a empalidecer . O ataque afectara também Hermione . Era costume de ela passar muito_tempo a ler , mas agora parecia não fazer mais_nada . Nem respondia a o Harry e a o Ron quando lhe perguntavam o que estava a fazer e só acabaram por descobrir em a quarta-feira seguinte . Harry tivera de ficar até mais tarde em a sala de poções onde Snape o mandara raspar restos de larvas de as secretárias . Depois de um almoço comido a a pressa , ele foi lá acima encontrar se com Ron em a biblioteca e viu Justin_Finch - _ Fletchley , o rapaz de os Hufflepuff de herbologia que vinha em direcção a ele . Harry tinha acabado de abrir a boca para dizer um « Olá » quando Justin o viu , voltando se bruscamente e mudando de direcção . Harry foi encontrar o Ron em as traseiras de a biblioteca , a medir o trabalho de casa de história de a magia . O professor Binns pedira uma composição sobre a Assembleia_Medieval_de_Feiticeiros_Europeus com 90cm . De extensão . - Não posso crer que ainda me faltem 16cm - disse o Ron furioso , largando o pergaminho que se enrolou em forma de tubo - e que a Hermione fez um metro e trinta em aquela letra pequenina e apertadinha . - Onde está ela ? - perguntou Harry , agarrando em a fita métrica e desembrulhando o seu trabalho de casa . - Algures por aí - disse o Ron , apontando para as estantes . - _ a a procura de outro livro . Acho que ela está a tentar ler a biblioteca toda antes de o Natal . Harry contou a Ron que Justin_Finch - _ Fletchley tinha evitado falar lhe . - Não sei porque te preocupas com isso . Eu achei o um idiota - disse o Ron , escrevinhando e fazendo a letra o maior possível . - Todo aquele disparate sobre o Lockhart ser tão grande ... Hermione surgiu de o meio de as estantes . Parecia irritada e disposta , por fim , a falar com eles . - Todos os exemplares de * _ Hogwarts : Uma História * foram requisitados - disse , sentando se ao_lado_de Harry e Ron . - E há uma lista de espera de duas semanas . Quem me dera não ter deixado o meu exemplar em casa , mas não consegui que coubesse em a mala com todos os livros de o Lockhart . - Para que o queres ? - perguntou Harry . - Pelo mesmo motivo que toda_a_gente o quer - disse Hermione . - Para ler a lenda de a Câmara_dos_Segredos . - O que é isso ? - Precisamente . Não me lembro - disse Hermione , mordendo o lábio . - E não encontro a História em lugar nenhum . - Hermione , deixa me ler o teu trabalho - pediu Ron desesperado , olhando para o relógio . - Não , não deixo - respondeu Hermione com um ar severo . - Tiveste dez dias para o fazer . - Só preciso de mais quatro centímetros , vá lá ... A campainha tocou . Ron e Hermione encaminharam se para a História_da_Magia , discutindo . A História_da_Magia era a matéria mais chata de o programa . O professor Binns , que dava a cadeira , era o único professor fantasma e a coisa mais excitante que aconteceu em as suas aulas foi o dia em que entrou por o quadro preto . Já velho e enrugado , muita gente afirmava a seu respeito que ele não dera por_que tinha morrido . Pura e simplesmente levantara se um dia para ir dar aulas , deixando o corpo atrás , em um cadeirão em frente de a lareira de a sala de os professores . Desde esse dia a sua rotina mantivera se igual . Era hoje tão chato como fora sempre . Abriu as notas e começou a ler em um tom monocórdico como um velho aspirador até quase todos os alunos estarem em um estado de profunda dormência , acordando de vez em quando , para tomar nota de um nome ou de uma data , e voltando a adormecer . Estava a falar havia meia_hora quando aconteceu algo que nunca tinha acontecido . Hermione pôs o braço em o ar . O professor Binns olhou de relance , em o meio de a chatíssima aula sobre a Convenção_Internacional_de_Feiticeiros de 1289 , verdadeiramente espantado . - Miss ... er ... ? - Granger , professor . Poderia dizer nos alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Hermione em uma voz bem audível . O Dean_Thomas , que tinha estado sentado de boca aberta olhando para fora de a janela , saiu de o seu transe com um salto . A cabeça de Lavender_Brown saiu de os braços e o cotovelo de o Neville_Longbottom escorregou para fora de a secretária . O professor Binns piscou os olhos . - A minha matéria é História_da_Magia - disse em a sua voz seca e asmática . - Eu trato de factos , Miss_Granger , não de mitos e lendas - pigarreou produzindo um ruído que parecia o giz sobre o quadro e continuou : - Em Setembro de esse ano , uma subcomissão de feiticeiros de a Sardenha ... Parou de repente . A mão de Hermione estava de_novo em o ar . - Sim , Miss_Grant ? - Por favor , professor , as lendas não têm sempre um facto como base ? O professor Binns olhava para ela com tal espanto que Harry teve a certeza de que ele nunca , em tempo algum , fora interrompido por um aluno . - Bem - disse lentamente o professor Binns . - Sim , é uma afirmação que pode fazer se . - Olhou para Hermione como_se fosse a primeira vez que olhasse a sério para um estudante . - Contudo , a lenda de que me fala é tão extraordinária , mesmo grotesca ... Mas a aula inteira estava agora atenta a as palavras de o professor , que olhou indistintamente para todos eles . Harry poderia assegurar que ele estava absolutamente abismado por uma tão grande demonstração de interesse . - Muito bem - disse lentamente . - Ora vejamos ... a Câmara_dos_Segredos . Todos vocês sabem com certeza que Hogwarts foi fundada há mais de um_milhar de anos , não se conhece ao_certo a data , por os quatro maiores feiticeiros e feiticeiras de a época : Godric_Gryffindor , Helga_Hufflepuff , Rowena_Ravenclaw e Salazar_Slytherin . Construíram juntos este castelo , longe de os olhares curiosos de os Muggles porque em aquele tempo a magia era temida por as pessoas comuns e as bruxas e feiticeiros sofriam terríveis perseguições . Fez uma pausa , olhou indeciso em volta e prosseguiu : - Durante alguns anos , os fundadores trabalharam juntos em harmonia procurando outros mais novos que mostrassem sinais de possuir dotes mágicos e trazendo os para o castelo para aqui serem ensinados . Mas os desentendimentos surgiram entre eles . Começou a notar se uma divisão entre Slytherin e os outros . Salazar_Slytherin queria ser mais selectivo em relação a os alunos a serem admitidos em Hogwarts . Achava que os ensinamentos de magia deviam ficar dentro de as famílias de feiticeiros . Não lhe agradava a entrada em a escola de alunos de famílias Muggles porque os achava pouco dignos de confiança . Depois de algum tempo houve uma séria discussão sobre esse assunto entre Slytherin e Gryffindor e Slytherin abandonou a escola . O professor Binns fez uma nova pausa , fazendo beicinho o que o fazia parecer uma tartaruga enrugada . - Fontes fidedignas referem nos isto - disse . - Mas estes factos foram obscurecidos por a fantasiosa lenda de a Câmara_dos_Segredos . Conta a história que Slytherin construíra uma câmara oculta dentro de o castelo cuja existência os outros fundadores ignoravam . De_acordo com a lenda , Slytherin selou a Câmara_dos_Segredos para que ninguém pudesse abri a até o seu verdadeiro herdeiro chegar a a escola . O herdeiro , e apenas ele , poderia abrir a Câmara_dos_Segredos , libertar o horror que lá se encontrava e utilizá o para expurgar a escola de todos aqueles que eram indignos de aprender magia . Houve um silêncio quando ele se calou que não era o habitual silêncio de sono de as aulas de o professor Binns . Havia um desassossego em o ar enquanto todos continuavam a olhá o a a espera de mais . O professor Binns estava ligeiramente aborrecido . - A história toda é um disparate , claro - disse ele . - A escola foi revistada por várias vezes em busca de provas de a existência de essa câmara , por os feiticeiros e bruxas mais conhecedores . Não existe nada . Uma lenda que serviu apenas para assustar os ingénuos . A mão de Hermione estava novamente em o ar . - Professor , o que quer_dizer , ao_certo com « o horror que estava dentro de a câmara » ? - Acredita se que seja uma espécie de monstro que só o herdeiro de Slytherin pode controlar - disse o professor Binns em a sua voz seca e débil . A aula trocou entre si olhares inquietos . - Como vos digo , a coisa não existe - afirmou o professor Binns , desordenando as suas notas . - Não há câmara e não há monstro . - Mas , professor - disse Seamus_Finnigan . - Se a câmara só podia ser aberta por o herdeiro de Slytherin ninguém mais poderia encontrá a . Não é ? - Um disparate pegado - disse o professor Binns , em um tom de voz exasperado . - Se uma longa sucessão de directores e directoras de Hogwarts não a encontraram ... - Mas , professor - começou a dizer Parvati_Patil . Se_calhar é preciso usar magia negra para a abrir ... - Lá porque um feiticeiro não usa magia negra não quer_dizer que não possa , Miss_Pennyfeather - interrompeu o professor Binns . - Repito , se os antecessores de Dumbledore ... - Mas talvez seja preciso fazer parte de os Slytherin , por isso Dumbledore não podia ... - começou Dean_Thomas , mas o professor Binns já estava farto . - Já chega - disse , de modo cortante . - É um mito . Não existe . Não há uma única prova de que Slytherin tenha construído nem mesmo uma despensa para vassouras . Lamento ter vos contado esta história tola . Vamos voltar , se fazem o favor , a a História , a os factos sólidos , verificáveis , credíveis . E em menos_de cinco minutos toda_a classe mergulhara em a sua sonolência habitual . - Eu sempre ouvi dizer que Salazar_Slytherin era um velho retorcido e meio pateta - disse Ron_a_Harry e Hermione enquanto abriam caminho por os corredores cheios , em o final de a aula , para ir arrumar as malas antes de o jantar . - Mas não sabia que ele tinha começado esta coisa de o sangue puro . Eu não ia para os Slytherin nem que me pagassem . Se o chapéu seleccionador me tivesse posto lá , pegava em as malas e ia me embora ... Hermione acenou vivamente , mas Harry não abriu a boca . O estômago parecia ter dado uma volta . Harry nunca contara a o Ron e a a Hermione que o chapéu seleccionador tinha considerado seriamente a possibilidade de o colocar em os Slytherin . Lembrava se como_se tivesse sido em a véspera do_que a vozinha lhe dissera a o ouvido quando pôs o chapéu em a cabeça , um ano antes . * _ Podias vir a ser grande , sabes ? Está tudo aqui em a tua cabeça e Slytherin ajudaria te em o caminho para a grandeza , sem a menor dúvida * ... Mas Harry , que já ouvira falar de a fama de o grupo de os Slytherin de formar magos negros , pensou desesperadamente . - Em os Slytherin , não ! - E o chapéu tinha dito . - Bem , se tens assim tanta certeza ... será melhor os Gryfffndor . Enquanto eram empurrados por a multidão , Colin_Creevey passou por eles . - Olá , Harry ! - Olá , Colin - disse Harry automaticamente . - Harry , Harry , um rapaz de a minha turma tem andado a dizer que tu és ... Mas Colin era tão baixinho que não conseguiu lutar contra a maré de gente que o arrastou até a o vestíbulo . Ouviram o despedir se : - Adeus , Harry - e desaparecer . - O que é_que o rapaz de a turma de ele disse de ti ? - quis saber Hermione . - Que eu sou o herdeiro de Slytherin , imagino - disse Harry , com o estômago ainda a as voltas e lembrou se de repente de o Justin_Finch - _ Fletchley a fugir para não lhe falar , a a hora de o almoço . - As pessoas aqui acreditam em tudo - disse o Ron com repugnância . A multidão diminuiu e conseguiram subir as escadas sem dificuldade . - Achas mesmo_que existe uma Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Ron_a_Hermione . - Não sei - respondeu ela , franzindo a testa . - Dumbledore não conseguiu curar Mrs._Norris e isso leva me a pensar que o que a atacou pode não ser ... humano . Enquanto falava , voltaram uma esquina e encontraram se em o fim de aquele mesmo corredor onde o ataque tinha ocorrido . Pararam para olhar . Estava tudo igual a aquela outra noite , com excepção de a gata Mrs._Norris e havia uma cadeira vazia encostada a a parede , onde podia ler se a mensagem « : __ a câmara foi __ aberta » . - Foi aqui que o Filch montou a guarda - murmurou Ron . Olharam uns para os outros . O corredor estava deserto . - Não deve fazer mal dar uma olhadela aqui - disse Harry , deixando cair a mala e pondo se de quatro para poder gatinhar em busca de pistas . - Marcas de queimadura - disse - aqui e aqui ... - Venham ver isto ! - chamou Hermione . - Que estranho ... Harry levantou se e foi até a a janela que ficava junto de a mensagem . Hermione apontava para o vidro mais alto , onde cerca de uma vintena de aranhas se debatiam em uma aparente luta por atravessar por uma pequena brecha de vidro . Um longo fio prateado balouçava como uma corda , como_se todas tivessem trepado , em a ânsia de chegar lá fora . - Alguma vez viram aranhas agir assim ? - perguntou Hermione , curiosa . - Não - respondeu Harry . - E tu , Ron ? Ron ? Olhou por cima de o ombro . Ron estava de costas , bem lá atrás e parecia lutar contra o impulso de se virar . - O que é_que se passa ? - perguntou Harry . - Eu não gosto de aranhas - disse Ron , de modo tenso . - Nunca me tinhas dito - comentou Hermione , olhando para ele com surpresa . - Estás farto de usar aranhas em as poções ... - Não me importo quando estão mortas - explicou Ron que olhava cautelosamente para todos os lados , menos para a janela . - Não gosto de a maneira como_se mexem . Hermione riu se baixinho . - Não tem graça nenhuma - disse o Ron , furioso . - Se queres saber , quando eu tinha três anos , o Fred transformou o meu ursinho de pelúcia em uma enorme aranha nojenta , por eu lhe ter partido a vassoura de brinquedo . Tu também não gostarias de aranhas se estivesses agarrada a o teu ursinho e , de repente , ele tivesse uma data de pernas e ... Começou a tremer ... Hermione ainda estava a tentar conter o riso . Sentindo que era melhor mudarem de assunto , Harry perguntou : - Lembram se de a água que havia aqui em o chão ? De onde terá vindo ? Alguém a limpou . - Era por aqui - disse o Ron , já recuperado , avançando alguns passos em direcção a a cadeira de o Filch e apontando . - Junto de esta porta . Estendeu a mão para o puxador de a porta , mas retirou a de imediato , como_se se tivesse queimado . - O que foi ? - perguntou Harry . - Não posso entrar aí - disse o Ron bruscamente . - É a casa_de_banho de as raparigas . - Oh , Ron , não está aí ninguém - sossegou o Hermione enquanto se aproximava . - É o lugar de a Murta_Queixosa . Anda , vamos dar uma espreitadela . E ignorando o grande letreiro que dizia « Fora de serviço » Hermione abriu a porta . Era a casa_de_banho mais sombria e deprimente em que Harry tinha posto os pés durante toda_a sua vida . Debaixo_de um grande espelho partido e sujo podia ver se uma fila de lavatórios de pedra , rachados . O chão estava húmido e reflectia a luz fraca de os pavios de algumas velas que ardiam baixinho em os suportes . As portas de madeira de os cubículos estavam todas lascadas e riscadas e uma de elas balouçava fora de as dobradiças . Hermione levou os dedos a os lábios e foi até a o último cubículo . Quando lá chegou disse : - Olá , Murta , como estás ? Harry e Ron foram ver . A Murta_Queixosa flutuava em a cisterna de a casa_de_banho , tirando um ponto negro de o queixo . - Esta é a casa_de_banho de as raparigas - disse a o ver o Ron e o Harry . - Eles não são raparigas . - Não - concordou Hermione . - Eu só queria mostrar lhes como esta casa_de_banho é ... er ... simpática . Ela fez um aceno vago a o velho espelho sujo e a o chão húmido . - Pergunta lhe se viu alguma coisa - sussurrou o Ron a a Hermione . - Porque estão a dizer segredinhos ? - perguntou a Murta , fitando o . - Não é nada - disse Harry rapidamente . - Queríamos perguntar ... - Gostava que as pessoas parassem de falar em as minhas costas ! - desabafou a Murta em uma voz abafada por as lágrimas . - Eu tenho sentimentos , sabem , apesar_de estar morta . - Murta , ninguém quis aborrecer te - explicou Hermione . - O Harry só ... - A minha vida foi uma infelicidade em este lugar e agora as pessoas vêm estragar a minha morte . - Nós queríamos perguntar te se tinhas visto alguma coisa estranha ultimamente - disse Hermione sem perder tempo . - Porque foi atacada uma gata mesmo aqui a a frente de a tua porta em a noite de o * _ Hallowe'en * . - Viste alguém aqui perto em essa noite ? - insistiu Harry . - Não estava a prestar atenção - disse a Murta com ar dramático . - O Peeves aborreceu me tanto que vim aqui para tentar matar me . Só então me lembrei de que estou ... de que estou ... - Já morta - ajudou o Ron . A Murta soluçou tragicamente , elevou se em o ar , voltou se e mergulhou de cabeça em a sanita , espalhando água por_cima_de todos eles e desaparecendo . Por o som de os seus soluços abafados fora certamente descansar algures em o cano em forma de V._Harry e Ron ficaram de boca aberta , mas Hermione encolheu os ombros de cansaço e disse : - Se querem saber , para a Murta isto até foi alegre ... vá , vamos embora . Harry tinha acabado de fechar a porta deixando atrás os soluços gorgolejantes de a Murta quando uma voz forte o fez dar um salto . - RON ! Percy_Weasley estava parado em o cimo de as escadas com o seu distintivo de prefeito a brilhar e uma expressão chocadíssima em o rosto . - Isso é a casa_de_banho de as raparigas ... o que é_que vocês ... ? - Estávamos só a dar uma vista de olhos - exclamou o Ron - a a procura de pistas ... Percy engoliu em seco , de uma maneira que fez Harry lembrar se de Mrs._Weasley . - Saiam imediatamente de aqui - disse , aproximando se de eles a passos largos e gesticulando agitadamente . - Não se preocupam com as aparências ? Voltar aqui enquanto toda_a_gente está a jantar ... - Porque não havíamos de estar aqui ? - perguntou cheio de vivacidade o Ron , parando de repente e olhando Percy em os olhos . - Ouve lá , nós não tocamos em aquela gata . - Isso foi o que eu tentei explicar a a Ginny - respondeu Percy furioso - mas ela parece continuar a pensar que vocês vão ser expulsos . Nunca a vi tão aflita . Não pára de chorar . Devias pensar em ela . Todos os alunos de o primeiro ano andam superexcitados com esta história . - Tu não estás nada preocupado com a Ginny - disse o Ron já com as orelhas vermelhas . - O que te assusta é_que eu possa estragar as tuas possibilidades de ser chefe de turma . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor ! - bradou Percy , apontando elegantemente para o distintivo de prefeito . - E espero que te sirva de lição . Acabou se o trabalho de detective ou escrevo a a mãe a contar lhe . E voltou lhes as costas , a nuca tão vermelha como as orelhas de o Ron . Harry , Ron e Hermione , em essa noite , sentaram se em a sala comum o mais longe possível de Percy . Ron estava ainda muito maldisposto e não parava de esborratar o trabalho de casa de os encantamentos . Quando pegou distraidamente em a varinha para tirar as manchas incendiou o pergaminho . A deitar quase tanto fumo como o seu trabalho de casa , fechou bruscamente o * _ Livro_Padrão_de_Encantamentos de o 2.o Grau * . Para grande surpresa de Harry , Hermione fez o mesmo . - Mas quem poderia ser - perguntou ela baixinho como_se continuasse uma conversa que tinham acabado de ter . - Quem quereria todos os * busca-pés * e filhos de Muggles fora de Hogwarts ? - Vamos pensar - disse o Ron em a brincadeira , fingindo estar confuso . - Quem poderemos nós conhecer que ache que os familiares de Muggles são escumalha ? Olhou para Hermione . Ela olhou para ele pouco convencida . - Se estás a pensar em o Malfoy ... - Claro que estou - disse o Ron . - Tu ouviste o dizer : - Vocês serão os próximos , sangues de lama ! - Aliás , basta olhar para aquela cara de renegado para saber que ele é ... - Malfoy , o herdeiro de Slytherin ? - repetiu Hermione cepticamente . - Olha para a família de ele - disse Harry , fechando também os livros . - Todos eles estiveram em os Slytherin . O Draco está sempre a vangloriar se de isso . Podiam bem ser descendentes de Slytherin . O pai de ele é suficientemente mau . - Podiam perfeitamente ter tido a chave de a Câmara_dos_Segredos durante séculos - disse Ron - , fazendo a passar de pai para filho . - Bem - acedeu Hermione cautelosamente . - Seria possível ... - Mas como prová o ? - perguntou Harry tristemente . - Talvez haja um meio - sugeriu Hermione lentamente , baixando ainda mais a voz e lançando um olhar , através de a sala , a Percy . - É claro que não é fácil . E é perigoso , muito perigoso . Suponho que iríamos infringir cerca de cinquenta regras de a escola . - Se de aqui a um mês ou dois te decidires a explicar , avisa , está bem ? - disse Ron , que começava a ficar irritado . - Está bem - concordou Hermione friamente . - O que precisaríamos de fazer para entrar em a sala comum de os Slytherin e fazer algumas perguntas a o Malfoy , sem ele perceber que éramos nós ? - Mas isso é impossível - declarou Harry , enquanto Ron se ria . - Não , não é - continuou Hermione . - Só precisamos de um_pouco de poção * polisuco * . - O que é isso ? - perguntaram ao_mesmo_tempo Ron e Harry . - O Snape falou de ela em uma aula , há poucas semanas atrás . - Achas que não temos mais o que fazer do_que ouvir o Snape ? - murmurou o Ron . - Transforma nos em outra pessoa . Pensem em isso : podíamos transformar nos em três de os Slytherin . Ninguém saberia que éramos nós . É provável que o Malfoy nos contasse alguma coisa . Aposto que ele está a gabar se , em este momento , em a sala de os Slytherin , se ao_menos pudéssemos ouvi o . - Essa coisa de o * polisuco * cheira me um bocado mal - disse o Ron , franzindo as sobrancelhas . - E se ficarmos com a forma de os três Slytherin para sempre ? - Desaparece a o fim de algum tempo - disse Hermione , gesticulando impacientemente com a mão - mas conseguir a receita é muito difícil . O Snape disse que vinha em um livro chamado * _ As_Mais_Potentes_Poções * e está com certeza em a parte de os reservados de a biblioteca . Só havia uma maneira de obter o livro de os reservados : era com uma autorização assinada por um professor . - Não estou a ver porque quereríamos o livro - disse o Ron . - Se não para tentar fabricar uma de as poções . - Eu acho - sugeriu Hermione - que se fizéssemos parecer que o nosso interesse era apenas teórico , talvez conseguíssemos ... - Estás a sonhar , nenhum professor ia cair em essa - afirmou o Ron . - Só se fosse muito burro . X_A * bludger * perigosa Depois de o desastroso incidente de os duendes , o professor Lockhart não voltou a levar seres vivos para as aulas . Em vez de isso , lia a os alunos passagens de os seus livros e , por vezes , voltava a desempenhar alguns de os episódios mais dramáticos . Costumava chamar Harry para o ajudar em essas reconstruções . Até ali Harry fora obrigado a desempenhar o papel de um camponês de a Transilvânia que Lockhart curara de uma maldição murmurada , o abominável homem de as neves com dores de cabeça e um vampiro que depois de ter conhecido Lockhart tinha ficado incapaz de comer outra coisa que não fosse alfaces . Harry foi chamado para a frente de a classe durante a aula de Defesa contra as artes negras que se seguiu . Desta_vez para desempenhar o papel de um lobisomem . Se não tivesse um bom motivo para querer ver o Lockhart bem-disposto , teria se recusado . - Um uivo bem alto , excelente , Harry , isso mesmo . E foi então que , acreditem ou não , eu o ataquei de repente , assim . Atirei o a o chão , agarrei o com uma mão e com a outra consegui meter lhe a varinha em a garganta . Então , com a força que me restava pus em prática o complicadíssimo encantamento * _ Homorphus * . Harry soltou um uivo tristíssimo . - Vá lá , Harry , mais alto . Bom ... o pêlo desapareceu , os dentes diminuíram de tamanho e ele transformou se em um homem . Simples , mas eficaz e mais uma cidade ficará a lembrar se de mim para sempre como o herói que os libertou de os ataques mensais de o lobisomem . A campainha tocou e Lockhart pôs se de pé . - Trabalho para_casa : escrever um poema sobre a minha vitória sobre o lobisomem Wagga_Wagga . Há um exemplar autografado de * _ Eu , o Mágico * para o autor de o melhor poema . Os alunos começaram a sair . Harry voltou para trás e foi juntar se a o Ron e a a Hermione que estavam a a espera de ele . - Prontos ? - perguntou . - Espera até saírem todos - disse Hermione bastante nervosa . - Pronto ... Aproximou se de a secretária de Lockhart , apertando em a mão uma folha de papel , com o Ron e o Harry atrás . - Er ... professor Lockhart - gaguejou Hermione . - Eu queria requisitar este livro em a biblioteca , como leitura de apoio - entregou lhe o papel , com a mão ligeiramente trémula . - Só que faz parte de a secção de os reservados , por isso preciso de a assinatura de um professor . Acho que o livro me vai ajudar a compreender o que o senhor diz em * _ Passeios com Vampiros * acerca de os venenos de acção lenta ... - Ah , * _ Passeando com Vampiros * - disse Lockhart , pegando em a folha de papel de Hermione e sorrindo lhe abertamente . - E provavelmente o meu livro preferido . Gostou ? - Oh , muito - disse Hermione avidamente . - Tão inteligente o modo como apanhou o último com o passador de o chá . - Bem , tenho a certeza que ninguém se importará que eu dê uma ajudazinha suplementar a a melhor aluna de o segundo ano - disse Lockhart calorosamente , sacando de uma enorme pena de pavão . - É bonita , não é ? - comentou , adivinhando uma expressão de repulsa em a cara de o Ron . - Costumo guardas a para as minhas assinaturas de autógrafos . Rabiscou uma enorme assinatura cheia de altos e baixos e entregou a a Hermione . - Então , Harry - disse Lockhart enquanto Hermione dobrava a folha e a guardava em o saco . - Amanhã é a primeira partida de Quidditch de este ano , não é ? Gryffindor contra Slytherin . Ouvi dizer que és um jogador indispensável . Eu também fui * seeker * . Convidaram me inclusivamente para fazer parte de a Equipa_Nacional , mas eu preferi dedicar a minha vida a a erradicação de as forças de o mal . Mesmo_assim , se alguma vez precisares de um treino particular , não hesites em falar comigo , estou sempre disponível para partilhar a minha perícia com os jogadores menos dotados do_que eu . Harry fez um som indistinto com a garganta e saiu atrás_de Ron e Hermione . - Não acredito - disse quando os três examinavam a assinatura de Lockhart . - Ele nem viu que livro nós queríamos . - É porque é um idiota sem miolos - explicou o Ron . - Mas , quem se rala , temos o que queríamos . - Ele não é um idiota sem miolos - gritou Hermione com voz esganiçada enquanto se aproximavam quase a correr de a biblioteca . - Só porque ele disse que eras a melhor aluna de o segundo ano ... Baixaram as vozes a o entrar em a quietude abafada de a biblioteca . Madam_Prince , a bibliotecária , era uma mulher magra e irritável que parecia um abutre mal nutrido . - * _ Moste_Potente_Potions * ? - repetiu intrigada , tentando ficar com a folha de papel que Hermione se recusava a entregar lhe . - Gostava de a guardar para mim - disse sem fôlego . - Vá lá - intercedeu Ron , arrancando lhe a de as mãos e entregando a a Madam_Prince . - Nós arranjamos te outro autógrafo . O Lockhart assina tudo se aqui ficar muito_tempo . Madam_Prince pegou em o papel e voltou o em a direcção de a luz , decidida a descobrir uma falsificação , mas a assinatura passou em o teste . Desapareceu entre as estantes e voltou alguns minutos mais tarde , transportando um livro grande e de aspecto antiquado . Hermione meteu o com todo o cuidado em o saco e saíram , tentando não andar depressa de mais nem aparentar um ar culpado . Cinco minutos depois , estavam de_novo barricados em a casa_de_banho fora de serviço de a Murta_Queixosa . Hermione destruíra as objecções de Ron argumentando que aquele era o último lugar onde alguém em o seu juízo perfeito se lembraria de ir e que poderia assegurar lhes alguma privacidade . A Murta_Queixosa chorava ruidosamente em o seu cubículo , mas eles conseguiram ignorá a assim_como ela a eles . Hermione abriu * _ Moste_Potente_Potions * com todo o cuidado e inclinaram se os três sobre as páginas manchadas de humidade . Era fácil de perceber , logo à_primeira_vista de olhos , porque pertencia a a secção de os reservados . Algumas de as poções tinham efeitos quase impensáveis de tão macabros e havia ilustrações bastante desagradáveis , como , por_exemplo , aquela em que um homem parecia ter sido virado de o avesso e a de a bruxa com vários pares de braços suplementares a nascerem lhe em a cabeça . - Aqui está - disse Hermione excitadíssima a o encontrar a página intitulada « A poção * polisuco * « . Estava ilustrada com imagens de pessoas a meio de o processo de se transformarem em outras pessoas e Harry desejou ardentemente que a expressão de dor intensa que se lhes espelhava em o rosto fosse apenas produto de a imaginação de o artista desenhador . - Esta é a poção mais complicada que vi até hoje - disse Hermione enquanto examinava a receita . - Moscas asas de renda , sanguessugas , fluxo de cizânias e verdezelha - murmurou , acompanhando com o dedo a lista de ingredientes . - Bem , esses são relativamente simples , há os em a despensa de material de os estudantes , podemos tirar a a nossa vontade . Oh ! Vê só , pó de chifre de bicórneo ... não sei onde vamos arranjar isto ... e , é claro , um pedacinho de a pessoa em quem queremos transformar nos . - Como ? - perguntou Ron de forma cortante . - O que é_que queres dizer com um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos ? Eu não bebo nada que tenha lá dentro as unhas de os pés de o Crabbe ... Hermione continuou como_se não o tivesse ouvido . - Mas não temos que nos preocupar com isso por enquanto . Fica para o fim . Ron voltou se sem palavras para o Harry que tinha uma preocupação de outro tipo . - Já viste bem tudo_o_que vamos ter que roubar , Hermione ? Algumas coisas , não estão de certeza em a despensa de material de os alunos . O que é_que vamos fazer , arrombar os armários pessoais de o Snape ? Não sei se será uma boa ideia ... Hermione fechou o livro com um estrondo . - Bem , se vocês os dois se vão acagaçar , então está lindo - disse ela . Tinha as bochechas rosadas e os olhos mais brilhantes do_que era habitual . - Eu não gosto de quebrar regras , vocês sabem , mas acho que ameaçar os filhos de os Muggles é muito pior do_que construir uma poção difícil . Mas se vocês não querem descobrir se é o Malfoy , eu posso voltar já a a biblioteca e entregar o livro a Madam_Prince ... - Nunca pensei que chegaria o dia em que serias tu a convencer nos a quebrar regras - disse o Ron . - Está bem , vamos em essa , mas sem unhas de os pés , O. _ K. ? - Quanto tempo vai isso demorar a fazer , afinal ? - perguntou Harry quando Hermione , já com um ar mais satisfeito , voltou a abrir o livro . - Bem , como o fluxo de cizânias tem de ser recolhido durante a lua cheia e as asas de renda têm de ser abafadas durante vinte_e_um dias ... eu diria que se conseguirmos arranjar todos os ingredientes estará pronta dentro_de um mês . - Um mês ? - exclamou o Ron . - Nessa_altura já o Malfoy terá atacado metade de os filhos de Muggles ! - mas os olhos de Hermione contraíram se de_novo assustadoramente e ele acrescentou rapidamente . - Mas é o melhor plano que temos , por isso é melhor não olharmos para trás . Apesar_de tudo , enquanto Hermione verificava que não havia ninguém em os corredores e podiam sair de a casa_de_banho , Ron murmurou a Harry : - Seria muito mais simples se conseguisses , amanhã , atirar o Malfoy de a vassoura abaixo . Harry acordou cedo em o sábado de manhã e ficou um bocado a pensar em a partida de Quidditch que vinha a seguir . Estava nervoso , principalmente pelo que Wood diria se os Gryffindor perdessem , mas também com a ideia de enfrentar uma equipa apetrechada com as vassouras mais velozes que existiam . Nunca desejara tanto vencer os Slytherin como em aquele dia . Depois de meia_hora deitado com a barriga a dar horas , resolveu levantar se , vestir se e descer para tomar o pequeno-almoço . Lá em baixo , encontrou o resto de a equipa de os Gryffindor amontoada a o longo de a mesa comprida e vazia , todos eles com ar preocupado e sem vontade de conversar . Como_se aproximavam as onze horas , todos os alunos de a escola começaram a dirigir se para o estádio de Quidditch . O dia estava quente e húmido , com uma ameaça de trovoada em o ar . Ron e Hermione vieram apressadamente desejar a Harry boa sorte mal ele entrou em os vestiários . A equipa de os Gryffindor pôs os seus mantos vermelhos e sentou se para ouvir o discurso que Wood lhes fazia sempre antes de o jogo . - Os Slytherin têm vassouras melhores do_que nós - começou . - Não há como negá o . Mas nós temos gente melhor em cima de as vassouras . Treinámos mais do_que eles , voamos com todas_as condições climatéricas ( É bem verdade - murmurou George_Weasley - desde Agosto que não sei o que é estar seco ) . - E vamos fazê os engolir o dia em que deixaram aquele nojento de o Malfoy comprar a entrada em a equipa de eles . Com o peito agitado por a comoção , Wood voltou se par Harry . -- Cabe te a ti , Harry , mostrar lhes que um * seeker * tem de ter mais do_que um pai rico . Agarra a * snitch * antes d Malfoy ou morre a tentar porque temos absolutamente que vencer , hoje , Harry , temos que vencer . - Sem ansiedade , Harry - disse o Fred , piscando lhe o olho . Quando saíram em direcção a o campo , foram saudado por uma grande ovação principalmente de a parte de os Ravenclaw e de os Hufflepuff que estavam ansiosos por ver os Slytherin serem derrotados , mas os Slytherin que estavam entre a multidão também fizeram ouvir as suas vaias e pateadas . Madam_Hooch , a professora de Quidditch , pediu a Flin e Wood que apertassem as mãos o que eles fizeram , lançando um_ao_outro olhares ameaçadores , cada_um apertando a mão de o outro com mais força do_que aquela que seria necessário . - Atenção a o apito - disse Madam_Hooch . - Três , dois , um ... Com um bramido de a multidão para que subissem rapidamente , os catorze jogadores elevaram se em o céu cor de chumbo . Harry , mais alto do_que qualquer de os outros olhando para todos os lados em busca de a * snitch * . - Tudo bem , testa de cicatriz ? - gritou Malfoy , disparando por baixo de ele para lhe mostrar a velocidade de a sua vassoura . Harry não teve tempo de responder . Em esse preciso momento uma * bludger * preta e bem pesada veio direitinha a ele . Evitou a tão por um triz que ainda sentiu em os cabelos o ar que ela deslocara . - Foi por_pouco , Harry ! - exclamou o George , passando com grande rapidez , de bastão em a mão , pronto para lançar a * bludger * contra um Slytherin . Harry viu o dar a a * bludger * uma fortíssima pancada em direcção a Adrian_Pucey , mas a bola mudou de rumo em o meio de o ar e dirigiu se de_novo a Harry . Harry desceu rapidamente para se esquivar e George conseguiu lançá a contra Malfoy . Mais_uma_vez a * bludger * actuou como um * boomerang * e apontou a a cabeça de Harry . Harry ganhou velocidade e disparou contra o outro extremo de o campo . Ouvia o assobio de a * bludger * que o perseguia . O que era aquilo ? As * bludgers * nunca se concentravam assim em um único jogador , a sua função era tentar desmontar o maior número possível de intervenientes . Fred_Weasley esperava por a * bludger * em o extremo oposto . Harry baixou se quando o viu balançar se em frente de ela com toda_a garra . A * bludger * foi lançada para_fora_de campo . - Pronto , já está tudo resolvido - gritou Fred satisfeito , mas estava bastante enganado . Como_se fosse magneticamente atraída para Harry , a * bludger * lançou se de_novo contra ele e Harry teve de voar a_toda_a velocidade . Começara a chover . Harry sentia as gotas pesadas caírem lhe em o rosto , turvando lhe as lentes de os óculos . Não fazia ideia do_que se passava em o resto de o jogo , até ouvir Lee_Jordan que fazia o comentário dizer : - Os Slytherin vão a a frente com seis contra zero . As vassouras de qualidade superior de os Slytherin estavam obviamente a cumprir a sua função e enquanto isso , a * bludger * maluca fazia todos os possíveis para deitar abaixo o Harry . Fred e George voavam agora tão perto de ele , um de cada lado , que Harry não via senão os seus braços a balouçar e , se não conseguia ver a * snitch * , muito menos agarrá a . - Alguém enfeitiçou esta * bludger * - resmungou Fred , preparando o bastão com toda_a força quando ela se lançava de_novo contra Harry . - Precisamos de tempo - disse George , tentando fazer sinal a Wood enquanto evitava que a bola partisse o nariz a o Harry . Wood captou obviamente a mensagem . O apito de Madam_Hooch fez se ouvir e Harry , Fred e George desceram , tentando ainda evitar a * bludger * maluca . - O que é_que se passa ? - perguntou Wood enquanto a equipa de os Gryffindor se amontoava desordenadamente e os Slytherin , em o meio de a multidão , lançavam piadas . - Estamos a ser esmagados . Fred , George , onde estavam vocês quando aquela * bludger * impediu a Angelina de marcar ? - Estávamos seis metros acima , evitando que a outra * bludger * matasse o Harry , Oliver - gritou George furioso . - Alguém preparou isto , a bola não deixa o Harry em paz , ainda não perseguiu mais ninguém desde_que o jogo começou . Os Slytherin fizeram aqui qualquer coisa . - Mas as * bludgers * têm estado fechadas em o escritório de Madam_Hooch desde o último treino , e nessa_altura estava tudo bem ... - disse Wood ansiosamente . Madam_Hooch aproximava se . Por cima de o ombro de ela , Harry pôde ver a equipa de os Slytherin a escarnecer e apontar em a sua direcção . - Ouçam - disse o Harry , enquanto ela se aproximava . - Com vocês os dois a voarem sempre colados a mim , só vou apanhar a * snitch * se ela voar até a a minha manga . Voltem se para o resto de a equipa e deixem a tratante comigo . - Não sejas bronco - disse o Fred . - Ela arranca te a cabeça . Os olhos de Wood saltavam de Harry_para_os_Weasley . - Oliver , isto_é uma loucura - disse Alicia_Spinet , zangada . - Não podes deixar o Harry sozinho entregue a aquela coisa . Vamos pedir uma investigação . - Se pararmos agora , teremos de dar a partida como perdida e não vamos deixar os Slytherin ganhar , só por_causa_de uma * bludger * maluca . Vá lá , Oliver , diz lhes que me deixem sozinho . - A culpa é toda tua . * _ Agarra a snitch ou morre a tentar * , se isso é lá coisa que se diga . Madam_Hooch tinha se lhes juntado . - Prontos para retomar a partida ? - perguntou a Wood . Wood olhou para o ar determinado de Harry . - Deixem o sozinho , ele é capaz de lidar com a * bludger * . A chuva era agora mais pesada . A o apito de Madam_Hooch , Harry elevou se em os ares e ouviu o barulhinho de a * bludger * atrás_de si . Subiu cada_vez_mais alto . Fez acrobacias em espiral , descidas rápidas , ziguezagueou e rolou . Apesar_de ligeiramente estonteado , não deixou nunca de ter os olhos bem abertos . A chuva salpicava lhe os óculos e entrava lhe por as narinas , quando ele se voltou de cabeça para baixo , evitando outra forte investida de a * bludger * . Ouviu os risos de a multidão . Sabia que devia parecer ridículo , mas a * bludger * maluca era pesada e não podia mudar de direcção tão rapidamente quanto ele . Iniciou uma corrida que parecia de feira de diversões em volta de os extremos de o estádio , olhando de soslaio , através de os lençóis prateados de chuva , para os postes de os Gryffindor , onde Adrian_Pucey tentava passar por Wood . Um assobio junto de os ouvidos disse a Harry que a * bludger * falhara uma_vez_mais . Voltou se e voou rapidamente em a direcção oposta . - Estás a ensaiar * ballet * , Potter - gritou Malfoy quando Harry foi obrigado a fazer uma reviravolta estúpida em o ar para se esquivar mais_uma_vez de a * bludger * . Lá foi ele , com a * bludger * atrás a alguns metros de distância . E foi então que , olhando para Malfoy , furioso , a viu , a * snitch * de ouro . Flutuava alguns centímetros acima de os ouvidos de Malfoy que , de tão preocupado a escarnecer de Harry , nem dera por ela . Durante um momento angustiante , Harry ficou quieto em o ar , não ousando dirigir se a Malfoy , não fosse ele olhar para_cima e ver a * snitch * . PUM ! Tinha ficado parado tempo de mais . A * bludger * batera lhe , por fim , apanhando lhe o cotovelo e Harry sentiu o braço a partir se . Debilmente , desorientado por a dor cauterizante em o braço , Harry deslizou para um de os lados em a sua vassoura encharcada , um joelho ainda dobrado , o braço direito a balouçar , inútil , a o seu lado . A * bludger * veio de_novo , preparada para mais um ataque , desta_vez apontada a o seu rosto . Harry desviou se com uma intenção : chegar a Malfoy . Através_de uma nuvem de chuva e dor desceu até a o rosto tremeluzente e trocista e viu os olhos de ele dilatarem se de medo : Malfoy pensou que Harry ia atacá o . - Que diabo ... - resmungou , afastando se de o caminho . Harry tirou a outra mão de a vassoura e fez uma tentativa para agarrar qualquer coisa . Sentiu os dedos fecharem se em volta de a * snitch * dourada , mas conduzia agora a vassoura apenas com as pernas e ouviu se um grito de a multidão cá em baixo , quando ele fez a descida , tentando não desmaiar . Com um ruído seco caiu em a terra enlameada e rolou para fora de a vassoura . O braço tinha um ângulo um_pouco estranho . Torcendo se com dores , ouviu a a distância os assobios e os gritos . Concentrou se em a * snitch * que tinha fechada em a outra mão . - Ai - disse vagamente . - Ganhámos o jogo . E desmaiou . Voltou a si com a chuva a cair lhe em o rosto , ainda deitado em o campo , com alguém inclinado sobre ele . Viu um brilho de dentes brancos . - Oh , não , você não - gemeu . - Não sabe o que diz - afirmou Lockhart bem alto a a ansiosa multidão de Gryffindor que o comprimiam . - Não te preocupes , Harry , eu vou tratar de o teu braço . - Não - gritou Harry . - Eu fico com ele assim , obrigado . Tentou sentar se , mas a dor era enorme . Ouviu um « clique » familiar . - Não quero fotografias de isto , Colin - disse em voz alta . - Deita te para trás , Harry - insistiu Lockhart com toda_a calma . - É um encantamento muito simples que eu fiz imensas vezes . - Porque não me levam só para a ala hospitalar ? - perguntou Harry entredentes . - Seria o melhor , professor - disse a voz rouca de o Wood que não conseguia deixar de sorrir , apesar_de o seu * seeker * estar ferido . - Grande captura , Harry , verdadeiramente espectacular , a tua melhor jogada , em a minha opinião . Em o meio de a floresta de pernas que o rodeava , Harry avistou Fred e George_Weasley , metendo a * budger * perigosa em uma caixa . Continuava a dar uma luta enorme . - Para trás - ordenou Lockhart , que tinha arregaçado as mangas verde jade . - Não , eu não ... - protestou debilmente Harry , mas Lockhart tinha a varinha em a mão e , um segundo depois , apontava a para o braço de Harry . Uma sensação estranha e desagradável começou em o ombro e espalhou se , chegando a as pontas de os dedos . Parecia que o braço inteiro tinha sido esvaziado . Não foi capaz de olhar para o que estava a suceder . Tinha fechado os olhos , voltado o rosto para o outro lado , mas os seus maiores receios concretizaram se quando as pessoas lá em cima se sobressaltaram e Colin_Creevey começou a tirar fotografias como um louco . O braço deixara de lhe doer , mas parecia tudo menos um braço . - Ah ! - disse Lockhart . - Sim , bem isto às_vezes acontece . Mas o importante é_que os ossos já não estão partidos . Isso é o mais importante . Portanto , Harry , vai até a a ala hospitalar ... ah ! Mr._Weasley , Miss_Granger , poderiam levá o lá ? E Madam_Pomfrey poderá ... er ... arranjar um_pouco isso . Quando Harry se pôs de pé sentiu se estranhamente desequilibrado . Depois de respirar fundo , olhou para o lado direito e o que viu quase o fez desmaiar de_novo . Pendurado em a extremidade de a sua túnica estava o que parecia ser uma espessa e colorida luva de borracha . Tentou mexer os dedos mas ... em vão . Lockhart não consertara os ossos de Harry . Retirara os . M. dam Pomfrey não ficou nada satisfeita . - Devias ter vindo logo ter comigo - ralhou , segurando os restos tristes e moles de aquilo que antes fora um braço activo . - Eu conserto ossos em um segundo , mas fazê os crescer de_novo ... - Vai conseguir , não vai ? - perguntou Harry desesperado . - Sim , com certeza , mas vai ser doloroso - disse Madam_Pomfrey de modo severo , entregando lhe um pijama . - Vais ter que ficar cá esta noite ... Hermione esperou de o lado de_fora de a cortina que rodeava outra cama enquanto Ron ajudava Harry a vestir se . Levou algum tempo a enfiar o braço que parecia borracha dentro_de uma manga de o pijama . - Como é_que podes continuar a defender o Lockhart depois disto , Hermione ? - perguntou Ron através de as cortinas , enquanto puxava os dedos moles de o Harry por uma manga . - Se o Harry quisesse ser desossado , teria pedido . - Todos podem enganar se - disse Hermione . - E deixou de doer , não deixou , Harry ? - Sim - disse ele - mas também ficou incapaz de fazer seja o que for . Quando se meteu em a cama , o braço agitou se despropositadamente . Hermione e Madam_Pomfrey entraram . Madam_Pomfrey segurava uma grande garrafa com o rótulo * Skele - _ Gro * . - Vais ter uma noite difícil - preveniu , enchendo um pequeno copo fumegante e dando lhe a beber . - Fazer crescer ossos é uma coisa difícil . Tomar o * _ Skele - _ Gro * também . Queimou a boca e a garganta de o Harry a o descer , fazendo o tossir e cuspir . Resmungando sobre os desportos perigosos e os professores incapazes , Madam_Pomfrey retirou se , deixando Ron e Hermione a ajudar Harry a engolir um_pouco de água . - Mas ganhámos o jogo - disse o Ron com um sorriso em o rosto . - A tua jogada foi em grande . A cara de o Malfoy ... parecia que queria matar alguém . - Eu vou descobrir como é_que enfeitiçaram aquela * bludger * - disse Hermione com ar sombrio . - Podemos juntar essa pergunta a a lista de todas_as que queremos fazer a o Malfoy quando tomarmos a poção * _ Polisuco * - disse Harry , afundando se de_novo em as almofadas . - Espero que tenha um sabor melhor do_que esta coisa ... - Com um bocado de os Slytherin lá dentro , deves estar a brincar - disse o Ron . A porta de a ala hospitalar abriu se em esse momento e , completamente encharcados , entraram os restantes membros de a equipa de os Gryffindor , para ver o Harry . - Um voo inacreditável - disse George . - Acabei de ver Marcus_Flint a gritar com o Malfoy . Qualquer coisa sobre ter a * snitch * mesmo em cima de a cabeça e não ter dado por nada . O Malfoy não parecia nem um_pouco satisfeito . Tinham trazido bolos , rebuçados e garrafas de sumo de abóbora . Juntaram se em volta de a cama de Harry e estavam a dar início a o que prometia ser uma grande festa quando Madam_Pomfrey entrou a vociferar : - Este rapaz precisa de repouso . Tem trinta_e_três ossos a crescer . Fora de aqui . FORA ! E Harry ficou sozinho , sem nada que o distraísse de as dores agudas em o seu braço mole . Muitas horas mais tarde , Harry acordou subitamente em a escuridão total e soltou um pequeno grito de dor : sentia agora o braço cheio de estilhaços . Durante alguns segundos pensou que tinha sido a dor a acordá o . Depois , com um arrepio de horror , apercebeu se de que alguém estava a passar lhe uma esponja em a testa . - Sai de aqui - gritou , e em seguida : - Dobby ! Os olhos de o tamanho de bolas de ténis de o elfo doméstico estavam a olhá o em o escuro , uma lágrima grossa rolava por o seu enorme nariz . - Harry_Potter voltou a a escola - murmurou , infeliz . - Dobby avisou e voltou a avisar Harry_Potter . Ah ! senhor , porque não deu ouvidos a Dobby ? Porque não voltou Harry_Potter para_casa quando perdeu o comboio ? Harry ergueu se um_pouco , encostando se a as almofadas e afastou a esponja de o elfo . - O que estás a fazer aqui ? - perguntou . - E como sabes que eu perdi o comboio ? O lábio de Dobby tremeu e Harry foi assaltado por uma dúvida . - Foste tu . Tu impediste que a barreira nos deixasse passar . - Em a verdade fui eu , senhor - disse Dobby , acenando com a cabeça e com as orelhas a abanar . - Dobby escondeu se , esperou por Harry_Potter e selou a barreira . A seguir , Dobby teve de pôr as mãos em o ferro de engomar - mostrou a o Harry dez dedos longos embrulhados em ligaduras . - Mas Dobby não se importou , senhor , porque pensou que Harry_Potter estava a salvo e nunca Dobby sonhou que mesmo_assim ele viria para a escola ! Balançava se para a frente e para trás , sacudindo a cabeça feia . - Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry_Potter tinha voltado a a escola que deixou queimar o jantar de os seus donos . Dobby nunca tivera um castigo tão grande , senhor . Harry afundou se de_novo em as almofadas . - Quase conseguiste que nos expulsassem , a mim e a o Ron - disse furioso . - É melhor desapareceres de aqui antes que os meus ossos voltem a estar bem , Dobby , ou ainda te estrangulo . O elfo sorriu . - Dobby está habituado a ameaças de morte , senhor . Dobby recebe as cinco vezes por dia em a casa onde mora . Encostou o nariz a um canto de a fronha que usava , ficando tão ridículo que Harry sentiu a raiva desvanecer se , apesar_de tudo . - Porque usas essa coisa , Dobby ? - perguntou com curiosidade . - Isto , senhor ? - disse Dobby apontando para a fronha de almofada . - É uma prova de escravatura de o elfo doméstico , senhor . Dobby só pode ser libertado se os donos lhe derem roupa , senhor . A família tem o cuidado de não dar a o Dobby nem uma peúga , senhor , porque ele poderia ficar livre e deixar a casa para sempre . Dobby limpou os olhos protuberantes e disse subitamente : - Harry_Potter deve ir para_casa . Dobby achou que a sua * bludger * seria o suficiente para o fazer ... - A tua * bludger * ? - disse Harry com a raiva a crescer novamente dentro de ele . - Que queres tu dizer com a tua bludger * ? Foste tu quem fez com que aquela bola tentasse matar me ? - Matar não , senhor . Matar , nunca ! - disse o elho chocado . - Dobby quer salvar a vida de Harry_Potter . É melhor ir para_casa ferido do_que ficar aqui , senhor . Dobby só queria Harry_Potter suficientemente ferido para voltar para_casa . - Só isso ? - disse Harry furioso . - Imagino que não vais dizer me porque querias mandar me para_casa a os bocados ? - Ah ! se Harry_Potter soubesse ! - gemeu Dobby , com mais lágrimas a escorrerem lhe por a fronha esfarrapada . - Se pudesse saber o que significa para nós , para os humildes , os escravizados , nós , a escória social de o mundo mágico ! Dobby lembra se de como eram as coisas quando Aquele cujo nome não deve ser pronunciado estava em o auge de o poder , senhor ! Nós , os elfos domésticos éramos tratados como animais , senhor ! É claro que Dobby ainda é tratado assim - admitiu , secando o rosto em a fronha de almofada . - Mas , em a sua maioria , a vida melhorou bastante para os de a minha espécie desde_que Harry_Potter triunfou sobre Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Harry_Potter sobreviveu e o poder de os senhores de o Mal foi quebrado e veio uma nova alvorada , senhor , e Harry_Potter brilhou como um farol de esperança para aqueles de entre nós que já pensavam que a longa noite nunca mais teria fim , senhor ... e agora em Hogwarts vão acontecer coisas terríveis , talvez já esteiam a acontecer e Dobby não pode deixar Harry_Potter ficar aqui , agora_que a história vai repetir se , agora_que a Câmara_dos_Segredos está de_novo aberta . Dobby calou se horrorizado . Em seguida agarrou em o jarro de a água que Harry tinha a a cabeceira e bateu com ele em a própria cabeça , deixando se cair . Um segundo mais tarde voltou até junto de a cama , repetindo : - Mau , Dobby , muito mau , Dobby . - Quer_dizer , então , que existe mesmo a Câmara_dos_Segredos ? - murmurou Harry . - E dizes tu que já antes foi aberta ? Conta me , Dobby . Agarrou o pulso ossudo de o elfo quando a mão de ele se estendia para o jarro de a água . - Mas eu não sou filho de Muggles . Como posso estar em perigo por causa de a Câmara_dos_Segredos ? - Ah ! senhor , não pergunte a o pobre Dobby - lamentou se o elfo com os olhos enormes a brilharem em o escuro . - As forças de as trevas estão projectadas em este lugar , mas Harry_Potter não deve estar aqui quando as coisas acontecerem . Vá para_casa , Harry_Potter , vá para_casa . Harry_Potter não deve envolver se em isto , senhor , é demasiado perigoso ... - Quem é , Dobby ? - perguntou Harry , continuando a agarrar lhe o pulso com forca , impedindo que batesse de_novo em si próprio com o jarro . - Quem abriu a amara ? Quem a abriu de a última vez ? - Dobby não pode , senhor . Dobby não pode . Dobby não deve dizer - guinchou o elfo . - Vá se embora , Harry_Potter , vá se embora ! - Eu não vou para lugar nenhum - disse Harry , furioso . - Uma de as minhas melhores amigas é filha de Muggles , está em perigo se a câmara foi , de facto , aberta ... - Harry_Potter arrisca a própria vida por os amigos - gemeu Dobby em uma espécie de êxtase infeliz . - Tão nobre , tão corajoso , mas deve salvar se , Harry_Potter não deve ... Dobby calou se de repente com as orelhas de morcego a estremecerem . Harry também ouviu os passos que vinham lá fora , de o corredor . - Dobby tem de ir - balbuciou o elfo apavorado . Ouviu se um ruído e o pulso de Harry ficou subitamente fechado em o ar . Meteu se de_novo para baixo , em a cama , com os olhos fixos em a porta escura que dava entrada em a ala hospitalar enquanto os passos se aproximavam . Em o momento seguinte , Dumbledore estava a entrar , de costas , em o dormitório , vestindo uma longa túnica de lã e uma capa de noite . Transportava um extremo de aquilo que parecia ser uma estátua . A professora Mc_Gonagall surgiu um segundo mais tarde , pegando lhe em os pés . Os dois colocaram a em uma cama . - Chame Madam_Pomfrey - murmurou Dumbledore e a professora Mc_Gonagall passou por a cama de Harry , apressadamente , e desapareceu . Harry deixou se ficar muito quieto como_se estivesse a dormir . Ouviu vozes ansiosas e por fim a professora Mc_Gonagall apareceu de_novo , seguida de Madam_Pomfrey que vestia um casaco curto de lã sobre a camisa de dormir . Ouviu uma inspiração aguda . - O que aconteceu ? - murmurou Madam_Pomfrey_a_Dumbledore , inclinando se sobre a estátua que estava em a cama . - Outro ataque - disse Dumbledore . - A Minerva encontrou o em as escadas . Havia um cacho de uvas junto de ele . Acho que estava a tentar esgueirar se até aqui para vir visitar o Potter . O estômago de Harry deu uma reviravolta . Lenta e cuidadosamente ergueu se alguns centímetros para poder ver a estátua que estava sobre a cama . Um raio de luar iluminou lhe o rosto estático . Era_Colin_Creevey . Tinha os olhos abertos , e as mãos , em frente de a cara , seguravam a máquina fotográfica . -- Petrificado ? - murmurou Madam_Pomfrey . - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - Mas estou tentada a acreditar que ... se Albus não tivesse vindo cá abaixo tomar um chocolate quente ... quem sabe o que teria ... Os três olharam para Colin . Dumbledore inclinou se e retirou lhe a máquina de as mãos rígidas . - Será que ele conseguiu tirar a fotografia de o agressor ? - perguntou ansiosa a professora Mc_Gonagall . Dumbledore não respondeu . Abriu a parte detrás de a máquina . - Cruzes canhoto - disse Madam_Pomfrey . Um jacto de vapor tinha feito fervilhar a máquina . Harry , a três metros de distância , sentiu o cheiro tóxico de o plástico queimado . - Derretido - disse Madam_Pomfrey com grande espanto . - Tudo derretido . - O que significa isto , Albus ? - perguntou cada_vez_mais nervosa a professora Mc_Gonagall . - Significa - disse Dumbledore - que a Câmara_dos_Segredos está mesmo aberta outra_vez . Madam_Pomfrey levou uma mão a a boca . A professora Mc_Gonagall olhou assustada para Dumbledore . - Mas , Albus ... com certeza ... quem ? - A questão não é quem - disse Dumbledore com os olhos fixos em Colin . - A questão é como ... E pelo que Harry conseguiu ver de o rosto indistinto de a professora Mc_Gonagall , ela não compreendeu muito mais do_que ele . XI_O clube de os duelos Quando_Harry acordou , em o domingo de manhã , a enfermaria estava iluminada por um resplandecente sol de inverno e o seu braço tinha de_novo todos os ossos , apesar_de o sentir muito rígido . Sentou se rapidamente e olhou para a cama de Colin , mas ela fora isolada com as cortinas atrás de as quais se despira em a véspera . Vendo que ele tinha acordado , Madam_Pomfrey apareceu com um tabuleiro de pequeno-almoço e a seguir começou a apalpar lhe o braço e os dedos . - Tudo em ordem - disse , enquanto ele , com a mão esquerda , comia avidamente as papas de aveia . - Quando acabares de comer podes ir te embora . Harry vestiu se o mais depressa que pôde e dirigiu se a a pressa para a torre de os Gryffindor , ansioso por contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre Colin e Dobby , mas não os encontrou lá . Foi a a procura de eles , perguntando a si próprio onde teriam ido e sentindo se um_pouco magoado por o pouco interesse que demonstravam em saber se ele tinha recuperado os ossos . Quando passou por a biblioteca , Percy_Weasley vinha a sair com bastante melhor cara do_que de a última vez que se tinham encontrado . - Olá , olá , Harry - disse . - Excelente voo o de ontem , verdadeiramente sensacional . Os Gryffindor estão a a frente para a taça de a equipa . Ganhaste cinquenta pontos . - Não viste o Ron e a Hermione por aí ? - perguntou Harry . - Não , não vi - disse Percy com o sorriso a desaparecer . - Espero que o Ron não esteja outra_vez em a casa_de_banho de as raparigas ... Harry forçou um sorriso , viu Percy desaparecer e a seguir foi direitinho até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Não via lá muito bem por_que motivo o Ron e a Hermione lá estariam de_novo , mas , depois de se assegurar de que nem Filch nem nenhum de os prefeitos estavam por perto , abriu a porta e ouviu as vozes de eles que vinham de um cubículo fechado . - Sou eu - disse , fechando a porta atrás_de si . Ouviu se dentro de o cubículo um estrondo , um chapinhar e um sobressalto e ele viu o olho de a Hermione a espreitar por o buraco de a fechadura . - Harry - disse ela . - Pregaste nos um susto de morte . Entra . Como está o teu braço ? - _ óptimo - respondeu , apertando se dentro de o cubículo . Em cima de a sanita estava encarrapitado um velho caldeirão , e um crepitar a a superfície de a água disse a Harry que eles tinham acendido um fogo lá em baixo . Fazer aparecer fogos portáteis a a prova de água era uma de as especialidades de Hermione . - _ íamos visitar te , mas resolvemos começar a preparar a poção * _ Polisuco * - explicou Ron enquanto Harry fechava outra_vez a porta de o cubículo com alguma dificuldade . - Achámos que este era o lugar mais seguro para a esconder . Harry começou a contar lhes de o Colin , mas Hermione interrompeu o . - Nós já sabemos , ouvimos a professora Mc_Gonagall contar a o professor Flitwick hoje_de_manhã . Por isso resolvemos começar a ... - Quanto_mais depressa arrancarmos uma confissão a o Malfoy , melhor - rosnou o Ron . - Sabem o que eu penso ? Ele estava tão mal-humorado depois de o jogo de Quidditch que se vingou em o Colin . - Há outra coisa - disse Harry , vendo Hermione cortar molhos de verdezelha e lançá os dentro de a poção . - O Dobby foi visitar me a meio de a noite . Ron e Hermione olharam o espantados . Harry contou lhes tudo_o_que Dobby lhe dissera ... ou não dissera . Ron e Hermione ouviram o de boca aberta . - A Câmara_dos_Segredos já tinha sido aberta antes ? - repetiu Hermione . - Encaixa perfeitamente - disse Ron , em uma voz triunfante . - O Lucius_Malfoy deve ter aberto a Câmara_dos_Segredos quando andava em a escola e agora ensinou a o querido filhinho Draco como abris a . É óbvio , que pena o Dobby não te ter dito que tipo de monstro lá se encontra . Gostava de saber como é_que ninguém o viu andar por ai em a escola . - Talvez tenha a capacidade de se tornar invisível - sugeriu Hermione , picando sanguessugas para dentro de o caldeirão . - Ou talvez se disfarce , passando por uma armadura ou outra coisa de o género . Eu li umas coisas sobre vampiros camaleões ... - Tu lês de mais , Hermione - disse o Ron , deitando moscas asas de renda mortas por cima de as sanguessugas . Amarrotou o saco vazio de as asas de renda e olhou para Harry . - Então foi o Dobby que nos impediu de apanhar o comboio e te partiu o braço ... - abanou a cabeça . - Sabes o que eu acho ? Se ele não parar de tentar salvar te a vida ainda acaba por te matar . A notícia de que Colin_Creevey tinha sido atacado e estava agora em a ala hospitalar , como morto , espalhou se por toda_a escola em a segunda-feira de manhã . O ar ficou pesado e cheio de boatos e suspeitas . Os alunos de o primeiro ano começavam a andar por a escola em pequenos grupos , receando ser atacados se se aventurassem a andar isoladamente por os corredores . Ginny_Weasley , que era colega de carteira de o Colin em os encantamentos , estava perturbadíssima , mas Harry achou que Fred e George estavam a tentar animá a de a maneira errada . Revezavam se , mascarados com peles de animais e apareciam lhe subitamente detrás de as estátuas . Só pararam quando Percy , apopléctico de raiva , lhes disse que ia escrever a Mrs._Weasley a contar lhe que a Ginny andava a ter pesadelos . Enquanto isso , às_escondidas de os professores , uma panóplia de talismãs , amuletos e outros objectos de protecção ia enchendo a escola . Neville_Longbottom comprou uma enorme cebola verde que cheirava mal , um cristal pontiagudo cor de púrpura e uma cauda de tritão apodrecida antes de os outros rapazes de os Gryffindor lhe explicarem que ele não corria perigo : era um sangue puro e , portanto , muito pouco passível de ser atacado . - Eles foram a o Filch em primeiro lugar - disse Neville com o medo estampado em a cara redonda . - E toda_a_gente sabe que eu sou quase um * busca-pé * . Em a segunda semana de Dezembro , a professora Mc_Gonagall veio , como de costume , recolher os nomes de os alunos que ficavam em a escola durante o Natal . Harry , Ron e Hermione assinaram a lista . Tinham ouvido dizer que Malfoy ficava , o que lhes parecera muito suspeito . As férias seriam a altura ideal para usar a poção * _ Polisuco * e tentar arrancar lhe uma confissão . Infelizmente a poção estava a meio . Precisavam ainda de o chifre de bicórneo e o único lugar onde podiam arranjá o era em os depósitos privados de Snape . Harry , pessoalmente , preferia enfrentar o lendário monstro de os Slytherin do_que ser apanhado por o Snape a assaltar lhe o escritório . - O que precisamos - disse Hermione cheia de vivacidade quando se aproximava a aula conjunta de poções de quinta-feira a a tarde - para podermos entrar a a vontade em o escritório de o Snape , é de uma diversão . Harry e Ron olharam para ela , nervosos . - Acho que o melhor é ser eu a praticar o roubo - prosseguiu ela , em um tom perfeitamente casual . - Vocês os dois podem ser expulsos se forem apanhados e eu tenho uma folha limpa . Portanto , a única coisa que têm de fazer é distrair o Snape durante cerca de cinco minutos . Harry esboçou um meio sorriso . Provocar deliberadamente um estrago em a aula de poções de o Snape era tão seguro como ferir em um olho um dragão adormecido . As aulas de poções tinham lugar em um de os mais amplos calabouços . A de quinta-feira a a tarde não foi diferente de as outras . Vinte caldeirões fumegavam entre as secretárias de madeira , sobre as quais podia ver se laminas de latão e jarras com ingredientes . Snape deambulava por o meio de os fumos , fazendo reparos petulantes a o trabalho de os Gryffindor , enquanto os Slytherin riam a a socapa . Draco_Malfoy , que era o aluno preferido de Snape , não parava de lançar olhos de carneiro mal morto a o Ron e a o Harry , que sabiam que se retaliassem teriam um castigo , antes de poderem abrir a boca para dizer : - É injusto ! A solução de inchar de o Harry estava demasiado líquida , mas ele estava preocupado com coisas mais importantes . Esperava por o sinal de Hermione e mal deu por Snape se calar para ir espreitar a sua poção aguada . Quando o professor se voltou e foi implicar com o Neville , Hermione trocou um olhar com Harry e fez um aceno . Harry baixou se discretamente por detrás de o seu caldeirão , tirou de o bolso de trás um de os paus de fogo-de-artíficio Filibuster e deu lhe um toque de varinha . O fogo-de-artíficio começou a sibilar e a crepitar . Sabendo que tinha apenas alguns segundos , Harry endireitou se , ganhou coragem e lançou o a o ar . Aterrou certeiro em o caldeirão de o Goyle . A poção de o Goyle explodiu , salpicando toda_a aula . As pessoas gritavam , à_medida_que eram vítimas de os salpicos . Malfoy foi apanhado em a cara e o nariz começou a inchar como um balão . O Goyle tropeçava a as cegas , com as mãos em os olhos , que tinham ficado de o tamanho de pratos de sopa , enquanto o Snape tentava repor a calma e tentar perceber o que sucedera . Em o meio de a confusão , Harry viu Hermione esgueirar se a a socapa por a porta . - Silêncio ! silêncio ! - vociferou Snape . - Todos os que foram salpicados cheguem aqui para uma drenagem . Quando eu descobrir quem fez isto ... Harry fez um enorme esforço para não se rir a o ver Malfoy chegar apressadamente lá a a frente , a cabeça a tombar com o peso de o nariz , que parecia um pequeno melão . Quando metade de a aula se amontoava junto de a secretária de o Snape , alguns alunos vergados por o peso de os braços que pareciam mocas , outros incapazes de falar devido a o gigantesco inchaço de os lábios , Harry viu Hermione reentrar em o calabouço , a túnica mostrando a barriga protuberante . Quando todos os alunos tinham já tomado um gole de o antídoto e os vários inchaços tinham desaparecido , Snape precipitou se para o caldeirão de o Goyle e pescou os restos retorcidos de o fogo-de-artíficio . Houve um súbito silêncio . - Se eu descubro quem lançou isto - murmurou Snape - garanto que é expulsão por a certa . Harry compôs uma expressão de espanto . Snape olhava directamente para ele e a campainha , que tocou dez minutos mais tarde , não podia ser mais bem-vinda . - Ele soube que fui eu - disse Harry_a_Ron e a a Hermione , enquanto se dirigiam apressadamente para a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Tenho a certeza . Hermione lançou o novo ingrediente em o caldeirão e começou a mexer furiosamente . - Isto vai estar pronto dentro_de quinze_dias - afirmou , satisfeita . - O Snape não pode provar que foste tu - assegurou Ron , tranquilizando Harry . - Que pode ele fazer ? - Conhecendo o Snape , qualquer coisa louca - respondeu Harry , enquanto a poção borbulhava e espumava . Uma semana mais tarde , Harry , Ron e Hermione passavam por o vestíbulo de entrada , quando viram um pequeno grupo de pessoas reunidas em volta de o jornal de parede a lerem um pedaço de pergaminho que tinha acabado de ser afixado . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas acenaram lhes , entusiasmados . - Vão lançar um clube de duelos ! - exclamou Seamus . - Hoje a a noite é a primeira reunião . Eu não me importaria nada de ter aulas de duelo , podem vir a ser úteis um dia de estes ... - Porquê ? Achas que o monstro de os Slytherin sabe esgrimir ? - perguntou o Ron , mas , também ele , leu a notícia com interesse . - Pode ser útil - disse a o Harry e a a Hermione , quando foram jantar . - Vamos lá ? Harry e Hermione acharam óptimo , por isso , a as oito_da_noite voltaram a o salão . As longas mesas de refeição tinham desaparecido e um estrado dourado surgira , encostado a a parede . Sobre ele flutuavam milhares de velas . O tecto era , mais_uma_vez , de veludo negro e parecia que quase todos os alunos de a escola se encontravam ali , com as suas varinhas em a mão e com um ar entusiasmado . - Quem será que vai ensinar nos ? - perguntou Hermione , enquanto se misturavam em a multidão barulhenta . - Ouvi dizer que o Filitwick foi campeão de duelo em a juventude , talvez seja ele . - Desde_que não seja ... - começou Harry , mas terminou em um gemido : Gilderoy_Lockhart estava a subir a o estrado , resplandecente em as suas vestes cor de ameixa , acompanhado , nem mais nem menos , do_que de Snape que trajava , como sempre , de negro . Lockhart levantou um braço , pedindo silêncio , bradando : - Aproximem se , aproximem se , conseguem todos ver me e ouvir me ? Excelente ! - O professor Dumbledore deu me autorização para iniciar este pequeno curso de duelo para vos treinar a todos , caso algum dia precisem de se defender , como eu tenho feito em inúmeras ocasiões ; para mais detalhes , leiam os livros que tenho publicados . - Permitam que vos apresente o meu assistente , o professor Snape - disse Lockhart , abrindo um sorriso de orelha a orelha . - Ele diz me que sabe alguma coisa sobre duelos e aceitou desportivamente ajudar me em uma exibição de demonstração , antes de começarmos . Atenção , não quero que os mais novos fiquem preocupados , vão continuar a ter o vosso professor de poções depois de eu o vencer . Não tenham medo . - Não era óptimo se se liquidassem um_ao_outro ? - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . O lábio inferior de Snape estava curvo . Harry interrogou se sobre o motivo por_que Lockhart continuava a sorrir . Se o Snape olhasse de aquela maneira para ele , Harry estaria a correr a_toda_a velocidade para o mais longe possível . Lockhart e Snape voltaram se um para o outro e fizeram uma vénia , pelo_menos Lockhart fê la com muitas reviravoltas de mãos , enquanto Snape acenava , irritado , com a cabeça . Em seguida , ergueram as varinhas , como_se fossem espadas , em a frente . - Como podem ver , estamos a pegar em as varinhas em a posição de aceitação de combate - explicou Lockhart a a multidão silenciosa . - Quando contarmos até três , lançaremos os primeiros feitiços . Nenhum de nós tentará matar o outro , claro . - Eu não poria as mãos em o fogo - murmurou Harry , observando como Snape cerrava os dentes . -- Um , dois , três ... Os dois balançaram as varinhas acima de os ombros . Snape gritou : * _ Expelliarmus * ! Houve um clarão ofuscante de luz escarlate e Lockhart voou para trás , caindo de o estrado batendo contra a parede , escorregando e indo estatelar se em o chão . Malfoy e alguns de os outros Slytherin aplaudiram . Hermione estava em bicos de os pés . - Acham que ele está bem ? - gritou entredentes . - Quem se rala ? - disseram ao_mesmo_tempo o Ron e o Harry . Lockhart estava a pôr se , hesitante , de pé . O chapéu caíra lhe e o cabelo ondulado estava em um desalinho . - Bem , cá está ! - disse , cambaleando até a o estrado . - Este foi um encantamento para desarmar . Como podem ver , perdi a minha varinha . Ah , obrigado Miss_Brown . Sim , foi uma excelente ideia mostrar lhes isto , professor Snape , mas , se me permite que lhe diga , foi muito óbvio o que ia fazer . Se eu tivesse querido impedis o , teria o feito com a maior de as facilidades . Mas achei que seria educativo deixá os ver ... Snape tinha um ar assassino . Provavelmente Lockhart deu por isso , porque declarou : - Chega de demonstrações . Eu vou passar agora por o meio de vocês e criar duplas . Professor_Snape , se quiser ajudar me ... Entraram por o meio de a multidão , agrupando alunos . Lockhart pôs o Neville com Justin_Finch - _ Fletchley , mas Snape chegou primeiro junto de Harry e de Ron . - Tempo de separar a dupla ideal , parece me - rosnou . - Weasley , tu podes ficar com o Finnigan . Potter ... Harry voltou se automaticamente para Hermione . - Não me parece - disse Snape com o seu sorriso frio . - Mr._Malfoy , venha até aqui . Vamos ver o que faz com o famoso Potter . E a menina , Miss_Granger , pode emparceirar com Miss_Bulstrode . Malfoy aproximou se com o seu passo empertigado e o seu sorriso escarninho . Atrás de ele vinha uma rapariga de os Slytherin , que lembrou a Harry uma imagem que tinha visto em as * _ Férias com Bruxas_Velhas * . Era corpulenta e quadrada e os maxilares avançavam agressivamente . Hermione esboçou um meio sorriso , que ela não retribuiu . - Voltem se para os vossos parceiros - gritou Lockhart - e façam a vénia . Harry e Malfoy mal inclinaram as cabeças , não afastando os olhos um de o outro . - Varinhas preparadas ! - gritou Lockhart . - Quando eu disser três preparem os feitiços para desarmar o vosso opositor . Um ... dois ... três ... Harry levantou a varinha acima de o ombro , mas Malfoy começara logo em o « dois » : o seu feitiço apanhou Harry com tanta força que ele se sentiu como_se tivesse levado com uma frigideira em a cabeça . Tropeçou , mas ainda não estava fora de combate e , sem perder tempo , Harry apontou a varinha a Malfoy e gritou : - * _ Rictusempra ! * Um jacto de luz prateada atingiu Malfoy em o estômago , obrigando o a dobrar se , arfando . - Eu disse desarmar ! - gritava Lockhart sobre as cabeças de a multidão em lata , enquanto Malfoy caía de joelhos . Harry atingira o com o feitiço de as cócegas e ele mal conseguia mexer se para se rir . Harry hesitou com o vago sentimento de que seria pouco desportivo enfeitiçar Malfoy enquanto ele estava caído em o chão , mas ... foi um erro . Tentando respirar , Malfoy apontou a varinha a os joelhos de Harry , balbuciando : « * _ Tarantallegra ! * » e , um segundo depois , as pernas de o Harry tinham começado a mexer se , sem que ele pudesse controlá as , executando uma espécie de dança frenética . - Parem , parem - gritava Lockhart , quando Snape resolveu tomar controlo de a situação . - * _ Finite_Incantatem ! * - bradou . Os pés de o Harry pararam de dançar , Malfoy parou de rir e puderam olhar para_cima . Uma onda de fumo esverdeado pairava sobre todos eles . Neville e Justin estavam caídos em o chão , a arfar . Ron tentava fazer parar um Seamus com cara cor de cinza , pedindo lhe mil desculpas por o que a sua varinha partida eventualmente tivesse feito . Mas Hermione e Millicent_Bulstrode ainda não tinham acabado . Millicent tinha feito a Hermione uma prisão de cabeça e Hermione gritava de dor . As duas varinhas jaziam esquecidas em o chão . Harry deu um salto em frente e afastou Millicent . Não foi fácil , ela era bastante maior do_que ele . - Oh , gente ! - exclamou Lockhart , arrastando se por o meio de a multidão e olhando para os resultados de os duelos . - Vamos pôr de pé , Mcmillan ... cuidado , Miss_Fawcett ... belisque com força que pára logo de sangrar ... - Acho que o melhor é ensinar vos como bloquear feitiços pouco amigáveis - afirmou Lockhart que estava nervosíssimo em o meio de o salão . Olhou para Snape , cujos olhos pretos brilhavam e desviou rapidamente o olhar . - Vamos arranjar um par de voluntários . Longbottom e Finch - _ Fletchley , que tal serem vocês ? - Uma má ideia , professor Lockhart - disse Snape , deslizando como um morcego enorme e cruel . - Longbottom provoca devastação com o feitiço mais simples . Ainda temos de mandar o que restar de o Finch - _ Fletchley para a ala hospitalar dentro_de uma caixa de fósforos . - A cara redonda e rosada de Neville ficou ainda mais rosada . - Que tal o Malfoy e o Potter ? - sugeriu Snape com um sorriso retorcido . - Excelente ideia - disse Lockhart , fazendo sinal a os dois para que se aproximassem de o meio de o salão , enquanto a multidão recuava para lhes dar passagem . - Ouve bem , Harry - disse Lockhart . - Quando o Draco te apontar a varinha , tu fazes assim . Levantou a sua varinha , executando uma tentativa complicada de malabarismo e deixou a cair . Snape sorriu pretensiosamente , enquanto Lockhart a apanhava de o chão , dizendo : - Ups , a minha varinha está demasiado excitada . Snape aproximou se de Malfoy , inclinou se e disse lhe qualquer coisa a o ouvido . Malfoy sorriu também de forma afectada . Harry olhou , nervoso , para Lockhart e pediu : - Professor , podia mostrar me outra_vez aquela coisa para bloquear ? - Estás com medo ? - murmurou Malfoy baixinho , para que Lockhart não pudesse ouvir . - Querias ! - exclamou Harry por o canto de a boca . Lockhart deu um soco em o ombro de o Harry , em a brincadeira . - Basta que faças como eu fiz ! - O quê , deixar cair a varinha ? Mas Lockhart não estava a ouvir - Três , dois , um , zero ! - gritou . Malfoy levantou rapidamente a varinha a o ar e gritou : - * _ Serpensortia ! * A extremidade de a varinha explodiu . Harry viu , horrorizado , uma enorme serpente negra sair de ela , cair pesadamente em o chão a meio de os dois e erguer se disposta a atacar . Ouviram se gritos , enquanto a multidão se afastava , deixando o chão vazio . - Não te mexas , Potter - disse Snape vagarosamente , divertindo se claramente a ver Harry , parado , a olhar em os olhos a serpente . - Eu trato de ela ... - Permita me -- gritou Lockhart . Bramiu a varinha em direcção a a serpente e ouviu se um estoiro . A cobra , em_vez_de desaparecer , voou três metros acima de eles e voltou a cair em o chão com um estrondo enorme . Enraivecida , a sibilar de fúria , rastejou em direcção a Finch - _ Fletchley e pôs se de pé com os dentes a a mostra , pronta a atacar . Harry não soube ao_certo o que o levou a fazer aquilo . Não se lembrava sequer de ter tomado aquela decisão . Só soube que as pernas o fizeram avançar como_se tivesse rodas e que gritou a a serpente : - Larga o ! - E , milagrosa e inexplicavelmente , a serpente voltou a o chão , dócil como uma grande mangueira de jardim , preta e grossa , os olhos agora fixos em os olhos de Harry . Harry sentiu o medo a escoar se . Sabia que a cobra não atacaria mais ninguém , embora não pudesse explicar como sabia . Olhou para Justin a sorrir , esperando vê o aliviado , espantado , ou mesmo agradecido , mas nunca zangado ou assustado . - Que brincadeira é essa ? - gritou o outro e , antes que Harry tivesse tempo de dizer fosse o que fosse , voltou as costas e saiu de o salão . Snape deu um passo em frente , fez um gesto com a varinha e a serpente desapareceu em uma onda de fumo preto . Também ele , Snape , olhava para Harry de uma forma inesperada . Era um olhar arguto e calculista , de que Harry não gostou . Apercebeu se também vagamente de um murmúrio ameaçador que vinha de as paredes em volta . Depois , sentiu um puxão em a túnica . - Vamos - disse a voz de o Ron em o seu ouvido . - Mexe te , vá lá ... Ron arrastou o para fora de o salão . Hermione acompanhava os em a passada rápida . Quando cruzaram a porta , as pessoas que a rodeavam afastaram se , como_se tivessem medo de ser contagiadas . Harry não fazia a mais pequena ideia do_que estava a passar se e , nem Ron , nem Hermione lhe deram qualquer explicação , antes de o terem levado até a a sala comum de os Gryffindor , que se encontrava vazia . Aí , Ron empurrou Harry para uma cadeira de braços e disse : - Tu és um * serpentês * . Porque não nos disseste ? - Eu sou um quê ? - perguntou Harry . - Um * serpentês * ! - exclamou o Ron . - Falas com as cobras . - Eu sei - declarou Harry . - Quer_dizer , esta foi a segunda vez que o fiz . A outra foi há muito_tempo em o jardim zoológico , quando soltei uma Boa_Constrictor a o meu primo Dudley . É uma longa história , mas ela estava a dizer me que nunca tinha estado em o Brasil e eu acho que a libertei sem querer . Foi antes de saber que era feiticeiro . . . - Uma Boa_Constrictor disse te que nunca tinha estado em o Brasil ? - repetiu Ron , quase sem voz . - E então ? - disse o Harry . - Aposto que montes de pessoas aqui fazem o mesmo . - Não fazem , não - afirmou Ron . - Não é um dom muito frequente . Harry , isso é mau . - O que é_que é mau ? - perguntou Harry , que começava a ficar chateado . - O que é_que se passa com todos os outros ? Ouve bem , se eu não tivesse dito a aquela cobra para não atacar o Justin ... - Ah , foi isso que tu disseste ? - Que queres dizer ? Tu estavas lá , ouviste perfeitamente o que eu disse . - Eu ouvi te falar em serpentês - disse o Ron . - Língua de cobra . Podias estar a dizer lhe qualquer coisa . Não admira que o Justin tivesse entrado em pânico . Parecia que estavas a incitar a serpente . Foi assustador , sabes ? Harry olhou para ele espantado . - Eu falei uma língua diferente ? Mas não me apercebi , como posso falar uma língua , sem saber que a conheço ? Ron abanou a cabeça . Tanto ele como Hermione tinham um ar fúnebre . Harry não percebia o que havia em aquilo de tão trágico . - Será que me querem explicar o que há de mal em ter impedido que uma serpente enorme arrancasse a cabeça a o Justin ? - perguntou . - Porque é tão importante como o fiz , se evitei que o Justin fosse juntar se a grupo de os SEM_CABEÇA ? - Importa - disse por fim Hermione , em uma voz abafada . - Porque falar com serpentes era a arte por a qual Salazar_Slytherin ficou famoso . Por isso , o símbolo de os Slytherin é uma serpente . Harry ficou de boca aberta . - Exacto - disse o Ron . - E agora todos em a escola vão pensar que tu és descendente de ele . - Mas não sou - contrapôs Harry com um pânico que não conseguia explicar . - Não vai ser fácil prová o - disse Hermione . - Ele viveu há quase mil anos . Pelo que vimos , podias ser . Em essa noite , Harry ficou acordado durante horas . Por uma fresta de os cortinados de a cama de dossel , olhou para a neve que começava a cair de o lado de_fora de a janela de a torre e perguntou se se poderia ser descendente de Salazar_Slytherin . Afinal , não sabia nada de a família de o pai , os Dursley tinham sempre proibido qualquer pergunta sobre os seus familiares feiticeiros . Calmamente , tentou dizer qualquer coisa em * serpentês * , mas as palavras não saíam . Parecia que era necessário estar frente_a_frente com uma cobra para poder fazê o . Mas eu sou um Gryffindor , pensou Harry , o chapéu seleccionador não me poria aqui se eu tivesse sangue de Slytherin ... - Ah ! - disse uma vozinha dentro de o seu cérebro . - Mas o chapéu seleccionador queria pôr te em os Slytherin , não te lembras ? Harry deu voltas e voltas a a cabeça . Em o dia seguinte , quando visse Justin em a aula de herbologia explicaria lhe que estava a afastar a serpente , não a atiçá a o que , aliás , pensou zangado , dando vários socos em a almofada , qualquer idiota teria percebido . Contudo , em a manhã seguinte , a neve que começara a cair durante a noite , transformara se em uma tempestade tão espessa que a última aula de herbologia de o período foi cancelada : a professora Sprout queria tapar as mandrágoras com peúgas e cachecóis , uma operação arriscada que ela não confiava a ninguém agora_que era tão importante que as mandrágoras crescessem depressa e reabilitassem Mrs._Norris e Colin_Creevey . Junto de a lareira de a sala comum de os Gryffindor , Harry matutava sobre o que se passara enquanto Ron e Hermione aproveitavam o foro para jogar xadrez de feitiçaria . - Com os diabos , Harry - disse Hermione exasperada quando um bispo derrubou um de os cavaleiros de o cavalo , arrastando o para fora de o tabuleiro . - Vai falar com o Justin , se isso é assim tão importante para ti . Harry levantou se e saiu por o buraco de o retrato , perguntando a si próprio onde poderia estar o Justin . O castelo estava mais escuro do_que era habitual durante o dia por causa de a neve espessa e cinzenta que cobria as janelas . A tremer , Harry passou por as salas onde estava a haver aulas , captando lampejos do_que sucedia lá dentro . A professora Mc_Gonagall gritava com alguém que , segundo lhe parecia por o som , transformara o parceiro em um texugo . Resistindo a a tentação de dar uma espreitadela , Harry afastou se pensando que Justin poderia estar a utilizar o tempo de o furo para fazer algum trabalho e resolveu , por isso , ir até a a biblioteca . Um grupo de alunos de os Hufflepuff , que deveriam ter estado em Herbologia , encontrava se , de facto , sentado em as traseiras de a biblioteca , mas não parecia estar a trabalhar . Entre as fileiras de as estantes altas , Harry pôde ver as suas cabeças muito juntas em aquilo que deveria ser uma conversa absorvente . Não conseguia perceber se Justin estaria em o meio de eles . Ia para se aproximar quando apanhou em o ar uma frase e parou para ouvir melhor , escondido em a secção de a invisibilidade . - Portanto - dizia um rapaz corpulento - eu disse a o Justin para se esconder em o nosso dormitório . Isto_é , se o Potter o escolheu como próxima vítima é melhor que ele tenha um * low profile * durante algum tempo . É claro que o Justin já estava a a espera que alguma coisa de o género acontecesse desde_que lhe escapou em uma conversa com o Potter que era filho de Muggles . O Justin disse lhe , inclusivamente , que tinha estado inscrito em Eton . Não é o tipo de coisa que se ande a dizer com o herdeiro de Slytherin a a solta por aí . - Achas mesmo_que é o Potter , Ernie ? - perguntou uma rapariga de tranças loiras , ansiosamente . - Hannah - disse com solenidade o rapaz corpulento . - Ele é um serpentês . Todos sabem que essa é a marca de um feiticeiro negro . Alguma vez ouviste falar de um feiticeiro decente que falasse com as cobras ? O Slytherin era conhecido por « Língua de serpente . . Houve alguns murmúrios antes de Ernie prosseguir : - Lembram se do_que estava escrito em a parede ? * _ Inimigos de o herdeiro , cuidado ! * . O Potter teve que ir a o gabinete de o Filch . E o que é_que acontece a seguir ? A gata de o Filch é atacada . O aluno de o primeiro ano , Creevey , estava a aborrecê o em a partida de Quidditch , a tirar lhe fotografias quando ele estava caído em a lama . E o que é_que acontece a seguir ? Creevey é atacado . - Mas ele parece sempre ser tão simpático - disse Hannah , cheia de dúvidas . - E , bem , foi ele que fez com que o Quem nós sabemos desaparecesse . Não pode ser assim tão mau , pois não ? Ernie baixou misteriosamente a voz . Os Hufflepuff inclinaram se mais uns para os outros e Harry aproximou se para conseguir apanhar as palavras de o Ernie . - Ninguém sabe como ele sobreviveu a aquele ataque de o Quem nós sabemos e , afinal , ainda era um bebé quando aquilo aconteceu . Era para ter explodido feito em estilhaços . Só um feiticeiro negro verdadeiramente poderoso teria sobrevivido a uma maldição de aquelas . - Baixou ainda mais a voz até esta ficar reduzida a um leve murmúrio e disse : - Talvez fosse por isso que o Quem nós sabemos o queria matar , para não ter outro feiticeiro negro a competir com ele . Gostava de saber que outros poderes ocultos terá o Potter . Harry não aguentou mais . Pigarreou alto e saiu detrás de as estantes . Se não estivesse tão zangado teria conseguido ver o lado cómico de a situação : cada_um de os Hufflepuff olhava para ele como_se tivesse sido petrificado , e a cor desaparecera de a cara de o Ernie . - Olá - disse Harry . - Estou a a procura de o Justin_Finch - _ Fletchley . Os piores receios de os Hufflepuff tinham se concretizado . Olharam apavorados para o Ernie . - O que queres de ele ? - perguntou Ernie em uma voz sumida . - Explicar lhe o que aconteceu com aquela cobra em o clube de os duelos - disse Harry . Ernie mordeu os lábios brancos e , em seguida , respirando fundo , respondeu : - Estávamos lá todos . Vimos o que aconteceu . - Então viram que depois de eu falar a serpente recuou - disse Harry . - O que eu vi - insistiu teimosamente Ernie , apesar_de tremer a cada palavra que proferia - foi tu a falares serpentês e a atiçares a cobra conta o Justin . - Eu não a aticei - gritou Harry enraivecido . - Ela nem lhe tocou . - Falhou por_pouco - disse Ernie . - E , para o caso de estares com ideias - acrescentou com má cara - posso dizer te que a minha família provem de nove gerações de bruxas e feiticeiros e que o meu sangue é tão puro como o de qualquer feiticeiro , portanto ... - Quero lá saber qual é o teu sangue - disse Harry furioso . - Porque iria eu atacar os filhos de os Muggles ? - Ouvi dizer que detestas os Muggles com quem vives - disse Ernie rapidamente . - Não é possível viver com os Dursley sem os detestar - explicou Harry . - Gostava de te ver lá em casa . Girou sobre os calcanhares e saiu furioso de a biblioteca sob o olhar reprovador de Madam_Prince que limpava a capa dourada de um enorme livro de encantamentos . Harry avançou a as cegas por os corredores , quase sem ver por_onde ia de tão furioso que estava . O resultado foi chocar com algo enorme e sólido que o fez recuar e cair a o chão . - Ah ! Olá , Hagrid - disse , olhando para_cima . Hagrid tinha o rosto completamente tapado com um lenço coberto de neve , mas não podia ser mais ninguém , enchendo assim o corredor dentro de o seu sobretudo de pele de toupeira . De uma de as enormes mãos enluvadas , pendia um galo morto . - Tudo bem , Harry ? - perguntou , afastando o lenço para poder falar . - Porque não estás em a aula ? - Foi cancelada - disse Harry , pondo se de pé . - O que estás a fazer aqui ? Hagrid mostrou lhe o galo inerte . - É o segundo qu'aparece morto este período - explicou . - Ou são raposas ou um vampiro chato e eu preciso d'autorização de o director p'ra fazer um feitiço em volta de a capoeira . Aproximou se e olhou mais de perto para o Harry , por debaixo de as suas sobrancelhas espessas e cheias de neve . - Tens a certeza que estás bem ? Pareces exaltado e preocupado . Harry não foi capaz de repetir o que Ernie e os outros Hufflepuff lhe tinham dito . - Não é nada , tenho de ir , Hagrid . A próxima aula é Transfiguração e preciso de ir buscar os meus livros . Afastou se , a cabeça cheia com tudo_o_que Ernie dissera a seu respeito . « * _ O_Justin já estava d espera que uma coisa de o género acontecesse desde_que deixou escapar , falando com o Potter , que era filho de Muggles * ... » Harry subiu as escadas a correr e entrou por um corredor que estava particularmente escuro . As tochas tinham sido apagadas por uma ventania gelada que entrava por uma janela de fecho estragado . Estava a meio de o corredor quando tropeçou em uma coisa que se encontrava em o chão . Olhou para ver o que era e sentiu como_se o estômago se tivesse dissolvido . Justin_Finch - _ Fletchley estava em o chão , rígido e frio com uma expressão de horror em o rosto e os olhos abertos voltados para o tecto . E não era tudo . Junto de ele estava mais alguém , a visão mais estranha que Harry tivera em toda_a sua vida . Era_o_Nick quase sem cabeça que não estava cor de pérola nem transparente e sim escuro como fumo . Flutuava imóvel , em a horizontal , 12 centímetros acima de o chão , a cabeça meio tombada e em o rosto uma expressão de choque idêntica a a de o Justin . Harry pôs se de pé com a respiração acelerada e o coração a bater como um tambor contra as costelas . Olhou desvairado para ambos os lados de o corredor deserto e viu uma fila de aranhas que corriam a_toda_a velocidade em a direcção oposta a a de os corpos . Os únicos sons eram as vozes abafadas de os professores em as aulas que decorriam de ambos os lados . Podia fugir e ninguém saberia que ali tinha estado , mas não era capaz de os abandonar assim . Tinha de ir procurar ajuda . Será que alguém acreditaria que ele não tivera nada que ver com aquilo ? Enquanto ali estava , em pânico , uma porta a o seu lado abriu se com grande estrondo . Peeves , o * poltergeist * , saiu a os gritos . - Oh ! É o Potter , olá , Potter - alardeou Peeves , lançando por o ar os óculos de o Harry quando passou por ele . - O que está o Potter a fazer ? Porque está o Potter escondido ? Peeves passou de cabeça para baixo , a meio de uma cambalhota em o ar , quando viu Justin e Nick quase sem cabeça . Com um movimento súbito endireitou se , encheu os pulmões de ar e , antes que Harry pudesse impedi o , gritou : __ ataque ! ataque ! outro ataque ! nenhum mortal ou fantasma está em segurança . corram , fujam , __ ataaaque ! Crac , Crac , Crac . Uma atrás de a outra , foram se abrindo todas_as portas a o longo de o corredor e as pessoas saíram para fora de as salas de aula . Durante alguns longos minutos houve uma tal confusão que Justin esteve em perigo de ser esmagado e as pessoas não paravam de chocar com o Nick quase sem cabeça . Harry deu por si colado a a parede enquanto os professores exigiam a os gritos que se fizesse silêncio . A professora Mc_Gonagall veio a correr , seguida por todos os alunos , um de os quais ainda trazia o cabelo a as riscas pretas e brancas . Usou a varinha para produzir um ruído que repôs o silêncio e mandou os alunos todos para dentro de as salas de aula . Mal lugar ficou desimpedido surgiu Ernie , o jovem Hufflepuff . - * _ Apanhado em flagrante ! * - gritou , com o rosto totalmente branco , apontando dramaticamente o dedo par Harry . - Basta_Mcmillan - disse , de forma cortante , a professora Mc_Gonagall . Peeves andava para_cima e para baixo , observando a cena com um sorriso maldoso . Sempre adorara o caos . Quando os professores se inclinaram sobre Justin e sobre o Nick quase sem cabeça para os examinar , iniciou uma cantilena : * _ Oh ! Potter , que fizeste , seu grande bandido * _ Tu matas os estudantes porque achas divertido . * - Basta , Peeves - rosnou a professora Mc_Gonagall e Peeves afastou se , deitando a língua de_fora a o Harry . Justin foi levado para a ala hospitalar por o professor Flitwick e por o professor Sinistra_do_Departamento_de_Astronomia , mas ninguém parecia saber o que fazer em relação a o Nick quase sem cabeça . Por fim , a professora Mc_Gonagall fez aparecer em o ar um enorme leque que entregou a Ernie com o encargo de conduzir , escadas acima , por os ares o Nick quase sem cabeça . Ernie assim fez , soprando Nick como_se fosse um aerodeslizador e deixando , de este modo , o Harry e a professora Mc_Gonagall a sós . - Por aqui , Potter - disse ela . - Professora , eu juro que não ... - Isso não é comigo , Potter - afirmou a professora Mc_Gonagall sinteticamente . Caminharam em silêncio até uma esquina e ela parou perante uma gárgula de pedra extremamente feia . - Refresco de limão - disse . Era obviamente uma senha porque a gárgula animou se subitamente e saltou para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes . Apesar_de estar apavorado com o que ia acontecer a seguir , Harry não conseguiu evitar um sentimento de fascínio . Por detrás de a parede estava uma escada em espiral que se movia lentamente para_cima como um elevador . E quando ele e a professora Mc_Gonagall puseram os pés em o primeiro degrau , Harry ouviu a parede fechar se atrás de eles . Subiram em círculos , cada_vez_mais alto até que , por fim , um_pouco tonto , Harry pôde ver uma porta de carvalho reluzente com um puxador de bronze em forma de abutre . Harry calculava onde estava a ser levado . Devia ser ali que morava Dumbledore . XII_A poção * polisuco * Saltaram de a escada de pedra lá mesmo em cima e a professora Mc_Gonagall bateu a a porta . Ela abriu se silenciosamente dando lhes entrada . A professora Mc_Gonagall disse lhe que esperasse e deixou o sozinho . Harry olhou em volta . Uma coisa era certa : de todos o escritórios de professores que conhecia , o de Dumbledor era , de longe , o mais interessante . Se não estivesse com um medo de morte de ser expulso teria adorado explorá o . Era uma sala grande e bonita em forma de círculo que estava cheia de barulhinhos estranhos . Havia um grande número de instrumentos prateados sobre várias mesas de pernas finas que zumbiam emitindo pequenas baforadas de fumo . As paredes estavam cobertas de fotografias de antigos directores e directoras , todos eles a dormir tranquilamente em as suas molduras . Havia ainda uma enorme secretária pés de garra . E , sobre uma prateleira atrás de ela , um chapéu de feiticeiro andrajoso e puído : * o chapéu seleccionador * . Harry hesitou . Lançou um olhar cauteloso a as bruxas e feiticeiros adormecidos a o longo de as paredes . Com certeza não fazia mal se lhe pegasse e o experimentasse só para ver ... só para ter a certeza de que ele o pusera em a equipa certa . Deu a volta a a secretária , retirou o chapéu de a prateleira e baixou o lentamente sobre a cabeça . Era demasiado grande e escorregou lhe para os olhos como de a outra_vez que o tinha posto . Harry olhou para o forro preto , enquanto esperava . Por fim , uma vozinha disse lhe a o ouvido : - Estás com macaquinhos em o sótão , Harry_Potter ? - Er ... sim - balbuciou Harry . - Er ... desculpa incomodar te , queria saber ... - Querias saber se te pus em a equipa certa - disse prontamente o chapéu . - Sim ... tu és particularmente difícil de seleccionar , mas eu mantenho o que disse antes . - O coração de Harry deu um salto . - Terias ficado bem em os Slytherin . Harry sentiu o estômago contorcer se . Agarrou o chapéu por a aba e tirou o de a cabeça . O chapéu seleccionador ficou pendurado em a mão de ele , inerte , desbotado e sujo . Harry voltou a pô o em a prateleira , sentindo se enjoado . - Estás enganado ! - disse em voz alta a o chapéu parado e silencioso , mas ele não se mexeu . Harry recuou para o observar melhor e foi então que ouviu um ruído estranho e grasnado atrás_de si que o fez dar uma volta . Não estava só , afinal_de_contas . Em um poleiro dourado atrás de a porta estava um pássaro de aspecto decrépito que parecia um peru meio depenado . Harry olhou para ele espantado e o pássaro olhou o também , grasnando de_novo . Harry achou que ele devia estar muito doente porque tinha os olhos parados e , enquanto olhava para ele , caíram lhe mais algumas penas de a cauda . Estava justamente a pensar que a única coisa que lhe faltava era que o pássaro de estimação de Dumbledore morresse quando ele estava ali sozinho com ele , em o escritório , quando a ave se incendiou . Harry gritou , em estado de choque , e recuou até a a secretária . Olhava nervosamente em volta , em busca de um jarro de água , mas não viu nenhum . O pássaro , entretanto , transformara se em uma bola de fogo , dera um guincho e , em seguida , desaparecera , deixando apenas um monte de cinzas em o chão . A porta de o escritório abriu se . Dumbledore entrou com ar taciturno . - Professor - gaguejou Harry . - O seu pássaro ... eu não pode fazer nada ... ele incendiou se . Para seu grande espanto , Dumbledore sorriu . - Já não era sem tempo . Estava com um aspecto horrível em os últimos dias . Fartei me de lhe dizer que fizesse qualquer coisa . Riu se entre dentes com a expressão em o rosto de Harry . - A Fawkes é uma fénix , Harry . As fénix ardem quando é altura de morrer e renascem de as cinzas , repara ... Harry olhou mesmo a_tempo_de ver um passarinho recém-nascido , todo enrugado , espetar a cabeça fora de as cinzas . Era quase tão feio como o antigo . - É uma pena que a tenhas conhecido em dia de arder - disse Dumbledore , passando para trás de a secretária . - É muito bonita a maior parte de o tempo , com uma plumagem vermelha e dourada . São criaturas fascinantes , as fénix . Podem transportar cargas pesadíssimas , as suas lágrimas têm propriedades curativas e são animais de estimação extremamente fiéis . Com o choque de a fénix a pegar fogo , Harry esquecera se de o motivo porque ali estava , mas tudo voltou rapidamente quando Dumbledore se instalou em a cadeira de espaldar alto e o fixou com os seus olhos azuis e penetrantes . Contudo , antes que ele tivesse tido tempo de falar , a porta de o escritório abriu se de par em par com um enorme estrondo e Hagrid entrou com um olhar tresloucado , o lenço todo torcido em volta de a cabeça hirsuta e o galo morto ainda pendurado em a mão . - Não foi Harry , professor Dumbledore - disse , aflito . - Eu tinha estado a falar com ele poucos segundos antes de o rapazinho ser encontrado , ele não teve tempo professor ... Dumbledore tentou dizer qualquer coisa , mas Hagrid continuou , abanando o galo em o meio de a sua agitação e espalhando penas por todo o lado . - Não pode ter sido ele . Eu juro em a frente de o ministro de a magia , se for preciso ... - Hagrid , eu ... -- Tem o rapaz errado , professor . Eu sei qu'o Harry nunca ... - Hagrid - disse Dumbledore , elevando a voz . - Eu não penso que o Harry tenha atacado aquelas pessoas . - Oh ! - disse Hagrid , com o galo pendendo inerte a o seu lado . - Certo , ' tão eu espero lá fora , director . E saiu com ar envergonhado . - O senhor não acha que tenha sido eu ? - repetiu Harry cheio de esperança , enquanto Dumbledore sacudia penas de galo de cima de a secretária . - Não , Harry , não acho - afirmou Dumbledore , apesar de a sua expressão ser de_novo sombria . - Mas mesmo_assim quero falar contigo . Harry esperou ansiosamente enquanto o director o observava com as pontas de os dedos longos unidas . - Tenho de saber uma coisa . Harry , há alguma pergunta que queiras fazer me , qualquer que ela seja ? Harry não soube o que dizer . Lembrou se de Malfoy a gritar * _ Vocês serão os próximos , sangues de lama * e de a poção * _ Polisuco * em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Depois pensou em a voz sem corpo que ouvira duas vezes e em o que o Ron dissera * _ Ouvir vozes que ninguém mais ouve não é bom sinal , nem mesmo em o mundo de a feitiçaria * . Pensou também em o que toda_a_gente dizia de ele e em o receio cada_vez maior de ter uma relação qualquer com Salazar_Slytherin ... - Não - disse por fim . - Não há nada , professor . O ataque duplo a Justin e a o Nick quase sem cabeça transformou o que até_então era nervosismo em verdadeiro pânico . Curiosamente fora o destino de o Nick quase sem cabeça o que mais preocupara as pessoas . Quem poderia ter feito aquilo a um fantasma ? - perguntavam uns a os outros . - Que poder terrível era aquele , capaz de afectar alguém que já tinha morrido ? Houve uma precipitação enorme em a marcação de os bilhetes em o Expresso_de_Hogwarts , pois todos os alunos quiseram ir passar o Natal a casa . - Por este caminho , vamos ser os únicos a ficar - disse o Ron a o Harry e a a Hermione . - Nós , o Malfoy , o Goyle e o Crabbe , que férias lindas que vão ser ! Crabbe e Goyle que faziam sempre o que Malfoy fazia , tinham se inscrito para ficar também durante as férias . Mas Harry estava contente por a maior parte se ir embora . Estava farto de ver gente a afastar se em os corredores como_se ele fosse mostrar os dentes ou cuspir veneno . Estava cansado de tantos segredinhos , de os ver apontar e segredar quando passava . O Fred e o George , esses achavam muito divertido . Vinham , de propósito , pôr se a a frente de ele e atravessavam os corredores a gritar : - Abram alas para o herdeiro de Slytherin , vai passar um feiticeiro verdadeiramente cruel . Percy discordava totalmente de este comportamento . - Não é um assunto para se brincar - dizia com frieza . - Sai mas é de o caminho , Percy - dizia o Fred . - O Harry está com pressa . - Sim , ele vai a a Câmara_dos_Segredos tomar uma chávena de chá com o seu servidor dentes de serpente - completava Fred com uma gargalhada . Ginny também não lhes achava graça . - Cala te - gritava ela sempre_que o Fred perguntava em voz alta a o Harry quem estava a pensar atacar a seguir , ou quando George fingia afastá o com um enorme dente de alho . Harry não se importava . Fazia o sentir se melhor o facto de constatar que , pelo_menos para o Fred e para o George , a ideia de ele ser o herdeiro de Slytherin era absolutamente ridícula . Mas as palhaçadas de eles pareciam ofender Draco_Malfoy que , de cada_vez que os via , ficava mais irritado . - É porque está ansioso por dizer que é mesmo ele - disse o Ron com ar conhecedor . - Sabes como ele detesta que alguém o ultrapasse e tu estás a receber todo o crédito por o seu trabalho sujo . - Não vai ser por muito_tempo - disse Hermione com uma voz satisfeita . - A poção * polisuco * está quase pronta . Um de estes dias arrancamos lhe a verdade . Finalmente , o período chegou a o seu termo e um silêncio profundo como a neve em os campos desceu sobre o castelo . Harry adorou a tranquilidade e apreciou o facto de ele , Hermione e os Weasley terem a torre de os Gryffindor por sua conta , poderem jogar a as explosões bem alto , sem incomodar ninguém e praticar duelos entre si . O Fred , o George e a Ginny tinham preferido ficar em a escola a ir com Mr. e Mrs._Weasley a o Egipto visitar o Bill . Percy que reprovava e considerava infantil a conduta de eles , não passava muito_tempo em a sala comum de os Gryffindor . Já lhes dissera pomposamente que só ficara ali em o Natal , por ser sua obrigação como prefeito apoiar os professores em aquela época agitada . A manhã de o dia de Natal clareou branca e fria . Harry e Ron , os únicos que estavam em o dormitório , foram acordados muito cedo por Hermione que entrou , toda vestida , transportando presentes para ambos . - Acordem - disse em voz alta , abrindo os cortinados . - Hermione , tu não devias estar aqui - exclamou o Ron , protegendo os olhos de a luz . - Feliz_Natal para ti também - disse Hermione , atirando lhe o presente que tinha para ele . - Estou acordada há quase uma hora , acrescentando mais asas de renda a a poção . Está pronta . Harry sentou se , subitamente acordado . - Tens a certeza ? - Absoluta - disse ela , afastando o rato Scrabbers para se sentar a os pés de a cama de dossel . - Se vamos mesmo tomá a , acho que devia ser logo a a noite . Em esse momentzo , a Hedwig entrou em o quarto , transportando em o bico um embrulho pequenino . - Olá - disse Harry , feliz a o vê a aterrar em a sua cama . - Já me falas outra_vez ? Ela mordiscou lhe a orelha de uma forma afectuosa que foi , de longe , um presente melhor do_que aquele que transportava e que era afinal de os Dursley . Tinham mandado a Harry um palito para os dentes com um cartão pedindo lhe que se informasse se não poderia ficar , também em o Verão , em Hogwarts . Os outros presentes que Harry recebeu foram bastante melhores . Hagrid mandara lhe uma lata grande de bombons de melaço que ele decidiu amolecer a o lume antes de comer , o Ron deu lhe um livro chamado * _ Voando com Canhões * , que narrava factos interessantes sobre a sua equipa favorita de Quidditch e Hermione trouxera lhe uma luxuosa pena de águia . Harry abriu o último presente onde vinha uma camisola novinha , feita a a mão por Mrs._Weasley e um grande bolo de passas . Pegou em o cartão com uma nova sensação de culpa , pensando em o carro de Mr._Weasley que não voltara a ser visto desde_que chocara contra o salgueiro zurzidor e em a quantidade de infracções que ele e o Ron tinham em mente . Ninguém , nem mesmo os que estavam cheios de medo por terem de tomar a poção * polisuco * a seguir , deixou de adorar o jantar de Natal em Hogwarts . O salão nobre estava magnífico . Não_só havia uma_dúzia de árvores de Natal , cobertas de geada e espessas serpentinas de azevinho e visco bravo cruzando se junto de o tecto como caia uma neve encantada quente e seca . Dumbledore conduziu os em uma de as suas canções de Natal preferidas enquanto Hagrid se agitava , falando cada_vez_mais alto , a cada gole de gemada que tomava . O Percy que não dera por_que Fred enfeitiçara o seu distintivo de prefeito , onde agora podia ler se « cabeça de alfinetes « , continuava a perguntar a todos para_onde estavam a olhar . Harry nem_sequer se importou com os comentários que Draco_Malfoy fazia bem alto , de a mesa de os Slytherin acerca de a sua camisola nova . Com alguma sorte , Malfoy iria ser desmascarado dentro_de algumas horas . Harry e Ron mal tinham acabado a terceira dose de pudim de Natal quando Hermione os fez sair de o salão a a pressa para acabarem de tratar de os planos para essa noite . - Ainda precisamos de um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos - disse com o ar mais natural de este mundo como_se estivesse a mandá os a o supermercado comprar detergente . - E , é claro que o ideal será conseguirmos alguma coisa de o Crabbe e de o Goyle , são os melhores amigos de o Malfoy , ele conta lhes tudo . E precisamos também de ter a certeza de que eles não vão entrar em a sala quando vocês estiverem a interrogar o Malfoy . - Eu tenho tudo pensado - prosseguiu ela , ignorando a expressão estupefacta de Harry e Ron . Pegou em dois apetitosos bolos de chocolate . - Pus lhes um encantamento de sono . Vocês só têm de fazer com que o Crabbe e o Goyle os encontrem . Sabem como eles são gulosos , vão logo comê os . Quando estiverem a dormir , tirem lhes alguns cabelos e escondam nos em uma despensa de vassouras . Harry e Ron olharam , incrédulos , um para o outro . -- Hermione , eu não creio que ... -- Isto pode correr muito mal ... Mas Hermione tinha um brilho inflexível em os olhos que não era muito diferente do_que costumavam ver em o olhar de a professora Mc_Gonagall . - A poção não nos serve de nada sem os cabelos de o Crabbe e de o Goyle - disse com firmeza . - Vocês querem mesmo descobrir coisas sobre o Malfoy , não querem ? - Pronto , está bem - disse Harry . - Mas , e tu , vais arranjar cabelos de quem ? - Eu já tenho esse assunto resolvido - disse Hermione sorridente , tirando um frasquinho de o bolso e mostrando lhes um cabelo que lá estava dentro . - Lembram se de a Millicent_Bulstrode que lutou comigo em o clube de os duelos ? Ela deixou isto em o meu manto quando tentava estrangular me . E foi passar o Natal a casa , portanto , basta me dizer a os Slytherins que decidi voltar . Quando Hermione saiu para verificar de_novo a poção polisuco , Ron voltou se para Harry com uma expressão lúgubre . - Alguma vez viste um plano onde tantas coisas pudessem correr mal ? Mas para grande espanto de ambos , a primeira fase de a operação decorreu tão naturalmente como Hermione previra . Eles esconderam se em o * hall * de entrada , depois de o lanche de Natal , a a espera de o Crabbe e de o Goyle que tinham ficado sozinhos a a mesa de os Slytherin , deitando abaixo a quarta dose de bolo inglês . Harry colocou os bolos de chocolate em o fim de o corrimão . Quando avistaram Crabbe e Goyle a sair de o salão , Harry e Ron esconderam se rapidamente atrás_de uma armadura que estava junto de a porta de entrada . - Como_se pode ser tão estúpido ? - murmurou Ron sem se mexer enquanto Crabbe apontava satisfeitíssimo , mostrando a Goyle os bolos e agarrando os . Com um riso estúpido , enfiaram nos inteiros em as bocas enormes . Durante um momento , ambos mastigaram avidamente com olhares vitoriosos em o rosto . Depois , sem que a expressão se alterasse , caíram para trás e estatelaram se em o chão . Mais difícil foi transportá os para a despensa de o outro lado de o * hall * . Uma_vez armazenados em o meio de os baldes e esfregões , Harry arrancou alguns de os pêlos que cobriam a cabeça de o Goyle e Ron tirou alguns cabelos a o Crabbe . Roubaram lhes também os sapatos porque os de eles eram demasiado pequenos para os enormes pés de o Crabbe e de o Goyle . Em seguida , ainda atordoados com o que tinham acabado de fazer , correram até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mal conseguiam ver com o fumo preto e espesso que saía de o cubículo onde Hermione mexia o caldeirão . Tapando o rosto com os mantos , Harry e Ron bateram a o de leve em a porta . - Hermione ? Ouviram o ruído de o trinco e Hermione apareceu com a cara lustrosa e um ar ansioso . Por trás de ela ouviam o gloop gloop de a poção espessa e gorgolejante . Em o banco de a casa_de_banho estavam três copos de vidro . - Conseguiram ? - perguntou Hermione quase sem fôlego . Harry mostrou lhe o cabelo de o Goyle . - _ óptimo . Eu tirei estes mantos suplementares de a lavandaria - disse ela , pegando em uma pequena saca . - Vocês vão precisar de tamanhos maiores se vão ser o Crabbe e o Goyle . Olharam os três para o caldeirão . Vista de perto , a poção parecia uma lama espessa e escura a borbulhar indolentemente . - Tenho a certeza que fiz tudo certo - disse Hermione nervosa , relendo a página manchada de * _ Moste_Potente_Potions * . - Tem o aspecto que o livro diz que deveria ter ... depois de a tomar temos precisamente uma hora antes de nos transformarmos de_novo em as pessoas que somos . - E agora ? - murmurou o Ron . - Separamos a em três copos e adicionamos os cabelos . Hermione encheu cada_um de os copos com uma concha de sopa . Em seguida , retirou com a mão a tremer o cabelo de Millicent_Bulstrode de dentro de o frasquinho e pô o em o primeiro copo . A poção chiou fortemente como uma chaleira a ferver e espumou como louca . Um segundo depois ganhara um tom de amarelo doentio . - Urgh ! Essência_de_Millicent_Bulstrode - disse Ron , olhando com repugnância . - Aposto que o sabor é nojento . - Deitem os vossos - disse Hermione . Harry deixou cair o cabelo de o Goyle em o copo de o meio e Ron lançou o de o Crabbe em o último . Ambos chiaram e espumaram : o de o Goyle ficou de um tom caqui , o de o Crabbe de um castanho-escuro algo tenebroso . - Esperem - pediu Harry quando Ron e Hermione pegaram em os copos . - Será melhor não os tomarmos aqui todos juntos em um cubículo ; quando em os transformarmos não vamos cá caber e Millicent_Bulstrode não é nenhum duende . - Bem pensado - admitiu o Ron , abrindo a porta . - Cada_um em seu cubículo . Com todo o cuidado , para não entornar nem uma gota de a poção polisuco , Harry esgueirou se para o cubículo de o meio . - Prontos ? - perguntou . - Prontos - responderam as vozes de o Ron e de a Hermione . - Um , dois , três . Tapando o nariz , Harry bebeu a poção em dois grandes tragos . Tinha o sabor de a couve demasiado cozida . Os seus interiores começaram imediatamente a contorcer se como_se tivesse engolido serpentes vivas . Dobrado , Harry perguntava a si próprio se iria vomitar . Depois , uma sensação de ardor espalhou se rapidamente de o estômago até a as pontas de os dedos de as mãos e de os pés . Em seguida , fazendo o sobressaltar se , sobreveio o sentimento horrível de estar a derreter enquanto a pele de todo o seu corpo borbulhava como cera quente e , perante os seus olhos , as mãos começaram a crescer , os dedos a engrossar , as unhas a alargar e as articulações a tornarem se protuberantes como ferrolhos . Os ombros retesaram se dolorosamente e uma comichão em a testa preveniu o de que o cabelo estava a rastejar em direcção a as sobrancelhas . As túnicas rasgaram se enquanto o tórax se expandia como um barril , rebentando com os seus anéis . Os pés estavam em grande sofrimento dentro_de sapatos quatro números abaixo . Tão depressa como começara , tudo parou . Harry estava caído em o chão de pedra fria , ouvindo a Murta_Queixosa gorgolejando taciturna em o cubículo de o fundo . Com alguma dificuldade tirou os sapatos e levantou se . Era então assim que o Goyle se sentia ! Com a mão enorme a tremer , despiu a sua túnica que lhe ficava 30 centímetros acima de os tornozelos , pegou em as túnicas suplementares e amarrou os atacadores de os sapatos abotinados de o Goyle . Quis escovar o cabelo para o afastar um_pouco de os olhos e deu apenas com os pêlos hirsutos que lhe cresciam em a testa . Apercebeu se então de que os óculos lhe toldavam a visão porque o Goyle , obviamente , não precisava de eles . Tirou os e gritou . - Vocês estão bem ? - De a sua boca saiu a voz baixa e grossa de o Goyle . - Sim - respondeu lhe o grunhido de o Crabbe , a a sua direita . Harry abriu a porta de o cubículo e dirigiu se a o espelho partido . O Goyle olhava o de o outro lado com os seus olhos parados . Harry coçou a orelha e Goyle fez o mesmo . A porta de o Ron abriu se . Olharam um para o outro . Harry estava pálido e chocado . O amigo não se distinguia de o Crabbe , desde o corte de cabelo em forma de tigela até a os longos braços de gorila . - É inacreditável - disse o Ron , aproximando se de o espelho e beliscando o nariz achatado de o Crabbe . - Inacreditável ! - É melhor irmos indo - disse Harry , alargando a pulseira de o relógio que lhe cortava o pulso . - Ainda temos de descobrir onde fica a sala comum de Slytherin . Só espero que encontremos alguém que vá para lá e que nós possamos seguir . Ron que tinha estado a olhar espantado para ele , comentou : - Não imaginas como é bizarro ver o Goyle a pensar - bateu em a porta de Hermione . - Vamos , temos que ir ... Respondeu lhe uma voz aguda : - Eu ... eu acho que afinal não vou . Vão vocês sem mim . - Hermione , nós sabemos que a Millicent_Bulstrode é feia , ninguém vai pensar que és tu . - Não , a sério , acho que não vou . Despachem se vocês os dois , estão a perder tempo . Harry olhou para Ron , baralhado . - Aquilo parece mais de o Goyle , é como ele fica sempre_que algum professor lhe faz uma pergunta . - Estás bem , Hermione ? - perguntou Harry , através de a porta . - _ óptima , estou óptima , vão se embora . Harry olhou para o relógio . Cinco preciosos minutos tinham já passado . - Encontramo nos aqui , está bem ? - disse . Os dois abriram a porta de a casa_de_banho com todo o cuidado , viram se o caminho estava livre e saíram . - Não balances assim os braços - disse o Harry a o Ron . - Hein ? - O Crabbe anda sempre com eles esticados . - Assim ? - Isso , assim está melhor . Desceram a escadaria de mármore . Só precisavam agora de um Slytherin que pudessem seguir até a a sala comum , mas não havia ninguém por perto . - Tens alguma ideia ? - perguntou Harry em um murmúrio . - Os Slytherin vêm sempre de ali para o pequeno-almoço - disse o Ron , apontando para a entrada de os calabouços . Mal tinha pronunciado estas palavras quando uma rapariga de cabelo comprido a os caracóis , apareceu . - Desculpa - disse o Ron , sem perder tempo . - Esquecemo nos de o caminho para a nossa sala comum . - Como ? - disse a rapariga com a maior frieza . - A * nossa * sala comum ? Eu sou uma Ravenclaw . Afastou se , olhando para eles , desconfiada . Harry e Ron desceram apressadamente os degraus de pedra até a a escuridão . Os passos ecoavam em o silêncio , à_medida_que os pés enormes de Crabbe e Goyle tocavam em o chão , fazendo os sentir que as coisas não iam ser tão fáceis como eles desejavam . Os corredores labirínticos estavam desertos . Andaram e tornaram a andar por os subterrâneos , olhando constantemente para os relógios para ver quanto tempo ainda lhes restava . Depois de um quarto de hora , quando começavam a ficar desesperados , ouviram um movimento súbito . - Olha - disse o Ron , agitadamente . - Agora é um de eles . A silhueta saía de uma sala , mas quando se aproximaram o coração de ambos esmoreceu . Não era um Slytherin , era Percy . - O que estás a fazer aqui em baixo ? - perguntou o Ron surpreendido . - Isso - disse ele friamente - não é de a tua conta . És o Crabbe , não és ? - Er ... sim , sim - respondeu o Ron . - Então vão para o vosso dormitório - ordenou Percy com firmeza . - Não é seguro andar a passear por os corredores escuros em os dias que correm . - Tu andas -- fez notar o Ron . - Eu - disse o Percy endireitando se - sou um prefeito . Nada vai atacar me . Ouviu se , de repente , uma voz por_detrás_de Harry e Ron . Era_Draco_Malfoy e , pela_primeira_vez em a vida , Harry ficou satisfeito a o vê o . - Aí estão vocês - disse de modo arrastado , olhando para eles . - Têm estado a chafurdar em o salão este tempo todo ? Tenho andado a a vossa procura , quero mostrar vos uma coisa muito divertida . Malfoy olhou misteriosamente para Percy . - E o que fazes tu aqui , Weasley ? - perguntou com ar de desprezo . Percy olhou , sentindo se ultrajado . - Fazes favor de mostrar um_pouco mais de respeito por um prefeito de a escola - disse . - Não gosto de o teu ar . Malfoy riu se e fez sinal a o Harry e a o Ron para que o seguissem . Harry quase ia pedindo desculpa a o Percy , mas deu se conta a tempo . Apressaram se a seguir o Malfoy que disse , mal viraram em o corredor seguinte : - Aquele Peter_Weasley ... - O Percy - corrigiu Ron automaticamente . - Ou isso - continuou Malfoy . - Ultimamente tenho o visto muitas_vezes a andar por aí sorrateiramente e aposto que sei o que ele quer . Pensa que vai apanhar o herdeiro de Slytherin sozinho . Deu uma pequena gargalhada ridícula . Harry e Ron trocaram olhares nervosos . Malfoy parou junto de uma parede de pedra húmida . - Qual é a senha ? - perguntou a o Harry . - Er ... - Ah ! sim , sangue puro - disse Malfoy sem ouvir e uma porta de pedra , oculta em a parede , abriu se . Malfoy entrou e Harry e Ron seguiram o . A sala comum de os Slytherin era uma ampla divisão subterrânea com espessas paredes de pedra e um tecto de o qual estavam pendurados por correntes vários candeeiros redondos que davam uma luz esverdeada . O fogo crepitava em uma lareira elaboradamente esculpida em frente de a qual se viam as silhuetas de vários Slytherins sentados em cadeiras igualmente esculpidas . - Esperem aí - disse Malfoy a o Harry e a o Ron , encaminhando os para um par de cadeiras vazias , longe de o lume . - Eu vou buscar o que o meu pai acaba de me mandar . Sem saber o que Malfoy iria mostrar lhes , Harry e Ron sentaram se , fazendo todos os possíveis por parecer a a vontade . Malfoy voltou um minuto depois , trazendo em a mão o que parecia ser um recorte de jornal . Pô o debaixo de o nariz de o Ron . - Vais te rir - disse . Harry viu os olhos de o Ron abrirem se como_se estivesse em estado de choque . Viu o ler o recorte rapidamente , dar uma gargalhada forçada e estender lhe o em seguida . Tinha sido retirado de o * _ Profeta_Diário * e dizia : inquérito em o ministério de a magia * _ Arthur_Weasley , chefe de o Gabinete_de_Mau_Uso_dos_Utensílios_dos_Muggles foi hoje multado em cinquenta galeões por ter enfeitiçado um carro de os Muggles . * _ O senhor Lucius_Malfoy , Membro_do_Conselho_Directivo_da_Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts , onde o carro enfeitiçado foi chocar em o princípio de este ano , exigiu hoje a demissão de Mr._Weasley . « * _ O_Weasley trouxe o descrédito a o Ministério « - declarou Mr._Malfoy a o nosso repórter . - « É claramente incompetente para fazer cumprir as leis e a sua protecção ridícula de os Muggles deveria ir imediatamente para a sucata . » * _ Mr._Weasley recusou se a fazer comentários , mas a sua mulher disse a os repórteres que desaparecessem de ali ou lançaria contra eles o vampiro de a família * . - Então - disse Malfoy impaciente quando Harry voltou a entregar lhe o recorte . - Não achas o_máximo ? - Ha , ha - fez Harry tristemente . - O Arthur_Weasley gosta tanto de os Muggles que era capaz de partir a sua varinha a o meio para se juntar a eles - disse Malfoy com desprezo . - Ninguém diria que os Weasley eram sangue puro a avaliar por o modo como_se comportam . A cara de o Ron , ou melhor , de o Crabbe , contorceu se de raiva . - O que é_que se passa ? - perguntou Malfoy . - Dores de estômago - gemeu o Ron . - Então vai a a ala hospitalar e dá a todos aqueles sangues de lama um pontapé de a minha parte - disse Malfoy com o seu riso escarninho . - Sabes que estou espantado por o * _ Profeta_Diário * ainda não se ter referido a todos estes ataques - continuou pensativamente . - Calculo que o Dumbledore deve estar a tentar abafar as coisas . Ele ainda é posto em a rua se isto não acaba depressa . O pai sempre disse que Dumbledore foi a pior coisa que aqui veio parar . Ele adora os filhos de os Muggles , um director decente nunca deixaria um lodo como o Creevey entrar em esta escola . Malfoy começou a fingir que tirava fotografias com uma máquina imaginária e fez uma imitação maldosa , mas bastante fiel de o Colin : - Potter , posso tirar te a fotografia ? Dás me um autógrafo ? Posso lamber te os sapatos , por favor , Potter ? Baixou as mãos e olhou para Harry e Ron . - O que é_que se passa com vocês os dois ? Um_pouco atrasados , Harry e Ron forçaram o riso e Malfoy pareceu satisfeito . Talvez Crabbe e Goyle fossem sempre de reacção lenta . - O santo Potter , amigo de os sangues de lama - disse Malfoy . - É outro que não tem os sentimentos de um feiticeiro a sério ou não andaria por aí com aquela empertigada sangue de lama Granger . E as pessoas a pensarem que ele é o herdeiro de Slytherin . Harry e Ron esperaram com a respiração entrecortada : o Malfoy ia certamente dizer lhes , dentro_de segundos , que era ele , mas então ... - Quem me dera saber quem ele é - disse o Malfoy , de forma petulante . - Podia ajudá o . O queixo de o Ron caiu de tal maneira que a cara de o Crabbe ficou ainda mais desajeitada do_que era habitual . Felizmente Malfoy não deu por nada e Harry , em um pensamento rápido , disse : - Deves ter alguma ideia de quem está por_detrás_de tudo ... - Sabes perfeitamente que não tenho , Goyle , quantas vezes é preciso dizer te ? - cortou Malfoy . - E o pai também não me diz nada sobre a última vez que a câmara foi aberta . É claro que foi há cinquenta anos , antes de ele cá andar , mas o pai sabe tudo a esse respeito e diz que as coisas foram mantidas em grande segredo e que pareceria suspeito se eu soubesse demasiado . Mas há uma coisa que eu sei : de a última vez que a câmara foi aberta , morreu um sangue de lama . Por isso , aposto que é uma questão de tempo até que um de eles seja morto . Só espero que seja a Granger - disse satisfeito . Ron fechara os punhos gigantescos de o Crabbe . Sentindo que deitaria tudo a perder se ele desse um soco a o Malfoy , Harry lançou lhe um olhar de aviso e disse : - Sabes se a pessoa que abriu a câmara de a última vez foi apanhada ? - Ah ! sim , essa pessoa foi expulsa - disse Malfoy . - Ainda deve estar em Azkaban . - Azkaban ? - repetiu Harry confuso . - Azkaban , a prisão de os feiticeiros , Goyle - disse Malfoy , olhando para ele incrédulo . - Francamente , se fosses mais lento andavas para trás . Esticou se intranquilo , em a cadeira e disse : - O pai diz para eu esfriar a cabeça e deixar que o herdeiro de Slytherin faça o seu trabalho . Acha que a escola precisa de se livrar de a escória de os sangues de lama , mas não quer que eu me envolva em nada . Claro que ele agora tem um prato cheio . Sabes que o Ministério de a magia fez uma busca a a nossa mansão em a semana passada ? Harry tentou forçar a cara de bronco de o Goyle a uma expressão preocupada . - Sim - continuou Malfoy . - É claro que não encontraram grande coisa . O pai guarda uns materiais de magia negra muito valiosos , mas , felizmente , temos a nossa câmara secreta debaixo de o soalho de a sala de visitas ... - Ah ! - disse o Ron . Malfoy olhou para ele . Harry também . Ron corou e até o cabelo começou a ficar vermelho . O nariz estava também a diminuir lentamente ... a hora tinha acabado . Ron estava a voltar a a sua forma habitual e por o olhar de horror que lançou a Harry certamente ele também estava . Puseram se rapidamente de pé . - Tenho de tomar o remédio para o estômago - grunhiu o Ron e sem mais explicações saíram ambos a correr de a sala comum de os Slytherin , precipitaram se para a parede de pedra e galgaram a passagem , pedindo a todos os santos que Malfoy não tivesse dado por nada . Harry sentia os pés a nadarem em os sapatos enormes de o Goyle e tinha de levantar o manto visto_que diminuíra de tamanho . Subiram os degraus a correr até a o * hall * escuro de entrada onde se ouvia um som abafado que vinha de a despensa onde tinham fechado o Crabbe e o Goyle . Deixando os sapatorros de os dois de o lado de_fora , subiram já com os respectivos sapatos a escadaria de mármore até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Bem , não foi uma total perda de tempo - disse o Ron ofegante , fechando atrás_de si a porta de a casa_de_banho . - É certo que ainda não descobrimos de quem vêm os ataques , mas vou escrever a o meu pai amanhã a dizer lhe que procure debaixo de o soalho de a sala de visitas de o Malfoy . Harry olhou para o espelho partido . Tinha voltado a o normal . Pôs os óculos enquanto Ron batia em a porta de o cubículo de Hermione . - Hermione , sai de aí , temos um monte de coisas para te contar ... - Vão se embora - guinchou Hermione . Harry e Ron olharam um para o outro . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron . - Tu já deves ter voltado a o normal como nós ... Mas a Murta_Queixosa saiu subitamente através de a porta de o cubículo com um ar divertido como nunca a tinham visto . - Oh ! Esperem até ver - disse ela . - É horrível ! Ouviram o trinco de a porta a abrir se e Hermione apareceu a soluçar , a túnica levantada a cobrir lhe o rosto . - O que foi ? - perguntou o Ron indistintamente . - Ainda tens o nariz de a Millicent ou alguma coisa assim ? Hermione deixou cair a roupa e Ron recuou rapidamente . O rosto de ela estava coberto de pêlo preto , os olhos tinham ganho uma cor amarela e as orelhas eram pontiagudas , saindo espetadas para fora de os cabelos . - Era um pêlo de g-gato - disse a chorar . - A Millicent_Bulstrode d-deve ter um gato e a poção não está preparada para transformação em animais . - Oh-oh - disse o Ron . - Vão te gozar horrivelmente - disse a Murta , felicíssima . - Não te preocupes , Hermione - tranquilizou a rapidamente o Harry . - Vamos levar te para a ala hospitalar , a Madam_Pomfrey nunca faz muitas perguntas ... Não foi fácil convencer Hermione a sair de a casa_de_banho . A Murta_Queixosa despediu se com uma gargalhadavigorosa e grosseira . - Espera até todos descobrirem que tens uma cauda ! XIII_O diário muito secreto Hermione ficou em a ala hospitalar durante várias semanas . Houve uma onda de boatos sobre o seu desaparecimento quando o resto de os alunos voltou de as férias de Natal porque , é claro , todos pensam que ela tinha sido atacada . Foram tantos os estudantes a rondar a ala hospitalar para espreitar a ver se a viam que Madam_Pomfrey desceu de_novo as cortinas de a cama de ela para a poupar a a vergonha de ser vista com pêlo em a cara . Harry e Ron iam visitá a todas_as tardes . Quando o segundo período começou passaram a levar lhe diariamente os trabalhos de casa . - Se eu tivesse o bigode a crescer , tinha uma folga de o trabalho - disse uma tarde o Ron enquanto colocava uma pilha de livros a a cabeceira de a cama de Hermione . - Não sejas parvo , Ron , eu tenho de me manter a par de as coisas - disse Hermione com vivacidade . O humor de ela melhorara bastante com o facto de lhe ter desaparecido todo o pêlo de o rosto e de os olhos estarem lentamente a retomar a cor castanha . - Calculo que não tenham novas pistas ? - disse em um murmúrio para evitar que Madam_Pomfrey os ouvisse . - Nada - disse Harry tristemente . - Eu tinha tanta certeza de que era o Malfoy - repetiu o Ron por a centésima vez . - O que é isso ? - perguntou Harry , apontando para uma coisa com brilho dourado que estava debaixo de a almofada de Hermione . - É só um cartão a desejar boas melhoras - disse ela precipitadamente , tentando escondê o , mas o Ron foi mais rápido . Pegou lhe , abriu o e leu em voz alta : * _ Para_Miss_Granger , desejando lhe uma rápida recuperação , com o interesse e estima de o professor Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , Terceiro grau , Membro_Honorário_da_Liga_de_Defesa contra as Artes_Negras e vencedor por cinco vezes de o prémio O sorriso mais charmoso de a semana de o Semanário_das_Bruxas * . Ron olhou desconsolado para Hermione . - Tu dormes com isto debaixo de a almofada ? Mas Hermione foi poupada a ter de responder por a entrada de Madam_Pomfrey que lhe trazia a dose de medicamento de a tarde . - Achas que o Lockhart é o tipo mais esperto que conheceste ? - perguntou o Ron a o Harry quando saíram de a enfermaria e começavam a subir as escadas para a torre de os Gryffindor . O Snape tinha lhes passado tanto trabalho para_casa que Harry pensou que ia chegar a o sexto ano antes de o ter acabado . Ron vinha a dizer que devia ter perguntado a a Hermione quantas caudas de rato deveria juntar se a uma poção para o crescimento de o cabelo quando um grito de raiva vindo de o andar de cima lhes chegou a os ouvidos . - É o Filch - murmurou Harry enquanto subiam apressadamente as escadas e paravam para ouvir melhor . - Terá mais alguém sido atacado ? - disse nervosamente o Ron . Ficaram parados com as cabeças inclinadas para a voz de o Filch que parecia quase histérica . -- ... * _ Ainda mais trabalho para mim . Toda_a noite a esfregar como_se não tivesse já trabalho de sobra . Não , isto foi a gota de água que fez transbordar o copo , vou falar com Dumbledore * ... Os passos afastaram se e ouviram uma porta fechar se com grande estrondo . Puseram as cabeças fora de a esquina . O Filch tinha obviamente estado a patrulhar o seu habitual posto de vigia : estavam novamente em o lugar onde Mrs._Norris fora atacada . Perceberam imediatamente qual o motivo de os gritos . Uma enorme poça de água enchia metade de o corredor e parecia escorrer de a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Agora_que o Filch se calara podiam ouvir os uivos de a Murta que faziam eco em as paredes de a casa_de_banho . - Mas o que se passará com ela ? - disse o Ron . - Vamos lá ver - sugeriu Harry e arregaçando as túnicas até a os tornozelos entraram , atravessando a enorme poça de água , em a casa_de_banho que tinha o letreiro a dizer « Fora de serviço » e que eles , como sempre , ignoraram . A Murta_Queixosa chorava , se possível , mais alto do_que nunca . Parecia estar escondida em o cubículo de o costume . Lá dentro estava escuro pois as velas tinham se apagado com a enchente de água que deixara as paredes e o chão ensopado . - O que se passa , Murta ? - quis saber o Harry . - Quem é ? - perguntou ela infelicíssima . - Vieste atirar me mais alguma coisa acima ? Harry caminhou com dificuldade por causa de a água até a o cubículo de ela e disse : - Porque te faríamos nós uma coisa de essas ? - Não me perguntem - gritou a Murta , emergindo em uma onda de água que molhou ainda mais o chão já ensopado . - Eu estou aqui metida em a minha morte e alguém acha muito engraçado atirar me com um caderno acima ... - Mas , não pode magoar te se alguém te atirar alguma coisa acima - disse Harry , tentando ser prático . - Isto_é , seja o que for passa através_de ti , não é assim ? Tinha dito a frase errada . A Murta encheu o peito de ar e gritou a plenos pulmões : - Vamos todos atirar cadernos a a Murta já_que ela não sente nada ! Dez pontos se lhe acertarem em o estômago , cinquenta se lhe atravessar a cabeça ! Hah hah hah , que jogo lindo , não acham ? - Quem te atirou um caderno , afinal ? - perguntou o Harry . - Não sei ... eu estava sentada em a sanita a pensar em a morte e caiu me em cima de a cabeça - disse a Murta , olhando para eles . - Está ali , ficou todo molhado . Harry e Ron olharam para o ponto que a Murta lhes apontava debaixo de o lavatório . Um caderno pequenino e fino estava caído em o chão . Tinha uma capa preta muito gasta e estava encharcado como tudo em aquela casa_de_banho . Harry deu um passo em frente para o apanhar , mas o Ron agarrou lhe precipitadamente o braço . - O que foi ? - perguntou Harry . - Estás doido - disse ele . - Pode ser perigoso . - Perigoso ? - riu se Harry . - Essa agora Ron , como é_que pode ser perigoso ? - Ficarias surpreendido ... - explicou ele , olhando com ar apreensivo para o caderno . - Entre os livros que o Ministério confiscou , contou me o meu pai , havia um que queimava os olhos a as pessoas . E todos os que leram os * _ Sonetos_de_Um_Feiticeiro * ficaram a falar em verso para o resto de a vida . Havia também uma bruxa em Bath que tinha um livro que quem o lesse nunca mais conseguia parar , tinha de andar por aí com o nariz enfiado em as folhas , a fazer todas_as coisas só com uma mão e ... - Já chega , já chega , já percebi a tua ideia - disse O_Harry . O caderninho continuava caído e ensopado . - Bem , nunca saberemos a_não_ser_que tenhamos a coragem de dar uma vista de olhos - disse e mergulhou apanhando o de o chão . Harry viu imediatamente que se tratava de um diário e a data meio apagada , em a capa , disse lhe que tinha cinquenta anos de idade . Abriu o ansiosamente . Em a primeira página podia ler se apenas o nome T._M._Riddle em tinta esborratada . - Espera aí - disse o Ron que se aproximara prudentemente e olhava por cima de o ombro de Harry . - Eu conheço esse nome ... T._M._Riddle recebeu um prémio por serviços especiais prestados a a escola há cinquenta anos atrás . - Como diabo sabes tu isso ? - perguntou Harry com grande espanto . - Porque o Filch mandou me limpar a taça de ele umas cinquenta vezes quando estive de castigo - disse o Ron ressentido . - Foi a taça em cima de a qual eu vomitei lesmas . Se tivesses tido que limpar o muco de um nome durante uma hora também te lembrarias . Harry separou umas de as outras as páginas molhadas . Estavam completamente em branco . Não havia o mais leve sinal de escrita em nenhuma , nem coisas como « Aniversário de a tia Mabel « ou « Dentista a as três_e_meia » . - Ele nunca escreveu nada aqui - disse Harry desapontado . - Porque quereria alguém atirá o fora ? - perguntou se o Ron com curiosidade . Harry voltou o caderno e viu , inscrito em a contra capa , o nome de uma tabacaria em Vauxhall_Road , Londres . - Ele devia ser filho de Muggle - disse Harry pensativo - para ter comprado um diário em Vauxhall_Road ... - Bem , não te serve de muito - Ron baixou a voz . - Cinquenta pontos se acertares em o nariz de a Murta . Harry , mesmo_assim , guardou o diário . Hermione saiu de a ala hospitalar desbigodada , sem cauda e sem pêlo em os primeiros dias de Fevereiro . Em a primeira noite em a torre de os Gryffindor , Harry mostrou lhe o diário de T._M._Riddle e contou lhe como o tinham encontrado . - Ooooh ! Deve ter poderes ocultos - disse ela entusiasticamente , pegando em o diário e examinando o de perto . - Se tem , esconde os muito bem - disse Ron . - Talvez fosse tímido . Não sei porque não deitas isso fora , Harry . - Gostava de perceber porque motivo alguém se quis livrar de ele - explicou Harry . - E também não me importava de saber como foi que o Riddle obteve esse prémio de serviços especiais prestados a Hogwarts . - Pode ter sido qualquer coisa - lançou o Ron . - Talvez tenha recebido 30 de nota final ou salvo um professor de a lula gigante . Se_calhar assassinou a Murta , isso teria sido um favor prestado a todos ... Mas Harry quase podia jurar , por o olhar suspenso em a cara de Hermione , que ela pensava o mesmo_que ele . - O que foi ? - perguntou Ron , olhando para um e para o outro . - Bem , a Câmara_dos_Segredos foi aberta há cinquenta anos , não foi isso que disse o Malfoy ? - Sim - respondeu Ron , lentamente . - E este diário tem cinquenta anos de idade - completou Hermione , dando lhe palmadinhas nervosas . - E de aí ? - Oh Ron , acorda - insistiu Hermione . - Sabemos que a pessoa que abriu a câmara de a outra_vez foi expulsa há cinquenta anos . E se o Riddle tivesse tido o prémio especial por apanhar o herdeiro de Slytherin ? O seu diário diria nos provavelmente tudo : onde é a Câmara_dos_Segredos , como abris a e que tipo de criatura vive lá . Achas que a pessoa que está por trás de os ataques desta_vez quereria o diário por aí ? - É uma teoria interessante , Hermione - disse o Ron . - Apenas com uma pequenina falha : o diário não tem nada Mas_Hermione já estava a tirar a varinha de o saco . - Pode ser tinta invisível - murmurou . Bateu três vezes em o diário e repetiu * _ Aparecium ! * Nada aconteceu . Intrépida , Hermione meteu a mão de_novo em o saco e tirou o que parecia ser uma borracha vermelha e brilhante . - É um * revelador * , comprei o em a Diagon - _ Al - disse . Apagou com força em 1_de_Janeiro . Não sucedeu nada . - Já vos disse , não há nada aí - repetiu o Ron . - O Riddle deve ter recebido um diário como prenda de Natal e nem se deu a o trabalho de escrever fosse o que fosse . Harry não conseguia explicar , nem a si próprio , porque motivo não deitara fora o diário de Riddle . A verdade é_que , mesmo depois de saber que ele estava em branco , continuou distraidamente a pegar lhe e a virar as páginas como_se quisesse chegar a o fim de uma história . E , apesar_de saber que nunca tinha ouvido o nome T._M._Riddle , continuava a ter a sensação de que lhe dizia alguma coisa , como_se Riddle fosse um amigo que ele tinha tido quando era muito pequeno e que estivesse meio esquecido . Mas era um absurdo . Nunca tivera amigos antes de Hogwarts , Dudley tivera esse cuidado . Ainda_assim , Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle , por isso em o dia seguinte foi até a a sala de os troféus para examinar a taça , acompanhado de Hermione que estava interessadíssima e de Ron que se mostrava profundamente incrédulo , dizendo que tinha ficado farto de aquela sala até a o fim de a vida . A taça dourada de Riddle estava arrecadada em um armário de canto . Não fornecia detalhes sobre o motivo por_que lhe fora dada ( felizmente , se fosse maior ainda hoje estava a limpá a , disse o Ron ) . Mas encontraram o nome de Riddle em uma antiga medalha de Mérito_Mágico e em uma lista de antigos chefes de turma . - Parece o Percy - comentou Ron , torcendo o nariz com aversão . - Prefeito , chefe de turma , provavelmente o melhor em todas_as disciplinas . - Dizes isso como_se fosse uma coisa má - fez lhe notar Hermione , em um tom de voz ressentido . Um sol fraco brilhava agora de_novo em Hogwarts . Dentro de o castelo , o ambiente estava bastante melhor . Não tinha havido novos ataques desde Justin e Nick quase sem cabeça e Madam_Pomfrey teve a satisfação de informar que as Mandrágoras começavam a ficar instáveis e dissimuladas , sinal de que estavam a abandonar rapidamente a infância . - Logo_que o acne desapareça estarão prontas para novo transplante - ouviu a Harry dizer amavelmente a o Filch . - E depois de isso , não demorará muito até podermos cortá as e estufá as . - Vai ter Mrs._Norris de volta , muito em_breve . Talvez o herdeiro ou herdeira de Slytherin tenha perdido a coragem , pensou Harry . Deve ser cada_vez_mais arriscado abrir a Câmara_dos_Segredos com a escola tão alerta e desconfiada . Talvez o monstro , qualquer_que_fosse , estivesse a preparar se para hibernar durante outros cinquenta anos . Ernie_Mcmillan_dos_Hufilepuff não aceitou esta visão optimista . Continuava convencido de que Harry era o culpado , que se tinha traído em o clube de os duelos . Peeves não ajudava nada : continuava a cantar por os corredores Potter , * seu bandido * ... agora acompanhado de um esquema de dança . Gilderoy_Lockhart parecia pensar que fora ele quem pusera fim a os ataques . Harry fartou se de o ouvir dizer isso a a professora Mc_Gonagall enquanto os Gryffindor formavam bicha para a aula de Transfiguração . - Não creio que volte a haver problemas , Minerva - disse , tocando em o nariz com ar conhecedor e piscando o olho . - Acho que desta_vez a câmara foi definitivamente selada . O culpado deve ter sabido que era uma questão de tempo até eu o apanhar e que era mais sensato parar agora antes que eu lhe tratasse de a saúde . Sabe , a escola está a precisar de um intensificador de animo para apagar as lembranças de o último período . Não vou dizer lhe mais_nada , por enquanto , mas julgo que sei o que ... Voltou a tocar em o nariz e afastou se a passos largos . A ideia de Lockhart de um intensificador de ânimo ficou bastante clara em o dia_14_de_Fevereiro , a o pequeno-almoço . Harry não dormira grande coisa devido a o treino de Quidditch em a noite anterior e chegou a o salão um_pouco atrasado . Pensou , por momentos , que se tinha enganado em a porta . As paredes estavam todas cobertas com enormes e medonhas flores cor-de-rosa . Pior ainda , * confettis * em forma de corações caíam de o tecto azul pálido . Harry dirigiu se a a mesa de os Gryffindor onde o Ron estava sentado com um ar enjoado junto de Hermione que parecia particularmente risonha . - O que se passa ? - perguntou lhes , sentando se e sacudindo os * confettis * de o seu bacon . Ron apontou para a mesa de os professores , com um ar demasiado repugnado para falar . Lockhart , em as suas vestes rosa vivo , a condizer com a decoração de o salão , fazia sinal para que se calassem . Os professores que o ladeavam tinham um ar estupefacto . De o seu lugar , Harry podia ver um músculo mover se em a bochecha de a professora Mc_Gonagall . Snape estava com ar de quem tomou uma imensa dose de xarope * skele-gro * . - Feliz dia de S._Valentim - gritou Lockhart . - E permitam me que agradeça a as quarenta_e_seis pessoas que até agora me enviaram cartões . Sim , fui eu quem tomou a liberdade de vos fazer esta pequena surpresa , e ela não acaba aqui ! Lockhart bateu as palmas e por as portas de o * hall * entraram a marchar cerca de uma_dúzia de duendes de aspecto carrancudo . Não eram uns duendes quaisquer , diga se de passagem . Lockhart fizera os usar asas douradas e transportar harpas . - Os meus amigos cupidos , portadores de os cartões ! gritou Lockhart . - Eles vão andar por a escola durante o dia de hoje , entregando os vossos cartões de S._Valentim . E o divertimento não acaba aqui . Tenho a certeza de que os meus colegas vão querer participar em este espírito de festa . Porque não pedir a o professor Snape que vos mostre como preparar rapidamente uma poção de amor . E , enquanto ele a prepara , está aqui o professor Flitwick que é de todos os feiticeiros que conheci aquele que mais sabe de encantamentos de sedução , o grande safado ! O professor Flitwick enterrou o rosto em as mãos . Snape olhava como_se quisesse dar veneno a a primeira pessoa que fosse pedir lhe a poção de o amor . - Por favor , Hermione , diz me que não foste uma de as quarenta_e_seis - pediu Ron quando saíram de o salão para a primeira aula . Mas Hermione ficou subitamente muito interessada em procurar o horário dentro de a mala e não lhe respondeu . Durante todo o dia os duendes não pararam de se intrometer em as aulas para entregar cartões , para grande aborrecimento de os professores e , ao_fim_da_tarde , quando os Gryffindor subiam as escadas para a aula de encantamentos , um de eles avistou o Harry . - Hei , tu , Harry_Potter ! - gritou um duende de aspecto particularmente lúgubre , dando cotoveladas a_toda_a gente para se aproximar de o Harry . Coradíssimo com a ideia de receber um cartão de S._Valentim diante_de uma fila de alunos de o primeiro ano que , por acaso , incluía Ginny_Weasley , Harry tentou escapar se . Mas o duende cortou lhe o caminho através de a multidão e agarrou o em três tempos . - Tenho uma mensagem musical para entregar a Harry_Potter em pessoa - disse , tangendo a harpa de forma ameaçadora . - Aqui não - disse baixinho o Harry , tentando escapar . - Fica quieto - grunhiu o duende , agarrando o saco de o Harry e puxando com força . - Larga me - disse ele rispidamente , dando um puxão . Com um ruído de tecido a rasgar se , o saco dividiu se em dois . Os livros de Harry , varinha , pergaminho e pena espalharam se por o chão enquanto o tinteiro se partia em cima de as outras coisas . Harry pôs se de gatas , tentando apanhar tudo antes que o duende começasse a cantar , provocando um engarrafamento em o corredor . - O que se passa aqui ? - perguntou a voz fria e afectada de Draco_Malfoy . Harry , nervosíssimo , começou a guardar tudo dentro de o saco rasgado , desesperado para sair de ali antes que Malfoy pudesse ouvir o seu S._Valentim musical . - Que confusão é esta ? - disse outra voz familiar . Percy_Weasley tinha chegado . De cabeça perdida , Harry tentou fugir , mas o duende agarrou o por os joelhos e fê lo cair a o chão . - Certo - disse , sentando se em os tornozelos de Harry . Eis o teu cartão musical : * _ Os olhos de ele são verdes como o sapo de o quintal * _ O seu cabelo é escuro como um temporal * _ É um desatino , oh ! ele é divino ! * _ O herói que venceu o Senhor_do_Mal * . Harry teria dado todo o ouro de Gringotts para se evaporar em aquele momento . Tentando corajosamente rir se com todos os outros , levantou se . Sentia os pés dormentes de o peso de o duende . Enquanto isso , Percy_Weasley fazia todos os possíveis por dispersar a multidão onde havia gente que chorava de hilaridade . - Vamos embora , vamos embora , a campainha tocou há cinco minutos para as aulas - dizia , enxotando alguns de os alunos mais novos . - E tu , Malfoy . Harry olhou e viu Malfoy inclinar se , apanhar qualquer coisa e com um olhar maldoso mostrá a a Crabbe e Goyle . Percebeu que era o diário de Riddle . - Dá cá isso - exigiu com toda_a calma . - O que será que o Potter escreveu aqui ? - disse Malfoy que obviamente não reparara em a data e pensou que tinha em as mãos o diário de o Harry . Houve uma agitação em os presentes . Ginny olhava apavorada para o diário e para Harry . - Dá lhe isso , Malfoy - disse Percy com firmeza . - Depois de dar uma vista de olhos - retorquiu Malfoy , acenando a Harry com o diário de forma provocatória . Percy disse : - Como Prefeito de a escola ... - mas Harry perdera a paciência . Pegou em a varinha e gritou * _ Expelliarmus * e assim_como Snape desarmara Lockhart , MalLoy viu o diário saltar lhe de as mãos e elevar se em o ar enquanto Ron o apanhava sorridente . - Harry - disse Percy levantando a voz . - Não quero magia em os corredores . Vou ter de participar isto , sabes perfeitamente . Mas Harry não se importou . Tinha ganho uma_vez a Malfoy e isso valia bem cinco pontos a menos para os Gryffindor . Malfoy estava furioso e quando a Ginny passou por ele a caminho de a sala de aula , gritou lhe com desprezo : - Não creio que o Potter tenha gostado lá muito de o teu cartão de S._Valentim . Ginny tapou a cara e correu para a aula . Aborrecido , Ron pegou também em a varinha , mas Harry afastou o . Era melhor que ele não passasse a aula de encantamentos a vomitar lesmas . Só quando entraram em a sala de aula de o professor Flitwick é_que Harry reparou em uma coisa bastante estranha em o diário de Riddle . Todos os outros livros estavam cheios de tinta vermelha , mas o diário mantinha se tão limpo como antes de o tinteiro se ter entornado em cima de ele . Tentou chamar a atenção de Ron para este facto , mas ele estava novamente a ter um problema com a varinha : de a extremidade saíam grandes bolhas roxas e ele não parecia interessado em mais_nada . Em essa noite , Harry foi deitar se antes de os outros companheiros de dormitório , em parte porque já não conseguia suportar o Fred e o George a cantarem * _ Os seus olhos são verdes como o sapo de o quintal * e em parte porque queria voltar a examinar o diário de Riddle e sabia que em a opinião de o Ron era uma pura perda de tempo . Sentou se em a cama de dossel e folheou as páginas em branco em as quais não se via uma única mancha de tinta escarlate . Tirou então outro tinteiro de o armário a o lado de a cama , molhou a pena e deixou cair um borrão em a primeira página de o diário . A tinta brilhou em o papel durante um segundo e , em seguida , como_se a página a tivesse sugado , desapareceu sem deixar rasto . Depois , finalmente , algo aconteceu . Deslizando sobre a página em a cor de a sua tinta , surgiram palavras que Harry não escrevera . - * _ Olá_Harry_Potter . O meu nome é Tom_Riddle . Como é_que encontraste o meu diário ? * Também estas palavras desapareceram , mas não sem que Harry tivesse respondido . - Alguém tentou lançá o em uma sanita . Esperou ansiosamente por a resposta de Riddle . - * _ Felizmente guardei as minhas memórias de uma forma mais duradoura do_que a tinta . Mas sempre soube que haveria quem não iria querer que o diário fosse lido . * - O que queres dizer com isso ? - escrevinhou Harry , borrando a página com o nervosismo . - * _ Quero dizer que este diário contém memórias de coisas terríveis . Coisas que foram abafadas . Coisas que aconteceram em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . * - É onde eu estou agora - escreveu Harry rapidamente . - Estou em Hogwarts e estão a acontecer coisas horríveis . Sabes alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? O coração parecia querer saltar lhe de o peito . A resposta de Riddle não se fez esperar , a letra tornara se mais desordenada como_se tivesse pressa em contar lhe tudo_o_que sabia . - * _ É claro que sei de a Câmara_dos_Segredos . Em o meu tempo diziam nos que era uma lenda , que não existia , mas era mentira . Quando eu estava em o quinto ano a Câmara_dos_Segredos foi aberta e o monstro atacou vários estudantes , acabando matar um . Eu apanhei a pessoa que abriu a câmara e ele foi expulso . Mas o director , o professor Dippet , envergonhado por uma coisa de aquelas ter acontecido em Hogwarts , proibiu me de contar a verdade . Foi divulgada uma história dizendo que a rapariga morrera de um acidente extravagante . Deram me um troféu brilhante com o meu nome gravado e avisaram me para ficar calado . Mas eu sabia que ia voltar a acontecer . O monstro sobreviveu e aquele que tinha o poder para o libertar não foi para a prisão . * Harry quase entornou o tinteiro em a pressa de responder . - Está a acontecer outra_vez . Houve três ataques e ninguém parece saber quem está por_detrás_de tudo_isto . Quem foi de a última vez ? - * _ Posso mostrar te , se quiseres * - foi a resposta de o Riddle . - * _ Não tens de acreditar só em a minha palavra . Posso levar te a o fundo de a minha memória de a noite em que o apanhei . * Harry hesitou com a pena em o ar sobre o diário . O que quereria ele dizer ? Como poderia entrar em a memória de outra pessoa ? Olhou inquieto para a porta de o dormitório que começava a ficar escuro . Quando pôs de_novo os olhos em o diário viu as palavras que se formavam . - * _ Deixa-me mostrar te . * Harry parou durante uma fracção de segundo e depois escreveu duas letras . - O. _ K._As páginas de o diário começaram a esvoaçar como_se tivessem sido apanhadas em uma ventania , parando a meio de o mês_de_Junho . Boquiaberto , Harry viu que o quadradinho de 13_de_Junho se transformara em um pequeno ecrã de televisão . Com as mãos ligeiramente trémulas levantou o livro para encostar os olhos a a janelinha e antes de perceber o que estava a passar se , deu consigo inclinado para a frente com a janela a abrir se . O corpo abandonava a cama e era lançado de cabeça , por a abertura de a página , em um turbilhão de cor e sombras . Sentiu os pés tocarem em terra firme e pôs se de pé a tremer enquanto as formas desfocadas se tornavam subitamente nítidas . Soube imediatamente onde estava . Aquela sala circular com os retratos adormecidos era o escritório de Dumbledore , mas não era Dumbledore quem estava atrás de a secretária . Um feiticeiro mirrado , de aspecto débil e quase careca lia uma carta a a luz de as velas . Harry nunca vira aquele homem antes . - Desculpe - disse com a voz a tremer . - Eu não queria intrometer me ... Mas o feiticeiro não olhou . Continuou a ler , franzindo levemente as sobrancelhas . Harry aproximou se de a secretária e gaguejou : - Er ... eu vou me embora , está bem ? E o feiticeiro continuou a ignorá o . Parecia nem_sequer ter ouvido . Pensando que talvez ele fosse surdo , Harry falou mais alto . - Desculpe tê o incomodado - disse quase a gritar . O feiticeiro dobrou a carta com um suspiro . Pôs se de pé , passou por Harry sem olhar para ele e foi abrir os cortinados de a janela . O céu , lá fora , estava vermelho-rubi . Devia ser o pôr de o Sol . O feiticeiro voltou para a secretária , sentou se e girou os polegares , olhando para a porta . Harry olhou em volta . Não viu Fawkes , a fénix , nem as engenhocas prateadas que sibilavam . Aquela Hogwarts era a que Riddle conhecera e , portanto , aquele feiticeiro desconhecido era o director de então , não Dumbledore e ele , Harry , era pouco mais que um fantasma , totalmente invisível a as pessoas de há cinquenta anos atrás . Alguém bateu a a porta . - Entre - disse o velho feiticeiro , em uma voz fraca . Um rapazinho de dezasseis anos entrou , tirando o chapéu pontiagudo . Em o seu peito brilhava um distintivo prateado de prefeito . Era muito mais alto do_que Harry , mas tinha , tal_como ele , cabelo preto asa de corvo . - Ah ! Riddle - disse o director . - Queria falar comigo , professor Dippet ? - perguntou ele com ar nervoso . - Senta te - disse Dippet . - Tenho estado a ler a carta que me mandaste . - Oh ! - exclamou Riddle , sentando se e apertando as mãos uma contra a outra . - Meu rapaz - disse Dippet amavelmente . - Eu não posso deixar te ficar em a escola durante o Verão . Com certeza queres ir para_casa em as férias ? - Não - respondeu Riddle , sem perder tempo . - Prefiro mil vezes ficar em Hogwarts a ter de voltar a aquela ... aquela ... - Tu vives em um orfanato de Muggles durante as férias , não é assim ? - perguntou Dippet com curiosidade . - Sim senhor - disse Riddle , corando um_pouco . - És filho de Muggles ? - Meio sangue , professor - explicou Riddle . - Pai_Muggle , mãe bruxa . - E o teu pai e a tua mãe ... - A minha mãe morreu pouco depois de eu nascer , professor , contaram me em o orfanato que só teve tempo de me dar o nome : Tom , como o meu pai , Marvolo como o meu avô . Dippet estalou a língua solidariamente . - O que acontece , Tom - suspirou - é_que ... podia ter se arranjado uma situação especial para ti , mas em as circunstâncias actuais ... - Refere se a os ataques , professor ? - perguntou Riddle e o coração de Harry deu um salto , aproximando se com medo de perder alguma coisa . - Precisamente - disse o director . - Meu rapaz , compreendes que seria uma imprudência de a minha parte deixar te ficar em o castelo quando o período acabar , principalmente a a luz de a recente tragédia ... a morte de aquela pobre moça ... estarás sem dúvida em maior segurança em o orfanato . Em a verdade , o ministro de a magia até fala em fechar a escola . Não estamos nada perto_de localizar ... er ... a fonte de toda esta história desagradável . Os olhos de Riddle tinham se aberto mais . - Professor , se essa pessoa fosse apanhada ... se tudo acabasse . . . - Que queres dizer com isso ? - perguntou Dippet com voz aguda , endireitando se em a cadeira . - Riddle , tu sabes alguma coisa sobre estes ataques ? - Não senhor - respondeu ele de imediato . Mas Harry sabia que era o mesmo tipo de « não » que ele dissera a Dumbledore . Dippet afundou se de_novo com um ar de profundo desapontamento . - Podes ir , Tom . Riddle esgueirou se de a cadeira e saiu de a sala . Harry seguiu o . Desceram por a escada em espiral , saindo junto de a gárgula em o corredor que escurecia . Riddle parou e Harry fez o mesmo , olhando para ele . Quase podia apostar que ele pensava seriamente em alguma coisa . Mordia o lábio e tinha as sobrancelhas franzidas . A certa altura , como_se tivesse acabado de tomar uma decisão , começou a andar mais depressa com Harry a segui o ruidosamente . Não viram mais ninguém , a não ser quando chegaram a o * hall * de entrada onde um feiticeiro alto de longos cabelos ruivos e barba chamou Riddle de a escadaria de mármore . - O que andas a fazer por aqui tão tarde , Tom ? Harry olhou para o feiticeiro . Não era outro senão Dumbledore com cinquenta anos a menos . - Tive de ir falar com o director - justificou se Riddle . - Bem , agora vai depressa para a cama - disse Dumbledore , olhando Riddle com aquele olhar penetrante que Harry conhecia tão bem . - É melhor não andar a passear por os corredores em os dias que correm , pelo_menos até ... Suspirou profundamente , deu as boas-noites a o Riddle e foi se embora . Riddle viu o desaparecer e , sem perder tempo , desceu os degraus de pedra até a os calabouços com Harry em a peugada . Mas para seu grande desconsolo , Riddle não o conduziu a nenhum corredor ou túnel secreto e sim a o calabouço onde ele costumava ter aulas de poções com o Snape . As tochas não tinham sido acesas e quando Riddle empurrou a porta quase fechada , Harry só conseguiu vê o a ele , de pé , quieto junto de a porta , olhando para o corredor . Pareceu a Harry que ficaram ali quase uma hora . Tudo_o_que via era a silhueta de Riddle junto de a porta , olhando fixamente através de a greta , a a espera . Como_se fosse uma estátua . E quando Harry tinha abandonado todas_as expectativas e começava a desejar voltar a o presente , ouviu alguma coisa que se movia atrás de a porta . Alguém avançava lentamente por o corredor . Ouviu a pessoa , quem quer que fosse , passar por o calabouço onde ele e Riddle estavam escondidos . Riddle , silencioso como uma sombra , esgueirou se por a porta e seguiu o com Harry em bicos de pés atrás de ele , esquecido de que podia fazer barulho a a vontade porque ninguém o ouvia . Durante cerca de cinco minutos seguiram lhe os passos até que Riddle parou repentinamente com a cabeça inclinada em a direcção de novos ruídos . Harry ouviu uma porta a abrir se e em seguida alguém falou em um murmúrio rouco . - Vá lá , temos que sair de aqui ... vá lá , dentro de a caixa ... Havia algo de familiar em aquela voz . Riddle deu subitamente uma volta e Harry seguiu o . Podia ver a silhueta escura de um rapaz enorme que estava inclinado em frente de a porta aberta , com uma grande caixa a o lado . - Boa noite , Rubeus - disse Riddle secamente . O rapaz fechou a porta e pôs se de pé . - O que estás a fazer aqui , Tom ? Riddle aproximou se . - Acabou se - disse . - Vou ter de entregar te , Rubeus . Falam em fechar Hogwarts se os ataques não terminarem . - O que é_que tu ... ? - Eu acho que tu não quiseste matar ninguém , mas os monstros não são os melhores animais domésticos . Tu só quiseste deixá o sair para andar um_pouco e ... - Ele não matou ninguém - disse o rapaz grande , recuando contra a porta fechada . Lá de dentro vinham uns estranhos roncos e rugidos . - Vamos , Rubeus - disse Riddle , aproximando se mais ainda . - Os pais de a rapariga que morreu estarão aqui amanhã . O mínimo que Hogwarts pode fazer é assegurar lhes que aquilo que matou a filha de eles foi abatido ... - Não foi ele - gemeu o rapaz cuja voz ecoou em o corredor escuro . - Ele não faria isso ... ele nunca ... - Afasta te - disse Riddle , pegando em a varinha . O encantamento iluminou o corredor com uma luz brilhante . A porta atrás de o rapaz grande abriu se de par em par com tanta força que o atirou contra a parede . E de lá de dentro saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito que ninguém mais ouviu a não ser ele próprio . Tinha um corpo imenso , magro e peludo e um emaranhado de pernas pretas , a cintilação de muitos olhos e um par de tenazes afiadas . Riddle levantou de_novo a varinha , mas era tarde de mais . A coisa deixara o atarantado e corria apressadamente , precipitando se por o corredor e desaparecendo . Riddle pôs se de pé , olhou a a procura de o monstro , levantou a varinha , mas o rapaz grande saltou sobre ele , tirou lhe a varinha de as mãos e lançou o a o chão , gritando : - Naaaaaão ! A cena rodopiou . A escuridão tornou se total . Harry sentiu se a cair e com um embate aterrou como uma águia de patas e asas abertas em a sua cama de dossel , em o dormitório de os Gryffindor , o diário de Riddle aberto sobre o estômago . Antes de ter tido tempo de normalizar a respiração , a porta de o dormitório abriu se e o Ron entrou . - Aí estás tu - disse . Harry sentou se . Transpirava e tremia . - O que se passa ? - perguntou Ron , olhando aflito para ele . - Foi o Hagrid , Ron . O Hagrid abriu a Câmara_dos_Segredos há cinquenta anos atrás . XIV_Cornelius_Fudge_Harry , Ron e Hermione sabiam há muito_tempo que Hagrid tinha uma triste predilecção por criaturas grandes e monstruosas . Em o primeiro ano que passaram em Hogwarts , ele tentara criar um dragão em a sua pequena cabana de madeira e levaram muito_tempo a esquecer o gigantesco cão de três cabeças que ele baptizara de « fofinho » . E se , em rapaz , Hagrid tinha ouvido dizer que havia um monstro escondido em o castelo , Harry tinha a certeza que ele teria feito os impossíveis por descobri o . Provavelmente achou que era uma injustiça o monstro estar fechado tanto tempo e pensou que ele merecia a oportunidade de esticar as suas muitas pernas . Harry imaginava perfeitamente o Hagrid a os treze anos a tentar pôr uma coleira e uma trela a o monstro . Mas tinha igualmente a certeza de que ele nunca teria querido matar ninguém . De certo modo , Harry desejava não ter descoberto como utilizar o diário de Riddle . Ron e Hermione fizeram o contar repetidas vezes o que vira até ele ficar farto de repetir o mesmo e farto de a conversa circular que se seguia . - O Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse , de essa vez , Hermione . - O monstro que atacava as pessoas podia ser outro .... - Quantos monstros achas tu que pode haver em este lugar ? - perguntou o Ron aborrecido . - Sempre soubemos que o Hagrid tinha sido expulso - disse Harry tristemente - E os ataques devem ter terminado quando ele foi expulso . Se não fosse assim , Riddle não teria recebido um prémio . Ron tentou um caminho diferente . - O Riddle parece o Percy , quem lhe pediu afinal que deitasse abaixo o Hagrid ? - Mas o monstro tinha morto uma pessoa , Ron - insistiu Hermione . - E o Riddle ia ter de voltar para um orfanato Muggle se Hogwarts fosse fechada - disse Harry . - Não posso culpá o por querer ficar aqui ... Ron mordeu o lábio e a seguir sugeriu : - Tu encontraste o Hagrid em a Rua * _ Bativolta * , não foi ? - Ele estava a comprar repelente para lesmas - disse Harry rapidamente . Ficaram os três em silêncio . Depois de uma longa pausa , Hermione , em uma voz hesitante , formulou a pergunta mais complicada de todas : - Não acham que devíamos ir ter com ele e perguntar lhe ? - Essa seria uma visita simpática - disse o Ron . - Olá , Hagrid , diz nos uma coisa , soltaste por acaso alguma coisa louca e peluda por o castelo em estes últimos tempos ? Por fim , decidiram não dizer nada a o Hagrid a_não_ser_que houvesse outro ataque e à_medida_que passava mais tempo sem murmúrios de a voz sem corpo começaram a acreditar , esperançosos , que nunca mais teriam de falar sobre o motivo por_que fora expulso . Tinham passado já quase quatro meses desde o dia em que o Justin e o Nick quase sem cabeça tinham sido petrificados e quase toda_a_gente parecia pensar que o atacante , quem quer que ele fosse , se retirara para sempre . Peeves fartara se de a sua canção * _ Oh_Potter , seu bandido * , Ernie_Mcmillan pediu educadamente a o Harry , em a aula de herbologia , que lhe passasse um balde de cogumelos saltitantes e , em Março , várias mandrágoras deram uma festa ruidosa e roufenha em a estufa número três . A professora Sprout estava muito satisfeita . - Mal elas comecem a tentar mover se para os vasos umas de as outras , saberemos que estão maduras - disse ela a o Harry . - Nessa_altura poderemos reanimar aquelas pobres criaturas que estão em a ala hospitalar . Os alunos de o segundo ano tinham agora uma coisa nova em que pensar durante as férias de a Páscoa . Chegara a altura de escolherem as matérias de o terceiro ano , um assunto que Hermione , pelo_menos , tomou muito a sério . - Pode afectar todo o nosso futuro - disse a o Harry e a o Ron a o vê os ler cuidadosamente as listas de as novas matérias e pôr um V em frente de cada uma . - Eu só quero ver me livre de as poções - disse Harry . - Não podemos - explicou Ron tristemente . - Mantemos todas_as matérias antigas ou eu teria me livrado de a Defesa contra as artes negras . - Mas é muito importante - disse Hermione chocada . - Não de a maneira como Lockhart a dá - insistiu Ron . - Não aprendi nada até agora a não ser a nunca mais libertar duendes . Neville_Longbottom recebera cartas de todas_as bruxas e feiticeiros de a família , cada_um dando um conselho diferente sobre o que ele deveria escolher . Confuso e preocupado , sentou se a ler a lista de matérias , dando estalinhos com a língua e perguntando a as pessoas se achavam que a aritmancia seria mais difícil do_que o estudo de as runas em a Antiguidade . Dean_Thomas que , tal_como Harry , fora criado com Muggles , acabou por fechar os olhos e atirar a varinha contra a lista , escolhendo as matérias onde ela aterrava . Hermione não pediu conselho a ninguém e inscreveu se em todas . Harry sorriu de si para consigo imaginando como seria uma conversa com o tio Vernon e com a tia Petúnia sobre a sua carreira em feitiçaria . Não que não tivesse tido orientação : Percy_Weasley estava ansioso por partilhar a sua experiência . - Tudo depende de o lugar para_onde queres ir , Harry - disse ele . - Nunca é cedo de mais para pensar em o futuro , por isso eu aconselho te a adivinhação . As pessoas dizem que os estudos de Muggles são uma opção leve mas eu , pessoalmente , acho que os feiticeiros deveriam ter uma compreensão profunda de a comunidade não mágica , muito especialmente se pensarem em trabalhar em íntimo contacto com eles . Vê o meu pai que tem de lidar com assuntos de os Muggles a_toda_a hora . O meu irmão Charles foi sempre mais um tipo de o exterior , por isso foi para o Centro_de_Cuidados com as Criaturas_Mágicas . Segue os teus sentimentos , Harry . Mas a única coisa em que Harry sentia que era mesmo bom era o Quidditch . Por fim , acabou por escolher as mesmas matérias que o Ron escolhera , pensando que se fosse péssimo em elas pelo_menos tinha alguém amigo para o ajudar . O próximo jogo de Quidditch_dos_Gryffindor era contra os Hufflepuff . Wood insistia em treinos de equipa todas_as noites depois de jantar , por isso Harry não tinha tempo para mais_nada a não ser para o Quidditch e para os trabalhos de casa . Mas as sessões de treino estavam a melhorar ou pelo_menos estavam mais secas e em a véspera de o jogo de sábado ele foi a o dormitório guardar a vassoura , sentindo que as hipóteses de os Gryffindor ganharem a taça de Quidditch nunca tinham sido tão boas . Mas a sua boa disposição não durou muito . Em o cimo de as escadas que levavam a o dormitório encontrou o Neville_Longbottom nervosíssimo . - Harry , não sei quem fez aquilo , eu fui encontrar ... Olhando receoso para Harry , Neville empurrou a porta . O conteúdo de a mala de Harry fora espalhado por toda_a divisão . O seu manto estava em o chão rasgado . A roupa de cama tinha sido puxada de a cama de dossel e a gaveta de o armário que se encontrava a a cabeceira de a cama fora arrancada , estando o seu conteúdo espalhado sobre o colchão . Harry aproximou se de a cama boquiaberto , pisando algumas páginas soltas de * _ Viagens com Duendes * . Quando ele e Neville estavam a puxar os cobertores para_cima , entraram o Ron e o Dean_Seamas . Dean praguejou alto . - O que é isto , Harry ? - Não faço ideia - disse ele . Mas o Ron estava a examinar as vestes de Harry e todos os bolsos estavam de o avesso . - Alguém andou a a procura de qualquer coisa - disse o Ron . - Dás por falta de alguma coisa ? Harry começou a apanhar o que estava caído , lançando tudo dentro de a mala . Só quando atirou o último livro de Lockhart é_que se apercebeu do_que faltava . - O diário de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a o Ron . - O quê ? Harry fez lhe sinal em direcção a a porta de o dormitório e apressaram se a chegar a a sala comum de os Gryffindor que estava quase vazia e onde foram encontrar Hermione sozinha a ler * _ As_Runas_Antigas a o Alcance_de_Todos * . Hermione ficou aterrada com as notícias . - Mas ... só um Gryffindor podia tê o roubado ... ninguém mais conhece a nossa senha ... - Exactamente - disse Harry . Acordaram em o dia seguinte com um sol brilhante e uma brisa agradável . - Condições ideais para o Quidditch ! - exclamou Wood , cheio de entusiasmo , a a mesa de os Gryffindor , enchendo os pratos de os elementos de a sua equipa de ovos mexidos . - Harry , anima te , precisas de um pequeno-almoço decente . Harry tinha estado a olhar para a mesa cheia de alunos de os Gryffindor , perguntando a si próprio se o novo dono de o diário de Riddle estaria ali mesmo em frente de os seus olhos . Hermione insistira para que ele participasse o roubo mas ele não gostou de a ideia . Teria de contar a um professor tudo sobre o diário , e quantas pessoas saberiam o motivo por_que Hagrid fora expulso há cinquenta anos ? Não queria ser ele a fazer com que relembrassem tudo aquilo . Quando saiu de o salão com o Ron e a Hermione para ir buscar o material de Quidditch , outra preocupação viera juntar se a a sua lista cada_vez maior . Tinha acabado de pisar os degraus de a escadaria de mármore quando ouviu de_novo a voz : - * _ Matar desta_vez ... deixem me rasgar ... romper * ... Deu um grito e Ron e Hermione saltaram alarmados . - A voz - disse Harry , olhando por cima de os ombros de eles . - Acabo de a ouvir de_novo , vocês não ouviram nada ? Ron abanou a cabeça de olhos muito abertos Mas_Hermione bateu com a mão em a testa . - Harry , acho que percebi uma coisa . Tenho que ir a a biblioteca . E disparou a correr por as escadas acima . - O que é_que ela percebeu ? - disse Harry distraidamente , ainda a olhar em volta , tentando determinar de onde vinha a voz . - Mas porque teve ela que ir a a biblioteca ? - Porque a Hermione é assim - disse o Ron , encolhendo os ombros - Quando tem uma dúvida , vai a a biblioteca . Harry manteve se hesitante , tentando captar novamente a voz mas as pessoas começavam a sair de o salão , falando alto , passando por a porta principal e encaminhando se para o estádio de Quidditch . - É melhor ires indo - aconselhou Ron . - São quase onze horas , olha o jogo . Harry deu uma corrida até a a torre de os Gryffindor , pegou em a sua Nimbus dois_mil e juntou se a a vasta multidão que enchia os campos , mas o seu pensamento estava ainda em o castelo , em aquela voz sem corpo e quando pôs as roupas vermelhas , o seu único conforto foi pensar que estavam todos lá fora para assistir a o jogo . As equipas entraram em campo a o som de um tumulto de aplausos . Oliver_Wood fez um voo de aquecimento em volta de os postes , Madam_Hooch soltou as bolas . Os Hufflepuff que tinham fatos amarelo-canário estavam reunidos em grupo em uma discussão de última hora sobre as tácticas . Harry subia para a vassoura quando a professora Mc_Gonagall atravessou o campo , meio a andar , meio a correr , transportando um enorme megafone roxo . O coração de Harry caiu lhe a os pés . - Este jogo foi cancelado - gritou por o megafone a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a o estádio apinhado . Ouviram se Uuuus e assobios . Oliver_Wood , com um ar infelicíssimo , aterrou e correu para a professora McGonagall sem sair de a vassoura . - Mas , professora - gritou - temos de jogar ... a taça ... os Gryffindor ... A professora Mc_Gonagall ignorou o e continuou a gritar por o megafone . - Pede se a os estudantes que regressem a as salas comuns de as respectivas equipas onde os chefes de equipa lhes darão mais informações . O mais depressa possível , se fazem favor ! Em seguida , baixou o megafone e fez sinal a o Harry para que se aproximasse . - Potter , é melhor vires comigo ... Perguntando a si próprio que suspeita poderia ela ter contra ele , desta_vez , Harry viu Ron desligar se de a multidão discordante e vir a correr juntar se lhes , enquanto eles se dirigiam para o castelo . Para sua grande surpresa Mc_Gonagall não pôs qualquer objecção . - Sim , talvez seja melhor vires também , Weasley . Alguns de os estudantes que os rodeavam reclamavam por o jogo ter sido cancelado , outros tinham um ar preocupado . Harry e Ron seguiram a professora Mc_Gonagall de volta a a escola e através de a escadaria de pedra . Mas desta_vez não foram levados a nenhum escritório . - Isto vai chocar vos um_pouco - disse a professora Mc_Gonagall em um tom de voz surpreendentemente suave quando estavam a aproximar se de a ala hospitalar . - Houve outro ataque ... outro ataque duplo . As vísceras de o Harry deram um salto mortal . A professora Mc_Gonagall abriu a porta e ele e Ron entraram . Madam_Pomfrey estava inclinada sobre uma rapariga de o quinto ano de cabelos longos a os caracóis que Harry reconheceu como sendo a colega de os Ravenclaw a quem , por engano , tinham perguntado o caminho para a sala comum de os Slytherin . E , em a cama a o lado de ela , estava ... - Hermione - gemeu o Ron . Hermione jazia totalmente quieta , os olhos abertos e vítreos . - Foram encontradas perto de a biblioteca - disse a professora Mc_Gonagall . - Calculo que nenhum de vocês possa explicar isto ? Estava em o chão , junto de ela . A professora tinha em as mãos um pequeno espelho redondo . Harry e Ron acenaram negativamente com as cabeças , ambos com os olhos fixos em Hermione . - Eu acompanho vos a a torre de os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall pesadamente . - De qualquer modo tenho de falar com os alunos . - Os alunos regressarão a as salas comuns de as respectivas equipas , todos_os_dias , a as seis_horas_da_tarde . Nenhum aluno deverá sair de os dormitórios depois de isso . Serão escoltados até a as aulas por um professor . Nenhum aluno deverá ir a a casa_de_banho sem um professor a acompanhá o . Todos os treinos e jogos de Quidditch estão suspensos a_partir_de agora . Não haverá mais actividades nocturnas . Os Gryffindor , que enchiam a sala comum , ouviram em silêncio a professora Mc_Gonagall . Ela enrolou o pergaminho que acabara de ler e disse em uma voz algo chocada : - Não é preciso acrescentar que nunca me senti tão desolada . É provável que a escola seja encerrada se não for apanhado o culpado de todos estes ataques . Quero pedir que se algum de vocês achar que sabe alguma coisa sobre eles venha imediatamente ter comigo . Mal ela subiu , de forma um_pouco desastrada , por o buraco de o retrato , os Gryffindor começaram logo a falar . - São dois Gryffindor a menos , sem contar com o fantasma de os Gryffindor , um Ravenclaw e um Hufflepuff - disse o amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , contando por os dedos . - Não terá nenhum de os professores reparado que os Slytherin estão a salvo ? Será que não é óbvio que tudo_isto vem de eles ? O herdeiro de Slytherin , o monstro de Slytherin , porque não expulsam todos os Slytherin ? - resmungou , recebendo acenos e aplausos de todos os lados . Percy_Weasley estava sentado em uma cadeira atrás_de Lee , mas por uma_vez não pareceu querer expor os seus pontos de vista . Estava pálido e aturdido . - O Percy está em estado de choque - disse o George baixinho a o Harry . - Aquela rapariga de os Ravenclaw , Penelope_Clearwater , é prefeita . Acho que ele nunca tinha pensado que o monstro pudesse atacar um prefeito . Mas Harry não estava a ouvi o com atenção . Não conseguia esquecer a imagem de Hermione deitada em a cama de o hospital , como_se estivesse esculpida em pedra . E se o culpado não fosse apanhado rapidamente tinha em a frente uma vida inteira com os Dursley . Tom_Riddle entregara o Hagrid porque fora confrontado com a possibilidade de um orfanato Muggle se a escola fechasse . Harry sabia exactamente o que ele sentira . - Que vamos nós fazer ? - disse lhe o Ron baixinho a o ouvido . - Achas que eles suspeitam de o Hagrid ? - Temos de falar com ele - disse Harry , tomando uma decisão . - Não acredito que tenha culpa desta_vez , mas se ele libertou o monstro há cinquenta anos , sabe com certeza como entrar em a Câmara_dos_Segredos , o que já é um princípio . - Mas a Gonagall disse que temos que ficar em a torre a_não_ser_que estejamos em as aulas ... - Eu acho - disse Harry ainda mais baixo - que chegou a altura de tirar outra_vez de a mala o manto de o meu pai . Harry herdara apenas uma coisa de o pai : o enorme manto prateado de a invisibilidade . Era a única maneira de poderem esgueirar se de a escola para fazer uma visita a o Hagrid , sem que ninguém de esse por isso . Deitaram se a a hora de o costume , esperaram que o Neville , o Dean e o Seamas adormecessem para se levantarem , vestirem se de_novo e taparem se com o manto . A viagem por os corredores de o castelo escuro e deserto não era nada agradável . Harry que vagueara por ali muitas_vezes durante a noite nunca vira tanta gente depois de o pôr de o Sol . Professores , prefeitos e fantasmas andavam por os corredores a os pares , olhando em volta , em busca de qualquer actividade fora de o habitual . O manto de a invisibilidade não impedia que fizessem barulho e houve um momento particularmente tenso em que o Ron deu uma topada a menos_de um metro de o lugar onde Snape se encontrava . Felizmente Snape espirrou em o preciso momento em que o Ron praguejava . Foi com grande alívio que chegaram a as portas de carvalho de a entrada principal . Estava uma noite clara e cheia de estrelas . Dirigiram se apressadamente para as janelas iluminadas de a casa de Hagrid e só tiraram o manto mesmo em frente de a porta . Poucos segundos depois de terem batido abriu se a porta . Ficaram frente_a_frente com Hagrid que lhes apontou uma besta enquanto Fang , o cão caçador de javalis , ladrava furiosamente atrás de ele . - Oh ! - disse , baixando a arma quando viu que eram eles . - O que estão vocês a fazer aqui ? - Para que é isso ? - perguntou Harry , apontando para a besta , enquanto entrava . - Nada , não é nada - murmurou Hagrid . - Tenho estado a a espera ... não tem importância , sentem se que eu vou fazer um chá . Dava a impressão de não saber o que fazia . Quase apagou a lareira , vertendo a água de a chaleira em o lume e em seguida esmagou o bule com um gesto de a sua mão maciça . - Estás bem , Hagrid ? - perguntou Harry . - Soubeste de a Hermione ? - Soube , sim - disse ele com um leve tremor em a voz . Continuava a olhar nervosamente para as janelas . Deu lhe os duas grandes canecas de água a ferver ( esquecera se de juntar o chá ) e estava a acabar de pôr em um prato uma fatia grossa de bolo de frutas quando alguém bateu energicamente a a porta . Hagrid deixou cair o bolo . Harry e Ron trocaram entre si olhares de pânico e , em seguida , cobriram se com o manto de a invisibilidade e esconderam se em um canto . Hagrid assegurou se de que eles estavam bem escondidos , pegou em a besta e abriu , mais_uma_vez , a porta . - Boa noite , Hagrid . Era_Dumbledore . Entrou com um ar muito sério , seguido de um homem bizarro . O estranho era um homenzinho pequenino , de porte majestoso com cabelos grisalhos desalinhados e uma expressão de ansiedade em o rosto . Usava uma inesperada mistura de roupas . Um fato a as riscas , uma gravata vermelho escarlate , um longo manto negro e umas botas roxas pontiagudas . Debaixo de o braço trazia um chapéu de coco verde lima . -- É o patrão de o meu pai - murmurou o Ron . Cornelius_Fudge , o ministro de a magia ! Harry deu lhe uma valente cotovelada para o fazer calar se . Hagrid tinha ficado suado e pálido . Deixou se cair em uma de as cadeiras e olhava de Dumbledore_para_Cornelius_Fudge . - Más notícias , Hagrid - disse Fudge em um tom bastante grave . - Muito más notícias . Tive de vir . Quatro ataques a filhos de Muggles , as coisas foram longe_de mais . O ministério tem que tomar uma atitude . - Eu nunca ... - disse Hagrid , parecendo implorar a Dumbledore . - O senhor sabe que eu nunca ... professor Dumbledore , o senhor ... - Quero que fique claro , Cornelius , que Hagrid tem a minha total confiança - afirmou Dumbledore , franzindo as sobrancelhas . - Olha , Albus - disse Fudge pouco a a vontade - a ficha de o Hagrid depõe contra ele . O ministério tem de fazer alguma coisa , o Conselho_Directivo de a escola tem se reunido ... - Mesmo_assim , Cornelius , devo dizer te mais_uma_vez que levar o Hagrid de aqui não vai ajudar em nada - afirmou Dumbledore com os olhos azuis com um fogo que Harry nunca vira antes . - Tenta compreender o meu ponto de vista - insistiu Fudge , brincando com o chapéu . - Estou a ser tremendamente pressionado , tenho de mostrar que faço alguma coisa . Se se provar que não foi o Hagrid , ele voltará e não se fala mais em o assunto . Mas tenho de levá o , tem de ser , não estaria a cumprir a minha obrigação se ... - Levar me ? - perguntou Hagrid a tremer . - Levar me para_onde ? - É uma pena curta - disse Fudge , sem o olhar em os olhos . - Não é um castigo , Hagrid , chamemos lhe antes uma precaução . Se mais alguém for apanhado , tu sais com todas_as nossas desculpas . - Não é para Azkaban ? - balbuciou Hagrid . Mas antes que Fudge tivesse tido tempo de responder , ouviu se bater mais_uma_vez a a porta . Dumbledore abriu . Foi a vez de Harry levar uma cotovelada em as costas : soltara um gemido audível . Mr._Lucius_Malfoy entrou em a cabana de o Hagrid embrulhado em uma longa capa preta de viagem , com um sorriso frio de satisfação . O Fang começou a rosnar . - Já está aqui , Fudge ? - disse de forma aprovadora . - Muito bem , muito bem ... - O que estás a fazer aqui ? - perguntou Hagrid furioso . - Sai imediatamente de a minha casa . - Meu bom homem , acredite que não tenho prazer nenhum em entrar em a sua ... er ... chamou lhe casa ? - disse Lucius_Malfoy , sorrindo sarcasticamente enquanto observava a pequena divisão . - Eu limitei me a ir a a escola e disseram me que o director estava aqui . - E o que queres de mim , Lucius ? - perguntou Dumbledore . O seu tom de voz era educado mas em os olhos azuis brilhava ainda o mesmo fogo . - Uma notícia horrível , Dumbledore - disse Mr._Malfoy de forma arrastada , pegando em um grande rolo de pergaminho . - Mas os membros de o conselho pensam que é altura de tu saíres . Isto_é uma ordem de suspensão , tens aí doze assinaturas . Lamento muito mas em a nossa opinião estás a perder a firmeza . Quantos ataques houve até agora ? Mais dois hoje a a tarde , não foi ? A este ritmo vão acabar todos os filhos de Muggles em Hogwarts e todos sabemos que seria uma terrível perda para a escola . - O que é isso , Lucius ? - protestou Fudge com ar alarmado . - O Dumbledore suspenso não ... não , seria a última coisa que desejaríamos em este momento ... - A nomeação ou suspensão , de o director é de a competência de os membros de o Conselho_Directivo , Fudge - disse suavemente Mr._Malfoy . - E como Dumbledore não foi capaz de pôr cobro a estes ataques ... - Oh ! Lucius , se Dumbledore não conseguiu - disse Fudge com o lábio superior a suar . - Quem irá conseguir ? - Isso está para se ver - disse Mr._Malfoy com um sorriso mesquinho . - Mas como os doze votamos ... Hagrid pôs se de pé em um salto , o cabelo preto hirsuto a roçar em o tecto . - E quantos tiveste de chantajar para concordarem contigo , Malfoy ? - Meu caro Hagrid , sabe que esse seu temperamento ainda acaba por lhe criar problemas um dia de estes - disse Mr._Malfoy . - Não o aconselho a gritar assim com os guardas de Azkaban . Eles não iriam gostar nada . - Não podes levar Dumbledore - gritou Hagrid , fazendo Fang , o cão caçador de javalis , agachar se e ganir em o seu cesto . - Sem ele , os filhos de os Muggles não têm qualquer hipótese . A seguir haverá mortes . - Acalma te , Hagrid - disse Dumbledore de forma cortante , olhando para Lucius_Malfoy . - Se os membros de o conselho querem substituir me , eu sairei , claro . - Mas - interrompeu Fudge . - Não - rosnou Hagrid . Dumbledore não tirara os seus olhos azuis brilhantes de os olhos cinzentos e frios de Lucius_Malfoy . - Contudo - disse , pronunciando cada palavra lenta e claramente para que nenhum de eles perdesse o seu sentido - verás que só deixarei verdadeiramente esta escola quando ninguém aqui me for leal . Descobrirás também que será sempre dada ajuda em Hogwarts a quem a pedir . Por um segundo , Harry teve quase a certeza de que os olhos de Dumbledore tremelaziram em direcção a o canto onde ele e Ron estavam escondidos . - Sentimentos admiráveis - disse Malfoy , fazendo uma vénia . - Todos nós vamos sentir a tua ... forma muito pessoal de fazer as coisas , Albus . Só espero que o teu sucessor consiga evitar qualquer ... crime . Dirigiu se a a porta de a cabana , abriu a e fez sinal a Dumbledore para que passasse a a sua frente . Fudge , mexendo nervosamente em o chapéu de coco , esperou que Hagrid fizesse o mesmo mas ele ficou quieto , respirou fundo e disse prudentemente : - Se alguém quiser descobrir alguma coisa , o que tem a fazer é seguir as aranhas . Elas indicarão o caminho , é tudo_o_que vos digo . Fudge olhou para ele espantado . - Está bem , eu vou - disse Hagrid , pegando em o seu sobretudo de pêlo de toupeira . Mas quando ia seguir o Fudge e sair por a porta , parou e disse em voz alta : - E alguém tem de dar de comer a o Fang enquanto eu não estiver cá . A porta fechou se ruidosamente e Ron tirou o manto de a invisibilidade . -- Estamos outra_vez em uma alhada - disse com voz rouca - Sem o Dumbledore podem fechar a escola já esta noite . Sem ele vai haver um ataque por dia . O Fang começou a ganir , arranhando a porta fechada . XV_Aragog_O_Verão insinuava se em os campos em volta de o castelo . O céu e o lago tinham se tornado de um azul-molusco e as flores , grandes como couves , começavam a florir em as estufas . Mas sem o Hagrid , que ele costumava avistar de o castelo , atravessando os campos com o Fang atrás , parecia a Harry que a paisagem não estava completa . Não era melhor dentro de o castelo onde tudo corria horrivelmente mal . O Harry e o Ron tinham tentado visitar a Hermione , mas as visitas a o hospital estavam proibidas . - Não vamos correr mais riscos - disse lhes Madam_Pomfrey com ar severo , através_de uma fresta de a porta de o hospital . Não , lamento , há muitas hipóteses de o atacante voltar para acabar de vez com estas pessoas ... Com Dumbledore longe , o medo espalhara se como nunca acontecera antes , de_tal_modo_que o sol que aquecia as paredes de o castelo por fora parecia parar junto de as janelas de pinázios . Não se via um único rosto em a escola que não andasse tenso e preocupado e qualquer gargalhada , em os corredores , se tornava incómoda e antinatural e era rapidamente abafada . Harry repetia constantemente , de si para consigo , as últimas palavras que ouvira a Dumbledore : - * _ Só terei verdadeiramente deixado esta escola quando ninguém me for leal ... será sempre dada ajuda , em Hogwarts , a quem a pedir * . Qual seria o significado exacto de aquelas palavras ? A quem deveria pedir ajuda quando todos estavam tão confusos assustados como ele ? A alusão de Hagrid a as aranhas era bastante mais fácil de entender . O problema era que parecia não ter restado uma única aranha em o castelo para eles a poderem seguir . Harry procurou por todo o lado com a ajuda relutante de o Ron . As coisas estavam dificultadas por o facto de não poderem andar sozinhos e terem de se deslocar em grupo dentro de o castelo , juntamente com outros Gryffindor . A maior parte de os alunos gostava de ser conduzida como carneiros de uma aula para a outra por os professores mas Harry achava horrível . Havia , contudo , uma pessoa que parecia apreciar aquela atmosfera de terror e suspeitas . Draco_Malfoy passeava empertigado por a escola como_se tivesse sido nomeado para chefe de turma . Harry só compreendeu o motivo de toda aquela boa disposição cerca de quinze_dias depois de Dumbledore e Hagrid se terem ido embora quando , em uma aula de poções , o ouviu falar com o Crabbe e o Goyle . - Sempre achei que seria o pai quem conseguiria livrar nos de o Dumbledore - disse sem a menor preocupação em baixar a voz . - Já vos disse , segundo ele , Dumbledore foi o pior director que a escola alguma vez teve . Talvez agora venha um director decente que não queira a Câmara_dos_Segredos fechada . A Mc_Gonagall não vai durar muito , está só a ... O Snape passou por Harry , sem fazer comentários a o caldeirão e a a cadeira vazia de Hermione . - Professor - disse Malfoy em voz alta . - Professor , porque não se candidata a o lugar de director ? - Ora , ora , Malfoy - respondeu Snape , sem conseguir esconder um meio sorriso . - O professor Dumbledore foi apenas suspenso por os membros de o conselho de direcção , certamente vai voltar um dia de estes . - Sim , claro - disse Malfoy com o seu sorriso escarninho . - Acho que se o professor quisesse candidatar se a o lugar teria o voto de o pai . Eu vou dizer lhe que o acho o melhor professor de a escola . Snape sorriu enquanto passeava de um lado para o outro em o calabouço , não tendo felizmente visto o Seamus_Finnigan que fingia vomitar para dentro de o caldeirão . - Estou espantado por ver que até agora os sangues de lama ainda não fizeram as malas e não desapareceram - prosseguiu Malfoy . - Aposto cinco galeões em como o próximo morre . Pena que não tenha sido a Granger ... A campainha tocou em esse momento o que foi uma sorte porque a o ouvir as últimas palavras de Malfoy , Ron deu um salto , mas em a barafunda de guardar os livros em os sacos , a sua tentativa de agarrar o Malfoy passou despercebida . - Deixem me - gritava o Ron enquanto o Harry e o Dean lhe agarravam os braços . - Não preciso de varinha , vou dar cabo de ele com as minhas mãos ... - Despachem se , tenho de conduzir vos a a aula de herbologia - praguejava o Snape acima de as cabeças de os alunos . E lá foram como cordeirinhos com Harry , Ron e Dean em a retaguarda , o Ron ainda a tentar libertar se . Só acharam seguro largá o quando Snape os deixou fora de o castelo e iniciaram o percurso por o meio de a horta em direcção a as estufas . A aula de herbologia estava reduzida . Tinha agora dois alunos a menos : Justin e Hermione . A professora Sprout pô os a trabalhar , podando as figueiras-da-abissínia . Harry foi despejar uma braçada de hastes secas em um monte de adubo e deu consigo cara a cara com Ernie_Mcmillan . Ernie respirou fundo . - Só quero dizer te , Harry que lamento ter suspeitado de ti . Sei que nunca atacarias a Hermione_Granger e peço te desculpa por todas_as coisas que disse . Estamos todos em o mesmo barco , agora e , bem ... Estendeu lhe uma mão rechonchuda que o Harry apertou . Ernie e a sua amiga Hannah foram trabalhar em a mesma figueira com o Harry e o Ron . - Aquele tipo , Draco_Malfoy - disse Ernie , partindo pequenos galhos - , parece muito satisfeito com isto tudo , não acham ? É bem possível que ele seja o herdeiro de Slytherin . - Uma observação inteligente de a tua parte - disse o Ron que parecia não ter desculpado Ernie tão facilmente como o Harry . - Acham que é ele ? - perguntou Ernie . - Não - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Hannah ficaram a olhar espantados . Um segundo depois , Harry avistou qualquer coisa que o levou a chamar a atenção de o Ron , batendo lhe em a mão com a tesoura de podar . - Au ... o que é_que tu ... ? Harry apontava para o chão , a poucos centímetros de distância . Várias aranhas grandes corriam precipitadamente por a terra fora . - Ah ! sim - disse o Ron , tentando , sem conseguir , mostrar se entusiasmado . - Mas não podemos seguis as agora ... Ernie e Hannah ouviam nos com curiosidade . Harry viu as aranhas desaparecerem . - Parecem ir em a direcção de a floresta proibida ... E o Ron ficou ainda mais infeliz a o ouvir aquilo . Em o final de a aula , o professor Snape acompanhou os alunos a a « Defesa contra as artes negras » . Harry e Ron foram atrás de os outros para poderem conversar sem serem ouvidos . - Temos de usar outra_vez o manto de a invisibilidade - disse Harry a o Ron . - Podemos levar connosco o Fang , ele está habituado a ir a a floresta com o Hagrid , pode ser uma boa ajuda . - Certo - disse o Ron , que fazia girar nervosamente a varinha em os dedos . - Er ... não costuma haver ... não costuma haver lobisomens em a floresta ? - acrescentou enquanto ocupavam os lugares de o costume em a aula de o Lockhart . Preferindo não responder a a pergunta , Harry disse : - Também há lá coisas boas . Os centauros são fixes e os unicórnios . Ron nunca estivera em a floresta proibida , Harry fora lá só uma_vez e desejara não ter de lá voltar . Lockhart deu um salto para dentro de a sala de aula e os alunos ficaram espantados a olhar para ele . Todos os outros professores andavam mais tristes do_que o habitual mas Lockhart parecia sentir se em as nuvens . - Então , então - exclamou , olhando em volta . - Porquê essas caras deprimidas ? Lançaram lhe olhares exasperados mas ninguém respondeu . - Não compreendem - disse , falando devagar como_se fossem todos um_pouco estúpidos - que o perigo já passou ? O culpado foi se embora . -- Quem disse ? - retorquiu Dean_Thomas em voz alta . -- Meu caro jovem , o ministro de a magia não teria levado Hagrid se não estivesse cem por_cento certo de que ele era o culpado - disse Lockhart como quem explica que um e um são dois . - Teria , sim - disse o Ron , em um tom de voz ainda mais alto do_que o de o Dean . - Eu julgo saber um_pouco mais sobre a prisão de o Hagrid do_que o senhor , Mr._Weasley - disse Lockhart com notória auto-satisfação . Ron começou a dizer que discordava mas foi interrompido por o Harry que lhe deu um forte pontapé por debaixo de a mesa . - Nós não estávamos lá , lembras te ? - murmurou . Mas a alegria revoltante de o Lockhart , as insinuações de que sempre tinha achado que o Hagrid não prestava , a sua certeza de que tudo aquilo estava a chegar a o fim , irritou Harry de tal maneira que teve vontade de lhe atirar as * _ Viagens com Vampiros * e de lhe acertar em aquela cara estúpida . Mas , em vez de isso , limitou se a escrevinhar um bilhete para o Ron : * _ Vamos lá hoje a a noite * . Ron leu a mensagem , engoliu em seco e olhou para o lugar onde Hermione costumava sentar se . A cadeira vazia pareceu ajudá o a decidir se e acenou afirmativamente . A sala comum de os Gryffindor estava agora sempre cheia porque , depois de as seis_da_tarde , os Gryffindor não tinham outro lugar para ir . Por outro lado , tinham imenso para conversar , por isso a sala comum mantinha se cheia de gente até depois de a meia-noite . Logo_a_seguir a o jantar , Harry foi buscar o manto de a invisibilidade a a mala onde estava guardado e passou todo o serão a a espera que a sala esvaziasse . O Fred e o George desafiaram o para alguns jogos de explosão e a Ginny sentou se , muito preocupada , a observá os , em a cadeira habitual de Hermione . Harry e Ron fartaram se de perder de propósito em uma tentativa de pôr rapidamente fim a os jogos mas , mesmo_assim , já passava bastante de a meia-noite quando o Fred , o George e a Ginny se foram , finalmente , deitar . Harry e Ron esperaram até ouvir as portas de os dois dormitórios fecharem se . Em seguida , pegaram em o manto , lançaram o sobre ambos e passaram por o buraco de o retrato . Era mais uma difícil travessia de o castelo , tendo de fintar todos os professores . Finalmente , chegaram a o * hall * de entrada , giraram o fecho de as portas de carvalho , esgueiraram se tentando não fazer barulho e aventuraram se nos campos iluminados por o luar . - É claro que - disse bruscamente o Ron , enquanto atravessavam os relvados negros - podemos perfeitamente chegar a a floresta e descobrir que não há nada para seguir . As aranhas podem não ter ido para lá . É certo que parecia que tomavam essa direcção , mas ... Felizmente a lengalenga não durou muito . Chegaram a a casa de o Hagrid que tinha um ar triste com as suas janelas vazias . Logo_que Harry empurrou a porta e a abriu , o Fang saltou , louco de alegria por os ver . Preocupados , não fosse ele acordar toda_a_gente em o castelo com o seu ladrar forte e agitado , deram lhe rapidamente a comer bombons de melaço que estavam em uma lata sobre a lareira e que lhe colaram os dentes de cima a os de baixo . Harry pousou o manto de a invisibilidade sobre a mesa de o Hagrid . Não iam precisar de ele em a floresta escura como breu . - Anda , Fang , vamos dar um passeio - disse Harry , batendo lhe a o de leve em a pata e Fang saiu feliz , a os saltos , atrás de eles . Precipitou se até a a orla de a floresta e levantou a perna contra uma enorme figueira-do-egipto . Harry pegou em a varinha , murmurou * _ Lumus * ! e uma pequenina luz surgiu em a ponta de a varinha , suficiente para lhes mostrar o caminho e ajudá os a descobrir a pista de as aranhas . - Bem pensado - disse o Ron . - Eu acendia também a minha mas , sabes como ela está , ainda estoirava ou qualquer coisa assim ... Harry tocou em o ombro de o Ron , apontando para as ervas . Duas aranhas solitárias fugiam de a luz de a varinha , aproximando se de a sombra de as árvores . - O. _ K. - disse o Ron , resignando se com o pior . - Estou pronto , vamos . Então , com o Fang a correr atrás de eles , cheirando as raízes de as árvores e as folhas , entraram em a floresta . Seguindo a luz de a varinha de o Harry seguiram a fila disciplinada de aranhas que se movia a o longo de o caminho . Andaram durante cerca de vinte minutos , sem falar , atentos a todos os ruídos que não fossem os de os ramos caídos e de as folhas secas . Então , quando as copas de as árvores se tinham tornado mais cerradas do_que nunca , de_tal_modo_que as estrelas em o céu já não eram visíveis e a varinha de o Harry brilhava isolada em um mar de escuridão , viram as aranhas que eles seguiam a abandonar o caminho . Harry parou , tentando ver para_onde iam mas tudo_o_que ficava longe de a sua pequenina luz era negro de breu . Ele nunca fora tão longe em a floresta . Lembrava se muito bem de Hagrid lhe ter dito , de a última vez que ali tinham estado , que nunca saísse de o caminho de a floresta . Mas Hagrid agora estava a muitos quilómetros de distância e ele também lhes dissera que seguissem as aranhas . Uma coisa húmida tocou em a mão de o Harry e ele deu um salto para trás , pisando o pé a o Ron . Mas afinal era apenas o focinho de o Fang . - O que é_que tu achas ? - perguntou ele a o Ron cujos olhos conseguia vislumbrar , reflectindo a luz de a varinha . - Já_que viemos até aqui - disse ele . Seguiram , portanto as sombras velozes de as aranhas em direcção a as árvores . Não podiam agora andar muito depressa . Tinham em a frente raízes de árvores e troncos cortados que mal se viam em aquela escuridão . Harry sentia o bafo quente de Fang em a mão . Por mais de uma_vez tiveram de parar para o Harry se baixar e descobrir as aranhas a a luz de a varinha . Andaram durante o que lhes pareceu ter sido pelo_menos meia_hora , com os mantos a roçarem em os ramos mais baixos e em as silvas . A o fim de algum tempo repararam que o chão parecia inclinar se para baixo embora as árvores continuassem cerradas . Foi então que o Fang soltou um latido que ecoou em volta , fazendo Harry e Ron darem um salto , ambos com os cabelos em pé . - O que foi ? - gritou o Ron , olhando em volta para a escuridão e agarrando Harry com força , por o cotovelo . - Há qualquer coisa ali a mexer se - murmurou Harry - Ouve ... parece ser grande . Ficaram a ouvir . Um_pouco para a direita algo de grandes dimensões partia os ramos enquanto abria caminho através de as árvores . - Oh ! não - disse o Ron . - Oh ! não , não ... - Cala te - insistiu o Harry , nervoso . - Seja o que for , vai acabar por te ouvir . - Ouvir me ? - disse o Ron , em um tom de voz muito pouco natural . - Já ouviu . Fang ! A escuridão parecia esmagar lhes os globos oculares enquanto ali ficaram apavorados , a a espera . Houve um estranho ruído , surdo e prolongado , e em seguida o silêncio . - O que estará a fazer ? - perguntou Harry . - Talvez esteja a preparar se para atacar - disse o Ron . Esperaram , a tremer , sem ousarem mexer se . - Achas que se foi embora ? - murmurou Harry . - Não sei . Em esse momento , de o lado direito veio um clarão de luz tão forte em o meio de o escuro que os dois levaram as mãos a a cara para proteger os olhos . O Fang ganiu e tentou fugir mas viu se envolvido em um emaranhado de espinhos e ganiu ainda mais alto . - Harry - gritou o Ron com grande alívio em a voz . - Harry , é o nosso carro . - O quê ? - Anda ver . Harry avançou a os tropeções atrás de o Ron , em direcção a a luz e em o momento seguinte estavam em uma clareira . O carro de Mr._Weasley ali estava , vazio , no_meio_de um círculo de árvores grossas , sob um telhado de ramos densos , os faróis de a frente resplandecentes . Quando Ron se aproximou de boca aberta , moveu se lentamente em direcção a ele como_se fosse um grande cão azul turquesa , cumprimentando o dono . - Tem estado aqui todo este tempo - disse o Ron satisfeitíssimo , aproximando se de o carro . - Olha para ele , a floresta tornou o selvagem ... O guarda-lamas estava riscado e cheio de lodo . Parecia que tinha andado a passear sozinho por a floresta . Fang não gostou lá muito de ele . Manteve se a o lado de o Harry que podia senti o a tremer . Com a respiração normalizada , Harry guardou a varinha em o manto . - E nós a pensarmos que ele nos ia atacar - disse o Ron , encostando se a o carro e dando lhe duas palmadinhas - As voltas que eu dei a a cabeça a pensar para_onde ele teria ido ! Harry olhava para todos os lados , em o chão iluminado , em busca de mais aranhas mas todas elas tinham fugido de o brilho de as luzes . - Perdemos as de vista - disse ele . - Anda , vamos procurá as . Ron não disse nada . Não se moveu . Tinha os olhos fixos em um ponto , três metros acima de o chão de a floresta , mesmo atrás de o Harry . O seu rosto estava lívido de terror . Harry nem teve tempo de se voltar . Ouviu se um ruído alto e seco e sentiu que alguma coisa longa e peluda o elevava em o ar com o rosto voltado para baixo . Debatendo se , apavorado , ouviu outro estalido e viu as pernas de o Ron serem também levantadas de o chão . Ouviu o Fang gemer e ganir e , em o momento seguinte , era levado para o meio de as árvores escuras . Com a cabeça a balouçar , Harry viu que a coisa que o transportava tinha seis enormes patas peludas e que as duas de a frente o agarravam com forca sob um par de tenazes pretas e brilhantes . Atrás_de si podia ouvir outra de aquelas criaturas que , sem dúvida , transportava o Ron . Encaminhavam se para o coração de a floresta . Harry ouvia o Fang a ladrar , tentando libertar se de um terceiro monstro mas Harry não podia gritar mesmo_que quisesse , parecia que tinha deixado a voz em a clareira , junto com o carro . Não soube quanto tempo esteve em as patas de a criatura , só se apercebeu que a escuridão se atenuara um_pouco , permitindo lhe ver que o chão coberto de folhas estava agora repleto de aranhas . Voltando a cabeça para o lado , deu se conta de que tinham chegado a a base de uma enorme cova , uma cova que fora limpa de árvores para que as estrelas iluminassem com o seu brilho a cena mais pavorosa que os seus olhos alguma vez tinham visto . Aranhas . Não aranhas pequeninas como aquelas que estavam sobre as folhas . Aranhas de o tamanho de enormes cavalos , com oito olhos , oito pernas pretas , peludas , gigantescas . O espécimen que transportava Harry desceu o terreno íngreme até uma teia brumosa em forma de cúpula que ficava mesmo em o meio de a cova , enquanto os companheiros se juntavam em volta , batendo excitadíssimos com as tenazes e olhando para o que eles traziam a as costas . Harry caiu em o chão de gatas quando a aranha o libertou . Ron e Fang foram cair perto de ele . O Fang já não gania . Estava agachado e muito quieto . Ron e Harry partilhavam o mesmo sentimento . O Ron tinha a boca aberta em uma espécie de grito silencioso e os olhos a saltarem lhe de as órbitas . Harry percebeu de repente que a aranha que o deitara a o chão estava a dizer qualquer coisa . Era difícil entender porque entre cada duas palavras , batia com as tenazes . - Aragog - chamou . - Aragog . E de o meio de a teia brumosa em forma de cúpula saiu muito lentamente uma aranha de o tamanho de um pequeno elefante . As costas e as pernas estavam cobertas de pêlo cinzento e , em a cabeça feia , munida de tenazes , estavam vários olhos , todos eles de um branco leitoso . Era cega . - O que foi ? - disse , batendo rapidamente com as tenazes uma em a outra . - Homens - respondeu a aranha que trouxera o Harry . - É o Hagrid ? - perguntou Aragog , aproximando se mais com os seus oito olhos leitosos a vaguear . - Estranhos - respondeu a aranha que trouxera o Ron . - Matem nos - disse Aragog , irritada . - Eu estava a dormir ... - Nós somos amigos de o Hagrid - gritou Harry . Parecia que o coração lhe saltava por a boca . Clic , clic , clic fizeram as tenazes de a aranha , em volta de a cova . Aragog parou . - O Hagrid nunca mandou homens a a nossa cova - disse lentamente . - O Hagrid está em perigo - explicou Harry , respirando muito depressa . - Foi por isso que eu vim . - Em perigo ? - repetiu a aranha idosa e pareceu a Harry sentir preocupação por detrás de as suas tenazes . - Mas porque vos mandou ele cá ? Harry pensou pôr se de pé mas achou melhor não arriscar . As pernas provavelmente não teriam força para o sustentar . Falou portanto de o chão , o mais calmamente que foi capaz . - Eles lá em a escola pensam que o Hagrid soltou qualquer coisa contra os estudantes . Mandaram o para Azkaban . Aragog bateu furiosamente com as tenazes e , em toda_a cova , o eco foi reproduzido por uma multidão de aranhas . Era uma espécie de aplauso com uma única diferença : os aplausos não costumavam fazer o Harry quase morrer de medo . - Mas isso foi há muitos anos - disse Aragog , maldisposta . - Há anos e anos . Lembro me muito bem . Foi por isso que o expulsaram de a escola . Eles pensaram que eu era o monstro que vive em aquilo a que eles chamam a Câmara_dos_Segredos . Pensaram que o Hagrid a tinha aberto para me libertar . - E tu ... não vieste de a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Harry que sentia a testa cheia de suores frios . - Eu - disse Aragog , batendo irritada com as tenazes - , eu não nasci em o castelo . Venho de uma terra distante . Um viajante ofereceu me a o Hagrid quando eu era ainda um ovo . Hagrid era um rapazinho mas tratou de mim , escondeu me em uma despensa dentro de o castelo e alimentava me com as migalhas que ficavam em as mesas . Hagrid é o meu bom amigo e um bom homem . Quando me encontraram e me culparam por a morte de uma rapariga , ele protegeu me . Desde_então , tenho vivido aqui em a floresta onde o Hagrid ainda vem visitar me . Ele até me arranjou uma esposa , Mosag , e estão a ver como a família cresceu , tudo graças a a bondade de o Hagrid ... Harry reuniu a coragem que lhe restava . - Então tu nunca atacaste ninguém ? - Nunca - resmungou a velha aranha . - Era esse o meu instinto , mas por respeito a Hagrid nunca fiz mal a nenhum humano . O corpo de a rapariga morta foi encontrado em uma casa_de_banho , ora eu nunca conheci mais do_que despensa de o castelo , onde cresci . Nós gostamos de o escuro de o silêncio . - Mas então ... sabes o que matou essa rapariga ? - perguntou Harry . - Porque seja o que for , está a atacar as pessoas outra_vez ... As suas palavras foram abafadas por uma audível explosão de tenazes a bater e por o ruge-ruge de muitas pernas longas , deslocando se iradas . Em volta de Harry começaram a mover se sombras escuras . - O que vive em o castelo - disse Aragog - é uma antiga criatura que nós , aranhas , tememos acima_de todas_as outras . Lembro me bem de o quanto insisti com Hagrid para que me deixasse sair de ali quando senti a criatura a andar por a escola . - O que é ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Mais tenazes a bater , mais pernas a moverem se . As aranhas pareciam estar a aproximar se . - Nós não falamos de isso - exclamou Aragog furiosa . - Não pronunciamos o seu nome . Eu nunca disse a o Hagrid o nome de a horrível criatura , apesar_de ele me ter perguntado vezes sem conta . Harry não quis insistir , principalmente com todas aquelas aranhas a aproximarem se de todos os lados . Aragog parecia ter se cansado de falar . Recuava lentamente para a teia em forma de cúpula , mas as companheiras continuavam a aproximar se ameaçadoramente de Harry e Ron . - Vamos embora , então - gritou Harry , desesperadamente a Aragog , enquanto ouvia as folhas secas a estalarem atrás_de si . - Embora ? - disse Aragog lentamente . - Não me parece ... - Mas , mas ... - Os meus filhos e filhas não fazem mal a o Hagrid por ordem minha . Mas não posso negar lhes carne fresca quando ela veio por vontade própria ter connosco . Adeus , amigo de o Hagrid . Harry deu meia volta . Poucos centímetros acima de ele , uma sólida parede de aranhas batia com as tenazes , os seus muitos olhos a brilharem em as horríveis caras pretas . Mesmo_que se servisse de a varinha , Harry sabia que não ia valer de nada . As aranhas eram demasiadas , mas quando tentava preparar se para morrer a lutar , ouviu se um som prolongado e um clarão de luz iluminou a cova . O carro de Mr._Weasley ribombava , descendo o declive , com os faróis acesos , a buzina a guinchar , afastando as aranhas . Muitas de elas ficaram voltadas ao_contrário com as várias pernas a agitar se em o ar . O carro buzinou com mais força em frente de Harry e Ron e as portas abriram se . - Agarra o Fang - gritou Harry , ajeitando se em o lugar de a frente . Ron agarrou o cão caçador de javalis e lançou o a ganir para o banco de trás . As portas fecharam se com estrondo . Ron não tocou em o acelerador mas o carro não precisou de isso . O motor fez se ouvir e levantaram voo , batendo em mais aranhas . Subiram o declive , saindo de a cova e pouco depois atravessavam a floresta , os ramos a baterem em os vidros enquanto o carro seguia habilmente através de os intervalos maiores , por um caminho que obviamente já conhecia . Harry olhou para o Ron , a o seu lado . Ele tinha ainda a boca aberta em o mesmo grito silencioso mas os olhos já não estavam salientes . - Estás bem ? Ron olhou em frente , incapaz de responder . Começavam a descer para terra firme com o Fang a soltar enormes ganidos em o banco de trás e Harry viu o espelho retrovisor saltar quando passaram rente a um enorme carvalho . Após dez minutos bastante ruidosos , as árvores começaram a ser mais finas e Harry pôde ver de_novo pedaços de o céu . O carro parou tão bruscamente que quase foram projectados por o vidro de a frente . Tinham chegado a a orla de a floresta . O Fang ia agitadíssimo a a janela e quando Harry abriu a porta , disparou a correr através de as árvores até a a casa de o Hagrid , de cauda entre as pernas . Harry saiu também e um minuto depois o Ron pareceu recuperar a força em os membros e seguiu o , ainda com um torcicolo e de olhos esbugalhados . Harry deu uma palmadinha de agradecimento a o carro antes de ele dar a volta e desaparecer em direcção a a floresta . Harry voltou a a cabana de o Hagrid para buscar o manto de a invisibilidade . O Fang tremia em o seu cesto , coberto por um cobertor . Quando saiu de_novo , viu o Ron a vomitar junto de as abóboras . - Sigam as aranhas - disse ele debilmente , limpando a boca a a manga . - Nunca vou perdoar a o Hagrid . É uma sorte ainda estarmos vivos . - Aposto que ele pensou que Aragog nunca faria mal a os seus amigos - justificou Harry . - Esse é justamente o problema de o Hagrid - interrompeu Ron , dando um soco em a parede de a cabana . - Ele acha sempre_que os monstros não são tão maus como os pintam e vê onde isso o levou , a uma cela em Azkaban - tremia agora descontroladamente . - Qual a ideia de ele a o mandar nos ali ? Gostava de saber o que é_que descobrimos . - Que o Hagrid nunca abriu a Câmara_dos_Segredos - disse Harry , lançando o manto sobre Ron e tocando lhe em o braço para o encorajar a andar . - Ele estava inocente . Ron resmungou em voz alta . Para ele , chocar Aragog em uma despensa não era propriamente estar inocente . Quando se aproximaram de o castelo , Harry esticou o manto para garantir que os pés de ambos ficavam cobertos . Em seguida , empurrou as portas de a frente que chiaram . Atravessaram com todo o cuidado o * hall * de entrada e subiram a escadaria de mármore , contendo a respiração em os corredores guardados por sentinelas atentos . Por fim , chegaram a a segurança de a sala de os Gryffindor onde o lume ardera até se transformar em brasas brilhantes . Tiraram o manto e subiram a escada serpenteante que os levava a o dormitório . Ron caiu em a cama sem sequer se despir mas Harry , apesar_de tudo , não tinha sono . Sentou se em a beirinha de a cama , pensando em todas_as coisas que Aragog dissera . A criatura que andava por o castelo , pensou , era uma espécie de monstro Voldemort , nem os outros monstros queriam pronunciar o seu nome . Mas ele e o Ron não estavam agora mais perto_de descobrir o que era nem como petrificava as suas vítimas . Se nem o Hagrid chegara a saber o que estava em a Câmara_dos_Segredos ... Harry balançou as pernas e atirou se para_cima de a cama . Encostado a as almofadas olhou a Lua que brilhava através de a janela de a torre . Não sabia que mais poderiam fazer . Só tinham encontrado portas fechadas . Riddle apanhara a pessoa errada . O herdeiro de Slytherin fugira e ninguém sabia se era a mesma pessoa ou uma outra que abrira , desta_vez , a Câmara_dos_Segredos . Não havia mais ninguém a quem fazer perguntas . Harry deitou se ainda a pensar em as palavras de Aragog . Estava a começar a ficar com sono quando aquilo que parecia ser uma última esperança lhe ocorreu , fazendo o sentar se muito direito em a cama . - Ron - sussurrou em o escuro . - Ron . Ron acordou com um ganido como os de o Fang . Olhou muito assustado em volta e viu o Harry . - Ron , a rapariga que morreu . Aragog contou nos que ela foi encontrada em uma casa_de_banho - disse , ignorando os roncos de o Neville em o outro canto de o quarto . - E se ela nunca tivesse saído de a casa_de_banho ? E se ainda lá estiver ? Ron esfregou os olhos , franzindo as sobrancelhas sob a luz de a Lua . E só então compreendeu . -- Não pensar que ... a Murta_Queixosa ? XVI_A_Câmara_dos_Segredos -- E estivemos nós tantas vezes em aquela casa_de_banho com ela apenas a três cubículos de distância - disse o Ron amargamente em o dia seguinte , a a mesa de o pequeno-almoço . - Podíamos ter lhe perguntado e agora ... Já fora bastante difícil procurar as aranhas . Escapar a os professores o tempo suficiente para ir até a a casa_de_banho de as raparigas , que ficava mesmo em frente de o lugar onde ocorrera o primeiro ataque , ia ser quase impossível . Mas alguma coisa aconteceu que fez com que a Câmara_dos_Segredos desaparecesse de os seus pensamentos pela_primeira_vez em várias semanas . A professora Mc_Gonagall comunicou lhes que os exames começariam a 1_de_Junho , uma semana depois . - Exames ? - gritou Seamus_Finnigan . - Nós mesmo_assim vamos ter exames ? Ouviu se um estrondo atrás de o Harry quando a varinha de o Neville_Longbottom lhe escapou de a mão , fazendo desaparecer uma de as pernas de a secretária . A professora Mc_Gonagall repô a com a sua varinha e voltou se com má cara para o Seamus . - Se temos a escola aberta em uma altura de estas é para vocês receberem instrução - disse com dureza . - Os exames terão lugar , portanto , como é costume e espero que todos vocês façam revisões até lá . Revisões . Não passara por a cabeça de o Harry que houvesse exames com o castelo em aquele estado . Houve uma série de murmúrios revoltados , o que fez com que a professora Mc_Gonagall ficasse ainda mais mal-humorada . - As instruções de o professor Dumbledore foram para manter a escola a funcionar o mais normalmente possível - disse . - E isso , não preciso de vos dizer , passa por uma avaliação de o quanto vocês aprenderam a o longo de este ano . Harry olhou para baixo , para o casal de coelhos brancos que ele deveria transformar em pantufas . Que tinha ele aprendido durante o ano ? Não era capaz de se lembrar de nada que fosse útil em um exame . Ron estava como_se tivessem acabado de lhe dizer que a partir de aquele momento tinha de ir viver para a floresta proibida . - Estás a ver me a ter exames com isto tudo ? - perguntou a o Harry enquanto pegava em a varinha que tinha começado a assobiar bastante alto . Três dias antes de o primeiro exame , a a hora de o pequeno almoço , a professora Mc_Gonagall fez outra comunicação . - Tenho boas notícias - disse , e o salão em_vez_de se calar , explodiu de contentamento . - Dumbledore vai regressar ! - gritaram várias pessoas cheias de alegria . - Apanharam o herdeiro de Slytherin - arriscou uma rapariga em a mesa de os Ravenclaw . - Temos outra_vez os jogos de Quidditch - bradou Wood , excitadíssimo . Quando a agitação passou , Mc_Gonagall disse : - A professora Sprout informou me que as mandrágoras estão finalmente prontas para serem cortadas . Hoje a a noite vamos poder reanimar as pessoas que foram petrificadas . Escusado será dizer que certamente uma de elas poderá revelar nos quem ou o que a atacou . Eu tenho esperança que este ano pavoroso acabe com a prisão de o culpado . Houve uma explosão de aplausos . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e não ficou nada surpreendido a o ver que Draco_Malfoy não aplaudia . O Ron , por outro lado , estava satisfeito como ninguém o via havia dias . - Não faz mal não termos perguntado a a Murta . A Hermione vai , com certeza , ter todas_as respostas quando acordarem . Vai também ficar fula quando souber que temos exames dentro_de três dias . Ela não pôde fazer revisões . Seria melhor deixarem a estar onde está até a o final de os exames . Nessa_altura , Ginny_Weasley veio sentar se junto de o Ron . Parecia nervosa e tensa e Harry reparou que torcia as mãos em o colo . - O que se passa ? - perguntou o Ron , servindo se de mais papa de aveia . Ginny não disse nada mas olhou para um lado e para o outro de a mesa de os Gryffindor , com um olhar assustado que lembrou a Harry alguém que não sabia bem quem era . - Vá lá , vomita - disse o Ron , olhando para ela . Harry percebeu subitamente quem a Ginny lhe lembrara . Ela balançava se ligeiramente para a frente e para trás em a cadeira , exactamente como o Dobby fazia quando estava hesitante , à_beira_de revelar uma informação proibida . - Tenho de te dizer uma coisa - balbuciou a Ginny receosa , sem olhar para Harry . - O que é ? - perguntou ele . Ginny parecia incapaz de encontrar as palavras certas . - O quê ? - insistiu Ron . Ginny abriu a boca mas não saiu nenhum som . Harry inclinou se para a frente e falou devagar para que só ela e Ron pudessem ouvi o . - É alguma coisa relacionada com a Câmara_dos_Segredos ? Viste alguma coisa ou alguém a agir de forma estranha ? Ginny respirou fundo e , em esse preciso momento , apareceu Percy_Weasley com um ar pálido e cansado . - Se já acabaste de comer eu fico com esse lugar , Ginny . Estou cheio de fome . Acabei agora o meu trabalho de patrulhamento . Ginny deu um salto como_se a cadeira tivesse acabado de ser electrificada , lançou a o Percy um olhar assustado e zarpou . Percy sentou se e tirou uma caneca de o meio de a mesa . -- Percy - disse o Ron aborrecido . - Ela ia agora mesmo contar nos uma coisa importante . A meio de um gole de chá , Percy estremeceu . - Que coisa ? - perguntou , tossindo . - Eu quis saber se ela tinha visto alguma coisa estranha e ela ia dizer ... - Ah ! isso ... não tem nada que ver com a Câmara_dos_Segredos - disse o Percy de imediato . - Como sabes ? - indagou o Ron , erguendo as sobrancelhas . - Bem ... er ... já_que perguntam , a Ginny ... er ... passou por mim em outro dia quando eu ... er ... não foi nada , o importante é_que ela viu me fazer uma coisa e eu ... um ... pedi lhe para não comentar com ninguém . Não pensei que ela cumprisse a palavra , verdade se diga . Não é nada importante , eu só ... Harry nunca vira o Percy tão pouco a a vontade . - O que estavas a fazer , Percy ? - riu se o Ron . - Vá lá , conta que nós não nos rimos . Percy ficou sério . - Passa me esses pãezinhos , Harry , estou cheio de fome . Harry sabia que todo o mistério poderia ser desvendado em o dia seguinte sem a ajuda de eles mas não ia deixar de falar com a Murta_Queixosa se a oportunidade surgisse . E , para sua grande satisfação , ela surgiu a meio de a manhã quando eram conduzidos a a aula de História_da_Magia_por_Gilderoy_Lockhart . Lockhart , que tantas vezes lhes assegurara que o perigo tinha passado , estava agora totalmente convencido de que acompanhar os alunos em os corredores era um trabalho inútil . O seu cabelo estava mais liso do_que de costume . Parecia ter passado toda_a noite acordado a vigiar o quarto andar . - Podem escrever o que eu digo - afirmou , acompanhando os até uma esquina . - As primeiras palavras que vão sair de a boca de aquelas pobres pessoas petrificadas serão - * _ Foi_o_Hagrid * . Francamente , estou espantado por a professora Mc_Gonagall considerar ainda necessárias estas medidas de segurança . - Concordo , professor - disse Harry , fazendo com que Ron , surpreendido , deixasse cair os livros a o chão . - Obrigado , Harry - disse Lockhart amavelmente , enquanto deixavam passar uma grande fila de Hufflepuffs . - verdade é_que os professores já têm bastante que fazer para andarem também a acompanhar os alunos a as aulas e a guardar os corredores a a noite ... - É verdade - disse o Ron , percebendo a ideia . - Porque não nos deixa aqui , professor , só falta mais um corredor . - Sabes , Weasley , sou mesmo capaz de fazer isso - disse Lockhart . - Preciso de preparar a minha próxima aula . E apressou se a seguir o seu caminho . - Preparar a aula - zombou o Ron . - Vai encaracolar o cabelo , é o mais certo . Deixaram os restantes Gryffindor passar lhes a a frente e por fim cortaram caminho em um corredor lateral e dirigiram se a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mas quando estavam a congratular se por o seu esquema brilhante ... - Potter , Weasley ! Que estão vocês a fazer aqui ? Era a professora Mc_Gonagall e a boca de ela estava mais fina do_que nunca . - Nós estávamos , estávamos - gaguejou o Ron . - Nós íamos ver , íamos ver ... - Hermione - completou Harry . A professora Mc_Gonagall e Ron olharam para ele . - Não a vemos há séculos , professora - prosseguiu Harry , pisando o pé a o Ron . - E pensamos ir espreitá a a a ala hospitalar e dizer lhe que as mandrágoras estão quase prontas , para ela não se preocupar . A professora Mc_Gonagall estava ainda a olhar para ele e , por um momento , Harry pensou que ela ia explodir mas , quando falou , fê lo em um tom de voz estranhamente rouco . - É claro - disse . E Harry , espantado , viu uma lágrima a brilhar lhe em o canto de um de os olhos . - É claro . Eu compreendo que tudo_isto tem sido muito duro para os amigos de aqueles que foram ... eu compreendo , sim , Potter . Podem ir visitar Miss_Granger . Eu mesma informarei o professor Binns de que vocês estão em o hospital . Digam a Madam_Pomfrey que vos dei autorização . Harry e Ron afastaram se , quase sem acreditar que tinham escapado a um castigo . Quando voltaram em uma esquina ouviram nitidamente a professora Mc_Gonagall a assoar se . - Esta - disse o Ron entusiasmado - foi a melhor história que tu alguma vez inventaste . Não tinham outro remédio senão ir a a ala hospitalar e dizer a Madam_Pomfrey que tinham autorização de a professora Mc_Gonagall para visitar Hermione . Madam_Pomfrey deixou os entrar com alguma relutância . - Não vale a pena falar com uma pessoa petrificada - disse , e ambos tiveram que admitir que ela tinha razão quando se sentaram junto de Hermione e constataram que ela não tinha a menor noção de estar acompanhada . Dizer lhe que não se preocupasse ou falar com o armário que estava a o lado de a cama era exactamente a mesma coisa . - Será que ela viu quem a atacou ? - perguntou o Ron , olhando com tristeza para o rosto rígido de Hermione . - Porque se a coisa saltou sobre eles , ficaremos todos sem saber de nada . Mas Harry não olhava para o rosto de Hermione . Estava mais interessado em a sua mão direita que se encontrava pousada sobre os cobertores e , inclinando se para ela , viu que tinha , fechado entre os dedos , um pedaço de papel . Assegurando se de que Madam_Pomfrey não dava por nada , fez sinal a o Ron . - Tenta tirá o - murmurou ele , colocando a cadeira de_modo_a que Madam_Pomfrey não pudesse ver o Harry . Não foi tarefa fácil . A mão de a Hermione estava fechada com uma força tal que Harry receou parti a . Enquanto Ron vigiava , ele forçou e torceu até que , por fim , depois de vários minutos bastante tensos , conseguiu tirar o papel . Era uma página retirada de um livro muito antigo de a biblioteca . Harry alisou a ansiosamente e Ron inclinou se para poder lês a também . * _ De todos os monstros assustadores que pairam a a face de a Terra , nenhum é tão curioso nem tão fatal como o Basilisk , também conhecido por o rei de as serpentes . Esta cobra que pode atingir proporções gigantescas e viver durante muitas centenas de anos nasce de um ovo de galinha que é chocado por um sapo . As suas formas de matar são pavorosas pois além de os dentes venenosos e mortais , o Basilisk tem um olhar criminoso e todos aqueles que ele fixa com os olhos tem morte instantânea . As aranhas fogem a sete pés de o Basilisk que é seu inimigo mortal , e o Basilisk foge apenas de o canto de o galo que para ele é fatal * . Por debaixo de isto uma única palavra fora escrita , em a letra que Harry reconheceu como sendo de Hermione : Canos . Foi como_se se tivesse acendido uma luz em o seu espírito . - Ron - murmurou - é isso . Está aqui a resposta . O monstro de a Câmara_dos_Segredos é um Basilisk , uma serpente gigante . Por isso , só eu tenho ouvido a sua voz em todos os lugares , porque eu compreendo * serpentês * ... Harry olhou para as camas em volta . - O Basilisk mata as pessoas fixando as com o olhar mas ninguém morreu , o que quer_dizer que ninguém o olhou directamente em os olhos . Colin viu o através de a lente de a máquina fotográfica e o Basilisk queimou o rolo que estava lá dentro mas o Colin ficou apenas petrificado . O Justin ... o Justin deve ter visto o Basilisk através de o Nick quase sem cabeça . O Nick é_que levou com o olhar mas não podia morrer outra_vez ... e perto de a Hermione e de a prefeita de os Ravenclaw foi encontrado um espelho . Hermione acabara de compreender que o monstro era um Basilisk . Aposto que preveniu a primeira pessoa que encontrou de que era melhor olhar por um espelho a o virar de cada esquina . E aquela rapariga puxou de o seu espelho e ... O Ron estava de queixo caído . - E Mrs._Norris ? - perguntou vivamente . Harry pensou um_pouco , tentando imaginar a cena em a noite de o Halloween . - A água . . . - disse lentamente . - A poça de água que saiu de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Aposto que Mrs._Norris só viu o reflexo de o monstro . Examinou a folha de papel que tinha em a mão . Quanto_mais olhava mais sentido faziam as coisas . - * _ O cantar de o galo é fatal para ele * - leu em voz alta . - Os galos de o Hagrid foram mortos . O herdeiro de Slytherin não queria um único galo perto de o castelo , com a câmara aberta . * _ As aranhas são as primeiras a fugir * . Tudo encaixa . - Mas , como tem o Basilisk andado por aí ? - disse o Ron . - Uma serpente horrível e enorme ... alguém a teria visto . Mas Harry apontou para a palavra que Hermione escrevinhara em o final de a página . - Canos - disse . - Canos ... Ron , ele tem usado a canalização . Eu ouvi sempre a voz dentro de as paredes ... Ron agarrou subitamente o braço de o Harry . - A entrada para a Câmara_dos_Segredos - disse em uma voz rouca . - E se for em uma casa_de_banho ? Se for em a ... - Em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa - completou Harry . Sentaram se , tomados de uma excitação enorme , mal querendo acreditar . - Isso significa que - disse o Harry - eu não posso ser o único em a escola a falar * serpentês * . Há também o herdeiro de Slytherin . É de esse modo que tem controlado o Basilisk . - O que vamos fazer ? - perguntou Ron com os olhos a faiscar . - Vamos falar com a Mc_Gonagall ? - Vamos até a a sala de os professores - disse Harry , dando um salto . - Ela estará lá dentro_de dez minutos , está quase em o intervalo . Desceram a escada a correr . Não querendo ser descobertos outra_vez a vaguear por os corredores foram directamente até a a sala de os professores que estava deserta . Era uma divisão ampla , toda forrada , com cadeiras de madeira escura . Harry e Ron passearam de um lado para o outro , demasiado nervosos para se sentarem . Mas a campainha anunciando o intervalo nunca mais tocava . Em vez de isso , ecoando em os corredores , ouviram a voz de a professora Mc_Gonagall incrivelmente ampliada . - * _ Todos os alunos devem regressar de imediato a os seus dormitórios . Todos os professores a a sala de professores . Imediatamente , por favor * . Harry deu meia volta e olhou para o Ron . - Não me digas que houve um novo ataque , não agora ! - Que vamos fazer ? - disse o Ron aterrado . - Voltar para o dormitório ? - Não - disse Harry , olhando e m volta . Havia uma espécie de armário a a sua esquerda cheio com os mantos de os professores . - Ali . Vamos ouvir o que se passa . A seguir poderemos contar lhes o que descobrimos . Esconderam se dentro de o armário , ouvindo a algazarra de centenas de pessoas e a porta de a sala de professores a abrir se . De o meio de a confusão de mantos bafientos , viram os professores encherem a sala . Alguns tinham um ar totalmente confuso , outros pareciam apavorados . Por fim , chegou a professora Mc_Gonagall . - Aconteceu - disse em o silêncio de a sala de professores . - O monstro levou uma aluna . Levou a mesmo para a câmara . O professor Flitwick soltou um grito agudo . A professora Sprout bateu com a mão em a boca . Snape agarrou com força as costas de uma cadeira e perguntou : - Como pode ter tanta certeza ? - O herdeiro de Slytherin - disse a professora Mc_Gonagall , muito pálida . - Deixou outra mensagem . Mesmo por baixo de a primeira : « * _ O esqueleto de ela ficará para sempre em a Câmara_dos_Segredos * . » O professor Flitwick desatou a chorar . - Quem é ela ? - quis saber Madam_Hooch que se afundara em uma cadeira . - Quem é a aluna ? - Ginny_Weasley - disse a professora Mc_Gonagall . Harry viu o Ron , a o seu lado , escorregar silenciosamente até a o chão de o armário . - Vamos ter que mandar todos os alunos embora amanhã - disse a professora Mc_Gonagall . Isto_é o fim de Hogwarts , Dumbledore sempre disse ... A porta de a sala de os professores voltou a abrir se . Por um breve momento , Harry pensou que fosse Dumbledore mas era Lockhart e vinha todo sorridente . - Peço desculpa , adormeci . Perdi alguma coisa ? Não pareceu reparar que os outros professores o olhavam com uma espécie de aversão . Snape deu um passo em frente . - O homem que faltava - disse . - O homem certo . O monstro raptou uma garota , Lockhart levou a para a Câmara_dos_Segredos . O seu momento chegou . - Isso mesmo , Lockhart - acrescentou a professora Sprout . - Não estavas a dizer ontem a a noite que sempre tinhas sabido onde era a entrada para a Câmara_dos_Segredos ? - Eu ... bem ... eu-disse atabalhoadamente Lockhart . - Sim , não me disseste que sabias exactamente o que estava lá dentro ? - disse com voz esganiçada o professor Flitwick . - Eu disse ? Não me lembro ... - Lembro me perfeitamente de o ouvir dizer que lamentava não ter feito uma tentativa com o monstro antes de o Hagrid ser preso - disse Snape . - Não disse que toda_a história tinha sido uma atrapalhação e que deveriam ter lhe dado carta branca desde o princípio ? Lockhart olhou em volta para a cara de espanto de os colegas . - Eu ... nunca ... eu de facto ... deve ter me compreendido mal . - Então vamos deixar te , Gilderoy - disse a professora Mc_Gonagall . - Esta noite será uma excelente oportunidade para actuares . Nós trataremos de assegurar que ninguém te atrapalha . Vais poder enfrentar o monstro sozinho . Finalmente tens carta branca . Lockhart olhou desesperado a a sua volta mas ninguém foi salvá o . Já não estava bem-parecido . O lábio tremia lhe e a ausência de o seu habitual sorriso de dentes brancos dava lhe um ar escanzelado . - M-muito bem - disse . - Vou até a o meu escritório para ... para me preparar . E saiu de a sala . - _ óptimo - exclamou a professora Mc_Gonagall com as narinas dilatadas . - Isto deve afastá o de o nosso caminho . Os chefes de casa devem ir agora comunicar a os respectivos alunos o que se passou e informá os de que o Expresso_de_Hogwarts os levará a casa amanhã de manhã . Os restantes certifiquem se , por favor , de que não há alunos fora de os dormitórios . Os professores levantaram se e saíram um a um . Foi talvez o dia pior de a vida de o Harry . Ele , Ron , Fred e George sentaram se juntos a um canto em a sala comum de os Gryffindor , incapazes de proferir uma palavra . Percy não estava lá . Tinha ido tratar de enviar uma coruja a Mr. e Mrs._Weasley e , em seguida , fechara se em o dormitório . Nunca uma tarde custara tanto a passar e nunca a torre de os Gryfffindor estivera tão cheia de gente e tão silenciosa . Fred e George foram para a cama quase a o pôr de o Sol , incapazes de ficar ali mais tempo . - Ela sabia qualquer coisa , Harry - disse o Ron , falando pela_primeira_vez desde_que tinham saído de o armário de a sala de os professores . - Por isso a levaram . Não era nenhuma parvoíce sobre o Percy , ela tinha descoberto qualquer coisa sobre a Câmara_dos_Segredos . Com certeza por isso é_que a ... - Ron esfregou os olhos , enervadíssimo . - Afinal ela era sangue puro , não pode haver outra explicação . Harry olhava para o sol que mergulhava de um vermelho cor de sangue em a linha de o horizonte . Era a pior coisa que lhe tinha acontecido . Se pelo_menos pudessem fazer alguma coisa . - Harry - disse o Ron . - Achas que há alguma possibilidade de ela não estar ... ? Sabes o que eu quero dizer . Harry não sabia que resposta dar . Não acreditava que a Ginny pudesse ainda estar viva . - Sabes uma coisa ? - disse o Ron . - Acho que devíamos ir ter com o Lockhart , contar lhe o que sabemos . Ele vai tentar entrar em a câmara , podemos dizer lhe onde achamos que fica a entrada e contar lhe que o monstro é um Basilisk . Como Harry não tinha nenhuma ideia melhor e como queria fazer alguma coisa , concordou . Os Gryffindor que os rodeavam estavam tão tristes e com tanta pena de os Weasley que ninguém tentou impedi os quando os viram levantar se , atravessar a sala e sair por o buraco de o retrato . A escuridão começava a instalar se quando chegaram a o escritório de Lockhart onde a actividade era muita . De o corredor ouvia se o ruído de coisas a serem deitadas fora , pancadas surdas e passos apressados . Harry bateu a a porta e houve um silêncio repentino . Em seguida abriu se uma fresta de a porta e viram um de os olhos de Lockhart a espreitar . - Oh ! ... Mr._Potter ... Mr._Weasley - disse entreabrindo a porta . - Estou um_pouco ocupado em este momento , se forem rápidos ... - Professor , nós temos informações para lhe dar - disse o Harry . - Acho que poderão ajudá o . - Er ... bem ... não é - o lado de a cara de Lockhart que conseguiam ver parecia muito pouco a a vontade . - Quer_dizer ... bem ... está bem . Abriu a porta e eles entraram . O escritório estava praticamente vazio . Em o chão estavam duas grandes malas abertas . Mantos verde-jade , lilás , azul-noite tinham sido apressadamente dobrados e guardados dentro_de uma de as malas . Os livros misturavam se todos dentro de a outra . As fotografias que antes cobriam as paredes estavam agora arrumadas em caixas , em cima de a secretária . - Vai a algum lado ? - perguntou Harry . - Er ... bem ... sim - disse Lockhart , arrancando de a porta um poster seu em tamanho natural , enquanto falava , e começando a enrolá o . - Uma chamada urgente ... inevitável ... tenho que ir . - E a minha irmã ? - perguntou o Ron bruscamente . - Bem , quanto_a isso foi uma pena - disse Lockhart , evitando olhá os em os olhos , abrindo uma gaveta e começando a despejar o seu conteúdo dentro_de um saco . - Ninguém lamenta mais do_que eu ... - O senhor é o professor de Defesa contra as artes negras - disse Harry . - Não pode ir se embora agora_que todas estas coisas de magia negra estão a acontecer aqui . - Bem , devo dizer te que ... quando aceitei o lugar ... - resmungou Lockhart , empilhando soquetes sobre os mantos - nada em a descrição de o meu trabalho fazia prever ... - Quer_dizer que vai fugir ? - perguntou Harry , incrédulo . - Depois de todas_as coisas que conta em os seus livros ? - Os livros podem ser enganadores - disse Lockhart delicadamente . - Mas foi o senhor que os escreveu - gritou Harry . - Meu rapaz - disse Lockhart , endireitando se e franzindo as sobrancelhas - usa o senso comum . Os meus livros não teriam vendido metade do_que venderam se as pessoas não acreditassem que eu tinha feito todas aquelas coisas . Ninguém está interessado em ler sobre um velho feiticeiro americano mesmo_que ele tenha salvo uma cidade inteira de os lobisomens , ficaria péssimo em a capa . E a bruxa que correu com a fada carpideira tinha um lábio leporino . Como vês . - Quer_dizer que ficou com os louros por tudo_o_que uma série de outras pessoas fizeram ? - perguntou Harry , sem querer acreditar . - Harry , Harry - disse Lockhart , abanando impacientemente a cabeça . - Não é tão simples assim . Envolveu muito trabalho . Tive de localizar todas essas pessoas , perguntar lhes em pormenor como tinham feito as coisas . Depois tive de lhes fazer um feitiço antimemória para que não voltassem a lembrar se do_que tinham feito . Se há uma coisa de que me orgulho é de os meus feitiços antimemória . Não , tive muito trabalho , Harry . Não foram só as sessões de autógrafos e as fotografias , sabes ? Quem quer ser famoso tem de estar preparado para um trabalho longo e fatigante . Fechou as malas a a chave . - Vejamos - disse . - Acho que está tudo . Sim , só falta uma coisa . - Empunhou a varinha e voltou se para eles . - Lamento muito , rapazes , mas vou ter de vos fazer um feitiço antimemória . Não posso deixar que vão por aí repetir os meus segredos . Não venderia nem mais um livro . Harry pegou em a varinha mesmo a tempo e Lockhart mal tinha levantado a de ele a o ar quando Harry gritou * _ Expelliarmus ! * Lockhart foi projectado de costas , indo cair em cima de a mala . A varinha voou por os ares . Ron agarrou a e atirou a por a janela aberta . - Não devia ter deixado o professor Snape ensinar nos esta - disse Harry furioso , dando um pontapé a uma de as malas . Lockhart olhava para ele , de_novo escanzelado . Harry apontava lhe a varinha . - O que queres que eu faça ? - perguntou debilmente . - Eu não sei onde fica a Câmara_dos_Segredos . Não posso fazer nada . - Está com sorte - disse Harry , forçando o com a varinha a pôr se de pé . - Nós julgamos saber onde é e o que está lá dentro . Vamos . Conduziram Lockhart para fora de o seu escritório , desceram com ele as escadas e seguiram por o corredor escuro em cuja parede brilhavam as mensagens , até a a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mandaram Lockhart a a frente . Harry gostou de ver que todo ele tremia . A Murta_Queixosa estava sentada em a cisterna de o cubículo de o fundo . - Ah ! são vocês - disse a o ver o Harry . - O que querem agora ? - Perguntar te como morreste - disse Harry . O aspecto de a Murta mudou por completo . Parecia que nunca lhe tinham feito uma pergunta tão lisonjeira . - Ooooh ! Foi horrível - disse satisfeita . - Aconteceu aqui mesmo . Morri em este cubículo . Lembro me tão bem . Estava escondida porque a Olive_Hornby andava a implicar comigo por causa de os meus óculos . A porta estava fechada e eu estava a chorar e , então , ouvi alguém entrar . Disseram qualquer coisa estranha em uma língua diferente , acho eu . Mas o que mais me espantou foi o ser um rapaz a falar . Por isso , abri a porta para lhe dizer que fosse a a casa_de_banho de eles e em esse momento - a Murta inchou com ar importante , o rosto a brilhar - morri . - Como ? - perguntou Harry . - Não faço ideia - disse a Murta em um tom de voz abafado . - Só me lembro de ver dois grandes olhos amarelos , de o meu corpo ficar preso e em seguida , sentir me a flutuar ... - olhou sonhadoramente para Harry . - E depois voltei . Estava disposta a vingar me de a Olive_Hornby , percebes ? Ela ia arrepender se de ter gozado com os meus óculos . - Onde foi exactamente que viste os tais olhos ? - perguntou Harry . - Algures por aí - disse a Murta , apontando vagamente para o lavatório em frente de o seu cubículo . Harry e Ron apressaram se . Lockhart estava de pé , mais atrás , com uma expressão de pavor em o rosto . O lavatório parecia perfeitamente vulgar . Examinaram o centímetro a centímetro , dentro e fora , incluindo os canos por baixo . E foi então que Harry reparou : de lado , rabiscada em uma de as torneiras de cobre , estava uma cobra pequenina . - Essa torneira nunca funcionou - disse vivamente a Murta enquanto ele tentava abri a . - Harry - sugeriu o Ron . - Diz qualquer coisa em * serpentês * . Mas , pensou Harry , as únicas vezes que conseguira falar * serpentês * tinham ocorrido quando confrontado com uma verdadeira serpente . Olhou , concentrado para a pequena cobra gravada em o cobre , tentando imaginá a como verdadeira . - Abre te - disse . Olhou para o Ron que abanou a cabeça . - Inglês - disse ele . Harry voltou a olhar para a cobra , forçando se a acreditar que estava viva . A luz de a vela fez parecer que se movia . - Abre te - repetiu . Mas desta_vez as palavras não foram o que ele ouviu . Um estranho sibilar escapou lhe de a boca e a torneira ganhou uma luz branca e brilhante e começou a rodar . Logo_a_seguir o lavatório mexeu se . Afastou se , melhor dizendo , saiu de o caminho , deixando um grande cano a a vista , um cano onde cabia um homem . Harry ouviu a respiração arquejante de o Ron e olhou de_novo para ele . Já decidira o que queria fazer . - Vou descer - disse . Não podia deixar de ir , agora_que acabavam de descobrir a entrada para a câmara , existindo uma possibilidade , por mais remota que fosse , de a Ginny ainda estar viva . - Eu também - disse o Ron . Houve uma pausa . - Bem , parece que não precisam mais de mim - apressou se Lockhart a dizer com uma réstia de sorriso . - Eu vou . . . Pôs a mão em o puxador de a porta mas Ron e Harry apontaram lhe ambos as varinhas . -- O senhor pode ir a a frente - disse rispidamente o Ron . Pálido e sem varinha , Lockhart aproximou se de a entrada . - Meus rapazes - disse em uma voz débil . - Meus rapazes , para quê tudo_isto ? Harry tocou lhe em as costas com a varinha e ele meteu as pernas em o cano . - Eu não me parece que ... - começou a dizer , mas o Ron deu lhe um empurrão e ele desapareceu por o cano abaixo . Harry foi rapidamente atrás . Introduziu se lentamente e deixou se cair . Era como escorregar em uma pista escura e interminável . Ele via outros canos , estendendo se em todas_as direcções mas nenhum tão largo como o de eles que se torcia e virava , inclinando se abruptamente . Harry sabia que estavam a chegar a um ponto muito abaixo de a escola e de os calabouços . Atrás_de si , ouvia o Ron gemendo em cada curva . E então , quando começava a preocupar se com o que iria acontecer quando tocassem em o chão , o cano tornou se horizontal e ele foi projectado com um ruído surdo , indo aterrar em o chão húmido de um túnel de pedra com altura suficiente para ele se pôr de pé . Lockhart estava a levantar se a alguma distancia , todo enlameado e pálido como um fantasma . Harry afastou se para deixar o Ron sair também de o cano . - Devemos estar quilómetros e quilómetros abaixo de a escola - disse o Harry cuja voz ecoou em o túnel negro . - Talvez até debaixo de o lago - arriscou o Ron , olhando em volta para as paredes escuras e viscosas . Voltaram se os três para olhar para a escuridão lá a o fundo . - * _ Lumus ! * - murmurou Harry a a varinha e ela voltou a acender se . - Vamos - disse a o Ron e a o Lockhart e avançaram , os passos a chapinharem ruidosamente em o chão molhado . O túnel era tão escuro que só conseguiam ver alguns centímetros a a frente . As suas sombras em as paredes molhadas pareciam monstruosas a a luz de a varinha . - Lembrem se - disse Harry baixinho enquanto caminhavam . - A o menor movimento fechem logo os olhos ... Mas o túnel era silencioso como um túmulo e o primeiro som inesperado que ouviram foi um grito de o Ron que escorregou em uma coisa que era afinal a cauda de um rato . Harry baixou a varinha para olhar para o chão e viu que estava cheio de pequenos ossos de animais . Fazendo um enorme esforço para evitar pensar em que estado iriam encontrar a Ginny , avançou até uma curva escura de o túnel . - Harry , está aqui qualquer coisa - disse o Ron com voz rouca , agarrando Harry por o ombro . Ficaram estáticos a olhar . Harry só conseguia ver a silhueta de algo enorme e curvo deitado em o túnel . Fosse o que fosse não se movia . - Talvez esteja a dormir - murmurou , olhando para os outros dois . Lockhart tapava os olhos com as mãos . Harry voltou se para olhar para a criatura com o coração a bater tanto que lhe doía em o peito . Lentamente , com os olhos quase fechados mas ainda conseguindo ver , Harry avançou com a varinha levantada . A luz deslizou sobre uma gigantesca pele de serpente , de um verde vivo e venenoso que estava vazia e enrolada em o chão de o túnel . A criatura que a abandonara devia ter , pelo_menos , seis metros e meio de comprimento . - Bolas - disse o Ron , perdendo as forças . Houve um movimento súbito atrás de eles . As pernas de Gilderoy_Lockhart cederam . - Levante se - disse o Ron de uma forma cortante , apontando lhe a varinha . Lockhart pôs se de pé . Em seguida empurrou o Ron , atirando o a o chão . Harry deu um salto , mas ... tarde de mais . Lockhart endireitava se com a varinha de o Ron em as mãos e um sorriso em o rosto . - A aventura acaba aqui , rapazes - disse . - Vou levar um bocado de esta pele de cobra para a escola , contar lhes que foi demasiado tarde para salvar a garota e que vocês os dois perderam tragicamente a memória com a visão de o seu corpinho mutilado . Digam adeus a as vossas recordações . Levantou a o ar a varinha avariada de o Ron e gritou * _ Obliviate ! * A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba . Harry pôs os braços sobre a cabeça e correu , escorregou em os anéis de a pele de cobra , afastando se de os grandes pedaços de tecto de o túnel que caíam em o chão com o ruído de trovões . Pouco depois estava sozinho , olhando para uma sólida parede de rocha partida . - Ron - gritou ele . - Estás bem , Ron ? - Estou aqui - respondeu a voz abafada de o Ron por detrás de a avalancha de rochas . - Eu estou bem mas este sujeito não . A varinha avariou o todo . Ouviu se um ruído surdo e um Oh ! gritado . Parecia que o Ron tinha acabado de dar a o Lockhart um pontapé em as canelas . - E agora ? - disse a voz de o Ron que parecia desesperada . - Não podemos passar , vai demorar séculos . Harry olhou para o tecto de o túnel onde tinham aparecido grandes fendas . Ele nunca tentara partir , através de a magia , nada tão grande como aquelas rochas e agora não lhe parecia ser o melhor momento para fazer experiências . E se o túnel abatesse ? Houve um ruído surdo e outro Oh ! atrás de as rochas . Estavam a perder tempo . A Ginny já estava havia duas horas em a Câmara_dos_Segredos . Harry sabia que só havia uma coisa a fazer . - Espera aqui - gritou a o Ron . - Fica com o Lockhart , eu vou lá . Se não voltar dentro_de uma hora ... Houve um silêncio cheio . - Eu vou ver se desloco um_pouco esta rocha - disse o Ron , tentando manter a voz firme . - Para tu poderes passar . E , Harry ... - Até já - disse o Harry , procurando injectar confiança em a sua voz trémula . E passou sozinho para lá de a imensa pele de serpente . Em_breve , o ruído de o Ron , tentando deslocar a rocha , deixou de se ouvir . O túnel virou uma e outra_vez . Os nervos de o corpo de o Harry tangiam de forma desagradável . Ele só queria que o túnel chegasse a o fim , fosse o que fosse que o aguardasse . E então , finalmente , quando atingiu a última curva , viu em a sua frente uma parede sólida que tinha gravadas duas serpentes enroladas uma em a outra , cujos olhos eram quatro esmeraldas , enormes e brilhantes . Harry aproximou se com a garganta seca . Não foi preciso imaginar que as serpentes eram autênticas . Os seus olhos pareciam estranhamente vivos . Foi fácil descobrir o que tinha de fazer . Pigarreou e os olhos de esmeraldas pareceram mexer se . - Abre te - disse Harry em um sibilar baixo . As serpentes desapareceram enquanto a parede se abria a o meio e , a tremer de os pés a a cabeça , Harry entrou . XVII_Herdeiro_de_Slytherin_Estava de pé em o fundo de uma divisão enorme , fracamente iluminada . Altíssimos pilares de pedra , cheios de serpentes gravadas que os enlaçavam , erguiam se , suportando um tecto que se perdia em a escuridão e que lançava sombras negras imensas através de a estranha luz esverdeada que enchia o local . Com o coração a bater descompassadamente , Harry ficou parado a ouvir aquele silêncio arrepiante . Estaria o Basilisk escondido em um canto cheio de sombras , atrás_de algum pilar ? E onde estaria Ginny ? Pegou em a varinha e avançou a o longo de as colunas serpenteantes . Cada_um de os seus passos provocava um enorme eco em as paredes sombrias . Harry tinha os olhos semicerrados e estava pronto para os fechar a o mais pequeno movimento . As órbitas de olhos fundos de as serpentes de pedra pareciam segui o . Por mais de uma_vez , com o estômago a dar um salto , Harry julgou vê os moverem se . Por fim , chegado a o nível de os dois últimos pilares , avistou uma estátua de a altura de a própria câmara que estava encostada a a parede de o fundo . Harry tinha de esticar o pescoço para olhar para_cima , para a cara de o gigante : era velho e com um ar simiesco , tinha uma barba enorme que lhe caía quase onde acabava a longa túnica de pedra . Os dois pés imensos e cinzentos pousavam em o chão de a câmara . E entre eles , voltada para baixo , estava uma figura pequenina vestida de preto com um cabelo flamejante . - Ginny - murmurou Harry , chegando perto de ela e ajoelhando se . - Ginny , por favor não estejas morta , não estejas morta ! Atirou a varinha para o lado , agarrou Ginny por os ombros e voltou a . O rosto de ela estava branco e frio como o mármore , contudo os olhos encontravam se fechados , portanto não estava petrificada . Mas então devia estar ... - Ginny , acorda por favor - repetiu Harry desesperado , sacudindo a . A cabeça de ela andava de um lado para o outro . - Ela não vai acordar - disse secamente uma voz . Harry deu um salto e girou sobre os joelhos . Um rapaz alto , de cabelo preto , estava encostado a o pilar mais próximo , a observá o . As sombras desfocavam o como_se Harry o visse através_de uma janela embaciada . Mas não havia como confundis o . - Tom , Tom_Riddle ? Riddle acenou , sem tirar os olhos de o rosto de Harry . - O que queres dizer com isso de ela não acordar ? - perguntou Harry desesperado . - Ela não está ... não está ? - Está viva - disse Riddle . - Mas , por um fio . Harry olhou fixamente para ele . Tom_Riddle estivera em Hogwarts há cinquenta anos atrás . Contudo , ali estava com uma luz estranha e desfocada a iluminá o , sem um dia a mais do_que os seus dezasseis anos . - És um fantasma ? - perguntou Harry . - Uma memória - disse Riddle . - Preservada em um diário durante cinquenta anos . Apontou para os pés de a estátua gigantesca . Ali , aberto em o chão , estava o pequeno diário de capa preta que Harry tinha encontrado em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Durante um segundo , Harry perguntou a si próprio como teria ido ali parar , mas havia coisas mais importantes a fazer . Preciso de a tua ajuda , Tom - disse Harry , levantando de_novo a cabeça de a Ginny . - Temos de sair de aqui . Há_um_Basilisk ... não sei onde está mas pode aparecer a qualquer momento . Por favor , ajuda me . Riddle não se mexeu . Harry , a transpirar , conseguiu levantar ligeiramente a Ginny de o solo e inclinou se para pegar em a varinha mas ela tinha desaparecido . - Viste a ... ? Olhou para_cima . Riddle continuava a olhá o , fazendo girar a varinha entre os dedos longos . - Obrigado - disse Harry , esticando o braço para a agarrar . Um sorriso surgiu então em os cantos de a boca de Riddle que continuou a olhar para ele , girando indolentemente a varinha . - Ouve , pá - disse Harry sem querer perder mais tempo , os joelhos a vergarem sob o peso morto de Ginny - temos de ir . Se o Basilisk aparece ... - Ele não vem enquanto não for chamado - disse Riddle com toda_a calma . Harry voltou a pousar Ginny em o chão , incapaz de a segurar por mais tempo . - Que queres dizer com isso ? - perguntou . - Dá me a minha varinha , posso precisar de ela . O sorriso de Riddle ampliou se . - Não vais precisar de ela - disse . Harry olhou o espantado . - O que queres dizer , não vou ? - Esperei muito_tempo por isto , Harry - disse Riddle . - Pela possibilidade de te ver , de falar contigo . - Olha , eu acho que tu não estás a perceber - disse Harry , perdendo a paciência . - Estamos em a Câmara_dos_Segredos , podemos conversar mais tarde . - Vamos conversar agora - disse Riddle , sorrindo de orelha a orelha e guardando a varinha de Harry em o bolso . Harry voltou a olhar para ele . Havia qualquer coisa de muito estranho em tudo aquilo . - Como é_que a Ginny ficou assim ? - perguntou pausadamente . - Bem , essa é uma pergunta interessante - disse Riddle , divertido . - E uma longa história , também . Julgo que o verdadeiro motivo que levou Ginny_Weasley a ficar assim foi o ter aberto o seu coração e revelado todos os seus segredos a um estranho ser invisível . - De quem estás a falar ? - perguntou Harry . - De o diário - disse Riddle . - De o meu diário . A Ginny escreve nele há meses e meses , contando me todas_as suas lamentáveis desgraças e atribulações : como os irmãos a arreliam , que teve de vir para a escola com manto , túnica e livros em segunda mão - os olhos de Riddle brilharam -- , que acha que o maravilhoso , o grande , o famoso Harry_Potter nunca vai gostar de ela ... Enquanto falava , nunca os olhos de Riddle se afastaram de a cara de o Harry . Havia em eles um olhar ávido . - É muito chato ter de ouvir as preocupações idiotas de uma garotinha de onze anos - prosseguiu . - Mas eu fui paciente . Respondi lhe , mostrei me simpático e amável . A Ginny pura e simplesmente adorou me . - * _ Nunca ninguém me compreendeu como tu , Tom ... estou tão feliz por ter este diário a quem me confiar ... é como ter um amigo que pode andar em o meu bolso * ... Riddle riu se . Um riso alto , frio , que não lhe ficava bem . Fez com que os cabelos de o pescoço de Harry se arrepiassem todos . - Verdade se diga que sempre consegui encantar as pessoas necessárias . Portanto a Ginny verteu em mim a sua alma e a alma de ela era precisamente o que eu queria . Fortaleceu me . Alimentei me de os seus medos mais profundos , de os seus mais obscuros segredos . Fui ficando cada_vez_mais forte e poderoso . Muito mais poderoso do_que a pequena Miss_Weasley até que comecei a transmitir lhe alguns de os meus segredos , a passar um_pouco de a minha alma para ela ... - O que queres dizer ? - perguntou Harry cuja boca ficara totalmente seca . - Ainda não descobriste , Harry_Potter ? - disse Riddle muito baixo . - Giony_Weasley abriu a Câmara_dos_Segredos , estrangulou os galos de a escola e escreveu mensagens assustadoras em as paredes . Atiçou a serpente de Slytherin contra quatro sangues de lama e contra o gato de o busca-pé . - Não - murmurou Harry . - Sim - disse calmamente Riddle . - É claro que a princípio não sabia o que estava a fazer . Era muito divertido . Gostava que visses as coisas que escreveu em o diário , começaram a ficar muito mais interessantes . * _ Querido_Tom * - recitou ele , olhando para a expressão horrorizada de o Harry . - * _ Acho que estou a perder a memória . Há penas de galo em todas_as minhas roupas e eu não sei como foram lá parar . Querido_Tom , não me lembro do_que fiz em a noite de o Hallowe'en mas foi atacada uma gata e eu estou cheia de tinta em a cara . Querido_Tom , o Percy não pára de me dizer que ando pálida e não pareço eu . Acho que ele suspeita de mim ... Houve outro ataque hoje e eu não sei onde estava . Tom , que vou eu fazer ? Acho que estou a ficar maluca ... acho que ando a atacar toda_a_gente , Tom ! * Harry tinha os punhos fechados , as unhas cravadas contra a palma de as mãos . - Levou muito_tempo até a pequenina estúpida deixar de confiar em o diário - disse Riddle . - Mas acabou por ficar desconfiada e tentou livrar se de ele . E é aí que tu entras , Harry . Tu encontraste o . E eu não poderia ter ficado mais satisfeito . De todas_as pessoas que poderiam ter ficado com ele , foste tu , aquele que eu ambicionava conhecer ... - E porque querias conhecer me ? - perguntou Harry . Começava a ser tomado por a raiva e fez um esforço para manter o tom de voz controlado . - Bem , a Ginny contou me tudo a teu respeito - disse Riddle . - A tua fascinante história . - Os seus olhos pousaram em a cicatriz em a testa de Harry e a sua expressão ganhou maior avidez . - Sabia que devia descobrir mais a teu respeito , falar te , encontrar me contigo se fosse possível . Por isso , para ganhar a tua confiança , resolvi mostrar te a famosa captura que fiz de aquele demente de o Hagrid . - O Hagrid é meu amigo - disse Harry já com a voz a tremer . - E tu tramaste o , não foi ? Pensei que tinha sido um engano , mas ... Ele riu se . O mesmo riso de antes . - Era a minha palavra contra a palavra de ele . Imagina a cara de o velho Armando_Dippet . De um lado Tom_Riddle , pobre mas brilhante , sem pais mas corajoso , prefeito de a escola , um modelo de aluno . De o outro lado , o Hagrid , grande e disparatado , arranjando problemas semana sim , semana não , tentando criar filhotes de lobisomens debaixo de a cama , escapando se para a floresta proibida para lutar com gigantes . Mas , devo admitir que até eu próprio fiquei admirado com os excelentes resultados de o meu plano . Pensei que alguém perceberia que o Hagrid nunca poderia ser o herdeiro de Slytherin . Demorei cinco anos inteirinhos até descobrir tudo_o_que me foi possível sobre a Câmara_dos_Segredos e a sua entrada secreta ... como_se o Hagrid tivesse cabeça ou poder ! - Só o professor de Transfiguração , Dumbledore , parecia achar que ele estava inocente . Convenceu Dippet a mantê o aqui e a treiná o como guarda de os campos . Sim , é natural que Dumbledore tenha adivinhado , nunca gostou de mim como os outros professores . - Aposto que Dumbledore viu através_de ti - disse Harry , de dentes cerrados . - Pelo_menos passou a vigiar me de perto , a partir de o momento em que o Hagrid foi expulso - disse Riddle descuidadamente . - Eu sabia que não era seguro voltar a abrir a câmara enquanto ainda estava em a escola mas não ia desperdiçar os longos anos que passara a pesquisar . Decidi , por isso , deixar um diário preservando em as suas páginas o meu ego de dezasseis anos para que um dia , com um_pouco de sorte , pudesse levar outro a seguir os meus passos e acabar o nobre trabalho de Salazar_Slytherin . - Bem , não o acabaste - disse Harry triunfante . - Ninguém morreu até agora , nem mesmo a gata . Dentro_de poucas horas a poção de mandrágoras estará pronta e todos os que foram petrificados voltarão de_novo a si . - Não acabei de te dizer que matar sangues de lama já não me interessa ? Há muitos meses que o meu alvo és tu . Harry olhou para ele . - Podes imaginar como fiquei furioso quando em outro dia o diário foi aberto e vi que era a Ginny quem estava a escrever e não tu . Ela viu te com o diário e entrou em pânico . E se tu descobrisses como trabalhar com ele e eu te repetisse todos os seus segredos ? Ainda pior , e se eu te contasse quem tinha andado a estrangular os galos ? Por isso , a grande palerma esperou que o teu dormitório estivesse deserto e foi lá roubá o . Mas eu sabia o que tinha de fazer . Estava muito claro para mim que a tua meta era o herdeiro de Slytherin . Por tudo_o_que a Ginny me contara a teu respeito , sabia que irias até onde fosse preciso para desvendar o mistério , principalmente se um de os teus melhores amigos tivesse sido atacado . E a Ginny disse me que a escola toda bichanava por tu falares * serpentês * ... Por isso , obriguei a Ginny a escrever a sua própria despedida em a parede , a vir até aqui e esperar . Ela debateu se e gritou e ficou muito chatinha . Mas , já não tem muita vida : pôs grande parte de ela em o diário , deu me a . O suficiente para eu abandonar , por fim , as suas páginas . Desde_que aqui cheguei que estou a a tua espera . Sabia que virias . Tenho muitas perguntas a fazer te , Harry_Potter . - Que perguntas ? - disse Harry com os punhos fechados . - Bem - prosseguiu Riddle , sorrindo de satisfação : - Como é_que um bebé sem especiais talentos de magia foi capaz de derrotar o maior feiticeiro de sempre ? Como conseguiste escapar só com uma cicatriz quando os poderes de Lord_Voldemort foram destruídos ? Havia agora em os seus olhos um brilho vermelho e irado . - O que é_que te interessa saber como eu escapei ? - disse Harry lentamente . - Voldemort veio depois de ti . - Voldemort - disse Riddle - é o meu passado , o meu presente e o meu futuro , Harry_Potter ... Tirou a varinha de o Harry de o bolso e começou a escrever em o ar três palavras brilhantes : TOM_MARVOLO_RIDDLE_Em seguida , fez um gesto com a varinha e as letras de o seu nome reagruparam se de outro modo . : __ eu sou lord __ voldemort ( I am Lord_Voldemort ) . - Vês ? - murmurou . - Era um nome que eu já usava em Hogwarts , para os meus amigos mais íntimos apenas , como é óbvio . Achas que ia usar para sempre o nome nojento de o meu pai Muggle ? Eu , em cujas veias , por o lado materno , corre o sangue de Salazar_Slytherin ? Eu , manter o nome de um Muggle tolo que me abandonou ainda antes de eu nascer só porque descobriu que a mulher com quem casara era uma bruxa ? Não , Harry , arranjei um novo nome , um nome que eu sabia que os feiticeiros de todo_o_mundo viriam um dia a ter medo de pronunciar , quando eu me tivesse tornado o maior feiticeiro de o mundo . A cabeça de Harry parecia bloqueada . Olhou como_que paralisado para Riddle , para o rapaz de o orfanato que depois de crescer iria matar os seus pais e tantos outros . Por fim , com algum esforço conseguiu falar . - Não és - disse em uma voz calma e cheia de ódio . - Não sou o quê ? - perguntou Riddle irritado . - Não és o maior feiticeiro de o mundo - disse Harry com a respiração acelerada . - Lamento desiludir te mas o maior feiticeiro de o mundo é Albus_Dumbledore . Toda_a_gente sabe . Mesmo tu , quando tinhas força , não ousavas tentar aproximar te de Hogwarts . Dumbledore viu através_de ti quando andavas em a escola e ainda agora te assusta onde quer que te escondas . O sorriso desaparecera de o rosto de Riddle , fora substituído por um olhar furioso . - Dumbledore foi afastado de este castelo por a minha simples memória - sibilou . - Ele não está tão longe como pensas - retorquiu Harry . Falava por falar , tentando assustar Riddle , desejando mais que assim fosse do_que acreditando em as suas palavras como uma verdade . Riddle abriu a boca mas não chegou a falar . Tinha começado a ouvir se uma música . Riddle deu uma volta , olhando para a câmara vazia . A música estava a ficar mais alta . Era misteriosa , arrepiante , sobrenatural . Fez_Harry ficar com os cabelos em pé e o coração aumentar lhe em o peito . Por fim , quando atingiu um ponto tão alto que Harry a sentiu vibrar dentro de as suas costelas , começaram a sair chamas de o topo de o pilar mais próximo . Uma ave carmesim de o tamanho de um cisne surgiu , assobiando a sua estranha melodia para o tecto em forma de abóbada . Tinha uma cauda dourada tão longa como a de um pavão e garras douradas e brilhantes que seguravam uma trouxa andrajosa . Segundos depois , a ave voava em direcção a Harry . Deixou cair a coisa andrajosa a os seus pés e pousou lhe pesadamente em o ombro . Quando abriu as enormes asas , Harry olhou para_cima e viu que tinha um longo bico afiado e olhos escuros pequenos e brilhantes . A ave parou de cantar . Ficou quieta junto de a cara de Harry , olhando fixamente para Riddle . - É uma fénix , disse Riddle , olhando sagazmente para ela . - Fawkes ? - murmurou Harry e sentiu as garras douradas apertarem lhe devagarinho o ombro . - E aquilo - disse Riddle , olhando para a coisa velha que Fawkes deixara em o chão - é o velho chapéu seleccionador , de a escola . Era , de facto . Amachucado , puído e sujo , o chapéu jazia imóvel a os pés de Harry . Riddle começou a rir . Riu se tanto que a câmara escura se lhe juntou em um eco tal que parecia que dez Riddles se riam ao_mesmo_tempo . - Eis o que Dumbledore envia a o seu defensor . Um pássaro que canta e um chapéu velho . Estás cheio de coragem , Harry_Potter ? Sentes te agora mais seguro ? Harry não respondeu . Podia não estar a ver a vantagem de a Fawkes ou de o chapéu seleccionador mas já não se sentia só , e esperou corajosamente que Riddle parasse de rir . - Vamos a o que importa , Harry - disse ele , ainda com um enorme sorriso . - Encontrámo nos duas vezes em o teu passado , em o meu futuro . E duas vezes falhei a o tentar matar te . Como foi que sobreviveste ? Conta me tudo . Quanto_mais falares , mais tempo tens de vida . Harry pensava rapidamente , medindo as suas possibilidades . Riddle tinha a varinha . Ele , Harry , tinha a Fawkes e o chapéu seleccionador que não lhe serviriam de muito em o combate . As coisas pareciam más , é certo . Mas quanto_mais tempo Riddle ali estivesse , mais vida retirava a a Ginny ... e , entretanto , Harry reparou que a silhueta de Riddle se tornava mais nítida , mais sólida . Se tinha de haver uma luta entre os dois , quanto_mais depressa melhor . - Ninguém sabe porque perdeste os poderes quando me atacaste - disse bruscamente . - Eu próprio não sei . Mas sei porque não conseguiste matar me . A minha mãe morreu para me salvar . A minha mãe , uma vulgar filha de Muggles - acrescentou , a tremer de raiva . - Ela impediu que tu me matasses . E eu vi te como tu és , em o ano passado . És um destroço , quase não existes . Foi onde o teu poder te levou . Estás sob um disfarce , és horrível e és louco . O rosto de Riddle contorceu se . Em seguida , forçou um sorriso pavoroso . - Quer_dizer , então , que a tua mãe morreu para te salvar . Sim , é um antifeitiço poderoso . Compreendo agora , afinal não há em ti nada de especial . Eu tinha curiosidade , sabes , porque há uma estranha semelhança entre nós , Harry_Potter . Até tu deves ter reparado . Somos ambos meio sangue , órfãos , educados com Muggles , provavelmente os dois únicos que falam * serpentês * desde o grande Slytherin , até nos parecemos um_pouco fisicamente ... mas afinal foi apenas uma questão de sorte que te salvou de mim . Era o que eu queria saber . Harry ficou parado , tenso , a a espera que Riddle levantasse a varinha mas o seu sorriso cínico ampliou se de_novo . - Agora , Harry , vou dar te uma pequena lição . Vamos confrontar os poderes de Lord_Voldemort , herdeiro de Salazar_Slytherin e de o famoso Harry_Potter , munido com as melhores armas que Dumbledore lhe deu . Lançou um olhar divertido a a Fawkes e a o chapéu seleccionador e , em seguida , afastou se . Harry com as pernas entorpecidas por o medo viu o parar entre dois pilares altos e olhar para a cara de pedra de Slytherin , lá em cima em a semi-obscuridade . Riddle abriu a boca e sibilou mas Harry compreendeu o que ele dizia . - * _ Responde-me , Slytherin , o maior de os quatro de Hogwarts * . Harry voltou se para olhar melhor para a estátua com Fawkes pousada em o ombro . A gigantesca cara de pedra de Slytherin movia se . Horrorizado , Harry viu a boca abrir se mais e mais até se transformar em um buraco negro . E algo se agitava dentro de a boca de a estátua . Algo se arrastava para fora de as suas entranhas . Harry recuou até a a parede escura de a câmara e enquanto fechava os olhos com força sentiu a asa de a Fawkes roçar lhe o rosto e levantar voo . Harry quis gritar : - Não me abandones ! - mas que possibilidades tinha uma fénix contra o rei de as serpentes ? Uma coisa enorme bateu em o chão de pedra que Harry sentiu estremecer . Sabia o que estava a acontecer , podia sentis o , quase podia ver a serpente gigantesca a sair de a boca de Slytherin . Foi então que ouviu a voz de Riddle sibilar : * _ Mata-o * . O Basilisk avançava em direcção a Harry . Ele ouvia o seu corpo enorme escorregar pesadamente por o chão cheio de pó . Com os olhos sempre fechados , Harry começou a correr para o lado , a as cegas , com as mãos abertas a tactear o caminho . Riddle ria se a as gargalhadas . Harry escorregou e caiu em o chão de pedra e a boca soube lhe a sangue . A serpente estava a poucos centímetros de ele . Podia ouvi a a aproximar se . Ouviu se um crepitar explosivo por cima de ele e alguma coisa pesada bateu lhe com tanta força que ele ficou encostado a a parede . Esperando que os dentes de a serpente lhe perfurassem o corpo , ouviu mais ruídos e qualquer coisa que se agitava com força contra os pilares . Não conseguiu evitar . Abriu bem os olhos para ver o que se passava . A enorme serpente , brilhante , de um verde veneno , espessa como o tronco de um carvalho , erguera se em o ar e a sua imensa cabeça agitava se de um lado para o outro , entre os dois pilares . Quando Harry , a tremer , se preparava para fechar de_novo os olhos , percebeu o que distraíra a cobra . Fawkes esvoaçava em volta de a sua cabeça e o Basilisk , furioso , tentava agarrá a com os dentes longos e afiados como sabres . Fawkes mergulhava . Harry deixou de ver o bico fino e dourado e uma brusca chuva de sangue escuro inundou o chão . A cauda de a serpente agitou se , não batendo em o Harry por_pouco e antes que ele pudesse fechar os olhos voltou se . Harry olhou lhe para a cara e viu que os seus olhos , os dois olhos amarelos e bolbosos tinham sido perfurados por a fénix . O sangue escorria por o chão e a serpente cuspia cheia de dores . - * _ Não * - Harry ouviu o grito de Riddle . - * _ Deixa a ave , deixa a ave , o rapaz está atrás_de ti , ainda podes cheirá o . Mata o ! * A serpente cega oscilou confusa , ainda em fúria . Fawkes andava a a volta de a cabeça de ela soprando a sua misteriosa cantilena , picando lhe aqui_e_ali o nariz cheio de escamas , enquanto o sangue jorrava de os seus olhos destruídos . - Ajudem me . Ajudem me - murmurava Harry aflito . - Alguém , ajude me . A cauda de a serpente chicoteou de_novo o chão . Harry baixou se . Algo macio tocou lhe em o rosto . O Basilisk lançara o chapéu seleccionador para os braços de o Harry que o agarrou . Era tudo_o_que tinha , a sua única esperança . Enfiou o em a cabeça e começou a ficar achatado contra o chão , enquanto a cauda de o Basilisk se lançava de_novo sobre ele . - Ajudem me , ajudem me - pensou Harry , os olhos comprimidos debaixo de o chapéu . - Por favor , ajudem me . Nenhuma voz lhe respondeu . Em vez de isso , o chapéu contraiu se como_se uma mão invisível o tivesse espalmado devagarinho . Alguma coisa muito dura e pesada caíra sobre a cabeça de Harry , conseguindo quase derrubá o . A ver estrelas em frente de os olhos , agarrou o chapéu para o puxar para baixo e sentiu lá dentro uma coisa longa e dura . Uma espada brilhante tinha surgido dentro de o chapéu . Tinha um cabo cravejado de rubis de o tamanho de pequenos ovos . - Mata o rapaz , deixa a ave . O rapaz está atrás_de ti . Cheira o ! Harry estava de pé , preparado . A cabeça de o Basilisk caía , o corpo serpenteava , batendo nos pilares quando se torcia para ficar de frente para ele . Harry podia ver as enormes órbitas ensanguentadas , a boca toda aberta , suficientemente grande para o engolir inteiro , munida de dentes tão longos como a sua espada , finos , brilhantes , venenosos ... Começou a atacar a as cegas . Harry baixou se e a serpente bateu em a parede de a câmara . Atacou de_novo e a sua língua bifurcada lambeu a parede ao_lado_de Harry que levantou a espada com ambas as mãos . O Basilisk investiu mais_uma_vez e agora a pontaria foi certa . Harry pôs todo o seu peso contra a espada e enterrou a até a os copos em o céu de a boca de a serpente . Mas quando o sangue quente lhe encheu os braços , sentiu uma dor aguda mesmo acima de o cotovelo . Um longo dente venenoso penetrava cada_vez_mais fundo em o seu braço , partindo se quando o Basilisk tombou para o lado , perdendo os sentidos . Harry escorregou a o longo de a parede , apertou com força o dente que estava a derramar veneno por todo o seu corpo e arrancou o de o braço . Mas sabia que era demasiado tarde . Uma dor quente emanava lenta e perseverantemente de a ferida . Quando deixou cair o dente e viu o seu próprio sangue manchando lhe as vestes , a vista começou a ficar turva e a câmara a diluir se em uma rotação ardente e colorida . Mas algo escarlate passou por ele e Harry ouviu a o seu lado um suave ruído de garras . - Fawkes - disse com a voz empastada . - Foste sensacional , Fawkes . - Sentiu o pássaro encostar a sua elegante cabeça a o sítio onde o dente de a serpente o tinha ferido . Ouviu passos ecoarem em o vazio e em seguida uma sombra escura moveu se em a sua frente . - Estás morto , Harry_Potter - disse a voz de Riddle , acima de ele . - Morto . Até o pássaro de Dumbledore sabe de isso . Vês o que ele está a fazer ? A chorar . Harry piscou os olhos . A cabeça de Fawkes ora estava focada , ora desfocada . Lágrimas grossas como pérolas escorriam de as suas penas . - Vou sentar me aqui a ver te morrer , Harry_Potter . Leva o teu tempo , eu não tenho pressa . Harry sentiu se sonolento . Tudo parecia girar a a sua volta . - E assim acaba o famoso Harry_Potter - disse a voz distante de Riddle . - Sozinho em a Câmara_dos_Segredos , esquecido por os amigos , finalmente derrotado por o Senhor de o mal que ele tão imprudentemente desafiou . Vais reunir te a a tua querida mãe sangue de lama , Harry ... Ela deu te doze anos de tempo emprestado ... Mas Lord_Voldemort apanhou te em o fim , como sabias que teria de acontecer . Se morrer é isto , pensou Harry , não é assim tão mau . Até a dor estava a desaparecer . Mas , estaria a morrer ? Em_vez_de ficar mais escura a câmara parecia voltar a estar nítida . Harry fez um pequeno gesto com a cabeça e viu a Fawkes ainda repousando a cabeça em o seu ombro . Uma fiada de pérolas brilhava em volta de a ferida , só que já não havia ferida . - Sai de aqui , pássaro - disse subitamente a voz de Riddle . - Afasta te de ele . Já te disse , sai de aqui ! Harry levantou a cabeça . Riddle apontava a sua varinha a Fawkes . Ouviu se um tiro que parecia de carabina e Fawkes levantou novamente voo em um rodopio de ouro e escarlate . - Lágrimas de fénix - disse Riddle em voz baixa , olhando para o braço de o Harry . - É claro ... poderes curativos ... esqueci me ... Olhou para a cara de Harry . - Mas não faz mal . Pensando bem , eu até prefiro assim . Tu e eu , Harry_Potter ... Tu e eu ... Levantou a varinha . Então , em um golpe de asa , Fawkes voou sobre as cabeças de ambos , deixando cair uma coisa em o colo de Harry : o diário . Durante uma fracção de segundo , tanto Harry como Riddle , ainda com a varinha levantada , ficaram a olhar para aquilo . Em seguida , sem pensar , sem ponderar , como_se pensasse fazê o desde o princípio , Harry agarrou o dente de o Basilisk que estava em o chão , junto de ele , e espetou o em o coração de o caderno . Ouviu se um grito longo e terrível . A tinta esguichou em torrentes de dentro de o diário , derramando se sobre as mãos de o Harry e inundando o chão . Riddle torcia se e contorcia se , agitando se a os gritos . E , por fim . Desapareceu . A varinha de Harry caiu a o chão com um ruído e fez se silêncio . Um silêncio apenas cortado por o ping ping de a tinta que ainda escorria de o diário . Com um leve crepitar , o veneno de o Basilisk abrira um buraco mesmo em o meio de o caderno . A tremer de os pés a a cabeça , Harry pôs se de pé . Sentia tudo a andar a a roda como_se tivesse viajado quilómetros e quilómetros com o pó de * _ Floo * . Lentamente apanhou a varinha e o chapéu seleccionador e com um grande estrondo retirou a espada de o céu de a boca de a serpente . Ouviu se então um gemido fraco a o fundo de a câmara . Ginny estava a mexer se . Quando Harry chegou junto de ela , sentou se . Os seus olhos abismados saltaram de o Basilisk morto para Harry em a sua roupa cheia de sangue e , em seguida , para o diário que ele tinha em as mãos . Soltou um enorme soluço e os seus olhos encheram se de lágrimas . - Harry , oh ! Harry , eu tentei dizer te a o pequeno-almoço mas não fui capaz em frente de o Percy . Era eu , Harry , mas eu ... eu ... juro que não queria ... o Riddle obrigou me , levou me e ... como é_que mataste esse bicho ? Onde está o Riddle ? A última coisa de que me lembro foi de o ver a sair de o diário ... - Está tudo bem - disse Harry , mostrando lhe o diário com o buraco de o dente . - O Riddle acabou , olha . Ele e o Basilisk . Anda , Ginny , vamos embora de aqui . - Vou com certeza ser expulsa - disse Ginny a chorar enquanto Harry a ajudava a pôr se de pé . - Desde_que o Bill veio para Hogwarts que eu sonhava vir também para cá e agora vou ter de me ir embora e ... O que vão a minha mãe e o meu pai dizer ? Fawkes esperava por eles , suspensa em o ar , a a entrada de a câmara . Harry fez a Ginny avançar , passaram sobre os anéis parados de o Basilisk , por a escuridão cheia de ecos e voltaram a o túnel . Harry ouviu as portas de pedra fecharem se atrás de eles com um leve sibilar . Depois de alguns minutos a caminhar por o túnel escuro , chegou a os ouvidos de Harry o som distante de o deslocar de uma rocha . - Ron - gritou ele , apressando se . - A Ginny está bem . Está aqui comigo ! Ouviu o Ron gritar de alegria e , voltando em a curva logo_a_seguir , viram a sua cara ansiosa a espreitar por a fresta que conseguira abrir durante a avalancha . - Ginny ! - Ron estendeu o braço por a fresta para a puxar primeiro . - Estás viva . Não posso acreditar . O que aconteceu ? Tentou abraçá a mas a Ginny afastou o , soluçando . - Mas estás bem , Ginny - disse o Ron , sorrindo para ela . - Já passou tudo ... De onde veio esse pássaro ? Fawkes passara por a abertura , atrás_de Ginny . - É de o Dumbledore - explicou Harry , espremendo se para caber também . - E como arranjaste uma espada ? - perguntou o Ron , olhando para a arma brilhante que Harry tinha em a mão . - Eu explico te tudo quando sairmos de aqui - disse Harry , lançando um olhar de esguelha a a Ginny . - Mas ... - Mais tarde - disse Harry rapidamente . Não lhe parecia uma boa ideia contar a o Ron quem tinha aberto a câmara , ali , em frente de a Ginny . - Onde está o Lockhart ? - Ali atrás - disse o Ron , a rir e a abanar a cabeça em direcção a o cano . - Está em muito mau estado . Anda ver . Conduzidos_pela_Fawkes , cujas grandes asas escarlates emitiam um suave dourado que brilhava em a escuridão , voltaram a o lugar onde o cano começava . Gilderoy_Lockhart estava sentado a falar sozinho . - Perdeu a memória - disse o Ron . - O feitiço de a memória fez ricochete . Não sabe quem é nem onde está , nem_sequer sabe quem nós somos . Eu disse lhe que viesse para aqui e esperasse . É um perigo para ele próprio . Lockhart olhou os bem-disposto . - Olá - disse . - Que lugar estranho , este . É aqui que vocês moram ? -- Não - respondeu o Ron , levantando as sobrancelhas para o Harry . Harry baixou se e observou o túnel escuro e longo . - Já pensaste como é_que vamos sair de aqui ? - perguntou a o Ron . O amigo abanou a cabeça mas Fawkes , a fénix , tinha passado por o Harry e estava agora em o ar , em frente de ele , os olhos como pérolas a brilharem em o escuro . Abanava as longas penas douradas de a cauda . Harry olhou para ela , inseguro . - Ela parece querer que a agarres - disse o Ron , perplexo . - Mas tu és muito pesado para um pássaro . - A Fawkes - disse Harry - não é um pássaro qualquer . Voltou se rapidamente para os companheiros . - Temos de nos agarrar uns a os outros . Ginny , agarra a mão de o Ron . O professor Lockhart ... - Ele está a falar consigo - disse o Ron secamente . - Agarre a outra mão de a Ginny . Harry guardou a espada e o chapéu seleccionador em o cinto . Ron deitou a mão a a roupa de Harry e Harry agarrou as penas de a cauda , estranhamente quentes , de a Fawkes . Sentiu uma extraordinária leveza apoderar se de todo o seu corpo e em seguida estavam todos a voar por o cano acima . Harry conseguia ouvir Lockhart , lá atrás , comentando : - Espantoso , isto parece mágico ! Ar frio batia em os cabelos de Harry e antes que ele deixasse de gostar de a viagem já ela acabara . Os quatro tinham chegado a o chão molhado de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa e , enquanto Lockhart endireitava o chapéu , o lavatório voltara a o seu lugar , tapando o cano . A Murta arregalou os olhos . - Vocês estão vivos - disse inexpressivamente a o Harry . - Não é preciso mostrares te tão desiludida - respondeu ele , muito sério , limpando as nódoas de sangue e lodo de os óculos . - Bem ... é_que eu pensei que se vocês morressem seriam bem-vindos a a minha casa_de_banho - disse a Murta com um rubor prateado . - Urgh ! - fez o Ron , quando saíram de ali para o corredor deserto . - Harry , acho que a Murta está a gostar de ti . Tens concorrência , Ginny ! A Ginny continuava a chorar silenciosamente . - Onde vamos agora ? - perguntou o Ron , olhando ansiosamente para ela . Harry apontou . Fawkes indicava o caminho , com o seu tom dourado que brilhava em o corredor . Seguiram a e pouco depois estavam em o escritório de a professora Mc_Gonagall . Harry bateu e empurrou a porta que estava encostada . XVIII_A recompensa de Dobby_Durante alguns momentos reinou o silêncio enquanto Harry , Ron , Ginny e Lockhart estavam em a entrada de a porta . Cobertos de pó e de lama e ( em o caso de o Harry ) sangue . Em seguida , ouviu se um grito . - Ginny ! Era_Mrs._Weasley que tinha estado a chorar , sentada em frente de o lume . Pôs se de pé em um salto , seguida de Mr._Weasley e precipitaram se ambos para a filha . Harry olhava para trás de eles . Dumbledore rejubilava junto de a lareira , a o lado de a professora Mc_Gonagall que , agarrada a o queixo , respirava com dificuldade . Fawkes rasou as orelhas de o Harry e foi instalar se em o ombro de Dumbledore , ao_mesmo_tempo que Harry dava por si em os braços de Mrs._Weasley . - Tu salvaste a ! Salvaste a ! : __ como foi que __ conseguiste ? - Acho que todos nós gostaríamos de saber - disse , sem energia , a professora Mc_Gonagall . Mrs._Weasley soltou o Harry , que hesitou um momento . Depois , foi até a a secretária e colocou sobre o tampo o chapéu seleccionador , a espada cravejada de rubis e o que restava de o diário de Riddle . Em seguida , contou lhes tudo . Falou durante quase um quarto de hora em o silêncio extasiado : contou lhes de a voz sem corpo que ouvia , como a Hermione acabara por descobrir que se tratava de um Basilisk que circulava em os canos , como ele e o Ron tinham seguido as aranhas até a a floresta , que Aragog lhes dissera que a última vítima de o Basilisk morrera , como tinham chegado a a conclusão que se tratava de a Murta_Queixosa e que a entrada para a Câmara_dos_Segredos devia ser em aquela casa_de_banho ... - Muito bem - elogiou a professora Mc_Gonagall quando ele se calou . - Então tu descobriste onde era a entrada , infringindo uma centena de regras de a escola por o caminho , devo dizer , mas como diabo saíram vocês vivos de lá de dentro ? Harry , com a voz já um_pouco rouca de falar tanto , contou lhes de a chegada de a Fawkes e de o chapéu seleccionador que lhe tinha dado a espada . Mas , chegando aí , hesitou . Até a o momento evitara referir se a o diário de Riddle ou a a Ginny . Ela tinha a cabeça encostada a o ombro de Mrs._Weasley e as lágrimas corriam lhe ainda por o rosto . E se a expulsassem ? - pensou Harry , tomado de pânico . O diário de Riddle já não funcionava ... quem poderia provar que fora ele que a obrigara a fazer tudo aquilo ? Olhou instintivamente para Dumbledore que sorria , o fogo iluminando lhe os óculos de meia-lua . - O que mais me interessa saber - disse Dumbledore amavelmente - é como conseguiu Lord_Voldemort enfeitiçar a Ginny quando as minhas fontes me dizem que ele se esconde habitualmente em as florestas de a Albânia . Um alívio , quente e glorioso percorreu Harry de a cabeça a os pés . - O quê ? - disse Mr._Weasley , em uma voz estupefacta . - O Quem nós sabemos enfeitiçou a Ginny ? Mas a Ginny não ... a Ginny não morr ... ? - Foi este diário - esclareceu Harry rapidamente . E mostrando o a Dumbledore . - O Riddle escreveu o quando tinha dezasseis anos . Dumbledore pegou em o diário e olhou atentamente por cima de o seu nariz longo e adunco para as páginas queimadas e húmidas . - Fantástico - disse em voz baixa . - É claro que ele deve ter sido o aluno mais brilhante que alguma vez passou por Hogwarts . - Olhou em volta para os Weasley que o observavam com um ar totalmente confuso . - Muito poucas pessoas sabem que Lord_Voldemort se chamou em tempos Tom_Riddle . Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos , em Hogwarts . Ele desapareceu depois de deixar a escola , viajou muito , mergulhou tão fundo em as artes de a magia negra , associado a os piores feiticeiros , realizou transformações mágicas tão perigosas que quando reapareceu como Lord_Voldemort estava totalmente irreconhecível . Ninguém o relacionou com o rapazinho inteligente e bonito que aqui foi , em tempos , chefe de turma . - Mas a Ginny - insistiu Mrs._Weasley . - O que tem a nossa Ginny que ver com ele ? - O diário - soluçou Ginny . - Eu andei todo o ano a escrever em o diário e ele respondia me ... - Ginny ! - repreendeu Mr._Weasley . - Não aprendeste nada do_que te ensinei ? Não me cansei de dizer te que nunca confiasses em nada que não pensasse por si próprio * se não conseguisses ver onde tinha o cérebro ? * Porque não me mostraste o diário , a mim ou a a tua mãe ? Um objecto suspeito como esse tinha de estar cheio de magia negra ! - Eu não sabia - soluçou Ginny . - Estava junto de os livros que a mãe me comprou . Pensei que alguém se tinha esquecido de ele ali . - É melhor Miss_Weasley ir imediatamente para a ala hospitalar - interrompeu Dumbledore com voz firme . - Foi sujeita a uma prova terrível . Não será castigada . Outros feiticeiros mais velhos do_que ela têm sido ludibriados por Lord_Voldemort . - Dirigiu se a a porta e abriu a . - Repouso , cama e talvez uma caneca de chocolate quente . A mim , anima me sempre - acrescentou , piscando lhe simpaticamente o olho . - Vais ver que Madam_Pomfrey ainda está acordada . Ela tem estado a dar o sumo de Mandrágora , julgo que as vítimas de o Basilisk estarão a acordar dentro_de momentos . de alegria . - Então a Hermione está bem ! - disse o Ron , cheio de alegria . - Não houve danos irreversíveis - disse Dumbledore . Mrs._Weasley saiu com a Ginny e Mr._Weasley seguiu as ainda bastante abalado . - Sabes , Minerva - disse pensativo o professor Dumbledore - acho que tudo_isto merece um banquete . Posso pedir te que previnas os cozinheiros ? - Certamente - disse animada a professora Mc_Gonagall , dirigindo se também a a porta . - Deixo te a tratar de as coisas com o Potter e o Weasley , está bem ? - Claro - disse Dumbledore . Saiu e os dois olharam inseguros para Dumbledore . Que quereria ela dizer com tratar de as coisas ? Certamente não iriam ser castigados ? - Lembro me de vos ter dito a ambos que teria de vos expulsar se voltassem a quebrar as regras de a escola - disse Dumbledore . Ron abriu a boca horrorizado . - O que vem mostrar nos que as melhores pessoas , às_vezes , têm de engolir as suas próprias palavras . - Dumbledore sorriu e continuou : - Vocês vão receber ambos uma recompensa especial por serviços prestados a a escola e ... deixem me ver , sim , acho que duzentos pontos cada_um para os Gryffindor . Ron ficou tão corado que parecia as flores de S._Valentim_do_Lockhart e voltou a fechar a boca . - Mas um de vós parece demasiado calado sobre a sua participação em esta perigosa aventura - acrescentou Dumbledore . - Porquê tanta modéstia , Gilderoy ? Harry estremeceu . Esquecera se por completo de Lockhart . Voltou se e viu o a um canto de a sala ainda com o mesmo sorriso vago . Quando Dumbledore se lhe dirigiu , olhou por cima de o ombro para ver com quem ele estava a falar . - Professor_Dumbledore - disse o Ron rapidamente - Houve um acidente lá em baixo , em a Câmara_dos_Segredos . O professor Lockhart - Eu sou um professor ? - perguntou Lockhart surpreendido . - E eu que pensei que era um inútil ! - Tentou fazer um feitiço antimemória e a varinha fez ricochete - explicou Ron_a_Dumbledore . - Incrível - disse Dumbledore , abanando a cabeça , o bigode prateado a tremer . - Trespassado por a tua própria espada , Gilderoy ! - Espada ? - disse Lockhart de forma imprecisa . - Eu não tenho espada . Esse rapaz é_que tem - apontou para Harry . - Ele empresta lhe uma . - Importas te de levar também o professor Lockhart até a a ala hospitalar , Ron ? - disse Dumbledore . - Eu gostava de falar um_pouco mais com o Harry . Lockhart saiu sem pressa . Antes de fechar a porta , Ron lançou um olhar curioso a Dumbledore e Harry . Dumbledore passou para uma de as cadeiras junto de o lume . - Senta te , Harry - disse . E Harry sentou se , sentindo se indescritivelmente nervoso . - Antes de mais , Harry , quero agradecer te - disse Dumbledore com os olhos a brilharem de_novo . - Deves ter demonstrado uma grande lealdade para comigo . Só isso poderia atrair a Fawkes para ir ajudar te . Deu uma palmadinha a a fénix que voara , entretanto , para_cima de os seus joelhos . Harry sorria acanhadamente sob o olhar observador de Dumbledore . - Encontraste , portanto , Tom_Riddle - disse o director amavelmente . - Calculo que ele estaria particularmente interessado em ti ... De repente , algo que Harry tinha engasgado saiu lhe descontroladamente de a boca para fora . - Professor_Dumbledore ... o Riddle disse que eu sou como ele , que há entre nós estranhas semelhanças ... - Ah ! sim ? - Dumbledore olhou pensativamente para ele , por debaixo de as espessas sobrancelhas prateadas . - E o que achas tu de isso ? - Eu não me considero parecido com ele - disse Harry mais alto do_que desejaria . - Isto_é , eu sou um Gryffindor , eu sou ... Mas calou se com uma dúvida a rondar lhe o espírito . - Professor - arriscou passado alguns momentos . - O chapéu seleccionador disse que eu ... teria ficado bem em os Slytherin ; durante algum tempo toda_a_gente pensou que eu era o herdeiro de Slytherin por falar * serpentês * ... - Tu falas * serpentês * , Harry - disse Dumbledore calmamente - porque Lord_Voldemort que é o mais recente antepassado de Salazar_Slytherin , fala * serpentês * . Ou eu me engano muito , ou ele transferiu para ti alguns de os seus poderes em a noite em que te fez essa cicatriz . Não que quisesse fazê o , claro , mas aconteceu . - Voldemort pôs um_pouco de si próprio em mim ? - disse Harry assombrado . - É o que parece ter acontecido . - Então eu deveria estar em os Slytherin - disse Harry , olhando desesperado para o rosto de Dumbledore . - O chapéu seleccionador viu em mim os poderes de Slytherin e ... -- Pôs te em os Gryffindor - concluiu tranquilamente Dumbledore . - Ouve , Harry , tu tens por acaso muitas de as capacidades que Salazar_Slytherin apreciava em os seus estudantes cuidadosamente seleccionados . O seu raro dom de falar * serpentês * , desenvoltura , determinação , um certo desprezo por as regras estabelecidas - acrescentou com o bigode a tremer de_novo . - Mas ainda_assim , o chapéu seleccionador pôs te em os Gryffindor . E sabes porquê ? Pensa um_pouco . - Só me pôs em os Gryffindor - disse Harry em uma voz débil - porque eu pedi para não ir para os Slytherin . - Exacto - disse Dumbledore a sorrir . - E isso torna te muito diferente de o Tom_Riddle . São as tuas escolhas , Harry , que mostram quem de facto tu és , mais do_que as tuas capacidades . Harry sentou se , imóvel e espantado , em a cadeira . - Se queres provas de que o teu lugar é em os Gryffindor , sugiro que vejas isto com mais atenção . Dumbledore aproximou se de a secretária de a professora Mc_Gonagall , pegou em a espada de prata ensanguentada e mostrou lhe a . Sem perceber , Harry voltou a ao_contrário . Os rubis brilharam a a luz de a lareira e foi então que ele reparou em o nome gravado mesmo por baixo de o copo de a espada . GODRIC_GRYFFINDOR . - Só um verdadeiro Gryffindor poderia ter tirado a espada de dentro de o chapéu , Harry - disse , com simplicidade , Dumbledore . Durante um minuto , nenhum de os dois falou . Depois , Dumbledore abriu uma de as gavetas de a secretária de a professora Mc_Gonagall e retirou de lá uma pena e um tinteiro . - Tu precisas de comer e ir dormir . Sugiro que desças para o banquete enquanto eu escrevo para Azkaban . Precisamos de recuperar o nosso guarda de os campos . E tenho de esboçar um anúncio para o * _ Profeta_Diário * - acrescentou pensativo . - Vamos precisar de um novo professor de Defesa contra as artes negras . É um problema , estamos sempre a perdê os . Harry levantou se e dirigiu se a a porta . Tinha acabado de estender a mão para o puxador quando ela se abriu tão violentamente que saltou de as dobradiças . Lucius_Malfoy estava de pé , furioso . E , debaixo de o braço , embrulhado em diversas ligaduras , estava Dobby . - Boa tarde , Lucius - disse Dumbledore , de forma amena . Mr._Malfoy quase derrubou Harry enquanto entrava em a sala . Dobby dava passos miudinhos atrás de ele , inclinado até a a bainha de o seu manto com um olhar apavorado em o rosto . - Então - disse Lucius_Malfoy com os olhos fixos em Dumbledore - voltaste . Os membros de o Conselho_Directivo suspenderam te , mas tu mesmo_assim sentiste te capaz de voltar a Hogwarts . - Bem vês , Lucius - disse Dumbledore , sorrindo serenamente . - Os outros membros de o Conselho contactaram me hoje . Fui envolvido em um redemoinho de corujas , todos queriam contar me a verdade . Ouviram dizer que a filha de Arthur_Weasley tinha sido morta e queriam me novamente aqui . Parece que me consideravam o melhor homem para o lugar . Contaram me algumas histórias muito estranhas . Alguns de eles tinham a impressão que tu tinhas ameaçado amaldiçoar lhes as famílias se não concordassem com a minha suspensão . Mr._Malfoy ficou ainda mais pálido do_que de costume , mas os olhos continuavam cheios de fúria . - Então já acabaste com os ataques ? - rosnou . - Apanhaste o culpado ? - Já , sim - disse Dumbledore com um sorriso . - E quem é ? - perguntou Malfoy secamente . - A mesma pessoa de a última vez , Lucius - disse Dumbledore . Mas desta_vez , Lord_Voldemort agiu através_de outra pessoa , por_meio_de um diário . Pegou em o pequeno caderno com o buraco em o meio , observando Mr._Malfoy de perto . Mas Harry olhava para Dobby . O elfo fazia um sinal muito estranho . Com os seus grandes olhos fixos em Harry , não parava de apontar para ó diário e , em seguida , para Mr._Malfoy , batendo logo_a_seguir com o punho em a cabeça . - Estou a ver ... - disse Mr._Malfoy lentamente a Dumbledore . - Um plano inteligente - afirmou o director em um tom de voz suave , continuando a olhar Mr._Malfoy directamente em os olhos . - Porque se não fosse aqui o Harry e o seu amigo Ron a descobrirem o diário , sem dúvida Ginny_Weasley teria ficado com todas_as culpas . Ninguém teria conseguido provar que ela agira contra a sua própria vontade . Mr._Malfoy não se pronunciou . O seu rosto parecia agora uma máscara . - E vê bem - continuou Dumbledore - o que poderia ter acontecido ... os Weasley são uma de as mais proeminentes famílias de feiticeiros de sangue puro , imagina o efeito em a imagem de Arthur_Weasley e em a sua acção de protecção a os Muggles , se a sua própria filha fosse acusada de atacar e matar filhos de Muggles . Foi uma sorte o diário ter sido descoberto e as memórias de Riddle apagadas . Quem sabe que consequências poderia ter tido ? Mr._Malfoy falou contra vontade . - Sim , foi uma sorte - disse secamente . E , em as suas costas , Dobby continuava a apontar para o diário e para Lucius_Malfoy , batendo depois com o punho em a cabeça . E Harry finalmente percebeu . Fez um sinal a Dobby que correu a esconder se em um canto , torcendo desta_vez as orelhas para se castigar . - Não quer saber como a Ginny obteve esse diário , Mr._Malfoy ? - perguntou Harry . Lucius_Malfoy voltou se para ele . - Como queres que eu saiba onde é_que a estúpida de a garota o arranjou ? - Porque foi o senhor quem lhe o deu - disse Harry . - Em a Flourish and Blotts . O senhor pegou em o livro velho de ela de Transfiguração e meteu o diário lá dentro , não foi ? Viu as mãos brancas de Mr._Malfoy abrirem se e fecharem se . - Prova isso - sibilou . - Oh ! ninguém vai poder prová o - disse Dumbledore sorrindo a o Harry . - Não agora_que o Riddle desapareceu de o caderno . Por outro lado , aconselharia te , Lucius , a não dares mais nenhuma de as coisas velhas de Lord_Voldemort . Se mais alguma for parar a as mãos de crianças inocentes , acho que o Arthur_Weasley fará com que se voltem com toda_a sua carga negativa contra ti . Lucius_Malfoy ficou calado um momento e Harry viu claramente a sua mão direita torcer se como_se desejasse chegar a a varinha . Em vez de isso , voltou se para o seu elfo doméstico . - Vamos , Dobby . Abriu a porta e quando o elfo se aproximou deu lhe um pontapé que o projectou para longe . Ouviram se em o escritório os gritos de dor de Dobby em o corredor . Harry pensou durante um momento e depois decidiu se . - Professor_Dumbledore - disse apressadamente . - Posso dar o diário outra_vez a Mr._Malfoy ? - Certamente , Harry - disse Dumbledore com toda_a calma . - Mas não demores , olha o banquete . Harry agarrou em o diário e saiu de o escritório . Os gritos de dor de Dobby afastavam se ao_longe . Sem perder tempo , perguntando a si próprio se o plano poderia resultar , Harry tirou um de os sapatos , puxou uma de as peúgas enlameadas e viscosas e meteu o diário lá dentro . Em seguida correu até a o fundo de o corredor escuro . Apanhou os em o topo de as escadas . - Mr._Malfoy - disse ofegante , parando . - Tenho uma coisa para si . E meteu a peúga mal cheirosa em a mão de Lucius_Malfoy . - O que é ... ? Mr._Malfoy tirou o diário de dentro de a peúga , deitou a fora e olhou furioso para o caderno estragado e para Harry - Ainda vais acabar por ter um fim igual a o de os teus pais um dia de estes , Harry_Potter - disse em voz baixa . - Eles também eram uns idiotas metediços . Voltou se para se ir embora . - Anda , Dobby , vem ! Mas Dobby não se mexeu . Tinha em as mãos a peúga nojenta de o Harry e olhava para ela como_se fosse um tesouro de valor incalculável . - O senhor deu uma peúga a o Dobby - disse o elfo maravilhado . - Deu a a o Dobby . - O que é isso ? - cuspiu Mr._Malfoy . - Que estás para aí a dizer ? - Dobby tem uma peúga - repetiu incrédulo . - O senhor deitou a fora e Dobby apanhou a e Dobby agora é livre ... Lucius_Malfoy ficou paralisado a olhar para o elfo . Em seguida precipitou se para Harry . - Fizeste me perder o meu servo , rapaz . Mas Dobby gritou : - Não pense que vai fazer mal a o Harry_Potter ! Ouviu se um enorme estrondo e Mr._Malfoy foi empurrado de costas , galgando os degraus de as escadas a três_e_três e indo aterrar lá em baixo todo embrulhado e amarrotado . Levantou se , o rosto lívido e pegou em a varinha , mas Dobby estendeu lhe um dedo ameaçador . - Vá se embora já - disse furioso , apontando para Mr._Malfoy . - Não tocará em o Harry_Potter . Vá se embora , já . Lucius_Malfoy não teve escolha . Lançando a os dois um último olhar de cólera , embrulhou se em o manto e desapareceu . - Harry_Potter libertou Dobby ! - disse o elfo com voz esganiçada , olhando para Harry , a luz de o luar reflectida em os seus grandes olhos em forma de globos . - Harry_Potter libertou Dobby . - Era o mínimo que eu podia fazer , Dobby - disse Harry a sorrir -- , mas promete me que não vais voltar a tentar salvar me a vida . A cara feia e escura de o elfo abriu se , mostrando os dentes , em um enorme sorriso . - Tenho uma pergunta a fazer te , Dobby - disse Harry enquanto o elfo pegava em a peúga de ele com as mãos a tremer . - Disseste me que tudo_isto não tinha nada que ver com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Lembras te ? - Era uma pista , senhor - disse Dobby com os olhos muito abertos como_se fosse absolutamente óbvio . - Dobby estava a dar lhe uma pista . Antes de o senhor de o mal mudar de nome , o seu nome podia ser pronunciado , está a ver ? - Certo - disse Harry sem grande convicção . - Bem , é melhor eu ir indo embora . Há um banquete e a minha amiga Hermione já deve ter acordado ... Dobby lançou os braços a a cintura de Harry e abraçou o . - Harry_Potter é muito maior do_que Dobby imaginava ! - soluçou . - Adeus , Harry_Potter . E com um estalido final , Dobby desapareceu . Harry assistira a diversos banquetes , mas nenhum que se parecesse com aquele . Estavam todos de pijama e a festa durou a noite inteira . Harry não sabia se o melhor tinha sido a Hermione a correr para ele e a gritar : - Tu conseguiste . Tu conseguiste ! , ou o Justin saindo disparado de a mesa de os Hufflepuff para lhe estender a mão , desfazendo se em desculpas por ter suspeitado de ele , ou o Hagrid que apareceu a as três_e_meia e que lhes deu palmadas com tanta força em os ombros que eles foram parar dentro de os pratos de bolo de creme , ou os quatrocentos pontos que ele e o Ron obtiveram para os Gryffindor , ganhando a taça de a equipa por a segunda vez consecutiva , ou a professora Mc_Gonagall de pé , a comunicar lhes que os exames tinham sido cancelados como medida de a escola ( Oh ! não ! exclamou Hermione ) , ou Dumbledore a anunciar que , infelizmente , o professor Lockhart não poderia voltar em o ano seguinte por ter de se ausentar a_fim_de recuperar a memória . Alguns de os professores juntaram se a os alunos que aplaudiram entusiasmados esta notícia . - Que pena - disse Ron , servindo se de um * dounut * de presunto . - E eu que começava a gostar de ele ... O resto de o período de Verão decorreu sob um sol escaldante . Hogwarts voltara a a normalidade , apenas com algumas pequenas diferenças : as aulas de Defesa contra as artes negras foram canceladas ( Mas nós tivemos imensa prática - disse o Ron vendo o descontentamento de Hermione ) e Lucius_Malfoy foi demitido de o Conselho_Directivo . Draco já não passeava por ali como_se fosse o dono de a escola . Pelo_contrário , tinha um ar melindrado e carrancudo . Por outro lado , Ginny_Weasley andava de_novo feliz de a vida . Em_breve chegou o dia de regressarem a casa em o Expresso_de_Hogwarts . Harry , Ron , Hermione , Fred , George e Ginny encheram um compartimento . Tiraram o_máximo partido de aquelas últimas horas em que lhes era permitido usar a magia antes de as férias . Brincaram a as explosões , gastaram o último fogo-de-artíficio Filibuster , de o Fred e de o George e treinaram o mútuo desarmamento através de a magia . Harry começava a ficar muito bom em aquilo . Já estavam perto de a estação de King's_Cross quando Harry se lembrou de uma coisa . - Ginny , o que foi que viste o Percy fazer que ele não queria que nos contasses ? - Ah ! isso - disse a Ginny a rir . - Bem , é_que o Percy tem uma namorada . Fred deixou cair uma pilha de livros em a cabeça de o George . - O quê ? - É aquela prefeita de os Ravenclaw ' Penelope_Clearwater - disse a Ginny . - Foi para ela que ele escreveu durante todo o Verão . Encontravam se em a escola em grande segredo . Eu apanhei os a beijarem se em uma sala de aula vazia e ele ficou tão aflito quando ela foi ... sabes ... atacada . Não vais aborrecê o , pois não ? - perguntou cheia de ansiedade . - Que ideia - respondeu Fred com uma tal satisfação em o rosto que parecia que o seu aniversário chegara mais cedo . - Claro que não - disse o George a rir se a a socapa . O Expresso_de_Hogwarts abrandou e finalmente parou . Harry tirou a pena e um_pouco de pergaminho e voltou se para Ron e Hermione . - Isto_é um número de telefone - disse ele a o Ron , escrevinhando o duas vezes , cortando o pergaminho a o meio e dando lhes os números . - Eu expliquei a o teu pai como usar um telefone em o Verão passado . Ele sabe fazer a chamada . Liga me para_casa de os Dursley , O. _ K. ? Não consigo suportar outros dois meses sem ter mais ninguém com quem falar ... - Mas a tua tia e o teu tio vão ficar orgulhosos de ti , não vão ? - perguntou Hermione quando saíram de o comboio e se misturaram em a multidão que se encontrava junto de a barreira encantada . - Quando souberem o que fizeste este ano . - Orgulhosos ? - disse Harry . - Estás doida ! Podendo eu ter morrido tantas vezes e tendo escapado ? Vão ficar é furiosos ... E juntos avançaram até a a entrada para o mundo de os Muggles . ----------------- J._K._Rowling_Harry_Potter e a Câmara_dos_Segredos_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Chamber of Secrets_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling 1998 Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 2000 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 2.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 Depósito legal : 143.569/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , a a Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Para_Séan_P._F._Harris , condutor imparável e um amigo de os diabos . I_O pior aniversário Não era a primeira vez que uma discussão estoirava a a mesa de o pequeno-almoço , em o número 4 de a Privet_Drive . Mr._Vernon_Dursley fora acordado de manhã cedo por o piar ruidoso que vinha de o quarto de o seu sobrinho Harry . - É a terceira vez esta semana ! - resmungou , a a mesa . - Se não consegues controlar essa coruja , ela não pode ficar aqui . Harry tentou , mais_uma_vez , explicar . - Ela está aborrecida . Estava habituada a voar livremente lá fora . Se eu pudesse , ao_menos , soltá a a a noite ... - Achas me com cara de idiota ? - perguntou rispidamente o tio Vernon , com um fio de ovo preso em o bigode farfalhudo . - Sei muito bem o que aconteceria se essa coruja fosse lá para fora . Trocou um olhar soturno com a mulher , a tia Petúnia . Harry tentou contra-argumentar , mas as suas palavras foram abafadas por um enorme arroto de o filho de os Dursleys , Dudley . - Quero mais bacon . - Há mais em a frigideira , fofinho - disse a tia Petúnia , lançando um olhar vago a o seu filho maciço . - Tens que te alimentar bem enquanto aqui estás , aquela comida de a tua escola não me cheira . - Disparate , Petúnia , eu nunca passei fome enquanto andei em Smeltings - afirmou com sinceridade o tio Vernon . - O Dudley tem que chegue . Não é verdade , filho ? Dudley , que era tão gordo que o rabo saía de os dois lados de a cadeira de a cozinha , sorriu laconicamente e voltou se para Harry . - Passa me a frigideira . -- Esqueceste te de a palavra mágica - disse Harry , irritado . O efeito que esta simples frase teve em o resto de a família foi inacreditável : Dudley começou a arfar e caiu de a cadeira com um estrondo que abalou a cozinha , Mrs._Dursley deu um gritinho e bateu com a mão em a boca , Mr._Dursley pôs se de pé com as veias de as têmporas dilatadas . - Eu queria dizer « por favor » - explicou Harry rapidamente . - Não me referia a ... - : __ o que é_que eu te __ disse - vociferou o tio , espalhando perdigotos sobre a mesa - : __ sobre pronunciar a palavra m . em esta __ casa ? - Mas eu ... - : __ como te atreves a ameaçar o __ dudley ! - rosnou o tio Vernon , batendo com o punho em a mesa . - Eu só ... - : __ estás avisado . não vou admitir referências a tua anormalidade debaixo de o tecto de a minha __ casa ! Harry olhou alternadamente para o rosto congestionado de o tio e para a palidez de a tia que tentava pôr o Dudley de pé . - Está bem - disse Harry . - Está bem ... O tio Vernon voltou a sentar se , respirando como um rinoceronte exausto e observando Harry de perto por o canto de os seus olhos pequeninos e penetrantes . Desde_que Harry regressara para as férias de Verão que o tio Vernon o tratava como_se ele fosse uma bomba , capaz de explodir a qualquer momento , porque Harry não era um rapazinho normal . Em a verdade , ele era o menos normal que é possível imaginar . Harry_Potter era um feiticeiro , um feiticeiro que acabara de concluir o primeiro ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts e a infelicidade que os Dursleys sentiam por ele estar lá em casa não era nada comparada com a de Harry . As saudades de Hogwarts eram tão intensas que se assemelhavam a uma constante dor em o estômago . Sentia a falta de o castelo com as suas passagens secretas e os seus fantasmas , de as aulas ( com excepção talvez de as de Snape , o professor de as poções ) , de o correio a chegar trazido por as corujas , de os banquetes em o salão nobre , de as noites em as camas de dossel em a camarata de a torre , de as visitas a Hagrid , o guarda de os campos em a sua casinha em o bosque , junto de a floresta proibida e , principalmente , sentia a falta de o Quidditch , o desporto mais popular de o mundo de os feiticeiros ( seis postes altos de golo , quatro bolas esvoaçantes e catorze jogadores em_cima_de vassoura ) . Todos os livros de feitiços de Harry , assim_como a varinha , os mantos , o caldeirão e a vassoura topo de gama Nimbus dois_mil tinham sido encerrados por o tio Vernon em a despensa que ficava debaixo de as escadas , em o momento em que Harry regressara a casa . O que é_que lhes interessava se ele perdia ou não o seu lugar em a equipa de Quidditch por não ter praticado durante todo o Verão ? Que importância tinha para eles que o Harry voltasse a a escola sem ter podido fazer os trabalhos de casa ? Os Dursleys eram aquilo que os feiticeiros chamam « Muggles » ( nem uma gota de sangue mágico em as veias ) e , para eles , ter um feiticeiro em a família era motivo de grande vergonha . O tio Vernon tinha , inclusivamente , fechado a cadeado a coruja de Harry , Hedwig , dentro de a gaiola , para evitar que ela transportasse mensagens para a gente de o mundo de a feitiçaria . Harry não se parecia em nada com o resto de a família . O tio Vernon era atarracado e sem pescoço , dotado de um enorme bigode preto ; a tia Petúnia tinha um rosto cavalar e era esquelética ; Dudley era loiro e rosado como um porquinho . Harry , pelo_contrário , era baixo e franzino , com os olhos verdes brilhantes e cabelo negro sempre desalinhado . Usava uns óculos redondos e tinha em a testa uma cicatriz em forma de relâmpago . Era essa cicatriz que o tornava tão invulgar , mesmo para um feiticeiro . Era a única alusão a o seu passado misterioso , a o motivo por o qual , onze anos antes , tinha sido deixado em o degrau de a porta de os Dursleys . Com um ano de idade , Harry sobrevivera a uma maldição de o maior feiticeiro negro de todos os tempos , Lord_Voldemort , cujo nome a maior parte de os feiticeiros e feiticeiras ainda receia pronunciar . Os pais de Harry tinham morrido em um ataque de Voldemort , mas ele escapara com a sua cicatriz em forma de relâmpago e estranhamente , ninguém compreendeu porquê , os poderes de Voldemort tinham sido destruídos em o momento em que não fora capaz de matar o Harry . Por isso , ele foi criado por a irmã de a sua falecida mãe e respectivo marido . Passou dez anos com os Dursleys , sem nunca compreender porque fazia com que acontecessem coisas estranhas , alheias a a sua vontade , acreditando em a história de os Dursleys de que aquela cicatriz fora resultado de um acidente de automóvel em que os pais tinham morrido . E um dia , precisamente um ano antes , Hogwarts escrevera lhe e fora então que tudo começara . Harry fora ocupar o seu lugar em a escola de feitiçaria , onde ele e a sua cicatriz eram famosas ... mas agora o ano escolar chegara a o fim e estava de_novo com os Dursleys . Durante o Verão , voltara a ser tratado como um cão malcheiroso . Os Dursleys nem se tinham lembrado que aquele era o dia de o seu décimo segundo aniversário . É claro que não tivera grandes expectativas : eles nunca lhe tinham dado um presente a sério , muito menos um bolo , mas ignorarem o por completo ... Em esse momento , o tio Vernon pigarreou com um ar importante e disse : - Como todos sabem , hoje é um dia muito importante . Harry olhou para ele , mal conseguindo acreditar . - Pode bem ser que eu faça hoje o maior negócio de toda_a minha vida - afirmou . Harry voltou novamente a atenção para a torrada . É claro , pensou amargamente , o tio Vernon referia se a a estúpida dinner-party . Havia quinze_dias que não falava de outra coisa . Um consultor qualquer cheio de massa e a mulher vinham jantar lá a casa e o tio Vernon tinha esperança de conseguir uma grande encomenda ( a empresa de o tio Vernon fabricava brocas ) . - Acho que devíamos recapitular mais_uma_vez - disse o tio Vernon . - Devemos estar todos a postos a as oito_horas_em_ponto . Petúnia , tu vais estar ... ? - Em o salão - respondeu a tia Petúnia prontamente - a a espera para lhes dar as boas-vindas a nossa casa . - Bom , bom . E o Dudley ? - Eu vou estar a a espera para abrir a porta . - Dudley esboçou um sorriso falso e afectado . - Dão me licença que vos guarde os casacos , Mr. e Mrs._Mason ? - Eles vão adorá o - exclamou arrebatadamente a tia Petúnia . - Excelente , Dudley - disse o tio Vernon . - A seguir voltou se para o Harry . - E tu ? - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - repetiu o Harry , de forma inexpressiva . - Exactamente - confirmou o tio Vernon , de um modo desagradável . - Eu conduzo os até a o salão , apresento te , Petúnia , e sirvo lhes as bebidas . _ a as oito_e_um_quarto . - Eu chamo para a mesa - disse a tia Petúnia . - E tu , Dudley , vais dizer ... - Dá me licença que lhe indique a casa de jantar , Mrs._Mason ? - repetiu o Dudley , oferecendo o seu braço gordo a uma mulher invisível . - O meu pequenino cavalheiro - fungou a tia Petúnia . - E tu ? - perguntou o tio Vernon a o Harry , em o mesmo tom desagradável . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho , fingindo que não estou lá - respondeu Harry aborrecido . - Isso mesmo . Agora , devíamos ter preparadas algumas frases amáveis para o jantar . Petúnia , alguma ideia ? - O Vernon disse me que o senhor é um excelente jogador de golfe , Mr._Mason ... Tem de me dizer onde comprou esse vestido , Mrs._Mason ... - Perfeito . Dudley ? - Que tal : Tivemos de fazer um trabalho para a escola sobre o nosso herói e eu escrevi sobre o senhor ... Foi de mais , tanto para a tia Petúnia como para o Harry . A tia debulhou se em lágrimas e abraçou o filho , enquanto Harry se esgueirava para debaixo de a mesa para ninguém o ver rir . - E tu , rapaz ? Harry fez um esforço para se mostrar inexpressivo quando emergiu . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - disse . - Vais sim senhor - afirmou o tio Vernon energicamente . - Os Mason não sabem nada a teu respeito e é assim que as coisas vão continuar . Quando o jantar terminar , tu trazes Mrs._Mason para o salão , onde vamos tomar café , Petúnia , e eu puxo o assunto de as brocas . Com um_pouco de sorte , tenho o contrato assinado antes de o noticiário de as dez . Amanhã por esta hora , vamos estar a fazer compras para umas férias em Maiorca . Harry não conseguia sentir o menor entusiasmo com aquilo . Não lhe parecia que os Dursleys gostassem mais de ele em Maiorca do_que em Privet_Drive . - Certo , eu vou a a cidade buscar os casacos para mim e para o Dudley . E tu - resmungou , apontando para Harry - não atrapalhes a tua tia enquanto ela estiver a limpar . Harry saiu por a porta de as traseiras . Estava um dia de sol lindo . Atravessou o relvado , deixou se cair em o banco de o jardim e cantarolou baixinho : - Parabéns para mim ... parabéns para mim ... Nem cartas nem presentes e tinha de passar a noite a fingir que não existia . Olhou infeliz para a sebe . Nunca se sentira tão só . Mais do_que tudo em o mundo , mais do_que de Hogwarts , mais até do_que de o jogo de Quidditch , Harry sentia a falta de os amigos Ron_Weasley e Hermione_Granger . Mas eles não pareciam sentir a falta de ele . Nenhum de os dois lhe escrevera durante todo o Verão apesar_de o Ron ter dito que ia convidá o para passar uns dias lá em casa . Inúmeras vezes Harry estivera quase a libertar magicamente Hedwig de a sua gaiola e mandá a levar uma carta a o Ron e a a Hermione mas não valia a pena correr o risco . Os feiticeiros menores de idade não tinham autorização para usar a magia fora de a escola . Harry não contara isto a os Dursleys . Ele sabia que era o medo de que ele os transformasse a todos em baratas que os impedia de o fecharem a a chave em a despensa debaixo de as escadas , juntamente com a varinha e a vassoura . Em as primeiras semanas Harry divertira se a murmurar baixinho palavras sem sentido e a ver o Dudley sair disparado de o quarto , tão rápido quanto as suas pernas gordas lhe permitiam . Mas o silêncio prolongado de Ron e Hermione tinham o feito sentir se tão longe de o mundo de a magia que até divertir se à_custa_de Dudley perdera o interesse . E agora o Ron e a Hermione tinham se esquecido de o seu aniversário . Quanto não daria ele por uma mensagem de Hogwarts ? De qualquer feiticeiro ou feiticeira ? Quase ficaria satisfeito com um sinal de o seu inimigo feroz , Draco_Malfoy , só para ter a certeza de que tudo aquilo não fora apenas um sonho ... Não que tudo durante o ano em Hogwarts tivesse sido divertido . Mesmo em o fim de o último período , Harry confrontara se nem mais nem menos do_que com o próprio Lord_Voldemort . Voldemort podia ter arruinado o seu ego inicial mas continuava a espalhar o terror , ainda astuto , ainda determinado a recuperar o poder . Harry escapara uma segunda vez a as suas garras mas fora por um triz e mesmo agora , algumas semanas decorridas , acordava de noite encharcado em suores frios , perguntando se onde estaria Voldemort , relembrando o seu rosto lívido , os seus olhos completamente loucos ... Harry sentou se subitamente , direito como um fuso , em o banco de o jardim . Tinha estado a olhar distraído para a sebe e a sebe estava a olhar para ele . Dois enormes olhos verdes surgiram por_entre a folhagem . Harry pôs se de pé ao_mesmo_tempo que uma voz sobrevoava a relva . - Eu sei que dia é hoje - cantarolava Dudley , bamboleando se enquanto se aproximava . Os olhos enormes piscaram e desapareceram . - O quê ? - perguntou Harry sem retirar os olhos de o lugar para_onde estava a olhar . - Eu sei que dia é hoje - repetiu , chegando junto de ele . - Ainda_bem - disse Harry . - Aprendeste finalmente os dias de a semana . - Hoje é o dia de os teus anos - troçou o Dudley . - Por_que é_que não recebeste nenhuma carta ? Não tens amigos em esse lugar esquisito ? - É melhor não deixares a tua mãe ouvir te falar de a minha escola - disse Harry calmamente . Dudley puxou para_cima as calças que estavam a escorregar lhe por o rabo gordo abaixo . - Porque estás a olhar para a sebe . ; - perguntou curioso . - Estou a pensar em as palavras que deverei pronunciar para lhe pegar fogo - disse Harry . Dudley recuou de imediato com um olhar de pânico em a cara rechonchuda . - Tu não p-p-odes , o pai disse que não podias fazer magia ou corria contigo aqui de casa e não tens mais nenhum lugar para_onde ir , não tens amigos que te convidem ... - * _ Jiggery pokery * ! - disse Harry com voz firme . - * _ Hocus pocus ... squiggly wiggly * ... - Maaaaaãe - gritou Dudley , tropeçando em os pés , enquanto se precipitava para dentro_de casa . Maaaãe , ele vai fazer aquela coisa ! Harry deu graças a os céus por aquele momento de gozo . Como não aconteceu nada de mal nem a o Dudley nem a a sebe , a tia Petúnia percebeu que ele não fizera magia nenhuma mas , mesmo_assim , Harry teve de se afastar quando ela lhe deu uma forte pancada em a cabeça com a frigideira cheia de detergente . A seguir distribuiu lhe trabalho e o castigo de só voltar a comer quando tivesse acabado tudo . Enquanto Dudley andava a flanar , olhando para o ar e comendo gelados , Harry limpou as janelas , lavou o carro , aparou a relva , adubou os canteiros , podou e regou as rosas e pintou de_novo o banco de o jardim . O sol ardia lá em cima , queimando lhe a parte de trás de o pescoço . Harry sabia que não devia ter provocado Dudley mas ele dissera precisamente aquilo que ele próprio pensava ... talvez não tivesse amigos em Hogwarts . Deviam ver agora o famoso Harry_Potter , pensou amargamente enquanto espalhava adubo em os canteiros , as costas a doerem lhe e o suor a escorrer lhe por o rosto . Eram sete_e_meia_da_tarde quando , por fim , exausto , ouviu a tia Petúnia a chamá o . - Anda para dentro e passa por cima de os jornais . Harry entrou satisfeito em a sombra de a cozinha que rebrilhava . Sobre o frigorífico estava o bolo de a noite : um enorme monte de crome batido coberto de violetas de açúcar . A carne de porco assava em o forno . - Come depressa , os Mason devem estar a chegar ! - exclamou bruscamente a tia Petúnia , apontando para duas fatias de pão e uma de queijo que estavam em cima de a mesa de a cozinha . Ela já tinha posto um vestido de * cocktail * cor de salmão . Harry lavou as mãos e comeu aquele triste jantar . Mal tinha terminado , a tia Petúnia tirou lhe o prato . - Lá para_cima , rápido ! A o passar por a porta de a sala , Harry vislumbrou o tio Vernon e Dudley de casaco e gravata . Tinha acabado de chegar a o cimo de as escadas quando a campainha de a porta tocou e a cara de o tio Vernon apareceu em o patamar . - Lembra te , rapaz , um ruído que seja ... Harry entrou em o quarto em bicos de pés , fechou a porta e preparou se para se meter em a cama . O problema é_que estava lá alguém sentado . II_O aviso de Dobby_Harry conseguiu não gritar , mas foi por_pouco . A pequena criatura que estava em a cama tinha umas orelhas grandes e largas e uns olhos verdes protuberantes de o tamanho de bolas de ténis . Harry percebeu imediatamente que fora para ele que tinha estado a olhar de manhã . Enquanto olhavam um para o outro , Harry ouviu a voz de Dudley em o * hall * . - Posso guardar os vossos casacos , Mr. e Mrs._Mason ? A criatura escorregou por a cama e curvou se tanto que a ponta de o seu enorme nariz tocou em o tapete . Harry reparou que ele tinha vestido uma espécie de fronha de almofada com buracos para os braços e pernas . - Er ... Olá - disse Harry , um_pouco nervoso . - Harry_Potter ! - exclamou a criatura em uma voz tão estridente que Harry calculou que poderia ouvir se lá em baixo . - Há tanto tempo que Dobby queria conhecê o , senhor . É uma enorme honra ... - Ob-obrigado - disse Harry , deslocando se a o longo de a parede e sentando se em a cadeira de a secretária , junto de Hedwig que dormia em a sua grande gaiola . Queria perguntar lhe « O que és tu ? » , mas pensou que seria má educação , por isso perguntou : - Quem és tu ? - Dobby , senhor . Apenas Dobby , o elfo de casa - afirmou a criatura . - Oh ! A sério ? - perguntou Harry . - Não quero ser mal-educado , mas esta não é a melhor altura para ter um elfo em o meu quarto . O riso falso de a tia Petúnia ouvia se em a sala de jantar . O elfo deixou cair a cabeça . - Não que eu não me sinta feliz por te conhecer - disse Harry rapidamente - mas , er ... estás aqui por algum motivo em especial ? - Oh , sim senhor - disse Dobby muito a sério . - Dobby veio dizer lhe que ... é difícil ... Dobby não sabe por_onde começar ... - Senta te - disse Harry educadamente , apontando lhe a cama . Para seu horror , o elfo debulhou se em lágrimas bastante ruidosas . -- S-senta-te ! - repetiu . - Nunca em toda_a minha vida ... Harry pareceu lhe ouvir as vozes lá em baixo vacilarem . - Desculpa - murmurou . - Eu não queria ofender te ... - Ofender Dobby ! - exclamou o elfo em um sufoco . - Nunca nenhum feiticeiro disse a o Dobby que se sentasse como um seu igual , senhor . Harry , tentando dizer lhe « Sch ... » e confortá o ao_mesmo_tempo , conduziu Dobby de_novo até a a cama onde ele se sentou a soluçar , parecendo uma grande boneca muito feia . Por fim , conseguiu controlar se e ficou quieto , com os seus grandes olhos fixos em Harry em uma expressão de absoluta adoração . - Não deves ter conhecido muitos feiticeiros sérios - disse lhe , tentando animá o . Dobby abanou a cabeça . Em seguida , sem qualquer aviso , saltou e começou a bater furiosamente com a cabeça em a janela , gritando : - Dobby é mau ! Dobby é mau ! - Pára , o que é_que estás a fazer ? - perguntou Harry em um murmúrio sibilante , dando um salto e puxando Dobby de_novo para a cama . Hedwig acordara com um pio particularmente agudo e batia agressivamente com as asas contra as grades de a gaiola . - Dobby tinha que se castigar , meu senhor - afirmou o elfo , que ficara ligeiramente estrábico . - Dobby quase falou mal de a família de ele ... - De a tua família ? - De a família de feiticeiros que Dobby serve , meu senhor ... O Dobby é um elfo de casa , obrigado a servir uma casa e uma família para sempre . - Eles sabem que estás aqui ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Dobby estremeceu . - Oh , não senhor , não ... Dobby vai ter que se castigar muito por ter vindo vê o . Dobby vai ter que entalar as orelhas em a porta de o forno por isto . Se eles soubessem , senhor ... - Mas achas que eles não vão reparar se tu entalares as orelhas em a porta de o forno ? - Dobby duvida , senhor . Dobby está sempre a ter de se castigar por qualquer coisa . Eles deixam que o Dobby se castigue . _ às_vezes até sugerem alguns castigos extra . - Mas por_que é_que não te vais embora , não foges ? - Um elfo de casa tem de ser libertado , senhor . E a família nunca libertará Dobby . Dobby servirá a família até morrer . Harry olhou para ele . - E eu que pensava que era infeliz por ter de ficar aqui mais quatro semanas - declarou . - Isto faz os Dursleys parecerem quase humanos . Será que ninguém te pode ajudar ? Poderei eu ? Em o mesmo momento , Harry desejou não ter aberto a boca . Dobby desfez se em ruidosos soluços de gratidão . - Por favor - murmurou Harry , inquieto . - Por favor , está calado . Se os Dursleys ouvem barulho , se eles sabem que estás aqui ... - Harry_Potter pergunta se pode ajudar Dobby . Dobby ouviu falar de a sua grandeza , mas de a sua bondade , Dobby nada sabia . Harry , que se sentia corar , disse : - Seja o que for que tenhas ouvido sobre a minha grandeza , é um disparate . Nem_sequer sou o melhor de o meu ano em Hogwarts . É a Hermione . Ela ... Mas calou se rapidamente porque pensar em Hermione era lhe doloroso . - Harry_Potter é humilde e modesto - disse Dobby reverentemente , com os seus olhos de globo avermelhados . - Harry_Potter não fala de a sua vitória sobre « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . - Voldemort ? - perguntou Harry . Dobby bateu com as mãos em as enormes orelhas e gemeu : - Ai não diga o nome , senhor . Não diga o nome ! - Desculpa - disse Harry muito depressa . - Eu sei que muita gente não gosta . O meu amigo Ron ... Calou se de_novo . Pensar em o Ron era igualmente doloroso . Dobby voltou para Harry os seus dois olhos grandes como candeeiros . - Dobby ouviu dizer - balbuciou com voz rouca - que Harry_Potter encontrou o Senhor_do_Mal uma segunda vez há poucas semanas atrás ... que Harry_Potter lhe escapou de_novo . Harry acenou e os olhos de Dobby encheram se de lágrimas . - Ah , senhor - disse em um sobressalto , limpando o rosto com a ponta de a fronha de almofada que tinha vestida . - Harry_Potter é valente e arrojado . Enfrentou tantos perigos ! Mas Dobby veio protegê o , avisar Harry_Potter , mesmo_que para isso tenha de entalar as orelhas em a porta de o forno , que Harry_Potter não deve voltar para Hogwarts . Houve um silêncio apenas quebrado por o ruído de os garfos e de as facas lá em baixo e por a voz distante de o tio Vernon . - O q-q-uê ? - gaguejou Harry . - Mas eu tenho de voltar , o ano começa em o dia um de Setembro . É a minha razão de viver . Tu não sabes como são as coisas aqui . Eu não pertenço a este lugar , o meu lugar é em Hogwarts . - Não , não , não - guinchou Dobby , sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas andavam de um lado para o outro . - Harry_Potter deve ficar aqui , onde se encontra a salvo . É demasiado grande , demasiado bom para se perder . Se Harry_Potter regressar a Hogwarts correrá perigo de vida . - Porquê ? - inquiriu Harry , surpreendido . - Há uma conspiração , Harry_Potter . Uma conspiração para fazer acontecer coisas terríveis este ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts - murmurou Dobby que começara a tremer de a cabeça a os pés . - Dobby sabe de isto há meses , senhor . Harry_Potter não deve expor se a o perigo . É demasiado importante . - Que coisas terríveis são essas ? - perguntou Harry sem perder tempo . - Quem está por detrás ? Dobby fez um ruído esquisito e começou a bater com a cabeça contra a parede como um louco . - Está bem - gritou Harry , agarrando o braço de o elfo para o fazer parar . - Não podes dizer , eu compreendo . Mas porque vieste avisar me ? - Um pensamento súbito e desagradável surgiu lhe . - Espera aí , isto tem alguma coisa que ver com o Vol , desculpa com o Quem nós sabemos ? Basta que faças sim ou não com a cabeça - acrescentou com vivacidade enquanto a cabeça de Dobby se inclinava de_novo a uma velocidade preocupante para a parede . Lentamente , Dobby abanou a cabeça . - Não , não é « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . Os olhos de Dobby estavam abertos como_se estivesse a tentar dar a Harry uma pista , mas Harry estava completamente a a nora . - Ele não tem nenhum irmão , ou tem ? Dobby abanou a cabeça , os olhos mais abertos do_que nunca . - Bem , em esse caso não estou a ver quem mais poderia ter a possibilidade de fazer acontecer coisas horríveis em Hogwarts - disse Harry . - Quero dizer , para já está lá o Dumbledore . Sabes quem é Dumbledore , não sabes ? Dobby baixou a cabeça . - Albus_Dumbledore é o melhor director que Hogwarts alguma vez teve . Dobby sabe , senhor . Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore rivalizam com os d'aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Mas , senhor - a voz de Dobby desceu a um urgente murmúrio - há poderes que Dumbledore não ... poderes que nenhum feiticeiro sério ... E antes que Harry conseguisse impedi o Dobby saltou de a cama , agarrou o candeeiro de secretária de Harry e começou a bater com a cabeça , dando uivos ensurdecedores . Fez se silêncio lá em baixo . Dois segundos mais tarde , Harry com o coração a bater como um louco , ouviu o tio Vernon chegar a o * hall * e dizer . - O Dudley deve ter deixado outra_vez a televisão ligada , o maroto ! - Depressa , para dentro de o guarda-fatos - gritou Harry , empurrando Dobby bem para o fundo , fechando a porta e metendo se a correr em a cama mesmo a_tempo_de ver a maçaneta de a porta a girar . - Que diabo estás tu a fazer ? - disse o tio Vernon entre dentes , o rosto assustadoramente próximo de o de Harry . - Acabas de estragar o ponto alto de a minha anedota de o golfista japonês . Eu que oiça mais um som e vais desejar nunca ter nascido , rapaz ! Abandonou o quarto com grandes passadas . A tremer , Harry deixou Dobby sair de o guarda-fatos . - Estás a ver como são as coisas por aqui ? - disse . - Vês porque tenho de voltar para Hogwarts ? É o único sítio onde eu tenho ... bem , onde eu acho que tenho amigos . - Amigos que nem_sequer escrevem a Harry_Potter ? - disse Dobby com ar manhoso . - Calculo que devem ter estado ... espera aí - disse Harry , franzindo a testa . - Como é_que tu sabes que os meus amigos não me têm escrito ? Dobby arrastou os pés . - Harry_Potter não deve zangar se com Dobby . Dobby fez o que achou melhor ... - Tu tens estado a interceptar me as cartas ? - Dobby tem as aqui , senhor - disse o elfo . Saltando para longe de o alcance de Harry , retirou de dentro de a fronha que usava um espesso saco cheio de envelopes . Harry reconheceu de imediato a caligrafia certinha de Hermione , a escrita desordenada de Ron e até uns gatafunhos que pareciam ser de o guarda de os campos de Hogwarts , Hagrid . Dobby piscava ansiosamente os olhos . - Harry_Potter não deve ficar zangado ... Dobby esperava que ... se Harry_Potter pensasse que os amigos o tinham esquecido ... Harry_Potter talvez não quisesse voltar a a escola , senhor . Harry não o ouvia . Fez um gesto para agarrar as cartas , mas Dobby deu um salto , afastando se . - Harry_Potter terá as cartas , senhor , se der a Dobby a sua palavra de não voltar a Hogwarts . Ah , senhor , é um risco que não deve correr . Diga que não volta , senhor ! - Não - afirmou Harry zangado . - Dá me as cartas de os meus amigos ! - Em esse caso , Harry_Potter deixa Dobby sem escolha - disse o elfo tristemente . Antes que Harry pudesse fazer um movimento , Dobby tinha aberto a porta de o quarto e descido a correr por as escadas abaixo . Com a boca seca e um aperto em o estômago , Harry correu atrás de ele , tentando não fazer barulho . Saltou os últimos seis degraus , aterrando como um gato em a carpete de o * hall * , olhando em volta a a procura de Dobby . De a sala de jantar , ouviu a voz de o tio Vernon : - Conte a a Petúnia aquela história engraçadíssima de os funileiros americanos , ela tem estado louca por ouvi a , Mr._Mason . Harry correu de o * hall * para a cozinha e sentiu o estômago ficar pequenino . O pudim , que era a a obra-prima de a tia Petúnia , a montanha de creme batido coberto de violetas de açúcar flutuava junto de o tecto . Em cima de o guarda-louça de o canto , Dobby inclinava se servilmente . - Não - suplicou Harry . - Por favor , eles matam me . - Harry_Potter deve dizer que não vai voltar a a escola ... - Dobby , por favor . - Diga , senhor . - Não posso . Dobby lançou lhe um olhar trágico . - Então , Dobby deve fazê o , senhor , para o bem de Harry_Potter . O pudim foi direito a o chão em uma queda que parecia um coração a parar . O crome esguichou para as janelas e para as paredes , enquanto o prato se despedaçava . Com o ruído de uma chicotada , Dobby desapareceu . Ouviram se gritos em a casa de jantar e o tio Vernon irrompeu por a cozinha onde foi dar com Harry coberto , de a cabeça a os pés , por o pudim de a tia Petúnia . A princípio parecia que o tio Vernon ia conseguir arranjar uma desculpa para aquilo tudo . ( É só o nosso sobrinho , muito perturbado ; conhecer pessoas estranhas deixa o muito nervoso , por isso deixamos o lá em cima ... ) Conduziu_os_Mason , bastante chocados , para a sala de jantar , garantindo a Harry que o esfolava vivo quando os Mason se fossem embora e pôs lhe em as mãos um esfregão . A tia Petúnia descobriu um resto de gelado em o frigorífico e Harry , ainda a tremer , começou a limpar a cozinha . O tio Vernon poderia ainda ter feito o negócio , se não fosse a coruja . Estava a tia Petúnia a circular com uma caixa de After-Eight , quando uma enorme coruja de celeiro fez a sua entrada vertiginosa através de a janela de a casa de jantar , deixando cair uma carta em a cabeça de Mr._Mason e desaparecendo logo_a_seguir . Mrs._Mason gritava como uma carpideira e corria por a casa praguejando contra os lunáticos . Mr._Mason ficou o tempo estritamente necessário para dizer a os Dursleys que a mulher tinha um medo pânico de pássaros de todas_as formas e tamanhos e perguntar lhes se aquela era alguma brincadeira de mau gosto . Harry não saiu de a cozinha , agarrando o esfregão como defesa , enquanto o tio Vernon avançava para ele com um brilho demoníaco em os olhos pequeninos . - Lê isso - ordenou maldosamente . Harry pegou em a carta . Não era a desejar lhe um bom aniversário . * _ Caro_Mr._Potter , * _ Recebermos hoje informações de que um feitiço de suspensão em o ar foi efectuado em sua casa esta noite , a as nove_horas_e_doze_minutos . * _ Como sabe , os feiticeiros menores não estão autorizados a praticar magia fora de a escola e , se efectuar mais um trabalho mágico , será expulso de a nossa escola . ( Decreto_de_Restrições_Razoáveis_para_Feitiçaria_de_Menores , 1875 , parágrafo C. ) * _ Pedimos-lhe também que se lembre que qualquer actividade que possa ser notada por membros alheios a a nossa comunidade ( Muggles ) constitui uma ofensa grave , segundo a secção 13 de a Confederação_Internacional_do_Estatuto_da_Magia_Secreta . * _ Tenha umas boas férias . * Atenciosamente_Mafalda_Hopkirk_Gabinete_da_Utilização_Imprópria_da_Magia_Ministério_da_Magia * . Harry olhou para a carta e engoliu em seco . - Tu não nos contaste que estavas proibido de usar magia fora de a escola - disse o tio Vernon com um brilho maldoso a dançar lhe em os olhos . - Esqueceste te de o mencionar , passou te , não foi ? Tinha se aproximado de Harry como um grande * bulldog * , com todos os dentes a a mostra . - Tenho boas notícias para ti , rapaz , vou fechar te a a chave e , se tentares sair através_de magia , nunca mais voltas a aquela escola , eles expulsam te . E rindo como um louco , arrastou Harry até a o andar de cima . O tio Vernon era mau como as cobras . Em a manhã seguinte pagou a um homem para colocar grades em a janela de o quarto de Harry . Ele próprio abriu um pequeno buraco em a porta de o quarto para que a comida pudesse ser introduzida três vezes por dia . Deixavam o Harry sair para ir a a casa_de_banho de manhã e a o final de a tarde . O resto de o tempo estava fechado em o quarto , a a espera que o tempo passasse . Três dias mais tarde , os Dursleys não mostravam qualquer intenção de abrandar o castigo e Harry não sabia como sair de aquela situação . Estava deitado em a cama , vendo o sol brilhar por_entre as grades de a janela e perguntando se tristemente o que viria a acontecer lhe . Qual era a vantagem de sair de ali por artes mágicas , se Hogwarts o expulsaria em seguida ? Contudo , a vida em Privet_Drive tinha atingido o seu nível mais baixo . Agora_que os Dursleys tinham a certeza que não iam acordar transformados em morcegos , ele perdera a única arma que tinha . O Dobby podia tê o salvo de acontecimentos terríveis em Hogwarts , mas de a maneira que as coisas estavam , ele morreria muito provavelmente a a fome . A portinhola rangeu e a mão de a tia Petúnia apareceu empurrando uma tigela de sopa de pacote para dentro de o quarto . Harry , que estava cheio de fome , saltou de a cama e agarrou a . A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um único trago . A seguir , atravessou o quarto até a a gaiola de Hedwig e pôs os legumes ensopados dentro de o seu pratinho vazio . Ela agitou as penas e olhou o com profunda repugnância . - Não vale de nada virares lhe as costas . É tudo_o_que temos - disse Harry , de modo severo . Colocou a tigela vazia em o chão junto de a portinhola e voltou para_cima de a cama , de certo modo com mais fome do_que antes de ter comido a sopa . Admitindo que estaria ainda vivo dentro_de quatro semanas o que aconteceria se ele não se apresentasse em Hogwarts ? Será que mandariam alguém obrigar os Dursleys a deixá o ir ? O quarto começava a escurecer . Exausto e com o estômago a dar horas , o cérebro a as voltas com as mesmas questões sem resposta , Harry caiu em um sono intranquilo . Sonhou que fazia parte de um espectáculo de o jardim zoológico . Preso a a jaula onde se encontrava estava um cartaz onde podia ler se « feiticeiro menor de idade « . As pessoas olhavam o com olhos protuberantes , enquanto ele jazia fraco e esfomeado em um leito de palha . Viu a cara de o Dobby em o meio de a multidão e gritou lhe , pedindo ajuda , mas o Dobby respondeu : - Harry_Potter está em segurança aí , senhor - e desapareceu . Em seguida vieram os Dursleys e Dudley bateu em as grades de a jaula , rindo se de ele . - Pára com isso - murmurou Harry como_se aquele ruído martelasse em a sua cabeça dorida . - Deixa me em paz , pára com isso , estou a tentar dormir . Abriu os olhos . O luar brilhava através de as grades de a janela . E lá fora alguém olhava de olhos arregalados para ele : alguém de rosto sardento , cabelo ruivo e nariz grande . Ron_Weasley estava de o lado de_fora de a janela . III « A toca » Ron ! - exclamou Harry , arrastando se até a a janela e empurrando a para poderem falar através de as grades . - Ron , como é_que tu , foi o ... ? Harry ficou de boca aberta , espantado com o que viu . Ron estava debruçado de a janela de trás de um velho automóvel azul-turquesa que se encontrava estacionado em o ar . Em os lugares de a frente , rindo se para Harry , estavam os irmãos mais velhos , os gémeos Fred e George . - Tudo bem , Harry ? - O que é_que se tem passado ? - perguntou o Ron . - Porque não respondeste a as minhas cartas ? Convidei te para vires ter comigo umas doze vezes e um dia o pai chegou a casa e comunicou nos que tu tinhas recebido um aviso oficial por usares magia diante de os Muggles ... - Não fui eu . E como é_que ele soube ? - Ele trabalha em o Ministério - disse o Ron . - Tu sabes que nós não podemos fazer feitiços fora de a escola . - Bem , isso vindo de ti ... - exclamou Harry , olhando para o carro flutuante . - Oh , isto não conta - disse Ron . - Foi o meu pai que o emprestou . Não o fizemos aparecer por magia . Mas usar magia em a frente de esses Muggles com quem tu vives ... - Já te disse que não fui eu , mas vai demorar muito_tempo a explicar te isso agora . És capaz de avisar em Hogwarts que os Dursleys me fecharam a a chave e que não querem deixar me voltar e obviamente eu não posso sair de aqui magicamente senão o Ministério vai achar que é a segunda vez em três dias e ... - Pára com essa conversa tola - disse o Ron . - Viemos para te levar connosco . - Mas tu também não podes tirar me de aqui utilizando processos mágicos ... - Não precisamos de isso - afirmou Ron , fazendo um sinal de cabeça para os lugares de a frente . - Esqueces te de quem está aqui comigo . - Amarra isso em volta de as grades - disse o Fred , lançando a Harry a ponta de uma corda . - Se os Dursleys acordam estou feito - lamentou se Harry enquanto dava um nó bem apertado com a corda em uma de as grades e o Fred arrancava com o carro . - Não te preocupes e chega te para trás . Harry recuou para a sombra , para junto de Hedwig que parecia ter se apercebido de a importância de tudo aquilo , mantendo se quieta e em silêncio . O carro puxou mais e mais e , subitamente , com um ruído de ferro a ceder , as grades foram arrancadas de a janela , enquanto Fred conduzia com o céu como estrada . Harry correu de_novo para a janela para ver as grades a balouçarem a poucos metros de o chão . Ofegante , Ron içou as para dentro de o carro . Harry escutou ansiosamente mas não vinha qualquer som de o quarto de os Dursleys . Quando as grades estavam em segurança em os lugares de trás junto de Ron , Fred aproximou se o_máximo que lhe foi possível de a janela . - Anda de aí - disse . - Mas , todas_as minhas coisas de Hogwarts , a minha varinha , a minha vassoura ... - Onde estão ? - Fechadas em a despensa debaixo de as escadas e eu não posso sair de este quarto . . - Não há azar - disse o George . - Sai de a frente , Harry . Fred e George treparam cautelosamente e entraram por a janela em o quarto de Harry . Tinhas que ter aberto a boca , pensou Harry enquanto George tirava de o bolso um vulgar gancho de cabelo e começava a tentar abrir a fechadura . - Muitos feiticeiros acham que é uma perda de tempo aprender os truques de os Muggles - disse o Fred . - Mas nós pensamos que há habilidades que é sempre útil conhecer apesar_de serem um_pouco lentas . Ouviu se um pequeno clique e a porta abriu se . - Pronto , vamos buscar as tuas coisas . Tu vai dando a o Ron aquilo que precisas de aí de o teu quarto - murmurou George . - Cuidado com o degrau de cima que range - sussurrou Harry enquanto os gémeos desapareciam em o escuro . Harry deu a volta a o quarto , recolhendo as suas coisas e passando as por a janela a o Ron . Em seguida , foi ajudar o Fred e o George a trazerem o resto por as escadas acima . Ouviu o tio Vernon tossir . Por fim , de língua de_fora , chegaram a o quarto , junto de a janela aberta . Fred trepou para o carro para puxar os volumes com o Ron enquanto Harry e George os empurravam de dentro de o quarto . Centímetro a centímetro o malão foi passando por a janela . O tio Vernon tossiu de_novo . - Mais um_pouco - disse o Fred que estava a puxar de dentro de o carro . Um bom empurrão , vá . Harry e George encostaram os ombros contra a mala e ela escorregou para a parte de trás de o carro . - O. _ K. , vamos embora - murmurou o George . Mas quando Harry trepava para o parapeito de a janela ouviu se um forte pio atrás de ele , imediatamente seguido de o vociferar de o tio Vernon . - Aquela maldita coruja ! - Esqueci me de a Hedwig ! Harry precipitou se de_novo para o quarto , enquanto a luz de o patamar se acendia . Agarrou a gaiola de Hedwig , correu para a janela e passou a a o Ron . Estava a subir para_cima de a cómoda quando o tio Vernon bateu em a porta , que não estava fechada , e esta se abriu completamente . Por uma fracção de segundo , o tio Vernon ficou estático junto de a porta . Em seguida , soltou um mugido como um boi zangado e avançou para Harry , agarrando o por o tornozelo . Ron , Fred e George seguraram o por os braços e puxaram o com toda_a força . - Petúnia - rosnou o tio Vernon . - Ele está a fugir ! : __ ele está a __ fugir ! Os Weasleys deram um puxão gigantesco e a perna de o Harry escapou a as garras de o tio Vernon . Logo_que Harry entrou em o carro e a porta se fechou , Ron gritou : - Acelera Fred ! - E o carro partiu subitamente em direcção a a lua . Harry mal podia acreditar que estava livre . Esticou se a a janela , o ar de a noite a fustigar lhe os cabelos e olhou para baixo , para os telhados apertados de Privet_Drive . O tio Vernon , a tia Petúnia e o Dudley estavam todos debruçados com cara de parvos , a a janela de o quarto de ele . - Até a o próximo Verão - gritou . Os Weasleys riam se a as gargalhadas e Harry esticou se para trás em o assento e pediu a o ouvido de Ron : - Deixa sair a Hedwig . Ela pode voar atrás_de nós . Há séculos que não tem uma oportunidade de esticar as asas . George passou a o Ron o gancho de cabelo e , um momento depois , a Hedwig saíra feliz por a janela , planando atrás de eles como um fantasma . - Então , qual é a história ? - perguntou Ron , impaciente . - O que é_que tem estado a acontecer ? Harry contou lhes tudo sobre o Dobby , o aviso de este e o fracasso de o pudim de violetas . Houve um longo silêncio quando ele se calou . - Isso cheira me a esturro - disse , por fim , o Fred . - Definitivamente misterioso - concordou George . - Então ele nem te disse quem está supostamente por detrás dessa trama toda ? - Acho que não podia - explicou Harry . - Já te disse , de cada_vez que estava quase a deixar escapar qualquer coisa , começava a bater com a cabeça em a parede . Viu Fred e George olharem um para o outro . - O quê ? Acham que ele estava a mentir me ? - perguntou Harry . - Bem - começou o Fred -- , coloquemos as coisas de o seguinte modo , os elfos de casa têm poderes mágicos próprios , mas geralmente não podem usá os sem a autorização de os seus donos . Eu acho que o bom de o Dobby foi enviado para evitar que voltasses para Hogwarts . Uma ideia de um engraçadinho . Haverá alguém em a escola com má vontade contra ti ? - Sim - responderam Harry e Ron , precisamente ao_mesmo_tempo . - Draco_Malfoy - explicou Harry . - Ele detesta me . - Draco_Malfoy ? - perguntou George , voltando se para trás . - O filho de o Lucius_Malfoy ? - Deve ser . Não é um nome muito vulgar , pois não ? - disse Harry . - Mas porquê ? - Ouvi o pai falar acerca de ele - confidenciou George . - Ele era um grande apoiante de o « Quem nós sabemos » . - E quando o « Quem nós sabemos » desapareceu - continuou o Fred , voltando a cara para olhar para Harry - o Lucius_Malfoy voltou , dizendo que não foi por vontade própria que fez o que fez . Monte de lixo . O pai acha que ele fazia parte de um círculo de amigos íntimos de o « Quem nós sabemos » . Harry já tinha ouvido esses boatos sobre a família de Malfoy e não o surpreenderam em absoluto . Malfoy fizera Dudley_Dursley parecer um rapazinho simpático , amável e sensível . - Não sei se os Malfoy têm um elfo de casa ... - afirmou Harry . - Bem , quem quer que o possua é sem dúvida uma antiga família de feiticeiros e deve ser rica - explicou Fred . - Sim . A mãe está sempre a desejar que pudéssemos ter um elfo de casa para passar a roupa a ferro - disse o George . - Mas só temos um velho vampiro piolhoso em o sótão e gnomos espalhados por o jardim . Os elfos de casa pertencem a as grandes casas senhoriais , a os castelos e lugares assim , não encontrarias um em a nossa casa ... Harry estava calado . Considerando que Draco_Malfoy tinha sempre as melhores coisas , que a sua família nadava em ouro de feiticeiros , era fácil imaginá o passeando se por uma enorme casa senhorial . Mandar o servo de a família evitar que Harry voltasse para Hogwarts também parecia exactamente o tipo de coisa que Malfoy poderia fazer . Teria Harry sido estúpido a o tomar Dobby a sério ? - De qualquer modo , ainda_bem que viemos buscar te - declarou Ron . - Eu começava a ficar seriamente preocupado por não responderes a nenhuma de as minhas cartas . A princípio pensei que a culpa fosse de a Errol ... - Quem é a Errol ? - A nossa coruja . Já é velhota . Não seria a primeira vez que adoecia durante uma entrega . Por isso , tentei pedir a Hermes emprestada ... - Quem ? - A coruja que os meus pais compraram a o Percy quando ele foi nomeado prefeito - respondeu Fred . - Mas o Percy não me a emprestou . Disse que precisava de ela . - O Percy tem andado com atitudes muito estranhas este Verão - comentou George franzindo a testa . - E tem mandado imensas cartas e passado um tempo infinito fechado em o quarto ... enfim , pode limpar se e polir um distintivo de prefeito todas_as vezes que se quiser ... Estás a conduzir demasiado para ocidente , Fred - acrescentou apontando para uma bússola em o painel de o automóvel . Fred girou o volante . - Então , o vosso pai sabe que têm o carro ? - perguntou Harry , quase adivinhando a resposta . - Er ... não - disse o Ron . - Ele tinha trabalho esta noite . Felizmente vamos poder pô o de_novo em a garagem , sem a mãe perceber que andámos a voar nele . - A propósito , o que faz o vosso pai em o Ministério_da_Magia ? - Trabalha em o Departamento mais chato - respondeu Ron . - A Divisão de utilização incorrecta de artefactos de os Muggles . - O quê ? - Relaciona se com objectos de feitiçaria que foram feitos por os Muggles ; sabes como é , se forem parar de_novo a uma loja de os Muggles , ou a uma casa , como em o ano passado , quando morreu uma bruxa velha e o bule de ela foi vendido a uma loja de antiguidades . Uma mulher Muggle comprou o , tentou servir chá a os amigos . Foi um pesadelo , o pai teve de fazer horas extraordinárias durante semanas . - O que é_que aconteceu ? - O bule parecia louco , esguichou chá a ferver para todos os lados e um de os homens foi parar a o hospital com a pinça de o açúcar presa em o nariz . O pai ficou nervosíssimo . É só ele e o velho feiticeiro Perkings em o gabinete e tiveram de localizar e descobrir todo o tipo de encantamentos para resolver o assunto . - Mas o teu pai ... este carro ... Fred riu se . - Sim , o pai é louco por tudo_o_que tem que ver com os Muggles . A nossa arrecadação está cheia de coisas de os Muggles . Ele separa as , lança lhes feitiços e volta a pô as em o lugar . Se ele fizesse uma busca a nossa casa teria de se prender a si mesmo . A minha mãe fica louca com tudo aquilo . - É a estrada principal - gritou o George , apontando para baixo através de a janela . - Dentro_de poucos minutos estamos lá , mesmo a tempo , está a começar a clarear . Um leve brilho rosado tingia o horizonte para leste . Fred trouxe o carro para baixo e Harry pôde ver uma manta de retalhos de campos escuros e matas de arbustos . - Estamos um_pouco longe de a vila - disse George . - Em Ottery_St . Catchpole ... O carro voador foi descendo a os poucos . A luz avermelhada brilhava agora por_entre as árvores . - Terra - disse o Fred , em o momento em que tocaram em o chão com um ligeiro solavanco . Tinham aterrado perto_de uma garagem em ruínas em um pequeno pátio e Harry viu pela_primeira_vez a casa de o Ron . Parecia ter sido em tempos uma pocilga de pedra . Mas os quartos que posteriormente lhe tinham sido acrescentados haviam a tornado bastante mais alta e o seu aspecto era tão curvado que parecia ter sido construída por artes mágicas ( o que , pensou Harry , era , muito provavelmente , verdade ) . De o telhado vermelho saíam quatro ou cinco chaminés . Junto de a entrada , fixa em o chão , podia ver se uma inscrição assimétrica que dizia « A toca » . A o lado de a porta principal estava uma contusão de botas de * _ Wellington * e um caldeirão completamente enferrujado . Por o pátio passeavam se várias galinhas castanhas e gordas . - Não é grande coisa - desculpou se o Ron . - É óptima - exclamou Harry , feliz , pensando em Privet_Drive . Saíram de o carro . - Agora vamos lá para_cima sem fazer barulho - disse o Fred . - E esperamos que a mãe nos chame para o pequeno-almoço . Depois tu , Ron , desces a escada entusiasmadíssimo . - Mãe , olha quem apareceu cá durante a noite ! - E ela vai sentir se felicíssima quando vir o Harry . Assim ninguém fica a saber que levámos o carro voador . - Certo - disse o Ron . - Vamos , Harry , eu durmo em o ... Ron ganhou uma cor de um pálido esverdeado , os olhos fixos em a casa . Os outros três fizeram meia volta . Mrs._Weasley avançava por o pátio , afugentando as galinhas e , para uma mulher baixa , roliça e simpática , era fantástico como conseguia parecer se com um tigre dentes-de-sabre . - Ah ! - suspirou o Fred . - Oh , oh ! - exclamou o George . Mrs._Weasley parou em frente de eles . As mãos em as ancas , saltando de um olhar culpado para o outro . Usava um avental a as flores , com uma varinha a sair lhe de o bolso . - Com que então - disse . - Bom dia , mãe - arriscou o George com uma voz que tentou que fosse alegre e bem-disposta . - Vocês têm alguma ideia de como tenho estado preocupada ? - perguntou Mrs._Weasley em um murmúrio fraco . - Desculpe , mãe , mas sabe , nós tivemos que ... Os três filhos de Mrs._Weasley eram mais altos do_que ela , mas tremiam quando a fúria de a mãe se abatia sobre eles . - Camas vazias ! Nem um bilhete ! O carro desaparecido ... Podiam ter tido um acidente , estou fora de mim com tanta preocupação e vocês nem se importam ... nunca , enquanto eu for viva ... esperem só até o vosso pai chegar , nunca tivemos problemas de estes com o Bill , com o Charlie ou com o Percy ... - O perfeito Percy - resmungou Fred . - : __ tu não vales um dedo de a mão de o __ percy ! - gritou Mrs._Weasley , espetando um dedo em o queixo de o Fred . - Podias ter morrido , podias ter sido visto , podias ter feito com que o teu pai perdesse o emprego ... Parecia nunca mais acabar . Mrs._Weasley tinha gritado até ficar ronca , antes de se voltar para o Harry , que recuou . - Estou muito contente por te ver , Harry - disse . - Entra e vem tomar o pequeno-almoço . Ela voltou se e regressou a casa e Harry , depois de trocar um olhar nervoso com o Ron , que lhe acenou , encorajando o , seguiu a . A cozinha era pequena e bastante estreita . A meio havia uma enfezada mesa de madeira e cadeiras em volta e Harry sentou se a a beirinha de o assento , olhando em volta . Era a primeira vez que entrava em uma casa de feiticeiros . O relógio em a parede em frente de ele , tinha apenas um ponteiro e nenhum número . Em volta , estavam escritas frases como « Hora de fazer o chá » , « Hora de dar de comer a as galinhas « e « Estás atrasado » . Empilhados em o rebordo de a lareira estavam livros com títulos como * _ Encanta o teu próprio queijo , Encantamento em a cozedura de o pão e Banquetes em um minuto - é mágico * ! E , a menos que os ouvidos de Harry estivessem a traí o , o velho rádio próximo de o lava-loiças acabara de anunciar que a seguir vinha a Hora de enfeitiçar com a popular feiticeira-cantora Celestina_Warbeck . Mrs._Weasley fazia barulho com os talheres , preparando o pequeno-almoço um bocado a o acaso , lançando olhares furiosos a os filhos , enquanto lançava as salsichas em a frigideira . De vez em quando murmurava coisas como : « Não sei o que vos passou por a cabeça « ou « nunca devia ter confiado em vocês » . - Eu não te culpo , filho - tranquilizou Harry , pondo lhe sete ou oito salsichas em o prato . - Eu e o Arthur temos estado preocupados contigo . Ainda ontem a a noite estivemos a dizer que te iríamos buscar nós próprios se não respondesses a o Ron até sexta-feira . Mas , em a verdade ( estava agora a acrescentar três ovos estrelados a o prato de ele ) , atravessar metade de o país a voar em um carro ilegal , qualquer um vos poderia ter visto ... Agitou maquinalmente a varinha em a direcção de o lava-loiças , onde a loiça começou a lavar se sozinha , tinindo baixinho lá atrás . - Estava enevoado , mãe ! - exclamou o Fred . - Boca fechada enquanto comes ! - interrompeu Mrs._Weasley . - Eles estavam a fazê o passar fome , mãe ! - disse o George . - E tu também ! - disse Mrs._Weasley , mas já foi com uma expressão mais doce que começou a cortar o pão para Harry e a barrá o com manteiga . Em esse momento , as atenções voltaram se para um pequenino volto de cabelos ruivos , em uma camisa de dormir até a os pés , que surgiu em a cozinha , deu um grito agudo e desapareceu de_novo . - É a Ginny - disse Ron baixinho a o Harry -- , a minha irmã . Tem falado de ti todo o Verão . - Sim , ela vai querer o teu autógrafo , Harry - riu se o Fred , mas o seu olhar cruzou se com o de a mãe e inclinou se para o prato , não voltando a abrir a boca . Ninguém falou até os quatro pratos estarem limpos , o que sucedeu a uma velocidade surpreendente . - Bolas , estou cansado - bocejou Fred , pousando a faca e o garfo . Acho que me vou deitar e ... - Não vais , não senhor - interrompeu Mrs._Weasley . - A culpa é tua se ficaste toda_a noite acordado . Vais fazer a des-gnomização de o jardim . Eles estão outra_vez a exagerar . - Oh , mãe ... - E vocês os dois o mesmo - dirigiu se a o Ron e a o Fred . - Tu podes ir para a cama , filho - disse a Harry . - Não lhes pediste que guiassem aquele carro miserável . Mas Harry , que se sentia acordadíssimo , respondeu prontamente : - Eu ajudo o Ron , nunca vi uma des-gnomização ... - É muito simpático de a tua parte , querido , mas é um trabalho chato - explicou Mrs._Weasley . - Vejamos o que o Lockhart tem a dizer acerca disto . E puxou de o rebordo de a lareira um livro pesadíssimo . George resmungou : - Mãe , nós sabemos * des-gnomizar * o jardim . Harry olhou para a capa de o livro de Mrs._Weasley . Em grandes letras douradas , que ocupavam grande parte de a capa , podia ler se Guia_de_Gilderoy_Lockhart para pragas caseiras . Via se também a grande fotografia de um feiticeiro bem-parecido , de cabelos loiros ondulados e olhos azuis brilhantes . Como sempre , em o mundo de os feiticeiros , a fotografia mexia se . O feiticeiro , que Harry calculou ser Gilderoy_Lockhart , não parava de lhes piscar os olhos descaradamente . Mrs._Weasley sorriu lhe . - Oh , ele é fantástico - disse . - Conhece bem as pragas caseiras . É um livro maravilhoso . - A mãe adora o - disse Fred em um murmúrio bastante audível . - Não sejas ridículo , Fred - repreendeu Mrs._Weasley com as bochechas coradas . - É claro que se achas que sabes mais do_que o Lockhart , podes ir fazer o trabalho e ai de ti se houver um único gnomo em o jardim quando eu for fazer a inspecção . A bocejar e a resmungar , os Weasley arrastaram se lá para fora com Harry atrás de eles . O jardim era grande e , em a opinião de Harry , exactamente como deveria ser um jardim . Os Dursleys não teriam gostado . Havia uma enorme quantidade de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada , mas havia árvores nodosas em volta de as paredes , plantas que Harry nunca vira , tombando de todos os canteiros e um grande lago verde cheio de rãs . - Os Muggles também têm gnomos de jardim , sabes - disse o Harry a o Ron , enquanto atravessavam a relva . - Sim , já vi essas coisas que eles pensam que são gnomos - disse o Ron todo dobrado , com a cabeça em uma moita de peónias . - Como os Pais_Natais gordinhos com canas de pesca ... Houve um tumulto ruidoso , a moita de peónias estremeceu e Ron endireitou se . - Isto_é um gnomo - declarou com um ar sério . - Larga eu ! Larga eu ! - guinchou o gnomo . Não se parecia em absoluto com o Pai_Natal . Era pequenino e parecia de couro , com uma grande cabeça protuberante e calva , precisamente como uma batata . Ron agarrou o a a distância de um braço , enquanto ele dava pontapés em o ar com os seus pézinhos que pareciam chifres . Agarrou o por os tornozelos e voltou o de pernas para o ar . - Isto_é o que tens de fazer - disse . Levantou o gnomo acima de a cabeça ( Larga eu ! ) e começou a balouçá o em grandes círculos , como os vaqueiros fazem com os laços . A o ver a expressão chocada de Harry , Ron explicou : - Não os mágoa . Só tens de os deixar bem tontos para que consigam encontrar o caminho de regresso a os buracos de os gnomos . Largou os tornozelos de o gnomo . Ele voou seiscentos metros e aterrou com um ruído surdo em o campo a o lado de a sebe . - Deplorável - afirmou o Fred . - Aposto que consigo lançar o meu para_além de aquele tronco . Harry aprendeu rapidamente a não sentir muita pena de os gnomos . Decidira largar o primeiro que apanhou para_além de a sebe , mas o gnomo , sentindo fraqueza , enfiou os seus dentinhos , aguçados como laminas , em o dedo de o Harry e não foi fácil sacudi o para ele o largar , até que ... - Uau , Harry , esse deve ter sido seiscentos metros ... O ar estava subitamente cheio de gnomos voadores . - Vês , eles não são muito espertos - afirmou o George , agarrando cinco ou seis de uma_vez . - Em o momento em que se apercebem que começou a * des-gnomização * , aparecem todos para espreitar . Era de esperar que já tivessem aprendido a ficar quietinhos . Rapidamente a multidão de gnomos começou a ir se embora , atravessando os campos em uma fila ordenada , com os pequeninos ombros arqueados . - Eles voltam - disse o Ron enquanto os via desaparecer em a sebe de o outro lado de o campo . - Eles adoram estar aqui ... o pai é muito mole com eles , acha lhes piada . Em esse momento , a porta de a frente bateu . - Ele já voltou ! - exclamou o George . - O pai já está em casa ! Apressaram se a entrar . Mr._Weasley tinha se afundado em uma de as cadeiras de a cozinha , sem óculos e com os olhos fechados . Era um homem magro , quase calvo , mas o pouco cabelo que tinha era tão ruivo como o de os filhos . Vestia um longo manto verde cheio de pó e estava cansado de a viagem . - Que noite - murmurou , tacteando em busca de o bule , enquanto todos se sentavam a a volta de ele . - Nove assaltos , nove ! E o velho Mundungs_Fletcher tentou lançar me um feitiço quando eu estava de costas . Mr._Weasley tomou um bom gole de chá e suspirou . - Encontrou alguma coisa , pai ? - perguntou Fred ansiosamente . - Só encontrei algumas chaves encolhidas e uma chaleira que mordia - bocejou Mr._Weasley . - Havia um material bastante mauzinho , mas não era de o meu departamento . O Mortlake foi levado para ser interrogado sobre uns furões extremamente antigos , mas isso pertence a a Comissão_dos_Feitiços_Experimentais , graças_a Deus . - Por_que é_que alguém ia dar se a o trabalho de fazer encolher chaves ? - perguntou George . - Para chatear os Muggles - suspirou Mr._Weasley . - Vende se lhes uma chave que não pára de encolher , até que desaparece , de_modo_a que nunca a encontrem quando precisam ... É claro que é muito difícil condenar alguém , porque nenhum Muggle é capaz de admitir que a sua chave está a encolher , insistem em que estão sempre a perdê a . Benditos sejam , vão até onde for preciso para ignorar a magia , mesmo_que ela esteja em frente de os seus narizes ... mas vocês não acreditariam em as coisas que o nosso grupo tem levado para enfeitiçar ... - : __ como carros , por __ exemplo ? Mrs._Weasley tinha aparecido , segurando um grande atiçador que parecia uma espada . Os olhos de Mr._Weasley abriram se de repente , fitando a mulher com um ar culpado . - C-carros , Molly querida ? - Sim , Artur , carros - afirmou Mrs._Weasley , os olhos a faiscar . - Imagina um feiticeiro a comprar um carro velho e enferrujado e dizer a a mulher que a única coisa que queria fazer com ele era desmontá o para ver como ele funcionava , enquanto em a verdade estava a enfeitiçá o para o fazer voar . Mr._Weasley piscou os olhos . - Bem , querida , acho que poderás constatar que não é ilegal fazer isso , embora , er , talvez ele devesse ter contado a verdade a a mulher ... Existe uma forma de tornear a lei , já_que ela diz que ... desde_que não se tenha a * intenção * de voar em o carro , o facto de ele poder voar , não ... - Arthur_Weasley tu arranjaste essa forma de tornear a lei quando a escreveste ! - gritou Mrs._Weasley . - Para poderes continuar a remexer em todo aquele lixo de os Muggles que tens em a arrecadação ! E , para tua informação , o Harry chegou hoje_de_manhã em o carro que tu não pretendias pôr a voar ! - Harry ? - perguntou Mr._Weasley sem expressão . - Qual Harry ? Olhou em volta , viu Harry e deu um salto . - Santo_Deus , é Harry_Potter ? Muito prazer , o Ron falou nos tanto de si ... - * _ O teu filho conduziu aquele carro até a a casa de o Harry e de volta até aqui em a noite passada ! * - gritou Mrs._Weasley . - O que tens a dizer a esse respeito ? - A sério ! ? - exclamou Mr._Weasley com vivacidade . - Correu tudo bem , quero dizer ... - vacilou a o ver os olhos de Mrs._Weasley que faiscavam . - Er , fizeram mal , rapazes , muito mal , mesmo ... - Vamos deixá os a os dois - murmurou o Ron , enquanto Mrs._Weasley inchava como um sapo gigantesco . - Vamos , vou mostrar te o meu quarto . Esgueiraram se de a cozinha e desceram uma passagem estreita que dava para uma escada desnivelada que ziguezagueava a o longo de a casa . Em o terceiro andar , estava uma porta entreaberta . Harry só teve tempo de ver um par de olhos castanhos brilhantes que o olhavam fixamente , antes de a porta se fechar com um estalido . - A Ginny - disse o Ron . - Não imaginas como é estranho vês a tão tímida , ela que quase nunca se cala ... Subiram mais dois andares , até chegarem a uma porta com a tinta a descascar e uma pequena placa dizendo : « Quarto_do_Ronald » . Harry entrou . A cabeça quase tocava em o tecto inclinado . Piscou os olhos . Era como entrar dentro_de uma fornalha : quase tudo em o quarto de o Ron tinha um violento matiz alaranjado : a colcha de a cama , as paredes , até o tecto . Em seguida , apercebeu se de que o Ron tinha coberto cada centímetro de o velho papel de parede com * posters * de as mesmas sete feiticeiras e feiticeiros , todos vestidos com brilhantes mantos cor de laranja , transportando vassouras e acenando entusiasticamente . - A tua equipa de Quidditch ? - perguntou Harry . - Os Chudley_Cannons - disse Ron , apontando para a colcha cor de laranja que tinha um brasão com dois C's gigantes e uma bala de canhão a_toda_a velocidade . - Nono em a Liga . Os livros de estudo de feitiços de Ron estavam empilhados desordenadamente a um canto , junto de um monte de B. _ D. , todas elas relativas a as * _ Aventuras_de_Martin_Miggs , o Muggle louco * . A varinha mágica de o Ron estava em_cima_de um aquário cheio de ovos de rã sobre o peitoril de a janela , junto de o seu rato gordo e cinzento , Scabbers , que dormia uma soneca a o sol . Harry passou por_cima_de um baralho de cartas de jogar com vontade própria , que estava caído em o chão , e olhou para fora de a janelinha . Em o campo , não muito longe , podia ver um grupo de gnomos a esgueirarem se , um a um , de_novo para a sebe de os Weasley . Em seguida , voltou se para Ron que o observava nervoso , como_se esperasse a opinião de ele . - É um_pouco pequeno - declarou o Ron muito depressa . - Não se parece nada com o quarto que tu tinhas em casa de os Muggles . E estou mesmo debaixo de o vampiro de o sótão . Ele anda sempre a bater nos canos e a gemer ... Mas Harry , com um grande sorriso , disse lhe : - Esta é a melhor casa em que eu já estive . As orelhas de Ron ficaram cor-de-rosa . IV_Na_Flourish and Blotts_A vida em a Toca era o mais diferente que é possível de a vida em Privet_Drive . Os Dursleys gostavam de tudo limpo e arrumado , em casa de os Weasleys explodia o estranho e o inesperado . Harry teve um choque de a primeira vez que olhou para o espelho que estava sobre a lareira de a cozinha e ele gritou : - Mete para dentro a camisa , * desmazelado ! * - O vampiro de o sótão gemia e batia nos canos , sempre_que sentia as coisas demasiado calmas e as pequenas explosões em o quarto de o Fred e de o George , eram consideradas perfeitamente normais . Mas o que o Harry achou mais bizarro em a vida em casa de o Ron , não foi o espelho que falava , nem o vampiro barulhento , foi o facto de todos ali em casa parecerem gostar de ele . Mrs._Weasley preocupava se com o estado de as suas meias e tentava obrigá o a servir se quatro vezes a cada refeição . Mr._Weasley gostava que Harry se sentasse a o lado de ele a a mesa para poder bombardeá o com perguntas sobre a vida com os Muggles , pedindo que lhe explicasse como funcionavam coisas como as canalizações e o serviço de os correios . - Fascinante ! - exclamava , enquanto Harry lhe explicava a utilização de o telefone . - Engenhoso , de facto , todas_as maneiras que os Muggles encontraram para passar sem a magia . Harry teve notícias de Hogwarts em uma manhã de sol , cerca de uma semana depois de ter chegado a a Toca . Quando , ele e o Ron desceram para tomar o pequeno-almoço , encontraram Mr. e Mrs._Weasley e Ginny já sentados a a mesa . Em o momento em que viu o Harry , Ginny entornou a tigela de os cereais , que caiu a o chão com grande espalhafato . Ginny entornava facilmente coisas sempre_que o Harry estava em a sala . Mergulhou debaixo de a mesa para apanhar a tigela e emergiu com o rosto a brilhar como o sol poente . Fingindo não ter dado por nada , Harry sentou se e aceitou a torrada que Mrs._Weasley lhe ofereceu . - Cartas de a escola - disse Mr._Weasley , passando a o Harry e a o Ron envelopes idênticos de pergaminho amarelado , com a morada escrita a tinta verde . - O Dumbledore já sabe que estás aqui , Harry , não perde nada aquele homem . Vocês os dois também - acrescentou , enquanto Fred e George deambulavam em a casa , ainda em pijama . Fez se silêncio durante alguns momentos , enquanto liam as respectivas cartas . A de o Harry dizia para apanhar o Expresso_de_Hogwarts , como sempre em a Estação_de_King's_Cross , em o dia_1_de_Setembro . Havia ainda uma lista de os livros que precisaria para o próximo ano . Os alunos de o segundo ano deverão ter : * _ O_Livro_Padrão_de_Feitiços , Grau 2 , por Miranda_Goshawk . * _ Ensinamentos_de_Uma_Fada_Carpideira , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Férias com Bruxas , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Duendes , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Lobisomens , por Gilderoy_Lockhart . * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves , por Gilderoy_Lockhart * . Fred , que terminara a sua própria lista , espreitou para a de o Harry . - Também te mandam comprar os livros de o Lockhart - disse . - A professora de defesa contra as artes negras deve ser fanática . Aposto que é uma bruxa . Nessa_altura , Fred percebeu o olhar de a mãe e apressou se a comer o doce de laranja . - Esse conjunto não vai ficar barato - disse George , olhando rapidamente para os pais . - Os livros de o Lockhart são de os mais dispendiosos ... - Cá nos havemos de arranjar - declarou Mrs._Weasley , mas parecia preocupada . - Espero que pelo_menos para a Ginny possamos arranjar uma data de coisas em segunda mão . - Ah , vais entrar este ano para Hogwarts ? - perguntou lhe Harry . Ela fez um aceno , corando até a a raiz de os cabelos ruivos e meteu o cotovelo em o pires de a manteiga . Felizmente ninguém deu por nada , a não ser o Harry , porque em esse momento o irmão mais velho de Ron , o Percy , entrou . Já estava vestido , com a placa de prefeito aplicada a a sua camisola de malha . - Bom dia a todos - disse , cheio de vivacidade . - Está um dia lindo . Puxou a única cadeira livre , mas deu um salto quando ia sentar se e , debaixo de ele , saltou um espanador cinzento de penas , pelo_menos , foi o que o Harry pensou até ver que ele respirava . - Errol ! - exclamou Ron , afastando a coruja de o Percy e retirando lhe debaixo de a asa uma carta . - Até que enfim , a resposta de a Hermione . Escrevi lhe a contar que íamos tentar raptar te de casa de os Dursleys . Levou Errol para um poleiro que havia junto a a porta de as traseiras e tentou colocá a lá em cima , mas Errol caiu redonda e Ron teve de a pôr em a pia , murmurando : - Patético . - Em seguida , abriu a carta de a Hermione e leu a em voz alta . * _ Querido_Ron e Harry , se aí estiveres . Espero que tudo tenha corrido bem , que o Harry esteja O. _ K. e que não tenham feito nada ilegal para conseguir trazes o , porque isso podia criar lhe problemas também a ele . Tenho estado muito preocupada e , se o Harry estiver bem , por favor digam me qualquer coisa rapidamente , mas talvez seja melhor usarem uma nova coruja , porque acho que outra entrega pode acabar como esta . * _ Estou muito atarefada com trabalho de a escola , claro * . - Como é possível ? - perguntou Ron , horrorizado . - Estamos em férias ! - * _ E vamos para Londres em a próxima quarta-feira para comprar os meus livros novos . Porque não nos encontramos em a Diagon-al ? * _ Dêem-me notícias vossas o mais depressa possível . * _ Carinhosamente_Hermione * - Bem , parece uma boa solução , podemos ir todos comprar as vossas coisas - disse Mrs._Weasley , começando a limpar a mesa . - O que vão fazer hoje ? Harry , Ron , Fred e George tinham planeado ir a o cimo de o monte a um pequeno cercado de cavalos que os Weasleys possuíam . Estava rodeado de árvores que lhe tapavam a vista de a cidade cá em baixo , o que quer_dizer que podiam praticar Quidditch , desde_que não voassem muito alto . Não podiam usar as verdadeiras bolas de Quidditch pois seria muito difícil explicar se elas escapassem e voassem sobre a cidade . Em vez de elas , lançavam maçãs para os outros apanharem . Faziam turnos para montar a Nimbus dois_mil , que era de longe a melhor vassoura . A velha Shooting_Star_de_Ron fora muitas_vezes ultrapassada por as borboletas que passavam . Cinco minutos mais tarde estavam a marchar por o monte acima , de vassouras a o ombro . Tinham perguntado a o Percy se ele queria juntar se a eles , mas ele alegara muito trabalho . Até esse dia , Harry só tinha visto Percy a a hora de as refeições , ele ficava em silêncio em o quarto o resto de o tempo . - Gostava de saber o que ele anda a fazer - afirmou Fred , de testa franzida . - Não parece o mesmo . O resultado de os exames veio um dia antes de tu chegares : doze N_F_V e ele nem se manifestou satisfeito . - Níveis_de_Feitiçaria_Vulgares - explicou o George , vendo o olhar atarantado de Harry . - Se não temos cuidado , ainda nos calha outro Chefe_de_Turma em a família . Acho que não suportaria a vergonha . Bill era o mais velho de os irmãos Weasley . Ele e o irmão a seguir , Charlie , já tinham saído de Hogwarts . Harry não conhecia nenhum de os dois , mas sabia que o Charlie estava em a Roménia a estudar dragões e o Bill em o Egipto a trabalhar em o banco de os feiticeiros : Gringotts . - Não sei como o pai e a mãe vão arranjar dinheiro para nos pagar o material escolar este ano - disse o George , passado um bocado . - Cinco conjuntos de livros de o Lockhart ! E a Ginny precisa de mantos e de uma varinha e tudo_isso ... Harry não disse nada . Sentiu se um_pouco incomodado . Fechada em um cofre subterrâneo , em o banco de Gringotts_de_Londres , estava uma pequena fortuna que os pais lhe tinham deixado . É claro que só tinha esse dinheiro em o mundo de os feiticeiros , não se podem usar Galeões , Leões e Janotas em as lojas de os Muggles . Ele nunca fizera referência a a sua conta bancária em Gringotts a os Dursleys . Não lhe parecia que o horror que eles sentiam por tudo_o_que se relacionava com a feitiçaria se estendesse a uma enorme pilha de barras de ouro . Mrs._Weasley acordou os a todos bem cedo , em a quarta-feira seguinte . Depois de comerem umas doze sanduíches de * bacon * cada_um , enfiaram os casacos e Mrs._Weasley tirou um vaso de a prateleira de o fogão de a cozinha e espreitou lá para dentro . - Está a acabar se , Arthur - suspirou . - Temos de comprar mais hoje ... Bem , os hóspedes primeiro . Passa , Harry querido ! E ofereceu lhe o vaso de flores . Harry olhou espantado enquanto todos eles o observavam . - O q-que é_que eu devo fazer ? - gaguejou . - Ele nunca viajou com o pó de Floo - disse o Ron subitamente . - Desculpa , Harry , esqueci me . - Nunca ? - perguntou Mrs._Weasley . - Mas então como chegaste a a Diagon - _ Al em o ano passado para comprar as tuas coisas ? -- Fui por o subterrâneo . - A sério ? - disse Mr._Weasley , entusiasmado . - Havia fugitivos ? Como é_que ... - Agora não , Arthur - disse Mrs . Weasley . - O pó de Floo é muito mais rápido , querido , mas , valha me Deus , se ele nunca o usou ... - Vai correr bem , mãe - disse o Fred . - Harry observa nos primeiro . Tirou uma pitada de pó brilhante de dentro de o vaso , aproximou se de o lume e lançou o pó em as chamas . Com um rugido , o fogo ficou verde-esmeralda e elevou se a uma altura superior a a de o Fred que avançou , gritando Diagon - _ Al ! E desapareceu . - Tens de falar claramente , filho - disse Mrs._Weasley a o Harry , ao_mesmo_tempo que George metia a mão em o vaso de as flores . - E vê se sais em o fogão certo . - Em o quê ? - perguntou Harry , nervoso , enquanto o lume crepitava e fazia George desaparecer também . - Bem , há imensos fogos de feiticeiros , mas desde_que te tenhas expressado claramente ... - Ele vai conseguir , Molly , não te preocupes - disse Mr._Weasley , tirando também ele algum pó . - Mas querido se ele se perde como é_que vamos justificar nos perante o tio e a tia de ele ... -- Eles não se importariam - tranquilizou a Harry . - O Dudley ia achar imensa piada se eu me perdesse em uma chaminé , não se preocupe . - Bem , em esse caso ... tu vais a seguir a o Arthur - disse Mrs._Weasley . - Logo_que entres em o fogo diz para_onde queres ir . - E mantém os cotovelos dobrados - preveniu o Ron . - E os olhos fechados - disse Mrs._Weasley . - A fuligem . - Não te enerves - disse o Ron . - Senão podes ir parar a a lareira errada . - Não entres em pânico e não queiras sair cedo de mais . Espera até veres o Fred e o George . Fazendo um enorme esforço por reter toda aquela informação , Harry tirou uma pitada de pó de Floo e avançou para a beirinha de o fogo . Respirou fundo , espalhou o pó em as chamas e entrou . O fogo parecia uma brisa quente . Abriu a boca e engoliu , de imediato , uma grande quantidade de cinzas quentes . D-dia-gon-al - tossiu . Sentiu se como_se estivesse a ser sugado para um buraco gigantesco . Como_se girasse muito depressa ... o ruído era ensurdecedor . Tentou manter os olhos abertos mas o turbilhão de chamas verdes fê lo enjoar ... algo duro bateu lhe em o cotovelo e dobrou o de imediato . Continuava a rodar , a rodar ... sentia se agora como_se várias mãos frias estivessem a bater lhe em a cara ... Espreitando através de os óculos , viu uma torrente imprecisa de fogões e captou lampejos de as salas que estavam por detrás ... as sanduíches de * bacon * davam lhe a volta dentro de o estômago ... fechou os olhos desejando que tudo aquilo parasse e então caiu , de cara em o chão , em a pedra fria e sentiu os óculos partirem se a os bocados . Desorientado e ferido , coberto de fuligem , pôs se cautelosamente de pé , levando a os olhos os óculos partidos . Estava completamente só e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava . Tudo_o_que podia dizer era que a o seu lado via uma lareira que lhe parecia ser a de uma enorme e indistinta loja de feitiçaria . Mas nenhum de os artigos que ali se encontravam tinham aspecto de fazer parte de a lista de a escola de Hogwarts . Em uma caixa de vidro podia ver se uma mão atrofiada que repousava sobre uma almofada , um baralho de cartas ensanguentado e um olho de vidro que o olhava fixamente . Máscaras de expressão maldosa enchiam as paredes , olhando de esguelha , uma enorme quantidade de ossos humanos estendia se sobre o balcão e , de o tecto , pendiam instrumentos aguçados com pontas de ferro e pregos enferrujados . Mas o pior é_que a rua estreita e escura , que Harry conseguia avistar através de a janela poeirenta de a loja , não era de modo algum a Diagon-al . Quanto_mais depressa saísse de ali , melhor . O nariz ainda a doer lhe em o sítio onde batera em o chão a o aterrar , Harry avançou rápida e silenciosamente em direcção a a porta , mas antes de conseguir chegar a meio caminho , duas pessoas apareceram de o lado de_fora de o vidro , e uma de elas era a última pessoa que Harry desejaria encontrar em o momento em que se encontrava perdido , coberto de fuligem e com os óculos partidos , Draco_Malfoy . Harry olhou rapidamente em volta e apercebeu se de a existência de um grande armário escuro a a sua esquerda , saltou lá para dentro e fechou as portas , deixando uma gretazinha para poder espreitar . Segundos depois , uma campainha tocava e Malfoy entrava em a loja . O homem que o acompanhava só podia ser o pai . Tinha o mesmo rosto pálido de feições agudas e os mesmos olhos cinzentos de gelo . Mr._Malfoy atravessou a loja , olhando maquinalmente para os artigos expostos e tocou a campainha de o balcão , antes de se voltar para o filho , dizendo : - Não mexas em nada , Draco . Malfoy , que vira o olho de vidro , disse : - Pensei que ias oferecer me um presente . - Eu prometi que ia comprar te uma vassoura de corrida - declarou o pai , tamborilando com os dedos sobre o balcão . - Para que é_que me serve , se não estou em a equipa de Quidditch ? - perguntou Malfoy , carrancudo e de mau humor . - O Harry_Potter teve uma Nimbus dois_mil o ano passado , com a autorização especial de o Dumbledor é para jogar em os Gryffindor . Ele nem é assim tão bom , é só por ser * famoso * ... famoso por ter uma estúpida cicatriz em a testa . Malfoy baixou se para observar uma prateleira cheia de crânios . - Todos acham que ele é tão esperto , o Potter maravilha , com a sua cicatriz e a sua vassoura ... - Já me disseste isso doze vezes pelo_menos - comentou Mr._Malfoy , olhando repressivamente para o filho . - E devo lembrar te que não é prudente parecer menos do_que amigo de Harry_Potter , quando a maior parte de a nossa gente vê em ele um herói que fez desaparecer o Senhor_do_Mal . Ah , Mr._Borgin . Um homem curvado surgiu por detrás de o balcão , puxando o cabelo gorduroso para trás . - Mr._Malfoy , que prazer vês o de_novo - disse Mr._Borgin , em uma voz tão untuosa como o cabelo . - Encantado , e o nosso jovem Malfoy também , encantado . Em que posso servi os ? Tenho que vos mostrar o que chegou hoje , a um preço muito razoável ... - Hoje não venho comprar , Mr._Borgin , e sim vender - afirmou Mr._Malfoy . - Vender ? - O sorriso apagou se lentamente em o rosto de Mr._Borgin . - Certamente ouviu dizer que o Ministério está a levar a cabo mais buscas - explicou o Mr._Malfoy , retirando de o bolso um rolo de pergaminho e desembrulhando o para Mr._Borgin o ler . - Eu tenho alguns , ah , artigos em casa que poderiam criar me problemas se o Ministério me batesse a porta . Mr._Borgin colocou em o nariz um par de * pince-nez * e olhou para a lista . - O Ministério não se lembraria de o incomodar certamente ... O lábio de Mr._Malfoy dobrou se . - Ainda não me fizeram nenhuma visita . O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito , mas o Ministério está a ficar cada_vez_mais intrometido . Há boatos sobre um novo decreto de protecção de os Muggles , sem dúvida que aquele mordido de as pulgas , adorador de os Muggles , que é o Arthur_Weasley deve estar por detrás de isso . Harry sentiu crescer a raiva . - E , como pode ver , alguns de estes venenos podiam dar a ideia ... - Compreendo perfeitamente , claro - disse Mr._Borgin . - Deixe me ver ... - Posso ter aquilo ? - interrompeu Draco , apontando para a mão raquítica que estava sobre a almofada . - Ah , a mão de a glória ! - exclamou Mr._Borgin , abandonando a lista de Mr._Malfoy e apressando se a responder a Draco . - Põe se lhe uma vela e ela só dá luz a quem a transporta ! A melhor amiga de os gatunos e de os salteadores , o seu filho tem gosto , senhor . - Espero que o meu filho venha a ser mais do_que gatuno ou salteador , Borgin - disse Mr._Malfoy friamente e Mr._Borgin respondeu logo : - Sem ofensa , senhor , sem querer ofender . - Embora , se as notas de a escola não melhorarem - disse Mr._Malfoy ainda mais friamente - esse possa vir a ser o único caminho possível para ele . - Não tenho culpa - retorquiu Draco . - Todos os professores têm os seus preferidos , aquela Hermione_Granger ... - Eu , em o teu lugar , teria vergonha que uma rapariga que nem_sequer pertence a famílias de feiticeiros , me passasse a a frente em todos os exames - interrompeu Mr._Malfoy . Ah - fez Harry baixinho , radiante por ver Draco atrapalhado e furioso . - É o mesmo em todo o lado - comentou Mr._Borgin em a sua voz untuosa . - O sangue de os feiticeiros conta cada_vez menos ... - Não para mim - afirmou Mr._Malfoy , com as longas narinas dilatadas . - Não senhor , nem para mim - concordou Mr._Borgin , inclinando se em uma vénia . - Em esse caso , talvez possamos voltar a a minha lista - disse Mr._Malfoy secamente . - Estou com alguma pressa , Borgin , tenho ainda hoje assuntos importantes a tratar em outro lado . Começaram a discutir os preços . Harry via nervosamente o Draco aproximar se de o seu esconderijo enquanto observava os objectos a a venda . Parou para examinar um enorme rolo de corda de carrasco e para ver , com um sorriso afectado , o cartão preso com um aparatoso laço de opalas onde podia ler se : * _ Cautela , não tocar . Amaldiçoado - reclama as vidas de dezanove donos , todos eles Muggles * . Draco voltou se e viu o armário mesmo em frente . Avançou , estendeu a mão para o puxador ... - Feito - disse Mr._Malfoy , a o balcão . - Vamos , Draco . Harry limpou a testa a a manga quando Draco se afastou . - Muito bom dia , Mr._Borgin . Espero por si amanhã em a mansão para ir buscar a mercadoria . Em o momento em que a porta se fechou , Mr._Borgin abandonou os seus modos subservientes . « Bom dia para o senhor , Mr._Malfoy , e , se as histórias que contam são verdadeiras , não me vendeu nem metade do_que tem escondido em a sua mansão ... » Murmurando de forma taciturna , Mr._Borgin desapareceu em uma sala escura . Harry esperou um minuto não fosse ele voltar e , em seguida , o mais silenciosamente possível , escapou se de o armário , passou por as caixas de vidro e saiu de a loja . Encostando os óculos partidos a o rosto , olhou em volta . Saíra em uma rua estreita e sombria que parecia composta exclusivamente de lojas dedicadas a as artes negras . Aquela de onde acabava de sair parecia ser a maior , mas em frente estava uma montra tétrica de cabeças encolhidas e duas portas abaixo podia ver se uma enorme caixa viva cheia de gigantescas aranhas pretas . Dois feiticeiros com aspecto pobre observavam o de a sombra de uma porta , murmurando entre si . Sentindo se nervoso , Harry pôs se a caminho , tentando agarrar os óculos a direito e não desistindo de a esperança de encontrar maneira de sair de ali . Por um cartaz de madeira , pendurado em a rua , indicando uma loja de venda de velas envenenadas , ficou a saber que se encontrava em a Rua * _ Bativolta * , mas isso não o ajudou pois Harry nunca ouvira falar em tal lugar . Calculou que não tinha pronunciado bem as palavras com a boca cheia de cinzas em a lareira de os Weasley . Tentando manter a calma perguntou a si mesmo o que havia de fazer . - Não estás perdido , pois não , meu menino ? - perguntou uma voz , mesmo junto de o seu ouvido , que o fez dar um salto . Uma bruxa idosa estava em a sua frente , segurando um tabuleiro de uma coisa que se parecia horrivelmente com unhas humanas . A mulher olhou o maldosamente , mostrando os dentes esverdeados . Harry recuou . - Estou bem , obrigado - disse . - Estou só ... - HARRY ! O qu'é que pensas que estás a fazer aqui ? O coração de Harry deu um salto , assim_como o de a bruxa . Um monte de unhas caíram lhe sobre os pés e ela praguejou , enquanto o corpo enorme de Hagrid , o guarda de os campos de Hogwarts , se aproximava de eles a passos largos com os olhos castanhos-escuros a faiscarem sobre a longa barba eriçada . - Hagrid - gritou Harry , aliviado . - Eu estava perdido ... o pó de Floo ... Hagrid agarrou Harry por o cachaço e puxou o para longe de a bruxa , tirando lhe o tabuleiro de as mãos . Os guinchos agudos de a feiticeira seguiram nos até a o fundo de a ruela serpenteante que ia dar a um lagar onde brilhava o sol . Harry avistou a a distância um edifício de mármore branco como a neve que lhe era familiar : o banco de Gringotts . Hagrid conduzira o até a a Diagon - _ Al . - ` _ tás em um péssimo estado ! - disse Hagrid bruscamente , sacudindo lhe a fuligem com tanta força que Harry quase caiu em um barril de estrume de dragão que se encontrava a a porta de um boticário . - A fugir , em a Rua * _ Bativolta * , eu não conheço esse lugar finório , Harry , não quero que ninguém te veja aqui em baixo . - Já percebi - disse Harry , baixando se quando Hagrid fez menção de o escovar melhor . - Já te disse que estava perdido . E o que é_que tu fazes aqui ? - ` _ Tou a a procura d'um repelente para as lesmas comedoras de legumes - resmungou Hagrid . - ` _ tão a destruir as couves todas de a escola . Tu não estás sozinho ? - Estou em casa de os Weasley , mas separámo nos explicou Harry . - Tenho que os encontrar . Desceram juntos a rua . - Por_que é_que nunca respondeste a as minhas cartas ? - perguntou Hagrid , enquanto Harry corria para o acompanhar ( tinha de dar três passos por cada enorme passada de Hagrid ) . Harry explicou lhe tudo sobre Dobby e os Dursleys . - Malditos_Muggles - rugiu Hagrid . - S'eu tivesse sabido ... - Harry ! Harry ! Aqui ! Harry olhou para_cima e viu Hermione_Granger em o topo de a escadaria de Gringotts . Desceu para vir a o encontro de ele , o cabelo castanho de caracóis , a esvoaçar atrás de ela . - O que aconteceu a os teus óculos ? Olá_Hagrid ... Oh , é maravilhoso ver vos outra_vez . Vens a Gringotts , Harry ? - Logo_que encontre os Weasley - respondeu ele . - Não vais ter d'esperar muito - riu se Hagrid . Harry e Hermione olharam em volta . Subindo a rua , em o meio de a multidão , vinham Ron , Fred , George , Percy e Mr._Weasley . - Harry - chamou Mr._Weasley , ofegante . - Tínhamos esperança que só tivesses ido um fogão mais longe ... - passou um pano em a sua calva reluzente . - A Molly está nervosíssima , aí vem ela . - Onde é_que tu saíste ? - perguntou o Ron . - Em a Rua * _ Bativolta * - disse o Hagrid , com um ar sério . - Sensacional ! - exclamaram Fred e George ao_mesmo_tempo . - Nunca nos deram autorização para lá ir - disse o Ron com uma pontinha de inveja . - E fizeram muito bem - grunhiu Hagrid . Mrs._Weasley chegou em aquele momento a correr , a mala a balouçar em uma de as mãos e Ginny quase pendurada em a outra . - Oh Harry , oh meu querido , podias ter ido parar a qualquer lugar ... Tentando recuperar o fôlego , tirou de a mala uma grande escova de roupa e começou a retirar a fuligem que Hagrid não conseguira expulsar . Mr._Weasley pegou em os óculos de Harry , deu lhes um toque de varinha e entregou lhe os como novos . - Bem , tenho de m'ir embora - disse Hagrid cuja mão estava a ser esmagada por Mrs._Weasley ( -- Rua * _ Bativolta * ! Se não o tivesses encontrado , Hagrid ! ) . - Vemo nos em Hogwarts . - E afastou se , os ombros e a cabeça acima de a multidão que enchia completamente a rua . - Adivinham quem eu vi em o Borgin and Burkes ? - perguntou Harry_a_Ron e a Hermione enquanto subiam as escadarias de Gringotts . - Malfoy e o pai . - O Lucius_Malfoy comprou alguma coisa ? - perguntou interessado Mr._Weasley que estava atrás de eles . - Não , estava a vender . - Então está preocupado - comentou Mr._Weasley com visível satisfação . - Ah , eu adorava apanhar o Lucius_Malfoy em alguma . . - Tem cuidado , Arthur - interrompeu Mrs._Weasley enquanto o gnomo porteiro lhes dava reverentemente entrada em o banco . - Isso é um problema de família . Não queiras ter mais olhos que barriga . - Queres dizer com isso que achas que eu não chego para o Malfoy ? - perguntou Mr._Weasley , indignado , mas foi rapidamente afastado de aqueles sentimentos a o avistar os pais de Hermione que estavam de pé , nervosamente encostados a o balcão que acompanhava a grande parede de mármore , a a espera que Hermione os apresentasse . - Mas vocês são Muggles ! - disse Mr._Weasley , encantado . - Temos de tomar uma bebida . O que é isso aí ? Ah , estão a trocar dinheiro de Muggle . Molly , olha - apontou cheio de excitação para as notas de dez libras que Mr._Granger tinha em a mão . - Encontramo nos aqui - disse Ron_a_Hermione , enquanto os Weasley e Harry eram conduzidos a os seus cofres em o subterrâneo de Gringotts . Para chegar a os cofres havia que tomar umas carrinhas conduzidas por gnomos que se deslocavam ao_longo_de carris de comboio de pequenas dimensões através de os túneis subterrâneos de o banco . Harry gostou de a viagem acidentada até a o cofre de os Weasley , mas sentiu se bastante mal , pior do_que em a Rua * _ Bativolta * , quando o cobre foi aberto . Havia lá dentro um pequenino monte de Leões de prata e apenas um Galeão de ouro . Mrs._Weasley foi com a mão a a procura em os cantos antes de , com um gesto rápido , varrer tudo para dentro de o saco . Harry sentiu se ainda pior quando chegaram a o seu cofre . Tentou evitar que vissem o conteúdo enquanto empurrava apressadamente mãos cheias de moedas para dentro_de uma sacola de cabedal . Lá fora , em as escadarias de mármore , separaram se . Percy murmurou vagamente que precisava de uma nova pena de escrever . Fred e George tinham avistado um amigo de Hogwarts , Lee_Jordan . Mrs._Weasley e Ginny iam a uma loja de mantos em segunda mão , Mr._Weasley continuava a insistir em levar os Grangers a o Caldeirão_Escoante para lhes pagar uma bebida . - Encontrarmo nos todos em a Flourish and Blotts dentro_de uma hora para comprar os vossos livros de estudo - disse Mrs._Weasley , afastando se com Ginny . - E nem um passo em direcção a a Rua * _ Bativolta * - gritou a os gémeos que estavam de costas . Harry , Ron e Hermione deambularam por a rua empedrada e sinuosa . O ouro , prata e bronze que tilintavam alegremente em o saco que Harry tinha em o bolso pareciam exigir ser gastos , por isso ele comprou três enormes gelados de morango e manteiga de amendoim que eles devoraram felizes enquanto vagueavam sem destino por a rua fora , observando as montras fantásticas de as lojas . Ron olhou longamente para um conjunto completo de mantos de o Chudley_Cannon , em as montras de o « Equipamento_de_Quidditch_de_Qualidade » até Hermione o arrastar de ali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos . Em a « Jogos_de_Feitiçaria_de_Gambol and Japes » encontraram o Fred , o George e o Lee_Jordan que estavam presos em a fabulosa partida debaixo_de chuva e em os fogos-de-artifício de o Dr._Filibuster . E em uma pequenina loja de velharias cheia de varinhas partidas , balanças instáveis de latão e mantos velhos cobertos de nódoas de poções encontraram Percy profundamente concentrado em um pequenino livro , bastante chato , chamado * _ Prefeitos que conquistam o poder * . - * _ Um estudo sobre os prefeitos de Hogwarts e as suas posteriores carreiras * - leu alto o Ron em a contracapa . - Deve ser fascinante ... - Desaparece - gritou Percy . - Claro , ele é muito ambicioso , já tem tudo planeado . Quer ser ministro de a magia - disse o Ron baixinho a o Harry e a a Hermione , enquanto deixavam Percy entregue a o livro . Uma hora mais tarde dirigiram se a a Flourish and Blotts . Não eram de modo algum os únicos a encaminhar se para a livraria . À_medida_que se aproximavam viram com grande surpresa uma grande multidão a a porta , tentando entrar em a loja . O motivo de tal confusão estava anunciado em um cartaz que se estendia a o longo de a montra superior . GILDEROY_LOCKHART_Assinará exemplares de a sua autobiografia " eu , o mágico " Hoje 12.30 - 16.30 - Vamos poder conhecê o ! - gritou Hermione . - Quero dizer , ele escreveu quase todos os livros de a nossa lista ! A multidão parecia ser maioritariamente composta por bruxas de a idade de Mrs._Weasley . Um feiticeiro bem-parecido estava de pé junto de a porta , dizendo : - Calma , minhas senhoras , não empurrem , cuidado com os livros . Harry , Ron e Hermione conseguiram furar e entrar . Uma longa fila serpenteava para as traseiras de a loja onde Gilderoy_Lockhart estava a assinar os seus livros . Cada_um de eles pegou em um exemplar de * _ ensinamentos de Uma Fada_Carpideira * e escaparam se de a fila indo ter a o lugar onde se encontravam os outros com Mr. e Mrs._Granger . - Ah , aí estão vocês . _ óptimo - disse Mrs._Weasley que parecia estar com falta de ar e não parava de mexer em o cabelo . - Vamos poder vês o dentro_de um minuto . Gilderoy_Lockhart veio lentamente até um lugar onde era visível para todos , sentou se a uma mesa , rodeado de grandes fotografias de o próprio rosto , todo ele sorrisos , mostrando a a multidão o brilho cintilante de os seus dentes . Lockhart usava uma túnica azul-noite que condizia a as mil maravilhas com a cor de os olhos , o chapéu pontiagudo de feiticeiro colocado lateralmente sobre o cabelo ondulado . Um homenzinho pequenino e irritante andava a dançar de um lado para o outro , tirando fotografias com uma grande máquina preta que lançava baforadas de fumo arroxeado em cada * flash * . - Sai de o caminho , tu aí - disse rispidamente a o Ron , mudando de lugar para ter um angulo melhor . - Este é para o * _ Profeta_Diário * . - Grande coisa ! - exclamou o Ron , esfregando os pés em o lugar que o fotógrafo pisara . Gilderoy_Lockhart ouviu o . Olhou , viu o Ron e em seguida Harry . Voltou a olhar , desta_vez com mais atenção . Em seguida , pôs se de pé e gritou : - Não pode ser , o Harry_Potter ? A multidão dividiu se entre murmúrios de excitação . Lockhart aproximou se , agarrou Harry por um braço e levou o para a frente . A multidão rebentou em aplausos . A cara de Harry ardia quando Lockhart lhe apertou a mão para o fotógrafo que disparava como um louco , lançando fumo espesso para_cima de os Weasley . - Belo sorriso , Harry - disse Lockhart através de os seus dentes brilhantes . - Tu e eu juntos merecemos a primeira página . Quando por fim lhe largou a mão , Harry quase não sentia os dedos . Tentou recuar para junto de os Weasley , mas Lockhart lançou lhe um braço por os ombros e prendeu o a o seu lado . - Minhas senhoras e meus senhores - disse bem alto , fazendo sinal para que se acalmassem . - Que momento extraordinário este ! O momento perfeito para eu anunciar algo que tenho vindo a guardar comigo desde_há algum tempo . - Quando o jovem Harry entrou em a Flourish and Blotts hoje , ele queria apenas comprar a minha autobiografia , que tenho agora o maior prazer em oferecer lhe - a multidão aplaudiu de_novo . - Ele não tinha ideia - continuou Lockhart , dando a o Harry um pequeno encontrão que fez com que os óculos lhe escorregassem para a ponta de o nariz - de que ia conseguir em_breve muito mais do_que o meu livro Eu , o mágico . Ele e os seus colegas de a escola vão receber , de facto , o verdadeiro * _ Eu , o mágico * . Sim , minhas senhoras e meus senhores , tenho o maior prazer em anunciar que em o mês_de_Setembro assumirei o lugar de professor de Defesa contra as artes negras em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts ! A multidão aplaudiu e bateu palmas e Harry deu consigo a ser presenteado com a obra completa de Gilderoy_Lockhart . Cambaleando ligeiramente sob o peso de os livros conseguiu abrir caminho para longe de os projectores até a a porta de a sala onde estava Ginny com o seu novo caldeirão . - Podes ficar com estes - murmurou Harry , enfiando os livros em o caldeirão . - Eu vou comprar os meus . - Aposto que adoraste aquilo , não adoraste , Potter ? - disse uma voz que Harry não teve qualquer dificuldade em reconhecer . Endireitou se e deu consigo frente_a_frente com Draco_Malfoy que exibia o seu habitual sorriso escarninho . - O famoso Harry_Potter - disse Malfoy . - Nem_sequer pode entrar em uma livraria sem se tornar primeira página . - Deixa o em paz , ele não queria nada de isso - defendeu a Ginny . Era a primeira vez que falava em frente de Harry . Olhava para Malfoy com um ar feroz . - Potter , arranjaste uma namorada ! - disse arrastadamente Malfoy . Ginny ficou vermelha como um pimentão enquanto Ron e Hermione tentavam abrir caminho , ambos carregando montes de livros de Lockhart . -- Ah és tu ? - disse Ron , olhando para Malfoy como_se ele fosse algo desagradável colado a a sola de o sapato . - Aposto que te surpreendeu ver o Harry aqui ? - Não tanto como a ti em uma loja , Weasley - retorquiu Malfoy . - Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo . Ron ficou tão vermelho quanto Ginny . Deixou também cair os livros em o caldeirão e avançou para Malfoy , mas Harry e Hermione agarraram o por as costas de o casaco . - Ron - disse Mrs._Weasley , aproximando se com Fred e George . - O que estás a fazer ? Isto está uma loucura aqui dentro , vamos lá para fora . - Olha quem ele é , Arthur_Weasley . - Era_Mr._Malfoy . Estava de pé com a mão sobre o ombro de Draco , com o mesmo sorriso escarninho . -- Lucius - disse Mr._Weasley , acenando friamente . -- Muito trabalho em o ministério , segundo me consta - disse Mr._Malfoy . - Todas essas buscas ... espero que te estejam a pagar horas extraordinárias . Meteu a mão em o caldeirão de a Ginny e tirou de o meio de os livros de Lockhart um exemplar muito velho e muito gasto de o * _ Guia_de_Transfiguração_para_Principiantes * . - Parece que não - disse . - Que diabo , qual a vantagem de ser uma nódoa entre os feiticeiros se nem_sequer te pagam bem por isso ? Mr._Weasley corou mais ainda do_que Ron ou Ginny . - Nós temos uma opinião diferente sobre quem são as nódoas entre os feiticeiros - disse . - É claro que ... - disse Mr._Malfoy , os olhos mortiços passando para Mr. e Mrs._Granger apreensivamente . - As companhias com quem tu andas ... e eu que pensava que já não conseguias descer mais baixo ... Ouviu se um tilintar de metal quando o caldeirão de a Ginny foi por os ares . Mr._Weasley lançara se sobre Mr._Malfoy atirando o para dentro_de uma estante . Dezenas_de livros de feitiços saltaram lá de cima , caindo lhes sobre as cabeças . Houve um grito de - Chega lhe , pai ! - de o Fred e de o George . Mrs._Weasley soltava gritos agudos : - Não_Arthur , não . A multidão recuava deitando mais prateleiras a o chão . - Meus senhores , por favor - gritava o encarregado , e então , mais alto do_que todos : - Parem com isso , gente , parem com isso . Hagrid aproximava se através_de um mar de livros . Em um segundo afastou Mr._Weasley e Mr._Malfoy . Mr._Weasley tinha um lábio cortado e Mr._Malfoy fora agredido em um olho por uma * _ Enciclopédia_de_Cogumelos_Venenosos * . Tinha ainda em a mão o livro velho de a Ginny sobre transfiguração . Atirou lhe o , com os olhos a brilhar de malvadez . - Toma o teu livro , garota . É o melhor que o teu pai pode oferecer te . Libertando se de Hagrid , conduziu Draco para fora e abandonaram a livraria . - Devias tê o ignorado , Arthur - disse Hagrid quase a pegar em Mr._Weasley a o colo enquanto lhe endireitava o manto . - São podres até a a raiz , todos eles . Tod'à gente sabe . Nenhum Malfoy vale a pena ser ouvido . Não prestam , ' tá-lhes em o sangue . Vá lá , vamos sair de aqui . O encarregado parecia querer impedis os , mas , olhando bem para Hagrid , pensou melhor . Subiram a rua , os Grangers a tremer de medo e Mrs._Weasley fora de si . - Um belo exemplo para as crianças ... andar a a pancada em público . O que terá pensado Gilderoy_Lockhart ? - Ele gostou - disse o Fred . - Não o ouviram quando ia a sair ? Estava a perguntar a aquele tipo de o Profeta_Diário se conseguia incluir a briga em a reportagem , disse que era boa publicidade . Mas foi um grupo deprimido que regressou a a lareira de o Caldeirão_Escoante onde Harry , os Weasley e todas_as suas compras iriam viajar de volta até a a Toca , usando o pó de Floo . Despediram se de os Grangers que iam sair de o * pub * por a rua de os Muggles , de o outro lado . Mr._Weasley começou a perguntar lhes como funcionavam as paragens de autocarros , mas calou se rapidamente a o ver a expressão de Mrs._Weasley . Harry tirou os óculos e guardou os cautelosamente em o bolso antes de utilizar o pó de Floo . Definitivamente não era a sua forma ideal de viajar . V_O salgueiro zurzidor O fim de as férias de Verão chegou demasiado depressa para o gosto de Harry . Ele desejara muito regressar a Hogwarts , mas aquele mês em a Toca tinha sido o mais feliz de toda_a sua vida . Era difícil não invejar o Ron quando pensava em os Dursleys e em as boas-vindas que ia receber de a próxima vez que pusesse os pés em Privet_Drive . Em a última noite , Mrs._Weasley preparou um jantar magnífico , que incluía os pratos favoritos de Harry e terminava com um pudim de melaço de fazer crescer água em a boca . Fred e George alegraram a noite com uma exibição de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que saltaram de o tecto para as paredes , durante pelo_menos meia_hora . Depois , foi a altura de tomarem uma caneca de chocolate quente e irem para a cama . Em a manhã seguinte , demoraram muito_tempo a preparar se . Levantaram se com o cantar de o galo , mas parecia lhes que ainda tinham muito para fazer . Mrs._Weasley andava de um lado para o outro , mal-humorada , a a procura de meias e penas , chocavam uns com os outros em as escadas , meio vestidos , meio despidos , com pedaços de torrada em as mãos e Mr._Weasley quase partiu o nariz quando tropeçou em uma galinha a o atravessar o pátio , para meter em o carro a mala de Ginny . Harry não percebia lá muito bem_como é_que oito pessoas , seis grandes malas , duas corujas e um rato , iam caber em um pequeno * _ Ford_Anglia * , isso , claro , antes de as artes mágicas que Mr._Weasley acrescentara . - Nem uma palavra a a Molly - murmurou ele a o Harry , enquanto abria a bagageira e lhe mostrava como ela se expandira para que as malas coubessem facilmente . Quando , por fim , se acomodaram todos em o carro , Mrs._Weasley olhou para o banco de trás , onde Harry , Ron , Fred , George e Percy estavam confortavelmente sentados uns a o lado de os outros e disse : - Os Muggles têm mais conhecimentos do_que aqueles que nós lhes atribuímos , não achas ? - Ela e a Ginny entraram para o lugar de a frente , que fora esticado e parecia um banco de jardim . - Quer_dizer , de_fora ninguém diria que este carro era espaçoso , não acham ? Mr._Weasley pôs o motor a funcionar e saíram de o pátio , Harry voltando se para trás para ver por a última vez a casa . Mal teve tempo de se questionar se iria voltar alguma vez e já estavam de volta : George esquecera se de a caixa de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Cinco minutos mais tarde tiveram de interromper de_novo a viagem e voltar a o pátio para o Fred ir a correr buscar a vassoura . Estavam quase a chegar a a auto-estrada , quando Ginny guinchou que se esquecera de o diário . Mas estava a fazer se muito tarde e os ânimos começavam a exaltar se . Mr._Weasley olhou para o relógio e , em seguida , para a mulher . - Molly , querida ... - Não , Arthur . - Ninguém ia ver . Este botãozinho é um transformador de invisibilidade que eu instalei , levava nos por o ar , subíamos acima de as nuvens . Estaríamos lá em dez minutos e ninguém daria por nada ... - Eu disse que não , Arthur . Durante o dia , não . Chegaram a King's_Cross , faltava um quarto para as onze . Mr._Weasley precipitou se em busca de um carrinho de transporte para as malas e correram todos para a estação . Harry apanhara o Expresso_de_Hogwarts em o ano anterior . A parte mais difícil era entrar em a plataforma nove_e_três quartos , que não era visível a os olhos de os Muggles . Era preciso avançar para a barreira sólida que dividia as plataformas nove e dez . Não doía nada , mas tinha de ser feito com cuidado para que nenhum de os Muggles de esse , por o desaparecimento . - O Percy em primeiro lugar - declarou Mrs._Weasley , olhando nervosamente para o relógio lá em cima , que mostrava que tinham apenas cinco minutos para desaparecer através de a barreira . Percy avançou a passos largos e desapareceu . Mr._Weasley foi a seguir e depois de ele Fred e George . - Eu levo a Ginny e vocês vêm atrás_de nós - disse Mrs._Weasley a o Harry e a o Ron , agarrando Ginny pela mão e seguindo em frente . Em um abrir e fechar de olhos , tinham passado . - Vamos passar juntos , só temos um minuto - disse Ron a o Harry . Harry assegurou se de que a gaiola de a Hedwig estava bem fixa em cima de a sua mala e empurrou o carrinho de encontro a a barreira . Estava perfeitamente confiante , aquilo era muito mais fácil do_que usar o pó de Floo . Puseram os dois as mãos em o puxador de os carrinhos e avançaram direitos a a barreira , ganhando velocidade . A um metro e pouco , começaram a correr e ... CRASH . Os dois carros bateram em a barreira e foram impelidos para trás . A mala de o Ron caiu com um enorme estrépito . Harry desequilibrou se e a gaiola de a Hedwig foi parar a o chão brilhante , enquanto ela rolava guinchando , indignada . As pessoas em volta olhavam fixamente e um guarda que estava ali perto gritou : - Que diabo pensam vocês que estão a fazer ? - Perdemos o controlo de o carro de transporte - respondeu o Harry , respirando com dificuldade , agarrando se a as costelas , enquanto se punha de pé . Ron correu a agarrar a Hedwig , que estava a fazer uma cena tal , que já se ouviam murmúrios em a multidão sobre a crueldade para com os animais . - Porque é_que não conseguimos passar ? - perguntou Harry a o Ron em um sussurro . - Não sei . Ron olhou descontroladamente em volta . Uma_dúzia de curiosos estavam ainda a observá os . - Vamos perder o comboio - murmurou o Ron . - Não compreendo porque motivo a cancela se fechou . Harry olhou para o relógio gigantesco com um sentimento de náusea em a boca de o estômago . Dez segundos , nove segundos ... Dirigiu o carrinho de transporte para a frente com toda_a força . O metal manteve se sólido . Três segundos ... dois segundos ... um segundo ... - Partiu - afirmou o Ron , que parecia estonteado . - O comboio foi se embora . E se a mãe e o pai não conseguem voltar para aqui ? Tens algum dinheiro de Muggle ? Harry deu uma gargalhada . - Os Dursleys não me dão um tostão há mais de seis anos ! Ron encostou o ouvido a a barreira . - Não se ouve nada - disse , bastante tenso . - O que vamos nós fazer ? Não sei quanto tempo o pai e a mãe vão demorar . Olharam em volta . As pessoas ainda estavam a observá os , principalmente devido a os contínuos guinchos de a Hedwig . - Acho que o melhor é sairmos de aqui e esperamos por eles junto de o carro - disse Harry . - Aqui estamos a atrair demasiado as aten ... - Harry - disse o Ron , com os olhos a brilhar . - É isso , o carro . - O que é_que tem ? - Podemos voar nele até Hogwarts ! - Mas eu pensei ... - Estamos em apuros , certo ? E temos de chegar a a escola , ou não ? E mesmo os feiticeiros menores de idade estão autorizados a usar a magia em uma emergência real , parágrafo dezanove , ou não sei quê , de a Restrição de ... O sentimento de pânico de Harry transformou se em entusiasmo . - E tu sabes voar nele ? - Não há problema - disse o Ron , andando com o carrinho a a volta e dirigindo se para a saída . - Anda de aí . Se em os apressarmos , conseguiremos sair atrás de o Expresso_de_Hogwarts . E afastaram se de o grupo de Muggles curiosos , abandonando a estação e voltando a a rua , onde o velho * _ Ford_Anglia * se encontrava estacionado . Ron abriu a bagageira com uma série de toques de varinha . Meteram lá dentro as malas , puseram a Hedwig em o assento de trás e entraram para a frente . - Verifica se ninguém está a ver - disse o Ron , ligando a ignição com outro toque de varinha . Harry pôs a cabeça fora de a janela : o trânsito enchia a avenida principal , mas a rua de eles estava vazia . - O. _ K. - disse . Ron carregou em um pequeno botão de o painel . Os carros em volta desapareceram assim_como eles . Harry sentia o assento a vibrar debaixo_de si , ouvia o motor , sentia as mãos sobre os joelhos e os óculos em o nariz , mas , tanto quanto conseguia ver , tornara se um par de olhos redondos flutuando um metro e pouco acima de o chão em uma rua suja , cheia de carros estacionados . - Vamos - disse a voz de o Ron , vinda de o seu lado direito . O chão e os prédios escuros de ambos os lados desapareceram de o seu ângulo de visão , mal o carro se elevou . Em poucos segundos toda_a cidade de Londres , enevoada e resplandecente , estava por baixo de eles . Em seguida , ouviu se um ruído que parecia o saltar de uma rolha e o carro , Harry e Ron , reapareceram . - Oh , oh - disse Ron , batendo em o intensificador de invisibilidade . - Está avariado ... Começaram os dois a bater em o botão . O carro desapareceu . Depois surgiu de forma intermitente . - Aguenta aí - gritou o Ron e carregou com o pé em o acelerador . Saltaram direitinhos para o meio de as nuvens mais baixas e tudo ficou sujo e enevoado . - E agora ? - exclamou Harry , piscando os olhos a a sólida massa de nuvens que os comprimia de todos os lados . - Precisamos de avistar o comboio para sabermos qual a direcção a tomar - explicou o Ron . - Desce rapidamente ... Desceram por o meio de as nuvens e voltaram se em os lugares , espreitando . - Estou a vê o - gritou Harry . - Mesmo em frente , ali . O Expresso_de_Hogwarts deslocava se a grande velocidade lá em baixo , como uma serpente vermelha . - Para Norte - disse o Ron , verificando a bússola de o painel . - O. _ k . , basta que verifiquemos de meia em meia_hora . Aguenta aí ... - e arrancaram por o meio de as nuvens . Em o minuto seguinte , tinham chegado a a luz brilhante de o Sol . Era um mundo diferente . Os pneus de o carro deslizavam sobre o mar de nuvens macias , o céu era de um azul infinito sob a luz , capaz de cegar , que irradiava de o Sol . - Agora só temos de nos preocupar com os aviões - disse o Ron . Olharam um para o outro e desataram a rir . Durante muito_tempo não conseguiram parar . Era como_se tivessem mergulhado em um sonho fabuloso . Aquela , pensou Harry , era certamente a única maneira de viajar : passando por turbilhões e torres de nuvens cor de neve , em um carro cheio de calor , o sol radioso , com um grande pacote de rebuçados em o porta-luvas e antegozando o ar de inveja de o Fred e de o George quando aterrassem suavemente e de forma espectacular em o relvado macio em frente de o castelo de Hogwarts . Espreitaram várias vezes o comboio enquanto voavam cada_vez_mais para norte . Cada descida entre as nuvens dava lhes uma perspectiva diferente . Londres depressa ficou para trás , substituída por campos verdejantes que , por sua vez , deram lugar a grandes pântanos arroxeados , aldeias com pequenas igrejas de brinquedo e uma grande cidade , cheia de vida , com carros que pareciam formigas multicores . Várias horas mais tarde sem acontecer nada de_novo , Harry teve de admitir que uma parte de o entusiasmo se esgotara . Os rebuçados tinham nos deixado cheios de sede e não havia nada para beber . Ele e o Ron tinham tirado as camisolas , mas a * _ T-shirt * de o Harry estava colada a as costas de o assento e os óculos não paravam de lhe escorregar para a ponta de o nariz . Deixara de reparar em as fabulosas formas de as nuvens e pensava com saudade em o comboio , milhas abaixo de eles , onde se podia comprar sumo fresquinho de abóboras em um carro empurrado por uma bruxa gordinha . Porque não teriam conseguido entrar em a plataforma nove_e_três quartos ? - Não pode ser muito mais longe , pois não ? - resmungou o Ron , horas mais tarde quando o Sol começava a enfiar se em o seu chão de nuvens , pintando as de um rosa profundo . - Estás pronto para outra espreitadela a o comboio ? Ainda ia mesmo por baixo de eles , abrindo caminho por_entre uma montanha com o topo coberto de neve . Estava muito mais escuro entre o dossel de nuvens . Ron pôs o pé em o acelerador e levou os de_novo para_cima , mas em esse momento o motor começou a chiar . Harry e Ron trocaram entre si olhares nervosos . - Deve estar só cansado - disse o Ron . - Nunca tinha vindo tão longe ... - E fingiram ambos que não davam por o gemido que se ia tornando maior à_medida_que o céu serenamente escurecia . As estrelas desabrochavam em a escuridão , Harry voltou a enfiar a camisola de lã , tentando ignorar os limpa pára-brisas que acenavam debilmente como_que a protestar . - Não devemos estar longe - disse Ron , dirigindo se mais a o carro do_que a o amigo . - Já não devemos estar longe - deu umas palmadinhas nervosas em o * tablier * . Pouco depois , quando voltaram a voar em o meio de as nuvens , tiveram de olhar de lado em a escuridão , em busca de um ponto de referência que conhecessem . - Ali - gritou Harry , fazendo o Ron e a Hedwig darem um salto . - Mesmo em frente . Recortados em o horizonte negro , sobre o rochedo de o outro lado de o lago , erguiam se as torres e torreões de o castelo de Hogwarts . Mas o carro tinha começado a estremecer e perdia a os poucos velocidade . - Vá lá - disse o Ron , dando a o volante um pequeno abanão bajulador . - Estamos quase a chegar , vá lá ... O motor gemeu . Pequenos jactos de vapor de água brotaram de o capo . Harry deu consigo agarrado com toda_a força a os bordos de o assento enquanto voavam direitos a o lago . O carro deu um solavanco feio . Espreitando por a janela , Harry viu a superfície negra , macia e espelhada de a água cerca de uma milha abaixo de eles . Os dedos de o Ron agarrados a o volante tinham as articulações brancas . O carro deu um novo esticão . - Vá lá - murmurou o Ron . Estavam sobre o lago ... o castelo ficava mesmo em frente . Ron fez força com o pé . Houve um ruído surdo , uma crepitação e o motor morreu por completo . - Oh ! oh ! - gemeu Ron em o silêncio . O nariz de o carro voltou se para baixo . Estavam a cair , ganhando velocidade em direcção a os muros sólidos de o castelo . - Naaaaão ! - gritou o Ron , girando o volante . Escaparam a a muralha de pedra negra por centímetros , quando o carro fez um grande arco , planando primeiro sobre as estufas , depois sobre o rectângulo plantado com vegetais e , por fim , sobre os relvados , perdendo sempre velocidade . Ron largou o volante por completo e tirou a varinha de o bolso de trás . - __ pára ! __ pára ! - gritou , batendo em o * tablier * e em o pára-brisas , mas eles continuavam a mergulhar , o chão a voar em direcção a eles . - : __ cuidado com essa __ árvore ! ! ! - bramiu Harry , deitando a mão a o volante , mas ... tarde de mais ... CRUNCH . Com um ruído ensurdecedor de metal e madeira , bateram em o tronco espesso de a árvore e caíram em o chão com um forte solavanco . O vapor era um mar debaixo de o capo amachucado . A Hedwig tremia apavorada . Em a cabeça de Harry surgira um alto de o tamanho de uma bola de golfe , quando ele batera em o pára-brisas , tombando em seguida para a direita . Ron soltou um gemido longo e desesperado . - Estás O. _ K ? - perguntou Harry , aflito . - A minha varinha - disse o Ron em uma voz trémula . - Olha para a minha varinha . Tinha se partido praticamente em duas , a ponta balouçava mole , presa por meia_dúzia de esquírolas . Harry abriu a boca para dizer que em a escola com certeza conseguiriam consertá a , mas nem chegou a começar a frase . Em esse preciso momento , algo bateu em o seu lado de o carro , com a força de um touro , projectando o para_cima de o Ron , ao_mesmo_tempo que um golpe igualmente forte se sentiu em o capô . - O que está a acontec ... Ron arfou , olhando fixamente por o pára-brisas e Harry olhou em volta , mesmo a_tempo_de ver uma ramada espessa como uma píton vir contra o vidro . A árvore em que tinham batido estava a atacá os . O tronco dobrara se quase a meio e os seus galhos rugosos davam uma tareia a cada centímetro de o carro que conseguiam atingir . - Ah ! - praguejou o Ron , quando outra pernada retorcida esmurrou a sua porta , amolgando a . O pára-brisas tremia agora sob uma saraivada de golpes vindos de galhos que pareciam patas de animais e uma ramada espessa como um aríete esmagava furiosamente o capo , que parecia estar a ceder ... - Corre ! - gritou o Ron , lançando o seu peso contra a porta , mas , em o momento seguinte , tinha sido atirado para trás , para o colo de Harry por um soco maldoso , dado de baixo para_cima , por outro ramo . - Estamos feitos ! - resmungou , enquanto o tecto descaía . Mas , de repente , o chão de o carro estava a vibrar , o motor pegara . - Marcha atrás - gritou o Harry e o carro deu um salto para trás . A árvore tentava ainda agredis os , ouviam as raízes chiar , enquanto quase se partiam esticando se para os alcançar . - Escapámos por_pouco ! - exclamou o Ron . - Muito bem , carro . Mas o carro tinha atingido o limite de as suas forças . Com dois estalidos , as portas abriram se e Harry sentiu o seu assento inclinar se para o lado . Quando deu por si , estava estatelado em o chão húmido . Ruídos surdos avisaram o de que o carro estava a ejectar as malas de a bagageira . A gaiola de a Hedwig voou por os ares e abriu se . Ela saiu a voar com um pio furioso e dirigiu se a o castelo , sem sequer olhar para trás . Em seguida , o carro , amolgado , arranhado e a fumegar , arrancou em o escuro , com os faróis traseiros ardendo de fúria . - Volta aqui ! - gritou o Ron , brandindo a varinha partida . - O meu pai mata me . Mas o carro desapareceu a perder de vista , com um último estoiro de o tubo de escape . - Já viste bem o nosso azar ! ? - exclamou o Ron em o meio de a sua infelicidade , baixando se para apanhar o rato Scabbers . - De todas_as árvores em que podíamos ter batido , tínhamos de ir dar a uma que bate também . Olhou por cima de o ombro para a velha árvore que ainda agitava os ramos ameaçadoramente . - Vamos - disse Harry , fatigado . - É melhor irmos andando para a escola ... Não foi , de modo algum , a chegada triunfal que tinham imaginado . Constrangidos , cheios de frio e magoados , pegaram em as malas e começaram a arrastá as por o relvado acima , em direcção a as grandes portadas de carvalho . - Acho que o banquete já começou - disse o Ron , largando a mala em os degraus de a entrada e atravessando devagarinho para espreitar por uma janela iluminada . - Harry , anda ver , é a distribuição . Harry apressou se e os dois , ele e o Ron , espreitaram para o Salão_Nobre . Um número infindável de velas pairava em o ar , sobre quatro mesas enormes cheias de gente , fazendo brilhar os pratos dourados e as taças . Em cima , o tecto encantado que espelhava o céu lá de_fora , brilhava cheio de estrelas . Por_entre a floresta de chapéus pretos pontiagudos de Hogwarts , Harry viu uma longa fila de alunos de o primeiro ano com olhares assustados que enchia o vestíbulo . Ginny estava entre eles , facilmente reconhecível devido a o seu chamativo cabelo Weasley . Enquanto isso , a professora Mc_Gonagall , uma bruxa de óculos com cabelo castanho apanhado em um carrapito , colocava o famoso chapéu seleccionador em um banco que se encontrava em frente de os novos alunos . Todos os anos , aquele velho chapéu , remendado , puído e cheio de pó , seleccionava alunos para as quatro equipas de Hogwarts ( Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin ) . Harry lembrava se bem de o ter colocado em a cabeça , precisamente um ano antes , e ter esperado petrificado por a sua decisão , enquanto ele lhe murmurava a o ouvido . Durante alguns horríveis segundos receara que o chapéu o mandasse para os Slytherin , a equipa que produzia maior número de feiticeiros e feiticeiras de magia negra , mas acabara por ficar em os Gryffindor , juntamente com Ron e Hermione e o resto de os Weasley . Em o último período , Harry e Ron tinham ajudado os Gryffindor a vencer o campeonato de a equipa , batendo os Slytherin pela_primeira_vez em sete anos . Um rapazito baixinho com cabelo de rato acabava de ser chamado para pôr o chapéu em a cabeça . Os olhos de Harry saltavam de ele para o lugar onde o professor Dumbledore , o director , estava sentado , observando a selecção de a mesa de os professores , com a sua longa barba cor de prata e óculos de meia-lua que brilhavam a a luz de as velas . Alguns lugares a a frente , Harry viu Gilderoy_Lockhart com um manto verde-azulado . E lá bem a o fundo estava Hagrid , enorme e cabeludo , bebendo satisfeito de a sua taça . - Espera aí - murmurou a o Ron . - Há um lugar vazio em a mesa de os professores . Onde estará o Snape ? Severus_Snape era o professor de quem Harry menos gostava . Harry era também o seu aluno menos querido . Cruel , sarcástico e detestado por todos com excepção de os alunos de a sua própria equipa ( Slytherin ) , Snape tinha a seu cargo a cadeira de Poções . - Talvez esteja doente - sugeriu Ron , cheio de esperança . - Talvez se tenha ido embora - lembrou Harry . - Por não lhe terem dado outra_vez a Defesa contra as artes negras . - Ou talvez tenha sido corrido - propôs Ron com entusiasmo . - Afinal , toda_a_gente o detesta ... - Ou talvez - disse uma voz gelada atrás de eles - esteja a a espera que vocês lhe expliquem por_que motivo não vieram em o comboio de a escola . Harry deu uma volta . Em a sua frente , com o manto negro a ondular em uma brisa fria , estava Severus_Snape . O professor era um homem magro , de pele descorada , nariz adunco e um cabelo preto oleoso que lhe caía sobre os ombros . E em aquele momento sorria de um modo tal que Harry sentiu que tanto ele como Ron estavam em sérios apuros . - Sigam me - disse Snape . Sem ousarem sequer olhar um para o outro , Harry e Ron seguiram Snape por as escadas até a o amplo * hall * de entrada que estava iluminado por as chamas de os archotes . De o salão nobre vinha um cheirinho delicioso a comida , mas Snape levou os para longe de a luz e de o calor , em direcção a uma escada estreita de pedra que conduzia a os calabouços . - Entrem - ordenou , abrindo uma porta a meio de o corredor e apontando . Entraram a tremer em o escritório de Snape . As paredes sombrias estavam cobertas de prateleiras cheias de jarros de vidro grosso onde flutuavam as coisas mais diversas e repugnantes , cujo nome Harry não queria de momento conhecer . A lareira estava escura e vazia . Snape fechou a porta e voltou se de frente para eles . - Com que então - disse com falsa suavidade - o comboio não serve para o famoso Harry_Potter e o seu fiel companheiro Weasley . Queriam chegar em grande estilo , não era rapazes ? - Não senhor , foi a barreira em King's_Cross , ela ... - Silêncio - disse Snape friamente . -- _ o que fizeram a o carro ? Ron engoliu em seco . Aquela não era a primeira vez que Snape dava a Harry a impressão de ser capaz de ler pensamentos . Mas , pouco depois , compreendeu tudo quando Snape desenrolou o exemplar de o Profeta_Vespertino . - Vocês foram vistos - afirmou , mostrando lhes o cabeçalho : : __ ford anglia voador confunde __ muggles . Começou a ler alto a notícia . - Dois Muggles em Londres convenceram se de que tinham visto um carro velho a voar sobre a torre de os correios ... a a tardinha em Norfolk , Mrs._Hetty_Bayliss , enquanto pendurava a roupa ... Mr._Angus_Fleet_de_Peebles informou a polícia ... seis ou sete Muggles a o todo . Julgo que o teu pai trabalha em o departamento de mau uso dado a os objectos de os Muggles ? - disse olhando para Ron e sorrindo de uma forma ainda mais sarcástica . - Que peninha , o próprio filho ... Harry sentiu se como_se tivesse levado um soco em o estômago de uma de as maiores pernadas de a árvore louca . E se alguém descobrisse que Mr._Weasley tinha enfeitiçado o carro ? Ele ainda nem tinha pensado em isso . - Reparei durante a minha volta por o jardim que foi feito um estrago considerável em um salgueiro zurzidor extremamente valioso - continuou Snape . - Essa árvore fez nos pior a nós do_que nós ... - deixou escapar Ron . - Silêncio - interrompeu Snape , de_novo . - Infelizmente vocês não fazem parte de a minha equipa e a decisão de vos expulsar não está em as minhas mãos . Vou , por isso , buscar as pessoas que possuem essa feliz possibilidade . Esperem aqui . Harry e Ron olharam , pálidos , um para o outro . Harry perdera a fome . Sentia se agora extremamente agoniado . Tentava não olhar para uma coisa viscosa , suspensa em um líquido verde que estava em uma prateleira por detrás de a secretária de Snape . Se ele fora buscar a professora Mc_Gonagall , chefe de a equipa de os Gryffindor , não estavam muito melhor . Ela era mais justa do_que Snape , mas extremamente severa . Dez minutos mais tarde , Snape voltou e era , de facto , a professora Mc_Gonagall quem o acompanhava . Harry vira a professora Mc_Gonagall zangada , mas , ou se tinha esquecido de como a boca de ela ficava fina , ou nunca a vira tão zangada como em aquele dia . Levantou a varinha em o momento em que entrou . Harry e Ron estremeceram , mas ela limitou se a apontá a para a lareira onde as chamas se elevaram subitamente . - Sentem se - ordenou , e os dois recuaram para as cadeiras junto de o lume . - Expliquem se - disse com os óculos a brilhar de uma forma ameaçadora . Ron enveredou por a história começando por a barreira de a estação que se recusara a deixá os passar . - Por isso não tínhamos escolha , professora , não podíamos chegar a o comboio . - Porque não nos mandaram uma carta por a coruja ? Julgo que tens uma coruja ? - disse friamente a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a Harry . Harry olhou para ela sem saber o que dizer . - Parece me - continuou ela - que seria a coisa mais adequada . - Eu ... não pensei ... - Isso - disse a professora Mc_Gonagall - é bastante óbvio . Ouviu se bater a a porta de o escritório e Snape , que parecia agora mais feliz do_que nunca , foi abrir . Era o director , o professor Dumbledore . Harry ficou totalmente paralisado . Dumbledore tinha uma expressão grave . Olhou para eles de cima de o seu nariz adunco e Harry desejou estar ainda com Ron a levar uma sova de o salgueiro zurzidor . Fez se um longo silêncio . Em seguida , Dumbledore disse lhes : - Por favor , expliquem porque fizeram isto . Teria sido melhor se gritasse . Harry detestou sentir a decepção em a sua voz . Inexplicavelmente era incapaz de olhar Dumbledore em os olhos e falou em direcção a os seus joelhos . Disse lhe tudo excepto que o carro enfeitiçado pertencia a Mr._Weasley , dando a ideia de que ele e o Ron o tinham encontrado estacionado fora de a estação . Sabia que Dumbledore ia ver para_além de isso , mas o director não fez perguntas sobre o carro . Quando Harry terminou continuou a olhar para ele através de os seus óculos . - Nós vamos buscar as nossas coisas - disse Ron em um tom de voz sem esperança . - Que disparate é esse ? - rosnou a professora Mc_Gonagall . -- Então , vão expulsar nos , não vão ? - disse o Ron . Harry olhou rapidamente para Dumbledore . - Ainda não , Mr._Weasley - afirmou Dumbledore . - Mas vou assinalar a gravidade do_que vocês fizeram . Hoje a a noite escreverei a as vossas famílias . Estão também prevenidos que se voltarem a fazer uma coisa como esta não terei outro remédio senão expulsar vos . A expressão de Snape era como_se o Natal tivesse sido cancelado . Pigarreou e disse : - Professor_Dumbledore , estes rapazes infringiram o decreto para a restrição de a feitiçaria de os menores , causaram estragos consideráveis a uma árvore antiga e valiosa ... sem dúvida , actos de esta natureza ... - Cabe a a professora Mc_Gonagall decidir sobre os castigos de os rapazes , Severus - afirmou Dumbledore com toda_a calma . - Pertencem a a equipa de ela e são , portanto , de a sua responsabilidade . - Voltou se para a professora Mc_Gonagall . - Tenho de regressar a o banquete , Minerva , devo dar algumas informações . Venha Severus , há uma tarte de leite e ovos com um aspecto delicioso que quero mostrar lhe . Snape lançou um olhar de puro veneno a o Harry e a o Ron enquanto permitia que o afastassem de o seu escritório , deixando os a sós com a professora Mc_Gonagall que ainda os olhava como uma águia em fúria . - É melhor ires até a a ala hospitalar , Weasley , estás a sangrar . - Não é nada - disse Ron , limpando o corte com a manga para que ela o visse . - Professora , eu gostava de ver a minha irmã ser seleccionada . - A cerimónia de a selecção terminou - disse a professora Mc_Gonagall . - A tua irmã está também em os Gryffindor . - _ óptimo - exclamou Ron . - E por falar em os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall de forma cortante , mas Harry interrompeu a : - Professora , quando tirámos o carro , o ano escolar ainda não tinha começado , por isso os Gryffindor não deveriam perder pontos , pois não ? - terminou olhando a ansiosamente . A professora Mc_Gonagall lançou lhe um olhar penetrante , mas ele era capaz de jurar que ela quase tinha sorrido . Pelo_menos a boca não parecia tão fina . - Não vou tirar pontos a os Gryffindor - tranquilizou o . E o coração de Harry ficou mais leve . - Mas vocês os dois vão ter um castigo . Foi melhor do_que Harry imaginara . O facto de Dumbledore escrever a os Dursley não tinha a menor importância . Harry sabia perfeitamente que eles só lamentariam que o salgueiro zurzidor não o tivesse esmigalhado . A professora Mc_Gonagall ergueu a varinha de_novo apontou a a a secretária de Snape . Um grande prato de sanduíches , duas taças de prata e um jarro com sumo de abóbora gelado apareceram em menos_de um segundo . - Vocês vão comer aqui e , em seguida , vão direitinhos para o vosso dormitório - disse . - Eu também tenho de voltar para a festa . Mal a porta se fechou atrás de ela , Ron soltou baixinho um assobio . - Pensei que estávamos feitos - confessou , agarrando uma sanduíche . - Também eu - disse o Harry , orando também uma . - Mas já viste bem a nossa pouca sorte ? - insistiu o Ron com a boca cheia de frango e fiambre . - O Fred e o George voaram em aquele carro cinco ou seis vezes e nenhum Muggle os viu - engoliu outro pedaço enorme de a sanduíche . - Porque será que não conseguimos passar a barreira ? Harry encolheu os ombros . - Mas temos de ter muito cuidado a_partir_de agora - disse bebendo um grande trago de sumo de abóbora . - Que pena não termos podido ir a o banquete . - Ela não quis que nos exibíssemos - afirmou Ron com prudência . - Não vão as pessoas pensar que é uma boa chegar aqui de carro voador . Quando já tinham comido todas_as sanduíches que queriam ( o prato ia voltando a encher se sozinho ) , levantaram se e saíram de o escritório , seguindo o caminho que lhes era familiar , para a torre de os Gryffindor . O castelo estava em silêncio . Parecia que o banquete tinha acabado . Passaram por retratos murmurantes e armaduras que gemiam e subiram os degraus estreitos de pedra até que , por fim , chegaram a a passagem onde a entrada secreta para a torre de os Gryffindor se encontrava oculta por detrás de o quadro a óleo de uma dama gorda em um vestido cor-de-rosa . - A senha ? - perguntou ela mal os dois se aproximaram . - Er ... Eles ainda não tinham estado com o prefeito de os Gryffindor e por isso ainda não conheciam a senha para o novo ano , mas a ajuda não se fez esperar . Ouviram passos apressados atrás de eles e quando se voltaram viram Hermione que se aproximava . - Aí estão vocês . Onde é_que se meteram ? Correm os boatos mais ridículos , alguém disse que vocês tinham sido expulsos por espatifarem um carro voador . - Bem , expulsos não fomos - tranquilizou a Harry . - Não estás a dizer me que voaram até aqui ? - perguntou Hermione em um tom quase tão severo como a professora Mc_Gonagall . - Dispensa se o sermão - interrompeu Ron impacientemente . - E diz nos a nova senha de passagem . - É crista de pássaro - disse Hermione não contendo a impaciência . - Mas o mais importante não é isso ... Contudo as palavras de ela foram interrompidas ao_mesmo_tempo que o retrato de a dama gorda se abria e se ouvia uma tempestade de aplausos . A o que parecia a equipa de os Gryffindor estava ainda acordada , dentro de a sala comum em forma de círculo , junto de as mesas assimétricas e de os cadeirões moles a a espera que eles chegassem para , de braços estendidos através de o buraco de o retrato , puxarem Harry e Ron para dentro deixando Hermione para o fim . - Sensacional - gritou Lee_Jordan . - Inspirado ! Que entrada ! Voar em um carro e aterrar em o salgueiro zurzidor . Toda_a_gente vai falar de isto durante anos e anos . - Muito bem - disse um aluno de o quinto ano com quem Harry nunca tinha falado . Alguém dava lhe palmadas em as costas como_se ele acabasse de vencer a maratona . Fred e George abriram caminho por_entre a multidão e disseram ao_mesmo_tempo : - Por_que é_que não nos chamaram , hein ? - Ron estava vermelho como um pimentão , sorrindo envergonhado , mas Harry via perfeitamente uma pessoa que não estava nada contente . Percy elevava se acima de as cabeças de os excitados alunos de o primeiro ano e parecia estar a tentar aproximar se para os repreender . Harry deu uma cotovelada a o Ron e apontou em direcção a Percy . Ron percebeu de imediato . - Temos de ir para_cima , um_pouco cansados ! - explicou e os dois começaram a abrir caminho em direcção a a porta que ficava de o outro lado de a sala e que dava para a escada em espiral e para os dormitórios . - ` _ Noite - despediu se Harry_de_Hermione que tinha um ar tão carrancudo como Percy . Conseguiram chegar a o outro lado de a sala comum sempre a levarem palmadas em as costas e alcançaram o sossego de as escadas . Apressaram se a subir e , por fim , chegaram a a porta de o dormitório que tinha agora um letreiro a dizer « Segundos_Anos » . Entraram em o quarto circular , que conheciam tão bem , com as suas cinco camas de dossel adornadas de velado vermelho e as suas janelas altas e estreitas . As malas tinham sido trazidas para_cima e colocadas a os pés de as camas . Ron fez um sorriso culpado . - Sei que não devia ter gostado de aquilo , mas ... A porta de o dormitório abriu se e os outros rapazes de os Gryffindor entraram ; eram eles o Seamus_Finnigan , o Dean_Thomas e o Neville_Loogbottom . - Inacreditável - aplaudiu Seamus . - Incrível - aprovou o Dean . - Espantoso - exclamou o Neville , aterrado . Harry não pôde evitar também um sorriso . VI_Gilderoy_Lockhart_No dia seguinte , contudo , Harry não conseguiu sorrir . As coisas começaram a correr mal logo em o salão durante o pequeno-almoço . Debaixo de o tecto encantado ( em aquele dia triste e cinzento ) estavam as quatro grandes mesas de as equipas e sobre elas , terrinas de papa de aveia , pratos de arenque defumado , montanhas de torradas e pratadas de ovos com * bacon * . Harry e Ron sentaram se em a mesa de os Gryffindor , junto de Hermione que tinha o seu exemplar de * _ Viagens com Vampiros * totalmente aberto , encostado a um jarro de leite . Havia uma certa rigidez em a maneira como ela disse : - ` _ Dia - que mostrou a Harry que continuava a desaprovar o modo como tinham chegado a a escola . Por seu turno , Neville_Longbottom saudou os entusiasticamente . Neville era um rapazinho de cara redonda , muito dado a acidentes , com a pior memória que Harry tinha conhecido . - A entrega de correio deve estar a chegar , acho que a minha avó me vai mandar umas quantas coisas de que me esqueci ... Harry tinha começado a comer as papas de aveia , quando se ouviu um ruído tumultuoso em o ar e umas cem corujas entraram ao_mesmo_tempo , sobrevoando o salão e deixando cair cartas e pacotes em o meio de a multidão faladora . Um embrulho grande e rugoso caiu em a cabeça de Neville e , um segundo depois , uma coisa larga e cinzenta caiu em o jarro de a Hermione , enchendo os a todos de leite e penas . - Errol - gritou o Ron , puxando a coruja esfarrapada por as patas . Errol caíra inconsciente sobre a mesa com as pernas para o ar e um envelope vermelho húmido em o bico . - Oh , não ! - sobressaltou se Ron . - Ela está bem , ainda está viva - tranquilizou o Hermione , tocando suavemente em a Errol com a ponta de o dedo . - Não é isso , é ... aquilo . Ron apontava para o envelope vermelho . Parecera perfeitamente vulgar a Harry , mas Ron e Neville estavam ambos a observá o como_se esperassem que explodisse . - Qual é o problema ? - perguntou Harry . - Ela . Ela mandou me um * gritador * - disse Ron , quase sem voz . - É melhor abrires - aconselhou Neville em um murmúrio tímido - senão é pior . A minha avó uma_vez mandou me um que eu ignorei e ... - engoliu em seco - foi horrível . Harry olhava , ora para as suas caras , ora para o envelope vermelho . - O que é um * gritador * ? - perguntou . - Mas toda_a atenção de o Ron estava fixa em a carta que começara a fumegar por os cantos . - Abre a - intimou o Neville . - De aqui a poucos minutos já passou tudo . Ron estendeu uma mão trémula , retirou o envelope de o bico de a Errol e começou a abri o . Neville pôs os dedos em os ouvidos . Após uma fracção de segundo , Harry compreendeu porquê . Pensou em o primeiro momento que ela explodira . Um ruído ensurdecedor encheu o enorme salão , fazendo cair pó de o tecto . - ... : __ roubar o carro ! não me surpreendia nada se te expulsassem . espera só até te pôr as mãos em cima . será que não paraste para pensar em a nossa aflição quando vimos que o carro tinha __ desaparecido ... Os gritos de Mrs._Weasley , ampliados cem vezes em relação a o seu normal , fizeram os pratos e as colheres chocalhar em a mesa e ecoaram de forma ensurdecedora em as paredes de pedra . Vinha gente de todos os lados espreitar quem tinha recebido o * gritador * e Ron afundou se tanto em a cadeira que só se lhe via a testa carmesim . - ... : __ uma carta de o dumbledore ontem a a noite , o teu pai quase morria de vergonha . não foi esta a educação que te demos , tu e o harry podiam ter __ morrido ... Harry estava a ver quando é_que o seu nome viria a a baila . Tentou o melhor que pôde agir como_se não ouvisse a voz , mas aquilo estava a fazer com que os tímpanos lhe latejassem . - ... : __ profundamente decepcionada , o teu pai vai ter de se confrontar com um inquérito em o trabalho , tudo por tua culpa e , se pisas mais_uma_vez o risco , trago te para __ casa ! Seguiu se um silêncio ressonante . O envelope vermelho , que caíra de as mãos de o Ron , incendiou se e encaracolou se em cinzas . Harry e Ron estavam sentados de boca aberta , como_se uma onda gigante lhes tivesse passado por cima . Algumas pessoas riam e , a os poucos , o ruído de as conversas recomeçou . Hermione fechou o * _ Viagens com Vampiros * e olhou para o topo de a cabeça de Ron . - Bem , não sei o que esperavas , Ron , mas tu ... - Não me venhas dizer que mereci - interrompeu Ron . Harry afastou as papas de aveia . O estômago ardia lhe de culpa . Mr._Weasley tinha um inquérito em o trabalho , depois de tudo_o_que Mr. e Mrs._Weasley tinham feito por ele durante o Verão ... Mas não teve muito_tempo para se demorar em aqueles pensamentos . A professora Mc_Gonagall circulava em volta de as mesas de os Gryffindor distribuindo horários . Harry pegou em o seu e viu que começavam por ter Herbologia , juntamente com os Hufflepuff . Harry , Ron e Hermione saíram juntos de o castelo , atravessaram as hortas e chegaram a as estufas , onde estavam guardadas as plantas mágicas . O * gritador * tivera pelo_menos uma vantagem : Hermione parecia achar que já tinham sido suficientemente castigados e estava de_novo perfeitamente calorosa . Quando estavam a chegar a as estufas viram o resto de a classe de pé , cá fora , a a espera de a professora Sprout . Harry , Ron e Hermione tinham acabado de se lhes juntar quando a viram aproximar se a passos largos por o relvado , acompanhada de Gilderoy_Lockhart . A professora Sprout era uma bruxa pequenina e atarracada que usava um chapéu a os remendos sobre o cabelo solto . As roupas que vestia estavam sempre cheias de terra e as suas unhas fariam a tia Petúnia desmaiar . Gilderoy_Lockhart , pelo_contrário , tinha um ar imaculado em as suas vestes azul-turquesa , o cabelo doirado a brilhar debaixo_de um chapéu azul-turquesa , com uma fita dourada , perfeitamente posicionado sobre a cabeça . - Olá a todos ! - gritou Lockhart , dirigindo se a o grupo de estudantes . - Estive a mostrar a a professora Sprout a maneira correcta de tratar um salgueiro . Mas não quero que fiquem com a ideia de que sou melhor do_que ela em Herbologia . Acontece que encontrei várias de estas plantas exóticas , durante as minhas viagens .... - Estufa número três hoje , meninos ! - disse a professora Sprout que estava visivelmente descontente , bem diferente de a sua habitual natureza bem-disposta . Houve um murmúrio de interesse . Eles só tinham estado uma_vez em a terceira estufa , que era uma estufa que abrigava plantas bem mais interessantes e perigosas . A professora Sprout tirou uma enorme chave de o cinto e abriu a porta . Harry sentiu o bafo de a terra húmida com adubo misturado e o perfume forte de umas flores gigantescas , de o tamanho de guarda-chuvas , que estavam penduradas de o tecto . Ia seguir Ron e Hermione , quando a mão de o Lockhart o travou . -- Harry ! Tenho querido ter uma palavrinha contigo . Não se importa se ele chegar uns minutos atrasado , pois não , professora Sprout ? A julgar por a expressão carregada de a professora Sprout , importava se sim , mas Lockhart disse : - Então até já - e fechou a porta de a estufa em a cara de ela . - Harry ! - disse Lockhart , com os dentes brancos a brilharem a o sol , enquanto abanava a cabeça . - Harry , Harry , Harry ! Harry , totalmente perplexo , não disse uma palavra . - Quando ouvi dizer , bem , é claro que eu tive muita culpa , deviam castigar me também ... Harry não fazia ideia de que estava ele a falar , quando Lockhart prosseguiu : - Nunca me lembro de ficar tão chocado . Fazer voar um automóvel até Hogwarts ! Bem , é claro que eu percebi logo porque o fizeste . Foi um destaque em grande . Harry , Harry , Harry ! Era notável como ele conseguia mostrar todos aqueles dentes brilhantes , mesmo quando não estava a falar . - Criei te o gosto por a publicidade , não foi ? - perguntou Lockhart . - Passei te o bichinho . Apareceste comigo em a primeira página e não podias esperar para aparecer outra_vez ... - Oh , não , professor , sabe é_que ... - Harry , Harry , Harry - disse Lockhart aproximando se e tocando lhe em o ombro . - * _ Eu compreendo * . É natural querer um_pouco mais quando se lhe tomou o gosto , e eu culpo me por te ter dado esse conhecimento , porque era natural que te subisse a a cabeça , mas vê uma coisa , rapazinho , tu não podes começar a fazer voar carros para tentares ser notícia . Tens de acalmar , está bem ? Tens muito_tempo quando fores mais velho . Sim , sim , eu sei o que estás a pensar ! É fácil para ele falar assim , já é um feiticeiro internacionalmente famoso ! Mas quando eu tinha doze anos era tão zé-ninguém como tu és hoje . Em a verdade , era ainda mais . De ti , já meia_dúzia de pessoas ouviram falar , não é ? Toda aquela história com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . - Olhou para a cicatriz luminosa em a testa de Harry . - Eu sei , eu sei , não é o mesmo_que vencer o Prémio de o sorriso de o feiticeiro de a semana cinco vezes seguidas , como eu venci , mas é um começo , Harry , é um começo . Lançou lhe uma piscadela de olhos cordial e foi se embora . Harry ficou atarantado durante alguns segundos . Depois , lembrando se que deveria estar em a estufa , abriu a porta e esgueirou se lá para dentro . A professora Sprout estava de pé , por_detrás_de uma espécie de mesa em o meio de a estufa . Em cima de a mesa estavam cerca de vinte pares de abafo de ouvidos de diferentes cores . Quando Harry estava já em o seu lugar , entre Ron e Hermione , ela disse : - Hoje vamos transplantar Mandrágoras . Muito bem , quem sabe dizer me as propriedades de a Mandrágora ? Não foi surpresa para ninguém que a mão de a Hermione fosse a primeira em o ar . - A Mandrágora tem um efeito reparador muito poderoso - disse Hermione , com o ar mais normal de este mundo , como_se tivesse engolido o livro de texto . - É usada para fazer voltar as pessoas , que foram transfiguradas ou amaldiçoadas , a o seu estado original . - Excelente . Dez pontos para os Gryffindor ! - exclamou a professora Sprout . - A Mandrágora é parte integrante de a maior parte de os antídotos , mas também é perigosa . Quem sabe dizer me porquê ? A mão de Hermione por_pouco não bateu em os óculos de Harry , quando se ergueu de_novo . - O grito de a Mandrágora é fatal para quem o ouve - disse prontamente . - Precisamente . Dou lhe mais dez pontos - disse a professora Sprout . - Agora vejamos , as Mandrágoras que aqui temos são ainda muito jovens . Enquanto falava , apontou para uma fila de tabuleiros com uma certa profundidade e todos se chegaram a a frente para ver melhor . Cerca de uma centena de plantinhas tufosas de um verde arroxeado cresciam em filas . Pareceram perfeitamente vulgares a Harry , que não fazia a menor ideia do_que Hermione queria dizer com o * grito * de a Mandrágora . - Cada_um de vocês pode tirar um par de abafo de ouvidos - disse a professora Sprout . Houve uma competição renhida porque ninguém queria os cor-de-rosa , cheios de penugem . - Quando eu vos disser para os colocar , assegurem se de que os vossos ouvidos estão completamente tapados - disse a professora Sprout . - Logo_que seja seguro retirá os , eu levanto os dedos . Certo , pôr os abafos de os ouvido . Harry pôs imediatamente os abafos em os ouvidos . Eles fecharam completamente o som . A professora Sprout colocou também um par de abafos cor-de-rosa com penugem em os de ela , arregaçou as mangas de a túnica , agarrou uma de as plantas tufosas e puxou com toda_a força . Harry soltou um grito de surpresa que ninguém ouviu . Em_vez_de raízes , um bebé pequenino , enlameado e extremamente feio , saiu de a terra . As folhas cresciam lhe em o alto de a cabeça , tinha uma pele pintalgada de um pálido esverdeado e estava nitidamente a berrar a plenos pulmões . A professora Sprout tirou debaixo de a mesa um grande vaso de plantas e mergulhou lá dentro a Mandrágora , enterrando a em a mistura escura e húmida , até que só as folhas ficassem visíveis . Em seguida , limpou a terra de as mãos , levantou os dedos e todos eles retiraram os abafos de os ouvidos . - Como as nossas Mandrágoras são muito novas , os seus gritos ainda não matam - disse ela com grande calma , como_se tivesse feito algo tão normal como regar uma begónia . - Contudo , podem pôr vos a dormir durante várias horas e , como com certeza nenhum de vocês quer perder o primeiro dia de aulas , vejam se os abafos estão bem colocados enquanto trabalham . Eu chamarei vos a atenção quando for altura de os retirar . - Quatro em cada fila , há aqui uma grande quantidade de vasos , a mistura de terra está em os sacos ali a o fundo e tenham cuidado com a * _ Venomous_Tentacula * , estão a nascer lhe os dentes . Enquanto falava , deu uma pancada seca a uma planta vermelha escura cheia de pontas eriçadas , fazendo a encolher as longas antenas que tinham estado a avançar lenta e dissimuladamente sobre o seu ombro . A Harry , Ron e Hermione veio juntar se em a fila um rapaz de cabelo encaracolado de os Hufflepuff que Harry conhecia de vista , mas com quem nunca tinha falado . - Justin_Finch - _ Fletchey - disse ele com vivacidade , apertando a mão de o Harry . - Conheço te , claro , o famoso Harry_Potter ... e tu és a Hermione_Granger , sempre a primeira em tudo ( Hermione brilhou em um sorriso , como_se ele lhe tivesse apertado a mão ) e Ron_Weasley . Não era teu o carro voador ? Ron não sorriu . Não lhe saía de a cabeça o * gritador * . - Aquele Lockhart é o_máximo , não acham ? - disse Justin satisfeito , enquanto começavam a encher os vasos com composto de adubo de dragão . - Terrivelmente corajoso . Leram os livros de ele ? Eu teria morrido de medo se um lobisomem me tivesse encurralado em uma cabina telefónica , mas ele manteve se calmo e ... zap ... fantástico ! « Eu estava inscrito em Eton , sabem , não imaginam como estou feliz de ter vindo antes para aqui . É claro que a minha mãe ficou um_pouco desiludida , mas depois de lhe ter dado os livros de Lockhart a ler , tenho a impressão de que ela começou a ver a utilidade de ter um feiticeiro bem treinado em a família ... Depois de isso , não tiveram grandes oportunidades para conversar . Voltaram a pôr os abafos de ouvidos e era preciso concentrarem se em as Mandrágoras . A professora Sprout fizera as coisas parecerem extremamente simples , mas não eram . As Mandrágoras não gostavam de sair de a terra mas também não pareciam querer voltar para lá . Elas contorceram se , deram pontapés , agitaram as mãozinhas finas e rangeram os dentes . Harry levou dez minutos inteirinhos a tentar meter uma Mandrágora particularmente gorda dentro_de um vaso . Em o final de a aula , Harry , como todos os outros , estava a suar , cheio de dores e coberto de terra . Regressaram a o castelo a pé para um banho rápido e , em seguida , os Gryffindor apressaram se para assistir a a aula de transfiguração . As aulas de a professora Mc_Gonagall eram sempre complicadas , mas a de aquele dia era particularmente difícil . Tudo_o_que o Harry aprendera em o ano anterior parecia ter se lhe apagado de a memória durante o Verão . Ele deveria ser capaz de transformar uma barata em um botão , mas , tudo_o_que conseguiu foi fazer a barata praticar um imenso exercício , enquanto corria apressadamente por o tampo de a secretária evitando a varinha . Ron estava a debater se com problemas bastante piores . Tinha atado a varinha com uma fita mágica , mas parecia que não havia reparação possível . Não parava de crepitar e lançar faíscas em os momentos mais estranhos e , sempre_que Ron tentava transfigurar a barata , via se envolvido em um fumo cinzento espesso que cheirava a ovos podres . Incapaz de ver o que estava a fazer , o Ron esmagou , por engano , a barata com o cotovelo e teve de ir pedir que lhe dessem outra , o que deixou a professora Mc_Gonagall muito pouco satisfeita . Harry ficou aliviado quando ouviu tocar a campainha para o almoço . Sentia a cabeça como uma esponja espremida . Todos os alunos saíram em fila de a aula excepto ele e Ron que dava furiosas varadas em a secretária . - Coisa estúpida e inútil . - Escreve a os teus pais a pedir outra - sugeriu Harry , enquanto a varinha disparava com estrondo um foguete explosivo . - Ah pois , e receber outro * gritador * em a volta de o correio - respondeu Ron , metendo a varinha que já assobiava , dentro de o saco . - * _ A culpa é toda tua se a varinha está estragada * ... Desceram para o almoço e aí a disposição de o Ron não iria melhorar com Hermione a mostrar lhe uma mão-cheia de botões de casaco , perfeitinhos , que produzira em a transfiguração . - O que temos esta tarde ? - quis saber Harry , mudando rapidamente de assunto . - Defesa contra as artes negras - disse Hermione , sem perder tempo . - Porque é_que tu ... - perguntou Ron , pegando em o horário de ela - desenhaste corações em volta de as aulas de o Lockhart ? Hermione arrancou lhe o horário de as mãos , corando furiosa . Acabaram de almoçar e foram para o pátio carregado de nuvens . Hermione sentou se em um degrau de pedra e enfiou de_novo o nariz em as * _ Viagens com Vampiros * . Harry e Ron ficaram a falar de Quidditch durante alguns minutos antes de Harry se aperceber de que estava a ser observado de perto . Olhando para_cima viu o rapazinho pequenino com cabelo de rato que ele vira experimentar o chapéu seleccionador em a noite anterior , olhando para ele com uma expressão petrificada . Estava agarrado a o que parecia ser uma vulgar máquina fotográfica de os Muggles e , em o momento em que Harry olhou para ele , ficou todo vermelho . - Tudo bem , Harry ? Eu sou Colin_Creevey - disse , faltando lhe o ar e adiantando se a qualquer pergunta . - Estou em os Gryffindor também . Não te importavas que eu tirasse uma fotografia ? - perguntou , levantando a máquina cheio de expectativa . - Uma fotografia ? - repetiu Harry , inexpressivo . - Para eu provar que te conheci - disse Colin_Creevey cheio de ansiedade , continuando : - Eu sei tudo a teu respeito . Toda_a_gente me tem contado como sobreviveste quando O_Quem nós sabemos tentou matar te , como ele desapareceu depois de isso e como ficaste com a cicatriz em forma de relâmpago em a testa ( os seus olhos procuraram a linha de cabelo de Harry ) e um rapaz de o meu dormitório disse que se eu revelasse o filme em a posição certa ele mexia . - Colin respirou fundo , estremecendo de excitação e disse : - Isto_é fantástico , aqui , não achas ? Eu não sabia que todas_as coisas estranhas que fazia eram magia até a o dia em que recebi uma carta de Hogwarts . O meu pai é leiteiro . Também ele não queria acreditar . Por isso estou a tirar montes de fotografias para lhe mandar e era mesmo bom se tivesse uma tua - parecia implorar . - Talvez o teu amigo pudesse tirá a e assim eu ficava a o teu lado . E depois , podias assiná a ? - Assinar fotografias ? Estás a dar fotos autografadas , Potter ? Alta e mordaz , a voz de Draco_Malfoy ecoou em o pátio . Estava parado mesmo atrás_de Colin , ladeado , como sempre andava em Hogwarts , por os seus fortes guarda-costas Crabbe e Goyle . - Ei gente , façam bicha - gritou Malfoy a a multidão . - Harry_Potter está a dar fotos autografadas ! - Não estou coisa nenhuma - disse Harry , zangado , com os punhos em o ar . - Cala a boca , Malfoy . - Tu tens é inveja - começou a dizer Colin , cujo corpo era de o tamanho de o pescoço de Crabbe . - Inveja - repetiu Malfoy que não precisava de gritar mais , metade de o pátio estava a ouvi o . - De quê ? Não preciso de uma cicatriz em a cabeça , muito obrigado . Não acho que ter um corte em a testa torne alguém especial . Crabbe e Goyle riram estupidamente - Vai pastar caracóis , Malfoy - disse o Ron furioso . Crabbe parou de rir e começou a esfregar os nós de os dedos enormes de uma forma ameaçadora . - Tem cuidado , Weasley - escarneceu Malfoy . - Com certeza não queres começar uma rixa ou a tua mãezinha tem de vir cá para te tirar de a escola - e com uma voz aguda e penetrante : - * _ Se voltas a pisar o risco * ... Um grupo de alunos de o quinto ano de os Slytherin que estava ali perto , riu se bastante alto . - O Weasley gostaria de ter uma foto tua autografada , Potter - escarneceu de_novo Malfoy . - Era capaz de valer mais do_que a casa onde ele mora com a família . Ron sacou de a sua varinha amarrada com fita , mas Hermione fechou as * Viagens com Vampiros * com um estrondo e avisou : - Atenção . - O que é isto , o que é isto ? - Gilderoy_Lockhart aproximava se com o seu manto azul-turquesa girando em torvelinho atrás de ele . - Quem está a dar fotos autografadas ? Harry ia começar a explicar , mas foi interrompido quando Lockhart lhe pôs jovialmente o braço em cima de os ombros . - Mas que pergunta a minha ! Cá estamos nós de_novo , Harry ! Preso ao_lado_de Lockhart e a arder de humilhação , Harry viu Malfoy deslizar com o seu sorriso desdenhoso por o meio de a multidão . - Vamos lá então , Mr._Creevey - disse Lockhart , dirigindo se a Colin . - Uma foto dupla , já viu a sua sorte ? E assinamos a os dois para si . Colin ajustou a máquina e tirou a fotografia em o preciso momento em que a campainha tocava para as aulas de a tarde . - Está em a hora , todos para dentro - gritou Lockhart a a multidão e regressou a o castelo levando a o seu lado o Harry que só lamentava não conhecer um feitiço que o fizesse desaparecer . - Uma palavra só , Harry - disse Lockhart paternalmente , enquanto entravam em o edifício por uma porta lateral . - Eu ajudei te há bocado com o jovem Creevey porque se ele estivesse a fotografar me também a mim os teus colegas não reparariam tanto que estavas a exibir te ... Indiferente a a gaguez de Harry , Lockhart arrastou o para um corredor ladeado de alunos que os olhavam espantados e subiram uma escada . - Deixa me só dizer te uma coisa : dar fotografias autografadas em esta fase de a tua carreira , francamente , não é sensato , Harry , parece um_pouco megalómano . Pode ser que um dia mais tarde , tal_como eu , sejas obrigado a assinar para multidões onde quer que vás , mas - fez uma pequena pausa - não me parece que seja o caso , por enquanto . Tinham chegado a a aula de Lockhart e ele largou finalmente o Harry que sacudiu a túnica e foi sentar se em um lugar bem lá atrás onde começou por empilhar os livros de Lockhart a a sua frente para evitar olhar para a criatura . O resto de a aula entrou ruidosamente e Ron e Hermione foram sentar se um de cada lado de Harry . - Tu estavas vermelho como um pimentão - disse o Ron . - Reza para que o Creevey não se torne amigo de a Ginny senão bem podem criar o clube de * fans * de Harry_Potter . - Cala a boca - interrompeu Harry . A última coisa que desejava era que o Lockhart ouvisse a expressão « clube de * fans * de Harry_Potter « . Quando todos estavam em os seus lugares , Lockhart pigarreou alto e fez se silêncio . Ele inclinou se para a frente , pegou em o exemplar de Neville_Longbottom de * _ viagens com Duendes * e levantou o para mostrar a sua fotografia a piscar os olhos em a capa . - Eu - disse apontando para a fotografia e piscando também os olhos - Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , terceiro ano , membro honorário de a Liga_de_Defesa contra as artes negras e cinco vezes vencedor de o prémio de o * _ Feiticeiro de a semana * por o sorriso mais charmoso . Mas não vamos falar de isso , não venci a fada carpideira de Bandon a sorrir para ela ! Esperou que eles se rissem . Alguns alunos sorriram timidamente . - Já vi que todos vocês compraram a minha obra completa . Muito bem . Pensei começar hoje com um pequeno interrogatório escrito . Nada de complicado , só para perceber se leram bem os meus livros e o que apreenderam ... Depois de distribuir as folhas de teste voltou se para os alunos e disse : - Têm trinta minutos . Comecem já . Harry olhou para o papel e leu : *1 . Qual é a cor preferida de Gilderoy_Lockhart ? *2 . Qual é a ambição secreta de Gilderoy_Lockhart ? *3 . Qual é , em a sua opinião , a maior realização de Gilderoy_Lockhart até a o momento ? * E_por_aí adiante , ao_longo_de três páginas , terminando com : *54 . Qual é o dia de aniversário de Gilderoy_Lockhart e qual seria o seu presente preferido ? * Meia_hora mais tarde , Lockhart recolheu os pontos e folhou os rapidamente em frente de os alunos . - Tut , tut , quase ninguém se lembrou que a minha cor preferida é o lilás . Eu digo o em * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves * . Alguns precisam de voltar a ler com mais cuidado * Fim-de - _ Semana com Um Lobisomem * . Eu afirmo claramente em o décimo segundo capítulo que o meu presente de aniversário preferido seria a harmonia entre todos os seres , mágicos e não mágicos , embora não me importasse de receber uma garrafa grande de * whisky * velho de a Ogden's_Old_Firewhisky . Piscou lhes o olho de_novo . Ron olhava para Lockhart com uma expressão de incredulidade em o rosto . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas que estavam sentados a a frente tremiam de tanto conter o riso . Hermione , contudo , ouvia Lockhart com extrema atenção e deu um salto quando ouviu o seu nome . - Mas Miss_Hermione_Granger sabia que a minha ambição secreta era libertar o mundo de o mal e pôr a a venda a minha gama de poções de tratamento de o cabelo . Muito bem - voltou o papel . - Nota máxima ! Onde está Miss_Hermione_Granger ? Hermione ergueu uma mão trémula . - Excelente - bradou Lockhart , exultante . - Leva dez pontos para os Gryffindor . E vamos a o trabalho . Baixou se atrás de a secretária e pegou em uma grande gaiola coberta . - Ficam desde_já a saber , a minha função é preparar vos contra as criaturas mais malignas que a feitiçaria conhece . Vocês podem ter que enfrentar os maiores medos em esta sala . Saibam que nenhum mal vos sucederá comigo aqui . Só vos peço que se mantenham calmos . Ultrapassando os seus sentimentos , Harry espreitou através de a pilha de livros para ver melhor a gaiola . Lockhart colocou uma mão em a tampa . Dean e Seamus tinham deixado de se rir . Neville estava agachado em o seu lugar de a fila de a frente . - Vou pedir vos que não façam barulho - disse Lockhart em voz baixa . - Podem assustá os . Enquanto a aula inteira continha a respiração , Lockhart tirou a cobertura . - Sim - disse em um tom dramático . - Duendes_da_Cornualha recém-capturados . Seamus_Finnigan não conseguiu controlar se . Soltou uma gargalhada que nem Lockhart poderia confundir com um grito de terror . - Sim ? - sorriu a Seamus . - Bem , eles não são , não são perigosos , pois não ? - perguntou a rir . -- Não tenhas tanta certeza de isso - afirmou Lockhart , aborrecido , abanando um dedo , em direcção a Seamus . - Podem ser maçadores e muito traiçoeiros . Os duendes eram de um azul-eléctrico e tinham cerca de vinte centímetros de altura com feições angulosas e umas vozes tão estridentes que era como ouvir uma discussão entre araras . Logo_que o pano foi retirado , começaram a fazer uma enorme algazarra , a andar de um lado para o outro , batendo em as grades e fazendo caretas a as pessoas que estavam mais perto . - Muito bem - disse Lockhart em voz alta . - Vamos então ver o que vocês conseguem fazer de eles - e abriu a gaiola . Foi um pandemónio . Os duendes dispararam em todas_as direcções como foguetes . Dois de eles agarraram o Neville por as orelhas e levantaram o a o ar . Vários outros foram direitos a a janela , fazendo chover vidros partidos até a a fila de trás . Os restantes decidiram destruir a sala com maior eficácia do_que um rinoceronte em fúria . Agarraram em os tinteiros e salpicaram tudo em volta , rasgaram a os bocados livros e papéis , arrancaram os quadros de as paredes , levantaram a o ar a gaiola vazia , agarraram livros e sacos e lançaram nos por a janela de vidros estilhaçados . Em poucos minutos , metade de a aula estava abrigada debaixo de as secretárias e o Neville pendurado em o candelabro de o tecto . - Vamos lá , agarrem nos , agarrem nos , são apenas duendes ... - gritava Lockhart . Arregaçou as mangas , bramiu a varinha e pronunciou * Peshipiksi_Pesternomi ! * As palavras não tiveram o menor efeito . Um de os duendes pegou em a varinha de Lockhart e atirou a também por a janela fora . Lockhart engoliu em seco e mergulhou debaixo de a secretária , não sendo , por um triz , esmagado por o Neville que caiu um segundo depois , quando o candelabro cedeu . A campainha tocou e houve uma louca precipitação para a porta . Em a calma relativa que se seguiu , Lockhart endireitou se , olhou para Harry , Ron e Hermione que estavam quase a chegar a a porta e disse : - Bem , vou pedir vos a os três que prendam o resto de os duendes em a gaiola - passou por eles e fechou rapidamente a porta atrás_de si . - Isto dá para acreditar ? - resmungou o Ron , enquanto um de os duendes lhe mordia com toda_a força uma de as orelhas . - Ele só quer dar nos uma ajuda , permitindo nos ganhar experiência - justificou Hermione , imobilizando dois duendes de uma_vez com um encantamento de paralisação e metendo os de_novo em a gaiola . - Experiência ? - disse Harry , tentando agarrar um duende que dançava com a língua de_fora . - Hermione , ele não sabia nada do_que estava a fazer . - Disparate - retorquiu Hermione . - Leste os livros de ele . Vê só as coisas que ele já fez ! - Que diz que fez - resmungou o Ron . VII_Sangue de lama e murmúrios Harry passou imenso tempo , em os dias que se seguiram , a fugir sempre_que via Gilderoy_Lockhart aproximar se em o corredor . Mais difícil de evitar era Colin_Creevey que parecia ter decorado o horário de Harry . Parecia que nada o emocionava mais do_que dizer : - Tudo bem , Harry ? - seis ou sete vezes por dia e ouvir : - Olá , Colin - por mais exasperado que Harry estivesse quando lhe respondia . A Hedwig ainda estava zangada com Harry por causa de a desastrosa viagem de automóvel e a varinha de o Ron continuava a não funcionar , tendo ultrapassado tudo em a sexta-feira de manhã quando lhe saltou de as mãos em a aula de encantamentos e foi agredir o velho e baixinho professor Flitwick mesmo entre os olhos , deixando uma enorme bolha latejante em o sítio onde tinha batido . Por tudo_isso Harry via chegar , com satisfação , o fim_de_semana Planeava ir em o Sábado de anhã , com Ron e Hermione visitar o Hagrid . Mas foi acordado várias horas mais cedo do_que desejaria por Oliver ood , treinador de a equipa de Quidditch_dos_Gryffindor . - _ o que é_que se passa ? - perguntou Harry , enrolando as palavras . - Treino_de_Quidditch - disse Wood . - Vamos embora . Harry lançou um olhar de esguelha a a janela . Uma neblina fina pairava em o céu rosa e dourado . Agora_que estava acordado não percebia como pudera dormir com a algazarra que os pássaros faziam . - Oliver resmungou Harry . - É de madrugada . - Exacto - respondeu Wood . Era um rapaz alto e corpulento de o sexto ano e em aquele momento os olhos brilhavam lhe loucamente de entusiasmo . - Faz parte de o nosso novo programa de treinos . Anda lá , vai buscar a vassoura e vamos embora - insistiu Wood empenhado . - Nenhuma de as outras equipas começou ainda a treinar . Vamos ser os primeiros este ano ... A bocejar e a tremer um_pouco , Harry saltou de a cama e tentou descobrir as suas túnicas de Quidditch . - Bem , encontramo nos em o campo , dentro_de quinze minutos . Depois de descobrir a sua roupa escarlate de equipa e pôr o manto por cima para se aquecer , Harry escreveu a o Ron um bilhete a explicar onde tinha ido e desceu por a escada de espiral para a sala comum com a sua Nimbos dois inil a o ombro . Tinha acabado de chegar junto de o buraco de o retrato quando ouviu um barulho atrás_de si e viu Colin_Creevey descer a escada de espiral com a máquina fotográfica pendurada a o pescoço a balouçar como louca e uma coisa em a mão . - Ouvi alguém chamar o teu nome em as escadas , Harry olha o que tenho aqui . Revelei a e queria mostrar te . Harry olhou assombrado para a fotografia que Colin lhe espetava em frente de o nariz . Um Lockhart a preto e branco movia se , puxando com toda_a força um braço que Harry reconheceu como sendo o seu . Ficou satisfeito a o constatar que estava a resistir bastante bem , recusando se a ser trazido para a vista de todos . Enquanto Harry observava , Lockhart desistiu e desinteressou se de lutar contra a parte branca de a fotografia . - Assinas para mim ? - pediu Colin entusiasmado . - Não - respondeu secamente Harry , olhando em volta para verificar se o caminho estava livre . - Desculpa_Colin , mas estou cheio de pressa , treino de Quidditch . Passou por o buraco de o retrato . - Oh Uau ! Espera por mim . Eu nunca vi um jogo de Quidditch . Colin trepou por o buraco de o retrato atrás de ele . - Vai ser uma chatice para ti - disse Harry rapidamente , mas Colin ignorou o comentário . Todo o seu rosto brilhava de satisfação . - Tu foste o jogador mais novo de a equipa em cem anos , não foste Harry ? Não foste ? - perguntava Colin , trotando para o acompanhar . - Deve ser fantástico . Eu nunca voei . É fácil ? Essa vassoura é a tua ? É a melhor que há ? Harry não sabia como ver se livre de ele . Era como ter uma sombra que não se calava . - Eu não percebo nada de Quidditch - disse Colin , já sem fôlego . - É verdade que há quatro bolas ? E que duas anda n a voar , tentando fazer os jogadores caírem de as vassouras ? - Sim - disse Harry lentamente , resignado com o ter de lhe explicar as complicadas regras de o Quidditch . - São as * bludgers * . Há dois * beaters * em cada equipa que têm bastões para bater em as * bludgers * e lançá as para o outro lado . O Fred e o George_Weasley são os * beaters * de os Gryffindor . - E para que servem as outras bolas ? - perguntou Colin , saltando uma série de degraus porque ia a olhar para o Harry de boca aberta . - Bem , a * quaffle * , que é a vermelha grandalhona , é a que marca os golos . Três * chasers * em cada equipa lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam fazes a entrar em as balizas que ficam em o extremo de o campo onde há três grandes postes com argolas em as pontas . - E a quarta bola ? - A * snitch * dourada - explicou Harry . - É muito pequenina e veloz e extremamente difícil de agarrar . Mas é isso que o * seeker * tem de fazer , porque o jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * for agarrada . E o * seeker * que conseguir agarrá a ganha para a sua equipa mais cento_e_cinquenta pontos . - E tu és o * seeker * de os Gryffindor , não és ? - perguntou Colin respeitosamente . - Sim - disse Harry enquanto saíam de o castelo e começavam a atravessar o relvado . - E há também o * keeper * que toma conta de os postes . É isto . Mas Colin não parou de fazer perguntas desde os relvados macios até a o campo de Quidditch e Harry só se viu livre de ele quando chegaram a os vestiários . Colin gritou em uma voz aguda : - Eu vou arranjar um lugar , Harry - e apressou se em direcção a as bancadas . O resto de a equipa de os Gryffindor já se encontrava em os vestiários . Wood era o único que tinha aspecto de estar bem acordado . Fred e George_Weasley estavam sentados com olhos de sono e cabelos desgrenhados junto de Alicia_Spinnet de o quarto ano que parecia inclinar se contra a parede que tinha atrás_de si . Os seus companheiros * chasers * , Katie_Bell e Angelina_Johnson bocejavam em frente de ela . - Até que enfim , Harry , porque é_que demoraste tanto ? - perguntou Wood cheio de actividade . - Eu queria ter uma pequena conversa convosco antes de entrarmos propriamente em campo porque passei o Verão a conjecturar um novo programa de treinos que acredito vai estabelecer grandes mudanças . Wood tinha em as mãos um grande mapa de um campo de Quidditch onde estavam desenhadas muitas linhas , setas e cruzes a tinta de várias cores . Pegou em a varinha , bateu com ela em o quadro e as setas começaram a mover se em o mapa como tractores . Enquanto Wood se lançava em um discurso sobre as suas novas técnicas , a cabeça de Fred_Weasley caiu sobre o ombro de Alicia_Spinnet e ele começou a ressonar . O primeiro mapa levou quase vinte minutos a explicar , mas debaixo de esse havia outro e ainda um terceiro . Harry caiu em uma letargia enquanto Wood continuava indefinidamente . - Então - disse por fim o treinador , arrancando Harry de a avidez de uma fantasia sobre o que poderia estar a comer se se encontrasse em aquele momento em o castelo . - Ficou tudo claro ? Alguma pergunta ? - Eu tenho uma pergunta , Oliver - disse George que acordou estremunhado . - Porque não nos explicaste tudo_isso ontem , quando estávamos acordados ? Wood não ficou nada satisfeito . - Ouçam bem , vocês todos - disse , voltando se para eles mal-humorado . - Nós deveríamos ter ganho a taça de Quidditch o ano passado . Somos de longe a melhor equipa , mas , infelizmente , devido_a circunstancias que estão para_além de o nosso controlo ... Harry mudou de posição em a cadeira sentindo se culpado . Estivera inconsciente em o hospital durante o campeonato final de o ano anterior o que fez com que os Gryffindor com um jogador a menos tivessem sofrido a pior derrota de os últimos trezentos anos . Wood levou um momento a controlar se . Era evidente que a última derrota ainda o torturava . - Portanto , este ano vamos fazer um treino mais duro , como nunca se fez . O. _ K. , vamos lá pôr as teorias em prática - gritou , pegando em a vassoura e conduzindo os para fora de o vestiário . Com as pernas trôpegas e ainda a bocejar , a equipa seguiu o . Tinham estado tanto tempo lá dentro que o sol já tinha nascido e brilhava em o céu embora uma réstia de neblina pairasse ainda sobre o relvado de o campo . Quando Harry entrou em campo viu Ron e Hermione sentados em as bancadas . - Ainda não acabaram ? - perguntou Ron em um tom incrédulo . - Ainda nem começamos - explicou Harry , olhando cheio de inveja para a torrada com doce de laranja que Ron e Hermione tinham trazido de o salão . - O Wood tem estado a ensinar nos as jogadas . Subiu para a vassoura e deu um pontapé em o chão , elevando se em o ar . O ar fresco de a manhã bateu lhe em o rosto fazendo o acordar com mais eficácia do_que o longo discurso de Wood . Era maravilhoso voltar a estar em o campo de Quidditch . Voou em volta de o estádio a toda a a velocidade competindo com Fred e George . - Que barulhinho estranho é aquele ? - perguntou o Fred quando deram a volta . Harry olhou para as bancadas . Colin estava sentado em um de os lugares mais altos com a máquina fotográfica em o ar , tirando fotografia sobre fotografia , o som estranhamente ampliado em o estádio deserto . - Olha para ali , Harry , para ali - gritava de forma estridente . - Quem é aquele ? - perguntou Fred . - Não faço ideia - mentiu Harry , disparando a_toda_a velocidade e distanciando se o mais possível de Colin . - O que se passa aí ? - perguntou Wood , franzindo a testa enquanto corria por os ares atrás de eles . - Porque está aquele aluno de o primeiro ano a tirar fotografias ? Não me agrada . Pode ser um espião de os Slytherin a tentar descobrir o nosso novo programa de treinos . - Ele é de os Gryffindor - disse Harry rapidamente . - E os Slytherin não precisam de um espião , Oliver - completou George . - Porque dizes isso ? - perguntou Wood irritado . - Porque estão aqui em peso - disse George , apontando com o dedo . Vários indivíduos com túnicas verdes vinham em aquele momento a entrar em o campo de vassouras em a mão . - Não posso acreditar - reagiu Wood , sentindo se ultrajado . - Eu reservei o estádio para hoje . Já vamos ver como é_que isto fica ! Wood baixou direito a o chão sendo levado por a fúria a aterrar com mais força do_que pretendia e a cambalear um_pouco quando começou a andar seguido de o Harry e de o Ron . - Flint - bradou para o treinador de os Slytherin . - Este é o nosso tempo de treino . Levantámo nos de propósito . Vocês têm de sair de aqui . Marcus_Flint era ainda mais corpulento do_que Wood . Tinha em o rosto uma expressão de duende travesso quando respondeu : - Há espaço para todos , Wood . Angelina , Alicia e Katie tinham vindo também . Em a equipa de os Slytherin não havia raparigas que enfrentassem a o lado de os rapazes os Gryffindor . - Mas eu reservei o estádio - repetiu Wood de modo afirmativo , cuspindo de raiva . - Reservei o . - Ah ! - exclamou Flint . - Mas eu tenho aqui uma licença especial assinada por o professor Snape . * _ Eu , professor Snape , autorizo a equipa de os Slytherin a praticar hoje em o campo de Quidditch devido a a necessidade de treinar o seu novo seeker . * - Têm um novo * seeker * ? - perguntou Wood perturbado . - Onde ? E detrás de as seis figuras corpulentas que tinham em a frente , viram surgir uma sétima : um rapaz mais pequeno com um sorriso afectado espelhado em o rosto pálido e anguloso . Era_Draco_Malfoy . - Não és o filho de o Lucius_Malfoy ? - perguntou Fred , olhando para ele com antipatia . - Curioso que refiras o pai de o Draco - disse Flint enquanto toda_a equipa de os Slytherin sorria de modo grosseiro . - Deixem me mostrar vos a generosa oferta que ele fez a a equipa de os Slytherin . Os sete exibiram as suas vassouras . Sete cabos novos , polidos , com inscrições em letras douradas de as palavras « Nimbus dois_mil_e_um « brilharam a o sol de a manhã , em frente de o nariz de os Gryffindor . - O último modelo . Só chegou em o mês passado - disse Flint , displicentemente , sacudindo a poeira de o cabo de a sua vassoura . - Julgo que ultrapassam de longe as velhas séries de dois_mil . Quanto a as Cleansweeps - sorriu de forma mesquinha para Fred e George que tinham ambos Cleansweep_Fives - essas já só servem para varrer . Nenhum de os Gryffindor foi capaz de abrir a boca em aquele momento . Malfoy sorria tanto que os seus olhos de gelo estavam reduzidos a duas rachas . - Oh vejam - disse Flint . - Uma invasão de o campo . Ron e Hermione atravessavam o relvado para ver o que se passava . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron a o Harry . - Porque não estão a jogar e o que faz ele aqui ? Olhava para Malfoy em as suas vestes de Quidditch . - Sou o novo * seeker * de os Slytherin , Weasley - disse Malfoy com ar presumido . - Têm estado todos a admirar as vassouras que o meu pai comprou para a nossa equipa . Ron olhou de boca aberta para as sete vassouras que tinha em a frente . - São boas , não são ? - disse Malfoy untuosamente . - Mas talvez a equipa de os Gryffindor consiga levantar algum ouro e comprar também vassouras novas . Vocês podiam levar essas Cleansweep_Fives a leilão , talvez algum museu esteja interessado . A equipa de os Slytherin riu se a bandeiras despregadas . - Pelo_menos em os Gryffindor ninguém teve de comprar a sua entrada - disse secamente Hermione . - Entraram todos por mérito próprio . O ar presumido de Malfoy desapareceu . - Ninguém pediu a tua opinião , sangue de lama - cuspiu Malfoy . Harry apercebeu se , de imediato , que Malfoy dissera algo muito grave porque houve uma tremenda algazarra em o seguimento de as suas palavras . Flint teve que se pôr a a frente de o Malfoy para evitar que Fred e George se atirassem a ele . Alicia bradou : - Como te atreves ? - E Ron meteu a mão em as vestes e sacou de a varinha mágica , gritando : - Vais pagar por o que disseste , Malfoy ! - e apontou a , furioso , por debaixo de o braço de Flint , a o rosto de Malfoy . Um enorme estrondo , ecoou em o estádio e um jacto de luz verde saiu por a extremidade errada de a varinha de Ron , atingindo o em o estômago e projectando o para trás em direcção a o relvado . - Ron ! Ron ! Estás bem ? - gritou Hermione . Ron abriu a boca para falar , mas nenhuma palavra saiu . Em vez de isso , teve um vómito imenso e várias lesmas saíram lhe de a boca , indo cair lhe em o colo . A equipa de os Slytherin ficou paralisada de riso . Flint estava dobrado , agarrado a a vassoura nova . Malfoy , a quatro , batia com o punho em a chão . Os Gryffindor rodeavam o Ron , que continuava a vomitar lesmas enormes e reluzentes . Ninguém queria tocar lhe . - É melhor levá o para_casa de o Hagrid . É o mais perto - disse Harry_a_Hermione , que acenou afirmativamente , e os dois arrastaram o Ron por os braços . - O que aconteceu , Harry ? O que aconteceu ? Ele está doente ? Mas tu podes curá o , não podes ? - Colin descera a correr de o lugar onde estava sentado e dançaricava em frente de eles , enquanto abandonavam o campo . Ron teve um novo arremesso e mais lesmas saíram de a sua boca . - Oooh ! - exclamou Colin fascinado , levantando a máquina fotográfica . - Podes mantê o quieto , Harry ? - Sai de a minha frente , Colin - gritou Harry zangado . Ele e a Hermione conseguiram levar o Ron para fora de o estádio , atravessar os campos e chegar a a beira de a floresta . - Está quase , Ron - disse Hermione , mal avistaram o casebre de o guarda de os campos . - Vais ficar bem dentro_de um minuto ... está quase ... Estavam a sessenta metros de a casa de Hagrid , quando a porta de a frente se abriu . Mas não foi Hagrid quem saiu de lá , e sim Gilderoy_Lockhart , em uma túnica cor de malva . - Rápido , vamos esconder nos aqui - sussurrou Harry , arrastando Ron para trás de um arbusto que havia ali perto . Hermione acompanhou o , embora um_pouco relutante . -- É muito simples quando se sabe o que se está fazer ! - gritava Lockhart_para_Hagrid . - Se precisar de ajuda , sabe onde estou . Vou dar lhe um exemplar de o meu livro . Espanta me que ainda não o tenha . Logo a a noite autografo o e envio lhe o . Bem . até a a próxima ! - e afastou se em direcção a o castelo . Harry esperou que Lockhart desaparecesse , antes de puxar o Ron de trás de o arbusto até a a casa de o Hagrid . Bateram ansiosamente . Hagrid apareceu logo com um ar mal-humorado , que se dissipou quando viu quem era . - Já me tinha perguntado quand'é que vocês vinham ver me , entrem , entrem , pensei qu'era outra_vez o professor Lockhart . Harry e Hermione ajudaram Ron a subir o degrau que dava acesso a a cabana de uma divisão com uma cama enorme a um de os cantos e uma lareira a crepitar alegremente em o outro . Hagrid não pareceu perturbado com o problema de as lesmas de o Ron que Harry lhe explicou precipitadamente , logo_que sentou o Ron em uma cadeira . - Melhor saírem de o qu'entrarem - disse , em um tom bem-disposto , colocando uma grande bacia de cobre em frente de ele . - Deita as todas fora , Ron . - Acho que não há mais_nada a fazer , a não ser esperar que isto pare - disse Hermione ansiosamente , vendo Ron inclinar se para a bacia . - É uma maldição muitas_vezes difícil , mas com uma varinha partida ... Hagrid andava de um lado para o outro a preparar o chá . O cão de ele , Fang , babava se em cima de o Harry . - O que é_que o Lockhart queria de ti ? - perguntou o Harry , coçando as orelhas de o Fang . - Ensinar me a tirar espíritos aquáticos com forma de cavalos d'uma nascente d'água - resmungou Hagrid , retirando de a mesa pequena um galo meio depenado e colocando em o seu lugar o bule . - Como s'eu não soubesse . E contar me uma peta qualquer d'uma fada carpideira que ele venceu . Engulo essa chaleira , se uma palavra do_que ele disse for verdade . Não era hábito de Hagrid criticar um professor de Hogwarts e Harry olhou para ele com alguma surpresa . Mas Hermione disse em uma voz mais aguda do_que de costume : - Acho que estás a ser injusto . O professor Dumbledore obviamente achou que era o melhor homem para o lugar ... - Era o único - explicou Hagrid , oferecendo lhes um prato de bombons de melaço enquanto Ron tossia para a bacia . - E não havia mais ninguém . Não é fácil encontrar quem queira dar Artes de magia negra . As pessoas não gostam de essa matéria . Começam a pensar que está amaldiçoada , ninguém ficou muito_tempo a dá a . Mas digam me lá - continuou Hagrid , inclinando a cabeça para Ron - quem é qu'ele estava a tentar amaldiçoar ? - O Malfoy chamou qualquer coisa a a Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si . - Foi grave , sim - disse o Ron com voz rouca , emergindo a a superfície de a mesa , pálido e transpirado . - O Malfoy chamou lhe sangue de lama , Hagrid . - Ron desapareceu outra_vez quando uma nova onda de lesmas fez o seu aparecimento . Hagrid estava indignado . - Não posso crer - exclamou , dirigindo se a Hermione . - Chamou sim - disse ela . - Mas eu não sei o que significa . Percebi que era má educação , claro ... - É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar - explicou Ron novamente . - Sangue de lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles , sabes , filho de pais não mágicos . Há alguns feiticeiros , como a família de o Malfoy que acham que são melhores do_que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro . - Teve um pequeno vómito e uma lesma isolada caiu lhe em a mão aberta . Ele atirou a para a bacia e continuou . -- É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma . Olha_o_Neville_Longbottom , é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito . - E ainda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer - afirmou Hagrid , orgulhoso , fazendo Hermione corar em tons de magenta . - É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém - disse o Ron , limpando o suor de a testa com a mão trémula . - Sangue sujo , sangue vulgar , é um disparate . A maior parte de os feiticeiros hoje_em_dia têm sangue misturado . Se não tivéssemos casado com Muggles tinha sido o nosso fim . Fez um esforço para vomitar e baixou se mais_uma_vez . - Bem , não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá o , Ron - disse Hagrid bem alto enquanto montes de lesmas caíam em a bacia . - Mas , se_calhar , não foi mau de todo teres a varinha a trabalhar ao_contrário . Acho que Lucius_Malfoy teria vindo logo a correr a a escola se tivesses amaldiçoado o filho . Assim , pelo_menos , não estás metido em nenhum sarilho . Harry teria referido que o problema não podia ser pior do_que deitar lesmas por a boca , mas não pôde . Os bombons de melaço tinham lhe colado os maxilares um_ao_outro . - Harry - disse de repente Hagrid como_que movido por um pensamento súbito . - Tens de me explicar uma coisa . Ouvi dizer que tens andado a dar fotografias autografadas . Porque é qu'eu não tenho nenhuma ? A fúria de Harry foi tão grande que os maxilares se libertaram . - Eu não tenho dado fotografias autografadas - disse com vivacidade . Se o Lockhart andou a espalhar isso ... Mas em esse momento viu que Hagrid se estava a rir . - ´ _ tou a brincar - disse , dando uma palmadinha em as costas de Harry e fazendo lhe sinal para se sentar a a mesa . -- Eu sabia que não tinhas . Disse a o Lockhart que tu não precisavas de isso . Es mais famoso do_que ele sem sequer , tentares . - Aposto que ele não gostou de ouvir isso - comentou Harry , sentando se e esfregando o queixo . - Acho que não gostou mesmo - prosseguiu Hagrid com os olhinhos a brilhar . - E disse lhe também que nunca tinha lido nenhum de os livros de ele e ele foi se embora . Um bombom de melaço , Ron ? - perguntou a o vê o reaparecer . - Não , obrigado - disse o Ron com uma voz fraca . - É melhor não arriscar . - Venham ver o qu'eu tenho estado a criar - disse Hagrid quando Harry e Hermione acabaram de tomar o chá . Em a pequena horta atrás de a casa estava uma_dúzia de as maiores abóboras que Harry alguma vez vira . Pareciam enormes blocos de pedra . - Estão a dar se bem , não achas ? - disse Hagrid , feliz . São para a festa de o * _ Hallow'en * . Devem estar bem grandes quando chegar a altura . - O que é_que lhes tens dado como alimento ? - perguntou Harry . Hagrid olhou por cima de o ombro para confirmar se estavam sós . - Bem , tenho estado a dar lhes ... uma pequena ajuda . Harry reparou em o guarda-chuva cor-de-rosa a as florzinhas que estava encostado contra a parede de a cabana . Tivera em o ano anterior motivos para crer que aquele guarda-chuva não era o que parecia . De facto , acreditava que a antiga varinha de escola de Hagrid se encontrava oculta dentro de ele . Hagrid não tinha autorização para usar magia . Fora expulso de Hogwarts em o terceiro ano embora Harry nunca tivesse descoberto o motivo . Qualquer referência a esta questão fazia Hagrid pigarrear bem alto e ficar misteriosamente surdo até mudarem de assunto . -- Um encantamento de absorção , imagino ? - comentou Hermione entre a desaprovação e o divertimento . - Bem , se assim foi , fizeste um bom trabalho . - Foi o que disse a tua irmãzinha - respondeu Hagrid acenando em direcção a Ron . - Encontrei a ontem . - Hagrid olhou de lado para Harry , a barba a contorcer se . - Disse que andava só a ver os campos , mas eu acho qu'ela esperava encontrar alguém em a minha casa - piscou o olho a o Harry . - Se queres que te diga acho qu'ela não recusaria uma fotografia autogr ... - Cala te com isso - disse Harry . Ron desatou a rir e o chão ficou cheio de lesmas . - Cuidado - resmungou Hagrid , afastando Ron de as suas preciosas abóboras . Estava quase em a hora de o almoço e , como o Harry só tinha provado um bombom de melaço desde manhã cedo , estava ansioso por chegar a a escola para ir comer . Despediram se de o Hagrid e regressaram a o castelo . O Ron a vomitar de vez em quando , mas deitando só duas pequenas lesmas . Mal tinham pisado a entrada de o vestíbulo quando ouviram uma voz . - Aí estão vocês , Potter , Weasley . - A professora Mc_Gonagall vinha em direcção a eles com o seu ar severo . - Vocês os dois vão ter as punições hoje a a tarde . - O que é_que vamos fazer , professora ? - perguntou o Ron nervoso , deixando cair uma lesma . - Tu vais limpar as pratas em a sala de os troféus com Mr._Filch - disse a professora Mc_Gonagall . - E nada de mágicas , Weasley , trabalho com esforço . Ron engoliu em seco . Argus_Filch , o encarregado , era odiado por todos os alunos de a escola . - E tu , Potter , vais ajudar o professor Lockhart a responder a as cartas de as suas fãs - ordenou a professora Mc_Gonagall . - Oh , não ! Não posso ir também trabalhar em a sala de os troféus ? - pediu Harry em desespero de causa . - Nem pensar em isso - respondeu a professora Mc_Gonagall , erguendo as sobrancelhas . - O professor Lockhart requisitou te especialmente a ti . _ a as oito_em_ponto , os dois . Harry e Ron entraram em o salão em um estado de profundo desanimo com a Hermione atrás , ostentando uma expressão de * bem-voces-quebraram-as-regras-da-escola * . Harry não saboreou o empadão de carne como teria desejado . Tanto ele como o Ron achavam que tinham tido o pior de os castigos . -- O Filch vai reter me lá toda_a noite - disse Ron , desanimado . - Sem mágica ! Deve haver umas cem taças em aquela sala , eu não sei fazer limpeza de Muggles . - Eu trocava contigo de boa_vontade - confessou Harry em uma voz surda . - Tive montes de prática com os Dursleys . Responder a o correio de fãs de o Lockhart , que pesadelo ... A tarde de sábado pareceu derreter se . Pouco depois eram já cinco para as oito e Harry arrastava se até a o corredor de o segundo andar onde ficava o escritório de o Lockhart . Rangendo os dentes , bateu a a porta . A porta abriu se imediatamente e Lockhart dirigiu se lhe . - Ah , cá está o patifório ! - exclamou . - Entra , Harry , entra . Em as paredes , brilhando à_luz_de muitas velas , podia ver se uma infinidade de fotografias de Lockhart . Algumas de elas até assinadas . Sobre a secretária estava outro monte enorme . - Podes pôr as moradas em os envelopes - disse Lockhart_a_Harry , como_se fosse uma grande ameaça . - O primeiro é para Gladys_Gudgeon , abençoada seja , uma grande fã minha . Os minutos passavam lentos . De vez em quando , Harry ouvia a voz de Lockhart dizendo : - Mmm - e - certo - e - sim . - De vez em quando , apanhava uma frase como : - A fama é versátil , amigo Harry - ou - Só é célebre quem faz por isso , nunca te esqueças . As velas ardiam cada_vez com maior lentidão , fazendo a luz dançar sobre as muitas caras de Lockhart que o olhavam . Harry passava a mão , já dorida , sobre o que devia ser o centésimo envelope , escrevendo a morada de Verónica_Smethley . « Deve estar quase em a hora de me ir embora » , pensou , sentindo se profundamente infeliz , « por favor , faz com que esteja em a hora ... » E então ouviu algo , algo totalmente diferente de o crepitar de as velas e de os ditos de Lockhart sobre as suas fãs . Era uma voz , uma voz de arrepiar os ossos , de cortar a respiração , de veneno frio . - * _ Vem ... vem ter comigo ... deixa me rasgar te ... cortar te ... matar te * ... Harry deu um salto e uma enorme mancha lilás surgiu em a rua de Verónica_Smethley . - O quê ? - disse ele em voz alta . - Eu sei - exclamou Lockhart . - Seis meses inteirinhos em o topo de a lista de * bestsellers * , bati todos os recordes ! - Não - disse Harry nervosíssimo - aquela voz ! - Como ? - perguntou Lockhart , com um ar confuso . - Que voz ? - Aquela , aquela voz que disse ... não ouviu ? Lockhart olhava para Harry com o maior espanto . - De que é_que estás a falar , Harry ? Estás a ficar com sono ? Meu Deus , olha , só estamos aqui há quase quatro horas , quem diria ? O tempo passou a correr , não é verdade ? Harry não respondeu , estava a fazer um esforço para ouvir de_novo a voz , mas o único som que ouviu foi Lockhart a dizer lhe que não esperasse um tratamento igual de as próximas vezes que fosse castigado . Harry saiu , sentindo se atordoado . Era tão tarde que a sala comum de os Gryffindor estava quase vazia . Harry foi directamente para o dormitório . Ron ainda não tinha voltado . Vestiu o pijama , meteu se em a cama e esperou . Meia_hora mais tarde , chegou o Ron agarrado a o braço direito e inundando o quarto escuro de um forte cheiro a limpa-pratas . - Doem me todos os músculos - resmungou , metendo se em a cama . - Ele fez me polir catorze vezes aquela taça de Quidditch até estar satisfeito . E depois tive outro vómito em_cima_de um troféu de Reconhecimento por serviços prestados a a escola . Demorei séculos a limpar o muco de as lesmas . Como correram as coisas com o Lockhart ? Em voz baixa para não acordar o Neville , o Dean e o Seamus , Harry contou lhe , palavra por palavra , o que tinha ouvido . - E Lockhart disse que não ouviu nada ? - perguntou o Ron . Harry viu o franzir a testa , a a luz de o luar . - Achas que estava a mentir ? Mas , não percebo , mesmo um ser invisível teria aberto a porta . - Eu sei - disse Harry , encostando se a a cama e olhando para o dossel . - Também não compreendo . VIII_A festa de o dia de os mortos Outubro chegou , espalhando um frio húmido por os campos e por os cantos de o castelo . Madam_Pomfrey , a enfermeira-chefe , esteve bastante ocupada com uma onda de constipações que afectou professores e alunos . A sua poção de pimentão entrou imediatamente em acção apesar_de deixar quem a tomava com fumo em os ouvidos durante várias horas . Ginny_Weasley , que andava com ar adoentado , foi convencida a tomá a por o Percy . O fumo que saía por debaixo de o seu cabelo ruivo dava a impressão de que toda_a cabeça estava em fogo . Gotas de chuva de o tamanho de balas agrediram as janelas de o castelo durante dias a fio . O lago rosado e os canteiros de flores tornaram se regatos lamacentos e as abóboras de o Hagrid incharam ficando de o tamanho de alpendres de jardim . Contudo , o entusiasmo de Oliver_Wood por as sessões de treino regular não foi abalado , motivo por o qual Harry iria regressar a a torre de os Gryffindor , em um sábado a a tarde de temporal , alguns dias antes de o * _ Hallowe'en * , ensopado até a os ossos e todo enlameado . Além de a chuva e de o vento , não fora um treino feliz . Fred e George que tinham andado a espiar a equipa de os Slytherin tinham visto com os seus próprios olhos a velocidade alucinante de aquelas novas Nimbus dois_mil_e_um e comentaram que a equipa em o ar parecia composta por sete manchas esverdeadas que disparavam a_toda_a velocidade como aviões a jacto . Enquanto Harry chapinhava a o longo de o corredor deserto , cruzou se com alguém que parecia tão preocupado como ele : Nick quase sem cabeça , o fantasma de a torre de os Gryffindor que olhava taciturno , por a janela , murmurando baixinho : - Não preenche os requisitos , um centímetro e meio se ... - Olá , Nick - cumprimentou Harry . - Olá , olá - disse o Nick quase sem cabeça , começando a olhar em volta . Usava um arrebatado chapéu de plumas sobre a longa cabeleira encaracolada e uma túnica com gola de tufos que disfarçava o facto de ter o pescoço quase totalmente separado de o corpo . Era pálido como o fumo e Harry podia ver através de ele o céu negro e a chuva torrencial , lá fora . - Pareces preocupado , jovem Potter - disse Nick , dobrando uma carta transparente , enquanto falava e escondendo a dentro de a jaqueta . - Tu também - retorquiu Harry . - Ah ! - o Nick quase sem cabeça acenou com a mão de forma elegante . - Uma questão sem importância . Não é_que eu quisesse realmente participar apesar_de me ter inscrito , mas , a o que parece , não preencho os requisitos . - Apesar de o seu tom jovial havia em o seu rosto uma grande amargura . - Mas era de esperar , ou não era - exclamou subitamente , tirando a carta de o bolso - que ter levado quarenta_e_cinco golpes em a cabeça com um machado ferrugento me qualificaria para entrar em o grupo de os Sem - _ Cabeça ? - Sim , sim - respondeu Harry que obviamente o outro esperava que concordasse . - Isto_é , ninguém mais do_que eu desejaria que tudo tivesse sido rápido e perfeito , poupava me muitas dores e ridículo . Mas ... O Nick quase sem cabeça abriu , furioso , a carta e leu : * _ Só podemos aceitar em o grupo homens cuja cabeça tenha sido separada de o corpo . Compreenderá que de outro modo seria impossível a os nossos membros participarem em actividades como equitação de malabarismos com a cabeça e pólo de cabeça . Lamentamos profundamente informá o de que não preenche os requisitos . * _ Os nossos melhores cumprimentos , Sir_Patrick_Delaney - _ Podmore * Furioso , o Nick quase sem cabeça atirou fora a carta . - Um centímetro de pele e tendões a segurarem me a cabeça , Harry ! A maior parte de as pessoas acharia que era mais do_que o suficiente , mas não serve para o senhor correctamente decapitado Podmore . Nick quase sem cabeça respirou fundo várias vezes e , por fim , em um tom bastante mais calmo perguntou : - Então o que é_que te preocupa ? Alguma coisa que eu possa fazer por ti ? - Não - respondeu Harry . - A_não_ser_que saibas onde posso arranjar sete Nimbus dois_mil_e_um , de_graça , para o nosso campeonato contra os Sly ... - o resto de a frase foi afogada por um miado agudo vindo de perto de os seus tornozelos . Olhou para baixo e deu consigo a fitar um par de olhos que pareciam duas lâmpadas amarelas . Era_Mrs._Norris , a gata cinzenta e esquelética usada por o encarregado Argus_Filch como uma espécie de polícia em a sua infindável batalha contra os estudantes . - É melhor saíres de aqui , Harry - preveniu Nick com toda_a calma . - O Filch não está nada bem-disposto . Anda engripado e alguns alunos de o terceiro ano , por acidente , encheram o tecto de o calabouço cinco de miolos de rã . Ele tem andado toda_a manhã a limpar e se te vê a encher tudo de lama ... - Certo - disse Harry , recuando e afastando se de o olhar acusador de Mrs._Norris , mas ... tarde de mais . Conduzido até ali por o misterioso poder que parecia ligá o a a gata , Argus_Filch entrou subitamente por uma tapeçaria que se encontrava a a direita de Harry , com a sua respiração asmática , olhando vivamente em volta em busca de o infractor . Tinha um lenço grosso , de xadrez , a a volta de a cabeça e o nariz invulgarmente arroxeado . - Imundície - gritou com os maxilares a tremer e os olhos a saltarem lhe de as órbitas , enquanto apontava para a poça de lama que pingara de a túnica de Quidditch_de_Harry . - Desarrumação e imundície em todo o lado . Estou farto disto , segue me , Potter . Harry despediu se de o Nick quase sem cabeça com um tímido aceno e seguiu Filch até lá abaixo , duplicando o número de pegadas lamacentas em o chão . Nunca entrara em o gabinete de o Filch . Era um lugar que a maior parte de os estudantes evitava . A divisão era sombria e sem janelas , iluminada por uma única lamparina de óleo que pendia de o tecto . Sentia se um vago cheiro a peixe frito . As paredes estavam forradas por ficheiros de madeira . Por as etiquetas Harry percebeu que continham os dados de todos os alunos que Filch tinha punido . Fred e George_Weasley tinham uma gaveta só para eles . Atrás de a secretária estava pendurada uma colecção bem polida de correntes e algemas . Todos sabiam que ele estava sempre a pedir a Dumbledore que o deixasse pendurar os alunos em o tecto por os tornozelos . Filch pegou em uma pena que estava sobre a secretária e começou a procurar o pergaminho . - Bosta - murmurou , furioso . - Bosta de dragão , miolos de rã , intestinos de ratazana ... eu tinha aqui bastante , onde está o form ... sim ... Tirou um enorme rolo de pergaminho de a gaveta de a secretária e estendeu o em a frente , molhando a longa pena em o tinteiro . - Nome : Harry_Potter . Crime ... - Foi só um bocadinho de lama - disse Harry . - É só um bocadinho de lama para ti , rapaz , mas para mim é mais de uma hora a esfregar - gritou Filch com um pingo a tremer de modo desagradável em a extremidade de o nariz bolboso . - Crime : manchar o castelo . Sentença proposta ... Esfregando o nariz que continuava a pingar , Filch olhou com má cara para Harry que esperava com a respiração entrecortada para ouvir a sentença . Mas quando Filch pegou em a pena ouviu se um estrondo enorme em o tecto que fez a lamparina apagar se . - PEEVES - resmungou Filch , pousando a pena , cheio de raiva . - Desta_vez apanho te . Apanho te ! E sem olhar para trás , saiu a correr a_toda_a velocidade de o gabinete , seguido de a gata , Mrs._Norris . Peeves era o * poltergeist * de a escola , uma ameaça de risota esvoaçante que vivia para fazer estragos e criar aflição . Harry não gostava lá muito de ele , mas desta_vez , não podia deixar de lhe estar grato . Na_melhor_das_hipóteses o que Peeves tivesse feito ( e parecia que agora ele destruíra qualquer coisa em grande ) distrairia Filch_de_Harry . Pensando que o melhor seria esperar que ele voltasse , Harry deixou se cair em uma cadeira carcomida por o tempo que se encontrava junto de a secretária . Havia uma coisa sobre o tampo : um grande envelope roxo e lustroso com letras prateadas em a frente . Lançando um olhar rápido a a porta para confirmar que Filch não estava de volta , Harry pegou lhe e leu : __ feitiço __ rápido Um curso por correspondência De iniciação a a magia Cheio de curiosidade , abriu o envelope e retirou o rolo de pergaminho . Uma letra curvilínea e prateada dizia : Sente se pouco a a vontade em o mundo de a magia moderna ? Dá consigo a arranjar desculpas para não fazer feitiços simples ? Tem sido censurado por o deplorável trabalho com a varinha ? Eis a resposta ! Feitiço rápido e um curso totalmente novo , infalível , de resultados rápidos e rápida aprendizagem . Centenas de bruxas e feiticeiros têm beneficiado de o método feitiço rápido ! Madam_Z._Nettles_de_Topsham escreve nos : Eu não conseguia fixar os encantamentos e as minhas poções eram alvo de risota em a família . Agora , depois de o curso feitiço rápido , tornei me o centro de as atenções em todas_as festas e os meus amigos não param de pedir me a receita de a minha brilhante solução ! O mágico D.J._Prod , de Disbury , afirma : A minha mulher costumava rir se de os meus fracos encantamentos , mas bastou um mês com o vosso fabuloso curso feitiço rápido e consegui transformá a em um iaque . Obrigado , feitiço rápido ! Fascinado , Harry folheou o resto de o conteúdo de o envelope . Para que diabo quereria o Filch um curso de feitiço rápido ? Não seria ele um feiticeiro a sério ? Harry estava a ler a lição número um : Pegando em a varinha ( algumas dicas úteis ) quando umas passadas arrastadas , lá fora , o preveniram de que Filch estava de volta . Metendo rapidamente o pergaminho dentro de o envelope , lançou o para_cima de a secretária em o preciso momento em que a porta se abriu . Filch ostentava um ar triunfante . - Aquele armário que desapareceu era extremamente valioso - vinha ele a dizer a a gata , Mrs._Norris . - Desta_vez vamos correr com o Peeves , minha linda . Os seus olhos recaíram sobre Harry e logo_a_seguir sobre o envelope de o feitiço rápido que , Harry apercebeu se tarde de mais , estava meio metro distanciado de o seu lagar inicial . O rosto pálido de Filch tornou se vermelho escarlate . Harry preparou se para uma nova onda de fúria . Filch coxeou até a a secretária , arrebatou o envelope e meteu o em uma gaveta . -- Chegaste a ... lê o ? - perguntou atabalhoadamente . - Não - mentiu Harry , sem perder tempo . As mãos nodosas de o Filch contorciam se ao_mesmo_tempo . - Se eu soubesse que ias ler a minha correspondência priv ... não que seja minha ... é para um amigo ... mesmo_assim ... Harry olhava para ele espantado . Nunca vira o Filch tão louco . Os olhos pareciam querer saltar lhe de as órbitas , com um tique em as bochechas e aquele lenço axadrezado que não ajudava nada ... - Muito bem , vai e não abras a boca sobre isto ... não que ... mesmo_assim ... se tu não leste ... vai te embora , tenho de escrever o relatório sobre o Peeves , vai . Atordoado com a sua sorte , Harry saiu de ali e largou a correr por o corredor fora e por as escadas acima . Sair de o gabinete de o Filch sem um castigo devia ser um recorde em a escola . - Harry , Harry , deu resultado ? O Nick quase sem cabeça saiu a brilhar de uma sala de aula . Atrás de ele , Harry pôde ver os destroços de um grande armário preto e dourado que parecia ter sido atirado de uma grande altura . - Convenci o Peeves a parti o mesmo em cima de o gabinete de o Filch - disse Nick entusiasmado . - Pensei que talvez o distraísse . - Foste tu ? - exclamou Harry , agradecido . - Funcionou sim . Ele não me deu nenhum castigo . Obrigado , Nick . Atravessaram o corredor juntos . O Nick quase sem cabeça , reparou Harry , ainda tinha em a mão a carta de Sir_Patrick . - Gostaria de poder fazer qualquer coisa sobre o grupo de os Sem - _ Cabeça - disse Harry . O Nick quase sem cabeça parou de repente e Harry passou através de ele . Antes não tivesse passado , foi como atravessar um duche gelado . - Mas há uma coisa que tu podes fazer por mim - disse Nick muito agitado . - Harry , seria pedir te de mais ... mas não , tu não ias querer ... - O quê ? - Bem , este ano em o * _ Hallowe'en * vai ser o meu meio milénio de dia de os mortos - disse o Nick quase sem cabeça endireitando se e adquirindo uma postura de grande dignidade . - Oh - respondeu Harry sem saber se deveria lamentar ou dar lhe os parabéns . - Certo . - Vou dar uma festa em um de os calabouços mais amplos . Vêm amigos meus de todo o país . Seria uma honra muito grande se tu aparecesses . Mr._Weasley e Miss_Granger seriam também muito bem-vindos , claro . Mas tu deves preferir o banquete de a escola , não é verdade ? - Olhou para Harry , aflito . - Não - assegurou ele rapidamente . - Eu vou . - Oh rapaz , Harry_Potter em a minha festa de os mortos - hesitou no_meio_de toda aquela excitação . - Achas que poderias referir a Sir_Patrick como me achas assustador e como te impressiono ? - É claro que sim - assegurou Harry . O Nick quase sem cabeça iluminou se em um sorriso . - Uma festa de os mortos ? - exclamou Hermione , entusiasmada , quando Harry , depois de mudar de roupa , se juntou a ela e a o Ron em a sala comum . - Aposto que não há muitas pessoas que possam gabar se de ter estado em uma festa de essas . Vai ser fantástico ! - Por_que é_que alguém se lembraria de festejar o dia em que morreu ? - perguntou o Ron que estava a meio de o seu trabalho de casa de poções e bastante maldisposto . - Parece me bastante mórbido . A chuva continuava a lamber as janelas que apresentavam agora um negro que parecia tinta , mas , lá dentro , era tudo claro e alegre . O fogo em a lareira brilhava sobre as inúmeras cadeiras de braços onde as pessoas estavam sentadas a ler , a conversar , a fazer os trabalhos de casa ou , no_caso_de Fred e George_Weasley , a tentar descobrir o que aconteceria se alimentassem uma salamandra com fogo-de-artíficio de o Filibuster . O Fred tinha « resgatado . o lagarto cor de laranja brilhante , morador de o fogo , de uma aula de tratamento de seres mágicos e ele estava agora a arder em fogo lento sobre uma mesa , rodeado de um grupo de curiosos . Harry ia começar a contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre o Filch e o curso de feitiço rápido quando a salamandra disparou por os ares , lançando faíscas e estoiros . A visão de Percy a gritar com Fred e George até ficar ronco , a fantástica exibição de estrelas cor de tangerina que choviam de a boca de a salamandra e a sua fuga para o lume acompanhada de explosões , fizeram com que Harry se esquecesse , em aquele momento , de Filch e de o curso de feitiço rápido . Quando chegou o * _ Hallowe'en * , Harry já lamentava a sua promessa imprudente de ir a a festa de os mortos . Toda_a escola antecipava , feliz , a sua festa de * _ Hallowe'en * . O salão nobre fora enfeitado com os habituais morcegos , as enormes abóboras de Hagrid tinham sido esculpidas em forma de lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro_de cada uma , e havia boatos de que Dumbledore contratara um grupo de esqueletos bailarinos para animar a festa . - Uma promessa é uma promessa - lembrou Hermione_a_Harry com o seu autoritarismo habitual . - Tu disseste que ias a a festa de os mortos . Portanto , a as sete_da_tarde , Harry , Ron e Hermione saíram , passando por a porta de o salão nobre que brilhava de modo convidativo com pratos dourados e velas e dirigiram os seus passos para os calabouços . O corredor que conduzia a a festa de o Nick quase sem cabeça tinha sido também ladeado de velas , embora o efeito estivesse longe_de ser alegre : estas eram velas muito esguias e estreitas , negras de breu , ardendo em um azul brilhante e lançando uma luz indistinta e espectral também sobre as caras de as pessoas vivas . A temperatura diminuía a cada degrau que desciam . Harry tremia e cingia a túnica a o corpo quando ouviu qualquer coisa que parecia uma centena de unhas a rasparem um enorme quadro preto . - Será que isto_é a música ? - murmurou Ron . Viraram uma esquina e viram o Nick quase sem cabeça junto de uma porta , todo vestido de veludo negro . - Meus queridos amigos - disse com ar de luto . - Bem-vindos , bem-vindos , ainda_bem que puderam vir . Em um gesto largo tirou o chapéu de plumas e fez lhes sinal para que entrassem . Era uma visão incrível . O calabouço estava cheio com centenas de pessoas de um branco pálido e translúcido , a maior parte de as quais era arrastada em uma pista de dança cheia , valsando a o som de trinta serrotes musicais . Os serrotes que compunham a orquestra encontravam se sobre um estrado enfeitado com panos negros . Um lustre lá em cima resplandecia de um azul nocturno com mais um_milhar de velas negras . A respiração de os três subiu em o ar como uma neblina . Parecia que tinham entrado em um congelador . - Vamos dar uma volta - sugeriu Harry em uma tentativa de aquecer os pés . - Cuidado , não atravessem nenhum de eles - avisou o Ron nervosamente e colocaram se em volta de a pista de dança . Passaram por um grupo escuro de freiras , por um homem esfarrapado e cheio de correntes e por o frade gordo , o divertido fantasma de os Hufflepuff que estava a conversar com um cavaleiro com uma seta enfiada em a testa . Harry não ficou nada surpreendido a o ver que o Barão sangrento , o fantasma lúgubre e berrante de os Slytherin , coberto de nódoas de sangue ; estava a ser totalmente evitado por os outros fantasmas . - Oh ! Não -- exclamou Hermione , parando bruscamente . - Voltem se , voltem se , não quero ter de cumprimentar a Murta_Queixosa . - Quem ? - perguntou Harry enquanto davam rapidamente meia volta . - Ela assombra a casa_de_banho de as raparigas de o primeiro andar - explicou Hermione . - Assombra uma casa_de_banho ? - Sim . Está inoperativa durante todo o ano porque ela tem constantes acessos de choro e inunda tudo . Eu só lá fui quando não pode mesmo evitar . É horrível tentar ir a a sanita com ela a gritar connosco . - Olhem , comida - disse o Ron . De o outro lado de o calabouço estava uma mesa igualmente coberta de velado negro . Iam para se aproximar entusiasmados , mas pararam com uma expressão de horror . O cheiro era nauseabundo . Enormes peixes podres enchiam as bonitas travessas de prata , os bolos estorricados como carvões amontoavam se em as salvas , havia uma grande quantidade de miúdos de macaco , uma tábua de queijos cobertos de bolor e , em o lugar de honra , um enorme bolo cinzento em forma de lápide com letras que pareciam alcatrão formando as palavras , * _ Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington_Morto em 31_de_Outubro , 1492 * . Harry olhou espantado quando um fantasma de porte majestoso se aproximou de a mesa inclinando se e passando através de ela com a boca aberta enquanto atravessava um salmão malcheiroso . - Consegue prová o passando através de ele ? - perguntou lhe Harry . - Quase - disse tristemente o fantasma antes de se afastar . - Devem ter deixado apodrecer tudo_isto para ter um sabor mais forte - comentou Hermione com ar de quem está bem informada , tapando o nariz e aproximando se para ver melhor os pútridos miúdos de macaco . - Podemos sair de aqui , estou a sentir me agoniado - disse o Ron . Mas mal tinham dado meia volta quando um homenzinho pequenino saiu inesperadamente de debaixo de a mesa e fez uma paragem em o ar em frente de eles . - Olá , Peeves - disse Harry cautelosamente . Ao_contrário de os outros fantasmas que os rodeavam , Peeves , o * poltergeist * era o oposto de pálido e transparente . Usava um chapéu festivo cor de laranja , um laço rotativo a o pescoço e tinha um sorriso grosseiro de malvadez , em o rosto . - Querem petiscar ? - perguntou delicadamente , oferecendo lhes uma taça de amendoins cobertos de fungos . - Não , obrigada - disse Hermione . - Ouvi te falar sobre a pobre Murta - disse Peeves com os olhos a bailar . - Que insensível que tu foste para com a pobre Murta - respirou fundo e gritou : - Oh Murta . - Oh ! Não , Peeves , não lhe contes o que eu disse , ela vai ficar muito aborrecida - murmurou Hermione bastante nervosa . - Eu não queria dizer que ... eu não me importo que ela , er , olá , Murta . O espectro atarracado de uma rapariga deslizara . Tinha o rosto mais carrancudo que Harry alguma vez vira , meio escondido por o cabelo liso e por os óculos grossos cor de pérola . - O que é ? - perguntou mal-humorada . - Como estás Murta ? - perguntou Hermione , em uma voz falsamente alegre . - É bom ver te fora de a casa_de_banho . Murta fungou . - Miss_Granger estava justamente a falar de ti - disse lhe Peeves baixinho a o ouvido . - A dizer , a dizer ... como estás bonita esta noite -- terminou Hermione , olhando irritada para Peeves . A Murta olhou para Hermione desconfiada . - Estão a divertir se a a minha custa - disse , com lágrimas de prata a encherem lhe rapidamente os olhos pequeninos . - Não , a sério , eu não estava a dizer vos como a Murta estava bonita esta noite ? - disse Hermione , dando uma palmada em as costas de o Harry e de o Ron . - Sim , sim . - Ela ... - Não me venham com mentiras - protestou a Murta , as lágrimas agora a descerem lhe por o rosto , enquanto Peeves ria baixinho por cima de o ombro de ela . - Julgam que eu não sei o que as pessoas me chamam em as minhas costas ? A Murta gorda , a Murta feia , a Murta queixosa , a Murta deprimida ! - Esqueceste te de « a Murta ponto negro » - sussurrou lhe Peeves a o ouvido . A Murta_Queixosa irrompeu em soluços de angústia e fugiu de o calabouço . Peeves disparou atrás de ela , lançando lhe uma chuva de amendoins cheios de bolor e gritando : Ponto negro ! Ponto negro ! - Oh , coitada ! - exclamou Hermione com tristeza . O Nick quase sem cabeça abria agora caminho entre a multidão para se aproximar de eles . - Estão a divertir se ? - Sim , sim - mentiram . - Uma afluência nada má - disse orgulhoso o Nick quase sem cabeça . - A viúva chorosa veio de Kent ... está quase em a hora de o meu discurso . É melhor ir avisar a orquestra . Mas a orquestra parou de tocar em esse preciso momento . Eles , e todos os outros em o calabouço , ficaram em silêncio total , olhando em volta cheios de excitação quando se ouviu uma trompa de a caça . - Lá vêm eles - disse o Nick quase sem cabeça , com alguma amargura em a voz . Por o calabouço irromperam uma_dúzia de , cavalos fantasmas , cada_um montado por um cavaleiro sem cabeça . A assistência aplaudiu vivamente . Harry começou também a bater palmas , mas parou rapidamente quando viu a cara de o Nick . Os cavalos galoparam até a o meio de a pista de dança e pararam , empinando se , dando pequenos passos para a frente e para trás , sobre as patas traseiras . Um fantasma grande em a frente , cuja cabeça barbuda estava debaixo de o braço , soprando a trompa , desmontou , levantou a cabeça bem em o ar para poder ver toda_a assistência ( todos se riam ) e dirigiu se a o Nick quase sem cabeça , comprimindo a cabeça contra o pescoço . - Bem-vindo , Patrick - disse o Nick , mantendo a sua postura rígida . - Gente viva ! - exclamou o Sir_Patrick , avistando Harry , Ron e Hermione e dando um salto de falso espanto , de_tal_modo_que a cabeça lhe caiu de_novo ( a multidão ria a bom rir ) . - Muito engraçado - disse o Nick quase sem cabeça com um ar soturno . - Não ligues a o Nick - gritou a cabeça de Sir_Patrick de o chão . - Ainda está aborrecido por não o deixarmos juntar se a o grupo . Mas olhem bem para ele ... - Eu acho - disse apressadamente Harry , a seguir a um olhar de o Nick - que o Nick é muito assustador e ... eu ... - Bah ! - gritou a cabeça de Sir_Patrick . - Aposto que ele te pediu que dissesses isso . - Gostaria de ter a vossa atenção . Chegou a altura de fazer o meu discurso - disse o Nick quase sem cabeça bem alto , dirigindo se a o pódio , subindo e parando , iluminado por uma luz azul . - Os meus sentimentos , senhores e senhoras , é com profundo pesar ... Mas já ninguém estava a ouvi o . Sir_Patrick e o resto de o grupo de os Sem - _ Cabeça tinham iniciado um jogo de hóquei de cabeça e a multidão voltara se para os observar . Nick quase sem cabeça tentou em vão recuperar a audiência , mas acabou por desistir quando a cabeça de Sir_Patrick passou por ele a_toda_a velocidade gritando vivas . Harry estava cheio de frio para não falar de a fome . - Não aguento mais isto - murmurou Ron a bater o dente enquanto a orquestra voltava a entrar em acção e os fantasmas enchiam de_novo a pista de dança . - Vamos embora - concordou Harry . Recuaram até a a porta , acenando e sorrindo a todos os que olhavam para eles e um minuto depois passavam apressadamente por a entrada cheia de velas negras . - Talvez o pudim ainda não tenha acabado - disse o Ron cheio de esperança , abrindo caminho em direcção a os degraus de o vestíbulo de a entrada . E foi então que Harry ouviu aquilo . - ... * _ Arrancar ... rasgar ... matar * ... Era a mesma voz , a mesma voz fria e assassina que ouvira em o escritório de Lockhart . Parou , agarrando se a a parede de pedra em a expectativa de ouvir melhor , olhando em volta , espreitando para_cima e para baixo de a passagem mal iluminada . - Harry que estás tu a ... ? - E aquela voz outra_vez , calem se um bocadinho . -- ... * _ Tanta fome ... há tanto tempo * ... - Ouçam insistiu Harry e Ron e Hermione ficaram estáticos a olhar para ele . - * _ Matar ... hora de matar * ... A voz ia ficando mais débil . Harry tinha a certeza de que ela estava a afastar se , a subir . Um misto de medo e excitação tomou posse de ele enquanto olhava para o tecto escuro . Como poderia ele subir ? Seria um fantasma para quem os tectos de pedra não contavam ? - Por aqui - gritou , começando a correr por as éscadas acima até a a entrada de o * hall * . Não havia hipótese de ouvir fosse o que fosse ali , o barulho de vozes que vinha de o banquete de o * _ Hallowe'en * ecoava cá fora . Harry subiu a correr a escadaria de mármore até a o primeiro andar com Ron e Hermione ruidosamente atrás . - Harry o que é_que nós ... ? - Sch ... Harry apurou o ouvido . Ao_longe , em o andar de cima , e ainda a enfraquecer , mesmo_assim ouviu a voz : - ... * Cheira-me a sangue ... cheira me a sangue ! * O estômago deu lhe uma volta . - Ele vai matar alguém - gritou e ignorando as caras perplexas de Ron e Hermione , correu , subindo mais um lanço de escadas , a três_e_três , tentando ouvir através de o ruído de os seus próprios passos . Harry correu a_toda_a velocidade pelo segundo andar com Ron e Hermione atrás e só parou quando viraram uma esquina para o último corredor abandonado . - Harry , o que foi aquilo tudo ? - perguntou o Ron , limpando o suor de o rosto . - Eu não ouvi nada ... Mas Hermione , em um sobressalto , apontou para o fundo de o corredor . - Olhem ! Alguma coisa brilhava em a parede em frente . Aproximaram se devagarinho , tentando ver em a escuridão . Alguém escrevera em letras garrafais em a parede entre duas janelas . As palavras brilhavam a a chama fraca de as tochas . : __ a câmara de os segredos foi aberta . inimigos de o herdeiro , __ cuidado . - O que é aquilo pendurado por baixo de as letras ? - perguntou Ron com um tremor em a voz . Quando se aproximaram , Harry quase escorregou . Havia uma grande poça de água em o chão . Ron e Hermione agarraram o e avançaram cautelosamente até a a mensagem , os olhos fixos em uma sombra escura , em baixo . Aperceberam se os três de imediato do_que se tratava e deram um salto para trás , salpicando tudo de água . Mrs._Norris , a gata de o encarregado , estava pendurada por a cauda em o suporte de a tocha . Tinha o corpo rígido como uma tábua e os olhos abertos . Durante alguns segundos ninguém se mexeu . Depois o Ron disse : - Vamos sair de aqui . - Não devíamos tentar ajudar ? - propôs Harry , sem graça . - Acredita - assegurou o Ron . - É melhor que não nos encontrem aqui . Mas era tarde de mais . Um ruído surdo e prolongado , como um trovejar distante , avisou os de que o festim tinha terminado . De ambos os lados de o corredor onde eles estavam , veio o som de centenas de pés a subirem a escadaria e as vozes alegres de gente bem alimentada . Em o momento seguinte os alunos chegavam junto de eles de ambos os lados . O burburinho morreu subitamente mal as pessoas avistaram a gata pendurada . Harry , Ron e Hermione estavam de pé , sozinhos , em o meio de o corredor quando se fez silêncio em a multidão de estudantes que se empurravam para observar aquele quadro macabro . Então alguém gritou , quebrando o silêncio . - Inimigos de o herdeiro , cuidado . Vocês serão os próximos , sangue de lama ! Era_Draco_Malfoy . Estava a a frente de a multidão com os olhos frios a brilhar , a sua cara habitualmente pálida agora afogueada , sorrindo a a vista de a gata pendurada e imóvel . IX_As palavras em a parede -- O que é_que se passa aqui ? O que é_que se passa ? Sem dúvida , atraído por o grito de Malfoy , Argus_Filch apareceu a coxear em o meio de a multidão . Quando viu Mrs._Norris , caiu para trás agarrando o rosto com verdadeiro horror . - A minha gata ! A minha gata ! O que aconteceu a Mrs._Norris ? - gritou . E os seus olhos rápidos caíram sobre Harry . - Tu - guinchou ele . - Mataste a minha gata ! Mataste a , vou dar cabo de ti , eu ... - Argus . Dumbledore tinha chegado a o lugar , seguido de alguns professores . Em poucos segundos tinha passado a a frente de Harry , Ron e Hermione e desatado Mrs._Norris de o suporte de a tocha . - Vem comigo , Argus - disse ele a o Filch . - Vocês também , Mr._Potter , Mr._Weasley e Miss_Granger . Lockhart deu rapidamente um passo em frente . - O meu escritório é o que está mais perto , senhor director , é já aqui em cima , por favor fiquem a a vontade . - Obrigado , Gilderoy - disse Dumbledore . A multidão silenciosa dividiu se para os deixar passar . Lockhart sentindo se excitado e importante , seguia Dumbledore assim_como a professora Mc_Gonagall e o professor Snape . Quando entraram em o escritório escuro de Lockhart houve uma grande agitação em as paredes . Harry viu várias imagens de Lockhart a esconderem se cheias de rolos em o cabelo . O Lockhart em pessoa acendeu as velas e chegou se mais para trás . Dumbledore pôs Mrs._Norris em a superfície polida de a secretária e começou a examiná a . Harry , Ron e Hermione trocaram olhares tensos entre si e deixaram se cair em as cadeiras que se encontravam longe de a luz , a observar . A ponta de o nariz longo e adunco de Dumbledore estava a menos_de dois centímetros de o pêlo de Mrs._Norris . Ele olhava a de perto através de os óculos de meia-lua , os dedos longos a palpar e tactear suavemente . A professora Mc_Gonagall estava quase tão perto como ele , com os olhos contraídos . Snape surgia mais atrás , meio em a sombra , com uma expressão estranha em o rosto , como_se tentasse a_toda_a força sorrir . E Lockhart andava de um lado para o outro a dar sugestões . - Foi sem dúvida uma maldição que a matou , provavelmente a tortura de a metamorfose . Vi a muitas_vezes ser usada , mas infelizmente eu não estava lá quando isto aconteceu . Conheço o antídoto para essa maldição , o que a teria salvo . Os comentários de Lockhart foram interrompidos por os soluços secos e violentos de Filch . Estava afundado em uma cadeira junto de a secretária , incapaz de olhar para Mrs._Norris , com o rosto em as mãos . Por mais que detestasse Filch , Harry não pôde deixar de sentir pena de ele embora não tanta quanto_a que sentia por si próprio . Se Dumbledore acreditasse em o Filch ele seria certamente expulso . O director estava agora a sussurrar umas palavras estranhas e batendo em Mrs._Norris com a varinha , mas não aconteceu nada , ela continuou com o mesmo aspecto , como_se tivesse sido empalhada . - ... Lembro me de uma coisa semelhante que aconteceu em Ouagadogou - disse LockLart . - Uma série de ataques . Conto essa história em a minha autobiografia . Eu dei a a gente de a cidade vários amuletos que resolveram logo a situação ... As fotografias de Lockhart em as paredes iam acenando afirmativamente com a cabeça enquanto ele falava . Uma de elas esquecera se de tirar os rolos de o cabelo . Por fim , Dumbledore endireitou se . - Ela não está morta , Argus - disse suavemente . Lockhart interrompeu bruscamente a contagem de os crimes que conseguira evitar . - Não está morta ? - disse Filch em um sufoco , olhando através de os dedos para Mrs._Norris . - Mas , porque está ela rígida e gelada ? - Foi petrificada - disse Dumbledore ( Ah ! foi o que eu pensei ! - comentou Lockhart ) mas como , não posso afirmar . - Pergunte lhe - gritou Filch , voltando a cara cheia de furúnculos e lágrimas para Harry . - Nenhum aluno de o segundo ano poderia ter feito isto - explicou Dumbledore . - Era preciso um grande conhecimento de magia negra . - Foi ele , foi ele - disse encolerizado o encarregado com a cara a ficar roxa . - O senhor viu o que ele escreveu em a parede . Ele descobriu em o meu gabinete , ele sabe que eu sou um ... - O rosto de Filch estava horrível . - Ele sabe que eu sou um * _ busca-pé * - disse por fim . - Eu não toquei em a Mrs._Norris - gritou Harry com todos os olhares a recaírem sobre ele , incluindo o de todos os Lockharts de a parede . - E eu nem sei o que é um * busca-pé * . - Mentira ! - gritou Filch . - Ele viu a minha carta de o feitiço rápido . - Se me permite que dê a minha opinião , senhor director - disse Snape , saindo de a sombra , e a sensação de mau presságio de Harry aumentou bastante . Certamente nada do_que Snape tinha para de dizer iria ajudá o . - O Potter e os amigos podiam estar simplesmente em o lugar errado em a altura errada - afirmou com um leve sorriso a torcer lhe a boca como_se tivesse as suas dúvidas . - Mas , temos aqui um conjunto de circunstâncias curiosas . Porque estavam eles afinal em o corredor ? Porque não estiveram presentes em a festa de o * _ Hallowe'en * ? Harry , Ron e Hermione começaram uma longa explicação sobre a festa de o dia de os mortos . - Estavam lá centenas de fantasmas , eles poderão confirmar que lá estivemos ... - Mas porque não foram a seguir a o banquete ? - perguntou Snape com os olhos pretos a brilharem a a luz de as velas . - Porquê ir até a aquele corredor ? Ron e Hermione olharam para Harry . - Porque , porque ... - balbuciou Harry , com o coração a querer saltar lhe de o peito , mas algo lhe disse que ia parecer muito rebuscado se lhes contasse que tinha sido levado até ali por uma voz sem corpo que só ele conseguia ouvir . - Porque estávamos cansados e queríamos ir para a cama - disse . - Sem jantar ? - inquiriu Snape com um sorriso triunfante a bailar lhe em o rosto lúgubre . - Não sabia que os fantasmas ofereciam em as suas festas comida para gente viva . - Não estávamos com fome - disse o Ron bem alto , enquanto o estômago se queixava de forma audível . O sorriso mesquinho de a Snape ampliou se . - Acho , senhor director , que Potter não está a dizer toda_a verdade - afirmou . - Talvez fosse boa ideia retirar lhe alguns privilégios , até ele estar disposto a contar nos a história toda . Pessoalmente , sugiro que seja retirado de a equipa de os Gryffindor até decidir ser honesto . - Francamente , Severus - exclamou a professora Mc_Gonagall com uma voz cortante . - Não vejo porquê impedir o rapaz de jogar Quidditch . Esta gata não levou pauladas em a cabeça dadas por nenhum cabo de vassoura . E não há provas de que o Potter tenha feito algo de mal . Dumbledore observava Harry com um olhar perscrutador . A voz tremeluzente de os seus olhos azuis fez Harry sentir que estava a ser passado a raios X. - Inocente até se provar que é culpado , Severus - disse com segurança . Snape estava furioso , assim_como Filch . - A minha gata foi petrificada ! - berrou , com os olhos a saltarem de as órbitas . - Quero ver um castigo ! - Vamos poder curá a , Argus - explicou pacientemente Dumbledore . - Madam_Sprout conseguiu arranjar algumas Mandrágoras . Logo_que tenham atingido o tamanho adulto , terei uma poção de Mandrágoras que reanimará Mrs._Norris . - Eu posso fazê a - interrompeu Lockhart . - Devo ter feito isso uma centena de vezes . Preparo uma golada de Mandrágora reconstituinte de olhos fechados ... - Perdão - disse Snape friamente -- , mas julgo que o professor de poções de esta escola ainda sou eu . Houve um silêncio bastante incómodo . - Vocês podem ir se embora - disse Dumbledore a o Harry , Ron e a Hermione . Eles saíram o mais depressa que puderam , sem ir a correr . Quando chegaram a o andar acima de o escritório de Lockhart , entraram em uma sala de aulas vazia e fecharam a porta devagarinho . Harry lançou um olhar de esguelha a as caras carrancudas de os amigos . - Acham que eu lhes devia ter falado de a voz que ouvi ? - Não - respondeu Ron , sem a mínima hesitação . - Ouvir vozes que mais ninguém ouve , não é bom sinal , nem em o mundo de os feiticeiros . Algo em a voz de Ron levou Harry a fazer a pergunta : - Tu acreditas em mim , não acreditas ? - Claro que sim - respondeu o Ron de imediato . - Mas tens de concordar que é esquisito ... - Eu sei que é esquisito - confirmou Harry . - É tudo esquisito . O que era aquilo escrito em a parede ? * _ A_Câmara foi aberta * , o que é_que significa ? - Sabes , faz me lembrar qualquer coisa - disse Ron lentamente . - Acho que alguém me contou uma história sobre uma câmara secreta em Hogwarts , talvez tenha sido o Bill ... - E que diabos é um * busca-pé * ? - perguntou Harry . Para sua surpresa , Ron abafou o riso . - Bem , em a verdade não tem graça nenhuma , mas como é o Filch ... - disse . - Um * busca-pé * é alguém que nasceu de uma família de feiticeiros , mas não tem poderes mágicos . É uma espécie de o oposto de os que vêm de famílias de Muggles , mas são feiticeiros . Os * busca-pé * são muito raros . Se o Filch está a tentar aprender magia em um curso rápido , acho que ele deve ser mesmo um busca-pé . Isso explicaria tudo , por_exemplo , porque detesta tanto os estudantes . - Ron sorriu satisfeito . - Tem inveja . Um relógio deu as horas , algures . - Meia-noite - disse Harry . - É melhor irmo nos deitar , antes que o Snape apareça e tente acusar nos de qualquer coisa . Durante alguns dias não se falou de outra coisa em a escola a não ser de o ataque a a gata , Mrs._Norris . Filch manteve o sucedido bem fresco em a memória de todos , andando de um lado para o outro em o lugar onde ela fora atacada , como_se esperasse por o responsável . Harry vira o esfregar a mensagem de a parede com a « solução removedora de toda_a porcaria mágica Mrs._Skower » , mas sem qualquer resultado . As palavras continuavam a brilhar tanto como antes sobre a pedra . Quando Filch não estava a patrulhar a cena de o crime , vagueava , de olhos avermelhados , por os corredores , perseguindo alunos insuspeitos e tentando aplicar lhes castigos por coisas como « respirar muito alto » ou « estar alegre » . Ginny_Weasley parecia muito perturbada com o destino de Mrs._Norris . Segundo Ron ela era uma amante de gatos . - Mas tu nem chegaste a conhecer bem Mrs._Norris - disse lhe Ron para a animar . - Com toda_a franqueza , estamos muito melhor sem ela . - O lábio de Ginny tremeu . - Não é costume acontecerem coisas de estas em Hogwarts - tranquilizou a . - Eles vão descobrir o safado que fez aquilo e põem o de aqui para fora em três tempos . - Só espero que tenha tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso . Estou a brincar , claro - acrescentou o Ron apressadamente a o ver a Ginny a empalidecer . O ataque afectara também Hermione . Era costume de ela passar muito_tempo a ler , mas agora parecia não fazer mais_nada . Nem respondia a o Harry e a o Ron quando lhe perguntavam o que estava a fazer e só acabaram por descobrir em a quarta-feira seguinte . Harry tivera de ficar até mais tarde em a sala de poções onde Snape o mandara raspar restos de larvas de as secretárias . Depois de um almoço comido a a pressa , ele foi lá acima encontrar se com Ron em a biblioteca e viu Justin_Finch - _ Fletchley , o rapaz de os Hufflepuff de herbologia que vinha em direcção a ele . Harry tinha acabado de abrir a boca para dizer um « Olá » quando Justin o viu , voltando se bruscamente e mudando de direcção . Harry foi encontrar o Ron em as traseiras de a biblioteca , a medir o trabalho de casa de história de a magia . O professor Binns pedira uma composição sobre a Assembleia_Medieval_de_Feiticeiros_Europeus com 90cm . De extensão . - Não posso crer que ainda me faltem 16cm - disse o Ron furioso , largando o pergaminho que se enrolou em forma de tubo - e que a Hermione fez um metro e trinta em aquela letra pequenina e apertadinha . - Onde está ela ? - perguntou Harry , agarrando em a fita métrica e desembrulhando o seu trabalho de casa . - Algures por aí - disse o Ron , apontando para as estantes . - _ a a procura de outro livro . Acho que ela está a tentar ler a biblioteca toda antes de o Natal . Harry contou a Ron que Justin_Finch - _ Fletchley tinha evitado falar lhe . - Não sei porque te preocupas com isso . Eu achei o um idiota - disse o Ron , escrevinhando e fazendo a letra o maior possível . - Todo aquele disparate sobre o Lockhart ser tão grande ... Hermione surgiu de o meio de as estantes . Parecia irritada e disposta , por fim , a falar com eles . - Todos os exemplares de * _ Hogwarts : Uma História * foram requisitados - disse , sentando se ao_lado_de Harry e Ron . - E há uma lista de espera de duas semanas . Quem me dera não ter deixado o meu exemplar em casa , mas não consegui que coubesse em a mala com todos os livros de o Lockhart . - Para que o queres ? - perguntou Harry . - Pelo mesmo motivo que toda_a_gente o quer - disse Hermione . - Para ler a lenda de a Câmara_dos_Segredos . - O que é isso ? - Precisamente . Não me lembro - disse Hermione , mordendo o lábio . - E não encontro a História em lugar nenhum . - Hermione , deixa me ler o teu trabalho - pediu Ron desesperado , olhando para o relógio . - Não , não deixo - respondeu Hermione com um ar severo . - Tiveste dez dias para o fazer . - Só preciso de mais quatro centímetros , vá lá ... A campainha tocou . Ron e Hermione encaminharam se para a História_da_Magia , discutindo . A História_da_Magia era a matéria mais chata de o programa . O professor Binns , que dava a cadeira , era o único professor fantasma e a coisa mais excitante que aconteceu em as suas aulas foi o dia em que entrou por o quadro preto . Já velho e enrugado , muita gente afirmava a seu respeito que ele não dera por_que tinha morrido . Pura e simplesmente levantara se um dia para ir dar aulas , deixando o corpo atrás , em um cadeirão em frente de a lareira de a sala de os professores . Desde esse dia a sua rotina mantivera se igual . Era hoje tão chato como fora sempre . Abriu as notas e começou a ler em um tom monocórdico como um velho aspirador até quase todos os alunos estarem em um estado de profunda dormência , acordando de vez em quando , para tomar nota de um nome ou de uma data , e voltando a adormecer . Estava a falar havia meia_hora quando aconteceu algo que nunca tinha acontecido . Hermione pôs o braço em o ar . O professor Binns olhou de relance , em o meio de a chatíssima aula sobre a Convenção_Internacional_de_Feiticeiros de 1289 , verdadeiramente espantado . - Miss ... er ... ? - Granger , professor . Poderia dizer nos alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Hermione em uma voz bem audível . O Dean_Thomas , que tinha estado sentado de boca aberta olhando para fora de a janela , saiu de o seu transe com um salto . A cabeça de Lavender_Brown saiu de os braços e o cotovelo de o Neville_Longbottom escorregou para fora de a secretária . O professor Binns piscou os olhos . - A minha matéria é História_da_Magia - disse em a sua voz seca e asmática . - Eu trato de factos , Miss_Granger , não de mitos e lendas - pigarreou produzindo um ruído que parecia o giz sobre o quadro e continuou : - Em Setembro de esse ano , uma subcomissão de feiticeiros de a Sardenha ... Parou de repente . A mão de Hermione estava de_novo em o ar . - Sim , Miss_Grant ? - Por favor , professor , as lendas não têm sempre um facto como base ? O professor Binns olhava para ela com tal espanto que Harry teve a certeza de que ele nunca , em tempo algum , fora interrompido por um aluno . - Bem - disse lentamente o professor Binns . - Sim , é uma afirmação que pode fazer se . - Olhou para Hermione como_se fosse a primeira vez que olhasse a sério para um estudante . - Contudo , a lenda de que me fala é tão extraordinária , mesmo grotesca ... Mas a aula inteira estava agora atenta a as palavras de o professor , que olhou indistintamente para todos eles . Harry poderia assegurar que ele estava absolutamente abismado por uma tão grande demonstração de interesse . - Muito bem - disse lentamente . - Ora vejamos ... a Câmara_dos_Segredos . Todos vocês sabem com certeza que Hogwarts foi fundada há mais de um_milhar de anos , não se conhece ao_certo a data , por os quatro maiores feiticeiros e feiticeiras de a época : Godric_Gryffindor , Helga_Hufflepuff , Rowena_Ravenclaw e Salazar_Slytherin . Construíram juntos este castelo , longe de os olhares curiosos de os Muggles porque em aquele tempo a magia era temida por as pessoas comuns e as bruxas e feiticeiros sofriam terríveis perseguições . Fez uma pausa , olhou indeciso em volta e prosseguiu : - Durante alguns anos , os fundadores trabalharam juntos em harmonia procurando outros mais novos que mostrassem sinais de possuir dotes mágicos e trazendo os para o castelo para aqui serem ensinados . Mas os desentendimentos surgiram entre eles . Começou a notar se uma divisão entre Slytherin e os outros . Salazar_Slytherin queria ser mais selectivo em relação a os alunos a serem admitidos em Hogwarts . Achava que os ensinamentos de magia deviam ficar dentro de as famílias de feiticeiros . Não lhe agradava a entrada em a escola de alunos de famílias Muggles porque os achava pouco dignos de confiança . Depois de algum tempo houve uma séria discussão sobre esse assunto entre Slytherin e Gryffindor e Slytherin abandonou a escola . O professor Binns fez uma nova pausa , fazendo beicinho o que o fazia parecer uma tartaruga enrugada . - Fontes fidedignas referem nos isto - disse . - Mas estes factos foram obscurecidos por a fantasiosa lenda de a Câmara_dos_Segredos . Conta a história que Slytherin construíra uma câmara oculta dentro de o castelo cuja existência os outros fundadores ignoravam . De_acordo com a lenda , Slytherin selou a Câmara_dos_Segredos para que ninguém pudesse abri a até o seu verdadeiro herdeiro chegar a a escola . O herdeiro , e apenas ele , poderia abrir a Câmara_dos_Segredos , libertar o horror que lá se encontrava e utilizá o para expurgar a escola de todos aqueles que eram indignos de aprender magia . Houve um silêncio quando ele se calou que não era o habitual silêncio de sono de as aulas de o professor Binns . Havia um desassossego em o ar enquanto todos continuavam a olhá o a a espera de mais . O professor Binns estava ligeiramente aborrecido . - A história toda é um disparate , claro - disse ele . - A escola foi revistada por várias vezes em busca de provas de a existência de essa câmara , por os feiticeiros e bruxas mais conhecedores . Não existe nada . Uma lenda que serviu apenas para assustar os ingénuos . A mão de Hermione estava novamente em o ar . - Professor , o que quer_dizer , ao_certo com « o horror que estava dentro de a câmara » ? - Acredita se que seja uma espécie de monstro que só o herdeiro de Slytherin pode controlar - disse o professor Binns em a sua voz seca e débil . A aula trocou entre si olhares inquietos . - Como vos digo , a coisa não existe - afirmou o professor Binns , desordenando as suas notas . - Não há câmara e não há monstro . - Mas , professor - disse Seamus_Finnigan . - Se a câmara só podia ser aberta por o herdeiro de Slytherin ninguém mais poderia encontrá a . Não é ? - Um disparate pegado - disse o professor Binns , em um tom de voz exasperado . - Se uma longa sucessão de directores e directoras de Hogwarts não a encontraram ... - Mas , professor - começou a dizer Parvati_Patil . Se_calhar é preciso usar magia negra para a abrir ... - Lá porque um feiticeiro não usa magia negra não quer_dizer que não possa , Miss_Pennyfeather - interrompeu o professor Binns . - Repito , se os antecessores de Dumbledore ... - Mas talvez seja preciso fazer parte de os Slytherin , por isso Dumbledore não podia ... - começou Dean_Thomas , mas o professor Binns já estava farto . - Já chega - disse , de modo cortante . - É um mito . Não existe . Não há uma única prova de que Slytherin tenha construído nem mesmo uma despensa para vassouras . Lamento ter vos contado esta história tola . Vamos voltar , se fazem o favor , a a História , a os factos sólidos , verificáveis , credíveis . E em menos_de cinco minutos toda_a classe mergulhara em a sua sonolência habitual . - Eu sempre ouvi dizer que Salazar_Slytherin era um velho retorcido e meio pateta - disse Ron_a_Harry e Hermione enquanto abriam caminho por os corredores cheios , em o final de a aula , para ir arrumar as malas antes de o jantar . - Mas não sabia que ele tinha começado esta coisa de o sangue puro . Eu não ia para os Slytherin nem que me pagassem . Se o chapéu seleccionador me tivesse posto lá , pegava em as malas e ia me embora ... Hermione acenou vivamente , mas Harry não abriu a boca . O estômago parecia ter dado uma volta . Harry nunca contara a o Ron e a a Hermione que o chapéu seleccionador tinha considerado seriamente a possibilidade de o colocar em os Slytherin . Lembrava se como_se tivesse sido em a véspera do_que a vozinha lhe dissera a o ouvido quando pôs o chapéu em a cabeça , um ano antes . * _ Podias vir a ser grande , sabes ? Está tudo aqui em a tua cabeça e Slytherin ajudaria te em o caminho para a grandeza , sem a menor dúvida * ... Mas Harry , que já ouvira falar de a fama de o grupo de os Slytherin de formar magos negros , pensou desesperadamente . - Em os Slytherin , não ! - E o chapéu tinha dito . - Bem , se tens assim tanta certeza ... será melhor os Gryfffndor . Enquanto eram empurrados por a multidão , Colin_Creevey passou por eles . - Olá , Harry ! - Olá , Colin - disse Harry automaticamente . - Harry , Harry , um rapaz de a minha turma tem andado a dizer que tu és ... Mas Colin era tão baixinho que não conseguiu lutar contra a maré de gente que o arrastou até a o vestíbulo . Ouviram o despedir se : - Adeus , Harry - e desaparecer . - O que é_que o rapaz de a turma de ele disse de ti ? - quis saber Hermione . - Que eu sou o herdeiro de Slytherin , imagino - disse Harry , com o estômago ainda a as voltas e lembrou se de repente de o Justin_Finch - _ Fletchley a fugir para não lhe falar , a a hora de o almoço . - As pessoas aqui acreditam em tudo - disse o Ron com repugnância . A multidão diminuiu e conseguiram subir as escadas sem dificuldade . - Achas mesmo_que existe uma Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Ron_a_Hermione . - Não sei - respondeu ela , franzindo a testa . - Dumbledore não conseguiu curar Mrs._Norris e isso leva me a pensar que o que a atacou pode não ser ... humano . Enquanto falava , voltaram uma esquina e encontraram se em o fim de aquele mesmo corredor onde o ataque tinha ocorrido . Pararam para olhar . Estava tudo igual a aquela outra noite , com excepção de a gata Mrs._Norris e havia uma cadeira vazia encostada a a parede , onde podia ler se a mensagem « : __ a câmara foi __ aberta » . - Foi aqui que o Filch montou a guarda - murmurou Ron . Olharam uns para os outros . O corredor estava deserto . - Não deve fazer mal dar uma olhadela aqui - disse Harry , deixando cair a mala e pondo se de quatro para poder gatinhar em busca de pistas . - Marcas de queimadura - disse - aqui e aqui ... - Venham ver isto ! - chamou Hermione . - Que estranho ... Harry levantou se e foi até a a janela que ficava junto de a mensagem . Hermione apontava para o vidro mais alto , onde cerca de uma vintena de aranhas se debatiam em uma aparente luta por atravessar por uma pequena brecha de vidro . Um longo fio prateado balouçava como uma corda , como_se todas tivessem trepado , em a ânsia de chegar lá fora . - Alguma vez viram aranhas agir assim ? - perguntou Hermione , curiosa . - Não - respondeu Harry . - E tu , Ron ? Ron ? Olhou por cima de o ombro . Ron estava de costas , bem lá atrás e parecia lutar contra o impulso de se virar . - O que é_que se passa ? - perguntou Harry . - Eu não gosto de aranhas - disse Ron , de modo tenso . - Nunca me tinhas dito - comentou Hermione , olhando para ele com surpresa . - Estás farto de usar aranhas em as poções ... - Não me importo quando estão mortas - explicou Ron que olhava cautelosamente para todos os lados , menos para a janela . - Não gosto de a maneira como_se mexem . Hermione riu se baixinho . - Não tem graça nenhuma - disse o Ron , furioso . - Se queres saber , quando eu tinha três anos , o Fred transformou o meu ursinho de pelúcia em uma enorme aranha nojenta , por eu lhe ter partido a vassoura de brinquedo . Tu também não gostarias de aranhas se estivesses agarrada a o teu ursinho e , de repente , ele tivesse uma data de pernas e ... Começou a tremer ... Hermione ainda estava a tentar conter o riso . Sentindo que era melhor mudarem de assunto , Harry perguntou : - Lembram se de a água que havia aqui em o chão ? De onde terá vindo ? Alguém a limpou . - Era por aqui - disse o Ron , já recuperado , avançando alguns passos em direcção a a cadeira de o Filch e apontando . - Junto de esta porta . Estendeu a mão para o puxador de a porta , mas retirou a de imediato , como_se se tivesse queimado . - O que foi ? - perguntou Harry . - Não posso entrar aí - disse o Ron bruscamente . - É a casa_de_banho de as raparigas . - Oh , Ron , não está aí ninguém - sossegou o Hermione enquanto se aproximava . - É o lugar de a Murta_Queixosa . Anda , vamos dar uma espreitadela . E ignorando o grande letreiro que dizia « Fora de serviço » Hermione abriu a porta . Era a casa_de_banho mais sombria e deprimente em que Harry tinha posto os pés durante toda_a sua vida . Debaixo_de um grande espelho partido e sujo podia ver se uma fila de lavatórios de pedra , rachados . O chão estava húmido e reflectia a luz fraca de os pavios de algumas velas que ardiam baixinho em os suportes . As portas de madeira de os cubículos estavam todas lascadas e riscadas e uma de elas balouçava fora de as dobradiças . Hermione levou os dedos a os lábios e foi até a o último cubículo . Quando lá chegou disse : - Olá , Murta , como estás ? Harry e Ron foram ver . A Murta_Queixosa flutuava em a cisterna de a casa_de_banho , tirando um ponto negro de o queixo . - Esta é a casa_de_banho de as raparigas - disse a o ver o Ron e o Harry . - Eles não são raparigas . - Não - concordou Hermione . - Eu só queria mostrar lhes como esta casa_de_banho é ... er ... simpática . Ela fez um aceno vago a o velho espelho sujo e a o chão húmido . - Pergunta lhe se viu alguma coisa - sussurrou o Ron a a Hermione . - Porque estão a dizer segredinhos ? - perguntou a Murta , fitando o . - Não é nada - disse Harry rapidamente . - Queríamos perguntar ... - Gostava que as pessoas parassem de falar em as minhas costas ! - desabafou a Murta em uma voz abafada por as lágrimas . - Eu tenho sentimentos , sabem , apesar_de estar morta . - Murta , ninguém quis aborrecer te - explicou Hermione . - O Harry só ... - A minha vida foi uma infelicidade em este lugar e agora as pessoas vêm estragar a minha morte . - Nós queríamos perguntar te se tinhas visto alguma coisa estranha ultimamente - disse Hermione sem perder tempo . - Porque foi atacada uma gata mesmo aqui a a frente de a tua porta em a noite de o * _ Hallowe'en * . - Viste alguém aqui perto em essa noite ? - insistiu Harry . - Não estava a prestar atenção - disse a Murta com ar dramático . - O Peeves aborreceu me tanto que vim aqui para tentar matar me . Só então me lembrei de que estou ... de que estou ... - Já morta - ajudou o Ron . A Murta soluçou tragicamente , elevou se em o ar , voltou se e mergulhou de cabeça em a sanita , espalhando água por_cima_de todos eles e desaparecendo . Por o som de os seus soluços abafados fora certamente descansar algures em o cano em forma de V._Harry e Ron ficaram de boca aberta , mas Hermione encolheu os ombros de cansaço e disse : - Se querem saber , para a Murta isto até foi alegre ... vá , vamos embora . Harry tinha acabado de fechar a porta deixando atrás os soluços gorgolejantes de a Murta quando uma voz forte o fez dar um salto . - RON ! Percy_Weasley estava parado em o cimo de as escadas com o seu distintivo de prefeito a brilhar e uma expressão chocadíssima em o rosto . - Isso é a casa_de_banho de as raparigas ... o que é_que vocês ... ? - Estávamos só a dar uma vista de olhos - exclamou o Ron - a a procura de pistas ... Percy engoliu em seco , de uma maneira que fez Harry lembrar se de Mrs._Weasley . - Saiam imediatamente de aqui - disse , aproximando se de eles a passos largos e gesticulando agitadamente . - Não se preocupam com as aparências ? Voltar aqui enquanto toda_a_gente está a jantar ... - Porque não havíamos de estar aqui ? - perguntou cheio de vivacidade o Ron , parando de repente e olhando Percy em os olhos . - Ouve lá , nós não tocamos em aquela gata . - Isso foi o que eu tentei explicar a a Ginny - respondeu Percy furioso - mas ela parece continuar a pensar que vocês vão ser expulsos . Nunca a vi tão aflita . Não pára de chorar . Devias pensar em ela . Todos os alunos de o primeiro ano andam superexcitados com esta história . - Tu não estás nada preocupado com a Ginny - disse o Ron já com as orelhas vermelhas . - O que te assusta é_que eu possa estragar as tuas possibilidades de ser chefe de turma . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor ! - bradou Percy , apontando elegantemente para o distintivo de prefeito . - E espero que te sirva de lição . Acabou se o trabalho de detective ou escrevo a a mãe a contar lhe . E voltou lhes as costas , a nuca tão vermelha como as orelhas de o Ron . Harry , Ron e Hermione , em essa noite , sentaram se em a sala comum o mais longe possível de Percy . Ron estava ainda muito maldisposto e não parava de esborratar o trabalho de casa de os encantamentos . Quando pegou distraidamente em a varinha para tirar as manchas incendiou o pergaminho . A deitar quase tanto fumo como o seu trabalho de casa , fechou bruscamente o * _ Livro_Padrão_de_Encantamentos de o 2.o Grau * . Para grande surpresa de Harry , Hermione fez o mesmo . - Mas quem poderia ser - perguntou ela baixinho como_se continuasse uma conversa que tinham acabado de ter . - Quem quereria todos os * busca-pés * e filhos de Muggles fora de Hogwarts ? - Vamos pensar - disse o Ron em a brincadeira , fingindo estar confuso . - Quem poderemos nós conhecer que ache que os familiares de Muggles são escumalha ? Olhou para Hermione . Ela olhou para ele pouco convencida . - Se estás a pensar em o Malfoy ... - Claro que estou - disse o Ron . - Tu ouviste o dizer : - Vocês serão os próximos , sangues de lama ! - Aliás , basta olhar para aquela cara de renegado para saber que ele é ... - Malfoy , o herdeiro de Slytherin ? - repetiu Hermione cepticamente . - Olha para a família de ele - disse Harry , fechando também os livros . - Todos eles estiveram em os Slytherin . O Draco está sempre a vangloriar se de isso . Podiam bem ser descendentes de Slytherin . O pai de ele é suficientemente mau . - Podiam perfeitamente ter tido a chave de a Câmara_dos_Segredos durante séculos - disse Ron - , fazendo a passar de pai para filho . - Bem - acedeu Hermione cautelosamente . - Seria possível ... - Mas como prová o ? - perguntou Harry tristemente . - Talvez haja um meio - sugeriu Hermione lentamente , baixando ainda mais a voz e lançando um olhar , através de a sala , a Percy . - É claro que não é fácil . E é perigoso , muito perigoso . Suponho que iríamos infringir cerca de cinquenta regras de a escola . - Se de aqui a um mês ou dois te decidires a explicar , avisa , está bem ? - disse Ron , que começava a ficar irritado . - Está bem - concordou Hermione friamente . - O que precisaríamos de fazer para entrar em a sala comum de os Slytherin e fazer algumas perguntas a o Malfoy , sem ele perceber que éramos nós ? - Mas isso é impossível - declarou Harry , enquanto Ron se ria . - Não , não é - continuou Hermione . - Só precisamos de um_pouco de poção * polisuco * . - O que é isso ? - perguntaram ao_mesmo_tempo Ron e Harry . - O Snape falou de ela em uma aula , há poucas semanas atrás . - Achas que não temos mais o que fazer do_que ouvir o Snape ? - murmurou o Ron . - Transforma nos em outra pessoa . Pensem em isso : podíamos transformar nos em três de os Slytherin . Ninguém saberia que éramos nós . É provável que o Malfoy nos contasse alguma coisa . Aposto que ele está a gabar se , em este momento , em a sala de os Slytherin , se ao_menos pudéssemos ouvi o . - Essa coisa de o * polisuco * cheira me um bocado mal - disse o Ron , franzindo as sobrancelhas . - E se ficarmos com a forma de os três Slytherin para sempre ? - Desaparece a o fim de algum tempo - disse Hermione , gesticulando impacientemente com a mão - mas conseguir a receita é muito difícil . O Snape disse que vinha em um livro chamado * _ As_Mais_Potentes_Poções * e está com certeza em a parte de os reservados de a biblioteca . Só havia uma maneira de obter o livro de os reservados : era com uma autorização assinada por um professor . - Não estou a ver porque quereríamos o livro - disse o Ron . - Se não para tentar fabricar uma de as poções . - Eu acho - sugeriu Hermione - que se fizéssemos parecer que o nosso interesse era apenas teórico , talvez conseguíssemos ... - Estás a sonhar , nenhum professor ia cair em essa - afirmou o Ron . - Só se fosse muito burro . X_A * bludger * perigosa Depois de o desastroso incidente de os duendes , o professor Lockhart não voltou a levar seres vivos para as aulas . Em vez de isso , lia a os alunos passagens de os seus livros e , por vezes , voltava a desempenhar alguns de os episódios mais dramáticos . Costumava chamar Harry para o ajudar em essas reconstruções . Até ali Harry fora obrigado a desempenhar o papel de um camponês de a Transilvânia que Lockhart curara de uma maldição murmurada , o abominável homem de as neves com dores de cabeça e um vampiro que depois de ter conhecido Lockhart tinha ficado incapaz de comer outra coisa que não fosse alfaces . Harry foi chamado para a frente de a classe durante a aula de Defesa contra as artes negras que se seguiu . Desta_vez para desempenhar o papel de um lobisomem . Se não tivesse um bom motivo para querer ver o Lockhart bem-disposto , teria se recusado . - Um uivo bem alto , excelente , Harry , isso mesmo . E foi então que , acreditem ou não , eu o ataquei de repente , assim . Atirei o a o chão , agarrei o com uma mão e com a outra consegui meter lhe a varinha em a garganta . Então , com a força que me restava pus em prática o complicadíssimo encantamento * _ Homorphus * . Harry soltou um uivo tristíssimo . - Vá lá , Harry , mais alto . Bom ... o pêlo desapareceu , os dentes diminuíram de tamanho e ele transformou se em um homem . Simples , mas eficaz e mais uma cidade ficará a lembrar se de mim para sempre como o herói que os libertou de os ataques mensais de o lobisomem . A campainha tocou e Lockhart pôs se de pé . - Trabalho para_casa : escrever um poema sobre a minha vitória sobre o lobisomem Wagga_Wagga . Há um exemplar autografado de * _ Eu , o Mágico * para o autor de o melhor poema . Os alunos começaram a sair . Harry voltou para trás e foi juntar se a o Ron e a a Hermione que estavam a a espera de ele . - Prontos ? - perguntou . - Espera até saírem todos - disse Hermione bastante nervosa . - Pronto ... Aproximou se de a secretária de Lockhart , apertando em a mão uma folha de papel , com o Ron e o Harry atrás . - Er ... professor Lockhart - gaguejou Hermione . - Eu queria requisitar este livro em a biblioteca , como leitura de apoio - entregou lhe o papel , com a mão ligeiramente trémula . - Só que faz parte de a secção de os reservados , por isso preciso de a assinatura de um professor . Acho que o livro me vai ajudar a compreender o que o senhor diz em * _ Passeios com Vampiros * acerca de os venenos de acção lenta ... - Ah , * _ Passeando com Vampiros * - disse Lockhart , pegando em a folha de papel de Hermione e sorrindo lhe abertamente . - E provavelmente o meu livro preferido . Gostou ? - Oh , muito - disse Hermione avidamente . - Tão inteligente o modo como apanhou o último com o passador de o chá . - Bem , tenho a certeza que ninguém se importará que eu dê uma ajudazinha suplementar a a melhor aluna de o segundo ano - disse Lockhart calorosamente , sacando de uma enorme pena de pavão . - É bonita , não é ? - comentou , adivinhando uma expressão de repulsa em a cara de o Ron . - Costumo guardas a para as minhas assinaturas de autógrafos . Rabiscou uma enorme assinatura cheia de altos e baixos e entregou a a Hermione . - Então , Harry - disse Lockhart enquanto Hermione dobrava a folha e a guardava em o saco . - Amanhã é a primeira partida de Quidditch de este ano , não é ? Gryffindor contra Slytherin . Ouvi dizer que és um jogador indispensável . Eu também fui * seeker * . Convidaram me inclusivamente para fazer parte de a Equipa_Nacional , mas eu preferi dedicar a minha vida a a erradicação de as forças de o mal . Mesmo_assim , se alguma vez precisares de um treino particular , não hesites em falar comigo , estou sempre disponível para partilhar a minha perícia com os jogadores menos dotados do_que eu . Harry fez um som indistinto com a garganta e saiu atrás_de Ron e Hermione . - Não acredito - disse quando os três examinavam a assinatura de Lockhart . - Ele nem viu que livro nós queríamos . - É porque é um idiota sem miolos - explicou o Ron . - Mas , quem se rala , temos o que queríamos . - Ele não é um idiota sem miolos - gritou Hermione com voz esganiçada enquanto se aproximavam quase a correr de a biblioteca . - Só porque ele disse que eras a melhor aluna de o segundo ano ... Baixaram as vozes a o entrar em a quietude abafada de a biblioteca . Madam_Prince , a bibliotecária , era uma mulher magra e irritável que parecia um abutre mal nutrido . - * _ Moste_Potente_Potions * ? - repetiu intrigada , tentando ficar com a folha de papel que Hermione se recusava a entregar lhe . - Gostava de a guardar para mim - disse sem fôlego . - Vá lá - intercedeu Ron , arrancando lhe a de as mãos e entregando a a Madam_Prince . - Nós arranjamos te outro autógrafo . O Lockhart assina tudo se aqui ficar muito_tempo . Madam_Prince pegou em o papel e voltou o em a direcção de a luz , decidida a descobrir uma falsificação , mas a assinatura passou em o teste . Desapareceu entre as estantes e voltou alguns minutos mais tarde , transportando um livro grande e de aspecto antiquado . Hermione meteu o com todo o cuidado em o saco e saíram , tentando não andar depressa de mais nem aparentar um ar culpado . Cinco minutos depois , estavam de_novo barricados em a casa_de_banho fora de serviço de a Murta_Queixosa . Hermione destruíra as objecções de Ron argumentando que aquele era o último lugar onde alguém em o seu juízo perfeito se lembraria de ir e que poderia assegurar lhes alguma privacidade . A Murta_Queixosa chorava ruidosamente em o seu cubículo , mas eles conseguiram ignorá a assim_como ela a eles . Hermione abriu * _ Moste_Potente_Potions * com todo o cuidado e inclinaram se os três sobre as páginas manchadas de humidade . Era fácil de perceber , logo à_primeira_vista de olhos , porque pertencia a a secção de os reservados . Algumas de as poções tinham efeitos quase impensáveis de tão macabros e havia ilustrações bastante desagradáveis , como , por_exemplo , aquela em que um homem parecia ter sido virado de o avesso e a de a bruxa com vários pares de braços suplementares a nascerem lhe em a cabeça . - Aqui está - disse Hermione excitadíssima a o encontrar a página intitulada « A poção * polisuco * « . Estava ilustrada com imagens de pessoas a meio de o processo de se transformarem em outras pessoas e Harry desejou ardentemente que a expressão de dor intensa que se lhes espelhava em o rosto fosse apenas produto de a imaginação de o artista desenhador . - Esta é a poção mais complicada que vi até hoje - disse Hermione enquanto examinava a receita . - Moscas asas de renda , sanguessugas , fluxo de cizânias e verdezelha - murmurou , acompanhando com o dedo a lista de ingredientes . - Bem , esses são relativamente simples , há os em a despensa de material de os estudantes , podemos tirar a a nossa vontade . Oh ! Vê só , pó de chifre de bicórneo ... não sei onde vamos arranjar isto ... e , é claro , um pedacinho de a pessoa em quem queremos transformar nos . - Como ? - perguntou Ron de forma cortante . - O que é_que queres dizer com um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos ? Eu não bebo nada que tenha lá dentro as unhas de os pés de o Crabbe ... Hermione continuou como_se não o tivesse ouvido . - Mas não temos que nos preocupar com isso por enquanto . Fica para o fim . Ron voltou se sem palavras para o Harry que tinha uma preocupação de outro tipo . - Já viste bem tudo_o_que vamos ter que roubar , Hermione ? Algumas coisas , não estão de certeza em a despensa de material de os alunos . O que é_que vamos fazer , arrombar os armários pessoais de o Snape ? Não sei se será uma boa ideia ... Hermione fechou o livro com um estrondo . - Bem , se vocês os dois se vão acagaçar , então está lindo - disse ela . Tinha as bochechas rosadas e os olhos mais brilhantes do_que era habitual . - Eu não gosto de quebrar regras , vocês sabem , mas acho que ameaçar os filhos de os Muggles é muito pior do_que construir uma poção difícil . Mas se vocês não querem descobrir se é o Malfoy , eu posso voltar já a a biblioteca e entregar o livro a Madam_Prince ... - Nunca pensei que chegaria o dia em que serias tu a convencer nos a quebrar regras - disse o Ron . - Está bem , vamos em essa , mas sem unhas de os pés , O. _ K. ? - Quanto tempo vai isso demorar a fazer , afinal ? - perguntou Harry quando Hermione , já com um ar mais satisfeito , voltou a abrir o livro . - Bem , como o fluxo de cizânias tem de ser recolhido durante a lua cheia e as asas de renda têm de ser abafadas durante vinte_e_um dias ... eu diria que se conseguirmos arranjar todos os ingredientes estará pronta dentro_de um mês . - Um mês ? - exclamou o Ron . - Nessa_altura já o Malfoy terá atacado metade de os filhos de Muggles ! - mas os olhos de Hermione contraíram se de_novo assustadoramente e ele acrescentou rapidamente . - Mas é o melhor plano que temos , por isso é melhor não olharmos para trás . Apesar_de tudo , enquanto Hermione verificava que não havia ninguém em os corredores e podiam sair de a casa_de_banho , Ron murmurou a Harry : - Seria muito mais simples se conseguisses , amanhã , atirar o Malfoy de a vassoura abaixo . Harry acordou cedo em o sábado de manhã e ficou um bocado a pensar em a partida de Quidditch que vinha a seguir . Estava nervoso , principalmente pelo que Wood diria se os Gryffindor perdessem , mas também com a ideia de enfrentar uma equipa apetrechada com as vassouras mais velozes que existiam . Nunca desejara tanto vencer os Slytherin como em aquele dia . Depois de meia_hora deitado com a barriga a dar horas , resolveu levantar se , vestir se e descer para tomar o pequeno-almoço . Lá em baixo , encontrou o resto de a equipa de os Gryffindor amontoada a o longo de a mesa comprida e vazia , todos eles com ar preocupado e sem vontade de conversar . Como_se aproximavam as onze horas , todos os alunos de a escola começaram a dirigir se para o estádio de Quidditch . O dia estava quente e húmido , com uma ameaça de trovoada em o ar . Ron e Hermione vieram apressadamente desejar a Harry boa sorte mal ele entrou em os vestiários . A equipa de os Gryffindor pôs os seus mantos vermelhos e sentou se para ouvir o discurso que Wood lhes fazia sempre antes de o jogo . - Os Slytherin têm vassouras melhores do_que nós - começou . - Não há como negá o . Mas nós temos gente melhor em cima de as vassouras . Treinámos mais do_que eles , voamos com todas_as condições climatéricas ( É bem verdade - murmurou George_Weasley - desde Agosto que não sei o que é estar seco ) . - E vamos fazê os engolir o dia em que deixaram aquele nojento de o Malfoy comprar a entrada em a equipa de eles . Com o peito agitado por a comoção , Wood voltou se par Harry . -- Cabe te a ti , Harry , mostrar lhes que um * seeker * tem de ter mais do_que um pai rico . Agarra a * snitch * antes d Malfoy ou morre a tentar porque temos absolutamente que vencer , hoje , Harry , temos que vencer . - Sem ansiedade , Harry - disse o Fred , piscando lhe o olho . Quando saíram em direcção a o campo , foram saudado por uma grande ovação principalmente de a parte de os Ravenclaw e de os Hufflepuff que estavam ansiosos por ver os Slytherin serem derrotados , mas os Slytherin que estavam entre a multidão também fizeram ouvir as suas vaias e pateadas . Madam_Hooch , a professora de Quidditch , pediu a Flin e Wood que apertassem as mãos o que eles fizeram , lançando um_ao_outro olhares ameaçadores , cada_um apertando a mão de o outro com mais força do_que aquela que seria necessário . - Atenção a o apito - disse Madam_Hooch . - Três , dois , um ... Com um bramido de a multidão para que subissem rapidamente , os catorze jogadores elevaram se em o céu cor de chumbo . Harry , mais alto do_que qualquer de os outros olhando para todos os lados em busca de a * snitch * . - Tudo bem , testa de cicatriz ? - gritou Malfoy , disparando por baixo de ele para lhe mostrar a velocidade de a sua vassoura . Harry não teve tempo de responder . Em esse preciso momento uma * bludger * preta e bem pesada veio direitinha a ele . Evitou a tão por um triz que ainda sentiu em os cabelos o ar que ela deslocara . - Foi por_pouco , Harry ! - exclamou o George , passando com grande rapidez , de bastão em a mão , pronto para lançar a * bludger * contra um Slytherin . Harry viu o dar a a * bludger * uma fortíssima pancada em direcção a Adrian_Pucey , mas a bola mudou de rumo em o meio de o ar e dirigiu se de_novo a Harry . Harry desceu rapidamente para se esquivar e George conseguiu lançá a contra Malfoy . Mais_uma_vez a * bludger * actuou como um * boomerang * e apontou a a cabeça de Harry . Harry ganhou velocidade e disparou contra o outro extremo de o campo . Ouvia o assobio de a * bludger * que o perseguia . O que era aquilo ? As * bludgers * nunca se concentravam assim em um único jogador , a sua função era tentar desmontar o maior número possível de intervenientes . Fred_Weasley esperava por a * bludger * em o extremo oposto . Harry baixou se quando o viu balançar se em frente de ela com toda_a garra . A * bludger * foi lançada para_fora_de campo . - Pronto , já está tudo resolvido - gritou Fred satisfeito , mas estava bastante enganado . Como_se fosse magneticamente atraída para Harry , a * bludger * lançou se de_novo contra ele e Harry teve de voar a_toda_a velocidade . Começara a chover . Harry sentia as gotas pesadas caírem lhe em o rosto , turvando lhe as lentes de os óculos . Não fazia ideia do_que se passava em o resto de o jogo , até ouvir Lee_Jordan que fazia o comentário dizer : - Os Slytherin vão a a frente com seis contra zero . As vassouras de qualidade superior de os Slytherin estavam obviamente a cumprir a sua função e enquanto isso , a * bludger * maluca fazia todos os possíveis para deitar abaixo o Harry . Fred e George voavam agora tão perto de ele , um de cada lado , que Harry não via senão os seus braços a balouçar e , se não conseguia ver a * snitch * , muito menos agarrá a . - Alguém enfeitiçou esta * bludger * - resmungou Fred , preparando o bastão com toda_a força quando ela se lançava de_novo contra Harry . - Precisamos de tempo - disse George , tentando fazer sinal a Wood enquanto evitava que a bola partisse o nariz a o Harry . Wood captou obviamente a mensagem . O apito de Madam_Hooch fez se ouvir e Harry , Fred e George desceram , tentando ainda evitar a * bludger * maluca . - O que é_que se passa ? - perguntou Wood enquanto a equipa de os Gryffindor se amontoava desordenadamente e os Slytherin , em o meio de a multidão , lançavam piadas . - Estamos a ser esmagados . Fred , George , onde estavam vocês quando aquela * bludger * impediu a Angelina de marcar ? - Estávamos seis metros acima , evitando que a outra * bludger * matasse o Harry , Oliver - gritou George furioso . - Alguém preparou isto , a bola não deixa o Harry em paz , ainda não perseguiu mais ninguém desde_que o jogo começou . Os Slytherin fizeram aqui qualquer coisa . - Mas as * bludgers * têm estado fechadas em o escritório de Madam_Hooch desde o último treino , e nessa_altura estava tudo bem ... - disse Wood ansiosamente . Madam_Hooch aproximava se . Por cima de o ombro de ela , Harry pôde ver a equipa de os Slytherin a escarnecer e apontar em a sua direcção . - Ouçam - disse o Harry , enquanto ela se aproximava . - Com vocês os dois a voarem sempre colados a mim , só vou apanhar a * snitch * se ela voar até a a minha manga . Voltem se para o resto de a equipa e deixem a tratante comigo . - Não sejas bronco - disse o Fred . - Ela arranca te a cabeça . Os olhos de Wood saltavam de Harry_para_os_Weasley . - Oliver , isto_é uma loucura - disse Alicia_Spinet , zangada . - Não podes deixar o Harry sozinho entregue a aquela coisa . Vamos pedir uma investigação . - Se pararmos agora , teremos de dar a partida como perdida e não vamos deixar os Slytherin ganhar , só por_causa_de uma * bludger * maluca . Vá lá , Oliver , diz lhes que me deixem sozinho . - A culpa é toda tua . * _ Agarra a snitch ou morre a tentar * , se isso é lá coisa que se diga . Madam_Hooch tinha se lhes juntado . - Prontos para retomar a partida ? - perguntou a Wood . Wood olhou para o ar determinado de Harry . - Deixem o sozinho , ele é capaz de lidar com a * bludger * . A chuva era agora mais pesada . A o apito de Madam_Hooch , Harry elevou se em os ares e ouviu o barulhinho de a * bludger * atrás_de si . Subiu cada_vez_mais alto . Fez acrobacias em espiral , descidas rápidas , ziguezagueou e rolou . Apesar_de ligeiramente estonteado , não deixou nunca de ter os olhos bem abertos . A chuva salpicava lhe os óculos e entrava lhe por as narinas , quando ele se voltou de cabeça para baixo , evitando outra forte investida de a * bludger * . Ouviu os risos de a multidão . Sabia que devia parecer ridículo , mas a * bludger * maluca era pesada e não podia mudar de direcção tão rapidamente quanto ele . Iniciou uma corrida que parecia de feira de diversões em volta de os extremos de o estádio , olhando de soslaio , através de os lençóis prateados de chuva , para os postes de os Gryffindor , onde Adrian_Pucey tentava passar por Wood . Um assobio junto de os ouvidos disse a Harry que a * bludger * falhara uma_vez_mais . Voltou se e voou rapidamente em a direcção oposta . - Estás a ensaiar * ballet * , Potter - gritou Malfoy quando Harry foi obrigado a fazer uma reviravolta estúpida em o ar para se esquivar mais_uma_vez de a * bludger * . Lá foi ele , com a * bludger * atrás a alguns metros de distância . E foi então que , olhando para Malfoy , furioso , a viu , a * snitch * de ouro . Flutuava alguns centímetros acima de os ouvidos de Malfoy que , de tão preocupado a escarnecer de Harry , nem dera por ela . Durante um momento angustiante , Harry ficou quieto em o ar , não ousando dirigir se a Malfoy , não fosse ele olhar para_cima e ver a * snitch * . PUM ! Tinha ficado parado tempo de mais . A * bludger * batera lhe , por fim , apanhando lhe o cotovelo e Harry sentiu o braço a partir se . Debilmente , desorientado por a dor cauterizante em o braço , Harry deslizou para um de os lados em a sua vassoura encharcada , um joelho ainda dobrado , o braço direito a balouçar , inútil , a o seu lado . A * bludger * veio de_novo , preparada para mais um ataque , desta_vez apontada a o seu rosto . Harry desviou se com uma intenção : chegar a Malfoy . Através_de uma nuvem de chuva e dor desceu até a o rosto tremeluzente e trocista e viu os olhos de ele dilatarem se de medo : Malfoy pensou que Harry ia atacá o . - Que diabo ... - resmungou , afastando se de o caminho . Harry tirou a outra mão de a vassoura e fez uma tentativa para agarrar qualquer coisa . Sentiu os dedos fecharem se em volta de a * snitch * dourada , mas conduzia agora a vassoura apenas com as pernas e ouviu se um grito de a multidão cá em baixo , quando ele fez a descida , tentando não desmaiar . Com um ruído seco caiu em a terra enlameada e rolou para fora de a vassoura . O braço tinha um ângulo um_pouco estranho . Torcendo se com dores , ouviu a a distância os assobios e os gritos . Concentrou se em a * snitch * que tinha fechada em a outra mão . - Ai - disse vagamente . - Ganhámos o jogo . E desmaiou . Voltou a si com a chuva a cair lhe em o rosto , ainda deitado em o campo , com alguém inclinado sobre ele . Viu um brilho de dentes brancos . - Oh , não , você não - gemeu . - Não sabe o que diz - afirmou Lockhart bem alto a a ansiosa multidão de Gryffindor que o comprimiam . - Não te preocupes , Harry , eu vou tratar de o teu braço . - Não - gritou Harry . - Eu fico com ele assim , obrigado . Tentou sentar se , mas a dor era enorme . Ouviu um « clique » familiar . - Não quero fotografias de isto , Colin - disse em voz alta . - Deita te para trás , Harry - insistiu Lockhart com toda_a calma . - É um encantamento muito simples que eu fiz imensas vezes . - Porque não me levam só para a ala hospitalar ? - perguntou Harry entredentes . - Seria o melhor , professor - disse a voz rouca de o Wood que não conseguia deixar de sorrir , apesar_de o seu * seeker * estar ferido . - Grande captura , Harry , verdadeiramente espectacular , a tua melhor jogada , em a minha opinião . Em o meio de a floresta de pernas que o rodeava , Harry avistou Fred e George_Weasley , metendo a * budger * perigosa em uma caixa . Continuava a dar uma luta enorme . - Para trás - ordenou Lockhart , que tinha arregaçado as mangas verde jade . - Não , eu não ... - protestou debilmente Harry , mas Lockhart tinha a varinha em a mão e , um segundo depois , apontava a para o braço de Harry . Uma sensação estranha e desagradável começou em o ombro e espalhou se , chegando a as pontas de os dedos . Parecia que o braço inteiro tinha sido esvaziado . Não foi capaz de olhar para o que estava a suceder . Tinha fechado os olhos , voltado o rosto para o outro lado , mas os seus maiores receios concretizaram se quando as pessoas lá em cima se sobressaltaram e Colin_Creevey começou a tirar fotografias como um louco . O braço deixara de lhe doer , mas parecia tudo menos um braço . - Ah ! - disse Lockhart . - Sim , bem isto às_vezes acontece . Mas o importante é_que os ossos já não estão partidos . Isso é o mais importante . Portanto , Harry , vai até a a ala hospitalar ... ah ! Mr._Weasley , Miss_Granger , poderiam levá o lá ? E Madam_Pomfrey poderá ... er ... arranjar um_pouco isso . Quando Harry se pôs de pé sentiu se estranhamente desequilibrado . Depois de respirar fundo , olhou para o lado direito e o que viu quase o fez desmaiar de_novo . Pendurado em a extremidade de a sua túnica estava o que parecia ser uma espessa e colorida luva de borracha . Tentou mexer os dedos mas ... em vão . Lockhart não consertara os ossos de Harry . Retirara os . M. dam Pomfrey não ficou nada satisfeita . - Devias ter vindo logo ter comigo - ralhou , segurando os restos tristes e moles de aquilo que antes fora um braço activo . - Eu conserto ossos em um segundo , mas fazê os crescer de_novo ... - Vai conseguir , não vai ? - perguntou Harry desesperado . - Sim , com certeza , mas vai ser doloroso - disse Madam_Pomfrey de modo severo , entregando lhe um pijama . - Vais ter que ficar cá esta noite ... Hermione esperou de o lado de_fora de a cortina que rodeava outra cama enquanto Ron ajudava Harry a vestir se . Levou algum tempo a enfiar o braço que parecia borracha dentro_de uma manga de o pijama . - Como é_que podes continuar a defender o Lockhart depois disto , Hermione ? - perguntou Ron através de as cortinas , enquanto puxava os dedos moles de o Harry por uma manga . - Se o Harry quisesse ser desossado , teria pedido . - Todos podem enganar se - disse Hermione . - E deixou de doer , não deixou , Harry ? - Sim - disse ele - mas também ficou incapaz de fazer seja o que for . Quando se meteu em a cama , o braço agitou se despropositadamente . Hermione e Madam_Pomfrey entraram . Madam_Pomfrey segurava uma grande garrafa com o rótulo * Skele - _ Gro * . - Vais ter uma noite difícil - preveniu , enchendo um pequeno copo fumegante e dando lhe a beber . - Fazer crescer ossos é uma coisa difícil . Tomar o * _ Skele - _ Gro * também . Queimou a boca e a garganta de o Harry a o descer , fazendo o tossir e cuspir . Resmungando sobre os desportos perigosos e os professores incapazes , Madam_Pomfrey retirou se , deixando Ron e Hermione a ajudar Harry a engolir um_pouco de água . - Mas ganhámos o jogo - disse o Ron com um sorriso em o rosto . - A tua jogada foi em grande . A cara de o Malfoy ... parecia que queria matar alguém . - Eu vou descobrir como é_que enfeitiçaram aquela * bludger * - disse Hermione com ar sombrio . - Podemos juntar essa pergunta a a lista de todas_as que queremos fazer a o Malfoy quando tomarmos a poção * _ Polisuco * - disse Harry , afundando se de_novo em as almofadas . - Espero que tenha um sabor melhor do_que esta coisa ... - Com um bocado de os Slytherin lá dentro , deves estar a brincar - disse o Ron . A porta de a ala hospitalar abriu se em esse momento e , completamente encharcados , entraram os restantes membros de a equipa de os Gryffindor , para ver o Harry . - Um voo inacreditável - disse George . - Acabei de ver Marcus_Flint a gritar com o Malfoy . Qualquer coisa sobre ter a * snitch * mesmo em cima de a cabeça e não ter dado por nada . O Malfoy não parecia nem um_pouco satisfeito . Tinham trazido bolos , rebuçados e garrafas de sumo de abóbora . Juntaram se em volta de a cama de Harry e estavam a dar início a o que prometia ser uma grande festa quando Madam_Pomfrey entrou a vociferar : - Este rapaz precisa de repouso . Tem trinta_e_três ossos a crescer . Fora de aqui . FORA ! E Harry ficou sozinho , sem nada que o distraísse de as dores agudas em o seu braço mole . Muitas horas mais tarde , Harry acordou subitamente em a escuridão total e soltou um pequeno grito de dor : sentia agora o braço cheio de estilhaços . Durante alguns segundos pensou que tinha sido a dor a acordá o . Depois , com um arrepio de horror , apercebeu se de que alguém estava a passar lhe uma esponja em a testa . - Sai de aqui - gritou , e em seguida : - Dobby ! Os olhos de o tamanho de bolas de ténis de o elfo doméstico estavam a olhá o em o escuro , uma lágrima grossa rolava por o seu enorme nariz . - Harry_Potter voltou a a escola - murmurou , infeliz . - Dobby avisou e voltou a avisar Harry_Potter . Ah ! senhor , porque não deu ouvidos a Dobby ? Porque não voltou Harry_Potter para_casa quando perdeu o comboio ? Harry ergueu se um_pouco , encostando se a as almofadas e afastou a esponja de o elfo . - O que estás a fazer aqui ? - perguntou . - E como sabes que eu perdi o comboio ? O lábio de Dobby tremeu e Harry foi assaltado por uma dúvida . - Foste tu . Tu impediste que a barreira nos deixasse passar . - Em a verdade fui eu , senhor - disse Dobby , acenando com a cabeça e com as orelhas a abanar . - Dobby escondeu se , esperou por Harry_Potter e selou a barreira . A seguir , Dobby teve de pôr as mãos em o ferro de engomar - mostrou a o Harry dez dedos longos embrulhados em ligaduras . - Mas Dobby não se importou , senhor , porque pensou que Harry_Potter estava a salvo e nunca Dobby sonhou que mesmo_assim ele viria para a escola ! Balançava se para a frente e para trás , sacudindo a cabeça feia . - Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry_Potter tinha voltado a a escola que deixou queimar o jantar de os seus donos . Dobby nunca tivera um castigo tão grande , senhor . Harry afundou se de_novo em as almofadas . - Quase conseguiste que nos expulsassem , a mim e a o Ron - disse furioso . - É melhor desapareceres de aqui antes que os meus ossos voltem a estar bem , Dobby , ou ainda te estrangulo . O elfo sorriu . - Dobby está habituado a ameaças de morte , senhor . Dobby recebe as cinco vezes por dia em a casa onde mora . Encostou o nariz a um canto de a fronha que usava , ficando tão ridículo que Harry sentiu a raiva desvanecer se , apesar_de tudo . - Porque usas essa coisa , Dobby ? - perguntou com curiosidade . - Isto , senhor ? - disse Dobby apontando para a fronha de almofada . - É uma prova de escravatura de o elfo doméstico , senhor . Dobby só pode ser libertado se os donos lhe derem roupa , senhor . A família tem o cuidado de não dar a o Dobby nem uma peúga , senhor , porque ele poderia ficar livre e deixar a casa para sempre . Dobby limpou os olhos protuberantes e disse subitamente : - Harry_Potter deve ir para_casa . Dobby achou que a sua * bludger * seria o suficiente para o fazer ... - A tua * bludger * ? - disse Harry com a raiva a crescer novamente dentro de ele . - Que queres tu dizer com a tua bludger * ? Foste tu quem fez com que aquela bola tentasse matar me ? - Matar não , senhor . Matar , nunca ! - disse o elho chocado . - Dobby quer salvar a vida de Harry_Potter . É melhor ir para_casa ferido do_que ficar aqui , senhor . Dobby só queria Harry_Potter suficientemente ferido para voltar para_casa . - Só isso ? - disse Harry furioso . - Imagino que não vais dizer me porque querias mandar me para_casa a os bocados ? - Ah ! se Harry_Potter soubesse ! - gemeu Dobby , com mais lágrimas a escorrerem lhe por a fronha esfarrapada . - Se pudesse saber o que significa para nós , para os humildes , os escravizados , nós , a escória social de o mundo mágico ! Dobby lembra se de como eram as coisas quando Aquele cujo nome não deve ser pronunciado estava em o auge de o poder , senhor ! Nós , os elfos domésticos éramos tratados como animais , senhor ! É claro que Dobby ainda é tratado assim - admitiu , secando o rosto em a fronha de almofada . - Mas , em a sua maioria , a vida melhorou bastante para os de a minha espécie desde_que Harry_Potter triunfou sobre Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Harry_Potter sobreviveu e o poder de os senhores de o Mal foi quebrado e veio uma nova alvorada , senhor , e Harry_Potter brilhou como um farol de esperança para aqueles de entre nós que já pensavam que a longa noite nunca mais teria fim , senhor ... e agora em Hogwarts vão acontecer coisas terríveis , talvez já esteiam a acontecer e Dobby não pode deixar Harry_Potter ficar aqui , agora_que a história vai repetir se , agora_que a Câmara_dos_Segredos está de_novo aberta . Dobby calou se horrorizado . Em seguida agarrou em o jarro de a água que Harry tinha a a cabeceira e bateu com ele em a própria cabeça , deixando se cair . Um segundo mais tarde voltou até junto de a cama , repetindo : - Mau , Dobby , muito mau , Dobby . - Quer_dizer , então , que existe mesmo a Câmara_dos_Segredos ? - murmurou Harry . - E dizes tu que já antes foi aberta ? Conta me , Dobby . Agarrou o pulso ossudo de o elfo quando a mão de ele se estendia para o jarro de a água . - Mas eu não sou filho de Muggles . Como posso estar em perigo por causa de a Câmara_dos_Segredos ? - Ah ! senhor , não pergunte a o pobre Dobby - lamentou se o elfo com os olhos enormes a brilharem em o escuro . - As forças de as trevas estão projectadas em este lugar , mas Harry_Potter não deve estar aqui quando as coisas acontecerem . Vá para_casa , Harry_Potter , vá para_casa . Harry_Potter não deve envolver se em isto , senhor , é demasiado perigoso ... - Quem é , Dobby ? - perguntou Harry , continuando a agarrar lhe o pulso com forca , impedindo que batesse de_novo em si próprio com o jarro . - Quem abriu a amara ? Quem a abriu de a última vez ? - Dobby não pode , senhor . Dobby não pode . Dobby não deve dizer - guinchou o elfo . - Vá se embora , Harry_Potter , vá se embora ! - Eu não vou para lugar nenhum - disse Harry , furioso . - Uma de as minhas melhores amigas é filha de Muggles , está em perigo se a câmara foi , de facto , aberta ... - Harry_Potter arrisca a própria vida por os amigos - gemeu Dobby em uma espécie de êxtase infeliz . - Tão nobre , tão corajoso , mas deve salvar se , Harry_Potter não deve ... Dobby calou se de repente com as orelhas de morcego a estremecerem . Harry também ouviu os passos que vinham lá fora , de o corredor . - Dobby tem de ir - balbuciou o elfo apavorado . Ouviu se um ruído e o pulso de Harry ficou subitamente fechado em o ar . Meteu se de_novo para baixo , em a cama , com os olhos fixos em a porta escura que dava entrada em a ala hospitalar enquanto os passos se aproximavam . Em o momento seguinte , Dumbledore estava a entrar , de costas , em o dormitório , vestindo uma longa túnica de lã e uma capa de noite . Transportava um extremo de aquilo que parecia ser uma estátua . A professora Mc_Gonagall surgiu um segundo mais tarde , pegando lhe em os pés . Os dois colocaram a em uma cama . - Chame Madam_Pomfrey - murmurou Dumbledore e a professora Mc_Gonagall passou por a cama de Harry , apressadamente , e desapareceu . Harry deixou se ficar muito quieto como_se estivesse a dormir . Ouviu vozes ansiosas e por fim a professora Mc_Gonagall apareceu de_novo , seguida de Madam_Pomfrey que vestia um casaco curto de lã sobre a camisa de dormir . Ouviu uma inspiração aguda . - O que aconteceu ? - murmurou Madam_Pomfrey_a_Dumbledore , inclinando se sobre a estátua que estava em a cama . - Outro ataque - disse Dumbledore . - A Minerva encontrou o em as escadas . Havia um cacho de uvas junto de ele . Acho que estava a tentar esgueirar se até aqui para vir visitar o Potter . O estômago de Harry deu uma reviravolta . Lenta e cuidadosamente ergueu se alguns centímetros para poder ver a estátua que estava sobre a cama . Um raio de luar iluminou lhe o rosto estático . Era_Colin_Creevey . Tinha os olhos abertos , e as mãos , em frente de a cara , seguravam a máquina fotográfica . -- Petrificado ? - murmurou Madam_Pomfrey . - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - Mas estou tentada a acreditar que ... se Albus não tivesse vindo cá abaixo tomar um chocolate quente ... quem sabe o que teria ... Os três olharam para Colin . Dumbledore inclinou se e retirou lhe a máquina de as mãos rígidas . - Será que ele conseguiu tirar a fotografia de o agressor ? - perguntou ansiosa a professora Mc_Gonagall . Dumbledore não respondeu . Abriu a parte detrás de a máquina . - Cruzes canhoto - disse Madam_Pomfrey . Um jacto de vapor tinha feito fervilhar a máquina . Harry , a três metros de distância , sentiu o cheiro tóxico de o plástico queimado . - Derretido - disse Madam_Pomfrey com grande espanto . - Tudo derretido . - O que significa isto , Albus ? - perguntou cada_vez_mais nervosa a professora Mc_Gonagall . - Significa - disse Dumbledore - que a Câmara_dos_Segredos está mesmo aberta outra_vez . Madam_Pomfrey levou uma mão a a boca . A professora Mc_Gonagall olhou assustada para Dumbledore . - Mas , Albus ... com certeza ... quem ? - A questão não é quem - disse Dumbledore com os olhos fixos em Colin . - A questão é como ... E pelo que Harry conseguiu ver de o rosto indistinto de a professora Mc_Gonagall , ela não compreendeu muito mais do_que ele . XI_O clube de os duelos Quando_Harry acordou , em o domingo de manhã , a enfermaria estava iluminada por um resplandecente sol de inverno e o seu braço tinha de_novo todos os ossos , apesar_de o sentir muito rígido . Sentou se rapidamente e olhou para a cama de Colin , mas ela fora isolada com as cortinas atrás de as quais se despira em a véspera . Vendo que ele tinha acordado , Madam_Pomfrey apareceu com um tabuleiro de pequeno-almoço e a seguir começou a apalpar lhe o braço e os dedos . - Tudo em ordem - disse , enquanto ele , com a mão esquerda , comia avidamente as papas de aveia . - Quando acabares de comer podes ir te embora . Harry vestiu se o mais depressa que pôde e dirigiu se a a pressa para a torre de os Gryffindor , ansioso por contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre Colin e Dobby , mas não os encontrou lá . Foi a a procura de eles , perguntando a si próprio onde teriam ido e sentindo se um_pouco magoado por o pouco interesse que demonstravam em saber se ele tinha recuperado os ossos . Quando passou por a biblioteca , Percy_Weasley vinha a sair com bastante melhor cara do_que de a última vez que se tinham encontrado . - Olá , olá , Harry - disse . - Excelente voo o de ontem , verdadeiramente sensacional . Os Gryffindor estão a a frente para a taça de a equipa . Ganhaste cinquenta pontos . - Não viste o Ron e a Hermione por aí ? - perguntou Harry . - Não , não vi - disse Percy com o sorriso a desaparecer . - Espero que o Ron não esteja outra_vez em a casa_de_banho de as raparigas ... Harry forçou um sorriso , viu Percy desaparecer e a seguir foi direitinho até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Não via lá muito bem por_que motivo o Ron e a Hermione lá estariam de_novo , mas , depois de se assegurar de que nem Filch nem nenhum de os prefeitos estavam por perto , abriu a porta e ouviu as vozes de eles que vinham de um cubículo fechado . - Sou eu - disse , fechando a porta atrás_de si . Ouviu se dentro de o cubículo um estrondo , um chapinhar e um sobressalto e ele viu o olho de a Hermione a espreitar por o buraco de a fechadura . - Harry - disse ela . - Pregaste nos um susto de morte . Entra . Como está o teu braço ? - _ óptimo - respondeu , apertando se dentro de o cubículo . Em cima de a sanita estava encarrapitado um velho caldeirão , e um crepitar a a superfície de a água disse a Harry que eles tinham acendido um fogo lá em baixo . Fazer aparecer fogos portáteis a a prova de água era uma de as especialidades de Hermione . - _ íamos visitar te , mas resolvemos começar a preparar a poção * _ Polisuco * - explicou Ron enquanto Harry fechava outra_vez a porta de o cubículo com alguma dificuldade . - Achámos que este era o lugar mais seguro para a esconder . Harry começou a contar lhes de o Colin , mas Hermione interrompeu o . - Nós já sabemos , ouvimos a professora Mc_Gonagall contar a o professor Flitwick hoje_de_manhã . Por isso resolvemos começar a ... - Quanto_mais depressa arrancarmos uma confissão a o Malfoy , melhor - rosnou o Ron . - Sabem o que eu penso ? Ele estava tão mal-humorado depois de o jogo de Quidditch que se vingou em o Colin . - Há outra coisa - disse Harry , vendo Hermione cortar molhos de verdezelha e lançá os dentro de a poção . - O Dobby foi visitar me a meio de a noite . Ron e Hermione olharam o espantados . Harry contou lhes tudo_o_que Dobby lhe dissera ... ou não dissera . Ron e Hermione ouviram o de boca aberta . - A Câmara_dos_Segredos já tinha sido aberta antes ? - repetiu Hermione . - Encaixa perfeitamente - disse Ron , em uma voz triunfante . - O Lucius_Malfoy deve ter aberto a Câmara_dos_Segredos quando andava em a escola e agora ensinou a o querido filhinho Draco como abris a . É óbvio , que pena o Dobby não te ter dito que tipo de monstro lá se encontra . Gostava de saber como é_que ninguém o viu andar por ai em a escola . - Talvez tenha a capacidade de se tornar invisível - sugeriu Hermione , picando sanguessugas para dentro de o caldeirão . - Ou talvez se disfarce , passando por uma armadura ou outra coisa de o género . Eu li umas coisas sobre vampiros camaleões ... - Tu lês de mais , Hermione - disse o Ron , deitando moscas asas de renda mortas por cima de as sanguessugas . Amarrotou o saco vazio de as asas de renda e olhou para Harry . - Então foi o Dobby que nos impediu de apanhar o comboio e te partiu o braço ... - abanou a cabeça . - Sabes o que eu acho ? Se ele não parar de tentar salvar te a vida ainda acaba por te matar . A notícia de que Colin_Creevey tinha sido atacado e estava agora em a ala hospitalar , como morto , espalhou se por toda_a escola em a segunda-feira de manhã . O ar ficou pesado e cheio de boatos e suspeitas . Os alunos de o primeiro ano começavam a andar por a escola em pequenos grupos , receando ser atacados se se aventurassem a andar isoladamente por os corredores . Ginny_Weasley , que era colega de carteira de o Colin em os encantamentos , estava perturbadíssima , mas Harry achou que Fred e George estavam a tentar animá a de a maneira errada . Revezavam se , mascarados com peles de animais e apareciam lhe subitamente detrás de as estátuas . Só pararam quando Percy , apopléctico de raiva , lhes disse que ia escrever a Mrs._Weasley a contar lhe que a Ginny andava a ter pesadelos . Enquanto isso , às_escondidas de os professores , uma panóplia de talismãs , amuletos e outros objectos de protecção ia enchendo a escola . Neville_Longbottom comprou uma enorme cebola verde que cheirava mal , um cristal pontiagudo cor de púrpura e uma cauda de tritão apodrecida antes de os outros rapazes de os Gryffindor lhe explicarem que ele não corria perigo : era um sangue puro e , portanto , muito pouco passível de ser atacado . - Eles foram a o Filch em primeiro lugar - disse Neville com o medo estampado em a cara redonda . - E toda_a_gente sabe que eu sou quase um * busca-pé * . Em a segunda semana de Dezembro , a professora Mc_Gonagall veio , como de costume , recolher os nomes de os alunos que ficavam em a escola durante o Natal . Harry , Ron e Hermione assinaram a lista . Tinham ouvido dizer que Malfoy ficava , o que lhes parecera muito suspeito . As férias seriam a altura ideal para usar a poção * _ Polisuco * e tentar arrancar lhe uma confissão . Infelizmente a poção estava a meio . Precisavam ainda de o chifre de bicórneo e o único lugar onde podiam arranjá o era em os depósitos privados de Snape . Harry , pessoalmente , preferia enfrentar o lendário monstro de os Slytherin do_que ser apanhado por o Snape a assaltar lhe o escritório . - O que precisamos - disse Hermione cheia de vivacidade quando se aproximava a aula conjunta de poções de quinta-feira a a tarde - para podermos entrar a a vontade em o escritório de o Snape , é de uma diversão . Harry e Ron olharam para ela , nervosos . - Acho que o melhor é ser eu a praticar o roubo - prosseguiu ela , em um tom perfeitamente casual . - Vocês os dois podem ser expulsos se forem apanhados e eu tenho uma folha limpa . Portanto , a única coisa que têm de fazer é distrair o Snape durante cerca de cinco minutos . Harry esboçou um meio sorriso . Provocar deliberadamente um estrago em a aula de poções de o Snape era tão seguro como ferir em um olho um dragão adormecido . As aulas de poções tinham lugar em um de os mais amplos calabouços . A de quinta-feira a a tarde não foi diferente de as outras . Vinte caldeirões fumegavam entre as secretárias de madeira , sobre as quais podia ver se laminas de latão e jarras com ingredientes . Snape deambulava por o meio de os fumos , fazendo reparos petulantes a o trabalho de os Gryffindor , enquanto os Slytherin riam a a socapa . Draco_Malfoy , que era o aluno preferido de Snape , não parava de lançar olhos de carneiro mal morto a o Ron e a o Harry , que sabiam que se retaliassem teriam um castigo , antes de poderem abrir a boca para dizer : - É injusto ! A solução de inchar de o Harry estava demasiado líquida , mas ele estava preocupado com coisas mais importantes . Esperava por o sinal de Hermione e mal deu por Snape se calar para ir espreitar a sua poção aguada . Quando o professor se voltou e foi implicar com o Neville , Hermione trocou um olhar com Harry e fez um aceno . Harry baixou se discretamente por detrás de o seu caldeirão , tirou de o bolso de trás um de os paus de fogo-de-artíficio Filibuster e deu lhe um toque de varinha . O fogo-de-artíficio começou a sibilar e a crepitar . Sabendo que tinha apenas alguns segundos , Harry endireitou se , ganhou coragem e lançou o a o ar . Aterrou certeiro em o caldeirão de o Goyle . A poção de o Goyle explodiu , salpicando toda_a aula . As pessoas gritavam , à_medida_que eram vítimas de os salpicos . Malfoy foi apanhado em a cara e o nariz começou a inchar como um balão . O Goyle tropeçava a as cegas , com as mãos em os olhos , que tinham ficado de o tamanho de pratos de sopa , enquanto o Snape tentava repor a calma e tentar perceber o que sucedera . Em o meio de a confusão , Harry viu Hermione esgueirar se a a socapa por a porta . - Silêncio ! silêncio ! - vociferou Snape . - Todos os que foram salpicados cheguem aqui para uma drenagem . Quando eu descobrir quem fez isto ... Harry fez um enorme esforço para não se rir a o ver Malfoy chegar apressadamente lá a a frente , a cabeça a tombar com o peso de o nariz , que parecia um pequeno melão . Quando metade de a aula se amontoava junto de a secretária de o Snape , alguns alunos vergados por o peso de os braços que pareciam mocas , outros incapazes de falar devido a o gigantesco inchaço de os lábios , Harry viu Hermione reentrar em o calabouço , a túnica mostrando a barriga protuberante . Quando todos os alunos tinham já tomado um gole de o antídoto e os vários inchaços tinham desaparecido , Snape precipitou se para o caldeirão de o Goyle e pescou os restos retorcidos de o fogo-de-artíficio . Houve um súbito silêncio . - Se eu descubro quem lançou isto - murmurou Snape - garanto que é expulsão por a certa . Harry compôs uma expressão de espanto . Snape olhava directamente para ele e a campainha , que tocou dez minutos mais tarde , não podia ser mais bem-vinda . - Ele soube que fui eu - disse Harry_a_Ron e a a Hermione , enquanto se dirigiam apressadamente para a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Tenho a certeza . Hermione lançou o novo ingrediente em o caldeirão e começou a mexer furiosamente . - Isto vai estar pronto dentro_de quinze_dias - afirmou , satisfeita . - O Snape não pode provar que foste tu - assegurou Ron , tranquilizando Harry . - Que pode ele fazer ? - Conhecendo o Snape , qualquer coisa louca - respondeu Harry , enquanto a poção borbulhava e espumava . Uma semana mais tarde , Harry , Ron e Hermione passavam por o vestíbulo de entrada , quando viram um pequeno grupo de pessoas reunidas em volta de o jornal de parede a lerem um pedaço de pergaminho que tinha acabado de ser afixado . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas acenaram lhes , entusiasmados . - Vão lançar um clube de duelos ! - exclamou Seamus . - Hoje a a noite é a primeira reunião . Eu não me importaria nada de ter aulas de duelo , podem vir a ser úteis um dia de estes ... - Porquê ? Achas que o monstro de os Slytherin sabe esgrimir ? - perguntou o Ron , mas , também ele , leu a notícia com interesse . - Pode ser útil - disse a o Harry e a a Hermione , quando foram jantar . - Vamos lá ? Harry e Hermione acharam óptimo , por isso , a as oito_da_noite voltaram a o salão . As longas mesas de refeição tinham desaparecido e um estrado dourado surgira , encostado a a parede . Sobre ele flutuavam milhares de velas . O tecto era , mais_uma_vez , de veludo negro e parecia que quase todos os alunos de a escola se encontravam ali , com as suas varinhas em a mão e com um ar entusiasmado . - Quem será que vai ensinar nos ? - perguntou Hermione , enquanto se misturavam em a multidão barulhenta . - Ouvi dizer que o Filitwick foi campeão de duelo em a juventude , talvez seja ele . - Desde_que não seja ... - começou Harry , mas terminou em um gemido : Gilderoy_Lockhart estava a subir a o estrado , resplandecente em as suas vestes cor de ameixa , acompanhado , nem mais nem menos , do_que de Snape que trajava , como sempre , de negro . Lockhart levantou um braço , pedindo silêncio , bradando : - Aproximem se , aproximem se , conseguem todos ver me e ouvir me ? Excelente ! - O professor Dumbledore deu me autorização para iniciar este pequeno curso de duelo para vos treinar a todos , caso algum dia precisem de se defender , como eu tenho feito em inúmeras ocasiões ; para mais detalhes , leiam os livros que tenho publicados . - Permitam que vos apresente o meu assistente , o professor Snape - disse Lockhart , abrindo um sorriso de orelha a orelha . - Ele diz me que sabe alguma coisa sobre duelos e aceitou desportivamente ajudar me em uma exibição de demonstração , antes de começarmos . Atenção , não quero que os mais novos fiquem preocupados , vão continuar a ter o vosso professor de poções depois de eu o vencer . Não tenham medo . - Não era óptimo se se liquidassem um_ao_outro ? - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . O lábio inferior de Snape estava curvo . Harry interrogou se sobre o motivo por_que Lockhart continuava a sorrir . Se o Snape olhasse de aquela maneira para ele , Harry estaria a correr a_toda_a velocidade para o mais longe possível . Lockhart e Snape voltaram se um para o outro e fizeram uma vénia , pelo_menos Lockhart fê la com muitas reviravoltas de mãos , enquanto Snape acenava , irritado , com a cabeça . Em seguida , ergueram as varinhas , como_se fossem espadas , em a frente . - Como podem ver , estamos a pegar em as varinhas em a posição de aceitação de combate - explicou Lockhart a a multidão silenciosa . - Quando contarmos até três , lançaremos os primeiros feitiços . Nenhum de nós tentará matar o outro , claro . - Eu não poria as mãos em o fogo - murmurou Harry , observando como Snape cerrava os dentes . -- Um , dois , três ... Os dois balançaram as varinhas acima de os ombros . Snape gritou : * _ Expelliarmus * ! Houve um clarão ofuscante de luz escarlate e Lockhart voou para trás , caindo de o estrado batendo contra a parede , escorregando e indo estatelar se em o chão . Malfoy e alguns de os outros Slytherin aplaudiram . Hermione estava em bicos de os pés . - Acham que ele está bem ? - gritou entredentes . - Quem se rala ? - disseram ao_mesmo_tempo o Ron e o Harry . Lockhart estava a pôr se , hesitante , de pé . O chapéu caíra lhe e o cabelo ondulado estava em um desalinho . - Bem , cá está ! - disse , cambaleando até a o estrado . - Este foi um encantamento para desarmar . Como podem ver , perdi a minha varinha . Ah , obrigado Miss_Brown . Sim , foi uma excelente ideia mostrar lhes isto , professor Snape , mas , se me permite que lhe diga , foi muito óbvio o que ia fazer . Se eu tivesse querido impedis o , teria o feito com a maior de as facilidades . Mas achei que seria educativo deixá os ver ... Snape tinha um ar assassino . Provavelmente Lockhart deu por isso , porque declarou : - Chega de demonstrações . Eu vou passar agora por o meio de vocês e criar duplas . Professor_Snape , se quiser ajudar me ... Entraram por o meio de a multidão , agrupando alunos . Lockhart pôs o Neville com Justin_Finch - _ Fletchley , mas Snape chegou primeiro junto de Harry e de Ron . - Tempo de separar a dupla ideal , parece me - rosnou . - Weasley , tu podes ficar com o Finnigan . Potter ... Harry voltou se automaticamente para Hermione . - Não me parece - disse Snape com o seu sorriso frio . - Mr._Malfoy , venha até aqui . Vamos ver o que faz com o famoso Potter . E a menina , Miss_Granger , pode emparceirar com Miss_Bulstrode . Malfoy aproximou se com o seu passo empertigado e o seu sorriso escarninho . Atrás de ele vinha uma rapariga de os Slytherin , que lembrou a Harry uma imagem que tinha visto em as * _ Férias com Bruxas_Velhas * . Era corpulenta e quadrada e os maxilares avançavam agressivamente . Hermione esboçou um meio sorriso , que ela não retribuiu . - Voltem se para os vossos parceiros - gritou Lockhart - e façam a vénia . Harry e Malfoy mal inclinaram as cabeças , não afastando os olhos um de o outro . - Varinhas preparadas ! - gritou Lockhart . - Quando eu disser três preparem os feitiços para desarmar o vosso opositor . Um ... dois ... três ... Harry levantou a varinha acima de o ombro , mas Malfoy começara logo em o « dois » : o seu feitiço apanhou Harry com tanta força que ele se sentiu como_se tivesse levado com uma frigideira em a cabeça . Tropeçou , mas ainda não estava fora de combate e , sem perder tempo , Harry apontou a varinha a Malfoy e gritou : - * _ Rictusempra ! * Um jacto de luz prateada atingiu Malfoy em o estômago , obrigando o a dobrar se , arfando . - Eu disse desarmar ! - gritava Lockhart sobre as cabeças de a multidão em lata , enquanto Malfoy caía de joelhos . Harry atingira o com o feitiço de as cócegas e ele mal conseguia mexer se para se rir . Harry hesitou com o vago sentimento de que seria pouco desportivo enfeitiçar Malfoy enquanto ele estava caído em o chão , mas ... foi um erro . Tentando respirar , Malfoy apontou a varinha a os joelhos de Harry , balbuciando : « * _ Tarantallegra ! * » e , um segundo depois , as pernas de o Harry tinham começado a mexer se , sem que ele pudesse controlá as , executando uma espécie de dança frenética . - Parem , parem - gritava Lockhart , quando Snape resolveu tomar controlo de a situação . - * _ Finite_Incantatem ! * - bradou . Os pés de o Harry pararam de dançar , Malfoy parou de rir e puderam olhar para_cima . Uma onda de fumo esverdeado pairava sobre todos eles . Neville e Justin estavam caídos em o chão , a arfar . Ron tentava fazer parar um Seamus com cara cor de cinza , pedindo lhe mil desculpas por o que a sua varinha partida eventualmente tivesse feito . Mas Hermione e Millicent_Bulstrode ainda não tinham acabado . Millicent tinha feito a Hermione uma prisão de cabeça e Hermione gritava de dor . As duas varinhas jaziam esquecidas em o chão . Harry deu um salto em frente e afastou Millicent . Não foi fácil , ela era bastante maior do_que ele . - Oh , gente ! - exclamou Lockhart , arrastando se por o meio de a multidão e olhando para os resultados de os duelos . - Vamos pôr de pé , Mcmillan ... cuidado , Miss_Fawcett ... belisque com força que pára logo de sangrar ... - Acho que o melhor é ensinar vos como bloquear feitiços pouco amigáveis - afirmou Lockhart que estava nervosíssimo em o meio de o salão . Olhou para Snape , cujos olhos pretos brilhavam e desviou rapidamente o olhar . - Vamos arranjar um par de voluntários . Longbottom e Finch - _ Fletchley , que tal serem vocês ? - Uma má ideia , professor Lockhart - disse Snape , deslizando como um morcego enorme e cruel . - Longbottom provoca devastação com o feitiço mais simples . Ainda temos de mandar o que restar de o Finch - _ Fletchley para a ala hospitalar dentro_de uma caixa de fósforos . - A cara redonda e rosada de Neville ficou ainda mais rosada . - Que tal o Malfoy e o Potter ? - sugeriu Snape com um sorriso retorcido . - Excelente ideia - disse Lockhart , fazendo sinal a os dois para que se aproximassem de o meio de o salão , enquanto a multidão recuava para lhes dar passagem . - Ouve bem , Harry - disse Lockhart . - Quando o Draco te apontar a varinha , tu fazes assim . Levantou a sua varinha , executando uma tentativa complicada de malabarismo e deixou a cair . Snape sorriu pretensiosamente , enquanto Lockhart a apanhava de o chão , dizendo : - Ups , a minha varinha está demasiado excitada . Snape aproximou se de Malfoy , inclinou se e disse lhe qualquer coisa a o ouvido . Malfoy sorriu também de forma afectada . Harry olhou , nervoso , para Lockhart e pediu : - Professor , podia mostrar me outra_vez aquela coisa para bloquear ? - Estás com medo ? - murmurou Malfoy baixinho , para que Lockhart não pudesse ouvir . - Querias ! - exclamou Harry por o canto de a boca . Lockhart deu um soco em o ombro de o Harry , em a brincadeira . - Basta que faças como eu fiz ! - O quê , deixar cair a varinha ? Mas Lockhart não estava a ouvir - Três , dois , um , zero ! - gritou . Malfoy levantou rapidamente a varinha a o ar e gritou : - * _ Serpensortia ! * A extremidade de a varinha explodiu . Harry viu , horrorizado , uma enorme serpente negra sair de ela , cair pesadamente em o chão a meio de os dois e erguer se disposta a atacar . Ouviram se gritos , enquanto a multidão se afastava , deixando o chão vazio . - Não te mexas , Potter - disse Snape vagarosamente , divertindo se claramente a ver Harry , parado , a olhar em os olhos a serpente . - Eu trato de ela ... - Permita me -- gritou Lockhart . Bramiu a varinha em direcção a a serpente e ouviu se um estoiro . A cobra , em_vez_de desaparecer , voou três metros acima de eles e voltou a cair em o chão com um estrondo enorme . Enraivecida , a sibilar de fúria , rastejou em direcção a Finch - _ Fletchley e pôs se de pé com os dentes a a mostra , pronta a atacar . Harry não soube ao_certo o que o levou a fazer aquilo . Não se lembrava sequer de ter tomado aquela decisão . Só soube que as pernas o fizeram avançar como_se tivesse rodas e que gritou a a serpente : - Larga o ! - E , milagrosa e inexplicavelmente , a serpente voltou a o chão , dócil como uma grande mangueira de jardim , preta e grossa , os olhos agora fixos em os olhos de Harry . Harry sentiu o medo a escoar se . Sabia que a cobra não atacaria mais ninguém , embora não pudesse explicar como sabia . Olhou para Justin a sorrir , esperando vê o aliviado , espantado , ou mesmo agradecido , mas nunca zangado ou assustado . - Que brincadeira é essa ? - gritou o outro e , antes que Harry tivesse tempo de dizer fosse o que fosse , voltou as costas e saiu de o salão . Snape deu um passo em frente , fez um gesto com a varinha e a serpente desapareceu em uma onda de fumo preto . Também ele , Snape , olhava para Harry de uma forma inesperada . Era um olhar arguto e calculista , de que Harry não gostou . Apercebeu se também vagamente de um murmúrio ameaçador que vinha de as paredes em volta . Depois , sentiu um puxão em a túnica . - Vamos - disse a voz de o Ron em o seu ouvido . - Mexe te , vá lá ... Ron arrastou o para fora de o salão . Hermione acompanhava os em a passada rápida . Quando cruzaram a porta , as pessoas que a rodeavam afastaram se , como_se tivessem medo de ser contagiadas . Harry não fazia a mais pequena ideia do_que estava a passar se e , nem Ron , nem Hermione lhe deram qualquer explicação , antes de o terem levado até a a sala comum de os Gryffindor , que se encontrava vazia . Aí , Ron empurrou Harry para uma cadeira de braços e disse : - Tu és um * serpentês * . Porque não nos disseste ? - Eu sou um quê ? - perguntou Harry . - Um * serpentês * ! - exclamou o Ron . - Falas com as cobras . - Eu sei - declarou Harry . - Quer_dizer , esta foi a segunda vez que o fiz . A outra foi há muito_tempo em o jardim zoológico , quando soltei uma Boa_Constrictor a o meu primo Dudley . É uma longa história , mas ela estava a dizer me que nunca tinha estado em o Brasil e eu acho que a libertei sem querer . Foi antes de saber que era feiticeiro . . . - Uma Boa_Constrictor disse te que nunca tinha estado em o Brasil ? - repetiu Ron , quase sem voz . - E então ? - disse o Harry . - Aposto que montes de pessoas aqui fazem o mesmo . - Não fazem , não - afirmou Ron . - Não é um dom muito frequente . Harry , isso é mau . - O que é_que é mau ? - perguntou Harry , que começava a ficar chateado . - O que é_que se passa com todos os outros ? Ouve bem , se eu não tivesse dito a aquela cobra para não atacar o Justin ... - Ah , foi isso que tu disseste ? - Que queres dizer ? Tu estavas lá , ouviste perfeitamente o que eu disse . - Eu ouvi te falar em serpentês - disse o Ron . - Língua de cobra . Podias estar a dizer lhe qualquer coisa . Não admira que o Justin tivesse entrado em pânico . Parecia que estavas a incitar a serpente . Foi assustador , sabes ? Harry olhou para ele espantado . - Eu falei uma língua diferente ? Mas não me apercebi , como posso falar uma língua , sem saber que a conheço ? Ron abanou a cabeça . Tanto ele como Hermione tinham um ar fúnebre . Harry não percebia o que havia em aquilo de tão trágico . - Será que me querem explicar o que há de mal em ter impedido que uma serpente enorme arrancasse a cabeça a o Justin ? - perguntou . - Porque é tão importante como o fiz , se evitei que o Justin fosse juntar se a grupo de os SEM_CABEÇA ? - Importa - disse por fim Hermione , em uma voz abafada . - Porque falar com serpentes era a arte por a qual Salazar_Slytherin ficou famoso . Por isso , o símbolo de os Slytherin é uma serpente . Harry ficou de boca aberta . - Exacto - disse o Ron . - E agora todos em a escola vão pensar que tu és descendente de ele . - Mas não sou - contrapôs Harry com um pânico que não conseguia explicar . - Não vai ser fácil prová o - disse Hermione . - Ele viveu há quase mil anos . Pelo que vimos , podias ser . Em essa noite , Harry ficou acordado durante horas . Por uma fresta de os cortinados de a cama de dossel , olhou para a neve que começava a cair de o lado de_fora de a janela de a torre e perguntou se se poderia ser descendente de Salazar_Slytherin . Afinal , não sabia nada de a família de o pai , os Dursley tinham sempre proibido qualquer pergunta sobre os seus familiares feiticeiros . Calmamente , tentou dizer qualquer coisa em * serpentês * , mas as palavras não saíam . Parecia que era necessário estar frente_a_frente com uma cobra para poder fazê o . Mas eu sou um Gryffindor , pensou Harry , o chapéu seleccionador não me poria aqui se eu tivesse sangue de Slytherin ... - Ah ! - disse uma vozinha dentro de o seu cérebro . - Mas o chapéu seleccionador queria pôr te em os Slytherin , não te lembras ? Harry deu voltas e voltas a a cabeça . Em o dia seguinte , quando visse Justin em a aula de herbologia explicaria lhe que estava a afastar a serpente , não a atiçá a o que , aliás , pensou zangado , dando vários socos em a almofada , qualquer idiota teria percebido . Contudo , em a manhã seguinte , a neve que começara a cair durante a noite , transformara se em uma tempestade tão espessa que a última aula de herbologia de o período foi cancelada : a professora Sprout queria tapar as mandrágoras com peúgas e cachecóis , uma operação arriscada que ela não confiava a ninguém agora_que era tão importante que as mandrágoras crescessem depressa e reabilitassem Mrs._Norris e Colin_Creevey . Junto de a lareira de a sala comum de os Gryffindor , Harry matutava sobre o que se passara enquanto Ron e Hermione aproveitavam o foro para jogar xadrez de feitiçaria . - Com os diabos , Harry - disse Hermione exasperada quando um bispo derrubou um de os cavaleiros de o cavalo , arrastando o para fora de o tabuleiro . - Vai falar com o Justin , se isso é assim tão importante para ti . Harry levantou se e saiu por o buraco de o retrato , perguntando a si próprio onde poderia estar o Justin . O castelo estava mais escuro do_que era habitual durante o dia por causa de a neve espessa e cinzenta que cobria as janelas . A tremer , Harry passou por as salas onde estava a haver aulas , captando lampejos do_que sucedia lá dentro . A professora Mc_Gonagall gritava com alguém que , segundo lhe parecia por o som , transformara o parceiro em um texugo . Resistindo a a tentação de dar uma espreitadela , Harry afastou se pensando que Justin poderia estar a utilizar o tempo de o furo para fazer algum trabalho e resolveu , por isso , ir até a a biblioteca . Um grupo de alunos de os Hufflepuff , que deveriam ter estado em Herbologia , encontrava se , de facto , sentado em as traseiras de a biblioteca , mas não parecia estar a trabalhar . Entre as fileiras de as estantes altas , Harry pôde ver as suas cabeças muito juntas em aquilo que deveria ser uma conversa absorvente . Não conseguia perceber se Justin estaria em o meio de eles . Ia para se aproximar quando apanhou em o ar uma frase e parou para ouvir melhor , escondido em a secção de a invisibilidade . - Portanto - dizia um rapaz corpulento - eu disse a o Justin para se esconder em o nosso dormitório . Isto_é , se o Potter o escolheu como próxima vítima é melhor que ele tenha um * low profile * durante algum tempo . É claro que o Justin já estava a a espera que alguma coisa de o género acontecesse desde_que lhe escapou em uma conversa com o Potter que era filho de Muggles . O Justin disse lhe , inclusivamente , que tinha estado inscrito em Eton . Não é o tipo de coisa que se ande a dizer com o herdeiro de Slytherin a a solta por aí . - Achas mesmo_que é o Potter , Ernie ? - perguntou uma rapariga de tranças loiras , ansiosamente . - Hannah - disse com solenidade o rapaz corpulento . - Ele é um serpentês . Todos sabem que essa é a marca de um feiticeiro negro . Alguma vez ouviste falar de um feiticeiro decente que falasse com as cobras ? O Slytherin era conhecido por « Língua de serpente . . Houve alguns murmúrios antes de Ernie prosseguir : - Lembram se do_que estava escrito em a parede ? * _ Inimigos de o herdeiro , cuidado ! * . O Potter teve que ir a o gabinete de o Filch . E o que é_que acontece a seguir ? A gata de o Filch é atacada . O aluno de o primeiro ano , Creevey , estava a aborrecê o em a partida de Quidditch , a tirar lhe fotografias quando ele estava caído em a lama . E o que é_que acontece a seguir ? Creevey é atacado . - Mas ele parece sempre ser tão simpático - disse Hannah , cheia de dúvidas . - E , bem , foi ele que fez com que o Quem nós sabemos desaparecesse . Não pode ser assim tão mau , pois não ? Ernie baixou misteriosamente a voz . Os Hufflepuff inclinaram se mais uns para os outros e Harry aproximou se para conseguir apanhar as palavras de o Ernie . - Ninguém sabe como ele sobreviveu a aquele ataque de o Quem nós sabemos e , afinal , ainda era um bebé quando aquilo aconteceu . Era para ter explodido feito em estilhaços . Só um feiticeiro negro verdadeiramente poderoso teria sobrevivido a uma maldição de aquelas . - Baixou ainda mais a voz até esta ficar reduzida a um leve murmúrio e disse : - Talvez fosse por isso que o Quem nós sabemos o queria matar , para não ter outro feiticeiro negro a competir com ele . Gostava de saber que outros poderes ocultos terá o Potter . Harry não aguentou mais . Pigarreou alto e saiu detrás de as estantes . Se não estivesse tão zangado teria conseguido ver o lado cómico de a situação : cada_um de os Hufflepuff olhava para ele como_se tivesse sido petrificado , e a cor desaparecera de a cara de o Ernie . - Olá - disse Harry . - Estou a a procura de o Justin_Finch - _ Fletchley . Os piores receios de os Hufflepuff tinham se concretizado . Olharam apavorados para o Ernie . - O que queres de ele ? - perguntou Ernie em uma voz sumida . - Explicar lhe o que aconteceu com aquela cobra em o clube de os duelos - disse Harry . Ernie mordeu os lábios brancos e , em seguida , respirando fundo , respondeu : - Estávamos lá todos . Vimos o que aconteceu . - Então viram que depois de eu falar a serpente recuou - disse Harry . - O que eu vi - insistiu teimosamente Ernie , apesar_de tremer a cada palavra que proferia - foi tu a falares serpentês e a atiçares a cobra conta o Justin . - Eu não a aticei - gritou Harry enraivecido . - Ela nem lhe tocou . - Falhou por_pouco - disse Ernie . - E , para o caso de estares com ideias - acrescentou com má cara - posso dizer te que a minha família provem de nove gerações de bruxas e feiticeiros e que o meu sangue é tão puro como o de qualquer feiticeiro , portanto ... - Quero lá saber qual é o teu sangue - disse Harry furioso . - Porque iria eu atacar os filhos de os Muggles ? - Ouvi dizer que detestas os Muggles com quem vives - disse Ernie rapidamente . - Não é possível viver com os Dursley sem os detestar - explicou Harry . - Gostava de te ver lá em casa . Girou sobre os calcanhares e saiu furioso de a biblioteca sob o olhar reprovador de Madam_Prince que limpava a capa dourada de um enorme livro de encantamentos . Harry avançou a as cegas por os corredores , quase sem ver por_onde ia de tão furioso que estava . O resultado foi chocar com algo enorme e sólido que o fez recuar e cair a o chão . - Ah ! Olá , Hagrid - disse , olhando para_cima . Hagrid tinha o rosto completamente tapado com um lenço coberto de neve , mas não podia ser mais ninguém , enchendo assim o corredor dentro de o seu sobretudo de pele de toupeira . De uma de as enormes mãos enluvadas , pendia um galo morto . - Tudo bem , Harry ? - perguntou , afastando o lenço para poder falar . - Porque não estás em a aula ? - Foi cancelada - disse Harry , pondo se de pé . - O que estás a fazer aqui ? Hagrid mostrou lhe o galo inerte . - É o segundo qu'aparece morto este período - explicou . - Ou são raposas ou um vampiro chato e eu preciso d'autorização de o director p'ra fazer um feitiço em volta de a capoeira . Aproximou se e olhou mais de perto para o Harry , por debaixo de as suas sobrancelhas espessas e cheias de neve . - Tens a certeza que estás bem ? Pareces exaltado e preocupado . Harry não foi capaz de repetir o que Ernie e os outros Hufflepuff lhe tinham dito . - Não é nada , tenho de ir , Hagrid . A próxima aula é Transfiguração e preciso de ir buscar os meus livros . Afastou se , a cabeça cheia com tudo_o_que Ernie dissera a seu respeito . « * _ O_Justin já estava d espera que uma coisa de o género acontecesse desde_que deixou escapar , falando com o Potter , que era filho de Muggles * ... » Harry subiu as escadas a correr e entrou por um corredor que estava particularmente escuro . As tochas tinham sido apagadas por uma ventania gelada que entrava por uma janela de fecho estragado . Estava a meio de o corredor quando tropeçou em uma coisa que se encontrava em o chão . Olhou para ver o que era e sentiu como_se o estômago se tivesse dissolvido . Justin_Finch - _ Fletchley estava em o chão , rígido e frio com uma expressão de horror em o rosto e os olhos abertos voltados para o tecto . E não era tudo . Junto de ele estava mais alguém , a visão mais estranha que Harry tivera em toda_a sua vida . Era_o_Nick quase sem cabeça que não estava cor de pérola nem transparente e sim escuro como fumo . Flutuava imóvel , em a horizontal , 12 centímetros acima de o chão , a cabeça meio tombada e em o rosto uma expressão de choque idêntica a a de o Justin . Harry pôs se de pé com a respiração acelerada e o coração a bater como um tambor contra as costelas . Olhou desvairado para ambos os lados de o corredor deserto e viu uma fila de aranhas que corriam a_toda_a velocidade em a direcção oposta a a de os corpos . Os únicos sons eram as vozes abafadas de os professores em as aulas que decorriam de ambos os lados . Podia fugir e ninguém saberia que ali tinha estado , mas não era capaz de os abandonar assim . Tinha de ir procurar ajuda . Será que alguém acreditaria que ele não tivera nada que ver com aquilo ? Enquanto ali estava , em pânico , uma porta a o seu lado abriu se com grande estrondo . Peeves , o * poltergeist * , saiu a os gritos . - Oh ! É o Potter , olá , Potter - alardeou Peeves , lançando por o ar os óculos de o Harry quando passou por ele . - O que está o Potter a fazer ? Porque está o Potter escondido ? Peeves passou de cabeça para baixo , a meio de uma cambalhota em o ar , quando viu Justin e Nick quase sem cabeça . Com um movimento súbito endireitou se , encheu os pulmões de ar e , antes que Harry pudesse impedi o , gritou : __ ataque ! ataque ! outro ataque ! nenhum mortal ou fantasma está em segurança . corram , fujam , __ ataaaque ! Crac , Crac , Crac . Uma atrás de a outra , foram se abrindo todas_as portas a o longo de o corredor e as pessoas saíram para fora de as salas de aula . Durante alguns longos minutos houve uma tal confusão que Justin esteve em perigo de ser esmagado e as pessoas não paravam de chocar com o Nick quase sem cabeça . Harry deu por si colado a a parede enquanto os professores exigiam a os gritos que se fizesse silêncio . A professora Mc_Gonagall veio a correr , seguida por todos os alunos , um de os quais ainda trazia o cabelo a as riscas pretas e brancas . Usou a varinha para produzir um ruído que repôs o silêncio e mandou os alunos todos para dentro de as salas de aula . Mal lugar ficou desimpedido surgiu Ernie , o jovem Hufflepuff . - * _ Apanhado em flagrante ! * - gritou , com o rosto totalmente branco , apontando dramaticamente o dedo par Harry . - Basta_Mcmillan - disse , de forma cortante , a professora Mc_Gonagall . Peeves andava para_cima e para baixo , observando a cena com um sorriso maldoso . Sempre adorara o caos . Quando os professores se inclinaram sobre Justin e sobre o Nick quase sem cabeça para os examinar , iniciou uma cantilena : * _ Oh ! Potter , que fizeste , seu grande bandido * _ Tu matas os estudantes porque achas divertido . * - Basta , Peeves - rosnou a professora Mc_Gonagall e Peeves afastou se , deitando a língua de_fora a o Harry . Justin foi levado para a ala hospitalar por o professor Flitwick e por o professor Sinistra_do_Departamento_de_Astronomia , mas ninguém parecia saber o que fazer em relação a o Nick quase sem cabeça . Por fim , a professora Mc_Gonagall fez aparecer em o ar um enorme leque que entregou a Ernie com o encargo de conduzir , escadas acima , por os ares o Nick quase sem cabeça . Ernie assim fez , soprando Nick como_se fosse um aerodeslizador e deixando , de este modo , o Harry e a professora Mc_Gonagall a sós . - Por aqui , Potter - disse ela . - Professora , eu juro que não ... - Isso não é comigo , Potter - afirmou a professora Mc_Gonagall sinteticamente . Caminharam em silêncio até uma esquina e ela parou perante uma gárgula de pedra extremamente feia . - Refresco de limão - disse . Era obviamente uma senha porque a gárgula animou se subitamente e saltou para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes . Apesar_de estar apavorado com o que ia acontecer a seguir , Harry não conseguiu evitar um sentimento de fascínio . Por detrás de a parede estava uma escada em espiral que se movia lentamente para_cima como um elevador . E quando ele e a professora Mc_Gonagall puseram os pés em o primeiro degrau , Harry ouviu a parede fechar se atrás de eles . Subiram em círculos , cada_vez_mais alto até que , por fim , um_pouco tonto , Harry pôde ver uma porta de carvalho reluzente com um puxador de bronze em forma de abutre . Harry calculava onde estava a ser levado . Devia ser ali que morava Dumbledore . XII_A poção * polisuco * Saltaram de a escada de pedra lá mesmo em cima e a professora Mc_Gonagall bateu a a porta . Ela abriu se silenciosamente dando lhes entrada . A professora Mc_Gonagall disse lhe que esperasse e deixou o sozinho . Harry olhou em volta . Uma coisa era certa : de todos o escritórios de professores que conhecia , o de Dumbledor era , de longe , o mais interessante . Se não estivesse com um medo de morte de ser expulso teria adorado explorá o . Era uma sala grande e bonita em forma de círculo que estava cheia de barulhinhos estranhos . Havia um grande número de instrumentos prateados sobre várias mesas de pernas finas que zumbiam emitindo pequenas baforadas de fumo . As paredes estavam cobertas de fotografias de antigos directores e directoras , todos eles a dormir tranquilamente em as suas molduras . Havia ainda uma enorme secretária pés de garra . E , sobre uma prateleira atrás de ela , um chapéu de feiticeiro andrajoso e puído : * o chapéu seleccionador * . Harry hesitou . Lançou um olhar cauteloso a as bruxas e feiticeiros adormecidos a o longo de as paredes . Com certeza não fazia mal se lhe pegasse e o experimentasse só para ver ... só para ter a certeza de que ele o pusera em a equipa certa . Deu a volta a a secretária , retirou o chapéu de a prateleira e baixou o lentamente sobre a cabeça . Era demasiado grande e escorregou lhe para os olhos como de a outra_vez que o tinha posto . Harry olhou para o forro preto , enquanto esperava . Por fim , uma vozinha disse lhe a o ouvido : - Estás com macaquinhos em o sótão , Harry_Potter ? - Er ... sim - balbuciou Harry . - Er ... desculpa incomodar te , queria saber ... - Querias saber se te pus em a equipa certa - disse prontamente o chapéu . - Sim ... tu és particularmente difícil de seleccionar , mas eu mantenho o que disse antes . - O coração de Harry deu um salto . - Terias ficado bem em os Slytherin . Harry sentiu o estômago contorcer se . Agarrou o chapéu por a aba e tirou o de a cabeça . O chapéu seleccionador ficou pendurado em a mão de ele , inerte , desbotado e sujo . Harry voltou a pô o em a prateleira , sentindo se enjoado . - Estás enganado ! - disse em voz alta a o chapéu parado e silencioso , mas ele não se mexeu . Harry recuou para o observar melhor e foi então que ouviu um ruído estranho e grasnado atrás_de si que o fez dar uma volta . Não estava só , afinal_de_contas . Em um poleiro dourado atrás de a porta estava um pássaro de aspecto decrépito que parecia um peru meio depenado . Harry olhou para ele espantado e o pássaro olhou o também , grasnando de_novo . Harry achou que ele devia estar muito doente porque tinha os olhos parados e , enquanto olhava para ele , caíram lhe mais algumas penas de a cauda . Estava justamente a pensar que a única coisa que lhe faltava era que o pássaro de estimação de Dumbledore morresse quando ele estava ali sozinho com ele , em o escritório , quando a ave se incendiou . Harry gritou , em estado de choque , e recuou até a a secretária . Olhava nervosamente em volta , em busca de um jarro de água , mas não viu nenhum . O pássaro , entretanto , transformara se em uma bola de fogo , dera um guincho e , em seguida , desaparecera , deixando apenas um monte de cinzas em o chão . A porta de o escritório abriu se . Dumbledore entrou com ar taciturno . - Professor - gaguejou Harry . - O seu pássaro ... eu não pode fazer nada ... ele incendiou se . Para seu grande espanto , Dumbledore sorriu . - Já não era sem tempo . Estava com um aspecto horrível em os últimos dias . Fartei me de lhe dizer que fizesse qualquer coisa . Riu se entre dentes com a expressão em o rosto de Harry . - A Fawkes é uma fénix , Harry . As fénix ardem quando é altura de morrer e renascem de as cinzas , repara ... Harry olhou mesmo a_tempo_de ver um passarinho recém-nascido , todo enrugado , espetar a cabeça fora de as cinzas . Era quase tão feio como o antigo . - É uma pena que a tenhas conhecido em dia de arder - disse Dumbledore , passando para trás de a secretária . - É muito bonita a maior parte de o tempo , com uma plumagem vermelha e dourada . São criaturas fascinantes , as fénix . Podem transportar cargas pesadíssimas , as suas lágrimas têm propriedades curativas e são animais de estimação extremamente fiéis . Com o choque de a fénix a pegar fogo , Harry esquecera se de o motivo porque ali estava , mas tudo voltou rapidamente quando Dumbledore se instalou em a cadeira de espaldar alto e o fixou com os seus olhos azuis e penetrantes . Contudo , antes que ele tivesse tido tempo de falar , a porta de o escritório abriu se de par em par com um enorme estrondo e Hagrid entrou com um olhar tresloucado , o lenço todo torcido em volta de a cabeça hirsuta e o galo morto ainda pendurado em a mão . - Não foi Harry , professor Dumbledore - disse , aflito . - Eu tinha estado a falar com ele poucos segundos antes de o rapazinho ser encontrado , ele não teve tempo professor ... Dumbledore tentou dizer qualquer coisa , mas Hagrid continuou , abanando o galo em o meio de a sua agitação e espalhando penas por todo o lado . - Não pode ter sido ele . Eu juro em a frente de o ministro de a magia , se for preciso ... - Hagrid , eu ... -- Tem o rapaz errado , professor . Eu sei qu'o Harry nunca ... - Hagrid - disse Dumbledore , elevando a voz . - Eu não penso que o Harry tenha atacado aquelas pessoas . - Oh ! - disse Hagrid , com o galo pendendo inerte a o seu lado . - Certo , ' tão eu espero lá fora , director . E saiu com ar envergonhado . - O senhor não acha que tenha sido eu ? - repetiu Harry cheio de esperança , enquanto Dumbledore sacudia penas de galo de cima de a secretária . - Não , Harry , não acho - afirmou Dumbledore , apesar de a sua expressão ser de_novo sombria . - Mas mesmo_assim quero falar contigo . Harry esperou ansiosamente enquanto o director o observava com as pontas de os dedos longos unidas . - Tenho de saber uma coisa . Harry , há alguma pergunta que queiras fazer me , qualquer que ela seja ? Harry não soube o que dizer . Lembrou se de Malfoy a gritar * _ Vocês serão os próximos , sangues de lama * e de a poção * _ Polisuco * em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Depois pensou em a voz sem corpo que ouvira duas vezes e em o que o Ron dissera * _ Ouvir vozes que ninguém mais ouve não é bom sinal , nem mesmo em o mundo de a feitiçaria * . Pensou também em o que toda_a_gente dizia de ele e em o receio cada_vez maior de ter uma relação qualquer com Salazar_Slytherin ... - Não - disse por fim . - Não há nada , professor . O ataque duplo a Justin e a o Nick quase sem cabeça transformou o que até_então era nervosismo em verdadeiro pânico . Curiosamente fora o destino de o Nick quase sem cabeça o que mais preocupara as pessoas . Quem poderia ter feito aquilo a um fantasma ? - perguntavam uns a os outros . - Que poder terrível era aquele , capaz de afectar alguém que já tinha morrido ? Houve uma precipitação enorme em a marcação de os bilhetes em o Expresso_de_Hogwarts , pois todos os alunos quiseram ir passar o Natal a casa . - Por este caminho , vamos ser os únicos a ficar - disse o Ron a o Harry e a a Hermione . - Nós , o Malfoy , o Goyle e o Crabbe , que férias lindas que vão ser ! Crabbe e Goyle que faziam sempre o que Malfoy fazia , tinham se inscrito para ficar também durante as férias . Mas Harry estava contente por a maior parte se ir embora . Estava farto de ver gente a afastar se em os corredores como_se ele fosse mostrar os dentes ou cuspir veneno . Estava cansado de tantos segredinhos , de os ver apontar e segredar quando passava . O Fred e o George , esses achavam muito divertido . Vinham , de propósito , pôr se a a frente de ele e atravessavam os corredores a gritar : - Abram alas para o herdeiro de Slytherin , vai passar um feiticeiro verdadeiramente cruel . Percy discordava totalmente de este comportamento . - Não é um assunto para se brincar - dizia com frieza . - Sai mas é de o caminho , Percy - dizia o Fred . - O Harry está com pressa . - Sim , ele vai a a Câmara_dos_Segredos tomar uma chávena de chá com o seu servidor dentes de serpente - completava Fred com uma gargalhada . Ginny também não lhes achava graça . - Cala te - gritava ela sempre_que o Fred perguntava em voz alta a o Harry quem estava a pensar atacar a seguir , ou quando George fingia afastá o com um enorme dente de alho . Harry não se importava . Fazia o sentir se melhor o facto de constatar que , pelo_menos para o Fred e para o George , a ideia de ele ser o herdeiro de Slytherin era absolutamente ridícula . Mas as palhaçadas de eles pareciam ofender Draco_Malfoy que , de cada_vez que os via , ficava mais irritado . - É porque está ansioso por dizer que é mesmo ele - disse o Ron com ar conhecedor . - Sabes como ele detesta que alguém o ultrapasse e tu estás a receber todo o crédito por o seu trabalho sujo . - Não vai ser por muito_tempo - disse Hermione com uma voz satisfeita . - A poção * polisuco * está quase pronta . Um de estes dias arrancamos lhe a verdade . Finalmente , o período chegou a o seu termo e um silêncio profundo como a neve em os campos desceu sobre o castelo . Harry adorou a tranquilidade e apreciou o facto de ele , Hermione e os Weasley terem a torre de os Gryffindor por sua conta , poderem jogar a as explosões bem alto , sem incomodar ninguém e praticar duelos entre si . O Fred , o George e a Ginny tinham preferido ficar em a escola a ir com Mr. e Mrs._Weasley a o Egipto visitar o Bill . Percy que reprovava e considerava infantil a conduta de eles , não passava muito_tempo em a sala comum de os Gryffindor . Já lhes dissera pomposamente que só ficara ali em o Natal , por ser sua obrigação como prefeito apoiar os professores em aquela época agitada . A manhã de o dia de Natal clareou branca e fria . Harry e Ron , os únicos que estavam em o dormitório , foram acordados muito cedo por Hermione que entrou , toda vestida , transportando presentes para ambos . - Acordem - disse em voz alta , abrindo os cortinados . - Hermione , tu não devias estar aqui - exclamou o Ron , protegendo os olhos de a luz . - Feliz_Natal para ti também - disse Hermione , atirando lhe o presente que tinha para ele . - Estou acordada há quase uma hora , acrescentando mais asas de renda a a poção . Está pronta . Harry sentou se , subitamente acordado . - Tens a certeza ? - Absoluta - disse ela , afastando o rato Scrabbers para se sentar a os pés de a cama de dossel . - Se vamos mesmo tomá a , acho que devia ser logo a a noite . Em esse momentzo , a Hedwig entrou em o quarto , transportando em o bico um embrulho pequenino . - Olá - disse Harry , feliz a o vê a aterrar em a sua cama . - Já me falas outra_vez ? Ela mordiscou lhe a orelha de uma forma afectuosa que foi , de longe , um presente melhor do_que aquele que transportava e que era afinal de os Dursley . Tinham mandado a Harry um palito para os dentes com um cartão pedindo lhe que se informasse se não poderia ficar , também em o Verão , em Hogwarts . Os outros presentes que Harry recebeu foram bastante melhores . Hagrid mandara lhe uma lata grande de bombons de melaço que ele decidiu amolecer a o lume antes de comer , o Ron deu lhe um livro chamado * _ Voando com Canhões * , que narrava factos interessantes sobre a sua equipa favorita de Quidditch e Hermione trouxera lhe uma luxuosa pena de águia . Harry abriu o último presente onde vinha uma camisola novinha , feita a a mão por Mrs._Weasley e um grande bolo de passas . Pegou em o cartão com uma nova sensação de culpa , pensando em o carro de Mr._Weasley que não voltara a ser visto desde_que chocara contra o salgueiro zurzidor e em a quantidade de infracções que ele e o Ron tinham em mente . Ninguém , nem mesmo os que estavam cheios de medo por terem de tomar a poção * polisuco * a seguir , deixou de adorar o jantar de Natal em Hogwarts . O salão nobre estava magnífico . Não_só havia uma_dúzia de árvores de Natal , cobertas de geada e espessas serpentinas de azevinho e visco bravo cruzando se junto de o tecto como caia uma neve encantada quente e seca . Dumbledore conduziu os em uma de as suas canções de Natal preferidas enquanto Hagrid se agitava , falando cada_vez_mais alto , a cada gole de gemada que tomava . O Percy que não dera por_que Fred enfeitiçara o seu distintivo de prefeito , onde agora podia ler se « cabeça de alfinetes « , continuava a perguntar a todos para_onde estavam a olhar . Harry nem_sequer se importou com os comentários que Draco_Malfoy fazia bem alto , de a mesa de os Slytherin acerca de a sua camisola nova . Com alguma sorte , Malfoy iria ser desmascarado dentro_de algumas horas . Harry e Ron mal tinham acabado a terceira dose de pudim de Natal quando Hermione os fez sair de o salão a a pressa para acabarem de tratar de os planos para essa noite . - Ainda precisamos de um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos - disse com o ar mais natural de este mundo como_se estivesse a mandá os a o supermercado comprar detergente . - E , é claro que o ideal será conseguirmos alguma coisa de o Crabbe e de o Goyle , são os melhores amigos de o Malfoy , ele conta lhes tudo . E precisamos também de ter a certeza de que eles não vão entrar em a sala quando vocês estiverem a interrogar o Malfoy . - Eu tenho tudo pensado - prosseguiu ela , ignorando a expressão estupefacta de Harry e Ron . Pegou em dois apetitosos bolos de chocolate . - Pus lhes um encantamento de sono . Vocês só têm de fazer com que o Crabbe e o Goyle os encontrem . Sabem como eles são gulosos , vão logo comê os . Quando estiverem a dormir , tirem lhes alguns cabelos e escondam nos em uma despensa de vassouras . Harry e Ron olharam , incrédulos , um para o outro . -- Hermione , eu não creio que ... -- Isto pode correr muito mal ... Mas Hermione tinha um brilho inflexível em os olhos que não era muito diferente do_que costumavam ver em o olhar de a professora Mc_Gonagall . - A poção não nos serve de nada sem os cabelos de o Crabbe e de o Goyle - disse com firmeza . - Vocês querem mesmo descobrir coisas sobre o Malfoy , não querem ? - Pronto , está bem - disse Harry . - Mas , e tu , vais arranjar cabelos de quem ? - Eu já tenho esse assunto resolvido - disse Hermione sorridente , tirando um frasquinho de o bolso e mostrando lhes um cabelo que lá estava dentro . - Lembram se de a Millicent_Bulstrode que lutou comigo em o clube de os duelos ? Ela deixou isto em o meu manto quando tentava estrangular me . E foi passar o Natal a casa , portanto , basta me dizer a os Slytherins que decidi voltar . Quando Hermione saiu para verificar de_novo a poção polisuco , Ron voltou se para Harry com uma expressão lúgubre . - Alguma vez viste um plano onde tantas coisas pudessem correr mal ? Mas para grande espanto de ambos , a primeira fase de a operação decorreu tão naturalmente como Hermione previra . Eles esconderam se em o * hall * de entrada , depois de o lanche de Natal , a a espera de o Crabbe e de o Goyle que tinham ficado sozinhos a a mesa de os Slytherin , deitando abaixo a quarta dose de bolo inglês . Harry colocou os bolos de chocolate em o fim de o corrimão . Quando avistaram Crabbe e Goyle a sair de o salão , Harry e Ron esconderam se rapidamente atrás_de uma armadura que estava junto de a porta de entrada . - Como_se pode ser tão estúpido ? - murmurou Ron sem se mexer enquanto Crabbe apontava satisfeitíssimo , mostrando a Goyle os bolos e agarrando os . Com um riso estúpido , enfiaram nos inteiros em as bocas enormes . Durante um momento , ambos mastigaram avidamente com olhares vitoriosos em o rosto . Depois , sem que a expressão se alterasse , caíram para trás e estatelaram se em o chão . Mais difícil foi transportá os para a despensa de o outro lado de o * hall * . Uma_vez armazenados em o meio de os baldes e esfregões , Harry arrancou alguns de os pêlos que cobriam a cabeça de o Goyle e Ron tirou alguns cabelos a o Crabbe . Roubaram lhes também os sapatos porque os de eles eram demasiado pequenos para os enormes pés de o Crabbe e de o Goyle . Em seguida , ainda atordoados com o que tinham acabado de fazer , correram até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mal conseguiam ver com o fumo preto e espesso que saía de o cubículo onde Hermione mexia o caldeirão . Tapando o rosto com os mantos , Harry e Ron bateram a o de leve em a porta . - Hermione ? Ouviram o ruído de o trinco e Hermione apareceu com a cara lustrosa e um ar ansioso . Por trás de ela ouviam o gloop gloop de a poção espessa e gorgolejante . Em o banco de a casa_de_banho estavam três copos de vidro . - Conseguiram ? - perguntou Hermione quase sem fôlego . Harry mostrou lhe o cabelo de o Goyle . - _ óptimo . Eu tirei estes mantos suplementares de a lavandaria - disse ela , pegando em uma pequena saca . - Vocês vão precisar de tamanhos maiores se vão ser o Crabbe e o Goyle . Olharam os três para o caldeirão . Vista de perto , a poção parecia uma lama espessa e escura a borbulhar indolentemente . - Tenho a certeza que fiz tudo certo - disse Hermione nervosa , relendo a página manchada de * _ Moste_Potente_Potions * . - Tem o aspecto que o livro diz que deveria ter ... depois de a tomar temos precisamente uma hora antes de nos transformarmos de_novo em as pessoas que somos . - E agora ? - murmurou o Ron . - Separamos a em três copos e adicionamos os cabelos . Hermione encheu cada_um de os copos com uma concha de sopa . Em seguida , retirou com a mão a tremer o cabelo de Millicent_Bulstrode de dentro de o frasquinho e pô o em o primeiro copo . A poção chiou fortemente como uma chaleira a ferver e espumou como louca . Um segundo depois ganhara um tom de amarelo doentio . - Urgh ! Essência_de_Millicent_Bulstrode - disse Ron , olhando com repugnância . - Aposto que o sabor é nojento . - Deitem os vossos - disse Hermione . Harry deixou cair o cabelo de o Goyle em o copo de o meio e Ron lançou o de o Crabbe em o último . Ambos chiaram e espumaram : o de o Goyle ficou de um tom caqui , o de o Crabbe de um castanho-escuro algo tenebroso . - Esperem - pediu Harry quando Ron e Hermione pegaram em os copos . - Será melhor não os tomarmos aqui todos juntos em um cubículo ; quando em os transformarmos não vamos cá caber e Millicent_Bulstrode não é nenhum duende . - Bem pensado - admitiu o Ron , abrindo a porta . - Cada_um em seu cubículo . Com todo o cuidado , para não entornar nem uma gota de a poção polisuco , Harry esgueirou se para o cubículo de o meio . - Prontos ? - perguntou . - Prontos - responderam as vozes de o Ron e de a Hermione . - Um , dois , três . Tapando o nariz , Harry bebeu a poção em dois grandes tragos . Tinha o sabor de a couve demasiado cozida . Os seus interiores começaram imediatamente a contorcer se como_se tivesse engolido serpentes vivas . Dobrado , Harry perguntava a si próprio se iria vomitar . Depois , uma sensação de ardor espalhou se rapidamente de o estômago até a as pontas de os dedos de as mãos e de os pés . Em seguida , fazendo o sobressaltar se , sobreveio o sentimento horrível de estar a derreter enquanto a pele de todo o seu corpo borbulhava como cera quente e , perante os seus olhos , as mãos começaram a crescer , os dedos a engrossar , as unhas a alargar e as articulações a tornarem se protuberantes como ferrolhos . Os ombros retesaram se dolorosamente e uma comichão em a testa preveniu o de que o cabelo estava a rastejar em direcção a as sobrancelhas . As túnicas rasgaram se enquanto o tórax se expandia como um barril , rebentando com os seus anéis . Os pés estavam em grande sofrimento dentro_de sapatos quatro números abaixo . Tão depressa como começara , tudo parou . Harry estava caído em o chão de pedra fria , ouvindo a Murta_Queixosa gorgolejando taciturna em o cubículo de o fundo . Com alguma dificuldade tirou os sapatos e levantou se . Era então assim que o Goyle se sentia ! Com a mão enorme a tremer , despiu a sua túnica que lhe ficava 30 centímetros acima de os tornozelos , pegou em as túnicas suplementares e amarrou os atacadores de os sapatos abotinados de o Goyle . Quis escovar o cabelo para o afastar um_pouco de os olhos e deu apenas com os pêlos hirsutos que lhe cresciam em a testa . Apercebeu se então de que os óculos lhe toldavam a visão porque o Goyle , obviamente , não precisava de eles . Tirou os e gritou . - Vocês estão bem ? - De a sua boca saiu a voz baixa e grossa de o Goyle . - Sim - respondeu lhe o grunhido de o Crabbe , a a sua direita . Harry abriu a porta de o cubículo e dirigiu se a o espelho partido . O Goyle olhava o de o outro lado com os seus olhos parados . Harry coçou a orelha e Goyle fez o mesmo . A porta de o Ron abriu se . Olharam um para o outro . Harry estava pálido e chocado . O amigo não se distinguia de o Crabbe , desde o corte de cabelo em forma de tigela até a os longos braços de gorila . - É inacreditável - disse o Ron , aproximando se de o espelho e beliscando o nariz achatado de o Crabbe . - Inacreditável ! - É melhor irmos indo - disse Harry , alargando a pulseira de o relógio que lhe cortava o pulso . - Ainda temos de descobrir onde fica a sala comum de Slytherin . Só espero que encontremos alguém que vá para lá e que nós possamos seguir . Ron que tinha estado a olhar espantado para ele , comentou : - Não imaginas como é bizarro ver o Goyle a pensar - bateu em a porta de Hermione . - Vamos , temos que ir ... Respondeu lhe uma voz aguda : - Eu ... eu acho que afinal não vou . Vão vocês sem mim . - Hermione , nós sabemos que a Millicent_Bulstrode é feia , ninguém vai pensar que és tu . - Não , a sério , acho que não vou . Despachem se vocês os dois , estão a perder tempo . Harry olhou para Ron , baralhado . - Aquilo parece mais de o Goyle , é como ele fica sempre_que algum professor lhe faz uma pergunta . - Estás bem , Hermione ? - perguntou Harry , através de a porta . - _ óptima , estou óptima , vão se embora . Harry olhou para o relógio . Cinco preciosos minutos tinham já passado . - Encontramo nos aqui , está bem ? - disse . Os dois abriram a porta de a casa_de_banho com todo o cuidado , viram se o caminho estava livre e saíram . - Não balances assim os braços - disse o Harry a o Ron . - Hein ? - O Crabbe anda sempre com eles esticados . - Assim ? - Isso , assim está melhor . Desceram a escadaria de mármore . Só precisavam agora de um Slytherin que pudessem seguir até a a sala comum , mas não havia ninguém por perto . - Tens alguma ideia ? - perguntou Harry em um murmúrio . - Os Slytherin vêm sempre de ali para o pequeno-almoço - disse o Ron , apontando para a entrada de os calabouços . Mal tinha pronunciado estas palavras quando uma rapariga de cabelo comprido a os caracóis , apareceu . - Desculpa - disse o Ron , sem perder tempo . - Esquecemo nos de o caminho para a nossa sala comum . - Como ? - disse a rapariga com a maior frieza . - A * nossa * sala comum ? Eu sou uma Ravenclaw . Afastou se , olhando para eles , desconfiada . Harry e Ron desceram apressadamente os degraus de pedra até a a escuridão . Os passos ecoavam em o silêncio , à_medida_que os pés enormes de Crabbe e Goyle tocavam em o chão , fazendo os sentir que as coisas não iam ser tão fáceis como eles desejavam . Os corredores labirínticos estavam desertos . Andaram e tornaram a andar por os subterrâneos , olhando constantemente para os relógios para ver quanto tempo ainda lhes restava . Depois de um quarto de hora , quando começavam a ficar desesperados , ouviram um movimento súbito . - Olha - disse o Ron , agitadamente . - Agora é um de eles . A silhueta saía de uma sala , mas quando se aproximaram o coração de ambos esmoreceu . Não era um Slytherin , era Percy . - O que estás a fazer aqui em baixo ? - perguntou o Ron surpreendido . - Isso - disse ele friamente - não é de a tua conta . És o Crabbe , não és ? - Er ... sim , sim - respondeu o Ron . - Então vão para o vosso dormitório - ordenou Percy com firmeza . - Não é seguro andar a passear por os corredores escuros em os dias que correm . - Tu andas -- fez notar o Ron . - Eu - disse o Percy endireitando se - sou um prefeito . Nada vai atacar me . Ouviu se , de repente , uma voz por_detrás_de Harry e Ron . Era_Draco_Malfoy e , pela_primeira_vez em a vida , Harry ficou satisfeito a o vê o . - Aí estão vocês - disse de modo arrastado , olhando para eles . - Têm estado a chafurdar em o salão este tempo todo ? Tenho andado a a vossa procura , quero mostrar vos uma coisa muito divertida . Malfoy olhou misteriosamente para Percy . - E o que fazes tu aqui , Weasley ? - perguntou com ar de desprezo . Percy olhou , sentindo se ultrajado . - Fazes favor de mostrar um_pouco mais de respeito por um prefeito de a escola - disse . - Não gosto de o teu ar . Malfoy riu se e fez sinal a o Harry e a o Ron para que o seguissem . Harry quase ia pedindo desculpa a o Percy , mas deu se conta a tempo . Apressaram se a seguir o Malfoy que disse , mal viraram em o corredor seguinte : - Aquele Peter_Weasley ... - O Percy - corrigiu Ron automaticamente . - Ou isso - continuou Malfoy . - Ultimamente tenho o visto muitas_vezes a andar por aí sorrateiramente e aposto que sei o que ele quer . Pensa que vai apanhar o herdeiro de Slytherin sozinho . Deu uma pequena gargalhada ridícula . Harry e Ron trocaram olhares nervosos . Malfoy parou junto de uma parede de pedra húmida . - Qual é a senha ? - perguntou a o Harry . - Er ... - Ah ! sim , sangue puro - disse Malfoy sem ouvir e uma porta de pedra , oculta em a parede , abriu se . Malfoy entrou e Harry e Ron seguiram o . A sala comum de os Slytherin era uma ampla divisão subterrânea com espessas paredes de pedra e um tecto de o qual estavam pendurados por correntes vários candeeiros redondos que davam uma luz esverdeada . O fogo crepitava em uma lareira elaboradamente esculpida em frente de a qual se viam as silhuetas de vários Slytherins sentados em cadeiras igualmente esculpidas . - Esperem aí - disse Malfoy a o Harry e a o Ron , encaminhando os para um par de cadeiras vazias , longe de o lume . - Eu vou buscar o que o meu pai acaba de me mandar . Sem saber o que Malfoy iria mostrar lhes , Harry e Ron sentaram se , fazendo todos os possíveis por parecer a a vontade . Malfoy voltou um minuto depois , trazendo em a mão o que parecia ser um recorte de jornal . Pô o debaixo de o nariz de o Ron . - Vais te rir - disse . Harry viu os olhos de o Ron abrirem se como_se estivesse em estado de choque . Viu o ler o recorte rapidamente , dar uma gargalhada forçada e estender lhe o em seguida . Tinha sido retirado de o * _ Profeta_Diário * e dizia : inquérito em o ministério de a magia * _ Arthur_Weasley , chefe de o Gabinete_de_Mau_Uso_dos_Utensílios_dos_Muggles foi hoje multado em cinquenta galeões por ter enfeitiçado um carro de os Muggles . * _ O senhor Lucius_Malfoy , Membro_do_Conselho_Directivo_da_Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts , onde o carro enfeitiçado foi chocar em o princípio de este ano , exigiu hoje a demissão de Mr._Weasley . « * _ O_Weasley trouxe o descrédito a o Ministério « - declarou Mr._Malfoy a o nosso repórter . - « É claramente incompetente para fazer cumprir as leis e a sua protecção ridícula de os Muggles deveria ir imediatamente para a sucata . » * _ Mr._Weasley recusou se a fazer comentários , mas a sua mulher disse a os repórteres que desaparecessem de ali ou lançaria contra eles o vampiro de a família * . - Então - disse Malfoy impaciente quando Harry voltou a entregar lhe o recorte . - Não achas o_máximo ? - Ha , ha - fez Harry tristemente . - O Arthur_Weasley gosta tanto de os Muggles que era capaz de partir a sua varinha a o meio para se juntar a eles - disse Malfoy com desprezo . - Ninguém diria que os Weasley eram sangue puro a avaliar por o modo como_se comportam . A cara de o Ron , ou melhor , de o Crabbe , contorceu se de raiva . - O que é_que se passa ? - perguntou Malfoy . - Dores de estômago - gemeu o Ron . - Então vai a a ala hospitalar e dá a todos aqueles sangues de lama um pontapé de a minha parte - disse Malfoy com o seu riso escarninho . - Sabes que estou espantado por o * _ Profeta_Diário * ainda não se ter referido a todos estes ataques - continuou pensativamente . - Calculo que o Dumbledore deve estar a tentar abafar as coisas . Ele ainda é posto em a rua se isto não acaba depressa . O pai sempre disse que Dumbledore foi a pior coisa que aqui veio parar . Ele adora os filhos de os Muggles , um director decente nunca deixaria um lodo como o Creevey entrar em esta escola . Malfoy começou a fingir que tirava fotografias com uma máquina imaginária e fez uma imitação maldosa , mas bastante fiel de o Colin : - Potter , posso tirar te a fotografia ? Dás me um autógrafo ? Posso lamber te os sapatos , por favor , Potter ? Baixou as mãos e olhou para Harry e Ron . - O que é_que se passa com vocês os dois ? Um_pouco atrasados , Harry e Ron forçaram o riso e Malfoy pareceu satisfeito . Talvez Crabbe e Goyle fossem sempre de reacção lenta . - O santo Potter , amigo de os sangues de lama - disse Malfoy . - É outro que não tem os sentimentos de um feiticeiro a sério ou não andaria por aí com aquela empertigada sangue de lama Granger . E as pessoas a pensarem que ele é o herdeiro de Slytherin . Harry e Ron esperaram com a respiração entrecortada : o Malfoy ia certamente dizer lhes , dentro_de segundos , que era ele , mas então ... - Quem me dera saber quem ele é - disse o Malfoy , de forma petulante . - Podia ajudá o . O queixo de o Ron caiu de tal maneira que a cara de o Crabbe ficou ainda mais desajeitada do_que era habitual . Felizmente Malfoy não deu por nada e Harry , em um pensamento rápido , disse : - Deves ter alguma ideia de quem está por_detrás_de tudo ... - Sabes perfeitamente que não tenho , Goyle , quantas vezes é preciso dizer te ? - cortou Malfoy . - E o pai também não me diz nada sobre a última vez que a câmara foi aberta . É claro que foi há cinquenta anos , antes de ele cá andar , mas o pai sabe tudo a esse respeito e diz que as coisas foram mantidas em grande segredo e que pareceria suspeito se eu soubesse demasiado . Mas há uma coisa que eu sei : de a última vez que a câmara foi aberta , morreu um sangue de lama . Por isso , aposto que é uma questão de tempo até que um de eles seja morto . Só espero que seja a Granger - disse satisfeito . Ron fechara os punhos gigantescos de o Crabbe . Sentindo que deitaria tudo a perder se ele desse um soco a o Malfoy , Harry lançou lhe um olhar de aviso e disse : - Sabes se a pessoa que abriu a câmara de a última vez foi apanhada ? - Ah ! sim , essa pessoa foi expulsa - disse Malfoy . - Ainda deve estar em Azkaban . - Azkaban ? - repetiu Harry confuso . - Azkaban , a prisão de os feiticeiros , Goyle - disse Malfoy , olhando para ele incrédulo . - Francamente , se fosses mais lento andavas para trás . Esticou se intranquilo , em a cadeira e disse : - O pai diz para eu esfriar a cabeça e deixar que o herdeiro de Slytherin faça o seu trabalho . Acha que a escola precisa de se livrar de a escória de os sangues de lama , mas não quer que eu me envolva em nada . Claro que ele agora tem um prato cheio . Sabes que o Ministério de a magia fez uma busca a a nossa mansão em a semana passada ? Harry tentou forçar a cara de bronco de o Goyle a uma expressão preocupada . - Sim - continuou Malfoy . - É claro que não encontraram grande coisa . O pai guarda uns materiais de magia negra muito valiosos , mas , felizmente , temos a nossa câmara secreta debaixo de o soalho de a sala de visitas ... - Ah ! - disse o Ron . Malfoy olhou para ele . Harry também . Ron corou e até o cabelo começou a ficar vermelho . O nariz estava também a diminuir lentamente ... a hora tinha acabado . Ron estava a voltar a a sua forma habitual e por o olhar de horror que lançou a Harry certamente ele também estava . Puseram se rapidamente de pé . - Tenho de tomar o remédio para o estômago - grunhiu o Ron e sem mais explicações saíram ambos a correr de a sala comum de os Slytherin , precipitaram se para a parede de pedra e galgaram a passagem , pedindo a todos os santos que Malfoy não tivesse dado por nada . Harry sentia os pés a nadarem em os sapatos enormes de o Goyle e tinha de levantar o manto visto_que diminuíra de tamanho . Subiram os degraus a correr até a o * hall * escuro de entrada onde se ouvia um som abafado que vinha de a despensa onde tinham fechado o Crabbe e o Goyle . Deixando os sapatorros de os dois de o lado de_fora , subiram já com os respectivos sapatos a escadaria de mármore até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Bem , não foi uma total perda de tempo - disse o Ron ofegante , fechando atrás_de si a porta de a casa_de_banho . - É certo que ainda não descobrimos de quem vêm os ataques , mas vou escrever a o meu pai amanhã a dizer lhe que procure debaixo de o soalho de a sala de visitas de o Malfoy . Harry olhou para o espelho partido . Tinha voltado a o normal . Pôs os óculos enquanto Ron batia em a porta de o cubículo de Hermione . - Hermione , sai de aí , temos um monte de coisas para te contar ... - Vão se embora - guinchou Hermione . Harry e Ron olharam um para o outro . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron . - Tu já deves ter voltado a o normal como nós ... Mas a Murta_Queixosa saiu subitamente através de a porta de o cubículo com um ar divertido como nunca a tinham visto . - Oh ! Esperem até ver - disse ela . - É horrível ! Ouviram o trinco de a porta a abrir se e Hermione apareceu a soluçar , a túnica levantada a cobrir lhe o rosto . - O que foi ? - perguntou o Ron indistintamente . - Ainda tens o nariz de a Millicent ou alguma coisa assim ? Hermione deixou cair a roupa e Ron recuou rapidamente . O rosto de ela estava coberto de pêlo preto , os olhos tinham ganho uma cor amarela e as orelhas eram pontiagudas , saindo espetadas para fora de os cabelos . - Era um pêlo de g-gato - disse a chorar . - A Millicent_Bulstrode d-deve ter um gato e a poção não está preparada para transformação em animais . - Oh-oh - disse o Ron . - Vão te gozar horrivelmente - disse a Murta , felicíssima . - Não te preocupes , Hermione - tranquilizou a rapidamente o Harry . - Vamos levar te para a ala hospitalar , a Madam_Pomfrey nunca faz muitas perguntas ... Não foi fácil convencer Hermione a sair de a casa_de_banho . A Murta_Queixosa despediu se com uma gargalhadavigorosa e grosseira . - Espera até todos descobrirem que tens uma cauda ! XIII_O diário muito secreto Hermione ficou em a ala hospitalar durante várias semanas . Houve uma onda de boatos sobre o seu desaparecimento quando o resto de os alunos voltou de as férias de Natal porque , é claro , todos pensam que ela tinha sido atacada . Foram tantos os estudantes a rondar a ala hospitalar para espreitar a ver se a viam que Madam_Pomfrey desceu de_novo as cortinas de a cama de ela para a poupar a a vergonha de ser vista com pêlo em a cara . Harry e Ron iam visitá a todas_as tardes . Quando o segundo período começou passaram a levar lhe diariamente os trabalhos de casa . - Se eu tivesse o bigode a crescer , tinha uma folga de o trabalho - disse uma tarde o Ron enquanto colocava uma pilha de livros a a cabeceira de a cama de Hermione . - Não sejas parvo , Ron , eu tenho de me manter a par de as coisas - disse Hermione com vivacidade . O humor de ela melhorara bastante com o facto de lhe ter desaparecido todo o pêlo de o rosto e de os olhos estarem lentamente a retomar a cor castanha . - Calculo que não tenham novas pistas ? - disse em um murmúrio para evitar que Madam_Pomfrey os ouvisse . - Nada - disse Harry tristemente . - Eu tinha tanta certeza de que era o Malfoy - repetiu o Ron por a centésima vez . - O que é isso ? - perguntou Harry , apontando para uma coisa com brilho dourado que estava debaixo de a almofada de Hermione . - É só um cartão a desejar boas melhoras - disse ela precipitadamente , tentando escondê o , mas o Ron foi mais rápido . Pegou lhe , abriu o e leu em voz alta : * _ Para_Miss_Granger , desejando lhe uma rápida recuperação , com o interesse e estima de o professor Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , Terceiro grau , Membro_Honorário_da_Liga_de_Defesa contra as Artes_Negras e vencedor por cinco vezes de o prémio O sorriso mais charmoso de a semana de o Semanário_das_Bruxas * . Ron olhou desconsolado para Hermione . - Tu dormes com isto debaixo de a almofada ? Mas Hermione foi poupada a ter de responder por a entrada de Madam_Pomfrey que lhe trazia a dose de medicamento de a tarde . - Achas que o Lockhart é o tipo mais esperto que conheceste ? - perguntou o Ron a o Harry quando saíram de a enfermaria e começavam a subir as escadas para a torre de os Gryffindor . O Snape tinha lhes passado tanto trabalho para_casa que Harry pensou que ia chegar a o sexto ano antes de o ter acabado . Ron vinha a dizer que devia ter perguntado a a Hermione quantas caudas de rato deveria juntar se a uma poção para o crescimento de o cabelo quando um grito de raiva vindo de o andar de cima lhes chegou a os ouvidos . - É o Filch - murmurou Harry enquanto subiam apressadamente as escadas e paravam para ouvir melhor . - Terá mais alguém sido atacado ? - disse nervosamente o Ron . Ficaram parados com as cabeças inclinadas para a voz de o Filch que parecia quase histérica . -- ... * _ Ainda mais trabalho para mim . Toda_a noite a esfregar como_se não tivesse já trabalho de sobra . Não , isto foi a gota de água que fez transbordar o copo , vou falar com Dumbledore * ... Os passos afastaram se e ouviram uma porta fechar se com grande estrondo . Puseram as cabeças fora de a esquina . O Filch tinha obviamente estado a patrulhar o seu habitual posto de vigia : estavam novamente em o lugar onde Mrs._Norris fora atacada . Perceberam imediatamente qual o motivo de os gritos . Uma enorme poça de água enchia metade de o corredor e parecia escorrer de a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Agora_que o Filch se calara podiam ouvir os uivos de a Murta que faziam eco em as paredes de a casa_de_banho . - Mas o que se passará com ela ? - disse o Ron . - Vamos lá ver - sugeriu Harry e arregaçando as túnicas até a os tornozelos entraram , atravessando a enorme poça de água , em a casa_de_banho que tinha o letreiro a dizer « Fora de serviço » e que eles , como sempre , ignoraram . A Murta_Queixosa chorava , se possível , mais alto do_que nunca . Parecia estar escondida em o cubículo de o costume . Lá dentro estava escuro pois as velas tinham se apagado com a enchente de água que deixara as paredes e o chão ensopado . - O que se passa , Murta ? - quis saber o Harry . - Quem é ? - perguntou ela infelicíssima . - Vieste atirar me mais alguma coisa acima ? Harry caminhou com dificuldade por causa de a água até a o cubículo de ela e disse : - Porque te faríamos nós uma coisa de essas ? - Não me perguntem - gritou a Murta , emergindo em uma onda de água que molhou ainda mais o chão já ensopado . - Eu estou aqui metida em a minha morte e alguém acha muito engraçado atirar me com um caderno acima ... - Mas , não pode magoar te se alguém te atirar alguma coisa acima - disse Harry , tentando ser prático . - Isto_é , seja o que for passa através_de ti , não é assim ? Tinha dito a frase errada . A Murta encheu o peito de ar e gritou a plenos pulmões : - Vamos todos atirar cadernos a a Murta já_que ela não sente nada ! Dez pontos se lhe acertarem em o estômago , cinquenta se lhe atravessar a cabeça ! Hah hah hah , que jogo lindo , não acham ? - Quem te atirou um caderno , afinal ? - perguntou o Harry . - Não sei ... eu estava sentada em a sanita a pensar em a morte e caiu me em cima de a cabeça - disse a Murta , olhando para eles . - Está ali , ficou todo molhado . Harry e Ron olharam para o ponto que a Murta lhes apontava debaixo de o lavatório . Um caderno pequenino e fino estava caído em o chão . Tinha uma capa preta muito gasta e estava encharcado como tudo em aquela casa_de_banho . Harry deu um passo em frente para o apanhar , mas o Ron agarrou lhe precipitadamente o braço . - O que foi ? - perguntou Harry . - Estás doido - disse ele . - Pode ser perigoso . - Perigoso ? - riu se Harry . - Essa agora Ron , como é_que pode ser perigoso ? - Ficarias surpreendido ... - explicou ele , olhando com ar apreensivo para o caderno . - Entre os livros que o Ministério confiscou , contou me o meu pai , havia um que queimava os olhos a as pessoas . E todos os que leram os * _ Sonetos_de_Um_Feiticeiro * ficaram a falar em verso para o resto de a vida . Havia também uma bruxa em Bath que tinha um livro que quem o lesse nunca mais conseguia parar , tinha de andar por aí com o nariz enfiado em as folhas , a fazer todas_as coisas só com uma mão e ... - Já chega , já chega , já percebi a tua ideia - disse O_Harry . O caderninho continuava caído e ensopado . - Bem , nunca saberemos a_não_ser_que tenhamos a coragem de dar uma vista de olhos - disse e mergulhou apanhando o de o chão . Harry viu imediatamente que se tratava de um diário e a data meio apagada , em a capa , disse lhe que tinha cinquenta anos de idade . Abriu o ansiosamente . Em a primeira página podia ler se apenas o nome T._M._Riddle em tinta esborratada . - Espera aí - disse o Ron que se aproximara prudentemente e olhava por cima de o ombro de Harry . - Eu conheço esse nome ... T._M._Riddle recebeu um prémio por serviços especiais prestados a a escola há cinquenta anos atrás . - Como diabo sabes tu isso ? - perguntou Harry com grande espanto . - Porque o Filch mandou me limpar a taça de ele umas cinquenta vezes quando estive de castigo - disse o Ron ressentido . - Foi a taça em cima de a qual eu vomitei lesmas . Se tivesses tido que limpar o muco de um nome durante uma hora também te lembrarias . Harry separou umas de as outras as páginas molhadas . Estavam completamente em branco . Não havia o mais leve sinal de escrita em nenhuma , nem coisas como « Aniversário de a tia Mabel « ou « Dentista a as três_e_meia » . - Ele nunca escreveu nada aqui - disse Harry desapontado . - Porque quereria alguém atirá o fora ? - perguntou se o Ron com curiosidade . Harry voltou o caderno e viu , inscrito em a contra capa , o nome de uma tabacaria em Vauxhall_Road , Londres . - Ele devia ser filho de Muggle - disse Harry pensativo - para ter comprado um diário em Vauxhall_Road ... - Bem , não te serve de muito - Ron baixou a voz . - Cinquenta pontos se acertares em o nariz de a Murta . Harry , mesmo_assim , guardou o diário . Hermione saiu de a ala hospitalar desbigodada , sem cauda e sem pêlo em os primeiros dias de Fevereiro . Em a primeira noite em a torre de os Gryffindor , Harry mostrou lhe o diário de T._M._Riddle e contou lhe como o tinham encontrado . - Ooooh ! Deve ter poderes ocultos - disse ela entusiasticamente , pegando em o diário e examinando o de perto . - Se tem , esconde os muito bem - disse Ron . - Talvez fosse tímido . Não sei porque não deitas isso fora , Harry . - Gostava de perceber porque motivo alguém se quis livrar de ele - explicou Harry . - E também não me importava de saber como foi que o Riddle obteve esse prémio de serviços especiais prestados a Hogwarts . - Pode ter sido qualquer coisa - lançou o Ron . - Talvez tenha recebido 30 de nota final ou salvo um professor de a lula gigante . Se_calhar assassinou a Murta , isso teria sido um favor prestado a todos ... Mas Harry quase podia jurar , por o olhar suspenso em a cara de Hermione , que ela pensava o mesmo_que ele . - O que foi ? - perguntou Ron , olhando para um e para o outro . - Bem , a Câmara_dos_Segredos foi aberta há cinquenta anos , não foi isso que disse o Malfoy ? - Sim - respondeu Ron , lentamente . - E este diário tem cinquenta anos de idade - completou Hermione , dando lhe palmadinhas nervosas . - E de aí ? - Oh Ron , acorda - insistiu Hermione . - Sabemos que a pessoa que abriu a câmara de a outra_vez foi expulsa há cinquenta anos . E se o Riddle tivesse tido o prémio especial por apanhar o herdeiro de Slytherin ? O seu diário diria nos provavelmente tudo : onde é a Câmara_dos_Segredos , como abris a e que tipo de criatura vive lá . Achas que a pessoa que está por trás de os ataques desta_vez quereria o diário por aí ? - É uma teoria interessante , Hermione - disse o Ron . - Apenas com uma pequenina falha : o diário não tem nada Mas_Hermione já estava a tirar a varinha de o saco . - Pode ser tinta invisível - murmurou . Bateu três vezes em o diário e repetiu * _ Aparecium ! * Nada aconteceu . Intrépida , Hermione meteu a mão de_novo em o saco e tirou o que parecia ser uma borracha vermelha e brilhante . - É um * revelador * , comprei o em a Diagon - _ Al - disse . Apagou com força em 1_de_Janeiro . Não sucedeu nada . - Já vos disse , não há nada aí - repetiu o Ron . - O Riddle deve ter recebido um diário como prenda de Natal e nem se deu a o trabalho de escrever fosse o que fosse . Harry não conseguia explicar , nem a si próprio , porque motivo não deitara fora o diário de Riddle . A verdade é_que , mesmo depois de saber que ele estava em branco , continuou distraidamente a pegar lhe e a virar as páginas como_se quisesse chegar a o fim de uma história . E , apesar_de saber que nunca tinha ouvido o nome T._M._Riddle , continuava a ter a sensação de que lhe dizia alguma coisa , como_se Riddle fosse um amigo que ele tinha tido quando era muito pequeno e que estivesse meio esquecido . Mas era um absurdo . Nunca tivera amigos antes de Hogwarts , Dudley tivera esse cuidado . Ainda_assim , Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle , por isso em o dia seguinte foi até a a sala de os troféus para examinar a taça , acompanhado de Hermione que estava interessadíssima e de Ron que se mostrava profundamente incrédulo , dizendo que tinha ficado farto de aquela sala até a o fim de a vida . A taça dourada de Riddle estava arrecadada em um armário de canto . Não fornecia detalhes sobre o motivo por_que lhe fora dada ( felizmente , se fosse maior ainda hoje estava a limpá a , disse o Ron ) . Mas encontraram o nome de Riddle em uma antiga medalha de Mérito_Mágico e em uma lista de antigos chefes de turma . - Parece o Percy - comentou Ron , torcendo o nariz com aversão . - Prefeito , chefe de turma , provavelmente o melhor em todas_as disciplinas . - Dizes isso como_se fosse uma coisa má - fez lhe notar Hermione , em um tom de voz ressentido . Um sol fraco brilhava agora de_novo em Hogwarts . Dentro de o castelo , o ambiente estava bastante melhor . Não tinha havido novos ataques desde Justin e Nick quase sem cabeça e Madam_Pomfrey teve a satisfação de informar que as Mandrágoras começavam a ficar instáveis e dissimuladas , sinal de que estavam a abandonar rapidamente a infância . - Logo_que o acne desapareça estarão prontas para novo transplante - ouviu a Harry dizer amavelmente a o Filch . - E depois de isso , não demorará muito até podermos cortá as e estufá as . - Vai ter Mrs._Norris de volta , muito em_breve . Talvez o herdeiro ou herdeira de Slytherin tenha perdido a coragem , pensou Harry . Deve ser cada_vez_mais arriscado abrir a Câmara_dos_Segredos com a escola tão alerta e desconfiada . Talvez o monstro , qualquer_que_fosse , estivesse a preparar se para hibernar durante outros cinquenta anos . Ernie_Mcmillan_dos_Hufilepuff não aceitou esta visão optimista . Continuava convencido de que Harry era o culpado , que se tinha traído em o clube de os duelos . Peeves não ajudava nada : continuava a cantar por os corredores Potter , * seu bandido * ... agora acompanhado de um esquema de dança . Gilderoy_Lockhart parecia pensar que fora ele quem pusera fim a os ataques . Harry fartou se de o ouvir dizer isso a a professora Mc_Gonagall enquanto os Gryffindor formavam bicha para a aula de Transfiguração . - Não creio que volte a haver problemas , Minerva - disse , tocando em o nariz com ar conhecedor e piscando o olho . - Acho que desta_vez a câmara foi definitivamente selada . O culpado deve ter sabido que era uma questão de tempo até eu o apanhar e que era mais sensato parar agora antes que eu lhe tratasse de a saúde . Sabe , a escola está a precisar de um intensificador de animo para apagar as lembranças de o último período . Não vou dizer lhe mais_nada , por enquanto , mas julgo que sei o que ... Voltou a tocar em o nariz e afastou se a passos largos . A ideia de Lockhart de um intensificador de ânimo ficou bastante clara em o dia_14_de_Fevereiro , a o pequeno-almoço . Harry não dormira grande coisa devido a o treino de Quidditch em a noite anterior e chegou a o salão um_pouco atrasado . Pensou , por momentos , que se tinha enganado em a porta . As paredes estavam todas cobertas com enormes e medonhas flores cor-de-rosa . Pior ainda , * confettis * em forma de corações caíam de o tecto azul pálido . Harry dirigiu se a a mesa de os Gryffindor onde o Ron estava sentado com um ar enjoado junto de Hermione que parecia particularmente risonha . - O que se passa ? - perguntou lhes , sentando se e sacudindo os * confettis * de o seu bacon . Ron apontou para a mesa de os professores , com um ar demasiado repugnado para falar . Lockhart , em as suas vestes rosa vivo , a condizer com a decoração de o salão , fazia sinal para que se calassem . Os professores que o ladeavam tinham um ar estupefacto . De o seu lugar , Harry podia ver um músculo mover se em a bochecha de a professora Mc_Gonagall . Snape estava com ar de quem tomou uma imensa dose de xarope * skele-gro * . - Feliz dia de S._Valentim - gritou Lockhart . - E permitam me que agradeça a as quarenta_e_seis pessoas que até agora me enviaram cartões . Sim , fui eu quem tomou a liberdade de vos fazer esta pequena surpresa , e ela não acaba aqui ! Lockhart bateu as palmas e por as portas de o * hall * entraram a marchar cerca de uma_dúzia de duendes de aspecto carrancudo . Não eram uns duendes quaisquer , diga se de passagem . Lockhart fizera os usar asas douradas e transportar harpas . - Os meus amigos cupidos , portadores de os cartões ! gritou Lockhart . - Eles vão andar por a escola durante o dia de hoje , entregando os vossos cartões de S._Valentim . E o divertimento não acaba aqui . Tenho a certeza de que os meus colegas vão querer participar em este espírito de festa . Porque não pedir a o professor Snape que vos mostre como preparar rapidamente uma poção de amor . E , enquanto ele a prepara , está aqui o professor Flitwick que é de todos os feiticeiros que conheci aquele que mais sabe de encantamentos de sedução , o grande safado ! O professor Flitwick enterrou o rosto em as mãos . Snape olhava como_se quisesse dar veneno a a primeira pessoa que fosse pedir lhe a poção de o amor . - Por favor , Hermione , diz me que não foste uma de as quarenta_e_seis - pediu Ron quando saíram de o salão para a primeira aula . Mas Hermione ficou subitamente muito interessada em procurar o horário dentro de a mala e não lhe respondeu . Durante todo o dia os duendes não pararam de se intrometer em as aulas para entregar cartões , para grande aborrecimento de os professores e , ao_fim_da_tarde , quando os Gryffindor subiam as escadas para a aula de encantamentos , um de eles avistou o Harry . - Hei , tu , Harry_Potter ! - gritou um duende de aspecto particularmente lúgubre , dando cotoveladas a_toda_a gente para se aproximar de o Harry . Coradíssimo com a ideia de receber um cartão de S._Valentim diante_de uma fila de alunos de o primeiro ano que , por acaso , incluía Ginny_Weasley , Harry tentou escapar se . Mas o duende cortou lhe o caminho através de a multidão e agarrou o em três tempos . - Tenho uma mensagem musical para entregar a Harry_Potter em pessoa - disse , tangendo a harpa de forma ameaçadora . - Aqui não - disse baixinho o Harry , tentando escapar . - Fica quieto - grunhiu o duende , agarrando o saco de o Harry e puxando com força . - Larga me - disse ele rispidamente , dando um puxão . Com um ruído de tecido a rasgar se , o saco dividiu se em dois . Os livros de Harry , varinha , pergaminho e pena espalharam se por o chão enquanto o tinteiro se partia em cima de as outras coisas . Harry pôs se de gatas , tentando apanhar tudo antes que o duende começasse a cantar , provocando um engarrafamento em o corredor . - O que se passa aqui ? - perguntou a voz fria e afectada de Draco_Malfoy . Harry , nervosíssimo , começou a guardar tudo dentro de o saco rasgado , desesperado para sair de ali antes que Malfoy pudesse ouvir o seu S._Valentim musical . - Que confusão é esta ? - disse outra voz familiar . Percy_Weasley tinha chegado . De cabeça perdida , Harry tentou fugir , mas o duende agarrou o por os joelhos e fê lo cair a o chão . - Certo - disse , sentando se em os tornozelos de Harry . Eis o teu cartão musical : * _ Os olhos de ele são verdes como o sapo de o quintal * _ O seu cabelo é escuro como um temporal * _ É um desatino , oh ! ele é divino ! * _ O herói que venceu o Senhor_do_Mal * . Harry teria dado todo o ouro de Gringotts para se evaporar em aquele momento . Tentando corajosamente rir se com todos os outros , levantou se . Sentia os pés dormentes de o peso de o duende . Enquanto isso , Percy_Weasley fazia todos os possíveis por dispersar a multidão onde havia gente que chorava de hilaridade . - Vamos embora , vamos embora , a campainha tocou há cinco minutos para as aulas - dizia , enxotando alguns de os alunos mais novos . - E tu , Malfoy . Harry olhou e viu Malfoy inclinar se , apanhar qualquer coisa e com um olhar maldoso mostrá a a Crabbe e Goyle . Percebeu que era o diário de Riddle . - Dá cá isso - exigiu com toda_a calma . - O que será que o Potter escreveu aqui ? - disse Malfoy que obviamente não reparara em a data e pensou que tinha em as mãos o diário de o Harry . Houve uma agitação em os presentes . Ginny olhava apavorada para o diário e para Harry . - Dá lhe isso , Malfoy - disse Percy com firmeza . - Depois de dar uma vista de olhos - retorquiu Malfoy , acenando a Harry com o diário de forma provocatória . Percy disse : - Como Prefeito de a escola ... - mas Harry perdera a paciência . Pegou em a varinha e gritou * _ Expelliarmus * e assim_como Snape desarmara Lockhart , MalLoy viu o diário saltar lhe de as mãos e elevar se em o ar enquanto Ron o apanhava sorridente . - Harry - disse Percy levantando a voz . - Não quero magia em os corredores . Vou ter de participar isto , sabes perfeitamente . Mas Harry não se importou . Tinha ganho uma_vez a Malfoy e isso valia bem cinco pontos a menos para os Gryffindor . Malfoy estava furioso e quando a Ginny passou por ele a caminho de a sala de aula , gritou lhe com desprezo : - Não creio que o Potter tenha gostado lá muito de o teu cartão de S._Valentim . Ginny tapou a cara e correu para a aula . Aborrecido , Ron pegou também em a varinha , mas Harry afastou o . Era melhor que ele não passasse a aula de encantamentos a vomitar lesmas . Só quando entraram em a sala de aula de o professor Flitwick é_que Harry reparou em uma coisa bastante estranha em o diário de Riddle . Todos os outros livros estavam cheios de tinta vermelha , mas o diário mantinha se tão limpo como antes de o tinteiro se ter entornado em cima de ele . Tentou chamar a atenção de Ron para este facto , mas ele estava novamente a ter um problema com a varinha : de a extremidade saíam grandes bolhas roxas e ele não parecia interessado em mais_nada . Em essa noite , Harry foi deitar se antes de os outros companheiros de dormitório , em parte porque já não conseguia suportar o Fred e o George a cantarem * _ Os seus olhos são verdes como o sapo de o quintal * e em parte porque queria voltar a examinar o diário de Riddle e sabia que em a opinião de o Ron era uma pura perda de tempo . Sentou se em a cama de dossel e folheou as páginas em branco em as quais não se via uma única mancha de tinta escarlate . Tirou então outro tinteiro de o armário a o lado de a cama , molhou a pena e deixou cair um borrão em a primeira página de o diário . A tinta brilhou em o papel durante um segundo e , em seguida , como_se a página a tivesse sugado , desapareceu sem deixar rasto . Depois , finalmente , algo aconteceu . Deslizando sobre a página em a cor de a sua tinta , surgiram palavras que Harry não escrevera . - * _ Olá_Harry_Potter . O meu nome é Tom_Riddle . Como é_que encontraste o meu diário ? * Também estas palavras desapareceram , mas não sem que Harry tivesse respondido . - Alguém tentou lançá o em uma sanita . Esperou ansiosamente por a resposta de Riddle . - * _ Felizmente guardei as minhas memórias de uma forma mais duradoura do_que a tinta . Mas sempre soube que haveria quem não iria querer que o diário fosse lido . * - O que queres dizer com isso ? - escrevinhou Harry , borrando a página com o nervosismo . - * _ Quero dizer que este diário contém memórias de coisas terríveis . Coisas que foram abafadas . Coisas que aconteceram em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . * - É onde eu estou agora - escreveu Harry rapidamente . - Estou em Hogwarts e estão a acontecer coisas horríveis . Sabes alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? O coração parecia querer saltar lhe de o peito . A resposta de Riddle não se fez esperar , a letra tornara se mais desordenada como_se tivesse pressa em contar lhe tudo_o_que sabia . - * _ É claro que sei de a Câmara_dos_Segredos . Em o meu tempo diziam nos que era uma lenda , que não existia , mas era mentira . Quando eu estava em o quinto ano a Câmara_dos_Segredos foi aberta e o monstro atacou vários estudantes , acabando matar um . Eu apanhei a pessoa que abriu a câmara e ele foi expulso . Mas o director , o professor Dippet , envergonhado por uma coisa de aquelas ter acontecido em Hogwarts , proibiu me de contar a verdade . Foi divulgada uma história dizendo que a rapariga morrera de um acidente extravagante . Deram me um troféu brilhante com o meu nome gravado e avisaram me para ficar calado . Mas eu sabia que ia voltar a acontecer . O monstro sobreviveu e aquele que tinha o poder para o libertar não foi para a prisão . * Harry quase entornou o tinteiro em a pressa de responder . - Está a acontecer outra_vez . Houve três ataques e ninguém parece saber quem está por_detrás_de tudo_isto . Quem foi de a última vez ? - * _ Posso mostrar te , se quiseres * - foi a resposta de o Riddle . - * _ Não tens de acreditar só em a minha palavra . Posso levar te a o fundo de a minha memória de a noite em que o apanhei . * Harry hesitou com a pena em o ar sobre o diário . O que quereria ele dizer ? Como poderia entrar em a memória de outra pessoa ? Olhou inquieto para a porta de o dormitório que começava a ficar escuro . Quando pôs de_novo os olhos em o diário viu as palavras que se formavam . - * _ Deixa-me mostrar te . * Harry parou durante uma fracção de segundo e depois escreveu duas letras . - O. _ K._As páginas de o diário começaram a esvoaçar como_se tivessem sido apanhadas em uma ventania , parando a meio de o mês_de_Junho . Boquiaberto , Harry viu que o quadradinho de 13_de_Junho se transformara em um pequeno ecrã de televisão . Com as mãos ligeiramente trémulas levantou o livro para encostar os olhos a a janelinha e antes de perceber o que estava a passar se , deu consigo inclinado para a frente com a janela a abrir se . O corpo abandonava a cama e era lançado de cabeça , por a abertura de a página , em um turbilhão de cor e sombras . Sentiu os pés tocarem em terra firme e pôs se de pé a tremer enquanto as formas desfocadas se tornavam subitamente nítidas . Soube imediatamente onde estava . Aquela sala circular com os retratos adormecidos era o escritório de Dumbledore , mas não era Dumbledore quem estava atrás de a secretária . Um feiticeiro mirrado , de aspecto débil e quase careca lia uma carta a a luz de as velas . Harry nunca vira aquele homem antes . - Desculpe - disse com a voz a tremer . - Eu não queria intrometer me ... Mas o feiticeiro não olhou . Continuou a ler , franzindo levemente as sobrancelhas . Harry aproximou se de a secretária e gaguejou : - Er ... eu vou me embora , está bem ? E o feiticeiro continuou a ignorá o . Parecia nem_sequer ter ouvido . Pensando que talvez ele fosse surdo , Harry falou mais alto . - Desculpe tê o incomodado - disse quase a gritar . O feiticeiro dobrou a carta com um suspiro . Pôs se de pé , passou por Harry sem olhar para ele e foi abrir os cortinados de a janela . O céu , lá fora , estava vermelho-rubi . Devia ser o pôr de o Sol . O feiticeiro voltou para a secretária , sentou se e girou os polegares , olhando para a porta . Harry olhou em volta . Não viu Fawkes , a fénix , nem as engenhocas prateadas que sibilavam . Aquela Hogwarts era a que Riddle conhecera e , portanto , aquele feiticeiro desconhecido era o director de então , não Dumbledore e ele , Harry , era pouco mais que um fantasma , totalmente invisível a as pessoas de há cinquenta anos atrás . Alguém bateu a a porta . - Entre - disse o velho feiticeiro , em uma voz fraca . Um rapazinho de dezasseis anos entrou , tirando o chapéu pontiagudo . Em o seu peito brilhava um distintivo prateado de prefeito . Era muito mais alto do_que Harry , mas tinha , tal_como ele , cabelo preto asa de corvo . - Ah ! Riddle - disse o director . - Queria falar comigo , professor Dippet ? - perguntou ele com ar nervoso . - Senta te - disse Dippet . - Tenho estado a ler a carta que me mandaste . - Oh ! - exclamou Riddle , sentando se e apertando as mãos uma contra a outra . - Meu rapaz - disse Dippet amavelmente . - Eu não posso deixar te ficar em a escola durante o Verão . Com certeza queres ir para_casa em as férias ? - Não - respondeu Riddle , sem perder tempo . - Prefiro mil vezes ficar em Hogwarts a ter de voltar a aquela ... aquela ... - Tu vives em um orfanato de Muggles durante as férias , não é assim ? - perguntou Dippet com curiosidade . - Sim senhor - disse Riddle , corando um_pouco . - És filho de Muggles ? - Meio sangue , professor - explicou Riddle . - Pai_Muggle , mãe bruxa . - E o teu pai e a tua mãe ... - A minha mãe morreu pouco depois de eu nascer , professor , contaram me em o orfanato que só teve tempo de me dar o nome : Tom , como o meu pai , Marvolo como o meu avô . Dippet estalou a língua solidariamente . - O que acontece , Tom - suspirou - é_que ... podia ter se arranjado uma situação especial para ti , mas em as circunstâncias actuais ... - Refere se a os ataques , professor ? - perguntou Riddle e o coração de Harry deu um salto , aproximando se com medo de perder alguma coisa . - Precisamente - disse o director . - Meu rapaz , compreendes que seria uma imprudência de a minha parte deixar te ficar em o castelo quando o período acabar , principalmente a a luz de a recente tragédia ... a morte de aquela pobre moça ... estarás sem dúvida em maior segurança em o orfanato . Em a verdade , o ministro de a magia até fala em fechar a escola . Não estamos nada perto_de localizar ... er ... a fonte de toda esta história desagradável . Os olhos de Riddle tinham se aberto mais . - Professor , se essa pessoa fosse apanhada ... se tudo acabasse . . . - Que queres dizer com isso ? - perguntou Dippet com voz aguda , endireitando se em a cadeira . - Riddle , tu sabes alguma coisa sobre estes ataques ? - Não senhor - respondeu ele de imediato . Mas Harry sabia que era o mesmo tipo de « não » que ele dissera a Dumbledore . Dippet afundou se de_novo com um ar de profundo desapontamento . - Podes ir , Tom . Riddle esgueirou se de a cadeira e saiu de a sala . Harry seguiu o . Desceram por a escada em espiral , saindo junto de a gárgula em o corredor que escurecia . Riddle parou e Harry fez o mesmo , olhando para ele . Quase podia apostar que ele pensava seriamente em alguma coisa . Mordia o lábio e tinha as sobrancelhas franzidas . A certa altura , como_se tivesse acabado de tomar uma decisão , começou a andar mais depressa com Harry a segui o ruidosamente . Não viram mais ninguém , a não ser quando chegaram a o * hall * de entrada onde um feiticeiro alto de longos cabelos ruivos e barba chamou Riddle de a escadaria de mármore . - O que andas a fazer por aqui tão tarde , Tom ? Harry olhou para o feiticeiro . Não era outro senão Dumbledore com cinquenta anos a menos . - Tive de ir falar com o director - justificou se Riddle . - Bem , agora vai depressa para a cama - disse Dumbledore , olhando Riddle com aquele olhar penetrante que Harry conhecia tão bem . - É melhor não andar a passear por os corredores em os dias que correm , pelo_menos até ... Suspirou profundamente , deu as boas-noites a o Riddle e foi se embora . Riddle viu o desaparecer e , sem perder tempo , desceu os degraus de pedra até a os calabouços com Harry em a peugada . Mas para seu grande desconsolo , Riddle não o conduziu a nenhum corredor ou túnel secreto e sim a o calabouço onde ele costumava ter aulas de poções com o Snape . As tochas não tinham sido acesas e quando Riddle empurrou a porta quase fechada , Harry só conseguiu vê o a ele , de pé , quieto junto de a porta , olhando para o corredor . Pareceu a Harry que ficaram ali quase uma hora . Tudo_o_que via era a silhueta de Riddle junto de a porta , olhando fixamente através de a greta , a a espera . Como_se fosse uma estátua . E quando Harry tinha abandonado todas_as expectativas e começava a desejar voltar a o presente , ouviu alguma coisa que se movia atrás de a porta . Alguém avançava lentamente por o corredor . Ouviu a pessoa , quem quer que fosse , passar por o calabouço onde ele e Riddle estavam escondidos . Riddle , silencioso como uma sombra , esgueirou se por a porta e seguiu o com Harry em bicos de pés atrás de ele , esquecido de que podia fazer barulho a a vontade porque ninguém o ouvia . Durante cerca de cinco minutos seguiram lhe os passos até que Riddle parou repentinamente com a cabeça inclinada em a direcção de novos ruídos . Harry ouviu uma porta a abrir se e em seguida alguém falou em um murmúrio rouco . - Vá lá , temos que sair de aqui ... vá lá , dentro de a caixa ... Havia algo de familiar em aquela voz . Riddle deu subitamente uma volta e Harry seguiu o . Podia ver a silhueta escura de um rapaz enorme que estava inclinado em frente de a porta aberta , com uma grande caixa a o lado . - Boa noite , Rubeus - disse Riddle secamente . O rapaz fechou a porta e pôs se de pé . - O que estás a fazer aqui , Tom ? Riddle aproximou se . - Acabou se - disse . - Vou ter de entregar te , Rubeus . Falam em fechar Hogwarts se os ataques não terminarem . - O que é_que tu ... ? - Eu acho que tu não quiseste matar ninguém , mas os monstros não são os melhores animais domésticos . Tu só quiseste deixá o sair para andar um_pouco e ... - Ele não matou ninguém - disse o rapaz grande , recuando contra a porta fechada . Lá de dentro vinham uns estranhos roncos e rugidos . - Vamos , Rubeus - disse Riddle , aproximando se mais ainda . - Os pais de a rapariga que morreu estarão aqui amanhã . O mínimo que Hogwarts pode fazer é assegurar lhes que aquilo que matou a filha de eles foi abatido ... - Não foi ele - gemeu o rapaz cuja voz ecoou em o corredor escuro . - Ele não faria isso ... ele nunca ... - Afasta te - disse Riddle , pegando em a varinha . O encantamento iluminou o corredor com uma luz brilhante . A porta atrás de o rapaz grande abriu se de par em par com tanta força que o atirou contra a parede . E de lá de dentro saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito que ninguém mais ouviu a não ser ele próprio . Tinha um corpo imenso , magro e peludo e um emaranhado de pernas pretas , a cintilação de muitos olhos e um par de tenazes afiadas . Riddle levantou de_novo a varinha , mas era tarde de mais . A coisa deixara o atarantado e corria apressadamente , precipitando se por o corredor e desaparecendo . Riddle pôs se de pé , olhou a a procura de o monstro , levantou a varinha , mas o rapaz grande saltou sobre ele , tirou lhe a varinha de as mãos e lançou o a o chão , gritando : - Naaaaaão ! A cena rodopiou . A escuridão tornou se total . Harry sentiu se a cair e com um embate aterrou como uma águia de patas e asas abertas em a sua cama de dossel , em o dormitório de os Gryffindor , o diário de Riddle aberto sobre o estômago . Antes de ter tido tempo de normalizar a respiração , a porta de o dormitório abriu se e o Ron entrou . - Aí estás tu - disse . Harry sentou se . Transpirava e tremia . - O que se passa ? - perguntou Ron , olhando aflito para ele . - Foi o Hagrid , Ron . O Hagrid abriu a Câmara_dos_Segredos há cinquenta anos atrás . XIV_Cornelius_Fudge_Harry , Ron e Hermione sabiam há muito_tempo que Hagrid tinha uma triste predilecção por criaturas grandes e monstruosas . Em o primeiro ano que passaram em Hogwarts , ele tentara criar um dragão em a sua pequena cabana de madeira e levaram muito_tempo a esquecer o gigantesco cão de três cabeças que ele baptizara de « fofinho » . E se , em rapaz , Hagrid tinha ouvido dizer que havia um monstro escondido em o castelo , Harry tinha a certeza que ele teria feito os impossíveis por descobri o . Provavelmente achou que era uma injustiça o monstro estar fechado tanto tempo e pensou que ele merecia a oportunidade de esticar as suas muitas pernas . Harry imaginava perfeitamente o Hagrid a os treze anos a tentar pôr uma coleira e uma trela a o monstro . Mas tinha igualmente a certeza de que ele nunca teria querido matar ninguém . De certo modo , Harry desejava não ter descoberto como utilizar o diário de Riddle . Ron e Hermione fizeram o contar repetidas vezes o que vira até ele ficar farto de repetir o mesmo e farto de a conversa circular que se seguia . - O Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse , de essa vez , Hermione . - O monstro que atacava as pessoas podia ser outro .... - Quantos monstros achas tu que pode haver em este lugar ? - perguntou o Ron aborrecido . - Sempre soubemos que o Hagrid tinha sido expulso - disse Harry tristemente - E os ataques devem ter terminado quando ele foi expulso . Se não fosse assim , Riddle não teria recebido um prémio . Ron tentou um caminho diferente . - O Riddle parece o Percy , quem lhe pediu afinal que deitasse abaixo o Hagrid ? - Mas o monstro tinha morto uma pessoa , Ron - insistiu Hermione . - E o Riddle ia ter de voltar para um orfanato Muggle se Hogwarts fosse fechada - disse Harry . - Não posso culpá o por querer ficar aqui ... Ron mordeu o lábio e a seguir sugeriu : - Tu encontraste o Hagrid em a Rua * _ Bativolta * , não foi ? - Ele estava a comprar repelente para lesmas - disse Harry rapidamente . Ficaram os três em silêncio . Depois de uma longa pausa , Hermione , em uma voz hesitante , formulou a pergunta mais complicada de todas : - Não acham que devíamos ir ter com ele e perguntar lhe ? - Essa seria uma visita simpática - disse o Ron . - Olá , Hagrid , diz nos uma coisa , soltaste por acaso alguma coisa louca e peluda por o castelo em estes últimos tempos ? Por fim , decidiram não dizer nada a o Hagrid a_não_ser_que houvesse outro ataque e à_medida_que passava mais tempo sem murmúrios de a voz sem corpo começaram a acreditar , esperançosos , que nunca mais teriam de falar sobre o motivo por_que fora expulso . Tinham passado já quase quatro meses desde o dia em que o Justin e o Nick quase sem cabeça tinham sido petrificados e quase toda_a_gente parecia pensar que o atacante , quem quer que ele fosse , se retirara para sempre . Peeves fartara se de a sua canção * _ Oh_Potter , seu bandido * , Ernie_Mcmillan pediu educadamente a o Harry , em a aula de herbologia , que lhe passasse um balde de cogumelos saltitantes e , em Março , várias mandrágoras deram uma festa ruidosa e roufenha em a estufa número três . A professora Sprout estava muito satisfeita . - Mal elas comecem a tentar mover se para os vasos umas de as outras , saberemos que estão maduras - disse ela a o Harry . - Nessa_altura poderemos reanimar aquelas pobres criaturas que estão em a ala hospitalar . Os alunos de o segundo ano tinham agora uma coisa nova em que pensar durante as férias de a Páscoa . Chegara a altura de escolherem as matérias de o terceiro ano , um assunto que Hermione , pelo_menos , tomou muito a sério . - Pode afectar todo o nosso futuro - disse a o Harry e a o Ron a o vê os ler cuidadosamente as listas de as novas matérias e pôr um V em frente de cada uma . - Eu só quero ver me livre de as poções - disse Harry . - Não podemos - explicou Ron tristemente . - Mantemos todas_as matérias antigas ou eu teria me livrado de a Defesa contra as artes negras . - Mas é muito importante - disse Hermione chocada . - Não de a maneira como Lockhart a dá - insistiu Ron . - Não aprendi nada até agora a não ser a nunca mais libertar duendes . Neville_Longbottom recebera cartas de todas_as bruxas e feiticeiros de a família , cada_um dando um conselho diferente sobre o que ele deveria escolher . Confuso e preocupado , sentou se a ler a lista de matérias , dando estalinhos com a língua e perguntando a as pessoas se achavam que a aritmancia seria mais difícil do_que o estudo de as runas em a Antiguidade . Dean_Thomas que , tal_como Harry , fora criado com Muggles , acabou por fechar os olhos e atirar a varinha contra a lista , escolhendo as matérias onde ela aterrava . Hermione não pediu conselho a ninguém e inscreveu se em todas . Harry sorriu de si para consigo imaginando como seria uma conversa com o tio Vernon e com a tia Petúnia sobre a sua carreira em feitiçaria . Não que não tivesse tido orientação : Percy_Weasley estava ansioso por partilhar a sua experiência . - Tudo depende de o lugar para_onde queres ir , Harry - disse ele . - Nunca é cedo de mais para pensar em o futuro , por isso eu aconselho te a adivinhação . As pessoas dizem que os estudos de Muggles são uma opção leve mas eu , pessoalmente , acho que os feiticeiros deveriam ter uma compreensão profunda de a comunidade não mágica , muito especialmente se pensarem em trabalhar em íntimo contacto com eles . Vê o meu pai que tem de lidar com assuntos de os Muggles a_toda_a hora . O meu irmão Charles foi sempre mais um tipo de o exterior , por isso foi para o Centro_de_Cuidados com as Criaturas_Mágicas . Segue os teus sentimentos , Harry . Mas a única coisa em que Harry sentia que era mesmo bom era o Quidditch . Por fim , acabou por escolher as mesmas matérias que o Ron escolhera , pensando que se fosse péssimo em elas pelo_menos tinha alguém amigo para o ajudar . O próximo jogo de Quidditch_dos_Gryffindor era contra os Hufflepuff . Wood insistia em treinos de equipa todas_as noites depois de jantar , por isso Harry não tinha tempo para mais_nada a não ser para o Quidditch e para os trabalhos de casa . Mas as sessões de treino estavam a melhorar ou pelo_menos estavam mais secas e em a véspera de o jogo de sábado ele foi a o dormitório guardar a vassoura , sentindo que as hipóteses de os Gryffindor ganharem a taça de Quidditch nunca tinham sido tão boas . Mas a sua boa disposição não durou muito . Em o cimo de as escadas que levavam a o dormitório encontrou o Neville_Longbottom nervosíssimo . - Harry , não sei quem fez aquilo , eu fui encontrar ... Olhando receoso para Harry , Neville empurrou a porta . O conteúdo de a mala de Harry fora espalhado por toda_a divisão . O seu manto estava em o chão rasgado . A roupa de cama tinha sido puxada de a cama de dossel e a gaveta de o armário que se encontrava a a cabeceira de a cama fora arrancada , estando o seu conteúdo espalhado sobre o colchão . Harry aproximou se de a cama boquiaberto , pisando algumas páginas soltas de * _ Viagens com Duendes * . Quando ele e Neville estavam a puxar os cobertores para_cima , entraram o Ron e o Dean_Seamas . Dean praguejou alto . - O que é isto , Harry ? - Não faço ideia - disse ele . Mas o Ron estava a examinar as vestes de Harry e todos os bolsos estavam de o avesso . - Alguém andou a a procura de qualquer coisa - disse o Ron . - Dás por falta de alguma coisa ? Harry começou a apanhar o que estava caído , lançando tudo dentro de a mala . Só quando atirou o último livro de Lockhart é_que se apercebeu do_que faltava . - O diário de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a o Ron . - O quê ? Harry fez lhe sinal em direcção a a porta de o dormitório e apressaram se a chegar a a sala comum de os Gryffindor que estava quase vazia e onde foram encontrar Hermione sozinha a ler * _ As_Runas_Antigas a o Alcance_de_Todos * . Hermione ficou aterrada com as notícias . - Mas ... só um Gryffindor podia tê o roubado ... ninguém mais conhece a nossa senha ... - Exactamente - disse Harry . Acordaram em o dia seguinte com um sol brilhante e uma brisa agradável . - Condições ideais para o Quidditch ! - exclamou Wood , cheio de entusiasmo , a a mesa de os Gryffindor , enchendo os pratos de os elementos de a sua equipa de ovos mexidos . - Harry , anima te , precisas de um pequeno-almoço decente . Harry tinha estado a olhar para a mesa cheia de alunos de os Gryffindor , perguntando a si próprio se o novo dono de o diário de Riddle estaria ali mesmo em frente de os seus olhos . Hermione insistira para que ele participasse o roubo mas ele não gostou de a ideia . Teria de contar a um professor tudo sobre o diário , e quantas pessoas saberiam o motivo por_que Hagrid fora expulso há cinquenta anos ? Não queria ser ele a fazer com que relembrassem tudo aquilo . Quando saiu de o salão com o Ron e a Hermione para ir buscar o material de Quidditch , outra preocupação viera juntar se a a sua lista cada_vez maior . Tinha acabado de pisar os degraus de a escadaria de mármore quando ouviu de_novo a voz : - * _ Matar desta_vez ... deixem me rasgar ... romper * ... Deu um grito e Ron e Hermione saltaram alarmados . - A voz - disse Harry , olhando por cima de os ombros de eles . - Acabo de a ouvir de_novo , vocês não ouviram nada ? Ron abanou a cabeça de olhos muito abertos Mas_Hermione bateu com a mão em a testa . - Harry , acho que percebi uma coisa . Tenho que ir a a biblioteca . E disparou a correr por as escadas acima . - O que é_que ela percebeu ? - disse Harry distraidamente , ainda a olhar em volta , tentando determinar de onde vinha a voz . - Mas porque teve ela que ir a a biblioteca ? - Porque a Hermione é assim - disse o Ron , encolhendo os ombros - Quando tem uma dúvida , vai a a biblioteca . Harry manteve se hesitante , tentando captar novamente a voz mas as pessoas começavam a sair de o salão , falando alto , passando por a porta principal e encaminhando se para o estádio de Quidditch . - É melhor ires indo - aconselhou Ron . - São quase onze horas , olha o jogo . Harry deu uma corrida até a a torre de os Gryffindor , pegou em a sua Nimbus dois_mil e juntou se a a vasta multidão que enchia os campos , mas o seu pensamento estava ainda em o castelo , em aquela voz sem corpo e quando pôs as roupas vermelhas , o seu único conforto foi pensar que estavam todos lá fora para assistir a o jogo . As equipas entraram em campo a o som de um tumulto de aplausos . Oliver_Wood fez um voo de aquecimento em volta de os postes , Madam_Hooch soltou as bolas . Os Hufflepuff que tinham fatos amarelo-canário estavam reunidos em grupo em uma discussão de última hora sobre as tácticas . Harry subia para a vassoura quando a professora Mc_Gonagall atravessou o campo , meio a andar , meio a correr , transportando um enorme megafone roxo . O coração de Harry caiu lhe a os pés . - Este jogo foi cancelado - gritou por o megafone a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a o estádio apinhado . Ouviram se Uuuus e assobios . Oliver_Wood , com um ar infelicíssimo , aterrou e correu para a professora McGonagall sem sair de a vassoura . - Mas , professora - gritou - temos de jogar ... a taça ... os Gryffindor ... A professora Mc_Gonagall ignorou o e continuou a gritar por o megafone . - Pede se a os estudantes que regressem a as salas comuns de as respectivas equipas onde os chefes de equipa lhes darão mais informações . O mais depressa possível , se fazem favor ! Em seguida , baixou o megafone e fez sinal a o Harry para que se aproximasse . - Potter , é melhor vires comigo ... Perguntando a si próprio que suspeita poderia ela ter contra ele , desta_vez , Harry viu Ron desligar se de a multidão discordante e vir a correr juntar se lhes , enquanto eles se dirigiam para o castelo . Para sua grande surpresa Mc_Gonagall não pôs qualquer objecção . - Sim , talvez seja melhor vires também , Weasley . Alguns de os estudantes que os rodeavam reclamavam por o jogo ter sido cancelado , outros tinham um ar preocupado . Harry e Ron seguiram a professora Mc_Gonagall de volta a a escola e através de a escadaria de pedra . Mas desta_vez não foram levados a nenhum escritório . - Isto vai chocar vos um_pouco - disse a professora Mc_Gonagall em um tom de voz surpreendentemente suave quando estavam a aproximar se de a ala hospitalar . - Houve outro ataque ... outro ataque duplo . As vísceras de o Harry deram um salto mortal . A professora Mc_Gonagall abriu a porta e ele e Ron entraram . Madam_Pomfrey estava inclinada sobre uma rapariga de o quinto ano de cabelos longos a os caracóis que Harry reconheceu como sendo a colega de os Ravenclaw a quem , por engano , tinham perguntado o caminho para a sala comum de os Slytherin . E , em a cama a o lado de ela , estava ... - Hermione - gemeu o Ron . Hermione jazia totalmente quieta , os olhos abertos e vítreos . - Foram encontradas perto de a biblioteca - disse a professora Mc_Gonagall . - Calculo que nenhum de vocês possa explicar isto ? Estava em o chão , junto de ela . A professora tinha em as mãos um pequeno espelho redondo . Harry e Ron acenaram negativamente com as cabeças , ambos com os olhos fixos em Hermione . - Eu acompanho vos a a torre de os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall pesadamente . - De qualquer modo tenho de falar com os alunos . - Os alunos regressarão a as salas comuns de as respectivas equipas , todos_os_dias , a as seis_horas_da_tarde . Nenhum aluno deverá sair de os dormitórios depois de isso . Serão escoltados até a as aulas por um professor . Nenhum aluno deverá ir a a casa_de_banho sem um professor a acompanhá o . Todos os treinos e jogos de Quidditch estão suspensos a_partir_de agora . Não haverá mais actividades nocturnas . Os Gryffindor , que enchiam a sala comum , ouviram em silêncio a professora Mc_Gonagall . Ela enrolou o pergaminho que acabara de ler e disse em uma voz algo chocada : - Não é preciso acrescentar que nunca me senti tão desolada . É provável que a escola seja encerrada se não for apanhado o culpado de todos estes ataques . Quero pedir que se algum de vocês achar que sabe alguma coisa sobre eles venha imediatamente ter comigo . Mal ela subiu , de forma um_pouco desastrada , por o buraco de o retrato , os Gryffindor começaram logo a falar . - São dois Gryffindor a menos , sem contar com o fantasma de os Gryffindor , um Ravenclaw e um Hufflepuff - disse o amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , contando por os dedos . - Não terá nenhum de os professores reparado que os Slytherin estão a salvo ? Será que não é óbvio que tudo_isto vem de eles ? O herdeiro de Slytherin , o monstro de Slytherin , porque não expulsam todos os Slytherin ? - resmungou , recebendo acenos e aplausos de todos os lados . Percy_Weasley estava sentado em uma cadeira atrás_de Lee , mas por uma_vez não pareceu querer expor os seus pontos de vista . Estava pálido e aturdido . - O Percy está em estado de choque - disse o George baixinho a o Harry . - Aquela rapariga de os Ravenclaw , Penelope_Clearwater , é prefeita . Acho que ele nunca tinha pensado que o monstro pudesse atacar um prefeito . Mas Harry não estava a ouvi o com atenção . Não conseguia esquecer a imagem de Hermione deitada em a cama de o hospital , como_se estivesse esculpida em pedra . E se o culpado não fosse apanhado rapidamente tinha em a frente uma vida inteira com os Dursley . Tom_Riddle entregara o Hagrid porque fora confrontado com a possibilidade de um orfanato Muggle se a escola fechasse . Harry sabia exactamente o que ele sentira . - Que vamos nós fazer ? - disse lhe o Ron baixinho a o ouvido . - Achas que eles suspeitam de o Hagrid ? - Temos de falar com ele - disse Harry , tomando uma decisão . - Não acredito que tenha culpa desta_vez , mas se ele libertou o monstro há cinquenta anos , sabe com certeza como entrar em a Câmara_dos_Segredos , o que já é um princípio . - Mas a Gonagall disse que temos que ficar em a torre a_não_ser_que estejamos em as aulas ... - Eu acho - disse Harry ainda mais baixo - que chegou a altura de tirar outra_vez de a mala o manto de o meu pai . Harry herdara apenas uma coisa de o pai : o enorme manto prateado de a invisibilidade . Era a única maneira de poderem esgueirar se de a escola para fazer uma visita a o Hagrid , sem que ninguém de esse por isso . Deitaram se a a hora de o costume , esperaram que o Neville , o Dean e o Seamas adormecessem para se levantarem , vestirem se de_novo e taparem se com o manto . A viagem por os corredores de o castelo escuro e deserto não era nada agradável . Harry que vagueara por ali muitas_vezes durante a noite nunca vira tanta gente depois de o pôr de o Sol . Professores , prefeitos e fantasmas andavam por os corredores a os pares , olhando em volta , em busca de qualquer actividade fora de o habitual . O manto de a invisibilidade não impedia que fizessem barulho e houve um momento particularmente tenso em que o Ron deu uma topada a menos_de um metro de o lugar onde Snape se encontrava . Felizmente Snape espirrou em o preciso momento em que o Ron praguejava . Foi com grande alívio que chegaram a as portas de carvalho de a entrada principal . Estava uma noite clara e cheia de estrelas . Dirigiram se apressadamente para as janelas iluminadas de a casa de Hagrid e só tiraram o manto mesmo em frente de a porta . Poucos segundos depois de terem batido abriu se a porta . Ficaram frente_a_frente com Hagrid que lhes apontou uma besta enquanto Fang , o cão caçador de javalis , ladrava furiosamente atrás de ele . - Oh ! - disse , baixando a arma quando viu que eram eles . - O que estão vocês a fazer aqui ? - Para que é isso ? - perguntou Harry , apontando para a besta , enquanto entrava . - Nada , não é nada - murmurou Hagrid . - Tenho estado a a espera ... não tem importância , sentem se que eu vou fazer um chá . Dava a impressão de não saber o que fazia . Quase apagou a lareira , vertendo a água de a chaleira em o lume e em seguida esmagou o bule com um gesto de a sua mão maciça . - Estás bem , Hagrid ? - perguntou Harry . - Soubeste de a Hermione ? - Soube , sim - disse ele com um leve tremor em a voz . Continuava a olhar nervosamente para as janelas . Deu lhe os duas grandes canecas de água a ferver ( esquecera se de juntar o chá ) e estava a acabar de pôr em um prato uma fatia grossa de bolo de frutas quando alguém bateu energicamente a a porta . Hagrid deixou cair o bolo . Harry e Ron trocaram entre si olhares de pânico e , em seguida , cobriram se com o manto de a invisibilidade e esconderam se em um canto . Hagrid assegurou se de que eles estavam bem escondidos , pegou em a besta e abriu , mais_uma_vez , a porta . - Boa noite , Hagrid . Era_Dumbledore . Entrou com um ar muito sério , seguido de um homem bizarro . O estranho era um homenzinho pequenino , de porte majestoso com cabelos grisalhos desalinhados e uma expressão de ansiedade em o rosto . Usava uma inesperada mistura de roupas . Um fato a as riscas , uma gravata vermelho escarlate , um longo manto negro e umas botas roxas pontiagudas . Debaixo de o braço trazia um chapéu de coco verde lima . -- É o patrão de o meu pai - murmurou o Ron . Cornelius_Fudge , o ministro de a magia ! Harry deu lhe uma valente cotovelada para o fazer calar se . Hagrid tinha ficado suado e pálido . Deixou se cair em uma de as cadeiras e olhava de Dumbledore_para_Cornelius_Fudge . - Más notícias , Hagrid - disse Fudge em um tom bastante grave . - Muito más notícias . Tive de vir . Quatro ataques a filhos de Muggles , as coisas foram longe_de mais . O ministério tem que tomar uma atitude . - Eu nunca ... - disse Hagrid , parecendo implorar a Dumbledore . - O senhor sabe que eu nunca ... professor Dumbledore , o senhor ... - Quero que fique claro , Cornelius , que Hagrid tem a minha total confiança - afirmou Dumbledore , franzindo as sobrancelhas . - Olha , Albus - disse Fudge pouco a a vontade - a ficha de o Hagrid depõe contra ele . O ministério tem de fazer alguma coisa , o Conselho_Directivo de a escola tem se reunido ... - Mesmo_assim , Cornelius , devo dizer te mais_uma_vez que levar o Hagrid de aqui não vai ajudar em nada - afirmou Dumbledore com os olhos azuis com um fogo que Harry nunca vira antes . - Tenta compreender o meu ponto de vista - insistiu Fudge , brincando com o chapéu . - Estou a ser tremendamente pressionado , tenho de mostrar que faço alguma coisa . Se se provar que não foi o Hagrid , ele voltará e não se fala mais em o assunto . Mas tenho de levá o , tem de ser , não estaria a cumprir a minha obrigação se ... - Levar me ? - perguntou Hagrid a tremer . - Levar me para_onde ? - É uma pena curta - disse Fudge , sem o olhar em os olhos . - Não é um castigo , Hagrid , chamemos lhe antes uma precaução . Se mais alguém for apanhado , tu sais com todas_as nossas desculpas . - Não é para Azkaban ? - balbuciou Hagrid . Mas antes que Fudge tivesse tido tempo de responder , ouviu se bater mais_uma_vez a a porta . Dumbledore abriu . Foi a vez de Harry levar uma cotovelada em as costas : soltara um gemido audível . Mr._Lucius_Malfoy entrou em a cabana de o Hagrid embrulhado em uma longa capa preta de viagem , com um sorriso frio de satisfação . O Fang começou a rosnar . - Já está aqui , Fudge ? - disse de forma aprovadora . - Muito bem , muito bem ... - O que estás a fazer aqui ? - perguntou Hagrid furioso . - Sai imediatamente de a minha casa . - Meu bom homem , acredite que não tenho prazer nenhum em entrar em a sua ... er ... chamou lhe casa ? - disse Lucius_Malfoy , sorrindo sarcasticamente enquanto observava a pequena divisão . - Eu limitei me a ir a a escola e disseram me que o director estava aqui . - E o que queres de mim , Lucius ? - perguntou Dumbledore . O seu tom de voz era educado mas em os olhos azuis brilhava ainda o mesmo fogo . - Uma notícia horrível , Dumbledore - disse Mr._Malfoy de forma arrastada , pegando em um grande rolo de pergaminho . - Mas os membros de o conselho pensam que é altura de tu saíres . Isto_é uma ordem de suspensão , tens aí doze assinaturas . Lamento muito mas em a nossa opinião estás a perder a firmeza . Quantos ataques houve até agora ? Mais dois hoje a a tarde , não foi ? A este ritmo vão acabar todos os filhos de Muggles em Hogwarts e todos sabemos que seria uma terrível perda para a escola . - O que é isso , Lucius ? - protestou Fudge com ar alarmado . - O Dumbledore suspenso não ... não , seria a última coisa que desejaríamos em este momento ... - A nomeação ou suspensão , de o director é de a competência de os membros de o Conselho_Directivo , Fudge - disse suavemente Mr._Malfoy . - E como Dumbledore não foi capaz de pôr cobro a estes ataques ... - Oh ! Lucius , se Dumbledore não conseguiu - disse Fudge com o lábio superior a suar . - Quem irá conseguir ? - Isso está para se ver - disse Mr._Malfoy com um sorriso mesquinho . - Mas como os doze votamos ... Hagrid pôs se de pé em um salto , o cabelo preto hirsuto a roçar em o tecto . - E quantos tiveste de chantajar para concordarem contigo , Malfoy ? - Meu caro Hagrid , sabe que esse seu temperamento ainda acaba por lhe criar problemas um dia de estes - disse Mr._Malfoy . - Não o aconselho a gritar assim com os guardas de Azkaban . Eles não iriam gostar nada . - Não podes levar Dumbledore - gritou Hagrid , fazendo Fang , o cão caçador de javalis , agachar se e ganir em o seu cesto . - Sem ele , os filhos de os Muggles não têm qualquer hipótese . A seguir haverá mortes . - Acalma te , Hagrid - disse Dumbledore de forma cortante , olhando para Lucius_Malfoy . - Se os membros de o conselho querem substituir me , eu sairei , claro . - Mas - interrompeu Fudge . - Não - rosnou Hagrid . Dumbledore não tirara os seus olhos azuis brilhantes de os olhos cinzentos e frios de Lucius_Malfoy . - Contudo - disse , pronunciando cada palavra lenta e claramente para que nenhum de eles perdesse o seu sentido - verás que só deixarei verdadeiramente esta escola quando ninguém aqui me for leal . Descobrirás também que será sempre dada ajuda em Hogwarts a quem a pedir . Por um segundo , Harry teve quase a certeza de que os olhos de Dumbledore tremelaziram em direcção a o canto onde ele e Ron estavam escondidos . - Sentimentos admiráveis - disse Malfoy , fazendo uma vénia . - Todos nós vamos sentir a tua ... forma muito pessoal de fazer as coisas , Albus . Só espero que o teu sucessor consiga evitar qualquer ... crime . Dirigiu se a a porta de a cabana , abriu a e fez sinal a Dumbledore para que passasse a a sua frente . Fudge , mexendo nervosamente em o chapéu de coco , esperou que Hagrid fizesse o mesmo mas ele ficou quieto , respirou fundo e disse prudentemente : - Se alguém quiser descobrir alguma coisa , o que tem a fazer é seguir as aranhas . Elas indicarão o caminho , é tudo_o_que vos digo . Fudge olhou para ele espantado . - Está bem , eu vou - disse Hagrid , pegando em o seu sobretudo de pêlo de toupeira . Mas quando ia seguir o Fudge e sair por a porta , parou e disse em voz alta : - E alguém tem de dar de comer a o Fang enquanto eu não estiver cá . A porta fechou se ruidosamente e Ron tirou o manto de a invisibilidade . -- Estamos outra_vez em uma alhada - disse com voz rouca - Sem o Dumbledore podem fechar a escola já esta noite . Sem ele vai haver um ataque por dia . O Fang começou a ganir , arranhando a porta fechada . XV_Aragog_O_Verão insinuava se em os campos em volta de o castelo . O céu e o lago tinham se tornado de um azul-molusco e as flores , grandes como couves , começavam a florir em as estufas . Mas sem o Hagrid , que ele costumava avistar de o castelo , atravessando os campos com o Fang atrás , parecia a Harry que a paisagem não estava completa . Não era melhor dentro de o castelo onde tudo corria horrivelmente mal . O Harry e o Ron tinham tentado visitar a Hermione , mas as visitas a o hospital estavam proibidas . - Não vamos correr mais riscos - disse lhes Madam_Pomfrey com ar severo , através_de uma fresta de a porta de o hospital . Não , lamento , há muitas hipóteses de o atacante voltar para acabar de vez com estas pessoas ... Com Dumbledore longe , o medo espalhara se como nunca acontecera antes , de_tal_modo_que o sol que aquecia as paredes de o castelo por fora parecia parar junto de as janelas de pinázios . Não se via um único rosto em a escola que não andasse tenso e preocupado e qualquer gargalhada , em os corredores , se tornava incómoda e antinatural e era rapidamente abafada . Harry repetia constantemente , de si para consigo , as últimas palavras que ouvira a Dumbledore : - * _ Só terei verdadeiramente deixado esta escola quando ninguém me for leal ... será sempre dada ajuda , em Hogwarts , a quem a pedir * . Qual seria o significado exacto de aquelas palavras ? A quem deveria pedir ajuda quando todos estavam tão confusos assustados como ele ? A alusão de Hagrid a as aranhas era bastante mais fácil de entender . O problema era que parecia não ter restado uma única aranha em o castelo para eles a poderem seguir . Harry procurou por todo o lado com a ajuda relutante de o Ron . As coisas estavam dificultadas por o facto de não poderem andar sozinhos e terem de se deslocar em grupo dentro de o castelo , juntamente com outros Gryffindor . A maior parte de os alunos gostava de ser conduzida como carneiros de uma aula para a outra por os professores mas Harry achava horrível . Havia , contudo , uma pessoa que parecia apreciar aquela atmosfera de terror e suspeitas . Draco_Malfoy passeava empertigado por a escola como_se tivesse sido nomeado para chefe de turma . Harry só compreendeu o motivo de toda aquela boa disposição cerca de quinze_dias depois de Dumbledore e Hagrid se terem ido embora quando , em uma aula de poções , o ouviu falar com o Crabbe e o Goyle . - Sempre achei que seria o pai quem conseguiria livrar nos de o Dumbledore - disse sem a menor preocupação em baixar a voz . - Já vos disse , segundo ele , Dumbledore foi o pior director que a escola alguma vez teve . Talvez agora venha um director decente que não queira a Câmara_dos_Segredos fechada . A Mc_Gonagall não vai durar muito , está só a ... O Snape passou por Harry , sem fazer comentários a o caldeirão e a a cadeira vazia de Hermione . - Professor - disse Malfoy em voz alta . - Professor , porque não se candidata a o lugar de director ? - Ora , ora , Malfoy - respondeu Snape , sem conseguir esconder um meio sorriso . - O professor Dumbledore foi apenas suspenso por os membros de o conselho de direcção , certamente vai voltar um dia de estes . - Sim , claro - disse Malfoy com o seu sorriso escarninho . - Acho que se o professor quisesse candidatar se a o lugar teria o voto de o pai . Eu vou dizer lhe que o acho o melhor professor de a escola . Snape sorriu enquanto passeava de um lado para o outro em o calabouço , não tendo felizmente visto o Seamus_Finnigan que fingia vomitar para dentro de o caldeirão . - Estou espantado por ver que até agora os sangues de lama ainda não fizeram as malas e não desapareceram - prosseguiu Malfoy . - Aposto cinco galeões em como o próximo morre . Pena que não tenha sido a Granger ... A campainha tocou em esse momento o que foi uma sorte porque a o ouvir as últimas palavras de Malfoy , Ron deu um salto , mas em a barafunda de guardar os livros em os sacos , a sua tentativa de agarrar o Malfoy passou despercebida . - Deixem me - gritava o Ron enquanto o Harry e o Dean lhe agarravam os braços . - Não preciso de varinha , vou dar cabo de ele com as minhas mãos ... - Despachem se , tenho de conduzir vos a a aula de herbologia - praguejava o Snape acima de as cabeças de os alunos . E lá foram como cordeirinhos com Harry , Ron e Dean em a retaguarda , o Ron ainda a tentar libertar se . Só acharam seguro largá o quando Snape os deixou fora de o castelo e iniciaram o percurso por o meio de a horta em direcção a as estufas . A aula de herbologia estava reduzida . Tinha agora dois alunos a menos : Justin e Hermione . A professora Sprout pô os a trabalhar , podando as figueiras-da-abissínia . Harry foi despejar uma braçada de hastes secas em um monte de adubo e deu consigo cara a cara com Ernie_Mcmillan . Ernie respirou fundo . - Só quero dizer te , Harry que lamento ter suspeitado de ti . Sei que nunca atacarias a Hermione_Granger e peço te desculpa por todas_as coisas que disse . Estamos todos em o mesmo barco , agora e , bem ... Estendeu lhe uma mão rechonchuda que o Harry apertou . Ernie e a sua amiga Hannah foram trabalhar em a mesma figueira com o Harry e o Ron . - Aquele tipo , Draco_Malfoy - disse Ernie , partindo pequenos galhos - , parece muito satisfeito com isto tudo , não acham ? É bem possível que ele seja o herdeiro de Slytherin . - Uma observação inteligente de a tua parte - disse o Ron que parecia não ter desculpado Ernie tão facilmente como o Harry . - Acham que é ele ? - perguntou Ernie . - Não - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Hannah ficaram a olhar espantados . Um segundo depois , Harry avistou qualquer coisa que o levou a chamar a atenção de o Ron , batendo lhe em a mão com a tesoura de podar . - Au ... o que é_que tu ... ? Harry apontava para o chão , a poucos centímetros de distância . Várias aranhas grandes corriam precipitadamente por a terra fora . - Ah ! sim - disse o Ron , tentando , sem conseguir , mostrar se entusiasmado . - Mas não podemos seguis as agora ... Ernie e Hannah ouviam nos com curiosidade . Harry viu as aranhas desaparecerem . - Parecem ir em a direcção de a floresta proibida ... E o Ron ficou ainda mais infeliz a o ouvir aquilo . Em o final de a aula , o professor Snape acompanhou os alunos a a « Defesa contra as artes negras » . Harry e Ron foram atrás de os outros para poderem conversar sem serem ouvidos . - Temos de usar outra_vez o manto de a invisibilidade - disse Harry a o Ron . - Podemos levar connosco o Fang , ele está habituado a ir a a floresta com o Hagrid , pode ser uma boa ajuda . - Certo - disse o Ron , que fazia girar nervosamente a varinha em os dedos . - Er ... não costuma haver ... não costuma haver lobisomens em a floresta ? - acrescentou enquanto ocupavam os lugares de o costume em a aula de o Lockhart . Preferindo não responder a a pergunta , Harry disse : - Também há lá coisas boas . Os centauros são fixes e os unicórnios . Ron nunca estivera em a floresta proibida , Harry fora lá só uma_vez e desejara não ter de lá voltar . Lockhart deu um salto para dentro de a sala de aula e os alunos ficaram espantados a olhar para ele . Todos os outros professores andavam mais tristes do_que o habitual mas Lockhart parecia sentir se em as nuvens . - Então , então - exclamou , olhando em volta . - Porquê essas caras deprimidas ? Lançaram lhe olhares exasperados mas ninguém respondeu . - Não compreendem - disse , falando devagar como_se fossem todos um_pouco estúpidos - que o perigo já passou ? O culpado foi se embora . -- Quem disse ? - retorquiu Dean_Thomas em voz alta . -- Meu caro jovem , o ministro de a magia não teria levado Hagrid se não estivesse cem por_cento certo de que ele era o culpado - disse Lockhart como quem explica que um e um são dois . - Teria , sim - disse o Ron , em um tom de voz ainda mais alto do_que o de o Dean . - Eu julgo saber um_pouco mais sobre a prisão de o Hagrid do_que o senhor , Mr._Weasley - disse Lockhart com notória auto-satisfação . Ron começou a dizer que discordava mas foi interrompido por o Harry que lhe deu um forte pontapé por debaixo de a mesa . - Nós não estávamos lá , lembras te ? - murmurou . Mas a alegria revoltante de o Lockhart , as insinuações de que sempre tinha achado que o Hagrid não prestava , a sua certeza de que tudo aquilo estava a chegar a o fim , irritou Harry de tal maneira que teve vontade de lhe atirar as * _ Viagens com Vampiros * e de lhe acertar em aquela cara estúpida . Mas , em vez de isso , limitou se a escrevinhar um bilhete para o Ron : * _ Vamos lá hoje a a noite * . Ron leu a mensagem , engoliu em seco e olhou para o lugar onde Hermione costumava sentar se . A cadeira vazia pareceu ajudá o a decidir se e acenou afirmativamente . A sala comum de os Gryffindor estava agora sempre cheia porque , depois de as seis_da_tarde , os Gryffindor não tinham outro lugar para ir . Por outro lado , tinham imenso para conversar , por isso a sala comum mantinha se cheia de gente até depois de a meia-noite . Logo_a_seguir a o jantar , Harry foi buscar o manto de a invisibilidade a a mala onde estava guardado e passou todo o serão a a espera que a sala esvaziasse . O Fred e o George desafiaram o para alguns jogos de explosão e a Ginny sentou se , muito preocupada , a observá os , em a cadeira habitual de Hermione . Harry e Ron fartaram se de perder de propósito em uma tentativa de pôr rapidamente fim a os jogos mas , mesmo_assim , já passava bastante de a meia-noite quando o Fred , o George e a Ginny se foram , finalmente , deitar . Harry e Ron esperaram até ouvir as portas de os dois dormitórios fecharem se . Em seguida , pegaram em o manto , lançaram o sobre ambos e passaram por o buraco de o retrato . Era mais uma difícil travessia de o castelo , tendo de fintar todos os professores . Finalmente , chegaram a o * hall * de entrada , giraram o fecho de as portas de carvalho , esgueiraram se tentando não fazer barulho e aventuraram se nos campos iluminados por o luar . - É claro que - disse bruscamente o Ron , enquanto atravessavam os relvados negros - podemos perfeitamente chegar a a floresta e descobrir que não há nada para seguir . As aranhas podem não ter ido para lá . É certo que parecia que tomavam essa direcção , mas ... Felizmente a lengalenga não durou muito . Chegaram a a casa de o Hagrid que tinha um ar triste com as suas janelas vazias . Logo_que Harry empurrou a porta e a abriu , o Fang saltou , louco de alegria por os ver . Preocupados , não fosse ele acordar toda_a_gente em o castelo com o seu ladrar forte e agitado , deram lhe rapidamente a comer bombons de melaço que estavam em uma lata sobre a lareira e que lhe colaram os dentes de cima a os de baixo . Harry pousou o manto de a invisibilidade sobre a mesa de o Hagrid . Não iam precisar de ele em a floresta escura como breu . - Anda , Fang , vamos dar um passeio - disse Harry , batendo lhe a o de leve em a pata e Fang saiu feliz , a os saltos , atrás de eles . Precipitou se até a a orla de a floresta e levantou a perna contra uma enorme figueira-do-egipto . Harry pegou em a varinha , murmurou * _ Lumus * ! e uma pequenina luz surgiu em a ponta de a varinha , suficiente para lhes mostrar o caminho e ajudá os a descobrir a pista de as aranhas . - Bem pensado - disse o Ron . - Eu acendia também a minha mas , sabes como ela está , ainda estoirava ou qualquer coisa assim ... Harry tocou em o ombro de o Ron , apontando para as ervas . Duas aranhas solitárias fugiam de a luz de a varinha , aproximando se de a sombra de as árvores . - O. _ K. - disse o Ron , resignando se com o pior . - Estou pronto , vamos . Então , com o Fang a correr atrás de eles , cheirando as raízes de as árvores e as folhas , entraram em a floresta . Seguindo a luz de a varinha de o Harry seguiram a fila disciplinada de aranhas que se movia a o longo de o caminho . Andaram durante cerca de vinte minutos , sem falar , atentos a todos os ruídos que não fossem os de os ramos caídos e de as folhas secas . Então , quando as copas de as árvores se tinham tornado mais cerradas do_que nunca , de_tal_modo_que as estrelas em o céu já não eram visíveis e a varinha de o Harry brilhava isolada em um mar de escuridão , viram as aranhas que eles seguiam a abandonar o caminho . Harry parou , tentando ver para_onde iam mas tudo_o_que ficava longe de a sua pequenina luz era negro de breu . Ele nunca fora tão longe em a floresta . Lembrava se muito bem de Hagrid lhe ter dito , de a última vez que ali tinham estado , que nunca saísse de o caminho de a floresta . Mas Hagrid agora estava a muitos quilómetros de distância e ele também lhes dissera que seguissem as aranhas . Uma coisa húmida tocou em a mão de o Harry e ele deu um salto para trás , pisando o pé a o Ron . Mas afinal era apenas o focinho de o Fang . - O que é_que tu achas ? - perguntou ele a o Ron cujos olhos conseguia vislumbrar , reflectindo a luz de a varinha . - Já_que viemos até aqui - disse ele . Seguiram , portanto as sombras velozes de as aranhas em direcção a as árvores . Não podiam agora andar muito depressa . Tinham em a frente raízes de árvores e troncos cortados que mal se viam em aquela escuridão . Harry sentia o bafo quente de Fang em a mão . Por mais de uma_vez tiveram de parar para o Harry se baixar e descobrir as aranhas a a luz de a varinha . Andaram durante o que lhes pareceu ter sido pelo_menos meia_hora , com os mantos a roçarem em os ramos mais baixos e em as silvas . A o fim de algum tempo repararam que o chão parecia inclinar se para baixo embora as árvores continuassem cerradas . Foi então que o Fang soltou um latido que ecoou em volta , fazendo Harry e Ron darem um salto , ambos com os cabelos em pé . - O que foi ? - gritou o Ron , olhando em volta para a escuridão e agarrando Harry com força , por o cotovelo . - Há qualquer coisa ali a mexer se - murmurou Harry - Ouve ... parece ser grande . Ficaram a ouvir . Um_pouco para a direita algo de grandes dimensões partia os ramos enquanto abria caminho através de as árvores . - Oh ! não - disse o Ron . - Oh ! não , não ... - Cala te - insistiu o Harry , nervoso . - Seja o que for , vai acabar por te ouvir . - Ouvir me ? - disse o Ron , em um tom de voz muito pouco natural . - Já ouviu . Fang ! A escuridão parecia esmagar lhes os globos oculares enquanto ali ficaram apavorados , a a espera . Houve um estranho ruído , surdo e prolongado , e em seguida o silêncio . - O que estará a fazer ? - perguntou Harry . - Talvez esteja a preparar se para atacar - disse o Ron . Esperaram , a tremer , sem ousarem mexer se . - Achas que se foi embora ? - murmurou Harry . - Não sei . Em esse momento , de o lado direito veio um clarão de luz tão forte em o meio de o escuro que os dois levaram as mãos a a cara para proteger os olhos . O Fang ganiu e tentou fugir mas viu se envolvido em um emaranhado de espinhos e ganiu ainda mais alto . - Harry - gritou o Ron com grande alívio em a voz . - Harry , é o nosso carro . - O quê ? - Anda ver . Harry avançou a os tropeções atrás de o Ron , em direcção a a luz e em o momento seguinte estavam em uma clareira . O carro de Mr._Weasley ali estava , vazio , no_meio_de um círculo de árvores grossas , sob um telhado de ramos densos , os faróis de a frente resplandecentes . Quando Ron se aproximou de boca aberta , moveu se lentamente em direcção a ele como_se fosse um grande cão azul turquesa , cumprimentando o dono . - Tem estado aqui todo este tempo - disse o Ron satisfeitíssimo , aproximando se de o carro . - Olha para ele , a floresta tornou o selvagem ... O guarda-lamas estava riscado e cheio de lodo . Parecia que tinha andado a passear sozinho por a floresta . Fang não gostou lá muito de ele . Manteve se a o lado de o Harry que podia senti o a tremer . Com a respiração normalizada , Harry guardou a varinha em o manto . - E nós a pensarmos que ele nos ia atacar - disse o Ron , encostando se a o carro e dando lhe duas palmadinhas - As voltas que eu dei a a cabeça a pensar para_onde ele teria ido ! Harry olhava para todos os lados , em o chão iluminado , em busca de mais aranhas mas todas elas tinham fugido de o brilho de as luzes . - Perdemos as de vista - disse ele . - Anda , vamos procurá as . Ron não disse nada . Não se moveu . Tinha os olhos fixos em um ponto , três metros acima de o chão de a floresta , mesmo atrás de o Harry . O seu rosto estava lívido de terror . Harry nem teve tempo de se voltar . Ouviu se um ruído alto e seco e sentiu que alguma coisa longa e peluda o elevava em o ar com o rosto voltado para baixo . Debatendo se , apavorado , ouviu outro estalido e viu as pernas de o Ron serem também levantadas de o chão . Ouviu o Fang gemer e ganir e , em o momento seguinte , era levado para o meio de as árvores escuras . Com a cabeça a balouçar , Harry viu que a coisa que o transportava tinha seis enormes patas peludas e que as duas de a frente o agarravam com forca sob um par de tenazes pretas e brilhantes . Atrás_de si podia ouvir outra de aquelas criaturas que , sem dúvida , transportava o Ron . Encaminhavam se para o coração de a floresta . Harry ouvia o Fang a ladrar , tentando libertar se de um terceiro monstro mas Harry não podia gritar mesmo_que quisesse , parecia que tinha deixado a voz em a clareira , junto com o carro . Não soube quanto tempo esteve em as patas de a criatura , só se apercebeu que a escuridão se atenuara um_pouco , permitindo lhe ver que o chão coberto de folhas estava agora repleto de aranhas . Voltando a cabeça para o lado , deu se conta de que tinham chegado a a base de uma enorme cova , uma cova que fora limpa de árvores para que as estrelas iluminassem com o seu brilho a cena mais pavorosa que os seus olhos alguma vez tinham visto . Aranhas . Não aranhas pequeninas como aquelas que estavam sobre as folhas . Aranhas de o tamanho de enormes cavalos , com oito olhos , oito pernas pretas , peludas , gigantescas . O espécimen que transportava Harry desceu o terreno íngreme até uma teia brumosa em forma de cúpula que ficava mesmo em o meio de a cova , enquanto os companheiros se juntavam em volta , batendo excitadíssimos com as tenazes e olhando para o que eles traziam a as costas . Harry caiu em o chão de gatas quando a aranha o libertou . Ron e Fang foram cair perto de ele . O Fang já não gania . Estava agachado e muito quieto . Ron e Harry partilhavam o mesmo sentimento . O Ron tinha a boca aberta em uma espécie de grito silencioso e os olhos a saltarem lhe de as órbitas . Harry percebeu de repente que a aranha que o deitara a o chão estava a dizer qualquer coisa . Era difícil entender porque entre cada duas palavras , batia com as tenazes . - Aragog - chamou . - Aragog . E de o meio de a teia brumosa em forma de cúpula saiu muito lentamente uma aranha de o tamanho de um pequeno elefante . As costas e as pernas estavam cobertas de pêlo cinzento e , em a cabeça feia , munida de tenazes , estavam vários olhos , todos eles de um branco leitoso . Era cega . - O que foi ? - disse , batendo rapidamente com as tenazes uma em a outra . - Homens - respondeu a aranha que trouxera o Harry . - É o Hagrid ? - perguntou Aragog , aproximando se mais com os seus oito olhos leitosos a vaguear . - Estranhos - respondeu a aranha que trouxera o Ron . - Matem nos - disse Aragog , irritada . - Eu estava a dormir ... - Nós somos amigos de o Hagrid - gritou Harry . Parecia que o coração lhe saltava por a boca . Clic , clic , clic fizeram as tenazes de a aranha , em volta de a cova . Aragog parou . - O Hagrid nunca mandou homens a a nossa cova - disse lentamente . - O Hagrid está em perigo - explicou Harry , respirando muito depressa . - Foi por isso que eu vim . - Em perigo ? - repetiu a aranha idosa e pareceu a Harry sentir preocupação por detrás de as suas tenazes . - Mas porque vos mandou ele cá ? Harry pensou pôr se de pé mas achou melhor não arriscar . As pernas provavelmente não teriam força para o sustentar . Falou portanto de o chão , o mais calmamente que foi capaz . - Eles lá em a escola pensam que o Hagrid soltou qualquer coisa contra os estudantes . Mandaram o para Azkaban . Aragog bateu furiosamente com as tenazes e , em toda_a cova , o eco foi reproduzido por uma multidão de aranhas . Era uma espécie de aplauso com uma única diferença : os aplausos não costumavam fazer o Harry quase morrer de medo . - Mas isso foi há muitos anos - disse Aragog , maldisposta . - Há anos e anos . Lembro me muito bem . Foi por isso que o expulsaram de a escola . Eles pensaram que eu era o monstro que vive em aquilo a que eles chamam a Câmara_dos_Segredos . Pensaram que o Hagrid a tinha aberto para me libertar . - E tu ... não vieste de a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Harry que sentia a testa cheia de suores frios . - Eu - disse Aragog , batendo irritada com as tenazes - , eu não nasci em o castelo . Venho de uma terra distante . Um viajante ofereceu me a o Hagrid quando eu era ainda um ovo . Hagrid era um rapazinho mas tratou de mim , escondeu me em uma despensa dentro de o castelo e alimentava me com as migalhas que ficavam em as mesas . Hagrid é o meu bom amigo e um bom homem . Quando me encontraram e me culparam por a morte de uma rapariga , ele protegeu me . Desde_então , tenho vivido aqui em a floresta onde o Hagrid ainda vem visitar me . Ele até me arranjou uma esposa , Mosag , e estão a ver como a família cresceu , tudo graças a a bondade de o Hagrid ... Harry reuniu a coragem que lhe restava . - Então tu nunca atacaste ninguém ? - Nunca - resmungou a velha aranha . - Era esse o meu instinto , mas por respeito a Hagrid nunca fiz mal a nenhum humano . O corpo de a rapariga morta foi encontrado em uma casa_de_banho , ora eu nunca conheci mais do_que despensa de o castelo , onde cresci . Nós gostamos de o escuro de o silêncio . - Mas então ... sabes o que matou essa rapariga ? - perguntou Harry . - Porque seja o que for , está a atacar as pessoas outra_vez ... As suas palavras foram abafadas por uma audível explosão de tenazes a bater e por o ruge-ruge de muitas pernas longas , deslocando se iradas . Em volta de Harry começaram a mover se sombras escuras . - O que vive em o castelo - disse Aragog - é uma antiga criatura que nós , aranhas , tememos acima_de todas_as outras . Lembro me bem de o quanto insisti com Hagrid para que me deixasse sair de ali quando senti a criatura a andar por a escola . - O que é ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Mais tenazes a bater , mais pernas a moverem se . As aranhas pareciam estar a aproximar se . - Nós não falamos de isso - exclamou Aragog furiosa . - Não pronunciamos o seu nome . Eu nunca disse a o Hagrid o nome de a horrível criatura , apesar_de ele me ter perguntado vezes sem conta . Harry não quis insistir , principalmente com todas aquelas aranhas a aproximarem se de todos os lados . Aragog parecia ter se cansado de falar . Recuava lentamente para a teia em forma de cúpula , mas as companheiras continuavam a aproximar se ameaçadoramente de Harry e Ron . - Vamos embora , então - gritou Harry , desesperadamente a Aragog , enquanto ouvia as folhas secas a estalarem atrás_de si . - Embora ? - disse Aragog lentamente . - Não me parece ... - Mas , mas ... - Os meus filhos e filhas não fazem mal a o Hagrid por ordem minha . Mas não posso negar lhes carne fresca quando ela veio por vontade própria ter connosco . Adeus , amigo de o Hagrid . Harry deu meia volta . Poucos centímetros acima de ele , uma sólida parede de aranhas batia com as tenazes , os seus muitos olhos a brilharem em as horríveis caras pretas . Mesmo_que se servisse de a varinha , Harry sabia que não ia valer de nada . As aranhas eram demasiadas , mas quando tentava preparar se para morrer a lutar , ouviu se um som prolongado e um clarão de luz iluminou a cova . O carro de Mr._Weasley ribombava , descendo o declive , com os faróis acesos , a buzina a guinchar , afastando as aranhas . Muitas de elas ficaram voltadas ao_contrário com as várias pernas a agitar se em o ar . O carro buzinou com mais força em frente de Harry e Ron e as portas abriram se . - Agarra o Fang - gritou Harry , ajeitando se em o lugar de a frente . Ron agarrou o cão caçador de javalis e lançou o a ganir para o banco de trás . As portas fecharam se com estrondo . Ron não tocou em o acelerador mas o carro não precisou de isso . O motor fez se ouvir e levantaram voo , batendo em mais aranhas . Subiram o declive , saindo de a cova e pouco depois atravessavam a floresta , os ramos a baterem em os vidros enquanto o carro seguia habilmente através de os intervalos maiores , por um caminho que obviamente já conhecia . Harry olhou para o Ron , a o seu lado . Ele tinha ainda a boca aberta em o mesmo grito silencioso mas os olhos já não estavam salientes . - Estás bem ? Ron olhou em frente , incapaz de responder . Começavam a descer para terra firme com o Fang a soltar enormes ganidos em o banco de trás e Harry viu o espelho retrovisor saltar quando passaram rente a um enorme carvalho . Após dez minutos bastante ruidosos , as árvores começaram a ser mais finas e Harry pôde ver de_novo pedaços de o céu . O carro parou tão bruscamente que quase foram projectados por o vidro de a frente . Tinham chegado a a orla de a floresta . O Fang ia agitadíssimo a a janela e quando Harry abriu a porta , disparou a correr através de as árvores até a a casa de o Hagrid , de cauda entre as pernas . Harry saiu também e um minuto depois o Ron pareceu recuperar a força em os membros e seguiu o , ainda com um torcicolo e de olhos esbugalhados . Harry deu uma palmadinha de agradecimento a o carro antes de ele dar a volta e desaparecer em direcção a a floresta . Harry voltou a a cabana de o Hagrid para buscar o manto de a invisibilidade . O Fang tremia em o seu cesto , coberto por um cobertor . Quando saiu de_novo , viu o Ron a vomitar junto de as abóboras . - Sigam as aranhas - disse ele debilmente , limpando a boca a a manga . - Nunca vou perdoar a o Hagrid . É uma sorte ainda estarmos vivos . - Aposto que ele pensou que Aragog nunca faria mal a os seus amigos - justificou Harry . - Esse é justamente o problema de o Hagrid - interrompeu Ron , dando um soco em a parede de a cabana . - Ele acha sempre_que os monstros não são tão maus como os pintam e vê onde isso o levou , a uma cela em Azkaban - tremia agora descontroladamente . - Qual a ideia de ele a o mandar nos ali ? Gostava de saber o que é_que descobrimos . - Que o Hagrid nunca abriu a Câmara_dos_Segredos - disse Harry , lançando o manto sobre Ron e tocando lhe em o braço para o encorajar a andar . - Ele estava inocente . Ron resmungou em voz alta . Para ele , chocar Aragog em uma despensa não era propriamente estar inocente . Quando se aproximaram de o castelo , Harry esticou o manto para garantir que os pés de ambos ficavam cobertos . Em seguida , empurrou as portas de a frente que chiaram . Atravessaram com todo o cuidado o * hall * de entrada e subiram a escadaria de mármore , contendo a respiração em os corredores guardados por sentinelas atentos . Por fim , chegaram a a segurança de a sala de os Gryffindor onde o lume ardera até se transformar em brasas brilhantes . Tiraram o manto e subiram a escada serpenteante que os levava a o dormitório . Ron caiu em a cama sem sequer se despir mas Harry , apesar_de tudo , não tinha sono . Sentou se em a beirinha de a cama , pensando em todas_as coisas que Aragog dissera . A criatura que andava por o castelo , pensou , era uma espécie de monstro Voldemort , nem os outros monstros queriam pronunciar o seu nome . Mas ele e o Ron não estavam agora mais perto_de descobrir o que era nem como petrificava as suas vítimas . Se nem o Hagrid chegara a saber o que estava em a Câmara_dos_Segredos ... Harry balançou as pernas e atirou se para_cima de a cama . Encostado a as almofadas olhou a Lua que brilhava através de a janela de a torre . Não sabia que mais poderiam fazer . Só tinham encontrado portas fechadas . Riddle apanhara a pessoa errada . O herdeiro de Slytherin fugira e ninguém sabia se era a mesma pessoa ou uma outra que abrira , desta_vez , a Câmara_dos_Segredos . Não havia mais ninguém a quem fazer perguntas . Harry deitou se ainda a pensar em as palavras de Aragog . Estava a começar a ficar com sono quando aquilo que parecia ser uma última esperança lhe ocorreu , fazendo o sentar se muito direito em a cama . - Ron - sussurrou em o escuro . - Ron . Ron acordou com um ganido como os de o Fang . Olhou muito assustado em volta e viu o Harry . - Ron , a rapariga que morreu . Aragog contou nos que ela foi encontrada em uma casa_de_banho - disse , ignorando os roncos de o Neville em o outro canto de o quarto . - E se ela nunca tivesse saído de a casa_de_banho ? E se ainda lá estiver ? Ron esfregou os olhos , franzindo as sobrancelhas sob a luz de a Lua . E só então compreendeu . -- Não pensar que ... a Murta_Queixosa ? XVI_A_Câmara_dos_Segredos -- E estivemos nós tantas vezes em aquela casa_de_banho com ela apenas a três cubículos de distância - disse o Ron amargamente em o dia seguinte , a a mesa de o pequeno-almoço . - Podíamos ter lhe perguntado e agora ... Já fora bastante difícil procurar as aranhas . Escapar a os professores o tempo suficiente para ir até a a casa_de_banho de as raparigas , que ficava mesmo em frente de o lugar onde ocorrera o primeiro ataque , ia ser quase impossível . Mas alguma coisa aconteceu que fez com que a Câmara_dos_Segredos desaparecesse de os seus pensamentos pela_primeira_vez em várias semanas . A professora Mc_Gonagall comunicou lhes que os exames começariam a 1_de_Junho , uma semana depois . - Exames ? - gritou Seamus_Finnigan . - Nós mesmo_assim vamos ter exames ? Ouviu se um estrondo atrás de o Harry quando a varinha de o Neville_Longbottom lhe escapou de a mão , fazendo desaparecer uma de as pernas de a secretária . A professora Mc_Gonagall repô a com a sua varinha e voltou se com má cara para o Seamus . - Se temos a escola aberta em uma altura de estas é para vocês receberem instrução - disse com dureza . - Os exames terão lugar , portanto , como é costume e espero que todos vocês façam revisões até lá . Revisões . Não passara por a cabeça de o Harry que houvesse exames com o castelo em aquele estado . Houve uma série de murmúrios revoltados , o que fez com que a professora Mc_Gonagall ficasse ainda mais mal-humorada . - As instruções de o professor Dumbledore foram para manter a escola a funcionar o mais normalmente possível - disse . - E isso , não preciso de vos dizer , passa por uma avaliação de o quanto vocês aprenderam a o longo de este ano . Harry olhou para baixo , para o casal de coelhos brancos que ele deveria transformar em pantufas . Que tinha ele aprendido durante o ano ? Não era capaz de se lembrar de nada que fosse útil em um exame . Ron estava como_se tivessem acabado de lhe dizer que a partir de aquele momento tinha de ir viver para a floresta proibida . - Estás a ver me a ter exames com isto tudo ? - perguntou a o Harry enquanto pegava em a varinha que tinha começado a assobiar bastante alto . Três dias antes de o primeiro exame , a a hora de o pequeno almoço , a professora Mc_Gonagall fez outra comunicação . - Tenho boas notícias - disse , e o salão em_vez_de se calar , explodiu de contentamento . - Dumbledore vai regressar ! - gritaram várias pessoas cheias de alegria . - Apanharam o herdeiro de Slytherin - arriscou uma rapariga em a mesa de os Ravenclaw . - Temos outra_vez os jogos de Quidditch - bradou Wood , excitadíssimo . Quando a agitação passou , Mc_Gonagall disse : - A professora Sprout informou me que as mandrágoras estão finalmente prontas para serem cortadas . Hoje a a noite vamos poder reanimar as pessoas que foram petrificadas . Escusado será dizer que certamente uma de elas poderá revelar nos quem ou o que a atacou . Eu tenho esperança que este ano pavoroso acabe com a prisão de o culpado . Houve uma explosão de aplausos . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e não ficou nada surpreendido a o ver que Draco_Malfoy não aplaudia . O Ron , por outro lado , estava satisfeito como ninguém o via havia dias . - Não faz mal não termos perguntado a a Murta . A Hermione vai , com certeza , ter todas_as respostas quando acordarem . Vai também ficar fula quando souber que temos exames dentro_de três dias . Ela não pôde fazer revisões . Seria melhor deixarem a estar onde está até a o final de os exames . Nessa_altura , Ginny_Weasley veio sentar se junto de o Ron . Parecia nervosa e tensa e Harry reparou que torcia as mãos em o colo . - O que se passa ? - perguntou o Ron , servindo se de mais papa de aveia . Ginny não disse nada mas olhou para um lado e para o outro de a mesa de os Gryffindor , com um olhar assustado que lembrou a Harry alguém que não sabia bem quem era . - Vá lá , vomita - disse o Ron , olhando para ela . Harry percebeu subitamente quem a Ginny lhe lembrara . Ela balançava se ligeiramente para a frente e para trás em a cadeira , exactamente como o Dobby fazia quando estava hesitante , à_beira_de revelar uma informação proibida . - Tenho de te dizer uma coisa - balbuciou a Ginny receosa , sem olhar para Harry . - O que é ? - perguntou ele . Ginny parecia incapaz de encontrar as palavras certas . - O quê ? - insistiu Ron . Ginny abriu a boca mas não saiu nenhum som . Harry inclinou se para a frente e falou devagar para que só ela e Ron pudessem ouvi o . - É alguma coisa relacionada com a Câmara_dos_Segredos ? Viste alguma coisa ou alguém a agir de forma estranha ? Ginny respirou fundo e , em esse preciso momento , apareceu Percy_Weasley com um ar pálido e cansado . - Se já acabaste de comer eu fico com esse lugar , Ginny . Estou cheio de fome . Acabei agora o meu trabalho de patrulhamento . Ginny deu um salto como_se a cadeira tivesse acabado de ser electrificada , lançou a o Percy um olhar assustado e zarpou . Percy sentou se e tirou uma caneca de o meio de a mesa . -- Percy - disse o Ron aborrecido . - Ela ia agora mesmo contar nos uma coisa importante . A meio de um gole de chá , Percy estremeceu . - Que coisa ? - perguntou , tossindo . - Eu quis saber se ela tinha visto alguma coisa estranha e ela ia dizer ... - Ah ! isso ... não tem nada que ver com a Câmara_dos_Segredos - disse o Percy de imediato . - Como sabes ? - indagou o Ron , erguendo as sobrancelhas . - Bem ... er ... já_que perguntam , a Ginny ... er ... passou por mim em outro dia quando eu ... er ... não foi nada , o importante é_que ela viu me fazer uma coisa e eu ... um ... pedi lhe para não comentar com ninguém . Não pensei que ela cumprisse a palavra , verdade se diga . Não é nada importante , eu só ... Harry nunca vira o Percy tão pouco a a vontade . - O que estavas a fazer , Percy ? - riu se o Ron . - Vá lá , conta que nós não nos rimos . Percy ficou sério . - Passa me esses pãezinhos , Harry , estou cheio de fome . Harry sabia que todo o mistério poderia ser desvendado em o dia seguinte sem a ajuda de eles mas não ia deixar de falar com a Murta_Queixosa se a oportunidade surgisse . E , para sua grande satisfação , ela surgiu a meio de a manhã quando eram conduzidos a a aula de História_da_Magia_por_Gilderoy_Lockhart . Lockhart , que tantas vezes lhes assegurara que o perigo tinha passado , estava agora totalmente convencido de que acompanhar os alunos em os corredores era um trabalho inútil . O seu cabelo estava mais liso do_que de costume . Parecia ter passado toda_a noite acordado a vigiar o quarto andar . - Podem escrever o que eu digo - afirmou , acompanhando os até uma esquina . - As primeiras palavras que vão sair de a boca de aquelas pobres pessoas petrificadas serão - * _ Foi_o_Hagrid * . Francamente , estou espantado por a professora Mc_Gonagall considerar ainda necessárias estas medidas de segurança . - Concordo , professor - disse Harry , fazendo com que Ron , surpreendido , deixasse cair os livros a o chão . - Obrigado , Harry - disse Lockhart amavelmente , enquanto deixavam passar uma grande fila de Hufflepuffs . - verdade é_que os professores já têm bastante que fazer para andarem também a acompanhar os alunos a as aulas e a guardar os corredores a a noite ... - É verdade - disse o Ron , percebendo a ideia . - Porque não nos deixa aqui , professor , só falta mais um corredor . - Sabes , Weasley , sou mesmo capaz de fazer isso - disse Lockhart . - Preciso de preparar a minha próxima aula . E apressou se a seguir o seu caminho . - Preparar a aula - zombou o Ron . - Vai encaracolar o cabelo , é o mais certo . Deixaram os restantes Gryffindor passar lhes a a frente e por fim cortaram caminho em um corredor lateral e dirigiram se a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mas quando estavam a congratular se por o seu esquema brilhante ... - Potter , Weasley ! Que estão vocês a fazer aqui ? Era a professora Mc_Gonagall e a boca de ela estava mais fina do_que nunca . - Nós estávamos , estávamos - gaguejou o Ron . - Nós íamos ver , íamos ver ... - Hermione - completou Harry . A professora Mc_Gonagall e Ron olharam para ele . - Não a vemos há séculos , professora - prosseguiu Harry , pisando o pé a o Ron . - E pensamos ir espreitá a a a ala hospitalar e dizer lhe que as mandrágoras estão quase prontas , para ela não se preocupar . A professora Mc_Gonagall estava ainda a olhar para ele e , por um momento , Harry pensou que ela ia explodir mas , quando falou , fê lo em um tom de voz estranhamente rouco . - É claro - disse . E Harry , espantado , viu uma lágrima a brilhar lhe em o canto de um de os olhos . - É claro . Eu compreendo que tudo_isto tem sido muito duro para os amigos de aqueles que foram ... eu compreendo , sim , Potter . Podem ir visitar Miss_Granger . Eu mesma informarei o professor Binns de que vocês estão em o hospital . Digam a Madam_Pomfrey que vos dei autorização . Harry e Ron afastaram se , quase sem acreditar que tinham escapado a um castigo . Quando voltaram em uma esquina ouviram nitidamente a professora Mc_Gonagall a assoar se . - Esta - disse o Ron entusiasmado - foi a melhor história que tu alguma vez inventaste . Não tinham outro remédio senão ir a a ala hospitalar e dizer a Madam_Pomfrey que tinham autorização de a professora Mc_Gonagall para visitar Hermione . Madam_Pomfrey deixou os entrar com alguma relutância . - Não vale a pena falar com uma pessoa petrificada - disse , e ambos tiveram que admitir que ela tinha razão quando se sentaram junto de Hermione e constataram que ela não tinha a menor noção de estar acompanhada . Dizer lhe que não se preocupasse ou falar com o armário que estava a o lado de a cama era exactamente a mesma coisa . - Será que ela viu quem a atacou ? - perguntou o Ron , olhando com tristeza para o rosto rígido de Hermione . - Porque se a coisa saltou sobre eles , ficaremos todos sem saber de nada . Mas Harry não olhava para o rosto de Hermione . Estava mais interessado em a sua mão direita que se encontrava pousada sobre os cobertores e , inclinando se para ela , viu que tinha , fechado entre os dedos , um pedaço de papel . Assegurando se de que Madam_Pomfrey não dava por nada , fez sinal a o Ron . - Tenta tirá o - murmurou ele , colocando a cadeira de_modo_a que Madam_Pomfrey não pudesse ver o Harry . Não foi tarefa fácil . A mão de a Hermione estava fechada com uma força tal que Harry receou parti a . Enquanto Ron vigiava , ele forçou e torceu até que , por fim , depois de vários minutos bastante tensos , conseguiu tirar o papel . Era uma página retirada de um livro muito antigo de a biblioteca . Harry alisou a ansiosamente e Ron inclinou se para poder lês a também . * _ De todos os monstros assustadores que pairam a a face de a Terra , nenhum é tão curioso nem tão fatal como o Basilisk , também conhecido por o rei de as serpentes . Esta cobra que pode atingir proporções gigantescas e viver durante muitas centenas de anos nasce de um ovo de galinha que é chocado por um sapo . As suas formas de matar são pavorosas pois além de os dentes venenosos e mortais , o Basilisk tem um olhar criminoso e todos aqueles que ele fixa com os olhos tem morte instantânea . As aranhas fogem a sete pés de o Basilisk que é seu inimigo mortal , e o Basilisk foge apenas de o canto de o galo que para ele é fatal * . Por debaixo de isto uma única palavra fora escrita , em a letra que Harry reconheceu como sendo de Hermione : Canos . Foi como_se se tivesse acendido uma luz em o seu espírito . - Ron - murmurou - é isso . Está aqui a resposta . O monstro de a Câmara_dos_Segredos é um Basilisk , uma serpente gigante . Por isso , só eu tenho ouvido a sua voz em todos os lugares , porque eu compreendo * serpentês * ... Harry olhou para as camas em volta . - O Basilisk mata as pessoas fixando as com o olhar mas ninguém morreu , o que quer_dizer que ninguém o olhou directamente em os olhos . Colin viu o através de a lente de a máquina fotográfica e o Basilisk queimou o rolo que estava lá dentro mas o Colin ficou apenas petrificado . O Justin ... o Justin deve ter visto o Basilisk através de o Nick quase sem cabeça . O Nick é_que levou com o olhar mas não podia morrer outra_vez ... e perto de a Hermione e de a prefeita de os Ravenclaw foi encontrado um espelho . Hermione acabara de compreender que o monstro era um Basilisk . Aposto que preveniu a primeira pessoa que encontrou de que era melhor olhar por um espelho a o virar de cada esquina . E aquela rapariga puxou de o seu espelho e ... O Ron estava de queixo caído . - E Mrs._Norris ? - perguntou vivamente . Harry pensou um_pouco , tentando imaginar a cena em a noite de o Halloween . - A água . . . - disse lentamente . - A poça de água que saiu de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Aposto que Mrs._Norris só viu o reflexo de o monstro . Examinou a folha de papel que tinha em a mão . Quanto_mais olhava mais sentido faziam as coisas . - * _ O cantar de o galo é fatal para ele * - leu em voz alta . - Os galos de o Hagrid foram mortos . O herdeiro de Slytherin não queria um único galo perto de o castelo , com a câmara aberta . * _ As aranhas são as primeiras a fugir * . Tudo encaixa . - Mas , como tem o Basilisk andado por aí ? - disse o Ron . - Uma serpente horrível e enorme ... alguém a teria visto . Mas Harry apontou para a palavra que Hermione escrevinhara em o final de a página . - Canos - disse . - Canos ... Ron , ele tem usado a canalização . Eu ouvi sempre a voz dentro de as paredes ... Ron agarrou subitamente o braço de o Harry . - A entrada para a Câmara_dos_Segredos - disse em uma voz rouca . - E se for em uma casa_de_banho ? Se for em a ... - Em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa - completou Harry . Sentaram se , tomados de uma excitação enorme , mal querendo acreditar . - Isso significa que - disse o Harry - eu não posso ser o único em a escola a falar * serpentês * . Há também o herdeiro de Slytherin . É de esse modo que tem controlado o Basilisk . - O que vamos fazer ? - perguntou Ron com os olhos a faiscar . - Vamos falar com a Mc_Gonagall ? - Vamos até a a sala de os professores - disse Harry , dando um salto . - Ela estará lá dentro_de dez minutos , está quase em o intervalo . Desceram a escada a correr . Não querendo ser descobertos outra_vez a vaguear por os corredores foram directamente até a a sala de os professores que estava deserta . Era uma divisão ampla , toda forrada , com cadeiras de madeira escura . Harry e Ron passearam de um lado para o outro , demasiado nervosos para se sentarem . Mas a campainha anunciando o intervalo nunca mais tocava . Em vez de isso , ecoando em os corredores , ouviram a voz de a professora Mc_Gonagall incrivelmente ampliada . - * _ Todos os alunos devem regressar de imediato a os seus dormitórios . Todos os professores a a sala de professores . Imediatamente , por favor * . Harry deu meia volta e olhou para o Ron . - Não me digas que houve um novo ataque , não agora ! - Que vamos fazer ? - disse o Ron aterrado . - Voltar para o dormitório ? - Não - disse Harry , olhando e m volta . Havia uma espécie de armário a a sua esquerda cheio com os mantos de os professores . - Ali . Vamos ouvir o que se passa . A seguir poderemos contar lhes o que descobrimos . Esconderam se dentro de o armário , ouvindo a algazarra de centenas de pessoas e a porta de a sala de professores a abrir se . De o meio de a confusão de mantos bafientos , viram os professores encherem a sala . Alguns tinham um ar totalmente confuso , outros pareciam apavorados . Por fim , chegou a professora Mc_Gonagall . - Aconteceu - disse em o silêncio de a sala de professores . - O monstro levou uma aluna . Levou a mesmo para a câmara . O professor Flitwick soltou um grito agudo . A professora Sprout bateu com a mão em a boca . Snape agarrou com força as costas de uma cadeira e perguntou : - Como pode ter tanta certeza ? - O herdeiro de Slytherin - disse a professora Mc_Gonagall , muito pálida . - Deixou outra mensagem . Mesmo por baixo de a primeira : « * _ O esqueleto de ela ficará para sempre em a Câmara_dos_Segredos * . » O professor Flitwick desatou a chorar . - Quem é ela ? - quis saber Madam_Hooch que se afundara em uma cadeira . - Quem é a aluna ? - Ginny_Weasley - disse a professora Mc_Gonagall . Harry viu o Ron , a o seu lado , escorregar silenciosamente até a o chão de o armário . - Vamos ter que mandar todos os alunos embora amanhã - disse a professora Mc_Gonagall . Isto_é o fim de Hogwarts , Dumbledore sempre disse ... A porta de a sala de os professores voltou a abrir se . Por um breve momento , Harry pensou que fosse Dumbledore mas era Lockhart e vinha todo sorridente . - Peço desculpa , adormeci . Perdi alguma coisa ? Não pareceu reparar que os outros professores o olhavam com uma espécie de aversão . Snape deu um passo em frente . - O homem que faltava - disse . - O homem certo . O monstro raptou uma garota , Lockhart levou a para a Câmara_dos_Segredos . O seu momento chegou . - Isso mesmo , Lockhart - acrescentou a professora Sprout . - Não estavas a dizer ontem a a noite que sempre tinhas sabido onde era a entrada para a Câmara_dos_Segredos ? - Eu ... bem ... eu-disse atabalhoadamente Lockhart . - Sim , não me disseste que sabias exactamente o que estava lá dentro ? - disse com voz esganiçada o professor Flitwick . - Eu disse ? Não me lembro ... - Lembro me perfeitamente de o ouvir dizer que lamentava não ter feito uma tentativa com o monstro antes de o Hagrid ser preso - disse Snape . - Não disse que toda_a história tinha sido uma atrapalhação e que deveriam ter lhe dado carta branca desde o princípio ? Lockhart olhou em volta para a cara de espanto de os colegas . - Eu ... nunca ... eu de facto ... deve ter me compreendido mal . - Então vamos deixar te , Gilderoy - disse a professora Mc_Gonagall . - Esta noite será uma excelente oportunidade para actuares . Nós trataremos de assegurar que ninguém te atrapalha . Vais poder enfrentar o monstro sozinho . Finalmente tens carta branca . Lockhart olhou desesperado a a sua volta mas ninguém foi salvá o . Já não estava bem-parecido . O lábio tremia lhe e a ausência de o seu habitual sorriso de dentes brancos dava lhe um ar escanzelado . - M-muito bem - disse . - Vou até a o meu escritório para ... para me preparar . E saiu de a sala . - _ óptimo - exclamou a professora Mc_Gonagall com as narinas dilatadas . - Isto deve afastá o de o nosso caminho . Os chefes de casa devem ir agora comunicar a os respectivos alunos o que se passou e informá os de que o Expresso_de_Hogwarts os levará a casa amanhã de manhã . Os restantes certifiquem se , por favor , de que não há alunos fora de os dormitórios . Os professores levantaram se e saíram um a um . Foi talvez o dia pior de a vida de o Harry . Ele , Ron , Fred e George sentaram se juntos a um canto em a sala comum de os Gryffindor , incapazes de proferir uma palavra . Percy não estava lá . Tinha ido tratar de enviar uma coruja a Mr. e Mrs._Weasley e , em seguida , fechara se em o dormitório . Nunca uma tarde custara tanto a passar e nunca a torre de os Gryfffindor estivera tão cheia de gente e tão silenciosa . Fred e George foram para a cama quase a o pôr de o Sol , incapazes de ficar ali mais tempo . - Ela sabia qualquer coisa , Harry - disse o Ron , falando pela_primeira_vez desde_que tinham saído de o armário de a sala de os professores . - Por isso a levaram . Não era nenhuma parvoíce sobre o Percy , ela tinha descoberto qualquer coisa sobre a Câmara_dos_Segredos . Com certeza por isso é_que a ... - Ron esfregou os olhos , enervadíssimo . - Afinal ela era sangue puro , não pode haver outra explicação . Harry olhava para o sol que mergulhava de um vermelho cor de sangue em a linha de o horizonte . Era a pior coisa que lhe tinha acontecido . Se pelo_menos pudessem fazer alguma coisa . - Harry - disse o Ron . - Achas que há alguma possibilidade de ela não estar ... ? Sabes o que eu quero dizer . Harry não sabia que resposta dar . Não acreditava que a Ginny pudesse ainda estar viva . - Sabes uma coisa ? - disse o Ron . - Acho que devíamos ir ter com o Lockhart , contar lhe o que sabemos . Ele vai tentar entrar em a câmara , podemos dizer lhe onde achamos que fica a entrada e contar lhe que o monstro é um Basilisk . Como Harry não tinha nenhuma ideia melhor e como queria fazer alguma coisa , concordou . Os Gryffindor que os rodeavam estavam tão tristes e com tanta pena de os Weasley que ninguém tentou impedi os quando os viram levantar se , atravessar a sala e sair por o buraco de o retrato . A escuridão começava a instalar se quando chegaram a o escritório de Lockhart onde a actividade era muita . De o corredor ouvia se o ruído de coisas a serem deitadas fora , pancadas surdas e passos apressados . Harry bateu a a porta e houve um silêncio repentino . Em seguida abriu se uma fresta de a porta e viram um de os olhos de Lockhart a espreitar . - Oh ! ... Mr._Potter ... Mr._Weasley - disse entreabrindo a porta . - Estou um_pouco ocupado em este momento , se forem rápidos ... - Professor , nós temos informações para lhe dar - disse o Harry . - Acho que poderão ajudá o . - Er ... bem ... não é - o lado de a cara de Lockhart que conseguiam ver parecia muito pouco a a vontade . - Quer_dizer ... bem ... está bem . Abriu a porta e eles entraram . O escritório estava praticamente vazio . Em o chão estavam duas grandes malas abertas . Mantos verde-jade , lilás , azul-noite tinham sido apressadamente dobrados e guardados dentro_de uma de as malas . Os livros misturavam se todos dentro de a outra . As fotografias que antes cobriam as paredes estavam agora arrumadas em caixas , em cima de a secretária . - Vai a algum lado ? - perguntou Harry . - Er ... bem ... sim - disse Lockhart , arrancando de a porta um poster seu em tamanho natural , enquanto falava , e começando a enrolá o . - Uma chamada urgente ... inevitável ... tenho que ir . - E a minha irmã ? - perguntou o Ron bruscamente . - Bem , quanto_a isso foi uma pena - disse Lockhart , evitando olhá os em os olhos , abrindo uma gaveta e começando a despejar o seu conteúdo dentro_de um saco . - Ninguém lamenta mais do_que eu ... - O senhor é o professor de Defesa contra as artes negras - disse Harry . - Não pode ir se embora agora_que todas estas coisas de magia negra estão a acontecer aqui . - Bem , devo dizer te que ... quando aceitei o lugar ... - resmungou Lockhart , empilhando soquetes sobre os mantos - nada em a descrição de o meu trabalho fazia prever ... - Quer_dizer que vai fugir ? - perguntou Harry , incrédulo . - Depois de todas_as coisas que conta em os seus livros ? - Os livros podem ser enganadores - disse Lockhart delicadamente . - Mas foi o senhor que os escreveu - gritou Harry . - Meu rapaz - disse Lockhart , endireitando se e franzindo as sobrancelhas - usa o senso comum . Os meus livros não teriam vendido metade do_que venderam se as pessoas não acreditassem que eu tinha feito todas aquelas coisas . Ninguém está interessado em ler sobre um velho feiticeiro americano mesmo_que ele tenha salvo uma cidade inteira de os lobisomens , ficaria péssimo em a capa . E a bruxa que correu com a fada carpideira tinha um lábio leporino . Como vês . - Quer_dizer que ficou com os louros por tudo_o_que uma série de outras pessoas fizeram ? - perguntou Harry , sem querer acreditar . - Harry , Harry - disse Lockhart , abanando impacientemente a cabeça . - Não é tão simples assim . Envolveu muito trabalho . Tive de localizar todas essas pessoas , perguntar lhes em pormenor como tinham feito as coisas . Depois tive de lhes fazer um feitiço antimemória para que não voltassem a lembrar se do_que tinham feito . Se há uma coisa de que me orgulho é de os meus feitiços antimemória . Não , tive muito trabalho , Harry . Não foram só as sessões de autógrafos e as fotografias , sabes ? Quem quer ser famoso tem de estar preparado para um trabalho longo e fatigante . Fechou as malas a a chave . - Vejamos - disse . - Acho que está tudo . Sim , só falta uma coisa . - Empunhou a varinha e voltou se para eles . - Lamento muito , rapazes , mas vou ter de vos fazer um feitiço antimemória . Não posso deixar que vão por aí repetir os meus segredos . Não venderia nem mais um livro . Harry pegou em a varinha mesmo a tempo e Lockhart mal tinha levantado a de ele a o ar quando Harry gritou * _ Expelliarmus ! * Lockhart foi projectado de costas , indo cair em cima de a mala . A varinha voou por os ares . Ron agarrou a e atirou a por a janela aberta . - Não devia ter deixado o professor Snape ensinar nos esta - disse Harry furioso , dando um pontapé a uma de as malas . Lockhart olhava para ele , de_novo escanzelado . Harry apontava lhe a varinha . - O que queres que eu faça ? - perguntou debilmente . - Eu não sei onde fica a Câmara_dos_Segredos . Não posso fazer nada . - Está com sorte - disse Harry , forçando o com a varinha a pôr se de pé . - Nós julgamos saber onde é e o que está lá dentro . Vamos . Conduziram Lockhart para fora de o seu escritório , desceram com ele as escadas e seguiram por o corredor escuro em cuja parede brilhavam as mensagens , até a a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mandaram Lockhart a a frente . Harry gostou de ver que todo ele tremia . A Murta_Queixosa estava sentada em a cisterna de o cubículo de o fundo . - Ah ! são vocês - disse a o ver o Harry . - O que querem agora ? - Perguntar te como morreste - disse Harry . O aspecto de a Murta mudou por completo . Parecia que nunca lhe tinham feito uma pergunta tão lisonjeira . - Ooooh ! Foi horrível - disse satisfeita . - Aconteceu aqui mesmo . Morri em este cubículo . Lembro me tão bem . Estava escondida porque a Olive_Hornby andava a implicar comigo por causa de os meus óculos . A porta estava fechada e eu estava a chorar e , então , ouvi alguém entrar . Disseram qualquer coisa estranha em uma língua diferente , acho eu . Mas o que mais me espantou foi o ser um rapaz a falar . Por isso , abri a porta para lhe dizer que fosse a a casa_de_banho de eles e em esse momento - a Murta inchou com ar importante , o rosto a brilhar - morri . - Como ? - perguntou Harry . - Não faço ideia - disse a Murta em um tom de voz abafado . - Só me lembro de ver dois grandes olhos amarelos , de o meu corpo ficar preso e em seguida , sentir me a flutuar ... - olhou sonhadoramente para Harry . - E depois voltei . Estava disposta a vingar me de a Olive_Hornby , percebes ? Ela ia arrepender se de ter gozado com os meus óculos . - Onde foi exactamente que viste os tais olhos ? - perguntou Harry . - Algures por aí - disse a Murta , apontando vagamente para o lavatório em frente de o seu cubículo . Harry e Ron apressaram se . Lockhart estava de pé , mais atrás , com uma expressão de pavor em o rosto . O lavatório parecia perfeitamente vulgar . Examinaram o centímetro a centímetro , dentro e fora , incluindo os canos por baixo . E foi então que Harry reparou : de lado , rabiscada em uma de as torneiras de cobre , estava uma cobra pequenina . - Essa torneira nunca funcionou - disse vivamente a Murta enquanto ele tentava abri a . - Harry - sugeriu o Ron . - Diz qualquer coisa em * serpentês * . Mas , pensou Harry , as únicas vezes que conseguira falar * serpentês * tinham ocorrido quando confrontado com uma verdadeira serpente . Olhou , concentrado para a pequena cobra gravada em o cobre , tentando imaginá a como verdadeira . - Abre te - disse . Olhou para o Ron que abanou a cabeça . - Inglês - disse ele . Harry voltou a olhar para a cobra , forçando se a acreditar que estava viva . A luz de a vela fez parecer que se movia . - Abre te - repetiu . Mas desta_vez as palavras não foram o que ele ouviu . Um estranho sibilar escapou lhe de a boca e a torneira ganhou uma luz branca e brilhante e começou a rodar . Logo_a_seguir o lavatório mexeu se . Afastou se , melhor dizendo , saiu de o caminho , deixando um grande cano a a vista , um cano onde cabia um homem . Harry ouviu a respiração arquejante de o Ron e olhou de_novo para ele . Já decidira o que queria fazer . - Vou descer - disse . Não podia deixar de ir , agora_que acabavam de descobrir a entrada para a câmara , existindo uma possibilidade , por mais remota que fosse , de a Ginny ainda estar viva . - Eu também - disse o Ron . Houve uma pausa . - Bem , parece que não precisam mais de mim - apressou se Lockhart a dizer com uma réstia de sorriso . - Eu vou . . . Pôs a mão em o puxador de a porta mas Ron e Harry apontaram lhe ambos as varinhas . -- O senhor pode ir a a frente - disse rispidamente o Ron . Pálido e sem varinha , Lockhart aproximou se de a entrada . - Meus rapazes - disse em uma voz débil . - Meus rapazes , para quê tudo_isto ? Harry tocou lhe em as costas com a varinha e ele meteu as pernas em o cano . - Eu não me parece que ... - começou a dizer , mas o Ron deu lhe um empurrão e ele desapareceu por o cano abaixo . Harry foi rapidamente atrás . Introduziu se lentamente e deixou se cair . Era como escorregar em uma pista escura e interminável . Ele via outros canos , estendendo se em todas_as direcções mas nenhum tão largo como o de eles que se torcia e virava , inclinando se abruptamente . Harry sabia que estavam a chegar a um ponto muito abaixo de a escola e de os calabouços . Atrás_de si , ouvia o Ron gemendo em cada curva . E então , quando começava a preocupar se com o que iria acontecer quando tocassem em o chão , o cano tornou se horizontal e ele foi projectado com um ruído surdo , indo aterrar em o chão húmido de um túnel de pedra com altura suficiente para ele se pôr de pé . Lockhart estava a levantar se a alguma distancia , todo enlameado e pálido como um fantasma . Harry afastou se para deixar o Ron sair também de o cano . - Devemos estar quilómetros e quilómetros abaixo de a escola - disse o Harry cuja voz ecoou em o túnel negro . - Talvez até debaixo de o lago - arriscou o Ron , olhando em volta para as paredes escuras e viscosas . Voltaram se os três para olhar para a escuridão lá a o fundo . - * _ Lumus ! * - murmurou Harry a a varinha e ela voltou a acender se . - Vamos - disse a o Ron e a o Lockhart e avançaram , os passos a chapinharem ruidosamente em o chão molhado . O túnel era tão escuro que só conseguiam ver alguns centímetros a a frente . As suas sombras em as paredes molhadas pareciam monstruosas a a luz de a varinha . - Lembrem se - disse Harry baixinho enquanto caminhavam . - A o menor movimento fechem logo os olhos ... Mas o túnel era silencioso como um túmulo e o primeiro som inesperado que ouviram foi um grito de o Ron que escorregou em uma coisa que era afinal a cauda de um rato . Harry baixou a varinha para olhar para o chão e viu que estava cheio de pequenos ossos de animais . Fazendo um enorme esforço para evitar pensar em que estado iriam encontrar a Ginny , avançou até uma curva escura de o túnel . - Harry , está aqui qualquer coisa - disse o Ron com voz rouca , agarrando Harry por o ombro . Ficaram estáticos a olhar . Harry só conseguia ver a silhueta de algo enorme e curvo deitado em o túnel . Fosse o que fosse não se movia . - Talvez esteja a dormir - murmurou , olhando para os outros dois . Lockhart tapava os olhos com as mãos . Harry voltou se para olhar para a criatura com o coração a bater tanto que lhe doía em o peito . Lentamente , com os olhos quase fechados mas ainda conseguindo ver , Harry avançou com a varinha levantada . A luz deslizou sobre uma gigantesca pele de serpente , de um verde vivo e venenoso que estava vazia e enrolada em o chão de o túnel . A criatura que a abandonara devia ter , pelo_menos , seis metros e meio de comprimento . - Bolas - disse o Ron , perdendo as forças . Houve um movimento súbito atrás de eles . As pernas de Gilderoy_Lockhart cederam . - Levante se - disse o Ron de uma forma cortante , apontando lhe a varinha . Lockhart pôs se de pé . Em seguida empurrou o Ron , atirando o a o chão . Harry deu um salto , mas ... tarde de mais . Lockhart endireitava se com a varinha de o Ron em as mãos e um sorriso em o rosto . - A aventura acaba aqui , rapazes - disse . - Vou levar um bocado de esta pele de cobra para a escola , contar lhes que foi demasiado tarde para salvar a garota e que vocês os dois perderam tragicamente a memória com a visão de o seu corpinho mutilado . Digam adeus a as vossas recordações . Levantou a o ar a varinha avariada de o Ron e gritou * _ Obliviate ! * A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba . Harry pôs os braços sobre a cabeça e correu , escorregou em os anéis de a pele de cobra , afastando se de os grandes pedaços de tecto de o túnel que caíam em o chão com o ruído de trovões . Pouco depois estava sozinho , olhando para uma sólida parede de rocha partida . - Ron - gritou ele . - Estás bem , Ron ? - Estou aqui - respondeu a voz abafada de o Ron por detrás de a avalancha de rochas . - Eu estou bem mas este sujeito não . A varinha avariou o todo . Ouviu se um ruído surdo e um Oh ! gritado . Parecia que o Ron tinha acabado de dar a o Lockhart um pontapé em as canelas . - E agora ? - disse a voz de o Ron que parecia desesperada . - Não podemos passar , vai demorar séculos . Harry olhou para o tecto de o túnel onde tinham aparecido grandes fendas . Ele nunca tentara partir , através de a magia , nada tão grande como aquelas rochas e agora não lhe parecia ser o melhor momento para fazer experiências . E se o túnel abatesse ? Houve um ruído surdo e outro Oh ! atrás de as rochas . Estavam a perder tempo . A Ginny já estava havia duas horas em a Câmara_dos_Segredos . Harry sabia que só havia uma coisa a fazer . - Espera aqui - gritou a o Ron . - Fica com o Lockhart , eu vou lá . Se não voltar dentro_de uma hora ... Houve um silêncio cheio . - Eu vou ver se desloco um_pouco esta rocha - disse o Ron , tentando manter a voz firme . - Para tu poderes passar . E , Harry ... - Até já - disse o Harry , procurando injectar confiança em a sua voz trémula . E passou sozinho para lá de a imensa pele de serpente . Em_breve , o ruído de o Ron , tentando deslocar a rocha , deixou de se ouvir . O túnel virou uma e outra_vez . Os nervos de o corpo de o Harry tangiam de forma desagradável . Ele só queria que o túnel chegasse a o fim , fosse o que fosse que o aguardasse . E então , finalmente , quando atingiu a última curva , viu em a sua frente uma parede sólida que tinha gravadas duas serpentes enroladas uma em a outra , cujos olhos eram quatro esmeraldas , enormes e brilhantes . Harry aproximou se com a garganta seca . Não foi preciso imaginar que as serpentes eram autênticas . Os seus olhos pareciam estranhamente vivos . Foi fácil descobrir o que tinha de fazer . Pigarreou e os olhos de esmeraldas pareceram mexer se . - Abre te - disse Harry em um sibilar baixo . As serpentes desapareceram enquanto a parede se abria a o meio e , a tremer de os pés a a cabeça , Harry entrou . XVII_Herdeiro_de_Slytherin_Estava de pé em o fundo de uma divisão enorme , fracamente iluminada . Altíssimos pilares de pedra , cheios de serpentes gravadas que os enlaçavam , erguiam se , suportando um tecto que se perdia em a escuridão e que lançava sombras negras imensas através de a estranha luz esverdeada que enchia o local . Com o coração a bater descompassadamente , Harry ficou parado a ouvir aquele silêncio arrepiante . Estaria o Basilisk escondido em um canto cheio de sombras , atrás_de algum pilar ? E onde estaria Ginny ? Pegou em a varinha e avançou a o longo de as colunas serpenteantes . Cada_um de os seus passos provocava um enorme eco em as paredes sombrias . Harry tinha os olhos semicerrados e estava pronto para os fechar a o mais pequeno movimento . As órbitas de olhos fundos de as serpentes de pedra pareciam segui o . Por mais de uma_vez , com o estômago a dar um salto , Harry julgou vê os moverem se . Por fim , chegado a o nível de os dois últimos pilares , avistou uma estátua de a altura de a própria câmara que estava encostada a a parede de o fundo . Harry tinha de esticar o pescoço para olhar para_cima , para a cara de o gigante : era velho e com um ar simiesco , tinha uma barba enorme que lhe caía quase onde acabava a longa túnica de pedra . Os dois pés imensos e cinzentos pousavam em o chão de a câmara . E entre eles , voltada para baixo , estava uma figura pequenina vestida de preto com um cabelo flamejante . - Ginny - murmurou Harry , chegando perto de ela e ajoelhando se . - Ginny , por favor não estejas morta , não estejas morta ! Atirou a varinha para o lado , agarrou Ginny por os ombros e voltou a . O rosto de ela estava branco e frio como o mármore , contudo os olhos encontravam se fechados , portanto não estava petrificada . Mas então devia estar ... - Ginny , acorda por favor - repetiu Harry desesperado , sacudindo a . A cabeça de ela andava de um lado para o outro . - Ela não vai acordar - disse secamente uma voz . Harry deu um salto e girou sobre os joelhos . Um rapaz alto , de cabelo preto , estava encostado a o pilar mais próximo , a observá o . As sombras desfocavam o como_se Harry o visse através_de uma janela embaciada . Mas não havia como confundis o . - Tom , Tom_Riddle ? Riddle acenou , sem tirar os olhos de o rosto de Harry . - O que queres dizer com isso de ela não acordar ? - perguntou Harry desesperado . - Ela não está ... não está ? - Está viva - disse Riddle . - Mas , por um fio . Harry olhou fixamente para ele . Tom_Riddle estivera em Hogwarts há cinquenta anos atrás . Contudo , ali estava com uma luz estranha e desfocada a iluminá o , sem um dia a mais do_que os seus dezasseis anos . - És um fantasma ? - perguntou Harry . - Uma memória - disse Riddle . - Preservada em um diário durante cinquenta anos . Apontou para os pés de a estátua gigantesca . Ali , aberto em o chão , estava o pequeno diário de capa preta que Harry tinha encontrado em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Durante um segundo , Harry perguntou a si próprio como teria ido ali parar , mas havia coisas mais importantes a fazer . Preciso de a tua ajuda , Tom - disse Harry , levantando de_novo a cabeça de a Ginny . - Temos de sair de aqui . Há_um_Basilisk ... não sei onde está mas pode aparecer a qualquer momento . Por favor , ajuda me . Riddle não se mexeu . Harry , a transpirar , conseguiu levantar ligeiramente a Ginny de o solo e inclinou se para pegar em a varinha mas ela tinha desaparecido . - Viste a ... ? Olhou para_cima . Riddle continuava a olhá o , fazendo girar a varinha entre os dedos longos . - Obrigado - disse Harry , esticando o braço para a agarrar . Um sorriso surgiu então em os cantos de a boca de Riddle que continuou a olhar para ele , girando indolentemente a varinha . - Ouve , pá - disse Harry sem querer perder mais tempo , os joelhos a vergarem sob o peso morto de Ginny - temos de ir . Se o Basilisk aparece ... - Ele não vem enquanto não for chamado - disse Riddle com toda_a calma . Harry voltou a pousar Ginny em o chão , incapaz de a segurar por mais tempo . - Que queres dizer com isso ? - perguntou . - Dá me a minha varinha , posso precisar de ela . O sorriso de Riddle ampliou se . - Não vais precisar de ela - disse . Harry olhou o espantado . - O que queres dizer , não vou ? - Esperei muito_tempo por isto , Harry - disse Riddle . - Pela possibilidade de te ver , de falar contigo . - Olha , eu acho que tu não estás a perceber - disse Harry , perdendo a paciência . - Estamos em a Câmara_dos_Segredos , podemos conversar mais tarde . - Vamos conversar agora - disse Riddle , sorrindo de orelha a orelha e guardando a varinha de Harry em o bolso . Harry voltou a olhar para ele . Havia qualquer coisa de muito estranho em tudo aquilo . - Como é_que a Ginny ficou assim ? - perguntou pausadamente . - Bem , essa é uma pergunta interessante - disse Riddle , divertido . - E uma longa história , também . Julgo que o verdadeiro motivo que levou Ginny_Weasley a ficar assim foi o ter aberto o seu coração e revelado todos os seus segredos a um estranho ser invisível . - De quem estás a falar ? - perguntou Harry . - De o diário - disse Riddle . - De o meu diário . A Ginny escreve nele há meses e meses , contando me todas_as suas lamentáveis desgraças e atribulações : como os irmãos a arreliam , que teve de vir para a escola com manto , túnica e livros em segunda mão - os olhos de Riddle brilharam -- , que acha que o maravilhoso , o grande , o famoso Harry_Potter nunca vai gostar de ela ... Enquanto falava , nunca os olhos de Riddle se afastaram de a cara de o Harry . Havia em eles um olhar ávido . - É muito chato ter de ouvir as preocupações idiotas de uma garotinha de onze anos - prosseguiu . - Mas eu fui paciente . Respondi lhe , mostrei me simpático e amável . A Ginny pura e simplesmente adorou me . - * _ Nunca ninguém me compreendeu como tu , Tom ... estou tão feliz por ter este diário a quem me confiar ... é como ter um amigo que pode andar em o meu bolso * ... Riddle riu se . Um riso alto , frio , que não lhe ficava bem . Fez com que os cabelos de o pescoço de Harry se arrepiassem todos . - Verdade se diga que sempre consegui encantar as pessoas necessárias . Portanto a Ginny verteu em mim a sua alma e a alma de ela era precisamente o que eu queria . Fortaleceu me . Alimentei me de os seus medos mais profundos , de os seus mais obscuros segredos . Fui ficando cada_vez_mais forte e poderoso . Muito mais poderoso do_que a pequena Miss_Weasley até que comecei a transmitir lhe alguns de os meus segredos , a passar um_pouco de a minha alma para ela ... - O que queres dizer ? - perguntou Harry cuja boca ficara totalmente seca . - Ainda não descobriste , Harry_Potter ? - disse Riddle muito baixo . - Giony_Weasley abriu a Câmara_dos_Segredos , estrangulou os galos de a escola e escreveu mensagens assustadoras em as paredes . Atiçou a serpente de Slytherin contra quatro sangues de lama e contra o gato de o busca-pé . - Não - murmurou Harry . - Sim - disse calmamente Riddle . - É claro que a princípio não sabia o que estava a fazer . Era muito divertido . Gostava que visses as coisas que escreveu em o diário , começaram a ficar muito mais interessantes . * _ Querido_Tom * - recitou ele , olhando para a expressão horrorizada de o Harry . - * _ Acho que estou a perder a memória . Há penas de galo em todas_as minhas roupas e eu não sei como foram lá parar . Querido_Tom , não me lembro do_que fiz em a noite de o Hallowe'en mas foi atacada uma gata e eu estou cheia de tinta em a cara . Querido_Tom , o Percy não pára de me dizer que ando pálida e não pareço eu . Acho que ele suspeita de mim ... Houve outro ataque hoje e eu não sei onde estava . Tom , que vou eu fazer ? Acho que estou a ficar maluca ... acho que ando a atacar toda_a_gente , Tom ! * Harry tinha os punhos fechados , as unhas cravadas contra a palma de as mãos . - Levou muito_tempo até a pequenina estúpida deixar de confiar em o diário - disse Riddle . - Mas acabou por ficar desconfiada e tentou livrar se de ele . E é aí que tu entras , Harry . Tu encontraste o . E eu não poderia ter ficado mais satisfeito . De todas_as pessoas que poderiam ter ficado com ele , foste tu , aquele que eu ambicionava conhecer ... - E porque querias conhecer me ? - perguntou Harry . Começava a ser tomado por a raiva e fez um esforço para manter o tom de voz controlado . - Bem , a Ginny contou me tudo a teu respeito - disse Riddle . - A tua fascinante história . - Os seus olhos pousaram em a cicatriz em a testa de Harry e a sua expressão ganhou maior avidez . - Sabia que devia descobrir mais a teu respeito , falar te , encontrar me contigo se fosse possível . Por isso , para ganhar a tua confiança , resolvi mostrar te a famosa captura que fiz de aquele demente de o Hagrid . - O Hagrid é meu amigo - disse Harry já com a voz a tremer . - E tu tramaste o , não foi ? Pensei que tinha sido um engano , mas ... Ele riu se . O mesmo riso de antes . - Era a minha palavra contra a palavra de ele . Imagina a cara de o velho Armando_Dippet . De um lado Tom_Riddle , pobre mas brilhante , sem pais mas corajoso , prefeito de a escola , um modelo de aluno . De o outro lado , o Hagrid , grande e disparatado , arranjando problemas semana sim , semana não , tentando criar filhotes de lobisomens debaixo de a cama , escapando se para a floresta proibida para lutar com gigantes . Mas , devo admitir que até eu próprio fiquei admirado com os excelentes resultados de o meu plano . Pensei que alguém perceberia que o Hagrid nunca poderia ser o herdeiro de Slytherin . Demorei cinco anos inteirinhos até descobrir tudo_o_que me foi possível sobre a Câmara_dos_Segredos e a sua entrada secreta ... como_se o Hagrid tivesse cabeça ou poder ! - Só o professor de Transfiguração , Dumbledore , parecia achar que ele estava inocente . Convenceu Dippet a mantê o aqui e a treiná o como guarda de os campos . Sim , é natural que Dumbledore tenha adivinhado , nunca gostou de mim como os outros professores . - Aposto que Dumbledore viu através_de ti - disse Harry , de dentes cerrados . - Pelo_menos passou a vigiar me de perto , a partir de o momento em que o Hagrid foi expulso - disse Riddle descuidadamente . - Eu sabia que não era seguro voltar a abrir a câmara enquanto ainda estava em a escola mas não ia desperdiçar os longos anos que passara a pesquisar . Decidi , por isso , deixar um diário preservando em as suas páginas o meu ego de dezasseis anos para que um dia , com um_pouco de sorte , pudesse levar outro a seguir os meus passos e acabar o nobre trabalho de Salazar_Slytherin . - Bem , não o acabaste - disse Harry triunfante . - Ninguém morreu até agora , nem mesmo a gata . Dentro_de poucas horas a poção de mandrágoras estará pronta e todos os que foram petrificados voltarão de_novo a si . - Não acabei de te dizer que matar sangues de lama já não me interessa ? Há muitos meses que o meu alvo és tu . Harry olhou para ele . - Podes imaginar como fiquei furioso quando em outro dia o diário foi aberto e vi que era a Ginny quem estava a escrever e não tu . Ela viu te com o diário e entrou em pânico . E se tu descobrisses como trabalhar com ele e eu te repetisse todos os seus segredos ? Ainda pior , e se eu te contasse quem tinha andado a estrangular os galos ? Por isso , a grande palerma esperou que o teu dormitório estivesse deserto e foi lá roubá o . Mas eu sabia o que tinha de fazer . Estava muito claro para mim que a tua meta era o herdeiro de Slytherin . Por tudo_o_que a Ginny me contara a teu respeito , sabia que irias até onde fosse preciso para desvendar o mistério , principalmente se um de os teus melhores amigos tivesse sido atacado . E a Ginny disse me que a escola toda bichanava por tu falares * serpentês * ... Por isso , obriguei a Ginny a escrever a sua própria despedida em a parede , a vir até aqui e esperar . Ela debateu se e gritou e ficou muito chatinha . Mas , já não tem muita vida : pôs grande parte de ela em o diário , deu me a . O suficiente para eu abandonar , por fim , as suas páginas . Desde_que aqui cheguei que estou a a tua espera . Sabia que virias . Tenho muitas perguntas a fazer te , Harry_Potter . - Que perguntas ? - disse Harry com os punhos fechados . - Bem - prosseguiu Riddle , sorrindo de satisfação : - Como é_que um bebé sem especiais talentos de magia foi capaz de derrotar o maior feiticeiro de sempre ? Como conseguiste escapar só com uma cicatriz quando os poderes de Lord_Voldemort foram destruídos ? Havia agora em os seus olhos um brilho vermelho e irado . - O que é_que te interessa saber como eu escapei ? - disse Harry lentamente . - Voldemort veio depois de ti . - Voldemort - disse Riddle - é o meu passado , o meu presente e o meu futuro , Harry_Potter ... Tirou a varinha de o Harry de o bolso e começou a escrever em o ar três palavras brilhantes : TOM_MARVOLO_RIDDLE_Em seguida , fez um gesto com a varinha e as letras de o seu nome reagruparam se de outro modo . : __ eu sou lord __ voldemort ( I am Lord_Voldemort ) . - Vês ? - murmurou . - Era um nome que eu já usava em Hogwarts , para os meus amigos mais íntimos apenas , como é óbvio . Achas que ia usar para sempre o nome nojento de o meu pai Muggle ? Eu , em cujas veias , por o lado materno , corre o sangue de Salazar_Slytherin ? Eu , manter o nome de um Muggle tolo que me abandonou ainda antes de eu nascer só porque descobriu que a mulher com quem casara era uma bruxa ? Não , Harry , arranjei um novo nome , um nome que eu sabia que os feiticeiros de todo_o_mundo viriam um dia a ter medo de pronunciar , quando eu me tivesse tornado o maior feiticeiro de o mundo . A cabeça de Harry parecia bloqueada . Olhou como_que paralisado para Riddle , para o rapaz de o orfanato que depois de crescer iria matar os seus pais e tantos outros . Por fim , com algum esforço conseguiu falar . - Não és - disse em uma voz calma e cheia de ódio . - Não sou o quê ? - perguntou Riddle irritado . - Não és o maior feiticeiro de o mundo - disse Harry com a respiração acelerada . - Lamento desiludir te mas o maior feiticeiro de o mundo é Albus_Dumbledore . Toda_a_gente sabe . Mesmo tu , quando tinhas força , não ousavas tentar aproximar te de Hogwarts . Dumbledore viu através_de ti quando andavas em a escola e ainda agora te assusta onde quer que te escondas . O sorriso desaparecera de o rosto de Riddle , fora substituído por um olhar furioso . - Dumbledore foi afastado de este castelo por a minha simples memória - sibilou . - Ele não está tão longe como pensas - retorquiu Harry . Falava por falar , tentando assustar Riddle , desejando mais que assim fosse do_que acreditando em as suas palavras como uma verdade . Riddle abriu a boca mas não chegou a falar . Tinha começado a ouvir se uma música . Riddle deu uma volta , olhando para a câmara vazia . A música estava a ficar mais alta . Era misteriosa , arrepiante , sobrenatural . Fez_Harry ficar com os cabelos em pé e o coração aumentar lhe em o peito . Por fim , quando atingiu um ponto tão alto que Harry a sentiu vibrar dentro de as suas costelas , começaram a sair chamas de o topo de o pilar mais próximo . Uma ave carmesim de o tamanho de um cisne surgiu , assobiando a sua estranha melodia para o tecto em forma de abóbada . Tinha uma cauda dourada tão longa como a de um pavão e garras douradas e brilhantes que seguravam uma trouxa andrajosa . Segundos depois , a ave voava em direcção a Harry . Deixou cair a coisa andrajosa a os seus pés e pousou lhe pesadamente em o ombro . Quando abriu as enormes asas , Harry olhou para_cima e viu que tinha um longo bico afiado e olhos escuros pequenos e brilhantes . A ave parou de cantar . Ficou quieta junto de a cara de Harry , olhando fixamente para Riddle . - É uma fénix , disse Riddle , olhando sagazmente para ela . - Fawkes ? - murmurou Harry e sentiu as garras douradas apertarem lhe devagarinho o ombro . - E aquilo - disse Riddle , olhando para a coisa velha que Fawkes deixara em o chão - é o velho chapéu seleccionador , de a escola . Era , de facto . Amachucado , puído e sujo , o chapéu jazia imóvel a os pés de Harry . Riddle começou a rir . Riu se tanto que a câmara escura se lhe juntou em um eco tal que parecia que dez Riddles se riam ao_mesmo_tempo . - Eis o que Dumbledore envia a o seu defensor . Um pássaro que canta e um chapéu velho . Estás cheio de coragem , Harry_Potter ? Sentes te agora mais seguro ? Harry não respondeu . Podia não estar a ver a vantagem de a Fawkes ou de o chapéu seleccionador mas já não se sentia só , e esperou corajosamente que Riddle parasse de rir . - Vamos a o que importa , Harry - disse ele , ainda com um enorme sorriso . - Encontrámo nos duas vezes em o teu passado , em o meu futuro . E duas vezes falhei a o tentar matar te . Como foi que sobreviveste ? Conta me tudo . Quanto_mais falares , mais tempo tens de vida . Harry pensava rapidamente , medindo as suas possibilidades . Riddle tinha a varinha . Ele , Harry , tinha a Fawkes e o chapéu seleccionador que não lhe serviriam de muito em o combate . As coisas pareciam más , é certo . Mas quanto_mais tempo Riddle ali estivesse , mais vida retirava a a Ginny ... e , entretanto , Harry reparou que a silhueta de Riddle se tornava mais nítida , mais sólida . Se tinha de haver uma luta entre os dois , quanto_mais depressa melhor . - Ninguém sabe porque perdeste os poderes quando me atacaste - disse bruscamente . - Eu próprio não sei . Mas sei porque não conseguiste matar me . A minha mãe morreu para me salvar . A minha mãe , uma vulgar filha de Muggles - acrescentou , a tremer de raiva . - Ela impediu que tu me matasses . E eu vi te como tu és , em o ano passado . És um destroço , quase não existes . Foi onde o teu poder te levou . Estás sob um disfarce , és horrível e és louco . O rosto de Riddle contorceu se . Em seguida , forçou um sorriso pavoroso . - Quer_dizer , então , que a tua mãe morreu para te salvar . Sim , é um antifeitiço poderoso . Compreendo agora , afinal não há em ti nada de especial . Eu tinha curiosidade , sabes , porque há uma estranha semelhança entre nós , Harry_Potter . Até tu deves ter reparado . Somos ambos meio sangue , órfãos , educados com Muggles , provavelmente os dois únicos que falam * serpentês * desde o grande Slytherin , até nos parecemos um_pouco fisicamente ... mas afinal foi apenas uma questão de sorte que te salvou de mim . Era o que eu queria saber . Harry ficou parado , tenso , a a espera que Riddle levantasse a varinha mas o seu sorriso cínico ampliou se de_novo . - Agora , Harry , vou dar te uma pequena lição . Vamos confrontar os poderes de Lord_Voldemort , herdeiro de Salazar_Slytherin e de o famoso Harry_Potter , munido com as melhores armas que Dumbledore lhe deu . Lançou um olhar divertido a a Fawkes e a o chapéu seleccionador e , em seguida , afastou se . Harry com as pernas entorpecidas por o medo viu o parar entre dois pilares altos e olhar para a cara de pedra de Slytherin , lá em cima em a semi-obscuridade . Riddle abriu a boca e sibilou mas Harry compreendeu o que ele dizia . - * _ Responde-me , Slytherin , o maior de os quatro de Hogwarts * . Harry voltou se para olhar melhor para a estátua com Fawkes pousada em o ombro . A gigantesca cara de pedra de Slytherin movia se . Horrorizado , Harry viu a boca abrir se mais e mais até se transformar em um buraco negro . E algo se agitava dentro de a boca de a estátua . Algo se arrastava para fora de as suas entranhas . Harry recuou até a a parede escura de a câmara e enquanto fechava os olhos com força sentiu a asa de a Fawkes roçar lhe o rosto e levantar voo . Harry quis gritar : - Não me abandones ! - mas que possibilidades tinha uma fénix contra o rei de as serpentes ? Uma coisa enorme bateu em o chão de pedra que Harry sentiu estremecer . Sabia o que estava a acontecer , podia sentis o , quase podia ver a serpente gigantesca a sair de a boca de Slytherin . Foi então que ouviu a voz de Riddle sibilar : * _ Mata-o * . O Basilisk avançava em direcção a Harry . Ele ouvia o seu corpo enorme escorregar pesadamente por o chão cheio de pó . Com os olhos sempre fechados , Harry começou a correr para o lado , a as cegas , com as mãos abertas a tactear o caminho . Riddle ria se a as gargalhadas . Harry escorregou e caiu em o chão de pedra e a boca soube lhe a sangue . A serpente estava a poucos centímetros de ele . Podia ouvi a a aproximar se . Ouviu se um crepitar explosivo por cima de ele e alguma coisa pesada bateu lhe com tanta força que ele ficou encostado a a parede . Esperando que os dentes de a serpente lhe perfurassem o corpo , ouviu mais ruídos e qualquer coisa que se agitava com força contra os pilares . Não conseguiu evitar . Abriu bem os olhos para ver o que se passava . A enorme serpente , brilhante , de um verde veneno , espessa como o tronco de um carvalho , erguera se em o ar e a sua imensa cabeça agitava se de um lado para o outro , entre os dois pilares . Quando Harry , a tremer , se preparava para fechar de_novo os olhos , percebeu o que distraíra a cobra . Fawkes esvoaçava em volta de a sua cabeça e o Basilisk , furioso , tentava agarrá a com os dentes longos e afiados como sabres . Fawkes mergulhava . Harry deixou de ver o bico fino e dourado e uma brusca chuva de sangue escuro inundou o chão . A cauda de a serpente agitou se , não batendo em o Harry por_pouco e antes que ele pudesse fechar os olhos voltou se . Harry olhou lhe para a cara e viu que os seus olhos , os dois olhos amarelos e bolbosos tinham sido perfurados por a fénix . O sangue escorria por o chão e a serpente cuspia cheia de dores . - * _ Não * - Harry ouviu o grito de Riddle . - * _ Deixa a ave , deixa a ave , o rapaz está atrás_de ti , ainda podes cheirá o . Mata o ! * A serpente cega oscilou confusa , ainda em fúria . Fawkes andava a a volta de a cabeça de ela soprando a sua misteriosa cantilena , picando lhe aqui_e_ali o nariz cheio de escamas , enquanto o sangue jorrava de os seus olhos destruídos . - Ajudem me . Ajudem me - murmurava Harry aflito . - Alguém , ajude me . A cauda de a serpente chicoteou de_novo o chão . Harry baixou se . Algo macio tocou lhe em o rosto . O Basilisk lançara o chapéu seleccionador para os braços de o Harry que o agarrou . Era tudo_o_que tinha , a sua única esperança . Enfiou o em a cabeça e começou a ficar achatado contra o chão , enquanto a cauda de o Basilisk se lançava de_novo sobre ele . - Ajudem me , ajudem me - pensou Harry , os olhos comprimidos debaixo de o chapéu . - Por favor , ajudem me . Nenhuma voz lhe respondeu . Em vez de isso , o chapéu contraiu se como_se uma mão invisível o tivesse espalmado devagarinho . Alguma coisa muito dura e pesada caíra sobre a cabeça de Harry , conseguindo quase derrubá o . A ver estrelas em frente de os olhos , agarrou o chapéu para o puxar para baixo e sentiu lá dentro uma coisa longa e dura . Uma espada brilhante tinha surgido dentro de o chapéu . Tinha um cabo cravejado de rubis de o tamanho de pequenos ovos . - Mata o rapaz , deixa a ave . O rapaz está atrás_de ti . Cheira o ! Harry estava de pé , preparado . A cabeça de o Basilisk caía , o corpo serpenteava , batendo nos pilares quando se torcia para ficar de frente para ele . Harry podia ver as enormes órbitas ensanguentadas , a boca toda aberta , suficientemente grande para o engolir inteiro , munida de dentes tão longos como a sua espada , finos , brilhantes , venenosos ... Começou a atacar a as cegas . Harry baixou se e a serpente bateu em a parede de a câmara . Atacou de_novo e a sua língua bifurcada lambeu a parede ao_lado_de Harry que levantou a espada com ambas as mãos . O Basilisk investiu mais_uma_vez e agora a pontaria foi certa . Harry pôs todo o seu peso contra a espada e enterrou a até a os copos em o céu de a boca de a serpente . Mas quando o sangue quente lhe encheu os braços , sentiu uma dor aguda mesmo acima de o cotovelo . Um longo dente venenoso penetrava cada_vez_mais fundo em o seu braço , partindo se quando o Basilisk tombou para o lado , perdendo os sentidos . Harry escorregou a o longo de a parede , apertou com força o dente que estava a derramar veneno por todo o seu corpo e arrancou o de o braço . Mas sabia que era demasiado tarde . Uma dor quente emanava lenta e perseverantemente de a ferida . Quando deixou cair o dente e viu o seu próprio sangue manchando lhe as vestes , a vista começou a ficar turva e a câmara a diluir se em uma rotação ardente e colorida . Mas algo escarlate passou por ele e Harry ouviu a o seu lado um suave ruído de garras . - Fawkes - disse com a voz empastada . - Foste sensacional , Fawkes . - Sentiu o pássaro encostar a sua elegante cabeça a o sítio onde o dente de a serpente o tinha ferido . Ouviu passos ecoarem em o vazio e em seguida uma sombra escura moveu se em a sua frente . - Estás morto , Harry_Potter - disse a voz de Riddle , acima de ele . - Morto . Até o pássaro de Dumbledore sabe de isso . Vês o que ele está a fazer ? A chorar . Harry piscou os olhos . A cabeça de Fawkes ora estava focada , ora desfocada . Lágrimas grossas como pérolas escorriam de as suas penas . - Vou sentar me aqui a ver te morrer , Harry_Potter . Leva o teu tempo , eu não tenho pressa . Harry sentiu se sonolento . Tudo parecia girar a a sua volta . - E assim acaba o famoso Harry_Potter - disse a voz distante de Riddle . - Sozinho em a Câmara_dos_Segredos , esquecido por os amigos , finalmente derrotado por o Senhor de o mal que ele tão imprudentemente desafiou . Vais reunir te a a tua querida mãe sangue de lama , Harry ... Ela deu te doze anos de tempo emprestado ... Mas Lord_Voldemort apanhou te em o fim , como sabias que teria de acontecer . Se morrer é isto , pensou Harry , não é assim tão mau . Até a dor estava a desaparecer . Mas , estaria a morrer ? Em_vez_de ficar mais escura a câmara parecia voltar a estar nítida . Harry fez um pequeno gesto com a cabeça e viu a Fawkes ainda repousando a cabeça em o seu ombro . Uma fiada de pérolas brilhava em volta de a ferida , só que já não havia ferida . - Sai de aqui , pássaro - disse subitamente a voz de Riddle . - Afasta te de ele . Já te disse , sai de aqui ! Harry levantou a cabeça . Riddle apontava a sua varinha a Fawkes . Ouviu se um tiro que parecia de carabina e Fawkes levantou novamente voo em um rodopio de ouro e escarlate . - Lágrimas de fénix - disse Riddle em voz baixa , olhando para o braço de o Harry . - É claro ... poderes curativos ... esqueci me ... Olhou para a cara de Harry . - Mas não faz mal . Pensando bem , eu até prefiro assim . Tu e eu , Harry_Potter ... Tu e eu ... Levantou a varinha . Então , em um golpe de asa , Fawkes voou sobre as cabeças de ambos , deixando cair uma coisa em o colo de Harry : o diário . Durante uma fracção de segundo , tanto Harry como Riddle , ainda com a varinha levantada , ficaram a olhar para aquilo . Em seguida , sem pensar , sem ponderar , como_se pensasse fazê o desde o princípio , Harry agarrou o dente de o Basilisk que estava em o chão , junto de ele , e espetou o em o coração de o caderno . Ouviu se um grito longo e terrível . A tinta esguichou em torrentes de dentro de o diário , derramando se sobre as mãos de o Harry e inundando o chão . Riddle torcia se e contorcia se , agitando se a os gritos . E , por fim . Desapareceu . A varinha de Harry caiu a o chão com um ruído e fez se silêncio . Um silêncio apenas cortado por o ping ping de a tinta que ainda escorria de o diário . Com um leve crepitar , o veneno de o Basilisk abrira um buraco mesmo em o meio de o caderno . A tremer de os pés a a cabeça , Harry pôs se de pé . Sentia tudo a andar a a roda como_se tivesse viajado quilómetros e quilómetros com o pó de * _ Floo * . Lentamente apanhou a varinha e o chapéu seleccionador e com um grande estrondo retirou a espada de o céu de a boca de a serpente . Ouviu se então um gemido fraco a o fundo de a câmara . Ginny estava a mexer se . Quando Harry chegou junto de ela , sentou se . Os seus olhos abismados saltaram de o Basilisk morto para Harry em a sua roupa cheia de sangue e , em seguida , para o diário que ele tinha em as mãos . Soltou um enorme soluço e os seus olhos encheram se de lágrimas . - Harry , oh ! Harry , eu tentei dizer te a o pequeno-almoço mas não fui capaz em frente de o Percy . Era eu , Harry , mas eu ... eu ... juro que não queria ... o Riddle obrigou me , levou me e ... como é_que mataste esse bicho ? Onde está o Riddle ? A última coisa de que me lembro foi de o ver a sair de o diário ... - Está tudo bem - disse Harry , mostrando lhe o diário com o buraco de o dente . - O Riddle acabou , olha . Ele e o Basilisk . Anda , Ginny , vamos embora de aqui . - Vou com certeza ser expulsa - disse Ginny a chorar enquanto Harry a ajudava a pôr se de pé . - Desde_que o Bill veio para Hogwarts que eu sonhava vir também para cá e agora vou ter de me ir embora e ... O que vão a minha mãe e o meu pai dizer ? Fawkes esperava por eles , suspensa em o ar , a a entrada de a câmara . Harry fez a Ginny avançar , passaram sobre os anéis parados de o Basilisk , por a escuridão cheia de ecos e voltaram a o túnel . Harry ouviu as portas de pedra fecharem se atrás de eles com um leve sibilar . Depois de alguns minutos a caminhar por o túnel escuro , chegou a os ouvidos de Harry o som distante de o deslocar de uma rocha . - Ron - gritou ele , apressando se . - A Ginny está bem . Está aqui comigo ! Ouviu o Ron gritar de alegria e , voltando em a curva logo_a_seguir , viram a sua cara ansiosa a espreitar por a fresta que conseguira abrir durante a avalancha . - Ginny ! - Ron estendeu o braço por a fresta para a puxar primeiro . - Estás viva . Não posso acreditar . O que aconteceu ? Tentou abraçá a mas a Ginny afastou o , soluçando . - Mas estás bem , Ginny - disse o Ron , sorrindo para ela . - Já passou tudo ... De onde veio esse pássaro ? Fawkes passara por a abertura , atrás_de Ginny . - É de o Dumbledore - explicou Harry , espremendo se para caber também . - E como arranjaste uma espada ? - perguntou o Ron , olhando para a arma brilhante que Harry tinha em a mão . - Eu explico te tudo quando sairmos de aqui - disse Harry , lançando um olhar de esguelha a a Ginny . - Mas ... - Mais tarde - disse Harry rapidamente . Não lhe parecia uma boa ideia contar a o Ron quem tinha aberto a câmara , ali , em frente de a Ginny . - Onde está o Lockhart ? - Ali atrás - disse o Ron , a rir e a abanar a cabeça em direcção a o cano . - Está em muito mau estado . Anda ver . Conduzidos_pela_Fawkes , cujas grandes asas escarlates emitiam um suave dourado que brilhava em a escuridão , voltaram a o lugar onde o cano começava . Gilderoy_Lockhart estava sentado a falar sozinho . - Perdeu a memória - disse o Ron . - O feitiço de a memória fez ricochete . Não sabe quem é nem onde está , nem_sequer sabe quem nós somos . Eu disse lhe que viesse para aqui e esperasse . É um perigo para ele próprio . Lockhart olhou os bem-disposto . - Olá - disse . - Que lugar estranho , este . É aqui que vocês moram ? -- Não - respondeu o Ron , levantando as sobrancelhas para o Harry . Harry baixou se e observou o túnel escuro e longo . - Já pensaste como é_que vamos sair de aqui ? - perguntou a o Ron . O amigo abanou a cabeça mas Fawkes , a fénix , tinha passado por o Harry e estava agora em o ar , em frente de ele , os olhos como pérolas a brilharem em o escuro . Abanava as longas penas douradas de a cauda . Harry olhou para ela , inseguro . - Ela parece querer que a agarres - disse o Ron , perplexo . - Mas tu és muito pesado para um pássaro . - A Fawkes - disse Harry - não é um pássaro qualquer . Voltou se rapidamente para os companheiros . - Temos de nos agarrar uns a os outros . Ginny , agarra a mão de o Ron . O professor Lockhart ... - Ele está a falar consigo - disse o Ron secamente . - Agarre a outra mão de a Ginny . Harry guardou a espada e o chapéu seleccionador em o cinto . Ron deitou a mão a a roupa de Harry e Harry agarrou as penas de a cauda , estranhamente quentes , de a Fawkes . Sentiu uma extraordinária leveza apoderar se de todo o seu corpo e em seguida estavam todos a voar por o cano acima . Harry conseguia ouvir Lockhart , lá atrás , comentando : - Espantoso , isto parece mágico ! Ar frio batia em os cabelos de Harry e antes que ele deixasse de gostar de a viagem já ela acabara . Os quatro tinham chegado a o chão molhado de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa e , enquanto Lockhart endireitava o chapéu , o lavatório voltara a o seu lugar , tapando o cano . A Murta arregalou os olhos . - Vocês estão vivos - disse inexpressivamente a o Harry . - Não é preciso mostrares te tão desiludida - respondeu ele , muito sério , limpando as nódoas de sangue e lodo de os óculos . - Bem ... é_que eu pensei que se vocês morressem seriam bem-vindos a a minha casa_de_banho - disse a Murta com um rubor prateado . - Urgh ! - fez o Ron , quando saíram de ali para o corredor deserto . - Harry , acho que a Murta está a gostar de ti . Tens concorrência , Ginny ! A Ginny continuava a chorar silenciosamente . - Onde vamos agora ? - perguntou o Ron , olhando ansiosamente para ela . Harry apontou . Fawkes indicava o caminho , com o seu tom dourado que brilhava em o corredor . Seguiram a e pouco depois estavam em o escritório de a professora Mc_Gonagall . Harry bateu e empurrou a porta que estava encostada . XVIII_A recompensa de Dobby_Durante alguns momentos reinou o silêncio enquanto Harry , Ron , Ginny e Lockhart estavam em a entrada de a porta . Cobertos de pó e de lama e ( em o caso de o Harry ) sangue . Em seguida , ouviu se um grito . - Ginny ! Era_Mrs._Weasley que tinha estado a chorar , sentada em frente de o lume . Pôs se de pé em um salto , seguida de Mr._Weasley e precipitaram se ambos para a filha . Harry olhava para trás de eles . Dumbledore rejubilava junto de a lareira , a o lado de a professora Mc_Gonagall que , agarrada a o queixo , respirava com dificuldade . Fawkes rasou as orelhas de o Harry e foi instalar se em o ombro de Dumbledore , ao_mesmo_tempo que Harry dava por si em os braços de Mrs._Weasley . - Tu salvaste a ! Salvaste a ! : __ como foi que __ conseguiste ? - Acho que todos nós gostaríamos de saber - disse , sem energia , a professora Mc_Gonagall . Mrs._Weasley soltou o Harry , que hesitou um momento . Depois , foi até a a secretária e colocou sobre o tampo o chapéu seleccionador , a espada cravejada de rubis e o que restava de o diário de Riddle . Em seguida , contou lhes tudo . Falou durante quase um quarto de hora em o silêncio extasiado : contou lhes de a voz sem corpo que ouvia , como a Hermione acabara por descobrir que se tratava de um Basilisk que circulava em os canos , como ele e o Ron tinham seguido as aranhas até a a floresta , que Aragog lhes dissera que a última vítima de o Basilisk morrera , como tinham chegado a a conclusão que se tratava de a Murta_Queixosa e que a entrada para a Câmara_dos_Segredos devia ser em aquela casa_de_banho ... - Muito bem - elogiou a professora Mc_Gonagall quando ele se calou . - Então tu descobriste onde era a entrada , infringindo uma centena de regras de a escola por o caminho , devo dizer , mas como diabo saíram vocês vivos de lá de dentro ? Harry , com a voz já um_pouco rouca de falar tanto , contou lhes de a chegada de a Fawkes e de o chapéu seleccionador que lhe tinha dado a espada . Mas , chegando aí , hesitou . Até a o momento evitara referir se a o diário de Riddle ou a a Ginny . Ela tinha a cabeça encostada a o ombro de Mrs._Weasley e as lágrimas corriam lhe ainda por o rosto . E se a expulsassem ? - pensou Harry , tomado de pânico . O diário de Riddle já não funcionava ... quem poderia provar que fora ele que a obrigara a fazer tudo aquilo ? Olhou instintivamente para Dumbledore que sorria , o fogo iluminando lhe os óculos de meia-lua . - O que mais me interessa saber - disse Dumbledore amavelmente - é como conseguiu Lord_Voldemort enfeitiçar a Ginny quando as minhas fontes me dizem que ele se esconde habitualmente em as florestas de a Albânia . Um alívio , quente e glorioso percorreu Harry de a cabeça a os pés . - O quê ? - disse Mr._Weasley , em uma voz estupefacta . - O Quem nós sabemos enfeitiçou a Ginny ? Mas a Ginny não ... a Ginny não morr ... ? - Foi este diário - esclareceu Harry rapidamente . E mostrando o a Dumbledore . - O Riddle escreveu o quando tinha dezasseis anos . Dumbledore pegou em o diário e olhou atentamente por cima de o seu nariz longo e adunco para as páginas queimadas e húmidas . - Fantástico - disse em voz baixa . - É claro que ele deve ter sido o aluno mais brilhante que alguma vez passou por Hogwarts . - Olhou em volta para os Weasley que o observavam com um ar totalmente confuso . - Muito poucas pessoas sabem que Lord_Voldemort se chamou em tempos Tom_Riddle . Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos , em Hogwarts . Ele desapareceu depois de deixar a escola , viajou muito , mergulhou tão fundo em as artes de a magia negra , associado a os piores feiticeiros , realizou transformações mágicas tão perigosas que quando reapareceu como Lord_Voldemort estava totalmente irreconhecível . Ninguém o relacionou com o rapazinho inteligente e bonito que aqui foi , em tempos , chefe de turma . - Mas a Ginny - insistiu Mrs._Weasley . - O que tem a nossa Ginny que ver com ele ? - O diário - soluçou Ginny . - Eu andei todo o ano a escrever em o diário e ele respondia me ... - Ginny ! - repreendeu Mr._Weasley . - Não aprendeste nada do_que te ensinei ? Não me cansei de dizer te que nunca confiasses em nada que não pensasse por si próprio * se não conseguisses ver onde tinha o cérebro ? * Porque não me mostraste o diário , a mim ou a a tua mãe ? Um objecto suspeito como esse tinha de estar cheio de magia negra ! - Eu não sabia - soluçou Ginny . - Estava junto de os livros que a mãe me comprou . Pensei que alguém se tinha esquecido de ele ali . - É melhor Miss_Weasley ir imediatamente para a ala hospitalar - interrompeu Dumbledore com voz firme . - Foi sujeita a uma prova terrível . Não será castigada . Outros feiticeiros mais velhos do_que ela têm sido ludibriados por Lord_Voldemort . - Dirigiu se a a porta e abriu a . - Repouso , cama e talvez uma caneca de chocolate quente . A mim , anima me sempre - acrescentou , piscando lhe simpaticamente o olho . - Vais ver que Madam_Pomfrey ainda está acordada . Ela tem estado a dar o sumo de Mandrágora , julgo que as vítimas de o Basilisk estarão a acordar dentro_de momentos . de alegria . - Então a Hermione está bem ! - disse o Ron , cheio de alegria . - Não houve danos irreversíveis - disse Dumbledore . Mrs._Weasley saiu com a Ginny e Mr._Weasley seguiu as ainda bastante abalado . - Sabes , Minerva - disse pensativo o professor Dumbledore - acho que tudo_isto merece um banquete . Posso pedir te que previnas os cozinheiros ? - Certamente - disse animada a professora Mc_Gonagall , dirigindo se também a a porta . - Deixo te a tratar de as coisas com o Potter e o Weasley , está bem ? - Claro - disse Dumbledore . Saiu e os dois olharam inseguros para Dumbledore . Que quereria ela dizer com tratar de as coisas ? Certamente não iriam ser castigados ? - Lembro me de vos ter dito a ambos que teria de vos expulsar se voltassem a quebrar as regras de a escola - disse Dumbledore . Ron abriu a boca horrorizado . - O que vem mostrar nos que as melhores pessoas , às_vezes , têm de engolir as suas próprias palavras . - Dumbledore sorriu e continuou : - Vocês vão receber ambos uma recompensa especial por serviços prestados a a escola e ... deixem me ver , sim , acho que duzentos pontos cada_um para os Gryffindor . Ron ficou tão corado que parecia as flores de S._Valentim_do_Lockhart e voltou a fechar a boca . - Mas um de vós parece demasiado calado sobre a sua participação em esta perigosa aventura - acrescentou Dumbledore . - Porquê tanta modéstia , Gilderoy ? Harry estremeceu . Esquecera se por completo de Lockhart . Voltou se e viu o a um canto de a sala ainda com o mesmo sorriso vago . Quando Dumbledore se lhe dirigiu , olhou por cima de o ombro para ver com quem ele estava a falar . - Professor_Dumbledore - disse o Ron rapidamente - Houve um acidente lá em baixo , em a Câmara_dos_Segredos . O professor Lockhart - Eu sou um professor ? - perguntou Lockhart surpreendido . - E eu que pensei que era um inútil ! - Tentou fazer um feitiço antimemória e a varinha fez ricochete - explicou Ron_a_Dumbledore . - Incrível - disse Dumbledore , abanando a cabeça , o bigode prateado a tremer . - Trespassado por a tua própria espada , Gilderoy ! - Espada ? - disse Lockhart de forma imprecisa . - Eu não tenho espada . Esse rapaz é_que tem - apontou para Harry . - Ele empresta lhe uma . - Importas te de levar também o professor Lockhart até a a ala hospitalar , Ron ? - disse Dumbledore . - Eu gostava de falar um_pouco mais com o Harry . Lockhart saiu sem pressa . Antes de fechar a porta , Ron lançou um olhar curioso a Dumbledore e Harry . Dumbledore passou para uma de as cadeiras junto de o lume . - Senta te , Harry - disse . E Harry sentou se , sentindo se indescritivelmente nervoso . - Antes de mais , Harry , quero agradecer te - disse Dumbledore com os olhos a brilharem de_novo . - Deves ter demonstrado uma grande lealdade para comigo . Só isso poderia atrair a Fawkes para ir ajudar te . Deu uma palmadinha a a fénix que voara , entretanto , para_cima de os seus joelhos . Harry sorria acanhadamente sob o olhar observador de Dumbledore . - Encontraste , portanto , Tom_Riddle - disse o director amavelmente . - Calculo que ele estaria particularmente interessado em ti ... De repente , algo que Harry tinha engasgado saiu lhe descontroladamente de a boca para fora . - Professor_Dumbledore ... o Riddle disse que eu sou como ele , que há entre nós estranhas semelhanças ... - Ah ! sim ? - Dumbledore olhou pensativamente para ele , por debaixo de as espessas sobrancelhas prateadas . - E o que achas tu de isso ? - Eu não me considero parecido com ele - disse Harry mais alto do_que desejaria . - Isto_é , eu sou um Gryffindor , eu sou ... Mas calou se com uma dúvida a rondar lhe o espírito . - Professor - arriscou passado alguns momentos . - O chapéu seleccionador disse que eu ... teria ficado bem em os Slytherin ; durante algum tempo toda_a_gente pensou que eu era o herdeiro de Slytherin por falar * serpentês * ... - Tu falas * serpentês * , Harry - disse Dumbledore calmamente - porque Lord_Voldemort que é o mais recente antepassado de Salazar_Slytherin , fala * serpentês * . Ou eu me engano muito , ou ele transferiu para ti alguns de os seus poderes em a noite em que te fez essa cicatriz . Não que quisesse fazê o , claro , mas aconteceu . - Voldemort pôs um_pouco de si próprio em mim ? - disse Harry assombrado . - É o que parece ter acontecido . - Então eu deveria estar em os Slytherin - disse Harry , olhando desesperado para o rosto de Dumbledore . - O chapéu seleccionador viu em mim os poderes de Slytherin e ... -- Pôs te em os Gryffindor - concluiu tranquilamente Dumbledore . - Ouve , Harry , tu tens por acaso muitas de as capacidades que Salazar_Slytherin apreciava em os seus estudantes cuidadosamente seleccionados . O seu raro dom de falar * serpentês * , desenvoltura , determinação , um certo desprezo por as regras estabelecidas - acrescentou com o bigode a tremer de_novo . - Mas ainda_assim , o chapéu seleccionador pôs te em os Gryffindor . E sabes porquê ? Pensa um_pouco . - Só me pôs em os Gryffindor - disse Harry em uma voz débil - porque eu pedi para não ir para os Slytherin . - Exacto - disse Dumbledore a sorrir . - E isso torna te muito diferente de o Tom_Riddle . São as tuas escolhas , Harry , que mostram quem de facto tu és , mais do_que as tuas capacidades . Harry sentou se , imóvel e espantado , em a cadeira . - Se queres provas de que o teu lugar é em os Gryffindor , sugiro que vejas isto com mais atenção . Dumbledore aproximou se de a secretária de a professora Mc_Gonagall , pegou em a espada de prata ensanguentada e mostrou lhe a . Sem perceber , Harry voltou a ao_contrário . Os rubis brilharam a a luz de a lareira e foi então que ele reparou em o nome gravado mesmo por baixo de o copo de a espada . GODRIC_GRYFFINDOR . - Só um verdadeiro Gryffindor poderia ter tirado a espada de dentro de o chapéu , Harry - disse , com simplicidade , Dumbledore . Durante um minuto , nenhum de os dois falou . Depois , Dumbledore abriu uma de as gavetas de a secretária de a professora Mc_Gonagall e retirou de lá uma pena e um tinteiro . - Tu precisas de comer e ir dormir . Sugiro que desças para o banquete enquanto eu escrevo para Azkaban . Precisamos de recuperar o nosso guarda de os campos . E tenho de esboçar um anúncio para o * _ Profeta_Diário * - acrescentou pensativo . - Vamos precisar de um novo professor de Defesa contra as artes negras . É um problema , estamos sempre a perdê os . Harry levantou se e dirigiu se a a porta . Tinha acabado de estender a mão para o puxador quando ela se abriu tão violentamente que saltou de as dobradiças . Lucius_Malfoy estava de pé , furioso . E , debaixo de o braço , embrulhado em diversas ligaduras , estava Dobby . - Boa tarde , Lucius - disse Dumbledore , de forma amena . Mr._Malfoy quase derrubou Harry enquanto entrava em a sala . Dobby dava passos miudinhos atrás de ele , inclinado até a a bainha de o seu manto com um olhar apavorado em o rosto . - Então - disse Lucius_Malfoy com os olhos fixos em Dumbledore - voltaste . Os membros de o Conselho_Directivo suspenderam te , mas tu mesmo_assim sentiste te capaz de voltar a Hogwarts . - Bem vês , Lucius - disse Dumbledore , sorrindo serenamente . - Os outros membros de o Conselho contactaram me hoje . Fui envolvido em um redemoinho de corujas , todos queriam contar me a verdade . Ouviram dizer que a filha de Arthur_Weasley tinha sido morta e queriam me novamente aqui . Parece que me consideravam o melhor homem para o lugar . Contaram me algumas histórias muito estranhas . Alguns de eles tinham a impressão que tu tinhas ameaçado amaldiçoar lhes as famílias se não concordassem com a minha suspensão . Mr._Malfoy ficou ainda mais pálido do_que de costume , mas os olhos continuavam cheios de fúria . - Então já acabaste com os ataques ? - rosnou . - Apanhaste o culpado ? - Já , sim - disse Dumbledore com um sorriso . - E quem é ? - perguntou Malfoy secamente . - A mesma pessoa de a última vez , Lucius - disse Dumbledore . Mas desta_vez , Lord_Voldemort agiu através_de outra pessoa , por_meio_de um diário . Pegou em o pequeno caderno com o buraco em o meio , observando Mr._Malfoy de perto . Mas Harry olhava para Dobby . O elfo fazia um sinal muito estranho . Com os seus grandes olhos fixos em Harry , não parava de apontar para ó diário e , em seguida , para Mr._Malfoy , batendo logo_a_seguir com o punho em a cabeça . - Estou a ver ... - disse Mr._Malfoy lentamente a Dumbledore . - Um plano inteligente - afirmou o director em um tom de voz suave , continuando a olhar Mr._Malfoy directamente em os olhos . - Porque se não fosse aqui o Harry e o seu amigo Ron a descobrirem o diário , sem dúvida Ginny_Weasley teria ficado com todas_as culpas . Ninguém teria conseguido provar que ela agira contra a sua própria vontade . Mr._Malfoy não se pronunciou . O seu rosto parecia agora uma máscara . - E vê bem - continuou Dumbledore - o que poderia ter acontecido ... os Weasley são uma de as mais proeminentes famílias de feiticeiros de sangue puro , imagina o efeito em a imagem de Arthur_Weasley e em a sua acção de protecção a os Muggles , se a sua própria filha fosse acusada de atacar e matar filhos de Muggles . Foi uma sorte o diário ter sido descoberto e as memórias de Riddle apagadas . Quem sabe que consequências poderia ter tido ? Mr._Malfoy falou contra vontade . - Sim , foi uma sorte - disse secamente . E , em as suas costas , Dobby continuava a apontar para o diário e para Lucius_Malfoy , batendo depois com o punho em a cabeça . E Harry finalmente percebeu . Fez um sinal a Dobby que correu a esconder se em um canto , torcendo desta_vez as orelhas para se castigar . - Não quer saber como a Ginny obteve esse diário , Mr._Malfoy ? - perguntou Harry . Lucius_Malfoy voltou se para ele . - Como queres que eu saiba onde é_que a estúpida de a garota o arranjou ? - Porque foi o senhor quem lhe o deu - disse Harry . - Em a Flourish and Blotts . O senhor pegou em o livro velho de ela de Transfiguração e meteu o diário lá dentro , não foi ? Viu as mãos brancas de Mr._Malfoy abrirem se e fecharem se . - Prova isso - sibilou . - Oh ! ninguém vai poder prová o - disse Dumbledore sorrindo a o Harry . - Não agora_que o Riddle desapareceu de o caderno . Por outro lado , aconselharia te , Lucius , a não dares mais nenhuma de as coisas velhas de Lord_Voldemort . Se mais alguma for parar a as mãos de crianças inocentes , acho que o Arthur_Weasley fará com que se voltem com toda_a sua carga negativa contra ti . Lucius_Malfoy ficou calado um momento e Harry viu claramente a sua mão direita torcer se como_se desejasse chegar a a varinha . Em vez de isso , voltou se para o seu elfo doméstico . - Vamos , Dobby . Abriu a porta e quando o elfo se aproximou deu lhe um pontapé que o projectou para longe . Ouviram se em o escritório os gritos de dor de Dobby em o corredor . Harry pensou durante um momento e depois decidiu se . - Professor_Dumbledore - disse apressadamente . - Posso dar o diário outra_vez a Mr._Malfoy ? - Certamente , Harry - disse Dumbledore com toda_a calma . - Mas não demores , olha o banquete . Harry agarrou em o diário e saiu de o escritório . Os gritos de dor de Dobby afastavam se ao_longe . Sem perder tempo , perguntando a si próprio se o plano poderia resultar , Harry tirou um de os sapatos , puxou uma de as peúgas enlameadas e viscosas e meteu o diário lá dentro . Em seguida correu até a o fundo de o corredor escuro . Apanhou os em o topo de as escadas . - Mr._Malfoy - disse ofegante , parando . - Tenho uma coisa para si . E meteu a peúga mal cheirosa em a mão de Lucius_Malfoy . - O que é ... ? Mr._Malfoy tirou o diário de dentro de a peúga , deitou a fora e olhou furioso para o caderno estragado e para Harry - Ainda vais acabar por ter um fim igual a o de os teus pais um dia de estes , Harry_Potter - disse em voz baixa . - Eles também eram uns idiotas metediços . Voltou se para se ir embora . - Anda , Dobby , vem ! Mas Dobby não se mexeu . Tinha em as mãos a peúga nojenta de o Harry e olhava para ela como_se fosse um tesouro de valor incalculável . - O senhor deu uma peúga a o Dobby - disse o elfo maravilhado . - Deu a a o Dobby . - O que é isso ? - cuspiu Mr._Malfoy . - Que estás para aí a dizer ? - Dobby tem uma peúga - repetiu incrédulo . - O senhor deitou a fora e Dobby apanhou a e Dobby agora é livre ... Lucius_Malfoy ficou paralisado a olhar para o elfo . Em seguida precipitou se para Harry . - Fizeste me perder o meu servo , rapaz . Mas Dobby gritou : - Não pense que vai fazer mal a o Harry_Potter ! Ouviu se um enorme estrondo e Mr._Malfoy foi empurrado de costas , galgando os degraus de as escadas a três_e_três e indo aterrar lá em baixo todo embrulhado e amarrotado . Levantou se , o rosto lívido e pegou em a varinha , mas Dobby estendeu lhe um dedo ameaçador . - Vá se embora já - disse furioso , apontando para Mr._Malfoy . - Não tocará em o Harry_Potter . Vá se embora , já . Lucius_Malfoy não teve escolha . Lançando a os dois um último olhar de cólera , embrulhou se em o manto e desapareceu . - Harry_Potter libertou Dobby ! - disse o elfo com voz esganiçada , olhando para Harry , a luz de o luar reflectida em os seus grandes olhos em forma de globos . - Harry_Potter libertou Dobby . - Era o mínimo que eu podia fazer , Dobby - disse Harry a sorrir -- , mas promete me que não vais voltar a tentar salvar me a vida . A cara feia e escura de o elfo abriu se , mostrando os dentes , em um enorme sorriso . - Tenho uma pergunta a fazer te , Dobby - disse Harry enquanto o elfo pegava em a peúga de ele com as mãos a tremer . - Disseste me que tudo_isto não tinha nada que ver com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Lembras te ? - Era uma pista , senhor - disse Dobby com os olhos muito abertos como_se fosse absolutamente óbvio . - Dobby estava a dar lhe uma pista . Antes de o senhor de o mal mudar de nome , o seu nome podia ser pronunciado , está a ver ? - Certo - disse Harry sem grande convicção . - Bem , é melhor eu ir indo embora . Há um banquete e a minha amiga Hermione já deve ter acordado ... Dobby lançou os braços a a cintura de Harry e abraçou o . - Harry_Potter é muito maior do_que Dobby imaginava ! - soluçou . - Adeus , Harry_Potter . E com um estalido final , Dobby desapareceu . Harry assistira a diversos banquetes , mas nenhum que se parecesse com aquele . Estavam todos de pijama e a festa durou a noite inteira . Harry não sabia se o melhor tinha sido a Hermione a correr para ele e a gritar : - Tu conseguiste . Tu conseguiste ! , ou o Justin saindo disparado de a mesa de os Hufflepuff para lhe estender a mão , desfazendo se em desculpas por ter suspeitado de ele , ou o Hagrid que apareceu a as três_e_meia e que lhes deu palmadas com tanta força em os ombros que eles foram parar dentro de os pratos de bolo de creme , ou os quatrocentos pontos que ele e o Ron obtiveram para os Gryffindor , ganhando a taça de a equipa por a segunda vez consecutiva , ou a professora Mc_Gonagall de pé , a comunicar lhes que os exames tinham sido cancelados como medida de a escola ( Oh ! não ! exclamou Hermione ) , ou Dumbledore a anunciar que , infelizmente , o professor Lockhart não poderia voltar em o ano seguinte por ter de se ausentar a_fim_de recuperar a memória . Alguns de os professores juntaram se a os alunos que aplaudiram entusiasmados esta notícia . - Que pena - disse Ron , servindo se de um * dounut * de presunto . - E eu que começava a gostar de ele ... O resto de o período de Verão decorreu sob um sol escaldante . Hogwarts voltara a a normalidade , apenas com algumas pequenas diferenças : as aulas de Defesa contra as artes negras foram canceladas ( Mas nós tivemos imensa prática - disse o Ron vendo o descontentamento de Hermione ) e Lucius_Malfoy foi demitido de o Conselho_Directivo . Draco já não passeava por ali como_se fosse o dono de a escola . Pelo_contrário , tinha um ar melindrado e carrancudo . Por outro lado , Ginny_Weasley andava de_novo feliz de a vida . Em_breve chegou o dia de regressarem a casa em o Expresso_de_Hogwarts . Harry , Ron , Hermione , Fred , George e Ginny encheram um compartimento . Tiraram o_máximo partido de aquelas últimas horas em que lhes era permitido usar a magia antes de as férias . Brincaram a as explosões , gastaram o último fogo-de-artíficio Filibuster , de o Fred e de o George e treinaram o mútuo desarmamento através de a magia . Harry começava a ficar muito bom em aquilo . Já estavam perto de a estação de King's_Cross quando Harry se lembrou de uma coisa . - Ginny , o que foi que viste o Percy fazer que ele não queria que nos contasses ? - Ah ! isso - disse a Ginny a rir . - Bem , é_que o Percy tem uma namorada . Fred deixou cair uma pilha de livros em a cabeça de o George . - O quê ? - É aquela prefeita de os Ravenclaw ' Penelope_Clearwater - disse a Ginny . - Foi para ela que ele escreveu durante todo o Verão . Encontravam se em a escola em grande segredo . Eu apanhei os a beijarem se em uma sala de aula vazia e ele ficou tão aflito quando ela foi ... sabes ... atacada . Não vais aborrecê o , pois não ? - perguntou cheia de ansiedade . - Que ideia - respondeu Fred com uma tal satisfação em o rosto que parecia que o seu aniversário chegara mais cedo . - Claro que não - disse o George a rir se a a socapa . O Expresso_de_Hogwarts abrandou e finalmente parou . Harry tirou a pena e um_pouco de pergaminho e voltou se para Ron e Hermione . - Isto_é um número de telefone - disse ele a o Ron , escrevinhando o duas vezes , cortando o pergaminho a o meio e dando lhes os números . - Eu expliquei a o teu pai como usar um telefone em o Verão passado . Ele sabe fazer a chamada . Liga me para_casa de os Dursley , O. _ K. ? Não consigo suportar outros dois meses sem ter mais ninguém com quem falar ... - Mas a tua tia e o teu tio vão ficar orgulhosos de ti , não vão ? - perguntou Hermione quando saíram de o comboio e se misturaram em a multidão que se encontrava junto de a barreira encantada . - Quando souberem o que fizeste este ano . - Orgulhosos ? - disse Harry . - Estás doida ! Podendo eu ter morrido tantas vezes e tendo escapado ? Vão ficar é furiosos ... E juntos avançaram até a a entrada para o mundo de os Muggles . ----------------- J._K._Rowling_Harry_Potter e a Câmara_dos_Segredos_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Chamber of Secrets_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling 1998 Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 2000 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 2.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 Depósito legal : 143.569/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , a a Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Para_Séan_P._F._Harris , condutor imparável e um amigo de os diabos . I_O pior aniversário Não era a primeira vez que uma discussão estoirava a a mesa de o pequeno-almoço , em o número 4 de a Privet_Drive . Mr._Vernon_Dursley fora acordado de manhã cedo por o piar ruidoso que vinha de o quarto de o seu sobrinho Harry . - É a terceira vez esta semana ! - resmungou , a a mesa . - Se não consegues controlar essa coruja , ela não pode ficar aqui . Harry tentou , mais_uma_vez , explicar . - Ela está aborrecida . Estava habituada a voar livremente lá fora . Se eu pudesse , ao_menos , soltá a a a noite ... - Achas me com cara de idiota ? - perguntou rispidamente o tio Vernon , com um fio de ovo preso em o bigode farfalhudo . - Sei muito bem o que aconteceria se essa coruja fosse lá para fora . Trocou um olhar soturno com a mulher , a tia Petúnia . Harry tentou contra-argumentar , mas as suas palavras foram abafadas por um enorme arroto de o filho de os Dursleys , Dudley . - Quero mais bacon . - Há mais em a frigideira , fofinho - disse a tia Petúnia , lançando um olhar vago a o seu filho maciço . - Tens que te alimentar bem enquanto aqui estás , aquela comida de a tua escola não me cheira . - Disparate , Petúnia , eu nunca passei fome enquanto andei em Smeltings - afirmou com sinceridade o tio Vernon . - O Dudley tem que chegue . Não é verdade , filho ? Dudley , que era tão gordo que o rabo saía de os dois lados de a cadeira de a cozinha , sorriu laconicamente e voltou se para Harry . - Passa me a frigideira . -- Esqueceste te de a palavra mágica - disse Harry , irritado . O efeito que esta simples frase teve em o resto de a família foi inacreditável : Dudley começou a arfar e caiu de a cadeira com um estrondo que abalou a cozinha , Mrs._Dursley deu um gritinho e bateu com a mão em a boca , Mr._Dursley pôs se de pé com as veias de as têmporas dilatadas . - Eu queria dizer « por favor » - explicou Harry rapidamente . - Não me referia a ... - : __ o que é_que eu te __ disse - vociferou o tio , espalhando perdigotos sobre a mesa - : __ sobre pronunciar a palavra m . em esta __ casa ? - Mas eu ... - : __ como te atreves a ameaçar o __ dudley ! - rosnou o tio Vernon , batendo com o punho em a mesa . - Eu só ... - : __ estás avisado . não vou admitir referências a tua anormalidade debaixo de o tecto de a minha __ casa ! Harry olhou alternadamente para o rosto congestionado de o tio e para a palidez de a tia que tentava pôr o Dudley de pé . - Está bem - disse Harry . - Está bem ... O tio Vernon voltou a sentar se , respirando como um rinoceronte exausto e observando Harry de perto por o canto de os seus olhos pequeninos e penetrantes . Desde_que Harry regressara para as férias de Verão que o tio Vernon o tratava como_se ele fosse uma bomba , capaz de explodir a qualquer momento , porque Harry não era um rapazinho normal . Em a verdade , ele era o menos normal que é possível imaginar . Harry_Potter era um feiticeiro , um feiticeiro que acabara de concluir o primeiro ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts e a infelicidade que os Dursleys sentiam por ele estar lá em casa não era nada comparada com a de Harry . As saudades de Hogwarts eram tão intensas que se assemelhavam a uma constante dor em o estômago . Sentia a falta de o castelo com as suas passagens secretas e os seus fantasmas , de as aulas ( com excepção talvez de as de Snape , o professor de as poções ) , de o correio a chegar trazido por as corujas , de os banquetes em o salão nobre , de as noites em as camas de dossel em a camarata de a torre , de as visitas a Hagrid , o guarda de os campos em a sua casinha em o bosque , junto de a floresta proibida e , principalmente , sentia a falta de o Quidditch , o desporto mais popular de o mundo de os feiticeiros ( seis postes altos de golo , quatro bolas esvoaçantes e catorze jogadores em_cima_de vassoura ) . Todos os livros de feitiços de Harry , assim_como a varinha , os mantos , o caldeirão e a vassoura topo de gama Nimbus dois_mil tinham sido encerrados por o tio Vernon em a despensa que ficava debaixo de as escadas , em o momento em que Harry regressara a casa . O que é_que lhes interessava se ele perdia ou não o seu lugar em a equipa de Quidditch por não ter praticado durante todo o Verão ? Que importância tinha para eles que o Harry voltasse a a escola sem ter podido fazer os trabalhos de casa ? Os Dursleys eram aquilo que os feiticeiros chamam « Muggles » ( nem uma gota de sangue mágico em as veias ) e , para eles , ter um feiticeiro em a família era motivo de grande vergonha . O tio Vernon tinha , inclusivamente , fechado a cadeado a coruja de Harry , Hedwig , dentro de a gaiola , para evitar que ela transportasse mensagens para a gente de o mundo de a feitiçaria . Harry não se parecia em nada com o resto de a família . O tio Vernon era atarracado e sem pescoço , dotado de um enorme bigode preto ; a tia Petúnia tinha um rosto cavalar e era esquelética ; Dudley era loiro e rosado como um porquinho . Harry , pelo_contrário , era baixo e franzino , com os olhos verdes brilhantes e cabelo negro sempre desalinhado . Usava uns óculos redondos e tinha em a testa uma cicatriz em forma de relâmpago . Era essa cicatriz que o tornava tão invulgar , mesmo para um feiticeiro . Era a única alusão a o seu passado misterioso , a o motivo por o qual , onze anos antes , tinha sido deixado em o degrau de a porta de os Dursleys . Com um ano de idade , Harry sobrevivera a uma maldição de o maior feiticeiro negro de todos os tempos , Lord_Voldemort , cujo nome a maior parte de os feiticeiros e feiticeiras ainda receia pronunciar . Os pais de Harry tinham morrido em um ataque de Voldemort , mas ele escapara com a sua cicatriz em forma de relâmpago e estranhamente , ninguém compreendeu porquê , os poderes de Voldemort tinham sido destruídos em o momento em que não fora capaz de matar o Harry . Por isso , ele foi criado por a irmã de a sua falecida mãe e respectivo marido . Passou dez anos com os Dursleys , sem nunca compreender porque fazia com que acontecessem coisas estranhas , alheias a a sua vontade , acreditando em a história de os Dursleys de que aquela cicatriz fora resultado de um acidente de automóvel em que os pais tinham morrido . E um dia , precisamente um ano antes , Hogwarts escrevera lhe e fora então que tudo começara . Harry fora ocupar o seu lugar em a escola de feitiçaria , onde ele e a sua cicatriz eram famosas ... mas agora o ano escolar chegara a o fim e estava de_novo com os Dursleys . Durante o Verão , voltara a ser tratado como um cão malcheiroso . Os Dursleys nem se tinham lembrado que aquele era o dia de o seu décimo segundo aniversário . É claro que não tivera grandes expectativas : eles nunca lhe tinham dado um presente a sério , muito menos um bolo , mas ignorarem o por completo ... Em esse momento , o tio Vernon pigarreou com um ar importante e disse : - Como todos sabem , hoje é um dia muito importante . Harry olhou para ele , mal conseguindo acreditar . - Pode bem ser que eu faça hoje o maior negócio de toda_a minha vida - afirmou . Harry voltou novamente a atenção para a torrada . É claro , pensou amargamente , o tio Vernon referia se a a estúpida dinner-party . Havia quinze_dias que não falava de outra coisa . Um consultor qualquer cheio de massa e a mulher vinham jantar lá a casa e o tio Vernon tinha esperança de conseguir uma grande encomenda ( a empresa de o tio Vernon fabricava brocas ) . - Acho que devíamos recapitular mais_uma_vez - disse o tio Vernon . - Devemos estar todos a postos a as oito_horas_em_ponto . Petúnia , tu vais estar ... ? - Em o salão - respondeu a tia Petúnia prontamente - a a espera para lhes dar as boas-vindas a nossa casa . - Bom , bom . E o Dudley ? - Eu vou estar a a espera para abrir a porta . - Dudley esboçou um sorriso falso e afectado . - Dão me licença que vos guarde os casacos , Mr. e Mrs._Mason ? - Eles vão adorá o - exclamou arrebatadamente a tia Petúnia . - Excelente , Dudley - disse o tio Vernon . - A seguir voltou se para o Harry . - E tu ? - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - repetiu o Harry , de forma inexpressiva . - Exactamente - confirmou o tio Vernon , de um modo desagradável . - Eu conduzo os até a o salão , apresento te , Petúnia , e sirvo lhes as bebidas . _ a as oito_e_um_quarto . - Eu chamo para a mesa - disse a tia Petúnia . - E tu , Dudley , vais dizer ... - Dá me licença que lhe indique a casa de jantar , Mrs._Mason ? - repetiu o Dudley , oferecendo o seu braço gordo a uma mulher invisível . - O meu pequenino cavalheiro - fungou a tia Petúnia . - E tu ? - perguntou o tio Vernon a o Harry , em o mesmo tom desagradável . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho , fingindo que não estou lá - respondeu Harry aborrecido . - Isso mesmo . Agora , devíamos ter preparadas algumas frases amáveis para o jantar . Petúnia , alguma ideia ? - O Vernon disse me que o senhor é um excelente jogador de golfe , Mr._Mason ... Tem de me dizer onde comprou esse vestido , Mrs._Mason ... - Perfeito . Dudley ? - Que tal : Tivemos de fazer um trabalho para a escola sobre o nosso herói e eu escrevi sobre o senhor ... Foi de mais , tanto para a tia Petúnia como para o Harry . A tia debulhou se em lágrimas e abraçou o filho , enquanto Harry se esgueirava para debaixo de a mesa para ninguém o ver rir . - E tu , rapaz ? Harry fez um esforço para se mostrar inexpressivo quando emergiu . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - disse . - Vais sim senhor - afirmou o tio Vernon energicamente . - Os Mason não sabem nada a teu respeito e é assim que as coisas vão continuar . Quando o jantar terminar , tu trazes Mrs._Mason para o salão , onde vamos tomar café , Petúnia , e eu puxo o assunto de as brocas . Com um_pouco de sorte , tenho o contrato assinado antes de o noticiário de as dez . Amanhã por esta hora , vamos estar a fazer compras para umas férias em Maiorca . Harry não conseguia sentir o menor entusiasmo com aquilo . Não lhe parecia que os Dursleys gostassem mais de ele em Maiorca do_que em Privet_Drive . - Certo , eu vou a a cidade buscar os casacos para mim e para o Dudley . E tu - resmungou , apontando para Harry - não atrapalhes a tua tia enquanto ela estiver a limpar . Harry saiu por a porta de as traseiras . Estava um dia de sol lindo . Atravessou o relvado , deixou se cair em o banco de o jardim e cantarolou baixinho : - Parabéns para mim ... parabéns para mim ... Nem cartas nem presentes e tinha de passar a noite a fingir que não existia . Olhou infeliz para a sebe . Nunca se sentira tão só . Mais do_que tudo em o mundo , mais do_que de Hogwarts , mais até do_que de o jogo de Quidditch , Harry sentia a falta de os amigos Ron_Weasley e Hermione_Granger . Mas eles não pareciam sentir a falta de ele . Nenhum de os dois lhe escrevera durante todo o Verão apesar_de o Ron ter dito que ia convidá o para passar uns dias lá em casa . Inúmeras vezes Harry estivera quase a libertar magicamente Hedwig de a sua gaiola e mandá a levar uma carta a o Ron e a a Hermione mas não valia a pena correr o risco . Os feiticeiros menores de idade não tinham autorização para usar a magia fora de a escola . Harry não contara isto a os Dursleys . Ele sabia que era o medo de que ele os transformasse a todos em baratas que os impedia de o fecharem a a chave em a despensa debaixo de as escadas , juntamente com a varinha e a vassoura . Em as primeiras semanas Harry divertira se a murmurar baixinho palavras sem sentido e a ver o Dudley sair disparado de o quarto , tão rápido quanto as suas pernas gordas lhe permitiam . Mas o silêncio prolongado de Ron e Hermione tinham o feito sentir se tão longe de o mundo de a magia que até divertir se à_custa_de Dudley perdera o interesse . E agora o Ron e a Hermione tinham se esquecido de o seu aniversário . Quanto não daria ele por uma mensagem de Hogwarts ? De qualquer feiticeiro ou feiticeira ? Quase ficaria satisfeito com um sinal de o seu inimigo feroz , Draco_Malfoy , só para ter a certeza de que tudo aquilo não fora apenas um sonho ... Não que tudo durante o ano em Hogwarts tivesse sido divertido . Mesmo em o fim de o último período , Harry confrontara se nem mais nem menos do_que com o próprio Lord_Voldemort . Voldemort podia ter arruinado o seu ego inicial mas continuava a espalhar o terror , ainda astuto , ainda determinado a recuperar o poder . Harry escapara uma segunda vez a as suas garras mas fora por um triz e mesmo agora , algumas semanas decorridas , acordava de noite encharcado em suores frios , perguntando se onde estaria Voldemort , relembrando o seu rosto lívido , os seus olhos completamente loucos ... Harry sentou se subitamente , direito como um fuso , em o banco de o jardim . Tinha estado a olhar distraído para a sebe e a sebe estava a olhar para ele . Dois enormes olhos verdes surgiram por_entre a folhagem . Harry pôs se de pé ao_mesmo_tempo que uma voz sobrevoava a relva . - Eu sei que dia é hoje - cantarolava Dudley , bamboleando se enquanto se aproximava . Os olhos enormes piscaram e desapareceram . - O quê ? - perguntou Harry sem retirar os olhos de o lugar para_onde estava a olhar . - Eu sei que dia é hoje - repetiu , chegando junto de ele . - Ainda_bem - disse Harry . - Aprendeste finalmente os dias de a semana . - Hoje é o dia de os teus anos - troçou o Dudley . - Por_que é_que não recebeste nenhuma carta ? Não tens amigos em esse lugar esquisito ? - É melhor não deixares a tua mãe ouvir te falar de a minha escola - disse Harry calmamente . Dudley puxou para_cima as calças que estavam a escorregar lhe por o rabo gordo abaixo . - Porque estás a olhar para a sebe . ; - perguntou curioso . - Estou a pensar em as palavras que deverei pronunciar para lhe pegar fogo - disse Harry . Dudley recuou de imediato com um olhar de pânico em a cara rechonchuda . - Tu não p-p-odes , o pai disse que não podias fazer magia ou corria contigo aqui de casa e não tens mais nenhum lugar para_onde ir , não tens amigos que te convidem ... - * _ Jiggery pokery * ! - disse Harry com voz firme . - * _ Hocus pocus ... squiggly wiggly * ... - Maaaaaãe - gritou Dudley , tropeçando em os pés , enquanto se precipitava para dentro_de casa . Maaaãe , ele vai fazer aquela coisa ! Harry deu graças a os céus por aquele momento de gozo . Como não aconteceu nada de mal nem a o Dudley nem a a sebe , a tia Petúnia percebeu que ele não fizera magia nenhuma mas , mesmo_assim , Harry teve de se afastar quando ela lhe deu uma forte pancada em a cabeça com a frigideira cheia de detergente . A seguir distribuiu lhe trabalho e o castigo de só voltar a comer quando tivesse acabado tudo . Enquanto Dudley andava a flanar , olhando para o ar e comendo gelados , Harry limpou as janelas , lavou o carro , aparou a relva , adubou os canteiros , podou e regou as rosas e pintou de_novo o banco de o jardim . O sol ardia lá em cima , queimando lhe a parte de trás de o pescoço . Harry sabia que não devia ter provocado Dudley mas ele dissera precisamente aquilo que ele próprio pensava ... talvez não tivesse amigos em Hogwarts . Deviam ver agora o famoso Harry_Potter , pensou amargamente enquanto espalhava adubo em os canteiros , as costas a doerem lhe e o suor a escorrer lhe por o rosto . Eram sete_e_meia_da_tarde quando , por fim , exausto , ouviu a tia Petúnia a chamá o . - Anda para dentro e passa por cima de os jornais . Harry entrou satisfeito em a sombra de a cozinha que rebrilhava . Sobre o frigorífico estava o bolo de a noite : um enorme monte de crome batido coberto de violetas de açúcar . A carne de porco assava em o forno . - Come depressa , os Mason devem estar a chegar ! - exclamou bruscamente a tia Petúnia , apontando para duas fatias de pão e uma de queijo que estavam em cima de a mesa de a cozinha . Ela já tinha posto um vestido de * cocktail * cor de salmão . Harry lavou as mãos e comeu aquele triste jantar . Mal tinha terminado , a tia Petúnia tirou lhe o prato . - Lá para_cima , rápido ! A o passar por a porta de a sala , Harry vislumbrou o tio Vernon e Dudley de casaco e gravata . Tinha acabado de chegar a o cimo de as escadas quando a campainha de a porta tocou e a cara de o tio Vernon apareceu em o patamar . - Lembra te , rapaz , um ruído que seja ... Harry entrou em o quarto em bicos de pés , fechou a porta e preparou se para se meter em a cama . O problema é_que estava lá alguém sentado . II_O aviso de Dobby_Harry conseguiu não gritar , mas foi por_pouco . A pequena criatura que estava em a cama tinha umas orelhas grandes e largas e uns olhos verdes protuberantes de o tamanho de bolas de ténis . Harry percebeu imediatamente que fora para ele que tinha estado a olhar de manhã . Enquanto olhavam um para o outro , Harry ouviu a voz de Dudley em o * hall * . - Posso guardar os vossos casacos , Mr. e Mrs._Mason ? A criatura escorregou por a cama e curvou se tanto que a ponta de o seu enorme nariz tocou em o tapete . Harry reparou que ele tinha vestido uma espécie de fronha de almofada com buracos para os braços e pernas . - Er ... Olá - disse Harry , um_pouco nervoso . - Harry_Potter ! - exclamou a criatura em uma voz tão estridente que Harry calculou que poderia ouvir se lá em baixo . - Há tanto tempo que Dobby queria conhecê o , senhor . É uma enorme honra ... - Ob-obrigado - disse Harry , deslocando se a o longo de a parede e sentando se em a cadeira de a secretária , junto de Hedwig que dormia em a sua grande gaiola . Queria perguntar lhe « O que és tu ? » , mas pensou que seria má educação , por isso perguntou : - Quem és tu ? - Dobby , senhor . Apenas Dobby , o elfo de casa - afirmou a criatura . - Oh ! A sério ? - perguntou Harry . - Não quero ser mal-educado , mas esta não é a melhor altura para ter um elfo em o meu quarto . O riso falso de a tia Petúnia ouvia se em a sala de jantar . O elfo deixou cair a cabeça . - Não que eu não me sinta feliz por te conhecer - disse Harry rapidamente - mas , er ... estás aqui por algum motivo em especial ? - Oh , sim senhor - disse Dobby muito a sério . - Dobby veio dizer lhe que ... é difícil ... Dobby não sabe por_onde começar ... - Senta te - disse Harry educadamente , apontando lhe a cama . Para seu horror , o elfo debulhou se em lágrimas bastante ruidosas . -- S-senta-te ! - repetiu . - Nunca em toda_a minha vida ... Harry pareceu lhe ouvir as vozes lá em baixo vacilarem . - Desculpa - murmurou . - Eu não queria ofender te ... - Ofender Dobby ! - exclamou o elfo em um sufoco . - Nunca nenhum feiticeiro disse a o Dobby que se sentasse como um seu igual , senhor . Harry , tentando dizer lhe « Sch ... » e confortá o ao_mesmo_tempo , conduziu Dobby de_novo até a a cama onde ele se sentou a soluçar , parecendo uma grande boneca muito feia . Por fim , conseguiu controlar se e ficou quieto , com os seus grandes olhos fixos em Harry em uma expressão de absoluta adoração . - Não deves ter conhecido muitos feiticeiros sérios - disse lhe , tentando animá o . Dobby abanou a cabeça . Em seguida , sem qualquer aviso , saltou e começou a bater furiosamente com a cabeça em a janela , gritando : - Dobby é mau ! Dobby é mau ! - Pára , o que é_que estás a fazer ? - perguntou Harry em um murmúrio sibilante , dando um salto e puxando Dobby de_novo para a cama . Hedwig acordara com um pio particularmente agudo e batia agressivamente com as asas contra as grades de a gaiola . - Dobby tinha que se castigar , meu senhor - afirmou o elfo , que ficara ligeiramente estrábico . - Dobby quase falou mal de a família de ele ... - De a tua família ? - De a família de feiticeiros que Dobby serve , meu senhor ... O Dobby é um elfo de casa , obrigado a servir uma casa e uma família para sempre . - Eles sabem que estás aqui ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Dobby estremeceu . - Oh , não senhor , não ... Dobby vai ter que se castigar muito por ter vindo vê o . Dobby vai ter que entalar as orelhas em a porta de o forno por isto . Se eles soubessem , senhor ... - Mas achas que eles não vão reparar se tu entalares as orelhas em a porta de o forno ? - Dobby duvida , senhor . Dobby está sempre a ter de se castigar por qualquer coisa . Eles deixam que o Dobby se castigue . _ às_vezes até sugerem alguns castigos extra . - Mas por_que é_que não te vais embora , não foges ? - Um elfo de casa tem de ser libertado , senhor . E a família nunca libertará Dobby . Dobby servirá a família até morrer . Harry olhou para ele . - E eu que pensava que era infeliz por ter de ficar aqui mais quatro semanas - declarou . - Isto faz os Dursleys parecerem quase humanos . Será que ninguém te pode ajudar ? Poderei eu ? Em o mesmo momento , Harry desejou não ter aberto a boca . Dobby desfez se em ruidosos soluços de gratidão . - Por favor - murmurou Harry , inquieto . - Por favor , está calado . Se os Dursleys ouvem barulho , se eles sabem que estás aqui ... - Harry_Potter pergunta se pode ajudar Dobby . Dobby ouviu falar de a sua grandeza , mas de a sua bondade , Dobby nada sabia . Harry , que se sentia corar , disse : - Seja o que for que tenhas ouvido sobre a minha grandeza , é um disparate . Nem_sequer sou o melhor de o meu ano em Hogwarts . É a Hermione . Ela ... Mas calou se rapidamente porque pensar em Hermione era lhe doloroso . - Harry_Potter é humilde e modesto - disse Dobby reverentemente , com os seus olhos de globo avermelhados . - Harry_Potter não fala de a sua vitória sobre « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . - Voldemort ? - perguntou Harry . Dobby bateu com as mãos em as enormes orelhas e gemeu : - Ai não diga o nome , senhor . Não diga o nome ! - Desculpa - disse Harry muito depressa . - Eu sei que muita gente não gosta . O meu amigo Ron ... Calou se de_novo . Pensar em o Ron era igualmente doloroso . Dobby voltou para Harry os seus dois olhos grandes como candeeiros . - Dobby ouviu dizer - balbuciou com voz rouca - que Harry_Potter encontrou o Senhor_do_Mal uma segunda vez há poucas semanas atrás ... que Harry_Potter lhe escapou de_novo . Harry acenou e os olhos de Dobby encheram se de lágrimas . - Ah , senhor - disse em um sobressalto , limpando o rosto com a ponta de a fronha de almofada que tinha vestida . - Harry_Potter é valente e arrojado . Enfrentou tantos perigos ! Mas Dobby veio protegê o , avisar Harry_Potter , mesmo_que para isso tenha de entalar as orelhas em a porta de o forno , que Harry_Potter não deve voltar para Hogwarts . Houve um silêncio apenas quebrado por o ruído de os garfos e de as facas lá em baixo e por a voz distante de o tio Vernon . - O q-q-uê ? - gaguejou Harry . - Mas eu tenho de voltar , o ano começa em o dia um de Setembro . É a minha razão de viver . Tu não sabes como são as coisas aqui . Eu não pertenço a este lugar , o meu lugar é em Hogwarts . - Não , não , não - guinchou Dobby , sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas andavam de um lado para o outro . - Harry_Potter deve ficar aqui , onde se encontra a salvo . É demasiado grande , demasiado bom para se perder . Se Harry_Potter regressar a Hogwarts correrá perigo de vida . - Porquê ? - inquiriu Harry , surpreendido . - Há uma conspiração , Harry_Potter . Uma conspiração para fazer acontecer coisas terríveis este ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts - murmurou Dobby que começara a tremer de a cabeça a os pés . - Dobby sabe de isto há meses , senhor . Harry_Potter não deve expor se a o perigo . É demasiado importante . - Que coisas terríveis são essas ? - perguntou Harry sem perder tempo . - Quem está por detrás ? Dobby fez um ruído esquisito e começou a bater com a cabeça contra a parede como um louco . - Está bem - gritou Harry , agarrando o braço de o elfo para o fazer parar . - Não podes dizer , eu compreendo . Mas porque vieste avisar me ? - Um pensamento súbito e desagradável surgiu lhe . - Espera aí , isto tem alguma coisa que ver com o Vol , desculpa com o Quem nós sabemos ? Basta que faças sim ou não com a cabeça - acrescentou com vivacidade enquanto a cabeça de Dobby se inclinava de_novo a uma velocidade preocupante para a parede . Lentamente , Dobby abanou a cabeça . - Não , não é « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . Os olhos de Dobby estavam abertos como_se estivesse a tentar dar a Harry uma pista , mas Harry estava completamente a a nora . - Ele não tem nenhum irmão , ou tem ? Dobby abanou a cabeça , os olhos mais abertos do_que nunca . - Bem , em esse caso não estou a ver quem mais poderia ter a possibilidade de fazer acontecer coisas horríveis em Hogwarts - disse Harry . - Quero dizer , para já está lá o Dumbledore . Sabes quem é Dumbledore , não sabes ? Dobby baixou a cabeça . - Albus_Dumbledore é o melhor director que Hogwarts alguma vez teve . Dobby sabe , senhor . Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore rivalizam com os d'aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Mas , senhor - a voz de Dobby desceu a um urgente murmúrio - há poderes que Dumbledore não ... poderes que nenhum feiticeiro sério ... E antes que Harry conseguisse impedi o Dobby saltou de a cama , agarrou o candeeiro de secretária de Harry e começou a bater com a cabeça , dando uivos ensurdecedores . Fez se silêncio lá em baixo . Dois segundos mais tarde , Harry com o coração a bater como um louco , ouviu o tio Vernon chegar a o * hall * e dizer . - O Dudley deve ter deixado outra_vez a televisão ligada , o maroto ! - Depressa , para dentro de o guarda-fatos - gritou Harry , empurrando Dobby bem para o fundo , fechando a porta e metendo se a correr em a cama mesmo a_tempo_de ver a maçaneta de a porta a girar . - Que diabo estás tu a fazer ? - disse o tio Vernon entre dentes , o rosto assustadoramente próximo de o de Harry . - Acabas de estragar o ponto alto de a minha anedota de o golfista japonês . Eu que oiça mais um som e vais desejar nunca ter nascido , rapaz ! Abandonou o quarto com grandes passadas . A tremer , Harry deixou Dobby sair de o guarda-fatos . - Estás a ver como são as coisas por aqui ? - disse . - Vês porque tenho de voltar para Hogwarts ? É o único sítio onde eu tenho ... bem , onde eu acho que tenho amigos . - Amigos que nem_sequer escrevem a Harry_Potter ? - disse Dobby com ar manhoso . - Calculo que devem ter estado ... espera aí - disse Harry , franzindo a testa . - Como é_que tu sabes que os meus amigos não me têm escrito ? Dobby arrastou os pés . - Harry_Potter não deve zangar se com Dobby . Dobby fez o que achou melhor ... - Tu tens estado a interceptar me as cartas ? - Dobby tem as aqui , senhor - disse o elfo . Saltando para longe de o alcance de Harry , retirou de dentro de a fronha que usava um espesso saco cheio de envelopes . Harry reconheceu de imediato a caligrafia certinha de Hermione , a escrita desordenada de Ron e até uns gatafunhos que pareciam ser de o guarda de os campos de Hogwarts , Hagrid . Dobby piscava ansiosamente os olhos . - Harry_Potter não deve ficar zangado ... Dobby esperava que ... se Harry_Potter pensasse que os amigos o tinham esquecido ... Harry_Potter talvez não quisesse voltar a a escola , senhor . Harry não o ouvia . Fez um gesto para agarrar as cartas , mas Dobby deu um salto , afastando se . - Harry_Potter terá as cartas , senhor , se der a Dobby a sua palavra de não voltar a Hogwarts . Ah , senhor , é um risco que não deve correr . Diga que não volta , senhor ! - Não - afirmou Harry zangado . - Dá me as cartas de os meus amigos ! - Em esse caso , Harry_Potter deixa Dobby sem escolha - disse o elfo tristemente . Antes que Harry pudesse fazer um movimento , Dobby tinha aberto a porta de o quarto e descido a correr por as escadas abaixo . Com a boca seca e um aperto em o estômago , Harry correu atrás de ele , tentando não fazer barulho . Saltou os últimos seis degraus , aterrando como um gato em a carpete de o * hall * , olhando em volta a a procura de Dobby . De a sala de jantar , ouviu a voz de o tio Vernon : - Conte a a Petúnia aquela história engraçadíssima de os funileiros americanos , ela tem estado louca por ouvi a , Mr._Mason . Harry correu de o * hall * para a cozinha e sentiu o estômago ficar pequenino . O pudim , que era a a obra-prima de a tia Petúnia , a montanha de creme batido coberto de violetas de açúcar flutuava junto de o tecto . Em cima de o guarda-louça de o canto , Dobby inclinava se servilmente . - Não - suplicou Harry . - Por favor , eles matam me . - Harry_Potter deve dizer que não vai voltar a a escola ... - Dobby , por favor . - Diga , senhor . - Não posso . Dobby lançou lhe um olhar trágico . - Então , Dobby deve fazê o , senhor , para o bem de Harry_Potter . O pudim foi direito a o chão em uma queda que parecia um coração a parar . O crome esguichou para as janelas e para as paredes , enquanto o prato se despedaçava . Com o ruído de uma chicotada , Dobby desapareceu . Ouviram se gritos em a casa de jantar e o tio Vernon irrompeu por a cozinha onde foi dar com Harry coberto , de a cabeça a os pés , por o pudim de a tia Petúnia . A princípio parecia que o tio Vernon ia conseguir arranjar uma desculpa para aquilo tudo . ( É só o nosso sobrinho , muito perturbado ; conhecer pessoas estranhas deixa o muito nervoso , por isso deixamos o lá em cima ... ) Conduziu_os_Mason , bastante chocados , para a sala de jantar , garantindo a Harry que o esfolava vivo quando os Mason se fossem embora e pôs lhe em as mãos um esfregão . A tia Petúnia descobriu um resto de gelado em o frigorífico e Harry , ainda a tremer , começou a limpar a cozinha . O tio Vernon poderia ainda ter feito o negócio , se não fosse a coruja . Estava a tia Petúnia a circular com uma caixa de After-Eight , quando uma enorme coruja de celeiro fez a sua entrada vertiginosa através de a janela de a casa de jantar , deixando cair uma carta em a cabeça de Mr._Mason e desaparecendo logo_a_seguir . Mrs._Mason gritava como uma carpideira e corria por a casa praguejando contra os lunáticos . Mr._Mason ficou o tempo estritamente necessário para dizer a os Dursleys que a mulher tinha um medo pânico de pássaros de todas_as formas e tamanhos e perguntar lhes se aquela era alguma brincadeira de mau gosto . Harry não saiu de a cozinha , agarrando o esfregão como defesa , enquanto o tio Vernon avançava para ele com um brilho demoníaco em os olhos pequeninos . - Lê isso - ordenou maldosamente . Harry pegou em a carta . Não era a desejar lhe um bom aniversário . * _ Caro_Mr._Potter , * _ Recebermos hoje informações de que um feitiço de suspensão em o ar foi efectuado em sua casa esta noite , a as nove_horas_e_doze_minutos . * _ Como sabe , os feiticeiros menores não estão autorizados a praticar magia fora de a escola e , se efectuar mais um trabalho mágico , será expulso de a nossa escola . ( Decreto_de_Restrições_Razoáveis_para_Feitiçaria_de_Menores , 1875 , parágrafo C. ) * _ Pedimos-lhe também que se lembre que qualquer actividade que possa ser notada por membros alheios a a nossa comunidade ( Muggles ) constitui uma ofensa grave , segundo a secção 13 de a Confederação_Internacional_do_Estatuto_da_Magia_Secreta . * _ Tenha umas boas férias . * Atenciosamente_Mafalda_Hopkirk_Gabinete_da_Utilização_Imprópria_da_Magia_Ministério_da_Magia * . Harry olhou para a carta e engoliu em seco . - Tu não nos contaste que estavas proibido de usar magia fora de a escola - disse o tio Vernon com um brilho maldoso a dançar lhe em os olhos . - Esqueceste te de o mencionar , passou te , não foi ? Tinha se aproximado de Harry como um grande * bulldog * , com todos os dentes a a mostra . - Tenho boas notícias para ti , rapaz , vou fechar te a a chave e , se tentares sair através_de magia , nunca mais voltas a aquela escola , eles expulsam te . E rindo como um louco , arrastou Harry até a o andar de cima . O tio Vernon era mau como as cobras . Em a manhã seguinte pagou a um homem para colocar grades em a janela de o quarto de Harry . Ele próprio abriu um pequeno buraco em a porta de o quarto para que a comida pudesse ser introduzida três vezes por dia . Deixavam o Harry sair para ir a a casa_de_banho de manhã e a o final de a tarde . O resto de o tempo estava fechado em o quarto , a a espera que o tempo passasse . Três dias mais tarde , os Dursleys não mostravam qualquer intenção de abrandar o castigo e Harry não sabia como sair de aquela situação . Estava deitado em a cama , vendo o sol brilhar por_entre as grades de a janela e perguntando se tristemente o que viria a acontecer lhe . Qual era a vantagem de sair de ali por artes mágicas , se Hogwarts o expulsaria em seguida ? Contudo , a vida em Privet_Drive tinha atingido o seu nível mais baixo . Agora_que os Dursleys tinham a certeza que não iam acordar transformados em morcegos , ele perdera a única arma que tinha . O Dobby podia tê o salvo de acontecimentos terríveis em Hogwarts , mas de a maneira que as coisas estavam , ele morreria muito provavelmente a a fome . A portinhola rangeu e a mão de a tia Petúnia apareceu empurrando uma tigela de sopa de pacote para dentro de o quarto . Harry , que estava cheio de fome , saltou de a cama e agarrou a . A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um único trago . A seguir , atravessou o quarto até a a gaiola de Hedwig e pôs os legumes ensopados dentro de o seu pratinho vazio . Ela agitou as penas e olhou o com profunda repugnância . - Não vale de nada virares lhe as costas . É tudo_o_que temos - disse Harry , de modo severo . Colocou a tigela vazia em o chão junto de a portinhola e voltou para_cima de a cama , de certo modo com mais fome do_que antes de ter comido a sopa . Admitindo que estaria ainda vivo dentro_de quatro semanas o que aconteceria se ele não se apresentasse em Hogwarts ? Será que mandariam alguém obrigar os Dursleys a deixá o ir ? O quarto começava a escurecer . Exausto e com o estômago a dar horas , o cérebro a as voltas com as mesmas questões sem resposta , Harry caiu em um sono intranquilo . Sonhou que fazia parte de um espectáculo de o jardim zoológico . Preso a a jaula onde se encontrava estava um cartaz onde podia ler se « feiticeiro menor de idade « . As pessoas olhavam o com olhos protuberantes , enquanto ele jazia fraco e esfomeado em um leito de palha . Viu a cara de o Dobby em o meio de a multidão e gritou lhe , pedindo ajuda , mas o Dobby respondeu : - Harry_Potter está em segurança aí , senhor - e desapareceu . Em seguida vieram os Dursleys e Dudley bateu em as grades de a jaula , rindo se de ele . - Pára com isso - murmurou Harry como_se aquele ruído martelasse em a sua cabeça dorida . - Deixa me em paz , pára com isso , estou a tentar dormir . Abriu os olhos . O luar brilhava através de as grades de a janela . E lá fora alguém olhava de olhos arregalados para ele : alguém de rosto sardento , cabelo ruivo e nariz grande . Ron_Weasley estava de o lado de_fora de a janela . III « A toca » Ron ! - exclamou Harry , arrastando se até a a janela e empurrando a para poderem falar através de as grades . - Ron , como é_que tu , foi o ... ? Harry ficou de boca aberta , espantado com o que viu . Ron estava debruçado de a janela de trás de um velho automóvel azul-turquesa que se encontrava estacionado em o ar . Em os lugares de a frente , rindo se para Harry , estavam os irmãos mais velhos , os gémeos Fred e George . - Tudo bem , Harry ? - O que é_que se tem passado ? - perguntou o Ron . - Porque não respondeste a as minhas cartas ? Convidei te para vires ter comigo umas doze vezes e um dia o pai chegou a casa e comunicou nos que tu tinhas recebido um aviso oficial por usares magia diante de os Muggles ... - Não fui eu . E como é_que ele soube ? - Ele trabalha em o Ministério - disse o Ron . - Tu sabes que nós não podemos fazer feitiços fora de a escola . - Bem , isso vindo de ti ... - exclamou Harry , olhando para o carro flutuante . - Oh , isto não conta - disse Ron . - Foi o meu pai que o emprestou . Não o fizemos aparecer por magia . Mas usar magia em a frente de esses Muggles com quem tu vives ... - Já te disse que não fui eu , mas vai demorar muito_tempo a explicar te isso agora . És capaz de avisar em Hogwarts que os Dursleys me fecharam a a chave e que não querem deixar me voltar e obviamente eu não posso sair de aqui magicamente senão o Ministério vai achar que é a segunda vez em três dias e ... - Pára com essa conversa tola - disse o Ron . - Viemos para te levar connosco . - Mas tu também não podes tirar me de aqui utilizando processos mágicos ... - Não precisamos de isso - afirmou Ron , fazendo um sinal de cabeça para os lugares de a frente . - Esqueces te de quem está aqui comigo . - Amarra isso em volta de as grades - disse o Fred , lançando a Harry a ponta de uma corda . - Se os Dursleys acordam estou feito - lamentou se Harry enquanto dava um nó bem apertado com a corda em uma de as grades e o Fred arrancava com o carro . - Não te preocupes e chega te para trás . Harry recuou para a sombra , para junto de Hedwig que parecia ter se apercebido de a importância de tudo aquilo , mantendo se quieta e em silêncio . O carro puxou mais e mais e , subitamente , com um ruído de ferro a ceder , as grades foram arrancadas de a janela , enquanto Fred conduzia com o céu como estrada . Harry correu de_novo para a janela para ver as grades a balouçarem a poucos metros de o chão . Ofegante , Ron içou as para dentro de o carro . Harry escutou ansiosamente mas não vinha qualquer som de o quarto de os Dursleys . Quando as grades estavam em segurança em os lugares de trás junto de Ron , Fred aproximou se o_máximo que lhe foi possível de a janela . - Anda de aí - disse . - Mas , todas_as minhas coisas de Hogwarts , a minha varinha , a minha vassoura ... - Onde estão ? - Fechadas em a despensa debaixo de as escadas e eu não posso sair de este quarto . . - Não há azar - disse o George . - Sai de a frente , Harry . Fred e George treparam cautelosamente e entraram por a janela em o quarto de Harry . Tinhas que ter aberto a boca , pensou Harry enquanto George tirava de o bolso um vulgar gancho de cabelo e começava a tentar abrir a fechadura . - Muitos feiticeiros acham que é uma perda de tempo aprender os truques de os Muggles - disse o Fred . - Mas nós pensamos que há habilidades que é sempre útil conhecer apesar_de serem um_pouco lentas . Ouviu se um pequeno clique e a porta abriu se . - Pronto , vamos buscar as tuas coisas . Tu vai dando a o Ron aquilo que precisas de aí de o teu quarto - murmurou George . - Cuidado com o degrau de cima que range - sussurrou Harry enquanto os gémeos desapareciam em o escuro . Harry deu a volta a o quarto , recolhendo as suas coisas e passando as por a janela a o Ron . Em seguida , foi ajudar o Fred e o George a trazerem o resto por as escadas acima . Ouviu o tio Vernon tossir . Por fim , de língua de_fora , chegaram a o quarto , junto de a janela aberta . Fred trepou para o carro para puxar os volumes com o Ron enquanto Harry e George os empurravam de dentro de o quarto . Centímetro a centímetro o malão foi passando por a janela . O tio Vernon tossiu de_novo . - Mais um_pouco - disse o Fred que estava a puxar de dentro de o carro . Um bom empurrão , vá . Harry e George encostaram os ombros contra a mala e ela escorregou para a parte de trás de o carro . - O. _ K. , vamos embora - murmurou o George . Mas quando Harry trepava para o parapeito de a janela ouviu se um forte pio atrás de ele , imediatamente seguido de o vociferar de o tio Vernon . - Aquela maldita coruja ! - Esqueci me de a Hedwig ! Harry precipitou se de_novo para o quarto , enquanto a luz de o patamar se acendia . Agarrou a gaiola de Hedwig , correu para a janela e passou a a o Ron . Estava a subir para_cima de a cómoda quando o tio Vernon bateu em a porta , que não estava fechada , e esta se abriu completamente . Por uma fracção de segundo , o tio Vernon ficou estático junto de a porta . Em seguida , soltou um mugido como um boi zangado e avançou para Harry , agarrando o por o tornozelo . Ron , Fred e George seguraram o por os braços e puxaram o com toda_a força . - Petúnia - rosnou o tio Vernon . - Ele está a fugir ! : __ ele está a __ fugir ! Os Weasleys deram um puxão gigantesco e a perna de o Harry escapou a as garras de o tio Vernon . Logo_que Harry entrou em o carro e a porta se fechou , Ron gritou : - Acelera Fred ! - E o carro partiu subitamente em direcção a a lua . Harry mal podia acreditar que estava livre . Esticou se a a janela , o ar de a noite a fustigar lhe os cabelos e olhou para baixo , para os telhados apertados de Privet_Drive . O tio Vernon , a tia Petúnia e o Dudley estavam todos debruçados com cara de parvos , a a janela de o quarto de ele . - Até a o próximo Verão - gritou . Os Weasleys riam se a as gargalhadas e Harry esticou se para trás em o assento e pediu a o ouvido de Ron : - Deixa sair a Hedwig . Ela pode voar atrás_de nós . Há séculos que não tem uma oportunidade de esticar as asas . George passou a o Ron o gancho de cabelo e , um momento depois , a Hedwig saíra feliz por a janela , planando atrás de eles como um fantasma . - Então , qual é a história ? - perguntou Ron , impaciente . - O que é_que tem estado a acontecer ? Harry contou lhes tudo sobre o Dobby , o aviso de este e o fracasso de o pudim de violetas . Houve um longo silêncio quando ele se calou . - Isso cheira me a esturro - disse , por fim , o Fred . - Definitivamente misterioso - concordou George . - Então ele nem te disse quem está supostamente por detrás dessa trama toda ? - Acho que não podia - explicou Harry . - Já te disse , de cada_vez que estava quase a deixar escapar qualquer coisa , começava a bater com a cabeça em a parede . Viu Fred e George olharem um para o outro . - O quê ? Acham que ele estava a mentir me ? - perguntou Harry . - Bem - começou o Fred -- , coloquemos as coisas de o seguinte modo , os elfos de casa têm poderes mágicos próprios , mas geralmente não podem usá os sem a autorização de os seus donos . Eu acho que o bom de o Dobby foi enviado para evitar que voltasses para Hogwarts . Uma ideia de um engraçadinho . Haverá alguém em a escola com má vontade contra ti ? - Sim - responderam Harry e Ron , precisamente ao_mesmo_tempo . - Draco_Malfoy - explicou Harry . - Ele detesta me . - Draco_Malfoy ? - perguntou George , voltando se para trás . - O filho de o Lucius_Malfoy ? - Deve ser . Não é um nome muito vulgar , pois não ? - disse Harry . - Mas porquê ? - Ouvi o pai falar acerca de ele - confidenciou George . - Ele era um grande apoiante de o « Quem nós sabemos » . - E quando o « Quem nós sabemos » desapareceu - continuou o Fred , voltando a cara para olhar para Harry - o Lucius_Malfoy voltou , dizendo que não foi por vontade própria que fez o que fez . Monte de lixo . O pai acha que ele fazia parte de um círculo de amigos íntimos de o « Quem nós sabemos » . Harry já tinha ouvido esses boatos sobre a família de Malfoy e não o surpreenderam em absoluto . Malfoy fizera Dudley_Dursley parecer um rapazinho simpático , amável e sensível . - Não sei se os Malfoy têm um elfo de casa ... - afirmou Harry . - Bem , quem quer que o possua é sem dúvida uma antiga família de feiticeiros e deve ser rica - explicou Fred . - Sim . A mãe está sempre a desejar que pudéssemos ter um elfo de casa para passar a roupa a ferro - disse o George . - Mas só temos um velho vampiro piolhoso em o sótão e gnomos espalhados por o jardim . Os elfos de casa pertencem a as grandes casas senhoriais , a os castelos e lugares assim , não encontrarias um em a nossa casa ... Harry estava calado . Considerando que Draco_Malfoy tinha sempre as melhores coisas , que a sua família nadava em ouro de feiticeiros , era fácil imaginá o passeando se por uma enorme casa senhorial . Mandar o servo de a família evitar que Harry voltasse para Hogwarts também parecia exactamente o tipo de coisa que Malfoy poderia fazer . Teria Harry sido estúpido a o tomar Dobby a sério ? - De qualquer modo , ainda_bem que viemos buscar te - declarou Ron . - Eu começava a ficar seriamente preocupado por não responderes a nenhuma de as minhas cartas . A princípio pensei que a culpa fosse de a Errol ... - Quem é a Errol ? - A nossa coruja . Já é velhota . Não seria a primeira vez que adoecia durante uma entrega . Por isso , tentei pedir a Hermes emprestada ... - Quem ? - A coruja que os meus pais compraram a o Percy quando ele foi nomeado prefeito - respondeu Fred . - Mas o Percy não me a emprestou . Disse que precisava de ela . - O Percy tem andado com atitudes muito estranhas este Verão - comentou George franzindo a testa . - E tem mandado imensas cartas e passado um tempo infinito fechado em o quarto ... enfim , pode limpar se e polir um distintivo de prefeito todas_as vezes que se quiser ... Estás a conduzir demasiado para ocidente , Fred - acrescentou apontando para uma bússola em o painel de o automóvel . Fred girou o volante . - Então , o vosso pai sabe que têm o carro ? - perguntou Harry , quase adivinhando a resposta . - Er ... não - disse o Ron . - Ele tinha trabalho esta noite . Felizmente vamos poder pô o de_novo em a garagem , sem a mãe perceber que andámos a voar nele . - A propósito , o que faz o vosso pai em o Ministério_da_Magia ? - Trabalha em o Departamento mais chato - respondeu Ron . - A Divisão de utilização incorrecta de artefactos de os Muggles . - O quê ? - Relaciona se com objectos de feitiçaria que foram feitos por os Muggles ; sabes como é , se forem parar de_novo a uma loja de os Muggles , ou a uma casa , como em o ano passado , quando morreu uma bruxa velha e o bule de ela foi vendido a uma loja de antiguidades . Uma mulher Muggle comprou o , tentou servir chá a os amigos . Foi um pesadelo , o pai teve de fazer horas extraordinárias durante semanas . - O que é_que aconteceu ? - O bule parecia louco , esguichou chá a ferver para todos os lados e um de os homens foi parar a o hospital com a pinça de o açúcar presa em o nariz . O pai ficou nervosíssimo . É só ele e o velho feiticeiro Perkings em o gabinete e tiveram de localizar e descobrir todo o tipo de encantamentos para resolver o assunto . - Mas o teu pai ... este carro ... Fred riu se . - Sim , o pai é louco por tudo_o_que tem que ver com os Muggles . A nossa arrecadação está cheia de coisas de os Muggles . Ele separa as , lança lhes feitiços e volta a pô as em o lugar . Se ele fizesse uma busca a nossa casa teria de se prender a si mesmo . A minha mãe fica louca com tudo aquilo . - É a estrada principal - gritou o George , apontando para baixo através de a janela . - Dentro_de poucos minutos estamos lá , mesmo a tempo , está a começar a clarear . Um leve brilho rosado tingia o horizonte para leste . Fred trouxe o carro para baixo e Harry pôde ver uma manta de retalhos de campos escuros e matas de arbustos . - Estamos um_pouco longe de a vila - disse George . - Em Ottery_St . Catchpole ... O carro voador foi descendo a os poucos . A luz avermelhada brilhava agora por_entre as árvores . - Terra - disse o Fred , em o momento em que tocaram em o chão com um ligeiro solavanco . Tinham aterrado perto_de uma garagem em ruínas em um pequeno pátio e Harry viu pela_primeira_vez a casa de o Ron . Parecia ter sido em tempos uma pocilga de pedra . Mas os quartos que posteriormente lhe tinham sido acrescentados haviam a tornado bastante mais alta e o seu aspecto era tão curvado que parecia ter sido construída por artes mágicas ( o que , pensou Harry , era , muito provavelmente , verdade ) . De o telhado vermelho saíam quatro ou cinco chaminés . Junto de a entrada , fixa em o chão , podia ver se uma inscrição assimétrica que dizia « A toca » . A o lado de a porta principal estava uma contusão de botas de * _ Wellington * e um caldeirão completamente enferrujado . Por o pátio passeavam se várias galinhas castanhas e gordas . - Não é grande coisa - desculpou se o Ron . - É óptima - exclamou Harry , feliz , pensando em Privet_Drive . Saíram de o carro . - Agora vamos lá para_cima sem fazer barulho - disse o Fred . - E esperamos que a mãe nos chame para o pequeno-almoço . Depois tu , Ron , desces a escada entusiasmadíssimo . - Mãe , olha quem apareceu cá durante a noite ! - E ela vai sentir se felicíssima quando vir o Harry . Assim ninguém fica a saber que levámos o carro voador . - Certo - disse o Ron . - Vamos , Harry , eu durmo em o ... Ron ganhou uma cor de um pálido esverdeado , os olhos fixos em a casa . Os outros três fizeram meia volta . Mrs._Weasley avançava por o pátio , afugentando as galinhas e , para uma mulher baixa , roliça e simpática , era fantástico como conseguia parecer se com um tigre dentes-de-sabre . - Ah ! - suspirou o Fred . - Oh , oh ! - exclamou o George . Mrs._Weasley parou em frente de eles . As mãos em as ancas , saltando de um olhar culpado para o outro . Usava um avental a as flores , com uma varinha a sair lhe de o bolso . - Com que então - disse . - Bom dia , mãe - arriscou o George com uma voz que tentou que fosse alegre e bem-disposta . - Vocês têm alguma ideia de como tenho estado preocupada ? - perguntou Mrs._Weasley em um murmúrio fraco . - Desculpe , mãe , mas sabe , nós tivemos que ... Os três filhos de Mrs._Weasley eram mais altos do_que ela , mas tremiam quando a fúria de a mãe se abatia sobre eles . - Camas vazias ! Nem um bilhete ! O carro desaparecido ... Podiam ter tido um acidente , estou fora de mim com tanta preocupação e vocês nem se importam ... nunca , enquanto eu for viva ... esperem só até o vosso pai chegar , nunca tivemos problemas de estes com o Bill , com o Charlie ou com o Percy ... - O perfeito Percy - resmungou Fred . - : __ tu não vales um dedo de a mão de o __ percy ! - gritou Mrs._Weasley , espetando um dedo em o queixo de o Fred . - Podias ter morrido , podias ter sido visto , podias ter feito com que o teu pai perdesse o emprego ... Parecia nunca mais acabar . Mrs._Weasley tinha gritado até ficar ronca , antes de se voltar para o Harry , que recuou . - Estou muito contente por te ver , Harry - disse . - Entra e vem tomar o pequeno-almoço . Ela voltou se e regressou a casa e Harry , depois de trocar um olhar nervoso com o Ron , que lhe acenou , encorajando o , seguiu a . A cozinha era pequena e bastante estreita . A meio havia uma enfezada mesa de madeira e cadeiras em volta e Harry sentou se a a beirinha de o assento , olhando em volta . Era a primeira vez que entrava em uma casa de feiticeiros . O relógio em a parede em frente de ele , tinha apenas um ponteiro e nenhum número . Em volta , estavam escritas frases como « Hora de fazer o chá » , « Hora de dar de comer a as galinhas « e « Estás atrasado » . Empilhados em o rebordo de a lareira estavam livros com títulos como * _ Encanta o teu próprio queijo , Encantamento em a cozedura de o pão e Banquetes em um minuto - é mágico * ! E , a menos que os ouvidos de Harry estivessem a traí o , o velho rádio próximo de o lava-loiças acabara de anunciar que a seguir vinha a Hora de enfeitiçar com a popular feiticeira-cantora Celestina_Warbeck . Mrs._Weasley fazia barulho com os talheres , preparando o pequeno-almoço um bocado a o acaso , lançando olhares furiosos a os filhos , enquanto lançava as salsichas em a frigideira . De vez em quando murmurava coisas como : « Não sei o que vos passou por a cabeça « ou « nunca devia ter confiado em vocês » . - Eu não te culpo , filho - tranquilizou Harry , pondo lhe sete ou oito salsichas em o prato . - Eu e o Arthur temos estado preocupados contigo . Ainda ontem a a noite estivemos a dizer que te iríamos buscar nós próprios se não respondesses a o Ron até sexta-feira . Mas , em a verdade ( estava agora a acrescentar três ovos estrelados a o prato de ele ) , atravessar metade de o país a voar em um carro ilegal , qualquer um vos poderia ter visto ... Agitou maquinalmente a varinha em a direcção de o lava-loiças , onde a loiça começou a lavar se sozinha , tinindo baixinho lá atrás . - Estava enevoado , mãe ! - exclamou o Fred . - Boca fechada enquanto comes ! - interrompeu Mrs._Weasley . - Eles estavam a fazê o passar fome , mãe ! - disse o George . - E tu também ! - disse Mrs._Weasley , mas já foi com uma expressão mais doce que começou a cortar o pão para Harry e a barrá o com manteiga . Em esse momento , as atenções voltaram se para um pequenino volto de cabelos ruivos , em uma camisa de dormir até a os pés , que surgiu em a cozinha , deu um grito agudo e desapareceu de_novo . - É a Ginny - disse Ron baixinho a o Harry -- , a minha irmã . Tem falado de ti todo o Verão . - Sim , ela vai querer o teu autógrafo , Harry - riu se o Fred , mas o seu olhar cruzou se com o de a mãe e inclinou se para o prato , não voltando a abrir a boca . Ninguém falou até os quatro pratos estarem limpos , o que sucedeu a uma velocidade surpreendente . - Bolas , estou cansado - bocejou Fred , pousando a faca e o garfo . Acho que me vou deitar e ... - Não vais , não senhor - interrompeu Mrs._Weasley . - A culpa é tua se ficaste toda_a noite acordado . Vais fazer a des-gnomização de o jardim . Eles estão outra_vez a exagerar . - Oh , mãe ... - E vocês os dois o mesmo - dirigiu se a o Ron e a o Fred . - Tu podes ir para a cama , filho - disse a Harry . - Não lhes pediste que guiassem aquele carro miserável . Mas Harry , que se sentia acordadíssimo , respondeu prontamente : - Eu ajudo o Ron , nunca vi uma des-gnomização ... - É muito simpático de a tua parte , querido , mas é um trabalho chato - explicou Mrs._Weasley . - Vejamos o que o Lockhart tem a dizer acerca disto . E puxou de o rebordo de a lareira um livro pesadíssimo . George resmungou : - Mãe , nós sabemos * des-gnomizar * o jardim . Harry olhou para a capa de o livro de Mrs._Weasley . Em grandes letras douradas , que ocupavam grande parte de a capa , podia ler se Guia_de_Gilderoy_Lockhart para pragas caseiras . Via se também a grande fotografia de um feiticeiro bem-parecido , de cabelos loiros ondulados e olhos azuis brilhantes . Como sempre , em o mundo de os feiticeiros , a fotografia mexia se . O feiticeiro , que Harry calculou ser Gilderoy_Lockhart , não parava de lhes piscar os olhos descaradamente . Mrs._Weasley sorriu lhe . - Oh , ele é fantástico - disse . - Conhece bem as pragas caseiras . É um livro maravilhoso . - A mãe adora o - disse Fred em um murmúrio bastante audível . - Não sejas ridículo , Fred - repreendeu Mrs._Weasley com as bochechas coradas . - É claro que se achas que sabes mais do_que o Lockhart , podes ir fazer o trabalho e ai de ti se houver um único gnomo em o jardim quando eu for fazer a inspecção . A bocejar e a resmungar , os Weasley arrastaram se lá para fora com Harry atrás de eles . O jardim era grande e , em a opinião de Harry , exactamente como deveria ser um jardim . Os Dursleys não teriam gostado . Havia uma enorme quantidade de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada , mas havia árvores nodosas em volta de as paredes , plantas que Harry nunca vira , tombando de todos os canteiros e um grande lago verde cheio de rãs . - Os Muggles também têm gnomos de jardim , sabes - disse o Harry a o Ron , enquanto atravessavam a relva . - Sim , já vi essas coisas que eles pensam que são gnomos - disse o Ron todo dobrado , com a cabeça em uma moita de peónias . - Como os Pais_Natais gordinhos com canas de pesca ... Houve um tumulto ruidoso , a moita de peónias estremeceu e Ron endireitou se . - Isto_é um gnomo - declarou com um ar sério . - Larga eu ! Larga eu ! - guinchou o gnomo . Não se parecia em absoluto com o Pai_Natal . Era pequenino e parecia de couro , com uma grande cabeça protuberante e calva , precisamente como uma batata . Ron agarrou o a a distância de um braço , enquanto ele dava pontapés em o ar com os seus pézinhos que pareciam chifres . Agarrou o por os tornozelos e voltou o de pernas para o ar . - Isto_é o que tens de fazer - disse . Levantou o gnomo acima de a cabeça ( Larga eu ! ) e começou a balouçá o em grandes círculos , como os vaqueiros fazem com os laços . A o ver a expressão chocada de Harry , Ron explicou : - Não os mágoa . Só tens de os deixar bem tontos para que consigam encontrar o caminho de regresso a os buracos de os gnomos . Largou os tornozelos de o gnomo . Ele voou seiscentos metros e aterrou com um ruído surdo em o campo a o lado de a sebe . - Deplorável - afirmou o Fred . - Aposto que consigo lançar o meu para_além de aquele tronco . Harry aprendeu rapidamente a não sentir muita pena de os gnomos . Decidira largar o primeiro que apanhou para_além de a sebe , mas o gnomo , sentindo fraqueza , enfiou os seus dentinhos , aguçados como laminas , em o dedo de o Harry e não foi fácil sacudi o para ele o largar , até que ... - Uau , Harry , esse deve ter sido seiscentos metros ... O ar estava subitamente cheio de gnomos voadores . - Vês , eles não são muito espertos - afirmou o George , agarrando cinco ou seis de uma_vez . - Em o momento em que se apercebem que começou a * des-gnomização * , aparecem todos para espreitar . Era de esperar que já tivessem aprendido a ficar quietinhos . Rapidamente a multidão de gnomos começou a ir se embora , atravessando os campos em uma fila ordenada , com os pequeninos ombros arqueados . - Eles voltam - disse o Ron enquanto os via desaparecer em a sebe de o outro lado de o campo . - Eles adoram estar aqui ... o pai é muito mole com eles , acha lhes piada . Em esse momento , a porta de a frente bateu . - Ele já voltou ! - exclamou o George . - O pai já está em casa ! Apressaram se a entrar . Mr._Weasley tinha se afundado em uma de as cadeiras de a cozinha , sem óculos e com os olhos fechados . Era um homem magro , quase calvo , mas o pouco cabelo que tinha era tão ruivo como o de os filhos . Vestia um longo manto verde cheio de pó e estava cansado de a viagem . - Que noite - murmurou , tacteando em busca de o bule , enquanto todos se sentavam a a volta de ele . - Nove assaltos , nove ! E o velho Mundungs_Fletcher tentou lançar me um feitiço quando eu estava de costas . Mr._Weasley tomou um bom gole de chá e suspirou . - Encontrou alguma coisa , pai ? - perguntou Fred ansiosamente . - Só encontrei algumas chaves encolhidas e uma chaleira que mordia - bocejou Mr._Weasley . - Havia um material bastante mauzinho , mas não era de o meu departamento . O Mortlake foi levado para ser interrogado sobre uns furões extremamente antigos , mas isso pertence a a Comissão_dos_Feitiços_Experimentais , graças_a Deus . - Por_que é_que alguém ia dar se a o trabalho de fazer encolher chaves ? - perguntou George . - Para chatear os Muggles - suspirou Mr._Weasley . - Vende se lhes uma chave que não pára de encolher , até que desaparece , de_modo_a que nunca a encontrem quando precisam ... É claro que é muito difícil condenar alguém , porque nenhum Muggle é capaz de admitir que a sua chave está a encolher , insistem em que estão sempre a perdê a . Benditos sejam , vão até onde for preciso para ignorar a magia , mesmo_que ela esteja em frente de os seus narizes ... mas vocês não acreditariam em as coisas que o nosso grupo tem levado para enfeitiçar ... - : __ como carros , por __ exemplo ? Mrs._Weasley tinha aparecido , segurando um grande atiçador que parecia uma espada . Os olhos de Mr._Weasley abriram se de repente , fitando a mulher com um ar culpado . - C-carros , Molly querida ? - Sim , Artur , carros - afirmou Mrs._Weasley , os olhos a faiscar . - Imagina um feiticeiro a comprar um carro velho e enferrujado e dizer a a mulher que a única coisa que queria fazer com ele era desmontá o para ver como ele funcionava , enquanto em a verdade estava a enfeitiçá o para o fazer voar . Mr._Weasley piscou os olhos . - Bem , querida , acho que poderás constatar que não é ilegal fazer isso , embora , er , talvez ele devesse ter contado a verdade a a mulher ... Existe uma forma de tornear a lei , já_que ela diz que ... desde_que não se tenha a * intenção * de voar em o carro , o facto de ele poder voar , não ... - Arthur_Weasley tu arranjaste essa forma de tornear a lei quando a escreveste ! - gritou Mrs._Weasley . - Para poderes continuar a remexer em todo aquele lixo de os Muggles que tens em a arrecadação ! E , para tua informação , o Harry chegou hoje_de_manhã em o carro que tu não pretendias pôr a voar ! - Harry ? - perguntou Mr._Weasley sem expressão . - Qual Harry ? Olhou em volta , viu Harry e deu um salto . - Santo_Deus , é Harry_Potter ? Muito prazer , o Ron falou nos tanto de si ... - * _ O teu filho conduziu aquele carro até a a casa de o Harry e de volta até aqui em a noite passada ! * - gritou Mrs._Weasley . - O que tens a dizer a esse respeito ? - A sério ! ? - exclamou Mr._Weasley com vivacidade . - Correu tudo bem , quero dizer ... - vacilou a o ver os olhos de Mrs._Weasley que faiscavam . - Er , fizeram mal , rapazes , muito mal , mesmo ... - Vamos deixá os a os dois - murmurou o Ron , enquanto Mrs._Weasley inchava como um sapo gigantesco . - Vamos , vou mostrar te o meu quarto . Esgueiraram se de a cozinha e desceram uma passagem estreita que dava para uma escada desnivelada que ziguezagueava a o longo de a casa . Em o terceiro andar , estava uma porta entreaberta . Harry só teve tempo de ver um par de olhos castanhos brilhantes que o olhavam fixamente , antes de a porta se fechar com um estalido . - A Ginny - disse o Ron . - Não imaginas como é estranho vês a tão tímida , ela que quase nunca se cala ... Subiram mais dois andares , até chegarem a uma porta com a tinta a descascar e uma pequena placa dizendo : « Quarto_do_Ronald » . Harry entrou . A cabeça quase tocava em o tecto inclinado . Piscou os olhos . Era como entrar dentro_de uma fornalha : quase tudo em o quarto de o Ron tinha um violento matiz alaranjado : a colcha de a cama , as paredes , até o tecto . Em seguida , apercebeu se de que o Ron tinha coberto cada centímetro de o velho papel de parede com * posters * de as mesmas sete feiticeiras e feiticeiros , todos vestidos com brilhantes mantos cor de laranja , transportando vassouras e acenando entusiasticamente . - A tua equipa de Quidditch ? - perguntou Harry . - Os Chudley_Cannons - disse Ron , apontando para a colcha cor de laranja que tinha um brasão com dois C's gigantes e uma bala de canhão a_toda_a velocidade . - Nono em a Liga . Os livros de estudo de feitiços de Ron estavam empilhados desordenadamente a um canto , junto de um monte de B. _ D. , todas elas relativas a as * _ Aventuras_de_Martin_Miggs , o Muggle louco * . A varinha mágica de o Ron estava em_cima_de um aquário cheio de ovos de rã sobre o peitoril de a janela , junto de o seu rato gordo e cinzento , Scabbers , que dormia uma soneca a o sol . Harry passou por_cima_de um baralho de cartas de jogar com vontade própria , que estava caído em o chão , e olhou para fora de a janelinha . Em o campo , não muito longe , podia ver um grupo de gnomos a esgueirarem se , um a um , de_novo para a sebe de os Weasley . Em seguida , voltou se para Ron que o observava nervoso , como_se esperasse a opinião de ele . - É um_pouco pequeno - declarou o Ron muito depressa . - Não se parece nada com o quarto que tu tinhas em casa de os Muggles . E estou mesmo debaixo de o vampiro de o sótão . Ele anda sempre a bater nos canos e a gemer ... Mas Harry , com um grande sorriso , disse lhe : - Esta é a melhor casa em que eu já estive . As orelhas de Ron ficaram cor-de-rosa . IV_Na_Flourish and Blotts_A vida em a Toca era o mais diferente que é possível de a vida em Privet_Drive . Os Dursleys gostavam de tudo limpo e arrumado , em casa de os Weasleys explodia o estranho e o inesperado . Harry teve um choque de a primeira vez que olhou para o espelho que estava sobre a lareira de a cozinha e ele gritou : - Mete para dentro a camisa , * desmazelado ! * - O vampiro de o sótão gemia e batia nos canos , sempre_que sentia as coisas demasiado calmas e as pequenas explosões em o quarto de o Fred e de o George , eram consideradas perfeitamente normais . Mas o que o Harry achou mais bizarro em a vida em casa de o Ron , não foi o espelho que falava , nem o vampiro barulhento , foi o facto de todos ali em casa parecerem gostar de ele . Mrs._Weasley preocupava se com o estado de as suas meias e tentava obrigá o a servir se quatro vezes a cada refeição . Mr._Weasley gostava que Harry se sentasse a o lado de ele a a mesa para poder bombardeá o com perguntas sobre a vida com os Muggles , pedindo que lhe explicasse como funcionavam coisas como as canalizações e o serviço de os correios . - Fascinante ! - exclamava , enquanto Harry lhe explicava a utilização de o telefone . - Engenhoso , de facto , todas_as maneiras que os Muggles encontraram para passar sem a magia . Harry teve notícias de Hogwarts em uma manhã de sol , cerca de uma semana depois de ter chegado a a Toca . Quando , ele e o Ron desceram para tomar o pequeno-almoço , encontraram Mr. e Mrs._Weasley e Ginny já sentados a a mesa . Em o momento em que viu o Harry , Ginny entornou a tigela de os cereais , que caiu a o chão com grande espalhafato . Ginny entornava facilmente coisas sempre_que o Harry estava em a sala . Mergulhou debaixo de a mesa para apanhar a tigela e emergiu com o rosto a brilhar como o sol poente . Fingindo não ter dado por nada , Harry sentou se e aceitou a torrada que Mrs._Weasley lhe ofereceu . - Cartas de a escola - disse Mr._Weasley , passando a o Harry e a o Ron envelopes idênticos de pergaminho amarelado , com a morada escrita a tinta verde . - O Dumbledore já sabe que estás aqui , Harry , não perde nada aquele homem . Vocês os dois também - acrescentou , enquanto Fred e George deambulavam em a casa , ainda em pijama . Fez se silêncio durante alguns momentos , enquanto liam as respectivas cartas . A de o Harry dizia para apanhar o Expresso_de_Hogwarts , como sempre em a Estação_de_King's_Cross , em o dia_1_de_Setembro . Havia ainda uma lista de os livros que precisaria para o próximo ano . Os alunos de o segundo ano deverão ter : * _ O_Livro_Padrão_de_Feitiços , Grau 2 , por Miranda_Goshawk . * _ Ensinamentos_de_Uma_Fada_Carpideira , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Férias com Bruxas , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Duendes , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Lobisomens , por Gilderoy_Lockhart . * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves , por Gilderoy_Lockhart * . Fred , que terminara a sua própria lista , espreitou para a de o Harry . - Também te mandam comprar os livros de o Lockhart - disse . - A professora de defesa contra as artes negras deve ser fanática . Aposto que é uma bruxa . Nessa_altura , Fred percebeu o olhar de a mãe e apressou se a comer o doce de laranja . - Esse conjunto não vai ficar barato - disse George , olhando rapidamente para os pais . - Os livros de o Lockhart são de os mais dispendiosos ... - Cá nos havemos de arranjar - declarou Mrs._Weasley , mas parecia preocupada . - Espero que pelo_menos para a Ginny possamos arranjar uma data de coisas em segunda mão . - Ah , vais entrar este ano para Hogwarts ? - perguntou lhe Harry . Ela fez um aceno , corando até a a raiz de os cabelos ruivos e meteu o cotovelo em o pires de a manteiga . Felizmente ninguém deu por nada , a não ser o Harry , porque em esse momento o irmão mais velho de Ron , o Percy , entrou . Já estava vestido , com a placa de prefeito aplicada a a sua camisola de malha . - Bom dia a todos - disse , cheio de vivacidade . - Está um dia lindo . Puxou a única cadeira livre , mas deu um salto quando ia sentar se e , debaixo de ele , saltou um espanador cinzento de penas , pelo_menos , foi o que o Harry pensou até ver que ele respirava . - Errol ! - exclamou Ron , afastando a coruja de o Percy e retirando lhe debaixo de a asa uma carta . - Até que enfim , a resposta de a Hermione . Escrevi lhe a contar que íamos tentar raptar te de casa de os Dursleys . Levou Errol para um poleiro que havia junto a a porta de as traseiras e tentou colocá a lá em cima , mas Errol caiu redonda e Ron teve de a pôr em a pia , murmurando : - Patético . - Em seguida , abriu a carta de a Hermione e leu a em voz alta . * _ Querido_Ron e Harry , se aí estiveres . Espero que tudo tenha corrido bem , que o Harry esteja O. _ K. e que não tenham feito nada ilegal para conseguir trazes o , porque isso podia criar lhe problemas também a ele . Tenho estado muito preocupada e , se o Harry estiver bem , por favor digam me qualquer coisa rapidamente , mas talvez seja melhor usarem uma nova coruja , porque acho que outra entrega pode acabar como esta . * _ Estou muito atarefada com trabalho de a escola , claro * . - Como é possível ? - perguntou Ron , horrorizado . - Estamos em férias ! - * _ E vamos para Londres em a próxima quarta-feira para comprar os meus livros novos . Porque não nos encontramos em a Diagon-al ? * _ Dêem-me notícias vossas o mais depressa possível . * _ Carinhosamente_Hermione * - Bem , parece uma boa solução , podemos ir todos comprar as vossas coisas - disse Mrs._Weasley , começando a limpar a mesa . - O que vão fazer hoje ? Harry , Ron , Fred e George tinham planeado ir a o cimo de o monte a um pequeno cercado de cavalos que os Weasleys possuíam . Estava rodeado de árvores que lhe tapavam a vista de a cidade cá em baixo , o que quer_dizer que podiam praticar Quidditch , desde_que não voassem muito alto . Não podiam usar as verdadeiras bolas de Quidditch pois seria muito difícil explicar se elas escapassem e voassem sobre a cidade . Em vez de elas , lançavam maçãs para os outros apanharem . Faziam turnos para montar a Nimbus dois_mil , que era de longe a melhor vassoura . A velha Shooting_Star_de_Ron fora muitas_vezes ultrapassada por as borboletas que passavam . Cinco minutos mais tarde estavam a marchar por o monte acima , de vassouras a o ombro . Tinham perguntado a o Percy se ele queria juntar se a eles , mas ele alegara muito trabalho . Até esse dia , Harry só tinha visto Percy a a hora de as refeições , ele ficava em silêncio em o quarto o resto de o tempo . - Gostava de saber o que ele anda a fazer - afirmou Fred , de testa franzida . - Não parece o mesmo . O resultado de os exames veio um dia antes de tu chegares : doze N_F_V e ele nem se manifestou satisfeito . - Níveis_de_Feitiçaria_Vulgares - explicou o George , vendo o olhar atarantado de Harry . - Se não temos cuidado , ainda nos calha outro Chefe_de_Turma em a família . Acho que não suportaria a vergonha . Bill era o mais velho de os irmãos Weasley . Ele e o irmão a seguir , Charlie , já tinham saído de Hogwarts . Harry não conhecia nenhum de os dois , mas sabia que o Charlie estava em a Roménia a estudar dragões e o Bill em o Egipto a trabalhar em o banco de os feiticeiros : Gringotts . - Não sei como o pai e a mãe vão arranjar dinheiro para nos pagar o material escolar este ano - disse o George , passado um bocado . - Cinco conjuntos de livros de o Lockhart ! E a Ginny precisa de mantos e de uma varinha e tudo_isso ... Harry não disse nada . Sentiu se um_pouco incomodado . Fechada em um cofre subterrâneo , em o banco de Gringotts_de_Londres , estava uma pequena fortuna que os pais lhe tinham deixado . É claro que só tinha esse dinheiro em o mundo de os feiticeiros , não se podem usar Galeões , Leões e Janotas em as lojas de os Muggles . Ele nunca fizera referência a a sua conta bancária em Gringotts a os Dursleys . Não lhe parecia que o horror que eles sentiam por tudo_o_que se relacionava com a feitiçaria se estendesse a uma enorme pilha de barras de ouro . Mrs._Weasley acordou os a todos bem cedo , em a quarta-feira seguinte . Depois de comerem umas doze sanduíches de * bacon * cada_um , enfiaram os casacos e Mrs._Weasley tirou um vaso de a prateleira de o fogão de a cozinha e espreitou lá para dentro . - Está a acabar se , Arthur - suspirou . - Temos de comprar mais hoje ... Bem , os hóspedes primeiro . Passa , Harry querido ! E ofereceu lhe o vaso de flores . Harry olhou espantado enquanto todos eles o observavam . - O q-que é_que eu devo fazer ? - gaguejou . - Ele nunca viajou com o pó de Floo - disse o Ron subitamente . - Desculpa , Harry , esqueci me . - Nunca ? - perguntou Mrs._Weasley . - Mas então como chegaste a a Diagon - _ Al em o ano passado para comprar as tuas coisas ? -- Fui por o subterrâneo . - A sério ? - disse Mr._Weasley , entusiasmado . - Havia fugitivos ? Como é_que ... - Agora não , Arthur - disse Mrs . Weasley . - O pó de Floo é muito mais rápido , querido , mas , valha me Deus , se ele nunca o usou ... - Vai correr bem , mãe - disse o Fred . - Harry observa nos primeiro . Tirou uma pitada de pó brilhante de dentro de o vaso , aproximou se de o lume e lançou o pó em as chamas . Com um rugido , o fogo ficou verde-esmeralda e elevou se a uma altura superior a a de o Fred que avançou , gritando Diagon - _ Al ! E desapareceu . - Tens de falar claramente , filho - disse Mrs._Weasley a o Harry , ao_mesmo_tempo que George metia a mão em o vaso de as flores . - E vê se sais em o fogão certo . - Em o quê ? - perguntou Harry , nervoso , enquanto o lume crepitava e fazia George desaparecer também . - Bem , há imensos fogos de feiticeiros , mas desde_que te tenhas expressado claramente ... - Ele vai conseguir , Molly , não te preocupes - disse Mr._Weasley , tirando também ele algum pó . - Mas querido se ele se perde como é_que vamos justificar nos perante o tio e a tia de ele ... -- Eles não se importariam - tranquilizou a Harry . - O Dudley ia achar imensa piada se eu me perdesse em uma chaminé , não se preocupe . - Bem , em esse caso ... tu vais a seguir a o Arthur - disse Mrs._Weasley . - Logo_que entres em o fogo diz para_onde queres ir . - E mantém os cotovelos dobrados - preveniu o Ron . - E os olhos fechados - disse Mrs._Weasley . - A fuligem . - Não te enerves - disse o Ron . - Senão podes ir parar a a lareira errada . - Não entres em pânico e não queiras sair cedo de mais . Espera até veres o Fred e o George . Fazendo um enorme esforço por reter toda aquela informação , Harry tirou uma pitada de pó de Floo e avançou para a beirinha de o fogo . Respirou fundo , espalhou o pó em as chamas e entrou . O fogo parecia uma brisa quente . Abriu a boca e engoliu , de imediato , uma grande quantidade de cinzas quentes . D-dia-gon-al - tossiu . Sentiu se como_se estivesse a ser sugado para um buraco gigantesco . Como_se girasse muito depressa ... o ruído era ensurdecedor . Tentou manter os olhos abertos mas o turbilhão de chamas verdes fê lo enjoar ... algo duro bateu lhe em o cotovelo e dobrou o de imediato . Continuava a rodar , a rodar ... sentia se agora como_se várias mãos frias estivessem a bater lhe em a cara ... Espreitando através de os óculos , viu uma torrente imprecisa de fogões e captou lampejos de as salas que estavam por detrás ... as sanduíches de * bacon * davam lhe a volta dentro de o estômago ... fechou os olhos desejando que tudo aquilo parasse e então caiu , de cara em o chão , em a pedra fria e sentiu os óculos partirem se a os bocados . Desorientado e ferido , coberto de fuligem , pôs se cautelosamente de pé , levando a os olhos os óculos partidos . Estava completamente só e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava . Tudo_o_que podia dizer era que a o seu lado via uma lareira que lhe parecia ser a de uma enorme e indistinta loja de feitiçaria . Mas nenhum de os artigos que ali se encontravam tinham aspecto de fazer parte de a lista de a escola de Hogwarts . Em uma caixa de vidro podia ver se uma mão atrofiada que repousava sobre uma almofada , um baralho de cartas ensanguentado e um olho de vidro que o olhava fixamente . Máscaras de expressão maldosa enchiam as paredes , olhando de esguelha , uma enorme quantidade de ossos humanos estendia se sobre o balcão e , de o tecto , pendiam instrumentos aguçados com pontas de ferro e pregos enferrujados . Mas o pior é_que a rua estreita e escura , que Harry conseguia avistar através de a janela poeirenta de a loja , não era de modo algum a Diagon-al . Quanto_mais depressa saísse de ali , melhor . O nariz ainda a doer lhe em o sítio onde batera em o chão a o aterrar , Harry avançou rápida e silenciosamente em direcção a a porta , mas antes de conseguir chegar a meio caminho , duas pessoas apareceram de o lado de_fora de o vidro , e uma de elas era a última pessoa que Harry desejaria encontrar em o momento em que se encontrava perdido , coberto de fuligem e com os óculos partidos , Draco_Malfoy . Harry olhou rapidamente em volta e apercebeu se de a existência de um grande armário escuro a a sua esquerda , saltou lá para dentro e fechou as portas , deixando uma gretazinha para poder espreitar . Segundos depois , uma campainha tocava e Malfoy entrava em a loja . O homem que o acompanhava só podia ser o pai . Tinha o mesmo rosto pálido de feições agudas e os mesmos olhos cinzentos de gelo . Mr._Malfoy atravessou a loja , olhando maquinalmente para os artigos expostos e tocou a campainha de o balcão , antes de se voltar para o filho , dizendo : - Não mexas em nada , Draco . Malfoy , que vira o olho de vidro , disse : - Pensei que ias oferecer me um presente . - Eu prometi que ia comprar te uma vassoura de corrida - declarou o pai , tamborilando com os dedos sobre o balcão . - Para que é_que me serve , se não estou em a equipa de Quidditch ? - perguntou Malfoy , carrancudo e de mau humor . - O Harry_Potter teve uma Nimbus dois_mil o ano passado , com a autorização especial de o Dumbledor é para jogar em os Gryffindor . Ele nem é assim tão bom , é só por ser * famoso * ... famoso por ter uma estúpida cicatriz em a testa . Malfoy baixou se para observar uma prateleira cheia de crânios . - Todos acham que ele é tão esperto , o Potter maravilha , com a sua cicatriz e a sua vassoura ... - Já me disseste isso doze vezes pelo_menos - comentou Mr._Malfoy , olhando repressivamente para o filho . - E devo lembrar te que não é prudente parecer menos do_que amigo de Harry_Potter , quando a maior parte de a nossa gente vê em ele um herói que fez desaparecer o Senhor_do_Mal . Ah , Mr._Borgin . Um homem curvado surgiu por detrás de o balcão , puxando o cabelo gorduroso para trás . - Mr._Malfoy , que prazer vês o de_novo - disse Mr._Borgin , em uma voz tão untuosa como o cabelo . - Encantado , e o nosso jovem Malfoy também , encantado . Em que posso servi os ? Tenho que vos mostrar o que chegou hoje , a um preço muito razoável ... - Hoje não venho comprar , Mr._Borgin , e sim vender - afirmou Mr._Malfoy . - Vender ? - O sorriso apagou se lentamente em o rosto de Mr._Borgin . - Certamente ouviu dizer que o Ministério está a levar a cabo mais buscas - explicou o Mr._Malfoy , retirando de o bolso um rolo de pergaminho e desembrulhando o para Mr._Borgin o ler . - Eu tenho alguns , ah , artigos em casa que poderiam criar me problemas se o Ministério me batesse a porta . Mr._Borgin colocou em o nariz um par de * pince-nez * e olhou para a lista . - O Ministério não se lembraria de o incomodar certamente ... O lábio de Mr._Malfoy dobrou se . - Ainda não me fizeram nenhuma visita . O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito , mas o Ministério está a ficar cada_vez_mais intrometido . Há boatos sobre um novo decreto de protecção de os Muggles , sem dúvida que aquele mordido de as pulgas , adorador de os Muggles , que é o Arthur_Weasley deve estar por detrás de isso . Harry sentiu crescer a raiva . - E , como pode ver , alguns de estes venenos podiam dar a ideia ... - Compreendo perfeitamente , claro - disse Mr._Borgin . - Deixe me ver ... - Posso ter aquilo ? - interrompeu Draco , apontando para a mão raquítica que estava sobre a almofada . - Ah , a mão de a glória ! - exclamou Mr._Borgin , abandonando a lista de Mr._Malfoy e apressando se a responder a Draco . - Põe se lhe uma vela e ela só dá luz a quem a transporta ! A melhor amiga de os gatunos e de os salteadores , o seu filho tem gosto , senhor . - Espero que o meu filho venha a ser mais do_que gatuno ou salteador , Borgin - disse Mr._Malfoy friamente e Mr._Borgin respondeu logo : - Sem ofensa , senhor , sem querer ofender . - Embora , se as notas de a escola não melhorarem - disse Mr._Malfoy ainda mais friamente - esse possa vir a ser o único caminho possível para ele . - Não tenho culpa - retorquiu Draco . - Todos os professores têm os seus preferidos , aquela Hermione_Granger ... - Eu , em o teu lugar , teria vergonha que uma rapariga que nem_sequer pertence a famílias de feiticeiros , me passasse a a frente em todos os exames - interrompeu Mr._Malfoy . Ah - fez Harry baixinho , radiante por ver Draco atrapalhado e furioso . - É o mesmo em todo o lado - comentou Mr._Borgin em a sua voz untuosa . - O sangue de os feiticeiros conta cada_vez menos ... - Não para mim - afirmou Mr._Malfoy , com as longas narinas dilatadas . - Não senhor , nem para mim - concordou Mr._Borgin , inclinando se em uma vénia . - Em esse caso , talvez possamos voltar a a minha lista - disse Mr._Malfoy secamente . - Estou com alguma pressa , Borgin , tenho ainda hoje assuntos importantes a tratar em outro lado . Começaram a discutir os preços . Harry via nervosamente o Draco aproximar se de o seu esconderijo enquanto observava os objectos a a venda . Parou para examinar um enorme rolo de corda de carrasco e para ver , com um sorriso afectado , o cartão preso com um aparatoso laço de opalas onde podia ler se : * _ Cautela , não tocar . Amaldiçoado - reclama as vidas de dezanove donos , todos eles Muggles * . Draco voltou se e viu o armário mesmo em frente . Avançou , estendeu a mão para o puxador ... - Feito - disse Mr._Malfoy , a o balcão . - Vamos , Draco . Harry limpou a testa a a manga quando Draco se afastou . - Muito bom dia , Mr._Borgin . Espero por si amanhã em a mansão para ir buscar a mercadoria . Em o momento em que a porta se fechou , Mr._Borgin abandonou os seus modos subservientes . « Bom dia para o senhor , Mr._Malfoy , e , se as histórias que contam são verdadeiras , não me vendeu nem metade do_que tem escondido em a sua mansão ... » Murmurando de forma taciturna , Mr._Borgin desapareceu em uma sala escura . Harry esperou um minuto não fosse ele voltar e , em seguida , o mais silenciosamente possível , escapou se de o armário , passou por as caixas de vidro e saiu de a loja . Encostando os óculos partidos a o rosto , olhou em volta . Saíra em uma rua estreita e sombria que parecia composta exclusivamente de lojas dedicadas a as artes negras . Aquela de onde acabava de sair parecia ser a maior , mas em frente estava uma montra tétrica de cabeças encolhidas e duas portas abaixo podia ver se uma enorme caixa viva cheia de gigantescas aranhas pretas . Dois feiticeiros com aspecto pobre observavam o de a sombra de uma porta , murmurando entre si . Sentindo se nervoso , Harry pôs se a caminho , tentando agarrar os óculos a direito e não desistindo de a esperança de encontrar maneira de sair de ali . Por um cartaz de madeira , pendurado em a rua , indicando uma loja de venda de velas envenenadas , ficou a saber que se encontrava em a Rua * _ Bativolta * , mas isso não o ajudou pois Harry nunca ouvira falar em tal lugar . Calculou que não tinha pronunciado bem as palavras com a boca cheia de cinzas em a lareira de os Weasley . Tentando manter a calma perguntou a si mesmo o que havia de fazer . - Não estás perdido , pois não , meu menino ? - perguntou uma voz , mesmo junto de o seu ouvido , que o fez dar um salto . Uma bruxa idosa estava em a sua frente , segurando um tabuleiro de uma coisa que se parecia horrivelmente com unhas humanas . A mulher olhou o maldosamente , mostrando os dentes esverdeados . Harry recuou . - Estou bem , obrigado - disse . - Estou só ... - HARRY ! O qu'é que pensas que estás a fazer aqui ? O coração de Harry deu um salto , assim_como o de a bruxa . Um monte de unhas caíram lhe sobre os pés e ela praguejou , enquanto o corpo enorme de Hagrid , o guarda de os campos de Hogwarts , se aproximava de eles a passos largos com os olhos castanhos-escuros a faiscarem sobre a longa barba eriçada . - Hagrid - gritou Harry , aliviado . - Eu estava perdido ... o pó de Floo ... Hagrid agarrou Harry por o cachaço e puxou o para longe de a bruxa , tirando lhe o tabuleiro de as mãos . Os guinchos agudos de a feiticeira seguiram nos até a o fundo de a ruela serpenteante que ia dar a um lagar onde brilhava o sol . Harry avistou a a distância um edifício de mármore branco como a neve que lhe era familiar : o banco de Gringotts . Hagrid conduzira o até a a Diagon - _ Al . - ` _ tás em um péssimo estado ! - disse Hagrid bruscamente , sacudindo lhe a fuligem com tanta força que Harry quase caiu em um barril de estrume de dragão que se encontrava a a porta de um boticário . - A fugir , em a Rua * _ Bativolta * , eu não conheço esse lugar finório , Harry , não quero que ninguém te veja aqui em baixo . - Já percebi - disse Harry , baixando se quando Hagrid fez menção de o escovar melhor . - Já te disse que estava perdido . E o que é_que tu fazes aqui ? - ` _ Tou a a procura d'um repelente para as lesmas comedoras de legumes - resmungou Hagrid . - ` _ tão a destruir as couves todas de a escola . Tu não estás sozinho ? - Estou em casa de os Weasley , mas separámo nos explicou Harry . - Tenho que os encontrar . Desceram juntos a rua . - Por_que é_que nunca respondeste a as minhas cartas ? - perguntou Hagrid , enquanto Harry corria para o acompanhar ( tinha de dar três passos por cada enorme passada de Hagrid ) . Harry explicou lhe tudo sobre Dobby e os Dursleys . - Malditos_Muggles - rugiu Hagrid . - S'eu tivesse sabido ... - Harry ! Harry ! Aqui ! Harry olhou para_cima e viu Hermione_Granger em o topo de a escadaria de Gringotts . Desceu para vir a o encontro de ele , o cabelo castanho de caracóis , a esvoaçar atrás de ela . - O que aconteceu a os teus óculos ? Olá_Hagrid ... Oh , é maravilhoso ver vos outra_vez . Vens a Gringotts , Harry ? - Logo_que encontre os Weasley - respondeu ele . - Não vais ter d'esperar muito - riu se Hagrid . Harry e Hermione olharam em volta . Subindo a rua , em o meio de a multidão , vinham Ron , Fred , George , Percy e Mr._Weasley . - Harry - chamou Mr._Weasley , ofegante . - Tínhamos esperança que só tivesses ido um fogão mais longe ... - passou um pano em a sua calva reluzente . - A Molly está nervosíssima , aí vem ela . - Onde é_que tu saíste ? - perguntou o Ron . - Em a Rua * _ Bativolta * - disse o Hagrid , com um ar sério . - Sensacional ! - exclamaram Fred e George ao_mesmo_tempo . - Nunca nos deram autorização para lá ir - disse o Ron com uma pontinha de inveja . - E fizeram muito bem - grunhiu Hagrid . Mrs._Weasley chegou em aquele momento a correr , a mala a balouçar em uma de as mãos e Ginny quase pendurada em a outra . - Oh Harry , oh meu querido , podias ter ido parar a qualquer lugar ... Tentando recuperar o fôlego , tirou de a mala uma grande escova de roupa e começou a retirar a fuligem que Hagrid não conseguira expulsar . Mr._Weasley pegou em os óculos de Harry , deu lhes um toque de varinha e entregou lhe os como novos . - Bem , tenho de m'ir embora - disse Hagrid cuja mão estava a ser esmagada por Mrs._Weasley ( -- Rua * _ Bativolta * ! Se não o tivesses encontrado , Hagrid ! ) . - Vemo nos em Hogwarts . - E afastou se , os ombros e a cabeça acima de a multidão que enchia completamente a rua . - Adivinham quem eu vi em o Borgin and Burkes ? - perguntou Harry_a_Ron e a Hermione enquanto subiam as escadarias de Gringotts . - Malfoy e o pai . - O Lucius_Malfoy comprou alguma coisa ? - perguntou interessado Mr._Weasley que estava atrás de eles . - Não , estava a vender . - Então está preocupado - comentou Mr._Weasley com visível satisfação . - Ah , eu adorava apanhar o Lucius_Malfoy em alguma . . - Tem cuidado , Arthur - interrompeu Mrs._Weasley enquanto o gnomo porteiro lhes dava reverentemente entrada em o banco . - Isso é um problema de família . Não queiras ter mais olhos que barriga . - Queres dizer com isso que achas que eu não chego para o Malfoy ? - perguntou Mr._Weasley , indignado , mas foi rapidamente afastado de aqueles sentimentos a o avistar os pais de Hermione que estavam de pé , nervosamente encostados a o balcão que acompanhava a grande parede de mármore , a a espera que Hermione os apresentasse . - Mas vocês são Muggles ! - disse Mr._Weasley , encantado . - Temos de tomar uma bebida . O que é isso aí ? Ah , estão a trocar dinheiro de Muggle . Molly , olha - apontou cheio de excitação para as notas de dez libras que Mr._Granger tinha em a mão . - Encontramo nos aqui - disse Ron_a_Hermione , enquanto os Weasley e Harry eram conduzidos a os seus cofres em o subterrâneo de Gringotts . Para chegar a os cofres havia que tomar umas carrinhas conduzidas por gnomos que se deslocavam ao_longo_de carris de comboio de pequenas dimensões através de os túneis subterrâneos de o banco . Harry gostou de a viagem acidentada até a o cofre de os Weasley , mas sentiu se bastante mal , pior do_que em a Rua * _ Bativolta * , quando o cobre foi aberto . Havia lá dentro um pequenino monte de Leões de prata e apenas um Galeão de ouro . Mrs._Weasley foi com a mão a a procura em os cantos antes de , com um gesto rápido , varrer tudo para dentro de o saco . Harry sentiu se ainda pior quando chegaram a o seu cofre . Tentou evitar que vissem o conteúdo enquanto empurrava apressadamente mãos cheias de moedas para dentro_de uma sacola de cabedal . Lá fora , em as escadarias de mármore , separaram se . Percy murmurou vagamente que precisava de uma nova pena de escrever . Fred e George tinham avistado um amigo de Hogwarts , Lee_Jordan . Mrs._Weasley e Ginny iam a uma loja de mantos em segunda mão , Mr._Weasley continuava a insistir em levar os Grangers a o Caldeirão_Escoante para lhes pagar uma bebida . - Encontrarmo nos todos em a Flourish and Blotts dentro_de uma hora para comprar os vossos livros de estudo - disse Mrs._Weasley , afastando se com Ginny . - E nem um passo em direcção a a Rua * _ Bativolta * - gritou a os gémeos que estavam de costas . Harry , Ron e Hermione deambularam por a rua empedrada e sinuosa . O ouro , prata e bronze que tilintavam alegremente em o saco que Harry tinha em o bolso pareciam exigir ser gastos , por isso ele comprou três enormes gelados de morango e manteiga de amendoim que eles devoraram felizes enquanto vagueavam sem destino por a rua fora , observando as montras fantásticas de as lojas . Ron olhou longamente para um conjunto completo de mantos de o Chudley_Cannon , em as montras de o « Equipamento_de_Quidditch_de_Qualidade » até Hermione o arrastar de ali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos . Em a « Jogos_de_Feitiçaria_de_Gambol and Japes » encontraram o Fred , o George e o Lee_Jordan que estavam presos em a fabulosa partida debaixo_de chuva e em os fogos-de-artifício de o Dr._Filibuster . E em uma pequenina loja de velharias cheia de varinhas partidas , balanças instáveis de latão e mantos velhos cobertos de nódoas de poções encontraram Percy profundamente concentrado em um pequenino livro , bastante chato , chamado * _ Prefeitos que conquistam o poder * . - * _ Um estudo sobre os prefeitos de Hogwarts e as suas posteriores carreiras * - leu alto o Ron em a contracapa . - Deve ser fascinante ... - Desaparece - gritou Percy . - Claro , ele é muito ambicioso , já tem tudo planeado . Quer ser ministro de a magia - disse o Ron baixinho a o Harry e a a Hermione , enquanto deixavam Percy entregue a o livro . Uma hora mais tarde dirigiram se a a Flourish and Blotts . Não eram de modo algum os únicos a encaminhar se para a livraria . À_medida_que se aproximavam viram com grande surpresa uma grande multidão a a porta , tentando entrar em a loja . O motivo de tal confusão estava anunciado em um cartaz que se estendia a o longo de a montra superior . GILDEROY_LOCKHART_Assinará exemplares de a sua autobiografia " eu , o mágico " Hoje 12.30 - 16.30 - Vamos poder conhecê o ! - gritou Hermione . - Quero dizer , ele escreveu quase todos os livros de a nossa lista ! A multidão parecia ser maioritariamente composta por bruxas de a idade de Mrs._Weasley . Um feiticeiro bem-parecido estava de pé junto de a porta , dizendo : - Calma , minhas senhoras , não empurrem , cuidado com os livros . Harry , Ron e Hermione conseguiram furar e entrar . Uma longa fila serpenteava para as traseiras de a loja onde Gilderoy_Lockhart estava a assinar os seus livros . Cada_um de eles pegou em um exemplar de * _ ensinamentos de Uma Fada_Carpideira * e escaparam se de a fila indo ter a o lugar onde se encontravam os outros com Mr. e Mrs._Granger . - Ah , aí estão vocês . _ óptimo - disse Mrs._Weasley que parecia estar com falta de ar e não parava de mexer em o cabelo . - Vamos poder vês o dentro_de um minuto . Gilderoy_Lockhart veio lentamente até um lugar onde era visível para todos , sentou se a uma mesa , rodeado de grandes fotografias de o próprio rosto , todo ele sorrisos , mostrando a a multidão o brilho cintilante de os seus dentes . Lockhart usava uma túnica azul-noite que condizia a as mil maravilhas com a cor de os olhos , o chapéu pontiagudo de feiticeiro colocado lateralmente sobre o cabelo ondulado . Um homenzinho pequenino e irritante andava a dançar de um lado para o outro , tirando fotografias com uma grande máquina preta que lançava baforadas de fumo arroxeado em cada * flash * . - Sai de o caminho , tu aí - disse rispidamente a o Ron , mudando de lugar para ter um angulo melhor . - Este é para o * _ Profeta_Diário * . - Grande coisa ! - exclamou o Ron , esfregando os pés em o lugar que o fotógrafo pisara . Gilderoy_Lockhart ouviu o . Olhou , viu o Ron e em seguida Harry . Voltou a olhar , desta_vez com mais atenção . Em seguida , pôs se de pé e gritou : - Não pode ser , o Harry_Potter ? A multidão dividiu se entre murmúrios de excitação . Lockhart aproximou se , agarrou Harry por um braço e levou o para a frente . A multidão rebentou em aplausos . A cara de Harry ardia quando Lockhart lhe apertou a mão para o fotógrafo que disparava como um louco , lançando fumo espesso para_cima de os Weasley . - Belo sorriso , Harry - disse Lockhart através de os seus dentes brilhantes . - Tu e eu juntos merecemos a primeira página . Quando por fim lhe largou a mão , Harry quase não sentia os dedos . Tentou recuar para junto de os Weasley , mas Lockhart lançou lhe um braço por os ombros e prendeu o a o seu lado . - Minhas senhoras e meus senhores - disse bem alto , fazendo sinal para que se acalmassem . - Que momento extraordinário este ! O momento perfeito para eu anunciar algo que tenho vindo a guardar comigo desde_há algum tempo . - Quando o jovem Harry entrou em a Flourish and Blotts hoje , ele queria apenas comprar a minha autobiografia , que tenho agora o maior prazer em oferecer lhe - a multidão aplaudiu de_novo . - Ele não tinha ideia - continuou Lockhart , dando a o Harry um pequeno encontrão que fez com que os óculos lhe escorregassem para a ponta de o nariz - de que ia conseguir em_breve muito mais do_que o meu livro Eu , o mágico . Ele e os seus colegas de a escola vão receber , de facto , o verdadeiro * _ Eu , o mágico * . Sim , minhas senhoras e meus senhores , tenho o maior prazer em anunciar que em o mês_de_Setembro assumirei o lugar de professor de Defesa contra as artes negras em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts ! A multidão aplaudiu e bateu palmas e Harry deu consigo a ser presenteado com a obra completa de Gilderoy_Lockhart . Cambaleando ligeiramente sob o peso de os livros conseguiu abrir caminho para longe de os projectores até a a porta de a sala onde estava Ginny com o seu novo caldeirão . - Podes ficar com estes - murmurou Harry , enfiando os livros em o caldeirão . - Eu vou comprar os meus . - Aposto que adoraste aquilo , não adoraste , Potter ? - disse uma voz que Harry não teve qualquer dificuldade em reconhecer . Endireitou se e deu consigo frente_a_frente com Draco_Malfoy que exibia o seu habitual sorriso escarninho . - O famoso Harry_Potter - disse Malfoy . - Nem_sequer pode entrar em uma livraria sem se tornar primeira página . - Deixa o em paz , ele não queria nada de isso - defendeu a Ginny . Era a primeira vez que falava em frente de Harry . Olhava para Malfoy com um ar feroz . - Potter , arranjaste uma namorada ! - disse arrastadamente Malfoy . Ginny ficou vermelha como um pimentão enquanto Ron e Hermione tentavam abrir caminho , ambos carregando montes de livros de Lockhart . -- Ah és tu ? - disse Ron , olhando para Malfoy como_se ele fosse algo desagradável colado a a sola de o sapato . - Aposto que te surpreendeu ver o Harry aqui ? - Não tanto como a ti em uma loja , Weasley - retorquiu Malfoy . - Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo . Ron ficou tão vermelho quanto Ginny . Deixou também cair os livros em o caldeirão e avançou para Malfoy , mas Harry e Hermione agarraram o por as costas de o casaco . - Ron - disse Mrs._Weasley , aproximando se com Fred e George . - O que estás a fazer ? Isto está uma loucura aqui dentro , vamos lá para fora . - Olha quem ele é , Arthur_Weasley . - Era_Mr._Malfoy . Estava de pé com a mão sobre o ombro de Draco , com o mesmo sorriso escarninho . -- Lucius - disse Mr._Weasley , acenando friamente . -- Muito trabalho em o ministério , segundo me consta - disse Mr._Malfoy . - Todas essas buscas ... espero que te estejam a pagar horas extraordinárias . Meteu a mão em o caldeirão de a Ginny e tirou de o meio de os livros de Lockhart um exemplar muito velho e muito gasto de o * _ Guia_de_Transfiguração_para_Principiantes * . - Parece que não - disse . - Que diabo , qual a vantagem de ser uma nódoa entre os feiticeiros se nem_sequer te pagam bem por isso ? Mr._Weasley corou mais ainda do_que Ron ou Ginny . - Nós temos uma opinião diferente sobre quem são as nódoas entre os feiticeiros - disse . - É claro que ... - disse Mr._Malfoy , os olhos mortiços passando para Mr. e Mrs._Granger apreensivamente . - As companhias com quem tu andas ... e eu que pensava que já não conseguias descer mais baixo ... Ouviu se um tilintar de metal quando o caldeirão de a Ginny foi por os ares . Mr._Weasley lançara se sobre Mr._Malfoy atirando o para dentro_de uma estante . Dezenas_de livros de feitiços saltaram lá de cima , caindo lhes sobre as cabeças . Houve um grito de - Chega lhe , pai ! - de o Fred e de o George . Mrs._Weasley soltava gritos agudos : - Não_Arthur , não . A multidão recuava deitando mais prateleiras a o chão . - Meus senhores , por favor - gritava o encarregado , e então , mais alto do_que todos : - Parem com isso , gente , parem com isso . Hagrid aproximava se através_de um mar de livros . Em um segundo afastou Mr._Weasley e Mr._Malfoy . Mr._Weasley tinha um lábio cortado e Mr._Malfoy fora agredido em um olho por uma * _ Enciclopédia_de_Cogumelos_Venenosos * . Tinha ainda em a mão o livro velho de a Ginny sobre transfiguração . Atirou lhe o , com os olhos a brilhar de malvadez . - Toma o teu livro , garota . É o melhor que o teu pai pode oferecer te . Libertando se de Hagrid , conduziu Draco para fora e abandonaram a livraria . - Devias tê o ignorado , Arthur - disse Hagrid quase a pegar em Mr._Weasley a o colo enquanto lhe endireitava o manto . - São podres até a a raiz , todos eles . Tod'à gente sabe . Nenhum Malfoy vale a pena ser ouvido . Não prestam , ' tá-lhes em o sangue . Vá lá , vamos sair de aqui . O encarregado parecia querer impedis os , mas , olhando bem para Hagrid , pensou melhor . Subiram a rua , os Grangers a tremer de medo e Mrs._Weasley fora de si . - Um belo exemplo para as crianças ... andar a a pancada em público . O que terá pensado Gilderoy_Lockhart ? - Ele gostou - disse o Fred . - Não o ouviram quando ia a sair ? Estava a perguntar a aquele tipo de o Profeta_Diário se conseguia incluir a briga em a reportagem , disse que era boa publicidade . Mas foi um grupo deprimido que regressou a a lareira de o Caldeirão_Escoante onde Harry , os Weasley e todas_as suas compras iriam viajar de volta até a a Toca , usando o pó de Floo . Despediram se de os Grangers que iam sair de o * pub * por a rua de os Muggles , de o outro lado . Mr._Weasley começou a perguntar lhes como funcionavam as paragens de autocarros , mas calou se rapidamente a o ver a expressão de Mrs._Weasley . Harry tirou os óculos e guardou os cautelosamente em o bolso antes de utilizar o pó de Floo . Definitivamente não era a sua forma ideal de viajar . V_O salgueiro zurzidor O fim de as férias de Verão chegou demasiado depressa para o gosto de Harry . Ele desejara muito regressar a Hogwarts , mas aquele mês em a Toca tinha sido o mais feliz de toda_a sua vida . Era difícil não invejar o Ron quando pensava em os Dursleys e em as boas-vindas que ia receber de a próxima vez que pusesse os pés em Privet_Drive . Em a última noite , Mrs._Weasley preparou um jantar magnífico , que incluía os pratos favoritos de Harry e terminava com um pudim de melaço de fazer crescer água em a boca . Fred e George alegraram a noite com uma exibição de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que saltaram de o tecto para as paredes , durante pelo_menos meia_hora . Depois , foi a altura de tomarem uma caneca de chocolate quente e irem para a cama . Em a manhã seguinte , demoraram muito_tempo a preparar se . Levantaram se com o cantar de o galo , mas parecia lhes que ainda tinham muito para fazer . Mrs._Weasley andava de um lado para o outro , mal-humorada , a a procura de meias e penas , chocavam uns com os outros em as escadas , meio vestidos , meio despidos , com pedaços de torrada em as mãos e Mr._Weasley quase partiu o nariz quando tropeçou em uma galinha a o atravessar o pátio , para meter em o carro a mala de Ginny . Harry não percebia lá muito bem_como é_que oito pessoas , seis grandes malas , duas corujas e um rato , iam caber em um pequeno * _ Ford_Anglia * , isso , claro , antes de as artes mágicas que Mr._Weasley acrescentara . - Nem uma palavra a a Molly - murmurou ele a o Harry , enquanto abria a bagageira e lhe mostrava como ela se expandira para que as malas coubessem facilmente . Quando , por fim , se acomodaram todos em o carro , Mrs._Weasley olhou para o banco de trás , onde Harry , Ron , Fred , George e Percy estavam confortavelmente sentados uns a o lado de os outros e disse : - Os Muggles têm mais conhecimentos do_que aqueles que nós lhes atribuímos , não achas ? - Ela e a Ginny entraram para o lugar de a frente , que fora esticado e parecia um banco de jardim . - Quer_dizer , de_fora ninguém diria que este carro era espaçoso , não acham ? Mr._Weasley pôs o motor a funcionar e saíram de o pátio , Harry voltando se para trás para ver por a última vez a casa . Mal teve tempo de se questionar se iria voltar alguma vez e já estavam de volta : George esquecera se de a caixa de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Cinco minutos mais tarde tiveram de interromper de_novo a viagem e voltar a o pátio para o Fred ir a correr buscar a vassoura . Estavam quase a chegar a a auto-estrada , quando Ginny guinchou que se esquecera de o diário . Mas estava a fazer se muito tarde e os ânimos começavam a exaltar se . Mr._Weasley olhou para o relógio e , em seguida , para a mulher . - Molly , querida ... - Não , Arthur . - Ninguém ia ver . Este botãozinho é um transformador de invisibilidade que eu instalei , levava nos por o ar , subíamos acima de as nuvens . Estaríamos lá em dez minutos e ninguém daria por nada ... - Eu disse que não , Arthur . Durante o dia , não . Chegaram a King's_Cross , faltava um quarto para as onze . Mr._Weasley precipitou se em busca de um carrinho de transporte para as malas e correram todos para a estação . Harry apanhara o Expresso_de_Hogwarts em o ano anterior . A parte mais difícil era entrar em a plataforma nove_e_três quartos , que não era visível a os olhos de os Muggles . Era preciso avançar para a barreira sólida que dividia as plataformas nove e dez . Não doía nada , mas tinha de ser feito com cuidado para que nenhum de os Muggles de esse , por o desaparecimento . - O Percy em primeiro lugar - declarou Mrs._Weasley , olhando nervosamente para o relógio lá em cima , que mostrava que tinham apenas cinco minutos para desaparecer através de a barreira . Percy avançou a passos largos e desapareceu . Mr._Weasley foi a seguir e depois de ele Fred e George . - Eu levo a Ginny e vocês vêm atrás_de nós - disse Mrs._Weasley a o Harry e a o Ron , agarrando Ginny pela mão e seguindo em frente . Em um abrir e fechar de olhos , tinham passado . - Vamos passar juntos , só temos um minuto - disse Ron a o Harry . Harry assegurou se de que a gaiola de a Hedwig estava bem fixa em cima de a sua mala e empurrou o carrinho de encontro a a barreira . Estava perfeitamente confiante , aquilo era muito mais fácil do_que usar o pó de Floo . Puseram os dois as mãos em o puxador de os carrinhos e avançaram direitos a a barreira , ganhando velocidade . A um metro e pouco , começaram a correr e ... CRASH . Os dois carros bateram em a barreira e foram impelidos para trás . A mala de o Ron caiu com um enorme estrépito . Harry desequilibrou se e a gaiola de a Hedwig foi parar a o chão brilhante , enquanto ela rolava guinchando , indignada . As pessoas em volta olhavam fixamente e um guarda que estava ali perto gritou : - Que diabo pensam vocês que estão a fazer ? - Perdemos o controlo de o carro de transporte - respondeu o Harry , respirando com dificuldade , agarrando se a as costelas , enquanto se punha de pé . Ron correu a agarrar a Hedwig , que estava a fazer uma cena tal , que já se ouviam murmúrios em a multidão sobre a crueldade para com os animais . - Porque é_que não conseguimos passar ? - perguntou Harry a o Ron em um sussurro . - Não sei . Ron olhou descontroladamente em volta . Uma_dúzia de curiosos estavam ainda a observá os . - Vamos perder o comboio - murmurou o Ron . - Não compreendo porque motivo a cancela se fechou . Harry olhou para o relógio gigantesco com um sentimento de náusea em a boca de o estômago . Dez segundos , nove segundos ... Dirigiu o carrinho de transporte para a frente com toda_a força . O metal manteve se sólido . Três segundos ... dois segundos ... um segundo ... - Partiu - afirmou o Ron , que parecia estonteado . - O comboio foi se embora . E se a mãe e o pai não conseguem voltar para aqui ? Tens algum dinheiro de Muggle ? Harry deu uma gargalhada . - Os Dursleys não me dão um tostão há mais de seis anos ! Ron encostou o ouvido a a barreira . - Não se ouve nada - disse , bastante tenso . - O que vamos nós fazer ? Não sei quanto tempo o pai e a mãe vão demorar . Olharam em volta . As pessoas ainda estavam a observá os , principalmente devido a os contínuos guinchos de a Hedwig . - Acho que o melhor é sairmos de aqui e esperamos por eles junto de o carro - disse Harry . - Aqui estamos a atrair demasiado as aten ... - Harry - disse o Ron , com os olhos a brilhar . - É isso , o carro . - O que é_que tem ? - Podemos voar nele até Hogwarts ! - Mas eu pensei ... - Estamos em apuros , certo ? E temos de chegar a a escola , ou não ? E mesmo os feiticeiros menores de idade estão autorizados a usar a magia em uma emergência real , parágrafo dezanove , ou não sei quê , de a Restrição de ... O sentimento de pânico de Harry transformou se em entusiasmo . - E tu sabes voar nele ? - Não há problema - disse o Ron , andando com o carrinho a a volta e dirigindo se para a saída . - Anda de aí . Se em os apressarmos , conseguiremos sair atrás de o Expresso_de_Hogwarts . E afastaram se de o grupo de Muggles curiosos , abandonando a estação e voltando a a rua , onde o velho * _ Ford_Anglia * se encontrava estacionado . Ron abriu a bagageira com uma série de toques de varinha . Meteram lá dentro as malas , puseram a Hedwig em o assento de trás e entraram para a frente . - Verifica se ninguém está a ver - disse o Ron , ligando a ignição com outro toque de varinha . Harry pôs a cabeça fora de a janela : o trânsito enchia a avenida principal , mas a rua de eles estava vazia . - O. _ K. - disse . Ron carregou em um pequeno botão de o painel . Os carros em volta desapareceram assim_como eles . Harry sentia o assento a vibrar debaixo_de si , ouvia o motor , sentia as mãos sobre os joelhos e os óculos em o nariz , mas , tanto quanto conseguia ver , tornara se um par de olhos redondos flutuando um metro e pouco acima de o chão em uma rua suja , cheia de carros estacionados . - Vamos - disse a voz de o Ron , vinda de o seu lado direito . O chão e os prédios escuros de ambos os lados desapareceram de o seu ângulo de visão , mal o carro se elevou . Em poucos segundos toda_a cidade de Londres , enevoada e resplandecente , estava por baixo de eles . Em seguida , ouviu se um ruído que parecia o saltar de uma rolha e o carro , Harry e Ron , reapareceram . - Oh , oh - disse Ron , batendo em o intensificador de invisibilidade . - Está avariado ... Começaram os dois a bater em o botão . O carro desapareceu . Depois surgiu de forma intermitente . - Aguenta aí - gritou o Ron e carregou com o pé em o acelerador . Saltaram direitinhos para o meio de as nuvens mais baixas e tudo ficou sujo e enevoado . - E agora ? - exclamou Harry , piscando os olhos a a sólida massa de nuvens que os comprimia de todos os lados . - Precisamos de avistar o comboio para sabermos qual a direcção a tomar - explicou o Ron . - Desce rapidamente ... Desceram por o meio de as nuvens e voltaram se em os lugares , espreitando . - Estou a vê o - gritou Harry . - Mesmo em frente , ali . O Expresso_de_Hogwarts deslocava se a grande velocidade lá em baixo , como uma serpente vermelha . - Para Norte - disse o Ron , verificando a bússola de o painel . - O. _ k . , basta que verifiquemos de meia em meia_hora . Aguenta aí ... - e arrancaram por o meio de as nuvens . Em o minuto seguinte , tinham chegado a a luz brilhante de o Sol . Era um mundo diferente . Os pneus de o carro deslizavam sobre o mar de nuvens macias , o céu era de um azul infinito sob a luz , capaz de cegar , que irradiava de o Sol . - Agora só temos de nos preocupar com os aviões - disse o Ron . Olharam um para o outro e desataram a rir . Durante muito_tempo não conseguiram parar . Era como_se tivessem mergulhado em um sonho fabuloso . Aquela , pensou Harry , era certamente a única maneira de viajar : passando por turbilhões e torres de nuvens cor de neve , em um carro cheio de calor , o sol radioso , com um grande pacote de rebuçados em o porta-luvas e antegozando o ar de inveja de o Fred e de o George quando aterrassem suavemente e de forma espectacular em o relvado macio em frente de o castelo de Hogwarts . Espreitaram várias vezes o comboio enquanto voavam cada_vez_mais para norte . Cada descida entre as nuvens dava lhes uma perspectiva diferente . Londres depressa ficou para trás , substituída por campos verdejantes que , por sua vez , deram lugar a grandes pântanos arroxeados , aldeias com pequenas igrejas de brinquedo e uma grande cidade , cheia de vida , com carros que pareciam formigas multicores . Várias horas mais tarde sem acontecer nada de_novo , Harry teve de admitir que uma parte de o entusiasmo se esgotara . Os rebuçados tinham nos deixado cheios de sede e não havia nada para beber . Ele e o Ron tinham tirado as camisolas , mas a * _ T-shirt * de o Harry estava colada a as costas de o assento e os óculos não paravam de lhe escorregar para a ponta de o nariz . Deixara de reparar em as fabulosas formas de as nuvens e pensava com saudade em o comboio , milhas abaixo de eles , onde se podia comprar sumo fresquinho de abóboras em um carro empurrado por uma bruxa gordinha . Porque não teriam conseguido entrar em a plataforma nove_e_três quartos ? - Não pode ser muito mais longe , pois não ? - resmungou o Ron , horas mais tarde quando o Sol começava a enfiar se em o seu chão de nuvens , pintando as de um rosa profundo . - Estás pronto para outra espreitadela a o comboio ? Ainda ia mesmo por baixo de eles , abrindo caminho por_entre uma montanha com o topo coberto de neve . Estava muito mais escuro entre o dossel de nuvens . Ron pôs o pé em o acelerador e levou os de_novo para_cima , mas em esse momento o motor começou a chiar . Harry e Ron trocaram entre si olhares nervosos . - Deve estar só cansado - disse o Ron . - Nunca tinha vindo tão longe ... - E fingiram ambos que não davam por o gemido que se ia tornando maior à_medida_que o céu serenamente escurecia . As estrelas desabrochavam em a escuridão , Harry voltou a enfiar a camisola de lã , tentando ignorar os limpa pára-brisas que acenavam debilmente como_que a protestar . - Não devemos estar longe - disse Ron , dirigindo se mais a o carro do_que a o amigo . - Já não devemos estar longe - deu umas palmadinhas nervosas em o * tablier * . Pouco depois , quando voltaram a voar em o meio de as nuvens , tiveram de olhar de lado em a escuridão , em busca de um ponto de referência que conhecessem . - Ali - gritou Harry , fazendo o Ron e a Hedwig darem um salto . - Mesmo em frente . Recortados em o horizonte negro , sobre o rochedo de o outro lado de o lago , erguiam se as torres e torreões de o castelo de Hogwarts . Mas o carro tinha começado a estremecer e perdia a os poucos velocidade . - Vá lá - disse o Ron , dando a o volante um pequeno abanão bajulador . - Estamos quase a chegar , vá lá ... O motor gemeu . Pequenos jactos de vapor de água brotaram de o capo . Harry deu consigo agarrado com toda_a força a os bordos de o assento enquanto voavam direitos a o lago . O carro deu um solavanco feio . Espreitando por a janela , Harry viu a superfície negra , macia e espelhada de a água cerca de uma milha abaixo de eles . Os dedos de o Ron agarrados a o volante tinham as articulações brancas . O carro deu um novo esticão . - Vá lá - murmurou o Ron . Estavam sobre o lago ... o castelo ficava mesmo em frente . Ron fez força com o pé . Houve um ruído surdo , uma crepitação e o motor morreu por completo . - Oh ! oh ! - gemeu Ron em o silêncio . O nariz de o carro voltou se para baixo . Estavam a cair , ganhando velocidade em direcção a os muros sólidos de o castelo . - Naaaaão ! - gritou o Ron , girando o volante . Escaparam a a muralha de pedra negra por centímetros , quando o carro fez um grande arco , planando primeiro sobre as estufas , depois sobre o rectângulo plantado com vegetais e , por fim , sobre os relvados , perdendo sempre velocidade . Ron largou o volante por completo e tirou a varinha de o bolso de trás . - __ pára ! __ pára ! - gritou , batendo em o * tablier * e em o pára-brisas , mas eles continuavam a mergulhar , o chão a voar em direcção a eles . - : __ cuidado com essa __ árvore ! ! ! - bramiu Harry , deitando a mão a o volante , mas ... tarde de mais ... CRUNCH . Com um ruído ensurdecedor de metal e madeira , bateram em o tronco espesso de a árvore e caíram em o chão com um forte solavanco . O vapor era um mar debaixo de o capo amachucado . A Hedwig tremia apavorada . Em a cabeça de Harry surgira um alto de o tamanho de uma bola de golfe , quando ele batera em o pára-brisas , tombando em seguida para a direita . Ron soltou um gemido longo e desesperado . - Estás O. _ K ? - perguntou Harry , aflito . - A minha varinha - disse o Ron em uma voz trémula . - Olha para a minha varinha . Tinha se partido praticamente em duas , a ponta balouçava mole , presa por meia_dúzia de esquírolas . Harry abriu a boca para dizer que em a escola com certeza conseguiriam consertá a , mas nem chegou a começar a frase . Em esse preciso momento , algo bateu em o seu lado de o carro , com a força de um touro , projectando o para_cima de o Ron , ao_mesmo_tempo que um golpe igualmente forte se sentiu em o capô . - O que está a acontec ... Ron arfou , olhando fixamente por o pára-brisas e Harry olhou em volta , mesmo a_tempo_de ver uma ramada espessa como uma píton vir contra o vidro . A árvore em que tinham batido estava a atacá os . O tronco dobrara se quase a meio e os seus galhos rugosos davam uma tareia a cada centímetro de o carro que conseguiam atingir . - Ah ! - praguejou o Ron , quando outra pernada retorcida esmurrou a sua porta , amolgando a . O pára-brisas tremia agora sob uma saraivada de golpes vindos de galhos que pareciam patas de animais e uma ramada espessa como um aríete esmagava furiosamente o capo , que parecia estar a ceder ... - Corre ! - gritou o Ron , lançando o seu peso contra a porta , mas , em o momento seguinte , tinha sido atirado para trás , para o colo de Harry por um soco maldoso , dado de baixo para_cima , por outro ramo . - Estamos feitos ! - resmungou , enquanto o tecto descaía . Mas , de repente , o chão de o carro estava a vibrar , o motor pegara . - Marcha atrás - gritou o Harry e o carro deu um salto para trás . A árvore tentava ainda agredis os , ouviam as raízes chiar , enquanto quase se partiam esticando se para os alcançar . - Escapámos por_pouco ! - exclamou o Ron . - Muito bem , carro . Mas o carro tinha atingido o limite de as suas forças . Com dois estalidos , as portas abriram se e Harry sentiu o seu assento inclinar se para o lado . Quando deu por si , estava estatelado em o chão húmido . Ruídos surdos avisaram o de que o carro estava a ejectar as malas de a bagageira . A gaiola de a Hedwig voou por os ares e abriu se . Ela saiu a voar com um pio furioso e dirigiu se a o castelo , sem sequer olhar para trás . Em seguida , o carro , amolgado , arranhado e a fumegar , arrancou em o escuro , com os faróis traseiros ardendo de fúria . - Volta aqui ! - gritou o Ron , brandindo a varinha partida . - O meu pai mata me . Mas o carro desapareceu a perder de vista , com um último estoiro de o tubo de escape . - Já viste bem o nosso azar ! ? - exclamou o Ron em o meio de a sua infelicidade , baixando se para apanhar o rato Scabbers . - De todas_as árvores em que podíamos ter batido , tínhamos de ir dar a uma que bate também . Olhou por cima de o ombro para a velha árvore que ainda agitava os ramos ameaçadoramente . - Vamos - disse Harry , fatigado . - É melhor irmos andando para a escola ... Não foi , de modo algum , a chegada triunfal que tinham imaginado . Constrangidos , cheios de frio e magoados , pegaram em as malas e começaram a arrastá as por o relvado acima , em direcção a as grandes portadas de carvalho . - Acho que o banquete já começou - disse o Ron , largando a mala em os degraus de a entrada e atravessando devagarinho para espreitar por uma janela iluminada . - Harry , anda ver , é a distribuição . Harry apressou se e os dois , ele e o Ron , espreitaram para o Salão_Nobre . Um número infindável de velas pairava em o ar , sobre quatro mesas enormes cheias de gente , fazendo brilhar os pratos dourados e as taças . Em cima , o tecto encantado que espelhava o céu lá de_fora , brilhava cheio de estrelas . Por_entre a floresta de chapéus pretos pontiagudos de Hogwarts , Harry viu uma longa fila de alunos de o primeiro ano com olhares assustados que enchia o vestíbulo . Ginny estava entre eles , facilmente reconhecível devido a o seu chamativo cabelo Weasley . Enquanto isso , a professora Mc_Gonagall , uma bruxa de óculos com cabelo castanho apanhado em um carrapito , colocava o famoso chapéu seleccionador em um banco que se encontrava em frente de os novos alunos . Todos os anos , aquele velho chapéu , remendado , puído e cheio de pó , seleccionava alunos para as quatro equipas de Hogwarts ( Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin ) . Harry lembrava se bem de o ter colocado em a cabeça , precisamente um ano antes , e ter esperado petrificado por a sua decisão , enquanto ele lhe murmurava a o ouvido . Durante alguns horríveis segundos receara que o chapéu o mandasse para os Slytherin , a equipa que produzia maior número de feiticeiros e feiticeiras de magia negra , mas acabara por ficar em os Gryffindor , juntamente com Ron e Hermione e o resto de os Weasley . Em o último período , Harry e Ron tinham ajudado os Gryffindor a vencer o campeonato de a equipa , batendo os Slytherin pela_primeira_vez em sete anos . Um rapazito baixinho com cabelo de rato acabava de ser chamado para pôr o chapéu em a cabeça . Os olhos de Harry saltavam de ele para o lugar onde o professor Dumbledore , o director , estava sentado , observando a selecção de a mesa de os professores , com a sua longa barba cor de prata e óculos de meia-lua que brilhavam a a luz de as velas . Alguns lugares a a frente , Harry viu Gilderoy_Lockhart com um manto verde-azulado . E lá bem a o fundo estava Hagrid , enorme e cabeludo , bebendo satisfeito de a sua taça . - Espera aí - murmurou a o Ron . - Há um lugar vazio em a mesa de os professores . Onde estará o Snape ? Severus_Snape era o professor de quem Harry menos gostava . Harry era também o seu aluno menos querido . Cruel , sarcástico e detestado por todos com excepção de os alunos de a sua própria equipa ( Slytherin ) , Snape tinha a seu cargo a cadeira de Poções . - Talvez esteja doente - sugeriu Ron , cheio de esperança . - Talvez se tenha ido embora - lembrou Harry . - Por não lhe terem dado outra_vez a Defesa contra as artes negras . - Ou talvez tenha sido corrido - propôs Ron com entusiasmo . - Afinal , toda_a_gente o detesta ... - Ou talvez - disse uma voz gelada atrás de eles - esteja a a espera que vocês lhe expliquem por_que motivo não vieram em o comboio de a escola . Harry deu uma volta . Em a sua frente , com o manto negro a ondular em uma brisa fria , estava Severus_Snape . O professor era um homem magro , de pele descorada , nariz adunco e um cabelo preto oleoso que lhe caía sobre os ombros . E em aquele momento sorria de um modo tal que Harry sentiu que tanto ele como Ron estavam em sérios apuros . - Sigam me - disse Snape . Sem ousarem sequer olhar um para o outro , Harry e Ron seguiram Snape por as escadas até a o amplo * hall * de entrada que estava iluminado por as chamas de os archotes . De o salão nobre vinha um cheirinho delicioso a comida , mas Snape levou os para longe de a luz e de o calor , em direcção a uma escada estreita de pedra que conduzia a os calabouços . - Entrem - ordenou , abrindo uma porta a meio de o corredor e apontando . Entraram a tremer em o escritório de Snape . As paredes sombrias estavam cobertas de prateleiras cheias de jarros de vidro grosso onde flutuavam as coisas mais diversas e repugnantes , cujo nome Harry não queria de momento conhecer . A lareira estava escura e vazia . Snape fechou a porta e voltou se de frente para eles . - Com que então - disse com falsa suavidade - o comboio não serve para o famoso Harry_Potter e o seu fiel companheiro Weasley . Queriam chegar em grande estilo , não era rapazes ? - Não senhor , foi a barreira em King's_Cross , ela ... - Silêncio - disse Snape friamente . -- _ o que fizeram a o carro ? Ron engoliu em seco . Aquela não era a primeira vez que Snape dava a Harry a impressão de ser capaz de ler pensamentos . Mas , pouco depois , compreendeu tudo quando Snape desenrolou o exemplar de o Profeta_Vespertino . - Vocês foram vistos - afirmou , mostrando lhes o cabeçalho : : __ ford anglia voador confunde __ muggles . Começou a ler alto a notícia . - Dois Muggles em Londres convenceram se de que tinham visto um carro velho a voar sobre a torre de os correios ... a a tardinha em Norfolk , Mrs._Hetty_Bayliss , enquanto pendurava a roupa ... Mr._Angus_Fleet_de_Peebles informou a polícia ... seis ou sete Muggles a o todo . Julgo que o teu pai trabalha em o departamento de mau uso dado a os objectos de os Muggles ? - disse olhando para Ron e sorrindo de uma forma ainda mais sarcástica . - Que peninha , o próprio filho ... Harry sentiu se como_se tivesse levado um soco em o estômago de uma de as maiores pernadas de a árvore louca . E se alguém descobrisse que Mr._Weasley tinha enfeitiçado o carro ? Ele ainda nem tinha pensado em isso . - Reparei durante a minha volta por o jardim que foi feito um estrago considerável em um salgueiro zurzidor extremamente valioso - continuou Snape . - Essa árvore fez nos pior a nós do_que nós ... - deixou escapar Ron . - Silêncio - interrompeu Snape , de_novo . - Infelizmente vocês não fazem parte de a minha equipa e a decisão de vos expulsar não está em as minhas mãos . Vou , por isso , buscar as pessoas que possuem essa feliz possibilidade . Esperem aqui . Harry e Ron olharam , pálidos , um para o outro . Harry perdera a fome . Sentia se agora extremamente agoniado . Tentava não olhar para uma coisa viscosa , suspensa em um líquido verde que estava em uma prateleira por detrás de a secretária de Snape . Se ele fora buscar a professora Mc_Gonagall , chefe de a equipa de os Gryffindor , não estavam muito melhor . Ela era mais justa do_que Snape , mas extremamente severa . Dez minutos mais tarde , Snape voltou e era , de facto , a professora Mc_Gonagall quem o acompanhava . Harry vira a professora Mc_Gonagall zangada , mas , ou se tinha esquecido de como a boca de ela ficava fina , ou nunca a vira tão zangada como em aquele dia . Levantou a varinha em o momento em que entrou . Harry e Ron estremeceram , mas ela limitou se a apontá a para a lareira onde as chamas se elevaram subitamente . - Sentem se - ordenou , e os dois recuaram para as cadeiras junto de o lume . - Expliquem se - disse com os óculos a brilhar de uma forma ameaçadora . Ron enveredou por a história começando por a barreira de a estação que se recusara a deixá os passar . - Por isso não tínhamos escolha , professora , não podíamos chegar a o comboio . - Porque não nos mandaram uma carta por a coruja ? Julgo que tens uma coruja ? - disse friamente a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a Harry . Harry olhou para ela sem saber o que dizer . - Parece me - continuou ela - que seria a coisa mais adequada . - Eu ... não pensei ... - Isso - disse a professora Mc_Gonagall - é bastante óbvio . Ouviu se bater a a porta de o escritório e Snape , que parecia agora mais feliz do_que nunca , foi abrir . Era o director , o professor Dumbledore . Harry ficou totalmente paralisado . Dumbledore tinha uma expressão grave . Olhou para eles de cima de o seu nariz adunco e Harry desejou estar ainda com Ron a levar uma sova de o salgueiro zurzidor . Fez se um longo silêncio . Em seguida , Dumbledore disse lhes : - Por favor , expliquem porque fizeram isto . Teria sido melhor se gritasse . Harry detestou sentir a decepção em a sua voz . Inexplicavelmente era incapaz de olhar Dumbledore em os olhos e falou em direcção a os seus joelhos . Disse lhe tudo excepto que o carro enfeitiçado pertencia a Mr._Weasley , dando a ideia de que ele e o Ron o tinham encontrado estacionado fora de a estação . Sabia que Dumbledore ia ver para_além de isso , mas o director não fez perguntas sobre o carro . Quando Harry terminou continuou a olhar para ele através de os seus óculos . - Nós vamos buscar as nossas coisas - disse Ron em um tom de voz sem esperança . - Que disparate é esse ? - rosnou a professora Mc_Gonagall . -- Então , vão expulsar nos , não vão ? - disse o Ron . Harry olhou rapidamente para Dumbledore . - Ainda não , Mr._Weasley - afirmou Dumbledore . - Mas vou assinalar a gravidade do_que vocês fizeram . Hoje a a noite escreverei a as vossas famílias . Estão também prevenidos que se voltarem a fazer uma coisa como esta não terei outro remédio senão expulsar vos . A expressão de Snape era como_se o Natal tivesse sido cancelado . Pigarreou e disse : - Professor_Dumbledore , estes rapazes infringiram o decreto para a restrição de a feitiçaria de os menores , causaram estragos consideráveis a uma árvore antiga e valiosa ... sem dúvida , actos de esta natureza ... - Cabe a a professora Mc_Gonagall decidir sobre os castigos de os rapazes , Severus - afirmou Dumbledore com toda_a calma . - Pertencem a a equipa de ela e são , portanto , de a sua responsabilidade . - Voltou se para a professora Mc_Gonagall . - Tenho de regressar a o banquete , Minerva , devo dar algumas informações . Venha Severus , há uma tarte de leite e ovos com um aspecto delicioso que quero mostrar lhe . Snape lançou um olhar de puro veneno a o Harry e a o Ron enquanto permitia que o afastassem de o seu escritório , deixando os a sós com a professora Mc_Gonagall que ainda os olhava como uma águia em fúria . - É melhor ires até a a ala hospitalar , Weasley , estás a sangrar . - Não é nada - disse Ron , limpando o corte com a manga para que ela o visse . - Professora , eu gostava de ver a minha irmã ser seleccionada . - A cerimónia de a selecção terminou - disse a professora Mc_Gonagall . - A tua irmã está também em os Gryffindor . - _ óptimo - exclamou Ron . - E por falar em os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall de forma cortante , mas Harry interrompeu a : - Professora , quando tirámos o carro , o ano escolar ainda não tinha começado , por isso os Gryffindor não deveriam perder pontos , pois não ? - terminou olhando a ansiosamente . A professora Mc_Gonagall lançou lhe um olhar penetrante , mas ele era capaz de jurar que ela quase tinha sorrido . Pelo_menos a boca não parecia tão fina . - Não vou tirar pontos a os Gryffindor - tranquilizou o . E o coração de Harry ficou mais leve . - Mas vocês os dois vão ter um castigo . Foi melhor do_que Harry imaginara . O facto de Dumbledore escrever a os Dursley não tinha a menor importância . Harry sabia perfeitamente que eles só lamentariam que o salgueiro zurzidor não o tivesse esmigalhado . A professora Mc_Gonagall ergueu a varinha de_novo apontou a a a secretária de Snape . Um grande prato de sanduíches , duas taças de prata e um jarro com sumo de abóbora gelado apareceram em menos_de um segundo . - Vocês vão comer aqui e , em seguida , vão direitinhos para o vosso dormitório - disse . - Eu também tenho de voltar para a festa . Mal a porta se fechou atrás de ela , Ron soltou baixinho um assobio . - Pensei que estávamos feitos - confessou , agarrando uma sanduíche . - Também eu - disse o Harry , orando também uma . - Mas já viste bem a nossa pouca sorte ? - insistiu o Ron com a boca cheia de frango e fiambre . - O Fred e o George voaram em aquele carro cinco ou seis vezes e nenhum Muggle os viu - engoliu outro pedaço enorme de a sanduíche . - Porque será que não conseguimos passar a barreira ? Harry encolheu os ombros . - Mas temos de ter muito cuidado a_partir_de agora - disse bebendo um grande trago de sumo de abóbora . - Que pena não termos podido ir a o banquete . - Ela não quis que nos exibíssemos - afirmou Ron com prudência . - Não vão as pessoas pensar que é uma boa chegar aqui de carro voador . Quando já tinham comido todas_as sanduíches que queriam ( o prato ia voltando a encher se sozinho ) , levantaram se e saíram de o escritório , seguindo o caminho que lhes era familiar , para a torre de os Gryffindor . O castelo estava em silêncio . Parecia que o banquete tinha acabado . Passaram por retratos murmurantes e armaduras que gemiam e subiram os degraus estreitos de pedra até que , por fim , chegaram a a passagem onde a entrada secreta para a torre de os Gryffindor se encontrava oculta por detrás de o quadro a óleo de uma dama gorda em um vestido cor-de-rosa . - A senha ? - perguntou ela mal os dois se aproximaram . - Er ... Eles ainda não tinham estado com o prefeito de os Gryffindor e por isso ainda não conheciam a senha para o novo ano , mas a ajuda não se fez esperar . Ouviram passos apressados atrás de eles e quando se voltaram viram Hermione que se aproximava . - Aí estão vocês . Onde é_que se meteram ? Correm os boatos mais ridículos , alguém disse que vocês tinham sido expulsos por espatifarem um carro voador . - Bem , expulsos não fomos - tranquilizou a Harry . - Não estás a dizer me que voaram até aqui ? - perguntou Hermione em um tom quase tão severo como a professora Mc_Gonagall . - Dispensa se o sermão - interrompeu Ron impacientemente . - E diz nos a nova senha de passagem . - É crista de pássaro - disse Hermione não contendo a impaciência . - Mas o mais importante não é isso ... Contudo as palavras de ela foram interrompidas ao_mesmo_tempo que o retrato de a dama gorda se abria e se ouvia uma tempestade de aplausos . A o que parecia a equipa de os Gryffindor estava ainda acordada , dentro de a sala comum em forma de círculo , junto de as mesas assimétricas e de os cadeirões moles a a espera que eles chegassem para , de braços estendidos através de o buraco de o retrato , puxarem Harry e Ron para dentro deixando Hermione para o fim . - Sensacional - gritou Lee_Jordan . - Inspirado ! Que entrada ! Voar em um carro e aterrar em o salgueiro zurzidor . Toda_a_gente vai falar de isto durante anos e anos . - Muito bem - disse um aluno de o quinto ano com quem Harry nunca tinha falado . Alguém dava lhe palmadas em as costas como_se ele acabasse de vencer a maratona . Fred e George abriram caminho por_entre a multidão e disseram ao_mesmo_tempo : - Por_que é_que não nos chamaram , hein ? - Ron estava vermelho como um pimentão , sorrindo envergonhado , mas Harry via perfeitamente uma pessoa que não estava nada contente . Percy elevava se acima de as cabeças de os excitados alunos de o primeiro ano e parecia estar a tentar aproximar se para os repreender . Harry deu uma cotovelada a o Ron e apontou em direcção a Percy . Ron percebeu de imediato . - Temos de ir para_cima , um_pouco cansados ! - explicou e os dois começaram a abrir caminho em direcção a a porta que ficava de o outro lado de a sala e que dava para a escada em espiral e para os dormitórios . - ` _ Noite - despediu se Harry_de_Hermione que tinha um ar tão carrancudo como Percy . Conseguiram chegar a o outro lado de a sala comum sempre a levarem palmadas em as costas e alcançaram o sossego de as escadas . Apressaram se a subir e , por fim , chegaram a a porta de o dormitório que tinha agora um letreiro a dizer « Segundos_Anos » . Entraram em o quarto circular , que conheciam tão bem , com as suas cinco camas de dossel adornadas de velado vermelho e as suas janelas altas e estreitas . As malas tinham sido trazidas para_cima e colocadas a os pés de as camas . Ron fez um sorriso culpado . - Sei que não devia ter gostado de aquilo , mas ... A porta de o dormitório abriu se e os outros rapazes de os Gryffindor entraram ; eram eles o Seamus_Finnigan , o Dean_Thomas e o Neville_Loogbottom . - Inacreditável - aplaudiu Seamus . - Incrível - aprovou o Dean . - Espantoso - exclamou o Neville , aterrado . Harry não pôde evitar também um sorriso . VI_Gilderoy_Lockhart_No dia seguinte , contudo , Harry não conseguiu sorrir . As coisas começaram a correr mal logo em o salão durante o pequeno-almoço . Debaixo de o tecto encantado ( em aquele dia triste e cinzento ) estavam as quatro grandes mesas de as equipas e sobre elas , terrinas de papa de aveia , pratos de arenque defumado , montanhas de torradas e pratadas de ovos com * bacon * . Harry e Ron sentaram se em a mesa de os Gryffindor , junto de Hermione que tinha o seu exemplar de * _ Viagens com Vampiros * totalmente aberto , encostado a um jarro de leite . Havia uma certa rigidez em a maneira como ela disse : - ` _ Dia - que mostrou a Harry que continuava a desaprovar o modo como tinham chegado a a escola . Por seu turno , Neville_Longbottom saudou os entusiasticamente . Neville era um rapazinho de cara redonda , muito dado a acidentes , com a pior memória que Harry tinha conhecido . - A entrega de correio deve estar a chegar , acho que a minha avó me vai mandar umas quantas coisas de que me esqueci ... Harry tinha começado a comer as papas de aveia , quando se ouviu um ruído tumultuoso em o ar e umas cem corujas entraram ao_mesmo_tempo , sobrevoando o salão e deixando cair cartas e pacotes em o meio de a multidão faladora . Um embrulho grande e rugoso caiu em a cabeça de Neville e , um segundo depois , uma coisa larga e cinzenta caiu em o jarro de a Hermione , enchendo os a todos de leite e penas . - Errol - gritou o Ron , puxando a coruja esfarrapada por as patas . Errol caíra inconsciente sobre a mesa com as pernas para o ar e um envelope vermelho húmido em o bico . - Oh , não ! - sobressaltou se Ron . - Ela está bem , ainda está viva - tranquilizou o Hermione , tocando suavemente em a Errol com a ponta de o dedo . - Não é isso , é ... aquilo . Ron apontava para o envelope vermelho . Parecera perfeitamente vulgar a Harry , mas Ron e Neville estavam ambos a observá o como_se esperassem que explodisse . - Qual é o problema ? - perguntou Harry . - Ela . Ela mandou me um * gritador * - disse Ron , quase sem voz . - É melhor abrires - aconselhou Neville em um murmúrio tímido - senão é pior . A minha avó uma_vez mandou me um que eu ignorei e ... - engoliu em seco - foi horrível . Harry olhava , ora para as suas caras , ora para o envelope vermelho . - O que é um * gritador * ? - perguntou . - Mas toda_a atenção de o Ron estava fixa em a carta que começara a fumegar por os cantos . - Abre a - intimou o Neville . - De aqui a poucos minutos já passou tudo . Ron estendeu uma mão trémula , retirou o envelope de o bico de a Errol e começou a abri o . Neville pôs os dedos em os ouvidos . Após uma fracção de segundo , Harry compreendeu porquê . Pensou em o primeiro momento que ela explodira . Um ruído ensurdecedor encheu o enorme salão , fazendo cair pó de o tecto . - ... : __ roubar o carro ! não me surpreendia nada se te expulsassem . espera só até te pôr as mãos em cima . será que não paraste para pensar em a nossa aflição quando vimos que o carro tinha __ desaparecido ... Os gritos de Mrs._Weasley , ampliados cem vezes em relação a o seu normal , fizeram os pratos e as colheres chocalhar em a mesa e ecoaram de forma ensurdecedora em as paredes de pedra . Vinha gente de todos os lados espreitar quem tinha recebido o * gritador * e Ron afundou se tanto em a cadeira que só se lhe via a testa carmesim . - ... : __ uma carta de o dumbledore ontem a a noite , o teu pai quase morria de vergonha . não foi esta a educação que te demos , tu e o harry podiam ter __ morrido ... Harry estava a ver quando é_que o seu nome viria a a baila . Tentou o melhor que pôde agir como_se não ouvisse a voz , mas aquilo estava a fazer com que os tímpanos lhe latejassem . - ... : __ profundamente decepcionada , o teu pai vai ter de se confrontar com um inquérito em o trabalho , tudo por tua culpa e , se pisas mais_uma_vez o risco , trago te para __ casa ! Seguiu se um silêncio ressonante . O envelope vermelho , que caíra de as mãos de o Ron , incendiou se e encaracolou se em cinzas . Harry e Ron estavam sentados de boca aberta , como_se uma onda gigante lhes tivesse passado por cima . Algumas pessoas riam e , a os poucos , o ruído de as conversas recomeçou . Hermione fechou o * _ Viagens com Vampiros * e olhou para o topo de a cabeça de Ron . - Bem , não sei o que esperavas , Ron , mas tu ... - Não me venhas dizer que mereci - interrompeu Ron . Harry afastou as papas de aveia . O estômago ardia lhe de culpa . Mr._Weasley tinha um inquérito em o trabalho , depois de tudo_o_que Mr. e Mrs._Weasley tinham feito por ele durante o Verão ... Mas não teve muito_tempo para se demorar em aqueles pensamentos . A professora Mc_Gonagall circulava em volta de as mesas de os Gryffindor distribuindo horários . Harry pegou em o seu e viu que começavam por ter Herbologia , juntamente com os Hufflepuff . Harry , Ron e Hermione saíram juntos de o castelo , atravessaram as hortas e chegaram a as estufas , onde estavam guardadas as plantas mágicas . O * gritador * tivera pelo_menos uma vantagem : Hermione parecia achar que já tinham sido suficientemente castigados e estava de_novo perfeitamente calorosa . Quando estavam a chegar a as estufas viram o resto de a classe de pé , cá fora , a a espera de a professora Sprout . Harry , Ron e Hermione tinham acabado de se lhes juntar quando a viram aproximar se a passos largos por o relvado , acompanhada de Gilderoy_Lockhart . A professora Sprout era uma bruxa pequenina e atarracada que usava um chapéu a os remendos sobre o cabelo solto . As roupas que vestia estavam sempre cheias de terra e as suas unhas fariam a tia Petúnia desmaiar . Gilderoy_Lockhart , pelo_contrário , tinha um ar imaculado em as suas vestes azul-turquesa , o cabelo doirado a brilhar debaixo_de um chapéu azul-turquesa , com uma fita dourada , perfeitamente posicionado sobre a cabeça . - Olá a todos ! - gritou Lockhart , dirigindo se a o grupo de estudantes . - Estive a mostrar a a professora Sprout a maneira correcta de tratar um salgueiro . Mas não quero que fiquem com a ideia de que sou melhor do_que ela em Herbologia . Acontece que encontrei várias de estas plantas exóticas , durante as minhas viagens .... - Estufa número três hoje , meninos ! - disse a professora Sprout que estava visivelmente descontente , bem diferente de a sua habitual natureza bem-disposta . Houve um murmúrio de interesse . Eles só tinham estado uma_vez em a terceira estufa , que era uma estufa que abrigava plantas bem mais interessantes e perigosas . A professora Sprout tirou uma enorme chave de o cinto e abriu a porta . Harry sentiu o bafo de a terra húmida com adubo misturado e o perfume forte de umas flores gigantescas , de o tamanho de guarda-chuvas , que estavam penduradas de o tecto . Ia seguir Ron e Hermione , quando a mão de o Lockhart o travou . -- Harry ! Tenho querido ter uma palavrinha contigo . Não se importa se ele chegar uns minutos atrasado , pois não , professora Sprout ? A julgar por a expressão carregada de a professora Sprout , importava se sim , mas Lockhart disse : - Então até já - e fechou a porta de a estufa em a cara de ela . - Harry ! - disse Lockhart , com os dentes brancos a brilharem a o sol , enquanto abanava a cabeça . - Harry , Harry , Harry ! Harry , totalmente perplexo , não disse uma palavra . - Quando ouvi dizer , bem , é claro que eu tive muita culpa , deviam castigar me também ... Harry não fazia ideia de que estava ele a falar , quando Lockhart prosseguiu : - Nunca me lembro de ficar tão chocado . Fazer voar um automóvel até Hogwarts ! Bem , é claro que eu percebi logo porque o fizeste . Foi um destaque em grande . Harry , Harry , Harry ! Era notável como ele conseguia mostrar todos aqueles dentes brilhantes , mesmo quando não estava a falar . - Criei te o gosto por a publicidade , não foi ? - perguntou Lockhart . - Passei te o bichinho . Apareceste comigo em a primeira página e não podias esperar para aparecer outra_vez ... - Oh , não , professor , sabe é_que ... - Harry , Harry , Harry - disse Lockhart aproximando se e tocando lhe em o ombro . - * _ Eu compreendo * . É natural querer um_pouco mais quando se lhe tomou o gosto , e eu culpo me por te ter dado esse conhecimento , porque era natural que te subisse a a cabeça , mas vê uma coisa , rapazinho , tu não podes começar a fazer voar carros para tentares ser notícia . Tens de acalmar , está bem ? Tens muito_tempo quando fores mais velho . Sim , sim , eu sei o que estás a pensar ! É fácil para ele falar assim , já é um feiticeiro internacionalmente famoso ! Mas quando eu tinha doze anos era tão zé-ninguém como tu és hoje . Em a verdade , era ainda mais . De ti , já meia_dúzia de pessoas ouviram falar , não é ? Toda aquela história com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . - Olhou para a cicatriz luminosa em a testa de Harry . - Eu sei , eu sei , não é o mesmo_que vencer o Prémio de o sorriso de o feiticeiro de a semana cinco vezes seguidas , como eu venci , mas é um começo , Harry , é um começo . Lançou lhe uma piscadela de olhos cordial e foi se embora . Harry ficou atarantado durante alguns segundos . Depois , lembrando se que deveria estar em a estufa , abriu a porta e esgueirou se lá para dentro . A professora Sprout estava de pé , por_detrás_de uma espécie de mesa em o meio de a estufa . Em cima de a mesa estavam cerca de vinte pares de abafo de ouvidos de diferentes cores . Quando Harry estava já em o seu lugar , entre Ron e Hermione , ela disse : - Hoje vamos transplantar Mandrágoras . Muito bem , quem sabe dizer me as propriedades de a Mandrágora ? Não foi surpresa para ninguém que a mão de a Hermione fosse a primeira em o ar . - A Mandrágora tem um efeito reparador muito poderoso - disse Hermione , com o ar mais normal de este mundo , como_se tivesse engolido o livro de texto . - É usada para fazer voltar as pessoas , que foram transfiguradas ou amaldiçoadas , a o seu estado original . - Excelente . Dez pontos para os Gryffindor ! - exclamou a professora Sprout . - A Mandrágora é parte integrante de a maior parte de os antídotos , mas também é perigosa . Quem sabe dizer me porquê ? A mão de Hermione por_pouco não bateu em os óculos de Harry , quando se ergueu de_novo . - O grito de a Mandrágora é fatal para quem o ouve - disse prontamente . - Precisamente . Dou lhe mais dez pontos - disse a professora Sprout . - Agora vejamos , as Mandrágoras que aqui temos são ainda muito jovens . Enquanto falava , apontou para uma fila de tabuleiros com uma certa profundidade e todos se chegaram a a frente para ver melhor . Cerca de uma centena de plantinhas tufosas de um verde arroxeado cresciam em filas . Pareceram perfeitamente vulgares a Harry , que não fazia a menor ideia do_que Hermione queria dizer com o * grito * de a Mandrágora . - Cada_um de vocês pode tirar um par de abafo de ouvidos - disse a professora Sprout . Houve uma competição renhida porque ninguém queria os cor-de-rosa , cheios de penugem . - Quando eu vos disser para os colocar , assegurem se de que os vossos ouvidos estão completamente tapados - disse a professora Sprout . - Logo_que seja seguro retirá os , eu levanto os dedos . Certo , pôr os abafos de os ouvido . Harry pôs imediatamente os abafos em os ouvidos . Eles fecharam completamente o som . A professora Sprout colocou também um par de abafos cor-de-rosa com penugem em os de ela , arregaçou as mangas de a túnica , agarrou uma de as plantas tufosas e puxou com toda_a força . Harry soltou um grito de surpresa que ninguém ouviu . Em_vez_de raízes , um bebé pequenino , enlameado e extremamente feio , saiu de a terra . As folhas cresciam lhe em o alto de a cabeça , tinha uma pele pintalgada de um pálido esverdeado e estava nitidamente a berrar a plenos pulmões . A professora Sprout tirou debaixo de a mesa um grande vaso de plantas e mergulhou lá dentro a Mandrágora , enterrando a em a mistura escura e húmida , até que só as folhas ficassem visíveis . Em seguida , limpou a terra de as mãos , levantou os dedos e todos eles retiraram os abafos de os ouvidos . - Como as nossas Mandrágoras são muito novas , os seus gritos ainda não matam - disse ela com grande calma , como_se tivesse feito algo tão normal como regar uma begónia . - Contudo , podem pôr vos a dormir durante várias horas e , como com certeza nenhum de vocês quer perder o primeiro dia de aulas , vejam se os abafos estão bem colocados enquanto trabalham . Eu chamarei vos a atenção quando for altura de os retirar . - Quatro em cada fila , há aqui uma grande quantidade de vasos , a mistura de terra está em os sacos ali a o fundo e tenham cuidado com a * _ Venomous_Tentacula * , estão a nascer lhe os dentes . Enquanto falava , deu uma pancada seca a uma planta vermelha escura cheia de pontas eriçadas , fazendo a encolher as longas antenas que tinham estado a avançar lenta e dissimuladamente sobre o seu ombro . A Harry , Ron e Hermione veio juntar se em a fila um rapaz de cabelo encaracolado de os Hufflepuff que Harry conhecia de vista , mas com quem nunca tinha falado . - Justin_Finch - _ Fletchey - disse ele com vivacidade , apertando a mão de o Harry . - Conheço te , claro , o famoso Harry_Potter ... e tu és a Hermione_Granger , sempre a primeira em tudo ( Hermione brilhou em um sorriso , como_se ele lhe tivesse apertado a mão ) e Ron_Weasley . Não era teu o carro voador ? Ron não sorriu . Não lhe saía de a cabeça o * gritador * . - Aquele Lockhart é o_máximo , não acham ? - disse Justin satisfeito , enquanto começavam a encher os vasos com composto de adubo de dragão . - Terrivelmente corajoso . Leram os livros de ele ? Eu teria morrido de medo se um lobisomem me tivesse encurralado em uma cabina telefónica , mas ele manteve se calmo e ... zap ... fantástico ! « Eu estava inscrito em Eton , sabem , não imaginam como estou feliz de ter vindo antes para aqui . É claro que a minha mãe ficou um_pouco desiludida , mas depois de lhe ter dado os livros de Lockhart a ler , tenho a impressão de que ela começou a ver a utilidade de ter um feiticeiro bem treinado em a família ... Depois de isso , não tiveram grandes oportunidades para conversar . Voltaram a pôr os abafos de ouvidos e era preciso concentrarem se em as Mandrágoras . A professora Sprout fizera as coisas parecerem extremamente simples , mas não eram . As Mandrágoras não gostavam de sair de a terra mas também não pareciam querer voltar para lá . Elas contorceram se , deram pontapés , agitaram as mãozinhas finas e rangeram os dentes . Harry levou dez minutos inteirinhos a tentar meter uma Mandrágora particularmente gorda dentro_de um vaso . Em o final de a aula , Harry , como todos os outros , estava a suar , cheio de dores e coberto de terra . Regressaram a o castelo a pé para um banho rápido e , em seguida , os Gryffindor apressaram se para assistir a a aula de transfiguração . As aulas de a professora Mc_Gonagall eram sempre complicadas , mas a de aquele dia era particularmente difícil . Tudo_o_que o Harry aprendera em o ano anterior parecia ter se lhe apagado de a memória durante o Verão . Ele deveria ser capaz de transformar uma barata em um botão , mas , tudo_o_que conseguiu foi fazer a barata praticar um imenso exercício , enquanto corria apressadamente por o tampo de a secretária evitando a varinha . Ron estava a debater se com problemas bastante piores . Tinha atado a varinha com uma fita mágica , mas parecia que não havia reparação possível . Não parava de crepitar e lançar faíscas em os momentos mais estranhos e , sempre_que Ron tentava transfigurar a barata , via se envolvido em um fumo cinzento espesso que cheirava a ovos podres . Incapaz de ver o que estava a fazer , o Ron esmagou , por engano , a barata com o cotovelo e teve de ir pedir que lhe dessem outra , o que deixou a professora Mc_Gonagall muito pouco satisfeita . Harry ficou aliviado quando ouviu tocar a campainha para o almoço . Sentia a cabeça como uma esponja espremida . Todos os alunos saíram em fila de a aula excepto ele e Ron que dava furiosas varadas em a secretária . - Coisa estúpida e inútil . - Escreve a os teus pais a pedir outra - sugeriu Harry , enquanto a varinha disparava com estrondo um foguete explosivo . - Ah pois , e receber outro * gritador * em a volta de o correio - respondeu Ron , metendo a varinha que já assobiava , dentro de o saco . - * _ A culpa é toda tua se a varinha está estragada * ... Desceram para o almoço e aí a disposição de o Ron não iria melhorar com Hermione a mostrar lhe uma mão-cheia de botões de casaco , perfeitinhos , que produzira em a transfiguração . - O que temos esta tarde ? - quis saber Harry , mudando rapidamente de assunto . - Defesa contra as artes negras - disse Hermione , sem perder tempo . - Porque é_que tu ... - perguntou Ron , pegando em o horário de ela - desenhaste corações em volta de as aulas de o Lockhart ? Hermione arrancou lhe o horário de as mãos , corando furiosa . Acabaram de almoçar e foram para o pátio carregado de nuvens . Hermione sentou se em um degrau de pedra e enfiou de_novo o nariz em as * _ Viagens com Vampiros * . Harry e Ron ficaram a falar de Quidditch durante alguns minutos antes de Harry se aperceber de que estava a ser observado de perto . Olhando para_cima viu o rapazinho pequenino com cabelo de rato que ele vira experimentar o chapéu seleccionador em a noite anterior , olhando para ele com uma expressão petrificada . Estava agarrado a o que parecia ser uma vulgar máquina fotográfica de os Muggles e , em o momento em que Harry olhou para ele , ficou todo vermelho . - Tudo bem , Harry ? Eu sou Colin_Creevey - disse , faltando lhe o ar e adiantando se a qualquer pergunta . - Estou em os Gryffindor também . Não te importavas que eu tirasse uma fotografia ? - perguntou , levantando a máquina cheio de expectativa . - Uma fotografia ? - repetiu Harry , inexpressivo . - Para eu provar que te conheci - disse Colin_Creevey cheio de ansiedade , continuando : - Eu sei tudo a teu respeito . Toda_a_gente me tem contado como sobreviveste quando O_Quem nós sabemos tentou matar te , como ele desapareceu depois de isso e como ficaste com a cicatriz em forma de relâmpago em a testa ( os seus olhos procuraram a linha de cabelo de Harry ) e um rapaz de o meu dormitório disse que se eu revelasse o filme em a posição certa ele mexia . - Colin respirou fundo , estremecendo de excitação e disse : - Isto_é fantástico , aqui , não achas ? Eu não sabia que todas_as coisas estranhas que fazia eram magia até a o dia em que recebi uma carta de Hogwarts . O meu pai é leiteiro . Também ele não queria acreditar . Por isso estou a tirar montes de fotografias para lhe mandar e era mesmo bom se tivesse uma tua - parecia implorar . - Talvez o teu amigo pudesse tirá a e assim eu ficava a o teu lado . E depois , podias assiná a ? - Assinar fotografias ? Estás a dar fotos autografadas , Potter ? Alta e mordaz , a voz de Draco_Malfoy ecoou em o pátio . Estava parado mesmo atrás_de Colin , ladeado , como sempre andava em Hogwarts , por os seus fortes guarda-costas Crabbe e Goyle . - Ei gente , façam bicha - gritou Malfoy a a multidão . - Harry_Potter está a dar fotos autografadas ! - Não estou coisa nenhuma - disse Harry , zangado , com os punhos em o ar . - Cala a boca , Malfoy . - Tu tens é inveja - começou a dizer Colin , cujo corpo era de o tamanho de o pescoço de Crabbe . - Inveja - repetiu Malfoy que não precisava de gritar mais , metade de o pátio estava a ouvi o . - De quê ? Não preciso de uma cicatriz em a cabeça , muito obrigado . Não acho que ter um corte em a testa torne alguém especial . Crabbe e Goyle riram estupidamente - Vai pastar caracóis , Malfoy - disse o Ron furioso . Crabbe parou de rir e começou a esfregar os nós de os dedos enormes de uma forma ameaçadora . - Tem cuidado , Weasley - escarneceu Malfoy . - Com certeza não queres começar uma rixa ou a tua mãezinha tem de vir cá para te tirar de a escola - e com uma voz aguda e penetrante : - * _ Se voltas a pisar o risco * ... Um grupo de alunos de o quinto ano de os Slytherin que estava ali perto , riu se bastante alto . - O Weasley gostaria de ter uma foto tua autografada , Potter - escarneceu de_novo Malfoy . - Era capaz de valer mais do_que a casa onde ele mora com a família . Ron sacou de a sua varinha amarrada com fita , mas Hermione fechou as * Viagens com Vampiros * com um estrondo e avisou : - Atenção . - O que é isto , o que é isto ? - Gilderoy_Lockhart aproximava se com o seu manto azul-turquesa girando em torvelinho atrás de ele . - Quem está a dar fotos autografadas ? Harry ia começar a explicar , mas foi interrompido quando Lockhart lhe pôs jovialmente o braço em cima de os ombros . - Mas que pergunta a minha ! Cá estamos nós de_novo , Harry ! Preso ao_lado_de Lockhart e a arder de humilhação , Harry viu Malfoy deslizar com o seu sorriso desdenhoso por o meio de a multidão . - Vamos lá então , Mr._Creevey - disse Lockhart , dirigindo se a Colin . - Uma foto dupla , já viu a sua sorte ? E assinamos a os dois para si . Colin ajustou a máquina e tirou a fotografia em o preciso momento em que a campainha tocava para as aulas de a tarde . - Está em a hora , todos para dentro - gritou Lockhart a a multidão e regressou a o castelo levando a o seu lado o Harry que só lamentava não conhecer um feitiço que o fizesse desaparecer . - Uma palavra só , Harry - disse Lockhart paternalmente , enquanto entravam em o edifício por uma porta lateral . - Eu ajudei te há bocado com o jovem Creevey porque se ele estivesse a fotografar me também a mim os teus colegas não reparariam tanto que estavas a exibir te ... Indiferente a a gaguez de Harry , Lockhart arrastou o para um corredor ladeado de alunos que os olhavam espantados e subiram uma escada . - Deixa me só dizer te uma coisa : dar fotografias autografadas em esta fase de a tua carreira , francamente , não é sensato , Harry , parece um_pouco megalómano . Pode ser que um dia mais tarde , tal_como eu , sejas obrigado a assinar para multidões onde quer que vás , mas - fez uma pequena pausa - não me parece que seja o caso , por enquanto . Tinham chegado a a aula de Lockhart e ele largou finalmente o Harry que sacudiu a túnica e foi sentar se em um lugar bem lá atrás onde começou por empilhar os livros de Lockhart a a sua frente para evitar olhar para a criatura . O resto de a aula entrou ruidosamente e Ron e Hermione foram sentar se um de cada lado de Harry . - Tu estavas vermelho como um pimentão - disse o Ron . - Reza para que o Creevey não se torne amigo de a Ginny senão bem podem criar o clube de * fans * de Harry_Potter . - Cala a boca - interrompeu Harry . A última coisa que desejava era que o Lockhart ouvisse a expressão « clube de * fans * de Harry_Potter « . Quando todos estavam em os seus lugares , Lockhart pigarreou alto e fez se silêncio . Ele inclinou se para a frente , pegou em o exemplar de Neville_Longbottom de * _ viagens com Duendes * e levantou o para mostrar a sua fotografia a piscar os olhos em a capa . - Eu - disse apontando para a fotografia e piscando também os olhos - Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , terceiro ano , membro honorário de a Liga_de_Defesa contra as artes negras e cinco vezes vencedor de o prémio de o * _ Feiticeiro de a semana * por o sorriso mais charmoso . Mas não vamos falar de isso , não venci a fada carpideira de Bandon a sorrir para ela ! Esperou que eles se rissem . Alguns alunos sorriram timidamente . - Já vi que todos vocês compraram a minha obra completa . Muito bem . Pensei começar hoje com um pequeno interrogatório escrito . Nada de complicado , só para perceber se leram bem os meus livros e o que apreenderam ... Depois de distribuir as folhas de teste voltou se para os alunos e disse : - Têm trinta minutos . Comecem já . Harry olhou para o papel e leu : *1 . Qual é a cor preferida de Gilderoy_Lockhart ? *2 . Qual é a ambição secreta de Gilderoy_Lockhart ? *3 . Qual é , em a sua opinião , a maior realização de Gilderoy_Lockhart até a o momento ? * E_por_aí adiante , ao_longo_de três páginas , terminando com : *54 . Qual é o dia de aniversário de Gilderoy_Lockhart e qual seria o seu presente preferido ? * Meia_hora mais tarde , Lockhart recolheu os pontos e folhou os rapidamente em frente de os alunos . - Tut , tut , quase ninguém se lembrou que a minha cor preferida é o lilás . Eu digo o em * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves * . Alguns precisam de voltar a ler com mais cuidado * Fim-de - _ Semana com Um Lobisomem * . Eu afirmo claramente em o décimo segundo capítulo que o meu presente de aniversário preferido seria a harmonia entre todos os seres , mágicos e não mágicos , embora não me importasse de receber uma garrafa grande de * whisky * velho de a Ogden's_Old_Firewhisky . Piscou lhes o olho de_novo . Ron olhava para Lockhart com uma expressão de incredulidade em o rosto . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas que estavam sentados a a frente tremiam de tanto conter o riso . Hermione , contudo , ouvia Lockhart com extrema atenção e deu um salto quando ouviu o seu nome . - Mas Miss_Hermione_Granger sabia que a minha ambição secreta era libertar o mundo de o mal e pôr a a venda a minha gama de poções de tratamento de o cabelo . Muito bem - voltou o papel . - Nota máxima ! Onde está Miss_Hermione_Granger ? Hermione ergueu uma mão trémula . - Excelente - bradou Lockhart , exultante . - Leva dez pontos para os Gryffindor . E vamos a o trabalho . Baixou se atrás de a secretária e pegou em uma grande gaiola coberta . - Ficam desde_já a saber , a minha função é preparar vos contra as criaturas mais malignas que a feitiçaria conhece . Vocês podem ter que enfrentar os maiores medos em esta sala . Saibam que nenhum mal vos sucederá comigo aqui . Só vos peço que se mantenham calmos . Ultrapassando os seus sentimentos , Harry espreitou através de a pilha de livros para ver melhor a gaiola . Lockhart colocou uma mão em a tampa . Dean e Seamus tinham deixado de se rir . Neville estava agachado em o seu lugar de a fila de a frente . - Vou pedir vos que não façam barulho - disse Lockhart em voz baixa . - Podem assustá os . Enquanto a aula inteira continha a respiração , Lockhart tirou a cobertura . - Sim - disse em um tom dramático . - Duendes_da_Cornualha recém-capturados . Seamus_Finnigan não conseguiu controlar se . Soltou uma gargalhada que nem Lockhart poderia confundir com um grito de terror . - Sim ? - sorriu a Seamus . - Bem , eles não são , não são perigosos , pois não ? - perguntou a rir . -- Não tenhas tanta certeza de isso - afirmou Lockhart , aborrecido , abanando um dedo , em direcção a Seamus . - Podem ser maçadores e muito traiçoeiros . Os duendes eram de um azul-eléctrico e tinham cerca de vinte centímetros de altura com feições angulosas e umas vozes tão estridentes que era como ouvir uma discussão entre araras . Logo_que o pano foi retirado , começaram a fazer uma enorme algazarra , a andar de um lado para o outro , batendo em as grades e fazendo caretas a as pessoas que estavam mais perto . - Muito bem - disse Lockhart em voz alta . - Vamos então ver o que vocês conseguem fazer de eles - e abriu a gaiola . Foi um pandemónio . Os duendes dispararam em todas_as direcções como foguetes . Dois de eles agarraram o Neville por as orelhas e levantaram o a o ar . Vários outros foram direitos a a janela , fazendo chover vidros partidos até a a fila de trás . Os restantes decidiram destruir a sala com maior eficácia do_que um rinoceronte em fúria . Agarraram em os tinteiros e salpicaram tudo em volta , rasgaram a os bocados livros e papéis , arrancaram os quadros de as paredes , levantaram a o ar a gaiola vazia , agarraram livros e sacos e lançaram nos por a janela de vidros estilhaçados . Em poucos minutos , metade de a aula estava abrigada debaixo de as secretárias e o Neville pendurado em o candelabro de o tecto . - Vamos lá , agarrem nos , agarrem nos , são apenas duendes ... - gritava Lockhart . Arregaçou as mangas , bramiu a varinha e pronunciou * Peshipiksi_Pesternomi ! * As palavras não tiveram o menor efeito . Um de os duendes pegou em a varinha de Lockhart e atirou a também por a janela fora . Lockhart engoliu em seco e mergulhou debaixo de a secretária , não sendo , por um triz , esmagado por o Neville que caiu um segundo depois , quando o candelabro cedeu . A campainha tocou e houve uma louca precipitação para a porta . Em a calma relativa que se seguiu , Lockhart endireitou se , olhou para Harry , Ron e Hermione que estavam quase a chegar a a porta e disse : - Bem , vou pedir vos a os três que prendam o resto de os duendes em a gaiola - passou por eles e fechou rapidamente a porta atrás_de si . - Isto dá para acreditar ? - resmungou o Ron , enquanto um de os duendes lhe mordia com toda_a força uma de as orelhas . - Ele só quer dar nos uma ajuda , permitindo nos ganhar experiência - justificou Hermione , imobilizando dois duendes de uma_vez com um encantamento de paralisação e metendo os de_novo em a gaiola . - Experiência ? - disse Harry , tentando agarrar um duende que dançava com a língua de_fora . - Hermione , ele não sabia nada do_que estava a fazer . - Disparate - retorquiu Hermione . - Leste os livros de ele . Vê só as coisas que ele já fez ! - Que diz que fez - resmungou o Ron . VII_Sangue de lama e murmúrios Harry passou imenso tempo , em os dias que se seguiram , a fugir sempre_que via Gilderoy_Lockhart aproximar se em o corredor . Mais difícil de evitar era Colin_Creevey que parecia ter decorado o horário de Harry . Parecia que nada o emocionava mais do_que dizer : - Tudo bem , Harry ? - seis ou sete vezes por dia e ouvir : - Olá , Colin - por mais exasperado que Harry estivesse quando lhe respondia . A Hedwig ainda estava zangada com Harry por causa de a desastrosa viagem de automóvel e a varinha de o Ron continuava a não funcionar , tendo ultrapassado tudo em a sexta-feira de manhã quando lhe saltou de as mãos em a aula de encantamentos e foi agredir o velho e baixinho professor Flitwick mesmo entre os olhos , deixando uma enorme bolha latejante em o sítio onde tinha batido . Por tudo_isso Harry via chegar , com satisfação , o fim_de_semana Planeava ir em o Sábado de anhã , com Ron e Hermione visitar o Hagrid . Mas foi acordado várias horas mais cedo do_que desejaria por Oliver ood , treinador de a equipa de Quidditch_dos_Gryffindor . - _ o que é_que se passa ? - perguntou Harry , enrolando as palavras . - Treino_de_Quidditch - disse Wood . - Vamos embora . Harry lançou um olhar de esguelha a a janela . Uma neblina fina pairava em o céu rosa e dourado . Agora_que estava acordado não percebia como pudera dormir com a algazarra que os pássaros faziam . - Oliver resmungou Harry . - É de madrugada . - Exacto - respondeu Wood . Era um rapaz alto e corpulento de o sexto ano e em aquele momento os olhos brilhavam lhe loucamente de entusiasmo . - Faz parte de o nosso novo programa de treinos . Anda lá , vai buscar a vassoura e vamos embora - insistiu Wood empenhado . - Nenhuma de as outras equipas começou ainda a treinar . Vamos ser os primeiros este ano ... A bocejar e a tremer um_pouco , Harry saltou de a cama e tentou descobrir as suas túnicas de Quidditch . - Bem , encontramo nos em o campo , dentro_de quinze minutos . Depois de descobrir a sua roupa escarlate de equipa e pôr o manto por cima para se aquecer , Harry escreveu a o Ron um bilhete a explicar onde tinha ido e desceu por a escada de espiral para a sala comum com a sua Nimbos dois inil a o ombro . Tinha acabado de chegar junto de o buraco de o retrato quando ouviu um barulho atrás_de si e viu Colin_Creevey descer a escada de espiral com a máquina fotográfica pendurada a o pescoço a balouçar como louca e uma coisa em a mão . - Ouvi alguém chamar o teu nome em as escadas , Harry olha o que tenho aqui . Revelei a e queria mostrar te . Harry olhou assombrado para a fotografia que Colin lhe espetava em frente de o nariz . Um Lockhart a preto e branco movia se , puxando com toda_a força um braço que Harry reconheceu como sendo o seu . Ficou satisfeito a o constatar que estava a resistir bastante bem , recusando se a ser trazido para a vista de todos . Enquanto Harry observava , Lockhart desistiu e desinteressou se de lutar contra a parte branca de a fotografia . - Assinas para mim ? - pediu Colin entusiasmado . - Não - respondeu secamente Harry , olhando em volta para verificar se o caminho estava livre . - Desculpa_Colin , mas estou cheio de pressa , treino de Quidditch . Passou por o buraco de o retrato . - Oh Uau ! Espera por mim . Eu nunca vi um jogo de Quidditch . Colin trepou por o buraco de o retrato atrás de ele . - Vai ser uma chatice para ti - disse Harry rapidamente , mas Colin ignorou o comentário . Todo o seu rosto brilhava de satisfação . - Tu foste o jogador mais novo de a equipa em cem anos , não foste Harry ? Não foste ? - perguntava Colin , trotando para o acompanhar . - Deve ser fantástico . Eu nunca voei . É fácil ? Essa vassoura é a tua ? É a melhor que há ? Harry não sabia como ver se livre de ele . Era como ter uma sombra que não se calava . - Eu não percebo nada de Quidditch - disse Colin , já sem fôlego . - É verdade que há quatro bolas ? E que duas anda n a voar , tentando fazer os jogadores caírem de as vassouras ? - Sim - disse Harry lentamente , resignado com o ter de lhe explicar as complicadas regras de o Quidditch . - São as * bludgers * . Há dois * beaters * em cada equipa que têm bastões para bater em as * bludgers * e lançá as para o outro lado . O Fred e o George_Weasley são os * beaters * de os Gryffindor . - E para que servem as outras bolas ? - perguntou Colin , saltando uma série de degraus porque ia a olhar para o Harry de boca aberta . - Bem , a * quaffle * , que é a vermelha grandalhona , é a que marca os golos . Três * chasers * em cada equipa lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam fazes a entrar em as balizas que ficam em o extremo de o campo onde há três grandes postes com argolas em as pontas . - E a quarta bola ? - A * snitch * dourada - explicou Harry . - É muito pequenina e veloz e extremamente difícil de agarrar . Mas é isso que o * seeker * tem de fazer , porque o jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * for agarrada . E o * seeker * que conseguir agarrá a ganha para a sua equipa mais cento_e_cinquenta pontos . - E tu és o * seeker * de os Gryffindor , não és ? - perguntou Colin respeitosamente . - Sim - disse Harry enquanto saíam de o castelo e começavam a atravessar o relvado . - E há também o * keeper * que toma conta de os postes . É isto . Mas Colin não parou de fazer perguntas desde os relvados macios até a o campo de Quidditch e Harry só se viu livre de ele quando chegaram a os vestiários . Colin gritou em uma voz aguda : - Eu vou arranjar um lugar , Harry - e apressou se em direcção a as bancadas . O resto de a equipa de os Gryffindor já se encontrava em os vestiários . Wood era o único que tinha aspecto de estar bem acordado . Fred e George_Weasley estavam sentados com olhos de sono e cabelos desgrenhados junto de Alicia_Spinnet de o quarto ano que parecia inclinar se contra a parede que tinha atrás_de si . Os seus companheiros * chasers * , Katie_Bell e Angelina_Johnson bocejavam em frente de ela . - Até que enfim , Harry , porque é_que demoraste tanto ? - perguntou Wood cheio de actividade . - Eu queria ter uma pequena conversa convosco antes de entrarmos propriamente em campo porque passei o Verão a conjecturar um novo programa de treinos que acredito vai estabelecer grandes mudanças . Wood tinha em as mãos um grande mapa de um campo de Quidditch onde estavam desenhadas muitas linhas , setas e cruzes a tinta de várias cores . Pegou em a varinha , bateu com ela em o quadro e as setas começaram a mover se em o mapa como tractores . Enquanto Wood se lançava em um discurso sobre as suas novas técnicas , a cabeça de Fred_Weasley caiu sobre o ombro de Alicia_Spinnet e ele começou a ressonar . O primeiro mapa levou quase vinte minutos a explicar , mas debaixo de esse havia outro e ainda um terceiro . Harry caiu em uma letargia enquanto Wood continuava indefinidamente . - Então - disse por fim o treinador , arrancando Harry de a avidez de uma fantasia sobre o que poderia estar a comer se se encontrasse em aquele momento em o castelo . - Ficou tudo claro ? Alguma pergunta ? - Eu tenho uma pergunta , Oliver - disse George que acordou estremunhado . - Porque não nos explicaste tudo_isso ontem , quando estávamos acordados ? Wood não ficou nada satisfeito . - Ouçam bem , vocês todos - disse , voltando se para eles mal-humorado . - Nós deveríamos ter ganho a taça de Quidditch o ano passado . Somos de longe a melhor equipa , mas , infelizmente , devido_a circunstancias que estão para_além de o nosso controlo ... Harry mudou de posição em a cadeira sentindo se culpado . Estivera inconsciente em o hospital durante o campeonato final de o ano anterior o que fez com que os Gryffindor com um jogador a menos tivessem sofrido a pior derrota de os últimos trezentos anos . Wood levou um momento a controlar se . Era evidente que a última derrota ainda o torturava . - Portanto , este ano vamos fazer um treino mais duro , como nunca se fez . O. _ K. , vamos lá pôr as teorias em prática - gritou , pegando em a vassoura e conduzindo os para fora de o vestiário . Com as pernas trôpegas e ainda a bocejar , a equipa seguiu o . Tinham estado tanto tempo lá dentro que o sol já tinha nascido e brilhava em o céu embora uma réstia de neblina pairasse ainda sobre o relvado de o campo . Quando Harry entrou em campo viu Ron e Hermione sentados em as bancadas . - Ainda não acabaram ? - perguntou Ron em um tom incrédulo . - Ainda nem começamos - explicou Harry , olhando cheio de inveja para a torrada com doce de laranja que Ron e Hermione tinham trazido de o salão . - O Wood tem estado a ensinar nos as jogadas . Subiu para a vassoura e deu um pontapé em o chão , elevando se em o ar . O ar fresco de a manhã bateu lhe em o rosto fazendo o acordar com mais eficácia do_que o longo discurso de Wood . Era maravilhoso voltar a estar em o campo de Quidditch . Voou em volta de o estádio a toda a a velocidade competindo com Fred e George . - Que barulhinho estranho é aquele ? - perguntou o Fred quando deram a volta . Harry olhou para as bancadas . Colin estava sentado em um de os lugares mais altos com a máquina fotográfica em o ar , tirando fotografia sobre fotografia , o som estranhamente ampliado em o estádio deserto . - Olha para ali , Harry , para ali - gritava de forma estridente . - Quem é aquele ? - perguntou Fred . - Não faço ideia - mentiu Harry , disparando a_toda_a velocidade e distanciando se o mais possível de Colin . - O que se passa aí ? - perguntou Wood , franzindo a testa enquanto corria por os ares atrás de eles . - Porque está aquele aluno de o primeiro ano a tirar fotografias ? Não me agrada . Pode ser um espião de os Slytherin a tentar descobrir o nosso novo programa de treinos . - Ele é de os Gryffindor - disse Harry rapidamente . - E os Slytherin não precisam de um espião , Oliver - completou George . - Porque dizes isso ? - perguntou Wood irritado . - Porque estão aqui em peso - disse George , apontando com o dedo . Vários indivíduos com túnicas verdes vinham em aquele momento a entrar em o campo de vassouras em a mão . - Não posso acreditar - reagiu Wood , sentindo se ultrajado . - Eu reservei o estádio para hoje . Já vamos ver como é_que isto fica ! Wood baixou direito a o chão sendo levado por a fúria a aterrar com mais força do_que pretendia e a cambalear um_pouco quando começou a andar seguido de o Harry e de o Ron . - Flint - bradou para o treinador de os Slytherin . - Este é o nosso tempo de treino . Levantámo nos de propósito . Vocês têm de sair de aqui . Marcus_Flint era ainda mais corpulento do_que Wood . Tinha em o rosto uma expressão de duende travesso quando respondeu : - Há espaço para todos , Wood . Angelina , Alicia e Katie tinham vindo também . Em a equipa de os Slytherin não havia raparigas que enfrentassem a o lado de os rapazes os Gryffindor . - Mas eu reservei o estádio - repetiu Wood de modo afirmativo , cuspindo de raiva . - Reservei o . - Ah ! - exclamou Flint . - Mas eu tenho aqui uma licença especial assinada por o professor Snape . * _ Eu , professor Snape , autorizo a equipa de os Slytherin a praticar hoje em o campo de Quidditch devido a a necessidade de treinar o seu novo seeker . * - Têm um novo * seeker * ? - perguntou Wood perturbado . - Onde ? E detrás de as seis figuras corpulentas que tinham em a frente , viram surgir uma sétima : um rapaz mais pequeno com um sorriso afectado espelhado em o rosto pálido e anguloso . Era_Draco_Malfoy . - Não és o filho de o Lucius_Malfoy ? - perguntou Fred , olhando para ele com antipatia . - Curioso que refiras o pai de o Draco - disse Flint enquanto toda_a equipa de os Slytherin sorria de modo grosseiro . - Deixem me mostrar vos a generosa oferta que ele fez a a equipa de os Slytherin . Os sete exibiram as suas vassouras . Sete cabos novos , polidos , com inscrições em letras douradas de as palavras « Nimbus dois_mil_e_um « brilharam a o sol de a manhã , em frente de o nariz de os Gryffindor . - O último modelo . Só chegou em o mês passado - disse Flint , displicentemente , sacudindo a poeira de o cabo de a sua vassoura . - Julgo que ultrapassam de longe as velhas séries de dois_mil . Quanto a as Cleansweeps - sorriu de forma mesquinha para Fred e George que tinham ambos Cleansweep_Fives - essas já só servem para varrer . Nenhum de os Gryffindor foi capaz de abrir a boca em aquele momento . Malfoy sorria tanto que os seus olhos de gelo estavam reduzidos a duas rachas . - Oh vejam - disse Flint . - Uma invasão de o campo . Ron e Hermione atravessavam o relvado para ver o que se passava . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron a o Harry . - Porque não estão a jogar e o que faz ele aqui ? Olhava para Malfoy em as suas vestes de Quidditch . - Sou o novo * seeker * de os Slytherin , Weasley - disse Malfoy com ar presumido . - Têm estado todos a admirar as vassouras que o meu pai comprou para a nossa equipa . Ron olhou de boca aberta para as sete vassouras que tinha em a frente . - São boas , não são ? - disse Malfoy untuosamente . - Mas talvez a equipa de os Gryffindor consiga levantar algum ouro e comprar também vassouras novas . Vocês podiam levar essas Cleansweep_Fives a leilão , talvez algum museu esteja interessado . A equipa de os Slytherin riu se a bandeiras despregadas . - Pelo_menos em os Gryffindor ninguém teve de comprar a sua entrada - disse secamente Hermione . - Entraram todos por mérito próprio . O ar presumido de Malfoy desapareceu . - Ninguém pediu a tua opinião , sangue de lama - cuspiu Malfoy . Harry apercebeu se , de imediato , que Malfoy dissera algo muito grave porque houve uma tremenda algazarra em o seguimento de as suas palavras . Flint teve que se pôr a a frente de o Malfoy para evitar que Fred e George se atirassem a ele . Alicia bradou : - Como te atreves ? - E Ron meteu a mão em as vestes e sacou de a varinha mágica , gritando : - Vais pagar por o que disseste , Malfoy ! - e apontou a , furioso , por debaixo de o braço de Flint , a o rosto de Malfoy . Um enorme estrondo , ecoou em o estádio e um jacto de luz verde saiu por a extremidade errada de a varinha de Ron , atingindo o em o estômago e projectando o para trás em direcção a o relvado . - Ron ! Ron ! Estás bem ? - gritou Hermione . Ron abriu a boca para falar , mas nenhuma palavra saiu . Em vez de isso , teve um vómito imenso e várias lesmas saíram lhe de a boca , indo cair lhe em o colo . A equipa de os Slytherin ficou paralisada de riso . Flint estava dobrado , agarrado a a vassoura nova . Malfoy , a quatro , batia com o punho em a chão . Os Gryffindor rodeavam o Ron , que continuava a vomitar lesmas enormes e reluzentes . Ninguém queria tocar lhe . - É melhor levá o para_casa de o Hagrid . É o mais perto - disse Harry_a_Hermione , que acenou afirmativamente , e os dois arrastaram o Ron por os braços . - O que aconteceu , Harry ? O que aconteceu ? Ele está doente ? Mas tu podes curá o , não podes ? - Colin descera a correr de o lugar onde estava sentado e dançaricava em frente de eles , enquanto abandonavam o campo . Ron teve um novo arremesso e mais lesmas saíram de a sua boca . - Oooh ! - exclamou Colin fascinado , levantando a máquina fotográfica . - Podes mantê o quieto , Harry ? - Sai de a minha frente , Colin - gritou Harry zangado . Ele e a Hermione conseguiram levar o Ron para fora de o estádio , atravessar os campos e chegar a a beira de a floresta . - Está quase , Ron - disse Hermione , mal avistaram o casebre de o guarda de os campos . - Vais ficar bem dentro_de um minuto ... está quase ... Estavam a sessenta metros de a casa de Hagrid , quando a porta de a frente se abriu . Mas não foi Hagrid quem saiu de lá , e sim Gilderoy_Lockhart , em uma túnica cor de malva . - Rápido , vamos esconder nos aqui - sussurrou Harry , arrastando Ron para trás de um arbusto que havia ali perto . Hermione acompanhou o , embora um_pouco relutante . -- É muito simples quando se sabe o que se está fazer ! - gritava Lockhart_para_Hagrid . - Se precisar de ajuda , sabe onde estou . Vou dar lhe um exemplar de o meu livro . Espanta me que ainda não o tenha . Logo a a noite autografo o e envio lhe o . Bem . até a a próxima ! - e afastou se em direcção a o castelo . Harry esperou que Lockhart desaparecesse , antes de puxar o Ron de trás de o arbusto até a a casa de o Hagrid . Bateram ansiosamente . Hagrid apareceu logo com um ar mal-humorado , que se dissipou quando viu quem era . - Já me tinha perguntado quand'é que vocês vinham ver me , entrem , entrem , pensei qu'era outra_vez o professor Lockhart . Harry e Hermione ajudaram Ron a subir o degrau que dava acesso a a cabana de uma divisão com uma cama enorme a um de os cantos e uma lareira a crepitar alegremente em o outro . Hagrid não pareceu perturbado com o problema de as lesmas de o Ron que Harry lhe explicou precipitadamente , logo_que sentou o Ron em uma cadeira . - Melhor saírem de o qu'entrarem - disse , em um tom bem-disposto , colocando uma grande bacia de cobre em frente de ele . - Deita as todas fora , Ron . - Acho que não há mais_nada a fazer , a não ser esperar que isto pare - disse Hermione ansiosamente , vendo Ron inclinar se para a bacia . - É uma maldição muitas_vezes difícil , mas com uma varinha partida ... Hagrid andava de um lado para o outro a preparar o chá . O cão de ele , Fang , babava se em cima de o Harry . - O que é_que o Lockhart queria de ti ? - perguntou o Harry , coçando as orelhas de o Fang . - Ensinar me a tirar espíritos aquáticos com forma de cavalos d'uma nascente d'água - resmungou Hagrid , retirando de a mesa pequena um galo meio depenado e colocando em o seu lugar o bule . - Como s'eu não soubesse . E contar me uma peta qualquer d'uma fada carpideira que ele venceu . Engulo essa chaleira , se uma palavra do_que ele disse for verdade . Não era hábito de Hagrid criticar um professor de Hogwarts e Harry olhou para ele com alguma surpresa . Mas Hermione disse em uma voz mais aguda do_que de costume : - Acho que estás a ser injusto . O professor Dumbledore obviamente achou que era o melhor homem para o lugar ... - Era o único - explicou Hagrid , oferecendo lhes um prato de bombons de melaço enquanto Ron tossia para a bacia . - E não havia mais ninguém . Não é fácil encontrar quem queira dar Artes de magia negra . As pessoas não gostam de essa matéria . Começam a pensar que está amaldiçoada , ninguém ficou muito_tempo a dá a . Mas digam me lá - continuou Hagrid , inclinando a cabeça para Ron - quem é qu'ele estava a tentar amaldiçoar ? - O Malfoy chamou qualquer coisa a a Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si . - Foi grave , sim - disse o Ron com voz rouca , emergindo a a superfície de a mesa , pálido e transpirado . - O Malfoy chamou lhe sangue de lama , Hagrid . - Ron desapareceu outra_vez quando uma nova onda de lesmas fez o seu aparecimento . Hagrid estava indignado . - Não posso crer - exclamou , dirigindo se a Hermione . - Chamou sim - disse ela . - Mas eu não sei o que significa . Percebi que era má educação , claro ... - É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar - explicou Ron novamente . - Sangue de lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles , sabes , filho de pais não mágicos . Há alguns feiticeiros , como a família de o Malfoy que acham que são melhores do_que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro . - Teve um pequeno vómito e uma lesma isolada caiu lhe em a mão aberta . Ele atirou a para a bacia e continuou . -- É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma . Olha_o_Neville_Longbottom , é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito . - E ainda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer - afirmou Hagrid , orgulhoso , fazendo Hermione corar em tons de magenta . - É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém - disse o Ron , limpando o suor de a testa com a mão trémula . - Sangue sujo , sangue vulgar , é um disparate . A maior parte de os feiticeiros hoje_em_dia têm sangue misturado . Se não tivéssemos casado com Muggles tinha sido o nosso fim . Fez um esforço para vomitar e baixou se mais_uma_vez . - Bem , não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá o , Ron - disse Hagrid bem alto enquanto montes de lesmas caíam em a bacia . - Mas , se_calhar , não foi mau de todo teres a varinha a trabalhar ao_contrário . Acho que Lucius_Malfoy teria vindo logo a correr a a escola se tivesses amaldiçoado o filho . Assim , pelo_menos , não estás metido em nenhum sarilho . Harry teria referido que o problema não podia ser pior do_que deitar lesmas por a boca , mas não pôde . Os bombons de melaço tinham lhe colado os maxilares um_ao_outro . - Harry - disse de repente Hagrid como_que movido por um pensamento súbito . - Tens de me explicar uma coisa . Ouvi dizer que tens andado a dar fotografias autografadas . Porque é qu'eu não tenho nenhuma ? A fúria de Harry foi tão grande que os maxilares se libertaram . - Eu não tenho dado fotografias autografadas - disse com vivacidade . Se o Lockhart andou a espalhar isso ... Mas em esse momento viu que Hagrid se estava a rir . - ´ _ tou a brincar - disse , dando uma palmadinha em as costas de Harry e fazendo lhe sinal para se sentar a a mesa . -- Eu sabia que não tinhas . Disse a o Lockhart que tu não precisavas de isso . Es mais famoso do_que ele sem sequer , tentares . - Aposto que ele não gostou de ouvir isso - comentou Harry , sentando se e esfregando o queixo . - Acho que não gostou mesmo - prosseguiu Hagrid com os olhinhos a brilhar . - E disse lhe também que nunca tinha lido nenhum de os livros de ele e ele foi se embora . Um bombom de melaço , Ron ? - perguntou a o vê o reaparecer . - Não , obrigado - disse o Ron com uma voz fraca . - É melhor não arriscar . - Venham ver o qu'eu tenho estado a criar - disse Hagrid quando Harry e Hermione acabaram de tomar o chá . Em a pequena horta atrás de a casa estava uma_dúzia de as maiores abóboras que Harry alguma vez vira . Pareciam enormes blocos de pedra . - Estão a dar se bem , não achas ? - disse Hagrid , feliz . São para a festa de o * _ Hallow'en * . Devem estar bem grandes quando chegar a altura . - O que é_que lhes tens dado como alimento ? - perguntou Harry . Hagrid olhou por cima de o ombro para confirmar se estavam sós . - Bem , tenho estado a dar lhes ... uma pequena ajuda . Harry reparou em o guarda-chuva cor-de-rosa a as florzinhas que estava encostado contra a parede de a cabana . Tivera em o ano anterior motivos para crer que aquele guarda-chuva não era o que parecia . De facto , acreditava que a antiga varinha de escola de Hagrid se encontrava oculta dentro de ele . Hagrid não tinha autorização para usar magia . Fora expulso de Hogwarts em o terceiro ano embora Harry nunca tivesse descoberto o motivo . Qualquer referência a esta questão fazia Hagrid pigarrear bem alto e ficar misteriosamente surdo até mudarem de assunto . -- Um encantamento de absorção , imagino ? - comentou Hermione entre a desaprovação e o divertimento . - Bem , se assim foi , fizeste um bom trabalho . - Foi o que disse a tua irmãzinha - respondeu Hagrid acenando em direcção a Ron . - Encontrei a ontem . - Hagrid olhou de lado para Harry , a barba a contorcer se . - Disse que andava só a ver os campos , mas eu acho qu'ela esperava encontrar alguém em a minha casa - piscou o olho a o Harry . - Se queres que te diga acho qu'ela não recusaria uma fotografia autogr ... - Cala te com isso - disse Harry . Ron desatou a rir e o chão ficou cheio de lesmas . - Cuidado - resmungou Hagrid , afastando Ron de as suas preciosas abóboras . Estava quase em a hora de o almoço e , como o Harry só tinha provado um bombom de melaço desde manhã cedo , estava ansioso por chegar a a escola para ir comer . Despediram se de o Hagrid e regressaram a o castelo . O Ron a vomitar de vez em quando , mas deitando só duas pequenas lesmas . Mal tinham pisado a entrada de o vestíbulo quando ouviram uma voz . - Aí estão vocês , Potter , Weasley . - A professora Mc_Gonagall vinha em direcção a eles com o seu ar severo . - Vocês os dois vão ter as punições hoje a a tarde . - O que é_que vamos fazer , professora ? - perguntou o Ron nervoso , deixando cair uma lesma . - Tu vais limpar as pratas em a sala de os troféus com Mr._Filch - disse a professora Mc_Gonagall . - E nada de mágicas , Weasley , trabalho com esforço . Ron engoliu em seco . Argus_Filch , o encarregado , era odiado por todos os alunos de a escola . - E tu , Potter , vais ajudar o professor Lockhart a responder a as cartas de as suas fãs - ordenou a professora Mc_Gonagall . - Oh , não ! Não posso ir também trabalhar em a sala de os troféus ? - pediu Harry em desespero de causa . - Nem pensar em isso - respondeu a professora Mc_Gonagall , erguendo as sobrancelhas . - O professor Lockhart requisitou te especialmente a ti . _ a as oito_em_ponto , os dois . Harry e Ron entraram em o salão em um estado de profundo desanimo com a Hermione atrás , ostentando uma expressão de * bem-voces-quebraram-as-regras-da-escola * . Harry não saboreou o empadão de carne como teria desejado . Tanto ele como o Ron achavam que tinham tido o pior de os castigos . -- O Filch vai reter me lá toda_a noite - disse Ron , desanimado . - Sem mágica ! Deve haver umas cem taças em aquela sala , eu não sei fazer limpeza de Muggles . - Eu trocava contigo de boa_vontade - confessou Harry em uma voz surda . - Tive montes de prática com os Dursleys . Responder a o correio de fãs de o Lockhart , que pesadelo ... A tarde de sábado pareceu derreter se . Pouco depois eram já cinco para as oito e Harry arrastava se até a o corredor de o segundo andar onde ficava o escritório de o Lockhart . Rangendo os dentes , bateu a a porta . A porta abriu se imediatamente e Lockhart dirigiu se lhe . - Ah , cá está o patifório ! - exclamou . - Entra , Harry , entra . Em as paredes , brilhando à_luz_de muitas velas , podia ver se uma infinidade de fotografias de Lockhart . Algumas de elas até assinadas . Sobre a secretária estava outro monte enorme . - Podes pôr as moradas em os envelopes - disse Lockhart_a_Harry , como_se fosse uma grande ameaça . - O primeiro é para Gladys_Gudgeon , abençoada seja , uma grande fã minha . Os minutos passavam lentos . De vez em quando , Harry ouvia a voz de Lockhart dizendo : - Mmm - e - certo - e - sim . - De vez em quando , apanhava uma frase como : - A fama é versátil , amigo Harry - ou - Só é célebre quem faz por isso , nunca te esqueças . As velas ardiam cada_vez com maior lentidão , fazendo a luz dançar sobre as muitas caras de Lockhart que o olhavam . Harry passava a mão , já dorida , sobre o que devia ser o centésimo envelope , escrevendo a morada de Verónica_Smethley . « Deve estar quase em a hora de me ir embora » , pensou , sentindo se profundamente infeliz , « por favor , faz com que esteja em a hora ... » E então ouviu algo , algo totalmente diferente de o crepitar de as velas e de os ditos de Lockhart sobre as suas fãs . Era uma voz , uma voz de arrepiar os ossos , de cortar a respiração , de veneno frio . - * _ Vem ... vem ter comigo ... deixa me rasgar te ... cortar te ... matar te * ... Harry deu um salto e uma enorme mancha lilás surgiu em a rua de Verónica_Smethley . - O quê ? - disse ele em voz alta . - Eu sei - exclamou Lockhart . - Seis meses inteirinhos em o topo de a lista de * bestsellers * , bati todos os recordes ! - Não - disse Harry nervosíssimo - aquela voz ! - Como ? - perguntou Lockhart , com um ar confuso . - Que voz ? - Aquela , aquela voz que disse ... não ouviu ? Lockhart olhava para Harry com o maior espanto . - De que é_que estás a falar , Harry ? Estás a ficar com sono ? Meu Deus , olha , só estamos aqui há quase quatro horas , quem diria ? O tempo passou a correr , não é verdade ? Harry não respondeu , estava a fazer um esforço para ouvir de_novo a voz , mas o único som que ouviu foi Lockhart a dizer lhe que não esperasse um tratamento igual de as próximas vezes que fosse castigado . Harry saiu , sentindo se atordoado . Era tão tarde que a sala comum de os Gryffindor estava quase vazia . Harry foi directamente para o dormitório . Ron ainda não tinha voltado . Vestiu o pijama , meteu se em a cama e esperou . Meia_hora mais tarde , chegou o Ron agarrado a o braço direito e inundando o quarto escuro de um forte cheiro a limpa-pratas . - Doem me todos os músculos - resmungou , metendo se em a cama . - Ele fez me polir catorze vezes aquela taça de Quidditch até estar satisfeito . E depois tive outro vómito em_cima_de um troféu de Reconhecimento por serviços prestados a a escola . Demorei séculos a limpar o muco de as lesmas . Como correram as coisas com o Lockhart ? Em voz baixa para não acordar o Neville , o Dean e o Seamus , Harry contou lhe , palavra por palavra , o que tinha ouvido . - E Lockhart disse que não ouviu nada ? - perguntou o Ron . Harry viu o franzir a testa , a a luz de o luar . - Achas que estava a mentir ? Mas , não percebo , mesmo um ser invisível teria aberto a porta . - Eu sei - disse Harry , encostando se a a cama e olhando para o dossel . - Também não compreendo . VIII_A festa de o dia de os mortos Outubro chegou , espalhando um frio húmido por os campos e por os cantos de o castelo . Madam_Pomfrey , a enfermeira-chefe , esteve bastante ocupada com uma onda de constipações que afectou professores e alunos . A sua poção de pimentão entrou imediatamente em acção apesar_de deixar quem a tomava com fumo em os ouvidos durante várias horas . Ginny_Weasley , que andava com ar adoentado , foi convencida a tomá a por o Percy . O fumo que saía por debaixo de o seu cabelo ruivo dava a impressão de que toda_a cabeça estava em fogo . Gotas de chuva de o tamanho de balas agrediram as janelas de o castelo durante dias a fio . O lago rosado e os canteiros de flores tornaram se regatos lamacentos e as abóboras de o Hagrid incharam ficando de o tamanho de alpendres de jardim . Contudo , o entusiasmo de Oliver_Wood por as sessões de treino regular não foi abalado , motivo por o qual Harry iria regressar a a torre de os Gryffindor , em um sábado a a tarde de temporal , alguns dias antes de o * _ Hallowe'en * , ensopado até a os ossos e todo enlameado . Além de a chuva e de o vento , não fora um treino feliz . Fred e George que tinham andado a espiar a equipa de os Slytherin tinham visto com os seus próprios olhos a velocidade alucinante de aquelas novas Nimbus dois_mil_e_um e comentaram que a equipa em o ar parecia composta por sete manchas esverdeadas que disparavam a_toda_a velocidade como aviões a jacto . Enquanto Harry chapinhava a o longo de o corredor deserto , cruzou se com alguém que parecia tão preocupado como ele : Nick quase sem cabeça , o fantasma de a torre de os Gryffindor que olhava taciturno , por a janela , murmurando baixinho : - Não preenche os requisitos , um centímetro e meio se ... - Olá , Nick - cumprimentou Harry . - Olá , olá - disse o Nick quase sem cabeça , começando a olhar em volta . Usava um arrebatado chapéu de plumas sobre a longa cabeleira encaracolada e uma túnica com gola de tufos que disfarçava o facto de ter o pescoço quase totalmente separado de o corpo . Era pálido como o fumo e Harry podia ver através de ele o céu negro e a chuva torrencial , lá fora . - Pareces preocupado , jovem Potter - disse Nick , dobrando uma carta transparente , enquanto falava e escondendo a dentro de a jaqueta . - Tu também - retorquiu Harry . - Ah ! - o Nick quase sem cabeça acenou com a mão de forma elegante . - Uma questão sem importância . Não é_que eu quisesse realmente participar apesar_de me ter inscrito , mas , a o que parece , não preencho os requisitos . - Apesar de o seu tom jovial havia em o seu rosto uma grande amargura . - Mas era de esperar , ou não era - exclamou subitamente , tirando a carta de o bolso - que ter levado quarenta_e_cinco golpes em a cabeça com um machado ferrugento me qualificaria para entrar em o grupo de os Sem - _ Cabeça ? - Sim , sim - respondeu Harry que obviamente o outro esperava que concordasse . - Isto_é , ninguém mais do_que eu desejaria que tudo tivesse sido rápido e perfeito , poupava me muitas dores e ridículo . Mas ... O Nick quase sem cabeça abriu , furioso , a carta e leu : * _ Só podemos aceitar em o grupo homens cuja cabeça tenha sido separada de o corpo . Compreenderá que de outro modo seria impossível a os nossos membros participarem em actividades como equitação de malabarismos com a cabeça e pólo de cabeça . Lamentamos profundamente informá o de que não preenche os requisitos . * _ Os nossos melhores cumprimentos , Sir_Patrick_Delaney - _ Podmore * Furioso , o Nick quase sem cabeça atirou fora a carta . - Um centímetro de pele e tendões a segurarem me a cabeça , Harry ! A maior parte de as pessoas acharia que era mais do_que o suficiente , mas não serve para o senhor correctamente decapitado Podmore . Nick quase sem cabeça respirou fundo várias vezes e , por fim , em um tom bastante mais calmo perguntou : - Então o que é_que te preocupa ? Alguma coisa que eu possa fazer por ti ? - Não - respondeu Harry . - A_não_ser_que saibas onde posso arranjar sete Nimbus dois_mil_e_um , de_graça , para o nosso campeonato contra os Sly ... - o resto de a frase foi afogada por um miado agudo vindo de perto de os seus tornozelos . Olhou para baixo e deu consigo a fitar um par de olhos que pareciam duas lâmpadas amarelas . Era_Mrs._Norris , a gata cinzenta e esquelética usada por o encarregado Argus_Filch como uma espécie de polícia em a sua infindável batalha contra os estudantes . - É melhor saíres de aqui , Harry - preveniu Nick com toda_a calma . - O Filch não está nada bem-disposto . Anda engripado e alguns alunos de o terceiro ano , por acidente , encheram o tecto de o calabouço cinco de miolos de rã . Ele tem andado toda_a manhã a limpar e se te vê a encher tudo de lama ... - Certo - disse Harry , recuando e afastando se de o olhar acusador de Mrs._Norris , mas ... tarde de mais . Conduzido até ali por o misterioso poder que parecia ligá o a a gata , Argus_Filch entrou subitamente por uma tapeçaria que se encontrava a a direita de Harry , com a sua respiração asmática , olhando vivamente em volta em busca de o infractor . Tinha um lenço grosso , de xadrez , a a volta de a cabeça e o nariz invulgarmente arroxeado . - Imundície - gritou com os maxilares a tremer e os olhos a saltarem lhe de as órbitas , enquanto apontava para a poça de lama que pingara de a túnica de Quidditch_de_Harry . - Desarrumação e imundície em todo o lado . Estou farto disto , segue me , Potter . Harry despediu se de o Nick quase sem cabeça com um tímido aceno e seguiu Filch até lá abaixo , duplicando o número de pegadas lamacentas em o chão . Nunca entrara em o gabinete de o Filch . Era um lugar que a maior parte de os estudantes evitava . A divisão era sombria e sem janelas , iluminada por uma única lamparina de óleo que pendia de o tecto . Sentia se um vago cheiro a peixe frito . As paredes estavam forradas por ficheiros de madeira . Por as etiquetas Harry percebeu que continham os dados de todos os alunos que Filch tinha punido . Fred e George_Weasley tinham uma gaveta só para eles . Atrás de a secretária estava pendurada uma colecção bem polida de correntes e algemas . Todos sabiam que ele estava sempre a pedir a Dumbledore que o deixasse pendurar os alunos em o tecto por os tornozelos . Filch pegou em uma pena que estava sobre a secretária e começou a procurar o pergaminho . - Bosta - murmurou , furioso . - Bosta de dragão , miolos de rã , intestinos de ratazana ... eu tinha aqui bastante , onde está o form ... sim ... Tirou um enorme rolo de pergaminho de a gaveta de a secretária e estendeu o em a frente , molhando a longa pena em o tinteiro . - Nome : Harry_Potter . Crime ... - Foi só um bocadinho de lama - disse Harry . - É só um bocadinho de lama para ti , rapaz , mas para mim é mais de uma hora a esfregar - gritou Filch com um pingo a tremer de modo desagradável em a extremidade de o nariz bolboso . - Crime : manchar o castelo . Sentença proposta ... Esfregando o nariz que continuava a pingar , Filch olhou com má cara para Harry que esperava com a respiração entrecortada para ouvir a sentença . Mas quando Filch pegou em a pena ouviu se um estrondo enorme em o tecto que fez a lamparina apagar se . - PEEVES - resmungou Filch , pousando a pena , cheio de raiva . - Desta_vez apanho te . Apanho te ! E sem olhar para trás , saiu a correr a_toda_a velocidade de o gabinete , seguido de a gata , Mrs._Norris . Peeves era o * poltergeist * de a escola , uma ameaça de risota esvoaçante que vivia para fazer estragos e criar aflição . Harry não gostava lá muito de ele , mas desta_vez , não podia deixar de lhe estar grato . Na_melhor_das_hipóteses o que Peeves tivesse feito ( e parecia que agora ele destruíra qualquer coisa em grande ) distrairia Filch_de_Harry . Pensando que o melhor seria esperar que ele voltasse , Harry deixou se cair em uma cadeira carcomida por o tempo que se encontrava junto de a secretária . Havia uma coisa sobre o tampo : um grande envelope roxo e lustroso com letras prateadas em a frente . Lançando um olhar rápido a a porta para confirmar que Filch não estava de volta , Harry pegou lhe e leu : __ feitiço __ rápido Um curso por correspondência De iniciação a a magia Cheio de curiosidade , abriu o envelope e retirou o rolo de pergaminho . Uma letra curvilínea e prateada dizia : Sente se pouco a a vontade em o mundo de a magia moderna ? Dá consigo a arranjar desculpas para não fazer feitiços simples ? Tem sido censurado por o deplorável trabalho com a varinha ? Eis a resposta ! Feitiço rápido e um curso totalmente novo , infalível , de resultados rápidos e rápida aprendizagem . Centenas de bruxas e feiticeiros têm beneficiado de o método feitiço rápido ! Madam_Z._Nettles_de_Topsham escreve nos : Eu não conseguia fixar os encantamentos e as minhas poções eram alvo de risota em a família . Agora , depois de o curso feitiço rápido , tornei me o centro de as atenções em todas_as festas e os meus amigos não param de pedir me a receita de a minha brilhante solução ! O mágico D.J._Prod , de Disbury , afirma : A minha mulher costumava rir se de os meus fracos encantamentos , mas bastou um mês com o vosso fabuloso curso feitiço rápido e consegui transformá a em um iaque . Obrigado , feitiço rápido ! Fascinado , Harry folheou o resto de o conteúdo de o envelope . Para que diabo quereria o Filch um curso de feitiço rápido ? Não seria ele um feiticeiro a sério ? Harry estava a ler a lição número um : Pegando em a varinha ( algumas dicas úteis ) quando umas passadas arrastadas , lá fora , o preveniram de que Filch estava de volta . Metendo rapidamente o pergaminho dentro de o envelope , lançou o para_cima de a secretária em o preciso momento em que a porta se abriu . Filch ostentava um ar triunfante . - Aquele armário que desapareceu era extremamente valioso - vinha ele a dizer a a gata , Mrs._Norris . - Desta_vez vamos correr com o Peeves , minha linda . Os seus olhos recaíram sobre Harry e logo_a_seguir sobre o envelope de o feitiço rápido que , Harry apercebeu se tarde de mais , estava meio metro distanciado de o seu lagar inicial . O rosto pálido de Filch tornou se vermelho escarlate . Harry preparou se para uma nova onda de fúria . Filch coxeou até a a secretária , arrebatou o envelope e meteu o em uma gaveta . -- Chegaste a ... lê o ? - perguntou atabalhoadamente . - Não - mentiu Harry , sem perder tempo . As mãos nodosas de o Filch contorciam se ao_mesmo_tempo . - Se eu soubesse que ias ler a minha correspondência priv ... não que seja minha ... é para um amigo ... mesmo_assim ... Harry olhava para ele espantado . Nunca vira o Filch tão louco . Os olhos pareciam querer saltar lhe de as órbitas , com um tique em as bochechas e aquele lenço axadrezado que não ajudava nada ... - Muito bem , vai e não abras a boca sobre isto ... não que ... mesmo_assim ... se tu não leste ... vai te embora , tenho de escrever o relatório sobre o Peeves , vai . Atordoado com a sua sorte , Harry saiu de ali e largou a correr por o corredor fora e por as escadas acima . Sair de o gabinete de o Filch sem um castigo devia ser um recorde em a escola . - Harry , Harry , deu resultado ? O Nick quase sem cabeça saiu a brilhar de uma sala de aula . Atrás de ele , Harry pôde ver os destroços de um grande armário preto e dourado que parecia ter sido atirado de uma grande altura . - Convenci o Peeves a parti o mesmo em cima de o gabinete de o Filch - disse Nick entusiasmado . - Pensei que talvez o distraísse . - Foste tu ? - exclamou Harry , agradecido . - Funcionou sim . Ele não me deu nenhum castigo . Obrigado , Nick . Atravessaram o corredor juntos . O Nick quase sem cabeça , reparou Harry , ainda tinha em a mão a carta de Sir_Patrick . - Gostaria de poder fazer qualquer coisa sobre o grupo de os Sem - _ Cabeça - disse Harry . O Nick quase sem cabeça parou de repente e Harry passou através de ele . Antes não tivesse passado , foi como atravessar um duche gelado . - Mas há uma coisa que tu podes fazer por mim - disse Nick muito agitado . - Harry , seria pedir te de mais ... mas não , tu não ias querer ... - O quê ? - Bem , este ano em o * _ Hallowe'en * vai ser o meu meio milénio de dia de os mortos - disse o Nick quase sem cabeça endireitando se e adquirindo uma postura de grande dignidade . - Oh - respondeu Harry sem saber se deveria lamentar ou dar lhe os parabéns . - Certo . - Vou dar uma festa em um de os calabouços mais amplos . Vêm amigos meus de todo o país . Seria uma honra muito grande se tu aparecesses . Mr._Weasley e Miss_Granger seriam também muito bem-vindos , claro . Mas tu deves preferir o banquete de a escola , não é verdade ? - Olhou para Harry , aflito . - Não - assegurou ele rapidamente . - Eu vou . - Oh rapaz , Harry_Potter em a minha festa de os mortos - hesitou no_meio_de toda aquela excitação . - Achas que poderias referir a Sir_Patrick como me achas assustador e como te impressiono ? - É claro que sim - assegurou Harry . O Nick quase sem cabeça iluminou se em um sorriso . - Uma festa de os mortos ? - exclamou Hermione , entusiasmada , quando Harry , depois de mudar de roupa , se juntou a ela e a o Ron em a sala comum . - Aposto que não há muitas pessoas que possam gabar se de ter estado em uma festa de essas . Vai ser fantástico ! - Por_que é_que alguém se lembraria de festejar o dia em que morreu ? - perguntou o Ron que estava a meio de o seu trabalho de casa de poções e bastante maldisposto . - Parece me bastante mórbido . A chuva continuava a lamber as janelas que apresentavam agora um negro que parecia tinta , mas , lá dentro , era tudo claro e alegre . O fogo em a lareira brilhava sobre as inúmeras cadeiras de braços onde as pessoas estavam sentadas a ler , a conversar , a fazer os trabalhos de casa ou , no_caso_de Fred e George_Weasley , a tentar descobrir o que aconteceria se alimentassem uma salamandra com fogo-de-artíficio de o Filibuster . O Fred tinha « resgatado . o lagarto cor de laranja brilhante , morador de o fogo , de uma aula de tratamento de seres mágicos e ele estava agora a arder em fogo lento sobre uma mesa , rodeado de um grupo de curiosos . Harry ia começar a contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre o Filch e o curso de feitiço rápido quando a salamandra disparou por os ares , lançando faíscas e estoiros . A visão de Percy a gritar com Fred e George até ficar ronco , a fantástica exibição de estrelas cor de tangerina que choviam de a boca de a salamandra e a sua fuga para o lume acompanhada de explosões , fizeram com que Harry se esquecesse , em aquele momento , de Filch e de o curso de feitiço rápido . Quando chegou o * _ Hallowe'en * , Harry já lamentava a sua promessa imprudente de ir a a festa de os mortos . Toda_a escola antecipava , feliz , a sua festa de * _ Hallowe'en * . O salão nobre fora enfeitado com os habituais morcegos , as enormes abóboras de Hagrid tinham sido esculpidas em forma de lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro_de cada uma , e havia boatos de que Dumbledore contratara um grupo de esqueletos bailarinos para animar a festa . - Uma promessa é uma promessa - lembrou Hermione_a_Harry com o seu autoritarismo habitual . - Tu disseste que ias a a festa de os mortos . Portanto , a as sete_da_tarde , Harry , Ron e Hermione saíram , passando por a porta de o salão nobre que brilhava de modo convidativo com pratos dourados e velas e dirigiram os seus passos para os calabouços . O corredor que conduzia a a festa de o Nick quase sem cabeça tinha sido também ladeado de velas , embora o efeito estivesse longe_de ser alegre : estas eram velas muito esguias e estreitas , negras de breu , ardendo em um azul brilhante e lançando uma luz indistinta e espectral também sobre as caras de as pessoas vivas . A temperatura diminuía a cada degrau que desciam . Harry tremia e cingia a túnica a o corpo quando ouviu qualquer coisa que parecia uma centena de unhas a rasparem um enorme quadro preto . - Será que isto_é a música ? - murmurou Ron . Viraram uma esquina e viram o Nick quase sem cabeça junto de uma porta , todo vestido de veludo negro . - Meus queridos amigos - disse com ar de luto . - Bem-vindos , bem-vindos , ainda_bem que puderam vir . Em um gesto largo tirou o chapéu de plumas e fez lhes sinal para que entrassem . Era uma visão incrível . O calabouço estava cheio com centenas de pessoas de um branco pálido e translúcido , a maior parte de as quais era arrastada em uma pista de dança cheia , valsando a o som de trinta serrotes musicais . Os serrotes que compunham a orquestra encontravam se sobre um estrado enfeitado com panos negros . Um lustre lá em cima resplandecia de um azul nocturno com mais um_milhar de velas negras . A respiração de os três subiu em o ar como uma neblina . Parecia que tinham entrado em um congelador . - Vamos dar uma volta - sugeriu Harry em uma tentativa de aquecer os pés . - Cuidado , não atravessem nenhum de eles - avisou o Ron nervosamente e colocaram se em volta de a pista de dança . Passaram por um grupo escuro de freiras , por um homem esfarrapado e cheio de correntes e por o frade gordo , o divertido fantasma de os Hufflepuff que estava a conversar com um cavaleiro com uma seta enfiada em a testa . Harry não ficou nada surpreendido a o ver que o Barão sangrento , o fantasma lúgubre e berrante de os Slytherin , coberto de nódoas de sangue ; estava a ser totalmente evitado por os outros fantasmas . - Oh ! Não -- exclamou Hermione , parando bruscamente . - Voltem se , voltem se , não quero ter de cumprimentar a Murta_Queixosa . - Quem ? - perguntou Harry enquanto davam rapidamente meia volta . - Ela assombra a casa_de_banho de as raparigas de o primeiro andar - explicou Hermione . - Assombra uma casa_de_banho ? - Sim . Está inoperativa durante todo o ano porque ela tem constantes acessos de choro e inunda tudo . Eu só lá fui quando não pode mesmo evitar . É horrível tentar ir a a sanita com ela a gritar connosco . - Olhem , comida - disse o Ron . De o outro lado de o calabouço estava uma mesa igualmente coberta de velado negro . Iam para se aproximar entusiasmados , mas pararam com uma expressão de horror . O cheiro era nauseabundo . Enormes peixes podres enchiam as bonitas travessas de prata , os bolos estorricados como carvões amontoavam se em as salvas , havia uma grande quantidade de miúdos de macaco , uma tábua de queijos cobertos de bolor e , em o lugar de honra , um enorme bolo cinzento em forma de lápide com letras que pareciam alcatrão formando as palavras , * _ Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington_Morto em 31_de_Outubro , 1492 * . Harry olhou espantado quando um fantasma de porte majestoso se aproximou de a mesa inclinando se e passando através de ela com a boca aberta enquanto atravessava um salmão malcheiroso . - Consegue prová o passando através de ele ? - perguntou lhe Harry . - Quase - disse tristemente o fantasma antes de se afastar . - Devem ter deixado apodrecer tudo_isto para ter um sabor mais forte - comentou Hermione com ar de quem está bem informada , tapando o nariz e aproximando se para ver melhor os pútridos miúdos de macaco . - Podemos sair de aqui , estou a sentir me agoniado - disse o Ron . Mas mal tinham dado meia volta quando um homenzinho pequenino saiu inesperadamente de debaixo de a mesa e fez uma paragem em o ar em frente de eles . - Olá , Peeves - disse Harry cautelosamente . Ao_contrário de os outros fantasmas que os rodeavam , Peeves , o * poltergeist * era o oposto de pálido e transparente . Usava um chapéu festivo cor de laranja , um laço rotativo a o pescoço e tinha um sorriso grosseiro de malvadez , em o rosto . - Querem petiscar ? - perguntou delicadamente , oferecendo lhes uma taça de amendoins cobertos de fungos . - Não , obrigada - disse Hermione . - Ouvi te falar sobre a pobre Murta - disse Peeves com os olhos a bailar . - Que insensível que tu foste para com a pobre Murta - respirou fundo e gritou : - Oh Murta . - Oh ! Não , Peeves , não lhe contes o que eu disse , ela vai ficar muito aborrecida - murmurou Hermione bastante nervosa . - Eu não queria dizer que ... eu não me importo que ela , er , olá , Murta . O espectro atarracado de uma rapariga deslizara . Tinha o rosto mais carrancudo que Harry alguma vez vira , meio escondido por o cabelo liso e por os óculos grossos cor de pérola . - O que é ? - perguntou mal-humorada . - Como estás Murta ? - perguntou Hermione , em uma voz falsamente alegre . - É bom ver te fora de a casa_de_banho . Murta fungou . - Miss_Granger estava justamente a falar de ti - disse lhe Peeves baixinho a o ouvido . - A dizer , a dizer ... como estás bonita esta noite -- terminou Hermione , olhando irritada para Peeves . A Murta olhou para Hermione desconfiada . - Estão a divertir se a a minha custa - disse , com lágrimas de prata a encherem lhe rapidamente os olhos pequeninos . - Não , a sério , eu não estava a dizer vos como a Murta estava bonita esta noite ? - disse Hermione , dando uma palmada em as costas de o Harry e de o Ron . - Sim , sim . - Ela ... - Não me venham com mentiras - protestou a Murta , as lágrimas agora a descerem lhe por o rosto , enquanto Peeves ria baixinho por cima de o ombro de ela . - Julgam que eu não sei o que as pessoas me chamam em as minhas costas ? A Murta gorda , a Murta feia , a Murta queixosa , a Murta deprimida ! - Esqueceste te de « a Murta ponto negro » - sussurrou lhe Peeves a o ouvido . A Murta_Queixosa irrompeu em soluços de angústia e fugiu de o calabouço . Peeves disparou atrás de ela , lançando lhe uma chuva de amendoins cheios de bolor e gritando : Ponto negro ! Ponto negro ! - Oh , coitada ! - exclamou Hermione com tristeza . O Nick quase sem cabeça abria agora caminho entre a multidão para se aproximar de eles . - Estão a divertir se ? - Sim , sim - mentiram . - Uma afluência nada má - disse orgulhoso o Nick quase sem cabeça . - A viúva chorosa veio de Kent ... está quase em a hora de o meu discurso . É melhor ir avisar a orquestra . Mas a orquestra parou de tocar em esse preciso momento . Eles , e todos os outros em o calabouço , ficaram em silêncio total , olhando em volta cheios de excitação quando se ouviu uma trompa de a caça . - Lá vêm eles - disse o Nick quase sem cabeça , com alguma amargura em a voz . Por o calabouço irromperam uma_dúzia de , cavalos fantasmas , cada_um montado por um cavaleiro sem cabeça . A assistência aplaudiu vivamente . Harry começou também a bater palmas , mas parou rapidamente quando viu a cara de o Nick . Os cavalos galoparam até a o meio de a pista de dança e pararam , empinando se , dando pequenos passos para a frente e para trás , sobre as patas traseiras . Um fantasma grande em a frente , cuja cabeça barbuda estava debaixo de o braço , soprando a trompa , desmontou , levantou a cabeça bem em o ar para poder ver toda_a assistência ( todos se riam ) e dirigiu se a o Nick quase sem cabeça , comprimindo a cabeça contra o pescoço . - Bem-vindo , Patrick - disse o Nick , mantendo a sua postura rígida . - Gente viva ! - exclamou o Sir_Patrick , avistando Harry , Ron e Hermione e dando um salto de falso espanto , de_tal_modo_que a cabeça lhe caiu de_novo ( a multidão ria a bom rir ) . - Muito engraçado - disse o Nick quase sem cabeça com um ar soturno . - Não ligues a o Nick - gritou a cabeça de Sir_Patrick de o chão . - Ainda está aborrecido por não o deixarmos juntar se a o grupo . Mas olhem bem para ele ... - Eu acho - disse apressadamente Harry , a seguir a um olhar de o Nick - que o Nick é muito assustador e ... eu ... - Bah ! - gritou a cabeça de Sir_Patrick . - Aposto que ele te pediu que dissesses isso . - Gostaria de ter a vossa atenção . Chegou a altura de fazer o meu discurso - disse o Nick quase sem cabeça bem alto , dirigindo se a o pódio , subindo e parando , iluminado por uma luz azul . - Os meus sentimentos , senhores e senhoras , é com profundo pesar ... Mas já ninguém estava a ouvi o . Sir_Patrick e o resto de o grupo de os Sem - _ Cabeça tinham iniciado um jogo de hóquei de cabeça e a multidão voltara se para os observar . Nick quase sem cabeça tentou em vão recuperar a audiência , mas acabou por desistir quando a cabeça de Sir_Patrick passou por ele a_toda_a velocidade gritando vivas . Harry estava cheio de frio para não falar de a fome . - Não aguento mais isto - murmurou Ron a bater o dente enquanto a orquestra voltava a entrar em acção e os fantasmas enchiam de_novo a pista de dança . - Vamos embora - concordou Harry . Recuaram até a a porta , acenando e sorrindo a todos os que olhavam para eles e um minuto depois passavam apressadamente por a entrada cheia de velas negras . - Talvez o pudim ainda não tenha acabado - disse o Ron cheio de esperança , abrindo caminho em direcção a os degraus de o vestíbulo de a entrada . E foi então que Harry ouviu aquilo . - ... * _ Arrancar ... rasgar ... matar * ... Era a mesma voz , a mesma voz fria e assassina que ouvira em o escritório de Lockhart . Parou , agarrando se a a parede de pedra em a expectativa de ouvir melhor , olhando em volta , espreitando para_cima e para baixo de a passagem mal iluminada . - Harry que estás tu a ... ? - E aquela voz outra_vez , calem se um bocadinho . -- ... * _ Tanta fome ... há tanto tempo * ... - Ouçam insistiu Harry e Ron e Hermione ficaram estáticos a olhar para ele . - * _ Matar ... hora de matar * ... A voz ia ficando mais débil . Harry tinha a certeza de que ela estava a afastar se , a subir . Um misto de medo e excitação tomou posse de ele enquanto olhava para o tecto escuro . Como poderia ele subir ? Seria um fantasma para quem os tectos de pedra não contavam ? - Por aqui - gritou , começando a correr por as éscadas acima até a a entrada de o * hall * . Não havia hipótese de ouvir fosse o que fosse ali , o barulho de vozes que vinha de o banquete de o * _ Hallowe'en * ecoava cá fora . Harry subiu a correr a escadaria de mármore até a o primeiro andar com Ron e Hermione ruidosamente atrás . - Harry o que é_que nós ... ? - Sch ... Harry apurou o ouvido . Ao_longe , em o andar de cima , e ainda a enfraquecer , mesmo_assim ouviu a voz : - ... * Cheira-me a sangue ... cheira me a sangue ! * O estômago deu lhe uma volta . - Ele vai matar alguém - gritou e ignorando as caras perplexas de Ron e Hermione , correu , subindo mais um lanço de escadas , a três_e_três , tentando ouvir através de o ruído de os seus próprios passos . Harry correu a_toda_a velocidade pelo segundo andar com Ron e Hermione atrás e só parou quando viraram uma esquina para o último corredor abandonado . - Harry , o que foi aquilo tudo ? - perguntou o Ron , limpando o suor de o rosto . - Eu não ouvi nada ... Mas Hermione , em um sobressalto , apontou para o fundo de o corredor . - Olhem ! Alguma coisa brilhava em a parede em frente . Aproximaram se devagarinho , tentando ver em a escuridão . Alguém escrevera em letras garrafais em a parede entre duas janelas . As palavras brilhavam a a chama fraca de as tochas . : __ a câmara de os segredos foi aberta . inimigos de o herdeiro , __ cuidado . - O que é aquilo pendurado por baixo de as letras ? - perguntou Ron com um tremor em a voz . Quando se aproximaram , Harry quase escorregou . Havia uma grande poça de água em o chão . Ron e Hermione agarraram o e avançaram cautelosamente até a a mensagem , os olhos fixos em uma sombra escura , em baixo . Aperceberam se os três de imediato do_que se tratava e deram um salto para trás , salpicando tudo de água . Mrs._Norris , a gata de o encarregado , estava pendurada por a cauda em o suporte de a tocha . Tinha o corpo rígido como uma tábua e os olhos abertos . Durante alguns segundos ninguém se mexeu . Depois o Ron disse : - Vamos sair de aqui . - Não devíamos tentar ajudar ? - propôs Harry , sem graça . - Acredita - assegurou o Ron . - É melhor que não nos encontrem aqui . Mas era tarde de mais . Um ruído surdo e prolongado , como um trovejar distante , avisou os de que o festim tinha terminado . De ambos os lados de o corredor onde eles estavam , veio o som de centenas de pés a subirem a escadaria e as vozes alegres de gente bem alimentada . Em o momento seguinte os alunos chegavam junto de eles de ambos os lados . O burburinho morreu subitamente mal as pessoas avistaram a gata pendurada . Harry , Ron e Hermione estavam de pé , sozinhos , em o meio de o corredor quando se fez silêncio em a multidão de estudantes que se empurravam para observar aquele quadro macabro . Então alguém gritou , quebrando o silêncio . - Inimigos de o herdeiro , cuidado . Vocês serão os próximos , sangue de lama ! Era_Draco_Malfoy . Estava a a frente de a multidão com os olhos frios a brilhar , a sua cara habitualmente pálida agora afogueada , sorrindo a a vista de a gata pendurada e imóvel . IX_As palavras em a parede -- O que é_que se passa aqui ? O que é_que se passa ? Sem dúvida , atraído por o grito de Malfoy , Argus_Filch apareceu a coxear em o meio de a multidão . Quando viu Mrs._Norris , caiu para trás agarrando o rosto com verdadeiro horror . - A minha gata ! A minha gata ! O que aconteceu a Mrs._Norris ? - gritou . E os seus olhos rápidos caíram sobre Harry . - Tu - guinchou ele . - Mataste a minha gata ! Mataste a , vou dar cabo de ti , eu ... - Argus . Dumbledore tinha chegado a o lugar , seguido de alguns professores . Em poucos segundos tinha passado a a frente de Harry , Ron e Hermione e desatado Mrs._Norris de o suporte de a tocha . - Vem comigo , Argus - disse ele a o Filch . - Vocês também , Mr._Potter , Mr._Weasley e Miss_Granger . Lockhart deu rapidamente um passo em frente . - O meu escritório é o que está mais perto , senhor director , é já aqui em cima , por favor fiquem a a vontade . - Obrigado , Gilderoy - disse Dumbledore . A multidão silenciosa dividiu se para os deixar passar . Lockhart sentindo se excitado e importante , seguia Dumbledore assim_como a professora Mc_Gonagall e o professor Snape . Quando entraram em o escritório escuro de Lockhart houve uma grande agitação em as paredes . Harry viu várias imagens de Lockhart a esconderem se cheias de rolos em o cabelo . O Lockhart em pessoa acendeu as velas e chegou se mais para trás . Dumbledore pôs Mrs._Norris em a superfície polida de a secretária e começou a examiná a . Harry , Ron e Hermione trocaram olhares tensos entre si e deixaram se cair em as cadeiras que se encontravam longe de a luz , a observar . A ponta de o nariz longo e adunco de Dumbledore estava a menos_de dois centímetros de o pêlo de Mrs._Norris . Ele olhava a de perto através de os óculos de meia-lua , os dedos longos a palpar e tactear suavemente . A professora Mc_Gonagall estava quase tão perto como ele , com os olhos contraídos . Snape surgia mais atrás , meio em a sombra , com uma expressão estranha em o rosto , como_se tentasse a_toda_a força sorrir . E Lockhart andava de um lado para o outro a dar sugestões . - Foi sem dúvida uma maldição que a matou , provavelmente a tortura de a metamorfose . Vi a muitas_vezes ser usada , mas infelizmente eu não estava lá quando isto aconteceu . Conheço o antídoto para essa maldição , o que a teria salvo . Os comentários de Lockhart foram interrompidos por os soluços secos e violentos de Filch . Estava afundado em uma cadeira junto de a secretária , incapaz de olhar para Mrs._Norris , com o rosto em as mãos . Por mais que detestasse Filch , Harry não pôde deixar de sentir pena de ele embora não tanta quanto_a que sentia por si próprio . Se Dumbledore acreditasse em o Filch ele seria certamente expulso . O director estava agora a sussurrar umas palavras estranhas e batendo em Mrs._Norris com a varinha , mas não aconteceu nada , ela continuou com o mesmo aspecto , como_se tivesse sido empalhada . - ... Lembro me de uma coisa semelhante que aconteceu em Ouagadogou - disse LockLart . - Uma série de ataques . Conto essa história em a minha autobiografia . Eu dei a a gente de a cidade vários amuletos que resolveram logo a situação ... As fotografias de Lockhart em as paredes iam acenando afirmativamente com a cabeça enquanto ele falava . Uma de elas esquecera se de tirar os rolos de o cabelo . Por fim , Dumbledore endireitou se . - Ela não está morta , Argus - disse suavemente . Lockhart interrompeu bruscamente a contagem de os crimes que conseguira evitar . - Não está morta ? - disse Filch em um sufoco , olhando através de os dedos para Mrs._Norris . - Mas , porque está ela rígida e gelada ? - Foi petrificada - disse Dumbledore ( Ah ! foi o que eu pensei ! - comentou Lockhart ) mas como , não posso afirmar . - Pergunte lhe - gritou Filch , voltando a cara cheia de furúnculos e lágrimas para Harry . - Nenhum aluno de o segundo ano poderia ter feito isto - explicou Dumbledore . - Era preciso um grande conhecimento de magia negra . - Foi ele , foi ele - disse encolerizado o encarregado com a cara a ficar roxa . - O senhor viu o que ele escreveu em a parede . Ele descobriu em o meu gabinete , ele sabe que eu sou um ... - O rosto de Filch estava horrível . - Ele sabe que eu sou um * _ busca-pé * - disse por fim . - Eu não toquei em a Mrs._Norris - gritou Harry com todos os olhares a recaírem sobre ele , incluindo o de todos os Lockharts de a parede . - E eu nem sei o que é um * busca-pé * . - Mentira ! - gritou Filch . - Ele viu a minha carta de o feitiço rápido . - Se me permite que dê a minha opinião , senhor director - disse Snape , saindo de a sombra , e a sensação de mau presságio de Harry aumentou bastante . Certamente nada do_que Snape tinha para de dizer iria ajudá o . - O Potter e os amigos podiam estar simplesmente em o lugar errado em a altura errada - afirmou com um leve sorriso a torcer lhe a boca como_se tivesse as suas dúvidas . - Mas , temos aqui um conjunto de circunstâncias curiosas . Porque estavam eles afinal em o corredor ? Porque não estiveram presentes em a festa de o * _ Hallowe'en * ? Harry , Ron e Hermione começaram uma longa explicação sobre a festa de o dia de os mortos . - Estavam lá centenas de fantasmas , eles poderão confirmar que lá estivemos ... - Mas porque não foram a seguir a o banquete ? - perguntou Snape com os olhos pretos a brilharem a a luz de as velas . - Porquê ir até a aquele corredor ? Ron e Hermione olharam para Harry . - Porque , porque ... - balbuciou Harry , com o coração a querer saltar lhe de o peito , mas algo lhe disse que ia parecer muito rebuscado se lhes contasse que tinha sido levado até ali por uma voz sem corpo que só ele conseguia ouvir . - Porque estávamos cansados e queríamos ir para a cama - disse . - Sem jantar ? - inquiriu Snape com um sorriso triunfante a bailar lhe em o rosto lúgubre . - Não sabia que os fantasmas ofereciam em as suas festas comida para gente viva . - Não estávamos com fome - disse o Ron bem alto , enquanto o estômago se queixava de forma audível . O sorriso mesquinho de a Snape ampliou se . - Acho , senhor director , que Potter não está a dizer toda_a verdade - afirmou . - Talvez fosse boa ideia retirar lhe alguns privilégios , até ele estar disposto a contar nos a história toda . Pessoalmente , sugiro que seja retirado de a equipa de os Gryffindor até decidir ser honesto . - Francamente , Severus - exclamou a professora Mc_Gonagall com uma voz cortante . - Não vejo porquê impedir o rapaz de jogar Quidditch . Esta gata não levou pauladas em a cabeça dadas por nenhum cabo de vassoura . E não há provas de que o Potter tenha feito algo de mal . Dumbledore observava Harry com um olhar perscrutador . A voz tremeluzente de os seus olhos azuis fez Harry sentir que estava a ser passado a raios X. - Inocente até se provar que é culpado , Severus - disse com segurança . Snape estava furioso , assim_como Filch . - A minha gata foi petrificada ! - berrou , com os olhos a saltarem de as órbitas . - Quero ver um castigo ! - Vamos poder curá a , Argus - explicou pacientemente Dumbledore . - Madam_Sprout conseguiu arranjar algumas Mandrágoras . Logo_que tenham atingido o tamanho adulto , terei uma poção de Mandrágoras que reanimará Mrs._Norris . - Eu posso fazê a - interrompeu Lockhart . - Devo ter feito isso uma centena de vezes . Preparo uma golada de Mandrágora reconstituinte de olhos fechados ... - Perdão - disse Snape friamente -- , mas julgo que o professor de poções de esta escola ainda sou eu . Houve um silêncio bastante incómodo . - Vocês podem ir se embora - disse Dumbledore a o Harry , Ron e a Hermione . Eles saíram o mais depressa que puderam , sem ir a correr . Quando chegaram a o andar acima de o escritório de Lockhart , entraram em uma sala de aulas vazia e fecharam a porta devagarinho . Harry lançou um olhar de esguelha a as caras carrancudas de os amigos . - Acham que eu lhes devia ter falado de a voz que ouvi ? - Não - respondeu Ron , sem a mínima hesitação . - Ouvir vozes que mais ninguém ouve , não é bom sinal , nem em o mundo de os feiticeiros . Algo em a voz de Ron levou Harry a fazer a pergunta : - Tu acreditas em mim , não acreditas ? - Claro que sim - respondeu o Ron de imediato . - Mas tens de concordar que é esquisito ... - Eu sei que é esquisito - confirmou Harry . - É tudo esquisito . O que era aquilo escrito em a parede ? * _ A_Câmara foi aberta * , o que é_que significa ? - Sabes , faz me lembrar qualquer coisa - disse Ron lentamente . - Acho que alguém me contou uma história sobre uma câmara secreta em Hogwarts , talvez tenha sido o Bill ... - E que diabos é um * busca-pé * ? - perguntou Harry . Para sua surpresa , Ron abafou o riso . - Bem , em a verdade não tem graça nenhuma , mas como é o Filch ... - disse . - Um * busca-pé * é alguém que nasceu de uma família de feiticeiros , mas não tem poderes mágicos . É uma espécie de o oposto de os que vêm de famílias de Muggles , mas são feiticeiros . Os * busca-pé * são muito raros . Se o Filch está a tentar aprender magia em um curso rápido , acho que ele deve ser mesmo um busca-pé . Isso explicaria tudo , por_exemplo , porque detesta tanto os estudantes . - Ron sorriu satisfeito . - Tem inveja . Um relógio deu as horas , algures . - Meia-noite - disse Harry . - É melhor irmo nos deitar , antes que o Snape apareça e tente acusar nos de qualquer coisa . Durante alguns dias não se falou de outra coisa em a escola a não ser de o ataque a a gata , Mrs._Norris . Filch manteve o sucedido bem fresco em a memória de todos , andando de um lado para o outro em o lugar onde ela fora atacada , como_se esperasse por o responsável . Harry vira o esfregar a mensagem de a parede com a « solução removedora de toda_a porcaria mágica Mrs._Skower » , mas sem qualquer resultado . As palavras continuavam a brilhar tanto como antes sobre a pedra . Quando Filch não estava a patrulhar a cena de o crime , vagueava , de olhos avermelhados , por os corredores , perseguindo alunos insuspeitos e tentando aplicar lhes castigos por coisas como « respirar muito alto » ou « estar alegre » . Ginny_Weasley parecia muito perturbada com o destino de Mrs._Norris . Segundo Ron ela era uma amante de gatos . - Mas tu nem chegaste a conhecer bem Mrs._Norris - disse lhe Ron para a animar . - Com toda_a franqueza , estamos muito melhor sem ela . - O lábio de Ginny tremeu . - Não é costume acontecerem coisas de estas em Hogwarts - tranquilizou a . - Eles vão descobrir o safado que fez aquilo e põem o de aqui para fora em três tempos . - Só espero que tenha tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso . Estou a brincar , claro - acrescentou o Ron apressadamente a o ver a Ginny a empalidecer . O ataque afectara também Hermione . Era costume de ela passar muito_tempo a ler , mas agora parecia não fazer mais_nada . Nem respondia a o Harry e a o Ron quando lhe perguntavam o que estava a fazer e só acabaram por descobrir em a quarta-feira seguinte . Harry tivera de ficar até mais tarde em a sala de poções onde Snape o mandara raspar restos de larvas de as secretárias . Depois de um almoço comido a a pressa , ele foi lá acima encontrar se com Ron em a biblioteca e viu Justin_Finch - _ Fletchley , o rapaz de os Hufflepuff de herbologia que vinha em direcção a ele . Harry tinha acabado de abrir a boca para dizer um « Olá » quando Justin o viu , voltando se bruscamente e mudando de direcção . Harry foi encontrar o Ron em as traseiras de a biblioteca , a medir o trabalho de casa de história de a magia . O professor Binns pedira uma composição sobre a Assembleia_Medieval_de_Feiticeiros_Europeus com 90cm . De extensão . - Não posso crer que ainda me faltem 16cm - disse o Ron furioso , largando o pergaminho que se enrolou em forma de tubo - e que a Hermione fez um metro e trinta em aquela letra pequenina e apertadinha . - Onde está ela ? - perguntou Harry , agarrando em a fita métrica e desembrulhando o seu trabalho de casa . - Algures por aí - disse o Ron , apontando para as estantes . - _ a a procura de outro livro . Acho que ela está a tentar ler a biblioteca toda antes de o Natal . Harry contou a Ron que Justin_Finch - _ Fletchley tinha evitado falar lhe . - Não sei porque te preocupas com isso . Eu achei o um idiota - disse o Ron , escrevinhando e fazendo a letra o maior possível . - Todo aquele disparate sobre o Lockhart ser tão grande ... Hermione surgiu de o meio de as estantes . Parecia irritada e disposta , por fim , a falar com eles . - Todos os exemplares de * _ Hogwarts : Uma História * foram requisitados - disse , sentando se ao_lado_de Harry e Ron . - E há uma lista de espera de duas semanas . Quem me dera não ter deixado o meu exemplar em casa , mas não consegui que coubesse em a mala com todos os livros de o Lockhart . - Para que o queres ? - perguntou Harry . - Pelo mesmo motivo que toda_a_gente o quer - disse Hermione . - Para ler a lenda de a Câmara_dos_Segredos . - O que é isso ? - Precisamente . Não me lembro - disse Hermione , mordendo o lábio . - E não encontro a História em lugar nenhum . - Hermione , deixa me ler o teu trabalho - pediu Ron desesperado , olhando para o relógio . - Não , não deixo - respondeu Hermione com um ar severo . - Tiveste dez dias para o fazer . - Só preciso de mais quatro centímetros , vá lá ... A campainha tocou . Ron e Hermione encaminharam se para a História_da_Magia , discutindo . A História_da_Magia era a matéria mais chata de o programa . O professor Binns , que dava a cadeira , era o único professor fantasma e a coisa mais excitante que aconteceu em as suas aulas foi o dia em que entrou por o quadro preto . Já velho e enrugado , muita gente afirmava a seu respeito que ele não dera por_que tinha morrido . Pura e simplesmente levantara se um dia para ir dar aulas , deixando o corpo atrás , em um cadeirão em frente de a lareira de a sala de os professores . Desde esse dia a sua rotina mantivera se igual . Era hoje tão chato como fora sempre . Abriu as notas e começou a ler em um tom monocórdico como um velho aspirador até quase todos os alunos estarem em um estado de profunda dormência , acordando de vez em quando , para tomar nota de um nome ou de uma data , e voltando a adormecer . Estava a falar havia meia_hora quando aconteceu algo que nunca tinha acontecido . Hermione pôs o braço em o ar . O professor Binns olhou de relance , em o meio de a chatíssima aula sobre a Convenção_Internacional_de_Feiticeiros de 1289 , verdadeiramente espantado . - Miss ... er ... ? - Granger , professor . Poderia dizer nos alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Hermione em uma voz bem audível . O Dean_Thomas , que tinha estado sentado de boca aberta olhando para fora de a janela , saiu de o seu transe com um salto . A cabeça de Lavender_Brown saiu de os braços e o cotovelo de o Neville_Longbottom escorregou para fora de a secretária . O professor Binns piscou os olhos . - A minha matéria é História_da_Magia - disse em a sua voz seca e asmática . - Eu trato de factos , Miss_Granger , não de mitos e lendas - pigarreou produzindo um ruído que parecia o giz sobre o quadro e continuou : - Em Setembro de esse ano , uma subcomissão de feiticeiros de a Sardenha ... Parou de repente . A mão de Hermione estava de_novo em o ar . - Sim , Miss_Grant ? - Por favor , professor , as lendas não têm sempre um facto como base ? O professor Binns olhava para ela com tal espanto que Harry teve a certeza de que ele nunca , em tempo algum , fora interrompido por um aluno . - Bem - disse lentamente o professor Binns . - Sim , é uma afirmação que pode fazer se . - Olhou para Hermione como_se fosse a primeira vez que olhasse a sério para um estudante . - Contudo , a lenda de que me fala é tão extraordinária , mesmo grotesca ... Mas a aula inteira estava agora atenta a as palavras de o professor , que olhou indistintamente para todos eles . Harry poderia assegurar que ele estava absolutamente abismado por uma tão grande demonstração de interesse . - Muito bem - disse lentamente . - Ora vejamos ... a Câmara_dos_Segredos . Todos vocês sabem com certeza que Hogwarts foi fundada há mais de um_milhar de anos , não se conhece ao_certo a data , por os quatro maiores feiticeiros e feiticeiras de a época : Godric_Gryffindor , Helga_Hufflepuff , Rowena_Ravenclaw e Salazar_Slytherin . Construíram juntos este castelo , longe de os olhares curiosos de os Muggles porque em aquele tempo a magia era temida por as pessoas comuns e as bruxas e feiticeiros sofriam terríveis perseguições . Fez uma pausa , olhou indeciso em volta e prosseguiu : - Durante alguns anos , os fundadores trabalharam juntos em harmonia procurando outros mais novos que mostrassem sinais de possuir dotes mágicos e trazendo os para o castelo para aqui serem ensinados . Mas os desentendimentos surgiram entre eles . Começou a notar se uma divisão entre Slytherin e os outros . Salazar_Slytherin queria ser mais selectivo em relação a os alunos a serem admitidos em Hogwarts . Achava que os ensinamentos de magia deviam ficar dentro de as famílias de feiticeiros . Não lhe agradava a entrada em a escola de alunos de famílias Muggles porque os achava pouco dignos de confiança . Depois de algum tempo houve uma séria discussão sobre esse assunto entre Slytherin e Gryffindor e Slytherin abandonou a escola . O professor Binns fez uma nova pausa , fazendo beicinho o que o fazia parecer uma tartaruga enrugada . - Fontes fidedignas referem nos isto - disse . - Mas estes factos foram obscurecidos por a fantasiosa lenda de a Câmara_dos_Segredos . Conta a história que Slytherin construíra uma câmara oculta dentro de o castelo cuja existência os outros fundadores ignoravam . De_acordo com a lenda , Slytherin selou a Câmara_dos_Segredos para que ninguém pudesse abri a até o seu verdadeiro herdeiro chegar a a escola . O herdeiro , e apenas ele , poderia abrir a Câmara_dos_Segredos , libertar o horror que lá se encontrava e utilizá o para expurgar a escola de todos aqueles que eram indignos de aprender magia . Houve um silêncio quando ele se calou que não era o habitual silêncio de sono de as aulas de o professor Binns . Havia um desassossego em o ar enquanto todos continuavam a olhá o a a espera de mais . O professor Binns estava ligeiramente aborrecido . - A história toda é um disparate , claro - disse ele . - A escola foi revistada por várias vezes em busca de provas de a existência de essa câmara , por os feiticeiros e bruxas mais conhecedores . Não existe nada . Uma lenda que serviu apenas para assustar os ingénuos . A mão de Hermione estava novamente em o ar . - Professor , o que quer_dizer , ao_certo com « o horror que estava dentro de a câmara » ? - Acredita se que seja uma espécie de monstro que só o herdeiro de Slytherin pode controlar - disse o professor Binns em a sua voz seca e débil . A aula trocou entre si olhares inquietos . - Como vos digo , a coisa não existe - afirmou o professor Binns , desordenando as suas notas . - Não há câmara e não há monstro . - Mas , professor - disse Seamus_Finnigan . - Se a câmara só podia ser aberta por o herdeiro de Slytherin ninguém mais poderia encontrá a . Não é ? - Um disparate pegado - disse o professor Binns , em um tom de voz exasperado . - Se uma longa sucessão de directores e directoras de Hogwarts não a encontraram ... - Mas , professor - começou a dizer Parvati_Patil . Se_calhar é preciso usar magia negra para a abrir ... - Lá porque um feiticeiro não usa magia negra não quer_dizer que não possa , Miss_Pennyfeather - interrompeu o professor Binns . - Repito , se os antecessores de Dumbledore ... - Mas talvez seja preciso fazer parte de os Slytherin , por isso Dumbledore não podia ... - começou Dean_Thomas , mas o professor Binns já estava farto . - Já chega - disse , de modo cortante . - É um mito . Não existe . Não há uma única prova de que Slytherin tenha construído nem mesmo uma despensa para vassouras . Lamento ter vos contado esta história tola . Vamos voltar , se fazem o favor , a a História , a os factos sólidos , verificáveis , credíveis . E em menos_de cinco minutos toda_a classe mergulhara em a sua sonolência habitual . - Eu sempre ouvi dizer que Salazar_Slytherin era um velho retorcido e meio pateta - disse Ron_a_Harry e Hermione enquanto abriam caminho por os corredores cheios , em o final de a aula , para ir arrumar as malas antes de o jantar . - Mas não sabia que ele tinha começado esta coisa de o sangue puro . Eu não ia para os Slytherin nem que me pagassem . Se o chapéu seleccionador me tivesse posto lá , pegava em as malas e ia me embora ... Hermione acenou vivamente , mas Harry não abriu a boca . O estômago parecia ter dado uma volta . Harry nunca contara a o Ron e a a Hermione que o chapéu seleccionador tinha considerado seriamente a possibilidade de o colocar em os Slytherin . Lembrava se como_se tivesse sido em a véspera do_que a vozinha lhe dissera a o ouvido quando pôs o chapéu em a cabeça , um ano antes . * _ Podias vir a ser grande , sabes ? Está tudo aqui em a tua cabeça e Slytherin ajudaria te em o caminho para a grandeza , sem a menor dúvida * ... Mas Harry , que já ouvira falar de a fama de o grupo de os Slytherin de formar magos negros , pensou desesperadamente . - Em os Slytherin , não ! - E o chapéu tinha dito . - Bem , se tens assim tanta certeza ... será melhor os Gryfffndor . Enquanto eram empurrados por a multidão , Colin_Creevey passou por eles . - Olá , Harry ! - Olá , Colin - disse Harry automaticamente . - Harry , Harry , um rapaz de a minha turma tem andado a dizer que tu és ... Mas Colin era tão baixinho que não conseguiu lutar contra a maré de gente que o arrastou até a o vestíbulo . Ouviram o despedir se : - Adeus , Harry - e desaparecer . - O que é_que o rapaz de a turma de ele disse de ti ? - quis saber Hermione . - Que eu sou o herdeiro de Slytherin , imagino - disse Harry , com o estômago ainda a as voltas e lembrou se de repente de o Justin_Finch - _ Fletchley a fugir para não lhe falar , a a hora de o almoço . - As pessoas aqui acreditam em tudo - disse o Ron com repugnância . A multidão diminuiu e conseguiram subir as escadas sem dificuldade . - Achas mesmo_que existe uma Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Ron_a_Hermione . - Não sei - respondeu ela , franzindo a testa . - Dumbledore não conseguiu curar Mrs._Norris e isso leva me a pensar que o que a atacou pode não ser ... humano . Enquanto falava , voltaram uma esquina e encontraram se em o fim de aquele mesmo corredor onde o ataque tinha ocorrido . Pararam para olhar . Estava tudo igual a aquela outra noite , com excepção de a gata Mrs._Norris e havia uma cadeira vazia encostada a a parede , onde podia ler se a mensagem « : __ a câmara foi __ aberta » . - Foi aqui que o Filch montou a guarda - murmurou Ron . Olharam uns para os outros . O corredor estava deserto . - Não deve fazer mal dar uma olhadela aqui - disse Harry , deixando cair a mala e pondo se de quatro para poder gatinhar em busca de pistas . - Marcas de queimadura - disse - aqui e aqui ... - Venham ver isto ! - chamou Hermione . - Que estranho ... Harry levantou se e foi até a a janela que ficava junto de a mensagem . Hermione apontava para o vidro mais alto , onde cerca de uma vintena de aranhas se debatiam em uma aparente luta por atravessar por uma pequena brecha de vidro . Um longo fio prateado balouçava como uma corda , como_se todas tivessem trepado , em a ânsia de chegar lá fora . - Alguma vez viram aranhas agir assim ? - perguntou Hermione , curiosa . - Não - respondeu Harry . - E tu , Ron ? Ron ? Olhou por cima de o ombro . Ron estava de costas , bem lá atrás e parecia lutar contra o impulso de se virar . - O que é_que se passa ? - perguntou Harry . - Eu não gosto de aranhas - disse Ron , de modo tenso . - Nunca me tinhas dito - comentou Hermione , olhando para ele com surpresa . - Estás farto de usar aranhas em as poções ... - Não me importo quando estão mortas - explicou Ron que olhava cautelosamente para todos os lados , menos para a janela . - Não gosto de a maneira como_se mexem . Hermione riu se baixinho . - Não tem graça nenhuma - disse o Ron , furioso . - Se queres saber , quando eu tinha três anos , o Fred transformou o meu ursinho de pelúcia em uma enorme aranha nojenta , por eu lhe ter partido a vassoura de brinquedo . Tu também não gostarias de aranhas se estivesses agarrada a o teu ursinho e , de repente , ele tivesse uma data de pernas e ... Começou a tremer ... Hermione ainda estava a tentar conter o riso . Sentindo que era melhor mudarem de assunto , Harry perguntou : - Lembram se de a água que havia aqui em o chão ? De onde terá vindo ? Alguém a limpou . - Era por aqui - disse o Ron , já recuperado , avançando alguns passos em direcção a a cadeira de o Filch e apontando . - Junto de esta porta . Estendeu a mão para o puxador de a porta , mas retirou a de imediato , como_se se tivesse queimado . - O que foi ? - perguntou Harry . - Não posso entrar aí - disse o Ron bruscamente . - É a casa_de_banho de as raparigas . - Oh , Ron , não está aí ninguém - sossegou o Hermione enquanto se aproximava . - É o lugar de a Murta_Queixosa . Anda , vamos dar uma espreitadela . E ignorando o grande letreiro que dizia « Fora de serviço » Hermione abriu a porta . Era a casa_de_banho mais sombria e deprimente em que Harry tinha posto os pés durante toda_a sua vida . Debaixo_de um grande espelho partido e sujo podia ver se uma fila de lavatórios de pedra , rachados . O chão estava húmido e reflectia a luz fraca de os pavios de algumas velas que ardiam baixinho em os suportes . As portas de madeira de os cubículos estavam todas lascadas e riscadas e uma de elas balouçava fora de as dobradiças . Hermione levou os dedos a os lábios e foi até a o último cubículo . Quando lá chegou disse : - Olá , Murta , como estás ? Harry e Ron foram ver . A Murta_Queixosa flutuava em a cisterna de a casa_de_banho , tirando um ponto negro de o queixo . - Esta é a casa_de_banho de as raparigas - disse a o ver o Ron e o Harry . - Eles não são raparigas . - Não - concordou Hermione . - Eu só queria mostrar lhes como esta casa_de_banho é ... er ... simpática . Ela fez um aceno vago a o velho espelho sujo e a o chão húmido . - Pergunta lhe se viu alguma coisa - sussurrou o Ron a a Hermione . - Porque estão a dizer segredinhos ? - perguntou a Murta , fitando o . - Não é nada - disse Harry rapidamente . - Queríamos perguntar ... - Gostava que as pessoas parassem de falar em as minhas costas ! - desabafou a Murta em uma voz abafada por as lágrimas . - Eu tenho sentimentos , sabem , apesar_de estar morta . - Murta , ninguém quis aborrecer te - explicou Hermione . - O Harry só ... - A minha vida foi uma infelicidade em este lugar e agora as pessoas vêm estragar a minha morte . - Nós queríamos perguntar te se tinhas visto alguma coisa estranha ultimamente - disse Hermione sem perder tempo . - Porque foi atacada uma gata mesmo aqui a a frente de a tua porta em a noite de o * _ Hallowe'en * . - Viste alguém aqui perto em essa noite ? - insistiu Harry . - Não estava a prestar atenção - disse a Murta com ar dramático . - O Peeves aborreceu me tanto que vim aqui para tentar matar me . Só então me lembrei de que estou ... de que estou ... - Já morta - ajudou o Ron . A Murta soluçou tragicamente , elevou se em o ar , voltou se e mergulhou de cabeça em a sanita , espalhando água por_cima_de todos eles e desaparecendo . Por o som de os seus soluços abafados fora certamente descansar algures em o cano em forma de V._Harry e Ron ficaram de boca aberta , mas Hermione encolheu os ombros de cansaço e disse : - Se querem saber , para a Murta isto até foi alegre ... vá , vamos embora . Harry tinha acabado de fechar a porta deixando atrás os soluços gorgolejantes de a Murta quando uma voz forte o fez dar um salto . - RON ! Percy_Weasley estava parado em o cimo de as escadas com o seu distintivo de prefeito a brilhar e uma expressão chocadíssima em o rosto . - Isso é a casa_de_banho de as raparigas ... o que é_que vocês ... ? - Estávamos só a dar uma vista de olhos - exclamou o Ron - a a procura de pistas ... Percy engoliu em seco , de uma maneira que fez Harry lembrar se de Mrs._Weasley . - Saiam imediatamente de aqui - disse , aproximando se de eles a passos largos e gesticulando agitadamente . - Não se preocupam com as aparências ? Voltar aqui enquanto toda_a_gente está a jantar ... - Porque não havíamos de estar aqui ? - perguntou cheio de vivacidade o Ron , parando de repente e olhando Percy em os olhos . - Ouve lá , nós não tocamos em aquela gata . - Isso foi o que eu tentei explicar a a Ginny - respondeu Percy furioso - mas ela parece continuar a pensar que vocês vão ser expulsos . Nunca a vi tão aflita . Não pára de chorar . Devias pensar em ela . Todos os alunos de o primeiro ano andam superexcitados com esta história . - Tu não estás nada preocupado com a Ginny - disse o Ron já com as orelhas vermelhas . - O que te assusta é_que eu possa estragar as tuas possibilidades de ser chefe de turma . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor ! - bradou Percy , apontando elegantemente para o distintivo de prefeito . - E espero que te sirva de lição . Acabou se o trabalho de detective ou escrevo a a mãe a contar lhe . E voltou lhes as costas , a nuca tão vermelha como as orelhas de o Ron . Harry , Ron e Hermione , em essa noite , sentaram se em a sala comum o mais longe possível de Percy . Ron estava ainda muito maldisposto e não parava de esborratar o trabalho de casa de os encantamentos . Quando pegou distraidamente em a varinha para tirar as manchas incendiou o pergaminho . A deitar quase tanto fumo como o seu trabalho de casa , fechou bruscamente o * _ Livro_Padrão_de_Encantamentos de o 2.o Grau * . Para grande surpresa de Harry , Hermione fez o mesmo . - Mas quem poderia ser - perguntou ela baixinho como_se continuasse uma conversa que tinham acabado de ter . - Quem quereria todos os * busca-pés * e filhos de Muggles fora de Hogwarts ? - Vamos pensar - disse o Ron em a brincadeira , fingindo estar confuso . - Quem poderemos nós conhecer que ache que os familiares de Muggles são escumalha ? Olhou para Hermione . Ela olhou para ele pouco convencida . - Se estás a pensar em o Malfoy ... - Claro que estou - disse o Ron . - Tu ouviste o dizer : - Vocês serão os próximos , sangues de lama ! - Aliás , basta olhar para aquela cara de renegado para saber que ele é ... - Malfoy , o herdeiro de Slytherin ? - repetiu Hermione cepticamente . - Olha para a família de ele - disse Harry , fechando também os livros . - Todos eles estiveram em os Slytherin . O Draco está sempre a vangloriar se de isso . Podiam bem ser descendentes de Slytherin . O pai de ele é suficientemente mau . - Podiam perfeitamente ter tido a chave de a Câmara_dos_Segredos durante séculos - disse Ron - , fazendo a passar de pai para filho . - Bem - acedeu Hermione cautelosamente . - Seria possível ... - Mas como prová o ? - perguntou Harry tristemente . - Talvez haja um meio - sugeriu Hermione lentamente , baixando ainda mais a voz e lançando um olhar , através de a sala , a Percy . - É claro que não é fácil . E é perigoso , muito perigoso . Suponho que iríamos infringir cerca de cinquenta regras de a escola . - Se de aqui a um mês ou dois te decidires a explicar , avisa , está bem ? - disse Ron , que começava a ficar irritado . - Está bem - concordou Hermione friamente . - O que precisaríamos de fazer para entrar em a sala comum de os Slytherin e fazer algumas perguntas a o Malfoy , sem ele perceber que éramos nós ? - Mas isso é impossível - declarou Harry , enquanto Ron se ria . - Não , não é - continuou Hermione . - Só precisamos de um_pouco de poção * polisuco * . - O que é isso ? - perguntaram ao_mesmo_tempo Ron e Harry . - O Snape falou de ela em uma aula , há poucas semanas atrás . - Achas que não temos mais o que fazer do_que ouvir o Snape ? - murmurou o Ron . - Transforma nos em outra pessoa . Pensem em isso : podíamos transformar nos em três de os Slytherin . Ninguém saberia que éramos nós . É provável que o Malfoy nos contasse alguma coisa . Aposto que ele está a gabar se , em este momento , em a sala de os Slytherin , se ao_menos pudéssemos ouvi o . - Essa coisa de o * polisuco * cheira me um bocado mal - disse o Ron , franzindo as sobrancelhas . - E se ficarmos com a forma de os três Slytherin para sempre ? - Desaparece a o fim de algum tempo - disse Hermione , gesticulando impacientemente com a mão - mas conseguir a receita é muito difícil . O Snape disse que vinha em um livro chamado * _ As_Mais_Potentes_Poções * e está com certeza em a parte de os reservados de a biblioteca . Só havia uma maneira de obter o livro de os reservados : era com uma autorização assinada por um professor . - Não estou a ver porque quereríamos o livro - disse o Ron . - Se não para tentar fabricar uma de as poções . - Eu acho - sugeriu Hermione - que se fizéssemos parecer que o nosso interesse era apenas teórico , talvez conseguíssemos ... - Estás a sonhar , nenhum professor ia cair em essa - afirmou o Ron . - Só se fosse muito burro . X_A * bludger * perigosa Depois de o desastroso incidente de os duendes , o professor Lockhart não voltou a levar seres vivos para as aulas . Em vez de isso , lia a os alunos passagens de os seus livros e , por vezes , voltava a desempenhar alguns de os episódios mais dramáticos . Costumava chamar Harry para o ajudar em essas reconstruções . Até ali Harry fora obrigado a desempenhar o papel de um camponês de a Transilvânia que Lockhart curara de uma maldição murmurada , o abominável homem de as neves com dores de cabeça e um vampiro que depois de ter conhecido Lockhart tinha ficado incapaz de comer outra coisa que não fosse alfaces . Harry foi chamado para a frente de a classe durante a aula de Defesa contra as artes negras que se seguiu . Desta_vez para desempenhar o papel de um lobisomem . Se não tivesse um bom motivo para querer ver o Lockhart bem-disposto , teria se recusado . - Um uivo bem alto , excelente , Harry , isso mesmo . E foi então que , acreditem ou não , eu o ataquei de repente , assim . Atirei o a o chão , agarrei o com uma mão e com a outra consegui meter lhe a varinha em a garganta . Então , com a força que me restava pus em prática o complicadíssimo encantamento * _ Homorphus * . Harry soltou um uivo tristíssimo . - Vá lá , Harry , mais alto . Bom ... o pêlo desapareceu , os dentes diminuíram de tamanho e ele transformou se em um homem . Simples , mas eficaz e mais uma cidade ficará a lembrar se de mim para sempre como o herói que os libertou de os ataques mensais de o lobisomem . A campainha tocou e Lockhart pôs se de pé . - Trabalho para_casa : escrever um poema sobre a minha vitória sobre o lobisomem Wagga_Wagga . Há um exemplar autografado de * _ Eu , o Mágico * para o autor de o melhor poema . Os alunos começaram a sair . Harry voltou para trás e foi juntar se a o Ron e a a Hermione que estavam a a espera de ele . - Prontos ? - perguntou . - Espera até saírem todos - disse Hermione bastante nervosa . - Pronto ... Aproximou se de a secretária de Lockhart , apertando em a mão uma folha de papel , com o Ron e o Harry atrás . - Er ... professor Lockhart - gaguejou Hermione . - Eu queria requisitar este livro em a biblioteca , como leitura de apoio - entregou lhe o papel , com a mão ligeiramente trémula . - Só que faz parte de a secção de os reservados , por isso preciso de a assinatura de um professor . Acho que o livro me vai ajudar a compreender o que o senhor diz em * _ Passeios com Vampiros * acerca de os venenos de acção lenta ... - Ah , * _ Passeando com Vampiros * - disse Lockhart , pegando em a folha de papel de Hermione e sorrindo lhe abertamente . - E provavelmente o meu livro preferido . Gostou ? - Oh , muito - disse Hermione avidamente . - Tão inteligente o modo como apanhou o último com o passador de o chá . - Bem , tenho a certeza que ninguém se importará que eu dê uma ajudazinha suplementar a a melhor aluna de o segundo ano - disse Lockhart calorosamente , sacando de uma enorme pena de pavão . - É bonita , não é ? - comentou , adivinhando uma expressão de repulsa em a cara de o Ron . - Costumo guardas a para as minhas assinaturas de autógrafos . Rabiscou uma enorme assinatura cheia de altos e baixos e entregou a a Hermione . - Então , Harry - disse Lockhart enquanto Hermione dobrava a folha e a guardava em o saco . - Amanhã é a primeira partida de Quidditch de este ano , não é ? Gryffindor contra Slytherin . Ouvi dizer que és um jogador indispensável . Eu também fui * seeker * . Convidaram me inclusivamente para fazer parte de a Equipa_Nacional , mas eu preferi dedicar a minha vida a a erradicação de as forças de o mal . Mesmo_assim , se alguma vez precisares de um treino particular , não hesites em falar comigo , estou sempre disponível para partilhar a minha perícia com os jogadores menos dotados do_que eu . Harry fez um som indistinto com a garganta e saiu atrás_de Ron e Hermione . - Não acredito - disse quando os três examinavam a assinatura de Lockhart . - Ele nem viu que livro nós queríamos . - É porque é um idiota sem miolos - explicou o Ron . - Mas , quem se rala , temos o que queríamos . - Ele não é um idiota sem miolos - gritou Hermione com voz esganiçada enquanto se aproximavam quase a correr de a biblioteca . - Só porque ele disse que eras a melhor aluna de o segundo ano ... Baixaram as vozes a o entrar em a quietude abafada de a biblioteca . Madam_Prince , a bibliotecária , era uma mulher magra e irritável que parecia um abutre mal nutrido . - * _ Moste_Potente_Potions * ? - repetiu intrigada , tentando ficar com a folha de papel que Hermione se recusava a entregar lhe . - Gostava de a guardar para mim - disse sem fôlego . - Vá lá - intercedeu Ron , arrancando lhe a de as mãos e entregando a a Madam_Prince . - Nós arranjamos te outro autógrafo . O Lockhart assina tudo se aqui ficar muito_tempo . Madam_Prince pegou em o papel e voltou o em a direcção de a luz , decidida a descobrir uma falsificação , mas a assinatura passou em o teste . Desapareceu entre as estantes e voltou alguns minutos mais tarde , transportando um livro grande e de aspecto antiquado . Hermione meteu o com todo o cuidado em o saco e saíram , tentando não andar depressa de mais nem aparentar um ar culpado . Cinco minutos depois , estavam de_novo barricados em a casa_de_banho fora de serviço de a Murta_Queixosa . Hermione destruíra as objecções de Ron argumentando que aquele era o último lugar onde alguém em o seu juízo perfeito se lembraria de ir e que poderia assegurar lhes alguma privacidade . A Murta_Queixosa chorava ruidosamente em o seu cubículo , mas eles conseguiram ignorá a assim_como ela a eles . Hermione abriu * _ Moste_Potente_Potions * com todo o cuidado e inclinaram se os três sobre as páginas manchadas de humidade . Era fácil de perceber , logo à_primeira_vista de olhos , porque pertencia a a secção de os reservados . Algumas de as poções tinham efeitos quase impensáveis de tão macabros e havia ilustrações bastante desagradáveis , como , por_exemplo , aquela em que um homem parecia ter sido virado de o avesso e a de a bruxa com vários pares de braços suplementares a nascerem lhe em a cabeça . - Aqui está - disse Hermione excitadíssima a o encontrar a página intitulada « A poção * polisuco * « . Estava ilustrada com imagens de pessoas a meio de o processo de se transformarem em outras pessoas e Harry desejou ardentemente que a expressão de dor intensa que se lhes espelhava em o rosto fosse apenas produto de a imaginação de o artista desenhador . - Esta é a poção mais complicada que vi até hoje - disse Hermione enquanto examinava a receita . - Moscas asas de renda , sanguessugas , fluxo de cizânias e verdezelha - murmurou , acompanhando com o dedo a lista de ingredientes . - Bem , esses são relativamente simples , há os em a despensa de material de os estudantes , podemos tirar a a nossa vontade . Oh ! Vê só , pó de chifre de bicórneo ... não sei onde vamos arranjar isto ... e , é claro , um pedacinho de a pessoa em quem queremos transformar nos . - Como ? - perguntou Ron de forma cortante . - O que é_que queres dizer com um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos ? Eu não bebo nada que tenha lá dentro as unhas de os pés de o Crabbe ... Hermione continuou como_se não o tivesse ouvido . - Mas não temos que nos preocupar com isso por enquanto . Fica para o fim . Ron voltou se sem palavras para o Harry que tinha uma preocupação de outro tipo . - Já viste bem tudo_o_que vamos ter que roubar , Hermione ? Algumas coisas , não estão de certeza em a despensa de material de os alunos . O que é_que vamos fazer , arrombar os armários pessoais de o Snape ? Não sei se será uma boa ideia ... Hermione fechou o livro com um estrondo . - Bem , se vocês os dois se vão acagaçar , então está lindo - disse ela . Tinha as bochechas rosadas e os olhos mais brilhantes do_que era habitual . - Eu não gosto de quebrar regras , vocês sabem , mas acho que ameaçar os filhos de os Muggles é muito pior do_que construir uma poção difícil . Mas se vocês não querem descobrir se é o Malfoy , eu posso voltar já a a biblioteca e entregar o livro a Madam_Prince ... - Nunca pensei que chegaria o dia em que serias tu a convencer nos a quebrar regras - disse o Ron . - Está bem , vamos em essa , mas sem unhas de os pés , O. _ K. ? - Quanto tempo vai isso demorar a fazer , afinal ? - perguntou Harry quando Hermione , já com um ar mais satisfeito , voltou a abrir o livro . - Bem , como o fluxo de cizânias tem de ser recolhido durante a lua cheia e as asas de renda têm de ser abafadas durante vinte_e_um dias ... eu diria que se conseguirmos arranjar todos os ingredientes estará pronta dentro_de um mês . - Um mês ? - exclamou o Ron . - Nessa_altura já o Malfoy terá atacado metade de os filhos de Muggles ! - mas os olhos de Hermione contraíram se de_novo assustadoramente e ele acrescentou rapidamente . - Mas é o melhor plano que temos , por isso é melhor não olharmos para trás . Apesar_de tudo , enquanto Hermione verificava que não havia ninguém em os corredores e podiam sair de a casa_de_banho , Ron murmurou a Harry : - Seria muito mais simples se conseguisses , amanhã , atirar o Malfoy de a vassoura abaixo . Harry acordou cedo em o sábado de manhã e ficou um bocado a pensar em a partida de Quidditch que vinha a seguir . Estava nervoso , principalmente pelo que Wood diria se os Gryffindor perdessem , mas também com a ideia de enfrentar uma equipa apetrechada com as vassouras mais velozes que existiam . Nunca desejara tanto vencer os Slytherin como em aquele dia . Depois de meia_hora deitado com a barriga a dar horas , resolveu levantar se , vestir se e descer para tomar o pequeno-almoço . Lá em baixo , encontrou o resto de a equipa de os Gryffindor amontoada a o longo de a mesa comprida e vazia , todos eles com ar preocupado e sem vontade de conversar . Como_se aproximavam as onze horas , todos os alunos de a escola começaram a dirigir se para o estádio de Quidditch . O dia estava quente e húmido , com uma ameaça de trovoada em o ar . Ron e Hermione vieram apressadamente desejar a Harry boa sorte mal ele entrou em os vestiários . A equipa de os Gryffindor pôs os seus mantos vermelhos e sentou se para ouvir o discurso que Wood lhes fazia sempre antes de o jogo . - Os Slytherin têm vassouras melhores do_que nós - começou . - Não há como negá o . Mas nós temos gente melhor em cima de as vassouras . Treinámos mais do_que eles , voamos com todas_as condições climatéricas ( É bem verdade - murmurou George_Weasley - desde Agosto que não sei o que é estar seco ) . - E vamos fazê os engolir o dia em que deixaram aquele nojento de o Malfoy comprar a entrada em a equipa de eles . Com o peito agitado por a comoção , Wood voltou se par Harry . -- Cabe te a ti , Harry , mostrar lhes que um * seeker * tem de ter mais do_que um pai rico . Agarra a * snitch * antes d Malfoy ou morre a tentar porque temos absolutamente que vencer , hoje , Harry , temos que vencer . - Sem ansiedade , Harry - disse o Fred , piscando lhe o olho . Quando saíram em direcção a o campo , foram saudado por uma grande ovação principalmente de a parte de os Ravenclaw e de os Hufflepuff que estavam ansiosos por ver os Slytherin serem derrotados , mas os Slytherin que estavam entre a multidão também fizeram ouvir as suas vaias e pateadas . Madam_Hooch , a professora de Quidditch , pediu a Flin e Wood que apertassem as mãos o que eles fizeram , lançando um_ao_outro olhares ameaçadores , cada_um apertando a mão de o outro com mais força do_que aquela que seria necessário . - Atenção a o apito - disse Madam_Hooch . - Três , dois , um ... Com um bramido de a multidão para que subissem rapidamente , os catorze jogadores elevaram se em o céu cor de chumbo . Harry , mais alto do_que qualquer de os outros olhando para todos os lados em busca de a * snitch * . - Tudo bem , testa de cicatriz ? - gritou Malfoy , disparando por baixo de ele para lhe mostrar a velocidade de a sua vassoura . Harry não teve tempo de responder . Em esse preciso momento uma * bludger * preta e bem pesada veio direitinha a ele . Evitou a tão por um triz que ainda sentiu em os cabelos o ar que ela deslocara . - Foi por_pouco , Harry ! - exclamou o George , passando com grande rapidez , de bastão em a mão , pronto para lançar a * bludger * contra um Slytherin . Harry viu o dar a a * bludger * uma fortíssima pancada em direcção a Adrian_Pucey , mas a bola mudou de rumo em o meio de o ar e dirigiu se de_novo a Harry . Harry desceu rapidamente para se esquivar e George conseguiu lançá a contra Malfoy . Mais_uma_vez a * bludger * actuou como um * boomerang * e apontou a a cabeça de Harry . Harry ganhou velocidade e disparou contra o outro extremo de o campo . Ouvia o assobio de a * bludger * que o perseguia . O que era aquilo ? As * bludgers * nunca se concentravam assim em um único jogador , a sua função era tentar desmontar o maior número possível de intervenientes . Fred_Weasley esperava por a * bludger * em o extremo oposto . Harry baixou se quando o viu balançar se em frente de ela com toda_a garra . A * bludger * foi lançada para_fora_de campo . - Pronto , já está tudo resolvido - gritou Fred satisfeito , mas estava bastante enganado . Como_se fosse magneticamente atraída para Harry , a * bludger * lançou se de_novo contra ele e Harry teve de voar a_toda_a velocidade . Começara a chover . Harry sentia as gotas pesadas caírem lhe em o rosto , turvando lhe as lentes de os óculos . Não fazia ideia do_que se passava em o resto de o jogo , até ouvir Lee_Jordan que fazia o comentário dizer : - Os Slytherin vão a a frente com seis contra zero . As vassouras de qualidade superior de os Slytherin estavam obviamente a cumprir a sua função e enquanto isso , a * bludger * maluca fazia todos os possíveis para deitar abaixo o Harry . Fred e George voavam agora tão perto de ele , um de cada lado , que Harry não via senão os seus braços a balouçar e , se não conseguia ver a * snitch * , muito menos agarrá a . - Alguém enfeitiçou esta * bludger * - resmungou Fred , preparando o bastão com toda_a força quando ela se lançava de_novo contra Harry . - Precisamos de tempo - disse George , tentando fazer sinal a Wood enquanto evitava que a bola partisse o nariz a o Harry . Wood captou obviamente a mensagem . O apito de Madam_Hooch fez se ouvir e Harry , Fred e George desceram , tentando ainda evitar a * bludger * maluca . - O que é_que se passa ? - perguntou Wood enquanto a equipa de os Gryffindor se amontoava desordenadamente e os Slytherin , em o meio de a multidão , lançavam piadas . - Estamos a ser esmagados . Fred , George , onde estavam vocês quando aquela * bludger * impediu a Angelina de marcar ? - Estávamos seis metros acima , evitando que a outra * bludger * matasse o Harry , Oliver - gritou George furioso . - Alguém preparou isto , a bola não deixa o Harry em paz , ainda não perseguiu mais ninguém desde_que o jogo começou . Os Slytherin fizeram aqui qualquer coisa . - Mas as * bludgers * têm estado fechadas em o escritório de Madam_Hooch desde o último treino , e nessa_altura estava tudo bem ... - disse Wood ansiosamente . Madam_Hooch aproximava se . Por cima de o ombro de ela , Harry pôde ver a equipa de os Slytherin a escarnecer e apontar em a sua direcção . - Ouçam - disse o Harry , enquanto ela se aproximava . - Com vocês os dois a voarem sempre colados a mim , só vou apanhar a * snitch * se ela voar até a a minha manga . Voltem se para o resto de a equipa e deixem a tratante comigo . - Não sejas bronco - disse o Fred . - Ela arranca te a cabeça . Os olhos de Wood saltavam de Harry_para_os_Weasley . - Oliver , isto_é uma loucura - disse Alicia_Spinet , zangada . - Não podes deixar o Harry sozinho entregue a aquela coisa . Vamos pedir uma investigação . - Se pararmos agora , teremos de dar a partida como perdida e não vamos deixar os Slytherin ganhar , só por_causa_de uma * bludger * maluca . Vá lá , Oliver , diz lhes que me deixem sozinho . - A culpa é toda tua . * _ Agarra a snitch ou morre a tentar * , se isso é lá coisa que se diga . Madam_Hooch tinha se lhes juntado . - Prontos para retomar a partida ? - perguntou a Wood . Wood olhou para o ar determinado de Harry . - Deixem o sozinho , ele é capaz de lidar com a * bludger * . A chuva era agora mais pesada . A o apito de Madam_Hooch , Harry elevou se em os ares e ouviu o barulhinho de a * bludger * atrás_de si . Subiu cada_vez_mais alto . Fez acrobacias em espiral , descidas rápidas , ziguezagueou e rolou . Apesar_de ligeiramente estonteado , não deixou nunca de ter os olhos bem abertos . A chuva salpicava lhe os óculos e entrava lhe por as narinas , quando ele se voltou de cabeça para baixo , evitando outra forte investida de a * bludger * . Ouviu os risos de a multidão . Sabia que devia parecer ridículo , mas a * bludger * maluca era pesada e não podia mudar de direcção tão rapidamente quanto ele . Iniciou uma corrida que parecia de feira de diversões em volta de os extremos de o estádio , olhando de soslaio , através de os lençóis prateados de chuva , para os postes de os Gryffindor , onde Adrian_Pucey tentava passar por Wood . Um assobio junto de os ouvidos disse a Harry que a * bludger * falhara uma_vez_mais . Voltou se e voou rapidamente em a direcção oposta . - Estás a ensaiar * ballet * , Potter - gritou Malfoy quando Harry foi obrigado a fazer uma reviravolta estúpida em o ar para se esquivar mais_uma_vez de a * bludger * . Lá foi ele , com a * bludger * atrás a alguns metros de distância . E foi então que , olhando para Malfoy , furioso , a viu , a * snitch * de ouro . Flutuava alguns centímetros acima de os ouvidos de Malfoy que , de tão preocupado a escarnecer de Harry , nem dera por ela . Durante um momento angustiante , Harry ficou quieto em o ar , não ousando dirigir se a Malfoy , não fosse ele olhar para_cima e ver a * snitch * . PUM ! Tinha ficado parado tempo de mais . A * bludger * batera lhe , por fim , apanhando lhe o cotovelo e Harry sentiu o braço a partir se . Debilmente , desorientado por a dor cauterizante em o braço , Harry deslizou para um de os lados em a sua vassoura encharcada , um joelho ainda dobrado , o braço direito a balouçar , inútil , a o seu lado . A * bludger * veio de_novo , preparada para mais um ataque , desta_vez apontada a o seu rosto . Harry desviou se com uma intenção : chegar a Malfoy . Através_de uma nuvem de chuva e dor desceu até a o rosto tremeluzente e trocista e viu os olhos de ele dilatarem se de medo : Malfoy pensou que Harry ia atacá o . - Que diabo ... - resmungou , afastando se de o caminho . Harry tirou a outra mão de a vassoura e fez uma tentativa para agarrar qualquer coisa . Sentiu os dedos fecharem se em volta de a * snitch * dourada , mas conduzia agora a vassoura apenas com as pernas e ouviu se um grito de a multidão cá em baixo , quando ele fez a descida , tentando não desmaiar . Com um ruído seco caiu em a terra enlameada e rolou para fora de a vassoura . O braço tinha um ângulo um_pouco estranho . Torcendo se com dores , ouviu a a distância os assobios e os gritos . Concentrou se em a * snitch * que tinha fechada em a outra mão . - Ai - disse vagamente . - Ganhámos o jogo . E desmaiou . Voltou a si com a chuva a cair lhe em o rosto , ainda deitado em o campo , com alguém inclinado sobre ele . Viu um brilho de dentes brancos . - Oh , não , você não - gemeu . - Não sabe o que diz - afirmou Lockhart bem alto a a ansiosa multidão de Gryffindor que o comprimiam . - Não te preocupes , Harry , eu vou tratar de o teu braço . - Não - gritou Harry . - Eu fico com ele assim , obrigado . Tentou sentar se , mas a dor era enorme . Ouviu um « clique » familiar . - Não quero fotografias de isto , Colin - disse em voz alta . - Deita te para trás , Harry - insistiu Lockhart com toda_a calma . - É um encantamento muito simples que eu fiz imensas vezes . - Porque não me levam só para a ala hospitalar ? - perguntou Harry entredentes . - Seria o melhor , professor - disse a voz rouca de o Wood que não conseguia deixar de sorrir , apesar_de o seu * seeker * estar ferido . - Grande captura , Harry , verdadeiramente espectacular , a tua melhor jogada , em a minha opinião . Em o meio de a floresta de pernas que o rodeava , Harry avistou Fred e George_Weasley , metendo a * budger * perigosa em uma caixa . Continuava a dar uma luta enorme . - Para trás - ordenou Lockhart , que tinha arregaçado as mangas verde jade . - Não , eu não ... - protestou debilmente Harry , mas Lockhart tinha a varinha em a mão e , um segundo depois , apontava a para o braço de Harry . Uma sensação estranha e desagradável começou em o ombro e espalhou se , chegando a as pontas de os dedos . Parecia que o braço inteiro tinha sido esvaziado . Não foi capaz de olhar para o que estava a suceder . Tinha fechado os olhos , voltado o rosto para o outro lado , mas os seus maiores receios concretizaram se quando as pessoas lá em cima se sobressaltaram e Colin_Creevey começou a tirar fotografias como um louco . O braço deixara de lhe doer , mas parecia tudo menos um braço . - Ah ! - disse Lockhart . - Sim , bem isto às_vezes acontece . Mas o importante é_que os ossos já não estão partidos . Isso é o mais importante . Portanto , Harry , vai até a a ala hospitalar ... ah ! Mr._Weasley , Miss_Granger , poderiam levá o lá ? E Madam_Pomfrey poderá ... er ... arranjar um_pouco isso . Quando Harry se pôs de pé sentiu se estranhamente desequilibrado . Depois de respirar fundo , olhou para o lado direito e o que viu quase o fez desmaiar de_novo . Pendurado em a extremidade de a sua túnica estava o que parecia ser uma espessa e colorida luva de borracha . Tentou mexer os dedos mas ... em vão . Lockhart não consertara os ossos de Harry . Retirara os . M. dam Pomfrey não ficou nada satisfeita . - Devias ter vindo logo ter comigo - ralhou , segurando os restos tristes e moles de aquilo que antes fora um braço activo . - Eu conserto ossos em um segundo , mas fazê os crescer de_novo ... - Vai conseguir , não vai ? - perguntou Harry desesperado . - Sim , com certeza , mas vai ser doloroso - disse Madam_Pomfrey de modo severo , entregando lhe um pijama . - Vais ter que ficar cá esta noite ... Hermione esperou de o lado de_fora de a cortina que rodeava outra cama enquanto Ron ajudava Harry a vestir se . Levou algum tempo a enfiar o braço que parecia borracha dentro_de uma manga de o pijama . - Como é_que podes continuar a defender o Lockhart depois disto , Hermione ? - perguntou Ron através de as cortinas , enquanto puxava os dedos moles de o Harry por uma manga . - Se o Harry quisesse ser desossado , teria pedido . - Todos podem enganar se - disse Hermione . - E deixou de doer , não deixou , Harry ? - Sim - disse ele - mas também ficou incapaz de fazer seja o que for . Quando se meteu em a cama , o braço agitou se despropositadamente . Hermione e Madam_Pomfrey entraram . Madam_Pomfrey segurava uma grande garrafa com o rótulo * Skele - _ Gro * . - Vais ter uma noite difícil - preveniu , enchendo um pequeno copo fumegante e dando lhe a beber . - Fazer crescer ossos é uma coisa difícil . Tomar o * _ Skele - _ Gro * também . Queimou a boca e a garganta de o Harry a o descer , fazendo o tossir e cuspir . Resmungando sobre os desportos perigosos e os professores incapazes , Madam_Pomfrey retirou se , deixando Ron e Hermione a ajudar Harry a engolir um_pouco de água . - Mas ganhámos o jogo - disse o Ron com um sorriso em o rosto . - A tua jogada foi em grande . A cara de o Malfoy ... parecia que queria matar alguém . - Eu vou descobrir como é_que enfeitiçaram aquela * bludger * - disse Hermione com ar sombrio . - Podemos juntar essa pergunta a a lista de todas_as que queremos fazer a o Malfoy quando tomarmos a poção * _ Polisuco * - disse Harry , afundando se de_novo em as almofadas . - Espero que tenha um sabor melhor do_que esta coisa ... - Com um bocado de os Slytherin lá dentro , deves estar a brincar - disse o Ron . A porta de a ala hospitalar abriu se em esse momento e , completamente encharcados , entraram os restantes membros de a equipa de os Gryffindor , para ver o Harry . - Um voo inacreditável - disse George . - Acabei de ver Marcus_Flint a gritar com o Malfoy . Qualquer coisa sobre ter a * snitch * mesmo em cima de a cabeça e não ter dado por nada . O Malfoy não parecia nem um_pouco satisfeito . Tinham trazido bolos , rebuçados e garrafas de sumo de abóbora . Juntaram se em volta de a cama de Harry e estavam a dar início a o que prometia ser uma grande festa quando Madam_Pomfrey entrou a vociferar : - Este rapaz precisa de repouso . Tem trinta_e_três ossos a crescer . Fora de aqui . FORA ! E Harry ficou sozinho , sem nada que o distraísse de as dores agudas em o seu braço mole . Muitas horas mais tarde , Harry acordou subitamente em a escuridão total e soltou um pequeno grito de dor : sentia agora o braço cheio de estilhaços . Durante alguns segundos pensou que tinha sido a dor a acordá o . Depois , com um arrepio de horror , apercebeu se de que alguém estava a passar lhe uma esponja em a testa . - Sai de aqui - gritou , e em seguida : - Dobby ! Os olhos de o tamanho de bolas de ténis de o elfo doméstico estavam a olhá o em o escuro , uma lágrima grossa rolava por o seu enorme nariz . - Harry_Potter voltou a a escola - murmurou , infeliz . - Dobby avisou e voltou a avisar Harry_Potter . Ah ! senhor , porque não deu ouvidos a Dobby ? Porque não voltou Harry_Potter para_casa quando perdeu o comboio ? Harry ergueu se um_pouco , encostando se a as almofadas e afastou a esponja de o elfo . - O que estás a fazer aqui ? - perguntou . - E como sabes que eu perdi o comboio ? O lábio de Dobby tremeu e Harry foi assaltado por uma dúvida . - Foste tu . Tu impediste que a barreira nos deixasse passar . - Em a verdade fui eu , senhor - disse Dobby , acenando com a cabeça e com as orelhas a abanar . - Dobby escondeu se , esperou por Harry_Potter e selou a barreira . A seguir , Dobby teve de pôr as mãos em o ferro de engomar - mostrou a o Harry dez dedos longos embrulhados em ligaduras . - Mas Dobby não se importou , senhor , porque pensou que Harry_Potter estava a salvo e nunca Dobby sonhou que mesmo_assim ele viria para a escola ! Balançava se para a frente e para trás , sacudindo a cabeça feia . - Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry_Potter tinha voltado a a escola que deixou queimar o jantar de os seus donos . Dobby nunca tivera um castigo tão grande , senhor . Harry afundou se de_novo em as almofadas . - Quase conseguiste que nos expulsassem , a mim e a o Ron - disse furioso . - É melhor desapareceres de aqui antes que os meus ossos voltem a estar bem , Dobby , ou ainda te estrangulo . O elfo sorriu . - Dobby está habituado a ameaças de morte , senhor . Dobby recebe as cinco vezes por dia em a casa onde mora . Encostou o nariz a um canto de a fronha que usava , ficando tão ridículo que Harry sentiu a raiva desvanecer se , apesar_de tudo . - Porque usas essa coisa , Dobby ? - perguntou com curiosidade . - Isto , senhor ? - disse Dobby apontando para a fronha de almofada . - É uma prova de escravatura de o elfo doméstico , senhor . Dobby só pode ser libertado se os donos lhe derem roupa , senhor . A família tem o cuidado de não dar a o Dobby nem uma peúga , senhor , porque ele poderia ficar livre e deixar a casa para sempre . Dobby limpou os olhos protuberantes e disse subitamente : - Harry_Potter deve ir para_casa . Dobby achou que a sua * bludger * seria o suficiente para o fazer ... - A tua * bludger * ? - disse Harry com a raiva a crescer novamente dentro de ele . - Que queres tu dizer com a tua bludger * ? Foste tu quem fez com que aquela bola tentasse matar me ? - Matar não , senhor . Matar , nunca ! - disse o elho chocado . - Dobby quer salvar a vida de Harry_Potter . É melhor ir para_casa ferido do_que ficar aqui , senhor . Dobby só queria Harry_Potter suficientemente ferido para voltar para_casa . - Só isso ? - disse Harry furioso . - Imagino que não vais dizer me porque querias mandar me para_casa a os bocados ? - Ah ! se Harry_Potter soubesse ! - gemeu Dobby , com mais lágrimas a escorrerem lhe por a fronha esfarrapada . - Se pudesse saber o que significa para nós , para os humildes , os escravizados , nós , a escória social de o mundo mágico ! Dobby lembra se de como eram as coisas quando Aquele cujo nome não deve ser pronunciado estava em o auge de o poder , senhor ! Nós , os elfos domésticos éramos tratados como animais , senhor ! É claro que Dobby ainda é tratado assim - admitiu , secando o rosto em a fronha de almofada . - Mas , em a sua maioria , a vida melhorou bastante para os de a minha espécie desde_que Harry_Potter triunfou sobre Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Harry_Potter sobreviveu e o poder de os senhores de o Mal foi quebrado e veio uma nova alvorada , senhor , e Harry_Potter brilhou como um farol de esperança para aqueles de entre nós que já pensavam que a longa noite nunca mais teria fim , senhor ... e agora em Hogwarts vão acontecer coisas terríveis , talvez já esteiam a acontecer e Dobby não pode deixar Harry_Potter ficar aqui , agora_que a história vai repetir se , agora_que a Câmara_dos_Segredos está de_novo aberta . Dobby calou se horrorizado . Em seguida agarrou em o jarro de a água que Harry tinha a a cabeceira e bateu com ele em a própria cabeça , deixando se cair . Um segundo mais tarde voltou até junto de a cama , repetindo : - Mau , Dobby , muito mau , Dobby . - Quer_dizer , então , que existe mesmo a Câmara_dos_Segredos ? - murmurou Harry . - E dizes tu que já antes foi aberta ? Conta me , Dobby . Agarrou o pulso ossudo de o elfo quando a mão de ele se estendia para o jarro de a água . - Mas eu não sou filho de Muggles . Como posso estar em perigo por causa de a Câmara_dos_Segredos ? - Ah ! senhor , não pergunte a o pobre Dobby - lamentou se o elfo com os olhos enormes a brilharem em o escuro . - As forças de as trevas estão projectadas em este lugar , mas Harry_Potter não deve estar aqui quando as coisas acontecerem . Vá para_casa , Harry_Potter , vá para_casa . Harry_Potter não deve envolver se em isto , senhor , é demasiado perigoso ... - Quem é , Dobby ? - perguntou Harry , continuando a agarrar lhe o pulso com forca , impedindo que batesse de_novo em si próprio com o jarro . - Quem abriu a amara ? Quem a abriu de a última vez ? - Dobby não pode , senhor . Dobby não pode . Dobby não deve dizer - guinchou o elfo . - Vá se embora , Harry_Potter , vá se embora ! - Eu não vou para lugar nenhum - disse Harry , furioso . - Uma de as minhas melhores amigas é filha de Muggles , está em perigo se a câmara foi , de facto , aberta ... - Harry_Potter arrisca a própria vida por os amigos - gemeu Dobby em uma espécie de êxtase infeliz . - Tão nobre , tão corajoso , mas deve salvar se , Harry_Potter não deve ... Dobby calou se de repente com as orelhas de morcego a estremecerem . Harry também ouviu os passos que vinham lá fora , de o corredor . - Dobby tem de ir - balbuciou o elfo apavorado . Ouviu se um ruído e o pulso de Harry ficou subitamente fechado em o ar . Meteu se de_novo para baixo , em a cama , com os olhos fixos em a porta escura que dava entrada em a ala hospitalar enquanto os passos se aproximavam . Em o momento seguinte , Dumbledore estava a entrar , de costas , em o dormitório , vestindo uma longa túnica de lã e uma capa de noite . Transportava um extremo de aquilo que parecia ser uma estátua . A professora Mc_Gonagall surgiu um segundo mais tarde , pegando lhe em os pés . Os dois colocaram a em uma cama . - Chame Madam_Pomfrey - murmurou Dumbledore e a professora Mc_Gonagall passou por a cama de Harry , apressadamente , e desapareceu . Harry deixou se ficar muito quieto como_se estivesse a dormir . Ouviu vozes ansiosas e por fim a professora Mc_Gonagall apareceu de_novo , seguida de Madam_Pomfrey que vestia um casaco curto de lã sobre a camisa de dormir . Ouviu uma inspiração aguda . - O que aconteceu ? - murmurou Madam_Pomfrey_a_Dumbledore , inclinando se sobre a estátua que estava em a cama . - Outro ataque - disse Dumbledore . - A Minerva encontrou o em as escadas . Havia um cacho de uvas junto de ele . Acho que estava a tentar esgueirar se até aqui para vir visitar o Potter . O estômago de Harry deu uma reviravolta . Lenta e cuidadosamente ergueu se alguns centímetros para poder ver a estátua que estava sobre a cama . Um raio de luar iluminou lhe o rosto estático . Era_Colin_Creevey . Tinha os olhos abertos , e as mãos , em frente de a cara , seguravam a máquina fotográfica . -- Petrificado ? - murmurou Madam_Pomfrey . - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - Mas estou tentada a acreditar que ... se Albus não tivesse vindo cá abaixo tomar um chocolate quente ... quem sabe o que teria ... Os três olharam para Colin . Dumbledore inclinou se e retirou lhe a máquina de as mãos rígidas . - Será que ele conseguiu tirar a fotografia de o agressor ? - perguntou ansiosa a professora Mc_Gonagall . Dumbledore não respondeu . Abriu a parte detrás de a máquina . - Cruzes canhoto - disse Madam_Pomfrey . Um jacto de vapor tinha feito fervilhar a máquina . Harry , a três metros de distância , sentiu o cheiro tóxico de o plástico queimado . - Derretido - disse Madam_Pomfrey com grande espanto . - Tudo derretido . - O que significa isto , Albus ? - perguntou cada_vez_mais nervosa a professora Mc_Gonagall . - Significa - disse Dumbledore - que a Câmara_dos_Segredos está mesmo aberta outra_vez . Madam_Pomfrey levou uma mão a a boca . A professora Mc_Gonagall olhou assustada para Dumbledore . - Mas , Albus ... com certeza ... quem ? - A questão não é quem - disse Dumbledore com os olhos fixos em Colin . - A questão é como ... E pelo que Harry conseguiu ver de o rosto indistinto de a professora Mc_Gonagall , ela não compreendeu muito mais do_que ele . XI_O clube de os duelos Quando_Harry acordou , em o domingo de manhã , a enfermaria estava iluminada por um resplandecente sol de inverno e o seu braço tinha de_novo todos os ossos , apesar_de o sentir muito rígido . Sentou se rapidamente e olhou para a cama de Colin , mas ela fora isolada com as cortinas atrás de as quais se despira em a véspera . Vendo que ele tinha acordado , Madam_Pomfrey apareceu com um tabuleiro de pequeno-almoço e a seguir começou a apalpar lhe o braço e os dedos . - Tudo em ordem - disse , enquanto ele , com a mão esquerda , comia avidamente as papas de aveia . - Quando acabares de comer podes ir te embora . Harry vestiu se o mais depressa que pôde e dirigiu se a a pressa para a torre de os Gryffindor , ansioso por contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre Colin e Dobby , mas não os encontrou lá . Foi a a procura de eles , perguntando a si próprio onde teriam ido e sentindo se um_pouco magoado por o pouco interesse que demonstravam em saber se ele tinha recuperado os ossos . Quando passou por a biblioteca , Percy_Weasley vinha a sair com bastante melhor cara do_que de a última vez que se tinham encontrado . - Olá , olá , Harry - disse . - Excelente voo o de ontem , verdadeiramente sensacional . Os Gryffindor estão a a frente para a taça de a equipa . Ganhaste cinquenta pontos . - Não viste o Ron e a Hermione por aí ? - perguntou Harry . - Não , não vi - disse Percy com o sorriso a desaparecer . - Espero que o Ron não esteja outra_vez em a casa_de_banho de as raparigas ... Harry forçou um sorriso , viu Percy desaparecer e a seguir foi direitinho até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Não via lá muito bem por_que motivo o Ron e a Hermione lá estariam de_novo , mas , depois de se assegurar de que nem Filch nem nenhum de os prefeitos estavam por perto , abriu a porta e ouviu as vozes de eles que vinham de um cubículo fechado . - Sou eu - disse , fechando a porta atrás_de si . Ouviu se dentro de o cubículo um estrondo , um chapinhar e um sobressalto e ele viu o olho de a Hermione a espreitar por o buraco de a fechadura . - Harry - disse ela . - Pregaste nos um susto de morte . Entra . Como está o teu braço ? - _ óptimo - respondeu , apertando se dentro de o cubículo . Em cima de a sanita estava encarrapitado um velho caldeirão , e um crepitar a a superfície de a água disse a Harry que eles tinham acendido um fogo lá em baixo . Fazer aparecer fogos portáteis a a prova de água era uma de as especialidades de Hermione . - _ íamos visitar te , mas resolvemos começar a preparar a poção * _ Polisuco * - explicou Ron enquanto Harry fechava outra_vez a porta de o cubículo com alguma dificuldade . - Achámos que este era o lugar mais seguro para a esconder . Harry começou a contar lhes de o Colin , mas Hermione interrompeu o . - Nós já sabemos , ouvimos a professora Mc_Gonagall contar a o professor Flitwick hoje_de_manhã . Por isso resolvemos começar a ... - Quanto_mais depressa arrancarmos uma confissão a o Malfoy , melhor - rosnou o Ron . - Sabem o que eu penso ? Ele estava tão mal-humorado depois de o jogo de Quidditch que se vingou em o Colin . - Há outra coisa - disse Harry , vendo Hermione cortar molhos de verdezelha e lançá os dentro de a poção . - O Dobby foi visitar me a meio de a noite . Ron e Hermione olharam o espantados . Harry contou lhes tudo_o_que Dobby lhe dissera ... ou não dissera . Ron e Hermione ouviram o de boca aberta . - A Câmara_dos_Segredos já tinha sido aberta antes ? - repetiu Hermione . - Encaixa perfeitamente - disse Ron , em uma voz triunfante . - O Lucius_Malfoy deve ter aberto a Câmara_dos_Segredos quando andava em a escola e agora ensinou a o querido filhinho Draco como abris a . É óbvio , que pena o Dobby não te ter dito que tipo de monstro lá se encontra . Gostava de saber como é_que ninguém o viu andar por ai em a escola . - Talvez tenha a capacidade de se tornar invisível - sugeriu Hermione , picando sanguessugas para dentro de o caldeirão . - Ou talvez se disfarce , passando por uma armadura ou outra coisa de o género . Eu li umas coisas sobre vampiros camaleões ... - Tu lês de mais , Hermione - disse o Ron , deitando moscas asas de renda mortas por cima de as sanguessugas . Amarrotou o saco vazio de as asas de renda e olhou para Harry . - Então foi o Dobby que nos impediu de apanhar o comboio e te partiu o braço ... - abanou a cabeça . - Sabes o que eu acho ? Se ele não parar de tentar salvar te a vida ainda acaba por te matar . A notícia de que Colin_Creevey tinha sido atacado e estava agora em a ala hospitalar , como morto , espalhou se por toda_a escola em a segunda-feira de manhã . O ar ficou pesado e cheio de boatos e suspeitas . Os alunos de o primeiro ano começavam a andar por a escola em pequenos grupos , receando ser atacados se se aventurassem a andar isoladamente por os corredores . Ginny_Weasley , que era colega de carteira de o Colin em os encantamentos , estava perturbadíssima , mas Harry achou que Fred e George estavam a tentar animá a de a maneira errada . Revezavam se , mascarados com peles de animais e apareciam lhe subitamente detrás de as estátuas . Só pararam quando Percy , apopléctico de raiva , lhes disse que ia escrever a Mrs._Weasley a contar lhe que a Ginny andava a ter pesadelos . Enquanto isso , às_escondidas de os professores , uma panóplia de talismãs , amuletos e outros objectos de protecção ia enchendo a escola . Neville_Longbottom comprou uma enorme cebola verde que cheirava mal , um cristal pontiagudo cor de púrpura e uma cauda de tritão apodrecida antes de os outros rapazes de os Gryffindor lhe explicarem que ele não corria perigo : era um sangue puro e , portanto , muito pouco passível de ser atacado . - Eles foram a o Filch em primeiro lugar - disse Neville com o medo estampado em a cara redonda . - E toda_a_gente sabe que eu sou quase um * busca-pé * . Em a segunda semana de Dezembro , a professora Mc_Gonagall veio , como de costume , recolher os nomes de os alunos que ficavam em a escola durante o Natal . Harry , Ron e Hermione assinaram a lista . Tinham ouvido dizer que Malfoy ficava , o que lhes parecera muito suspeito . As férias seriam a altura ideal para usar a poção * _ Polisuco * e tentar arrancar lhe uma confissão . Infelizmente a poção estava a meio . Precisavam ainda de o chifre de bicórneo e o único lugar onde podiam arranjá o era em os depósitos privados de Snape . Harry , pessoalmente , preferia enfrentar o lendário monstro de os Slytherin do_que ser apanhado por o Snape a assaltar lhe o escritório . - O que precisamos - disse Hermione cheia de vivacidade quando se aproximava a aula conjunta de poções de quinta-feira a a tarde - para podermos entrar a a vontade em o escritório de o Snape , é de uma diversão . Harry e Ron olharam para ela , nervosos . - Acho que o melhor é ser eu a praticar o roubo - prosseguiu ela , em um tom perfeitamente casual . - Vocês os dois podem ser expulsos se forem apanhados e eu tenho uma folha limpa . Portanto , a única coisa que têm de fazer é distrair o Snape durante cerca de cinco minutos . Harry esboçou um meio sorriso . Provocar deliberadamente um estrago em a aula de poções de o Snape era tão seguro como ferir em um olho um dragão adormecido . As aulas de poções tinham lugar em um de os mais amplos calabouços . A de quinta-feira a a tarde não foi diferente de as outras . Vinte caldeirões fumegavam entre as secretárias de madeira , sobre as quais podia ver se laminas de latão e jarras com ingredientes . Snape deambulava por o meio de os fumos , fazendo reparos petulantes a o trabalho de os Gryffindor , enquanto os Slytherin riam a a socapa . Draco_Malfoy , que era o aluno preferido de Snape , não parava de lançar olhos de carneiro mal morto a o Ron e a o Harry , que sabiam que se retaliassem teriam um castigo , antes de poderem abrir a boca para dizer : - É injusto ! A solução de inchar de o Harry estava demasiado líquida , mas ele estava preocupado com coisas mais importantes . Esperava por o sinal de Hermione e mal deu por Snape se calar para ir espreitar a sua poção aguada . Quando o professor se voltou e foi implicar com o Neville , Hermione trocou um olhar com Harry e fez um aceno . Harry baixou se discretamente por detrás de o seu caldeirão , tirou de o bolso de trás um de os paus de fogo-de-artíficio Filibuster e deu lhe um toque de varinha . O fogo-de-artíficio começou a sibilar e a crepitar . Sabendo que tinha apenas alguns segundos , Harry endireitou se , ganhou coragem e lançou o a o ar . Aterrou certeiro em o caldeirão de o Goyle . A poção de o Goyle explodiu , salpicando toda_a aula . As pessoas gritavam , à_medida_que eram vítimas de os salpicos . Malfoy foi apanhado em a cara e o nariz começou a inchar como um balão . O Goyle tropeçava a as cegas , com as mãos em os olhos , que tinham ficado de o tamanho de pratos de sopa , enquanto o Snape tentava repor a calma e tentar perceber o que sucedera . Em o meio de a confusão , Harry viu Hermione esgueirar se a a socapa por a porta . - Silêncio ! silêncio ! - vociferou Snape . - Todos os que foram salpicados cheguem aqui para uma drenagem . Quando eu descobrir quem fez isto ... Harry fez um enorme esforço para não se rir a o ver Malfoy chegar apressadamente lá a a frente , a cabeça a tombar com o peso de o nariz , que parecia um pequeno melão . Quando metade de a aula se amontoava junto de a secretária de o Snape , alguns alunos vergados por o peso de os braços que pareciam mocas , outros incapazes de falar devido a o gigantesco inchaço de os lábios , Harry viu Hermione reentrar em o calabouço , a túnica mostrando a barriga protuberante . Quando todos os alunos tinham já tomado um gole de o antídoto e os vários inchaços tinham desaparecido , Snape precipitou se para o caldeirão de o Goyle e pescou os restos retorcidos de o fogo-de-artíficio . Houve um súbito silêncio . - Se eu descubro quem lançou isto - murmurou Snape - garanto que é expulsão por a certa . Harry compôs uma expressão de espanto . Snape olhava directamente para ele e a campainha , que tocou dez minutos mais tarde , não podia ser mais bem-vinda . - Ele soube que fui eu - disse Harry_a_Ron e a a Hermione , enquanto se dirigiam apressadamente para a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Tenho a certeza . Hermione lançou o novo ingrediente em o caldeirão e começou a mexer furiosamente . - Isto vai estar pronto dentro_de quinze_dias - afirmou , satisfeita . - O Snape não pode provar que foste tu - assegurou Ron , tranquilizando Harry . - Que pode ele fazer ? - Conhecendo o Snape , qualquer coisa louca - respondeu Harry , enquanto a poção borbulhava e espumava . Uma semana mais tarde , Harry , Ron e Hermione passavam por o vestíbulo de entrada , quando viram um pequeno grupo de pessoas reunidas em volta de o jornal de parede a lerem um pedaço de pergaminho que tinha acabado de ser afixado . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas acenaram lhes , entusiasmados . - Vão lançar um clube de duelos ! - exclamou Seamus . - Hoje a a noite é a primeira reunião . Eu não me importaria nada de ter aulas de duelo , podem vir a ser úteis um dia de estes ... - Porquê ? Achas que o monstro de os Slytherin sabe esgrimir ? - perguntou o Ron , mas , também ele , leu a notícia com interesse . - Pode ser útil - disse a o Harry e a a Hermione , quando foram jantar . - Vamos lá ? Harry e Hermione acharam óptimo , por isso , a as oito_da_noite voltaram a o salão . As longas mesas de refeição tinham desaparecido e um estrado dourado surgira , encostado a a parede . Sobre ele flutuavam milhares de velas . O tecto era , mais_uma_vez , de veludo negro e parecia que quase todos os alunos de a escola se encontravam ali , com as suas varinhas em a mão e com um ar entusiasmado . - Quem será que vai ensinar nos ? - perguntou Hermione , enquanto se misturavam em a multidão barulhenta . - Ouvi dizer que o Filitwick foi campeão de duelo em a juventude , talvez seja ele . - Desde_que não seja ... - começou Harry , mas terminou em um gemido : Gilderoy_Lockhart estava a subir a o estrado , resplandecente em as suas vestes cor de ameixa , acompanhado , nem mais nem menos , do_que de Snape que trajava , como sempre , de negro . Lockhart levantou um braço , pedindo silêncio , bradando : - Aproximem se , aproximem se , conseguem todos ver me e ouvir me ? Excelente ! - O professor Dumbledore deu me autorização para iniciar este pequeno curso de duelo para vos treinar a todos , caso algum dia precisem de se defender , como eu tenho feito em inúmeras ocasiões ; para mais detalhes , leiam os livros que tenho publicados . - Permitam que vos apresente o meu assistente , o professor Snape - disse Lockhart , abrindo um sorriso de orelha a orelha . - Ele diz me que sabe alguma coisa sobre duelos e aceitou desportivamente ajudar me em uma exibição de demonstração , antes de começarmos . Atenção , não quero que os mais novos fiquem preocupados , vão continuar a ter o vosso professor de poções depois de eu o vencer . Não tenham medo . - Não era óptimo se se liquidassem um_ao_outro ? - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . O lábio inferior de Snape estava curvo . Harry interrogou se sobre o motivo por_que Lockhart continuava a sorrir . Se o Snape olhasse de aquela maneira para ele , Harry estaria a correr a_toda_a velocidade para o mais longe possível . Lockhart e Snape voltaram se um para o outro e fizeram uma vénia , pelo_menos Lockhart fê la com muitas reviravoltas de mãos , enquanto Snape acenava , irritado , com a cabeça . Em seguida , ergueram as varinhas , como_se fossem espadas , em a frente . - Como podem ver , estamos a pegar em as varinhas em a posição de aceitação de combate - explicou Lockhart a a multidão silenciosa . - Quando contarmos até três , lançaremos os primeiros feitiços . Nenhum de nós tentará matar o outro , claro . - Eu não poria as mãos em o fogo - murmurou Harry , observando como Snape cerrava os dentes . -- Um , dois , três ... Os dois balançaram as varinhas acima de os ombros . Snape gritou : * _ Expelliarmus * ! Houve um clarão ofuscante de luz escarlate e Lockhart voou para trás , caindo de o estrado batendo contra a parede , escorregando e indo estatelar se em o chão . Malfoy e alguns de os outros Slytherin aplaudiram . Hermione estava em bicos de os pés . - Acham que ele está bem ? - gritou entredentes . - Quem se rala ? - disseram ao_mesmo_tempo o Ron e o Harry . Lockhart estava a pôr se , hesitante , de pé . O chapéu caíra lhe e o cabelo ondulado estava em um desalinho . - Bem , cá está ! - disse , cambaleando até a o estrado . - Este foi um encantamento para desarmar . Como podem ver , perdi a minha varinha . Ah , obrigado Miss_Brown . Sim , foi uma excelente ideia mostrar lhes isto , professor Snape , mas , se me permite que lhe diga , foi muito óbvio o que ia fazer . Se eu tivesse querido impedis o , teria o feito com a maior de as facilidades . Mas achei que seria educativo deixá os ver ... Snape tinha um ar assassino . Provavelmente Lockhart deu por isso , porque declarou : - Chega de demonstrações . Eu vou passar agora por o meio de vocês e criar duplas . Professor_Snape , se quiser ajudar me ... Entraram por o meio de a multidão , agrupando alunos . Lockhart pôs o Neville com Justin_Finch - _ Fletchley , mas Snape chegou primeiro junto de Harry e de Ron . - Tempo de separar a dupla ideal , parece me - rosnou . - Weasley , tu podes ficar com o Finnigan . Potter ... Harry voltou se automaticamente para Hermione . - Não me parece - disse Snape com o seu sorriso frio . - Mr._Malfoy , venha até aqui . Vamos ver o que faz com o famoso Potter . E a menina , Miss_Granger , pode emparceirar com Miss_Bulstrode . Malfoy aproximou se com o seu passo empertigado e o seu sorriso escarninho . Atrás de ele vinha uma rapariga de os Slytherin , que lembrou a Harry uma imagem que tinha visto em as * _ Férias com Bruxas_Velhas * . Era corpulenta e quadrada e os maxilares avançavam agressivamente . Hermione esboçou um meio sorriso , que ela não retribuiu . - Voltem se para os vossos parceiros - gritou Lockhart - e façam a vénia . Harry e Malfoy mal inclinaram as cabeças , não afastando os olhos um de o outro . - Varinhas preparadas ! - gritou Lockhart . - Quando eu disser três preparem os feitiços para desarmar o vosso opositor . Um ... dois ... três ... Harry levantou a varinha acima de o ombro , mas Malfoy começara logo em o « dois » : o seu feitiço apanhou Harry com tanta força que ele se sentiu como_se tivesse levado com uma frigideira em a cabeça . Tropeçou , mas ainda não estava fora de combate e , sem perder tempo , Harry apontou a varinha a Malfoy e gritou : - * _ Rictusempra ! * Um jacto de luz prateada atingiu Malfoy em o estômago , obrigando o a dobrar se , arfando . - Eu disse desarmar ! - gritava Lockhart sobre as cabeças de a multidão em lata , enquanto Malfoy caía de joelhos . Harry atingira o com o feitiço de as cócegas e ele mal conseguia mexer se para se rir . Harry hesitou com o vago sentimento de que seria pouco desportivo enfeitiçar Malfoy enquanto ele estava caído em o chão , mas ... foi um erro . Tentando respirar , Malfoy apontou a varinha a os joelhos de Harry , balbuciando : « * _ Tarantallegra ! * » e , um segundo depois , as pernas de o Harry tinham começado a mexer se , sem que ele pudesse controlá as , executando uma espécie de dança frenética . - Parem , parem - gritava Lockhart , quando Snape resolveu tomar controlo de a situação . - * _ Finite_Incantatem ! * - bradou . Os pés de o Harry pararam de dançar , Malfoy parou de rir e puderam olhar para_cima . Uma onda de fumo esverdeado pairava sobre todos eles . Neville e Justin estavam caídos em o chão , a arfar . Ron tentava fazer parar um Seamus com cara cor de cinza , pedindo lhe mil desculpas por o que a sua varinha partida eventualmente tivesse feito . Mas Hermione e Millicent_Bulstrode ainda não tinham acabado . Millicent tinha feito a Hermione uma prisão de cabeça e Hermione gritava de dor . As duas varinhas jaziam esquecidas em o chão . Harry deu um salto em frente e afastou Millicent . Não foi fácil , ela era bastante maior do_que ele . - Oh , gente ! - exclamou Lockhart , arrastando se por o meio de a multidão e olhando para os resultados de os duelos . - Vamos pôr de pé , Mcmillan ... cuidado , Miss_Fawcett ... belisque com força que pára logo de sangrar ... - Acho que o melhor é ensinar vos como bloquear feitiços pouco amigáveis - afirmou Lockhart que estava nervosíssimo em o meio de o salão . Olhou para Snape , cujos olhos pretos brilhavam e desviou rapidamente o olhar . - Vamos arranjar um par de voluntários . Longbottom e Finch - _ Fletchley , que tal serem vocês ? - Uma má ideia , professor Lockhart - disse Snape , deslizando como um morcego enorme e cruel . - Longbottom provoca devastação com o feitiço mais simples . Ainda temos de mandar o que restar de o Finch - _ Fletchley para a ala hospitalar dentro_de uma caixa de fósforos . - A cara redonda e rosada de Neville ficou ainda mais rosada . - Que tal o Malfoy e o Potter ? - sugeriu Snape com um sorriso retorcido . - Excelente ideia - disse Lockhart , fazendo sinal a os dois para que se aproximassem de o meio de o salão , enquanto a multidão recuava para lhes dar passagem . - Ouve bem , Harry - disse Lockhart . - Quando o Draco te apontar a varinha , tu fazes assim . Levantou a sua varinha , executando uma tentativa complicada de malabarismo e deixou a cair . Snape sorriu pretensiosamente , enquanto Lockhart a apanhava de o chão , dizendo : - Ups , a minha varinha está demasiado excitada . Snape aproximou se de Malfoy , inclinou se e disse lhe qualquer coisa a o ouvido . Malfoy sorriu também de forma afectada . Harry olhou , nervoso , para Lockhart e pediu : - Professor , podia mostrar me outra_vez aquela coisa para bloquear ? - Estás com medo ? - murmurou Malfoy baixinho , para que Lockhart não pudesse ouvir . - Querias ! - exclamou Harry por o canto de a boca . Lockhart deu um soco em o ombro de o Harry , em a brincadeira . - Basta que faças como eu fiz ! - O quê , deixar cair a varinha ? Mas Lockhart não estava a ouvir - Três , dois , um , zero ! - gritou . Malfoy levantou rapidamente a varinha a o ar e gritou : - * _ Serpensortia ! * A extremidade de a varinha explodiu . Harry viu , horrorizado , uma enorme serpente negra sair de ela , cair pesadamente em o chão a meio de os dois e erguer se disposta a atacar . Ouviram se gritos , enquanto a multidão se afastava , deixando o chão vazio . - Não te mexas , Potter - disse Snape vagarosamente , divertindo se claramente a ver Harry , parado , a olhar em os olhos a serpente . - Eu trato de ela ... - Permita me -- gritou Lockhart . Bramiu a varinha em direcção a a serpente e ouviu se um estoiro . A cobra , em_vez_de desaparecer , voou três metros acima de eles e voltou a cair em o chão com um estrondo enorme . Enraivecida , a sibilar de fúria , rastejou em direcção a Finch - _ Fletchley e pôs se de pé com os dentes a a mostra , pronta a atacar . Harry não soube ao_certo o que o levou a fazer aquilo . Não se lembrava sequer de ter tomado aquela decisão . Só soube que as pernas o fizeram avançar como_se tivesse rodas e que gritou a a serpente : - Larga o ! - E , milagrosa e inexplicavelmente , a serpente voltou a o chão , dócil como uma grande mangueira de jardim , preta e grossa , os olhos agora fixos em os olhos de Harry . Harry sentiu o medo a escoar se . Sabia que a cobra não atacaria mais ninguém , embora não pudesse explicar como sabia . Olhou para Justin a sorrir , esperando vê o aliviado , espantado , ou mesmo agradecido , mas nunca zangado ou assustado . - Que brincadeira é essa ? - gritou o outro e , antes que Harry tivesse tempo de dizer fosse o que fosse , voltou as costas e saiu de o salão . Snape deu um passo em frente , fez um gesto com a varinha e a serpente desapareceu em uma onda de fumo preto . Também ele , Snape , olhava para Harry de uma forma inesperada . Era um olhar arguto e calculista , de que Harry não gostou . Apercebeu se também vagamente de um murmúrio ameaçador que vinha de as paredes em volta . Depois , sentiu um puxão em a túnica . - Vamos - disse a voz de o Ron em o seu ouvido . - Mexe te , vá lá ... Ron arrastou o para fora de o salão . Hermione acompanhava os em a passada rápida . Quando cruzaram a porta , as pessoas que a rodeavam afastaram se , como_se tivessem medo de ser contagiadas . Harry não fazia a mais pequena ideia do_que estava a passar se e , nem Ron , nem Hermione lhe deram qualquer explicação , antes de o terem levado até a a sala comum de os Gryffindor , que se encontrava vazia . Aí , Ron empurrou Harry para uma cadeira de braços e disse : - Tu és um * serpentês * . Porque não nos disseste ? - Eu sou um quê ? - perguntou Harry . - Um * serpentês * ! - exclamou o Ron . - Falas com as cobras . - Eu sei - declarou Harry . - Quer_dizer , esta foi a segunda vez que o fiz . A outra foi há muito_tempo em o jardim zoológico , quando soltei uma Boa_Constrictor a o meu primo Dudley . É uma longa história , mas ela estava a dizer me que nunca tinha estado em o Brasil e eu acho que a libertei sem querer . Foi antes de saber que era feiticeiro . . . - Uma Boa_Constrictor disse te que nunca tinha estado em o Brasil ? - repetiu Ron , quase sem voz . - E então ? - disse o Harry . - Aposto que montes de pessoas aqui fazem o mesmo . - Não fazem , não - afirmou Ron . - Não é um dom muito frequente . Harry , isso é mau . - O que é_que é mau ? - perguntou Harry , que começava a ficar chateado . - O que é_que se passa com todos os outros ? Ouve bem , se eu não tivesse dito a aquela cobra para não atacar o Justin ... - Ah , foi isso que tu disseste ? - Que queres dizer ? Tu estavas lá , ouviste perfeitamente o que eu disse . - Eu ouvi te falar em serpentês - disse o Ron . - Língua de cobra . Podias estar a dizer lhe qualquer coisa . Não admira que o Justin tivesse entrado em pânico . Parecia que estavas a incitar a serpente . Foi assustador , sabes ? Harry olhou para ele espantado . - Eu falei uma língua diferente ? Mas não me apercebi , como posso falar uma língua , sem saber que a conheço ? Ron abanou a cabeça . Tanto ele como Hermione tinham um ar fúnebre . Harry não percebia o que havia em aquilo de tão trágico . - Será que me querem explicar o que há de mal em ter impedido que uma serpente enorme arrancasse a cabeça a o Justin ? - perguntou . - Porque é tão importante como o fiz , se evitei que o Justin fosse juntar se a grupo de os SEM_CABEÇA ? - Importa - disse por fim Hermione , em uma voz abafada . - Porque falar com serpentes era a arte por a qual Salazar_Slytherin ficou famoso . Por isso , o símbolo de os Slytherin é uma serpente . Harry ficou de boca aberta . - Exacto - disse o Ron . - E agora todos em a escola vão pensar que tu és descendente de ele . - Mas não sou - contrapôs Harry com um pânico que não conseguia explicar . - Não vai ser fácil prová o - disse Hermione . - Ele viveu há quase mil anos . Pelo que vimos , podias ser . Em essa noite , Harry ficou acordado durante horas . Por uma fresta de os cortinados de a cama de dossel , olhou para a neve que começava a cair de o lado de_fora de a janela de a torre e perguntou se se poderia ser descendente de Salazar_Slytherin . Afinal , não sabia nada de a família de o pai , os Dursley tinham sempre proibido qualquer pergunta sobre os seus familiares feiticeiros . Calmamente , tentou dizer qualquer coisa em * serpentês * , mas as palavras não saíam . Parecia que era necessário estar frente_a_frente com uma cobra para poder fazê o . Mas eu sou um Gryffindor , pensou Harry , o chapéu seleccionador não me poria aqui se eu tivesse sangue de Slytherin ... - Ah ! - disse uma vozinha dentro de o seu cérebro . - Mas o chapéu seleccionador queria pôr te em os Slytherin , não te lembras ? Harry deu voltas e voltas a a cabeça . Em o dia seguinte , quando visse Justin em a aula de herbologia explicaria lhe que estava a afastar a serpente , não a atiçá a o que , aliás , pensou zangado , dando vários socos em a almofada , qualquer idiota teria percebido . Contudo , em a manhã seguinte , a neve que começara a cair durante a noite , transformara se em uma tempestade tão espessa que a última aula de herbologia de o período foi cancelada : a professora Sprout queria tapar as mandrágoras com peúgas e cachecóis , uma operação arriscada que ela não confiava a ninguém agora_que era tão importante que as mandrágoras crescessem depressa e reabilitassem Mrs._Norris e Colin_Creevey . Junto de a lareira de a sala comum de os Gryffindor , Harry matutava sobre o que se passara enquanto Ron e Hermione aproveitavam o foro para jogar xadrez de feitiçaria . - Com os diabos , Harry - disse Hermione exasperada quando um bispo derrubou um de os cavaleiros de o cavalo , arrastando o para fora de o tabuleiro . - Vai falar com o Justin , se isso é assim tão importante para ti . Harry levantou se e saiu por o buraco de o retrato , perguntando a si próprio onde poderia estar o Justin . O castelo estava mais escuro do_que era habitual durante o dia por causa de a neve espessa e cinzenta que cobria as janelas . A tremer , Harry passou por as salas onde estava a haver aulas , captando lampejos do_que sucedia lá dentro . A professora Mc_Gonagall gritava com alguém que , segundo lhe parecia por o som , transformara o parceiro em um texugo . Resistindo a a tentação de dar uma espreitadela , Harry afastou se pensando que Justin poderia estar a utilizar o tempo de o furo para fazer algum trabalho e resolveu , por isso , ir até a a biblioteca . Um grupo de alunos de os Hufflepuff , que deveriam ter estado em Herbologia , encontrava se , de facto , sentado em as traseiras de a biblioteca , mas não parecia estar a trabalhar . Entre as fileiras de as estantes altas , Harry pôde ver as suas cabeças muito juntas em aquilo que deveria ser uma conversa absorvente . Não conseguia perceber se Justin estaria em o meio de eles . Ia para se aproximar quando apanhou em o ar uma frase e parou para ouvir melhor , escondido em a secção de a invisibilidade . - Portanto - dizia um rapaz corpulento - eu disse a o Justin para se esconder em o nosso dormitório . Isto_é , se o Potter o escolheu como próxima vítima é melhor que ele tenha um * low profile * durante algum tempo . É claro que o Justin já estava a a espera que alguma coisa de o género acontecesse desde_que lhe escapou em uma conversa com o Potter que era filho de Muggles . O Justin disse lhe , inclusivamente , que tinha estado inscrito em Eton . Não é o tipo de coisa que se ande a dizer com o herdeiro de Slytherin a a solta por aí . - Achas mesmo_que é o Potter , Ernie ? - perguntou uma rapariga de tranças loiras , ansiosamente . - Hannah - disse com solenidade o rapaz corpulento . - Ele é um serpentês . Todos sabem que essa é a marca de um feiticeiro negro . Alguma vez ouviste falar de um feiticeiro decente que falasse com as cobras ? O Slytherin era conhecido por « Língua de serpente . . Houve alguns murmúrios antes de Ernie prosseguir : - Lembram se do_que estava escrito em a parede ? * _ Inimigos de o herdeiro , cuidado ! * . O Potter teve que ir a o gabinete de o Filch . E o que é_que acontece a seguir ? A gata de o Filch é atacada . O aluno de o primeiro ano , Creevey , estava a aborrecê o em a partida de Quidditch , a tirar lhe fotografias quando ele estava caído em a lama . E o que é_que acontece a seguir ? Creevey é atacado . - Mas ele parece sempre ser tão simpático - disse Hannah , cheia de dúvidas . - E , bem , foi ele que fez com que o Quem nós sabemos desaparecesse . Não pode ser assim tão mau , pois não ? Ernie baixou misteriosamente a voz . Os Hufflepuff inclinaram se mais uns para os outros e Harry aproximou se para conseguir apanhar as palavras de o Ernie . - Ninguém sabe como ele sobreviveu a aquele ataque de o Quem nós sabemos e , afinal , ainda era um bebé quando aquilo aconteceu . Era para ter explodido feito em estilhaços . Só um feiticeiro negro verdadeiramente poderoso teria sobrevivido a uma maldição de aquelas . - Baixou ainda mais a voz até esta ficar reduzida a um leve murmúrio e disse : - Talvez fosse por isso que o Quem nós sabemos o queria matar , para não ter outro feiticeiro negro a competir com ele . Gostava de saber que outros poderes ocultos terá o Potter . Harry não aguentou mais . Pigarreou alto e saiu detrás de as estantes . Se não estivesse tão zangado teria conseguido ver o lado cómico de a situação : cada_um de os Hufflepuff olhava para ele como_se tivesse sido petrificado , e a cor desaparecera de a cara de o Ernie . - Olá - disse Harry . - Estou a a procura de o Justin_Finch - _ Fletchley . Os piores receios de os Hufflepuff tinham se concretizado . Olharam apavorados para o Ernie . - O que queres de ele ? - perguntou Ernie em uma voz sumida . - Explicar lhe o que aconteceu com aquela cobra em o clube de os duelos - disse Harry . Ernie mordeu os lábios brancos e , em seguida , respirando fundo , respondeu : - Estávamos lá todos . Vimos o que aconteceu . - Então viram que depois de eu falar a serpente recuou - disse Harry . - O que eu vi - insistiu teimosamente Ernie , apesar_de tremer a cada palavra que proferia - foi tu a falares serpentês e a atiçares a cobra conta o Justin . - Eu não a aticei - gritou Harry enraivecido . - Ela nem lhe tocou . - Falhou por_pouco - disse Ernie . - E , para o caso de estares com ideias - acrescentou com má cara - posso dizer te que a minha família provem de nove gerações de bruxas e feiticeiros e que o meu sangue é tão puro como o de qualquer feiticeiro , portanto ... - Quero lá saber qual é o teu sangue - disse Harry furioso . - Porque iria eu atacar os filhos de os Muggles ? - Ouvi dizer que detestas os Muggles com quem vives - disse Ernie rapidamente . - Não é possível viver com os Dursley sem os detestar - explicou Harry . - Gostava de te ver lá em casa . Girou sobre os calcanhares e saiu furioso de a biblioteca sob o olhar reprovador de Madam_Prince que limpava a capa dourada de um enorme livro de encantamentos . Harry avançou a as cegas por os corredores , quase sem ver por_onde ia de tão furioso que estava . O resultado foi chocar com algo enorme e sólido que o fez recuar e cair a o chão . - Ah ! Olá , Hagrid - disse , olhando para_cima . Hagrid tinha o rosto completamente tapado com um lenço coberto de neve , mas não podia ser mais ninguém , enchendo assim o corredor dentro de o seu sobretudo de pele de toupeira . De uma de as enormes mãos enluvadas , pendia um galo morto . - Tudo bem , Harry ? - perguntou , afastando o lenço para poder falar . - Porque não estás em a aula ? - Foi cancelada - disse Harry , pondo se de pé . - O que estás a fazer aqui ? Hagrid mostrou lhe o galo inerte . - É o segundo qu'aparece morto este período - explicou . - Ou são raposas ou um vampiro chato e eu preciso d'autorização de o director p'ra fazer um feitiço em volta de a capoeira . Aproximou se e olhou mais de perto para o Harry , por debaixo de as suas sobrancelhas espessas e cheias de neve . - Tens a certeza que estás bem ? Pareces exaltado e preocupado . Harry não foi capaz de repetir o que Ernie e os outros Hufflepuff lhe tinham dito . - Não é nada , tenho de ir , Hagrid . A próxima aula é Transfiguração e preciso de ir buscar os meus livros . Afastou se , a cabeça cheia com tudo_o_que Ernie dissera a seu respeito . « * _ O_Justin já estava d espera que uma coisa de o género acontecesse desde_que deixou escapar , falando com o Potter , que era filho de Muggles * ... » Harry subiu as escadas a correr e entrou por um corredor que estava particularmente escuro . As tochas tinham sido apagadas por uma ventania gelada que entrava por uma janela de fecho estragado . Estava a meio de o corredor quando tropeçou em uma coisa que se encontrava em o chão . Olhou para ver o que era e sentiu como_se o estômago se tivesse dissolvido . Justin_Finch - _ Fletchley estava em o chão , rígido e frio com uma expressão de horror em o rosto e os olhos abertos voltados para o tecto . E não era tudo . Junto de ele estava mais alguém , a visão mais estranha que Harry tivera em toda_a sua vida . Era_o_Nick quase sem cabeça que não estava cor de pérola nem transparente e sim escuro como fumo . Flutuava imóvel , em a horizontal , 12 centímetros acima de o chão , a cabeça meio tombada e em o rosto uma expressão de choque idêntica a a de o Justin . Harry pôs se de pé com a respiração acelerada e o coração a bater como um tambor contra as costelas . Olhou desvairado para ambos os lados de o corredor deserto e viu uma fila de aranhas que corriam a_toda_a velocidade em a direcção oposta a a de os corpos . Os únicos sons eram as vozes abafadas de os professores em as aulas que decorriam de ambos os lados . Podia fugir e ninguém saberia que ali tinha estado , mas não era capaz de os abandonar assim . Tinha de ir procurar ajuda . Será que alguém acreditaria que ele não tivera nada que ver com aquilo ? Enquanto ali estava , em pânico , uma porta a o seu lado abriu se com grande estrondo . Peeves , o * poltergeist * , saiu a os gritos . - Oh ! É o Potter , olá , Potter - alardeou Peeves , lançando por o ar os óculos de o Harry quando passou por ele . - O que está o Potter a fazer ? Porque está o Potter escondido ? Peeves passou de cabeça para baixo , a meio de uma cambalhota em o ar , quando viu Justin e Nick quase sem cabeça . Com um movimento súbito endireitou se , encheu os pulmões de ar e , antes que Harry pudesse impedi o , gritou : __ ataque ! ataque ! outro ataque ! nenhum mortal ou fantasma está em segurança . corram , fujam , __ ataaaque ! Crac , Crac , Crac . Uma atrás de a outra , foram se abrindo todas_as portas a o longo de o corredor e as pessoas saíram para fora de as salas de aula . Durante alguns longos minutos houve uma tal confusão que Justin esteve em perigo de ser esmagado e as pessoas não paravam de chocar com o Nick quase sem cabeça . Harry deu por si colado a a parede enquanto os professores exigiam a os gritos que se fizesse silêncio . A professora Mc_Gonagall veio a correr , seguida por todos os alunos , um de os quais ainda trazia o cabelo a as riscas pretas e brancas . Usou a varinha para produzir um ruído que repôs o silêncio e mandou os alunos todos para dentro de as salas de aula . Mal lugar ficou desimpedido surgiu Ernie , o jovem Hufflepuff . - * _ Apanhado em flagrante ! * - gritou , com o rosto totalmente branco , apontando dramaticamente o dedo par Harry . - Basta_Mcmillan - disse , de forma cortante , a professora Mc_Gonagall . Peeves andava para_cima e para baixo , observando a cena com um sorriso maldoso . Sempre adorara o caos . Quando os professores se inclinaram sobre Justin e sobre o Nick quase sem cabeça para os examinar , iniciou uma cantilena : * _ Oh ! Potter , que fizeste , seu grande bandido * _ Tu matas os estudantes porque achas divertido . * - Basta , Peeves - rosnou a professora Mc_Gonagall e Peeves afastou se , deitando a língua de_fora a o Harry . Justin foi levado para a ala hospitalar por o professor Flitwick e por o professor Sinistra_do_Departamento_de_Astronomia , mas ninguém parecia saber o que fazer em relação a o Nick quase sem cabeça . Por fim , a professora Mc_Gonagall fez aparecer em o ar um enorme leque que entregou a Ernie com o encargo de conduzir , escadas acima , por os ares o Nick quase sem cabeça . Ernie assim fez , soprando Nick como_se fosse um aerodeslizador e deixando , de este modo , o Harry e a professora Mc_Gonagall a sós . - Por aqui , Potter - disse ela . - Professora , eu juro que não ... - Isso não é comigo , Potter - afirmou a professora Mc_Gonagall sinteticamente . Caminharam em silêncio até uma esquina e ela parou perante uma gárgula de pedra extremamente feia . - Refresco de limão - disse . Era obviamente uma senha porque a gárgula animou se subitamente e saltou para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes . Apesar_de estar apavorado com o que ia acontecer a seguir , Harry não conseguiu evitar um sentimento de fascínio . Por detrás de a parede estava uma escada em espiral que se movia lentamente para_cima como um elevador . E quando ele e a professora Mc_Gonagall puseram os pés em o primeiro degrau , Harry ouviu a parede fechar se atrás de eles . Subiram em círculos , cada_vez_mais alto até que , por fim , um_pouco tonto , Harry pôde ver uma porta de carvalho reluzente com um puxador de bronze em forma de abutre . Harry calculava onde estava a ser levado . Devia ser ali que morava Dumbledore . XII_A poção * polisuco * Saltaram de a escada de pedra lá mesmo em cima e a professora Mc_Gonagall bateu a a porta . Ela abriu se silenciosamente dando lhes entrada . A professora Mc_Gonagall disse lhe que esperasse e deixou o sozinho . Harry olhou em volta . Uma coisa era certa : de todos o escritórios de professores que conhecia , o de Dumbledor era , de longe , o mais interessante . Se não estivesse com um medo de morte de ser expulso teria adorado explorá o . Era uma sala grande e bonita em forma de círculo que estava cheia de barulhinhos estranhos . Havia um grande número de instrumentos prateados sobre várias mesas de pernas finas que zumbiam emitindo pequenas baforadas de fumo . As paredes estavam cobertas de fotografias de antigos directores e directoras , todos eles a dormir tranquilamente em as suas molduras . Havia ainda uma enorme secretária pés de garra . E , sobre uma prateleira atrás de ela , um chapéu de feiticeiro andrajoso e puído : * o chapéu seleccionador * . Harry hesitou . Lançou um olhar cauteloso a as bruxas e feiticeiros adormecidos a o longo de as paredes . Com certeza não fazia mal se lhe pegasse e o experimentasse só para ver ... só para ter a certeza de que ele o pusera em a equipa certa . Deu a volta a a secretária , retirou o chapéu de a prateleira e baixou o lentamente sobre a cabeça . Era demasiado grande e escorregou lhe para os olhos como de a outra_vez que o tinha posto . Harry olhou para o forro preto , enquanto esperava . Por fim , uma vozinha disse lhe a o ouvido : - Estás com macaquinhos em o sótão , Harry_Potter ? - Er ... sim - balbuciou Harry . - Er ... desculpa incomodar te , queria saber ... - Querias saber se te pus em a equipa certa - disse prontamente o chapéu . - Sim ... tu és particularmente difícil de seleccionar , mas eu mantenho o que disse antes . - O coração de Harry deu um salto . - Terias ficado bem em os Slytherin . Harry sentiu o estômago contorcer se . Agarrou o chapéu por a aba e tirou o de a cabeça . O chapéu seleccionador ficou pendurado em a mão de ele , inerte , desbotado e sujo . Harry voltou a pô o em a prateleira , sentindo se enjoado . - Estás enganado ! - disse em voz alta a o chapéu parado e silencioso , mas ele não se mexeu . Harry recuou para o observar melhor e foi então que ouviu um ruído estranho e grasnado atrás_de si que o fez dar uma volta . Não estava só , afinal_de_contas . Em um poleiro dourado atrás de a porta estava um pássaro de aspecto decrépito que parecia um peru meio depenado . Harry olhou para ele espantado e o pássaro olhou o também , grasnando de_novo . Harry achou que ele devia estar muito doente porque tinha os olhos parados e , enquanto olhava para ele , caíram lhe mais algumas penas de a cauda . Estava justamente a pensar que a única coisa que lhe faltava era que o pássaro de estimação de Dumbledore morresse quando ele estava ali sozinho com ele , em o escritório , quando a ave se incendiou . Harry gritou , em estado de choque , e recuou até a a secretária . Olhava nervosamente em volta , em busca de um jarro de água , mas não viu nenhum . O pássaro , entretanto , transformara se em uma bola de fogo , dera um guincho e , em seguida , desaparecera , deixando apenas um monte de cinzas em o chão . A porta de o escritório abriu se . Dumbledore entrou com ar taciturno . - Professor - gaguejou Harry . - O seu pássaro ... eu não pode fazer nada ... ele incendiou se . Para seu grande espanto , Dumbledore sorriu . - Já não era sem tempo . Estava com um aspecto horrível em os últimos dias . Fartei me de lhe dizer que fizesse qualquer coisa . Riu se entre dentes com a expressão em o rosto de Harry . - A Fawkes é uma fénix , Harry . As fénix ardem quando é altura de morrer e renascem de as cinzas , repara ... Harry olhou mesmo a_tempo_de ver um passarinho recém-nascido , todo enrugado , espetar a cabeça fora de as cinzas . Era quase tão feio como o antigo . - É uma pena que a tenhas conhecido em dia de arder - disse Dumbledore , passando para trás de a secretária . - É muito bonita a maior parte de o tempo , com uma plumagem vermelha e dourada . São criaturas fascinantes , as fénix . Podem transportar cargas pesadíssimas , as suas lágrimas têm propriedades curativas e são animais de estimação extremamente fiéis . Com o choque de a fénix a pegar fogo , Harry esquecera se de o motivo porque ali estava , mas tudo voltou rapidamente quando Dumbledore se instalou em a cadeira de espaldar alto e o fixou com os seus olhos azuis e penetrantes . Contudo , antes que ele tivesse tido tempo de falar , a porta de o escritório abriu se de par em par com um enorme estrondo e Hagrid entrou com um olhar tresloucado , o lenço todo torcido em volta de a cabeça hirsuta e o galo morto ainda pendurado em a mão . - Não foi Harry , professor Dumbledore - disse , aflito . - Eu tinha estado a falar com ele poucos segundos antes de o rapazinho ser encontrado , ele não teve tempo professor ... Dumbledore tentou dizer qualquer coisa , mas Hagrid continuou , abanando o galo em o meio de a sua agitação e espalhando penas por todo o lado . - Não pode ter sido ele . Eu juro em a frente de o ministro de a magia , se for preciso ... - Hagrid , eu ... -- Tem o rapaz errado , professor . Eu sei qu'o Harry nunca ... - Hagrid - disse Dumbledore , elevando a voz . - Eu não penso que o Harry tenha atacado aquelas pessoas . - Oh ! - disse Hagrid , com o galo pendendo inerte a o seu lado . - Certo , ' tão eu espero lá fora , director . E saiu com ar envergonhado . - O senhor não acha que tenha sido eu ? - repetiu Harry cheio de esperança , enquanto Dumbledore sacudia penas de galo de cima de a secretária . - Não , Harry , não acho - afirmou Dumbledore , apesar de a sua expressão ser de_novo sombria . - Mas mesmo_assim quero falar contigo . Harry esperou ansiosamente enquanto o director o observava com as pontas de os dedos longos unidas . - Tenho de saber uma coisa . Harry , há alguma pergunta que queiras fazer me , qualquer que ela seja ? Harry não soube o que dizer . Lembrou se de Malfoy a gritar * _ Vocês serão os próximos , sangues de lama * e de a poção * _ Polisuco * em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Depois pensou em a voz sem corpo que ouvira duas vezes e em o que o Ron dissera * _ Ouvir vozes que ninguém mais ouve não é bom sinal , nem mesmo em o mundo de a feitiçaria * . Pensou também em o que toda_a_gente dizia de ele e em o receio cada_vez maior de ter uma relação qualquer com Salazar_Slytherin ... - Não - disse por fim . - Não há nada , professor . O ataque duplo a Justin e a o Nick quase sem cabeça transformou o que até_então era nervosismo em verdadeiro pânico . Curiosamente fora o destino de o Nick quase sem cabeça o que mais preocupara as pessoas . Quem poderia ter feito aquilo a um fantasma ? - perguntavam uns a os outros . - Que poder terrível era aquele , capaz de afectar alguém que já tinha morrido ? Houve uma precipitação enorme em a marcação de os bilhetes em o Expresso_de_Hogwarts , pois todos os alunos quiseram ir passar o Natal a casa . - Por este caminho , vamos ser os únicos a ficar - disse o Ron a o Harry e a a Hermione . - Nós , o Malfoy , o Goyle e o Crabbe , que férias lindas que vão ser ! Crabbe e Goyle que faziam sempre o que Malfoy fazia , tinham se inscrito para ficar também durante as férias . Mas Harry estava contente por a maior parte se ir embora . Estava farto de ver gente a afastar se em os corredores como_se ele fosse mostrar os dentes ou cuspir veneno . Estava cansado de tantos segredinhos , de os ver apontar e segredar quando passava . O Fred e o George , esses achavam muito divertido . Vinham , de propósito , pôr se a a frente de ele e atravessavam os corredores a gritar : - Abram alas para o herdeiro de Slytherin , vai passar um feiticeiro verdadeiramente cruel . Percy discordava totalmente de este comportamento . - Não é um assunto para se brincar - dizia com frieza . - Sai mas é de o caminho , Percy - dizia o Fred . - O Harry está com pressa . - Sim , ele vai a a Câmara_dos_Segredos tomar uma chávena de chá com o seu servidor dentes de serpente - completava Fred com uma gargalhada . Ginny também não lhes achava graça . - Cala te - gritava ela sempre_que o Fred perguntava em voz alta a o Harry quem estava a pensar atacar a seguir , ou quando George fingia afastá o com um enorme dente de alho . Harry não se importava . Fazia o sentir se melhor o facto de constatar que , pelo_menos para o Fred e para o George , a ideia de ele ser o herdeiro de Slytherin era absolutamente ridícula . Mas as palhaçadas de eles pareciam ofender Draco_Malfoy que , de cada_vez que os via , ficava mais irritado . - É porque está ansioso por dizer que é mesmo ele - disse o Ron com ar conhecedor . - Sabes como ele detesta que alguém o ultrapasse e tu estás a receber todo o crédito por o seu trabalho sujo . - Não vai ser por muito_tempo - disse Hermione com uma voz satisfeita . - A poção * polisuco * está quase pronta . Um de estes dias arrancamos lhe a verdade . Finalmente , o período chegou a o seu termo e um silêncio profundo como a neve em os campos desceu sobre o castelo . Harry adorou a tranquilidade e apreciou o facto de ele , Hermione e os Weasley terem a torre de os Gryffindor por sua conta , poderem jogar a as explosões bem alto , sem incomodar ninguém e praticar duelos entre si . O Fred , o George e a Ginny tinham preferido ficar em a escola a ir com Mr. e Mrs._Weasley a o Egipto visitar o Bill . Percy que reprovava e considerava infantil a conduta de eles , não passava muito_tempo em a sala comum de os Gryffindor . Já lhes dissera pomposamente que só ficara ali em o Natal , por ser sua obrigação como prefeito apoiar os professores em aquela época agitada . A manhã de o dia de Natal clareou branca e fria . Harry e Ron , os únicos que estavam em o dormitório , foram acordados muito cedo por Hermione que entrou , toda vestida , transportando presentes para ambos . - Acordem - disse em voz alta , abrindo os cortinados . - Hermione , tu não devias estar aqui - exclamou o Ron , protegendo os olhos de a luz . - Feliz_Natal para ti também - disse Hermione , atirando lhe o presente que tinha para ele . - Estou acordada há quase uma hora , acrescentando mais asas de renda a a poção . Está pronta . Harry sentou se , subitamente acordado . - Tens a certeza ? - Absoluta - disse ela , afastando o rato Scrabbers para se sentar a os pés de a cama de dossel . - Se vamos mesmo tomá a , acho que devia ser logo a a noite . Em esse momentzo , a Hedwig entrou em o quarto , transportando em o bico um embrulho pequenino . - Olá - disse Harry , feliz a o vê a aterrar em a sua cama . - Já me falas outra_vez ? Ela mordiscou lhe a orelha de uma forma afectuosa que foi , de longe , um presente melhor do_que aquele que transportava e que era afinal de os Dursley . Tinham mandado a Harry um palito para os dentes com um cartão pedindo lhe que se informasse se não poderia ficar , também em o Verão , em Hogwarts . Os outros presentes que Harry recebeu foram bastante melhores . Hagrid mandara lhe uma lata grande de bombons de melaço que ele decidiu amolecer a o lume antes de comer , o Ron deu lhe um livro chamado * _ Voando com Canhões * , que narrava factos interessantes sobre a sua equipa favorita de Quidditch e Hermione trouxera lhe uma luxuosa pena de águia . Harry abriu o último presente onde vinha uma camisola novinha , feita a a mão por Mrs._Weasley e um grande bolo de passas . Pegou em o cartão com uma nova sensação de culpa , pensando em o carro de Mr._Weasley que não voltara a ser visto desde_que chocara contra o salgueiro zurzidor e em a quantidade de infracções que ele e o Ron tinham em mente . Ninguém , nem mesmo os que estavam cheios de medo por terem de tomar a poção * polisuco * a seguir , deixou de adorar o jantar de Natal em Hogwarts . O salão nobre estava magnífico . Não_só havia uma_dúzia de árvores de Natal , cobertas de geada e espessas serpentinas de azevinho e visco bravo cruzando se junto de o tecto como caia uma neve encantada quente e seca . Dumbledore conduziu os em uma de as suas canções de Natal preferidas enquanto Hagrid se agitava , falando cada_vez_mais alto , a cada gole de gemada que tomava . O Percy que não dera por_que Fred enfeitiçara o seu distintivo de prefeito , onde agora podia ler se « cabeça de alfinetes « , continuava a perguntar a todos para_onde estavam a olhar . Harry nem_sequer se importou com os comentários que Draco_Malfoy fazia bem alto , de a mesa de os Slytherin acerca de a sua camisola nova . Com alguma sorte , Malfoy iria ser desmascarado dentro_de algumas horas . Harry e Ron mal tinham acabado a terceira dose de pudim de Natal quando Hermione os fez sair de o salão a a pressa para acabarem de tratar de os planos para essa noite . - Ainda precisamos de um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos - disse com o ar mais natural de este mundo como_se estivesse a mandá os a o supermercado comprar detergente . - E , é claro que o ideal será conseguirmos alguma coisa de o Crabbe e de o Goyle , são os melhores amigos de o Malfoy , ele conta lhes tudo . E precisamos também de ter a certeza de que eles não vão entrar em a sala quando vocês estiverem a interrogar o Malfoy . - Eu tenho tudo pensado - prosseguiu ela , ignorando a expressão estupefacta de Harry e Ron . Pegou em dois apetitosos bolos de chocolate . - Pus lhes um encantamento de sono . Vocês só têm de fazer com que o Crabbe e o Goyle os encontrem . Sabem como eles são gulosos , vão logo comê os . Quando estiverem a dormir , tirem lhes alguns cabelos e escondam nos em uma despensa de vassouras . Harry e Ron olharam , incrédulos , um para o outro . -- Hermione , eu não creio que ... -- Isto pode correr muito mal ... Mas Hermione tinha um brilho inflexível em os olhos que não era muito diferente do_que costumavam ver em o olhar de a professora Mc_Gonagall . - A poção não nos serve de nada sem os cabelos de o Crabbe e de o Goyle - disse com firmeza . - Vocês querem mesmo descobrir coisas sobre o Malfoy , não querem ? - Pronto , está bem - disse Harry . - Mas , e tu , vais arranjar cabelos de quem ? - Eu já tenho esse assunto resolvido - disse Hermione sorridente , tirando um frasquinho de o bolso e mostrando lhes um cabelo que lá estava dentro . - Lembram se de a Millicent_Bulstrode que lutou comigo em o clube de os duelos ? Ela deixou isto em o meu manto quando tentava estrangular me . E foi passar o Natal a casa , portanto , basta me dizer a os Slytherins que decidi voltar . Quando Hermione saiu para verificar de_novo a poção polisuco , Ron voltou se para Harry com uma expressão lúgubre . - Alguma vez viste um plano onde tantas coisas pudessem correr mal ? Mas para grande espanto de ambos , a primeira fase de a operação decorreu tão naturalmente como Hermione previra . Eles esconderam se em o * hall * de entrada , depois de o lanche de Natal , a a espera de o Crabbe e de o Goyle que tinham ficado sozinhos a a mesa de os Slytherin , deitando abaixo a quarta dose de bolo inglês . Harry colocou os bolos de chocolate em o fim de o corrimão . Quando avistaram Crabbe e Goyle a sair de o salão , Harry e Ron esconderam se rapidamente atrás_de uma armadura que estava junto de a porta de entrada . - Como_se pode ser tão estúpido ? - murmurou Ron sem se mexer enquanto Crabbe apontava satisfeitíssimo , mostrando a Goyle os bolos e agarrando os . Com um riso estúpido , enfiaram nos inteiros em as bocas enormes . Durante um momento , ambos mastigaram avidamente com olhares vitoriosos em o rosto . Depois , sem que a expressão se alterasse , caíram para trás e estatelaram se em o chão . Mais difícil foi transportá os para a despensa de o outro lado de o * hall * . Uma_vez armazenados em o meio de os baldes e esfregões , Harry arrancou alguns de os pêlos que cobriam a cabeça de o Goyle e Ron tirou alguns cabelos a o Crabbe . Roubaram lhes também os sapatos porque os de eles eram demasiado pequenos para os enormes pés de o Crabbe e de o Goyle . Em seguida , ainda atordoados com o que tinham acabado de fazer , correram até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mal conseguiam ver com o fumo preto e espesso que saía de o cubículo onde Hermione mexia o caldeirão . Tapando o rosto com os mantos , Harry e Ron bateram a o de leve em a porta . - Hermione ? Ouviram o ruído de o trinco e Hermione apareceu com a cara lustrosa e um ar ansioso . Por trás de ela ouviam o gloop gloop de a poção espessa e gorgolejante . Em o banco de a casa_de_banho estavam três copos de vidro . - Conseguiram ? - perguntou Hermione quase sem fôlego . Harry mostrou lhe o cabelo de o Goyle . - _ óptimo . Eu tirei estes mantos suplementares de a lavandaria - disse ela , pegando em uma pequena saca . - Vocês vão precisar de tamanhos maiores se vão ser o Crabbe e o Goyle . Olharam os três para o caldeirão . Vista de perto , a poção parecia uma lama espessa e escura a borbulhar indolentemente . - Tenho a certeza que fiz tudo certo - disse Hermione nervosa , relendo a página manchada de * _ Moste_Potente_Potions * . - Tem o aspecto que o livro diz que deveria ter ... depois de a tomar temos precisamente uma hora antes de nos transformarmos de_novo em as pessoas que somos . - E agora ? - murmurou o Ron . - Separamos a em três copos e adicionamos os cabelos . Hermione encheu cada_um de os copos com uma concha de sopa . Em seguida , retirou com a mão a tremer o cabelo de Millicent_Bulstrode de dentro de o frasquinho e pô o em o primeiro copo . A poção chiou fortemente como uma chaleira a ferver e espumou como louca . Um segundo depois ganhara um tom de amarelo doentio . - Urgh ! Essência_de_Millicent_Bulstrode - disse Ron , olhando com repugnância . - Aposto que o sabor é nojento . - Deitem os vossos - disse Hermione . Harry deixou cair o cabelo de o Goyle em o copo de o meio e Ron lançou o de o Crabbe em o último . Ambos chiaram e espumaram : o de o Goyle ficou de um tom caqui , o de o Crabbe de um castanho-escuro algo tenebroso . - Esperem - pediu Harry quando Ron e Hermione pegaram em os copos . - Será melhor não os tomarmos aqui todos juntos em um cubículo ; quando em os transformarmos não vamos cá caber e Millicent_Bulstrode não é nenhum duende . - Bem pensado - admitiu o Ron , abrindo a porta . - Cada_um em seu cubículo . Com todo o cuidado , para não entornar nem uma gota de a poção polisuco , Harry esgueirou se para o cubículo de o meio . - Prontos ? - perguntou . - Prontos - responderam as vozes de o Ron e de a Hermione . - Um , dois , três . Tapando o nariz , Harry bebeu a poção em dois grandes tragos . Tinha o sabor de a couve demasiado cozida . Os seus interiores começaram imediatamente a contorcer se como_se tivesse engolido serpentes vivas . Dobrado , Harry perguntava a si próprio se iria vomitar . Depois , uma sensação de ardor espalhou se rapidamente de o estômago até a as pontas de os dedos de as mãos e de os pés . Em seguida , fazendo o sobressaltar se , sobreveio o sentimento horrível de estar a derreter enquanto a pele de todo o seu corpo borbulhava como cera quente e , perante os seus olhos , as mãos começaram a crescer , os dedos a engrossar , as unhas a alargar e as articulações a tornarem se protuberantes como ferrolhos . Os ombros retesaram se dolorosamente e uma comichão em a testa preveniu o de que o cabelo estava a rastejar em direcção a as sobrancelhas . As túnicas rasgaram se enquanto o tórax se expandia como um barril , rebentando com os seus anéis . Os pés estavam em grande sofrimento dentro_de sapatos quatro números abaixo . Tão depressa como começara , tudo parou . Harry estava caído em o chão de pedra fria , ouvindo a Murta_Queixosa gorgolejando taciturna em o cubículo de o fundo . Com alguma dificuldade tirou os sapatos e levantou se . Era então assim que o Goyle se sentia ! Com a mão enorme a tremer , despiu a sua túnica que lhe ficava 30 centímetros acima de os tornozelos , pegou em as túnicas suplementares e amarrou os atacadores de os sapatos abotinados de o Goyle . Quis escovar o cabelo para o afastar um_pouco de os olhos e deu apenas com os pêlos hirsutos que lhe cresciam em a testa . Apercebeu se então de que os óculos lhe toldavam a visão porque o Goyle , obviamente , não precisava de eles . Tirou os e gritou . - Vocês estão bem ? - De a sua boca saiu a voz baixa e grossa de o Goyle . - Sim - respondeu lhe o grunhido de o Crabbe , a a sua direita . Harry abriu a porta de o cubículo e dirigiu se a o espelho partido . O Goyle olhava o de o outro lado com os seus olhos parados . Harry coçou a orelha e Goyle fez o mesmo . A porta de o Ron abriu se . Olharam um para o outro . Harry estava pálido e chocado . O amigo não se distinguia de o Crabbe , desde o corte de cabelo em forma de tigela até a os longos braços de gorila . - É inacreditável - disse o Ron , aproximando se de o espelho e beliscando o nariz achatado de o Crabbe . - Inacreditável ! - É melhor irmos indo - disse Harry , alargando a pulseira de o relógio que lhe cortava o pulso . - Ainda temos de descobrir onde fica a sala comum de Slytherin . Só espero que encontremos alguém que vá para lá e que nós possamos seguir . Ron que tinha estado a olhar espantado para ele , comentou : - Não imaginas como é bizarro ver o Goyle a pensar - bateu em a porta de Hermione . - Vamos , temos que ir ... Respondeu lhe uma voz aguda : - Eu ... eu acho que afinal não vou . Vão vocês sem mim . - Hermione , nós sabemos que a Millicent_Bulstrode é feia , ninguém vai pensar que és tu . - Não , a sério , acho que não vou . Despachem se vocês os dois , estão a perder tempo . Harry olhou para Ron , baralhado . - Aquilo parece mais de o Goyle , é como ele fica sempre_que algum professor lhe faz uma pergunta . - Estás bem , Hermione ? - perguntou Harry , através de a porta . - _ óptima , estou óptima , vão se embora . Harry olhou para o relógio . Cinco preciosos minutos tinham já passado . - Encontramo nos aqui , está bem ? - disse . Os dois abriram a porta de a casa_de_banho com todo o cuidado , viram se o caminho estava livre e saíram . - Não balances assim os braços - disse o Harry a o Ron . - Hein ? - O Crabbe anda sempre com eles esticados . - Assim ? - Isso , assim está melhor . Desceram a escadaria de mármore . Só precisavam agora de um Slytherin que pudessem seguir até a a sala comum , mas não havia ninguém por perto . - Tens alguma ideia ? - perguntou Harry em um murmúrio . - Os Slytherin vêm sempre de ali para o pequeno-almoço - disse o Ron , apontando para a entrada de os calabouços . Mal tinha pronunciado estas palavras quando uma rapariga de cabelo comprido a os caracóis , apareceu . - Desculpa - disse o Ron , sem perder tempo . - Esquecemo nos de o caminho para a nossa sala comum . - Como ? - disse a rapariga com a maior frieza . - A * nossa * sala comum ? Eu sou uma Ravenclaw . Afastou se , olhando para eles , desconfiada . Harry e Ron desceram apressadamente os degraus de pedra até a a escuridão . Os passos ecoavam em o silêncio , à_medida_que os pés enormes de Crabbe e Goyle tocavam em o chão , fazendo os sentir que as coisas não iam ser tão fáceis como eles desejavam . Os corredores labirínticos estavam desertos . Andaram e tornaram a andar por os subterrâneos , olhando constantemente para os relógios para ver quanto tempo ainda lhes restava . Depois de um quarto de hora , quando começavam a ficar desesperados , ouviram um movimento súbito . - Olha - disse o Ron , agitadamente . - Agora é um de eles . A silhueta saía de uma sala , mas quando se aproximaram o coração de ambos esmoreceu . Não era um Slytherin , era Percy . - O que estás a fazer aqui em baixo ? - perguntou o Ron surpreendido . - Isso - disse ele friamente - não é de a tua conta . És o Crabbe , não és ? - Er ... sim , sim - respondeu o Ron . - Então vão para o vosso dormitório - ordenou Percy com firmeza . - Não é seguro andar a passear por os corredores escuros em os dias que correm . - Tu andas -- fez notar o Ron . - Eu - disse o Percy endireitando se - sou um prefeito . Nada vai atacar me . Ouviu se , de repente , uma voz por_detrás_de Harry e Ron . Era_Draco_Malfoy e , pela_primeira_vez em a vida , Harry ficou satisfeito a o vê o . - Aí estão vocês - disse de modo arrastado , olhando para eles . - Têm estado a chafurdar em o salão este tempo todo ? Tenho andado a a vossa procura , quero mostrar vos uma coisa muito divertida . Malfoy olhou misteriosamente para Percy . - E o que fazes tu aqui , Weasley ? - perguntou com ar de desprezo . Percy olhou , sentindo se ultrajado . - Fazes favor de mostrar um_pouco mais de respeito por um prefeito de a escola - disse . - Não gosto de o teu ar . Malfoy riu se e fez sinal a o Harry e a o Ron para que o seguissem . Harry quase ia pedindo desculpa a o Percy , mas deu se conta a tempo . Apressaram se a seguir o Malfoy que disse , mal viraram em o corredor seguinte : - Aquele Peter_Weasley ... - O Percy - corrigiu Ron automaticamente . - Ou isso - continuou Malfoy . - Ultimamente tenho o visto muitas_vezes a andar por aí sorrateiramente e aposto que sei o que ele quer . Pensa que vai apanhar o herdeiro de Slytherin sozinho . Deu uma pequena gargalhada ridícula . Harry e Ron trocaram olhares nervosos . Malfoy parou junto de uma parede de pedra húmida . - Qual é a senha ? - perguntou a o Harry . - Er ... - Ah ! sim , sangue puro - disse Malfoy sem ouvir e uma porta de pedra , oculta em a parede , abriu se . Malfoy entrou e Harry e Ron seguiram o . A sala comum de os Slytherin era uma ampla divisão subterrânea com espessas paredes de pedra e um tecto de o qual estavam pendurados por correntes vários candeeiros redondos que davam uma luz esverdeada . O fogo crepitava em uma lareira elaboradamente esculpida em frente de a qual se viam as silhuetas de vários Slytherins sentados em cadeiras igualmente esculpidas . - Esperem aí - disse Malfoy a o Harry e a o Ron , encaminhando os para um par de cadeiras vazias , longe de o lume . - Eu vou buscar o que o meu pai acaba de me mandar . Sem saber o que Malfoy iria mostrar lhes , Harry e Ron sentaram se , fazendo todos os possíveis por parecer a a vontade . Malfoy voltou um minuto depois , trazendo em a mão o que parecia ser um recorte de jornal . Pô o debaixo de o nariz de o Ron . - Vais te rir - disse . Harry viu os olhos de o Ron abrirem se como_se estivesse em estado de choque . Viu o ler o recorte rapidamente , dar uma gargalhada forçada e estender lhe o em seguida . Tinha sido retirado de o * _ Profeta_Diário * e dizia : inquérito em o ministério de a magia * _ Arthur_Weasley , chefe de o Gabinete_de_Mau_Uso_dos_Utensílios_dos_Muggles foi hoje multado em cinquenta galeões por ter enfeitiçado um carro de os Muggles . * _ O senhor Lucius_Malfoy , Membro_do_Conselho_Directivo_da_Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts , onde o carro enfeitiçado foi chocar em o princípio de este ano , exigiu hoje a demissão de Mr._Weasley . « * _ O_Weasley trouxe o descrédito a o Ministério « - declarou Mr._Malfoy a o nosso repórter . - « É claramente incompetente para fazer cumprir as leis e a sua protecção ridícula de os Muggles deveria ir imediatamente para a sucata . » * _ Mr._Weasley recusou se a fazer comentários , mas a sua mulher disse a os repórteres que desaparecessem de ali ou lançaria contra eles o vampiro de a família * . - Então - disse Malfoy impaciente quando Harry voltou a entregar lhe o recorte . - Não achas o_máximo ? - Ha , ha - fez Harry tristemente . - O Arthur_Weasley gosta tanto de os Muggles que era capaz de partir a sua varinha a o meio para se juntar a eles - disse Malfoy com desprezo . - Ninguém diria que os Weasley eram sangue puro a avaliar por o modo como_se comportam . A cara de o Ron , ou melhor , de o Crabbe , contorceu se de raiva . - O que é_que se passa ? - perguntou Malfoy . - Dores de estômago - gemeu o Ron . - Então vai a a ala hospitalar e dá a todos aqueles sangues de lama um pontapé de a minha parte - disse Malfoy com o seu riso escarninho . - Sabes que estou espantado por o * _ Profeta_Diário * ainda não se ter referido a todos estes ataques - continuou pensativamente . - Calculo que o Dumbledore deve estar a tentar abafar as coisas . Ele ainda é posto em a rua se isto não acaba depressa . O pai sempre disse que Dumbledore foi a pior coisa que aqui veio parar . Ele adora os filhos de os Muggles , um director decente nunca deixaria um lodo como o Creevey entrar em esta escola . Malfoy começou a fingir que tirava fotografias com uma máquina imaginária e fez uma imitação maldosa , mas bastante fiel de o Colin : - Potter , posso tirar te a fotografia ? Dás me um autógrafo ? Posso lamber te os sapatos , por favor , Potter ? Baixou as mãos e olhou para Harry e Ron . - O que é_que se passa com vocês os dois ? Um_pouco atrasados , Harry e Ron forçaram o riso e Malfoy pareceu satisfeito . Talvez Crabbe e Goyle fossem sempre de reacção lenta . - O santo Potter , amigo de os sangues de lama - disse Malfoy . - É outro que não tem os sentimentos de um feiticeiro a sério ou não andaria por aí com aquela empertigada sangue de lama Granger . E as pessoas a pensarem que ele é o herdeiro de Slytherin . Harry e Ron esperaram com a respiração entrecortada : o Malfoy ia certamente dizer lhes , dentro_de segundos , que era ele , mas então ... - Quem me dera saber quem ele é - disse o Malfoy , de forma petulante . - Podia ajudá o . O queixo de o Ron caiu de tal maneira que a cara de o Crabbe ficou ainda mais desajeitada do_que era habitual . Felizmente Malfoy não deu por nada e Harry , em um pensamento rápido , disse : - Deves ter alguma ideia de quem está por_detrás_de tudo ... - Sabes perfeitamente que não tenho , Goyle , quantas vezes é preciso dizer te ? - cortou Malfoy . - E o pai também não me diz nada sobre a última vez que a câmara foi aberta . É claro que foi há cinquenta anos , antes de ele cá andar , mas o pai sabe tudo a esse respeito e diz que as coisas foram mantidas em grande segredo e que pareceria suspeito se eu soubesse demasiado . Mas há uma coisa que eu sei : de a última vez que a câmara foi aberta , morreu um sangue de lama . Por isso , aposto que é uma questão de tempo até que um de eles seja morto . Só espero que seja a Granger - disse satisfeito . Ron fechara os punhos gigantescos de o Crabbe . Sentindo que deitaria tudo a perder se ele desse um soco a o Malfoy , Harry lançou lhe um olhar de aviso e disse : - Sabes se a pessoa que abriu a câmara de a última vez foi apanhada ? - Ah ! sim , essa pessoa foi expulsa - disse Malfoy . - Ainda deve estar em Azkaban . - Azkaban ? - repetiu Harry confuso . - Azkaban , a prisão de os feiticeiros , Goyle - disse Malfoy , olhando para ele incrédulo . - Francamente , se fosses mais lento andavas para trás . Esticou se intranquilo , em a cadeira e disse : - O pai diz para eu esfriar a cabeça e deixar que o herdeiro de Slytherin faça o seu trabalho . Acha que a escola precisa de se livrar de a escória de os sangues de lama , mas não quer que eu me envolva em nada . Claro que ele agora tem um prato cheio . Sabes que o Ministério de a magia fez uma busca a a nossa mansão em a semana passada ? Harry tentou forçar a cara de bronco de o Goyle a uma expressão preocupada . - Sim - continuou Malfoy . - É claro que não encontraram grande coisa . O pai guarda uns materiais de magia negra muito valiosos , mas , felizmente , temos a nossa câmara secreta debaixo de o soalho de a sala de visitas ... - Ah ! - disse o Ron . Malfoy olhou para ele . Harry também . Ron corou e até o cabelo começou a ficar vermelho . O nariz estava também a diminuir lentamente ... a hora tinha acabado . Ron estava a voltar a a sua forma habitual e por o olhar de horror que lançou a Harry certamente ele também estava . Puseram se rapidamente de pé . - Tenho de tomar o remédio para o estômago - grunhiu o Ron e sem mais explicações saíram ambos a correr de a sala comum de os Slytherin , precipitaram se para a parede de pedra e galgaram a passagem , pedindo a todos os santos que Malfoy não tivesse dado por nada . Harry sentia os pés a nadarem em os sapatos enormes de o Goyle e tinha de levantar o manto visto_que diminuíra de tamanho . Subiram os degraus a correr até a o * hall * escuro de entrada onde se ouvia um som abafado que vinha de a despensa onde tinham fechado o Crabbe e o Goyle . Deixando os sapatorros de os dois de o lado de_fora , subiram já com os respectivos sapatos a escadaria de mármore até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Bem , não foi uma total perda de tempo - disse o Ron ofegante , fechando atrás_de si a porta de a casa_de_banho . - É certo que ainda não descobrimos de quem vêm os ataques , mas vou escrever a o meu pai amanhã a dizer lhe que procure debaixo de o soalho de a sala de visitas de o Malfoy . Harry olhou para o espelho partido . Tinha voltado a o normal . Pôs os óculos enquanto Ron batia em a porta de o cubículo de Hermione . - Hermione , sai de aí , temos um monte de coisas para te contar ... - Vão se embora - guinchou Hermione . Harry e Ron olharam um para o outro . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron . - Tu já deves ter voltado a o normal como nós ... Mas a Murta_Queixosa saiu subitamente através de a porta de o cubículo com um ar divertido como nunca a tinham visto . - Oh ! Esperem até ver - disse ela . - É horrível ! Ouviram o trinco de a porta a abrir se e Hermione apareceu a soluçar , a túnica levantada a cobrir lhe o rosto . - O que foi ? - perguntou o Ron indistintamente . - Ainda tens o nariz de a Millicent ou alguma coisa assim ? Hermione deixou cair a roupa e Ron recuou rapidamente . O rosto de ela estava coberto de pêlo preto , os olhos tinham ganho uma cor amarela e as orelhas eram pontiagudas , saindo espetadas para fora de os cabelos . - Era um pêlo de g-gato - disse a chorar . - A Millicent_Bulstrode d-deve ter um gato e a poção não está preparada para transformação em animais . - Oh-oh - disse o Ron . - Vão te gozar horrivelmente - disse a Murta , felicíssima . - Não te preocupes , Hermione - tranquilizou a rapidamente o Harry . - Vamos levar te para a ala hospitalar , a Madam_Pomfrey nunca faz muitas perguntas ... Não foi fácil convencer Hermione a sair de a casa_de_banho . A Murta_Queixosa despediu se com uma gargalhadavigorosa e grosseira . - Espera até todos descobrirem que tens uma cauda ! XIII_O diário muito secreto Hermione ficou em a ala hospitalar durante várias semanas . Houve uma onda de boatos sobre o seu desaparecimento quando o resto de os alunos voltou de as férias de Natal porque , é claro , todos pensam que ela tinha sido atacada . Foram tantos os estudantes a rondar a ala hospitalar para espreitar a ver se a viam que Madam_Pomfrey desceu de_novo as cortinas de a cama de ela para a poupar a a vergonha de ser vista com pêlo em a cara . Harry e Ron iam visitá a todas_as tardes . Quando o segundo período começou passaram a levar lhe diariamente os trabalhos de casa . - Se eu tivesse o bigode a crescer , tinha uma folga de o trabalho - disse uma tarde o Ron enquanto colocava uma pilha de livros a a cabeceira de a cama de Hermione . - Não sejas parvo , Ron , eu tenho de me manter a par de as coisas - disse Hermione com vivacidade . O humor de ela melhorara bastante com o facto de lhe ter desaparecido todo o pêlo de o rosto e de os olhos estarem lentamente a retomar a cor castanha . - Calculo que não tenham novas pistas ? - disse em um murmúrio para evitar que Madam_Pomfrey os ouvisse . - Nada - disse Harry tristemente . - Eu tinha tanta certeza de que era o Malfoy - repetiu o Ron por a centésima vez . - O que é isso ? - perguntou Harry , apontando para uma coisa com brilho dourado que estava debaixo de a almofada de Hermione . - É só um cartão a desejar boas melhoras - disse ela precipitadamente , tentando escondê o , mas o Ron foi mais rápido . Pegou lhe , abriu o e leu em voz alta : * _ Para_Miss_Granger , desejando lhe uma rápida recuperação , com o interesse e estima de o professor Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , Terceiro grau , Membro_Honorário_da_Liga_de_Defesa contra as Artes_Negras e vencedor por cinco vezes de o prémio O sorriso mais charmoso de a semana de o Semanário_das_Bruxas * . Ron olhou desconsolado para Hermione . - Tu dormes com isto debaixo de a almofada ? Mas Hermione foi poupada a ter de responder por a entrada de Madam_Pomfrey que lhe trazia a dose de medicamento de a tarde . - Achas que o Lockhart é o tipo mais esperto que conheceste ? - perguntou o Ron a o Harry quando saíram de a enfermaria e começavam a subir as escadas para a torre de os Gryffindor . O Snape tinha lhes passado tanto trabalho para_casa que Harry pensou que ia chegar a o sexto ano antes de o ter acabado . Ron vinha a dizer que devia ter perguntado a a Hermione quantas caudas de rato deveria juntar se a uma poção para o crescimento de o cabelo quando um grito de raiva vindo de o andar de cima lhes chegou a os ouvidos . - É o Filch - murmurou Harry enquanto subiam apressadamente as escadas e paravam para ouvir melhor . - Terá mais alguém sido atacado ? - disse nervosamente o Ron . Ficaram parados com as cabeças inclinadas para a voz de o Filch que parecia quase histérica . -- ... * _ Ainda mais trabalho para mim . Toda_a noite a esfregar como_se não tivesse já trabalho de sobra . Não , isto foi a gota de água que fez transbordar o copo , vou falar com Dumbledore * ... Os passos afastaram se e ouviram uma porta fechar se com grande estrondo . Puseram as cabeças fora de a esquina . O Filch tinha obviamente estado a patrulhar o seu habitual posto de vigia : estavam novamente em o lugar onde Mrs._Norris fora atacada . Perceberam imediatamente qual o motivo de os gritos . Uma enorme poça de água enchia metade de o corredor e parecia escorrer de a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Agora_que o Filch se calara podiam ouvir os uivos de a Murta que faziam eco em as paredes de a casa_de_banho . - Mas o que se passará com ela ? - disse o Ron . - Vamos lá ver - sugeriu Harry e arregaçando as túnicas até a os tornozelos entraram , atravessando a enorme poça de água , em a casa_de_banho que tinha o letreiro a dizer « Fora de serviço » e que eles , como sempre , ignoraram . A Murta_Queixosa chorava , se possível , mais alto do_que nunca . Parecia estar escondida em o cubículo de o costume . Lá dentro estava escuro pois as velas tinham se apagado com a enchente de água que deixara as paredes e o chão ensopado . - O que se passa , Murta ? - quis saber o Harry . - Quem é ? - perguntou ela infelicíssima . - Vieste atirar me mais alguma coisa acima ? Harry caminhou com dificuldade por causa de a água até a o cubículo de ela e disse : - Porque te faríamos nós uma coisa de essas ? - Não me perguntem - gritou a Murta , emergindo em uma onda de água que molhou ainda mais o chão já ensopado . - Eu estou aqui metida em a minha morte e alguém acha muito engraçado atirar me com um caderno acima ... - Mas , não pode magoar te se alguém te atirar alguma coisa acima - disse Harry , tentando ser prático . - Isto_é , seja o que for passa através_de ti , não é assim ? Tinha dito a frase errada . A Murta encheu o peito de ar e gritou a plenos pulmões : - Vamos todos atirar cadernos a a Murta já_que ela não sente nada ! Dez pontos se lhe acertarem em o estômago , cinquenta se lhe atravessar a cabeça ! Hah hah hah , que jogo lindo , não acham ? - Quem te atirou um caderno , afinal ? - perguntou o Harry . - Não sei ... eu estava sentada em a sanita a pensar em a morte e caiu me em cima de a cabeça - disse a Murta , olhando para eles . - Está ali , ficou todo molhado . Harry e Ron olharam para o ponto que a Murta lhes apontava debaixo de o lavatório . Um caderno pequenino e fino estava caído em o chão . Tinha uma capa preta muito gasta e estava encharcado como tudo em aquela casa_de_banho . Harry deu um passo em frente para o apanhar , mas o Ron agarrou lhe precipitadamente o braço . - O que foi ? - perguntou Harry . - Estás doido - disse ele . - Pode ser perigoso . - Perigoso ? - riu se Harry . - Essa agora Ron , como é_que pode ser perigoso ? - Ficarias surpreendido ... - explicou ele , olhando com ar apreensivo para o caderno . - Entre os livros que o Ministério confiscou , contou me o meu pai , havia um que queimava os olhos a as pessoas . E todos os que leram os * _ Sonetos_de_Um_Feiticeiro * ficaram a falar em verso para o resto de a vida . Havia também uma bruxa em Bath que tinha um livro que quem o lesse nunca mais conseguia parar , tinha de andar por aí com o nariz enfiado em as folhas , a fazer todas_as coisas só com uma mão e ... - Já chega , já chega , já percebi a tua ideia - disse O_Harry . O caderninho continuava caído e ensopado . - Bem , nunca saberemos a_não_ser_que tenhamos a coragem de dar uma vista de olhos - disse e mergulhou apanhando o de o chão . Harry viu imediatamente que se tratava de um diário e a data meio apagada , em a capa , disse lhe que tinha cinquenta anos de idade . Abriu o ansiosamente . Em a primeira página podia ler se apenas o nome T._M._Riddle em tinta esborratada . - Espera aí - disse o Ron que se aproximara prudentemente e olhava por cima de o ombro de Harry . - Eu conheço esse nome ... T._M._Riddle recebeu um prémio por serviços especiais prestados a a escola há cinquenta anos atrás . - Como diabo sabes tu isso ? - perguntou Harry com grande espanto . - Porque o Filch mandou me limpar a taça de ele umas cinquenta vezes quando estive de castigo - disse o Ron ressentido . - Foi a taça em cima de a qual eu vomitei lesmas . Se tivesses tido que limpar o muco de um nome durante uma hora também te lembrarias . Harry separou umas de as outras as páginas molhadas . Estavam completamente em branco . Não havia o mais leve sinal de escrita em nenhuma , nem coisas como « Aniversário de a tia Mabel « ou « Dentista a as três_e_meia » . - Ele nunca escreveu nada aqui - disse Harry desapontado . - Porque quereria alguém atirá o fora ? - perguntou se o Ron com curiosidade . Harry voltou o caderno e viu , inscrito em a contra capa , o nome de uma tabacaria em Vauxhall_Road , Londres . - Ele devia ser filho de Muggle - disse Harry pensativo - para ter comprado um diário em Vauxhall_Road ... - Bem , não te serve de muito - Ron baixou a voz . - Cinquenta pontos se acertares em o nariz de a Murta . Harry , mesmo_assim , guardou o diário . Hermione saiu de a ala hospitalar desbigodada , sem cauda e sem pêlo em os primeiros dias de Fevereiro . Em a primeira noite em a torre de os Gryffindor , Harry mostrou lhe o diário de T._M._Riddle e contou lhe como o tinham encontrado . - Ooooh ! Deve ter poderes ocultos - disse ela entusiasticamente , pegando em o diário e examinando o de perto . - Se tem , esconde os muito bem - disse Ron . - Talvez fosse tímido . Não sei porque não deitas isso fora , Harry . - Gostava de perceber porque motivo alguém se quis livrar de ele - explicou Harry . - E também não me importava de saber como foi que o Riddle obteve esse prémio de serviços especiais prestados a Hogwarts . - Pode ter sido qualquer coisa - lançou o Ron . - Talvez tenha recebido 30 de nota final ou salvo um professor de a lula gigante . Se_calhar assassinou a Murta , isso teria sido um favor prestado a todos ... Mas Harry quase podia jurar , por o olhar suspenso em a cara de Hermione , que ela pensava o mesmo_que ele . - O que foi ? - perguntou Ron , olhando para um e para o outro . - Bem , a Câmara_dos_Segredos foi aberta há cinquenta anos , não foi isso que disse o Malfoy ? - Sim - respondeu Ron , lentamente . - E este diário tem cinquenta anos de idade - completou Hermione , dando lhe palmadinhas nervosas . - E de aí ? - Oh Ron , acorda - insistiu Hermione . - Sabemos que a pessoa que abriu a câmara de a outra_vez foi expulsa há cinquenta anos . E se o Riddle tivesse tido o prémio especial por apanhar o herdeiro de Slytherin ? O seu diário diria nos provavelmente tudo : onde é a Câmara_dos_Segredos , como abris a e que tipo de criatura vive lá . Achas que a pessoa que está por trás de os ataques desta_vez quereria o diário por aí ? - É uma teoria interessante , Hermione - disse o Ron . - Apenas com uma pequenina falha : o diário não tem nada Mas_Hermione já estava a tirar a varinha de o saco . - Pode ser tinta invisível - murmurou . Bateu três vezes em o diário e repetiu * _ Aparecium ! * Nada aconteceu . Intrépida , Hermione meteu a mão de_novo em o saco e tirou o que parecia ser uma borracha vermelha e brilhante . - É um * revelador * , comprei o em a Diagon - _ Al - disse . Apagou com força em 1_de_Janeiro . Não sucedeu nada . - Já vos disse , não há nada aí - repetiu o Ron . - O Riddle deve ter recebido um diário como prenda de Natal e nem se deu a o trabalho de escrever fosse o que fosse . Harry não conseguia explicar , nem a si próprio , porque motivo não deitara fora o diário de Riddle . A verdade é_que , mesmo depois de saber que ele estava em branco , continuou distraidamente a pegar lhe e a virar as páginas como_se quisesse chegar a o fim de uma história . E , apesar_de saber que nunca tinha ouvido o nome T._M._Riddle , continuava a ter a sensação de que lhe dizia alguma coisa , como_se Riddle fosse um amigo que ele tinha tido quando era muito pequeno e que estivesse meio esquecido . Mas era um absurdo . Nunca tivera amigos antes de Hogwarts , Dudley tivera esse cuidado . Ainda_assim , Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle , por isso em o dia seguinte foi até a a sala de os troféus para examinar a taça , acompanhado de Hermione que estava interessadíssima e de Ron que se mostrava profundamente incrédulo , dizendo que tinha ficado farto de aquela sala até a o fim de a vida . A taça dourada de Riddle estava arrecadada em um armário de canto . Não fornecia detalhes sobre o motivo por_que lhe fora dada ( felizmente , se fosse maior ainda hoje estava a limpá a , disse o Ron ) . Mas encontraram o nome de Riddle em uma antiga medalha de Mérito_Mágico e em uma lista de antigos chefes de turma . - Parece o Percy - comentou Ron , torcendo o nariz com aversão . - Prefeito , chefe de turma , provavelmente o melhor em todas_as disciplinas . - Dizes isso como_se fosse uma coisa má - fez lhe notar Hermione , em um tom de voz ressentido . Um sol fraco brilhava agora de_novo em Hogwarts . Dentro de o castelo , o ambiente estava bastante melhor . Não tinha havido novos ataques desde Justin e Nick quase sem cabeça e Madam_Pomfrey teve a satisfação de informar que as Mandrágoras começavam a ficar instáveis e dissimuladas , sinal de que estavam a abandonar rapidamente a infância . - Logo_que o acne desapareça estarão prontas para novo transplante - ouviu a Harry dizer amavelmente a o Filch . - E depois de isso , não demorará muito até podermos cortá as e estufá as . - Vai ter Mrs._Norris de volta , muito em_breve . Talvez o herdeiro ou herdeira de Slytherin tenha perdido a coragem , pensou Harry . Deve ser cada_vez_mais arriscado abrir a Câmara_dos_Segredos com a escola tão alerta e desconfiada . Talvez o monstro , qualquer_que_fosse , estivesse a preparar se para hibernar durante outros cinquenta anos . Ernie_Mcmillan_dos_Hufilepuff não aceitou esta visão optimista . Continuava convencido de que Harry era o culpado , que se tinha traído em o clube de os duelos . Peeves não ajudava nada : continuava a cantar por os corredores Potter , * seu bandido * ... agora acompanhado de um esquema de dança . Gilderoy_Lockhart parecia pensar que fora ele quem pusera fim a os ataques . Harry fartou se de o ouvir dizer isso a a professora Mc_Gonagall enquanto os Gryffindor formavam bicha para a aula de Transfiguração . - Não creio que volte a haver problemas , Minerva - disse , tocando em o nariz com ar conhecedor e piscando o olho . - Acho que desta_vez a câmara foi definitivamente selada . O culpado deve ter sabido que era uma questão de tempo até eu o apanhar e que era mais sensato parar agora antes que eu lhe tratasse de a saúde . Sabe , a escola está a precisar de um intensificador de animo para apagar as lembranças de o último período . Não vou dizer lhe mais_nada , por enquanto , mas julgo que sei o que ... Voltou a tocar em o nariz e afastou se a passos largos . A ideia de Lockhart de um intensificador de ânimo ficou bastante clara em o dia_14_de_Fevereiro , a o pequeno-almoço . Harry não dormira grande coisa devido a o treino de Quidditch em a noite anterior e chegou a o salão um_pouco atrasado . Pensou , por momentos , que se tinha enganado em a porta . As paredes estavam todas cobertas com enormes e medonhas flores cor-de-rosa . Pior ainda , * confettis * em forma de corações caíam de o tecto azul pálido . Harry dirigiu se a a mesa de os Gryffindor onde o Ron estava sentado com um ar enjoado junto de Hermione que parecia particularmente risonha . - O que se passa ? - perguntou lhes , sentando se e sacudindo os * confettis * de o seu bacon . Ron apontou para a mesa de os professores , com um ar demasiado repugnado para falar . Lockhart , em as suas vestes rosa vivo , a condizer com a decoração de o salão , fazia sinal para que se calassem . Os professores que o ladeavam tinham um ar estupefacto . De o seu lugar , Harry podia ver um músculo mover se em a bochecha de a professora Mc_Gonagall . Snape estava com ar de quem tomou uma imensa dose de xarope * skele-gro * . - Feliz dia de S._Valentim - gritou Lockhart . - E permitam me que agradeça a as quarenta_e_seis pessoas que até agora me enviaram cartões . Sim , fui eu quem tomou a liberdade de vos fazer esta pequena surpresa , e ela não acaba aqui ! Lockhart bateu as palmas e por as portas de o * hall * entraram a marchar cerca de uma_dúzia de duendes de aspecto carrancudo . Não eram uns duendes quaisquer , diga se de passagem . Lockhart fizera os usar asas douradas e transportar harpas . - Os meus amigos cupidos , portadores de os cartões ! gritou Lockhart . - Eles vão andar por a escola durante o dia de hoje , entregando os vossos cartões de S._Valentim . E o divertimento não acaba aqui . Tenho a certeza de que os meus colegas vão querer participar em este espírito de festa . Porque não pedir a o professor Snape que vos mostre como preparar rapidamente uma poção de amor . E , enquanto ele a prepara , está aqui o professor Flitwick que é de todos os feiticeiros que conheci aquele que mais sabe de encantamentos de sedução , o grande safado ! O professor Flitwick enterrou o rosto em as mãos . Snape olhava como_se quisesse dar veneno a a primeira pessoa que fosse pedir lhe a poção de o amor . - Por favor , Hermione , diz me que não foste uma de as quarenta_e_seis - pediu Ron quando saíram de o salão para a primeira aula . Mas Hermione ficou subitamente muito interessada em procurar o horário dentro de a mala e não lhe respondeu . Durante todo o dia os duendes não pararam de se intrometer em as aulas para entregar cartões , para grande aborrecimento de os professores e , ao_fim_da_tarde , quando os Gryffindor subiam as escadas para a aula de encantamentos , um de eles avistou o Harry . - Hei , tu , Harry_Potter ! - gritou um duende de aspecto particularmente lúgubre , dando cotoveladas a_toda_a gente para se aproximar de o Harry . Coradíssimo com a ideia de receber um cartão de S._Valentim diante_de uma fila de alunos de o primeiro ano que , por acaso , incluía Ginny_Weasley , Harry tentou escapar se . Mas o duende cortou lhe o caminho através de a multidão e agarrou o em três tempos . - Tenho uma mensagem musical para entregar a Harry_Potter em pessoa - disse , tangendo a harpa de forma ameaçadora . - Aqui não - disse baixinho o Harry , tentando escapar . - Fica quieto - grunhiu o duende , agarrando o saco de o Harry e puxando com força . - Larga me - disse ele rispidamente , dando um puxão . Com um ruído de tecido a rasgar se , o saco dividiu se em dois . Os livros de Harry , varinha , pergaminho e pena espalharam se por o chão enquanto o tinteiro se partia em cima de as outras coisas . Harry pôs se de gatas , tentando apanhar tudo antes que o duende começasse a cantar , provocando um engarrafamento em o corredor . - O que se passa aqui ? - perguntou a voz fria e afectada de Draco_Malfoy . Harry , nervosíssimo , começou a guardar tudo dentro de o saco rasgado , desesperado para sair de ali antes que Malfoy pudesse ouvir o seu S._Valentim musical . - Que confusão é esta ? - disse outra voz familiar . Percy_Weasley tinha chegado . De cabeça perdida , Harry tentou fugir , mas o duende agarrou o por os joelhos e fê lo cair a o chão . - Certo - disse , sentando se em os tornozelos de Harry . Eis o teu cartão musical : * _ Os olhos de ele são verdes como o sapo de o quintal * _ O seu cabelo é escuro como um temporal * _ É um desatino , oh ! ele é divino ! * _ O herói que venceu o Senhor_do_Mal * . Harry teria dado todo o ouro de Gringotts para se evaporar em aquele momento . Tentando corajosamente rir se com todos os outros , levantou se . Sentia os pés dormentes de o peso de o duende . Enquanto isso , Percy_Weasley fazia todos os possíveis por dispersar a multidão onde havia gente que chorava de hilaridade . - Vamos embora , vamos embora , a campainha tocou há cinco minutos para as aulas - dizia , enxotando alguns de os alunos mais novos . - E tu , Malfoy . Harry olhou e viu Malfoy inclinar se , apanhar qualquer coisa e com um olhar maldoso mostrá a a Crabbe e Goyle . Percebeu que era o diário de Riddle . - Dá cá isso - exigiu com toda_a calma . - O que será que o Potter escreveu aqui ? - disse Malfoy que obviamente não reparara em a data e pensou que tinha em as mãos o diário de o Harry . Houve uma agitação em os presentes . Ginny olhava apavorada para o diário e para Harry . - Dá lhe isso , Malfoy - disse Percy com firmeza . - Depois de dar uma vista de olhos - retorquiu Malfoy , acenando a Harry com o diário de forma provocatória . Percy disse : - Como Prefeito de a escola ... - mas Harry perdera a paciência . Pegou em a varinha e gritou * _ Expelliarmus * e assim_como Snape desarmara Lockhart , MalLoy viu o diário saltar lhe de as mãos e elevar se em o ar enquanto Ron o apanhava sorridente . - Harry - disse Percy levantando a voz . - Não quero magia em os corredores . Vou ter de participar isto , sabes perfeitamente . Mas Harry não se importou . Tinha ganho uma_vez a Malfoy e isso valia bem cinco pontos a menos para os Gryffindor . Malfoy estava furioso e quando a Ginny passou por ele a caminho de a sala de aula , gritou lhe com desprezo : - Não creio que o Potter tenha gostado lá muito de o teu cartão de S._Valentim . Ginny tapou a cara e correu para a aula . Aborrecido , Ron pegou também em a varinha , mas Harry afastou o . Era melhor que ele não passasse a aula de encantamentos a vomitar lesmas . Só quando entraram em a sala de aula de o professor Flitwick é_que Harry reparou em uma coisa bastante estranha em o diário de Riddle . Todos os outros livros estavam cheios de tinta vermelha , mas o diário mantinha se tão limpo como antes de o tinteiro se ter entornado em cima de ele . Tentou chamar a atenção de Ron para este facto , mas ele estava novamente a ter um problema com a varinha : de a extremidade saíam grandes bolhas roxas e ele não parecia interessado em mais_nada . Em essa noite , Harry foi deitar se antes de os outros companheiros de dormitório , em parte porque já não conseguia suportar o Fred e o George a cantarem * _ Os seus olhos são verdes como o sapo de o quintal * e em parte porque queria voltar a examinar o diário de Riddle e sabia que em a opinião de o Ron era uma pura perda de tempo . Sentou se em a cama de dossel e folheou as páginas em branco em as quais não se via uma única mancha de tinta escarlate . Tirou então outro tinteiro de o armário a o lado de a cama , molhou a pena e deixou cair um borrão em a primeira página de o diário . A tinta brilhou em o papel durante um segundo e , em seguida , como_se a página a tivesse sugado , desapareceu sem deixar rasto . Depois , finalmente , algo aconteceu . Deslizando sobre a página em a cor de a sua tinta , surgiram palavras que Harry não escrevera . - * _ Olá_Harry_Potter . O meu nome é Tom_Riddle . Como é_que encontraste o meu diário ? * Também estas palavras desapareceram , mas não sem que Harry tivesse respondido . - Alguém tentou lançá o em uma sanita . Esperou ansiosamente por a resposta de Riddle . - * _ Felizmente guardei as minhas memórias de uma forma mais duradoura do_que a tinta . Mas sempre soube que haveria quem não iria querer que o diário fosse lido . * - O que queres dizer com isso ? - escrevinhou Harry , borrando a página com o nervosismo . - * _ Quero dizer que este diário contém memórias de coisas terríveis . Coisas que foram abafadas . Coisas que aconteceram em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . * - É onde eu estou agora - escreveu Harry rapidamente . - Estou em Hogwarts e estão a acontecer coisas horríveis . Sabes alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? O coração parecia querer saltar lhe de o peito . A resposta de Riddle não se fez esperar , a letra tornara se mais desordenada como_se tivesse pressa em contar lhe tudo_o_que sabia . - * _ É claro que sei de a Câmara_dos_Segredos . Em o meu tempo diziam nos que era uma lenda , que não existia , mas era mentira . Quando eu estava em o quinto ano a Câmara_dos_Segredos foi aberta e o monstro atacou vários estudantes , acabando matar um . Eu apanhei a pessoa que abriu a câmara e ele foi expulso . Mas o director , o professor Dippet , envergonhado por uma coisa de aquelas ter acontecido em Hogwarts , proibiu me de contar a verdade . Foi divulgada uma história dizendo que a rapariga morrera de um acidente extravagante . Deram me um troféu brilhante com o meu nome gravado e avisaram me para ficar calado . Mas eu sabia que ia voltar a acontecer . O monstro sobreviveu e aquele que tinha o poder para o libertar não foi para a prisão . * Harry quase entornou o tinteiro em a pressa de responder . - Está a acontecer outra_vez . Houve três ataques e ninguém parece saber quem está por_detrás_de tudo_isto . Quem foi de a última vez ? - * _ Posso mostrar te , se quiseres * - foi a resposta de o Riddle . - * _ Não tens de acreditar só em a minha palavra . Posso levar te a o fundo de a minha memória de a noite em que o apanhei . * Harry hesitou com a pena em o ar sobre o diário . O que quereria ele dizer ? Como poderia entrar em a memória de outra pessoa ? Olhou inquieto para a porta de o dormitório que começava a ficar escuro . Quando pôs de_novo os olhos em o diário viu as palavras que se formavam . - * _ Deixa-me mostrar te . * Harry parou durante uma fracção de segundo e depois escreveu duas letras . - O. _ K._As páginas de o diário começaram a esvoaçar como_se tivessem sido apanhadas em uma ventania , parando a meio de o mês_de_Junho . Boquiaberto , Harry viu que o quadradinho de 13_de_Junho se transformara em um pequeno ecrã de televisão . Com as mãos ligeiramente trémulas levantou o livro para encostar os olhos a a janelinha e antes de perceber o que estava a passar se , deu consigo inclinado para a frente com a janela a abrir se . O corpo abandonava a cama e era lançado de cabeça , por a abertura de a página , em um turbilhão de cor e sombras . Sentiu os pés tocarem em terra firme e pôs se de pé a tremer enquanto as formas desfocadas se tornavam subitamente nítidas . Soube imediatamente onde estava . Aquela sala circular com os retratos adormecidos era o escritório de Dumbledore , mas não era Dumbledore quem estava atrás de a secretária . Um feiticeiro mirrado , de aspecto débil e quase careca lia uma carta a a luz de as velas . Harry nunca vira aquele homem antes . - Desculpe - disse com a voz a tremer . - Eu não queria intrometer me ... Mas o feiticeiro não olhou . Continuou a ler , franzindo levemente as sobrancelhas . Harry aproximou se de a secretária e gaguejou : - Er ... eu vou me embora , está bem ? E o feiticeiro continuou a ignorá o . Parecia nem_sequer ter ouvido . Pensando que talvez ele fosse surdo , Harry falou mais alto . - Desculpe tê o incomodado - disse quase a gritar . O feiticeiro dobrou a carta com um suspiro . Pôs se de pé , passou por Harry sem olhar para ele e foi abrir os cortinados de a janela . O céu , lá fora , estava vermelho-rubi . Devia ser o pôr de o Sol . O feiticeiro voltou para a secretária , sentou se e girou os polegares , olhando para a porta . Harry olhou em volta . Não viu Fawkes , a fénix , nem as engenhocas prateadas que sibilavam . Aquela Hogwarts era a que Riddle conhecera e , portanto , aquele feiticeiro desconhecido era o director de então , não Dumbledore e ele , Harry , era pouco mais que um fantasma , totalmente invisível a as pessoas de há cinquenta anos atrás . Alguém bateu a a porta . - Entre - disse o velho feiticeiro , em uma voz fraca . Um rapazinho de dezasseis anos entrou , tirando o chapéu pontiagudo . Em o seu peito brilhava um distintivo prateado de prefeito . Era muito mais alto do_que Harry , mas tinha , tal_como ele , cabelo preto asa de corvo . - Ah ! Riddle - disse o director . - Queria falar comigo , professor Dippet ? - perguntou ele com ar nervoso . - Senta te - disse Dippet . - Tenho estado a ler a carta que me mandaste . - Oh ! - exclamou Riddle , sentando se e apertando as mãos uma contra a outra . - Meu rapaz - disse Dippet amavelmente . - Eu não posso deixar te ficar em a escola durante o Verão . Com certeza queres ir para_casa em as férias ? - Não - respondeu Riddle , sem perder tempo . - Prefiro mil vezes ficar em Hogwarts a ter de voltar a aquela ... aquela ... - Tu vives em um orfanato de Muggles durante as férias , não é assim ? - perguntou Dippet com curiosidade . - Sim senhor - disse Riddle , corando um_pouco . - És filho de Muggles ? - Meio sangue , professor - explicou Riddle . - Pai_Muggle , mãe bruxa . - E o teu pai e a tua mãe ... - A minha mãe morreu pouco depois de eu nascer , professor , contaram me em o orfanato que só teve tempo de me dar o nome : Tom , como o meu pai , Marvolo como o meu avô . Dippet estalou a língua solidariamente . - O que acontece , Tom - suspirou - é_que ... podia ter se arranjado uma situação especial para ti , mas em as circunstâncias actuais ... - Refere se a os ataques , professor ? - perguntou Riddle e o coração de Harry deu um salto , aproximando se com medo de perder alguma coisa . - Precisamente - disse o director . - Meu rapaz , compreendes que seria uma imprudência de a minha parte deixar te ficar em o castelo quando o período acabar , principalmente a a luz de a recente tragédia ... a morte de aquela pobre moça ... estarás sem dúvida em maior segurança em o orfanato . Em a verdade , o ministro de a magia até fala em fechar a escola . Não estamos nada perto_de localizar ... er ... a fonte de toda esta história desagradável . Os olhos de Riddle tinham se aberto mais . - Professor , se essa pessoa fosse apanhada ... se tudo acabasse . . . - Que queres dizer com isso ? - perguntou Dippet com voz aguda , endireitando se em a cadeira . - Riddle , tu sabes alguma coisa sobre estes ataques ? - Não senhor - respondeu ele de imediato . Mas Harry sabia que era o mesmo tipo de « não » que ele dissera a Dumbledore . Dippet afundou se de_novo com um ar de profundo desapontamento . - Podes ir , Tom . Riddle esgueirou se de a cadeira e saiu de a sala . Harry seguiu o . Desceram por a escada em espiral , saindo junto de a gárgula em o corredor que escurecia . Riddle parou e Harry fez o mesmo , olhando para ele . Quase podia apostar que ele pensava seriamente em alguma coisa . Mordia o lábio e tinha as sobrancelhas franzidas . A certa altura , como_se tivesse acabado de tomar uma decisão , começou a andar mais depressa com Harry a segui o ruidosamente . Não viram mais ninguém , a não ser quando chegaram a o * hall * de entrada onde um feiticeiro alto de longos cabelos ruivos e barba chamou Riddle de a escadaria de mármore . - O que andas a fazer por aqui tão tarde , Tom ? Harry olhou para o feiticeiro . Não era outro senão Dumbledore com cinquenta anos a menos . - Tive de ir falar com o director - justificou se Riddle . - Bem , agora vai depressa para a cama - disse Dumbledore , olhando Riddle com aquele olhar penetrante que Harry conhecia tão bem . - É melhor não andar a passear por os corredores em os dias que correm , pelo_menos até ... Suspirou profundamente , deu as boas-noites a o Riddle e foi se embora . Riddle viu o desaparecer e , sem perder tempo , desceu os degraus de pedra até a os calabouços com Harry em a peugada . Mas para seu grande desconsolo , Riddle não o conduziu a nenhum corredor ou túnel secreto e sim a o calabouço onde ele costumava ter aulas de poções com o Snape . As tochas não tinham sido acesas e quando Riddle empurrou a porta quase fechada , Harry só conseguiu vê o a ele , de pé , quieto junto de a porta , olhando para o corredor . Pareceu a Harry que ficaram ali quase uma hora . Tudo_o_que via era a silhueta de Riddle junto de a porta , olhando fixamente através de a greta , a a espera . Como_se fosse uma estátua . E quando Harry tinha abandonado todas_as expectativas e começava a desejar voltar a o presente , ouviu alguma coisa que se movia atrás de a porta . Alguém avançava lentamente por o corredor . Ouviu a pessoa , quem quer que fosse , passar por o calabouço onde ele e Riddle estavam escondidos . Riddle , silencioso como uma sombra , esgueirou se por a porta e seguiu o com Harry em bicos de pés atrás de ele , esquecido de que podia fazer barulho a a vontade porque ninguém o ouvia . Durante cerca de cinco minutos seguiram lhe os passos até que Riddle parou repentinamente com a cabeça inclinada em a direcção de novos ruídos . Harry ouviu uma porta a abrir se e em seguida alguém falou em um murmúrio rouco . - Vá lá , temos que sair de aqui ... vá lá , dentro de a caixa ... Havia algo de familiar em aquela voz . Riddle deu subitamente uma volta e Harry seguiu o . Podia ver a silhueta escura de um rapaz enorme que estava inclinado em frente de a porta aberta , com uma grande caixa a o lado . - Boa noite , Rubeus - disse Riddle secamente . O rapaz fechou a porta e pôs se de pé . - O que estás a fazer aqui , Tom ? Riddle aproximou se . - Acabou se - disse . - Vou ter de entregar te , Rubeus . Falam em fechar Hogwarts se os ataques não terminarem . - O que é_que tu ... ? - Eu acho que tu não quiseste matar ninguém , mas os monstros não são os melhores animais domésticos . Tu só quiseste deixá o sair para andar um_pouco e ... - Ele não matou ninguém - disse o rapaz grande , recuando contra a porta fechada . Lá de dentro vinham uns estranhos roncos e rugidos . - Vamos , Rubeus - disse Riddle , aproximando se mais ainda . - Os pais de a rapariga que morreu estarão aqui amanhã . O mínimo que Hogwarts pode fazer é assegurar lhes que aquilo que matou a filha de eles foi abatido ... - Não foi ele - gemeu o rapaz cuja voz ecoou em o corredor escuro . - Ele não faria isso ... ele nunca ... - Afasta te - disse Riddle , pegando em a varinha . O encantamento iluminou o corredor com uma luz brilhante . A porta atrás de o rapaz grande abriu se de par em par com tanta força que o atirou contra a parede . E de lá de dentro saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito que ninguém mais ouviu a não ser ele próprio . Tinha um corpo imenso , magro e peludo e um emaranhado de pernas pretas , a cintilação de muitos olhos e um par de tenazes afiadas . Riddle levantou de_novo a varinha , mas era tarde de mais . A coisa deixara o atarantado e corria apressadamente , precipitando se por o corredor e desaparecendo . Riddle pôs se de pé , olhou a a procura de o monstro , levantou a varinha , mas o rapaz grande saltou sobre ele , tirou lhe a varinha de as mãos e lançou o a o chão , gritando : - Naaaaaão ! A cena rodopiou . A escuridão tornou se total . Harry sentiu se a cair e com um embate aterrou como uma águia de patas e asas abertas em a sua cama de dossel , em o dormitório de os Gryffindor , o diário de Riddle aberto sobre o estômago . Antes de ter tido tempo de normalizar a respiração , a porta de o dormitório abriu se e o Ron entrou . - Aí estás tu - disse . Harry sentou se . Transpirava e tremia . - O que se passa ? - perguntou Ron , olhando aflito para ele . - Foi o Hagrid , Ron . O Hagrid abriu a Câmara_dos_Segredos há cinquenta anos atrás . XIV_Cornelius_Fudge_Harry , Ron e Hermione sabiam há muito_tempo que Hagrid tinha uma triste predilecção por criaturas grandes e monstruosas . Em o primeiro ano que passaram em Hogwarts , ele tentara criar um dragão em a sua pequena cabana de madeira e levaram muito_tempo a esquecer o gigantesco cão de três cabeças que ele baptizara de « fofinho » . E se , em rapaz , Hagrid tinha ouvido dizer que havia um monstro escondido em o castelo , Harry tinha a certeza que ele teria feito os impossíveis por descobri o . Provavelmente achou que era uma injustiça o monstro estar fechado tanto tempo e pensou que ele merecia a oportunidade de esticar as suas muitas pernas . Harry imaginava perfeitamente o Hagrid a os treze anos a tentar pôr uma coleira e uma trela a o monstro . Mas tinha igualmente a certeza de que ele nunca teria querido matar ninguém . De certo modo , Harry desejava não ter descoberto como utilizar o diário de Riddle . Ron e Hermione fizeram o contar repetidas vezes o que vira até ele ficar farto de repetir o mesmo e farto de a conversa circular que se seguia . - O Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse , de essa vez , Hermione . - O monstro que atacava as pessoas podia ser outro .... - Quantos monstros achas tu que pode haver em este lugar ? - perguntou o Ron aborrecido . - Sempre soubemos que o Hagrid tinha sido expulso - disse Harry tristemente - E os ataques devem ter terminado quando ele foi expulso . Se não fosse assim , Riddle não teria recebido um prémio . Ron tentou um caminho diferente . - O Riddle parece o Percy , quem lhe pediu afinal que deitasse abaixo o Hagrid ? - Mas o monstro tinha morto uma pessoa , Ron - insistiu Hermione . - E o Riddle ia ter de voltar para um orfanato Muggle se Hogwarts fosse fechada - disse Harry . - Não posso culpá o por querer ficar aqui ... Ron mordeu o lábio e a seguir sugeriu : - Tu encontraste o Hagrid em a Rua * _ Bativolta * , não foi ? - Ele estava a comprar repelente para lesmas - disse Harry rapidamente . Ficaram os três em silêncio . Depois de uma longa pausa , Hermione , em uma voz hesitante , formulou a pergunta mais complicada de todas : - Não acham que devíamos ir ter com ele e perguntar lhe ? - Essa seria uma visita simpática - disse o Ron . - Olá , Hagrid , diz nos uma coisa , soltaste por acaso alguma coisa louca e peluda por o castelo em estes últimos tempos ? Por fim , decidiram não dizer nada a o Hagrid a_não_ser_que houvesse outro ataque e à_medida_que passava mais tempo sem murmúrios de a voz sem corpo começaram a acreditar , esperançosos , que nunca mais teriam de falar sobre o motivo por_que fora expulso . Tinham passado já quase quatro meses desde o dia em que o Justin e o Nick quase sem cabeça tinham sido petrificados e quase toda_a_gente parecia pensar que o atacante , quem quer que ele fosse , se retirara para sempre . Peeves fartara se de a sua canção * _ Oh_Potter , seu bandido * , Ernie_Mcmillan pediu educadamente a o Harry , em a aula de herbologia , que lhe passasse um balde de cogumelos saltitantes e , em Março , várias mandrágoras deram uma festa ruidosa e roufenha em a estufa número três . A professora Sprout estava muito satisfeita . - Mal elas comecem a tentar mover se para os vasos umas de as outras , saberemos que estão maduras - disse ela a o Harry . - Nessa_altura poderemos reanimar aquelas pobres criaturas que estão em a ala hospitalar . Os alunos de o segundo ano tinham agora uma coisa nova em que pensar durante as férias de a Páscoa . Chegara a altura de escolherem as matérias de o terceiro ano , um assunto que Hermione , pelo_menos , tomou muito a sério . - Pode afectar todo o nosso futuro - disse a o Harry e a o Ron a o vê os ler cuidadosamente as listas de as novas matérias e pôr um V em frente de cada uma . - Eu só quero ver me livre de as poções - disse Harry . - Não podemos - explicou Ron tristemente . - Mantemos todas_as matérias antigas ou eu teria me livrado de a Defesa contra as artes negras . - Mas é muito importante - disse Hermione chocada . - Não de a maneira como Lockhart a dá - insistiu Ron . - Não aprendi nada até agora a não ser a nunca mais libertar duendes . Neville_Longbottom recebera cartas de todas_as bruxas e feiticeiros de a família , cada_um dando um conselho diferente sobre o que ele deveria escolher . Confuso e preocupado , sentou se a ler a lista de matérias , dando estalinhos com a língua e perguntando a as pessoas se achavam que a aritmancia seria mais difícil do_que o estudo de as runas em a Antiguidade . Dean_Thomas que , tal_como Harry , fora criado com Muggles , acabou por fechar os olhos e atirar a varinha contra a lista , escolhendo as matérias onde ela aterrava . Hermione não pediu conselho a ninguém e inscreveu se em todas . Harry sorriu de si para consigo imaginando como seria uma conversa com o tio Vernon e com a tia Petúnia sobre a sua carreira em feitiçaria . Não que não tivesse tido orientação : Percy_Weasley estava ansioso por partilhar a sua experiência . - Tudo depende de o lugar para_onde queres ir , Harry - disse ele . - Nunca é cedo de mais para pensar em o futuro , por isso eu aconselho te a adivinhação . As pessoas dizem que os estudos de Muggles são uma opção leve mas eu , pessoalmente , acho que os feiticeiros deveriam ter uma compreensão profunda de a comunidade não mágica , muito especialmente se pensarem em trabalhar em íntimo contacto com eles . Vê o meu pai que tem de lidar com assuntos de os Muggles a_toda_a hora . O meu irmão Charles foi sempre mais um tipo de o exterior , por isso foi para o Centro_de_Cuidados com as Criaturas_Mágicas . Segue os teus sentimentos , Harry . Mas a única coisa em que Harry sentia que era mesmo bom era o Quidditch . Por fim , acabou por escolher as mesmas matérias que o Ron escolhera , pensando que se fosse péssimo em elas pelo_menos tinha alguém amigo para o ajudar . O próximo jogo de Quidditch_dos_Gryffindor era contra os Hufflepuff . Wood insistia em treinos de equipa todas_as noites depois de jantar , por isso Harry não tinha tempo para mais_nada a não ser para o Quidditch e para os trabalhos de casa . Mas as sessões de treino estavam a melhorar ou pelo_menos estavam mais secas e em a véspera de o jogo de sábado ele foi a o dormitório guardar a vassoura , sentindo que as hipóteses de os Gryffindor ganharem a taça de Quidditch nunca tinham sido tão boas . Mas a sua boa disposição não durou muito . Em o cimo de as escadas que levavam a o dormitório encontrou o Neville_Longbottom nervosíssimo . - Harry , não sei quem fez aquilo , eu fui encontrar ... Olhando receoso para Harry , Neville empurrou a porta . O conteúdo de a mala de Harry fora espalhado por toda_a divisão . O seu manto estava em o chão rasgado . A roupa de cama tinha sido puxada de a cama de dossel e a gaveta de o armário que se encontrava a a cabeceira de a cama fora arrancada , estando o seu conteúdo espalhado sobre o colchão . Harry aproximou se de a cama boquiaberto , pisando algumas páginas soltas de * _ Viagens com Duendes * . Quando ele e Neville estavam a puxar os cobertores para_cima , entraram o Ron e o Dean_Seamas . Dean praguejou alto . - O que é isto , Harry ? - Não faço ideia - disse ele . Mas o Ron estava a examinar as vestes de Harry e todos os bolsos estavam de o avesso . - Alguém andou a a procura de qualquer coisa - disse o Ron . - Dás por falta de alguma coisa ? Harry começou a apanhar o que estava caído , lançando tudo dentro de a mala . Só quando atirou o último livro de Lockhart é_que se apercebeu do_que faltava . - O diário de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a o Ron . - O quê ? Harry fez lhe sinal em direcção a a porta de o dormitório e apressaram se a chegar a a sala comum de os Gryffindor que estava quase vazia e onde foram encontrar Hermione sozinha a ler * _ As_Runas_Antigas a o Alcance_de_Todos * . Hermione ficou aterrada com as notícias . - Mas ... só um Gryffindor podia tê o roubado ... ninguém mais conhece a nossa senha ... - Exactamente - disse Harry . Acordaram em o dia seguinte com um sol brilhante e uma brisa agradável . - Condições ideais para o Quidditch ! - exclamou Wood , cheio de entusiasmo , a a mesa de os Gryffindor , enchendo os pratos de os elementos de a sua equipa de ovos mexidos . - Harry , anima te , precisas de um pequeno-almoço decente . Harry tinha estado a olhar para a mesa cheia de alunos de os Gryffindor , perguntando a si próprio se o novo dono de o diário de Riddle estaria ali mesmo em frente de os seus olhos . Hermione insistira para que ele participasse o roubo mas ele não gostou de a ideia . Teria de contar a um professor tudo sobre o diário , e quantas pessoas saberiam o motivo por_que Hagrid fora expulso há cinquenta anos ? Não queria ser ele a fazer com que relembrassem tudo aquilo . Quando saiu de o salão com o Ron e a Hermione para ir buscar o material de Quidditch , outra preocupação viera juntar se a a sua lista cada_vez maior . Tinha acabado de pisar os degraus de a escadaria de mármore quando ouviu de_novo a voz : - * _ Matar desta_vez ... deixem me rasgar ... romper * ... Deu um grito e Ron e Hermione saltaram alarmados . - A voz - disse Harry , olhando por cima de os ombros de eles . - Acabo de a ouvir de_novo , vocês não ouviram nada ? Ron abanou a cabeça de olhos muito abertos Mas_Hermione bateu com a mão em a testa . - Harry , acho que percebi uma coisa . Tenho que ir a a biblioteca . E disparou a correr por as escadas acima . - O que é_que ela percebeu ? - disse Harry distraidamente , ainda a olhar em volta , tentando determinar de onde vinha a voz . - Mas porque teve ela que ir a a biblioteca ? - Porque a Hermione é assim - disse o Ron , encolhendo os ombros - Quando tem uma dúvida , vai a a biblioteca . Harry manteve se hesitante , tentando captar novamente a voz mas as pessoas começavam a sair de o salão , falando alto , passando por a porta principal e encaminhando se para o estádio de Quidditch . - É melhor ires indo - aconselhou Ron . - São quase onze horas , olha o jogo . Harry deu uma corrida até a a torre de os Gryffindor , pegou em a sua Nimbus dois_mil e juntou se a a vasta multidão que enchia os campos , mas o seu pensamento estava ainda em o castelo , em aquela voz sem corpo e quando pôs as roupas vermelhas , o seu único conforto foi pensar que estavam todos lá fora para assistir a o jogo . As equipas entraram em campo a o som de um tumulto de aplausos . Oliver_Wood fez um voo de aquecimento em volta de os postes , Madam_Hooch soltou as bolas . Os Hufflepuff que tinham fatos amarelo-canário estavam reunidos em grupo em uma discussão de última hora sobre as tácticas . Harry subia para a vassoura quando a professora Mc_Gonagall atravessou o campo , meio a andar , meio a correr , transportando um enorme megafone roxo . O coração de Harry caiu lhe a os pés . - Este jogo foi cancelado - gritou por o megafone a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a o estádio apinhado . Ouviram se Uuuus e assobios . Oliver_Wood , com um ar infelicíssimo , aterrou e correu para a professora McGonagall sem sair de a vassoura . - Mas , professora - gritou - temos de jogar ... a taça ... os Gryffindor ... A professora Mc_Gonagall ignorou o e continuou a gritar por o megafone . - Pede se a os estudantes que regressem a as salas comuns de as respectivas equipas onde os chefes de equipa lhes darão mais informações . O mais depressa possível , se fazem favor ! Em seguida , baixou o megafone e fez sinal a o Harry para que se aproximasse . - Potter , é melhor vires comigo ... Perguntando a si próprio que suspeita poderia ela ter contra ele , desta_vez , Harry viu Ron desligar se de a multidão discordante e vir a correr juntar se lhes , enquanto eles se dirigiam para o castelo . Para sua grande surpresa Mc_Gonagall não pôs qualquer objecção . - Sim , talvez seja melhor vires também , Weasley . Alguns de os estudantes que os rodeavam reclamavam por o jogo ter sido cancelado , outros tinham um ar preocupado . Harry e Ron seguiram a professora Mc_Gonagall de volta a a escola e através de a escadaria de pedra . Mas desta_vez não foram levados a nenhum escritório . - Isto vai chocar vos um_pouco - disse a professora Mc_Gonagall em um tom de voz surpreendentemente suave quando estavam a aproximar se de a ala hospitalar . - Houve outro ataque ... outro ataque duplo . As vísceras de o Harry deram um salto mortal . A professora Mc_Gonagall abriu a porta e ele e Ron entraram . Madam_Pomfrey estava inclinada sobre uma rapariga de o quinto ano de cabelos longos a os caracóis que Harry reconheceu como sendo a colega de os Ravenclaw a quem , por engano , tinham perguntado o caminho para a sala comum de os Slytherin . E , em a cama a o lado de ela , estava ... - Hermione - gemeu o Ron . Hermione jazia totalmente quieta , os olhos abertos e vítreos . - Foram encontradas perto de a biblioteca - disse a professora Mc_Gonagall . - Calculo que nenhum de vocês possa explicar isto ? Estava em o chão , junto de ela . A professora tinha em as mãos um pequeno espelho redondo . Harry e Ron acenaram negativamente com as cabeças , ambos com os olhos fixos em Hermione . - Eu acompanho vos a a torre de os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall pesadamente . - De qualquer modo tenho de falar com os alunos . - Os alunos regressarão a as salas comuns de as respectivas equipas , todos_os_dias , a as seis_horas_da_tarde . Nenhum aluno deverá sair de os dormitórios depois de isso . Serão escoltados até a as aulas por um professor . Nenhum aluno deverá ir a a casa_de_banho sem um professor a acompanhá o . Todos os treinos e jogos de Quidditch estão suspensos a_partir_de agora . Não haverá mais actividades nocturnas . Os Gryffindor , que enchiam a sala comum , ouviram em silêncio a professora Mc_Gonagall . Ela enrolou o pergaminho que acabara de ler e disse em uma voz algo chocada : - Não é preciso acrescentar que nunca me senti tão desolada . É provável que a escola seja encerrada se não for apanhado o culpado de todos estes ataques . Quero pedir que se algum de vocês achar que sabe alguma coisa sobre eles venha imediatamente ter comigo . Mal ela subiu , de forma um_pouco desastrada , por o buraco de o retrato , os Gryffindor começaram logo a falar . - São dois Gryffindor a menos , sem contar com o fantasma de os Gryffindor , um Ravenclaw e um Hufflepuff - disse o amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , contando por os dedos . - Não terá nenhum de os professores reparado que os Slytherin estão a salvo ? Será que não é óbvio que tudo_isto vem de eles ? O herdeiro de Slytherin , o monstro de Slytherin , porque não expulsam todos os Slytherin ? - resmungou , recebendo acenos e aplausos de todos os lados . Percy_Weasley estava sentado em uma cadeira atrás_de Lee , mas por uma_vez não pareceu querer expor os seus pontos de vista . Estava pálido e aturdido . - O Percy está em estado de choque - disse o George baixinho a o Harry . - Aquela rapariga de os Ravenclaw , Penelope_Clearwater , é prefeita . Acho que ele nunca tinha pensado que o monstro pudesse atacar um prefeito . Mas Harry não estava a ouvi o com atenção . Não conseguia esquecer a imagem de Hermione deitada em a cama de o hospital , como_se estivesse esculpida em pedra . E se o culpado não fosse apanhado rapidamente tinha em a frente uma vida inteira com os Dursley . Tom_Riddle entregara o Hagrid porque fora confrontado com a possibilidade de um orfanato Muggle se a escola fechasse . Harry sabia exactamente o que ele sentira . - Que vamos nós fazer ? - disse lhe o Ron baixinho a o ouvido . - Achas que eles suspeitam de o Hagrid ? - Temos de falar com ele - disse Harry , tomando uma decisão . - Não acredito que tenha culpa desta_vez , mas se ele libertou o monstro há cinquenta anos , sabe com certeza como entrar em a Câmara_dos_Segredos , o que já é um princípio . - Mas a Gonagall disse que temos que ficar em a torre a_não_ser_que estejamos em as aulas ... - Eu acho - disse Harry ainda mais baixo - que chegou a altura de tirar outra_vez de a mala o manto de o meu pai . Harry herdara apenas uma coisa de o pai : o enorme manto prateado de a invisibilidade . Era a única maneira de poderem esgueirar se de a escola para fazer uma visita a o Hagrid , sem que ninguém de esse por isso . Deitaram se a a hora de o costume , esperaram que o Neville , o Dean e o Seamas adormecessem para se levantarem , vestirem se de_novo e taparem se com o manto . A viagem por os corredores de o castelo escuro e deserto não era nada agradável . Harry que vagueara por ali muitas_vezes durante a noite nunca vira tanta gente depois de o pôr de o Sol . Professores , prefeitos e fantasmas andavam por os corredores a os pares , olhando em volta , em busca de qualquer actividade fora de o habitual . O manto de a invisibilidade não impedia que fizessem barulho e houve um momento particularmente tenso em que o Ron deu uma topada a menos_de um metro de o lugar onde Snape se encontrava . Felizmente Snape espirrou em o preciso momento em que o Ron praguejava . Foi com grande alívio que chegaram a as portas de carvalho de a entrada principal . Estava uma noite clara e cheia de estrelas . Dirigiram se apressadamente para as janelas iluminadas de a casa de Hagrid e só tiraram o manto mesmo em frente de a porta . Poucos segundos depois de terem batido abriu se a porta . Ficaram frente_a_frente com Hagrid que lhes apontou uma besta enquanto Fang , o cão caçador de javalis , ladrava furiosamente atrás de ele . - Oh ! - disse , baixando a arma quando viu que eram eles . - O que estão vocês a fazer aqui ? - Para que é isso ? - perguntou Harry , apontando para a besta , enquanto entrava . - Nada , não é nada - murmurou Hagrid . - Tenho estado a a espera ... não tem importância , sentem se que eu vou fazer um chá . Dava a impressão de não saber o que fazia . Quase apagou a lareira , vertendo a água de a chaleira em o lume e em seguida esmagou o bule com um gesto de a sua mão maciça . - Estás bem , Hagrid ? - perguntou Harry . - Soubeste de a Hermione ? - Soube , sim - disse ele com um leve tremor em a voz . Continuava a olhar nervosamente para as janelas . Deu lhe os duas grandes canecas de água a ferver ( esquecera se de juntar o chá ) e estava a acabar de pôr em um prato uma fatia grossa de bolo de frutas quando alguém bateu energicamente a a porta . Hagrid deixou cair o bolo . Harry e Ron trocaram entre si olhares de pânico e , em seguida , cobriram se com o manto de a invisibilidade e esconderam se em um canto . Hagrid assegurou se de que eles estavam bem escondidos , pegou em a besta e abriu , mais_uma_vez , a porta . - Boa noite , Hagrid . Era_Dumbledore . Entrou com um ar muito sério , seguido de um homem bizarro . O estranho era um homenzinho pequenino , de porte majestoso com cabelos grisalhos desalinhados e uma expressão de ansiedade em o rosto . Usava uma inesperada mistura de roupas . Um fato a as riscas , uma gravata vermelho escarlate , um longo manto negro e umas botas roxas pontiagudas . Debaixo de o braço trazia um chapéu de coco verde lima . -- É o patrão de o meu pai - murmurou o Ron . Cornelius_Fudge , o ministro de a magia ! Harry deu lhe uma valente cotovelada para o fazer calar se . Hagrid tinha ficado suado e pálido . Deixou se cair em uma de as cadeiras e olhava de Dumbledore_para_Cornelius_Fudge . - Más notícias , Hagrid - disse Fudge em um tom bastante grave . - Muito más notícias . Tive de vir . Quatro ataques a filhos de Muggles , as coisas foram longe_de mais . O ministério tem que tomar uma atitude . - Eu nunca ... - disse Hagrid , parecendo implorar a Dumbledore . - O senhor sabe que eu nunca ... professor Dumbledore , o senhor ... - Quero que fique claro , Cornelius , que Hagrid tem a minha total confiança - afirmou Dumbledore , franzindo as sobrancelhas . - Olha , Albus - disse Fudge pouco a a vontade - a ficha de o Hagrid depõe contra ele . O ministério tem de fazer alguma coisa , o Conselho_Directivo de a escola tem se reunido ... - Mesmo_assim , Cornelius , devo dizer te mais_uma_vez que levar o Hagrid de aqui não vai ajudar em nada - afirmou Dumbledore com os olhos azuis com um fogo que Harry nunca vira antes . - Tenta compreender o meu ponto de vista - insistiu Fudge , brincando com o chapéu . - Estou a ser tremendamente pressionado , tenho de mostrar que faço alguma coisa . Se se provar que não foi o Hagrid , ele voltará e não se fala mais em o assunto . Mas tenho de levá o , tem de ser , não estaria a cumprir a minha obrigação se ... - Levar me ? - perguntou Hagrid a tremer . - Levar me para_onde ? - É uma pena curta - disse Fudge , sem o olhar em os olhos . - Não é um castigo , Hagrid , chamemos lhe antes uma precaução . Se mais alguém for apanhado , tu sais com todas_as nossas desculpas . - Não é para Azkaban ? - balbuciou Hagrid . Mas antes que Fudge tivesse tido tempo de responder , ouviu se bater mais_uma_vez a a porta . Dumbledore abriu . Foi a vez de Harry levar uma cotovelada em as costas : soltara um gemido audível . Mr._Lucius_Malfoy entrou em a cabana de o Hagrid embrulhado em uma longa capa preta de viagem , com um sorriso frio de satisfação . O Fang começou a rosnar . - Já está aqui , Fudge ? - disse de forma aprovadora . - Muito bem , muito bem ... - O que estás a fazer aqui ? - perguntou Hagrid furioso . - Sai imediatamente de a minha casa . - Meu bom homem , acredite que não tenho prazer nenhum em entrar em a sua ... er ... chamou lhe casa ? - disse Lucius_Malfoy , sorrindo sarcasticamente enquanto observava a pequena divisão . - Eu limitei me a ir a a escola e disseram me que o director estava aqui . - E o que queres de mim , Lucius ? - perguntou Dumbledore . O seu tom de voz era educado mas em os olhos azuis brilhava ainda o mesmo fogo . - Uma notícia horrível , Dumbledore - disse Mr._Malfoy de forma arrastada , pegando em um grande rolo de pergaminho . - Mas os membros de o conselho pensam que é altura de tu saíres . Isto_é uma ordem de suspensão , tens aí doze assinaturas . Lamento muito mas em a nossa opinião estás a perder a firmeza . Quantos ataques houve até agora ? Mais dois hoje a a tarde , não foi ? A este ritmo vão acabar todos os filhos de Muggles em Hogwarts e todos sabemos que seria uma terrível perda para a escola . - O que é isso , Lucius ? - protestou Fudge com ar alarmado . - O Dumbledore suspenso não ... não , seria a última coisa que desejaríamos em este momento ... - A nomeação ou suspensão , de o director é de a competência de os membros de o Conselho_Directivo , Fudge - disse suavemente Mr._Malfoy . - E como Dumbledore não foi capaz de pôr cobro a estes ataques ... - Oh ! Lucius , se Dumbledore não conseguiu - disse Fudge com o lábio superior a suar . - Quem irá conseguir ? - Isso está para se ver - disse Mr._Malfoy com um sorriso mesquinho . - Mas como os doze votamos ... Hagrid pôs se de pé em um salto , o cabelo preto hirsuto a roçar em o tecto . - E quantos tiveste de chantajar para concordarem contigo , Malfoy ? - Meu caro Hagrid , sabe que esse seu temperamento ainda acaba por lhe criar problemas um dia de estes - disse Mr._Malfoy . - Não o aconselho a gritar assim com os guardas de Azkaban . Eles não iriam gostar nada . - Não podes levar Dumbledore - gritou Hagrid , fazendo Fang , o cão caçador de javalis , agachar se e ganir em o seu cesto . - Sem ele , os filhos de os Muggles não têm qualquer hipótese . A seguir haverá mortes . - Acalma te , Hagrid - disse Dumbledore de forma cortante , olhando para Lucius_Malfoy . - Se os membros de o conselho querem substituir me , eu sairei , claro . - Mas - interrompeu Fudge . - Não - rosnou Hagrid . Dumbledore não tirara os seus olhos azuis brilhantes de os olhos cinzentos e frios de Lucius_Malfoy . - Contudo - disse , pronunciando cada palavra lenta e claramente para que nenhum de eles perdesse o seu sentido - verás que só deixarei verdadeiramente esta escola quando ninguém aqui me for leal . Descobrirás também que será sempre dada ajuda em Hogwarts a quem a pedir . Por um segundo , Harry teve quase a certeza de que os olhos de Dumbledore tremelaziram em direcção a o canto onde ele e Ron estavam escondidos . - Sentimentos admiráveis - disse Malfoy , fazendo uma vénia . - Todos nós vamos sentir a tua ... forma muito pessoal de fazer as coisas , Albus . Só espero que o teu sucessor consiga evitar qualquer ... crime . Dirigiu se a a porta de a cabana , abriu a e fez sinal a Dumbledore para que passasse a a sua frente . Fudge , mexendo nervosamente em o chapéu de coco , esperou que Hagrid fizesse o mesmo mas ele ficou quieto , respirou fundo e disse prudentemente : - Se alguém quiser descobrir alguma coisa , o que tem a fazer é seguir as aranhas . Elas indicarão o caminho , é tudo_o_que vos digo . Fudge olhou para ele espantado . - Está bem , eu vou - disse Hagrid , pegando em o seu sobretudo de pêlo de toupeira . Mas quando ia seguir o Fudge e sair por a porta , parou e disse em voz alta : - E alguém tem de dar de comer a o Fang enquanto eu não estiver cá . A porta fechou se ruidosamente e Ron tirou o manto de a invisibilidade . -- Estamos outra_vez em uma alhada - disse com voz rouca - Sem o Dumbledore podem fechar a escola já esta noite . Sem ele vai haver um ataque por dia . O Fang começou a ganir , arranhando a porta fechada . XV_Aragog_O_Verão insinuava se em os campos em volta de o castelo . O céu e o lago tinham se tornado de um azul-molusco e as flores , grandes como couves , começavam a florir em as estufas . Mas sem o Hagrid , que ele costumava avistar de o castelo , atravessando os campos com o Fang atrás , parecia a Harry que a paisagem não estava completa . Não era melhor dentro de o castelo onde tudo corria horrivelmente mal . O Harry e o Ron tinham tentado visitar a Hermione , mas as visitas a o hospital estavam proibidas . - Não vamos correr mais riscos - disse lhes Madam_Pomfrey com ar severo , através_de uma fresta de a porta de o hospital . Não , lamento , há muitas hipóteses de o atacante voltar para acabar de vez com estas pessoas ... Com Dumbledore longe , o medo espalhara se como nunca acontecera antes , de_tal_modo_que o sol que aquecia as paredes de o castelo por fora parecia parar junto de as janelas de pinázios . Não se via um único rosto em a escola que não andasse tenso e preocupado e qualquer gargalhada , em os corredores , se tornava incómoda e antinatural e era rapidamente abafada . Harry repetia constantemente , de si para consigo , as últimas palavras que ouvira a Dumbledore : - * _ Só terei verdadeiramente deixado esta escola quando ninguém me for leal ... será sempre dada ajuda , em Hogwarts , a quem a pedir * . Qual seria o significado exacto de aquelas palavras ? A quem deveria pedir ajuda quando todos estavam tão confusos assustados como ele ? A alusão de Hagrid a as aranhas era bastante mais fácil de entender . O problema era que parecia não ter restado uma única aranha em o castelo para eles a poderem seguir . Harry procurou por todo o lado com a ajuda relutante de o Ron . As coisas estavam dificultadas por o facto de não poderem andar sozinhos e terem de se deslocar em grupo dentro de o castelo , juntamente com outros Gryffindor . A maior parte de os alunos gostava de ser conduzida como carneiros de uma aula para a outra por os professores mas Harry achava horrível . Havia , contudo , uma pessoa que parecia apreciar aquela atmosfera de terror e suspeitas . Draco_Malfoy passeava empertigado por a escola como_se tivesse sido nomeado para chefe de turma . Harry só compreendeu o motivo de toda aquela boa disposição cerca de quinze_dias depois de Dumbledore e Hagrid se terem ido embora quando , em uma aula de poções , o ouviu falar com o Crabbe e o Goyle . - Sempre achei que seria o pai quem conseguiria livrar nos de o Dumbledore - disse sem a menor preocupação em baixar a voz . - Já vos disse , segundo ele , Dumbledore foi o pior director que a escola alguma vez teve . Talvez agora venha um director decente que não queira a Câmara_dos_Segredos fechada . A Mc_Gonagall não vai durar muito , está só a ... O Snape passou por Harry , sem fazer comentários a o caldeirão e a a cadeira vazia de Hermione . - Professor - disse Malfoy em voz alta . - Professor , porque não se candidata a o lugar de director ? - Ora , ora , Malfoy - respondeu Snape , sem conseguir esconder um meio sorriso . - O professor Dumbledore foi apenas suspenso por os membros de o conselho de direcção , certamente vai voltar um dia de estes . - Sim , claro - disse Malfoy com o seu sorriso escarninho . - Acho que se o professor quisesse candidatar se a o lugar teria o voto de o pai . Eu vou dizer lhe que o acho o melhor professor de a escola . Snape sorriu enquanto passeava de um lado para o outro em o calabouço , não tendo felizmente visto o Seamus_Finnigan que fingia vomitar para dentro de o caldeirão . - Estou espantado por ver que até agora os sangues de lama ainda não fizeram as malas e não desapareceram - prosseguiu Malfoy . - Aposto cinco galeões em como o próximo morre . Pena que não tenha sido a Granger ... A campainha tocou em esse momento o que foi uma sorte porque a o ouvir as últimas palavras de Malfoy , Ron deu um salto , mas em a barafunda de guardar os livros em os sacos , a sua tentativa de agarrar o Malfoy passou despercebida . - Deixem me - gritava o Ron enquanto o Harry e o Dean lhe agarravam os braços . - Não preciso de varinha , vou dar cabo de ele com as minhas mãos ... - Despachem se , tenho de conduzir vos a a aula de herbologia - praguejava o Snape acima de as cabeças de os alunos . E lá foram como cordeirinhos com Harry , Ron e Dean em a retaguarda , o Ron ainda a tentar libertar se . Só acharam seguro largá o quando Snape os deixou fora de o castelo e iniciaram o percurso por o meio de a horta em direcção a as estufas . A aula de herbologia estava reduzida . Tinha agora dois alunos a menos : Justin e Hermione . A professora Sprout pô os a trabalhar , podando as figueiras-da-abissínia . Harry foi despejar uma braçada de hastes secas em um monte de adubo e deu consigo cara a cara com Ernie_Mcmillan . Ernie respirou fundo . - Só quero dizer te , Harry que lamento ter suspeitado de ti . Sei que nunca atacarias a Hermione_Granger e peço te desculpa por todas_as coisas que disse . Estamos todos em o mesmo barco , agora e , bem ... Estendeu lhe uma mão rechonchuda que o Harry apertou . Ernie e a sua amiga Hannah foram trabalhar em a mesma figueira com o Harry e o Ron . - Aquele tipo , Draco_Malfoy - disse Ernie , partindo pequenos galhos - , parece muito satisfeito com isto tudo , não acham ? É bem possível que ele seja o herdeiro de Slytherin . - Uma observação inteligente de a tua parte - disse o Ron que parecia não ter desculpado Ernie tão facilmente como o Harry . - Acham que é ele ? - perguntou Ernie . - Não - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Hannah ficaram a olhar espantados . Um segundo depois , Harry avistou qualquer coisa que o levou a chamar a atenção de o Ron , batendo lhe em a mão com a tesoura de podar . - Au ... o que é_que tu ... ? Harry apontava para o chão , a poucos centímetros de distância . Várias aranhas grandes corriam precipitadamente por a terra fora . - Ah ! sim - disse o Ron , tentando , sem conseguir , mostrar se entusiasmado . - Mas não podemos seguis as agora ... Ernie e Hannah ouviam nos com curiosidade . Harry viu as aranhas desaparecerem . - Parecem ir em a direcção de a floresta proibida ... E o Ron ficou ainda mais infeliz a o ouvir aquilo . Em o final de a aula , o professor Snape acompanhou os alunos a a « Defesa contra as artes negras » . Harry e Ron foram atrás de os outros para poderem conversar sem serem ouvidos . - Temos de usar outra_vez o manto de a invisibilidade - disse Harry a o Ron . - Podemos levar connosco o Fang , ele está habituado a ir a a floresta com o Hagrid , pode ser uma boa ajuda . - Certo - disse o Ron , que fazia girar nervosamente a varinha em os dedos . - Er ... não costuma haver ... não costuma haver lobisomens em a floresta ? - acrescentou enquanto ocupavam os lugares de o costume em a aula de o Lockhart . Preferindo não responder a a pergunta , Harry disse : - Também há lá coisas boas . Os centauros são fixes e os unicórnios . Ron nunca estivera em a floresta proibida , Harry fora lá só uma_vez e desejara não ter de lá voltar . Lockhart deu um salto para dentro de a sala de aula e os alunos ficaram espantados a olhar para ele . Todos os outros professores andavam mais tristes do_que o habitual mas Lockhart parecia sentir se em as nuvens . - Então , então - exclamou , olhando em volta . - Porquê essas caras deprimidas ? Lançaram lhe olhares exasperados mas ninguém respondeu . - Não compreendem - disse , falando devagar como_se fossem todos um_pouco estúpidos - que o perigo já passou ? O culpado foi se embora . -- Quem disse ? - retorquiu Dean_Thomas em voz alta . -- Meu caro jovem , o ministro de a magia não teria levado Hagrid se não estivesse cem por_cento certo de que ele era o culpado - disse Lockhart como quem explica que um e um são dois . - Teria , sim - disse o Ron , em um tom de voz ainda mais alto do_que o de o Dean . - Eu julgo saber um_pouco mais sobre a prisão de o Hagrid do_que o senhor , Mr._Weasley - disse Lockhart com notória auto-satisfação . Ron começou a dizer que discordava mas foi interrompido por o Harry que lhe deu um forte pontapé por debaixo de a mesa . - Nós não estávamos lá , lembras te ? - murmurou . Mas a alegria revoltante de o Lockhart , as insinuações de que sempre tinha achado que o Hagrid não prestava , a sua certeza de que tudo aquilo estava a chegar a o fim , irritou Harry de tal maneira que teve vontade de lhe atirar as * _ Viagens com Vampiros * e de lhe acertar em aquela cara estúpida . Mas , em vez de isso , limitou se a escrevinhar um bilhete para o Ron : * _ Vamos lá hoje a a noite * . Ron leu a mensagem , engoliu em seco e olhou para o lugar onde Hermione costumava sentar se . A cadeira vazia pareceu ajudá o a decidir se e acenou afirmativamente . A sala comum de os Gryffindor estava agora sempre cheia porque , depois de as seis_da_tarde , os Gryffindor não tinham outro lugar para ir . Por outro lado , tinham imenso para conversar , por isso a sala comum mantinha se cheia de gente até depois de a meia-noite . Logo_a_seguir a o jantar , Harry foi buscar o manto de a invisibilidade a a mala onde estava guardado e passou todo o serão a a espera que a sala esvaziasse . O Fred e o George desafiaram o para alguns jogos de explosão e a Ginny sentou se , muito preocupada , a observá os , em a cadeira habitual de Hermione . Harry e Ron fartaram se de perder de propósito em uma tentativa de pôr rapidamente fim a os jogos mas , mesmo_assim , já passava bastante de a meia-noite quando o Fred , o George e a Ginny se foram , finalmente , deitar . Harry e Ron esperaram até ouvir as portas de os dois dormitórios fecharem se . Em seguida , pegaram em o manto , lançaram o sobre ambos e passaram por o buraco de o retrato . Era mais uma difícil travessia de o castelo , tendo de fintar todos os professores . Finalmente , chegaram a o * hall * de entrada , giraram o fecho de as portas de carvalho , esgueiraram se tentando não fazer barulho e aventuraram se nos campos iluminados por o luar . - É claro que - disse bruscamente o Ron , enquanto atravessavam os relvados negros - podemos perfeitamente chegar a a floresta e descobrir que não há nada para seguir . As aranhas podem não ter ido para lá . É certo que parecia que tomavam essa direcção , mas ... Felizmente a lengalenga não durou muito . Chegaram a a casa de o Hagrid que tinha um ar triste com as suas janelas vazias . Logo_que Harry empurrou a porta e a abriu , o Fang saltou , louco de alegria por os ver . Preocupados , não fosse ele acordar toda_a_gente em o castelo com o seu ladrar forte e agitado , deram lhe rapidamente a comer bombons de melaço que estavam em uma lata sobre a lareira e que lhe colaram os dentes de cima a os de baixo . Harry pousou o manto de a invisibilidade sobre a mesa de o Hagrid . Não iam precisar de ele em a floresta escura como breu . - Anda , Fang , vamos dar um passeio - disse Harry , batendo lhe a o de leve em a pata e Fang saiu feliz , a os saltos , atrás de eles . Precipitou se até a a orla de a floresta e levantou a perna contra uma enorme figueira-do-egipto . Harry pegou em a varinha , murmurou * _ Lumus * ! e uma pequenina luz surgiu em a ponta de a varinha , suficiente para lhes mostrar o caminho e ajudá os a descobrir a pista de as aranhas . - Bem pensado - disse o Ron . - Eu acendia também a minha mas , sabes como ela está , ainda estoirava ou qualquer coisa assim ... Harry tocou em o ombro de o Ron , apontando para as ervas . Duas aranhas solitárias fugiam de a luz de a varinha , aproximando se de a sombra de as árvores . - O. _ K. - disse o Ron , resignando se com o pior . - Estou pronto , vamos . Então , com o Fang a correr atrás de eles , cheirando as raízes de as árvores e as folhas , entraram em a floresta . Seguindo a luz de a varinha de o Harry seguiram a fila disciplinada de aranhas que se movia a o longo de o caminho . Andaram durante cerca de vinte minutos , sem falar , atentos a todos os ruídos que não fossem os de os ramos caídos e de as folhas secas . Então , quando as copas de as árvores se tinham tornado mais cerradas do_que nunca , de_tal_modo_que as estrelas em o céu já não eram visíveis e a varinha de o Harry brilhava isolada em um mar de escuridão , viram as aranhas que eles seguiam a abandonar o caminho . Harry parou , tentando ver para_onde iam mas tudo_o_que ficava longe de a sua pequenina luz era negro de breu . Ele nunca fora tão longe em a floresta . Lembrava se muito bem de Hagrid lhe ter dito , de a última vez que ali tinham estado , que nunca saísse de o caminho de a floresta . Mas Hagrid agora estava a muitos quilómetros de distância e ele também lhes dissera que seguissem as aranhas . Uma coisa húmida tocou em a mão de o Harry e ele deu um salto para trás , pisando o pé a o Ron . Mas afinal era apenas o focinho de o Fang . - O que é_que tu achas ? - perguntou ele a o Ron cujos olhos conseguia vislumbrar , reflectindo a luz de a varinha . - Já_que viemos até aqui - disse ele . Seguiram , portanto as sombras velozes de as aranhas em direcção a as árvores . Não podiam agora andar muito depressa . Tinham em a frente raízes de árvores e troncos cortados que mal se viam em aquela escuridão . Harry sentia o bafo quente de Fang em a mão . Por mais de uma_vez tiveram de parar para o Harry se baixar e descobrir as aranhas a a luz de a varinha . Andaram durante o que lhes pareceu ter sido pelo_menos meia_hora , com os mantos a roçarem em os ramos mais baixos e em as silvas . A o fim de algum tempo repararam que o chão parecia inclinar se para baixo embora as árvores continuassem cerradas . Foi então que o Fang soltou um latido que ecoou em volta , fazendo Harry e Ron darem um salto , ambos com os cabelos em pé . - O que foi ? - gritou o Ron , olhando em volta para a escuridão e agarrando Harry com força , por o cotovelo . - Há qualquer coisa ali a mexer se - murmurou Harry - Ouve ... parece ser grande . Ficaram a ouvir . Um_pouco para a direita algo de grandes dimensões partia os ramos enquanto abria caminho através de as árvores . - Oh ! não - disse o Ron . - Oh ! não , não ... - Cala te - insistiu o Harry , nervoso . - Seja o que for , vai acabar por te ouvir . - Ouvir me ? - disse o Ron , em um tom de voz muito pouco natural . - Já ouviu . Fang ! A escuridão parecia esmagar lhes os globos oculares enquanto ali ficaram apavorados , a a espera . Houve um estranho ruído , surdo e prolongado , e em seguida o silêncio . - O que estará a fazer ? - perguntou Harry . - Talvez esteja a preparar se para atacar - disse o Ron . Esperaram , a tremer , sem ousarem mexer se . - Achas que se foi embora ? - murmurou Harry . - Não sei . Em esse momento , de o lado direito veio um clarão de luz tão forte em o meio de o escuro que os dois levaram as mãos a a cara para proteger os olhos . O Fang ganiu e tentou fugir mas viu se envolvido em um emaranhado de espinhos e ganiu ainda mais alto . - Harry - gritou o Ron com grande alívio em a voz . - Harry , é o nosso carro . - O quê ? - Anda ver . Harry avançou a os tropeções atrás de o Ron , em direcção a a luz e em o momento seguinte estavam em uma clareira . O carro de Mr._Weasley ali estava , vazio , no_meio_de um círculo de árvores grossas , sob um telhado de ramos densos , os faróis de a frente resplandecentes . Quando Ron se aproximou de boca aberta , moveu se lentamente em direcção a ele como_se fosse um grande cão azul turquesa , cumprimentando o dono . - Tem estado aqui todo este tempo - disse o Ron satisfeitíssimo , aproximando se de o carro . - Olha para ele , a floresta tornou o selvagem ... O guarda-lamas estava riscado e cheio de lodo . Parecia que tinha andado a passear sozinho por a floresta . Fang não gostou lá muito de ele . Manteve se a o lado de o Harry que podia senti o a tremer . Com a respiração normalizada , Harry guardou a varinha em o manto . - E nós a pensarmos que ele nos ia atacar - disse o Ron , encostando se a o carro e dando lhe duas palmadinhas - As voltas que eu dei a a cabeça a pensar para_onde ele teria ido ! Harry olhava para todos os lados , em o chão iluminado , em busca de mais aranhas mas todas elas tinham fugido de o brilho de as luzes . - Perdemos as de vista - disse ele . - Anda , vamos procurá as . Ron não disse nada . Não se moveu . Tinha os olhos fixos em um ponto , três metros acima de o chão de a floresta , mesmo atrás de o Harry . O seu rosto estava lívido de terror . Harry nem teve tempo de se voltar . Ouviu se um ruído alto e seco e sentiu que alguma coisa longa e peluda o elevava em o ar com o rosto voltado para baixo . Debatendo se , apavorado , ouviu outro estalido e viu as pernas de o Ron serem também levantadas de o chão . Ouviu o Fang gemer e ganir e , em o momento seguinte , era levado para o meio de as árvores escuras . Com a cabeça a balouçar , Harry viu que a coisa que o transportava tinha seis enormes patas peludas e que as duas de a frente o agarravam com forca sob um par de tenazes pretas e brilhantes . Atrás_de si podia ouvir outra de aquelas criaturas que , sem dúvida , transportava o Ron . Encaminhavam se para o coração de a floresta . Harry ouvia o Fang a ladrar , tentando libertar se de um terceiro monstro mas Harry não podia gritar mesmo_que quisesse , parecia que tinha deixado a voz em a clareira , junto com o carro . Não soube quanto tempo esteve em as patas de a criatura , só se apercebeu que a escuridão se atenuara um_pouco , permitindo lhe ver que o chão coberto de folhas estava agora repleto de aranhas . Voltando a cabeça para o lado , deu se conta de que tinham chegado a a base de uma enorme cova , uma cova que fora limpa de árvores para que as estrelas iluminassem com o seu brilho a cena mais pavorosa que os seus olhos alguma vez tinham visto . Aranhas . Não aranhas pequeninas como aquelas que estavam sobre as folhas . Aranhas de o tamanho de enormes cavalos , com oito olhos , oito pernas pretas , peludas , gigantescas . O espécimen que transportava Harry desceu o terreno íngreme até uma teia brumosa em forma de cúpula que ficava mesmo em o meio de a cova , enquanto os companheiros se juntavam em volta , batendo excitadíssimos com as tenazes e olhando para o que eles traziam a as costas . Harry caiu em o chão de gatas quando a aranha o libertou . Ron e Fang foram cair perto de ele . O Fang já não gania . Estava agachado e muito quieto . Ron e Harry partilhavam o mesmo sentimento . O Ron tinha a boca aberta em uma espécie de grito silencioso e os olhos a saltarem lhe de as órbitas . Harry percebeu de repente que a aranha que o deitara a o chão estava a dizer qualquer coisa . Era difícil entender porque entre cada duas palavras , batia com as tenazes . - Aragog - chamou . - Aragog . E de o meio de a teia brumosa em forma de cúpula saiu muito lentamente uma aranha de o tamanho de um pequeno elefante . As costas e as pernas estavam cobertas de pêlo cinzento e , em a cabeça feia , munida de tenazes , estavam vários olhos , todos eles de um branco leitoso . Era cega . - O que foi ? - disse , batendo rapidamente com as tenazes uma em a outra . - Homens - respondeu a aranha que trouxera o Harry . - É o Hagrid ? - perguntou Aragog , aproximando se mais com os seus oito olhos leitosos a vaguear . - Estranhos - respondeu a aranha que trouxera o Ron . - Matem nos - disse Aragog , irritada . - Eu estava a dormir ... - Nós somos amigos de o Hagrid - gritou Harry . Parecia que o coração lhe saltava por a boca . Clic , clic , clic fizeram as tenazes de a aranha , em volta de a cova . Aragog parou . - O Hagrid nunca mandou homens a a nossa cova - disse lentamente . - O Hagrid está em perigo - explicou Harry , respirando muito depressa . - Foi por isso que eu vim . - Em perigo ? - repetiu a aranha idosa e pareceu a Harry sentir preocupação por detrás de as suas tenazes . - Mas porque vos mandou ele cá ? Harry pensou pôr se de pé mas achou melhor não arriscar . As pernas provavelmente não teriam força para o sustentar . Falou portanto de o chão , o mais calmamente que foi capaz . - Eles lá em a escola pensam que o Hagrid soltou qualquer coisa contra os estudantes . Mandaram o para Azkaban . Aragog bateu furiosamente com as tenazes e , em toda_a cova , o eco foi reproduzido por uma multidão de aranhas . Era uma espécie de aplauso com uma única diferença : os aplausos não costumavam fazer o Harry quase morrer de medo . - Mas isso foi há muitos anos - disse Aragog , maldisposta . - Há anos e anos . Lembro me muito bem . Foi por isso que o expulsaram de a escola . Eles pensaram que eu era o monstro que vive em aquilo a que eles chamam a Câmara_dos_Segredos . Pensaram que o Hagrid a tinha aberto para me libertar . - E tu ... não vieste de a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Harry que sentia a testa cheia de suores frios . - Eu - disse Aragog , batendo irritada com as tenazes - , eu não nasci em o castelo . Venho de uma terra distante . Um viajante ofereceu me a o Hagrid quando eu era ainda um ovo . Hagrid era um rapazinho mas tratou de mim , escondeu me em uma despensa dentro de o castelo e alimentava me com as migalhas que ficavam em as mesas . Hagrid é o meu bom amigo e um bom homem . Quando me encontraram e me culparam por a morte de uma rapariga , ele protegeu me . Desde_então , tenho vivido aqui em a floresta onde o Hagrid ainda vem visitar me . Ele até me arranjou uma esposa , Mosag , e estão a ver como a família cresceu , tudo graças a a bondade de o Hagrid ... Harry reuniu a coragem que lhe restava . - Então tu nunca atacaste ninguém ? - Nunca - resmungou a velha aranha . - Era esse o meu instinto , mas por respeito a Hagrid nunca fiz mal a nenhum humano . O corpo de a rapariga morta foi encontrado em uma casa_de_banho , ora eu nunca conheci mais do_que despensa de o castelo , onde cresci . Nós gostamos de o escuro de o silêncio . - Mas então ... sabes o que matou essa rapariga ? - perguntou Harry . - Porque seja o que for , está a atacar as pessoas outra_vez ... As suas palavras foram abafadas por uma audível explosão de tenazes a bater e por o ruge-ruge de muitas pernas longas , deslocando se iradas . Em volta de Harry começaram a mover se sombras escuras . - O que vive em o castelo - disse Aragog - é uma antiga criatura que nós , aranhas , tememos acima_de todas_as outras . Lembro me bem de o quanto insisti com Hagrid para que me deixasse sair de ali quando senti a criatura a andar por a escola . - O que é ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Mais tenazes a bater , mais pernas a moverem se . As aranhas pareciam estar a aproximar se . - Nós não falamos de isso - exclamou Aragog furiosa . - Não pronunciamos o seu nome . Eu nunca disse a o Hagrid o nome de a horrível criatura , apesar_de ele me ter perguntado vezes sem conta . Harry não quis insistir , principalmente com todas aquelas aranhas a aproximarem se de todos os lados . Aragog parecia ter se cansado de falar . Recuava lentamente para a teia em forma de cúpula , mas as companheiras continuavam a aproximar se ameaçadoramente de Harry e Ron . - Vamos embora , então - gritou Harry , desesperadamente a Aragog , enquanto ouvia as folhas secas a estalarem atrás_de si . - Embora ? - disse Aragog lentamente . - Não me parece ... - Mas , mas ... - Os meus filhos e filhas não fazem mal a o Hagrid por ordem minha . Mas não posso negar lhes carne fresca quando ela veio por vontade própria ter connosco . Adeus , amigo de o Hagrid . Harry deu meia volta . Poucos centímetros acima de ele , uma sólida parede de aranhas batia com as tenazes , os seus muitos olhos a brilharem em as horríveis caras pretas . Mesmo_que se servisse de a varinha , Harry sabia que não ia valer de nada . As aranhas eram demasiadas , mas quando tentava preparar se para morrer a lutar , ouviu se um som prolongado e um clarão de luz iluminou a cova . O carro de Mr._Weasley ribombava , descendo o declive , com os faróis acesos , a buzina a guinchar , afastando as aranhas . Muitas de elas ficaram voltadas ao_contrário com as várias pernas a agitar se em o ar . O carro buzinou com mais força em frente de Harry e Ron e as portas abriram se . - Agarra o Fang - gritou Harry , ajeitando se em o lugar de a frente . Ron agarrou o cão caçador de javalis e lançou o a ganir para o banco de trás . As portas fecharam se com estrondo . Ron não tocou em o acelerador mas o carro não precisou de isso . O motor fez se ouvir e levantaram voo , batendo em mais aranhas . Subiram o declive , saindo de a cova e pouco depois atravessavam a floresta , os ramos a baterem em os vidros enquanto o carro seguia habilmente através de os intervalos maiores , por um caminho que obviamente já conhecia . Harry olhou para o Ron , a o seu lado . Ele tinha ainda a boca aberta em o mesmo grito silencioso mas os olhos já não estavam salientes . - Estás bem ? Ron olhou em frente , incapaz de responder . Começavam a descer para terra firme com o Fang a soltar enormes ganidos em o banco de trás e Harry viu o espelho retrovisor saltar quando passaram rente a um enorme carvalho . Após dez minutos bastante ruidosos , as árvores começaram a ser mais finas e Harry pôde ver de_novo pedaços de o céu . O carro parou tão bruscamente que quase foram projectados por o vidro de a frente . Tinham chegado a a orla de a floresta . O Fang ia agitadíssimo a a janela e quando Harry abriu a porta , disparou a correr através de as árvores até a a casa de o Hagrid , de cauda entre as pernas . Harry saiu também e um minuto depois o Ron pareceu recuperar a força em os membros e seguiu o , ainda com um torcicolo e de olhos esbugalhados . Harry deu uma palmadinha de agradecimento a o carro antes de ele dar a volta e desaparecer em direcção a a floresta . Harry voltou a a cabana de o Hagrid para buscar o manto de a invisibilidade . O Fang tremia em o seu cesto , coberto por um cobertor . Quando saiu de_novo , viu o Ron a vomitar junto de as abóboras . - Sigam as aranhas - disse ele debilmente , limpando a boca a a manga . - Nunca vou perdoar a o Hagrid . É uma sorte ainda estarmos vivos . - Aposto que ele pensou que Aragog nunca faria mal a os seus amigos - justificou Harry . - Esse é justamente o problema de o Hagrid - interrompeu Ron , dando um soco em a parede de a cabana . - Ele acha sempre_que os monstros não são tão maus como os pintam e vê onde isso o levou , a uma cela em Azkaban - tremia agora descontroladamente . - Qual a ideia de ele a o mandar nos ali ? Gostava de saber o que é_que descobrimos . - Que o Hagrid nunca abriu a Câmara_dos_Segredos - disse Harry , lançando o manto sobre Ron e tocando lhe em o braço para o encorajar a andar . - Ele estava inocente . Ron resmungou em voz alta . Para ele , chocar Aragog em uma despensa não era propriamente estar inocente . Quando se aproximaram de o castelo , Harry esticou o manto para garantir que os pés de ambos ficavam cobertos . Em seguida , empurrou as portas de a frente que chiaram . Atravessaram com todo o cuidado o * hall * de entrada e subiram a escadaria de mármore , contendo a respiração em os corredores guardados por sentinelas atentos . Por fim , chegaram a a segurança de a sala de os Gryffindor onde o lume ardera até se transformar em brasas brilhantes . Tiraram o manto e subiram a escada serpenteante que os levava a o dormitório . Ron caiu em a cama sem sequer se despir mas Harry , apesar_de tudo , não tinha sono . Sentou se em a beirinha de a cama , pensando em todas_as coisas que Aragog dissera . A criatura que andava por o castelo , pensou , era uma espécie de monstro Voldemort , nem os outros monstros queriam pronunciar o seu nome . Mas ele e o Ron não estavam agora mais perto_de descobrir o que era nem como petrificava as suas vítimas . Se nem o Hagrid chegara a saber o que estava em a Câmara_dos_Segredos ... Harry balançou as pernas e atirou se para_cima de a cama . Encostado a as almofadas olhou a Lua que brilhava através de a janela de a torre . Não sabia que mais poderiam fazer . Só tinham encontrado portas fechadas . Riddle apanhara a pessoa errada . O herdeiro de Slytherin fugira e ninguém sabia se era a mesma pessoa ou uma outra que abrira , desta_vez , a Câmara_dos_Segredos . Não havia mais ninguém a quem fazer perguntas . Harry deitou se ainda a pensar em as palavras de Aragog . Estava a começar a ficar com sono quando aquilo que parecia ser uma última esperança lhe ocorreu , fazendo o sentar se muito direito em a cama . - Ron - sussurrou em o escuro . - Ron . Ron acordou com um ganido como os de o Fang . Olhou muito assustado em volta e viu o Harry . - Ron , a rapariga que morreu . Aragog contou nos que ela foi encontrada em uma casa_de_banho - disse , ignorando os roncos de o Neville em o outro canto de o quarto . - E se ela nunca tivesse saído de a casa_de_banho ? E se ainda lá estiver ? Ron esfregou os olhos , franzindo as sobrancelhas sob a luz de a Lua . E só então compreendeu . -- Não pensar que ... a Murta_Queixosa ? XVI_A_Câmara_dos_Segredos -- E estivemos nós tantas vezes em aquela casa_de_banho com ela apenas a três cubículos de distância - disse o Ron amargamente em o dia seguinte , a a mesa de o pequeno-almoço . - Podíamos ter lhe perguntado e agora ... Já fora bastante difícil procurar as aranhas . Escapar a os professores o tempo suficiente para ir até a a casa_de_banho de as raparigas , que ficava mesmo em frente de o lugar onde ocorrera o primeiro ataque , ia ser quase impossível . Mas alguma coisa aconteceu que fez com que a Câmara_dos_Segredos desaparecesse de os seus pensamentos pela_primeira_vez em várias semanas . A professora Mc_Gonagall comunicou lhes que os exames começariam a 1_de_Junho , uma semana depois . - Exames ? - gritou Seamus_Finnigan . - Nós mesmo_assim vamos ter exames ? Ouviu se um estrondo atrás de o Harry quando a varinha de o Neville_Longbottom lhe escapou de a mão , fazendo desaparecer uma de as pernas de a secretária . A professora Mc_Gonagall repô a com a sua varinha e voltou se com má cara para o Seamus . - Se temos a escola aberta em uma altura de estas é para vocês receberem instrução - disse com dureza . - Os exames terão lugar , portanto , como é costume e espero que todos vocês façam revisões até lá . Revisões . Não passara por a cabeça de o Harry que houvesse exames com o castelo em aquele estado . Houve uma série de murmúrios revoltados , o que fez com que a professora Mc_Gonagall ficasse ainda mais mal-humorada . - As instruções de o professor Dumbledore foram para manter a escola a funcionar o mais normalmente possível - disse . - E isso , não preciso de vos dizer , passa por uma avaliação de o quanto vocês aprenderam a o longo de este ano . Harry olhou para baixo , para o casal de coelhos brancos que ele deveria transformar em pantufas . Que tinha ele aprendido durante o ano ? Não era capaz de se lembrar de nada que fosse útil em um exame . Ron estava como_se tivessem acabado de lhe dizer que a partir de aquele momento tinha de ir viver para a floresta proibida . - Estás a ver me a ter exames com isto tudo ? - perguntou a o Harry enquanto pegava em a varinha que tinha começado a assobiar bastante alto . Três dias antes de o primeiro exame , a a hora de o pequeno almoço , a professora Mc_Gonagall fez outra comunicação . - Tenho boas notícias - disse , e o salão em_vez_de se calar , explodiu de contentamento . - Dumbledore vai regressar ! - gritaram várias pessoas cheias de alegria . - Apanharam o herdeiro de Slytherin - arriscou uma rapariga em a mesa de os Ravenclaw . - Temos outra_vez os jogos de Quidditch - bradou Wood , excitadíssimo . Quando a agitação passou , Mc_Gonagall disse : - A professora Sprout informou me que as mandrágoras estão finalmente prontas para serem cortadas . Hoje a a noite vamos poder reanimar as pessoas que foram petrificadas . Escusado será dizer que certamente uma de elas poderá revelar nos quem ou o que a atacou . Eu tenho esperança que este ano pavoroso acabe com a prisão de o culpado . Houve uma explosão de aplausos . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e não ficou nada surpreendido a o ver que Draco_Malfoy não aplaudia . O Ron , por outro lado , estava satisfeito como ninguém o via havia dias . - Não faz mal não termos perguntado a a Murta . A Hermione vai , com certeza , ter todas_as respostas quando acordarem . Vai também ficar fula quando souber que temos exames dentro_de três dias . Ela não pôde fazer revisões . Seria melhor deixarem a estar onde está até a o final de os exames . Nessa_altura , Ginny_Weasley veio sentar se junto de o Ron . Parecia nervosa e tensa e Harry reparou que torcia as mãos em o colo . - O que se passa ? - perguntou o Ron , servindo se de mais papa de aveia . Ginny não disse nada mas olhou para um lado e para o outro de a mesa de os Gryffindor , com um olhar assustado que lembrou a Harry alguém que não sabia bem quem era . - Vá lá , vomita - disse o Ron , olhando para ela . Harry percebeu subitamente quem a Ginny lhe lembrara . Ela balançava se ligeiramente para a frente e para trás em a cadeira , exactamente como o Dobby fazia quando estava hesitante , à_beira_de revelar uma informação proibida . - Tenho de te dizer uma coisa - balbuciou a Ginny receosa , sem olhar para Harry . - O que é ? - perguntou ele . Ginny parecia incapaz de encontrar as palavras certas . - O quê ? - insistiu Ron . Ginny abriu a boca mas não saiu nenhum som . Harry inclinou se para a frente e falou devagar para que só ela e Ron pudessem ouvi o . - É alguma coisa relacionada com a Câmara_dos_Segredos ? Viste alguma coisa ou alguém a agir de forma estranha ? Ginny respirou fundo e , em esse preciso momento , apareceu Percy_Weasley com um ar pálido e cansado . - Se já acabaste de comer eu fico com esse lugar , Ginny . Estou cheio de fome . Acabei agora o meu trabalho de patrulhamento . Ginny deu um salto como_se a cadeira tivesse acabado de ser electrificada , lançou a o Percy um olhar assustado e zarpou . Percy sentou se e tirou uma caneca de o meio de a mesa . -- Percy - disse o Ron aborrecido . - Ela ia agora mesmo contar nos uma coisa importante . A meio de um gole de chá , Percy estremeceu . - Que coisa ? - perguntou , tossindo . - Eu quis saber se ela tinha visto alguma coisa estranha e ela ia dizer ... - Ah ! isso ... não tem nada que ver com a Câmara_dos_Segredos - disse o Percy de imediato . - Como sabes ? - indagou o Ron , erguendo as sobrancelhas . - Bem ... er ... já_que perguntam , a Ginny ... er ... passou por mim em outro dia quando eu ... er ... não foi nada , o importante é_que ela viu me fazer uma coisa e eu ... um ... pedi lhe para não comentar com ninguém . Não pensei que ela cumprisse a palavra , verdade se diga . Não é nada importante , eu só ... Harry nunca vira o Percy tão pouco a a vontade . - O que estavas a fazer , Percy ? - riu se o Ron . - Vá lá , conta que nós não nos rimos . Percy ficou sério . - Passa me esses pãezinhos , Harry , estou cheio de fome . Harry sabia que todo o mistério poderia ser desvendado em o dia seguinte sem a ajuda de eles mas não ia deixar de falar com a Murta_Queixosa se a oportunidade surgisse . E , para sua grande satisfação , ela surgiu a meio de a manhã quando eram conduzidos a a aula de História_da_Magia_por_Gilderoy_Lockhart . Lockhart , que tantas vezes lhes assegurara que o perigo tinha passado , estava agora totalmente convencido de que acompanhar os alunos em os corredores era um trabalho inútil . O seu cabelo estava mais liso do_que de costume . Parecia ter passado toda_a noite acordado a vigiar o quarto andar . - Podem escrever o que eu digo - afirmou , acompanhando os até uma esquina . - As primeiras palavras que vão sair de a boca de aquelas pobres pessoas petrificadas serão - * _ Foi_o_Hagrid * . Francamente , estou espantado por a professora Mc_Gonagall considerar ainda necessárias estas medidas de segurança . - Concordo , professor - disse Harry , fazendo com que Ron , surpreendido , deixasse cair os livros a o chão . - Obrigado , Harry - disse Lockhart amavelmente , enquanto deixavam passar uma grande fila de Hufflepuffs . - verdade é_que os professores já têm bastante que fazer para andarem também a acompanhar os alunos a as aulas e a guardar os corredores a a noite ... - É verdade - disse o Ron , percebendo a ideia . - Porque não nos deixa aqui , professor , só falta mais um corredor . - Sabes , Weasley , sou mesmo capaz de fazer isso - disse Lockhart . - Preciso de preparar a minha próxima aula . E apressou se a seguir o seu caminho . - Preparar a aula - zombou o Ron . - Vai encaracolar o cabelo , é o mais certo . Deixaram os restantes Gryffindor passar lhes a a frente e por fim cortaram caminho em um corredor lateral e dirigiram se a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mas quando estavam a congratular se por o seu esquema brilhante ... - Potter , Weasley ! Que estão vocês a fazer aqui ? Era a professora Mc_Gonagall e a boca de ela estava mais fina do_que nunca . - Nós estávamos , estávamos - gaguejou o Ron . - Nós íamos ver , íamos ver ... - Hermione - completou Harry . A professora Mc_Gonagall e Ron olharam para ele . - Não a vemos há séculos , professora - prosseguiu Harry , pisando o pé a o Ron . - E pensamos ir espreitá a a a ala hospitalar e dizer lhe que as mandrágoras estão quase prontas , para ela não se preocupar . A professora Mc_Gonagall estava ainda a olhar para ele e , por um momento , Harry pensou que ela ia explodir mas , quando falou , fê lo em um tom de voz estranhamente rouco . - É claro - disse . E Harry , espantado , viu uma lágrima a brilhar lhe em o canto de um de os olhos . - É claro . Eu compreendo que tudo_isto tem sido muito duro para os amigos de aqueles que foram ... eu compreendo , sim , Potter . Podem ir visitar Miss_Granger . Eu mesma informarei o professor Binns de que vocês estão em o hospital . Digam a Madam_Pomfrey que vos dei autorização . Harry e Ron afastaram se , quase sem acreditar que tinham escapado a um castigo . Quando voltaram em uma esquina ouviram nitidamente a professora Mc_Gonagall a assoar se . - Esta - disse o Ron entusiasmado - foi a melhor história que tu alguma vez inventaste . Não tinham outro remédio senão ir a a ala hospitalar e dizer a Madam_Pomfrey que tinham autorização de a professora Mc_Gonagall para visitar Hermione . Madam_Pomfrey deixou os entrar com alguma relutância . - Não vale a pena falar com uma pessoa petrificada - disse , e ambos tiveram que admitir que ela tinha razão quando se sentaram junto de Hermione e constataram que ela não tinha a menor noção de estar acompanhada . Dizer lhe que não se preocupasse ou falar com o armário que estava a o lado de a cama era exactamente a mesma coisa . - Será que ela viu quem a atacou ? - perguntou o Ron , olhando com tristeza para o rosto rígido de Hermione . - Porque se a coisa saltou sobre eles , ficaremos todos sem saber de nada . Mas Harry não olhava para o rosto de Hermione . Estava mais interessado em a sua mão direita que se encontrava pousada sobre os cobertores e , inclinando se para ela , viu que tinha , fechado entre os dedos , um pedaço de papel . Assegurando se de que Madam_Pomfrey não dava por nada , fez sinal a o Ron . - Tenta tirá o - murmurou ele , colocando a cadeira de_modo_a que Madam_Pomfrey não pudesse ver o Harry . Não foi tarefa fácil . A mão de a Hermione estava fechada com uma força tal que Harry receou parti a . Enquanto Ron vigiava , ele forçou e torceu até que , por fim , depois de vários minutos bastante tensos , conseguiu tirar o papel . Era uma página retirada de um livro muito antigo de a biblioteca . Harry alisou a ansiosamente e Ron inclinou se para poder lês a também . * _ De todos os monstros assustadores que pairam a a face de a Terra , nenhum é tão curioso nem tão fatal como o Basilisk , também conhecido por o rei de as serpentes . Esta cobra que pode atingir proporções gigantescas e viver durante muitas centenas de anos nasce de um ovo de galinha que é chocado por um sapo . As suas formas de matar são pavorosas pois além de os dentes venenosos e mortais , o Basilisk tem um olhar criminoso e todos aqueles que ele fixa com os olhos tem morte instantânea . As aranhas fogem a sete pés de o Basilisk que é seu inimigo mortal , e o Basilisk foge apenas de o canto de o galo que para ele é fatal * . Por debaixo de isto uma única palavra fora escrita , em a letra que Harry reconheceu como sendo de Hermione : Canos . Foi como_se se tivesse acendido uma luz em o seu espírito . - Ron - murmurou - é isso . Está aqui a resposta . O monstro de a Câmara_dos_Segredos é um Basilisk , uma serpente gigante . Por isso , só eu tenho ouvido a sua voz em todos os lugares , porque eu compreendo * serpentês * ... Harry olhou para as camas em volta . - O Basilisk mata as pessoas fixando as com o olhar mas ninguém morreu , o que quer_dizer que ninguém o olhou directamente em os olhos . Colin viu o através de a lente de a máquina fotográfica e o Basilisk queimou o rolo que estava lá dentro mas o Colin ficou apenas petrificado . O Justin ... o Justin deve ter visto o Basilisk através de o Nick quase sem cabeça . O Nick é_que levou com o olhar mas não podia morrer outra_vez ... e perto de a Hermione e de a prefeita de os Ravenclaw foi encontrado um espelho . Hermione acabara de compreender que o monstro era um Basilisk . Aposto que preveniu a primeira pessoa que encontrou de que era melhor olhar por um espelho a o virar de cada esquina . E aquela rapariga puxou de o seu espelho e ... O Ron estava de queixo caído . - E Mrs._Norris ? - perguntou vivamente . Harry pensou um_pouco , tentando imaginar a cena em a noite de o Halloween . - A água . . . - disse lentamente . - A poça de água que saiu de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Aposto que Mrs._Norris só viu o reflexo de o monstro . Examinou a folha de papel que tinha em a mão . Quanto_mais olhava mais sentido faziam as coisas . - * _ O cantar de o galo é fatal para ele * - leu em voz alta . - Os galos de o Hagrid foram mortos . O herdeiro de Slytherin não queria um único galo perto de o castelo , com a câmara aberta . * _ As aranhas são as primeiras a fugir * . Tudo encaixa . - Mas , como tem o Basilisk andado por aí ? - disse o Ron . - Uma serpente horrível e enorme ... alguém a teria visto . Mas Harry apontou para a palavra que Hermione escrevinhara em o final de a página . - Canos - disse . - Canos ... Ron , ele tem usado a canalização . Eu ouvi sempre a voz dentro de as paredes ... Ron agarrou subitamente o braço de o Harry . - A entrada para a Câmara_dos_Segredos - disse em uma voz rouca . - E se for em uma casa_de_banho ? Se for em a ... - Em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa - completou Harry . Sentaram se , tomados de uma excitação enorme , mal querendo acreditar . - Isso significa que - disse o Harry - eu não posso ser o único em a escola a falar * serpentês * . Há também o herdeiro de Slytherin . É de esse modo que tem controlado o Basilisk . - O que vamos fazer ? - perguntou Ron com os olhos a faiscar . - Vamos falar com a Mc_Gonagall ? - Vamos até a a sala de os professores - disse Harry , dando um salto . - Ela estará lá dentro_de dez minutos , está quase em o intervalo . Desceram a escada a correr . Não querendo ser descobertos outra_vez a vaguear por os corredores foram directamente até a a sala de os professores que estava deserta . Era uma divisão ampla , toda forrada , com cadeiras de madeira escura . Harry e Ron passearam de um lado para o outro , demasiado nervosos para se sentarem . Mas a campainha anunciando o intervalo nunca mais tocava . Em vez de isso , ecoando em os corredores , ouviram a voz de a professora Mc_Gonagall incrivelmente ampliada . - * _ Todos os alunos devem regressar de imediato a os seus dormitórios . Todos os professores a a sala de professores . Imediatamente , por favor * . Harry deu meia volta e olhou para o Ron . - Não me digas que houve um novo ataque , não agora ! - Que vamos fazer ? - disse o Ron aterrado . - Voltar para o dormitório ? - Não - disse Harry , olhando e m volta . Havia uma espécie de armário a a sua esquerda cheio com os mantos de os professores . - Ali . Vamos ouvir o que se passa . A seguir poderemos contar lhes o que descobrimos . Esconderam se dentro de o armário , ouvindo a algazarra de centenas de pessoas e a porta de a sala de professores a abrir se . De o meio de a confusão de mantos bafientos , viram os professores encherem a sala . Alguns tinham um ar totalmente confuso , outros pareciam apavorados . Por fim , chegou a professora Mc_Gonagall . - Aconteceu - disse em o silêncio de a sala de professores . - O monstro levou uma aluna . Levou a mesmo para a câmara . O professor Flitwick soltou um grito agudo . A professora Sprout bateu com a mão em a boca . Snape agarrou com força as costas de uma cadeira e perguntou : - Como pode ter tanta certeza ? - O herdeiro de Slytherin - disse a professora Mc_Gonagall , muito pálida . - Deixou outra mensagem . Mesmo por baixo de a primeira : « * _ O esqueleto de ela ficará para sempre em a Câmara_dos_Segredos * . » O professor Flitwick desatou a chorar . - Quem é ela ? - quis saber Madam_Hooch que se afundara em uma cadeira . - Quem é a aluna ? - Ginny_Weasley - disse a professora Mc_Gonagall . Harry viu o Ron , a o seu lado , escorregar silenciosamente até a o chão de o armário . - Vamos ter que mandar todos os alunos embora amanhã - disse a professora Mc_Gonagall . Isto_é o fim de Hogwarts , Dumbledore sempre disse ... A porta de a sala de os professores voltou a abrir se . Por um breve momento , Harry pensou que fosse Dumbledore mas era Lockhart e vinha todo sorridente . - Peço desculpa , adormeci . Perdi alguma coisa ? Não pareceu reparar que os outros professores o olhavam com uma espécie de aversão . Snape deu um passo em frente . - O homem que faltava - disse . - O homem certo . O monstro raptou uma garota , Lockhart levou a para a Câmara_dos_Segredos . O seu momento chegou . - Isso mesmo , Lockhart - acrescentou a professora Sprout . - Não estavas a dizer ontem a a noite que sempre tinhas sabido onde era a entrada para a Câmara_dos_Segredos ? - Eu ... bem ... eu-disse atabalhoadamente Lockhart . - Sim , não me disseste que sabias exactamente o que estava lá dentro ? - disse com voz esganiçada o professor Flitwick . - Eu disse ? Não me lembro ... - Lembro me perfeitamente de o ouvir dizer que lamentava não ter feito uma tentativa com o monstro antes de o Hagrid ser preso - disse Snape . - Não disse que toda_a história tinha sido uma atrapalhação e que deveriam ter lhe dado carta branca desde o princípio ? Lockhart olhou em volta para a cara de espanto de os colegas . - Eu ... nunca ... eu de facto ... deve ter me compreendido mal . - Então vamos deixar te , Gilderoy - disse a professora Mc_Gonagall . - Esta noite será uma excelente oportunidade para actuares . Nós trataremos de assegurar que ninguém te atrapalha . Vais poder enfrentar o monstro sozinho . Finalmente tens carta branca . Lockhart olhou desesperado a a sua volta mas ninguém foi salvá o . Já não estava bem-parecido . O lábio tremia lhe e a ausência de o seu habitual sorriso de dentes brancos dava lhe um ar escanzelado . - M-muito bem - disse . - Vou até a o meu escritório para ... para me preparar . E saiu de a sala . - _ óptimo - exclamou a professora Mc_Gonagall com as narinas dilatadas . - Isto deve afastá o de o nosso caminho . Os chefes de casa devem ir agora comunicar a os respectivos alunos o que se passou e informá os de que o Expresso_de_Hogwarts os levará a casa amanhã de manhã . Os restantes certifiquem se , por favor , de que não há alunos fora de os dormitórios . Os professores levantaram se e saíram um a um . Foi talvez o dia pior de a vida de o Harry . Ele , Ron , Fred e George sentaram se juntos a um canto em a sala comum de os Gryffindor , incapazes de proferir uma palavra . Percy não estava lá . Tinha ido tratar de enviar uma coruja a Mr. e Mrs._Weasley e , em seguida , fechara se em o dormitório . Nunca uma tarde custara tanto a passar e nunca a torre de os Gryfffindor estivera tão cheia de gente e tão silenciosa . Fred e George foram para a cama quase a o pôr de o Sol , incapazes de ficar ali mais tempo . - Ela sabia qualquer coisa , Harry - disse o Ron , falando pela_primeira_vez desde_que tinham saído de o armário de a sala de os professores . - Por isso a levaram . Não era nenhuma parvoíce sobre o Percy , ela tinha descoberto qualquer coisa sobre a Câmara_dos_Segredos . Com certeza por isso é_que a ... - Ron esfregou os olhos , enervadíssimo . - Afinal ela era sangue puro , não pode haver outra explicação . Harry olhava para o sol que mergulhava de um vermelho cor de sangue em a linha de o horizonte . Era a pior coisa que lhe tinha acontecido . Se pelo_menos pudessem fazer alguma coisa . - Harry - disse o Ron . - Achas que há alguma possibilidade de ela não estar ... ? Sabes o que eu quero dizer . Harry não sabia que resposta dar . Não acreditava que a Ginny pudesse ainda estar viva . - Sabes uma coisa ? - disse o Ron . - Acho que devíamos ir ter com o Lockhart , contar lhe o que sabemos . Ele vai tentar entrar em a câmara , podemos dizer lhe onde achamos que fica a entrada e contar lhe que o monstro é um Basilisk . Como Harry não tinha nenhuma ideia melhor e como queria fazer alguma coisa , concordou . Os Gryffindor que os rodeavam estavam tão tristes e com tanta pena de os Weasley que ninguém tentou impedi os quando os viram levantar se , atravessar a sala e sair por o buraco de o retrato . A escuridão começava a instalar se quando chegaram a o escritório de Lockhart onde a actividade era muita . De o corredor ouvia se o ruído de coisas a serem deitadas fora , pancadas surdas e passos apressados . Harry bateu a a porta e houve um silêncio repentino . Em seguida abriu se uma fresta de a porta e viram um de os olhos de Lockhart a espreitar . - Oh ! ... Mr._Potter ... Mr._Weasley - disse entreabrindo a porta . - Estou um_pouco ocupado em este momento , se forem rápidos ... - Professor , nós temos informações para lhe dar - disse o Harry . - Acho que poderão ajudá o . - Er ... bem ... não é - o lado de a cara de Lockhart que conseguiam ver parecia muito pouco a a vontade . - Quer_dizer ... bem ... está bem . Abriu a porta e eles entraram . O escritório estava praticamente vazio . Em o chão estavam duas grandes malas abertas . Mantos verde-jade , lilás , azul-noite tinham sido apressadamente dobrados e guardados dentro_de uma de as malas . Os livros misturavam se todos dentro de a outra . As fotografias que antes cobriam as paredes estavam agora arrumadas em caixas , em cima de a secretária . - Vai a algum lado ? - perguntou Harry . - Er ... bem ... sim - disse Lockhart , arrancando de a porta um poster seu em tamanho natural , enquanto falava , e começando a enrolá o . - Uma chamada urgente ... inevitável ... tenho que ir . - E a minha irmã ? - perguntou o Ron bruscamente . - Bem , quanto_a isso foi uma pena - disse Lockhart , evitando olhá os em os olhos , abrindo uma gaveta e começando a despejar o seu conteúdo dentro_de um saco . - Ninguém lamenta mais do_que eu ... - O senhor é o professor de Defesa contra as artes negras - disse Harry . - Não pode ir se embora agora_que todas estas coisas de magia negra estão a acontecer aqui . - Bem , devo dizer te que ... quando aceitei o lugar ... - resmungou Lockhart , empilhando soquetes sobre os mantos - nada em a descrição de o meu trabalho fazia prever ... - Quer_dizer que vai fugir ? - perguntou Harry , incrédulo . - Depois de todas_as coisas que conta em os seus livros ? - Os livros podem ser enganadores - disse Lockhart delicadamente . - Mas foi o senhor que os escreveu - gritou Harry . - Meu rapaz - disse Lockhart , endireitando se e franzindo as sobrancelhas - usa o senso comum . Os meus livros não teriam vendido metade do_que venderam se as pessoas não acreditassem que eu tinha feito todas aquelas coisas . Ninguém está interessado em ler sobre um velho feiticeiro americano mesmo_que ele tenha salvo uma cidade inteira de os lobisomens , ficaria péssimo em a capa . E a bruxa que correu com a fada carpideira tinha um lábio leporino . Como vês . - Quer_dizer que ficou com os louros por tudo_o_que uma série de outras pessoas fizeram ? - perguntou Harry , sem querer acreditar . - Harry , Harry - disse Lockhart , abanando impacientemente a cabeça . - Não é tão simples assim . Envolveu muito trabalho . Tive de localizar todas essas pessoas , perguntar lhes em pormenor como tinham feito as coisas . Depois tive de lhes fazer um feitiço antimemória para que não voltassem a lembrar se do_que tinham feito . Se há uma coisa de que me orgulho é de os meus feitiços antimemória . Não , tive muito trabalho , Harry . Não foram só as sessões de autógrafos e as fotografias , sabes ? Quem quer ser famoso tem de estar preparado para um trabalho longo e fatigante . Fechou as malas a a chave . - Vejamos - disse . - Acho que está tudo . Sim , só falta uma coisa . - Empunhou a varinha e voltou se para eles . - Lamento muito , rapazes , mas vou ter de vos fazer um feitiço antimemória . Não posso deixar que vão por aí repetir os meus segredos . Não venderia nem mais um livro . Harry pegou em a varinha mesmo a tempo e Lockhart mal tinha levantado a de ele a o ar quando Harry gritou * _ Expelliarmus ! * Lockhart foi projectado de costas , indo cair em cima de a mala . A varinha voou por os ares . Ron agarrou a e atirou a por a janela aberta . - Não devia ter deixado o professor Snape ensinar nos esta - disse Harry furioso , dando um pontapé a uma de as malas . Lockhart olhava para ele , de_novo escanzelado . Harry apontava lhe a varinha . - O que queres que eu faça ? - perguntou debilmente . - Eu não sei onde fica a Câmara_dos_Segredos . Não posso fazer nada . - Está com sorte - disse Harry , forçando o com a varinha a pôr se de pé . - Nós julgamos saber onde é e o que está lá dentro . Vamos . Conduziram Lockhart para fora de o seu escritório , desceram com ele as escadas e seguiram por o corredor escuro em cuja parede brilhavam as mensagens , até a a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mandaram Lockhart a a frente . Harry gostou de ver que todo ele tremia . A Murta_Queixosa estava sentada em a cisterna de o cubículo de o fundo . - Ah ! são vocês - disse a o ver o Harry . - O que querem agora ? - Perguntar te como morreste - disse Harry . O aspecto de a Murta mudou por completo . Parecia que nunca lhe tinham feito uma pergunta tão lisonjeira . - Ooooh ! Foi horrível - disse satisfeita . - Aconteceu aqui mesmo . Morri em este cubículo . Lembro me tão bem . Estava escondida porque a Olive_Hornby andava a implicar comigo por causa de os meus óculos . A porta estava fechada e eu estava a chorar e , então , ouvi alguém entrar . Disseram qualquer coisa estranha em uma língua diferente , acho eu . Mas o que mais me espantou foi o ser um rapaz a falar . Por isso , abri a porta para lhe dizer que fosse a a casa_de_banho de eles e em esse momento - a Murta inchou com ar importante , o rosto a brilhar - morri . - Como ? - perguntou Harry . - Não faço ideia - disse a Murta em um tom de voz abafado . - Só me lembro de ver dois grandes olhos amarelos , de o meu corpo ficar preso e em seguida , sentir me a flutuar ... - olhou sonhadoramente para Harry . - E depois voltei . Estava disposta a vingar me de a Olive_Hornby , percebes ? Ela ia arrepender se de ter gozado com os meus óculos . - Onde foi exactamente que viste os tais olhos ? - perguntou Harry . - Algures por aí - disse a Murta , apontando vagamente para o lavatório em frente de o seu cubículo . Harry e Ron apressaram se . Lockhart estava de pé , mais atrás , com uma expressão de pavor em o rosto . O lavatório parecia perfeitamente vulgar . Examinaram o centímetro a centímetro , dentro e fora , incluindo os canos por baixo . E foi então que Harry reparou : de lado , rabiscada em uma de as torneiras de cobre , estava uma cobra pequenina . - Essa torneira nunca funcionou - disse vivamente a Murta enquanto ele tentava abri a . - Harry - sugeriu o Ron . - Diz qualquer coisa em * serpentês * . Mas , pensou Harry , as únicas vezes que conseguira falar * serpentês * tinham ocorrido quando confrontado com uma verdadeira serpente . Olhou , concentrado para a pequena cobra gravada em o cobre , tentando imaginá a como verdadeira . - Abre te - disse . Olhou para o Ron que abanou a cabeça . - Inglês - disse ele . Harry voltou a olhar para a cobra , forçando se a acreditar que estava viva . A luz de a vela fez parecer que se movia . - Abre te - repetiu . Mas desta_vez as palavras não foram o que ele ouviu . Um estranho sibilar escapou lhe de a boca e a torneira ganhou uma luz branca e brilhante e começou a rodar . Logo_a_seguir o lavatório mexeu se . Afastou se , melhor dizendo , saiu de o caminho , deixando um grande cano a a vista , um cano onde cabia um homem . Harry ouviu a respiração arquejante de o Ron e olhou de_novo para ele . Já decidira o que queria fazer . - Vou descer - disse . Não podia deixar de ir , agora_que acabavam de descobrir a entrada para a câmara , existindo uma possibilidade , por mais remota que fosse , de a Ginny ainda estar viva . - Eu também - disse o Ron . Houve uma pausa . - Bem , parece que não precisam mais de mim - apressou se Lockhart a dizer com uma réstia de sorriso . - Eu vou . . . Pôs a mão em o puxador de a porta mas Ron e Harry apontaram lhe ambos as varinhas . -- O senhor pode ir a a frente - disse rispidamente o Ron . Pálido e sem varinha , Lockhart aproximou se de a entrada . - Meus rapazes - disse em uma voz débil . - Meus rapazes , para quê tudo_isto ? Harry tocou lhe em as costas com a varinha e ele meteu as pernas em o cano . - Eu não me parece que ... - começou a dizer , mas o Ron deu lhe um empurrão e ele desapareceu por o cano abaixo . Harry foi rapidamente atrás . Introduziu se lentamente e deixou se cair . Era como escorregar em uma pista escura e interminável . Ele via outros canos , estendendo se em todas_as direcções mas nenhum tão largo como o de eles que se torcia e virava , inclinando se abruptamente . Harry sabia que estavam a chegar a um ponto muito abaixo de a escola e de os calabouços . Atrás_de si , ouvia o Ron gemendo em cada curva . E então , quando começava a preocupar se com o que iria acontecer quando tocassem em o chão , o cano tornou se horizontal e ele foi projectado com um ruído surdo , indo aterrar em o chão húmido de um túnel de pedra com altura suficiente para ele se pôr de pé . Lockhart estava a levantar se a alguma distancia , todo enlameado e pálido como um fantasma . Harry afastou se para deixar o Ron sair também de o cano . - Devemos estar quilómetros e quilómetros abaixo de a escola - disse o Harry cuja voz ecoou em o túnel negro . - Talvez até debaixo de o lago - arriscou o Ron , olhando em volta para as paredes escuras e viscosas . Voltaram se os três para olhar para a escuridão lá a o fundo . - * _ Lumus ! * - murmurou Harry a a varinha e ela voltou a acender se . - Vamos - disse a o Ron e a o Lockhart e avançaram , os passos a chapinharem ruidosamente em o chão molhado . O túnel era tão escuro que só conseguiam ver alguns centímetros a a frente . As suas sombras em as paredes molhadas pareciam monstruosas a a luz de a varinha . - Lembrem se - disse Harry baixinho enquanto caminhavam . - A o menor movimento fechem logo os olhos ... Mas o túnel era silencioso como um túmulo e o primeiro som inesperado que ouviram foi um grito de o Ron que escorregou em uma coisa que era afinal a cauda de um rato . Harry baixou a varinha para olhar para o chão e viu que estava cheio de pequenos ossos de animais . Fazendo um enorme esforço para evitar pensar em que estado iriam encontrar a Ginny , avançou até uma curva escura de o túnel . - Harry , está aqui qualquer coisa - disse o Ron com voz rouca , agarrando Harry por o ombro . Ficaram estáticos a olhar . Harry só conseguia ver a silhueta de algo enorme e curvo deitado em o túnel . Fosse o que fosse não se movia . - Talvez esteja a dormir - murmurou , olhando para os outros dois . Lockhart tapava os olhos com as mãos . Harry voltou se para olhar para a criatura com o coração a bater tanto que lhe doía em o peito . Lentamente , com os olhos quase fechados mas ainda conseguindo ver , Harry avançou com a varinha levantada . A luz deslizou sobre uma gigantesca pele de serpente , de um verde vivo e venenoso que estava vazia e enrolada em o chão de o túnel . A criatura que a abandonara devia ter , pelo_menos , seis metros e meio de comprimento . - Bolas - disse o Ron , perdendo as forças . Houve um movimento súbito atrás de eles . As pernas de Gilderoy_Lockhart cederam . - Levante se - disse o Ron de uma forma cortante , apontando lhe a varinha . Lockhart pôs se de pé . Em seguida empurrou o Ron , atirando o a o chão . Harry deu um salto , mas ... tarde de mais . Lockhart endireitava se com a varinha de o Ron em as mãos e um sorriso em o rosto . - A aventura acaba aqui , rapazes - disse . - Vou levar um bocado de esta pele de cobra para a escola , contar lhes que foi demasiado tarde para salvar a garota e que vocês os dois perderam tragicamente a memória com a visão de o seu corpinho mutilado . Digam adeus a as vossas recordações . Levantou a o ar a varinha avariada de o Ron e gritou * _ Obliviate ! * A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba . Harry pôs os braços sobre a cabeça e correu , escorregou em os anéis de a pele de cobra , afastando se de os grandes pedaços de tecto de o túnel que caíam em o chão com o ruído de trovões . Pouco depois estava sozinho , olhando para uma sólida parede de rocha partida . - Ron - gritou ele . - Estás bem , Ron ? - Estou aqui - respondeu a voz abafada de o Ron por detrás de a avalancha de rochas . - Eu estou bem mas este sujeito não . A varinha avariou o todo . Ouviu se um ruído surdo e um Oh ! gritado . Parecia que o Ron tinha acabado de dar a o Lockhart um pontapé em as canelas . - E agora ? - disse a voz de o Ron que parecia desesperada . - Não podemos passar , vai demorar séculos . Harry olhou para o tecto de o túnel onde tinham aparecido grandes fendas . Ele nunca tentara partir , através de a magia , nada tão grande como aquelas rochas e agora não lhe parecia ser o melhor momento para fazer experiências . E se o túnel abatesse ? Houve um ruído surdo e outro Oh ! atrás de as rochas . Estavam a perder tempo . A Ginny já estava havia duas horas em a Câmara_dos_Segredos . Harry sabia que só havia uma coisa a fazer . - Espera aqui - gritou a o Ron . - Fica com o Lockhart , eu vou lá . Se não voltar dentro_de uma hora ... Houve um silêncio cheio . - Eu vou ver se desloco um_pouco esta rocha - disse o Ron , tentando manter a voz firme . - Para tu poderes passar . E , Harry ... - Até já - disse o Harry , procurando injectar confiança em a sua voz trémula . E passou sozinho para lá de a imensa pele de serpente . Em_breve , o ruído de o Ron , tentando deslocar a rocha , deixou de se ouvir . O túnel virou uma e outra_vez . Os nervos de o corpo de o Harry tangiam de forma desagradável . Ele só queria que o túnel chegasse a o fim , fosse o que fosse que o aguardasse . E então , finalmente , quando atingiu a última curva , viu em a sua frente uma parede sólida que tinha gravadas duas serpentes enroladas uma em a outra , cujos olhos eram quatro esmeraldas , enormes e brilhantes . Harry aproximou se com a garganta seca . Não foi preciso imaginar que as serpentes eram autênticas . Os seus olhos pareciam estranhamente vivos . Foi fácil descobrir o que tinha de fazer . Pigarreou e os olhos de esmeraldas pareceram mexer se . - Abre te - disse Harry em um sibilar baixo . As serpentes desapareceram enquanto a parede se abria a o meio e , a tremer de os pés a a cabeça , Harry entrou . XVII_Herdeiro_de_Slytherin_Estava de pé em o fundo de uma divisão enorme , fracamente iluminada . Altíssimos pilares de pedra , cheios de serpentes gravadas que os enlaçavam , erguiam se , suportando um tecto que se perdia em a escuridão e que lançava sombras negras imensas através de a estranha luz esverdeada que enchia o local . Com o coração a bater descompassadamente , Harry ficou parado a ouvir aquele silêncio arrepiante . Estaria o Basilisk escondido em um canto cheio de sombras , atrás_de algum pilar ? E onde estaria Ginny ? Pegou em a varinha e avançou a o longo de as colunas serpenteantes . Cada_um de os seus passos provocava um enorme eco em as paredes sombrias . Harry tinha os olhos semicerrados e estava pronto para os fechar a o mais pequeno movimento . As órbitas de olhos fundos de as serpentes de pedra pareciam segui o . Por mais de uma_vez , com o estômago a dar um salto , Harry julgou vê os moverem se . Por fim , chegado a o nível de os dois últimos pilares , avistou uma estátua de a altura de a própria câmara que estava encostada a a parede de o fundo . Harry tinha de esticar o pescoço para olhar para_cima , para a cara de o gigante : era velho e com um ar simiesco , tinha uma barba enorme que lhe caía quase onde acabava a longa túnica de pedra . Os dois pés imensos e cinzentos pousavam em o chão de a câmara . E entre eles , voltada para baixo , estava uma figura pequenina vestida de preto com um cabelo flamejante . - Ginny - murmurou Harry , chegando perto de ela e ajoelhando se . - Ginny , por favor não estejas morta , não estejas morta ! Atirou a varinha para o lado , agarrou Ginny por os ombros e voltou a . O rosto de ela estava branco e frio como o mármore , contudo os olhos encontravam se fechados , portanto não estava petrificada . Mas então devia estar ... - Ginny , acorda por favor - repetiu Harry desesperado , sacudindo a . A cabeça de ela andava de um lado para o outro . - Ela não vai acordar - disse secamente uma voz . Harry deu um salto e girou sobre os joelhos . Um rapaz alto , de cabelo preto , estava encostado a o pilar mais próximo , a observá o . As sombras desfocavam o como_se Harry o visse através_de uma janela embaciada . Mas não havia como confundis o . - Tom , Tom_Riddle ? Riddle acenou , sem tirar os olhos de o rosto de Harry . - O que queres dizer com isso de ela não acordar ? - perguntou Harry desesperado . - Ela não está ... não está ? - Está viva - disse Riddle . - Mas , por um fio . Harry olhou fixamente para ele . Tom_Riddle estivera em Hogwarts há cinquenta anos atrás . Contudo , ali estava com uma luz estranha e desfocada a iluminá o , sem um dia a mais do_que os seus dezasseis anos . - És um fantasma ? - perguntou Harry . - Uma memória - disse Riddle . - Preservada em um diário durante cinquenta anos . Apontou para os pés de a estátua gigantesca . Ali , aberto em o chão , estava o pequeno diário de capa preta que Harry tinha encontrado em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Durante um segundo , Harry perguntou a si próprio como teria ido ali parar , mas havia coisas mais importantes a fazer . Preciso de a tua ajuda , Tom - disse Harry , levantando de_novo a cabeça de a Ginny . - Temos de sair de aqui . Há_um_Basilisk ... não sei onde está mas pode aparecer a qualquer momento . Por favor , ajuda me . Riddle não se mexeu . Harry , a transpirar , conseguiu levantar ligeiramente a Ginny de o solo e inclinou se para pegar em a varinha mas ela tinha desaparecido . - Viste a ... ? Olhou para_cima . Riddle continuava a olhá o , fazendo girar a varinha entre os dedos longos . - Obrigado - disse Harry , esticando o braço para a agarrar . Um sorriso surgiu então em os cantos de a boca de Riddle que continuou a olhar para ele , girando indolentemente a varinha . - Ouve , pá - disse Harry sem querer perder mais tempo , os joelhos a vergarem sob o peso morto de Ginny - temos de ir . Se o Basilisk aparece ... - Ele não vem enquanto não for chamado - disse Riddle com toda_a calma . Harry voltou a pousar Ginny em o chão , incapaz de a segurar por mais tempo . - Que queres dizer com isso ? - perguntou . - Dá me a minha varinha , posso precisar de ela . O sorriso de Riddle ampliou se . - Não vais precisar de ela - disse . Harry olhou o espantado . - O que queres dizer , não vou ? - Esperei muito_tempo por isto , Harry - disse Riddle . - Pela possibilidade de te ver , de falar contigo . - Olha , eu acho que tu não estás a perceber - disse Harry , perdendo a paciência . - Estamos em a Câmara_dos_Segredos , podemos conversar mais tarde . - Vamos conversar agora - disse Riddle , sorrindo de orelha a orelha e guardando a varinha de Harry em o bolso . Harry voltou a olhar para ele . Havia qualquer coisa de muito estranho em tudo aquilo . - Como é_que a Ginny ficou assim ? - perguntou pausadamente . - Bem , essa é uma pergunta interessante - disse Riddle , divertido . - E uma longa história , também . Julgo que o verdadeiro motivo que levou Ginny_Weasley a ficar assim foi o ter aberto o seu coração e revelado todos os seus segredos a um estranho ser invisível . - De quem estás a falar ? - perguntou Harry . - De o diário - disse Riddle . - De o meu diário . A Ginny escreve nele há meses e meses , contando me todas_as suas lamentáveis desgraças e atribulações : como os irmãos a arreliam , que teve de vir para a escola com manto , túnica e livros em segunda mão - os olhos de Riddle brilharam -- , que acha que o maravilhoso , o grande , o famoso Harry_Potter nunca vai gostar de ela ... Enquanto falava , nunca os olhos de Riddle se afastaram de a cara de o Harry . Havia em eles um olhar ávido . - É muito chato ter de ouvir as preocupações idiotas de uma garotinha de onze anos - prosseguiu . - Mas eu fui paciente . Respondi lhe , mostrei me simpático e amável . A Ginny pura e simplesmente adorou me . - * _ Nunca ninguém me compreendeu como tu , Tom ... estou tão feliz por ter este diário a quem me confiar ... é como ter um amigo que pode andar em o meu bolso * ... Riddle riu se . Um riso alto , frio , que não lhe ficava bem . Fez com que os cabelos de o pescoço de Harry se arrepiassem todos . - Verdade se diga que sempre consegui encantar as pessoas necessárias . Portanto a Ginny verteu em mim a sua alma e a alma de ela era precisamente o que eu queria . Fortaleceu me . Alimentei me de os seus medos mais profundos , de os seus mais obscuros segredos . Fui ficando cada_vez_mais forte e poderoso . Muito mais poderoso do_que a pequena Miss_Weasley até que comecei a transmitir lhe alguns de os meus segredos , a passar um_pouco de a minha alma para ela ... - O que queres dizer ? - perguntou Harry cuja boca ficara totalmente seca . - Ainda não descobriste , Harry_Potter ? - disse Riddle muito baixo . - Giony_Weasley abriu a Câmara_dos_Segredos , estrangulou os galos de a escola e escreveu mensagens assustadoras em as paredes . Atiçou a serpente de Slytherin contra quatro sangues de lama e contra o gato de o busca-pé . - Não - murmurou Harry . - Sim - disse calmamente Riddle . - É claro que a princípio não sabia o que estava a fazer . Era muito divertido . Gostava que visses as coisas que escreveu em o diário , começaram a ficar muito mais interessantes . * _ Querido_Tom * - recitou ele , olhando para a expressão horrorizada de o Harry . - * _ Acho que estou a perder a memória . Há penas de galo em todas_as minhas roupas e eu não sei como foram lá parar . Querido_Tom , não me lembro do_que fiz em a noite de o Hallowe'en mas foi atacada uma gata e eu estou cheia de tinta em a cara . Querido_Tom , o Percy não pára de me dizer que ando pálida e não pareço eu . Acho que ele suspeita de mim ... Houve outro ataque hoje e eu não sei onde estava . Tom , que vou eu fazer ? Acho que estou a ficar maluca ... acho que ando a atacar toda_a_gente , Tom ! * Harry tinha os punhos fechados , as unhas cravadas contra a palma de as mãos . - Levou muito_tempo até a pequenina estúpida deixar de confiar em o diário - disse Riddle . - Mas acabou por ficar desconfiada e tentou livrar se de ele . E é aí que tu entras , Harry . Tu encontraste o . E eu não poderia ter ficado mais satisfeito . De todas_as pessoas que poderiam ter ficado com ele , foste tu , aquele que eu ambicionava conhecer ... - E porque querias conhecer me ? - perguntou Harry . Começava a ser tomado por a raiva e fez um esforço para manter o tom de voz controlado . - Bem , a Ginny contou me tudo a teu respeito - disse Riddle . - A tua fascinante história . - Os seus olhos pousaram em a cicatriz em a testa de Harry e a sua expressão ganhou maior avidez . - Sabia que devia descobrir mais a teu respeito , falar te , encontrar me contigo se fosse possível . Por isso , para ganhar a tua confiança , resolvi mostrar te a famosa captura que fiz de aquele demente de o Hagrid . - O Hagrid é meu amigo - disse Harry já com a voz a tremer . - E tu tramaste o , não foi ? Pensei que tinha sido um engano , mas ... Ele riu se . O mesmo riso de antes . - Era a minha palavra contra a palavra de ele . Imagina a cara de o velho Armando_Dippet . De um lado Tom_Riddle , pobre mas brilhante , sem pais mas corajoso , prefeito de a escola , um modelo de aluno . De o outro lado , o Hagrid , grande e disparatado , arranjando problemas semana sim , semana não , tentando criar filhotes de lobisomens debaixo de a cama , escapando se para a floresta proibida para lutar com gigantes . Mas , devo admitir que até eu próprio fiquei admirado com os excelentes resultados de o meu plano . Pensei que alguém perceberia que o Hagrid nunca poderia ser o herdeiro de Slytherin . Demorei cinco anos inteirinhos até descobrir tudo_o_que me foi possível sobre a Câmara_dos_Segredos e a sua entrada secreta ... como_se o Hagrid tivesse cabeça ou poder ! - Só o professor de Transfiguração , Dumbledore , parecia achar que ele estava inocente . Convenceu Dippet a mantê o aqui e a treiná o como guarda de os campos . Sim , é natural que Dumbledore tenha adivinhado , nunca gostou de mim como os outros professores . - Aposto que Dumbledore viu através_de ti - disse Harry , de dentes cerrados . - Pelo_menos passou a vigiar me de perto , a partir de o momento em que o Hagrid foi expulso - disse Riddle descuidadamente . - Eu sabia que não era seguro voltar a abrir a câmara enquanto ainda estava em a escola mas não ia desperdiçar os longos anos que passara a pesquisar . Decidi , por isso , deixar um diário preservando em as suas páginas o meu ego de dezasseis anos para que um dia , com um_pouco de sorte , pudesse levar outro a seguir os meus passos e acabar o nobre trabalho de Salazar_Slytherin . - Bem , não o acabaste - disse Harry triunfante . - Ninguém morreu até agora , nem mesmo a gata . Dentro_de poucas horas a poção de mandrágoras estará pronta e todos os que foram petrificados voltarão de_novo a si . - Não acabei de te dizer que matar sangues de lama já não me interessa ? Há muitos meses que o meu alvo és tu . Harry olhou para ele . - Podes imaginar como fiquei furioso quando em outro dia o diário foi aberto e vi que era a Ginny quem estava a escrever e não tu . Ela viu te com o diário e entrou em pânico . E se tu descobrisses como trabalhar com ele e eu te repetisse todos os seus segredos ? Ainda pior , e se eu te contasse quem tinha andado a estrangular os galos ? Por isso , a grande palerma esperou que o teu dormitório estivesse deserto e foi lá roubá o . Mas eu sabia o que tinha de fazer . Estava muito claro para mim que a tua meta era o herdeiro de Slytherin . Por tudo_o_que a Ginny me contara a teu respeito , sabia que irias até onde fosse preciso para desvendar o mistério , principalmente se um de os teus melhores amigos tivesse sido atacado . E a Ginny disse me que a escola toda bichanava por tu falares * serpentês * ... Por isso , obriguei a Ginny a escrever a sua própria despedida em a parede , a vir até aqui e esperar . Ela debateu se e gritou e ficou muito chatinha . Mas , já não tem muita vida : pôs grande parte de ela em o diário , deu me a . O suficiente para eu abandonar , por fim , as suas páginas . Desde_que aqui cheguei que estou a a tua espera . Sabia que virias . Tenho muitas perguntas a fazer te , Harry_Potter . - Que perguntas ? - disse Harry com os punhos fechados . - Bem - prosseguiu Riddle , sorrindo de satisfação : - Como é_que um bebé sem especiais talentos de magia foi capaz de derrotar o maior feiticeiro de sempre ? Como conseguiste escapar só com uma cicatriz quando os poderes de Lord_Voldemort foram destruídos ? Havia agora em os seus olhos um brilho vermelho e irado . - O que é_que te interessa saber como eu escapei ? - disse Harry lentamente . - Voldemort veio depois de ti . - Voldemort - disse Riddle - é o meu passado , o meu presente e o meu futuro , Harry_Potter ... Tirou a varinha de o Harry de o bolso e começou a escrever em o ar três palavras brilhantes : TOM_MARVOLO_RIDDLE_Em seguida , fez um gesto com a varinha e as letras de o seu nome reagruparam se de outro modo . : __ eu sou lord __ voldemort ( I am Lord_Voldemort ) . - Vês ? - murmurou . - Era um nome que eu já usava em Hogwarts , para os meus amigos mais íntimos apenas , como é óbvio . Achas que ia usar para sempre o nome nojento de o meu pai Muggle ? Eu , em cujas veias , por o lado materno , corre o sangue de Salazar_Slytherin ? Eu , manter o nome de um Muggle tolo que me abandonou ainda antes de eu nascer só porque descobriu que a mulher com quem casara era uma bruxa ? Não , Harry , arranjei um novo nome , um nome que eu sabia que os feiticeiros de todo_o_mundo viriam um dia a ter medo de pronunciar , quando eu me tivesse tornado o maior feiticeiro de o mundo . A cabeça de Harry parecia bloqueada . Olhou como_que paralisado para Riddle , para o rapaz de o orfanato que depois de crescer iria matar os seus pais e tantos outros . Por fim , com algum esforço conseguiu falar . - Não és - disse em uma voz calma e cheia de ódio . - Não sou o quê ? - perguntou Riddle irritado . - Não és o maior feiticeiro de o mundo - disse Harry com a respiração acelerada . - Lamento desiludir te mas o maior feiticeiro de o mundo é Albus_Dumbledore . Toda_a_gente sabe . Mesmo tu , quando tinhas força , não ousavas tentar aproximar te de Hogwarts . Dumbledore viu através_de ti quando andavas em a escola e ainda agora te assusta onde quer que te escondas . O sorriso desaparecera de o rosto de Riddle , fora substituído por um olhar furioso . - Dumbledore foi afastado de este castelo por a minha simples memória - sibilou . - Ele não está tão longe como pensas - retorquiu Harry . Falava por falar , tentando assustar Riddle , desejando mais que assim fosse do_que acreditando em as suas palavras como uma verdade . Riddle abriu a boca mas não chegou a falar . Tinha começado a ouvir se uma música . Riddle deu uma volta , olhando para a câmara vazia . A música estava a ficar mais alta . Era misteriosa , arrepiante , sobrenatural . Fez_Harry ficar com os cabelos em pé e o coração aumentar lhe em o peito . Por fim , quando atingiu um ponto tão alto que Harry a sentiu vibrar dentro de as suas costelas , começaram a sair chamas de o topo de o pilar mais próximo . Uma ave carmesim de o tamanho de um cisne surgiu , assobiando a sua estranha melodia para o tecto em forma de abóbada . Tinha uma cauda dourada tão longa como a de um pavão e garras douradas e brilhantes que seguravam uma trouxa andrajosa . Segundos depois , a ave voava em direcção a Harry . Deixou cair a coisa andrajosa a os seus pés e pousou lhe pesadamente em o ombro . Quando abriu as enormes asas , Harry olhou para_cima e viu que tinha um longo bico afiado e olhos escuros pequenos e brilhantes . A ave parou de cantar . Ficou quieta junto de a cara de Harry , olhando fixamente para Riddle . - É uma fénix , disse Riddle , olhando sagazmente para ela . - Fawkes ? - murmurou Harry e sentiu as garras douradas apertarem lhe devagarinho o ombro . - E aquilo - disse Riddle , olhando para a coisa velha que Fawkes deixara em o chão - é o velho chapéu seleccionador , de a escola . Era , de facto . Amachucado , puído e sujo , o chapéu jazia imóvel a os pés de Harry . Riddle começou a rir . Riu se tanto que a câmara escura se lhe juntou em um eco tal que parecia que dez Riddles se riam ao_mesmo_tempo . - Eis o que Dumbledore envia a o seu defensor . Um pássaro que canta e um chapéu velho . Estás cheio de coragem , Harry_Potter ? Sentes te agora mais seguro ? Harry não respondeu . Podia não estar a ver a vantagem de a Fawkes ou de o chapéu seleccionador mas já não se sentia só , e esperou corajosamente que Riddle parasse de rir . - Vamos a o que importa , Harry - disse ele , ainda com um enorme sorriso . - Encontrámo nos duas vezes em o teu passado , em o meu futuro . E duas vezes falhei a o tentar matar te . Como foi que sobreviveste ? Conta me tudo . Quanto_mais falares , mais tempo tens de vida . Harry pensava rapidamente , medindo as suas possibilidades . Riddle tinha a varinha . Ele , Harry , tinha a Fawkes e o chapéu seleccionador que não lhe serviriam de muito em o combate . As coisas pareciam más , é certo . Mas quanto_mais tempo Riddle ali estivesse , mais vida retirava a a Ginny ... e , entretanto , Harry reparou que a silhueta de Riddle se tornava mais nítida , mais sólida . Se tinha de haver uma luta entre os dois , quanto_mais depressa melhor . - Ninguém sabe porque perdeste os poderes quando me atacaste - disse bruscamente . - Eu próprio não sei . Mas sei porque não conseguiste matar me . A minha mãe morreu para me salvar . A minha mãe , uma vulgar filha de Muggles - acrescentou , a tremer de raiva . - Ela impediu que tu me matasses . E eu vi te como tu és , em o ano passado . És um destroço , quase não existes . Foi onde o teu poder te levou . Estás sob um disfarce , és horrível e és louco . O rosto de Riddle contorceu se . Em seguida , forçou um sorriso pavoroso . - Quer_dizer , então , que a tua mãe morreu para te salvar . Sim , é um antifeitiço poderoso . Compreendo agora , afinal não há em ti nada de especial . Eu tinha curiosidade , sabes , porque há uma estranha semelhança entre nós , Harry_Potter . Até tu deves ter reparado . Somos ambos meio sangue , órfãos , educados com Muggles , provavelmente os dois únicos que falam * serpentês * desde o grande Slytherin , até nos parecemos um_pouco fisicamente ... mas afinal foi apenas uma questão de sorte que te salvou de mim . Era o que eu queria saber . Harry ficou parado , tenso , a a espera que Riddle levantasse a varinha mas o seu sorriso cínico ampliou se de_novo . - Agora , Harry , vou dar te uma pequena lição . Vamos confrontar os poderes de Lord_Voldemort , herdeiro de Salazar_Slytherin e de o famoso Harry_Potter , munido com as melhores armas que Dumbledore lhe deu . Lançou um olhar divertido a a Fawkes e a o chapéu seleccionador e , em seguida , afastou se . Harry com as pernas entorpecidas por o medo viu o parar entre dois pilares altos e olhar para a cara de pedra de Slytherin , lá em cima em a semi-obscuridade . Riddle abriu a boca e sibilou mas Harry compreendeu o que ele dizia . - * _ Responde-me , Slytherin , o maior de os quatro de Hogwarts * . Harry voltou se para olhar melhor para a estátua com Fawkes pousada em o ombro . A gigantesca cara de pedra de Slytherin movia se . Horrorizado , Harry viu a boca abrir se mais e mais até se transformar em um buraco negro . E algo se agitava dentro de a boca de a estátua . Algo se arrastava para fora de as suas entranhas . Harry recuou até a a parede escura de a câmara e enquanto fechava os olhos com força sentiu a asa de a Fawkes roçar lhe o rosto e levantar voo . Harry quis gritar : - Não me abandones ! - mas que possibilidades tinha uma fénix contra o rei de as serpentes ? Uma coisa enorme bateu em o chão de pedra que Harry sentiu estremecer . Sabia o que estava a acontecer , podia sentis o , quase podia ver a serpente gigantesca a sair de a boca de Slytherin . Foi então que ouviu a voz de Riddle sibilar : * _ Mata-o * . O Basilisk avançava em direcção a Harry . Ele ouvia o seu corpo enorme escorregar pesadamente por o chão cheio de pó . Com os olhos sempre fechados , Harry começou a correr para o lado , a as cegas , com as mãos abertas a tactear o caminho . Riddle ria se a as gargalhadas . Harry escorregou e caiu em o chão de pedra e a boca soube lhe a sangue . A serpente estava a poucos centímetros de ele . Podia ouvi a a aproximar se . Ouviu se um crepitar explosivo por cima de ele e alguma coisa pesada bateu lhe com tanta força que ele ficou encostado a a parede . Esperando que os dentes de a serpente lhe perfurassem o corpo , ouviu mais ruídos e qualquer coisa que se agitava com força contra os pilares . Não conseguiu evitar . Abriu bem os olhos para ver o que se passava . A enorme serpente , brilhante , de um verde veneno , espessa como o tronco de um carvalho , erguera se em o ar e a sua imensa cabeça agitava se de um lado para o outro , entre os dois pilares . Quando Harry , a tremer , se preparava para fechar de_novo os olhos , percebeu o que distraíra a cobra . Fawkes esvoaçava em volta de a sua cabeça e o Basilisk , furioso , tentava agarrá a com os dentes longos e afiados como sabres . Fawkes mergulhava . Harry deixou de ver o bico fino e dourado e uma brusca chuva de sangue escuro inundou o chão . A cauda de a serpente agitou se , não batendo em o Harry por_pouco e antes que ele pudesse fechar os olhos voltou se . Harry olhou lhe para a cara e viu que os seus olhos , os dois olhos amarelos e bolbosos tinham sido perfurados por a fénix . O sangue escorria por o chão e a serpente cuspia cheia de dores . - * _ Não * - Harry ouviu o grito de Riddle . - * _ Deixa a ave , deixa a ave , o rapaz está atrás_de ti , ainda podes cheirá o . Mata o ! * A serpente cega oscilou confusa , ainda em fúria . Fawkes andava a a volta de a cabeça de ela soprando a sua misteriosa cantilena , picando lhe aqui_e_ali o nariz cheio de escamas , enquanto o sangue jorrava de os seus olhos destruídos . - Ajudem me . Ajudem me - murmurava Harry aflito . - Alguém , ajude me . A cauda de a serpente chicoteou de_novo o chão . Harry baixou se . Algo macio tocou lhe em o rosto . O Basilisk lançara o chapéu seleccionador para os braços de o Harry que o agarrou . Era tudo_o_que tinha , a sua única esperança . Enfiou o em a cabeça e começou a ficar achatado contra o chão , enquanto a cauda de o Basilisk se lançava de_novo sobre ele . - Ajudem me , ajudem me - pensou Harry , os olhos comprimidos debaixo de o chapéu . - Por favor , ajudem me . Nenhuma voz lhe respondeu . Em vez de isso , o chapéu contraiu se como_se uma mão invisível o tivesse espalmado devagarinho . Alguma coisa muito dura e pesada caíra sobre a cabeça de Harry , conseguindo quase derrubá o . A ver estrelas em frente de os olhos , agarrou o chapéu para o puxar para baixo e sentiu lá dentro uma coisa longa e dura . Uma espada brilhante tinha surgido dentro de o chapéu . Tinha um cabo cravejado de rubis de o tamanho de pequenos ovos . - Mata o rapaz , deixa a ave . O rapaz está atrás_de ti . Cheira o ! Harry estava de pé , preparado . A cabeça de o Basilisk caía , o corpo serpenteava , batendo nos pilares quando se torcia para ficar de frente para ele . Harry podia ver as enormes órbitas ensanguentadas , a boca toda aberta , suficientemente grande para o engolir inteiro , munida de dentes tão longos como a sua espada , finos , brilhantes , venenosos ... Começou a atacar a as cegas . Harry baixou se e a serpente bateu em a parede de a câmara . Atacou de_novo e a sua língua bifurcada lambeu a parede ao_lado_de Harry que levantou a espada com ambas as mãos . O Basilisk investiu mais_uma_vez e agora a pontaria foi certa . Harry pôs todo o seu peso contra a espada e enterrou a até a os copos em o céu de a boca de a serpente . Mas quando o sangue quente lhe encheu os braços , sentiu uma dor aguda mesmo acima de o cotovelo . Um longo dente venenoso penetrava cada_vez_mais fundo em o seu braço , partindo se quando o Basilisk tombou para o lado , perdendo os sentidos . Harry escorregou a o longo de a parede , apertou com força o dente que estava a derramar veneno por todo o seu corpo e arrancou o de o braço . Mas sabia que era demasiado tarde . Uma dor quente emanava lenta e perseverantemente de a ferida . Quando deixou cair o dente e viu o seu próprio sangue manchando lhe as vestes , a vista começou a ficar turva e a câmara a diluir se em uma rotação ardente e colorida . Mas algo escarlate passou por ele e Harry ouviu a o seu lado um suave ruído de garras . - Fawkes - disse com a voz empastada . - Foste sensacional , Fawkes . - Sentiu o pássaro encostar a sua elegante cabeça a o sítio onde o dente de a serpente o tinha ferido . Ouviu passos ecoarem em o vazio e em seguida uma sombra escura moveu se em a sua frente . - Estás morto , Harry_Potter - disse a voz de Riddle , acima de ele . - Morto . Até o pássaro de Dumbledore sabe de isso . Vês o que ele está a fazer ? A chorar . Harry piscou os olhos . A cabeça de Fawkes ora estava focada , ora desfocada . Lágrimas grossas como pérolas escorriam de as suas penas . - Vou sentar me aqui a ver te morrer , Harry_Potter . Leva o teu tempo , eu não tenho pressa . Harry sentiu se sonolento . Tudo parecia girar a a sua volta . - E assim acaba o famoso Harry_Potter - disse a voz distante de Riddle . - Sozinho em a Câmara_dos_Segredos , esquecido por os amigos , finalmente derrotado por o Senhor de o mal que ele tão imprudentemente desafiou . Vais reunir te a a tua querida mãe sangue de lama , Harry ... Ela deu te doze anos de tempo emprestado ... Mas Lord_Voldemort apanhou te em o fim , como sabias que teria de acontecer . Se morrer é isto , pensou Harry , não é assim tão mau . Até a dor estava a desaparecer . Mas , estaria a morrer ? Em_vez_de ficar mais escura a câmara parecia voltar a estar nítida . Harry fez um pequeno gesto com a cabeça e viu a Fawkes ainda repousando a cabeça em o seu ombro . Uma fiada de pérolas brilhava em volta de a ferida , só que já não havia ferida . - Sai de aqui , pássaro - disse subitamente a voz de Riddle . - Afasta te de ele . Já te disse , sai de aqui ! Harry levantou a cabeça . Riddle apontava a sua varinha a Fawkes . Ouviu se um tiro que parecia de carabina e Fawkes levantou novamente voo em um rodopio de ouro e escarlate . - Lágrimas de fénix - disse Riddle em voz baixa , olhando para o braço de o Harry . - É claro ... poderes curativos ... esqueci me ... Olhou para a cara de Harry . - Mas não faz mal . Pensando bem , eu até prefiro assim . Tu e eu , Harry_Potter ... Tu e eu ... Levantou a varinha . Então , em um golpe de asa , Fawkes voou sobre as cabeças de ambos , deixando cair uma coisa em o colo de Harry : o diário . Durante uma fracção de segundo , tanto Harry como Riddle , ainda com a varinha levantada , ficaram a olhar para aquilo . Em seguida , sem pensar , sem ponderar , como_se pensasse fazê o desde o princípio , Harry agarrou o dente de o Basilisk que estava em o chão , junto de ele , e espetou o em o coração de o caderno . Ouviu se um grito longo e terrível . A tinta esguichou em torrentes de dentro de o diário , derramando se sobre as mãos de o Harry e inundando o chão . Riddle torcia se e contorcia se , agitando se a os gritos . E , por fim . Desapareceu . A varinha de Harry caiu a o chão com um ruído e fez se silêncio . Um silêncio apenas cortado por o ping ping de a tinta que ainda escorria de o diário . Com um leve crepitar , o veneno de o Basilisk abrira um buraco mesmo em o meio de o caderno . A tremer de os pés a a cabeça , Harry pôs se de pé . Sentia tudo a andar a a roda como_se tivesse viajado quilómetros e quilómetros com o pó de * _ Floo * . Lentamente apanhou a varinha e o chapéu seleccionador e com um grande estrondo retirou a espada de o céu de a boca de a serpente . Ouviu se então um gemido fraco a o fundo de a câmara . Ginny estava a mexer se . Quando Harry chegou junto de ela , sentou se . Os seus olhos abismados saltaram de o Basilisk morto para Harry em a sua roupa cheia de sangue e , em seguida , para o diário que ele tinha em as mãos . Soltou um enorme soluço e os seus olhos encheram se de lágrimas . - Harry , oh ! Harry , eu tentei dizer te a o pequeno-almoço mas não fui capaz em frente de o Percy . Era eu , Harry , mas eu ... eu ... juro que não queria ... o Riddle obrigou me , levou me e ... como é_que mataste esse bicho ? Onde está o Riddle ? A última coisa de que me lembro foi de o ver a sair de o diário ... - Está tudo bem - disse Harry , mostrando lhe o diário com o buraco de o dente . - O Riddle acabou , olha . Ele e o Basilisk . Anda , Ginny , vamos embora de aqui . - Vou com certeza ser expulsa - disse Ginny a chorar enquanto Harry a ajudava a pôr se de pé . - Desde_que o Bill veio para Hogwarts que eu sonhava vir também para cá e agora vou ter de me ir embora e ... O que vão a minha mãe e o meu pai dizer ? Fawkes esperava por eles , suspensa em o ar , a a entrada de a câmara . Harry fez a Ginny avançar , passaram sobre os anéis parados de o Basilisk , por a escuridão cheia de ecos e voltaram a o túnel . Harry ouviu as portas de pedra fecharem se atrás de eles com um leve sibilar . Depois de alguns minutos a caminhar por o túnel escuro , chegou a os ouvidos de Harry o som distante de o deslocar de uma rocha . - Ron - gritou ele , apressando se . - A Ginny está bem . Está aqui comigo ! Ouviu o Ron gritar de alegria e , voltando em a curva logo_a_seguir , viram a sua cara ansiosa a espreitar por a fresta que conseguira abrir durante a avalancha . - Ginny ! - Ron estendeu o braço por a fresta para a puxar primeiro . - Estás viva . Não posso acreditar . O que aconteceu ? Tentou abraçá a mas a Ginny afastou o , soluçando . - Mas estás bem , Ginny - disse o Ron , sorrindo para ela . - Já passou tudo ... De onde veio esse pássaro ? Fawkes passara por a abertura , atrás_de Ginny . - É de o Dumbledore - explicou Harry , espremendo se para caber também . - E como arranjaste uma espada ? - perguntou o Ron , olhando para a arma brilhante que Harry tinha em a mão . - Eu explico te tudo quando sairmos de aqui - disse Harry , lançando um olhar de esguelha a a Ginny . - Mas ... - Mais tarde - disse Harry rapidamente . Não lhe parecia uma boa ideia contar a o Ron quem tinha aberto a câmara , ali , em frente de a Ginny . - Onde está o Lockhart ? - Ali atrás - disse o Ron , a rir e a abanar a cabeça em direcção a o cano . - Está em muito mau estado . Anda ver . Conduzidos_pela_Fawkes , cujas grandes asas escarlates emitiam um suave dourado que brilhava em a escuridão , voltaram a o lugar onde o cano começava . Gilderoy_Lockhart estava sentado a falar sozinho . - Perdeu a memória - disse o Ron . - O feitiço de a memória fez ricochete . Não sabe quem é nem onde está , nem_sequer sabe quem nós somos . Eu disse lhe que viesse para aqui e esperasse . É um perigo para ele próprio . Lockhart olhou os bem-disposto . - Olá - disse . - Que lugar estranho , este . É aqui que vocês moram ? -- Não - respondeu o Ron , levantando as sobrancelhas para o Harry . Harry baixou se e observou o túnel escuro e longo . - Já pensaste como é_que vamos sair de aqui ? - perguntou a o Ron . O amigo abanou a cabeça mas Fawkes , a fénix , tinha passado por o Harry e estava agora em o ar , em frente de ele , os olhos como pérolas a brilharem em o escuro . Abanava as longas penas douradas de a cauda . Harry olhou para ela , inseguro . - Ela parece querer que a agarres - disse o Ron , perplexo . - Mas tu és muito pesado para um pássaro . - A Fawkes - disse Harry - não é um pássaro qualquer . Voltou se rapidamente para os companheiros . - Temos de nos agarrar uns a os outros . Ginny , agarra a mão de o Ron . O professor Lockhart ... - Ele está a falar consigo - disse o Ron secamente . - Agarre a outra mão de a Ginny . Harry guardou a espada e o chapéu seleccionador em o cinto . Ron deitou a mão a a roupa de Harry e Harry agarrou as penas de a cauda , estranhamente quentes , de a Fawkes . Sentiu uma extraordinária leveza apoderar se de todo o seu corpo e em seguida estavam todos a voar por o cano acima . Harry conseguia ouvir Lockhart , lá atrás , comentando : - Espantoso , isto parece mágico ! Ar frio batia em os cabelos de Harry e antes que ele deixasse de gostar de a viagem já ela acabara . Os quatro tinham chegado a o chão molhado de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa e , enquanto Lockhart endireitava o chapéu , o lavatório voltara a o seu lugar , tapando o cano . A Murta arregalou os olhos . - Vocês estão vivos - disse inexpressivamente a o Harry . - Não é preciso mostrares te tão desiludida - respondeu ele , muito sério , limpando as nódoas de sangue e lodo de os óculos . - Bem ... é_que eu pensei que se vocês morressem seriam bem-vindos a a minha casa_de_banho - disse a Murta com um rubor prateado . - Urgh ! - fez o Ron , quando saíram de ali para o corredor deserto . - Harry , acho que a Murta está a gostar de ti . Tens concorrência , Ginny ! A Ginny continuava a chorar silenciosamente . - Onde vamos agora ? - perguntou o Ron , olhando ansiosamente para ela . Harry apontou . Fawkes indicava o caminho , com o seu tom dourado que brilhava em o corredor . Seguiram a e pouco depois estavam em o escritório de a professora Mc_Gonagall . Harry bateu e empurrou a porta que estava encostada . XVIII_A recompensa de Dobby_Durante alguns momentos reinou o silêncio enquanto Harry , Ron , Ginny e Lockhart estavam em a entrada de a porta . Cobertos de pó e de lama e ( em o caso de o Harry ) sangue . Em seguida , ouviu se um grito . - Ginny ! Era_Mrs._Weasley que tinha estado a chorar , sentada em frente de o lume . Pôs se de pé em um salto , seguida de Mr._Weasley e precipitaram se ambos para a filha . Harry olhava para trás de eles . Dumbledore rejubilava junto de a lareira , a o lado de a professora Mc_Gonagall que , agarrada a o queixo , respirava com dificuldade . Fawkes rasou as orelhas de o Harry e foi instalar se em o ombro de Dumbledore , ao_mesmo_tempo que Harry dava por si em os braços de Mrs._Weasley . - Tu salvaste a ! Salvaste a ! : __ como foi que __ conseguiste ? - Acho que todos nós gostaríamos de saber - disse , sem energia , a professora Mc_Gonagall . Mrs._Weasley soltou o Harry , que hesitou um momento . Depois , foi até a a secretária e colocou sobre o tampo o chapéu seleccionador , a espada cravejada de rubis e o que restava de o diário de Riddle . Em seguida , contou lhes tudo . Falou durante quase um quarto de hora em o silêncio extasiado : contou lhes de a voz sem corpo que ouvia , como a Hermione acabara por descobrir que se tratava de um Basilisk que circulava em os canos , como ele e o Ron tinham seguido as aranhas até a a floresta , que Aragog lhes dissera que a última vítima de o Basilisk morrera , como tinham chegado a a conclusão que se tratava de a Murta_Queixosa e que a entrada para a Câmara_dos_Segredos devia ser em aquela casa_de_banho ... - Muito bem - elogiou a professora Mc_Gonagall quando ele se calou . - Então tu descobriste onde era a entrada , infringindo uma centena de regras de a escola por o caminho , devo dizer , mas como diabo saíram vocês vivos de lá de dentro ? Harry , com a voz já um_pouco rouca de falar tanto , contou lhes de a chegada de a Fawkes e de o chapéu seleccionador que lhe tinha dado a espada . Mas , chegando aí , hesitou . Até a o momento evitara referir se a o diário de Riddle ou a a Ginny . Ela tinha a cabeça encostada a o ombro de Mrs._Weasley e as lágrimas corriam lhe ainda por o rosto . E se a expulsassem ? - pensou Harry , tomado de pânico . O diário de Riddle já não funcionava ... quem poderia provar que fora ele que a obrigara a fazer tudo aquilo ? Olhou instintivamente para Dumbledore que sorria , o fogo iluminando lhe os óculos de meia-lua . - O que mais me interessa saber - disse Dumbledore amavelmente - é como conseguiu Lord_Voldemort enfeitiçar a Ginny quando as minhas fontes me dizem que ele se esconde habitualmente em as florestas de a Albânia . Um alívio , quente e glorioso percorreu Harry de a cabeça a os pés . - O quê ? - disse Mr._Weasley , em uma voz estupefacta . - O Quem nós sabemos enfeitiçou a Ginny ? Mas a Ginny não ... a Ginny não morr ... ? - Foi este diário - esclareceu Harry rapidamente . E mostrando o a Dumbledore . - O Riddle escreveu o quando tinha dezasseis anos . Dumbledore pegou em o diário e olhou atentamente por cima de o seu nariz longo e adunco para as páginas queimadas e húmidas . - Fantástico - disse em voz baixa . - É claro que ele deve ter sido o aluno mais brilhante que alguma vez passou por Hogwarts . - Olhou em volta para os Weasley que o observavam com um ar totalmente confuso . - Muito poucas pessoas sabem que Lord_Voldemort se chamou em tempos Tom_Riddle . Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos , em Hogwarts . Ele desapareceu depois de deixar a escola , viajou muito , mergulhou tão fundo em as artes de a magia negra , associado a os piores feiticeiros , realizou transformações mágicas tão perigosas que quando reapareceu como Lord_Voldemort estava totalmente irreconhecível . Ninguém o relacionou com o rapazinho inteligente e bonito que aqui foi , em tempos , chefe de turma . - Mas a Ginny - insistiu Mrs._Weasley . - O que tem a nossa Ginny que ver com ele ? - O diário - soluçou Ginny . - Eu andei todo o ano a escrever em o diário e ele respondia me ... - Ginny ! - repreendeu Mr._Weasley . - Não aprendeste nada do_que te ensinei ? Não me cansei de dizer te que nunca confiasses em nada que não pensasse por si próprio * se não conseguisses ver onde tinha o cérebro ? * Porque não me mostraste o diário , a mim ou a a tua mãe ? Um objecto suspeito como esse tinha de estar cheio de magia negra ! - Eu não sabia - soluçou Ginny . - Estava junto de os livros que a mãe me comprou . Pensei que alguém se tinha esquecido de ele ali . - É melhor Miss_Weasley ir imediatamente para a ala hospitalar - interrompeu Dumbledore com voz firme . - Foi sujeita a uma prova terrível . Não será castigada . Outros feiticeiros mais velhos do_que ela têm sido ludibriados por Lord_Voldemort . - Dirigiu se a a porta e abriu a . - Repouso , cama e talvez uma caneca de chocolate quente . A mim , anima me sempre - acrescentou , piscando lhe simpaticamente o olho . - Vais ver que Madam_Pomfrey ainda está acordada . Ela tem estado a dar o sumo de Mandrágora , julgo que as vítimas de o Basilisk estarão a acordar dentro_de momentos . de alegria . - Então a Hermione está bem ! - disse o Ron , cheio de alegria . - Não houve danos irreversíveis - disse Dumbledore . Mrs._Weasley saiu com a Ginny e Mr._Weasley seguiu as ainda bastante abalado . - Sabes , Minerva - disse pensativo o professor Dumbledore - acho que tudo_isto merece um banquete . Posso pedir te que previnas os cozinheiros ? - Certamente - disse animada a professora Mc_Gonagall , dirigindo se também a a porta . - Deixo te a tratar de as coisas com o Potter e o Weasley , está bem ? - Claro - disse Dumbledore . Saiu e os dois olharam inseguros para Dumbledore . Que quereria ela dizer com tratar de as coisas ? Certamente não iriam ser castigados ? - Lembro me de vos ter dito a ambos que teria de vos expulsar se voltassem a quebrar as regras de a escola - disse Dumbledore . Ron abriu a boca horrorizado . - O que vem mostrar nos que as melhores pessoas , às_vezes , têm de engolir as suas próprias palavras . - Dumbledore sorriu e continuou : - Vocês vão receber ambos uma recompensa especial por serviços prestados a a escola e ... deixem me ver , sim , acho que duzentos pontos cada_um para os Gryffindor . Ron ficou tão corado que parecia as flores de S._Valentim_do_Lockhart e voltou a fechar a boca . - Mas um de vós parece demasiado calado sobre a sua participação em esta perigosa aventura - acrescentou Dumbledore . - Porquê tanta modéstia , Gilderoy ? Harry estremeceu . Esquecera se por completo de Lockhart . Voltou se e viu o a um canto de a sala ainda com o mesmo sorriso vago . Quando Dumbledore se lhe dirigiu , olhou por cima de o ombro para ver com quem ele estava a falar . - Professor_Dumbledore - disse o Ron rapidamente - Houve um acidente lá em baixo , em a Câmara_dos_Segredos . O professor Lockhart - Eu sou um professor ? - perguntou Lockhart surpreendido . - E eu que pensei que era um inútil ! - Tentou fazer um feitiço antimemória e a varinha fez ricochete - explicou Ron_a_Dumbledore . - Incrível - disse Dumbledore , abanando a cabeça , o bigode prateado a tremer . - Trespassado por a tua própria espada , Gilderoy ! - Espada ? - disse Lockhart de forma imprecisa . - Eu não tenho espada . Esse rapaz é_que tem - apontou para Harry . - Ele empresta lhe uma . - Importas te de levar também o professor Lockhart até a a ala hospitalar , Ron ? - disse Dumbledore . - Eu gostava de falar um_pouco mais com o Harry . Lockhart saiu sem pressa . Antes de fechar a porta , Ron lançou um olhar curioso a Dumbledore e Harry . Dumbledore passou para uma de as cadeiras junto de o lume . - Senta te , Harry - disse . E Harry sentou se , sentindo se indescritivelmente nervoso . - Antes de mais , Harry , quero agradecer te - disse Dumbledore com os olhos a brilharem de_novo . - Deves ter demonstrado uma grande lealdade para comigo . Só isso poderia atrair a Fawkes para ir ajudar te . Deu uma palmadinha a a fénix que voara , entretanto , para_cima de os seus joelhos . Harry sorria acanhadamente sob o olhar observador de Dumbledore . - Encontraste , portanto , Tom_Riddle - disse o director amavelmente . - Calculo que ele estaria particularmente interessado em ti ... De repente , algo que Harry tinha engasgado saiu lhe descontroladamente de a boca para fora . - Professor_Dumbledore ... o Riddle disse que eu sou como ele , que há entre nós estranhas semelhanças ... - Ah ! sim ? - Dumbledore olhou pensativamente para ele , por debaixo de as espessas sobrancelhas prateadas . - E o que achas tu de isso ? - Eu não me considero parecido com ele - disse Harry mais alto do_que desejaria . - Isto_é , eu sou um Gryffindor , eu sou ... Mas calou se com uma dúvida a rondar lhe o espírito . - Professor - arriscou passado alguns momentos . - O chapéu seleccionador disse que eu ... teria ficado bem em os Slytherin ; durante algum tempo toda_a_gente pensou que eu era o herdeiro de Slytherin por falar * serpentês * ... - Tu falas * serpentês * , Harry - disse Dumbledore calmamente - porque Lord_Voldemort que é o mais recente antepassado de Salazar_Slytherin , fala * serpentês * . Ou eu me engano muito , ou ele transferiu para ti alguns de os seus poderes em a noite em que te fez essa cicatriz . Não que quisesse fazê o , claro , mas aconteceu . - Voldemort pôs um_pouco de si próprio em mim ? - disse Harry assombrado . - É o que parece ter acontecido . - Então eu deveria estar em os Slytherin - disse Harry , olhando desesperado para o rosto de Dumbledore . - O chapéu seleccionador viu em mim os poderes de Slytherin e ... -- Pôs te em os Gryffindor - concluiu tranquilamente Dumbledore . - Ouve , Harry , tu tens por acaso muitas de as capacidades que Salazar_Slytherin apreciava em os seus estudantes cuidadosamente seleccionados . O seu raro dom de falar * serpentês * , desenvoltura , determinação , um certo desprezo por as regras estabelecidas - acrescentou com o bigode a tremer de_novo . - Mas ainda_assim , o chapéu seleccionador pôs te em os Gryffindor . E sabes porquê ? Pensa um_pouco . - Só me pôs em os Gryffindor - disse Harry em uma voz débil - porque eu pedi para não ir para os Slytherin . - Exacto - disse Dumbledore a sorrir . - E isso torna te muito diferente de o Tom_Riddle . São as tuas escolhas , Harry , que mostram quem de facto tu és , mais do_que as tuas capacidades . Harry sentou se , imóvel e espantado , em a cadeira . - Se queres provas de que o teu lugar é em os Gryffindor , sugiro que vejas isto com mais atenção . Dumbledore aproximou se de a secretária de a professora Mc_Gonagall , pegou em a espada de prata ensanguentada e mostrou lhe a . Sem perceber , Harry voltou a ao_contrário . Os rubis brilharam a a luz de a lareira e foi então que ele reparou em o nome gravado mesmo por baixo de o copo de a espada . GODRIC_GRYFFINDOR . - Só um verdadeiro Gryffindor poderia ter tirado a espada de dentro de o chapéu , Harry - disse , com simplicidade , Dumbledore . Durante um minuto , nenhum de os dois falou . Depois , Dumbledore abriu uma de as gavetas de a secretária de a professora Mc_Gonagall e retirou de lá uma pena e um tinteiro . - Tu precisas de comer e ir dormir . Sugiro que desças para o banquete enquanto eu escrevo para Azkaban . Precisamos de recuperar o nosso guarda de os campos . E tenho de esboçar um anúncio para o * _ Profeta_Diário * - acrescentou pensativo . - Vamos precisar de um novo professor de Defesa contra as artes negras . É um problema , estamos sempre a perdê os . Harry levantou se e dirigiu se a a porta . Tinha acabado de estender a mão para o puxador quando ela se abriu tão violentamente que saltou de as dobradiças . Lucius_Malfoy estava de pé , furioso . E , debaixo de o braço , embrulhado em diversas ligaduras , estava Dobby . - Boa tarde , Lucius - disse Dumbledore , de forma amena . Mr._Malfoy quase derrubou Harry enquanto entrava em a sala . Dobby dava passos miudinhos atrás de ele , inclinado até a a bainha de o seu manto com um olhar apavorado em o rosto . - Então - disse Lucius_Malfoy com os olhos fixos em Dumbledore - voltaste . Os membros de o Conselho_Directivo suspenderam te , mas tu mesmo_assim sentiste te capaz de voltar a Hogwarts . - Bem vês , Lucius - disse Dumbledore , sorrindo serenamente . - Os outros membros de o Conselho contactaram me hoje . Fui envolvido em um redemoinho de corujas , todos queriam contar me a verdade . Ouviram dizer que a filha de Arthur_Weasley tinha sido morta e queriam me novamente aqui . Parece que me consideravam o melhor homem para o lugar . Contaram me algumas histórias muito estranhas . Alguns de eles tinham a impressão que tu tinhas ameaçado amaldiçoar lhes as famílias se não concordassem com a minha suspensão . Mr._Malfoy ficou ainda mais pálido do_que de costume , mas os olhos continuavam cheios de fúria . - Então já acabaste com os ataques ? - rosnou . - Apanhaste o culpado ? - Já , sim - disse Dumbledore com um sorriso . - E quem é ? - perguntou Malfoy secamente . - A mesma pessoa de a última vez , Lucius - disse Dumbledore . Mas desta_vez , Lord_Voldemort agiu através_de outra pessoa , por_meio_de um diário . Pegou em o pequeno caderno com o buraco em o meio , observando Mr._Malfoy de perto . Mas Harry olhava para Dobby . O elfo fazia um sinal muito estranho . Com os seus grandes olhos fixos em Harry , não parava de apontar para ó diário e , em seguida , para Mr._Malfoy , batendo logo_a_seguir com o punho em a cabeça . - Estou a ver ... - disse Mr._Malfoy lentamente a Dumbledore . - Um plano inteligente - afirmou o director em um tom de voz suave , continuando a olhar Mr._Malfoy directamente em os olhos . - Porque se não fosse aqui o Harry e o seu amigo Ron a descobrirem o diário , sem dúvida Ginny_Weasley teria ficado com todas_as culpas . Ninguém teria conseguido provar que ela agira contra a sua própria vontade . Mr._Malfoy não se pronunciou . O seu rosto parecia agora uma máscara . - E vê bem - continuou Dumbledore - o que poderia ter acontecido ... os Weasley são uma de as mais proeminentes famílias de feiticeiros de sangue puro , imagina o efeito em a imagem de Arthur_Weasley e em a sua acção de protecção a os Muggles , se a sua própria filha fosse acusada de atacar e matar filhos de Muggles . Foi uma sorte o diário ter sido descoberto e as memórias de Riddle apagadas . Quem sabe que consequências poderia ter tido ? Mr._Malfoy falou contra vontade . - Sim , foi uma sorte - disse secamente . E , em as suas costas , Dobby continuava a apontar para o diário e para Lucius_Malfoy , batendo depois com o punho em a cabeça . E Harry finalmente percebeu . Fez um sinal a Dobby que correu a esconder se em um canto , torcendo desta_vez as orelhas para se castigar . - Não quer saber como a Ginny obteve esse diário , Mr._Malfoy ? - perguntou Harry . Lucius_Malfoy voltou se para ele . - Como queres que eu saiba onde é_que a estúpida de a garota o arranjou ? - Porque foi o senhor quem lhe o deu - disse Harry . - Em a Flourish and Blotts . O senhor pegou em o livro velho de ela de Transfiguração e meteu o diário lá dentro , não foi ? Viu as mãos brancas de Mr._Malfoy abrirem se e fecharem se . - Prova isso - sibilou . - Oh ! ninguém vai poder prová o - disse Dumbledore sorrindo a o Harry . - Não agora_que o Riddle desapareceu de o caderno . Por outro lado , aconselharia te , Lucius , a não dares mais nenhuma de as coisas velhas de Lord_Voldemort . Se mais alguma for parar a as mãos de crianças inocentes , acho que o Arthur_Weasley fará com que se voltem com toda_a sua carga negativa contra ti . Lucius_Malfoy ficou calado um momento e Harry viu claramente a sua mão direita torcer se como_se desejasse chegar a a varinha . Em vez de isso , voltou se para o seu elfo doméstico . - Vamos , Dobby . Abriu a porta e quando o elfo se aproximou deu lhe um pontapé que o projectou para longe . Ouviram se em o escritório os gritos de dor de Dobby em o corredor . Harry pensou durante um momento e depois decidiu se . - Professor_Dumbledore - disse apressadamente . - Posso dar o diário outra_vez a Mr._Malfoy ? - Certamente , Harry - disse Dumbledore com toda_a calma . - Mas não demores , olha o banquete . Harry agarrou em o diário e saiu de o escritório . Os gritos de dor de Dobby afastavam se ao_longe . Sem perder tempo , perguntando a si próprio se o plano poderia resultar , Harry tirou um de os sapatos , puxou uma de as peúgas enlameadas e viscosas e meteu o diário lá dentro . Em seguida correu até a o fundo de o corredor escuro . Apanhou os em o topo de as escadas . - Mr._Malfoy - disse ofegante , parando . - Tenho uma coisa para si . E meteu a peúga mal cheirosa em a mão de Lucius_Malfoy . - O que é ... ? Mr._Malfoy tirou o diário de dentro de a peúga , deitou a fora e olhou furioso para o caderno estragado e para Harry - Ainda vais acabar por ter um fim igual a o de os teus pais um dia de estes , Harry_Potter - disse em voz baixa . - Eles também eram uns idiotas metediços . Voltou se para se ir embora . - Anda , Dobby , vem ! Mas Dobby não se mexeu . Tinha em as mãos a peúga nojenta de o Harry e olhava para ela como_se fosse um tesouro de valor incalculável . - O senhor deu uma peúga a o Dobby - disse o elfo maravilhado . - Deu a a o Dobby . - O que é isso ? - cuspiu Mr._Malfoy . - Que estás para aí a dizer ? - Dobby tem uma peúga - repetiu incrédulo . - O senhor deitou a fora e Dobby apanhou a e Dobby agora é livre ... Lucius_Malfoy ficou paralisado a olhar para o elfo . Em seguida precipitou se para Harry . - Fizeste me perder o meu servo , rapaz . Mas Dobby gritou : - Não pense que vai fazer mal a o Harry_Potter ! Ouviu se um enorme estrondo e Mr._Malfoy foi empurrado de costas , galgando os degraus de as escadas a três_e_três e indo aterrar lá em baixo todo embrulhado e amarrotado . Levantou se , o rosto lívido e pegou em a varinha , mas Dobby estendeu lhe um dedo ameaçador . - Vá se embora já - disse furioso , apontando para Mr._Malfoy . - Não tocará em o Harry_Potter . Vá se embora , já . Lucius_Malfoy não teve escolha . Lançando a os dois um último olhar de cólera , embrulhou se em o manto e desapareceu . - Harry_Potter libertou Dobby ! - disse o elfo com voz esganiçada , olhando para Harry , a luz de o luar reflectida em os seus grandes olhos em forma de globos . - Harry_Potter libertou Dobby . - Era o mínimo que eu podia fazer , Dobby - disse Harry a sorrir -- , mas promete me que não vais voltar a tentar salvar me a vida . A cara feia e escura de o elfo abriu se , mostrando os dentes , em um enorme sorriso . - Tenho uma pergunta a fazer te , Dobby - disse Harry enquanto o elfo pegava em a peúga de ele com as mãos a tremer . - Disseste me que tudo_isto não tinha nada que ver com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Lembras te ? - Era uma pista , senhor - disse Dobby com os olhos muito abertos como_se fosse absolutamente óbvio . - Dobby estava a dar lhe uma pista . Antes de o senhor de o mal mudar de nome , o seu nome podia ser pronunciado , está a ver ? - Certo - disse Harry sem grande convicção . - Bem , é melhor eu ir indo embora . Há um banquete e a minha amiga Hermione já deve ter acordado ... Dobby lançou os braços a a cintura de Harry e abraçou o . - Harry_Potter é muito maior do_que Dobby imaginava ! - soluçou . - Adeus , Harry_Potter . E com um estalido final , Dobby desapareceu . Harry assistira a diversos banquetes , mas nenhum que se parecesse com aquele . Estavam todos de pijama e a festa durou a noite inteira . Harry não sabia se o melhor tinha sido a Hermione a correr para ele e a gritar : - Tu conseguiste . Tu conseguiste ! , ou o Justin saindo disparado de a mesa de os Hufflepuff para lhe estender a mão , desfazendo se em desculpas por ter suspeitado de ele , ou o Hagrid que apareceu a as três_e_meia e que lhes deu palmadas com tanta força em os ombros que eles foram parar dentro de os pratos de bolo de creme , ou os quatrocentos pontos que ele e o Ron obtiveram para os Gryffindor , ganhando a taça de a equipa por a segunda vez consecutiva , ou a professora Mc_Gonagall de pé , a comunicar lhes que os exames tinham sido cancelados como medida de a escola ( Oh ! não ! exclamou Hermione ) , ou Dumbledore a anunciar que , infelizmente , o professor Lockhart não poderia voltar em o ano seguinte por ter de se ausentar a_fim_de recuperar a memória . Alguns de os professores juntaram se a os alunos que aplaudiram entusiasmados esta notícia . - Que pena - disse Ron , servindo se de um * dounut * de presunto . - E eu que começava a gostar de ele ... O resto de o período de Verão decorreu sob um sol escaldante . Hogwarts voltara a a normalidade , apenas com algumas pequenas diferenças : as aulas de Defesa contra as artes negras foram canceladas ( Mas nós tivemos imensa prática - disse o Ron vendo o descontentamento de Hermione ) e Lucius_Malfoy foi demitido de o Conselho_Directivo . Draco já não passeava por ali como_se fosse o dono de a escola . Pelo_contrário , tinha um ar melindrado e carrancudo . Por outro lado , Ginny_Weasley andava de_novo feliz de a vida . Em_breve chegou o dia de regressarem a casa em o Expresso_de_Hogwarts . Harry , Ron , Hermione , Fred , George e Ginny encheram um compartimento . Tiraram o_máximo partido de aquelas últimas horas em que lhes era permitido usar a magia antes de as férias . Brincaram a as explosões , gastaram o último fogo-de-artíficio Filibuster , de o Fred e de o George e treinaram o mútuo desarmamento através de a magia . Harry começava a ficar muito bom em aquilo . Já estavam perto de a estação de King's_Cross quando Harry se lembrou de uma coisa . - Ginny , o que foi que viste o Percy fazer que ele não queria que nos contasses ? - Ah ! isso - disse a Ginny a rir . - Bem , é_que o Percy tem uma namorada . Fred deixou cair uma pilha de livros em a cabeça de o George . - O quê ? - É aquela prefeita de os Ravenclaw ' Penelope_Clearwater - disse a Ginny . - Foi para ela que ele escreveu durante todo o Verão . Encontravam se em a escola em grande segredo . Eu apanhei os a beijarem se em uma sala de aula vazia e ele ficou tão aflito quando ela foi ... sabes ... atacada . Não vais aborrecê o , pois não ? - perguntou cheia de ansiedade . - Que ideia - respondeu Fred com uma tal satisfação em o rosto que parecia que o seu aniversário chegara mais cedo . - Claro que não - disse o George a rir se a a socapa . O Expresso_de_Hogwarts abrandou e finalmente parou . Harry tirou a pena e um_pouco de pergaminho e voltou se para Ron e Hermione . - Isto_é um número de telefone - disse ele a o Ron , escrevinhando o duas vezes , cortando o pergaminho a o meio e dando lhes os números . - Eu expliquei a o teu pai como usar um telefone em o Verão passado . Ele sabe fazer a chamada . Liga me para_casa de os Dursley , O. _ K. ? Não consigo suportar outros dois meses sem ter mais ninguém com quem falar ... - Mas a tua tia e o teu tio vão ficar orgulhosos de ti , não vão ? - perguntou Hermione quando saíram de o comboio e se misturaram em a multidão que se encontrava junto de a barreira encantada . - Quando souberem o que fizeste este ano . - Orgulhosos ? - disse Harry . - Estás doida ! Podendo eu ter morrido tantas vezes e tendo escapado ? Vão ficar é furiosos ... E juntos avançaram até a a entrada para o mundo de os Muggles . ----------------- J._K._Rowling_Harry_Potter e a Câmara_dos_Segredos_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Chamber of Secrets_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling 1998 Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 2000 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 2.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 Depósito legal : 143.569/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , a a Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Para_Séan_P._F._Harris , condutor imparável e um amigo de os diabos . I_O pior aniversário Não era a primeira vez que uma discussão estoirava a a mesa de o pequeno-almoço , em o número 4 de a Privet_Drive . Mr._Vernon_Dursley fora acordado de manhã cedo por o piar ruidoso que vinha de o quarto de o seu sobrinho Harry . - É a terceira vez esta semana ! - resmungou , a a mesa . - Se não consegues controlar essa coruja , ela não pode ficar aqui . Harry tentou , mais_uma_vez , explicar . - Ela está aborrecida . Estava habituada a voar livremente lá fora . Se eu pudesse , ao_menos , soltá a a a noite ... - Achas me com cara de idiota ? - perguntou rispidamente o tio Vernon , com um fio de ovo preso em o bigode farfalhudo . - Sei muito bem o que aconteceria se essa coruja fosse lá para fora . Trocou um olhar soturno com a mulher , a tia Petúnia . Harry tentou contra-argumentar , mas as suas palavras foram abafadas por um enorme arroto de o filho de os Dursleys , Dudley . - Quero mais bacon . - Há mais em a frigideira , fofinho - disse a tia Petúnia , lançando um olhar vago a o seu filho maciço . - Tens que te alimentar bem enquanto aqui estás , aquela comida de a tua escola não me cheira . - Disparate , Petúnia , eu nunca passei fome enquanto andei em Smeltings - afirmou com sinceridade o tio Vernon . - O Dudley tem que chegue . Não é verdade , filho ? Dudley , que era tão gordo que o rabo saía de os dois lados de a cadeira de a cozinha , sorriu laconicamente e voltou se para Harry . - Passa me a frigideira . -- Esqueceste te de a palavra mágica - disse Harry , irritado . O efeito que esta simples frase teve em o resto de a família foi inacreditável : Dudley começou a arfar e caiu de a cadeira com um estrondo que abalou a cozinha , Mrs._Dursley deu um gritinho e bateu com a mão em a boca , Mr._Dursley pôs se de pé com as veias de as têmporas dilatadas . - Eu queria dizer « por favor » - explicou Harry rapidamente . - Não me referia a ... - : __ o que é_que eu te __ disse - vociferou o tio , espalhando perdigotos sobre a mesa - : __ sobre pronunciar a palavra m . em esta __ casa ? - Mas eu ... - : __ como te atreves a ameaçar o __ dudley ! - rosnou o tio Vernon , batendo com o punho em a mesa . - Eu só ... - : __ estás avisado . não vou admitir referências a tua anormalidade debaixo de o tecto de a minha __ casa ! Harry olhou alternadamente para o rosto congestionado de o tio e para a palidez de a tia que tentava pôr o Dudley de pé . - Está bem - disse Harry . - Está bem ... O tio Vernon voltou a sentar se , respirando como um rinoceronte exausto e observando Harry de perto por o canto de os seus olhos pequeninos e penetrantes . Desde_que Harry regressara para as férias de Verão que o tio Vernon o tratava como_se ele fosse uma bomba , capaz de explodir a qualquer momento , porque Harry não era um rapazinho normal . Em a verdade , ele era o menos normal que é possível imaginar . Harry_Potter era um feiticeiro , um feiticeiro que acabara de concluir o primeiro ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts e a infelicidade que os Dursleys sentiam por ele estar lá em casa não era nada comparada com a de Harry . As saudades de Hogwarts eram tão intensas que se assemelhavam a uma constante dor em o estômago . Sentia a falta de o castelo com as suas passagens secretas e os seus fantasmas , de as aulas ( com excepção talvez de as de Snape , o professor de as poções ) , de o correio a chegar trazido por as corujas , de os banquetes em o salão nobre , de as noites em as camas de dossel em a camarata de a torre , de as visitas a Hagrid , o guarda de os campos em a sua casinha em o bosque , junto de a floresta proibida e , principalmente , sentia a falta de o Quidditch , o desporto mais popular de o mundo de os feiticeiros ( seis postes altos de golo , quatro bolas esvoaçantes e catorze jogadores em_cima_de vassoura ) . Todos os livros de feitiços de Harry , assim_como a varinha , os mantos , o caldeirão e a vassoura topo de gama Nimbus dois_mil tinham sido encerrados por o tio Vernon em a despensa que ficava debaixo de as escadas , em o momento em que Harry regressara a casa . O que é_que lhes interessava se ele perdia ou não o seu lugar em a equipa de Quidditch por não ter praticado durante todo o Verão ? Que importância tinha para eles que o Harry voltasse a a escola sem ter podido fazer os trabalhos de casa ? Os Dursleys eram aquilo que os feiticeiros chamam « Muggles » ( nem uma gota de sangue mágico em as veias ) e , para eles , ter um feiticeiro em a família era motivo de grande vergonha . O tio Vernon tinha , inclusivamente , fechado a cadeado a coruja de Harry , Hedwig , dentro de a gaiola , para evitar que ela transportasse mensagens para a gente de o mundo de a feitiçaria . Harry não se parecia em nada com o resto de a família . O tio Vernon era atarracado e sem pescoço , dotado de um enorme bigode preto ; a tia Petúnia tinha um rosto cavalar e era esquelética ; Dudley era loiro e rosado como um porquinho . Harry , pelo_contrário , era baixo e franzino , com os olhos verdes brilhantes e cabelo negro sempre desalinhado . Usava uns óculos redondos e tinha em a testa uma cicatriz em forma de relâmpago . Era essa cicatriz que o tornava tão invulgar , mesmo para um feiticeiro . Era a única alusão a o seu passado misterioso , a o motivo por o qual , onze anos antes , tinha sido deixado em o degrau de a porta de os Dursleys . Com um ano de idade , Harry sobrevivera a uma maldição de o maior feiticeiro negro de todos os tempos , Lord_Voldemort , cujo nome a maior parte de os feiticeiros e feiticeiras ainda receia pronunciar . Os pais de Harry tinham morrido em um ataque de Voldemort , mas ele escapara com a sua cicatriz em forma de relâmpago e estranhamente , ninguém compreendeu porquê , os poderes de Voldemort tinham sido destruídos em o momento em que não fora capaz de matar o Harry . Por isso , ele foi criado por a irmã de a sua falecida mãe e respectivo marido . Passou dez anos com os Dursleys , sem nunca compreender porque fazia com que acontecessem coisas estranhas , alheias a a sua vontade , acreditando em a história de os Dursleys de que aquela cicatriz fora resultado de um acidente de automóvel em que os pais tinham morrido . E um dia , precisamente um ano antes , Hogwarts escrevera lhe e fora então que tudo começara . Harry fora ocupar o seu lugar em a escola de feitiçaria , onde ele e a sua cicatriz eram famosas ... mas agora o ano escolar chegara a o fim e estava de_novo com os Dursleys . Durante o Verão , voltara a ser tratado como um cão malcheiroso . Os Dursleys nem se tinham lembrado que aquele era o dia de o seu décimo segundo aniversário . É claro que não tivera grandes expectativas : eles nunca lhe tinham dado um presente a sério , muito menos um bolo , mas ignorarem o por completo ... Em esse momento , o tio Vernon pigarreou com um ar importante e disse : - Como todos sabem , hoje é um dia muito importante . Harry olhou para ele , mal conseguindo acreditar . - Pode bem ser que eu faça hoje o maior negócio de toda_a minha vida - afirmou . Harry voltou novamente a atenção para a torrada . É claro , pensou amargamente , o tio Vernon referia se a a estúpida dinner-party . Havia quinze_dias que não falava de outra coisa . Um consultor qualquer cheio de massa e a mulher vinham jantar lá a casa e o tio Vernon tinha esperança de conseguir uma grande encomenda ( a empresa de o tio Vernon fabricava brocas ) . - Acho que devíamos recapitular mais_uma_vez - disse o tio Vernon . - Devemos estar todos a postos a as oito_horas_em_ponto . Petúnia , tu vais estar ... ? - Em o salão - respondeu a tia Petúnia prontamente - a a espera para lhes dar as boas-vindas a nossa casa . - Bom , bom . E o Dudley ? - Eu vou estar a a espera para abrir a porta . - Dudley esboçou um sorriso falso e afectado . - Dão me licença que vos guarde os casacos , Mr. e Mrs._Mason ? - Eles vão adorá o - exclamou arrebatadamente a tia Petúnia . - Excelente , Dudley - disse o tio Vernon . - A seguir voltou se para o Harry . - E tu ? - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - repetiu o Harry , de forma inexpressiva . - Exactamente - confirmou o tio Vernon , de um modo desagradável . - Eu conduzo os até a o salão , apresento te , Petúnia , e sirvo lhes as bebidas . _ a as oito_e_um_quarto . - Eu chamo para a mesa - disse a tia Petúnia . - E tu , Dudley , vais dizer ... - Dá me licença que lhe indique a casa de jantar , Mrs._Mason ? - repetiu o Dudley , oferecendo o seu braço gordo a uma mulher invisível . - O meu pequenino cavalheiro - fungou a tia Petúnia . - E tu ? - perguntou o tio Vernon a o Harry , em o mesmo tom desagradável . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho , fingindo que não estou lá - respondeu Harry aborrecido . - Isso mesmo . Agora , devíamos ter preparadas algumas frases amáveis para o jantar . Petúnia , alguma ideia ? - O Vernon disse me que o senhor é um excelente jogador de golfe , Mr._Mason ... Tem de me dizer onde comprou esse vestido , Mrs._Mason ... - Perfeito . Dudley ? - Que tal : Tivemos de fazer um trabalho para a escola sobre o nosso herói e eu escrevi sobre o senhor ... Foi de mais , tanto para a tia Petúnia como para o Harry . A tia debulhou se em lágrimas e abraçou o filho , enquanto Harry se esgueirava para debaixo de a mesa para ninguém o ver rir . - E tu , rapaz ? Harry fez um esforço para se mostrar inexpressivo quando emergiu . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - disse . - Vais sim senhor - afirmou o tio Vernon energicamente . - Os Mason não sabem nada a teu respeito e é assim que as coisas vão continuar . Quando o jantar terminar , tu trazes Mrs._Mason para o salão , onde vamos tomar café , Petúnia , e eu puxo o assunto de as brocas . Com um_pouco de sorte , tenho o contrato assinado antes de o noticiário de as dez . Amanhã por esta hora , vamos estar a fazer compras para umas férias em Maiorca . Harry não conseguia sentir o menor entusiasmo com aquilo . Não lhe parecia que os Dursleys gostassem mais de ele em Maiorca do_que em Privet_Drive . - Certo , eu vou a a cidade buscar os casacos para mim e para o Dudley . E tu - resmungou , apontando para Harry - não atrapalhes a tua tia enquanto ela estiver a limpar . Harry saiu por a porta de as traseiras . Estava um dia de sol lindo . Atravessou o relvado , deixou se cair em o banco de o jardim e cantarolou baixinho : - Parabéns para mim ... parabéns para mim ... Nem cartas nem presentes e tinha de passar a noite a fingir que não existia . Olhou infeliz para a sebe . Nunca se sentira tão só . Mais do_que tudo em o mundo , mais do_que de Hogwarts , mais até do_que de o jogo de Quidditch , Harry sentia a falta de os amigos Ron_Weasley e Hermione_Granger . Mas eles não pareciam sentir a falta de ele . Nenhum de os dois lhe escrevera durante todo o Verão apesar_de o Ron ter dito que ia convidá o para passar uns dias lá em casa . Inúmeras vezes Harry estivera quase a libertar magicamente Hedwig de a sua gaiola e mandá a levar uma carta a o Ron e a a Hermione mas não valia a pena correr o risco . Os feiticeiros menores de idade não tinham autorização para usar a magia fora de a escola . Harry não contara isto a os Dursleys . Ele sabia que era o medo de que ele os transformasse a todos em baratas que os impedia de o fecharem a a chave em a despensa debaixo de as escadas , juntamente com a varinha e a vassoura . Em as primeiras semanas Harry divertira se a murmurar baixinho palavras sem sentido e a ver o Dudley sair disparado de o quarto , tão rápido quanto as suas pernas gordas lhe permitiam . Mas o silêncio prolongado de Ron e Hermione tinham o feito sentir se tão longe de o mundo de a magia que até divertir se à_custa_de Dudley perdera o interesse . E agora o Ron e a Hermione tinham se esquecido de o seu aniversário . Quanto não daria ele por uma mensagem de Hogwarts ? De qualquer feiticeiro ou feiticeira ? Quase ficaria satisfeito com um sinal de o seu inimigo feroz , Draco_Malfoy , só para ter a certeza de que tudo aquilo não fora apenas um sonho ... Não que tudo durante o ano em Hogwarts tivesse sido divertido . Mesmo em o fim de o último período , Harry confrontara se nem mais nem menos do_que com o próprio Lord_Voldemort . Voldemort podia ter arruinado o seu ego inicial mas continuava a espalhar o terror , ainda astuto , ainda determinado a recuperar o poder . Harry escapara uma segunda vez a as suas garras mas fora por um triz e mesmo agora , algumas semanas decorridas , acordava de noite encharcado em suores frios , perguntando se onde estaria Voldemort , relembrando o seu rosto lívido , os seus olhos completamente loucos ... Harry sentou se subitamente , direito como um fuso , em o banco de o jardim . Tinha estado a olhar distraído para a sebe e a sebe estava a olhar para ele . Dois enormes olhos verdes surgiram por_entre a folhagem . Harry pôs se de pé ao_mesmo_tempo que uma voz sobrevoava a relva . - Eu sei que dia é hoje - cantarolava Dudley , bamboleando se enquanto se aproximava . Os olhos enormes piscaram e desapareceram . - O quê ? - perguntou Harry sem retirar os olhos de o lugar para_onde estava a olhar . - Eu sei que dia é hoje - repetiu , chegando junto de ele . - Ainda_bem - disse Harry . - Aprendeste finalmente os dias de a semana . - Hoje é o dia de os teus anos - troçou o Dudley . - Por_que é_que não recebeste nenhuma carta ? Não tens amigos em esse lugar esquisito ? - É melhor não deixares a tua mãe ouvir te falar de a minha escola - disse Harry calmamente . Dudley puxou para_cima as calças que estavam a escorregar lhe por o rabo gordo abaixo . - Porque estás a olhar para a sebe . ; - perguntou curioso . - Estou a pensar em as palavras que deverei pronunciar para lhe pegar fogo - disse Harry . Dudley recuou de imediato com um olhar de pânico em a cara rechonchuda . - Tu não p-p-odes , o pai disse que não podias fazer magia ou corria contigo aqui de casa e não tens mais nenhum lugar para_onde ir , não tens amigos que te convidem ... - * _ Jiggery pokery * ! - disse Harry com voz firme . - * _ Hocus pocus ... squiggly wiggly * ... - Maaaaaãe - gritou Dudley , tropeçando em os pés , enquanto se precipitava para dentro_de casa . Maaaãe , ele vai fazer aquela coisa ! Harry deu graças a os céus por aquele momento de gozo . Como não aconteceu nada de mal nem a o Dudley nem a a sebe , a tia Petúnia percebeu que ele não fizera magia nenhuma mas , mesmo_assim , Harry teve de se afastar quando ela lhe deu uma forte pancada em a cabeça com a frigideira cheia de detergente . A seguir distribuiu lhe trabalho e o castigo de só voltar a comer quando tivesse acabado tudo . Enquanto Dudley andava a flanar , olhando para o ar e comendo gelados , Harry limpou as janelas , lavou o carro , aparou a relva , adubou os canteiros , podou e regou as rosas e pintou de_novo o banco de o jardim . O sol ardia lá em cima , queimando lhe a parte de trás de o pescoço . Harry sabia que não devia ter provocado Dudley mas ele dissera precisamente aquilo que ele próprio pensava ... talvez não tivesse amigos em Hogwarts . Deviam ver agora o famoso Harry_Potter , pensou amargamente enquanto espalhava adubo em os canteiros , as costas a doerem lhe e o suor a escorrer lhe por o rosto . Eram sete_e_meia_da_tarde quando , por fim , exausto , ouviu a tia Petúnia a chamá o . - Anda para dentro e passa por cima de os jornais . Harry entrou satisfeito em a sombra de a cozinha que rebrilhava . Sobre o frigorífico estava o bolo de a noite : um enorme monte de crome batido coberto de violetas de açúcar . A carne de porco assava em o forno . - Come depressa , os Mason devem estar a chegar ! - exclamou bruscamente a tia Petúnia , apontando para duas fatias de pão e uma de queijo que estavam em cima de a mesa de a cozinha . Ela já tinha posto um vestido de * cocktail * cor de salmão . Harry lavou as mãos e comeu aquele triste jantar . Mal tinha terminado , a tia Petúnia tirou lhe o prato . - Lá para_cima , rápido ! A o passar por a porta de a sala , Harry vislumbrou o tio Vernon e Dudley de casaco e gravata . Tinha acabado de chegar a o cimo de as escadas quando a campainha de a porta tocou e a cara de o tio Vernon apareceu em o patamar . - Lembra te , rapaz , um ruído que seja ... Harry entrou em o quarto em bicos de pés , fechou a porta e preparou se para se meter em a cama . O problema é_que estava lá alguém sentado . II_O aviso de Dobby_Harry conseguiu não gritar , mas foi por_pouco . A pequena criatura que estava em a cama tinha umas orelhas grandes e largas e uns olhos verdes protuberantes de o tamanho de bolas de ténis . Harry percebeu imediatamente que fora para ele que tinha estado a olhar de manhã . Enquanto olhavam um para o outro , Harry ouviu a voz de Dudley em o * hall * . - Posso guardar os vossos casacos , Mr. e Mrs._Mason ? A criatura escorregou por a cama e curvou se tanto que a ponta de o seu enorme nariz tocou em o tapete . Harry reparou que ele tinha vestido uma espécie de fronha de almofada com buracos para os braços e pernas . - Er ... Olá - disse Harry , um_pouco nervoso . - Harry_Potter ! - exclamou a criatura em uma voz tão estridente que Harry calculou que poderia ouvir se lá em baixo . - Há tanto tempo que Dobby queria conhecê o , senhor . É uma enorme honra ... - Ob-obrigado - disse Harry , deslocando se a o longo de a parede e sentando se em a cadeira de a secretária , junto de Hedwig que dormia em a sua grande gaiola . Queria perguntar lhe « O que és tu ? » , mas pensou que seria má educação , por isso perguntou : - Quem és tu ? - Dobby , senhor . Apenas Dobby , o elfo de casa - afirmou a criatura . - Oh ! A sério ? - perguntou Harry . - Não quero ser mal-educado , mas esta não é a melhor altura para ter um elfo em o meu quarto . O riso falso de a tia Petúnia ouvia se em a sala de jantar . O elfo deixou cair a cabeça . - Não que eu não me sinta feliz por te conhecer - disse Harry rapidamente - mas , er ... estás aqui por algum motivo em especial ? - Oh , sim senhor - disse Dobby muito a sério . - Dobby veio dizer lhe que ... é difícil ... Dobby não sabe por_onde começar ... - Senta te - disse Harry educadamente , apontando lhe a cama . Para seu horror , o elfo debulhou se em lágrimas bastante ruidosas . -- S-senta-te ! - repetiu . - Nunca em toda_a minha vida ... Harry pareceu lhe ouvir as vozes lá em baixo vacilarem . - Desculpa - murmurou . - Eu não queria ofender te ... - Ofender Dobby ! - exclamou o elfo em um sufoco . - Nunca nenhum feiticeiro disse a o Dobby que se sentasse como um seu igual , senhor . Harry , tentando dizer lhe « Sch ... » e confortá o ao_mesmo_tempo , conduziu Dobby de_novo até a a cama onde ele se sentou a soluçar , parecendo uma grande boneca muito feia . Por fim , conseguiu controlar se e ficou quieto , com os seus grandes olhos fixos em Harry em uma expressão de absoluta adoração . - Não deves ter conhecido muitos feiticeiros sérios - disse lhe , tentando animá o . Dobby abanou a cabeça . Em seguida , sem qualquer aviso , saltou e começou a bater furiosamente com a cabeça em a janela , gritando : - Dobby é mau ! Dobby é mau ! - Pára , o que é_que estás a fazer ? - perguntou Harry em um murmúrio sibilante , dando um salto e puxando Dobby de_novo para a cama . Hedwig acordara com um pio particularmente agudo e batia agressivamente com as asas contra as grades de a gaiola . - Dobby tinha que se castigar , meu senhor - afirmou o elfo , que ficara ligeiramente estrábico . - Dobby quase falou mal de a família de ele ... - De a tua família ? - De a família de feiticeiros que Dobby serve , meu senhor ... O Dobby é um elfo de casa , obrigado a servir uma casa e uma família para sempre . - Eles sabem que estás aqui ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Dobby estremeceu . - Oh , não senhor , não ... Dobby vai ter que se castigar muito por ter vindo vê o . Dobby vai ter que entalar as orelhas em a porta de o forno por isto . Se eles soubessem , senhor ... - Mas achas que eles não vão reparar se tu entalares as orelhas em a porta de o forno ? - Dobby duvida , senhor . Dobby está sempre a ter de se castigar por qualquer coisa . Eles deixam que o Dobby se castigue . _ às_vezes até sugerem alguns castigos extra . - Mas por_que é_que não te vais embora , não foges ? - Um elfo de casa tem de ser libertado , senhor . E a família nunca libertará Dobby . Dobby servirá a família até morrer . Harry olhou para ele . - E eu que pensava que era infeliz por ter de ficar aqui mais quatro semanas - declarou . - Isto faz os Dursleys parecerem quase humanos . Será que ninguém te pode ajudar ? Poderei eu ? Em o mesmo momento , Harry desejou não ter aberto a boca . Dobby desfez se em ruidosos soluços de gratidão . - Por favor - murmurou Harry , inquieto . - Por favor , está calado . Se os Dursleys ouvem barulho , se eles sabem que estás aqui ... - Harry_Potter pergunta se pode ajudar Dobby . Dobby ouviu falar de a sua grandeza , mas de a sua bondade , Dobby nada sabia . Harry , que se sentia corar , disse : - Seja o que for que tenhas ouvido sobre a minha grandeza , é um disparate . Nem_sequer sou o melhor de o meu ano em Hogwarts . É a Hermione . Ela ... Mas calou se rapidamente porque pensar em Hermione era lhe doloroso . - Harry_Potter é humilde e modesto - disse Dobby reverentemente , com os seus olhos de globo avermelhados . - Harry_Potter não fala de a sua vitória sobre « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . - Voldemort ? - perguntou Harry . Dobby bateu com as mãos em as enormes orelhas e gemeu : - Ai não diga o nome , senhor . Não diga o nome ! - Desculpa - disse Harry muito depressa . - Eu sei que muita gente não gosta . O meu amigo Ron ... Calou se de_novo . Pensar em o Ron era igualmente doloroso . Dobby voltou para Harry os seus dois olhos grandes como candeeiros . - Dobby ouviu dizer - balbuciou com voz rouca - que Harry_Potter encontrou o Senhor_do_Mal uma segunda vez há poucas semanas atrás ... que Harry_Potter lhe escapou de_novo . Harry acenou e os olhos de Dobby encheram se de lágrimas . - Ah , senhor - disse em um sobressalto , limpando o rosto com a ponta de a fronha de almofada que tinha vestida . - Harry_Potter é valente e arrojado . Enfrentou tantos perigos ! Mas Dobby veio protegê o , avisar Harry_Potter , mesmo_que para isso tenha de entalar as orelhas em a porta de o forno , que Harry_Potter não deve voltar para Hogwarts . Houve um silêncio apenas quebrado por o ruído de os garfos e de as facas lá em baixo e por a voz distante de o tio Vernon . - O q-q-uê ? - gaguejou Harry . - Mas eu tenho de voltar , o ano começa em o dia um de Setembro . É a minha razão de viver . Tu não sabes como são as coisas aqui . Eu não pertenço a este lugar , o meu lugar é em Hogwarts . - Não , não , não - guinchou Dobby , sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas andavam de um lado para o outro . - Harry_Potter deve ficar aqui , onde se encontra a salvo . É demasiado grande , demasiado bom para se perder . Se Harry_Potter regressar a Hogwarts correrá perigo de vida . - Porquê ? - inquiriu Harry , surpreendido . - Há uma conspiração , Harry_Potter . Uma conspiração para fazer acontecer coisas terríveis este ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts - murmurou Dobby que começara a tremer de a cabeça a os pés . - Dobby sabe de isto há meses , senhor . Harry_Potter não deve expor se a o perigo . É demasiado importante . - Que coisas terríveis são essas ? - perguntou Harry sem perder tempo . - Quem está por detrás ? Dobby fez um ruído esquisito e começou a bater com a cabeça contra a parede como um louco . - Está bem - gritou Harry , agarrando o braço de o elfo para o fazer parar . - Não podes dizer , eu compreendo . Mas porque vieste avisar me ? - Um pensamento súbito e desagradável surgiu lhe . - Espera aí , isto tem alguma coisa que ver com o Vol , desculpa com o Quem nós sabemos ? Basta que faças sim ou não com a cabeça - acrescentou com vivacidade enquanto a cabeça de Dobby se inclinava de_novo a uma velocidade preocupante para a parede . Lentamente , Dobby abanou a cabeça . - Não , não é « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . Os olhos de Dobby estavam abertos como_se estivesse a tentar dar a Harry uma pista , mas Harry estava completamente a a nora . - Ele não tem nenhum irmão , ou tem ? Dobby abanou a cabeça , os olhos mais abertos do_que nunca . - Bem , em esse caso não estou a ver quem mais poderia ter a possibilidade de fazer acontecer coisas horríveis em Hogwarts - disse Harry . - Quero dizer , para já está lá o Dumbledore . Sabes quem é Dumbledore , não sabes ? Dobby baixou a cabeça . - Albus_Dumbledore é o melhor director que Hogwarts alguma vez teve . Dobby sabe , senhor . Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore rivalizam com os d'aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Mas , senhor - a voz de Dobby desceu a um urgente murmúrio - há poderes que Dumbledore não ... poderes que nenhum feiticeiro sério ... E antes que Harry conseguisse impedi o Dobby saltou de a cama , agarrou o candeeiro de secretária de Harry e começou a bater com a cabeça , dando uivos ensurdecedores . Fez se silêncio lá em baixo . Dois segundos mais tarde , Harry com o coração a bater como um louco , ouviu o tio Vernon chegar a o * hall * e dizer . - O Dudley deve ter deixado outra_vez a televisão ligada , o maroto ! - Depressa , para dentro de o guarda-fatos - gritou Harry , empurrando Dobby bem para o fundo , fechando a porta e metendo se a correr em a cama mesmo a_tempo_de ver a maçaneta de a porta a girar . - Que diabo estás tu a fazer ? - disse o tio Vernon entre dentes , o rosto assustadoramente próximo de o de Harry . - Acabas de estragar o ponto alto de a minha anedota de o golfista japonês . Eu que oiça mais um som e vais desejar nunca ter nascido , rapaz ! Abandonou o quarto com grandes passadas . A tremer , Harry deixou Dobby sair de o guarda-fatos . - Estás a ver como são as coisas por aqui ? - disse . - Vês porque tenho de voltar para Hogwarts ? É o único sítio onde eu tenho ... bem , onde eu acho que tenho amigos . - Amigos que nem_sequer escrevem a Harry_Potter ? - disse Dobby com ar manhoso . - Calculo que devem ter estado ... espera aí - disse Harry , franzindo a testa . - Como é_que tu sabes que os meus amigos não me têm escrito ? Dobby arrastou os pés . - Harry_Potter não deve zangar se com Dobby . Dobby fez o que achou melhor ... - Tu tens estado a interceptar me as cartas ? - Dobby tem as aqui , senhor - disse o elfo . Saltando para longe de o alcance de Harry , retirou de dentro de a fronha que usava um espesso saco cheio de envelopes . Harry reconheceu de imediato a caligrafia certinha de Hermione , a escrita desordenada de Ron e até uns gatafunhos que pareciam ser de o guarda de os campos de Hogwarts , Hagrid . Dobby piscava ansiosamente os olhos . - Harry_Potter não deve ficar zangado ... Dobby esperava que ... se Harry_Potter pensasse que os amigos o tinham esquecido ... Harry_Potter talvez não quisesse voltar a a escola , senhor . Harry não o ouvia . Fez um gesto para agarrar as cartas , mas Dobby deu um salto , afastando se . - Harry_Potter terá as cartas , senhor , se der a Dobby a sua palavra de não voltar a Hogwarts . Ah , senhor , é um risco que não deve correr . Diga que não volta , senhor ! - Não - afirmou Harry zangado . - Dá me as cartas de os meus amigos ! - Em esse caso , Harry_Potter deixa Dobby sem escolha - disse o elfo tristemente . Antes que Harry pudesse fazer um movimento , Dobby tinha aberto a porta de o quarto e descido a correr por as escadas abaixo . Com a boca seca e um aperto em o estômago , Harry correu atrás de ele , tentando não fazer barulho . Saltou os últimos seis degraus , aterrando como um gato em a carpete de o * hall * , olhando em volta a a procura de Dobby . De a sala de jantar , ouviu a voz de o tio Vernon : - Conte a a Petúnia aquela história engraçadíssima de os funileiros americanos , ela tem estado louca por ouvi a , Mr._Mason . Harry correu de o * hall * para a cozinha e sentiu o estômago ficar pequenino . O pudim , que era a a obra-prima de a tia Petúnia , a montanha de creme batido coberto de violetas de açúcar flutuava junto de o tecto . Em cima de o guarda-louça de o canto , Dobby inclinava se servilmente . - Não - suplicou Harry . - Por favor , eles matam me . - Harry_Potter deve dizer que não vai voltar a a escola ... - Dobby , por favor . - Diga , senhor . - Não posso . Dobby lançou lhe um olhar trágico . - Então , Dobby deve fazê o , senhor , para o bem de Harry_Potter . O pudim foi direito a o chão em uma queda que parecia um coração a parar . O crome esguichou para as janelas e para as paredes , enquanto o prato se despedaçava . Com o ruído de uma chicotada , Dobby desapareceu . Ouviram se gritos em a casa de jantar e o tio Vernon irrompeu por a cozinha onde foi dar com Harry coberto , de a cabeça a os pés , por o pudim de a tia Petúnia . A princípio parecia que o tio Vernon ia conseguir arranjar uma desculpa para aquilo tudo . ( É só o nosso sobrinho , muito perturbado ; conhecer pessoas estranhas deixa o muito nervoso , por isso deixamos o lá em cima ... ) Conduziu_os_Mason , bastante chocados , para a sala de jantar , garantindo a Harry que o esfolava vivo quando os Mason se fossem embora e pôs lhe em as mãos um esfregão . A tia Petúnia descobriu um resto de gelado em o frigorífico e Harry , ainda a tremer , começou a limpar a cozinha . O tio Vernon poderia ainda ter feito o negócio , se não fosse a coruja . Estava a tia Petúnia a circular com uma caixa de After-Eight , quando uma enorme coruja de celeiro fez a sua entrada vertiginosa através de a janela de a casa de jantar , deixando cair uma carta em a cabeça de Mr._Mason e desaparecendo logo_a_seguir . Mrs._Mason gritava como uma carpideira e corria por a casa praguejando contra os lunáticos . Mr._Mason ficou o tempo estritamente necessário para dizer a os Dursleys que a mulher tinha um medo pânico de pássaros de todas_as formas e tamanhos e perguntar lhes se aquela era alguma brincadeira de mau gosto . Harry não saiu de a cozinha , agarrando o esfregão como defesa , enquanto o tio Vernon avançava para ele com um brilho demoníaco em os olhos pequeninos . - Lê isso - ordenou maldosamente . Harry pegou em a carta . Não era a desejar lhe um bom aniversário . * _ Caro_Mr._Potter , * _ Recebermos hoje informações de que um feitiço de suspensão em o ar foi efectuado em sua casa esta noite , a as nove_horas_e_doze_minutos . * _ Como sabe , os feiticeiros menores não estão autorizados a praticar magia fora de a escola e , se efectuar mais um trabalho mágico , será expulso de a nossa escola . ( Decreto_de_Restrições_Razoáveis_para_Feitiçaria_de_Menores , 1875 , parágrafo C. ) * _ Pedimos-lhe também que se lembre que qualquer actividade que possa ser notada por membros alheios a a nossa comunidade ( Muggles ) constitui uma ofensa grave , segundo a secção 13 de a Confederação_Internacional_do_Estatuto_da_Magia_Secreta . * _ Tenha umas boas férias . * Atenciosamente_Mafalda_Hopkirk_Gabinete_da_Utilização_Imprópria_da_Magia_Ministério_da_Magia * . Harry olhou para a carta e engoliu em seco . - Tu não nos contaste que estavas proibido de usar magia fora de a escola - disse o tio Vernon com um brilho maldoso a dançar lhe em os olhos . - Esqueceste te de o mencionar , passou te , não foi ? Tinha se aproximado de Harry como um grande * bulldog * , com todos os dentes a a mostra . - Tenho boas notícias para ti , rapaz , vou fechar te a a chave e , se tentares sair através_de magia , nunca mais voltas a aquela escola , eles expulsam te . E rindo como um louco , arrastou Harry até a o andar de cima . O tio Vernon era mau como as cobras . Em a manhã seguinte pagou a um homem para colocar grades em a janela de o quarto de Harry . Ele próprio abriu um pequeno buraco em a porta de o quarto para que a comida pudesse ser introduzida três vezes por dia . Deixavam o Harry sair para ir a a casa_de_banho de manhã e a o final de a tarde . O resto de o tempo estava fechado em o quarto , a a espera que o tempo passasse . Três dias mais tarde , os Dursleys não mostravam qualquer intenção de abrandar o castigo e Harry não sabia como sair de aquela situação . Estava deitado em a cama , vendo o sol brilhar por_entre as grades de a janela e perguntando se tristemente o que viria a acontecer lhe . Qual era a vantagem de sair de ali por artes mágicas , se Hogwarts o expulsaria em seguida ? Contudo , a vida em Privet_Drive tinha atingido o seu nível mais baixo . Agora_que os Dursleys tinham a certeza que não iam acordar transformados em morcegos , ele perdera a única arma que tinha . O Dobby podia tê o salvo de acontecimentos terríveis em Hogwarts , mas de a maneira que as coisas estavam , ele morreria muito provavelmente a a fome . A portinhola rangeu e a mão de a tia Petúnia apareceu empurrando uma tigela de sopa de pacote para dentro de o quarto . Harry , que estava cheio de fome , saltou de a cama e agarrou a . A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um único trago . A seguir , atravessou o quarto até a a gaiola de Hedwig e pôs os legumes ensopados dentro de o seu pratinho vazio . Ela agitou as penas e olhou o com profunda repugnância . - Não vale de nada virares lhe as costas . É tudo_o_que temos - disse Harry , de modo severo . Colocou a tigela vazia em o chão junto de a portinhola e voltou para_cima de a cama , de certo modo com mais fome do_que antes de ter comido a sopa . Admitindo que estaria ainda vivo dentro_de quatro semanas o que aconteceria se ele não se apresentasse em Hogwarts ? Será que mandariam alguém obrigar os Dursleys a deixá o ir ? O quarto começava a escurecer . Exausto e com o estômago a dar horas , o cérebro a as voltas com as mesmas questões sem resposta , Harry caiu em um sono intranquilo . Sonhou que fazia parte de um espectáculo de o jardim zoológico . Preso a a jaula onde se encontrava estava um cartaz onde podia ler se « feiticeiro menor de idade « . As pessoas olhavam o com olhos protuberantes , enquanto ele jazia fraco e esfomeado em um leito de palha . Viu a cara de o Dobby em o meio de a multidão e gritou lhe , pedindo ajuda , mas o Dobby respondeu : - Harry_Potter está em segurança aí , senhor - e desapareceu . Em seguida vieram os Dursleys e Dudley bateu em as grades de a jaula , rindo se de ele . - Pára com isso - murmurou Harry como_se aquele ruído martelasse em a sua cabeça dorida . - Deixa me em paz , pára com isso , estou a tentar dormir . Abriu os olhos . O luar brilhava através de as grades de a janela . E lá fora alguém olhava de olhos arregalados para ele : alguém de rosto sardento , cabelo ruivo e nariz grande . Ron_Weasley estava de o lado de_fora de a janela . III « A toca » Ron ! - exclamou Harry , arrastando se até a a janela e empurrando a para poderem falar através de as grades . - Ron , como é_que tu , foi o ... ? Harry ficou de boca aberta , espantado com o que viu . Ron estava debruçado de a janela de trás de um velho automóvel azul-turquesa que se encontrava estacionado em o ar . Em os lugares de a frente , rindo se para Harry , estavam os irmãos mais velhos , os gémeos Fred e George . - Tudo bem , Harry ? - O que é_que se tem passado ? - perguntou o Ron . - Porque não respondeste a as minhas cartas ? Convidei te para vires ter comigo umas doze vezes e um dia o pai chegou a casa e comunicou nos que tu tinhas recebido um aviso oficial por usares magia diante de os Muggles ... - Não fui eu . E como é_que ele soube ? - Ele trabalha em o Ministério - disse o Ron . - Tu sabes que nós não podemos fazer feitiços fora de a escola . - Bem , isso vindo de ti ... - exclamou Harry , olhando para o carro flutuante . - Oh , isto não conta - disse Ron . - Foi o meu pai que o emprestou . Não o fizemos aparecer por magia . Mas usar magia em a frente de esses Muggles com quem tu vives ... - Já te disse que não fui eu , mas vai demorar muito_tempo a explicar te isso agora . És capaz de avisar em Hogwarts que os Dursleys me fecharam a a chave e que não querem deixar me voltar e obviamente eu não posso sair de aqui magicamente senão o Ministério vai achar que é a segunda vez em três dias e ... - Pára com essa conversa tola - disse o Ron . - Viemos para te levar connosco . - Mas tu também não podes tirar me de aqui utilizando processos mágicos ... - Não precisamos de isso - afirmou Ron , fazendo um sinal de cabeça para os lugares de a frente . - Esqueces te de quem está aqui comigo . - Amarra isso em volta de as grades - disse o Fred , lançando a Harry a ponta de uma corda . - Se os Dursleys acordam estou feito - lamentou se Harry enquanto dava um nó bem apertado com a corda em uma de as grades e o Fred arrancava com o carro . - Não te preocupes e chega te para trás . Harry recuou para a sombra , para junto de Hedwig que parecia ter se apercebido de a importância de tudo aquilo , mantendo se quieta e em silêncio . O carro puxou mais e mais e , subitamente , com um ruído de ferro a ceder , as grades foram arrancadas de a janela , enquanto Fred conduzia com o céu como estrada . Harry correu de_novo para a janela para ver as grades a balouçarem a poucos metros de o chão . Ofegante , Ron içou as para dentro de o carro . Harry escutou ansiosamente mas não vinha qualquer som de o quarto de os Dursleys . Quando as grades estavam em segurança em os lugares de trás junto de Ron , Fred aproximou se o_máximo que lhe foi possível de a janela . - Anda de aí - disse . - Mas , todas_as minhas coisas de Hogwarts , a minha varinha , a minha vassoura ... - Onde estão ? - Fechadas em a despensa debaixo de as escadas e eu não posso sair de este quarto . . - Não há azar - disse o George . - Sai de a frente , Harry . Fred e George treparam cautelosamente e entraram por a janela em o quarto de Harry . Tinhas que ter aberto a boca , pensou Harry enquanto George tirava de o bolso um vulgar gancho de cabelo e começava a tentar abrir a fechadura . - Muitos feiticeiros acham que é uma perda de tempo aprender os truques de os Muggles - disse o Fred . - Mas nós pensamos que há habilidades que é sempre útil conhecer apesar_de serem um_pouco lentas . Ouviu se um pequeno clique e a porta abriu se . - Pronto , vamos buscar as tuas coisas . Tu vai dando a o Ron aquilo que precisas de aí de o teu quarto - murmurou George . - Cuidado com o degrau de cima que range - sussurrou Harry enquanto os gémeos desapareciam em o escuro . Harry deu a volta a o quarto , recolhendo as suas coisas e passando as por a janela a o Ron . Em seguida , foi ajudar o Fred e o George a trazerem o resto por as escadas acima . Ouviu o tio Vernon tossir . Por fim , de língua de_fora , chegaram a o quarto , junto de a janela aberta . Fred trepou para o carro para puxar os volumes com o Ron enquanto Harry e George os empurravam de dentro de o quarto . Centímetro a centímetro o malão foi passando por a janela . O tio Vernon tossiu de_novo . - Mais um_pouco - disse o Fred que estava a puxar de dentro de o carro . Um bom empurrão , vá . Harry e George encostaram os ombros contra a mala e ela escorregou para a parte de trás de o carro . - O. _ K. , vamos embora - murmurou o George . Mas quando Harry trepava para o parapeito de a janela ouviu se um forte pio atrás de ele , imediatamente seguido de o vociferar de o tio Vernon . - Aquela maldita coruja ! - Esqueci me de a Hedwig ! Harry precipitou se de_novo para o quarto , enquanto a luz de o patamar se acendia . Agarrou a gaiola de Hedwig , correu para a janela e passou a a o Ron . Estava a subir para_cima de a cómoda quando o tio Vernon bateu em a porta , que não estava fechada , e esta se abriu completamente . Por uma fracção de segundo , o tio Vernon ficou estático junto de a porta . Em seguida , soltou um mugido como um boi zangado e avançou para Harry , agarrando o por o tornozelo . Ron , Fred e George seguraram o por os braços e puxaram o com toda_a força . - Petúnia - rosnou o tio Vernon . - Ele está a fugir ! : __ ele está a __ fugir ! Os Weasleys deram um puxão gigantesco e a perna de o Harry escapou a as garras de o tio Vernon . Logo_que Harry entrou em o carro e a porta se fechou , Ron gritou : - Acelera Fred ! - E o carro partiu subitamente em direcção a a lua . Harry mal podia acreditar que estava livre . Esticou se a a janela , o ar de a noite a fustigar lhe os cabelos e olhou para baixo , para os telhados apertados de Privet_Drive . O tio Vernon , a tia Petúnia e o Dudley estavam todos debruçados com cara de parvos , a a janela de o quarto de ele . - Até a o próximo Verão - gritou . Os Weasleys riam se a as gargalhadas e Harry esticou se para trás em o assento e pediu a o ouvido de Ron : - Deixa sair a Hedwig . Ela pode voar atrás_de nós . Há séculos que não tem uma oportunidade de esticar as asas . George passou a o Ron o gancho de cabelo e , um momento depois , a Hedwig saíra feliz por a janela , planando atrás de eles como um fantasma . - Então , qual é a história ? - perguntou Ron , impaciente . - O que é_que tem estado a acontecer ? Harry contou lhes tudo sobre o Dobby , o aviso de este e o fracasso de o pudim de violetas . Houve um longo silêncio quando ele se calou . - Isso cheira me a esturro - disse , por fim , o Fred . - Definitivamente misterioso - concordou George . - Então ele nem te disse quem está supostamente por detrás dessa trama toda ? - Acho que não podia - explicou Harry . - Já te disse , de cada_vez que estava quase a deixar escapar qualquer coisa , começava a bater com a cabeça em a parede . Viu Fred e George olharem um para o outro . - O quê ? Acham que ele estava a mentir me ? - perguntou Harry . - Bem - começou o Fred -- , coloquemos as coisas de o seguinte modo , os elfos de casa têm poderes mágicos próprios , mas geralmente não podem usá os sem a autorização de os seus donos . Eu acho que o bom de o Dobby foi enviado para evitar que voltasses para Hogwarts . Uma ideia de um engraçadinho . Haverá alguém em a escola com má vontade contra ti ? - Sim - responderam Harry e Ron , precisamente ao_mesmo_tempo . - Draco_Malfoy - explicou Harry . - Ele detesta me . - Draco_Malfoy ? - perguntou George , voltando se para trás . - O filho de o Lucius_Malfoy ? - Deve ser . Não é um nome muito vulgar , pois não ? - disse Harry . - Mas porquê ? - Ouvi o pai falar acerca de ele - confidenciou George . - Ele era um grande apoiante de o « Quem nós sabemos » . - E quando o « Quem nós sabemos » desapareceu - continuou o Fred , voltando a cara para olhar para Harry - o Lucius_Malfoy voltou , dizendo que não foi por vontade própria que fez o que fez . Monte de lixo . O pai acha que ele fazia parte de um círculo de amigos íntimos de o « Quem nós sabemos » . Harry já tinha ouvido esses boatos sobre a família de Malfoy e não o surpreenderam em absoluto . Malfoy fizera Dudley_Dursley parecer um rapazinho simpático , amável e sensível . - Não sei se os Malfoy têm um elfo de casa ... - afirmou Harry . - Bem , quem quer que o possua é sem dúvida uma antiga família de feiticeiros e deve ser rica - explicou Fred . - Sim . A mãe está sempre a desejar que pudéssemos ter um elfo de casa para passar a roupa a ferro - disse o George . - Mas só temos um velho vampiro piolhoso em o sótão e gnomos espalhados por o jardim . Os elfos de casa pertencem a as grandes casas senhoriais , a os castelos e lugares assim , não encontrarias um em a nossa casa ... Harry estava calado . Considerando que Draco_Malfoy tinha sempre as melhores coisas , que a sua família nadava em ouro de feiticeiros , era fácil imaginá o passeando se por uma enorme casa senhorial . Mandar o servo de a família evitar que Harry voltasse para Hogwarts também parecia exactamente o tipo de coisa que Malfoy poderia fazer . Teria Harry sido estúpido a o tomar Dobby a sério ? - De qualquer modo , ainda_bem que viemos buscar te - declarou Ron . - Eu começava a ficar seriamente preocupado por não responderes a nenhuma de as minhas cartas . A princípio pensei que a culpa fosse de a Errol ... - Quem é a Errol ? - A nossa coruja . Já é velhota . Não seria a primeira vez que adoecia durante uma entrega . Por isso , tentei pedir a Hermes emprestada ... - Quem ? - A coruja que os meus pais compraram a o Percy quando ele foi nomeado prefeito - respondeu Fred . - Mas o Percy não me a emprestou . Disse que precisava de ela . - O Percy tem andado com atitudes muito estranhas este Verão - comentou George franzindo a testa . - E tem mandado imensas cartas e passado um tempo infinito fechado em o quarto ... enfim , pode limpar se e polir um distintivo de prefeito todas_as vezes que se quiser ... Estás a conduzir demasiado para ocidente , Fred - acrescentou apontando para uma bússola em o painel de o automóvel . Fred girou o volante . - Então , o vosso pai sabe que têm o carro ? - perguntou Harry , quase adivinhando a resposta . - Er ... não - disse o Ron . - Ele tinha trabalho esta noite . Felizmente vamos poder pô o de_novo em a garagem , sem a mãe perceber que andámos a voar nele . - A propósito , o que faz o vosso pai em o Ministério_da_Magia ? - Trabalha em o Departamento mais chato - respondeu Ron . - A Divisão de utilização incorrecta de artefactos de os Muggles . - O quê ? - Relaciona se com objectos de feitiçaria que foram feitos por os Muggles ; sabes como é , se forem parar de_novo a uma loja de os Muggles , ou a uma casa , como em o ano passado , quando morreu uma bruxa velha e o bule de ela foi vendido a uma loja de antiguidades . Uma mulher Muggle comprou o , tentou servir chá a os amigos . Foi um pesadelo , o pai teve de fazer horas extraordinárias durante semanas . - O que é_que aconteceu ? - O bule parecia louco , esguichou chá a ferver para todos os lados e um de os homens foi parar a o hospital com a pinça de o açúcar presa em o nariz . O pai ficou nervosíssimo . É só ele e o velho feiticeiro Perkings em o gabinete e tiveram de localizar e descobrir todo o tipo de encantamentos para resolver o assunto . - Mas o teu pai ... este carro ... Fred riu se . - Sim , o pai é louco por tudo_o_que tem que ver com os Muggles . A nossa arrecadação está cheia de coisas de os Muggles . Ele separa as , lança lhes feitiços e volta a pô as em o lugar . Se ele fizesse uma busca a nossa casa teria de se prender a si mesmo . A minha mãe fica louca com tudo aquilo . - É a estrada principal - gritou o George , apontando para baixo através de a janela . - Dentro_de poucos minutos estamos lá , mesmo a tempo , está a começar a clarear . Um leve brilho rosado tingia o horizonte para leste . Fred trouxe o carro para baixo e Harry pôde ver uma manta de retalhos de campos escuros e matas de arbustos . - Estamos um_pouco longe de a vila - disse George . - Em Ottery_St . Catchpole ... O carro voador foi descendo a os poucos . A luz avermelhada brilhava agora por_entre as árvores . - Terra - disse o Fred , em o momento em que tocaram em o chão com um ligeiro solavanco . Tinham aterrado perto_de uma garagem em ruínas em um pequeno pátio e Harry viu pela_primeira_vez a casa de o Ron . Parecia ter sido em tempos uma pocilga de pedra . Mas os quartos que posteriormente lhe tinham sido acrescentados haviam a tornado bastante mais alta e o seu aspecto era tão curvado que parecia ter sido construída por artes mágicas ( o que , pensou Harry , era , muito provavelmente , verdade ) . De o telhado vermelho saíam quatro ou cinco chaminés . Junto de a entrada , fixa em o chão , podia ver se uma inscrição assimétrica que dizia « A toca » . A o lado de a porta principal estava uma contusão de botas de * _ Wellington * e um caldeirão completamente enferrujado . Por o pátio passeavam se várias galinhas castanhas e gordas . - Não é grande coisa - desculpou se o Ron . - É óptima - exclamou Harry , feliz , pensando em Privet_Drive . Saíram de o carro . - Agora vamos lá para_cima sem fazer barulho - disse o Fred . - E esperamos que a mãe nos chame para o pequeno-almoço . Depois tu , Ron , desces a escada entusiasmadíssimo . - Mãe , olha quem apareceu cá durante a noite ! - E ela vai sentir se felicíssima quando vir o Harry . Assim ninguém fica a saber que levámos o carro voador . - Certo - disse o Ron . - Vamos , Harry , eu durmo em o ... Ron ganhou uma cor de um pálido esverdeado , os olhos fixos em a casa . Os outros três fizeram meia volta . Mrs._Weasley avançava por o pátio , afugentando as galinhas e , para uma mulher baixa , roliça e simpática , era fantástico como conseguia parecer se com um tigre dentes-de-sabre . - Ah ! - suspirou o Fred . - Oh , oh ! - exclamou o George . Mrs._Weasley parou em frente de eles . As mãos em as ancas , saltando de um olhar culpado para o outro . Usava um avental a as flores , com uma varinha a sair lhe de o bolso . - Com que então - disse . - Bom dia , mãe - arriscou o George com uma voz que tentou que fosse alegre e bem-disposta . - Vocês têm alguma ideia de como tenho estado preocupada ? - perguntou Mrs._Weasley em um murmúrio fraco . - Desculpe , mãe , mas sabe , nós tivemos que ... Os três filhos de Mrs._Weasley eram mais altos do_que ela , mas tremiam quando a fúria de a mãe se abatia sobre eles . - Camas vazias ! Nem um bilhete ! O carro desaparecido ... Podiam ter tido um acidente , estou fora de mim com tanta preocupação e vocês nem se importam ... nunca , enquanto eu for viva ... esperem só até o vosso pai chegar , nunca tivemos problemas de estes com o Bill , com o Charlie ou com o Percy ... - O perfeito Percy - resmungou Fred . - : __ tu não vales um dedo de a mão de o __ percy ! - gritou Mrs._Weasley , espetando um dedo em o queixo de o Fred . - Podias ter morrido , podias ter sido visto , podias ter feito com que o teu pai perdesse o emprego ... Parecia nunca mais acabar . Mrs._Weasley tinha gritado até ficar ronca , antes de se voltar para o Harry , que recuou . - Estou muito contente por te ver , Harry - disse . - Entra e vem tomar o pequeno-almoço . Ela voltou se e regressou a casa e Harry , depois de trocar um olhar nervoso com o Ron , que lhe acenou , encorajando o , seguiu a . A cozinha era pequena e bastante estreita . A meio havia uma enfezada mesa de madeira e cadeiras em volta e Harry sentou se a a beirinha de o assento , olhando em volta . Era a primeira vez que entrava em uma casa de feiticeiros . O relógio em a parede em frente de ele , tinha apenas um ponteiro e nenhum número . Em volta , estavam escritas frases como « Hora de fazer o chá » , « Hora de dar de comer a as galinhas « e « Estás atrasado » . Empilhados em o rebordo de a lareira estavam livros com títulos como * _ Encanta o teu próprio queijo , Encantamento em a cozedura de o pão e Banquetes em um minuto - é mágico * ! E , a menos que os ouvidos de Harry estivessem a traí o , o velho rádio próximo de o lava-loiças acabara de anunciar que a seguir vinha a Hora de enfeitiçar com a popular feiticeira-cantora Celestina_Warbeck . Mrs._Weasley fazia barulho com os talheres , preparando o pequeno-almoço um bocado a o acaso , lançando olhares furiosos a os filhos , enquanto lançava as salsichas em a frigideira . De vez em quando murmurava coisas como : « Não sei o que vos passou por a cabeça « ou « nunca devia ter confiado em vocês » . - Eu não te culpo , filho - tranquilizou Harry , pondo lhe sete ou oito salsichas em o prato . - Eu e o Arthur temos estado preocupados contigo . Ainda ontem a a noite estivemos a dizer que te iríamos buscar nós próprios se não respondesses a o Ron até sexta-feira . Mas , em a verdade ( estava agora a acrescentar três ovos estrelados a o prato de ele ) , atravessar metade de o país a voar em um carro ilegal , qualquer um vos poderia ter visto ... Agitou maquinalmente a varinha em a direcção de o lava-loiças , onde a loiça começou a lavar se sozinha , tinindo baixinho lá atrás . - Estava enevoado , mãe ! - exclamou o Fred . - Boca fechada enquanto comes ! - interrompeu Mrs._Weasley . - Eles estavam a fazê o passar fome , mãe ! - disse o George . - E tu também ! - disse Mrs._Weasley , mas já foi com uma expressão mais doce que começou a cortar o pão para Harry e a barrá o com manteiga . Em esse momento , as atenções voltaram se para um pequenino volto de cabelos ruivos , em uma camisa de dormir até a os pés , que surgiu em a cozinha , deu um grito agudo e desapareceu de_novo . - É a Ginny - disse Ron baixinho a o Harry -- , a minha irmã . Tem falado de ti todo o Verão . - Sim , ela vai querer o teu autógrafo , Harry - riu se o Fred , mas o seu olhar cruzou se com o de a mãe e inclinou se para o prato , não voltando a abrir a boca . Ninguém falou até os quatro pratos estarem limpos , o que sucedeu a uma velocidade surpreendente . - Bolas , estou cansado - bocejou Fred , pousando a faca e o garfo . Acho que me vou deitar e ... - Não vais , não senhor - interrompeu Mrs._Weasley . - A culpa é tua se ficaste toda_a noite acordado . Vais fazer a des-gnomização de o jardim . Eles estão outra_vez a exagerar . - Oh , mãe ... - E vocês os dois o mesmo - dirigiu se a o Ron e a o Fred . - Tu podes ir para a cama , filho - disse a Harry . - Não lhes pediste que guiassem aquele carro miserável . Mas Harry , que se sentia acordadíssimo , respondeu prontamente : - Eu ajudo o Ron , nunca vi uma des-gnomização ... - É muito simpático de a tua parte , querido , mas é um trabalho chato - explicou Mrs._Weasley . - Vejamos o que o Lockhart tem a dizer acerca disto . E puxou de o rebordo de a lareira um livro pesadíssimo . George resmungou : - Mãe , nós sabemos * des-gnomizar * o jardim . Harry olhou para a capa de o livro de Mrs._Weasley . Em grandes letras douradas , que ocupavam grande parte de a capa , podia ler se Guia_de_Gilderoy_Lockhart para pragas caseiras . Via se também a grande fotografia de um feiticeiro bem-parecido , de cabelos loiros ondulados e olhos azuis brilhantes . Como sempre , em o mundo de os feiticeiros , a fotografia mexia se . O feiticeiro , que Harry calculou ser Gilderoy_Lockhart , não parava de lhes piscar os olhos descaradamente . Mrs._Weasley sorriu lhe . - Oh , ele é fantástico - disse . - Conhece bem as pragas caseiras . É um livro maravilhoso . - A mãe adora o - disse Fred em um murmúrio bastante audível . - Não sejas ridículo , Fred - repreendeu Mrs._Weasley com as bochechas coradas . - É claro que se achas que sabes mais do_que o Lockhart , podes ir fazer o trabalho e ai de ti se houver um único gnomo em o jardim quando eu for fazer a inspecção . A bocejar e a resmungar , os Weasley arrastaram se lá para fora com Harry atrás de eles . O jardim era grande e , em a opinião de Harry , exactamente como deveria ser um jardim . Os Dursleys não teriam gostado . Havia uma enorme quantidade de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada , mas havia árvores nodosas em volta de as paredes , plantas que Harry nunca vira , tombando de todos os canteiros e um grande lago verde cheio de rãs . - Os Muggles também têm gnomos de jardim , sabes - disse o Harry a o Ron , enquanto atravessavam a relva . - Sim , já vi essas coisas que eles pensam que são gnomos - disse o Ron todo dobrado , com a cabeça em uma moita de peónias . - Como os Pais_Natais gordinhos com canas de pesca ... Houve um tumulto ruidoso , a moita de peónias estremeceu e Ron endireitou se . - Isto_é um gnomo - declarou com um ar sério . - Larga eu ! Larga eu ! - guinchou o gnomo . Não se parecia em absoluto com o Pai_Natal . Era pequenino e parecia de couro , com uma grande cabeça protuberante e calva , precisamente como uma batata . Ron agarrou o a a distância de um braço , enquanto ele dava pontapés em o ar com os seus pézinhos que pareciam chifres . Agarrou o por os tornozelos e voltou o de pernas para o ar . - Isto_é o que tens de fazer - disse . Levantou o gnomo acima de a cabeça ( Larga eu ! ) e começou a balouçá o em grandes círculos , como os vaqueiros fazem com os laços . A o ver a expressão chocada de Harry , Ron explicou : - Não os mágoa . Só tens de os deixar bem tontos para que consigam encontrar o caminho de regresso a os buracos de os gnomos . Largou os tornozelos de o gnomo . Ele voou seiscentos metros e aterrou com um ruído surdo em o campo a o lado de a sebe . - Deplorável - afirmou o Fred . - Aposto que consigo lançar o meu para_além de aquele tronco . Harry aprendeu rapidamente a não sentir muita pena de os gnomos . Decidira largar o primeiro que apanhou para_além de a sebe , mas o gnomo , sentindo fraqueza , enfiou os seus dentinhos , aguçados como laminas , em o dedo de o Harry e não foi fácil sacudi o para ele o largar , até que ... - Uau , Harry , esse deve ter sido seiscentos metros ... O ar estava subitamente cheio de gnomos voadores . - Vês , eles não são muito espertos - afirmou o George , agarrando cinco ou seis de uma_vez . - Em o momento em que se apercebem que começou a * des-gnomização * , aparecem todos para espreitar . Era de esperar que já tivessem aprendido a ficar quietinhos . Rapidamente a multidão de gnomos começou a ir se embora , atravessando os campos em uma fila ordenada , com os pequeninos ombros arqueados . - Eles voltam - disse o Ron enquanto os via desaparecer em a sebe de o outro lado de o campo . - Eles adoram estar aqui ... o pai é muito mole com eles , acha lhes piada . Em esse momento , a porta de a frente bateu . - Ele já voltou ! - exclamou o George . - O pai já está em casa ! Apressaram se a entrar . Mr._Weasley tinha se afundado em uma de as cadeiras de a cozinha , sem óculos e com os olhos fechados . Era um homem magro , quase calvo , mas o pouco cabelo que tinha era tão ruivo como o de os filhos . Vestia um longo manto verde cheio de pó e estava cansado de a viagem . - Que noite - murmurou , tacteando em busca de o bule , enquanto todos se sentavam a a volta de ele . - Nove assaltos , nove ! E o velho Mundungs_Fletcher tentou lançar me um feitiço quando eu estava de costas . Mr._Weasley tomou um bom gole de chá e suspirou . - Encontrou alguma coisa , pai ? - perguntou Fred ansiosamente . - Só encontrei algumas chaves encolhidas e uma chaleira que mordia - bocejou Mr._Weasley . - Havia um material bastante mauzinho , mas não era de o meu departamento . O Mortlake foi levado para ser interrogado sobre uns furões extremamente antigos , mas isso pertence a a Comissão_dos_Feitiços_Experimentais , graças_a Deus . - Por_que é_que alguém ia dar se a o trabalho de fazer encolher chaves ? - perguntou George . - Para chatear os Muggles - suspirou Mr._Weasley . - Vende se lhes uma chave que não pára de encolher , até que desaparece , de_modo_a que nunca a encontrem quando precisam ... É claro que é muito difícil condenar alguém , porque nenhum Muggle é capaz de admitir que a sua chave está a encolher , insistem em que estão sempre a perdê a . Benditos sejam , vão até onde for preciso para ignorar a magia , mesmo_que ela esteja em frente de os seus narizes ... mas vocês não acreditariam em as coisas que o nosso grupo tem levado para enfeitiçar ... - : __ como carros , por __ exemplo ? Mrs._Weasley tinha aparecido , segurando um grande atiçador que parecia uma espada . Os olhos de Mr._Weasley abriram se de repente , fitando a mulher com um ar culpado . - C-carros , Molly querida ? - Sim , Artur , carros - afirmou Mrs._Weasley , os olhos a faiscar . - Imagina um feiticeiro a comprar um carro velho e enferrujado e dizer a a mulher que a única coisa que queria fazer com ele era desmontá o para ver como ele funcionava , enquanto em a verdade estava a enfeitiçá o para o fazer voar . Mr._Weasley piscou os olhos . - Bem , querida , acho que poderás constatar que não é ilegal fazer isso , embora , er , talvez ele devesse ter contado a verdade a a mulher ... Existe uma forma de tornear a lei , já_que ela diz que ... desde_que não se tenha a * intenção * de voar em o carro , o facto de ele poder voar , não ... - Arthur_Weasley tu arranjaste essa forma de tornear a lei quando a escreveste ! - gritou Mrs._Weasley . - Para poderes continuar a remexer em todo aquele lixo de os Muggles que tens em a arrecadação ! E , para tua informação , o Harry chegou hoje_de_manhã em o carro que tu não pretendias pôr a voar ! - Harry ? - perguntou Mr._Weasley sem expressão . - Qual Harry ? Olhou em volta , viu Harry e deu um salto . - Santo_Deus , é Harry_Potter ? Muito prazer , o Ron falou nos tanto de si ... - * _ O teu filho conduziu aquele carro até a a casa de o Harry e de volta até aqui em a noite passada ! * - gritou Mrs._Weasley . - O que tens a dizer a esse respeito ? - A sério ! ? - exclamou Mr._Weasley com vivacidade . - Correu tudo bem , quero dizer ... - vacilou a o ver os olhos de Mrs._Weasley que faiscavam . - Er , fizeram mal , rapazes , muito mal , mesmo ... - Vamos deixá os a os dois - murmurou o Ron , enquanto Mrs._Weasley inchava como um sapo gigantesco . - Vamos , vou mostrar te o meu quarto . Esgueiraram se de a cozinha e desceram uma passagem estreita que dava para uma escada desnivelada que ziguezagueava a o longo de a casa . Em o terceiro andar , estava uma porta entreaberta . Harry só teve tempo de ver um par de olhos castanhos brilhantes que o olhavam fixamente , antes de a porta se fechar com um estalido . - A Ginny - disse o Ron . - Não imaginas como é estranho vês a tão tímida , ela que quase nunca se cala ... Subiram mais dois andares , até chegarem a uma porta com a tinta a descascar e uma pequena placa dizendo : « Quarto_do_Ronald » . Harry entrou . A cabeça quase tocava em o tecto inclinado . Piscou os olhos . Era como entrar dentro_de uma fornalha : quase tudo em o quarto de o Ron tinha um violento matiz alaranjado : a colcha de a cama , as paredes , até o tecto . Em seguida , apercebeu se de que o Ron tinha coberto cada centímetro de o velho papel de parede com * posters * de as mesmas sete feiticeiras e feiticeiros , todos vestidos com brilhantes mantos cor de laranja , transportando vassouras e acenando entusiasticamente . - A tua equipa de Quidditch ? - perguntou Harry . - Os Chudley_Cannons - disse Ron , apontando para a colcha cor de laranja que tinha um brasão com dois C's gigantes e uma bala de canhão a_toda_a velocidade . - Nono em a Liga . Os livros de estudo de feitiços de Ron estavam empilhados desordenadamente a um canto , junto de um monte de B. _ D. , todas elas relativas a as * _ Aventuras_de_Martin_Miggs , o Muggle louco * . A varinha mágica de o Ron estava em_cima_de um aquário cheio de ovos de rã sobre o peitoril de a janela , junto de o seu rato gordo e cinzento , Scabbers , que dormia uma soneca a o sol . Harry passou por_cima_de um baralho de cartas de jogar com vontade própria , que estava caído em o chão , e olhou para fora de a janelinha . Em o campo , não muito longe , podia ver um grupo de gnomos a esgueirarem se , um a um , de_novo para a sebe de os Weasley . Em seguida , voltou se para Ron que o observava nervoso , como_se esperasse a opinião de ele . - É um_pouco pequeno - declarou o Ron muito depressa . - Não se parece nada com o quarto que tu tinhas em casa de os Muggles . E estou mesmo debaixo de o vampiro de o sótão . Ele anda sempre a bater nos canos e a gemer ... Mas Harry , com um grande sorriso , disse lhe : - Esta é a melhor casa em que eu já estive . As orelhas de Ron ficaram cor-de-rosa . IV_Na_Flourish and Blotts_A vida em a Toca era o mais diferente que é possível de a vida em Privet_Drive . Os Dursleys gostavam de tudo limpo e arrumado , em casa de os Weasleys explodia o estranho e o inesperado . Harry teve um choque de a primeira vez que olhou para o espelho que estava sobre a lareira de a cozinha e ele gritou : - Mete para dentro a camisa , * desmazelado ! * - O vampiro de o sótão gemia e batia nos canos , sempre_que sentia as coisas demasiado calmas e as pequenas explosões em o quarto de o Fred e de o George , eram consideradas perfeitamente normais . Mas o que o Harry achou mais bizarro em a vida em casa de o Ron , não foi o espelho que falava , nem o vampiro barulhento , foi o facto de todos ali em casa parecerem gostar de ele . Mrs._Weasley preocupava se com o estado de as suas meias e tentava obrigá o a servir se quatro vezes a cada refeição . Mr._Weasley gostava que Harry se sentasse a o lado de ele a a mesa para poder bombardeá o com perguntas sobre a vida com os Muggles , pedindo que lhe explicasse como funcionavam coisas como as canalizações e o serviço de os correios . - Fascinante ! - exclamava , enquanto Harry lhe explicava a utilização de o telefone . - Engenhoso , de facto , todas_as maneiras que os Muggles encontraram para passar sem a magia . Harry teve notícias de Hogwarts em uma manhã de sol , cerca de uma semana depois de ter chegado a a Toca . Quando , ele e o Ron desceram para tomar o pequeno-almoço , encontraram Mr. e Mrs._Weasley e Ginny já sentados a a mesa . Em o momento em que viu o Harry , Ginny entornou a tigela de os cereais , que caiu a o chão com grande espalhafato . Ginny entornava facilmente coisas sempre_que o Harry estava em a sala . Mergulhou debaixo de a mesa para apanhar a tigela e emergiu com o rosto a brilhar como o sol poente . Fingindo não ter dado por nada , Harry sentou se e aceitou a torrada que Mrs._Weasley lhe ofereceu . - Cartas de a escola - disse Mr._Weasley , passando a o Harry e a o Ron envelopes idênticos de pergaminho amarelado , com a morada escrita a tinta verde . - O Dumbledore já sabe que estás aqui , Harry , não perde nada aquele homem . Vocês os dois também - acrescentou , enquanto Fred e George deambulavam em a casa , ainda em pijama . Fez se silêncio durante alguns momentos , enquanto liam as respectivas cartas . A de o Harry dizia para apanhar o Expresso_de_Hogwarts , como sempre em a Estação_de_King's_Cross , em o dia_1_de_Setembro . Havia ainda uma lista de os livros que precisaria para o próximo ano . Os alunos de o segundo ano deverão ter : * _ O_Livro_Padrão_de_Feitiços , Grau 2 , por Miranda_Goshawk . * _ Ensinamentos_de_Uma_Fada_Carpideira , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Férias com Bruxas , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Duendes , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Lobisomens , por Gilderoy_Lockhart . * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves , por Gilderoy_Lockhart * . Fred , que terminara a sua própria lista , espreitou para a de o Harry . - Também te mandam comprar os livros de o Lockhart - disse . - A professora de defesa contra as artes negras deve ser fanática . Aposto que é uma bruxa . Nessa_altura , Fred percebeu o olhar de a mãe e apressou se a comer o doce de laranja . - Esse conjunto não vai ficar barato - disse George , olhando rapidamente para os pais . - Os livros de o Lockhart são de os mais dispendiosos ... - Cá nos havemos de arranjar - declarou Mrs._Weasley , mas parecia preocupada . - Espero que pelo_menos para a Ginny possamos arranjar uma data de coisas em segunda mão . - Ah , vais entrar este ano para Hogwarts ? - perguntou lhe Harry . Ela fez um aceno , corando até a a raiz de os cabelos ruivos e meteu o cotovelo em o pires de a manteiga . Felizmente ninguém deu por nada , a não ser o Harry , porque em esse momento o irmão mais velho de Ron , o Percy , entrou . Já estava vestido , com a placa de prefeito aplicada a a sua camisola de malha . - Bom dia a todos - disse , cheio de vivacidade . - Está um dia lindo . Puxou a única cadeira livre , mas deu um salto quando ia sentar se e , debaixo de ele , saltou um espanador cinzento de penas , pelo_menos , foi o que o Harry pensou até ver que ele respirava . - Errol ! - exclamou Ron , afastando a coruja de o Percy e retirando lhe debaixo de a asa uma carta . - Até que enfim , a resposta de a Hermione . Escrevi lhe a contar que íamos tentar raptar te de casa de os Dursleys . Levou Errol para um poleiro que havia junto a a porta de as traseiras e tentou colocá a lá em cima , mas Errol caiu redonda e Ron teve de a pôr em a pia , murmurando : - Patético . - Em seguida , abriu a carta de a Hermione e leu a em voz alta . * _ Querido_Ron e Harry , se aí estiveres . Espero que tudo tenha corrido bem , que o Harry esteja O. _ K. e que não tenham feito nada ilegal para conseguir trazes o , porque isso podia criar lhe problemas também a ele . Tenho estado muito preocupada e , se o Harry estiver bem , por favor digam me qualquer coisa rapidamente , mas talvez seja melhor usarem uma nova coruja , porque acho que outra entrega pode acabar como esta . * _ Estou muito atarefada com trabalho de a escola , claro * . - Como é possível ? - perguntou Ron , horrorizado . - Estamos em férias ! - * _ E vamos para Londres em a próxima quarta-feira para comprar os meus livros novos . Porque não nos encontramos em a Diagon-al ? * _ Dêem-me notícias vossas o mais depressa possível . * _ Carinhosamente_Hermione * - Bem , parece uma boa solução , podemos ir todos comprar as vossas coisas - disse Mrs._Weasley , começando a limpar a mesa . - O que vão fazer hoje ? Harry , Ron , Fred e George tinham planeado ir a o cimo de o monte a um pequeno cercado de cavalos que os Weasleys possuíam . Estava rodeado de árvores que lhe tapavam a vista de a cidade cá em baixo , o que quer_dizer que podiam praticar Quidditch , desde_que não voassem muito alto . Não podiam usar as verdadeiras bolas de Quidditch pois seria muito difícil explicar se elas escapassem e voassem sobre a cidade . Em vez de elas , lançavam maçãs para os outros apanharem . Faziam turnos para montar a Nimbus dois_mil , que era de longe a melhor vassoura . A velha Shooting_Star_de_Ron fora muitas_vezes ultrapassada por as borboletas que passavam . Cinco minutos mais tarde estavam a marchar por o monte acima , de vassouras a o ombro . Tinham perguntado a o Percy se ele queria juntar se a eles , mas ele alegara muito trabalho . Até esse dia , Harry só tinha visto Percy a a hora de as refeições , ele ficava em silêncio em o quarto o resto de o tempo . - Gostava de saber o que ele anda a fazer - afirmou Fred , de testa franzida . - Não parece o mesmo . O resultado de os exames veio um dia antes de tu chegares : doze N_F_V e ele nem se manifestou satisfeito . - Níveis_de_Feitiçaria_Vulgares - explicou o George , vendo o olhar atarantado de Harry . - Se não temos cuidado , ainda nos calha outro Chefe_de_Turma em a família . Acho que não suportaria a vergonha . Bill era o mais velho de os irmãos Weasley . Ele e o irmão a seguir , Charlie , já tinham saído de Hogwarts . Harry não conhecia nenhum de os dois , mas sabia que o Charlie estava em a Roménia a estudar dragões e o Bill em o Egipto a trabalhar em o banco de os feiticeiros : Gringotts . - Não sei como o pai e a mãe vão arranjar dinheiro para nos pagar o material escolar este ano - disse o George , passado um bocado . - Cinco conjuntos de livros de o Lockhart ! E a Ginny precisa de mantos e de uma varinha e tudo_isso ... Harry não disse nada . Sentiu se um_pouco incomodado . Fechada em um cofre subterrâneo , em o banco de Gringotts_de_Londres , estava uma pequena fortuna que os pais lhe tinham deixado . É claro que só tinha esse dinheiro em o mundo de os feiticeiros , não se podem usar Galeões , Leões e Janotas em as lojas de os Muggles . Ele nunca fizera referência a a sua conta bancária em Gringotts a os Dursleys . Não lhe parecia que o horror que eles sentiam por tudo_o_que se relacionava com a feitiçaria se estendesse a uma enorme pilha de barras de ouro . Mrs._Weasley acordou os a todos bem cedo , em a quarta-feira seguinte . Depois de comerem umas doze sanduíches de * bacon * cada_um , enfiaram os casacos e Mrs._Weasley tirou um vaso de a prateleira de o fogão de a cozinha e espreitou lá para dentro . - Está a acabar se , Arthur - suspirou . - Temos de comprar mais hoje ... Bem , os hóspedes primeiro . Passa , Harry querido ! E ofereceu lhe o vaso de flores . Harry olhou espantado enquanto todos eles o observavam . - O q-que é_que eu devo fazer ? - gaguejou . - Ele nunca viajou com o pó de Floo - disse o Ron subitamente . - Desculpa , Harry , esqueci me . - Nunca ? - perguntou Mrs._Weasley . - Mas então como chegaste a a Diagon - _ Al em o ano passado para comprar as tuas coisas ? -- Fui por o subterrâneo . - A sério ? - disse Mr._Weasley , entusiasmado . - Havia fugitivos ? Como é_que ... - Agora não , Arthur - disse Mrs . Weasley . - O pó de Floo é muito mais rápido , querido , mas , valha me Deus , se ele nunca o usou ... - Vai correr bem , mãe - disse o Fred . - Harry observa nos primeiro . Tirou uma pitada de pó brilhante de dentro de o vaso , aproximou se de o lume e lançou o pó em as chamas . Com um rugido , o fogo ficou verde-esmeralda e elevou se a uma altura superior a a de o Fred que avançou , gritando Diagon - _ Al ! E desapareceu . - Tens de falar claramente , filho - disse Mrs._Weasley a o Harry , ao_mesmo_tempo que George metia a mão em o vaso de as flores . - E vê se sais em o fogão certo . - Em o quê ? - perguntou Harry , nervoso , enquanto o lume crepitava e fazia George desaparecer também . - Bem , há imensos fogos de feiticeiros , mas desde_que te tenhas expressado claramente ... - Ele vai conseguir , Molly , não te preocupes - disse Mr._Weasley , tirando também ele algum pó . - Mas querido se ele se perde como é_que vamos justificar nos perante o tio e a tia de ele ... -- Eles não se importariam - tranquilizou a Harry . - O Dudley ia achar imensa piada se eu me perdesse em uma chaminé , não se preocupe . - Bem , em esse caso ... tu vais a seguir a o Arthur - disse Mrs._Weasley . - Logo_que entres em o fogo diz para_onde queres ir . - E mantém os cotovelos dobrados - preveniu o Ron . - E os olhos fechados - disse Mrs._Weasley . - A fuligem . - Não te enerves - disse o Ron . - Senão podes ir parar a a lareira errada . - Não entres em pânico e não queiras sair cedo de mais . Espera até veres o Fred e o George . Fazendo um enorme esforço por reter toda aquela informação , Harry tirou uma pitada de pó de Floo e avançou para a beirinha de o fogo . Respirou fundo , espalhou o pó em as chamas e entrou . O fogo parecia uma brisa quente . Abriu a boca e engoliu , de imediato , uma grande quantidade de cinzas quentes . D-dia-gon-al - tossiu . Sentiu se como_se estivesse a ser sugado para um buraco gigantesco . Como_se girasse muito depressa ... o ruído era ensurdecedor . Tentou manter os olhos abertos mas o turbilhão de chamas verdes fê lo enjoar ... algo duro bateu lhe em o cotovelo e dobrou o de imediato . Continuava a rodar , a rodar ... sentia se agora como_se várias mãos frias estivessem a bater lhe em a cara ... Espreitando através de os óculos , viu uma torrente imprecisa de fogões e captou lampejos de as salas que estavam por detrás ... as sanduíches de * bacon * davam lhe a volta dentro de o estômago ... fechou os olhos desejando que tudo aquilo parasse e então caiu , de cara em o chão , em a pedra fria e sentiu os óculos partirem se a os bocados . Desorientado e ferido , coberto de fuligem , pôs se cautelosamente de pé , levando a os olhos os óculos partidos . Estava completamente só e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava . Tudo_o_que podia dizer era que a o seu lado via uma lareira que lhe parecia ser a de uma enorme e indistinta loja de feitiçaria . Mas nenhum de os artigos que ali se encontravam tinham aspecto de fazer parte de a lista de a escola de Hogwarts . Em uma caixa de vidro podia ver se uma mão atrofiada que repousava sobre uma almofada , um baralho de cartas ensanguentado e um olho de vidro que o olhava fixamente . Máscaras de expressão maldosa enchiam as paredes , olhando de esguelha , uma enorme quantidade de ossos humanos estendia se sobre o balcão e , de o tecto , pendiam instrumentos aguçados com pontas de ferro e pregos enferrujados . Mas o pior é_que a rua estreita e escura , que Harry conseguia avistar através de a janela poeirenta de a loja , não era de modo algum a Diagon-al . Quanto_mais depressa saísse de ali , melhor . O nariz ainda a doer lhe em o sítio onde batera em o chão a o aterrar , Harry avançou rápida e silenciosamente em direcção a a porta , mas antes de conseguir chegar a meio caminho , duas pessoas apareceram de o lado de_fora de o vidro , e uma de elas era a última pessoa que Harry desejaria encontrar em o momento em que se encontrava perdido , coberto de fuligem e com os óculos partidos , Draco_Malfoy . Harry olhou rapidamente em volta e apercebeu se de a existência de um grande armário escuro a a sua esquerda , saltou lá para dentro e fechou as portas , deixando uma gretazinha para poder espreitar . Segundos depois , uma campainha tocava e Malfoy entrava em a loja . O homem que o acompanhava só podia ser o pai . Tinha o mesmo rosto pálido de feições agudas e os mesmos olhos cinzentos de gelo . Mr._Malfoy atravessou a loja , olhando maquinalmente para os artigos expostos e tocou a campainha de o balcão , antes de se voltar para o filho , dizendo : - Não mexas em nada , Draco . Malfoy , que vira o olho de vidro , disse : - Pensei que ias oferecer me um presente . - Eu prometi que ia comprar te uma vassoura de corrida - declarou o pai , tamborilando com os dedos sobre o balcão . - Para que é_que me serve , se não estou em a equipa de Quidditch ? - perguntou Malfoy , carrancudo e de mau humor . - O Harry_Potter teve uma Nimbus dois_mil o ano passado , com a autorização especial de o Dumbledor é para jogar em os Gryffindor . Ele nem é assim tão bom , é só por ser * famoso * ... famoso por ter uma estúpida cicatriz em a testa . Malfoy baixou se para observar uma prateleira cheia de crânios . - Todos acham que ele é tão esperto , o Potter maravilha , com a sua cicatriz e a sua vassoura ... - Já me disseste isso doze vezes pelo_menos - comentou Mr._Malfoy , olhando repressivamente para o filho . - E devo lembrar te que não é prudente parecer menos do_que amigo de Harry_Potter , quando a maior parte de a nossa gente vê em ele um herói que fez desaparecer o Senhor_do_Mal . Ah , Mr._Borgin . Um homem curvado surgiu por detrás de o balcão , puxando o cabelo gorduroso para trás . - Mr._Malfoy , que prazer vês o de_novo - disse Mr._Borgin , em uma voz tão untuosa como o cabelo . - Encantado , e o nosso jovem Malfoy também , encantado . Em que posso servi os ? Tenho que vos mostrar o que chegou hoje , a um preço muito razoável ... - Hoje não venho comprar , Mr._Borgin , e sim vender - afirmou Mr._Malfoy . - Vender ? - O sorriso apagou se lentamente em o rosto de Mr._Borgin . - Certamente ouviu dizer que o Ministério está a levar a cabo mais buscas - explicou o Mr._Malfoy , retirando de o bolso um rolo de pergaminho e desembrulhando o para Mr._Borgin o ler . - Eu tenho alguns , ah , artigos em casa que poderiam criar me problemas se o Ministério me batesse a porta . Mr._Borgin colocou em o nariz um par de * pince-nez * e olhou para a lista . - O Ministério não se lembraria de o incomodar certamente ... O lábio de Mr._Malfoy dobrou se . - Ainda não me fizeram nenhuma visita . O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito , mas o Ministério está a ficar cada_vez_mais intrometido . Há boatos sobre um novo decreto de protecção de os Muggles , sem dúvida que aquele mordido de as pulgas , adorador de os Muggles , que é o Arthur_Weasley deve estar por detrás de isso . Harry sentiu crescer a raiva . - E , como pode ver , alguns de estes venenos podiam dar a ideia ... - Compreendo perfeitamente , claro - disse Mr._Borgin . - Deixe me ver ... - Posso ter aquilo ? - interrompeu Draco , apontando para a mão raquítica que estava sobre a almofada . - Ah , a mão de a glória ! - exclamou Mr._Borgin , abandonando a lista de Mr._Malfoy e apressando se a responder a Draco . - Põe se lhe uma vela e ela só dá luz a quem a transporta ! A melhor amiga de os gatunos e de os salteadores , o seu filho tem gosto , senhor . - Espero que o meu filho venha a ser mais do_que gatuno ou salteador , Borgin - disse Mr._Malfoy friamente e Mr._Borgin respondeu logo : - Sem ofensa , senhor , sem querer ofender . - Embora , se as notas de a escola não melhorarem - disse Mr._Malfoy ainda mais friamente - esse possa vir a ser o único caminho possível para ele . - Não tenho culpa - retorquiu Draco . - Todos os professores têm os seus preferidos , aquela Hermione_Granger ... - Eu , em o teu lugar , teria vergonha que uma rapariga que nem_sequer pertence a famílias de feiticeiros , me passasse a a frente em todos os exames - interrompeu Mr._Malfoy . Ah - fez Harry baixinho , radiante por ver Draco atrapalhado e furioso . - É o mesmo em todo o lado - comentou Mr._Borgin em a sua voz untuosa . - O sangue de os feiticeiros conta cada_vez menos ... - Não para mim - afirmou Mr._Malfoy , com as longas narinas dilatadas . - Não senhor , nem para mim - concordou Mr._Borgin , inclinando se em uma vénia . - Em esse caso , talvez possamos voltar a a minha lista - disse Mr._Malfoy secamente . - Estou com alguma pressa , Borgin , tenho ainda hoje assuntos importantes a tratar em outro lado . Começaram a discutir os preços . Harry via nervosamente o Draco aproximar se de o seu esconderijo enquanto observava os objectos a a venda . Parou para examinar um enorme rolo de corda de carrasco e para ver , com um sorriso afectado , o cartão preso com um aparatoso laço de opalas onde podia ler se : * _ Cautela , não tocar . Amaldiçoado - reclama as vidas de dezanove donos , todos eles Muggles * . Draco voltou se e viu o armário mesmo em frente . Avançou , estendeu a mão para o puxador ... - Feito - disse Mr._Malfoy , a o balcão . - Vamos , Draco . Harry limpou a testa a a manga quando Draco se afastou . - Muito bom dia , Mr._Borgin . Espero por si amanhã em a mansão para ir buscar a mercadoria . Em o momento em que a porta se fechou , Mr._Borgin abandonou os seus modos subservientes . « Bom dia para o senhor , Mr._Malfoy , e , se as histórias que contam são verdadeiras , não me vendeu nem metade do_que tem escondido em a sua mansão ... » Murmurando de forma taciturna , Mr._Borgin desapareceu em uma sala escura . Harry esperou um minuto não fosse ele voltar e , em seguida , o mais silenciosamente possível , escapou se de o armário , passou por as caixas de vidro e saiu de a loja . Encostando os óculos partidos a o rosto , olhou em volta . Saíra em uma rua estreita e sombria que parecia composta exclusivamente de lojas dedicadas a as artes negras . Aquela de onde acabava de sair parecia ser a maior , mas em frente estava uma montra tétrica de cabeças encolhidas e duas portas abaixo podia ver se uma enorme caixa viva cheia de gigantescas aranhas pretas . Dois feiticeiros com aspecto pobre observavam o de a sombra de uma porta , murmurando entre si . Sentindo se nervoso , Harry pôs se a caminho , tentando agarrar os óculos a direito e não desistindo de a esperança de encontrar maneira de sair de ali . Por um cartaz de madeira , pendurado em a rua , indicando uma loja de venda de velas envenenadas , ficou a saber que se encontrava em a Rua * _ Bativolta * , mas isso não o ajudou pois Harry nunca ouvira falar em tal lugar . Calculou que não tinha pronunciado bem as palavras com a boca cheia de cinzas em a lareira de os Weasley . Tentando manter a calma perguntou a si mesmo o que havia de fazer . - Não estás perdido , pois não , meu menino ? - perguntou uma voz , mesmo junto de o seu ouvido , que o fez dar um salto . Uma bruxa idosa estava em a sua frente , segurando um tabuleiro de uma coisa que se parecia horrivelmente com unhas humanas . A mulher olhou o maldosamente , mostrando os dentes esverdeados . Harry recuou . - Estou bem , obrigado - disse . - Estou só ... - HARRY ! O qu'é que pensas que estás a fazer aqui ? O coração de Harry deu um salto , assim_como o de a bruxa . Um monte de unhas caíram lhe sobre os pés e ela praguejou , enquanto o corpo enorme de Hagrid , o guarda de os campos de Hogwarts , se aproximava de eles a passos largos com os olhos castanhos-escuros a faiscarem sobre a longa barba eriçada . - Hagrid - gritou Harry , aliviado . - Eu estava perdido ... o pó de Floo ... Hagrid agarrou Harry por o cachaço e puxou o para longe de a bruxa , tirando lhe o tabuleiro de as mãos . Os guinchos agudos de a feiticeira seguiram nos até a o fundo de a ruela serpenteante que ia dar a um lagar onde brilhava o sol . Harry avistou a a distância um edifício de mármore branco como a neve que lhe era familiar : o banco de Gringotts . Hagrid conduzira o até a a Diagon - _ Al . - ` _ tás em um péssimo estado ! - disse Hagrid bruscamente , sacudindo lhe a fuligem com tanta força que Harry quase caiu em um barril de estrume de dragão que se encontrava a a porta de um boticário . - A fugir , em a Rua * _ Bativolta * , eu não conheço esse lugar finório , Harry , não quero que ninguém te veja aqui em baixo . - Já percebi - disse Harry , baixando se quando Hagrid fez menção de o escovar melhor . - Já te disse que estava perdido . E o que é_que tu fazes aqui ? - ` _ Tou a a procura d'um repelente para as lesmas comedoras de legumes - resmungou Hagrid . - ` _ tão a destruir as couves todas de a escola . Tu não estás sozinho ? - Estou em casa de os Weasley , mas separámo nos explicou Harry . - Tenho que os encontrar . Desceram juntos a rua . - Por_que é_que nunca respondeste a as minhas cartas ? - perguntou Hagrid , enquanto Harry corria para o acompanhar ( tinha de dar três passos por cada enorme passada de Hagrid ) . Harry explicou lhe tudo sobre Dobby e os Dursleys . - Malditos_Muggles - rugiu Hagrid . - S'eu tivesse sabido ... - Harry ! Harry ! Aqui ! Harry olhou para_cima e viu Hermione_Granger em o topo de a escadaria de Gringotts . Desceu para vir a o encontro de ele , o cabelo castanho de caracóis , a esvoaçar atrás de ela . - O que aconteceu a os teus óculos ? Olá_Hagrid ... Oh , é maravilhoso ver vos outra_vez . Vens a Gringotts , Harry ? - Logo_que encontre os Weasley - respondeu ele . - Não vais ter d'esperar muito - riu se Hagrid . Harry e Hermione olharam em volta . Subindo a rua , em o meio de a multidão , vinham Ron , Fred , George , Percy e Mr._Weasley . - Harry - chamou Mr._Weasley , ofegante . - Tínhamos esperança que só tivesses ido um fogão mais longe ... - passou um pano em a sua calva reluzente . - A Molly está nervosíssima , aí vem ela . - Onde é_que tu saíste ? - perguntou o Ron . - Em a Rua * _ Bativolta * - disse o Hagrid , com um ar sério . - Sensacional ! - exclamaram Fred e George ao_mesmo_tempo . - Nunca nos deram autorização para lá ir - disse o Ron com uma pontinha de inveja . - E fizeram muito bem - grunhiu Hagrid . Mrs._Weasley chegou em aquele momento a correr , a mala a balouçar em uma de as mãos e Ginny quase pendurada em a outra . - Oh Harry , oh meu querido , podias ter ido parar a qualquer lugar ... Tentando recuperar o fôlego , tirou de a mala uma grande escova de roupa e começou a retirar a fuligem que Hagrid não conseguira expulsar . Mr._Weasley pegou em os óculos de Harry , deu lhes um toque de varinha e entregou lhe os como novos . - Bem , tenho de m'ir embora - disse Hagrid cuja mão estava a ser esmagada por Mrs._Weasley ( -- Rua * _ Bativolta * ! Se não o tivesses encontrado , Hagrid ! ) . - Vemo nos em Hogwarts . - E afastou se , os ombros e a cabeça acima de a multidão que enchia completamente a rua . - Adivinham quem eu vi em o Borgin and Burkes ? - perguntou Harry_a_Ron e a Hermione enquanto subiam as escadarias de Gringotts . - Malfoy e o pai . - O Lucius_Malfoy comprou alguma coisa ? - perguntou interessado Mr._Weasley que estava atrás de eles . - Não , estava a vender . - Então está preocupado - comentou Mr._Weasley com visível satisfação . - Ah , eu adorava apanhar o Lucius_Malfoy em alguma . . - Tem cuidado , Arthur - interrompeu Mrs._Weasley enquanto o gnomo porteiro lhes dava reverentemente entrada em o banco . - Isso é um problema de família . Não queiras ter mais olhos que barriga . - Queres dizer com isso que achas que eu não chego para o Malfoy ? - perguntou Mr._Weasley , indignado , mas foi rapidamente afastado de aqueles sentimentos a o avistar os pais de Hermione que estavam de pé , nervosamente encostados a o balcão que acompanhava a grande parede de mármore , a a espera que Hermione os apresentasse . - Mas vocês são Muggles ! - disse Mr._Weasley , encantado . - Temos de tomar uma bebida . O que é isso aí ? Ah , estão a trocar dinheiro de Muggle . Molly , olha - apontou cheio de excitação para as notas de dez libras que Mr._Granger tinha em a mão . - Encontramo nos aqui - disse Ron_a_Hermione , enquanto os Weasley e Harry eram conduzidos a os seus cofres em o subterrâneo de Gringotts . Para chegar a os cofres havia que tomar umas carrinhas conduzidas por gnomos que se deslocavam ao_longo_de carris de comboio de pequenas dimensões através de os túneis subterrâneos de o banco . Harry gostou de a viagem acidentada até a o cofre de os Weasley , mas sentiu se bastante mal , pior do_que em a Rua * _ Bativolta * , quando o cobre foi aberto . Havia lá dentro um pequenino monte de Leões de prata e apenas um Galeão de ouro . Mrs._Weasley foi com a mão a a procura em os cantos antes de , com um gesto rápido , varrer tudo para dentro de o saco . Harry sentiu se ainda pior quando chegaram a o seu cofre . Tentou evitar que vissem o conteúdo enquanto empurrava apressadamente mãos cheias de moedas para dentro_de uma sacola de cabedal . Lá fora , em as escadarias de mármore , separaram se . Percy murmurou vagamente que precisava de uma nova pena de escrever . Fred e George tinham avistado um amigo de Hogwarts , Lee_Jordan . Mrs._Weasley e Ginny iam a uma loja de mantos em segunda mão , Mr._Weasley continuava a insistir em levar os Grangers a o Caldeirão_Escoante para lhes pagar uma bebida . - Encontrarmo nos todos em a Flourish and Blotts dentro_de uma hora para comprar os vossos livros de estudo - disse Mrs._Weasley , afastando se com Ginny . - E nem um passo em direcção a a Rua * _ Bativolta * - gritou a os gémeos que estavam de costas . Harry , Ron e Hermione deambularam por a rua empedrada e sinuosa . O ouro , prata e bronze que tilintavam alegremente em o saco que Harry tinha em o bolso pareciam exigir ser gastos , por isso ele comprou três enormes gelados de morango e manteiga de amendoim que eles devoraram felizes enquanto vagueavam sem destino por a rua fora , observando as montras fantásticas de as lojas . Ron olhou longamente para um conjunto completo de mantos de o Chudley_Cannon , em as montras de o « Equipamento_de_Quidditch_de_Qualidade » até Hermione o arrastar de ali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos . Em a « Jogos_de_Feitiçaria_de_Gambol and Japes » encontraram o Fred , o George e o Lee_Jordan que estavam presos em a fabulosa partida debaixo_de chuva e em os fogos-de-artifício de o Dr._Filibuster . E em uma pequenina loja de velharias cheia de varinhas partidas , balanças instáveis de latão e mantos velhos cobertos de nódoas de poções encontraram Percy profundamente concentrado em um pequenino livro , bastante chato , chamado * _ Prefeitos que conquistam o poder * . - * _ Um estudo sobre os prefeitos de Hogwarts e as suas posteriores carreiras * - leu alto o Ron em a contracapa . - Deve ser fascinante ... - Desaparece - gritou Percy . - Claro , ele é muito ambicioso , já tem tudo planeado . Quer ser ministro de a magia - disse o Ron baixinho a o Harry e a a Hermione , enquanto deixavam Percy entregue a o livro . Uma hora mais tarde dirigiram se a a Flourish and Blotts . Não eram de modo algum os únicos a encaminhar se para a livraria . À_medida_que se aproximavam viram com grande surpresa uma grande multidão a a porta , tentando entrar em a loja . O motivo de tal confusão estava anunciado em um cartaz que se estendia a o longo de a montra superior . GILDEROY_LOCKHART_Assinará exemplares de a sua autobiografia " eu , o mágico " Hoje 12.30 - 16.30 - Vamos poder conhecê o ! - gritou Hermione . - Quero dizer , ele escreveu quase todos os livros de a nossa lista ! A multidão parecia ser maioritariamente composta por bruxas de a idade de Mrs._Weasley . Um feiticeiro bem-parecido estava de pé junto de a porta , dizendo : - Calma , minhas senhoras , não empurrem , cuidado com os livros . Harry , Ron e Hermione conseguiram furar e entrar . Uma longa fila serpenteava para as traseiras de a loja onde Gilderoy_Lockhart estava a assinar os seus livros . Cada_um de eles pegou em um exemplar de * _ ensinamentos de Uma Fada_Carpideira * e escaparam se de a fila indo ter a o lugar onde se encontravam os outros com Mr. e Mrs._Granger . - Ah , aí estão vocês . _ óptimo - disse Mrs._Weasley que parecia estar com falta de ar e não parava de mexer em o cabelo . - Vamos poder vês o dentro_de um minuto . Gilderoy_Lockhart veio lentamente até um lugar onde era visível para todos , sentou se a uma mesa , rodeado de grandes fotografias de o próprio rosto , todo ele sorrisos , mostrando a a multidão o brilho cintilante de os seus dentes . Lockhart usava uma túnica azul-noite que condizia a as mil maravilhas com a cor de os olhos , o chapéu pontiagudo de feiticeiro colocado lateralmente sobre o cabelo ondulado . Um homenzinho pequenino e irritante andava a dançar de um lado para o outro , tirando fotografias com uma grande máquina preta que lançava baforadas de fumo arroxeado em cada * flash * . - Sai de o caminho , tu aí - disse rispidamente a o Ron , mudando de lugar para ter um angulo melhor . - Este é para o * _ Profeta_Diário * . - Grande coisa ! - exclamou o Ron , esfregando os pés em o lugar que o fotógrafo pisara . Gilderoy_Lockhart ouviu o . Olhou , viu o Ron e em seguida Harry . Voltou a olhar , desta_vez com mais atenção . Em seguida , pôs se de pé e gritou : - Não pode ser , o Harry_Potter ? A multidão dividiu se entre murmúrios de excitação . Lockhart aproximou se , agarrou Harry por um braço e levou o para a frente . A multidão rebentou em aplausos . A cara de Harry ardia quando Lockhart lhe apertou a mão para o fotógrafo que disparava como um louco , lançando fumo espesso para_cima de os Weasley . - Belo sorriso , Harry - disse Lockhart através de os seus dentes brilhantes . - Tu e eu juntos merecemos a primeira página . Quando por fim lhe largou a mão , Harry quase não sentia os dedos . Tentou recuar para junto de os Weasley , mas Lockhart lançou lhe um braço por os ombros e prendeu o a o seu lado . - Minhas senhoras e meus senhores - disse bem alto , fazendo sinal para que se acalmassem . - Que momento extraordinário este ! O momento perfeito para eu anunciar algo que tenho vindo a guardar comigo desde_há algum tempo . - Quando o jovem Harry entrou em a Flourish and Blotts hoje , ele queria apenas comprar a minha autobiografia , que tenho agora o maior prazer em oferecer lhe - a multidão aplaudiu de_novo . - Ele não tinha ideia - continuou Lockhart , dando a o Harry um pequeno encontrão que fez com que os óculos lhe escorregassem para a ponta de o nariz - de que ia conseguir em_breve muito mais do_que o meu livro Eu , o mágico . Ele e os seus colegas de a escola vão receber , de facto , o verdadeiro * _ Eu , o mágico * . Sim , minhas senhoras e meus senhores , tenho o maior prazer em anunciar que em o mês_de_Setembro assumirei o lugar de professor de Defesa contra as artes negras em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts ! A multidão aplaudiu e bateu palmas e Harry deu consigo a ser presenteado com a obra completa de Gilderoy_Lockhart . Cambaleando ligeiramente sob o peso de os livros conseguiu abrir caminho para longe de os projectores até a a porta de a sala onde estava Ginny com o seu novo caldeirão . - Podes ficar com estes - murmurou Harry , enfiando os livros em o caldeirão . - Eu vou comprar os meus . - Aposto que adoraste aquilo , não adoraste , Potter ? - disse uma voz que Harry não teve qualquer dificuldade em reconhecer . Endireitou se e deu consigo frente_a_frente com Draco_Malfoy que exibia o seu habitual sorriso escarninho . - O famoso Harry_Potter - disse Malfoy . - Nem_sequer pode entrar em uma livraria sem se tornar primeira página . - Deixa o em paz , ele não queria nada de isso - defendeu a Ginny . Era a primeira vez que falava em frente de Harry . Olhava para Malfoy com um ar feroz . - Potter , arranjaste uma namorada ! - disse arrastadamente Malfoy . Ginny ficou vermelha como um pimentão enquanto Ron e Hermione tentavam abrir caminho , ambos carregando montes de livros de Lockhart . -- Ah és tu ? - disse Ron , olhando para Malfoy como_se ele fosse algo desagradável colado a a sola de o sapato . - Aposto que te surpreendeu ver o Harry aqui ? - Não tanto como a ti em uma loja , Weasley - retorquiu Malfoy . - Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo . Ron ficou tão vermelho quanto Ginny . Deixou também cair os livros em o caldeirão e avançou para Malfoy , mas Harry e Hermione agarraram o por as costas de o casaco . - Ron - disse Mrs._Weasley , aproximando se com Fred e George . - O que estás a fazer ? Isto está uma loucura aqui dentro , vamos lá para fora . - Olha quem ele é , Arthur_Weasley . - Era_Mr._Malfoy . Estava de pé com a mão sobre o ombro de Draco , com o mesmo sorriso escarninho . -- Lucius - disse Mr._Weasley , acenando friamente . -- Muito trabalho em o ministério , segundo me consta - disse Mr._Malfoy . - Todas essas buscas ... espero que te estejam a pagar horas extraordinárias . Meteu a mão em o caldeirão de a Ginny e tirou de o meio de os livros de Lockhart um exemplar muito velho e muito gasto de o * _ Guia_de_Transfiguração_para_Principiantes * . - Parece que não - disse . - Que diabo , qual a vantagem de ser uma nódoa entre os feiticeiros se nem_sequer te pagam bem por isso ? Mr._Weasley corou mais ainda do_que Ron ou Ginny . - Nós temos uma opinião diferente sobre quem são as nódoas entre os feiticeiros - disse . - É claro que ... - disse Mr._Malfoy , os olhos mortiços passando para Mr. e Mrs._Granger apreensivamente . - As companhias com quem tu andas ... e eu que pensava que já não conseguias descer mais baixo ... Ouviu se um tilintar de metal quando o caldeirão de a Ginny foi por os ares . Mr._Weasley lançara se sobre Mr._Malfoy atirando o para dentro_de uma estante . Dezenas_de livros de feitiços saltaram lá de cima , caindo lhes sobre as cabeças . Houve um grito de - Chega lhe , pai ! - de o Fred e de o George . Mrs._Weasley soltava gritos agudos : - Não_Arthur , não . A multidão recuava deitando mais prateleiras a o chão . - Meus senhores , por favor - gritava o encarregado , e então , mais alto do_que todos : - Parem com isso , gente , parem com isso . Hagrid aproximava se através_de um mar de livros . Em um segundo afastou Mr._Weasley e Mr._Malfoy . Mr._Weasley tinha um lábio cortado e Mr._Malfoy fora agredido em um olho por uma * _ Enciclopédia_de_Cogumelos_Venenosos * . Tinha ainda em a mão o livro velho de a Ginny sobre transfiguração . Atirou lhe o , com os olhos a brilhar de malvadez . - Toma o teu livro , garota . É o melhor que o teu pai pode oferecer te . Libertando se de Hagrid , conduziu Draco para fora e abandonaram a livraria . - Devias tê o ignorado , Arthur - disse Hagrid quase a pegar em Mr._Weasley a o colo enquanto lhe endireitava o manto . - São podres até a a raiz , todos eles . Tod'à gente sabe . Nenhum Malfoy vale a pena ser ouvido . Não prestam , ' tá-lhes em o sangue . Vá lá , vamos sair de aqui . O encarregado parecia querer impedis os , mas , olhando bem para Hagrid , pensou melhor . Subiram a rua , os Grangers a tremer de medo e Mrs._Weasley fora de si . - Um belo exemplo para as crianças ... andar a a pancada em público . O que terá pensado Gilderoy_Lockhart ? - Ele gostou - disse o Fred . - Não o ouviram quando ia a sair ? Estava a perguntar a aquele tipo de o Profeta_Diário se conseguia incluir a briga em a reportagem , disse que era boa publicidade . Mas foi um grupo deprimido que regressou a a lareira de o Caldeirão_Escoante onde Harry , os Weasley e todas_as suas compras iriam viajar de volta até a a Toca , usando o pó de Floo . Despediram se de os Grangers que iam sair de o * pub * por a rua de os Muggles , de o outro lado . Mr._Weasley começou a perguntar lhes como funcionavam as paragens de autocarros , mas calou se rapidamente a o ver a expressão de Mrs._Weasley . Harry tirou os óculos e guardou os cautelosamente em o bolso antes de utilizar o pó de Floo . Definitivamente não era a sua forma ideal de viajar . V_O salgueiro zurzidor O fim de as férias de Verão chegou demasiado depressa para o gosto de Harry . Ele desejara muito regressar a Hogwarts , mas aquele mês em a Toca tinha sido o mais feliz de toda_a sua vida . Era difícil não invejar o Ron quando pensava em os Dursleys e em as boas-vindas que ia receber de a próxima vez que pusesse os pés em Privet_Drive . Em a última noite , Mrs._Weasley preparou um jantar magnífico , que incluía os pratos favoritos de Harry e terminava com um pudim de melaço de fazer crescer água em a boca . Fred e George alegraram a noite com uma exibição de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que saltaram de o tecto para as paredes , durante pelo_menos meia_hora . Depois , foi a altura de tomarem uma caneca de chocolate quente e irem para a cama . Em a manhã seguinte , demoraram muito_tempo a preparar se . Levantaram se com o cantar de o galo , mas parecia lhes que ainda tinham muito para fazer . Mrs._Weasley andava de um lado para o outro , mal-humorada , a a procura de meias e penas , chocavam uns com os outros em as escadas , meio vestidos , meio despidos , com pedaços de torrada em as mãos e Mr._Weasley quase partiu o nariz quando tropeçou em uma galinha a o atravessar o pátio , para meter em o carro a mala de Ginny . Harry não percebia lá muito bem_como é_que oito pessoas , seis grandes malas , duas corujas e um rato , iam caber em um pequeno * _ Ford_Anglia * , isso , claro , antes de as artes mágicas que Mr._Weasley acrescentara . - Nem uma palavra a a Molly - murmurou ele a o Harry , enquanto abria a bagageira e lhe mostrava como ela se expandira para que as malas coubessem facilmente . Quando , por fim , se acomodaram todos em o carro , Mrs._Weasley olhou para o banco de trás , onde Harry , Ron , Fred , George e Percy estavam confortavelmente sentados uns a o lado de os outros e disse : - Os Muggles têm mais conhecimentos do_que aqueles que nós lhes atribuímos , não achas ? - Ela e a Ginny entraram para o lugar de a frente , que fora esticado e parecia um banco de jardim . - Quer_dizer , de_fora ninguém diria que este carro era espaçoso , não acham ? Mr._Weasley pôs o motor a funcionar e saíram de o pátio , Harry voltando se para trás para ver por a última vez a casa . Mal teve tempo de se questionar se iria voltar alguma vez e já estavam de volta : George esquecera se de a caixa de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Cinco minutos mais tarde tiveram de interromper de_novo a viagem e voltar a o pátio para o Fred ir a correr buscar a vassoura . Estavam quase a chegar a a auto-estrada , quando Ginny guinchou que se esquecera de o diário . Mas estava a fazer se muito tarde e os ânimos começavam a exaltar se . Mr._Weasley olhou para o relógio e , em seguida , para a mulher . - Molly , querida ... - Não , Arthur . - Ninguém ia ver . Este botãozinho é um transformador de invisibilidade que eu instalei , levava nos por o ar , subíamos acima de as nuvens . Estaríamos lá em dez minutos e ninguém daria por nada ... - Eu disse que não , Arthur . Durante o dia , não . Chegaram a King's_Cross , faltava um quarto para as onze . Mr._Weasley precipitou se em busca de um carrinho de transporte para as malas e correram todos para a estação . Harry apanhara o Expresso_de_Hogwarts em o ano anterior . A parte mais difícil era entrar em a plataforma nove_e_três quartos , que não era visível a os olhos de os Muggles . Era preciso avançar para a barreira sólida que dividia as plataformas nove e dez . Não doía nada , mas tinha de ser feito com cuidado para que nenhum de os Muggles de esse , por o desaparecimento . - O Percy em primeiro lugar - declarou Mrs._Weasley , olhando nervosamente para o relógio lá em cima , que mostrava que tinham apenas cinco minutos para desaparecer através de a barreira . Percy avançou a passos largos e desapareceu . Mr._Weasley foi a seguir e depois de ele Fred e George . - Eu levo a Ginny e vocês vêm atrás_de nós - disse Mrs._Weasley a o Harry e a o Ron , agarrando Ginny pela mão e seguindo em frente . Em um abrir e fechar de olhos , tinham passado . - Vamos passar juntos , só temos um minuto - disse Ron a o Harry . Harry assegurou se de que a gaiola de a Hedwig estava bem fixa em cima de a sua mala e empurrou o carrinho de encontro a a barreira . Estava perfeitamente confiante , aquilo era muito mais fácil do_que usar o pó de Floo . Puseram os dois as mãos em o puxador de os carrinhos e avançaram direitos a a barreira , ganhando velocidade . A um metro e pouco , começaram a correr e ... CRASH . Os dois carros bateram em a barreira e foram impelidos para trás . A mala de o Ron caiu com um enorme estrépito . Harry desequilibrou se e a gaiola de a Hedwig foi parar a o chão brilhante , enquanto ela rolava guinchando , indignada . As pessoas em volta olhavam fixamente e um guarda que estava ali perto gritou : - Que diabo pensam vocês que estão a fazer ? - Perdemos o controlo de o carro de transporte - respondeu o Harry , respirando com dificuldade , agarrando se a as costelas , enquanto se punha de pé . Ron correu a agarrar a Hedwig , que estava a fazer uma cena tal , que já se ouviam murmúrios em a multidão sobre a crueldade para com os animais . - Porque é_que não conseguimos passar ? - perguntou Harry a o Ron em um sussurro . - Não sei . Ron olhou descontroladamente em volta . Uma_dúzia de curiosos estavam ainda a observá os . - Vamos perder o comboio - murmurou o Ron . - Não compreendo porque motivo a cancela se fechou . Harry olhou para o relógio gigantesco com um sentimento de náusea em a boca de o estômago . Dez segundos , nove segundos ... Dirigiu o carrinho de transporte para a frente com toda_a força . O metal manteve se sólido . Três segundos ... dois segundos ... um segundo ... - Partiu - afirmou o Ron , que parecia estonteado . - O comboio foi se embora . E se a mãe e o pai não conseguem voltar para aqui ? Tens algum dinheiro de Muggle ? Harry deu uma gargalhada . - Os Dursleys não me dão um tostão há mais de seis anos ! Ron encostou o ouvido a a barreira . - Não se ouve nada - disse , bastante tenso . - O que vamos nós fazer ? Não sei quanto tempo o pai e a mãe vão demorar . Olharam em volta . As pessoas ainda estavam a observá os , principalmente devido a os contínuos guinchos de a Hedwig . - Acho que o melhor é sairmos de aqui e esperamos por eles junto de o carro - disse Harry . - Aqui estamos a atrair demasiado as aten ... - Harry - disse o Ron , com os olhos a brilhar . - É isso , o carro . - O que é_que tem ? - Podemos voar nele até Hogwarts ! - Mas eu pensei ... - Estamos em apuros , certo ? E temos de chegar a a escola , ou não ? E mesmo os feiticeiros menores de idade estão autorizados a usar a magia em uma emergência real , parágrafo dezanove , ou não sei quê , de a Restrição de ... O sentimento de pânico de Harry transformou se em entusiasmo . - E tu sabes voar nele ? - Não há problema - disse o Ron , andando com o carrinho a a volta e dirigindo se para a saída . - Anda de aí . Se em os apressarmos , conseguiremos sair atrás de o Expresso_de_Hogwarts . E afastaram se de o grupo de Muggles curiosos , abandonando a estação e voltando a a rua , onde o velho * _ Ford_Anglia * se encontrava estacionado . Ron abriu a bagageira com uma série de toques de varinha . Meteram lá dentro as malas , puseram a Hedwig em o assento de trás e entraram para a frente . - Verifica se ninguém está a ver - disse o Ron , ligando a ignição com outro toque de varinha . Harry pôs a cabeça fora de a janela : o trânsito enchia a avenida principal , mas a rua de eles estava vazia . - O. _ K. - disse . Ron carregou em um pequeno botão de o painel . Os carros em volta desapareceram assim_como eles . Harry sentia o assento a vibrar debaixo_de si , ouvia o motor , sentia as mãos sobre os joelhos e os óculos em o nariz , mas , tanto quanto conseguia ver , tornara se um par de olhos redondos flutuando um metro e pouco acima de o chão em uma rua suja , cheia de carros estacionados . - Vamos - disse a voz de o Ron , vinda de o seu lado direito . O chão e os prédios escuros de ambos os lados desapareceram de o seu ângulo de visão , mal o carro se elevou . Em poucos segundos toda_a cidade de Londres , enevoada e resplandecente , estava por baixo de eles . Em seguida , ouviu se um ruído que parecia o saltar de uma rolha e o carro , Harry e Ron , reapareceram . - Oh , oh - disse Ron , batendo em o intensificador de invisibilidade . - Está avariado ... Começaram os dois a bater em o botão . O carro desapareceu . Depois surgiu de forma intermitente . - Aguenta aí - gritou o Ron e carregou com o pé em o acelerador . Saltaram direitinhos para o meio de as nuvens mais baixas e tudo ficou sujo e enevoado . - E agora ? - exclamou Harry , piscando os olhos a a sólida massa de nuvens que os comprimia de todos os lados . - Precisamos de avistar o comboio para sabermos qual a direcção a tomar - explicou o Ron . - Desce rapidamente ... Desceram por o meio de as nuvens e voltaram se em os lugares , espreitando . - Estou a vê o - gritou Harry . - Mesmo em frente , ali . O Expresso_de_Hogwarts deslocava se a grande velocidade lá em baixo , como uma serpente vermelha . - Para Norte - disse o Ron , verificando a bússola de o painel . - O. _ k . , basta que verifiquemos de meia em meia_hora . Aguenta aí ... - e arrancaram por o meio de as nuvens . Em o minuto seguinte , tinham chegado a a luz brilhante de o Sol . Era um mundo diferente . Os pneus de o carro deslizavam sobre o mar de nuvens macias , o céu era de um azul infinito sob a luz , capaz de cegar , que irradiava de o Sol . - Agora só temos de nos preocupar com os aviões - disse o Ron . Olharam um para o outro e desataram a rir . Durante muito_tempo não conseguiram parar . Era como_se tivessem mergulhado em um sonho fabuloso . Aquela , pensou Harry , era certamente a única maneira de viajar : passando por turbilhões e torres de nuvens cor de neve , em um carro cheio de calor , o sol radioso , com um grande pacote de rebuçados em o porta-luvas e antegozando o ar de inveja de o Fred e de o George quando aterrassem suavemente e de forma espectacular em o relvado macio em frente de o castelo de Hogwarts . Espreitaram várias vezes o comboio enquanto voavam cada_vez_mais para norte . Cada descida entre as nuvens dava lhes uma perspectiva diferente . Londres depressa ficou para trás , substituída por campos verdejantes que , por sua vez , deram lugar a grandes pântanos arroxeados , aldeias com pequenas igrejas de brinquedo e uma grande cidade , cheia de vida , com carros que pareciam formigas multicores . Várias horas mais tarde sem acontecer nada de_novo , Harry teve de admitir que uma parte de o entusiasmo se esgotara . Os rebuçados tinham nos deixado cheios de sede e não havia nada para beber . Ele e o Ron tinham tirado as camisolas , mas a * _ T-shirt * de o Harry estava colada a as costas de o assento e os óculos não paravam de lhe escorregar para a ponta de o nariz . Deixara de reparar em as fabulosas formas de as nuvens e pensava com saudade em o comboio , milhas abaixo de eles , onde se podia comprar sumo fresquinho de abóboras em um carro empurrado por uma bruxa gordinha . Porque não teriam conseguido entrar em a plataforma nove_e_três quartos ? - Não pode ser muito mais longe , pois não ? - resmungou o Ron , horas mais tarde quando o Sol começava a enfiar se em o seu chão de nuvens , pintando as de um rosa profundo . - Estás pronto para outra espreitadela a o comboio ? Ainda ia mesmo por baixo de eles , abrindo caminho por_entre uma montanha com o topo coberto de neve . Estava muito mais escuro entre o dossel de nuvens . Ron pôs o pé em o acelerador e levou os de_novo para_cima , mas em esse momento o motor começou a chiar . Harry e Ron trocaram entre si olhares nervosos . - Deve estar só cansado - disse o Ron . - Nunca tinha vindo tão longe ... - E fingiram ambos que não davam por o gemido que se ia tornando maior à_medida_que o céu serenamente escurecia . As estrelas desabrochavam em a escuridão , Harry voltou a enfiar a camisola de lã , tentando ignorar os limpa pára-brisas que acenavam debilmente como_que a protestar . - Não devemos estar longe - disse Ron , dirigindo se mais a o carro do_que a o amigo . - Já não devemos estar longe - deu umas palmadinhas nervosas em o * tablier * . Pouco depois , quando voltaram a voar em o meio de as nuvens , tiveram de olhar de lado em a escuridão , em busca de um ponto de referência que conhecessem . - Ali - gritou Harry , fazendo o Ron e a Hedwig darem um salto . - Mesmo em frente . Recortados em o horizonte negro , sobre o rochedo de o outro lado de o lago , erguiam se as torres e torreões de o castelo de Hogwarts . Mas o carro tinha começado a estremecer e perdia a os poucos velocidade . - Vá lá - disse o Ron , dando a o volante um pequeno abanão bajulador . - Estamos quase a chegar , vá lá ... O motor gemeu . Pequenos jactos de vapor de água brotaram de o capo . Harry deu consigo agarrado com toda_a força a os bordos de o assento enquanto voavam direitos a o lago . O carro deu um solavanco feio . Espreitando por a janela , Harry viu a superfície negra , macia e espelhada de a água cerca de uma milha abaixo de eles . Os dedos de o Ron agarrados a o volante tinham as articulações brancas . O carro deu um novo esticão . - Vá lá - murmurou o Ron . Estavam sobre o lago ... o castelo ficava mesmo em frente . Ron fez força com o pé . Houve um ruído surdo , uma crepitação e o motor morreu por completo . - Oh ! oh ! - gemeu Ron em o silêncio . O nariz de o carro voltou se para baixo . Estavam a cair , ganhando velocidade em direcção a os muros sólidos de o castelo . - Naaaaão ! - gritou o Ron , girando o volante . Escaparam a a muralha de pedra negra por centímetros , quando o carro fez um grande arco , planando primeiro sobre as estufas , depois sobre o rectângulo plantado com vegetais e , por fim , sobre os relvados , perdendo sempre velocidade . Ron largou o volante por completo e tirou a varinha de o bolso de trás . - __ pára ! __ pára ! - gritou , batendo em o * tablier * e em o pára-brisas , mas eles continuavam a mergulhar , o chão a voar em direcção a eles . - : __ cuidado com essa __ árvore ! ! ! - bramiu Harry , deitando a mão a o volante , mas ... tarde de mais ... CRUNCH . Com um ruído ensurdecedor de metal e madeira , bateram em o tronco espesso de a árvore e caíram em o chão com um forte solavanco . O vapor era um mar debaixo de o capo amachucado . A Hedwig tremia apavorada . Em a cabeça de Harry surgira um alto de o tamanho de uma bola de golfe , quando ele batera em o pára-brisas , tombando em seguida para a direita . Ron soltou um gemido longo e desesperado . - Estás O. _ K ? - perguntou Harry , aflito . - A minha varinha - disse o Ron em uma voz trémula . - Olha para a minha varinha . Tinha se partido praticamente em duas , a ponta balouçava mole , presa por meia_dúzia de esquírolas . Harry abriu a boca para dizer que em a escola com certeza conseguiriam consertá a , mas nem chegou a começar a frase . Em esse preciso momento , algo bateu em o seu lado de o carro , com a força de um touro , projectando o para_cima de o Ron , ao_mesmo_tempo que um golpe igualmente forte se sentiu em o capô . - O que está a acontec ... Ron arfou , olhando fixamente por o pára-brisas e Harry olhou em volta , mesmo a_tempo_de ver uma ramada espessa como uma píton vir contra o vidro . A árvore em que tinham batido estava a atacá os . O tronco dobrara se quase a meio e os seus galhos rugosos davam uma tareia a cada centímetro de o carro que conseguiam atingir . - Ah ! - praguejou o Ron , quando outra pernada retorcida esmurrou a sua porta , amolgando a . O pára-brisas tremia agora sob uma saraivada de golpes vindos de galhos que pareciam patas de animais e uma ramada espessa como um aríete esmagava furiosamente o capo , que parecia estar a ceder ... - Corre ! - gritou o Ron , lançando o seu peso contra a porta , mas , em o momento seguinte , tinha sido atirado para trás , para o colo de Harry por um soco maldoso , dado de baixo para_cima , por outro ramo . - Estamos feitos ! - resmungou , enquanto o tecto descaía . Mas , de repente , o chão de o carro estava a vibrar , o motor pegara . - Marcha atrás - gritou o Harry e o carro deu um salto para trás . A árvore tentava ainda agredis os , ouviam as raízes chiar , enquanto quase se partiam esticando se para os alcançar . - Escapámos por_pouco ! - exclamou o Ron . - Muito bem , carro . Mas o carro tinha atingido o limite de as suas forças . Com dois estalidos , as portas abriram se e Harry sentiu o seu assento inclinar se para o lado . Quando deu por si , estava estatelado em o chão húmido . Ruídos surdos avisaram o de que o carro estava a ejectar as malas de a bagageira . A gaiola de a Hedwig voou por os ares e abriu se . Ela saiu a voar com um pio furioso e dirigiu se a o castelo , sem sequer olhar para trás . Em seguida , o carro , amolgado , arranhado e a fumegar , arrancou em o escuro , com os faróis traseiros ardendo de fúria . - Volta aqui ! - gritou o Ron , brandindo a varinha partida . - O meu pai mata me . Mas o carro desapareceu a perder de vista , com um último estoiro de o tubo de escape . - Já viste bem o nosso azar ! ? - exclamou o Ron em o meio de a sua infelicidade , baixando se para apanhar o rato Scabbers . - De todas_as árvores em que podíamos ter batido , tínhamos de ir dar a uma que bate também . Olhou por cima de o ombro para a velha árvore que ainda agitava os ramos ameaçadoramente . - Vamos - disse Harry , fatigado . - É melhor irmos andando para a escola ... Não foi , de modo algum , a chegada triunfal que tinham imaginado . Constrangidos , cheios de frio e magoados , pegaram em as malas e começaram a arrastá as por o relvado acima , em direcção a as grandes portadas de carvalho . - Acho que o banquete já começou - disse o Ron , largando a mala em os degraus de a entrada e atravessando devagarinho para espreitar por uma janela iluminada . - Harry , anda ver , é a distribuição . Harry apressou se e os dois , ele e o Ron , espreitaram para o Salão_Nobre . Um número infindável de velas pairava em o ar , sobre quatro mesas enormes cheias de gente , fazendo brilhar os pratos dourados e as taças . Em cima , o tecto encantado que espelhava o céu lá de_fora , brilhava cheio de estrelas . Por_entre a floresta de chapéus pretos pontiagudos de Hogwarts , Harry viu uma longa fila de alunos de o primeiro ano com olhares assustados que enchia o vestíbulo . Ginny estava entre eles , facilmente reconhecível devido a o seu chamativo cabelo Weasley . Enquanto isso , a professora Mc_Gonagall , uma bruxa de óculos com cabelo castanho apanhado em um carrapito , colocava o famoso chapéu seleccionador em um banco que se encontrava em frente de os novos alunos . Todos os anos , aquele velho chapéu , remendado , puído e cheio de pó , seleccionava alunos para as quatro equipas de Hogwarts ( Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin ) . Harry lembrava se bem de o ter colocado em a cabeça , precisamente um ano antes , e ter esperado petrificado por a sua decisão , enquanto ele lhe murmurava a o ouvido . Durante alguns horríveis segundos receara que o chapéu o mandasse para os Slytherin , a equipa que produzia maior número de feiticeiros e feiticeiras de magia negra , mas acabara por ficar em os Gryffindor , juntamente com Ron e Hermione e o resto de os Weasley . Em o último período , Harry e Ron tinham ajudado os Gryffindor a vencer o campeonato de a equipa , batendo os Slytherin pela_primeira_vez em sete anos . Um rapazito baixinho com cabelo de rato acabava de ser chamado para pôr o chapéu em a cabeça . Os olhos de Harry saltavam de ele para o lugar onde o professor Dumbledore , o director , estava sentado , observando a selecção de a mesa de os professores , com a sua longa barba cor de prata e óculos de meia-lua que brilhavam a a luz de as velas . Alguns lugares a a frente , Harry viu Gilderoy_Lockhart com um manto verde-azulado . E lá bem a o fundo estava Hagrid , enorme e cabeludo , bebendo satisfeito de a sua taça . - Espera aí - murmurou a o Ron . - Há um lugar vazio em a mesa de os professores . Onde estará o Snape ? Severus_Snape era o professor de quem Harry menos gostava . Harry era também o seu aluno menos querido . Cruel , sarcástico e detestado por todos com excepção de os alunos de a sua própria equipa ( Slytherin ) , Snape tinha a seu cargo a cadeira de Poções . - Talvez esteja doente - sugeriu Ron , cheio de esperança . - Talvez se tenha ido embora - lembrou Harry . - Por não lhe terem dado outra_vez a Defesa contra as artes negras . - Ou talvez tenha sido corrido - propôs Ron com entusiasmo . - Afinal , toda_a_gente o detesta ... - Ou talvez - disse uma voz gelada atrás de eles - esteja a a espera que vocês lhe expliquem por_que motivo não vieram em o comboio de a escola . Harry deu uma volta . Em a sua frente , com o manto negro a ondular em uma brisa fria , estava Severus_Snape . O professor era um homem magro , de pele descorada , nariz adunco e um cabelo preto oleoso que lhe caía sobre os ombros . E em aquele momento sorria de um modo tal que Harry sentiu que tanto ele como Ron estavam em sérios apuros . - Sigam me - disse Snape . Sem ousarem sequer olhar um para o outro , Harry e Ron seguiram Snape por as escadas até a o amplo * hall * de entrada que estava iluminado por as chamas de os archotes . De o salão nobre vinha um cheirinho delicioso a comida , mas Snape levou os para longe de a luz e de o calor , em direcção a uma escada estreita de pedra que conduzia a os calabouços . - Entrem - ordenou , abrindo uma porta a meio de o corredor e apontando . Entraram a tremer em o escritório de Snape . As paredes sombrias estavam cobertas de prateleiras cheias de jarros de vidro grosso onde flutuavam as coisas mais diversas e repugnantes , cujo nome Harry não queria de momento conhecer . A lareira estava escura e vazia . Snape fechou a porta e voltou se de frente para eles . - Com que então - disse com falsa suavidade - o comboio não serve para o famoso Harry_Potter e o seu fiel companheiro Weasley . Queriam chegar em grande estilo , não era rapazes ? - Não senhor , foi a barreira em King's_Cross , ela ... - Silêncio - disse Snape friamente . -- _ o que fizeram a o carro ? Ron engoliu em seco . Aquela não era a primeira vez que Snape dava a Harry a impressão de ser capaz de ler pensamentos . Mas , pouco depois , compreendeu tudo quando Snape desenrolou o exemplar de o Profeta_Vespertino . - Vocês foram vistos - afirmou , mostrando lhes o cabeçalho : : __ ford anglia voador confunde __ muggles . Começou a ler alto a notícia . - Dois Muggles em Londres convenceram se de que tinham visto um carro velho a voar sobre a torre de os correios ... a a tardinha em Norfolk , Mrs._Hetty_Bayliss , enquanto pendurava a roupa ... Mr._Angus_Fleet_de_Peebles informou a polícia ... seis ou sete Muggles a o todo . Julgo que o teu pai trabalha em o departamento de mau uso dado a os objectos de os Muggles ? - disse olhando para Ron e sorrindo de uma forma ainda mais sarcástica . - Que peninha , o próprio filho ... Harry sentiu se como_se tivesse levado um soco em o estômago de uma de as maiores pernadas de a árvore louca . E se alguém descobrisse que Mr._Weasley tinha enfeitiçado o carro ? Ele ainda nem tinha pensado em isso . - Reparei durante a minha volta por o jardim que foi feito um estrago considerável em um salgueiro zurzidor extremamente valioso - continuou Snape . - Essa árvore fez nos pior a nós do_que nós ... - deixou escapar Ron . - Silêncio - interrompeu Snape , de_novo . - Infelizmente vocês não fazem parte de a minha equipa e a decisão de vos expulsar não está em as minhas mãos . Vou , por isso , buscar as pessoas que possuem essa feliz possibilidade . Esperem aqui . Harry e Ron olharam , pálidos , um para o outro . Harry perdera a fome . Sentia se agora extremamente agoniado . Tentava não olhar para uma coisa viscosa , suspensa em um líquido verde que estava em uma prateleira por detrás de a secretária de Snape . Se ele fora buscar a professora Mc_Gonagall , chefe de a equipa de os Gryffindor , não estavam muito melhor . Ela era mais justa do_que Snape , mas extremamente severa . Dez minutos mais tarde , Snape voltou e era , de facto , a professora Mc_Gonagall quem o acompanhava . Harry vira a professora Mc_Gonagall zangada , mas , ou se tinha esquecido de como a boca de ela ficava fina , ou nunca a vira tão zangada como em aquele dia . Levantou a varinha em o momento em que entrou . Harry e Ron estremeceram , mas ela limitou se a apontá a para a lareira onde as chamas se elevaram subitamente . - Sentem se - ordenou , e os dois recuaram para as cadeiras junto de o lume . - Expliquem se - disse com os óculos a brilhar de uma forma ameaçadora . Ron enveredou por a história começando por a barreira de a estação que se recusara a deixá os passar . - Por isso não tínhamos escolha , professora , não podíamos chegar a o comboio . - Porque não nos mandaram uma carta por a coruja ? Julgo que tens uma coruja ? - disse friamente a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a Harry . Harry olhou para ela sem saber o que dizer . - Parece me - continuou ela - que seria a coisa mais adequada . - Eu ... não pensei ... - Isso - disse a professora Mc_Gonagall - é bastante óbvio . Ouviu se bater a a porta de o escritório e Snape , que parecia agora mais feliz do_que nunca , foi abrir . Era o director , o professor Dumbledore . Harry ficou totalmente paralisado . Dumbledore tinha uma expressão grave . Olhou para eles de cima de o seu nariz adunco e Harry desejou estar ainda com Ron a levar uma sova de o salgueiro zurzidor . Fez se um longo silêncio . Em seguida , Dumbledore disse lhes : - Por favor , expliquem porque fizeram isto . Teria sido melhor se gritasse . Harry detestou sentir a decepção em a sua voz . Inexplicavelmente era incapaz de olhar Dumbledore em os olhos e falou em direcção a os seus joelhos . Disse lhe tudo excepto que o carro enfeitiçado pertencia a Mr._Weasley , dando a ideia de que ele e o Ron o tinham encontrado estacionado fora de a estação . Sabia que Dumbledore ia ver para_além de isso , mas o director não fez perguntas sobre o carro . Quando Harry terminou continuou a olhar para ele através de os seus óculos . - Nós vamos buscar as nossas coisas - disse Ron em um tom de voz sem esperança . - Que disparate é esse ? - rosnou a professora Mc_Gonagall . -- Então , vão expulsar nos , não vão ? - disse o Ron . Harry olhou rapidamente para Dumbledore . - Ainda não , Mr._Weasley - afirmou Dumbledore . - Mas vou assinalar a gravidade do_que vocês fizeram . Hoje a a noite escreverei a as vossas famílias . Estão também prevenidos que se voltarem a fazer uma coisa como esta não terei outro remédio senão expulsar vos . A expressão de Snape era como_se o Natal tivesse sido cancelado . Pigarreou e disse : - Professor_Dumbledore , estes rapazes infringiram o decreto para a restrição de a feitiçaria de os menores , causaram estragos consideráveis a uma árvore antiga e valiosa ... sem dúvida , actos de esta natureza ... - Cabe a a professora Mc_Gonagall decidir sobre os castigos de os rapazes , Severus - afirmou Dumbledore com toda_a calma . - Pertencem a a equipa de ela e são , portanto , de a sua responsabilidade . - Voltou se para a professora Mc_Gonagall . - Tenho de regressar a o banquete , Minerva , devo dar algumas informações . Venha Severus , há uma tarte de leite e ovos com um aspecto delicioso que quero mostrar lhe . Snape lançou um olhar de puro veneno a o Harry e a o Ron enquanto permitia que o afastassem de o seu escritório , deixando os a sós com a professora Mc_Gonagall que ainda os olhava como uma águia em fúria . - É melhor ires até a a ala hospitalar , Weasley , estás a sangrar . - Não é nada - disse Ron , limpando o corte com a manga para que ela o visse . - Professora , eu gostava de ver a minha irmã ser seleccionada . - A cerimónia de a selecção terminou - disse a professora Mc_Gonagall . - A tua irmã está também em os Gryffindor . - _ óptimo - exclamou Ron . - E por falar em os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall de forma cortante , mas Harry interrompeu a : - Professora , quando tirámos o carro , o ano escolar ainda não tinha começado , por isso os Gryffindor não deveriam perder pontos , pois não ? - terminou olhando a ansiosamente . A professora Mc_Gonagall lançou lhe um olhar penetrante , mas ele era capaz de jurar que ela quase tinha sorrido . Pelo_menos a boca não parecia tão fina . - Não vou tirar pontos a os Gryffindor - tranquilizou o . E o coração de Harry ficou mais leve . - Mas vocês os dois vão ter um castigo . Foi melhor do_que Harry imaginara . O facto de Dumbledore escrever a os Dursley não tinha a menor importância . Harry sabia perfeitamente que eles só lamentariam que o salgueiro zurzidor não o tivesse esmigalhado . A professora Mc_Gonagall ergueu a varinha de_novo apontou a a a secretária de Snape . Um grande prato de sanduíches , duas taças de prata e um jarro com sumo de abóbora gelado apareceram em menos_de um segundo . - Vocês vão comer aqui e , em seguida , vão direitinhos para o vosso dormitório - disse . - Eu também tenho de voltar para a festa . Mal a porta se fechou atrás de ela , Ron soltou baixinho um assobio . - Pensei que estávamos feitos - confessou , agarrando uma sanduíche . - Também eu - disse o Harry , orando também uma . - Mas já viste bem a nossa pouca sorte ? - insistiu o Ron com a boca cheia de frango e fiambre . - O Fred e o George voaram em aquele carro cinco ou seis vezes e nenhum Muggle os viu - engoliu outro pedaço enorme de a sanduíche . - Porque será que não conseguimos passar a barreira ? Harry encolheu os ombros . - Mas temos de ter muito cuidado a_partir_de agora - disse bebendo um grande trago de sumo de abóbora . - Que pena não termos podido ir a o banquete . - Ela não quis que nos exibíssemos - afirmou Ron com prudência . - Não vão as pessoas pensar que é uma boa chegar aqui de carro voador . Quando já tinham comido todas_as sanduíches que queriam ( o prato ia voltando a encher se sozinho ) , levantaram se e saíram de o escritório , seguindo o caminho que lhes era familiar , para a torre de os Gryffindor . O castelo estava em silêncio . Parecia que o banquete tinha acabado . Passaram por retratos murmurantes e armaduras que gemiam e subiram os degraus estreitos de pedra até que , por fim , chegaram a a passagem onde a entrada secreta para a torre de os Gryffindor se encontrava oculta por detrás de o quadro a óleo de uma dama gorda em um vestido cor-de-rosa . - A senha ? - perguntou ela mal os dois se aproximaram . - Er ... Eles ainda não tinham estado com o prefeito de os Gryffindor e por isso ainda não conheciam a senha para o novo ano , mas a ajuda não se fez esperar . Ouviram passos apressados atrás de eles e quando se voltaram viram Hermione que se aproximava . - Aí estão vocês . Onde é_que se meteram ? Correm os boatos mais ridículos , alguém disse que vocês tinham sido expulsos por espatifarem um carro voador . - Bem , expulsos não fomos - tranquilizou a Harry . - Não estás a dizer me que voaram até aqui ? - perguntou Hermione em um tom quase tão severo como a professora Mc_Gonagall . - Dispensa se o sermão - interrompeu Ron impacientemente . - E diz nos a nova senha de passagem . - É crista de pássaro - disse Hermione não contendo a impaciência . - Mas o mais importante não é isso ... Contudo as palavras de ela foram interrompidas ao_mesmo_tempo que o retrato de a dama gorda se abria e se ouvia uma tempestade de aplausos . A o que parecia a equipa de os Gryffindor estava ainda acordada , dentro de a sala comum em forma de círculo , junto de as mesas assimétricas e de os cadeirões moles a a espera que eles chegassem para , de braços estendidos através de o buraco de o retrato , puxarem Harry e Ron para dentro deixando Hermione para o fim . - Sensacional - gritou Lee_Jordan . - Inspirado ! Que entrada ! Voar em um carro e aterrar em o salgueiro zurzidor . Toda_a_gente vai falar de isto durante anos e anos . - Muito bem - disse um aluno de o quinto ano com quem Harry nunca tinha falado . Alguém dava lhe palmadas em as costas como_se ele acabasse de vencer a maratona . Fred e George abriram caminho por_entre a multidão e disseram ao_mesmo_tempo : - Por_que é_que não nos chamaram , hein ? - Ron estava vermelho como um pimentão , sorrindo envergonhado , mas Harry via perfeitamente uma pessoa que não estava nada contente . Percy elevava se acima de as cabeças de os excitados alunos de o primeiro ano e parecia estar a tentar aproximar se para os repreender . Harry deu uma cotovelada a o Ron e apontou em direcção a Percy . Ron percebeu de imediato . - Temos de ir para_cima , um_pouco cansados ! - explicou e os dois começaram a abrir caminho em direcção a a porta que ficava de o outro lado de a sala e que dava para a escada em espiral e para os dormitórios . - ` _ Noite - despediu se Harry_de_Hermione que tinha um ar tão carrancudo como Percy . Conseguiram chegar a o outro lado de a sala comum sempre a levarem palmadas em as costas e alcançaram o sossego de as escadas . Apressaram se a subir e , por fim , chegaram a a porta de o dormitório que tinha agora um letreiro a dizer « Segundos_Anos » . Entraram em o quarto circular , que conheciam tão bem , com as suas cinco camas de dossel adornadas de velado vermelho e as suas janelas altas e estreitas . As malas tinham sido trazidas para_cima e colocadas a os pés de as camas . Ron fez um sorriso culpado . - Sei que não devia ter gostado de aquilo , mas ... A porta de o dormitório abriu se e os outros rapazes de os Gryffindor entraram ; eram eles o Seamus_Finnigan , o Dean_Thomas e o Neville_Loogbottom . - Inacreditável - aplaudiu Seamus . - Incrível - aprovou o Dean . - Espantoso - exclamou o Neville , aterrado . Harry não pôde evitar também um sorriso . VI_Gilderoy_Lockhart_No dia seguinte , contudo , Harry não conseguiu sorrir . As coisas começaram a correr mal logo em o salão durante o pequeno-almoço . Debaixo de o tecto encantado ( em aquele dia triste e cinzento ) estavam as quatro grandes mesas de as equipas e sobre elas , terrinas de papa de aveia , pratos de arenque defumado , montanhas de torradas e pratadas de ovos com * bacon * . Harry e Ron sentaram se em a mesa de os Gryffindor , junto de Hermione que tinha o seu exemplar de * _ Viagens com Vampiros * totalmente aberto , encostado a um jarro de leite . Havia uma certa rigidez em a maneira como ela disse : - ` _ Dia - que mostrou a Harry que continuava a desaprovar o modo como tinham chegado a a escola . Por seu turno , Neville_Longbottom saudou os entusiasticamente . Neville era um rapazinho de cara redonda , muito dado a acidentes , com a pior memória que Harry tinha conhecido . - A entrega de correio deve estar a chegar , acho que a minha avó me vai mandar umas quantas coisas de que me esqueci ... Harry tinha começado a comer as papas de aveia , quando se ouviu um ruído tumultuoso em o ar e umas cem corujas entraram ao_mesmo_tempo , sobrevoando o salão e deixando cair cartas e pacotes em o meio de a multidão faladora . Um embrulho grande e rugoso caiu em a cabeça de Neville e , um segundo depois , uma coisa larga e cinzenta caiu em o jarro de a Hermione , enchendo os a todos de leite e penas . - Errol - gritou o Ron , puxando a coruja esfarrapada por as patas . Errol caíra inconsciente sobre a mesa com as pernas para o ar e um envelope vermelho húmido em o bico . - Oh , não ! - sobressaltou se Ron . - Ela está bem , ainda está viva - tranquilizou o Hermione , tocando suavemente em a Errol com a ponta de o dedo . - Não é isso , é ... aquilo . Ron apontava para o envelope vermelho . Parecera perfeitamente vulgar a Harry , mas Ron e Neville estavam ambos a observá o como_se esperassem que explodisse . - Qual é o problema ? - perguntou Harry . - Ela . Ela mandou me um * gritador * - disse Ron , quase sem voz . - É melhor abrires - aconselhou Neville em um murmúrio tímido - senão é pior . A minha avó uma_vez mandou me um que eu ignorei e ... - engoliu em seco - foi horrível . Harry olhava , ora para as suas caras , ora para o envelope vermelho . - O que é um * gritador * ? - perguntou . - Mas toda_a atenção de o Ron estava fixa em a carta que começara a fumegar por os cantos . - Abre a - intimou o Neville . - De aqui a poucos minutos já passou tudo . Ron estendeu uma mão trémula , retirou o envelope de o bico de a Errol e começou a abri o . Neville pôs os dedos em os ouvidos . Após uma fracção de segundo , Harry compreendeu porquê . Pensou em o primeiro momento que ela explodira . Um ruído ensurdecedor encheu o enorme salão , fazendo cair pó de o tecto . - ... : __ roubar o carro ! não me surpreendia nada se te expulsassem . espera só até te pôr as mãos em cima . será que não paraste para pensar em a nossa aflição quando vimos que o carro tinha __ desaparecido ... Os gritos de Mrs._Weasley , ampliados cem vezes em relação a o seu normal , fizeram os pratos e as colheres chocalhar em a mesa e ecoaram de forma ensurdecedora em as paredes de pedra . Vinha gente de todos os lados espreitar quem tinha recebido o * gritador * e Ron afundou se tanto em a cadeira que só se lhe via a testa carmesim . - ... : __ uma carta de o dumbledore ontem a a noite , o teu pai quase morria de vergonha . não foi esta a educação que te demos , tu e o harry podiam ter __ morrido ... Harry estava a ver quando é_que o seu nome viria a a baila . Tentou o melhor que pôde agir como_se não ouvisse a voz , mas aquilo estava a fazer com que os tímpanos lhe latejassem . - ... : __ profundamente decepcionada , o teu pai vai ter de se confrontar com um inquérito em o trabalho , tudo por tua culpa e , se pisas mais_uma_vez o risco , trago te para __ casa ! Seguiu se um silêncio ressonante . O envelope vermelho , que caíra de as mãos de o Ron , incendiou se e encaracolou se em cinzas . Harry e Ron estavam sentados de boca aberta , como_se uma onda gigante lhes tivesse passado por cima . Algumas pessoas riam e , a os poucos , o ruído de as conversas recomeçou . Hermione fechou o * _ Viagens com Vampiros * e olhou para o topo de a cabeça de Ron . - Bem , não sei o que esperavas , Ron , mas tu ... - Não me venhas dizer que mereci - interrompeu Ron . Harry afastou as papas de aveia . O estômago ardia lhe de culpa . Mr._Weasley tinha um inquérito em o trabalho , depois de tudo_o_que Mr. e Mrs._Weasley tinham feito por ele durante o Verão ... Mas não teve muito_tempo para se demorar em aqueles pensamentos . A professora Mc_Gonagall circulava em volta de as mesas de os Gryffindor distribuindo horários . Harry pegou em o seu e viu que começavam por ter Herbologia , juntamente com os Hufflepuff . Harry , Ron e Hermione saíram juntos de o castelo , atravessaram as hortas e chegaram a as estufas , onde estavam guardadas as plantas mágicas . O * gritador * tivera pelo_menos uma vantagem : Hermione parecia achar que já tinham sido suficientemente castigados e estava de_novo perfeitamente calorosa . Quando estavam a chegar a as estufas viram o resto de a classe de pé , cá fora , a a espera de a professora Sprout . Harry , Ron e Hermione tinham acabado de se lhes juntar quando a viram aproximar se a passos largos por o relvado , acompanhada de Gilderoy_Lockhart . A professora Sprout era uma bruxa pequenina e atarracada que usava um chapéu a os remendos sobre o cabelo solto . As roupas que vestia estavam sempre cheias de terra e as suas unhas fariam a tia Petúnia desmaiar . Gilderoy_Lockhart , pelo_contrário , tinha um ar imaculado em as suas vestes azul-turquesa , o cabelo doirado a brilhar debaixo_de um chapéu azul-turquesa , com uma fita dourada , perfeitamente posicionado sobre a cabeça . - Olá a todos ! - gritou Lockhart , dirigindo se a o grupo de estudantes . - Estive a mostrar a a professora Sprout a maneira correcta de tratar um salgueiro . Mas não quero que fiquem com a ideia de que sou melhor do_que ela em Herbologia . Acontece que encontrei várias de estas plantas exóticas , durante as minhas viagens .... - Estufa número três hoje , meninos ! - disse a professora Sprout que estava visivelmente descontente , bem diferente de a sua habitual natureza bem-disposta . Houve um murmúrio de interesse . Eles só tinham estado uma_vez em a terceira estufa , que era uma estufa que abrigava plantas bem mais interessantes e perigosas . A professora Sprout tirou uma enorme chave de o cinto e abriu a porta . Harry sentiu o bafo de a terra húmida com adubo misturado e o perfume forte de umas flores gigantescas , de o tamanho de guarda-chuvas , que estavam penduradas de o tecto . Ia seguir Ron e Hermione , quando a mão de o Lockhart o travou . -- Harry ! Tenho querido ter uma palavrinha contigo . Não se importa se ele chegar uns minutos atrasado , pois não , professora Sprout ? A julgar por a expressão carregada de a professora Sprout , importava se sim , mas Lockhart disse : - Então até já - e fechou a porta de a estufa em a cara de ela . - Harry ! - disse Lockhart , com os dentes brancos a brilharem a o sol , enquanto abanava a cabeça . - Harry , Harry , Harry ! Harry , totalmente perplexo , não disse uma palavra . - Quando ouvi dizer , bem , é claro que eu tive muita culpa , deviam castigar me também ... Harry não fazia ideia de que estava ele a falar , quando Lockhart prosseguiu : - Nunca me lembro de ficar tão chocado . Fazer voar um automóvel até Hogwarts ! Bem , é claro que eu percebi logo porque o fizeste . Foi um destaque em grande . Harry , Harry , Harry ! Era notável como ele conseguia mostrar todos aqueles dentes brilhantes , mesmo quando não estava a falar . - Criei te o gosto por a publicidade , não foi ? - perguntou Lockhart . - Passei te o bichinho . Apareceste comigo em a primeira página e não podias esperar para aparecer outra_vez ... - Oh , não , professor , sabe é_que ... - Harry , Harry , Harry - disse Lockhart aproximando se e tocando lhe em o ombro . - * _ Eu compreendo * . É natural querer um_pouco mais quando se lhe tomou o gosto , e eu culpo me por te ter dado esse conhecimento , porque era natural que te subisse a a cabeça , mas vê uma coisa , rapazinho , tu não podes começar a fazer voar carros para tentares ser notícia . Tens de acalmar , está bem ? Tens muito_tempo quando fores mais velho . Sim , sim , eu sei o que estás a pensar ! É fácil para ele falar assim , já é um feiticeiro internacionalmente famoso ! Mas quando eu tinha doze anos era tão zé-ninguém como tu és hoje . Em a verdade , era ainda mais . De ti , já meia_dúzia de pessoas ouviram falar , não é ? Toda aquela história com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . - Olhou para a cicatriz luminosa em a testa de Harry . - Eu sei , eu sei , não é o mesmo_que vencer o Prémio de o sorriso de o feiticeiro de a semana cinco vezes seguidas , como eu venci , mas é um começo , Harry , é um começo . Lançou lhe uma piscadela de olhos cordial e foi se embora . Harry ficou atarantado durante alguns segundos . Depois , lembrando se que deveria estar em a estufa , abriu a porta e esgueirou se lá para dentro . A professora Sprout estava de pé , por_detrás_de uma espécie de mesa em o meio de a estufa . Em cima de a mesa estavam cerca de vinte pares de abafo de ouvidos de diferentes cores . Quando Harry estava já em o seu lugar , entre Ron e Hermione , ela disse : - Hoje vamos transplantar Mandrágoras . Muito bem , quem sabe dizer me as propriedades de a Mandrágora ? Não foi surpresa para ninguém que a mão de a Hermione fosse a primeira em o ar . - A Mandrágora tem um efeito reparador muito poderoso - disse Hermione , com o ar mais normal de este mundo , como_se tivesse engolido o livro de texto . - É usada para fazer voltar as pessoas , que foram transfiguradas ou amaldiçoadas , a o seu estado original . - Excelente . Dez pontos para os Gryffindor ! - exclamou a professora Sprout . - A Mandrágora é parte integrante de a maior parte de os antídotos , mas também é perigosa . Quem sabe dizer me porquê ? A mão de Hermione por_pouco não bateu em os óculos de Harry , quando se ergueu de_novo . - O grito de a Mandrágora é fatal para quem o ouve - disse prontamente . - Precisamente . Dou lhe mais dez pontos - disse a professora Sprout . - Agora vejamos , as Mandrágoras que aqui temos são ainda muito jovens . Enquanto falava , apontou para uma fila de tabuleiros com uma certa profundidade e todos se chegaram a a frente para ver melhor . Cerca de uma centena de plantinhas tufosas de um verde arroxeado cresciam em filas . Pareceram perfeitamente vulgares a Harry , que não fazia a menor ideia do_que Hermione queria dizer com o * grito * de a Mandrágora . - Cada_um de vocês pode tirar um par de abafo de ouvidos - disse a professora Sprout . Houve uma competição renhida porque ninguém queria os cor-de-rosa , cheios de penugem . - Quando eu vos disser para os colocar , assegurem se de que os vossos ouvidos estão completamente tapados - disse a professora Sprout . - Logo_que seja seguro retirá os , eu levanto os dedos . Certo , pôr os abafos de os ouvido . Harry pôs imediatamente os abafos em os ouvidos . Eles fecharam completamente o som . A professora Sprout colocou também um par de abafos cor-de-rosa com penugem em os de ela , arregaçou as mangas de a túnica , agarrou uma de as plantas tufosas e puxou com toda_a força . Harry soltou um grito de surpresa que ninguém ouviu . Em_vez_de raízes , um bebé pequenino , enlameado e extremamente feio , saiu de a terra . As folhas cresciam lhe em o alto de a cabeça , tinha uma pele pintalgada de um pálido esverdeado e estava nitidamente a berrar a plenos pulmões . A professora Sprout tirou debaixo de a mesa um grande vaso de plantas e mergulhou lá dentro a Mandrágora , enterrando a em a mistura escura e húmida , até que só as folhas ficassem visíveis . Em seguida , limpou a terra de as mãos , levantou os dedos e todos eles retiraram os abafos de os ouvidos . - Como as nossas Mandrágoras são muito novas , os seus gritos ainda não matam - disse ela com grande calma , como_se tivesse feito algo tão normal como regar uma begónia . - Contudo , podem pôr vos a dormir durante várias horas e , como com certeza nenhum de vocês quer perder o primeiro dia de aulas , vejam se os abafos estão bem colocados enquanto trabalham . Eu chamarei vos a atenção quando for altura de os retirar . - Quatro em cada fila , há aqui uma grande quantidade de vasos , a mistura de terra está em os sacos ali a o fundo e tenham cuidado com a * _ Venomous_Tentacula * , estão a nascer lhe os dentes . Enquanto falava , deu uma pancada seca a uma planta vermelha escura cheia de pontas eriçadas , fazendo a encolher as longas antenas que tinham estado a avançar lenta e dissimuladamente sobre o seu ombro . A Harry , Ron e Hermione veio juntar se em a fila um rapaz de cabelo encaracolado de os Hufflepuff que Harry conhecia de vista , mas com quem nunca tinha falado . - Justin_Finch - _ Fletchey - disse ele com vivacidade , apertando a mão de o Harry . - Conheço te , claro , o famoso Harry_Potter ... e tu és a Hermione_Granger , sempre a primeira em tudo ( Hermione brilhou em um sorriso , como_se ele lhe tivesse apertado a mão ) e Ron_Weasley . Não era teu o carro voador ? Ron não sorriu . Não lhe saía de a cabeça o * gritador * . - Aquele Lockhart é o_máximo , não acham ? - disse Justin satisfeito , enquanto começavam a encher os vasos com composto de adubo de dragão . - Terrivelmente corajoso . Leram os livros de ele ? Eu teria morrido de medo se um lobisomem me tivesse encurralado em uma cabina telefónica , mas ele manteve se calmo e ... zap ... fantástico ! « Eu estava inscrito em Eton , sabem , não imaginam como estou feliz de ter vindo antes para aqui . É claro que a minha mãe ficou um_pouco desiludida , mas depois de lhe ter dado os livros de Lockhart a ler , tenho a impressão de que ela começou a ver a utilidade de ter um feiticeiro bem treinado em a família ... Depois de isso , não tiveram grandes oportunidades para conversar . Voltaram a pôr os abafos de ouvidos e era preciso concentrarem se em as Mandrágoras . A professora Sprout fizera as coisas parecerem extremamente simples , mas não eram . As Mandrágoras não gostavam de sair de a terra mas também não pareciam querer voltar para lá . Elas contorceram se , deram pontapés , agitaram as mãozinhas finas e rangeram os dentes . Harry levou dez minutos inteirinhos a tentar meter uma Mandrágora particularmente gorda dentro_de um vaso . Em o final de a aula , Harry , como todos os outros , estava a suar , cheio de dores e coberto de terra . Regressaram a o castelo a pé para um banho rápido e , em seguida , os Gryffindor apressaram se para assistir a a aula de transfiguração . As aulas de a professora Mc_Gonagall eram sempre complicadas , mas a de aquele dia era particularmente difícil . Tudo_o_que o Harry aprendera em o ano anterior parecia ter se lhe apagado de a memória durante o Verão . Ele deveria ser capaz de transformar uma barata em um botão , mas , tudo_o_que conseguiu foi fazer a barata praticar um imenso exercício , enquanto corria apressadamente por o tampo de a secretária evitando a varinha . Ron estava a debater se com problemas bastante piores . Tinha atado a varinha com uma fita mágica , mas parecia que não havia reparação possível . Não parava de crepitar e lançar faíscas em os momentos mais estranhos e , sempre_que Ron tentava transfigurar a barata , via se envolvido em um fumo cinzento espesso que cheirava a ovos podres . Incapaz de ver o que estava a fazer , o Ron esmagou , por engano , a barata com o cotovelo e teve de ir pedir que lhe dessem outra , o que deixou a professora Mc_Gonagall muito pouco satisfeita . Harry ficou aliviado quando ouviu tocar a campainha para o almoço . Sentia a cabeça como uma esponja espremida . Todos os alunos saíram em fila de a aula excepto ele e Ron que dava furiosas varadas em a secretária . - Coisa estúpida e inútil . - Escreve a os teus pais a pedir outra - sugeriu Harry , enquanto a varinha disparava com estrondo um foguete explosivo . - Ah pois , e receber outro * gritador * em a volta de o correio - respondeu Ron , metendo a varinha que já assobiava , dentro de o saco . - * _ A culpa é toda tua se a varinha está estragada * ... Desceram para o almoço e aí a disposição de o Ron não iria melhorar com Hermione a mostrar lhe uma mão-cheia de botões de casaco , perfeitinhos , que produzira em a transfiguração . - O que temos esta tarde ? - quis saber Harry , mudando rapidamente de assunto . - Defesa contra as artes negras - disse Hermione , sem perder tempo . - Porque é_que tu ... - perguntou Ron , pegando em o horário de ela - desenhaste corações em volta de as aulas de o Lockhart ? Hermione arrancou lhe o horário de as mãos , corando furiosa . Acabaram de almoçar e foram para o pátio carregado de nuvens . Hermione sentou se em um degrau de pedra e enfiou de_novo o nariz em as * _ Viagens com Vampiros * . Harry e Ron ficaram a falar de Quidditch durante alguns minutos antes de Harry se aperceber de que estava a ser observado de perto . Olhando para_cima viu o rapazinho pequenino com cabelo de rato que ele vira experimentar o chapéu seleccionador em a noite anterior , olhando para ele com uma expressão petrificada . Estava agarrado a o que parecia ser uma vulgar máquina fotográfica de os Muggles e , em o momento em que Harry olhou para ele , ficou todo vermelho . - Tudo bem , Harry ? Eu sou Colin_Creevey - disse , faltando lhe o ar e adiantando se a qualquer pergunta . - Estou em os Gryffindor também . Não te importavas que eu tirasse uma fotografia ? - perguntou , levantando a máquina cheio de expectativa . - Uma fotografia ? - repetiu Harry , inexpressivo . - Para eu provar que te conheci - disse Colin_Creevey cheio de ansiedade , continuando : - Eu sei tudo a teu respeito . Toda_a_gente me tem contado como sobreviveste quando O_Quem nós sabemos tentou matar te , como ele desapareceu depois de isso e como ficaste com a cicatriz em forma de relâmpago em a testa ( os seus olhos procuraram a linha de cabelo de Harry ) e um rapaz de o meu dormitório disse que se eu revelasse o filme em a posição certa ele mexia . - Colin respirou fundo , estremecendo de excitação e disse : - Isto_é fantástico , aqui , não achas ? Eu não sabia que todas_as coisas estranhas que fazia eram magia até a o dia em que recebi uma carta de Hogwarts . O meu pai é leiteiro . Também ele não queria acreditar . Por isso estou a tirar montes de fotografias para lhe mandar e era mesmo bom se tivesse uma tua - parecia implorar . - Talvez o teu amigo pudesse tirá a e assim eu ficava a o teu lado . E depois , podias assiná a ? - Assinar fotografias ? Estás a dar fotos autografadas , Potter ? Alta e mordaz , a voz de Draco_Malfoy ecoou em o pátio . Estava parado mesmo atrás_de Colin , ladeado , como sempre andava em Hogwarts , por os seus fortes guarda-costas Crabbe e Goyle . - Ei gente , façam bicha - gritou Malfoy a a multidão . - Harry_Potter está a dar fotos autografadas ! - Não estou coisa nenhuma - disse Harry , zangado , com os punhos em o ar . - Cala a boca , Malfoy . - Tu tens é inveja - começou a dizer Colin , cujo corpo era de o tamanho de o pescoço de Crabbe . - Inveja - repetiu Malfoy que não precisava de gritar mais , metade de o pátio estava a ouvi o . - De quê ? Não preciso de uma cicatriz em a cabeça , muito obrigado . Não acho que ter um corte em a testa torne alguém especial . Crabbe e Goyle riram estupidamente - Vai pastar caracóis , Malfoy - disse o Ron furioso . Crabbe parou de rir e começou a esfregar os nós de os dedos enormes de uma forma ameaçadora . - Tem cuidado , Weasley - escarneceu Malfoy . - Com certeza não queres começar uma rixa ou a tua mãezinha tem de vir cá para te tirar de a escola - e com uma voz aguda e penetrante : - * _ Se voltas a pisar o risco * ... Um grupo de alunos de o quinto ano de os Slytherin que estava ali perto , riu se bastante alto . - O Weasley gostaria de ter uma foto tua autografada , Potter - escarneceu de_novo Malfoy . - Era capaz de valer mais do_que a casa onde ele mora com a família . Ron sacou de a sua varinha amarrada com fita , mas Hermione fechou as * Viagens com Vampiros * com um estrondo e avisou : - Atenção . - O que é isto , o que é isto ? - Gilderoy_Lockhart aproximava se com o seu manto azul-turquesa girando em torvelinho atrás de ele . - Quem está a dar fotos autografadas ? Harry ia começar a explicar , mas foi interrompido quando Lockhart lhe pôs jovialmente o braço em cima de os ombros . - Mas que pergunta a minha ! Cá estamos nós de_novo , Harry ! Preso ao_lado_de Lockhart e a arder de humilhação , Harry viu Malfoy deslizar com o seu sorriso desdenhoso por o meio de a multidão . - Vamos lá então , Mr._Creevey - disse Lockhart , dirigindo se a Colin . - Uma foto dupla , já viu a sua sorte ? E assinamos a os dois para si . Colin ajustou a máquina e tirou a fotografia em o preciso momento em que a campainha tocava para as aulas de a tarde . - Está em a hora , todos para dentro - gritou Lockhart a a multidão e regressou a o castelo levando a o seu lado o Harry que só lamentava não conhecer um feitiço que o fizesse desaparecer . - Uma palavra só , Harry - disse Lockhart paternalmente , enquanto entravam em o edifício por uma porta lateral . - Eu ajudei te há bocado com o jovem Creevey porque se ele estivesse a fotografar me também a mim os teus colegas não reparariam tanto que estavas a exibir te ... Indiferente a a gaguez de Harry , Lockhart arrastou o para um corredor ladeado de alunos que os olhavam espantados e subiram uma escada . - Deixa me só dizer te uma coisa : dar fotografias autografadas em esta fase de a tua carreira , francamente , não é sensato , Harry , parece um_pouco megalómano . Pode ser que um dia mais tarde , tal_como eu , sejas obrigado a assinar para multidões onde quer que vás , mas - fez uma pequena pausa - não me parece que seja o caso , por enquanto . Tinham chegado a a aula de Lockhart e ele largou finalmente o Harry que sacudiu a túnica e foi sentar se em um lugar bem lá atrás onde começou por empilhar os livros de Lockhart a a sua frente para evitar olhar para a criatura . O resto de a aula entrou ruidosamente e Ron e Hermione foram sentar se um de cada lado de Harry . - Tu estavas vermelho como um pimentão - disse o Ron . - Reza para que o Creevey não se torne amigo de a Ginny senão bem podem criar o clube de * fans * de Harry_Potter . - Cala a boca - interrompeu Harry . A última coisa que desejava era que o Lockhart ouvisse a expressão « clube de * fans * de Harry_Potter « . Quando todos estavam em os seus lugares , Lockhart pigarreou alto e fez se silêncio . Ele inclinou se para a frente , pegou em o exemplar de Neville_Longbottom de * _ viagens com Duendes * e levantou o para mostrar a sua fotografia a piscar os olhos em a capa . - Eu - disse apontando para a fotografia e piscando também os olhos - Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , terceiro ano , membro honorário de a Liga_de_Defesa contra as artes negras e cinco vezes vencedor de o prémio de o * _ Feiticeiro de a semana * por o sorriso mais charmoso . Mas não vamos falar de isso , não venci a fada carpideira de Bandon a sorrir para ela ! Esperou que eles se rissem . Alguns alunos sorriram timidamente . - Já vi que todos vocês compraram a minha obra completa . Muito bem . Pensei começar hoje com um pequeno interrogatório escrito . Nada de complicado , só para perceber se leram bem os meus livros e o que apreenderam ... Depois de distribuir as folhas de teste voltou se para os alunos e disse : - Têm trinta minutos . Comecem já . Harry olhou para o papel e leu : *1 . Qual é a cor preferida de Gilderoy_Lockhart ? *2 . Qual é a ambição secreta de Gilderoy_Lockhart ? *3 . Qual é , em a sua opinião , a maior realização de Gilderoy_Lockhart até a o momento ? * E_por_aí adiante , ao_longo_de três páginas , terminando com : *54 . Qual é o dia de aniversário de Gilderoy_Lockhart e qual seria o seu presente preferido ? * Meia_hora mais tarde , Lockhart recolheu os pontos e folhou os rapidamente em frente de os alunos . - Tut , tut , quase ninguém se lembrou que a minha cor preferida é o lilás . Eu digo o em * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves * . Alguns precisam de voltar a ler com mais cuidado * Fim-de - _ Semana com Um Lobisomem * . Eu afirmo claramente em o décimo segundo capítulo que o meu presente de aniversário preferido seria a harmonia entre todos os seres , mágicos e não mágicos , embora não me importasse de receber uma garrafa grande de * whisky * velho de a Ogden's_Old_Firewhisky . Piscou lhes o olho de_novo . Ron olhava para Lockhart com uma expressão de incredulidade em o rosto . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas que estavam sentados a a frente tremiam de tanto conter o riso . Hermione , contudo , ouvia Lockhart com extrema atenção e deu um salto quando ouviu o seu nome . - Mas Miss_Hermione_Granger sabia que a minha ambição secreta era libertar o mundo de o mal e pôr a a venda a minha gama de poções de tratamento de o cabelo . Muito bem - voltou o papel . - Nota máxima ! Onde está Miss_Hermione_Granger ? Hermione ergueu uma mão trémula . - Excelente - bradou Lockhart , exultante . - Leva dez pontos para os Gryffindor . E vamos a o trabalho . Baixou se atrás de a secretária e pegou em uma grande gaiola coberta . - Ficam desde_já a saber , a minha função é preparar vos contra as criaturas mais malignas que a feitiçaria conhece . Vocês podem ter que enfrentar os maiores medos em esta sala . Saibam que nenhum mal vos sucederá comigo aqui . Só vos peço que se mantenham calmos . Ultrapassando os seus sentimentos , Harry espreitou através de a pilha de livros para ver melhor a gaiola . Lockhart colocou uma mão em a tampa . Dean e Seamus tinham deixado de se rir . Neville estava agachado em o seu lugar de a fila de a frente . - Vou pedir vos que não façam barulho - disse Lockhart em voz baixa . - Podem assustá os . Enquanto a aula inteira continha a respiração , Lockhart tirou a cobertura . - Sim - disse em um tom dramático . - Duendes_da_Cornualha recém-capturados . Seamus_Finnigan não conseguiu controlar se . Soltou uma gargalhada que nem Lockhart poderia confundir com um grito de terror . - Sim ? - sorriu a Seamus . - Bem , eles não são , não são perigosos , pois não ? - perguntou a rir . -- Não tenhas tanta certeza de isso - afirmou Lockhart , aborrecido , abanando um dedo , em direcção a Seamus . - Podem ser maçadores e muito traiçoeiros . Os duendes eram de um azul-eléctrico e tinham cerca de vinte centímetros de altura com feições angulosas e umas vozes tão estridentes que era como ouvir uma discussão entre araras . Logo_que o pano foi retirado , começaram a fazer uma enorme algazarra , a andar de um lado para o outro , batendo em as grades e fazendo caretas a as pessoas que estavam mais perto . - Muito bem - disse Lockhart em voz alta . - Vamos então ver o que vocês conseguem fazer de eles - e abriu a gaiola . Foi um pandemónio . Os duendes dispararam em todas_as direcções como foguetes . Dois de eles agarraram o Neville por as orelhas e levantaram o a o ar . Vários outros foram direitos a a janela , fazendo chover vidros partidos até a a fila de trás . Os restantes decidiram destruir a sala com maior eficácia do_que um rinoceronte em fúria . Agarraram em os tinteiros e salpicaram tudo em volta , rasgaram a os bocados livros e papéis , arrancaram os quadros de as paredes , levantaram a o ar a gaiola vazia , agarraram livros e sacos e lançaram nos por a janela de vidros estilhaçados . Em poucos minutos , metade de a aula estava abrigada debaixo de as secretárias e o Neville pendurado em o candelabro de o tecto . - Vamos lá , agarrem nos , agarrem nos , são apenas duendes ... - gritava Lockhart . Arregaçou as mangas , bramiu a varinha e pronunciou * Peshipiksi_Pesternomi ! * As palavras não tiveram o menor efeito . Um de os duendes pegou em a varinha de Lockhart e atirou a também por a janela fora . Lockhart engoliu em seco e mergulhou debaixo de a secretária , não sendo , por um triz , esmagado por o Neville que caiu um segundo depois , quando o candelabro cedeu . A campainha tocou e houve uma louca precipitação para a porta . Em a calma relativa que se seguiu , Lockhart endireitou se , olhou para Harry , Ron e Hermione que estavam quase a chegar a a porta e disse : - Bem , vou pedir vos a os três que prendam o resto de os duendes em a gaiola - passou por eles e fechou rapidamente a porta atrás_de si . - Isto dá para acreditar ? - resmungou o Ron , enquanto um de os duendes lhe mordia com toda_a força uma de as orelhas . - Ele só quer dar nos uma ajuda , permitindo nos ganhar experiência - justificou Hermione , imobilizando dois duendes de uma_vez com um encantamento de paralisação e metendo os de_novo em a gaiola . - Experiência ? - disse Harry , tentando agarrar um duende que dançava com a língua de_fora . - Hermione , ele não sabia nada do_que estava a fazer . - Disparate - retorquiu Hermione . - Leste os livros de ele . Vê só as coisas que ele já fez ! - Que diz que fez - resmungou o Ron . VII_Sangue de lama e murmúrios Harry passou imenso tempo , em os dias que se seguiram , a fugir sempre_que via Gilderoy_Lockhart aproximar se em o corredor . Mais difícil de evitar era Colin_Creevey que parecia ter decorado o horário de Harry . Parecia que nada o emocionava mais do_que dizer : - Tudo bem , Harry ? - seis ou sete vezes por dia e ouvir : - Olá , Colin - por mais exasperado que Harry estivesse quando lhe respondia . A Hedwig ainda estava zangada com Harry por causa de a desastrosa viagem de automóvel e a varinha de o Ron continuava a não funcionar , tendo ultrapassado tudo em a sexta-feira de manhã quando lhe saltou de as mãos em a aula de encantamentos e foi agredir o velho e baixinho professor Flitwick mesmo entre os olhos , deixando uma enorme bolha latejante em o sítio onde tinha batido . Por tudo_isso Harry via chegar , com satisfação , o fim_de_semana Planeava ir em o Sábado de anhã , com Ron e Hermione visitar o Hagrid . Mas foi acordado várias horas mais cedo do_que desejaria por Oliver ood , treinador de a equipa de Quidditch_dos_Gryffindor . - _ o que é_que se passa ? - perguntou Harry , enrolando as palavras . - Treino_de_Quidditch - disse Wood . - Vamos embora . Harry lançou um olhar de esguelha a a janela . Uma neblina fina pairava em o céu rosa e dourado . Agora_que estava acordado não percebia como pudera dormir com a algazarra que os pássaros faziam . - Oliver resmungou Harry . - É de madrugada . - Exacto - respondeu Wood . Era um rapaz alto e corpulento de o sexto ano e em aquele momento os olhos brilhavam lhe loucamente de entusiasmo . - Faz parte de o nosso novo programa de treinos . Anda lá , vai buscar a vassoura e vamos embora - insistiu Wood empenhado . - Nenhuma de as outras equipas começou ainda a treinar . Vamos ser os primeiros este ano ... A bocejar e a tremer um_pouco , Harry saltou de a cama e tentou descobrir as suas túnicas de Quidditch . - Bem , encontramo nos em o campo , dentro_de quinze minutos . Depois de descobrir a sua roupa escarlate de equipa e pôr o manto por cima para se aquecer , Harry escreveu a o Ron um bilhete a explicar onde tinha ido e desceu por a escada de espiral para a sala comum com a sua Nimbos dois inil a o ombro . Tinha acabado de chegar junto de o buraco de o retrato quando ouviu um barulho atrás_de si e viu Colin_Creevey descer a escada de espiral com a máquina fotográfica pendurada a o pescoço a balouçar como louca e uma coisa em a mão . - Ouvi alguém chamar o teu nome em as escadas , Harry olha o que tenho aqui . Revelei a e queria mostrar te . Harry olhou assombrado para a fotografia que Colin lhe espetava em frente de o nariz . Um Lockhart a preto e branco movia se , puxando com toda_a força um braço que Harry reconheceu como sendo o seu . Ficou satisfeito a o constatar que estava a resistir bastante bem , recusando se a ser trazido para a vista de todos . Enquanto Harry observava , Lockhart desistiu e desinteressou se de lutar contra a parte branca de a fotografia . - Assinas para mim ? - pediu Colin entusiasmado . - Não - respondeu secamente Harry , olhando em volta para verificar se o caminho estava livre . - Desculpa_Colin , mas estou cheio de pressa , treino de Quidditch . Passou por o buraco de o retrato . - Oh Uau ! Espera por mim . Eu nunca vi um jogo de Quidditch . Colin trepou por o buraco de o retrato atrás de ele . - Vai ser uma chatice para ti - disse Harry rapidamente , mas Colin ignorou o comentário . Todo o seu rosto brilhava de satisfação . - Tu foste o jogador mais novo de a equipa em cem anos , não foste Harry ? Não foste ? - perguntava Colin , trotando para o acompanhar . - Deve ser fantástico . Eu nunca voei . É fácil ? Essa vassoura é a tua ? É a melhor que há ? Harry não sabia como ver se livre de ele . Era como ter uma sombra que não se calava . - Eu não percebo nada de Quidditch - disse Colin , já sem fôlego . - É verdade que há quatro bolas ? E que duas anda n a voar , tentando fazer os jogadores caírem de as vassouras ? - Sim - disse Harry lentamente , resignado com o ter de lhe explicar as complicadas regras de o Quidditch . - São as * bludgers * . Há dois * beaters * em cada equipa que têm bastões para bater em as * bludgers * e lançá as para o outro lado . O Fred e o George_Weasley são os * beaters * de os Gryffindor . - E para que servem as outras bolas ? - perguntou Colin , saltando uma série de degraus porque ia a olhar para o Harry de boca aberta . - Bem , a * quaffle * , que é a vermelha grandalhona , é a que marca os golos . Três * chasers * em cada equipa lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam fazes a entrar em as balizas que ficam em o extremo de o campo onde há três grandes postes com argolas em as pontas . - E a quarta bola ? - A * snitch * dourada - explicou Harry . - É muito pequenina e veloz e extremamente difícil de agarrar . Mas é isso que o * seeker * tem de fazer , porque o jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * for agarrada . E o * seeker * que conseguir agarrá a ganha para a sua equipa mais cento_e_cinquenta pontos . - E tu és o * seeker * de os Gryffindor , não és ? - perguntou Colin respeitosamente . - Sim - disse Harry enquanto saíam de o castelo e começavam a atravessar o relvado . - E há também o * keeper * que toma conta de os postes . É isto . Mas Colin não parou de fazer perguntas desde os relvados macios até a o campo de Quidditch e Harry só se viu livre de ele quando chegaram a os vestiários . Colin gritou em uma voz aguda : - Eu vou arranjar um lugar , Harry - e apressou se em direcção a as bancadas . O resto de a equipa de os Gryffindor já se encontrava em os vestiários . Wood era o único que tinha aspecto de estar bem acordado . Fred e George_Weasley estavam sentados com olhos de sono e cabelos desgrenhados junto de Alicia_Spinnet de o quarto ano que parecia inclinar se contra a parede que tinha atrás_de si . Os seus companheiros * chasers * , Katie_Bell e Angelina_Johnson bocejavam em frente de ela . - Até que enfim , Harry , porque é_que demoraste tanto ? - perguntou Wood cheio de actividade . - Eu queria ter uma pequena conversa convosco antes de entrarmos propriamente em campo porque passei o Verão a conjecturar um novo programa de treinos que acredito vai estabelecer grandes mudanças . Wood tinha em as mãos um grande mapa de um campo de Quidditch onde estavam desenhadas muitas linhas , setas e cruzes a tinta de várias cores . Pegou em a varinha , bateu com ela em o quadro e as setas começaram a mover se em o mapa como tractores . Enquanto Wood se lançava em um discurso sobre as suas novas técnicas , a cabeça de Fred_Weasley caiu sobre o ombro de Alicia_Spinnet e ele começou a ressonar . O primeiro mapa levou quase vinte minutos a explicar , mas debaixo de esse havia outro e ainda um terceiro . Harry caiu em uma letargia enquanto Wood continuava indefinidamente . - Então - disse por fim o treinador , arrancando Harry de a avidez de uma fantasia sobre o que poderia estar a comer se se encontrasse em aquele momento em o castelo . - Ficou tudo claro ? Alguma pergunta ? - Eu tenho uma pergunta , Oliver - disse George que acordou estremunhado . - Porque não nos explicaste tudo_isso ontem , quando estávamos acordados ? Wood não ficou nada satisfeito . - Ouçam bem , vocês todos - disse , voltando se para eles mal-humorado . - Nós deveríamos ter ganho a taça de Quidditch o ano passado . Somos de longe a melhor equipa , mas , infelizmente , devido_a circunstancias que estão para_além de o nosso controlo ... Harry mudou de posição em a cadeira sentindo se culpado . Estivera inconsciente em o hospital durante o campeonato final de o ano anterior o que fez com que os Gryffindor com um jogador a menos tivessem sofrido a pior derrota de os últimos trezentos anos . Wood levou um momento a controlar se . Era evidente que a última derrota ainda o torturava . - Portanto , este ano vamos fazer um treino mais duro , como nunca se fez . O. _ K. , vamos lá pôr as teorias em prática - gritou , pegando em a vassoura e conduzindo os para fora de o vestiário . Com as pernas trôpegas e ainda a bocejar , a equipa seguiu o . Tinham estado tanto tempo lá dentro que o sol já tinha nascido e brilhava em o céu embora uma réstia de neblina pairasse ainda sobre o relvado de o campo . Quando Harry entrou em campo viu Ron e Hermione sentados em as bancadas . - Ainda não acabaram ? - perguntou Ron em um tom incrédulo . - Ainda nem começamos - explicou Harry , olhando cheio de inveja para a torrada com doce de laranja que Ron e Hermione tinham trazido de o salão . - O Wood tem estado a ensinar nos as jogadas . Subiu para a vassoura e deu um pontapé em o chão , elevando se em o ar . O ar fresco de a manhã bateu lhe em o rosto fazendo o acordar com mais eficácia do_que o longo discurso de Wood . Era maravilhoso voltar a estar em o campo de Quidditch . Voou em volta de o estádio a toda a a velocidade competindo com Fred e George . - Que barulhinho estranho é aquele ? - perguntou o Fred quando deram a volta . Harry olhou para as bancadas . Colin estava sentado em um de os lugares mais altos com a máquina fotográfica em o ar , tirando fotografia sobre fotografia , o som estranhamente ampliado em o estádio deserto . - Olha para ali , Harry , para ali - gritava de forma estridente . - Quem é aquele ? - perguntou Fred . - Não faço ideia - mentiu Harry , disparando a_toda_a velocidade e distanciando se o mais possível de Colin . - O que se passa aí ? - perguntou Wood , franzindo a testa enquanto corria por os ares atrás de eles . - Porque está aquele aluno de o primeiro ano a tirar fotografias ? Não me agrada . Pode ser um espião de os Slytherin a tentar descobrir o nosso novo programa de treinos . - Ele é de os Gryffindor - disse Harry rapidamente . - E os Slytherin não precisam de um espião , Oliver - completou George . - Porque dizes isso ? - perguntou Wood irritado . - Porque estão aqui em peso - disse George , apontando com o dedo . Vários indivíduos com túnicas verdes vinham em aquele momento a entrar em o campo de vassouras em a mão . - Não posso acreditar - reagiu Wood , sentindo se ultrajado . - Eu reservei o estádio para hoje . Já vamos ver como é_que isto fica ! Wood baixou direito a o chão sendo levado por a fúria a aterrar com mais força do_que pretendia e a cambalear um_pouco quando começou a andar seguido de o Harry e de o Ron . - Flint - bradou para o treinador de os Slytherin . - Este é o nosso tempo de treino . Levantámo nos de propósito . Vocês têm de sair de aqui . Marcus_Flint era ainda mais corpulento do_que Wood . Tinha em o rosto uma expressão de duende travesso quando respondeu : - Há espaço para todos , Wood . Angelina , Alicia e Katie tinham vindo também . Em a equipa de os Slytherin não havia raparigas que enfrentassem a o lado de os rapazes os Gryffindor . - Mas eu reservei o estádio - repetiu Wood de modo afirmativo , cuspindo de raiva . - Reservei o . - Ah ! - exclamou Flint . - Mas eu tenho aqui uma licença especial assinada por o professor Snape . * _ Eu , professor Snape , autorizo a equipa de os Slytherin a praticar hoje em o campo de Quidditch devido a a necessidade de treinar o seu novo seeker . * - Têm um novo * seeker * ? - perguntou Wood perturbado . - Onde ? E detrás de as seis figuras corpulentas que tinham em a frente , viram surgir uma sétima : um rapaz mais pequeno com um sorriso afectado espelhado em o rosto pálido e anguloso . Era_Draco_Malfoy . - Não és o filho de o Lucius_Malfoy ? - perguntou Fred , olhando para ele com antipatia . - Curioso que refiras o pai de o Draco - disse Flint enquanto toda_a equipa de os Slytherin sorria de modo grosseiro . - Deixem me mostrar vos a generosa oferta que ele fez a a equipa de os Slytherin . Os sete exibiram as suas vassouras . Sete cabos novos , polidos , com inscrições em letras douradas de as palavras « Nimbus dois_mil_e_um « brilharam a o sol de a manhã , em frente de o nariz de os Gryffindor . - O último modelo . Só chegou em o mês passado - disse Flint , displicentemente , sacudindo a poeira de o cabo de a sua vassoura . - Julgo que ultrapassam de longe as velhas séries de dois_mil . Quanto a as Cleansweeps - sorriu de forma mesquinha para Fred e George que tinham ambos Cleansweep_Fives - essas já só servem para varrer . Nenhum de os Gryffindor foi capaz de abrir a boca em aquele momento . Malfoy sorria tanto que os seus olhos de gelo estavam reduzidos a duas rachas . - Oh vejam - disse Flint . - Uma invasão de o campo . Ron e Hermione atravessavam o relvado para ver o que se passava . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron a o Harry . - Porque não estão a jogar e o que faz ele aqui ? Olhava para Malfoy em as suas vestes de Quidditch . - Sou o novo * seeker * de os Slytherin , Weasley - disse Malfoy com ar presumido . - Têm estado todos a admirar as vassouras que o meu pai comprou para a nossa equipa . Ron olhou de boca aberta para as sete vassouras que tinha em a frente . - São boas , não são ? - disse Malfoy untuosamente . - Mas talvez a equipa de os Gryffindor consiga levantar algum ouro e comprar também vassouras novas . Vocês podiam levar essas Cleansweep_Fives a leilão , talvez algum museu esteja interessado . A equipa de os Slytherin riu se a bandeiras despregadas . - Pelo_menos em os Gryffindor ninguém teve de comprar a sua entrada - disse secamente Hermione . - Entraram todos por mérito próprio . O ar presumido de Malfoy desapareceu . - Ninguém pediu a tua opinião , sangue de lama - cuspiu Malfoy . Harry apercebeu se , de imediato , que Malfoy dissera algo muito grave porque houve uma tremenda algazarra em o seguimento de as suas palavras . Flint teve que se pôr a a frente de o Malfoy para evitar que Fred e George se atirassem a ele . Alicia bradou : - Como te atreves ? - E Ron meteu a mão em as vestes e sacou de a varinha mágica , gritando : - Vais pagar por o que disseste , Malfoy ! - e apontou a , furioso , por debaixo de o braço de Flint , a o rosto de Malfoy . Um enorme estrondo , ecoou em o estádio e um jacto de luz verde saiu por a extremidade errada de a varinha de Ron , atingindo o em o estômago e projectando o para trás em direcção a o relvado . - Ron ! Ron ! Estás bem ? - gritou Hermione . Ron abriu a boca para falar , mas nenhuma palavra saiu . Em vez de isso , teve um vómito imenso e várias lesmas saíram lhe de a boca , indo cair lhe em o colo . A equipa de os Slytherin ficou paralisada de riso . Flint estava dobrado , agarrado a a vassoura nova . Malfoy , a quatro , batia com o punho em a chão . Os Gryffindor rodeavam o Ron , que continuava a vomitar lesmas enormes e reluzentes . Ninguém queria tocar lhe . - É melhor levá o para_casa de o Hagrid . É o mais perto - disse Harry_a_Hermione , que acenou afirmativamente , e os dois arrastaram o Ron por os braços . - O que aconteceu , Harry ? O que aconteceu ? Ele está doente ? Mas tu podes curá o , não podes ? - Colin descera a correr de o lugar onde estava sentado e dançaricava em frente de eles , enquanto abandonavam o campo . Ron teve um novo arremesso e mais lesmas saíram de a sua boca . - Oooh ! - exclamou Colin fascinado , levantando a máquina fotográfica . - Podes mantê o quieto , Harry ? - Sai de a minha frente , Colin - gritou Harry zangado . Ele e a Hermione conseguiram levar o Ron para fora de o estádio , atravessar os campos e chegar a a beira de a floresta . - Está quase , Ron - disse Hermione , mal avistaram o casebre de o guarda de os campos . - Vais ficar bem dentro_de um minuto ... está quase ... Estavam a sessenta metros de a casa de Hagrid , quando a porta de a frente se abriu . Mas não foi Hagrid quem saiu de lá , e sim Gilderoy_Lockhart , em uma túnica cor de malva . - Rápido , vamos esconder nos aqui - sussurrou Harry , arrastando Ron para trás de um arbusto que havia ali perto . Hermione acompanhou o , embora um_pouco relutante . -- É muito simples quando se sabe o que se está fazer ! - gritava Lockhart_para_Hagrid . - Se precisar de ajuda , sabe onde estou . Vou dar lhe um exemplar de o meu livro . Espanta me que ainda não o tenha . Logo a a noite autografo o e envio lhe o . Bem . até a a próxima ! - e afastou se em direcção a o castelo . Harry esperou que Lockhart desaparecesse , antes de puxar o Ron de trás de o arbusto até a a casa de o Hagrid . Bateram ansiosamente . Hagrid apareceu logo com um ar mal-humorado , que se dissipou quando viu quem era . - Já me tinha perguntado quand'é que vocês vinham ver me , entrem , entrem , pensei qu'era outra_vez o professor Lockhart . Harry e Hermione ajudaram Ron a subir o degrau que dava acesso a a cabana de uma divisão com uma cama enorme a um de os cantos e uma lareira a crepitar alegremente em o outro . Hagrid não pareceu perturbado com o problema de as lesmas de o Ron que Harry lhe explicou precipitadamente , logo_que sentou o Ron em uma cadeira . - Melhor saírem de o qu'entrarem - disse , em um tom bem-disposto , colocando uma grande bacia de cobre em frente de ele . - Deita as todas fora , Ron . - Acho que não há mais_nada a fazer , a não ser esperar que isto pare - disse Hermione ansiosamente , vendo Ron inclinar se para a bacia . - É uma maldição muitas_vezes difícil , mas com uma varinha partida ... Hagrid andava de um lado para o outro a preparar o chá . O cão de ele , Fang , babava se em cima de o Harry . - O que é_que o Lockhart queria de ti ? - perguntou o Harry , coçando as orelhas de o Fang . - Ensinar me a tirar espíritos aquáticos com forma de cavalos d'uma nascente d'água - resmungou Hagrid , retirando de a mesa pequena um galo meio depenado e colocando em o seu lugar o bule . - Como s'eu não soubesse . E contar me uma peta qualquer d'uma fada carpideira que ele venceu . Engulo essa chaleira , se uma palavra do_que ele disse for verdade . Não era hábito de Hagrid criticar um professor de Hogwarts e Harry olhou para ele com alguma surpresa . Mas Hermione disse em uma voz mais aguda do_que de costume : - Acho que estás a ser injusto . O professor Dumbledore obviamente achou que era o melhor homem para o lugar ... - Era o único - explicou Hagrid , oferecendo lhes um prato de bombons de melaço enquanto Ron tossia para a bacia . - E não havia mais ninguém . Não é fácil encontrar quem queira dar Artes de magia negra . As pessoas não gostam de essa matéria . Começam a pensar que está amaldiçoada , ninguém ficou muito_tempo a dá a . Mas digam me lá - continuou Hagrid , inclinando a cabeça para Ron - quem é qu'ele estava a tentar amaldiçoar ? - O Malfoy chamou qualquer coisa a a Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si . - Foi grave , sim - disse o Ron com voz rouca , emergindo a a superfície de a mesa , pálido e transpirado . - O Malfoy chamou lhe sangue de lama , Hagrid . - Ron desapareceu outra_vez quando uma nova onda de lesmas fez o seu aparecimento . Hagrid estava indignado . - Não posso crer - exclamou , dirigindo se a Hermione . - Chamou sim - disse ela . - Mas eu não sei o que significa . Percebi que era má educação , claro ... - É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar - explicou Ron novamente . - Sangue de lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles , sabes , filho de pais não mágicos . Há alguns feiticeiros , como a família de o Malfoy que acham que são melhores do_que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro . - Teve um pequeno vómito e uma lesma isolada caiu lhe em a mão aberta . Ele atirou a para a bacia e continuou . -- É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma . Olha_o_Neville_Longbottom , é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito . - E ainda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer - afirmou Hagrid , orgulhoso , fazendo Hermione corar em tons de magenta . - É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém - disse o Ron , limpando o suor de a testa com a mão trémula . - Sangue sujo , sangue vulgar , é um disparate . A maior parte de os feiticeiros hoje_em_dia têm sangue misturado . Se não tivéssemos casado com Muggles tinha sido o nosso fim . Fez um esforço para vomitar e baixou se mais_uma_vez . - Bem , não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá o , Ron - disse Hagrid bem alto enquanto montes de lesmas caíam em a bacia . - Mas , se_calhar , não foi mau de todo teres a varinha a trabalhar ao_contrário . Acho que Lucius_Malfoy teria vindo logo a correr a a escola se tivesses amaldiçoado o filho . Assim , pelo_menos , não estás metido em nenhum sarilho . Harry teria referido que o problema não podia ser pior do_que deitar lesmas por a boca , mas não pôde . Os bombons de melaço tinham lhe colado os maxilares um_ao_outro . - Harry - disse de repente Hagrid como_que movido por um pensamento súbito . - Tens de me explicar uma coisa . Ouvi dizer que tens andado a dar fotografias autografadas . Porque é qu'eu não tenho nenhuma ? A fúria de Harry foi tão grande que os maxilares se libertaram . - Eu não tenho dado fotografias autografadas - disse com vivacidade . Se o Lockhart andou a espalhar isso ... Mas em esse momento viu que Hagrid se estava a rir . - ´ _ tou a brincar - disse , dando uma palmadinha em as costas de Harry e fazendo lhe sinal para se sentar a a mesa . -- Eu sabia que não tinhas . Disse a o Lockhart que tu não precisavas de isso . Es mais famoso do_que ele sem sequer , tentares . - Aposto que ele não gostou de ouvir isso - comentou Harry , sentando se e esfregando o queixo . - Acho que não gostou mesmo - prosseguiu Hagrid com os olhinhos a brilhar . - E disse lhe também que nunca tinha lido nenhum de os livros de ele e ele foi se embora . Um bombom de melaço , Ron ? - perguntou a o vê o reaparecer . - Não , obrigado - disse o Ron com uma voz fraca . - É melhor não arriscar . - Venham ver o qu'eu tenho estado a criar - disse Hagrid quando Harry e Hermione acabaram de tomar o chá . Em a pequena horta atrás de a casa estava uma_dúzia de as maiores abóboras que Harry alguma vez vira . Pareciam enormes blocos de pedra . - Estão a dar se bem , não achas ? - disse Hagrid , feliz . São para a festa de o * _ Hallow'en * . Devem estar bem grandes quando chegar a altura . - O que é_que lhes tens dado como alimento ? - perguntou Harry . Hagrid olhou por cima de o ombro para confirmar se estavam sós . - Bem , tenho estado a dar lhes ... uma pequena ajuda . Harry reparou em o guarda-chuva cor-de-rosa a as florzinhas que estava encostado contra a parede de a cabana . Tivera em o ano anterior motivos para crer que aquele guarda-chuva não era o que parecia . De facto , acreditava que a antiga varinha de escola de Hagrid se encontrava oculta dentro de ele . Hagrid não tinha autorização para usar magia . Fora expulso de Hogwarts em o terceiro ano embora Harry nunca tivesse descoberto o motivo . Qualquer referência a esta questão fazia Hagrid pigarrear bem alto e ficar misteriosamente surdo até mudarem de assunto . -- Um encantamento de absorção , imagino ? - comentou Hermione entre a desaprovação e o divertimento . - Bem , se assim foi , fizeste um bom trabalho . - Foi o que disse a tua irmãzinha - respondeu Hagrid acenando em direcção a Ron . - Encontrei a ontem . - Hagrid olhou de lado para Harry , a barba a contorcer se . - Disse que andava só a ver os campos , mas eu acho qu'ela esperava encontrar alguém em a minha casa - piscou o olho a o Harry . - Se queres que te diga acho qu'ela não recusaria uma fotografia autogr ... - Cala te com isso - disse Harry . Ron desatou a rir e o chão ficou cheio de lesmas . - Cuidado - resmungou Hagrid , afastando Ron de as suas preciosas abóboras . Estava quase em a hora de o almoço e , como o Harry só tinha provado um bombom de melaço desde manhã cedo , estava ansioso por chegar a a escola para ir comer . Despediram se de o Hagrid e regressaram a o castelo . O Ron a vomitar de vez em quando , mas deitando só duas pequenas lesmas . Mal tinham pisado a entrada de o vestíbulo quando ouviram uma voz . - Aí estão vocês , Potter , Weasley . - A professora Mc_Gonagall vinha em direcção a eles com o seu ar severo . - Vocês os dois vão ter as punições hoje a a tarde . - O que é_que vamos fazer , professora ? - perguntou o Ron nervoso , deixando cair uma lesma . - Tu vais limpar as pratas em a sala de os troféus com Mr._Filch - disse a professora Mc_Gonagall . - E nada de mágicas , Weasley , trabalho com esforço . Ron engoliu em seco . Argus_Filch , o encarregado , era odiado por todos os alunos de a escola . - E tu , Potter , vais ajudar o professor Lockhart a responder a as cartas de as suas fãs - ordenou a professora Mc_Gonagall . - Oh , não ! Não posso ir também trabalhar em a sala de os troféus ? - pediu Harry em desespero de causa . - Nem pensar em isso - respondeu a professora Mc_Gonagall , erguendo as sobrancelhas . - O professor Lockhart requisitou te especialmente a ti . _ a as oito_em_ponto , os dois . Harry e Ron entraram em o salão em um estado de profundo desanimo com a Hermione atrás , ostentando uma expressão de * bem-voces-quebraram-as-regras-da-escola * . Harry não saboreou o empadão de carne como teria desejado . Tanto ele como o Ron achavam que tinham tido o pior de os castigos . -- O Filch vai reter me lá toda_a noite - disse Ron , desanimado . - Sem mágica ! Deve haver umas cem taças em aquela sala , eu não sei fazer limpeza de Muggles . - Eu trocava contigo de boa_vontade - confessou Harry em uma voz surda . - Tive montes de prática com os Dursleys . Responder a o correio de fãs de o Lockhart , que pesadelo ... A tarde de sábado pareceu derreter se . Pouco depois eram já cinco para as oito e Harry arrastava se até a o corredor de o segundo andar onde ficava o escritório de o Lockhart . Rangendo os dentes , bateu a a porta . A porta abriu se imediatamente e Lockhart dirigiu se lhe . - Ah , cá está o patifório ! - exclamou . - Entra , Harry , entra . Em as paredes , brilhando à_luz_de muitas velas , podia ver se uma infinidade de fotografias de Lockhart . Algumas de elas até assinadas . Sobre a secretária estava outro monte enorme . - Podes pôr as moradas em os envelopes - disse Lockhart_a_Harry , como_se fosse uma grande ameaça . - O primeiro é para Gladys_Gudgeon , abençoada seja , uma grande fã minha . Os minutos passavam lentos . De vez em quando , Harry ouvia a voz de Lockhart dizendo : - Mmm - e - certo - e - sim . - De vez em quando , apanhava uma frase como : - A fama é versátil , amigo Harry - ou - Só é célebre quem faz por isso , nunca te esqueças . As velas ardiam cada_vez com maior lentidão , fazendo a luz dançar sobre as muitas caras de Lockhart que o olhavam . Harry passava a mão , já dorida , sobre o que devia ser o centésimo envelope , escrevendo a morada de Verónica_Smethley . « Deve estar quase em a hora de me ir embora » , pensou , sentindo se profundamente infeliz , « por favor , faz com que esteja em a hora ... » E então ouviu algo , algo totalmente diferente de o crepitar de as velas e de os ditos de Lockhart sobre as suas fãs . Era uma voz , uma voz de arrepiar os ossos , de cortar a respiração , de veneno frio . - * _ Vem ... vem ter comigo ... deixa me rasgar te ... cortar te ... matar te * ... Harry deu um salto e uma enorme mancha lilás surgiu em a rua de Verónica_Smethley . - O quê ? - disse ele em voz alta . - Eu sei - exclamou Lockhart . - Seis meses inteirinhos em o topo de a lista de * bestsellers * , bati todos os recordes ! - Não - disse Harry nervosíssimo - aquela voz ! - Como ? - perguntou Lockhart , com um ar confuso . - Que voz ? - Aquela , aquela voz que disse ... não ouviu ? Lockhart olhava para Harry com o maior espanto . - De que é_que estás a falar , Harry ? Estás a ficar com sono ? Meu Deus , olha , só estamos aqui há quase quatro horas , quem diria ? O tempo passou a correr , não é verdade ? Harry não respondeu , estava a fazer um esforço para ouvir de_novo a voz , mas o único som que ouviu foi Lockhart a dizer lhe que não esperasse um tratamento igual de as próximas vezes que fosse castigado . Harry saiu , sentindo se atordoado . Era tão tarde que a sala comum de os Gryffindor estava quase vazia . Harry foi directamente para o dormitório . Ron ainda não tinha voltado . Vestiu o pijama , meteu se em a cama e esperou . Meia_hora mais tarde , chegou o Ron agarrado a o braço direito e inundando o quarto escuro de um forte cheiro a limpa-pratas . - Doem me todos os músculos - resmungou , metendo se em a cama . - Ele fez me polir catorze vezes aquela taça de Quidditch até estar satisfeito . E depois tive outro vómito em_cima_de um troféu de Reconhecimento por serviços prestados a a escola . Demorei séculos a limpar o muco de as lesmas . Como correram as coisas com o Lockhart ? Em voz baixa para não acordar o Neville , o Dean e o Seamus , Harry contou lhe , palavra por palavra , o que tinha ouvido . - E Lockhart disse que não ouviu nada ? - perguntou o Ron . Harry viu o franzir a testa , a a luz de o luar . - Achas que estava a mentir ? Mas , não percebo , mesmo um ser invisível teria aberto a porta . - Eu sei - disse Harry , encostando se a a cama e olhando para o dossel . - Também não compreendo . VIII_A festa de o dia de os mortos Outubro chegou , espalhando um frio húmido por os campos e por os cantos de o castelo . Madam_Pomfrey , a enfermeira-chefe , esteve bastante ocupada com uma onda de constipações que afectou professores e alunos . A sua poção de pimentão entrou imediatamente em acção apesar_de deixar quem a tomava com fumo em os ouvidos durante várias horas . Ginny_Weasley , que andava com ar adoentado , foi convencida a tomá a por o Percy . O fumo que saía por debaixo de o seu cabelo ruivo dava a impressão de que toda_a cabeça estava em fogo . Gotas de chuva de o tamanho de balas agrediram as janelas de o castelo durante dias a fio . O lago rosado e os canteiros de flores tornaram se regatos lamacentos e as abóboras de o Hagrid incharam ficando de o tamanho de alpendres de jardim . Contudo , o entusiasmo de Oliver_Wood por as sessões de treino regular não foi abalado , motivo por o qual Harry iria regressar a a torre de os Gryffindor , em um sábado a a tarde de temporal , alguns dias antes de o * _ Hallowe'en * , ensopado até a os ossos e todo enlameado . Além de a chuva e de o vento , não fora um treino feliz . Fred e George que tinham andado a espiar a equipa de os Slytherin tinham visto com os seus próprios olhos a velocidade alucinante de aquelas novas Nimbus dois_mil_e_um e comentaram que a equipa em o ar parecia composta por sete manchas esverdeadas que disparavam a_toda_a velocidade como aviões a jacto . Enquanto Harry chapinhava a o longo de o corredor deserto , cruzou se com alguém que parecia tão preocupado como ele : Nick quase sem cabeça , o fantasma de a torre de os Gryffindor que olhava taciturno , por a janela , murmurando baixinho : - Não preenche os requisitos , um centímetro e meio se ... - Olá , Nick - cumprimentou Harry . - Olá , olá - disse o Nick quase sem cabeça , começando a olhar em volta . Usava um arrebatado chapéu de plumas sobre a longa cabeleira encaracolada e uma túnica com gola de tufos que disfarçava o facto de ter o pescoço quase totalmente separado de o corpo . Era pálido como o fumo e Harry podia ver através de ele o céu negro e a chuva torrencial , lá fora . - Pareces preocupado , jovem Potter - disse Nick , dobrando uma carta transparente , enquanto falava e escondendo a dentro de a jaqueta . - Tu também - retorquiu Harry . - Ah ! - o Nick quase sem cabeça acenou com a mão de forma elegante . - Uma questão sem importância . Não é_que eu quisesse realmente participar apesar_de me ter inscrito , mas , a o que parece , não preencho os requisitos . - Apesar de o seu tom jovial havia em o seu rosto uma grande amargura . - Mas era de esperar , ou não era - exclamou subitamente , tirando a carta de o bolso - que ter levado quarenta_e_cinco golpes em a cabeça com um machado ferrugento me qualificaria para entrar em o grupo de os Sem - _ Cabeça ? - Sim , sim - respondeu Harry que obviamente o outro esperava que concordasse . - Isto_é , ninguém mais do_que eu desejaria que tudo tivesse sido rápido e perfeito , poupava me muitas dores e ridículo . Mas ... O Nick quase sem cabeça abriu , furioso , a carta e leu : * _ Só podemos aceitar em o grupo homens cuja cabeça tenha sido separada de o corpo . Compreenderá que de outro modo seria impossível a os nossos membros participarem em actividades como equitação de malabarismos com a cabeça e pólo de cabeça . Lamentamos profundamente informá o de que não preenche os requisitos . * _ Os nossos melhores cumprimentos , Sir_Patrick_Delaney - _ Podmore * Furioso , o Nick quase sem cabeça atirou fora a carta . - Um centímetro de pele e tendões a segurarem me a cabeça , Harry ! A maior parte de as pessoas acharia que era mais do_que o suficiente , mas não serve para o senhor correctamente decapitado Podmore . Nick quase sem cabeça respirou fundo várias vezes e , por fim , em um tom bastante mais calmo perguntou : - Então o que é_que te preocupa ? Alguma coisa que eu possa fazer por ti ? - Não - respondeu Harry . - A_não_ser_que saibas onde posso arranjar sete Nimbus dois_mil_e_um , de_graça , para o nosso campeonato contra os Sly ... - o resto de a frase foi afogada por um miado agudo vindo de perto de os seus tornozelos . Olhou para baixo e deu consigo a fitar um par de olhos que pareciam duas lâmpadas amarelas . Era_Mrs._Norris , a gata cinzenta e esquelética usada por o encarregado Argus_Filch como uma espécie de polícia em a sua infindável batalha contra os estudantes . - É melhor saíres de aqui , Harry - preveniu Nick com toda_a calma . - O Filch não está nada bem-disposto . Anda engripado e alguns alunos de o terceiro ano , por acidente , encheram o tecto de o calabouço cinco de miolos de rã . Ele tem andado toda_a manhã a limpar e se te vê a encher tudo de lama ... - Certo - disse Harry , recuando e afastando se de o olhar acusador de Mrs._Norris , mas ... tarde de mais . Conduzido até ali por o misterioso poder que parecia ligá o a a gata , Argus_Filch entrou subitamente por uma tapeçaria que se encontrava a a direita de Harry , com a sua respiração asmática , olhando vivamente em volta em busca de o infractor . Tinha um lenço grosso , de xadrez , a a volta de a cabeça e o nariz invulgarmente arroxeado . - Imundície - gritou com os maxilares a tremer e os olhos a saltarem lhe de as órbitas , enquanto apontava para a poça de lama que pingara de a túnica de Quidditch_de_Harry . - Desarrumação e imundície em todo o lado . Estou farto disto , segue me , Potter . Harry despediu se de o Nick quase sem cabeça com um tímido aceno e seguiu Filch até lá abaixo , duplicando o número de pegadas lamacentas em o chão . Nunca entrara em o gabinete de o Filch . Era um lugar que a maior parte de os estudantes evitava . A divisão era sombria e sem janelas , iluminada por uma única lamparina de óleo que pendia de o tecto . Sentia se um vago cheiro a peixe frito . As paredes estavam forradas por ficheiros de madeira . Por as etiquetas Harry percebeu que continham os dados de todos os alunos que Filch tinha punido . Fred e George_Weasley tinham uma gaveta só para eles . Atrás de a secretária estava pendurada uma colecção bem polida de correntes e algemas . Todos sabiam que ele estava sempre a pedir a Dumbledore que o deixasse pendurar os alunos em o tecto por os tornozelos . Filch pegou em uma pena que estava sobre a secretária e começou a procurar o pergaminho . - Bosta - murmurou , furioso . - Bosta de dragão , miolos de rã , intestinos de ratazana ... eu tinha aqui bastante , onde está o form ... sim ... Tirou um enorme rolo de pergaminho de a gaveta de a secretária e estendeu o em a frente , molhando a longa pena em o tinteiro . - Nome : Harry_Potter . Crime ... - Foi só um bocadinho de lama - disse Harry . - É só um bocadinho de lama para ti , rapaz , mas para mim é mais de uma hora a esfregar - gritou Filch com um pingo a tremer de modo desagradável em a extremidade de o nariz bolboso . - Crime : manchar o castelo . Sentença proposta ... Esfregando o nariz que continuava a pingar , Filch olhou com má cara para Harry que esperava com a respiração entrecortada para ouvir a sentença . Mas quando Filch pegou em a pena ouviu se um estrondo enorme em o tecto que fez a lamparina apagar se . - PEEVES - resmungou Filch , pousando a pena , cheio de raiva . - Desta_vez apanho te . Apanho te ! E sem olhar para trás , saiu a correr a_toda_a velocidade de o gabinete , seguido de a gata , Mrs._Norris . Peeves era o * poltergeist * de a escola , uma ameaça de risota esvoaçante que vivia para fazer estragos e criar aflição . Harry não gostava lá muito de ele , mas desta_vez , não podia deixar de lhe estar grato . Na_melhor_das_hipóteses o que Peeves tivesse feito ( e parecia que agora ele destruíra qualquer coisa em grande ) distrairia Filch_de_Harry . Pensando que o melhor seria esperar que ele voltasse , Harry deixou se cair em uma cadeira carcomida por o tempo que se encontrava junto de a secretária . Havia uma coisa sobre o tampo : um grande envelope roxo e lustroso com letras prateadas em a frente . Lançando um olhar rápido a a porta para confirmar que Filch não estava de volta , Harry pegou lhe e leu : __ feitiço __ rápido Um curso por correspondência De iniciação a a magia Cheio de curiosidade , abriu o envelope e retirou o rolo de pergaminho . Uma letra curvilínea e prateada dizia : Sente se pouco a a vontade em o mundo de a magia moderna ? Dá consigo a arranjar desculpas para não fazer feitiços simples ? Tem sido censurado por o deplorável trabalho com a varinha ? Eis a resposta ! Feitiço rápido e um curso totalmente novo , infalível , de resultados rápidos e rápida aprendizagem . Centenas de bruxas e feiticeiros têm beneficiado de o método feitiço rápido ! Madam_Z._Nettles_de_Topsham escreve nos : Eu não conseguia fixar os encantamentos e as minhas poções eram alvo de risota em a família . Agora , depois de o curso feitiço rápido , tornei me o centro de as atenções em todas_as festas e os meus amigos não param de pedir me a receita de a minha brilhante solução ! O mágico D.J._Prod , de Disbury , afirma : A minha mulher costumava rir se de os meus fracos encantamentos , mas bastou um mês com o vosso fabuloso curso feitiço rápido e consegui transformá a em um iaque . Obrigado , feitiço rápido ! Fascinado , Harry folheou o resto de o conteúdo de o envelope . Para que diabo quereria o Filch um curso de feitiço rápido ? Não seria ele um feiticeiro a sério ? Harry estava a ler a lição número um : Pegando em a varinha ( algumas dicas úteis ) quando umas passadas arrastadas , lá fora , o preveniram de que Filch estava de volta . Metendo rapidamente o pergaminho dentro de o envelope , lançou o para_cima de a secretária em o preciso momento em que a porta se abriu . Filch ostentava um ar triunfante . - Aquele armário que desapareceu era extremamente valioso - vinha ele a dizer a a gata , Mrs._Norris . - Desta_vez vamos correr com o Peeves , minha linda . Os seus olhos recaíram sobre Harry e logo_a_seguir sobre o envelope de o feitiço rápido que , Harry apercebeu se tarde de mais , estava meio metro distanciado de o seu lagar inicial . O rosto pálido de Filch tornou se vermelho escarlate . Harry preparou se para uma nova onda de fúria . Filch coxeou até a a secretária , arrebatou o envelope e meteu o em uma gaveta . -- Chegaste a ... lê o ? - perguntou atabalhoadamente . - Não - mentiu Harry , sem perder tempo . As mãos nodosas de o Filch contorciam se ao_mesmo_tempo . - Se eu soubesse que ias ler a minha correspondência priv ... não que seja minha ... é para um amigo ... mesmo_assim ... Harry olhava para ele espantado . Nunca vira o Filch tão louco . Os olhos pareciam querer saltar lhe de as órbitas , com um tique em as bochechas e aquele lenço axadrezado que não ajudava nada ... - Muito bem , vai e não abras a boca sobre isto ... não que ... mesmo_assim ... se tu não leste ... vai te embora , tenho de escrever o relatório sobre o Peeves , vai . Atordoado com a sua sorte , Harry saiu de ali e largou a correr por o corredor fora e por as escadas acima . Sair de o gabinete de o Filch sem um castigo devia ser um recorde em a escola . - Harry , Harry , deu resultado ? O Nick quase sem cabeça saiu a brilhar de uma sala de aula . Atrás de ele , Harry pôde ver os destroços de um grande armário preto e dourado que parecia ter sido atirado de uma grande altura . - Convenci o Peeves a parti o mesmo em cima de o gabinete de o Filch - disse Nick entusiasmado . - Pensei que talvez o distraísse . - Foste tu ? - exclamou Harry , agradecido . - Funcionou sim . Ele não me deu nenhum castigo . Obrigado , Nick . Atravessaram o corredor juntos . O Nick quase sem cabeça , reparou Harry , ainda tinha em a mão a carta de Sir_Patrick . - Gostaria de poder fazer qualquer coisa sobre o grupo de os Sem - _ Cabeça - disse Harry . O Nick quase sem cabeça parou de repente e Harry passou através de ele . Antes não tivesse passado , foi como atravessar um duche gelado . - Mas há uma coisa que tu podes fazer por mim - disse Nick muito agitado . - Harry , seria pedir te de mais ... mas não , tu não ias querer ... - O quê ? - Bem , este ano em o * _ Hallowe'en * vai ser o meu meio milénio de dia de os mortos - disse o Nick quase sem cabeça endireitando se e adquirindo uma postura de grande dignidade . - Oh - respondeu Harry sem saber se deveria lamentar ou dar lhe os parabéns . - Certo . - Vou dar uma festa em um de os calabouços mais amplos . Vêm amigos meus de todo o país . Seria uma honra muito grande se tu aparecesses . Mr._Weasley e Miss_Granger seriam também muito bem-vindos , claro . Mas tu deves preferir o banquete de a escola , não é verdade ? - Olhou para Harry , aflito . - Não - assegurou ele rapidamente . - Eu vou . - Oh rapaz , Harry_Potter em a minha festa de os mortos - hesitou no_meio_de toda aquela excitação . - Achas que poderias referir a Sir_Patrick como me achas assustador e como te impressiono ? - É claro que sim - assegurou Harry . O Nick quase sem cabeça iluminou se em um sorriso . - Uma festa de os mortos ? - exclamou Hermione , entusiasmada , quando Harry , depois de mudar de roupa , se juntou a ela e a o Ron em a sala comum . - Aposto que não há muitas pessoas que possam gabar se de ter estado em uma festa de essas . Vai ser fantástico ! - Por_que é_que alguém se lembraria de festejar o dia em que morreu ? - perguntou o Ron que estava a meio de o seu trabalho de casa de poções e bastante maldisposto . - Parece me bastante mórbido . A chuva continuava a lamber as janelas que apresentavam agora um negro que parecia tinta , mas , lá dentro , era tudo claro e alegre . O fogo em a lareira brilhava sobre as inúmeras cadeiras de braços onde as pessoas estavam sentadas a ler , a conversar , a fazer os trabalhos de casa ou , no_caso_de Fred e George_Weasley , a tentar descobrir o que aconteceria se alimentassem uma salamandra com fogo-de-artíficio de o Filibuster . O Fred tinha « resgatado . o lagarto cor de laranja brilhante , morador de o fogo , de uma aula de tratamento de seres mágicos e ele estava agora a arder em fogo lento sobre uma mesa , rodeado de um grupo de curiosos . Harry ia começar a contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre o Filch e o curso de feitiço rápido quando a salamandra disparou por os ares , lançando faíscas e estoiros . A visão de Percy a gritar com Fred e George até ficar ronco , a fantástica exibição de estrelas cor de tangerina que choviam de a boca de a salamandra e a sua fuga para o lume acompanhada de explosões , fizeram com que Harry se esquecesse , em aquele momento , de Filch e de o curso de feitiço rápido . Quando chegou o * _ Hallowe'en * , Harry já lamentava a sua promessa imprudente de ir a a festa de os mortos . Toda_a escola antecipava , feliz , a sua festa de * _ Hallowe'en * . O salão nobre fora enfeitado com os habituais morcegos , as enormes abóboras de Hagrid tinham sido esculpidas em forma de lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro_de cada uma , e havia boatos de que Dumbledore contratara um grupo de esqueletos bailarinos para animar a festa . - Uma promessa é uma promessa - lembrou Hermione_a_Harry com o seu autoritarismo habitual . - Tu disseste que ias a a festa de os mortos . Portanto , a as sete_da_tarde , Harry , Ron e Hermione saíram , passando por a porta de o salão nobre que brilhava de modo convidativo com pratos dourados e velas e dirigiram os seus passos para os calabouços . O corredor que conduzia a a festa de o Nick quase sem cabeça tinha sido também ladeado de velas , embora o efeito estivesse longe_de ser alegre : estas eram velas muito esguias e estreitas , negras de breu , ardendo em um azul brilhante e lançando uma luz indistinta e espectral também sobre as caras de as pessoas vivas . A temperatura diminuía a cada degrau que desciam . Harry tremia e cingia a túnica a o corpo quando ouviu qualquer coisa que parecia uma centena de unhas a rasparem um enorme quadro preto . - Será que isto_é a música ? - murmurou Ron . Viraram uma esquina e viram o Nick quase sem cabeça junto de uma porta , todo vestido de veludo negro . - Meus queridos amigos - disse com ar de luto . - Bem-vindos , bem-vindos , ainda_bem que puderam vir . Em um gesto largo tirou o chapéu de plumas e fez lhes sinal para que entrassem . Era uma visão incrível . O calabouço estava cheio com centenas de pessoas de um branco pálido e translúcido , a maior parte de as quais era arrastada em uma pista de dança cheia , valsando a o som de trinta serrotes musicais . Os serrotes que compunham a orquestra encontravam se sobre um estrado enfeitado com panos negros . Um lustre lá em cima resplandecia de um azul nocturno com mais um_milhar de velas negras . A respiração de os três subiu em o ar como uma neblina . Parecia que tinham entrado em um congelador . - Vamos dar uma volta - sugeriu Harry em uma tentativa de aquecer os pés . - Cuidado , não atravessem nenhum de eles - avisou o Ron nervosamente e colocaram se em volta de a pista de dança . Passaram por um grupo escuro de freiras , por um homem esfarrapado e cheio de correntes e por o frade gordo , o divertido fantasma de os Hufflepuff que estava a conversar com um cavaleiro com uma seta enfiada em a testa . Harry não ficou nada surpreendido a o ver que o Barão sangrento , o fantasma lúgubre e berrante de os Slytherin , coberto de nódoas de sangue ; estava a ser totalmente evitado por os outros fantasmas . - Oh ! Não -- exclamou Hermione , parando bruscamente . - Voltem se , voltem se , não quero ter de cumprimentar a Murta_Queixosa . - Quem ? - perguntou Harry enquanto davam rapidamente meia volta . - Ela assombra a casa_de_banho de as raparigas de o primeiro andar - explicou Hermione . - Assombra uma casa_de_banho ? - Sim . Está inoperativa durante todo o ano porque ela tem constantes acessos de choro e inunda tudo . Eu só lá fui quando não pode mesmo evitar . É horrível tentar ir a a sanita com ela a gritar connosco . - Olhem , comida - disse o Ron . De o outro lado de o calabouço estava uma mesa igualmente coberta de velado negro . Iam para se aproximar entusiasmados , mas pararam com uma expressão de horror . O cheiro era nauseabundo . Enormes peixes podres enchiam as bonitas travessas de prata , os bolos estorricados como carvões amontoavam se em as salvas , havia uma grande quantidade de miúdos de macaco , uma tábua de queijos cobertos de bolor e , em o lugar de honra , um enorme bolo cinzento em forma de lápide com letras que pareciam alcatrão formando as palavras , * _ Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington_Morto em 31_de_Outubro , 1492 * . Harry olhou espantado quando um fantasma de porte majestoso se aproximou de a mesa inclinando se e passando através de ela com a boca aberta enquanto atravessava um salmão malcheiroso . - Consegue prová o passando através de ele ? - perguntou lhe Harry . - Quase - disse tristemente o fantasma antes de se afastar . - Devem ter deixado apodrecer tudo_isto para ter um sabor mais forte - comentou Hermione com ar de quem está bem informada , tapando o nariz e aproximando se para ver melhor os pútridos miúdos de macaco . - Podemos sair de aqui , estou a sentir me agoniado - disse o Ron . Mas mal tinham dado meia volta quando um homenzinho pequenino saiu inesperadamente de debaixo de a mesa e fez uma paragem em o ar em frente de eles . - Olá , Peeves - disse Harry cautelosamente . Ao_contrário de os outros fantasmas que os rodeavam , Peeves , o * poltergeist * era o oposto de pálido e transparente . Usava um chapéu festivo cor de laranja , um laço rotativo a o pescoço e tinha um sorriso grosseiro de malvadez , em o rosto . - Querem petiscar ? - perguntou delicadamente , oferecendo lhes uma taça de amendoins cobertos de fungos . - Não , obrigada - disse Hermione . - Ouvi te falar sobre a pobre Murta - disse Peeves com os olhos a bailar . - Que insensível que tu foste para com a pobre Murta - respirou fundo e gritou : - Oh Murta . - Oh ! Não , Peeves , não lhe contes o que eu disse , ela vai ficar muito aborrecida - murmurou Hermione bastante nervosa . - Eu não queria dizer que ... eu não me importo que ela , er , olá , Murta . O espectro atarracado de uma rapariga deslizara . Tinha o rosto mais carrancudo que Harry alguma vez vira , meio escondido por o cabelo liso e por os óculos grossos cor de pérola . - O que é ? - perguntou mal-humorada . - Como estás Murta ? - perguntou Hermione , em uma voz falsamente alegre . - É bom ver te fora de a casa_de_banho . Murta fungou . - Miss_Granger estava justamente a falar de ti - disse lhe Peeves baixinho a o ouvido . - A dizer , a dizer ... como estás bonita esta noite -- terminou Hermione , olhando irritada para Peeves . A Murta olhou para Hermione desconfiada . - Estão a divertir se a a minha custa - disse , com lágrimas de prata a encherem lhe rapidamente os olhos pequeninos . - Não , a sério , eu não estava a dizer vos como a Murta estava bonita esta noite ? - disse Hermione , dando uma palmada em as costas de o Harry e de o Ron . - Sim , sim . - Ela ... - Não me venham com mentiras - protestou a Murta , as lágrimas agora a descerem lhe por o rosto , enquanto Peeves ria baixinho por cima de o ombro de ela . - Julgam que eu não sei o que as pessoas me chamam em as minhas costas ? A Murta gorda , a Murta feia , a Murta queixosa , a Murta deprimida ! - Esqueceste te de « a Murta ponto negro » - sussurrou lhe Peeves a o ouvido . A Murta_Queixosa irrompeu em soluços de angústia e fugiu de o calabouço . Peeves disparou atrás de ela , lançando lhe uma chuva de amendoins cheios de bolor e gritando : Ponto negro ! Ponto negro ! - Oh , coitada ! - exclamou Hermione com tristeza . O Nick quase sem cabeça abria agora caminho entre a multidão para se aproximar de eles . - Estão a divertir se ? - Sim , sim - mentiram . - Uma afluência nada má - disse orgulhoso o Nick quase sem cabeça . - A viúva chorosa veio de Kent ... está quase em a hora de o meu discurso . É melhor ir avisar a orquestra . Mas a orquestra parou de tocar em esse preciso momento . Eles , e todos os outros em o calabouço , ficaram em silêncio total , olhando em volta cheios de excitação quando se ouviu uma trompa de a caça . - Lá vêm eles - disse o Nick quase sem cabeça , com alguma amargura em a voz . Por o calabouço irromperam uma_dúzia de , cavalos fantasmas , cada_um montado por um cavaleiro sem cabeça . A assistência aplaudiu vivamente . Harry começou também a bater palmas , mas parou rapidamente quando viu a cara de o Nick . Os cavalos galoparam até a o meio de a pista de dança e pararam , empinando se , dando pequenos passos para a frente e para trás , sobre as patas traseiras . Um fantasma grande em a frente , cuja cabeça barbuda estava debaixo de o braço , soprando a trompa , desmontou , levantou a cabeça bem em o ar para poder ver toda_a assistência ( todos se riam ) e dirigiu se a o Nick quase sem cabeça , comprimindo a cabeça contra o pescoço . - Bem-vindo , Patrick - disse o Nick , mantendo a sua postura rígida . - Gente viva ! - exclamou o Sir_Patrick , avistando Harry , Ron e Hermione e dando um salto de falso espanto , de_tal_modo_que a cabeça lhe caiu de_novo ( a multidão ria a bom rir ) . - Muito engraçado - disse o Nick quase sem cabeça com um ar soturno . - Não ligues a o Nick - gritou a cabeça de Sir_Patrick de o chão . - Ainda está aborrecido por não o deixarmos juntar se a o grupo . Mas olhem bem para ele ... - Eu acho - disse apressadamente Harry , a seguir a um olhar de o Nick - que o Nick é muito assustador e ... eu ... - Bah ! - gritou a cabeça de Sir_Patrick . - Aposto que ele te pediu que dissesses isso . - Gostaria de ter a vossa atenção . Chegou a altura de fazer o meu discurso - disse o Nick quase sem cabeça bem alto , dirigindo se a o pódio , subindo e parando , iluminado por uma luz azul . - Os meus sentimentos , senhores e senhoras , é com profundo pesar ... Mas já ninguém estava a ouvi o . Sir_Patrick e o resto de o grupo de os Sem - _ Cabeça tinham iniciado um jogo de hóquei de cabeça e a multidão voltara se para os observar . Nick quase sem cabeça tentou em vão recuperar a audiência , mas acabou por desistir quando a cabeça de Sir_Patrick passou por ele a_toda_a velocidade gritando vivas . Harry estava cheio de frio para não falar de a fome . - Não aguento mais isto - murmurou Ron a bater o dente enquanto a orquestra voltava a entrar em acção e os fantasmas enchiam de_novo a pista de dança . - Vamos embora - concordou Harry . Recuaram até a a porta , acenando e sorrindo a todos os que olhavam para eles e um minuto depois passavam apressadamente por a entrada cheia de velas negras . - Talvez o pudim ainda não tenha acabado - disse o Ron cheio de esperança , abrindo caminho em direcção a os degraus de o vestíbulo de a entrada . E foi então que Harry ouviu aquilo . - ... * _ Arrancar ... rasgar ... matar * ... Era a mesma voz , a mesma voz fria e assassina que ouvira em o escritório de Lockhart . Parou , agarrando se a a parede de pedra em a expectativa de ouvir melhor , olhando em volta , espreitando para_cima e para baixo de a passagem mal iluminada . - Harry que estás tu a ... ? - E aquela voz outra_vez , calem se um bocadinho . -- ... * _ Tanta fome ... há tanto tempo * ... - Ouçam insistiu Harry e Ron e Hermione ficaram estáticos a olhar para ele . - * _ Matar ... hora de matar * ... A voz ia ficando mais débil . Harry tinha a certeza de que ela estava a afastar se , a subir . Um misto de medo e excitação tomou posse de ele enquanto olhava para o tecto escuro . Como poderia ele subir ? Seria um fantasma para quem os tectos de pedra não contavam ? - Por aqui - gritou , começando a correr por as éscadas acima até a a entrada de o * hall * . Não havia hipótese de ouvir fosse o que fosse ali , o barulho de vozes que vinha de o banquete de o * _ Hallowe'en * ecoava cá fora . Harry subiu a correr a escadaria de mármore até a o primeiro andar com Ron e Hermione ruidosamente atrás . - Harry o que é_que nós ... ? - Sch ... Harry apurou o ouvido . Ao_longe , em o andar de cima , e ainda a enfraquecer , mesmo_assim ouviu a voz : - ... * Cheira-me a sangue ... cheira me a sangue ! * O estômago deu lhe uma volta . - Ele vai matar alguém - gritou e ignorando as caras perplexas de Ron e Hermione , correu , subindo mais um lanço de escadas , a três_e_três , tentando ouvir através de o ruído de os seus próprios passos . Harry correu a_toda_a velocidade pelo segundo andar com Ron e Hermione atrás e só parou quando viraram uma esquina para o último corredor abandonado . - Harry , o que foi aquilo tudo ? - perguntou o Ron , limpando o suor de o rosto . - Eu não ouvi nada ... Mas Hermione , em um sobressalto , apontou para o fundo de o corredor . - Olhem ! Alguma coisa brilhava em a parede em frente . Aproximaram se devagarinho , tentando ver em a escuridão . Alguém escrevera em letras garrafais em a parede entre duas janelas . As palavras brilhavam a a chama fraca de as tochas . : __ a câmara de os segredos foi aberta . inimigos de o herdeiro , __ cuidado . - O que é aquilo pendurado por baixo de as letras ? - perguntou Ron com um tremor em a voz . Quando se aproximaram , Harry quase escorregou . Havia uma grande poça de água em o chão . Ron e Hermione agarraram o e avançaram cautelosamente até a a mensagem , os olhos fixos em uma sombra escura , em baixo . Aperceberam se os três de imediato do_que se tratava e deram um salto para trás , salpicando tudo de água . Mrs._Norris , a gata de o encarregado , estava pendurada por a cauda em o suporte de a tocha . Tinha o corpo rígido como uma tábua e os olhos abertos . Durante alguns segundos ninguém se mexeu . Depois o Ron disse : - Vamos sair de aqui . - Não devíamos tentar ajudar ? - propôs Harry , sem graça . - Acredita - assegurou o Ron . - É melhor que não nos encontrem aqui . Mas era tarde de mais . Um ruído surdo e prolongado , como um trovejar distante , avisou os de que o festim tinha terminado . De ambos os lados de o corredor onde eles estavam , veio o som de centenas de pés a subirem a escadaria e as vozes alegres de gente bem alimentada . Em o momento seguinte os alunos chegavam junto de eles de ambos os lados . O burburinho morreu subitamente mal as pessoas avistaram a gata pendurada . Harry , Ron e Hermione estavam de pé , sozinhos , em o meio de o corredor quando se fez silêncio em a multidão de estudantes que se empurravam para observar aquele quadro macabro . Então alguém gritou , quebrando o silêncio . - Inimigos de o herdeiro , cuidado . Vocês serão os próximos , sangue de lama ! Era_Draco_Malfoy . Estava a a frente de a multidão com os olhos frios a brilhar , a sua cara habitualmente pálida agora afogueada , sorrindo a a vista de a gata pendurada e imóvel . IX_As palavras em a parede -- O que é_que se passa aqui ? O que é_que se passa ? Sem dúvida , atraído por o grito de Malfoy , Argus_Filch apareceu a coxear em o meio de a multidão . Quando viu Mrs._Norris , caiu para trás agarrando o rosto com verdadeiro horror . - A minha gata ! A minha gata ! O que aconteceu a Mrs._Norris ? - gritou . E os seus olhos rápidos caíram sobre Harry . - Tu - guinchou ele . - Mataste a minha gata ! Mataste a , vou dar cabo de ti , eu ... - Argus . Dumbledore tinha chegado a o lugar , seguido de alguns professores . Em poucos segundos tinha passado a a frente de Harry , Ron e Hermione e desatado Mrs._Norris de o suporte de a tocha . - Vem comigo , Argus - disse ele a o Filch . - Vocês também , Mr._Potter , Mr._Weasley e Miss_Granger . Lockhart deu rapidamente um passo em frente . - O meu escritório é o que está mais perto , senhor director , é já aqui em cima , por favor fiquem a a vontade . - Obrigado , Gilderoy - disse Dumbledore . A multidão silenciosa dividiu se para os deixar passar . Lockhart sentindo se excitado e importante , seguia Dumbledore assim_como a professora Mc_Gonagall e o professor Snape . Quando entraram em o escritório escuro de Lockhart houve uma grande agitação em as paredes . Harry viu várias imagens de Lockhart a esconderem se cheias de rolos em o cabelo . O Lockhart em pessoa acendeu as velas e chegou se mais para trás . Dumbledore pôs Mrs._Norris em a superfície polida de a secretária e começou a examiná a . Harry , Ron e Hermione trocaram olhares tensos entre si e deixaram se cair em as cadeiras que se encontravam longe de a luz , a observar . A ponta de o nariz longo e adunco de Dumbledore estava a menos_de dois centímetros de o pêlo de Mrs._Norris . Ele olhava a de perto através de os óculos de meia-lua , os dedos longos a palpar e tactear suavemente . A professora Mc_Gonagall estava quase tão perto como ele , com os olhos contraídos . Snape surgia mais atrás , meio em a sombra , com uma expressão estranha em o rosto , como_se tentasse a_toda_a força sorrir . E Lockhart andava de um lado para o outro a dar sugestões . - Foi sem dúvida uma maldição que a matou , provavelmente a tortura de a metamorfose . Vi a muitas_vezes ser usada , mas infelizmente eu não estava lá quando isto aconteceu . Conheço o antídoto para essa maldição , o que a teria salvo . Os comentários de Lockhart foram interrompidos por os soluços secos e violentos de Filch . Estava afundado em uma cadeira junto de a secretária , incapaz de olhar para Mrs._Norris , com o rosto em as mãos . Por mais que detestasse Filch , Harry não pôde deixar de sentir pena de ele embora não tanta quanto_a que sentia por si próprio . Se Dumbledore acreditasse em o Filch ele seria certamente expulso . O director estava agora a sussurrar umas palavras estranhas e batendo em Mrs._Norris com a varinha , mas não aconteceu nada , ela continuou com o mesmo aspecto , como_se tivesse sido empalhada . - ... Lembro me de uma coisa semelhante que aconteceu em Ouagadogou - disse LockLart . - Uma série de ataques . Conto essa história em a minha autobiografia . Eu dei a a gente de a cidade vários amuletos que resolveram logo a situação ... As fotografias de Lockhart em as paredes iam acenando afirmativamente com a cabeça enquanto ele falava . Uma de elas esquecera se de tirar os rolos de o cabelo . Por fim , Dumbledore endireitou se . - Ela não está morta , Argus - disse suavemente . Lockhart interrompeu bruscamente a contagem de os crimes que conseguira evitar . - Não está morta ? - disse Filch em um sufoco , olhando através de os dedos para Mrs._Norris . - Mas , porque está ela rígida e gelada ? - Foi petrificada - disse Dumbledore ( Ah ! foi o que eu pensei ! - comentou Lockhart ) mas como , não posso afirmar . - Pergunte lhe - gritou Filch , voltando a cara cheia de furúnculos e lágrimas para Harry . - Nenhum aluno de o segundo ano poderia ter feito isto - explicou Dumbledore . - Era preciso um grande conhecimento de magia negra . - Foi ele , foi ele - disse encolerizado o encarregado com a cara a ficar roxa . - O senhor viu o que ele escreveu em a parede . Ele descobriu em o meu gabinete , ele sabe que eu sou um ... - O rosto de Filch estava horrível . - Ele sabe que eu sou um * _ busca-pé * - disse por fim . - Eu não toquei em a Mrs._Norris - gritou Harry com todos os olhares a recaírem sobre ele , incluindo o de todos os Lockharts de a parede . - E eu nem sei o que é um * busca-pé * . - Mentira ! - gritou Filch . - Ele viu a minha carta de o feitiço rápido . - Se me permite que dê a minha opinião , senhor director - disse Snape , saindo de a sombra , e a sensação de mau presságio de Harry aumentou bastante . Certamente nada do_que Snape tinha para de dizer iria ajudá o . - O Potter e os amigos podiam estar simplesmente em o lugar errado em a altura errada - afirmou com um leve sorriso a torcer lhe a boca como_se tivesse as suas dúvidas . - Mas , temos aqui um conjunto de circunstâncias curiosas . Porque estavam eles afinal em o corredor ? Porque não estiveram presentes em a festa de o * _ Hallowe'en * ? Harry , Ron e Hermione começaram uma longa explicação sobre a festa de o dia de os mortos . - Estavam lá centenas de fantasmas , eles poderão confirmar que lá estivemos ... - Mas porque não foram a seguir a o banquete ? - perguntou Snape com os olhos pretos a brilharem a a luz de as velas . - Porquê ir até a aquele corredor ? Ron e Hermione olharam para Harry . - Porque , porque ... - balbuciou Harry , com o coração a querer saltar lhe de o peito , mas algo lhe disse que ia parecer muito rebuscado se lhes contasse que tinha sido levado até ali por uma voz sem corpo que só ele conseguia ouvir . - Porque estávamos cansados e queríamos ir para a cama - disse . - Sem jantar ? - inquiriu Snape com um sorriso triunfante a bailar lhe em o rosto lúgubre . - Não sabia que os fantasmas ofereciam em as suas festas comida para gente viva . - Não estávamos com fome - disse o Ron bem alto , enquanto o estômago se queixava de forma audível . O sorriso mesquinho de a Snape ampliou se . - Acho , senhor director , que Potter não está a dizer toda_a verdade - afirmou . - Talvez fosse boa ideia retirar lhe alguns privilégios , até ele estar disposto a contar nos a história toda . Pessoalmente , sugiro que seja retirado de a equipa de os Gryffindor até decidir ser honesto . - Francamente , Severus - exclamou a professora Mc_Gonagall com uma voz cortante . - Não vejo porquê impedir o rapaz de jogar Quidditch . Esta gata não levou pauladas em a cabeça dadas por nenhum cabo de vassoura . E não há provas de que o Potter tenha feito algo de mal . Dumbledore observava Harry com um olhar perscrutador . A voz tremeluzente de os seus olhos azuis fez Harry sentir que estava a ser passado a raios X. - Inocente até se provar que é culpado , Severus - disse com segurança . Snape estava furioso , assim_como Filch . - A minha gata foi petrificada ! - berrou , com os olhos a saltarem de as órbitas . - Quero ver um castigo ! - Vamos poder curá a , Argus - explicou pacientemente Dumbledore . - Madam_Sprout conseguiu arranjar algumas Mandrágoras . Logo_que tenham atingido o tamanho adulto , terei uma poção de Mandrágoras que reanimará Mrs._Norris . - Eu posso fazê a - interrompeu Lockhart . - Devo ter feito isso uma centena de vezes . Preparo uma golada de Mandrágora reconstituinte de olhos fechados ... - Perdão - disse Snape friamente -- , mas julgo que o professor de poções de esta escola ainda sou eu . Houve um silêncio bastante incómodo . - Vocês podem ir se embora - disse Dumbledore a o Harry , Ron e a Hermione . Eles saíram o mais depressa que puderam , sem ir a correr . Quando chegaram a o andar acima de o escritório de Lockhart , entraram em uma sala de aulas vazia e fecharam a porta devagarinho . Harry lançou um olhar de esguelha a as caras carrancudas de os amigos . - Acham que eu lhes devia ter falado de a voz que ouvi ? - Não - respondeu Ron , sem a mínima hesitação . - Ouvir vozes que mais ninguém ouve , não é bom sinal , nem em o mundo de os feiticeiros . Algo em a voz de Ron levou Harry a fazer a pergunta : - Tu acreditas em mim , não acreditas ? - Claro que sim - respondeu o Ron de imediato . - Mas tens de concordar que é esquisito ... - Eu sei que é esquisito - confirmou Harry . - É tudo esquisito . O que era aquilo escrito em a parede ? * _ A_Câmara foi aberta * , o que é_que significa ? - Sabes , faz me lembrar qualquer coisa - disse Ron lentamente . - Acho que alguém me contou uma história sobre uma câmara secreta em Hogwarts , talvez tenha sido o Bill ... - E que diabos é um * busca-pé * ? - perguntou Harry . Para sua surpresa , Ron abafou o riso . - Bem , em a verdade não tem graça nenhuma , mas como é o Filch ... - disse . - Um * busca-pé * é alguém que nasceu de uma família de feiticeiros , mas não tem poderes mágicos . É uma espécie de o oposto de os que vêm de famílias de Muggles , mas são feiticeiros . Os * busca-pé * são muito raros . Se o Filch está a tentar aprender magia em um curso rápido , acho que ele deve ser mesmo um busca-pé . Isso explicaria tudo , por_exemplo , porque detesta tanto os estudantes . - Ron sorriu satisfeito . - Tem inveja . Um relógio deu as horas , algures . - Meia-noite - disse Harry . - É melhor irmo nos deitar , antes que o Snape apareça e tente acusar nos de qualquer coisa . Durante alguns dias não se falou de outra coisa em a escola a não ser de o ataque a a gata , Mrs._Norris . Filch manteve o sucedido bem fresco em a memória de todos , andando de um lado para o outro em o lugar onde ela fora atacada , como_se esperasse por o responsável . Harry vira o esfregar a mensagem de a parede com a « solução removedora de toda_a porcaria mágica Mrs._Skower » , mas sem qualquer resultado . As palavras continuavam a brilhar tanto como antes sobre a pedra . Quando Filch não estava a patrulhar a cena de o crime , vagueava , de olhos avermelhados , por os corredores , perseguindo alunos insuspeitos e tentando aplicar lhes castigos por coisas como « respirar muito alto » ou « estar alegre » . Ginny_Weasley parecia muito perturbada com o destino de Mrs._Norris . Segundo Ron ela era uma amante de gatos . - Mas tu nem chegaste a conhecer bem Mrs._Norris - disse lhe Ron para a animar . - Com toda_a franqueza , estamos muito melhor sem ela . - O lábio de Ginny tremeu . - Não é costume acontecerem coisas de estas em Hogwarts - tranquilizou a . - Eles vão descobrir o safado que fez aquilo e põem o de aqui para fora em três tempos . - Só espero que tenha tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso . Estou a brincar , claro - acrescentou o Ron apressadamente a o ver a Ginny a empalidecer . O ataque afectara também Hermione . Era costume de ela passar muito_tempo a ler , mas agora parecia não fazer mais_nada . Nem respondia a o Harry e a o Ron quando lhe perguntavam o que estava a fazer e só acabaram por descobrir em a quarta-feira seguinte . Harry tivera de ficar até mais tarde em a sala de poções onde Snape o mandara raspar restos de larvas de as secretárias . Depois de um almoço comido a a pressa , ele foi lá acima encontrar se com Ron em a biblioteca e viu Justin_Finch - _ Fletchley , o rapaz de os Hufflepuff de herbologia que vinha em direcção a ele . Harry tinha acabado de abrir a boca para dizer um « Olá » quando Justin o viu , voltando se bruscamente e mudando de direcção . Harry foi encontrar o Ron em as traseiras de a biblioteca , a medir o trabalho de casa de história de a magia . O professor Binns pedira uma composição sobre a Assembleia_Medieval_de_Feiticeiros_Europeus com 90cm . De extensão . - Não posso crer que ainda me faltem 16cm - disse o Ron furioso , largando o pergaminho que se enrolou em forma de tubo - e que a Hermione fez um metro e trinta em aquela letra pequenina e apertadinha . - Onde está ela ? - perguntou Harry , agarrando em a fita métrica e desembrulhando o seu trabalho de casa . - Algures por aí - disse o Ron , apontando para as estantes . - _ a a procura de outro livro . Acho que ela está a tentar ler a biblioteca toda antes de o Natal . Harry contou a Ron que Justin_Finch - _ Fletchley tinha evitado falar lhe . - Não sei porque te preocupas com isso . Eu achei o um idiota - disse o Ron , escrevinhando e fazendo a letra o maior possível . - Todo aquele disparate sobre o Lockhart ser tão grande ... Hermione surgiu de o meio de as estantes . Parecia irritada e disposta , por fim , a falar com eles . - Todos os exemplares de * _ Hogwarts : Uma História * foram requisitados - disse , sentando se ao_lado_de Harry e Ron . - E há uma lista de espera de duas semanas . Quem me dera não ter deixado o meu exemplar em casa , mas não consegui que coubesse em a mala com todos os livros de o Lockhart . - Para que o queres ? - perguntou Harry . - Pelo mesmo motivo que toda_a_gente o quer - disse Hermione . - Para ler a lenda de a Câmara_dos_Segredos . - O que é isso ? - Precisamente . Não me lembro - disse Hermione , mordendo o lábio . - E não encontro a História em lugar nenhum . - Hermione , deixa me ler o teu trabalho - pediu Ron desesperado , olhando para o relógio . - Não , não deixo - respondeu Hermione com um ar severo . - Tiveste dez dias para o fazer . - Só preciso de mais quatro centímetros , vá lá ... A campainha tocou . Ron e Hermione encaminharam se para a História_da_Magia , discutindo . A História_da_Magia era a matéria mais chata de o programa . O professor Binns , que dava a cadeira , era o único professor fantasma e a coisa mais excitante que aconteceu em as suas aulas foi o dia em que entrou por o quadro preto . Já velho e enrugado , muita gente afirmava a seu respeito que ele não dera por_que tinha morrido . Pura e simplesmente levantara se um dia para ir dar aulas , deixando o corpo atrás , em um cadeirão em frente de a lareira de a sala de os professores . Desde esse dia a sua rotina mantivera se igual . Era hoje tão chato como fora sempre . Abriu as notas e começou a ler em um tom monocórdico como um velho aspirador até quase todos os alunos estarem em um estado de profunda dormência , acordando de vez em quando , para tomar nota de um nome ou de uma data , e voltando a adormecer . Estava a falar havia meia_hora quando aconteceu algo que nunca tinha acontecido . Hermione pôs o braço em o ar . O professor Binns olhou de relance , em o meio de a chatíssima aula sobre a Convenção_Internacional_de_Feiticeiros de 1289 , verdadeiramente espantado . - Miss ... er ... ? - Granger , professor . Poderia dizer nos alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Hermione em uma voz bem audível . O Dean_Thomas , que tinha estado sentado de boca aberta olhando para fora de a janela , saiu de o seu transe com um salto . A cabeça de Lavender_Brown saiu de os braços e o cotovelo de o Neville_Longbottom escorregou para fora de a secretária . O professor Binns piscou os olhos . - A minha matéria é História_da_Magia - disse em a sua voz seca e asmática . - Eu trato de factos , Miss_Granger , não de mitos e lendas - pigarreou produzindo um ruído que parecia o giz sobre o quadro e continuou : - Em Setembro de esse ano , uma subcomissão de feiticeiros de a Sardenha ... Parou de repente . A mão de Hermione estava de_novo em o ar . - Sim , Miss_Grant ? - Por favor , professor , as lendas não têm sempre um facto como base ? O professor Binns olhava para ela com tal espanto que Harry teve a certeza de que ele nunca , em tempo algum , fora interrompido por um aluno . - Bem - disse lentamente o professor Binns . - Sim , é uma afirmação que pode fazer se . - Olhou para Hermione como_se fosse a primeira vez que olhasse a sério para um estudante . - Contudo , a lenda de que me fala é tão extraordinária , mesmo grotesca ... Mas a aula inteira estava agora atenta a as palavras de o professor , que olhou indistintamente para todos eles . Harry poderia assegurar que ele estava absolutamente abismado por uma tão grande demonstração de interesse . - Muito bem - disse lentamente . - Ora vejamos ... a Câmara_dos_Segredos . Todos vocês sabem com certeza que Hogwarts foi fundada há mais de um_milhar de anos , não se conhece ao_certo a data , por os quatro maiores feiticeiros e feiticeiras de a época : Godric_Gryffindor , Helga_Hufflepuff , Rowena_Ravenclaw e Salazar_Slytherin . Construíram juntos este castelo , longe de os olhares curiosos de os Muggles porque em aquele tempo a magia era temida por as pessoas comuns e as bruxas e feiticeiros sofriam terríveis perseguições . Fez uma pausa , olhou indeciso em volta e prosseguiu : - Durante alguns anos , os fundadores trabalharam juntos em harmonia procurando outros mais novos que mostrassem sinais de possuir dotes mágicos e trazendo os para o castelo para aqui serem ensinados . Mas os desentendimentos surgiram entre eles . Começou a notar se uma divisão entre Slytherin e os outros . Salazar_Slytherin queria ser mais selectivo em relação a os alunos a serem admitidos em Hogwarts . Achava que os ensinamentos de magia deviam ficar dentro de as famílias de feiticeiros . Não lhe agradava a entrada em a escola de alunos de famílias Muggles porque os achava pouco dignos de confiança . Depois de algum tempo houve uma séria discussão sobre esse assunto entre Slytherin e Gryffindor e Slytherin abandonou a escola . O professor Binns fez uma nova pausa , fazendo beicinho o que o fazia parecer uma tartaruga enrugada . - Fontes fidedignas referem nos isto - disse . - Mas estes factos foram obscurecidos por a fantasiosa lenda de a Câmara_dos_Segredos . Conta a história que Slytherin construíra uma câmara oculta dentro de o castelo cuja existência os outros fundadores ignoravam . De_acordo com a lenda , Slytherin selou a Câmara_dos_Segredos para que ninguém pudesse abri a até o seu verdadeiro herdeiro chegar a a escola . O herdeiro , e apenas ele , poderia abrir a Câmara_dos_Segredos , libertar o horror que lá se encontrava e utilizá o para expurgar a escola de todos aqueles que eram indignos de aprender magia . Houve um silêncio quando ele se calou que não era o habitual silêncio de sono de as aulas de o professor Binns . Havia um desassossego em o ar enquanto todos continuavam a olhá o a a espera de mais . O professor Binns estava ligeiramente aborrecido . - A história toda é um disparate , claro - disse ele . - A escola foi revistada por várias vezes em busca de provas de a existência de essa câmara , por os feiticeiros e bruxas mais conhecedores . Não existe nada . Uma lenda que serviu apenas para assustar os ingénuos . A mão de Hermione estava novamente em o ar . - Professor , o que quer_dizer , ao_certo com « o horror que estava dentro de a câmara » ? - Acredita se que seja uma espécie de monstro que só o herdeiro de Slytherin pode controlar - disse o professor Binns em a sua voz seca e débil . A aula trocou entre si olhares inquietos . - Como vos digo , a coisa não existe - afirmou o professor Binns , desordenando as suas notas . - Não há câmara e não há monstro . - Mas , professor - disse Seamus_Finnigan . - Se a câmara só podia ser aberta por o herdeiro de Slytherin ninguém mais poderia encontrá a . Não é ? - Um disparate pegado - disse o professor Binns , em um tom de voz exasperado . - Se uma longa sucessão de directores e directoras de Hogwarts não a encontraram ... - Mas , professor - começou a dizer Parvati_Patil . Se_calhar é preciso usar magia negra para a abrir ... - Lá porque um feiticeiro não usa magia negra não quer_dizer que não possa , Miss_Pennyfeather - interrompeu o professor Binns . - Repito , se os antecessores de Dumbledore ... - Mas talvez seja preciso fazer parte de os Slytherin , por isso Dumbledore não podia ... - começou Dean_Thomas , mas o professor Binns já estava farto . - Já chega - disse , de modo cortante . - É um mito . Não existe . Não há uma única prova de que Slytherin tenha construído nem mesmo uma despensa para vassouras . Lamento ter vos contado esta história tola . Vamos voltar , se fazem o favor , a a História , a os factos sólidos , verificáveis , credíveis . E em menos_de cinco minutos toda_a classe mergulhara em a sua sonolência habitual . - Eu sempre ouvi dizer que Salazar_Slytherin era um velho retorcido e meio pateta - disse Ron_a_Harry e Hermione enquanto abriam caminho por os corredores cheios , em o final de a aula , para ir arrumar as malas antes de o jantar . - Mas não sabia que ele tinha começado esta coisa de o sangue puro . Eu não ia para os Slytherin nem que me pagassem . Se o chapéu seleccionador me tivesse posto lá , pegava em as malas e ia me embora ... Hermione acenou vivamente , mas Harry não abriu a boca . O estômago parecia ter dado uma volta . Harry nunca contara a o Ron e a a Hermione que o chapéu seleccionador tinha considerado seriamente a possibilidade de o colocar em os Slytherin . Lembrava se como_se tivesse sido em a véspera do_que a vozinha lhe dissera a o ouvido quando pôs o chapéu em a cabeça , um ano antes . * _ Podias vir a ser grande , sabes ? Está tudo aqui em a tua cabeça e Slytherin ajudaria te em o caminho para a grandeza , sem a menor dúvida * ... Mas Harry , que já ouvira falar de a fama de o grupo de os Slytherin de formar magos negros , pensou desesperadamente . - Em os Slytherin , não ! - E o chapéu tinha dito . - Bem , se tens assim tanta certeza ... será melhor os Gryfffndor . Enquanto eram empurrados por a multidão , Colin_Creevey passou por eles . - Olá , Harry ! - Olá , Colin - disse Harry automaticamente . - Harry , Harry , um rapaz de a minha turma tem andado a dizer que tu és ... Mas Colin era tão baixinho que não conseguiu lutar contra a maré de gente que o arrastou até a o vestíbulo . Ouviram o despedir se : - Adeus , Harry - e desaparecer . - O que é_que o rapaz de a turma de ele disse de ti ? - quis saber Hermione . - Que eu sou o herdeiro de Slytherin , imagino - disse Harry , com o estômago ainda a as voltas e lembrou se de repente de o Justin_Finch - _ Fletchley a fugir para não lhe falar , a a hora de o almoço . - As pessoas aqui acreditam em tudo - disse o Ron com repugnância . A multidão diminuiu e conseguiram subir as escadas sem dificuldade . - Achas mesmo_que existe uma Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Ron_a_Hermione . - Não sei - respondeu ela , franzindo a testa . - Dumbledore não conseguiu curar Mrs._Norris e isso leva me a pensar que o que a atacou pode não ser ... humano . Enquanto falava , voltaram uma esquina e encontraram se em o fim de aquele mesmo corredor onde o ataque tinha ocorrido . Pararam para olhar . Estava tudo igual a aquela outra noite , com excepção de a gata Mrs._Norris e havia uma cadeira vazia encostada a a parede , onde podia ler se a mensagem « : __ a câmara foi __ aberta » . - Foi aqui que o Filch montou a guarda - murmurou Ron . Olharam uns para os outros . O corredor estava deserto . - Não deve fazer mal dar uma olhadela aqui - disse Harry , deixando cair a mala e pondo se de quatro para poder gatinhar em busca de pistas . - Marcas de queimadura - disse - aqui e aqui ... - Venham ver isto ! - chamou Hermione . - Que estranho ... Harry levantou se e foi até a a janela que ficava junto de a mensagem . Hermione apontava para o vidro mais alto , onde cerca de uma vintena de aranhas se debatiam em uma aparente luta por atravessar por uma pequena brecha de vidro . Um longo fio prateado balouçava como uma corda , como_se todas tivessem trepado , em a ânsia de chegar lá fora . - Alguma vez viram aranhas agir assim ? - perguntou Hermione , curiosa . - Não - respondeu Harry . - E tu , Ron ? Ron ? Olhou por cima de o ombro . Ron estava de costas , bem lá atrás e parecia lutar contra o impulso de se virar . - O que é_que se passa ? - perguntou Harry . - Eu não gosto de aranhas - disse Ron , de modo tenso . - Nunca me tinhas dito - comentou Hermione , olhando para ele com surpresa . - Estás farto de usar aranhas em as poções ... - Não me importo quando estão mortas - explicou Ron que olhava cautelosamente para todos os lados , menos para a janela . - Não gosto de a maneira como_se mexem . Hermione riu se baixinho . - Não tem graça nenhuma - disse o Ron , furioso . - Se queres saber , quando eu tinha três anos , o Fred transformou o meu ursinho de pelúcia em uma enorme aranha nojenta , por eu lhe ter partido a vassoura de brinquedo . Tu também não gostarias de aranhas se estivesses agarrada a o teu ursinho e , de repente , ele tivesse uma data de pernas e ... Começou a tremer ... Hermione ainda estava a tentar conter o riso . Sentindo que era melhor mudarem de assunto , Harry perguntou : - Lembram se de a água que havia aqui em o chão ? De onde terá vindo ? Alguém a limpou . - Era por aqui - disse o Ron , já recuperado , avançando alguns passos em direcção a a cadeira de o Filch e apontando . - Junto de esta porta . Estendeu a mão para o puxador de a porta , mas retirou a de imediato , como_se se tivesse queimado . - O que foi ? - perguntou Harry . - Não posso entrar aí - disse o Ron bruscamente . - É a casa_de_banho de as raparigas . - Oh , Ron , não está aí ninguém - sossegou o Hermione enquanto se aproximava . - É o lugar de a Murta_Queixosa . Anda , vamos dar uma espreitadela . E ignorando o grande letreiro que dizia « Fora de serviço » Hermione abriu a porta . Era a casa_de_banho mais sombria e deprimente em que Harry tinha posto os pés durante toda_a sua vida . Debaixo_de um grande espelho partido e sujo podia ver se uma fila de lavatórios de pedra , rachados . O chão estava húmido e reflectia a luz fraca de os pavios de algumas velas que ardiam baixinho em os suportes . As portas de madeira de os cubículos estavam todas lascadas e riscadas e uma de elas balouçava fora de as dobradiças . Hermione levou os dedos a os lábios e foi até a o último cubículo . Quando lá chegou disse : - Olá , Murta , como estás ? Harry e Ron foram ver . A Murta_Queixosa flutuava em a cisterna de a casa_de_banho , tirando um ponto negro de o queixo . - Esta é a casa_de_banho de as raparigas - disse a o ver o Ron e o Harry . - Eles não são raparigas . - Não - concordou Hermione . - Eu só queria mostrar lhes como esta casa_de_banho é ... er ... simpática . Ela fez um aceno vago a o velho espelho sujo e a o chão húmido . - Pergunta lhe se viu alguma coisa - sussurrou o Ron a a Hermione . - Porque estão a dizer segredinhos ? - perguntou a Murta , fitando o . - Não é nada - disse Harry rapidamente . - Queríamos perguntar ... - Gostava que as pessoas parassem de falar em as minhas costas ! - desabafou a Murta em uma voz abafada por as lágrimas . - Eu tenho sentimentos , sabem , apesar_de estar morta . - Murta , ninguém quis aborrecer te - explicou Hermione . - O Harry só ... - A minha vida foi uma infelicidade em este lugar e agora as pessoas vêm estragar a minha morte . - Nós queríamos perguntar te se tinhas visto alguma coisa estranha ultimamente - disse Hermione sem perder tempo . - Porque foi atacada uma gata mesmo aqui a a frente de a tua porta em a noite de o * _ Hallowe'en * . - Viste alguém aqui perto em essa noite ? - insistiu Harry . - Não estava a prestar atenção - disse a Murta com ar dramático . - O Peeves aborreceu me tanto que vim aqui para tentar matar me . Só então me lembrei de que estou ... de que estou ... - Já morta - ajudou o Ron . A Murta soluçou tragicamente , elevou se em o ar , voltou se e mergulhou de cabeça em a sanita , espalhando água por_cima_de todos eles e desaparecendo . Por o som de os seus soluços abafados fora certamente descansar algures em o cano em forma de V._Harry e Ron ficaram de boca aberta , mas Hermione encolheu os ombros de cansaço e disse : - Se querem saber , para a Murta isto até foi alegre ... vá , vamos embora . Harry tinha acabado de fechar a porta deixando atrás os soluços gorgolejantes de a Murta quando uma voz forte o fez dar um salto . - RON ! Percy_Weasley estava parado em o cimo de as escadas com o seu distintivo de prefeito a brilhar e uma expressão chocadíssima em o rosto . - Isso é a casa_de_banho de as raparigas ... o que é_que vocês ... ? - Estávamos só a dar uma vista de olhos - exclamou o Ron - a a procura de pistas ... Percy engoliu em seco , de uma maneira que fez Harry lembrar se de Mrs._Weasley . - Saiam imediatamente de aqui - disse , aproximando se de eles a passos largos e gesticulando agitadamente . - Não se preocupam com as aparências ? Voltar aqui enquanto toda_a_gente está a jantar ... - Porque não havíamos de estar aqui ? - perguntou cheio de vivacidade o Ron , parando de repente e olhando Percy em os olhos . - Ouve lá , nós não tocamos em aquela gata . - Isso foi o que eu tentei explicar a a Ginny - respondeu Percy furioso - mas ela parece continuar a pensar que vocês vão ser expulsos . Nunca a vi tão aflita . Não pára de chorar . Devias pensar em ela . Todos os alunos de o primeiro ano andam superexcitados com esta história . - Tu não estás nada preocupado com a Ginny - disse o Ron já com as orelhas vermelhas . - O que te assusta é_que eu possa estragar as tuas possibilidades de ser chefe de turma . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor ! - bradou Percy , apontando elegantemente para o distintivo de prefeito . - E espero que te sirva de lição . Acabou se o trabalho de detective ou escrevo a a mãe a contar lhe . E voltou lhes as costas , a nuca tão vermelha como as orelhas de o Ron . Harry , Ron e Hermione , em essa noite , sentaram se em a sala comum o mais longe possível de Percy . Ron estava ainda muito maldisposto e não parava de esborratar o trabalho de casa de os encantamentos . Quando pegou distraidamente em a varinha para tirar as manchas incendiou o pergaminho . A deitar quase tanto fumo como o seu trabalho de casa , fechou bruscamente o * _ Livro_Padrão_de_Encantamentos de o 2.o Grau * . Para grande surpresa de Harry , Hermione fez o mesmo . - Mas quem poderia ser - perguntou ela baixinho como_se continuasse uma conversa que tinham acabado de ter . - Quem quereria todos os * busca-pés * e filhos de Muggles fora de Hogwarts ? - Vamos pensar - disse o Ron em a brincadeira , fingindo estar confuso . - Quem poderemos nós conhecer que ache que os familiares de Muggles são escumalha ? Olhou para Hermione . Ela olhou para ele pouco convencida . - Se estás a pensar em o Malfoy ... - Claro que estou - disse o Ron . - Tu ouviste o dizer : - Vocês serão os próximos , sangues de lama ! - Aliás , basta olhar para aquela cara de renegado para saber que ele é ... - Malfoy , o herdeiro de Slytherin ? - repetiu Hermione cepticamente . - Olha para a família de ele - disse Harry , fechando também os livros . - Todos eles estiveram em os Slytherin . O Draco está sempre a vangloriar se de isso . Podiam bem ser descendentes de Slytherin . O pai de ele é suficientemente mau . - Podiam perfeitamente ter tido a chave de a Câmara_dos_Segredos durante séculos - disse Ron - , fazendo a passar de pai para filho . - Bem - acedeu Hermione cautelosamente . - Seria possível ... - Mas como prová o ? - perguntou Harry tristemente . - Talvez haja um meio - sugeriu Hermione lentamente , baixando ainda mais a voz e lançando um olhar , através de a sala , a Percy . - É claro que não é fácil . E é perigoso , muito perigoso . Suponho que iríamos infringir cerca de cinquenta regras de a escola . - Se de aqui a um mês ou dois te decidires a explicar , avisa , está bem ? - disse Ron , que começava a ficar irritado . - Está bem - concordou Hermione friamente . - O que precisaríamos de fazer para entrar em a sala comum de os Slytherin e fazer algumas perguntas a o Malfoy , sem ele perceber que éramos nós ? - Mas isso é impossível - declarou Harry , enquanto Ron se ria . - Não , não é - continuou Hermione . - Só precisamos de um_pouco de poção * polisuco * . - O que é isso ? - perguntaram ao_mesmo_tempo Ron e Harry . - O Snape falou de ela em uma aula , há poucas semanas atrás . - Achas que não temos mais o que fazer do_que ouvir o Snape ? - murmurou o Ron . - Transforma nos em outra pessoa . Pensem em isso : podíamos transformar nos em três de os Slytherin . Ninguém saberia que éramos nós . É provável que o Malfoy nos contasse alguma coisa . Aposto que ele está a gabar se , em este momento , em a sala de os Slytherin , se ao_menos pudéssemos ouvi o . - Essa coisa de o * polisuco * cheira me um bocado mal - disse o Ron , franzindo as sobrancelhas . - E se ficarmos com a forma de os três Slytherin para sempre ? - Desaparece a o fim de algum tempo - disse Hermione , gesticulando impacientemente com a mão - mas conseguir a receita é muito difícil . O Snape disse que vinha em um livro chamado * _ As_Mais_Potentes_Poções * e está com certeza em a parte de os reservados de a biblioteca . Só havia uma maneira de obter o livro de os reservados : era com uma autorização assinada por um professor . - Não estou a ver porque quereríamos o livro - disse o Ron . - Se não para tentar fabricar uma de as poções . - Eu acho - sugeriu Hermione - que se fizéssemos parecer que o nosso interesse era apenas teórico , talvez conseguíssemos ... - Estás a sonhar , nenhum professor ia cair em essa - afirmou o Ron . - Só se fosse muito burro . X_A * bludger * perigosa Depois de o desastroso incidente de os duendes , o professor Lockhart não voltou a levar seres vivos para as aulas . Em vez de isso , lia a os alunos passagens de os seus livros e , por vezes , voltava a desempenhar alguns de os episódios mais dramáticos . Costumava chamar Harry para o ajudar em essas reconstruções . Até ali Harry fora obrigado a desempenhar o papel de um camponês de a Transilvânia que Lockhart curara de uma maldição murmurada , o abominável homem de as neves com dores de cabeça e um vampiro que depois de ter conhecido Lockhart tinha ficado incapaz de comer outra coisa que não fosse alfaces . Harry foi chamado para a frente de a classe durante a aula de Defesa contra as artes negras que se seguiu . Desta_vez para desempenhar o papel de um lobisomem . Se não tivesse um bom motivo para querer ver o Lockhart bem-disposto , teria se recusado . - Um uivo bem alto , excelente , Harry , isso mesmo . E foi então que , acreditem ou não , eu o ataquei de repente , assim . Atirei o a o chão , agarrei o com uma mão e com a outra consegui meter lhe a varinha em a garganta . Então , com a força que me restava pus em prática o complicadíssimo encantamento * _ Homorphus * . Harry soltou um uivo tristíssimo . - Vá lá , Harry , mais alto . Bom ... o pêlo desapareceu , os dentes diminuíram de tamanho e ele transformou se em um homem . Simples , mas eficaz e mais uma cidade ficará a lembrar se de mim para sempre como o herói que os libertou de os ataques mensais de o lobisomem . A campainha tocou e Lockhart pôs se de pé . - Trabalho para_casa : escrever um poema sobre a minha vitória sobre o lobisomem Wagga_Wagga . Há um exemplar autografado de * _ Eu , o Mágico * para o autor de o melhor poema . Os alunos começaram a sair . Harry voltou para trás e foi juntar se a o Ron e a a Hermione que estavam a a espera de ele . - Prontos ? - perguntou . - Espera até saírem todos - disse Hermione bastante nervosa . - Pronto ... Aproximou se de a secretária de Lockhart , apertando em a mão uma folha de papel , com o Ron e o Harry atrás . - Er ... professor Lockhart - gaguejou Hermione . - Eu queria requisitar este livro em a biblioteca , como leitura de apoio - entregou lhe o papel , com a mão ligeiramente trémula . - Só que faz parte de a secção de os reservados , por isso preciso de a assinatura de um professor . Acho que o livro me vai ajudar a compreender o que o senhor diz em * _ Passeios com Vampiros * acerca de os venenos de acção lenta ... - Ah , * _ Passeando com Vampiros * - disse Lockhart , pegando em a folha de papel de Hermione e sorrindo lhe abertamente . - E provavelmente o meu livro preferido . Gostou ? - Oh , muito - disse Hermione avidamente . - Tão inteligente o modo como apanhou o último com o passador de o chá . - Bem , tenho a certeza que ninguém se importará que eu dê uma ajudazinha suplementar a a melhor aluna de o segundo ano - disse Lockhart calorosamente , sacando de uma enorme pena de pavão . - É bonita , não é ? - comentou , adivinhando uma expressão de repulsa em a cara de o Ron . - Costumo guardas a para as minhas assinaturas de autógrafos . Rabiscou uma enorme assinatura cheia de altos e baixos e entregou a a Hermione . - Então , Harry - disse Lockhart enquanto Hermione dobrava a folha e a guardava em o saco . - Amanhã é a primeira partida de Quidditch de este ano , não é ? Gryffindor contra Slytherin . Ouvi dizer que és um jogador indispensável . Eu também fui * seeker * . Convidaram me inclusivamente para fazer parte de a Equipa_Nacional , mas eu preferi dedicar a minha vida a a erradicação de as forças de o mal . Mesmo_assim , se alguma vez precisares de um treino particular , não hesites em falar comigo , estou sempre disponível para partilhar a minha perícia com os jogadores menos dotados do_que eu . Harry fez um som indistinto com a garganta e saiu atrás_de Ron e Hermione . - Não acredito - disse quando os três examinavam a assinatura de Lockhart . - Ele nem viu que livro nós queríamos . - É porque é um idiota sem miolos - explicou o Ron . - Mas , quem se rala , temos o que queríamos . - Ele não é um idiota sem miolos - gritou Hermione com voz esganiçada enquanto se aproximavam quase a correr de a biblioteca . - Só porque ele disse que eras a melhor aluna de o segundo ano ... Baixaram as vozes a o entrar em a quietude abafada de a biblioteca . Madam_Prince , a bibliotecária , era uma mulher magra e irritável que parecia um abutre mal nutrido . - * _ Moste_Potente_Potions * ? - repetiu intrigada , tentando ficar com a folha de papel que Hermione se recusava a entregar lhe . - Gostava de a guardar para mim - disse sem fôlego . - Vá lá - intercedeu Ron , arrancando lhe a de as mãos e entregando a a Madam_Prince . - Nós arranjamos te outro autógrafo . O Lockhart assina tudo se aqui ficar muito_tempo . Madam_Prince pegou em o papel e voltou o em a direcção de a luz , decidida a descobrir uma falsificação , mas a assinatura passou em o teste . Desapareceu entre as estantes e voltou alguns minutos mais tarde , transportando um livro grande e de aspecto antiquado . Hermione meteu o com todo o cuidado em o saco e saíram , tentando não andar depressa de mais nem aparentar um ar culpado . Cinco minutos depois , estavam de_novo barricados em a casa_de_banho fora de serviço de a Murta_Queixosa . Hermione destruíra as objecções de Ron argumentando que aquele era o último lugar onde alguém em o seu juízo perfeito se lembraria de ir e que poderia assegurar lhes alguma privacidade . A Murta_Queixosa chorava ruidosamente em o seu cubículo , mas eles conseguiram ignorá a assim_como ela a eles . Hermione abriu * _ Moste_Potente_Potions * com todo o cuidado e inclinaram se os três sobre as páginas manchadas de humidade . Era fácil de perceber , logo à_primeira_vista de olhos , porque pertencia a a secção de os reservados . Algumas de as poções tinham efeitos quase impensáveis de tão macabros e havia ilustrações bastante desagradáveis , como , por_exemplo , aquela em que um homem parecia ter sido virado de o avesso e a de a bruxa com vários pares de braços suplementares a nascerem lhe em a cabeça . - Aqui está - disse Hermione excitadíssima a o encontrar a página intitulada « A poção * polisuco * « . Estava ilustrada com imagens de pessoas a meio de o processo de se transformarem em outras pessoas e Harry desejou ardentemente que a expressão de dor intensa que se lhes espelhava em o rosto fosse apenas produto de a imaginação de o artista desenhador . - Esta é a poção mais complicada que vi até hoje - disse Hermione enquanto examinava a receita . - Moscas asas de renda , sanguessugas , fluxo de cizânias e verdezelha - murmurou , acompanhando com o dedo a lista de ingredientes . - Bem , esses são relativamente simples , há os em a despensa de material de os estudantes , podemos tirar a a nossa vontade . Oh ! Vê só , pó de chifre de bicórneo ... não sei onde vamos arranjar isto ... e , é claro , um pedacinho de a pessoa em quem queremos transformar nos . - Como ? - perguntou Ron de forma cortante . - O que é_que queres dizer com um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos ? Eu não bebo nada que tenha lá dentro as unhas de os pés de o Crabbe ... Hermione continuou como_se não o tivesse ouvido . - Mas não temos que nos preocupar com isso por enquanto . Fica para o fim . Ron voltou se sem palavras para o Harry que tinha uma preocupação de outro tipo . - Já viste bem tudo_o_que vamos ter que roubar , Hermione ? Algumas coisas , não estão de certeza em a despensa de material de os alunos . O que é_que vamos fazer , arrombar os armários pessoais de o Snape ? Não sei se será uma boa ideia ... Hermione fechou o livro com um estrondo . - Bem , se vocês os dois se vão acagaçar , então está lindo - disse ela . Tinha as bochechas rosadas e os olhos mais brilhantes do_que era habitual . - Eu não gosto de quebrar regras , vocês sabem , mas acho que ameaçar os filhos de os Muggles é muito pior do_que construir uma poção difícil . Mas se vocês não querem descobrir se é o Malfoy , eu posso voltar já a a biblioteca e entregar o livro a Madam_Prince ... - Nunca pensei que chegaria o dia em que serias tu a convencer nos a quebrar regras - disse o Ron . - Está bem , vamos em essa , mas sem unhas de os pés , O. _ K. ? - Quanto tempo vai isso demorar a fazer , afinal ? - perguntou Harry quando Hermione , já com um ar mais satisfeito , voltou a abrir o livro . - Bem , como o fluxo de cizânias tem de ser recolhido durante a lua cheia e as asas de renda têm de ser abafadas durante vinte_e_um dias ... eu diria que se conseguirmos arranjar todos os ingredientes estará pronta dentro_de um mês . - Um mês ? - exclamou o Ron . - Nessa_altura já o Malfoy terá atacado metade de os filhos de Muggles ! - mas os olhos de Hermione contraíram se de_novo assustadoramente e ele acrescentou rapidamente . - Mas é o melhor plano que temos , por isso é melhor não olharmos para trás . Apesar_de tudo , enquanto Hermione verificava que não havia ninguém em os corredores e podiam sair de a casa_de_banho , Ron murmurou a Harry : - Seria muito mais simples se conseguisses , amanhã , atirar o Malfoy de a vassoura abaixo . Harry acordou cedo em o sábado de manhã e ficou um bocado a pensar em a partida de Quidditch que vinha a seguir . Estava nervoso , principalmente pelo que Wood diria se os Gryffindor perdessem , mas também com a ideia de enfrentar uma equipa apetrechada com as vassouras mais velozes que existiam . Nunca desejara tanto vencer os Slytherin como em aquele dia . Depois de meia_hora deitado com a barriga a dar horas , resolveu levantar se , vestir se e descer para tomar o pequeno-almoço . Lá em baixo , encontrou o resto de a equipa de os Gryffindor amontoada a o longo de a mesa comprida e vazia , todos eles com ar preocupado e sem vontade de conversar . Como_se aproximavam as onze horas , todos os alunos de a escola começaram a dirigir se para o estádio de Quidditch . O dia estava quente e húmido , com uma ameaça de trovoada em o ar . Ron e Hermione vieram apressadamente desejar a Harry boa sorte mal ele entrou em os vestiários . A equipa de os Gryffindor pôs os seus mantos vermelhos e sentou se para ouvir o discurso que Wood lhes fazia sempre antes de o jogo . - Os Slytherin têm vassouras melhores do_que nós - começou . - Não há como negá o . Mas nós temos gente melhor em cima de as vassouras . Treinámos mais do_que eles , voamos com todas_as condições climatéricas ( É bem verdade - murmurou George_Weasley - desde Agosto que não sei o que é estar seco ) . - E vamos fazê os engolir o dia em que deixaram aquele nojento de o Malfoy comprar a entrada em a equipa de eles . Com o peito agitado por a comoção , Wood voltou se par Harry . -- Cabe te a ti , Harry , mostrar lhes que um * seeker * tem de ter mais do_que um pai rico . Agarra a * snitch * antes d Malfoy ou morre a tentar porque temos absolutamente que vencer , hoje , Harry , temos que vencer . - Sem ansiedade , Harry - disse o Fred , piscando lhe o olho . Quando saíram em direcção a o campo , foram saudado por uma grande ovação principalmente de a parte de os Ravenclaw e de os Hufflepuff que estavam ansiosos por ver os Slytherin serem derrotados , mas os Slytherin que estavam entre a multidão também fizeram ouvir as suas vaias e pateadas . Madam_Hooch , a professora de Quidditch , pediu a Flin e Wood que apertassem as mãos o que eles fizeram , lançando um_ao_outro olhares ameaçadores , cada_um apertando a mão de o outro com mais força do_que aquela que seria necessário . - Atenção a o apito - disse Madam_Hooch . - Três , dois , um ... Com um bramido de a multidão para que subissem rapidamente , os catorze jogadores elevaram se em o céu cor de chumbo . Harry , mais alto do_que qualquer de os outros olhando para todos os lados em busca de a * snitch * . - Tudo bem , testa de cicatriz ? - gritou Malfoy , disparando por baixo de ele para lhe mostrar a velocidade de a sua vassoura . Harry não teve tempo de responder . Em esse preciso momento uma * bludger * preta e bem pesada veio direitinha a ele . Evitou a tão por um triz que ainda sentiu em os cabelos o ar que ela deslocara . - Foi por_pouco , Harry ! - exclamou o George , passando com grande rapidez , de bastão em a mão , pronto para lançar a * bludger * contra um Slytherin . Harry viu o dar a a * bludger * uma fortíssima pancada em direcção a Adrian_Pucey , mas a bola mudou de rumo em o meio de o ar e dirigiu se de_novo a Harry . Harry desceu rapidamente para se esquivar e George conseguiu lançá a contra Malfoy . Mais_uma_vez a * bludger * actuou como um * boomerang * e apontou a a cabeça de Harry . Harry ganhou velocidade e disparou contra o outro extremo de o campo . Ouvia o assobio de a * bludger * que o perseguia . O que era aquilo ? As * bludgers * nunca se concentravam assim em um único jogador , a sua função era tentar desmontar o maior número possível de intervenientes . Fred_Weasley esperava por a * bludger * em o extremo oposto . Harry baixou se quando o viu balançar se em frente de ela com toda_a garra . A * bludger * foi lançada para_fora_de campo . - Pronto , já está tudo resolvido - gritou Fred satisfeito , mas estava bastante enganado . Como_se fosse magneticamente atraída para Harry , a * bludger * lançou se de_novo contra ele e Harry teve de voar a_toda_a velocidade . Começara a chover . Harry sentia as gotas pesadas caírem lhe em o rosto , turvando lhe as lentes de os óculos . Não fazia ideia do_que se passava em o resto de o jogo , até ouvir Lee_Jordan que fazia o comentário dizer : - Os Slytherin vão a a frente com seis contra zero . As vassouras de qualidade superior de os Slytherin estavam obviamente a cumprir a sua função e enquanto isso , a * bludger * maluca fazia todos os possíveis para deitar abaixo o Harry . Fred e George voavam agora tão perto de ele , um de cada lado , que Harry não via senão os seus braços a balouçar e , se não conseguia ver a * snitch * , muito menos agarrá a . - Alguém enfeitiçou esta * bludger * - resmungou Fred , preparando o bastão com toda_a força quando ela se lançava de_novo contra Harry . - Precisamos de tempo - disse George , tentando fazer sinal a Wood enquanto evitava que a bola partisse o nariz a o Harry . Wood captou obviamente a mensagem . O apito de Madam_Hooch fez se ouvir e Harry , Fred e George desceram , tentando ainda evitar a * bludger * maluca . - O que é_que se passa ? - perguntou Wood enquanto a equipa de os Gryffindor se amontoava desordenadamente e os Slytherin , em o meio de a multidão , lançavam piadas . - Estamos a ser esmagados . Fred , George , onde estavam vocês quando aquela * bludger * impediu a Angelina de marcar ? - Estávamos seis metros acima , evitando que a outra * bludger * matasse o Harry , Oliver - gritou George furioso . - Alguém preparou isto , a bola não deixa o Harry em paz , ainda não perseguiu mais ninguém desde_que o jogo começou . Os Slytherin fizeram aqui qualquer coisa . - Mas as * bludgers * têm estado fechadas em o escritório de Madam_Hooch desde o último treino , e nessa_altura estava tudo bem ... - disse Wood ansiosamente . Madam_Hooch aproximava se . Por cima de o ombro de ela , Harry pôde ver a equipa de os Slytherin a escarnecer e apontar em a sua direcção . - Ouçam - disse o Harry , enquanto ela se aproximava . - Com vocês os dois a voarem sempre colados a mim , só vou apanhar a * snitch * se ela voar até a a minha manga . Voltem se para o resto de a equipa e deixem a tratante comigo . - Não sejas bronco - disse o Fred . - Ela arranca te a cabeça . Os olhos de Wood saltavam de Harry_para_os_Weasley . - Oliver , isto_é uma loucura - disse Alicia_Spinet , zangada . - Não podes deixar o Harry sozinho entregue a aquela coisa . Vamos pedir uma investigação . - Se pararmos agora , teremos de dar a partida como perdida e não vamos deixar os Slytherin ganhar , só por_causa_de uma * bludger * maluca . Vá lá , Oliver , diz lhes que me deixem sozinho . - A culpa é toda tua . * _ Agarra a snitch ou morre a tentar * , se isso é lá coisa que se diga . Madam_Hooch tinha se lhes juntado . - Prontos para retomar a partida ? - perguntou a Wood . Wood olhou para o ar determinado de Harry . - Deixem o sozinho , ele é capaz de lidar com a * bludger * . A chuva era agora mais pesada . A o apito de Madam_Hooch , Harry elevou se em os ares e ouviu o barulhinho de a * bludger * atrás_de si . Subiu cada_vez_mais alto . Fez acrobacias em espiral , descidas rápidas , ziguezagueou e rolou . Apesar_de ligeiramente estonteado , não deixou nunca de ter os olhos bem abertos . A chuva salpicava lhe os óculos e entrava lhe por as narinas , quando ele se voltou de cabeça para baixo , evitando outra forte investida de a * bludger * . Ouviu os risos de a multidão . Sabia que devia parecer ridículo , mas a * bludger * maluca era pesada e não podia mudar de direcção tão rapidamente quanto ele . Iniciou uma corrida que parecia de feira de diversões em volta de os extremos de o estádio , olhando de soslaio , através de os lençóis prateados de chuva , para os postes de os Gryffindor , onde Adrian_Pucey tentava passar por Wood . Um assobio junto de os ouvidos disse a Harry que a * bludger * falhara uma_vez_mais . Voltou se e voou rapidamente em a direcção oposta . - Estás a ensaiar * ballet * , Potter - gritou Malfoy quando Harry foi obrigado a fazer uma reviravolta estúpida em o ar para se esquivar mais_uma_vez de a * bludger * . Lá foi ele , com a * bludger * atrás a alguns metros de distância . E foi então que , olhando para Malfoy , furioso , a viu , a * snitch * de ouro . Flutuava alguns centímetros acima de os ouvidos de Malfoy que , de tão preocupado a escarnecer de Harry , nem dera por ela . Durante um momento angustiante , Harry ficou quieto em o ar , não ousando dirigir se a Malfoy , não fosse ele olhar para_cima e ver a * snitch * . PUM ! Tinha ficado parado tempo de mais . A * bludger * batera lhe , por fim , apanhando lhe o cotovelo e Harry sentiu o braço a partir se . Debilmente , desorientado por a dor cauterizante em o braço , Harry deslizou para um de os lados em a sua vassoura encharcada , um joelho ainda dobrado , o braço direito a balouçar , inútil , a o seu lado . A * bludger * veio de_novo , preparada para mais um ataque , desta_vez apontada a o seu rosto . Harry desviou se com uma intenção : chegar a Malfoy . Através_de uma nuvem de chuva e dor desceu até a o rosto tremeluzente e trocista e viu os olhos de ele dilatarem se de medo : Malfoy pensou que Harry ia atacá o . - Que diabo ... - resmungou , afastando se de o caminho . Harry tirou a outra mão de a vassoura e fez uma tentativa para agarrar qualquer coisa . Sentiu os dedos fecharem se em volta de a * snitch * dourada , mas conduzia agora a vassoura apenas com as pernas e ouviu se um grito de a multidão cá em baixo , quando ele fez a descida , tentando não desmaiar . Com um ruído seco caiu em a terra enlameada e rolou para fora de a vassoura . O braço tinha um ângulo um_pouco estranho . Torcendo se com dores , ouviu a a distância os assobios e os gritos . Concentrou se em a * snitch * que tinha fechada em a outra mão . - Ai - disse vagamente . - Ganhámos o jogo . E desmaiou . Voltou a si com a chuva a cair lhe em o rosto , ainda deitado em o campo , com alguém inclinado sobre ele . Viu um brilho de dentes brancos . - Oh , não , você não - gemeu . - Não sabe o que diz - afirmou Lockhart bem alto a a ansiosa multidão de Gryffindor que o comprimiam . - Não te preocupes , Harry , eu vou tratar de o teu braço . - Não - gritou Harry . - Eu fico com ele assim , obrigado . Tentou sentar se , mas a dor era enorme . Ouviu um « clique » familiar . - Não quero fotografias de isto , Colin - disse em voz alta . - Deita te para trás , Harry - insistiu Lockhart com toda_a calma . - É um encantamento muito simples que eu fiz imensas vezes . - Porque não me levam só para a ala hospitalar ? - perguntou Harry entredentes . - Seria o melhor , professor - disse a voz rouca de o Wood que não conseguia deixar de sorrir , apesar_de o seu * seeker * estar ferido . - Grande captura , Harry , verdadeiramente espectacular , a tua melhor jogada , em a minha opinião . Em o meio de a floresta de pernas que o rodeava , Harry avistou Fred e George_Weasley , metendo a * budger * perigosa em uma caixa . Continuava a dar uma luta enorme . - Para trás - ordenou Lockhart , que tinha arregaçado as mangas verde jade . - Não , eu não ... - protestou debilmente Harry , mas Lockhart tinha a varinha em a mão e , um segundo depois , apontava a para o braço de Harry . Uma sensação estranha e desagradável começou em o ombro e espalhou se , chegando a as pontas de os dedos . Parecia que o braço inteiro tinha sido esvaziado . Não foi capaz de olhar para o que estava a suceder . Tinha fechado os olhos , voltado o rosto para o outro lado , mas os seus maiores receios concretizaram se quando as pessoas lá em cima se sobressaltaram e Colin_Creevey começou a tirar fotografias como um louco . O braço deixara de lhe doer , mas parecia tudo menos um braço . - Ah ! - disse Lockhart . - Sim , bem isto às_vezes acontece . Mas o importante é_que os ossos já não estão partidos . Isso é o mais importante . Portanto , Harry , vai até a a ala hospitalar ... ah ! Mr._Weasley , Miss_Granger , poderiam levá o lá ? E Madam_Pomfrey poderá ... er ... arranjar um_pouco isso . Quando Harry se pôs de pé sentiu se estranhamente desequilibrado . Depois de respirar fundo , olhou para o lado direito e o que viu quase o fez desmaiar de_novo . Pendurado em a extremidade de a sua túnica estava o que parecia ser uma espessa e colorida luva de borracha . Tentou mexer os dedos mas ... em vão . Lockhart não consertara os ossos de Harry . Retirara os . M. dam Pomfrey não ficou nada satisfeita . - Devias ter vindo logo ter comigo - ralhou , segurando os restos tristes e moles de aquilo que antes fora um braço activo . - Eu conserto ossos em um segundo , mas fazê os crescer de_novo ... - Vai conseguir , não vai ? - perguntou Harry desesperado . - Sim , com certeza , mas vai ser doloroso - disse Madam_Pomfrey de modo severo , entregando lhe um pijama . - Vais ter que ficar cá esta noite ... Hermione esperou de o lado de_fora de a cortina que rodeava outra cama enquanto Ron ajudava Harry a vestir se . Levou algum tempo a enfiar o braço que parecia borracha dentro_de uma manga de o pijama . - Como é_que podes continuar a defender o Lockhart depois disto , Hermione ? - perguntou Ron através de as cortinas , enquanto puxava os dedos moles de o Harry por uma manga . - Se o Harry quisesse ser desossado , teria pedido . - Todos podem enganar se - disse Hermione . - E deixou de doer , não deixou , Harry ? - Sim - disse ele - mas também ficou incapaz de fazer seja o que for . Quando se meteu em a cama , o braço agitou se despropositadamente . Hermione e Madam_Pomfrey entraram . Madam_Pomfrey segurava uma grande garrafa com o rótulo * Skele - _ Gro * . - Vais ter uma noite difícil - preveniu , enchendo um pequeno copo fumegante e dando lhe a beber . - Fazer crescer ossos é uma coisa difícil . Tomar o * _ Skele - _ Gro * também . Queimou a boca e a garganta de o Harry a o descer , fazendo o tossir e cuspir . Resmungando sobre os desportos perigosos e os professores incapazes , Madam_Pomfrey retirou se , deixando Ron e Hermione a ajudar Harry a engolir um_pouco de água . - Mas ganhámos o jogo - disse o Ron com um sorriso em o rosto . - A tua jogada foi em grande . A cara de o Malfoy ... parecia que queria matar alguém . - Eu vou descobrir como é_que enfeitiçaram aquela * bludger * - disse Hermione com ar sombrio . - Podemos juntar essa pergunta a a lista de todas_as que queremos fazer a o Malfoy quando tomarmos a poção * _ Polisuco * - disse Harry , afundando se de_novo em as almofadas . - Espero que tenha um sabor melhor do_que esta coisa ... - Com um bocado de os Slytherin lá dentro , deves estar a brincar - disse o Ron . A porta de a ala hospitalar abriu se em esse momento e , completamente encharcados , entraram os restantes membros de a equipa de os Gryffindor , para ver o Harry . - Um voo inacreditável - disse George . - Acabei de ver Marcus_Flint a gritar com o Malfoy . Qualquer coisa sobre ter a * snitch * mesmo em cima de a cabeça e não ter dado por nada . O Malfoy não parecia nem um_pouco satisfeito . Tinham trazido bolos , rebuçados e garrafas de sumo de abóbora . Juntaram se em volta de a cama de Harry e estavam a dar início a o que prometia ser uma grande festa quando Madam_Pomfrey entrou a vociferar : - Este rapaz precisa de repouso . Tem trinta_e_três ossos a crescer . Fora de aqui . FORA ! E Harry ficou sozinho , sem nada que o distraísse de as dores agudas em o seu braço mole . Muitas horas mais tarde , Harry acordou subitamente em a escuridão total e soltou um pequeno grito de dor : sentia agora o braço cheio de estilhaços . Durante alguns segundos pensou que tinha sido a dor a acordá o . Depois , com um arrepio de horror , apercebeu se de que alguém estava a passar lhe uma esponja em a testa . - Sai de aqui - gritou , e em seguida : - Dobby ! Os olhos de o tamanho de bolas de ténis de o elfo doméstico estavam a olhá o em o escuro , uma lágrima grossa rolava por o seu enorme nariz . - Harry_Potter voltou a a escola - murmurou , infeliz . - Dobby avisou e voltou a avisar Harry_Potter . Ah ! senhor , porque não deu ouvidos a Dobby ? Porque não voltou Harry_Potter para_casa quando perdeu o comboio ? Harry ergueu se um_pouco , encostando se a as almofadas e afastou a esponja de o elfo . - O que estás a fazer aqui ? - perguntou . - E como sabes que eu perdi o comboio ? O lábio de Dobby tremeu e Harry foi assaltado por uma dúvida . - Foste tu . Tu impediste que a barreira nos deixasse passar . - Em a verdade fui eu , senhor - disse Dobby , acenando com a cabeça e com as orelhas a abanar . - Dobby escondeu se , esperou por Harry_Potter e selou a barreira . A seguir , Dobby teve de pôr as mãos em o ferro de engomar - mostrou a o Harry dez dedos longos embrulhados em ligaduras . - Mas Dobby não se importou , senhor , porque pensou que Harry_Potter estava a salvo e nunca Dobby sonhou que mesmo_assim ele viria para a escola ! Balançava se para a frente e para trás , sacudindo a cabeça feia . - Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry_Potter tinha voltado a a escola que deixou queimar o jantar de os seus donos . Dobby nunca tivera um castigo tão grande , senhor . Harry afundou se de_novo em as almofadas . - Quase conseguiste que nos expulsassem , a mim e a o Ron - disse furioso . - É melhor desapareceres de aqui antes que os meus ossos voltem a estar bem , Dobby , ou ainda te estrangulo . O elfo sorriu . - Dobby está habituado a ameaças de morte , senhor . Dobby recebe as cinco vezes por dia em a casa onde mora . Encostou o nariz a um canto de a fronha que usava , ficando tão ridículo que Harry sentiu a raiva desvanecer se , apesar_de tudo . - Porque usas essa coisa , Dobby ? - perguntou com curiosidade . - Isto , senhor ? - disse Dobby apontando para a fronha de almofada . - É uma prova de escravatura de o elfo doméstico , senhor . Dobby só pode ser libertado se os donos lhe derem roupa , senhor . A família tem o cuidado de não dar a o Dobby nem uma peúga , senhor , porque ele poderia ficar livre e deixar a casa para sempre . Dobby limpou os olhos protuberantes e disse subitamente : - Harry_Potter deve ir para_casa . Dobby achou que a sua * bludger * seria o suficiente para o fazer ... - A tua * bludger * ? - disse Harry com a raiva a crescer novamente dentro de ele . - Que queres tu dizer com a tua bludger * ? Foste tu quem fez com que aquela bola tentasse matar me ? - Matar não , senhor . Matar , nunca ! - disse o elho chocado . - Dobby quer salvar a vida de Harry_Potter . É melhor ir para_casa ferido do_que ficar aqui , senhor . Dobby só queria Harry_Potter suficientemente ferido para voltar para_casa . - Só isso ? - disse Harry furioso . - Imagino que não vais dizer me porque querias mandar me para_casa a os bocados ? - Ah ! se Harry_Potter soubesse ! - gemeu Dobby , com mais lágrimas a escorrerem lhe por a fronha esfarrapada . - Se pudesse saber o que significa para nós , para os humildes , os escravizados , nós , a escória social de o mundo mágico ! Dobby lembra se de como eram as coisas quando Aquele cujo nome não deve ser pronunciado estava em o auge de o poder , senhor ! Nós , os elfos domésticos éramos tratados como animais , senhor ! É claro que Dobby ainda é tratado assim - admitiu , secando o rosto em a fronha de almofada . - Mas , em a sua maioria , a vida melhorou bastante para os de a minha espécie desde_que Harry_Potter triunfou sobre Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Harry_Potter sobreviveu e o poder de os senhores de o Mal foi quebrado e veio uma nova alvorada , senhor , e Harry_Potter brilhou como um farol de esperança para aqueles de entre nós que já pensavam que a longa noite nunca mais teria fim , senhor ... e agora em Hogwarts vão acontecer coisas terríveis , talvez já esteiam a acontecer e Dobby não pode deixar Harry_Potter ficar aqui , agora_que a história vai repetir se , agora_que a Câmara_dos_Segredos está de_novo aberta . Dobby calou se horrorizado . Em seguida agarrou em o jarro de a água que Harry tinha a a cabeceira e bateu com ele em a própria cabeça , deixando se cair . Um segundo mais tarde voltou até junto de a cama , repetindo : - Mau , Dobby , muito mau , Dobby . - Quer_dizer , então , que existe mesmo a Câmara_dos_Segredos ? - murmurou Harry . - E dizes tu que já antes foi aberta ? Conta me , Dobby . Agarrou o pulso ossudo de o elfo quando a mão de ele se estendia para o jarro de a água . - Mas eu não sou filho de Muggles . Como posso estar em perigo por causa de a Câmara_dos_Segredos ? - Ah ! senhor , não pergunte a o pobre Dobby - lamentou se o elfo com os olhos enormes a brilharem em o escuro . - As forças de as trevas estão projectadas em este lugar , mas Harry_Potter não deve estar aqui quando as coisas acontecerem . Vá para_casa , Harry_Potter , vá para_casa . Harry_Potter não deve envolver se em isto , senhor , é demasiado perigoso ... - Quem é , Dobby ? - perguntou Harry , continuando a agarrar lhe o pulso com forca , impedindo que batesse de_novo em si próprio com o jarro . - Quem abriu a amara ? Quem a abriu de a última vez ? - Dobby não pode , senhor . Dobby não pode . Dobby não deve dizer - guinchou o elfo . - Vá se embora , Harry_Potter , vá se embora ! - Eu não vou para lugar nenhum - disse Harry , furioso . - Uma de as minhas melhores amigas é filha de Muggles , está em perigo se a câmara foi , de facto , aberta ... - Harry_Potter arrisca a própria vida por os amigos - gemeu Dobby em uma espécie de êxtase infeliz . - Tão nobre , tão corajoso , mas deve salvar se , Harry_Potter não deve ... Dobby calou se de repente com as orelhas de morcego a estremecerem . Harry também ouviu os passos que vinham lá fora , de o corredor . - Dobby tem de ir - balbuciou o elfo apavorado . Ouviu se um ruído e o pulso de Harry ficou subitamente fechado em o ar . Meteu se de_novo para baixo , em a cama , com os olhos fixos em a porta escura que dava entrada em a ala hospitalar enquanto os passos se aproximavam . Em o momento seguinte , Dumbledore estava a entrar , de costas , em o dormitório , vestindo uma longa túnica de lã e uma capa de noite . Transportava um extremo de aquilo que parecia ser uma estátua . A professora Mc_Gonagall surgiu um segundo mais tarde , pegando lhe em os pés . Os dois colocaram a em uma cama . - Chame Madam_Pomfrey - murmurou Dumbledore e a professora Mc_Gonagall passou por a cama de Harry , apressadamente , e desapareceu . Harry deixou se ficar muito quieto como_se estivesse a dormir . Ouviu vozes ansiosas e por fim a professora Mc_Gonagall apareceu de_novo , seguida de Madam_Pomfrey que vestia um casaco curto de lã sobre a camisa de dormir . Ouviu uma inspiração aguda . - O que aconteceu ? - murmurou Madam_Pomfrey_a_Dumbledore , inclinando se sobre a estátua que estava em a cama . - Outro ataque - disse Dumbledore . - A Minerva encontrou o em as escadas . Havia um cacho de uvas junto de ele . Acho que estava a tentar esgueirar se até aqui para vir visitar o Potter . O estômago de Harry deu uma reviravolta . Lenta e cuidadosamente ergueu se alguns centímetros para poder ver a estátua que estava sobre a cama . Um raio de luar iluminou lhe o rosto estático . Era_Colin_Creevey . Tinha os olhos abertos , e as mãos , em frente de a cara , seguravam a máquina fotográfica . -- Petrificado ? - murmurou Madam_Pomfrey . - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - Mas estou tentada a acreditar que ... se Albus não tivesse vindo cá abaixo tomar um chocolate quente ... quem sabe o que teria ... Os três olharam para Colin . Dumbledore inclinou se e retirou lhe a máquina de as mãos rígidas . - Será que ele conseguiu tirar a fotografia de o agressor ? - perguntou ansiosa a professora Mc_Gonagall . Dumbledore não respondeu . Abriu a parte detrás de a máquina . - Cruzes canhoto - disse Madam_Pomfrey . Um jacto de vapor tinha feito fervilhar a máquina . Harry , a três metros de distância , sentiu o cheiro tóxico de o plástico queimado . - Derretido - disse Madam_Pomfrey com grande espanto . - Tudo derretido . - O que significa isto , Albus ? - perguntou cada_vez_mais nervosa a professora Mc_Gonagall . - Significa - disse Dumbledore - que a Câmara_dos_Segredos está mesmo aberta outra_vez . Madam_Pomfrey levou uma mão a a boca . A professora Mc_Gonagall olhou assustada para Dumbledore . - Mas , Albus ... com certeza ... quem ? - A questão não é quem - disse Dumbledore com os olhos fixos em Colin . - A questão é como ... E pelo que Harry conseguiu ver de o rosto indistinto de a professora Mc_Gonagall , ela não compreendeu muito mais do_que ele . XI_O clube de os duelos Quando_Harry acordou , em o domingo de manhã , a enfermaria estava iluminada por um resplandecente sol de inverno e o seu braço tinha de_novo todos os ossos , apesar_de o sentir muito rígido . Sentou se rapidamente e olhou para a cama de Colin , mas ela fora isolada com as cortinas atrás de as quais se despira em a véspera . Vendo que ele tinha acordado , Madam_Pomfrey apareceu com um tabuleiro de pequeno-almoço e a seguir começou a apalpar lhe o braço e os dedos . - Tudo em ordem - disse , enquanto ele , com a mão esquerda , comia avidamente as papas de aveia . - Quando acabares de comer podes ir te embora . Harry vestiu se o mais depressa que pôde e dirigiu se a a pressa para a torre de os Gryffindor , ansioso por contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre Colin e Dobby , mas não os encontrou lá . Foi a a procura de eles , perguntando a si próprio onde teriam ido e sentindo se um_pouco magoado por o pouco interesse que demonstravam em saber se ele tinha recuperado os ossos . Quando passou por a biblioteca , Percy_Weasley vinha a sair com bastante melhor cara do_que de a última vez que se tinham encontrado . - Olá , olá , Harry - disse . - Excelente voo o de ontem , verdadeiramente sensacional . Os Gryffindor estão a a frente para a taça de a equipa . Ganhaste cinquenta pontos . - Não viste o Ron e a Hermione por aí ? - perguntou Harry . - Não , não vi - disse Percy com o sorriso a desaparecer . - Espero que o Ron não esteja outra_vez em a casa_de_banho de as raparigas ... Harry forçou um sorriso , viu Percy desaparecer e a seguir foi direitinho até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Não via lá muito bem por_que motivo o Ron e a Hermione lá estariam de_novo , mas , depois de se assegurar de que nem Filch nem nenhum de os prefeitos estavam por perto , abriu a porta e ouviu as vozes de eles que vinham de um cubículo fechado . - Sou eu - disse , fechando a porta atrás_de si . Ouviu se dentro de o cubículo um estrondo , um chapinhar e um sobressalto e ele viu o olho de a Hermione a espreitar por o buraco de a fechadura . - Harry - disse ela . - Pregaste nos um susto de morte . Entra . Como está o teu braço ? - _ óptimo - respondeu , apertando se dentro de o cubículo . Em cima de a sanita estava encarrapitado um velho caldeirão , e um crepitar a a superfície de a água disse a Harry que eles tinham acendido um fogo lá em baixo . Fazer aparecer fogos portáteis a a prova de água era uma de as especialidades de Hermione . - _ íamos visitar te , mas resolvemos começar a preparar a poção * _ Polisuco * - explicou Ron enquanto Harry fechava outra_vez a porta de o cubículo com alguma dificuldade . - Achámos que este era o lugar mais seguro para a esconder . Harry começou a contar lhes de o Colin , mas Hermione interrompeu o . - Nós já sabemos , ouvimos a professora Mc_Gonagall contar a o professor Flitwick hoje_de_manhã . Por isso resolvemos começar a ... - Quanto_mais depressa arrancarmos uma confissão a o Malfoy , melhor - rosnou o Ron . - Sabem o que eu penso ? Ele estava tão mal-humorado depois de o jogo de Quidditch que se vingou em o Colin . - Há outra coisa - disse Harry , vendo Hermione cortar molhos de verdezelha e lançá os dentro de a poção . - O Dobby foi visitar me a meio de a noite . Ron e Hermione olharam o espantados . Harry contou lhes tudo_o_que Dobby lhe dissera ... ou não dissera . Ron e Hermione ouviram o de boca aberta . - A Câmara_dos_Segredos já tinha sido aberta antes ? - repetiu Hermione . - Encaixa perfeitamente - disse Ron , em uma voz triunfante . - O Lucius_Malfoy deve ter aberto a Câmara_dos_Segredos quando andava em a escola e agora ensinou a o querido filhinho Draco como abris a . É óbvio , que pena o Dobby não te ter dito que tipo de monstro lá se encontra . Gostava de saber como é_que ninguém o viu andar por ai em a escola . - Talvez tenha a capacidade de se tornar invisível - sugeriu Hermione , picando sanguessugas para dentro de o caldeirão . - Ou talvez se disfarce , passando por uma armadura ou outra coisa de o género . Eu li umas coisas sobre vampiros camaleões ... - Tu lês de mais , Hermione - disse o Ron , deitando moscas asas de renda mortas por cima de as sanguessugas . Amarrotou o saco vazio de as asas de renda e olhou para Harry . - Então foi o Dobby que nos impediu de apanhar o comboio e te partiu o braço ... - abanou a cabeça . - Sabes o que eu acho ? Se ele não parar de tentar salvar te a vida ainda acaba por te matar . A notícia de que Colin_Creevey tinha sido atacado e estava agora em a ala hospitalar , como morto , espalhou se por toda_a escola em a segunda-feira de manhã . O ar ficou pesado e cheio de boatos e suspeitas . Os alunos de o primeiro ano começavam a andar por a escola em pequenos grupos , receando ser atacados se se aventurassem a andar isoladamente por os corredores . Ginny_Weasley , que era colega de carteira de o Colin em os encantamentos , estava perturbadíssima , mas Harry achou que Fred e George estavam a tentar animá a de a maneira errada . Revezavam se , mascarados com peles de animais e apareciam lhe subitamente detrás de as estátuas . Só pararam quando Percy , apopléctico de raiva , lhes disse que ia escrever a Mrs._Weasley a contar lhe que a Ginny andava a ter pesadelos . Enquanto isso , às_escondidas de os professores , uma panóplia de talismãs , amuletos e outros objectos de protecção ia enchendo a escola . Neville_Longbottom comprou uma enorme cebola verde que cheirava mal , um cristal pontiagudo cor de púrpura e uma cauda de tritão apodrecida antes de os outros rapazes de os Gryffindor lhe explicarem que ele não corria perigo : era um sangue puro e , portanto , muito pouco passível de ser atacado . - Eles foram a o Filch em primeiro lugar - disse Neville com o medo estampado em a cara redonda . - E toda_a_gente sabe que eu sou quase um * busca-pé * . Em a segunda semana de Dezembro , a professora Mc_Gonagall veio , como de costume , recolher os nomes de os alunos que ficavam em a escola durante o Natal . Harry , Ron e Hermione assinaram a lista . Tinham ouvido dizer que Malfoy ficava , o que lhes parecera muito suspeito . As férias seriam a altura ideal para usar a poção * _ Polisuco * e tentar arrancar lhe uma confissão . Infelizmente a poção estava a meio . Precisavam ainda de o chifre de bicórneo e o único lugar onde podiam arranjá o era em os depósitos privados de Snape . Harry , pessoalmente , preferia enfrentar o lendário monstro de os Slytherin do_que ser apanhado por o Snape a assaltar lhe o escritório . - O que precisamos - disse Hermione cheia de vivacidade quando se aproximava a aula conjunta de poções de quinta-feira a a tarde - para podermos entrar a a vontade em o escritório de o Snape , é de uma diversão . Harry e Ron olharam para ela , nervosos . - Acho que o melhor é ser eu a praticar o roubo - prosseguiu ela , em um tom perfeitamente casual . - Vocês os dois podem ser expulsos se forem apanhados e eu tenho uma folha limpa . Portanto , a única coisa que têm de fazer é distrair o Snape durante cerca de cinco minutos . Harry esboçou um meio sorriso . Provocar deliberadamente um estrago em a aula de poções de o Snape era tão seguro como ferir em um olho um dragão adormecido . As aulas de poções tinham lugar em um de os mais amplos calabouços . A de quinta-feira a a tarde não foi diferente de as outras . Vinte caldeirões fumegavam entre as secretárias de madeira , sobre as quais podia ver se laminas de latão e jarras com ingredientes . Snape deambulava por o meio de os fumos , fazendo reparos petulantes a o trabalho de os Gryffindor , enquanto os Slytherin riam a a socapa . Draco_Malfoy , que era o aluno preferido de Snape , não parava de lançar olhos de carneiro mal morto a o Ron e a o Harry , que sabiam que se retaliassem teriam um castigo , antes de poderem abrir a boca para dizer : - É injusto ! A solução de inchar de o Harry estava demasiado líquida , mas ele estava preocupado com coisas mais importantes . Esperava por o sinal de Hermione e mal deu por Snape se calar para ir espreitar a sua poção aguada . Quando o professor se voltou e foi implicar com o Neville , Hermione trocou um olhar com Harry e fez um aceno . Harry baixou se discretamente por detrás de o seu caldeirão , tirou de o bolso de trás um de os paus de fogo-de-artíficio Filibuster e deu lhe um toque de varinha . O fogo-de-artíficio começou a sibilar e a crepitar . Sabendo que tinha apenas alguns segundos , Harry endireitou se , ganhou coragem e lançou o a o ar . Aterrou certeiro em o caldeirão de o Goyle . A poção de o Goyle explodiu , salpicando toda_a aula . As pessoas gritavam , à_medida_que eram vítimas de os salpicos . Malfoy foi apanhado em a cara e o nariz começou a inchar como um balão . O Goyle tropeçava a as cegas , com as mãos em os olhos , que tinham ficado de o tamanho de pratos de sopa , enquanto o Snape tentava repor a calma e tentar perceber o que sucedera . Em o meio de a confusão , Harry viu Hermione esgueirar se a a socapa por a porta . - Silêncio ! silêncio ! - vociferou Snape . - Todos os que foram salpicados cheguem aqui para uma drenagem . Quando eu descobrir quem fez isto ... Harry fez um enorme esforço para não se rir a o ver Malfoy chegar apressadamente lá a a frente , a cabeça a tombar com o peso de o nariz , que parecia um pequeno melão . Quando metade de a aula se amontoava junto de a secretária de o Snape , alguns alunos vergados por o peso de os braços que pareciam mocas , outros incapazes de falar devido a o gigantesco inchaço de os lábios , Harry viu Hermione reentrar em o calabouço , a túnica mostrando a barriga protuberante . Quando todos os alunos tinham já tomado um gole de o antídoto e os vários inchaços tinham desaparecido , Snape precipitou se para o caldeirão de o Goyle e pescou os restos retorcidos de o fogo-de-artíficio . Houve um súbito silêncio . - Se eu descubro quem lançou isto - murmurou Snape - garanto que é expulsão por a certa . Harry compôs uma expressão de espanto . Snape olhava directamente para ele e a campainha , que tocou dez minutos mais tarde , não podia ser mais bem-vinda . - Ele soube que fui eu - disse Harry_a_Ron e a a Hermione , enquanto se dirigiam apressadamente para a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Tenho a certeza . Hermione lançou o novo ingrediente em o caldeirão e começou a mexer furiosamente . - Isto vai estar pronto dentro_de quinze_dias - afirmou , satisfeita . - O Snape não pode provar que foste tu - assegurou Ron , tranquilizando Harry . - Que pode ele fazer ? - Conhecendo o Snape , qualquer coisa louca - respondeu Harry , enquanto a poção borbulhava e espumava . Uma semana mais tarde , Harry , Ron e Hermione passavam por o vestíbulo de entrada , quando viram um pequeno grupo de pessoas reunidas em volta de o jornal de parede a lerem um pedaço de pergaminho que tinha acabado de ser afixado . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas acenaram lhes , entusiasmados . - Vão lançar um clube de duelos ! - exclamou Seamus . - Hoje a a noite é a primeira reunião . Eu não me importaria nada de ter aulas de duelo , podem vir a ser úteis um dia de estes ... - Porquê ? Achas que o monstro de os Slytherin sabe esgrimir ? - perguntou o Ron , mas , também ele , leu a notícia com interesse . - Pode ser útil - disse a o Harry e a a Hermione , quando foram jantar . - Vamos lá ? Harry e Hermione acharam óptimo , por isso , a as oito_da_noite voltaram a o salão . As longas mesas de refeição tinham desaparecido e um estrado dourado surgira , encostado a a parede . Sobre ele flutuavam milhares de velas . O tecto era , mais_uma_vez , de veludo negro e parecia que quase todos os alunos de a escola se encontravam ali , com as suas varinhas em a mão e com um ar entusiasmado . - Quem será que vai ensinar nos ? - perguntou Hermione , enquanto se misturavam em a multidão barulhenta . - Ouvi dizer que o Filitwick foi campeão de duelo em a juventude , talvez seja ele . - Desde_que não seja ... - começou Harry , mas terminou em um gemido : Gilderoy_Lockhart estava a subir a o estrado , resplandecente em as suas vestes cor de ameixa , acompanhado , nem mais nem menos , do_que de Snape que trajava , como sempre , de negro . Lockhart levantou um braço , pedindo silêncio , bradando : - Aproximem se , aproximem se , conseguem todos ver me e ouvir me ? Excelente ! - O professor Dumbledore deu me autorização para iniciar este pequeno curso de duelo para vos treinar a todos , caso algum dia precisem de se defender , como eu tenho feito em inúmeras ocasiões ; para mais detalhes , leiam os livros que tenho publicados . - Permitam que vos apresente o meu assistente , o professor Snape - disse Lockhart , abrindo um sorriso de orelha a orelha . - Ele diz me que sabe alguma coisa sobre duelos e aceitou desportivamente ajudar me em uma exibição de demonstração , antes de começarmos . Atenção , não quero que os mais novos fiquem preocupados , vão continuar a ter o vosso professor de poções depois de eu o vencer . Não tenham medo . - Não era óptimo se se liquidassem um_ao_outro ? - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . O lábio inferior de Snape estava curvo . Harry interrogou se sobre o motivo por_que Lockhart continuava a sorrir . Se o Snape olhasse de aquela maneira para ele , Harry estaria a correr a_toda_a velocidade para o mais longe possível . Lockhart e Snape voltaram se um para o outro e fizeram uma vénia , pelo_menos Lockhart fê la com muitas reviravoltas de mãos , enquanto Snape acenava , irritado , com a cabeça . Em seguida , ergueram as varinhas , como_se fossem espadas , em a frente . - Como podem ver , estamos a pegar em as varinhas em a posição de aceitação de combate - explicou Lockhart a a multidão silenciosa . - Quando contarmos até três , lançaremos os primeiros feitiços . Nenhum de nós tentará matar o outro , claro . - Eu não poria as mãos em o fogo - murmurou Harry , observando como Snape cerrava os dentes . -- Um , dois , três ... Os dois balançaram as varinhas acima de os ombros . Snape gritou : * _ Expelliarmus * ! Houve um clarão ofuscante de luz escarlate e Lockhart voou para trás , caindo de o estrado batendo contra a parede , escorregando e indo estatelar se em o chão . Malfoy e alguns de os outros Slytherin aplaudiram . Hermione estava em bicos de os pés . - Acham que ele está bem ? - gritou entredentes . - Quem se rala ? - disseram ao_mesmo_tempo o Ron e o Harry . Lockhart estava a pôr se , hesitante , de pé . O chapéu caíra lhe e o cabelo ondulado estava em um desalinho . - Bem , cá está ! - disse , cambaleando até a o estrado . - Este foi um encantamento para desarmar . Como podem ver , perdi a minha varinha . Ah , obrigado Miss_Brown . Sim , foi uma excelente ideia mostrar lhes isto , professor Snape , mas , se me permite que lhe diga , foi muito óbvio o que ia fazer . Se eu tivesse querido impedis o , teria o feito com a maior de as facilidades . Mas achei que seria educativo deixá os ver ... Snape tinha um ar assassino . Provavelmente Lockhart deu por isso , porque declarou : - Chega de demonstrações . Eu vou passar agora por o meio de vocês e criar duplas . Professor_Snape , se quiser ajudar me ... Entraram por o meio de a multidão , agrupando alunos . Lockhart pôs o Neville com Justin_Finch - _ Fletchley , mas Snape chegou primeiro junto de Harry e de Ron . - Tempo de separar a dupla ideal , parece me - rosnou . - Weasley , tu podes ficar com o Finnigan . Potter ... Harry voltou se automaticamente para Hermione . - Não me parece - disse Snape com o seu sorriso frio . - Mr._Malfoy , venha até aqui . Vamos ver o que faz com o famoso Potter . E a menina , Miss_Granger , pode emparceirar com Miss_Bulstrode . Malfoy aproximou se com o seu passo empertigado e o seu sorriso escarninho . Atrás de ele vinha uma rapariga de os Slytherin , que lembrou a Harry uma imagem que tinha visto em as * _ Férias com Bruxas_Velhas * . Era corpulenta e quadrada e os maxilares avançavam agressivamente . Hermione esboçou um meio sorriso , que ela não retribuiu . - Voltem se para os vossos parceiros - gritou Lockhart - e façam a vénia . Harry e Malfoy mal inclinaram as cabeças , não afastando os olhos um de o outro . - Varinhas preparadas ! - gritou Lockhart . - Quando eu disser três preparem os feitiços para desarmar o vosso opositor . Um ... dois ... três ... Harry levantou a varinha acima de o ombro , mas Malfoy começara logo em o « dois » : o seu feitiço apanhou Harry com tanta força que ele se sentiu como_se tivesse levado com uma frigideira em a cabeça . Tropeçou , mas ainda não estava fora de combate e , sem perder tempo , Harry apontou a varinha a Malfoy e gritou : - * _ Rictusempra ! * Um jacto de luz prateada atingiu Malfoy em o estômago , obrigando o a dobrar se , arfando . - Eu disse desarmar ! - gritava Lockhart sobre as cabeças de a multidão em lata , enquanto Malfoy caía de joelhos . Harry atingira o com o feitiço de as cócegas e ele mal conseguia mexer se para se rir . Harry hesitou com o vago sentimento de que seria pouco desportivo enfeitiçar Malfoy enquanto ele estava caído em o chão , mas ... foi um erro . Tentando respirar , Malfoy apontou a varinha a os joelhos de Harry , balbuciando : « * _ Tarantallegra ! * » e , um segundo depois , as pernas de o Harry tinham começado a mexer se , sem que ele pudesse controlá as , executando uma espécie de dança frenética . - Parem , parem - gritava Lockhart , quando Snape resolveu tomar controlo de a situação . - * _ Finite_Incantatem ! * - bradou . Os pés de o Harry pararam de dançar , Malfoy parou de rir e puderam olhar para_cima . Uma onda de fumo esverdeado pairava sobre todos eles . Neville e Justin estavam caídos em o chão , a arfar . Ron tentava fazer parar um Seamus com cara cor de cinza , pedindo lhe mil desculpas por o que a sua varinha partida eventualmente tivesse feito . Mas Hermione e Millicent_Bulstrode ainda não tinham acabado . Millicent tinha feito a Hermione uma prisão de cabeça e Hermione gritava de dor . As duas varinhas jaziam esquecidas em o chão . Harry deu um salto em frente e afastou Millicent . Não foi fácil , ela era bastante maior do_que ele . - Oh , gente ! - exclamou Lockhart , arrastando se por o meio de a multidão e olhando para os resultados de os duelos . - Vamos pôr de pé , Mcmillan ... cuidado , Miss_Fawcett ... belisque com força que pára logo de sangrar ... - Acho que o melhor é ensinar vos como bloquear feitiços pouco amigáveis - afirmou Lockhart que estava nervosíssimo em o meio de o salão . Olhou para Snape , cujos olhos pretos brilhavam e desviou rapidamente o olhar . - Vamos arranjar um par de voluntários . Longbottom e Finch - _ Fletchley , que tal serem vocês ? - Uma má ideia , professor Lockhart - disse Snape , deslizando como um morcego enorme e cruel . - Longbottom provoca devastação com o feitiço mais simples . Ainda temos de mandar o que restar de o Finch - _ Fletchley para a ala hospitalar dentro_de uma caixa de fósforos . - A cara redonda e rosada de Neville ficou ainda mais rosada . - Que tal o Malfoy e o Potter ? - sugeriu Snape com um sorriso retorcido . - Excelente ideia - disse Lockhart , fazendo sinal a os dois para que se aproximassem de o meio de o salão , enquanto a multidão recuava para lhes dar passagem . - Ouve bem , Harry - disse Lockhart . - Quando o Draco te apontar a varinha , tu fazes assim . Levantou a sua varinha , executando uma tentativa complicada de malabarismo e deixou a cair . Snape sorriu pretensiosamente , enquanto Lockhart a apanhava de o chão , dizendo : - Ups , a minha varinha está demasiado excitada . Snape aproximou se de Malfoy , inclinou se e disse lhe qualquer coisa a o ouvido . Malfoy sorriu também de forma afectada . Harry olhou , nervoso , para Lockhart e pediu : - Professor , podia mostrar me outra_vez aquela coisa para bloquear ? - Estás com medo ? - murmurou Malfoy baixinho , para que Lockhart não pudesse ouvir . - Querias ! - exclamou Harry por o canto de a boca . Lockhart deu um soco em o ombro de o Harry , em a brincadeira . - Basta que faças como eu fiz ! - O quê , deixar cair a varinha ? Mas Lockhart não estava a ouvir - Três , dois , um , zero ! - gritou . Malfoy levantou rapidamente a varinha a o ar e gritou : - * _ Serpensortia ! * A extremidade de a varinha explodiu . Harry viu , horrorizado , uma enorme serpente negra sair de ela , cair pesadamente em o chão a meio de os dois e erguer se disposta a atacar . Ouviram se gritos , enquanto a multidão se afastava , deixando o chão vazio . - Não te mexas , Potter - disse Snape vagarosamente , divertindo se claramente a ver Harry , parado , a olhar em os olhos a serpente . - Eu trato de ela ... - Permita me -- gritou Lockhart . Bramiu a varinha em direcção a a serpente e ouviu se um estoiro . A cobra , em_vez_de desaparecer , voou três metros acima de eles e voltou a cair em o chão com um estrondo enorme . Enraivecida , a sibilar de fúria , rastejou em direcção a Finch - _ Fletchley e pôs se de pé com os dentes a a mostra , pronta a atacar . Harry não soube ao_certo o que o levou a fazer aquilo . Não se lembrava sequer de ter tomado aquela decisão . Só soube que as pernas o fizeram avançar como_se tivesse rodas e que gritou a a serpente : - Larga o ! - E , milagrosa e inexplicavelmente , a serpente voltou a o chão , dócil como uma grande mangueira de jardim , preta e grossa , os olhos agora fixos em os olhos de Harry . Harry sentiu o medo a escoar se . Sabia que a cobra não atacaria mais ninguém , embora não pudesse explicar como sabia . Olhou para Justin a sorrir , esperando vê o aliviado , espantado , ou mesmo agradecido , mas nunca zangado ou assustado . - Que brincadeira é essa ? - gritou o outro e , antes que Harry tivesse tempo de dizer fosse o que fosse , voltou as costas e saiu de o salão . Snape deu um passo em frente , fez um gesto com a varinha e a serpente desapareceu em uma onda de fumo preto . Também ele , Snape , olhava para Harry de uma forma inesperada . Era um olhar arguto e calculista , de que Harry não gostou . Apercebeu se também vagamente de um murmúrio ameaçador que vinha de as paredes em volta . Depois , sentiu um puxão em a túnica . - Vamos - disse a voz de o Ron em o seu ouvido . - Mexe te , vá lá ... Ron arrastou o para fora de o salão . Hermione acompanhava os em a passada rápida . Quando cruzaram a porta , as pessoas que a rodeavam afastaram se , como_se tivessem medo de ser contagiadas . Harry não fazia a mais pequena ideia do_que estava a passar se e , nem Ron , nem Hermione lhe deram qualquer explicação , antes de o terem levado até a a sala comum de os Gryffindor , que se encontrava vazia . Aí , Ron empurrou Harry para uma cadeira de braços e disse : - Tu és um * serpentês * . Porque não nos disseste ? - Eu sou um quê ? - perguntou Harry . - Um * serpentês * ! - exclamou o Ron . - Falas com as cobras . - Eu sei - declarou Harry . - Quer_dizer , esta foi a segunda vez que o fiz . A outra foi há muito_tempo em o jardim zoológico , quando soltei uma Boa_Constrictor a o meu primo Dudley . É uma longa história , mas ela estava a dizer me que nunca tinha estado em o Brasil e eu acho que a libertei sem querer . Foi antes de saber que era feiticeiro . . . - Uma Boa_Constrictor disse te que nunca tinha estado em o Brasil ? - repetiu Ron , quase sem voz . - E então ? - disse o Harry . - Aposto que montes de pessoas aqui fazem o mesmo . - Não fazem , não - afirmou Ron . - Não é um dom muito frequente . Harry , isso é mau . - O que é_que é mau ? - perguntou Harry , que começava a ficar chateado . - O que é_que se passa com todos os outros ? Ouve bem , se eu não tivesse dito a aquela cobra para não atacar o Justin ... - Ah , foi isso que tu disseste ? - Que queres dizer ? Tu estavas lá , ouviste perfeitamente o que eu disse . - Eu ouvi te falar em serpentês - disse o Ron . - Língua de cobra . Podias estar a dizer lhe qualquer coisa . Não admira que o Justin tivesse entrado em pânico . Parecia que estavas a incitar a serpente . Foi assustador , sabes ? Harry olhou para ele espantado . - Eu falei uma língua diferente ? Mas não me apercebi , como posso falar uma língua , sem saber que a conheço ? Ron abanou a cabeça . Tanto ele como Hermione tinham um ar fúnebre . Harry não percebia o que havia em aquilo de tão trágico . - Será que me querem explicar o que há de mal em ter impedido que uma serpente enorme arrancasse a cabeça a o Justin ? - perguntou . - Porque é tão importante como o fiz , se evitei que o Justin fosse juntar se a grupo de os SEM_CABEÇA ? - Importa - disse por fim Hermione , em uma voz abafada . - Porque falar com serpentes era a arte por a qual Salazar_Slytherin ficou famoso . Por isso , o símbolo de os Slytherin é uma serpente . Harry ficou de boca aberta . - Exacto - disse o Ron . - E agora todos em a escola vão pensar que tu és descendente de ele . - Mas não sou - contrapôs Harry com um pânico que não conseguia explicar . - Não vai ser fácil prová o - disse Hermione . - Ele viveu há quase mil anos . Pelo que vimos , podias ser . Em essa noite , Harry ficou acordado durante horas . Por uma fresta de os cortinados de a cama de dossel , olhou para a neve que começava a cair de o lado de_fora de a janela de a torre e perguntou se se poderia ser descendente de Salazar_Slytherin . Afinal , não sabia nada de a família de o pai , os Dursley tinham sempre proibido qualquer pergunta sobre os seus familiares feiticeiros . Calmamente , tentou dizer qualquer coisa em * serpentês * , mas as palavras não saíam . Parecia que era necessário estar frente_a_frente com uma cobra para poder fazê o . Mas eu sou um Gryffindor , pensou Harry , o chapéu seleccionador não me poria aqui se eu tivesse sangue de Slytherin ... - Ah ! - disse uma vozinha dentro de o seu cérebro . - Mas o chapéu seleccionador queria pôr te em os Slytherin , não te lembras ? Harry deu voltas e voltas a a cabeça . Em o dia seguinte , quando visse Justin em a aula de herbologia explicaria lhe que estava a afastar a serpente , não a atiçá a o que , aliás , pensou zangado , dando vários socos em a almofada , qualquer idiota teria percebido . Contudo , em a manhã seguinte , a neve que começara a cair durante a noite , transformara se em uma tempestade tão espessa que a última aula de herbologia de o período foi cancelada : a professora Sprout queria tapar as mandrágoras com peúgas e cachecóis , uma operação arriscada que ela não confiava a ninguém agora_que era tão importante que as mandrágoras crescessem depressa e reabilitassem Mrs._Norris e Colin_Creevey . Junto de a lareira de a sala comum de os Gryffindor , Harry matutava sobre o que se passara enquanto Ron e Hermione aproveitavam o foro para jogar xadrez de feitiçaria . - Com os diabos , Harry - disse Hermione exasperada quando um bispo derrubou um de os cavaleiros de o cavalo , arrastando o para fora de o tabuleiro . - Vai falar com o Justin , se isso é assim tão importante para ti . Harry levantou se e saiu por o buraco de o retrato , perguntando a si próprio onde poderia estar o Justin . O castelo estava mais escuro do_que era habitual durante o dia por causa de a neve espessa e cinzenta que cobria as janelas . A tremer , Harry passou por as salas onde estava a haver aulas , captando lampejos do_que sucedia lá dentro . A professora Mc_Gonagall gritava com alguém que , segundo lhe parecia por o som , transformara o parceiro em um texugo . Resistindo a a tentação de dar uma espreitadela , Harry afastou se pensando que Justin poderia estar a utilizar o tempo de o furo para fazer algum trabalho e resolveu , por isso , ir até a a biblioteca . Um grupo de alunos de os Hufflepuff , que deveriam ter estado em Herbologia , encontrava se , de facto , sentado em as traseiras de a biblioteca , mas não parecia estar a trabalhar . Entre as fileiras de as estantes altas , Harry pôde ver as suas cabeças muito juntas em aquilo que deveria ser uma conversa absorvente . Não conseguia perceber se Justin estaria em o meio de eles . Ia para se aproximar quando apanhou em o ar uma frase e parou para ouvir melhor , escondido em a secção de a invisibilidade . - Portanto - dizia um rapaz corpulento - eu disse a o Justin para se esconder em o nosso dormitório . Isto_é , se o Potter o escolheu como próxima vítima é melhor que ele tenha um * low profile * durante algum tempo . É claro que o Justin já estava a a espera que alguma coisa de o género acontecesse desde_que lhe escapou em uma conversa com o Potter que era filho de Muggles . O Justin disse lhe , inclusivamente , que tinha estado inscrito em Eton . Não é o tipo de coisa que se ande a dizer com o herdeiro de Slytherin a a solta por aí . - Achas mesmo_que é o Potter , Ernie ? - perguntou uma rapariga de tranças loiras , ansiosamente . - Hannah - disse com solenidade o rapaz corpulento . - Ele é um serpentês . Todos sabem que essa é a marca de um feiticeiro negro . Alguma vez ouviste falar de um feiticeiro decente que falasse com as cobras ? O Slytherin era conhecido por « Língua de serpente . . Houve alguns murmúrios antes de Ernie prosseguir : - Lembram se do_que estava escrito em a parede ? * _ Inimigos de o herdeiro , cuidado ! * . O Potter teve que ir a o gabinete de o Filch . E o que é_que acontece a seguir ? A gata de o Filch é atacada . O aluno de o primeiro ano , Creevey , estava a aborrecê o em a partida de Quidditch , a tirar lhe fotografias quando ele estava caído em a lama . E o que é_que acontece a seguir ? Creevey é atacado . - Mas ele parece sempre ser tão simpático - disse Hannah , cheia de dúvidas . - E , bem , foi ele que fez com que o Quem nós sabemos desaparecesse . Não pode ser assim tão mau , pois não ? Ernie baixou misteriosamente a voz . Os Hufflepuff inclinaram se mais uns para os outros e Harry aproximou se para conseguir apanhar as palavras de o Ernie . - Ninguém sabe como ele sobreviveu a aquele ataque de o Quem nós sabemos e , afinal , ainda era um bebé quando aquilo aconteceu . Era para ter explodido feito em estilhaços . Só um feiticeiro negro verdadeiramente poderoso teria sobrevivido a uma maldição de aquelas . - Baixou ainda mais a voz até esta ficar reduzida a um leve murmúrio e disse : - Talvez fosse por isso que o Quem nós sabemos o queria matar , para não ter outro feiticeiro negro a competir com ele . Gostava de saber que outros poderes ocultos terá o Potter . Harry não aguentou mais . Pigarreou alto e saiu detrás de as estantes . Se não estivesse tão zangado teria conseguido ver o lado cómico de a situação : cada_um de os Hufflepuff olhava para ele como_se tivesse sido petrificado , e a cor desaparecera de a cara de o Ernie . - Olá - disse Harry . - Estou a a procura de o Justin_Finch - _ Fletchley . Os piores receios de os Hufflepuff tinham se concretizado . Olharam apavorados para o Ernie . - O que queres de ele ? - perguntou Ernie em uma voz sumida . - Explicar lhe o que aconteceu com aquela cobra em o clube de os duelos - disse Harry . Ernie mordeu os lábios brancos e , em seguida , respirando fundo , respondeu : - Estávamos lá todos . Vimos o que aconteceu . - Então viram que depois de eu falar a serpente recuou - disse Harry . - O que eu vi - insistiu teimosamente Ernie , apesar_de tremer a cada palavra que proferia - foi tu a falares serpentês e a atiçares a cobra conta o Justin . - Eu não a aticei - gritou Harry enraivecido . - Ela nem lhe tocou . - Falhou por_pouco - disse Ernie . - E , para o caso de estares com ideias - acrescentou com má cara - posso dizer te que a minha família provem de nove gerações de bruxas e feiticeiros e que o meu sangue é tão puro como o de qualquer feiticeiro , portanto ... - Quero lá saber qual é o teu sangue - disse Harry furioso . - Porque iria eu atacar os filhos de os Muggles ? - Ouvi dizer que detestas os Muggles com quem vives - disse Ernie rapidamente . - Não é possível viver com os Dursley sem os detestar - explicou Harry . - Gostava de te ver lá em casa . Girou sobre os calcanhares e saiu furioso de a biblioteca sob o olhar reprovador de Madam_Prince que limpava a capa dourada de um enorme livro de encantamentos . Harry avançou a as cegas por os corredores , quase sem ver por_onde ia de tão furioso que estava . O resultado foi chocar com algo enorme e sólido que o fez recuar e cair a o chão . - Ah ! Olá , Hagrid - disse , olhando para_cima . Hagrid tinha o rosto completamente tapado com um lenço coberto de neve , mas não podia ser mais ninguém , enchendo assim o corredor dentro de o seu sobretudo de pele de toupeira . De uma de as enormes mãos enluvadas , pendia um galo morto . - Tudo bem , Harry ? - perguntou , afastando o lenço para poder falar . - Porque não estás em a aula ? - Foi cancelada - disse Harry , pondo se de pé . - O que estás a fazer aqui ? Hagrid mostrou lhe o galo inerte . - É o segundo qu'aparece morto este período - explicou . - Ou são raposas ou um vampiro chato e eu preciso d'autorização de o director p'ra fazer um feitiço em volta de a capoeira . Aproximou se e olhou mais de perto para o Harry , por debaixo de as suas sobrancelhas espessas e cheias de neve . - Tens a certeza que estás bem ? Pareces exaltado e preocupado . Harry não foi capaz de repetir o que Ernie e os outros Hufflepuff lhe tinham dito . - Não é nada , tenho de ir , Hagrid . A próxima aula é Transfiguração e preciso de ir buscar os meus livros . Afastou se , a cabeça cheia com tudo_o_que Ernie dissera a seu respeito . « * _ O_Justin já estava d espera que uma coisa de o género acontecesse desde_que deixou escapar , falando com o Potter , que era filho de Muggles * ... » Harry subiu as escadas a correr e entrou por um corredor que estava particularmente escuro . As tochas tinham sido apagadas por uma ventania gelada que entrava por uma janela de fecho estragado . Estava a meio de o corredor quando tropeçou em uma coisa que se encontrava em o chão . Olhou para ver o que era e sentiu como_se o estômago se tivesse dissolvido . Justin_Finch - _ Fletchley estava em o chão , rígido e frio com uma expressão de horror em o rosto e os olhos abertos voltados para o tecto . E não era tudo . Junto de ele estava mais alguém , a visão mais estranha que Harry tivera em toda_a sua vida . Era_o_Nick quase sem cabeça que não estava cor de pérola nem transparente e sim escuro como fumo . Flutuava imóvel , em a horizontal , 12 centímetros acima de o chão , a cabeça meio tombada e em o rosto uma expressão de choque idêntica a a de o Justin . Harry pôs se de pé com a respiração acelerada e o coração a bater como um tambor contra as costelas . Olhou desvairado para ambos os lados de o corredor deserto e viu uma fila de aranhas que corriam a_toda_a velocidade em a direcção oposta a a de os corpos . Os únicos sons eram as vozes abafadas de os professores em as aulas que decorriam de ambos os lados . Podia fugir e ninguém saberia que ali tinha estado , mas não era capaz de os abandonar assim . Tinha de ir procurar ajuda . Será que alguém acreditaria que ele não tivera nada que ver com aquilo ? Enquanto ali estava , em pânico , uma porta a o seu lado abriu se com grande estrondo . Peeves , o * poltergeist * , saiu a os gritos . - Oh ! É o Potter , olá , Potter - alardeou Peeves , lançando por o ar os óculos de o Harry quando passou por ele . - O que está o Potter a fazer ? Porque está o Potter escondido ? Peeves passou de cabeça para baixo , a meio de uma cambalhota em o ar , quando viu Justin e Nick quase sem cabeça . Com um movimento súbito endireitou se , encheu os pulmões de ar e , antes que Harry pudesse impedi o , gritou : __ ataque ! ataque ! outro ataque ! nenhum mortal ou fantasma está em segurança . corram , fujam , __ ataaaque ! Crac , Crac , Crac . Uma atrás de a outra , foram se abrindo todas_as portas a o longo de o corredor e as pessoas saíram para fora de as salas de aula . Durante alguns longos minutos houve uma tal confusão que Justin esteve em perigo de ser esmagado e as pessoas não paravam de chocar com o Nick quase sem cabeça . Harry deu por si colado a a parede enquanto os professores exigiam a os gritos que se fizesse silêncio . A professora Mc_Gonagall veio a correr , seguida por todos os alunos , um de os quais ainda trazia o cabelo a as riscas pretas e brancas . Usou a varinha para produzir um ruído que repôs o silêncio e mandou os alunos todos para dentro de as salas de aula . Mal lugar ficou desimpedido surgiu Ernie , o jovem Hufflepuff . - * _ Apanhado em flagrante ! * - gritou , com o rosto totalmente branco , apontando dramaticamente o dedo par Harry . - Basta_Mcmillan - disse , de forma cortante , a professora Mc_Gonagall . Peeves andava para_cima e para baixo , observando a cena com um sorriso maldoso . Sempre adorara o caos . Quando os professores se inclinaram sobre Justin e sobre o Nick quase sem cabeça para os examinar , iniciou uma cantilena : * _ Oh ! Potter , que fizeste , seu grande bandido * _ Tu matas os estudantes porque achas divertido . * - Basta , Peeves - rosnou a professora Mc_Gonagall e Peeves afastou se , deitando a língua de_fora a o Harry . Justin foi levado para a ala hospitalar por o professor Flitwick e por o professor Sinistra_do_Departamento_de_Astronomia , mas ninguém parecia saber o que fazer em relação a o Nick quase sem cabeça . Por fim , a professora Mc_Gonagall fez aparecer em o ar um enorme leque que entregou a Ernie com o encargo de conduzir , escadas acima , por os ares o Nick quase sem cabeça . Ernie assim fez , soprando Nick como_se fosse um aerodeslizador e deixando , de este modo , o Harry e a professora Mc_Gonagall a sós . - Por aqui , Potter - disse ela . - Professora , eu juro que não ... - Isso não é comigo , Potter - afirmou a professora Mc_Gonagall sinteticamente . Caminharam em silêncio até uma esquina e ela parou perante uma gárgula de pedra extremamente feia . - Refresco de limão - disse . Era obviamente uma senha porque a gárgula animou se subitamente e saltou para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes . Apesar_de estar apavorado com o que ia acontecer a seguir , Harry não conseguiu evitar um sentimento de fascínio . Por detrás de a parede estava uma escada em espiral que se movia lentamente para_cima como um elevador . E quando ele e a professora Mc_Gonagall puseram os pés em o primeiro degrau , Harry ouviu a parede fechar se atrás de eles . Subiram em círculos , cada_vez_mais alto até que , por fim , um_pouco tonto , Harry pôde ver uma porta de carvalho reluzente com um puxador de bronze em forma de abutre . Harry calculava onde estava a ser levado . Devia ser ali que morava Dumbledore . XII_A poção * polisuco * Saltaram de a escada de pedra lá mesmo em cima e a professora Mc_Gonagall bateu a a porta . Ela abriu se silenciosamente dando lhes entrada . A professora Mc_Gonagall disse lhe que esperasse e deixou o sozinho . Harry olhou em volta . Uma coisa era certa : de todos o escritórios de professores que conhecia , o de Dumbledor era , de longe , o mais interessante . Se não estivesse com um medo de morte de ser expulso teria adorado explorá o . Era uma sala grande e bonita em forma de círculo que estava cheia de barulhinhos estranhos . Havia um grande número de instrumentos prateados sobre várias mesas de pernas finas que zumbiam emitindo pequenas baforadas de fumo . As paredes estavam cobertas de fotografias de antigos directores e directoras , todos eles a dormir tranquilamente em as suas molduras . Havia ainda uma enorme secretária pés de garra . E , sobre uma prateleira atrás de ela , um chapéu de feiticeiro andrajoso e puído : * o chapéu seleccionador * . Harry hesitou . Lançou um olhar cauteloso a as bruxas e feiticeiros adormecidos a o longo de as paredes . Com certeza não fazia mal se lhe pegasse e o experimentasse só para ver ... só para ter a certeza de que ele o pusera em a equipa certa . Deu a volta a a secretária , retirou o chapéu de a prateleira e baixou o lentamente sobre a cabeça . Era demasiado grande e escorregou lhe para os olhos como de a outra_vez que o tinha posto . Harry olhou para o forro preto , enquanto esperava . Por fim , uma vozinha disse lhe a o ouvido : - Estás com macaquinhos em o sótão , Harry_Potter ? - Er ... sim - balbuciou Harry . - Er ... desculpa incomodar te , queria saber ... - Querias saber se te pus em a equipa certa - disse prontamente o chapéu . - Sim ... tu és particularmente difícil de seleccionar , mas eu mantenho o que disse antes . - O coração de Harry deu um salto . - Terias ficado bem em os Slytherin . Harry sentiu o estômago contorcer se . Agarrou o chapéu por a aba e tirou o de a cabeça . O chapéu seleccionador ficou pendurado em a mão de ele , inerte , desbotado e sujo . Harry voltou a pô o em a prateleira , sentindo se enjoado . - Estás enganado ! - disse em voz alta a o chapéu parado e silencioso , mas ele não se mexeu . Harry recuou para o observar melhor e foi então que ouviu um ruído estranho e grasnado atrás_de si que o fez dar uma volta . Não estava só , afinal_de_contas . Em um poleiro dourado atrás de a porta estava um pássaro de aspecto decrépito que parecia um peru meio depenado . Harry olhou para ele espantado e o pássaro olhou o também , grasnando de_novo . Harry achou que ele devia estar muito doente porque tinha os olhos parados e , enquanto olhava para ele , caíram lhe mais algumas penas de a cauda . Estava justamente a pensar que a única coisa que lhe faltava era que o pássaro de estimação de Dumbledore morresse quando ele estava ali sozinho com ele , em o escritório , quando a ave se incendiou . Harry gritou , em estado de choque , e recuou até a a secretária . Olhava nervosamente em volta , em busca de um jarro de água , mas não viu nenhum . O pássaro , entretanto , transformara se em uma bola de fogo , dera um guincho e , em seguida , desaparecera , deixando apenas um monte de cinzas em o chão . A porta de o escritório abriu se . Dumbledore entrou com ar taciturno . - Professor - gaguejou Harry . - O seu pássaro ... eu não pode fazer nada ... ele incendiou se . Para seu grande espanto , Dumbledore sorriu . - Já não era sem tempo . Estava com um aspecto horrível em os últimos dias . Fartei me de lhe dizer que fizesse qualquer coisa . Riu se entre dentes com a expressão em o rosto de Harry . - A Fawkes é uma fénix , Harry . As fénix ardem quando é altura de morrer e renascem de as cinzas , repara ... Harry olhou mesmo a_tempo_de ver um passarinho recém-nascido , todo enrugado , espetar a cabeça fora de as cinzas . Era quase tão feio como o antigo . - É uma pena que a tenhas conhecido em dia de arder - disse Dumbledore , passando para trás de a secretária . - É muito bonita a maior parte de o tempo , com uma plumagem vermelha e dourada . São criaturas fascinantes , as fénix . Podem transportar cargas pesadíssimas , as suas lágrimas têm propriedades curativas e são animais de estimação extremamente fiéis . Com o choque de a fénix a pegar fogo , Harry esquecera se de o motivo porque ali estava , mas tudo voltou rapidamente quando Dumbledore se instalou em a cadeira de espaldar alto e o fixou com os seus olhos azuis e penetrantes . Contudo , antes que ele tivesse tido tempo de falar , a porta de o escritório abriu se de par em par com um enorme estrondo e Hagrid entrou com um olhar tresloucado , o lenço todo torcido em volta de a cabeça hirsuta e o galo morto ainda pendurado em a mão . - Não foi Harry , professor Dumbledore - disse , aflito . - Eu tinha estado a falar com ele poucos segundos antes de o rapazinho ser encontrado , ele não teve tempo professor ... Dumbledore tentou dizer qualquer coisa , mas Hagrid continuou , abanando o galo em o meio de a sua agitação e espalhando penas por todo o lado . - Não pode ter sido ele . Eu juro em a frente de o ministro de a magia , se for preciso ... - Hagrid , eu ... -- Tem o rapaz errado , professor . Eu sei qu'o Harry nunca ... - Hagrid - disse Dumbledore , elevando a voz . - Eu não penso que o Harry tenha atacado aquelas pessoas . - Oh ! - disse Hagrid , com o galo pendendo inerte a o seu lado . - Certo , ' tão eu espero lá fora , director . E saiu com ar envergonhado . - O senhor não acha que tenha sido eu ? - repetiu Harry cheio de esperança , enquanto Dumbledore sacudia penas de galo de cima de a secretária . - Não , Harry , não acho - afirmou Dumbledore , apesar de a sua expressão ser de_novo sombria . - Mas mesmo_assim quero falar contigo . Harry esperou ansiosamente enquanto o director o observava com as pontas de os dedos longos unidas . - Tenho de saber uma coisa . Harry , há alguma pergunta que queiras fazer me , qualquer que ela seja ? Harry não soube o que dizer . Lembrou se de Malfoy a gritar * _ Vocês serão os próximos , sangues de lama * e de a poção * _ Polisuco * em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Depois pensou em a voz sem corpo que ouvira duas vezes e em o que o Ron dissera * _ Ouvir vozes que ninguém mais ouve não é bom sinal , nem mesmo em o mundo de a feitiçaria * . Pensou também em o que toda_a_gente dizia de ele e em o receio cada_vez maior de ter uma relação qualquer com Salazar_Slytherin ... - Não - disse por fim . - Não há nada , professor . O ataque duplo a Justin e a o Nick quase sem cabeça transformou o que até_então era nervosismo em verdadeiro pânico . Curiosamente fora o destino de o Nick quase sem cabeça o que mais preocupara as pessoas . Quem poderia ter feito aquilo a um fantasma ? - perguntavam uns a os outros . - Que poder terrível era aquele , capaz de afectar alguém que já tinha morrido ? Houve uma precipitação enorme em a marcação de os bilhetes em o Expresso_de_Hogwarts , pois todos os alunos quiseram ir passar o Natal a casa . - Por este caminho , vamos ser os únicos a ficar - disse o Ron a o Harry e a a Hermione . - Nós , o Malfoy , o Goyle e o Crabbe , que férias lindas que vão ser ! Crabbe e Goyle que faziam sempre o que Malfoy fazia , tinham se inscrito para ficar também durante as férias . Mas Harry estava contente por a maior parte se ir embora . Estava farto de ver gente a afastar se em os corredores como_se ele fosse mostrar os dentes ou cuspir veneno . Estava cansado de tantos segredinhos , de os ver apontar e segredar quando passava . O Fred e o George , esses achavam muito divertido . Vinham , de propósito , pôr se a a frente de ele e atravessavam os corredores a gritar : - Abram alas para o herdeiro de Slytherin , vai passar um feiticeiro verdadeiramente cruel . Percy discordava totalmente de este comportamento . - Não é um assunto para se brincar - dizia com frieza . - Sai mas é de o caminho , Percy - dizia o Fred . - O Harry está com pressa . - Sim , ele vai a a Câmara_dos_Segredos tomar uma chávena de chá com o seu servidor dentes de serpente - completava Fred com uma gargalhada . Ginny também não lhes achava graça . - Cala te - gritava ela sempre_que o Fred perguntava em voz alta a o Harry quem estava a pensar atacar a seguir , ou quando George fingia afastá o com um enorme dente de alho . Harry não se importava . Fazia o sentir se melhor o facto de constatar que , pelo_menos para o Fred e para o George , a ideia de ele ser o herdeiro de Slytherin era absolutamente ridícula . Mas as palhaçadas de eles pareciam ofender Draco_Malfoy que , de cada_vez que os via , ficava mais irritado . - É porque está ansioso por dizer que é mesmo ele - disse o Ron com ar conhecedor . - Sabes como ele detesta que alguém o ultrapasse e tu estás a receber todo o crédito por o seu trabalho sujo . - Não vai ser por muito_tempo - disse Hermione com uma voz satisfeita . - A poção * polisuco * está quase pronta . Um de estes dias arrancamos lhe a verdade . Finalmente , o período chegou a o seu termo e um silêncio profundo como a neve em os campos desceu sobre o castelo . Harry adorou a tranquilidade e apreciou o facto de ele , Hermione e os Weasley terem a torre de os Gryffindor por sua conta , poderem jogar a as explosões bem alto , sem incomodar ninguém e praticar duelos entre si . O Fred , o George e a Ginny tinham preferido ficar em a escola a ir com Mr. e Mrs._Weasley a o Egipto visitar o Bill . Percy que reprovava e considerava infantil a conduta de eles , não passava muito_tempo em a sala comum de os Gryffindor . Já lhes dissera pomposamente que só ficara ali em o Natal , por ser sua obrigação como prefeito apoiar os professores em aquela época agitada . A manhã de o dia de Natal clareou branca e fria . Harry e Ron , os únicos que estavam em o dormitório , foram acordados muito cedo por Hermione que entrou , toda vestida , transportando presentes para ambos . - Acordem - disse em voz alta , abrindo os cortinados . - Hermione , tu não devias estar aqui - exclamou o Ron , protegendo os olhos de a luz . - Feliz_Natal para ti também - disse Hermione , atirando lhe o presente que tinha para ele . - Estou acordada há quase uma hora , acrescentando mais asas de renda a a poção . Está pronta . Harry sentou se , subitamente acordado . - Tens a certeza ? - Absoluta - disse ela , afastando o rato Scrabbers para se sentar a os pés de a cama de dossel . - Se vamos mesmo tomá a , acho que devia ser logo a a noite . Em esse momentzo , a Hedwig entrou em o quarto , transportando em o bico um embrulho pequenino . - Olá - disse Harry , feliz a o vê a aterrar em a sua cama . - Já me falas outra_vez ? Ela mordiscou lhe a orelha de uma forma afectuosa que foi , de longe , um presente melhor do_que aquele que transportava e que era afinal de os Dursley . Tinham mandado a Harry um palito para os dentes com um cartão pedindo lhe que se informasse se não poderia ficar , também em o Verão , em Hogwarts . Os outros presentes que Harry recebeu foram bastante melhores . Hagrid mandara lhe uma lata grande de bombons de melaço que ele decidiu amolecer a o lume antes de comer , o Ron deu lhe um livro chamado * _ Voando com Canhões * , que narrava factos interessantes sobre a sua equipa favorita de Quidditch e Hermione trouxera lhe uma luxuosa pena de águia . Harry abriu o último presente onde vinha uma camisola novinha , feita a a mão por Mrs._Weasley e um grande bolo de passas . Pegou em o cartão com uma nova sensação de culpa , pensando em o carro de Mr._Weasley que não voltara a ser visto desde_que chocara contra o salgueiro zurzidor e em a quantidade de infracções que ele e o Ron tinham em mente . Ninguém , nem mesmo os que estavam cheios de medo por terem de tomar a poção * polisuco * a seguir , deixou de adorar o jantar de Natal em Hogwarts . O salão nobre estava magnífico . Não_só havia uma_dúzia de árvores de Natal , cobertas de geada e espessas serpentinas de azevinho e visco bravo cruzando se junto de o tecto como caia uma neve encantada quente e seca . Dumbledore conduziu os em uma de as suas canções de Natal preferidas enquanto Hagrid se agitava , falando cada_vez_mais alto , a cada gole de gemada que tomava . O Percy que não dera por_que Fred enfeitiçara o seu distintivo de prefeito , onde agora podia ler se « cabeça de alfinetes « , continuava a perguntar a todos para_onde estavam a olhar . Harry nem_sequer se importou com os comentários que Draco_Malfoy fazia bem alto , de a mesa de os Slytherin acerca de a sua camisola nova . Com alguma sorte , Malfoy iria ser desmascarado dentro_de algumas horas . Harry e Ron mal tinham acabado a terceira dose de pudim de Natal quando Hermione os fez sair de o salão a a pressa para acabarem de tratar de os planos para essa noite . - Ainda precisamos de um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos - disse com o ar mais natural de este mundo como_se estivesse a mandá os a o supermercado comprar detergente . - E , é claro que o ideal será conseguirmos alguma coisa de o Crabbe e de o Goyle , são os melhores amigos de o Malfoy , ele conta lhes tudo . E precisamos também de ter a certeza de que eles não vão entrar em a sala quando vocês estiverem a interrogar o Malfoy . - Eu tenho tudo pensado - prosseguiu ela , ignorando a expressão estupefacta de Harry e Ron . Pegou em dois apetitosos bolos de chocolate . - Pus lhes um encantamento de sono . Vocês só têm de fazer com que o Crabbe e o Goyle os encontrem . Sabem como eles são gulosos , vão logo comê os . Quando estiverem a dormir , tirem lhes alguns cabelos e escondam nos em uma despensa de vassouras . Harry e Ron olharam , incrédulos , um para o outro . -- Hermione , eu não creio que ... -- Isto pode correr muito mal ... Mas Hermione tinha um brilho inflexível em os olhos que não era muito diferente do_que costumavam ver em o olhar de a professora Mc_Gonagall . - A poção não nos serve de nada sem os cabelos de o Crabbe e de o Goyle - disse com firmeza . - Vocês querem mesmo descobrir coisas sobre o Malfoy , não querem ? - Pronto , está bem - disse Harry . - Mas , e tu , vais arranjar cabelos de quem ? - Eu já tenho esse assunto resolvido - disse Hermione sorridente , tirando um frasquinho de o bolso e mostrando lhes um cabelo que lá estava dentro . - Lembram se de a Millicent_Bulstrode que lutou comigo em o clube de os duelos ? Ela deixou isto em o meu manto quando tentava estrangular me . E foi passar o Natal a casa , portanto , basta me dizer a os Slytherins que decidi voltar . Quando Hermione saiu para verificar de_novo a poção polisuco , Ron voltou se para Harry com uma expressão lúgubre . - Alguma vez viste um plano onde tantas coisas pudessem correr mal ? Mas para grande espanto de ambos , a primeira fase de a operação decorreu tão naturalmente como Hermione previra . Eles esconderam se em o * hall * de entrada , depois de o lanche de Natal , a a espera de o Crabbe e de o Goyle que tinham ficado sozinhos a a mesa de os Slytherin , deitando abaixo a quarta dose de bolo inglês . Harry colocou os bolos de chocolate em o fim de o corrimão . Quando avistaram Crabbe e Goyle a sair de o salão , Harry e Ron esconderam se rapidamente atrás_de uma armadura que estava junto de a porta de entrada . - Como_se pode ser tão estúpido ? - murmurou Ron sem se mexer enquanto Crabbe apontava satisfeitíssimo , mostrando a Goyle os bolos e agarrando os . Com um riso estúpido , enfiaram nos inteiros em as bocas enormes . Durante um momento , ambos mastigaram avidamente com olhares vitoriosos em o rosto . Depois , sem que a expressão se alterasse , caíram para trás e estatelaram se em o chão . Mais difícil foi transportá os para a despensa de o outro lado de o * hall * . Uma_vez armazenados em o meio de os baldes e esfregões , Harry arrancou alguns de os pêlos que cobriam a cabeça de o Goyle e Ron tirou alguns cabelos a o Crabbe . Roubaram lhes também os sapatos porque os de eles eram demasiado pequenos para os enormes pés de o Crabbe e de o Goyle . Em seguida , ainda atordoados com o que tinham acabado de fazer , correram até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mal conseguiam ver com o fumo preto e espesso que saía de o cubículo onde Hermione mexia o caldeirão . Tapando o rosto com os mantos , Harry e Ron bateram a o de leve em a porta . - Hermione ? Ouviram o ruído de o trinco e Hermione apareceu com a cara lustrosa e um ar ansioso . Por trás de ela ouviam o gloop gloop de a poção espessa e gorgolejante . Em o banco de a casa_de_banho estavam três copos de vidro . - Conseguiram ? - perguntou Hermione quase sem fôlego . Harry mostrou lhe o cabelo de o Goyle . - _ óptimo . Eu tirei estes mantos suplementares de a lavandaria - disse ela , pegando em uma pequena saca . - Vocês vão precisar de tamanhos maiores se vão ser o Crabbe e o Goyle . Olharam os três para o caldeirão . Vista de perto , a poção parecia uma lama espessa e escura a borbulhar indolentemente . - Tenho a certeza que fiz tudo certo - disse Hermione nervosa , relendo a página manchada de * _ Moste_Potente_Potions * . - Tem o aspecto que o livro diz que deveria ter ... depois de a tomar temos precisamente uma hora antes de nos transformarmos de_novo em as pessoas que somos . - E agora ? - murmurou o Ron . - Separamos a em três copos e adicionamos os cabelos . Hermione encheu cada_um de os copos com uma concha de sopa . Em seguida , retirou com a mão a tremer o cabelo de Millicent_Bulstrode de dentro de o frasquinho e pô o em o primeiro copo . A poção chiou fortemente como uma chaleira a ferver e espumou como louca . Um segundo depois ganhara um tom de amarelo doentio . - Urgh ! Essência_de_Millicent_Bulstrode - disse Ron , olhando com repugnância . - Aposto que o sabor é nojento . - Deitem os vossos - disse Hermione . Harry deixou cair o cabelo de o Goyle em o copo de o meio e Ron lançou o de o Crabbe em o último . Ambos chiaram e espumaram : o de o Goyle ficou de um tom caqui , o de o Crabbe de um castanho-escuro algo tenebroso . - Esperem - pediu Harry quando Ron e Hermione pegaram em os copos . - Será melhor não os tomarmos aqui todos juntos em um cubículo ; quando em os transformarmos não vamos cá caber e Millicent_Bulstrode não é nenhum duende . - Bem pensado - admitiu o Ron , abrindo a porta . - Cada_um em seu cubículo . Com todo o cuidado , para não entornar nem uma gota de a poção polisuco , Harry esgueirou se para o cubículo de o meio . - Prontos ? - perguntou . - Prontos - responderam as vozes de o Ron e de a Hermione . - Um , dois , três . Tapando o nariz , Harry bebeu a poção em dois grandes tragos . Tinha o sabor de a couve demasiado cozida . Os seus interiores começaram imediatamente a contorcer se como_se tivesse engolido serpentes vivas . Dobrado , Harry perguntava a si próprio se iria vomitar . Depois , uma sensação de ardor espalhou se rapidamente de o estômago até a as pontas de os dedos de as mãos e de os pés . Em seguida , fazendo o sobressaltar se , sobreveio o sentimento horrível de estar a derreter enquanto a pele de todo o seu corpo borbulhava como cera quente e , perante os seus olhos , as mãos começaram a crescer , os dedos a engrossar , as unhas a alargar e as articulações a tornarem se protuberantes como ferrolhos . Os ombros retesaram se dolorosamente e uma comichão em a testa preveniu o de que o cabelo estava a rastejar em direcção a as sobrancelhas . As túnicas rasgaram se enquanto o tórax se expandia como um barril , rebentando com os seus anéis . Os pés estavam em grande sofrimento dentro_de sapatos quatro números abaixo . Tão depressa como começara , tudo parou . Harry estava caído em o chão de pedra fria , ouvindo a Murta_Queixosa gorgolejando taciturna em o cubículo de o fundo . Com alguma dificuldade tirou os sapatos e levantou se . Era então assim que o Goyle se sentia ! Com a mão enorme a tremer , despiu a sua túnica que lhe ficava 30 centímetros acima de os tornozelos , pegou em as túnicas suplementares e amarrou os atacadores de os sapatos abotinados de o Goyle . Quis escovar o cabelo para o afastar um_pouco de os olhos e deu apenas com os pêlos hirsutos que lhe cresciam em a testa . Apercebeu se então de que os óculos lhe toldavam a visão porque o Goyle , obviamente , não precisava de eles . Tirou os e gritou . - Vocês estão bem ? - De a sua boca saiu a voz baixa e grossa de o Goyle . - Sim - respondeu lhe o grunhido de o Crabbe , a a sua direita . Harry abriu a porta de o cubículo e dirigiu se a o espelho partido . O Goyle olhava o de o outro lado com os seus olhos parados . Harry coçou a orelha e Goyle fez o mesmo . A porta de o Ron abriu se . Olharam um para o outro . Harry estava pálido e chocado . O amigo não se distinguia de o Crabbe , desde o corte de cabelo em forma de tigela até a os longos braços de gorila . - É inacreditável - disse o Ron , aproximando se de o espelho e beliscando o nariz achatado de o Crabbe . - Inacreditável ! - É melhor irmos indo - disse Harry , alargando a pulseira de o relógio que lhe cortava o pulso . - Ainda temos de descobrir onde fica a sala comum de Slytherin . Só espero que encontremos alguém que vá para lá e que nós possamos seguir . Ron que tinha estado a olhar espantado para ele , comentou : - Não imaginas como é bizarro ver o Goyle a pensar - bateu em a porta de Hermione . - Vamos , temos que ir ... Respondeu lhe uma voz aguda : - Eu ... eu acho que afinal não vou . Vão vocês sem mim . - Hermione , nós sabemos que a Millicent_Bulstrode é feia , ninguém vai pensar que és tu . - Não , a sério , acho que não vou . Despachem se vocês os dois , estão a perder tempo . Harry olhou para Ron , baralhado . - Aquilo parece mais de o Goyle , é como ele fica sempre_que algum professor lhe faz uma pergunta . - Estás bem , Hermione ? - perguntou Harry , através de a porta . - _ óptima , estou óptima , vão se embora . Harry olhou para o relógio . Cinco preciosos minutos tinham já passado . - Encontramo nos aqui , está bem ? - disse . Os dois abriram a porta de a casa_de_banho com todo o cuidado , viram se o caminho estava livre e saíram . - Não balances assim os braços - disse o Harry a o Ron . - Hein ? - O Crabbe anda sempre com eles esticados . - Assim ? - Isso , assim está melhor . Desceram a escadaria de mármore . Só precisavam agora de um Slytherin que pudessem seguir até a a sala comum , mas não havia ninguém por perto . - Tens alguma ideia ? - perguntou Harry em um murmúrio . - Os Slytherin vêm sempre de ali para o pequeno-almoço - disse o Ron , apontando para a entrada de os calabouços . Mal tinha pronunciado estas palavras quando uma rapariga de cabelo comprido a os caracóis , apareceu . - Desculpa - disse o Ron , sem perder tempo . - Esquecemo nos de o caminho para a nossa sala comum . - Como ? - disse a rapariga com a maior frieza . - A * nossa * sala comum ? Eu sou uma Ravenclaw . Afastou se , olhando para eles , desconfiada . Harry e Ron desceram apressadamente os degraus de pedra até a a escuridão . Os passos ecoavam em o silêncio , à_medida_que os pés enormes de Crabbe e Goyle tocavam em o chão , fazendo os sentir que as coisas não iam ser tão fáceis como eles desejavam . Os corredores labirínticos estavam desertos . Andaram e tornaram a andar por os subterrâneos , olhando constantemente para os relógios para ver quanto tempo ainda lhes restava . Depois de um quarto de hora , quando começavam a ficar desesperados , ouviram um movimento súbito . - Olha - disse o Ron , agitadamente . - Agora é um de eles . A silhueta saía de uma sala , mas quando se aproximaram o coração de ambos esmoreceu . Não era um Slytherin , era Percy . - O que estás a fazer aqui em baixo ? - perguntou o Ron surpreendido . - Isso - disse ele friamente - não é de a tua conta . És o Crabbe , não és ? - Er ... sim , sim - respondeu o Ron . - Então vão para o vosso dormitório - ordenou Percy com firmeza . - Não é seguro andar a passear por os corredores escuros em os dias que correm . - Tu andas -- fez notar o Ron . - Eu - disse o Percy endireitando se - sou um prefeito . Nada vai atacar me . Ouviu se , de repente , uma voz por_detrás_de Harry e Ron . Era_Draco_Malfoy e , pela_primeira_vez em a vida , Harry ficou satisfeito a o vê o . - Aí estão vocês - disse de modo arrastado , olhando para eles . - Têm estado a chafurdar em o salão este tempo todo ? Tenho andado a a vossa procura , quero mostrar vos uma coisa muito divertida . Malfoy olhou misteriosamente para Percy . - E o que fazes tu aqui , Weasley ? - perguntou com ar de desprezo . Percy olhou , sentindo se ultrajado . - Fazes favor de mostrar um_pouco mais de respeito por um prefeito de a escola - disse . - Não gosto de o teu ar . Malfoy riu se e fez sinal a o Harry e a o Ron para que o seguissem . Harry quase ia pedindo desculpa a o Percy , mas deu se conta a tempo . Apressaram se a seguir o Malfoy que disse , mal viraram em o corredor seguinte : - Aquele Peter_Weasley ... - O Percy - corrigiu Ron automaticamente . - Ou isso - continuou Malfoy . - Ultimamente tenho o visto muitas_vezes a andar por aí sorrateiramente e aposto que sei o que ele quer . Pensa que vai apanhar o herdeiro de Slytherin sozinho . Deu uma pequena gargalhada ridícula . Harry e Ron trocaram olhares nervosos . Malfoy parou junto de uma parede de pedra húmida . - Qual é a senha ? - perguntou a o Harry . - Er ... - Ah ! sim , sangue puro - disse Malfoy sem ouvir e uma porta de pedra , oculta em a parede , abriu se . Malfoy entrou e Harry e Ron seguiram o . A sala comum de os Slytherin era uma ampla divisão subterrânea com espessas paredes de pedra e um tecto de o qual estavam pendurados por correntes vários candeeiros redondos que davam uma luz esverdeada . O fogo crepitava em uma lareira elaboradamente esculpida em frente de a qual se viam as silhuetas de vários Slytherins sentados em cadeiras igualmente esculpidas . - Esperem aí - disse Malfoy a o Harry e a o Ron , encaminhando os para um par de cadeiras vazias , longe de o lume . - Eu vou buscar o que o meu pai acaba de me mandar . Sem saber o que Malfoy iria mostrar lhes , Harry e Ron sentaram se , fazendo todos os possíveis por parecer a a vontade . Malfoy voltou um minuto depois , trazendo em a mão o que parecia ser um recorte de jornal . Pô o debaixo de o nariz de o Ron . - Vais te rir - disse . Harry viu os olhos de o Ron abrirem se como_se estivesse em estado de choque . Viu o ler o recorte rapidamente , dar uma gargalhada forçada e estender lhe o em seguida . Tinha sido retirado de o * _ Profeta_Diário * e dizia : inquérito em o ministério de a magia * _ Arthur_Weasley , chefe de o Gabinete_de_Mau_Uso_dos_Utensílios_dos_Muggles foi hoje multado em cinquenta galeões por ter enfeitiçado um carro de os Muggles . * _ O senhor Lucius_Malfoy , Membro_do_Conselho_Directivo_da_Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts , onde o carro enfeitiçado foi chocar em o princípio de este ano , exigiu hoje a demissão de Mr._Weasley . « * _ O_Weasley trouxe o descrédito a o Ministério « - declarou Mr._Malfoy a o nosso repórter . - « É claramente incompetente para fazer cumprir as leis e a sua protecção ridícula de os Muggles deveria ir imediatamente para a sucata . » * _ Mr._Weasley recusou se a fazer comentários , mas a sua mulher disse a os repórteres que desaparecessem de ali ou lançaria contra eles o vampiro de a família * . - Então - disse Malfoy impaciente quando Harry voltou a entregar lhe o recorte . - Não achas o_máximo ? - Ha , ha - fez Harry tristemente . - O Arthur_Weasley gosta tanto de os Muggles que era capaz de partir a sua varinha a o meio para se juntar a eles - disse Malfoy com desprezo . - Ninguém diria que os Weasley eram sangue puro a avaliar por o modo como_se comportam . A cara de o Ron , ou melhor , de o Crabbe , contorceu se de raiva . - O que é_que se passa ? - perguntou Malfoy . - Dores de estômago - gemeu o Ron . - Então vai a a ala hospitalar e dá a todos aqueles sangues de lama um pontapé de a minha parte - disse Malfoy com o seu riso escarninho . - Sabes que estou espantado por o * _ Profeta_Diário * ainda não se ter referido a todos estes ataques - continuou pensativamente . - Calculo que o Dumbledore deve estar a tentar abafar as coisas . Ele ainda é posto em a rua se isto não acaba depressa . O pai sempre disse que Dumbledore foi a pior coisa que aqui veio parar . Ele adora os filhos de os Muggles , um director decente nunca deixaria um lodo como o Creevey entrar em esta escola . Malfoy começou a fingir que tirava fotografias com uma máquina imaginária e fez uma imitação maldosa , mas bastante fiel de o Colin : - Potter , posso tirar te a fotografia ? Dás me um autógrafo ? Posso lamber te os sapatos , por favor , Potter ? Baixou as mãos e olhou para Harry e Ron . - O que é_que se passa com vocês os dois ? Um_pouco atrasados , Harry e Ron forçaram o riso e Malfoy pareceu satisfeito . Talvez Crabbe e Goyle fossem sempre de reacção lenta . - O santo Potter , amigo de os sangues de lama - disse Malfoy . - É outro que não tem os sentimentos de um feiticeiro a sério ou não andaria por aí com aquela empertigada sangue de lama Granger . E as pessoas a pensarem que ele é o herdeiro de Slytherin . Harry e Ron esperaram com a respiração entrecortada : o Malfoy ia certamente dizer lhes , dentro_de segundos , que era ele , mas então ... - Quem me dera saber quem ele é - disse o Malfoy , de forma petulante . - Podia ajudá o . O queixo de o Ron caiu de tal maneira que a cara de o Crabbe ficou ainda mais desajeitada do_que era habitual . Felizmente Malfoy não deu por nada e Harry , em um pensamento rápido , disse : - Deves ter alguma ideia de quem está por_detrás_de tudo ... - Sabes perfeitamente que não tenho , Goyle , quantas vezes é preciso dizer te ? - cortou Malfoy . - E o pai também não me diz nada sobre a última vez que a câmara foi aberta . É claro que foi há cinquenta anos , antes de ele cá andar , mas o pai sabe tudo a esse respeito e diz que as coisas foram mantidas em grande segredo e que pareceria suspeito se eu soubesse demasiado . Mas há uma coisa que eu sei : de a última vez que a câmara foi aberta , morreu um sangue de lama . Por isso , aposto que é uma questão de tempo até que um de eles seja morto . Só espero que seja a Granger - disse satisfeito . Ron fechara os punhos gigantescos de o Crabbe . Sentindo que deitaria tudo a perder se ele desse um soco a o Malfoy , Harry lançou lhe um olhar de aviso e disse : - Sabes se a pessoa que abriu a câmara de a última vez foi apanhada ? - Ah ! sim , essa pessoa foi expulsa - disse Malfoy . - Ainda deve estar em Azkaban . - Azkaban ? - repetiu Harry confuso . - Azkaban , a prisão de os feiticeiros , Goyle - disse Malfoy , olhando para ele incrédulo . - Francamente , se fosses mais lento andavas para trás . Esticou se intranquilo , em a cadeira e disse : - O pai diz para eu esfriar a cabeça e deixar que o herdeiro de Slytherin faça o seu trabalho . Acha que a escola precisa de se livrar de a escória de os sangues de lama , mas não quer que eu me envolva em nada . Claro que ele agora tem um prato cheio . Sabes que o Ministério de a magia fez uma busca a a nossa mansão em a semana passada ? Harry tentou forçar a cara de bronco de o Goyle a uma expressão preocupada . - Sim - continuou Malfoy . - É claro que não encontraram grande coisa . O pai guarda uns materiais de magia negra muito valiosos , mas , felizmente , temos a nossa câmara secreta debaixo de o soalho de a sala de visitas ... - Ah ! - disse o Ron . Malfoy olhou para ele . Harry também . Ron corou e até o cabelo começou a ficar vermelho . O nariz estava também a diminuir lentamente ... a hora tinha acabado . Ron estava a voltar a a sua forma habitual e por o olhar de horror que lançou a Harry certamente ele também estava . Puseram se rapidamente de pé . - Tenho de tomar o remédio para o estômago - grunhiu o Ron e sem mais explicações saíram ambos a correr de a sala comum de os Slytherin , precipitaram se para a parede de pedra e galgaram a passagem , pedindo a todos os santos que Malfoy não tivesse dado por nada . Harry sentia os pés a nadarem em os sapatos enormes de o Goyle e tinha de levantar o manto visto_que diminuíra de tamanho . Subiram os degraus a correr até a o * hall * escuro de entrada onde se ouvia um som abafado que vinha de a despensa onde tinham fechado o Crabbe e o Goyle . Deixando os sapatorros de os dois de o lado de_fora , subiram já com os respectivos sapatos a escadaria de mármore até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Bem , não foi uma total perda de tempo - disse o Ron ofegante , fechando atrás_de si a porta de a casa_de_banho . - É certo que ainda não descobrimos de quem vêm os ataques , mas vou escrever a o meu pai amanhã a dizer lhe que procure debaixo de o soalho de a sala de visitas de o Malfoy . Harry olhou para o espelho partido . Tinha voltado a o normal . Pôs os óculos enquanto Ron batia em a porta de o cubículo de Hermione . - Hermione , sai de aí , temos um monte de coisas para te contar ... - Vão se embora - guinchou Hermione . Harry e Ron olharam um para o outro . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron . - Tu já deves ter voltado a o normal como nós ... Mas a Murta_Queixosa saiu subitamente através de a porta de o cubículo com um ar divertido como nunca a tinham visto . - Oh ! Esperem até ver - disse ela . - É horrível ! Ouviram o trinco de a porta a abrir se e Hermione apareceu a soluçar , a túnica levantada a cobrir lhe o rosto . - O que foi ? - perguntou o Ron indistintamente . - Ainda tens o nariz de a Millicent ou alguma coisa assim ? Hermione deixou cair a roupa e Ron recuou rapidamente . O rosto de ela estava coberto de pêlo preto , os olhos tinham ganho uma cor amarela e as orelhas eram pontiagudas , saindo espetadas para fora de os cabelos . - Era um pêlo de g-gato - disse a chorar . - A Millicent_Bulstrode d-deve ter um gato e a poção não está preparada para transformação em animais . - Oh-oh - disse o Ron . - Vão te gozar horrivelmente - disse a Murta , felicíssima . - Não te preocupes , Hermione - tranquilizou a rapidamente o Harry . - Vamos levar te para a ala hospitalar , a Madam_Pomfrey nunca faz muitas perguntas ... Não foi fácil convencer Hermione a sair de a casa_de_banho . A Murta_Queixosa despediu se com uma gargalhadavigorosa e grosseira . - Espera até todos descobrirem que tens uma cauda ! XIII_O diário muito secreto Hermione ficou em a ala hospitalar durante várias semanas . Houve uma onda de boatos sobre o seu desaparecimento quando o resto de os alunos voltou de as férias de Natal porque , é claro , todos pensam que ela tinha sido atacada . Foram tantos os estudantes a rondar a ala hospitalar para espreitar a ver se a viam que Madam_Pomfrey desceu de_novo as cortinas de a cama de ela para a poupar a a vergonha de ser vista com pêlo em a cara . Harry e Ron iam visitá a todas_as tardes . Quando o segundo período começou passaram a levar lhe diariamente os trabalhos de casa . - Se eu tivesse o bigode a crescer , tinha uma folga de o trabalho - disse uma tarde o Ron enquanto colocava uma pilha de livros a a cabeceira de a cama de Hermione . - Não sejas parvo , Ron , eu tenho de me manter a par de as coisas - disse Hermione com vivacidade . O humor de ela melhorara bastante com o facto de lhe ter desaparecido todo o pêlo de o rosto e de os olhos estarem lentamente a retomar a cor castanha . - Calculo que não tenham novas pistas ? - disse em um murmúrio para evitar que Madam_Pomfrey os ouvisse . - Nada - disse Harry tristemente . - Eu tinha tanta certeza de que era o Malfoy - repetiu o Ron por a centésima vez . - O que é isso ? - perguntou Harry , apontando para uma coisa com brilho dourado que estava debaixo de a almofada de Hermione . - É só um cartão a desejar boas melhoras - disse ela precipitadamente , tentando escondê o , mas o Ron foi mais rápido . Pegou lhe , abriu o e leu em voz alta : * _ Para_Miss_Granger , desejando lhe uma rápida recuperação , com o interesse e estima de o professor Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , Terceiro grau , Membro_Honorário_da_Liga_de_Defesa contra as Artes_Negras e vencedor por cinco vezes de o prémio O sorriso mais charmoso de a semana de o Semanário_das_Bruxas * . Ron olhou desconsolado para Hermione . - Tu dormes com isto debaixo de a almofada ? Mas Hermione foi poupada a ter de responder por a entrada de Madam_Pomfrey que lhe trazia a dose de medicamento de a tarde . - Achas que o Lockhart é o tipo mais esperto que conheceste ? - perguntou o Ron a o Harry quando saíram de a enfermaria e começavam a subir as escadas para a torre de os Gryffindor . O Snape tinha lhes passado tanto trabalho para_casa que Harry pensou que ia chegar a o sexto ano antes de o ter acabado . Ron vinha a dizer que devia ter perguntado a a Hermione quantas caudas de rato deveria juntar se a uma poção para o crescimento de o cabelo quando um grito de raiva vindo de o andar de cima lhes chegou a os ouvidos . - É o Filch - murmurou Harry enquanto subiam apressadamente as escadas e paravam para ouvir melhor . - Terá mais alguém sido atacado ? - disse nervosamente o Ron . Ficaram parados com as cabeças inclinadas para a voz de o Filch que parecia quase histérica . -- ... * _ Ainda mais trabalho para mim . Toda_a noite a esfregar como_se não tivesse já trabalho de sobra . Não , isto foi a gota de água que fez transbordar o copo , vou falar com Dumbledore * ... Os passos afastaram se e ouviram uma porta fechar se com grande estrondo . Puseram as cabeças fora de a esquina . O Filch tinha obviamente estado a patrulhar o seu habitual posto de vigia : estavam novamente em o lugar onde Mrs._Norris fora atacada . Perceberam imediatamente qual o motivo de os gritos . Uma enorme poça de água enchia metade de o corredor e parecia escorrer de a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Agora_que o Filch se calara podiam ouvir os uivos de a Murta que faziam eco em as paredes de a casa_de_banho . - Mas o que se passará com ela ? - disse o Ron . - Vamos lá ver - sugeriu Harry e arregaçando as túnicas até a os tornozelos entraram , atravessando a enorme poça de água , em a casa_de_banho que tinha o letreiro a dizer « Fora de serviço » e que eles , como sempre , ignoraram . A Murta_Queixosa chorava , se possível , mais alto do_que nunca . Parecia estar escondida em o cubículo de o costume . Lá dentro estava escuro pois as velas tinham se apagado com a enchente de água que deixara as paredes e o chão ensopado . - O que se passa , Murta ? - quis saber o Harry . - Quem é ? - perguntou ela infelicíssima . - Vieste atirar me mais alguma coisa acima ? Harry caminhou com dificuldade por causa de a água até a o cubículo de ela e disse : - Porque te faríamos nós uma coisa de essas ? - Não me perguntem - gritou a Murta , emergindo em uma onda de água que molhou ainda mais o chão já ensopado . - Eu estou aqui metida em a minha morte e alguém acha muito engraçado atirar me com um caderno acima ... - Mas , não pode magoar te se alguém te atirar alguma coisa acima - disse Harry , tentando ser prático . - Isto_é , seja o que for passa através_de ti , não é assim ? Tinha dito a frase errada . A Murta encheu o peito de ar e gritou a plenos pulmões : - Vamos todos atirar cadernos a a Murta já_que ela não sente nada ! Dez pontos se lhe acertarem em o estômago , cinquenta se lhe atravessar a cabeça ! Hah hah hah , que jogo lindo , não acham ? - Quem te atirou um caderno , afinal ? - perguntou o Harry . - Não sei ... eu estava sentada em a sanita a pensar em a morte e caiu me em cima de a cabeça - disse a Murta , olhando para eles . - Está ali , ficou todo molhado . Harry e Ron olharam para o ponto que a Murta lhes apontava debaixo de o lavatório . Um caderno pequenino e fino estava caído em o chão . Tinha uma capa preta muito gasta e estava encharcado como tudo em aquela casa_de_banho . Harry deu um passo em frente para o apanhar , mas o Ron agarrou lhe precipitadamente o braço . - O que foi ? - perguntou Harry . - Estás doido - disse ele . - Pode ser perigoso . - Perigoso ? - riu se Harry . - Essa agora Ron , como é_que pode ser perigoso ? - Ficarias surpreendido ... - explicou ele , olhando com ar apreensivo para o caderno . - Entre os livros que o Ministério confiscou , contou me o meu pai , havia um que queimava os olhos a as pessoas . E todos os que leram os * _ Sonetos_de_Um_Feiticeiro * ficaram a falar em verso para o resto de a vida . Havia também uma bruxa em Bath que tinha um livro que quem o lesse nunca mais conseguia parar , tinha de andar por aí com o nariz enfiado em as folhas , a fazer todas_as coisas só com uma mão e ... - Já chega , já chega , já percebi a tua ideia - disse O_Harry . O caderninho continuava caído e ensopado . - Bem , nunca saberemos a_não_ser_que tenhamos a coragem de dar uma vista de olhos - disse e mergulhou apanhando o de o chão . Harry viu imediatamente que se tratava de um diário e a data meio apagada , em a capa , disse lhe que tinha cinquenta anos de idade . Abriu o ansiosamente . Em a primeira página podia ler se apenas o nome T._M._Riddle em tinta esborratada . - Espera aí - disse o Ron que se aproximara prudentemente e olhava por cima de o ombro de Harry . - Eu conheço esse nome ... T._M._Riddle recebeu um prémio por serviços especiais prestados a a escola há cinquenta anos atrás . - Como diabo sabes tu isso ? - perguntou Harry com grande espanto . - Porque o Filch mandou me limpar a taça de ele umas cinquenta vezes quando estive de castigo - disse o Ron ressentido . - Foi a taça em cima de a qual eu vomitei lesmas . Se tivesses tido que limpar o muco de um nome durante uma hora também te lembrarias . Harry separou umas de as outras as páginas molhadas . Estavam completamente em branco . Não havia o mais leve sinal de escrita em nenhuma , nem coisas como « Aniversário de a tia Mabel « ou « Dentista a as três_e_meia » . - Ele nunca escreveu nada aqui - disse Harry desapontado . - Porque quereria alguém atirá o fora ? - perguntou se o Ron com curiosidade . Harry voltou o caderno e viu , inscrito em a contra capa , o nome de uma tabacaria em Vauxhall_Road , Londres . - Ele devia ser filho de Muggle - disse Harry pensativo - para ter comprado um diário em Vauxhall_Road ... - Bem , não te serve de muito - Ron baixou a voz . - Cinquenta pontos se acertares em o nariz de a Murta . Harry , mesmo_assim , guardou o diário . Hermione saiu de a ala hospitalar desbigodada , sem cauda e sem pêlo em os primeiros dias de Fevereiro . Em a primeira noite em a torre de os Gryffindor , Harry mostrou lhe o diário de T._M._Riddle e contou lhe como o tinham encontrado . - Ooooh ! Deve ter poderes ocultos - disse ela entusiasticamente , pegando em o diário e examinando o de perto . - Se tem , esconde os muito bem - disse Ron . - Talvez fosse tímido . Não sei porque não deitas isso fora , Harry . - Gostava de perceber porque motivo alguém se quis livrar de ele - explicou Harry . - E também não me importava de saber como foi que o Riddle obteve esse prémio de serviços especiais prestados a Hogwarts . - Pode ter sido qualquer coisa - lançou o Ron . - Talvez tenha recebido 30 de nota final ou salvo um professor de a lula gigante . Se_calhar assassinou a Murta , isso teria sido um favor prestado a todos ... Mas Harry quase podia jurar , por o olhar suspenso em a cara de Hermione , que ela pensava o mesmo_que ele . - O que foi ? - perguntou Ron , olhando para um e para o outro . - Bem , a Câmara_dos_Segredos foi aberta há cinquenta anos , não foi isso que disse o Malfoy ? - Sim - respondeu Ron , lentamente . - E este diário tem cinquenta anos de idade - completou Hermione , dando lhe palmadinhas nervosas . - E de aí ? - Oh Ron , acorda - insistiu Hermione . - Sabemos que a pessoa que abriu a câmara de a outra_vez foi expulsa há cinquenta anos . E se o Riddle tivesse tido o prémio especial por apanhar o herdeiro de Slytherin ? O seu diário diria nos provavelmente tudo : onde é a Câmara_dos_Segredos , como abris a e que tipo de criatura vive lá . Achas que a pessoa que está por trás de os ataques desta_vez quereria o diário por aí ? - É uma teoria interessante , Hermione - disse o Ron . - Apenas com uma pequenina falha : o diário não tem nada Mas_Hermione já estava a tirar a varinha de o saco . - Pode ser tinta invisível - murmurou . Bateu três vezes em o diário e repetiu * _ Aparecium ! * Nada aconteceu . Intrépida , Hermione meteu a mão de_novo em o saco e tirou o que parecia ser uma borracha vermelha e brilhante . - É um * revelador * , comprei o em a Diagon - _ Al - disse . Apagou com força em 1_de_Janeiro . Não sucedeu nada . - Já vos disse , não há nada aí - repetiu o Ron . - O Riddle deve ter recebido um diário como prenda de Natal e nem se deu a o trabalho de escrever fosse o que fosse . Harry não conseguia explicar , nem a si próprio , porque motivo não deitara fora o diário de Riddle . A verdade é_que , mesmo depois de saber que ele estava em branco , continuou distraidamente a pegar lhe e a virar as páginas como_se quisesse chegar a o fim de uma história . E , apesar_de saber que nunca tinha ouvido o nome T._M._Riddle , continuava a ter a sensação de que lhe dizia alguma coisa , como_se Riddle fosse um amigo que ele tinha tido quando era muito pequeno e que estivesse meio esquecido . Mas era um absurdo . Nunca tivera amigos antes de Hogwarts , Dudley tivera esse cuidado . Ainda_assim , Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle , por isso em o dia seguinte foi até a a sala de os troféus para examinar a taça , acompanhado de Hermione que estava interessadíssima e de Ron que se mostrava profundamente incrédulo , dizendo que tinha ficado farto de aquela sala até a o fim de a vida . A taça dourada de Riddle estava arrecadada em um armário de canto . Não fornecia detalhes sobre o motivo por_que lhe fora dada ( felizmente , se fosse maior ainda hoje estava a limpá a , disse o Ron ) . Mas encontraram o nome de Riddle em uma antiga medalha de Mérito_Mágico e em uma lista de antigos chefes de turma . - Parece o Percy - comentou Ron , torcendo o nariz com aversão . - Prefeito , chefe de turma , provavelmente o melhor em todas_as disciplinas . - Dizes isso como_se fosse uma coisa má - fez lhe notar Hermione , em um tom de voz ressentido . Um sol fraco brilhava agora de_novo em Hogwarts . Dentro de o castelo , o ambiente estava bastante melhor . Não tinha havido novos ataques desde Justin e Nick quase sem cabeça e Madam_Pomfrey teve a satisfação de informar que as Mandrágoras começavam a ficar instáveis e dissimuladas , sinal de que estavam a abandonar rapidamente a infância . - Logo_que o acne desapareça estarão prontas para novo transplante - ouviu a Harry dizer amavelmente a o Filch . - E depois de isso , não demorará muito até podermos cortá as e estufá as . - Vai ter Mrs._Norris de volta , muito em_breve . Talvez o herdeiro ou herdeira de Slytherin tenha perdido a coragem , pensou Harry . Deve ser cada_vez_mais arriscado abrir a Câmara_dos_Segredos com a escola tão alerta e desconfiada . Talvez o monstro , qualquer_que_fosse , estivesse a preparar se para hibernar durante outros cinquenta anos . Ernie_Mcmillan_dos_Hufilepuff não aceitou esta visão optimista . Continuava convencido de que Harry era o culpado , que se tinha traído em o clube de os duelos . Peeves não ajudava nada : continuava a cantar por os corredores Potter , * seu bandido * ... agora acompanhado de um esquema de dança . Gilderoy_Lockhart parecia pensar que fora ele quem pusera fim a os ataques . Harry fartou se de o ouvir dizer isso a a professora Mc_Gonagall enquanto os Gryffindor formavam bicha para a aula de Transfiguração . - Não creio que volte a haver problemas , Minerva - disse , tocando em o nariz com ar conhecedor e piscando o olho . - Acho que desta_vez a câmara foi definitivamente selada . O culpado deve ter sabido que era uma questão de tempo até eu o apanhar e que era mais sensato parar agora antes que eu lhe tratasse de a saúde . Sabe , a escola está a precisar de um intensificador de animo para apagar as lembranças de o último período . Não vou dizer lhe mais_nada , por enquanto , mas julgo que sei o que ... Voltou a tocar em o nariz e afastou se a passos largos . A ideia de Lockhart de um intensificador de ânimo ficou bastante clara em o dia_14_de_Fevereiro , a o pequeno-almoço . Harry não dormira grande coisa devido a o treino de Quidditch em a noite anterior e chegou a o salão um_pouco atrasado . Pensou , por momentos , que se tinha enganado em a porta . As paredes estavam todas cobertas com enormes e medonhas flores cor-de-rosa . Pior ainda , * confettis * em forma de corações caíam de o tecto azul pálido . Harry dirigiu se a a mesa de os Gryffindor onde o Ron estava sentado com um ar enjoado junto de Hermione que parecia particularmente risonha . - O que se passa ? - perguntou lhes , sentando se e sacudindo os * confettis * de o seu bacon . Ron apontou para a mesa de os professores , com um ar demasiado repugnado para falar . Lockhart , em as suas vestes rosa vivo , a condizer com a decoração de o salão , fazia sinal para que se calassem . Os professores que o ladeavam tinham um ar estupefacto . De o seu lugar , Harry podia ver um músculo mover se em a bochecha de a professora Mc_Gonagall . Snape estava com ar de quem tomou uma imensa dose de xarope * skele-gro * . - Feliz dia de S._Valentim - gritou Lockhart . - E permitam me que agradeça a as quarenta_e_seis pessoas que até agora me enviaram cartões . Sim , fui eu quem tomou a liberdade de vos fazer esta pequena surpresa , e ela não acaba aqui ! Lockhart bateu as palmas e por as portas de o * hall * entraram a marchar cerca de uma_dúzia de duendes de aspecto carrancudo . Não eram uns duendes quaisquer , diga se de passagem . Lockhart fizera os usar asas douradas e transportar harpas . - Os meus amigos cupidos , portadores de os cartões ! gritou Lockhart . - Eles vão andar por a escola durante o dia de hoje , entregando os vossos cartões de S._Valentim . E o divertimento não acaba aqui . Tenho a certeza de que os meus colegas vão querer participar em este espírito de festa . Porque não pedir a o professor Snape que vos mostre como preparar rapidamente uma poção de amor . E , enquanto ele a prepara , está aqui o professor Flitwick que é de todos os feiticeiros que conheci aquele que mais sabe de encantamentos de sedução , o grande safado ! O professor Flitwick enterrou o rosto em as mãos . Snape olhava como_se quisesse dar veneno a a primeira pessoa que fosse pedir lhe a poção de o amor . - Por favor , Hermione , diz me que não foste uma de as quarenta_e_seis - pediu Ron quando saíram de o salão para a primeira aula . Mas Hermione ficou subitamente muito interessada em procurar o horário dentro de a mala e não lhe respondeu . Durante todo o dia os duendes não pararam de se intrometer em as aulas para entregar cartões , para grande aborrecimento de os professores e , ao_fim_da_tarde , quando os Gryffindor subiam as escadas para a aula de encantamentos , um de eles avistou o Harry . - Hei , tu , Harry_Potter ! - gritou um duende de aspecto particularmente lúgubre , dando cotoveladas a_toda_a gente para se aproximar de o Harry . Coradíssimo com a ideia de receber um cartão de S._Valentim diante_de uma fila de alunos de o primeiro ano que , por acaso , incluía Ginny_Weasley , Harry tentou escapar se . Mas o duende cortou lhe o caminho através de a multidão e agarrou o em três tempos . - Tenho uma mensagem musical para entregar a Harry_Potter em pessoa - disse , tangendo a harpa de forma ameaçadora . - Aqui não - disse baixinho o Harry , tentando escapar . - Fica quieto - grunhiu o duende , agarrando o saco de o Harry e puxando com força . - Larga me - disse ele rispidamente , dando um puxão . Com um ruído de tecido a rasgar se , o saco dividiu se em dois . Os livros de Harry , varinha , pergaminho e pena espalharam se por o chão enquanto o tinteiro se partia em cima de as outras coisas . Harry pôs se de gatas , tentando apanhar tudo antes que o duende começasse a cantar , provocando um engarrafamento em o corredor . - O que se passa aqui ? - perguntou a voz fria e afectada de Draco_Malfoy . Harry , nervosíssimo , começou a guardar tudo dentro de o saco rasgado , desesperado para sair de ali antes que Malfoy pudesse ouvir o seu S._Valentim musical . - Que confusão é esta ? - disse outra voz familiar . Percy_Weasley tinha chegado . De cabeça perdida , Harry tentou fugir , mas o duende agarrou o por os joelhos e fê lo cair a o chão . - Certo - disse , sentando se em os tornozelos de Harry . Eis o teu cartão musical : * _ Os olhos de ele são verdes como o sapo de o quintal * _ O seu cabelo é escuro como um temporal * _ É um desatino , oh ! ele é divino ! * _ O herói que venceu o Senhor_do_Mal * . Harry teria dado todo o ouro de Gringotts para se evaporar em aquele momento . Tentando corajosamente rir se com todos os outros , levantou se . Sentia os pés dormentes de o peso de o duende . Enquanto isso , Percy_Weasley fazia todos os possíveis por dispersar a multidão onde havia gente que chorava de hilaridade . - Vamos embora , vamos embora , a campainha tocou há cinco minutos para as aulas - dizia , enxotando alguns de os alunos mais novos . - E tu , Malfoy . Harry olhou e viu Malfoy inclinar se , apanhar qualquer coisa e com um olhar maldoso mostrá a a Crabbe e Goyle . Percebeu que era o diário de Riddle . - Dá cá isso - exigiu com toda_a calma . - O que será que o Potter escreveu aqui ? - disse Malfoy que obviamente não reparara em a data e pensou que tinha em as mãos o diário de o Harry . Houve uma agitação em os presentes . Ginny olhava apavorada para o diário e para Harry . - Dá lhe isso , Malfoy - disse Percy com firmeza . - Depois de dar uma vista de olhos - retorquiu Malfoy , acenando a Harry com o diário de forma provocatória . Percy disse : - Como Prefeito de a escola ... - mas Harry perdera a paciência . Pegou em a varinha e gritou * _ Expelliarmus * e assim_como Snape desarmara Lockhart , MalLoy viu o diário saltar lhe de as mãos e elevar se em o ar enquanto Ron o apanhava sorridente . - Harry - disse Percy levantando a voz . - Não quero magia em os corredores . Vou ter de participar isto , sabes perfeitamente . Mas Harry não se importou . Tinha ganho uma_vez a Malfoy e isso valia bem cinco pontos a menos para os Gryffindor . Malfoy estava furioso e quando a Ginny passou por ele a caminho de a sala de aula , gritou lhe com desprezo : - Não creio que o Potter tenha gostado lá muito de o teu cartão de S._Valentim . Ginny tapou a cara e correu para a aula . Aborrecido , Ron pegou também em a varinha , mas Harry afastou o . Era melhor que ele não passasse a aula de encantamentos a vomitar lesmas . Só quando entraram em a sala de aula de o professor Flitwick é_que Harry reparou em uma coisa bastante estranha em o diário de Riddle . Todos os outros livros estavam cheios de tinta vermelha , mas o diário mantinha se tão limpo como antes de o tinteiro se ter entornado em cima de ele . Tentou chamar a atenção de Ron para este facto , mas ele estava novamente a ter um problema com a varinha : de a extremidade saíam grandes bolhas roxas e ele não parecia interessado em mais_nada . Em essa noite , Harry foi deitar se antes de os outros companheiros de dormitório , em parte porque já não conseguia suportar o Fred e o George a cantarem * _ Os seus olhos são verdes como o sapo de o quintal * e em parte porque queria voltar a examinar o diário de Riddle e sabia que em a opinião de o Ron era uma pura perda de tempo . Sentou se em a cama de dossel e folheou as páginas em branco em as quais não se via uma única mancha de tinta escarlate . Tirou então outro tinteiro de o armário a o lado de a cama , molhou a pena e deixou cair um borrão em a primeira página de o diário . A tinta brilhou em o papel durante um segundo e , em seguida , como_se a página a tivesse sugado , desapareceu sem deixar rasto . Depois , finalmente , algo aconteceu . Deslizando sobre a página em a cor de a sua tinta , surgiram palavras que Harry não escrevera . - * _ Olá_Harry_Potter . O meu nome é Tom_Riddle . Como é_que encontraste o meu diário ? * Também estas palavras desapareceram , mas não sem que Harry tivesse respondido . - Alguém tentou lançá o em uma sanita . Esperou ansiosamente por a resposta de Riddle . - * _ Felizmente guardei as minhas memórias de uma forma mais duradoura do_que a tinta . Mas sempre soube que haveria quem não iria querer que o diário fosse lido . * - O que queres dizer com isso ? - escrevinhou Harry , borrando a página com o nervosismo . - * _ Quero dizer que este diário contém memórias de coisas terríveis . Coisas que foram abafadas . Coisas que aconteceram em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . * - É onde eu estou agora - escreveu Harry rapidamente . - Estou em Hogwarts e estão a acontecer coisas horríveis . Sabes alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? O coração parecia querer saltar lhe de o peito . A resposta de Riddle não se fez esperar , a letra tornara se mais desordenada como_se tivesse pressa em contar lhe tudo_o_que sabia . - * _ É claro que sei de a Câmara_dos_Segredos . Em o meu tempo diziam nos que era uma lenda , que não existia , mas era mentira . Quando eu estava em o quinto ano a Câmara_dos_Segredos foi aberta e o monstro atacou vários estudantes , acabando matar um . Eu apanhei a pessoa que abriu a câmara e ele foi expulso . Mas o director , o professor Dippet , envergonhado por uma coisa de aquelas ter acontecido em Hogwarts , proibiu me de contar a verdade . Foi divulgada uma história dizendo que a rapariga morrera de um acidente extravagante . Deram me um troféu brilhante com o meu nome gravado e avisaram me para ficar calado . Mas eu sabia que ia voltar a acontecer . O monstro sobreviveu e aquele que tinha o poder para o libertar não foi para a prisão . * Harry quase entornou o tinteiro em a pressa de responder . - Está a acontecer outra_vez . Houve três ataques e ninguém parece saber quem está por_detrás_de tudo_isto . Quem foi de a última vez ? - * _ Posso mostrar te , se quiseres * - foi a resposta de o Riddle . - * _ Não tens de acreditar só em a minha palavra . Posso levar te a o fundo de a minha memória de a noite em que o apanhei . * Harry hesitou com a pena em o ar sobre o diário . O que quereria ele dizer ? Como poderia entrar em a memória de outra pessoa ? Olhou inquieto para a porta de o dormitório que começava a ficar escuro . Quando pôs de_novo os olhos em o diário viu as palavras que se formavam . - * _ Deixa-me mostrar te . * Harry parou durante uma fracção de segundo e depois escreveu duas letras . - O. _ K._As páginas de o diário começaram a esvoaçar como_se tivessem sido apanhadas em uma ventania , parando a meio de o mês_de_Junho . Boquiaberto , Harry viu que o quadradinho de 13_de_Junho se transformara em um pequeno ecrã de televisão . Com as mãos ligeiramente trémulas levantou o livro para encostar os olhos a a janelinha e antes de perceber o que estava a passar se , deu consigo inclinado para a frente com a janela a abrir se . O corpo abandonava a cama e era lançado de cabeça , por a abertura de a página , em um turbilhão de cor e sombras . Sentiu os pés tocarem em terra firme e pôs se de pé a tremer enquanto as formas desfocadas se tornavam subitamente nítidas . Soube imediatamente onde estava . Aquela sala circular com os retratos adormecidos era o escritório de Dumbledore , mas não era Dumbledore quem estava atrás de a secretária . Um feiticeiro mirrado , de aspecto débil e quase careca lia uma carta a a luz de as velas . Harry nunca vira aquele homem antes . - Desculpe - disse com a voz a tremer . - Eu não queria intrometer me ... Mas o feiticeiro não olhou . Continuou a ler , franzindo levemente as sobrancelhas . Harry aproximou se de a secretária e gaguejou : - Er ... eu vou me embora , está bem ? E o feiticeiro continuou a ignorá o . Parecia nem_sequer ter ouvido . Pensando que talvez ele fosse surdo , Harry falou mais alto . - Desculpe tê o incomodado - disse quase a gritar . O feiticeiro dobrou a carta com um suspiro . Pôs se de pé , passou por Harry sem olhar para ele e foi abrir os cortinados de a janela . O céu , lá fora , estava vermelho-rubi . Devia ser o pôr de o Sol . O feiticeiro voltou para a secretária , sentou se e girou os polegares , olhando para a porta . Harry olhou em volta . Não viu Fawkes , a fénix , nem as engenhocas prateadas que sibilavam . Aquela Hogwarts era a que Riddle conhecera e , portanto , aquele feiticeiro desconhecido era o director de então , não Dumbledore e ele , Harry , era pouco mais que um fantasma , totalmente invisível a as pessoas de há cinquenta anos atrás . Alguém bateu a a porta . - Entre - disse o velho feiticeiro , em uma voz fraca . Um rapazinho de dezasseis anos entrou , tirando o chapéu pontiagudo . Em o seu peito brilhava um distintivo prateado de prefeito . Era muito mais alto do_que Harry , mas tinha , tal_como ele , cabelo preto asa de corvo . - Ah ! Riddle - disse o director . - Queria falar comigo , professor Dippet ? - perguntou ele com ar nervoso . - Senta te - disse Dippet . - Tenho estado a ler a carta que me mandaste . - Oh ! - exclamou Riddle , sentando se e apertando as mãos uma contra a outra . - Meu rapaz - disse Dippet amavelmente . - Eu não posso deixar te ficar em a escola durante o Verão . Com certeza queres ir para_casa em as férias ? - Não - respondeu Riddle , sem perder tempo . - Prefiro mil vezes ficar em Hogwarts a ter de voltar a aquela ... aquela ... - Tu vives em um orfanato de Muggles durante as férias , não é assim ? - perguntou Dippet com curiosidade . - Sim senhor - disse Riddle , corando um_pouco . - És filho de Muggles ? - Meio sangue , professor - explicou Riddle . - Pai_Muggle , mãe bruxa . - E o teu pai e a tua mãe ... - A minha mãe morreu pouco depois de eu nascer , professor , contaram me em o orfanato que só teve tempo de me dar o nome : Tom , como o meu pai , Marvolo como o meu avô . Dippet estalou a língua solidariamente . - O que acontece , Tom - suspirou - é_que ... podia ter se arranjado uma situação especial para ti , mas em as circunstâncias actuais ... - Refere se a os ataques , professor ? - perguntou Riddle e o coração de Harry deu um salto , aproximando se com medo de perder alguma coisa . - Precisamente - disse o director . - Meu rapaz , compreendes que seria uma imprudência de a minha parte deixar te ficar em o castelo quando o período acabar , principalmente a a luz de a recente tragédia ... a morte de aquela pobre moça ... estarás sem dúvida em maior segurança em o orfanato . Em a verdade , o ministro de a magia até fala em fechar a escola . Não estamos nada perto_de localizar ... er ... a fonte de toda esta história desagradável . Os olhos de Riddle tinham se aberto mais . - Professor , se essa pessoa fosse apanhada ... se tudo acabasse . . . - Que queres dizer com isso ? - perguntou Dippet com voz aguda , endireitando se em a cadeira . - Riddle , tu sabes alguma coisa sobre estes ataques ? - Não senhor - respondeu ele de imediato . Mas Harry sabia que era o mesmo tipo de « não » que ele dissera a Dumbledore . Dippet afundou se de_novo com um ar de profundo desapontamento . - Podes ir , Tom . Riddle esgueirou se de a cadeira e saiu de a sala . Harry seguiu o . Desceram por a escada em espiral , saindo junto de a gárgula em o corredor que escurecia . Riddle parou e Harry fez o mesmo , olhando para ele . Quase podia apostar que ele pensava seriamente em alguma coisa . Mordia o lábio e tinha as sobrancelhas franzidas . A certa altura , como_se tivesse acabado de tomar uma decisão , começou a andar mais depressa com Harry a segui o ruidosamente . Não viram mais ninguém , a não ser quando chegaram a o * hall * de entrada onde um feiticeiro alto de longos cabelos ruivos e barba chamou Riddle de a escadaria de mármore . - O que andas a fazer por aqui tão tarde , Tom ? Harry olhou para o feiticeiro . Não era outro senão Dumbledore com cinquenta anos a menos . - Tive de ir falar com o director - justificou se Riddle . - Bem , agora vai depressa para a cama - disse Dumbledore , olhando Riddle com aquele olhar penetrante que Harry conhecia tão bem . - É melhor não andar a passear por os corredores em os dias que correm , pelo_menos até ... Suspirou profundamente , deu as boas-noites a o Riddle e foi se embora . Riddle viu o desaparecer e , sem perder tempo , desceu os degraus de pedra até a os calabouços com Harry em a peugada . Mas para seu grande desconsolo , Riddle não o conduziu a nenhum corredor ou túnel secreto e sim a o calabouço onde ele costumava ter aulas de poções com o Snape . As tochas não tinham sido acesas e quando Riddle empurrou a porta quase fechada , Harry só conseguiu vê o a ele , de pé , quieto junto de a porta , olhando para o corredor . Pareceu a Harry que ficaram ali quase uma hora . Tudo_o_que via era a silhueta de Riddle junto de a porta , olhando fixamente através de a greta , a a espera . Como_se fosse uma estátua . E quando Harry tinha abandonado todas_as expectativas e começava a desejar voltar a o presente , ouviu alguma coisa que se movia atrás de a porta . Alguém avançava lentamente por o corredor . Ouviu a pessoa , quem quer que fosse , passar por o calabouço onde ele e Riddle estavam escondidos . Riddle , silencioso como uma sombra , esgueirou se por a porta e seguiu o com Harry em bicos de pés atrás de ele , esquecido de que podia fazer barulho a a vontade porque ninguém o ouvia . Durante cerca de cinco minutos seguiram lhe os passos até que Riddle parou repentinamente com a cabeça inclinada em a direcção de novos ruídos . Harry ouviu uma porta a abrir se e em seguida alguém falou em um murmúrio rouco . - Vá lá , temos que sair de aqui ... vá lá , dentro de a caixa ... Havia algo de familiar em aquela voz . Riddle deu subitamente uma volta e Harry seguiu o . Podia ver a silhueta escura de um rapaz enorme que estava inclinado em frente de a porta aberta , com uma grande caixa a o lado . - Boa noite , Rubeus - disse Riddle secamente . O rapaz fechou a porta e pôs se de pé . - O que estás a fazer aqui , Tom ? Riddle aproximou se . - Acabou se - disse . - Vou ter de entregar te , Rubeus . Falam em fechar Hogwarts se os ataques não terminarem . - O que é_que tu ... ? - Eu acho que tu não quiseste matar ninguém , mas os monstros não são os melhores animais domésticos . Tu só quiseste deixá o sair para andar um_pouco e ... - Ele não matou ninguém - disse o rapaz grande , recuando contra a porta fechada . Lá de dentro vinham uns estranhos roncos e rugidos . - Vamos , Rubeus - disse Riddle , aproximando se mais ainda . - Os pais de a rapariga que morreu estarão aqui amanhã . O mínimo que Hogwarts pode fazer é assegurar lhes que aquilo que matou a filha de eles foi abatido ... - Não foi ele - gemeu o rapaz cuja voz ecoou em o corredor escuro . - Ele não faria isso ... ele nunca ... - Afasta te - disse Riddle , pegando em a varinha . O encantamento iluminou o corredor com uma luz brilhante . A porta atrás de o rapaz grande abriu se de par em par com tanta força que o atirou contra a parede . E de lá de dentro saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito que ninguém mais ouviu a não ser ele próprio . Tinha um corpo imenso , magro e peludo e um emaranhado de pernas pretas , a cintilação de muitos olhos e um par de tenazes afiadas . Riddle levantou de_novo a varinha , mas era tarde de mais . A coisa deixara o atarantado e corria apressadamente , precipitando se por o corredor e desaparecendo . Riddle pôs se de pé , olhou a a procura de o monstro , levantou a varinha , mas o rapaz grande saltou sobre ele , tirou lhe a varinha de as mãos e lançou o a o chão , gritando : - Naaaaaão ! A cena rodopiou . A escuridão tornou se total . Harry sentiu se a cair e com um embate aterrou como uma águia de patas e asas abertas em a sua cama de dossel , em o dormitório de os Gryffindor , o diário de Riddle aberto sobre o estômago . Antes de ter tido tempo de normalizar a respiração , a porta de o dormitório abriu se e o Ron entrou . - Aí estás tu - disse . Harry sentou se . Transpirava e tremia . - O que se passa ? - perguntou Ron , olhando aflito para ele . - Foi o Hagrid , Ron . O Hagrid abriu a Câmara_dos_Segredos há cinquenta anos atrás . XIV_Cornelius_Fudge_Harry , Ron e Hermione sabiam há muito_tempo que Hagrid tinha uma triste predilecção por criaturas grandes e monstruosas . Em o primeiro ano que passaram em Hogwarts , ele tentara criar um dragão em a sua pequena cabana de madeira e levaram muito_tempo a esquecer o gigantesco cão de três cabeças que ele baptizara de « fofinho » . E se , em rapaz , Hagrid tinha ouvido dizer que havia um monstro escondido em o castelo , Harry tinha a certeza que ele teria feito os impossíveis por descobri o . Provavelmente achou que era uma injustiça o monstro estar fechado tanto tempo e pensou que ele merecia a oportunidade de esticar as suas muitas pernas . Harry imaginava perfeitamente o Hagrid a os treze anos a tentar pôr uma coleira e uma trela a o monstro . Mas tinha igualmente a certeza de que ele nunca teria querido matar ninguém . De certo modo , Harry desejava não ter descoberto como utilizar o diário de Riddle . Ron e Hermione fizeram o contar repetidas vezes o que vira até ele ficar farto de repetir o mesmo e farto de a conversa circular que se seguia . - O Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse , de essa vez , Hermione . - O monstro que atacava as pessoas podia ser outro .... - Quantos monstros achas tu que pode haver em este lugar ? - perguntou o Ron aborrecido . - Sempre soubemos que o Hagrid tinha sido expulso - disse Harry tristemente - E os ataques devem ter terminado quando ele foi expulso . Se não fosse assim , Riddle não teria recebido um prémio . Ron tentou um caminho diferente . - O Riddle parece o Percy , quem lhe pediu afinal que deitasse abaixo o Hagrid ? - Mas o monstro tinha morto uma pessoa , Ron - insistiu Hermione . - E o Riddle ia ter de voltar para um orfanato Muggle se Hogwarts fosse fechada - disse Harry . - Não posso culpá o por querer ficar aqui ... Ron mordeu o lábio e a seguir sugeriu : - Tu encontraste o Hagrid em a Rua * _ Bativolta * , não foi ? - Ele estava a comprar repelente para lesmas - disse Harry rapidamente . Ficaram os três em silêncio . Depois de uma longa pausa , Hermione , em uma voz hesitante , formulou a pergunta mais complicada de todas : - Não acham que devíamos ir ter com ele e perguntar lhe ? - Essa seria uma visita simpática - disse o Ron . - Olá , Hagrid , diz nos uma coisa , soltaste por acaso alguma coisa louca e peluda por o castelo em estes últimos tempos ? Por fim , decidiram não dizer nada a o Hagrid a_não_ser_que houvesse outro ataque e à_medida_que passava mais tempo sem murmúrios de a voz sem corpo começaram a acreditar , esperançosos , que nunca mais teriam de falar sobre o motivo por_que fora expulso . Tinham passado já quase quatro meses desde o dia em que o Justin e o Nick quase sem cabeça tinham sido petrificados e quase toda_a_gente parecia pensar que o atacante , quem quer que ele fosse , se retirara para sempre . Peeves fartara se de a sua canção * _ Oh_Potter , seu bandido * , Ernie_Mcmillan pediu educadamente a o Harry , em a aula de herbologia , que lhe passasse um balde de cogumelos saltitantes e , em Março , várias mandrágoras deram uma festa ruidosa e roufenha em a estufa número três . A professora Sprout estava muito satisfeita . - Mal elas comecem a tentar mover se para os vasos umas de as outras , saberemos que estão maduras - disse ela a o Harry . - Nessa_altura poderemos reanimar aquelas pobres criaturas que estão em a ala hospitalar . Os alunos de o segundo ano tinham agora uma coisa nova em que pensar durante as férias de a Páscoa . Chegara a altura de escolherem as matérias de o terceiro ano , um assunto que Hermione , pelo_menos , tomou muito a sério . - Pode afectar todo o nosso futuro - disse a o Harry e a o Ron a o vê os ler cuidadosamente as listas de as novas matérias e pôr um V em frente de cada uma . - Eu só quero ver me livre de as poções - disse Harry . - Não podemos - explicou Ron tristemente . - Mantemos todas_as matérias antigas ou eu teria me livrado de a Defesa contra as artes negras . - Mas é muito importante - disse Hermione chocada . - Não de a maneira como Lockhart a dá - insistiu Ron . - Não aprendi nada até agora a não ser a nunca mais libertar duendes . Neville_Longbottom recebera cartas de todas_as bruxas e feiticeiros de a família , cada_um dando um conselho diferente sobre o que ele deveria escolher . Confuso e preocupado , sentou se a ler a lista de matérias , dando estalinhos com a língua e perguntando a as pessoas se achavam que a aritmancia seria mais difícil do_que o estudo de as runas em a Antiguidade . Dean_Thomas que , tal_como Harry , fora criado com Muggles , acabou por fechar os olhos e atirar a varinha contra a lista , escolhendo as matérias onde ela aterrava . Hermione não pediu conselho a ninguém e inscreveu se em todas . Harry sorriu de si para consigo imaginando como seria uma conversa com o tio Vernon e com a tia Petúnia sobre a sua carreira em feitiçaria . Não que não tivesse tido orientação : Percy_Weasley estava ansioso por partilhar a sua experiência . - Tudo depende de o lugar para_onde queres ir , Harry - disse ele . - Nunca é cedo de mais para pensar em o futuro , por isso eu aconselho te a adivinhação . As pessoas dizem que os estudos de Muggles são uma opção leve mas eu , pessoalmente , acho que os feiticeiros deveriam ter uma compreensão profunda de a comunidade não mágica , muito especialmente se pensarem em trabalhar em íntimo contacto com eles . Vê o meu pai que tem de lidar com assuntos de os Muggles a_toda_a hora . O meu irmão Charles foi sempre mais um tipo de o exterior , por isso foi para o Centro_de_Cuidados com as Criaturas_Mágicas . Segue os teus sentimentos , Harry . Mas a única coisa em que Harry sentia que era mesmo bom era o Quidditch . Por fim , acabou por escolher as mesmas matérias que o Ron escolhera , pensando que se fosse péssimo em elas pelo_menos tinha alguém amigo para o ajudar . O próximo jogo de Quidditch_dos_Gryffindor era contra os Hufflepuff . Wood insistia em treinos de equipa todas_as noites depois de jantar , por isso Harry não tinha tempo para mais_nada a não ser para o Quidditch e para os trabalhos de casa . Mas as sessões de treino estavam a melhorar ou pelo_menos estavam mais secas e em a véspera de o jogo de sábado ele foi a o dormitório guardar a vassoura , sentindo que as hipóteses de os Gryffindor ganharem a taça de Quidditch nunca tinham sido tão boas . Mas a sua boa disposição não durou muito . Em o cimo de as escadas que levavam a o dormitório encontrou o Neville_Longbottom nervosíssimo . - Harry , não sei quem fez aquilo , eu fui encontrar ... Olhando receoso para Harry , Neville empurrou a porta . O conteúdo de a mala de Harry fora espalhado por toda_a divisão . O seu manto estava em o chão rasgado . A roupa de cama tinha sido puxada de a cama de dossel e a gaveta de o armário que se encontrava a a cabeceira de a cama fora arrancada , estando o seu conteúdo espalhado sobre o colchão . Harry aproximou se de a cama boquiaberto , pisando algumas páginas soltas de * _ Viagens com Duendes * . Quando ele e Neville estavam a puxar os cobertores para_cima , entraram o Ron e o Dean_Seamas . Dean praguejou alto . - O que é isto , Harry ? - Não faço ideia - disse ele . Mas o Ron estava a examinar as vestes de Harry e todos os bolsos estavam de o avesso . - Alguém andou a a procura de qualquer coisa - disse o Ron . - Dás por falta de alguma coisa ? Harry começou a apanhar o que estava caído , lançando tudo dentro de a mala . Só quando atirou o último livro de Lockhart é_que se apercebeu do_que faltava . - O diário de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a o Ron . - O quê ? Harry fez lhe sinal em direcção a a porta de o dormitório e apressaram se a chegar a a sala comum de os Gryffindor que estava quase vazia e onde foram encontrar Hermione sozinha a ler * _ As_Runas_Antigas a o Alcance_de_Todos * . Hermione ficou aterrada com as notícias . - Mas ... só um Gryffindor podia tê o roubado ... ninguém mais conhece a nossa senha ... - Exactamente - disse Harry . Acordaram em o dia seguinte com um sol brilhante e uma brisa agradável . - Condições ideais para o Quidditch ! - exclamou Wood , cheio de entusiasmo , a a mesa de os Gryffindor , enchendo os pratos de os elementos de a sua equipa de ovos mexidos . - Harry , anima te , precisas de um pequeno-almoço decente . Harry tinha estado a olhar para a mesa cheia de alunos de os Gryffindor , perguntando a si próprio se o novo dono de o diário de Riddle estaria ali mesmo em frente de os seus olhos . Hermione insistira para que ele participasse o roubo mas ele não gostou de a ideia . Teria de contar a um professor tudo sobre o diário , e quantas pessoas saberiam o motivo por_que Hagrid fora expulso há cinquenta anos ? Não queria ser ele a fazer com que relembrassem tudo aquilo . Quando saiu de o salão com o Ron e a Hermione para ir buscar o material de Quidditch , outra preocupação viera juntar se a a sua lista cada_vez maior . Tinha acabado de pisar os degraus de a escadaria de mármore quando ouviu de_novo a voz : - * _ Matar desta_vez ... deixem me rasgar ... romper * ... Deu um grito e Ron e Hermione saltaram alarmados . - A voz - disse Harry , olhando por cima de os ombros de eles . - Acabo de a ouvir de_novo , vocês não ouviram nada ? Ron abanou a cabeça de olhos muito abertos Mas_Hermione bateu com a mão em a testa . - Harry , acho que percebi uma coisa . Tenho que ir a a biblioteca . E disparou a correr por as escadas acima . - O que é_que ela percebeu ? - disse Harry distraidamente , ainda a olhar em volta , tentando determinar de onde vinha a voz . - Mas porque teve ela que ir a a biblioteca ? - Porque a Hermione é assim - disse o Ron , encolhendo os ombros - Quando tem uma dúvida , vai a a biblioteca . Harry manteve se hesitante , tentando captar novamente a voz mas as pessoas começavam a sair de o salão , falando alto , passando por a porta principal e encaminhando se para o estádio de Quidditch . - É melhor ires indo - aconselhou Ron . - São quase onze horas , olha o jogo . Harry deu uma corrida até a a torre de os Gryffindor , pegou em a sua Nimbus dois_mil e juntou se a a vasta multidão que enchia os campos , mas o seu pensamento estava ainda em o castelo , em aquela voz sem corpo e quando pôs as roupas vermelhas , o seu único conforto foi pensar que estavam todos lá fora para assistir a o jogo . As equipas entraram em campo a o som de um tumulto de aplausos . Oliver_Wood fez um voo de aquecimento em volta de os postes , Madam_Hooch soltou as bolas . Os Hufflepuff que tinham fatos amarelo-canário estavam reunidos em grupo em uma discussão de última hora sobre as tácticas . Harry subia para a vassoura quando a professora Mc_Gonagall atravessou o campo , meio a andar , meio a correr , transportando um enorme megafone roxo . O coração de Harry caiu lhe a os pés . - Este jogo foi cancelado - gritou por o megafone a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a o estádio apinhado . Ouviram se Uuuus e assobios . Oliver_Wood , com um ar infelicíssimo , aterrou e correu para a professora McGonagall sem sair de a vassoura . - Mas , professora - gritou - temos de jogar ... a taça ... os Gryffindor ... A professora Mc_Gonagall ignorou o e continuou a gritar por o megafone . - Pede se a os estudantes que regressem a as salas comuns de as respectivas equipas onde os chefes de equipa lhes darão mais informações . O mais depressa possível , se fazem favor ! Em seguida , baixou o megafone e fez sinal a o Harry para que se aproximasse . - Potter , é melhor vires comigo ... Perguntando a si próprio que suspeita poderia ela ter contra ele , desta_vez , Harry viu Ron desligar se de a multidão discordante e vir a correr juntar se lhes , enquanto eles se dirigiam para o castelo . Para sua grande surpresa Mc_Gonagall não pôs qualquer objecção . - Sim , talvez seja melhor vires também , Weasley . Alguns de os estudantes que os rodeavam reclamavam por o jogo ter sido cancelado , outros tinham um ar preocupado . Harry e Ron seguiram a professora Mc_Gonagall de volta a a escola e através de a escadaria de pedra . Mas desta_vez não foram levados a nenhum escritório . - Isto vai chocar vos um_pouco - disse a professora Mc_Gonagall em um tom de voz surpreendentemente suave quando estavam a aproximar se de a ala hospitalar . - Houve outro ataque ... outro ataque duplo . As vísceras de o Harry deram um salto mortal . A professora Mc_Gonagall abriu a porta e ele e Ron entraram . Madam_Pomfrey estava inclinada sobre uma rapariga de o quinto ano de cabelos longos a os caracóis que Harry reconheceu como sendo a colega de os Ravenclaw a quem , por engano , tinham perguntado o caminho para a sala comum de os Slytherin . E , em a cama a o lado de ela , estava ... - Hermione - gemeu o Ron . Hermione jazia totalmente quieta , os olhos abertos e vítreos . - Foram encontradas perto de a biblioteca - disse a professora Mc_Gonagall . - Calculo que nenhum de vocês possa explicar isto ? Estava em o chão , junto de ela . A professora tinha em as mãos um pequeno espelho redondo . Harry e Ron acenaram negativamente com as cabeças , ambos com os olhos fixos em Hermione . - Eu acompanho vos a a torre de os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall pesadamente . - De qualquer modo tenho de falar com os alunos . - Os alunos regressarão a as salas comuns de as respectivas equipas , todos_os_dias , a as seis_horas_da_tarde . Nenhum aluno deverá sair de os dormitórios depois de isso . Serão escoltados até a as aulas por um professor . Nenhum aluno deverá ir a a casa_de_banho sem um professor a acompanhá o . Todos os treinos e jogos de Quidditch estão suspensos a_partir_de agora . Não haverá mais actividades nocturnas . Os Gryffindor , que enchiam a sala comum , ouviram em silêncio a professora Mc_Gonagall . Ela enrolou o pergaminho que acabara de ler e disse em uma voz algo chocada : - Não é preciso acrescentar que nunca me senti tão desolada . É provável que a escola seja encerrada se não for apanhado o culpado de todos estes ataques . Quero pedir que se algum de vocês achar que sabe alguma coisa sobre eles venha imediatamente ter comigo . Mal ela subiu , de forma um_pouco desastrada , por o buraco de o retrato , os Gryffindor começaram logo a falar . - São dois Gryffindor a menos , sem contar com o fantasma de os Gryffindor , um Ravenclaw e um Hufflepuff - disse o amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , contando por os dedos . - Não terá nenhum de os professores reparado que os Slytherin estão a salvo ? Será que não é óbvio que tudo_isto vem de eles ? O herdeiro de Slytherin , o monstro de Slytherin , porque não expulsam todos os Slytherin ? - resmungou , recebendo acenos e aplausos de todos os lados . Percy_Weasley estava sentado em uma cadeira atrás_de Lee , mas por uma_vez não pareceu querer expor os seus pontos de vista . Estava pálido e aturdido . - O Percy está em estado de choque - disse o George baixinho a o Harry . - Aquela rapariga de os Ravenclaw , Penelope_Clearwater , é prefeita . Acho que ele nunca tinha pensado que o monstro pudesse atacar um prefeito . Mas Harry não estava a ouvi o com atenção . Não conseguia esquecer a imagem de Hermione deitada em a cama de o hospital , como_se estivesse esculpida em pedra . E se o culpado não fosse apanhado rapidamente tinha em a frente uma vida inteira com os Dursley . Tom_Riddle entregara o Hagrid porque fora confrontado com a possibilidade de um orfanato Muggle se a escola fechasse . Harry sabia exactamente o que ele sentira . - Que vamos nós fazer ? - disse lhe o Ron baixinho a o ouvido . - Achas que eles suspeitam de o Hagrid ? - Temos de falar com ele - disse Harry , tomando uma decisão . - Não acredito que tenha culpa desta_vez , mas se ele libertou o monstro há cinquenta anos , sabe com certeza como entrar em a Câmara_dos_Segredos , o que já é um princípio . - Mas a Gonagall disse que temos que ficar em a torre a_não_ser_que estejamos em as aulas ... - Eu acho - disse Harry ainda mais baixo - que chegou a altura de tirar outra_vez de a mala o manto de o meu pai . Harry herdara apenas uma coisa de o pai : o enorme manto prateado de a invisibilidade . Era a única maneira de poderem esgueirar se de a escola para fazer uma visita a o Hagrid , sem que ninguém de esse por isso . Deitaram se a a hora de o costume , esperaram que o Neville , o Dean e o Seamas adormecessem para se levantarem , vestirem se de_novo e taparem se com o manto . A viagem por os corredores de o castelo escuro e deserto não era nada agradável . Harry que vagueara por ali muitas_vezes durante a noite nunca vira tanta gente depois de o pôr de o Sol . Professores , prefeitos e fantasmas andavam por os corredores a os pares , olhando em volta , em busca de qualquer actividade fora de o habitual . O manto de a invisibilidade não impedia que fizessem barulho e houve um momento particularmente tenso em que o Ron deu uma topada a menos_de um metro de o lugar onde Snape se encontrava . Felizmente Snape espirrou em o preciso momento em que o Ron praguejava . Foi com grande alívio que chegaram a as portas de carvalho de a entrada principal . Estava uma noite clara e cheia de estrelas . Dirigiram se apressadamente para as janelas iluminadas de a casa de Hagrid e só tiraram o manto mesmo em frente de a porta . Poucos segundos depois de terem batido abriu se a porta . Ficaram frente_a_frente com Hagrid que lhes apontou uma besta enquanto Fang , o cão caçador de javalis , ladrava furiosamente atrás de ele . - Oh ! - disse , baixando a arma quando viu que eram eles . - O que estão vocês a fazer aqui ? - Para que é isso ? - perguntou Harry , apontando para a besta , enquanto entrava . - Nada , não é nada - murmurou Hagrid . - Tenho estado a a espera ... não tem importância , sentem se que eu vou fazer um chá . Dava a impressão de não saber o que fazia . Quase apagou a lareira , vertendo a água de a chaleira em o lume e em seguida esmagou o bule com um gesto de a sua mão maciça . - Estás bem , Hagrid ? - perguntou Harry . - Soubeste de a Hermione ? - Soube , sim - disse ele com um leve tremor em a voz . Continuava a olhar nervosamente para as janelas . Deu lhe os duas grandes canecas de água a ferver ( esquecera se de juntar o chá ) e estava a acabar de pôr em um prato uma fatia grossa de bolo de frutas quando alguém bateu energicamente a a porta . Hagrid deixou cair o bolo . Harry e Ron trocaram entre si olhares de pânico e , em seguida , cobriram se com o manto de a invisibilidade e esconderam se em um canto . Hagrid assegurou se de que eles estavam bem escondidos , pegou em a besta e abriu , mais_uma_vez , a porta . - Boa noite , Hagrid . Era_Dumbledore . Entrou com um ar muito sério , seguido de um homem bizarro . O estranho era um homenzinho pequenino , de porte majestoso com cabelos grisalhos desalinhados e uma expressão de ansiedade em o rosto . Usava uma inesperada mistura de roupas . Um fato a as riscas , uma gravata vermelho escarlate , um longo manto negro e umas botas roxas pontiagudas . Debaixo de o braço trazia um chapéu de coco verde lima . -- É o patrão de o meu pai - murmurou o Ron . Cornelius_Fudge , o ministro de a magia ! Harry deu lhe uma valente cotovelada para o fazer calar se . Hagrid tinha ficado suado e pálido . Deixou se cair em uma de as cadeiras e olhava de Dumbledore_para_Cornelius_Fudge . - Más notícias , Hagrid - disse Fudge em um tom bastante grave . - Muito más notícias . Tive de vir . Quatro ataques a filhos de Muggles , as coisas foram longe_de mais . O ministério tem que tomar uma atitude . - Eu nunca ... - disse Hagrid , parecendo implorar a Dumbledore . - O senhor sabe que eu nunca ... professor Dumbledore , o senhor ... - Quero que fique claro , Cornelius , que Hagrid tem a minha total confiança - afirmou Dumbledore , franzindo as sobrancelhas . - Olha , Albus - disse Fudge pouco a a vontade - a ficha de o Hagrid depõe contra ele . O ministério tem de fazer alguma coisa , o Conselho_Directivo de a escola tem se reunido ... - Mesmo_assim , Cornelius , devo dizer te mais_uma_vez que levar o Hagrid de aqui não vai ajudar em nada - afirmou Dumbledore com os olhos azuis com um fogo que Harry nunca vira antes . - Tenta compreender o meu ponto de vista - insistiu Fudge , brincando com o chapéu . - Estou a ser tremendamente pressionado , tenho de mostrar que faço alguma coisa . Se se provar que não foi o Hagrid , ele voltará e não se fala mais em o assunto . Mas tenho de levá o , tem de ser , não estaria a cumprir a minha obrigação se ... - Levar me ? - perguntou Hagrid a tremer . - Levar me para_onde ? - É uma pena curta - disse Fudge , sem o olhar em os olhos . - Não é um castigo , Hagrid , chamemos lhe antes uma precaução . Se mais alguém for apanhado , tu sais com todas_as nossas desculpas . - Não é para Azkaban ? - balbuciou Hagrid . Mas antes que Fudge tivesse tido tempo de responder , ouviu se bater mais_uma_vez a a porta . Dumbledore abriu . Foi a vez de Harry levar uma cotovelada em as costas : soltara um gemido audível . Mr._Lucius_Malfoy entrou em a cabana de o Hagrid embrulhado em uma longa capa preta de viagem , com um sorriso frio de satisfação . O Fang começou a rosnar . - Já está aqui , Fudge ? - disse de forma aprovadora . - Muito bem , muito bem ... - O que estás a fazer aqui ? - perguntou Hagrid furioso . - Sai imediatamente de a minha casa . - Meu bom homem , acredite que não tenho prazer nenhum em entrar em a sua ... er ... chamou lhe casa ? - disse Lucius_Malfoy , sorrindo sarcasticamente enquanto observava a pequena divisão . - Eu limitei me a ir a a escola e disseram me que o director estava aqui . - E o que queres de mim , Lucius ? - perguntou Dumbledore . O seu tom de voz era educado mas em os olhos azuis brilhava ainda o mesmo fogo . - Uma notícia horrível , Dumbledore - disse Mr._Malfoy de forma arrastada , pegando em um grande rolo de pergaminho . - Mas os membros de o conselho pensam que é altura de tu saíres . Isto_é uma ordem de suspensão , tens aí doze assinaturas . Lamento muito mas em a nossa opinião estás a perder a firmeza . Quantos ataques houve até agora ? Mais dois hoje a a tarde , não foi ? A este ritmo vão acabar todos os filhos de Muggles em Hogwarts e todos sabemos que seria uma terrível perda para a escola . - O que é isso , Lucius ? - protestou Fudge com ar alarmado . - O Dumbledore suspenso não ... não , seria a última coisa que desejaríamos em este momento ... - A nomeação ou suspensão , de o director é de a competência de os membros de o Conselho_Directivo , Fudge - disse suavemente Mr._Malfoy . - E como Dumbledore não foi capaz de pôr cobro a estes ataques ... - Oh ! Lucius , se Dumbledore não conseguiu - disse Fudge com o lábio superior a suar . - Quem irá conseguir ? - Isso está para se ver - disse Mr._Malfoy com um sorriso mesquinho . - Mas como os doze votamos ... Hagrid pôs se de pé em um salto , o cabelo preto hirsuto a roçar em o tecto . - E quantos tiveste de chantajar para concordarem contigo , Malfoy ? - Meu caro Hagrid , sabe que esse seu temperamento ainda acaba por lhe criar problemas um dia de estes - disse Mr._Malfoy . - Não o aconselho a gritar assim com os guardas de Azkaban . Eles não iriam gostar nada . - Não podes levar Dumbledore - gritou Hagrid , fazendo Fang , o cão caçador de javalis , agachar se e ganir em o seu cesto . - Sem ele , os filhos de os Muggles não têm qualquer hipótese . A seguir haverá mortes . - Acalma te , Hagrid - disse Dumbledore de forma cortante , olhando para Lucius_Malfoy . - Se os membros de o conselho querem substituir me , eu sairei , claro . - Mas - interrompeu Fudge . - Não - rosnou Hagrid . Dumbledore não tirara os seus olhos azuis brilhantes de os olhos cinzentos e frios de Lucius_Malfoy . - Contudo - disse , pronunciando cada palavra lenta e claramente para que nenhum de eles perdesse o seu sentido - verás que só deixarei verdadeiramente esta escola quando ninguém aqui me for leal . Descobrirás também que será sempre dada ajuda em Hogwarts a quem a pedir . Por um segundo , Harry teve quase a certeza de que os olhos de Dumbledore tremelaziram em direcção a o canto onde ele e Ron estavam escondidos . - Sentimentos admiráveis - disse Malfoy , fazendo uma vénia . - Todos nós vamos sentir a tua ... forma muito pessoal de fazer as coisas , Albus . Só espero que o teu sucessor consiga evitar qualquer ... crime . Dirigiu se a a porta de a cabana , abriu a e fez sinal a Dumbledore para que passasse a a sua frente . Fudge , mexendo nervosamente em o chapéu de coco , esperou que Hagrid fizesse o mesmo mas ele ficou quieto , respirou fundo e disse prudentemente : - Se alguém quiser descobrir alguma coisa , o que tem a fazer é seguir as aranhas . Elas indicarão o caminho , é tudo_o_que vos digo . Fudge olhou para ele espantado . - Está bem , eu vou - disse Hagrid , pegando em o seu sobretudo de pêlo de toupeira . Mas quando ia seguir o Fudge e sair por a porta , parou e disse em voz alta : - E alguém tem de dar de comer a o Fang enquanto eu não estiver cá . A porta fechou se ruidosamente e Ron tirou o manto de a invisibilidade . -- Estamos outra_vez em uma alhada - disse com voz rouca - Sem o Dumbledore podem fechar a escola já esta noite . Sem ele vai haver um ataque por dia . O Fang começou a ganir , arranhando a porta fechada . XV_Aragog_O_Verão insinuava se em os campos em volta de o castelo . O céu e o lago tinham se tornado de um azul-molusco e as flores , grandes como couves , começavam a florir em as estufas . Mas sem o Hagrid , que ele costumava avistar de o castelo , atravessando os campos com o Fang atrás , parecia a Harry que a paisagem não estava completa . Não era melhor dentro de o castelo onde tudo corria horrivelmente mal . O Harry e o Ron tinham tentado visitar a Hermione , mas as visitas a o hospital estavam proibidas . - Não vamos correr mais riscos - disse lhes Madam_Pomfrey com ar severo , através_de uma fresta de a porta de o hospital . Não , lamento , há muitas hipóteses de o atacante voltar para acabar de vez com estas pessoas ... Com Dumbledore longe , o medo espalhara se como nunca acontecera antes , de_tal_modo_que o sol que aquecia as paredes de o castelo por fora parecia parar junto de as janelas de pinázios . Não se via um único rosto em a escola que não andasse tenso e preocupado e qualquer gargalhada , em os corredores , se tornava incómoda e antinatural e era rapidamente abafada . Harry repetia constantemente , de si para consigo , as últimas palavras que ouvira a Dumbledore : - * _ Só terei verdadeiramente deixado esta escola quando ninguém me for leal ... será sempre dada ajuda , em Hogwarts , a quem a pedir * . Qual seria o significado exacto de aquelas palavras ? A quem deveria pedir ajuda quando todos estavam tão confusos assustados como ele ? A alusão de Hagrid a as aranhas era bastante mais fácil de entender . O problema era que parecia não ter restado uma única aranha em o castelo para eles a poderem seguir . Harry procurou por todo o lado com a ajuda relutante de o Ron . As coisas estavam dificultadas por o facto de não poderem andar sozinhos e terem de se deslocar em grupo dentro de o castelo , juntamente com outros Gryffindor . A maior parte de os alunos gostava de ser conduzida como carneiros de uma aula para a outra por os professores mas Harry achava horrível . Havia , contudo , uma pessoa que parecia apreciar aquela atmosfera de terror e suspeitas . Draco_Malfoy passeava empertigado por a escola como_se tivesse sido nomeado para chefe de turma . Harry só compreendeu o motivo de toda aquela boa disposição cerca de quinze_dias depois de Dumbledore e Hagrid se terem ido embora quando , em uma aula de poções , o ouviu falar com o Crabbe e o Goyle . - Sempre achei que seria o pai quem conseguiria livrar nos de o Dumbledore - disse sem a menor preocupação em baixar a voz . - Já vos disse , segundo ele , Dumbledore foi o pior director que a escola alguma vez teve . Talvez agora venha um director decente que não queira a Câmara_dos_Segredos fechada . A Mc_Gonagall não vai durar muito , está só a ... O Snape passou por Harry , sem fazer comentários a o caldeirão e a a cadeira vazia de Hermione . - Professor - disse Malfoy em voz alta . - Professor , porque não se candidata a o lugar de director ? - Ora , ora , Malfoy - respondeu Snape , sem conseguir esconder um meio sorriso . - O professor Dumbledore foi apenas suspenso por os membros de o conselho de direcção , certamente vai voltar um dia de estes . - Sim , claro - disse Malfoy com o seu sorriso escarninho . - Acho que se o professor quisesse candidatar se a o lugar teria o voto de o pai . Eu vou dizer lhe que o acho o melhor professor de a escola . Snape sorriu enquanto passeava de um lado para o outro em o calabouço , não tendo felizmente visto o Seamus_Finnigan que fingia vomitar para dentro de o caldeirão . - Estou espantado por ver que até agora os sangues de lama ainda não fizeram as malas e não desapareceram - prosseguiu Malfoy . - Aposto cinco galeões em como o próximo morre . Pena que não tenha sido a Granger ... A campainha tocou em esse momento o que foi uma sorte porque a o ouvir as últimas palavras de Malfoy , Ron deu um salto , mas em a barafunda de guardar os livros em os sacos , a sua tentativa de agarrar o Malfoy passou despercebida . - Deixem me - gritava o Ron enquanto o Harry e o Dean lhe agarravam os braços . - Não preciso de varinha , vou dar cabo de ele com as minhas mãos ... - Despachem se , tenho de conduzir vos a a aula de herbologia - praguejava o Snape acima de as cabeças de os alunos . E lá foram como cordeirinhos com Harry , Ron e Dean em a retaguarda , o Ron ainda a tentar libertar se . Só acharam seguro largá o quando Snape os deixou fora de o castelo e iniciaram o percurso por o meio de a horta em direcção a as estufas . A aula de herbologia estava reduzida . Tinha agora dois alunos a menos : Justin e Hermione . A professora Sprout pô os a trabalhar , podando as figueiras-da-abissínia . Harry foi despejar uma braçada de hastes secas em um monte de adubo e deu consigo cara a cara com Ernie_Mcmillan . Ernie respirou fundo . - Só quero dizer te , Harry que lamento ter suspeitado de ti . Sei que nunca atacarias a Hermione_Granger e peço te desculpa por todas_as coisas que disse . Estamos todos em o mesmo barco , agora e , bem ... Estendeu lhe uma mão rechonchuda que o Harry apertou . Ernie e a sua amiga Hannah foram trabalhar em a mesma figueira com o Harry e o Ron . - Aquele tipo , Draco_Malfoy - disse Ernie , partindo pequenos galhos - , parece muito satisfeito com isto tudo , não acham ? É bem possível que ele seja o herdeiro de Slytherin . - Uma observação inteligente de a tua parte - disse o Ron que parecia não ter desculpado Ernie tão facilmente como o Harry . - Acham que é ele ? - perguntou Ernie . - Não - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Hannah ficaram a olhar espantados . Um segundo depois , Harry avistou qualquer coisa que o levou a chamar a atenção de o Ron , batendo lhe em a mão com a tesoura de podar . - Au ... o que é_que tu ... ? Harry apontava para o chão , a poucos centímetros de distância . Várias aranhas grandes corriam precipitadamente por a terra fora . - Ah ! sim - disse o Ron , tentando , sem conseguir , mostrar se entusiasmado . - Mas não podemos seguis as agora ... Ernie e Hannah ouviam nos com curiosidade . Harry viu as aranhas desaparecerem . - Parecem ir em a direcção de a floresta proibida ... E o Ron ficou ainda mais infeliz a o ouvir aquilo . Em o final de a aula , o professor Snape acompanhou os alunos a a « Defesa contra as artes negras » . Harry e Ron foram atrás de os outros para poderem conversar sem serem ouvidos . - Temos de usar outra_vez o manto de a invisibilidade - disse Harry a o Ron . - Podemos levar connosco o Fang , ele está habituado a ir a a floresta com o Hagrid , pode ser uma boa ajuda . - Certo - disse o Ron , que fazia girar nervosamente a varinha em os dedos . - Er ... não costuma haver ... não costuma haver lobisomens em a floresta ? - acrescentou enquanto ocupavam os lugares de o costume em a aula de o Lockhart . Preferindo não responder a a pergunta , Harry disse : - Também há lá coisas boas . Os centauros são fixes e os unicórnios . Ron nunca estivera em a floresta proibida , Harry fora lá só uma_vez e desejara não ter de lá voltar . Lockhart deu um salto para dentro de a sala de aula e os alunos ficaram espantados a olhar para ele . Todos os outros professores andavam mais tristes do_que o habitual mas Lockhart parecia sentir se em as nuvens . - Então , então - exclamou , olhando em volta . - Porquê essas caras deprimidas ? Lançaram lhe olhares exasperados mas ninguém respondeu . - Não compreendem - disse , falando devagar como_se fossem todos um_pouco estúpidos - que o perigo já passou ? O culpado foi se embora . -- Quem disse ? - retorquiu Dean_Thomas em voz alta . -- Meu caro jovem , o ministro de a magia não teria levado Hagrid se não estivesse cem por_cento certo de que ele era o culpado - disse Lockhart como quem explica que um e um são dois . - Teria , sim - disse o Ron , em um tom de voz ainda mais alto do_que o de o Dean . - Eu julgo saber um_pouco mais sobre a prisão de o Hagrid do_que o senhor , Mr._Weasley - disse Lockhart com notória auto-satisfação . Ron começou a dizer que discordava mas foi interrompido por o Harry que lhe deu um forte pontapé por debaixo de a mesa . - Nós não estávamos lá , lembras te ? - murmurou . Mas a alegria revoltante de o Lockhart , as insinuações de que sempre tinha achado que o Hagrid não prestava , a sua certeza de que tudo aquilo estava a chegar a o fim , irritou Harry de tal maneira que teve vontade de lhe atirar as * _ Viagens com Vampiros * e de lhe acertar em aquela cara estúpida . Mas , em vez de isso , limitou se a escrevinhar um bilhete para o Ron : * _ Vamos lá hoje a a noite * . Ron leu a mensagem , engoliu em seco e olhou para o lugar onde Hermione costumava sentar se . A cadeira vazia pareceu ajudá o a decidir se e acenou afirmativamente . A sala comum de os Gryffindor estava agora sempre cheia porque , depois de as seis_da_tarde , os Gryffindor não tinham outro lugar para ir . Por outro lado , tinham imenso para conversar , por isso a sala comum mantinha se cheia de gente até depois de a meia-noite . Logo_a_seguir a o jantar , Harry foi buscar o manto de a invisibilidade a a mala onde estava guardado e passou todo o serão a a espera que a sala esvaziasse . O Fred e o George desafiaram o para alguns jogos de explosão e a Ginny sentou se , muito preocupada , a observá os , em a cadeira habitual de Hermione . Harry e Ron fartaram se de perder de propósito em uma tentativa de pôr rapidamente fim a os jogos mas , mesmo_assim , já passava bastante de a meia-noite quando o Fred , o George e a Ginny se foram , finalmente , deitar . Harry e Ron esperaram até ouvir as portas de os dois dormitórios fecharem se . Em seguida , pegaram em o manto , lançaram o sobre ambos e passaram por o buraco de o retrato . Era mais uma difícil travessia de o castelo , tendo de fintar todos os professores . Finalmente , chegaram a o * hall * de entrada , giraram o fecho de as portas de carvalho , esgueiraram se tentando não fazer barulho e aventuraram se nos campos iluminados por o luar . - É claro que - disse bruscamente o Ron , enquanto atravessavam os relvados negros - podemos perfeitamente chegar a a floresta e descobrir que não há nada para seguir . As aranhas podem não ter ido para lá . É certo que parecia que tomavam essa direcção , mas ... Felizmente a lengalenga não durou muito . Chegaram a a casa de o Hagrid que tinha um ar triste com as suas janelas vazias . Logo_que Harry empurrou a porta e a abriu , o Fang saltou , louco de alegria por os ver . Preocupados , não fosse ele acordar toda_a_gente em o castelo com o seu ladrar forte e agitado , deram lhe rapidamente a comer bombons de melaço que estavam em uma lata sobre a lareira e que lhe colaram os dentes de cima a os de baixo . Harry pousou o manto de a invisibilidade sobre a mesa de o Hagrid . Não iam precisar de ele em a floresta escura como breu . - Anda , Fang , vamos dar um passeio - disse Harry , batendo lhe a o de leve em a pata e Fang saiu feliz , a os saltos , atrás de eles . Precipitou se até a a orla de a floresta e levantou a perna contra uma enorme figueira-do-egipto . Harry pegou em a varinha , murmurou * _ Lumus * ! e uma pequenina luz surgiu em a ponta de a varinha , suficiente para lhes mostrar o caminho e ajudá os a descobrir a pista de as aranhas . - Bem pensado - disse o Ron . - Eu acendia também a minha mas , sabes como ela está , ainda estoirava ou qualquer coisa assim ... Harry tocou em o ombro de o Ron , apontando para as ervas . Duas aranhas solitárias fugiam de a luz de a varinha , aproximando se de a sombra de as árvores . - O. _ K. - disse o Ron , resignando se com o pior . - Estou pronto , vamos . Então , com o Fang a correr atrás de eles , cheirando as raízes de as árvores e as folhas , entraram em a floresta . Seguindo a luz de a varinha de o Harry seguiram a fila disciplinada de aranhas que se movia a o longo de o caminho . Andaram durante cerca de vinte minutos , sem falar , atentos a todos os ruídos que não fossem os de os ramos caídos e de as folhas secas . Então , quando as copas de as árvores se tinham tornado mais cerradas do_que nunca , de_tal_modo_que as estrelas em o céu já não eram visíveis e a varinha de o Harry brilhava isolada em um mar de escuridão , viram as aranhas que eles seguiam a abandonar o caminho . Harry parou , tentando ver para_onde iam mas tudo_o_que ficava longe de a sua pequenina luz era negro de breu . Ele nunca fora tão longe em a floresta . Lembrava se muito bem de Hagrid lhe ter dito , de a última vez que ali tinham estado , que nunca saísse de o caminho de a floresta . Mas Hagrid agora estava a muitos quilómetros de distância e ele também lhes dissera que seguissem as aranhas . Uma coisa húmida tocou em a mão de o Harry e ele deu um salto para trás , pisando o pé a o Ron . Mas afinal era apenas o focinho de o Fang . - O que é_que tu achas ? - perguntou ele a o Ron cujos olhos conseguia vislumbrar , reflectindo a luz de a varinha . - Já_que viemos até aqui - disse ele . Seguiram , portanto as sombras velozes de as aranhas em direcção a as árvores . Não podiam agora andar muito depressa . Tinham em a frente raízes de árvores e troncos cortados que mal se viam em aquela escuridão . Harry sentia o bafo quente de Fang em a mão . Por mais de uma_vez tiveram de parar para o Harry se baixar e descobrir as aranhas a a luz de a varinha . Andaram durante o que lhes pareceu ter sido pelo_menos meia_hora , com os mantos a roçarem em os ramos mais baixos e em as silvas . A o fim de algum tempo repararam que o chão parecia inclinar se para baixo embora as árvores continuassem cerradas . Foi então que o Fang soltou um latido que ecoou em volta , fazendo Harry e Ron darem um salto , ambos com os cabelos em pé . - O que foi ? - gritou o Ron , olhando em volta para a escuridão e agarrando Harry com força , por o cotovelo . - Há qualquer coisa ali a mexer se - murmurou Harry - Ouve ... parece ser grande . Ficaram a ouvir . Um_pouco para a direita algo de grandes dimensões partia os ramos enquanto abria caminho através de as árvores . - Oh ! não - disse o Ron . - Oh ! não , não ... - Cala te - insistiu o Harry , nervoso . - Seja o que for , vai acabar por te ouvir . - Ouvir me ? - disse o Ron , em um tom de voz muito pouco natural . - Já ouviu . Fang ! A escuridão parecia esmagar lhes os globos oculares enquanto ali ficaram apavorados , a a espera . Houve um estranho ruído , surdo e prolongado , e em seguida o silêncio . - O que estará a fazer ? - perguntou Harry . - Talvez esteja a preparar se para atacar - disse o Ron . Esperaram , a tremer , sem ousarem mexer se . - Achas que se foi embora ? - murmurou Harry . - Não sei . Em esse momento , de o lado direito veio um clarão de luz tão forte em o meio de o escuro que os dois levaram as mãos a a cara para proteger os olhos . O Fang ganiu e tentou fugir mas viu se envolvido em um emaranhado de espinhos e ganiu ainda mais alto . - Harry - gritou o Ron com grande alívio em a voz . - Harry , é o nosso carro . - O quê ? - Anda ver . Harry avançou a os tropeções atrás de o Ron , em direcção a a luz e em o momento seguinte estavam em uma clareira . O carro de Mr._Weasley ali estava , vazio , no_meio_de um círculo de árvores grossas , sob um telhado de ramos densos , os faróis de a frente resplandecentes . Quando Ron se aproximou de boca aberta , moveu se lentamente em direcção a ele como_se fosse um grande cão azul turquesa , cumprimentando o dono . - Tem estado aqui todo este tempo - disse o Ron satisfeitíssimo , aproximando se de o carro . - Olha para ele , a floresta tornou o selvagem ... O guarda-lamas estava riscado e cheio de lodo . Parecia que tinha andado a passear sozinho por a floresta . Fang não gostou lá muito de ele . Manteve se a o lado de o Harry que podia senti o a tremer . Com a respiração normalizada , Harry guardou a varinha em o manto . - E nós a pensarmos que ele nos ia atacar - disse o Ron , encostando se a o carro e dando lhe duas palmadinhas - As voltas que eu dei a a cabeça a pensar para_onde ele teria ido ! Harry olhava para todos os lados , em o chão iluminado , em busca de mais aranhas mas todas elas tinham fugido de o brilho de as luzes . - Perdemos as de vista - disse ele . - Anda , vamos procurá as . Ron não disse nada . Não se moveu . Tinha os olhos fixos em um ponto , três metros acima de o chão de a floresta , mesmo atrás de o Harry . O seu rosto estava lívido de terror . Harry nem teve tempo de se voltar . Ouviu se um ruído alto e seco e sentiu que alguma coisa longa e peluda o elevava em o ar com o rosto voltado para baixo . Debatendo se , apavorado , ouviu outro estalido e viu as pernas de o Ron serem também levantadas de o chão . Ouviu o Fang gemer e ganir e , em o momento seguinte , era levado para o meio de as árvores escuras . Com a cabeça a balouçar , Harry viu que a coisa que o transportava tinha seis enormes patas peludas e que as duas de a frente o agarravam com forca sob um par de tenazes pretas e brilhantes . Atrás_de si podia ouvir outra de aquelas criaturas que , sem dúvida , transportava o Ron . Encaminhavam se para o coração de a floresta . Harry ouvia o Fang a ladrar , tentando libertar se de um terceiro monstro mas Harry não podia gritar mesmo_que quisesse , parecia que tinha deixado a voz em a clareira , junto com o carro . Não soube quanto tempo esteve em as patas de a criatura , só se apercebeu que a escuridão se atenuara um_pouco , permitindo lhe ver que o chão coberto de folhas estava agora repleto de aranhas . Voltando a cabeça para o lado , deu se conta de que tinham chegado a a base de uma enorme cova , uma cova que fora limpa de árvores para que as estrelas iluminassem com o seu brilho a cena mais pavorosa que os seus olhos alguma vez tinham visto . Aranhas . Não aranhas pequeninas como aquelas que estavam sobre as folhas . Aranhas de o tamanho de enormes cavalos , com oito olhos , oito pernas pretas , peludas , gigantescas . O espécimen que transportava Harry desceu o terreno íngreme até uma teia brumosa em forma de cúpula que ficava mesmo em o meio de a cova , enquanto os companheiros se juntavam em volta , batendo excitadíssimos com as tenazes e olhando para o que eles traziam a as costas . Harry caiu em o chão de gatas quando a aranha o libertou . Ron e Fang foram cair perto de ele . O Fang já não gania . Estava agachado e muito quieto . Ron e Harry partilhavam o mesmo sentimento . O Ron tinha a boca aberta em uma espécie de grito silencioso e os olhos a saltarem lhe de as órbitas . Harry percebeu de repente que a aranha que o deitara a o chão estava a dizer qualquer coisa . Era difícil entender porque entre cada duas palavras , batia com as tenazes . - Aragog - chamou . - Aragog . E de o meio de a teia brumosa em forma de cúpula saiu muito lentamente uma aranha de o tamanho de um pequeno elefante . As costas e as pernas estavam cobertas de pêlo cinzento e , em a cabeça feia , munida de tenazes , estavam vários olhos , todos eles de um branco leitoso . Era cega . - O que foi ? - disse , batendo rapidamente com as tenazes uma em a outra . - Homens - respondeu a aranha que trouxera o Harry . - É o Hagrid ? - perguntou Aragog , aproximando se mais com os seus oito olhos leitosos a vaguear . - Estranhos - respondeu a aranha que trouxera o Ron . - Matem nos - disse Aragog , irritada . - Eu estava a dormir ... - Nós somos amigos de o Hagrid - gritou Harry . Parecia que o coração lhe saltava por a boca . Clic , clic , clic fizeram as tenazes de a aranha , em volta de a cova . Aragog parou . - O Hagrid nunca mandou homens a a nossa cova - disse lentamente . - O Hagrid está em perigo - explicou Harry , respirando muito depressa . - Foi por isso que eu vim . - Em perigo ? - repetiu a aranha idosa e pareceu a Harry sentir preocupação por detrás de as suas tenazes . - Mas porque vos mandou ele cá ? Harry pensou pôr se de pé mas achou melhor não arriscar . As pernas provavelmente não teriam força para o sustentar . Falou portanto de o chão , o mais calmamente que foi capaz . - Eles lá em a escola pensam que o Hagrid soltou qualquer coisa contra os estudantes . Mandaram o para Azkaban . Aragog bateu furiosamente com as tenazes e , em toda_a cova , o eco foi reproduzido por uma multidão de aranhas . Era uma espécie de aplauso com uma única diferença : os aplausos não costumavam fazer o Harry quase morrer de medo . - Mas isso foi há muitos anos - disse Aragog , maldisposta . - Há anos e anos . Lembro me muito bem . Foi por isso que o expulsaram de a escola . Eles pensaram que eu era o monstro que vive em aquilo a que eles chamam a Câmara_dos_Segredos . Pensaram que o Hagrid a tinha aberto para me libertar . - E tu ... não vieste de a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Harry que sentia a testa cheia de suores frios . - Eu - disse Aragog , batendo irritada com as tenazes - , eu não nasci em o castelo . Venho de uma terra distante . Um viajante ofereceu me a o Hagrid quando eu era ainda um ovo . Hagrid era um rapazinho mas tratou de mim , escondeu me em uma despensa dentro de o castelo e alimentava me com as migalhas que ficavam em as mesas . Hagrid é o meu bom amigo e um bom homem . Quando me encontraram e me culparam por a morte de uma rapariga , ele protegeu me . Desde_então , tenho vivido aqui em a floresta onde o Hagrid ainda vem visitar me . Ele até me arranjou uma esposa , Mosag , e estão a ver como a família cresceu , tudo graças a a bondade de o Hagrid ... Harry reuniu a coragem que lhe restava . - Então tu nunca atacaste ninguém ? - Nunca - resmungou a velha aranha . - Era esse o meu instinto , mas por respeito a Hagrid nunca fiz mal a nenhum humano . O corpo de a rapariga morta foi encontrado em uma casa_de_banho , ora eu nunca conheci mais do_que despensa de o castelo , onde cresci . Nós gostamos de o escuro de o silêncio . - Mas então ... sabes o que matou essa rapariga ? - perguntou Harry . - Porque seja o que for , está a atacar as pessoas outra_vez ... As suas palavras foram abafadas por uma audível explosão de tenazes a bater e por o ruge-ruge de muitas pernas longas , deslocando se iradas . Em volta de Harry começaram a mover se sombras escuras . - O que vive em o castelo - disse Aragog - é uma antiga criatura que nós , aranhas , tememos acima_de todas_as outras . Lembro me bem de o quanto insisti com Hagrid para que me deixasse sair de ali quando senti a criatura a andar por a escola . - O que é ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Mais tenazes a bater , mais pernas a moverem se . As aranhas pareciam estar a aproximar se . - Nós não falamos de isso - exclamou Aragog furiosa . - Não pronunciamos o seu nome . Eu nunca disse a o Hagrid o nome de a horrível criatura , apesar_de ele me ter perguntado vezes sem conta . Harry não quis insistir , principalmente com todas aquelas aranhas a aproximarem se de todos os lados . Aragog parecia ter se cansado de falar . Recuava lentamente para a teia em forma de cúpula , mas as companheiras continuavam a aproximar se ameaçadoramente de Harry e Ron . - Vamos embora , então - gritou Harry , desesperadamente a Aragog , enquanto ouvia as folhas secas a estalarem atrás_de si . - Embora ? - disse Aragog lentamente . - Não me parece ... - Mas , mas ... - Os meus filhos e filhas não fazem mal a o Hagrid por ordem minha . Mas não posso negar lhes carne fresca quando ela veio por vontade própria ter connosco . Adeus , amigo de o Hagrid . Harry deu meia volta . Poucos centímetros acima de ele , uma sólida parede de aranhas batia com as tenazes , os seus muitos olhos a brilharem em as horríveis caras pretas . Mesmo_que se servisse de a varinha , Harry sabia que não ia valer de nada . As aranhas eram demasiadas , mas quando tentava preparar se para morrer a lutar , ouviu se um som prolongado e um clarão de luz iluminou a cova . O carro de Mr._Weasley ribombava , descendo o declive , com os faróis acesos , a buzina a guinchar , afastando as aranhas . Muitas de elas ficaram voltadas ao_contrário com as várias pernas a agitar se em o ar . O carro buzinou com mais força em frente de Harry e Ron e as portas abriram se . - Agarra o Fang - gritou Harry , ajeitando se em o lugar de a frente . Ron agarrou o cão caçador de javalis e lançou o a ganir para o banco de trás . As portas fecharam se com estrondo . Ron não tocou em o acelerador mas o carro não precisou de isso . O motor fez se ouvir e levantaram voo , batendo em mais aranhas . Subiram o declive , saindo de a cova e pouco depois atravessavam a floresta , os ramos a baterem em os vidros enquanto o carro seguia habilmente através de os intervalos maiores , por um caminho que obviamente já conhecia . Harry olhou para o Ron , a o seu lado . Ele tinha ainda a boca aberta em o mesmo grito silencioso mas os olhos já não estavam salientes . - Estás bem ? Ron olhou em frente , incapaz de responder . Começavam a descer para terra firme com o Fang a soltar enormes ganidos em o banco de trás e Harry viu o espelho retrovisor saltar quando passaram rente a um enorme carvalho . Após dez minutos bastante ruidosos , as árvores começaram a ser mais finas e Harry pôde ver de_novo pedaços de o céu . O carro parou tão bruscamente que quase foram projectados por o vidro de a frente . Tinham chegado a a orla de a floresta . O Fang ia agitadíssimo a a janela e quando Harry abriu a porta , disparou a correr através de as árvores até a a casa de o Hagrid , de cauda entre as pernas . Harry saiu também e um minuto depois o Ron pareceu recuperar a força em os membros e seguiu o , ainda com um torcicolo e de olhos esbugalhados . Harry deu uma palmadinha de agradecimento a o carro antes de ele dar a volta e desaparecer em direcção a a floresta . Harry voltou a a cabana de o Hagrid para buscar o manto de a invisibilidade . O Fang tremia em o seu cesto , coberto por um cobertor . Quando saiu de_novo , viu o Ron a vomitar junto de as abóboras . - Sigam as aranhas - disse ele debilmente , limpando a boca a a manga . - Nunca vou perdoar a o Hagrid . É uma sorte ainda estarmos vivos . - Aposto que ele pensou que Aragog nunca faria mal a os seus amigos - justificou Harry . - Esse é justamente o problema de o Hagrid - interrompeu Ron , dando um soco em a parede de a cabana . - Ele acha sempre_que os monstros não são tão maus como os pintam e vê onde isso o levou , a uma cela em Azkaban - tremia agora descontroladamente . - Qual a ideia de ele a o mandar nos ali ? Gostava de saber o que é_que descobrimos . - Que o Hagrid nunca abriu a Câmara_dos_Segredos - disse Harry , lançando o manto sobre Ron e tocando lhe em o braço para o encorajar a andar . - Ele estava inocente . Ron resmungou em voz alta . Para ele , chocar Aragog em uma despensa não era propriamente estar inocente . Quando se aproximaram de o castelo , Harry esticou o manto para garantir que os pés de ambos ficavam cobertos . Em seguida , empurrou as portas de a frente que chiaram . Atravessaram com todo o cuidado o * hall * de entrada e subiram a escadaria de mármore , contendo a respiração em os corredores guardados por sentinelas atentos . Por fim , chegaram a a segurança de a sala de os Gryffindor onde o lume ardera até se transformar em brasas brilhantes . Tiraram o manto e subiram a escada serpenteante que os levava a o dormitório . Ron caiu em a cama sem sequer se despir mas Harry , apesar_de tudo , não tinha sono . Sentou se em a beirinha de a cama , pensando em todas_as coisas que Aragog dissera . A criatura que andava por o castelo , pensou , era uma espécie de monstro Voldemort , nem os outros monstros queriam pronunciar o seu nome . Mas ele e o Ron não estavam agora mais perto_de descobrir o que era nem como petrificava as suas vítimas . Se nem o Hagrid chegara a saber o que estava em a Câmara_dos_Segredos ... Harry balançou as pernas e atirou se para_cima de a cama . Encostado a as almofadas olhou a Lua que brilhava através de a janela de a torre . Não sabia que mais poderiam fazer . Só tinham encontrado portas fechadas . Riddle apanhara a pessoa errada . O herdeiro de Slytherin fugira e ninguém sabia se era a mesma pessoa ou uma outra que abrira , desta_vez , a Câmara_dos_Segredos . Não havia mais ninguém a quem fazer perguntas . Harry deitou se ainda a pensar em as palavras de Aragog . Estava a começar a ficar com sono quando aquilo que parecia ser uma última esperança lhe ocorreu , fazendo o sentar se muito direito em a cama . - Ron - sussurrou em o escuro . - Ron . Ron acordou com um ganido como os de o Fang . Olhou muito assustado em volta e viu o Harry . - Ron , a rapariga que morreu . Aragog contou nos que ela foi encontrada em uma casa_de_banho - disse , ignorando os roncos de o Neville em o outro canto de o quarto . - E se ela nunca tivesse saído de a casa_de_banho ? E se ainda lá estiver ? Ron esfregou os olhos , franzindo as sobrancelhas sob a luz de a Lua . E só então compreendeu . -- Não pensar que ... a Murta_Queixosa ? XVI_A_Câmara_dos_Segredos -- E estivemos nós tantas vezes em aquela casa_de_banho com ela apenas a três cubículos de distância - disse o Ron amargamente em o dia seguinte , a a mesa de o pequeno-almoço . - Podíamos ter lhe perguntado e agora ... Já fora bastante difícil procurar as aranhas . Escapar a os professores o tempo suficiente para ir até a a casa_de_banho de as raparigas , que ficava mesmo em frente de o lugar onde ocorrera o primeiro ataque , ia ser quase impossível . Mas alguma coisa aconteceu que fez com que a Câmara_dos_Segredos desaparecesse de os seus pensamentos pela_primeira_vez em várias semanas . A professora Mc_Gonagall comunicou lhes que os exames começariam a 1_de_Junho , uma semana depois . - Exames ? - gritou Seamus_Finnigan . - Nós mesmo_assim vamos ter exames ? Ouviu se um estrondo atrás de o Harry quando a varinha de o Neville_Longbottom lhe escapou de a mão , fazendo desaparecer uma de as pernas de a secretária . A professora Mc_Gonagall repô a com a sua varinha e voltou se com má cara para o Seamus . - Se temos a escola aberta em uma altura de estas é para vocês receberem instrução - disse com dureza . - Os exames terão lugar , portanto , como é costume e espero que todos vocês façam revisões até lá . Revisões . Não passara por a cabeça de o Harry que houvesse exames com o castelo em aquele estado . Houve uma série de murmúrios revoltados , o que fez com que a professora Mc_Gonagall ficasse ainda mais mal-humorada . - As instruções de o professor Dumbledore foram para manter a escola a funcionar o mais normalmente possível - disse . - E isso , não preciso de vos dizer , passa por uma avaliação de o quanto vocês aprenderam a o longo de este ano . Harry olhou para baixo , para o casal de coelhos brancos que ele deveria transformar em pantufas . Que tinha ele aprendido durante o ano ? Não era capaz de se lembrar de nada que fosse útil em um exame . Ron estava como_se tivessem acabado de lhe dizer que a partir de aquele momento tinha de ir viver para a floresta proibida . - Estás a ver me a ter exames com isto tudo ? - perguntou a o Harry enquanto pegava em a varinha que tinha começado a assobiar bastante alto . Três dias antes de o primeiro exame , a a hora de o pequeno almoço , a professora Mc_Gonagall fez outra comunicação . - Tenho boas notícias - disse , e o salão em_vez_de se calar , explodiu de contentamento . - Dumbledore vai regressar ! - gritaram várias pessoas cheias de alegria . - Apanharam o herdeiro de Slytherin - arriscou uma rapariga em a mesa de os Ravenclaw . - Temos outra_vez os jogos de Quidditch - bradou Wood , excitadíssimo . Quando a agitação passou , Mc_Gonagall disse : - A professora Sprout informou me que as mandrágoras estão finalmente prontas para serem cortadas . Hoje a a noite vamos poder reanimar as pessoas que foram petrificadas . Escusado será dizer que certamente uma de elas poderá revelar nos quem ou o que a atacou . Eu tenho esperança que este ano pavoroso acabe com a prisão de o culpado . Houve uma explosão de aplausos . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e não ficou nada surpreendido a o ver que Draco_Malfoy não aplaudia . O Ron , por outro lado , estava satisfeito como ninguém o via havia dias . - Não faz mal não termos perguntado a a Murta . A Hermione vai , com certeza , ter todas_as respostas quando acordarem . Vai também ficar fula quando souber que temos exames dentro_de três dias . Ela não pôde fazer revisões . Seria melhor deixarem a estar onde está até a o final de os exames . Nessa_altura , Ginny_Weasley veio sentar se junto de o Ron . Parecia nervosa e tensa e Harry reparou que torcia as mãos em o colo . - O que se passa ? - perguntou o Ron , servindo se de mais papa de aveia . Ginny não disse nada mas olhou para um lado e para o outro de a mesa de os Gryffindor , com um olhar assustado que lembrou a Harry alguém que não sabia bem quem era . - Vá lá , vomita - disse o Ron , olhando para ela . Harry percebeu subitamente quem a Ginny lhe lembrara . Ela balançava se ligeiramente para a frente e para trás em a cadeira , exactamente como o Dobby fazia quando estava hesitante , à_beira_de revelar uma informação proibida . - Tenho de te dizer uma coisa - balbuciou a Ginny receosa , sem olhar para Harry . - O que é ? - perguntou ele . Ginny parecia incapaz de encontrar as palavras certas . - O quê ? - insistiu Ron . Ginny abriu a boca mas não saiu nenhum som . Harry inclinou se para a frente e falou devagar para que só ela e Ron pudessem ouvi o . - É alguma coisa relacionada com a Câmara_dos_Segredos ? Viste alguma coisa ou alguém a agir de forma estranha ? Ginny respirou fundo e , em esse preciso momento , apareceu Percy_Weasley com um ar pálido e cansado . - Se já acabaste de comer eu fico com esse lugar , Ginny . Estou cheio de fome . Acabei agora o meu trabalho de patrulhamento . Ginny deu um salto como_se a cadeira tivesse acabado de ser electrificada , lançou a o Percy um olhar assustado e zarpou . Percy sentou se e tirou uma caneca de o meio de a mesa . -- Percy - disse o Ron aborrecido . - Ela ia agora mesmo contar nos uma coisa importante . A meio de um gole de chá , Percy estremeceu . - Que coisa ? - perguntou , tossindo . - Eu quis saber se ela tinha visto alguma coisa estranha e ela ia dizer ... - Ah ! isso ... não tem nada que ver com a Câmara_dos_Segredos - disse o Percy de imediato . - Como sabes ? - indagou o Ron , erguendo as sobrancelhas . - Bem ... er ... já_que perguntam , a Ginny ... er ... passou por mim em outro dia quando eu ... er ... não foi nada , o importante é_que ela viu me fazer uma coisa e eu ... um ... pedi lhe para não comentar com ninguém . Não pensei que ela cumprisse a palavra , verdade se diga . Não é nada importante , eu só ... Harry nunca vira o Percy tão pouco a a vontade . - O que estavas a fazer , Percy ? - riu se o Ron . - Vá lá , conta que nós não nos rimos . Percy ficou sério . - Passa me esses pãezinhos , Harry , estou cheio de fome . Harry sabia que todo o mistério poderia ser desvendado em o dia seguinte sem a ajuda de eles mas não ia deixar de falar com a Murta_Queixosa se a oportunidade surgisse . E , para sua grande satisfação , ela surgiu a meio de a manhã quando eram conduzidos a a aula de História_da_Magia_por_Gilderoy_Lockhart . Lockhart , que tantas vezes lhes assegurara que o perigo tinha passado , estava agora totalmente convencido de que acompanhar os alunos em os corredores era um trabalho inútil . O seu cabelo estava mais liso do_que de costume . Parecia ter passado toda_a noite acordado a vigiar o quarto andar . - Podem escrever o que eu digo - afirmou , acompanhando os até uma esquina . - As primeiras palavras que vão sair de a boca de aquelas pobres pessoas petrificadas serão - * _ Foi_o_Hagrid * . Francamente , estou espantado por a professora Mc_Gonagall considerar ainda necessárias estas medidas de segurança . - Concordo , professor - disse Harry , fazendo com que Ron , surpreendido , deixasse cair os livros a o chão . - Obrigado , Harry - disse Lockhart amavelmente , enquanto deixavam passar uma grande fila de Hufflepuffs . - verdade é_que os professores já têm bastante que fazer para andarem também a acompanhar os alunos a as aulas e a guardar os corredores a a noite ... - É verdade - disse o Ron , percebendo a ideia . - Porque não nos deixa aqui , professor , só falta mais um corredor . - Sabes , Weasley , sou mesmo capaz de fazer isso - disse Lockhart . - Preciso de preparar a minha próxima aula . E apressou se a seguir o seu caminho . - Preparar a aula - zombou o Ron . - Vai encaracolar o cabelo , é o mais certo . Deixaram os restantes Gryffindor passar lhes a a frente e por fim cortaram caminho em um corredor lateral e dirigiram se a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mas quando estavam a congratular se por o seu esquema brilhante ... - Potter , Weasley ! Que estão vocês a fazer aqui ? Era a professora Mc_Gonagall e a boca de ela estava mais fina do_que nunca . - Nós estávamos , estávamos - gaguejou o Ron . - Nós íamos ver , íamos ver ... - Hermione - completou Harry . A professora Mc_Gonagall e Ron olharam para ele . - Não a vemos há séculos , professora - prosseguiu Harry , pisando o pé a o Ron . - E pensamos ir espreitá a a a ala hospitalar e dizer lhe que as mandrágoras estão quase prontas , para ela não se preocupar . A professora Mc_Gonagall estava ainda a olhar para ele e , por um momento , Harry pensou que ela ia explodir mas , quando falou , fê lo em um tom de voz estranhamente rouco . - É claro - disse . E Harry , espantado , viu uma lágrima a brilhar lhe em o canto de um de os olhos . - É claro . Eu compreendo que tudo_isto tem sido muito duro para os amigos de aqueles que foram ... eu compreendo , sim , Potter . Podem ir visitar Miss_Granger . Eu mesma informarei o professor Binns de que vocês estão em o hospital . Digam a Madam_Pomfrey que vos dei autorização . Harry e Ron afastaram se , quase sem acreditar que tinham escapado a um castigo . Quando voltaram em uma esquina ouviram nitidamente a professora Mc_Gonagall a assoar se . - Esta - disse o Ron entusiasmado - foi a melhor história que tu alguma vez inventaste . Não tinham outro remédio senão ir a a ala hospitalar e dizer a Madam_Pomfrey que tinham autorização de a professora Mc_Gonagall para visitar Hermione . Madam_Pomfrey deixou os entrar com alguma relutância . - Não vale a pena falar com uma pessoa petrificada - disse , e ambos tiveram que admitir que ela tinha razão quando se sentaram junto de Hermione e constataram que ela não tinha a menor noção de estar acompanhada . Dizer lhe que não se preocupasse ou falar com o armário que estava a o lado de a cama era exactamente a mesma coisa . - Será que ela viu quem a atacou ? - perguntou o Ron , olhando com tristeza para o rosto rígido de Hermione . - Porque se a coisa saltou sobre eles , ficaremos todos sem saber de nada . Mas Harry não olhava para o rosto de Hermione . Estava mais interessado em a sua mão direita que se encontrava pousada sobre os cobertores e , inclinando se para ela , viu que tinha , fechado entre os dedos , um pedaço de papel . Assegurando se de que Madam_Pomfrey não dava por nada , fez sinal a o Ron . - Tenta tirá o - murmurou ele , colocando a cadeira de_modo_a que Madam_Pomfrey não pudesse ver o Harry . Não foi tarefa fácil . A mão de a Hermione estava fechada com uma força tal que Harry receou parti a . Enquanto Ron vigiava , ele forçou e torceu até que , por fim , depois de vários minutos bastante tensos , conseguiu tirar o papel . Era uma página retirada de um livro muito antigo de a biblioteca . Harry alisou a ansiosamente e Ron inclinou se para poder lês a também . * _ De todos os monstros assustadores que pairam a a face de a Terra , nenhum é tão curioso nem tão fatal como o Basilisk , também conhecido por o rei de as serpentes . Esta cobra que pode atingir proporções gigantescas e viver durante muitas centenas de anos nasce de um ovo de galinha que é chocado por um sapo . As suas formas de matar são pavorosas pois além de os dentes venenosos e mortais , o Basilisk tem um olhar criminoso e todos aqueles que ele fixa com os olhos tem morte instantânea . As aranhas fogem a sete pés de o Basilisk que é seu inimigo mortal , e o Basilisk foge apenas de o canto de o galo que para ele é fatal * . Por debaixo de isto uma única palavra fora escrita , em a letra que Harry reconheceu como sendo de Hermione : Canos . Foi como_se se tivesse acendido uma luz em o seu espírito . - Ron - murmurou - é isso . Está aqui a resposta . O monstro de a Câmara_dos_Segredos é um Basilisk , uma serpente gigante . Por isso , só eu tenho ouvido a sua voz em todos os lugares , porque eu compreendo * serpentês * ... Harry olhou para as camas em volta . - O Basilisk mata as pessoas fixando as com o olhar mas ninguém morreu , o que quer_dizer que ninguém o olhou directamente em os olhos . Colin viu o através de a lente de a máquina fotográfica e o Basilisk queimou o rolo que estava lá dentro mas o Colin ficou apenas petrificado . O Justin ... o Justin deve ter visto o Basilisk através de o Nick quase sem cabeça . O Nick é_que levou com o olhar mas não podia morrer outra_vez ... e perto de a Hermione e de a prefeita de os Ravenclaw foi encontrado um espelho . Hermione acabara de compreender que o monstro era um Basilisk . Aposto que preveniu a primeira pessoa que encontrou de que era melhor olhar por um espelho a o virar de cada esquina . E aquela rapariga puxou de o seu espelho e ... O Ron estava de queixo caído . - E Mrs._Norris ? - perguntou vivamente . Harry pensou um_pouco , tentando imaginar a cena em a noite de o Halloween . - A água . . . - disse lentamente . - A poça de água que saiu de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Aposto que Mrs._Norris só viu o reflexo de o monstro . Examinou a folha de papel que tinha em a mão . Quanto_mais olhava mais sentido faziam as coisas . - * _ O cantar de o galo é fatal para ele * - leu em voz alta . - Os galos de o Hagrid foram mortos . O herdeiro de Slytherin não queria um único galo perto de o castelo , com a câmara aberta . * _ As aranhas são as primeiras a fugir * . Tudo encaixa . - Mas , como tem o Basilisk andado por aí ? - disse o Ron . - Uma serpente horrível e enorme ... alguém a teria visto . Mas Harry apontou para a palavra que Hermione escrevinhara em o final de a página . - Canos - disse . - Canos ... Ron , ele tem usado a canalização . Eu ouvi sempre a voz dentro de as paredes ... Ron agarrou subitamente o braço de o Harry . - A entrada para a Câmara_dos_Segredos - disse em uma voz rouca . - E se for em uma casa_de_banho ? Se for em a ... - Em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa - completou Harry . Sentaram se , tomados de uma excitação enorme , mal querendo acreditar . - Isso significa que - disse o Harry - eu não posso ser o único em a escola a falar * serpentês * . Há também o herdeiro de Slytherin . É de esse modo que tem controlado o Basilisk . - O que vamos fazer ? - perguntou Ron com os olhos a faiscar . - Vamos falar com a Mc_Gonagall ? - Vamos até a a sala de os professores - disse Harry , dando um salto . - Ela estará lá dentro_de dez minutos , está quase em o intervalo . Desceram a escada a correr . Não querendo ser descobertos outra_vez a vaguear por os corredores foram directamente até a a sala de os professores que estava deserta . Era uma divisão ampla , toda forrada , com cadeiras de madeira escura . Harry e Ron passearam de um lado para o outro , demasiado nervosos para se sentarem . Mas a campainha anunciando o intervalo nunca mais tocava . Em vez de isso , ecoando em os corredores , ouviram a voz de a professora Mc_Gonagall incrivelmente ampliada . - * _ Todos os alunos devem regressar de imediato a os seus dormitórios . Todos os professores a a sala de professores . Imediatamente , por favor * . Harry deu meia volta e olhou para o Ron . - Não me digas que houve um novo ataque , não agora ! - Que vamos fazer ? - disse o Ron aterrado . - Voltar para o dormitório ? - Não - disse Harry , olhando e m volta . Havia uma espécie de armário a a sua esquerda cheio com os mantos de os professores . - Ali . Vamos ouvir o que se passa . A seguir poderemos contar lhes o que descobrimos . Esconderam se dentro de o armário , ouvindo a algazarra de centenas de pessoas e a porta de a sala de professores a abrir se . De o meio de a confusão de mantos bafientos , viram os professores encherem a sala . Alguns tinham um ar totalmente confuso , outros pareciam apavorados . Por fim , chegou a professora Mc_Gonagall . - Aconteceu - disse em o silêncio de a sala de professores . - O monstro levou uma aluna . Levou a mesmo para a câmara . O professor Flitwick soltou um grito agudo . A professora Sprout bateu com a mão em a boca . Snape agarrou com força as costas de uma cadeira e perguntou : - Como pode ter tanta certeza ? - O herdeiro de Slytherin - disse a professora Mc_Gonagall , muito pálida . - Deixou outra mensagem . Mesmo por baixo de a primeira : « * _ O esqueleto de ela ficará para sempre em a Câmara_dos_Segredos * . » O professor Flitwick desatou a chorar . - Quem é ela ? - quis saber Madam_Hooch que se afundara em uma cadeira . - Quem é a aluna ? - Ginny_Weasley - disse a professora Mc_Gonagall . Harry viu o Ron , a o seu lado , escorregar silenciosamente até a o chão de o armário . - Vamos ter que mandar todos os alunos embora amanhã - disse a professora Mc_Gonagall . Isto_é o fim de Hogwarts , Dumbledore sempre disse ... A porta de a sala de os professores voltou a abrir se . Por um breve momento , Harry pensou que fosse Dumbledore mas era Lockhart e vinha todo sorridente . - Peço desculpa , adormeci . Perdi alguma coisa ? Não pareceu reparar que os outros professores o olhavam com uma espécie de aversão . Snape deu um passo em frente . - O homem que faltava - disse . - O homem certo . O monstro raptou uma garota , Lockhart levou a para a Câmara_dos_Segredos . O seu momento chegou . - Isso mesmo , Lockhart - acrescentou a professora Sprout . - Não estavas a dizer ontem a a noite que sempre tinhas sabido onde era a entrada para a Câmara_dos_Segredos ? - Eu ... bem ... eu-disse atabalhoadamente Lockhart . - Sim , não me disseste que sabias exactamente o que estava lá dentro ? - disse com voz esganiçada o professor Flitwick . - Eu disse ? Não me lembro ... - Lembro me perfeitamente de o ouvir dizer que lamentava não ter feito uma tentativa com o monstro antes de o Hagrid ser preso - disse Snape . - Não disse que toda_a história tinha sido uma atrapalhação e que deveriam ter lhe dado carta branca desde o princípio ? Lockhart olhou em volta para a cara de espanto de os colegas . - Eu ... nunca ... eu de facto ... deve ter me compreendido mal . - Então vamos deixar te , Gilderoy - disse a professora Mc_Gonagall . - Esta noite será uma excelente oportunidade para actuares . Nós trataremos de assegurar que ninguém te atrapalha . Vais poder enfrentar o monstro sozinho . Finalmente tens carta branca . Lockhart olhou desesperado a a sua volta mas ninguém foi salvá o . Já não estava bem-parecido . O lábio tremia lhe e a ausência de o seu habitual sorriso de dentes brancos dava lhe um ar escanzelado . - M-muito bem - disse . - Vou até a o meu escritório para ... para me preparar . E saiu de a sala . - _ óptimo - exclamou a professora Mc_Gonagall com as narinas dilatadas . - Isto deve afastá o de o nosso caminho . Os chefes de casa devem ir agora comunicar a os respectivos alunos o que se passou e informá os de que o Expresso_de_Hogwarts os levará a casa amanhã de manhã . Os restantes certifiquem se , por favor , de que não há alunos fora de os dormitórios . Os professores levantaram se e saíram um a um . Foi talvez o dia pior de a vida de o Harry . Ele , Ron , Fred e George sentaram se juntos a um canto em a sala comum de os Gryffindor , incapazes de proferir uma palavra . Percy não estava lá . Tinha ido tratar de enviar uma coruja a Mr. e Mrs._Weasley e , em seguida , fechara se em o dormitório . Nunca uma tarde custara tanto a passar e nunca a torre de os Gryfffindor estivera tão cheia de gente e tão silenciosa . Fred e George foram para a cama quase a o pôr de o Sol , incapazes de ficar ali mais tempo . - Ela sabia qualquer coisa , Harry - disse o Ron , falando pela_primeira_vez desde_que tinham saído de o armário de a sala de os professores . - Por isso a levaram . Não era nenhuma parvoíce sobre o Percy , ela tinha descoberto qualquer coisa sobre a Câmara_dos_Segredos . Com certeza por isso é_que a ... - Ron esfregou os olhos , enervadíssimo . - Afinal ela era sangue puro , não pode haver outra explicação . Harry olhava para o sol que mergulhava de um vermelho cor de sangue em a linha de o horizonte . Era a pior coisa que lhe tinha acontecido . Se pelo_menos pudessem fazer alguma coisa . - Harry - disse o Ron . - Achas que há alguma possibilidade de ela não estar ... ? Sabes o que eu quero dizer . Harry não sabia que resposta dar . Não acreditava que a Ginny pudesse ainda estar viva . - Sabes uma coisa ? - disse o Ron . - Acho que devíamos ir ter com o Lockhart , contar lhe o que sabemos . Ele vai tentar entrar em a câmara , podemos dizer lhe onde achamos que fica a entrada e contar lhe que o monstro é um Basilisk . Como Harry não tinha nenhuma ideia melhor e como queria fazer alguma coisa , concordou . Os Gryffindor que os rodeavam estavam tão tristes e com tanta pena de os Weasley que ninguém tentou impedi os quando os viram levantar se , atravessar a sala e sair por o buraco de o retrato . A escuridão começava a instalar se quando chegaram a o escritório de Lockhart onde a actividade era muita . De o corredor ouvia se o ruído de coisas a serem deitadas fora , pancadas surdas e passos apressados . Harry bateu a a porta e houve um silêncio repentino . Em seguida abriu se uma fresta de a porta e viram um de os olhos de Lockhart a espreitar . - Oh ! ... Mr._Potter ... Mr._Weasley - disse entreabrindo a porta . - Estou um_pouco ocupado em este momento , se forem rápidos ... - Professor , nós temos informações para lhe dar - disse o Harry . - Acho que poderão ajudá o . - Er ... bem ... não é - o lado de a cara de Lockhart que conseguiam ver parecia muito pouco a a vontade . - Quer_dizer ... bem ... está bem . Abriu a porta e eles entraram . O escritório estava praticamente vazio . Em o chão estavam duas grandes malas abertas . Mantos verde-jade , lilás , azul-noite tinham sido apressadamente dobrados e guardados dentro_de uma de as malas . Os livros misturavam se todos dentro de a outra . As fotografias que antes cobriam as paredes estavam agora arrumadas em caixas , em cima de a secretária . - Vai a algum lado ? - perguntou Harry . - Er ... bem ... sim - disse Lockhart , arrancando de a porta um poster seu em tamanho natural , enquanto falava , e começando a enrolá o . - Uma chamada urgente ... inevitável ... tenho que ir . - E a minha irmã ? - perguntou o Ron bruscamente . - Bem , quanto_a isso foi uma pena - disse Lockhart , evitando olhá os em os olhos , abrindo uma gaveta e começando a despejar o seu conteúdo dentro_de um saco . - Ninguém lamenta mais do_que eu ... - O senhor é o professor de Defesa contra as artes negras - disse Harry . - Não pode ir se embora agora_que todas estas coisas de magia negra estão a acontecer aqui . - Bem , devo dizer te que ... quando aceitei o lugar ... - resmungou Lockhart , empilhando soquetes sobre os mantos - nada em a descrição de o meu trabalho fazia prever ... - Quer_dizer que vai fugir ? - perguntou Harry , incrédulo . - Depois de todas_as coisas que conta em os seus livros ? - Os livros podem ser enganadores - disse Lockhart delicadamente . - Mas foi o senhor que os escreveu - gritou Harry . - Meu rapaz - disse Lockhart , endireitando se e franzindo as sobrancelhas - usa o senso comum . Os meus livros não teriam vendido metade do_que venderam se as pessoas não acreditassem que eu tinha feito todas aquelas coisas . Ninguém está interessado em ler sobre um velho feiticeiro americano mesmo_que ele tenha salvo uma cidade inteira de os lobisomens , ficaria péssimo em a capa . E a bruxa que correu com a fada carpideira tinha um lábio leporino . Como vês . - Quer_dizer que ficou com os louros por tudo_o_que uma série de outras pessoas fizeram ? - perguntou Harry , sem querer acreditar . - Harry , Harry - disse Lockhart , abanando impacientemente a cabeça . - Não é tão simples assim . Envolveu muito trabalho . Tive de localizar todas essas pessoas , perguntar lhes em pormenor como tinham feito as coisas . Depois tive de lhes fazer um feitiço antimemória para que não voltassem a lembrar se do_que tinham feito . Se há uma coisa de que me orgulho é de os meus feitiços antimemória . Não , tive muito trabalho , Harry . Não foram só as sessões de autógrafos e as fotografias , sabes ? Quem quer ser famoso tem de estar preparado para um trabalho longo e fatigante . Fechou as malas a a chave . - Vejamos - disse . - Acho que está tudo . Sim , só falta uma coisa . - Empunhou a varinha e voltou se para eles . - Lamento muito , rapazes , mas vou ter de vos fazer um feitiço antimemória . Não posso deixar que vão por aí repetir os meus segredos . Não venderia nem mais um livro . Harry pegou em a varinha mesmo a tempo e Lockhart mal tinha levantado a de ele a o ar quando Harry gritou * _ Expelliarmus ! * Lockhart foi projectado de costas , indo cair em cima de a mala . A varinha voou por os ares . Ron agarrou a e atirou a por a janela aberta . - Não devia ter deixado o professor Snape ensinar nos esta - disse Harry furioso , dando um pontapé a uma de as malas . Lockhart olhava para ele , de_novo escanzelado . Harry apontava lhe a varinha . - O que queres que eu faça ? - perguntou debilmente . - Eu não sei onde fica a Câmara_dos_Segredos . Não posso fazer nada . - Está com sorte - disse Harry , forçando o com a varinha a pôr se de pé . - Nós julgamos saber onde é e o que está lá dentro . Vamos . Conduziram Lockhart para fora de o seu escritório , desceram com ele as escadas e seguiram por o corredor escuro em cuja parede brilhavam as mensagens , até a a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mandaram Lockhart a a frente . Harry gostou de ver que todo ele tremia . A Murta_Queixosa estava sentada em a cisterna de o cubículo de o fundo . - Ah ! são vocês - disse a o ver o Harry . - O que querem agora ? - Perguntar te como morreste - disse Harry . O aspecto de a Murta mudou por completo . Parecia que nunca lhe tinham feito uma pergunta tão lisonjeira . - Ooooh ! Foi horrível - disse satisfeita . - Aconteceu aqui mesmo . Morri em este cubículo . Lembro me tão bem . Estava escondida porque a Olive_Hornby andava a implicar comigo por causa de os meus óculos . A porta estava fechada e eu estava a chorar e , então , ouvi alguém entrar . Disseram qualquer coisa estranha em uma língua diferente , acho eu . Mas o que mais me espantou foi o ser um rapaz a falar . Por isso , abri a porta para lhe dizer que fosse a a casa_de_banho de eles e em esse momento - a Murta inchou com ar importante , o rosto a brilhar - morri . - Como ? - perguntou Harry . - Não faço ideia - disse a Murta em um tom de voz abafado . - Só me lembro de ver dois grandes olhos amarelos , de o meu corpo ficar preso e em seguida , sentir me a flutuar ... - olhou sonhadoramente para Harry . - E depois voltei . Estava disposta a vingar me de a Olive_Hornby , percebes ? Ela ia arrepender se de ter gozado com os meus óculos . - Onde foi exactamente que viste os tais olhos ? - perguntou Harry . - Algures por aí - disse a Murta , apontando vagamente para o lavatório em frente de o seu cubículo . Harry e Ron apressaram se . Lockhart estava de pé , mais atrás , com uma expressão de pavor em o rosto . O lavatório parecia perfeitamente vulgar . Examinaram o centímetro a centímetro , dentro e fora , incluindo os canos por baixo . E foi então que Harry reparou : de lado , rabiscada em uma de as torneiras de cobre , estava uma cobra pequenina . - Essa torneira nunca funcionou - disse vivamente a Murta enquanto ele tentava abri a . - Harry - sugeriu o Ron . - Diz qualquer coisa em * serpentês * . Mas , pensou Harry , as únicas vezes que conseguira falar * serpentês * tinham ocorrido quando confrontado com uma verdadeira serpente . Olhou , concentrado para a pequena cobra gravada em o cobre , tentando imaginá a como verdadeira . - Abre te - disse . Olhou para o Ron que abanou a cabeça . - Inglês - disse ele . Harry voltou a olhar para a cobra , forçando se a acreditar que estava viva . A luz de a vela fez parecer que se movia . - Abre te - repetiu . Mas desta_vez as palavras não foram o que ele ouviu . Um estranho sibilar escapou lhe de a boca e a torneira ganhou uma luz branca e brilhante e começou a rodar . Logo_a_seguir o lavatório mexeu se . Afastou se , melhor dizendo , saiu de o caminho , deixando um grande cano a a vista , um cano onde cabia um homem . Harry ouviu a respiração arquejante de o Ron e olhou de_novo para ele . Já decidira o que queria fazer . - Vou descer - disse . Não podia deixar de ir , agora_que acabavam de descobrir a entrada para a câmara , existindo uma possibilidade , por mais remota que fosse , de a Ginny ainda estar viva . - Eu também - disse o Ron . Houve uma pausa . - Bem , parece que não precisam mais de mim - apressou se Lockhart a dizer com uma réstia de sorriso . - Eu vou . . . Pôs a mão em o puxador de a porta mas Ron e Harry apontaram lhe ambos as varinhas . -- O senhor pode ir a a frente - disse rispidamente o Ron . Pálido e sem varinha , Lockhart aproximou se de a entrada . - Meus rapazes - disse em uma voz débil . - Meus rapazes , para quê tudo_isto ? Harry tocou lhe em as costas com a varinha e ele meteu as pernas em o cano . - Eu não me parece que ... - começou a dizer , mas o Ron deu lhe um empurrão e ele desapareceu por o cano abaixo . Harry foi rapidamente atrás . Introduziu se lentamente e deixou se cair . Era como escorregar em uma pista escura e interminável . Ele via outros canos , estendendo se em todas_as direcções mas nenhum tão largo como o de eles que se torcia e virava , inclinando se abruptamente . Harry sabia que estavam a chegar a um ponto muito abaixo de a escola e de os calabouços . Atrás_de si , ouvia o Ron gemendo em cada curva . E então , quando começava a preocupar se com o que iria acontecer quando tocassem em o chão , o cano tornou se horizontal e ele foi projectado com um ruído surdo , indo aterrar em o chão húmido de um túnel de pedra com altura suficiente para ele se pôr de pé . Lockhart estava a levantar se a alguma distancia , todo enlameado e pálido como um fantasma . Harry afastou se para deixar o Ron sair também de o cano . - Devemos estar quilómetros e quilómetros abaixo de a escola - disse o Harry cuja voz ecoou em o túnel negro . - Talvez até debaixo de o lago - arriscou o Ron , olhando em volta para as paredes escuras e viscosas . Voltaram se os três para olhar para a escuridão lá a o fundo . - * _ Lumus ! * - murmurou Harry a a varinha e ela voltou a acender se . - Vamos - disse a o Ron e a o Lockhart e avançaram , os passos a chapinharem ruidosamente em o chão molhado . O túnel era tão escuro que só conseguiam ver alguns centímetros a a frente . As suas sombras em as paredes molhadas pareciam monstruosas a a luz de a varinha . - Lembrem se - disse Harry baixinho enquanto caminhavam . - A o menor movimento fechem logo os olhos ... Mas o túnel era silencioso como um túmulo e o primeiro som inesperado que ouviram foi um grito de o Ron que escorregou em uma coisa que era afinal a cauda de um rato . Harry baixou a varinha para olhar para o chão e viu que estava cheio de pequenos ossos de animais . Fazendo um enorme esforço para evitar pensar em que estado iriam encontrar a Ginny , avançou até uma curva escura de o túnel . - Harry , está aqui qualquer coisa - disse o Ron com voz rouca , agarrando Harry por o ombro . Ficaram estáticos a olhar . Harry só conseguia ver a silhueta de algo enorme e curvo deitado em o túnel . Fosse o que fosse não se movia . - Talvez esteja a dormir - murmurou , olhando para os outros dois . Lockhart tapava os olhos com as mãos . Harry voltou se para olhar para a criatura com o coração a bater tanto que lhe doía em o peito . Lentamente , com os olhos quase fechados mas ainda conseguindo ver , Harry avançou com a varinha levantada . A luz deslizou sobre uma gigantesca pele de serpente , de um verde vivo e venenoso que estava vazia e enrolada em o chão de o túnel . A criatura que a abandonara devia ter , pelo_menos , seis metros e meio de comprimento . - Bolas - disse o Ron , perdendo as forças . Houve um movimento súbito atrás de eles . As pernas de Gilderoy_Lockhart cederam . - Levante se - disse o Ron de uma forma cortante , apontando lhe a varinha . Lockhart pôs se de pé . Em seguida empurrou o Ron , atirando o a o chão . Harry deu um salto , mas ... tarde de mais . Lockhart endireitava se com a varinha de o Ron em as mãos e um sorriso em o rosto . - A aventura acaba aqui , rapazes - disse . - Vou levar um bocado de esta pele de cobra para a escola , contar lhes que foi demasiado tarde para salvar a garota e que vocês os dois perderam tragicamente a memória com a visão de o seu corpinho mutilado . Digam adeus a as vossas recordações . Levantou a o ar a varinha avariada de o Ron e gritou * _ Obliviate ! * A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba . Harry pôs os braços sobre a cabeça e correu , escorregou em os anéis de a pele de cobra , afastando se de os grandes pedaços de tecto de o túnel que caíam em o chão com o ruído de trovões . Pouco depois estava sozinho , olhando para uma sólida parede de rocha partida . - Ron - gritou ele . - Estás bem , Ron ? - Estou aqui - respondeu a voz abafada de o Ron por detrás de a avalancha de rochas . - Eu estou bem mas este sujeito não . A varinha avariou o todo . Ouviu se um ruído surdo e um Oh ! gritado . Parecia que o Ron tinha acabado de dar a o Lockhart um pontapé em as canelas . - E agora ? - disse a voz de o Ron que parecia desesperada . - Não podemos passar , vai demorar séculos . Harry olhou para o tecto de o túnel onde tinham aparecido grandes fendas . Ele nunca tentara partir , através de a magia , nada tão grande como aquelas rochas e agora não lhe parecia ser o melhor momento para fazer experiências . E se o túnel abatesse ? Houve um ruído surdo e outro Oh ! atrás de as rochas . Estavam a perder tempo . A Ginny já estava havia duas horas em a Câmara_dos_Segredos . Harry sabia que só havia uma coisa a fazer . - Espera aqui - gritou a o Ron . - Fica com o Lockhart , eu vou lá . Se não voltar dentro_de uma hora ... Houve um silêncio cheio . - Eu vou ver se desloco um_pouco esta rocha - disse o Ron , tentando manter a voz firme . - Para tu poderes passar . E , Harry ... - Até já - disse o Harry , procurando injectar confiança em a sua voz trémula . E passou sozinho para lá de a imensa pele de serpente . Em_breve , o ruído de o Ron , tentando deslocar a rocha , deixou de se ouvir . O túnel virou uma e outra_vez . Os nervos de o corpo de o Harry tangiam de forma desagradável . Ele só queria que o túnel chegasse a o fim , fosse o que fosse que o aguardasse . E então , finalmente , quando atingiu a última curva , viu em a sua frente uma parede sólida que tinha gravadas duas serpentes enroladas uma em a outra , cujos olhos eram quatro esmeraldas , enormes e brilhantes . Harry aproximou se com a garganta seca . Não foi preciso imaginar que as serpentes eram autênticas . Os seus olhos pareciam estranhamente vivos . Foi fácil descobrir o que tinha de fazer . Pigarreou e os olhos de esmeraldas pareceram mexer se . - Abre te - disse Harry em um sibilar baixo . As serpentes desapareceram enquanto a parede se abria a o meio e , a tremer de os pés a a cabeça , Harry entrou . XVII_Herdeiro_de_Slytherin_Estava de pé em o fundo de uma divisão enorme , fracamente iluminada . Altíssimos pilares de pedra , cheios de serpentes gravadas que os enlaçavam , erguiam se , suportando um tecto que se perdia em a escuridão e que lançava sombras negras imensas através de a estranha luz esverdeada que enchia o local . Com o coração a bater descompassadamente , Harry ficou parado a ouvir aquele silêncio arrepiante . Estaria o Basilisk escondido em um canto cheio de sombras , atrás_de algum pilar ? E onde estaria Ginny ? Pegou em a varinha e avançou a o longo de as colunas serpenteantes . Cada_um de os seus passos provocava um enorme eco em as paredes sombrias . Harry tinha os olhos semicerrados e estava pronto para os fechar a o mais pequeno movimento . As órbitas de olhos fundos de as serpentes de pedra pareciam segui o . Por mais de uma_vez , com o estômago a dar um salto , Harry julgou vê os moverem se . Por fim , chegado a o nível de os dois últimos pilares , avistou uma estátua de a altura de a própria câmara que estava encostada a a parede de o fundo . Harry tinha de esticar o pescoço para olhar para_cima , para a cara de o gigante : era velho e com um ar simiesco , tinha uma barba enorme que lhe caía quase onde acabava a longa túnica de pedra . Os dois pés imensos e cinzentos pousavam em o chão de a câmara . E entre eles , voltada para baixo , estava uma figura pequenina vestida de preto com um cabelo flamejante . - Ginny - murmurou Harry , chegando perto de ela e ajoelhando se . - Ginny , por favor não estejas morta , não estejas morta ! Atirou a varinha para o lado , agarrou Ginny por os ombros e voltou a . O rosto de ela estava branco e frio como o mármore , contudo os olhos encontravam se fechados , portanto não estava petrificada . Mas então devia estar ... - Ginny , acorda por favor - repetiu Harry desesperado , sacudindo a . A cabeça de ela andava de um lado para o outro . - Ela não vai acordar - disse secamente uma voz . Harry deu um salto e girou sobre os joelhos . Um rapaz alto , de cabelo preto , estava encostado a o pilar mais próximo , a observá o . As sombras desfocavam o como_se Harry o visse através_de uma janela embaciada . Mas não havia como confundis o . - Tom , Tom_Riddle ? Riddle acenou , sem tirar os olhos de o rosto de Harry . - O que queres dizer com isso de ela não acordar ? - perguntou Harry desesperado . - Ela não está ... não está ? - Está viva - disse Riddle . - Mas , por um fio . Harry olhou fixamente para ele . Tom_Riddle estivera em Hogwarts há cinquenta anos atrás . Contudo , ali estava com uma luz estranha e desfocada a iluminá o , sem um dia a mais do_que os seus dezasseis anos . - És um fantasma ? - perguntou Harry . - Uma memória - disse Riddle . - Preservada em um diário durante cinquenta anos . Apontou para os pés de a estátua gigantesca . Ali , aberto em o chão , estava o pequeno diário de capa preta que Harry tinha encontrado em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Durante um segundo , Harry perguntou a si próprio como teria ido ali parar , mas havia coisas mais importantes a fazer . Preciso de a tua ajuda , Tom - disse Harry , levantando de_novo a cabeça de a Ginny . - Temos de sair de aqui . Há_um_Basilisk ... não sei onde está mas pode aparecer a qualquer momento . Por favor , ajuda me . Riddle não se mexeu . Harry , a transpirar , conseguiu levantar ligeiramente a Ginny de o solo e inclinou se para pegar em a varinha mas ela tinha desaparecido . - Viste a ... ? Olhou para_cima . Riddle continuava a olhá o , fazendo girar a varinha entre os dedos longos . - Obrigado - disse Harry , esticando o braço para a agarrar . Um sorriso surgiu então em os cantos de a boca de Riddle que continuou a olhar para ele , girando indolentemente a varinha . - Ouve , pá - disse Harry sem querer perder mais tempo , os joelhos a vergarem sob o peso morto de Ginny - temos de ir . Se o Basilisk aparece ... - Ele não vem enquanto não for chamado - disse Riddle com toda_a calma . Harry voltou a pousar Ginny em o chão , incapaz de a segurar por mais tempo . - Que queres dizer com isso ? - perguntou . - Dá me a minha varinha , posso precisar de ela . O sorriso de Riddle ampliou se . - Não vais precisar de ela - disse . Harry olhou o espantado . - O que queres dizer , não vou ? - Esperei muito_tempo por isto , Harry - disse Riddle . - Pela possibilidade de te ver , de falar contigo . - Olha , eu acho que tu não estás a perceber - disse Harry , perdendo a paciência . - Estamos em a Câmara_dos_Segredos , podemos conversar mais tarde . - Vamos conversar agora - disse Riddle , sorrindo de orelha a orelha e guardando a varinha de Harry em o bolso . Harry voltou a olhar para ele . Havia qualquer coisa de muito estranho em tudo aquilo . - Como é_que a Ginny ficou assim ? - perguntou pausadamente . - Bem , essa é uma pergunta interessante - disse Riddle , divertido . - E uma longa história , também . Julgo que o verdadeiro motivo que levou Ginny_Weasley a ficar assim foi o ter aberto o seu coração e revelado todos os seus segredos a um estranho ser invisível . - De quem estás a falar ? - perguntou Harry . - De o diário - disse Riddle . - De o meu diário . A Ginny escreve nele há meses e meses , contando me todas_as suas lamentáveis desgraças e atribulações : como os irmãos a arreliam , que teve de vir para a escola com manto , túnica e livros em segunda mão - os olhos de Riddle brilharam -- , que acha que o maravilhoso , o grande , o famoso Harry_Potter nunca vai gostar de ela ... Enquanto falava , nunca os olhos de Riddle se afastaram de a cara de o Harry . Havia em eles um olhar ávido . - É muito chato ter de ouvir as preocupações idiotas de uma garotinha de onze anos - prosseguiu . - Mas eu fui paciente . Respondi lhe , mostrei me simpático e amável . A Ginny pura e simplesmente adorou me . - * _ Nunca ninguém me compreendeu como tu , Tom ... estou tão feliz por ter este diário a quem me confiar ... é como ter um amigo que pode andar em o meu bolso * ... Riddle riu se . Um riso alto , frio , que não lhe ficava bem . Fez com que os cabelos de o pescoço de Harry se arrepiassem todos . - Verdade se diga que sempre consegui encantar as pessoas necessárias . Portanto a Ginny verteu em mim a sua alma e a alma de ela era precisamente o que eu queria . Fortaleceu me . Alimentei me de os seus medos mais profundos , de os seus mais obscuros segredos . Fui ficando cada_vez_mais forte e poderoso . Muito mais poderoso do_que a pequena Miss_Weasley até que comecei a transmitir lhe alguns de os meus segredos , a passar um_pouco de a minha alma para ela ... - O que queres dizer ? - perguntou Harry cuja boca ficara totalmente seca . - Ainda não descobriste , Harry_Potter ? - disse Riddle muito baixo . - Giony_Weasley abriu a Câmara_dos_Segredos , estrangulou os galos de a escola e escreveu mensagens assustadoras em as paredes . Atiçou a serpente de Slytherin contra quatro sangues de lama e contra o gato de o busca-pé . - Não - murmurou Harry . - Sim - disse calmamente Riddle . - É claro que a princípio não sabia o que estava a fazer . Era muito divertido . Gostava que visses as coisas que escreveu em o diário , começaram a ficar muito mais interessantes . * _ Querido_Tom * - recitou ele , olhando para a expressão horrorizada de o Harry . - * _ Acho que estou a perder a memória . Há penas de galo em todas_as minhas roupas e eu não sei como foram lá parar . Querido_Tom , não me lembro do_que fiz em a noite de o Hallowe'en mas foi atacada uma gata e eu estou cheia de tinta em a cara . Querido_Tom , o Percy não pára de me dizer que ando pálida e não pareço eu . Acho que ele suspeita de mim ... Houve outro ataque hoje e eu não sei onde estava . Tom , que vou eu fazer ? Acho que estou a ficar maluca ... acho que ando a atacar toda_a_gente , Tom ! * Harry tinha os punhos fechados , as unhas cravadas contra a palma de as mãos . - Levou muito_tempo até a pequenina estúpida deixar de confiar em o diário - disse Riddle . - Mas acabou por ficar desconfiada e tentou livrar se de ele . E é aí que tu entras , Harry . Tu encontraste o . E eu não poderia ter ficado mais satisfeito . De todas_as pessoas que poderiam ter ficado com ele , foste tu , aquele que eu ambicionava conhecer ... - E porque querias conhecer me ? - perguntou Harry . Começava a ser tomado por a raiva e fez um esforço para manter o tom de voz controlado . - Bem , a Ginny contou me tudo a teu respeito - disse Riddle . - A tua fascinante história . - Os seus olhos pousaram em a cicatriz em a testa de Harry e a sua expressão ganhou maior avidez . - Sabia que devia descobrir mais a teu respeito , falar te , encontrar me contigo se fosse possível . Por isso , para ganhar a tua confiança , resolvi mostrar te a famosa captura que fiz de aquele demente de o Hagrid . - O Hagrid é meu amigo - disse Harry já com a voz a tremer . - E tu tramaste o , não foi ? Pensei que tinha sido um engano , mas ... Ele riu se . O mesmo riso de antes . - Era a minha palavra contra a palavra de ele . Imagina a cara de o velho Armando_Dippet . De um lado Tom_Riddle , pobre mas brilhante , sem pais mas corajoso , prefeito de a escola , um modelo de aluno . De o outro lado , o Hagrid , grande e disparatado , arranjando problemas semana sim , semana não , tentando criar filhotes de lobisomens debaixo de a cama , escapando se para a floresta proibida para lutar com gigantes . Mas , devo admitir que até eu próprio fiquei admirado com os excelentes resultados de o meu plano . Pensei que alguém perceberia que o Hagrid nunca poderia ser o herdeiro de Slytherin . Demorei cinco anos inteirinhos até descobrir tudo_o_que me foi possível sobre a Câmara_dos_Segredos e a sua entrada secreta ... como_se o Hagrid tivesse cabeça ou poder ! - Só o professor de Transfiguração , Dumbledore , parecia achar que ele estava inocente . Convenceu Dippet a mantê o aqui e a treiná o como guarda de os campos . Sim , é natural que Dumbledore tenha adivinhado , nunca gostou de mim como os outros professores . - Aposto que Dumbledore viu através_de ti - disse Harry , de dentes cerrados . - Pelo_menos passou a vigiar me de perto , a partir de o momento em que o Hagrid foi expulso - disse Riddle descuidadamente . - Eu sabia que não era seguro voltar a abrir a câmara enquanto ainda estava em a escola mas não ia desperdiçar os longos anos que passara a pesquisar . Decidi , por isso , deixar um diário preservando em as suas páginas o meu ego de dezasseis anos para que um dia , com um_pouco de sorte , pudesse levar outro a seguir os meus passos e acabar o nobre trabalho de Salazar_Slytherin . - Bem , não o acabaste - disse Harry triunfante . - Ninguém morreu até agora , nem mesmo a gata . Dentro_de poucas horas a poção de mandrágoras estará pronta e todos os que foram petrificados voltarão de_novo a si . - Não acabei de te dizer que matar sangues de lama já não me interessa ? Há muitos meses que o meu alvo és tu . Harry olhou para ele . - Podes imaginar como fiquei furioso quando em outro dia o diário foi aberto e vi que era a Ginny quem estava a escrever e não tu . Ela viu te com o diário e entrou em pânico . E se tu descobrisses como trabalhar com ele e eu te repetisse todos os seus segredos ? Ainda pior , e se eu te contasse quem tinha andado a estrangular os galos ? Por isso , a grande palerma esperou que o teu dormitório estivesse deserto e foi lá roubá o . Mas eu sabia o que tinha de fazer . Estava muito claro para mim que a tua meta era o herdeiro de Slytherin . Por tudo_o_que a Ginny me contara a teu respeito , sabia que irias até onde fosse preciso para desvendar o mistério , principalmente se um de os teus melhores amigos tivesse sido atacado . E a Ginny disse me que a escola toda bichanava por tu falares * serpentês * ... Por isso , obriguei a Ginny a escrever a sua própria despedida em a parede , a vir até aqui e esperar . Ela debateu se e gritou e ficou muito chatinha . Mas , já não tem muita vida : pôs grande parte de ela em o diário , deu me a . O suficiente para eu abandonar , por fim , as suas páginas . Desde_que aqui cheguei que estou a a tua espera . Sabia que virias . Tenho muitas perguntas a fazer te , Harry_Potter . - Que perguntas ? - disse Harry com os punhos fechados . - Bem - prosseguiu Riddle , sorrindo de satisfação : - Como é_que um bebé sem especiais talentos de magia foi capaz de derrotar o maior feiticeiro de sempre ? Como conseguiste escapar só com uma cicatriz quando os poderes de Lord_Voldemort foram destruídos ? Havia agora em os seus olhos um brilho vermelho e irado . - O que é_que te interessa saber como eu escapei ? - disse Harry lentamente . - Voldemort veio depois de ti . - Voldemort - disse Riddle - é o meu passado , o meu presente e o meu futuro , Harry_Potter ... Tirou a varinha de o Harry de o bolso e começou a escrever em o ar três palavras brilhantes : TOM_MARVOLO_RIDDLE_Em seguida , fez um gesto com a varinha e as letras de o seu nome reagruparam se de outro modo . : __ eu sou lord __ voldemort ( I am Lord_Voldemort ) . - Vês ? - murmurou . - Era um nome que eu já usava em Hogwarts , para os meus amigos mais íntimos apenas , como é óbvio . Achas que ia usar para sempre o nome nojento de o meu pai Muggle ? Eu , em cujas veias , por o lado materno , corre o sangue de Salazar_Slytherin ? Eu , manter o nome de um Muggle tolo que me abandonou ainda antes de eu nascer só porque descobriu que a mulher com quem casara era uma bruxa ? Não , Harry , arranjei um novo nome , um nome que eu sabia que os feiticeiros de todo_o_mundo viriam um dia a ter medo de pronunciar , quando eu me tivesse tornado o maior feiticeiro de o mundo . A cabeça de Harry parecia bloqueada . Olhou como_que paralisado para Riddle , para o rapaz de o orfanato que depois de crescer iria matar os seus pais e tantos outros . Por fim , com algum esforço conseguiu falar . - Não és - disse em uma voz calma e cheia de ódio . - Não sou o quê ? - perguntou Riddle irritado . - Não és o maior feiticeiro de o mundo - disse Harry com a respiração acelerada . - Lamento desiludir te mas o maior feiticeiro de o mundo é Albus_Dumbledore . Toda_a_gente sabe . Mesmo tu , quando tinhas força , não ousavas tentar aproximar te de Hogwarts . Dumbledore viu através_de ti quando andavas em a escola e ainda agora te assusta onde quer que te escondas . O sorriso desaparecera de o rosto de Riddle , fora substituído por um olhar furioso . - Dumbledore foi afastado de este castelo por a minha simples memória - sibilou . - Ele não está tão longe como pensas - retorquiu Harry . Falava por falar , tentando assustar Riddle , desejando mais que assim fosse do_que acreditando em as suas palavras como uma verdade . Riddle abriu a boca mas não chegou a falar . Tinha começado a ouvir se uma música . Riddle deu uma volta , olhando para a câmara vazia . A música estava a ficar mais alta . Era misteriosa , arrepiante , sobrenatural . Fez_Harry ficar com os cabelos em pé e o coração aumentar lhe em o peito . Por fim , quando atingiu um ponto tão alto que Harry a sentiu vibrar dentro de as suas costelas , começaram a sair chamas de o topo de o pilar mais próximo . Uma ave carmesim de o tamanho de um cisne surgiu , assobiando a sua estranha melodia para o tecto em forma de abóbada . Tinha uma cauda dourada tão longa como a de um pavão e garras douradas e brilhantes que seguravam uma trouxa andrajosa . Segundos depois , a ave voava em direcção a Harry . Deixou cair a coisa andrajosa a os seus pés e pousou lhe pesadamente em o ombro . Quando abriu as enormes asas , Harry olhou para_cima e viu que tinha um longo bico afiado e olhos escuros pequenos e brilhantes . A ave parou de cantar . Ficou quieta junto de a cara de Harry , olhando fixamente para Riddle . - É uma fénix , disse Riddle , olhando sagazmente para ela . - Fawkes ? - murmurou Harry e sentiu as garras douradas apertarem lhe devagarinho o ombro . - E aquilo - disse Riddle , olhando para a coisa velha que Fawkes deixara em o chão - é o velho chapéu seleccionador , de a escola . Era , de facto . Amachucado , puído e sujo , o chapéu jazia imóvel a os pés de Harry . Riddle começou a rir . Riu se tanto que a câmara escura se lhe juntou em um eco tal que parecia que dez Riddles se riam ao_mesmo_tempo . - Eis o que Dumbledore envia a o seu defensor . Um pássaro que canta e um chapéu velho . Estás cheio de coragem , Harry_Potter ? Sentes te agora mais seguro ? Harry não respondeu . Podia não estar a ver a vantagem de a Fawkes ou de o chapéu seleccionador mas já não se sentia só , e esperou corajosamente que Riddle parasse de rir . - Vamos a o que importa , Harry - disse ele , ainda com um enorme sorriso . - Encontrámo nos duas vezes em o teu passado , em o meu futuro . E duas vezes falhei a o tentar matar te . Como foi que sobreviveste ? Conta me tudo . Quanto_mais falares , mais tempo tens de vida . Harry pensava rapidamente , medindo as suas possibilidades . Riddle tinha a varinha . Ele , Harry , tinha a Fawkes e o chapéu seleccionador que não lhe serviriam de muito em o combate . As coisas pareciam más , é certo . Mas quanto_mais tempo Riddle ali estivesse , mais vida retirava a a Ginny ... e , entretanto , Harry reparou que a silhueta de Riddle se tornava mais nítida , mais sólida . Se tinha de haver uma luta entre os dois , quanto_mais depressa melhor . - Ninguém sabe porque perdeste os poderes quando me atacaste - disse bruscamente . - Eu próprio não sei . Mas sei porque não conseguiste matar me . A minha mãe morreu para me salvar . A minha mãe , uma vulgar filha de Muggles - acrescentou , a tremer de raiva . - Ela impediu que tu me matasses . E eu vi te como tu és , em o ano passado . És um destroço , quase não existes . Foi onde o teu poder te levou . Estás sob um disfarce , és horrível e és louco . O rosto de Riddle contorceu se . Em seguida , forçou um sorriso pavoroso . - Quer_dizer , então , que a tua mãe morreu para te salvar . Sim , é um antifeitiço poderoso . Compreendo agora , afinal não há em ti nada de especial . Eu tinha curiosidade , sabes , porque há uma estranha semelhança entre nós , Harry_Potter . Até tu deves ter reparado . Somos ambos meio sangue , órfãos , educados com Muggles , provavelmente os dois únicos que falam * serpentês * desde o grande Slytherin , até nos parecemos um_pouco fisicamente ... mas afinal foi apenas uma questão de sorte que te salvou de mim . Era o que eu queria saber . Harry ficou parado , tenso , a a espera que Riddle levantasse a varinha mas o seu sorriso cínico ampliou se de_novo . - Agora , Harry , vou dar te uma pequena lição . Vamos confrontar os poderes de Lord_Voldemort , herdeiro de Salazar_Slytherin e de o famoso Harry_Potter , munido com as melhores armas que Dumbledore lhe deu . Lançou um olhar divertido a a Fawkes e a o chapéu seleccionador e , em seguida , afastou se . Harry com as pernas entorpecidas por o medo viu o parar entre dois pilares altos e olhar para a cara de pedra de Slytherin , lá em cima em a semi-obscuridade . Riddle abriu a boca e sibilou mas Harry compreendeu o que ele dizia . - * _ Responde-me , Slytherin , o maior de os quatro de Hogwarts * . Harry voltou se para olhar melhor para a estátua com Fawkes pousada em o ombro . A gigantesca cara de pedra de Slytherin movia se . Horrorizado , Harry viu a boca abrir se mais e mais até se transformar em um buraco negro . E algo se agitava dentro de a boca de a estátua . Algo se arrastava para fora de as suas entranhas . Harry recuou até a a parede escura de a câmara e enquanto fechava os olhos com força sentiu a asa de a Fawkes roçar lhe o rosto e levantar voo . Harry quis gritar : - Não me abandones ! - mas que possibilidades tinha uma fénix contra o rei de as serpentes ? Uma coisa enorme bateu em o chão de pedra que Harry sentiu estremecer . Sabia o que estava a acontecer , podia sentis o , quase podia ver a serpente gigantesca a sair de a boca de Slytherin . Foi então que ouviu a voz de Riddle sibilar : * _ Mata-o * . O Basilisk avançava em direcção a Harry . Ele ouvia o seu corpo enorme escorregar pesadamente por o chão cheio de pó . Com os olhos sempre fechados , Harry começou a correr para o lado , a as cegas , com as mãos abertas a tactear o caminho . Riddle ria se a as gargalhadas . Harry escorregou e caiu em o chão de pedra e a boca soube lhe a sangue . A serpente estava a poucos centímetros de ele . Podia ouvi a a aproximar se . Ouviu se um crepitar explosivo por cima de ele e alguma coisa pesada bateu lhe com tanta força que ele ficou encostado a a parede . Esperando que os dentes de a serpente lhe perfurassem o corpo , ouviu mais ruídos e qualquer coisa que se agitava com força contra os pilares . Não conseguiu evitar . Abriu bem os olhos para ver o que se passava . A enorme serpente , brilhante , de um verde veneno , espessa como o tronco de um carvalho , erguera se em o ar e a sua imensa cabeça agitava se de um lado para o outro , entre os dois pilares . Quando Harry , a tremer , se preparava para fechar de_novo os olhos , percebeu o que distraíra a cobra . Fawkes esvoaçava em volta de a sua cabeça e o Basilisk , furioso , tentava agarrá a com os dentes longos e afiados como sabres . Fawkes mergulhava . Harry deixou de ver o bico fino e dourado e uma brusca chuva de sangue escuro inundou o chão . A cauda de a serpente agitou se , não batendo em o Harry por_pouco e antes que ele pudesse fechar os olhos voltou se . Harry olhou lhe para a cara e viu que os seus olhos , os dois olhos amarelos e bolbosos tinham sido perfurados por a fénix . O sangue escorria por o chão e a serpente cuspia cheia de dores . - * _ Não * - Harry ouviu o grito de Riddle . - * _ Deixa a ave , deixa a ave , o rapaz está atrás_de ti , ainda podes cheirá o . Mata o ! * A serpente cega oscilou confusa , ainda em fúria . Fawkes andava a a volta de a cabeça de ela soprando a sua misteriosa cantilena , picando lhe aqui_e_ali o nariz cheio de escamas , enquanto o sangue jorrava de os seus olhos destruídos . - Ajudem me . Ajudem me - murmurava Harry aflito . - Alguém , ajude me . A cauda de a serpente chicoteou de_novo o chão . Harry baixou se . Algo macio tocou lhe em o rosto . O Basilisk lançara o chapéu seleccionador para os braços de o Harry que o agarrou . Era tudo_o_que tinha , a sua única esperança . Enfiou o em a cabeça e começou a ficar achatado contra o chão , enquanto a cauda de o Basilisk se lançava de_novo sobre ele . - Ajudem me , ajudem me - pensou Harry , os olhos comprimidos debaixo de o chapéu . - Por favor , ajudem me . Nenhuma voz lhe respondeu . Em vez de isso , o chapéu contraiu se como_se uma mão invisível o tivesse espalmado devagarinho . Alguma coisa muito dura e pesada caíra sobre a cabeça de Harry , conseguindo quase derrubá o . A ver estrelas em frente de os olhos , agarrou o chapéu para o puxar para baixo e sentiu lá dentro uma coisa longa e dura . Uma espada brilhante tinha surgido dentro de o chapéu . Tinha um cabo cravejado de rubis de o tamanho de pequenos ovos . - Mata o rapaz , deixa a ave . O rapaz está atrás_de ti . Cheira o ! Harry estava de pé , preparado . A cabeça de o Basilisk caía , o corpo serpenteava , batendo nos pilares quando se torcia para ficar de frente para ele . Harry podia ver as enormes órbitas ensanguentadas , a boca toda aberta , suficientemente grande para o engolir inteiro , munida de dentes tão longos como a sua espada , finos , brilhantes , venenosos ... Começou a atacar a as cegas . Harry baixou se e a serpente bateu em a parede de a câmara . Atacou de_novo e a sua língua bifurcada lambeu a parede ao_lado_de Harry que levantou a espada com ambas as mãos . O Basilisk investiu mais_uma_vez e agora a pontaria foi certa . Harry pôs todo o seu peso contra a espada e enterrou a até a os copos em o céu de a boca de a serpente . Mas quando o sangue quente lhe encheu os braços , sentiu uma dor aguda mesmo acima de o cotovelo . Um longo dente venenoso penetrava cada_vez_mais fundo em o seu braço , partindo se quando o Basilisk tombou para o lado , perdendo os sentidos . Harry escorregou a o longo de a parede , apertou com força o dente que estava a derramar veneno por todo o seu corpo e arrancou o de o braço . Mas sabia que era demasiado tarde . Uma dor quente emanava lenta e perseverantemente de a ferida . Quando deixou cair o dente e viu o seu próprio sangue manchando lhe as vestes , a vista começou a ficar turva e a câmara a diluir se em uma rotação ardente e colorida . Mas algo escarlate passou por ele e Harry ouviu a o seu lado um suave ruído de garras . - Fawkes - disse com a voz empastada . - Foste sensacional , Fawkes . - Sentiu o pássaro encostar a sua elegante cabeça a o sítio onde o dente de a serpente o tinha ferido . Ouviu passos ecoarem em o vazio e em seguida uma sombra escura moveu se em a sua frente . - Estás morto , Harry_Potter - disse a voz de Riddle , acima de ele . - Morto . Até o pássaro de Dumbledore sabe de isso . Vês o que ele está a fazer ? A chorar . Harry piscou os olhos . A cabeça de Fawkes ora estava focada , ora desfocada . Lágrimas grossas como pérolas escorriam de as suas penas . - Vou sentar me aqui a ver te morrer , Harry_Potter . Leva o teu tempo , eu não tenho pressa . Harry sentiu se sonolento . Tudo parecia girar a a sua volta . - E assim acaba o famoso Harry_Potter - disse a voz distante de Riddle . - Sozinho em a Câmara_dos_Segredos , esquecido por os amigos , finalmente derrotado por o Senhor de o mal que ele tão imprudentemente desafiou . Vais reunir te a a tua querida mãe sangue de lama , Harry ... Ela deu te doze anos de tempo emprestado ... Mas Lord_Voldemort apanhou te em o fim , como sabias que teria de acontecer . Se morrer é isto , pensou Harry , não é assim tão mau . Até a dor estava a desaparecer . Mas , estaria a morrer ? Em_vez_de ficar mais escura a câmara parecia voltar a estar nítida . Harry fez um pequeno gesto com a cabeça e viu a Fawkes ainda repousando a cabeça em o seu ombro . Uma fiada de pérolas brilhava em volta de a ferida , só que já não havia ferida . - Sai de aqui , pássaro - disse subitamente a voz de Riddle . - Afasta te de ele . Já te disse , sai de aqui ! Harry levantou a cabeça . Riddle apontava a sua varinha a Fawkes . Ouviu se um tiro que parecia de carabina e Fawkes levantou novamente voo em um rodopio de ouro e escarlate . - Lágrimas de fénix - disse Riddle em voz baixa , olhando para o braço de o Harry . - É claro ... poderes curativos ... esqueci me ... Olhou para a cara de Harry . - Mas não faz mal . Pensando bem , eu até prefiro assim . Tu e eu , Harry_Potter ... Tu e eu ... Levantou a varinha . Então , em um golpe de asa , Fawkes voou sobre as cabeças de ambos , deixando cair uma coisa em o colo de Harry : o diário . Durante uma fracção de segundo , tanto Harry como Riddle , ainda com a varinha levantada , ficaram a olhar para aquilo . Em seguida , sem pensar , sem ponderar , como_se pensasse fazê o desde o princípio , Harry agarrou o dente de o Basilisk que estava em o chão , junto de ele , e espetou o em o coração de o caderno . Ouviu se um grito longo e terrível . A tinta esguichou em torrentes de dentro de o diário , derramando se sobre as mãos de o Harry e inundando o chão . Riddle torcia se e contorcia se , agitando se a os gritos . E , por fim . Desapareceu . A varinha de Harry caiu a o chão com um ruído e fez se silêncio . Um silêncio apenas cortado por o ping ping de a tinta que ainda escorria de o diário . Com um leve crepitar , o veneno de o Basilisk abrira um buraco mesmo em o meio de o caderno . A tremer de os pés a a cabeça , Harry pôs se de pé . Sentia tudo a andar a a roda como_se tivesse viajado quilómetros e quilómetros com o pó de * _ Floo * . Lentamente apanhou a varinha e o chapéu seleccionador e com um grande estrondo retirou a espada de o céu de a boca de a serpente . Ouviu se então um gemido fraco a o fundo de a câmara . Ginny estava a mexer se . Quando Harry chegou junto de ela , sentou se . Os seus olhos abismados saltaram de o Basilisk morto para Harry em a sua roupa cheia de sangue e , em seguida , para o diário que ele tinha em as mãos . Soltou um enorme soluço e os seus olhos encheram se de lágrimas . - Harry , oh ! Harry , eu tentei dizer te a o pequeno-almoço mas não fui capaz em frente de o Percy . Era eu , Harry , mas eu ... eu ... juro que não queria ... o Riddle obrigou me , levou me e ... como é_que mataste esse bicho ? Onde está o Riddle ? A última coisa de que me lembro foi de o ver a sair de o diário ... - Está tudo bem - disse Harry , mostrando lhe o diário com o buraco de o dente . - O Riddle acabou , olha . Ele e o Basilisk . Anda , Ginny , vamos embora de aqui . - Vou com certeza ser expulsa - disse Ginny a chorar enquanto Harry a ajudava a pôr se de pé . - Desde_que o Bill veio para Hogwarts que eu sonhava vir também para cá e agora vou ter de me ir embora e ... O que vão a minha mãe e o meu pai dizer ? Fawkes esperava por eles , suspensa em o ar , a a entrada de a câmara . Harry fez a Ginny avançar , passaram sobre os anéis parados de o Basilisk , por a escuridão cheia de ecos e voltaram a o túnel . Harry ouviu as portas de pedra fecharem se atrás de eles com um leve sibilar . Depois de alguns minutos a caminhar por o túnel escuro , chegou a os ouvidos de Harry o som distante de o deslocar de uma rocha . - Ron - gritou ele , apressando se . - A Ginny está bem . Está aqui comigo ! Ouviu o Ron gritar de alegria e , voltando em a curva logo_a_seguir , viram a sua cara ansiosa a espreitar por a fresta que conseguira abrir durante a avalancha . - Ginny ! - Ron estendeu o braço por a fresta para a puxar primeiro . - Estás viva . Não posso acreditar . O que aconteceu ? Tentou abraçá a mas a Ginny afastou o , soluçando . - Mas estás bem , Ginny - disse o Ron , sorrindo para ela . - Já passou tudo ... De onde veio esse pássaro ? Fawkes passara por a abertura , atrás_de Ginny . - É de o Dumbledore - explicou Harry , espremendo se para caber também . - E como arranjaste uma espada ? - perguntou o Ron , olhando para a arma brilhante que Harry tinha em a mão . - Eu explico te tudo quando sairmos de aqui - disse Harry , lançando um olhar de esguelha a a Ginny . - Mas ... - Mais tarde - disse Harry rapidamente . Não lhe parecia uma boa ideia contar a o Ron quem tinha aberto a câmara , ali , em frente de a Ginny . - Onde está o Lockhart ? - Ali atrás - disse o Ron , a rir e a abanar a cabeça em direcção a o cano . - Está em muito mau estado . Anda ver . Conduzidos_pela_Fawkes , cujas grandes asas escarlates emitiam um suave dourado que brilhava em a escuridão , voltaram a o lugar onde o cano começava . Gilderoy_Lockhart estava sentado a falar sozinho . - Perdeu a memória - disse o Ron . - O feitiço de a memória fez ricochete . Não sabe quem é nem onde está , nem_sequer sabe quem nós somos . Eu disse lhe que viesse para aqui e esperasse . É um perigo para ele próprio . Lockhart olhou os bem-disposto . - Olá - disse . - Que lugar estranho , este . É aqui que vocês moram ? -- Não - respondeu o Ron , levantando as sobrancelhas para o Harry . Harry baixou se e observou o túnel escuro e longo . - Já pensaste como é_que vamos sair de aqui ? - perguntou a o Ron . O amigo abanou a cabeça mas Fawkes , a fénix , tinha passado por o Harry e estava agora em o ar , em frente de ele , os olhos como pérolas a brilharem em o escuro . Abanava as longas penas douradas de a cauda . Harry olhou para ela , inseguro . - Ela parece querer que a agarres - disse o Ron , perplexo . - Mas tu és muito pesado para um pássaro . - A Fawkes - disse Harry - não é um pássaro qualquer . Voltou se rapidamente para os companheiros . - Temos de nos agarrar uns a os outros . Ginny , agarra a mão de o Ron . O professor Lockhart ... - Ele está a falar consigo - disse o Ron secamente . - Agarre a outra mão de a Ginny . Harry guardou a espada e o chapéu seleccionador em o cinto . Ron deitou a mão a a roupa de Harry e Harry agarrou as penas de a cauda , estranhamente quentes , de a Fawkes . Sentiu uma extraordinária leveza apoderar se de todo o seu corpo e em seguida estavam todos a voar por o cano acima . Harry conseguia ouvir Lockhart , lá atrás , comentando : - Espantoso , isto parece mágico ! Ar frio batia em os cabelos de Harry e antes que ele deixasse de gostar de a viagem já ela acabara . Os quatro tinham chegado a o chão molhado de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa e , enquanto Lockhart endireitava o chapéu , o lavatório voltara a o seu lugar , tapando o cano . A Murta arregalou os olhos . - Vocês estão vivos - disse inexpressivamente a o Harry . - Não é preciso mostrares te tão desiludida - respondeu ele , muito sério , limpando as nódoas de sangue e lodo de os óculos . - Bem ... é_que eu pensei que se vocês morressem seriam bem-vindos a a minha casa_de_banho - disse a Murta com um rubor prateado . - Urgh ! - fez o Ron , quando saíram de ali para o corredor deserto . - Harry , acho que a Murta está a gostar de ti . Tens concorrência , Ginny ! A Ginny continuava a chorar silenciosamente . - Onde vamos agora ? - perguntou o Ron , olhando ansiosamente para ela . Harry apontou . Fawkes indicava o caminho , com o seu tom dourado que brilhava em o corredor . Seguiram a e pouco depois estavam em o escritório de a professora Mc_Gonagall . Harry bateu e empurrou a porta que estava encostada . XVIII_A recompensa de Dobby_Durante alguns momentos reinou o silêncio enquanto Harry , Ron , Ginny e Lockhart estavam em a entrada de a porta . Cobertos de pó e de lama e ( em o caso de o Harry ) sangue . Em seguida , ouviu se um grito . - Ginny ! Era_Mrs._Weasley que tinha estado a chorar , sentada em frente de o lume . Pôs se de pé em um salto , seguida de Mr._Weasley e precipitaram se ambos para a filha . Harry olhava para trás de eles . Dumbledore rejubilava junto de a lareira , a o lado de a professora Mc_Gonagall que , agarrada a o queixo , respirava com dificuldade . Fawkes rasou as orelhas de o Harry e foi instalar se em o ombro de Dumbledore , ao_mesmo_tempo que Harry dava por si em os braços de Mrs._Weasley . - Tu salvaste a ! Salvaste a ! : __ como foi que __ conseguiste ? - Acho que todos nós gostaríamos de saber - disse , sem energia , a professora Mc_Gonagall . Mrs._Weasley soltou o Harry , que hesitou um momento . Depois , foi até a a secretária e colocou sobre o tampo o chapéu seleccionador , a espada cravejada de rubis e o que restava de o diário de Riddle . Em seguida , contou lhes tudo . Falou durante quase um quarto de hora em o silêncio extasiado : contou lhes de a voz sem corpo que ouvia , como a Hermione acabara por descobrir que se tratava de um Basilisk que circulava em os canos , como ele e o Ron tinham seguido as aranhas até a a floresta , que Aragog lhes dissera que a última vítima de o Basilisk morrera , como tinham chegado a a conclusão que se tratava de a Murta_Queixosa e que a entrada para a Câmara_dos_Segredos devia ser em aquela casa_de_banho ... - Muito bem - elogiou a professora Mc_Gonagall quando ele se calou . - Então tu descobriste onde era a entrada , infringindo uma centena de regras de a escola por o caminho , devo dizer , mas como diabo saíram vocês vivos de lá de dentro ? Harry , com a voz já um_pouco rouca de falar tanto , contou lhes de a chegada de a Fawkes e de o chapéu seleccionador que lhe tinha dado a espada . Mas , chegando aí , hesitou . Até a o momento evitara referir se a o diário de Riddle ou a a Ginny . Ela tinha a cabeça encostada a o ombro de Mrs._Weasley e as lágrimas corriam lhe ainda por o rosto . E se a expulsassem ? - pensou Harry , tomado de pânico . O diário de Riddle já não funcionava ... quem poderia provar que fora ele que a obrigara a fazer tudo aquilo ? Olhou instintivamente para Dumbledore que sorria , o fogo iluminando lhe os óculos de meia-lua . - O que mais me interessa saber - disse Dumbledore amavelmente - é como conseguiu Lord_Voldemort enfeitiçar a Ginny quando as minhas fontes me dizem que ele se esconde habitualmente em as florestas de a Albânia . Um alívio , quente e glorioso percorreu Harry de a cabeça a os pés . - O quê ? - disse Mr._Weasley , em uma voz estupefacta . - O Quem nós sabemos enfeitiçou a Ginny ? Mas a Ginny não ... a Ginny não morr ... ? - Foi este diário - esclareceu Harry rapidamente . E mostrando o a Dumbledore . - O Riddle escreveu o quando tinha dezasseis anos . Dumbledore pegou em o diário e olhou atentamente por cima de o seu nariz longo e adunco para as páginas queimadas e húmidas . - Fantástico - disse em voz baixa . - É claro que ele deve ter sido o aluno mais brilhante que alguma vez passou por Hogwarts . - Olhou em volta para os Weasley que o observavam com um ar totalmente confuso . - Muito poucas pessoas sabem que Lord_Voldemort se chamou em tempos Tom_Riddle . Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos , em Hogwarts . Ele desapareceu depois de deixar a escola , viajou muito , mergulhou tão fundo em as artes de a magia negra , associado a os piores feiticeiros , realizou transformações mágicas tão perigosas que quando reapareceu como Lord_Voldemort estava totalmente irreconhecível . Ninguém o relacionou com o rapazinho inteligente e bonito que aqui foi , em tempos , chefe de turma . - Mas a Ginny - insistiu Mrs._Weasley . - O que tem a nossa Ginny que ver com ele ? - O diário - soluçou Ginny . - Eu andei todo o ano a escrever em o diário e ele respondia me ... - Ginny ! - repreendeu Mr._Weasley . - Não aprendeste nada do_que te ensinei ? Não me cansei de dizer te que nunca confiasses em nada que não pensasse por si próprio * se não conseguisses ver onde tinha o cérebro ? * Porque não me mostraste o diário , a mim ou a a tua mãe ? Um objecto suspeito como esse tinha de estar cheio de magia negra ! - Eu não sabia - soluçou Ginny . - Estava junto de os livros que a mãe me comprou . Pensei que alguém se tinha esquecido de ele ali . - É melhor Miss_Weasley ir imediatamente para a ala hospitalar - interrompeu Dumbledore com voz firme . - Foi sujeita a uma prova terrível . Não será castigada . Outros feiticeiros mais velhos do_que ela têm sido ludibriados por Lord_Voldemort . - Dirigiu se a a porta e abriu a . - Repouso , cama e talvez uma caneca de chocolate quente . A mim , anima me sempre - acrescentou , piscando lhe simpaticamente o olho . - Vais ver que Madam_Pomfrey ainda está acordada . Ela tem estado a dar o sumo de Mandrágora , julgo que as vítimas de o Basilisk estarão a acordar dentro_de momentos . de alegria . - Então a Hermione está bem ! - disse o Ron , cheio de alegria . - Não houve danos irreversíveis - disse Dumbledore . Mrs._Weasley saiu com a Ginny e Mr._Weasley seguiu as ainda bastante abalado . - Sabes , Minerva - disse pensativo o professor Dumbledore - acho que tudo_isto merece um banquete . Posso pedir te que previnas os cozinheiros ? - Certamente - disse animada a professora Mc_Gonagall , dirigindo se também a a porta . - Deixo te a tratar de as coisas com o Potter e o Weasley , está bem ? - Claro - disse Dumbledore . Saiu e os dois olharam inseguros para Dumbledore . Que quereria ela dizer com tratar de as coisas ? Certamente não iriam ser castigados ? - Lembro me de vos ter dito a ambos que teria de vos expulsar se voltassem a quebrar as regras de a escola - disse Dumbledore . Ron abriu a boca horrorizado . - O que vem mostrar nos que as melhores pessoas , às_vezes , têm de engolir as suas próprias palavras . - Dumbledore sorriu e continuou : - Vocês vão receber ambos uma recompensa especial por serviços prestados a a escola e ... deixem me ver , sim , acho que duzentos pontos cada_um para os Gryffindor . Ron ficou tão corado que parecia as flores de S._Valentim_do_Lockhart e voltou a fechar a boca . - Mas um de vós parece demasiado calado sobre a sua participação em esta perigosa aventura - acrescentou Dumbledore . - Porquê tanta modéstia , Gilderoy ? Harry estremeceu . Esquecera se por completo de Lockhart . Voltou se e viu o a um canto de a sala ainda com o mesmo sorriso vago . Quando Dumbledore se lhe dirigiu , olhou por cima de o ombro para ver com quem ele estava a falar . - Professor_Dumbledore - disse o Ron rapidamente - Houve um acidente lá em baixo , em a Câmara_dos_Segredos . O professor Lockhart - Eu sou um professor ? - perguntou Lockhart surpreendido . - E eu que pensei que era um inútil ! - Tentou fazer um feitiço antimemória e a varinha fez ricochete - explicou Ron_a_Dumbledore . - Incrível - disse Dumbledore , abanando a cabeça , o bigode prateado a tremer . - Trespassado por a tua própria espada , Gilderoy ! - Espada ? - disse Lockhart de forma imprecisa . - Eu não tenho espada . Esse rapaz é_que tem - apontou para Harry . - Ele empresta lhe uma . - Importas te de levar também o professor Lockhart até a a ala hospitalar , Ron ? - disse Dumbledore . - Eu gostava de falar um_pouco mais com o Harry . Lockhart saiu sem pressa . Antes de fechar a porta , Ron lançou um olhar curioso a Dumbledore e Harry . Dumbledore passou para uma de as cadeiras junto de o lume . - Senta te , Harry - disse . E Harry sentou se , sentindo se indescritivelmente nervoso . - Antes de mais , Harry , quero agradecer te - disse Dumbledore com os olhos a brilharem de_novo . - Deves ter demonstrado uma grande lealdade para comigo . Só isso poderia atrair a Fawkes para ir ajudar te . Deu uma palmadinha a a fénix que voara , entretanto , para_cima de os seus joelhos . Harry sorria acanhadamente sob o olhar observador de Dumbledore . - Encontraste , portanto , Tom_Riddle - disse o director amavelmente . - Calculo que ele estaria particularmente interessado em ti ... De repente , algo que Harry tinha engasgado saiu lhe descontroladamente de a boca para fora . - Professor_Dumbledore ... o Riddle disse que eu sou como ele , que há entre nós estranhas semelhanças ... - Ah ! sim ? - Dumbledore olhou pensativamente para ele , por debaixo de as espessas sobrancelhas prateadas . - E o que achas tu de isso ? - Eu não me considero parecido com ele - disse Harry mais alto do_que desejaria . - Isto_é , eu sou um Gryffindor , eu sou ... Mas calou se com uma dúvida a rondar lhe o espírito . - Professor - arriscou passado alguns momentos . - O chapéu seleccionador disse que eu ... teria ficado bem em os Slytherin ; durante algum tempo toda_a_gente pensou que eu era o herdeiro de Slytherin por falar * serpentês * ... - Tu falas * serpentês * , Harry - disse Dumbledore calmamente - porque Lord_Voldemort que é o mais recente antepassado de Salazar_Slytherin , fala * serpentês * . Ou eu me engano muito , ou ele transferiu para ti alguns de os seus poderes em a noite em que te fez essa cicatriz . Não que quisesse fazê o , claro , mas aconteceu . - Voldemort pôs um_pouco de si próprio em mim ? - disse Harry assombrado . - É o que parece ter acontecido . - Então eu deveria estar em os Slytherin - disse Harry , olhando desesperado para o rosto de Dumbledore . - O chapéu seleccionador viu em mim os poderes de Slytherin e ... -- Pôs te em os Gryffindor - concluiu tranquilamente Dumbledore . - Ouve , Harry , tu tens por acaso muitas de as capacidades que Salazar_Slytherin apreciava em os seus estudantes cuidadosamente seleccionados . O seu raro dom de falar * serpentês * , desenvoltura , determinação , um certo desprezo por as regras estabelecidas - acrescentou com o bigode a tremer de_novo . - Mas ainda_assim , o chapéu seleccionador pôs te em os Gryffindor . E sabes porquê ? Pensa um_pouco . - Só me pôs em os Gryffindor - disse Harry em uma voz débil - porque eu pedi para não ir para os Slytherin . - Exacto - disse Dumbledore a sorrir . - E isso torna te muito diferente de o Tom_Riddle . São as tuas escolhas , Harry , que mostram quem de facto tu és , mais do_que as tuas capacidades . Harry sentou se , imóvel e espantado , em a cadeira . - Se queres provas de que o teu lugar é em os Gryffindor , sugiro que vejas isto com mais atenção . Dumbledore aproximou se de a secretária de a professora Mc_Gonagall , pegou em a espada de prata ensanguentada e mostrou lhe a . Sem perceber , Harry voltou a ao_contrário . Os rubis brilharam a a luz de a lareira e foi então que ele reparou em o nome gravado mesmo por baixo de o copo de a espada . GODRIC_GRYFFINDOR . - Só um verdadeiro Gryffindor poderia ter tirado a espada de dentro de o chapéu , Harry - disse , com simplicidade , Dumbledore . Durante um minuto , nenhum de os dois falou . Depois , Dumbledore abriu uma de as gavetas de a secretária de a professora Mc_Gonagall e retirou de lá uma pena e um tinteiro . - Tu precisas de comer e ir dormir . Sugiro que desças para o banquete enquanto eu escrevo para Azkaban . Precisamos de recuperar o nosso guarda de os campos . E tenho de esboçar um anúncio para o * _ Profeta_Diário * - acrescentou pensativo . - Vamos precisar de um novo professor de Defesa contra as artes negras . É um problema , estamos sempre a perdê os . Harry levantou se e dirigiu se a a porta . Tinha acabado de estender a mão para o puxador quando ela se abriu tão violentamente que saltou de as dobradiças . Lucius_Malfoy estava de pé , furioso . E , debaixo de o braço , embrulhado em diversas ligaduras , estava Dobby . - Boa tarde , Lucius - disse Dumbledore , de forma amena . Mr._Malfoy quase derrubou Harry enquanto entrava em a sala . Dobby dava passos miudinhos atrás de ele , inclinado até a a bainha de o seu manto com um olhar apavorado em o rosto . - Então - disse Lucius_Malfoy com os olhos fixos em Dumbledore - voltaste . Os membros de o Conselho_Directivo suspenderam te , mas tu mesmo_assim sentiste te capaz de voltar a Hogwarts . - Bem vês , Lucius - disse Dumbledore , sorrindo serenamente . - Os outros membros de o Conselho contactaram me hoje . Fui envolvido em um redemoinho de corujas , todos queriam contar me a verdade . Ouviram dizer que a filha de Arthur_Weasley tinha sido morta e queriam me novamente aqui . Parece que me consideravam o melhor homem para o lugar . Contaram me algumas histórias muito estranhas . Alguns de eles tinham a impressão que tu tinhas ameaçado amaldiçoar lhes as famílias se não concordassem com a minha suspensão . Mr._Malfoy ficou ainda mais pálido do_que de costume , mas os olhos continuavam cheios de fúria . - Então já acabaste com os ataques ? - rosnou . - Apanhaste o culpado ? - Já , sim - disse Dumbledore com um sorriso . - E quem é ? - perguntou Malfoy secamente . - A mesma pessoa de a última vez , Lucius - disse Dumbledore . Mas desta_vez , Lord_Voldemort agiu através_de outra pessoa , por_meio_de um diário . Pegou em o pequeno caderno com o buraco em o meio , observando Mr._Malfoy de perto . Mas Harry olhava para Dobby . O elfo fazia um sinal muito estranho . Com os seus grandes olhos fixos em Harry , não parava de apontar para ó diário e , em seguida , para Mr._Malfoy , batendo logo_a_seguir com o punho em a cabeça . - Estou a ver ... - disse Mr._Malfoy lentamente a Dumbledore . - Um plano inteligente - afirmou o director em um tom de voz suave , continuando a olhar Mr._Malfoy directamente em os olhos . - Porque se não fosse aqui o Harry e o seu amigo Ron a descobrirem o diário , sem dúvida Ginny_Weasley teria ficado com todas_as culpas . Ninguém teria conseguido provar que ela agira contra a sua própria vontade . Mr._Malfoy não se pronunciou . O seu rosto parecia agora uma máscara . - E vê bem - continuou Dumbledore - o que poderia ter acontecido ... os Weasley são uma de as mais proeminentes famílias de feiticeiros de sangue puro , imagina o efeito em a imagem de Arthur_Weasley e em a sua acção de protecção a os Muggles , se a sua própria filha fosse acusada de atacar e matar filhos de Muggles . Foi uma sorte o diário ter sido descoberto e as memórias de Riddle apagadas . Quem sabe que consequências poderia ter tido ? Mr._Malfoy falou contra vontade . - Sim , foi uma sorte - disse secamente . E , em as suas costas , Dobby continuava a apontar para o diário e para Lucius_Malfoy , batendo depois com o punho em a cabeça . E Harry finalmente percebeu . Fez um sinal a Dobby que correu a esconder se em um canto , torcendo desta_vez as orelhas para se castigar . - Não quer saber como a Ginny obteve esse diário , Mr._Malfoy ? - perguntou Harry . Lucius_Malfoy voltou se para ele . - Como queres que eu saiba onde é_que a estúpida de a garota o arranjou ? - Porque foi o senhor quem lhe o deu - disse Harry . - Em a Flourish and Blotts . O senhor pegou em o livro velho de ela de Transfiguração e meteu o diário lá dentro , não foi ? Viu as mãos brancas de Mr._Malfoy abrirem se e fecharem se . - Prova isso - sibilou . - Oh ! ninguém vai poder prová o - disse Dumbledore sorrindo a o Harry . - Não agora_que o Riddle desapareceu de o caderno . Por outro lado , aconselharia te , Lucius , a não dares mais nenhuma de as coisas velhas de Lord_Voldemort . Se mais alguma for parar a as mãos de crianças inocentes , acho que o Arthur_Weasley fará com que se voltem com toda_a sua carga negativa contra ti . Lucius_Malfoy ficou calado um momento e Harry viu claramente a sua mão direita torcer se como_se desejasse chegar a a varinha . Em vez de isso , voltou se para o seu elfo doméstico . - Vamos , Dobby . Abriu a porta e quando o elfo se aproximou deu lhe um pontapé que o projectou para longe . Ouviram se em o escritório os gritos de dor de Dobby em o corredor . Harry pensou durante um momento e depois decidiu se . - Professor_Dumbledore - disse apressadamente . - Posso dar o diário outra_vez a Mr._Malfoy ? - Certamente , Harry - disse Dumbledore com toda_a calma . - Mas não demores , olha o banquete . Harry agarrou em o diário e saiu de o escritório . Os gritos de dor de Dobby afastavam se ao_longe . Sem perder tempo , perguntando a si próprio se o plano poderia resultar , Harry tirou um de os sapatos , puxou uma de as peúgas enlameadas e viscosas e meteu o diário lá dentro . Em seguida correu até a o fundo de o corredor escuro . Apanhou os em o topo de as escadas . - Mr._Malfoy - disse ofegante , parando . - Tenho uma coisa para si . E meteu a peúga mal cheirosa em a mão de Lucius_Malfoy . - O que é ... ? Mr._Malfoy tirou o diário de dentro de a peúga , deitou a fora e olhou furioso para o caderno estragado e para Harry - Ainda vais acabar por ter um fim igual a o de os teus pais um dia de estes , Harry_Potter - disse em voz baixa . - Eles também eram uns idiotas metediços . Voltou se para se ir embora . - Anda , Dobby , vem ! Mas Dobby não se mexeu . Tinha em as mãos a peúga nojenta de o Harry e olhava para ela como_se fosse um tesouro de valor incalculável . - O senhor deu uma peúga a o Dobby - disse o elfo maravilhado . - Deu a a o Dobby . - O que é isso ? - cuspiu Mr._Malfoy . - Que estás para aí a dizer ? - Dobby tem uma peúga - repetiu incrédulo . - O senhor deitou a fora e Dobby apanhou a e Dobby agora é livre ... Lucius_Malfoy ficou paralisado a olhar para o elfo . Em seguida precipitou se para Harry . - Fizeste me perder o meu servo , rapaz . Mas Dobby gritou : - Não pense que vai fazer mal a o Harry_Potter ! Ouviu se um enorme estrondo e Mr._Malfoy foi empurrado de costas , galgando os degraus de as escadas a três_e_três e indo aterrar lá em baixo todo embrulhado e amarrotado . Levantou se , o rosto lívido e pegou em a varinha , mas Dobby estendeu lhe um dedo ameaçador . - Vá se embora já - disse furioso , apontando para Mr._Malfoy . - Não tocará em o Harry_Potter . Vá se embora , já . Lucius_Malfoy não teve escolha . Lançando a os dois um último olhar de cólera , embrulhou se em o manto e desapareceu . - Harry_Potter libertou Dobby ! - disse o elfo com voz esganiçada , olhando para Harry , a luz de o luar reflectida em os seus grandes olhos em forma de globos . - Harry_Potter libertou Dobby . - Era o mínimo que eu podia fazer , Dobby - disse Harry a sorrir -- , mas promete me que não vais voltar a tentar salvar me a vida . A cara feia e escura de o elfo abriu se , mostrando os dentes , em um enorme sorriso . - Tenho uma pergunta a fazer te , Dobby - disse Harry enquanto o elfo pegava em a peúga de ele com as mãos a tremer . - Disseste me que tudo_isto não tinha nada que ver com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Lembras te ? - Era uma pista , senhor - disse Dobby com os olhos muito abertos como_se fosse absolutamente óbvio . - Dobby estava a dar lhe uma pista . Antes de o senhor de o mal mudar de nome , o seu nome podia ser pronunciado , está a ver ? - Certo - disse Harry sem grande convicção . - Bem , é melhor eu ir indo embora . Há um banquete e a minha amiga Hermione já deve ter acordado ... Dobby lançou os braços a a cintura de Harry e abraçou o . - Harry_Potter é muito maior do_que Dobby imaginava ! - soluçou . - Adeus , Harry_Potter . E com um estalido final , Dobby desapareceu . Harry assistira a diversos banquetes , mas nenhum que se parecesse com aquele . Estavam todos de pijama e a festa durou a noite inteira . Harry não sabia se o melhor tinha sido a Hermione a correr para ele e a gritar : - Tu conseguiste . Tu conseguiste ! , ou o Justin saindo disparado de a mesa de os Hufflepuff para lhe estender a mão , desfazendo se em desculpas por ter suspeitado de ele , ou o Hagrid que apareceu a as três_e_meia e que lhes deu palmadas com tanta força em os ombros que eles foram parar dentro de os pratos de bolo de creme , ou os quatrocentos pontos que ele e o Ron obtiveram para os Gryffindor , ganhando a taça de a equipa por a segunda vez consecutiva , ou a professora Mc_Gonagall de pé , a comunicar lhes que os exames tinham sido cancelados como medida de a escola ( Oh ! não ! exclamou Hermione ) , ou Dumbledore a anunciar que , infelizmente , o professor Lockhart não poderia voltar em o ano seguinte por ter de se ausentar a_fim_de recuperar a memória . Alguns de os professores juntaram se a os alunos que aplaudiram entusiasmados esta notícia . - Que pena - disse Ron , servindo se de um * dounut * de presunto . - E eu que começava a gostar de ele ... O resto de o período de Verão decorreu sob um sol escaldante . Hogwarts voltara a a normalidade , apenas com algumas pequenas diferenças : as aulas de Defesa contra as artes negras foram canceladas ( Mas nós tivemos imensa prática - disse o Ron vendo o descontentamento de Hermione ) e Lucius_Malfoy foi demitido de o Conselho_Directivo . Draco já não passeava por ali como_se fosse o dono de a escola . Pelo_contrário , tinha um ar melindrado e carrancudo . Por outro lado , Ginny_Weasley andava de_novo feliz de a vida . Em_breve chegou o dia de regressarem a casa em o Expresso_de_Hogwarts . Harry , Ron , Hermione , Fred , George e Ginny encheram um compartimento . Tiraram o_máximo partido de aquelas últimas horas em que lhes era permitido usar a magia antes de as férias . Brincaram a as explosões , gastaram o último fogo-de-artíficio Filibuster , de o Fred e de o George e treinaram o mútuo desarmamento através de a magia . Harry começava a ficar muito bom em aquilo . Já estavam perto de a estação de King's_Cross quando Harry se lembrou de uma coisa . - Ginny , o que foi que viste o Percy fazer que ele não queria que nos contasses ? - Ah ! isso - disse a Ginny a rir . - Bem , é_que o Percy tem uma namorada . Fred deixou cair uma pilha de livros em a cabeça de o George . - O quê ? - É aquela prefeita de os Ravenclaw ' Penelope_Clearwater - disse a Ginny . - Foi para ela que ele escreveu durante todo o Verão . Encontravam se em a escola em grande segredo . Eu apanhei os a beijarem se em uma sala de aula vazia e ele ficou tão aflito quando ela foi ... sabes ... atacada . Não vais aborrecê o , pois não ? - perguntou cheia de ansiedade . - Que ideia - respondeu Fred com uma tal satisfação em o rosto que parecia que o seu aniversário chegara mais cedo . - Claro que não - disse o George a rir se a a socapa . O Expresso_de_Hogwarts abrandou e finalmente parou . Harry tirou a pena e um_pouco de pergaminho e voltou se para Ron e Hermione . - Isto_é um número de telefone - disse ele a o Ron , escrevinhando o duas vezes , cortando o pergaminho a o meio e dando lhes os números . - Eu expliquei a o teu pai como usar um telefone em o Verão passado . Ele sabe fazer a chamada . Liga me para_casa de os Dursley , O. _ K. ? Não consigo suportar outros dois meses sem ter mais ninguém com quem falar ... - Mas a tua tia e o teu tio vão ficar orgulhosos de ti , não vão ? - perguntou Hermione quando saíram de o comboio e se misturaram em a multidão que se encontrava junto de a barreira encantada . - Quando souberem o que fizeste este ano . - Orgulhosos ? - disse Harry . - Estás doida ! Podendo eu ter morrido tantas vezes e tendo escapado ? Vão ficar é furiosos ... E juntos avançaram até a a entrada para o mundo de os Muggles . ----------------- J._K._Rowling_Harry_Potter e a Câmara_dos_Segredos_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Chamber of Secrets_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling 1998 Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 2000 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 2.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 Depósito legal : 143.569/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , a a Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Para_Séan_P._F._Harris , condutor imparável e um amigo de os diabos . I_O pior aniversário Não era a primeira vez que uma discussão estoirava a a mesa de o pequeno-almoço , em o número 4 de a Privet_Drive . Mr._Vernon_Dursley fora acordado de manhã cedo por o piar ruidoso que vinha de o quarto de o seu sobrinho Harry . - É a terceira vez esta semana ! - resmungou , a a mesa . - Se não consegues controlar essa coruja , ela não pode ficar aqui . Harry tentou , mais_uma_vez , explicar . - Ela está aborrecida . Estava habituada a voar livremente lá fora . Se eu pudesse , ao_menos , soltá a a a noite ... - Achas me com cara de idiota ? - perguntou rispidamente o tio Vernon , com um fio de ovo preso em o bigode farfalhudo . - Sei muito bem o que aconteceria se essa coruja fosse lá para fora . Trocou um olhar soturno com a mulher , a tia Petúnia . Harry tentou contra-argumentar , mas as suas palavras foram abafadas por um enorme arroto de o filho de os Dursleys , Dudley . - Quero mais bacon . - Há mais em a frigideira , fofinho - disse a tia Petúnia , lançando um olhar vago a o seu filho maciço . - Tens que te alimentar bem enquanto aqui estás , aquela comida de a tua escola não me cheira . - Disparate , Petúnia , eu nunca passei fome enquanto andei em Smeltings - afirmou com sinceridade o tio Vernon . - O Dudley tem que chegue . Não é verdade , filho ? Dudley , que era tão gordo que o rabo saía de os dois lados de a cadeira de a cozinha , sorriu laconicamente e voltou se para Harry . - Passa me a frigideira . -- Esqueceste te de a palavra mágica - disse Harry , irritado . O efeito que esta simples frase teve em o resto de a família foi inacreditável : Dudley começou a arfar e caiu de a cadeira com um estrondo que abalou a cozinha , Mrs._Dursley deu um gritinho e bateu com a mão em a boca , Mr._Dursley pôs se de pé com as veias de as têmporas dilatadas . - Eu queria dizer « por favor » - explicou Harry rapidamente . - Não me referia a ... - : __ o que é_que eu te __ disse - vociferou o tio , espalhando perdigotos sobre a mesa - : __ sobre pronunciar a palavra m . em esta __ casa ? - Mas eu ... - : __ como te atreves a ameaçar o __ dudley ! - rosnou o tio Vernon , batendo com o punho em a mesa . - Eu só ... - : __ estás avisado . não vou admitir referências a tua anormalidade debaixo de o tecto de a minha __ casa ! Harry olhou alternadamente para o rosto congestionado de o tio e para a palidez de a tia que tentava pôr o Dudley de pé . - Está bem - disse Harry . - Está bem ... O tio Vernon voltou a sentar se , respirando como um rinoceronte exausto e observando Harry de perto por o canto de os seus olhos pequeninos e penetrantes . Desde_que Harry regressara para as férias de Verão que o tio Vernon o tratava como_se ele fosse uma bomba , capaz de explodir a qualquer momento , porque Harry não era um rapazinho normal . Em a verdade , ele era o menos normal que é possível imaginar . Harry_Potter era um feiticeiro , um feiticeiro que acabara de concluir o primeiro ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts e a infelicidade que os Dursleys sentiam por ele estar lá em casa não era nada comparada com a de Harry . As saudades de Hogwarts eram tão intensas que se assemelhavam a uma constante dor em o estômago . Sentia a falta de o castelo com as suas passagens secretas e os seus fantasmas , de as aulas ( com excepção talvez de as de Snape , o professor de as poções ) , de o correio a chegar trazido por as corujas , de os banquetes em o salão nobre , de as noites em as camas de dossel em a camarata de a torre , de as visitas a Hagrid , o guarda de os campos em a sua casinha em o bosque , junto de a floresta proibida e , principalmente , sentia a falta de o Quidditch , o desporto mais popular de o mundo de os feiticeiros ( seis postes altos de golo , quatro bolas esvoaçantes e catorze jogadores em_cima_de vassoura ) . Todos os livros de feitiços de Harry , assim_como a varinha , os mantos , o caldeirão e a vassoura topo de gama Nimbus dois_mil tinham sido encerrados por o tio Vernon em a despensa que ficava debaixo de as escadas , em o momento em que Harry regressara a casa . O que é_que lhes interessava se ele perdia ou não o seu lugar em a equipa de Quidditch por não ter praticado durante todo o Verão ? Que importância tinha para eles que o Harry voltasse a a escola sem ter podido fazer os trabalhos de casa ? Os Dursleys eram aquilo que os feiticeiros chamam « Muggles » ( nem uma gota de sangue mágico em as veias ) e , para eles , ter um feiticeiro em a família era motivo de grande vergonha . O tio Vernon tinha , inclusivamente , fechado a cadeado a coruja de Harry , Hedwig , dentro de a gaiola , para evitar que ela transportasse mensagens para a gente de o mundo de a feitiçaria . Harry não se parecia em nada com o resto de a família . O tio Vernon era atarracado e sem pescoço , dotado de um enorme bigode preto ; a tia Petúnia tinha um rosto cavalar e era esquelética ; Dudley era loiro e rosado como um porquinho . Harry , pelo_contrário , era baixo e franzino , com os olhos verdes brilhantes e cabelo negro sempre desalinhado . Usava uns óculos redondos e tinha em a testa uma cicatriz em forma de relâmpago . Era essa cicatriz que o tornava tão invulgar , mesmo para um feiticeiro . Era a única alusão a o seu passado misterioso , a o motivo por o qual , onze anos antes , tinha sido deixado em o degrau de a porta de os Dursleys . Com um ano de idade , Harry sobrevivera a uma maldição de o maior feiticeiro negro de todos os tempos , Lord_Voldemort , cujo nome a maior parte de os feiticeiros e feiticeiras ainda receia pronunciar . Os pais de Harry tinham morrido em um ataque de Voldemort , mas ele escapara com a sua cicatriz em forma de relâmpago e estranhamente , ninguém compreendeu porquê , os poderes de Voldemort tinham sido destruídos em o momento em que não fora capaz de matar o Harry . Por isso , ele foi criado por a irmã de a sua falecida mãe e respectivo marido . Passou dez anos com os Dursleys , sem nunca compreender porque fazia com que acontecessem coisas estranhas , alheias a a sua vontade , acreditando em a história de os Dursleys de que aquela cicatriz fora resultado de um acidente de automóvel em que os pais tinham morrido . E um dia , precisamente um ano antes , Hogwarts escrevera lhe e fora então que tudo começara . Harry fora ocupar o seu lugar em a escola de feitiçaria , onde ele e a sua cicatriz eram famosas ... mas agora o ano escolar chegara a o fim e estava de_novo com os Dursleys . Durante o Verão , voltara a ser tratado como um cão malcheiroso . Os Dursleys nem se tinham lembrado que aquele era o dia de o seu décimo segundo aniversário . É claro que não tivera grandes expectativas : eles nunca lhe tinham dado um presente a sério , muito menos um bolo , mas ignorarem o por completo ... Em esse momento , o tio Vernon pigarreou com um ar importante e disse : - Como todos sabem , hoje é um dia muito importante . Harry olhou para ele , mal conseguindo acreditar . - Pode bem ser que eu faça hoje o maior negócio de toda_a minha vida - afirmou . Harry voltou novamente a atenção para a torrada . É claro , pensou amargamente , o tio Vernon referia se a a estúpida dinner-party . Havia quinze_dias que não falava de outra coisa . Um consultor qualquer cheio de massa e a mulher vinham jantar lá a casa e o tio Vernon tinha esperança de conseguir uma grande encomenda ( a empresa de o tio Vernon fabricava brocas ) . - Acho que devíamos recapitular mais_uma_vez - disse o tio Vernon . - Devemos estar todos a postos a as oito_horas_em_ponto . Petúnia , tu vais estar ... ? - Em o salão - respondeu a tia Petúnia prontamente - a a espera para lhes dar as boas-vindas a nossa casa . - Bom , bom . E o Dudley ? - Eu vou estar a a espera para abrir a porta . - Dudley esboçou um sorriso falso e afectado . - Dão me licença que vos guarde os casacos , Mr. e Mrs._Mason ? - Eles vão adorá o - exclamou arrebatadamente a tia Petúnia . - Excelente , Dudley - disse o tio Vernon . - A seguir voltou se para o Harry . - E tu ? - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - repetiu o Harry , de forma inexpressiva . - Exactamente - confirmou o tio Vernon , de um modo desagradável . - Eu conduzo os até a o salão , apresento te , Petúnia , e sirvo lhes as bebidas . _ a as oito_e_um_quarto . - Eu chamo para a mesa - disse a tia Petúnia . - E tu , Dudley , vais dizer ... - Dá me licença que lhe indique a casa de jantar , Mrs._Mason ? - repetiu o Dudley , oferecendo o seu braço gordo a uma mulher invisível . - O meu pequenino cavalheiro - fungou a tia Petúnia . - E tu ? - perguntou o tio Vernon a o Harry , em o mesmo tom desagradável . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho , fingindo que não estou lá - respondeu Harry aborrecido . - Isso mesmo . Agora , devíamos ter preparadas algumas frases amáveis para o jantar . Petúnia , alguma ideia ? - O Vernon disse me que o senhor é um excelente jogador de golfe , Mr._Mason ... Tem de me dizer onde comprou esse vestido , Mrs._Mason ... - Perfeito . Dudley ? - Que tal : Tivemos de fazer um trabalho para a escola sobre o nosso herói e eu escrevi sobre o senhor ... Foi de mais , tanto para a tia Petúnia como para o Harry . A tia debulhou se em lágrimas e abraçou o filho , enquanto Harry se esgueirava para debaixo de a mesa para ninguém o ver rir . - E tu , rapaz ? Harry fez um esforço para se mostrar inexpressivo quando emergiu . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - disse . - Vais sim senhor - afirmou o tio Vernon energicamente . - Os Mason não sabem nada a teu respeito e é assim que as coisas vão continuar . Quando o jantar terminar , tu trazes Mrs._Mason para o salão , onde vamos tomar café , Petúnia , e eu puxo o assunto de as brocas . Com um_pouco de sorte , tenho o contrato assinado antes de o noticiário de as dez . Amanhã por esta hora , vamos estar a fazer compras para umas férias em Maiorca . Harry não conseguia sentir o menor entusiasmo com aquilo . Não lhe parecia que os Dursleys gostassem mais de ele em Maiorca do_que em Privet_Drive . - Certo , eu vou a a cidade buscar os casacos para mim e para o Dudley . E tu - resmungou , apontando para Harry - não atrapalhes a tua tia enquanto ela estiver a limpar . Harry saiu por a porta de as traseiras . Estava um dia de sol lindo . Atravessou o relvado , deixou se cair em o banco de o jardim e cantarolou baixinho : - Parabéns para mim ... parabéns para mim ... Nem cartas nem presentes e tinha de passar a noite a fingir que não existia . Olhou infeliz para a sebe . Nunca se sentira tão só . Mais do_que tudo em o mundo , mais do_que de Hogwarts , mais até do_que de o jogo de Quidditch , Harry sentia a falta de os amigos Ron_Weasley e Hermione_Granger . Mas eles não pareciam sentir a falta de ele . Nenhum de os dois lhe escrevera durante todo o Verão apesar_de o Ron ter dito que ia convidá o para passar uns dias lá em casa . Inúmeras vezes Harry estivera quase a libertar magicamente Hedwig de a sua gaiola e mandá a levar uma carta a o Ron e a a Hermione mas não valia a pena correr o risco . Os feiticeiros menores de idade não tinham autorização para usar a magia fora de a escola . Harry não contara isto a os Dursleys . Ele sabia que era o medo de que ele os transformasse a todos em baratas que os impedia de o fecharem a a chave em a despensa debaixo de as escadas , juntamente com a varinha e a vassoura . Em as primeiras semanas Harry divertira se a murmurar baixinho palavras sem sentido e a ver o Dudley sair disparado de o quarto , tão rápido quanto as suas pernas gordas lhe permitiam . Mas o silêncio prolongado de Ron e Hermione tinham o feito sentir se tão longe de o mundo de a magia que até divertir se à_custa_de Dudley perdera o interesse . E agora o Ron e a Hermione tinham se esquecido de o seu aniversário . Quanto não daria ele por uma mensagem de Hogwarts ? De qualquer feiticeiro ou feiticeira ? Quase ficaria satisfeito com um sinal de o seu inimigo feroz , Draco_Malfoy , só para ter a certeza de que tudo aquilo não fora apenas um sonho ... Não que tudo durante o ano em Hogwarts tivesse sido divertido . Mesmo em o fim de o último período , Harry confrontara se nem mais nem menos do_que com o próprio Lord_Voldemort . Voldemort podia ter arruinado o seu ego inicial mas continuava a espalhar o terror , ainda astuto , ainda determinado a recuperar o poder . Harry escapara uma segunda vez a as suas garras mas fora por um triz e mesmo agora , algumas semanas decorridas , acordava de noite encharcado em suores frios , perguntando se onde estaria Voldemort , relembrando o seu rosto lívido , os seus olhos completamente loucos ... Harry sentou se subitamente , direito como um fuso , em o banco de o jardim . Tinha estado a olhar distraído para a sebe e a sebe estava a olhar para ele . Dois enormes olhos verdes surgiram por_entre a folhagem . Harry pôs se de pé ao_mesmo_tempo que uma voz sobrevoava a relva . - Eu sei que dia é hoje - cantarolava Dudley , bamboleando se enquanto se aproximava . Os olhos enormes piscaram e desapareceram . - O quê ? - perguntou Harry sem retirar os olhos de o lugar para_onde estava a olhar . - Eu sei que dia é hoje - repetiu , chegando junto de ele . - Ainda_bem - disse Harry . - Aprendeste finalmente os dias de a semana . - Hoje é o dia de os teus anos - troçou o Dudley . - Por_que é_que não recebeste nenhuma carta ? Não tens amigos em esse lugar esquisito ? - É melhor não deixares a tua mãe ouvir te falar de a minha escola - disse Harry calmamente . Dudley puxou para_cima as calças que estavam a escorregar lhe por o rabo gordo abaixo . - Porque estás a olhar para a sebe . ; - perguntou curioso . - Estou a pensar em as palavras que deverei pronunciar para lhe pegar fogo - disse Harry . Dudley recuou de imediato com um olhar de pânico em a cara rechonchuda . - Tu não p-p-odes , o pai disse que não podias fazer magia ou corria contigo aqui de casa e não tens mais nenhum lugar para_onde ir , não tens amigos que te convidem ... - * _ Jiggery pokery * ! - disse Harry com voz firme . - * _ Hocus pocus ... squiggly wiggly * ... - Maaaaaãe - gritou Dudley , tropeçando em os pés , enquanto se precipitava para dentro_de casa . Maaaãe , ele vai fazer aquela coisa ! Harry deu graças a os céus por aquele momento de gozo . Como não aconteceu nada de mal nem a o Dudley nem a a sebe , a tia Petúnia percebeu que ele não fizera magia nenhuma mas , mesmo_assim , Harry teve de se afastar quando ela lhe deu uma forte pancada em a cabeça com a frigideira cheia de detergente . A seguir distribuiu lhe trabalho e o castigo de só voltar a comer quando tivesse acabado tudo . Enquanto Dudley andava a flanar , olhando para o ar e comendo gelados , Harry limpou as janelas , lavou o carro , aparou a relva , adubou os canteiros , podou e regou as rosas e pintou de_novo o banco de o jardim . O sol ardia lá em cima , queimando lhe a parte de trás de o pescoço . Harry sabia que não devia ter provocado Dudley mas ele dissera precisamente aquilo que ele próprio pensava ... talvez não tivesse amigos em Hogwarts . Deviam ver agora o famoso Harry_Potter , pensou amargamente enquanto espalhava adubo em os canteiros , as costas a doerem lhe e o suor a escorrer lhe por o rosto . Eram sete_e_meia_da_tarde quando , por fim , exausto , ouviu a tia Petúnia a chamá o . - Anda para dentro e passa por cima de os jornais . Harry entrou satisfeito em a sombra de a cozinha que rebrilhava . Sobre o frigorífico estava o bolo de a noite : um enorme monte de crome batido coberto de violetas de açúcar . A carne de porco assava em o forno . - Come depressa , os Mason devem estar a chegar ! - exclamou bruscamente a tia Petúnia , apontando para duas fatias de pão e uma de queijo que estavam em cima de a mesa de a cozinha . Ela já tinha posto um vestido de * cocktail * cor de salmão . Harry lavou as mãos e comeu aquele triste jantar . Mal tinha terminado , a tia Petúnia tirou lhe o prato . - Lá para_cima , rápido ! A o passar por a porta de a sala , Harry vislumbrou o tio Vernon e Dudley de casaco e gravata . Tinha acabado de chegar a o cimo de as escadas quando a campainha de a porta tocou e a cara de o tio Vernon apareceu em o patamar . - Lembra te , rapaz , um ruído que seja ... Harry entrou em o quarto em bicos de pés , fechou a porta e preparou se para se meter em a cama . O problema é_que estava lá alguém sentado . II_O aviso de Dobby_Harry conseguiu não gritar , mas foi por_pouco . A pequena criatura que estava em a cama tinha umas orelhas grandes e largas e uns olhos verdes protuberantes de o tamanho de bolas de ténis . Harry percebeu imediatamente que fora para ele que tinha estado a olhar de manhã . Enquanto olhavam um para o outro , Harry ouviu a voz de Dudley em o * hall * . - Posso guardar os vossos casacos , Mr. e Mrs._Mason ? A criatura escorregou por a cama e curvou se tanto que a ponta de o seu enorme nariz tocou em o tapete . Harry reparou que ele tinha vestido uma espécie de fronha de almofada com buracos para os braços e pernas . - Er ... Olá - disse Harry , um_pouco nervoso . - Harry_Potter ! - exclamou a criatura em uma voz tão estridente que Harry calculou que poderia ouvir se lá em baixo . - Há tanto tempo que Dobby queria conhecê o , senhor . É uma enorme honra ... - Ob-obrigado - disse Harry , deslocando se a o longo de a parede e sentando se em a cadeira de a secretária , junto de Hedwig que dormia em a sua grande gaiola . Queria perguntar lhe « O que és tu ? » , mas pensou que seria má educação , por isso perguntou : - Quem és tu ? - Dobby , senhor . Apenas Dobby , o elfo de casa - afirmou a criatura . - Oh ! A sério ? - perguntou Harry . - Não quero ser mal-educado , mas esta não é a melhor altura para ter um elfo em o meu quarto . O riso falso de a tia Petúnia ouvia se em a sala de jantar . O elfo deixou cair a cabeça . - Não que eu não me sinta feliz por te conhecer - disse Harry rapidamente - mas , er ... estás aqui por algum motivo em especial ? - Oh , sim senhor - disse Dobby muito a sério . - Dobby veio dizer lhe que ... é difícil ... Dobby não sabe por_onde começar ... - Senta te - disse Harry educadamente , apontando lhe a cama . Para seu horror , o elfo debulhou se em lágrimas bastante ruidosas . -- S-senta-te ! - repetiu . - Nunca em toda_a minha vida ... Harry pareceu lhe ouvir as vozes lá em baixo vacilarem . - Desculpa - murmurou . - Eu não queria ofender te ... - Ofender Dobby ! - exclamou o elfo em um sufoco . - Nunca nenhum feiticeiro disse a o Dobby que se sentasse como um seu igual , senhor . Harry , tentando dizer lhe « Sch ... » e confortá o ao_mesmo_tempo , conduziu Dobby de_novo até a a cama onde ele se sentou a soluçar , parecendo uma grande boneca muito feia . Por fim , conseguiu controlar se e ficou quieto , com os seus grandes olhos fixos em Harry em uma expressão de absoluta adoração . - Não deves ter conhecido muitos feiticeiros sérios - disse lhe , tentando animá o . Dobby abanou a cabeça . Em seguida , sem qualquer aviso , saltou e começou a bater furiosamente com a cabeça em a janela , gritando : - Dobby é mau ! Dobby é mau ! - Pára , o que é_que estás a fazer ? - perguntou Harry em um murmúrio sibilante , dando um salto e puxando Dobby de_novo para a cama . Hedwig acordara com um pio particularmente agudo e batia agressivamente com as asas contra as grades de a gaiola . - Dobby tinha que se castigar , meu senhor - afirmou o elfo , que ficara ligeiramente estrábico . - Dobby quase falou mal de a família de ele ... - De a tua família ? - De a família de feiticeiros que Dobby serve , meu senhor ... O Dobby é um elfo de casa , obrigado a servir uma casa e uma família para sempre . - Eles sabem que estás aqui ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Dobby estremeceu . - Oh , não senhor , não ... Dobby vai ter que se castigar muito por ter vindo vê o . Dobby vai ter que entalar as orelhas em a porta de o forno por isto . Se eles soubessem , senhor ... - Mas achas que eles não vão reparar se tu entalares as orelhas em a porta de o forno ? - Dobby duvida , senhor . Dobby está sempre a ter de se castigar por qualquer coisa . Eles deixam que o Dobby se castigue . _ às_vezes até sugerem alguns castigos extra . - Mas por_que é_que não te vais embora , não foges ? - Um elfo de casa tem de ser libertado , senhor . E a família nunca libertará Dobby . Dobby servirá a família até morrer . Harry olhou para ele . - E eu que pensava que era infeliz por ter de ficar aqui mais quatro semanas - declarou . - Isto faz os Dursleys parecerem quase humanos . Será que ninguém te pode ajudar ? Poderei eu ? Em o mesmo momento , Harry desejou não ter aberto a boca . Dobby desfez se em ruidosos soluços de gratidão . - Por favor - murmurou Harry , inquieto . - Por favor , está calado . Se os Dursleys ouvem barulho , se eles sabem que estás aqui ... - Harry_Potter pergunta se pode ajudar Dobby . Dobby ouviu falar de a sua grandeza , mas de a sua bondade , Dobby nada sabia . Harry , que se sentia corar , disse : - Seja o que for que tenhas ouvido sobre a minha grandeza , é um disparate . Nem_sequer sou o melhor de o meu ano em Hogwarts . É a Hermione . Ela ... Mas calou se rapidamente porque pensar em Hermione era lhe doloroso . - Harry_Potter é humilde e modesto - disse Dobby reverentemente , com os seus olhos de globo avermelhados . - Harry_Potter não fala de a sua vitória sobre « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . - Voldemort ? - perguntou Harry . Dobby bateu com as mãos em as enormes orelhas e gemeu : - Ai não diga o nome , senhor . Não diga o nome ! - Desculpa - disse Harry muito depressa . - Eu sei que muita gente não gosta . O meu amigo Ron ... Calou se de_novo . Pensar em o Ron era igualmente doloroso . Dobby voltou para Harry os seus dois olhos grandes como candeeiros . - Dobby ouviu dizer - balbuciou com voz rouca - que Harry_Potter encontrou o Senhor_do_Mal uma segunda vez há poucas semanas atrás ... que Harry_Potter lhe escapou de_novo . Harry acenou e os olhos de Dobby encheram se de lágrimas . - Ah , senhor - disse em um sobressalto , limpando o rosto com a ponta de a fronha de almofada que tinha vestida . - Harry_Potter é valente e arrojado . Enfrentou tantos perigos ! Mas Dobby veio protegê o , avisar Harry_Potter , mesmo_que para isso tenha de entalar as orelhas em a porta de o forno , que Harry_Potter não deve voltar para Hogwarts . Houve um silêncio apenas quebrado por o ruído de os garfos e de as facas lá em baixo e por a voz distante de o tio Vernon . - O q-q-uê ? - gaguejou Harry . - Mas eu tenho de voltar , o ano começa em o dia um de Setembro . É a minha razão de viver . Tu não sabes como são as coisas aqui . Eu não pertenço a este lugar , o meu lugar é em Hogwarts . - Não , não , não - guinchou Dobby , sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas andavam de um lado para o outro . - Harry_Potter deve ficar aqui , onde se encontra a salvo . É demasiado grande , demasiado bom para se perder . Se Harry_Potter regressar a Hogwarts correrá perigo de vida . - Porquê ? - inquiriu Harry , surpreendido . - Há uma conspiração , Harry_Potter . Uma conspiração para fazer acontecer coisas terríveis este ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts - murmurou Dobby que começara a tremer de a cabeça a os pés . - Dobby sabe de isto há meses , senhor . Harry_Potter não deve expor se a o perigo . É demasiado importante . - Que coisas terríveis são essas ? - perguntou Harry sem perder tempo . - Quem está por detrás ? Dobby fez um ruído esquisito e começou a bater com a cabeça contra a parede como um louco . - Está bem - gritou Harry , agarrando o braço de o elfo para o fazer parar . - Não podes dizer , eu compreendo . Mas porque vieste avisar me ? - Um pensamento súbito e desagradável surgiu lhe . - Espera aí , isto tem alguma coisa que ver com o Vol , desculpa com o Quem nós sabemos ? Basta que faças sim ou não com a cabeça - acrescentou com vivacidade enquanto a cabeça de Dobby se inclinava de_novo a uma velocidade preocupante para a parede . Lentamente , Dobby abanou a cabeça . - Não , não é « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . Os olhos de Dobby estavam abertos como_se estivesse a tentar dar a Harry uma pista , mas Harry estava completamente a a nora . - Ele não tem nenhum irmão , ou tem ? Dobby abanou a cabeça , os olhos mais abertos do_que nunca . - Bem , em esse caso não estou a ver quem mais poderia ter a possibilidade de fazer acontecer coisas horríveis em Hogwarts - disse Harry . - Quero dizer , para já está lá o Dumbledore . Sabes quem é Dumbledore , não sabes ? Dobby baixou a cabeça . - Albus_Dumbledore é o melhor director que Hogwarts alguma vez teve . Dobby sabe , senhor . Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore rivalizam com os d'aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Mas , senhor - a voz de Dobby desceu a um urgente murmúrio - há poderes que Dumbledore não ... poderes que nenhum feiticeiro sério ... E antes que Harry conseguisse impedi o Dobby saltou de a cama , agarrou o candeeiro de secretária de Harry e começou a bater com a cabeça , dando uivos ensurdecedores . Fez se silêncio lá em baixo . Dois segundos mais tarde , Harry com o coração a bater como um louco , ouviu o tio Vernon chegar a o * hall * e dizer . - O Dudley deve ter deixado outra_vez a televisão ligada , o maroto ! - Depressa , para dentro de o guarda-fatos - gritou Harry , empurrando Dobby bem para o fundo , fechando a porta e metendo se a correr em a cama mesmo a_tempo_de ver a maçaneta de a porta a girar . - Que diabo estás tu a fazer ? - disse o tio Vernon entre dentes , o rosto assustadoramente próximo de o de Harry . - Acabas de estragar o ponto alto de a minha anedota de o golfista japonês . Eu que oiça mais um som e vais desejar nunca ter nascido , rapaz ! Abandonou o quarto com grandes passadas . A tremer , Harry deixou Dobby sair de o guarda-fatos . - Estás a ver como são as coisas por aqui ? - disse . - Vês porque tenho de voltar para Hogwarts ? É o único sítio onde eu tenho ... bem , onde eu acho que tenho amigos . - Amigos que nem_sequer escrevem a Harry_Potter ? - disse Dobby com ar manhoso . - Calculo que devem ter estado ... espera aí - disse Harry , franzindo a testa . - Como é_que tu sabes que os meus amigos não me têm escrito ? Dobby arrastou os pés . - Harry_Potter não deve zangar se com Dobby . Dobby fez o que achou melhor ... - Tu tens estado a interceptar me as cartas ? - Dobby tem as aqui , senhor - disse o elfo . Saltando para longe de o alcance de Harry , retirou de dentro de a fronha que usava um espesso saco cheio de envelopes . Harry reconheceu de imediato a caligrafia certinha de Hermione , a escrita desordenada de Ron e até uns gatafunhos que pareciam ser de o guarda de os campos de Hogwarts , Hagrid . Dobby piscava ansiosamente os olhos . - Harry_Potter não deve ficar zangado ... Dobby esperava que ... se Harry_Potter pensasse que os amigos o tinham esquecido ... Harry_Potter talvez não quisesse voltar a a escola , senhor . Harry não o ouvia . Fez um gesto para agarrar as cartas , mas Dobby deu um salto , afastando se . - Harry_Potter terá as cartas , senhor , se der a Dobby a sua palavra de não voltar a Hogwarts . Ah , senhor , é um risco que não deve correr . Diga que não volta , senhor ! - Não - afirmou Harry zangado . - Dá me as cartas de os meus amigos ! - Em esse caso , Harry_Potter deixa Dobby sem escolha - disse o elfo tristemente . Antes que Harry pudesse fazer um movimento , Dobby tinha aberto a porta de o quarto e descido a correr por as escadas abaixo . Com a boca seca e um aperto em o estômago , Harry correu atrás de ele , tentando não fazer barulho . Saltou os últimos seis degraus , aterrando como um gato em a carpete de o * hall * , olhando em volta a a procura de Dobby . De a sala de jantar , ouviu a voz de o tio Vernon : - Conte a a Petúnia aquela história engraçadíssima de os funileiros americanos , ela tem estado louca por ouvi a , Mr._Mason . Harry correu de o * hall * para a cozinha e sentiu o estômago ficar pequenino . O pudim , que era a a obra-prima de a tia Petúnia , a montanha de creme batido coberto de violetas de açúcar flutuava junto de o tecto . Em cima de o guarda-louça de o canto , Dobby inclinava se servilmente . - Não - suplicou Harry . - Por favor , eles matam me . - Harry_Potter deve dizer que não vai voltar a a escola ... - Dobby , por favor . - Diga , senhor . - Não posso . Dobby lançou lhe um olhar trágico . - Então , Dobby deve fazê o , senhor , para o bem de Harry_Potter . O pudim foi direito a o chão em uma queda que parecia um coração a parar . O crome esguichou para as janelas e para as paredes , enquanto o prato se despedaçava . Com o ruído de uma chicotada , Dobby desapareceu . Ouviram se gritos em a casa de jantar e o tio Vernon irrompeu por a cozinha onde foi dar com Harry coberto , de a cabeça a os pés , por o pudim de a tia Petúnia . A princípio parecia que o tio Vernon ia conseguir arranjar uma desculpa para aquilo tudo . ( É só o nosso sobrinho , muito perturbado ; conhecer pessoas estranhas deixa o muito nervoso , por isso deixamos o lá em cima ... ) Conduziu_os_Mason , bastante chocados , para a sala de jantar , garantindo a Harry que o esfolava vivo quando os Mason se fossem embora e pôs lhe em as mãos um esfregão . A tia Petúnia descobriu um resto de gelado em o frigorífico e Harry , ainda a tremer , começou a limpar a cozinha . O tio Vernon poderia ainda ter feito o negócio , se não fosse a coruja . Estava a tia Petúnia a circular com uma caixa de After-Eight , quando uma enorme coruja de celeiro fez a sua entrada vertiginosa através de a janela de a casa de jantar , deixando cair uma carta em a cabeça de Mr._Mason e desaparecendo logo_a_seguir . Mrs._Mason gritava como uma carpideira e corria por a casa praguejando contra os lunáticos . Mr._Mason ficou o tempo estritamente necessário para dizer a os Dursleys que a mulher tinha um medo pânico de pássaros de todas_as formas e tamanhos e perguntar lhes se aquela era alguma brincadeira de mau gosto . Harry não saiu de a cozinha , agarrando o esfregão como defesa , enquanto o tio Vernon avançava para ele com um brilho demoníaco em os olhos pequeninos . - Lê isso - ordenou maldosamente . Harry pegou em a carta . Não era a desejar lhe um bom aniversário . * _ Caro_Mr._Potter , * _ Recebermos hoje informações de que um feitiço de suspensão em o ar foi efectuado em sua casa esta noite , a as nove_horas_e_doze_minutos . * _ Como sabe , os feiticeiros menores não estão autorizados a praticar magia fora de a escola e , se efectuar mais um trabalho mágico , será expulso de a nossa escola . ( Decreto_de_Restrições_Razoáveis_para_Feitiçaria_de_Menores , 1875 , parágrafo C. ) * _ Pedimos-lhe também que se lembre que qualquer actividade que possa ser notada por membros alheios a a nossa comunidade ( Muggles ) constitui uma ofensa grave , segundo a secção 13 de a Confederação_Internacional_do_Estatuto_da_Magia_Secreta . * _ Tenha umas boas férias . * Atenciosamente_Mafalda_Hopkirk_Gabinete_da_Utilização_Imprópria_da_Magia_Ministério_da_Magia * . Harry olhou para a carta e engoliu em seco . - Tu não nos contaste que estavas proibido de usar magia fora de a escola - disse o tio Vernon com um brilho maldoso a dançar lhe em os olhos . - Esqueceste te de o mencionar , passou te , não foi ? Tinha se aproximado de Harry como um grande * bulldog * , com todos os dentes a a mostra . - Tenho boas notícias para ti , rapaz , vou fechar te a a chave e , se tentares sair através_de magia , nunca mais voltas a aquela escola , eles expulsam te . E rindo como um louco , arrastou Harry até a o andar de cima . O tio Vernon era mau como as cobras . Em a manhã seguinte pagou a um homem para colocar grades em a janela de o quarto de Harry . Ele próprio abriu um pequeno buraco em a porta de o quarto para que a comida pudesse ser introduzida três vezes por dia . Deixavam o Harry sair para ir a a casa_de_banho de manhã e a o final de a tarde . O resto de o tempo estava fechado em o quarto , a a espera que o tempo passasse . Três dias mais tarde , os Dursleys não mostravam qualquer intenção de abrandar o castigo e Harry não sabia como sair de aquela situação . Estava deitado em a cama , vendo o sol brilhar por_entre as grades de a janela e perguntando se tristemente o que viria a acontecer lhe . Qual era a vantagem de sair de ali por artes mágicas , se Hogwarts o expulsaria em seguida ? Contudo , a vida em Privet_Drive tinha atingido o seu nível mais baixo . Agora_que os Dursleys tinham a certeza que não iam acordar transformados em morcegos , ele perdera a única arma que tinha . O Dobby podia tê o salvo de acontecimentos terríveis em Hogwarts , mas de a maneira que as coisas estavam , ele morreria muito provavelmente a a fome . A portinhola rangeu e a mão de a tia Petúnia apareceu empurrando uma tigela de sopa de pacote para dentro de o quarto . Harry , que estava cheio de fome , saltou de a cama e agarrou a . A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um único trago . A seguir , atravessou o quarto até a a gaiola de Hedwig e pôs os legumes ensopados dentro de o seu pratinho vazio . Ela agitou as penas e olhou o com profunda repugnância . - Não vale de nada virares lhe as costas . É tudo_o_que temos - disse Harry , de modo severo . Colocou a tigela vazia em o chão junto de a portinhola e voltou para_cima de a cama , de certo modo com mais fome do_que antes de ter comido a sopa . Admitindo que estaria ainda vivo dentro_de quatro semanas o que aconteceria se ele não se apresentasse em Hogwarts ? Será que mandariam alguém obrigar os Dursleys a deixá o ir ? O quarto começava a escurecer . Exausto e com o estômago a dar horas , o cérebro a as voltas com as mesmas questões sem resposta , Harry caiu em um sono intranquilo . Sonhou que fazia parte de um espectáculo de o jardim zoológico . Preso a a jaula onde se encontrava estava um cartaz onde podia ler se « feiticeiro menor de idade « . As pessoas olhavam o com olhos protuberantes , enquanto ele jazia fraco e esfomeado em um leito de palha . Viu a cara de o Dobby em o meio de a multidão e gritou lhe , pedindo ajuda , mas o Dobby respondeu : - Harry_Potter está em segurança aí , senhor - e desapareceu . Em seguida vieram os Dursleys e Dudley bateu em as grades de a jaula , rindo se de ele . - Pára com isso - murmurou Harry como_se aquele ruído martelasse em a sua cabeça dorida . - Deixa me em paz , pára com isso , estou a tentar dormir . Abriu os olhos . O luar brilhava através de as grades de a janela . E lá fora alguém olhava de olhos arregalados para ele : alguém de rosto sardento , cabelo ruivo e nariz grande . Ron_Weasley estava de o lado de_fora de a janela . III « A toca » Ron ! - exclamou Harry , arrastando se até a a janela e empurrando a para poderem falar através de as grades . - Ron , como é_que tu , foi o ... ? Harry ficou de boca aberta , espantado com o que viu . Ron estava debruçado de a janela de trás de um velho automóvel azul-turquesa que se encontrava estacionado em o ar . Em os lugares de a frente , rindo se para Harry , estavam os irmãos mais velhos , os gémeos Fred e George . - Tudo bem , Harry ? - O que é_que se tem passado ? - perguntou o Ron . - Porque não respondeste a as minhas cartas ? Convidei te para vires ter comigo umas doze vezes e um dia o pai chegou a casa e comunicou nos que tu tinhas recebido um aviso oficial por usares magia diante de os Muggles ... - Não fui eu . E como é_que ele soube ? - Ele trabalha em o Ministério - disse o Ron . - Tu sabes que nós não podemos fazer feitiços fora de a escola . - Bem , isso vindo de ti ... - exclamou Harry , olhando para o carro flutuante . - Oh , isto não conta - disse Ron . - Foi o meu pai que o emprestou . Não o fizemos aparecer por magia . Mas usar magia em a frente de esses Muggles com quem tu vives ... - Já te disse que não fui eu , mas vai demorar muito_tempo a explicar te isso agora . És capaz de avisar em Hogwarts que os Dursleys me fecharam a a chave e que não querem deixar me voltar e obviamente eu não posso sair de aqui magicamente senão o Ministério vai achar que é a segunda vez em três dias e ... - Pára com essa conversa tola - disse o Ron . - Viemos para te levar connosco . - Mas tu também não podes tirar me de aqui utilizando processos mágicos ... - Não precisamos de isso - afirmou Ron , fazendo um sinal de cabeça para os lugares de a frente . - Esqueces te de quem está aqui comigo . - Amarra isso em volta de as grades - disse o Fred , lançando a Harry a ponta de uma corda . - Se os Dursleys acordam estou feito - lamentou se Harry enquanto dava um nó bem apertado com a corda em uma de as grades e o Fred arrancava com o carro . - Não te preocupes e chega te para trás . Harry recuou para a sombra , para junto de Hedwig que parecia ter se apercebido de a importância de tudo aquilo , mantendo se quieta e em silêncio . O carro puxou mais e mais e , subitamente , com um ruído de ferro a ceder , as grades foram arrancadas de a janela , enquanto Fred conduzia com o céu como estrada . Harry correu de_novo para a janela para ver as grades a balouçarem a poucos metros de o chão . Ofegante , Ron içou as para dentro de o carro . Harry escutou ansiosamente mas não vinha qualquer som de o quarto de os Dursleys . Quando as grades estavam em segurança em os lugares de trás junto de Ron , Fred aproximou se o_máximo que lhe foi possível de a janela . - Anda de aí - disse . - Mas , todas_as minhas coisas de Hogwarts , a minha varinha , a minha vassoura ... - Onde estão ? - Fechadas em a despensa debaixo de as escadas e eu não posso sair de este quarto . . - Não há azar - disse o George . - Sai de a frente , Harry . Fred e George treparam cautelosamente e entraram por a janela em o quarto de Harry . Tinhas que ter aberto a boca , pensou Harry enquanto George tirava de o bolso um vulgar gancho de cabelo e começava a tentar abrir a fechadura . - Muitos feiticeiros acham que é uma perda de tempo aprender os truques de os Muggles - disse o Fred . - Mas nós pensamos que há habilidades que é sempre útil conhecer apesar_de serem um_pouco lentas . Ouviu se um pequeno clique e a porta abriu se . - Pronto , vamos buscar as tuas coisas . Tu vai dando a o Ron aquilo que precisas de aí de o teu quarto - murmurou George . - Cuidado com o degrau de cima que range - sussurrou Harry enquanto os gémeos desapareciam em o escuro . Harry deu a volta a o quarto , recolhendo as suas coisas e passando as por a janela a o Ron . Em seguida , foi ajudar o Fred e o George a trazerem o resto por as escadas acima . Ouviu o tio Vernon tossir . Por fim , de língua de_fora , chegaram a o quarto , junto de a janela aberta . Fred trepou para o carro para puxar os volumes com o Ron enquanto Harry e George os empurravam de dentro de o quarto . Centímetro a centímetro o malão foi passando por a janela . O tio Vernon tossiu de_novo . - Mais um_pouco - disse o Fred que estava a puxar de dentro de o carro . Um bom empurrão , vá . Harry e George encostaram os ombros contra a mala e ela escorregou para a parte de trás de o carro . - O. _ K. , vamos embora - murmurou o George . Mas quando Harry trepava para o parapeito de a janela ouviu se um forte pio atrás de ele , imediatamente seguido de o vociferar de o tio Vernon . - Aquela maldita coruja ! - Esqueci me de a Hedwig ! Harry precipitou se de_novo para o quarto , enquanto a luz de o patamar se acendia . Agarrou a gaiola de Hedwig , correu para a janela e passou a a o Ron . Estava a subir para_cima de a cómoda quando o tio Vernon bateu em a porta , que não estava fechada , e esta se abriu completamente . Por uma fracção de segundo , o tio Vernon ficou estático junto de a porta . Em seguida , soltou um mugido como um boi zangado e avançou para Harry , agarrando o por o tornozelo . Ron , Fred e George seguraram o por os braços e puxaram o com toda_a força . - Petúnia - rosnou o tio Vernon . - Ele está a fugir ! : __ ele está a __ fugir ! Os Weasleys deram um puxão gigantesco e a perna de o Harry escapou a as garras de o tio Vernon . Logo_que Harry entrou em o carro e a porta se fechou , Ron gritou : - Acelera Fred ! - E o carro partiu subitamente em direcção a a lua . Harry mal podia acreditar que estava livre . Esticou se a a janela , o ar de a noite a fustigar lhe os cabelos e olhou para baixo , para os telhados apertados de Privet_Drive . O tio Vernon , a tia Petúnia e o Dudley estavam todos debruçados com cara de parvos , a a janela de o quarto de ele . - Até a o próximo Verão - gritou . Os Weasleys riam se a as gargalhadas e Harry esticou se para trás em o assento e pediu a o ouvido de Ron : - Deixa sair a Hedwig . Ela pode voar atrás_de nós . Há séculos que não tem uma oportunidade de esticar as asas . George passou a o Ron o gancho de cabelo e , um momento depois , a Hedwig saíra feliz por a janela , planando atrás de eles como um fantasma . - Então , qual é a história ? - perguntou Ron , impaciente . - O que é_que tem estado a acontecer ? Harry contou lhes tudo sobre o Dobby , o aviso de este e o fracasso de o pudim de violetas . Houve um longo silêncio quando ele se calou . - Isso cheira me a esturro - disse , por fim , o Fred . - Definitivamente misterioso - concordou George . - Então ele nem te disse quem está supostamente por detrás dessa trama toda ? - Acho que não podia - explicou Harry . - Já te disse , de cada_vez que estava quase a deixar escapar qualquer coisa , começava a bater com a cabeça em a parede . Viu Fred e George olharem um para o outro . - O quê ? Acham que ele estava a mentir me ? - perguntou Harry . - Bem - começou o Fred -- , coloquemos as coisas de o seguinte modo , os elfos de casa têm poderes mágicos próprios , mas geralmente não podem usá os sem a autorização de os seus donos . Eu acho que o bom de o Dobby foi enviado para evitar que voltasses para Hogwarts . Uma ideia de um engraçadinho . Haverá alguém em a escola com má vontade contra ti ? - Sim - responderam Harry e Ron , precisamente ao_mesmo_tempo . - Draco_Malfoy - explicou Harry . - Ele detesta me . - Draco_Malfoy ? - perguntou George , voltando se para trás . - O filho de o Lucius_Malfoy ? - Deve ser . Não é um nome muito vulgar , pois não ? - disse Harry . - Mas porquê ? - Ouvi o pai falar acerca de ele - confidenciou George . - Ele era um grande apoiante de o « Quem nós sabemos » . - E quando o « Quem nós sabemos » desapareceu - continuou o Fred , voltando a cara para olhar para Harry - o Lucius_Malfoy voltou , dizendo que não foi por vontade própria que fez o que fez . Monte de lixo . O pai acha que ele fazia parte de um círculo de amigos íntimos de o « Quem nós sabemos » . Harry já tinha ouvido esses boatos sobre a família de Malfoy e não o surpreenderam em absoluto . Malfoy fizera Dudley_Dursley parecer um rapazinho simpático , amável e sensível . - Não sei se os Malfoy têm um elfo de casa ... - afirmou Harry . - Bem , quem quer que o possua é sem dúvida uma antiga família de feiticeiros e deve ser rica - explicou Fred . - Sim . A mãe está sempre a desejar que pudéssemos ter um elfo de casa para passar a roupa a ferro - disse o George . - Mas só temos um velho vampiro piolhoso em o sótão e gnomos espalhados por o jardim . Os elfos de casa pertencem a as grandes casas senhoriais , a os castelos e lugares assim , não encontrarias um em a nossa casa ... Harry estava calado . Considerando que Draco_Malfoy tinha sempre as melhores coisas , que a sua família nadava em ouro de feiticeiros , era fácil imaginá o passeando se por uma enorme casa senhorial . Mandar o servo de a família evitar que Harry voltasse para Hogwarts também parecia exactamente o tipo de coisa que Malfoy poderia fazer . Teria Harry sido estúpido a o tomar Dobby a sério ? - De qualquer modo , ainda_bem que viemos buscar te - declarou Ron . - Eu começava a ficar seriamente preocupado por não responderes a nenhuma de as minhas cartas . A princípio pensei que a culpa fosse de a Errol ... - Quem é a Errol ? - A nossa coruja . Já é velhota . Não seria a primeira vez que adoecia durante uma entrega . Por isso , tentei pedir a Hermes emprestada ... - Quem ? - A coruja que os meus pais compraram a o Percy quando ele foi nomeado prefeito - respondeu Fred . - Mas o Percy não me a emprestou . Disse que precisava de ela . - O Percy tem andado com atitudes muito estranhas este Verão - comentou George franzindo a testa . - E tem mandado imensas cartas e passado um tempo infinito fechado em o quarto ... enfim , pode limpar se e polir um distintivo de prefeito todas_as vezes que se quiser ... Estás a conduzir demasiado para ocidente , Fred - acrescentou apontando para uma bússola em o painel de o automóvel . Fred girou o volante . - Então , o vosso pai sabe que têm o carro ? - perguntou Harry , quase adivinhando a resposta . - Er ... não - disse o Ron . - Ele tinha trabalho esta noite . Felizmente vamos poder pô o de_novo em a garagem , sem a mãe perceber que andámos a voar nele . - A propósito , o que faz o vosso pai em o Ministério_da_Magia ? - Trabalha em o Departamento mais chato - respondeu Ron . - A Divisão de utilização incorrecta de artefactos de os Muggles . - O quê ? - Relaciona se com objectos de feitiçaria que foram feitos por os Muggles ; sabes como é , se forem parar de_novo a uma loja de os Muggles , ou a uma casa , como em o ano passado , quando morreu uma bruxa velha e o bule de ela foi vendido a uma loja de antiguidades . Uma mulher Muggle comprou o , tentou servir chá a os amigos . Foi um pesadelo , o pai teve de fazer horas extraordinárias durante semanas . - O que é_que aconteceu ? - O bule parecia louco , esguichou chá a ferver para todos os lados e um de os homens foi parar a o hospital com a pinça de o açúcar presa em o nariz . O pai ficou nervosíssimo . É só ele e o velho feiticeiro Perkings em o gabinete e tiveram de localizar e descobrir todo o tipo de encantamentos para resolver o assunto . - Mas o teu pai ... este carro ... Fred riu se . - Sim , o pai é louco por tudo_o_que tem que ver com os Muggles . A nossa arrecadação está cheia de coisas de os Muggles . Ele separa as , lança lhes feitiços e volta a pô as em o lugar . Se ele fizesse uma busca a nossa casa teria de se prender a si mesmo . A minha mãe fica louca com tudo aquilo . - É a estrada principal - gritou o George , apontando para baixo através de a janela . - Dentro_de poucos minutos estamos lá , mesmo a tempo , está a começar a clarear . Um leve brilho rosado tingia o horizonte para leste . Fred trouxe o carro para baixo e Harry pôde ver uma manta de retalhos de campos escuros e matas de arbustos . - Estamos um_pouco longe de a vila - disse George . - Em Ottery_St . Catchpole ... O carro voador foi descendo a os poucos . A luz avermelhada brilhava agora por_entre as árvores . - Terra - disse o Fred , em o momento em que tocaram em o chão com um ligeiro solavanco . Tinham aterrado perto_de uma garagem em ruínas em um pequeno pátio e Harry viu pela_primeira_vez a casa de o Ron . Parecia ter sido em tempos uma pocilga de pedra . Mas os quartos que posteriormente lhe tinham sido acrescentados haviam a tornado bastante mais alta e o seu aspecto era tão curvado que parecia ter sido construída por artes mágicas ( o que , pensou Harry , era , muito provavelmente , verdade ) . De o telhado vermelho saíam quatro ou cinco chaminés . Junto de a entrada , fixa em o chão , podia ver se uma inscrição assimétrica que dizia « A toca » . A o lado de a porta principal estava uma contusão de botas de * _ Wellington * e um caldeirão completamente enferrujado . Por o pátio passeavam se várias galinhas castanhas e gordas . - Não é grande coisa - desculpou se o Ron . - É óptima - exclamou Harry , feliz , pensando em Privet_Drive . Saíram de o carro . - Agora vamos lá para_cima sem fazer barulho - disse o Fred . - E esperamos que a mãe nos chame para o pequeno-almoço . Depois tu , Ron , desces a escada entusiasmadíssimo . - Mãe , olha quem apareceu cá durante a noite ! - E ela vai sentir se felicíssima quando vir o Harry . Assim ninguém fica a saber que levámos o carro voador . - Certo - disse o Ron . - Vamos , Harry , eu durmo em o ... Ron ganhou uma cor de um pálido esverdeado , os olhos fixos em a casa . Os outros três fizeram meia volta . Mrs._Weasley avançava por o pátio , afugentando as galinhas e , para uma mulher baixa , roliça e simpática , era fantástico como conseguia parecer se com um tigre dentes-de-sabre . - Ah ! - suspirou o Fred . - Oh , oh ! - exclamou o George . Mrs._Weasley parou em frente de eles . As mãos em as ancas , saltando de um olhar culpado para o outro . Usava um avental a as flores , com uma varinha a sair lhe de o bolso . - Com que então - disse . - Bom dia , mãe - arriscou o George com uma voz que tentou que fosse alegre e bem-disposta . - Vocês têm alguma ideia de como tenho estado preocupada ? - perguntou Mrs._Weasley em um murmúrio fraco . - Desculpe , mãe , mas sabe , nós tivemos que ... Os três filhos de Mrs._Weasley eram mais altos do_que ela , mas tremiam quando a fúria de a mãe se abatia sobre eles . - Camas vazias ! Nem um bilhete ! O carro desaparecido ... Podiam ter tido um acidente , estou fora de mim com tanta preocupação e vocês nem se importam ... nunca , enquanto eu for viva ... esperem só até o vosso pai chegar , nunca tivemos problemas de estes com o Bill , com o Charlie ou com o Percy ... - O perfeito Percy - resmungou Fred . - : __ tu não vales um dedo de a mão de o __ percy ! - gritou Mrs._Weasley , espetando um dedo em o queixo de o Fred . - Podias ter morrido , podias ter sido visto , podias ter feito com que o teu pai perdesse o emprego ... Parecia nunca mais acabar . Mrs._Weasley tinha gritado até ficar ronca , antes de se voltar para o Harry , que recuou . - Estou muito contente por te ver , Harry - disse . - Entra e vem tomar o pequeno-almoço . Ela voltou se e regressou a casa e Harry , depois de trocar um olhar nervoso com o Ron , que lhe acenou , encorajando o , seguiu a . A cozinha era pequena e bastante estreita . A meio havia uma enfezada mesa de madeira e cadeiras em volta e Harry sentou se a a beirinha de o assento , olhando em volta . Era a primeira vez que entrava em uma casa de feiticeiros . O relógio em a parede em frente de ele , tinha apenas um ponteiro e nenhum número . Em volta , estavam escritas frases como « Hora de fazer o chá » , « Hora de dar de comer a as galinhas « e « Estás atrasado » . Empilhados em o rebordo de a lareira estavam livros com títulos como * _ Encanta o teu próprio queijo , Encantamento em a cozedura de o pão e Banquetes em um minuto - é mágico * ! E , a menos que os ouvidos de Harry estivessem a traí o , o velho rádio próximo de o lava-loiças acabara de anunciar que a seguir vinha a Hora de enfeitiçar com a popular feiticeira-cantora Celestina_Warbeck . Mrs._Weasley fazia barulho com os talheres , preparando o pequeno-almoço um bocado a o acaso , lançando olhares furiosos a os filhos , enquanto lançava as salsichas em a frigideira . De vez em quando murmurava coisas como : « Não sei o que vos passou por a cabeça « ou « nunca devia ter confiado em vocês » . - Eu não te culpo , filho - tranquilizou Harry , pondo lhe sete ou oito salsichas em o prato . - Eu e o Arthur temos estado preocupados contigo . Ainda ontem a a noite estivemos a dizer que te iríamos buscar nós próprios se não respondesses a o Ron até sexta-feira . Mas , em a verdade ( estava agora a acrescentar três ovos estrelados a o prato de ele ) , atravessar metade de o país a voar em um carro ilegal , qualquer um vos poderia ter visto ... Agitou maquinalmente a varinha em a direcção de o lava-loiças , onde a loiça começou a lavar se sozinha , tinindo baixinho lá atrás . - Estava enevoado , mãe ! - exclamou o Fred . - Boca fechada enquanto comes ! - interrompeu Mrs._Weasley . - Eles estavam a fazê o passar fome , mãe ! - disse o George . - E tu também ! - disse Mrs._Weasley , mas já foi com uma expressão mais doce que começou a cortar o pão para Harry e a barrá o com manteiga . Em esse momento , as atenções voltaram se para um pequenino volto de cabelos ruivos , em uma camisa de dormir até a os pés , que surgiu em a cozinha , deu um grito agudo e desapareceu de_novo . - É a Ginny - disse Ron baixinho a o Harry -- , a minha irmã . Tem falado de ti todo o Verão . - Sim , ela vai querer o teu autógrafo , Harry - riu se o Fred , mas o seu olhar cruzou se com o de a mãe e inclinou se para o prato , não voltando a abrir a boca . Ninguém falou até os quatro pratos estarem limpos , o que sucedeu a uma velocidade surpreendente . - Bolas , estou cansado - bocejou Fred , pousando a faca e o garfo . Acho que me vou deitar e ... - Não vais , não senhor - interrompeu Mrs._Weasley . - A culpa é tua se ficaste toda_a noite acordado . Vais fazer a des-gnomização de o jardim . Eles estão outra_vez a exagerar . - Oh , mãe ... - E vocês os dois o mesmo - dirigiu se a o Ron e a o Fred . - Tu podes ir para a cama , filho - disse a Harry . - Não lhes pediste que guiassem aquele carro miserável . Mas Harry , que se sentia acordadíssimo , respondeu prontamente : - Eu ajudo o Ron , nunca vi uma des-gnomização ... - É muito simpático de a tua parte , querido , mas é um trabalho chato - explicou Mrs._Weasley . - Vejamos o que o Lockhart tem a dizer acerca disto . E puxou de o rebordo de a lareira um livro pesadíssimo . George resmungou : - Mãe , nós sabemos * des-gnomizar * o jardim . Harry olhou para a capa de o livro de Mrs._Weasley . Em grandes letras douradas , que ocupavam grande parte de a capa , podia ler se Guia_de_Gilderoy_Lockhart para pragas caseiras . Via se também a grande fotografia de um feiticeiro bem-parecido , de cabelos loiros ondulados e olhos azuis brilhantes . Como sempre , em o mundo de os feiticeiros , a fotografia mexia se . O feiticeiro , que Harry calculou ser Gilderoy_Lockhart , não parava de lhes piscar os olhos descaradamente . Mrs._Weasley sorriu lhe . - Oh , ele é fantástico - disse . - Conhece bem as pragas caseiras . É um livro maravilhoso . - A mãe adora o - disse Fred em um murmúrio bastante audível . - Não sejas ridículo , Fred - repreendeu Mrs._Weasley com as bochechas coradas . - É claro que se achas que sabes mais do_que o Lockhart , podes ir fazer o trabalho e ai de ti se houver um único gnomo em o jardim quando eu for fazer a inspecção . A bocejar e a resmungar , os Weasley arrastaram se lá para fora com Harry atrás de eles . O jardim era grande e , em a opinião de Harry , exactamente como deveria ser um jardim . Os Dursleys não teriam gostado . Havia uma enorme quantidade de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada , mas havia árvores nodosas em volta de as paredes , plantas que Harry nunca vira , tombando de todos os canteiros e um grande lago verde cheio de rãs . - Os Muggles também têm gnomos de jardim , sabes - disse o Harry a o Ron , enquanto atravessavam a relva . - Sim , já vi essas coisas que eles pensam que são gnomos - disse o Ron todo dobrado , com a cabeça em uma moita de peónias . - Como os Pais_Natais gordinhos com canas de pesca ... Houve um tumulto ruidoso , a moita de peónias estremeceu e Ron endireitou se . - Isto_é um gnomo - declarou com um ar sério . - Larga eu ! Larga eu ! - guinchou o gnomo . Não se parecia em absoluto com o Pai_Natal . Era pequenino e parecia de couro , com uma grande cabeça protuberante e calva , precisamente como uma batata . Ron agarrou o a a distância de um braço , enquanto ele dava pontapés em o ar com os seus pézinhos que pareciam chifres . Agarrou o por os tornozelos e voltou o de pernas para o ar . - Isto_é o que tens de fazer - disse . Levantou o gnomo acima de a cabeça ( Larga eu ! ) e começou a balouçá o em grandes círculos , como os vaqueiros fazem com os laços . A o ver a expressão chocada de Harry , Ron explicou : - Não os mágoa . Só tens de os deixar bem tontos para que consigam encontrar o caminho de regresso a os buracos de os gnomos . Largou os tornozelos de o gnomo . Ele voou seiscentos metros e aterrou com um ruído surdo em o campo a o lado de a sebe . - Deplorável - afirmou o Fred . - Aposto que consigo lançar o meu para_além de aquele tronco . Harry aprendeu rapidamente a não sentir muita pena de os gnomos . Decidira largar o primeiro que apanhou para_além de a sebe , mas o gnomo , sentindo fraqueza , enfiou os seus dentinhos , aguçados como laminas , em o dedo de o Harry e não foi fácil sacudi o para ele o largar , até que ... - Uau , Harry , esse deve ter sido seiscentos metros ... O ar estava subitamente cheio de gnomos voadores . - Vês , eles não são muito espertos - afirmou o George , agarrando cinco ou seis de uma_vez . - Em o momento em que se apercebem que começou a * des-gnomização * , aparecem todos para espreitar . Era de esperar que já tivessem aprendido a ficar quietinhos . Rapidamente a multidão de gnomos começou a ir se embora , atravessando os campos em uma fila ordenada , com os pequeninos ombros arqueados . - Eles voltam - disse o Ron enquanto os via desaparecer em a sebe de o outro lado de o campo . - Eles adoram estar aqui ... o pai é muito mole com eles , acha lhes piada . Em esse momento , a porta de a frente bateu . - Ele já voltou ! - exclamou o George . - O pai já está em casa ! Apressaram se a entrar . Mr._Weasley tinha se afundado em uma de as cadeiras de a cozinha , sem óculos e com os olhos fechados . Era um homem magro , quase calvo , mas o pouco cabelo que tinha era tão ruivo como o de os filhos . Vestia um longo manto verde cheio de pó e estava cansado de a viagem . - Que noite - murmurou , tacteando em busca de o bule , enquanto todos se sentavam a a volta de ele . - Nove assaltos , nove ! E o velho Mundungs_Fletcher tentou lançar me um feitiço quando eu estava de costas . Mr._Weasley tomou um bom gole de chá e suspirou . - Encontrou alguma coisa , pai ? - perguntou Fred ansiosamente . - Só encontrei algumas chaves encolhidas e uma chaleira que mordia - bocejou Mr._Weasley . - Havia um material bastante mauzinho , mas não era de o meu departamento . O Mortlake foi levado para ser interrogado sobre uns furões extremamente antigos , mas isso pertence a a Comissão_dos_Feitiços_Experimentais , graças_a Deus . - Por_que é_que alguém ia dar se a o trabalho de fazer encolher chaves ? - perguntou George . - Para chatear os Muggles - suspirou Mr._Weasley . - Vende se lhes uma chave que não pára de encolher , até que desaparece , de_modo_a que nunca a encontrem quando precisam ... É claro que é muito difícil condenar alguém , porque nenhum Muggle é capaz de admitir que a sua chave está a encolher , insistem em que estão sempre a perdê a . Benditos sejam , vão até onde for preciso para ignorar a magia , mesmo_que ela esteja em frente de os seus narizes ... mas vocês não acreditariam em as coisas que o nosso grupo tem levado para enfeitiçar ... - : __ como carros , por __ exemplo ? Mrs._Weasley tinha aparecido , segurando um grande atiçador que parecia uma espada . Os olhos de Mr._Weasley abriram se de repente , fitando a mulher com um ar culpado . - C-carros , Molly querida ? - Sim , Artur , carros - afirmou Mrs._Weasley , os olhos a faiscar . - Imagina um feiticeiro a comprar um carro velho e enferrujado e dizer a a mulher que a única coisa que queria fazer com ele era desmontá o para ver como ele funcionava , enquanto em a verdade estava a enfeitiçá o para o fazer voar . Mr._Weasley piscou os olhos . - Bem , querida , acho que poderás constatar que não é ilegal fazer isso , embora , er , talvez ele devesse ter contado a verdade a a mulher ... Existe uma forma de tornear a lei , já_que ela diz que ... desde_que não se tenha a * intenção * de voar em o carro , o facto de ele poder voar , não ... - Arthur_Weasley tu arranjaste essa forma de tornear a lei quando a escreveste ! - gritou Mrs._Weasley . - Para poderes continuar a remexer em todo aquele lixo de os Muggles que tens em a arrecadação ! E , para tua informação , o Harry chegou hoje_de_manhã em o carro que tu não pretendias pôr a voar ! - Harry ? - perguntou Mr._Weasley sem expressão . - Qual Harry ? Olhou em volta , viu Harry e deu um salto . - Santo_Deus , é Harry_Potter ? Muito prazer , o Ron falou nos tanto de si ... - * _ O teu filho conduziu aquele carro até a a casa de o Harry e de volta até aqui em a noite passada ! * - gritou Mrs._Weasley . - O que tens a dizer a esse respeito ? - A sério ! ? - exclamou Mr._Weasley com vivacidade . - Correu tudo bem , quero dizer ... - vacilou a o ver os olhos de Mrs._Weasley que faiscavam . - Er , fizeram mal , rapazes , muito mal , mesmo ... - Vamos deixá os a os dois - murmurou o Ron , enquanto Mrs._Weasley inchava como um sapo gigantesco . - Vamos , vou mostrar te o meu quarto . Esgueiraram se de a cozinha e desceram uma passagem estreita que dava para uma escada desnivelada que ziguezagueava a o longo de a casa . Em o terceiro andar , estava uma porta entreaberta . Harry só teve tempo de ver um par de olhos castanhos brilhantes que o olhavam fixamente , antes de a porta se fechar com um estalido . - A Ginny - disse o Ron . - Não imaginas como é estranho vês a tão tímida , ela que quase nunca se cala ... Subiram mais dois andares , até chegarem a uma porta com a tinta a descascar e uma pequena placa dizendo : « Quarto_do_Ronald » . Harry entrou . A cabeça quase tocava em o tecto inclinado . Piscou os olhos . Era como entrar dentro_de uma fornalha : quase tudo em o quarto de o Ron tinha um violento matiz alaranjado : a colcha de a cama , as paredes , até o tecto . Em seguida , apercebeu se de que o Ron tinha coberto cada centímetro de o velho papel de parede com * posters * de as mesmas sete feiticeiras e feiticeiros , todos vestidos com brilhantes mantos cor de laranja , transportando vassouras e acenando entusiasticamente . - A tua equipa de Quidditch ? - perguntou Harry . - Os Chudley_Cannons - disse Ron , apontando para a colcha cor de laranja que tinha um brasão com dois C's gigantes e uma bala de canhão a_toda_a velocidade . - Nono em a Liga . Os livros de estudo de feitiços de Ron estavam empilhados desordenadamente a um canto , junto de um monte de B. _ D. , todas elas relativas a as * _ Aventuras_de_Martin_Miggs , o Muggle louco * . A varinha mágica de o Ron estava em_cima_de um aquário cheio de ovos de rã sobre o peitoril de a janela , junto de o seu rato gordo e cinzento , Scabbers , que dormia uma soneca a o sol . Harry passou por_cima_de um baralho de cartas de jogar com vontade própria , que estava caído em o chão , e olhou para fora de a janelinha . Em o campo , não muito longe , podia ver um grupo de gnomos a esgueirarem se , um a um , de_novo para a sebe de os Weasley . Em seguida , voltou se para Ron que o observava nervoso , como_se esperasse a opinião de ele . - É um_pouco pequeno - declarou o Ron muito depressa . - Não se parece nada com o quarto que tu tinhas em casa de os Muggles . E estou mesmo debaixo de o vampiro de o sótão . Ele anda sempre a bater nos canos e a gemer ... Mas Harry , com um grande sorriso , disse lhe : - Esta é a melhor casa em que eu já estive . As orelhas de Ron ficaram cor-de-rosa . IV_Na_Flourish and Blotts_A vida em a Toca era o mais diferente que é possível de a vida em Privet_Drive . Os Dursleys gostavam de tudo limpo e arrumado , em casa de os Weasleys explodia o estranho e o inesperado . Harry teve um choque de a primeira vez que olhou para o espelho que estava sobre a lareira de a cozinha e ele gritou : - Mete para dentro a camisa , * desmazelado ! * - O vampiro de o sótão gemia e batia nos canos , sempre_que sentia as coisas demasiado calmas e as pequenas explosões em o quarto de o Fred e de o George , eram consideradas perfeitamente normais . Mas o que o Harry achou mais bizarro em a vida em casa de o Ron , não foi o espelho que falava , nem o vampiro barulhento , foi o facto de todos ali em casa parecerem gostar de ele . Mrs._Weasley preocupava se com o estado de as suas meias e tentava obrigá o a servir se quatro vezes a cada refeição . Mr._Weasley gostava que Harry se sentasse a o lado de ele a a mesa para poder bombardeá o com perguntas sobre a vida com os Muggles , pedindo que lhe explicasse como funcionavam coisas como as canalizações e o serviço de os correios . - Fascinante ! - exclamava , enquanto Harry lhe explicava a utilização de o telefone . - Engenhoso , de facto , todas_as maneiras que os Muggles encontraram para passar sem a magia . Harry teve notícias de Hogwarts em uma manhã de sol , cerca de uma semana depois de ter chegado a a Toca . Quando , ele e o Ron desceram para tomar o pequeno-almoço , encontraram Mr. e Mrs._Weasley e Ginny já sentados a a mesa . Em o momento em que viu o Harry , Ginny entornou a tigela de os cereais , que caiu a o chão com grande espalhafato . Ginny entornava facilmente coisas sempre_que o Harry estava em a sala . Mergulhou debaixo de a mesa para apanhar a tigela e emergiu com o rosto a brilhar como o sol poente . Fingindo não ter dado por nada , Harry sentou se e aceitou a torrada que Mrs._Weasley lhe ofereceu . - Cartas de a escola - disse Mr._Weasley , passando a o Harry e a o Ron envelopes idênticos de pergaminho amarelado , com a morada escrita a tinta verde . - O Dumbledore já sabe que estás aqui , Harry , não perde nada aquele homem . Vocês os dois também - acrescentou , enquanto Fred e George deambulavam em a casa , ainda em pijama . Fez se silêncio durante alguns momentos , enquanto liam as respectivas cartas . A de o Harry dizia para apanhar o Expresso_de_Hogwarts , como sempre em a Estação_de_King's_Cross , em o dia_1_de_Setembro . Havia ainda uma lista de os livros que precisaria para o próximo ano . Os alunos de o segundo ano deverão ter : * _ O_Livro_Padrão_de_Feitiços , Grau 2 , por Miranda_Goshawk . * _ Ensinamentos_de_Uma_Fada_Carpideira , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Férias com Bruxas , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Duendes , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Lobisomens , por Gilderoy_Lockhart . * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves , por Gilderoy_Lockhart * . Fred , que terminara a sua própria lista , espreitou para a de o Harry . - Também te mandam comprar os livros de o Lockhart - disse . - A professora de defesa contra as artes negras deve ser fanática . Aposto que é uma bruxa . Nessa_altura , Fred percebeu o olhar de a mãe e apressou se a comer o doce de laranja . - Esse conjunto não vai ficar barato - disse George , olhando rapidamente para os pais . - Os livros de o Lockhart são de os mais dispendiosos ... - Cá nos havemos de arranjar - declarou Mrs._Weasley , mas parecia preocupada . - Espero que pelo_menos para a Ginny possamos arranjar uma data de coisas em segunda mão . - Ah , vais entrar este ano para Hogwarts ? - perguntou lhe Harry . Ela fez um aceno , corando até a a raiz de os cabelos ruivos e meteu o cotovelo em o pires de a manteiga . Felizmente ninguém deu por nada , a não ser o Harry , porque em esse momento o irmão mais velho de Ron , o Percy , entrou . Já estava vestido , com a placa de prefeito aplicada a a sua camisola de malha . - Bom dia a todos - disse , cheio de vivacidade . - Está um dia lindo . Puxou a única cadeira livre , mas deu um salto quando ia sentar se e , debaixo de ele , saltou um espanador cinzento de penas , pelo_menos , foi o que o Harry pensou até ver que ele respirava . - Errol ! - exclamou Ron , afastando a coruja de o Percy e retirando lhe debaixo de a asa uma carta . - Até que enfim , a resposta de a Hermione . Escrevi lhe a contar que íamos tentar raptar te de casa de os Dursleys . Levou Errol para um poleiro que havia junto a a porta de as traseiras e tentou colocá a lá em cima , mas Errol caiu redonda e Ron teve de a pôr em a pia , murmurando : - Patético . - Em seguida , abriu a carta de a Hermione e leu a em voz alta . * _ Querido_Ron e Harry , se aí estiveres . Espero que tudo tenha corrido bem , que o Harry esteja O. _ K. e que não tenham feito nada ilegal para conseguir trazes o , porque isso podia criar lhe problemas também a ele . Tenho estado muito preocupada e , se o Harry estiver bem , por favor digam me qualquer coisa rapidamente , mas talvez seja melhor usarem uma nova coruja , porque acho que outra entrega pode acabar como esta . * _ Estou muito atarefada com trabalho de a escola , claro * . - Como é possível ? - perguntou Ron , horrorizado . - Estamos em férias ! - * _ E vamos para Londres em a próxima quarta-feira para comprar os meus livros novos . Porque não nos encontramos em a Diagon-al ? * _ Dêem-me notícias vossas o mais depressa possível . * _ Carinhosamente_Hermione * - Bem , parece uma boa solução , podemos ir todos comprar as vossas coisas - disse Mrs._Weasley , começando a limpar a mesa . - O que vão fazer hoje ? Harry , Ron , Fred e George tinham planeado ir a o cimo de o monte a um pequeno cercado de cavalos que os Weasleys possuíam . Estava rodeado de árvores que lhe tapavam a vista de a cidade cá em baixo , o que quer_dizer que podiam praticar Quidditch , desde_que não voassem muito alto . Não podiam usar as verdadeiras bolas de Quidditch pois seria muito difícil explicar se elas escapassem e voassem sobre a cidade . Em vez de elas , lançavam maçãs para os outros apanharem . Faziam turnos para montar a Nimbus dois_mil , que era de longe a melhor vassoura . A velha Shooting_Star_de_Ron fora muitas_vezes ultrapassada por as borboletas que passavam . Cinco minutos mais tarde estavam a marchar por o monte acima , de vassouras a o ombro . Tinham perguntado a o Percy se ele queria juntar se a eles , mas ele alegara muito trabalho . Até esse dia , Harry só tinha visto Percy a a hora de as refeições , ele ficava em silêncio em o quarto o resto de o tempo . - Gostava de saber o que ele anda a fazer - afirmou Fred , de testa franzida . - Não parece o mesmo . O resultado de os exames veio um dia antes de tu chegares : doze N_F_V e ele nem se manifestou satisfeito . - Níveis_de_Feitiçaria_Vulgares - explicou o George , vendo o olhar atarantado de Harry . - Se não temos cuidado , ainda nos calha outro Chefe_de_Turma em a família . Acho que não suportaria a vergonha . Bill era o mais velho de os irmãos Weasley . Ele e o irmão a seguir , Charlie , já tinham saído de Hogwarts . Harry não conhecia nenhum de os dois , mas sabia que o Charlie estava em a Roménia a estudar dragões e o Bill em o Egipto a trabalhar em o banco de os feiticeiros : Gringotts . - Não sei como o pai e a mãe vão arranjar dinheiro para nos pagar o material escolar este ano - disse o George , passado um bocado . - Cinco conjuntos de livros de o Lockhart ! E a Ginny precisa de mantos e de uma varinha e tudo_isso ... Harry não disse nada . Sentiu se um_pouco incomodado . Fechada em um cofre subterrâneo , em o banco de Gringotts_de_Londres , estava uma pequena fortuna que os pais lhe tinham deixado . É claro que só tinha esse dinheiro em o mundo de os feiticeiros , não se podem usar Galeões , Leões e Janotas em as lojas de os Muggles . Ele nunca fizera referência a a sua conta bancária em Gringotts a os Dursleys . Não lhe parecia que o horror que eles sentiam por tudo_o_que se relacionava com a feitiçaria se estendesse a uma enorme pilha de barras de ouro . Mrs._Weasley acordou os a todos bem cedo , em a quarta-feira seguinte . Depois de comerem umas doze sanduíches de * bacon * cada_um , enfiaram os casacos e Mrs._Weasley tirou um vaso de a prateleira de o fogão de a cozinha e espreitou lá para dentro . - Está a acabar se , Arthur - suspirou . - Temos de comprar mais hoje ... Bem , os hóspedes primeiro . Passa , Harry querido ! E ofereceu lhe o vaso de flores . Harry olhou espantado enquanto todos eles o observavam . - O q-que é_que eu devo fazer ? - gaguejou . - Ele nunca viajou com o pó de Floo - disse o Ron subitamente . - Desculpa , Harry , esqueci me . - Nunca ? - perguntou Mrs._Weasley . - Mas então como chegaste a a Diagon - _ Al em o ano passado para comprar as tuas coisas ? -- Fui por o subterrâneo . - A sério ? - disse Mr._Weasley , entusiasmado . - Havia fugitivos ? Como é_que ... - Agora não , Arthur - disse Mrs . Weasley . - O pó de Floo é muito mais rápido , querido , mas , valha me Deus , se ele nunca o usou ... - Vai correr bem , mãe - disse o Fred . - Harry observa nos primeiro . Tirou uma pitada de pó brilhante de dentro de o vaso , aproximou se de o lume e lançou o pó em as chamas . Com um rugido , o fogo ficou verde-esmeralda e elevou se a uma altura superior a a de o Fred que avançou , gritando Diagon - _ Al ! E desapareceu . - Tens de falar claramente , filho - disse Mrs._Weasley a o Harry , ao_mesmo_tempo que George metia a mão em o vaso de as flores . - E vê se sais em o fogão certo . - Em o quê ? - perguntou Harry , nervoso , enquanto o lume crepitava e fazia George desaparecer também . - Bem , há imensos fogos de feiticeiros , mas desde_que te tenhas expressado claramente ... - Ele vai conseguir , Molly , não te preocupes - disse Mr._Weasley , tirando também ele algum pó . - Mas querido se ele se perde como é_que vamos justificar nos perante o tio e a tia de ele ... -- Eles não se importariam - tranquilizou a Harry . - O Dudley ia achar imensa piada se eu me perdesse em uma chaminé , não se preocupe . - Bem , em esse caso ... tu vais a seguir a o Arthur - disse Mrs._Weasley . - Logo_que entres em o fogo diz para_onde queres ir . - E mantém os cotovelos dobrados - preveniu o Ron . - E os olhos fechados - disse Mrs._Weasley . - A fuligem . - Não te enerves - disse o Ron . - Senão podes ir parar a a lareira errada . - Não entres em pânico e não queiras sair cedo de mais . Espera até veres o Fred e o George . Fazendo um enorme esforço por reter toda aquela informação , Harry tirou uma pitada de pó de Floo e avançou para a beirinha de o fogo . Respirou fundo , espalhou o pó em as chamas e entrou . O fogo parecia uma brisa quente . Abriu a boca e engoliu , de imediato , uma grande quantidade de cinzas quentes . D-dia-gon-al - tossiu . Sentiu se como_se estivesse a ser sugado para um buraco gigantesco . Como_se girasse muito depressa ... o ruído era ensurdecedor . Tentou manter os olhos abertos mas o turbilhão de chamas verdes fê lo enjoar ... algo duro bateu lhe em o cotovelo e dobrou o de imediato . Continuava a rodar , a rodar ... sentia se agora como_se várias mãos frias estivessem a bater lhe em a cara ... Espreitando através de os óculos , viu uma torrente imprecisa de fogões e captou lampejos de as salas que estavam por detrás ... as sanduíches de * bacon * davam lhe a volta dentro de o estômago ... fechou os olhos desejando que tudo aquilo parasse e então caiu , de cara em o chão , em a pedra fria e sentiu os óculos partirem se a os bocados . Desorientado e ferido , coberto de fuligem , pôs se cautelosamente de pé , levando a os olhos os óculos partidos . Estava completamente só e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava . Tudo_o_que podia dizer era que a o seu lado via uma lareira que lhe parecia ser a de uma enorme e indistinta loja de feitiçaria . Mas nenhum de os artigos que ali se encontravam tinham aspecto de fazer parte de a lista de a escola de Hogwarts . Em uma caixa de vidro podia ver se uma mão atrofiada que repousava sobre uma almofada , um baralho de cartas ensanguentado e um olho de vidro que o olhava fixamente . Máscaras de expressão maldosa enchiam as paredes , olhando de esguelha , uma enorme quantidade de ossos humanos estendia se sobre o balcão e , de o tecto , pendiam instrumentos aguçados com pontas de ferro e pregos enferrujados . Mas o pior é_que a rua estreita e escura , que Harry conseguia avistar através de a janela poeirenta de a loja , não era de modo algum a Diagon-al . Quanto_mais depressa saísse de ali , melhor . O nariz ainda a doer lhe em o sítio onde batera em o chão a o aterrar , Harry avançou rápida e silenciosamente em direcção a a porta , mas antes de conseguir chegar a meio caminho , duas pessoas apareceram de o lado de_fora de o vidro , e uma de elas era a última pessoa que Harry desejaria encontrar em o momento em que se encontrava perdido , coberto de fuligem e com os óculos partidos , Draco_Malfoy . Harry olhou rapidamente em volta e apercebeu se de a existência de um grande armário escuro a a sua esquerda , saltou lá para dentro e fechou as portas , deixando uma gretazinha para poder espreitar . Segundos depois , uma campainha tocava e Malfoy entrava em a loja . O homem que o acompanhava só podia ser o pai . Tinha o mesmo rosto pálido de feições agudas e os mesmos olhos cinzentos de gelo . Mr._Malfoy atravessou a loja , olhando maquinalmente para os artigos expostos e tocou a campainha de o balcão , antes de se voltar para o filho , dizendo : - Não mexas em nada , Draco . Malfoy , que vira o olho de vidro , disse : - Pensei que ias oferecer me um presente . - Eu prometi que ia comprar te uma vassoura de corrida - declarou o pai , tamborilando com os dedos sobre o balcão . - Para que é_que me serve , se não estou em a equipa de Quidditch ? - perguntou Malfoy , carrancudo e de mau humor . - O Harry_Potter teve uma Nimbus dois_mil o ano passado , com a autorização especial de o Dumbledor é para jogar em os Gryffindor . Ele nem é assim tão bom , é só por ser * famoso * ... famoso por ter uma estúpida cicatriz em a testa . Malfoy baixou se para observar uma prateleira cheia de crânios . - Todos acham que ele é tão esperto , o Potter maravilha , com a sua cicatriz e a sua vassoura ... - Já me disseste isso doze vezes pelo_menos - comentou Mr._Malfoy , olhando repressivamente para o filho . - E devo lembrar te que não é prudente parecer menos do_que amigo de Harry_Potter , quando a maior parte de a nossa gente vê em ele um herói que fez desaparecer o Senhor_do_Mal . Ah , Mr._Borgin . Um homem curvado surgiu por detrás de o balcão , puxando o cabelo gorduroso para trás . - Mr._Malfoy , que prazer vês o de_novo - disse Mr._Borgin , em uma voz tão untuosa como o cabelo . - Encantado , e o nosso jovem Malfoy também , encantado . Em que posso servi os ? Tenho que vos mostrar o que chegou hoje , a um preço muito razoável ... - Hoje não venho comprar , Mr._Borgin , e sim vender - afirmou Mr._Malfoy . - Vender ? - O sorriso apagou se lentamente em o rosto de Mr._Borgin . - Certamente ouviu dizer que o Ministério está a levar a cabo mais buscas - explicou o Mr._Malfoy , retirando de o bolso um rolo de pergaminho e desembrulhando o para Mr._Borgin o ler . - Eu tenho alguns , ah , artigos em casa que poderiam criar me problemas se o Ministério me batesse a porta . Mr._Borgin colocou em o nariz um par de * pince-nez * e olhou para a lista . - O Ministério não se lembraria de o incomodar certamente ... O lábio de Mr._Malfoy dobrou se . - Ainda não me fizeram nenhuma visita . O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito , mas o Ministério está a ficar cada_vez_mais intrometido . Há boatos sobre um novo decreto de protecção de os Muggles , sem dúvida que aquele mordido de as pulgas , adorador de os Muggles , que é o Arthur_Weasley deve estar por detrás de isso . Harry sentiu crescer a raiva . - E , como pode ver , alguns de estes venenos podiam dar a ideia ... - Compreendo perfeitamente , claro - disse Mr._Borgin . - Deixe me ver ... - Posso ter aquilo ? - interrompeu Draco , apontando para a mão raquítica que estava sobre a almofada . - Ah , a mão de a glória ! - exclamou Mr._Borgin , abandonando a lista de Mr._Malfoy e apressando se a responder a Draco . - Põe se lhe uma vela e ela só dá luz a quem a transporta ! A melhor amiga de os gatunos e de os salteadores , o seu filho tem gosto , senhor . - Espero que o meu filho venha a ser mais do_que gatuno ou salteador , Borgin - disse Mr._Malfoy friamente e Mr._Borgin respondeu logo : - Sem ofensa , senhor , sem querer ofender . - Embora , se as notas de a escola não melhorarem - disse Mr._Malfoy ainda mais friamente - esse possa vir a ser o único caminho possível para ele . - Não tenho culpa - retorquiu Draco . - Todos os professores têm os seus preferidos , aquela Hermione_Granger ... - Eu , em o teu lugar , teria vergonha que uma rapariga que nem_sequer pertence a famílias de feiticeiros , me passasse a a frente em todos os exames - interrompeu Mr._Malfoy . Ah - fez Harry baixinho , radiante por ver Draco atrapalhado e furioso . - É o mesmo em todo o lado - comentou Mr._Borgin em a sua voz untuosa . - O sangue de os feiticeiros conta cada_vez menos ... - Não para mim - afirmou Mr._Malfoy , com as longas narinas dilatadas . - Não senhor , nem para mim - concordou Mr._Borgin , inclinando se em uma vénia . - Em esse caso , talvez possamos voltar a a minha lista - disse Mr._Malfoy secamente . - Estou com alguma pressa , Borgin , tenho ainda hoje assuntos importantes a tratar em outro lado . Começaram a discutir os preços . Harry via nervosamente o Draco aproximar se de o seu esconderijo enquanto observava os objectos a a venda . Parou para examinar um enorme rolo de corda de carrasco e para ver , com um sorriso afectado , o cartão preso com um aparatoso laço de opalas onde podia ler se : * _ Cautela , não tocar . Amaldiçoado - reclama as vidas de dezanove donos , todos eles Muggles * . Draco voltou se e viu o armário mesmo em frente . Avançou , estendeu a mão para o puxador ... - Feito - disse Mr._Malfoy , a o balcão . - Vamos , Draco . Harry limpou a testa a a manga quando Draco se afastou . - Muito bom dia , Mr._Borgin . Espero por si amanhã em a mansão para ir buscar a mercadoria . Em o momento em que a porta se fechou , Mr._Borgin abandonou os seus modos subservientes . « Bom dia para o senhor , Mr._Malfoy , e , se as histórias que contam são verdadeiras , não me vendeu nem metade do_que tem escondido em a sua mansão ... » Murmurando de forma taciturna , Mr._Borgin desapareceu em uma sala escura . Harry esperou um minuto não fosse ele voltar e , em seguida , o mais silenciosamente possível , escapou se de o armário , passou por as caixas de vidro e saiu de a loja . Encostando os óculos partidos a o rosto , olhou em volta . Saíra em uma rua estreita e sombria que parecia composta exclusivamente de lojas dedicadas a as artes negras . Aquela de onde acabava de sair parecia ser a maior , mas em frente estava uma montra tétrica de cabeças encolhidas e duas portas abaixo podia ver se uma enorme caixa viva cheia de gigantescas aranhas pretas . Dois feiticeiros com aspecto pobre observavam o de a sombra de uma porta , murmurando entre si . Sentindo se nervoso , Harry pôs se a caminho , tentando agarrar os óculos a direito e não desistindo de a esperança de encontrar maneira de sair de ali . Por um cartaz de madeira , pendurado em a rua , indicando uma loja de venda de velas envenenadas , ficou a saber que se encontrava em a Rua * _ Bativolta * , mas isso não o ajudou pois Harry nunca ouvira falar em tal lugar . Calculou que não tinha pronunciado bem as palavras com a boca cheia de cinzas em a lareira de os Weasley . Tentando manter a calma perguntou a si mesmo o que havia de fazer . - Não estás perdido , pois não , meu menino ? - perguntou uma voz , mesmo junto de o seu ouvido , que o fez dar um salto . Uma bruxa idosa estava em a sua frente , segurando um tabuleiro de uma coisa que se parecia horrivelmente com unhas humanas . A mulher olhou o maldosamente , mostrando os dentes esverdeados . Harry recuou . - Estou bem , obrigado - disse . - Estou só ... - HARRY ! O qu'é que pensas que estás a fazer aqui ? O coração de Harry deu um salto , assim_como o de a bruxa . Um monte de unhas caíram lhe sobre os pés e ela praguejou , enquanto o corpo enorme de Hagrid , o guarda de os campos de Hogwarts , se aproximava de eles a passos largos com os olhos castanhos-escuros a faiscarem sobre a longa barba eriçada . - Hagrid - gritou Harry , aliviado . - Eu estava perdido ... o pó de Floo ... Hagrid agarrou Harry por o cachaço e puxou o para longe de a bruxa , tirando lhe o tabuleiro de as mãos . Os guinchos agudos de a feiticeira seguiram nos até a o fundo de a ruela serpenteante que ia dar a um lagar onde brilhava o sol . Harry avistou a a distância um edifício de mármore branco como a neve que lhe era familiar : o banco de Gringotts . Hagrid conduzira o até a a Diagon - _ Al . - ` _ tás em um péssimo estado ! - disse Hagrid bruscamente , sacudindo lhe a fuligem com tanta força que Harry quase caiu em um barril de estrume de dragão que se encontrava a a porta de um boticário . - A fugir , em a Rua * _ Bativolta * , eu não conheço esse lugar finório , Harry , não quero que ninguém te veja aqui em baixo . - Já percebi - disse Harry , baixando se quando Hagrid fez menção de o escovar melhor . - Já te disse que estava perdido . E o que é_que tu fazes aqui ? - ` _ Tou a a procura d'um repelente para as lesmas comedoras de legumes - resmungou Hagrid . - ` _ tão a destruir as couves todas de a escola . Tu não estás sozinho ? - Estou em casa de os Weasley , mas separámo nos explicou Harry . - Tenho que os encontrar . Desceram juntos a rua . - Por_que é_que nunca respondeste a as minhas cartas ? - perguntou Hagrid , enquanto Harry corria para o acompanhar ( tinha de dar três passos por cada enorme passada de Hagrid ) . Harry explicou lhe tudo sobre Dobby e os Dursleys . - Malditos_Muggles - rugiu Hagrid . - S'eu tivesse sabido ... - Harry ! Harry ! Aqui ! Harry olhou para_cima e viu Hermione_Granger em o topo de a escadaria de Gringotts . Desceu para vir a o encontro de ele , o cabelo castanho de caracóis , a esvoaçar atrás de ela . - O que aconteceu a os teus óculos ? Olá_Hagrid ... Oh , é maravilhoso ver vos outra_vez . Vens a Gringotts , Harry ? - Logo_que encontre os Weasley - respondeu ele . - Não vais ter d'esperar muito - riu se Hagrid . Harry e Hermione olharam em volta . Subindo a rua , em o meio de a multidão , vinham Ron , Fred , George , Percy e Mr._Weasley . - Harry - chamou Mr._Weasley , ofegante . - Tínhamos esperança que só tivesses ido um fogão mais longe ... - passou um pano em a sua calva reluzente . - A Molly está nervosíssima , aí vem ela . - Onde é_que tu saíste ? - perguntou o Ron . - Em a Rua * _ Bativolta * - disse o Hagrid , com um ar sério . - Sensacional ! - exclamaram Fred e George ao_mesmo_tempo . - Nunca nos deram autorização para lá ir - disse o Ron com uma pontinha de inveja . - E fizeram muito bem - grunhiu Hagrid . Mrs._Weasley chegou em aquele momento a correr , a mala a balouçar em uma de as mãos e Ginny quase pendurada em a outra . - Oh Harry , oh meu querido , podias ter ido parar a qualquer lugar ... Tentando recuperar o fôlego , tirou de a mala uma grande escova de roupa e começou a retirar a fuligem que Hagrid não conseguira expulsar . Mr._Weasley pegou em os óculos de Harry , deu lhes um toque de varinha e entregou lhe os como novos . - Bem , tenho de m'ir embora - disse Hagrid cuja mão estava a ser esmagada por Mrs._Weasley ( -- Rua * _ Bativolta * ! Se não o tivesses encontrado , Hagrid ! ) . - Vemo nos em Hogwarts . - E afastou se , os ombros e a cabeça acima de a multidão que enchia completamente a rua . - Adivinham quem eu vi em o Borgin and Burkes ? - perguntou Harry_a_Ron e a Hermione enquanto subiam as escadarias de Gringotts . - Malfoy e o pai . - O Lucius_Malfoy comprou alguma coisa ? - perguntou interessado Mr._Weasley que estava atrás de eles . - Não , estava a vender . - Então está preocupado - comentou Mr._Weasley com visível satisfação . - Ah , eu adorava apanhar o Lucius_Malfoy em alguma . . - Tem cuidado , Arthur - interrompeu Mrs._Weasley enquanto o gnomo porteiro lhes dava reverentemente entrada em o banco . - Isso é um problema de família . Não queiras ter mais olhos que barriga . - Queres dizer com isso que achas que eu não chego para o Malfoy ? - perguntou Mr._Weasley , indignado , mas foi rapidamente afastado de aqueles sentimentos a o avistar os pais de Hermione que estavam de pé , nervosamente encostados a o balcão que acompanhava a grande parede de mármore , a a espera que Hermione os apresentasse . - Mas vocês são Muggles ! - disse Mr._Weasley , encantado . - Temos de tomar uma bebida . O que é isso aí ? Ah , estão a trocar dinheiro de Muggle . Molly , olha - apontou cheio de excitação para as notas de dez libras que Mr._Granger tinha em a mão . - Encontramo nos aqui - disse Ron_a_Hermione , enquanto os Weasley e Harry eram conduzidos a os seus cofres em o subterrâneo de Gringotts . Para chegar a os cofres havia que tomar umas carrinhas conduzidas por gnomos que se deslocavam ao_longo_de carris de comboio de pequenas dimensões através de os túneis subterrâneos de o banco . Harry gostou de a viagem acidentada até a o cofre de os Weasley , mas sentiu se bastante mal , pior do_que em a Rua * _ Bativolta * , quando o cobre foi aberto . Havia lá dentro um pequenino monte de Leões de prata e apenas um Galeão de ouro . Mrs._Weasley foi com a mão a a procura em os cantos antes de , com um gesto rápido , varrer tudo para dentro de o saco . Harry sentiu se ainda pior quando chegaram a o seu cofre . Tentou evitar que vissem o conteúdo enquanto empurrava apressadamente mãos cheias de moedas para dentro_de uma sacola de cabedal . Lá fora , em as escadarias de mármore , separaram se . Percy murmurou vagamente que precisava de uma nova pena de escrever . Fred e George tinham avistado um amigo de Hogwarts , Lee_Jordan . Mrs._Weasley e Ginny iam a uma loja de mantos em segunda mão , Mr._Weasley continuava a insistir em levar os Grangers a o Caldeirão_Escoante para lhes pagar uma bebida . - Encontrarmo nos todos em a Flourish and Blotts dentro_de uma hora para comprar os vossos livros de estudo - disse Mrs._Weasley , afastando se com Ginny . - E nem um passo em direcção a a Rua * _ Bativolta * - gritou a os gémeos que estavam de costas . Harry , Ron e Hermione deambularam por a rua empedrada e sinuosa . O ouro , prata e bronze que tilintavam alegremente em o saco que Harry tinha em o bolso pareciam exigir ser gastos , por isso ele comprou três enormes gelados de morango e manteiga de amendoim que eles devoraram felizes enquanto vagueavam sem destino por a rua fora , observando as montras fantásticas de as lojas . Ron olhou longamente para um conjunto completo de mantos de o Chudley_Cannon , em as montras de o « Equipamento_de_Quidditch_de_Qualidade » até Hermione o arrastar de ali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos . Em a « Jogos_de_Feitiçaria_de_Gambol and Japes » encontraram o Fred , o George e o Lee_Jordan que estavam presos em a fabulosa partida debaixo_de chuva e em os fogos-de-artifício de o Dr._Filibuster . E em uma pequenina loja de velharias cheia de varinhas partidas , balanças instáveis de latão e mantos velhos cobertos de nódoas de poções encontraram Percy profundamente concentrado em um pequenino livro , bastante chato , chamado * _ Prefeitos que conquistam o poder * . - * _ Um estudo sobre os prefeitos de Hogwarts e as suas posteriores carreiras * - leu alto o Ron em a contracapa . - Deve ser fascinante ... - Desaparece - gritou Percy . - Claro , ele é muito ambicioso , já tem tudo planeado . Quer ser ministro de a magia - disse o Ron baixinho a o Harry e a a Hermione , enquanto deixavam Percy entregue a o livro . Uma hora mais tarde dirigiram se a a Flourish and Blotts . Não eram de modo algum os únicos a encaminhar se para a livraria . À_medida_que se aproximavam viram com grande surpresa uma grande multidão a a porta , tentando entrar em a loja . O motivo de tal confusão estava anunciado em um cartaz que se estendia a o longo de a montra superior . GILDEROY_LOCKHART_Assinará exemplares de a sua autobiografia " eu , o mágico " Hoje 12.30 - 16.30 - Vamos poder conhecê o ! - gritou Hermione . - Quero dizer , ele escreveu quase todos os livros de a nossa lista ! A multidão parecia ser maioritariamente composta por bruxas de a idade de Mrs._Weasley . Um feiticeiro bem-parecido estava de pé junto de a porta , dizendo : - Calma , minhas senhoras , não empurrem , cuidado com os livros . Harry , Ron e Hermione conseguiram furar e entrar . Uma longa fila serpenteava para as traseiras de a loja onde Gilderoy_Lockhart estava a assinar os seus livros . Cada_um de eles pegou em um exemplar de * _ ensinamentos de Uma Fada_Carpideira * e escaparam se de a fila indo ter a o lugar onde se encontravam os outros com Mr. e Mrs._Granger . - Ah , aí estão vocês . _ óptimo - disse Mrs._Weasley que parecia estar com falta de ar e não parava de mexer em o cabelo . - Vamos poder vês o dentro_de um minuto . Gilderoy_Lockhart veio lentamente até um lugar onde era visível para todos , sentou se a uma mesa , rodeado de grandes fotografias de o próprio rosto , todo ele sorrisos , mostrando a a multidão o brilho cintilante de os seus dentes . Lockhart usava uma túnica azul-noite que condizia a as mil maravilhas com a cor de os olhos , o chapéu pontiagudo de feiticeiro colocado lateralmente sobre o cabelo ondulado . Um homenzinho pequenino e irritante andava a dançar de um lado para o outro , tirando fotografias com uma grande máquina preta que lançava baforadas de fumo arroxeado em cada * flash * . - Sai de o caminho , tu aí - disse rispidamente a o Ron , mudando de lugar para ter um angulo melhor . - Este é para o * _ Profeta_Diário * . - Grande coisa ! - exclamou o Ron , esfregando os pés em o lugar que o fotógrafo pisara . Gilderoy_Lockhart ouviu o . Olhou , viu o Ron e em seguida Harry . Voltou a olhar , desta_vez com mais atenção . Em seguida , pôs se de pé e gritou : - Não pode ser , o Harry_Potter ? A multidão dividiu se entre murmúrios de excitação . Lockhart aproximou se , agarrou Harry por um braço e levou o para a frente . A multidão rebentou em aplausos . A cara de Harry ardia quando Lockhart lhe apertou a mão para o fotógrafo que disparava como um louco , lançando fumo espesso para_cima de os Weasley . - Belo sorriso , Harry - disse Lockhart através de os seus dentes brilhantes . - Tu e eu juntos merecemos a primeira página . Quando por fim lhe largou a mão , Harry quase não sentia os dedos . Tentou recuar para junto de os Weasley , mas Lockhart lançou lhe um braço por os ombros e prendeu o a o seu lado . - Minhas senhoras e meus senhores - disse bem alto , fazendo sinal para que se acalmassem . - Que momento extraordinário este ! O momento perfeito para eu anunciar algo que tenho vindo a guardar comigo desde_há algum tempo . - Quando o jovem Harry entrou em a Flourish and Blotts hoje , ele queria apenas comprar a minha autobiografia , que tenho agora o maior prazer em oferecer lhe - a multidão aplaudiu de_novo . - Ele não tinha ideia - continuou Lockhart , dando a o Harry um pequeno encontrão que fez com que os óculos lhe escorregassem para a ponta de o nariz - de que ia conseguir em_breve muito mais do_que o meu livro Eu , o mágico . Ele e os seus colegas de a escola vão receber , de facto , o verdadeiro * _ Eu , o mágico * . Sim , minhas senhoras e meus senhores , tenho o maior prazer em anunciar que em o mês_de_Setembro assumirei o lugar de professor de Defesa contra as artes negras em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts ! A multidão aplaudiu e bateu palmas e Harry deu consigo a ser presenteado com a obra completa de Gilderoy_Lockhart . Cambaleando ligeiramente sob o peso de os livros conseguiu abrir caminho para longe de os projectores até a a porta de a sala onde estava Ginny com o seu novo caldeirão . - Podes ficar com estes - murmurou Harry , enfiando os livros em o caldeirão . - Eu vou comprar os meus . - Aposto que adoraste aquilo , não adoraste , Potter ? - disse uma voz que Harry não teve qualquer dificuldade em reconhecer . Endireitou se e deu consigo frente_a_frente com Draco_Malfoy que exibia o seu habitual sorriso escarninho . - O famoso Harry_Potter - disse Malfoy . - Nem_sequer pode entrar em uma livraria sem se tornar primeira página . - Deixa o em paz , ele não queria nada de isso - defendeu a Ginny . Era a primeira vez que falava em frente de Harry . Olhava para Malfoy com um ar feroz . - Potter , arranjaste uma namorada ! - disse arrastadamente Malfoy . Ginny ficou vermelha como um pimentão enquanto Ron e Hermione tentavam abrir caminho , ambos carregando montes de livros de Lockhart . -- Ah és tu ? - disse Ron , olhando para Malfoy como_se ele fosse algo desagradável colado a a sola de o sapato . - Aposto que te surpreendeu ver o Harry aqui ? - Não tanto como a ti em uma loja , Weasley - retorquiu Malfoy . - Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo . Ron ficou tão vermelho quanto Ginny . Deixou também cair os livros em o caldeirão e avançou para Malfoy , mas Harry e Hermione agarraram o por as costas de o casaco . - Ron - disse Mrs._Weasley , aproximando se com Fred e George . - O que estás a fazer ? Isto está uma loucura aqui dentro , vamos lá para fora . - Olha quem ele é , Arthur_Weasley . - Era_Mr._Malfoy . Estava de pé com a mão sobre o ombro de Draco , com o mesmo sorriso escarninho . -- Lucius - disse Mr._Weasley , acenando friamente . -- Muito trabalho em o ministério , segundo me consta - disse Mr._Malfoy . - Todas essas buscas ... espero que te estejam a pagar horas extraordinárias . Meteu a mão em o caldeirão de a Ginny e tirou de o meio de os livros de Lockhart um exemplar muito velho e muito gasto de o * _ Guia_de_Transfiguração_para_Principiantes * . - Parece que não - disse . - Que diabo , qual a vantagem de ser uma nódoa entre os feiticeiros se nem_sequer te pagam bem por isso ? Mr._Weasley corou mais ainda do_que Ron ou Ginny . - Nós temos uma opinião diferente sobre quem são as nódoas entre os feiticeiros - disse . - É claro que ... - disse Mr._Malfoy , os olhos mortiços passando para Mr. e Mrs._Granger apreensivamente . - As companhias com quem tu andas ... e eu que pensava que já não conseguias descer mais baixo ... Ouviu se um tilintar de metal quando o caldeirão de a Ginny foi por os ares . Mr._Weasley lançara se sobre Mr._Malfoy atirando o para dentro_de uma estante . Dezenas_de livros de feitiços saltaram lá de cima , caindo lhes sobre as cabeças . Houve um grito de - Chega lhe , pai ! - de o Fred e de o George . Mrs._Weasley soltava gritos agudos : - Não_Arthur , não . A multidão recuava deitando mais prateleiras a o chão . - Meus senhores , por favor - gritava o encarregado , e então , mais alto do_que todos : - Parem com isso , gente , parem com isso . Hagrid aproximava se através_de um mar de livros . Em um segundo afastou Mr._Weasley e Mr._Malfoy . Mr._Weasley tinha um lábio cortado e Mr._Malfoy fora agredido em um olho por uma * _ Enciclopédia_de_Cogumelos_Venenosos * . Tinha ainda em a mão o livro velho de a Ginny sobre transfiguração . Atirou lhe o , com os olhos a brilhar de malvadez . - Toma o teu livro , garota . É o melhor que o teu pai pode oferecer te . Libertando se de Hagrid , conduziu Draco para fora e abandonaram a livraria . - Devias tê o ignorado , Arthur - disse Hagrid quase a pegar em Mr._Weasley a o colo enquanto lhe endireitava o manto . - São podres até a a raiz , todos eles . Tod'à gente sabe . Nenhum Malfoy vale a pena ser ouvido . Não prestam , ' tá-lhes em o sangue . Vá lá , vamos sair de aqui . O encarregado parecia querer impedis os , mas , olhando bem para Hagrid , pensou melhor . Subiram a rua , os Grangers a tremer de medo e Mrs._Weasley fora de si . - Um belo exemplo para as crianças ... andar a a pancada em público . O que terá pensado Gilderoy_Lockhart ? - Ele gostou - disse o Fred . - Não o ouviram quando ia a sair ? Estava a perguntar a aquele tipo de o Profeta_Diário se conseguia incluir a briga em a reportagem , disse que era boa publicidade . Mas foi um grupo deprimido que regressou a a lareira de o Caldeirão_Escoante onde Harry , os Weasley e todas_as suas compras iriam viajar de volta até a a Toca , usando o pó de Floo . Despediram se de os Grangers que iam sair de o * pub * por a rua de os Muggles , de o outro lado . Mr._Weasley começou a perguntar lhes como funcionavam as paragens de autocarros , mas calou se rapidamente a o ver a expressão de Mrs._Weasley . Harry tirou os óculos e guardou os cautelosamente em o bolso antes de utilizar o pó de Floo . Definitivamente não era a sua forma ideal de viajar . V_O salgueiro zurzidor O fim de as férias de Verão chegou demasiado depressa para o gosto de Harry . Ele desejara muito regressar a Hogwarts , mas aquele mês em a Toca tinha sido o mais feliz de toda_a sua vida . Era difícil não invejar o Ron quando pensava em os Dursleys e em as boas-vindas que ia receber de a próxima vez que pusesse os pés em Privet_Drive . Em a última noite , Mrs._Weasley preparou um jantar magnífico , que incluía os pratos favoritos de Harry e terminava com um pudim de melaço de fazer crescer água em a boca . Fred e George alegraram a noite com uma exibição de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que saltaram de o tecto para as paredes , durante pelo_menos meia_hora . Depois , foi a altura de tomarem uma caneca de chocolate quente e irem para a cama . Em a manhã seguinte , demoraram muito_tempo a preparar se . Levantaram se com o cantar de o galo , mas parecia lhes que ainda tinham muito para fazer . Mrs._Weasley andava de um lado para o outro , mal-humorada , a a procura de meias e penas , chocavam uns com os outros em as escadas , meio vestidos , meio despidos , com pedaços de torrada em as mãos e Mr._Weasley quase partiu o nariz quando tropeçou em uma galinha a o atravessar o pátio , para meter em o carro a mala de Ginny . Harry não percebia lá muito bem_como é_que oito pessoas , seis grandes malas , duas corujas e um rato , iam caber em um pequeno * _ Ford_Anglia * , isso , claro , antes de as artes mágicas que Mr._Weasley acrescentara . - Nem uma palavra a a Molly - murmurou ele a o Harry , enquanto abria a bagageira e lhe mostrava como ela se expandira para que as malas coubessem facilmente . Quando , por fim , se acomodaram todos em o carro , Mrs._Weasley olhou para o banco de trás , onde Harry , Ron , Fred , George e Percy estavam confortavelmente sentados uns a o lado de os outros e disse : - Os Muggles têm mais conhecimentos do_que aqueles que nós lhes atribuímos , não achas ? - Ela e a Ginny entraram para o lugar de a frente , que fora esticado e parecia um banco de jardim . - Quer_dizer , de_fora ninguém diria que este carro era espaçoso , não acham ? Mr._Weasley pôs o motor a funcionar e saíram de o pátio , Harry voltando se para trás para ver por a última vez a casa . Mal teve tempo de se questionar se iria voltar alguma vez e já estavam de volta : George esquecera se de a caixa de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Cinco minutos mais tarde tiveram de interromper de_novo a viagem e voltar a o pátio para o Fred ir a correr buscar a vassoura . Estavam quase a chegar a a auto-estrada , quando Ginny guinchou que se esquecera de o diário . Mas estava a fazer se muito tarde e os ânimos começavam a exaltar se . Mr._Weasley olhou para o relógio e , em seguida , para a mulher . - Molly , querida ... - Não , Arthur . - Ninguém ia ver . Este botãozinho é um transformador de invisibilidade que eu instalei , levava nos por o ar , subíamos acima de as nuvens . Estaríamos lá em dez minutos e ninguém daria por nada ... - Eu disse que não , Arthur . Durante o dia , não . Chegaram a King's_Cross , faltava um quarto para as onze . Mr._Weasley precipitou se em busca de um carrinho de transporte para as malas e correram todos para a estação . Harry apanhara o Expresso_de_Hogwarts em o ano anterior . A parte mais difícil era entrar em a plataforma nove_e_três quartos , que não era visível a os olhos de os Muggles . Era preciso avançar para a barreira sólida que dividia as plataformas nove e dez . Não doía nada , mas tinha de ser feito com cuidado para que nenhum de os Muggles de esse , por o desaparecimento . - O Percy em primeiro lugar - declarou Mrs._Weasley , olhando nervosamente para o relógio lá em cima , que mostrava que tinham apenas cinco minutos para desaparecer através de a barreira . Percy avançou a passos largos e desapareceu . Mr._Weasley foi a seguir e depois de ele Fred e George . - Eu levo a Ginny e vocês vêm atrás_de nós - disse Mrs._Weasley a o Harry e a o Ron , agarrando Ginny pela mão e seguindo em frente . Em um abrir e fechar de olhos , tinham passado . - Vamos passar juntos , só temos um minuto - disse Ron a o Harry . Harry assegurou se de que a gaiola de a Hedwig estava bem fixa em cima de a sua mala e empurrou o carrinho de encontro a a barreira . Estava perfeitamente confiante , aquilo era muito mais fácil do_que usar o pó de Floo . Puseram os dois as mãos em o puxador de os carrinhos e avançaram direitos a a barreira , ganhando velocidade . A um metro e pouco , começaram a correr e ... CRASH . Os dois carros bateram em a barreira e foram impelidos para trás . A mala de o Ron caiu com um enorme estrépito . Harry desequilibrou se e a gaiola de a Hedwig foi parar a o chão brilhante , enquanto ela rolava guinchando , indignada . As pessoas em volta olhavam fixamente e um guarda que estava ali perto gritou : - Que diabo pensam vocês que estão a fazer ? - Perdemos o controlo de o carro de transporte - respondeu o Harry , respirando com dificuldade , agarrando se a as costelas , enquanto se punha de pé . Ron correu a agarrar a Hedwig , que estava a fazer uma cena tal , que já se ouviam murmúrios em a multidão sobre a crueldade para com os animais . - Porque é_que não conseguimos passar ? - perguntou Harry a o Ron em um sussurro . - Não sei . Ron olhou descontroladamente em volta . Uma_dúzia de curiosos estavam ainda a observá os . - Vamos perder o comboio - murmurou o Ron . - Não compreendo porque motivo a cancela se fechou . Harry olhou para o relógio gigantesco com um sentimento de náusea em a boca de o estômago . Dez segundos , nove segundos ... Dirigiu o carrinho de transporte para a frente com toda_a força . O metal manteve se sólido . Três segundos ... dois segundos ... um segundo ... - Partiu - afirmou o Ron , que parecia estonteado . - O comboio foi se embora . E se a mãe e o pai não conseguem voltar para aqui ? Tens algum dinheiro de Muggle ? Harry deu uma gargalhada . - Os Dursleys não me dão um tostão há mais de seis anos ! Ron encostou o ouvido a a barreira . - Não se ouve nada - disse , bastante tenso . - O que vamos nós fazer ? Não sei quanto tempo o pai e a mãe vão demorar . Olharam em volta . As pessoas ainda estavam a observá os , principalmente devido a os contínuos guinchos de a Hedwig . - Acho que o melhor é sairmos de aqui e esperamos por eles junto de o carro - disse Harry . - Aqui estamos a atrair demasiado as aten ... - Harry - disse o Ron , com os olhos a brilhar . - É isso , o carro . - O que é_que tem ? - Podemos voar nele até Hogwarts ! - Mas eu pensei ... - Estamos em apuros , certo ? E temos de chegar a a escola , ou não ? E mesmo os feiticeiros menores de idade estão autorizados a usar a magia em uma emergência real , parágrafo dezanove , ou não sei quê , de a Restrição de ... O sentimento de pânico de Harry transformou se em entusiasmo . - E tu sabes voar nele ? - Não há problema - disse o Ron , andando com o carrinho a a volta e dirigindo se para a saída . - Anda de aí . Se em os apressarmos , conseguiremos sair atrás de o Expresso_de_Hogwarts . E afastaram se de o grupo de Muggles curiosos , abandonando a estação e voltando a a rua , onde o velho * _ Ford_Anglia * se encontrava estacionado . Ron abriu a bagageira com uma série de toques de varinha . Meteram lá dentro as malas , puseram a Hedwig em o assento de trás e entraram para a frente . - Verifica se ninguém está a ver - disse o Ron , ligando a ignição com outro toque de varinha . Harry pôs a cabeça fora de a janela : o trânsito enchia a avenida principal , mas a rua de eles estava vazia . - O. _ K. - disse . Ron carregou em um pequeno botão de o painel . Os carros em volta desapareceram assim_como eles . Harry sentia o assento a vibrar debaixo_de si , ouvia o motor , sentia as mãos sobre os joelhos e os óculos em o nariz , mas , tanto quanto conseguia ver , tornara se um par de olhos redondos flutuando um metro e pouco acima de o chão em uma rua suja , cheia de carros estacionados . - Vamos - disse a voz de o Ron , vinda de o seu lado direito . O chão e os prédios escuros de ambos os lados desapareceram de o seu ângulo de visão , mal o carro se elevou . Em poucos segundos toda_a cidade de Londres , enevoada e resplandecente , estava por baixo de eles . Em seguida , ouviu se um ruído que parecia o saltar de uma rolha e o carro , Harry e Ron , reapareceram . - Oh , oh - disse Ron , batendo em o intensificador de invisibilidade . - Está avariado ... Começaram os dois a bater em o botão . O carro desapareceu . Depois surgiu de forma intermitente . - Aguenta aí - gritou o Ron e carregou com o pé em o acelerador . Saltaram direitinhos para o meio de as nuvens mais baixas e tudo ficou sujo e enevoado . - E agora ? - exclamou Harry , piscando os olhos a a sólida massa de nuvens que os comprimia de todos os lados . - Precisamos de avistar o comboio para sabermos qual a direcção a tomar - explicou o Ron . - Desce rapidamente ... Desceram por o meio de as nuvens e voltaram se em os lugares , espreitando . - Estou a vê o - gritou Harry . - Mesmo em frente , ali . O Expresso_de_Hogwarts deslocava se a grande velocidade lá em baixo , como uma serpente vermelha . - Para Norte - disse o Ron , verificando a bússola de o painel . - O. _ k . , basta que verifiquemos de meia em meia_hora . Aguenta aí ... - e arrancaram por o meio de as nuvens . Em o minuto seguinte , tinham chegado a a luz brilhante de o Sol . Era um mundo diferente . Os pneus de o carro deslizavam sobre o mar de nuvens macias , o céu era de um azul infinito sob a luz , capaz de cegar , que irradiava de o Sol . - Agora só temos de nos preocupar com os aviões - disse o Ron . Olharam um para o outro e desataram a rir . Durante muito_tempo não conseguiram parar . Era como_se tivessem mergulhado em um sonho fabuloso . Aquela , pensou Harry , era certamente a única maneira de viajar : passando por turbilhões e torres de nuvens cor de neve , em um carro cheio de calor , o sol radioso , com um grande pacote de rebuçados em o porta-luvas e antegozando o ar de inveja de o Fred e de o George quando aterrassem suavemente e de forma espectacular em o relvado macio em frente de o castelo de Hogwarts . Espreitaram várias vezes o comboio enquanto voavam cada_vez_mais para norte . Cada descida entre as nuvens dava lhes uma perspectiva diferente . Londres depressa ficou para trás , substituída por campos verdejantes que , por sua vez , deram lugar a grandes pântanos arroxeados , aldeias com pequenas igrejas de brinquedo e uma grande cidade , cheia de vida , com carros que pareciam formigas multicores . Várias horas mais tarde sem acontecer nada de_novo , Harry teve de admitir que uma parte de o entusiasmo se esgotara . Os rebuçados tinham nos deixado cheios de sede e não havia nada para beber . Ele e o Ron tinham tirado as camisolas , mas a * _ T-shirt * de o Harry estava colada a as costas de o assento e os óculos não paravam de lhe escorregar para a ponta de o nariz . Deixara de reparar em as fabulosas formas de as nuvens e pensava com saudade em o comboio , milhas abaixo de eles , onde se podia comprar sumo fresquinho de abóboras em um carro empurrado por uma bruxa gordinha . Porque não teriam conseguido entrar em a plataforma nove_e_três quartos ? - Não pode ser muito mais longe , pois não ? - resmungou o Ron , horas mais tarde quando o Sol começava a enfiar se em o seu chão de nuvens , pintando as de um rosa profundo . - Estás pronto para outra espreitadela a o comboio ? Ainda ia mesmo por baixo de eles , abrindo caminho por_entre uma montanha com o topo coberto de neve . Estava muito mais escuro entre o dossel de nuvens . Ron pôs o pé em o acelerador e levou os de_novo para_cima , mas em esse momento o motor começou a chiar . Harry e Ron trocaram entre si olhares nervosos . - Deve estar só cansado - disse o Ron . - Nunca tinha vindo tão longe ... - E fingiram ambos que não davam por o gemido que se ia tornando maior à_medida_que o céu serenamente escurecia . As estrelas desabrochavam em a escuridão , Harry voltou a enfiar a camisola de lã , tentando ignorar os limpa pára-brisas que acenavam debilmente como_que a protestar . - Não devemos estar longe - disse Ron , dirigindo se mais a o carro do_que a o amigo . - Já não devemos estar longe - deu umas palmadinhas nervosas em o * tablier * . Pouco depois , quando voltaram a voar em o meio de as nuvens , tiveram de olhar de lado em a escuridão , em busca de um ponto de referência que conhecessem . - Ali - gritou Harry , fazendo o Ron e a Hedwig darem um salto . - Mesmo em frente . Recortados em o horizonte negro , sobre o rochedo de o outro lado de o lago , erguiam se as torres e torreões de o castelo de Hogwarts . Mas o carro tinha começado a estremecer e perdia a os poucos velocidade . - Vá lá - disse o Ron , dando a o volante um pequeno abanão bajulador . - Estamos quase a chegar , vá lá ... O motor gemeu . Pequenos jactos de vapor de água brotaram de o capo . Harry deu consigo agarrado com toda_a força a os bordos de o assento enquanto voavam direitos a o lago . O carro deu um solavanco feio . Espreitando por a janela , Harry viu a superfície negra , macia e espelhada de a água cerca de uma milha abaixo de eles . Os dedos de o Ron agarrados a o volante tinham as articulações brancas . O carro deu um novo esticão . - Vá lá - murmurou o Ron . Estavam sobre o lago ... o castelo ficava mesmo em frente . Ron fez força com o pé . Houve um ruído surdo , uma crepitação e o motor morreu por completo . - Oh ! oh ! - gemeu Ron em o silêncio . O nariz de o carro voltou se para baixo . Estavam a cair , ganhando velocidade em direcção a os muros sólidos de o castelo . - Naaaaão ! - gritou o Ron , girando o volante . Escaparam a a muralha de pedra negra por centímetros , quando o carro fez um grande arco , planando primeiro sobre as estufas , depois sobre o rectângulo plantado com vegetais e , por fim , sobre os relvados , perdendo sempre velocidade . Ron largou o volante por completo e tirou a varinha de o bolso de trás . - __ pára ! __ pára ! - gritou , batendo em o * tablier * e em o pára-brisas , mas eles continuavam a mergulhar , o chão a voar em direcção a eles . - : __ cuidado com essa __ árvore ! ! ! - bramiu Harry , deitando a mão a o volante , mas ... tarde de mais ... CRUNCH . Com um ruído ensurdecedor de metal e madeira , bateram em o tronco espesso de a árvore e caíram em o chão com um forte solavanco . O vapor era um mar debaixo de o capo amachucado . A Hedwig tremia apavorada . Em a cabeça de Harry surgira um alto de o tamanho de uma bola de golfe , quando ele batera em o pára-brisas , tombando em seguida para a direita . Ron soltou um gemido longo e desesperado . - Estás O. _ K ? - perguntou Harry , aflito . - A minha varinha - disse o Ron em uma voz trémula . - Olha para a minha varinha . Tinha se partido praticamente em duas , a ponta balouçava mole , presa por meia_dúzia de esquírolas . Harry abriu a boca para dizer que em a escola com certeza conseguiriam consertá a , mas nem chegou a começar a frase . Em esse preciso momento , algo bateu em o seu lado de o carro , com a força de um touro , projectando o para_cima de o Ron , ao_mesmo_tempo que um golpe igualmente forte se sentiu em o capô . - O que está a acontec ... Ron arfou , olhando fixamente por o pára-brisas e Harry olhou em volta , mesmo a_tempo_de ver uma ramada espessa como uma píton vir contra o vidro . A árvore em que tinham batido estava a atacá os . O tronco dobrara se quase a meio e os seus galhos rugosos davam uma tareia a cada centímetro de o carro que conseguiam atingir . - Ah ! - praguejou o Ron , quando outra pernada retorcida esmurrou a sua porta , amolgando a . O pára-brisas tremia agora sob uma saraivada de golpes vindos de galhos que pareciam patas de animais e uma ramada espessa como um aríete esmagava furiosamente o capo , que parecia estar a ceder ... - Corre ! - gritou o Ron , lançando o seu peso contra a porta , mas , em o momento seguinte , tinha sido atirado para trás , para o colo de Harry por um soco maldoso , dado de baixo para_cima , por outro ramo . - Estamos feitos ! - resmungou , enquanto o tecto descaía . Mas , de repente , o chão de o carro estava a vibrar , o motor pegara . - Marcha atrás - gritou o Harry e o carro deu um salto para trás . A árvore tentava ainda agredis os , ouviam as raízes chiar , enquanto quase se partiam esticando se para os alcançar . - Escapámos por_pouco ! - exclamou o Ron . - Muito bem , carro . Mas o carro tinha atingido o limite de as suas forças . Com dois estalidos , as portas abriram se e Harry sentiu o seu assento inclinar se para o lado . Quando deu por si , estava estatelado em o chão húmido . Ruídos surdos avisaram o de que o carro estava a ejectar as malas de a bagageira . A gaiola de a Hedwig voou por os ares e abriu se . Ela saiu a voar com um pio furioso e dirigiu se a o castelo , sem sequer olhar para trás . Em seguida , o carro , amolgado , arranhado e a fumegar , arrancou em o escuro , com os faróis traseiros ardendo de fúria . - Volta aqui ! - gritou o Ron , brandindo a varinha partida . - O meu pai mata me . Mas o carro desapareceu a perder de vista , com um último estoiro de o tubo de escape . - Já viste bem o nosso azar ! ? - exclamou o Ron em o meio de a sua infelicidade , baixando se para apanhar o rato Scabbers . - De todas_as árvores em que podíamos ter batido , tínhamos de ir dar a uma que bate também . Olhou por cima de o ombro para a velha árvore que ainda agitava os ramos ameaçadoramente . - Vamos - disse Harry , fatigado . - É melhor irmos andando para a escola ... Não foi , de modo algum , a chegada triunfal que tinham imaginado . Constrangidos , cheios de frio e magoados , pegaram em as malas e começaram a arrastá as por o relvado acima , em direcção a as grandes portadas de carvalho . - Acho que o banquete já começou - disse o Ron , largando a mala em os degraus de a entrada e atravessando devagarinho para espreitar por uma janela iluminada . - Harry , anda ver , é a distribuição . Harry apressou se e os dois , ele e o Ron , espreitaram para o Salão_Nobre . Um número infindável de velas pairava em o ar , sobre quatro mesas enormes cheias de gente , fazendo brilhar os pratos dourados e as taças . Em cima , o tecto encantado que espelhava o céu lá de_fora , brilhava cheio de estrelas . Por_entre a floresta de chapéus pretos pontiagudos de Hogwarts , Harry viu uma longa fila de alunos de o primeiro ano com olhares assustados que enchia o vestíbulo . Ginny estava entre eles , facilmente reconhecível devido a o seu chamativo cabelo Weasley . Enquanto isso , a professora Mc_Gonagall , uma bruxa de óculos com cabelo castanho apanhado em um carrapito , colocava o famoso chapéu seleccionador em um banco que se encontrava em frente de os novos alunos . Todos os anos , aquele velho chapéu , remendado , puído e cheio de pó , seleccionava alunos para as quatro equipas de Hogwarts ( Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin ) . Harry lembrava se bem de o ter colocado em a cabeça , precisamente um ano antes , e ter esperado petrificado por a sua decisão , enquanto ele lhe murmurava a o ouvido . Durante alguns horríveis segundos receara que o chapéu o mandasse para os Slytherin , a equipa que produzia maior número de feiticeiros e feiticeiras de magia negra , mas acabara por ficar em os Gryffindor , juntamente com Ron e Hermione e o resto de os Weasley . Em o último período , Harry e Ron tinham ajudado os Gryffindor a vencer o campeonato de a equipa , batendo os Slytherin pela_primeira_vez em sete anos . Um rapazito baixinho com cabelo de rato acabava de ser chamado para pôr o chapéu em a cabeça . Os olhos de Harry saltavam de ele para o lugar onde o professor Dumbledore , o director , estava sentado , observando a selecção de a mesa de os professores , com a sua longa barba cor de prata e óculos de meia-lua que brilhavam a a luz de as velas . Alguns lugares a a frente , Harry viu Gilderoy_Lockhart com um manto verde-azulado . E lá bem a o fundo estava Hagrid , enorme e cabeludo , bebendo satisfeito de a sua taça . - Espera aí - murmurou a o Ron . - Há um lugar vazio em a mesa de os professores . Onde estará o Snape ? Severus_Snape era o professor de quem Harry menos gostava . Harry era também o seu aluno menos querido . Cruel , sarcástico e detestado por todos com excepção de os alunos de a sua própria equipa ( Slytherin ) , Snape tinha a seu cargo a cadeira de Poções . - Talvez esteja doente - sugeriu Ron , cheio de esperança . - Talvez se tenha ido embora - lembrou Harry . - Por não lhe terem dado outra_vez a Defesa contra as artes negras . - Ou talvez tenha sido corrido - propôs Ron com entusiasmo . - Afinal , toda_a_gente o detesta ... - Ou talvez - disse uma voz gelada atrás de eles - esteja a a espera que vocês lhe expliquem por_que motivo não vieram em o comboio de a escola . Harry deu uma volta . Em a sua frente , com o manto negro a ondular em uma brisa fria , estava Severus_Snape . O professor era um homem magro , de pele descorada , nariz adunco e um cabelo preto oleoso que lhe caía sobre os ombros . E em aquele momento sorria de um modo tal que Harry sentiu que tanto ele como Ron estavam em sérios apuros . - Sigam me - disse Snape . Sem ousarem sequer olhar um para o outro , Harry e Ron seguiram Snape por as escadas até a o amplo * hall * de entrada que estava iluminado por as chamas de os archotes . De o salão nobre vinha um cheirinho delicioso a comida , mas Snape levou os para longe de a luz e de o calor , em direcção a uma escada estreita de pedra que conduzia a os calabouços . - Entrem - ordenou , abrindo uma porta a meio de o corredor e apontando . Entraram a tremer em o escritório de Snape . As paredes sombrias estavam cobertas de prateleiras cheias de jarros de vidro grosso onde flutuavam as coisas mais diversas e repugnantes , cujo nome Harry não queria de momento conhecer . A lareira estava escura e vazia . Snape fechou a porta e voltou se de frente para eles . - Com que então - disse com falsa suavidade - o comboio não serve para o famoso Harry_Potter e o seu fiel companheiro Weasley . Queriam chegar em grande estilo , não era rapazes ? - Não senhor , foi a barreira em King's_Cross , ela ... - Silêncio - disse Snape friamente . -- _ o que fizeram a o carro ? Ron engoliu em seco . Aquela não era a primeira vez que Snape dava a Harry a impressão de ser capaz de ler pensamentos . Mas , pouco depois , compreendeu tudo quando Snape desenrolou o exemplar de o Profeta_Vespertino . - Vocês foram vistos - afirmou , mostrando lhes o cabeçalho : : __ ford anglia voador confunde __ muggles . Começou a ler alto a notícia . - Dois Muggles em Londres convenceram se de que tinham visto um carro velho a voar sobre a torre de os correios ... a a tardinha em Norfolk , Mrs._Hetty_Bayliss , enquanto pendurava a roupa ... Mr._Angus_Fleet_de_Peebles informou a polícia ... seis ou sete Muggles a o todo . Julgo que o teu pai trabalha em o departamento de mau uso dado a os objectos de os Muggles ? - disse olhando para Ron e sorrindo de uma forma ainda mais sarcástica . - Que peninha , o próprio filho ... Harry sentiu se como_se tivesse levado um soco em o estômago de uma de as maiores pernadas de a árvore louca . E se alguém descobrisse que Mr._Weasley tinha enfeitiçado o carro ? Ele ainda nem tinha pensado em isso . - Reparei durante a minha volta por o jardim que foi feito um estrago considerável em um salgueiro zurzidor extremamente valioso - continuou Snape . - Essa árvore fez nos pior a nós do_que nós ... - deixou escapar Ron . - Silêncio - interrompeu Snape , de_novo . - Infelizmente vocês não fazem parte de a minha equipa e a decisão de vos expulsar não está em as minhas mãos . Vou , por isso , buscar as pessoas que possuem essa feliz possibilidade . Esperem aqui . Harry e Ron olharam , pálidos , um para o outro . Harry perdera a fome . Sentia se agora extremamente agoniado . Tentava não olhar para uma coisa viscosa , suspensa em um líquido verde que estava em uma prateleira por detrás de a secretária de Snape . Se ele fora buscar a professora Mc_Gonagall , chefe de a equipa de os Gryffindor , não estavam muito melhor . Ela era mais justa do_que Snape , mas extremamente severa . Dez minutos mais tarde , Snape voltou e era , de facto , a professora Mc_Gonagall quem o acompanhava . Harry vira a professora Mc_Gonagall zangada , mas , ou se tinha esquecido de como a boca de ela ficava fina , ou nunca a vira tão zangada como em aquele dia . Levantou a varinha em o momento em que entrou . Harry e Ron estremeceram , mas ela limitou se a apontá a para a lareira onde as chamas se elevaram subitamente . - Sentem se - ordenou , e os dois recuaram para as cadeiras junto de o lume . - Expliquem se - disse com os óculos a brilhar de uma forma ameaçadora . Ron enveredou por a história começando por a barreira de a estação que se recusara a deixá os passar . - Por isso não tínhamos escolha , professora , não podíamos chegar a o comboio . - Porque não nos mandaram uma carta por a coruja ? Julgo que tens uma coruja ? - disse friamente a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a Harry . Harry olhou para ela sem saber o que dizer . - Parece me - continuou ela - que seria a coisa mais adequada . - Eu ... não pensei ... - Isso - disse a professora Mc_Gonagall - é bastante óbvio . Ouviu se bater a a porta de o escritório e Snape , que parecia agora mais feliz do_que nunca , foi abrir . Era o director , o professor Dumbledore . Harry ficou totalmente paralisado . Dumbledore tinha uma expressão grave . Olhou para eles de cima de o seu nariz adunco e Harry desejou estar ainda com Ron a levar uma sova de o salgueiro zurzidor . Fez se um longo silêncio . Em seguida , Dumbledore disse lhes : - Por favor , expliquem porque fizeram isto . Teria sido melhor se gritasse . Harry detestou sentir a decepção em a sua voz . Inexplicavelmente era incapaz de olhar Dumbledore em os olhos e falou em direcção a os seus joelhos . Disse lhe tudo excepto que o carro enfeitiçado pertencia a Mr._Weasley , dando a ideia de que ele e o Ron o tinham encontrado estacionado fora de a estação . Sabia que Dumbledore ia ver para_além de isso , mas o director não fez perguntas sobre o carro . Quando Harry terminou continuou a olhar para ele através de os seus óculos . - Nós vamos buscar as nossas coisas - disse Ron em um tom de voz sem esperança . - Que disparate é esse ? - rosnou a professora Mc_Gonagall . -- Então , vão expulsar nos , não vão ? - disse o Ron . Harry olhou rapidamente para Dumbledore . - Ainda não , Mr._Weasley - afirmou Dumbledore . - Mas vou assinalar a gravidade do_que vocês fizeram . Hoje a a noite escreverei a as vossas famílias . Estão também prevenidos que se voltarem a fazer uma coisa como esta não terei outro remédio senão expulsar vos . A expressão de Snape era como_se o Natal tivesse sido cancelado . Pigarreou e disse : - Professor_Dumbledore , estes rapazes infringiram o decreto para a restrição de a feitiçaria de os menores , causaram estragos consideráveis a uma árvore antiga e valiosa ... sem dúvida , actos de esta natureza ... - Cabe a a professora Mc_Gonagall decidir sobre os castigos de os rapazes , Severus - afirmou Dumbledore com toda_a calma . - Pertencem a a equipa de ela e são , portanto , de a sua responsabilidade . - Voltou se para a professora Mc_Gonagall . - Tenho de regressar a o banquete , Minerva , devo dar algumas informações . Venha Severus , há uma tarte de leite e ovos com um aspecto delicioso que quero mostrar lhe . Snape lançou um olhar de puro veneno a o Harry e a o Ron enquanto permitia que o afastassem de o seu escritório , deixando os a sós com a professora Mc_Gonagall que ainda os olhava como uma águia em fúria . - É melhor ires até a a ala hospitalar , Weasley , estás a sangrar . - Não é nada - disse Ron , limpando o corte com a manga para que ela o visse . - Professora , eu gostava de ver a minha irmã ser seleccionada . - A cerimónia de a selecção terminou - disse a professora Mc_Gonagall . - A tua irmã está também em os Gryffindor . - _ óptimo - exclamou Ron . - E por falar em os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall de forma cortante , mas Harry interrompeu a : - Professora , quando tirámos o carro , o ano escolar ainda não tinha começado , por isso os Gryffindor não deveriam perder pontos , pois não ? - terminou olhando a ansiosamente . A professora Mc_Gonagall lançou lhe um olhar penetrante , mas ele era capaz de jurar que ela quase tinha sorrido . Pelo_menos a boca não parecia tão fina . - Não vou tirar pontos a os Gryffindor - tranquilizou o . E o coração de Harry ficou mais leve . - Mas vocês os dois vão ter um castigo . Foi melhor do_que Harry imaginara . O facto de Dumbledore escrever a os Dursley não tinha a menor importância . Harry sabia perfeitamente que eles só lamentariam que o salgueiro zurzidor não o tivesse esmigalhado . A professora Mc_Gonagall ergueu a varinha de_novo apontou a a a secretária de Snape . Um grande prato de sanduíches , duas taças de prata e um jarro com sumo de abóbora gelado apareceram em menos_de um segundo . - Vocês vão comer aqui e , em seguida , vão direitinhos para o vosso dormitório - disse . - Eu também tenho de voltar para a festa . Mal a porta se fechou atrás de ela , Ron soltou baixinho um assobio . - Pensei que estávamos feitos - confessou , agarrando uma sanduíche . - Também eu - disse o Harry , orando também uma . - Mas já viste bem a nossa pouca sorte ? - insistiu o Ron com a boca cheia de frango e fiambre . - O Fred e o George voaram em aquele carro cinco ou seis vezes e nenhum Muggle os viu - engoliu outro pedaço enorme de a sanduíche . - Porque será que não conseguimos passar a barreira ? Harry encolheu os ombros . - Mas temos de ter muito cuidado a_partir_de agora - disse bebendo um grande trago de sumo de abóbora . - Que pena não termos podido ir a o banquete . - Ela não quis que nos exibíssemos - afirmou Ron com prudência . - Não vão as pessoas pensar que é uma boa chegar aqui de carro voador . Quando já tinham comido todas_as sanduíches que queriam ( o prato ia voltando a encher se sozinho ) , levantaram se e saíram de o escritório , seguindo o caminho que lhes era familiar , para a torre de os Gryffindor . O castelo estava em silêncio . Parecia que o banquete tinha acabado . Passaram por retratos murmurantes e armaduras que gemiam e subiram os degraus estreitos de pedra até que , por fim , chegaram a a passagem onde a entrada secreta para a torre de os Gryffindor se encontrava oculta por detrás de o quadro a óleo de uma dama gorda em um vestido cor-de-rosa . - A senha ? - perguntou ela mal os dois se aproximaram . - Er ... Eles ainda não tinham estado com o prefeito de os Gryffindor e por isso ainda não conheciam a senha para o novo ano , mas a ajuda não se fez esperar . Ouviram passos apressados atrás de eles e quando se voltaram viram Hermione que se aproximava . - Aí estão vocês . Onde é_que se meteram ? Correm os boatos mais ridículos , alguém disse que vocês tinham sido expulsos por espatifarem um carro voador . - Bem , expulsos não fomos - tranquilizou a Harry . - Não estás a dizer me que voaram até aqui ? - perguntou Hermione em um tom quase tão severo como a professora Mc_Gonagall . - Dispensa se o sermão - interrompeu Ron impacientemente . - E diz nos a nova senha de passagem . - É crista de pássaro - disse Hermione não contendo a impaciência . - Mas o mais importante não é isso ... Contudo as palavras de ela foram interrompidas ao_mesmo_tempo que o retrato de a dama gorda se abria e se ouvia uma tempestade de aplausos . A o que parecia a equipa de os Gryffindor estava ainda acordada , dentro de a sala comum em forma de círculo , junto de as mesas assimétricas e de os cadeirões moles a a espera que eles chegassem para , de braços estendidos através de o buraco de o retrato , puxarem Harry e Ron para dentro deixando Hermione para o fim . - Sensacional - gritou Lee_Jordan . - Inspirado ! Que entrada ! Voar em um carro e aterrar em o salgueiro zurzidor . Toda_a_gente vai falar de isto durante anos e anos . - Muito bem - disse um aluno de o quinto ano com quem Harry nunca tinha falado . Alguém dava lhe palmadas em as costas como_se ele acabasse de vencer a maratona . Fred e George abriram caminho por_entre a multidão e disseram ao_mesmo_tempo : - Por_que é_que não nos chamaram , hein ? - Ron estava vermelho como um pimentão , sorrindo envergonhado , mas Harry via perfeitamente uma pessoa que não estava nada contente . Percy elevava se acima de as cabeças de os excitados alunos de o primeiro ano e parecia estar a tentar aproximar se para os repreender . Harry deu uma cotovelada a o Ron e apontou em direcção a Percy . Ron percebeu de imediato . - Temos de ir para_cima , um_pouco cansados ! - explicou e os dois começaram a abrir caminho em direcção a a porta que ficava de o outro lado de a sala e que dava para a escada em espiral e para os dormitórios . - ` _ Noite - despediu se Harry_de_Hermione que tinha um ar tão carrancudo como Percy . Conseguiram chegar a o outro lado de a sala comum sempre a levarem palmadas em as costas e alcançaram o sossego de as escadas . Apressaram se a subir e , por fim , chegaram a a porta de o dormitório que tinha agora um letreiro a dizer « Segundos_Anos » . Entraram em o quarto circular , que conheciam tão bem , com as suas cinco camas de dossel adornadas de velado vermelho e as suas janelas altas e estreitas . As malas tinham sido trazidas para_cima e colocadas a os pés de as camas . Ron fez um sorriso culpado . - Sei que não devia ter gostado de aquilo , mas ... A porta de o dormitório abriu se e os outros rapazes de os Gryffindor entraram ; eram eles o Seamus_Finnigan , o Dean_Thomas e o Neville_Loogbottom . - Inacreditável - aplaudiu Seamus . - Incrível - aprovou o Dean . - Espantoso - exclamou o Neville , aterrado . Harry não pôde evitar também um sorriso . VI_Gilderoy_Lockhart_No dia seguinte , contudo , Harry não conseguiu sorrir . As coisas começaram a correr mal logo em o salão durante o pequeno-almoço . Debaixo de o tecto encantado ( em aquele dia triste e cinzento ) estavam as quatro grandes mesas de as equipas e sobre elas , terrinas de papa de aveia , pratos de arenque defumado , montanhas de torradas e pratadas de ovos com * bacon * . Harry e Ron sentaram se em a mesa de os Gryffindor , junto de Hermione que tinha o seu exemplar de * _ Viagens com Vampiros * totalmente aberto , encostado a um jarro de leite . Havia uma certa rigidez em a maneira como ela disse : - ` _ Dia - que mostrou a Harry que continuava a desaprovar o modo como tinham chegado a a escola . Por seu turno , Neville_Longbottom saudou os entusiasticamente . Neville era um rapazinho de cara redonda , muito dado a acidentes , com a pior memória que Harry tinha conhecido . - A entrega de correio deve estar a chegar , acho que a minha avó me vai mandar umas quantas coisas de que me esqueci ... Harry tinha começado a comer as papas de aveia , quando se ouviu um ruído tumultuoso em o ar e umas cem corujas entraram ao_mesmo_tempo , sobrevoando o salão e deixando cair cartas e pacotes em o meio de a multidão faladora . Um embrulho grande e rugoso caiu em a cabeça de Neville e , um segundo depois , uma coisa larga e cinzenta caiu em o jarro de a Hermione , enchendo os a todos de leite e penas . - Errol - gritou o Ron , puxando a coruja esfarrapada por as patas . Errol caíra inconsciente sobre a mesa com as pernas para o ar e um envelope vermelho húmido em o bico . - Oh , não ! - sobressaltou se Ron . - Ela está bem , ainda está viva - tranquilizou o Hermione , tocando suavemente em a Errol com a ponta de o dedo . - Não é isso , é ... aquilo . Ron apontava para o envelope vermelho . Parecera perfeitamente vulgar a Harry , mas Ron e Neville estavam ambos a observá o como_se esperassem que explodisse . - Qual é o problema ? - perguntou Harry . - Ela . Ela mandou me um * gritador * - disse Ron , quase sem voz . - É melhor abrires - aconselhou Neville em um murmúrio tímido - senão é pior . A minha avó uma_vez mandou me um que eu ignorei e ... - engoliu em seco - foi horrível . Harry olhava , ora para as suas caras , ora para o envelope vermelho . - O que é um * gritador * ? - perguntou . - Mas toda_a atenção de o Ron estava fixa em a carta que começara a fumegar por os cantos . - Abre a - intimou o Neville . - De aqui a poucos minutos já passou tudo . Ron estendeu uma mão trémula , retirou o envelope de o bico de a Errol e começou a abri o . Neville pôs os dedos em os ouvidos . Após uma fracção de segundo , Harry compreendeu porquê . Pensou em o primeiro momento que ela explodira . Um ruído ensurdecedor encheu o enorme salão , fazendo cair pó de o tecto . - ... : __ roubar o carro ! não me surpreendia nada se te expulsassem . espera só até te pôr as mãos em cima . será que não paraste para pensar em a nossa aflição quando vimos que o carro tinha __ desaparecido ... Os gritos de Mrs._Weasley , ampliados cem vezes em relação a o seu normal , fizeram os pratos e as colheres chocalhar em a mesa e ecoaram de forma ensurdecedora em as paredes de pedra . Vinha gente de todos os lados espreitar quem tinha recebido o * gritador * e Ron afundou se tanto em a cadeira que só se lhe via a testa carmesim . - ... : __ uma carta de o dumbledore ontem a a noite , o teu pai quase morria de vergonha . não foi esta a educação que te demos , tu e o harry podiam ter __ morrido ... Harry estava a ver quando é_que o seu nome viria a a baila . Tentou o melhor que pôde agir como_se não ouvisse a voz , mas aquilo estava a fazer com que os tímpanos lhe latejassem . - ... : __ profundamente decepcionada , o teu pai vai ter de se confrontar com um inquérito em o trabalho , tudo por tua culpa e , se pisas mais_uma_vez o risco , trago te para __ casa ! Seguiu se um silêncio ressonante . O envelope vermelho , que caíra de as mãos de o Ron , incendiou se e encaracolou se em cinzas . Harry e Ron estavam sentados de boca aberta , como_se uma onda gigante lhes tivesse passado por cima . Algumas pessoas riam e , a os poucos , o ruído de as conversas recomeçou . Hermione fechou o * _ Viagens com Vampiros * e olhou para o topo de a cabeça de Ron . - Bem , não sei o que esperavas , Ron , mas tu ... - Não me venhas dizer que mereci - interrompeu Ron . Harry afastou as papas de aveia . O estômago ardia lhe de culpa . Mr._Weasley tinha um inquérito em o trabalho , depois de tudo_o_que Mr. e Mrs._Weasley tinham feito por ele durante o Verão ... Mas não teve muito_tempo para se demorar em aqueles pensamentos . A professora Mc_Gonagall circulava em volta de as mesas de os Gryffindor distribuindo horários . Harry pegou em o seu e viu que começavam por ter Herbologia , juntamente com os Hufflepuff . Harry , Ron e Hermione saíram juntos de o castelo , atravessaram as hortas e chegaram a as estufas , onde estavam guardadas as plantas mágicas . O * gritador * tivera pelo_menos uma vantagem : Hermione parecia achar que já tinham sido suficientemente castigados e estava de_novo perfeitamente calorosa . Quando estavam a chegar a as estufas viram o resto de a classe de pé , cá fora , a a espera de a professora Sprout . Harry , Ron e Hermione tinham acabado de se lhes juntar quando a viram aproximar se a passos largos por o relvado , acompanhada de Gilderoy_Lockhart . A professora Sprout era uma bruxa pequenina e atarracada que usava um chapéu a os remendos sobre o cabelo solto . As roupas que vestia estavam sempre cheias de terra e as suas unhas fariam a tia Petúnia desmaiar . Gilderoy_Lockhart , pelo_contrário , tinha um ar imaculado em as suas vestes azul-turquesa , o cabelo doirado a brilhar debaixo_de um chapéu azul-turquesa , com uma fita dourada , perfeitamente posicionado sobre a cabeça . - Olá a todos ! - gritou Lockhart , dirigindo se a o grupo de estudantes . - Estive a mostrar a a professora Sprout a maneira correcta de tratar um salgueiro . Mas não quero que fiquem com a ideia de que sou melhor do_que ela em Herbologia . Acontece que encontrei várias de estas plantas exóticas , durante as minhas viagens .... - Estufa número três hoje , meninos ! - disse a professora Sprout que estava visivelmente descontente , bem diferente de a sua habitual natureza bem-disposta . Houve um murmúrio de interesse . Eles só tinham estado uma_vez em a terceira estufa , que era uma estufa que abrigava plantas bem mais interessantes e perigosas . A professora Sprout tirou uma enorme chave de o cinto e abriu a porta . Harry sentiu o bafo de a terra húmida com adubo misturado e o perfume forte de umas flores gigantescas , de o tamanho de guarda-chuvas , que estavam penduradas de o tecto . Ia seguir Ron e Hermione , quando a mão de o Lockhart o travou . -- Harry ! Tenho querido ter uma palavrinha contigo . Não se importa se ele chegar uns minutos atrasado , pois não , professora Sprout ? A julgar por a expressão carregada de a professora Sprout , importava se sim , mas Lockhart disse : - Então até já - e fechou a porta de a estufa em a cara de ela . - Harry ! - disse Lockhart , com os dentes brancos a brilharem a o sol , enquanto abanava a cabeça . - Harry , Harry , Harry ! Harry , totalmente perplexo , não disse uma palavra . - Quando ouvi dizer , bem , é claro que eu tive muita culpa , deviam castigar me também ... Harry não fazia ideia de que estava ele a falar , quando Lockhart prosseguiu : - Nunca me lembro de ficar tão chocado . Fazer voar um automóvel até Hogwarts ! Bem , é claro que eu percebi logo porque o fizeste . Foi um destaque em grande . Harry , Harry , Harry ! Era notável como ele conseguia mostrar todos aqueles dentes brilhantes , mesmo quando não estava a falar . - Criei te o gosto por a publicidade , não foi ? - perguntou Lockhart . - Passei te o bichinho . Apareceste comigo em a primeira página e não podias esperar para aparecer outra_vez ... - Oh , não , professor , sabe é_que ... - Harry , Harry , Harry - disse Lockhart aproximando se e tocando lhe em o ombro . - * _ Eu compreendo * . É natural querer um_pouco mais quando se lhe tomou o gosto , e eu culpo me por te ter dado esse conhecimento , porque era natural que te subisse a a cabeça , mas vê uma coisa , rapazinho , tu não podes começar a fazer voar carros para tentares ser notícia . Tens de acalmar , está bem ? Tens muito_tempo quando fores mais velho . Sim , sim , eu sei o que estás a pensar ! É fácil para ele falar assim , já é um feiticeiro internacionalmente famoso ! Mas quando eu tinha doze anos era tão zé-ninguém como tu és hoje . Em a verdade , era ainda mais . De ti , já meia_dúzia de pessoas ouviram falar , não é ? Toda aquela história com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . - Olhou para a cicatriz luminosa em a testa de Harry . - Eu sei , eu sei , não é o mesmo_que vencer o Prémio de o sorriso de o feiticeiro de a semana cinco vezes seguidas , como eu venci , mas é um começo , Harry , é um começo . Lançou lhe uma piscadela de olhos cordial e foi se embora . Harry ficou atarantado durante alguns segundos . Depois , lembrando se que deveria estar em a estufa , abriu a porta e esgueirou se lá para dentro . A professora Sprout estava de pé , por_detrás_de uma espécie de mesa em o meio de a estufa . Em cima de a mesa estavam cerca de vinte pares de abafo de ouvidos de diferentes cores . Quando Harry estava já em o seu lugar , entre Ron e Hermione , ela disse : - Hoje vamos transplantar Mandrágoras . Muito bem , quem sabe dizer me as propriedades de a Mandrágora ? Não foi surpresa para ninguém que a mão de a Hermione fosse a primeira em o ar . - A Mandrágora tem um efeito reparador muito poderoso - disse Hermione , com o ar mais normal de este mundo , como_se tivesse engolido o livro de texto . - É usada para fazer voltar as pessoas , que foram transfiguradas ou amaldiçoadas , a o seu estado original . - Excelente . Dez pontos para os Gryffindor ! - exclamou a professora Sprout . - A Mandrágora é parte integrante de a maior parte de os antídotos , mas também é perigosa . Quem sabe dizer me porquê ? A mão de Hermione por_pouco não bateu em os óculos de Harry , quando se ergueu de_novo . - O grito de a Mandrágora é fatal para quem o ouve - disse prontamente . - Precisamente . Dou lhe mais dez pontos - disse a professora Sprout . - Agora vejamos , as Mandrágoras que aqui temos são ainda muito jovens . Enquanto falava , apontou para uma fila de tabuleiros com uma certa profundidade e todos se chegaram a a frente para ver melhor . Cerca de uma centena de plantinhas tufosas de um verde arroxeado cresciam em filas . Pareceram perfeitamente vulgares a Harry , que não fazia a menor ideia do_que Hermione queria dizer com o * grito * de a Mandrágora . - Cada_um de vocês pode tirar um par de abafo de ouvidos - disse a professora Sprout . Houve uma competição renhida porque ninguém queria os cor-de-rosa , cheios de penugem . - Quando eu vos disser para os colocar , assegurem se de que os vossos ouvidos estão completamente tapados - disse a professora Sprout . - Logo_que seja seguro retirá os , eu levanto os dedos . Certo , pôr os abafos de os ouvido . Harry pôs imediatamente os abafos em os ouvidos . Eles fecharam completamente o som . A professora Sprout colocou também um par de abafos cor-de-rosa com penugem em os de ela , arregaçou as mangas de a túnica , agarrou uma de as plantas tufosas e puxou com toda_a força . Harry soltou um grito de surpresa que ninguém ouviu . Em_vez_de raízes , um bebé pequenino , enlameado e extremamente feio , saiu de a terra . As folhas cresciam lhe em o alto de a cabeça , tinha uma pele pintalgada de um pálido esverdeado e estava nitidamente a berrar a plenos pulmões . A professora Sprout tirou debaixo de a mesa um grande vaso de plantas e mergulhou lá dentro a Mandrágora , enterrando a em a mistura escura e húmida , até que só as folhas ficassem visíveis . Em seguida , limpou a terra de as mãos , levantou os dedos e todos eles retiraram os abafos de os ouvidos . - Como as nossas Mandrágoras são muito novas , os seus gritos ainda não matam - disse ela com grande calma , como_se tivesse feito algo tão normal como regar uma begónia . - Contudo , podem pôr vos a dormir durante várias horas e , como com certeza nenhum de vocês quer perder o primeiro dia de aulas , vejam se os abafos estão bem colocados enquanto trabalham . Eu chamarei vos a atenção quando for altura de os retirar . - Quatro em cada fila , há aqui uma grande quantidade de vasos , a mistura de terra está em os sacos ali a o fundo e tenham cuidado com a * _ Venomous_Tentacula * , estão a nascer lhe os dentes . Enquanto falava , deu uma pancada seca a uma planta vermelha escura cheia de pontas eriçadas , fazendo a encolher as longas antenas que tinham estado a avançar lenta e dissimuladamente sobre o seu ombro . A Harry , Ron e Hermione veio juntar se em a fila um rapaz de cabelo encaracolado de os Hufflepuff que Harry conhecia de vista , mas com quem nunca tinha falado . - Justin_Finch - _ Fletchey - disse ele com vivacidade , apertando a mão de o Harry . - Conheço te , claro , o famoso Harry_Potter ... e tu és a Hermione_Granger , sempre a primeira em tudo ( Hermione brilhou em um sorriso , como_se ele lhe tivesse apertado a mão ) e Ron_Weasley . Não era teu o carro voador ? Ron não sorriu . Não lhe saía de a cabeça o * gritador * . - Aquele Lockhart é o_máximo , não acham ? - disse Justin satisfeito , enquanto começavam a encher os vasos com composto de adubo de dragão . - Terrivelmente corajoso . Leram os livros de ele ? Eu teria morrido de medo se um lobisomem me tivesse encurralado em uma cabina telefónica , mas ele manteve se calmo e ... zap ... fantástico ! « Eu estava inscrito em Eton , sabem , não imaginam como estou feliz de ter vindo antes para aqui . É claro que a minha mãe ficou um_pouco desiludida , mas depois de lhe ter dado os livros de Lockhart a ler , tenho a impressão de que ela começou a ver a utilidade de ter um feiticeiro bem treinado em a família ... Depois de isso , não tiveram grandes oportunidades para conversar . Voltaram a pôr os abafos de ouvidos e era preciso concentrarem se em as Mandrágoras . A professora Sprout fizera as coisas parecerem extremamente simples , mas não eram . As Mandrágoras não gostavam de sair de a terra mas também não pareciam querer voltar para lá . Elas contorceram se , deram pontapés , agitaram as mãozinhas finas e rangeram os dentes . Harry levou dez minutos inteirinhos a tentar meter uma Mandrágora particularmente gorda dentro_de um vaso . Em o final de a aula , Harry , como todos os outros , estava a suar , cheio de dores e coberto de terra . Regressaram a o castelo a pé para um banho rápido e , em seguida , os Gryffindor apressaram se para assistir a a aula de transfiguração . As aulas de a professora Mc_Gonagall eram sempre complicadas , mas a de aquele dia era particularmente difícil . Tudo_o_que o Harry aprendera em o ano anterior parecia ter se lhe apagado de a memória durante o Verão . Ele deveria ser capaz de transformar uma barata em um botão , mas , tudo_o_que conseguiu foi fazer a barata praticar um imenso exercício , enquanto corria apressadamente por o tampo de a secretária evitando a varinha . Ron estava a debater se com problemas bastante piores . Tinha atado a varinha com uma fita mágica , mas parecia que não havia reparação possível . Não parava de crepitar e lançar faíscas em os momentos mais estranhos e , sempre_que Ron tentava transfigurar a barata , via se envolvido em um fumo cinzento espesso que cheirava a ovos podres . Incapaz de ver o que estava a fazer , o Ron esmagou , por engano , a barata com o cotovelo e teve de ir pedir que lhe dessem outra , o que deixou a professora Mc_Gonagall muito pouco satisfeita . Harry ficou aliviado quando ouviu tocar a campainha para o almoço . Sentia a cabeça como uma esponja espremida . Todos os alunos saíram em fila de a aula excepto ele e Ron que dava furiosas varadas em a secretária . - Coisa estúpida e inútil . - Escreve a os teus pais a pedir outra - sugeriu Harry , enquanto a varinha disparava com estrondo um foguete explosivo . - Ah pois , e receber outro * gritador * em a volta de o correio - respondeu Ron , metendo a varinha que já assobiava , dentro de o saco . - * _ A culpa é toda tua se a varinha está estragada * ... Desceram para o almoço e aí a disposição de o Ron não iria melhorar com Hermione a mostrar lhe uma mão-cheia de botões de casaco , perfeitinhos , que produzira em a transfiguração . - O que temos esta tarde ? - quis saber Harry , mudando rapidamente de assunto . - Defesa contra as artes negras - disse Hermione , sem perder tempo . - Porque é_que tu ... - perguntou Ron , pegando em o horário de ela - desenhaste corações em volta de as aulas de o Lockhart ? Hermione arrancou lhe o horário de as mãos , corando furiosa . Acabaram de almoçar e foram para o pátio carregado de nuvens . Hermione sentou se em um degrau de pedra e enfiou de_novo o nariz em as * _ Viagens com Vampiros * . Harry e Ron ficaram a falar de Quidditch durante alguns minutos antes de Harry se aperceber de que estava a ser observado de perto . Olhando para_cima viu o rapazinho pequenino com cabelo de rato que ele vira experimentar o chapéu seleccionador em a noite anterior , olhando para ele com uma expressão petrificada . Estava agarrado a o que parecia ser uma vulgar máquina fotográfica de os Muggles e , em o momento em que Harry olhou para ele , ficou todo vermelho . - Tudo bem , Harry ? Eu sou Colin_Creevey - disse , faltando lhe o ar e adiantando se a qualquer pergunta . - Estou em os Gryffindor também . Não te importavas que eu tirasse uma fotografia ? - perguntou , levantando a máquina cheio de expectativa . - Uma fotografia ? - repetiu Harry , inexpressivo . - Para eu provar que te conheci - disse Colin_Creevey cheio de ansiedade , continuando : - Eu sei tudo a teu respeito . Toda_a_gente me tem contado como sobreviveste quando O_Quem nós sabemos tentou matar te , como ele desapareceu depois de isso e como ficaste com a cicatriz em forma de relâmpago em a testa ( os seus olhos procuraram a linha de cabelo de Harry ) e um rapaz de o meu dormitório disse que se eu revelasse o filme em a posição certa ele mexia . - Colin respirou fundo , estremecendo de excitação e disse : - Isto_é fantástico , aqui , não achas ? Eu não sabia que todas_as coisas estranhas que fazia eram magia até a o dia em que recebi uma carta de Hogwarts . O meu pai é leiteiro . Também ele não queria acreditar . Por isso estou a tirar montes de fotografias para lhe mandar e era mesmo bom se tivesse uma tua - parecia implorar . - Talvez o teu amigo pudesse tirá a e assim eu ficava a o teu lado . E depois , podias assiná a ? - Assinar fotografias ? Estás a dar fotos autografadas , Potter ? Alta e mordaz , a voz de Draco_Malfoy ecoou em o pátio . Estava parado mesmo atrás_de Colin , ladeado , como sempre andava em Hogwarts , por os seus fortes guarda-costas Crabbe e Goyle . - Ei gente , façam bicha - gritou Malfoy a a multidão . - Harry_Potter está a dar fotos autografadas ! - Não estou coisa nenhuma - disse Harry , zangado , com os punhos em o ar . - Cala a boca , Malfoy . - Tu tens é inveja - começou a dizer Colin , cujo corpo era de o tamanho de o pescoço de Crabbe . - Inveja - repetiu Malfoy que não precisava de gritar mais , metade de o pátio estava a ouvi o . - De quê ? Não preciso de uma cicatriz em a cabeça , muito obrigado . Não acho que ter um corte em a testa torne alguém especial . Crabbe e Goyle riram estupidamente - Vai pastar caracóis , Malfoy - disse o Ron furioso . Crabbe parou de rir e começou a esfregar os nós de os dedos enormes de uma forma ameaçadora . - Tem cuidado , Weasley - escarneceu Malfoy . - Com certeza não queres começar uma rixa ou a tua mãezinha tem de vir cá para te tirar de a escola - e com uma voz aguda e penetrante : - * _ Se voltas a pisar o risco * ... Um grupo de alunos de o quinto ano de os Slytherin que estava ali perto , riu se bastante alto . - O Weasley gostaria de ter uma foto tua autografada , Potter - escarneceu de_novo Malfoy . - Era capaz de valer mais do_que a casa onde ele mora com a família . Ron sacou de a sua varinha amarrada com fita , mas Hermione fechou as * Viagens com Vampiros * com um estrondo e avisou : - Atenção . - O que é isto , o que é isto ? - Gilderoy_Lockhart aproximava se com o seu manto azul-turquesa girando em torvelinho atrás de ele . - Quem está a dar fotos autografadas ? Harry ia começar a explicar , mas foi interrompido quando Lockhart lhe pôs jovialmente o braço em cima de os ombros . - Mas que pergunta a minha ! Cá estamos nós de_novo , Harry ! Preso ao_lado_de Lockhart e a arder de humilhação , Harry viu Malfoy deslizar com o seu sorriso desdenhoso por o meio de a multidão . - Vamos lá então , Mr._Creevey - disse Lockhart , dirigindo se a Colin . - Uma foto dupla , já viu a sua sorte ? E assinamos a os dois para si . Colin ajustou a máquina e tirou a fotografia em o preciso momento em que a campainha tocava para as aulas de a tarde . - Está em a hora , todos para dentro - gritou Lockhart a a multidão e regressou a o castelo levando a o seu lado o Harry que só lamentava não conhecer um feitiço que o fizesse desaparecer . - Uma palavra só , Harry - disse Lockhart paternalmente , enquanto entravam em o edifício por uma porta lateral . - Eu ajudei te há bocado com o jovem Creevey porque se ele estivesse a fotografar me também a mim os teus colegas não reparariam tanto que estavas a exibir te ... Indiferente a a gaguez de Harry , Lockhart arrastou o para um corredor ladeado de alunos que os olhavam espantados e subiram uma escada . - Deixa me só dizer te uma coisa : dar fotografias autografadas em esta fase de a tua carreira , francamente , não é sensato , Harry , parece um_pouco megalómano . Pode ser que um dia mais tarde , tal_como eu , sejas obrigado a assinar para multidões onde quer que vás , mas - fez uma pequena pausa - não me parece que seja o caso , por enquanto . Tinham chegado a a aula de Lockhart e ele largou finalmente o Harry que sacudiu a túnica e foi sentar se em um lugar bem lá atrás onde começou por empilhar os livros de Lockhart a a sua frente para evitar olhar para a criatura . O resto de a aula entrou ruidosamente e Ron e Hermione foram sentar se um de cada lado de Harry . - Tu estavas vermelho como um pimentão - disse o Ron . - Reza para que o Creevey não se torne amigo de a Ginny senão bem podem criar o clube de * fans * de Harry_Potter . - Cala a boca - interrompeu Harry . A última coisa que desejava era que o Lockhart ouvisse a expressão « clube de * fans * de Harry_Potter « . Quando todos estavam em os seus lugares , Lockhart pigarreou alto e fez se silêncio . Ele inclinou se para a frente , pegou em o exemplar de Neville_Longbottom de * _ viagens com Duendes * e levantou o para mostrar a sua fotografia a piscar os olhos em a capa . - Eu - disse apontando para a fotografia e piscando também os olhos - Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , terceiro ano , membro honorário de a Liga_de_Defesa contra as artes negras e cinco vezes vencedor de o prémio de o * _ Feiticeiro de a semana * por o sorriso mais charmoso . Mas não vamos falar de isso , não venci a fada carpideira de Bandon a sorrir para ela ! Esperou que eles se rissem . Alguns alunos sorriram timidamente . - Já vi que todos vocês compraram a minha obra completa . Muito bem . Pensei começar hoje com um pequeno interrogatório escrito . Nada de complicado , só para perceber se leram bem os meus livros e o que apreenderam ... Depois de distribuir as folhas de teste voltou se para os alunos e disse : - Têm trinta minutos . Comecem já . Harry olhou para o papel e leu : *1 . Qual é a cor preferida de Gilderoy_Lockhart ? *2 . Qual é a ambição secreta de Gilderoy_Lockhart ? *3 . Qual é , em a sua opinião , a maior realização de Gilderoy_Lockhart até a o momento ? * E_por_aí adiante , ao_longo_de três páginas , terminando com : *54 . Qual é o dia de aniversário de Gilderoy_Lockhart e qual seria o seu presente preferido ? * Meia_hora mais tarde , Lockhart recolheu os pontos e folhou os rapidamente em frente de os alunos . - Tut , tut , quase ninguém se lembrou que a minha cor preferida é o lilás . Eu digo o em * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves * . Alguns precisam de voltar a ler com mais cuidado * Fim-de - _ Semana com Um Lobisomem * . Eu afirmo claramente em o décimo segundo capítulo que o meu presente de aniversário preferido seria a harmonia entre todos os seres , mágicos e não mágicos , embora não me importasse de receber uma garrafa grande de * whisky * velho de a Ogden's_Old_Firewhisky . Piscou lhes o olho de_novo . Ron olhava para Lockhart com uma expressão de incredulidade em o rosto . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas que estavam sentados a a frente tremiam de tanto conter o riso . Hermione , contudo , ouvia Lockhart com extrema atenção e deu um salto quando ouviu o seu nome . - Mas Miss_Hermione_Granger sabia que a minha ambição secreta era libertar o mundo de o mal e pôr a a venda a minha gama de poções de tratamento de o cabelo . Muito bem - voltou o papel . - Nota máxima ! Onde está Miss_Hermione_Granger ? Hermione ergueu uma mão trémula . - Excelente - bradou Lockhart , exultante . - Leva dez pontos para os Gryffindor . E vamos a o trabalho . Baixou se atrás de a secretária e pegou em uma grande gaiola coberta . - Ficam desde_já a saber , a minha função é preparar vos contra as criaturas mais malignas que a feitiçaria conhece . Vocês podem ter que enfrentar os maiores medos em esta sala . Saibam que nenhum mal vos sucederá comigo aqui . Só vos peço que se mantenham calmos . Ultrapassando os seus sentimentos , Harry espreitou através de a pilha de livros para ver melhor a gaiola . Lockhart colocou uma mão em a tampa . Dean e Seamus tinham deixado de se rir . Neville estava agachado em o seu lugar de a fila de a frente . - Vou pedir vos que não façam barulho - disse Lockhart em voz baixa . - Podem assustá os . Enquanto a aula inteira continha a respiração , Lockhart tirou a cobertura . - Sim - disse em um tom dramático . - Duendes_da_Cornualha recém-capturados . Seamus_Finnigan não conseguiu controlar se . Soltou uma gargalhada que nem Lockhart poderia confundir com um grito de terror . - Sim ? - sorriu a Seamus . - Bem , eles não são , não são perigosos , pois não ? - perguntou a rir . -- Não tenhas tanta certeza de isso - afirmou Lockhart , aborrecido , abanando um dedo , em direcção a Seamus . - Podem ser maçadores e muito traiçoeiros . Os duendes eram de um azul-eléctrico e tinham cerca de vinte centímetros de altura com feições angulosas e umas vozes tão estridentes que era como ouvir uma discussão entre araras . Logo_que o pano foi retirado , começaram a fazer uma enorme algazarra , a andar de um lado para o outro , batendo em as grades e fazendo caretas a as pessoas que estavam mais perto . - Muito bem - disse Lockhart em voz alta . - Vamos então ver o que vocês conseguem fazer de eles - e abriu a gaiola . Foi um pandemónio . Os duendes dispararam em todas_as direcções como foguetes . Dois de eles agarraram o Neville por as orelhas e levantaram o a o ar . Vários outros foram direitos a a janela , fazendo chover vidros partidos até a a fila de trás . Os restantes decidiram destruir a sala com maior eficácia do_que um rinoceronte em fúria . Agarraram em os tinteiros e salpicaram tudo em volta , rasgaram a os bocados livros e papéis , arrancaram os quadros de as paredes , levantaram a o ar a gaiola vazia , agarraram livros e sacos e lançaram nos por a janela de vidros estilhaçados . Em poucos minutos , metade de a aula estava abrigada debaixo de as secretárias e o Neville pendurado em o candelabro de o tecto . - Vamos lá , agarrem nos , agarrem nos , são apenas duendes ... - gritava Lockhart . Arregaçou as mangas , bramiu a varinha e pronunciou * Peshipiksi_Pesternomi ! * As palavras não tiveram o menor efeito . Um de os duendes pegou em a varinha de Lockhart e atirou a também por a janela fora . Lockhart engoliu em seco e mergulhou debaixo de a secretária , não sendo , por um triz , esmagado por o Neville que caiu um segundo depois , quando o candelabro cedeu . A campainha tocou e houve uma louca precipitação para a porta . Em a calma relativa que se seguiu , Lockhart endireitou se , olhou para Harry , Ron e Hermione que estavam quase a chegar a a porta e disse : - Bem , vou pedir vos a os três que prendam o resto de os duendes em a gaiola - passou por eles e fechou rapidamente a porta atrás_de si . - Isto dá para acreditar ? - resmungou o Ron , enquanto um de os duendes lhe mordia com toda_a força uma de as orelhas . - Ele só quer dar nos uma ajuda , permitindo nos ganhar experiência - justificou Hermione , imobilizando dois duendes de uma_vez com um encantamento de paralisação e metendo os de_novo em a gaiola . - Experiência ? - disse Harry , tentando agarrar um duende que dançava com a língua de_fora . - Hermione , ele não sabia nada do_que estava a fazer . - Disparate - retorquiu Hermione . - Leste os livros de ele . Vê só as coisas que ele já fez ! - Que diz que fez - resmungou o Ron . VII_Sangue de lama e murmúrios Harry passou imenso tempo , em os dias que se seguiram , a fugir sempre_que via Gilderoy_Lockhart aproximar se em o corredor . Mais difícil de evitar era Colin_Creevey que parecia ter decorado o horário de Harry . Parecia que nada o emocionava mais do_que dizer : - Tudo bem , Harry ? - seis ou sete vezes por dia e ouvir : - Olá , Colin - por mais exasperado que Harry estivesse quando lhe respondia . A Hedwig ainda estava zangada com Harry por causa de a desastrosa viagem de automóvel e a varinha de o Ron continuava a não funcionar , tendo ultrapassado tudo em a sexta-feira de manhã quando lhe saltou de as mãos em a aula de encantamentos e foi agredir o velho e baixinho professor Flitwick mesmo entre os olhos , deixando uma enorme bolha latejante em o sítio onde tinha batido . Por tudo_isso Harry via chegar , com satisfação , o fim_de_semana Planeava ir em o Sábado de anhã , com Ron e Hermione visitar o Hagrid . Mas foi acordado várias horas mais cedo do_que desejaria por Oliver ood , treinador de a equipa de Quidditch_dos_Gryffindor . - _ o que é_que se passa ? - perguntou Harry , enrolando as palavras . - Treino_de_Quidditch - disse Wood . - Vamos embora . Harry lançou um olhar de esguelha a a janela . Uma neblina fina pairava em o céu rosa e dourado . Agora_que estava acordado não percebia como pudera dormir com a algazarra que os pássaros faziam . - Oliver resmungou Harry . - É de madrugada . - Exacto - respondeu Wood . Era um rapaz alto e corpulento de o sexto ano e em aquele momento os olhos brilhavam lhe loucamente de entusiasmo . - Faz parte de o nosso novo programa de treinos . Anda lá , vai buscar a vassoura e vamos embora - insistiu Wood empenhado . - Nenhuma de as outras equipas começou ainda a treinar . Vamos ser os primeiros este ano ... A bocejar e a tremer um_pouco , Harry saltou de a cama e tentou descobrir as suas túnicas de Quidditch . - Bem , encontramo nos em o campo , dentro_de quinze minutos . Depois de descobrir a sua roupa escarlate de equipa e pôr o manto por cima para se aquecer , Harry escreveu a o Ron um bilhete a explicar onde tinha ido e desceu por a escada de espiral para a sala comum com a sua Nimbos dois inil a o ombro . Tinha acabado de chegar junto de o buraco de o retrato quando ouviu um barulho atrás_de si e viu Colin_Creevey descer a escada de espiral com a máquina fotográfica pendurada a o pescoço a balouçar como louca e uma coisa em a mão . - Ouvi alguém chamar o teu nome em as escadas , Harry olha o que tenho aqui . Revelei a e queria mostrar te . Harry olhou assombrado para a fotografia que Colin lhe espetava em frente de o nariz . Um Lockhart a preto e branco movia se , puxando com toda_a força um braço que Harry reconheceu como sendo o seu . Ficou satisfeito a o constatar que estava a resistir bastante bem , recusando se a ser trazido para a vista de todos . Enquanto Harry observava , Lockhart desistiu e desinteressou se de lutar contra a parte branca de a fotografia . - Assinas para mim ? - pediu Colin entusiasmado . - Não - respondeu secamente Harry , olhando em volta para verificar se o caminho estava livre . - Desculpa_Colin , mas estou cheio de pressa , treino de Quidditch . Passou por o buraco de o retrato . - Oh Uau ! Espera por mim . Eu nunca vi um jogo de Quidditch . Colin trepou por o buraco de o retrato atrás de ele . - Vai ser uma chatice para ti - disse Harry rapidamente , mas Colin ignorou o comentário . Todo o seu rosto brilhava de satisfação . - Tu foste o jogador mais novo de a equipa em cem anos , não foste Harry ? Não foste ? - perguntava Colin , trotando para o acompanhar . - Deve ser fantástico . Eu nunca voei . É fácil ? Essa vassoura é a tua ? É a melhor que há ? Harry não sabia como ver se livre de ele . Era como ter uma sombra que não se calava . - Eu não percebo nada de Quidditch - disse Colin , já sem fôlego . - É verdade que há quatro bolas ? E que duas anda n a voar , tentando fazer os jogadores caírem de as vassouras ? - Sim - disse Harry lentamente , resignado com o ter de lhe explicar as complicadas regras de o Quidditch . - São as * bludgers * . Há dois * beaters * em cada equipa que têm bastões para bater em as * bludgers * e lançá as para o outro lado . O Fred e o George_Weasley são os * beaters * de os Gryffindor . - E para que servem as outras bolas ? - perguntou Colin , saltando uma série de degraus porque ia a olhar para o Harry de boca aberta . - Bem , a * quaffle * , que é a vermelha grandalhona , é a que marca os golos . Três * chasers * em cada equipa lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam fazes a entrar em as balizas que ficam em o extremo de o campo onde há três grandes postes com argolas em as pontas . - E a quarta bola ? - A * snitch * dourada - explicou Harry . - É muito pequenina e veloz e extremamente difícil de agarrar . Mas é isso que o * seeker * tem de fazer , porque o jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * for agarrada . E o * seeker * que conseguir agarrá a ganha para a sua equipa mais cento_e_cinquenta pontos . - E tu és o * seeker * de os Gryffindor , não és ? - perguntou Colin respeitosamente . - Sim - disse Harry enquanto saíam de o castelo e começavam a atravessar o relvado . - E há também o * keeper * que toma conta de os postes . É isto . Mas Colin não parou de fazer perguntas desde os relvados macios até a o campo de Quidditch e Harry só se viu livre de ele quando chegaram a os vestiários . Colin gritou em uma voz aguda : - Eu vou arranjar um lugar , Harry - e apressou se em direcção a as bancadas . O resto de a equipa de os Gryffindor já se encontrava em os vestiários . Wood era o único que tinha aspecto de estar bem acordado . Fred e George_Weasley estavam sentados com olhos de sono e cabelos desgrenhados junto de Alicia_Spinnet de o quarto ano que parecia inclinar se contra a parede que tinha atrás_de si . Os seus companheiros * chasers * , Katie_Bell e Angelina_Johnson bocejavam em frente de ela . - Até que enfim , Harry , porque é_que demoraste tanto ? - perguntou Wood cheio de actividade . - Eu queria ter uma pequena conversa convosco antes de entrarmos propriamente em campo porque passei o Verão a conjecturar um novo programa de treinos que acredito vai estabelecer grandes mudanças . Wood tinha em as mãos um grande mapa de um campo de Quidditch onde estavam desenhadas muitas linhas , setas e cruzes a tinta de várias cores . Pegou em a varinha , bateu com ela em o quadro e as setas começaram a mover se em o mapa como tractores . Enquanto Wood se lançava em um discurso sobre as suas novas técnicas , a cabeça de Fred_Weasley caiu sobre o ombro de Alicia_Spinnet e ele começou a ressonar . O primeiro mapa levou quase vinte minutos a explicar , mas debaixo de esse havia outro e ainda um terceiro . Harry caiu em uma letargia enquanto Wood continuava indefinidamente . - Então - disse por fim o treinador , arrancando Harry de a avidez de uma fantasia sobre o que poderia estar a comer se se encontrasse em aquele momento em o castelo . - Ficou tudo claro ? Alguma pergunta ? - Eu tenho uma pergunta , Oliver - disse George que acordou estremunhado . - Porque não nos explicaste tudo_isso ontem , quando estávamos acordados ? Wood não ficou nada satisfeito . - Ouçam bem , vocês todos - disse , voltando se para eles mal-humorado . - Nós deveríamos ter ganho a taça de Quidditch o ano passado . Somos de longe a melhor equipa , mas , infelizmente , devido_a circunstancias que estão para_além de o nosso controlo ... Harry mudou de posição em a cadeira sentindo se culpado . Estivera inconsciente em o hospital durante o campeonato final de o ano anterior o que fez com que os Gryffindor com um jogador a menos tivessem sofrido a pior derrota de os últimos trezentos anos . Wood levou um momento a controlar se . Era evidente que a última derrota ainda o torturava . - Portanto , este ano vamos fazer um treino mais duro , como nunca se fez . O. _ K. , vamos lá pôr as teorias em prática - gritou , pegando em a vassoura e conduzindo os para fora de o vestiário . Com as pernas trôpegas e ainda a bocejar , a equipa seguiu o . Tinham estado tanto tempo lá dentro que o sol já tinha nascido e brilhava em o céu embora uma réstia de neblina pairasse ainda sobre o relvado de o campo . Quando Harry entrou em campo viu Ron e Hermione sentados em as bancadas . - Ainda não acabaram ? - perguntou Ron em um tom incrédulo . - Ainda nem começamos - explicou Harry , olhando cheio de inveja para a torrada com doce de laranja que Ron e Hermione tinham trazido de o salão . - O Wood tem estado a ensinar nos as jogadas . Subiu para a vassoura e deu um pontapé em o chão , elevando se em o ar . O ar fresco de a manhã bateu lhe em o rosto fazendo o acordar com mais eficácia do_que o longo discurso de Wood . Era maravilhoso voltar a estar em o campo de Quidditch . Voou em volta de o estádio a toda a a velocidade competindo com Fred e George . - Que barulhinho estranho é aquele ? - perguntou o Fred quando deram a volta . Harry olhou para as bancadas . Colin estava sentado em um de os lugares mais altos com a máquina fotográfica em o ar , tirando fotografia sobre fotografia , o som estranhamente ampliado em o estádio deserto . - Olha para ali , Harry , para ali - gritava de forma estridente . - Quem é aquele ? - perguntou Fred . - Não faço ideia - mentiu Harry , disparando a_toda_a velocidade e distanciando se o mais possível de Colin . - O que se passa aí ? - perguntou Wood , franzindo a testa enquanto corria por os ares atrás de eles . - Porque está aquele aluno de o primeiro ano a tirar fotografias ? Não me agrada . Pode ser um espião de os Slytherin a tentar descobrir o nosso novo programa de treinos . - Ele é de os Gryffindor - disse Harry rapidamente . - E os Slytherin não precisam de um espião , Oliver - completou George . - Porque dizes isso ? - perguntou Wood irritado . - Porque estão aqui em peso - disse George , apontando com o dedo . Vários indivíduos com túnicas verdes vinham em aquele momento a entrar em o campo de vassouras em a mão . - Não posso acreditar - reagiu Wood , sentindo se ultrajado . - Eu reservei o estádio para hoje . Já vamos ver como é_que isto fica ! Wood baixou direito a o chão sendo levado por a fúria a aterrar com mais força do_que pretendia e a cambalear um_pouco quando começou a andar seguido de o Harry e de o Ron . - Flint - bradou para o treinador de os Slytherin . - Este é o nosso tempo de treino . Levantámo nos de propósito . Vocês têm de sair de aqui . Marcus_Flint era ainda mais corpulento do_que Wood . Tinha em o rosto uma expressão de duende travesso quando respondeu : - Há espaço para todos , Wood . Angelina , Alicia e Katie tinham vindo também . Em a equipa de os Slytherin não havia raparigas que enfrentassem a o lado de os rapazes os Gryffindor . - Mas eu reservei o estádio - repetiu Wood de modo afirmativo , cuspindo de raiva . - Reservei o . - Ah ! - exclamou Flint . - Mas eu tenho aqui uma licença especial assinada por o professor Snape . * _ Eu , professor Snape , autorizo a equipa de os Slytherin a praticar hoje em o campo de Quidditch devido a a necessidade de treinar o seu novo seeker . * - Têm um novo * seeker * ? - perguntou Wood perturbado . - Onde ? E detrás de as seis figuras corpulentas que tinham em a frente , viram surgir uma sétima : um rapaz mais pequeno com um sorriso afectado espelhado em o rosto pálido e anguloso . Era_Draco_Malfoy . - Não és o filho de o Lucius_Malfoy ? - perguntou Fred , olhando para ele com antipatia . - Curioso que refiras o pai de o Draco - disse Flint enquanto toda_a equipa de os Slytherin sorria de modo grosseiro . - Deixem me mostrar vos a generosa oferta que ele fez a a equipa de os Slytherin . Os sete exibiram as suas vassouras . Sete cabos novos , polidos , com inscrições em letras douradas de as palavras « Nimbus dois_mil_e_um « brilharam a o sol de a manhã , em frente de o nariz de os Gryffindor . - O último modelo . Só chegou em o mês passado - disse Flint , displicentemente , sacudindo a poeira de o cabo de a sua vassoura . - Julgo que ultrapassam de longe as velhas séries de dois_mil . Quanto a as Cleansweeps - sorriu de forma mesquinha para Fred e George que tinham ambos Cleansweep_Fives - essas já só servem para varrer . Nenhum de os Gryffindor foi capaz de abrir a boca em aquele momento . Malfoy sorria tanto que os seus olhos de gelo estavam reduzidos a duas rachas . - Oh vejam - disse Flint . - Uma invasão de o campo . Ron e Hermione atravessavam o relvado para ver o que se passava . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron a o Harry . - Porque não estão a jogar e o que faz ele aqui ? Olhava para Malfoy em as suas vestes de Quidditch . - Sou o novo * seeker * de os Slytherin , Weasley - disse Malfoy com ar presumido . - Têm estado todos a admirar as vassouras que o meu pai comprou para a nossa equipa . Ron olhou de boca aberta para as sete vassouras que tinha em a frente . - São boas , não são ? - disse Malfoy untuosamente . - Mas talvez a equipa de os Gryffindor consiga levantar algum ouro e comprar também vassouras novas . Vocês podiam levar essas Cleansweep_Fives a leilão , talvez algum museu esteja interessado . A equipa de os Slytherin riu se a bandeiras despregadas . - Pelo_menos em os Gryffindor ninguém teve de comprar a sua entrada - disse secamente Hermione . - Entraram todos por mérito próprio . O ar presumido de Malfoy desapareceu . - Ninguém pediu a tua opinião , sangue de lama - cuspiu Malfoy . Harry apercebeu se , de imediato , que Malfoy dissera algo muito grave porque houve uma tremenda algazarra em o seguimento de as suas palavras . Flint teve que se pôr a a frente de o Malfoy para evitar que Fred e George se atirassem a ele . Alicia bradou : - Como te atreves ? - E Ron meteu a mão em as vestes e sacou de a varinha mágica , gritando : - Vais pagar por o que disseste , Malfoy ! - e apontou a , furioso , por debaixo de o braço de Flint , a o rosto de Malfoy . Um enorme estrondo , ecoou em o estádio e um jacto de luz verde saiu por a extremidade errada de a varinha de Ron , atingindo o em o estômago e projectando o para trás em direcção a o relvado . - Ron ! Ron ! Estás bem ? - gritou Hermione . Ron abriu a boca para falar , mas nenhuma palavra saiu . Em vez de isso , teve um vómito imenso e várias lesmas saíram lhe de a boca , indo cair lhe em o colo . A equipa de os Slytherin ficou paralisada de riso . Flint estava dobrado , agarrado a a vassoura nova . Malfoy , a quatro , batia com o punho em a chão . Os Gryffindor rodeavam o Ron , que continuava a vomitar lesmas enormes e reluzentes . Ninguém queria tocar lhe . - É melhor levá o para_casa de o Hagrid . É o mais perto - disse Harry_a_Hermione , que acenou afirmativamente , e os dois arrastaram o Ron por os braços . - O que aconteceu , Harry ? O que aconteceu ? Ele está doente ? Mas tu podes curá o , não podes ? - Colin descera a correr de o lugar onde estava sentado e dançaricava em frente de eles , enquanto abandonavam o campo . Ron teve um novo arremesso e mais lesmas saíram de a sua boca . - Oooh ! - exclamou Colin fascinado , levantando a máquina fotográfica . - Podes mantê o quieto , Harry ? - Sai de a minha frente , Colin - gritou Harry zangado . Ele e a Hermione conseguiram levar o Ron para fora de o estádio , atravessar os campos e chegar a a beira de a floresta . - Está quase , Ron - disse Hermione , mal avistaram o casebre de o guarda de os campos . - Vais ficar bem dentro_de um minuto ... está quase ... Estavam a sessenta metros de a casa de Hagrid , quando a porta de a frente se abriu . Mas não foi Hagrid quem saiu de lá , e sim Gilderoy_Lockhart , em uma túnica cor de malva . - Rápido , vamos esconder nos aqui - sussurrou Harry , arrastando Ron para trás de um arbusto que havia ali perto . Hermione acompanhou o , embora um_pouco relutante . -- É muito simples quando se sabe o que se está fazer ! - gritava Lockhart_para_Hagrid . - Se precisar de ajuda , sabe onde estou . Vou dar lhe um exemplar de o meu livro . Espanta me que ainda não o tenha . Logo a a noite autografo o e envio lhe o . Bem . até a a próxima ! - e afastou se em direcção a o castelo . Harry esperou que Lockhart desaparecesse , antes de puxar o Ron de trás de o arbusto até a a casa de o Hagrid . Bateram ansiosamente . Hagrid apareceu logo com um ar mal-humorado , que se dissipou quando viu quem era . - Já me tinha perguntado quand'é que vocês vinham ver me , entrem , entrem , pensei qu'era outra_vez o professor Lockhart . Harry e Hermione ajudaram Ron a subir o degrau que dava acesso a a cabana de uma divisão com uma cama enorme a um de os cantos e uma lareira a crepitar alegremente em o outro . Hagrid não pareceu perturbado com o problema de as lesmas de o Ron que Harry lhe explicou precipitadamente , logo_que sentou o Ron em uma cadeira . - Melhor saírem de o qu'entrarem - disse , em um tom bem-disposto , colocando uma grande bacia de cobre em frente de ele . - Deita as todas fora , Ron . - Acho que não há mais_nada a fazer , a não ser esperar que isto pare - disse Hermione ansiosamente , vendo Ron inclinar se para a bacia . - É uma maldição muitas_vezes difícil , mas com uma varinha partida ... Hagrid andava de um lado para o outro a preparar o chá . O cão de ele , Fang , babava se em cima de o Harry . - O que é_que o Lockhart queria de ti ? - perguntou o Harry , coçando as orelhas de o Fang . - Ensinar me a tirar espíritos aquáticos com forma de cavalos d'uma nascente d'água - resmungou Hagrid , retirando de a mesa pequena um galo meio depenado e colocando em o seu lugar o bule . - Como s'eu não soubesse . E contar me uma peta qualquer d'uma fada carpideira que ele venceu . Engulo essa chaleira , se uma palavra do_que ele disse for verdade . Não era hábito de Hagrid criticar um professor de Hogwarts e Harry olhou para ele com alguma surpresa . Mas Hermione disse em uma voz mais aguda do_que de costume : - Acho que estás a ser injusto . O professor Dumbledore obviamente achou que era o melhor homem para o lugar ... - Era o único - explicou Hagrid , oferecendo lhes um prato de bombons de melaço enquanto Ron tossia para a bacia . - E não havia mais ninguém . Não é fácil encontrar quem queira dar Artes de magia negra . As pessoas não gostam de essa matéria . Começam a pensar que está amaldiçoada , ninguém ficou muito_tempo a dá a . Mas digam me lá - continuou Hagrid , inclinando a cabeça para Ron - quem é qu'ele estava a tentar amaldiçoar ? - O Malfoy chamou qualquer coisa a a Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si . - Foi grave , sim - disse o Ron com voz rouca , emergindo a a superfície de a mesa , pálido e transpirado . - O Malfoy chamou lhe sangue de lama , Hagrid . - Ron desapareceu outra_vez quando uma nova onda de lesmas fez o seu aparecimento . Hagrid estava indignado . - Não posso crer - exclamou , dirigindo se a Hermione . - Chamou sim - disse ela . - Mas eu não sei o que significa . Percebi que era má educação , claro ... - É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar - explicou Ron novamente . - Sangue de lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles , sabes , filho de pais não mágicos . Há alguns feiticeiros , como a família de o Malfoy que acham que são melhores do_que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro . - Teve um pequeno vómito e uma lesma isolada caiu lhe em a mão aberta . Ele atirou a para a bacia e continuou . -- É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma . Olha_o_Neville_Longbottom , é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito . - E ainda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer - afirmou Hagrid , orgulhoso , fazendo Hermione corar em tons de magenta . - É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém - disse o Ron , limpando o suor de a testa com a mão trémula . - Sangue sujo , sangue vulgar , é um disparate . A maior parte de os feiticeiros hoje_em_dia têm sangue misturado . Se não tivéssemos casado com Muggles tinha sido o nosso fim . Fez um esforço para vomitar e baixou se mais_uma_vez . - Bem , não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá o , Ron - disse Hagrid bem alto enquanto montes de lesmas caíam em a bacia . - Mas , se_calhar , não foi mau de todo teres a varinha a trabalhar ao_contrário . Acho que Lucius_Malfoy teria vindo logo a correr a a escola se tivesses amaldiçoado o filho . Assim , pelo_menos , não estás metido em nenhum sarilho . Harry teria referido que o problema não podia ser pior do_que deitar lesmas por a boca , mas não pôde . Os bombons de melaço tinham lhe colado os maxilares um_ao_outro . - Harry - disse de repente Hagrid como_que movido por um pensamento súbito . - Tens de me explicar uma coisa . Ouvi dizer que tens andado a dar fotografias autografadas . Porque é qu'eu não tenho nenhuma ? A fúria de Harry foi tão grande que os maxilares se libertaram . - Eu não tenho dado fotografias autografadas - disse com vivacidade . Se o Lockhart andou a espalhar isso ... Mas em esse momento viu que Hagrid se estava a rir . - ´ _ tou a brincar - disse , dando uma palmadinha em as costas de Harry e fazendo lhe sinal para se sentar a a mesa . -- Eu sabia que não tinhas . Disse a o Lockhart que tu não precisavas de isso . Es mais famoso do_que ele sem sequer , tentares . - Aposto que ele não gostou de ouvir isso - comentou Harry , sentando se e esfregando o queixo . - Acho que não gostou mesmo - prosseguiu Hagrid com os olhinhos a brilhar . - E disse lhe também que nunca tinha lido nenhum de os livros de ele e ele foi se embora . Um bombom de melaço , Ron ? - perguntou a o vê o reaparecer . - Não , obrigado - disse o Ron com uma voz fraca . - É melhor não arriscar . - Venham ver o qu'eu tenho estado a criar - disse Hagrid quando Harry e Hermione acabaram de tomar o chá . Em a pequena horta atrás de a casa estava uma_dúzia de as maiores abóboras que Harry alguma vez vira . Pareciam enormes blocos de pedra . - Estão a dar se bem , não achas ? - disse Hagrid , feliz . São para a festa de o * _ Hallow'en * . Devem estar bem grandes quando chegar a altura . - O que é_que lhes tens dado como alimento ? - perguntou Harry . Hagrid olhou por cima de o ombro para confirmar se estavam sós . - Bem , tenho estado a dar lhes ... uma pequena ajuda . Harry reparou em o guarda-chuva cor-de-rosa a as florzinhas que estava encostado contra a parede de a cabana . Tivera em o ano anterior motivos para crer que aquele guarda-chuva não era o que parecia . De facto , acreditava que a antiga varinha de escola de Hagrid se encontrava oculta dentro de ele . Hagrid não tinha autorização para usar magia . Fora expulso de Hogwarts em o terceiro ano embora Harry nunca tivesse descoberto o motivo . Qualquer referência a esta questão fazia Hagrid pigarrear bem alto e ficar misteriosamente surdo até mudarem de assunto . -- Um encantamento de absorção , imagino ? - comentou Hermione entre a desaprovação e o divertimento . - Bem , se assim foi , fizeste um bom trabalho . - Foi o que disse a tua irmãzinha - respondeu Hagrid acenando em direcção a Ron . - Encontrei a ontem . - Hagrid olhou de lado para Harry , a barba a contorcer se . - Disse que andava só a ver os campos , mas eu acho qu'ela esperava encontrar alguém em a minha casa - piscou o olho a o Harry . - Se queres que te diga acho qu'ela não recusaria uma fotografia autogr ... - Cala te com isso - disse Harry . Ron desatou a rir e o chão ficou cheio de lesmas . - Cuidado - resmungou Hagrid , afastando Ron de as suas preciosas abóboras . Estava quase em a hora de o almoço e , como o Harry só tinha provado um bombom de melaço desde manhã cedo , estava ansioso por chegar a a escola para ir comer . Despediram se de o Hagrid e regressaram a o castelo . O Ron a vomitar de vez em quando , mas deitando só duas pequenas lesmas . Mal tinham pisado a entrada de o vestíbulo quando ouviram uma voz . - Aí estão vocês , Potter , Weasley . - A professora Mc_Gonagall vinha em direcção a eles com o seu ar severo . - Vocês os dois vão ter as punições hoje a a tarde . - O que é_que vamos fazer , professora ? - perguntou o Ron nervoso , deixando cair uma lesma . - Tu vais limpar as pratas em a sala de os troféus com Mr._Filch - disse a professora Mc_Gonagall . - E nada de mágicas , Weasley , trabalho com esforço . Ron engoliu em seco . Argus_Filch , o encarregado , era odiado por todos os alunos de a escola . - E tu , Potter , vais ajudar o professor Lockhart a responder a as cartas de as suas fãs - ordenou a professora Mc_Gonagall . - Oh , não ! Não posso ir também trabalhar em a sala de os troféus ? - pediu Harry em desespero de causa . - Nem pensar em isso - respondeu a professora Mc_Gonagall , erguendo as sobrancelhas . - O professor Lockhart requisitou te especialmente a ti . _ a as oito_em_ponto , os dois . Harry e Ron entraram em o salão em um estado de profundo desanimo com a Hermione atrás , ostentando uma expressão de * bem-voces-quebraram-as-regras-da-escola * . Harry não saboreou o empadão de carne como teria desejado . Tanto ele como o Ron achavam que tinham tido o pior de os castigos . -- O Filch vai reter me lá toda_a noite - disse Ron , desanimado . - Sem mágica ! Deve haver umas cem taças em aquela sala , eu não sei fazer limpeza de Muggles . - Eu trocava contigo de boa_vontade - confessou Harry em uma voz surda . - Tive montes de prática com os Dursleys . Responder a o correio de fãs de o Lockhart , que pesadelo ... A tarde de sábado pareceu derreter se . Pouco depois eram já cinco para as oito e Harry arrastava se até a o corredor de o segundo andar onde ficava o escritório de o Lockhart . Rangendo os dentes , bateu a a porta . A porta abriu se imediatamente e Lockhart dirigiu se lhe . - Ah , cá está o patifório ! - exclamou . - Entra , Harry , entra . Em as paredes , brilhando à_luz_de muitas velas , podia ver se uma infinidade de fotografias de Lockhart . Algumas de elas até assinadas . Sobre a secretária estava outro monte enorme . - Podes pôr as moradas em os envelopes - disse Lockhart_a_Harry , como_se fosse uma grande ameaça . - O primeiro é para Gladys_Gudgeon , abençoada seja , uma grande fã minha . Os minutos passavam lentos . De vez em quando , Harry ouvia a voz de Lockhart dizendo : - Mmm - e - certo - e - sim . - De vez em quando , apanhava uma frase como : - A fama é versátil , amigo Harry - ou - Só é célebre quem faz por isso , nunca te esqueças . As velas ardiam cada_vez com maior lentidão , fazendo a luz dançar sobre as muitas caras de Lockhart que o olhavam . Harry passava a mão , já dorida , sobre o que devia ser o centésimo envelope , escrevendo a morada de Verónica_Smethley . « Deve estar quase em a hora de me ir embora » , pensou , sentindo se profundamente infeliz , « por favor , faz com que esteja em a hora ... » E então ouviu algo , algo totalmente diferente de o crepitar de as velas e de os ditos de Lockhart sobre as suas fãs . Era uma voz , uma voz de arrepiar os ossos , de cortar a respiração , de veneno frio . - * _ Vem ... vem ter comigo ... deixa me rasgar te ... cortar te ... matar te * ... Harry deu um salto e uma enorme mancha lilás surgiu em a rua de Verónica_Smethley . - O quê ? - disse ele em voz alta . - Eu sei - exclamou Lockhart . - Seis meses inteirinhos em o topo de a lista de * bestsellers * , bati todos os recordes ! - Não - disse Harry nervosíssimo - aquela voz ! - Como ? - perguntou Lockhart , com um ar confuso . - Que voz ? - Aquela , aquela voz que disse ... não ouviu ? Lockhart olhava para Harry com o maior espanto . - De que é_que estás a falar , Harry ? Estás a ficar com sono ? Meu Deus , olha , só estamos aqui há quase quatro horas , quem diria ? O tempo passou a correr , não é verdade ? Harry não respondeu , estava a fazer um esforço para ouvir de_novo a voz , mas o único som que ouviu foi Lockhart a dizer lhe que não esperasse um tratamento igual de as próximas vezes que fosse castigado . Harry saiu , sentindo se atordoado . Era tão tarde que a sala comum de os Gryffindor estava quase vazia . Harry foi directamente para o dormitório . Ron ainda não tinha voltado . Vestiu o pijama , meteu se em a cama e esperou . Meia_hora mais tarde , chegou o Ron agarrado a o braço direito e inundando o quarto escuro de um forte cheiro a limpa-pratas . - Doem me todos os músculos - resmungou , metendo se em a cama . - Ele fez me polir catorze vezes aquela taça de Quidditch até estar satisfeito . E depois tive outro vómito em_cima_de um troféu de Reconhecimento por serviços prestados a a escola . Demorei séculos a limpar o muco de as lesmas . Como correram as coisas com o Lockhart ? Em voz baixa para não acordar o Neville , o Dean e o Seamus , Harry contou lhe , palavra por palavra , o que tinha ouvido . - E Lockhart disse que não ouviu nada ? - perguntou o Ron . Harry viu o franzir a testa , a a luz de o luar . - Achas que estava a mentir ? Mas , não percebo , mesmo um ser invisível teria aberto a porta . - Eu sei - disse Harry , encostando se a a cama e olhando para o dossel . - Também não compreendo . VIII_A festa de o dia de os mortos Outubro chegou , espalhando um frio húmido por os campos e por os cantos de o castelo . Madam_Pomfrey , a enfermeira-chefe , esteve bastante ocupada com uma onda de constipações que afectou professores e alunos . A sua poção de pimentão entrou imediatamente em acção apesar_de deixar quem a tomava com fumo em os ouvidos durante várias horas . Ginny_Weasley , que andava com ar adoentado , foi convencida a tomá a por o Percy . O fumo que saía por debaixo de o seu cabelo ruivo dava a impressão de que toda_a cabeça estava em fogo . Gotas de chuva de o tamanho de balas agrediram as janelas de o castelo durante dias a fio . O lago rosado e os canteiros de flores tornaram se regatos lamacentos e as abóboras de o Hagrid incharam ficando de o tamanho de alpendres de jardim . Contudo , o entusiasmo de Oliver_Wood por as sessões de treino regular não foi abalado , motivo por o qual Harry iria regressar a a torre de os Gryffindor , em um sábado a a tarde de temporal , alguns dias antes de o * _ Hallowe'en * , ensopado até a os ossos e todo enlameado . Além de a chuva e de o vento , não fora um treino feliz . Fred e George que tinham andado a espiar a equipa de os Slytherin tinham visto com os seus próprios olhos a velocidade alucinante de aquelas novas Nimbus dois_mil_e_um e comentaram que a equipa em o ar parecia composta por sete manchas esverdeadas que disparavam a_toda_a velocidade como aviões a jacto . Enquanto Harry chapinhava a o longo de o corredor deserto , cruzou se com alguém que parecia tão preocupado como ele : Nick quase sem cabeça , o fantasma de a torre de os Gryffindor que olhava taciturno , por a janela , murmurando baixinho : - Não preenche os requisitos , um centímetro e meio se ... - Olá , Nick - cumprimentou Harry . - Olá , olá - disse o Nick quase sem cabeça , começando a olhar em volta . Usava um arrebatado chapéu de plumas sobre a longa cabeleira encaracolada e uma túnica com gola de tufos que disfarçava o facto de ter o pescoço quase totalmente separado de o corpo . Era pálido como o fumo e Harry podia ver através de ele o céu negro e a chuva torrencial , lá fora . - Pareces preocupado , jovem Potter - disse Nick , dobrando uma carta transparente , enquanto falava e escondendo a dentro de a jaqueta . - Tu também - retorquiu Harry . - Ah ! - o Nick quase sem cabeça acenou com a mão de forma elegante . - Uma questão sem importância . Não é_que eu quisesse realmente participar apesar_de me ter inscrito , mas , a o que parece , não preencho os requisitos . - Apesar de o seu tom jovial havia em o seu rosto uma grande amargura . - Mas era de esperar , ou não era - exclamou subitamente , tirando a carta de o bolso - que ter levado quarenta_e_cinco golpes em a cabeça com um machado ferrugento me qualificaria para entrar em o grupo de os Sem - _ Cabeça ? - Sim , sim - respondeu Harry que obviamente o outro esperava que concordasse . - Isto_é , ninguém mais do_que eu desejaria que tudo tivesse sido rápido e perfeito , poupava me muitas dores e ridículo . Mas ... O Nick quase sem cabeça abriu , furioso , a carta e leu : * _ Só podemos aceitar em o grupo homens cuja cabeça tenha sido separada de o corpo . Compreenderá que de outro modo seria impossível a os nossos membros participarem em actividades como equitação de malabarismos com a cabeça e pólo de cabeça . Lamentamos profundamente informá o de que não preenche os requisitos . * _ Os nossos melhores cumprimentos , Sir_Patrick_Delaney - _ Podmore * Furioso , o Nick quase sem cabeça atirou fora a carta . - Um centímetro de pele e tendões a segurarem me a cabeça , Harry ! A maior parte de as pessoas acharia que era mais do_que o suficiente , mas não serve para o senhor correctamente decapitado Podmore . Nick quase sem cabeça respirou fundo várias vezes e , por fim , em um tom bastante mais calmo perguntou : - Então o que é_que te preocupa ? Alguma coisa que eu possa fazer por ti ? - Não - respondeu Harry . - A_não_ser_que saibas onde posso arranjar sete Nimbus dois_mil_e_um , de_graça , para o nosso campeonato contra os Sly ... - o resto de a frase foi afogada por um miado agudo vindo de perto de os seus tornozelos . Olhou para baixo e deu consigo a fitar um par de olhos que pareciam duas lâmpadas amarelas . Era_Mrs._Norris , a gata cinzenta e esquelética usada por o encarregado Argus_Filch como uma espécie de polícia em a sua infindável batalha contra os estudantes . - É melhor saíres de aqui , Harry - preveniu Nick com toda_a calma . - O Filch não está nada bem-disposto . Anda engripado e alguns alunos de o terceiro ano , por acidente , encheram o tecto de o calabouço cinco de miolos de rã . Ele tem andado toda_a manhã a limpar e se te vê a encher tudo de lama ... - Certo - disse Harry , recuando e afastando se de o olhar acusador de Mrs._Norris , mas ... tarde de mais . Conduzido até ali por o misterioso poder que parecia ligá o a a gata , Argus_Filch entrou subitamente por uma tapeçaria que se encontrava a a direita de Harry , com a sua respiração asmática , olhando vivamente em volta em busca de o infractor . Tinha um lenço grosso , de xadrez , a a volta de a cabeça e o nariz invulgarmente arroxeado . - Imundície - gritou com os maxilares a tremer e os olhos a saltarem lhe de as órbitas , enquanto apontava para a poça de lama que pingara de a túnica de Quidditch_de_Harry . - Desarrumação e imundície em todo o lado . Estou farto disto , segue me , Potter . Harry despediu se de o Nick quase sem cabeça com um tímido aceno e seguiu Filch até lá abaixo , duplicando o número de pegadas lamacentas em o chão . Nunca entrara em o gabinete de o Filch . Era um lugar que a maior parte de os estudantes evitava . A divisão era sombria e sem janelas , iluminada por uma única lamparina de óleo que pendia de o tecto . Sentia se um vago cheiro a peixe frito . As paredes estavam forradas por ficheiros de madeira . Por as etiquetas Harry percebeu que continham os dados de todos os alunos que Filch tinha punido . Fred e George_Weasley tinham uma gaveta só para eles . Atrás de a secretária estava pendurada uma colecção bem polida de correntes e algemas . Todos sabiam que ele estava sempre a pedir a Dumbledore que o deixasse pendurar os alunos em o tecto por os tornozelos . Filch pegou em uma pena que estava sobre a secretária e começou a procurar o pergaminho . - Bosta - murmurou , furioso . - Bosta de dragão , miolos de rã , intestinos de ratazana ... eu tinha aqui bastante , onde está o form ... sim ... Tirou um enorme rolo de pergaminho de a gaveta de a secretária e estendeu o em a frente , molhando a longa pena em o tinteiro . - Nome : Harry_Potter . Crime ... - Foi só um bocadinho de lama - disse Harry . - É só um bocadinho de lama para ti , rapaz , mas para mim é mais de uma hora a esfregar - gritou Filch com um pingo a tremer de modo desagradável em a extremidade de o nariz bolboso . - Crime : manchar o castelo . Sentença proposta ... Esfregando o nariz que continuava a pingar , Filch olhou com má cara para Harry que esperava com a respiração entrecortada para ouvir a sentença . Mas quando Filch pegou em a pena ouviu se um estrondo enorme em o tecto que fez a lamparina apagar se . - PEEVES - resmungou Filch , pousando a pena , cheio de raiva . - Desta_vez apanho te . Apanho te ! E sem olhar para trás , saiu a correr a_toda_a velocidade de o gabinete , seguido de a gata , Mrs._Norris . Peeves era o * poltergeist * de a escola , uma ameaça de risota esvoaçante que vivia para fazer estragos e criar aflição . Harry não gostava lá muito de ele , mas desta_vez , não podia deixar de lhe estar grato . Na_melhor_das_hipóteses o que Peeves tivesse feito ( e parecia que agora ele destruíra qualquer coisa em grande ) distrairia Filch_de_Harry . Pensando que o melhor seria esperar que ele voltasse , Harry deixou se cair em uma cadeira carcomida por o tempo que se encontrava junto de a secretária . Havia uma coisa sobre o tampo : um grande envelope roxo e lustroso com letras prateadas em a frente . Lançando um olhar rápido a a porta para confirmar que Filch não estava de volta , Harry pegou lhe e leu : __ feitiço __ rápido Um curso por correspondência De iniciação a a magia Cheio de curiosidade , abriu o envelope e retirou o rolo de pergaminho . Uma letra curvilínea e prateada dizia : Sente se pouco a a vontade em o mundo de a magia moderna ? Dá consigo a arranjar desculpas para não fazer feitiços simples ? Tem sido censurado por o deplorável trabalho com a varinha ? Eis a resposta ! Feitiço rápido e um curso totalmente novo , infalível , de resultados rápidos e rápida aprendizagem . Centenas de bruxas e feiticeiros têm beneficiado de o método feitiço rápido ! Madam_Z._Nettles_de_Topsham escreve nos : Eu não conseguia fixar os encantamentos e as minhas poções eram alvo de risota em a família . Agora , depois de o curso feitiço rápido , tornei me o centro de as atenções em todas_as festas e os meus amigos não param de pedir me a receita de a minha brilhante solução ! O mágico D.J._Prod , de Disbury , afirma : A minha mulher costumava rir se de os meus fracos encantamentos , mas bastou um mês com o vosso fabuloso curso feitiço rápido e consegui transformá a em um iaque . Obrigado , feitiço rápido ! Fascinado , Harry folheou o resto de o conteúdo de o envelope . Para que diabo quereria o Filch um curso de feitiço rápido ? Não seria ele um feiticeiro a sério ? Harry estava a ler a lição número um : Pegando em a varinha ( algumas dicas úteis ) quando umas passadas arrastadas , lá fora , o preveniram de que Filch estava de volta . Metendo rapidamente o pergaminho dentro de o envelope , lançou o para_cima de a secretária em o preciso momento em que a porta se abriu . Filch ostentava um ar triunfante . - Aquele armário que desapareceu era extremamente valioso - vinha ele a dizer a a gata , Mrs._Norris . - Desta_vez vamos correr com o Peeves , minha linda . Os seus olhos recaíram sobre Harry e logo_a_seguir sobre o envelope de o feitiço rápido que , Harry apercebeu se tarde de mais , estava meio metro distanciado de o seu lagar inicial . O rosto pálido de Filch tornou se vermelho escarlate . Harry preparou se para uma nova onda de fúria . Filch coxeou até a a secretária , arrebatou o envelope e meteu o em uma gaveta . -- Chegaste a ... lê o ? - perguntou atabalhoadamente . - Não - mentiu Harry , sem perder tempo . As mãos nodosas de o Filch contorciam se ao_mesmo_tempo . - Se eu soubesse que ias ler a minha correspondência priv ... não que seja minha ... é para um amigo ... mesmo_assim ... Harry olhava para ele espantado . Nunca vira o Filch tão louco . Os olhos pareciam querer saltar lhe de as órbitas , com um tique em as bochechas e aquele lenço axadrezado que não ajudava nada ... - Muito bem , vai e não abras a boca sobre isto ... não que ... mesmo_assim ... se tu não leste ... vai te embora , tenho de escrever o relatório sobre o Peeves , vai . Atordoado com a sua sorte , Harry saiu de ali e largou a correr por o corredor fora e por as escadas acima . Sair de o gabinete de o Filch sem um castigo devia ser um recorde em a escola . - Harry , Harry , deu resultado ? O Nick quase sem cabeça saiu a brilhar de uma sala de aula . Atrás de ele , Harry pôde ver os destroços de um grande armário preto e dourado que parecia ter sido atirado de uma grande altura . - Convenci o Peeves a parti o mesmo em cima de o gabinete de o Filch - disse Nick entusiasmado . - Pensei que talvez o distraísse . - Foste tu ? - exclamou Harry , agradecido . - Funcionou sim . Ele não me deu nenhum castigo . Obrigado , Nick . Atravessaram o corredor juntos . O Nick quase sem cabeça , reparou Harry , ainda tinha em a mão a carta de Sir_Patrick . - Gostaria de poder fazer qualquer coisa sobre o grupo de os Sem - _ Cabeça - disse Harry . O Nick quase sem cabeça parou de repente e Harry passou através de ele . Antes não tivesse passado , foi como atravessar um duche gelado . - Mas há uma coisa que tu podes fazer por mim - disse Nick muito agitado . - Harry , seria pedir te de mais ... mas não , tu não ias querer ... - O quê ? - Bem , este ano em o * _ Hallowe'en * vai ser o meu meio milénio de dia de os mortos - disse o Nick quase sem cabeça endireitando se e adquirindo uma postura de grande dignidade . - Oh - respondeu Harry sem saber se deveria lamentar ou dar lhe os parabéns . - Certo . - Vou dar uma festa em um de os calabouços mais amplos . Vêm amigos meus de todo o país . Seria uma honra muito grande se tu aparecesses . Mr._Weasley e Miss_Granger seriam também muito bem-vindos , claro . Mas tu deves preferir o banquete de a escola , não é verdade ? - Olhou para Harry , aflito . - Não - assegurou ele rapidamente . - Eu vou . - Oh rapaz , Harry_Potter em a minha festa de os mortos - hesitou no_meio_de toda aquela excitação . - Achas que poderias referir a Sir_Patrick como me achas assustador e como te impressiono ? - É claro que sim - assegurou Harry . O Nick quase sem cabeça iluminou se em um sorriso . - Uma festa de os mortos ? - exclamou Hermione , entusiasmada , quando Harry , depois de mudar de roupa , se juntou a ela e a o Ron em a sala comum . - Aposto que não há muitas pessoas que possam gabar se de ter estado em uma festa de essas . Vai ser fantástico ! - Por_que é_que alguém se lembraria de festejar o dia em que morreu ? - perguntou o Ron que estava a meio de o seu trabalho de casa de poções e bastante maldisposto . - Parece me bastante mórbido . A chuva continuava a lamber as janelas que apresentavam agora um negro que parecia tinta , mas , lá dentro , era tudo claro e alegre . O fogo em a lareira brilhava sobre as inúmeras cadeiras de braços onde as pessoas estavam sentadas a ler , a conversar , a fazer os trabalhos de casa ou , no_caso_de Fred e George_Weasley , a tentar descobrir o que aconteceria se alimentassem uma salamandra com fogo-de-artíficio de o Filibuster . O Fred tinha « resgatado . o lagarto cor de laranja brilhante , morador de o fogo , de uma aula de tratamento de seres mágicos e ele estava agora a arder em fogo lento sobre uma mesa , rodeado de um grupo de curiosos . Harry ia começar a contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre o Filch e o curso de feitiço rápido quando a salamandra disparou por os ares , lançando faíscas e estoiros . A visão de Percy a gritar com Fred e George até ficar ronco , a fantástica exibição de estrelas cor de tangerina que choviam de a boca de a salamandra e a sua fuga para o lume acompanhada de explosões , fizeram com que Harry se esquecesse , em aquele momento , de Filch e de o curso de feitiço rápido . Quando chegou o * _ Hallowe'en * , Harry já lamentava a sua promessa imprudente de ir a a festa de os mortos . Toda_a escola antecipava , feliz , a sua festa de * _ Hallowe'en * . O salão nobre fora enfeitado com os habituais morcegos , as enormes abóboras de Hagrid tinham sido esculpidas em forma de lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro_de cada uma , e havia boatos de que Dumbledore contratara um grupo de esqueletos bailarinos para animar a festa . - Uma promessa é uma promessa - lembrou Hermione_a_Harry com o seu autoritarismo habitual . - Tu disseste que ias a a festa de os mortos . Portanto , a as sete_da_tarde , Harry , Ron e Hermione saíram , passando por a porta de o salão nobre que brilhava de modo convidativo com pratos dourados e velas e dirigiram os seus passos para os calabouços . O corredor que conduzia a a festa de o Nick quase sem cabeça tinha sido também ladeado de velas , embora o efeito estivesse longe_de ser alegre : estas eram velas muito esguias e estreitas , negras de breu , ardendo em um azul brilhante e lançando uma luz indistinta e espectral também sobre as caras de as pessoas vivas . A temperatura diminuía a cada degrau que desciam . Harry tremia e cingia a túnica a o corpo quando ouviu qualquer coisa que parecia uma centena de unhas a rasparem um enorme quadro preto . - Será que isto_é a música ? - murmurou Ron . Viraram uma esquina e viram o Nick quase sem cabeça junto de uma porta , todo vestido de veludo negro . - Meus queridos amigos - disse com ar de luto . - Bem-vindos , bem-vindos , ainda_bem que puderam vir . Em um gesto largo tirou o chapéu de plumas e fez lhes sinal para que entrassem . Era uma visão incrível . O calabouço estava cheio com centenas de pessoas de um branco pálido e translúcido , a maior parte de as quais era arrastada em uma pista de dança cheia , valsando a o som de trinta serrotes musicais . Os serrotes que compunham a orquestra encontravam se sobre um estrado enfeitado com panos negros . Um lustre lá em cima resplandecia de um azul nocturno com mais um_milhar de velas negras . A respiração de os três subiu em o ar como uma neblina . Parecia que tinham entrado em um congelador . - Vamos dar uma volta - sugeriu Harry em uma tentativa de aquecer os pés . - Cuidado , não atravessem nenhum de eles - avisou o Ron nervosamente e colocaram se em volta de a pista de dança . Passaram por um grupo escuro de freiras , por um homem esfarrapado e cheio de correntes e por o frade gordo , o divertido fantasma de os Hufflepuff que estava a conversar com um cavaleiro com uma seta enfiada em a testa . Harry não ficou nada surpreendido a o ver que o Barão sangrento , o fantasma lúgubre e berrante de os Slytherin , coberto de nódoas de sangue ; estava a ser totalmente evitado por os outros fantasmas . - Oh ! Não -- exclamou Hermione , parando bruscamente . - Voltem se , voltem se , não quero ter de cumprimentar a Murta_Queixosa . - Quem ? - perguntou Harry enquanto davam rapidamente meia volta . - Ela assombra a casa_de_banho de as raparigas de o primeiro andar - explicou Hermione . - Assombra uma casa_de_banho ? - Sim . Está inoperativa durante todo o ano porque ela tem constantes acessos de choro e inunda tudo . Eu só lá fui quando não pode mesmo evitar . É horrível tentar ir a a sanita com ela a gritar connosco . - Olhem , comida - disse o Ron . De o outro lado de o calabouço estava uma mesa igualmente coberta de velado negro . Iam para se aproximar entusiasmados , mas pararam com uma expressão de horror . O cheiro era nauseabundo . Enormes peixes podres enchiam as bonitas travessas de prata , os bolos estorricados como carvões amontoavam se em as salvas , havia uma grande quantidade de miúdos de macaco , uma tábua de queijos cobertos de bolor e , em o lugar de honra , um enorme bolo cinzento em forma de lápide com letras que pareciam alcatrão formando as palavras , * _ Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington_Morto em 31_de_Outubro , 1492 * . Harry olhou espantado quando um fantasma de porte majestoso se aproximou de a mesa inclinando se e passando através de ela com a boca aberta enquanto atravessava um salmão malcheiroso . - Consegue prová o passando através de ele ? - perguntou lhe Harry . - Quase - disse tristemente o fantasma antes de se afastar . - Devem ter deixado apodrecer tudo_isto para ter um sabor mais forte - comentou Hermione com ar de quem está bem informada , tapando o nariz e aproximando se para ver melhor os pútridos miúdos de macaco . - Podemos sair de aqui , estou a sentir me agoniado - disse o Ron . Mas mal tinham dado meia volta quando um homenzinho pequenino saiu inesperadamente de debaixo de a mesa e fez uma paragem em o ar em frente de eles . - Olá , Peeves - disse Harry cautelosamente . Ao_contrário de os outros fantasmas que os rodeavam , Peeves , o * poltergeist * era o oposto de pálido e transparente . Usava um chapéu festivo cor de laranja , um laço rotativo a o pescoço e tinha um sorriso grosseiro de malvadez , em o rosto . - Querem petiscar ? - perguntou delicadamente , oferecendo lhes uma taça de amendoins cobertos de fungos . - Não , obrigada - disse Hermione . - Ouvi te falar sobre a pobre Murta - disse Peeves com os olhos a bailar . - Que insensível que tu foste para com a pobre Murta - respirou fundo e gritou : - Oh Murta . - Oh ! Não , Peeves , não lhe contes o que eu disse , ela vai ficar muito aborrecida - murmurou Hermione bastante nervosa . - Eu não queria dizer que ... eu não me importo que ela , er , olá , Murta . O espectro atarracado de uma rapariga deslizara . Tinha o rosto mais carrancudo que Harry alguma vez vira , meio escondido por o cabelo liso e por os óculos grossos cor de pérola . - O que é ? - perguntou mal-humorada . - Como estás Murta ? - perguntou Hermione , em uma voz falsamente alegre . - É bom ver te fora de a casa_de_banho . Murta fungou . - Miss_Granger estava justamente a falar de ti - disse lhe Peeves baixinho a o ouvido . - A dizer , a dizer ... como estás bonita esta noite -- terminou Hermione , olhando irritada para Peeves . A Murta olhou para Hermione desconfiada . - Estão a divertir se a a minha custa - disse , com lágrimas de prata a encherem lhe rapidamente os olhos pequeninos . - Não , a sério , eu não estava a dizer vos como a Murta estava bonita esta noite ? - disse Hermione , dando uma palmada em as costas de o Harry e de o Ron . - Sim , sim . - Ela ... - Não me venham com mentiras - protestou a Murta , as lágrimas agora a descerem lhe por o rosto , enquanto Peeves ria baixinho por cima de o ombro de ela . - Julgam que eu não sei o que as pessoas me chamam em as minhas costas ? A Murta gorda , a Murta feia , a Murta queixosa , a Murta deprimida ! - Esqueceste te de « a Murta ponto negro » - sussurrou lhe Peeves a o ouvido . A Murta_Queixosa irrompeu em soluços de angústia e fugiu de o calabouço . Peeves disparou atrás de ela , lançando lhe uma chuva de amendoins cheios de bolor e gritando : Ponto negro ! Ponto negro ! - Oh , coitada ! - exclamou Hermione com tristeza . O Nick quase sem cabeça abria agora caminho entre a multidão para se aproximar de eles . - Estão a divertir se ? - Sim , sim - mentiram . - Uma afluência nada má - disse orgulhoso o Nick quase sem cabeça . - A viúva chorosa veio de Kent ... está quase em a hora de o meu discurso . É melhor ir avisar a orquestra . Mas a orquestra parou de tocar em esse preciso momento . Eles , e todos os outros em o calabouço , ficaram em silêncio total , olhando em volta cheios de excitação quando se ouviu uma trompa de a caça . - Lá vêm eles - disse o Nick quase sem cabeça , com alguma amargura em a voz . Por o calabouço irromperam uma_dúzia de , cavalos fantasmas , cada_um montado por um cavaleiro sem cabeça . A assistência aplaudiu vivamente . Harry começou também a bater palmas , mas parou rapidamente quando viu a cara de o Nick . Os cavalos galoparam até a o meio de a pista de dança e pararam , empinando se , dando pequenos passos para a frente e para trás , sobre as patas traseiras . Um fantasma grande em a frente , cuja cabeça barbuda estava debaixo de o braço , soprando a trompa , desmontou , levantou a cabeça bem em o ar para poder ver toda_a assistência ( todos se riam ) e dirigiu se a o Nick quase sem cabeça , comprimindo a cabeça contra o pescoço . - Bem-vindo , Patrick - disse o Nick , mantendo a sua postura rígida . - Gente viva ! - exclamou o Sir_Patrick , avistando Harry , Ron e Hermione e dando um salto de falso espanto , de_tal_modo_que a cabeça lhe caiu de_novo ( a multidão ria a bom rir ) . - Muito engraçado - disse o Nick quase sem cabeça com um ar soturno . - Não ligues a o Nick - gritou a cabeça de Sir_Patrick de o chão . - Ainda está aborrecido por não o deixarmos juntar se a o grupo . Mas olhem bem para ele ... - Eu acho - disse apressadamente Harry , a seguir a um olhar de o Nick - que o Nick é muito assustador e ... eu ... - Bah ! - gritou a cabeça de Sir_Patrick . - Aposto que ele te pediu que dissesses isso . - Gostaria de ter a vossa atenção . Chegou a altura de fazer o meu discurso - disse o Nick quase sem cabeça bem alto , dirigindo se a o pódio , subindo e parando , iluminado por uma luz azul . - Os meus sentimentos , senhores e senhoras , é com profundo pesar ... Mas já ninguém estava a ouvi o . Sir_Patrick e o resto de o grupo de os Sem - _ Cabeça tinham iniciado um jogo de hóquei de cabeça e a multidão voltara se para os observar . Nick quase sem cabeça tentou em vão recuperar a audiência , mas acabou por desistir quando a cabeça de Sir_Patrick passou por ele a_toda_a velocidade gritando vivas . Harry estava cheio de frio para não falar de a fome . - Não aguento mais isto - murmurou Ron a bater o dente enquanto a orquestra voltava a entrar em acção e os fantasmas enchiam de_novo a pista de dança . - Vamos embora - concordou Harry . Recuaram até a a porta , acenando e sorrindo a todos os que olhavam para eles e um minuto depois passavam apressadamente por a entrada cheia de velas negras . - Talvez o pudim ainda não tenha acabado - disse o Ron cheio de esperança , abrindo caminho em direcção a os degraus de o vestíbulo de a entrada . E foi então que Harry ouviu aquilo . - ... * _ Arrancar ... rasgar ... matar * ... Era a mesma voz , a mesma voz fria e assassina que ouvira em o escritório de Lockhart . Parou , agarrando se a a parede de pedra em a expectativa de ouvir melhor , olhando em volta , espreitando para_cima e para baixo de a passagem mal iluminada . - Harry que estás tu a ... ? - E aquela voz outra_vez , calem se um bocadinho . -- ... * _ Tanta fome ... há tanto tempo * ... - Ouçam insistiu Harry e Ron e Hermione ficaram estáticos a olhar para ele . - * _ Matar ... hora de matar * ... A voz ia ficando mais débil . Harry tinha a certeza de que ela estava a afastar se , a subir . Um misto de medo e excitação tomou posse de ele enquanto olhava para o tecto escuro . Como poderia ele subir ? Seria um fantasma para quem os tectos de pedra não contavam ? - Por aqui - gritou , começando a correr por as éscadas acima até a a entrada de o * hall * . Não havia hipótese de ouvir fosse o que fosse ali , o barulho de vozes que vinha de o banquete de o * _ Hallowe'en * ecoava cá fora . Harry subiu a correr a escadaria de mármore até a o primeiro andar com Ron e Hermione ruidosamente atrás . - Harry o que é_que nós ... ? - Sch ... Harry apurou o ouvido . Ao_longe , em o andar de cima , e ainda a enfraquecer , mesmo_assim ouviu a voz : - ... * Cheira-me a sangue ... cheira me a sangue ! * O estômago deu lhe uma volta . - Ele vai matar alguém - gritou e ignorando as caras perplexas de Ron e Hermione , correu , subindo mais um lanço de escadas , a três_e_três , tentando ouvir através de o ruído de os seus próprios passos . Harry correu a_toda_a velocidade pelo segundo andar com Ron e Hermione atrás e só parou quando viraram uma esquina para o último corredor abandonado . - Harry , o que foi aquilo tudo ? - perguntou o Ron , limpando o suor de o rosto . - Eu não ouvi nada ... Mas Hermione , em um sobressalto , apontou para o fundo de o corredor . - Olhem ! Alguma coisa brilhava em a parede em frente . Aproximaram se devagarinho , tentando ver em a escuridão . Alguém escrevera em letras garrafais em a parede entre duas janelas . As palavras brilhavam a a chama fraca de as tochas . : __ a câmara de os segredos foi aberta . inimigos de o herdeiro , __ cuidado . - O que é aquilo pendurado por baixo de as letras ? - perguntou Ron com um tremor em a voz . Quando se aproximaram , Harry quase escorregou . Havia uma grande poça de água em o chão . Ron e Hermione agarraram o e avançaram cautelosamente até a a mensagem , os olhos fixos em uma sombra escura , em baixo . Aperceberam se os três de imediato do_que se tratava e deram um salto para trás , salpicando tudo de água . Mrs._Norris , a gata de o encarregado , estava pendurada por a cauda em o suporte de a tocha . Tinha o corpo rígido como uma tábua e os olhos abertos . Durante alguns segundos ninguém se mexeu . Depois o Ron disse : - Vamos sair de aqui . - Não devíamos tentar ajudar ? - propôs Harry , sem graça . - Acredita - assegurou o Ron . - É melhor que não nos encontrem aqui . Mas era tarde de mais . Um ruído surdo e prolongado , como um trovejar distante , avisou os de que o festim tinha terminado . De ambos os lados de o corredor onde eles estavam , veio o som de centenas de pés a subirem a escadaria e as vozes alegres de gente bem alimentada . Em o momento seguinte os alunos chegavam junto de eles de ambos os lados . O burburinho morreu subitamente mal as pessoas avistaram a gata pendurada . Harry , Ron e Hermione estavam de pé , sozinhos , em o meio de o corredor quando se fez silêncio em a multidão de estudantes que se empurravam para observar aquele quadro macabro . Então alguém gritou , quebrando o silêncio . - Inimigos de o herdeiro , cuidado . Vocês serão os próximos , sangue de lama ! Era_Draco_Malfoy . Estava a a frente de a multidão com os olhos frios a brilhar , a sua cara habitualmente pálida agora afogueada , sorrindo a a vista de a gata pendurada e imóvel . IX_As palavras em a parede -- O que é_que se passa aqui ? O que é_que se passa ? Sem dúvida , atraído por o grito de Malfoy , Argus_Filch apareceu a coxear em o meio de a multidão . Quando viu Mrs._Norris , caiu para trás agarrando o rosto com verdadeiro horror . - A minha gata ! A minha gata ! O que aconteceu a Mrs._Norris ? - gritou . E os seus olhos rápidos caíram sobre Harry . - Tu - guinchou ele . - Mataste a minha gata ! Mataste a , vou dar cabo de ti , eu ... - Argus . Dumbledore tinha chegado a o lugar , seguido de alguns professores . Em poucos segundos tinha passado a a frente de Harry , Ron e Hermione e desatado Mrs._Norris de o suporte de a tocha . - Vem comigo , Argus - disse ele a o Filch . - Vocês também , Mr._Potter , Mr._Weasley e Miss_Granger . Lockhart deu rapidamente um passo em frente . - O meu escritório é o que está mais perto , senhor director , é já aqui em cima , por favor fiquem a a vontade . - Obrigado , Gilderoy - disse Dumbledore . A multidão silenciosa dividiu se para os deixar passar . Lockhart sentindo se excitado e importante , seguia Dumbledore assim_como a professora Mc_Gonagall e o professor Snape . Quando entraram em o escritório escuro de Lockhart houve uma grande agitação em as paredes . Harry viu várias imagens de Lockhart a esconderem se cheias de rolos em o cabelo . O Lockhart em pessoa acendeu as velas e chegou se mais para trás . Dumbledore pôs Mrs._Norris em a superfície polida de a secretária e começou a examiná a . Harry , Ron e Hermione trocaram olhares tensos entre si e deixaram se cair em as cadeiras que se encontravam longe de a luz , a observar . A ponta de o nariz longo e adunco de Dumbledore estava a menos_de dois centímetros de o pêlo de Mrs._Norris . Ele olhava a de perto através de os óculos de meia-lua , os dedos longos a palpar e tactear suavemente . A professora Mc_Gonagall estava quase tão perto como ele , com os olhos contraídos . Snape surgia mais atrás , meio em a sombra , com uma expressão estranha em o rosto , como_se tentasse a_toda_a força sorrir . E Lockhart andava de um lado para o outro a dar sugestões . - Foi sem dúvida uma maldição que a matou , provavelmente a tortura de a metamorfose . Vi a muitas_vezes ser usada , mas infelizmente eu não estava lá quando isto aconteceu . Conheço o antídoto para essa maldição , o que a teria salvo . Os comentários de Lockhart foram interrompidos por os soluços secos e violentos de Filch . Estava afundado em uma cadeira junto de a secretária , incapaz de olhar para Mrs._Norris , com o rosto em as mãos . Por mais que detestasse Filch , Harry não pôde deixar de sentir pena de ele embora não tanta quanto_a que sentia por si próprio . Se Dumbledore acreditasse em o Filch ele seria certamente expulso . O director estava agora a sussurrar umas palavras estranhas e batendo em Mrs._Norris com a varinha , mas não aconteceu nada , ela continuou com o mesmo aspecto , como_se tivesse sido empalhada . - ... Lembro me de uma coisa semelhante que aconteceu em Ouagadogou - disse LockLart . - Uma série de ataques . Conto essa história em a minha autobiografia . Eu dei a a gente de a cidade vários amuletos que resolveram logo a situação ... As fotografias de Lockhart em as paredes iam acenando afirmativamente com a cabeça enquanto ele falava . Uma de elas esquecera se de tirar os rolos de o cabelo . Por fim , Dumbledore endireitou se . - Ela não está morta , Argus - disse suavemente . Lockhart interrompeu bruscamente a contagem de os crimes que conseguira evitar . - Não está morta ? - disse Filch em um sufoco , olhando através de os dedos para Mrs._Norris . - Mas , porque está ela rígida e gelada ? - Foi petrificada - disse Dumbledore ( Ah ! foi o que eu pensei ! - comentou Lockhart ) mas como , não posso afirmar . - Pergunte lhe - gritou Filch , voltando a cara cheia de furúnculos e lágrimas para Harry . - Nenhum aluno de o segundo ano poderia ter feito isto - explicou Dumbledore . - Era preciso um grande conhecimento de magia negra . - Foi ele , foi ele - disse encolerizado o encarregado com a cara a ficar roxa . - O senhor viu o que ele escreveu em a parede . Ele descobriu em o meu gabinete , ele sabe que eu sou um ... - O rosto de Filch estava horrível . - Ele sabe que eu sou um * _ busca-pé * - disse por fim . - Eu não toquei em a Mrs._Norris - gritou Harry com todos os olhares a recaírem sobre ele , incluindo o de todos os Lockharts de a parede . - E eu nem sei o que é um * busca-pé * . - Mentira ! - gritou Filch . - Ele viu a minha carta de o feitiço rápido . - Se me permite que dê a minha opinião , senhor director - disse Snape , saindo de a sombra , e a sensação de mau presságio de Harry aumentou bastante . Certamente nada do_que Snape tinha para de dizer iria ajudá o . - O Potter e os amigos podiam estar simplesmente em o lugar errado em a altura errada - afirmou com um leve sorriso a torcer lhe a boca como_se tivesse as suas dúvidas . - Mas , temos aqui um conjunto de circunstâncias curiosas . Porque estavam eles afinal em o corredor ? Porque não estiveram presentes em a festa de o * _ Hallowe'en * ? Harry , Ron e Hermione começaram uma longa explicação sobre a festa de o dia de os mortos . - Estavam lá centenas de fantasmas , eles poderão confirmar que lá estivemos ... - Mas porque não foram a seguir a o banquete ? - perguntou Snape com os olhos pretos a brilharem a a luz de as velas . - Porquê ir até a aquele corredor ? Ron e Hermione olharam para Harry . - Porque , porque ... - balbuciou Harry , com o coração a querer saltar lhe de o peito , mas algo lhe disse que ia parecer muito rebuscado se lhes contasse que tinha sido levado até ali por uma voz sem corpo que só ele conseguia ouvir . - Porque estávamos cansados e queríamos ir para a cama - disse . - Sem jantar ? - inquiriu Snape com um sorriso triunfante a bailar lhe em o rosto lúgubre . - Não sabia que os fantasmas ofereciam em as suas festas comida para gente viva . - Não estávamos com fome - disse o Ron bem alto , enquanto o estômago se queixava de forma audível . O sorriso mesquinho de a Snape ampliou se . - Acho , senhor director , que Potter não está a dizer toda_a verdade - afirmou . - Talvez fosse boa ideia retirar lhe alguns privilégios , até ele estar disposto a contar nos a história toda . Pessoalmente , sugiro que seja retirado de a equipa de os Gryffindor até decidir ser honesto . - Francamente , Severus - exclamou a professora Mc_Gonagall com uma voz cortante . - Não vejo porquê impedir o rapaz de jogar Quidditch . Esta gata não levou pauladas em a cabeça dadas por nenhum cabo de vassoura . E não há provas de que o Potter tenha feito algo de mal . Dumbledore observava Harry com um olhar perscrutador . A voz tremeluzente de os seus olhos azuis fez Harry sentir que estava a ser passado a raios X. - Inocente até se provar que é culpado , Severus - disse com segurança . Snape estava furioso , assim_como Filch . - A minha gata foi petrificada ! - berrou , com os olhos a saltarem de as órbitas . - Quero ver um castigo ! - Vamos poder curá a , Argus - explicou pacientemente Dumbledore . - Madam_Sprout conseguiu arranjar algumas Mandrágoras . Logo_que tenham atingido o tamanho adulto , terei uma poção de Mandrágoras que reanimará Mrs._Norris . - Eu posso fazê a - interrompeu Lockhart . - Devo ter feito isso uma centena de vezes . Preparo uma golada de Mandrágora reconstituinte de olhos fechados ... - Perdão - disse Snape friamente -- , mas julgo que o professor de poções de esta escola ainda sou eu . Houve um silêncio bastante incómodo . - Vocês podem ir se embora - disse Dumbledore a o Harry , Ron e a Hermione . Eles saíram o mais depressa que puderam , sem ir a correr . Quando chegaram a o andar acima de o escritório de Lockhart , entraram em uma sala de aulas vazia e fecharam a porta devagarinho . Harry lançou um olhar de esguelha a as caras carrancudas de os amigos . - Acham que eu lhes devia ter falado de a voz que ouvi ? - Não - respondeu Ron , sem a mínima hesitação . - Ouvir vozes que mais ninguém ouve , não é bom sinal , nem em o mundo de os feiticeiros . Algo em a voz de Ron levou Harry a fazer a pergunta : - Tu acreditas em mim , não acreditas ? - Claro que sim - respondeu o Ron de imediato . - Mas tens de concordar que é esquisito ... - Eu sei que é esquisito - confirmou Harry . - É tudo esquisito . O que era aquilo escrito em a parede ? * _ A_Câmara foi aberta * , o que é_que significa ? - Sabes , faz me lembrar qualquer coisa - disse Ron lentamente . - Acho que alguém me contou uma história sobre uma câmara secreta em Hogwarts , talvez tenha sido o Bill ... - E que diabos é um * busca-pé * ? - perguntou Harry . Para sua surpresa , Ron abafou o riso . - Bem , em a verdade não tem graça nenhuma , mas como é o Filch ... - disse . - Um * busca-pé * é alguém que nasceu de uma família de feiticeiros , mas não tem poderes mágicos . É uma espécie de o oposto de os que vêm de famílias de Muggles , mas são feiticeiros . Os * busca-pé * são muito raros . Se o Filch está a tentar aprender magia em um curso rápido , acho que ele deve ser mesmo um busca-pé . Isso explicaria tudo , por_exemplo , porque detesta tanto os estudantes . - Ron sorriu satisfeito . - Tem inveja . Um relógio deu as horas , algures . - Meia-noite - disse Harry . - É melhor irmo nos deitar , antes que o Snape apareça e tente acusar nos de qualquer coisa . Durante alguns dias não se falou de outra coisa em a escola a não ser de o ataque a a gata , Mrs._Norris . Filch manteve o sucedido bem fresco em a memória de todos , andando de um lado para o outro em o lugar onde ela fora atacada , como_se esperasse por o responsável . Harry vira o esfregar a mensagem de a parede com a « solução removedora de toda_a porcaria mágica Mrs._Skower » , mas sem qualquer resultado . As palavras continuavam a brilhar tanto como antes sobre a pedra . Quando Filch não estava a patrulhar a cena de o crime , vagueava , de olhos avermelhados , por os corredores , perseguindo alunos insuspeitos e tentando aplicar lhes castigos por coisas como « respirar muito alto » ou « estar alegre » . Ginny_Weasley parecia muito perturbada com o destino de Mrs._Norris . Segundo Ron ela era uma amante de gatos . - Mas tu nem chegaste a conhecer bem Mrs._Norris - disse lhe Ron para a animar . - Com toda_a franqueza , estamos muito melhor sem ela . - O lábio de Ginny tremeu . - Não é costume acontecerem coisas de estas em Hogwarts - tranquilizou a . - Eles vão descobrir o safado que fez aquilo e põem o de aqui para fora em três tempos . - Só espero que tenha tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso . Estou a brincar , claro - acrescentou o Ron apressadamente a o ver a Ginny a empalidecer . O ataque afectara também Hermione . Era costume de ela passar muito_tempo a ler , mas agora parecia não fazer mais_nada . Nem respondia a o Harry e a o Ron quando lhe perguntavam o que estava a fazer e só acabaram por descobrir em a quarta-feira seguinte . Harry tivera de ficar até mais tarde em a sala de poções onde Snape o mandara raspar restos de larvas de as secretárias . Depois de um almoço comido a a pressa , ele foi lá acima encontrar se com Ron em a biblioteca e viu Justin_Finch - _ Fletchley , o rapaz de os Hufflepuff de herbologia que vinha em direcção a ele . Harry tinha acabado de abrir a boca para dizer um « Olá » quando Justin o viu , voltando se bruscamente e mudando de direcção . Harry foi encontrar o Ron em as traseiras de a biblioteca , a medir o trabalho de casa de história de a magia . O professor Binns pedira uma composição sobre a Assembleia_Medieval_de_Feiticeiros_Europeus com 90cm . De extensão . - Não posso crer que ainda me faltem 16cm - disse o Ron furioso , largando o pergaminho que se enrolou em forma de tubo - e que a Hermione fez um metro e trinta em aquela letra pequenina e apertadinha . - Onde está ela ? - perguntou Harry , agarrando em a fita métrica e desembrulhando o seu trabalho de casa . - Algures por aí - disse o Ron , apontando para as estantes . - _ a a procura de outro livro . Acho que ela está a tentar ler a biblioteca toda antes de o Natal . Harry contou a Ron que Justin_Finch - _ Fletchley tinha evitado falar lhe . - Não sei porque te preocupas com isso . Eu achei o um idiota - disse o Ron , escrevinhando e fazendo a letra o maior possível . - Todo aquele disparate sobre o Lockhart ser tão grande ... Hermione surgiu de o meio de as estantes . Parecia irritada e disposta , por fim , a falar com eles . - Todos os exemplares de * _ Hogwarts : Uma História * foram requisitados - disse , sentando se ao_lado_de Harry e Ron . - E há uma lista de espera de duas semanas . Quem me dera não ter deixado o meu exemplar em casa , mas não consegui que coubesse em a mala com todos os livros de o Lockhart . - Para que o queres ? - perguntou Harry . - Pelo mesmo motivo que toda_a_gente o quer - disse Hermione . - Para ler a lenda de a Câmara_dos_Segredos . - O que é isso ? - Precisamente . Não me lembro - disse Hermione , mordendo o lábio . - E não encontro a História em lugar nenhum . - Hermione , deixa me ler o teu trabalho - pediu Ron desesperado , olhando para o relógio . - Não , não deixo - respondeu Hermione com um ar severo . - Tiveste dez dias para o fazer . - Só preciso de mais quatro centímetros , vá lá ... A campainha tocou . Ron e Hermione encaminharam se para a História_da_Magia , discutindo . A História_da_Magia era a matéria mais chata de o programa . O professor Binns , que dava a cadeira , era o único professor fantasma e a coisa mais excitante que aconteceu em as suas aulas foi o dia em que entrou por o quadro preto . Já velho e enrugado , muita gente afirmava a seu respeito que ele não dera por_que tinha morrido . Pura e simplesmente levantara se um dia para ir dar aulas , deixando o corpo atrás , em um cadeirão em frente de a lareira de a sala de os professores . Desde esse dia a sua rotina mantivera se igual . Era hoje tão chato como fora sempre . Abriu as notas e começou a ler em um tom monocórdico como um velho aspirador até quase todos os alunos estarem em um estado de profunda dormência , acordando de vez em quando , para tomar nota de um nome ou de uma data , e voltando a adormecer . Estava a falar havia meia_hora quando aconteceu algo que nunca tinha acontecido . Hermione pôs o braço em o ar . O professor Binns olhou de relance , em o meio de a chatíssima aula sobre a Convenção_Internacional_de_Feiticeiros de 1289 , verdadeiramente espantado . - Miss ... er ... ? - Granger , professor . Poderia dizer nos alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Hermione em uma voz bem audível . O Dean_Thomas , que tinha estado sentado de boca aberta olhando para fora de a janela , saiu de o seu transe com um salto . A cabeça de Lavender_Brown saiu de os braços e o cotovelo de o Neville_Longbottom escorregou para fora de a secretária . O professor Binns piscou os olhos . - A minha matéria é História_da_Magia - disse em a sua voz seca e asmática . - Eu trato de factos , Miss_Granger , não de mitos e lendas - pigarreou produzindo um ruído que parecia o giz sobre o quadro e continuou : - Em Setembro de esse ano , uma subcomissão de feiticeiros de a Sardenha ... Parou de repente . A mão de Hermione estava de_novo em o ar . - Sim , Miss_Grant ? - Por favor , professor , as lendas não têm sempre um facto como base ? O professor Binns olhava para ela com tal espanto que Harry teve a certeza de que ele nunca , em tempo algum , fora interrompido por um aluno . - Bem - disse lentamente o professor Binns . - Sim , é uma afirmação que pode fazer se . - Olhou para Hermione como_se fosse a primeira vez que olhasse a sério para um estudante . - Contudo , a lenda de que me fala é tão extraordinária , mesmo grotesca ... Mas a aula inteira estava agora atenta a as palavras de o professor , que olhou indistintamente para todos eles . Harry poderia assegurar que ele estava absolutamente abismado por uma tão grande demonstração de interesse . - Muito bem - disse lentamente . - Ora vejamos ... a Câmara_dos_Segredos . Todos vocês sabem com certeza que Hogwarts foi fundada há mais de um_milhar de anos , não se conhece ao_certo a data , por os quatro maiores feiticeiros e feiticeiras de a época : Godric_Gryffindor , Helga_Hufflepuff , Rowena_Ravenclaw e Salazar_Slytherin . Construíram juntos este castelo , longe de os olhares curiosos de os Muggles porque em aquele tempo a magia era temida por as pessoas comuns e as bruxas e feiticeiros sofriam terríveis perseguições . Fez uma pausa , olhou indeciso em volta e prosseguiu : - Durante alguns anos , os fundadores trabalharam juntos em harmonia procurando outros mais novos que mostrassem sinais de possuir dotes mágicos e trazendo os para o castelo para aqui serem ensinados . Mas os desentendimentos surgiram entre eles . Começou a notar se uma divisão entre Slytherin e os outros . Salazar_Slytherin queria ser mais selectivo em relação a os alunos a serem admitidos em Hogwarts . Achava que os ensinamentos de magia deviam ficar dentro de as famílias de feiticeiros . Não lhe agradava a entrada em a escola de alunos de famílias Muggles porque os achava pouco dignos de confiança . Depois de algum tempo houve uma séria discussão sobre esse assunto entre Slytherin e Gryffindor e Slytherin abandonou a escola . O professor Binns fez uma nova pausa , fazendo beicinho o que o fazia parecer uma tartaruga enrugada . - Fontes fidedignas referem nos isto - disse . - Mas estes factos foram obscurecidos por a fantasiosa lenda de a Câmara_dos_Segredos . Conta a história que Slytherin construíra uma câmara oculta dentro de o castelo cuja existência os outros fundadores ignoravam . De_acordo com a lenda , Slytherin selou a Câmara_dos_Segredos para que ninguém pudesse abri a até o seu verdadeiro herdeiro chegar a a escola . O herdeiro , e apenas ele , poderia abrir a Câmara_dos_Segredos , libertar o horror que lá se encontrava e utilizá o para expurgar a escola de todos aqueles que eram indignos de aprender magia . Houve um silêncio quando ele se calou que não era o habitual silêncio de sono de as aulas de o professor Binns . Havia um desassossego em o ar enquanto todos continuavam a olhá o a a espera de mais . O professor Binns estava ligeiramente aborrecido . - A história toda é um disparate , claro - disse ele . - A escola foi revistada por várias vezes em busca de provas de a existência de essa câmara , por os feiticeiros e bruxas mais conhecedores . Não existe nada . Uma lenda que serviu apenas para assustar os ingénuos . A mão de Hermione estava novamente em o ar . - Professor , o que quer_dizer , ao_certo com « o horror que estava dentro de a câmara » ? - Acredita se que seja uma espécie de monstro que só o herdeiro de Slytherin pode controlar - disse o professor Binns em a sua voz seca e débil . A aula trocou entre si olhares inquietos . - Como vos digo , a coisa não existe - afirmou o professor Binns , desordenando as suas notas . - Não há câmara e não há monstro . - Mas , professor - disse Seamus_Finnigan . - Se a câmara só podia ser aberta por o herdeiro de Slytherin ninguém mais poderia encontrá a . Não é ? - Um disparate pegado - disse o professor Binns , em um tom de voz exasperado . - Se uma longa sucessão de directores e directoras de Hogwarts não a encontraram ... - Mas , professor - começou a dizer Parvati_Patil . Se_calhar é preciso usar magia negra para a abrir ... - Lá porque um feiticeiro não usa magia negra não quer_dizer que não possa , Miss_Pennyfeather - interrompeu o professor Binns . - Repito , se os antecessores de Dumbledore ... - Mas talvez seja preciso fazer parte de os Slytherin , por isso Dumbledore não podia ... - começou Dean_Thomas , mas o professor Binns já estava farto . - Já chega - disse , de modo cortante . - É um mito . Não existe . Não há uma única prova de que Slytherin tenha construído nem mesmo uma despensa para vassouras . Lamento ter vos contado esta história tola . Vamos voltar , se fazem o favor , a a História , a os factos sólidos , verificáveis , credíveis . E em menos_de cinco minutos toda_a classe mergulhara em a sua sonolência habitual . - Eu sempre ouvi dizer que Salazar_Slytherin era um velho retorcido e meio pateta - disse Ron_a_Harry e Hermione enquanto abriam caminho por os corredores cheios , em o final de a aula , para ir arrumar as malas antes de o jantar . - Mas não sabia que ele tinha começado esta coisa de o sangue puro . Eu não ia para os Slytherin nem que me pagassem . Se o chapéu seleccionador me tivesse posto lá , pegava em as malas e ia me embora ... Hermione acenou vivamente , mas Harry não abriu a boca . O estômago parecia ter dado uma volta . Harry nunca contara a o Ron e a a Hermione que o chapéu seleccionador tinha considerado seriamente a possibilidade de o colocar em os Slytherin . Lembrava se como_se tivesse sido em a véspera do_que a vozinha lhe dissera a o ouvido quando pôs o chapéu em a cabeça , um ano antes . * _ Podias vir a ser grande , sabes ? Está tudo aqui em a tua cabeça e Slytherin ajudaria te em o caminho para a grandeza , sem a menor dúvida * ... Mas Harry , que já ouvira falar de a fama de o grupo de os Slytherin de formar magos negros , pensou desesperadamente . - Em os Slytherin , não ! - E o chapéu tinha dito . - Bem , se tens assim tanta certeza ... será melhor os Gryfffndor . Enquanto eram empurrados por a multidão , Colin_Creevey passou por eles . - Olá , Harry ! - Olá , Colin - disse Harry automaticamente . - Harry , Harry , um rapaz de a minha turma tem andado a dizer que tu és ... Mas Colin era tão baixinho que não conseguiu lutar contra a maré de gente que o arrastou até a o vestíbulo . Ouviram o despedir se : - Adeus , Harry - e desaparecer . - O que é_que o rapaz de a turma de ele disse de ti ? - quis saber Hermione . - Que eu sou o herdeiro de Slytherin , imagino - disse Harry , com o estômago ainda a as voltas e lembrou se de repente de o Justin_Finch - _ Fletchley a fugir para não lhe falar , a a hora de o almoço . - As pessoas aqui acreditam em tudo - disse o Ron com repugnância . A multidão diminuiu e conseguiram subir as escadas sem dificuldade . - Achas mesmo_que existe uma Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Ron_a_Hermione . - Não sei - respondeu ela , franzindo a testa . - Dumbledore não conseguiu curar Mrs._Norris e isso leva me a pensar que o que a atacou pode não ser ... humano . Enquanto falava , voltaram uma esquina e encontraram se em o fim de aquele mesmo corredor onde o ataque tinha ocorrido . Pararam para olhar . Estava tudo igual a aquela outra noite , com excepção de a gata Mrs._Norris e havia uma cadeira vazia encostada a a parede , onde podia ler se a mensagem « : __ a câmara foi __ aberta » . - Foi aqui que o Filch montou a guarda - murmurou Ron . Olharam uns para os outros . O corredor estava deserto . - Não deve fazer mal dar uma olhadela aqui - disse Harry , deixando cair a mala e pondo se de quatro para poder gatinhar em busca de pistas . - Marcas de queimadura - disse - aqui e aqui ... - Venham ver isto ! - chamou Hermione . - Que estranho ... Harry levantou se e foi até a a janela que ficava junto de a mensagem . Hermione apontava para o vidro mais alto , onde cerca de uma vintena de aranhas se debatiam em uma aparente luta por atravessar por uma pequena brecha de vidro . Um longo fio prateado balouçava como uma corda , como_se todas tivessem trepado , em a ânsia de chegar lá fora . - Alguma vez viram aranhas agir assim ? - perguntou Hermione , curiosa . - Não - respondeu Harry . - E tu , Ron ? Ron ? Olhou por cima de o ombro . Ron estava de costas , bem lá atrás e parecia lutar contra o impulso de se virar . - O que é_que se passa ? - perguntou Harry . - Eu não gosto de aranhas - disse Ron , de modo tenso . - Nunca me tinhas dito - comentou Hermione , olhando para ele com surpresa . - Estás farto de usar aranhas em as poções ... - Não me importo quando estão mortas - explicou Ron que olhava cautelosamente para todos os lados , menos para a janela . - Não gosto de a maneira como_se mexem . Hermione riu se baixinho . - Não tem graça nenhuma - disse o Ron , furioso . - Se queres saber , quando eu tinha três anos , o Fred transformou o meu ursinho de pelúcia em uma enorme aranha nojenta , por eu lhe ter partido a vassoura de brinquedo . Tu também não gostarias de aranhas se estivesses agarrada a o teu ursinho e , de repente , ele tivesse uma data de pernas e ... Começou a tremer ... Hermione ainda estava a tentar conter o riso . Sentindo que era melhor mudarem de assunto , Harry perguntou : - Lembram se de a água que havia aqui em o chão ? De onde terá vindo ? Alguém a limpou . - Era por aqui - disse o Ron , já recuperado , avançando alguns passos em direcção a a cadeira de o Filch e apontando . - Junto de esta porta . Estendeu a mão para o puxador de a porta , mas retirou a de imediato , como_se se tivesse queimado . - O que foi ? - perguntou Harry . - Não posso entrar aí - disse o Ron bruscamente . - É a casa_de_banho de as raparigas . - Oh , Ron , não está aí ninguém - sossegou o Hermione enquanto se aproximava . - É o lugar de a Murta_Queixosa . Anda , vamos dar uma espreitadela . E ignorando o grande letreiro que dizia « Fora de serviço » Hermione abriu a porta . Era a casa_de_banho mais sombria e deprimente em que Harry tinha posto os pés durante toda_a sua vida . Debaixo_de um grande espelho partido e sujo podia ver se uma fila de lavatórios de pedra , rachados . O chão estava húmido e reflectia a luz fraca de os pavios de algumas velas que ardiam baixinho em os suportes . As portas de madeira de os cubículos estavam todas lascadas e riscadas e uma de elas balouçava fora de as dobradiças . Hermione levou os dedos a os lábios e foi até a o último cubículo . Quando lá chegou disse : - Olá , Murta , como estás ? Harry e Ron foram ver . A Murta_Queixosa flutuava em a cisterna de a casa_de_banho , tirando um ponto negro de o queixo . - Esta é a casa_de_banho de as raparigas - disse a o ver o Ron e o Harry . - Eles não são raparigas . - Não - concordou Hermione . - Eu só queria mostrar lhes como esta casa_de_banho é ... er ... simpática . Ela fez um aceno vago a o velho espelho sujo e a o chão húmido . - Pergunta lhe se viu alguma coisa - sussurrou o Ron a a Hermione . - Porque estão a dizer segredinhos ? - perguntou a Murta , fitando o . - Não é nada - disse Harry rapidamente . - Queríamos perguntar ... - Gostava que as pessoas parassem de falar em as minhas costas ! - desabafou a Murta em uma voz abafada por as lágrimas . - Eu tenho sentimentos , sabem , apesar_de estar morta . - Murta , ninguém quis aborrecer te - explicou Hermione . - O Harry só ... - A minha vida foi uma infelicidade em este lugar e agora as pessoas vêm estragar a minha morte . - Nós queríamos perguntar te se tinhas visto alguma coisa estranha ultimamente - disse Hermione sem perder tempo . - Porque foi atacada uma gata mesmo aqui a a frente de a tua porta em a noite de o * _ Hallowe'en * . - Viste alguém aqui perto em essa noite ? - insistiu Harry . - Não estava a prestar atenção - disse a Murta com ar dramático . - O Peeves aborreceu me tanto que vim aqui para tentar matar me . Só então me lembrei de que estou ... de que estou ... - Já morta - ajudou o Ron . A Murta soluçou tragicamente , elevou se em o ar , voltou se e mergulhou de cabeça em a sanita , espalhando água por_cima_de todos eles e desaparecendo . Por o som de os seus soluços abafados fora certamente descansar algures em o cano em forma de V._Harry e Ron ficaram de boca aberta , mas Hermione encolheu os ombros de cansaço e disse : - Se querem saber , para a Murta isto até foi alegre ... vá , vamos embora . Harry tinha acabado de fechar a porta deixando atrás os soluços gorgolejantes de a Murta quando uma voz forte o fez dar um salto . - RON ! Percy_Weasley estava parado em o cimo de as escadas com o seu distintivo de prefeito a brilhar e uma expressão chocadíssima em o rosto . - Isso é a casa_de_banho de as raparigas ... o que é_que vocês ... ? - Estávamos só a dar uma vista de olhos - exclamou o Ron - a a procura de pistas ... Percy engoliu em seco , de uma maneira que fez Harry lembrar se de Mrs._Weasley . - Saiam imediatamente de aqui - disse , aproximando se de eles a passos largos e gesticulando agitadamente . - Não se preocupam com as aparências ? Voltar aqui enquanto toda_a_gente está a jantar ... - Porque não havíamos de estar aqui ? - perguntou cheio de vivacidade o Ron , parando de repente e olhando Percy em os olhos . - Ouve lá , nós não tocamos em aquela gata . - Isso foi o que eu tentei explicar a a Ginny - respondeu Percy furioso - mas ela parece continuar a pensar que vocês vão ser expulsos . Nunca a vi tão aflita . Não pára de chorar . Devias pensar em ela . Todos os alunos de o primeiro ano andam superexcitados com esta história . - Tu não estás nada preocupado com a Ginny - disse o Ron já com as orelhas vermelhas . - O que te assusta é_que eu possa estragar as tuas possibilidades de ser chefe de turma . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor ! - bradou Percy , apontando elegantemente para o distintivo de prefeito . - E espero que te sirva de lição . Acabou se o trabalho de detective ou escrevo a a mãe a contar lhe . E voltou lhes as costas , a nuca tão vermelha como as orelhas de o Ron . Harry , Ron e Hermione , em essa noite , sentaram se em a sala comum o mais longe possível de Percy . Ron estava ainda muito maldisposto e não parava de esborratar o trabalho de casa de os encantamentos . Quando pegou distraidamente em a varinha para tirar as manchas incendiou o pergaminho . A deitar quase tanto fumo como o seu trabalho de casa , fechou bruscamente o * _ Livro_Padrão_de_Encantamentos de o 2.o Grau * . Para grande surpresa de Harry , Hermione fez o mesmo . - Mas quem poderia ser - perguntou ela baixinho como_se continuasse uma conversa que tinham acabado de ter . - Quem quereria todos os * busca-pés * e filhos de Muggles fora de Hogwarts ? - Vamos pensar - disse o Ron em a brincadeira , fingindo estar confuso . - Quem poderemos nós conhecer que ache que os familiares de Muggles são escumalha ? Olhou para Hermione . Ela olhou para ele pouco convencida . - Se estás a pensar em o Malfoy ... - Claro que estou - disse o Ron . - Tu ouviste o dizer : - Vocês serão os próximos , sangues de lama ! - Aliás , basta olhar para aquela cara de renegado para saber que ele é ... - Malfoy , o herdeiro de Slytherin ? - repetiu Hermione cepticamente . - Olha para a família de ele - disse Harry , fechando também os livros . - Todos eles estiveram em os Slytherin . O Draco está sempre a vangloriar se de isso . Podiam bem ser descendentes de Slytherin . O pai de ele é suficientemente mau . - Podiam perfeitamente ter tido a chave de a Câmara_dos_Segredos durante séculos - disse Ron - , fazendo a passar de pai para filho . - Bem - acedeu Hermione cautelosamente . - Seria possível ... - Mas como prová o ? - perguntou Harry tristemente . - Talvez haja um meio - sugeriu Hermione lentamente , baixando ainda mais a voz e lançando um olhar , através de a sala , a Percy . - É claro que não é fácil . E é perigoso , muito perigoso . Suponho que iríamos infringir cerca de cinquenta regras de a escola . - Se de aqui a um mês ou dois te decidires a explicar , avisa , está bem ? - disse Ron , que começava a ficar irritado . - Está bem - concordou Hermione friamente . - O que precisaríamos de fazer para entrar em a sala comum de os Slytherin e fazer algumas perguntas a o Malfoy , sem ele perceber que éramos nós ? - Mas isso é impossível - declarou Harry , enquanto Ron se ria . - Não , não é - continuou Hermione . - Só precisamos de um_pouco de poção * polisuco * . - O que é isso ? - perguntaram ao_mesmo_tempo Ron e Harry . - O Snape falou de ela em uma aula , há poucas semanas atrás . - Achas que não temos mais o que fazer do_que ouvir o Snape ? - murmurou o Ron . - Transforma nos em outra pessoa . Pensem em isso : podíamos transformar nos em três de os Slytherin . Ninguém saberia que éramos nós . É provável que o Malfoy nos contasse alguma coisa . Aposto que ele está a gabar se , em este momento , em a sala de os Slytherin , se ao_menos pudéssemos ouvi o . - Essa coisa de o * polisuco * cheira me um bocado mal - disse o Ron , franzindo as sobrancelhas . - E se ficarmos com a forma de os três Slytherin para sempre ? - Desaparece a o fim de algum tempo - disse Hermione , gesticulando impacientemente com a mão - mas conseguir a receita é muito difícil . O Snape disse que vinha em um livro chamado * _ As_Mais_Potentes_Poções * e está com certeza em a parte de os reservados de a biblioteca . Só havia uma maneira de obter o livro de os reservados : era com uma autorização assinada por um professor . - Não estou a ver porque quereríamos o livro - disse o Ron . - Se não para tentar fabricar uma de as poções . - Eu acho - sugeriu Hermione - que se fizéssemos parecer que o nosso interesse era apenas teórico , talvez conseguíssemos ... - Estás a sonhar , nenhum professor ia cair em essa - afirmou o Ron . - Só se fosse muito burro . X_A * bludger * perigosa Depois de o desastroso incidente de os duendes , o professor Lockhart não voltou a levar seres vivos para as aulas . Em vez de isso , lia a os alunos passagens de os seus livros e , por vezes , voltava a desempenhar alguns de os episódios mais dramáticos . Costumava chamar Harry para o ajudar em essas reconstruções . Até ali Harry fora obrigado a desempenhar o papel de um camponês de a Transilvânia que Lockhart curara de uma maldição murmurada , o abominável homem de as neves com dores de cabeça e um vampiro que depois de ter conhecido Lockhart tinha ficado incapaz de comer outra coisa que não fosse alfaces . Harry foi chamado para a frente de a classe durante a aula de Defesa contra as artes negras que se seguiu . Desta_vez para desempenhar o papel de um lobisomem . Se não tivesse um bom motivo para querer ver o Lockhart bem-disposto , teria se recusado . - Um uivo bem alto , excelente , Harry , isso mesmo . E foi então que , acreditem ou não , eu o ataquei de repente , assim . Atirei o a o chão , agarrei o com uma mão e com a outra consegui meter lhe a varinha em a garganta . Então , com a força que me restava pus em prática o complicadíssimo encantamento * _ Homorphus * . Harry soltou um uivo tristíssimo . - Vá lá , Harry , mais alto . Bom ... o pêlo desapareceu , os dentes diminuíram de tamanho e ele transformou se em um homem . Simples , mas eficaz e mais uma cidade ficará a lembrar se de mim para sempre como o herói que os libertou de os ataques mensais de o lobisomem . A campainha tocou e Lockhart pôs se de pé . - Trabalho para_casa : escrever um poema sobre a minha vitória sobre o lobisomem Wagga_Wagga . Há um exemplar autografado de * _ Eu , o Mágico * para o autor de o melhor poema . Os alunos começaram a sair . Harry voltou para trás e foi juntar se a o Ron e a a Hermione que estavam a a espera de ele . - Prontos ? - perguntou . - Espera até saírem todos - disse Hermione bastante nervosa . - Pronto ... Aproximou se de a secretária de Lockhart , apertando em a mão uma folha de papel , com o Ron e o Harry atrás . - Er ... professor Lockhart - gaguejou Hermione . - Eu queria requisitar este livro em a biblioteca , como leitura de apoio - entregou lhe o papel , com a mão ligeiramente trémula . - Só que faz parte de a secção de os reservados , por isso preciso de a assinatura de um professor . Acho que o livro me vai ajudar a compreender o que o senhor diz em * _ Passeios com Vampiros * acerca de os venenos de acção lenta ... - Ah , * _ Passeando com Vampiros * - disse Lockhart , pegando em a folha de papel de Hermione e sorrindo lhe abertamente . - E provavelmente o meu livro preferido . Gostou ? - Oh , muito - disse Hermione avidamente . - Tão inteligente o modo como apanhou o último com o passador de o chá . - Bem , tenho a certeza que ninguém se importará que eu dê uma ajudazinha suplementar a a melhor aluna de o segundo ano - disse Lockhart calorosamente , sacando de uma enorme pena de pavão . - É bonita , não é ? - comentou , adivinhando uma expressão de repulsa em a cara de o Ron . - Costumo guardas a para as minhas assinaturas de autógrafos . Rabiscou uma enorme assinatura cheia de altos e baixos e entregou a a Hermione . - Então , Harry - disse Lockhart enquanto Hermione dobrava a folha e a guardava em o saco . - Amanhã é a primeira partida de Quidditch de este ano , não é ? Gryffindor contra Slytherin . Ouvi dizer que és um jogador indispensável . Eu também fui * seeker * . Convidaram me inclusivamente para fazer parte de a Equipa_Nacional , mas eu preferi dedicar a minha vida a a erradicação de as forças de o mal . Mesmo_assim , se alguma vez precisares de um treino particular , não hesites em falar comigo , estou sempre disponível para partilhar a minha perícia com os jogadores menos dotados do_que eu . Harry fez um som indistinto com a garganta e saiu atrás_de Ron e Hermione . - Não acredito - disse quando os três examinavam a assinatura de Lockhart . - Ele nem viu que livro nós queríamos . - É porque é um idiota sem miolos - explicou o Ron . - Mas , quem se rala , temos o que queríamos . - Ele não é um idiota sem miolos - gritou Hermione com voz esganiçada enquanto se aproximavam quase a correr de a biblioteca . - Só porque ele disse que eras a melhor aluna de o segundo ano ... Baixaram as vozes a o entrar em a quietude abafada de a biblioteca . Madam_Prince , a bibliotecária , era uma mulher magra e irritável que parecia um abutre mal nutrido . - * _ Moste_Potente_Potions * ? - repetiu intrigada , tentando ficar com a folha de papel que Hermione se recusava a entregar lhe . - Gostava de a guardar para mim - disse sem fôlego . - Vá lá - intercedeu Ron , arrancando lhe a de as mãos e entregando a a Madam_Prince . - Nós arranjamos te outro autógrafo . O Lockhart assina tudo se aqui ficar muito_tempo . Madam_Prince pegou em o papel e voltou o em a direcção de a luz , decidida a descobrir uma falsificação , mas a assinatura passou em o teste . Desapareceu entre as estantes e voltou alguns minutos mais tarde , transportando um livro grande e de aspecto antiquado . Hermione meteu o com todo o cuidado em o saco e saíram , tentando não andar depressa de mais nem aparentar um ar culpado . Cinco minutos depois , estavam de_novo barricados em a casa_de_banho fora de serviço de a Murta_Queixosa . Hermione destruíra as objecções de Ron argumentando que aquele era o último lugar onde alguém em o seu juízo perfeito se lembraria de ir e que poderia assegurar lhes alguma privacidade . A Murta_Queixosa chorava ruidosamente em o seu cubículo , mas eles conseguiram ignorá a assim_como ela a eles . Hermione abriu * _ Moste_Potente_Potions * com todo o cuidado e inclinaram se os três sobre as páginas manchadas de humidade . Era fácil de perceber , logo à_primeira_vista de olhos , porque pertencia a a secção de os reservados . Algumas de as poções tinham efeitos quase impensáveis de tão macabros e havia ilustrações bastante desagradáveis , como , por_exemplo , aquela em que um homem parecia ter sido virado de o avesso e a de a bruxa com vários pares de braços suplementares a nascerem lhe em a cabeça . - Aqui está - disse Hermione excitadíssima a o encontrar a página intitulada « A poção * polisuco * « . Estava ilustrada com imagens de pessoas a meio de o processo de se transformarem em outras pessoas e Harry desejou ardentemente que a expressão de dor intensa que se lhes espelhava em o rosto fosse apenas produto de a imaginação de o artista desenhador . - Esta é a poção mais complicada que vi até hoje - disse Hermione enquanto examinava a receita . - Moscas asas de renda , sanguessugas , fluxo de cizânias e verdezelha - murmurou , acompanhando com o dedo a lista de ingredientes . - Bem , esses são relativamente simples , há os em a despensa de material de os estudantes , podemos tirar a a nossa vontade . Oh ! Vê só , pó de chifre de bicórneo ... não sei onde vamos arranjar isto ... e , é claro , um pedacinho de a pessoa em quem queremos transformar nos . - Como ? - perguntou Ron de forma cortante . - O que é_que queres dizer com um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos ? Eu não bebo nada que tenha lá dentro as unhas de os pés de o Crabbe ... Hermione continuou como_se não o tivesse ouvido . - Mas não temos que nos preocupar com isso por enquanto . Fica para o fim . Ron voltou se sem palavras para o Harry que tinha uma preocupação de outro tipo . - Já viste bem tudo_o_que vamos ter que roubar , Hermione ? Algumas coisas , não estão de certeza em a despensa de material de os alunos . O que é_que vamos fazer , arrombar os armários pessoais de o Snape ? Não sei se será uma boa ideia ... Hermione fechou o livro com um estrondo . - Bem , se vocês os dois se vão acagaçar , então está lindo - disse ela . Tinha as bochechas rosadas e os olhos mais brilhantes do_que era habitual . - Eu não gosto de quebrar regras , vocês sabem , mas acho que ameaçar os filhos de os Muggles é muito pior do_que construir uma poção difícil . Mas se vocês não querem descobrir se é o Malfoy , eu posso voltar já a a biblioteca e entregar o livro a Madam_Prince ... - Nunca pensei que chegaria o dia em que serias tu a convencer nos a quebrar regras - disse o Ron . - Está bem , vamos em essa , mas sem unhas de os pés , O. _ K. ? - Quanto tempo vai isso demorar a fazer , afinal ? - perguntou Harry quando Hermione , já com um ar mais satisfeito , voltou a abrir o livro . - Bem , como o fluxo de cizânias tem de ser recolhido durante a lua cheia e as asas de renda têm de ser abafadas durante vinte_e_um dias ... eu diria que se conseguirmos arranjar todos os ingredientes estará pronta dentro_de um mês . - Um mês ? - exclamou o Ron . - Nessa_altura já o Malfoy terá atacado metade de os filhos de Muggles ! - mas os olhos de Hermione contraíram se de_novo assustadoramente e ele acrescentou rapidamente . - Mas é o melhor plano que temos , por isso é melhor não olharmos para trás . Apesar_de tudo , enquanto Hermione verificava que não havia ninguém em os corredores e podiam sair de a casa_de_banho , Ron murmurou a Harry : - Seria muito mais simples se conseguisses , amanhã , atirar o Malfoy de a vassoura abaixo . Harry acordou cedo em o sábado de manhã e ficou um bocado a pensar em a partida de Quidditch que vinha a seguir . Estava nervoso , principalmente pelo que Wood diria se os Gryffindor perdessem , mas também com a ideia de enfrentar uma equipa apetrechada com as vassouras mais velozes que existiam . Nunca desejara tanto vencer os Slytherin como em aquele dia . Depois de meia_hora deitado com a barriga a dar horas , resolveu levantar se , vestir se e descer para tomar o pequeno-almoço . Lá em baixo , encontrou o resto de a equipa de os Gryffindor amontoada a o longo de a mesa comprida e vazia , todos eles com ar preocupado e sem vontade de conversar . Como_se aproximavam as onze horas , todos os alunos de a escola começaram a dirigir se para o estádio de Quidditch . O dia estava quente e húmido , com uma ameaça de trovoada em o ar . Ron e Hermione vieram apressadamente desejar a Harry boa sorte mal ele entrou em os vestiários . A equipa de os Gryffindor pôs os seus mantos vermelhos e sentou se para ouvir o discurso que Wood lhes fazia sempre antes de o jogo . - Os Slytherin têm vassouras melhores do_que nós - começou . - Não há como negá o . Mas nós temos gente melhor em cima de as vassouras . Treinámos mais do_que eles , voamos com todas_as condições climatéricas ( É bem verdade - murmurou George_Weasley - desde Agosto que não sei o que é estar seco ) . - E vamos fazê os engolir o dia em que deixaram aquele nojento de o Malfoy comprar a entrada em a equipa de eles . Com o peito agitado por a comoção , Wood voltou se par Harry . -- Cabe te a ti , Harry , mostrar lhes que um * seeker * tem de ter mais do_que um pai rico . Agarra a * snitch * antes d Malfoy ou morre a tentar porque temos absolutamente que vencer , hoje , Harry , temos que vencer . - Sem ansiedade , Harry - disse o Fred , piscando lhe o olho . Quando saíram em direcção a o campo , foram saudado por uma grande ovação principalmente de a parte de os Ravenclaw e de os Hufflepuff que estavam ansiosos por ver os Slytherin serem derrotados , mas os Slytherin que estavam entre a multidão também fizeram ouvir as suas vaias e pateadas . Madam_Hooch , a professora de Quidditch , pediu a Flin e Wood que apertassem as mãos o que eles fizeram , lançando um_ao_outro olhares ameaçadores , cada_um apertando a mão de o outro com mais força do_que aquela que seria necessário . - Atenção a o apito - disse Madam_Hooch . - Três , dois , um ... Com um bramido de a multidão para que subissem rapidamente , os catorze jogadores elevaram se em o céu cor de chumbo . Harry , mais alto do_que qualquer de os outros olhando para todos os lados em busca de a * snitch * . - Tudo bem , testa de cicatriz ? - gritou Malfoy , disparando por baixo de ele para lhe mostrar a velocidade de a sua vassoura . Harry não teve tempo de responder . Em esse preciso momento uma * bludger * preta e bem pesada veio direitinha a ele . Evitou a tão por um triz que ainda sentiu em os cabelos o ar que ela deslocara . - Foi por_pouco , Harry ! - exclamou o George , passando com grande rapidez , de bastão em a mão , pronto para lançar a * bludger * contra um Slytherin . Harry viu o dar a a * bludger * uma fortíssima pancada em direcção a Adrian_Pucey , mas a bola mudou de rumo em o meio de o ar e dirigiu se de_novo a Harry . Harry desceu rapidamente para se esquivar e George conseguiu lançá a contra Malfoy . Mais_uma_vez a * bludger * actuou como um * boomerang * e apontou a a cabeça de Harry . Harry ganhou velocidade e disparou contra o outro extremo de o campo . Ouvia o assobio de a * bludger * que o perseguia . O que era aquilo ? As * bludgers * nunca se concentravam assim em um único jogador , a sua função era tentar desmontar o maior número possível de intervenientes . Fred_Weasley esperava por a * bludger * em o extremo oposto . Harry baixou se quando o viu balançar se em frente de ela com toda_a garra . A * bludger * foi lançada para_fora_de campo . - Pronto , já está tudo resolvido - gritou Fred satisfeito , mas estava bastante enganado . Como_se fosse magneticamente atraída para Harry , a * bludger * lançou se de_novo contra ele e Harry teve de voar a_toda_a velocidade . Começara a chover . Harry sentia as gotas pesadas caírem lhe em o rosto , turvando lhe as lentes de os óculos . Não fazia ideia do_que se passava em o resto de o jogo , até ouvir Lee_Jordan que fazia o comentário dizer : - Os Slytherin vão a a frente com seis contra zero . As vassouras de qualidade superior de os Slytherin estavam obviamente a cumprir a sua função e enquanto isso , a * bludger * maluca fazia todos os possíveis para deitar abaixo o Harry . Fred e George voavam agora tão perto de ele , um de cada lado , que Harry não via senão os seus braços a balouçar e , se não conseguia ver a * snitch * , muito menos agarrá a . - Alguém enfeitiçou esta * bludger * - resmungou Fred , preparando o bastão com toda_a força quando ela se lançava de_novo contra Harry . - Precisamos de tempo - disse George , tentando fazer sinal a Wood enquanto evitava que a bola partisse o nariz a o Harry . Wood captou obviamente a mensagem . O apito de Madam_Hooch fez se ouvir e Harry , Fred e George desceram , tentando ainda evitar a * bludger * maluca . - O que é_que se passa ? - perguntou Wood enquanto a equipa de os Gryffindor se amontoava desordenadamente e os Slytherin , em o meio de a multidão , lançavam piadas . - Estamos a ser esmagados . Fred , George , onde estavam vocês quando aquela * bludger * impediu a Angelina de marcar ? - Estávamos seis metros acima , evitando que a outra * bludger * matasse o Harry , Oliver - gritou George furioso . - Alguém preparou isto , a bola não deixa o Harry em paz , ainda não perseguiu mais ninguém desde_que o jogo começou . Os Slytherin fizeram aqui qualquer coisa . - Mas as * bludgers * têm estado fechadas em o escritório de Madam_Hooch desde o último treino , e nessa_altura estava tudo bem ... - disse Wood ansiosamente . Madam_Hooch aproximava se . Por cima de o ombro de ela , Harry pôde ver a equipa de os Slytherin a escarnecer e apontar em a sua direcção . - Ouçam - disse o Harry , enquanto ela se aproximava . - Com vocês os dois a voarem sempre colados a mim , só vou apanhar a * snitch * se ela voar até a a minha manga . Voltem se para o resto de a equipa e deixem a tratante comigo . - Não sejas bronco - disse o Fred . - Ela arranca te a cabeça . Os olhos de Wood saltavam de Harry_para_os_Weasley . - Oliver , isto_é uma loucura - disse Alicia_Spinet , zangada . - Não podes deixar o Harry sozinho entregue a aquela coisa . Vamos pedir uma investigação . - Se pararmos agora , teremos de dar a partida como perdida e não vamos deixar os Slytherin ganhar , só por_causa_de uma * bludger * maluca . Vá lá , Oliver , diz lhes que me deixem sozinho . - A culpa é toda tua . * _ Agarra a snitch ou morre a tentar * , se isso é lá coisa que se diga . Madam_Hooch tinha se lhes juntado . - Prontos para retomar a partida ? - perguntou a Wood . Wood olhou para o ar determinado de Harry . - Deixem o sozinho , ele é capaz de lidar com a * bludger * . A chuva era agora mais pesada . A o apito de Madam_Hooch , Harry elevou se em os ares e ouviu o barulhinho de a * bludger * atrás_de si . Subiu cada_vez_mais alto . Fez acrobacias em espiral , descidas rápidas , ziguezagueou e rolou . Apesar_de ligeiramente estonteado , não deixou nunca de ter os olhos bem abertos . A chuva salpicava lhe os óculos e entrava lhe por as narinas , quando ele se voltou de cabeça para baixo , evitando outra forte investida de a * bludger * . Ouviu os risos de a multidão . Sabia que devia parecer ridículo , mas a * bludger * maluca era pesada e não podia mudar de direcção tão rapidamente quanto ele . Iniciou uma corrida que parecia de feira de diversões em volta de os extremos de o estádio , olhando de soslaio , através de os lençóis prateados de chuva , para os postes de os Gryffindor , onde Adrian_Pucey tentava passar por Wood . Um assobio junto de os ouvidos disse a Harry que a * bludger * falhara uma_vez_mais . Voltou se e voou rapidamente em a direcção oposta . - Estás a ensaiar * ballet * , Potter - gritou Malfoy quando Harry foi obrigado a fazer uma reviravolta estúpida em o ar para se esquivar mais_uma_vez de a * bludger * . Lá foi ele , com a * bludger * atrás a alguns metros de distância . E foi então que , olhando para Malfoy , furioso , a viu , a * snitch * de ouro . Flutuava alguns centímetros acima de os ouvidos de Malfoy que , de tão preocupado a escarnecer de Harry , nem dera por ela . Durante um momento angustiante , Harry ficou quieto em o ar , não ousando dirigir se a Malfoy , não fosse ele olhar para_cima e ver a * snitch * . PUM ! Tinha ficado parado tempo de mais . A * bludger * batera lhe , por fim , apanhando lhe o cotovelo e Harry sentiu o braço a partir se . Debilmente , desorientado por a dor cauterizante em o braço , Harry deslizou para um de os lados em a sua vassoura encharcada , um joelho ainda dobrado , o braço direito a balouçar , inútil , a o seu lado . A * bludger * veio de_novo , preparada para mais um ataque , desta_vez apontada a o seu rosto . Harry desviou se com uma intenção : chegar a Malfoy . Através_de uma nuvem de chuva e dor desceu até a o rosto tremeluzente e trocista e viu os olhos de ele dilatarem se de medo : Malfoy pensou que Harry ia atacá o . - Que diabo ... - resmungou , afastando se de o caminho . Harry tirou a outra mão de a vassoura e fez uma tentativa para agarrar qualquer coisa . Sentiu os dedos fecharem se em volta de a * snitch * dourada , mas conduzia agora a vassoura apenas com as pernas e ouviu se um grito de a multidão cá em baixo , quando ele fez a descida , tentando não desmaiar . Com um ruído seco caiu em a terra enlameada e rolou para fora de a vassoura . O braço tinha um ângulo um_pouco estranho . Torcendo se com dores , ouviu a a distância os assobios e os gritos . Concentrou se em a * snitch * que tinha fechada em a outra mão . - Ai - disse vagamente . - Ganhámos o jogo . E desmaiou . Voltou a si com a chuva a cair lhe em o rosto , ainda deitado em o campo , com alguém inclinado sobre ele . Viu um brilho de dentes brancos . - Oh , não , você não - gemeu . - Não sabe o que diz - afirmou Lockhart bem alto a a ansiosa multidão de Gryffindor que o comprimiam . - Não te preocupes , Harry , eu vou tratar de o teu braço . - Não - gritou Harry . - Eu fico com ele assim , obrigado . Tentou sentar se , mas a dor era enorme . Ouviu um « clique » familiar . - Não quero fotografias de isto , Colin - disse em voz alta . - Deita te para trás , Harry - insistiu Lockhart com toda_a calma . - É um encantamento muito simples que eu fiz imensas vezes . - Porque não me levam só para a ala hospitalar ? - perguntou Harry entredentes . - Seria o melhor , professor - disse a voz rouca de o Wood que não conseguia deixar de sorrir , apesar_de o seu * seeker * estar ferido . - Grande captura , Harry , verdadeiramente espectacular , a tua melhor jogada , em a minha opinião . Em o meio de a floresta de pernas que o rodeava , Harry avistou Fred e George_Weasley , metendo a * budger * perigosa em uma caixa . Continuava a dar uma luta enorme . - Para trás - ordenou Lockhart , que tinha arregaçado as mangas verde jade . - Não , eu não ... - protestou debilmente Harry , mas Lockhart tinha a varinha em a mão e , um segundo depois , apontava a para o braço de Harry . Uma sensação estranha e desagradável começou em o ombro e espalhou se , chegando a as pontas de os dedos . Parecia que o braço inteiro tinha sido esvaziado . Não foi capaz de olhar para o que estava a suceder . Tinha fechado os olhos , voltado o rosto para o outro lado , mas os seus maiores receios concretizaram se quando as pessoas lá em cima se sobressaltaram e Colin_Creevey começou a tirar fotografias como um louco . O braço deixara de lhe doer , mas parecia tudo menos um braço . - Ah ! - disse Lockhart . - Sim , bem isto às_vezes acontece . Mas o importante é_que os ossos já não estão partidos . Isso é o mais importante . Portanto , Harry , vai até a a ala hospitalar ... ah ! Mr._Weasley , Miss_Granger , poderiam levá o lá ? E Madam_Pomfrey poderá ... er ... arranjar um_pouco isso . Quando Harry se pôs de pé sentiu se estranhamente desequilibrado . Depois de respirar fundo , olhou para o lado direito e o que viu quase o fez desmaiar de_novo . Pendurado em a extremidade de a sua túnica estava o que parecia ser uma espessa e colorida luva de borracha . Tentou mexer os dedos mas ... em vão . Lockhart não consertara os ossos de Harry . Retirara os . M. dam Pomfrey não ficou nada satisfeita . - Devias ter vindo logo ter comigo - ralhou , segurando os restos tristes e moles de aquilo que antes fora um braço activo . - Eu conserto ossos em um segundo , mas fazê os crescer de_novo ... - Vai conseguir , não vai ? - perguntou Harry desesperado . - Sim , com certeza , mas vai ser doloroso - disse Madam_Pomfrey de modo severo , entregando lhe um pijama . - Vais ter que ficar cá esta noite ... Hermione esperou de o lado de_fora de a cortina que rodeava outra cama enquanto Ron ajudava Harry a vestir se . Levou algum tempo a enfiar o braço que parecia borracha dentro_de uma manga de o pijama . - Como é_que podes continuar a defender o Lockhart depois disto , Hermione ? - perguntou Ron através de as cortinas , enquanto puxava os dedos moles de o Harry por uma manga . - Se o Harry quisesse ser desossado , teria pedido . - Todos podem enganar se - disse Hermione . - E deixou de doer , não deixou , Harry ? - Sim - disse ele - mas também ficou incapaz de fazer seja o que for . Quando se meteu em a cama , o braço agitou se despropositadamente . Hermione e Madam_Pomfrey entraram . Madam_Pomfrey segurava uma grande garrafa com o rótulo * Skele - _ Gro * . - Vais ter uma noite difícil - preveniu , enchendo um pequeno copo fumegante e dando lhe a beber . - Fazer crescer ossos é uma coisa difícil . Tomar o * _ Skele - _ Gro * também . Queimou a boca e a garganta de o Harry a o descer , fazendo o tossir e cuspir . Resmungando sobre os desportos perigosos e os professores incapazes , Madam_Pomfrey retirou se , deixando Ron e Hermione a ajudar Harry a engolir um_pouco de água . - Mas ganhámos o jogo - disse o Ron com um sorriso em o rosto . - A tua jogada foi em grande . A cara de o Malfoy ... parecia que queria matar alguém . - Eu vou descobrir como é_que enfeitiçaram aquela * bludger * - disse Hermione com ar sombrio . - Podemos juntar essa pergunta a a lista de todas_as que queremos fazer a o Malfoy quando tomarmos a poção * _ Polisuco * - disse Harry , afundando se de_novo em as almofadas . - Espero que tenha um sabor melhor do_que esta coisa ... - Com um bocado de os Slytherin lá dentro , deves estar a brincar - disse o Ron . A porta de a ala hospitalar abriu se em esse momento e , completamente encharcados , entraram os restantes membros de a equipa de os Gryffindor , para ver o Harry . - Um voo inacreditável - disse George . - Acabei de ver Marcus_Flint a gritar com o Malfoy . Qualquer coisa sobre ter a * snitch * mesmo em cima de a cabeça e não ter dado por nada . O Malfoy não parecia nem um_pouco satisfeito . Tinham trazido bolos , rebuçados e garrafas de sumo de abóbora . Juntaram se em volta de a cama de Harry e estavam a dar início a o que prometia ser uma grande festa quando Madam_Pomfrey entrou a vociferar : - Este rapaz precisa de repouso . Tem trinta_e_três ossos a crescer . Fora de aqui . FORA ! E Harry ficou sozinho , sem nada que o distraísse de as dores agudas em o seu braço mole . Muitas horas mais tarde , Harry acordou subitamente em a escuridão total e soltou um pequeno grito de dor : sentia agora o braço cheio de estilhaços . Durante alguns segundos pensou que tinha sido a dor a acordá o . Depois , com um arrepio de horror , apercebeu se de que alguém estava a passar lhe uma esponja em a testa . - Sai de aqui - gritou , e em seguida : - Dobby ! Os olhos de o tamanho de bolas de ténis de o elfo doméstico estavam a olhá o em o escuro , uma lágrima grossa rolava por o seu enorme nariz . - Harry_Potter voltou a a escola - murmurou , infeliz . - Dobby avisou e voltou a avisar Harry_Potter . Ah ! senhor , porque não deu ouvidos a Dobby ? Porque não voltou Harry_Potter para_casa quando perdeu o comboio ? Harry ergueu se um_pouco , encostando se a as almofadas e afastou a esponja de o elfo . - O que estás a fazer aqui ? - perguntou . - E como sabes que eu perdi o comboio ? O lábio de Dobby tremeu e Harry foi assaltado por uma dúvida . - Foste tu . Tu impediste que a barreira nos deixasse passar . - Em a verdade fui eu , senhor - disse Dobby , acenando com a cabeça e com as orelhas a abanar . - Dobby escondeu se , esperou por Harry_Potter e selou a barreira . A seguir , Dobby teve de pôr as mãos em o ferro de engomar - mostrou a o Harry dez dedos longos embrulhados em ligaduras . - Mas Dobby não se importou , senhor , porque pensou que Harry_Potter estava a salvo e nunca Dobby sonhou que mesmo_assim ele viria para a escola ! Balançava se para a frente e para trás , sacudindo a cabeça feia . - Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry_Potter tinha voltado a a escola que deixou queimar o jantar de os seus donos . Dobby nunca tivera um castigo tão grande , senhor . Harry afundou se de_novo em as almofadas . - Quase conseguiste que nos expulsassem , a mim e a o Ron - disse furioso . - É melhor desapareceres de aqui antes que os meus ossos voltem a estar bem , Dobby , ou ainda te estrangulo . O elfo sorriu . - Dobby está habituado a ameaças de morte , senhor . Dobby recebe as cinco vezes por dia em a casa onde mora . Encostou o nariz a um canto de a fronha que usava , ficando tão ridículo que Harry sentiu a raiva desvanecer se , apesar_de tudo . - Porque usas essa coisa , Dobby ? - perguntou com curiosidade . - Isto , senhor ? - disse Dobby apontando para a fronha de almofada . - É uma prova de escravatura de o elfo doméstico , senhor . Dobby só pode ser libertado se os donos lhe derem roupa , senhor . A família tem o cuidado de não dar a o Dobby nem uma peúga , senhor , porque ele poderia ficar livre e deixar a casa para sempre . Dobby limpou os olhos protuberantes e disse subitamente : - Harry_Potter deve ir para_casa . Dobby achou que a sua * bludger * seria o suficiente para o fazer ... - A tua * bludger * ? - disse Harry com a raiva a crescer novamente dentro de ele . - Que queres tu dizer com a tua bludger * ? Foste tu quem fez com que aquela bola tentasse matar me ? - Matar não , senhor . Matar , nunca ! - disse o elho chocado . - Dobby quer salvar a vida de Harry_Potter . É melhor ir para_casa ferido do_que ficar aqui , senhor . Dobby só queria Harry_Potter suficientemente ferido para voltar para_casa . - Só isso ? - disse Harry furioso . - Imagino que não vais dizer me porque querias mandar me para_casa a os bocados ? - Ah ! se Harry_Potter soubesse ! - gemeu Dobby , com mais lágrimas a escorrerem lhe por a fronha esfarrapada . - Se pudesse saber o que significa para nós , para os humildes , os escravizados , nós , a escória social de o mundo mágico ! Dobby lembra se de como eram as coisas quando Aquele cujo nome não deve ser pronunciado estava em o auge de o poder , senhor ! Nós , os elfos domésticos éramos tratados como animais , senhor ! É claro que Dobby ainda é tratado assim - admitiu , secando o rosto em a fronha de almofada . - Mas , em a sua maioria , a vida melhorou bastante para os de a minha espécie desde_que Harry_Potter triunfou sobre Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Harry_Potter sobreviveu e o poder de os senhores de o Mal foi quebrado e veio uma nova alvorada , senhor , e Harry_Potter brilhou como um farol de esperança para aqueles de entre nós que já pensavam que a longa noite nunca mais teria fim , senhor ... e agora em Hogwarts vão acontecer coisas terríveis , talvez já esteiam a acontecer e Dobby não pode deixar Harry_Potter ficar aqui , agora_que a história vai repetir se , agora_que a Câmara_dos_Segredos está de_novo aberta . Dobby calou se horrorizado . Em seguida agarrou em o jarro de a água que Harry tinha a a cabeceira e bateu com ele em a própria cabeça , deixando se cair . Um segundo mais tarde voltou até junto de a cama , repetindo : - Mau , Dobby , muito mau , Dobby . - Quer_dizer , então , que existe mesmo a Câmara_dos_Segredos ? - murmurou Harry . - E dizes tu que já antes foi aberta ? Conta me , Dobby . Agarrou o pulso ossudo de o elfo quando a mão de ele se estendia para o jarro de a água . - Mas eu não sou filho de Muggles . Como posso estar em perigo por causa de a Câmara_dos_Segredos ? - Ah ! senhor , não pergunte a o pobre Dobby - lamentou se o elfo com os olhos enormes a brilharem em o escuro . - As forças de as trevas estão projectadas em este lugar , mas Harry_Potter não deve estar aqui quando as coisas acontecerem . Vá para_casa , Harry_Potter , vá para_casa . Harry_Potter não deve envolver se em isto , senhor , é demasiado perigoso ... - Quem é , Dobby ? - perguntou Harry , continuando a agarrar lhe o pulso com forca , impedindo que batesse de_novo em si próprio com o jarro . - Quem abriu a amara ? Quem a abriu de a última vez ? - Dobby não pode , senhor . Dobby não pode . Dobby não deve dizer - guinchou o elfo . - Vá se embora , Harry_Potter , vá se embora ! - Eu não vou para lugar nenhum - disse Harry , furioso . - Uma de as minhas melhores amigas é filha de Muggles , está em perigo se a câmara foi , de facto , aberta ... - Harry_Potter arrisca a própria vida por os amigos - gemeu Dobby em uma espécie de êxtase infeliz . - Tão nobre , tão corajoso , mas deve salvar se , Harry_Potter não deve ... Dobby calou se de repente com as orelhas de morcego a estremecerem . Harry também ouviu os passos que vinham lá fora , de o corredor . - Dobby tem de ir - balbuciou o elfo apavorado . Ouviu se um ruído e o pulso de Harry ficou subitamente fechado em o ar . Meteu se de_novo para baixo , em a cama , com os olhos fixos em a porta escura que dava entrada em a ala hospitalar enquanto os passos se aproximavam . Em o momento seguinte , Dumbledore estava a entrar , de costas , em o dormitório , vestindo uma longa túnica de lã e uma capa de noite . Transportava um extremo de aquilo que parecia ser uma estátua . A professora Mc_Gonagall surgiu um segundo mais tarde , pegando lhe em os pés . Os dois colocaram a em uma cama . - Chame Madam_Pomfrey - murmurou Dumbledore e a professora Mc_Gonagall passou por a cama de Harry , apressadamente , e desapareceu . Harry deixou se ficar muito quieto como_se estivesse a dormir . Ouviu vozes ansiosas e por fim a professora Mc_Gonagall apareceu de_novo , seguida de Madam_Pomfrey que vestia um casaco curto de lã sobre a camisa de dormir . Ouviu uma inspiração aguda . - O que aconteceu ? - murmurou Madam_Pomfrey_a_Dumbledore , inclinando se sobre a estátua que estava em a cama . - Outro ataque - disse Dumbledore . - A Minerva encontrou o em as escadas . Havia um cacho de uvas junto de ele . Acho que estava a tentar esgueirar se até aqui para vir visitar o Potter . O estômago de Harry deu uma reviravolta . Lenta e cuidadosamente ergueu se alguns centímetros para poder ver a estátua que estava sobre a cama . Um raio de luar iluminou lhe o rosto estático . Era_Colin_Creevey . Tinha os olhos abertos , e as mãos , em frente de a cara , seguravam a máquina fotográfica . -- Petrificado ? - murmurou Madam_Pomfrey . - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - Mas estou tentada a acreditar que ... se Albus não tivesse vindo cá abaixo tomar um chocolate quente ... quem sabe o que teria ... Os três olharam para Colin . Dumbledore inclinou se e retirou lhe a máquina de as mãos rígidas . - Será que ele conseguiu tirar a fotografia de o agressor ? - perguntou ansiosa a professora Mc_Gonagall . Dumbledore não respondeu . Abriu a parte detrás de a máquina . - Cruzes canhoto - disse Madam_Pomfrey . Um jacto de vapor tinha feito fervilhar a máquina . Harry , a três metros de distância , sentiu o cheiro tóxico de o plástico queimado . - Derretido - disse Madam_Pomfrey com grande espanto . - Tudo derretido . - O que significa isto , Albus ? - perguntou cada_vez_mais nervosa a professora Mc_Gonagall . - Significa - disse Dumbledore - que a Câmara_dos_Segredos está mesmo aberta outra_vez . Madam_Pomfrey levou uma mão a a boca . A professora Mc_Gonagall olhou assustada para Dumbledore . - Mas , Albus ... com certeza ... quem ? - A questão não é quem - disse Dumbledore com os olhos fixos em Colin . - A questão é como ... E pelo que Harry conseguiu ver de o rosto indistinto de a professora Mc_Gonagall , ela não compreendeu muito mais do_que ele . XI_O clube de os duelos Quando_Harry acordou , em o domingo de manhã , a enfermaria estava iluminada por um resplandecente sol de inverno e o seu braço tinha de_novo todos os ossos , apesar_de o sentir muito rígido . Sentou se rapidamente e olhou para a cama de Colin , mas ela fora isolada com as cortinas atrás de as quais se despira em a véspera . Vendo que ele tinha acordado , Madam_Pomfrey apareceu com um tabuleiro de pequeno-almoço e a seguir começou a apalpar lhe o braço e os dedos . - Tudo em ordem - disse , enquanto ele , com a mão esquerda , comia avidamente as papas de aveia . - Quando acabares de comer podes ir te embora . Harry vestiu se o mais depressa que pôde e dirigiu se a a pressa para a torre de os Gryffindor , ansioso por contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre Colin e Dobby , mas não os encontrou lá . Foi a a procura de eles , perguntando a si próprio onde teriam ido e sentindo se um_pouco magoado por o pouco interesse que demonstravam em saber se ele tinha recuperado os ossos . Quando passou por a biblioteca , Percy_Weasley vinha a sair com bastante melhor cara do_que de a última vez que se tinham encontrado . - Olá , olá , Harry - disse . - Excelente voo o de ontem , verdadeiramente sensacional . Os Gryffindor estão a a frente para a taça de a equipa . Ganhaste cinquenta pontos . - Não viste o Ron e a Hermione por aí ? - perguntou Harry . - Não , não vi - disse Percy com o sorriso a desaparecer . - Espero que o Ron não esteja outra_vez em a casa_de_banho de as raparigas ... Harry forçou um sorriso , viu Percy desaparecer e a seguir foi direitinho até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Não via lá muito bem por_que motivo o Ron e a Hermione lá estariam de_novo , mas , depois de se assegurar de que nem Filch nem nenhum de os prefeitos estavam por perto , abriu a porta e ouviu as vozes de eles que vinham de um cubículo fechado . - Sou eu - disse , fechando a porta atrás_de si . Ouviu se dentro de o cubículo um estrondo , um chapinhar e um sobressalto e ele viu o olho de a Hermione a espreitar por o buraco de a fechadura . - Harry - disse ela . - Pregaste nos um susto de morte . Entra . Como está o teu braço ? - _ óptimo - respondeu , apertando se dentro de o cubículo . Em cima de a sanita estava encarrapitado um velho caldeirão , e um crepitar a a superfície de a água disse a Harry que eles tinham acendido um fogo lá em baixo . Fazer aparecer fogos portáteis a a prova de água era uma de as especialidades de Hermione . - _ íamos visitar te , mas resolvemos começar a preparar a poção * _ Polisuco * - explicou Ron enquanto Harry fechava outra_vez a porta de o cubículo com alguma dificuldade . - Achámos que este era o lugar mais seguro para a esconder . Harry começou a contar lhes de o Colin , mas Hermione interrompeu o . - Nós já sabemos , ouvimos a professora Mc_Gonagall contar a o professor Flitwick hoje_de_manhã . Por isso resolvemos começar a ... - Quanto_mais depressa arrancarmos uma confissão a o Malfoy , melhor - rosnou o Ron . - Sabem o que eu penso ? Ele estava tão mal-humorado depois de o jogo de Quidditch que se vingou em o Colin . - Há outra coisa - disse Harry , vendo Hermione cortar molhos de verdezelha e lançá os dentro de a poção . - O Dobby foi visitar me a meio de a noite . Ron e Hermione olharam o espantados . Harry contou lhes tudo_o_que Dobby lhe dissera ... ou não dissera . Ron e Hermione ouviram o de boca aberta . - A Câmara_dos_Segredos já tinha sido aberta antes ? - repetiu Hermione . - Encaixa perfeitamente - disse Ron , em uma voz triunfante . - O Lucius_Malfoy deve ter aberto a Câmara_dos_Segredos quando andava em a escola e agora ensinou a o querido filhinho Draco como abris a . É óbvio , que pena o Dobby não te ter dito que tipo de monstro lá se encontra . Gostava de saber como é_que ninguém o viu andar por ai em a escola . - Talvez tenha a capacidade de se tornar invisível - sugeriu Hermione , picando sanguessugas para dentro de o caldeirão . - Ou talvez se disfarce , passando por uma armadura ou outra coisa de o género . Eu li umas coisas sobre vampiros camaleões ... - Tu lês de mais , Hermione - disse o Ron , deitando moscas asas de renda mortas por cima de as sanguessugas . Amarrotou o saco vazio de as asas de renda e olhou para Harry . - Então foi o Dobby que nos impediu de apanhar o comboio e te partiu o braço ... - abanou a cabeça . - Sabes o que eu acho ? Se ele não parar de tentar salvar te a vida ainda acaba por te matar . A notícia de que Colin_Creevey tinha sido atacado e estava agora em a ala hospitalar , como morto , espalhou se por toda_a escola em a segunda-feira de manhã . O ar ficou pesado e cheio de boatos e suspeitas . Os alunos de o primeiro ano começavam a andar por a escola em pequenos grupos , receando ser atacados se se aventurassem a andar isoladamente por os corredores . Ginny_Weasley , que era colega de carteira de o Colin em os encantamentos , estava perturbadíssima , mas Harry achou que Fred e George estavam a tentar animá a de a maneira errada . Revezavam se , mascarados com peles de animais e apareciam lhe subitamente detrás de as estátuas . Só pararam quando Percy , apopléctico de raiva , lhes disse que ia escrever a Mrs._Weasley a contar lhe que a Ginny andava a ter pesadelos . Enquanto isso , às_escondidas de os professores , uma panóplia de talismãs , amuletos e outros objectos de protecção ia enchendo a escola . Neville_Longbottom comprou uma enorme cebola verde que cheirava mal , um cristal pontiagudo cor de púrpura e uma cauda de tritão apodrecida antes de os outros rapazes de os Gryffindor lhe explicarem que ele não corria perigo : era um sangue puro e , portanto , muito pouco passível de ser atacado . - Eles foram a o Filch em primeiro lugar - disse Neville com o medo estampado em a cara redonda . - E toda_a_gente sabe que eu sou quase um * busca-pé * . Em a segunda semana de Dezembro , a professora Mc_Gonagall veio , como de costume , recolher os nomes de os alunos que ficavam em a escola durante o Natal . Harry , Ron e Hermione assinaram a lista . Tinham ouvido dizer que Malfoy ficava , o que lhes parecera muito suspeito . As férias seriam a altura ideal para usar a poção * _ Polisuco * e tentar arrancar lhe uma confissão . Infelizmente a poção estava a meio . Precisavam ainda de o chifre de bicórneo e o único lugar onde podiam arranjá o era em os depósitos privados de Snape . Harry , pessoalmente , preferia enfrentar o lendário monstro de os Slytherin do_que ser apanhado por o Snape a assaltar lhe o escritório . - O que precisamos - disse Hermione cheia de vivacidade quando se aproximava a aula conjunta de poções de quinta-feira a a tarde - para podermos entrar a a vontade em o escritório de o Snape , é de uma diversão . Harry e Ron olharam para ela , nervosos . - Acho que o melhor é ser eu a praticar o roubo - prosseguiu ela , em um tom perfeitamente casual . - Vocês os dois podem ser expulsos se forem apanhados e eu tenho uma folha limpa . Portanto , a única coisa que têm de fazer é distrair o Snape durante cerca de cinco minutos . Harry esboçou um meio sorriso . Provocar deliberadamente um estrago em a aula de poções de o Snape era tão seguro como ferir em um olho um dragão adormecido . As aulas de poções tinham lugar em um de os mais amplos calabouços . A de quinta-feira a a tarde não foi diferente de as outras . Vinte caldeirões fumegavam entre as secretárias de madeira , sobre as quais podia ver se laminas de latão e jarras com ingredientes . Snape deambulava por o meio de os fumos , fazendo reparos petulantes a o trabalho de os Gryffindor , enquanto os Slytherin riam a a socapa . Draco_Malfoy , que era o aluno preferido de Snape , não parava de lançar olhos de carneiro mal morto a o Ron e a o Harry , que sabiam que se retaliassem teriam um castigo , antes de poderem abrir a boca para dizer : - É injusto ! A solução de inchar de o Harry estava demasiado líquida , mas ele estava preocupado com coisas mais importantes . Esperava por o sinal de Hermione e mal deu por Snape se calar para ir espreitar a sua poção aguada . Quando o professor se voltou e foi implicar com o Neville , Hermione trocou um olhar com Harry e fez um aceno . Harry baixou se discretamente por detrás de o seu caldeirão , tirou de o bolso de trás um de os paus de fogo-de-artíficio Filibuster e deu lhe um toque de varinha . O fogo-de-artíficio começou a sibilar e a crepitar . Sabendo que tinha apenas alguns segundos , Harry endireitou se , ganhou coragem e lançou o a o ar . Aterrou certeiro em o caldeirão de o Goyle . A poção de o Goyle explodiu , salpicando toda_a aula . As pessoas gritavam , à_medida_que eram vítimas de os salpicos . Malfoy foi apanhado em a cara e o nariz começou a inchar como um balão . O Goyle tropeçava a as cegas , com as mãos em os olhos , que tinham ficado de o tamanho de pratos de sopa , enquanto o Snape tentava repor a calma e tentar perceber o que sucedera . Em o meio de a confusão , Harry viu Hermione esgueirar se a a socapa por a porta . - Silêncio ! silêncio ! - vociferou Snape . - Todos os que foram salpicados cheguem aqui para uma drenagem . Quando eu descobrir quem fez isto ... Harry fez um enorme esforço para não se rir a o ver Malfoy chegar apressadamente lá a a frente , a cabeça a tombar com o peso de o nariz , que parecia um pequeno melão . Quando metade de a aula se amontoava junto de a secretária de o Snape , alguns alunos vergados por o peso de os braços que pareciam mocas , outros incapazes de falar devido a o gigantesco inchaço de os lábios , Harry viu Hermione reentrar em o calabouço , a túnica mostrando a barriga protuberante . Quando todos os alunos tinham já tomado um gole de o antídoto e os vários inchaços tinham desaparecido , Snape precipitou se para o caldeirão de o Goyle e pescou os restos retorcidos de o fogo-de-artíficio . Houve um súbito silêncio . - Se eu descubro quem lançou isto - murmurou Snape - garanto que é expulsão por a certa . Harry compôs uma expressão de espanto . Snape olhava directamente para ele e a campainha , que tocou dez minutos mais tarde , não podia ser mais bem-vinda . - Ele soube que fui eu - disse Harry_a_Ron e a a Hermione , enquanto se dirigiam apressadamente para a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Tenho a certeza . Hermione lançou o novo ingrediente em o caldeirão e começou a mexer furiosamente . - Isto vai estar pronto dentro_de quinze_dias - afirmou , satisfeita . - O Snape não pode provar que foste tu - assegurou Ron , tranquilizando Harry . - Que pode ele fazer ? - Conhecendo o Snape , qualquer coisa louca - respondeu Harry , enquanto a poção borbulhava e espumava . Uma semana mais tarde , Harry , Ron e Hermione passavam por o vestíbulo de entrada , quando viram um pequeno grupo de pessoas reunidas em volta de o jornal de parede a lerem um pedaço de pergaminho que tinha acabado de ser afixado . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas acenaram lhes , entusiasmados . - Vão lançar um clube de duelos ! - exclamou Seamus . - Hoje a a noite é a primeira reunião . Eu não me importaria nada de ter aulas de duelo , podem vir a ser úteis um dia de estes ... - Porquê ? Achas que o monstro de os Slytherin sabe esgrimir ? - perguntou o Ron , mas , também ele , leu a notícia com interesse . - Pode ser útil - disse a o Harry e a a Hermione , quando foram jantar . - Vamos lá ? Harry e Hermione acharam óptimo , por isso , a as oito_da_noite voltaram a o salão . As longas mesas de refeição tinham desaparecido e um estrado dourado surgira , encostado a a parede . Sobre ele flutuavam milhares de velas . O tecto era , mais_uma_vez , de veludo negro e parecia que quase todos os alunos de a escola se encontravam ali , com as suas varinhas em a mão e com um ar entusiasmado . - Quem será que vai ensinar nos ? - perguntou Hermione , enquanto se misturavam em a multidão barulhenta . - Ouvi dizer que o Filitwick foi campeão de duelo em a juventude , talvez seja ele . - Desde_que não seja ... - começou Harry , mas terminou em um gemido : Gilderoy_Lockhart estava a subir a o estrado , resplandecente em as suas vestes cor de ameixa , acompanhado , nem mais nem menos , do_que de Snape que trajava , como sempre , de negro . Lockhart levantou um braço , pedindo silêncio , bradando : - Aproximem se , aproximem se , conseguem todos ver me e ouvir me ? Excelente ! - O professor Dumbledore deu me autorização para iniciar este pequeno curso de duelo para vos treinar a todos , caso algum dia precisem de se defender , como eu tenho feito em inúmeras ocasiões ; para mais detalhes , leiam os livros que tenho publicados . - Permitam que vos apresente o meu assistente , o professor Snape - disse Lockhart , abrindo um sorriso de orelha a orelha . - Ele diz me que sabe alguma coisa sobre duelos e aceitou desportivamente ajudar me em uma exibição de demonstração , antes de começarmos . Atenção , não quero que os mais novos fiquem preocupados , vão continuar a ter o vosso professor de poções depois de eu o vencer . Não tenham medo . - Não era óptimo se se liquidassem um_ao_outro ? - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . O lábio inferior de Snape estava curvo . Harry interrogou se sobre o motivo por_que Lockhart continuava a sorrir . Se o Snape olhasse de aquela maneira para ele , Harry estaria a correr a_toda_a velocidade para o mais longe possível . Lockhart e Snape voltaram se um para o outro e fizeram uma vénia , pelo_menos Lockhart fê la com muitas reviravoltas de mãos , enquanto Snape acenava , irritado , com a cabeça . Em seguida , ergueram as varinhas , como_se fossem espadas , em a frente . - Como podem ver , estamos a pegar em as varinhas em a posição de aceitação de combate - explicou Lockhart a a multidão silenciosa . - Quando contarmos até três , lançaremos os primeiros feitiços . Nenhum de nós tentará matar o outro , claro . - Eu não poria as mãos em o fogo - murmurou Harry , observando como Snape cerrava os dentes . -- Um , dois , três ... Os dois balançaram as varinhas acima de os ombros . Snape gritou : * _ Expelliarmus * ! Houve um clarão ofuscante de luz escarlate e Lockhart voou para trás , caindo de o estrado batendo contra a parede , escorregando e indo estatelar se em o chão . Malfoy e alguns de os outros Slytherin aplaudiram . Hermione estava em bicos de os pés . - Acham que ele está bem ? - gritou entredentes . - Quem se rala ? - disseram ao_mesmo_tempo o Ron e o Harry . Lockhart estava a pôr se , hesitante , de pé . O chapéu caíra lhe e o cabelo ondulado estava em um desalinho . - Bem , cá está ! - disse , cambaleando até a o estrado . - Este foi um encantamento para desarmar . Como podem ver , perdi a minha varinha . Ah , obrigado Miss_Brown . Sim , foi uma excelente ideia mostrar lhes isto , professor Snape , mas , se me permite que lhe diga , foi muito óbvio o que ia fazer . Se eu tivesse querido impedis o , teria o feito com a maior de as facilidades . Mas achei que seria educativo deixá os ver ... Snape tinha um ar assassino . Provavelmente Lockhart deu por isso , porque declarou : - Chega de demonstrações . Eu vou passar agora por o meio de vocês e criar duplas . Professor_Snape , se quiser ajudar me ... Entraram por o meio de a multidão , agrupando alunos . Lockhart pôs o Neville com Justin_Finch - _ Fletchley , mas Snape chegou primeiro junto de Harry e de Ron . - Tempo de separar a dupla ideal , parece me - rosnou . - Weasley , tu podes ficar com o Finnigan . Potter ... Harry voltou se automaticamente para Hermione . - Não me parece - disse Snape com o seu sorriso frio . - Mr._Malfoy , venha até aqui . Vamos ver o que faz com o famoso Potter . E a menina , Miss_Granger , pode emparceirar com Miss_Bulstrode . Malfoy aproximou se com o seu passo empertigado e o seu sorriso escarninho . Atrás de ele vinha uma rapariga de os Slytherin , que lembrou a Harry uma imagem que tinha visto em as * _ Férias com Bruxas_Velhas * . Era corpulenta e quadrada e os maxilares avançavam agressivamente . Hermione esboçou um meio sorriso , que ela não retribuiu . - Voltem se para os vossos parceiros - gritou Lockhart - e façam a vénia . Harry e Malfoy mal inclinaram as cabeças , não afastando os olhos um de o outro . - Varinhas preparadas ! - gritou Lockhart . - Quando eu disser três preparem os feitiços para desarmar o vosso opositor . Um ... dois ... três ... Harry levantou a varinha acima de o ombro , mas Malfoy começara logo em o « dois » : o seu feitiço apanhou Harry com tanta força que ele se sentiu como_se tivesse levado com uma frigideira em a cabeça . Tropeçou , mas ainda não estava fora de combate e , sem perder tempo , Harry apontou a varinha a Malfoy e gritou : - * _ Rictusempra ! * Um jacto de luz prateada atingiu Malfoy em o estômago , obrigando o a dobrar se , arfando . - Eu disse desarmar ! - gritava Lockhart sobre as cabeças de a multidão em lata , enquanto Malfoy caía de joelhos . Harry atingira o com o feitiço de as cócegas e ele mal conseguia mexer se para se rir . Harry hesitou com o vago sentimento de que seria pouco desportivo enfeitiçar Malfoy enquanto ele estava caído em o chão , mas ... foi um erro . Tentando respirar , Malfoy apontou a varinha a os joelhos de Harry , balbuciando : « * _ Tarantallegra ! * » e , um segundo depois , as pernas de o Harry tinham começado a mexer se , sem que ele pudesse controlá as , executando uma espécie de dança frenética . - Parem , parem - gritava Lockhart , quando Snape resolveu tomar controlo de a situação . - * _ Finite_Incantatem ! * - bradou . Os pés de o Harry pararam de dançar , Malfoy parou de rir e puderam olhar para_cima . Uma onda de fumo esverdeado pairava sobre todos eles . Neville e Justin estavam caídos em o chão , a arfar . Ron tentava fazer parar um Seamus com cara cor de cinza , pedindo lhe mil desculpas por o que a sua varinha partida eventualmente tivesse feito . Mas Hermione e Millicent_Bulstrode ainda não tinham acabado . Millicent tinha feito a Hermione uma prisão de cabeça e Hermione gritava de dor . As duas varinhas jaziam esquecidas em o chão . Harry deu um salto em frente e afastou Millicent . Não foi fácil , ela era bastante maior do_que ele . - Oh , gente ! - exclamou Lockhart , arrastando se por o meio de a multidão e olhando para os resultados de os duelos . - Vamos pôr de pé , Mcmillan ... cuidado , Miss_Fawcett ... belisque com força que pára logo de sangrar ... - Acho que o melhor é ensinar vos como bloquear feitiços pouco amigáveis - afirmou Lockhart que estava nervosíssimo em o meio de o salão . Olhou para Snape , cujos olhos pretos brilhavam e desviou rapidamente o olhar . - Vamos arranjar um par de voluntários . Longbottom e Finch - _ Fletchley , que tal serem vocês ? - Uma má ideia , professor Lockhart - disse Snape , deslizando como um morcego enorme e cruel . - Longbottom provoca devastação com o feitiço mais simples . Ainda temos de mandar o que restar de o Finch - _ Fletchley para a ala hospitalar dentro_de uma caixa de fósforos . - A cara redonda e rosada de Neville ficou ainda mais rosada . - Que tal o Malfoy e o Potter ? - sugeriu Snape com um sorriso retorcido . - Excelente ideia - disse Lockhart , fazendo sinal a os dois para que se aproximassem de o meio de o salão , enquanto a multidão recuava para lhes dar passagem . - Ouve bem , Harry - disse Lockhart . - Quando o Draco te apontar a varinha , tu fazes assim . Levantou a sua varinha , executando uma tentativa complicada de malabarismo e deixou a cair . Snape sorriu pretensiosamente , enquanto Lockhart a apanhava de o chão , dizendo : - Ups , a minha varinha está demasiado excitada . Snape aproximou se de Malfoy , inclinou se e disse lhe qualquer coisa a o ouvido . Malfoy sorriu também de forma afectada . Harry olhou , nervoso , para Lockhart e pediu : - Professor , podia mostrar me outra_vez aquela coisa para bloquear ? - Estás com medo ? - murmurou Malfoy baixinho , para que Lockhart não pudesse ouvir . - Querias ! - exclamou Harry por o canto de a boca . Lockhart deu um soco em o ombro de o Harry , em a brincadeira . - Basta que faças como eu fiz ! - O quê , deixar cair a varinha ? Mas Lockhart não estava a ouvir - Três , dois , um , zero ! - gritou . Malfoy levantou rapidamente a varinha a o ar e gritou : - * _ Serpensortia ! * A extremidade de a varinha explodiu . Harry viu , horrorizado , uma enorme serpente negra sair de ela , cair pesadamente em o chão a meio de os dois e erguer se disposta a atacar . Ouviram se gritos , enquanto a multidão se afastava , deixando o chão vazio . - Não te mexas , Potter - disse Snape vagarosamente , divertindo se claramente a ver Harry , parado , a olhar em os olhos a serpente . - Eu trato de ela ... - Permita me -- gritou Lockhart . Bramiu a varinha em direcção a a serpente e ouviu se um estoiro . A cobra , em_vez_de desaparecer , voou três metros acima de eles e voltou a cair em o chão com um estrondo enorme . Enraivecida , a sibilar de fúria , rastejou em direcção a Finch - _ Fletchley e pôs se de pé com os dentes a a mostra , pronta a atacar . Harry não soube ao_certo o que o levou a fazer aquilo . Não se lembrava sequer de ter tomado aquela decisão . Só soube que as pernas o fizeram avançar como_se tivesse rodas e que gritou a a serpente : - Larga o ! - E , milagrosa e inexplicavelmente , a serpente voltou a o chão , dócil como uma grande mangueira de jardim , preta e grossa , os olhos agora fixos em os olhos de Harry . Harry sentiu o medo a escoar se . Sabia que a cobra não atacaria mais ninguém , embora não pudesse explicar como sabia . Olhou para Justin a sorrir , esperando vê o aliviado , espantado , ou mesmo agradecido , mas nunca zangado ou assustado . - Que brincadeira é essa ? - gritou o outro e , antes que Harry tivesse tempo de dizer fosse o que fosse , voltou as costas e saiu de o salão . Snape deu um passo em frente , fez um gesto com a varinha e a serpente desapareceu em uma onda de fumo preto . Também ele , Snape , olhava para Harry de uma forma inesperada . Era um olhar arguto e calculista , de que Harry não gostou . Apercebeu se também vagamente de um murmúrio ameaçador que vinha de as paredes em volta . Depois , sentiu um puxão em a túnica . - Vamos - disse a voz de o Ron em o seu ouvido . - Mexe te , vá lá ... Ron arrastou o para fora de o salão . Hermione acompanhava os em a passada rápida . Quando cruzaram a porta , as pessoas que a rodeavam afastaram se , como_se tivessem medo de ser contagiadas . Harry não fazia a mais pequena ideia do_que estava a passar se e , nem Ron , nem Hermione lhe deram qualquer explicação , antes de o terem levado até a a sala comum de os Gryffindor , que se encontrava vazia . Aí , Ron empurrou Harry para uma cadeira de braços e disse : - Tu és um * serpentês * . Porque não nos disseste ? - Eu sou um quê ? - perguntou Harry . - Um * serpentês * ! - exclamou o Ron . - Falas com as cobras . - Eu sei - declarou Harry . - Quer_dizer , esta foi a segunda vez que o fiz . A outra foi há muito_tempo em o jardim zoológico , quando soltei uma Boa_Constrictor a o meu primo Dudley . É uma longa história , mas ela estava a dizer me que nunca tinha estado em o Brasil e eu acho que a libertei sem querer . Foi antes de saber que era feiticeiro . . . - Uma Boa_Constrictor disse te que nunca tinha estado em o Brasil ? - repetiu Ron , quase sem voz . - E então ? - disse o Harry . - Aposto que montes de pessoas aqui fazem o mesmo . - Não fazem , não - afirmou Ron . - Não é um dom muito frequente . Harry , isso é mau . - O que é_que é mau ? - perguntou Harry , que começava a ficar chateado . - O que é_que se passa com todos os outros ? Ouve bem , se eu não tivesse dito a aquela cobra para não atacar o Justin ... - Ah , foi isso que tu disseste ? - Que queres dizer ? Tu estavas lá , ouviste perfeitamente o que eu disse . - Eu ouvi te falar em serpentês - disse o Ron . - Língua de cobra . Podias estar a dizer lhe qualquer coisa . Não admira que o Justin tivesse entrado em pânico . Parecia que estavas a incitar a serpente . Foi assustador , sabes ? Harry olhou para ele espantado . - Eu falei uma língua diferente ? Mas não me apercebi , como posso falar uma língua , sem saber que a conheço ? Ron abanou a cabeça . Tanto ele como Hermione tinham um ar fúnebre . Harry não percebia o que havia em aquilo de tão trágico . - Será que me querem explicar o que há de mal em ter impedido que uma serpente enorme arrancasse a cabeça a o Justin ? - perguntou . - Porque é tão importante como o fiz , se evitei que o Justin fosse juntar se a grupo de os SEM_CABEÇA ? - Importa - disse por fim Hermione , em uma voz abafada . - Porque falar com serpentes era a arte por a qual Salazar_Slytherin ficou famoso . Por isso , o símbolo de os Slytherin é uma serpente . Harry ficou de boca aberta . - Exacto - disse o Ron . - E agora todos em a escola vão pensar que tu és descendente de ele . - Mas não sou - contrapôs Harry com um pânico que não conseguia explicar . - Não vai ser fácil prová o - disse Hermione . - Ele viveu há quase mil anos . Pelo que vimos , podias ser . Em essa noite , Harry ficou acordado durante horas . Por uma fresta de os cortinados de a cama de dossel , olhou para a neve que começava a cair de o lado de_fora de a janela de a torre e perguntou se se poderia ser descendente de Salazar_Slytherin . Afinal , não sabia nada de a família de o pai , os Dursley tinham sempre proibido qualquer pergunta sobre os seus familiares feiticeiros . Calmamente , tentou dizer qualquer coisa em * serpentês * , mas as palavras não saíam . Parecia que era necessário estar frente_a_frente com uma cobra para poder fazê o . Mas eu sou um Gryffindor , pensou Harry , o chapéu seleccionador não me poria aqui se eu tivesse sangue de Slytherin ... - Ah ! - disse uma vozinha dentro de o seu cérebro . - Mas o chapéu seleccionador queria pôr te em os Slytherin , não te lembras ? Harry deu voltas e voltas a a cabeça . Em o dia seguinte , quando visse Justin em a aula de herbologia explicaria lhe que estava a afastar a serpente , não a atiçá a o que , aliás , pensou zangado , dando vários socos em a almofada , qualquer idiota teria percebido . Contudo , em a manhã seguinte , a neve que começara a cair durante a noite , transformara se em uma tempestade tão espessa que a última aula de herbologia de o período foi cancelada : a professora Sprout queria tapar as mandrágoras com peúgas e cachecóis , uma operação arriscada que ela não confiava a ninguém agora_que era tão importante que as mandrágoras crescessem depressa e reabilitassem Mrs._Norris e Colin_Creevey . Junto de a lareira de a sala comum de os Gryffindor , Harry matutava sobre o que se passara enquanto Ron e Hermione aproveitavam o foro para jogar xadrez de feitiçaria . - Com os diabos , Harry - disse Hermione exasperada quando um bispo derrubou um de os cavaleiros de o cavalo , arrastando o para fora de o tabuleiro . - Vai falar com o Justin , se isso é assim tão importante para ti . Harry levantou se e saiu por o buraco de o retrato , perguntando a si próprio onde poderia estar o Justin . O castelo estava mais escuro do_que era habitual durante o dia por causa de a neve espessa e cinzenta que cobria as janelas . A tremer , Harry passou por as salas onde estava a haver aulas , captando lampejos do_que sucedia lá dentro . A professora Mc_Gonagall gritava com alguém que , segundo lhe parecia por o som , transformara o parceiro em um texugo . Resistindo a a tentação de dar uma espreitadela , Harry afastou se pensando que Justin poderia estar a utilizar o tempo de o furo para fazer algum trabalho e resolveu , por isso , ir até a a biblioteca . Um grupo de alunos de os Hufflepuff , que deveriam ter estado em Herbologia , encontrava se , de facto , sentado em as traseiras de a biblioteca , mas não parecia estar a trabalhar . Entre as fileiras de as estantes altas , Harry pôde ver as suas cabeças muito juntas em aquilo que deveria ser uma conversa absorvente . Não conseguia perceber se Justin estaria em o meio de eles . Ia para se aproximar quando apanhou em o ar uma frase e parou para ouvir melhor , escondido em a secção de a invisibilidade . - Portanto - dizia um rapaz corpulento - eu disse a o Justin para se esconder em o nosso dormitório . Isto_é , se o Potter o escolheu como próxima vítima é melhor que ele tenha um * low profile * durante algum tempo . É claro que o Justin já estava a a espera que alguma coisa de o género acontecesse desde_que lhe escapou em uma conversa com o Potter que era filho de Muggles . O Justin disse lhe , inclusivamente , que tinha estado inscrito em Eton . Não é o tipo de coisa que se ande a dizer com o herdeiro de Slytherin a a solta por aí . - Achas mesmo_que é o Potter , Ernie ? - perguntou uma rapariga de tranças loiras , ansiosamente . - Hannah - disse com solenidade o rapaz corpulento . - Ele é um serpentês . Todos sabem que essa é a marca de um feiticeiro negro . Alguma vez ouviste falar de um feiticeiro decente que falasse com as cobras ? O Slytherin era conhecido por « Língua de serpente . . Houve alguns murmúrios antes de Ernie prosseguir : - Lembram se do_que estava escrito em a parede ? * _ Inimigos de o herdeiro , cuidado ! * . O Potter teve que ir a o gabinete de o Filch . E o que é_que acontece a seguir ? A gata de o Filch é atacada . O aluno de o primeiro ano , Creevey , estava a aborrecê o em a partida de Quidditch , a tirar lhe fotografias quando ele estava caído em a lama . E o que é_que acontece a seguir ? Creevey é atacado . - Mas ele parece sempre ser tão simpático - disse Hannah , cheia de dúvidas . - E , bem , foi ele que fez com que o Quem nós sabemos desaparecesse . Não pode ser assim tão mau , pois não ? Ernie baixou misteriosamente a voz . Os Hufflepuff inclinaram se mais uns para os outros e Harry aproximou se para conseguir apanhar as palavras de o Ernie . - Ninguém sabe como ele sobreviveu a aquele ataque de o Quem nós sabemos e , afinal , ainda era um bebé quando aquilo aconteceu . Era para ter explodido feito em estilhaços . Só um feiticeiro negro verdadeiramente poderoso teria sobrevivido a uma maldição de aquelas . - Baixou ainda mais a voz até esta ficar reduzida a um leve murmúrio e disse : - Talvez fosse por isso que o Quem nós sabemos o queria matar , para não ter outro feiticeiro negro a competir com ele . Gostava de saber que outros poderes ocultos terá o Potter . Harry não aguentou mais . Pigarreou alto e saiu detrás de as estantes . Se não estivesse tão zangado teria conseguido ver o lado cómico de a situação : cada_um de os Hufflepuff olhava para ele como_se tivesse sido petrificado , e a cor desaparecera de a cara de o Ernie . - Olá - disse Harry . - Estou a a procura de o Justin_Finch - _ Fletchley . Os piores receios de os Hufflepuff tinham se concretizado . Olharam apavorados para o Ernie . - O que queres de ele ? - perguntou Ernie em uma voz sumida . - Explicar lhe o que aconteceu com aquela cobra em o clube de os duelos - disse Harry . Ernie mordeu os lábios brancos e , em seguida , respirando fundo , respondeu : - Estávamos lá todos . Vimos o que aconteceu . - Então viram que depois de eu falar a serpente recuou - disse Harry . - O que eu vi - insistiu teimosamente Ernie , apesar_de tremer a cada palavra que proferia - foi tu a falares serpentês e a atiçares a cobra conta o Justin . - Eu não a aticei - gritou Harry enraivecido . - Ela nem lhe tocou . - Falhou por_pouco - disse Ernie . - E , para o caso de estares com ideias - acrescentou com má cara - posso dizer te que a minha família provem de nove gerações de bruxas e feiticeiros e que o meu sangue é tão puro como o de qualquer feiticeiro , portanto ... - Quero lá saber qual é o teu sangue - disse Harry furioso . - Porque iria eu atacar os filhos de os Muggles ? - Ouvi dizer que detestas os Muggles com quem vives - disse Ernie rapidamente . - Não é possível viver com os Dursley sem os detestar - explicou Harry . - Gostava de te ver lá em casa . Girou sobre os calcanhares e saiu furioso de a biblioteca sob o olhar reprovador de Madam_Prince que limpava a capa dourada de um enorme livro de encantamentos . Harry avançou a as cegas por os corredores , quase sem ver por_onde ia de tão furioso que estava . O resultado foi chocar com algo enorme e sólido que o fez recuar e cair a o chão . - Ah ! Olá , Hagrid - disse , olhando para_cima . Hagrid tinha o rosto completamente tapado com um lenço coberto de neve , mas não podia ser mais ninguém , enchendo assim o corredor dentro de o seu sobretudo de pele de toupeira . De uma de as enormes mãos enluvadas , pendia um galo morto . - Tudo bem , Harry ? - perguntou , afastando o lenço para poder falar . - Porque não estás em a aula ? - Foi cancelada - disse Harry , pondo se de pé . - O que estás a fazer aqui ? Hagrid mostrou lhe o galo inerte . - É o segundo qu'aparece morto este período - explicou . - Ou são raposas ou um vampiro chato e eu preciso d'autorização de o director p'ra fazer um feitiço em volta de a capoeira . Aproximou se e olhou mais de perto para o Harry , por debaixo de as suas sobrancelhas espessas e cheias de neve . - Tens a certeza que estás bem ? Pareces exaltado e preocupado . Harry não foi capaz de repetir o que Ernie e os outros Hufflepuff lhe tinham dito . - Não é nada , tenho de ir , Hagrid . A próxima aula é Transfiguração e preciso de ir buscar os meus livros . Afastou se , a cabeça cheia com tudo_o_que Ernie dissera a seu respeito . « * _ O_Justin já estava d espera que uma coisa de o género acontecesse desde_que deixou escapar , falando com o Potter , que era filho de Muggles * ... » Harry subiu as escadas a correr e entrou por um corredor que estava particularmente escuro . As tochas tinham sido apagadas por uma ventania gelada que entrava por uma janela de fecho estragado . Estava a meio de o corredor quando tropeçou em uma coisa que se encontrava em o chão . Olhou para ver o que era e sentiu como_se o estômago se tivesse dissolvido . Justin_Finch - _ Fletchley estava em o chão , rígido e frio com uma expressão de horror em o rosto e os olhos abertos voltados para o tecto . E não era tudo . Junto de ele estava mais alguém , a visão mais estranha que Harry tivera em toda_a sua vida . Era_o_Nick quase sem cabeça que não estava cor de pérola nem transparente e sim escuro como fumo . Flutuava imóvel , em a horizontal , 12 centímetros acima de o chão , a cabeça meio tombada e em o rosto uma expressão de choque idêntica a a de o Justin . Harry pôs se de pé com a respiração acelerada e o coração a bater como um tambor contra as costelas . Olhou desvairado para ambos os lados de o corredor deserto e viu uma fila de aranhas que corriam a_toda_a velocidade em a direcção oposta a a de os corpos . Os únicos sons eram as vozes abafadas de os professores em as aulas que decorriam de ambos os lados . Podia fugir e ninguém saberia que ali tinha estado , mas não era capaz de os abandonar assim . Tinha de ir procurar ajuda . Será que alguém acreditaria que ele não tivera nada que ver com aquilo ? Enquanto ali estava , em pânico , uma porta a o seu lado abriu se com grande estrondo . Peeves , o * poltergeist * , saiu a os gritos . - Oh ! É o Potter , olá , Potter - alardeou Peeves , lançando por o ar os óculos de o Harry quando passou por ele . - O que está o Potter a fazer ? Porque está o Potter escondido ? Peeves passou de cabeça para baixo , a meio de uma cambalhota em o ar , quando viu Justin e Nick quase sem cabeça . Com um movimento súbito endireitou se , encheu os pulmões de ar e , antes que Harry pudesse impedi o , gritou : __ ataque ! ataque ! outro ataque ! nenhum mortal ou fantasma está em segurança . corram , fujam , __ ataaaque ! Crac , Crac , Crac . Uma atrás de a outra , foram se abrindo todas_as portas a o longo de o corredor e as pessoas saíram para fora de as salas de aula . Durante alguns longos minutos houve uma tal confusão que Justin esteve em perigo de ser esmagado e as pessoas não paravam de chocar com o Nick quase sem cabeça . Harry deu por si colado a a parede enquanto os professores exigiam a os gritos que se fizesse silêncio . A professora Mc_Gonagall veio a correr , seguida por todos os alunos , um de os quais ainda trazia o cabelo a as riscas pretas e brancas . Usou a varinha para produzir um ruído que repôs o silêncio e mandou os alunos todos para dentro de as salas de aula . Mal lugar ficou desimpedido surgiu Ernie , o jovem Hufflepuff . - * _ Apanhado em flagrante ! * - gritou , com o rosto totalmente branco , apontando dramaticamente o dedo par Harry . - Basta_Mcmillan - disse , de forma cortante , a professora Mc_Gonagall . Peeves andava para_cima e para baixo , observando a cena com um sorriso maldoso . Sempre adorara o caos . Quando os professores se inclinaram sobre Justin e sobre o Nick quase sem cabeça para os examinar , iniciou uma cantilena : * _ Oh ! Potter , que fizeste , seu grande bandido * _ Tu matas os estudantes porque achas divertido . * - Basta , Peeves - rosnou a professora Mc_Gonagall e Peeves afastou se , deitando a língua de_fora a o Harry . Justin foi levado para a ala hospitalar por o professor Flitwick e por o professor Sinistra_do_Departamento_de_Astronomia , mas ninguém parecia saber o que fazer em relação a o Nick quase sem cabeça . Por fim , a professora Mc_Gonagall fez aparecer em o ar um enorme leque que entregou a Ernie com o encargo de conduzir , escadas acima , por os ares o Nick quase sem cabeça . Ernie assim fez , soprando Nick como_se fosse um aerodeslizador e deixando , de este modo , o Harry e a professora Mc_Gonagall a sós . - Por aqui , Potter - disse ela . - Professora , eu juro que não ... - Isso não é comigo , Potter - afirmou a professora Mc_Gonagall sinteticamente . Caminharam em silêncio até uma esquina e ela parou perante uma gárgula de pedra extremamente feia . - Refresco de limão - disse . Era obviamente uma senha porque a gárgula animou se subitamente e saltou para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes . Apesar_de estar apavorado com o que ia acontecer a seguir , Harry não conseguiu evitar um sentimento de fascínio . Por detrás de a parede estava uma escada em espiral que se movia lentamente para_cima como um elevador . E quando ele e a professora Mc_Gonagall puseram os pés em o primeiro degrau , Harry ouviu a parede fechar se atrás de eles . Subiram em círculos , cada_vez_mais alto até que , por fim , um_pouco tonto , Harry pôde ver uma porta de carvalho reluzente com um puxador de bronze em forma de abutre . Harry calculava onde estava a ser levado . Devia ser ali que morava Dumbledore . XII_A poção * polisuco * Saltaram de a escada de pedra lá mesmo em cima e a professora Mc_Gonagall bateu a a porta . Ela abriu se silenciosamente dando lhes entrada . A professora Mc_Gonagall disse lhe que esperasse e deixou o sozinho . Harry olhou em volta . Uma coisa era certa : de todos o escritórios de professores que conhecia , o de Dumbledor era , de longe , o mais interessante . Se não estivesse com um medo de morte de ser expulso teria adorado explorá o . Era uma sala grande e bonita em forma de círculo que estava cheia de barulhinhos estranhos . Havia um grande número de instrumentos prateados sobre várias mesas de pernas finas que zumbiam emitindo pequenas baforadas de fumo . As paredes estavam cobertas de fotografias de antigos directores e directoras , todos eles a dormir tranquilamente em as suas molduras . Havia ainda uma enorme secretária pés de garra . E , sobre uma prateleira atrás de ela , um chapéu de feiticeiro andrajoso e puído : * o chapéu seleccionador * . Harry hesitou . Lançou um olhar cauteloso a as bruxas e feiticeiros adormecidos a o longo de as paredes . Com certeza não fazia mal se lhe pegasse e o experimentasse só para ver ... só para ter a certeza de que ele o pusera em a equipa certa . Deu a volta a a secretária , retirou o chapéu de a prateleira e baixou o lentamente sobre a cabeça . Era demasiado grande e escorregou lhe para os olhos como de a outra_vez que o tinha posto . Harry olhou para o forro preto , enquanto esperava . Por fim , uma vozinha disse lhe a o ouvido : - Estás com macaquinhos em o sótão , Harry_Potter ? - Er ... sim - balbuciou Harry . - Er ... desculpa incomodar te , queria saber ... - Querias saber se te pus em a equipa certa - disse prontamente o chapéu . - Sim ... tu és particularmente difícil de seleccionar , mas eu mantenho o que disse antes . - O coração de Harry deu um salto . - Terias ficado bem em os Slytherin . Harry sentiu o estômago contorcer se . Agarrou o chapéu por a aba e tirou o de a cabeça . O chapéu seleccionador ficou pendurado em a mão de ele , inerte , desbotado e sujo . Harry voltou a pô o em a prateleira , sentindo se enjoado . - Estás enganado ! - disse em voz alta a o chapéu parado e silencioso , mas ele não se mexeu . Harry recuou para o observar melhor e foi então que ouviu um ruído estranho e grasnado atrás_de si que o fez dar uma volta . Não estava só , afinal_de_contas . Em um poleiro dourado atrás de a porta estava um pássaro de aspecto decrépito que parecia um peru meio depenado . Harry olhou para ele espantado e o pássaro olhou o também , grasnando de_novo . Harry achou que ele devia estar muito doente porque tinha os olhos parados e , enquanto olhava para ele , caíram lhe mais algumas penas de a cauda . Estava justamente a pensar que a única coisa que lhe faltava era que o pássaro de estimação de Dumbledore morresse quando ele estava ali sozinho com ele , em o escritório , quando a ave se incendiou . Harry gritou , em estado de choque , e recuou até a a secretária . Olhava nervosamente em volta , em busca de um jarro de água , mas não viu nenhum . O pássaro , entretanto , transformara se em uma bola de fogo , dera um guincho e , em seguida , desaparecera , deixando apenas um monte de cinzas em o chão . A porta de o escritório abriu se . Dumbledore entrou com ar taciturno . - Professor - gaguejou Harry . - O seu pássaro ... eu não pode fazer nada ... ele incendiou se . Para seu grande espanto , Dumbledore sorriu . - Já não era sem tempo . Estava com um aspecto horrível em os últimos dias . Fartei me de lhe dizer que fizesse qualquer coisa . Riu se entre dentes com a expressão em o rosto de Harry . - A Fawkes é uma fénix , Harry . As fénix ardem quando é altura de morrer e renascem de as cinzas , repara ... Harry olhou mesmo a_tempo_de ver um passarinho recém-nascido , todo enrugado , espetar a cabeça fora de as cinzas . Era quase tão feio como o antigo . - É uma pena que a tenhas conhecido em dia de arder - disse Dumbledore , passando para trás de a secretária . - É muito bonita a maior parte de o tempo , com uma plumagem vermelha e dourada . São criaturas fascinantes , as fénix . Podem transportar cargas pesadíssimas , as suas lágrimas têm propriedades curativas e são animais de estimação extremamente fiéis . Com o choque de a fénix a pegar fogo , Harry esquecera se de o motivo porque ali estava , mas tudo voltou rapidamente quando Dumbledore se instalou em a cadeira de espaldar alto e o fixou com os seus olhos azuis e penetrantes . Contudo , antes que ele tivesse tido tempo de falar , a porta de o escritório abriu se de par em par com um enorme estrondo e Hagrid entrou com um olhar tresloucado , o lenço todo torcido em volta de a cabeça hirsuta e o galo morto ainda pendurado em a mão . - Não foi Harry , professor Dumbledore - disse , aflito . - Eu tinha estado a falar com ele poucos segundos antes de o rapazinho ser encontrado , ele não teve tempo professor ... Dumbledore tentou dizer qualquer coisa , mas Hagrid continuou , abanando o galo em o meio de a sua agitação e espalhando penas por todo o lado . - Não pode ter sido ele . Eu juro em a frente de o ministro de a magia , se for preciso ... - Hagrid , eu ... -- Tem o rapaz errado , professor . Eu sei qu'o Harry nunca ... - Hagrid - disse Dumbledore , elevando a voz . - Eu não penso que o Harry tenha atacado aquelas pessoas . - Oh ! - disse Hagrid , com o galo pendendo inerte a o seu lado . - Certo , ' tão eu espero lá fora , director . E saiu com ar envergonhado . - O senhor não acha que tenha sido eu ? - repetiu Harry cheio de esperança , enquanto Dumbledore sacudia penas de galo de cima de a secretária . - Não , Harry , não acho - afirmou Dumbledore , apesar de a sua expressão ser de_novo sombria . - Mas mesmo_assim quero falar contigo . Harry esperou ansiosamente enquanto o director o observava com as pontas de os dedos longos unidas . - Tenho de saber uma coisa . Harry , há alguma pergunta que queiras fazer me , qualquer que ela seja ? Harry não soube o que dizer . Lembrou se de Malfoy a gritar * _ Vocês serão os próximos , sangues de lama * e de a poção * _ Polisuco * em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Depois pensou em a voz sem corpo que ouvira duas vezes e em o que o Ron dissera * _ Ouvir vozes que ninguém mais ouve não é bom sinal , nem mesmo em o mundo de a feitiçaria * . Pensou também em o que toda_a_gente dizia de ele e em o receio cada_vez maior de ter uma relação qualquer com Salazar_Slytherin ... - Não - disse por fim . - Não há nada , professor . O ataque duplo a Justin e a o Nick quase sem cabeça transformou o que até_então era nervosismo em verdadeiro pânico . Curiosamente fora o destino de o Nick quase sem cabeça o que mais preocupara as pessoas . Quem poderia ter feito aquilo a um fantasma ? - perguntavam uns a os outros . - Que poder terrível era aquele , capaz de afectar alguém que já tinha morrido ? Houve uma precipitação enorme em a marcação de os bilhetes em o Expresso_de_Hogwarts , pois todos os alunos quiseram ir passar o Natal a casa . - Por este caminho , vamos ser os únicos a ficar - disse o Ron a o Harry e a a Hermione . - Nós , o Malfoy , o Goyle e o Crabbe , que férias lindas que vão ser ! Crabbe e Goyle que faziam sempre o que Malfoy fazia , tinham se inscrito para ficar também durante as férias . Mas Harry estava contente por a maior parte se ir embora . Estava farto de ver gente a afastar se em os corredores como_se ele fosse mostrar os dentes ou cuspir veneno . Estava cansado de tantos segredinhos , de os ver apontar e segredar quando passava . O Fred e o George , esses achavam muito divertido . Vinham , de propósito , pôr se a a frente de ele e atravessavam os corredores a gritar : - Abram alas para o herdeiro de Slytherin , vai passar um feiticeiro verdadeiramente cruel . Percy discordava totalmente de este comportamento . - Não é um assunto para se brincar - dizia com frieza . - Sai mas é de o caminho , Percy - dizia o Fred . - O Harry está com pressa . - Sim , ele vai a a Câmara_dos_Segredos tomar uma chávena de chá com o seu servidor dentes de serpente - completava Fred com uma gargalhada . Ginny também não lhes achava graça . - Cala te - gritava ela sempre_que o Fred perguntava em voz alta a o Harry quem estava a pensar atacar a seguir , ou quando George fingia afastá o com um enorme dente de alho . Harry não se importava . Fazia o sentir se melhor o facto de constatar que , pelo_menos para o Fred e para o George , a ideia de ele ser o herdeiro de Slytherin era absolutamente ridícula . Mas as palhaçadas de eles pareciam ofender Draco_Malfoy que , de cada_vez que os via , ficava mais irritado . - É porque está ansioso por dizer que é mesmo ele - disse o Ron com ar conhecedor . - Sabes como ele detesta que alguém o ultrapasse e tu estás a receber todo o crédito por o seu trabalho sujo . - Não vai ser por muito_tempo - disse Hermione com uma voz satisfeita . - A poção * polisuco * está quase pronta . Um de estes dias arrancamos lhe a verdade . Finalmente , o período chegou a o seu termo e um silêncio profundo como a neve em os campos desceu sobre o castelo . Harry adorou a tranquilidade e apreciou o facto de ele , Hermione e os Weasley terem a torre de os Gryffindor por sua conta , poderem jogar a as explosões bem alto , sem incomodar ninguém e praticar duelos entre si . O Fred , o George e a Ginny tinham preferido ficar em a escola a ir com Mr. e Mrs._Weasley a o Egipto visitar o Bill . Percy que reprovava e considerava infantil a conduta de eles , não passava muito_tempo em a sala comum de os Gryffindor . Já lhes dissera pomposamente que só ficara ali em o Natal , por ser sua obrigação como prefeito apoiar os professores em aquela época agitada . A manhã de o dia de Natal clareou branca e fria . Harry e Ron , os únicos que estavam em o dormitório , foram acordados muito cedo por Hermione que entrou , toda vestida , transportando presentes para ambos . - Acordem - disse em voz alta , abrindo os cortinados . - Hermione , tu não devias estar aqui - exclamou o Ron , protegendo os olhos de a luz . - Feliz_Natal para ti também - disse Hermione , atirando lhe o presente que tinha para ele . - Estou acordada há quase uma hora , acrescentando mais asas de renda a a poção . Está pronta . Harry sentou se , subitamente acordado . - Tens a certeza ? - Absoluta - disse ela , afastando o rato Scrabbers para se sentar a os pés de a cama de dossel . - Se vamos mesmo tomá a , acho que devia ser logo a a noite . Em esse momentzo , a Hedwig entrou em o quarto , transportando em o bico um embrulho pequenino . - Olá - disse Harry , feliz a o vê a aterrar em a sua cama . - Já me falas outra_vez ? Ela mordiscou lhe a orelha de uma forma afectuosa que foi , de longe , um presente melhor do_que aquele que transportava e que era afinal de os Dursley . Tinham mandado a Harry um palito para os dentes com um cartão pedindo lhe que se informasse se não poderia ficar , também em o Verão , em Hogwarts . Os outros presentes que Harry recebeu foram bastante melhores . Hagrid mandara lhe uma lata grande de bombons de melaço que ele decidiu amolecer a o lume antes de comer , o Ron deu lhe um livro chamado * _ Voando com Canhões * , que narrava factos interessantes sobre a sua equipa favorita de Quidditch e Hermione trouxera lhe uma luxuosa pena de águia . Harry abriu o último presente onde vinha uma camisola novinha , feita a a mão por Mrs._Weasley e um grande bolo de passas . Pegou em o cartão com uma nova sensação de culpa , pensando em o carro de Mr._Weasley que não voltara a ser visto desde_que chocara contra o salgueiro zurzidor e em a quantidade de infracções que ele e o Ron tinham em mente . Ninguém , nem mesmo os que estavam cheios de medo por terem de tomar a poção * polisuco * a seguir , deixou de adorar o jantar de Natal em Hogwarts . O salão nobre estava magnífico . Não_só havia uma_dúzia de árvores de Natal , cobertas de geada e espessas serpentinas de azevinho e visco bravo cruzando se junto de o tecto como caia uma neve encantada quente e seca . Dumbledore conduziu os em uma de as suas canções de Natal preferidas enquanto Hagrid se agitava , falando cada_vez_mais alto , a cada gole de gemada que tomava . O Percy que não dera por_que Fred enfeitiçara o seu distintivo de prefeito , onde agora podia ler se « cabeça de alfinetes « , continuava a perguntar a todos para_onde estavam a olhar . Harry nem_sequer se importou com os comentários que Draco_Malfoy fazia bem alto , de a mesa de os Slytherin acerca de a sua camisola nova . Com alguma sorte , Malfoy iria ser desmascarado dentro_de algumas horas . Harry e Ron mal tinham acabado a terceira dose de pudim de Natal quando Hermione os fez sair de o salão a a pressa para acabarem de tratar de os planos para essa noite . - Ainda precisamos de um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos - disse com o ar mais natural de este mundo como_se estivesse a mandá os a o supermercado comprar detergente . - E , é claro que o ideal será conseguirmos alguma coisa de o Crabbe e de o Goyle , são os melhores amigos de o Malfoy , ele conta lhes tudo . E precisamos também de ter a certeza de que eles não vão entrar em a sala quando vocês estiverem a interrogar o Malfoy . - Eu tenho tudo pensado - prosseguiu ela , ignorando a expressão estupefacta de Harry e Ron . Pegou em dois apetitosos bolos de chocolate . - Pus lhes um encantamento de sono . Vocês só têm de fazer com que o Crabbe e o Goyle os encontrem . Sabem como eles são gulosos , vão logo comê os . Quando estiverem a dormir , tirem lhes alguns cabelos e escondam nos em uma despensa de vassouras . Harry e Ron olharam , incrédulos , um para o outro . -- Hermione , eu não creio que ... -- Isto pode correr muito mal ... Mas Hermione tinha um brilho inflexível em os olhos que não era muito diferente do_que costumavam ver em o olhar de a professora Mc_Gonagall . - A poção não nos serve de nada sem os cabelos de o Crabbe e de o Goyle - disse com firmeza . - Vocês querem mesmo descobrir coisas sobre o Malfoy , não querem ? - Pronto , está bem - disse Harry . - Mas , e tu , vais arranjar cabelos de quem ? - Eu já tenho esse assunto resolvido - disse Hermione sorridente , tirando um frasquinho de o bolso e mostrando lhes um cabelo que lá estava dentro . - Lembram se de a Millicent_Bulstrode que lutou comigo em o clube de os duelos ? Ela deixou isto em o meu manto quando tentava estrangular me . E foi passar o Natal a casa , portanto , basta me dizer a os Slytherins que decidi voltar . Quando Hermione saiu para verificar de_novo a poção polisuco , Ron voltou se para Harry com uma expressão lúgubre . - Alguma vez viste um plano onde tantas coisas pudessem correr mal ? Mas para grande espanto de ambos , a primeira fase de a operação decorreu tão naturalmente como Hermione previra . Eles esconderam se em o * hall * de entrada , depois de o lanche de Natal , a a espera de o Crabbe e de o Goyle que tinham ficado sozinhos a a mesa de os Slytherin , deitando abaixo a quarta dose de bolo inglês . Harry colocou os bolos de chocolate em o fim de o corrimão . Quando avistaram Crabbe e Goyle a sair de o salão , Harry e Ron esconderam se rapidamente atrás_de uma armadura que estava junto de a porta de entrada . - Como_se pode ser tão estúpido ? - murmurou Ron sem se mexer enquanto Crabbe apontava satisfeitíssimo , mostrando a Goyle os bolos e agarrando os . Com um riso estúpido , enfiaram nos inteiros em as bocas enormes . Durante um momento , ambos mastigaram avidamente com olhares vitoriosos em o rosto . Depois , sem que a expressão se alterasse , caíram para trás e estatelaram se em o chão . Mais difícil foi transportá os para a despensa de o outro lado de o * hall * . Uma_vez armazenados em o meio de os baldes e esfregões , Harry arrancou alguns de os pêlos que cobriam a cabeça de o Goyle e Ron tirou alguns cabelos a o Crabbe . Roubaram lhes também os sapatos porque os de eles eram demasiado pequenos para os enormes pés de o Crabbe e de o Goyle . Em seguida , ainda atordoados com o que tinham acabado de fazer , correram até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mal conseguiam ver com o fumo preto e espesso que saía de o cubículo onde Hermione mexia o caldeirão . Tapando o rosto com os mantos , Harry e Ron bateram a o de leve em a porta . - Hermione ? Ouviram o ruído de o trinco e Hermione apareceu com a cara lustrosa e um ar ansioso . Por trás de ela ouviam o gloop gloop de a poção espessa e gorgolejante . Em o banco de a casa_de_banho estavam três copos de vidro . - Conseguiram ? - perguntou Hermione quase sem fôlego . Harry mostrou lhe o cabelo de o Goyle . - _ óptimo . Eu tirei estes mantos suplementares de a lavandaria - disse ela , pegando em uma pequena saca . - Vocês vão precisar de tamanhos maiores se vão ser o Crabbe e o Goyle . Olharam os três para o caldeirão . Vista de perto , a poção parecia uma lama espessa e escura a borbulhar indolentemente . - Tenho a certeza que fiz tudo certo - disse Hermione nervosa , relendo a página manchada de * _ Moste_Potente_Potions * . - Tem o aspecto que o livro diz que deveria ter ... depois de a tomar temos precisamente uma hora antes de nos transformarmos de_novo em as pessoas que somos . - E agora ? - murmurou o Ron . - Separamos a em três copos e adicionamos os cabelos . Hermione encheu cada_um de os copos com uma concha de sopa . Em seguida , retirou com a mão a tremer o cabelo de Millicent_Bulstrode de dentro de o frasquinho e pô o em o primeiro copo . A poção chiou fortemente como uma chaleira a ferver e espumou como louca . Um segundo depois ganhara um tom de amarelo doentio . - Urgh ! Essência_de_Millicent_Bulstrode - disse Ron , olhando com repugnância . - Aposto que o sabor é nojento . - Deitem os vossos - disse Hermione . Harry deixou cair o cabelo de o Goyle em o copo de o meio e Ron lançou o de o Crabbe em o último . Ambos chiaram e espumaram : o de o Goyle ficou de um tom caqui , o de o Crabbe de um castanho-escuro algo tenebroso . - Esperem - pediu Harry quando Ron e Hermione pegaram em os copos . - Será melhor não os tomarmos aqui todos juntos em um cubículo ; quando em os transformarmos não vamos cá caber e Millicent_Bulstrode não é nenhum duende . - Bem pensado - admitiu o Ron , abrindo a porta . - Cada_um em seu cubículo . Com todo o cuidado , para não entornar nem uma gota de a poção polisuco , Harry esgueirou se para o cubículo de o meio . - Prontos ? - perguntou . - Prontos - responderam as vozes de o Ron e de a Hermione . - Um , dois , três . Tapando o nariz , Harry bebeu a poção em dois grandes tragos . Tinha o sabor de a couve demasiado cozida . Os seus interiores começaram imediatamente a contorcer se como_se tivesse engolido serpentes vivas . Dobrado , Harry perguntava a si próprio se iria vomitar . Depois , uma sensação de ardor espalhou se rapidamente de o estômago até a as pontas de os dedos de as mãos e de os pés . Em seguida , fazendo o sobressaltar se , sobreveio o sentimento horrível de estar a derreter enquanto a pele de todo o seu corpo borbulhava como cera quente e , perante os seus olhos , as mãos começaram a crescer , os dedos a engrossar , as unhas a alargar e as articulações a tornarem se protuberantes como ferrolhos . Os ombros retesaram se dolorosamente e uma comichão em a testa preveniu o de que o cabelo estava a rastejar em direcção a as sobrancelhas . As túnicas rasgaram se enquanto o tórax se expandia como um barril , rebentando com os seus anéis . Os pés estavam em grande sofrimento dentro_de sapatos quatro números abaixo . Tão depressa como começara , tudo parou . Harry estava caído em o chão de pedra fria , ouvindo a Murta_Queixosa gorgolejando taciturna em o cubículo de o fundo . Com alguma dificuldade tirou os sapatos e levantou se . Era então assim que o Goyle se sentia ! Com a mão enorme a tremer , despiu a sua túnica que lhe ficava 30 centímetros acima de os tornozelos , pegou em as túnicas suplementares e amarrou os atacadores de os sapatos abotinados de o Goyle . Quis escovar o cabelo para o afastar um_pouco de os olhos e deu apenas com os pêlos hirsutos que lhe cresciam em a testa . Apercebeu se então de que os óculos lhe toldavam a visão porque o Goyle , obviamente , não precisava de eles . Tirou os e gritou . - Vocês estão bem ? - De a sua boca saiu a voz baixa e grossa de o Goyle . - Sim - respondeu lhe o grunhido de o Crabbe , a a sua direita . Harry abriu a porta de o cubículo e dirigiu se a o espelho partido . O Goyle olhava o de o outro lado com os seus olhos parados . Harry coçou a orelha e Goyle fez o mesmo . A porta de o Ron abriu se . Olharam um para o outro . Harry estava pálido e chocado . O amigo não se distinguia de o Crabbe , desde o corte de cabelo em forma de tigela até a os longos braços de gorila . - É inacreditável - disse o Ron , aproximando se de o espelho e beliscando o nariz achatado de o Crabbe . - Inacreditável ! - É melhor irmos indo - disse Harry , alargando a pulseira de o relógio que lhe cortava o pulso . - Ainda temos de descobrir onde fica a sala comum de Slytherin . Só espero que encontremos alguém que vá para lá e que nós possamos seguir . Ron que tinha estado a olhar espantado para ele , comentou : - Não imaginas como é bizarro ver o Goyle a pensar - bateu em a porta de Hermione . - Vamos , temos que ir ... Respondeu lhe uma voz aguda : - Eu ... eu acho que afinal não vou . Vão vocês sem mim . - Hermione , nós sabemos que a Millicent_Bulstrode é feia , ninguém vai pensar que és tu . - Não , a sério , acho que não vou . Despachem se vocês os dois , estão a perder tempo . Harry olhou para Ron , baralhado . - Aquilo parece mais de o Goyle , é como ele fica sempre_que algum professor lhe faz uma pergunta . - Estás bem , Hermione ? - perguntou Harry , através de a porta . - _ óptima , estou óptima , vão se embora . Harry olhou para o relógio . Cinco preciosos minutos tinham já passado . - Encontramo nos aqui , está bem ? - disse . Os dois abriram a porta de a casa_de_banho com todo o cuidado , viram se o caminho estava livre e saíram . - Não balances assim os braços - disse o Harry a o Ron . - Hein ? - O Crabbe anda sempre com eles esticados . - Assim ? - Isso , assim está melhor . Desceram a escadaria de mármore . Só precisavam agora de um Slytherin que pudessem seguir até a a sala comum , mas não havia ninguém por perto . - Tens alguma ideia ? - perguntou Harry em um murmúrio . - Os Slytherin vêm sempre de ali para o pequeno-almoço - disse o Ron , apontando para a entrada de os calabouços . Mal tinha pronunciado estas palavras quando uma rapariga de cabelo comprido a os caracóis , apareceu . - Desculpa - disse o Ron , sem perder tempo . - Esquecemo nos de o caminho para a nossa sala comum . - Como ? - disse a rapariga com a maior frieza . - A * nossa * sala comum ? Eu sou uma Ravenclaw . Afastou se , olhando para eles , desconfiada . Harry e Ron desceram apressadamente os degraus de pedra até a a escuridão . Os passos ecoavam em o silêncio , à_medida_que os pés enormes de Crabbe e Goyle tocavam em o chão , fazendo os sentir que as coisas não iam ser tão fáceis como eles desejavam . Os corredores labirínticos estavam desertos . Andaram e tornaram a andar por os subterrâneos , olhando constantemente para os relógios para ver quanto tempo ainda lhes restava . Depois de um quarto de hora , quando começavam a ficar desesperados , ouviram um movimento súbito . - Olha - disse o Ron , agitadamente . - Agora é um de eles . A silhueta saía de uma sala , mas quando se aproximaram o coração de ambos esmoreceu . Não era um Slytherin , era Percy . - O que estás a fazer aqui em baixo ? - perguntou o Ron surpreendido . - Isso - disse ele friamente - não é de a tua conta . És o Crabbe , não és ? - Er ... sim , sim - respondeu o Ron . - Então vão para o vosso dormitório - ordenou Percy com firmeza . - Não é seguro andar a passear por os corredores escuros em os dias que correm . - Tu andas -- fez notar o Ron . - Eu - disse o Percy endireitando se - sou um prefeito . Nada vai atacar me . Ouviu se , de repente , uma voz por_detrás_de Harry e Ron . Era_Draco_Malfoy e , pela_primeira_vez em a vida , Harry ficou satisfeito a o vê o . - Aí estão vocês - disse de modo arrastado , olhando para eles . - Têm estado a chafurdar em o salão este tempo todo ? Tenho andado a a vossa procura , quero mostrar vos uma coisa muito divertida . Malfoy olhou misteriosamente para Percy . - E o que fazes tu aqui , Weasley ? - perguntou com ar de desprezo . Percy olhou , sentindo se ultrajado . - Fazes favor de mostrar um_pouco mais de respeito por um prefeito de a escola - disse . - Não gosto de o teu ar . Malfoy riu se e fez sinal a o Harry e a o Ron para que o seguissem . Harry quase ia pedindo desculpa a o Percy , mas deu se conta a tempo . Apressaram se a seguir o Malfoy que disse , mal viraram em o corredor seguinte : - Aquele Peter_Weasley ... - O Percy - corrigiu Ron automaticamente . - Ou isso - continuou Malfoy . - Ultimamente tenho o visto muitas_vezes a andar por aí sorrateiramente e aposto que sei o que ele quer . Pensa que vai apanhar o herdeiro de Slytherin sozinho . Deu uma pequena gargalhada ridícula . Harry e Ron trocaram olhares nervosos . Malfoy parou junto de uma parede de pedra húmida . - Qual é a senha ? - perguntou a o Harry . - Er ... - Ah ! sim , sangue puro - disse Malfoy sem ouvir e uma porta de pedra , oculta em a parede , abriu se . Malfoy entrou e Harry e Ron seguiram o . A sala comum de os Slytherin era uma ampla divisão subterrânea com espessas paredes de pedra e um tecto de o qual estavam pendurados por correntes vários candeeiros redondos que davam uma luz esverdeada . O fogo crepitava em uma lareira elaboradamente esculpida em frente de a qual se viam as silhuetas de vários Slytherins sentados em cadeiras igualmente esculpidas . - Esperem aí - disse Malfoy a o Harry e a o Ron , encaminhando os para um par de cadeiras vazias , longe de o lume . - Eu vou buscar o que o meu pai acaba de me mandar . Sem saber o que Malfoy iria mostrar lhes , Harry e Ron sentaram se , fazendo todos os possíveis por parecer a a vontade . Malfoy voltou um minuto depois , trazendo em a mão o que parecia ser um recorte de jornal . Pô o debaixo de o nariz de o Ron . - Vais te rir - disse . Harry viu os olhos de o Ron abrirem se como_se estivesse em estado de choque . Viu o ler o recorte rapidamente , dar uma gargalhada forçada e estender lhe o em seguida . Tinha sido retirado de o * _ Profeta_Diário * e dizia : inquérito em o ministério de a magia * _ Arthur_Weasley , chefe de o Gabinete_de_Mau_Uso_dos_Utensílios_dos_Muggles foi hoje multado em cinquenta galeões por ter enfeitiçado um carro de os Muggles . * _ O senhor Lucius_Malfoy , Membro_do_Conselho_Directivo_da_Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts , onde o carro enfeitiçado foi chocar em o princípio de este ano , exigiu hoje a demissão de Mr._Weasley . « * _ O_Weasley trouxe o descrédito a o Ministério « - declarou Mr._Malfoy a o nosso repórter . - « É claramente incompetente para fazer cumprir as leis e a sua protecção ridícula de os Muggles deveria ir imediatamente para a sucata . » * _ Mr._Weasley recusou se a fazer comentários , mas a sua mulher disse a os repórteres que desaparecessem de ali ou lançaria contra eles o vampiro de a família * . - Então - disse Malfoy impaciente quando Harry voltou a entregar lhe o recorte . - Não achas o_máximo ? - Ha , ha - fez Harry tristemente . - O Arthur_Weasley gosta tanto de os Muggles que era capaz de partir a sua varinha a o meio para se juntar a eles - disse Malfoy com desprezo . - Ninguém diria que os Weasley eram sangue puro a avaliar por o modo como_se comportam . A cara de o Ron , ou melhor , de o Crabbe , contorceu se de raiva . - O que é_que se passa ? - perguntou Malfoy . - Dores de estômago - gemeu o Ron . - Então vai a a ala hospitalar e dá a todos aqueles sangues de lama um pontapé de a minha parte - disse Malfoy com o seu riso escarninho . - Sabes que estou espantado por o * _ Profeta_Diário * ainda não se ter referido a todos estes ataques - continuou pensativamente . - Calculo que o Dumbledore deve estar a tentar abafar as coisas . Ele ainda é posto em a rua se isto não acaba depressa . O pai sempre disse que Dumbledore foi a pior coisa que aqui veio parar . Ele adora os filhos de os Muggles , um director decente nunca deixaria um lodo como o Creevey entrar em esta escola . Malfoy começou a fingir que tirava fotografias com uma máquina imaginária e fez uma imitação maldosa , mas bastante fiel de o Colin : - Potter , posso tirar te a fotografia ? Dás me um autógrafo ? Posso lamber te os sapatos , por favor , Potter ? Baixou as mãos e olhou para Harry e Ron . - O que é_que se passa com vocês os dois ? Um_pouco atrasados , Harry e Ron forçaram o riso e Malfoy pareceu satisfeito . Talvez Crabbe e Goyle fossem sempre de reacção lenta . - O santo Potter , amigo de os sangues de lama - disse Malfoy . - É outro que não tem os sentimentos de um feiticeiro a sério ou não andaria por aí com aquela empertigada sangue de lama Granger . E as pessoas a pensarem que ele é o herdeiro de Slytherin . Harry e Ron esperaram com a respiração entrecortada : o Malfoy ia certamente dizer lhes , dentro_de segundos , que era ele , mas então ... - Quem me dera saber quem ele é - disse o Malfoy , de forma petulante . - Podia ajudá o . O queixo de o Ron caiu de tal maneira que a cara de o Crabbe ficou ainda mais desajeitada do_que era habitual . Felizmente Malfoy não deu por nada e Harry , em um pensamento rápido , disse : - Deves ter alguma ideia de quem está por_detrás_de tudo ... - Sabes perfeitamente que não tenho , Goyle , quantas vezes é preciso dizer te ? - cortou Malfoy . - E o pai também não me diz nada sobre a última vez que a câmara foi aberta . É claro que foi há cinquenta anos , antes de ele cá andar , mas o pai sabe tudo a esse respeito e diz que as coisas foram mantidas em grande segredo e que pareceria suspeito se eu soubesse demasiado . Mas há uma coisa que eu sei : de a última vez que a câmara foi aberta , morreu um sangue de lama . Por isso , aposto que é uma questão de tempo até que um de eles seja morto . Só espero que seja a Granger - disse satisfeito . Ron fechara os punhos gigantescos de o Crabbe . Sentindo que deitaria tudo a perder se ele desse um soco a o Malfoy , Harry lançou lhe um olhar de aviso e disse : - Sabes se a pessoa que abriu a câmara de a última vez foi apanhada ? - Ah ! sim , essa pessoa foi expulsa - disse Malfoy . - Ainda deve estar em Azkaban . - Azkaban ? - repetiu Harry confuso . - Azkaban , a prisão de os feiticeiros , Goyle - disse Malfoy , olhando para ele incrédulo . - Francamente , se fosses mais lento andavas para trás . Esticou se intranquilo , em a cadeira e disse : - O pai diz para eu esfriar a cabeça e deixar que o herdeiro de Slytherin faça o seu trabalho . Acha que a escola precisa de se livrar de a escória de os sangues de lama , mas não quer que eu me envolva em nada . Claro que ele agora tem um prato cheio . Sabes que o Ministério de a magia fez uma busca a a nossa mansão em a semana passada ? Harry tentou forçar a cara de bronco de o Goyle a uma expressão preocupada . - Sim - continuou Malfoy . - É claro que não encontraram grande coisa . O pai guarda uns materiais de magia negra muito valiosos , mas , felizmente , temos a nossa câmara secreta debaixo de o soalho de a sala de visitas ... - Ah ! - disse o Ron . Malfoy olhou para ele . Harry também . Ron corou e até o cabelo começou a ficar vermelho . O nariz estava também a diminuir lentamente ... a hora tinha acabado . Ron estava a voltar a a sua forma habitual e por o olhar de horror que lançou a Harry certamente ele também estava . Puseram se rapidamente de pé . - Tenho de tomar o remédio para o estômago - grunhiu o Ron e sem mais explicações saíram ambos a correr de a sala comum de os Slytherin , precipitaram se para a parede de pedra e galgaram a passagem , pedindo a todos os santos que Malfoy não tivesse dado por nada . Harry sentia os pés a nadarem em os sapatos enormes de o Goyle e tinha de levantar o manto visto_que diminuíra de tamanho . Subiram os degraus a correr até a o * hall * escuro de entrada onde se ouvia um som abafado que vinha de a despensa onde tinham fechado o Crabbe e o Goyle . Deixando os sapatorros de os dois de o lado de_fora , subiram já com os respectivos sapatos a escadaria de mármore até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Bem , não foi uma total perda de tempo - disse o Ron ofegante , fechando atrás_de si a porta de a casa_de_banho . - É certo que ainda não descobrimos de quem vêm os ataques , mas vou escrever a o meu pai amanhã a dizer lhe que procure debaixo de o soalho de a sala de visitas de o Malfoy . Harry olhou para o espelho partido . Tinha voltado a o normal . Pôs os óculos enquanto Ron batia em a porta de o cubículo de Hermione . - Hermione , sai de aí , temos um monte de coisas para te contar ... - Vão se embora - guinchou Hermione . Harry e Ron olharam um para o outro . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron . - Tu já deves ter voltado a o normal como nós ... Mas a Murta_Queixosa saiu subitamente através de a porta de o cubículo com um ar divertido como nunca a tinham visto . - Oh ! Esperem até ver - disse ela . - É horrível ! Ouviram o trinco de a porta a abrir se e Hermione apareceu a soluçar , a túnica levantada a cobrir lhe o rosto . - O que foi ? - perguntou o Ron indistintamente . - Ainda tens o nariz de a Millicent ou alguma coisa assim ? Hermione deixou cair a roupa e Ron recuou rapidamente . O rosto de ela estava coberto de pêlo preto , os olhos tinham ganho uma cor amarela e as orelhas eram pontiagudas , saindo espetadas para fora de os cabelos . - Era um pêlo de g-gato - disse a chorar . - A Millicent_Bulstrode d-deve ter um gato e a poção não está preparada para transformação em animais . - Oh-oh - disse o Ron . - Vão te gozar horrivelmente - disse a Murta , felicíssima . - Não te preocupes , Hermione - tranquilizou a rapidamente o Harry . - Vamos levar te para a ala hospitalar , a Madam_Pomfrey nunca faz muitas perguntas ... Não foi fácil convencer Hermione a sair de a casa_de_banho . A Murta_Queixosa despediu se com uma gargalhadavigorosa e grosseira . - Espera até todos descobrirem que tens uma cauda ! XIII_O diário muito secreto Hermione ficou em a ala hospitalar durante várias semanas . Houve uma onda de boatos sobre o seu desaparecimento quando o resto de os alunos voltou de as férias de Natal porque , é claro , todos pensam que ela tinha sido atacada . Foram tantos os estudantes a rondar a ala hospitalar para espreitar a ver se a viam que Madam_Pomfrey desceu de_novo as cortinas de a cama de ela para a poupar a a vergonha de ser vista com pêlo em a cara . Harry e Ron iam visitá a todas_as tardes . Quando o segundo período começou passaram a levar lhe diariamente os trabalhos de casa . - Se eu tivesse o bigode a crescer , tinha uma folga de o trabalho - disse uma tarde o Ron enquanto colocava uma pilha de livros a a cabeceira de a cama de Hermione . - Não sejas parvo , Ron , eu tenho de me manter a par de as coisas - disse Hermione com vivacidade . O humor de ela melhorara bastante com o facto de lhe ter desaparecido todo o pêlo de o rosto e de os olhos estarem lentamente a retomar a cor castanha . - Calculo que não tenham novas pistas ? - disse em um murmúrio para evitar que Madam_Pomfrey os ouvisse . - Nada - disse Harry tristemente . - Eu tinha tanta certeza de que era o Malfoy - repetiu o Ron por a centésima vez . - O que é isso ? - perguntou Harry , apontando para uma coisa com brilho dourado que estava debaixo de a almofada de Hermione . - É só um cartão a desejar boas melhoras - disse ela precipitadamente , tentando escondê o , mas o Ron foi mais rápido . Pegou lhe , abriu o e leu em voz alta : * _ Para_Miss_Granger , desejando lhe uma rápida recuperação , com o interesse e estima de o professor Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , Terceiro grau , Membro_Honorário_da_Liga_de_Defesa contra as Artes_Negras e vencedor por cinco vezes de o prémio O sorriso mais charmoso de a semana de o Semanário_das_Bruxas * . Ron olhou desconsolado para Hermione . - Tu dormes com isto debaixo de a almofada ? Mas Hermione foi poupada a ter de responder por a entrada de Madam_Pomfrey que lhe trazia a dose de medicamento de a tarde . - Achas que o Lockhart é o tipo mais esperto que conheceste ? - perguntou o Ron a o Harry quando saíram de a enfermaria e começavam a subir as escadas para a torre de os Gryffindor . O Snape tinha lhes passado tanto trabalho para_casa que Harry pensou que ia chegar a o sexto ano antes de o ter acabado . Ron vinha a dizer que devia ter perguntado a a Hermione quantas caudas de rato deveria juntar se a uma poção para o crescimento de o cabelo quando um grito de raiva vindo de o andar de cima lhes chegou a os ouvidos . - É o Filch - murmurou Harry enquanto subiam apressadamente as escadas e paravam para ouvir melhor . - Terá mais alguém sido atacado ? - disse nervosamente o Ron . Ficaram parados com as cabeças inclinadas para a voz de o Filch que parecia quase histérica . -- ... * _ Ainda mais trabalho para mim . Toda_a noite a esfregar como_se não tivesse já trabalho de sobra . Não , isto foi a gota de água que fez transbordar o copo , vou falar com Dumbledore * ... Os passos afastaram se e ouviram uma porta fechar se com grande estrondo . Puseram as cabeças fora de a esquina . O Filch tinha obviamente estado a patrulhar o seu habitual posto de vigia : estavam novamente em o lugar onde Mrs._Norris fora atacada . Perceberam imediatamente qual o motivo de os gritos . Uma enorme poça de água enchia metade de o corredor e parecia escorrer de a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Agora_que o Filch se calara podiam ouvir os uivos de a Murta que faziam eco em as paredes de a casa_de_banho . - Mas o que se passará com ela ? - disse o Ron . - Vamos lá ver - sugeriu Harry e arregaçando as túnicas até a os tornozelos entraram , atravessando a enorme poça de água , em a casa_de_banho que tinha o letreiro a dizer « Fora de serviço » e que eles , como sempre , ignoraram . A Murta_Queixosa chorava , se possível , mais alto do_que nunca . Parecia estar escondida em o cubículo de o costume . Lá dentro estava escuro pois as velas tinham se apagado com a enchente de água que deixara as paredes e o chão ensopado . - O que se passa , Murta ? - quis saber o Harry . - Quem é ? - perguntou ela infelicíssima . - Vieste atirar me mais alguma coisa acima ? Harry caminhou com dificuldade por causa de a água até a o cubículo de ela e disse : - Porque te faríamos nós uma coisa de essas ? - Não me perguntem - gritou a Murta , emergindo em uma onda de água que molhou ainda mais o chão já ensopado . - Eu estou aqui metida em a minha morte e alguém acha muito engraçado atirar me com um caderno acima ... - Mas , não pode magoar te se alguém te atirar alguma coisa acima - disse Harry , tentando ser prático . - Isto_é , seja o que for passa através_de ti , não é assim ? Tinha dito a frase errada . A Murta encheu o peito de ar e gritou a plenos pulmões : - Vamos todos atirar cadernos a a Murta já_que ela não sente nada ! Dez pontos se lhe acertarem em o estômago , cinquenta se lhe atravessar a cabeça ! Hah hah hah , que jogo lindo , não acham ? - Quem te atirou um caderno , afinal ? - perguntou o Harry . - Não sei ... eu estava sentada em a sanita a pensar em a morte e caiu me em cima de a cabeça - disse a Murta , olhando para eles . - Está ali , ficou todo molhado . Harry e Ron olharam para o ponto que a Murta lhes apontava debaixo de o lavatório . Um caderno pequenino e fino estava caído em o chão . Tinha uma capa preta muito gasta e estava encharcado como tudo em aquela casa_de_banho . Harry deu um passo em frente para o apanhar , mas o Ron agarrou lhe precipitadamente o braço . - O que foi ? - perguntou Harry . - Estás doido - disse ele . - Pode ser perigoso . - Perigoso ? - riu se Harry . - Essa agora Ron , como é_que pode ser perigoso ? - Ficarias surpreendido ... - explicou ele , olhando com ar apreensivo para o caderno . - Entre os livros que o Ministério confiscou , contou me o meu pai , havia um que queimava os olhos a as pessoas . E todos os que leram os * _ Sonetos_de_Um_Feiticeiro * ficaram a falar em verso para o resto de a vida . Havia também uma bruxa em Bath que tinha um livro que quem o lesse nunca mais conseguia parar , tinha de andar por aí com o nariz enfiado em as folhas , a fazer todas_as coisas só com uma mão e ... - Já chega , já chega , já percebi a tua ideia - disse O_Harry . O caderninho continuava caído e ensopado . - Bem , nunca saberemos a_não_ser_que tenhamos a coragem de dar uma vista de olhos - disse e mergulhou apanhando o de o chão . Harry viu imediatamente que se tratava de um diário e a data meio apagada , em a capa , disse lhe que tinha cinquenta anos de idade . Abriu o ansiosamente . Em a primeira página podia ler se apenas o nome T._M._Riddle em tinta esborratada . - Espera aí - disse o Ron que se aproximara prudentemente e olhava por cima de o ombro de Harry . - Eu conheço esse nome ... T._M._Riddle recebeu um prémio por serviços especiais prestados a a escola há cinquenta anos atrás . - Como diabo sabes tu isso ? - perguntou Harry com grande espanto . - Porque o Filch mandou me limpar a taça de ele umas cinquenta vezes quando estive de castigo - disse o Ron ressentido . - Foi a taça em cima de a qual eu vomitei lesmas . Se tivesses tido que limpar o muco de um nome durante uma hora também te lembrarias . Harry separou umas de as outras as páginas molhadas . Estavam completamente em branco . Não havia o mais leve sinal de escrita em nenhuma , nem coisas como « Aniversário de a tia Mabel « ou « Dentista a as três_e_meia » . - Ele nunca escreveu nada aqui - disse Harry desapontado . - Porque quereria alguém atirá o fora ? - perguntou se o Ron com curiosidade . Harry voltou o caderno e viu , inscrito em a contra capa , o nome de uma tabacaria em Vauxhall_Road , Londres . - Ele devia ser filho de Muggle - disse Harry pensativo - para ter comprado um diário em Vauxhall_Road ... - Bem , não te serve de muito - Ron baixou a voz . - Cinquenta pontos se acertares em o nariz de a Murta . Harry , mesmo_assim , guardou o diário . Hermione saiu de a ala hospitalar desbigodada , sem cauda e sem pêlo em os primeiros dias de Fevereiro . Em a primeira noite em a torre de os Gryffindor , Harry mostrou lhe o diário de T._M._Riddle e contou lhe como o tinham encontrado . - Ooooh ! Deve ter poderes ocultos - disse ela entusiasticamente , pegando em o diário e examinando o de perto . - Se tem , esconde os muito bem - disse Ron . - Talvez fosse tímido . Não sei porque não deitas isso fora , Harry . - Gostava de perceber porque motivo alguém se quis livrar de ele - explicou Harry . - E também não me importava de saber como foi que o Riddle obteve esse prémio de serviços especiais prestados a Hogwarts . - Pode ter sido qualquer coisa - lançou o Ron . - Talvez tenha recebido 30 de nota final ou salvo um professor de a lula gigante . Se_calhar assassinou a Murta , isso teria sido um favor prestado a todos ... Mas Harry quase podia jurar , por o olhar suspenso em a cara de Hermione , que ela pensava o mesmo_que ele . - O que foi ? - perguntou Ron , olhando para um e para o outro . - Bem , a Câmara_dos_Segredos foi aberta há cinquenta anos , não foi isso que disse o Malfoy ? - Sim - respondeu Ron , lentamente . - E este diário tem cinquenta anos de idade - completou Hermione , dando lhe palmadinhas nervosas . - E de aí ? - Oh Ron , acorda - insistiu Hermione . - Sabemos que a pessoa que abriu a câmara de a outra_vez foi expulsa há cinquenta anos . E se o Riddle tivesse tido o prémio especial por apanhar o herdeiro de Slytherin ? O seu diário diria nos provavelmente tudo : onde é a Câmara_dos_Segredos , como abris a e que tipo de criatura vive lá . Achas que a pessoa que está por trás de os ataques desta_vez quereria o diário por aí ? - É uma teoria interessante , Hermione - disse o Ron . - Apenas com uma pequenina falha : o diário não tem nada Mas_Hermione já estava a tirar a varinha de o saco . - Pode ser tinta invisível - murmurou . Bateu três vezes em o diário e repetiu * _ Aparecium ! * Nada aconteceu . Intrépida , Hermione meteu a mão de_novo em o saco e tirou o que parecia ser uma borracha vermelha e brilhante . - É um * revelador * , comprei o em a Diagon - _ Al - disse . Apagou com força em 1_de_Janeiro . Não sucedeu nada . - Já vos disse , não há nada aí - repetiu o Ron . - O Riddle deve ter recebido um diário como prenda de Natal e nem se deu a o trabalho de escrever fosse o que fosse . Harry não conseguia explicar , nem a si próprio , porque motivo não deitara fora o diário de Riddle . A verdade é_que , mesmo depois de saber que ele estava em branco , continuou distraidamente a pegar lhe e a virar as páginas como_se quisesse chegar a o fim de uma história . E , apesar_de saber que nunca tinha ouvido o nome T._M._Riddle , continuava a ter a sensação de que lhe dizia alguma coisa , como_se Riddle fosse um amigo que ele tinha tido quando era muito pequeno e que estivesse meio esquecido . Mas era um absurdo . Nunca tivera amigos antes de Hogwarts , Dudley tivera esse cuidado . Ainda_assim , Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle , por isso em o dia seguinte foi até a a sala de os troféus para examinar a taça , acompanhado de Hermione que estava interessadíssima e de Ron que se mostrava profundamente incrédulo , dizendo que tinha ficado farto de aquela sala até a o fim de a vida . A taça dourada de Riddle estava arrecadada em um armário de canto . Não fornecia detalhes sobre o motivo por_que lhe fora dada ( felizmente , se fosse maior ainda hoje estava a limpá a , disse o Ron ) . Mas encontraram o nome de Riddle em uma antiga medalha de Mérito_Mágico e em uma lista de antigos chefes de turma . - Parece o Percy - comentou Ron , torcendo o nariz com aversão . - Prefeito , chefe de turma , provavelmente o melhor em todas_as disciplinas . - Dizes isso como_se fosse uma coisa má - fez lhe notar Hermione , em um tom de voz ressentido . Um sol fraco brilhava agora de_novo em Hogwarts . Dentro de o castelo , o ambiente estava bastante melhor . Não tinha havido novos ataques desde Justin e Nick quase sem cabeça e Madam_Pomfrey teve a satisfação de informar que as Mandrágoras começavam a ficar instáveis e dissimuladas , sinal de que estavam a abandonar rapidamente a infância . - Logo_que o acne desapareça estarão prontas para novo transplante - ouviu a Harry dizer amavelmente a o Filch . - E depois de isso , não demorará muito até podermos cortá as e estufá as . - Vai ter Mrs._Norris de volta , muito em_breve . Talvez o herdeiro ou herdeira de Slytherin tenha perdido a coragem , pensou Harry . Deve ser cada_vez_mais arriscado abrir a Câmara_dos_Segredos com a escola tão alerta e desconfiada . Talvez o monstro , qualquer_que_fosse , estivesse a preparar se para hibernar durante outros cinquenta anos . Ernie_Mcmillan_dos_Hufilepuff não aceitou esta visão optimista . Continuava convencido de que Harry era o culpado , que se tinha traído em o clube de os duelos . Peeves não ajudava nada : continuava a cantar por os corredores Potter , * seu bandido * ... agora acompanhado de um esquema de dança . Gilderoy_Lockhart parecia pensar que fora ele quem pusera fim a os ataques . Harry fartou se de o ouvir dizer isso a a professora Mc_Gonagall enquanto os Gryffindor formavam bicha para a aula de Transfiguração . - Não creio que volte a haver problemas , Minerva - disse , tocando em o nariz com ar conhecedor e piscando o olho . - Acho que desta_vez a câmara foi definitivamente selada . O culpado deve ter sabido que era uma questão de tempo até eu o apanhar e que era mais sensato parar agora antes que eu lhe tratasse de a saúde . Sabe , a escola está a precisar de um intensificador de animo para apagar as lembranças de o último período . Não vou dizer lhe mais_nada , por enquanto , mas julgo que sei o que ... Voltou a tocar em o nariz e afastou se a passos largos . A ideia de Lockhart de um intensificador de ânimo ficou bastante clara em o dia_14_de_Fevereiro , a o pequeno-almoço . Harry não dormira grande coisa devido a o treino de Quidditch em a noite anterior e chegou a o salão um_pouco atrasado . Pensou , por momentos , que se tinha enganado em a porta . As paredes estavam todas cobertas com enormes e medonhas flores cor-de-rosa . Pior ainda , * confettis * em forma de corações caíam de o tecto azul pálido . Harry dirigiu se a a mesa de os Gryffindor onde o Ron estava sentado com um ar enjoado junto de Hermione que parecia particularmente risonha . - O que se passa ? - perguntou lhes , sentando se e sacudindo os * confettis * de o seu bacon . Ron apontou para a mesa de os professores , com um ar demasiado repugnado para falar . Lockhart , em as suas vestes rosa vivo , a condizer com a decoração de o salão , fazia sinal para que se calassem . Os professores que o ladeavam tinham um ar estupefacto . De o seu lugar , Harry podia ver um músculo mover se em a bochecha de a professora Mc_Gonagall . Snape estava com ar de quem tomou uma imensa dose de xarope * skele-gro * . - Feliz dia de S._Valentim - gritou Lockhart . - E permitam me que agradeça a as quarenta_e_seis pessoas que até agora me enviaram cartões . Sim , fui eu quem tomou a liberdade de vos fazer esta pequena surpresa , e ela não acaba aqui ! Lockhart bateu as palmas e por as portas de o * hall * entraram a marchar cerca de uma_dúzia de duendes de aspecto carrancudo . Não eram uns duendes quaisquer , diga se de passagem . Lockhart fizera os usar asas douradas e transportar harpas . - Os meus amigos cupidos , portadores de os cartões ! gritou Lockhart . - Eles vão andar por a escola durante o dia de hoje , entregando os vossos cartões de S._Valentim . E o divertimento não acaba aqui . Tenho a certeza de que os meus colegas vão querer participar em este espírito de festa . Porque não pedir a o professor Snape que vos mostre como preparar rapidamente uma poção de amor . E , enquanto ele a prepara , está aqui o professor Flitwick que é de todos os feiticeiros que conheci aquele que mais sabe de encantamentos de sedução , o grande safado ! O professor Flitwick enterrou o rosto em as mãos . Snape olhava como_se quisesse dar veneno a a primeira pessoa que fosse pedir lhe a poção de o amor . - Por favor , Hermione , diz me que não foste uma de as quarenta_e_seis - pediu Ron quando saíram de o salão para a primeira aula . Mas Hermione ficou subitamente muito interessada em procurar o horário dentro de a mala e não lhe respondeu . Durante todo o dia os duendes não pararam de se intrometer em as aulas para entregar cartões , para grande aborrecimento de os professores e , ao_fim_da_tarde , quando os Gryffindor subiam as escadas para a aula de encantamentos , um de eles avistou o Harry . - Hei , tu , Harry_Potter ! - gritou um duende de aspecto particularmente lúgubre , dando cotoveladas a_toda_a gente para se aproximar de o Harry . Coradíssimo com a ideia de receber um cartão de S._Valentim diante_de uma fila de alunos de o primeiro ano que , por acaso , incluía Ginny_Weasley , Harry tentou escapar se . Mas o duende cortou lhe o caminho através de a multidão e agarrou o em três tempos . - Tenho uma mensagem musical para entregar a Harry_Potter em pessoa - disse , tangendo a harpa de forma ameaçadora . - Aqui não - disse baixinho o Harry , tentando escapar . - Fica quieto - grunhiu o duende , agarrando o saco de o Harry e puxando com força . - Larga me - disse ele rispidamente , dando um puxão . Com um ruído de tecido a rasgar se , o saco dividiu se em dois . Os livros de Harry , varinha , pergaminho e pena espalharam se por o chão enquanto o tinteiro se partia em cima de as outras coisas . Harry pôs se de gatas , tentando apanhar tudo antes que o duende começasse a cantar , provocando um engarrafamento em o corredor . - O que se passa aqui ? - perguntou a voz fria e afectada de Draco_Malfoy . Harry , nervosíssimo , começou a guardar tudo dentro de o saco rasgado , desesperado para sair de ali antes que Malfoy pudesse ouvir o seu S._Valentim musical . - Que confusão é esta ? - disse outra voz familiar . Percy_Weasley tinha chegado . De cabeça perdida , Harry tentou fugir , mas o duende agarrou o por os joelhos e fê lo cair a o chão . - Certo - disse , sentando se em os tornozelos de Harry . Eis o teu cartão musical : * _ Os olhos de ele são verdes como o sapo de o quintal * _ O seu cabelo é escuro como um temporal * _ É um desatino , oh ! ele é divino ! * _ O herói que venceu o Senhor_do_Mal * . Harry teria dado todo o ouro de Gringotts para se evaporar em aquele momento . Tentando corajosamente rir se com todos os outros , levantou se . Sentia os pés dormentes de o peso de o duende . Enquanto isso , Percy_Weasley fazia todos os possíveis por dispersar a multidão onde havia gente que chorava de hilaridade . - Vamos embora , vamos embora , a campainha tocou há cinco minutos para as aulas - dizia , enxotando alguns de os alunos mais novos . - E tu , Malfoy . Harry olhou e viu Malfoy inclinar se , apanhar qualquer coisa e com um olhar maldoso mostrá a a Crabbe e Goyle . Percebeu que era o diário de Riddle . - Dá cá isso - exigiu com toda_a calma . - O que será que o Potter escreveu aqui ? - disse Malfoy que obviamente não reparara em a data e pensou que tinha em as mãos o diário de o Harry . Houve uma agitação em os presentes . Ginny olhava apavorada para o diário e para Harry . - Dá lhe isso , Malfoy - disse Percy com firmeza . - Depois de dar uma vista de olhos - retorquiu Malfoy , acenando a Harry com o diário de forma provocatória . Percy disse : - Como Prefeito de a escola ... - mas Harry perdera a paciência . Pegou em a varinha e gritou * _ Expelliarmus * e assim_como Snape desarmara Lockhart , MalLoy viu o diário saltar lhe de as mãos e elevar se em o ar enquanto Ron o apanhava sorridente . - Harry - disse Percy levantando a voz . - Não quero magia em os corredores . Vou ter de participar isto , sabes perfeitamente . Mas Harry não se importou . Tinha ganho uma_vez a Malfoy e isso valia bem cinco pontos a menos para os Gryffindor . Malfoy estava furioso e quando a Ginny passou por ele a caminho de a sala de aula , gritou lhe com desprezo : - Não creio que o Potter tenha gostado lá muito de o teu cartão de S._Valentim . Ginny tapou a cara e correu para a aula . Aborrecido , Ron pegou também em a varinha , mas Harry afastou o . Era melhor que ele não passasse a aula de encantamentos a vomitar lesmas . Só quando entraram em a sala de aula de o professor Flitwick é_que Harry reparou em uma coisa bastante estranha em o diário de Riddle . Todos os outros livros estavam cheios de tinta vermelha , mas o diário mantinha se tão limpo como antes de o tinteiro se ter entornado em cima de ele . Tentou chamar a atenção de Ron para este facto , mas ele estava novamente a ter um problema com a varinha : de a extremidade saíam grandes bolhas roxas e ele não parecia interessado em mais_nada . Em essa noite , Harry foi deitar se antes de os outros companheiros de dormitório , em parte porque já não conseguia suportar o Fred e o George a cantarem * _ Os seus olhos são verdes como o sapo de o quintal * e em parte porque queria voltar a examinar o diário de Riddle e sabia que em a opinião de o Ron era uma pura perda de tempo . Sentou se em a cama de dossel e folheou as páginas em branco em as quais não se via uma única mancha de tinta escarlate . Tirou então outro tinteiro de o armário a o lado de a cama , molhou a pena e deixou cair um borrão em a primeira página de o diário . A tinta brilhou em o papel durante um segundo e , em seguida , como_se a página a tivesse sugado , desapareceu sem deixar rasto . Depois , finalmente , algo aconteceu . Deslizando sobre a página em a cor de a sua tinta , surgiram palavras que Harry não escrevera . - * _ Olá_Harry_Potter . O meu nome é Tom_Riddle . Como é_que encontraste o meu diário ? * Também estas palavras desapareceram , mas não sem que Harry tivesse respondido . - Alguém tentou lançá o em uma sanita . Esperou ansiosamente por a resposta de Riddle . - * _ Felizmente guardei as minhas memórias de uma forma mais duradoura do_que a tinta . Mas sempre soube que haveria quem não iria querer que o diário fosse lido . * - O que queres dizer com isso ? - escrevinhou Harry , borrando a página com o nervosismo . - * _ Quero dizer que este diário contém memórias de coisas terríveis . Coisas que foram abafadas . Coisas que aconteceram em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . * - É onde eu estou agora - escreveu Harry rapidamente . - Estou em Hogwarts e estão a acontecer coisas horríveis . Sabes alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? O coração parecia querer saltar lhe de o peito . A resposta de Riddle não se fez esperar , a letra tornara se mais desordenada como_se tivesse pressa em contar lhe tudo_o_que sabia . - * _ É claro que sei de a Câmara_dos_Segredos . Em o meu tempo diziam nos que era uma lenda , que não existia , mas era mentira . Quando eu estava em o quinto ano a Câmara_dos_Segredos foi aberta e o monstro atacou vários estudantes , acabando matar um . Eu apanhei a pessoa que abriu a câmara e ele foi expulso . Mas o director , o professor Dippet , envergonhado por uma coisa de aquelas ter acontecido em Hogwarts , proibiu me de contar a verdade . Foi divulgada uma história dizendo que a rapariga morrera de um acidente extravagante . Deram me um troféu brilhante com o meu nome gravado e avisaram me para ficar calado . Mas eu sabia que ia voltar a acontecer . O monstro sobreviveu e aquele que tinha o poder para o libertar não foi para a prisão . * Harry quase entornou o tinteiro em a pressa de responder . - Está a acontecer outra_vez . Houve três ataques e ninguém parece saber quem está por_detrás_de tudo_isto . Quem foi de a última vez ? - * _ Posso mostrar te , se quiseres * - foi a resposta de o Riddle . - * _ Não tens de acreditar só em a minha palavra . Posso levar te a o fundo de a minha memória de a noite em que o apanhei . * Harry hesitou com a pena em o ar sobre o diário . O que quereria ele dizer ? Como poderia entrar em a memória de outra pessoa ? Olhou inquieto para a porta de o dormitório que começava a ficar escuro . Quando pôs de_novo os olhos em o diário viu as palavras que se formavam . - * _ Deixa-me mostrar te . * Harry parou durante uma fracção de segundo e depois escreveu duas letras . - O. _ K._As páginas de o diário começaram a esvoaçar como_se tivessem sido apanhadas em uma ventania , parando a meio de o mês_de_Junho . Boquiaberto , Harry viu que o quadradinho de 13_de_Junho se transformara em um pequeno ecrã de televisão . Com as mãos ligeiramente trémulas levantou o livro para encostar os olhos a a janelinha e antes de perceber o que estava a passar se , deu consigo inclinado para a frente com a janela a abrir se . O corpo abandonava a cama e era lançado de cabeça , por a abertura de a página , em um turbilhão de cor e sombras . Sentiu os pés tocarem em terra firme e pôs se de pé a tremer enquanto as formas desfocadas se tornavam subitamente nítidas . Soube imediatamente onde estava . Aquela sala circular com os retratos adormecidos era o escritório de Dumbledore , mas não era Dumbledore quem estava atrás de a secretária . Um feiticeiro mirrado , de aspecto débil e quase careca lia uma carta a a luz de as velas . Harry nunca vira aquele homem antes . - Desculpe - disse com a voz a tremer . - Eu não queria intrometer me ... Mas o feiticeiro não olhou . Continuou a ler , franzindo levemente as sobrancelhas . Harry aproximou se de a secretária e gaguejou : - Er ... eu vou me embora , está bem ? E o feiticeiro continuou a ignorá o . Parecia nem_sequer ter ouvido . Pensando que talvez ele fosse surdo , Harry falou mais alto . - Desculpe tê o incomodado - disse quase a gritar . O feiticeiro dobrou a carta com um suspiro . Pôs se de pé , passou por Harry sem olhar para ele e foi abrir os cortinados de a janela . O céu , lá fora , estava vermelho-rubi . Devia ser o pôr de o Sol . O feiticeiro voltou para a secretária , sentou se e girou os polegares , olhando para a porta . Harry olhou em volta . Não viu Fawkes , a fénix , nem as engenhocas prateadas que sibilavam . Aquela Hogwarts era a que Riddle conhecera e , portanto , aquele feiticeiro desconhecido era o director de então , não Dumbledore e ele , Harry , era pouco mais que um fantasma , totalmente invisível a as pessoas de há cinquenta anos atrás . Alguém bateu a a porta . - Entre - disse o velho feiticeiro , em uma voz fraca . Um rapazinho de dezasseis anos entrou , tirando o chapéu pontiagudo . Em o seu peito brilhava um distintivo prateado de prefeito . Era muito mais alto do_que Harry , mas tinha , tal_como ele , cabelo preto asa de corvo . - Ah ! Riddle - disse o director . - Queria falar comigo , professor Dippet ? - perguntou ele com ar nervoso . - Senta te - disse Dippet . - Tenho estado a ler a carta que me mandaste . - Oh ! - exclamou Riddle , sentando se e apertando as mãos uma contra a outra . - Meu rapaz - disse Dippet amavelmente . - Eu não posso deixar te ficar em a escola durante o Verão . Com certeza queres ir para_casa em as férias ? - Não - respondeu Riddle , sem perder tempo . - Prefiro mil vezes ficar em Hogwarts a ter de voltar a aquela ... aquela ... - Tu vives em um orfanato de Muggles durante as férias , não é assim ? - perguntou Dippet com curiosidade . - Sim senhor - disse Riddle , corando um_pouco . - És filho de Muggles ? - Meio sangue , professor - explicou Riddle . - Pai_Muggle , mãe bruxa . - E o teu pai e a tua mãe ... - A minha mãe morreu pouco depois de eu nascer , professor , contaram me em o orfanato que só teve tempo de me dar o nome : Tom , como o meu pai , Marvolo como o meu avô . Dippet estalou a língua solidariamente . - O que acontece , Tom - suspirou - é_que ... podia ter se arranjado uma situação especial para ti , mas em as circunstâncias actuais ... - Refere se a os ataques , professor ? - perguntou Riddle e o coração de Harry deu um salto , aproximando se com medo de perder alguma coisa . - Precisamente - disse o director . - Meu rapaz , compreendes que seria uma imprudência de a minha parte deixar te ficar em o castelo quando o período acabar , principalmente a a luz de a recente tragédia ... a morte de aquela pobre moça ... estarás sem dúvida em maior segurança em o orfanato . Em a verdade , o ministro de a magia até fala em fechar a escola . Não estamos nada perto_de localizar ... er ... a fonte de toda esta história desagradável . Os olhos de Riddle tinham se aberto mais . - Professor , se essa pessoa fosse apanhada ... se tudo acabasse . . . - Que queres dizer com isso ? - perguntou Dippet com voz aguda , endireitando se em a cadeira . - Riddle , tu sabes alguma coisa sobre estes ataques ? - Não senhor - respondeu ele de imediato . Mas Harry sabia que era o mesmo tipo de « não » que ele dissera a Dumbledore . Dippet afundou se de_novo com um ar de profundo desapontamento . - Podes ir , Tom . Riddle esgueirou se de a cadeira e saiu de a sala . Harry seguiu o . Desceram por a escada em espiral , saindo junto de a gárgula em o corredor que escurecia . Riddle parou e Harry fez o mesmo , olhando para ele . Quase podia apostar que ele pensava seriamente em alguma coisa . Mordia o lábio e tinha as sobrancelhas franzidas . A certa altura , como_se tivesse acabado de tomar uma decisão , começou a andar mais depressa com Harry a segui o ruidosamente . Não viram mais ninguém , a não ser quando chegaram a o * hall * de entrada onde um feiticeiro alto de longos cabelos ruivos e barba chamou Riddle de a escadaria de mármore . - O que andas a fazer por aqui tão tarde , Tom ? Harry olhou para o feiticeiro . Não era outro senão Dumbledore com cinquenta anos a menos . - Tive de ir falar com o director - justificou se Riddle . - Bem , agora vai depressa para a cama - disse Dumbledore , olhando Riddle com aquele olhar penetrante que Harry conhecia tão bem . - É melhor não andar a passear por os corredores em os dias que correm , pelo_menos até ... Suspirou profundamente , deu as boas-noites a o Riddle e foi se embora . Riddle viu o desaparecer e , sem perder tempo , desceu os degraus de pedra até a os calabouços com Harry em a peugada . Mas para seu grande desconsolo , Riddle não o conduziu a nenhum corredor ou túnel secreto e sim a o calabouço onde ele costumava ter aulas de poções com o Snape . As tochas não tinham sido acesas e quando Riddle empurrou a porta quase fechada , Harry só conseguiu vê o a ele , de pé , quieto junto de a porta , olhando para o corredor . Pareceu a Harry que ficaram ali quase uma hora . Tudo_o_que via era a silhueta de Riddle junto de a porta , olhando fixamente através de a greta , a a espera . Como_se fosse uma estátua . E quando Harry tinha abandonado todas_as expectativas e começava a desejar voltar a o presente , ouviu alguma coisa que se movia atrás de a porta . Alguém avançava lentamente por o corredor . Ouviu a pessoa , quem quer que fosse , passar por o calabouço onde ele e Riddle estavam escondidos . Riddle , silencioso como uma sombra , esgueirou se por a porta e seguiu o com Harry em bicos de pés atrás de ele , esquecido de que podia fazer barulho a a vontade porque ninguém o ouvia . Durante cerca de cinco minutos seguiram lhe os passos até que Riddle parou repentinamente com a cabeça inclinada em a direcção de novos ruídos . Harry ouviu uma porta a abrir se e em seguida alguém falou em um murmúrio rouco . - Vá lá , temos que sair de aqui ... vá lá , dentro de a caixa ... Havia algo de familiar em aquela voz . Riddle deu subitamente uma volta e Harry seguiu o . Podia ver a silhueta escura de um rapaz enorme que estava inclinado em frente de a porta aberta , com uma grande caixa a o lado . - Boa noite , Rubeus - disse Riddle secamente . O rapaz fechou a porta e pôs se de pé . - O que estás a fazer aqui , Tom ? Riddle aproximou se . - Acabou se - disse . - Vou ter de entregar te , Rubeus . Falam em fechar Hogwarts se os ataques não terminarem . - O que é_que tu ... ? - Eu acho que tu não quiseste matar ninguém , mas os monstros não são os melhores animais domésticos . Tu só quiseste deixá o sair para andar um_pouco e ... - Ele não matou ninguém - disse o rapaz grande , recuando contra a porta fechada . Lá de dentro vinham uns estranhos roncos e rugidos . - Vamos , Rubeus - disse Riddle , aproximando se mais ainda . - Os pais de a rapariga que morreu estarão aqui amanhã . O mínimo que Hogwarts pode fazer é assegurar lhes que aquilo que matou a filha de eles foi abatido ... - Não foi ele - gemeu o rapaz cuja voz ecoou em o corredor escuro . - Ele não faria isso ... ele nunca ... - Afasta te - disse Riddle , pegando em a varinha . O encantamento iluminou o corredor com uma luz brilhante . A porta atrás de o rapaz grande abriu se de par em par com tanta força que o atirou contra a parede . E de lá de dentro saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito que ninguém mais ouviu a não ser ele próprio . Tinha um corpo imenso , magro e peludo e um emaranhado de pernas pretas , a cintilação de muitos olhos e um par de tenazes afiadas . Riddle levantou de_novo a varinha , mas era tarde de mais . A coisa deixara o atarantado e corria apressadamente , precipitando se por o corredor e desaparecendo . Riddle pôs se de pé , olhou a a procura de o monstro , levantou a varinha , mas o rapaz grande saltou sobre ele , tirou lhe a varinha de as mãos e lançou o a o chão , gritando : - Naaaaaão ! A cena rodopiou . A escuridão tornou se total . Harry sentiu se a cair e com um embate aterrou como uma águia de patas e asas abertas em a sua cama de dossel , em o dormitório de os Gryffindor , o diário de Riddle aberto sobre o estômago . Antes de ter tido tempo de normalizar a respiração , a porta de o dormitório abriu se e o Ron entrou . - Aí estás tu - disse . Harry sentou se . Transpirava e tremia . - O que se passa ? - perguntou Ron , olhando aflito para ele . - Foi o Hagrid , Ron . O Hagrid abriu a Câmara_dos_Segredos há cinquenta anos atrás . XIV_Cornelius_Fudge_Harry , Ron e Hermione sabiam há muito_tempo que Hagrid tinha uma triste predilecção por criaturas grandes e monstruosas . Em o primeiro ano que passaram em Hogwarts , ele tentara criar um dragão em a sua pequena cabana de madeira e levaram muito_tempo a esquecer o gigantesco cão de três cabeças que ele baptizara de « fofinho » . E se , em rapaz , Hagrid tinha ouvido dizer que havia um monstro escondido em o castelo , Harry tinha a certeza que ele teria feito os impossíveis por descobri o . Provavelmente achou que era uma injustiça o monstro estar fechado tanto tempo e pensou que ele merecia a oportunidade de esticar as suas muitas pernas . Harry imaginava perfeitamente o Hagrid a os treze anos a tentar pôr uma coleira e uma trela a o monstro . Mas tinha igualmente a certeza de que ele nunca teria querido matar ninguém . De certo modo , Harry desejava não ter descoberto como utilizar o diário de Riddle . Ron e Hermione fizeram o contar repetidas vezes o que vira até ele ficar farto de repetir o mesmo e farto de a conversa circular que se seguia . - O Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse , de essa vez , Hermione . - O monstro que atacava as pessoas podia ser outro .... - Quantos monstros achas tu que pode haver em este lugar ? - perguntou o Ron aborrecido . - Sempre soubemos que o Hagrid tinha sido expulso - disse Harry tristemente - E os ataques devem ter terminado quando ele foi expulso . Se não fosse assim , Riddle não teria recebido um prémio . Ron tentou um caminho diferente . - O Riddle parece o Percy , quem lhe pediu afinal que deitasse abaixo o Hagrid ? - Mas o monstro tinha morto uma pessoa , Ron - insistiu Hermione . - E o Riddle ia ter de voltar para um orfanato Muggle se Hogwarts fosse fechada - disse Harry . - Não posso culpá o por querer ficar aqui ... Ron mordeu o lábio e a seguir sugeriu : - Tu encontraste o Hagrid em a Rua * _ Bativolta * , não foi ? - Ele estava a comprar repelente para lesmas - disse Harry rapidamente . Ficaram os três em silêncio . Depois de uma longa pausa , Hermione , em uma voz hesitante , formulou a pergunta mais complicada de todas : - Não acham que devíamos ir ter com ele e perguntar lhe ? - Essa seria uma visita simpática - disse o Ron . - Olá , Hagrid , diz nos uma coisa , soltaste por acaso alguma coisa louca e peluda por o castelo em estes últimos tempos ? Por fim , decidiram não dizer nada a o Hagrid a_não_ser_que houvesse outro ataque e à_medida_que passava mais tempo sem murmúrios de a voz sem corpo começaram a acreditar , esperançosos , que nunca mais teriam de falar sobre o motivo por_que fora expulso . Tinham passado já quase quatro meses desde o dia em que o Justin e o Nick quase sem cabeça tinham sido petrificados e quase toda_a_gente parecia pensar que o atacante , quem quer que ele fosse , se retirara para sempre . Peeves fartara se de a sua canção * _ Oh_Potter , seu bandido * , Ernie_Mcmillan pediu educadamente a o Harry , em a aula de herbologia , que lhe passasse um balde de cogumelos saltitantes e , em Março , várias mandrágoras deram uma festa ruidosa e roufenha em a estufa número três . A professora Sprout estava muito satisfeita . - Mal elas comecem a tentar mover se para os vasos umas de as outras , saberemos que estão maduras - disse ela a o Harry . - Nessa_altura poderemos reanimar aquelas pobres criaturas que estão em a ala hospitalar . Os alunos de o segundo ano tinham agora uma coisa nova em que pensar durante as férias de a Páscoa . Chegara a altura de escolherem as matérias de o terceiro ano , um assunto que Hermione , pelo_menos , tomou muito a sério . - Pode afectar todo o nosso futuro - disse a o Harry e a o Ron a o vê os ler cuidadosamente as listas de as novas matérias e pôr um V em frente de cada uma . - Eu só quero ver me livre de as poções - disse Harry . - Não podemos - explicou Ron tristemente . - Mantemos todas_as matérias antigas ou eu teria me livrado de a Defesa contra as artes negras . - Mas é muito importante - disse Hermione chocada . - Não de a maneira como Lockhart a dá - insistiu Ron . - Não aprendi nada até agora a não ser a nunca mais libertar duendes . Neville_Longbottom recebera cartas de todas_as bruxas e feiticeiros de a família , cada_um dando um conselho diferente sobre o que ele deveria escolher . Confuso e preocupado , sentou se a ler a lista de matérias , dando estalinhos com a língua e perguntando a as pessoas se achavam que a aritmancia seria mais difícil do_que o estudo de as runas em a Antiguidade . Dean_Thomas que , tal_como Harry , fora criado com Muggles , acabou por fechar os olhos e atirar a varinha contra a lista , escolhendo as matérias onde ela aterrava . Hermione não pediu conselho a ninguém e inscreveu se em todas . Harry sorriu de si para consigo imaginando como seria uma conversa com o tio Vernon e com a tia Petúnia sobre a sua carreira em feitiçaria . Não que não tivesse tido orientação : Percy_Weasley estava ansioso por partilhar a sua experiência . - Tudo depende de o lugar para_onde queres ir , Harry - disse ele . - Nunca é cedo de mais para pensar em o futuro , por isso eu aconselho te a adivinhação . As pessoas dizem que os estudos de Muggles são uma opção leve mas eu , pessoalmente , acho que os feiticeiros deveriam ter uma compreensão profunda de a comunidade não mágica , muito especialmente se pensarem em trabalhar em íntimo contacto com eles . Vê o meu pai que tem de lidar com assuntos de os Muggles a_toda_a hora . O meu irmão Charles foi sempre mais um tipo de o exterior , por isso foi para o Centro_de_Cuidados com as Criaturas_Mágicas . Segue os teus sentimentos , Harry . Mas a única coisa em que Harry sentia que era mesmo bom era o Quidditch . Por fim , acabou por escolher as mesmas matérias que o Ron escolhera , pensando que se fosse péssimo em elas pelo_menos tinha alguém amigo para o ajudar . O próximo jogo de Quidditch_dos_Gryffindor era contra os Hufflepuff . Wood insistia em treinos de equipa todas_as noites depois de jantar , por isso Harry não tinha tempo para mais_nada a não ser para o Quidditch e para os trabalhos de casa . Mas as sessões de treino estavam a melhorar ou pelo_menos estavam mais secas e em a véspera de o jogo de sábado ele foi a o dormitório guardar a vassoura , sentindo que as hipóteses de os Gryffindor ganharem a taça de Quidditch nunca tinham sido tão boas . Mas a sua boa disposição não durou muito . Em o cimo de as escadas que levavam a o dormitório encontrou o Neville_Longbottom nervosíssimo . - Harry , não sei quem fez aquilo , eu fui encontrar ... Olhando receoso para Harry , Neville empurrou a porta . O conteúdo de a mala de Harry fora espalhado por toda_a divisão . O seu manto estava em o chão rasgado . A roupa de cama tinha sido puxada de a cama de dossel e a gaveta de o armário que se encontrava a a cabeceira de a cama fora arrancada , estando o seu conteúdo espalhado sobre o colchão . Harry aproximou se de a cama boquiaberto , pisando algumas páginas soltas de * _ Viagens com Duendes * . Quando ele e Neville estavam a puxar os cobertores para_cima , entraram o Ron e o Dean_Seamas . Dean praguejou alto . - O que é isto , Harry ? - Não faço ideia - disse ele . Mas o Ron estava a examinar as vestes de Harry e todos os bolsos estavam de o avesso . - Alguém andou a a procura de qualquer coisa - disse o Ron . - Dás por falta de alguma coisa ? Harry começou a apanhar o que estava caído , lançando tudo dentro de a mala . Só quando atirou o último livro de Lockhart é_que se apercebeu do_que faltava . - O diário de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a o Ron . - O quê ? Harry fez lhe sinal em direcção a a porta de o dormitório e apressaram se a chegar a a sala comum de os Gryffindor que estava quase vazia e onde foram encontrar Hermione sozinha a ler * _ As_Runas_Antigas a o Alcance_de_Todos * . Hermione ficou aterrada com as notícias . - Mas ... só um Gryffindor podia tê o roubado ... ninguém mais conhece a nossa senha ... - Exactamente - disse Harry . Acordaram em o dia seguinte com um sol brilhante e uma brisa agradável . - Condições ideais para o Quidditch ! - exclamou Wood , cheio de entusiasmo , a a mesa de os Gryffindor , enchendo os pratos de os elementos de a sua equipa de ovos mexidos . - Harry , anima te , precisas de um pequeno-almoço decente . Harry tinha estado a olhar para a mesa cheia de alunos de os Gryffindor , perguntando a si próprio se o novo dono de o diário de Riddle estaria ali mesmo em frente de os seus olhos . Hermione insistira para que ele participasse o roubo mas ele não gostou de a ideia . Teria de contar a um professor tudo sobre o diário , e quantas pessoas saberiam o motivo por_que Hagrid fora expulso há cinquenta anos ? Não queria ser ele a fazer com que relembrassem tudo aquilo . Quando saiu de o salão com o Ron e a Hermione para ir buscar o material de Quidditch , outra preocupação viera juntar se a a sua lista cada_vez maior . Tinha acabado de pisar os degraus de a escadaria de mármore quando ouviu de_novo a voz : - * _ Matar desta_vez ... deixem me rasgar ... romper * ... Deu um grito e Ron e Hermione saltaram alarmados . - A voz - disse Harry , olhando por cima de os ombros de eles . - Acabo de a ouvir de_novo , vocês não ouviram nada ? Ron abanou a cabeça de olhos muito abertos Mas_Hermione bateu com a mão em a testa . - Harry , acho que percebi uma coisa . Tenho que ir a a biblioteca . E disparou a correr por as escadas acima . - O que é_que ela percebeu ? - disse Harry distraidamente , ainda a olhar em volta , tentando determinar de onde vinha a voz . - Mas porque teve ela que ir a a biblioteca ? - Porque a Hermione é assim - disse o Ron , encolhendo os ombros - Quando tem uma dúvida , vai a a biblioteca . Harry manteve se hesitante , tentando captar novamente a voz mas as pessoas começavam a sair de o salão , falando alto , passando por a porta principal e encaminhando se para o estádio de Quidditch . - É melhor ires indo - aconselhou Ron . - São quase onze horas , olha o jogo . Harry deu uma corrida até a a torre de os Gryffindor , pegou em a sua Nimbus dois_mil e juntou se a a vasta multidão que enchia os campos , mas o seu pensamento estava ainda em o castelo , em aquela voz sem corpo e quando pôs as roupas vermelhas , o seu único conforto foi pensar que estavam todos lá fora para assistir a o jogo . As equipas entraram em campo a o som de um tumulto de aplausos . Oliver_Wood fez um voo de aquecimento em volta de os postes , Madam_Hooch soltou as bolas . Os Hufflepuff que tinham fatos amarelo-canário estavam reunidos em grupo em uma discussão de última hora sobre as tácticas . Harry subia para a vassoura quando a professora Mc_Gonagall atravessou o campo , meio a andar , meio a correr , transportando um enorme megafone roxo . O coração de Harry caiu lhe a os pés . - Este jogo foi cancelado - gritou por o megafone a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a o estádio apinhado . Ouviram se Uuuus e assobios . Oliver_Wood , com um ar infelicíssimo , aterrou e correu para a professora McGonagall sem sair de a vassoura . - Mas , professora - gritou - temos de jogar ... a taça ... os Gryffindor ... A professora Mc_Gonagall ignorou o e continuou a gritar por o megafone . - Pede se a os estudantes que regressem a as salas comuns de as respectivas equipas onde os chefes de equipa lhes darão mais informações . O mais depressa possível , se fazem favor ! Em seguida , baixou o megafone e fez sinal a o Harry para que se aproximasse . - Potter , é melhor vires comigo ... Perguntando a si próprio que suspeita poderia ela ter contra ele , desta_vez , Harry viu Ron desligar se de a multidão discordante e vir a correr juntar se lhes , enquanto eles se dirigiam para o castelo . Para sua grande surpresa Mc_Gonagall não pôs qualquer objecção . - Sim , talvez seja melhor vires também , Weasley . Alguns de os estudantes que os rodeavam reclamavam por o jogo ter sido cancelado , outros tinham um ar preocupado . Harry e Ron seguiram a professora Mc_Gonagall de volta a a escola e através de a escadaria de pedra . Mas desta_vez não foram levados a nenhum escritório . - Isto vai chocar vos um_pouco - disse a professora Mc_Gonagall em um tom de voz surpreendentemente suave quando estavam a aproximar se de a ala hospitalar . - Houve outro ataque ... outro ataque duplo . As vísceras de o Harry deram um salto mortal . A professora Mc_Gonagall abriu a porta e ele e Ron entraram . Madam_Pomfrey estava inclinada sobre uma rapariga de o quinto ano de cabelos longos a os caracóis que Harry reconheceu como sendo a colega de os Ravenclaw a quem , por engano , tinham perguntado o caminho para a sala comum de os Slytherin . E , em a cama a o lado de ela , estava ... - Hermione - gemeu o Ron . Hermione jazia totalmente quieta , os olhos abertos e vítreos . - Foram encontradas perto de a biblioteca - disse a professora Mc_Gonagall . - Calculo que nenhum de vocês possa explicar isto ? Estava em o chão , junto de ela . A professora tinha em as mãos um pequeno espelho redondo . Harry e Ron acenaram negativamente com as cabeças , ambos com os olhos fixos em Hermione . - Eu acompanho vos a a torre de os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall pesadamente . - De qualquer modo tenho de falar com os alunos . - Os alunos regressarão a as salas comuns de as respectivas equipas , todos_os_dias , a as seis_horas_da_tarde . Nenhum aluno deverá sair de os dormitórios depois de isso . Serão escoltados até a as aulas por um professor . Nenhum aluno deverá ir a a casa_de_banho sem um professor a acompanhá o . Todos os treinos e jogos de Quidditch estão suspensos a_partir_de agora . Não haverá mais actividades nocturnas . Os Gryffindor , que enchiam a sala comum , ouviram em silêncio a professora Mc_Gonagall . Ela enrolou o pergaminho que acabara de ler e disse em uma voz algo chocada : - Não é preciso acrescentar que nunca me senti tão desolada . É provável que a escola seja encerrada se não for apanhado o culpado de todos estes ataques . Quero pedir que se algum de vocês achar que sabe alguma coisa sobre eles venha imediatamente ter comigo . Mal ela subiu , de forma um_pouco desastrada , por o buraco de o retrato , os Gryffindor começaram logo a falar . - São dois Gryffindor a menos , sem contar com o fantasma de os Gryffindor , um Ravenclaw e um Hufflepuff - disse o amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , contando por os dedos . - Não terá nenhum de os professores reparado que os Slytherin estão a salvo ? Será que não é óbvio que tudo_isto vem de eles ? O herdeiro de Slytherin , o monstro de Slytherin , porque não expulsam todos os Slytherin ? - resmungou , recebendo acenos e aplausos de todos os lados . Percy_Weasley estava sentado em uma cadeira atrás_de Lee , mas por uma_vez não pareceu querer expor os seus pontos de vista . Estava pálido e aturdido . - O Percy está em estado de choque - disse o George baixinho a o Harry . - Aquela rapariga de os Ravenclaw , Penelope_Clearwater , é prefeita . Acho que ele nunca tinha pensado que o monstro pudesse atacar um prefeito . Mas Harry não estava a ouvi o com atenção . Não conseguia esquecer a imagem de Hermione deitada em a cama de o hospital , como_se estivesse esculpida em pedra . E se o culpado não fosse apanhado rapidamente tinha em a frente uma vida inteira com os Dursley . Tom_Riddle entregara o Hagrid porque fora confrontado com a possibilidade de um orfanato Muggle se a escola fechasse . Harry sabia exactamente o que ele sentira . - Que vamos nós fazer ? - disse lhe o Ron baixinho a o ouvido . - Achas que eles suspeitam de o Hagrid ? - Temos de falar com ele - disse Harry , tomando uma decisão . - Não acredito que tenha culpa desta_vez , mas se ele libertou o monstro há cinquenta anos , sabe com certeza como entrar em a Câmara_dos_Segredos , o que já é um princípio . - Mas a Gonagall disse que temos que ficar em a torre a_não_ser_que estejamos em as aulas ... - Eu acho - disse Harry ainda mais baixo - que chegou a altura de tirar outra_vez de a mala o manto de o meu pai . Harry herdara apenas uma coisa de o pai : o enorme manto prateado de a invisibilidade . Era a única maneira de poderem esgueirar se de a escola para fazer uma visita a o Hagrid , sem que ninguém de esse por isso . Deitaram se a a hora de o costume , esperaram que o Neville , o Dean e o Seamas adormecessem para se levantarem , vestirem se de_novo e taparem se com o manto . A viagem por os corredores de o castelo escuro e deserto não era nada agradável . Harry que vagueara por ali muitas_vezes durante a noite nunca vira tanta gente depois de o pôr de o Sol . Professores , prefeitos e fantasmas andavam por os corredores a os pares , olhando em volta , em busca de qualquer actividade fora de o habitual . O manto de a invisibilidade não impedia que fizessem barulho e houve um momento particularmente tenso em que o Ron deu uma topada a menos_de um metro de o lugar onde Snape se encontrava . Felizmente Snape espirrou em o preciso momento em que o Ron praguejava . Foi com grande alívio que chegaram a as portas de carvalho de a entrada principal . Estava uma noite clara e cheia de estrelas . Dirigiram se apressadamente para as janelas iluminadas de a casa de Hagrid e só tiraram o manto mesmo em frente de a porta . Poucos segundos depois de terem batido abriu se a porta . Ficaram frente_a_frente com Hagrid que lhes apontou uma besta enquanto Fang , o cão caçador de javalis , ladrava furiosamente atrás de ele . - Oh ! - disse , baixando a arma quando viu que eram eles . - O que estão vocês a fazer aqui ? - Para que é isso ? - perguntou Harry , apontando para a besta , enquanto entrava . - Nada , não é nada - murmurou Hagrid . - Tenho estado a a espera ... não tem importância , sentem se que eu vou fazer um chá . Dava a impressão de não saber o que fazia . Quase apagou a lareira , vertendo a água de a chaleira em o lume e em seguida esmagou o bule com um gesto de a sua mão maciça . - Estás bem , Hagrid ? - perguntou Harry . - Soubeste de a Hermione ? - Soube , sim - disse ele com um leve tremor em a voz . Continuava a olhar nervosamente para as janelas . Deu lhe os duas grandes canecas de água a ferver ( esquecera se de juntar o chá ) e estava a acabar de pôr em um prato uma fatia grossa de bolo de frutas quando alguém bateu energicamente a a porta . Hagrid deixou cair o bolo . Harry e Ron trocaram entre si olhares de pânico e , em seguida , cobriram se com o manto de a invisibilidade e esconderam se em um canto . Hagrid assegurou se de que eles estavam bem escondidos , pegou em a besta e abriu , mais_uma_vez , a porta . - Boa noite , Hagrid . Era_Dumbledore . Entrou com um ar muito sério , seguido de um homem bizarro . O estranho era um homenzinho pequenino , de porte majestoso com cabelos grisalhos desalinhados e uma expressão de ansiedade em o rosto . Usava uma inesperada mistura de roupas . Um fato a as riscas , uma gravata vermelho escarlate , um longo manto negro e umas botas roxas pontiagudas . Debaixo de o braço trazia um chapéu de coco verde lima . -- É o patrão de o meu pai - murmurou o Ron . Cornelius_Fudge , o ministro de a magia ! Harry deu lhe uma valente cotovelada para o fazer calar se . Hagrid tinha ficado suado e pálido . Deixou se cair em uma de as cadeiras e olhava de Dumbledore_para_Cornelius_Fudge . - Más notícias , Hagrid - disse Fudge em um tom bastante grave . - Muito más notícias . Tive de vir . Quatro ataques a filhos de Muggles , as coisas foram longe_de mais . O ministério tem que tomar uma atitude . - Eu nunca ... - disse Hagrid , parecendo implorar a Dumbledore . - O senhor sabe que eu nunca ... professor Dumbledore , o senhor ... - Quero que fique claro , Cornelius , que Hagrid tem a minha total confiança - afirmou Dumbledore , franzindo as sobrancelhas . - Olha , Albus - disse Fudge pouco a a vontade - a ficha de o Hagrid depõe contra ele . O ministério tem de fazer alguma coisa , o Conselho_Directivo de a escola tem se reunido ... - Mesmo_assim , Cornelius , devo dizer te mais_uma_vez que levar o Hagrid de aqui não vai ajudar em nada - afirmou Dumbledore com os olhos azuis com um fogo que Harry nunca vira antes . - Tenta compreender o meu ponto de vista - insistiu Fudge , brincando com o chapéu . - Estou a ser tremendamente pressionado , tenho de mostrar que faço alguma coisa . Se se provar que não foi o Hagrid , ele voltará e não se fala mais em o assunto . Mas tenho de levá o , tem de ser , não estaria a cumprir a minha obrigação se ... - Levar me ? - perguntou Hagrid a tremer . - Levar me para_onde ? - É uma pena curta - disse Fudge , sem o olhar em os olhos . - Não é um castigo , Hagrid , chamemos lhe antes uma precaução . Se mais alguém for apanhado , tu sais com todas_as nossas desculpas . - Não é para Azkaban ? - balbuciou Hagrid . Mas antes que Fudge tivesse tido tempo de responder , ouviu se bater mais_uma_vez a a porta . Dumbledore abriu . Foi a vez de Harry levar uma cotovelada em as costas : soltara um gemido audível . Mr._Lucius_Malfoy entrou em a cabana de o Hagrid embrulhado em uma longa capa preta de viagem , com um sorriso frio de satisfação . O Fang começou a rosnar . - Já está aqui , Fudge ? - disse de forma aprovadora . - Muito bem , muito bem ... - O que estás a fazer aqui ? - perguntou Hagrid furioso . - Sai imediatamente de a minha casa . - Meu bom homem , acredite que não tenho prazer nenhum em entrar em a sua ... er ... chamou lhe casa ? - disse Lucius_Malfoy , sorrindo sarcasticamente enquanto observava a pequena divisão . - Eu limitei me a ir a a escola e disseram me que o director estava aqui . - E o que queres de mim , Lucius ? - perguntou Dumbledore . O seu tom de voz era educado mas em os olhos azuis brilhava ainda o mesmo fogo . - Uma notícia horrível , Dumbledore - disse Mr._Malfoy de forma arrastada , pegando em um grande rolo de pergaminho . - Mas os membros de o conselho pensam que é altura de tu saíres . Isto_é uma ordem de suspensão , tens aí doze assinaturas . Lamento muito mas em a nossa opinião estás a perder a firmeza . Quantos ataques houve até agora ? Mais dois hoje a a tarde , não foi ? A este ritmo vão acabar todos os filhos de Muggles em Hogwarts e todos sabemos que seria uma terrível perda para a escola . - O que é isso , Lucius ? - protestou Fudge com ar alarmado . - O Dumbledore suspenso não ... não , seria a última coisa que desejaríamos em este momento ... - A nomeação ou suspensão , de o director é de a competência de os membros de o Conselho_Directivo , Fudge - disse suavemente Mr._Malfoy . - E como Dumbledore não foi capaz de pôr cobro a estes ataques ... - Oh ! Lucius , se Dumbledore não conseguiu - disse Fudge com o lábio superior a suar . - Quem irá conseguir ? - Isso está para se ver - disse Mr._Malfoy com um sorriso mesquinho . - Mas como os doze votamos ... Hagrid pôs se de pé em um salto , o cabelo preto hirsuto a roçar em o tecto . - E quantos tiveste de chantajar para concordarem contigo , Malfoy ? - Meu caro Hagrid , sabe que esse seu temperamento ainda acaba por lhe criar problemas um dia de estes - disse Mr._Malfoy . - Não o aconselho a gritar assim com os guardas de Azkaban . Eles não iriam gostar nada . - Não podes levar Dumbledore - gritou Hagrid , fazendo Fang , o cão caçador de javalis , agachar se e ganir em o seu cesto . - Sem ele , os filhos de os Muggles não têm qualquer hipótese . A seguir haverá mortes . - Acalma te , Hagrid - disse Dumbledore de forma cortante , olhando para Lucius_Malfoy . - Se os membros de o conselho querem substituir me , eu sairei , claro . - Mas - interrompeu Fudge . - Não - rosnou Hagrid . Dumbledore não tirara os seus olhos azuis brilhantes de os olhos cinzentos e frios de Lucius_Malfoy . - Contudo - disse , pronunciando cada palavra lenta e claramente para que nenhum de eles perdesse o seu sentido - verás que só deixarei verdadeiramente esta escola quando ninguém aqui me for leal . Descobrirás também que será sempre dada ajuda em Hogwarts a quem a pedir . Por um segundo , Harry teve quase a certeza de que os olhos de Dumbledore tremelaziram em direcção a o canto onde ele e Ron estavam escondidos . - Sentimentos admiráveis - disse Malfoy , fazendo uma vénia . - Todos nós vamos sentir a tua ... forma muito pessoal de fazer as coisas , Albus . Só espero que o teu sucessor consiga evitar qualquer ... crime . Dirigiu se a a porta de a cabana , abriu a e fez sinal a Dumbledore para que passasse a a sua frente . Fudge , mexendo nervosamente em o chapéu de coco , esperou que Hagrid fizesse o mesmo mas ele ficou quieto , respirou fundo e disse prudentemente : - Se alguém quiser descobrir alguma coisa , o que tem a fazer é seguir as aranhas . Elas indicarão o caminho , é tudo_o_que vos digo . Fudge olhou para ele espantado . - Está bem , eu vou - disse Hagrid , pegando em o seu sobretudo de pêlo de toupeira . Mas quando ia seguir o Fudge e sair por a porta , parou e disse em voz alta : - E alguém tem de dar de comer a o Fang enquanto eu não estiver cá . A porta fechou se ruidosamente e Ron tirou o manto de a invisibilidade . -- Estamos outra_vez em uma alhada - disse com voz rouca - Sem o Dumbledore podem fechar a escola já esta noite . Sem ele vai haver um ataque por dia . O Fang começou a ganir , arranhando a porta fechada . XV_Aragog_O_Verão insinuava se em os campos em volta de o castelo . O céu e o lago tinham se tornado de um azul-molusco e as flores , grandes como couves , começavam a florir em as estufas . Mas sem o Hagrid , que ele costumava avistar de o castelo , atravessando os campos com o Fang atrás , parecia a Harry que a paisagem não estava completa . Não era melhor dentro de o castelo onde tudo corria horrivelmente mal . O Harry e o Ron tinham tentado visitar a Hermione , mas as visitas a o hospital estavam proibidas . - Não vamos correr mais riscos - disse lhes Madam_Pomfrey com ar severo , através_de uma fresta de a porta de o hospital . Não , lamento , há muitas hipóteses de o atacante voltar para acabar de vez com estas pessoas ... Com Dumbledore longe , o medo espalhara se como nunca acontecera antes , de_tal_modo_que o sol que aquecia as paredes de o castelo por fora parecia parar junto de as janelas de pinázios . Não se via um único rosto em a escola que não andasse tenso e preocupado e qualquer gargalhada , em os corredores , se tornava incómoda e antinatural e era rapidamente abafada . Harry repetia constantemente , de si para consigo , as últimas palavras que ouvira a Dumbledore : - * _ Só terei verdadeiramente deixado esta escola quando ninguém me for leal ... será sempre dada ajuda , em Hogwarts , a quem a pedir * . Qual seria o significado exacto de aquelas palavras ? A quem deveria pedir ajuda quando todos estavam tão confusos assustados como ele ? A alusão de Hagrid a as aranhas era bastante mais fácil de entender . O problema era que parecia não ter restado uma única aranha em o castelo para eles a poderem seguir . Harry procurou por todo o lado com a ajuda relutante de o Ron . As coisas estavam dificultadas por o facto de não poderem andar sozinhos e terem de se deslocar em grupo dentro de o castelo , juntamente com outros Gryffindor . A maior parte de os alunos gostava de ser conduzida como carneiros de uma aula para a outra por os professores mas Harry achava horrível . Havia , contudo , uma pessoa que parecia apreciar aquela atmosfera de terror e suspeitas . Draco_Malfoy passeava empertigado por a escola como_se tivesse sido nomeado para chefe de turma . Harry só compreendeu o motivo de toda aquela boa disposição cerca de quinze_dias depois de Dumbledore e Hagrid se terem ido embora quando , em uma aula de poções , o ouviu falar com o Crabbe e o Goyle . - Sempre achei que seria o pai quem conseguiria livrar nos de o Dumbledore - disse sem a menor preocupação em baixar a voz . - Já vos disse , segundo ele , Dumbledore foi o pior director que a escola alguma vez teve . Talvez agora venha um director decente que não queira a Câmara_dos_Segredos fechada . A Mc_Gonagall não vai durar muito , está só a ... O Snape passou por Harry , sem fazer comentários a o caldeirão e a a cadeira vazia de Hermione . - Professor - disse Malfoy em voz alta . - Professor , porque não se candidata a o lugar de director ? - Ora , ora , Malfoy - respondeu Snape , sem conseguir esconder um meio sorriso . - O professor Dumbledore foi apenas suspenso por os membros de o conselho de direcção , certamente vai voltar um dia de estes . - Sim , claro - disse Malfoy com o seu sorriso escarninho . - Acho que se o professor quisesse candidatar se a o lugar teria o voto de o pai . Eu vou dizer lhe que o acho o melhor professor de a escola . Snape sorriu enquanto passeava de um lado para o outro em o calabouço , não tendo felizmente visto o Seamus_Finnigan que fingia vomitar para dentro de o caldeirão . - Estou espantado por ver que até agora os sangues de lama ainda não fizeram as malas e não desapareceram - prosseguiu Malfoy . - Aposto cinco galeões em como o próximo morre . Pena que não tenha sido a Granger ... A campainha tocou em esse momento o que foi uma sorte porque a o ouvir as últimas palavras de Malfoy , Ron deu um salto , mas em a barafunda de guardar os livros em os sacos , a sua tentativa de agarrar o Malfoy passou despercebida . - Deixem me - gritava o Ron enquanto o Harry e o Dean lhe agarravam os braços . - Não preciso de varinha , vou dar cabo de ele com as minhas mãos ... - Despachem se , tenho de conduzir vos a a aula de herbologia - praguejava o Snape acima de as cabeças de os alunos . E lá foram como cordeirinhos com Harry , Ron e Dean em a retaguarda , o Ron ainda a tentar libertar se . Só acharam seguro largá o quando Snape os deixou fora de o castelo e iniciaram o percurso por o meio de a horta em direcção a as estufas . A aula de herbologia estava reduzida . Tinha agora dois alunos a menos : Justin e Hermione . A professora Sprout pô os a trabalhar , podando as figueiras-da-abissínia . Harry foi despejar uma braçada de hastes secas em um monte de adubo e deu consigo cara a cara com Ernie_Mcmillan . Ernie respirou fundo . - Só quero dizer te , Harry que lamento ter suspeitado de ti . Sei que nunca atacarias a Hermione_Granger e peço te desculpa por todas_as coisas que disse . Estamos todos em o mesmo barco , agora e , bem ... Estendeu lhe uma mão rechonchuda que o Harry apertou . Ernie e a sua amiga Hannah foram trabalhar em a mesma figueira com o Harry e o Ron . - Aquele tipo , Draco_Malfoy - disse Ernie , partindo pequenos galhos - , parece muito satisfeito com isto tudo , não acham ? É bem possível que ele seja o herdeiro de Slytherin . - Uma observação inteligente de a tua parte - disse o Ron que parecia não ter desculpado Ernie tão facilmente como o Harry . - Acham que é ele ? - perguntou Ernie . - Não - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Hannah ficaram a olhar espantados . Um segundo depois , Harry avistou qualquer coisa que o levou a chamar a atenção de o Ron , batendo lhe em a mão com a tesoura de podar . - Au ... o que é_que tu ... ? Harry apontava para o chão , a poucos centímetros de distância . Várias aranhas grandes corriam precipitadamente por a terra fora . - Ah ! sim - disse o Ron , tentando , sem conseguir , mostrar se entusiasmado . - Mas não podemos seguis as agora ... Ernie e Hannah ouviam nos com curiosidade . Harry viu as aranhas desaparecerem . - Parecem ir em a direcção de a floresta proibida ... E o Ron ficou ainda mais infeliz a o ouvir aquilo . Em o final de a aula , o professor Snape acompanhou os alunos a a « Defesa contra as artes negras » . Harry e Ron foram atrás de os outros para poderem conversar sem serem ouvidos . - Temos de usar outra_vez o manto de a invisibilidade - disse Harry a o Ron . - Podemos levar connosco o Fang , ele está habituado a ir a a floresta com o Hagrid , pode ser uma boa ajuda . - Certo - disse o Ron , que fazia girar nervosamente a varinha em os dedos . - Er ... não costuma haver ... não costuma haver lobisomens em a floresta ? - acrescentou enquanto ocupavam os lugares de o costume em a aula de o Lockhart . Preferindo não responder a a pergunta , Harry disse : - Também há lá coisas boas . Os centauros são fixes e os unicórnios . Ron nunca estivera em a floresta proibida , Harry fora lá só uma_vez e desejara não ter de lá voltar . Lockhart deu um salto para dentro de a sala de aula e os alunos ficaram espantados a olhar para ele . Todos os outros professores andavam mais tristes do_que o habitual mas Lockhart parecia sentir se em as nuvens . - Então , então - exclamou , olhando em volta . - Porquê essas caras deprimidas ? Lançaram lhe olhares exasperados mas ninguém respondeu . - Não compreendem - disse , falando devagar como_se fossem todos um_pouco estúpidos - que o perigo já passou ? O culpado foi se embora . -- Quem disse ? - retorquiu Dean_Thomas em voz alta . -- Meu caro jovem , o ministro de a magia não teria levado Hagrid se não estivesse cem por_cento certo de que ele era o culpado - disse Lockhart como quem explica que um e um são dois . - Teria , sim - disse o Ron , em um tom de voz ainda mais alto do_que o de o Dean . - Eu julgo saber um_pouco mais sobre a prisão de o Hagrid do_que o senhor , Mr._Weasley - disse Lockhart com notória auto-satisfação . Ron começou a dizer que discordava mas foi interrompido por o Harry que lhe deu um forte pontapé por debaixo de a mesa . - Nós não estávamos lá , lembras te ? - murmurou . Mas a alegria revoltante de o Lockhart , as insinuações de que sempre tinha achado que o Hagrid não prestava , a sua certeza de que tudo aquilo estava a chegar a o fim , irritou Harry de tal maneira que teve vontade de lhe atirar as * _ Viagens com Vampiros * e de lhe acertar em aquela cara estúpida . Mas , em vez de isso , limitou se a escrevinhar um bilhete para o Ron : * _ Vamos lá hoje a a noite * . Ron leu a mensagem , engoliu em seco e olhou para o lugar onde Hermione costumava sentar se . A cadeira vazia pareceu ajudá o a decidir se e acenou afirmativamente . A sala comum de os Gryffindor estava agora sempre cheia porque , depois de as seis_da_tarde , os Gryffindor não tinham outro lugar para ir . Por outro lado , tinham imenso para conversar , por isso a sala comum mantinha se cheia de gente até depois de a meia-noite . Logo_a_seguir a o jantar , Harry foi buscar o manto de a invisibilidade a a mala onde estava guardado e passou todo o serão a a espera que a sala esvaziasse . O Fred e o George desafiaram o para alguns jogos de explosão e a Ginny sentou se , muito preocupada , a observá os , em a cadeira habitual de Hermione . Harry e Ron fartaram se de perder de propósito em uma tentativa de pôr rapidamente fim a os jogos mas , mesmo_assim , já passava bastante de a meia-noite quando o Fred , o George e a Ginny se foram , finalmente , deitar . Harry e Ron esperaram até ouvir as portas de os dois dormitórios fecharem se . Em seguida , pegaram em o manto , lançaram o sobre ambos e passaram por o buraco de o retrato . Era mais uma difícil travessia de o castelo , tendo de fintar todos os professores . Finalmente , chegaram a o * hall * de entrada , giraram o fecho de as portas de carvalho , esgueiraram se tentando não fazer barulho e aventuraram se nos campos iluminados por o luar . - É claro que - disse bruscamente o Ron , enquanto atravessavam os relvados negros - podemos perfeitamente chegar a a floresta e descobrir que não há nada para seguir . As aranhas podem não ter ido para lá . É certo que parecia que tomavam essa direcção , mas ... Felizmente a lengalenga não durou muito . Chegaram a a casa de o Hagrid que tinha um ar triste com as suas janelas vazias . Logo_que Harry empurrou a porta e a abriu , o Fang saltou , louco de alegria por os ver . Preocupados , não fosse ele acordar toda_a_gente em o castelo com o seu ladrar forte e agitado , deram lhe rapidamente a comer bombons de melaço que estavam em uma lata sobre a lareira e que lhe colaram os dentes de cima a os de baixo . Harry pousou o manto de a invisibilidade sobre a mesa de o Hagrid . Não iam precisar de ele em a floresta escura como breu . - Anda , Fang , vamos dar um passeio - disse Harry , batendo lhe a o de leve em a pata e Fang saiu feliz , a os saltos , atrás de eles . Precipitou se até a a orla de a floresta e levantou a perna contra uma enorme figueira-do-egipto . Harry pegou em a varinha , murmurou * _ Lumus * ! e uma pequenina luz surgiu em a ponta de a varinha , suficiente para lhes mostrar o caminho e ajudá os a descobrir a pista de as aranhas . - Bem pensado - disse o Ron . - Eu acendia também a minha mas , sabes como ela está , ainda estoirava ou qualquer coisa assim ... Harry tocou em o ombro de o Ron , apontando para as ervas . Duas aranhas solitárias fugiam de a luz de a varinha , aproximando se de a sombra de as árvores . - O. _ K. - disse o Ron , resignando se com o pior . - Estou pronto , vamos . Então , com o Fang a correr atrás de eles , cheirando as raízes de as árvores e as folhas , entraram em a floresta . Seguindo a luz de a varinha de o Harry seguiram a fila disciplinada de aranhas que se movia a o longo de o caminho . Andaram durante cerca de vinte minutos , sem falar , atentos a todos os ruídos que não fossem os de os ramos caídos e de as folhas secas . Então , quando as copas de as árvores se tinham tornado mais cerradas do_que nunca , de_tal_modo_que as estrelas em o céu já não eram visíveis e a varinha de o Harry brilhava isolada em um mar de escuridão , viram as aranhas que eles seguiam a abandonar o caminho . Harry parou , tentando ver para_onde iam mas tudo_o_que ficava longe de a sua pequenina luz era negro de breu . Ele nunca fora tão longe em a floresta . Lembrava se muito bem de Hagrid lhe ter dito , de a última vez que ali tinham estado , que nunca saísse de o caminho de a floresta . Mas Hagrid agora estava a muitos quilómetros de distância e ele também lhes dissera que seguissem as aranhas . Uma coisa húmida tocou em a mão de o Harry e ele deu um salto para trás , pisando o pé a o Ron . Mas afinal era apenas o focinho de o Fang . - O que é_que tu achas ? - perguntou ele a o Ron cujos olhos conseguia vislumbrar , reflectindo a luz de a varinha . - Já_que viemos até aqui - disse ele . Seguiram , portanto as sombras velozes de as aranhas em direcção a as árvores . Não podiam agora andar muito depressa . Tinham em a frente raízes de árvores e troncos cortados que mal se viam em aquela escuridão . Harry sentia o bafo quente de Fang em a mão . Por mais de uma_vez tiveram de parar para o Harry se baixar e descobrir as aranhas a a luz de a varinha . Andaram durante o que lhes pareceu ter sido pelo_menos meia_hora , com os mantos a roçarem em os ramos mais baixos e em as silvas . A o fim de algum tempo repararam que o chão parecia inclinar se para baixo embora as árvores continuassem cerradas . Foi então que o Fang soltou um latido que ecoou em volta , fazendo Harry e Ron darem um salto , ambos com os cabelos em pé . - O que foi ? - gritou o Ron , olhando em volta para a escuridão e agarrando Harry com força , por o cotovelo . - Há qualquer coisa ali a mexer se - murmurou Harry - Ouve ... parece ser grande . Ficaram a ouvir . Um_pouco para a direita algo de grandes dimensões partia os ramos enquanto abria caminho através de as árvores . - Oh ! não - disse o Ron . - Oh ! não , não ... - Cala te - insistiu o Harry , nervoso . - Seja o que for , vai acabar por te ouvir . - Ouvir me ? - disse o Ron , em um tom de voz muito pouco natural . - Já ouviu . Fang ! A escuridão parecia esmagar lhes os globos oculares enquanto ali ficaram apavorados , a a espera . Houve um estranho ruído , surdo e prolongado , e em seguida o silêncio . - O que estará a fazer ? - perguntou Harry . - Talvez esteja a preparar se para atacar - disse o Ron . Esperaram , a tremer , sem ousarem mexer se . - Achas que se foi embora ? - murmurou Harry . - Não sei . Em esse momento , de o lado direito veio um clarão de luz tão forte em o meio de o escuro que os dois levaram as mãos a a cara para proteger os olhos . O Fang ganiu e tentou fugir mas viu se envolvido em um emaranhado de espinhos e ganiu ainda mais alto . - Harry - gritou o Ron com grande alívio em a voz . - Harry , é o nosso carro . - O quê ? - Anda ver . Harry avançou a os tropeções atrás de o Ron , em direcção a a luz e em o momento seguinte estavam em uma clareira . O carro de Mr._Weasley ali estava , vazio , no_meio_de um círculo de árvores grossas , sob um telhado de ramos densos , os faróis de a frente resplandecentes . Quando Ron se aproximou de boca aberta , moveu se lentamente em direcção a ele como_se fosse um grande cão azul turquesa , cumprimentando o dono . - Tem estado aqui todo este tempo - disse o Ron satisfeitíssimo , aproximando se de o carro . - Olha para ele , a floresta tornou o selvagem ... O guarda-lamas estava riscado e cheio de lodo . Parecia que tinha andado a passear sozinho por a floresta . Fang não gostou lá muito de ele . Manteve se a o lado de o Harry que podia senti o a tremer . Com a respiração normalizada , Harry guardou a varinha em o manto . - E nós a pensarmos que ele nos ia atacar - disse o Ron , encostando se a o carro e dando lhe duas palmadinhas - As voltas que eu dei a a cabeça a pensar para_onde ele teria ido ! Harry olhava para todos os lados , em o chão iluminado , em busca de mais aranhas mas todas elas tinham fugido de o brilho de as luzes . - Perdemos as de vista - disse ele . - Anda , vamos procurá as . Ron não disse nada . Não se moveu . Tinha os olhos fixos em um ponto , três metros acima de o chão de a floresta , mesmo atrás de o Harry . O seu rosto estava lívido de terror . Harry nem teve tempo de se voltar . Ouviu se um ruído alto e seco e sentiu que alguma coisa longa e peluda o elevava em o ar com o rosto voltado para baixo . Debatendo se , apavorado , ouviu outro estalido e viu as pernas de o Ron serem também levantadas de o chão . Ouviu o Fang gemer e ganir e , em o momento seguinte , era levado para o meio de as árvores escuras . Com a cabeça a balouçar , Harry viu que a coisa que o transportava tinha seis enormes patas peludas e que as duas de a frente o agarravam com forca sob um par de tenazes pretas e brilhantes . Atrás_de si podia ouvir outra de aquelas criaturas que , sem dúvida , transportava o Ron . Encaminhavam se para o coração de a floresta . Harry ouvia o Fang a ladrar , tentando libertar se de um terceiro monstro mas Harry não podia gritar mesmo_que quisesse , parecia que tinha deixado a voz em a clareira , junto com o carro . Não soube quanto tempo esteve em as patas de a criatura , só se apercebeu que a escuridão se atenuara um_pouco , permitindo lhe ver que o chão coberto de folhas estava agora repleto de aranhas . Voltando a cabeça para o lado , deu se conta de que tinham chegado a a base de uma enorme cova , uma cova que fora limpa de árvores para que as estrelas iluminassem com o seu brilho a cena mais pavorosa que os seus olhos alguma vez tinham visto . Aranhas . Não aranhas pequeninas como aquelas que estavam sobre as folhas . Aranhas de o tamanho de enormes cavalos , com oito olhos , oito pernas pretas , peludas , gigantescas . O espécimen que transportava Harry desceu o terreno íngreme até uma teia brumosa em forma de cúpula que ficava mesmo em o meio de a cova , enquanto os companheiros se juntavam em volta , batendo excitadíssimos com as tenazes e olhando para o que eles traziam a as costas . Harry caiu em o chão de gatas quando a aranha o libertou . Ron e Fang foram cair perto de ele . O Fang já não gania . Estava agachado e muito quieto . Ron e Harry partilhavam o mesmo sentimento . O Ron tinha a boca aberta em uma espécie de grito silencioso e os olhos a saltarem lhe de as órbitas . Harry percebeu de repente que a aranha que o deitara a o chão estava a dizer qualquer coisa . Era difícil entender porque entre cada duas palavras , batia com as tenazes . - Aragog - chamou . - Aragog . E de o meio de a teia brumosa em forma de cúpula saiu muito lentamente uma aranha de o tamanho de um pequeno elefante . As costas e as pernas estavam cobertas de pêlo cinzento e , em a cabeça feia , munida de tenazes , estavam vários olhos , todos eles de um branco leitoso . Era cega . - O que foi ? - disse , batendo rapidamente com as tenazes uma em a outra . - Homens - respondeu a aranha que trouxera o Harry . - É o Hagrid ? - perguntou Aragog , aproximando se mais com os seus oito olhos leitosos a vaguear . - Estranhos - respondeu a aranha que trouxera o Ron . - Matem nos - disse Aragog , irritada . - Eu estava a dormir ... - Nós somos amigos de o Hagrid - gritou Harry . Parecia que o coração lhe saltava por a boca . Clic , clic , clic fizeram as tenazes de a aranha , em volta de a cova . Aragog parou . - O Hagrid nunca mandou homens a a nossa cova - disse lentamente . - O Hagrid está em perigo - explicou Harry , respirando muito depressa . - Foi por isso que eu vim . - Em perigo ? - repetiu a aranha idosa e pareceu a Harry sentir preocupação por detrás de as suas tenazes . - Mas porque vos mandou ele cá ? Harry pensou pôr se de pé mas achou melhor não arriscar . As pernas provavelmente não teriam força para o sustentar . Falou portanto de o chão , o mais calmamente que foi capaz . - Eles lá em a escola pensam que o Hagrid soltou qualquer coisa contra os estudantes . Mandaram o para Azkaban . Aragog bateu furiosamente com as tenazes e , em toda_a cova , o eco foi reproduzido por uma multidão de aranhas . Era uma espécie de aplauso com uma única diferença : os aplausos não costumavam fazer o Harry quase morrer de medo . - Mas isso foi há muitos anos - disse Aragog , maldisposta . - Há anos e anos . Lembro me muito bem . Foi por isso que o expulsaram de a escola . Eles pensaram que eu era o monstro que vive em aquilo a que eles chamam a Câmara_dos_Segredos . Pensaram que o Hagrid a tinha aberto para me libertar . - E tu ... não vieste de a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Harry que sentia a testa cheia de suores frios . - Eu - disse Aragog , batendo irritada com as tenazes - , eu não nasci em o castelo . Venho de uma terra distante . Um viajante ofereceu me a o Hagrid quando eu era ainda um ovo . Hagrid era um rapazinho mas tratou de mim , escondeu me em uma despensa dentro de o castelo e alimentava me com as migalhas que ficavam em as mesas . Hagrid é o meu bom amigo e um bom homem . Quando me encontraram e me culparam por a morte de uma rapariga , ele protegeu me . Desde_então , tenho vivido aqui em a floresta onde o Hagrid ainda vem visitar me . Ele até me arranjou uma esposa , Mosag , e estão a ver como a família cresceu , tudo graças a a bondade de o Hagrid ... Harry reuniu a coragem que lhe restava . - Então tu nunca atacaste ninguém ? - Nunca - resmungou a velha aranha . - Era esse o meu instinto , mas por respeito a Hagrid nunca fiz mal a nenhum humano . O corpo de a rapariga morta foi encontrado em uma casa_de_banho , ora eu nunca conheci mais do_que despensa de o castelo , onde cresci . Nós gostamos de o escuro de o silêncio . - Mas então ... sabes o que matou essa rapariga ? - perguntou Harry . - Porque seja o que for , está a atacar as pessoas outra_vez ... As suas palavras foram abafadas por uma audível explosão de tenazes a bater e por o ruge-ruge de muitas pernas longas , deslocando se iradas . Em volta de Harry começaram a mover se sombras escuras . - O que vive em o castelo - disse Aragog - é uma antiga criatura que nós , aranhas , tememos acima_de todas_as outras . Lembro me bem de o quanto insisti com Hagrid para que me deixasse sair de ali quando senti a criatura a andar por a escola . - O que é ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Mais tenazes a bater , mais pernas a moverem se . As aranhas pareciam estar a aproximar se . - Nós não falamos de isso - exclamou Aragog furiosa . - Não pronunciamos o seu nome . Eu nunca disse a o Hagrid o nome de a horrível criatura , apesar_de ele me ter perguntado vezes sem conta . Harry não quis insistir , principalmente com todas aquelas aranhas a aproximarem se de todos os lados . Aragog parecia ter se cansado de falar . Recuava lentamente para a teia em forma de cúpula , mas as companheiras continuavam a aproximar se ameaçadoramente de Harry e Ron . - Vamos embora , então - gritou Harry , desesperadamente a Aragog , enquanto ouvia as folhas secas a estalarem atrás_de si . - Embora ? - disse Aragog lentamente . - Não me parece ... - Mas , mas ... - Os meus filhos e filhas não fazem mal a o Hagrid por ordem minha . Mas não posso negar lhes carne fresca quando ela veio por vontade própria ter connosco . Adeus , amigo de o Hagrid . Harry deu meia volta . Poucos centímetros acima de ele , uma sólida parede de aranhas batia com as tenazes , os seus muitos olhos a brilharem em as horríveis caras pretas . Mesmo_que se servisse de a varinha , Harry sabia que não ia valer de nada . As aranhas eram demasiadas , mas quando tentava preparar se para morrer a lutar , ouviu se um som prolongado e um clarão de luz iluminou a cova . O carro de Mr._Weasley ribombava , descendo o declive , com os faróis acesos , a buzina a guinchar , afastando as aranhas . Muitas de elas ficaram voltadas ao_contrário com as várias pernas a agitar se em o ar . O carro buzinou com mais força em frente de Harry e Ron e as portas abriram se . - Agarra o Fang - gritou Harry , ajeitando se em o lugar de a frente . Ron agarrou o cão caçador de javalis e lançou o a ganir para o banco de trás . As portas fecharam se com estrondo . Ron não tocou em o acelerador mas o carro não precisou de isso . O motor fez se ouvir e levantaram voo , batendo em mais aranhas . Subiram o declive , saindo de a cova e pouco depois atravessavam a floresta , os ramos a baterem em os vidros enquanto o carro seguia habilmente através de os intervalos maiores , por um caminho que obviamente já conhecia . Harry olhou para o Ron , a o seu lado . Ele tinha ainda a boca aberta em o mesmo grito silencioso mas os olhos já não estavam salientes . - Estás bem ? Ron olhou em frente , incapaz de responder . Começavam a descer para terra firme com o Fang a soltar enormes ganidos em o banco de trás e Harry viu o espelho retrovisor saltar quando passaram rente a um enorme carvalho . Após dez minutos bastante ruidosos , as árvores começaram a ser mais finas e Harry pôde ver de_novo pedaços de o céu . O carro parou tão bruscamente que quase foram projectados por o vidro de a frente . Tinham chegado a a orla de a floresta . O Fang ia agitadíssimo a a janela e quando Harry abriu a porta , disparou a correr através de as árvores até a a casa de o Hagrid , de cauda entre as pernas . Harry saiu também e um minuto depois o Ron pareceu recuperar a força em os membros e seguiu o , ainda com um torcicolo e de olhos esbugalhados . Harry deu uma palmadinha de agradecimento a o carro antes de ele dar a volta e desaparecer em direcção a a floresta . Harry voltou a a cabana de o Hagrid para buscar o manto de a invisibilidade . O Fang tremia em o seu cesto , coberto por um cobertor . Quando saiu de_novo , viu o Ron a vomitar junto de as abóboras . - Sigam as aranhas - disse ele debilmente , limpando a boca a a manga . - Nunca vou perdoar a o Hagrid . É uma sorte ainda estarmos vivos . - Aposto que ele pensou que Aragog nunca faria mal a os seus amigos - justificou Harry . - Esse é justamente o problema de o Hagrid - interrompeu Ron , dando um soco em a parede de a cabana . - Ele acha sempre_que os monstros não são tão maus como os pintam e vê onde isso o levou , a uma cela em Azkaban - tremia agora descontroladamente . - Qual a ideia de ele a o mandar nos ali ? Gostava de saber o que é_que descobrimos . - Que o Hagrid nunca abriu a Câmara_dos_Segredos - disse Harry , lançando o manto sobre Ron e tocando lhe em o braço para o encorajar a andar . - Ele estava inocente . Ron resmungou em voz alta . Para ele , chocar Aragog em uma despensa não era propriamente estar inocente . Quando se aproximaram de o castelo , Harry esticou o manto para garantir que os pés de ambos ficavam cobertos . Em seguida , empurrou as portas de a frente que chiaram . Atravessaram com todo o cuidado o * hall * de entrada e subiram a escadaria de mármore , contendo a respiração em os corredores guardados por sentinelas atentos . Por fim , chegaram a a segurança de a sala de os Gryffindor onde o lume ardera até se transformar em brasas brilhantes . Tiraram o manto e subiram a escada serpenteante que os levava a o dormitório . Ron caiu em a cama sem sequer se despir mas Harry , apesar_de tudo , não tinha sono . Sentou se em a beirinha de a cama , pensando em todas_as coisas que Aragog dissera . A criatura que andava por o castelo , pensou , era uma espécie de monstro Voldemort , nem os outros monstros queriam pronunciar o seu nome . Mas ele e o Ron não estavam agora mais perto_de descobrir o que era nem como petrificava as suas vítimas . Se nem o Hagrid chegara a saber o que estava em a Câmara_dos_Segredos ... Harry balançou as pernas e atirou se para_cima de a cama . Encostado a as almofadas olhou a Lua que brilhava através de a janela de a torre . Não sabia que mais poderiam fazer . Só tinham encontrado portas fechadas . Riddle apanhara a pessoa errada . O herdeiro de Slytherin fugira e ninguém sabia se era a mesma pessoa ou uma outra que abrira , desta_vez , a Câmara_dos_Segredos . Não havia mais ninguém a quem fazer perguntas . Harry deitou se ainda a pensar em as palavras de Aragog . Estava a começar a ficar com sono quando aquilo que parecia ser uma última esperança lhe ocorreu , fazendo o sentar se muito direito em a cama . - Ron - sussurrou em o escuro . - Ron . Ron acordou com um ganido como os de o Fang . Olhou muito assustado em volta e viu o Harry . - Ron , a rapariga que morreu . Aragog contou nos que ela foi encontrada em uma casa_de_banho - disse , ignorando os roncos de o Neville em o outro canto de o quarto . - E se ela nunca tivesse saído de a casa_de_banho ? E se ainda lá estiver ? Ron esfregou os olhos , franzindo as sobrancelhas sob a luz de a Lua . E só então compreendeu . -- Não pensar que ... a Murta_Queixosa ? XVI_A_Câmara_dos_Segredos -- E estivemos nós tantas vezes em aquela casa_de_banho com ela apenas a três cubículos de distância - disse o Ron amargamente em o dia seguinte , a a mesa de o pequeno-almoço . - Podíamos ter lhe perguntado e agora ... Já fora bastante difícil procurar as aranhas . Escapar a os professores o tempo suficiente para ir até a a casa_de_banho de as raparigas , que ficava mesmo em frente de o lugar onde ocorrera o primeiro ataque , ia ser quase impossível . Mas alguma coisa aconteceu que fez com que a Câmara_dos_Segredos desaparecesse de os seus pensamentos pela_primeira_vez em várias semanas . A professora Mc_Gonagall comunicou lhes que os exames começariam a 1_de_Junho , uma semana depois . - Exames ? - gritou Seamus_Finnigan . - Nós mesmo_assim vamos ter exames ? Ouviu se um estrondo atrás de o Harry quando a varinha de o Neville_Longbottom lhe escapou de a mão , fazendo desaparecer uma de as pernas de a secretária . A professora Mc_Gonagall repô a com a sua varinha e voltou se com má cara para o Seamus . - Se temos a escola aberta em uma altura de estas é para vocês receberem instrução - disse com dureza . - Os exames terão lugar , portanto , como é costume e espero que todos vocês façam revisões até lá . Revisões . Não passara por a cabeça de o Harry que houvesse exames com o castelo em aquele estado . Houve uma série de murmúrios revoltados , o que fez com que a professora Mc_Gonagall ficasse ainda mais mal-humorada . - As instruções de o professor Dumbledore foram para manter a escola a funcionar o mais normalmente possível - disse . - E isso , não preciso de vos dizer , passa por uma avaliação de o quanto vocês aprenderam a o longo de este ano . Harry olhou para baixo , para o casal de coelhos brancos que ele deveria transformar em pantufas . Que tinha ele aprendido durante o ano ? Não era capaz de se lembrar de nada que fosse útil em um exame . Ron estava como_se tivessem acabado de lhe dizer que a partir de aquele momento tinha de ir viver para a floresta proibida . - Estás a ver me a ter exames com isto tudo ? - perguntou a o Harry enquanto pegava em a varinha que tinha começado a assobiar bastante alto . Três dias antes de o primeiro exame , a a hora de o pequeno almoço , a professora Mc_Gonagall fez outra comunicação . - Tenho boas notícias - disse , e o salão em_vez_de se calar , explodiu de contentamento . - Dumbledore vai regressar ! - gritaram várias pessoas cheias de alegria . - Apanharam o herdeiro de Slytherin - arriscou uma rapariga em a mesa de os Ravenclaw . - Temos outra_vez os jogos de Quidditch - bradou Wood , excitadíssimo . Quando a agitação passou , Mc_Gonagall disse : - A professora Sprout informou me que as mandrágoras estão finalmente prontas para serem cortadas . Hoje a a noite vamos poder reanimar as pessoas que foram petrificadas . Escusado será dizer que certamente uma de elas poderá revelar nos quem ou o que a atacou . Eu tenho esperança que este ano pavoroso acabe com a prisão de o culpado . Houve uma explosão de aplausos . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e não ficou nada surpreendido a o ver que Draco_Malfoy não aplaudia . O Ron , por outro lado , estava satisfeito como ninguém o via havia dias . - Não faz mal não termos perguntado a a Murta . A Hermione vai , com certeza , ter todas_as respostas quando acordarem . Vai também ficar fula quando souber que temos exames dentro_de três dias . Ela não pôde fazer revisões . Seria melhor deixarem a estar onde está até a o final de os exames . Nessa_altura , Ginny_Weasley veio sentar se junto de o Ron . Parecia nervosa e tensa e Harry reparou que torcia as mãos em o colo . - O que se passa ? - perguntou o Ron , servindo se de mais papa de aveia . Ginny não disse nada mas olhou para um lado e para o outro de a mesa de os Gryffindor , com um olhar assustado que lembrou a Harry alguém que não sabia bem quem era . - Vá lá , vomita - disse o Ron , olhando para ela . Harry percebeu subitamente quem a Ginny lhe lembrara . Ela balançava se ligeiramente para a frente e para trás em a cadeira , exactamente como o Dobby fazia quando estava hesitante , à_beira_de revelar uma informação proibida . - Tenho de te dizer uma coisa - balbuciou a Ginny receosa , sem olhar para Harry . - O que é ? - perguntou ele . Ginny parecia incapaz de encontrar as palavras certas . - O quê ? - insistiu Ron . Ginny abriu a boca mas não saiu nenhum som . Harry inclinou se para a frente e falou devagar para que só ela e Ron pudessem ouvi o . - É alguma coisa relacionada com a Câmara_dos_Segredos ? Viste alguma coisa ou alguém a agir de forma estranha ? Ginny respirou fundo e , em esse preciso momento , apareceu Percy_Weasley com um ar pálido e cansado . - Se já acabaste de comer eu fico com esse lugar , Ginny . Estou cheio de fome . Acabei agora o meu trabalho de patrulhamento . Ginny deu um salto como_se a cadeira tivesse acabado de ser electrificada , lançou a o Percy um olhar assustado e zarpou . Percy sentou se e tirou uma caneca de o meio de a mesa . -- Percy - disse o Ron aborrecido . - Ela ia agora mesmo contar nos uma coisa importante . A meio de um gole de chá , Percy estremeceu . - Que coisa ? - perguntou , tossindo . - Eu quis saber se ela tinha visto alguma coisa estranha e ela ia dizer ... - Ah ! isso ... não tem nada que ver com a Câmara_dos_Segredos - disse o Percy de imediato . - Como sabes ? - indagou o Ron , erguendo as sobrancelhas . - Bem ... er ... já_que perguntam , a Ginny ... er ... passou por mim em outro dia quando eu ... er ... não foi nada , o importante é_que ela viu me fazer uma coisa e eu ... um ... pedi lhe para não comentar com ninguém . Não pensei que ela cumprisse a palavra , verdade se diga . Não é nada importante , eu só ... Harry nunca vira o Percy tão pouco a a vontade . - O que estavas a fazer , Percy ? - riu se o Ron . - Vá lá , conta que nós não nos rimos . Percy ficou sério . - Passa me esses pãezinhos , Harry , estou cheio de fome . Harry sabia que todo o mistério poderia ser desvendado em o dia seguinte sem a ajuda de eles mas não ia deixar de falar com a Murta_Queixosa se a oportunidade surgisse . E , para sua grande satisfação , ela surgiu a meio de a manhã quando eram conduzidos a a aula de História_da_Magia_por_Gilderoy_Lockhart . Lockhart , que tantas vezes lhes assegurara que o perigo tinha passado , estava agora totalmente convencido de que acompanhar os alunos em os corredores era um trabalho inútil . O seu cabelo estava mais liso do_que de costume . Parecia ter passado toda_a noite acordado a vigiar o quarto andar . - Podem escrever o que eu digo - afirmou , acompanhando os até uma esquina . - As primeiras palavras que vão sair de a boca de aquelas pobres pessoas petrificadas serão - * _ Foi_o_Hagrid * . Francamente , estou espantado por a professora Mc_Gonagall considerar ainda necessárias estas medidas de segurança . - Concordo , professor - disse Harry , fazendo com que Ron , surpreendido , deixasse cair os livros a o chão . - Obrigado , Harry - disse Lockhart amavelmente , enquanto deixavam passar uma grande fila de Hufflepuffs . - verdade é_que os professores já têm bastante que fazer para andarem também a acompanhar os alunos a as aulas e a guardar os corredores a a noite ... - É verdade - disse o Ron , percebendo a ideia . - Porque não nos deixa aqui , professor , só falta mais um corredor . - Sabes , Weasley , sou mesmo capaz de fazer isso - disse Lockhart . - Preciso de preparar a minha próxima aula . E apressou se a seguir o seu caminho . - Preparar a aula - zombou o Ron . - Vai encaracolar o cabelo , é o mais certo . Deixaram os restantes Gryffindor passar lhes a a frente e por fim cortaram caminho em um corredor lateral e dirigiram se a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mas quando estavam a congratular se por o seu esquema brilhante ... - Potter , Weasley ! Que estão vocês a fazer aqui ? Era a professora Mc_Gonagall e a boca de ela estava mais fina do_que nunca . - Nós estávamos , estávamos - gaguejou o Ron . - Nós íamos ver , íamos ver ... - Hermione - completou Harry . A professora Mc_Gonagall e Ron olharam para ele . - Não a vemos há séculos , professora - prosseguiu Harry , pisando o pé a o Ron . - E pensamos ir espreitá a a a ala hospitalar e dizer lhe que as mandrágoras estão quase prontas , para ela não se preocupar . A professora Mc_Gonagall estava ainda a olhar para ele e , por um momento , Harry pensou que ela ia explodir mas , quando falou , fê lo em um tom de voz estranhamente rouco . - É claro - disse . E Harry , espantado , viu uma lágrima a brilhar lhe em o canto de um de os olhos . - É claro . Eu compreendo que tudo_isto tem sido muito duro para os amigos de aqueles que foram ... eu compreendo , sim , Potter . Podem ir visitar Miss_Granger . Eu mesma informarei o professor Binns de que vocês estão em o hospital . Digam a Madam_Pomfrey que vos dei autorização . Harry e Ron afastaram se , quase sem acreditar que tinham escapado a um castigo . Quando voltaram em uma esquina ouviram nitidamente a professora Mc_Gonagall a assoar se . - Esta - disse o Ron entusiasmado - foi a melhor história que tu alguma vez inventaste . Não tinham outro remédio senão ir a a ala hospitalar e dizer a Madam_Pomfrey que tinham autorização de a professora Mc_Gonagall para visitar Hermione . Madam_Pomfrey deixou os entrar com alguma relutância . - Não vale a pena falar com uma pessoa petrificada - disse , e ambos tiveram que admitir que ela tinha razão quando se sentaram junto de Hermione e constataram que ela não tinha a menor noção de estar acompanhada . Dizer lhe que não se preocupasse ou falar com o armário que estava a o lado de a cama era exactamente a mesma coisa . - Será que ela viu quem a atacou ? - perguntou o Ron , olhando com tristeza para o rosto rígido de Hermione . - Porque se a coisa saltou sobre eles , ficaremos todos sem saber de nada . Mas Harry não olhava para o rosto de Hermione . Estava mais interessado em a sua mão direita que se encontrava pousada sobre os cobertores e , inclinando se para ela , viu que tinha , fechado entre os dedos , um pedaço de papel . Assegurando se de que Madam_Pomfrey não dava por nada , fez sinal a o Ron . - Tenta tirá o - murmurou ele , colocando a cadeira de_modo_a que Madam_Pomfrey não pudesse ver o Harry . Não foi tarefa fácil . A mão de a Hermione estava fechada com uma força tal que Harry receou parti a . Enquanto Ron vigiava , ele forçou e torceu até que , por fim , depois de vários minutos bastante tensos , conseguiu tirar o papel . Era uma página retirada de um livro muito antigo de a biblioteca . Harry alisou a ansiosamente e Ron inclinou se para poder lês a também . * _ De todos os monstros assustadores que pairam a a face de a Terra , nenhum é tão curioso nem tão fatal como o Basilisk , também conhecido por o rei de as serpentes . Esta cobra que pode atingir proporções gigantescas e viver durante muitas centenas de anos nasce de um ovo de galinha que é chocado por um sapo . As suas formas de matar são pavorosas pois além de os dentes venenosos e mortais , o Basilisk tem um olhar criminoso e todos aqueles que ele fixa com os olhos tem morte instantânea . As aranhas fogem a sete pés de o Basilisk que é seu inimigo mortal , e o Basilisk foge apenas de o canto de o galo que para ele é fatal * . Por debaixo de isto uma única palavra fora escrita , em a letra que Harry reconheceu como sendo de Hermione : Canos . Foi como_se se tivesse acendido uma luz em o seu espírito . - Ron - murmurou - é isso . Está aqui a resposta . O monstro de a Câmara_dos_Segredos é um Basilisk , uma serpente gigante . Por isso , só eu tenho ouvido a sua voz em todos os lugares , porque eu compreendo * serpentês * ... Harry olhou para as camas em volta . - O Basilisk mata as pessoas fixando as com o olhar mas ninguém morreu , o que quer_dizer que ninguém o olhou directamente em os olhos . Colin viu o através de a lente de a máquina fotográfica e o Basilisk queimou o rolo que estava lá dentro mas o Colin ficou apenas petrificado . O Justin ... o Justin deve ter visto o Basilisk através de o Nick quase sem cabeça . O Nick é_que levou com o olhar mas não podia morrer outra_vez ... e perto de a Hermione e de a prefeita de os Ravenclaw foi encontrado um espelho . Hermione acabara de compreender que o monstro era um Basilisk . Aposto que preveniu a primeira pessoa que encontrou de que era melhor olhar por um espelho a o virar de cada esquina . E aquela rapariga puxou de o seu espelho e ... O Ron estava de queixo caído . - E Mrs._Norris ? - perguntou vivamente . Harry pensou um_pouco , tentando imaginar a cena em a noite de o Halloween . - A água . . . - disse lentamente . - A poça de água que saiu de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Aposto que Mrs._Norris só viu o reflexo de o monstro . Examinou a folha de papel que tinha em a mão . Quanto_mais olhava mais sentido faziam as coisas . - * _ O cantar de o galo é fatal para ele * - leu em voz alta . - Os galos de o Hagrid foram mortos . O herdeiro de Slytherin não queria um único galo perto de o castelo , com a câmara aberta . * _ As aranhas são as primeiras a fugir * . Tudo encaixa . - Mas , como tem o Basilisk andado por aí ? - disse o Ron . - Uma serpente horrível e enorme ... alguém a teria visto . Mas Harry apontou para a palavra que Hermione escrevinhara em o final de a página . - Canos - disse . - Canos ... Ron , ele tem usado a canalização . Eu ouvi sempre a voz dentro de as paredes ... Ron agarrou subitamente o braço de o Harry . - A entrada para a Câmara_dos_Segredos - disse em uma voz rouca . - E se for em uma casa_de_banho ? Se for em a ... - Em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa - completou Harry . Sentaram se , tomados de uma excitação enorme , mal querendo acreditar . - Isso significa que - disse o Harry - eu não posso ser o único em a escola a falar * serpentês * . Há também o herdeiro de Slytherin . É de esse modo que tem controlado o Basilisk . - O que vamos fazer ? - perguntou Ron com os olhos a faiscar . - Vamos falar com a Mc_Gonagall ? - Vamos até a a sala de os professores - disse Harry , dando um salto . - Ela estará lá dentro_de dez minutos , está quase em o intervalo . Desceram a escada a correr . Não querendo ser descobertos outra_vez a vaguear por os corredores foram directamente até a a sala de os professores que estava deserta . Era uma divisão ampla , toda forrada , com cadeiras de madeira escura . Harry e Ron passearam de um lado para o outro , demasiado nervosos para se sentarem . Mas a campainha anunciando o intervalo nunca mais tocava . Em vez de isso , ecoando em os corredores , ouviram a voz de a professora Mc_Gonagall incrivelmente ampliada . - * _ Todos os alunos devem regressar de imediato a os seus dormitórios . Todos os professores a a sala de professores . Imediatamente , por favor * . Harry deu meia volta e olhou para o Ron . - Não me digas que houve um novo ataque , não agora ! - Que vamos fazer ? - disse o Ron aterrado . - Voltar para o dormitório ? - Não - disse Harry , olhando e m volta . Havia uma espécie de armário a a sua esquerda cheio com os mantos de os professores . - Ali . Vamos ouvir o que se passa . A seguir poderemos contar lhes o que descobrimos . Esconderam se dentro de o armário , ouvindo a algazarra de centenas de pessoas e a porta de a sala de professores a abrir se . De o meio de a confusão de mantos bafientos , viram os professores encherem a sala . Alguns tinham um ar totalmente confuso , outros pareciam apavorados . Por fim , chegou a professora Mc_Gonagall . - Aconteceu - disse em o silêncio de a sala de professores . - O monstro levou uma aluna . Levou a mesmo para a câmara . O professor Flitwick soltou um grito agudo . A professora Sprout bateu com a mão em a boca . Snape agarrou com força as costas de uma cadeira e perguntou : - Como pode ter tanta certeza ? - O herdeiro de Slytherin - disse a professora Mc_Gonagall , muito pálida . - Deixou outra mensagem . Mesmo por baixo de a primeira : « * _ O esqueleto de ela ficará para sempre em a Câmara_dos_Segredos * . » O professor Flitwick desatou a chorar . - Quem é ela ? - quis saber Madam_Hooch que se afundara em uma cadeira . - Quem é a aluna ? - Ginny_Weasley - disse a professora Mc_Gonagall . Harry viu o Ron , a o seu lado , escorregar silenciosamente até a o chão de o armário . - Vamos ter que mandar todos os alunos embora amanhã - disse a professora Mc_Gonagall . Isto_é o fim de Hogwarts , Dumbledore sempre disse ... A porta de a sala de os professores voltou a abrir se . Por um breve momento , Harry pensou que fosse Dumbledore mas era Lockhart e vinha todo sorridente . - Peço desculpa , adormeci . Perdi alguma coisa ? Não pareceu reparar que os outros professores o olhavam com uma espécie de aversão . Snape deu um passo em frente . - O homem que faltava - disse . - O homem certo . O monstro raptou uma garota , Lockhart levou a para a Câmara_dos_Segredos . O seu momento chegou . - Isso mesmo , Lockhart - acrescentou a professora Sprout . - Não estavas a dizer ontem a a noite que sempre tinhas sabido onde era a entrada para a Câmara_dos_Segredos ? - Eu ... bem ... eu-disse atabalhoadamente Lockhart . - Sim , não me disseste que sabias exactamente o que estava lá dentro ? - disse com voz esganiçada o professor Flitwick . - Eu disse ? Não me lembro ... - Lembro me perfeitamente de o ouvir dizer que lamentava não ter feito uma tentativa com o monstro antes de o Hagrid ser preso - disse Snape . - Não disse que toda_a história tinha sido uma atrapalhação e que deveriam ter lhe dado carta branca desde o princípio ? Lockhart olhou em volta para a cara de espanto de os colegas . - Eu ... nunca ... eu de facto ... deve ter me compreendido mal . - Então vamos deixar te , Gilderoy - disse a professora Mc_Gonagall . - Esta noite será uma excelente oportunidade para actuares . Nós trataremos de assegurar que ninguém te atrapalha . Vais poder enfrentar o monstro sozinho . Finalmente tens carta branca . Lockhart olhou desesperado a a sua volta mas ninguém foi salvá o . Já não estava bem-parecido . O lábio tremia lhe e a ausência de o seu habitual sorriso de dentes brancos dava lhe um ar escanzelado . - M-muito bem - disse . - Vou até a o meu escritório para ... para me preparar . E saiu de a sala . - _ óptimo - exclamou a professora Mc_Gonagall com as narinas dilatadas . - Isto deve afastá o de o nosso caminho . Os chefes de casa devem ir agora comunicar a os respectivos alunos o que se passou e informá os de que o Expresso_de_Hogwarts os levará a casa amanhã de manhã . Os restantes certifiquem se , por favor , de que não há alunos fora de os dormitórios . Os professores levantaram se e saíram um a um . Foi talvez o dia pior de a vida de o Harry . Ele , Ron , Fred e George sentaram se juntos a um canto em a sala comum de os Gryffindor , incapazes de proferir uma palavra . Percy não estava lá . Tinha ido tratar de enviar uma coruja a Mr. e Mrs._Weasley e , em seguida , fechara se em o dormitório . Nunca uma tarde custara tanto a passar e nunca a torre de os Gryfffindor estivera tão cheia de gente e tão silenciosa . Fred e George foram para a cama quase a o pôr de o Sol , incapazes de ficar ali mais tempo . - Ela sabia qualquer coisa , Harry - disse o Ron , falando pela_primeira_vez desde_que tinham saído de o armário de a sala de os professores . - Por isso a levaram . Não era nenhuma parvoíce sobre o Percy , ela tinha descoberto qualquer coisa sobre a Câmara_dos_Segredos . Com certeza por isso é_que a ... - Ron esfregou os olhos , enervadíssimo . - Afinal ela era sangue puro , não pode haver outra explicação . Harry olhava para o sol que mergulhava de um vermelho cor de sangue em a linha de o horizonte . Era a pior coisa que lhe tinha acontecido . Se pelo_menos pudessem fazer alguma coisa . - Harry - disse o Ron . - Achas que há alguma possibilidade de ela não estar ... ? Sabes o que eu quero dizer . Harry não sabia que resposta dar . Não acreditava que a Ginny pudesse ainda estar viva . - Sabes uma coisa ? - disse o Ron . - Acho que devíamos ir ter com o Lockhart , contar lhe o que sabemos . Ele vai tentar entrar em a câmara , podemos dizer lhe onde achamos que fica a entrada e contar lhe que o monstro é um Basilisk . Como Harry não tinha nenhuma ideia melhor e como queria fazer alguma coisa , concordou . Os Gryffindor que os rodeavam estavam tão tristes e com tanta pena de os Weasley que ninguém tentou impedi os quando os viram levantar se , atravessar a sala e sair por o buraco de o retrato . A escuridão começava a instalar se quando chegaram a o escritório de Lockhart onde a actividade era muita . De o corredor ouvia se o ruído de coisas a serem deitadas fora , pancadas surdas e passos apressados . Harry bateu a a porta e houve um silêncio repentino . Em seguida abriu se uma fresta de a porta e viram um de os olhos de Lockhart a espreitar . - Oh ! ... Mr._Potter ... Mr._Weasley - disse entreabrindo a porta . - Estou um_pouco ocupado em este momento , se forem rápidos ... - Professor , nós temos informações para lhe dar - disse o Harry . - Acho que poderão ajudá o . - Er ... bem ... não é - o lado de a cara de Lockhart que conseguiam ver parecia muito pouco a a vontade . - Quer_dizer ... bem ... está bem . Abriu a porta e eles entraram . O escritório estava praticamente vazio . Em o chão estavam duas grandes malas abertas . Mantos verde-jade , lilás , azul-noite tinham sido apressadamente dobrados e guardados dentro_de uma de as malas . Os livros misturavam se todos dentro de a outra . As fotografias que antes cobriam as paredes estavam agora arrumadas em caixas , em cima de a secretária . - Vai a algum lado ? - perguntou Harry . - Er ... bem ... sim - disse Lockhart , arrancando de a porta um poster seu em tamanho natural , enquanto falava , e começando a enrolá o . - Uma chamada urgente ... inevitável ... tenho que ir . - E a minha irmã ? - perguntou o Ron bruscamente . - Bem , quanto_a isso foi uma pena - disse Lockhart , evitando olhá os em os olhos , abrindo uma gaveta e começando a despejar o seu conteúdo dentro_de um saco . - Ninguém lamenta mais do_que eu ... - O senhor é o professor de Defesa contra as artes negras - disse Harry . - Não pode ir se embora agora_que todas estas coisas de magia negra estão a acontecer aqui . - Bem , devo dizer te que ... quando aceitei o lugar ... - resmungou Lockhart , empilhando soquetes sobre os mantos - nada em a descrição de o meu trabalho fazia prever ... - Quer_dizer que vai fugir ? - perguntou Harry , incrédulo . - Depois de todas_as coisas que conta em os seus livros ? - Os livros podem ser enganadores - disse Lockhart delicadamente . - Mas foi o senhor que os escreveu - gritou Harry . - Meu rapaz - disse Lockhart , endireitando se e franzindo as sobrancelhas - usa o senso comum . Os meus livros não teriam vendido metade do_que venderam se as pessoas não acreditassem que eu tinha feito todas aquelas coisas . Ninguém está interessado em ler sobre um velho feiticeiro americano mesmo_que ele tenha salvo uma cidade inteira de os lobisomens , ficaria péssimo em a capa . E a bruxa que correu com a fada carpideira tinha um lábio leporino . Como vês . - Quer_dizer que ficou com os louros por tudo_o_que uma série de outras pessoas fizeram ? - perguntou Harry , sem querer acreditar . - Harry , Harry - disse Lockhart , abanando impacientemente a cabeça . - Não é tão simples assim . Envolveu muito trabalho . Tive de localizar todas essas pessoas , perguntar lhes em pormenor como tinham feito as coisas . Depois tive de lhes fazer um feitiço antimemória para que não voltassem a lembrar se do_que tinham feito . Se há uma coisa de que me orgulho é de os meus feitiços antimemória . Não , tive muito trabalho , Harry . Não foram só as sessões de autógrafos e as fotografias , sabes ? Quem quer ser famoso tem de estar preparado para um trabalho longo e fatigante . Fechou as malas a a chave . - Vejamos - disse . - Acho que está tudo . Sim , só falta uma coisa . - Empunhou a varinha e voltou se para eles . - Lamento muito , rapazes , mas vou ter de vos fazer um feitiço antimemória . Não posso deixar que vão por aí repetir os meus segredos . Não venderia nem mais um livro . Harry pegou em a varinha mesmo a tempo e Lockhart mal tinha levantado a de ele a o ar quando Harry gritou * _ Expelliarmus ! * Lockhart foi projectado de costas , indo cair em cima de a mala . A varinha voou por os ares . Ron agarrou a e atirou a por a janela aberta . - Não devia ter deixado o professor Snape ensinar nos esta - disse Harry furioso , dando um pontapé a uma de as malas . Lockhart olhava para ele , de_novo escanzelado . Harry apontava lhe a varinha . - O que queres que eu faça ? - perguntou debilmente . - Eu não sei onde fica a Câmara_dos_Segredos . Não posso fazer nada . - Está com sorte - disse Harry , forçando o com a varinha a pôr se de pé . - Nós julgamos saber onde é e o que está lá dentro . Vamos . Conduziram Lockhart para fora de o seu escritório , desceram com ele as escadas e seguiram por o corredor escuro em cuja parede brilhavam as mensagens , até a a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mandaram Lockhart a a frente . Harry gostou de ver que todo ele tremia . A Murta_Queixosa estava sentada em a cisterna de o cubículo de o fundo . - Ah ! são vocês - disse a o ver o Harry . - O que querem agora ? - Perguntar te como morreste - disse Harry . O aspecto de a Murta mudou por completo . Parecia que nunca lhe tinham feito uma pergunta tão lisonjeira . - Ooooh ! Foi horrível - disse satisfeita . - Aconteceu aqui mesmo . Morri em este cubículo . Lembro me tão bem . Estava escondida porque a Olive_Hornby andava a implicar comigo por causa de os meus óculos . A porta estava fechada e eu estava a chorar e , então , ouvi alguém entrar . Disseram qualquer coisa estranha em uma língua diferente , acho eu . Mas o que mais me espantou foi o ser um rapaz a falar . Por isso , abri a porta para lhe dizer que fosse a a casa_de_banho de eles e em esse momento - a Murta inchou com ar importante , o rosto a brilhar - morri . - Como ? - perguntou Harry . - Não faço ideia - disse a Murta em um tom de voz abafado . - Só me lembro de ver dois grandes olhos amarelos , de o meu corpo ficar preso e em seguida , sentir me a flutuar ... - olhou sonhadoramente para Harry . - E depois voltei . Estava disposta a vingar me de a Olive_Hornby , percebes ? Ela ia arrepender se de ter gozado com os meus óculos . - Onde foi exactamente que viste os tais olhos ? - perguntou Harry . - Algures por aí - disse a Murta , apontando vagamente para o lavatório em frente de o seu cubículo . Harry e Ron apressaram se . Lockhart estava de pé , mais atrás , com uma expressão de pavor em o rosto . O lavatório parecia perfeitamente vulgar . Examinaram o centímetro a centímetro , dentro e fora , incluindo os canos por baixo . E foi então que Harry reparou : de lado , rabiscada em uma de as torneiras de cobre , estava uma cobra pequenina . - Essa torneira nunca funcionou - disse vivamente a Murta enquanto ele tentava abri a . - Harry - sugeriu o Ron . - Diz qualquer coisa em * serpentês * . Mas , pensou Harry , as únicas vezes que conseguira falar * serpentês * tinham ocorrido quando confrontado com uma verdadeira serpente . Olhou , concentrado para a pequena cobra gravada em o cobre , tentando imaginá a como verdadeira . - Abre te - disse . Olhou para o Ron que abanou a cabeça . - Inglês - disse ele . Harry voltou a olhar para a cobra , forçando se a acreditar que estava viva . A luz de a vela fez parecer que se movia . - Abre te - repetiu . Mas desta_vez as palavras não foram o que ele ouviu . Um estranho sibilar escapou lhe de a boca e a torneira ganhou uma luz branca e brilhante e começou a rodar . Logo_a_seguir o lavatório mexeu se . Afastou se , melhor dizendo , saiu de o caminho , deixando um grande cano a a vista , um cano onde cabia um homem . Harry ouviu a respiração arquejante de o Ron e olhou de_novo para ele . Já decidira o que queria fazer . - Vou descer - disse . Não podia deixar de ir , agora_que acabavam de descobrir a entrada para a câmara , existindo uma possibilidade , por mais remota que fosse , de a Ginny ainda estar viva . - Eu também - disse o Ron . Houve uma pausa . - Bem , parece que não precisam mais de mim - apressou se Lockhart a dizer com uma réstia de sorriso . - Eu vou . . . Pôs a mão em o puxador de a porta mas Ron e Harry apontaram lhe ambos as varinhas . -- O senhor pode ir a a frente - disse rispidamente o Ron . Pálido e sem varinha , Lockhart aproximou se de a entrada . - Meus rapazes - disse em uma voz débil . - Meus rapazes , para quê tudo_isto ? Harry tocou lhe em as costas com a varinha e ele meteu as pernas em o cano . - Eu não me parece que ... - começou a dizer , mas o Ron deu lhe um empurrão e ele desapareceu por o cano abaixo . Harry foi rapidamente atrás . Introduziu se lentamente e deixou se cair . Era como escorregar em uma pista escura e interminável . Ele via outros canos , estendendo se em todas_as direcções mas nenhum tão largo como o de eles que se torcia e virava , inclinando se abruptamente . Harry sabia que estavam a chegar a um ponto muito abaixo de a escola e de os calabouços . Atrás_de si , ouvia o Ron gemendo em cada curva . E então , quando começava a preocupar se com o que iria acontecer quando tocassem em o chão , o cano tornou se horizontal e ele foi projectado com um ruído surdo , indo aterrar em o chão húmido de um túnel de pedra com altura suficiente para ele se pôr de pé . Lockhart estava a levantar se a alguma distancia , todo enlameado e pálido como um fantasma . Harry afastou se para deixar o Ron sair também de o cano . - Devemos estar quilómetros e quilómetros abaixo de a escola - disse o Harry cuja voz ecoou em o túnel negro . - Talvez até debaixo de o lago - arriscou o Ron , olhando em volta para as paredes escuras e viscosas . Voltaram se os três para olhar para a escuridão lá a o fundo . - * _ Lumus ! * - murmurou Harry a a varinha e ela voltou a acender se . - Vamos - disse a o Ron e a o Lockhart e avançaram , os passos a chapinharem ruidosamente em o chão molhado . O túnel era tão escuro que só conseguiam ver alguns centímetros a a frente . As suas sombras em as paredes molhadas pareciam monstruosas a a luz de a varinha . - Lembrem se - disse Harry baixinho enquanto caminhavam . - A o menor movimento fechem logo os olhos ... Mas o túnel era silencioso como um túmulo e o primeiro som inesperado que ouviram foi um grito de o Ron que escorregou em uma coisa que era afinal a cauda de um rato . Harry baixou a varinha para olhar para o chão e viu que estava cheio de pequenos ossos de animais . Fazendo um enorme esforço para evitar pensar em que estado iriam encontrar a Ginny , avançou até uma curva escura de o túnel . - Harry , está aqui qualquer coisa - disse o Ron com voz rouca , agarrando Harry por o ombro . Ficaram estáticos a olhar . Harry só conseguia ver a silhueta de algo enorme e curvo deitado em o túnel . Fosse o que fosse não se movia . - Talvez esteja a dormir - murmurou , olhando para os outros dois . Lockhart tapava os olhos com as mãos . Harry voltou se para olhar para a criatura com o coração a bater tanto que lhe doía em o peito . Lentamente , com os olhos quase fechados mas ainda conseguindo ver , Harry avançou com a varinha levantada . A luz deslizou sobre uma gigantesca pele de serpente , de um verde vivo e venenoso que estava vazia e enrolada em o chão de o túnel . A criatura que a abandonara devia ter , pelo_menos , seis metros e meio de comprimento . - Bolas - disse o Ron , perdendo as forças . Houve um movimento súbito atrás de eles . As pernas de Gilderoy_Lockhart cederam . - Levante se - disse o Ron de uma forma cortante , apontando lhe a varinha . Lockhart pôs se de pé . Em seguida empurrou o Ron , atirando o a o chão . Harry deu um salto , mas ... tarde de mais . Lockhart endireitava se com a varinha de o Ron em as mãos e um sorriso em o rosto . - A aventura acaba aqui , rapazes - disse . - Vou levar um bocado de esta pele de cobra para a escola , contar lhes que foi demasiado tarde para salvar a garota e que vocês os dois perderam tragicamente a memória com a visão de o seu corpinho mutilado . Digam adeus a as vossas recordações . Levantou a o ar a varinha avariada de o Ron e gritou * _ Obliviate ! * A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba . Harry pôs os braços sobre a cabeça e correu , escorregou em os anéis de a pele de cobra , afastando se de os grandes pedaços de tecto de o túnel que caíam em o chão com o ruído de trovões . Pouco depois estava sozinho , olhando para uma sólida parede de rocha partida . - Ron - gritou ele . - Estás bem , Ron ? - Estou aqui - respondeu a voz abafada de o Ron por detrás de a avalancha de rochas . - Eu estou bem mas este sujeito não . A varinha avariou o todo . Ouviu se um ruído surdo e um Oh ! gritado . Parecia que o Ron tinha acabado de dar a o Lockhart um pontapé em as canelas . - E agora ? - disse a voz de o Ron que parecia desesperada . - Não podemos passar , vai demorar séculos . Harry olhou para o tecto de o túnel onde tinham aparecido grandes fendas . Ele nunca tentara partir , através de a magia , nada tão grande como aquelas rochas e agora não lhe parecia ser o melhor momento para fazer experiências . E se o túnel abatesse ? Houve um ruído surdo e outro Oh ! atrás de as rochas . Estavam a perder tempo . A Ginny já estava havia duas horas em a Câmara_dos_Segredos . Harry sabia que só havia uma coisa a fazer . - Espera aqui - gritou a o Ron . - Fica com o Lockhart , eu vou lá . Se não voltar dentro_de uma hora ... Houve um silêncio cheio . - Eu vou ver se desloco um_pouco esta rocha - disse o Ron , tentando manter a voz firme . - Para tu poderes passar . E , Harry ... - Até já - disse o Harry , procurando injectar confiança em a sua voz trémula . E passou sozinho para lá de a imensa pele de serpente . Em_breve , o ruído de o Ron , tentando deslocar a rocha , deixou de se ouvir . O túnel virou uma e outra_vez . Os nervos de o corpo de o Harry tangiam de forma desagradável . Ele só queria que o túnel chegasse a o fim , fosse o que fosse que o aguardasse . E então , finalmente , quando atingiu a última curva , viu em a sua frente uma parede sólida que tinha gravadas duas serpentes enroladas uma em a outra , cujos olhos eram quatro esmeraldas , enormes e brilhantes . Harry aproximou se com a garganta seca . Não foi preciso imaginar que as serpentes eram autênticas . Os seus olhos pareciam estranhamente vivos . Foi fácil descobrir o que tinha de fazer . Pigarreou e os olhos de esmeraldas pareceram mexer se . - Abre te - disse Harry em um sibilar baixo . As serpentes desapareceram enquanto a parede se abria a o meio e , a tremer de os pés a a cabeça , Harry entrou . XVII_Herdeiro_de_Slytherin_Estava de pé em o fundo de uma divisão enorme , fracamente iluminada . Altíssimos pilares de pedra , cheios de serpentes gravadas que os enlaçavam , erguiam se , suportando um tecto que se perdia em a escuridão e que lançava sombras negras imensas através de a estranha luz esverdeada que enchia o local . Com o coração a bater descompassadamente , Harry ficou parado a ouvir aquele silêncio arrepiante . Estaria o Basilisk escondido em um canto cheio de sombras , atrás_de algum pilar ? E onde estaria Ginny ? Pegou em a varinha e avançou a o longo de as colunas serpenteantes . Cada_um de os seus passos provocava um enorme eco em as paredes sombrias . Harry tinha os olhos semicerrados e estava pronto para os fechar a o mais pequeno movimento . As órbitas de olhos fundos de as serpentes de pedra pareciam segui o . Por mais de uma_vez , com o estômago a dar um salto , Harry julgou vê os moverem se . Por fim , chegado a o nível de os dois últimos pilares , avistou uma estátua de a altura de a própria câmara que estava encostada a a parede de o fundo . Harry tinha de esticar o pescoço para olhar para_cima , para a cara de o gigante : era velho e com um ar simiesco , tinha uma barba enorme que lhe caía quase onde acabava a longa túnica de pedra . Os dois pés imensos e cinzentos pousavam em o chão de a câmara . E entre eles , voltada para baixo , estava uma figura pequenina vestida de preto com um cabelo flamejante . - Ginny - murmurou Harry , chegando perto de ela e ajoelhando se . - Ginny , por favor não estejas morta , não estejas morta ! Atirou a varinha para o lado , agarrou Ginny por os ombros e voltou a . O rosto de ela estava branco e frio como o mármore , contudo os olhos encontravam se fechados , portanto não estava petrificada . Mas então devia estar ... - Ginny , acorda por favor - repetiu Harry desesperado , sacudindo a . A cabeça de ela andava de um lado para o outro . - Ela não vai acordar - disse secamente uma voz . Harry deu um salto e girou sobre os joelhos . Um rapaz alto , de cabelo preto , estava encostado a o pilar mais próximo , a observá o . As sombras desfocavam o como_se Harry o visse através_de uma janela embaciada . Mas não havia como confundis o . - Tom , Tom_Riddle ? Riddle acenou , sem tirar os olhos de o rosto de Harry . - O que queres dizer com isso de ela não acordar ? - perguntou Harry desesperado . - Ela não está ... não está ? - Está viva - disse Riddle . - Mas , por um fio . Harry olhou fixamente para ele . Tom_Riddle estivera em Hogwarts há cinquenta anos atrás . Contudo , ali estava com uma luz estranha e desfocada a iluminá o , sem um dia a mais do_que os seus dezasseis anos . - És um fantasma ? - perguntou Harry . - Uma memória - disse Riddle . - Preservada em um diário durante cinquenta anos . Apontou para os pés de a estátua gigantesca . Ali , aberto em o chão , estava o pequeno diário de capa preta que Harry tinha encontrado em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Durante um segundo , Harry perguntou a si próprio como teria ido ali parar , mas havia coisas mais importantes a fazer . Preciso de a tua ajuda , Tom - disse Harry , levantando de_novo a cabeça de a Ginny . - Temos de sair de aqui . Há_um_Basilisk ... não sei onde está mas pode aparecer a qualquer momento . Por favor , ajuda me . Riddle não se mexeu . Harry , a transpirar , conseguiu levantar ligeiramente a Ginny de o solo e inclinou se para pegar em a varinha mas ela tinha desaparecido . - Viste a ... ? Olhou para_cima . Riddle continuava a olhá o , fazendo girar a varinha entre os dedos longos . - Obrigado - disse Harry , esticando o braço para a agarrar . Um sorriso surgiu então em os cantos de a boca de Riddle que continuou a olhar para ele , girando indolentemente a varinha . - Ouve , pá - disse Harry sem querer perder mais tempo , os joelhos a vergarem sob o peso morto de Ginny - temos de ir . Se o Basilisk aparece ... - Ele não vem enquanto não for chamado - disse Riddle com toda_a calma . Harry voltou a pousar Ginny em o chão , incapaz de a segurar por mais tempo . - Que queres dizer com isso ? - perguntou . - Dá me a minha varinha , posso precisar de ela . O sorriso de Riddle ampliou se . - Não vais precisar de ela - disse . Harry olhou o espantado . - O que queres dizer , não vou ? - Esperei muito_tempo por isto , Harry - disse Riddle . - Pela possibilidade de te ver , de falar contigo . - Olha , eu acho que tu não estás a perceber - disse Harry , perdendo a paciência . - Estamos em a Câmara_dos_Segredos , podemos conversar mais tarde . - Vamos conversar agora - disse Riddle , sorrindo de orelha a orelha e guardando a varinha de Harry em o bolso . Harry voltou a olhar para ele . Havia qualquer coisa de muito estranho em tudo aquilo . - Como é_que a Ginny ficou assim ? - perguntou pausadamente . - Bem , essa é uma pergunta interessante - disse Riddle , divertido . - E uma longa história , também . Julgo que o verdadeiro motivo que levou Ginny_Weasley a ficar assim foi o ter aberto o seu coração e revelado todos os seus segredos a um estranho ser invisível . - De quem estás a falar ? - perguntou Harry . - De o diário - disse Riddle . - De o meu diário . A Ginny escreve nele há meses e meses , contando me todas_as suas lamentáveis desgraças e atribulações : como os irmãos a arreliam , que teve de vir para a escola com manto , túnica e livros em segunda mão - os olhos de Riddle brilharam -- , que acha que o maravilhoso , o grande , o famoso Harry_Potter nunca vai gostar de ela ... Enquanto falava , nunca os olhos de Riddle se afastaram de a cara de o Harry . Havia em eles um olhar ávido . - É muito chato ter de ouvir as preocupações idiotas de uma garotinha de onze anos - prosseguiu . - Mas eu fui paciente . Respondi lhe , mostrei me simpático e amável . A Ginny pura e simplesmente adorou me . - * _ Nunca ninguém me compreendeu como tu , Tom ... estou tão feliz por ter este diário a quem me confiar ... é como ter um amigo que pode andar em o meu bolso * ... Riddle riu se . Um riso alto , frio , que não lhe ficava bem . Fez com que os cabelos de o pescoço de Harry se arrepiassem todos . - Verdade se diga que sempre consegui encantar as pessoas necessárias . Portanto a Ginny verteu em mim a sua alma e a alma de ela era precisamente o que eu queria . Fortaleceu me . Alimentei me de os seus medos mais profundos , de os seus mais obscuros segredos . Fui ficando cada_vez_mais forte e poderoso . Muito mais poderoso do_que a pequena Miss_Weasley até que comecei a transmitir lhe alguns de os meus segredos , a passar um_pouco de a minha alma para ela ... - O que queres dizer ? - perguntou Harry cuja boca ficara totalmente seca . - Ainda não descobriste , Harry_Potter ? - disse Riddle muito baixo . - Giony_Weasley abriu a Câmara_dos_Segredos , estrangulou os galos de a escola e escreveu mensagens assustadoras em as paredes . Atiçou a serpente de Slytherin contra quatro sangues de lama e contra o gato de o busca-pé . - Não - murmurou Harry . - Sim - disse calmamente Riddle . - É claro que a princípio não sabia o que estava a fazer . Era muito divertido . Gostava que visses as coisas que escreveu em o diário , começaram a ficar muito mais interessantes . * _ Querido_Tom * - recitou ele , olhando para a expressão horrorizada de o Harry . - * _ Acho que estou a perder a memória . Há penas de galo em todas_as minhas roupas e eu não sei como foram lá parar . Querido_Tom , não me lembro do_que fiz em a noite de o Hallowe'en mas foi atacada uma gata e eu estou cheia de tinta em a cara . Querido_Tom , o Percy não pára de me dizer que ando pálida e não pareço eu . Acho que ele suspeita de mim ... Houve outro ataque hoje e eu não sei onde estava . Tom , que vou eu fazer ? Acho que estou a ficar maluca ... acho que ando a atacar toda_a_gente , Tom ! * Harry tinha os punhos fechados , as unhas cravadas contra a palma de as mãos . - Levou muito_tempo até a pequenina estúpida deixar de confiar em o diário - disse Riddle . - Mas acabou por ficar desconfiada e tentou livrar se de ele . E é aí que tu entras , Harry . Tu encontraste o . E eu não poderia ter ficado mais satisfeito . De todas_as pessoas que poderiam ter ficado com ele , foste tu , aquele que eu ambicionava conhecer ... - E porque querias conhecer me ? - perguntou Harry . Começava a ser tomado por a raiva e fez um esforço para manter o tom de voz controlado . - Bem , a Ginny contou me tudo a teu respeito - disse Riddle . - A tua fascinante história . - Os seus olhos pousaram em a cicatriz em a testa de Harry e a sua expressão ganhou maior avidez . - Sabia que devia descobrir mais a teu respeito , falar te , encontrar me contigo se fosse possível . Por isso , para ganhar a tua confiança , resolvi mostrar te a famosa captura que fiz de aquele demente de o Hagrid . - O Hagrid é meu amigo - disse Harry já com a voz a tremer . - E tu tramaste o , não foi ? Pensei que tinha sido um engano , mas ... Ele riu se . O mesmo riso de antes . - Era a minha palavra contra a palavra de ele . Imagina a cara de o velho Armando_Dippet . De um lado Tom_Riddle , pobre mas brilhante , sem pais mas corajoso , prefeito de a escola , um modelo de aluno . De o outro lado , o Hagrid , grande e disparatado , arranjando problemas semana sim , semana não , tentando criar filhotes de lobisomens debaixo de a cama , escapando se para a floresta proibida para lutar com gigantes . Mas , devo admitir que até eu próprio fiquei admirado com os excelentes resultados de o meu plano . Pensei que alguém perceberia que o Hagrid nunca poderia ser o herdeiro de Slytherin . Demorei cinco anos inteirinhos até descobrir tudo_o_que me foi possível sobre a Câmara_dos_Segredos e a sua entrada secreta ... como_se o Hagrid tivesse cabeça ou poder ! - Só o professor de Transfiguração , Dumbledore , parecia achar que ele estava inocente . Convenceu Dippet a mantê o aqui e a treiná o como guarda de os campos . Sim , é natural que Dumbledore tenha adivinhado , nunca gostou de mim como os outros professores . - Aposto que Dumbledore viu através_de ti - disse Harry , de dentes cerrados . - Pelo_menos passou a vigiar me de perto , a partir de o momento em que o Hagrid foi expulso - disse Riddle descuidadamente . - Eu sabia que não era seguro voltar a abrir a câmara enquanto ainda estava em a escola mas não ia desperdiçar os longos anos que passara a pesquisar . Decidi , por isso , deixar um diário preservando em as suas páginas o meu ego de dezasseis anos para que um dia , com um_pouco de sorte , pudesse levar outro a seguir os meus passos e acabar o nobre trabalho de Salazar_Slytherin . - Bem , não o acabaste - disse Harry triunfante . - Ninguém morreu até agora , nem mesmo a gata . Dentro_de poucas horas a poção de mandrágoras estará pronta e todos os que foram petrificados voltarão de_novo a si . - Não acabei de te dizer que matar sangues de lama já não me interessa ? Há muitos meses que o meu alvo és tu . Harry olhou para ele . - Podes imaginar como fiquei furioso quando em outro dia o diário foi aberto e vi que era a Ginny quem estava a escrever e não tu . Ela viu te com o diário e entrou em pânico . E se tu descobrisses como trabalhar com ele e eu te repetisse todos os seus segredos ? Ainda pior , e se eu te contasse quem tinha andado a estrangular os galos ? Por isso , a grande palerma esperou que o teu dormitório estivesse deserto e foi lá roubá o . Mas eu sabia o que tinha de fazer . Estava muito claro para mim que a tua meta era o herdeiro de Slytherin . Por tudo_o_que a Ginny me contara a teu respeito , sabia que irias até onde fosse preciso para desvendar o mistério , principalmente se um de os teus melhores amigos tivesse sido atacado . E a Ginny disse me que a escola toda bichanava por tu falares * serpentês * ... Por isso , obriguei a Ginny a escrever a sua própria despedida em a parede , a vir até aqui e esperar . Ela debateu se e gritou e ficou muito chatinha . Mas , já não tem muita vida : pôs grande parte de ela em o diário , deu me a . O suficiente para eu abandonar , por fim , as suas páginas . Desde_que aqui cheguei que estou a a tua espera . Sabia que virias . Tenho muitas perguntas a fazer te , Harry_Potter . - Que perguntas ? - disse Harry com os punhos fechados . - Bem - prosseguiu Riddle , sorrindo de satisfação : - Como é_que um bebé sem especiais talentos de magia foi capaz de derrotar o maior feiticeiro de sempre ? Como conseguiste escapar só com uma cicatriz quando os poderes de Lord_Voldemort foram destruídos ? Havia agora em os seus olhos um brilho vermelho e irado . - O que é_que te interessa saber como eu escapei ? - disse Harry lentamente . - Voldemort veio depois de ti . - Voldemort - disse Riddle - é o meu passado , o meu presente e o meu futuro , Harry_Potter ... Tirou a varinha de o Harry de o bolso e começou a escrever em o ar três palavras brilhantes : TOM_MARVOLO_RIDDLE_Em seguida , fez um gesto com a varinha e as letras de o seu nome reagruparam se de outro modo . : __ eu sou lord __ voldemort ( I am Lord_Voldemort ) . - Vês ? - murmurou . - Era um nome que eu já usava em Hogwarts , para os meus amigos mais íntimos apenas , como é óbvio . Achas que ia usar para sempre o nome nojento de o meu pai Muggle ? Eu , em cujas veias , por o lado materno , corre o sangue de Salazar_Slytherin ? Eu , manter o nome de um Muggle tolo que me abandonou ainda antes de eu nascer só porque descobriu que a mulher com quem casara era uma bruxa ? Não , Harry , arranjei um novo nome , um nome que eu sabia que os feiticeiros de todo_o_mundo viriam um dia a ter medo de pronunciar , quando eu me tivesse tornado o maior feiticeiro de o mundo . A cabeça de Harry parecia bloqueada . Olhou como_que paralisado para Riddle , para o rapaz de o orfanato que depois de crescer iria matar os seus pais e tantos outros . Por fim , com algum esforço conseguiu falar . - Não és - disse em uma voz calma e cheia de ódio . - Não sou o quê ? - perguntou Riddle irritado . - Não és o maior feiticeiro de o mundo - disse Harry com a respiração acelerada . - Lamento desiludir te mas o maior feiticeiro de o mundo é Albus_Dumbledore . Toda_a_gente sabe . Mesmo tu , quando tinhas força , não ousavas tentar aproximar te de Hogwarts . Dumbledore viu através_de ti quando andavas em a escola e ainda agora te assusta onde quer que te escondas . O sorriso desaparecera de o rosto de Riddle , fora substituído por um olhar furioso . - Dumbledore foi afastado de este castelo por a minha simples memória - sibilou . - Ele não está tão longe como pensas - retorquiu Harry . Falava por falar , tentando assustar Riddle , desejando mais que assim fosse do_que acreditando em as suas palavras como uma verdade . Riddle abriu a boca mas não chegou a falar . Tinha começado a ouvir se uma música . Riddle deu uma volta , olhando para a câmara vazia . A música estava a ficar mais alta . Era misteriosa , arrepiante , sobrenatural . Fez_Harry ficar com os cabelos em pé e o coração aumentar lhe em o peito . Por fim , quando atingiu um ponto tão alto que Harry a sentiu vibrar dentro de as suas costelas , começaram a sair chamas de o topo de o pilar mais próximo . Uma ave carmesim de o tamanho de um cisne surgiu , assobiando a sua estranha melodia para o tecto em forma de abóbada . Tinha uma cauda dourada tão longa como a de um pavão e garras douradas e brilhantes que seguravam uma trouxa andrajosa . Segundos depois , a ave voava em direcção a Harry . Deixou cair a coisa andrajosa a os seus pés e pousou lhe pesadamente em o ombro . Quando abriu as enormes asas , Harry olhou para_cima e viu que tinha um longo bico afiado e olhos escuros pequenos e brilhantes . A ave parou de cantar . Ficou quieta junto de a cara de Harry , olhando fixamente para Riddle . - É uma fénix , disse Riddle , olhando sagazmente para ela . - Fawkes ? - murmurou Harry e sentiu as garras douradas apertarem lhe devagarinho o ombro . - E aquilo - disse Riddle , olhando para a coisa velha que Fawkes deixara em o chão - é o velho chapéu seleccionador , de a escola . Era , de facto . Amachucado , puído e sujo , o chapéu jazia imóvel a os pés de Harry . Riddle começou a rir . Riu se tanto que a câmara escura se lhe juntou em um eco tal que parecia que dez Riddles se riam ao_mesmo_tempo . - Eis o que Dumbledore envia a o seu defensor . Um pássaro que canta e um chapéu velho . Estás cheio de coragem , Harry_Potter ? Sentes te agora mais seguro ? Harry não respondeu . Podia não estar a ver a vantagem de a Fawkes ou de o chapéu seleccionador mas já não se sentia só , e esperou corajosamente que Riddle parasse de rir . - Vamos a o que importa , Harry - disse ele , ainda com um enorme sorriso . - Encontrámo nos duas vezes em o teu passado , em o meu futuro . E duas vezes falhei a o tentar matar te . Como foi que sobreviveste ? Conta me tudo . Quanto_mais falares , mais tempo tens de vida . Harry pensava rapidamente , medindo as suas possibilidades . Riddle tinha a varinha . Ele , Harry , tinha a Fawkes e o chapéu seleccionador que não lhe serviriam de muito em o combate . As coisas pareciam más , é certo . Mas quanto_mais tempo Riddle ali estivesse , mais vida retirava a a Ginny ... e , entretanto , Harry reparou que a silhueta de Riddle se tornava mais nítida , mais sólida . Se tinha de haver uma luta entre os dois , quanto_mais depressa melhor . - Ninguém sabe porque perdeste os poderes quando me atacaste - disse bruscamente . - Eu próprio não sei . Mas sei porque não conseguiste matar me . A minha mãe morreu para me salvar . A minha mãe , uma vulgar filha de Muggles - acrescentou , a tremer de raiva . - Ela impediu que tu me matasses . E eu vi te como tu és , em o ano passado . És um destroço , quase não existes . Foi onde o teu poder te levou . Estás sob um disfarce , és horrível e és louco . O rosto de Riddle contorceu se . Em seguida , forçou um sorriso pavoroso . - Quer_dizer , então , que a tua mãe morreu para te salvar . Sim , é um antifeitiço poderoso . Compreendo agora , afinal não há em ti nada de especial . Eu tinha curiosidade , sabes , porque há uma estranha semelhança entre nós , Harry_Potter . Até tu deves ter reparado . Somos ambos meio sangue , órfãos , educados com Muggles , provavelmente os dois únicos que falam * serpentês * desde o grande Slytherin , até nos parecemos um_pouco fisicamente ... mas afinal foi apenas uma questão de sorte que te salvou de mim . Era o que eu queria saber . Harry ficou parado , tenso , a a espera que Riddle levantasse a varinha mas o seu sorriso cínico ampliou se de_novo . - Agora , Harry , vou dar te uma pequena lição . Vamos confrontar os poderes de Lord_Voldemort , herdeiro de Salazar_Slytherin e de o famoso Harry_Potter , munido com as melhores armas que Dumbledore lhe deu . Lançou um olhar divertido a a Fawkes e a o chapéu seleccionador e , em seguida , afastou se . Harry com as pernas entorpecidas por o medo viu o parar entre dois pilares altos e olhar para a cara de pedra de Slytherin , lá em cima em a semi-obscuridade . Riddle abriu a boca e sibilou mas Harry compreendeu o que ele dizia . - * _ Responde-me , Slytherin , o maior de os quatro de Hogwarts * . Harry voltou se para olhar melhor para a estátua com Fawkes pousada em o ombro . A gigantesca cara de pedra de Slytherin movia se . Horrorizado , Harry viu a boca abrir se mais e mais até se transformar em um buraco negro . E algo se agitava dentro de a boca de a estátua . Algo se arrastava para fora de as suas entranhas . Harry recuou até a a parede escura de a câmara e enquanto fechava os olhos com força sentiu a asa de a Fawkes roçar lhe o rosto e levantar voo . Harry quis gritar : - Não me abandones ! - mas que possibilidades tinha uma fénix contra o rei de as serpentes ? Uma coisa enorme bateu em o chão de pedra que Harry sentiu estremecer . Sabia o que estava a acontecer , podia sentis o , quase podia ver a serpente gigantesca a sair de a boca de Slytherin . Foi então que ouviu a voz de Riddle sibilar : * _ Mata-o * . O Basilisk avançava em direcção a Harry . Ele ouvia o seu corpo enorme escorregar pesadamente por o chão cheio de pó . Com os olhos sempre fechados , Harry começou a correr para o lado , a as cegas , com as mãos abertas a tactear o caminho . Riddle ria se a as gargalhadas . Harry escorregou e caiu em o chão de pedra e a boca soube lhe a sangue . A serpente estava a poucos centímetros de ele . Podia ouvi a a aproximar se . Ouviu se um crepitar explosivo por cima de ele e alguma coisa pesada bateu lhe com tanta força que ele ficou encostado a a parede . Esperando que os dentes de a serpente lhe perfurassem o corpo , ouviu mais ruídos e qualquer coisa que se agitava com força contra os pilares . Não conseguiu evitar . Abriu bem os olhos para ver o que se passava . A enorme serpente , brilhante , de um verde veneno , espessa como o tronco de um carvalho , erguera se em o ar e a sua imensa cabeça agitava se de um lado para o outro , entre os dois pilares . Quando Harry , a tremer , se preparava para fechar de_novo os olhos , percebeu o que distraíra a cobra . Fawkes esvoaçava em volta de a sua cabeça e o Basilisk , furioso , tentava agarrá a com os dentes longos e afiados como sabres . Fawkes mergulhava . Harry deixou de ver o bico fino e dourado e uma brusca chuva de sangue escuro inundou o chão . A cauda de a serpente agitou se , não batendo em o Harry por_pouco e antes que ele pudesse fechar os olhos voltou se . Harry olhou lhe para a cara e viu que os seus olhos , os dois olhos amarelos e bolbosos tinham sido perfurados por a fénix . O sangue escorria por o chão e a serpente cuspia cheia de dores . - * _ Não * - Harry ouviu o grito de Riddle . - * _ Deixa a ave , deixa a ave , o rapaz está atrás_de ti , ainda podes cheirá o . Mata o ! * A serpente cega oscilou confusa , ainda em fúria . Fawkes andava a a volta de a cabeça de ela soprando a sua misteriosa cantilena , picando lhe aqui_e_ali o nariz cheio de escamas , enquanto o sangue jorrava de os seus olhos destruídos . - Ajudem me . Ajudem me - murmurava Harry aflito . - Alguém , ajude me . A cauda de a serpente chicoteou de_novo o chão . Harry baixou se . Algo macio tocou lhe em o rosto . O Basilisk lançara o chapéu seleccionador para os braços de o Harry que o agarrou . Era tudo_o_que tinha , a sua única esperança . Enfiou o em a cabeça e começou a ficar achatado contra o chão , enquanto a cauda de o Basilisk se lançava de_novo sobre ele . - Ajudem me , ajudem me - pensou Harry , os olhos comprimidos debaixo de o chapéu . - Por favor , ajudem me . Nenhuma voz lhe respondeu . Em vez de isso , o chapéu contraiu se como_se uma mão invisível o tivesse espalmado devagarinho . Alguma coisa muito dura e pesada caíra sobre a cabeça de Harry , conseguindo quase derrubá o . A ver estrelas em frente de os olhos , agarrou o chapéu para o puxar para baixo e sentiu lá dentro uma coisa longa e dura . Uma espada brilhante tinha surgido dentro de o chapéu . Tinha um cabo cravejado de rubis de o tamanho de pequenos ovos . - Mata o rapaz , deixa a ave . O rapaz está atrás_de ti . Cheira o ! Harry estava de pé , preparado . A cabeça de o Basilisk caía , o corpo serpenteava , batendo nos pilares quando se torcia para ficar de frente para ele . Harry podia ver as enormes órbitas ensanguentadas , a boca toda aberta , suficientemente grande para o engolir inteiro , munida de dentes tão longos como a sua espada , finos , brilhantes , venenosos ... Começou a atacar a as cegas . Harry baixou se e a serpente bateu em a parede de a câmara . Atacou de_novo e a sua língua bifurcada lambeu a parede ao_lado_de Harry que levantou a espada com ambas as mãos . O Basilisk investiu mais_uma_vez e agora a pontaria foi certa . Harry pôs todo o seu peso contra a espada e enterrou a até a os copos em o céu de a boca de a serpente . Mas quando o sangue quente lhe encheu os braços , sentiu uma dor aguda mesmo acima de o cotovelo . Um longo dente venenoso penetrava cada_vez_mais fundo em o seu braço , partindo se quando o Basilisk tombou para o lado , perdendo os sentidos . Harry escorregou a o longo de a parede , apertou com força o dente que estava a derramar veneno por todo o seu corpo e arrancou o de o braço . Mas sabia que era demasiado tarde . Uma dor quente emanava lenta e perseverantemente de a ferida . Quando deixou cair o dente e viu o seu próprio sangue manchando lhe as vestes , a vista começou a ficar turva e a câmara a diluir se em uma rotação ardente e colorida . Mas algo escarlate passou por ele e Harry ouviu a o seu lado um suave ruído de garras . - Fawkes - disse com a voz empastada . - Foste sensacional , Fawkes . - Sentiu o pássaro encostar a sua elegante cabeça a o sítio onde o dente de a serpente o tinha ferido . Ouviu passos ecoarem em o vazio e em seguida uma sombra escura moveu se em a sua frente . - Estás morto , Harry_Potter - disse a voz de Riddle , acima de ele . - Morto . Até o pássaro de Dumbledore sabe de isso . Vês o que ele está a fazer ? A chorar . Harry piscou os olhos . A cabeça de Fawkes ora estava focada , ora desfocada . Lágrimas grossas como pérolas escorriam de as suas penas . - Vou sentar me aqui a ver te morrer , Harry_Potter . Leva o teu tempo , eu não tenho pressa . Harry sentiu se sonolento . Tudo parecia girar a a sua volta . - E assim acaba o famoso Harry_Potter - disse a voz distante de Riddle . - Sozinho em a Câmara_dos_Segredos , esquecido por os amigos , finalmente derrotado por o Senhor de o mal que ele tão imprudentemente desafiou . Vais reunir te a a tua querida mãe sangue de lama , Harry ... Ela deu te doze anos de tempo emprestado ... Mas Lord_Voldemort apanhou te em o fim , como sabias que teria de acontecer . Se morrer é isto , pensou Harry , não é assim tão mau . Até a dor estava a desaparecer . Mas , estaria a morrer ? Em_vez_de ficar mais escura a câmara parecia voltar a estar nítida . Harry fez um pequeno gesto com a cabeça e viu a Fawkes ainda repousando a cabeça em o seu ombro . Uma fiada de pérolas brilhava em volta de a ferida , só que já não havia ferida . - Sai de aqui , pássaro - disse subitamente a voz de Riddle . - Afasta te de ele . Já te disse , sai de aqui ! Harry levantou a cabeça . Riddle apontava a sua varinha a Fawkes . Ouviu se um tiro que parecia de carabina e Fawkes levantou novamente voo em um rodopio de ouro e escarlate . - Lágrimas de fénix - disse Riddle em voz baixa , olhando para o braço de o Harry . - É claro ... poderes curativos ... esqueci me ... Olhou para a cara de Harry . - Mas não faz mal . Pensando bem , eu até prefiro assim . Tu e eu , Harry_Potter ... Tu e eu ... Levantou a varinha . Então , em um golpe de asa , Fawkes voou sobre as cabeças de ambos , deixando cair uma coisa em o colo de Harry : o diário . Durante uma fracção de segundo , tanto Harry como Riddle , ainda com a varinha levantada , ficaram a olhar para aquilo . Em seguida , sem pensar , sem ponderar , como_se pensasse fazê o desde o princípio , Harry agarrou o dente de o Basilisk que estava em o chão , junto de ele , e espetou o em o coração de o caderno . Ouviu se um grito longo e terrível . A tinta esguichou em torrentes de dentro de o diário , derramando se sobre as mãos de o Harry e inundando o chão . Riddle torcia se e contorcia se , agitando se a os gritos . E , por fim . Desapareceu . A varinha de Harry caiu a o chão com um ruído e fez se silêncio . Um silêncio apenas cortado por o ping ping de a tinta que ainda escorria de o diário . Com um leve crepitar , o veneno de o Basilisk abrira um buraco mesmo em o meio de o caderno . A tremer de os pés a a cabeça , Harry pôs se de pé . Sentia tudo a andar a a roda como_se tivesse viajado quilómetros e quilómetros com o pó de * _ Floo * . Lentamente apanhou a varinha e o chapéu seleccionador e com um grande estrondo retirou a espada de o céu de a boca de a serpente . Ouviu se então um gemido fraco a o fundo de a câmara . Ginny estava a mexer se . Quando Harry chegou junto de ela , sentou se . Os seus olhos abismados saltaram de o Basilisk morto para Harry em a sua roupa cheia de sangue e , em seguida , para o diário que ele tinha em as mãos . Soltou um enorme soluço e os seus olhos encheram se de lágrimas . - Harry , oh ! Harry , eu tentei dizer te a o pequeno-almoço mas não fui capaz em frente de o Percy . Era eu , Harry , mas eu ... eu ... juro que não queria ... o Riddle obrigou me , levou me e ... como é_que mataste esse bicho ? Onde está o Riddle ? A última coisa de que me lembro foi de o ver a sair de o diário ... - Está tudo bem - disse Harry , mostrando lhe o diário com o buraco de o dente . - O Riddle acabou , olha . Ele e o Basilisk . Anda , Ginny , vamos embora de aqui . - Vou com certeza ser expulsa - disse Ginny a chorar enquanto Harry a ajudava a pôr se de pé . - Desde_que o Bill veio para Hogwarts que eu sonhava vir também para cá e agora vou ter de me ir embora e ... O que vão a minha mãe e o meu pai dizer ? Fawkes esperava por eles , suspensa em o ar , a a entrada de a câmara . Harry fez a Ginny avançar , passaram sobre os anéis parados de o Basilisk , por a escuridão cheia de ecos e voltaram a o túnel . Harry ouviu as portas de pedra fecharem se atrás de eles com um leve sibilar . Depois de alguns minutos a caminhar por o túnel escuro , chegou a os ouvidos de Harry o som distante de o deslocar de uma rocha . - Ron - gritou ele , apressando se . - A Ginny está bem . Está aqui comigo ! Ouviu o Ron gritar de alegria e , voltando em a curva logo_a_seguir , viram a sua cara ansiosa a espreitar por a fresta que conseguira abrir durante a avalancha . - Ginny ! - Ron estendeu o braço por a fresta para a puxar primeiro . - Estás viva . Não posso acreditar . O que aconteceu ? Tentou abraçá a mas a Ginny afastou o , soluçando . - Mas estás bem , Ginny - disse o Ron , sorrindo para ela . - Já passou tudo ... De onde veio esse pássaro ? Fawkes passara por a abertura , atrás_de Ginny . - É de o Dumbledore - explicou Harry , espremendo se para caber também . - E como arranjaste uma espada ? - perguntou o Ron , olhando para a arma brilhante que Harry tinha em a mão . - Eu explico te tudo quando sairmos de aqui - disse Harry , lançando um olhar de esguelha a a Ginny . - Mas ... - Mais tarde - disse Harry rapidamente . Não lhe parecia uma boa ideia contar a o Ron quem tinha aberto a câmara , ali , em frente de a Ginny . - Onde está o Lockhart ? - Ali atrás - disse o Ron , a rir e a abanar a cabeça em direcção a o cano . - Está em muito mau estado . Anda ver . Conduzidos_pela_Fawkes , cujas grandes asas escarlates emitiam um suave dourado que brilhava em a escuridão , voltaram a o lugar onde o cano começava . Gilderoy_Lockhart estava sentado a falar sozinho . - Perdeu a memória - disse o Ron . - O feitiço de a memória fez ricochete . Não sabe quem é nem onde está , nem_sequer sabe quem nós somos . Eu disse lhe que viesse para aqui e esperasse . É um perigo para ele próprio . Lockhart olhou os bem-disposto . - Olá - disse . - Que lugar estranho , este . É aqui que vocês moram ? -- Não - respondeu o Ron , levantando as sobrancelhas para o Harry . Harry baixou se e observou o túnel escuro e longo . - Já pensaste como é_que vamos sair de aqui ? - perguntou a o Ron . O amigo abanou a cabeça mas Fawkes , a fénix , tinha passado por o Harry e estava agora em o ar , em frente de ele , os olhos como pérolas a brilharem em o escuro . Abanava as longas penas douradas de a cauda . Harry olhou para ela , inseguro . - Ela parece querer que a agarres - disse o Ron , perplexo . - Mas tu és muito pesado para um pássaro . - A Fawkes - disse Harry - não é um pássaro qualquer . Voltou se rapidamente para os companheiros . - Temos de nos agarrar uns a os outros . Ginny , agarra a mão de o Ron . O professor Lockhart ... - Ele está a falar consigo - disse o Ron secamente . - Agarre a outra mão de a Ginny . Harry guardou a espada e o chapéu seleccionador em o cinto . Ron deitou a mão a a roupa de Harry e Harry agarrou as penas de a cauda , estranhamente quentes , de a Fawkes . Sentiu uma extraordinária leveza apoderar se de todo o seu corpo e em seguida estavam todos a voar por o cano acima . Harry conseguia ouvir Lockhart , lá atrás , comentando : - Espantoso , isto parece mágico ! Ar frio batia em os cabelos de Harry e antes que ele deixasse de gostar de a viagem já ela acabara . Os quatro tinham chegado a o chão molhado de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa e , enquanto Lockhart endireitava o chapéu , o lavatório voltara a o seu lugar , tapando o cano . A Murta arregalou os olhos . - Vocês estão vivos - disse inexpressivamente a o Harry . - Não é preciso mostrares te tão desiludida - respondeu ele , muito sério , limpando as nódoas de sangue e lodo de os óculos . - Bem ... é_que eu pensei que se vocês morressem seriam bem-vindos a a minha casa_de_banho - disse a Murta com um rubor prateado . - Urgh ! - fez o Ron , quando saíram de ali para o corredor deserto . - Harry , acho que a Murta está a gostar de ti . Tens concorrência , Ginny ! A Ginny continuava a chorar silenciosamente . - Onde vamos agora ? - perguntou o Ron , olhando ansiosamente para ela . Harry apontou . Fawkes indicava o caminho , com o seu tom dourado que brilhava em o corredor . Seguiram a e pouco depois estavam em o escritório de a professora Mc_Gonagall . Harry bateu e empurrou a porta que estava encostada . XVIII_A recompensa de Dobby_Durante alguns momentos reinou o silêncio enquanto Harry , Ron , Ginny e Lockhart estavam em a entrada de a porta . Cobertos de pó e de lama e ( em o caso de o Harry ) sangue . Em seguida , ouviu se um grito . - Ginny ! Era_Mrs._Weasley que tinha estado a chorar , sentada em frente de o lume . Pôs se de pé em um salto , seguida de Mr._Weasley e precipitaram se ambos para a filha . Harry olhava para trás de eles . Dumbledore rejubilava junto de a lareira , a o lado de a professora Mc_Gonagall que , agarrada a o queixo , respirava com dificuldade . Fawkes rasou as orelhas de o Harry e foi instalar se em o ombro de Dumbledore , ao_mesmo_tempo que Harry dava por si em os braços de Mrs._Weasley . - Tu salvaste a ! Salvaste a ! : __ como foi que __ conseguiste ? - Acho que todos nós gostaríamos de saber - disse , sem energia , a professora Mc_Gonagall . Mrs._Weasley soltou o Harry , que hesitou um momento . Depois , foi até a a secretária e colocou sobre o tampo o chapéu seleccionador , a espada cravejada de rubis e o que restava de o diário de Riddle . Em seguida , contou lhes tudo . Falou durante quase um quarto de hora em o silêncio extasiado : contou lhes de a voz sem corpo que ouvia , como a Hermione acabara por descobrir que se tratava de um Basilisk que circulava em os canos , como ele e o Ron tinham seguido as aranhas até a a floresta , que Aragog lhes dissera que a última vítima de o Basilisk morrera , como tinham chegado a a conclusão que se tratava de a Murta_Queixosa e que a entrada para a Câmara_dos_Segredos devia ser em aquela casa_de_banho ... - Muito bem - elogiou a professora Mc_Gonagall quando ele se calou . - Então tu descobriste onde era a entrada , infringindo uma centena de regras de a escola por o caminho , devo dizer , mas como diabo saíram vocês vivos de lá de dentro ? Harry , com a voz já um_pouco rouca de falar tanto , contou lhes de a chegada de a Fawkes e de o chapéu seleccionador que lhe tinha dado a espada . Mas , chegando aí , hesitou . Até a o momento evitara referir se a o diário de Riddle ou a a Ginny . Ela tinha a cabeça encostada a o ombro de Mrs._Weasley e as lágrimas corriam lhe ainda por o rosto . E se a expulsassem ? - pensou Harry , tomado de pânico . O diário de Riddle já não funcionava ... quem poderia provar que fora ele que a obrigara a fazer tudo aquilo ? Olhou instintivamente para Dumbledore que sorria , o fogo iluminando lhe os óculos de meia-lua . - O que mais me interessa saber - disse Dumbledore amavelmente - é como conseguiu Lord_Voldemort enfeitiçar a Ginny quando as minhas fontes me dizem que ele se esconde habitualmente em as florestas de a Albânia . Um alívio , quente e glorioso percorreu Harry de a cabeça a os pés . - O quê ? - disse Mr._Weasley , em uma voz estupefacta . - O Quem nós sabemos enfeitiçou a Ginny ? Mas a Ginny não ... a Ginny não morr ... ? - Foi este diário - esclareceu Harry rapidamente . E mostrando o a Dumbledore . - O Riddle escreveu o quando tinha dezasseis anos . Dumbledore pegou em o diário e olhou atentamente por cima de o seu nariz longo e adunco para as páginas queimadas e húmidas . - Fantástico - disse em voz baixa . - É claro que ele deve ter sido o aluno mais brilhante que alguma vez passou por Hogwarts . - Olhou em volta para os Weasley que o observavam com um ar totalmente confuso . - Muito poucas pessoas sabem que Lord_Voldemort se chamou em tempos Tom_Riddle . Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos , em Hogwarts . Ele desapareceu depois de deixar a escola , viajou muito , mergulhou tão fundo em as artes de a magia negra , associado a os piores feiticeiros , realizou transformações mágicas tão perigosas que quando reapareceu como Lord_Voldemort estava totalmente irreconhecível . Ninguém o relacionou com o rapazinho inteligente e bonito que aqui foi , em tempos , chefe de turma . - Mas a Ginny - insistiu Mrs._Weasley . - O que tem a nossa Ginny que ver com ele ? - O diário - soluçou Ginny . - Eu andei todo o ano a escrever em o diário e ele respondia me ... - Ginny ! - repreendeu Mr._Weasley . - Não aprendeste nada do_que te ensinei ? Não me cansei de dizer te que nunca confiasses em nada que não pensasse por si próprio * se não conseguisses ver onde tinha o cérebro ? * Porque não me mostraste o diário , a mim ou a a tua mãe ? Um objecto suspeito como esse tinha de estar cheio de magia negra ! - Eu não sabia - soluçou Ginny . - Estava junto de os livros que a mãe me comprou . Pensei que alguém se tinha esquecido de ele ali . - É melhor Miss_Weasley ir imediatamente para a ala hospitalar - interrompeu Dumbledore com voz firme . - Foi sujeita a uma prova terrível . Não será castigada . Outros feiticeiros mais velhos do_que ela têm sido ludibriados por Lord_Voldemort . - Dirigiu se a a porta e abriu a . - Repouso , cama e talvez uma caneca de chocolate quente . A mim , anima me sempre - acrescentou , piscando lhe simpaticamente o olho . - Vais ver que Madam_Pomfrey ainda está acordada . Ela tem estado a dar o sumo de Mandrágora , julgo que as vítimas de o Basilisk estarão a acordar dentro_de momentos . de alegria . - Então a Hermione está bem ! - disse o Ron , cheio de alegria . - Não houve danos irreversíveis - disse Dumbledore . Mrs._Weasley saiu com a Ginny e Mr._Weasley seguiu as ainda bastante abalado . - Sabes , Minerva - disse pensativo o professor Dumbledore - acho que tudo_isto merece um banquete . Posso pedir te que previnas os cozinheiros ? - Certamente - disse animada a professora Mc_Gonagall , dirigindo se também a a porta . - Deixo te a tratar de as coisas com o Potter e o Weasley , está bem ? - Claro - disse Dumbledore . Saiu e os dois olharam inseguros para Dumbledore . Que quereria ela dizer com tratar de as coisas ? Certamente não iriam ser castigados ? - Lembro me de vos ter dito a ambos que teria de vos expulsar se voltassem a quebrar as regras de a escola - disse Dumbledore . Ron abriu a boca horrorizado . - O que vem mostrar nos que as melhores pessoas , às_vezes , têm de engolir as suas próprias palavras . - Dumbledore sorriu e continuou : - Vocês vão receber ambos uma recompensa especial por serviços prestados a a escola e ... deixem me ver , sim , acho que duzentos pontos cada_um para os Gryffindor . Ron ficou tão corado que parecia as flores de S._Valentim_do_Lockhart e voltou a fechar a boca . - Mas um de vós parece demasiado calado sobre a sua participação em esta perigosa aventura - acrescentou Dumbledore . - Porquê tanta modéstia , Gilderoy ? Harry estremeceu . Esquecera se por completo de Lockhart . Voltou se e viu o a um canto de a sala ainda com o mesmo sorriso vago . Quando Dumbledore se lhe dirigiu , olhou por cima de o ombro para ver com quem ele estava a falar . - Professor_Dumbledore - disse o Ron rapidamente - Houve um acidente lá em baixo , em a Câmara_dos_Segredos . O professor Lockhart - Eu sou um professor ? - perguntou Lockhart surpreendido . - E eu que pensei que era um inútil ! - Tentou fazer um feitiço antimemória e a varinha fez ricochete - explicou Ron_a_Dumbledore . - Incrível - disse Dumbledore , abanando a cabeça , o bigode prateado a tremer . - Trespassado por a tua própria espada , Gilderoy ! - Espada ? - disse Lockhart de forma imprecisa . - Eu não tenho espada . Esse rapaz é_que tem - apontou para Harry . - Ele empresta lhe uma . - Importas te de levar também o professor Lockhart até a a ala hospitalar , Ron ? - disse Dumbledore . - Eu gostava de falar um_pouco mais com o Harry . Lockhart saiu sem pressa . Antes de fechar a porta , Ron lançou um olhar curioso a Dumbledore e Harry . Dumbledore passou para uma de as cadeiras junto de o lume . - Senta te , Harry - disse . E Harry sentou se , sentindo se indescritivelmente nervoso . - Antes de mais , Harry , quero agradecer te - disse Dumbledore com os olhos a brilharem de_novo . - Deves ter demonstrado uma grande lealdade para comigo . Só isso poderia atrair a Fawkes para ir ajudar te . Deu uma palmadinha a a fénix que voara , entretanto , para_cima de os seus joelhos . Harry sorria acanhadamente sob o olhar observador de Dumbledore . - Encontraste , portanto , Tom_Riddle - disse o director amavelmente . - Calculo que ele estaria particularmente interessado em ti ... De repente , algo que Harry tinha engasgado saiu lhe descontroladamente de a boca para fora . - Professor_Dumbledore ... o Riddle disse que eu sou como ele , que há entre nós estranhas semelhanças ... - Ah ! sim ? - Dumbledore olhou pensativamente para ele , por debaixo de as espessas sobrancelhas prateadas . - E o que achas tu de isso ? - Eu não me considero parecido com ele - disse Harry mais alto do_que desejaria . - Isto_é , eu sou um Gryffindor , eu sou ... Mas calou se com uma dúvida a rondar lhe o espírito . - Professor - arriscou passado alguns momentos . - O chapéu seleccionador disse que eu ... teria ficado bem em os Slytherin ; durante algum tempo toda_a_gente pensou que eu era o herdeiro de Slytherin por falar * serpentês * ... - Tu falas * serpentês * , Harry - disse Dumbledore calmamente - porque Lord_Voldemort que é o mais recente antepassado de Salazar_Slytherin , fala * serpentês * . Ou eu me engano muito , ou ele transferiu para ti alguns de os seus poderes em a noite em que te fez essa cicatriz . Não que quisesse fazê o , claro , mas aconteceu . - Voldemort pôs um_pouco de si próprio em mim ? - disse Harry assombrado . - É o que parece ter acontecido . - Então eu deveria estar em os Slytherin - disse Harry , olhando desesperado para o rosto de Dumbledore . - O chapéu seleccionador viu em mim os poderes de Slytherin e ... -- Pôs te em os Gryffindor - concluiu tranquilamente Dumbledore . - Ouve , Harry , tu tens por acaso muitas de as capacidades que Salazar_Slytherin apreciava em os seus estudantes cuidadosamente seleccionados . O seu raro dom de falar * serpentês * , desenvoltura , determinação , um certo desprezo por as regras estabelecidas - acrescentou com o bigode a tremer de_novo . - Mas ainda_assim , o chapéu seleccionador pôs te em os Gryffindor . E sabes porquê ? Pensa um_pouco . - Só me pôs em os Gryffindor - disse Harry em uma voz débil - porque eu pedi para não ir para os Slytherin . - Exacto - disse Dumbledore a sorrir . - E isso torna te muito diferente de o Tom_Riddle . São as tuas escolhas , Harry , que mostram quem de facto tu és , mais do_que as tuas capacidades . Harry sentou se , imóvel e espantado , em a cadeira . - Se queres provas de que o teu lugar é em os Gryffindor , sugiro que vejas isto com mais atenção . Dumbledore aproximou se de a secretária de a professora Mc_Gonagall , pegou em a espada de prata ensanguentada e mostrou lhe a . Sem perceber , Harry voltou a ao_contrário . Os rubis brilharam a a luz de a lareira e foi então que ele reparou em o nome gravado mesmo por baixo de o copo de a espada . GODRIC_GRYFFINDOR . - Só um verdadeiro Gryffindor poderia ter tirado a espada de dentro de o chapéu , Harry - disse , com simplicidade , Dumbledore . Durante um minuto , nenhum de os dois falou . Depois , Dumbledore abriu uma de as gavetas de a secretária de a professora Mc_Gonagall e retirou de lá uma pena e um tinteiro . - Tu precisas de comer e ir dormir . Sugiro que desças para o banquete enquanto eu escrevo para Azkaban . Precisamos de recuperar o nosso guarda de os campos . E tenho de esboçar um anúncio para o * _ Profeta_Diário * - acrescentou pensativo . - Vamos precisar de um novo professor de Defesa contra as artes negras . É um problema , estamos sempre a perdê os . Harry levantou se e dirigiu se a a porta . Tinha acabado de estender a mão para o puxador quando ela se abriu tão violentamente que saltou de as dobradiças . Lucius_Malfoy estava de pé , furioso . E , debaixo de o braço , embrulhado em diversas ligaduras , estava Dobby . - Boa tarde , Lucius - disse Dumbledore , de forma amena . Mr._Malfoy quase derrubou Harry enquanto entrava em a sala . Dobby dava passos miudinhos atrás de ele , inclinado até a a bainha de o seu manto com um olhar apavorado em o rosto . - Então - disse Lucius_Malfoy com os olhos fixos em Dumbledore - voltaste . Os membros de o Conselho_Directivo suspenderam te , mas tu mesmo_assim sentiste te capaz de voltar a Hogwarts . - Bem vês , Lucius - disse Dumbledore , sorrindo serenamente . - Os outros membros de o Conselho contactaram me hoje . Fui envolvido em um redemoinho de corujas , todos queriam contar me a verdade . Ouviram dizer que a filha de Arthur_Weasley tinha sido morta e queriam me novamente aqui . Parece que me consideravam o melhor homem para o lugar . Contaram me algumas histórias muito estranhas . Alguns de eles tinham a impressão que tu tinhas ameaçado amaldiçoar lhes as famílias se não concordassem com a minha suspensão . Mr._Malfoy ficou ainda mais pálido do_que de costume , mas os olhos continuavam cheios de fúria . - Então já acabaste com os ataques ? - rosnou . - Apanhaste o culpado ? - Já , sim - disse Dumbledore com um sorriso . - E quem é ? - perguntou Malfoy secamente . - A mesma pessoa de a última vez , Lucius - disse Dumbledore . Mas desta_vez , Lord_Voldemort agiu através_de outra pessoa , por_meio_de um diário . Pegou em o pequeno caderno com o buraco em o meio , observando Mr._Malfoy de perto . Mas Harry olhava para Dobby . O elfo fazia um sinal muito estranho . Com os seus grandes olhos fixos em Harry , não parava de apontar para ó diário e , em seguida , para Mr._Malfoy , batendo logo_a_seguir com o punho em a cabeça . - Estou a ver ... - disse Mr._Malfoy lentamente a Dumbledore . - Um plano inteligente - afirmou o director em um tom de voz suave , continuando a olhar Mr._Malfoy directamente em os olhos . - Porque se não fosse aqui o Harry e o seu amigo Ron a descobrirem o diário , sem dúvida Ginny_Weasley teria ficado com todas_as culpas . Ninguém teria conseguido provar que ela agira contra a sua própria vontade . Mr._Malfoy não se pronunciou . O seu rosto parecia agora uma máscara . - E vê bem - continuou Dumbledore - o que poderia ter acontecido ... os Weasley são uma de as mais proeminentes famílias de feiticeiros de sangue puro , imagina o efeito em a imagem de Arthur_Weasley e em a sua acção de protecção a os Muggles , se a sua própria filha fosse acusada de atacar e matar filhos de Muggles . Foi uma sorte o diário ter sido descoberto e as memórias de Riddle apagadas . Quem sabe que consequências poderia ter tido ? Mr._Malfoy falou contra vontade . - Sim , foi uma sorte - disse secamente . E , em as suas costas , Dobby continuava a apontar para o diário e para Lucius_Malfoy , batendo depois com o punho em a cabeça . E Harry finalmente percebeu . Fez um sinal a Dobby que correu a esconder se em um canto , torcendo desta_vez as orelhas para se castigar . - Não quer saber como a Ginny obteve esse diário , Mr._Malfoy ? - perguntou Harry . Lucius_Malfoy voltou se para ele . - Como queres que eu saiba onde é_que a estúpida de a garota o arranjou ? - Porque foi o senhor quem lhe o deu - disse Harry . - Em a Flourish and Blotts . O senhor pegou em o livro velho de ela de Transfiguração e meteu o diário lá dentro , não foi ? Viu as mãos brancas de Mr._Malfoy abrirem se e fecharem se . - Prova isso - sibilou . - Oh ! ninguém vai poder prová o - disse Dumbledore sorrindo a o Harry . - Não agora_que o Riddle desapareceu de o caderno . Por outro lado , aconselharia te , Lucius , a não dares mais nenhuma de as coisas velhas de Lord_Voldemort . Se mais alguma for parar a as mãos de crianças inocentes , acho que o Arthur_Weasley fará com que se voltem com toda_a sua carga negativa contra ti . Lucius_Malfoy ficou calado um momento e Harry viu claramente a sua mão direita torcer se como_se desejasse chegar a a varinha . Em vez de isso , voltou se para o seu elfo doméstico . - Vamos , Dobby . Abriu a porta e quando o elfo se aproximou deu lhe um pontapé que o projectou para longe . Ouviram se em o escritório os gritos de dor de Dobby em o corredor . Harry pensou durante um momento e depois decidiu se . - Professor_Dumbledore - disse apressadamente . - Posso dar o diário outra_vez a Mr._Malfoy ? - Certamente , Harry - disse Dumbledore com toda_a calma . - Mas não demores , olha o banquete . Harry agarrou em o diário e saiu de o escritório . Os gritos de dor de Dobby afastavam se ao_longe . Sem perder tempo , perguntando a si próprio se o plano poderia resultar , Harry tirou um de os sapatos , puxou uma de as peúgas enlameadas e viscosas e meteu o diário lá dentro . Em seguida correu até a o fundo de o corredor escuro . Apanhou os em o topo de as escadas . - Mr._Malfoy - disse ofegante , parando . - Tenho uma coisa para si . E meteu a peúga mal cheirosa em a mão de Lucius_Malfoy . - O que é ... ? Mr._Malfoy tirou o diário de dentro de a peúga , deitou a fora e olhou furioso para o caderno estragado e para Harry - Ainda vais acabar por ter um fim igual a o de os teus pais um dia de estes , Harry_Potter - disse em voz baixa . - Eles também eram uns idiotas metediços . Voltou se para se ir embora . - Anda , Dobby , vem ! Mas Dobby não se mexeu . Tinha em as mãos a peúga nojenta de o Harry e olhava para ela como_se fosse um tesouro de valor incalculável . - O senhor deu uma peúga a o Dobby - disse o elfo maravilhado . - Deu a a o Dobby . - O que é isso ? - cuspiu Mr._Malfoy . - Que estás para aí a dizer ? - Dobby tem uma peúga - repetiu incrédulo . - O senhor deitou a fora e Dobby apanhou a e Dobby agora é livre ... Lucius_Malfoy ficou paralisado a olhar para o elfo . Em seguida precipitou se para Harry . - Fizeste me perder o meu servo , rapaz . Mas Dobby gritou : - Não pense que vai fazer mal a o Harry_Potter ! Ouviu se um enorme estrondo e Mr._Malfoy foi empurrado de costas , galgando os degraus de as escadas a três_e_três e indo aterrar lá em baixo todo embrulhado e amarrotado . Levantou se , o rosto lívido e pegou em a varinha , mas Dobby estendeu lhe um dedo ameaçador . - Vá se embora já - disse furioso , apontando para Mr._Malfoy . - Não tocará em o Harry_Potter . Vá se embora , já . Lucius_Malfoy não teve escolha . Lançando a os dois um último olhar de cólera , embrulhou se em o manto e desapareceu . - Harry_Potter libertou Dobby ! - disse o elfo com voz esganiçada , olhando para Harry , a luz de o luar reflectida em os seus grandes olhos em forma de globos . - Harry_Potter libertou Dobby . - Era o mínimo que eu podia fazer , Dobby - disse Harry a sorrir -- , mas promete me que não vais voltar a tentar salvar me a vida . A cara feia e escura de o elfo abriu se , mostrando os dentes , em um enorme sorriso . - Tenho uma pergunta a fazer te , Dobby - disse Harry enquanto o elfo pegava em a peúga de ele com as mãos a tremer . - Disseste me que tudo_isto não tinha nada que ver com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Lembras te ? - Era uma pista , senhor - disse Dobby com os olhos muito abertos como_se fosse absolutamente óbvio . - Dobby estava a dar lhe uma pista . Antes de o senhor de o mal mudar de nome , o seu nome podia ser pronunciado , está a ver ? - Certo - disse Harry sem grande convicção . - Bem , é melhor eu ir indo embora . Há um banquete e a minha amiga Hermione já deve ter acordado ... Dobby lançou os braços a a cintura de Harry e abraçou o . - Harry_Potter é muito maior do_que Dobby imaginava ! - soluçou . - Adeus , Harry_Potter . E com um estalido final , Dobby desapareceu . Harry assistira a diversos banquetes , mas nenhum que se parecesse com aquele . Estavam todos de pijama e a festa durou a noite inteira . Harry não sabia se o melhor tinha sido a Hermione a correr para ele e a gritar : - Tu conseguiste . Tu conseguiste ! , ou o Justin saindo disparado de a mesa de os Hufflepuff para lhe estender a mão , desfazendo se em desculpas por ter suspeitado de ele , ou o Hagrid que apareceu a as três_e_meia e que lhes deu palmadas com tanta força em os ombros que eles foram parar dentro de os pratos de bolo de creme , ou os quatrocentos pontos que ele e o Ron obtiveram para os Gryffindor , ganhando a taça de a equipa por a segunda vez consecutiva , ou a professora Mc_Gonagall de pé , a comunicar lhes que os exames tinham sido cancelados como medida de a escola ( Oh ! não ! exclamou Hermione ) , ou Dumbledore a anunciar que , infelizmente , o professor Lockhart não poderia voltar em o ano seguinte por ter de se ausentar a_fim_de recuperar a memória . Alguns de os professores juntaram se a os alunos que aplaudiram entusiasmados esta notícia . - Que pena - disse Ron , servindo se de um * dounut * de presunto . - E eu que começava a gostar de ele ... O resto de o período de Verão decorreu sob um sol escaldante . Hogwarts voltara a a normalidade , apenas com algumas pequenas diferenças : as aulas de Defesa contra as artes negras foram canceladas ( Mas nós tivemos imensa prática - disse o Ron vendo o descontentamento de Hermione ) e Lucius_Malfoy foi demitido de o Conselho_Directivo . Draco já não passeava por ali como_se fosse o dono de a escola . Pelo_contrário , tinha um ar melindrado e carrancudo . Por outro lado , Ginny_Weasley andava de_novo feliz de a vida . Em_breve chegou o dia de regressarem a casa em o Expresso_de_Hogwarts . Harry , Ron , Hermione , Fred , George e Ginny encheram um compartimento . Tiraram o_máximo partido de aquelas últimas horas em que lhes era permitido usar a magia antes de as férias . Brincaram a as explosões , gastaram o último fogo-de-artíficio Filibuster , de o Fred e de o George e treinaram o mútuo desarmamento através de a magia . Harry começava a ficar muito bom em aquilo . Já estavam perto de a estação de King's_Cross quando Harry se lembrou de uma coisa . - Ginny , o que foi que viste o Percy fazer que ele não queria que nos contasses ? - Ah ! isso - disse a Ginny a rir . - Bem , é_que o Percy tem uma namorada . Fred deixou cair uma pilha de livros em a cabeça de o George . - O quê ? - É aquela prefeita de os Ravenclaw ' Penelope_Clearwater - disse a Ginny . - Foi para ela que ele escreveu durante todo o Verão . Encontravam se em a escola em grande segredo . Eu apanhei os a beijarem se em uma sala de aula vazia e ele ficou tão aflito quando ela foi ... sabes ... atacada . Não vais aborrecê o , pois não ? - perguntou cheia de ansiedade . - Que ideia - respondeu Fred com uma tal satisfação em o rosto que parecia que o seu aniversário chegara mais cedo . - Claro que não - disse o George a rir se a a socapa . O Expresso_de_Hogwarts abrandou e finalmente parou . Harry tirou a pena e um_pouco de pergaminho e voltou se para Ron e Hermione . - Isto_é um número de telefone - disse ele a o Ron , escrevinhando o duas vezes , cortando o pergaminho a o meio e dando lhes os números . - Eu expliquei a o teu pai como usar um telefone em o Verão passado . Ele sabe fazer a chamada . Liga me para_casa de os Dursley , O. _ K. ? Não consigo suportar outros dois meses sem ter mais ninguém com quem falar ... - Mas a tua tia e o teu tio vão ficar orgulhosos de ti , não vão ? - perguntou Hermione quando saíram de o comboio e se misturaram em a multidão que se encontrava junto de a barreira encantada . - Quando souberem o que fizeste este ano . - Orgulhosos ? - disse Harry . - Estás doida ! Podendo eu ter morrido tantas vezes e tendo escapado ? Vão ficar é furiosos ... E juntos avançaram até a a entrada para o mundo de os Muggles . ----------------- J._K._Rowling_Harry_Potter e a Câmara_dos_Segredos_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Chamber of Secrets_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling 1998 Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 2000 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 2.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 Depósito legal : 143.569/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , a a Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Para_Séan_P._F._Harris , condutor imparável e um amigo de os diabos . I_O pior aniversário Não era a primeira vez que uma discussão estoirava a a mesa de o pequeno-almoço , em o número 4 de a Privet_Drive . Mr._Vernon_Dursley fora acordado de manhã cedo por o piar ruidoso que vinha de o quarto de o seu sobrinho Harry . - É a terceira vez esta semana ! - resmungou , a a mesa . - Se não consegues controlar essa coruja , ela não pode ficar aqui . Harry tentou , mais_uma_vez , explicar . - Ela está aborrecida . Estava habituada a voar livremente lá fora . Se eu pudesse , ao_menos , soltá a a a noite ... - Achas me com cara de idiota ? - perguntou rispidamente o tio Vernon , com um fio de ovo preso em o bigode farfalhudo . - Sei muito bem o que aconteceria se essa coruja fosse lá para fora . Trocou um olhar soturno com a mulher , a tia Petúnia . Harry tentou contra-argumentar , mas as suas palavras foram abafadas por um enorme arroto de o filho de os Dursleys , Dudley . - Quero mais bacon . - Há mais em a frigideira , fofinho - disse a tia Petúnia , lançando um olhar vago a o seu filho maciço . - Tens que te alimentar bem enquanto aqui estás , aquela comida de a tua escola não me cheira . - Disparate , Petúnia , eu nunca passei fome enquanto andei em Smeltings - afirmou com sinceridade o tio Vernon . - O Dudley tem que chegue . Não é verdade , filho ? Dudley , que era tão gordo que o rabo saía de os dois lados de a cadeira de a cozinha , sorriu laconicamente e voltou se para Harry . - Passa me a frigideira . -- Esqueceste te de a palavra mágica - disse Harry , irritado . O efeito que esta simples frase teve em o resto de a família foi inacreditável : Dudley começou a arfar e caiu de a cadeira com um estrondo que abalou a cozinha , Mrs._Dursley deu um gritinho e bateu com a mão em a boca , Mr._Dursley pôs se de pé com as veias de as têmporas dilatadas . - Eu queria dizer « por favor » - explicou Harry rapidamente . - Não me referia a ... - : __ o que é_que eu te __ disse - vociferou o tio , espalhando perdigotos sobre a mesa - : __ sobre pronunciar a palavra m . em esta __ casa ? - Mas eu ... - : __ como te atreves a ameaçar o __ dudley ! - rosnou o tio Vernon , batendo com o punho em a mesa . - Eu só ... - : __ estás avisado . não vou admitir referências a tua anormalidade debaixo de o tecto de a minha __ casa ! Harry olhou alternadamente para o rosto congestionado de o tio e para a palidez de a tia que tentava pôr o Dudley de pé . - Está bem - disse Harry . - Está bem ... O tio Vernon voltou a sentar se , respirando como um rinoceronte exausto e observando Harry de perto por o canto de os seus olhos pequeninos e penetrantes . Desde_que Harry regressara para as férias de Verão que o tio Vernon o tratava como_se ele fosse uma bomba , capaz de explodir a qualquer momento , porque Harry não era um rapazinho normal . Em a verdade , ele era o menos normal que é possível imaginar . Harry_Potter era um feiticeiro , um feiticeiro que acabara de concluir o primeiro ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts e a infelicidade que os Dursleys sentiam por ele estar lá em casa não era nada comparada com a de Harry . As saudades de Hogwarts eram tão intensas que se assemelhavam a uma constante dor em o estômago . Sentia a falta de o castelo com as suas passagens secretas e os seus fantasmas , de as aulas ( com excepção talvez de as de Snape , o professor de as poções ) , de o correio a chegar trazido por as corujas , de os banquetes em o salão nobre , de as noites em as camas de dossel em a camarata de a torre , de as visitas a Hagrid , o guarda de os campos em a sua casinha em o bosque , junto de a floresta proibida e , principalmente , sentia a falta de o Quidditch , o desporto mais popular de o mundo de os feiticeiros ( seis postes altos de golo , quatro bolas esvoaçantes e catorze jogadores em_cima_de vassoura ) . Todos os livros de feitiços de Harry , assim_como a varinha , os mantos , o caldeirão e a vassoura topo de gama Nimbus dois_mil tinham sido encerrados por o tio Vernon em a despensa que ficava debaixo de as escadas , em o momento em que Harry regressara a casa . O que é_que lhes interessava se ele perdia ou não o seu lugar em a equipa de Quidditch por não ter praticado durante todo o Verão ? Que importância tinha para eles que o Harry voltasse a a escola sem ter podido fazer os trabalhos de casa ? Os Dursleys eram aquilo que os feiticeiros chamam « Muggles » ( nem uma gota de sangue mágico em as veias ) e , para eles , ter um feiticeiro em a família era motivo de grande vergonha . O tio Vernon tinha , inclusivamente , fechado a cadeado a coruja de Harry , Hedwig , dentro de a gaiola , para evitar que ela transportasse mensagens para a gente de o mundo de a feitiçaria . Harry não se parecia em nada com o resto de a família . O tio Vernon era atarracado e sem pescoço , dotado de um enorme bigode preto ; a tia Petúnia tinha um rosto cavalar e era esquelética ; Dudley era loiro e rosado como um porquinho . Harry , pelo_contrário , era baixo e franzino , com os olhos verdes brilhantes e cabelo negro sempre desalinhado . Usava uns óculos redondos e tinha em a testa uma cicatriz em forma de relâmpago . Era essa cicatriz que o tornava tão invulgar , mesmo para um feiticeiro . Era a única alusão a o seu passado misterioso , a o motivo por o qual , onze anos antes , tinha sido deixado em o degrau de a porta de os Dursleys . Com um ano de idade , Harry sobrevivera a uma maldição de o maior feiticeiro negro de todos os tempos , Lord_Voldemort , cujo nome a maior parte de os feiticeiros e feiticeiras ainda receia pronunciar . Os pais de Harry tinham morrido em um ataque de Voldemort , mas ele escapara com a sua cicatriz em forma de relâmpago e estranhamente , ninguém compreendeu porquê , os poderes de Voldemort tinham sido destruídos em o momento em que não fora capaz de matar o Harry . Por isso , ele foi criado por a irmã de a sua falecida mãe e respectivo marido . Passou dez anos com os Dursleys , sem nunca compreender porque fazia com que acontecessem coisas estranhas , alheias a a sua vontade , acreditando em a história de os Dursleys de que aquela cicatriz fora resultado de um acidente de automóvel em que os pais tinham morrido . E um dia , precisamente um ano antes , Hogwarts escrevera lhe e fora então que tudo começara . Harry fora ocupar o seu lugar em a escola de feitiçaria , onde ele e a sua cicatriz eram famosas ... mas agora o ano escolar chegara a o fim e estava de_novo com os Dursleys . Durante o Verão , voltara a ser tratado como um cão malcheiroso . Os Dursleys nem se tinham lembrado que aquele era o dia de o seu décimo segundo aniversário . É claro que não tivera grandes expectativas : eles nunca lhe tinham dado um presente a sério , muito menos um bolo , mas ignorarem o por completo ... Em esse momento , o tio Vernon pigarreou com um ar importante e disse : - Como todos sabem , hoje é um dia muito importante . Harry olhou para ele , mal conseguindo acreditar . - Pode bem ser que eu faça hoje o maior negócio de toda_a minha vida - afirmou . Harry voltou novamente a atenção para a torrada . É claro , pensou amargamente , o tio Vernon referia se a a estúpida dinner-party . Havia quinze_dias que não falava de outra coisa . Um consultor qualquer cheio de massa e a mulher vinham jantar lá a casa e o tio Vernon tinha esperança de conseguir uma grande encomenda ( a empresa de o tio Vernon fabricava brocas ) . - Acho que devíamos recapitular mais_uma_vez - disse o tio Vernon . - Devemos estar todos a postos a as oito_horas_em_ponto . Petúnia , tu vais estar ... ? - Em o salão - respondeu a tia Petúnia prontamente - a a espera para lhes dar as boas-vindas a nossa casa . - Bom , bom . E o Dudley ? - Eu vou estar a a espera para abrir a porta . - Dudley esboçou um sorriso falso e afectado . - Dão me licença que vos guarde os casacos , Mr. e Mrs._Mason ? - Eles vão adorá o - exclamou arrebatadamente a tia Petúnia . - Excelente , Dudley - disse o tio Vernon . - A seguir voltou se para o Harry . - E tu ? - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - repetiu o Harry , de forma inexpressiva . - Exactamente - confirmou o tio Vernon , de um modo desagradável . - Eu conduzo os até a o salão , apresento te , Petúnia , e sirvo lhes as bebidas . _ a as oito_e_um_quarto . - Eu chamo para a mesa - disse a tia Petúnia . - E tu , Dudley , vais dizer ... - Dá me licença que lhe indique a casa de jantar , Mrs._Mason ? - repetiu o Dudley , oferecendo o seu braço gordo a uma mulher invisível . - O meu pequenino cavalheiro - fungou a tia Petúnia . - E tu ? - perguntou o tio Vernon a o Harry , em o mesmo tom desagradável . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho , fingindo que não estou lá - respondeu Harry aborrecido . - Isso mesmo . Agora , devíamos ter preparadas algumas frases amáveis para o jantar . Petúnia , alguma ideia ? - O Vernon disse me que o senhor é um excelente jogador de golfe , Mr._Mason ... Tem de me dizer onde comprou esse vestido , Mrs._Mason ... - Perfeito . Dudley ? - Que tal : Tivemos de fazer um trabalho para a escola sobre o nosso herói e eu escrevi sobre o senhor ... Foi de mais , tanto para a tia Petúnia como para o Harry . A tia debulhou se em lágrimas e abraçou o filho , enquanto Harry se esgueirava para debaixo de a mesa para ninguém o ver rir . - E tu , rapaz ? Harry fez um esforço para se mostrar inexpressivo quando emergiu . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - disse . - Vais sim senhor - afirmou o tio Vernon energicamente . - Os Mason não sabem nada a teu respeito e é assim que as coisas vão continuar . Quando o jantar terminar , tu trazes Mrs._Mason para o salão , onde vamos tomar café , Petúnia , e eu puxo o assunto de as brocas . Com um_pouco de sorte , tenho o contrato assinado antes de o noticiário de as dez . Amanhã por esta hora , vamos estar a fazer compras para umas férias em Maiorca . Harry não conseguia sentir o menor entusiasmo com aquilo . Não lhe parecia que os Dursleys gostassem mais de ele em Maiorca do_que em Privet_Drive . - Certo , eu vou a a cidade buscar os casacos para mim e para o Dudley . E tu - resmungou , apontando para Harry - não atrapalhes a tua tia enquanto ela estiver a limpar . Harry saiu por a porta de as traseiras . Estava um dia de sol lindo . Atravessou o relvado , deixou se cair em o banco de o jardim e cantarolou baixinho : - Parabéns para mim ... parabéns para mim ... Nem cartas nem presentes e tinha de passar a noite a fingir que não existia . Olhou infeliz para a sebe . Nunca se sentira tão só . Mais do_que tudo em o mundo , mais do_que de Hogwarts , mais até do_que de o jogo de Quidditch , Harry sentia a falta de os amigos Ron_Weasley e Hermione_Granger . Mas eles não pareciam sentir a falta de ele . Nenhum de os dois lhe escrevera durante todo o Verão apesar_de o Ron ter dito que ia convidá o para passar uns dias lá em casa . Inúmeras vezes Harry estivera quase a libertar magicamente Hedwig de a sua gaiola e mandá a levar uma carta a o Ron e a a Hermione mas não valia a pena correr o risco . Os feiticeiros menores de idade não tinham autorização para usar a magia fora de a escola . Harry não contara isto a os Dursleys . Ele sabia que era o medo de que ele os transformasse a todos em baratas que os impedia de o fecharem a a chave em a despensa debaixo de as escadas , juntamente com a varinha e a vassoura . Em as primeiras semanas Harry divertira se a murmurar baixinho palavras sem sentido e a ver o Dudley sair disparado de o quarto , tão rápido quanto as suas pernas gordas lhe permitiam . Mas o silêncio prolongado de Ron e Hermione tinham o feito sentir se tão longe de o mundo de a magia que até divertir se à_custa_de Dudley perdera o interesse . E agora o Ron e a Hermione tinham se esquecido de o seu aniversário . Quanto não daria ele por uma mensagem de Hogwarts ? De qualquer feiticeiro ou feiticeira ? Quase ficaria satisfeito com um sinal de o seu inimigo feroz , Draco_Malfoy , só para ter a certeza de que tudo aquilo não fora apenas um sonho ... Não que tudo durante o ano em Hogwarts tivesse sido divertido . Mesmo em o fim de o último período , Harry confrontara se nem mais nem menos do_que com o próprio Lord_Voldemort . Voldemort podia ter arruinado o seu ego inicial mas continuava a espalhar o terror , ainda astuto , ainda determinado a recuperar o poder . Harry escapara uma segunda vez a as suas garras mas fora por um triz e mesmo agora , algumas semanas decorridas , acordava de noite encharcado em suores frios , perguntando se onde estaria Voldemort , relembrando o seu rosto lívido , os seus olhos completamente loucos ... Harry sentou se subitamente , direito como um fuso , em o banco de o jardim . Tinha estado a olhar distraído para a sebe e a sebe estava a olhar para ele . Dois enormes olhos verdes surgiram por_entre a folhagem . Harry pôs se de pé ao_mesmo_tempo que uma voz sobrevoava a relva . - Eu sei que dia é hoje - cantarolava Dudley , bamboleando se enquanto se aproximava . Os olhos enormes piscaram e desapareceram . - O quê ? - perguntou Harry sem retirar os olhos de o lugar para_onde estava a olhar . - Eu sei que dia é hoje - repetiu , chegando junto de ele . - Ainda_bem - disse Harry . - Aprendeste finalmente os dias de a semana . - Hoje é o dia de os teus anos - troçou o Dudley . - Por_que é_que não recebeste nenhuma carta ? Não tens amigos em esse lugar esquisito ? - É melhor não deixares a tua mãe ouvir te falar de a minha escola - disse Harry calmamente . Dudley puxou para_cima as calças que estavam a escorregar lhe por o rabo gordo abaixo . - Porque estás a olhar para a sebe . ; - perguntou curioso . - Estou a pensar em as palavras que deverei pronunciar para lhe pegar fogo - disse Harry . Dudley recuou de imediato com um olhar de pânico em a cara rechonchuda . - Tu não p-p-odes , o pai disse que não podias fazer magia ou corria contigo aqui de casa e não tens mais nenhum lugar para_onde ir , não tens amigos que te convidem ... - * _ Jiggery pokery * ! - disse Harry com voz firme . - * _ Hocus pocus ... squiggly wiggly * ... - Maaaaaãe - gritou Dudley , tropeçando em os pés , enquanto se precipitava para dentro_de casa . Maaaãe , ele vai fazer aquela coisa ! Harry deu graças a os céus por aquele momento de gozo . Como não aconteceu nada de mal nem a o Dudley nem a a sebe , a tia Petúnia percebeu que ele não fizera magia nenhuma mas , mesmo_assim , Harry teve de se afastar quando ela lhe deu uma forte pancada em a cabeça com a frigideira cheia de detergente . A seguir distribuiu lhe trabalho e o castigo de só voltar a comer quando tivesse acabado tudo . Enquanto Dudley andava a flanar , olhando para o ar e comendo gelados , Harry limpou as janelas , lavou o carro , aparou a relva , adubou os canteiros , podou e regou as rosas e pintou de_novo o banco de o jardim . O sol ardia lá em cima , queimando lhe a parte de trás de o pescoço . Harry sabia que não devia ter provocado Dudley mas ele dissera precisamente aquilo que ele próprio pensava ... talvez não tivesse amigos em Hogwarts . Deviam ver agora o famoso Harry_Potter , pensou amargamente enquanto espalhava adubo em os canteiros , as costas a doerem lhe e o suor a escorrer lhe por o rosto . Eram sete_e_meia_da_tarde quando , por fim , exausto , ouviu a tia Petúnia a chamá o . - Anda para dentro e passa por cima de os jornais . Harry entrou satisfeito em a sombra de a cozinha que rebrilhava . Sobre o frigorífico estava o bolo de a noite : um enorme monte de crome batido coberto de violetas de açúcar . A carne de porco assava em o forno . - Come depressa , os Mason devem estar a chegar ! - exclamou bruscamente a tia Petúnia , apontando para duas fatias de pão e uma de queijo que estavam em cima de a mesa de a cozinha . Ela já tinha posto um vestido de * cocktail * cor de salmão . Harry lavou as mãos e comeu aquele triste jantar . Mal tinha terminado , a tia Petúnia tirou lhe o prato . - Lá para_cima , rápido ! A o passar por a porta de a sala , Harry vislumbrou o tio Vernon e Dudley de casaco e gravata . Tinha acabado de chegar a o cimo de as escadas quando a campainha de a porta tocou e a cara de o tio Vernon apareceu em o patamar . - Lembra te , rapaz , um ruído que seja ... Harry entrou em o quarto em bicos de pés , fechou a porta e preparou se para se meter em a cama . O problema é_que estava lá alguém sentado . II_O aviso de Dobby_Harry conseguiu não gritar , mas foi por_pouco . A pequena criatura que estava em a cama tinha umas orelhas grandes e largas e uns olhos verdes protuberantes de o tamanho de bolas de ténis . Harry percebeu imediatamente que fora para ele que tinha estado a olhar de manhã . Enquanto olhavam um para o outro , Harry ouviu a voz de Dudley em o * hall * . - Posso guardar os vossos casacos , Mr. e Mrs._Mason ? A criatura escorregou por a cama e curvou se tanto que a ponta de o seu enorme nariz tocou em o tapete . Harry reparou que ele tinha vestido uma espécie de fronha de almofada com buracos para os braços e pernas . - Er ... Olá - disse Harry , um_pouco nervoso . - Harry_Potter ! - exclamou a criatura em uma voz tão estridente que Harry calculou que poderia ouvir se lá em baixo . - Há tanto tempo que Dobby queria conhecê o , senhor . É uma enorme honra ... - Ob-obrigado - disse Harry , deslocando se a o longo de a parede e sentando se em a cadeira de a secretária , junto de Hedwig que dormia em a sua grande gaiola . Queria perguntar lhe « O que és tu ? » , mas pensou que seria má educação , por isso perguntou : - Quem és tu ? - Dobby , senhor . Apenas Dobby , o elfo de casa - afirmou a criatura . - Oh ! A sério ? - perguntou Harry . - Não quero ser mal-educado , mas esta não é a melhor altura para ter um elfo em o meu quarto . O riso falso de a tia Petúnia ouvia se em a sala de jantar . O elfo deixou cair a cabeça . - Não que eu não me sinta feliz por te conhecer - disse Harry rapidamente - mas , er ... estás aqui por algum motivo em especial ? - Oh , sim senhor - disse Dobby muito a sério . - Dobby veio dizer lhe que ... é difícil ... Dobby não sabe por_onde começar ... - Senta te - disse Harry educadamente , apontando lhe a cama . Para seu horror , o elfo debulhou se em lágrimas bastante ruidosas . -- S-senta-te ! - repetiu . - Nunca em toda_a minha vida ... Harry pareceu lhe ouvir as vozes lá em baixo vacilarem . - Desculpa - murmurou . - Eu não queria ofender te ... - Ofender Dobby ! - exclamou o elfo em um sufoco . - Nunca nenhum feiticeiro disse a o Dobby que se sentasse como um seu igual , senhor . Harry , tentando dizer lhe « Sch ... » e confortá o ao_mesmo_tempo , conduziu Dobby de_novo até a a cama onde ele se sentou a soluçar , parecendo uma grande boneca muito feia . Por fim , conseguiu controlar se e ficou quieto , com os seus grandes olhos fixos em Harry em uma expressão de absoluta adoração . - Não deves ter conhecido muitos feiticeiros sérios - disse lhe , tentando animá o . Dobby abanou a cabeça . Em seguida , sem qualquer aviso , saltou e começou a bater furiosamente com a cabeça em a janela , gritando : - Dobby é mau ! Dobby é mau ! - Pára , o que é_que estás a fazer ? - perguntou Harry em um murmúrio sibilante , dando um salto e puxando Dobby de_novo para a cama . Hedwig acordara com um pio particularmente agudo e batia agressivamente com as asas contra as grades de a gaiola . - Dobby tinha que se castigar , meu senhor - afirmou o elfo , que ficara ligeiramente estrábico . - Dobby quase falou mal de a família de ele ... - De a tua família ? - De a família de feiticeiros que Dobby serve , meu senhor ... O Dobby é um elfo de casa , obrigado a servir uma casa e uma família para sempre . - Eles sabem que estás aqui ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Dobby estremeceu . - Oh , não senhor , não ... Dobby vai ter que se castigar muito por ter vindo vê o . Dobby vai ter que entalar as orelhas em a porta de o forno por isto . Se eles soubessem , senhor ... - Mas achas que eles não vão reparar se tu entalares as orelhas em a porta de o forno ? - Dobby duvida , senhor . Dobby está sempre a ter de se castigar por qualquer coisa . Eles deixam que o Dobby se castigue . _ às_vezes até sugerem alguns castigos extra . - Mas por_que é_que não te vais embora , não foges ? - Um elfo de casa tem de ser libertado , senhor . E a família nunca libertará Dobby . Dobby servirá a família até morrer . Harry olhou para ele . - E eu que pensava que era infeliz por ter de ficar aqui mais quatro semanas - declarou . - Isto faz os Dursleys parecerem quase humanos . Será que ninguém te pode ajudar ? Poderei eu ? Em o mesmo momento , Harry desejou não ter aberto a boca . Dobby desfez se em ruidosos soluços de gratidão . - Por favor - murmurou Harry , inquieto . - Por favor , está calado . Se os Dursleys ouvem barulho , se eles sabem que estás aqui ... - Harry_Potter pergunta se pode ajudar Dobby . Dobby ouviu falar de a sua grandeza , mas de a sua bondade , Dobby nada sabia . Harry , que se sentia corar , disse : - Seja o que for que tenhas ouvido sobre a minha grandeza , é um disparate . Nem_sequer sou o melhor de o meu ano em Hogwarts . É a Hermione . Ela ... Mas calou se rapidamente porque pensar em Hermione era lhe doloroso . - Harry_Potter é humilde e modesto - disse Dobby reverentemente , com os seus olhos de globo avermelhados . - Harry_Potter não fala de a sua vitória sobre « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . - Voldemort ? - perguntou Harry . Dobby bateu com as mãos em as enormes orelhas e gemeu : - Ai não diga o nome , senhor . Não diga o nome ! - Desculpa - disse Harry muito depressa . - Eu sei que muita gente não gosta . O meu amigo Ron ... Calou se de_novo . Pensar em o Ron era igualmente doloroso . Dobby voltou para Harry os seus dois olhos grandes como candeeiros . - Dobby ouviu dizer - balbuciou com voz rouca - que Harry_Potter encontrou o Senhor_do_Mal uma segunda vez há poucas semanas atrás ... que Harry_Potter lhe escapou de_novo . Harry acenou e os olhos de Dobby encheram se de lágrimas . - Ah , senhor - disse em um sobressalto , limpando o rosto com a ponta de a fronha de almofada que tinha vestida . - Harry_Potter é valente e arrojado . Enfrentou tantos perigos ! Mas Dobby veio protegê o , avisar Harry_Potter , mesmo_que para isso tenha de entalar as orelhas em a porta de o forno , que Harry_Potter não deve voltar para Hogwarts . Houve um silêncio apenas quebrado por o ruído de os garfos e de as facas lá em baixo e por a voz distante de o tio Vernon . - O q-q-uê ? - gaguejou Harry . - Mas eu tenho de voltar , o ano começa em o dia um de Setembro . É a minha razão de viver . Tu não sabes como são as coisas aqui . Eu não pertenço a este lugar , o meu lugar é em Hogwarts . - Não , não , não - guinchou Dobby , sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas andavam de um lado para o outro . - Harry_Potter deve ficar aqui , onde se encontra a salvo . É demasiado grande , demasiado bom para se perder . Se Harry_Potter regressar a Hogwarts correrá perigo de vida . - Porquê ? - inquiriu Harry , surpreendido . - Há uma conspiração , Harry_Potter . Uma conspiração para fazer acontecer coisas terríveis este ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts - murmurou Dobby que começara a tremer de a cabeça a os pés . - Dobby sabe de isto há meses , senhor . Harry_Potter não deve expor se a o perigo . É demasiado importante . - Que coisas terríveis são essas ? - perguntou Harry sem perder tempo . - Quem está por detrás ? Dobby fez um ruído esquisito e começou a bater com a cabeça contra a parede como um louco . - Está bem - gritou Harry , agarrando o braço de o elfo para o fazer parar . - Não podes dizer , eu compreendo . Mas porque vieste avisar me ? - Um pensamento súbito e desagradável surgiu lhe . - Espera aí , isto tem alguma coisa que ver com o Vol , desculpa com o Quem nós sabemos ? Basta que faças sim ou não com a cabeça - acrescentou com vivacidade enquanto a cabeça de Dobby se inclinava de_novo a uma velocidade preocupante para a parede . Lentamente , Dobby abanou a cabeça . - Não , não é « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . Os olhos de Dobby estavam abertos como_se estivesse a tentar dar a Harry uma pista , mas Harry estava completamente a a nora . - Ele não tem nenhum irmão , ou tem ? Dobby abanou a cabeça , os olhos mais abertos do_que nunca . - Bem , em esse caso não estou a ver quem mais poderia ter a possibilidade de fazer acontecer coisas horríveis em Hogwarts - disse Harry . - Quero dizer , para já está lá o Dumbledore . Sabes quem é Dumbledore , não sabes ? Dobby baixou a cabeça . - Albus_Dumbledore é o melhor director que Hogwarts alguma vez teve . Dobby sabe , senhor . Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore rivalizam com os d'aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Mas , senhor - a voz de Dobby desceu a um urgente murmúrio - há poderes que Dumbledore não ... poderes que nenhum feiticeiro sério ... E antes que Harry conseguisse impedi o Dobby saltou de a cama , agarrou o candeeiro de secretária de Harry e começou a bater com a cabeça , dando uivos ensurdecedores . Fez se silêncio lá em baixo . Dois segundos mais tarde , Harry com o coração a bater como um louco , ouviu o tio Vernon chegar a o * hall * e dizer . - O Dudley deve ter deixado outra_vez a televisão ligada , o maroto ! - Depressa , para dentro de o guarda-fatos - gritou Harry , empurrando Dobby bem para o fundo , fechando a porta e metendo se a correr em a cama mesmo a_tempo_de ver a maçaneta de a porta a girar . - Que diabo estás tu a fazer ? - disse o tio Vernon entre dentes , o rosto assustadoramente próximo de o de Harry . - Acabas de estragar o ponto alto de a minha anedota de o golfista japonês . Eu que oiça mais um som e vais desejar nunca ter nascido , rapaz ! Abandonou o quarto com grandes passadas . A tremer , Harry deixou Dobby sair de o guarda-fatos . - Estás a ver como são as coisas por aqui ? - disse . - Vês porque tenho de voltar para Hogwarts ? É o único sítio onde eu tenho ... bem , onde eu acho que tenho amigos . - Amigos que nem_sequer escrevem a Harry_Potter ? - disse Dobby com ar manhoso . - Calculo que devem ter estado ... espera aí - disse Harry , franzindo a testa . - Como é_que tu sabes que os meus amigos não me têm escrito ? Dobby arrastou os pés . - Harry_Potter não deve zangar se com Dobby . Dobby fez o que achou melhor ... - Tu tens estado a interceptar me as cartas ? - Dobby tem as aqui , senhor - disse o elfo . Saltando para longe de o alcance de Harry , retirou de dentro de a fronha que usava um espesso saco cheio de envelopes . Harry reconheceu de imediato a caligrafia certinha de Hermione , a escrita desordenada de Ron e até uns gatafunhos que pareciam ser de o guarda de os campos de Hogwarts , Hagrid . Dobby piscava ansiosamente os olhos . - Harry_Potter não deve ficar zangado ... Dobby esperava que ... se Harry_Potter pensasse que os amigos o tinham esquecido ... Harry_Potter talvez não quisesse voltar a a escola , senhor . Harry não o ouvia . Fez um gesto para agarrar as cartas , mas Dobby deu um salto , afastando se . - Harry_Potter terá as cartas , senhor , se der a Dobby a sua palavra de não voltar a Hogwarts . Ah , senhor , é um risco que não deve correr . Diga que não volta , senhor ! - Não - afirmou Harry zangado . - Dá me as cartas de os meus amigos ! - Em esse caso , Harry_Potter deixa Dobby sem escolha - disse o elfo tristemente . Antes que Harry pudesse fazer um movimento , Dobby tinha aberto a porta de o quarto e descido a correr por as escadas abaixo . Com a boca seca e um aperto em o estômago , Harry correu atrás de ele , tentando não fazer barulho . Saltou os últimos seis degraus , aterrando como um gato em a carpete de o * hall * , olhando em volta a a procura de Dobby . De a sala de jantar , ouviu a voz de o tio Vernon : - Conte a a Petúnia aquela história engraçadíssima de os funileiros americanos , ela tem estado louca por ouvi a , Mr._Mason . Harry correu de o * hall * para a cozinha e sentiu o estômago ficar pequenino . O pudim , que era a a obra-prima de a tia Petúnia , a montanha de creme batido coberto de violetas de açúcar flutuava junto de o tecto . Em cima de o guarda-louça de o canto , Dobby inclinava se servilmente . - Não - suplicou Harry . - Por favor , eles matam me . - Harry_Potter deve dizer que não vai voltar a a escola ... - Dobby , por favor . - Diga , senhor . - Não posso . Dobby lançou lhe um olhar trágico . - Então , Dobby deve fazê o , senhor , para o bem de Harry_Potter . O pudim foi direito a o chão em uma queda que parecia um coração a parar . O crome esguichou para as janelas e para as paredes , enquanto o prato se despedaçava . Com o ruído de uma chicotada , Dobby desapareceu . Ouviram se gritos em a casa de jantar e o tio Vernon irrompeu por a cozinha onde foi dar com Harry coberto , de a cabeça a os pés , por o pudim de a tia Petúnia . A princípio parecia que o tio Vernon ia conseguir arranjar uma desculpa para aquilo tudo . ( É só o nosso sobrinho , muito perturbado ; conhecer pessoas estranhas deixa o muito nervoso , por isso deixamos o lá em cima ... ) Conduziu_os_Mason , bastante chocados , para a sala de jantar , garantindo a Harry que o esfolava vivo quando os Mason se fossem embora e pôs lhe em as mãos um esfregão . A tia Petúnia descobriu um resto de gelado em o frigorífico e Harry , ainda a tremer , começou a limpar a cozinha . O tio Vernon poderia ainda ter feito o negócio , se não fosse a coruja . Estava a tia Petúnia a circular com uma caixa de After-Eight , quando uma enorme coruja de celeiro fez a sua entrada vertiginosa através de a janela de a casa de jantar , deixando cair uma carta em a cabeça de Mr._Mason e desaparecendo logo_a_seguir . Mrs._Mason gritava como uma carpideira e corria por a casa praguejando contra os lunáticos . Mr._Mason ficou o tempo estritamente necessário para dizer a os Dursleys que a mulher tinha um medo pânico de pássaros de todas_as formas e tamanhos e perguntar lhes se aquela era alguma brincadeira de mau gosto . Harry não saiu de a cozinha , agarrando o esfregão como defesa , enquanto o tio Vernon avançava para ele com um brilho demoníaco em os olhos pequeninos . - Lê isso - ordenou maldosamente . Harry pegou em a carta . Não era a desejar lhe um bom aniversário . * _ Caro_Mr._Potter , * _ Recebermos hoje informações de que um feitiço de suspensão em o ar foi efectuado em sua casa esta noite , a as nove_horas_e_doze_minutos . * _ Como sabe , os feiticeiros menores não estão autorizados a praticar magia fora de a escola e , se efectuar mais um trabalho mágico , será expulso de a nossa escola . ( Decreto_de_Restrições_Razoáveis_para_Feitiçaria_de_Menores , 1875 , parágrafo C. ) * _ Pedimos-lhe também que se lembre que qualquer actividade que possa ser notada por membros alheios a a nossa comunidade ( Muggles ) constitui uma ofensa grave , segundo a secção 13 de a Confederação_Internacional_do_Estatuto_da_Magia_Secreta . * _ Tenha umas boas férias . * Atenciosamente_Mafalda_Hopkirk_Gabinete_da_Utilização_Imprópria_da_Magia_Ministério_da_Magia * . Harry olhou para a carta e engoliu em seco . - Tu não nos contaste que estavas proibido de usar magia fora de a escola - disse o tio Vernon com um brilho maldoso a dançar lhe em os olhos . - Esqueceste te de o mencionar , passou te , não foi ? Tinha se aproximado de Harry como um grande * bulldog * , com todos os dentes a a mostra . - Tenho boas notícias para ti , rapaz , vou fechar te a a chave e , se tentares sair através_de magia , nunca mais voltas a aquela escola , eles expulsam te . E rindo como um louco , arrastou Harry até a o andar de cima . O tio Vernon era mau como as cobras . Em a manhã seguinte pagou a um homem para colocar grades em a janela de o quarto de Harry . Ele próprio abriu um pequeno buraco em a porta de o quarto para que a comida pudesse ser introduzida três vezes por dia . Deixavam o Harry sair para ir a a casa_de_banho de manhã e a o final de a tarde . O resto de o tempo estava fechado em o quarto , a a espera que o tempo passasse . Três dias mais tarde , os Dursleys não mostravam qualquer intenção de abrandar o castigo e Harry não sabia como sair de aquela situação . Estava deitado em a cama , vendo o sol brilhar por_entre as grades de a janela e perguntando se tristemente o que viria a acontecer lhe . Qual era a vantagem de sair de ali por artes mágicas , se Hogwarts o expulsaria em seguida ? Contudo , a vida em Privet_Drive tinha atingido o seu nível mais baixo . Agora_que os Dursleys tinham a certeza que não iam acordar transformados em morcegos , ele perdera a única arma que tinha . O Dobby podia tê o salvo de acontecimentos terríveis em Hogwarts , mas de a maneira que as coisas estavam , ele morreria muito provavelmente a a fome . A portinhola rangeu e a mão de a tia Petúnia apareceu empurrando uma tigela de sopa de pacote para dentro de o quarto . Harry , que estava cheio de fome , saltou de a cama e agarrou a . A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um único trago . A seguir , atravessou o quarto até a a gaiola de Hedwig e pôs os legumes ensopados dentro de o seu pratinho vazio . Ela agitou as penas e olhou o com profunda repugnância . - Não vale de nada virares lhe as costas . É tudo_o_que temos - disse Harry , de modo severo . Colocou a tigela vazia em o chão junto de a portinhola e voltou para_cima de a cama , de certo modo com mais fome do_que antes de ter comido a sopa . Admitindo que estaria ainda vivo dentro_de quatro semanas o que aconteceria se ele não se apresentasse em Hogwarts ? Será que mandariam alguém obrigar os Dursleys a deixá o ir ? O quarto começava a escurecer . Exausto e com o estômago a dar horas , o cérebro a as voltas com as mesmas questões sem resposta , Harry caiu em um sono intranquilo . Sonhou que fazia parte de um espectáculo de o jardim zoológico . Preso a a jaula onde se encontrava estava um cartaz onde podia ler se « feiticeiro menor de idade « . As pessoas olhavam o com olhos protuberantes , enquanto ele jazia fraco e esfomeado em um leito de palha . Viu a cara de o Dobby em o meio de a multidão e gritou lhe , pedindo ajuda , mas o Dobby respondeu : - Harry_Potter está em segurança aí , senhor - e desapareceu . Em seguida vieram os Dursleys e Dudley bateu em as grades de a jaula , rindo se de ele . - Pára com isso - murmurou Harry como_se aquele ruído martelasse em a sua cabeça dorida . - Deixa me em paz , pára com isso , estou a tentar dormir . Abriu os olhos . O luar brilhava através de as grades de a janela . E lá fora alguém olhava de olhos arregalados para ele : alguém de rosto sardento , cabelo ruivo e nariz grande . Ron_Weasley estava de o lado de_fora de a janela . III « A toca » Ron ! - exclamou Harry , arrastando se até a a janela e empurrando a para poderem falar através de as grades . - Ron , como é_que tu , foi o ... ? Harry ficou de boca aberta , espantado com o que viu . Ron estava debruçado de a janela de trás de um velho automóvel azul-turquesa que se encontrava estacionado em o ar . Em os lugares de a frente , rindo se para Harry , estavam os irmãos mais velhos , os gémeos Fred e George . - Tudo bem , Harry ? - O que é_que se tem passado ? - perguntou o Ron . - Porque não respondeste a as minhas cartas ? Convidei te para vires ter comigo umas doze vezes e um dia o pai chegou a casa e comunicou nos que tu tinhas recebido um aviso oficial por usares magia diante de os Muggles ... - Não fui eu . E como é_que ele soube ? - Ele trabalha em o Ministério - disse o Ron . - Tu sabes que nós não podemos fazer feitiços fora de a escola . - Bem , isso vindo de ti ... - exclamou Harry , olhando para o carro flutuante . - Oh , isto não conta - disse Ron . - Foi o meu pai que o emprestou . Não o fizemos aparecer por magia . Mas usar magia em a frente de esses Muggles com quem tu vives ... - Já te disse que não fui eu , mas vai demorar muito_tempo a explicar te isso agora . És capaz de avisar em Hogwarts que os Dursleys me fecharam a a chave e que não querem deixar me voltar e obviamente eu não posso sair de aqui magicamente senão o Ministério vai achar que é a segunda vez em três dias e ... - Pára com essa conversa tola - disse o Ron . - Viemos para te levar connosco . - Mas tu também não podes tirar me de aqui utilizando processos mágicos ... - Não precisamos de isso - afirmou Ron , fazendo um sinal de cabeça para os lugares de a frente . - Esqueces te de quem está aqui comigo . - Amarra isso em volta de as grades - disse o Fred , lançando a Harry a ponta de uma corda . - Se os Dursleys acordam estou feito - lamentou se Harry enquanto dava um nó bem apertado com a corda em uma de as grades e o Fred arrancava com o carro . - Não te preocupes e chega te para trás . Harry recuou para a sombra , para junto de Hedwig que parecia ter se apercebido de a importância de tudo aquilo , mantendo se quieta e em silêncio . O carro puxou mais e mais e , subitamente , com um ruído de ferro a ceder , as grades foram arrancadas de a janela , enquanto Fred conduzia com o céu como estrada . Harry correu de_novo para a janela para ver as grades a balouçarem a poucos metros de o chão . Ofegante , Ron içou as para dentro de o carro . Harry escutou ansiosamente mas não vinha qualquer som de o quarto de os Dursleys . Quando as grades estavam em segurança em os lugares de trás junto de Ron , Fred aproximou se o_máximo que lhe foi possível de a janela . - Anda de aí - disse . - Mas , todas_as minhas coisas de Hogwarts , a minha varinha , a minha vassoura ... - Onde estão ? - Fechadas em a despensa debaixo de as escadas e eu não posso sair de este quarto . . - Não há azar - disse o George . - Sai de a frente , Harry . Fred e George treparam cautelosamente e entraram por a janela em o quarto de Harry . Tinhas que ter aberto a boca , pensou Harry enquanto George tirava de o bolso um vulgar gancho de cabelo e começava a tentar abrir a fechadura . - Muitos feiticeiros acham que é uma perda de tempo aprender os truques de os Muggles - disse o Fred . - Mas nós pensamos que há habilidades que é sempre útil conhecer apesar_de serem um_pouco lentas . Ouviu se um pequeno clique e a porta abriu se . - Pronto , vamos buscar as tuas coisas . Tu vai dando a o Ron aquilo que precisas de aí de o teu quarto - murmurou George . - Cuidado com o degrau de cima que range - sussurrou Harry enquanto os gémeos desapareciam em o escuro . Harry deu a volta a o quarto , recolhendo as suas coisas e passando as por a janela a o Ron . Em seguida , foi ajudar o Fred e o George a trazerem o resto por as escadas acima . Ouviu o tio Vernon tossir . Por fim , de língua de_fora , chegaram a o quarto , junto de a janela aberta . Fred trepou para o carro para puxar os volumes com o Ron enquanto Harry e George os empurravam de dentro de o quarto . Centímetro a centímetro o malão foi passando por a janela . O tio Vernon tossiu de_novo . - Mais um_pouco - disse o Fred que estava a puxar de dentro de o carro . Um bom empurrão , vá . Harry e George encostaram os ombros contra a mala e ela escorregou para a parte de trás de o carro . - O. _ K. , vamos embora - murmurou o George . Mas quando Harry trepava para o parapeito de a janela ouviu se um forte pio atrás de ele , imediatamente seguido de o vociferar de o tio Vernon . - Aquela maldita coruja ! - Esqueci me de a Hedwig ! Harry precipitou se de_novo para o quarto , enquanto a luz de o patamar se acendia . Agarrou a gaiola de Hedwig , correu para a janela e passou a a o Ron . Estava a subir para_cima de a cómoda quando o tio Vernon bateu em a porta , que não estava fechada , e esta se abriu completamente . Por uma fracção de segundo , o tio Vernon ficou estático junto de a porta . Em seguida , soltou um mugido como um boi zangado e avançou para Harry , agarrando o por o tornozelo . Ron , Fred e George seguraram o por os braços e puxaram o com toda_a força . - Petúnia - rosnou o tio Vernon . - Ele está a fugir ! : __ ele está a __ fugir ! Os Weasleys deram um puxão gigantesco e a perna de o Harry escapou a as garras de o tio Vernon . Logo_que Harry entrou em o carro e a porta se fechou , Ron gritou : - Acelera Fred ! - E o carro partiu subitamente em direcção a a lua . Harry mal podia acreditar que estava livre . Esticou se a a janela , o ar de a noite a fustigar lhe os cabelos e olhou para baixo , para os telhados apertados de Privet_Drive . O tio Vernon , a tia Petúnia e o Dudley estavam todos debruçados com cara de parvos , a a janela de o quarto de ele . - Até a o próximo Verão - gritou . Os Weasleys riam se a as gargalhadas e Harry esticou se para trás em o assento e pediu a o ouvido de Ron : - Deixa sair a Hedwig . Ela pode voar atrás_de nós . Há séculos que não tem uma oportunidade de esticar as asas . George passou a o Ron o gancho de cabelo e , um momento depois , a Hedwig saíra feliz por a janela , planando atrás de eles como um fantasma . - Então , qual é a história ? - perguntou Ron , impaciente . - O que é_que tem estado a acontecer ? Harry contou lhes tudo sobre o Dobby , o aviso de este e o fracasso de o pudim de violetas . Houve um longo silêncio quando ele se calou . - Isso cheira me a esturro - disse , por fim , o Fred . - Definitivamente misterioso - concordou George . - Então ele nem te disse quem está supostamente por detrás dessa trama toda ? - Acho que não podia - explicou Harry . - Já te disse , de cada_vez que estava quase a deixar escapar qualquer coisa , começava a bater com a cabeça em a parede . Viu Fred e George olharem um para o outro . - O quê ? Acham que ele estava a mentir me ? - perguntou Harry . - Bem - começou o Fred -- , coloquemos as coisas de o seguinte modo , os elfos de casa têm poderes mágicos próprios , mas geralmente não podem usá os sem a autorização de os seus donos . Eu acho que o bom de o Dobby foi enviado para evitar que voltasses para Hogwarts . Uma ideia de um engraçadinho . Haverá alguém em a escola com má vontade contra ti ? - Sim - responderam Harry e Ron , precisamente ao_mesmo_tempo . - Draco_Malfoy - explicou Harry . - Ele detesta me . - Draco_Malfoy ? - perguntou George , voltando se para trás . - O filho de o Lucius_Malfoy ? - Deve ser . Não é um nome muito vulgar , pois não ? - disse Harry . - Mas porquê ? - Ouvi o pai falar acerca de ele - confidenciou George . - Ele era um grande apoiante de o « Quem nós sabemos » . - E quando o « Quem nós sabemos » desapareceu - continuou o Fred , voltando a cara para olhar para Harry - o Lucius_Malfoy voltou , dizendo que não foi por vontade própria que fez o que fez . Monte de lixo . O pai acha que ele fazia parte de um círculo de amigos íntimos de o « Quem nós sabemos » . Harry já tinha ouvido esses boatos sobre a família de Malfoy e não o surpreenderam em absoluto . Malfoy fizera Dudley_Dursley parecer um rapazinho simpático , amável e sensível . - Não sei se os Malfoy têm um elfo de casa ... - afirmou Harry . - Bem , quem quer que o possua é sem dúvida uma antiga família de feiticeiros e deve ser rica - explicou Fred . - Sim . A mãe está sempre a desejar que pudéssemos ter um elfo de casa para passar a roupa a ferro - disse o George . - Mas só temos um velho vampiro piolhoso em o sótão e gnomos espalhados por o jardim . Os elfos de casa pertencem a as grandes casas senhoriais , a os castelos e lugares assim , não encontrarias um em a nossa casa ... Harry estava calado . Considerando que Draco_Malfoy tinha sempre as melhores coisas , que a sua família nadava em ouro de feiticeiros , era fácil imaginá o passeando se por uma enorme casa senhorial . Mandar o servo de a família evitar que Harry voltasse para Hogwarts também parecia exactamente o tipo de coisa que Malfoy poderia fazer . Teria Harry sido estúpido a o tomar Dobby a sério ? - De qualquer modo , ainda_bem que viemos buscar te - declarou Ron . - Eu começava a ficar seriamente preocupado por não responderes a nenhuma de as minhas cartas . A princípio pensei que a culpa fosse de a Errol ... - Quem é a Errol ? - A nossa coruja . Já é velhota . Não seria a primeira vez que adoecia durante uma entrega . Por isso , tentei pedir a Hermes emprestada ... - Quem ? - A coruja que os meus pais compraram a o Percy quando ele foi nomeado prefeito - respondeu Fred . - Mas o Percy não me a emprestou . Disse que precisava de ela . - O Percy tem andado com atitudes muito estranhas este Verão - comentou George franzindo a testa . - E tem mandado imensas cartas e passado um tempo infinito fechado em o quarto ... enfim , pode limpar se e polir um distintivo de prefeito todas_as vezes que se quiser ... Estás a conduzir demasiado para ocidente , Fred - acrescentou apontando para uma bússola em o painel de o automóvel . Fred girou o volante . - Então , o vosso pai sabe que têm o carro ? - perguntou Harry , quase adivinhando a resposta . - Er ... não - disse o Ron . - Ele tinha trabalho esta noite . Felizmente vamos poder pô o de_novo em a garagem , sem a mãe perceber que andámos a voar nele . - A propósito , o que faz o vosso pai em o Ministério_da_Magia ? - Trabalha em o Departamento mais chato - respondeu Ron . - A Divisão de utilização incorrecta de artefactos de os Muggles . - O quê ? - Relaciona se com objectos de feitiçaria que foram feitos por os Muggles ; sabes como é , se forem parar de_novo a uma loja de os Muggles , ou a uma casa , como em o ano passado , quando morreu uma bruxa velha e o bule de ela foi vendido a uma loja de antiguidades . Uma mulher Muggle comprou o , tentou servir chá a os amigos . Foi um pesadelo , o pai teve de fazer horas extraordinárias durante semanas . - O que é_que aconteceu ? - O bule parecia louco , esguichou chá a ferver para todos os lados e um de os homens foi parar a o hospital com a pinça de o açúcar presa em o nariz . O pai ficou nervosíssimo . É só ele e o velho feiticeiro Perkings em o gabinete e tiveram de localizar e descobrir todo o tipo de encantamentos para resolver o assunto . - Mas o teu pai ... este carro ... Fred riu se . - Sim , o pai é louco por tudo_o_que tem que ver com os Muggles . A nossa arrecadação está cheia de coisas de os Muggles . Ele separa as , lança lhes feitiços e volta a pô as em o lugar . Se ele fizesse uma busca a nossa casa teria de se prender a si mesmo . A minha mãe fica louca com tudo aquilo . - É a estrada principal - gritou o George , apontando para baixo através de a janela . - Dentro_de poucos minutos estamos lá , mesmo a tempo , está a começar a clarear . Um leve brilho rosado tingia o horizonte para leste . Fred trouxe o carro para baixo e Harry pôde ver uma manta de retalhos de campos escuros e matas de arbustos . - Estamos um_pouco longe de a vila - disse George . - Em Ottery_St . Catchpole ... O carro voador foi descendo a os poucos . A luz avermelhada brilhava agora por_entre as árvores . - Terra - disse o Fred , em o momento em que tocaram em o chão com um ligeiro solavanco . Tinham aterrado perto_de uma garagem em ruínas em um pequeno pátio e Harry viu pela_primeira_vez a casa de o Ron . Parecia ter sido em tempos uma pocilga de pedra . Mas os quartos que posteriormente lhe tinham sido acrescentados haviam a tornado bastante mais alta e o seu aspecto era tão curvado que parecia ter sido construída por artes mágicas ( o que , pensou Harry , era , muito provavelmente , verdade ) . De o telhado vermelho saíam quatro ou cinco chaminés . Junto de a entrada , fixa em o chão , podia ver se uma inscrição assimétrica que dizia « A toca » . A o lado de a porta principal estava uma contusão de botas de * _ Wellington * e um caldeirão completamente enferrujado . Por o pátio passeavam se várias galinhas castanhas e gordas . - Não é grande coisa - desculpou se o Ron . - É óptima - exclamou Harry , feliz , pensando em Privet_Drive . Saíram de o carro . - Agora vamos lá para_cima sem fazer barulho - disse o Fred . - E esperamos que a mãe nos chame para o pequeno-almoço . Depois tu , Ron , desces a escada entusiasmadíssimo . - Mãe , olha quem apareceu cá durante a noite ! - E ela vai sentir se felicíssima quando vir o Harry . Assim ninguém fica a saber que levámos o carro voador . - Certo - disse o Ron . - Vamos , Harry , eu durmo em o ... Ron ganhou uma cor de um pálido esverdeado , os olhos fixos em a casa . Os outros três fizeram meia volta . Mrs._Weasley avançava por o pátio , afugentando as galinhas e , para uma mulher baixa , roliça e simpática , era fantástico como conseguia parecer se com um tigre dentes-de-sabre . - Ah ! - suspirou o Fred . - Oh , oh ! - exclamou o George . Mrs._Weasley parou em frente de eles . As mãos em as ancas , saltando de um olhar culpado para o outro . Usava um avental a as flores , com uma varinha a sair lhe de o bolso . - Com que então - disse . - Bom dia , mãe - arriscou o George com uma voz que tentou que fosse alegre e bem-disposta . - Vocês têm alguma ideia de como tenho estado preocupada ? - perguntou Mrs._Weasley em um murmúrio fraco . - Desculpe , mãe , mas sabe , nós tivemos que ... Os três filhos de Mrs._Weasley eram mais altos do_que ela , mas tremiam quando a fúria de a mãe se abatia sobre eles . - Camas vazias ! Nem um bilhete ! O carro desaparecido ... Podiam ter tido um acidente , estou fora de mim com tanta preocupação e vocês nem se importam ... nunca , enquanto eu for viva ... esperem só até o vosso pai chegar , nunca tivemos problemas de estes com o Bill , com o Charlie ou com o Percy ... - O perfeito Percy - resmungou Fred . - : __ tu não vales um dedo de a mão de o __ percy ! - gritou Mrs._Weasley , espetando um dedo em o queixo de o Fred . - Podias ter morrido , podias ter sido visto , podias ter feito com que o teu pai perdesse o emprego ... Parecia nunca mais acabar . Mrs._Weasley tinha gritado até ficar ronca , antes de se voltar para o Harry , que recuou . - Estou muito contente por te ver , Harry - disse . - Entra e vem tomar o pequeno-almoço . Ela voltou se e regressou a casa e Harry , depois de trocar um olhar nervoso com o Ron , que lhe acenou , encorajando o , seguiu a . A cozinha era pequena e bastante estreita . A meio havia uma enfezada mesa de madeira e cadeiras em volta e Harry sentou se a a beirinha de o assento , olhando em volta . Era a primeira vez que entrava em uma casa de feiticeiros . O relógio em a parede em frente de ele , tinha apenas um ponteiro e nenhum número . Em volta , estavam escritas frases como « Hora de fazer o chá » , « Hora de dar de comer a as galinhas « e « Estás atrasado » . Empilhados em o rebordo de a lareira estavam livros com títulos como * _ Encanta o teu próprio queijo , Encantamento em a cozedura de o pão e Banquetes em um minuto - é mágico * ! E , a menos que os ouvidos de Harry estivessem a traí o , o velho rádio próximo de o lava-loiças acabara de anunciar que a seguir vinha a Hora de enfeitiçar com a popular feiticeira-cantora Celestina_Warbeck . Mrs._Weasley fazia barulho com os talheres , preparando o pequeno-almoço um bocado a o acaso , lançando olhares furiosos a os filhos , enquanto lançava as salsichas em a frigideira . De vez em quando murmurava coisas como : « Não sei o que vos passou por a cabeça « ou « nunca devia ter confiado em vocês » . - Eu não te culpo , filho - tranquilizou Harry , pondo lhe sete ou oito salsichas em o prato . - Eu e o Arthur temos estado preocupados contigo . Ainda ontem a a noite estivemos a dizer que te iríamos buscar nós próprios se não respondesses a o Ron até sexta-feira . Mas , em a verdade ( estava agora a acrescentar três ovos estrelados a o prato de ele ) , atravessar metade de o país a voar em um carro ilegal , qualquer um vos poderia ter visto ... Agitou maquinalmente a varinha em a direcção de o lava-loiças , onde a loiça começou a lavar se sozinha , tinindo baixinho lá atrás . - Estava enevoado , mãe ! - exclamou o Fred . - Boca fechada enquanto comes ! - interrompeu Mrs._Weasley . - Eles estavam a fazê o passar fome , mãe ! - disse o George . - E tu também ! - disse Mrs._Weasley , mas já foi com uma expressão mais doce que começou a cortar o pão para Harry e a barrá o com manteiga . Em esse momento , as atenções voltaram se para um pequenino volto de cabelos ruivos , em uma camisa de dormir até a os pés , que surgiu em a cozinha , deu um grito agudo e desapareceu de_novo . - É a Ginny - disse Ron baixinho a o Harry -- , a minha irmã . Tem falado de ti todo o Verão . - Sim , ela vai querer o teu autógrafo , Harry - riu se o Fred , mas o seu olhar cruzou se com o de a mãe e inclinou se para o prato , não voltando a abrir a boca . Ninguém falou até os quatro pratos estarem limpos , o que sucedeu a uma velocidade surpreendente . - Bolas , estou cansado - bocejou Fred , pousando a faca e o garfo . Acho que me vou deitar e ... - Não vais , não senhor - interrompeu Mrs._Weasley . - A culpa é tua se ficaste toda_a noite acordado . Vais fazer a des-gnomização de o jardim . Eles estão outra_vez a exagerar . - Oh , mãe ... - E vocês os dois o mesmo - dirigiu se a o Ron e a o Fred . - Tu podes ir para a cama , filho - disse a Harry . - Não lhes pediste que guiassem aquele carro miserável . Mas Harry , que se sentia acordadíssimo , respondeu prontamente : - Eu ajudo o Ron , nunca vi uma des-gnomização ... - É muito simpático de a tua parte , querido , mas é um trabalho chato - explicou Mrs._Weasley . - Vejamos o que o Lockhart tem a dizer acerca disto . E puxou de o rebordo de a lareira um livro pesadíssimo . George resmungou : - Mãe , nós sabemos * des-gnomizar * o jardim . Harry olhou para a capa de o livro de Mrs._Weasley . Em grandes letras douradas , que ocupavam grande parte de a capa , podia ler se Guia_de_Gilderoy_Lockhart para pragas caseiras . Via se também a grande fotografia de um feiticeiro bem-parecido , de cabelos loiros ondulados e olhos azuis brilhantes . Como sempre , em o mundo de os feiticeiros , a fotografia mexia se . O feiticeiro , que Harry calculou ser Gilderoy_Lockhart , não parava de lhes piscar os olhos descaradamente . Mrs._Weasley sorriu lhe . - Oh , ele é fantástico - disse . - Conhece bem as pragas caseiras . É um livro maravilhoso . - A mãe adora o - disse Fred em um murmúrio bastante audível . - Não sejas ridículo , Fred - repreendeu Mrs._Weasley com as bochechas coradas . - É claro que se achas que sabes mais do_que o Lockhart , podes ir fazer o trabalho e ai de ti se houver um único gnomo em o jardim quando eu for fazer a inspecção . A bocejar e a resmungar , os Weasley arrastaram se lá para fora com Harry atrás de eles . O jardim era grande e , em a opinião de Harry , exactamente como deveria ser um jardim . Os Dursleys não teriam gostado . Havia uma enorme quantidade de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada , mas havia árvores nodosas em volta de as paredes , plantas que Harry nunca vira , tombando de todos os canteiros e um grande lago verde cheio de rãs . - Os Muggles também têm gnomos de jardim , sabes - disse o Harry a o Ron , enquanto atravessavam a relva . - Sim , já vi essas coisas que eles pensam que são gnomos - disse o Ron todo dobrado , com a cabeça em uma moita de peónias . - Como os Pais_Natais gordinhos com canas de pesca ... Houve um tumulto ruidoso , a moita de peónias estremeceu e Ron endireitou se . - Isto_é um gnomo - declarou com um ar sério . - Larga eu ! Larga eu ! - guinchou o gnomo . Não se parecia em absoluto com o Pai_Natal . Era pequenino e parecia de couro , com uma grande cabeça protuberante e calva , precisamente como uma batata . Ron agarrou o a a distância de um braço , enquanto ele dava pontapés em o ar com os seus pézinhos que pareciam chifres . Agarrou o por os tornozelos e voltou o de pernas para o ar . - Isto_é o que tens de fazer - disse . Levantou o gnomo acima de a cabeça ( Larga eu ! ) e começou a balouçá o em grandes círculos , como os vaqueiros fazem com os laços . A o ver a expressão chocada de Harry , Ron explicou : - Não os mágoa . Só tens de os deixar bem tontos para que consigam encontrar o caminho de regresso a os buracos de os gnomos . Largou os tornozelos de o gnomo . Ele voou seiscentos metros e aterrou com um ruído surdo em o campo a o lado de a sebe . - Deplorável - afirmou o Fred . - Aposto que consigo lançar o meu para_além de aquele tronco . Harry aprendeu rapidamente a não sentir muita pena de os gnomos . Decidira largar o primeiro que apanhou para_além de a sebe , mas o gnomo , sentindo fraqueza , enfiou os seus dentinhos , aguçados como laminas , em o dedo de o Harry e não foi fácil sacudi o para ele o largar , até que ... - Uau , Harry , esse deve ter sido seiscentos metros ... O ar estava subitamente cheio de gnomos voadores . - Vês , eles não são muito espertos - afirmou o George , agarrando cinco ou seis de uma_vez . - Em o momento em que se apercebem que começou a * des-gnomização * , aparecem todos para espreitar . Era de esperar que já tivessem aprendido a ficar quietinhos . Rapidamente a multidão de gnomos começou a ir se embora , atravessando os campos em uma fila ordenada , com os pequeninos ombros arqueados . - Eles voltam - disse o Ron enquanto os via desaparecer em a sebe de o outro lado de o campo . - Eles adoram estar aqui ... o pai é muito mole com eles , acha lhes piada . Em esse momento , a porta de a frente bateu . - Ele já voltou ! - exclamou o George . - O pai já está em casa ! Apressaram se a entrar . Mr._Weasley tinha se afundado em uma de as cadeiras de a cozinha , sem óculos e com os olhos fechados . Era um homem magro , quase calvo , mas o pouco cabelo que tinha era tão ruivo como o de os filhos . Vestia um longo manto verde cheio de pó e estava cansado de a viagem . - Que noite - murmurou , tacteando em busca de o bule , enquanto todos se sentavam a a volta de ele . - Nove assaltos , nove ! E o velho Mundungs_Fletcher tentou lançar me um feitiço quando eu estava de costas . Mr._Weasley tomou um bom gole de chá e suspirou . - Encontrou alguma coisa , pai ? - perguntou Fred ansiosamente . - Só encontrei algumas chaves encolhidas e uma chaleira que mordia - bocejou Mr._Weasley . - Havia um material bastante mauzinho , mas não era de o meu departamento . O Mortlake foi levado para ser interrogado sobre uns furões extremamente antigos , mas isso pertence a a Comissão_dos_Feitiços_Experimentais , graças_a Deus . - Por_que é_que alguém ia dar se a o trabalho de fazer encolher chaves ? - perguntou George . - Para chatear os Muggles - suspirou Mr._Weasley . - Vende se lhes uma chave que não pára de encolher , até que desaparece , de_modo_a que nunca a encontrem quando precisam ... É claro que é muito difícil condenar alguém , porque nenhum Muggle é capaz de admitir que a sua chave está a encolher , insistem em que estão sempre a perdê a . Benditos sejam , vão até onde for preciso para ignorar a magia , mesmo_que ela esteja em frente de os seus narizes ... mas vocês não acreditariam em as coisas que o nosso grupo tem levado para enfeitiçar ... - : __ como carros , por __ exemplo ? Mrs._Weasley tinha aparecido , segurando um grande atiçador que parecia uma espada . Os olhos de Mr._Weasley abriram se de repente , fitando a mulher com um ar culpado . - C-carros , Molly querida ? - Sim , Artur , carros - afirmou Mrs._Weasley , os olhos a faiscar . - Imagina um feiticeiro a comprar um carro velho e enferrujado e dizer a a mulher que a única coisa que queria fazer com ele era desmontá o para ver como ele funcionava , enquanto em a verdade estava a enfeitiçá o para o fazer voar . Mr._Weasley piscou os olhos . - Bem , querida , acho que poderás constatar que não é ilegal fazer isso , embora , er , talvez ele devesse ter contado a verdade a a mulher ... Existe uma forma de tornear a lei , já_que ela diz que ... desde_que não se tenha a * intenção * de voar em o carro , o facto de ele poder voar , não ... - Arthur_Weasley tu arranjaste essa forma de tornear a lei quando a escreveste ! - gritou Mrs._Weasley . - Para poderes continuar a remexer em todo aquele lixo de os Muggles que tens em a arrecadação ! E , para tua informação , o Harry chegou hoje_de_manhã em o carro que tu não pretendias pôr a voar ! - Harry ? - perguntou Mr._Weasley sem expressão . - Qual Harry ? Olhou em volta , viu Harry e deu um salto . - Santo_Deus , é Harry_Potter ? Muito prazer , o Ron falou nos tanto de si ... - * _ O teu filho conduziu aquele carro até a a casa de o Harry e de volta até aqui em a noite passada ! * - gritou Mrs._Weasley . - O que tens a dizer a esse respeito ? - A sério ! ? - exclamou Mr._Weasley com vivacidade . - Correu tudo bem , quero dizer ... - vacilou a o ver os olhos de Mrs._Weasley que faiscavam . - Er , fizeram mal , rapazes , muito mal , mesmo ... - Vamos deixá os a os dois - murmurou o Ron , enquanto Mrs._Weasley inchava como um sapo gigantesco . - Vamos , vou mostrar te o meu quarto . Esgueiraram se de a cozinha e desceram uma passagem estreita que dava para uma escada desnivelada que ziguezagueava a o longo de a casa . Em o terceiro andar , estava uma porta entreaberta . Harry só teve tempo de ver um par de olhos castanhos brilhantes que o olhavam fixamente , antes de a porta se fechar com um estalido . - A Ginny - disse o Ron . - Não imaginas como é estranho vês a tão tímida , ela que quase nunca se cala ... Subiram mais dois andares , até chegarem a uma porta com a tinta a descascar e uma pequena placa dizendo : « Quarto_do_Ronald » . Harry entrou . A cabeça quase tocava em o tecto inclinado . Piscou os olhos . Era como entrar dentro_de uma fornalha : quase tudo em o quarto de o Ron tinha um violento matiz alaranjado : a colcha de a cama , as paredes , até o tecto . Em seguida , apercebeu se de que o Ron tinha coberto cada centímetro de o velho papel de parede com * posters * de as mesmas sete feiticeiras e feiticeiros , todos vestidos com brilhantes mantos cor de laranja , transportando vassouras e acenando entusiasticamente . - A tua equipa de Quidditch ? - perguntou Harry . - Os Chudley_Cannons - disse Ron , apontando para a colcha cor de laranja que tinha um brasão com dois C's gigantes e uma bala de canhão a_toda_a velocidade . - Nono em a Liga . Os livros de estudo de feitiços de Ron estavam empilhados desordenadamente a um canto , junto de um monte de B. _ D. , todas elas relativas a as * _ Aventuras_de_Martin_Miggs , o Muggle louco * . A varinha mágica de o Ron estava em_cima_de um aquário cheio de ovos de rã sobre o peitoril de a janela , junto de o seu rato gordo e cinzento , Scabbers , que dormia uma soneca a o sol . Harry passou por_cima_de um baralho de cartas de jogar com vontade própria , que estava caído em o chão , e olhou para fora de a janelinha . Em o campo , não muito longe , podia ver um grupo de gnomos a esgueirarem se , um a um , de_novo para a sebe de os Weasley . Em seguida , voltou se para Ron que o observava nervoso , como_se esperasse a opinião de ele . - É um_pouco pequeno - declarou o Ron muito depressa . - Não se parece nada com o quarto que tu tinhas em casa de os Muggles . E estou mesmo debaixo de o vampiro de o sótão . Ele anda sempre a bater nos canos e a gemer ... Mas Harry , com um grande sorriso , disse lhe : - Esta é a melhor casa em que eu já estive . As orelhas de Ron ficaram cor-de-rosa . IV_Na_Flourish and Blotts_A vida em a Toca era o mais diferente que é possível de a vida em Privet_Drive . Os Dursleys gostavam de tudo limpo e arrumado , em casa de os Weasleys explodia o estranho e o inesperado . Harry teve um choque de a primeira vez que olhou para o espelho que estava sobre a lareira de a cozinha e ele gritou : - Mete para dentro a camisa , * desmazelado ! * - O vampiro de o sótão gemia e batia nos canos , sempre_que sentia as coisas demasiado calmas e as pequenas explosões em o quarto de o Fred e de o George , eram consideradas perfeitamente normais . Mas o que o Harry achou mais bizarro em a vida em casa de o Ron , não foi o espelho que falava , nem o vampiro barulhento , foi o facto de todos ali em casa parecerem gostar de ele . Mrs._Weasley preocupava se com o estado de as suas meias e tentava obrigá o a servir se quatro vezes a cada refeição . Mr._Weasley gostava que Harry se sentasse a o lado de ele a a mesa para poder bombardeá o com perguntas sobre a vida com os Muggles , pedindo que lhe explicasse como funcionavam coisas como as canalizações e o serviço de os correios . - Fascinante ! - exclamava , enquanto Harry lhe explicava a utilização de o telefone . - Engenhoso , de facto , todas_as maneiras que os Muggles encontraram para passar sem a magia . Harry teve notícias de Hogwarts em uma manhã de sol , cerca de uma semana depois de ter chegado a a Toca . Quando , ele e o Ron desceram para tomar o pequeno-almoço , encontraram Mr. e Mrs._Weasley e Ginny já sentados a a mesa . Em o momento em que viu o Harry , Ginny entornou a tigela de os cereais , que caiu a o chão com grande espalhafato . Ginny entornava facilmente coisas sempre_que o Harry estava em a sala . Mergulhou debaixo de a mesa para apanhar a tigela e emergiu com o rosto a brilhar como o sol poente . Fingindo não ter dado por nada , Harry sentou se e aceitou a torrada que Mrs._Weasley lhe ofereceu . - Cartas de a escola - disse Mr._Weasley , passando a o Harry e a o Ron envelopes idênticos de pergaminho amarelado , com a morada escrita a tinta verde . - O Dumbledore já sabe que estás aqui , Harry , não perde nada aquele homem . Vocês os dois também - acrescentou , enquanto Fred e George deambulavam em a casa , ainda em pijama . Fez se silêncio durante alguns momentos , enquanto liam as respectivas cartas . A de o Harry dizia para apanhar o Expresso_de_Hogwarts , como sempre em a Estação_de_King's_Cross , em o dia_1_de_Setembro . Havia ainda uma lista de os livros que precisaria para o próximo ano . Os alunos de o segundo ano deverão ter : * _ O_Livro_Padrão_de_Feitiços , Grau 2 , por Miranda_Goshawk . * _ Ensinamentos_de_Uma_Fada_Carpideira , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Férias com Bruxas , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Duendes , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Lobisomens , por Gilderoy_Lockhart . * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves , por Gilderoy_Lockhart * . Fred , que terminara a sua própria lista , espreitou para a de o Harry . - Também te mandam comprar os livros de o Lockhart - disse . - A professora de defesa contra as artes negras deve ser fanática . Aposto que é uma bruxa . Nessa_altura , Fred percebeu o olhar de a mãe e apressou se a comer o doce de laranja . - Esse conjunto não vai ficar barato - disse George , olhando rapidamente para os pais . - Os livros de o Lockhart são de os mais dispendiosos ... - Cá nos havemos de arranjar - declarou Mrs._Weasley , mas parecia preocupada . - Espero que pelo_menos para a Ginny possamos arranjar uma data de coisas em segunda mão . - Ah , vais entrar este ano para Hogwarts ? - perguntou lhe Harry . Ela fez um aceno , corando até a a raiz de os cabelos ruivos e meteu o cotovelo em o pires de a manteiga . Felizmente ninguém deu por nada , a não ser o Harry , porque em esse momento o irmão mais velho de Ron , o Percy , entrou . Já estava vestido , com a placa de prefeito aplicada a a sua camisola de malha . - Bom dia a todos - disse , cheio de vivacidade . - Está um dia lindo . Puxou a única cadeira livre , mas deu um salto quando ia sentar se e , debaixo de ele , saltou um espanador cinzento de penas , pelo_menos , foi o que o Harry pensou até ver que ele respirava . - Errol ! - exclamou Ron , afastando a coruja de o Percy e retirando lhe debaixo de a asa uma carta . - Até que enfim , a resposta de a Hermione . Escrevi lhe a contar que íamos tentar raptar te de casa de os Dursleys . Levou Errol para um poleiro que havia junto a a porta de as traseiras e tentou colocá a lá em cima , mas Errol caiu redonda e Ron teve de a pôr em a pia , murmurando : - Patético . - Em seguida , abriu a carta de a Hermione e leu a em voz alta . * _ Querido_Ron e Harry , se aí estiveres . Espero que tudo tenha corrido bem , que o Harry esteja O. _ K. e que não tenham feito nada ilegal para conseguir trazes o , porque isso podia criar lhe problemas também a ele . Tenho estado muito preocupada e , se o Harry estiver bem , por favor digam me qualquer coisa rapidamente , mas talvez seja melhor usarem uma nova coruja , porque acho que outra entrega pode acabar como esta . * _ Estou muito atarefada com trabalho de a escola , claro * . - Como é possível ? - perguntou Ron , horrorizado . - Estamos em férias ! - * _ E vamos para Londres em a próxima quarta-feira para comprar os meus livros novos . Porque não nos encontramos em a Diagon-al ? * _ Dêem-me notícias vossas o mais depressa possível . * _ Carinhosamente_Hermione * - Bem , parece uma boa solução , podemos ir todos comprar as vossas coisas - disse Mrs._Weasley , começando a limpar a mesa . - O que vão fazer hoje ? Harry , Ron , Fred e George tinham planeado ir a o cimo de o monte a um pequeno cercado de cavalos que os Weasleys possuíam . Estava rodeado de árvores que lhe tapavam a vista de a cidade cá em baixo , o que quer_dizer que podiam praticar Quidditch , desde_que não voassem muito alto . Não podiam usar as verdadeiras bolas de Quidditch pois seria muito difícil explicar se elas escapassem e voassem sobre a cidade . Em vez de elas , lançavam maçãs para os outros apanharem . Faziam turnos para montar a Nimbus dois_mil , que era de longe a melhor vassoura . A velha Shooting_Star_de_Ron fora muitas_vezes ultrapassada por as borboletas que passavam . Cinco minutos mais tarde estavam a marchar por o monte acima , de vassouras a o ombro . Tinham perguntado a o Percy se ele queria juntar se a eles , mas ele alegara muito trabalho . Até esse dia , Harry só tinha visto Percy a a hora de as refeições , ele ficava em silêncio em o quarto o resto de o tempo . - Gostava de saber o que ele anda a fazer - afirmou Fred , de testa franzida . - Não parece o mesmo . O resultado de os exames veio um dia antes de tu chegares : doze N_F_V e ele nem se manifestou satisfeito . - Níveis_de_Feitiçaria_Vulgares - explicou o George , vendo o olhar atarantado de Harry . - Se não temos cuidado , ainda nos calha outro Chefe_de_Turma em a família . Acho que não suportaria a vergonha . Bill era o mais velho de os irmãos Weasley . Ele e o irmão a seguir , Charlie , já tinham saído de Hogwarts . Harry não conhecia nenhum de os dois , mas sabia que o Charlie estava em a Roménia a estudar dragões e o Bill em o Egipto a trabalhar em o banco de os feiticeiros : Gringotts . - Não sei como o pai e a mãe vão arranjar dinheiro para nos pagar o material escolar este ano - disse o George , passado um bocado . - Cinco conjuntos de livros de o Lockhart ! E a Ginny precisa de mantos e de uma varinha e tudo_isso ... Harry não disse nada . Sentiu se um_pouco incomodado . Fechada em um cofre subterrâneo , em o banco de Gringotts_de_Londres , estava uma pequena fortuna que os pais lhe tinham deixado . É claro que só tinha esse dinheiro em o mundo de os feiticeiros , não se podem usar Galeões , Leões e Janotas em as lojas de os Muggles . Ele nunca fizera referência a a sua conta bancária em Gringotts a os Dursleys . Não lhe parecia que o horror que eles sentiam por tudo_o_que se relacionava com a feitiçaria se estendesse a uma enorme pilha de barras de ouro . Mrs._Weasley acordou os a todos bem cedo , em a quarta-feira seguinte . Depois de comerem umas doze sanduíches de * bacon * cada_um , enfiaram os casacos e Mrs._Weasley tirou um vaso de a prateleira de o fogão de a cozinha e espreitou lá para dentro . - Está a acabar se , Arthur - suspirou . - Temos de comprar mais hoje ... Bem , os hóspedes primeiro . Passa , Harry querido ! E ofereceu lhe o vaso de flores . Harry olhou espantado enquanto todos eles o observavam . - O q-que é_que eu devo fazer ? - gaguejou . - Ele nunca viajou com o pó de Floo - disse o Ron subitamente . - Desculpa , Harry , esqueci me . - Nunca ? - perguntou Mrs._Weasley . - Mas então como chegaste a a Diagon - _ Al em o ano passado para comprar as tuas coisas ? -- Fui por o subterrâneo . - A sério ? - disse Mr._Weasley , entusiasmado . - Havia fugitivos ? Como é_que ... - Agora não , Arthur - disse Mrs . Weasley . - O pó de Floo é muito mais rápido , querido , mas , valha me Deus , se ele nunca o usou ... - Vai correr bem , mãe - disse o Fred . - Harry observa nos primeiro . Tirou uma pitada de pó brilhante de dentro de o vaso , aproximou se de o lume e lançou o pó em as chamas . Com um rugido , o fogo ficou verde-esmeralda e elevou se a uma altura superior a a de o Fred que avançou , gritando Diagon - _ Al ! E desapareceu . - Tens de falar claramente , filho - disse Mrs._Weasley a o Harry , ao_mesmo_tempo que George metia a mão em o vaso de as flores . - E vê se sais em o fogão certo . - Em o quê ? - perguntou Harry , nervoso , enquanto o lume crepitava e fazia George desaparecer também . - Bem , há imensos fogos de feiticeiros , mas desde_que te tenhas expressado claramente ... - Ele vai conseguir , Molly , não te preocupes - disse Mr._Weasley , tirando também ele algum pó . - Mas querido se ele se perde como é_que vamos justificar nos perante o tio e a tia de ele ... -- Eles não se importariam - tranquilizou a Harry . - O Dudley ia achar imensa piada se eu me perdesse em uma chaminé , não se preocupe . - Bem , em esse caso ... tu vais a seguir a o Arthur - disse Mrs._Weasley . - Logo_que entres em o fogo diz para_onde queres ir . - E mantém os cotovelos dobrados - preveniu o Ron . - E os olhos fechados - disse Mrs._Weasley . - A fuligem . - Não te enerves - disse o Ron . - Senão podes ir parar a a lareira errada . - Não entres em pânico e não queiras sair cedo de mais . Espera até veres o Fred e o George . Fazendo um enorme esforço por reter toda aquela informação , Harry tirou uma pitada de pó de Floo e avançou para a beirinha de o fogo . Respirou fundo , espalhou o pó em as chamas e entrou . O fogo parecia uma brisa quente . Abriu a boca e engoliu , de imediato , uma grande quantidade de cinzas quentes . D-dia-gon-al - tossiu . Sentiu se como_se estivesse a ser sugado para um buraco gigantesco . Como_se girasse muito depressa ... o ruído era ensurdecedor . Tentou manter os olhos abertos mas o turbilhão de chamas verdes fê lo enjoar ... algo duro bateu lhe em o cotovelo e dobrou o de imediato . Continuava a rodar , a rodar ... sentia se agora como_se várias mãos frias estivessem a bater lhe em a cara ... Espreitando através de os óculos , viu uma torrente imprecisa de fogões e captou lampejos de as salas que estavam por detrás ... as sanduíches de * bacon * davam lhe a volta dentro de o estômago ... fechou os olhos desejando que tudo aquilo parasse e então caiu , de cara em o chão , em a pedra fria e sentiu os óculos partirem se a os bocados . Desorientado e ferido , coberto de fuligem , pôs se cautelosamente de pé , levando a os olhos os óculos partidos . Estava completamente só e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava . Tudo_o_que podia dizer era que a o seu lado via uma lareira que lhe parecia ser a de uma enorme e indistinta loja de feitiçaria . Mas nenhum de os artigos que ali se encontravam tinham aspecto de fazer parte de a lista de a escola de Hogwarts . Em uma caixa de vidro podia ver se uma mão atrofiada que repousava sobre uma almofada , um baralho de cartas ensanguentado e um olho de vidro que o olhava fixamente . Máscaras de expressão maldosa enchiam as paredes , olhando de esguelha , uma enorme quantidade de ossos humanos estendia se sobre o balcão e , de o tecto , pendiam instrumentos aguçados com pontas de ferro e pregos enferrujados . Mas o pior é_que a rua estreita e escura , que Harry conseguia avistar através de a janela poeirenta de a loja , não era de modo algum a Diagon-al . Quanto_mais depressa saísse de ali , melhor . O nariz ainda a doer lhe em o sítio onde batera em o chão a o aterrar , Harry avançou rápida e silenciosamente em direcção a a porta , mas antes de conseguir chegar a meio caminho , duas pessoas apareceram de o lado de_fora de o vidro , e uma de elas era a última pessoa que Harry desejaria encontrar em o momento em que se encontrava perdido , coberto de fuligem e com os óculos partidos , Draco_Malfoy . Harry olhou rapidamente em volta e apercebeu se de a existência de um grande armário escuro a a sua esquerda , saltou lá para dentro e fechou as portas , deixando uma gretazinha para poder espreitar . Segundos depois , uma campainha tocava e Malfoy entrava em a loja . O homem que o acompanhava só podia ser o pai . Tinha o mesmo rosto pálido de feições agudas e os mesmos olhos cinzentos de gelo . Mr._Malfoy atravessou a loja , olhando maquinalmente para os artigos expostos e tocou a campainha de o balcão , antes de se voltar para o filho , dizendo : - Não mexas em nada , Draco . Malfoy , que vira o olho de vidro , disse : - Pensei que ias oferecer me um presente . - Eu prometi que ia comprar te uma vassoura de corrida - declarou o pai , tamborilando com os dedos sobre o balcão . - Para que é_que me serve , se não estou em a equipa de Quidditch ? - perguntou Malfoy , carrancudo e de mau humor . - O Harry_Potter teve uma Nimbus dois_mil o ano passado , com a autorização especial de o Dumbledor é para jogar em os Gryffindor . Ele nem é assim tão bom , é só por ser * famoso * ... famoso por ter uma estúpida cicatriz em a testa . Malfoy baixou se para observar uma prateleira cheia de crânios . - Todos acham que ele é tão esperto , o Potter maravilha , com a sua cicatriz e a sua vassoura ... - Já me disseste isso doze vezes pelo_menos - comentou Mr._Malfoy , olhando repressivamente para o filho . - E devo lembrar te que não é prudente parecer menos do_que amigo de Harry_Potter , quando a maior parte de a nossa gente vê em ele um herói que fez desaparecer o Senhor_do_Mal . Ah , Mr._Borgin . Um homem curvado surgiu por detrás de o balcão , puxando o cabelo gorduroso para trás . - Mr._Malfoy , que prazer vês o de_novo - disse Mr._Borgin , em uma voz tão untuosa como o cabelo . - Encantado , e o nosso jovem Malfoy também , encantado . Em que posso servi os ? Tenho que vos mostrar o que chegou hoje , a um preço muito razoável ... - Hoje não venho comprar , Mr._Borgin , e sim vender - afirmou Mr._Malfoy . - Vender ? - O sorriso apagou se lentamente em o rosto de Mr._Borgin . - Certamente ouviu dizer que o Ministério está a levar a cabo mais buscas - explicou o Mr._Malfoy , retirando de o bolso um rolo de pergaminho e desembrulhando o para Mr._Borgin o ler . - Eu tenho alguns , ah , artigos em casa que poderiam criar me problemas se o Ministério me batesse a porta . Mr._Borgin colocou em o nariz um par de * pince-nez * e olhou para a lista . - O Ministério não se lembraria de o incomodar certamente ... O lábio de Mr._Malfoy dobrou se . - Ainda não me fizeram nenhuma visita . O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito , mas o Ministério está a ficar cada_vez_mais intrometido . Há boatos sobre um novo decreto de protecção de os Muggles , sem dúvida que aquele mordido de as pulgas , adorador de os Muggles , que é o Arthur_Weasley deve estar por detrás de isso . Harry sentiu crescer a raiva . - E , como pode ver , alguns de estes venenos podiam dar a ideia ... - Compreendo perfeitamente , claro - disse Mr._Borgin . - Deixe me ver ... - Posso ter aquilo ? - interrompeu Draco , apontando para a mão raquítica que estava sobre a almofada . - Ah , a mão de a glória ! - exclamou Mr._Borgin , abandonando a lista de Mr._Malfoy e apressando se a responder a Draco . - Põe se lhe uma vela e ela só dá luz a quem a transporta ! A melhor amiga de os gatunos e de os salteadores , o seu filho tem gosto , senhor . - Espero que o meu filho venha a ser mais do_que gatuno ou salteador , Borgin - disse Mr._Malfoy friamente e Mr._Borgin respondeu logo : - Sem ofensa , senhor , sem querer ofender . - Embora , se as notas de a escola não melhorarem - disse Mr._Malfoy ainda mais friamente - esse possa vir a ser o único caminho possível para ele . - Não tenho culpa - retorquiu Draco . - Todos os professores têm os seus preferidos , aquela Hermione_Granger ... - Eu , em o teu lugar , teria vergonha que uma rapariga que nem_sequer pertence a famílias de feiticeiros , me passasse a a frente em todos os exames - interrompeu Mr._Malfoy . Ah - fez Harry baixinho , radiante por ver Draco atrapalhado e furioso . - É o mesmo em todo o lado - comentou Mr._Borgin em a sua voz untuosa . - O sangue de os feiticeiros conta cada_vez menos ... - Não para mim - afirmou Mr._Malfoy , com as longas narinas dilatadas . - Não senhor , nem para mim - concordou Mr._Borgin , inclinando se em uma vénia . - Em esse caso , talvez possamos voltar a a minha lista - disse Mr._Malfoy secamente . - Estou com alguma pressa , Borgin , tenho ainda hoje assuntos importantes a tratar em outro lado . Começaram a discutir os preços . Harry via nervosamente o Draco aproximar se de o seu esconderijo enquanto observava os objectos a a venda . Parou para examinar um enorme rolo de corda de carrasco e para ver , com um sorriso afectado , o cartão preso com um aparatoso laço de opalas onde podia ler se : * _ Cautela , não tocar . Amaldiçoado - reclama as vidas de dezanove donos , todos eles Muggles * . Draco voltou se e viu o armário mesmo em frente . Avançou , estendeu a mão para o puxador ... - Feito - disse Mr._Malfoy , a o balcão . - Vamos , Draco . Harry limpou a testa a a manga quando Draco se afastou . - Muito bom dia , Mr._Borgin . Espero por si amanhã em a mansão para ir buscar a mercadoria . Em o momento em que a porta se fechou , Mr._Borgin abandonou os seus modos subservientes . « Bom dia para o senhor , Mr._Malfoy , e , se as histórias que contam são verdadeiras , não me vendeu nem metade do_que tem escondido em a sua mansão ... » Murmurando de forma taciturna , Mr._Borgin desapareceu em uma sala escura . Harry esperou um minuto não fosse ele voltar e , em seguida , o mais silenciosamente possível , escapou se de o armário , passou por as caixas de vidro e saiu de a loja . Encostando os óculos partidos a o rosto , olhou em volta . Saíra em uma rua estreita e sombria que parecia composta exclusivamente de lojas dedicadas a as artes negras . Aquela de onde acabava de sair parecia ser a maior , mas em frente estava uma montra tétrica de cabeças encolhidas e duas portas abaixo podia ver se uma enorme caixa viva cheia de gigantescas aranhas pretas . Dois feiticeiros com aspecto pobre observavam o de a sombra de uma porta , murmurando entre si . Sentindo se nervoso , Harry pôs se a caminho , tentando agarrar os óculos a direito e não desistindo de a esperança de encontrar maneira de sair de ali . Por um cartaz de madeira , pendurado em a rua , indicando uma loja de venda de velas envenenadas , ficou a saber que se encontrava em a Rua * _ Bativolta * , mas isso não o ajudou pois Harry nunca ouvira falar em tal lugar . Calculou que não tinha pronunciado bem as palavras com a boca cheia de cinzas em a lareira de os Weasley . Tentando manter a calma perguntou a si mesmo o que havia de fazer . - Não estás perdido , pois não , meu menino ? - perguntou uma voz , mesmo junto de o seu ouvido , que o fez dar um salto . Uma bruxa idosa estava em a sua frente , segurando um tabuleiro de uma coisa que se parecia horrivelmente com unhas humanas . A mulher olhou o maldosamente , mostrando os dentes esverdeados . Harry recuou . - Estou bem , obrigado - disse . - Estou só ... - HARRY ! O qu'é que pensas que estás a fazer aqui ? O coração de Harry deu um salto , assim_como o de a bruxa . Um monte de unhas caíram lhe sobre os pés e ela praguejou , enquanto o corpo enorme de Hagrid , o guarda de os campos de Hogwarts , se aproximava de eles a passos largos com os olhos castanhos-escuros a faiscarem sobre a longa barba eriçada . - Hagrid - gritou Harry , aliviado . - Eu estava perdido ... o pó de Floo ... Hagrid agarrou Harry por o cachaço e puxou o para longe de a bruxa , tirando lhe o tabuleiro de as mãos . Os guinchos agudos de a feiticeira seguiram nos até a o fundo de a ruela serpenteante que ia dar a um lagar onde brilhava o sol . Harry avistou a a distância um edifício de mármore branco como a neve que lhe era familiar : o banco de Gringotts . Hagrid conduzira o até a a Diagon - _ Al . - ` _ tás em um péssimo estado ! - disse Hagrid bruscamente , sacudindo lhe a fuligem com tanta força que Harry quase caiu em um barril de estrume de dragão que se encontrava a a porta de um boticário . - A fugir , em a Rua * _ Bativolta * , eu não conheço esse lugar finório , Harry , não quero que ninguém te veja aqui em baixo . - Já percebi - disse Harry , baixando se quando Hagrid fez menção de o escovar melhor . - Já te disse que estava perdido . E o que é_que tu fazes aqui ? - ` _ Tou a a procura d'um repelente para as lesmas comedoras de legumes - resmungou Hagrid . - ` _ tão a destruir as couves todas de a escola . Tu não estás sozinho ? - Estou em casa de os Weasley , mas separámo nos explicou Harry . - Tenho que os encontrar . Desceram juntos a rua . - Por_que é_que nunca respondeste a as minhas cartas ? - perguntou Hagrid , enquanto Harry corria para o acompanhar ( tinha de dar três passos por cada enorme passada de Hagrid ) . Harry explicou lhe tudo sobre Dobby e os Dursleys . - Malditos_Muggles - rugiu Hagrid . - S'eu tivesse sabido ... - Harry ! Harry ! Aqui ! Harry olhou para_cima e viu Hermione_Granger em o topo de a escadaria de Gringotts . Desceu para vir a o encontro de ele , o cabelo castanho de caracóis , a esvoaçar atrás de ela . - O que aconteceu a os teus óculos ? Olá_Hagrid ... Oh , é maravilhoso ver vos outra_vez . Vens a Gringotts , Harry ? - Logo_que encontre os Weasley - respondeu ele . - Não vais ter d'esperar muito - riu se Hagrid . Harry e Hermione olharam em volta . Subindo a rua , em o meio de a multidão , vinham Ron , Fred , George , Percy e Mr._Weasley . - Harry - chamou Mr._Weasley , ofegante . - Tínhamos esperança que só tivesses ido um fogão mais longe ... - passou um pano em a sua calva reluzente . - A Molly está nervosíssima , aí vem ela . - Onde é_que tu saíste ? - perguntou o Ron . - Em a Rua * _ Bativolta * - disse o Hagrid , com um ar sério . - Sensacional ! - exclamaram Fred e George ao_mesmo_tempo . - Nunca nos deram autorização para lá ir - disse o Ron com uma pontinha de inveja . - E fizeram muito bem - grunhiu Hagrid . Mrs._Weasley chegou em aquele momento a correr , a mala a balouçar em uma de as mãos e Ginny quase pendurada em a outra . - Oh Harry , oh meu querido , podias ter ido parar a qualquer lugar ... Tentando recuperar o fôlego , tirou de a mala uma grande escova de roupa e começou a retirar a fuligem que Hagrid não conseguira expulsar . Mr._Weasley pegou em os óculos de Harry , deu lhes um toque de varinha e entregou lhe os como novos . - Bem , tenho de m'ir embora - disse Hagrid cuja mão estava a ser esmagada por Mrs._Weasley ( -- Rua * _ Bativolta * ! Se não o tivesses encontrado , Hagrid ! ) . - Vemo nos em Hogwarts . - E afastou se , os ombros e a cabeça acima de a multidão que enchia completamente a rua . - Adivinham quem eu vi em o Borgin and Burkes ? - perguntou Harry_a_Ron e a Hermione enquanto subiam as escadarias de Gringotts . - Malfoy e o pai . - O Lucius_Malfoy comprou alguma coisa ? - perguntou interessado Mr._Weasley que estava atrás de eles . - Não , estava a vender . - Então está preocupado - comentou Mr._Weasley com visível satisfação . - Ah , eu adorava apanhar o Lucius_Malfoy em alguma . . - Tem cuidado , Arthur - interrompeu Mrs._Weasley enquanto o gnomo porteiro lhes dava reverentemente entrada em o banco . - Isso é um problema de família . Não queiras ter mais olhos que barriga . - Queres dizer com isso que achas que eu não chego para o Malfoy ? - perguntou Mr._Weasley , indignado , mas foi rapidamente afastado de aqueles sentimentos a o avistar os pais de Hermione que estavam de pé , nervosamente encostados a o balcão que acompanhava a grande parede de mármore , a a espera que Hermione os apresentasse . - Mas vocês são Muggles ! - disse Mr._Weasley , encantado . - Temos de tomar uma bebida . O que é isso aí ? Ah , estão a trocar dinheiro de Muggle . Molly , olha - apontou cheio de excitação para as notas de dez libras que Mr._Granger tinha em a mão . - Encontramo nos aqui - disse Ron_a_Hermione , enquanto os Weasley e Harry eram conduzidos a os seus cofres em o subterrâneo de Gringotts . Para chegar a os cofres havia que tomar umas carrinhas conduzidas por gnomos que se deslocavam ao_longo_de carris de comboio de pequenas dimensões através de os túneis subterrâneos de o banco . Harry gostou de a viagem acidentada até a o cofre de os Weasley , mas sentiu se bastante mal , pior do_que em a Rua * _ Bativolta * , quando o cobre foi aberto . Havia lá dentro um pequenino monte de Leões de prata e apenas um Galeão de ouro . Mrs._Weasley foi com a mão a a procura em os cantos antes de , com um gesto rápido , varrer tudo para dentro de o saco . Harry sentiu se ainda pior quando chegaram a o seu cofre . Tentou evitar que vissem o conteúdo enquanto empurrava apressadamente mãos cheias de moedas para dentro_de uma sacola de cabedal . Lá fora , em as escadarias de mármore , separaram se . Percy murmurou vagamente que precisava de uma nova pena de escrever . Fred e George tinham avistado um amigo de Hogwarts , Lee_Jordan . Mrs._Weasley e Ginny iam a uma loja de mantos em segunda mão , Mr._Weasley continuava a insistir em levar os Grangers a o Caldeirão_Escoante para lhes pagar uma bebida . - Encontrarmo nos todos em a Flourish and Blotts dentro_de uma hora para comprar os vossos livros de estudo - disse Mrs._Weasley , afastando se com Ginny . - E nem um passo em direcção a a Rua * _ Bativolta * - gritou a os gémeos que estavam de costas . Harry , Ron e Hermione deambularam por a rua empedrada e sinuosa . O ouro , prata e bronze que tilintavam alegremente em o saco que Harry tinha em o bolso pareciam exigir ser gastos , por isso ele comprou três enormes gelados de morango e manteiga de amendoim que eles devoraram felizes enquanto vagueavam sem destino por a rua fora , observando as montras fantásticas de as lojas . Ron olhou longamente para um conjunto completo de mantos de o Chudley_Cannon , em as montras de o « Equipamento_de_Quidditch_de_Qualidade » até Hermione o arrastar de ali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos . Em a « Jogos_de_Feitiçaria_de_Gambol and Japes » encontraram o Fred , o George e o Lee_Jordan que estavam presos em a fabulosa partida debaixo_de chuva e em os fogos-de-artifício de o Dr._Filibuster . E em uma pequenina loja de velharias cheia de varinhas partidas , balanças instáveis de latão e mantos velhos cobertos de nódoas de poções encontraram Percy profundamente concentrado em um pequenino livro , bastante chato , chamado * _ Prefeitos que conquistam o poder * . - * _ Um estudo sobre os prefeitos de Hogwarts e as suas posteriores carreiras * - leu alto o Ron em a contracapa . - Deve ser fascinante ... - Desaparece - gritou Percy . - Claro , ele é muito ambicioso , já tem tudo planeado . Quer ser ministro de a magia - disse o Ron baixinho a o Harry e a a Hermione , enquanto deixavam Percy entregue a o livro . Uma hora mais tarde dirigiram se a a Flourish and Blotts . Não eram de modo algum os únicos a encaminhar se para a livraria . À_medida_que se aproximavam viram com grande surpresa uma grande multidão a a porta , tentando entrar em a loja . O motivo de tal confusão estava anunciado em um cartaz que se estendia a o longo de a montra superior . GILDEROY_LOCKHART_Assinará exemplares de a sua autobiografia " eu , o mágico " Hoje 12.30 - 16.30 - Vamos poder conhecê o ! - gritou Hermione . - Quero dizer , ele escreveu quase todos os livros de a nossa lista ! A multidão parecia ser maioritariamente composta por bruxas de a idade de Mrs._Weasley . Um feiticeiro bem-parecido estava de pé junto de a porta , dizendo : - Calma , minhas senhoras , não empurrem , cuidado com os livros . Harry , Ron e Hermione conseguiram furar e entrar . Uma longa fila serpenteava para as traseiras de a loja onde Gilderoy_Lockhart estava a assinar os seus livros . Cada_um de eles pegou em um exemplar de * _ ensinamentos de Uma Fada_Carpideira * e escaparam se de a fila indo ter a o lugar onde se encontravam os outros com Mr. e Mrs._Granger . - Ah , aí estão vocês . _ óptimo - disse Mrs._Weasley que parecia estar com falta de ar e não parava de mexer em o cabelo . - Vamos poder vês o dentro_de um minuto . Gilderoy_Lockhart veio lentamente até um lugar onde era visível para todos , sentou se a uma mesa , rodeado de grandes fotografias de o próprio rosto , todo ele sorrisos , mostrando a a multidão o brilho cintilante de os seus dentes . Lockhart usava uma túnica azul-noite que condizia a as mil maravilhas com a cor de os olhos , o chapéu pontiagudo de feiticeiro colocado lateralmente sobre o cabelo ondulado . Um homenzinho pequenino e irritante andava a dançar de um lado para o outro , tirando fotografias com uma grande máquina preta que lançava baforadas de fumo arroxeado em cada * flash * . - Sai de o caminho , tu aí - disse rispidamente a o Ron , mudando de lugar para ter um angulo melhor . - Este é para o * _ Profeta_Diário * . - Grande coisa ! - exclamou o Ron , esfregando os pés em o lugar que o fotógrafo pisara . Gilderoy_Lockhart ouviu o . Olhou , viu o Ron e em seguida Harry . Voltou a olhar , desta_vez com mais atenção . Em seguida , pôs se de pé e gritou : - Não pode ser , o Harry_Potter ? A multidão dividiu se entre murmúrios de excitação . Lockhart aproximou se , agarrou Harry por um braço e levou o para a frente . A multidão rebentou em aplausos . A cara de Harry ardia quando Lockhart lhe apertou a mão para o fotógrafo que disparava como um louco , lançando fumo espesso para_cima de os Weasley . - Belo sorriso , Harry - disse Lockhart através de os seus dentes brilhantes . - Tu e eu juntos merecemos a primeira página . Quando por fim lhe largou a mão , Harry quase não sentia os dedos . Tentou recuar para junto de os Weasley , mas Lockhart lançou lhe um braço por os ombros e prendeu o a o seu lado . - Minhas senhoras e meus senhores - disse bem alto , fazendo sinal para que se acalmassem . - Que momento extraordinário este ! O momento perfeito para eu anunciar algo que tenho vindo a guardar comigo desde_há algum tempo . - Quando o jovem Harry entrou em a Flourish and Blotts hoje , ele queria apenas comprar a minha autobiografia , que tenho agora o maior prazer em oferecer lhe - a multidão aplaudiu de_novo . - Ele não tinha ideia - continuou Lockhart , dando a o Harry um pequeno encontrão que fez com que os óculos lhe escorregassem para a ponta de o nariz - de que ia conseguir em_breve muito mais do_que o meu livro Eu , o mágico . Ele e os seus colegas de a escola vão receber , de facto , o verdadeiro * _ Eu , o mágico * . Sim , minhas senhoras e meus senhores , tenho o maior prazer em anunciar que em o mês_de_Setembro assumirei o lugar de professor de Defesa contra as artes negras em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts ! A multidão aplaudiu e bateu palmas e Harry deu consigo a ser presenteado com a obra completa de Gilderoy_Lockhart . Cambaleando ligeiramente sob o peso de os livros conseguiu abrir caminho para longe de os projectores até a a porta de a sala onde estava Ginny com o seu novo caldeirão . - Podes ficar com estes - murmurou Harry , enfiando os livros em o caldeirão . - Eu vou comprar os meus . - Aposto que adoraste aquilo , não adoraste , Potter ? - disse uma voz que Harry não teve qualquer dificuldade em reconhecer . Endireitou se e deu consigo frente_a_frente com Draco_Malfoy que exibia o seu habitual sorriso escarninho . - O famoso Harry_Potter - disse Malfoy . - Nem_sequer pode entrar em uma livraria sem se tornar primeira página . - Deixa o em paz , ele não queria nada de isso - defendeu a Ginny . Era a primeira vez que falava em frente de Harry . Olhava para Malfoy com um ar feroz . - Potter , arranjaste uma namorada ! - disse arrastadamente Malfoy . Ginny ficou vermelha como um pimentão enquanto Ron e Hermione tentavam abrir caminho , ambos carregando montes de livros de Lockhart . -- Ah és tu ? - disse Ron , olhando para Malfoy como_se ele fosse algo desagradável colado a a sola de o sapato . - Aposto que te surpreendeu ver o Harry aqui ? - Não tanto como a ti em uma loja , Weasley - retorquiu Malfoy . - Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo . Ron ficou tão vermelho quanto Ginny . Deixou também cair os livros em o caldeirão e avançou para Malfoy , mas Harry e Hermione agarraram o por as costas de o casaco . - Ron - disse Mrs._Weasley , aproximando se com Fred e George . - O que estás a fazer ? Isto está uma loucura aqui dentro , vamos lá para fora . - Olha quem ele é , Arthur_Weasley . - Era_Mr._Malfoy . Estava de pé com a mão sobre o ombro de Draco , com o mesmo sorriso escarninho . -- Lucius - disse Mr._Weasley , acenando friamente . -- Muito trabalho em o ministério , segundo me consta - disse Mr._Malfoy . - Todas essas buscas ... espero que te estejam a pagar horas extraordinárias . Meteu a mão em o caldeirão de a Ginny e tirou de o meio de os livros de Lockhart um exemplar muito velho e muito gasto de o * _ Guia_de_Transfiguração_para_Principiantes * . - Parece que não - disse . - Que diabo , qual a vantagem de ser uma nódoa entre os feiticeiros se nem_sequer te pagam bem por isso ? Mr._Weasley corou mais ainda do_que Ron ou Ginny . - Nós temos uma opinião diferente sobre quem são as nódoas entre os feiticeiros - disse . - É claro que ... - disse Mr._Malfoy , os olhos mortiços passando para Mr. e Mrs._Granger apreensivamente . - As companhias com quem tu andas ... e eu que pensava que já não conseguias descer mais baixo ... Ouviu se um tilintar de metal quando o caldeirão de a Ginny foi por os ares . Mr._Weasley lançara se sobre Mr._Malfoy atirando o para dentro_de uma estante . Dezenas_de livros de feitiços saltaram lá de cima , caindo lhes sobre as cabeças . Houve um grito de - Chega lhe , pai ! - de o Fred e de o George . Mrs._Weasley soltava gritos agudos : - Não_Arthur , não . A multidão recuava deitando mais prateleiras a o chão . - Meus senhores , por favor - gritava o encarregado , e então , mais alto do_que todos : - Parem com isso , gente , parem com isso . Hagrid aproximava se através_de um mar de livros . Em um segundo afastou Mr._Weasley e Mr._Malfoy . Mr._Weasley tinha um lábio cortado e Mr._Malfoy fora agredido em um olho por uma * _ Enciclopédia_de_Cogumelos_Venenosos * . Tinha ainda em a mão o livro velho de a Ginny sobre transfiguração . Atirou lhe o , com os olhos a brilhar de malvadez . - Toma o teu livro , garota . É o melhor que o teu pai pode oferecer te . Libertando se de Hagrid , conduziu Draco para fora e abandonaram a livraria . - Devias tê o ignorado , Arthur - disse Hagrid quase a pegar em Mr._Weasley a o colo enquanto lhe endireitava o manto . - São podres até a a raiz , todos eles . Tod'à gente sabe . Nenhum Malfoy vale a pena ser ouvido . Não prestam , ' tá-lhes em o sangue . Vá lá , vamos sair de aqui . O encarregado parecia querer impedis os , mas , olhando bem para Hagrid , pensou melhor . Subiram a rua , os Grangers a tremer de medo e Mrs._Weasley fora de si . - Um belo exemplo para as crianças ... andar a a pancada em público . O que terá pensado Gilderoy_Lockhart ? - Ele gostou - disse o Fred . - Não o ouviram quando ia a sair ? Estava a perguntar a aquele tipo de o Profeta_Diário se conseguia incluir a briga em a reportagem , disse que era boa publicidade . Mas foi um grupo deprimido que regressou a a lareira de o Caldeirão_Escoante onde Harry , os Weasley e todas_as suas compras iriam viajar de volta até a a Toca , usando o pó de Floo . Despediram se de os Grangers que iam sair de o * pub * por a rua de os Muggles , de o outro lado . Mr._Weasley começou a perguntar lhes como funcionavam as paragens de autocarros , mas calou se rapidamente a o ver a expressão de Mrs._Weasley . Harry tirou os óculos e guardou os cautelosamente em o bolso antes de utilizar o pó de Floo . Definitivamente não era a sua forma ideal de viajar . V_O salgueiro zurzidor O fim de as férias de Verão chegou demasiado depressa para o gosto de Harry . Ele desejara muito regressar a Hogwarts , mas aquele mês em a Toca tinha sido o mais feliz de toda_a sua vida . Era difícil não invejar o Ron quando pensava em os Dursleys e em as boas-vindas que ia receber de a próxima vez que pusesse os pés em Privet_Drive . Em a última noite , Mrs._Weasley preparou um jantar magnífico , que incluía os pratos favoritos de Harry e terminava com um pudim de melaço de fazer crescer água em a boca . Fred e George alegraram a noite com uma exibição de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que saltaram de o tecto para as paredes , durante pelo_menos meia_hora . Depois , foi a altura de tomarem uma caneca de chocolate quente e irem para a cama . Em a manhã seguinte , demoraram muito_tempo a preparar se . Levantaram se com o cantar de o galo , mas parecia lhes que ainda tinham muito para fazer . Mrs._Weasley andava de um lado para o outro , mal-humorada , a a procura de meias e penas , chocavam uns com os outros em as escadas , meio vestidos , meio despidos , com pedaços de torrada em as mãos e Mr._Weasley quase partiu o nariz quando tropeçou em uma galinha a o atravessar o pátio , para meter em o carro a mala de Ginny . Harry não percebia lá muito bem_como é_que oito pessoas , seis grandes malas , duas corujas e um rato , iam caber em um pequeno * _ Ford_Anglia * , isso , claro , antes de as artes mágicas que Mr._Weasley acrescentara . - Nem uma palavra a a Molly - murmurou ele a o Harry , enquanto abria a bagageira e lhe mostrava como ela se expandira para que as malas coubessem facilmente . Quando , por fim , se acomodaram todos em o carro , Mrs._Weasley olhou para o banco de trás , onde Harry , Ron , Fred , George e Percy estavam confortavelmente sentados uns a o lado de os outros e disse : - Os Muggles têm mais conhecimentos do_que aqueles que nós lhes atribuímos , não achas ? - Ela e a Ginny entraram para o lugar de a frente , que fora esticado e parecia um banco de jardim . - Quer_dizer , de_fora ninguém diria que este carro era espaçoso , não acham ? Mr._Weasley pôs o motor a funcionar e saíram de o pátio , Harry voltando se para trás para ver por a última vez a casa . Mal teve tempo de se questionar se iria voltar alguma vez e já estavam de volta : George esquecera se de a caixa de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Cinco minutos mais tarde tiveram de interromper de_novo a viagem e voltar a o pátio para o Fred ir a correr buscar a vassoura . Estavam quase a chegar a a auto-estrada , quando Ginny guinchou que se esquecera de o diário . Mas estava a fazer se muito tarde e os ânimos começavam a exaltar se . Mr._Weasley olhou para o relógio e , em seguida , para a mulher . - Molly , querida ... - Não , Arthur . - Ninguém ia ver . Este botãozinho é um transformador de invisibilidade que eu instalei , levava nos por o ar , subíamos acima de as nuvens . Estaríamos lá em dez minutos e ninguém daria por nada ... - Eu disse que não , Arthur . Durante o dia , não . Chegaram a King's_Cross , faltava um quarto para as onze . Mr._Weasley precipitou se em busca de um carrinho de transporte para as malas e correram todos para a estação . Harry apanhara o Expresso_de_Hogwarts em o ano anterior . A parte mais difícil era entrar em a plataforma nove_e_três quartos , que não era visível a os olhos de os Muggles . Era preciso avançar para a barreira sólida que dividia as plataformas nove e dez . Não doía nada , mas tinha de ser feito com cuidado para que nenhum de os Muggles de esse , por o desaparecimento . - O Percy em primeiro lugar - declarou Mrs._Weasley , olhando nervosamente para o relógio lá em cima , que mostrava que tinham apenas cinco minutos para desaparecer através de a barreira . Percy avançou a passos largos e desapareceu . Mr._Weasley foi a seguir e depois de ele Fred e George . - Eu levo a Ginny e vocês vêm atrás_de nós - disse Mrs._Weasley a o Harry e a o Ron , agarrando Ginny pela mão e seguindo em frente . Em um abrir e fechar de olhos , tinham passado . - Vamos passar juntos , só temos um minuto - disse Ron a o Harry . Harry assegurou se de que a gaiola de a Hedwig estava bem fixa em cima de a sua mala e empurrou o carrinho de encontro a a barreira . Estava perfeitamente confiante , aquilo era muito mais fácil do_que usar o pó de Floo . Puseram os dois as mãos em o puxador de os carrinhos e avançaram direitos a a barreira , ganhando velocidade . A um metro e pouco , começaram a correr e ... CRASH . Os dois carros bateram em a barreira e foram impelidos para trás . A mala de o Ron caiu com um enorme estrépito . Harry desequilibrou se e a gaiola de a Hedwig foi parar a o chão brilhante , enquanto ela rolava guinchando , indignada . As pessoas em volta olhavam fixamente e um guarda que estava ali perto gritou : - Que diabo pensam vocês que estão a fazer ? - Perdemos o controlo de o carro de transporte - respondeu o Harry , respirando com dificuldade , agarrando se a as costelas , enquanto se punha de pé . Ron correu a agarrar a Hedwig , que estava a fazer uma cena tal , que já se ouviam murmúrios em a multidão sobre a crueldade para com os animais . - Porque é_que não conseguimos passar ? - perguntou Harry a o Ron em um sussurro . - Não sei . Ron olhou descontroladamente em volta . Uma_dúzia de curiosos estavam ainda a observá os . - Vamos perder o comboio - murmurou o Ron . - Não compreendo porque motivo a cancela se fechou . Harry olhou para o relógio gigantesco com um sentimento de náusea em a boca de o estômago . Dez segundos , nove segundos ... Dirigiu o carrinho de transporte para a frente com toda_a força . O metal manteve se sólido . Três segundos ... dois segundos ... um segundo ... - Partiu - afirmou o Ron , que parecia estonteado . - O comboio foi se embora . E se a mãe e o pai não conseguem voltar para aqui ? Tens algum dinheiro de Muggle ? Harry deu uma gargalhada . - Os Dursleys não me dão um tostão há mais de seis anos ! Ron encostou o ouvido a a barreira . - Não se ouve nada - disse , bastante tenso . - O que vamos nós fazer ? Não sei quanto tempo o pai e a mãe vão demorar . Olharam em volta . As pessoas ainda estavam a observá os , principalmente devido a os contínuos guinchos de a Hedwig . - Acho que o melhor é sairmos de aqui e esperamos por eles junto de o carro - disse Harry . - Aqui estamos a atrair demasiado as aten ... - Harry - disse o Ron , com os olhos a brilhar . - É isso , o carro . - O que é_que tem ? - Podemos voar nele até Hogwarts ! - Mas eu pensei ... - Estamos em apuros , certo ? E temos de chegar a a escola , ou não ? E mesmo os feiticeiros menores de idade estão autorizados a usar a magia em uma emergência real , parágrafo dezanove , ou não sei quê , de a Restrição de ... O sentimento de pânico de Harry transformou se em entusiasmo . - E tu sabes voar nele ? - Não há problema - disse o Ron , andando com o carrinho a a volta e dirigindo se para a saída . - Anda de aí . Se em os apressarmos , conseguiremos sair atrás de o Expresso_de_Hogwarts . E afastaram se de o grupo de Muggles curiosos , abandonando a estação e voltando a a rua , onde o velho * _ Ford_Anglia * se encontrava estacionado . Ron abriu a bagageira com uma série de toques de varinha . Meteram lá dentro as malas , puseram a Hedwig em o assento de trás e entraram para a frente . - Verifica se ninguém está a ver - disse o Ron , ligando a ignição com outro toque de varinha . Harry pôs a cabeça fora de a janela : o trânsito enchia a avenida principal , mas a rua de eles estava vazia . - O. _ K. - disse . Ron carregou em um pequeno botão de o painel . Os carros em volta desapareceram assim_como eles . Harry sentia o assento a vibrar debaixo_de si , ouvia o motor , sentia as mãos sobre os joelhos e os óculos em o nariz , mas , tanto quanto conseguia ver , tornara se um par de olhos redondos flutuando um metro e pouco acima de o chão em uma rua suja , cheia de carros estacionados . - Vamos - disse a voz de o Ron , vinda de o seu lado direito . O chão e os prédios escuros de ambos os lados desapareceram de o seu ângulo de visão , mal o carro se elevou . Em poucos segundos toda_a cidade de Londres , enevoada e resplandecente , estava por baixo de eles . Em seguida , ouviu se um ruído que parecia o saltar de uma rolha e o carro , Harry e Ron , reapareceram . - Oh , oh - disse Ron , batendo em o intensificador de invisibilidade . - Está avariado ... Começaram os dois a bater em o botão . O carro desapareceu . Depois surgiu de forma intermitente . - Aguenta aí - gritou o Ron e carregou com o pé em o acelerador . Saltaram direitinhos para o meio de as nuvens mais baixas e tudo ficou sujo e enevoado . - E agora ? - exclamou Harry , piscando os olhos a a sólida massa de nuvens que os comprimia de todos os lados . - Precisamos de avistar o comboio para sabermos qual a direcção a tomar - explicou o Ron . - Desce rapidamente ... Desceram por o meio de as nuvens e voltaram se em os lugares , espreitando . - Estou a vê o - gritou Harry . - Mesmo em frente , ali . O Expresso_de_Hogwarts deslocava se a grande velocidade lá em baixo , como uma serpente vermelha . - Para Norte - disse o Ron , verificando a bússola de o painel . - O. _ k . , basta que verifiquemos de meia em meia_hora . Aguenta aí ... - e arrancaram por o meio de as nuvens . Em o minuto seguinte , tinham chegado a a luz brilhante de o Sol . Era um mundo diferente . Os pneus de o carro deslizavam sobre o mar de nuvens macias , o céu era de um azul infinito sob a luz , capaz de cegar , que irradiava de o Sol . - Agora só temos de nos preocupar com os aviões - disse o Ron . Olharam um para o outro e desataram a rir . Durante muito_tempo não conseguiram parar . Era como_se tivessem mergulhado em um sonho fabuloso . Aquela , pensou Harry , era certamente a única maneira de viajar : passando por turbilhões e torres de nuvens cor de neve , em um carro cheio de calor , o sol radioso , com um grande pacote de rebuçados em o porta-luvas e antegozando o ar de inveja de o Fred e de o George quando aterrassem suavemente e de forma espectacular em o relvado macio em frente de o castelo de Hogwarts . Espreitaram várias vezes o comboio enquanto voavam cada_vez_mais para norte . Cada descida entre as nuvens dava lhes uma perspectiva diferente . Londres depressa ficou para trás , substituída por campos verdejantes que , por sua vez , deram lugar a grandes pântanos arroxeados , aldeias com pequenas igrejas de brinquedo e uma grande cidade , cheia de vida , com carros que pareciam formigas multicores . Várias horas mais tarde sem acontecer nada de_novo , Harry teve de admitir que uma parte de o entusiasmo se esgotara . Os rebuçados tinham nos deixado cheios de sede e não havia nada para beber . Ele e o Ron tinham tirado as camisolas , mas a * _ T-shirt * de o Harry estava colada a as costas de o assento e os óculos não paravam de lhe escorregar para a ponta de o nariz . Deixara de reparar em as fabulosas formas de as nuvens e pensava com saudade em o comboio , milhas abaixo de eles , onde se podia comprar sumo fresquinho de abóboras em um carro empurrado por uma bruxa gordinha . Porque não teriam conseguido entrar em a plataforma nove_e_três quartos ? - Não pode ser muito mais longe , pois não ? - resmungou o Ron , horas mais tarde quando o Sol começava a enfiar se em o seu chão de nuvens , pintando as de um rosa profundo . - Estás pronto para outra espreitadela a o comboio ? Ainda ia mesmo por baixo de eles , abrindo caminho por_entre uma montanha com o topo coberto de neve . Estava muito mais escuro entre o dossel de nuvens . Ron pôs o pé em o acelerador e levou os de_novo para_cima , mas em esse momento o motor começou a chiar . Harry e Ron trocaram entre si olhares nervosos . - Deve estar só cansado - disse o Ron . - Nunca tinha vindo tão longe ... - E fingiram ambos que não davam por o gemido que se ia tornando maior à_medida_que o céu serenamente escurecia . As estrelas desabrochavam em a escuridão , Harry voltou a enfiar a camisola de lã , tentando ignorar os limpa pára-brisas que acenavam debilmente como_que a protestar . - Não devemos estar longe - disse Ron , dirigindo se mais a o carro do_que a o amigo . - Já não devemos estar longe - deu umas palmadinhas nervosas em o * tablier * . Pouco depois , quando voltaram a voar em o meio de as nuvens , tiveram de olhar de lado em a escuridão , em busca de um ponto de referência que conhecessem . - Ali - gritou Harry , fazendo o Ron e a Hedwig darem um salto . - Mesmo em frente . Recortados em o horizonte negro , sobre o rochedo de o outro lado de o lago , erguiam se as torres e torreões de o castelo de Hogwarts . Mas o carro tinha começado a estremecer e perdia a os poucos velocidade . - Vá lá - disse o Ron , dando a o volante um pequeno abanão bajulador . - Estamos quase a chegar , vá lá ... O motor gemeu . Pequenos jactos de vapor de água brotaram de o capo . Harry deu consigo agarrado com toda_a força a os bordos de o assento enquanto voavam direitos a o lago . O carro deu um solavanco feio . Espreitando por a janela , Harry viu a superfície negra , macia e espelhada de a água cerca de uma milha abaixo de eles . Os dedos de o Ron agarrados a o volante tinham as articulações brancas . O carro deu um novo esticão . - Vá lá - murmurou o Ron . Estavam sobre o lago ... o castelo ficava mesmo em frente . Ron fez força com o pé . Houve um ruído surdo , uma crepitação e o motor morreu por completo . - Oh ! oh ! - gemeu Ron em o silêncio . O nariz de o carro voltou se para baixo . Estavam a cair , ganhando velocidade em direcção a os muros sólidos de o castelo . - Naaaaão ! - gritou o Ron , girando o volante . Escaparam a a muralha de pedra negra por centímetros , quando o carro fez um grande arco , planando primeiro sobre as estufas , depois sobre o rectângulo plantado com vegetais e , por fim , sobre os relvados , perdendo sempre velocidade . Ron largou o volante por completo e tirou a varinha de o bolso de trás . - __ pára ! __ pára ! - gritou , batendo em o * tablier * e em o pára-brisas , mas eles continuavam a mergulhar , o chão a voar em direcção a eles . - : __ cuidado com essa __ árvore ! ! ! - bramiu Harry , deitando a mão a o volante , mas ... tarde de mais ... CRUNCH . Com um ruído ensurdecedor de metal e madeira , bateram em o tronco espesso de a árvore e caíram em o chão com um forte solavanco . O vapor era um mar debaixo de o capo amachucado . A Hedwig tremia apavorada . Em a cabeça de Harry surgira um alto de o tamanho de uma bola de golfe , quando ele batera em o pára-brisas , tombando em seguida para a direita . Ron soltou um gemido longo e desesperado . - Estás O. _ K ? - perguntou Harry , aflito . - A minha varinha - disse o Ron em uma voz trémula . - Olha para a minha varinha . Tinha se partido praticamente em duas , a ponta balouçava mole , presa por meia_dúzia de esquírolas . Harry abriu a boca para dizer que em a escola com certeza conseguiriam consertá a , mas nem chegou a começar a frase . Em esse preciso momento , algo bateu em o seu lado de o carro , com a força de um touro , projectando o para_cima de o Ron , ao_mesmo_tempo que um golpe igualmente forte se sentiu em o capô . - O que está a acontec ... Ron arfou , olhando fixamente por o pára-brisas e Harry olhou em volta , mesmo a_tempo_de ver uma ramada espessa como uma píton vir contra o vidro . A árvore em que tinham batido estava a atacá os . O tronco dobrara se quase a meio e os seus galhos rugosos davam uma tareia a cada centímetro de o carro que conseguiam atingir . - Ah ! - praguejou o Ron , quando outra pernada retorcida esmurrou a sua porta , amolgando a . O pára-brisas tremia agora sob uma saraivada de golpes vindos de galhos que pareciam patas de animais e uma ramada espessa como um aríete esmagava furiosamente o capo , que parecia estar a ceder ... - Corre ! - gritou o Ron , lançando o seu peso contra a porta , mas , em o momento seguinte , tinha sido atirado para trás , para o colo de Harry por um soco maldoso , dado de baixo para_cima , por outro ramo . - Estamos feitos ! - resmungou , enquanto o tecto descaía . Mas , de repente , o chão de o carro estava a vibrar , o motor pegara . - Marcha atrás - gritou o Harry e o carro deu um salto para trás . A árvore tentava ainda agredis os , ouviam as raízes chiar , enquanto quase se partiam esticando se para os alcançar . - Escapámos por_pouco ! - exclamou o Ron . - Muito bem , carro . Mas o carro tinha atingido o limite de as suas forças . Com dois estalidos , as portas abriram se e Harry sentiu o seu assento inclinar se para o lado . Quando deu por si , estava estatelado em o chão húmido . Ruídos surdos avisaram o de que o carro estava a ejectar as malas de a bagageira . A gaiola de a Hedwig voou por os ares e abriu se . Ela saiu a voar com um pio furioso e dirigiu se a o castelo , sem sequer olhar para trás . Em seguida , o carro , amolgado , arranhado e a fumegar , arrancou em o escuro , com os faróis traseiros ardendo de fúria . - Volta aqui ! - gritou o Ron , brandindo a varinha partida . - O meu pai mata me . Mas o carro desapareceu a perder de vista , com um último estoiro de o tubo de escape . - Já viste bem o nosso azar ! ? - exclamou o Ron em o meio de a sua infelicidade , baixando se para apanhar o rato Scabbers . - De todas_as árvores em que podíamos ter batido , tínhamos de ir dar a uma que bate também . Olhou por cima de o ombro para a velha árvore que ainda agitava os ramos ameaçadoramente . - Vamos - disse Harry , fatigado . - É melhor irmos andando para a escola ... Não foi , de modo algum , a chegada triunfal que tinham imaginado . Constrangidos , cheios de frio e magoados , pegaram em as malas e começaram a arrastá as por o relvado acima , em direcção a as grandes portadas de carvalho . - Acho que o banquete já começou - disse o Ron , largando a mala em os degraus de a entrada e atravessando devagarinho para espreitar por uma janela iluminada . - Harry , anda ver , é a distribuição . Harry apressou se e os dois , ele e o Ron , espreitaram para o Salão_Nobre . Um número infindável de velas pairava em o ar , sobre quatro mesas enormes cheias de gente , fazendo brilhar os pratos dourados e as taças . Em cima , o tecto encantado que espelhava o céu lá de_fora , brilhava cheio de estrelas . Por_entre a floresta de chapéus pretos pontiagudos de Hogwarts , Harry viu uma longa fila de alunos de o primeiro ano com olhares assustados que enchia o vestíbulo . Ginny estava entre eles , facilmente reconhecível devido a o seu chamativo cabelo Weasley . Enquanto isso , a professora Mc_Gonagall , uma bruxa de óculos com cabelo castanho apanhado em um carrapito , colocava o famoso chapéu seleccionador em um banco que se encontrava em frente de os novos alunos . Todos os anos , aquele velho chapéu , remendado , puído e cheio de pó , seleccionava alunos para as quatro equipas de Hogwarts ( Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin ) . Harry lembrava se bem de o ter colocado em a cabeça , precisamente um ano antes , e ter esperado petrificado por a sua decisão , enquanto ele lhe murmurava a o ouvido . Durante alguns horríveis segundos receara que o chapéu o mandasse para os Slytherin , a equipa que produzia maior número de feiticeiros e feiticeiras de magia negra , mas acabara por ficar em os Gryffindor , juntamente com Ron e Hermione e o resto de os Weasley . Em o último período , Harry e Ron tinham ajudado os Gryffindor a vencer o campeonato de a equipa , batendo os Slytherin pela_primeira_vez em sete anos . Um rapazito baixinho com cabelo de rato acabava de ser chamado para pôr o chapéu em a cabeça . Os olhos de Harry saltavam de ele para o lugar onde o professor Dumbledore , o director , estava sentado , observando a selecção de a mesa de os professores , com a sua longa barba cor de prata e óculos de meia-lua que brilhavam a a luz de as velas . Alguns lugares a a frente , Harry viu Gilderoy_Lockhart com um manto verde-azulado . E lá bem a o fundo estava Hagrid , enorme e cabeludo , bebendo satisfeito de a sua taça . - Espera aí - murmurou a o Ron . - Há um lugar vazio em a mesa de os professores . Onde estará o Snape ? Severus_Snape era o professor de quem Harry menos gostava . Harry era também o seu aluno menos querido . Cruel , sarcástico e detestado por todos com excepção de os alunos de a sua própria equipa ( Slytherin ) , Snape tinha a seu cargo a cadeira de Poções . - Talvez esteja doente - sugeriu Ron , cheio de esperança . - Talvez se tenha ido embora - lembrou Harry . - Por não lhe terem dado outra_vez a Defesa contra as artes negras . - Ou talvez tenha sido corrido - propôs Ron com entusiasmo . - Afinal , toda_a_gente o detesta ... - Ou talvez - disse uma voz gelada atrás de eles - esteja a a espera que vocês lhe expliquem por_que motivo não vieram em o comboio de a escola . Harry deu uma volta . Em a sua frente , com o manto negro a ondular em uma brisa fria , estava Severus_Snape . O professor era um homem magro , de pele descorada , nariz adunco e um cabelo preto oleoso que lhe caía sobre os ombros . E em aquele momento sorria de um modo tal que Harry sentiu que tanto ele como Ron estavam em sérios apuros . - Sigam me - disse Snape . Sem ousarem sequer olhar um para o outro , Harry e Ron seguiram Snape por as escadas até a o amplo * hall * de entrada que estava iluminado por as chamas de os archotes . De o salão nobre vinha um cheirinho delicioso a comida , mas Snape levou os para longe de a luz e de o calor , em direcção a uma escada estreita de pedra que conduzia a os calabouços . - Entrem - ordenou , abrindo uma porta a meio de o corredor e apontando . Entraram a tremer em o escritório de Snape . As paredes sombrias estavam cobertas de prateleiras cheias de jarros de vidro grosso onde flutuavam as coisas mais diversas e repugnantes , cujo nome Harry não queria de momento conhecer . A lareira estava escura e vazia . Snape fechou a porta e voltou se de frente para eles . - Com que então - disse com falsa suavidade - o comboio não serve para o famoso Harry_Potter e o seu fiel companheiro Weasley . Queriam chegar em grande estilo , não era rapazes ? - Não senhor , foi a barreira em King's_Cross , ela ... - Silêncio - disse Snape friamente . -- _ o que fizeram a o carro ? Ron engoliu em seco . Aquela não era a primeira vez que Snape dava a Harry a impressão de ser capaz de ler pensamentos . Mas , pouco depois , compreendeu tudo quando Snape desenrolou o exemplar de o Profeta_Vespertino . - Vocês foram vistos - afirmou , mostrando lhes o cabeçalho : : __ ford anglia voador confunde __ muggles . Começou a ler alto a notícia . - Dois Muggles em Londres convenceram se de que tinham visto um carro velho a voar sobre a torre de os correios ... a a tardinha em Norfolk , Mrs._Hetty_Bayliss , enquanto pendurava a roupa ... Mr._Angus_Fleet_de_Peebles informou a polícia ... seis ou sete Muggles a o todo . Julgo que o teu pai trabalha em o departamento de mau uso dado a os objectos de os Muggles ? - disse olhando para Ron e sorrindo de uma forma ainda mais sarcástica . - Que peninha , o próprio filho ... Harry sentiu se como_se tivesse levado um soco em o estômago de uma de as maiores pernadas de a árvore louca . E se alguém descobrisse que Mr._Weasley tinha enfeitiçado o carro ? Ele ainda nem tinha pensado em isso . - Reparei durante a minha volta por o jardim que foi feito um estrago considerável em um salgueiro zurzidor extremamente valioso - continuou Snape . - Essa árvore fez nos pior a nós do_que nós ... - deixou escapar Ron . - Silêncio - interrompeu Snape , de_novo . - Infelizmente vocês não fazem parte de a minha equipa e a decisão de vos expulsar não está em as minhas mãos . Vou , por isso , buscar as pessoas que possuem essa feliz possibilidade . Esperem aqui . Harry e Ron olharam , pálidos , um para o outro . Harry perdera a fome . Sentia se agora extremamente agoniado . Tentava não olhar para uma coisa viscosa , suspensa em um líquido verde que estava em uma prateleira por detrás de a secretária de Snape . Se ele fora buscar a professora Mc_Gonagall , chefe de a equipa de os Gryffindor , não estavam muito melhor . Ela era mais justa do_que Snape , mas extremamente severa . Dez minutos mais tarde , Snape voltou e era , de facto , a professora Mc_Gonagall quem o acompanhava . Harry vira a professora Mc_Gonagall zangada , mas , ou se tinha esquecido de como a boca de ela ficava fina , ou nunca a vira tão zangada como em aquele dia . Levantou a varinha em o momento em que entrou . Harry e Ron estremeceram , mas ela limitou se a apontá a para a lareira onde as chamas se elevaram subitamente . - Sentem se - ordenou , e os dois recuaram para as cadeiras junto de o lume . - Expliquem se - disse com os óculos a brilhar de uma forma ameaçadora . Ron enveredou por a história começando por a barreira de a estação que se recusara a deixá os passar . - Por isso não tínhamos escolha , professora , não podíamos chegar a o comboio . - Porque não nos mandaram uma carta por a coruja ? Julgo que tens uma coruja ? - disse friamente a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a Harry . Harry olhou para ela sem saber o que dizer . - Parece me - continuou ela - que seria a coisa mais adequada . - Eu ... não pensei ... - Isso - disse a professora Mc_Gonagall - é bastante óbvio . Ouviu se bater a a porta de o escritório e Snape , que parecia agora mais feliz do_que nunca , foi abrir . Era o director , o professor Dumbledore . Harry ficou totalmente paralisado . Dumbledore tinha uma expressão grave . Olhou para eles de cima de o seu nariz adunco e Harry desejou estar ainda com Ron a levar uma sova de o salgueiro zurzidor . Fez se um longo silêncio . Em seguida , Dumbledore disse lhes : - Por favor , expliquem porque fizeram isto . Teria sido melhor se gritasse . Harry detestou sentir a decepção em a sua voz . Inexplicavelmente era incapaz de olhar Dumbledore em os olhos e falou em direcção a os seus joelhos . Disse lhe tudo excepto que o carro enfeitiçado pertencia a Mr._Weasley , dando a ideia de que ele e o Ron o tinham encontrado estacionado fora de a estação . Sabia que Dumbledore ia ver para_além de isso , mas o director não fez perguntas sobre o carro . Quando Harry terminou continuou a olhar para ele através de os seus óculos . - Nós vamos buscar as nossas coisas - disse Ron em um tom de voz sem esperança . - Que disparate é esse ? - rosnou a professora Mc_Gonagall . -- Então , vão expulsar nos , não vão ? - disse o Ron . Harry olhou rapidamente para Dumbledore . - Ainda não , Mr._Weasley - afirmou Dumbledore . - Mas vou assinalar a gravidade do_que vocês fizeram . Hoje a a noite escreverei a as vossas famílias . Estão também prevenidos que se voltarem a fazer uma coisa como esta não terei outro remédio senão expulsar vos . A expressão de Snape era como_se o Natal tivesse sido cancelado . Pigarreou e disse : - Professor_Dumbledore , estes rapazes infringiram o decreto para a restrição de a feitiçaria de os menores , causaram estragos consideráveis a uma árvore antiga e valiosa ... sem dúvida , actos de esta natureza ... - Cabe a a professora Mc_Gonagall decidir sobre os castigos de os rapazes , Severus - afirmou Dumbledore com toda_a calma . - Pertencem a a equipa de ela e são , portanto , de a sua responsabilidade . - Voltou se para a professora Mc_Gonagall . - Tenho de regressar a o banquete , Minerva , devo dar algumas informações . Venha Severus , há uma tarte de leite e ovos com um aspecto delicioso que quero mostrar lhe . Snape lançou um olhar de puro veneno a o Harry e a o Ron enquanto permitia que o afastassem de o seu escritório , deixando os a sós com a professora Mc_Gonagall que ainda os olhava como uma águia em fúria . - É melhor ires até a a ala hospitalar , Weasley , estás a sangrar . - Não é nada - disse Ron , limpando o corte com a manga para que ela o visse . - Professora , eu gostava de ver a minha irmã ser seleccionada . - A cerimónia de a selecção terminou - disse a professora Mc_Gonagall . - A tua irmã está também em os Gryffindor . - _ óptimo - exclamou Ron . - E por falar em os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall de forma cortante , mas Harry interrompeu a : - Professora , quando tirámos o carro , o ano escolar ainda não tinha começado , por isso os Gryffindor não deveriam perder pontos , pois não ? - terminou olhando a ansiosamente . A professora Mc_Gonagall lançou lhe um olhar penetrante , mas ele era capaz de jurar que ela quase tinha sorrido . Pelo_menos a boca não parecia tão fina . - Não vou tirar pontos a os Gryffindor - tranquilizou o . E o coração de Harry ficou mais leve . - Mas vocês os dois vão ter um castigo . Foi melhor do_que Harry imaginara . O facto de Dumbledore escrever a os Dursley não tinha a menor importância . Harry sabia perfeitamente que eles só lamentariam que o salgueiro zurzidor não o tivesse esmigalhado . A professora Mc_Gonagall ergueu a varinha de_novo apontou a a a secretária de Snape . Um grande prato de sanduíches , duas taças de prata e um jarro com sumo de abóbora gelado apareceram em menos_de um segundo . - Vocês vão comer aqui e , em seguida , vão direitinhos para o vosso dormitório - disse . - Eu também tenho de voltar para a festa . Mal a porta se fechou atrás de ela , Ron soltou baixinho um assobio . - Pensei que estávamos feitos - confessou , agarrando uma sanduíche . - Também eu - disse o Harry , orando também uma . - Mas já viste bem a nossa pouca sorte ? - insistiu o Ron com a boca cheia de frango e fiambre . - O Fred e o George voaram em aquele carro cinco ou seis vezes e nenhum Muggle os viu - engoliu outro pedaço enorme de a sanduíche . - Porque será que não conseguimos passar a barreira ? Harry encolheu os ombros . - Mas temos de ter muito cuidado a_partir_de agora - disse bebendo um grande trago de sumo de abóbora . - Que pena não termos podido ir a o banquete . - Ela não quis que nos exibíssemos - afirmou Ron com prudência . - Não vão as pessoas pensar que é uma boa chegar aqui de carro voador . Quando já tinham comido todas_as sanduíches que queriam ( o prato ia voltando a encher se sozinho ) , levantaram se e saíram de o escritório , seguindo o caminho que lhes era familiar , para a torre de os Gryffindor . O castelo estava em silêncio . Parecia que o banquete tinha acabado . Passaram por retratos murmurantes e armaduras que gemiam e subiram os degraus estreitos de pedra até que , por fim , chegaram a a passagem onde a entrada secreta para a torre de os Gryffindor se encontrava oculta por detrás de o quadro a óleo de uma dama gorda em um vestido cor-de-rosa . - A senha ? - perguntou ela mal os dois se aproximaram . - Er ... Eles ainda não tinham estado com o prefeito de os Gryffindor e por isso ainda não conheciam a senha para o novo ano , mas a ajuda não se fez esperar . Ouviram passos apressados atrás de eles e quando se voltaram viram Hermione que se aproximava . - Aí estão vocês . Onde é_que se meteram ? Correm os boatos mais ridículos , alguém disse que vocês tinham sido expulsos por espatifarem um carro voador . - Bem , expulsos não fomos - tranquilizou a Harry . - Não estás a dizer me que voaram até aqui ? - perguntou Hermione em um tom quase tão severo como a professora Mc_Gonagall . - Dispensa se o sermão - interrompeu Ron impacientemente . - E diz nos a nova senha de passagem . - É crista de pássaro - disse Hermione não contendo a impaciência . - Mas o mais importante não é isso ... Contudo as palavras de ela foram interrompidas ao_mesmo_tempo que o retrato de a dama gorda se abria e se ouvia uma tempestade de aplausos . A o que parecia a equipa de os Gryffindor estava ainda acordada , dentro de a sala comum em forma de círculo , junto de as mesas assimétricas e de os cadeirões moles a a espera que eles chegassem para , de braços estendidos através de o buraco de o retrato , puxarem Harry e Ron para dentro deixando Hermione para o fim . - Sensacional - gritou Lee_Jordan . - Inspirado ! Que entrada ! Voar em um carro e aterrar em o salgueiro zurzidor . Toda_a_gente vai falar de isto durante anos e anos . - Muito bem - disse um aluno de o quinto ano com quem Harry nunca tinha falado . Alguém dava lhe palmadas em as costas como_se ele acabasse de vencer a maratona . Fred e George abriram caminho por_entre a multidão e disseram ao_mesmo_tempo : - Por_que é_que não nos chamaram , hein ? - Ron estava vermelho como um pimentão , sorrindo envergonhado , mas Harry via perfeitamente uma pessoa que não estava nada contente . Percy elevava se acima de as cabeças de os excitados alunos de o primeiro ano e parecia estar a tentar aproximar se para os repreender . Harry deu uma cotovelada a o Ron e apontou em direcção a Percy . Ron percebeu de imediato . - Temos de ir para_cima , um_pouco cansados ! - explicou e os dois começaram a abrir caminho em direcção a a porta que ficava de o outro lado de a sala e que dava para a escada em espiral e para os dormitórios . - ` _ Noite - despediu se Harry_de_Hermione que tinha um ar tão carrancudo como Percy . Conseguiram chegar a o outro lado de a sala comum sempre a levarem palmadas em as costas e alcançaram o sossego de as escadas . Apressaram se a subir e , por fim , chegaram a a porta de o dormitório que tinha agora um letreiro a dizer « Segundos_Anos » . Entraram em o quarto circular , que conheciam tão bem , com as suas cinco camas de dossel adornadas de velado vermelho e as suas janelas altas e estreitas . As malas tinham sido trazidas para_cima e colocadas a os pés de as camas . Ron fez um sorriso culpado . - Sei que não devia ter gostado de aquilo , mas ... A porta de o dormitório abriu se e os outros rapazes de os Gryffindor entraram ; eram eles o Seamus_Finnigan , o Dean_Thomas e o Neville_Loogbottom . - Inacreditável - aplaudiu Seamus . - Incrível - aprovou o Dean . - Espantoso - exclamou o Neville , aterrado . Harry não pôde evitar também um sorriso . VI_Gilderoy_Lockhart_No dia seguinte , contudo , Harry não conseguiu sorrir . As coisas começaram a correr mal logo em o salão durante o pequeno-almoço . Debaixo de o tecto encantado ( em aquele dia triste e cinzento ) estavam as quatro grandes mesas de as equipas e sobre elas , terrinas de papa de aveia , pratos de arenque defumado , montanhas de torradas e pratadas de ovos com * bacon * . Harry e Ron sentaram se em a mesa de os Gryffindor , junto de Hermione que tinha o seu exemplar de * _ Viagens com Vampiros * totalmente aberto , encostado a um jarro de leite . Havia uma certa rigidez em a maneira como ela disse : - ` _ Dia - que mostrou a Harry que continuava a desaprovar o modo como tinham chegado a a escola . Por seu turno , Neville_Longbottom saudou os entusiasticamente . Neville era um rapazinho de cara redonda , muito dado a acidentes , com a pior memória que Harry tinha conhecido . - A entrega de correio deve estar a chegar , acho que a minha avó me vai mandar umas quantas coisas de que me esqueci ... Harry tinha começado a comer as papas de aveia , quando se ouviu um ruído tumultuoso em o ar e umas cem corujas entraram ao_mesmo_tempo , sobrevoando o salão e deixando cair cartas e pacotes em o meio de a multidão faladora . Um embrulho grande e rugoso caiu em a cabeça de Neville e , um segundo depois , uma coisa larga e cinzenta caiu em o jarro de a Hermione , enchendo os a todos de leite e penas . - Errol - gritou o Ron , puxando a coruja esfarrapada por as patas . Errol caíra inconsciente sobre a mesa com as pernas para o ar e um envelope vermelho húmido em o bico . - Oh , não ! - sobressaltou se Ron . - Ela está bem , ainda está viva - tranquilizou o Hermione , tocando suavemente em a Errol com a ponta de o dedo . - Não é isso , é ... aquilo . Ron apontava para o envelope vermelho . Parecera perfeitamente vulgar a Harry , mas Ron e Neville estavam ambos a observá o como_se esperassem que explodisse . - Qual é o problema ? - perguntou Harry . - Ela . Ela mandou me um * gritador * - disse Ron , quase sem voz . - É melhor abrires - aconselhou Neville em um murmúrio tímido - senão é pior . A minha avó uma_vez mandou me um que eu ignorei e ... - engoliu em seco - foi horrível . Harry olhava , ora para as suas caras , ora para o envelope vermelho . - O que é um * gritador * ? - perguntou . - Mas toda_a atenção de o Ron estava fixa em a carta que começara a fumegar por os cantos . - Abre a - intimou o Neville . - De aqui a poucos minutos já passou tudo . Ron estendeu uma mão trémula , retirou o envelope de o bico de a Errol e começou a abri o . Neville pôs os dedos em os ouvidos . Após uma fracção de segundo , Harry compreendeu porquê . Pensou em o primeiro momento que ela explodira . Um ruído ensurdecedor encheu o enorme salão , fazendo cair pó de o tecto . - ... : __ roubar o carro ! não me surpreendia nada se te expulsassem . espera só até te pôr as mãos em cima . será que não paraste para pensar em a nossa aflição quando vimos que o carro tinha __ desaparecido ... Os gritos de Mrs._Weasley , ampliados cem vezes em relação a o seu normal , fizeram os pratos e as colheres chocalhar em a mesa e ecoaram de forma ensurdecedora em as paredes de pedra . Vinha gente de todos os lados espreitar quem tinha recebido o * gritador * e Ron afundou se tanto em a cadeira que só se lhe via a testa carmesim . - ... : __ uma carta de o dumbledore ontem a a noite , o teu pai quase morria de vergonha . não foi esta a educação que te demos , tu e o harry podiam ter __ morrido ... Harry estava a ver quando é_que o seu nome viria a a baila . Tentou o melhor que pôde agir como_se não ouvisse a voz , mas aquilo estava a fazer com que os tímpanos lhe latejassem . - ... : __ profundamente decepcionada , o teu pai vai ter de se confrontar com um inquérito em o trabalho , tudo por tua culpa e , se pisas mais_uma_vez o risco , trago te para __ casa ! Seguiu se um silêncio ressonante . O envelope vermelho , que caíra de as mãos de o Ron , incendiou se e encaracolou se em cinzas . Harry e Ron estavam sentados de boca aberta , como_se uma onda gigante lhes tivesse passado por cima . Algumas pessoas riam e , a os poucos , o ruído de as conversas recomeçou . Hermione fechou o * _ Viagens com Vampiros * e olhou para o topo de a cabeça de Ron . - Bem , não sei o que esperavas , Ron , mas tu ... - Não me venhas dizer que mereci - interrompeu Ron . Harry afastou as papas de aveia . O estômago ardia lhe de culpa . Mr._Weasley tinha um inquérito em o trabalho , depois de tudo_o_que Mr. e Mrs._Weasley tinham feito por ele durante o Verão ... Mas não teve muito_tempo para se demorar em aqueles pensamentos . A professora Mc_Gonagall circulava em volta de as mesas de os Gryffindor distribuindo horários . Harry pegou em o seu e viu que começavam por ter Herbologia , juntamente com os Hufflepuff . Harry , Ron e Hermione saíram juntos de o castelo , atravessaram as hortas e chegaram a as estufas , onde estavam guardadas as plantas mágicas . O * gritador * tivera pelo_menos uma vantagem : Hermione parecia achar que já tinham sido suficientemente castigados e estava de_novo perfeitamente calorosa . Quando estavam a chegar a as estufas viram o resto de a classe de pé , cá fora , a a espera de a professora Sprout . Harry , Ron e Hermione tinham acabado de se lhes juntar quando a viram aproximar se a passos largos por o relvado , acompanhada de Gilderoy_Lockhart . A professora Sprout era uma bruxa pequenina e atarracada que usava um chapéu a os remendos sobre o cabelo solto . As roupas que vestia estavam sempre cheias de terra e as suas unhas fariam a tia Petúnia desmaiar . Gilderoy_Lockhart , pelo_contrário , tinha um ar imaculado em as suas vestes azul-turquesa , o cabelo doirado a brilhar debaixo_de um chapéu azul-turquesa , com uma fita dourada , perfeitamente posicionado sobre a cabeça . - Olá a todos ! - gritou Lockhart , dirigindo se a o grupo de estudantes . - Estive a mostrar a a professora Sprout a maneira correcta de tratar um salgueiro . Mas não quero que fiquem com a ideia de que sou melhor do_que ela em Herbologia . Acontece que encontrei várias de estas plantas exóticas , durante as minhas viagens .... - Estufa número três hoje , meninos ! - disse a professora Sprout que estava visivelmente descontente , bem diferente de a sua habitual natureza bem-disposta . Houve um murmúrio de interesse . Eles só tinham estado uma_vez em a terceira estufa , que era uma estufa que abrigava plantas bem mais interessantes e perigosas . A professora Sprout tirou uma enorme chave de o cinto e abriu a porta . Harry sentiu o bafo de a terra húmida com adubo misturado e o perfume forte de umas flores gigantescas , de o tamanho de guarda-chuvas , que estavam penduradas de o tecto . Ia seguir Ron e Hermione , quando a mão de o Lockhart o travou . -- Harry ! Tenho querido ter uma palavrinha contigo . Não se importa se ele chegar uns minutos atrasado , pois não , professora Sprout ? A julgar por a expressão carregada de a professora Sprout , importava se sim , mas Lockhart disse : - Então até já - e fechou a porta de a estufa em a cara de ela . - Harry ! - disse Lockhart , com os dentes brancos a brilharem a o sol , enquanto abanava a cabeça . - Harry , Harry , Harry ! Harry , totalmente perplexo , não disse uma palavra . - Quando ouvi dizer , bem , é claro que eu tive muita culpa , deviam castigar me também ... Harry não fazia ideia de que estava ele a falar , quando Lockhart prosseguiu : - Nunca me lembro de ficar tão chocado . Fazer voar um automóvel até Hogwarts ! Bem , é claro que eu percebi logo porque o fizeste . Foi um destaque em grande . Harry , Harry , Harry ! Era notável como ele conseguia mostrar todos aqueles dentes brilhantes , mesmo quando não estava a falar . - Criei te o gosto por a publicidade , não foi ? - perguntou Lockhart . - Passei te o bichinho . Apareceste comigo em a primeira página e não podias esperar para aparecer outra_vez ... - Oh , não , professor , sabe é_que ... - Harry , Harry , Harry - disse Lockhart aproximando se e tocando lhe em o ombro . - * _ Eu compreendo * . É natural querer um_pouco mais quando se lhe tomou o gosto , e eu culpo me por te ter dado esse conhecimento , porque era natural que te subisse a a cabeça , mas vê uma coisa , rapazinho , tu não podes começar a fazer voar carros para tentares ser notícia . Tens de acalmar , está bem ? Tens muito_tempo quando fores mais velho . Sim , sim , eu sei o que estás a pensar ! É fácil para ele falar assim , já é um feiticeiro internacionalmente famoso ! Mas quando eu tinha doze anos era tão zé-ninguém como tu és hoje . Em a verdade , era ainda mais . De ti , já meia_dúzia de pessoas ouviram falar , não é ? Toda aquela história com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . - Olhou para a cicatriz luminosa em a testa de Harry . - Eu sei , eu sei , não é o mesmo_que vencer o Prémio de o sorriso de o feiticeiro de a semana cinco vezes seguidas , como eu venci , mas é um começo , Harry , é um começo . Lançou lhe uma piscadela de olhos cordial e foi se embora . Harry ficou atarantado durante alguns segundos . Depois , lembrando se que deveria estar em a estufa , abriu a porta e esgueirou se lá para dentro . A professora Sprout estava de pé , por_detrás_de uma espécie de mesa em o meio de a estufa . Em cima de a mesa estavam cerca de vinte pares de abafo de ouvidos de diferentes cores . Quando Harry estava já em o seu lugar , entre Ron e Hermione , ela disse : - Hoje vamos transplantar Mandrágoras . Muito bem , quem sabe dizer me as propriedades de a Mandrágora ? Não foi surpresa para ninguém que a mão de a Hermione fosse a primeira em o ar . - A Mandrágora tem um efeito reparador muito poderoso - disse Hermione , com o ar mais normal de este mundo , como_se tivesse engolido o livro de texto . - É usada para fazer voltar as pessoas , que foram transfiguradas ou amaldiçoadas , a o seu estado original . - Excelente . Dez pontos para os Gryffindor ! - exclamou a professora Sprout . - A Mandrágora é parte integrante de a maior parte de os antídotos , mas também é perigosa . Quem sabe dizer me porquê ? A mão de Hermione por_pouco não bateu em os óculos de Harry , quando se ergueu de_novo . - O grito de a Mandrágora é fatal para quem o ouve - disse prontamente . - Precisamente . Dou lhe mais dez pontos - disse a professora Sprout . - Agora vejamos , as Mandrágoras que aqui temos são ainda muito jovens . Enquanto falava , apontou para uma fila de tabuleiros com uma certa profundidade e todos se chegaram a a frente para ver melhor . Cerca de uma centena de plantinhas tufosas de um verde arroxeado cresciam em filas . Pareceram perfeitamente vulgares a Harry , que não fazia a menor ideia do_que Hermione queria dizer com o * grito * de a Mandrágora . - Cada_um de vocês pode tirar um par de abafo de ouvidos - disse a professora Sprout . Houve uma competição renhida porque ninguém queria os cor-de-rosa , cheios de penugem . - Quando eu vos disser para os colocar , assegurem se de que os vossos ouvidos estão completamente tapados - disse a professora Sprout . - Logo_que seja seguro retirá os , eu levanto os dedos . Certo , pôr os abafos de os ouvido . Harry pôs imediatamente os abafos em os ouvidos . Eles fecharam completamente o som . A professora Sprout colocou também um par de abafos cor-de-rosa com penugem em os de ela , arregaçou as mangas de a túnica , agarrou uma de as plantas tufosas e puxou com toda_a força . Harry soltou um grito de surpresa que ninguém ouviu . Em_vez_de raízes , um bebé pequenino , enlameado e extremamente feio , saiu de a terra . As folhas cresciam lhe em o alto de a cabeça , tinha uma pele pintalgada de um pálido esverdeado e estava nitidamente a berrar a plenos pulmões . A professora Sprout tirou debaixo de a mesa um grande vaso de plantas e mergulhou lá dentro a Mandrágora , enterrando a em a mistura escura e húmida , até que só as folhas ficassem visíveis . Em seguida , limpou a terra de as mãos , levantou os dedos e todos eles retiraram os abafos de os ouvidos . - Como as nossas Mandrágoras são muito novas , os seus gritos ainda não matam - disse ela com grande calma , como_se tivesse feito algo tão normal como regar uma begónia . - Contudo , podem pôr vos a dormir durante várias horas e , como com certeza nenhum de vocês quer perder o primeiro dia de aulas , vejam se os abafos estão bem colocados enquanto trabalham . Eu chamarei vos a atenção quando for altura de os retirar . - Quatro em cada fila , há aqui uma grande quantidade de vasos , a mistura de terra está em os sacos ali a o fundo e tenham cuidado com a * _ Venomous_Tentacula * , estão a nascer lhe os dentes . Enquanto falava , deu uma pancada seca a uma planta vermelha escura cheia de pontas eriçadas , fazendo a encolher as longas antenas que tinham estado a avançar lenta e dissimuladamente sobre o seu ombro . A Harry , Ron e Hermione veio juntar se em a fila um rapaz de cabelo encaracolado de os Hufflepuff que Harry conhecia de vista , mas com quem nunca tinha falado . - Justin_Finch - _ Fletchey - disse ele com vivacidade , apertando a mão de o Harry . - Conheço te , claro , o famoso Harry_Potter ... e tu és a Hermione_Granger , sempre a primeira em tudo ( Hermione brilhou em um sorriso , como_se ele lhe tivesse apertado a mão ) e Ron_Weasley . Não era teu o carro voador ? Ron não sorriu . Não lhe saía de a cabeça o * gritador * . - Aquele Lockhart é o_máximo , não acham ? - disse Justin satisfeito , enquanto começavam a encher os vasos com composto de adubo de dragão . - Terrivelmente corajoso . Leram os livros de ele ? Eu teria morrido de medo se um lobisomem me tivesse encurralado em uma cabina telefónica , mas ele manteve se calmo e ... zap ... fantástico ! « Eu estava inscrito em Eton , sabem , não imaginam como estou feliz de ter vindo antes para aqui . É claro que a minha mãe ficou um_pouco desiludida , mas depois de lhe ter dado os livros de Lockhart a ler , tenho a impressão de que ela começou a ver a utilidade de ter um feiticeiro bem treinado em a família ... Depois de isso , não tiveram grandes oportunidades para conversar . Voltaram a pôr os abafos de ouvidos e era preciso concentrarem se em as Mandrágoras . A professora Sprout fizera as coisas parecerem extremamente simples , mas não eram . As Mandrágoras não gostavam de sair de a terra mas também não pareciam querer voltar para lá . Elas contorceram se , deram pontapés , agitaram as mãozinhas finas e rangeram os dentes . Harry levou dez minutos inteirinhos a tentar meter uma Mandrágora particularmente gorda dentro_de um vaso . Em o final de a aula , Harry , como todos os outros , estava a suar , cheio de dores e coberto de terra . Regressaram a o castelo a pé para um banho rápido e , em seguida , os Gryffindor apressaram se para assistir a a aula de transfiguração . As aulas de a professora Mc_Gonagall eram sempre complicadas , mas a de aquele dia era particularmente difícil . Tudo_o_que o Harry aprendera em o ano anterior parecia ter se lhe apagado de a memória durante o Verão . Ele deveria ser capaz de transformar uma barata em um botão , mas , tudo_o_que conseguiu foi fazer a barata praticar um imenso exercício , enquanto corria apressadamente por o tampo de a secretária evitando a varinha . Ron estava a debater se com problemas bastante piores . Tinha atado a varinha com uma fita mágica , mas parecia que não havia reparação possível . Não parava de crepitar e lançar faíscas em os momentos mais estranhos e , sempre_que Ron tentava transfigurar a barata , via se envolvido em um fumo cinzento espesso que cheirava a ovos podres . Incapaz de ver o que estava a fazer , o Ron esmagou , por engano , a barata com o cotovelo e teve de ir pedir que lhe dessem outra , o que deixou a professora Mc_Gonagall muito pouco satisfeita . Harry ficou aliviado quando ouviu tocar a campainha para o almoço . Sentia a cabeça como uma esponja espremida . Todos os alunos saíram em fila de a aula excepto ele e Ron que dava furiosas varadas em a secretária . - Coisa estúpida e inútil . - Escreve a os teus pais a pedir outra - sugeriu Harry , enquanto a varinha disparava com estrondo um foguete explosivo . - Ah pois , e receber outro * gritador * em a volta de o correio - respondeu Ron , metendo a varinha que já assobiava , dentro de o saco . - * _ A culpa é toda tua se a varinha está estragada * ... Desceram para o almoço e aí a disposição de o Ron não iria melhorar com Hermione a mostrar lhe uma mão-cheia de botões de casaco , perfeitinhos , que produzira em a transfiguração . - O que temos esta tarde ? - quis saber Harry , mudando rapidamente de assunto . - Defesa contra as artes negras - disse Hermione , sem perder tempo . - Porque é_que tu ... - perguntou Ron , pegando em o horário de ela - desenhaste corações em volta de as aulas de o Lockhart ? Hermione arrancou lhe o horário de as mãos , corando furiosa . Acabaram de almoçar e foram para o pátio carregado de nuvens . Hermione sentou se em um degrau de pedra e enfiou de_novo o nariz em as * _ Viagens com Vampiros * . Harry e Ron ficaram a falar de Quidditch durante alguns minutos antes de Harry se aperceber de que estava a ser observado de perto . Olhando para_cima viu o rapazinho pequenino com cabelo de rato que ele vira experimentar o chapéu seleccionador em a noite anterior , olhando para ele com uma expressão petrificada . Estava agarrado a o que parecia ser uma vulgar máquina fotográfica de os Muggles e , em o momento em que Harry olhou para ele , ficou todo vermelho . - Tudo bem , Harry ? Eu sou Colin_Creevey - disse , faltando lhe o ar e adiantando se a qualquer pergunta . - Estou em os Gryffindor também . Não te importavas que eu tirasse uma fotografia ? - perguntou , levantando a máquina cheio de expectativa . - Uma fotografia ? - repetiu Harry , inexpressivo . - Para eu provar que te conheci - disse Colin_Creevey cheio de ansiedade , continuando : - Eu sei tudo a teu respeito . Toda_a_gente me tem contado como sobreviveste quando O_Quem nós sabemos tentou matar te , como ele desapareceu depois de isso e como ficaste com a cicatriz em forma de relâmpago em a testa ( os seus olhos procuraram a linha de cabelo de Harry ) e um rapaz de o meu dormitório disse que se eu revelasse o filme em a posição certa ele mexia . - Colin respirou fundo , estremecendo de excitação e disse : - Isto_é fantástico , aqui , não achas ? Eu não sabia que todas_as coisas estranhas que fazia eram magia até a o dia em que recebi uma carta de Hogwarts . O meu pai é leiteiro . Também ele não queria acreditar . Por isso estou a tirar montes de fotografias para lhe mandar e era mesmo bom se tivesse uma tua - parecia implorar . - Talvez o teu amigo pudesse tirá a e assim eu ficava a o teu lado . E depois , podias assiná a ? - Assinar fotografias ? Estás a dar fotos autografadas , Potter ? Alta e mordaz , a voz de Draco_Malfoy ecoou em o pátio . Estava parado mesmo atrás_de Colin , ladeado , como sempre andava em Hogwarts , por os seus fortes guarda-costas Crabbe e Goyle . - Ei gente , façam bicha - gritou Malfoy a a multidão . - Harry_Potter está a dar fotos autografadas ! - Não estou coisa nenhuma - disse Harry , zangado , com os punhos em o ar . - Cala a boca , Malfoy . - Tu tens é inveja - começou a dizer Colin , cujo corpo era de o tamanho de o pescoço de Crabbe . - Inveja - repetiu Malfoy que não precisava de gritar mais , metade de o pátio estava a ouvi o . - De quê ? Não preciso de uma cicatriz em a cabeça , muito obrigado . Não acho que ter um corte em a testa torne alguém especial . Crabbe e Goyle riram estupidamente - Vai pastar caracóis , Malfoy - disse o Ron furioso . Crabbe parou de rir e começou a esfregar os nós de os dedos enormes de uma forma ameaçadora . - Tem cuidado , Weasley - escarneceu Malfoy . - Com certeza não queres começar uma rixa ou a tua mãezinha tem de vir cá para te tirar de a escola - e com uma voz aguda e penetrante : - * _ Se voltas a pisar o risco * ... Um grupo de alunos de o quinto ano de os Slytherin que estava ali perto , riu se bastante alto . - O Weasley gostaria de ter uma foto tua autografada , Potter - escarneceu de_novo Malfoy . - Era capaz de valer mais do_que a casa onde ele mora com a família . Ron sacou de a sua varinha amarrada com fita , mas Hermione fechou as * Viagens com Vampiros * com um estrondo e avisou : - Atenção . - O que é isto , o que é isto ? - Gilderoy_Lockhart aproximava se com o seu manto azul-turquesa girando em torvelinho atrás de ele . - Quem está a dar fotos autografadas ? Harry ia começar a explicar , mas foi interrompido quando Lockhart lhe pôs jovialmente o braço em cima de os ombros . - Mas que pergunta a minha ! Cá estamos nós de_novo , Harry ! Preso ao_lado_de Lockhart e a arder de humilhação , Harry viu Malfoy deslizar com o seu sorriso desdenhoso por o meio de a multidão . - Vamos lá então , Mr._Creevey - disse Lockhart , dirigindo se a Colin . - Uma foto dupla , já viu a sua sorte ? E assinamos a os dois para si . Colin ajustou a máquina e tirou a fotografia em o preciso momento em que a campainha tocava para as aulas de a tarde . - Está em a hora , todos para dentro - gritou Lockhart a a multidão e regressou a o castelo levando a o seu lado o Harry que só lamentava não conhecer um feitiço que o fizesse desaparecer . - Uma palavra só , Harry - disse Lockhart paternalmente , enquanto entravam em o edifício por uma porta lateral . - Eu ajudei te há bocado com o jovem Creevey porque se ele estivesse a fotografar me também a mim os teus colegas não reparariam tanto que estavas a exibir te ... Indiferente a a gaguez de Harry , Lockhart arrastou o para um corredor ladeado de alunos que os olhavam espantados e subiram uma escada . - Deixa me só dizer te uma coisa : dar fotografias autografadas em esta fase de a tua carreira , francamente , não é sensato , Harry , parece um_pouco megalómano . Pode ser que um dia mais tarde , tal_como eu , sejas obrigado a assinar para multidões onde quer que vás , mas - fez uma pequena pausa - não me parece que seja o caso , por enquanto . Tinham chegado a a aula de Lockhart e ele largou finalmente o Harry que sacudiu a túnica e foi sentar se em um lugar bem lá atrás onde começou por empilhar os livros de Lockhart a a sua frente para evitar olhar para a criatura . O resto de a aula entrou ruidosamente e Ron e Hermione foram sentar se um de cada lado de Harry . - Tu estavas vermelho como um pimentão - disse o Ron . - Reza para que o Creevey não se torne amigo de a Ginny senão bem podem criar o clube de * fans * de Harry_Potter . - Cala a boca - interrompeu Harry . A última coisa que desejava era que o Lockhart ouvisse a expressão « clube de * fans * de Harry_Potter « . Quando todos estavam em os seus lugares , Lockhart pigarreou alto e fez se silêncio . Ele inclinou se para a frente , pegou em o exemplar de Neville_Longbottom de * _ viagens com Duendes * e levantou o para mostrar a sua fotografia a piscar os olhos em a capa . - Eu - disse apontando para a fotografia e piscando também os olhos - Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , terceiro ano , membro honorário de a Liga_de_Defesa contra as artes negras e cinco vezes vencedor de o prémio de o * _ Feiticeiro de a semana * por o sorriso mais charmoso . Mas não vamos falar de isso , não venci a fada carpideira de Bandon a sorrir para ela ! Esperou que eles se rissem . Alguns alunos sorriram timidamente . - Já vi que todos vocês compraram a minha obra completa . Muito bem . Pensei começar hoje com um pequeno interrogatório escrito . Nada de complicado , só para perceber se leram bem os meus livros e o que apreenderam ... Depois de distribuir as folhas de teste voltou se para os alunos e disse : - Têm trinta minutos . Comecem já . Harry olhou para o papel e leu : *1 . Qual é a cor preferida de Gilderoy_Lockhart ? *2 . Qual é a ambição secreta de Gilderoy_Lockhart ? *3 . Qual é , em a sua opinião , a maior realização de Gilderoy_Lockhart até a o momento ? * E_por_aí adiante , ao_longo_de três páginas , terminando com : *54 . Qual é o dia de aniversário de Gilderoy_Lockhart e qual seria o seu presente preferido ? * Meia_hora mais tarde , Lockhart recolheu os pontos e folhou os rapidamente em frente de os alunos . - Tut , tut , quase ninguém se lembrou que a minha cor preferida é o lilás . Eu digo o em * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves * . Alguns precisam de voltar a ler com mais cuidado * Fim-de - _ Semana com Um Lobisomem * . Eu afirmo claramente em o décimo segundo capítulo que o meu presente de aniversário preferido seria a harmonia entre todos os seres , mágicos e não mágicos , embora não me importasse de receber uma garrafa grande de * whisky * velho de a Ogden's_Old_Firewhisky . Piscou lhes o olho de_novo . Ron olhava para Lockhart com uma expressão de incredulidade em o rosto . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas que estavam sentados a a frente tremiam de tanto conter o riso . Hermione , contudo , ouvia Lockhart com extrema atenção e deu um salto quando ouviu o seu nome . - Mas Miss_Hermione_Granger sabia que a minha ambição secreta era libertar o mundo de o mal e pôr a a venda a minha gama de poções de tratamento de o cabelo . Muito bem - voltou o papel . - Nota máxima ! Onde está Miss_Hermione_Granger ? Hermione ergueu uma mão trémula . - Excelente - bradou Lockhart , exultante . - Leva dez pontos para os Gryffindor . E vamos a o trabalho . Baixou se atrás de a secretária e pegou em uma grande gaiola coberta . - Ficam desde_já a saber , a minha função é preparar vos contra as criaturas mais malignas que a feitiçaria conhece . Vocês podem ter que enfrentar os maiores medos em esta sala . Saibam que nenhum mal vos sucederá comigo aqui . Só vos peço que se mantenham calmos . Ultrapassando os seus sentimentos , Harry espreitou através de a pilha de livros para ver melhor a gaiola . Lockhart colocou uma mão em a tampa . Dean e Seamus tinham deixado de se rir . Neville estava agachado em o seu lugar de a fila de a frente . - Vou pedir vos que não façam barulho - disse Lockhart em voz baixa . - Podem assustá os . Enquanto a aula inteira continha a respiração , Lockhart tirou a cobertura . - Sim - disse em um tom dramático . - Duendes_da_Cornualha recém-capturados . Seamus_Finnigan não conseguiu controlar se . Soltou uma gargalhada que nem Lockhart poderia confundir com um grito de terror . - Sim ? - sorriu a Seamus . - Bem , eles não são , não são perigosos , pois não ? - perguntou a rir . -- Não tenhas tanta certeza de isso - afirmou Lockhart , aborrecido , abanando um dedo , em direcção a Seamus . - Podem ser maçadores e muito traiçoeiros . Os duendes eram de um azul-eléctrico e tinham cerca de vinte centímetros de altura com feições angulosas e umas vozes tão estridentes que era como ouvir uma discussão entre araras . Logo_que o pano foi retirado , começaram a fazer uma enorme algazarra , a andar de um lado para o outro , batendo em as grades e fazendo caretas a as pessoas que estavam mais perto . - Muito bem - disse Lockhart em voz alta . - Vamos então ver o que vocês conseguem fazer de eles - e abriu a gaiola . Foi um pandemónio . Os duendes dispararam em todas_as direcções como foguetes . Dois de eles agarraram o Neville por as orelhas e levantaram o a o ar . Vários outros foram direitos a a janela , fazendo chover vidros partidos até a a fila de trás . Os restantes decidiram destruir a sala com maior eficácia do_que um rinoceronte em fúria . Agarraram em os tinteiros e salpicaram tudo em volta , rasgaram a os bocados livros e papéis , arrancaram os quadros de as paredes , levantaram a o ar a gaiola vazia , agarraram livros e sacos e lançaram nos por a janela de vidros estilhaçados . Em poucos minutos , metade de a aula estava abrigada debaixo de as secretárias e o Neville pendurado em o candelabro de o tecto . - Vamos lá , agarrem nos , agarrem nos , são apenas duendes ... - gritava Lockhart . Arregaçou as mangas , bramiu a varinha e pronunciou * Peshipiksi_Pesternomi ! * As palavras não tiveram o menor efeito . Um de os duendes pegou em a varinha de Lockhart e atirou a também por a janela fora . Lockhart engoliu em seco e mergulhou debaixo de a secretária , não sendo , por um triz , esmagado por o Neville que caiu um segundo depois , quando o candelabro cedeu . A campainha tocou e houve uma louca precipitação para a porta . Em a calma relativa que se seguiu , Lockhart endireitou se , olhou para Harry , Ron e Hermione que estavam quase a chegar a a porta e disse : - Bem , vou pedir vos a os três que prendam o resto de os duendes em a gaiola - passou por eles e fechou rapidamente a porta atrás_de si . - Isto dá para acreditar ? - resmungou o Ron , enquanto um de os duendes lhe mordia com toda_a força uma de as orelhas . - Ele só quer dar nos uma ajuda , permitindo nos ganhar experiência - justificou Hermione , imobilizando dois duendes de uma_vez com um encantamento de paralisação e metendo os de_novo em a gaiola . - Experiência ? - disse Harry , tentando agarrar um duende que dançava com a língua de_fora . - Hermione , ele não sabia nada do_que estava a fazer . - Disparate - retorquiu Hermione . - Leste os livros de ele . Vê só as coisas que ele já fez ! - Que diz que fez - resmungou o Ron . VII_Sangue de lama e murmúrios Harry passou imenso tempo , em os dias que se seguiram , a fugir sempre_que via Gilderoy_Lockhart aproximar se em o corredor . Mais difícil de evitar era Colin_Creevey que parecia ter decorado o horário de Harry . Parecia que nada o emocionava mais do_que dizer : - Tudo bem , Harry ? - seis ou sete vezes por dia e ouvir : - Olá , Colin - por mais exasperado que Harry estivesse quando lhe respondia . A Hedwig ainda estava zangada com Harry por causa de a desastrosa viagem de automóvel e a varinha de o Ron continuava a não funcionar , tendo ultrapassado tudo em a sexta-feira de manhã quando lhe saltou de as mãos em a aula de encantamentos e foi agredir o velho e baixinho professor Flitwick mesmo entre os olhos , deixando uma enorme bolha latejante em o sítio onde tinha batido . Por tudo_isso Harry via chegar , com satisfação , o fim_de_semana Planeava ir em o Sábado de anhã , com Ron e Hermione visitar o Hagrid . Mas foi acordado várias horas mais cedo do_que desejaria por Oliver ood , treinador de a equipa de Quidditch_dos_Gryffindor . - _ o que é_que se passa ? - perguntou Harry , enrolando as palavras . - Treino_de_Quidditch - disse Wood . - Vamos embora . Harry lançou um olhar de esguelha a a janela . Uma neblina fina pairava em o céu rosa e dourado . Agora_que estava acordado não percebia como pudera dormir com a algazarra que os pássaros faziam . - Oliver resmungou Harry . - É de madrugada . - Exacto - respondeu Wood . Era um rapaz alto e corpulento de o sexto ano e em aquele momento os olhos brilhavam lhe loucamente de entusiasmo . - Faz parte de o nosso novo programa de treinos . Anda lá , vai buscar a vassoura e vamos embora - insistiu Wood empenhado . - Nenhuma de as outras equipas começou ainda a treinar . Vamos ser os primeiros este ano ... A bocejar e a tremer um_pouco , Harry saltou de a cama e tentou descobrir as suas túnicas de Quidditch . - Bem , encontramo nos em o campo , dentro_de quinze minutos . Depois de descobrir a sua roupa escarlate de equipa e pôr o manto por cima para se aquecer , Harry escreveu a o Ron um bilhete a explicar onde tinha ido e desceu por a escada de espiral para a sala comum com a sua Nimbos dois inil a o ombro . Tinha acabado de chegar junto de o buraco de o retrato quando ouviu um barulho atrás_de si e viu Colin_Creevey descer a escada de espiral com a máquina fotográfica pendurada a o pescoço a balouçar como louca e uma coisa em a mão . - Ouvi alguém chamar o teu nome em as escadas , Harry olha o que tenho aqui . Revelei a e queria mostrar te . Harry olhou assombrado para a fotografia que Colin lhe espetava em frente de o nariz . Um Lockhart a preto e branco movia se , puxando com toda_a força um braço que Harry reconheceu como sendo o seu . Ficou satisfeito a o constatar que estava a resistir bastante bem , recusando se a ser trazido para a vista de todos . Enquanto Harry observava , Lockhart desistiu e desinteressou se de lutar contra a parte branca de a fotografia . - Assinas para mim ? - pediu Colin entusiasmado . - Não - respondeu secamente Harry , olhando em volta para verificar se o caminho estava livre . - Desculpa_Colin , mas estou cheio de pressa , treino de Quidditch . Passou por o buraco de o retrato . - Oh Uau ! Espera por mim . Eu nunca vi um jogo de Quidditch . Colin trepou por o buraco de o retrato atrás de ele . - Vai ser uma chatice para ti - disse Harry rapidamente , mas Colin ignorou o comentário . Todo o seu rosto brilhava de satisfação . - Tu foste o jogador mais novo de a equipa em cem anos , não foste Harry ? Não foste ? - perguntava Colin , trotando para o acompanhar . - Deve ser fantástico . Eu nunca voei . É fácil ? Essa vassoura é a tua ? É a melhor que há ? Harry não sabia como ver se livre de ele . Era como ter uma sombra que não se calava . - Eu não percebo nada de Quidditch - disse Colin , já sem fôlego . - É verdade que há quatro bolas ? E que duas anda n a voar , tentando fazer os jogadores caírem de as vassouras ? - Sim - disse Harry lentamente , resignado com o ter de lhe explicar as complicadas regras de o Quidditch . - São as * bludgers * . Há dois * beaters * em cada equipa que têm bastões para bater em as * bludgers * e lançá as para o outro lado . O Fred e o George_Weasley são os * beaters * de os Gryffindor . - E para que servem as outras bolas ? - perguntou Colin , saltando uma série de degraus porque ia a olhar para o Harry de boca aberta . - Bem , a * quaffle * , que é a vermelha grandalhona , é a que marca os golos . Três * chasers * em cada equipa lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam fazes a entrar em as balizas que ficam em o extremo de o campo onde há três grandes postes com argolas em as pontas . - E a quarta bola ? - A * snitch * dourada - explicou Harry . - É muito pequenina e veloz e extremamente difícil de agarrar . Mas é isso que o * seeker * tem de fazer , porque o jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * for agarrada . E o * seeker * que conseguir agarrá a ganha para a sua equipa mais cento_e_cinquenta pontos . - E tu és o * seeker * de os Gryffindor , não és ? - perguntou Colin respeitosamente . - Sim - disse Harry enquanto saíam de o castelo e começavam a atravessar o relvado . - E há também o * keeper * que toma conta de os postes . É isto . Mas Colin não parou de fazer perguntas desde os relvados macios até a o campo de Quidditch e Harry só se viu livre de ele quando chegaram a os vestiários . Colin gritou em uma voz aguda : - Eu vou arranjar um lugar , Harry - e apressou se em direcção a as bancadas . O resto de a equipa de os Gryffindor já se encontrava em os vestiários . Wood era o único que tinha aspecto de estar bem acordado . Fred e George_Weasley estavam sentados com olhos de sono e cabelos desgrenhados junto de Alicia_Spinnet de o quarto ano que parecia inclinar se contra a parede que tinha atrás_de si . Os seus companheiros * chasers * , Katie_Bell e Angelina_Johnson bocejavam em frente de ela . - Até que enfim , Harry , porque é_que demoraste tanto ? - perguntou Wood cheio de actividade . - Eu queria ter uma pequena conversa convosco antes de entrarmos propriamente em campo porque passei o Verão a conjecturar um novo programa de treinos que acredito vai estabelecer grandes mudanças . Wood tinha em as mãos um grande mapa de um campo de Quidditch onde estavam desenhadas muitas linhas , setas e cruzes a tinta de várias cores . Pegou em a varinha , bateu com ela em o quadro e as setas começaram a mover se em o mapa como tractores . Enquanto Wood se lançava em um discurso sobre as suas novas técnicas , a cabeça de Fred_Weasley caiu sobre o ombro de Alicia_Spinnet e ele começou a ressonar . O primeiro mapa levou quase vinte minutos a explicar , mas debaixo de esse havia outro e ainda um terceiro . Harry caiu em uma letargia enquanto Wood continuava indefinidamente . - Então - disse por fim o treinador , arrancando Harry de a avidez de uma fantasia sobre o que poderia estar a comer se se encontrasse em aquele momento em o castelo . - Ficou tudo claro ? Alguma pergunta ? - Eu tenho uma pergunta , Oliver - disse George que acordou estremunhado . - Porque não nos explicaste tudo_isso ontem , quando estávamos acordados ? Wood não ficou nada satisfeito . - Ouçam bem , vocês todos - disse , voltando se para eles mal-humorado . - Nós deveríamos ter ganho a taça de Quidditch o ano passado . Somos de longe a melhor equipa , mas , infelizmente , devido_a circunstancias que estão para_além de o nosso controlo ... Harry mudou de posição em a cadeira sentindo se culpado . Estivera inconsciente em o hospital durante o campeonato final de o ano anterior o que fez com que os Gryffindor com um jogador a menos tivessem sofrido a pior derrota de os últimos trezentos anos . Wood levou um momento a controlar se . Era evidente que a última derrota ainda o torturava . - Portanto , este ano vamos fazer um treino mais duro , como nunca se fez . O. _ K. , vamos lá pôr as teorias em prática - gritou , pegando em a vassoura e conduzindo os para fora de o vestiário . Com as pernas trôpegas e ainda a bocejar , a equipa seguiu o . Tinham estado tanto tempo lá dentro que o sol já tinha nascido e brilhava em o céu embora uma réstia de neblina pairasse ainda sobre o relvado de o campo . Quando Harry entrou em campo viu Ron e Hermione sentados em as bancadas . - Ainda não acabaram ? - perguntou Ron em um tom incrédulo . - Ainda nem começamos - explicou Harry , olhando cheio de inveja para a torrada com doce de laranja que Ron e Hermione tinham trazido de o salão . - O Wood tem estado a ensinar nos as jogadas . Subiu para a vassoura e deu um pontapé em o chão , elevando se em o ar . O ar fresco de a manhã bateu lhe em o rosto fazendo o acordar com mais eficácia do_que o longo discurso de Wood . Era maravilhoso voltar a estar em o campo de Quidditch . Voou em volta de o estádio a toda a a velocidade competindo com Fred e George . - Que barulhinho estranho é aquele ? - perguntou o Fred quando deram a volta . Harry olhou para as bancadas . Colin estava sentado em um de os lugares mais altos com a máquina fotográfica em o ar , tirando fotografia sobre fotografia , o som estranhamente ampliado em o estádio deserto . - Olha para ali , Harry , para ali - gritava de forma estridente . - Quem é aquele ? - perguntou Fred . - Não faço ideia - mentiu Harry , disparando a_toda_a velocidade e distanciando se o mais possível de Colin . - O que se passa aí ? - perguntou Wood , franzindo a testa enquanto corria por os ares atrás de eles . - Porque está aquele aluno de o primeiro ano a tirar fotografias ? Não me agrada . Pode ser um espião de os Slytherin a tentar descobrir o nosso novo programa de treinos . - Ele é de os Gryffindor - disse Harry rapidamente . - E os Slytherin não precisam de um espião , Oliver - completou George . - Porque dizes isso ? - perguntou Wood irritado . - Porque estão aqui em peso - disse George , apontando com o dedo . Vários indivíduos com túnicas verdes vinham em aquele momento a entrar em o campo de vassouras em a mão . - Não posso acreditar - reagiu Wood , sentindo se ultrajado . - Eu reservei o estádio para hoje . Já vamos ver como é_que isto fica ! Wood baixou direito a o chão sendo levado por a fúria a aterrar com mais força do_que pretendia e a cambalear um_pouco quando começou a andar seguido de o Harry e de o Ron . - Flint - bradou para o treinador de os Slytherin . - Este é o nosso tempo de treino . Levantámo nos de propósito . Vocês têm de sair de aqui . Marcus_Flint era ainda mais corpulento do_que Wood . Tinha em o rosto uma expressão de duende travesso quando respondeu : - Há espaço para todos , Wood . Angelina , Alicia e Katie tinham vindo também . Em a equipa de os Slytherin não havia raparigas que enfrentassem a o lado de os rapazes os Gryffindor . - Mas eu reservei o estádio - repetiu Wood de modo afirmativo , cuspindo de raiva . - Reservei o . - Ah ! - exclamou Flint . - Mas eu tenho aqui uma licença especial assinada por o professor Snape . * _ Eu , professor Snape , autorizo a equipa de os Slytherin a praticar hoje em o campo de Quidditch devido a a necessidade de treinar o seu novo seeker . * - Têm um novo * seeker * ? - perguntou Wood perturbado . - Onde ? E detrás de as seis figuras corpulentas que tinham em a frente , viram surgir uma sétima : um rapaz mais pequeno com um sorriso afectado espelhado em o rosto pálido e anguloso . Era_Draco_Malfoy . - Não és o filho de o Lucius_Malfoy ? - perguntou Fred , olhando para ele com antipatia . - Curioso que refiras o pai de o Draco - disse Flint enquanto toda_a equipa de os Slytherin sorria de modo grosseiro . - Deixem me mostrar vos a generosa oferta que ele fez a a equipa de os Slytherin . Os sete exibiram as suas vassouras . Sete cabos novos , polidos , com inscrições em letras douradas de as palavras « Nimbus dois_mil_e_um « brilharam a o sol de a manhã , em frente de o nariz de os Gryffindor . - O último modelo . Só chegou em o mês passado - disse Flint , displicentemente , sacudindo a poeira de o cabo de a sua vassoura . - Julgo que ultrapassam de longe as velhas séries de dois_mil . Quanto a as Cleansweeps - sorriu de forma mesquinha para Fred e George que tinham ambos Cleansweep_Fives - essas já só servem para varrer . Nenhum de os Gryffindor foi capaz de abrir a boca em aquele momento . Malfoy sorria tanto que os seus olhos de gelo estavam reduzidos a duas rachas . - Oh vejam - disse Flint . - Uma invasão de o campo . Ron e Hermione atravessavam o relvado para ver o que se passava . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron a o Harry . - Porque não estão a jogar e o que faz ele aqui ? Olhava para Malfoy em as suas vestes de Quidditch . - Sou o novo * seeker * de os Slytherin , Weasley - disse Malfoy com ar presumido . - Têm estado todos a admirar as vassouras que o meu pai comprou para a nossa equipa . Ron olhou de boca aberta para as sete vassouras que tinha em a frente . - São boas , não são ? - disse Malfoy untuosamente . - Mas talvez a equipa de os Gryffindor consiga levantar algum ouro e comprar também vassouras novas . Vocês podiam levar essas Cleansweep_Fives a leilão , talvez algum museu esteja interessado . A equipa de os Slytherin riu se a bandeiras despregadas . - Pelo_menos em os Gryffindor ninguém teve de comprar a sua entrada - disse secamente Hermione . - Entraram todos por mérito próprio . O ar presumido de Malfoy desapareceu . - Ninguém pediu a tua opinião , sangue de lama - cuspiu Malfoy . Harry apercebeu se , de imediato , que Malfoy dissera algo muito grave porque houve uma tremenda algazarra em o seguimento de as suas palavras . Flint teve que se pôr a a frente de o Malfoy para evitar que Fred e George se atirassem a ele . Alicia bradou : - Como te atreves ? - E Ron meteu a mão em as vestes e sacou de a varinha mágica , gritando : - Vais pagar por o que disseste , Malfoy ! - e apontou a , furioso , por debaixo de o braço de Flint , a o rosto de Malfoy . Um enorme estrondo , ecoou em o estádio e um jacto de luz verde saiu por a extremidade errada de a varinha de Ron , atingindo o em o estômago e projectando o para trás em direcção a o relvado . - Ron ! Ron ! Estás bem ? - gritou Hermione . Ron abriu a boca para falar , mas nenhuma palavra saiu . Em vez de isso , teve um vómito imenso e várias lesmas saíram lhe de a boca , indo cair lhe em o colo . A equipa de os Slytherin ficou paralisada de riso . Flint estava dobrado , agarrado a a vassoura nova . Malfoy , a quatro , batia com o punho em a chão . Os Gryffindor rodeavam o Ron , que continuava a vomitar lesmas enormes e reluzentes . Ninguém queria tocar lhe . - É melhor levá o para_casa de o Hagrid . É o mais perto - disse Harry_a_Hermione , que acenou afirmativamente , e os dois arrastaram o Ron por os braços . - O que aconteceu , Harry ? O que aconteceu ? Ele está doente ? Mas tu podes curá o , não podes ? - Colin descera a correr de o lugar onde estava sentado e dançaricava em frente de eles , enquanto abandonavam o campo . Ron teve um novo arremesso e mais lesmas saíram de a sua boca . - Oooh ! - exclamou Colin fascinado , levantando a máquina fotográfica . - Podes mantê o quieto , Harry ? - Sai de a minha frente , Colin - gritou Harry zangado . Ele e a Hermione conseguiram levar o Ron para fora de o estádio , atravessar os campos e chegar a a beira de a floresta . - Está quase , Ron - disse Hermione , mal avistaram o casebre de o guarda de os campos . - Vais ficar bem dentro_de um minuto ... está quase ... Estavam a sessenta metros de a casa de Hagrid , quando a porta de a frente se abriu . Mas não foi Hagrid quem saiu de lá , e sim Gilderoy_Lockhart , em uma túnica cor de malva . - Rápido , vamos esconder nos aqui - sussurrou Harry , arrastando Ron para trás de um arbusto que havia ali perto . Hermione acompanhou o , embora um_pouco relutante . -- É muito simples quando se sabe o que se está fazer ! - gritava Lockhart_para_Hagrid . - Se precisar de ajuda , sabe onde estou . Vou dar lhe um exemplar de o meu livro . Espanta me que ainda não o tenha . Logo a a noite autografo o e envio lhe o . Bem . até a a próxima ! - e afastou se em direcção a o castelo . Harry esperou que Lockhart desaparecesse , antes de puxar o Ron de trás de o arbusto até a a casa de o Hagrid . Bateram ansiosamente . Hagrid apareceu logo com um ar mal-humorado , que se dissipou quando viu quem era . - Já me tinha perguntado quand'é que vocês vinham ver me , entrem , entrem , pensei qu'era outra_vez o professor Lockhart . Harry e Hermione ajudaram Ron a subir o degrau que dava acesso a a cabana de uma divisão com uma cama enorme a um de os cantos e uma lareira a crepitar alegremente em o outro . Hagrid não pareceu perturbado com o problema de as lesmas de o Ron que Harry lhe explicou precipitadamente , logo_que sentou o Ron em uma cadeira . - Melhor saírem de o qu'entrarem - disse , em um tom bem-disposto , colocando uma grande bacia de cobre em frente de ele . - Deita as todas fora , Ron . - Acho que não há mais_nada a fazer , a não ser esperar que isto pare - disse Hermione ansiosamente , vendo Ron inclinar se para a bacia . - É uma maldição muitas_vezes difícil , mas com uma varinha partida ... Hagrid andava de um lado para o outro a preparar o chá . O cão de ele , Fang , babava se em cima de o Harry . - O que é_que o Lockhart queria de ti ? - perguntou o Harry , coçando as orelhas de o Fang . - Ensinar me a tirar espíritos aquáticos com forma de cavalos d'uma nascente d'água - resmungou Hagrid , retirando de a mesa pequena um galo meio depenado e colocando em o seu lugar o bule . - Como s'eu não soubesse . E contar me uma peta qualquer d'uma fada carpideira que ele venceu . Engulo essa chaleira , se uma palavra do_que ele disse for verdade . Não era hábito de Hagrid criticar um professor de Hogwarts e Harry olhou para ele com alguma surpresa . Mas Hermione disse em uma voz mais aguda do_que de costume : - Acho que estás a ser injusto . O professor Dumbledore obviamente achou que era o melhor homem para o lugar ... - Era o único - explicou Hagrid , oferecendo lhes um prato de bombons de melaço enquanto Ron tossia para a bacia . - E não havia mais ninguém . Não é fácil encontrar quem queira dar Artes de magia negra . As pessoas não gostam de essa matéria . Começam a pensar que está amaldiçoada , ninguém ficou muito_tempo a dá a . Mas digam me lá - continuou Hagrid , inclinando a cabeça para Ron - quem é qu'ele estava a tentar amaldiçoar ? - O Malfoy chamou qualquer coisa a a Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si . - Foi grave , sim - disse o Ron com voz rouca , emergindo a a superfície de a mesa , pálido e transpirado . - O Malfoy chamou lhe sangue de lama , Hagrid . - Ron desapareceu outra_vez quando uma nova onda de lesmas fez o seu aparecimento . Hagrid estava indignado . - Não posso crer - exclamou , dirigindo se a Hermione . - Chamou sim - disse ela . - Mas eu não sei o que significa . Percebi que era má educação , claro ... - É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar - explicou Ron novamente . - Sangue de lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles , sabes , filho de pais não mágicos . Há alguns feiticeiros , como a família de o Malfoy que acham que são melhores do_que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro . - Teve um pequeno vómito e uma lesma isolada caiu lhe em a mão aberta . Ele atirou a para a bacia e continuou . -- É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma . Olha_o_Neville_Longbottom , é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito . - E ainda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer - afirmou Hagrid , orgulhoso , fazendo Hermione corar em tons de magenta . - É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém - disse o Ron , limpando o suor de a testa com a mão trémula . - Sangue sujo , sangue vulgar , é um disparate . A maior parte de os feiticeiros hoje_em_dia têm sangue misturado . Se não tivéssemos casado com Muggles tinha sido o nosso fim . Fez um esforço para vomitar e baixou se mais_uma_vez . - Bem , não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá o , Ron - disse Hagrid bem alto enquanto montes de lesmas caíam em a bacia . - Mas , se_calhar , não foi mau de todo teres a varinha a trabalhar ao_contrário . Acho que Lucius_Malfoy teria vindo logo a correr a a escola se tivesses amaldiçoado o filho . Assim , pelo_menos , não estás metido em nenhum sarilho . Harry teria referido que o problema não podia ser pior do_que deitar lesmas por a boca , mas não pôde . Os bombons de melaço tinham lhe colado os maxilares um_ao_outro . - Harry - disse de repente Hagrid como_que movido por um pensamento súbito . - Tens de me explicar uma coisa . Ouvi dizer que tens andado a dar fotografias autografadas . Porque é qu'eu não tenho nenhuma ? A fúria de Harry foi tão grande que os maxilares se libertaram . - Eu não tenho dado fotografias autografadas - disse com vivacidade . Se o Lockhart andou a espalhar isso ... Mas em esse momento viu que Hagrid se estava a rir . - ´ _ tou a brincar - disse , dando uma palmadinha em as costas de Harry e fazendo lhe sinal para se sentar a a mesa . -- Eu sabia que não tinhas . Disse a o Lockhart que tu não precisavas de isso . Es mais famoso do_que ele sem sequer , tentares . - Aposto que ele não gostou de ouvir isso - comentou Harry , sentando se e esfregando o queixo . - Acho que não gostou mesmo - prosseguiu Hagrid com os olhinhos a brilhar . - E disse lhe também que nunca tinha lido nenhum de os livros de ele e ele foi se embora . Um bombom de melaço , Ron ? - perguntou a o vê o reaparecer . - Não , obrigado - disse o Ron com uma voz fraca . - É melhor não arriscar . - Venham ver o qu'eu tenho estado a criar - disse Hagrid quando Harry e Hermione acabaram de tomar o chá . Em a pequena horta atrás de a casa estava uma_dúzia de as maiores abóboras que Harry alguma vez vira . Pareciam enormes blocos de pedra . - Estão a dar se bem , não achas ? - disse Hagrid , feliz . São para a festa de o * _ Hallow'en * . Devem estar bem grandes quando chegar a altura . - O que é_que lhes tens dado como alimento ? - perguntou Harry . Hagrid olhou por cima de o ombro para confirmar se estavam sós . - Bem , tenho estado a dar lhes ... uma pequena ajuda . Harry reparou em o guarda-chuva cor-de-rosa a as florzinhas que estava encostado contra a parede de a cabana . Tivera em o ano anterior motivos para crer que aquele guarda-chuva não era o que parecia . De facto , acreditava que a antiga varinha de escola de Hagrid se encontrava oculta dentro de ele . Hagrid não tinha autorização para usar magia . Fora expulso de Hogwarts em o terceiro ano embora Harry nunca tivesse descoberto o motivo . Qualquer referência a esta questão fazia Hagrid pigarrear bem alto e ficar misteriosamente surdo até mudarem de assunto . -- Um encantamento de absorção , imagino ? - comentou Hermione entre a desaprovação e o divertimento . - Bem , se assim foi , fizeste um bom trabalho . - Foi o que disse a tua irmãzinha - respondeu Hagrid acenando em direcção a Ron . - Encontrei a ontem . - Hagrid olhou de lado para Harry , a barba a contorcer se . - Disse que andava só a ver os campos , mas eu acho qu'ela esperava encontrar alguém em a minha casa - piscou o olho a o Harry . - Se queres que te diga acho qu'ela não recusaria uma fotografia autogr ... - Cala te com isso - disse Harry . Ron desatou a rir e o chão ficou cheio de lesmas . - Cuidado - resmungou Hagrid , afastando Ron de as suas preciosas abóboras . Estava quase em a hora de o almoço e , como o Harry só tinha provado um bombom de melaço desde manhã cedo , estava ansioso por chegar a a escola para ir comer . Despediram se de o Hagrid e regressaram a o castelo . O Ron a vomitar de vez em quando , mas deitando só duas pequenas lesmas . Mal tinham pisado a entrada de o vestíbulo quando ouviram uma voz . - Aí estão vocês , Potter , Weasley . - A professora Mc_Gonagall vinha em direcção a eles com o seu ar severo . - Vocês os dois vão ter as punições hoje a a tarde . - O que é_que vamos fazer , professora ? - perguntou o Ron nervoso , deixando cair uma lesma . - Tu vais limpar as pratas em a sala de os troféus com Mr._Filch - disse a professora Mc_Gonagall . - E nada de mágicas , Weasley , trabalho com esforço . Ron engoliu em seco . Argus_Filch , o encarregado , era odiado por todos os alunos de a escola . - E tu , Potter , vais ajudar o professor Lockhart a responder a as cartas de as suas fãs - ordenou a professora Mc_Gonagall . - Oh , não ! Não posso ir também trabalhar em a sala de os troféus ? - pediu Harry em desespero de causa . - Nem pensar em isso - respondeu a professora Mc_Gonagall , erguendo as sobrancelhas . - O professor Lockhart requisitou te especialmente a ti . _ a as oito_em_ponto , os dois . Harry e Ron entraram em o salão em um estado de profundo desanimo com a Hermione atrás , ostentando uma expressão de * bem-voces-quebraram-as-regras-da-escola * . Harry não saboreou o empadão de carne como teria desejado . Tanto ele como o Ron achavam que tinham tido o pior de os castigos . -- O Filch vai reter me lá toda_a noite - disse Ron , desanimado . - Sem mágica ! Deve haver umas cem taças em aquela sala , eu não sei fazer limpeza de Muggles . - Eu trocava contigo de boa_vontade - confessou Harry em uma voz surda . - Tive montes de prática com os Dursleys . Responder a o correio de fãs de o Lockhart , que pesadelo ... A tarde de sábado pareceu derreter se . Pouco depois eram já cinco para as oito e Harry arrastava se até a o corredor de o segundo andar onde ficava o escritório de o Lockhart . Rangendo os dentes , bateu a a porta . A porta abriu se imediatamente e Lockhart dirigiu se lhe . - Ah , cá está o patifório ! - exclamou . - Entra , Harry , entra . Em as paredes , brilhando à_luz_de muitas velas , podia ver se uma infinidade de fotografias de Lockhart . Algumas de elas até assinadas . Sobre a secretária estava outro monte enorme . - Podes pôr as moradas em os envelopes - disse Lockhart_a_Harry , como_se fosse uma grande ameaça . - O primeiro é para Gladys_Gudgeon , abençoada seja , uma grande fã minha . Os minutos passavam lentos . De vez em quando , Harry ouvia a voz de Lockhart dizendo : - Mmm - e - certo - e - sim . - De vez em quando , apanhava uma frase como : - A fama é versátil , amigo Harry - ou - Só é célebre quem faz por isso , nunca te esqueças . As velas ardiam cada_vez com maior lentidão , fazendo a luz dançar sobre as muitas caras de Lockhart que o olhavam . Harry passava a mão , já dorida , sobre o que devia ser o centésimo envelope , escrevendo a morada de Verónica_Smethley . « Deve estar quase em a hora de me ir embora » , pensou , sentindo se profundamente infeliz , « por favor , faz com que esteja em a hora ... » E então ouviu algo , algo totalmente diferente de o crepitar de as velas e de os ditos de Lockhart sobre as suas fãs . Era uma voz , uma voz de arrepiar os ossos , de cortar a respiração , de veneno frio . - * _ Vem ... vem ter comigo ... deixa me rasgar te ... cortar te ... matar te * ... Harry deu um salto e uma enorme mancha lilás surgiu em a rua de Verónica_Smethley . - O quê ? - disse ele em voz alta . - Eu sei - exclamou Lockhart . - Seis meses inteirinhos em o topo de a lista de * bestsellers * , bati todos os recordes ! - Não - disse Harry nervosíssimo - aquela voz ! - Como ? - perguntou Lockhart , com um ar confuso . - Que voz ? - Aquela , aquela voz que disse ... não ouviu ? Lockhart olhava para Harry com o maior espanto . - De que é_que estás a falar , Harry ? Estás a ficar com sono ? Meu Deus , olha , só estamos aqui há quase quatro horas , quem diria ? O tempo passou a correr , não é verdade ? Harry não respondeu , estava a fazer um esforço para ouvir de_novo a voz , mas o único som que ouviu foi Lockhart a dizer lhe que não esperasse um tratamento igual de as próximas vezes que fosse castigado . Harry saiu , sentindo se atordoado . Era tão tarde que a sala comum de os Gryffindor estava quase vazia . Harry foi directamente para o dormitório . Ron ainda não tinha voltado . Vestiu o pijama , meteu se em a cama e esperou . Meia_hora mais tarde , chegou o Ron agarrado a o braço direito e inundando o quarto escuro de um forte cheiro a limpa-pratas . - Doem me todos os músculos - resmungou , metendo se em a cama . - Ele fez me polir catorze vezes aquela taça de Quidditch até estar satisfeito . E depois tive outro vómito em_cima_de um troféu de Reconhecimento por serviços prestados a a escola . Demorei séculos a limpar o muco de as lesmas . Como correram as coisas com o Lockhart ? Em voz baixa para não acordar o Neville , o Dean e o Seamus , Harry contou lhe , palavra por palavra , o que tinha ouvido . - E Lockhart disse que não ouviu nada ? - perguntou o Ron . Harry viu o franzir a testa , a a luz de o luar . - Achas que estava a mentir ? Mas , não percebo , mesmo um ser invisível teria aberto a porta . - Eu sei - disse Harry , encostando se a a cama e olhando para o dossel . - Também não compreendo . VIII_A festa de o dia de os mortos Outubro chegou , espalhando um frio húmido por os campos e por os cantos de o castelo . Madam_Pomfrey , a enfermeira-chefe , esteve bastante ocupada com uma onda de constipações que afectou professores e alunos . A sua poção de pimentão entrou imediatamente em acção apesar_de deixar quem a tomava com fumo em os ouvidos durante várias horas . Ginny_Weasley , que andava com ar adoentado , foi convencida a tomá a por o Percy . O fumo que saía por debaixo de o seu cabelo ruivo dava a impressão de que toda_a cabeça estava em fogo . Gotas de chuva de o tamanho de balas agrediram as janelas de o castelo durante dias a fio . O lago rosado e os canteiros de flores tornaram se regatos lamacentos e as abóboras de o Hagrid incharam ficando de o tamanho de alpendres de jardim . Contudo , o entusiasmo de Oliver_Wood por as sessões de treino regular não foi abalado , motivo por o qual Harry iria regressar a a torre de os Gryffindor , em um sábado a a tarde de temporal , alguns dias antes de o * _ Hallowe'en * , ensopado até a os ossos e todo enlameado . Além de a chuva e de o vento , não fora um treino feliz . Fred e George que tinham andado a espiar a equipa de os Slytherin tinham visto com os seus próprios olhos a velocidade alucinante de aquelas novas Nimbus dois_mil_e_um e comentaram que a equipa em o ar parecia composta por sete manchas esverdeadas que disparavam a_toda_a velocidade como aviões a jacto . Enquanto Harry chapinhava a o longo de o corredor deserto , cruzou se com alguém que parecia tão preocupado como ele : Nick quase sem cabeça , o fantasma de a torre de os Gryffindor que olhava taciturno , por a janela , murmurando baixinho : - Não preenche os requisitos , um centímetro e meio se ... - Olá , Nick - cumprimentou Harry . - Olá , olá - disse o Nick quase sem cabeça , começando a olhar em volta . Usava um arrebatado chapéu de plumas sobre a longa cabeleira encaracolada e uma túnica com gola de tufos que disfarçava o facto de ter o pescoço quase totalmente separado de o corpo . Era pálido como o fumo e Harry podia ver através de ele o céu negro e a chuva torrencial , lá fora . - Pareces preocupado , jovem Potter - disse Nick , dobrando uma carta transparente , enquanto falava e escondendo a dentro de a jaqueta . - Tu também - retorquiu Harry . - Ah ! - o Nick quase sem cabeça acenou com a mão de forma elegante . - Uma questão sem importância . Não é_que eu quisesse realmente participar apesar_de me ter inscrito , mas , a o que parece , não preencho os requisitos . - Apesar de o seu tom jovial havia em o seu rosto uma grande amargura . - Mas era de esperar , ou não era - exclamou subitamente , tirando a carta de o bolso - que ter levado quarenta_e_cinco golpes em a cabeça com um machado ferrugento me qualificaria para entrar em o grupo de os Sem - _ Cabeça ? - Sim , sim - respondeu Harry que obviamente o outro esperava que concordasse . - Isto_é , ninguém mais do_que eu desejaria que tudo tivesse sido rápido e perfeito , poupava me muitas dores e ridículo . Mas ... O Nick quase sem cabeça abriu , furioso , a carta e leu : * _ Só podemos aceitar em o grupo homens cuja cabeça tenha sido separada de o corpo . Compreenderá que de outro modo seria impossível a os nossos membros participarem em actividades como equitação de malabarismos com a cabeça e pólo de cabeça . Lamentamos profundamente informá o de que não preenche os requisitos . * _ Os nossos melhores cumprimentos , Sir_Patrick_Delaney - _ Podmore * Furioso , o Nick quase sem cabeça atirou fora a carta . - Um centímetro de pele e tendões a segurarem me a cabeça , Harry ! A maior parte de as pessoas acharia que era mais do_que o suficiente , mas não serve para o senhor correctamente decapitado Podmore . Nick quase sem cabeça respirou fundo várias vezes e , por fim , em um tom bastante mais calmo perguntou : - Então o que é_que te preocupa ? Alguma coisa que eu possa fazer por ti ? - Não - respondeu Harry . - A_não_ser_que saibas onde posso arranjar sete Nimbus dois_mil_e_um , de_graça , para o nosso campeonato contra os Sly ... - o resto de a frase foi afogada por um miado agudo vindo de perto de os seus tornozelos . Olhou para baixo e deu consigo a fitar um par de olhos que pareciam duas lâmpadas amarelas . Era_Mrs._Norris , a gata cinzenta e esquelética usada por o encarregado Argus_Filch como uma espécie de polícia em a sua infindável batalha contra os estudantes . - É melhor saíres de aqui , Harry - preveniu Nick com toda_a calma . - O Filch não está nada bem-disposto . Anda engripado e alguns alunos de o terceiro ano , por acidente , encheram o tecto de o calabouço cinco de miolos de rã . Ele tem andado toda_a manhã a limpar e se te vê a encher tudo de lama ... - Certo - disse Harry , recuando e afastando se de o olhar acusador de Mrs._Norris , mas ... tarde de mais . Conduzido até ali por o misterioso poder que parecia ligá o a a gata , Argus_Filch entrou subitamente por uma tapeçaria que se encontrava a a direita de Harry , com a sua respiração asmática , olhando vivamente em volta em busca de o infractor . Tinha um lenço grosso , de xadrez , a a volta de a cabeça e o nariz invulgarmente arroxeado . - Imundície - gritou com os maxilares a tremer e os olhos a saltarem lhe de as órbitas , enquanto apontava para a poça de lama que pingara de a túnica de Quidditch_de_Harry . - Desarrumação e imundície em todo o lado . Estou farto disto , segue me , Potter . Harry despediu se de o Nick quase sem cabeça com um tímido aceno e seguiu Filch até lá abaixo , duplicando o número de pegadas lamacentas em o chão . Nunca entrara em o gabinete de o Filch . Era um lugar que a maior parte de os estudantes evitava . A divisão era sombria e sem janelas , iluminada por uma única lamparina de óleo que pendia de o tecto . Sentia se um vago cheiro a peixe frito . As paredes estavam forradas por ficheiros de madeira . Por as etiquetas Harry percebeu que continham os dados de todos os alunos que Filch tinha punido . Fred e George_Weasley tinham uma gaveta só para eles . Atrás de a secretária estava pendurada uma colecção bem polida de correntes e algemas . Todos sabiam que ele estava sempre a pedir a Dumbledore que o deixasse pendurar os alunos em o tecto por os tornozelos . Filch pegou em uma pena que estava sobre a secretária e começou a procurar o pergaminho . - Bosta - murmurou , furioso . - Bosta de dragão , miolos de rã , intestinos de ratazana ... eu tinha aqui bastante , onde está o form ... sim ... Tirou um enorme rolo de pergaminho de a gaveta de a secretária e estendeu o em a frente , molhando a longa pena em o tinteiro . - Nome : Harry_Potter . Crime ... - Foi só um bocadinho de lama - disse Harry . - É só um bocadinho de lama para ti , rapaz , mas para mim é mais de uma hora a esfregar - gritou Filch com um pingo a tremer de modo desagradável em a extremidade de o nariz bolboso . - Crime : manchar o castelo . Sentença proposta ... Esfregando o nariz que continuava a pingar , Filch olhou com má cara para Harry que esperava com a respiração entrecortada para ouvir a sentença . Mas quando Filch pegou em a pena ouviu se um estrondo enorme em o tecto que fez a lamparina apagar se . - PEEVES - resmungou Filch , pousando a pena , cheio de raiva . - Desta_vez apanho te . Apanho te ! E sem olhar para trás , saiu a correr a_toda_a velocidade de o gabinete , seguido de a gata , Mrs._Norris . Peeves era o * poltergeist * de a escola , uma ameaça de risota esvoaçante que vivia para fazer estragos e criar aflição . Harry não gostava lá muito de ele , mas desta_vez , não podia deixar de lhe estar grato . Na_melhor_das_hipóteses o que Peeves tivesse feito ( e parecia que agora ele destruíra qualquer coisa em grande ) distrairia Filch_de_Harry . Pensando que o melhor seria esperar que ele voltasse , Harry deixou se cair em uma cadeira carcomida por o tempo que se encontrava junto de a secretária . Havia uma coisa sobre o tampo : um grande envelope roxo e lustroso com letras prateadas em a frente . Lançando um olhar rápido a a porta para confirmar que Filch não estava de volta , Harry pegou lhe e leu : __ feitiço __ rápido Um curso por correspondência De iniciação a a magia Cheio de curiosidade , abriu o envelope e retirou o rolo de pergaminho . Uma letra curvilínea e prateada dizia : Sente se pouco a a vontade em o mundo de a magia moderna ? Dá consigo a arranjar desculpas para não fazer feitiços simples ? Tem sido censurado por o deplorável trabalho com a varinha ? Eis a resposta ! Feitiço rápido e um curso totalmente novo , infalível , de resultados rápidos e rápida aprendizagem . Centenas de bruxas e feiticeiros têm beneficiado de o método feitiço rápido ! Madam_Z._Nettles_de_Topsham escreve nos : Eu não conseguia fixar os encantamentos e as minhas poções eram alvo de risota em a família . Agora , depois de o curso feitiço rápido , tornei me o centro de as atenções em todas_as festas e os meus amigos não param de pedir me a receita de a minha brilhante solução ! O mágico D.J._Prod , de Disbury , afirma : A minha mulher costumava rir se de os meus fracos encantamentos , mas bastou um mês com o vosso fabuloso curso feitiço rápido e consegui transformá a em um iaque . Obrigado , feitiço rápido ! Fascinado , Harry folheou o resto de o conteúdo de o envelope . Para que diabo quereria o Filch um curso de feitiço rápido ? Não seria ele um feiticeiro a sério ? Harry estava a ler a lição número um : Pegando em a varinha ( algumas dicas úteis ) quando umas passadas arrastadas , lá fora , o preveniram de que Filch estava de volta . Metendo rapidamente o pergaminho dentro de o envelope , lançou o para_cima de a secretária em o preciso momento em que a porta se abriu . Filch ostentava um ar triunfante . - Aquele armário que desapareceu era extremamente valioso - vinha ele a dizer a a gata , Mrs._Norris . - Desta_vez vamos correr com o Peeves , minha linda . Os seus olhos recaíram sobre Harry e logo_a_seguir sobre o envelope de o feitiço rápido que , Harry apercebeu se tarde de mais , estava meio metro distanciado de o seu lagar inicial . O rosto pálido de Filch tornou se vermelho escarlate . Harry preparou se para uma nova onda de fúria . Filch coxeou até a a secretária , arrebatou o envelope e meteu o em uma gaveta . -- Chegaste a ... lê o ? - perguntou atabalhoadamente . - Não - mentiu Harry , sem perder tempo . As mãos nodosas de o Filch contorciam se ao_mesmo_tempo . - Se eu soubesse que ias ler a minha correspondência priv ... não que seja minha ... é para um amigo ... mesmo_assim ... Harry olhava para ele espantado . Nunca vira o Filch tão louco . Os olhos pareciam querer saltar lhe de as órbitas , com um tique em as bochechas e aquele lenço axadrezado que não ajudava nada ... - Muito bem , vai e não abras a boca sobre isto ... não que ... mesmo_assim ... se tu não leste ... vai te embora , tenho de escrever o relatório sobre o Peeves , vai . Atordoado com a sua sorte , Harry saiu de ali e largou a correr por o corredor fora e por as escadas acima . Sair de o gabinete de o Filch sem um castigo devia ser um recorde em a escola . - Harry , Harry , deu resultado ? O Nick quase sem cabeça saiu a brilhar de uma sala de aula . Atrás de ele , Harry pôde ver os destroços de um grande armário preto e dourado que parecia ter sido atirado de uma grande altura . - Convenci o Peeves a parti o mesmo em cima de o gabinete de o Filch - disse Nick entusiasmado . - Pensei que talvez o distraísse . - Foste tu ? - exclamou Harry , agradecido . - Funcionou sim . Ele não me deu nenhum castigo . Obrigado , Nick . Atravessaram o corredor juntos . O Nick quase sem cabeça , reparou Harry , ainda tinha em a mão a carta de Sir_Patrick . - Gostaria de poder fazer qualquer coisa sobre o grupo de os Sem - _ Cabeça - disse Harry . O Nick quase sem cabeça parou de repente e Harry passou através de ele . Antes não tivesse passado , foi como atravessar um duche gelado . - Mas há uma coisa que tu podes fazer por mim - disse Nick muito agitado . - Harry , seria pedir te de mais ... mas não , tu não ias querer ... - O quê ? - Bem , este ano em o * _ Hallowe'en * vai ser o meu meio milénio de dia de os mortos - disse o Nick quase sem cabeça endireitando se e adquirindo uma postura de grande dignidade . - Oh - respondeu Harry sem saber se deveria lamentar ou dar lhe os parabéns . - Certo . - Vou dar uma festa em um de os calabouços mais amplos . Vêm amigos meus de todo o país . Seria uma honra muito grande se tu aparecesses . Mr._Weasley e Miss_Granger seriam também muito bem-vindos , claro . Mas tu deves preferir o banquete de a escola , não é verdade ? - Olhou para Harry , aflito . - Não - assegurou ele rapidamente . - Eu vou . - Oh rapaz , Harry_Potter em a minha festa de os mortos - hesitou no_meio_de toda aquela excitação . - Achas que poderias referir a Sir_Patrick como me achas assustador e como te impressiono ? - É claro que sim - assegurou Harry . O Nick quase sem cabeça iluminou se em um sorriso . - Uma festa de os mortos ? - exclamou Hermione , entusiasmada , quando Harry , depois de mudar de roupa , se juntou a ela e a o Ron em a sala comum . - Aposto que não há muitas pessoas que possam gabar se de ter estado em uma festa de essas . Vai ser fantástico ! - Por_que é_que alguém se lembraria de festejar o dia em que morreu ? - perguntou o Ron que estava a meio de o seu trabalho de casa de poções e bastante maldisposto . - Parece me bastante mórbido . A chuva continuava a lamber as janelas que apresentavam agora um negro que parecia tinta , mas , lá dentro , era tudo claro e alegre . O fogo em a lareira brilhava sobre as inúmeras cadeiras de braços onde as pessoas estavam sentadas a ler , a conversar , a fazer os trabalhos de casa ou , no_caso_de Fred e George_Weasley , a tentar descobrir o que aconteceria se alimentassem uma salamandra com fogo-de-artíficio de o Filibuster . O Fred tinha « resgatado . o lagarto cor de laranja brilhante , morador de o fogo , de uma aula de tratamento de seres mágicos e ele estava agora a arder em fogo lento sobre uma mesa , rodeado de um grupo de curiosos . Harry ia começar a contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre o Filch e o curso de feitiço rápido quando a salamandra disparou por os ares , lançando faíscas e estoiros . A visão de Percy a gritar com Fred e George até ficar ronco , a fantástica exibição de estrelas cor de tangerina que choviam de a boca de a salamandra e a sua fuga para o lume acompanhada de explosões , fizeram com que Harry se esquecesse , em aquele momento , de Filch e de o curso de feitiço rápido . Quando chegou o * _ Hallowe'en * , Harry já lamentava a sua promessa imprudente de ir a a festa de os mortos . Toda_a escola antecipava , feliz , a sua festa de * _ Hallowe'en * . O salão nobre fora enfeitado com os habituais morcegos , as enormes abóboras de Hagrid tinham sido esculpidas em forma de lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro_de cada uma , e havia boatos de que Dumbledore contratara um grupo de esqueletos bailarinos para animar a festa . - Uma promessa é uma promessa - lembrou Hermione_a_Harry com o seu autoritarismo habitual . - Tu disseste que ias a a festa de os mortos . Portanto , a as sete_da_tarde , Harry , Ron e Hermione saíram , passando por a porta de o salão nobre que brilhava de modo convidativo com pratos dourados e velas e dirigiram os seus passos para os calabouços . O corredor que conduzia a a festa de o Nick quase sem cabeça tinha sido também ladeado de velas , embora o efeito estivesse longe_de ser alegre : estas eram velas muito esguias e estreitas , negras de breu , ardendo em um azul brilhante e lançando uma luz indistinta e espectral também sobre as caras de as pessoas vivas . A temperatura diminuía a cada degrau que desciam . Harry tremia e cingia a túnica a o corpo quando ouviu qualquer coisa que parecia uma centena de unhas a rasparem um enorme quadro preto . - Será que isto_é a música ? - murmurou Ron . Viraram uma esquina e viram o Nick quase sem cabeça junto de uma porta , todo vestido de veludo negro . - Meus queridos amigos - disse com ar de luto . - Bem-vindos , bem-vindos , ainda_bem que puderam vir . Em um gesto largo tirou o chapéu de plumas e fez lhes sinal para que entrassem . Era uma visão incrível . O calabouço estava cheio com centenas de pessoas de um branco pálido e translúcido , a maior parte de as quais era arrastada em uma pista de dança cheia , valsando a o som de trinta serrotes musicais . Os serrotes que compunham a orquestra encontravam se sobre um estrado enfeitado com panos negros . Um lustre lá em cima resplandecia de um azul nocturno com mais um_milhar de velas negras . A respiração de os três subiu em o ar como uma neblina . Parecia que tinham entrado em um congelador . - Vamos dar uma volta - sugeriu Harry em uma tentativa de aquecer os pés . - Cuidado , não atravessem nenhum de eles - avisou o Ron nervosamente e colocaram se em volta de a pista de dança . Passaram por um grupo escuro de freiras , por um homem esfarrapado e cheio de correntes e por o frade gordo , o divertido fantasma de os Hufflepuff que estava a conversar com um cavaleiro com uma seta enfiada em a testa . Harry não ficou nada surpreendido a o ver que o Barão sangrento , o fantasma lúgubre e berrante de os Slytherin , coberto de nódoas de sangue ; estava a ser totalmente evitado por os outros fantasmas . - Oh ! Não -- exclamou Hermione , parando bruscamente . - Voltem se , voltem se , não quero ter de cumprimentar a Murta_Queixosa . - Quem ? - perguntou Harry enquanto davam rapidamente meia volta . - Ela assombra a casa_de_banho de as raparigas de o primeiro andar - explicou Hermione . - Assombra uma casa_de_banho ? - Sim . Está inoperativa durante todo o ano porque ela tem constantes acessos de choro e inunda tudo . Eu só lá fui quando não pode mesmo evitar . É horrível tentar ir a a sanita com ela a gritar connosco . - Olhem , comida - disse o Ron . De o outro lado de o calabouço estava uma mesa igualmente coberta de velado negro . Iam para se aproximar entusiasmados , mas pararam com uma expressão de horror . O cheiro era nauseabundo . Enormes peixes podres enchiam as bonitas travessas de prata , os bolos estorricados como carvões amontoavam se em as salvas , havia uma grande quantidade de miúdos de macaco , uma tábua de queijos cobertos de bolor e , em o lugar de honra , um enorme bolo cinzento em forma de lápide com letras que pareciam alcatrão formando as palavras , * _ Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington_Morto em 31_de_Outubro , 1492 * . Harry olhou espantado quando um fantasma de porte majestoso se aproximou de a mesa inclinando se e passando através de ela com a boca aberta enquanto atravessava um salmão malcheiroso . - Consegue prová o passando através de ele ? - perguntou lhe Harry . - Quase - disse tristemente o fantasma antes de se afastar . - Devem ter deixado apodrecer tudo_isto para ter um sabor mais forte - comentou Hermione com ar de quem está bem informada , tapando o nariz e aproximando se para ver melhor os pútridos miúdos de macaco . - Podemos sair de aqui , estou a sentir me agoniado - disse o Ron . Mas mal tinham dado meia volta quando um homenzinho pequenino saiu inesperadamente de debaixo de a mesa e fez uma paragem em o ar em frente de eles . - Olá , Peeves - disse Harry cautelosamente . Ao_contrário de os outros fantasmas que os rodeavam , Peeves , o * poltergeist * era o oposto de pálido e transparente . Usava um chapéu festivo cor de laranja , um laço rotativo a o pescoço e tinha um sorriso grosseiro de malvadez , em o rosto . - Querem petiscar ? - perguntou delicadamente , oferecendo lhes uma taça de amendoins cobertos de fungos . - Não , obrigada - disse Hermione . - Ouvi te falar sobre a pobre Murta - disse Peeves com os olhos a bailar . - Que insensível que tu foste para com a pobre Murta - respirou fundo e gritou : - Oh Murta . - Oh ! Não , Peeves , não lhe contes o que eu disse , ela vai ficar muito aborrecida - murmurou Hermione bastante nervosa . - Eu não queria dizer que ... eu não me importo que ela , er , olá , Murta . O espectro atarracado de uma rapariga deslizara . Tinha o rosto mais carrancudo que Harry alguma vez vira , meio escondido por o cabelo liso e por os óculos grossos cor de pérola . - O que é ? - perguntou mal-humorada . - Como estás Murta ? - perguntou Hermione , em uma voz falsamente alegre . - É bom ver te fora de a casa_de_banho . Murta fungou . - Miss_Granger estava justamente a falar de ti - disse lhe Peeves baixinho a o ouvido . - A dizer , a dizer ... como estás bonita esta noite -- terminou Hermione , olhando irritada para Peeves . A Murta olhou para Hermione desconfiada . - Estão a divertir se a a minha custa - disse , com lágrimas de prata a encherem lhe rapidamente os olhos pequeninos . - Não , a sério , eu não estava a dizer vos como a Murta estava bonita esta noite ? - disse Hermione , dando uma palmada em as costas de o Harry e de o Ron . - Sim , sim . - Ela ... - Não me venham com mentiras - protestou a Murta , as lágrimas agora a descerem lhe por o rosto , enquanto Peeves ria baixinho por cima de o ombro de ela . - Julgam que eu não sei o que as pessoas me chamam em as minhas costas ? A Murta gorda , a Murta feia , a Murta queixosa , a Murta deprimida ! - Esqueceste te de « a Murta ponto negro » - sussurrou lhe Peeves a o ouvido . A Murta_Queixosa irrompeu em soluços de angústia e fugiu de o calabouço . Peeves disparou atrás de ela , lançando lhe uma chuva de amendoins cheios de bolor e gritando : Ponto negro ! Ponto negro ! - Oh , coitada ! - exclamou Hermione com tristeza . O Nick quase sem cabeça abria agora caminho entre a multidão para se aproximar de eles . - Estão a divertir se ? - Sim , sim - mentiram . - Uma afluência nada má - disse orgulhoso o Nick quase sem cabeça . - A viúva chorosa veio de Kent ... está quase em a hora de o meu discurso . É melhor ir avisar a orquestra . Mas a orquestra parou de tocar em esse preciso momento . Eles , e todos os outros em o calabouço , ficaram em silêncio total , olhando em volta cheios de excitação quando se ouviu uma trompa de a caça . - Lá vêm eles - disse o Nick quase sem cabeça , com alguma amargura em a voz . Por o calabouço irromperam uma_dúzia de , cavalos fantasmas , cada_um montado por um cavaleiro sem cabeça . A assistência aplaudiu vivamente . Harry começou também a bater palmas , mas parou rapidamente quando viu a cara de o Nick . Os cavalos galoparam até a o meio de a pista de dança e pararam , empinando se , dando pequenos passos para a frente e para trás , sobre as patas traseiras . Um fantasma grande em a frente , cuja cabeça barbuda estava debaixo de o braço , soprando a trompa , desmontou , levantou a cabeça bem em o ar para poder ver toda_a assistência ( todos se riam ) e dirigiu se a o Nick quase sem cabeça , comprimindo a cabeça contra o pescoço . - Bem-vindo , Patrick - disse o Nick , mantendo a sua postura rígida . - Gente viva ! - exclamou o Sir_Patrick , avistando Harry , Ron e Hermione e dando um salto de falso espanto , de_tal_modo_que a cabeça lhe caiu de_novo ( a multidão ria a bom rir ) . - Muito engraçado - disse o Nick quase sem cabeça com um ar soturno . - Não ligues a o Nick - gritou a cabeça de Sir_Patrick de o chão . - Ainda está aborrecido por não o deixarmos juntar se a o grupo . Mas olhem bem para ele ... - Eu acho - disse apressadamente Harry , a seguir a um olhar de o Nick - que o Nick é muito assustador e ... eu ... - Bah ! - gritou a cabeça de Sir_Patrick . - Aposto que ele te pediu que dissesses isso . - Gostaria de ter a vossa atenção . Chegou a altura de fazer o meu discurso - disse o Nick quase sem cabeça bem alto , dirigindo se a o pódio , subindo e parando , iluminado por uma luz azul . - Os meus sentimentos , senhores e senhoras , é com profundo pesar ... Mas já ninguém estava a ouvi o . Sir_Patrick e o resto de o grupo de os Sem - _ Cabeça tinham iniciado um jogo de hóquei de cabeça e a multidão voltara se para os observar . Nick quase sem cabeça tentou em vão recuperar a audiência , mas acabou por desistir quando a cabeça de Sir_Patrick passou por ele a_toda_a velocidade gritando vivas . Harry estava cheio de frio para não falar de a fome . - Não aguento mais isto - murmurou Ron a bater o dente enquanto a orquestra voltava a entrar em acção e os fantasmas enchiam de_novo a pista de dança . - Vamos embora - concordou Harry . Recuaram até a a porta , acenando e sorrindo a todos os que olhavam para eles e um minuto depois passavam apressadamente por a entrada cheia de velas negras . - Talvez o pudim ainda não tenha acabado - disse o Ron cheio de esperança , abrindo caminho em direcção a os degraus de o vestíbulo de a entrada . E foi então que Harry ouviu aquilo . - ... * _ Arrancar ... rasgar ... matar * ... Era a mesma voz , a mesma voz fria e assassina que ouvira em o escritório de Lockhart . Parou , agarrando se a a parede de pedra em a expectativa de ouvir melhor , olhando em volta , espreitando para_cima e para baixo de a passagem mal iluminada . - Harry que estás tu a ... ? - E aquela voz outra_vez , calem se um bocadinho . -- ... * _ Tanta fome ... há tanto tempo * ... - Ouçam insistiu Harry e Ron e Hermione ficaram estáticos a olhar para ele . - * _ Matar ... hora de matar * ... A voz ia ficando mais débil . Harry tinha a certeza de que ela estava a afastar se , a subir . Um misto de medo e excitação tomou posse de ele enquanto olhava para o tecto escuro . Como poderia ele subir ? Seria um fantasma para quem os tectos de pedra não contavam ? - Por aqui - gritou , começando a correr por as éscadas acima até a a entrada de o * hall * . Não havia hipótese de ouvir fosse o que fosse ali , o barulho de vozes que vinha de o banquete de o * _ Hallowe'en * ecoava cá fora . Harry subiu a correr a escadaria de mármore até a o primeiro andar com Ron e Hermione ruidosamente atrás . - Harry o que é_que nós ... ? - Sch ... Harry apurou o ouvido . Ao_longe , em o andar de cima , e ainda a enfraquecer , mesmo_assim ouviu a voz : - ... * Cheira-me a sangue ... cheira me a sangue ! * O estômago deu lhe uma volta . - Ele vai matar alguém - gritou e ignorando as caras perplexas de Ron e Hermione , correu , subindo mais um lanço de escadas , a três_e_três , tentando ouvir através de o ruído de os seus próprios passos . Harry correu a_toda_a velocidade pelo segundo andar com Ron e Hermione atrás e só parou quando viraram uma esquina para o último corredor abandonado . - Harry , o que foi aquilo tudo ? - perguntou o Ron , limpando o suor de o rosto . - Eu não ouvi nada ... Mas Hermione , em um sobressalto , apontou para o fundo de o corredor . - Olhem ! Alguma coisa brilhava em a parede em frente . Aproximaram se devagarinho , tentando ver em a escuridão . Alguém escrevera em letras garrafais em a parede entre duas janelas . As palavras brilhavam a a chama fraca de as tochas . : __ a câmara de os segredos foi aberta . inimigos de o herdeiro , __ cuidado . - O que é aquilo pendurado por baixo de as letras ? - perguntou Ron com um tremor em a voz . Quando se aproximaram , Harry quase escorregou . Havia uma grande poça de água em o chão . Ron e Hermione agarraram o e avançaram cautelosamente até a a mensagem , os olhos fixos em uma sombra escura , em baixo . Aperceberam se os três de imediato do_que se tratava e deram um salto para trás , salpicando tudo de água . Mrs._Norris , a gata de o encarregado , estava pendurada por a cauda em o suporte de a tocha . Tinha o corpo rígido como uma tábua e os olhos abertos . Durante alguns segundos ninguém se mexeu . Depois o Ron disse : - Vamos sair de aqui . - Não devíamos tentar ajudar ? - propôs Harry , sem graça . - Acredita - assegurou o Ron . - É melhor que não nos encontrem aqui . Mas era tarde de mais . Um ruído surdo e prolongado , como um trovejar distante , avisou os de que o festim tinha terminado . De ambos os lados de o corredor onde eles estavam , veio o som de centenas de pés a subirem a escadaria e as vozes alegres de gente bem alimentada . Em o momento seguinte os alunos chegavam junto de eles de ambos os lados . O burburinho morreu subitamente mal as pessoas avistaram a gata pendurada . Harry , Ron e Hermione estavam de pé , sozinhos , em o meio de o corredor quando se fez silêncio em a multidão de estudantes que se empurravam para observar aquele quadro macabro . Então alguém gritou , quebrando o silêncio . - Inimigos de o herdeiro , cuidado . Vocês serão os próximos , sangue de lama ! Era_Draco_Malfoy . Estava a a frente de a multidão com os olhos frios a brilhar , a sua cara habitualmente pálida agora afogueada , sorrindo a a vista de a gata pendurada e imóvel . IX_As palavras em a parede -- O que é_que se passa aqui ? O que é_que se passa ? Sem dúvida , atraído por o grito de Malfoy , Argus_Filch apareceu a coxear em o meio de a multidão . Quando viu Mrs._Norris , caiu para trás agarrando o rosto com verdadeiro horror . - A minha gata ! A minha gata ! O que aconteceu a Mrs._Norris ? - gritou . E os seus olhos rápidos caíram sobre Harry . - Tu - guinchou ele . - Mataste a minha gata ! Mataste a , vou dar cabo de ti , eu ... - Argus . Dumbledore tinha chegado a o lugar , seguido de alguns professores . Em poucos segundos tinha passado a a frente de Harry , Ron e Hermione e desatado Mrs._Norris de o suporte de a tocha . - Vem comigo , Argus - disse ele a o Filch . - Vocês também , Mr._Potter , Mr._Weasley e Miss_Granger . Lockhart deu rapidamente um passo em frente . - O meu escritório é o que está mais perto , senhor director , é já aqui em cima , por favor fiquem a a vontade . - Obrigado , Gilderoy - disse Dumbledore . A multidão silenciosa dividiu se para os deixar passar . Lockhart sentindo se excitado e importante , seguia Dumbledore assim_como a professora Mc_Gonagall e o professor Snape . Quando entraram em o escritório escuro de Lockhart houve uma grande agitação em as paredes . Harry viu várias imagens de Lockhart a esconderem se cheias de rolos em o cabelo . O Lockhart em pessoa acendeu as velas e chegou se mais para trás . Dumbledore pôs Mrs._Norris em a superfície polida de a secretária e começou a examiná a . Harry , Ron e Hermione trocaram olhares tensos entre si e deixaram se cair em as cadeiras que se encontravam longe de a luz , a observar . A ponta de o nariz longo e adunco de Dumbledore estava a menos_de dois centímetros de o pêlo de Mrs._Norris . Ele olhava a de perto através de os óculos de meia-lua , os dedos longos a palpar e tactear suavemente . A professora Mc_Gonagall estava quase tão perto como ele , com os olhos contraídos . Snape surgia mais atrás , meio em a sombra , com uma expressão estranha em o rosto , como_se tentasse a_toda_a força sorrir . E Lockhart andava de um lado para o outro a dar sugestões . - Foi sem dúvida uma maldição que a matou , provavelmente a tortura de a metamorfose . Vi a muitas_vezes ser usada , mas infelizmente eu não estava lá quando isto aconteceu . Conheço o antídoto para essa maldição , o que a teria salvo . Os comentários de Lockhart foram interrompidos por os soluços secos e violentos de Filch . Estava afundado em uma cadeira junto de a secretária , incapaz de olhar para Mrs._Norris , com o rosto em as mãos . Por mais que detestasse Filch , Harry não pôde deixar de sentir pena de ele embora não tanta quanto_a que sentia por si próprio . Se Dumbledore acreditasse em o Filch ele seria certamente expulso . O director estava agora a sussurrar umas palavras estranhas e batendo em Mrs._Norris com a varinha , mas não aconteceu nada , ela continuou com o mesmo aspecto , como_se tivesse sido empalhada . - ... Lembro me de uma coisa semelhante que aconteceu em Ouagadogou - disse LockLart . - Uma série de ataques . Conto essa história em a minha autobiografia . Eu dei a a gente de a cidade vários amuletos que resolveram logo a situação ... As fotografias de Lockhart em as paredes iam acenando afirmativamente com a cabeça enquanto ele falava . Uma de elas esquecera se de tirar os rolos de o cabelo . Por fim , Dumbledore endireitou se . - Ela não está morta , Argus - disse suavemente . Lockhart interrompeu bruscamente a contagem de os crimes que conseguira evitar . - Não está morta ? - disse Filch em um sufoco , olhando através de os dedos para Mrs._Norris . - Mas , porque está ela rígida e gelada ? - Foi petrificada - disse Dumbledore ( Ah ! foi o que eu pensei ! - comentou Lockhart ) mas como , não posso afirmar . - Pergunte lhe - gritou Filch , voltando a cara cheia de furúnculos e lágrimas para Harry . - Nenhum aluno de o segundo ano poderia ter feito isto - explicou Dumbledore . - Era preciso um grande conhecimento de magia negra . - Foi ele , foi ele - disse encolerizado o encarregado com a cara a ficar roxa . - O senhor viu o que ele escreveu em a parede . Ele descobriu em o meu gabinete , ele sabe que eu sou um ... - O rosto de Filch estava horrível . - Ele sabe que eu sou um * _ busca-pé * - disse por fim . - Eu não toquei em a Mrs._Norris - gritou Harry com todos os olhares a recaírem sobre ele , incluindo o de todos os Lockharts de a parede . - E eu nem sei o que é um * busca-pé * . - Mentira ! - gritou Filch . - Ele viu a minha carta de o feitiço rápido . - Se me permite que dê a minha opinião , senhor director - disse Snape , saindo de a sombra , e a sensação de mau presságio de Harry aumentou bastante . Certamente nada do_que Snape tinha para de dizer iria ajudá o . - O Potter e os amigos podiam estar simplesmente em o lugar errado em a altura errada - afirmou com um leve sorriso a torcer lhe a boca como_se tivesse as suas dúvidas . - Mas , temos aqui um conjunto de circunstâncias curiosas . Porque estavam eles afinal em o corredor ? Porque não estiveram presentes em a festa de o * _ Hallowe'en * ? Harry , Ron e Hermione começaram uma longa explicação sobre a festa de o dia de os mortos . - Estavam lá centenas de fantasmas , eles poderão confirmar que lá estivemos ... - Mas porque não foram a seguir a o banquete ? - perguntou Snape com os olhos pretos a brilharem a a luz de as velas . - Porquê ir até a aquele corredor ? Ron e Hermione olharam para Harry . - Porque , porque ... - balbuciou Harry , com o coração a querer saltar lhe de o peito , mas algo lhe disse que ia parecer muito rebuscado se lhes contasse que tinha sido levado até ali por uma voz sem corpo que só ele conseguia ouvir . - Porque estávamos cansados e queríamos ir para a cama - disse . - Sem jantar ? - inquiriu Snape com um sorriso triunfante a bailar lhe em o rosto lúgubre . - Não sabia que os fantasmas ofereciam em as suas festas comida para gente viva . - Não estávamos com fome - disse o Ron bem alto , enquanto o estômago se queixava de forma audível . O sorriso mesquinho de a Snape ampliou se . - Acho , senhor director , que Potter não está a dizer toda_a verdade - afirmou . - Talvez fosse boa ideia retirar lhe alguns privilégios , até ele estar disposto a contar nos a história toda . Pessoalmente , sugiro que seja retirado de a equipa de os Gryffindor até decidir ser honesto . - Francamente , Severus - exclamou a professora Mc_Gonagall com uma voz cortante . - Não vejo porquê impedir o rapaz de jogar Quidditch . Esta gata não levou pauladas em a cabeça dadas por nenhum cabo de vassoura . E não há provas de que o Potter tenha feito algo de mal . Dumbledore observava Harry com um olhar perscrutador . A voz tremeluzente de os seus olhos azuis fez Harry sentir que estava a ser passado a raios X. - Inocente até se provar que é culpado , Severus - disse com segurança . Snape estava furioso , assim_como Filch . - A minha gata foi petrificada ! - berrou , com os olhos a saltarem de as órbitas . - Quero ver um castigo ! - Vamos poder curá a , Argus - explicou pacientemente Dumbledore . - Madam_Sprout conseguiu arranjar algumas Mandrágoras . Logo_que tenham atingido o tamanho adulto , terei uma poção de Mandrágoras que reanimará Mrs._Norris . - Eu posso fazê a - interrompeu Lockhart . - Devo ter feito isso uma centena de vezes . Preparo uma golada de Mandrágora reconstituinte de olhos fechados ... - Perdão - disse Snape friamente -- , mas julgo que o professor de poções de esta escola ainda sou eu . Houve um silêncio bastante incómodo . - Vocês podem ir se embora - disse Dumbledore a o Harry , Ron e a Hermione . Eles saíram o mais depressa que puderam , sem ir a correr . Quando chegaram a o andar acima de o escritório de Lockhart , entraram em uma sala de aulas vazia e fecharam a porta devagarinho . Harry lançou um olhar de esguelha a as caras carrancudas de os amigos . - Acham que eu lhes devia ter falado de a voz que ouvi ? - Não - respondeu Ron , sem a mínima hesitação . - Ouvir vozes que mais ninguém ouve , não é bom sinal , nem em o mundo de os feiticeiros . Algo em a voz de Ron levou Harry a fazer a pergunta : - Tu acreditas em mim , não acreditas ? - Claro que sim - respondeu o Ron de imediato . - Mas tens de concordar que é esquisito ... - Eu sei que é esquisito - confirmou Harry . - É tudo esquisito . O que era aquilo escrito em a parede ? * _ A_Câmara foi aberta * , o que é_que significa ? - Sabes , faz me lembrar qualquer coisa - disse Ron lentamente . - Acho que alguém me contou uma história sobre uma câmara secreta em Hogwarts , talvez tenha sido o Bill ... - E que diabos é um * busca-pé * ? - perguntou Harry . Para sua surpresa , Ron abafou o riso . - Bem , em a verdade não tem graça nenhuma , mas como é o Filch ... - disse . - Um * busca-pé * é alguém que nasceu de uma família de feiticeiros , mas não tem poderes mágicos . É uma espécie de o oposto de os que vêm de famílias de Muggles , mas são feiticeiros . Os * busca-pé * são muito raros . Se o Filch está a tentar aprender magia em um curso rápido , acho que ele deve ser mesmo um busca-pé . Isso explicaria tudo , por_exemplo , porque detesta tanto os estudantes . - Ron sorriu satisfeito . - Tem inveja . Um relógio deu as horas , algures . - Meia-noite - disse Harry . - É melhor irmo nos deitar , antes que o Snape apareça e tente acusar nos de qualquer coisa . Durante alguns dias não se falou de outra coisa em a escola a não ser de o ataque a a gata , Mrs._Norris . Filch manteve o sucedido bem fresco em a memória de todos , andando de um lado para o outro em o lugar onde ela fora atacada , como_se esperasse por o responsável . Harry vira o esfregar a mensagem de a parede com a « solução removedora de toda_a porcaria mágica Mrs._Skower » , mas sem qualquer resultado . As palavras continuavam a brilhar tanto como antes sobre a pedra . Quando Filch não estava a patrulhar a cena de o crime , vagueava , de olhos avermelhados , por os corredores , perseguindo alunos insuspeitos e tentando aplicar lhes castigos por coisas como « respirar muito alto » ou « estar alegre » . Ginny_Weasley parecia muito perturbada com o destino de Mrs._Norris . Segundo Ron ela era uma amante de gatos . - Mas tu nem chegaste a conhecer bem Mrs._Norris - disse lhe Ron para a animar . - Com toda_a franqueza , estamos muito melhor sem ela . - O lábio de Ginny tremeu . - Não é costume acontecerem coisas de estas em Hogwarts - tranquilizou a . - Eles vão descobrir o safado que fez aquilo e põem o de aqui para fora em três tempos . - Só espero que tenha tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso . Estou a brincar , claro - acrescentou o Ron apressadamente a o ver a Ginny a empalidecer . O ataque afectara também Hermione . Era costume de ela passar muito_tempo a ler , mas agora parecia não fazer mais_nada . Nem respondia a o Harry e a o Ron quando lhe perguntavam o que estava a fazer e só acabaram por descobrir em a quarta-feira seguinte . Harry tivera de ficar até mais tarde em a sala de poções onde Snape o mandara raspar restos de larvas de as secretárias . Depois de um almoço comido a a pressa , ele foi lá acima encontrar se com Ron em a biblioteca e viu Justin_Finch - _ Fletchley , o rapaz de os Hufflepuff de herbologia que vinha em direcção a ele . Harry tinha acabado de abrir a boca para dizer um « Olá » quando Justin o viu , voltando se bruscamente e mudando de direcção . Harry foi encontrar o Ron em as traseiras de a biblioteca , a medir o trabalho de casa de história de a magia . O professor Binns pedira uma composição sobre a Assembleia_Medieval_de_Feiticeiros_Europeus com 90cm . De extensão . - Não posso crer que ainda me faltem 16cm - disse o Ron furioso , largando o pergaminho que se enrolou em forma de tubo - e que a Hermione fez um metro e trinta em aquela letra pequenina e apertadinha . - Onde está ela ? - perguntou Harry , agarrando em a fita métrica e desembrulhando o seu trabalho de casa . - Algures por aí - disse o Ron , apontando para as estantes . - _ a a procura de outro livro . Acho que ela está a tentar ler a biblioteca toda antes de o Natal . Harry contou a Ron que Justin_Finch - _ Fletchley tinha evitado falar lhe . - Não sei porque te preocupas com isso . Eu achei o um idiota - disse o Ron , escrevinhando e fazendo a letra o maior possível . - Todo aquele disparate sobre o Lockhart ser tão grande ... Hermione surgiu de o meio de as estantes . Parecia irritada e disposta , por fim , a falar com eles . - Todos os exemplares de * _ Hogwarts : Uma História * foram requisitados - disse , sentando se ao_lado_de Harry e Ron . - E há uma lista de espera de duas semanas . Quem me dera não ter deixado o meu exemplar em casa , mas não consegui que coubesse em a mala com todos os livros de o Lockhart . - Para que o queres ? - perguntou Harry . - Pelo mesmo motivo que toda_a_gente o quer - disse Hermione . - Para ler a lenda de a Câmara_dos_Segredos . - O que é isso ? - Precisamente . Não me lembro - disse Hermione , mordendo o lábio . - E não encontro a História em lugar nenhum . - Hermione , deixa me ler o teu trabalho - pediu Ron desesperado , olhando para o relógio . - Não , não deixo - respondeu Hermione com um ar severo . - Tiveste dez dias para o fazer . - Só preciso de mais quatro centímetros , vá lá ... A campainha tocou . Ron e Hermione encaminharam se para a História_da_Magia , discutindo . A História_da_Magia era a matéria mais chata de o programa . O professor Binns , que dava a cadeira , era o único professor fantasma e a coisa mais excitante que aconteceu em as suas aulas foi o dia em que entrou por o quadro preto . Já velho e enrugado , muita gente afirmava a seu respeito que ele não dera por_que tinha morrido . Pura e simplesmente levantara se um dia para ir dar aulas , deixando o corpo atrás , em um cadeirão em frente de a lareira de a sala de os professores . Desde esse dia a sua rotina mantivera se igual . Era hoje tão chato como fora sempre . Abriu as notas e começou a ler em um tom monocórdico como um velho aspirador até quase todos os alunos estarem em um estado de profunda dormência , acordando de vez em quando , para tomar nota de um nome ou de uma data , e voltando a adormecer . Estava a falar havia meia_hora quando aconteceu algo que nunca tinha acontecido . Hermione pôs o braço em o ar . O professor Binns olhou de relance , em o meio de a chatíssima aula sobre a Convenção_Internacional_de_Feiticeiros de 1289 , verdadeiramente espantado . - Miss ... er ... ? - Granger , professor . Poderia dizer nos alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Hermione em uma voz bem audível . O Dean_Thomas , que tinha estado sentado de boca aberta olhando para fora de a janela , saiu de o seu transe com um salto . A cabeça de Lavender_Brown saiu de os braços e o cotovelo de o Neville_Longbottom escorregou para fora de a secretária . O professor Binns piscou os olhos . - A minha matéria é História_da_Magia - disse em a sua voz seca e asmática . - Eu trato de factos , Miss_Granger , não de mitos e lendas - pigarreou produzindo um ruído que parecia o giz sobre o quadro e continuou : - Em Setembro de esse ano , uma subcomissão de feiticeiros de a Sardenha ... Parou de repente . A mão de Hermione estava de_novo em o ar . - Sim , Miss_Grant ? - Por favor , professor , as lendas não têm sempre um facto como base ? O professor Binns olhava para ela com tal espanto que Harry teve a certeza de que ele nunca , em tempo algum , fora interrompido por um aluno . - Bem - disse lentamente o professor Binns . - Sim , é uma afirmação que pode fazer se . - Olhou para Hermione como_se fosse a primeira vez que olhasse a sério para um estudante . - Contudo , a lenda de que me fala é tão extraordinária , mesmo grotesca ... Mas a aula inteira estava agora atenta a as palavras de o professor , que olhou indistintamente para todos eles . Harry poderia assegurar que ele estava absolutamente abismado por uma tão grande demonstração de interesse . - Muito bem - disse lentamente . - Ora vejamos ... a Câmara_dos_Segredos . Todos vocês sabem com certeza que Hogwarts foi fundada há mais de um_milhar de anos , não se conhece ao_certo a data , por os quatro maiores feiticeiros e feiticeiras de a época : Godric_Gryffindor , Helga_Hufflepuff , Rowena_Ravenclaw e Salazar_Slytherin . Construíram juntos este castelo , longe de os olhares curiosos de os Muggles porque em aquele tempo a magia era temida por as pessoas comuns e as bruxas e feiticeiros sofriam terríveis perseguições . Fez uma pausa , olhou indeciso em volta e prosseguiu : - Durante alguns anos , os fundadores trabalharam juntos em harmonia procurando outros mais novos que mostrassem sinais de possuir dotes mágicos e trazendo os para o castelo para aqui serem ensinados . Mas os desentendimentos surgiram entre eles . Começou a notar se uma divisão entre Slytherin e os outros . Salazar_Slytherin queria ser mais selectivo em relação a os alunos a serem admitidos em Hogwarts . Achava que os ensinamentos de magia deviam ficar dentro de as famílias de feiticeiros . Não lhe agradava a entrada em a escola de alunos de famílias Muggles porque os achava pouco dignos de confiança . Depois de algum tempo houve uma séria discussão sobre esse assunto entre Slytherin e Gryffindor e Slytherin abandonou a escola . O professor Binns fez uma nova pausa , fazendo beicinho o que o fazia parecer uma tartaruga enrugada . - Fontes fidedignas referem nos isto - disse . - Mas estes factos foram obscurecidos por a fantasiosa lenda de a Câmara_dos_Segredos . Conta a história que Slytherin construíra uma câmara oculta dentro de o castelo cuja existência os outros fundadores ignoravam . De_acordo com a lenda , Slytherin selou a Câmara_dos_Segredos para que ninguém pudesse abri a até o seu verdadeiro herdeiro chegar a a escola . O herdeiro , e apenas ele , poderia abrir a Câmara_dos_Segredos , libertar o horror que lá se encontrava e utilizá o para expurgar a escola de todos aqueles que eram indignos de aprender magia . Houve um silêncio quando ele se calou que não era o habitual silêncio de sono de as aulas de o professor Binns . Havia um desassossego em o ar enquanto todos continuavam a olhá o a a espera de mais . O professor Binns estava ligeiramente aborrecido . - A história toda é um disparate , claro - disse ele . - A escola foi revistada por várias vezes em busca de provas de a existência de essa câmara , por os feiticeiros e bruxas mais conhecedores . Não existe nada . Uma lenda que serviu apenas para assustar os ingénuos . A mão de Hermione estava novamente em o ar . - Professor , o que quer_dizer , ao_certo com « o horror que estava dentro de a câmara » ? - Acredita se que seja uma espécie de monstro que só o herdeiro de Slytherin pode controlar - disse o professor Binns em a sua voz seca e débil . A aula trocou entre si olhares inquietos . - Como vos digo , a coisa não existe - afirmou o professor Binns , desordenando as suas notas . - Não há câmara e não há monstro . - Mas , professor - disse Seamus_Finnigan . - Se a câmara só podia ser aberta por o herdeiro de Slytherin ninguém mais poderia encontrá a . Não é ? - Um disparate pegado - disse o professor Binns , em um tom de voz exasperado . - Se uma longa sucessão de directores e directoras de Hogwarts não a encontraram ... - Mas , professor - começou a dizer Parvati_Patil . Se_calhar é preciso usar magia negra para a abrir ... - Lá porque um feiticeiro não usa magia negra não quer_dizer que não possa , Miss_Pennyfeather - interrompeu o professor Binns . - Repito , se os antecessores de Dumbledore ... - Mas talvez seja preciso fazer parte de os Slytherin , por isso Dumbledore não podia ... - começou Dean_Thomas , mas o professor Binns já estava farto . - Já chega - disse , de modo cortante . - É um mito . Não existe . Não há uma única prova de que Slytherin tenha construído nem mesmo uma despensa para vassouras . Lamento ter vos contado esta história tola . Vamos voltar , se fazem o favor , a a História , a os factos sólidos , verificáveis , credíveis . E em menos_de cinco minutos toda_a classe mergulhara em a sua sonolência habitual . - Eu sempre ouvi dizer que Salazar_Slytherin era um velho retorcido e meio pateta - disse Ron_a_Harry e Hermione enquanto abriam caminho por os corredores cheios , em o final de a aula , para ir arrumar as malas antes de o jantar . - Mas não sabia que ele tinha começado esta coisa de o sangue puro . Eu não ia para os Slytherin nem que me pagassem . Se o chapéu seleccionador me tivesse posto lá , pegava em as malas e ia me embora ... Hermione acenou vivamente , mas Harry não abriu a boca . O estômago parecia ter dado uma volta . Harry nunca contara a o Ron e a a Hermione que o chapéu seleccionador tinha considerado seriamente a possibilidade de o colocar em os Slytherin . Lembrava se como_se tivesse sido em a véspera do_que a vozinha lhe dissera a o ouvido quando pôs o chapéu em a cabeça , um ano antes . * _ Podias vir a ser grande , sabes ? Está tudo aqui em a tua cabeça e Slytherin ajudaria te em o caminho para a grandeza , sem a menor dúvida * ... Mas Harry , que já ouvira falar de a fama de o grupo de os Slytherin de formar magos negros , pensou desesperadamente . - Em os Slytherin , não ! - E o chapéu tinha dito . - Bem , se tens assim tanta certeza ... será melhor os Gryfffndor . Enquanto eram empurrados por a multidão , Colin_Creevey passou por eles . - Olá , Harry ! - Olá , Colin - disse Harry automaticamente . - Harry , Harry , um rapaz de a minha turma tem andado a dizer que tu és ... Mas Colin era tão baixinho que não conseguiu lutar contra a maré de gente que o arrastou até a o vestíbulo . Ouviram o despedir se : - Adeus , Harry - e desaparecer . - O que é_que o rapaz de a turma de ele disse de ti ? - quis saber Hermione . - Que eu sou o herdeiro de Slytherin , imagino - disse Harry , com o estômago ainda a as voltas e lembrou se de repente de o Justin_Finch - _ Fletchley a fugir para não lhe falar , a a hora de o almoço . - As pessoas aqui acreditam em tudo - disse o Ron com repugnância . A multidão diminuiu e conseguiram subir as escadas sem dificuldade . - Achas mesmo_que existe uma Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Ron_a_Hermione . - Não sei - respondeu ela , franzindo a testa . - Dumbledore não conseguiu curar Mrs._Norris e isso leva me a pensar que o que a atacou pode não ser ... humano . Enquanto falava , voltaram uma esquina e encontraram se em o fim de aquele mesmo corredor onde o ataque tinha ocorrido . Pararam para olhar . Estava tudo igual a aquela outra noite , com excepção de a gata Mrs._Norris e havia uma cadeira vazia encostada a a parede , onde podia ler se a mensagem « : __ a câmara foi __ aberta » . - Foi aqui que o Filch montou a guarda - murmurou Ron . Olharam uns para os outros . O corredor estava deserto . - Não deve fazer mal dar uma olhadela aqui - disse Harry , deixando cair a mala e pondo se de quatro para poder gatinhar em busca de pistas . - Marcas de queimadura - disse - aqui e aqui ... - Venham ver isto ! - chamou Hermione . - Que estranho ... Harry levantou se e foi até a a janela que ficava junto de a mensagem . Hermione apontava para o vidro mais alto , onde cerca de uma vintena de aranhas se debatiam em uma aparente luta por atravessar por uma pequena brecha de vidro . Um longo fio prateado balouçava como uma corda , como_se todas tivessem trepado , em a ânsia de chegar lá fora . - Alguma vez viram aranhas agir assim ? - perguntou Hermione , curiosa . - Não - respondeu Harry . - E tu , Ron ? Ron ? Olhou por cima de o ombro . Ron estava de costas , bem lá atrás e parecia lutar contra o impulso de se virar . - O que é_que se passa ? - perguntou Harry . - Eu não gosto de aranhas - disse Ron , de modo tenso . - Nunca me tinhas dito - comentou Hermione , olhando para ele com surpresa . - Estás farto de usar aranhas em as poções ... - Não me importo quando estão mortas - explicou Ron que olhava cautelosamente para todos os lados , menos para a janela . - Não gosto de a maneira como_se mexem . Hermione riu se baixinho . - Não tem graça nenhuma - disse o Ron , furioso . - Se queres saber , quando eu tinha três anos , o Fred transformou o meu ursinho de pelúcia em uma enorme aranha nojenta , por eu lhe ter partido a vassoura de brinquedo . Tu também não gostarias de aranhas se estivesses agarrada a o teu ursinho e , de repente , ele tivesse uma data de pernas e ... Começou a tremer ... Hermione ainda estava a tentar conter o riso . Sentindo que era melhor mudarem de assunto , Harry perguntou : - Lembram se de a água que havia aqui em o chão ? De onde terá vindo ? Alguém a limpou . - Era por aqui - disse o Ron , já recuperado , avançando alguns passos em direcção a a cadeira de o Filch e apontando . - Junto de esta porta . Estendeu a mão para o puxador de a porta , mas retirou a de imediato , como_se se tivesse queimado . - O que foi ? - perguntou Harry . - Não posso entrar aí - disse o Ron bruscamente . - É a casa_de_banho de as raparigas . - Oh , Ron , não está aí ninguém - sossegou o Hermione enquanto se aproximava . - É o lugar de a Murta_Queixosa . Anda , vamos dar uma espreitadela . E ignorando o grande letreiro que dizia « Fora de serviço » Hermione abriu a porta . Era a casa_de_banho mais sombria e deprimente em que Harry tinha posto os pés durante toda_a sua vida . Debaixo_de um grande espelho partido e sujo podia ver se uma fila de lavatórios de pedra , rachados . O chão estava húmido e reflectia a luz fraca de os pavios de algumas velas que ardiam baixinho em os suportes . As portas de madeira de os cubículos estavam todas lascadas e riscadas e uma de elas balouçava fora de as dobradiças . Hermione levou os dedos a os lábios e foi até a o último cubículo . Quando lá chegou disse : - Olá , Murta , como estás ? Harry e Ron foram ver . A Murta_Queixosa flutuava em a cisterna de a casa_de_banho , tirando um ponto negro de o queixo . - Esta é a casa_de_banho de as raparigas - disse a o ver o Ron e o Harry . - Eles não são raparigas . - Não - concordou Hermione . - Eu só queria mostrar lhes como esta casa_de_banho é ... er ... simpática . Ela fez um aceno vago a o velho espelho sujo e a o chão húmido . - Pergunta lhe se viu alguma coisa - sussurrou o Ron a a Hermione . - Porque estão a dizer segredinhos ? - perguntou a Murta , fitando o . - Não é nada - disse Harry rapidamente . - Queríamos perguntar ... - Gostava que as pessoas parassem de falar em as minhas costas ! - desabafou a Murta em uma voz abafada por as lágrimas . - Eu tenho sentimentos , sabem , apesar_de estar morta . - Murta , ninguém quis aborrecer te - explicou Hermione . - O Harry só ... - A minha vida foi uma infelicidade em este lugar e agora as pessoas vêm estragar a minha morte . - Nós queríamos perguntar te se tinhas visto alguma coisa estranha ultimamente - disse Hermione sem perder tempo . - Porque foi atacada uma gata mesmo aqui a a frente de a tua porta em a noite de o * _ Hallowe'en * . - Viste alguém aqui perto em essa noite ? - insistiu Harry . - Não estava a prestar atenção - disse a Murta com ar dramático . - O Peeves aborreceu me tanto que vim aqui para tentar matar me . Só então me lembrei de que estou ... de que estou ... - Já morta - ajudou o Ron . A Murta soluçou tragicamente , elevou se em o ar , voltou se e mergulhou de cabeça em a sanita , espalhando água por_cima_de todos eles e desaparecendo . Por o som de os seus soluços abafados fora certamente descansar algures em o cano em forma de V._Harry e Ron ficaram de boca aberta , mas Hermione encolheu os ombros de cansaço e disse : - Se querem saber , para a Murta isto até foi alegre ... vá , vamos embora . Harry tinha acabado de fechar a porta deixando atrás os soluços gorgolejantes de a Murta quando uma voz forte o fez dar um salto . - RON ! Percy_Weasley estava parado em o cimo de as escadas com o seu distintivo de prefeito a brilhar e uma expressão chocadíssima em o rosto . - Isso é a casa_de_banho de as raparigas ... o que é_que vocês ... ? - Estávamos só a dar uma vista de olhos - exclamou o Ron - a a procura de pistas ... Percy engoliu em seco , de uma maneira que fez Harry lembrar se de Mrs._Weasley . - Saiam imediatamente de aqui - disse , aproximando se de eles a passos largos e gesticulando agitadamente . - Não se preocupam com as aparências ? Voltar aqui enquanto toda_a_gente está a jantar ... - Porque não havíamos de estar aqui ? - perguntou cheio de vivacidade o Ron , parando de repente e olhando Percy em os olhos . - Ouve lá , nós não tocamos em aquela gata . - Isso foi o que eu tentei explicar a a Ginny - respondeu Percy furioso - mas ela parece continuar a pensar que vocês vão ser expulsos . Nunca a vi tão aflita . Não pára de chorar . Devias pensar em ela . Todos os alunos de o primeiro ano andam superexcitados com esta história . - Tu não estás nada preocupado com a Ginny - disse o Ron já com as orelhas vermelhas . - O que te assusta é_que eu possa estragar as tuas possibilidades de ser chefe de turma . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor ! - bradou Percy , apontando elegantemente para o distintivo de prefeito . - E espero que te sirva de lição . Acabou se o trabalho de detective ou escrevo a a mãe a contar lhe . E voltou lhes as costas , a nuca tão vermelha como as orelhas de o Ron . Harry , Ron e Hermione , em essa noite , sentaram se em a sala comum o mais longe possível de Percy . Ron estava ainda muito maldisposto e não parava de esborratar o trabalho de casa de os encantamentos . Quando pegou distraidamente em a varinha para tirar as manchas incendiou o pergaminho . A deitar quase tanto fumo como o seu trabalho de casa , fechou bruscamente o * _ Livro_Padrão_de_Encantamentos de o 2.o Grau * . Para grande surpresa de Harry , Hermione fez o mesmo . - Mas quem poderia ser - perguntou ela baixinho como_se continuasse uma conversa que tinham acabado de ter . - Quem quereria todos os * busca-pés * e filhos de Muggles fora de Hogwarts ? - Vamos pensar - disse o Ron em a brincadeira , fingindo estar confuso . - Quem poderemos nós conhecer que ache que os familiares de Muggles são escumalha ? Olhou para Hermione . Ela olhou para ele pouco convencida . - Se estás a pensar em o Malfoy ... - Claro que estou - disse o Ron . - Tu ouviste o dizer : - Vocês serão os próximos , sangues de lama ! - Aliás , basta olhar para aquela cara de renegado para saber que ele é ... - Malfoy , o herdeiro de Slytherin ? - repetiu Hermione cepticamente . - Olha para a família de ele - disse Harry , fechando também os livros . - Todos eles estiveram em os Slytherin . O Draco está sempre a vangloriar se de isso . Podiam bem ser descendentes de Slytherin . O pai de ele é suficientemente mau . - Podiam perfeitamente ter tido a chave de a Câmara_dos_Segredos durante séculos - disse Ron - , fazendo a passar de pai para filho . - Bem - acedeu Hermione cautelosamente . - Seria possível ... - Mas como prová o ? - perguntou Harry tristemente . - Talvez haja um meio - sugeriu Hermione lentamente , baixando ainda mais a voz e lançando um olhar , através de a sala , a Percy . - É claro que não é fácil . E é perigoso , muito perigoso . Suponho que iríamos infringir cerca de cinquenta regras de a escola . - Se de aqui a um mês ou dois te decidires a explicar , avisa , está bem ? - disse Ron , que começava a ficar irritado . - Está bem - concordou Hermione friamente . - O que precisaríamos de fazer para entrar em a sala comum de os Slytherin e fazer algumas perguntas a o Malfoy , sem ele perceber que éramos nós ? - Mas isso é impossível - declarou Harry , enquanto Ron se ria . - Não , não é - continuou Hermione . - Só precisamos de um_pouco de poção * polisuco * . - O que é isso ? - perguntaram ao_mesmo_tempo Ron e Harry . - O Snape falou de ela em uma aula , há poucas semanas atrás . - Achas que não temos mais o que fazer do_que ouvir o Snape ? - murmurou o Ron . - Transforma nos em outra pessoa . Pensem em isso : podíamos transformar nos em três de os Slytherin . Ninguém saberia que éramos nós . É provável que o Malfoy nos contasse alguma coisa . Aposto que ele está a gabar se , em este momento , em a sala de os Slytherin , se ao_menos pudéssemos ouvi o . - Essa coisa de o * polisuco * cheira me um bocado mal - disse o Ron , franzindo as sobrancelhas . - E se ficarmos com a forma de os três Slytherin para sempre ? - Desaparece a o fim de algum tempo - disse Hermione , gesticulando impacientemente com a mão - mas conseguir a receita é muito difícil . O Snape disse que vinha em um livro chamado * _ As_Mais_Potentes_Poções * e está com certeza em a parte de os reservados de a biblioteca . Só havia uma maneira de obter o livro de os reservados : era com uma autorização assinada por um professor . - Não estou a ver porque quereríamos o livro - disse o Ron . - Se não para tentar fabricar uma de as poções . - Eu acho - sugeriu Hermione - que se fizéssemos parecer que o nosso interesse era apenas teórico , talvez conseguíssemos ... - Estás a sonhar , nenhum professor ia cair em essa - afirmou o Ron . - Só se fosse muito burro . X_A * bludger * perigosa Depois de o desastroso incidente de os duendes , o professor Lockhart não voltou a levar seres vivos para as aulas . Em vez de isso , lia a os alunos passagens de os seus livros e , por vezes , voltava a desempenhar alguns de os episódios mais dramáticos . Costumava chamar Harry para o ajudar em essas reconstruções . Até ali Harry fora obrigado a desempenhar o papel de um camponês de a Transilvânia que Lockhart curara de uma maldição murmurada , o abominável homem de as neves com dores de cabeça e um vampiro que depois de ter conhecido Lockhart tinha ficado incapaz de comer outra coisa que não fosse alfaces . Harry foi chamado para a frente de a classe durante a aula de Defesa contra as artes negras que se seguiu . Desta_vez para desempenhar o papel de um lobisomem . Se não tivesse um bom motivo para querer ver o Lockhart bem-disposto , teria se recusado . - Um uivo bem alto , excelente , Harry , isso mesmo . E foi então que , acreditem ou não , eu o ataquei de repente , assim . Atirei o a o chão , agarrei o com uma mão e com a outra consegui meter lhe a varinha em a garganta . Então , com a força que me restava pus em prática o complicadíssimo encantamento * _ Homorphus * . Harry soltou um uivo tristíssimo . - Vá lá , Harry , mais alto . Bom ... o pêlo desapareceu , os dentes diminuíram de tamanho e ele transformou se em um homem . Simples , mas eficaz e mais uma cidade ficará a lembrar se de mim para sempre como o herói que os libertou de os ataques mensais de o lobisomem . A campainha tocou e Lockhart pôs se de pé . - Trabalho para_casa : escrever um poema sobre a minha vitória sobre o lobisomem Wagga_Wagga . Há um exemplar autografado de * _ Eu , o Mágico * para o autor de o melhor poema . Os alunos começaram a sair . Harry voltou para trás e foi juntar se a o Ron e a a Hermione que estavam a a espera de ele . - Prontos ? - perguntou . - Espera até saírem todos - disse Hermione bastante nervosa . - Pronto ... Aproximou se de a secretária de Lockhart , apertando em a mão uma folha de papel , com o Ron e o Harry atrás . - Er ... professor Lockhart - gaguejou Hermione . - Eu queria requisitar este livro em a biblioteca , como leitura de apoio - entregou lhe o papel , com a mão ligeiramente trémula . - Só que faz parte de a secção de os reservados , por isso preciso de a assinatura de um professor . Acho que o livro me vai ajudar a compreender o que o senhor diz em * _ Passeios com Vampiros * acerca de os venenos de acção lenta ... - Ah , * _ Passeando com Vampiros * - disse Lockhart , pegando em a folha de papel de Hermione e sorrindo lhe abertamente . - E provavelmente o meu livro preferido . Gostou ? - Oh , muito - disse Hermione avidamente . - Tão inteligente o modo como apanhou o último com o passador de o chá . - Bem , tenho a certeza que ninguém se importará que eu dê uma ajudazinha suplementar a a melhor aluna de o segundo ano - disse Lockhart calorosamente , sacando de uma enorme pena de pavão . - É bonita , não é ? - comentou , adivinhando uma expressão de repulsa em a cara de o Ron . - Costumo guardas a para as minhas assinaturas de autógrafos . Rabiscou uma enorme assinatura cheia de altos e baixos e entregou a a Hermione . - Então , Harry - disse Lockhart enquanto Hermione dobrava a folha e a guardava em o saco . - Amanhã é a primeira partida de Quidditch de este ano , não é ? Gryffindor contra Slytherin . Ouvi dizer que és um jogador indispensável . Eu também fui * seeker * . Convidaram me inclusivamente para fazer parte de a Equipa_Nacional , mas eu preferi dedicar a minha vida a a erradicação de as forças de o mal . Mesmo_assim , se alguma vez precisares de um treino particular , não hesites em falar comigo , estou sempre disponível para partilhar a minha perícia com os jogadores menos dotados do_que eu . Harry fez um som indistinto com a garganta e saiu atrás_de Ron e Hermione . - Não acredito - disse quando os três examinavam a assinatura de Lockhart . - Ele nem viu que livro nós queríamos . - É porque é um idiota sem miolos - explicou o Ron . - Mas , quem se rala , temos o que queríamos . - Ele não é um idiota sem miolos - gritou Hermione com voz esganiçada enquanto se aproximavam quase a correr de a biblioteca . - Só porque ele disse que eras a melhor aluna de o segundo ano ... Baixaram as vozes a o entrar em a quietude abafada de a biblioteca . Madam_Prince , a bibliotecária , era uma mulher magra e irritável que parecia um abutre mal nutrido . - * _ Moste_Potente_Potions * ? - repetiu intrigada , tentando ficar com a folha de papel que Hermione se recusava a entregar lhe . - Gostava de a guardar para mim - disse sem fôlego . - Vá lá - intercedeu Ron , arrancando lhe a de as mãos e entregando a a Madam_Prince . - Nós arranjamos te outro autógrafo . O Lockhart assina tudo se aqui ficar muito_tempo . Madam_Prince pegou em o papel e voltou o em a direcção de a luz , decidida a descobrir uma falsificação , mas a assinatura passou em o teste . Desapareceu entre as estantes e voltou alguns minutos mais tarde , transportando um livro grande e de aspecto antiquado . Hermione meteu o com todo o cuidado em o saco e saíram , tentando não andar depressa de mais nem aparentar um ar culpado . Cinco minutos depois , estavam de_novo barricados em a casa_de_banho fora de serviço de a Murta_Queixosa . Hermione destruíra as objecções de Ron argumentando que aquele era o último lugar onde alguém em o seu juízo perfeito se lembraria de ir e que poderia assegurar lhes alguma privacidade . A Murta_Queixosa chorava ruidosamente em o seu cubículo , mas eles conseguiram ignorá a assim_como ela a eles . Hermione abriu * _ Moste_Potente_Potions * com todo o cuidado e inclinaram se os três sobre as páginas manchadas de humidade . Era fácil de perceber , logo à_primeira_vista de olhos , porque pertencia a a secção de os reservados . Algumas de as poções tinham efeitos quase impensáveis de tão macabros e havia ilustrações bastante desagradáveis , como , por_exemplo , aquela em que um homem parecia ter sido virado de o avesso e a de a bruxa com vários pares de braços suplementares a nascerem lhe em a cabeça . - Aqui está - disse Hermione excitadíssima a o encontrar a página intitulada « A poção * polisuco * « . Estava ilustrada com imagens de pessoas a meio de o processo de se transformarem em outras pessoas e Harry desejou ardentemente que a expressão de dor intensa que se lhes espelhava em o rosto fosse apenas produto de a imaginação de o artista desenhador . - Esta é a poção mais complicada que vi até hoje - disse Hermione enquanto examinava a receita . - Moscas asas de renda , sanguessugas , fluxo de cizânias e verdezelha - murmurou , acompanhando com o dedo a lista de ingredientes . - Bem , esses são relativamente simples , há os em a despensa de material de os estudantes , podemos tirar a a nossa vontade . Oh ! Vê só , pó de chifre de bicórneo ... não sei onde vamos arranjar isto ... e , é claro , um pedacinho de a pessoa em quem queremos transformar nos . - Como ? - perguntou Ron de forma cortante . - O que é_que queres dizer com um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos ? Eu não bebo nada que tenha lá dentro as unhas de os pés de o Crabbe ... Hermione continuou como_se não o tivesse ouvido . - Mas não temos que nos preocupar com isso por enquanto . Fica para o fim . Ron voltou se sem palavras para o Harry que tinha uma preocupação de outro tipo . - Já viste bem tudo_o_que vamos ter que roubar , Hermione ? Algumas coisas , não estão de certeza em a despensa de material de os alunos . O que é_que vamos fazer , arrombar os armários pessoais de o Snape ? Não sei se será uma boa ideia ... Hermione fechou o livro com um estrondo . - Bem , se vocês os dois se vão acagaçar , então está lindo - disse ela . Tinha as bochechas rosadas e os olhos mais brilhantes do_que era habitual . - Eu não gosto de quebrar regras , vocês sabem , mas acho que ameaçar os filhos de os Muggles é muito pior do_que construir uma poção difícil . Mas se vocês não querem descobrir se é o Malfoy , eu posso voltar já a a biblioteca e entregar o livro a Madam_Prince ... - Nunca pensei que chegaria o dia em que serias tu a convencer nos a quebrar regras - disse o Ron . - Está bem , vamos em essa , mas sem unhas de os pés , O. _ K. ? - Quanto tempo vai isso demorar a fazer , afinal ? - perguntou Harry quando Hermione , já com um ar mais satisfeito , voltou a abrir o livro . - Bem , como o fluxo de cizânias tem de ser recolhido durante a lua cheia e as asas de renda têm de ser abafadas durante vinte_e_um dias ... eu diria que se conseguirmos arranjar todos os ingredientes estará pronta dentro_de um mês . - Um mês ? - exclamou o Ron . - Nessa_altura já o Malfoy terá atacado metade de os filhos de Muggles ! - mas os olhos de Hermione contraíram se de_novo assustadoramente e ele acrescentou rapidamente . - Mas é o melhor plano que temos , por isso é melhor não olharmos para trás . Apesar_de tudo , enquanto Hermione verificava que não havia ninguém em os corredores e podiam sair de a casa_de_banho , Ron murmurou a Harry : - Seria muito mais simples se conseguisses , amanhã , atirar o Malfoy de a vassoura abaixo . Harry acordou cedo em o sábado de manhã e ficou um bocado a pensar em a partida de Quidditch que vinha a seguir . Estava nervoso , principalmente pelo que Wood diria se os Gryffindor perdessem , mas também com a ideia de enfrentar uma equipa apetrechada com as vassouras mais velozes que existiam . Nunca desejara tanto vencer os Slytherin como em aquele dia . Depois de meia_hora deitado com a barriga a dar horas , resolveu levantar se , vestir se e descer para tomar o pequeno-almoço . Lá em baixo , encontrou o resto de a equipa de os Gryffindor amontoada a o longo de a mesa comprida e vazia , todos eles com ar preocupado e sem vontade de conversar . Como_se aproximavam as onze horas , todos os alunos de a escola começaram a dirigir se para o estádio de Quidditch . O dia estava quente e húmido , com uma ameaça de trovoada em o ar . Ron e Hermione vieram apressadamente desejar a Harry boa sorte mal ele entrou em os vestiários . A equipa de os Gryffindor pôs os seus mantos vermelhos e sentou se para ouvir o discurso que Wood lhes fazia sempre antes de o jogo . - Os Slytherin têm vassouras melhores do_que nós - começou . - Não há como negá o . Mas nós temos gente melhor em cima de as vassouras . Treinámos mais do_que eles , voamos com todas_as condições climatéricas ( É bem verdade - murmurou George_Weasley - desde Agosto que não sei o que é estar seco ) . - E vamos fazê os engolir o dia em que deixaram aquele nojento de o Malfoy comprar a entrada em a equipa de eles . Com o peito agitado por a comoção , Wood voltou se par Harry . -- Cabe te a ti , Harry , mostrar lhes que um * seeker * tem de ter mais do_que um pai rico . Agarra a * snitch * antes d Malfoy ou morre a tentar porque temos absolutamente que vencer , hoje , Harry , temos que vencer . - Sem ansiedade , Harry - disse o Fred , piscando lhe o olho . Quando saíram em direcção a o campo , foram saudado por uma grande ovação principalmente de a parte de os Ravenclaw e de os Hufflepuff que estavam ansiosos por ver os Slytherin serem derrotados , mas os Slytherin que estavam entre a multidão também fizeram ouvir as suas vaias e pateadas . Madam_Hooch , a professora de Quidditch , pediu a Flin e Wood que apertassem as mãos o que eles fizeram , lançando um_ao_outro olhares ameaçadores , cada_um apertando a mão de o outro com mais força do_que aquela que seria necessário . - Atenção a o apito - disse Madam_Hooch . - Três , dois , um ... Com um bramido de a multidão para que subissem rapidamente , os catorze jogadores elevaram se em o céu cor de chumbo . Harry , mais alto do_que qualquer de os outros olhando para todos os lados em busca de a * snitch * . - Tudo bem , testa de cicatriz ? - gritou Malfoy , disparando por baixo de ele para lhe mostrar a velocidade de a sua vassoura . Harry não teve tempo de responder . Em esse preciso momento uma * bludger * preta e bem pesada veio direitinha a ele . Evitou a tão por um triz que ainda sentiu em os cabelos o ar que ela deslocara . - Foi por_pouco , Harry ! - exclamou o George , passando com grande rapidez , de bastão em a mão , pronto para lançar a * bludger * contra um Slytherin . Harry viu o dar a a * bludger * uma fortíssima pancada em direcção a Adrian_Pucey , mas a bola mudou de rumo em o meio de o ar e dirigiu se de_novo a Harry . Harry desceu rapidamente para se esquivar e George conseguiu lançá a contra Malfoy . Mais_uma_vez a * bludger * actuou como um * boomerang * e apontou a a cabeça de Harry . Harry ganhou velocidade e disparou contra o outro extremo de o campo . Ouvia o assobio de a * bludger * que o perseguia . O que era aquilo ? As * bludgers * nunca se concentravam assim em um único jogador , a sua função era tentar desmontar o maior número possível de intervenientes . Fred_Weasley esperava por a * bludger * em o extremo oposto . Harry baixou se quando o viu balançar se em frente de ela com toda_a garra . A * bludger * foi lançada para_fora_de campo . - Pronto , já está tudo resolvido - gritou Fred satisfeito , mas estava bastante enganado . Como_se fosse magneticamente atraída para Harry , a * bludger * lançou se de_novo contra ele e Harry teve de voar a_toda_a velocidade . Começara a chover . Harry sentia as gotas pesadas caírem lhe em o rosto , turvando lhe as lentes de os óculos . Não fazia ideia do_que se passava em o resto de o jogo , até ouvir Lee_Jordan que fazia o comentário dizer : - Os Slytherin vão a a frente com seis contra zero . As vassouras de qualidade superior de os Slytherin estavam obviamente a cumprir a sua função e enquanto isso , a * bludger * maluca fazia todos os possíveis para deitar abaixo o Harry . Fred e George voavam agora tão perto de ele , um de cada lado , que Harry não via senão os seus braços a balouçar e , se não conseguia ver a * snitch * , muito menos agarrá a . - Alguém enfeitiçou esta * bludger * - resmungou Fred , preparando o bastão com toda_a força quando ela se lançava de_novo contra Harry . - Precisamos de tempo - disse George , tentando fazer sinal a Wood enquanto evitava que a bola partisse o nariz a o Harry . Wood captou obviamente a mensagem . O apito de Madam_Hooch fez se ouvir e Harry , Fred e George desceram , tentando ainda evitar a * bludger * maluca . - O que é_que se passa ? - perguntou Wood enquanto a equipa de os Gryffindor se amontoava desordenadamente e os Slytherin , em o meio de a multidão , lançavam piadas . - Estamos a ser esmagados . Fred , George , onde estavam vocês quando aquela * bludger * impediu a Angelina de marcar ? - Estávamos seis metros acima , evitando que a outra * bludger * matasse o Harry , Oliver - gritou George furioso . - Alguém preparou isto , a bola não deixa o Harry em paz , ainda não perseguiu mais ninguém desde_que o jogo começou . Os Slytherin fizeram aqui qualquer coisa . - Mas as * bludgers * têm estado fechadas em o escritório de Madam_Hooch desde o último treino , e nessa_altura estava tudo bem ... - disse Wood ansiosamente . Madam_Hooch aproximava se . Por cima de o ombro de ela , Harry pôde ver a equipa de os Slytherin a escarnecer e apontar em a sua direcção . - Ouçam - disse o Harry , enquanto ela se aproximava . - Com vocês os dois a voarem sempre colados a mim , só vou apanhar a * snitch * se ela voar até a a minha manga . Voltem se para o resto de a equipa e deixem a tratante comigo . - Não sejas bronco - disse o Fred . - Ela arranca te a cabeça . Os olhos de Wood saltavam de Harry_para_os_Weasley . - Oliver , isto_é uma loucura - disse Alicia_Spinet , zangada . - Não podes deixar o Harry sozinho entregue a aquela coisa . Vamos pedir uma investigação . - Se pararmos agora , teremos de dar a partida como perdida e não vamos deixar os Slytherin ganhar , só por_causa_de uma * bludger * maluca . Vá lá , Oliver , diz lhes que me deixem sozinho . - A culpa é toda tua . * _ Agarra a snitch ou morre a tentar * , se isso é lá coisa que se diga . Madam_Hooch tinha se lhes juntado . - Prontos para retomar a partida ? - perguntou a Wood . Wood olhou para o ar determinado de Harry . - Deixem o sozinho , ele é capaz de lidar com a * bludger * . A chuva era agora mais pesada . A o apito de Madam_Hooch , Harry elevou se em os ares e ouviu o barulhinho de a * bludger * atrás_de si . Subiu cada_vez_mais alto . Fez acrobacias em espiral , descidas rápidas , ziguezagueou e rolou . Apesar_de ligeiramente estonteado , não deixou nunca de ter os olhos bem abertos . A chuva salpicava lhe os óculos e entrava lhe por as narinas , quando ele se voltou de cabeça para baixo , evitando outra forte investida de a * bludger * . Ouviu os risos de a multidão . Sabia que devia parecer ridículo , mas a * bludger * maluca era pesada e não podia mudar de direcção tão rapidamente quanto ele . Iniciou uma corrida que parecia de feira de diversões em volta de os extremos de o estádio , olhando de soslaio , através de os lençóis prateados de chuva , para os postes de os Gryffindor , onde Adrian_Pucey tentava passar por Wood . Um assobio junto de os ouvidos disse a Harry que a * bludger * falhara uma_vez_mais . Voltou se e voou rapidamente em a direcção oposta . - Estás a ensaiar * ballet * , Potter - gritou Malfoy quando Harry foi obrigado a fazer uma reviravolta estúpida em o ar para se esquivar mais_uma_vez de a * bludger * . Lá foi ele , com a * bludger * atrás a alguns metros de distância . E foi então que , olhando para Malfoy , furioso , a viu , a * snitch * de ouro . Flutuava alguns centímetros acima de os ouvidos de Malfoy que , de tão preocupado a escarnecer de Harry , nem dera por ela . Durante um momento angustiante , Harry ficou quieto em o ar , não ousando dirigir se a Malfoy , não fosse ele olhar para_cima e ver a * snitch * . PUM ! Tinha ficado parado tempo de mais . A * bludger * batera lhe , por fim , apanhando lhe o cotovelo e Harry sentiu o braço a partir se . Debilmente , desorientado por a dor cauterizante em o braço , Harry deslizou para um de os lados em a sua vassoura encharcada , um joelho ainda dobrado , o braço direito a balouçar , inútil , a o seu lado . A * bludger * veio de_novo , preparada para mais um ataque , desta_vez apontada a o seu rosto . Harry desviou se com uma intenção : chegar a Malfoy . Através_de uma nuvem de chuva e dor desceu até a o rosto tremeluzente e trocista e viu os olhos de ele dilatarem se de medo : Malfoy pensou que Harry ia atacá o . - Que diabo ... - resmungou , afastando se de o caminho . Harry tirou a outra mão de a vassoura e fez uma tentativa para agarrar qualquer coisa . Sentiu os dedos fecharem se em volta de a * snitch * dourada , mas conduzia agora a vassoura apenas com as pernas e ouviu se um grito de a multidão cá em baixo , quando ele fez a descida , tentando não desmaiar . Com um ruído seco caiu em a terra enlameada e rolou para fora de a vassoura . O braço tinha um ângulo um_pouco estranho . Torcendo se com dores , ouviu a a distância os assobios e os gritos . Concentrou se em a * snitch * que tinha fechada em a outra mão . - Ai - disse vagamente . - Ganhámos o jogo . E desmaiou . Voltou a si com a chuva a cair lhe em o rosto , ainda deitado em o campo , com alguém inclinado sobre ele . Viu um brilho de dentes brancos . - Oh , não , você não - gemeu . - Não sabe o que diz - afirmou Lockhart bem alto a a ansiosa multidão de Gryffindor que o comprimiam . - Não te preocupes , Harry , eu vou tratar de o teu braço . - Não - gritou Harry . - Eu fico com ele assim , obrigado . Tentou sentar se , mas a dor era enorme . Ouviu um « clique » familiar . - Não quero fotografias de isto , Colin - disse em voz alta . - Deita te para trás , Harry - insistiu Lockhart com toda_a calma . - É um encantamento muito simples que eu fiz imensas vezes . - Porque não me levam só para a ala hospitalar ? - perguntou Harry entredentes . - Seria o melhor , professor - disse a voz rouca de o Wood que não conseguia deixar de sorrir , apesar_de o seu * seeker * estar ferido . - Grande captura , Harry , verdadeiramente espectacular , a tua melhor jogada , em a minha opinião . Em o meio de a floresta de pernas que o rodeava , Harry avistou Fred e George_Weasley , metendo a * budger * perigosa em uma caixa . Continuava a dar uma luta enorme . - Para trás - ordenou Lockhart , que tinha arregaçado as mangas verde jade . - Não , eu não ... - protestou debilmente Harry , mas Lockhart tinha a varinha em a mão e , um segundo depois , apontava a para o braço de Harry . Uma sensação estranha e desagradável começou em o ombro e espalhou se , chegando a as pontas de os dedos . Parecia que o braço inteiro tinha sido esvaziado . Não foi capaz de olhar para o que estava a suceder . Tinha fechado os olhos , voltado o rosto para o outro lado , mas os seus maiores receios concretizaram se quando as pessoas lá em cima se sobressaltaram e Colin_Creevey começou a tirar fotografias como um louco . O braço deixara de lhe doer , mas parecia tudo menos um braço . - Ah ! - disse Lockhart . - Sim , bem isto às_vezes acontece . Mas o importante é_que os ossos já não estão partidos . Isso é o mais importante . Portanto , Harry , vai até a a ala hospitalar ... ah ! Mr._Weasley , Miss_Granger , poderiam levá o lá ? E Madam_Pomfrey poderá ... er ... arranjar um_pouco isso . Quando Harry se pôs de pé sentiu se estranhamente desequilibrado . Depois de respirar fundo , olhou para o lado direito e o que viu quase o fez desmaiar de_novo . Pendurado em a extremidade de a sua túnica estava o que parecia ser uma espessa e colorida luva de borracha . Tentou mexer os dedos mas ... em vão . Lockhart não consertara os ossos de Harry . Retirara os . M. dam Pomfrey não ficou nada satisfeita . - Devias ter vindo logo ter comigo - ralhou , segurando os restos tristes e moles de aquilo que antes fora um braço activo . - Eu conserto ossos em um segundo , mas fazê os crescer de_novo ... - Vai conseguir , não vai ? - perguntou Harry desesperado . - Sim , com certeza , mas vai ser doloroso - disse Madam_Pomfrey de modo severo , entregando lhe um pijama . - Vais ter que ficar cá esta noite ... Hermione esperou de o lado de_fora de a cortina que rodeava outra cama enquanto Ron ajudava Harry a vestir se . Levou algum tempo a enfiar o braço que parecia borracha dentro_de uma manga de o pijama . - Como é_que podes continuar a defender o Lockhart depois disto , Hermione ? - perguntou Ron através de as cortinas , enquanto puxava os dedos moles de o Harry por uma manga . - Se o Harry quisesse ser desossado , teria pedido . - Todos podem enganar se - disse Hermione . - E deixou de doer , não deixou , Harry ? - Sim - disse ele - mas também ficou incapaz de fazer seja o que for . Quando se meteu em a cama , o braço agitou se despropositadamente . Hermione e Madam_Pomfrey entraram . Madam_Pomfrey segurava uma grande garrafa com o rótulo * Skele - _ Gro * . - Vais ter uma noite difícil - preveniu , enchendo um pequeno copo fumegante e dando lhe a beber . - Fazer crescer ossos é uma coisa difícil . Tomar o * _ Skele - _ Gro * também . Queimou a boca e a garganta de o Harry a o descer , fazendo o tossir e cuspir . Resmungando sobre os desportos perigosos e os professores incapazes , Madam_Pomfrey retirou se , deixando Ron e Hermione a ajudar Harry a engolir um_pouco de água . - Mas ganhámos o jogo - disse o Ron com um sorriso em o rosto . - A tua jogada foi em grande . A cara de o Malfoy ... parecia que queria matar alguém . - Eu vou descobrir como é_que enfeitiçaram aquela * bludger * - disse Hermione com ar sombrio . - Podemos juntar essa pergunta a a lista de todas_as que queremos fazer a o Malfoy quando tomarmos a poção * _ Polisuco * - disse Harry , afundando se de_novo em as almofadas . - Espero que tenha um sabor melhor do_que esta coisa ... - Com um bocado de os Slytherin lá dentro , deves estar a brincar - disse o Ron . A porta de a ala hospitalar abriu se em esse momento e , completamente encharcados , entraram os restantes membros de a equipa de os Gryffindor , para ver o Harry . - Um voo inacreditável - disse George . - Acabei de ver Marcus_Flint a gritar com o Malfoy . Qualquer coisa sobre ter a * snitch * mesmo em cima de a cabeça e não ter dado por nada . O Malfoy não parecia nem um_pouco satisfeito . Tinham trazido bolos , rebuçados e garrafas de sumo de abóbora . Juntaram se em volta de a cama de Harry e estavam a dar início a o que prometia ser uma grande festa quando Madam_Pomfrey entrou a vociferar : - Este rapaz precisa de repouso . Tem trinta_e_três ossos a crescer . Fora de aqui . FORA ! E Harry ficou sozinho , sem nada que o distraísse de as dores agudas em o seu braço mole . Muitas horas mais tarde , Harry acordou subitamente em a escuridão total e soltou um pequeno grito de dor : sentia agora o braço cheio de estilhaços . Durante alguns segundos pensou que tinha sido a dor a acordá o . Depois , com um arrepio de horror , apercebeu se de que alguém estava a passar lhe uma esponja em a testa . - Sai de aqui - gritou , e em seguida : - Dobby ! Os olhos de o tamanho de bolas de ténis de o elfo doméstico estavam a olhá o em o escuro , uma lágrima grossa rolava por o seu enorme nariz . - Harry_Potter voltou a a escola - murmurou , infeliz . - Dobby avisou e voltou a avisar Harry_Potter . Ah ! senhor , porque não deu ouvidos a Dobby ? Porque não voltou Harry_Potter para_casa quando perdeu o comboio ? Harry ergueu se um_pouco , encostando se a as almofadas e afastou a esponja de o elfo . - O que estás a fazer aqui ? - perguntou . - E como sabes que eu perdi o comboio ? O lábio de Dobby tremeu e Harry foi assaltado por uma dúvida . - Foste tu . Tu impediste que a barreira nos deixasse passar . - Em a verdade fui eu , senhor - disse Dobby , acenando com a cabeça e com as orelhas a abanar . - Dobby escondeu se , esperou por Harry_Potter e selou a barreira . A seguir , Dobby teve de pôr as mãos em o ferro de engomar - mostrou a o Harry dez dedos longos embrulhados em ligaduras . - Mas Dobby não se importou , senhor , porque pensou que Harry_Potter estava a salvo e nunca Dobby sonhou que mesmo_assim ele viria para a escola ! Balançava se para a frente e para trás , sacudindo a cabeça feia . - Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry_Potter tinha voltado a a escola que deixou queimar o jantar de os seus donos . Dobby nunca tivera um castigo tão grande , senhor . Harry afundou se de_novo em as almofadas . - Quase conseguiste que nos expulsassem , a mim e a o Ron - disse furioso . - É melhor desapareceres de aqui antes que os meus ossos voltem a estar bem , Dobby , ou ainda te estrangulo . O elfo sorriu . - Dobby está habituado a ameaças de morte , senhor . Dobby recebe as cinco vezes por dia em a casa onde mora . Encostou o nariz a um canto de a fronha que usava , ficando tão ridículo que Harry sentiu a raiva desvanecer se , apesar_de tudo . - Porque usas essa coisa , Dobby ? - perguntou com curiosidade . - Isto , senhor ? - disse Dobby apontando para a fronha de almofada . - É uma prova de escravatura de o elfo doméstico , senhor . Dobby só pode ser libertado se os donos lhe derem roupa , senhor . A família tem o cuidado de não dar a o Dobby nem uma peúga , senhor , porque ele poderia ficar livre e deixar a casa para sempre . Dobby limpou os olhos protuberantes e disse subitamente : - Harry_Potter deve ir para_casa . Dobby achou que a sua * bludger * seria o suficiente para o fazer ... - A tua * bludger * ? - disse Harry com a raiva a crescer novamente dentro de ele . - Que queres tu dizer com a tua bludger * ? Foste tu quem fez com que aquela bola tentasse matar me ? - Matar não , senhor . Matar , nunca ! - disse o elho chocado . - Dobby quer salvar a vida de Harry_Potter . É melhor ir para_casa ferido do_que ficar aqui , senhor . Dobby só queria Harry_Potter suficientemente ferido para voltar para_casa . - Só isso ? - disse Harry furioso . - Imagino que não vais dizer me porque querias mandar me para_casa a os bocados ? - Ah ! se Harry_Potter soubesse ! - gemeu Dobby , com mais lágrimas a escorrerem lhe por a fronha esfarrapada . - Se pudesse saber o que significa para nós , para os humildes , os escravizados , nós , a escória social de o mundo mágico ! Dobby lembra se de como eram as coisas quando Aquele cujo nome não deve ser pronunciado estava em o auge de o poder , senhor ! Nós , os elfos domésticos éramos tratados como animais , senhor ! É claro que Dobby ainda é tratado assim - admitiu , secando o rosto em a fronha de almofada . - Mas , em a sua maioria , a vida melhorou bastante para os de a minha espécie desde_que Harry_Potter triunfou sobre Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Harry_Potter sobreviveu e o poder de os senhores de o Mal foi quebrado e veio uma nova alvorada , senhor , e Harry_Potter brilhou como um farol de esperança para aqueles de entre nós que já pensavam que a longa noite nunca mais teria fim , senhor ... e agora em Hogwarts vão acontecer coisas terríveis , talvez já esteiam a acontecer e Dobby não pode deixar Harry_Potter ficar aqui , agora_que a história vai repetir se , agora_que a Câmara_dos_Segredos está de_novo aberta . Dobby calou se horrorizado . Em seguida agarrou em o jarro de a água que Harry tinha a a cabeceira e bateu com ele em a própria cabeça , deixando se cair . Um segundo mais tarde voltou até junto de a cama , repetindo : - Mau , Dobby , muito mau , Dobby . - Quer_dizer , então , que existe mesmo a Câmara_dos_Segredos ? - murmurou Harry . - E dizes tu que já antes foi aberta ? Conta me , Dobby . Agarrou o pulso ossudo de o elfo quando a mão de ele se estendia para o jarro de a água . - Mas eu não sou filho de Muggles . Como posso estar em perigo por causa de a Câmara_dos_Segredos ? - Ah ! senhor , não pergunte a o pobre Dobby - lamentou se o elfo com os olhos enormes a brilharem em o escuro . - As forças de as trevas estão projectadas em este lugar , mas Harry_Potter não deve estar aqui quando as coisas acontecerem . Vá para_casa , Harry_Potter , vá para_casa . Harry_Potter não deve envolver se em isto , senhor , é demasiado perigoso ... - Quem é , Dobby ? - perguntou Harry , continuando a agarrar lhe o pulso com forca , impedindo que batesse de_novo em si próprio com o jarro . - Quem abriu a amara ? Quem a abriu de a última vez ? - Dobby não pode , senhor . Dobby não pode . Dobby não deve dizer - guinchou o elfo . - Vá se embora , Harry_Potter , vá se embora ! - Eu não vou para lugar nenhum - disse Harry , furioso . - Uma de as minhas melhores amigas é filha de Muggles , está em perigo se a câmara foi , de facto , aberta ... - Harry_Potter arrisca a própria vida por os amigos - gemeu Dobby em uma espécie de êxtase infeliz . - Tão nobre , tão corajoso , mas deve salvar se , Harry_Potter não deve ... Dobby calou se de repente com as orelhas de morcego a estremecerem . Harry também ouviu os passos que vinham lá fora , de o corredor . - Dobby tem de ir - balbuciou o elfo apavorado . Ouviu se um ruído e o pulso de Harry ficou subitamente fechado em o ar . Meteu se de_novo para baixo , em a cama , com os olhos fixos em a porta escura que dava entrada em a ala hospitalar enquanto os passos se aproximavam . Em o momento seguinte , Dumbledore estava a entrar , de costas , em o dormitório , vestindo uma longa túnica de lã e uma capa de noite . Transportava um extremo de aquilo que parecia ser uma estátua . A professora Mc_Gonagall surgiu um segundo mais tarde , pegando lhe em os pés . Os dois colocaram a em uma cama . - Chame Madam_Pomfrey - murmurou Dumbledore e a professora Mc_Gonagall passou por a cama de Harry , apressadamente , e desapareceu . Harry deixou se ficar muito quieto como_se estivesse a dormir . Ouviu vozes ansiosas e por fim a professora Mc_Gonagall apareceu de_novo , seguida de Madam_Pomfrey que vestia um casaco curto de lã sobre a camisa de dormir . Ouviu uma inspiração aguda . - O que aconteceu ? - murmurou Madam_Pomfrey_a_Dumbledore , inclinando se sobre a estátua que estava em a cama . - Outro ataque - disse Dumbledore . - A Minerva encontrou o em as escadas . Havia um cacho de uvas junto de ele . Acho que estava a tentar esgueirar se até aqui para vir visitar o Potter . O estômago de Harry deu uma reviravolta . Lenta e cuidadosamente ergueu se alguns centímetros para poder ver a estátua que estava sobre a cama . Um raio de luar iluminou lhe o rosto estático . Era_Colin_Creevey . Tinha os olhos abertos , e as mãos , em frente de a cara , seguravam a máquina fotográfica . -- Petrificado ? - murmurou Madam_Pomfrey . - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - Mas estou tentada a acreditar que ... se Albus não tivesse vindo cá abaixo tomar um chocolate quente ... quem sabe o que teria ... Os três olharam para Colin . Dumbledore inclinou se e retirou lhe a máquina de as mãos rígidas . - Será que ele conseguiu tirar a fotografia de o agressor ? - perguntou ansiosa a professora Mc_Gonagall . Dumbledore não respondeu . Abriu a parte detrás de a máquina . - Cruzes canhoto - disse Madam_Pomfrey . Um jacto de vapor tinha feito fervilhar a máquina . Harry , a três metros de distância , sentiu o cheiro tóxico de o plástico queimado . - Derretido - disse Madam_Pomfrey com grande espanto . - Tudo derretido . - O que significa isto , Albus ? - perguntou cada_vez_mais nervosa a professora Mc_Gonagall . - Significa - disse Dumbledore - que a Câmara_dos_Segredos está mesmo aberta outra_vez . Madam_Pomfrey levou uma mão a a boca . A professora Mc_Gonagall olhou assustada para Dumbledore . - Mas , Albus ... com certeza ... quem ? - A questão não é quem - disse Dumbledore com os olhos fixos em Colin . - A questão é como ... E pelo que Harry conseguiu ver de o rosto indistinto de a professora Mc_Gonagall , ela não compreendeu muito mais do_que ele . XI_O clube de os duelos Quando_Harry acordou , em o domingo de manhã , a enfermaria estava iluminada por um resplandecente sol de inverno e o seu braço tinha de_novo todos os ossos , apesar_de o sentir muito rígido . Sentou se rapidamente e olhou para a cama de Colin , mas ela fora isolada com as cortinas atrás de as quais se despira em a véspera . Vendo que ele tinha acordado , Madam_Pomfrey apareceu com um tabuleiro de pequeno-almoço e a seguir começou a apalpar lhe o braço e os dedos . - Tudo em ordem - disse , enquanto ele , com a mão esquerda , comia avidamente as papas de aveia . - Quando acabares de comer podes ir te embora . Harry vestiu se o mais depressa que pôde e dirigiu se a a pressa para a torre de os Gryffindor , ansioso por contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre Colin e Dobby , mas não os encontrou lá . Foi a a procura de eles , perguntando a si próprio onde teriam ido e sentindo se um_pouco magoado por o pouco interesse que demonstravam em saber se ele tinha recuperado os ossos . Quando passou por a biblioteca , Percy_Weasley vinha a sair com bastante melhor cara do_que de a última vez que se tinham encontrado . - Olá , olá , Harry - disse . - Excelente voo o de ontem , verdadeiramente sensacional . Os Gryffindor estão a a frente para a taça de a equipa . Ganhaste cinquenta pontos . - Não viste o Ron e a Hermione por aí ? - perguntou Harry . - Não , não vi - disse Percy com o sorriso a desaparecer . - Espero que o Ron não esteja outra_vez em a casa_de_banho de as raparigas ... Harry forçou um sorriso , viu Percy desaparecer e a seguir foi direitinho até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Não via lá muito bem por_que motivo o Ron e a Hermione lá estariam de_novo , mas , depois de se assegurar de que nem Filch nem nenhum de os prefeitos estavam por perto , abriu a porta e ouviu as vozes de eles que vinham de um cubículo fechado . - Sou eu - disse , fechando a porta atrás_de si . Ouviu se dentro de o cubículo um estrondo , um chapinhar e um sobressalto e ele viu o olho de a Hermione a espreitar por o buraco de a fechadura . - Harry - disse ela . - Pregaste nos um susto de morte . Entra . Como está o teu braço ? - _ óptimo - respondeu , apertando se dentro de o cubículo . Em cima de a sanita estava encarrapitado um velho caldeirão , e um crepitar a a superfície de a água disse a Harry que eles tinham acendido um fogo lá em baixo . Fazer aparecer fogos portáteis a a prova de água era uma de as especialidades de Hermione . - _ íamos visitar te , mas resolvemos começar a preparar a poção * _ Polisuco * - explicou Ron enquanto Harry fechava outra_vez a porta de o cubículo com alguma dificuldade . - Achámos que este era o lugar mais seguro para a esconder . Harry começou a contar lhes de o Colin , mas Hermione interrompeu o . - Nós já sabemos , ouvimos a professora Mc_Gonagall contar a o professor Flitwick hoje_de_manhã . Por isso resolvemos começar a ... - Quanto_mais depressa arrancarmos uma confissão a o Malfoy , melhor - rosnou o Ron . - Sabem o que eu penso ? Ele estava tão mal-humorado depois de o jogo de Quidditch que se vingou em o Colin . - Há outra coisa - disse Harry , vendo Hermione cortar molhos de verdezelha e lançá os dentro de a poção . - O Dobby foi visitar me a meio de a noite . Ron e Hermione olharam o espantados . Harry contou lhes tudo_o_que Dobby lhe dissera ... ou não dissera . Ron e Hermione ouviram o de boca aberta . - A Câmara_dos_Segredos já tinha sido aberta antes ? - repetiu Hermione . - Encaixa perfeitamente - disse Ron , em uma voz triunfante . - O Lucius_Malfoy deve ter aberto a Câmara_dos_Segredos quando andava em a escola e agora ensinou a o querido filhinho Draco como abris a . É óbvio , que pena o Dobby não te ter dito que tipo de monstro lá se encontra . Gostava de saber como é_que ninguém o viu andar por ai em a escola . - Talvez tenha a capacidade de se tornar invisível - sugeriu Hermione , picando sanguessugas para dentro de o caldeirão . - Ou talvez se disfarce , passando por uma armadura ou outra coisa de o género . Eu li umas coisas sobre vampiros camaleões ... - Tu lês de mais , Hermione - disse o Ron , deitando moscas asas de renda mortas por cima de as sanguessugas . Amarrotou o saco vazio de as asas de renda e olhou para Harry . - Então foi o Dobby que nos impediu de apanhar o comboio e te partiu o braço ... - abanou a cabeça . - Sabes o que eu acho ? Se ele não parar de tentar salvar te a vida ainda acaba por te matar . A notícia de que Colin_Creevey tinha sido atacado e estava agora em a ala hospitalar , como morto , espalhou se por toda_a escola em a segunda-feira de manhã . O ar ficou pesado e cheio de boatos e suspeitas . Os alunos de o primeiro ano começavam a andar por a escola em pequenos grupos , receando ser atacados se se aventurassem a andar isoladamente por os corredores . Ginny_Weasley , que era colega de carteira de o Colin em os encantamentos , estava perturbadíssima , mas Harry achou que Fred e George estavam a tentar animá a de a maneira errada . Revezavam se , mascarados com peles de animais e apareciam lhe subitamente detrás de as estátuas . Só pararam quando Percy , apopléctico de raiva , lhes disse que ia escrever a Mrs._Weasley a contar lhe que a Ginny andava a ter pesadelos . Enquanto isso , às_escondidas de os professores , uma panóplia de talismãs , amuletos e outros objectos de protecção ia enchendo a escola . Neville_Longbottom comprou uma enorme cebola verde que cheirava mal , um cristal pontiagudo cor de púrpura e uma cauda de tritão apodrecida antes de os outros rapazes de os Gryffindor lhe explicarem que ele não corria perigo : era um sangue puro e , portanto , muito pouco passível de ser atacado . - Eles foram a o Filch em primeiro lugar - disse Neville com o medo estampado em a cara redonda . - E toda_a_gente sabe que eu sou quase um * busca-pé * . Em a segunda semana de Dezembro , a professora Mc_Gonagall veio , como de costume , recolher os nomes de os alunos que ficavam em a escola durante o Natal . Harry , Ron e Hermione assinaram a lista . Tinham ouvido dizer que Malfoy ficava , o que lhes parecera muito suspeito . As férias seriam a altura ideal para usar a poção * _ Polisuco * e tentar arrancar lhe uma confissão . Infelizmente a poção estava a meio . Precisavam ainda de o chifre de bicórneo e o único lugar onde podiam arranjá o era em os depósitos privados de Snape . Harry , pessoalmente , preferia enfrentar o lendário monstro de os Slytherin do_que ser apanhado por o Snape a assaltar lhe o escritório . - O que precisamos - disse Hermione cheia de vivacidade quando se aproximava a aula conjunta de poções de quinta-feira a a tarde - para podermos entrar a a vontade em o escritório de o Snape , é de uma diversão . Harry e Ron olharam para ela , nervosos . - Acho que o melhor é ser eu a praticar o roubo - prosseguiu ela , em um tom perfeitamente casual . - Vocês os dois podem ser expulsos se forem apanhados e eu tenho uma folha limpa . Portanto , a única coisa que têm de fazer é distrair o Snape durante cerca de cinco minutos . Harry esboçou um meio sorriso . Provocar deliberadamente um estrago em a aula de poções de o Snape era tão seguro como ferir em um olho um dragão adormecido . As aulas de poções tinham lugar em um de os mais amplos calabouços . A de quinta-feira a a tarde não foi diferente de as outras . Vinte caldeirões fumegavam entre as secretárias de madeira , sobre as quais podia ver se laminas de latão e jarras com ingredientes . Snape deambulava por o meio de os fumos , fazendo reparos petulantes a o trabalho de os Gryffindor , enquanto os Slytherin riam a a socapa . Draco_Malfoy , que era o aluno preferido de Snape , não parava de lançar olhos de carneiro mal morto a o Ron e a o Harry , que sabiam que se retaliassem teriam um castigo , antes de poderem abrir a boca para dizer : - É injusto ! A solução de inchar de o Harry estava demasiado líquida , mas ele estava preocupado com coisas mais importantes . Esperava por o sinal de Hermione e mal deu por Snape se calar para ir espreitar a sua poção aguada . Quando o professor se voltou e foi implicar com o Neville , Hermione trocou um olhar com Harry e fez um aceno . Harry baixou se discretamente por detrás de o seu caldeirão , tirou de o bolso de trás um de os paus de fogo-de-artíficio Filibuster e deu lhe um toque de varinha . O fogo-de-artíficio começou a sibilar e a crepitar . Sabendo que tinha apenas alguns segundos , Harry endireitou se , ganhou coragem e lançou o a o ar . Aterrou certeiro em o caldeirão de o Goyle . A poção de o Goyle explodiu , salpicando toda_a aula . As pessoas gritavam , à_medida_que eram vítimas de os salpicos . Malfoy foi apanhado em a cara e o nariz começou a inchar como um balão . O Goyle tropeçava a as cegas , com as mãos em os olhos , que tinham ficado de o tamanho de pratos de sopa , enquanto o Snape tentava repor a calma e tentar perceber o que sucedera . Em o meio de a confusão , Harry viu Hermione esgueirar se a a socapa por a porta . - Silêncio ! silêncio ! - vociferou Snape . - Todos os que foram salpicados cheguem aqui para uma drenagem . Quando eu descobrir quem fez isto ... Harry fez um enorme esforço para não se rir a o ver Malfoy chegar apressadamente lá a a frente , a cabeça a tombar com o peso de o nariz , que parecia um pequeno melão . Quando metade de a aula se amontoava junto de a secretária de o Snape , alguns alunos vergados por o peso de os braços que pareciam mocas , outros incapazes de falar devido a o gigantesco inchaço de os lábios , Harry viu Hermione reentrar em o calabouço , a túnica mostrando a barriga protuberante . Quando todos os alunos tinham já tomado um gole de o antídoto e os vários inchaços tinham desaparecido , Snape precipitou se para o caldeirão de o Goyle e pescou os restos retorcidos de o fogo-de-artíficio . Houve um súbito silêncio . - Se eu descubro quem lançou isto - murmurou Snape - garanto que é expulsão por a certa . Harry compôs uma expressão de espanto . Snape olhava directamente para ele e a campainha , que tocou dez minutos mais tarde , não podia ser mais bem-vinda . - Ele soube que fui eu - disse Harry_a_Ron e a a Hermione , enquanto se dirigiam apressadamente para a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Tenho a certeza . Hermione lançou o novo ingrediente em o caldeirão e começou a mexer furiosamente . - Isto vai estar pronto dentro_de quinze_dias - afirmou , satisfeita . - O Snape não pode provar que foste tu - assegurou Ron , tranquilizando Harry . - Que pode ele fazer ? - Conhecendo o Snape , qualquer coisa louca - respondeu Harry , enquanto a poção borbulhava e espumava . Uma semana mais tarde , Harry , Ron e Hermione passavam por o vestíbulo de entrada , quando viram um pequeno grupo de pessoas reunidas em volta de o jornal de parede a lerem um pedaço de pergaminho que tinha acabado de ser afixado . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas acenaram lhes , entusiasmados . - Vão lançar um clube de duelos ! - exclamou Seamus . - Hoje a a noite é a primeira reunião . Eu não me importaria nada de ter aulas de duelo , podem vir a ser úteis um dia de estes ... - Porquê ? Achas que o monstro de os Slytherin sabe esgrimir ? - perguntou o Ron , mas , também ele , leu a notícia com interesse . - Pode ser útil - disse a o Harry e a a Hermione , quando foram jantar . - Vamos lá ? Harry e Hermione acharam óptimo , por isso , a as oito_da_noite voltaram a o salão . As longas mesas de refeição tinham desaparecido e um estrado dourado surgira , encostado a a parede . Sobre ele flutuavam milhares de velas . O tecto era , mais_uma_vez , de veludo negro e parecia que quase todos os alunos de a escola se encontravam ali , com as suas varinhas em a mão e com um ar entusiasmado . - Quem será que vai ensinar nos ? - perguntou Hermione , enquanto se misturavam em a multidão barulhenta . - Ouvi dizer que o Filitwick foi campeão de duelo em a juventude , talvez seja ele . - Desde_que não seja ... - começou Harry , mas terminou em um gemido : Gilderoy_Lockhart estava a subir a o estrado , resplandecente em as suas vestes cor de ameixa , acompanhado , nem mais nem menos , do_que de Snape que trajava , como sempre , de negro . Lockhart levantou um braço , pedindo silêncio , bradando : - Aproximem se , aproximem se , conseguem todos ver me e ouvir me ? Excelente ! - O professor Dumbledore deu me autorização para iniciar este pequeno curso de duelo para vos treinar a todos , caso algum dia precisem de se defender , como eu tenho feito em inúmeras ocasiões ; para mais detalhes , leiam os livros que tenho publicados . - Permitam que vos apresente o meu assistente , o professor Snape - disse Lockhart , abrindo um sorriso de orelha a orelha . - Ele diz me que sabe alguma coisa sobre duelos e aceitou desportivamente ajudar me em uma exibição de demonstração , antes de começarmos . Atenção , não quero que os mais novos fiquem preocupados , vão continuar a ter o vosso professor de poções depois de eu o vencer . Não tenham medo . - Não era óptimo se se liquidassem um_ao_outro ? - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . O lábio inferior de Snape estava curvo . Harry interrogou se sobre o motivo por_que Lockhart continuava a sorrir . Se o Snape olhasse de aquela maneira para ele , Harry estaria a correr a_toda_a velocidade para o mais longe possível . Lockhart e Snape voltaram se um para o outro e fizeram uma vénia , pelo_menos Lockhart fê la com muitas reviravoltas de mãos , enquanto Snape acenava , irritado , com a cabeça . Em seguida , ergueram as varinhas , como_se fossem espadas , em a frente . - Como podem ver , estamos a pegar em as varinhas em a posição de aceitação de combate - explicou Lockhart a a multidão silenciosa . - Quando contarmos até três , lançaremos os primeiros feitiços . Nenhum de nós tentará matar o outro , claro . - Eu não poria as mãos em o fogo - murmurou Harry , observando como Snape cerrava os dentes . -- Um , dois , três ... Os dois balançaram as varinhas acima de os ombros . Snape gritou : * _ Expelliarmus * ! Houve um clarão ofuscante de luz escarlate e Lockhart voou para trás , caindo de o estrado batendo contra a parede , escorregando e indo estatelar se em o chão . Malfoy e alguns de os outros Slytherin aplaudiram . Hermione estava em bicos de os pés . - Acham que ele está bem ? - gritou entredentes . - Quem se rala ? - disseram ao_mesmo_tempo o Ron e o Harry . Lockhart estava a pôr se , hesitante , de pé . O chapéu caíra lhe e o cabelo ondulado estava em um desalinho . - Bem , cá está ! - disse , cambaleando até a o estrado . - Este foi um encantamento para desarmar . Como podem ver , perdi a minha varinha . Ah , obrigado Miss_Brown . Sim , foi uma excelente ideia mostrar lhes isto , professor Snape , mas , se me permite que lhe diga , foi muito óbvio o que ia fazer . Se eu tivesse querido impedis o , teria o feito com a maior de as facilidades . Mas achei que seria educativo deixá os ver ... Snape tinha um ar assassino . Provavelmente Lockhart deu por isso , porque declarou : - Chega de demonstrações . Eu vou passar agora por o meio de vocês e criar duplas . Professor_Snape , se quiser ajudar me ... Entraram por o meio de a multidão , agrupando alunos . Lockhart pôs o Neville com Justin_Finch - _ Fletchley , mas Snape chegou primeiro junto de Harry e de Ron . - Tempo de separar a dupla ideal , parece me - rosnou . - Weasley , tu podes ficar com o Finnigan . Potter ... Harry voltou se automaticamente para Hermione . - Não me parece - disse Snape com o seu sorriso frio . - Mr._Malfoy , venha até aqui . Vamos ver o que faz com o famoso Potter . E a menina , Miss_Granger , pode emparceirar com Miss_Bulstrode . Malfoy aproximou se com o seu passo empertigado e o seu sorriso escarninho . Atrás de ele vinha uma rapariga de os Slytherin , que lembrou a Harry uma imagem que tinha visto em as * _ Férias com Bruxas_Velhas * . Era corpulenta e quadrada e os maxilares avançavam agressivamente . Hermione esboçou um meio sorriso , que ela não retribuiu . - Voltem se para os vossos parceiros - gritou Lockhart - e façam a vénia . Harry e Malfoy mal inclinaram as cabeças , não afastando os olhos um de o outro . - Varinhas preparadas ! - gritou Lockhart . - Quando eu disser três preparem os feitiços para desarmar o vosso opositor . Um ... dois ... três ... Harry levantou a varinha acima de o ombro , mas Malfoy começara logo em o « dois » : o seu feitiço apanhou Harry com tanta força que ele se sentiu como_se tivesse levado com uma frigideira em a cabeça . Tropeçou , mas ainda não estava fora de combate e , sem perder tempo , Harry apontou a varinha a Malfoy e gritou : - * _ Rictusempra ! * Um jacto de luz prateada atingiu Malfoy em o estômago , obrigando o a dobrar se , arfando . - Eu disse desarmar ! - gritava Lockhart sobre as cabeças de a multidão em lata , enquanto Malfoy caía de joelhos . Harry atingira o com o feitiço de as cócegas e ele mal conseguia mexer se para se rir . Harry hesitou com o vago sentimento de que seria pouco desportivo enfeitiçar Malfoy enquanto ele estava caído em o chão , mas ... foi um erro . Tentando respirar , Malfoy apontou a varinha a os joelhos de Harry , balbuciando : « * _ Tarantallegra ! * » e , um segundo depois , as pernas de o Harry tinham começado a mexer se , sem que ele pudesse controlá as , executando uma espécie de dança frenética . - Parem , parem - gritava Lockhart , quando Snape resolveu tomar controlo de a situação . - * _ Finite_Incantatem ! * - bradou . Os pés de o Harry pararam de dançar , Malfoy parou de rir e puderam olhar para_cima . Uma onda de fumo esverdeado pairava sobre todos eles . Neville e Justin estavam caídos em o chão , a arfar . Ron tentava fazer parar um Seamus com cara cor de cinza , pedindo lhe mil desculpas por o que a sua varinha partida eventualmente tivesse feito . Mas Hermione e Millicent_Bulstrode ainda não tinham acabado . Millicent tinha feito a Hermione uma prisão de cabeça e Hermione gritava de dor . As duas varinhas jaziam esquecidas em o chão . Harry deu um salto em frente e afastou Millicent . Não foi fácil , ela era bastante maior do_que ele . - Oh , gente ! - exclamou Lockhart , arrastando se por o meio de a multidão e olhando para os resultados de os duelos . - Vamos pôr de pé , Mcmillan ... cuidado , Miss_Fawcett ... belisque com força que pára logo de sangrar ... - Acho que o melhor é ensinar vos como bloquear feitiços pouco amigáveis - afirmou Lockhart que estava nervosíssimo em o meio de o salão . Olhou para Snape , cujos olhos pretos brilhavam e desviou rapidamente o olhar . - Vamos arranjar um par de voluntários . Longbottom e Finch - _ Fletchley , que tal serem vocês ? - Uma má ideia , professor Lockhart - disse Snape , deslizando como um morcego enorme e cruel . - Longbottom provoca devastação com o feitiço mais simples . Ainda temos de mandar o que restar de o Finch - _ Fletchley para a ala hospitalar dentro_de uma caixa de fósforos . - A cara redonda e rosada de Neville ficou ainda mais rosada . - Que tal o Malfoy e o Potter ? - sugeriu Snape com um sorriso retorcido . - Excelente ideia - disse Lockhart , fazendo sinal a os dois para que se aproximassem de o meio de o salão , enquanto a multidão recuava para lhes dar passagem . - Ouve bem , Harry - disse Lockhart . - Quando o Draco te apontar a varinha , tu fazes assim . Levantou a sua varinha , executando uma tentativa complicada de malabarismo e deixou a cair . Snape sorriu pretensiosamente , enquanto Lockhart a apanhava de o chão , dizendo : - Ups , a minha varinha está demasiado excitada . Snape aproximou se de Malfoy , inclinou se e disse lhe qualquer coisa a o ouvido . Malfoy sorriu também de forma afectada . Harry olhou , nervoso , para Lockhart e pediu : - Professor , podia mostrar me outra_vez aquela coisa para bloquear ? - Estás com medo ? - murmurou Malfoy baixinho , para que Lockhart não pudesse ouvir . - Querias ! - exclamou Harry por o canto de a boca . Lockhart deu um soco em o ombro de o Harry , em a brincadeira . - Basta que faças como eu fiz ! - O quê , deixar cair a varinha ? Mas Lockhart não estava a ouvir - Três , dois , um , zero ! - gritou . Malfoy levantou rapidamente a varinha a o ar e gritou : - * _ Serpensortia ! * A extremidade de a varinha explodiu . Harry viu , horrorizado , uma enorme serpente negra sair de ela , cair pesadamente em o chão a meio de os dois e erguer se disposta a atacar . Ouviram se gritos , enquanto a multidão se afastava , deixando o chão vazio . - Não te mexas , Potter - disse Snape vagarosamente , divertindo se claramente a ver Harry , parado , a olhar em os olhos a serpente . - Eu trato de ela ... - Permita me -- gritou Lockhart . Bramiu a varinha em direcção a a serpente e ouviu se um estoiro . A cobra , em_vez_de desaparecer , voou três metros acima de eles e voltou a cair em o chão com um estrondo enorme . Enraivecida , a sibilar de fúria , rastejou em direcção a Finch - _ Fletchley e pôs se de pé com os dentes a a mostra , pronta a atacar . Harry não soube ao_certo o que o levou a fazer aquilo . Não se lembrava sequer de ter tomado aquela decisão . Só soube que as pernas o fizeram avançar como_se tivesse rodas e que gritou a a serpente : - Larga o ! - E , milagrosa e inexplicavelmente , a serpente voltou a o chão , dócil como uma grande mangueira de jardim , preta e grossa , os olhos agora fixos em os olhos de Harry . Harry sentiu o medo a escoar se . Sabia que a cobra não atacaria mais ninguém , embora não pudesse explicar como sabia . Olhou para Justin a sorrir , esperando vê o aliviado , espantado , ou mesmo agradecido , mas nunca zangado ou assustado . - Que brincadeira é essa ? - gritou o outro e , antes que Harry tivesse tempo de dizer fosse o que fosse , voltou as costas e saiu de o salão . Snape deu um passo em frente , fez um gesto com a varinha e a serpente desapareceu em uma onda de fumo preto . Também ele , Snape , olhava para Harry de uma forma inesperada . Era um olhar arguto e calculista , de que Harry não gostou . Apercebeu se também vagamente de um murmúrio ameaçador que vinha de as paredes em volta . Depois , sentiu um puxão em a túnica . - Vamos - disse a voz de o Ron em o seu ouvido . - Mexe te , vá lá ... Ron arrastou o para fora de o salão . Hermione acompanhava os em a passada rápida . Quando cruzaram a porta , as pessoas que a rodeavam afastaram se , como_se tivessem medo de ser contagiadas . Harry não fazia a mais pequena ideia do_que estava a passar se e , nem Ron , nem Hermione lhe deram qualquer explicação , antes de o terem levado até a a sala comum de os Gryffindor , que se encontrava vazia . Aí , Ron empurrou Harry para uma cadeira de braços e disse : - Tu és um * serpentês * . Porque não nos disseste ? - Eu sou um quê ? - perguntou Harry . - Um * serpentês * ! - exclamou o Ron . - Falas com as cobras . - Eu sei - declarou Harry . - Quer_dizer , esta foi a segunda vez que o fiz . A outra foi há muito_tempo em o jardim zoológico , quando soltei uma Boa_Constrictor a o meu primo Dudley . É uma longa história , mas ela estava a dizer me que nunca tinha estado em o Brasil e eu acho que a libertei sem querer . Foi antes de saber que era feiticeiro . . . - Uma Boa_Constrictor disse te que nunca tinha estado em o Brasil ? - repetiu Ron , quase sem voz . - E então ? - disse o Harry . - Aposto que montes de pessoas aqui fazem o mesmo . - Não fazem , não - afirmou Ron . - Não é um dom muito frequente . Harry , isso é mau . - O que é_que é mau ? - perguntou Harry , que começava a ficar chateado . - O que é_que se passa com todos os outros ? Ouve bem , se eu não tivesse dito a aquela cobra para não atacar o Justin ... - Ah , foi isso que tu disseste ? - Que queres dizer ? Tu estavas lá , ouviste perfeitamente o que eu disse . - Eu ouvi te falar em serpentês - disse o Ron . - Língua de cobra . Podias estar a dizer lhe qualquer coisa . Não admira que o Justin tivesse entrado em pânico . Parecia que estavas a incitar a serpente . Foi assustador , sabes ? Harry olhou para ele espantado . - Eu falei uma língua diferente ? Mas não me apercebi , como posso falar uma língua , sem saber que a conheço ? Ron abanou a cabeça . Tanto ele como Hermione tinham um ar fúnebre . Harry não percebia o que havia em aquilo de tão trágico . - Será que me querem explicar o que há de mal em ter impedido que uma serpente enorme arrancasse a cabeça a o Justin ? - perguntou . - Porque é tão importante como o fiz , se evitei que o Justin fosse juntar se a grupo de os SEM_CABEÇA ? - Importa - disse por fim Hermione , em uma voz abafada . - Porque falar com serpentes era a arte por a qual Salazar_Slytherin ficou famoso . Por isso , o símbolo de os Slytherin é uma serpente . Harry ficou de boca aberta . - Exacto - disse o Ron . - E agora todos em a escola vão pensar que tu és descendente de ele . - Mas não sou - contrapôs Harry com um pânico que não conseguia explicar . - Não vai ser fácil prová o - disse Hermione . - Ele viveu há quase mil anos . Pelo que vimos , podias ser . Em essa noite , Harry ficou acordado durante horas . Por uma fresta de os cortinados de a cama de dossel , olhou para a neve que começava a cair de o lado de_fora de a janela de a torre e perguntou se se poderia ser descendente de Salazar_Slytherin . Afinal , não sabia nada de a família de o pai , os Dursley tinham sempre proibido qualquer pergunta sobre os seus familiares feiticeiros . Calmamente , tentou dizer qualquer coisa em * serpentês * , mas as palavras não saíam . Parecia que era necessário estar frente_a_frente com uma cobra para poder fazê o . Mas eu sou um Gryffindor , pensou Harry , o chapéu seleccionador não me poria aqui se eu tivesse sangue de Slytherin ... - Ah ! - disse uma vozinha dentro de o seu cérebro . - Mas o chapéu seleccionador queria pôr te em os Slytherin , não te lembras ? Harry deu voltas e voltas a a cabeça . Em o dia seguinte , quando visse Justin em a aula de herbologia explicaria lhe que estava a afastar a serpente , não a atiçá a o que , aliás , pensou zangado , dando vários socos em a almofada , qualquer idiota teria percebido . Contudo , em a manhã seguinte , a neve que começara a cair durante a noite , transformara se em uma tempestade tão espessa que a última aula de herbologia de o período foi cancelada : a professora Sprout queria tapar as mandrágoras com peúgas e cachecóis , uma operação arriscada que ela não confiava a ninguém agora_que era tão importante que as mandrágoras crescessem depressa e reabilitassem Mrs._Norris e Colin_Creevey . Junto de a lareira de a sala comum de os Gryffindor , Harry matutava sobre o que se passara enquanto Ron e Hermione aproveitavam o foro para jogar xadrez de feitiçaria . - Com os diabos , Harry - disse Hermione exasperada quando um bispo derrubou um de os cavaleiros de o cavalo , arrastando o para fora de o tabuleiro . - Vai falar com o Justin , se isso é assim tão importante para ti . Harry levantou se e saiu por o buraco de o retrato , perguntando a si próprio onde poderia estar o Justin . O castelo estava mais escuro do_que era habitual durante o dia por causa de a neve espessa e cinzenta que cobria as janelas . A tremer , Harry passou por as salas onde estava a haver aulas , captando lampejos do_que sucedia lá dentro . A professora Mc_Gonagall gritava com alguém que , segundo lhe parecia por o som , transformara o parceiro em um texugo . Resistindo a a tentação de dar uma espreitadela , Harry afastou se pensando que Justin poderia estar a utilizar o tempo de o furo para fazer algum trabalho e resolveu , por isso , ir até a a biblioteca . Um grupo de alunos de os Hufflepuff , que deveriam ter estado em Herbologia , encontrava se , de facto , sentado em as traseiras de a biblioteca , mas não parecia estar a trabalhar . Entre as fileiras de as estantes altas , Harry pôde ver as suas cabeças muito juntas em aquilo que deveria ser uma conversa absorvente . Não conseguia perceber se Justin estaria em o meio de eles . Ia para se aproximar quando apanhou em o ar uma frase e parou para ouvir melhor , escondido em a secção de a invisibilidade . - Portanto - dizia um rapaz corpulento - eu disse a o Justin para se esconder em o nosso dormitório . Isto_é , se o Potter o escolheu como próxima vítima é melhor que ele tenha um * low profile * durante algum tempo . É claro que o Justin já estava a a espera que alguma coisa de o género acontecesse desde_que lhe escapou em uma conversa com o Potter que era filho de Muggles . O Justin disse lhe , inclusivamente , que tinha estado inscrito em Eton . Não é o tipo de coisa que se ande a dizer com o herdeiro de Slytherin a a solta por aí . - Achas mesmo_que é o Potter , Ernie ? - perguntou uma rapariga de tranças loiras , ansiosamente . - Hannah - disse com solenidade o rapaz corpulento . - Ele é um serpentês . Todos sabem que essa é a marca de um feiticeiro negro . Alguma vez ouviste falar de um feiticeiro decente que falasse com as cobras ? O Slytherin era conhecido por « Língua de serpente . . Houve alguns murmúrios antes de Ernie prosseguir : - Lembram se do_que estava escrito em a parede ? * _ Inimigos de o herdeiro , cuidado ! * . O Potter teve que ir a o gabinete de o Filch . E o que é_que acontece a seguir ? A gata de o Filch é atacada . O aluno de o primeiro ano , Creevey , estava a aborrecê o em a partida de Quidditch , a tirar lhe fotografias quando ele estava caído em a lama . E o que é_que acontece a seguir ? Creevey é atacado . - Mas ele parece sempre ser tão simpático - disse Hannah , cheia de dúvidas . - E , bem , foi ele que fez com que o Quem nós sabemos desaparecesse . Não pode ser assim tão mau , pois não ? Ernie baixou misteriosamente a voz . Os Hufflepuff inclinaram se mais uns para os outros e Harry aproximou se para conseguir apanhar as palavras de o Ernie . - Ninguém sabe como ele sobreviveu a aquele ataque de o Quem nós sabemos e , afinal , ainda era um bebé quando aquilo aconteceu . Era para ter explodido feito em estilhaços . Só um feiticeiro negro verdadeiramente poderoso teria sobrevivido a uma maldição de aquelas . - Baixou ainda mais a voz até esta ficar reduzida a um leve murmúrio e disse : - Talvez fosse por isso que o Quem nós sabemos o queria matar , para não ter outro feiticeiro negro a competir com ele . Gostava de saber que outros poderes ocultos terá o Potter . Harry não aguentou mais . Pigarreou alto e saiu detrás de as estantes . Se não estivesse tão zangado teria conseguido ver o lado cómico de a situação : cada_um de os Hufflepuff olhava para ele como_se tivesse sido petrificado , e a cor desaparecera de a cara de o Ernie . - Olá - disse Harry . - Estou a a procura de o Justin_Finch - _ Fletchley . Os piores receios de os Hufflepuff tinham se concretizado . Olharam apavorados para o Ernie . - O que queres de ele ? - perguntou Ernie em uma voz sumida . - Explicar lhe o que aconteceu com aquela cobra em o clube de os duelos - disse Harry . Ernie mordeu os lábios brancos e , em seguida , respirando fundo , respondeu : - Estávamos lá todos . Vimos o que aconteceu . - Então viram que depois de eu falar a serpente recuou - disse Harry . - O que eu vi - insistiu teimosamente Ernie , apesar_de tremer a cada palavra que proferia - foi tu a falares serpentês e a atiçares a cobra conta o Justin . - Eu não a aticei - gritou Harry enraivecido . - Ela nem lhe tocou . - Falhou por_pouco - disse Ernie . - E , para o caso de estares com ideias - acrescentou com má cara - posso dizer te que a minha família provem de nove gerações de bruxas e feiticeiros e que o meu sangue é tão puro como o de qualquer feiticeiro , portanto ... - Quero lá saber qual é o teu sangue - disse Harry furioso . - Porque iria eu atacar os filhos de os Muggles ? - Ouvi dizer que detestas os Muggles com quem vives - disse Ernie rapidamente . - Não é possível viver com os Dursley sem os detestar - explicou Harry . - Gostava de te ver lá em casa . Girou sobre os calcanhares e saiu furioso de a biblioteca sob o olhar reprovador de Madam_Prince que limpava a capa dourada de um enorme livro de encantamentos . Harry avançou a as cegas por os corredores , quase sem ver por_onde ia de tão furioso que estava . O resultado foi chocar com algo enorme e sólido que o fez recuar e cair a o chão . - Ah ! Olá , Hagrid - disse , olhando para_cima . Hagrid tinha o rosto completamente tapado com um lenço coberto de neve , mas não podia ser mais ninguém , enchendo assim o corredor dentro de o seu sobretudo de pele de toupeira . De uma de as enormes mãos enluvadas , pendia um galo morto . - Tudo bem , Harry ? - perguntou , afastando o lenço para poder falar . - Porque não estás em a aula ? - Foi cancelada - disse Harry , pondo se de pé . - O que estás a fazer aqui ? Hagrid mostrou lhe o galo inerte . - É o segundo qu'aparece morto este período - explicou . - Ou são raposas ou um vampiro chato e eu preciso d'autorização de o director p'ra fazer um feitiço em volta de a capoeira . Aproximou se e olhou mais de perto para o Harry , por debaixo de as suas sobrancelhas espessas e cheias de neve . - Tens a certeza que estás bem ? Pareces exaltado e preocupado . Harry não foi capaz de repetir o que Ernie e os outros Hufflepuff lhe tinham dito . - Não é nada , tenho de ir , Hagrid . A próxima aula é Transfiguração e preciso de ir buscar os meus livros . Afastou se , a cabeça cheia com tudo_o_que Ernie dissera a seu respeito . « * _ O_Justin já estava d espera que uma coisa de o género acontecesse desde_que deixou escapar , falando com o Potter , que era filho de Muggles * ... » Harry subiu as escadas a correr e entrou por um corredor que estava particularmente escuro . As tochas tinham sido apagadas por uma ventania gelada que entrava por uma janela de fecho estragado . Estava a meio de o corredor quando tropeçou em uma coisa que se encontrava em o chão . Olhou para ver o que era e sentiu como_se o estômago se tivesse dissolvido . Justin_Finch - _ Fletchley estava em o chão , rígido e frio com uma expressão de horror em o rosto e os olhos abertos voltados para o tecto . E não era tudo . Junto de ele estava mais alguém , a visão mais estranha que Harry tivera em toda_a sua vida . Era_o_Nick quase sem cabeça que não estava cor de pérola nem transparente e sim escuro como fumo . Flutuava imóvel , em a horizontal , 12 centímetros acima de o chão , a cabeça meio tombada e em o rosto uma expressão de choque idêntica a a de o Justin . Harry pôs se de pé com a respiração acelerada e o coração a bater como um tambor contra as costelas . Olhou desvairado para ambos os lados de o corredor deserto e viu uma fila de aranhas que corriam a_toda_a velocidade em a direcção oposta a a de os corpos . Os únicos sons eram as vozes abafadas de os professores em as aulas que decorriam de ambos os lados . Podia fugir e ninguém saberia que ali tinha estado , mas não era capaz de os abandonar assim . Tinha de ir procurar ajuda . Será que alguém acreditaria que ele não tivera nada que ver com aquilo ? Enquanto ali estava , em pânico , uma porta a o seu lado abriu se com grande estrondo . Peeves , o * poltergeist * , saiu a os gritos . - Oh ! É o Potter , olá , Potter - alardeou Peeves , lançando por o ar os óculos de o Harry quando passou por ele . - O que está o Potter a fazer ? Porque está o Potter escondido ? Peeves passou de cabeça para baixo , a meio de uma cambalhota em o ar , quando viu Justin e Nick quase sem cabeça . Com um movimento súbito endireitou se , encheu os pulmões de ar e , antes que Harry pudesse impedi o , gritou : __ ataque ! ataque ! outro ataque ! nenhum mortal ou fantasma está em segurança . corram , fujam , __ ataaaque ! Crac , Crac , Crac . Uma atrás de a outra , foram se abrindo todas_as portas a o longo de o corredor e as pessoas saíram para fora de as salas de aula . Durante alguns longos minutos houve uma tal confusão que Justin esteve em perigo de ser esmagado e as pessoas não paravam de chocar com o Nick quase sem cabeça . Harry deu por si colado a a parede enquanto os professores exigiam a os gritos que se fizesse silêncio . A professora Mc_Gonagall veio a correr , seguida por todos os alunos , um de os quais ainda trazia o cabelo a as riscas pretas e brancas . Usou a varinha para produzir um ruído que repôs o silêncio e mandou os alunos todos para dentro de as salas de aula . Mal lugar ficou desimpedido surgiu Ernie , o jovem Hufflepuff . - * _ Apanhado em flagrante ! * - gritou , com o rosto totalmente branco , apontando dramaticamente o dedo par Harry . - Basta_Mcmillan - disse , de forma cortante , a professora Mc_Gonagall . Peeves andava para_cima e para baixo , observando a cena com um sorriso maldoso . Sempre adorara o caos . Quando os professores se inclinaram sobre Justin e sobre o Nick quase sem cabeça para os examinar , iniciou uma cantilena : * _ Oh ! Potter , que fizeste , seu grande bandido * _ Tu matas os estudantes porque achas divertido . * - Basta , Peeves - rosnou a professora Mc_Gonagall e Peeves afastou se , deitando a língua de_fora a o Harry . Justin foi levado para a ala hospitalar por o professor Flitwick e por o professor Sinistra_do_Departamento_de_Astronomia , mas ninguém parecia saber o que fazer em relação a o Nick quase sem cabeça . Por fim , a professora Mc_Gonagall fez aparecer em o ar um enorme leque que entregou a Ernie com o encargo de conduzir , escadas acima , por os ares o Nick quase sem cabeça . Ernie assim fez , soprando Nick como_se fosse um aerodeslizador e deixando , de este modo , o Harry e a professora Mc_Gonagall a sós . - Por aqui , Potter - disse ela . - Professora , eu juro que não ... - Isso não é comigo , Potter - afirmou a professora Mc_Gonagall sinteticamente . Caminharam em silêncio até uma esquina e ela parou perante uma gárgula de pedra extremamente feia . - Refresco de limão - disse . Era obviamente uma senha porque a gárgula animou se subitamente e saltou para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes . Apesar_de estar apavorado com o que ia acontecer a seguir , Harry não conseguiu evitar um sentimento de fascínio . Por detrás de a parede estava uma escada em espiral que se movia lentamente para_cima como um elevador . E quando ele e a professora Mc_Gonagall puseram os pés em o primeiro degrau , Harry ouviu a parede fechar se atrás de eles . Subiram em círculos , cada_vez_mais alto até que , por fim , um_pouco tonto , Harry pôde ver uma porta de carvalho reluzente com um puxador de bronze em forma de abutre . Harry calculava onde estava a ser levado . Devia ser ali que morava Dumbledore . XII_A poção * polisuco * Saltaram de a escada de pedra lá mesmo em cima e a professora Mc_Gonagall bateu a a porta . Ela abriu se silenciosamente dando lhes entrada . A professora Mc_Gonagall disse lhe que esperasse e deixou o sozinho . Harry olhou em volta . Uma coisa era certa : de todos o escritórios de professores que conhecia , o de Dumbledor era , de longe , o mais interessante . Se não estivesse com um medo de morte de ser expulso teria adorado explorá o . Era uma sala grande e bonita em forma de círculo que estava cheia de barulhinhos estranhos . Havia um grande número de instrumentos prateados sobre várias mesas de pernas finas que zumbiam emitindo pequenas baforadas de fumo . As paredes estavam cobertas de fotografias de antigos directores e directoras , todos eles a dormir tranquilamente em as suas molduras . Havia ainda uma enorme secretária pés de garra . E , sobre uma prateleira atrás de ela , um chapéu de feiticeiro andrajoso e puído : * o chapéu seleccionador * . Harry hesitou . Lançou um olhar cauteloso a as bruxas e feiticeiros adormecidos a o longo de as paredes . Com certeza não fazia mal se lhe pegasse e o experimentasse só para ver ... só para ter a certeza de que ele o pusera em a equipa certa . Deu a volta a a secretária , retirou o chapéu de a prateleira e baixou o lentamente sobre a cabeça . Era demasiado grande e escorregou lhe para os olhos como de a outra_vez que o tinha posto . Harry olhou para o forro preto , enquanto esperava . Por fim , uma vozinha disse lhe a o ouvido : - Estás com macaquinhos em o sótão , Harry_Potter ? - Er ... sim - balbuciou Harry . - Er ... desculpa incomodar te , queria saber ... - Querias saber se te pus em a equipa certa - disse prontamente o chapéu . - Sim ... tu és particularmente difícil de seleccionar , mas eu mantenho o que disse antes . - O coração de Harry deu um salto . - Terias ficado bem em os Slytherin . Harry sentiu o estômago contorcer se . Agarrou o chapéu por a aba e tirou o de a cabeça . O chapéu seleccionador ficou pendurado em a mão de ele , inerte , desbotado e sujo . Harry voltou a pô o em a prateleira , sentindo se enjoado . - Estás enganado ! - disse em voz alta a o chapéu parado e silencioso , mas ele não se mexeu . Harry recuou para o observar melhor e foi então que ouviu um ruído estranho e grasnado atrás_de si que o fez dar uma volta . Não estava só , afinal_de_contas . Em um poleiro dourado atrás de a porta estava um pássaro de aspecto decrépito que parecia um peru meio depenado . Harry olhou para ele espantado e o pássaro olhou o também , grasnando de_novo . Harry achou que ele devia estar muito doente porque tinha os olhos parados e , enquanto olhava para ele , caíram lhe mais algumas penas de a cauda . Estava justamente a pensar que a única coisa que lhe faltava era que o pássaro de estimação de Dumbledore morresse quando ele estava ali sozinho com ele , em o escritório , quando a ave se incendiou . Harry gritou , em estado de choque , e recuou até a a secretária . Olhava nervosamente em volta , em busca de um jarro de água , mas não viu nenhum . O pássaro , entretanto , transformara se em uma bola de fogo , dera um guincho e , em seguida , desaparecera , deixando apenas um monte de cinzas em o chão . A porta de o escritório abriu se . Dumbledore entrou com ar taciturno . - Professor - gaguejou Harry . - O seu pássaro ... eu não pode fazer nada ... ele incendiou se . Para seu grande espanto , Dumbledore sorriu . - Já não era sem tempo . Estava com um aspecto horrível em os últimos dias . Fartei me de lhe dizer que fizesse qualquer coisa . Riu se entre dentes com a expressão em o rosto de Harry . - A Fawkes é uma fénix , Harry . As fénix ardem quando é altura de morrer e renascem de as cinzas , repara ... Harry olhou mesmo a_tempo_de ver um passarinho recém-nascido , todo enrugado , espetar a cabeça fora de as cinzas . Era quase tão feio como o antigo . - É uma pena que a tenhas conhecido em dia de arder - disse Dumbledore , passando para trás de a secretária . - É muito bonita a maior parte de o tempo , com uma plumagem vermelha e dourada . São criaturas fascinantes , as fénix . Podem transportar cargas pesadíssimas , as suas lágrimas têm propriedades curativas e são animais de estimação extremamente fiéis . Com o choque de a fénix a pegar fogo , Harry esquecera se de o motivo porque ali estava , mas tudo voltou rapidamente quando Dumbledore se instalou em a cadeira de espaldar alto e o fixou com os seus olhos azuis e penetrantes . Contudo , antes que ele tivesse tido tempo de falar , a porta de o escritório abriu se de par em par com um enorme estrondo e Hagrid entrou com um olhar tresloucado , o lenço todo torcido em volta de a cabeça hirsuta e o galo morto ainda pendurado em a mão . - Não foi Harry , professor Dumbledore - disse , aflito . - Eu tinha estado a falar com ele poucos segundos antes de o rapazinho ser encontrado , ele não teve tempo professor ... Dumbledore tentou dizer qualquer coisa , mas Hagrid continuou , abanando o galo em o meio de a sua agitação e espalhando penas por todo o lado . - Não pode ter sido ele . Eu juro em a frente de o ministro de a magia , se for preciso ... - Hagrid , eu ... -- Tem o rapaz errado , professor . Eu sei qu'o Harry nunca ... - Hagrid - disse Dumbledore , elevando a voz . - Eu não penso que o Harry tenha atacado aquelas pessoas . - Oh ! - disse Hagrid , com o galo pendendo inerte a o seu lado . - Certo , ' tão eu espero lá fora , director . E saiu com ar envergonhado . - O senhor não acha que tenha sido eu ? - repetiu Harry cheio de esperança , enquanto Dumbledore sacudia penas de galo de cima de a secretária . - Não , Harry , não acho - afirmou Dumbledore , apesar de a sua expressão ser de_novo sombria . - Mas mesmo_assim quero falar contigo . Harry esperou ansiosamente enquanto o director o observava com as pontas de os dedos longos unidas . - Tenho de saber uma coisa . Harry , há alguma pergunta que queiras fazer me , qualquer que ela seja ? Harry não soube o que dizer . Lembrou se de Malfoy a gritar * _ Vocês serão os próximos , sangues de lama * e de a poção * _ Polisuco * em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Depois pensou em a voz sem corpo que ouvira duas vezes e em o que o Ron dissera * _ Ouvir vozes que ninguém mais ouve não é bom sinal , nem mesmo em o mundo de a feitiçaria * . Pensou também em o que toda_a_gente dizia de ele e em o receio cada_vez maior de ter uma relação qualquer com Salazar_Slytherin ... - Não - disse por fim . - Não há nada , professor . O ataque duplo a Justin e a o Nick quase sem cabeça transformou o que até_então era nervosismo em verdadeiro pânico . Curiosamente fora o destino de o Nick quase sem cabeça o que mais preocupara as pessoas . Quem poderia ter feito aquilo a um fantasma ? - perguntavam uns a os outros . - Que poder terrível era aquele , capaz de afectar alguém que já tinha morrido ? Houve uma precipitação enorme em a marcação de os bilhetes em o Expresso_de_Hogwarts , pois todos os alunos quiseram ir passar o Natal a casa . - Por este caminho , vamos ser os únicos a ficar - disse o Ron a o Harry e a a Hermione . - Nós , o Malfoy , o Goyle e o Crabbe , que férias lindas que vão ser ! Crabbe e Goyle que faziam sempre o que Malfoy fazia , tinham se inscrito para ficar também durante as férias . Mas Harry estava contente por a maior parte se ir embora . Estava farto de ver gente a afastar se em os corredores como_se ele fosse mostrar os dentes ou cuspir veneno . Estava cansado de tantos segredinhos , de os ver apontar e segredar quando passava . O Fred e o George , esses achavam muito divertido . Vinham , de propósito , pôr se a a frente de ele e atravessavam os corredores a gritar : - Abram alas para o herdeiro de Slytherin , vai passar um feiticeiro verdadeiramente cruel . Percy discordava totalmente de este comportamento . - Não é um assunto para se brincar - dizia com frieza . - Sai mas é de o caminho , Percy - dizia o Fred . - O Harry está com pressa . - Sim , ele vai a a Câmara_dos_Segredos tomar uma chávena de chá com o seu servidor dentes de serpente - completava Fred com uma gargalhada . Ginny também não lhes achava graça . - Cala te - gritava ela sempre_que o Fred perguntava em voz alta a o Harry quem estava a pensar atacar a seguir , ou quando George fingia afastá o com um enorme dente de alho . Harry não se importava . Fazia o sentir se melhor o facto de constatar que , pelo_menos para o Fred e para o George , a ideia de ele ser o herdeiro de Slytherin era absolutamente ridícula . Mas as palhaçadas de eles pareciam ofender Draco_Malfoy que , de cada_vez que os via , ficava mais irritado . - É porque está ansioso por dizer que é mesmo ele - disse o Ron com ar conhecedor . - Sabes como ele detesta que alguém o ultrapasse e tu estás a receber todo o crédito por o seu trabalho sujo . - Não vai ser por muito_tempo - disse Hermione com uma voz satisfeita . - A poção * polisuco * está quase pronta . Um de estes dias arrancamos lhe a verdade . Finalmente , o período chegou a o seu termo e um silêncio profundo como a neve em os campos desceu sobre o castelo . Harry adorou a tranquilidade e apreciou o facto de ele , Hermione e os Weasley terem a torre de os Gryffindor por sua conta , poderem jogar a as explosões bem alto , sem incomodar ninguém e praticar duelos entre si . O Fred , o George e a Ginny tinham preferido ficar em a escola a ir com Mr. e Mrs._Weasley a o Egipto visitar o Bill . Percy que reprovava e considerava infantil a conduta de eles , não passava muito_tempo em a sala comum de os Gryffindor . Já lhes dissera pomposamente que só ficara ali em o Natal , por ser sua obrigação como prefeito apoiar os professores em aquela época agitada . A manhã de o dia de Natal clareou branca e fria . Harry e Ron , os únicos que estavam em o dormitório , foram acordados muito cedo por Hermione que entrou , toda vestida , transportando presentes para ambos . - Acordem - disse em voz alta , abrindo os cortinados . - Hermione , tu não devias estar aqui - exclamou o Ron , protegendo os olhos de a luz . - Feliz_Natal para ti também - disse Hermione , atirando lhe o presente que tinha para ele . - Estou acordada há quase uma hora , acrescentando mais asas de renda a a poção . Está pronta . Harry sentou se , subitamente acordado . - Tens a certeza ? - Absoluta - disse ela , afastando o rato Scrabbers para se sentar a os pés de a cama de dossel . - Se vamos mesmo tomá a , acho que devia ser logo a a noite . Em esse momentzo , a Hedwig entrou em o quarto , transportando em o bico um embrulho pequenino . - Olá - disse Harry , feliz a o vê a aterrar em a sua cama . - Já me falas outra_vez ? Ela mordiscou lhe a orelha de uma forma afectuosa que foi , de longe , um presente melhor do_que aquele que transportava e que era afinal de os Dursley . Tinham mandado a Harry um palito para os dentes com um cartão pedindo lhe que se informasse se não poderia ficar , também em o Verão , em Hogwarts . Os outros presentes que Harry recebeu foram bastante melhores . Hagrid mandara lhe uma lata grande de bombons de melaço que ele decidiu amolecer a o lume antes de comer , o Ron deu lhe um livro chamado * _ Voando com Canhões * , que narrava factos interessantes sobre a sua equipa favorita de Quidditch e Hermione trouxera lhe uma luxuosa pena de águia . Harry abriu o último presente onde vinha uma camisola novinha , feita a a mão por Mrs._Weasley e um grande bolo de passas . Pegou em o cartão com uma nova sensação de culpa , pensando em o carro de Mr._Weasley que não voltara a ser visto desde_que chocara contra o salgueiro zurzidor e em a quantidade de infracções que ele e o Ron tinham em mente . Ninguém , nem mesmo os que estavam cheios de medo por terem de tomar a poção * polisuco * a seguir , deixou de adorar o jantar de Natal em Hogwarts . O salão nobre estava magnífico . Não_só havia uma_dúzia de árvores de Natal , cobertas de geada e espessas serpentinas de azevinho e visco bravo cruzando se junto de o tecto como caia uma neve encantada quente e seca . Dumbledore conduziu os em uma de as suas canções de Natal preferidas enquanto Hagrid se agitava , falando cada_vez_mais alto , a cada gole de gemada que tomava . O Percy que não dera por_que Fred enfeitiçara o seu distintivo de prefeito , onde agora podia ler se « cabeça de alfinetes « , continuava a perguntar a todos para_onde estavam a olhar . Harry nem_sequer se importou com os comentários que Draco_Malfoy fazia bem alto , de a mesa de os Slytherin acerca de a sua camisola nova . Com alguma sorte , Malfoy iria ser desmascarado dentro_de algumas horas . Harry e Ron mal tinham acabado a terceira dose de pudim de Natal quando Hermione os fez sair de o salão a a pressa para acabarem de tratar de os planos para essa noite . - Ainda precisamos de um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos - disse com o ar mais natural de este mundo como_se estivesse a mandá os a o supermercado comprar detergente . - E , é claro que o ideal será conseguirmos alguma coisa de o Crabbe e de o Goyle , são os melhores amigos de o Malfoy , ele conta lhes tudo . E precisamos também de ter a certeza de que eles não vão entrar em a sala quando vocês estiverem a interrogar o Malfoy . - Eu tenho tudo pensado - prosseguiu ela , ignorando a expressão estupefacta de Harry e Ron . Pegou em dois apetitosos bolos de chocolate . - Pus lhes um encantamento de sono . Vocês só têm de fazer com que o Crabbe e o Goyle os encontrem . Sabem como eles são gulosos , vão logo comê os . Quando estiverem a dormir , tirem lhes alguns cabelos e escondam nos em uma despensa de vassouras . Harry e Ron olharam , incrédulos , um para o outro . -- Hermione , eu não creio que ... -- Isto pode correr muito mal ... Mas Hermione tinha um brilho inflexível em os olhos que não era muito diferente do_que costumavam ver em o olhar de a professora Mc_Gonagall . - A poção não nos serve de nada sem os cabelos de o Crabbe e de o Goyle - disse com firmeza . - Vocês querem mesmo descobrir coisas sobre o Malfoy , não querem ? - Pronto , está bem - disse Harry . - Mas , e tu , vais arranjar cabelos de quem ? - Eu já tenho esse assunto resolvido - disse Hermione sorridente , tirando um frasquinho de o bolso e mostrando lhes um cabelo que lá estava dentro . - Lembram se de a Millicent_Bulstrode que lutou comigo em o clube de os duelos ? Ela deixou isto em o meu manto quando tentava estrangular me . E foi passar o Natal a casa , portanto , basta me dizer a os Slytherins que decidi voltar . Quando Hermione saiu para verificar de_novo a poção polisuco , Ron voltou se para Harry com uma expressão lúgubre . - Alguma vez viste um plano onde tantas coisas pudessem correr mal ? Mas para grande espanto de ambos , a primeira fase de a operação decorreu tão naturalmente como Hermione previra . Eles esconderam se em o * hall * de entrada , depois de o lanche de Natal , a a espera de o Crabbe e de o Goyle que tinham ficado sozinhos a a mesa de os Slytherin , deitando abaixo a quarta dose de bolo inglês . Harry colocou os bolos de chocolate em o fim de o corrimão . Quando avistaram Crabbe e Goyle a sair de o salão , Harry e Ron esconderam se rapidamente atrás_de uma armadura que estava junto de a porta de entrada . - Como_se pode ser tão estúpido ? - murmurou Ron sem se mexer enquanto Crabbe apontava satisfeitíssimo , mostrando a Goyle os bolos e agarrando os . Com um riso estúpido , enfiaram nos inteiros em as bocas enormes . Durante um momento , ambos mastigaram avidamente com olhares vitoriosos em o rosto . Depois , sem que a expressão se alterasse , caíram para trás e estatelaram se em o chão . Mais difícil foi transportá os para a despensa de o outro lado de o * hall * . Uma_vez armazenados em o meio de os baldes e esfregões , Harry arrancou alguns de os pêlos que cobriam a cabeça de o Goyle e Ron tirou alguns cabelos a o Crabbe . Roubaram lhes também os sapatos porque os de eles eram demasiado pequenos para os enormes pés de o Crabbe e de o Goyle . Em seguida , ainda atordoados com o que tinham acabado de fazer , correram até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mal conseguiam ver com o fumo preto e espesso que saía de o cubículo onde Hermione mexia o caldeirão . Tapando o rosto com os mantos , Harry e Ron bateram a o de leve em a porta . - Hermione ? Ouviram o ruído de o trinco e Hermione apareceu com a cara lustrosa e um ar ansioso . Por trás de ela ouviam o gloop gloop de a poção espessa e gorgolejante . Em o banco de a casa_de_banho estavam três copos de vidro . - Conseguiram ? - perguntou Hermione quase sem fôlego . Harry mostrou lhe o cabelo de o Goyle . - _ óptimo . Eu tirei estes mantos suplementares de a lavandaria - disse ela , pegando em uma pequena saca . - Vocês vão precisar de tamanhos maiores se vão ser o Crabbe e o Goyle . Olharam os três para o caldeirão . Vista de perto , a poção parecia uma lama espessa e escura a borbulhar indolentemente . - Tenho a certeza que fiz tudo certo - disse Hermione nervosa , relendo a página manchada de * _ Moste_Potente_Potions * . - Tem o aspecto que o livro diz que deveria ter ... depois de a tomar temos precisamente uma hora antes de nos transformarmos de_novo em as pessoas que somos . - E agora ? - murmurou o Ron . - Separamos a em três copos e adicionamos os cabelos . Hermione encheu cada_um de os copos com uma concha de sopa . Em seguida , retirou com a mão a tremer o cabelo de Millicent_Bulstrode de dentro de o frasquinho e pô o em o primeiro copo . A poção chiou fortemente como uma chaleira a ferver e espumou como louca . Um segundo depois ganhara um tom de amarelo doentio . - Urgh ! Essência_de_Millicent_Bulstrode - disse Ron , olhando com repugnância . - Aposto que o sabor é nojento . - Deitem os vossos - disse Hermione . Harry deixou cair o cabelo de o Goyle em o copo de o meio e Ron lançou o de o Crabbe em o último . Ambos chiaram e espumaram : o de o Goyle ficou de um tom caqui , o de o Crabbe de um castanho-escuro algo tenebroso . - Esperem - pediu Harry quando Ron e Hermione pegaram em os copos . - Será melhor não os tomarmos aqui todos juntos em um cubículo ; quando em os transformarmos não vamos cá caber e Millicent_Bulstrode não é nenhum duende . - Bem pensado - admitiu o Ron , abrindo a porta . - Cada_um em seu cubículo . Com todo o cuidado , para não entornar nem uma gota de a poção polisuco , Harry esgueirou se para o cubículo de o meio . - Prontos ? - perguntou . - Prontos - responderam as vozes de o Ron e de a Hermione . - Um , dois , três . Tapando o nariz , Harry bebeu a poção em dois grandes tragos . Tinha o sabor de a couve demasiado cozida . Os seus interiores começaram imediatamente a contorcer se como_se tivesse engolido serpentes vivas . Dobrado , Harry perguntava a si próprio se iria vomitar . Depois , uma sensação de ardor espalhou se rapidamente de o estômago até a as pontas de os dedos de as mãos e de os pés . Em seguida , fazendo o sobressaltar se , sobreveio o sentimento horrível de estar a derreter enquanto a pele de todo o seu corpo borbulhava como cera quente e , perante os seus olhos , as mãos começaram a crescer , os dedos a engrossar , as unhas a alargar e as articulações a tornarem se protuberantes como ferrolhos . Os ombros retesaram se dolorosamente e uma comichão em a testa preveniu o de que o cabelo estava a rastejar em direcção a as sobrancelhas . As túnicas rasgaram se enquanto o tórax se expandia como um barril , rebentando com os seus anéis . Os pés estavam em grande sofrimento dentro_de sapatos quatro números abaixo . Tão depressa como começara , tudo parou . Harry estava caído em o chão de pedra fria , ouvindo a Murta_Queixosa gorgolejando taciturna em o cubículo de o fundo . Com alguma dificuldade tirou os sapatos e levantou se . Era então assim que o Goyle se sentia ! Com a mão enorme a tremer , despiu a sua túnica que lhe ficava 30 centímetros acima de os tornozelos , pegou em as túnicas suplementares e amarrou os atacadores de os sapatos abotinados de o Goyle . Quis escovar o cabelo para o afastar um_pouco de os olhos e deu apenas com os pêlos hirsutos que lhe cresciam em a testa . Apercebeu se então de que os óculos lhe toldavam a visão porque o Goyle , obviamente , não precisava de eles . Tirou os e gritou . - Vocês estão bem ? - De a sua boca saiu a voz baixa e grossa de o Goyle . - Sim - respondeu lhe o grunhido de o Crabbe , a a sua direita . Harry abriu a porta de o cubículo e dirigiu se a o espelho partido . O Goyle olhava o de o outro lado com os seus olhos parados . Harry coçou a orelha e Goyle fez o mesmo . A porta de o Ron abriu se . Olharam um para o outro . Harry estava pálido e chocado . O amigo não se distinguia de o Crabbe , desde o corte de cabelo em forma de tigela até a os longos braços de gorila . - É inacreditável - disse o Ron , aproximando se de o espelho e beliscando o nariz achatado de o Crabbe . - Inacreditável ! - É melhor irmos indo - disse Harry , alargando a pulseira de o relógio que lhe cortava o pulso . - Ainda temos de descobrir onde fica a sala comum de Slytherin . Só espero que encontremos alguém que vá para lá e que nós possamos seguir . Ron que tinha estado a olhar espantado para ele , comentou : - Não imaginas como é bizarro ver o Goyle a pensar - bateu em a porta de Hermione . - Vamos , temos que ir ... Respondeu lhe uma voz aguda : - Eu ... eu acho que afinal não vou . Vão vocês sem mim . - Hermione , nós sabemos que a Millicent_Bulstrode é feia , ninguém vai pensar que és tu . - Não , a sério , acho que não vou . Despachem se vocês os dois , estão a perder tempo . Harry olhou para Ron , baralhado . - Aquilo parece mais de o Goyle , é como ele fica sempre_que algum professor lhe faz uma pergunta . - Estás bem , Hermione ? - perguntou Harry , através de a porta . - _ óptima , estou óptima , vão se embora . Harry olhou para o relógio . Cinco preciosos minutos tinham já passado . - Encontramo nos aqui , está bem ? - disse . Os dois abriram a porta de a casa_de_banho com todo o cuidado , viram se o caminho estava livre e saíram . - Não balances assim os braços - disse o Harry a o Ron . - Hein ? - O Crabbe anda sempre com eles esticados . - Assim ? - Isso , assim está melhor . Desceram a escadaria de mármore . Só precisavam agora de um Slytherin que pudessem seguir até a a sala comum , mas não havia ninguém por perto . - Tens alguma ideia ? - perguntou Harry em um murmúrio . - Os Slytherin vêm sempre de ali para o pequeno-almoço - disse o Ron , apontando para a entrada de os calabouços . Mal tinha pronunciado estas palavras quando uma rapariga de cabelo comprido a os caracóis , apareceu . - Desculpa - disse o Ron , sem perder tempo . - Esquecemo nos de o caminho para a nossa sala comum . - Como ? - disse a rapariga com a maior frieza . - A * nossa * sala comum ? Eu sou uma Ravenclaw . Afastou se , olhando para eles , desconfiada . Harry e Ron desceram apressadamente os degraus de pedra até a a escuridão . Os passos ecoavam em o silêncio , à_medida_que os pés enormes de Crabbe e Goyle tocavam em o chão , fazendo os sentir que as coisas não iam ser tão fáceis como eles desejavam . Os corredores labirínticos estavam desertos . Andaram e tornaram a andar por os subterrâneos , olhando constantemente para os relógios para ver quanto tempo ainda lhes restava . Depois de um quarto de hora , quando começavam a ficar desesperados , ouviram um movimento súbito . - Olha - disse o Ron , agitadamente . - Agora é um de eles . A silhueta saía de uma sala , mas quando se aproximaram o coração de ambos esmoreceu . Não era um Slytherin , era Percy . - O que estás a fazer aqui em baixo ? - perguntou o Ron surpreendido . - Isso - disse ele friamente - não é de a tua conta . És o Crabbe , não és ? - Er ... sim , sim - respondeu o Ron . - Então vão para o vosso dormitório - ordenou Percy com firmeza . - Não é seguro andar a passear por os corredores escuros em os dias que correm . - Tu andas -- fez notar o Ron . - Eu - disse o Percy endireitando se - sou um prefeito . Nada vai atacar me . Ouviu se , de repente , uma voz por_detrás_de Harry e Ron . Era_Draco_Malfoy e , pela_primeira_vez em a vida , Harry ficou satisfeito a o vê o . - Aí estão vocês - disse de modo arrastado , olhando para eles . - Têm estado a chafurdar em o salão este tempo todo ? Tenho andado a a vossa procura , quero mostrar vos uma coisa muito divertida . Malfoy olhou misteriosamente para Percy . - E o que fazes tu aqui , Weasley ? - perguntou com ar de desprezo . Percy olhou , sentindo se ultrajado . - Fazes favor de mostrar um_pouco mais de respeito por um prefeito de a escola - disse . - Não gosto de o teu ar . Malfoy riu se e fez sinal a o Harry e a o Ron para que o seguissem . Harry quase ia pedindo desculpa a o Percy , mas deu se conta a tempo . Apressaram se a seguir o Malfoy que disse , mal viraram em o corredor seguinte : - Aquele Peter_Weasley ... - O Percy - corrigiu Ron automaticamente . - Ou isso - continuou Malfoy . - Ultimamente tenho o visto muitas_vezes a andar por aí sorrateiramente e aposto que sei o que ele quer . Pensa que vai apanhar o herdeiro de Slytherin sozinho . Deu uma pequena gargalhada ridícula . Harry e Ron trocaram olhares nervosos . Malfoy parou junto de uma parede de pedra húmida . - Qual é a senha ? - perguntou a o Harry . - Er ... - Ah ! sim , sangue puro - disse Malfoy sem ouvir e uma porta de pedra , oculta em a parede , abriu se . Malfoy entrou e Harry e Ron seguiram o . A sala comum de os Slytherin era uma ampla divisão subterrânea com espessas paredes de pedra e um tecto de o qual estavam pendurados por correntes vários candeeiros redondos que davam uma luz esverdeada . O fogo crepitava em uma lareira elaboradamente esculpida em frente de a qual se viam as silhuetas de vários Slytherins sentados em cadeiras igualmente esculpidas . - Esperem aí - disse Malfoy a o Harry e a o Ron , encaminhando os para um par de cadeiras vazias , longe de o lume . - Eu vou buscar o que o meu pai acaba de me mandar . Sem saber o que Malfoy iria mostrar lhes , Harry e Ron sentaram se , fazendo todos os possíveis por parecer a a vontade . Malfoy voltou um minuto depois , trazendo em a mão o que parecia ser um recorte de jornal . Pô o debaixo de o nariz de o Ron . - Vais te rir - disse . Harry viu os olhos de o Ron abrirem se como_se estivesse em estado de choque . Viu o ler o recorte rapidamente , dar uma gargalhada forçada e estender lhe o em seguida . Tinha sido retirado de o * _ Profeta_Diário * e dizia : inquérito em o ministério de a magia * _ Arthur_Weasley , chefe de o Gabinete_de_Mau_Uso_dos_Utensílios_dos_Muggles foi hoje multado em cinquenta galeões por ter enfeitiçado um carro de os Muggles . * _ O senhor Lucius_Malfoy , Membro_do_Conselho_Directivo_da_Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts , onde o carro enfeitiçado foi chocar em o princípio de este ano , exigiu hoje a demissão de Mr._Weasley . « * _ O_Weasley trouxe o descrédito a o Ministério « - declarou Mr._Malfoy a o nosso repórter . - « É claramente incompetente para fazer cumprir as leis e a sua protecção ridícula de os Muggles deveria ir imediatamente para a sucata . » * _ Mr._Weasley recusou se a fazer comentários , mas a sua mulher disse a os repórteres que desaparecessem de ali ou lançaria contra eles o vampiro de a família * . - Então - disse Malfoy impaciente quando Harry voltou a entregar lhe o recorte . - Não achas o_máximo ? - Ha , ha - fez Harry tristemente . - O Arthur_Weasley gosta tanto de os Muggles que era capaz de partir a sua varinha a o meio para se juntar a eles - disse Malfoy com desprezo . - Ninguém diria que os Weasley eram sangue puro a avaliar por o modo como_se comportam . A cara de o Ron , ou melhor , de o Crabbe , contorceu se de raiva . - O que é_que se passa ? - perguntou Malfoy . - Dores de estômago - gemeu o Ron . - Então vai a a ala hospitalar e dá a todos aqueles sangues de lama um pontapé de a minha parte - disse Malfoy com o seu riso escarninho . - Sabes que estou espantado por o * _ Profeta_Diário * ainda não se ter referido a todos estes ataques - continuou pensativamente . - Calculo que o Dumbledore deve estar a tentar abafar as coisas . Ele ainda é posto em a rua se isto não acaba depressa . O pai sempre disse que Dumbledore foi a pior coisa que aqui veio parar . Ele adora os filhos de os Muggles , um director decente nunca deixaria um lodo como o Creevey entrar em esta escola . Malfoy começou a fingir que tirava fotografias com uma máquina imaginária e fez uma imitação maldosa , mas bastante fiel de o Colin : - Potter , posso tirar te a fotografia ? Dás me um autógrafo ? Posso lamber te os sapatos , por favor , Potter ? Baixou as mãos e olhou para Harry e Ron . - O que é_que se passa com vocês os dois ? Um_pouco atrasados , Harry e Ron forçaram o riso e Malfoy pareceu satisfeito . Talvez Crabbe e Goyle fossem sempre de reacção lenta . - O santo Potter , amigo de os sangues de lama - disse Malfoy . - É outro que não tem os sentimentos de um feiticeiro a sério ou não andaria por aí com aquela empertigada sangue de lama Granger . E as pessoas a pensarem que ele é o herdeiro de Slytherin . Harry e Ron esperaram com a respiração entrecortada : o Malfoy ia certamente dizer lhes , dentro_de segundos , que era ele , mas então ... - Quem me dera saber quem ele é - disse o Malfoy , de forma petulante . - Podia ajudá o . O queixo de o Ron caiu de tal maneira que a cara de o Crabbe ficou ainda mais desajeitada do_que era habitual . Felizmente Malfoy não deu por nada e Harry , em um pensamento rápido , disse : - Deves ter alguma ideia de quem está por_detrás_de tudo ... - Sabes perfeitamente que não tenho , Goyle , quantas vezes é preciso dizer te ? - cortou Malfoy . - E o pai também não me diz nada sobre a última vez que a câmara foi aberta . É claro que foi há cinquenta anos , antes de ele cá andar , mas o pai sabe tudo a esse respeito e diz que as coisas foram mantidas em grande segredo e que pareceria suspeito se eu soubesse demasiado . Mas há uma coisa que eu sei : de a última vez que a câmara foi aberta , morreu um sangue de lama . Por isso , aposto que é uma questão de tempo até que um de eles seja morto . Só espero que seja a Granger - disse satisfeito . Ron fechara os punhos gigantescos de o Crabbe . Sentindo que deitaria tudo a perder se ele desse um soco a o Malfoy , Harry lançou lhe um olhar de aviso e disse : - Sabes se a pessoa que abriu a câmara de a última vez foi apanhada ? - Ah ! sim , essa pessoa foi expulsa - disse Malfoy . - Ainda deve estar em Azkaban . - Azkaban ? - repetiu Harry confuso . - Azkaban , a prisão de os feiticeiros , Goyle - disse Malfoy , olhando para ele incrédulo . - Francamente , se fosses mais lento andavas para trás . Esticou se intranquilo , em a cadeira e disse : - O pai diz para eu esfriar a cabeça e deixar que o herdeiro de Slytherin faça o seu trabalho . Acha que a escola precisa de se livrar de a escória de os sangues de lama , mas não quer que eu me envolva em nada . Claro que ele agora tem um prato cheio . Sabes que o Ministério de a magia fez uma busca a a nossa mansão em a semana passada ? Harry tentou forçar a cara de bronco de o Goyle a uma expressão preocupada . - Sim - continuou Malfoy . - É claro que não encontraram grande coisa . O pai guarda uns materiais de magia negra muito valiosos , mas , felizmente , temos a nossa câmara secreta debaixo de o soalho de a sala de visitas ... - Ah ! - disse o Ron . Malfoy olhou para ele . Harry também . Ron corou e até o cabelo começou a ficar vermelho . O nariz estava também a diminuir lentamente ... a hora tinha acabado . Ron estava a voltar a a sua forma habitual e por o olhar de horror que lançou a Harry certamente ele também estava . Puseram se rapidamente de pé . - Tenho de tomar o remédio para o estômago - grunhiu o Ron e sem mais explicações saíram ambos a correr de a sala comum de os Slytherin , precipitaram se para a parede de pedra e galgaram a passagem , pedindo a todos os santos que Malfoy não tivesse dado por nada . Harry sentia os pés a nadarem em os sapatos enormes de o Goyle e tinha de levantar o manto visto_que diminuíra de tamanho . Subiram os degraus a correr até a o * hall * escuro de entrada onde se ouvia um som abafado que vinha de a despensa onde tinham fechado o Crabbe e o Goyle . Deixando os sapatorros de os dois de o lado de_fora , subiram já com os respectivos sapatos a escadaria de mármore até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Bem , não foi uma total perda de tempo - disse o Ron ofegante , fechando atrás_de si a porta de a casa_de_banho . - É certo que ainda não descobrimos de quem vêm os ataques , mas vou escrever a o meu pai amanhã a dizer lhe que procure debaixo de o soalho de a sala de visitas de o Malfoy . Harry olhou para o espelho partido . Tinha voltado a o normal . Pôs os óculos enquanto Ron batia em a porta de o cubículo de Hermione . - Hermione , sai de aí , temos um monte de coisas para te contar ... - Vão se embora - guinchou Hermione . Harry e Ron olharam um para o outro . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron . - Tu já deves ter voltado a o normal como nós ... Mas a Murta_Queixosa saiu subitamente através de a porta de o cubículo com um ar divertido como nunca a tinham visto . - Oh ! Esperem até ver - disse ela . - É horrível ! Ouviram o trinco de a porta a abrir se e Hermione apareceu a soluçar , a túnica levantada a cobrir lhe o rosto . - O que foi ? - perguntou o Ron indistintamente . - Ainda tens o nariz de a Millicent ou alguma coisa assim ? Hermione deixou cair a roupa e Ron recuou rapidamente . O rosto de ela estava coberto de pêlo preto , os olhos tinham ganho uma cor amarela e as orelhas eram pontiagudas , saindo espetadas para fora de os cabelos . - Era um pêlo de g-gato - disse a chorar . - A Millicent_Bulstrode d-deve ter um gato e a poção não está preparada para transformação em animais . - Oh-oh - disse o Ron . - Vão te gozar horrivelmente - disse a Murta , felicíssima . - Não te preocupes , Hermione - tranquilizou a rapidamente o Harry . - Vamos levar te para a ala hospitalar , a Madam_Pomfrey nunca faz muitas perguntas ... Não foi fácil convencer Hermione a sair de a casa_de_banho . A Murta_Queixosa despediu se com uma gargalhadavigorosa e grosseira . - Espera até todos descobrirem que tens uma cauda ! XIII_O diário muito secreto Hermione ficou em a ala hospitalar durante várias semanas . Houve uma onda de boatos sobre o seu desaparecimento quando o resto de os alunos voltou de as férias de Natal porque , é claro , todos pensam que ela tinha sido atacada . Foram tantos os estudantes a rondar a ala hospitalar para espreitar a ver se a viam que Madam_Pomfrey desceu de_novo as cortinas de a cama de ela para a poupar a a vergonha de ser vista com pêlo em a cara . Harry e Ron iam visitá a todas_as tardes . Quando o segundo período começou passaram a levar lhe diariamente os trabalhos de casa . - Se eu tivesse o bigode a crescer , tinha uma folga de o trabalho - disse uma tarde o Ron enquanto colocava uma pilha de livros a a cabeceira de a cama de Hermione . - Não sejas parvo , Ron , eu tenho de me manter a par de as coisas - disse Hermione com vivacidade . O humor de ela melhorara bastante com o facto de lhe ter desaparecido todo o pêlo de o rosto e de os olhos estarem lentamente a retomar a cor castanha . - Calculo que não tenham novas pistas ? - disse em um murmúrio para evitar que Madam_Pomfrey os ouvisse . - Nada - disse Harry tristemente . - Eu tinha tanta certeza de que era o Malfoy - repetiu o Ron por a centésima vez . - O que é isso ? - perguntou Harry , apontando para uma coisa com brilho dourado que estava debaixo de a almofada de Hermione . - É só um cartão a desejar boas melhoras - disse ela precipitadamente , tentando escondê o , mas o Ron foi mais rápido . Pegou lhe , abriu o e leu em voz alta : * _ Para_Miss_Granger , desejando lhe uma rápida recuperação , com o interesse e estima de o professor Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , Terceiro grau , Membro_Honorário_da_Liga_de_Defesa contra as Artes_Negras e vencedor por cinco vezes de o prémio O sorriso mais charmoso de a semana de o Semanário_das_Bruxas * . Ron olhou desconsolado para Hermione . - Tu dormes com isto debaixo de a almofada ? Mas Hermione foi poupada a ter de responder por a entrada de Madam_Pomfrey que lhe trazia a dose de medicamento de a tarde . - Achas que o Lockhart é o tipo mais esperto que conheceste ? - perguntou o Ron a o Harry quando saíram de a enfermaria e começavam a subir as escadas para a torre de os Gryffindor . O Snape tinha lhes passado tanto trabalho para_casa que Harry pensou que ia chegar a o sexto ano antes de o ter acabado . Ron vinha a dizer que devia ter perguntado a a Hermione quantas caudas de rato deveria juntar se a uma poção para o crescimento de o cabelo quando um grito de raiva vindo de o andar de cima lhes chegou a os ouvidos . - É o Filch - murmurou Harry enquanto subiam apressadamente as escadas e paravam para ouvir melhor . - Terá mais alguém sido atacado ? - disse nervosamente o Ron . Ficaram parados com as cabeças inclinadas para a voz de o Filch que parecia quase histérica . -- ... * _ Ainda mais trabalho para mim . Toda_a noite a esfregar como_se não tivesse já trabalho de sobra . Não , isto foi a gota de água que fez transbordar o copo , vou falar com Dumbledore * ... Os passos afastaram se e ouviram uma porta fechar se com grande estrondo . Puseram as cabeças fora de a esquina . O Filch tinha obviamente estado a patrulhar o seu habitual posto de vigia : estavam novamente em o lugar onde Mrs._Norris fora atacada . Perceberam imediatamente qual o motivo de os gritos . Uma enorme poça de água enchia metade de o corredor e parecia escorrer de a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Agora_que o Filch se calara podiam ouvir os uivos de a Murta que faziam eco em as paredes de a casa_de_banho . - Mas o que se passará com ela ? - disse o Ron . - Vamos lá ver - sugeriu Harry e arregaçando as túnicas até a os tornozelos entraram , atravessando a enorme poça de água , em a casa_de_banho que tinha o letreiro a dizer « Fora de serviço » e que eles , como sempre , ignoraram . A Murta_Queixosa chorava , se possível , mais alto do_que nunca . Parecia estar escondida em o cubículo de o costume . Lá dentro estava escuro pois as velas tinham se apagado com a enchente de água que deixara as paredes e o chão ensopado . - O que se passa , Murta ? - quis saber o Harry . - Quem é ? - perguntou ela infelicíssima . - Vieste atirar me mais alguma coisa acima ? Harry caminhou com dificuldade por causa de a água até a o cubículo de ela e disse : - Porque te faríamos nós uma coisa de essas ? - Não me perguntem - gritou a Murta , emergindo em uma onda de água que molhou ainda mais o chão já ensopado . - Eu estou aqui metida em a minha morte e alguém acha muito engraçado atirar me com um caderno acima ... - Mas , não pode magoar te se alguém te atirar alguma coisa acima - disse Harry , tentando ser prático . - Isto_é , seja o que for passa através_de ti , não é assim ? Tinha dito a frase errada . A Murta encheu o peito de ar e gritou a plenos pulmões : - Vamos todos atirar cadernos a a Murta já_que ela não sente nada ! Dez pontos se lhe acertarem em o estômago , cinquenta se lhe atravessar a cabeça ! Hah hah hah , que jogo lindo , não acham ? - Quem te atirou um caderno , afinal ? - perguntou o Harry . - Não sei ... eu estava sentada em a sanita a pensar em a morte e caiu me em cima de a cabeça - disse a Murta , olhando para eles . - Está ali , ficou todo molhado . Harry e Ron olharam para o ponto que a Murta lhes apontava debaixo de o lavatório . Um caderno pequenino e fino estava caído em o chão . Tinha uma capa preta muito gasta e estava encharcado como tudo em aquela casa_de_banho . Harry deu um passo em frente para o apanhar , mas o Ron agarrou lhe precipitadamente o braço . - O que foi ? - perguntou Harry . - Estás doido - disse ele . - Pode ser perigoso . - Perigoso ? - riu se Harry . - Essa agora Ron , como é_que pode ser perigoso ? - Ficarias surpreendido ... - explicou ele , olhando com ar apreensivo para o caderno . - Entre os livros que o Ministério confiscou , contou me o meu pai , havia um que queimava os olhos a as pessoas . E todos os que leram os * _ Sonetos_de_Um_Feiticeiro * ficaram a falar em verso para o resto de a vida . Havia também uma bruxa em Bath que tinha um livro que quem o lesse nunca mais conseguia parar , tinha de andar por aí com o nariz enfiado em as folhas , a fazer todas_as coisas só com uma mão e ... - Já chega , já chega , já percebi a tua ideia - disse O_Harry . O caderninho continuava caído e ensopado . - Bem , nunca saberemos a_não_ser_que tenhamos a coragem de dar uma vista de olhos - disse e mergulhou apanhando o de o chão . Harry viu imediatamente que se tratava de um diário e a data meio apagada , em a capa , disse lhe que tinha cinquenta anos de idade . Abriu o ansiosamente . Em a primeira página podia ler se apenas o nome T._M._Riddle em tinta esborratada . - Espera aí - disse o Ron que se aproximara prudentemente e olhava por cima de o ombro de Harry . - Eu conheço esse nome ... T._M._Riddle recebeu um prémio por serviços especiais prestados a a escola há cinquenta anos atrás . - Como diabo sabes tu isso ? - perguntou Harry com grande espanto . - Porque o Filch mandou me limpar a taça de ele umas cinquenta vezes quando estive de castigo - disse o Ron ressentido . - Foi a taça em cima de a qual eu vomitei lesmas . Se tivesses tido que limpar o muco de um nome durante uma hora também te lembrarias . Harry separou umas de as outras as páginas molhadas . Estavam completamente em branco . Não havia o mais leve sinal de escrita em nenhuma , nem coisas como « Aniversário de a tia Mabel « ou « Dentista a as três_e_meia » . - Ele nunca escreveu nada aqui - disse Harry desapontado . - Porque quereria alguém atirá o fora ? - perguntou se o Ron com curiosidade . Harry voltou o caderno e viu , inscrito em a contra capa , o nome de uma tabacaria em Vauxhall_Road , Londres . - Ele devia ser filho de Muggle - disse Harry pensativo - para ter comprado um diário em Vauxhall_Road ... - Bem , não te serve de muito - Ron baixou a voz . - Cinquenta pontos se acertares em o nariz de a Murta . Harry , mesmo_assim , guardou o diário . Hermione saiu de a ala hospitalar desbigodada , sem cauda e sem pêlo em os primeiros dias de Fevereiro . Em a primeira noite em a torre de os Gryffindor , Harry mostrou lhe o diário de T._M._Riddle e contou lhe como o tinham encontrado . - Ooooh ! Deve ter poderes ocultos - disse ela entusiasticamente , pegando em o diário e examinando o de perto . - Se tem , esconde os muito bem - disse Ron . - Talvez fosse tímido . Não sei porque não deitas isso fora , Harry . - Gostava de perceber porque motivo alguém se quis livrar de ele - explicou Harry . - E também não me importava de saber como foi que o Riddle obteve esse prémio de serviços especiais prestados a Hogwarts . - Pode ter sido qualquer coisa - lançou o Ron . - Talvez tenha recebido 30 de nota final ou salvo um professor de a lula gigante . Se_calhar assassinou a Murta , isso teria sido um favor prestado a todos ... Mas Harry quase podia jurar , por o olhar suspenso em a cara de Hermione , que ela pensava o mesmo_que ele . - O que foi ? - perguntou Ron , olhando para um e para o outro . - Bem , a Câmara_dos_Segredos foi aberta há cinquenta anos , não foi isso que disse o Malfoy ? - Sim - respondeu Ron , lentamente . - E este diário tem cinquenta anos de idade - completou Hermione , dando lhe palmadinhas nervosas . - E de aí ? - Oh Ron , acorda - insistiu Hermione . - Sabemos que a pessoa que abriu a câmara de a outra_vez foi expulsa há cinquenta anos . E se o Riddle tivesse tido o prémio especial por apanhar o herdeiro de Slytherin ? O seu diário diria nos provavelmente tudo : onde é a Câmara_dos_Segredos , como abris a e que tipo de criatura vive lá . Achas que a pessoa que está por trás de os ataques desta_vez quereria o diário por aí ? - É uma teoria interessante , Hermione - disse o Ron . - Apenas com uma pequenina falha : o diário não tem nada Mas_Hermione já estava a tirar a varinha de o saco . - Pode ser tinta invisível - murmurou . Bateu três vezes em o diário e repetiu * _ Aparecium ! * Nada aconteceu . Intrépida , Hermione meteu a mão de_novo em o saco e tirou o que parecia ser uma borracha vermelha e brilhante . - É um * revelador * , comprei o em a Diagon - _ Al - disse . Apagou com força em 1_de_Janeiro . Não sucedeu nada . - Já vos disse , não há nada aí - repetiu o Ron . - O Riddle deve ter recebido um diário como prenda de Natal e nem se deu a o trabalho de escrever fosse o que fosse . Harry não conseguia explicar , nem a si próprio , porque motivo não deitara fora o diário de Riddle . A verdade é_que , mesmo depois de saber que ele estava em branco , continuou distraidamente a pegar lhe e a virar as páginas como_se quisesse chegar a o fim de uma história . E , apesar_de saber que nunca tinha ouvido o nome T._M._Riddle , continuava a ter a sensação de que lhe dizia alguma coisa , como_se Riddle fosse um amigo que ele tinha tido quando era muito pequeno e que estivesse meio esquecido . Mas era um absurdo . Nunca tivera amigos antes de Hogwarts , Dudley tivera esse cuidado . Ainda_assim , Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle , por isso em o dia seguinte foi até a a sala de os troféus para examinar a taça , acompanhado de Hermione que estava interessadíssima e de Ron que se mostrava profundamente incrédulo , dizendo que tinha ficado farto de aquela sala até a o fim de a vida . A taça dourada de Riddle estava arrecadada em um armário de canto . Não fornecia detalhes sobre o motivo por_que lhe fora dada ( felizmente , se fosse maior ainda hoje estava a limpá a , disse o Ron ) . Mas encontraram o nome de Riddle em uma antiga medalha de Mérito_Mágico e em uma lista de antigos chefes de turma . - Parece o Percy - comentou Ron , torcendo o nariz com aversão . - Prefeito , chefe de turma , provavelmente o melhor em todas_as disciplinas . - Dizes isso como_se fosse uma coisa má - fez lhe notar Hermione , em um tom de voz ressentido . Um sol fraco brilhava agora de_novo em Hogwarts . Dentro de o castelo , o ambiente estava bastante melhor . Não tinha havido novos ataques desde Justin e Nick quase sem cabeça e Madam_Pomfrey teve a satisfação de informar que as Mandrágoras começavam a ficar instáveis e dissimuladas , sinal de que estavam a abandonar rapidamente a infância . - Logo_que o acne desapareça estarão prontas para novo transplante - ouviu a Harry dizer amavelmente a o Filch . - E depois de isso , não demorará muito até podermos cortá as e estufá as . - Vai ter Mrs._Norris de volta , muito em_breve . Talvez o herdeiro ou herdeira de Slytherin tenha perdido a coragem , pensou Harry . Deve ser cada_vez_mais arriscado abrir a Câmara_dos_Segredos com a escola tão alerta e desconfiada . Talvez o monstro , qualquer_que_fosse , estivesse a preparar se para hibernar durante outros cinquenta anos . Ernie_Mcmillan_dos_Hufilepuff não aceitou esta visão optimista . Continuava convencido de que Harry era o culpado , que se tinha traído em o clube de os duelos . Peeves não ajudava nada : continuava a cantar por os corredores Potter , * seu bandido * ... agora acompanhado de um esquema de dança . Gilderoy_Lockhart parecia pensar que fora ele quem pusera fim a os ataques . Harry fartou se de o ouvir dizer isso a a professora Mc_Gonagall enquanto os Gryffindor formavam bicha para a aula de Transfiguração . - Não creio que volte a haver problemas , Minerva - disse , tocando em o nariz com ar conhecedor e piscando o olho . - Acho que desta_vez a câmara foi definitivamente selada . O culpado deve ter sabido que era uma questão de tempo até eu o apanhar e que era mais sensato parar agora antes que eu lhe tratasse de a saúde . Sabe , a escola está a precisar de um intensificador de animo para apagar as lembranças de o último período . Não vou dizer lhe mais_nada , por enquanto , mas julgo que sei o que ... Voltou a tocar em o nariz e afastou se a passos largos . A ideia de Lockhart de um intensificador de ânimo ficou bastante clara em o dia_14_de_Fevereiro , a o pequeno-almoço . Harry não dormira grande coisa devido a o treino de Quidditch em a noite anterior e chegou a o salão um_pouco atrasado . Pensou , por momentos , que se tinha enganado em a porta . As paredes estavam todas cobertas com enormes e medonhas flores cor-de-rosa . Pior ainda , * confettis * em forma de corações caíam de o tecto azul pálido . Harry dirigiu se a a mesa de os Gryffindor onde o Ron estava sentado com um ar enjoado junto de Hermione que parecia particularmente risonha . - O que se passa ? - perguntou lhes , sentando se e sacudindo os * confettis * de o seu bacon . Ron apontou para a mesa de os professores , com um ar demasiado repugnado para falar . Lockhart , em as suas vestes rosa vivo , a condizer com a decoração de o salão , fazia sinal para que se calassem . Os professores que o ladeavam tinham um ar estupefacto . De o seu lugar , Harry podia ver um músculo mover se em a bochecha de a professora Mc_Gonagall . Snape estava com ar de quem tomou uma imensa dose de xarope * skele-gro * . - Feliz dia de S._Valentim - gritou Lockhart . - E permitam me que agradeça a as quarenta_e_seis pessoas que até agora me enviaram cartões . Sim , fui eu quem tomou a liberdade de vos fazer esta pequena surpresa , e ela não acaba aqui ! Lockhart bateu as palmas e por as portas de o * hall * entraram a marchar cerca de uma_dúzia de duendes de aspecto carrancudo . Não eram uns duendes quaisquer , diga se de passagem . Lockhart fizera os usar asas douradas e transportar harpas . - Os meus amigos cupidos , portadores de os cartões ! gritou Lockhart . - Eles vão andar por a escola durante o dia de hoje , entregando os vossos cartões de S._Valentim . E o divertimento não acaba aqui . Tenho a certeza de que os meus colegas vão querer participar em este espírito de festa . Porque não pedir a o professor Snape que vos mostre como preparar rapidamente uma poção de amor . E , enquanto ele a prepara , está aqui o professor Flitwick que é de todos os feiticeiros que conheci aquele que mais sabe de encantamentos de sedução , o grande safado ! O professor Flitwick enterrou o rosto em as mãos . Snape olhava como_se quisesse dar veneno a a primeira pessoa que fosse pedir lhe a poção de o amor . - Por favor , Hermione , diz me que não foste uma de as quarenta_e_seis - pediu Ron quando saíram de o salão para a primeira aula . Mas Hermione ficou subitamente muito interessada em procurar o horário dentro de a mala e não lhe respondeu . Durante todo o dia os duendes não pararam de se intrometer em as aulas para entregar cartões , para grande aborrecimento de os professores e , ao_fim_da_tarde , quando os Gryffindor subiam as escadas para a aula de encantamentos , um de eles avistou o Harry . - Hei , tu , Harry_Potter ! - gritou um duende de aspecto particularmente lúgubre , dando cotoveladas a_toda_a gente para se aproximar de o Harry . Coradíssimo com a ideia de receber um cartão de S._Valentim diante_de uma fila de alunos de o primeiro ano que , por acaso , incluía Ginny_Weasley , Harry tentou escapar se . Mas o duende cortou lhe o caminho através de a multidão e agarrou o em três tempos . - Tenho uma mensagem musical para entregar a Harry_Potter em pessoa - disse , tangendo a harpa de forma ameaçadora . - Aqui não - disse baixinho o Harry , tentando escapar . - Fica quieto - grunhiu o duende , agarrando o saco de o Harry e puxando com força . - Larga me - disse ele rispidamente , dando um puxão . Com um ruído de tecido a rasgar se , o saco dividiu se em dois . Os livros de Harry , varinha , pergaminho e pena espalharam se por o chão enquanto o tinteiro se partia em cima de as outras coisas . Harry pôs se de gatas , tentando apanhar tudo antes que o duende começasse a cantar , provocando um engarrafamento em o corredor . - O que se passa aqui ? - perguntou a voz fria e afectada de Draco_Malfoy . Harry , nervosíssimo , começou a guardar tudo dentro de o saco rasgado , desesperado para sair de ali antes que Malfoy pudesse ouvir o seu S._Valentim musical . - Que confusão é esta ? - disse outra voz familiar . Percy_Weasley tinha chegado . De cabeça perdida , Harry tentou fugir , mas o duende agarrou o por os joelhos e fê lo cair a o chão . - Certo - disse , sentando se em os tornozelos de Harry . Eis o teu cartão musical : * _ Os olhos de ele são verdes como o sapo de o quintal * _ O seu cabelo é escuro como um temporal * _ É um desatino , oh ! ele é divino ! * _ O herói que venceu o Senhor_do_Mal * . Harry teria dado todo o ouro de Gringotts para se evaporar em aquele momento . Tentando corajosamente rir se com todos os outros , levantou se . Sentia os pés dormentes de o peso de o duende . Enquanto isso , Percy_Weasley fazia todos os possíveis por dispersar a multidão onde havia gente que chorava de hilaridade . - Vamos embora , vamos embora , a campainha tocou há cinco minutos para as aulas - dizia , enxotando alguns de os alunos mais novos . - E tu , Malfoy . Harry olhou e viu Malfoy inclinar se , apanhar qualquer coisa e com um olhar maldoso mostrá a a Crabbe e Goyle . Percebeu que era o diário de Riddle . - Dá cá isso - exigiu com toda_a calma . - O que será que o Potter escreveu aqui ? - disse Malfoy que obviamente não reparara em a data e pensou que tinha em as mãos o diário de o Harry . Houve uma agitação em os presentes . Ginny olhava apavorada para o diário e para Harry . - Dá lhe isso , Malfoy - disse Percy com firmeza . - Depois de dar uma vista de olhos - retorquiu Malfoy , acenando a Harry com o diário de forma provocatória . Percy disse : - Como Prefeito de a escola ... - mas Harry perdera a paciência . Pegou em a varinha e gritou * _ Expelliarmus * e assim_como Snape desarmara Lockhart , MalLoy viu o diário saltar lhe de as mãos e elevar se em o ar enquanto Ron o apanhava sorridente . - Harry - disse Percy levantando a voz . - Não quero magia em os corredores . Vou ter de participar isto , sabes perfeitamente . Mas Harry não se importou . Tinha ganho uma_vez a Malfoy e isso valia bem cinco pontos a menos para os Gryffindor . Malfoy estava furioso e quando a Ginny passou por ele a caminho de a sala de aula , gritou lhe com desprezo : - Não creio que o Potter tenha gostado lá muito de o teu cartão de S._Valentim . Ginny tapou a cara e correu para a aula . Aborrecido , Ron pegou também em a varinha , mas Harry afastou o . Era melhor que ele não passasse a aula de encantamentos a vomitar lesmas . Só quando entraram em a sala de aula de o professor Flitwick é_que Harry reparou em uma coisa bastante estranha em o diário de Riddle . Todos os outros livros estavam cheios de tinta vermelha , mas o diário mantinha se tão limpo como antes de o tinteiro se ter entornado em cima de ele . Tentou chamar a atenção de Ron para este facto , mas ele estava novamente a ter um problema com a varinha : de a extremidade saíam grandes bolhas roxas e ele não parecia interessado em mais_nada . Em essa noite , Harry foi deitar se antes de os outros companheiros de dormitório , em parte porque já não conseguia suportar o Fred e o George a cantarem * _ Os seus olhos são verdes como o sapo de o quintal * e em parte porque queria voltar a examinar o diário de Riddle e sabia que em a opinião de o Ron era uma pura perda de tempo . Sentou se em a cama de dossel e folheou as páginas em branco em as quais não se via uma única mancha de tinta escarlate . Tirou então outro tinteiro de o armário a o lado de a cama , molhou a pena e deixou cair um borrão em a primeira página de o diário . A tinta brilhou em o papel durante um segundo e , em seguida , como_se a página a tivesse sugado , desapareceu sem deixar rasto . Depois , finalmente , algo aconteceu . Deslizando sobre a página em a cor de a sua tinta , surgiram palavras que Harry não escrevera . - * _ Olá_Harry_Potter . O meu nome é Tom_Riddle . Como é_que encontraste o meu diário ? * Também estas palavras desapareceram , mas não sem que Harry tivesse respondido . - Alguém tentou lançá o em uma sanita . Esperou ansiosamente por a resposta de Riddle . - * _ Felizmente guardei as minhas memórias de uma forma mais duradoura do_que a tinta . Mas sempre soube que haveria quem não iria querer que o diário fosse lido . * - O que queres dizer com isso ? - escrevinhou Harry , borrando a página com o nervosismo . - * _ Quero dizer que este diário contém memórias de coisas terríveis . Coisas que foram abafadas . Coisas que aconteceram em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . * - É onde eu estou agora - escreveu Harry rapidamente . - Estou em Hogwarts e estão a acontecer coisas horríveis . Sabes alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? O coração parecia querer saltar lhe de o peito . A resposta de Riddle não se fez esperar , a letra tornara se mais desordenada como_se tivesse pressa em contar lhe tudo_o_que sabia . - * _ É claro que sei de a Câmara_dos_Segredos . Em o meu tempo diziam nos que era uma lenda , que não existia , mas era mentira . Quando eu estava em o quinto ano a Câmara_dos_Segredos foi aberta e o monstro atacou vários estudantes , acabando matar um . Eu apanhei a pessoa que abriu a câmara e ele foi expulso . Mas o director , o professor Dippet , envergonhado por uma coisa de aquelas ter acontecido em Hogwarts , proibiu me de contar a verdade . Foi divulgada uma história dizendo que a rapariga morrera de um acidente extravagante . Deram me um troféu brilhante com o meu nome gravado e avisaram me para ficar calado . Mas eu sabia que ia voltar a acontecer . O monstro sobreviveu e aquele que tinha o poder para o libertar não foi para a prisão . * Harry quase entornou o tinteiro em a pressa de responder . - Está a acontecer outra_vez . Houve três ataques e ninguém parece saber quem está por_detrás_de tudo_isto . Quem foi de a última vez ? - * _ Posso mostrar te , se quiseres * - foi a resposta de o Riddle . - * _ Não tens de acreditar só em a minha palavra . Posso levar te a o fundo de a minha memória de a noite em que o apanhei . * Harry hesitou com a pena em o ar sobre o diário . O que quereria ele dizer ? Como poderia entrar em a memória de outra pessoa ? Olhou inquieto para a porta de o dormitório que começava a ficar escuro . Quando pôs de_novo os olhos em o diário viu as palavras que se formavam . - * _ Deixa-me mostrar te . * Harry parou durante uma fracção de segundo e depois escreveu duas letras . - O. _ K._As páginas de o diário começaram a esvoaçar como_se tivessem sido apanhadas em uma ventania , parando a meio de o mês_de_Junho . Boquiaberto , Harry viu que o quadradinho de 13_de_Junho se transformara em um pequeno ecrã de televisão . Com as mãos ligeiramente trémulas levantou o livro para encostar os olhos a a janelinha e antes de perceber o que estava a passar se , deu consigo inclinado para a frente com a janela a abrir se . O corpo abandonava a cama e era lançado de cabeça , por a abertura de a página , em um turbilhão de cor e sombras . Sentiu os pés tocarem em terra firme e pôs se de pé a tremer enquanto as formas desfocadas se tornavam subitamente nítidas . Soube imediatamente onde estava . Aquela sala circular com os retratos adormecidos era o escritório de Dumbledore , mas não era Dumbledore quem estava atrás de a secretária . Um feiticeiro mirrado , de aspecto débil e quase careca lia uma carta a a luz de as velas . Harry nunca vira aquele homem antes . - Desculpe - disse com a voz a tremer . - Eu não queria intrometer me ... Mas o feiticeiro não olhou . Continuou a ler , franzindo levemente as sobrancelhas . Harry aproximou se de a secretária e gaguejou : - Er ... eu vou me embora , está bem ? E o feiticeiro continuou a ignorá o . Parecia nem_sequer ter ouvido . Pensando que talvez ele fosse surdo , Harry falou mais alto . - Desculpe tê o incomodado - disse quase a gritar . O feiticeiro dobrou a carta com um suspiro . Pôs se de pé , passou por Harry sem olhar para ele e foi abrir os cortinados de a janela . O céu , lá fora , estava vermelho-rubi . Devia ser o pôr de o Sol . O feiticeiro voltou para a secretária , sentou se e girou os polegares , olhando para a porta . Harry olhou em volta . Não viu Fawkes , a fénix , nem as engenhocas prateadas que sibilavam . Aquela Hogwarts era a que Riddle conhecera e , portanto , aquele feiticeiro desconhecido era o director de então , não Dumbledore e ele , Harry , era pouco mais que um fantasma , totalmente invisível a as pessoas de há cinquenta anos atrás . Alguém bateu a a porta . - Entre - disse o velho feiticeiro , em uma voz fraca . Um rapazinho de dezasseis anos entrou , tirando o chapéu pontiagudo . Em o seu peito brilhava um distintivo prateado de prefeito . Era muito mais alto do_que Harry , mas tinha , tal_como ele , cabelo preto asa de corvo . - Ah ! Riddle - disse o director . - Queria falar comigo , professor Dippet ? - perguntou ele com ar nervoso . - Senta te - disse Dippet . - Tenho estado a ler a carta que me mandaste . - Oh ! - exclamou Riddle , sentando se e apertando as mãos uma contra a outra . - Meu rapaz - disse Dippet amavelmente . - Eu não posso deixar te ficar em a escola durante o Verão . Com certeza queres ir para_casa em as férias ? - Não - respondeu Riddle , sem perder tempo . - Prefiro mil vezes ficar em Hogwarts a ter de voltar a aquela ... aquela ... - Tu vives em um orfanato de Muggles durante as férias , não é assim ? - perguntou Dippet com curiosidade . - Sim senhor - disse Riddle , corando um_pouco . - És filho de Muggles ? - Meio sangue , professor - explicou Riddle . - Pai_Muggle , mãe bruxa . - E o teu pai e a tua mãe ... - A minha mãe morreu pouco depois de eu nascer , professor , contaram me em o orfanato que só teve tempo de me dar o nome : Tom , como o meu pai , Marvolo como o meu avô . Dippet estalou a língua solidariamente . - O que acontece , Tom - suspirou - é_que ... podia ter se arranjado uma situação especial para ti , mas em as circunstâncias actuais ... - Refere se a os ataques , professor ? - perguntou Riddle e o coração de Harry deu um salto , aproximando se com medo de perder alguma coisa . - Precisamente - disse o director . - Meu rapaz , compreendes que seria uma imprudência de a minha parte deixar te ficar em o castelo quando o período acabar , principalmente a a luz de a recente tragédia ... a morte de aquela pobre moça ... estarás sem dúvida em maior segurança em o orfanato . Em a verdade , o ministro de a magia até fala em fechar a escola . Não estamos nada perto_de localizar ... er ... a fonte de toda esta história desagradável . Os olhos de Riddle tinham se aberto mais . - Professor , se essa pessoa fosse apanhada ... se tudo acabasse . . . - Que queres dizer com isso ? - perguntou Dippet com voz aguda , endireitando se em a cadeira . - Riddle , tu sabes alguma coisa sobre estes ataques ? - Não senhor - respondeu ele de imediato . Mas Harry sabia que era o mesmo tipo de « não » que ele dissera a Dumbledore . Dippet afundou se de_novo com um ar de profundo desapontamento . - Podes ir , Tom . Riddle esgueirou se de a cadeira e saiu de a sala . Harry seguiu o . Desceram por a escada em espiral , saindo junto de a gárgula em o corredor que escurecia . Riddle parou e Harry fez o mesmo , olhando para ele . Quase podia apostar que ele pensava seriamente em alguma coisa . Mordia o lábio e tinha as sobrancelhas franzidas . A certa altura , como_se tivesse acabado de tomar uma decisão , começou a andar mais depressa com Harry a segui o ruidosamente . Não viram mais ninguém , a não ser quando chegaram a o * hall * de entrada onde um feiticeiro alto de longos cabelos ruivos e barba chamou Riddle de a escadaria de mármore . - O que andas a fazer por aqui tão tarde , Tom ? Harry olhou para o feiticeiro . Não era outro senão Dumbledore com cinquenta anos a menos . - Tive de ir falar com o director - justificou se Riddle . - Bem , agora vai depressa para a cama - disse Dumbledore , olhando Riddle com aquele olhar penetrante que Harry conhecia tão bem . - É melhor não andar a passear por os corredores em os dias que correm , pelo_menos até ... Suspirou profundamente , deu as boas-noites a o Riddle e foi se embora . Riddle viu o desaparecer e , sem perder tempo , desceu os degraus de pedra até a os calabouços com Harry em a peugada . Mas para seu grande desconsolo , Riddle não o conduziu a nenhum corredor ou túnel secreto e sim a o calabouço onde ele costumava ter aulas de poções com o Snape . As tochas não tinham sido acesas e quando Riddle empurrou a porta quase fechada , Harry só conseguiu vê o a ele , de pé , quieto junto de a porta , olhando para o corredor . Pareceu a Harry que ficaram ali quase uma hora . Tudo_o_que via era a silhueta de Riddle junto de a porta , olhando fixamente através de a greta , a a espera . Como_se fosse uma estátua . E quando Harry tinha abandonado todas_as expectativas e começava a desejar voltar a o presente , ouviu alguma coisa que se movia atrás de a porta . Alguém avançava lentamente por o corredor . Ouviu a pessoa , quem quer que fosse , passar por o calabouço onde ele e Riddle estavam escondidos . Riddle , silencioso como uma sombra , esgueirou se por a porta e seguiu o com Harry em bicos de pés atrás de ele , esquecido de que podia fazer barulho a a vontade porque ninguém o ouvia . Durante cerca de cinco minutos seguiram lhe os passos até que Riddle parou repentinamente com a cabeça inclinada em a direcção de novos ruídos . Harry ouviu uma porta a abrir se e em seguida alguém falou em um murmúrio rouco . - Vá lá , temos que sair de aqui ... vá lá , dentro de a caixa ... Havia algo de familiar em aquela voz . Riddle deu subitamente uma volta e Harry seguiu o . Podia ver a silhueta escura de um rapaz enorme que estava inclinado em frente de a porta aberta , com uma grande caixa a o lado . - Boa noite , Rubeus - disse Riddle secamente . O rapaz fechou a porta e pôs se de pé . - O que estás a fazer aqui , Tom ? Riddle aproximou se . - Acabou se - disse . - Vou ter de entregar te , Rubeus . Falam em fechar Hogwarts se os ataques não terminarem . - O que é_que tu ... ? - Eu acho que tu não quiseste matar ninguém , mas os monstros não são os melhores animais domésticos . Tu só quiseste deixá o sair para andar um_pouco e ... - Ele não matou ninguém - disse o rapaz grande , recuando contra a porta fechada . Lá de dentro vinham uns estranhos roncos e rugidos . - Vamos , Rubeus - disse Riddle , aproximando se mais ainda . - Os pais de a rapariga que morreu estarão aqui amanhã . O mínimo que Hogwarts pode fazer é assegurar lhes que aquilo que matou a filha de eles foi abatido ... - Não foi ele - gemeu o rapaz cuja voz ecoou em o corredor escuro . - Ele não faria isso ... ele nunca ... - Afasta te - disse Riddle , pegando em a varinha . O encantamento iluminou o corredor com uma luz brilhante . A porta atrás de o rapaz grande abriu se de par em par com tanta força que o atirou contra a parede . E de lá de dentro saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito que ninguém mais ouviu a não ser ele próprio . Tinha um corpo imenso , magro e peludo e um emaranhado de pernas pretas , a cintilação de muitos olhos e um par de tenazes afiadas . Riddle levantou de_novo a varinha , mas era tarde de mais . A coisa deixara o atarantado e corria apressadamente , precipitando se por o corredor e desaparecendo . Riddle pôs se de pé , olhou a a procura de o monstro , levantou a varinha , mas o rapaz grande saltou sobre ele , tirou lhe a varinha de as mãos e lançou o a o chão , gritando : - Naaaaaão ! A cena rodopiou . A escuridão tornou se total . Harry sentiu se a cair e com um embate aterrou como uma águia de patas e asas abertas em a sua cama de dossel , em o dormitório de os Gryffindor , o diário de Riddle aberto sobre o estômago . Antes de ter tido tempo de normalizar a respiração , a porta de o dormitório abriu se e o Ron entrou . - Aí estás tu - disse . Harry sentou se . Transpirava e tremia . - O que se passa ? - perguntou Ron , olhando aflito para ele . - Foi o Hagrid , Ron . O Hagrid abriu a Câmara_dos_Segredos há cinquenta anos atrás . XIV_Cornelius_Fudge_Harry , Ron e Hermione sabiam há muito_tempo que Hagrid tinha uma triste predilecção por criaturas grandes e monstruosas . Em o primeiro ano que passaram em Hogwarts , ele tentara criar um dragão em a sua pequena cabana de madeira e levaram muito_tempo a esquecer o gigantesco cão de três cabeças que ele baptizara de « fofinho » . E se , em rapaz , Hagrid tinha ouvido dizer que havia um monstro escondido em o castelo , Harry tinha a certeza que ele teria feito os impossíveis por descobri o . Provavelmente achou que era uma injustiça o monstro estar fechado tanto tempo e pensou que ele merecia a oportunidade de esticar as suas muitas pernas . Harry imaginava perfeitamente o Hagrid a os treze anos a tentar pôr uma coleira e uma trela a o monstro . Mas tinha igualmente a certeza de que ele nunca teria querido matar ninguém . De certo modo , Harry desejava não ter descoberto como utilizar o diário de Riddle . Ron e Hermione fizeram o contar repetidas vezes o que vira até ele ficar farto de repetir o mesmo e farto de a conversa circular que se seguia . - O Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse , de essa vez , Hermione . - O monstro que atacava as pessoas podia ser outro .... - Quantos monstros achas tu que pode haver em este lugar ? - perguntou o Ron aborrecido . - Sempre soubemos que o Hagrid tinha sido expulso - disse Harry tristemente - E os ataques devem ter terminado quando ele foi expulso . Se não fosse assim , Riddle não teria recebido um prémio . Ron tentou um caminho diferente . - O Riddle parece o Percy , quem lhe pediu afinal que deitasse abaixo o Hagrid ? - Mas o monstro tinha morto uma pessoa , Ron - insistiu Hermione . - E o Riddle ia ter de voltar para um orfanato Muggle se Hogwarts fosse fechada - disse Harry . - Não posso culpá o por querer ficar aqui ... Ron mordeu o lábio e a seguir sugeriu : - Tu encontraste o Hagrid em a Rua * _ Bativolta * , não foi ? - Ele estava a comprar repelente para lesmas - disse Harry rapidamente . Ficaram os três em silêncio . Depois de uma longa pausa , Hermione , em uma voz hesitante , formulou a pergunta mais complicada de todas : - Não acham que devíamos ir ter com ele e perguntar lhe ? - Essa seria uma visita simpática - disse o Ron . - Olá , Hagrid , diz nos uma coisa , soltaste por acaso alguma coisa louca e peluda por o castelo em estes últimos tempos ? Por fim , decidiram não dizer nada a o Hagrid a_não_ser_que houvesse outro ataque e à_medida_que passava mais tempo sem murmúrios de a voz sem corpo começaram a acreditar , esperançosos , que nunca mais teriam de falar sobre o motivo por_que fora expulso . Tinham passado já quase quatro meses desde o dia em que o Justin e o Nick quase sem cabeça tinham sido petrificados e quase toda_a_gente parecia pensar que o atacante , quem quer que ele fosse , se retirara para sempre . Peeves fartara se de a sua canção * _ Oh_Potter , seu bandido * , Ernie_Mcmillan pediu educadamente a o Harry , em a aula de herbologia , que lhe passasse um balde de cogumelos saltitantes e , em Março , várias mandrágoras deram uma festa ruidosa e roufenha em a estufa número três . A professora Sprout estava muito satisfeita . - Mal elas comecem a tentar mover se para os vasos umas de as outras , saberemos que estão maduras - disse ela a o Harry . - Nessa_altura poderemos reanimar aquelas pobres criaturas que estão em a ala hospitalar . Os alunos de o segundo ano tinham agora uma coisa nova em que pensar durante as férias de a Páscoa . Chegara a altura de escolherem as matérias de o terceiro ano , um assunto que Hermione , pelo_menos , tomou muito a sério . - Pode afectar todo o nosso futuro - disse a o Harry e a o Ron a o vê os ler cuidadosamente as listas de as novas matérias e pôr um V em frente de cada uma . - Eu só quero ver me livre de as poções - disse Harry . - Não podemos - explicou Ron tristemente . - Mantemos todas_as matérias antigas ou eu teria me livrado de a Defesa contra as artes negras . - Mas é muito importante - disse Hermione chocada . - Não de a maneira como Lockhart a dá - insistiu Ron . - Não aprendi nada até agora a não ser a nunca mais libertar duendes . Neville_Longbottom recebera cartas de todas_as bruxas e feiticeiros de a família , cada_um dando um conselho diferente sobre o que ele deveria escolher . Confuso e preocupado , sentou se a ler a lista de matérias , dando estalinhos com a língua e perguntando a as pessoas se achavam que a aritmancia seria mais difícil do_que o estudo de as runas em a Antiguidade . Dean_Thomas que , tal_como Harry , fora criado com Muggles , acabou por fechar os olhos e atirar a varinha contra a lista , escolhendo as matérias onde ela aterrava . Hermione não pediu conselho a ninguém e inscreveu se em todas . Harry sorriu de si para consigo imaginando como seria uma conversa com o tio Vernon e com a tia Petúnia sobre a sua carreira em feitiçaria . Não que não tivesse tido orientação : Percy_Weasley estava ansioso por partilhar a sua experiência . - Tudo depende de o lugar para_onde queres ir , Harry - disse ele . - Nunca é cedo de mais para pensar em o futuro , por isso eu aconselho te a adivinhação . As pessoas dizem que os estudos de Muggles são uma opção leve mas eu , pessoalmente , acho que os feiticeiros deveriam ter uma compreensão profunda de a comunidade não mágica , muito especialmente se pensarem em trabalhar em íntimo contacto com eles . Vê o meu pai que tem de lidar com assuntos de os Muggles a_toda_a hora . O meu irmão Charles foi sempre mais um tipo de o exterior , por isso foi para o Centro_de_Cuidados com as Criaturas_Mágicas . Segue os teus sentimentos , Harry . Mas a única coisa em que Harry sentia que era mesmo bom era o Quidditch . Por fim , acabou por escolher as mesmas matérias que o Ron escolhera , pensando que se fosse péssimo em elas pelo_menos tinha alguém amigo para o ajudar . O próximo jogo de Quidditch_dos_Gryffindor era contra os Hufflepuff . Wood insistia em treinos de equipa todas_as noites depois de jantar , por isso Harry não tinha tempo para mais_nada a não ser para o Quidditch e para os trabalhos de casa . Mas as sessões de treino estavam a melhorar ou pelo_menos estavam mais secas e em a véspera de o jogo de sábado ele foi a o dormitório guardar a vassoura , sentindo que as hipóteses de os Gryffindor ganharem a taça de Quidditch nunca tinham sido tão boas . Mas a sua boa disposição não durou muito . Em o cimo de as escadas que levavam a o dormitório encontrou o Neville_Longbottom nervosíssimo . - Harry , não sei quem fez aquilo , eu fui encontrar ... Olhando receoso para Harry , Neville empurrou a porta . O conteúdo de a mala de Harry fora espalhado por toda_a divisão . O seu manto estava em o chão rasgado . A roupa de cama tinha sido puxada de a cama de dossel e a gaveta de o armário que se encontrava a a cabeceira de a cama fora arrancada , estando o seu conteúdo espalhado sobre o colchão . Harry aproximou se de a cama boquiaberto , pisando algumas páginas soltas de * _ Viagens com Duendes * . Quando ele e Neville estavam a puxar os cobertores para_cima , entraram o Ron e o Dean_Seamas . Dean praguejou alto . - O que é isto , Harry ? - Não faço ideia - disse ele . Mas o Ron estava a examinar as vestes de Harry e todos os bolsos estavam de o avesso . - Alguém andou a a procura de qualquer coisa - disse o Ron . - Dás por falta de alguma coisa ? Harry começou a apanhar o que estava caído , lançando tudo dentro de a mala . Só quando atirou o último livro de Lockhart é_que se apercebeu do_que faltava . - O diário de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a o Ron . - O quê ? Harry fez lhe sinal em direcção a a porta de o dormitório e apressaram se a chegar a a sala comum de os Gryffindor que estava quase vazia e onde foram encontrar Hermione sozinha a ler * _ As_Runas_Antigas a o Alcance_de_Todos * . Hermione ficou aterrada com as notícias . - Mas ... só um Gryffindor podia tê o roubado ... ninguém mais conhece a nossa senha ... - Exactamente - disse Harry . Acordaram em o dia seguinte com um sol brilhante e uma brisa agradável . - Condições ideais para o Quidditch ! - exclamou Wood , cheio de entusiasmo , a a mesa de os Gryffindor , enchendo os pratos de os elementos de a sua equipa de ovos mexidos . - Harry , anima te , precisas de um pequeno-almoço decente . Harry tinha estado a olhar para a mesa cheia de alunos de os Gryffindor , perguntando a si próprio se o novo dono de o diário de Riddle estaria ali mesmo em frente de os seus olhos . Hermione insistira para que ele participasse o roubo mas ele não gostou de a ideia . Teria de contar a um professor tudo sobre o diário , e quantas pessoas saberiam o motivo por_que Hagrid fora expulso há cinquenta anos ? Não queria ser ele a fazer com que relembrassem tudo aquilo . Quando saiu de o salão com o Ron e a Hermione para ir buscar o material de Quidditch , outra preocupação viera juntar se a a sua lista cada_vez maior . Tinha acabado de pisar os degraus de a escadaria de mármore quando ouviu de_novo a voz : - * _ Matar desta_vez ... deixem me rasgar ... romper * ... Deu um grito e Ron e Hermione saltaram alarmados . - A voz - disse Harry , olhando por cima de os ombros de eles . - Acabo de a ouvir de_novo , vocês não ouviram nada ? Ron abanou a cabeça de olhos muito abertos Mas_Hermione bateu com a mão em a testa . - Harry , acho que percebi uma coisa . Tenho que ir a a biblioteca . E disparou a correr por as escadas acima . - O que é_que ela percebeu ? - disse Harry distraidamente , ainda a olhar em volta , tentando determinar de onde vinha a voz . - Mas porque teve ela que ir a a biblioteca ? - Porque a Hermione é assim - disse o Ron , encolhendo os ombros - Quando tem uma dúvida , vai a a biblioteca . Harry manteve se hesitante , tentando captar novamente a voz mas as pessoas começavam a sair de o salão , falando alto , passando por a porta principal e encaminhando se para o estádio de Quidditch . - É melhor ires indo - aconselhou Ron . - São quase onze horas , olha o jogo . Harry deu uma corrida até a a torre de os Gryffindor , pegou em a sua Nimbus dois_mil e juntou se a a vasta multidão que enchia os campos , mas o seu pensamento estava ainda em o castelo , em aquela voz sem corpo e quando pôs as roupas vermelhas , o seu único conforto foi pensar que estavam todos lá fora para assistir a o jogo . As equipas entraram em campo a o som de um tumulto de aplausos . Oliver_Wood fez um voo de aquecimento em volta de os postes , Madam_Hooch soltou as bolas . Os Hufflepuff que tinham fatos amarelo-canário estavam reunidos em grupo em uma discussão de última hora sobre as tácticas . Harry subia para a vassoura quando a professora Mc_Gonagall atravessou o campo , meio a andar , meio a correr , transportando um enorme megafone roxo . O coração de Harry caiu lhe a os pés . - Este jogo foi cancelado - gritou por o megafone a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a o estádio apinhado . Ouviram se Uuuus e assobios . Oliver_Wood , com um ar infelicíssimo , aterrou e correu para a professora McGonagall sem sair de a vassoura . - Mas , professora - gritou - temos de jogar ... a taça ... os Gryffindor ... A professora Mc_Gonagall ignorou o e continuou a gritar por o megafone . - Pede se a os estudantes que regressem a as salas comuns de as respectivas equipas onde os chefes de equipa lhes darão mais informações . O mais depressa possível , se fazem favor ! Em seguida , baixou o megafone e fez sinal a o Harry para que se aproximasse . - Potter , é melhor vires comigo ... Perguntando a si próprio que suspeita poderia ela ter contra ele , desta_vez , Harry viu Ron desligar se de a multidão discordante e vir a correr juntar se lhes , enquanto eles se dirigiam para o castelo . Para sua grande surpresa Mc_Gonagall não pôs qualquer objecção . - Sim , talvez seja melhor vires também , Weasley . Alguns de os estudantes que os rodeavam reclamavam por o jogo ter sido cancelado , outros tinham um ar preocupado . Harry e Ron seguiram a professora Mc_Gonagall de volta a a escola e através de a escadaria de pedra . Mas desta_vez não foram levados a nenhum escritório . - Isto vai chocar vos um_pouco - disse a professora Mc_Gonagall em um tom de voz surpreendentemente suave quando estavam a aproximar se de a ala hospitalar . - Houve outro ataque ... outro ataque duplo . As vísceras de o Harry deram um salto mortal . A professora Mc_Gonagall abriu a porta e ele e Ron entraram . Madam_Pomfrey estava inclinada sobre uma rapariga de o quinto ano de cabelos longos a os caracóis que Harry reconheceu como sendo a colega de os Ravenclaw a quem , por engano , tinham perguntado o caminho para a sala comum de os Slytherin . E , em a cama a o lado de ela , estava ... - Hermione - gemeu o Ron . Hermione jazia totalmente quieta , os olhos abertos e vítreos . - Foram encontradas perto de a biblioteca - disse a professora Mc_Gonagall . - Calculo que nenhum de vocês possa explicar isto ? Estava em o chão , junto de ela . A professora tinha em as mãos um pequeno espelho redondo . Harry e Ron acenaram negativamente com as cabeças , ambos com os olhos fixos em Hermione . - Eu acompanho vos a a torre de os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall pesadamente . - De qualquer modo tenho de falar com os alunos . - Os alunos regressarão a as salas comuns de as respectivas equipas , todos_os_dias , a as seis_horas_da_tarde . Nenhum aluno deverá sair de os dormitórios depois de isso . Serão escoltados até a as aulas por um professor . Nenhum aluno deverá ir a a casa_de_banho sem um professor a acompanhá o . Todos os treinos e jogos de Quidditch estão suspensos a_partir_de agora . Não haverá mais actividades nocturnas . Os Gryffindor , que enchiam a sala comum , ouviram em silêncio a professora Mc_Gonagall . Ela enrolou o pergaminho que acabara de ler e disse em uma voz algo chocada : - Não é preciso acrescentar que nunca me senti tão desolada . É provável que a escola seja encerrada se não for apanhado o culpado de todos estes ataques . Quero pedir que se algum de vocês achar que sabe alguma coisa sobre eles venha imediatamente ter comigo . Mal ela subiu , de forma um_pouco desastrada , por o buraco de o retrato , os Gryffindor começaram logo a falar . - São dois Gryffindor a menos , sem contar com o fantasma de os Gryffindor , um Ravenclaw e um Hufflepuff - disse o amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , contando por os dedos . - Não terá nenhum de os professores reparado que os Slytherin estão a salvo ? Será que não é óbvio que tudo_isto vem de eles ? O herdeiro de Slytherin , o monstro de Slytherin , porque não expulsam todos os Slytherin ? - resmungou , recebendo acenos e aplausos de todos os lados . Percy_Weasley estava sentado em uma cadeira atrás_de Lee , mas por uma_vez não pareceu querer expor os seus pontos de vista . Estava pálido e aturdido . - O Percy está em estado de choque - disse o George baixinho a o Harry . - Aquela rapariga de os Ravenclaw , Penelope_Clearwater , é prefeita . Acho que ele nunca tinha pensado que o monstro pudesse atacar um prefeito . Mas Harry não estava a ouvi o com atenção . Não conseguia esquecer a imagem de Hermione deitada em a cama de o hospital , como_se estivesse esculpida em pedra . E se o culpado não fosse apanhado rapidamente tinha em a frente uma vida inteira com os Dursley . Tom_Riddle entregara o Hagrid porque fora confrontado com a possibilidade de um orfanato Muggle se a escola fechasse . Harry sabia exactamente o que ele sentira . - Que vamos nós fazer ? - disse lhe o Ron baixinho a o ouvido . - Achas que eles suspeitam de o Hagrid ? - Temos de falar com ele - disse Harry , tomando uma decisão . - Não acredito que tenha culpa desta_vez , mas se ele libertou o monstro há cinquenta anos , sabe com certeza como entrar em a Câmara_dos_Segredos , o que já é um princípio . - Mas a Gonagall disse que temos que ficar em a torre a_não_ser_que estejamos em as aulas ... - Eu acho - disse Harry ainda mais baixo - que chegou a altura de tirar outra_vez de a mala o manto de o meu pai . Harry herdara apenas uma coisa de o pai : o enorme manto prateado de a invisibilidade . Era a única maneira de poderem esgueirar se de a escola para fazer uma visita a o Hagrid , sem que ninguém de esse por isso . Deitaram se a a hora de o costume , esperaram que o Neville , o Dean e o Seamas adormecessem para se levantarem , vestirem se de_novo e taparem se com o manto . A viagem por os corredores de o castelo escuro e deserto não era nada agradável . Harry que vagueara por ali muitas_vezes durante a noite nunca vira tanta gente depois de o pôr de o Sol . Professores , prefeitos e fantasmas andavam por os corredores a os pares , olhando em volta , em busca de qualquer actividade fora de o habitual . O manto de a invisibilidade não impedia que fizessem barulho e houve um momento particularmente tenso em que o Ron deu uma topada a menos_de um metro de o lugar onde Snape se encontrava . Felizmente Snape espirrou em o preciso momento em que o Ron praguejava . Foi com grande alívio que chegaram a as portas de carvalho de a entrada principal . Estava uma noite clara e cheia de estrelas . Dirigiram se apressadamente para as janelas iluminadas de a casa de Hagrid e só tiraram o manto mesmo em frente de a porta . Poucos segundos depois de terem batido abriu se a porta . Ficaram frente_a_frente com Hagrid que lhes apontou uma besta enquanto Fang , o cão caçador de javalis , ladrava furiosamente atrás de ele . - Oh ! - disse , baixando a arma quando viu que eram eles . - O que estão vocês a fazer aqui ? - Para que é isso ? - perguntou Harry , apontando para a besta , enquanto entrava . - Nada , não é nada - murmurou Hagrid . - Tenho estado a a espera ... não tem importância , sentem se que eu vou fazer um chá . Dava a impressão de não saber o que fazia . Quase apagou a lareira , vertendo a água de a chaleira em o lume e em seguida esmagou o bule com um gesto de a sua mão maciça . - Estás bem , Hagrid ? - perguntou Harry . - Soubeste de a Hermione ? - Soube , sim - disse ele com um leve tremor em a voz . Continuava a olhar nervosamente para as janelas . Deu lhe os duas grandes canecas de água a ferver ( esquecera se de juntar o chá ) e estava a acabar de pôr em um prato uma fatia grossa de bolo de frutas quando alguém bateu energicamente a a porta . Hagrid deixou cair o bolo . Harry e Ron trocaram entre si olhares de pânico e , em seguida , cobriram se com o manto de a invisibilidade e esconderam se em um canto . Hagrid assegurou se de que eles estavam bem escondidos , pegou em a besta e abriu , mais_uma_vez , a porta . - Boa noite , Hagrid . Era_Dumbledore . Entrou com um ar muito sério , seguido de um homem bizarro . O estranho era um homenzinho pequenino , de porte majestoso com cabelos grisalhos desalinhados e uma expressão de ansiedade em o rosto . Usava uma inesperada mistura de roupas . Um fato a as riscas , uma gravata vermelho escarlate , um longo manto negro e umas botas roxas pontiagudas . Debaixo de o braço trazia um chapéu de coco verde lima . -- É o patrão de o meu pai - murmurou o Ron . Cornelius_Fudge , o ministro de a magia ! Harry deu lhe uma valente cotovelada para o fazer calar se . Hagrid tinha ficado suado e pálido . Deixou se cair em uma de as cadeiras e olhava de Dumbledore_para_Cornelius_Fudge . - Más notícias , Hagrid - disse Fudge em um tom bastante grave . - Muito más notícias . Tive de vir . Quatro ataques a filhos de Muggles , as coisas foram longe_de mais . O ministério tem que tomar uma atitude . - Eu nunca ... - disse Hagrid , parecendo implorar a Dumbledore . - O senhor sabe que eu nunca ... professor Dumbledore , o senhor ... - Quero que fique claro , Cornelius , que Hagrid tem a minha total confiança - afirmou Dumbledore , franzindo as sobrancelhas . - Olha , Albus - disse Fudge pouco a a vontade - a ficha de o Hagrid depõe contra ele . O ministério tem de fazer alguma coisa , o Conselho_Directivo de a escola tem se reunido ... - Mesmo_assim , Cornelius , devo dizer te mais_uma_vez que levar o Hagrid de aqui não vai ajudar em nada - afirmou Dumbledore com os olhos azuis com um fogo que Harry nunca vira antes . - Tenta compreender o meu ponto de vista - insistiu Fudge , brincando com o chapéu . - Estou a ser tremendamente pressionado , tenho de mostrar que faço alguma coisa . Se se provar que não foi o Hagrid , ele voltará e não se fala mais em o assunto . Mas tenho de levá o , tem de ser , não estaria a cumprir a minha obrigação se ... - Levar me ? - perguntou Hagrid a tremer . - Levar me para_onde ? - É uma pena curta - disse Fudge , sem o olhar em os olhos . - Não é um castigo , Hagrid , chamemos lhe antes uma precaução . Se mais alguém for apanhado , tu sais com todas_as nossas desculpas . - Não é para Azkaban ? - balbuciou Hagrid . Mas antes que Fudge tivesse tido tempo de responder , ouviu se bater mais_uma_vez a a porta . Dumbledore abriu . Foi a vez de Harry levar uma cotovelada em as costas : soltara um gemido audível . Mr._Lucius_Malfoy entrou em a cabana de o Hagrid embrulhado em uma longa capa preta de viagem , com um sorriso frio de satisfação . O Fang começou a rosnar . - Já está aqui , Fudge ? - disse de forma aprovadora . - Muito bem , muito bem ... - O que estás a fazer aqui ? - perguntou Hagrid furioso . - Sai imediatamente de a minha casa . - Meu bom homem , acredite que não tenho prazer nenhum em entrar em a sua ... er ... chamou lhe casa ? - disse Lucius_Malfoy , sorrindo sarcasticamente enquanto observava a pequena divisão . - Eu limitei me a ir a a escola e disseram me que o director estava aqui . - E o que queres de mim , Lucius ? - perguntou Dumbledore . O seu tom de voz era educado mas em os olhos azuis brilhava ainda o mesmo fogo . - Uma notícia horrível , Dumbledore - disse Mr._Malfoy de forma arrastada , pegando em um grande rolo de pergaminho . - Mas os membros de o conselho pensam que é altura de tu saíres . Isto_é uma ordem de suspensão , tens aí doze assinaturas . Lamento muito mas em a nossa opinião estás a perder a firmeza . Quantos ataques houve até agora ? Mais dois hoje a a tarde , não foi ? A este ritmo vão acabar todos os filhos de Muggles em Hogwarts e todos sabemos que seria uma terrível perda para a escola . - O que é isso , Lucius ? - protestou Fudge com ar alarmado . - O Dumbledore suspenso não ... não , seria a última coisa que desejaríamos em este momento ... - A nomeação ou suspensão , de o director é de a competência de os membros de o Conselho_Directivo , Fudge - disse suavemente Mr._Malfoy . - E como Dumbledore não foi capaz de pôr cobro a estes ataques ... - Oh ! Lucius , se Dumbledore não conseguiu - disse Fudge com o lábio superior a suar . - Quem irá conseguir ? - Isso está para se ver - disse Mr._Malfoy com um sorriso mesquinho . - Mas como os doze votamos ... Hagrid pôs se de pé em um salto , o cabelo preto hirsuto a roçar em o tecto . - E quantos tiveste de chantajar para concordarem contigo , Malfoy ? - Meu caro Hagrid , sabe que esse seu temperamento ainda acaba por lhe criar problemas um dia de estes - disse Mr._Malfoy . - Não o aconselho a gritar assim com os guardas de Azkaban . Eles não iriam gostar nada . - Não podes levar Dumbledore - gritou Hagrid , fazendo Fang , o cão caçador de javalis , agachar se e ganir em o seu cesto . - Sem ele , os filhos de os Muggles não têm qualquer hipótese . A seguir haverá mortes . - Acalma te , Hagrid - disse Dumbledore de forma cortante , olhando para Lucius_Malfoy . - Se os membros de o conselho querem substituir me , eu sairei , claro . - Mas - interrompeu Fudge . - Não - rosnou Hagrid . Dumbledore não tirara os seus olhos azuis brilhantes de os olhos cinzentos e frios de Lucius_Malfoy . - Contudo - disse , pronunciando cada palavra lenta e claramente para que nenhum de eles perdesse o seu sentido - verás que só deixarei verdadeiramente esta escola quando ninguém aqui me for leal . Descobrirás também que será sempre dada ajuda em Hogwarts a quem a pedir . Por um segundo , Harry teve quase a certeza de que os olhos de Dumbledore tremelaziram em direcção a o canto onde ele e Ron estavam escondidos . - Sentimentos admiráveis - disse Malfoy , fazendo uma vénia . - Todos nós vamos sentir a tua ... forma muito pessoal de fazer as coisas , Albus . Só espero que o teu sucessor consiga evitar qualquer ... crime . Dirigiu se a a porta de a cabana , abriu a e fez sinal a Dumbledore para que passasse a a sua frente . Fudge , mexendo nervosamente em o chapéu de coco , esperou que Hagrid fizesse o mesmo mas ele ficou quieto , respirou fundo e disse prudentemente : - Se alguém quiser descobrir alguma coisa , o que tem a fazer é seguir as aranhas . Elas indicarão o caminho , é tudo_o_que vos digo . Fudge olhou para ele espantado . - Está bem , eu vou - disse Hagrid , pegando em o seu sobretudo de pêlo de toupeira . Mas quando ia seguir o Fudge e sair por a porta , parou e disse em voz alta : - E alguém tem de dar de comer a o Fang enquanto eu não estiver cá . A porta fechou se ruidosamente e Ron tirou o manto de a invisibilidade . -- Estamos outra_vez em uma alhada - disse com voz rouca - Sem o Dumbledore podem fechar a escola já esta noite . Sem ele vai haver um ataque por dia . O Fang começou a ganir , arranhando a porta fechada . XV_Aragog_O_Verão insinuava se em os campos em volta de o castelo . O céu e o lago tinham se tornado de um azul-molusco e as flores , grandes como couves , começavam a florir em as estufas . Mas sem o Hagrid , que ele costumava avistar de o castelo , atravessando os campos com o Fang atrás , parecia a Harry que a paisagem não estava completa . Não era melhor dentro de o castelo onde tudo corria horrivelmente mal . O Harry e o Ron tinham tentado visitar a Hermione , mas as visitas a o hospital estavam proibidas . - Não vamos correr mais riscos - disse lhes Madam_Pomfrey com ar severo , através_de uma fresta de a porta de o hospital . Não , lamento , há muitas hipóteses de o atacante voltar para acabar de vez com estas pessoas ... Com Dumbledore longe , o medo espalhara se como nunca acontecera antes , de_tal_modo_que o sol que aquecia as paredes de o castelo por fora parecia parar junto de as janelas de pinázios . Não se via um único rosto em a escola que não andasse tenso e preocupado e qualquer gargalhada , em os corredores , se tornava incómoda e antinatural e era rapidamente abafada . Harry repetia constantemente , de si para consigo , as últimas palavras que ouvira a Dumbledore : - * _ Só terei verdadeiramente deixado esta escola quando ninguém me for leal ... será sempre dada ajuda , em Hogwarts , a quem a pedir * . Qual seria o significado exacto de aquelas palavras ? A quem deveria pedir ajuda quando todos estavam tão confusos assustados como ele ? A alusão de Hagrid a as aranhas era bastante mais fácil de entender . O problema era que parecia não ter restado uma única aranha em o castelo para eles a poderem seguir . Harry procurou por todo o lado com a ajuda relutante de o Ron . As coisas estavam dificultadas por o facto de não poderem andar sozinhos e terem de se deslocar em grupo dentro de o castelo , juntamente com outros Gryffindor . A maior parte de os alunos gostava de ser conduzida como carneiros de uma aula para a outra por os professores mas Harry achava horrível . Havia , contudo , uma pessoa que parecia apreciar aquela atmosfera de terror e suspeitas . Draco_Malfoy passeava empertigado por a escola como_se tivesse sido nomeado para chefe de turma . Harry só compreendeu o motivo de toda aquela boa disposição cerca de quinze_dias depois de Dumbledore e Hagrid se terem ido embora quando , em uma aula de poções , o ouviu falar com o Crabbe e o Goyle . - Sempre achei que seria o pai quem conseguiria livrar nos de o Dumbledore - disse sem a menor preocupação em baixar a voz . - Já vos disse , segundo ele , Dumbledore foi o pior director que a escola alguma vez teve . Talvez agora venha um director decente que não queira a Câmara_dos_Segredos fechada . A Mc_Gonagall não vai durar muito , está só a ... O Snape passou por Harry , sem fazer comentários a o caldeirão e a a cadeira vazia de Hermione . - Professor - disse Malfoy em voz alta . - Professor , porque não se candidata a o lugar de director ? - Ora , ora , Malfoy - respondeu Snape , sem conseguir esconder um meio sorriso . - O professor Dumbledore foi apenas suspenso por os membros de o conselho de direcção , certamente vai voltar um dia de estes . - Sim , claro - disse Malfoy com o seu sorriso escarninho . - Acho que se o professor quisesse candidatar se a o lugar teria o voto de o pai . Eu vou dizer lhe que o acho o melhor professor de a escola . Snape sorriu enquanto passeava de um lado para o outro em o calabouço , não tendo felizmente visto o Seamus_Finnigan que fingia vomitar para dentro de o caldeirão . - Estou espantado por ver que até agora os sangues de lama ainda não fizeram as malas e não desapareceram - prosseguiu Malfoy . - Aposto cinco galeões em como o próximo morre . Pena que não tenha sido a Granger ... A campainha tocou em esse momento o que foi uma sorte porque a o ouvir as últimas palavras de Malfoy , Ron deu um salto , mas em a barafunda de guardar os livros em os sacos , a sua tentativa de agarrar o Malfoy passou despercebida . - Deixem me - gritava o Ron enquanto o Harry e o Dean lhe agarravam os braços . - Não preciso de varinha , vou dar cabo de ele com as minhas mãos ... - Despachem se , tenho de conduzir vos a a aula de herbologia - praguejava o Snape acima de as cabeças de os alunos . E lá foram como cordeirinhos com Harry , Ron e Dean em a retaguarda , o Ron ainda a tentar libertar se . Só acharam seguro largá o quando Snape os deixou fora de o castelo e iniciaram o percurso por o meio de a horta em direcção a as estufas . A aula de herbologia estava reduzida . Tinha agora dois alunos a menos : Justin e Hermione . A professora Sprout pô os a trabalhar , podando as figueiras-da-abissínia . Harry foi despejar uma braçada de hastes secas em um monte de adubo e deu consigo cara a cara com Ernie_Mcmillan . Ernie respirou fundo . - Só quero dizer te , Harry que lamento ter suspeitado de ti . Sei que nunca atacarias a Hermione_Granger e peço te desculpa por todas_as coisas que disse . Estamos todos em o mesmo barco , agora e , bem ... Estendeu lhe uma mão rechonchuda que o Harry apertou . Ernie e a sua amiga Hannah foram trabalhar em a mesma figueira com o Harry e o Ron . - Aquele tipo , Draco_Malfoy - disse Ernie , partindo pequenos galhos - , parece muito satisfeito com isto tudo , não acham ? É bem possível que ele seja o herdeiro de Slytherin . - Uma observação inteligente de a tua parte - disse o Ron que parecia não ter desculpado Ernie tão facilmente como o Harry . - Acham que é ele ? - perguntou Ernie . - Não - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Hannah ficaram a olhar espantados . Um segundo depois , Harry avistou qualquer coisa que o levou a chamar a atenção de o Ron , batendo lhe em a mão com a tesoura de podar . - Au ... o que é_que tu ... ? Harry apontava para o chão , a poucos centímetros de distância . Várias aranhas grandes corriam precipitadamente por a terra fora . - Ah ! sim - disse o Ron , tentando , sem conseguir , mostrar se entusiasmado . - Mas não podemos seguis as agora ... Ernie e Hannah ouviam nos com curiosidade . Harry viu as aranhas desaparecerem . - Parecem ir em a direcção de a floresta proibida ... E o Ron ficou ainda mais infeliz a o ouvir aquilo . Em o final de a aula , o professor Snape acompanhou os alunos a a « Defesa contra as artes negras » . Harry e Ron foram atrás de os outros para poderem conversar sem serem ouvidos . - Temos de usar outra_vez o manto de a invisibilidade - disse Harry a o Ron . - Podemos levar connosco o Fang , ele está habituado a ir a a floresta com o Hagrid , pode ser uma boa ajuda . - Certo - disse o Ron , que fazia girar nervosamente a varinha em os dedos . - Er ... não costuma haver ... não costuma haver lobisomens em a floresta ? - acrescentou enquanto ocupavam os lugares de o costume em a aula de o Lockhart . Preferindo não responder a a pergunta , Harry disse : - Também há lá coisas boas . Os centauros são fixes e os unicórnios . Ron nunca estivera em a floresta proibida , Harry fora lá só uma_vez e desejara não ter de lá voltar . Lockhart deu um salto para dentro de a sala de aula e os alunos ficaram espantados a olhar para ele . Todos os outros professores andavam mais tristes do_que o habitual mas Lockhart parecia sentir se em as nuvens . - Então , então - exclamou , olhando em volta . - Porquê essas caras deprimidas ? Lançaram lhe olhares exasperados mas ninguém respondeu . - Não compreendem - disse , falando devagar como_se fossem todos um_pouco estúpidos - que o perigo já passou ? O culpado foi se embora . -- Quem disse ? - retorquiu Dean_Thomas em voz alta . -- Meu caro jovem , o ministro de a magia não teria levado Hagrid se não estivesse cem por_cento certo de que ele era o culpado - disse Lockhart como quem explica que um e um são dois . - Teria , sim - disse o Ron , em um tom de voz ainda mais alto do_que o de o Dean . - Eu julgo saber um_pouco mais sobre a prisão de o Hagrid do_que o senhor , Mr._Weasley - disse Lockhart com notória auto-satisfação . Ron começou a dizer que discordava mas foi interrompido por o Harry que lhe deu um forte pontapé por debaixo de a mesa . - Nós não estávamos lá , lembras te ? - murmurou . Mas a alegria revoltante de o Lockhart , as insinuações de que sempre tinha achado que o Hagrid não prestava , a sua certeza de que tudo aquilo estava a chegar a o fim , irritou Harry de tal maneira que teve vontade de lhe atirar as * _ Viagens com Vampiros * e de lhe acertar em aquela cara estúpida . Mas , em vez de isso , limitou se a escrevinhar um bilhete para o Ron : * _ Vamos lá hoje a a noite * . Ron leu a mensagem , engoliu em seco e olhou para o lugar onde Hermione costumava sentar se . A cadeira vazia pareceu ajudá o a decidir se e acenou afirmativamente . A sala comum de os Gryffindor estava agora sempre cheia porque , depois de as seis_da_tarde , os Gryffindor não tinham outro lugar para ir . Por outro lado , tinham imenso para conversar , por isso a sala comum mantinha se cheia de gente até depois de a meia-noite . Logo_a_seguir a o jantar , Harry foi buscar o manto de a invisibilidade a a mala onde estava guardado e passou todo o serão a a espera que a sala esvaziasse . O Fred e o George desafiaram o para alguns jogos de explosão e a Ginny sentou se , muito preocupada , a observá os , em a cadeira habitual de Hermione . Harry e Ron fartaram se de perder de propósito em uma tentativa de pôr rapidamente fim a os jogos mas , mesmo_assim , já passava bastante de a meia-noite quando o Fred , o George e a Ginny se foram , finalmente , deitar . Harry e Ron esperaram até ouvir as portas de os dois dormitórios fecharem se . Em seguida , pegaram em o manto , lançaram o sobre ambos e passaram por o buraco de o retrato . Era mais uma difícil travessia de o castelo , tendo de fintar todos os professores . Finalmente , chegaram a o * hall * de entrada , giraram o fecho de as portas de carvalho , esgueiraram se tentando não fazer barulho e aventuraram se nos campos iluminados por o luar . - É claro que - disse bruscamente o Ron , enquanto atravessavam os relvados negros - podemos perfeitamente chegar a a floresta e descobrir que não há nada para seguir . As aranhas podem não ter ido para lá . É certo que parecia que tomavam essa direcção , mas ... Felizmente a lengalenga não durou muito . Chegaram a a casa de o Hagrid que tinha um ar triste com as suas janelas vazias . Logo_que Harry empurrou a porta e a abriu , o Fang saltou , louco de alegria por os ver . Preocupados , não fosse ele acordar toda_a_gente em o castelo com o seu ladrar forte e agitado , deram lhe rapidamente a comer bombons de melaço que estavam em uma lata sobre a lareira e que lhe colaram os dentes de cima a os de baixo . Harry pousou o manto de a invisibilidade sobre a mesa de o Hagrid . Não iam precisar de ele em a floresta escura como breu . - Anda , Fang , vamos dar um passeio - disse Harry , batendo lhe a o de leve em a pata e Fang saiu feliz , a os saltos , atrás de eles . Precipitou se até a a orla de a floresta e levantou a perna contra uma enorme figueira-do-egipto . Harry pegou em a varinha , murmurou * _ Lumus * ! e uma pequenina luz surgiu em a ponta de a varinha , suficiente para lhes mostrar o caminho e ajudá os a descobrir a pista de as aranhas . - Bem pensado - disse o Ron . - Eu acendia também a minha mas , sabes como ela está , ainda estoirava ou qualquer coisa assim ... Harry tocou em o ombro de o Ron , apontando para as ervas . Duas aranhas solitárias fugiam de a luz de a varinha , aproximando se de a sombra de as árvores . - O. _ K. - disse o Ron , resignando se com o pior . - Estou pronto , vamos . Então , com o Fang a correr atrás de eles , cheirando as raízes de as árvores e as folhas , entraram em a floresta . Seguindo a luz de a varinha de o Harry seguiram a fila disciplinada de aranhas que se movia a o longo de o caminho . Andaram durante cerca de vinte minutos , sem falar , atentos a todos os ruídos que não fossem os de os ramos caídos e de as folhas secas . Então , quando as copas de as árvores se tinham tornado mais cerradas do_que nunca , de_tal_modo_que as estrelas em o céu já não eram visíveis e a varinha de o Harry brilhava isolada em um mar de escuridão , viram as aranhas que eles seguiam a abandonar o caminho . Harry parou , tentando ver para_onde iam mas tudo_o_que ficava longe de a sua pequenina luz era negro de breu . Ele nunca fora tão longe em a floresta . Lembrava se muito bem de Hagrid lhe ter dito , de a última vez que ali tinham estado , que nunca saísse de o caminho de a floresta . Mas Hagrid agora estava a muitos quilómetros de distância e ele também lhes dissera que seguissem as aranhas . Uma coisa húmida tocou em a mão de o Harry e ele deu um salto para trás , pisando o pé a o Ron . Mas afinal era apenas o focinho de o Fang . - O que é_que tu achas ? - perguntou ele a o Ron cujos olhos conseguia vislumbrar , reflectindo a luz de a varinha . - Já_que viemos até aqui - disse ele . Seguiram , portanto as sombras velozes de as aranhas em direcção a as árvores . Não podiam agora andar muito depressa . Tinham em a frente raízes de árvores e troncos cortados que mal se viam em aquela escuridão . Harry sentia o bafo quente de Fang em a mão . Por mais de uma_vez tiveram de parar para o Harry se baixar e descobrir as aranhas a a luz de a varinha . Andaram durante o que lhes pareceu ter sido pelo_menos meia_hora , com os mantos a roçarem em os ramos mais baixos e em as silvas . A o fim de algum tempo repararam que o chão parecia inclinar se para baixo embora as árvores continuassem cerradas . Foi então que o Fang soltou um latido que ecoou em volta , fazendo Harry e Ron darem um salto , ambos com os cabelos em pé . - O que foi ? - gritou o Ron , olhando em volta para a escuridão e agarrando Harry com força , por o cotovelo . - Há qualquer coisa ali a mexer se - murmurou Harry - Ouve ... parece ser grande . Ficaram a ouvir . Um_pouco para a direita algo de grandes dimensões partia os ramos enquanto abria caminho através de as árvores . - Oh ! não - disse o Ron . - Oh ! não , não ... - Cala te - insistiu o Harry , nervoso . - Seja o que for , vai acabar por te ouvir . - Ouvir me ? - disse o Ron , em um tom de voz muito pouco natural . - Já ouviu . Fang ! A escuridão parecia esmagar lhes os globos oculares enquanto ali ficaram apavorados , a a espera . Houve um estranho ruído , surdo e prolongado , e em seguida o silêncio . - O que estará a fazer ? - perguntou Harry . - Talvez esteja a preparar se para atacar - disse o Ron . Esperaram , a tremer , sem ousarem mexer se . - Achas que se foi embora ? - murmurou Harry . - Não sei . Em esse momento , de o lado direito veio um clarão de luz tão forte em o meio de o escuro que os dois levaram as mãos a a cara para proteger os olhos . O Fang ganiu e tentou fugir mas viu se envolvido em um emaranhado de espinhos e ganiu ainda mais alto . - Harry - gritou o Ron com grande alívio em a voz . - Harry , é o nosso carro . - O quê ? - Anda ver . Harry avançou a os tropeções atrás de o Ron , em direcção a a luz e em o momento seguinte estavam em uma clareira . O carro de Mr._Weasley ali estava , vazio , no_meio_de um círculo de árvores grossas , sob um telhado de ramos densos , os faróis de a frente resplandecentes . Quando Ron se aproximou de boca aberta , moveu se lentamente em direcção a ele como_se fosse um grande cão azul turquesa , cumprimentando o dono . - Tem estado aqui todo este tempo - disse o Ron satisfeitíssimo , aproximando se de o carro . - Olha para ele , a floresta tornou o selvagem ... O guarda-lamas estava riscado e cheio de lodo . Parecia que tinha andado a passear sozinho por a floresta . Fang não gostou lá muito de ele . Manteve se a o lado de o Harry que podia senti o a tremer . Com a respiração normalizada , Harry guardou a varinha em o manto . - E nós a pensarmos que ele nos ia atacar - disse o Ron , encostando se a o carro e dando lhe duas palmadinhas - As voltas que eu dei a a cabeça a pensar para_onde ele teria ido ! Harry olhava para todos os lados , em o chão iluminado , em busca de mais aranhas mas todas elas tinham fugido de o brilho de as luzes . - Perdemos as de vista - disse ele . - Anda , vamos procurá as . Ron não disse nada . Não se moveu . Tinha os olhos fixos em um ponto , três metros acima de o chão de a floresta , mesmo atrás de o Harry . O seu rosto estava lívido de terror . Harry nem teve tempo de se voltar . Ouviu se um ruído alto e seco e sentiu que alguma coisa longa e peluda o elevava em o ar com o rosto voltado para baixo . Debatendo se , apavorado , ouviu outro estalido e viu as pernas de o Ron serem também levantadas de o chão . Ouviu o Fang gemer e ganir e , em o momento seguinte , era levado para o meio de as árvores escuras . Com a cabeça a balouçar , Harry viu que a coisa que o transportava tinha seis enormes patas peludas e que as duas de a frente o agarravam com forca sob um par de tenazes pretas e brilhantes . Atrás_de si podia ouvir outra de aquelas criaturas que , sem dúvida , transportava o Ron . Encaminhavam se para o coração de a floresta . Harry ouvia o Fang a ladrar , tentando libertar se de um terceiro monstro mas Harry não podia gritar mesmo_que quisesse , parecia que tinha deixado a voz em a clareira , junto com o carro . Não soube quanto tempo esteve em as patas de a criatura , só se apercebeu que a escuridão se atenuara um_pouco , permitindo lhe ver que o chão coberto de folhas estava agora repleto de aranhas . Voltando a cabeça para o lado , deu se conta de que tinham chegado a a base de uma enorme cova , uma cova que fora limpa de árvores para que as estrelas iluminassem com o seu brilho a cena mais pavorosa que os seus olhos alguma vez tinham visto . Aranhas . Não aranhas pequeninas como aquelas que estavam sobre as folhas . Aranhas de o tamanho de enormes cavalos , com oito olhos , oito pernas pretas , peludas , gigantescas . O espécimen que transportava Harry desceu o terreno íngreme até uma teia brumosa em forma de cúpula que ficava mesmo em o meio de a cova , enquanto os companheiros se juntavam em volta , batendo excitadíssimos com as tenazes e olhando para o que eles traziam a as costas . Harry caiu em o chão de gatas quando a aranha o libertou . Ron e Fang foram cair perto de ele . O Fang já não gania . Estava agachado e muito quieto . Ron e Harry partilhavam o mesmo sentimento . O Ron tinha a boca aberta em uma espécie de grito silencioso e os olhos a saltarem lhe de as órbitas . Harry percebeu de repente que a aranha que o deitara a o chão estava a dizer qualquer coisa . Era difícil entender porque entre cada duas palavras , batia com as tenazes . - Aragog - chamou . - Aragog . E de o meio de a teia brumosa em forma de cúpula saiu muito lentamente uma aranha de o tamanho de um pequeno elefante . As costas e as pernas estavam cobertas de pêlo cinzento e , em a cabeça feia , munida de tenazes , estavam vários olhos , todos eles de um branco leitoso . Era cega . - O que foi ? - disse , batendo rapidamente com as tenazes uma em a outra . - Homens - respondeu a aranha que trouxera o Harry . - É o Hagrid ? - perguntou Aragog , aproximando se mais com os seus oito olhos leitosos a vaguear . - Estranhos - respondeu a aranha que trouxera o Ron . - Matem nos - disse Aragog , irritada . - Eu estava a dormir ... - Nós somos amigos de o Hagrid - gritou Harry . Parecia que o coração lhe saltava por a boca . Clic , clic , clic fizeram as tenazes de a aranha , em volta de a cova . Aragog parou . - O Hagrid nunca mandou homens a a nossa cova - disse lentamente . - O Hagrid está em perigo - explicou Harry , respirando muito depressa . - Foi por isso que eu vim . - Em perigo ? - repetiu a aranha idosa e pareceu a Harry sentir preocupação por detrás de as suas tenazes . - Mas porque vos mandou ele cá ? Harry pensou pôr se de pé mas achou melhor não arriscar . As pernas provavelmente não teriam força para o sustentar . Falou portanto de o chão , o mais calmamente que foi capaz . - Eles lá em a escola pensam que o Hagrid soltou qualquer coisa contra os estudantes . Mandaram o para Azkaban . Aragog bateu furiosamente com as tenazes e , em toda_a cova , o eco foi reproduzido por uma multidão de aranhas . Era uma espécie de aplauso com uma única diferença : os aplausos não costumavam fazer o Harry quase morrer de medo . - Mas isso foi há muitos anos - disse Aragog , maldisposta . - Há anos e anos . Lembro me muito bem . Foi por isso que o expulsaram de a escola . Eles pensaram que eu era o monstro que vive em aquilo a que eles chamam a Câmara_dos_Segredos . Pensaram que o Hagrid a tinha aberto para me libertar . - E tu ... não vieste de a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Harry que sentia a testa cheia de suores frios . - Eu - disse Aragog , batendo irritada com as tenazes - , eu não nasci em o castelo . Venho de uma terra distante . Um viajante ofereceu me a o Hagrid quando eu era ainda um ovo . Hagrid era um rapazinho mas tratou de mim , escondeu me em uma despensa dentro de o castelo e alimentava me com as migalhas que ficavam em as mesas . Hagrid é o meu bom amigo e um bom homem . Quando me encontraram e me culparam por a morte de uma rapariga , ele protegeu me . Desde_então , tenho vivido aqui em a floresta onde o Hagrid ainda vem visitar me . Ele até me arranjou uma esposa , Mosag , e estão a ver como a família cresceu , tudo graças a a bondade de o Hagrid ... Harry reuniu a coragem que lhe restava . - Então tu nunca atacaste ninguém ? - Nunca - resmungou a velha aranha . - Era esse o meu instinto , mas por respeito a Hagrid nunca fiz mal a nenhum humano . O corpo de a rapariga morta foi encontrado em uma casa_de_banho , ora eu nunca conheci mais do_que despensa de o castelo , onde cresci . Nós gostamos de o escuro de o silêncio . - Mas então ... sabes o que matou essa rapariga ? - perguntou Harry . - Porque seja o que for , está a atacar as pessoas outra_vez ... As suas palavras foram abafadas por uma audível explosão de tenazes a bater e por o ruge-ruge de muitas pernas longas , deslocando se iradas . Em volta de Harry começaram a mover se sombras escuras . - O que vive em o castelo - disse Aragog - é uma antiga criatura que nós , aranhas , tememos acima_de todas_as outras . Lembro me bem de o quanto insisti com Hagrid para que me deixasse sair de ali quando senti a criatura a andar por a escola . - O que é ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Mais tenazes a bater , mais pernas a moverem se . As aranhas pareciam estar a aproximar se . - Nós não falamos de isso - exclamou Aragog furiosa . - Não pronunciamos o seu nome . Eu nunca disse a o Hagrid o nome de a horrível criatura , apesar_de ele me ter perguntado vezes sem conta . Harry não quis insistir , principalmente com todas aquelas aranhas a aproximarem se de todos os lados . Aragog parecia ter se cansado de falar . Recuava lentamente para a teia em forma de cúpula , mas as companheiras continuavam a aproximar se ameaçadoramente de Harry e Ron . - Vamos embora , então - gritou Harry , desesperadamente a Aragog , enquanto ouvia as folhas secas a estalarem atrás_de si . - Embora ? - disse Aragog lentamente . - Não me parece ... - Mas , mas ... - Os meus filhos e filhas não fazem mal a o Hagrid por ordem minha . Mas não posso negar lhes carne fresca quando ela veio por vontade própria ter connosco . Adeus , amigo de o Hagrid . Harry deu meia volta . Poucos centímetros acima de ele , uma sólida parede de aranhas batia com as tenazes , os seus muitos olhos a brilharem em as horríveis caras pretas . Mesmo_que se servisse de a varinha , Harry sabia que não ia valer de nada . As aranhas eram demasiadas , mas quando tentava preparar se para morrer a lutar , ouviu se um som prolongado e um clarão de luz iluminou a cova . O carro de Mr._Weasley ribombava , descendo o declive , com os faróis acesos , a buzina a guinchar , afastando as aranhas . Muitas de elas ficaram voltadas ao_contrário com as várias pernas a agitar se em o ar . O carro buzinou com mais força em frente de Harry e Ron e as portas abriram se . - Agarra o Fang - gritou Harry , ajeitando se em o lugar de a frente . Ron agarrou o cão caçador de javalis e lançou o a ganir para o banco de trás . As portas fecharam se com estrondo . Ron não tocou em o acelerador mas o carro não precisou de isso . O motor fez se ouvir e levantaram voo , batendo em mais aranhas . Subiram o declive , saindo de a cova e pouco depois atravessavam a floresta , os ramos a baterem em os vidros enquanto o carro seguia habilmente através de os intervalos maiores , por um caminho que obviamente já conhecia . Harry olhou para o Ron , a o seu lado . Ele tinha ainda a boca aberta em o mesmo grito silencioso mas os olhos já não estavam salientes . - Estás bem ? Ron olhou em frente , incapaz de responder . Começavam a descer para terra firme com o Fang a soltar enormes ganidos em o banco de trás e Harry viu o espelho retrovisor saltar quando passaram rente a um enorme carvalho . Após dez minutos bastante ruidosos , as árvores começaram a ser mais finas e Harry pôde ver de_novo pedaços de o céu . O carro parou tão bruscamente que quase foram projectados por o vidro de a frente . Tinham chegado a a orla de a floresta . O Fang ia agitadíssimo a a janela e quando Harry abriu a porta , disparou a correr através de as árvores até a a casa de o Hagrid , de cauda entre as pernas . Harry saiu também e um minuto depois o Ron pareceu recuperar a força em os membros e seguiu o , ainda com um torcicolo e de olhos esbugalhados . Harry deu uma palmadinha de agradecimento a o carro antes de ele dar a volta e desaparecer em direcção a a floresta . Harry voltou a a cabana de o Hagrid para buscar o manto de a invisibilidade . O Fang tremia em o seu cesto , coberto por um cobertor . Quando saiu de_novo , viu o Ron a vomitar junto de as abóboras . - Sigam as aranhas - disse ele debilmente , limpando a boca a a manga . - Nunca vou perdoar a o Hagrid . É uma sorte ainda estarmos vivos . - Aposto que ele pensou que Aragog nunca faria mal a os seus amigos - justificou Harry . - Esse é justamente o problema de o Hagrid - interrompeu Ron , dando um soco em a parede de a cabana . - Ele acha sempre_que os monstros não são tão maus como os pintam e vê onde isso o levou , a uma cela em Azkaban - tremia agora descontroladamente . - Qual a ideia de ele a o mandar nos ali ? Gostava de saber o que é_que descobrimos . - Que o Hagrid nunca abriu a Câmara_dos_Segredos - disse Harry , lançando o manto sobre Ron e tocando lhe em o braço para o encorajar a andar . - Ele estava inocente . Ron resmungou em voz alta . Para ele , chocar Aragog em uma despensa não era propriamente estar inocente . Quando se aproximaram de o castelo , Harry esticou o manto para garantir que os pés de ambos ficavam cobertos . Em seguida , empurrou as portas de a frente que chiaram . Atravessaram com todo o cuidado o * hall * de entrada e subiram a escadaria de mármore , contendo a respiração em os corredores guardados por sentinelas atentos . Por fim , chegaram a a segurança de a sala de os Gryffindor onde o lume ardera até se transformar em brasas brilhantes . Tiraram o manto e subiram a escada serpenteante que os levava a o dormitório . Ron caiu em a cama sem sequer se despir mas Harry , apesar_de tudo , não tinha sono . Sentou se em a beirinha de a cama , pensando em todas_as coisas que Aragog dissera . A criatura que andava por o castelo , pensou , era uma espécie de monstro Voldemort , nem os outros monstros queriam pronunciar o seu nome . Mas ele e o Ron não estavam agora mais perto_de descobrir o que era nem como petrificava as suas vítimas . Se nem o Hagrid chegara a saber o que estava em a Câmara_dos_Segredos ... Harry balançou as pernas e atirou se para_cima de a cama . Encostado a as almofadas olhou a Lua que brilhava através de a janela de a torre . Não sabia que mais poderiam fazer . Só tinham encontrado portas fechadas . Riddle apanhara a pessoa errada . O herdeiro de Slytherin fugira e ninguém sabia se era a mesma pessoa ou uma outra que abrira , desta_vez , a Câmara_dos_Segredos . Não havia mais ninguém a quem fazer perguntas . Harry deitou se ainda a pensar em as palavras de Aragog . Estava a começar a ficar com sono quando aquilo que parecia ser uma última esperança lhe ocorreu , fazendo o sentar se muito direito em a cama . - Ron - sussurrou em o escuro . - Ron . Ron acordou com um ganido como os de o Fang . Olhou muito assustado em volta e viu o Harry . - Ron , a rapariga que morreu . Aragog contou nos que ela foi encontrada em uma casa_de_banho - disse , ignorando os roncos de o Neville em o outro canto de o quarto . - E se ela nunca tivesse saído de a casa_de_banho ? E se ainda lá estiver ? Ron esfregou os olhos , franzindo as sobrancelhas sob a luz de a Lua . E só então compreendeu . -- Não pensar que ... a Murta_Queixosa ? XVI_A_Câmara_dos_Segredos -- E estivemos nós tantas vezes em aquela casa_de_banho com ela apenas a três cubículos de distância - disse o Ron amargamente em o dia seguinte , a a mesa de o pequeno-almoço . - Podíamos ter lhe perguntado e agora ... Já fora bastante difícil procurar as aranhas . Escapar a os professores o tempo suficiente para ir até a a casa_de_banho de as raparigas , que ficava mesmo em frente de o lugar onde ocorrera o primeiro ataque , ia ser quase impossível . Mas alguma coisa aconteceu que fez com que a Câmara_dos_Segredos desaparecesse de os seus pensamentos pela_primeira_vez em várias semanas . A professora Mc_Gonagall comunicou lhes que os exames começariam a 1_de_Junho , uma semana depois . - Exames ? - gritou Seamus_Finnigan . - Nós mesmo_assim vamos ter exames ? Ouviu se um estrondo atrás de o Harry quando a varinha de o Neville_Longbottom lhe escapou de a mão , fazendo desaparecer uma de as pernas de a secretária . A professora Mc_Gonagall repô a com a sua varinha e voltou se com má cara para o Seamus . - Se temos a escola aberta em uma altura de estas é para vocês receberem instrução - disse com dureza . - Os exames terão lugar , portanto , como é costume e espero que todos vocês façam revisões até lá . Revisões . Não passara por a cabeça de o Harry que houvesse exames com o castelo em aquele estado . Houve uma série de murmúrios revoltados , o que fez com que a professora Mc_Gonagall ficasse ainda mais mal-humorada . - As instruções de o professor Dumbledore foram para manter a escola a funcionar o mais normalmente possível - disse . - E isso , não preciso de vos dizer , passa por uma avaliação de o quanto vocês aprenderam a o longo de este ano . Harry olhou para baixo , para o casal de coelhos brancos que ele deveria transformar em pantufas . Que tinha ele aprendido durante o ano ? Não era capaz de se lembrar de nada que fosse útil em um exame . Ron estava como_se tivessem acabado de lhe dizer que a partir de aquele momento tinha de ir viver para a floresta proibida . - Estás a ver me a ter exames com isto tudo ? - perguntou a o Harry enquanto pegava em a varinha que tinha começado a assobiar bastante alto . Três dias antes de o primeiro exame , a a hora de o pequeno almoço , a professora Mc_Gonagall fez outra comunicação . - Tenho boas notícias - disse , e o salão em_vez_de se calar , explodiu de contentamento . - Dumbledore vai regressar ! - gritaram várias pessoas cheias de alegria . - Apanharam o herdeiro de Slytherin - arriscou uma rapariga em a mesa de os Ravenclaw . - Temos outra_vez os jogos de Quidditch - bradou Wood , excitadíssimo . Quando a agitação passou , Mc_Gonagall disse : - A professora Sprout informou me que as mandrágoras estão finalmente prontas para serem cortadas . Hoje a a noite vamos poder reanimar as pessoas que foram petrificadas . Escusado será dizer que certamente uma de elas poderá revelar nos quem ou o que a atacou . Eu tenho esperança que este ano pavoroso acabe com a prisão de o culpado . Houve uma explosão de aplausos . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e não ficou nada surpreendido a o ver que Draco_Malfoy não aplaudia . O Ron , por outro lado , estava satisfeito como ninguém o via havia dias . - Não faz mal não termos perguntado a a Murta . A Hermione vai , com certeza , ter todas_as respostas quando acordarem . Vai também ficar fula quando souber que temos exames dentro_de três dias . Ela não pôde fazer revisões . Seria melhor deixarem a estar onde está até a o final de os exames . Nessa_altura , Ginny_Weasley veio sentar se junto de o Ron . Parecia nervosa e tensa e Harry reparou que torcia as mãos em o colo . - O que se passa ? - perguntou o Ron , servindo se de mais papa de aveia . Ginny não disse nada mas olhou para um lado e para o outro de a mesa de os Gryffindor , com um olhar assustado que lembrou a Harry alguém que não sabia bem quem era . - Vá lá , vomita - disse o Ron , olhando para ela . Harry percebeu subitamente quem a Ginny lhe lembrara . Ela balançava se ligeiramente para a frente e para trás em a cadeira , exactamente como o Dobby fazia quando estava hesitante , à_beira_de revelar uma informação proibida . - Tenho de te dizer uma coisa - balbuciou a Ginny receosa , sem olhar para Harry . - O que é ? - perguntou ele . Ginny parecia incapaz de encontrar as palavras certas . - O quê ? - insistiu Ron . Ginny abriu a boca mas não saiu nenhum som . Harry inclinou se para a frente e falou devagar para que só ela e Ron pudessem ouvi o . - É alguma coisa relacionada com a Câmara_dos_Segredos ? Viste alguma coisa ou alguém a agir de forma estranha ? Ginny respirou fundo e , em esse preciso momento , apareceu Percy_Weasley com um ar pálido e cansado . - Se já acabaste de comer eu fico com esse lugar , Ginny . Estou cheio de fome . Acabei agora o meu trabalho de patrulhamento . Ginny deu um salto como_se a cadeira tivesse acabado de ser electrificada , lançou a o Percy um olhar assustado e zarpou . Percy sentou se e tirou uma caneca de o meio de a mesa . -- Percy - disse o Ron aborrecido . - Ela ia agora mesmo contar nos uma coisa importante . A meio de um gole de chá , Percy estremeceu . - Que coisa ? - perguntou , tossindo . - Eu quis saber se ela tinha visto alguma coisa estranha e ela ia dizer ... - Ah ! isso ... não tem nada que ver com a Câmara_dos_Segredos - disse o Percy de imediato . - Como sabes ? - indagou o Ron , erguendo as sobrancelhas . - Bem ... er ... já_que perguntam , a Ginny ... er ... passou por mim em outro dia quando eu ... er ... não foi nada , o importante é_que ela viu me fazer uma coisa e eu ... um ... pedi lhe para não comentar com ninguém . Não pensei que ela cumprisse a palavra , verdade se diga . Não é nada importante , eu só ... Harry nunca vira o Percy tão pouco a a vontade . - O que estavas a fazer , Percy ? - riu se o Ron . - Vá lá , conta que nós não nos rimos . Percy ficou sério . - Passa me esses pãezinhos , Harry , estou cheio de fome . Harry sabia que todo o mistério poderia ser desvendado em o dia seguinte sem a ajuda de eles mas não ia deixar de falar com a Murta_Queixosa se a oportunidade surgisse . E , para sua grande satisfação , ela surgiu a meio de a manhã quando eram conduzidos a a aula de História_da_Magia_por_Gilderoy_Lockhart . Lockhart , que tantas vezes lhes assegurara que o perigo tinha passado , estava agora totalmente convencido de que acompanhar os alunos em os corredores era um trabalho inútil . O seu cabelo estava mais liso do_que de costume . Parecia ter passado toda_a noite acordado a vigiar o quarto andar . - Podem escrever o que eu digo - afirmou , acompanhando os até uma esquina . - As primeiras palavras que vão sair de a boca de aquelas pobres pessoas petrificadas serão - * _ Foi_o_Hagrid * . Francamente , estou espantado por a professora Mc_Gonagall considerar ainda necessárias estas medidas de segurança . - Concordo , professor - disse Harry , fazendo com que Ron , surpreendido , deixasse cair os livros a o chão . - Obrigado , Harry - disse Lockhart amavelmente , enquanto deixavam passar uma grande fila de Hufflepuffs . - verdade é_que os professores já têm bastante que fazer para andarem também a acompanhar os alunos a as aulas e a guardar os corredores a a noite ... - É verdade - disse o Ron , percebendo a ideia . - Porque não nos deixa aqui , professor , só falta mais um corredor . - Sabes , Weasley , sou mesmo capaz de fazer isso - disse Lockhart . - Preciso de preparar a minha próxima aula . E apressou se a seguir o seu caminho . - Preparar a aula - zombou o Ron . - Vai encaracolar o cabelo , é o mais certo . Deixaram os restantes Gryffindor passar lhes a a frente e por fim cortaram caminho em um corredor lateral e dirigiram se a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mas quando estavam a congratular se por o seu esquema brilhante ... - Potter , Weasley ! Que estão vocês a fazer aqui ? Era a professora Mc_Gonagall e a boca de ela estava mais fina do_que nunca . - Nós estávamos , estávamos - gaguejou o Ron . - Nós íamos ver , íamos ver ... - Hermione - completou Harry . A professora Mc_Gonagall e Ron olharam para ele . - Não a vemos há séculos , professora - prosseguiu Harry , pisando o pé a o Ron . - E pensamos ir espreitá a a a ala hospitalar e dizer lhe que as mandrágoras estão quase prontas , para ela não se preocupar . A professora Mc_Gonagall estava ainda a olhar para ele e , por um momento , Harry pensou que ela ia explodir mas , quando falou , fê lo em um tom de voz estranhamente rouco . - É claro - disse . E Harry , espantado , viu uma lágrima a brilhar lhe em o canto de um de os olhos . - É claro . Eu compreendo que tudo_isto tem sido muito duro para os amigos de aqueles que foram ... eu compreendo , sim , Potter . Podem ir visitar Miss_Granger . Eu mesma informarei o professor Binns de que vocês estão em o hospital . Digam a Madam_Pomfrey que vos dei autorização . Harry e Ron afastaram se , quase sem acreditar que tinham escapado a um castigo . Quando voltaram em uma esquina ouviram nitidamente a professora Mc_Gonagall a assoar se . - Esta - disse o Ron entusiasmado - foi a melhor história que tu alguma vez inventaste . Não tinham outro remédio senão ir a a ala hospitalar e dizer a Madam_Pomfrey que tinham autorização de a professora Mc_Gonagall para visitar Hermione . Madam_Pomfrey deixou os entrar com alguma relutância . - Não vale a pena falar com uma pessoa petrificada - disse , e ambos tiveram que admitir que ela tinha razão quando se sentaram junto de Hermione e constataram que ela não tinha a menor noção de estar acompanhada . Dizer lhe que não se preocupasse ou falar com o armário que estava a o lado de a cama era exactamente a mesma coisa . - Será que ela viu quem a atacou ? - perguntou o Ron , olhando com tristeza para o rosto rígido de Hermione . - Porque se a coisa saltou sobre eles , ficaremos todos sem saber de nada . Mas Harry não olhava para o rosto de Hermione . Estava mais interessado em a sua mão direita que se encontrava pousada sobre os cobertores e , inclinando se para ela , viu que tinha , fechado entre os dedos , um pedaço de papel . Assegurando se de que Madam_Pomfrey não dava por nada , fez sinal a o Ron . - Tenta tirá o - murmurou ele , colocando a cadeira de_modo_a que Madam_Pomfrey não pudesse ver o Harry . Não foi tarefa fácil . A mão de a Hermione estava fechada com uma força tal que Harry receou parti a . Enquanto Ron vigiava , ele forçou e torceu até que , por fim , depois de vários minutos bastante tensos , conseguiu tirar o papel . Era uma página retirada de um livro muito antigo de a biblioteca . Harry alisou a ansiosamente e Ron inclinou se para poder lês a também . * _ De todos os monstros assustadores que pairam a a face de a Terra , nenhum é tão curioso nem tão fatal como o Basilisk , também conhecido por o rei de as serpentes . Esta cobra que pode atingir proporções gigantescas e viver durante muitas centenas de anos nasce de um ovo de galinha que é chocado por um sapo . As suas formas de matar são pavorosas pois além de os dentes venenosos e mortais , o Basilisk tem um olhar criminoso e todos aqueles que ele fixa com os olhos tem morte instantânea . As aranhas fogem a sete pés de o Basilisk que é seu inimigo mortal , e o Basilisk foge apenas de o canto de o galo que para ele é fatal * . Por debaixo de isto uma única palavra fora escrita , em a letra que Harry reconheceu como sendo de Hermione : Canos . Foi como_se se tivesse acendido uma luz em o seu espírito . - Ron - murmurou - é isso . Está aqui a resposta . O monstro de a Câmara_dos_Segredos é um Basilisk , uma serpente gigante . Por isso , só eu tenho ouvido a sua voz em todos os lugares , porque eu compreendo * serpentês * ... Harry olhou para as camas em volta . - O Basilisk mata as pessoas fixando as com o olhar mas ninguém morreu , o que quer_dizer que ninguém o olhou directamente em os olhos . Colin viu o através de a lente de a máquina fotográfica e o Basilisk queimou o rolo que estava lá dentro mas o Colin ficou apenas petrificado . O Justin ... o Justin deve ter visto o Basilisk através de o Nick quase sem cabeça . O Nick é_que levou com o olhar mas não podia morrer outra_vez ... e perto de a Hermione e de a prefeita de os Ravenclaw foi encontrado um espelho . Hermione acabara de compreender que o monstro era um Basilisk . Aposto que preveniu a primeira pessoa que encontrou de que era melhor olhar por um espelho a o virar de cada esquina . E aquela rapariga puxou de o seu espelho e ... O Ron estava de queixo caído . - E Mrs._Norris ? - perguntou vivamente . Harry pensou um_pouco , tentando imaginar a cena em a noite de o Halloween . - A água . . . - disse lentamente . - A poça de água que saiu de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Aposto que Mrs._Norris só viu o reflexo de o monstro . Examinou a folha de papel que tinha em a mão . Quanto_mais olhava mais sentido faziam as coisas . - * _ O cantar de o galo é fatal para ele * - leu em voz alta . - Os galos de o Hagrid foram mortos . O herdeiro de Slytherin não queria um único galo perto de o castelo , com a câmara aberta . * _ As aranhas são as primeiras a fugir * . Tudo encaixa . - Mas , como tem o Basilisk andado por aí ? - disse o Ron . - Uma serpente horrível e enorme ... alguém a teria visto . Mas Harry apontou para a palavra que Hermione escrevinhara em o final de a página . - Canos - disse . - Canos ... Ron , ele tem usado a canalização . Eu ouvi sempre a voz dentro de as paredes ... Ron agarrou subitamente o braço de o Harry . - A entrada para a Câmara_dos_Segredos - disse em uma voz rouca . - E se for em uma casa_de_banho ? Se for em a ... - Em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa - completou Harry . Sentaram se , tomados de uma excitação enorme , mal querendo acreditar . - Isso significa que - disse o Harry - eu não posso ser o único em a escola a falar * serpentês * . Há também o herdeiro de Slytherin . É de esse modo que tem controlado o Basilisk . - O que vamos fazer ? - perguntou Ron com os olhos a faiscar . - Vamos falar com a Mc_Gonagall ? - Vamos até a a sala de os professores - disse Harry , dando um salto . - Ela estará lá dentro_de dez minutos , está quase em o intervalo . Desceram a escada a correr . Não querendo ser descobertos outra_vez a vaguear por os corredores foram directamente até a a sala de os professores que estava deserta . Era uma divisão ampla , toda forrada , com cadeiras de madeira escura . Harry e Ron passearam de um lado para o outro , demasiado nervosos para se sentarem . Mas a campainha anunciando o intervalo nunca mais tocava . Em vez de isso , ecoando em os corredores , ouviram a voz de a professora Mc_Gonagall incrivelmente ampliada . - * _ Todos os alunos devem regressar de imediato a os seus dormitórios . Todos os professores a a sala de professores . Imediatamente , por favor * . Harry deu meia volta e olhou para o Ron . - Não me digas que houve um novo ataque , não agora ! - Que vamos fazer ? - disse o Ron aterrado . - Voltar para o dormitório ? - Não - disse Harry , olhando e m volta . Havia uma espécie de armário a a sua esquerda cheio com os mantos de os professores . - Ali . Vamos ouvir o que se passa . A seguir poderemos contar lhes o que descobrimos . Esconderam se dentro de o armário , ouvindo a algazarra de centenas de pessoas e a porta de a sala de professores a abrir se . De o meio de a confusão de mantos bafientos , viram os professores encherem a sala . Alguns tinham um ar totalmente confuso , outros pareciam apavorados . Por fim , chegou a professora Mc_Gonagall . - Aconteceu - disse em o silêncio de a sala de professores . - O monstro levou uma aluna . Levou a mesmo para a câmara . O professor Flitwick soltou um grito agudo . A professora Sprout bateu com a mão em a boca . Snape agarrou com força as costas de uma cadeira e perguntou : - Como pode ter tanta certeza ? - O herdeiro de Slytherin - disse a professora Mc_Gonagall , muito pálida . - Deixou outra mensagem . Mesmo por baixo de a primeira : « * _ O esqueleto de ela ficará para sempre em a Câmara_dos_Segredos * . » O professor Flitwick desatou a chorar . - Quem é ela ? - quis saber Madam_Hooch que se afundara em uma cadeira . - Quem é a aluna ? - Ginny_Weasley - disse a professora Mc_Gonagall . Harry viu o Ron , a o seu lado , escorregar silenciosamente até a o chão de o armário . - Vamos ter que mandar todos os alunos embora amanhã - disse a professora Mc_Gonagall . Isto_é o fim de Hogwarts , Dumbledore sempre disse ... A porta de a sala de os professores voltou a abrir se . Por um breve momento , Harry pensou que fosse Dumbledore mas era Lockhart e vinha todo sorridente . - Peço desculpa , adormeci . Perdi alguma coisa ? Não pareceu reparar que os outros professores o olhavam com uma espécie de aversão . Snape deu um passo em frente . - O homem que faltava - disse . - O homem certo . O monstro raptou uma garota , Lockhart levou a para a Câmara_dos_Segredos . O seu momento chegou . - Isso mesmo , Lockhart - acrescentou a professora Sprout . - Não estavas a dizer ontem a a noite que sempre tinhas sabido onde era a entrada para a Câmara_dos_Segredos ? - Eu ... bem ... eu-disse atabalhoadamente Lockhart . - Sim , não me disseste que sabias exactamente o que estava lá dentro ? - disse com voz esganiçada o professor Flitwick . - Eu disse ? Não me lembro ... - Lembro me perfeitamente de o ouvir dizer que lamentava não ter feito uma tentativa com o monstro antes de o Hagrid ser preso - disse Snape . - Não disse que toda_a história tinha sido uma atrapalhação e que deveriam ter lhe dado carta branca desde o princípio ? Lockhart olhou em volta para a cara de espanto de os colegas . - Eu ... nunca ... eu de facto ... deve ter me compreendido mal . - Então vamos deixar te , Gilderoy - disse a professora Mc_Gonagall . - Esta noite será uma excelente oportunidade para actuares . Nós trataremos de assegurar que ninguém te atrapalha . Vais poder enfrentar o monstro sozinho . Finalmente tens carta branca . Lockhart olhou desesperado a a sua volta mas ninguém foi salvá o . Já não estava bem-parecido . O lábio tremia lhe e a ausência de o seu habitual sorriso de dentes brancos dava lhe um ar escanzelado . - M-muito bem - disse . - Vou até a o meu escritório para ... para me preparar . E saiu de a sala . - _ óptimo - exclamou a professora Mc_Gonagall com as narinas dilatadas . - Isto deve afastá o de o nosso caminho . Os chefes de casa devem ir agora comunicar a os respectivos alunos o que se passou e informá os de que o Expresso_de_Hogwarts os levará a casa amanhã de manhã . Os restantes certifiquem se , por favor , de que não há alunos fora de os dormitórios . Os professores levantaram se e saíram um a um . Foi talvez o dia pior de a vida de o Harry . Ele , Ron , Fred e George sentaram se juntos a um canto em a sala comum de os Gryffindor , incapazes de proferir uma palavra . Percy não estava lá . Tinha ido tratar de enviar uma coruja a Mr. e Mrs._Weasley e , em seguida , fechara se em o dormitório . Nunca uma tarde custara tanto a passar e nunca a torre de os Gryfffindor estivera tão cheia de gente e tão silenciosa . Fred e George foram para a cama quase a o pôr de o Sol , incapazes de ficar ali mais tempo . - Ela sabia qualquer coisa , Harry - disse o Ron , falando pela_primeira_vez desde_que tinham saído de o armário de a sala de os professores . - Por isso a levaram . Não era nenhuma parvoíce sobre o Percy , ela tinha descoberto qualquer coisa sobre a Câmara_dos_Segredos . Com certeza por isso é_que a ... - Ron esfregou os olhos , enervadíssimo . - Afinal ela era sangue puro , não pode haver outra explicação . Harry olhava para o sol que mergulhava de um vermelho cor de sangue em a linha de o horizonte . Era a pior coisa que lhe tinha acontecido . Se pelo_menos pudessem fazer alguma coisa . - Harry - disse o Ron . - Achas que há alguma possibilidade de ela não estar ... ? Sabes o que eu quero dizer . Harry não sabia que resposta dar . Não acreditava que a Ginny pudesse ainda estar viva . - Sabes uma coisa ? - disse o Ron . - Acho que devíamos ir ter com o Lockhart , contar lhe o que sabemos . Ele vai tentar entrar em a câmara , podemos dizer lhe onde achamos que fica a entrada e contar lhe que o monstro é um Basilisk . Como Harry não tinha nenhuma ideia melhor e como queria fazer alguma coisa , concordou . Os Gryffindor que os rodeavam estavam tão tristes e com tanta pena de os Weasley que ninguém tentou impedi os quando os viram levantar se , atravessar a sala e sair por o buraco de o retrato . A escuridão começava a instalar se quando chegaram a o escritório de Lockhart onde a actividade era muita . De o corredor ouvia se o ruído de coisas a serem deitadas fora , pancadas surdas e passos apressados . Harry bateu a a porta e houve um silêncio repentino . Em seguida abriu se uma fresta de a porta e viram um de os olhos de Lockhart a espreitar . - Oh ! ... Mr._Potter ... Mr._Weasley - disse entreabrindo a porta . - Estou um_pouco ocupado em este momento , se forem rápidos ... - Professor , nós temos informações para lhe dar - disse o Harry . - Acho que poderão ajudá o . - Er ... bem ... não é - o lado de a cara de Lockhart que conseguiam ver parecia muito pouco a a vontade . - Quer_dizer ... bem ... está bem . Abriu a porta e eles entraram . O escritório estava praticamente vazio . Em o chão estavam duas grandes malas abertas . Mantos verde-jade , lilás , azul-noite tinham sido apressadamente dobrados e guardados dentro_de uma de as malas . Os livros misturavam se todos dentro de a outra . As fotografias que antes cobriam as paredes estavam agora arrumadas em caixas , em cima de a secretária . - Vai a algum lado ? - perguntou Harry . - Er ... bem ... sim - disse Lockhart , arrancando de a porta um poster seu em tamanho natural , enquanto falava , e começando a enrolá o . - Uma chamada urgente ... inevitável ... tenho que ir . - E a minha irmã ? - perguntou o Ron bruscamente . - Bem , quanto_a isso foi uma pena - disse Lockhart , evitando olhá os em os olhos , abrindo uma gaveta e começando a despejar o seu conteúdo dentro_de um saco . - Ninguém lamenta mais do_que eu ... - O senhor é o professor de Defesa contra as artes negras - disse Harry . - Não pode ir se embora agora_que todas estas coisas de magia negra estão a acontecer aqui . - Bem , devo dizer te que ... quando aceitei o lugar ... - resmungou Lockhart , empilhando soquetes sobre os mantos - nada em a descrição de o meu trabalho fazia prever ... - Quer_dizer que vai fugir ? - perguntou Harry , incrédulo . - Depois de todas_as coisas que conta em os seus livros ? - Os livros podem ser enganadores - disse Lockhart delicadamente . - Mas foi o senhor que os escreveu - gritou Harry . - Meu rapaz - disse Lockhart , endireitando se e franzindo as sobrancelhas - usa o senso comum . Os meus livros não teriam vendido metade do_que venderam se as pessoas não acreditassem que eu tinha feito todas aquelas coisas . Ninguém está interessado em ler sobre um velho feiticeiro americano mesmo_que ele tenha salvo uma cidade inteira de os lobisomens , ficaria péssimo em a capa . E a bruxa que correu com a fada carpideira tinha um lábio leporino . Como vês . - Quer_dizer que ficou com os louros por tudo_o_que uma série de outras pessoas fizeram ? - perguntou Harry , sem querer acreditar . - Harry , Harry - disse Lockhart , abanando impacientemente a cabeça . - Não é tão simples assim . Envolveu muito trabalho . Tive de localizar todas essas pessoas , perguntar lhes em pormenor como tinham feito as coisas . Depois tive de lhes fazer um feitiço antimemória para que não voltassem a lembrar se do_que tinham feito . Se há uma coisa de que me orgulho é de os meus feitiços antimemória . Não , tive muito trabalho , Harry . Não foram só as sessões de autógrafos e as fotografias , sabes ? Quem quer ser famoso tem de estar preparado para um trabalho longo e fatigante . Fechou as malas a a chave . - Vejamos - disse . - Acho que está tudo . Sim , só falta uma coisa . - Empunhou a varinha e voltou se para eles . - Lamento muito , rapazes , mas vou ter de vos fazer um feitiço antimemória . Não posso deixar que vão por aí repetir os meus segredos . Não venderia nem mais um livro . Harry pegou em a varinha mesmo a tempo e Lockhart mal tinha levantado a de ele a o ar quando Harry gritou * _ Expelliarmus ! * Lockhart foi projectado de costas , indo cair em cima de a mala . A varinha voou por os ares . Ron agarrou a e atirou a por a janela aberta . - Não devia ter deixado o professor Snape ensinar nos esta - disse Harry furioso , dando um pontapé a uma de as malas . Lockhart olhava para ele , de_novo escanzelado . Harry apontava lhe a varinha . - O que queres que eu faça ? - perguntou debilmente . - Eu não sei onde fica a Câmara_dos_Segredos . Não posso fazer nada . - Está com sorte - disse Harry , forçando o com a varinha a pôr se de pé . - Nós julgamos saber onde é e o que está lá dentro . Vamos . Conduziram Lockhart para fora de o seu escritório , desceram com ele as escadas e seguiram por o corredor escuro em cuja parede brilhavam as mensagens , até a a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mandaram Lockhart a a frente . Harry gostou de ver que todo ele tremia . A Murta_Queixosa estava sentada em a cisterna de o cubículo de o fundo . - Ah ! são vocês - disse a o ver o Harry . - O que querem agora ? - Perguntar te como morreste - disse Harry . O aspecto de a Murta mudou por completo . Parecia que nunca lhe tinham feito uma pergunta tão lisonjeira . - Ooooh ! Foi horrível - disse satisfeita . - Aconteceu aqui mesmo . Morri em este cubículo . Lembro me tão bem . Estava escondida porque a Olive_Hornby andava a implicar comigo por causa de os meus óculos . A porta estava fechada e eu estava a chorar e , então , ouvi alguém entrar . Disseram qualquer coisa estranha em uma língua diferente , acho eu . Mas o que mais me espantou foi o ser um rapaz a falar . Por isso , abri a porta para lhe dizer que fosse a a casa_de_banho de eles e em esse momento - a Murta inchou com ar importante , o rosto a brilhar - morri . - Como ? - perguntou Harry . - Não faço ideia - disse a Murta em um tom de voz abafado . - Só me lembro de ver dois grandes olhos amarelos , de o meu corpo ficar preso e em seguida , sentir me a flutuar ... - olhou sonhadoramente para Harry . - E depois voltei . Estava disposta a vingar me de a Olive_Hornby , percebes ? Ela ia arrepender se de ter gozado com os meus óculos . - Onde foi exactamente que viste os tais olhos ? - perguntou Harry . - Algures por aí - disse a Murta , apontando vagamente para o lavatório em frente de o seu cubículo . Harry e Ron apressaram se . Lockhart estava de pé , mais atrás , com uma expressão de pavor em o rosto . O lavatório parecia perfeitamente vulgar . Examinaram o centímetro a centímetro , dentro e fora , incluindo os canos por baixo . E foi então que Harry reparou : de lado , rabiscada em uma de as torneiras de cobre , estava uma cobra pequenina . - Essa torneira nunca funcionou - disse vivamente a Murta enquanto ele tentava abri a . - Harry - sugeriu o Ron . - Diz qualquer coisa em * serpentês * . Mas , pensou Harry , as únicas vezes que conseguira falar * serpentês * tinham ocorrido quando confrontado com uma verdadeira serpente . Olhou , concentrado para a pequena cobra gravada em o cobre , tentando imaginá a como verdadeira . - Abre te - disse . Olhou para o Ron que abanou a cabeça . - Inglês - disse ele . Harry voltou a olhar para a cobra , forçando se a acreditar que estava viva . A luz de a vela fez parecer que se movia . - Abre te - repetiu . Mas desta_vez as palavras não foram o que ele ouviu . Um estranho sibilar escapou lhe de a boca e a torneira ganhou uma luz branca e brilhante e começou a rodar . Logo_a_seguir o lavatório mexeu se . Afastou se , melhor dizendo , saiu de o caminho , deixando um grande cano a a vista , um cano onde cabia um homem . Harry ouviu a respiração arquejante de o Ron e olhou de_novo para ele . Já decidira o que queria fazer . - Vou descer - disse . Não podia deixar de ir , agora_que acabavam de descobrir a entrada para a câmara , existindo uma possibilidade , por mais remota que fosse , de a Ginny ainda estar viva . - Eu também - disse o Ron . Houve uma pausa . - Bem , parece que não precisam mais de mim - apressou se Lockhart a dizer com uma réstia de sorriso . - Eu vou . . . Pôs a mão em o puxador de a porta mas Ron e Harry apontaram lhe ambos as varinhas . -- O senhor pode ir a a frente - disse rispidamente o Ron . Pálido e sem varinha , Lockhart aproximou se de a entrada . - Meus rapazes - disse em uma voz débil . - Meus rapazes , para quê tudo_isto ? Harry tocou lhe em as costas com a varinha e ele meteu as pernas em o cano . - Eu não me parece que ... - começou a dizer , mas o Ron deu lhe um empurrão e ele desapareceu por o cano abaixo . Harry foi rapidamente atrás . Introduziu se lentamente e deixou se cair . Era como escorregar em uma pista escura e interminável . Ele via outros canos , estendendo se em todas_as direcções mas nenhum tão largo como o de eles que se torcia e virava , inclinando se abruptamente . Harry sabia que estavam a chegar a um ponto muito abaixo de a escola e de os calabouços . Atrás_de si , ouvia o Ron gemendo em cada curva . E então , quando começava a preocupar se com o que iria acontecer quando tocassem em o chão , o cano tornou se horizontal e ele foi projectado com um ruído surdo , indo aterrar em o chão húmido de um túnel de pedra com altura suficiente para ele se pôr de pé . Lockhart estava a levantar se a alguma distancia , todo enlameado e pálido como um fantasma . Harry afastou se para deixar o Ron sair também de o cano . - Devemos estar quilómetros e quilómetros abaixo de a escola - disse o Harry cuja voz ecoou em o túnel negro . - Talvez até debaixo de o lago - arriscou o Ron , olhando em volta para as paredes escuras e viscosas . Voltaram se os três para olhar para a escuridão lá a o fundo . - * _ Lumus ! * - murmurou Harry a a varinha e ela voltou a acender se . - Vamos - disse a o Ron e a o Lockhart e avançaram , os passos a chapinharem ruidosamente em o chão molhado . O túnel era tão escuro que só conseguiam ver alguns centímetros a a frente . As suas sombras em as paredes molhadas pareciam monstruosas a a luz de a varinha . - Lembrem se - disse Harry baixinho enquanto caminhavam . - A o menor movimento fechem logo os olhos ... Mas o túnel era silencioso como um túmulo e o primeiro som inesperado que ouviram foi um grito de o Ron que escorregou em uma coisa que era afinal a cauda de um rato . Harry baixou a varinha para olhar para o chão e viu que estava cheio de pequenos ossos de animais . Fazendo um enorme esforço para evitar pensar em que estado iriam encontrar a Ginny , avançou até uma curva escura de o túnel . - Harry , está aqui qualquer coisa - disse o Ron com voz rouca , agarrando Harry por o ombro . Ficaram estáticos a olhar . Harry só conseguia ver a silhueta de algo enorme e curvo deitado em o túnel . Fosse o que fosse não se movia . - Talvez esteja a dormir - murmurou , olhando para os outros dois . Lockhart tapava os olhos com as mãos . Harry voltou se para olhar para a criatura com o coração a bater tanto que lhe doía em o peito . Lentamente , com os olhos quase fechados mas ainda conseguindo ver , Harry avançou com a varinha levantada . A luz deslizou sobre uma gigantesca pele de serpente , de um verde vivo e venenoso que estava vazia e enrolada em o chão de o túnel . A criatura que a abandonara devia ter , pelo_menos , seis metros e meio de comprimento . - Bolas - disse o Ron , perdendo as forças . Houve um movimento súbito atrás de eles . As pernas de Gilderoy_Lockhart cederam . - Levante se - disse o Ron de uma forma cortante , apontando lhe a varinha . Lockhart pôs se de pé . Em seguida empurrou o Ron , atirando o a o chão . Harry deu um salto , mas ... tarde de mais . Lockhart endireitava se com a varinha de o Ron em as mãos e um sorriso em o rosto . - A aventura acaba aqui , rapazes - disse . - Vou levar um bocado de esta pele de cobra para a escola , contar lhes que foi demasiado tarde para salvar a garota e que vocês os dois perderam tragicamente a memória com a visão de o seu corpinho mutilado . Digam adeus a as vossas recordações . Levantou a o ar a varinha avariada de o Ron e gritou * _ Obliviate ! * A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba . Harry pôs os braços sobre a cabeça e correu , escorregou em os anéis de a pele de cobra , afastando se de os grandes pedaços de tecto de o túnel que caíam em o chão com o ruído de trovões . Pouco depois estava sozinho , olhando para uma sólida parede de rocha partida . - Ron - gritou ele . - Estás bem , Ron ? - Estou aqui - respondeu a voz abafada de o Ron por detrás de a avalancha de rochas . - Eu estou bem mas este sujeito não . A varinha avariou o todo . Ouviu se um ruído surdo e um Oh ! gritado . Parecia que o Ron tinha acabado de dar a o Lockhart um pontapé em as canelas . - E agora ? - disse a voz de o Ron que parecia desesperada . - Não podemos passar , vai demorar séculos . Harry olhou para o tecto de o túnel onde tinham aparecido grandes fendas . Ele nunca tentara partir , através de a magia , nada tão grande como aquelas rochas e agora não lhe parecia ser o melhor momento para fazer experiências . E se o túnel abatesse ? Houve um ruído surdo e outro Oh ! atrás de as rochas . Estavam a perder tempo . A Ginny já estava havia duas horas em a Câmara_dos_Segredos . Harry sabia que só havia uma coisa a fazer . - Espera aqui - gritou a o Ron . - Fica com o Lockhart , eu vou lá . Se não voltar dentro_de uma hora ... Houve um silêncio cheio . - Eu vou ver se desloco um_pouco esta rocha - disse o Ron , tentando manter a voz firme . - Para tu poderes passar . E , Harry ... - Até já - disse o Harry , procurando injectar confiança em a sua voz trémula . E passou sozinho para lá de a imensa pele de serpente . Em_breve , o ruído de o Ron , tentando deslocar a rocha , deixou de se ouvir . O túnel virou uma e outra_vez . Os nervos de o corpo de o Harry tangiam de forma desagradável . Ele só queria que o túnel chegasse a o fim , fosse o que fosse que o aguardasse . E então , finalmente , quando atingiu a última curva , viu em a sua frente uma parede sólida que tinha gravadas duas serpentes enroladas uma em a outra , cujos olhos eram quatro esmeraldas , enormes e brilhantes . Harry aproximou se com a garganta seca . Não foi preciso imaginar que as serpentes eram autênticas . Os seus olhos pareciam estranhamente vivos . Foi fácil descobrir o que tinha de fazer . Pigarreou e os olhos de esmeraldas pareceram mexer se . - Abre te - disse Harry em um sibilar baixo . As serpentes desapareceram enquanto a parede se abria a o meio e , a tremer de os pés a a cabeça , Harry entrou . XVII_Herdeiro_de_Slytherin_Estava de pé em o fundo de uma divisão enorme , fracamente iluminada . Altíssimos pilares de pedra , cheios de serpentes gravadas que os enlaçavam , erguiam se , suportando um tecto que se perdia em a escuridão e que lançava sombras negras imensas através de a estranha luz esverdeada que enchia o local . Com o coração a bater descompassadamente , Harry ficou parado a ouvir aquele silêncio arrepiante . Estaria o Basilisk escondido em um canto cheio de sombras , atrás_de algum pilar ? E onde estaria Ginny ? Pegou em a varinha e avançou a o longo de as colunas serpenteantes . Cada_um de os seus passos provocava um enorme eco em as paredes sombrias . Harry tinha os olhos semicerrados e estava pronto para os fechar a o mais pequeno movimento . As órbitas de olhos fundos de as serpentes de pedra pareciam segui o . Por mais de uma_vez , com o estômago a dar um salto , Harry julgou vê os moverem se . Por fim , chegado a o nível de os dois últimos pilares , avistou uma estátua de a altura de a própria câmara que estava encostada a a parede de o fundo . Harry tinha de esticar o pescoço para olhar para_cima , para a cara de o gigante : era velho e com um ar simiesco , tinha uma barba enorme que lhe caía quase onde acabava a longa túnica de pedra . Os dois pés imensos e cinzentos pousavam em o chão de a câmara . E entre eles , voltada para baixo , estava uma figura pequenina vestida de preto com um cabelo flamejante . - Ginny - murmurou Harry , chegando perto de ela e ajoelhando se . - Ginny , por favor não estejas morta , não estejas morta ! Atirou a varinha para o lado , agarrou Ginny por os ombros e voltou a . O rosto de ela estava branco e frio como o mármore , contudo os olhos encontravam se fechados , portanto não estava petrificada . Mas então devia estar ... - Ginny , acorda por favor - repetiu Harry desesperado , sacudindo a . A cabeça de ela andava de um lado para o outro . - Ela não vai acordar - disse secamente uma voz . Harry deu um salto e girou sobre os joelhos . Um rapaz alto , de cabelo preto , estava encostado a o pilar mais próximo , a observá o . As sombras desfocavam o como_se Harry o visse através_de uma janela embaciada . Mas não havia como confundis o . - Tom , Tom_Riddle ? Riddle acenou , sem tirar os olhos de o rosto de Harry . - O que queres dizer com isso de ela não acordar ? - perguntou Harry desesperado . - Ela não está ... não está ? - Está viva - disse Riddle . - Mas , por um fio . Harry olhou fixamente para ele . Tom_Riddle estivera em Hogwarts há cinquenta anos atrás . Contudo , ali estava com uma luz estranha e desfocada a iluminá o , sem um dia a mais do_que os seus dezasseis anos . - És um fantasma ? - perguntou Harry . - Uma memória - disse Riddle . - Preservada em um diário durante cinquenta anos . Apontou para os pés de a estátua gigantesca . Ali , aberto em o chão , estava o pequeno diário de capa preta que Harry tinha encontrado em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Durante um segundo , Harry perguntou a si próprio como teria ido ali parar , mas havia coisas mais importantes a fazer . Preciso de a tua ajuda , Tom - disse Harry , levantando de_novo a cabeça de a Ginny . - Temos de sair de aqui . Há_um_Basilisk ... não sei onde está mas pode aparecer a qualquer momento . Por favor , ajuda me . Riddle não se mexeu . Harry , a transpirar , conseguiu levantar ligeiramente a Ginny de o solo e inclinou se para pegar em a varinha mas ela tinha desaparecido . - Viste a ... ? Olhou para_cima . Riddle continuava a olhá o , fazendo girar a varinha entre os dedos longos . - Obrigado - disse Harry , esticando o braço para a agarrar . Um sorriso surgiu então em os cantos de a boca de Riddle que continuou a olhar para ele , girando indolentemente a varinha . - Ouve , pá - disse Harry sem querer perder mais tempo , os joelhos a vergarem sob o peso morto de Ginny - temos de ir . Se o Basilisk aparece ... - Ele não vem enquanto não for chamado - disse Riddle com toda_a calma . Harry voltou a pousar Ginny em o chão , incapaz de a segurar por mais tempo . - Que queres dizer com isso ? - perguntou . - Dá me a minha varinha , posso precisar de ela . O sorriso de Riddle ampliou se . - Não vais precisar de ela - disse . Harry olhou o espantado . - O que queres dizer , não vou ? - Esperei muito_tempo por isto , Harry - disse Riddle . - Pela possibilidade de te ver , de falar contigo . - Olha , eu acho que tu não estás a perceber - disse Harry , perdendo a paciência . - Estamos em a Câmara_dos_Segredos , podemos conversar mais tarde . - Vamos conversar agora - disse Riddle , sorrindo de orelha a orelha e guardando a varinha de Harry em o bolso . Harry voltou a olhar para ele . Havia qualquer coisa de muito estranho em tudo aquilo . - Como é_que a Ginny ficou assim ? - perguntou pausadamente . - Bem , essa é uma pergunta interessante - disse Riddle , divertido . - E uma longa história , também . Julgo que o verdadeiro motivo que levou Ginny_Weasley a ficar assim foi o ter aberto o seu coração e revelado todos os seus segredos a um estranho ser invisível . - De quem estás a falar ? - perguntou Harry . - De o diário - disse Riddle . - De o meu diário . A Ginny escreve nele há meses e meses , contando me todas_as suas lamentáveis desgraças e atribulações : como os irmãos a arreliam , que teve de vir para a escola com manto , túnica e livros em segunda mão - os olhos de Riddle brilharam -- , que acha que o maravilhoso , o grande , o famoso Harry_Potter nunca vai gostar de ela ... Enquanto falava , nunca os olhos de Riddle se afastaram de a cara de o Harry . Havia em eles um olhar ávido . - É muito chato ter de ouvir as preocupações idiotas de uma garotinha de onze anos - prosseguiu . - Mas eu fui paciente . Respondi lhe , mostrei me simpático e amável . A Ginny pura e simplesmente adorou me . - * _ Nunca ninguém me compreendeu como tu , Tom ... estou tão feliz por ter este diário a quem me confiar ... é como ter um amigo que pode andar em o meu bolso * ... Riddle riu se . Um riso alto , frio , que não lhe ficava bem . Fez com que os cabelos de o pescoço de Harry se arrepiassem todos . - Verdade se diga que sempre consegui encantar as pessoas necessárias . Portanto a Ginny verteu em mim a sua alma e a alma de ela era precisamente o que eu queria . Fortaleceu me . Alimentei me de os seus medos mais profundos , de os seus mais obscuros segredos . Fui ficando cada_vez_mais forte e poderoso . Muito mais poderoso do_que a pequena Miss_Weasley até que comecei a transmitir lhe alguns de os meus segredos , a passar um_pouco de a minha alma para ela ... - O que queres dizer ? - perguntou Harry cuja boca ficara totalmente seca . - Ainda não descobriste , Harry_Potter ? - disse Riddle muito baixo . - Giony_Weasley abriu a Câmara_dos_Segredos , estrangulou os galos de a escola e escreveu mensagens assustadoras em as paredes . Atiçou a serpente de Slytherin contra quatro sangues de lama e contra o gato de o busca-pé . - Não - murmurou Harry . - Sim - disse calmamente Riddle . - É claro que a princípio não sabia o que estava a fazer . Era muito divertido . Gostava que visses as coisas que escreveu em o diário , começaram a ficar muito mais interessantes . * _ Querido_Tom * - recitou ele , olhando para a expressão horrorizada de o Harry . - * _ Acho que estou a perder a memória . Há penas de galo em todas_as minhas roupas e eu não sei como foram lá parar . Querido_Tom , não me lembro do_que fiz em a noite de o Hallowe'en mas foi atacada uma gata e eu estou cheia de tinta em a cara . Querido_Tom , o Percy não pára de me dizer que ando pálida e não pareço eu . Acho que ele suspeita de mim ... Houve outro ataque hoje e eu não sei onde estava . Tom , que vou eu fazer ? Acho que estou a ficar maluca ... acho que ando a atacar toda_a_gente , Tom ! * Harry tinha os punhos fechados , as unhas cravadas contra a palma de as mãos . - Levou muito_tempo até a pequenina estúpida deixar de confiar em o diário - disse Riddle . - Mas acabou por ficar desconfiada e tentou livrar se de ele . E é aí que tu entras , Harry . Tu encontraste o . E eu não poderia ter ficado mais satisfeito . De todas_as pessoas que poderiam ter ficado com ele , foste tu , aquele que eu ambicionava conhecer ... - E porque querias conhecer me ? - perguntou Harry . Começava a ser tomado por a raiva e fez um esforço para manter o tom de voz controlado . - Bem , a Ginny contou me tudo a teu respeito - disse Riddle . - A tua fascinante história . - Os seus olhos pousaram em a cicatriz em a testa de Harry e a sua expressão ganhou maior avidez . - Sabia que devia descobrir mais a teu respeito , falar te , encontrar me contigo se fosse possível . Por isso , para ganhar a tua confiança , resolvi mostrar te a famosa captura que fiz de aquele demente de o Hagrid . - O Hagrid é meu amigo - disse Harry já com a voz a tremer . - E tu tramaste o , não foi ? Pensei que tinha sido um engano , mas ... Ele riu se . O mesmo riso de antes . - Era a minha palavra contra a palavra de ele . Imagina a cara de o velho Armando_Dippet . De um lado Tom_Riddle , pobre mas brilhante , sem pais mas corajoso , prefeito de a escola , um modelo de aluno . De o outro lado , o Hagrid , grande e disparatado , arranjando problemas semana sim , semana não , tentando criar filhotes de lobisomens debaixo de a cama , escapando se para a floresta proibida para lutar com gigantes . Mas , devo admitir que até eu próprio fiquei admirado com os excelentes resultados de o meu plano . Pensei que alguém perceberia que o Hagrid nunca poderia ser o herdeiro de Slytherin . Demorei cinco anos inteirinhos até descobrir tudo_o_que me foi possível sobre a Câmara_dos_Segredos e a sua entrada secreta ... como_se o Hagrid tivesse cabeça ou poder ! - Só o professor de Transfiguração , Dumbledore , parecia achar que ele estava inocente . Convenceu Dippet a mantê o aqui e a treiná o como guarda de os campos . Sim , é natural que Dumbledore tenha adivinhado , nunca gostou de mim como os outros professores . - Aposto que Dumbledore viu através_de ti - disse Harry , de dentes cerrados . - Pelo_menos passou a vigiar me de perto , a partir de o momento em que o Hagrid foi expulso - disse Riddle descuidadamente . - Eu sabia que não era seguro voltar a abrir a câmara enquanto ainda estava em a escola mas não ia desperdiçar os longos anos que passara a pesquisar . Decidi , por isso , deixar um diário preservando em as suas páginas o meu ego de dezasseis anos para que um dia , com um_pouco de sorte , pudesse levar outro a seguir os meus passos e acabar o nobre trabalho de Salazar_Slytherin . - Bem , não o acabaste - disse Harry triunfante . - Ninguém morreu até agora , nem mesmo a gata . Dentro_de poucas horas a poção de mandrágoras estará pronta e todos os que foram petrificados voltarão de_novo a si . - Não acabei de te dizer que matar sangues de lama já não me interessa ? Há muitos meses que o meu alvo és tu . Harry olhou para ele . - Podes imaginar como fiquei furioso quando em outro dia o diário foi aberto e vi que era a Ginny quem estava a escrever e não tu . Ela viu te com o diário e entrou em pânico . E se tu descobrisses como trabalhar com ele e eu te repetisse todos os seus segredos ? Ainda pior , e se eu te contasse quem tinha andado a estrangular os galos ? Por isso , a grande palerma esperou que o teu dormitório estivesse deserto e foi lá roubá o . Mas eu sabia o que tinha de fazer . Estava muito claro para mim que a tua meta era o herdeiro de Slytherin . Por tudo_o_que a Ginny me contara a teu respeito , sabia que irias até onde fosse preciso para desvendar o mistério , principalmente se um de os teus melhores amigos tivesse sido atacado . E a Ginny disse me que a escola toda bichanava por tu falares * serpentês * ... Por isso , obriguei a Ginny a escrever a sua própria despedida em a parede , a vir até aqui e esperar . Ela debateu se e gritou e ficou muito chatinha . Mas , já não tem muita vida : pôs grande parte de ela em o diário , deu me a . O suficiente para eu abandonar , por fim , as suas páginas . Desde_que aqui cheguei que estou a a tua espera . Sabia que virias . Tenho muitas perguntas a fazer te , Harry_Potter . - Que perguntas ? - disse Harry com os punhos fechados . - Bem - prosseguiu Riddle , sorrindo de satisfação : - Como é_que um bebé sem especiais talentos de magia foi capaz de derrotar o maior feiticeiro de sempre ? Como conseguiste escapar só com uma cicatriz quando os poderes de Lord_Voldemort foram destruídos ? Havia agora em os seus olhos um brilho vermelho e irado . - O que é_que te interessa saber como eu escapei ? - disse Harry lentamente . - Voldemort veio depois de ti . - Voldemort - disse Riddle - é o meu passado , o meu presente e o meu futuro , Harry_Potter ... Tirou a varinha de o Harry de o bolso e começou a escrever em o ar três palavras brilhantes : TOM_MARVOLO_RIDDLE_Em seguida , fez um gesto com a varinha e as letras de o seu nome reagruparam se de outro modo . : __ eu sou lord __ voldemort ( I am Lord_Voldemort ) . - Vês ? - murmurou . - Era um nome que eu já usava em Hogwarts , para os meus amigos mais íntimos apenas , como é óbvio . Achas que ia usar para sempre o nome nojento de o meu pai Muggle ? Eu , em cujas veias , por o lado materno , corre o sangue de Salazar_Slytherin ? Eu , manter o nome de um Muggle tolo que me abandonou ainda antes de eu nascer só porque descobriu que a mulher com quem casara era uma bruxa ? Não , Harry , arranjei um novo nome , um nome que eu sabia que os feiticeiros de todo_o_mundo viriam um dia a ter medo de pronunciar , quando eu me tivesse tornado o maior feiticeiro de o mundo . A cabeça de Harry parecia bloqueada . Olhou como_que paralisado para Riddle , para o rapaz de o orfanato que depois de crescer iria matar os seus pais e tantos outros . Por fim , com algum esforço conseguiu falar . - Não és - disse em uma voz calma e cheia de ódio . - Não sou o quê ? - perguntou Riddle irritado . - Não és o maior feiticeiro de o mundo - disse Harry com a respiração acelerada . - Lamento desiludir te mas o maior feiticeiro de o mundo é Albus_Dumbledore . Toda_a_gente sabe . Mesmo tu , quando tinhas força , não ousavas tentar aproximar te de Hogwarts . Dumbledore viu através_de ti quando andavas em a escola e ainda agora te assusta onde quer que te escondas . O sorriso desaparecera de o rosto de Riddle , fora substituído por um olhar furioso . - Dumbledore foi afastado de este castelo por a minha simples memória - sibilou . - Ele não está tão longe como pensas - retorquiu Harry . Falava por falar , tentando assustar Riddle , desejando mais que assim fosse do_que acreditando em as suas palavras como uma verdade . Riddle abriu a boca mas não chegou a falar . Tinha começado a ouvir se uma música . Riddle deu uma volta , olhando para a câmara vazia . A música estava a ficar mais alta . Era misteriosa , arrepiante , sobrenatural . Fez_Harry ficar com os cabelos em pé e o coração aumentar lhe em o peito . Por fim , quando atingiu um ponto tão alto que Harry a sentiu vibrar dentro de as suas costelas , começaram a sair chamas de o topo de o pilar mais próximo . Uma ave carmesim de o tamanho de um cisne surgiu , assobiando a sua estranha melodia para o tecto em forma de abóbada . Tinha uma cauda dourada tão longa como a de um pavão e garras douradas e brilhantes que seguravam uma trouxa andrajosa . Segundos depois , a ave voava em direcção a Harry . Deixou cair a coisa andrajosa a os seus pés e pousou lhe pesadamente em o ombro . Quando abriu as enormes asas , Harry olhou para_cima e viu que tinha um longo bico afiado e olhos escuros pequenos e brilhantes . A ave parou de cantar . Ficou quieta junto de a cara de Harry , olhando fixamente para Riddle . - É uma fénix , disse Riddle , olhando sagazmente para ela . - Fawkes ? - murmurou Harry e sentiu as garras douradas apertarem lhe devagarinho o ombro . - E aquilo - disse Riddle , olhando para a coisa velha que Fawkes deixara em o chão - é o velho chapéu seleccionador , de a escola . Era , de facto . Amachucado , puído e sujo , o chapéu jazia imóvel a os pés de Harry . Riddle começou a rir . Riu se tanto que a câmara escura se lhe juntou em um eco tal que parecia que dez Riddles se riam ao_mesmo_tempo . - Eis o que Dumbledore envia a o seu defensor . Um pássaro que canta e um chapéu velho . Estás cheio de coragem , Harry_Potter ? Sentes te agora mais seguro ? Harry não respondeu . Podia não estar a ver a vantagem de a Fawkes ou de o chapéu seleccionador mas já não se sentia só , e esperou corajosamente que Riddle parasse de rir . - Vamos a o que importa , Harry - disse ele , ainda com um enorme sorriso . - Encontrámo nos duas vezes em o teu passado , em o meu futuro . E duas vezes falhei a o tentar matar te . Como foi que sobreviveste ? Conta me tudo . Quanto_mais falares , mais tempo tens de vida . Harry pensava rapidamente , medindo as suas possibilidades . Riddle tinha a varinha . Ele , Harry , tinha a Fawkes e o chapéu seleccionador que não lhe serviriam de muito em o combate . As coisas pareciam más , é certo . Mas quanto_mais tempo Riddle ali estivesse , mais vida retirava a a Ginny ... e , entretanto , Harry reparou que a silhueta de Riddle se tornava mais nítida , mais sólida . Se tinha de haver uma luta entre os dois , quanto_mais depressa melhor . - Ninguém sabe porque perdeste os poderes quando me atacaste - disse bruscamente . - Eu próprio não sei . Mas sei porque não conseguiste matar me . A minha mãe morreu para me salvar . A minha mãe , uma vulgar filha de Muggles - acrescentou , a tremer de raiva . - Ela impediu que tu me matasses . E eu vi te como tu és , em o ano passado . És um destroço , quase não existes . Foi onde o teu poder te levou . Estás sob um disfarce , és horrível e és louco . O rosto de Riddle contorceu se . Em seguida , forçou um sorriso pavoroso . - Quer_dizer , então , que a tua mãe morreu para te salvar . Sim , é um antifeitiço poderoso . Compreendo agora , afinal não há em ti nada de especial . Eu tinha curiosidade , sabes , porque há uma estranha semelhança entre nós , Harry_Potter . Até tu deves ter reparado . Somos ambos meio sangue , órfãos , educados com Muggles , provavelmente os dois únicos que falam * serpentês * desde o grande Slytherin , até nos parecemos um_pouco fisicamente ... mas afinal foi apenas uma questão de sorte que te salvou de mim . Era o que eu queria saber . Harry ficou parado , tenso , a a espera que Riddle levantasse a varinha mas o seu sorriso cínico ampliou se de_novo . - Agora , Harry , vou dar te uma pequena lição . Vamos confrontar os poderes de Lord_Voldemort , herdeiro de Salazar_Slytherin e de o famoso Harry_Potter , munido com as melhores armas que Dumbledore lhe deu . Lançou um olhar divertido a a Fawkes e a o chapéu seleccionador e , em seguida , afastou se . Harry com as pernas entorpecidas por o medo viu o parar entre dois pilares altos e olhar para a cara de pedra de Slytherin , lá em cima em a semi-obscuridade . Riddle abriu a boca e sibilou mas Harry compreendeu o que ele dizia . - * _ Responde-me , Slytherin , o maior de os quatro de Hogwarts * . Harry voltou se para olhar melhor para a estátua com Fawkes pousada em o ombro . A gigantesca cara de pedra de Slytherin movia se . Horrorizado , Harry viu a boca abrir se mais e mais até se transformar em um buraco negro . E algo se agitava dentro de a boca de a estátua . Algo se arrastava para fora de as suas entranhas . Harry recuou até a a parede escura de a câmara e enquanto fechava os olhos com força sentiu a asa de a Fawkes roçar lhe o rosto e levantar voo . Harry quis gritar : - Não me abandones ! - mas que possibilidades tinha uma fénix contra o rei de as serpentes ? Uma coisa enorme bateu em o chão de pedra que Harry sentiu estremecer . Sabia o que estava a acontecer , podia sentis o , quase podia ver a serpente gigantesca a sair de a boca de Slytherin . Foi então que ouviu a voz de Riddle sibilar : * _ Mata-o * . O Basilisk avançava em direcção a Harry . Ele ouvia o seu corpo enorme escorregar pesadamente por o chão cheio de pó . Com os olhos sempre fechados , Harry começou a correr para o lado , a as cegas , com as mãos abertas a tactear o caminho . Riddle ria se a as gargalhadas . Harry escorregou e caiu em o chão de pedra e a boca soube lhe a sangue . A serpente estava a poucos centímetros de ele . Podia ouvi a a aproximar se . Ouviu se um crepitar explosivo por cima de ele e alguma coisa pesada bateu lhe com tanta força que ele ficou encostado a a parede . Esperando que os dentes de a serpente lhe perfurassem o corpo , ouviu mais ruídos e qualquer coisa que se agitava com força contra os pilares . Não conseguiu evitar . Abriu bem os olhos para ver o que se passava . A enorme serpente , brilhante , de um verde veneno , espessa como o tronco de um carvalho , erguera se em o ar e a sua imensa cabeça agitava se de um lado para o outro , entre os dois pilares . Quando Harry , a tremer , se preparava para fechar de_novo os olhos , percebeu o que distraíra a cobra . Fawkes esvoaçava em volta de a sua cabeça e o Basilisk , furioso , tentava agarrá a com os dentes longos e afiados como sabres . Fawkes mergulhava . Harry deixou de ver o bico fino e dourado e uma brusca chuva de sangue escuro inundou o chão . A cauda de a serpente agitou se , não batendo em o Harry por_pouco e antes que ele pudesse fechar os olhos voltou se . Harry olhou lhe para a cara e viu que os seus olhos , os dois olhos amarelos e bolbosos tinham sido perfurados por a fénix . O sangue escorria por o chão e a serpente cuspia cheia de dores . - * _ Não * - Harry ouviu o grito de Riddle . - * _ Deixa a ave , deixa a ave , o rapaz está atrás_de ti , ainda podes cheirá o . Mata o ! * A serpente cega oscilou confusa , ainda em fúria . Fawkes andava a a volta de a cabeça de ela soprando a sua misteriosa cantilena , picando lhe aqui_e_ali o nariz cheio de escamas , enquanto o sangue jorrava de os seus olhos destruídos . - Ajudem me . Ajudem me - murmurava Harry aflito . - Alguém , ajude me . A cauda de a serpente chicoteou de_novo o chão . Harry baixou se . Algo macio tocou lhe em o rosto . O Basilisk lançara o chapéu seleccionador para os braços de o Harry que o agarrou . Era tudo_o_que tinha , a sua única esperança . Enfiou o em a cabeça e começou a ficar achatado contra o chão , enquanto a cauda de o Basilisk se lançava de_novo sobre ele . - Ajudem me , ajudem me - pensou Harry , os olhos comprimidos debaixo de o chapéu . - Por favor , ajudem me . Nenhuma voz lhe respondeu . Em vez de isso , o chapéu contraiu se como_se uma mão invisível o tivesse espalmado devagarinho . Alguma coisa muito dura e pesada caíra sobre a cabeça de Harry , conseguindo quase derrubá o . A ver estrelas em frente de os olhos , agarrou o chapéu para o puxar para baixo e sentiu lá dentro uma coisa longa e dura . Uma espada brilhante tinha surgido dentro de o chapéu . Tinha um cabo cravejado de rubis de o tamanho de pequenos ovos . - Mata o rapaz , deixa a ave . O rapaz está atrás_de ti . Cheira o ! Harry estava de pé , preparado . A cabeça de o Basilisk caía , o corpo serpenteava , batendo nos pilares quando se torcia para ficar de frente para ele . Harry podia ver as enormes órbitas ensanguentadas , a boca toda aberta , suficientemente grande para o engolir inteiro , munida de dentes tão longos como a sua espada , finos , brilhantes , venenosos ... Começou a atacar a as cegas . Harry baixou se e a serpente bateu em a parede de a câmara . Atacou de_novo e a sua língua bifurcada lambeu a parede ao_lado_de Harry que levantou a espada com ambas as mãos . O Basilisk investiu mais_uma_vez e agora a pontaria foi certa . Harry pôs todo o seu peso contra a espada e enterrou a até a os copos em o céu de a boca de a serpente . Mas quando o sangue quente lhe encheu os braços , sentiu uma dor aguda mesmo acima de o cotovelo . Um longo dente venenoso penetrava cada_vez_mais fundo em o seu braço , partindo se quando o Basilisk tombou para o lado , perdendo os sentidos . Harry escorregou a o longo de a parede , apertou com força o dente que estava a derramar veneno por todo o seu corpo e arrancou o de o braço . Mas sabia que era demasiado tarde . Uma dor quente emanava lenta e perseverantemente de a ferida . Quando deixou cair o dente e viu o seu próprio sangue manchando lhe as vestes , a vista começou a ficar turva e a câmara a diluir se em uma rotação ardente e colorida . Mas algo escarlate passou por ele e Harry ouviu a o seu lado um suave ruído de garras . - Fawkes - disse com a voz empastada . - Foste sensacional , Fawkes . - Sentiu o pássaro encostar a sua elegante cabeça a o sítio onde o dente de a serpente o tinha ferido . Ouviu passos ecoarem em o vazio e em seguida uma sombra escura moveu se em a sua frente . - Estás morto , Harry_Potter - disse a voz de Riddle , acima de ele . - Morto . Até o pássaro de Dumbledore sabe de isso . Vês o que ele está a fazer ? A chorar . Harry piscou os olhos . A cabeça de Fawkes ora estava focada , ora desfocada . Lágrimas grossas como pérolas escorriam de as suas penas . - Vou sentar me aqui a ver te morrer , Harry_Potter . Leva o teu tempo , eu não tenho pressa . Harry sentiu se sonolento . Tudo parecia girar a a sua volta . - E assim acaba o famoso Harry_Potter - disse a voz distante de Riddle . - Sozinho em a Câmara_dos_Segredos , esquecido por os amigos , finalmente derrotado por o Senhor de o mal que ele tão imprudentemente desafiou . Vais reunir te a a tua querida mãe sangue de lama , Harry ... Ela deu te doze anos de tempo emprestado ... Mas Lord_Voldemort apanhou te em o fim , como sabias que teria de acontecer . Se morrer é isto , pensou Harry , não é assim tão mau . Até a dor estava a desaparecer . Mas , estaria a morrer ? Em_vez_de ficar mais escura a câmara parecia voltar a estar nítida . Harry fez um pequeno gesto com a cabeça e viu a Fawkes ainda repousando a cabeça em o seu ombro . Uma fiada de pérolas brilhava em volta de a ferida , só que já não havia ferida . - Sai de aqui , pássaro - disse subitamente a voz de Riddle . - Afasta te de ele . Já te disse , sai de aqui ! Harry levantou a cabeça . Riddle apontava a sua varinha a Fawkes . Ouviu se um tiro que parecia de carabina e Fawkes levantou novamente voo em um rodopio de ouro e escarlate . - Lágrimas de fénix - disse Riddle em voz baixa , olhando para o braço de o Harry . - É claro ... poderes curativos ... esqueci me ... Olhou para a cara de Harry . - Mas não faz mal . Pensando bem , eu até prefiro assim . Tu e eu , Harry_Potter ... Tu e eu ... Levantou a varinha . Então , em um golpe de asa , Fawkes voou sobre as cabeças de ambos , deixando cair uma coisa em o colo de Harry : o diário . Durante uma fracção de segundo , tanto Harry como Riddle , ainda com a varinha levantada , ficaram a olhar para aquilo . Em seguida , sem pensar , sem ponderar , como_se pensasse fazê o desde o princípio , Harry agarrou o dente de o Basilisk que estava em o chão , junto de ele , e espetou o em o coração de o caderno . Ouviu se um grito longo e terrível . A tinta esguichou em torrentes de dentro de o diário , derramando se sobre as mãos de o Harry e inundando o chão . Riddle torcia se e contorcia se , agitando se a os gritos . E , por fim . Desapareceu . A varinha de Harry caiu a o chão com um ruído e fez se silêncio . Um silêncio apenas cortado por o ping ping de a tinta que ainda escorria de o diário . Com um leve crepitar , o veneno de o Basilisk abrira um buraco mesmo em o meio de o caderno . A tremer de os pés a a cabeça , Harry pôs se de pé . Sentia tudo a andar a a roda como_se tivesse viajado quilómetros e quilómetros com o pó de * _ Floo * . Lentamente apanhou a varinha e o chapéu seleccionador e com um grande estrondo retirou a espada de o céu de a boca de a serpente . Ouviu se então um gemido fraco a o fundo de a câmara . Ginny estava a mexer se . Quando Harry chegou junto de ela , sentou se . Os seus olhos abismados saltaram de o Basilisk morto para Harry em a sua roupa cheia de sangue e , em seguida , para o diário que ele tinha em as mãos . Soltou um enorme soluço e os seus olhos encheram se de lágrimas . - Harry , oh ! Harry , eu tentei dizer te a o pequeno-almoço mas não fui capaz em frente de o Percy . Era eu , Harry , mas eu ... eu ... juro que não queria ... o Riddle obrigou me , levou me e ... como é_que mataste esse bicho ? Onde está o Riddle ? A última coisa de que me lembro foi de o ver a sair de o diário ... - Está tudo bem - disse Harry , mostrando lhe o diário com o buraco de o dente . - O Riddle acabou , olha . Ele e o Basilisk . Anda , Ginny , vamos embora de aqui . - Vou com certeza ser expulsa - disse Ginny a chorar enquanto Harry a ajudava a pôr se de pé . - Desde_que o Bill veio para Hogwarts que eu sonhava vir também para cá e agora vou ter de me ir embora e ... O que vão a minha mãe e o meu pai dizer ? Fawkes esperava por eles , suspensa em o ar , a a entrada de a câmara . Harry fez a Ginny avançar , passaram sobre os anéis parados de o Basilisk , por a escuridão cheia de ecos e voltaram a o túnel . Harry ouviu as portas de pedra fecharem se atrás de eles com um leve sibilar . Depois de alguns minutos a caminhar por o túnel escuro , chegou a os ouvidos de Harry o som distante de o deslocar de uma rocha . - Ron - gritou ele , apressando se . - A Ginny está bem . Está aqui comigo ! Ouviu o Ron gritar de alegria e , voltando em a curva logo_a_seguir , viram a sua cara ansiosa a espreitar por a fresta que conseguira abrir durante a avalancha . - Ginny ! - Ron estendeu o braço por a fresta para a puxar primeiro . - Estás viva . Não posso acreditar . O que aconteceu ? Tentou abraçá a mas a Ginny afastou o , soluçando . - Mas estás bem , Ginny - disse o Ron , sorrindo para ela . - Já passou tudo ... De onde veio esse pássaro ? Fawkes passara por a abertura , atrás_de Ginny . - É de o Dumbledore - explicou Harry , espremendo se para caber também . - E como arranjaste uma espada ? - perguntou o Ron , olhando para a arma brilhante que Harry tinha em a mão . - Eu explico te tudo quando sairmos de aqui - disse Harry , lançando um olhar de esguelha a a Ginny . - Mas ... - Mais tarde - disse Harry rapidamente . Não lhe parecia uma boa ideia contar a o Ron quem tinha aberto a câmara , ali , em frente de a Ginny . - Onde está o Lockhart ? - Ali atrás - disse o Ron , a rir e a abanar a cabeça em direcção a o cano . - Está em muito mau estado . Anda ver . Conduzidos_pela_Fawkes , cujas grandes asas escarlates emitiam um suave dourado que brilhava em a escuridão , voltaram a o lugar onde o cano começava . Gilderoy_Lockhart estava sentado a falar sozinho . - Perdeu a memória - disse o Ron . - O feitiço de a memória fez ricochete . Não sabe quem é nem onde está , nem_sequer sabe quem nós somos . Eu disse lhe que viesse para aqui e esperasse . É um perigo para ele próprio . Lockhart olhou os bem-disposto . - Olá - disse . - Que lugar estranho , este . É aqui que vocês moram ? -- Não - respondeu o Ron , levantando as sobrancelhas para o Harry . Harry baixou se e observou o túnel escuro e longo . - Já pensaste como é_que vamos sair de aqui ? - perguntou a o Ron . O amigo abanou a cabeça mas Fawkes , a fénix , tinha passado por o Harry e estava agora em o ar , em frente de ele , os olhos como pérolas a brilharem em o escuro . Abanava as longas penas douradas de a cauda . Harry olhou para ela , inseguro . - Ela parece querer que a agarres - disse o Ron , perplexo . - Mas tu és muito pesado para um pássaro . - A Fawkes - disse Harry - não é um pássaro qualquer . Voltou se rapidamente para os companheiros . - Temos de nos agarrar uns a os outros . Ginny , agarra a mão de o Ron . O professor Lockhart ... - Ele está a falar consigo - disse o Ron secamente . - Agarre a outra mão de a Ginny . Harry guardou a espada e o chapéu seleccionador em o cinto . Ron deitou a mão a a roupa de Harry e Harry agarrou as penas de a cauda , estranhamente quentes , de a Fawkes . Sentiu uma extraordinária leveza apoderar se de todo o seu corpo e em seguida estavam todos a voar por o cano acima . Harry conseguia ouvir Lockhart , lá atrás , comentando : - Espantoso , isto parece mágico ! Ar frio batia em os cabelos de Harry e antes que ele deixasse de gostar de a viagem já ela acabara . Os quatro tinham chegado a o chão molhado de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa e , enquanto Lockhart endireitava o chapéu , o lavatório voltara a o seu lugar , tapando o cano . A Murta arregalou os olhos . - Vocês estão vivos - disse inexpressivamente a o Harry . - Não é preciso mostrares te tão desiludida - respondeu ele , muito sério , limpando as nódoas de sangue e lodo de os óculos . - Bem ... é_que eu pensei que se vocês morressem seriam bem-vindos a a minha casa_de_banho - disse a Murta com um rubor prateado . - Urgh ! - fez o Ron , quando saíram de ali para o corredor deserto . - Harry , acho que a Murta está a gostar de ti . Tens concorrência , Ginny ! A Ginny continuava a chorar silenciosamente . - Onde vamos agora ? - perguntou o Ron , olhando ansiosamente para ela . Harry apontou . Fawkes indicava o caminho , com o seu tom dourado que brilhava em o corredor . Seguiram a e pouco depois estavam em o escritório de a professora Mc_Gonagall . Harry bateu e empurrou a porta que estava encostada . XVIII_A recompensa de Dobby_Durante alguns momentos reinou o silêncio enquanto Harry , Ron , Ginny e Lockhart estavam em a entrada de a porta . Cobertos de pó e de lama e ( em o caso de o Harry ) sangue . Em seguida , ouviu se um grito . - Ginny ! Era_Mrs._Weasley que tinha estado a chorar , sentada em frente de o lume . Pôs se de pé em um salto , seguida de Mr._Weasley e precipitaram se ambos para a filha . Harry olhava para trás de eles . Dumbledore rejubilava junto de a lareira , a o lado de a professora Mc_Gonagall que , agarrada a o queixo , respirava com dificuldade . Fawkes rasou as orelhas de o Harry e foi instalar se em o ombro de Dumbledore , ao_mesmo_tempo que Harry dava por si em os braços de Mrs._Weasley . - Tu salvaste a ! Salvaste a ! : __ como foi que __ conseguiste ? - Acho que todos nós gostaríamos de saber - disse , sem energia , a professora Mc_Gonagall . Mrs._Weasley soltou o Harry , que hesitou um momento . Depois , foi até a a secretária e colocou sobre o tampo o chapéu seleccionador , a espada cravejada de rubis e o que restava de o diário de Riddle . Em seguida , contou lhes tudo . Falou durante quase um quarto de hora em o silêncio extasiado : contou lhes de a voz sem corpo que ouvia , como a Hermione acabara por descobrir que se tratava de um Basilisk que circulava em os canos , como ele e o Ron tinham seguido as aranhas até a a floresta , que Aragog lhes dissera que a última vítima de o Basilisk morrera , como tinham chegado a a conclusão que se tratava de a Murta_Queixosa e que a entrada para a Câmara_dos_Segredos devia ser em aquela casa_de_banho ... - Muito bem - elogiou a professora Mc_Gonagall quando ele se calou . - Então tu descobriste onde era a entrada , infringindo uma centena de regras de a escola por o caminho , devo dizer , mas como diabo saíram vocês vivos de lá de dentro ? Harry , com a voz já um_pouco rouca de falar tanto , contou lhes de a chegada de a Fawkes e de o chapéu seleccionador que lhe tinha dado a espada . Mas , chegando aí , hesitou . Até a o momento evitara referir se a o diário de Riddle ou a a Ginny . Ela tinha a cabeça encostada a o ombro de Mrs._Weasley e as lágrimas corriam lhe ainda por o rosto . E se a expulsassem ? - pensou Harry , tomado de pânico . O diário de Riddle já não funcionava ... quem poderia provar que fora ele que a obrigara a fazer tudo aquilo ? Olhou instintivamente para Dumbledore que sorria , o fogo iluminando lhe os óculos de meia-lua . - O que mais me interessa saber - disse Dumbledore amavelmente - é como conseguiu Lord_Voldemort enfeitiçar a Ginny quando as minhas fontes me dizem que ele se esconde habitualmente em as florestas de a Albânia . Um alívio , quente e glorioso percorreu Harry de a cabeça a os pés . - O quê ? - disse Mr._Weasley , em uma voz estupefacta . - O Quem nós sabemos enfeitiçou a Ginny ? Mas a Ginny não ... a Ginny não morr ... ? - Foi este diário - esclareceu Harry rapidamente . E mostrando o a Dumbledore . - O Riddle escreveu o quando tinha dezasseis anos . Dumbledore pegou em o diário e olhou atentamente por cima de o seu nariz longo e adunco para as páginas queimadas e húmidas . - Fantástico - disse em voz baixa . - É claro que ele deve ter sido o aluno mais brilhante que alguma vez passou por Hogwarts . - Olhou em volta para os Weasley que o observavam com um ar totalmente confuso . - Muito poucas pessoas sabem que Lord_Voldemort se chamou em tempos Tom_Riddle . Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos , em Hogwarts . Ele desapareceu depois de deixar a escola , viajou muito , mergulhou tão fundo em as artes de a magia negra , associado a os piores feiticeiros , realizou transformações mágicas tão perigosas que quando reapareceu como Lord_Voldemort estava totalmente irreconhecível . Ninguém o relacionou com o rapazinho inteligente e bonito que aqui foi , em tempos , chefe de turma . - Mas a Ginny - insistiu Mrs._Weasley . - O que tem a nossa Ginny que ver com ele ? - O diário - soluçou Ginny . - Eu andei todo o ano a escrever em o diário e ele respondia me ... - Ginny ! - repreendeu Mr._Weasley . - Não aprendeste nada do_que te ensinei ? Não me cansei de dizer te que nunca confiasses em nada que não pensasse por si próprio * se não conseguisses ver onde tinha o cérebro ? * Porque não me mostraste o diário , a mim ou a a tua mãe ? Um objecto suspeito como esse tinha de estar cheio de magia negra ! - Eu não sabia - soluçou Ginny . - Estava junto de os livros que a mãe me comprou . Pensei que alguém se tinha esquecido de ele ali . - É melhor Miss_Weasley ir imediatamente para a ala hospitalar - interrompeu Dumbledore com voz firme . - Foi sujeita a uma prova terrível . Não será castigada . Outros feiticeiros mais velhos do_que ela têm sido ludibriados por Lord_Voldemort . - Dirigiu se a a porta e abriu a . - Repouso , cama e talvez uma caneca de chocolate quente . A mim , anima me sempre - acrescentou , piscando lhe simpaticamente o olho . - Vais ver que Madam_Pomfrey ainda está acordada . Ela tem estado a dar o sumo de Mandrágora , julgo que as vítimas de o Basilisk estarão a acordar dentro_de momentos . de alegria . - Então a Hermione está bem ! - disse o Ron , cheio de alegria . - Não houve danos irreversíveis - disse Dumbledore . Mrs._Weasley saiu com a Ginny e Mr._Weasley seguiu as ainda bastante abalado . - Sabes , Minerva - disse pensativo o professor Dumbledore - acho que tudo_isto merece um banquete . Posso pedir te que previnas os cozinheiros ? - Certamente - disse animada a professora Mc_Gonagall , dirigindo se também a a porta . - Deixo te a tratar de as coisas com o Potter e o Weasley , está bem ? - Claro - disse Dumbledore . Saiu e os dois olharam inseguros para Dumbledore . Que quereria ela dizer com tratar de as coisas ? Certamente não iriam ser castigados ? - Lembro me de vos ter dito a ambos que teria de vos expulsar se voltassem a quebrar as regras de a escola - disse Dumbledore . Ron abriu a boca horrorizado . - O que vem mostrar nos que as melhores pessoas , às_vezes , têm de engolir as suas próprias palavras . - Dumbledore sorriu e continuou : - Vocês vão receber ambos uma recompensa especial por serviços prestados a a escola e ... deixem me ver , sim , acho que duzentos pontos cada_um para os Gryffindor . Ron ficou tão corado que parecia as flores de S._Valentim_do_Lockhart e voltou a fechar a boca . - Mas um de vós parece demasiado calado sobre a sua participação em esta perigosa aventura - acrescentou Dumbledore . - Porquê tanta modéstia , Gilderoy ? Harry estremeceu . Esquecera se por completo de Lockhart . Voltou se e viu o a um canto de a sala ainda com o mesmo sorriso vago . Quando Dumbledore se lhe dirigiu , olhou por cima de o ombro para ver com quem ele estava a falar . - Professor_Dumbledore - disse o Ron rapidamente - Houve um acidente lá em baixo , em a Câmara_dos_Segredos . O professor Lockhart - Eu sou um professor ? - perguntou Lockhart surpreendido . - E eu que pensei que era um inútil ! - Tentou fazer um feitiço antimemória e a varinha fez ricochete - explicou Ron_a_Dumbledore . - Incrível - disse Dumbledore , abanando a cabeça , o bigode prateado a tremer . - Trespassado por a tua própria espada , Gilderoy ! - Espada ? - disse Lockhart de forma imprecisa . - Eu não tenho espada . Esse rapaz é_que tem - apontou para Harry . - Ele empresta lhe uma . - Importas te de levar também o professor Lockhart até a a ala hospitalar , Ron ? - disse Dumbledore . - Eu gostava de falar um_pouco mais com o Harry . Lockhart saiu sem pressa . Antes de fechar a porta , Ron lançou um olhar curioso a Dumbledore e Harry . Dumbledore passou para uma de as cadeiras junto de o lume . - Senta te , Harry - disse . E Harry sentou se , sentindo se indescritivelmente nervoso . - Antes de mais , Harry , quero agradecer te - disse Dumbledore com os olhos a brilharem de_novo . - Deves ter demonstrado uma grande lealdade para comigo . Só isso poderia atrair a Fawkes para ir ajudar te . Deu uma palmadinha a a fénix que voara , entretanto , para_cima de os seus joelhos . Harry sorria acanhadamente sob o olhar observador de Dumbledore . - Encontraste , portanto , Tom_Riddle - disse o director amavelmente . - Calculo que ele estaria particularmente interessado em ti ... De repente , algo que Harry tinha engasgado saiu lhe descontroladamente de a boca para fora . - Professor_Dumbledore ... o Riddle disse que eu sou como ele , que há entre nós estranhas semelhanças ... - Ah ! sim ? - Dumbledore olhou pensativamente para ele , por debaixo de as espessas sobrancelhas prateadas . - E o que achas tu de isso ? - Eu não me considero parecido com ele - disse Harry mais alto do_que desejaria . - Isto_é , eu sou um Gryffindor , eu sou ... Mas calou se com uma dúvida a rondar lhe o espírito . - Professor - arriscou passado alguns momentos . - O chapéu seleccionador disse que eu ... teria ficado bem em os Slytherin ; durante algum tempo toda_a_gente pensou que eu era o herdeiro de Slytherin por falar * serpentês * ... - Tu falas * serpentês * , Harry - disse Dumbledore calmamente - porque Lord_Voldemort que é o mais recente antepassado de Salazar_Slytherin , fala * serpentês * . Ou eu me engano muito , ou ele transferiu para ti alguns de os seus poderes em a noite em que te fez essa cicatriz . Não que quisesse fazê o , claro , mas aconteceu . - Voldemort pôs um_pouco de si próprio em mim ? - disse Harry assombrado . - É o que parece ter acontecido . - Então eu deveria estar em os Slytherin - disse Harry , olhando desesperado para o rosto de Dumbledore . - O chapéu seleccionador viu em mim os poderes de Slytherin e ... -- Pôs te em os Gryffindor - concluiu tranquilamente Dumbledore . - Ouve , Harry , tu tens por acaso muitas de as capacidades que Salazar_Slytherin apreciava em os seus estudantes cuidadosamente seleccionados . O seu raro dom de falar * serpentês * , desenvoltura , determinação , um certo desprezo por as regras estabelecidas - acrescentou com o bigode a tremer de_novo . - Mas ainda_assim , o chapéu seleccionador pôs te em os Gryffindor . E sabes porquê ? Pensa um_pouco . - Só me pôs em os Gryffindor - disse Harry em uma voz débil - porque eu pedi para não ir para os Slytherin . - Exacto - disse Dumbledore a sorrir . - E isso torna te muito diferente de o Tom_Riddle . São as tuas escolhas , Harry , que mostram quem de facto tu és , mais do_que as tuas capacidades . Harry sentou se , imóvel e espantado , em a cadeira . - Se queres provas de que o teu lugar é em os Gryffindor , sugiro que vejas isto com mais atenção . Dumbledore aproximou se de a secretária de a professora Mc_Gonagall , pegou em a espada de prata ensanguentada e mostrou lhe a . Sem perceber , Harry voltou a ao_contrário . Os rubis brilharam a a luz de a lareira e foi então que ele reparou em o nome gravado mesmo por baixo de o copo de a espada . GODRIC_GRYFFINDOR . - Só um verdadeiro Gryffindor poderia ter tirado a espada de dentro de o chapéu , Harry - disse , com simplicidade , Dumbledore . Durante um minuto , nenhum de os dois falou . Depois , Dumbledore abriu uma de as gavetas de a secretária de a professora Mc_Gonagall e retirou de lá uma pena e um tinteiro . - Tu precisas de comer e ir dormir . Sugiro que desças para o banquete enquanto eu escrevo para Azkaban . Precisamos de recuperar o nosso guarda de os campos . E tenho de esboçar um anúncio para o * _ Profeta_Diário * - acrescentou pensativo . - Vamos precisar de um novo professor de Defesa contra as artes negras . É um problema , estamos sempre a perdê os . Harry levantou se e dirigiu se a a porta . Tinha acabado de estender a mão para o puxador quando ela se abriu tão violentamente que saltou de as dobradiças . Lucius_Malfoy estava de pé , furioso . E , debaixo de o braço , embrulhado em diversas ligaduras , estava Dobby . - Boa tarde , Lucius - disse Dumbledore , de forma amena . Mr._Malfoy quase derrubou Harry enquanto entrava em a sala . Dobby dava passos miudinhos atrás de ele , inclinado até a a bainha de o seu manto com um olhar apavorado em o rosto . - Então - disse Lucius_Malfoy com os olhos fixos em Dumbledore - voltaste . Os membros de o Conselho_Directivo suspenderam te , mas tu mesmo_assim sentiste te capaz de voltar a Hogwarts . - Bem vês , Lucius - disse Dumbledore , sorrindo serenamente . - Os outros membros de o Conselho contactaram me hoje . Fui envolvido em um redemoinho de corujas , todos queriam contar me a verdade . Ouviram dizer que a filha de Arthur_Weasley tinha sido morta e queriam me novamente aqui . Parece que me consideravam o melhor homem para o lugar . Contaram me algumas histórias muito estranhas . Alguns de eles tinham a impressão que tu tinhas ameaçado amaldiçoar lhes as famílias se não concordassem com a minha suspensão . Mr._Malfoy ficou ainda mais pálido do_que de costume , mas os olhos continuavam cheios de fúria . - Então já acabaste com os ataques ? - rosnou . - Apanhaste o culpado ? - Já , sim - disse Dumbledore com um sorriso . - E quem é ? - perguntou Malfoy secamente . - A mesma pessoa de a última vez , Lucius - disse Dumbledore . Mas desta_vez , Lord_Voldemort agiu através_de outra pessoa , por_meio_de um diário . Pegou em o pequeno caderno com o buraco em o meio , observando Mr._Malfoy de perto . Mas Harry olhava para Dobby . O elfo fazia um sinal muito estranho . Com os seus grandes olhos fixos em Harry , não parava de apontar para ó diário e , em seguida , para Mr._Malfoy , batendo logo_a_seguir com o punho em a cabeça . - Estou a ver ... - disse Mr._Malfoy lentamente a Dumbledore . - Um plano inteligente - afirmou o director em um tom de voz suave , continuando a olhar Mr._Malfoy directamente em os olhos . - Porque se não fosse aqui o Harry e o seu amigo Ron a descobrirem o diário , sem dúvida Ginny_Weasley teria ficado com todas_as culpas . Ninguém teria conseguido provar que ela agira contra a sua própria vontade . Mr._Malfoy não se pronunciou . O seu rosto parecia agora uma máscara . - E vê bem - continuou Dumbledore - o que poderia ter acontecido ... os Weasley são uma de as mais proeminentes famílias de feiticeiros de sangue puro , imagina o efeito em a imagem de Arthur_Weasley e em a sua acção de protecção a os Muggles , se a sua própria filha fosse acusada de atacar e matar filhos de Muggles . Foi uma sorte o diário ter sido descoberto e as memórias de Riddle apagadas . Quem sabe que consequências poderia ter tido ? Mr._Malfoy falou contra vontade . - Sim , foi uma sorte - disse secamente . E , em as suas costas , Dobby continuava a apontar para o diário e para Lucius_Malfoy , batendo depois com o punho em a cabeça . E Harry finalmente percebeu . Fez um sinal a Dobby que correu a esconder se em um canto , torcendo desta_vez as orelhas para se castigar . - Não quer saber como a Ginny obteve esse diário , Mr._Malfoy ? - perguntou Harry . Lucius_Malfoy voltou se para ele . - Como queres que eu saiba onde é_que a estúpida de a garota o arranjou ? - Porque foi o senhor quem lhe o deu - disse Harry . - Em a Flourish and Blotts . O senhor pegou em o livro velho de ela de Transfiguração e meteu o diário lá dentro , não foi ? Viu as mãos brancas de Mr._Malfoy abrirem se e fecharem se . - Prova isso - sibilou . - Oh ! ninguém vai poder prová o - disse Dumbledore sorrindo a o Harry . - Não agora_que o Riddle desapareceu de o caderno . Por outro lado , aconselharia te , Lucius , a não dares mais nenhuma de as coisas velhas de Lord_Voldemort . Se mais alguma for parar a as mãos de crianças inocentes , acho que o Arthur_Weasley fará com que se voltem com toda_a sua carga negativa contra ti . Lucius_Malfoy ficou calado um momento e Harry viu claramente a sua mão direita torcer se como_se desejasse chegar a a varinha . Em vez de isso , voltou se para o seu elfo doméstico . - Vamos , Dobby . Abriu a porta e quando o elfo se aproximou deu lhe um pontapé que o projectou para longe . Ouviram se em o escritório os gritos de dor de Dobby em o corredor . Harry pensou durante um momento e depois decidiu se . - Professor_Dumbledore - disse apressadamente . - Posso dar o diário outra_vez a Mr._Malfoy ? - Certamente , Harry - disse Dumbledore com toda_a calma . - Mas não demores , olha o banquete . Harry agarrou em o diário e saiu de o escritório . Os gritos de dor de Dobby afastavam se ao_longe . Sem perder tempo , perguntando a si próprio se o plano poderia resultar , Harry tirou um de os sapatos , puxou uma de as peúgas enlameadas e viscosas e meteu o diário lá dentro . Em seguida correu até a o fundo de o corredor escuro . Apanhou os em o topo de as escadas . - Mr._Malfoy - disse ofegante , parando . - Tenho uma coisa para si . E meteu a peúga mal cheirosa em a mão de Lucius_Malfoy . - O que é ... ? Mr._Malfoy tirou o diário de dentro de a peúga , deitou a fora e olhou furioso para o caderno estragado e para Harry - Ainda vais acabar por ter um fim igual a o de os teus pais um dia de estes , Harry_Potter - disse em voz baixa . - Eles também eram uns idiotas metediços . Voltou se para se ir embora . - Anda , Dobby , vem ! Mas Dobby não se mexeu . Tinha em as mãos a peúga nojenta de o Harry e olhava para ela como_se fosse um tesouro de valor incalculável . - O senhor deu uma peúga a o Dobby - disse o elfo maravilhado . - Deu a a o Dobby . - O que é isso ? - cuspiu Mr._Malfoy . - Que estás para aí a dizer ? - Dobby tem uma peúga - repetiu incrédulo . - O senhor deitou a fora e Dobby apanhou a e Dobby agora é livre ... Lucius_Malfoy ficou paralisado a olhar para o elfo . Em seguida precipitou se para Harry . - Fizeste me perder o meu servo , rapaz . Mas Dobby gritou : - Não pense que vai fazer mal a o Harry_Potter ! Ouviu se um enorme estrondo e Mr._Malfoy foi empurrado de costas , galgando os degraus de as escadas a três_e_três e indo aterrar lá em baixo todo embrulhado e amarrotado . Levantou se , o rosto lívido e pegou em a varinha , mas Dobby estendeu lhe um dedo ameaçador . - Vá se embora já - disse furioso , apontando para Mr._Malfoy . - Não tocará em o Harry_Potter . Vá se embora , já . Lucius_Malfoy não teve escolha . Lançando a os dois um último olhar de cólera , embrulhou se em o manto e desapareceu . - Harry_Potter libertou Dobby ! - disse o elfo com voz esganiçada , olhando para Harry , a luz de o luar reflectida em os seus grandes olhos em forma de globos . - Harry_Potter libertou Dobby . - Era o mínimo que eu podia fazer , Dobby - disse Harry a sorrir -- , mas promete me que não vais voltar a tentar salvar me a vida . A cara feia e escura de o elfo abriu se , mostrando os dentes , em um enorme sorriso . - Tenho uma pergunta a fazer te , Dobby - disse Harry enquanto o elfo pegava em a peúga de ele com as mãos a tremer . - Disseste me que tudo_isto não tinha nada que ver com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Lembras te ? - Era uma pista , senhor - disse Dobby com os olhos muito abertos como_se fosse absolutamente óbvio . - Dobby estava a dar lhe uma pista . Antes de o senhor de o mal mudar de nome , o seu nome podia ser pronunciado , está a ver ? - Certo - disse Harry sem grande convicção . - Bem , é melhor eu ir indo embora . Há um banquete e a minha amiga Hermione já deve ter acordado ... Dobby lançou os braços a a cintura de Harry e abraçou o . - Harry_Potter é muito maior do_que Dobby imaginava ! - soluçou . - Adeus , Harry_Potter . E com um estalido final , Dobby desapareceu . Harry assistira a diversos banquetes , mas nenhum que se parecesse com aquele . Estavam todos de pijama e a festa durou a noite inteira . Harry não sabia se o melhor tinha sido a Hermione a correr para ele e a gritar : - Tu conseguiste . Tu conseguiste ! , ou o Justin saindo disparado de a mesa de os Hufflepuff para lhe estender a mão , desfazendo se em desculpas por ter suspeitado de ele , ou o Hagrid que apareceu a as três_e_meia e que lhes deu palmadas com tanta força em os ombros que eles foram parar dentro de os pratos de bolo de creme , ou os quatrocentos pontos que ele e o Ron obtiveram para os Gryffindor , ganhando a taça de a equipa por a segunda vez consecutiva , ou a professora Mc_Gonagall de pé , a comunicar lhes que os exames tinham sido cancelados como medida de a escola ( Oh ! não ! exclamou Hermione ) , ou Dumbledore a anunciar que , infelizmente , o professor Lockhart não poderia voltar em o ano seguinte por ter de se ausentar a_fim_de recuperar a memória . Alguns de os professores juntaram se a os alunos que aplaudiram entusiasmados esta notícia . - Que pena - disse Ron , servindo se de um * dounut * de presunto . - E eu que começava a gostar de ele ... O resto de o período de Verão decorreu sob um sol escaldante . Hogwarts voltara a a normalidade , apenas com algumas pequenas diferenças : as aulas de Defesa contra as artes negras foram canceladas ( Mas nós tivemos imensa prática - disse o Ron vendo o descontentamento de Hermione ) e Lucius_Malfoy foi demitido de o Conselho_Directivo . Draco já não passeava por ali como_se fosse o dono de a escola . Pelo_contrário , tinha um ar melindrado e carrancudo . Por outro lado , Ginny_Weasley andava de_novo feliz de a vida . Em_breve chegou o dia de regressarem a casa em o Expresso_de_Hogwarts . Harry , Ron , Hermione , Fred , George e Ginny encheram um compartimento . Tiraram o_máximo partido de aquelas últimas horas em que lhes era permitido usar a magia antes de as férias . Brincaram a as explosões , gastaram o último fogo-de-artíficio Filibuster , de o Fred e de o George e treinaram o mútuo desarmamento através de a magia . Harry começava a ficar muito bom em aquilo . Já estavam perto de a estação de King's_Cross quando Harry se lembrou de uma coisa . - Ginny , o que foi que viste o Percy fazer que ele não queria que nos contasses ? - Ah ! isso - disse a Ginny a rir . - Bem , é_que o Percy tem uma namorada . Fred deixou cair uma pilha de livros em a cabeça de o George . - O quê ? - É aquela prefeita de os Ravenclaw ' Penelope_Clearwater - disse a Ginny . - Foi para ela que ele escreveu durante todo o Verão . Encontravam se em a escola em grande segredo . Eu apanhei os a beijarem se em uma sala de aula vazia e ele ficou tão aflito quando ela foi ... sabes ... atacada . Não vais aborrecê o , pois não ? - perguntou cheia de ansiedade . - Que ideia - respondeu Fred com uma tal satisfação em o rosto que parecia que o seu aniversário chegara mais cedo . - Claro que não - disse o George a rir se a a socapa . O Expresso_de_Hogwarts abrandou e finalmente parou . Harry tirou a pena e um_pouco de pergaminho e voltou se para Ron e Hermione . - Isto_é um número de telefone - disse ele a o Ron , escrevinhando o duas vezes , cortando o pergaminho a o meio e dando lhes os números . - Eu expliquei a o teu pai como usar um telefone em o Verão passado . Ele sabe fazer a chamada . Liga me para_casa de os Dursley , O. _ K. ? Não consigo suportar outros dois meses sem ter mais ninguém com quem falar ... - Mas a tua tia e o teu tio vão ficar orgulhosos de ti , não vão ? - perguntou Hermione quando saíram de o comboio e se misturaram em a multidão que se encontrava junto de a barreira encantada . - Quando souberem o que fizeste este ano . - Orgulhosos ? - disse Harry . - Estás doida ! Podendo eu ter morrido tantas vezes e tendo escapado ? Vão ficar é furiosos ... E juntos avançaram até a a entrada para o mundo de os Muggles . ----------------- J._K._Rowling_Harry_Potter e a Câmara_dos_Segredos_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Chamber of Secrets_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling 1998 Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 2000 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 2.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 Depósito legal : 143.569/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , a a Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Para_Séan_P._F._Harris , condutor imparável e um amigo de os diabos . I_O pior aniversário Não era a primeira vez que uma discussão estoirava a a mesa de o pequeno-almoço , em o número 4 de a Privet_Drive . Mr._Vernon_Dursley fora acordado de manhã cedo por o piar ruidoso que vinha de o quarto de o seu sobrinho Harry . - É a terceira vez esta semana ! - resmungou , a a mesa . - Se não consegues controlar essa coruja , ela não pode ficar aqui . Harry tentou , mais_uma_vez , explicar . - Ela está aborrecida . Estava habituada a voar livremente lá fora . Se eu pudesse , ao_menos , soltá a a a noite ... - Achas me com cara de idiota ? - perguntou rispidamente o tio Vernon , com um fio de ovo preso em o bigode farfalhudo . - Sei muito bem o que aconteceria se essa coruja fosse lá para fora . Trocou um olhar soturno com a mulher , a tia Petúnia . Harry tentou contra-argumentar , mas as suas palavras foram abafadas por um enorme arroto de o filho de os Dursleys , Dudley . - Quero mais bacon . - Há mais em a frigideira , fofinho - disse a tia Petúnia , lançando um olhar vago a o seu filho maciço . - Tens que te alimentar bem enquanto aqui estás , aquela comida de a tua escola não me cheira . - Disparate , Petúnia , eu nunca passei fome enquanto andei em Smeltings - afirmou com sinceridade o tio Vernon . - O Dudley tem que chegue . Não é verdade , filho ? Dudley , que era tão gordo que o rabo saía de os dois lados de a cadeira de a cozinha , sorriu laconicamente e voltou se para Harry . - Passa me a frigideira . -- Esqueceste te de a palavra mágica - disse Harry , irritado . O efeito que esta simples frase teve em o resto de a família foi inacreditável : Dudley começou a arfar e caiu de a cadeira com um estrondo que abalou a cozinha , Mrs._Dursley deu um gritinho e bateu com a mão em a boca , Mr._Dursley pôs se de pé com as veias de as têmporas dilatadas . - Eu queria dizer « por favor » - explicou Harry rapidamente . - Não me referia a ... - : __ o que é_que eu te __ disse - vociferou o tio , espalhando perdigotos sobre a mesa - : __ sobre pronunciar a palavra m . em esta __ casa ? - Mas eu ... - : __ como te atreves a ameaçar o __ dudley ! - rosnou o tio Vernon , batendo com o punho em a mesa . - Eu só ... - : __ estás avisado . não vou admitir referências a tua anormalidade debaixo de o tecto de a minha __ casa ! Harry olhou alternadamente para o rosto congestionado de o tio e para a palidez de a tia que tentava pôr o Dudley de pé . - Está bem - disse Harry . - Está bem ... O tio Vernon voltou a sentar se , respirando como um rinoceronte exausto e observando Harry de perto por o canto de os seus olhos pequeninos e penetrantes . Desde_que Harry regressara para as férias de Verão que o tio Vernon o tratava como_se ele fosse uma bomba , capaz de explodir a qualquer momento , porque Harry não era um rapazinho normal . Em a verdade , ele era o menos normal que é possível imaginar . Harry_Potter era um feiticeiro , um feiticeiro que acabara de concluir o primeiro ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts e a infelicidade que os Dursleys sentiam por ele estar lá em casa não era nada comparada com a de Harry . As saudades de Hogwarts eram tão intensas que se assemelhavam a uma constante dor em o estômago . Sentia a falta de o castelo com as suas passagens secretas e os seus fantasmas , de as aulas ( com excepção talvez de as de Snape , o professor de as poções ) , de o correio a chegar trazido por as corujas , de os banquetes em o salão nobre , de as noites em as camas de dossel em a camarata de a torre , de as visitas a Hagrid , o guarda de os campos em a sua casinha em o bosque , junto de a floresta proibida e , principalmente , sentia a falta de o Quidditch , o desporto mais popular de o mundo de os feiticeiros ( seis postes altos de golo , quatro bolas esvoaçantes e catorze jogadores em_cima_de vassoura ) . Todos os livros de feitiços de Harry , assim_como a varinha , os mantos , o caldeirão e a vassoura topo de gama Nimbus dois_mil tinham sido encerrados por o tio Vernon em a despensa que ficava debaixo de as escadas , em o momento em que Harry regressara a casa . O que é_que lhes interessava se ele perdia ou não o seu lugar em a equipa de Quidditch por não ter praticado durante todo o Verão ? Que importância tinha para eles que o Harry voltasse a a escola sem ter podido fazer os trabalhos de casa ? Os Dursleys eram aquilo que os feiticeiros chamam « Muggles » ( nem uma gota de sangue mágico em as veias ) e , para eles , ter um feiticeiro em a família era motivo de grande vergonha . O tio Vernon tinha , inclusivamente , fechado a cadeado a coruja de Harry , Hedwig , dentro de a gaiola , para evitar que ela transportasse mensagens para a gente de o mundo de a feitiçaria . Harry não se parecia em nada com o resto de a família . O tio Vernon era atarracado e sem pescoço , dotado de um enorme bigode preto ; a tia Petúnia tinha um rosto cavalar e era esquelética ; Dudley era loiro e rosado como um porquinho . Harry , pelo_contrário , era baixo e franzino , com os olhos verdes brilhantes e cabelo negro sempre desalinhado . Usava uns óculos redondos e tinha em a testa uma cicatriz em forma de relâmpago . Era essa cicatriz que o tornava tão invulgar , mesmo para um feiticeiro . Era a única alusão a o seu passado misterioso , a o motivo por o qual , onze anos antes , tinha sido deixado em o degrau de a porta de os Dursleys . Com um ano de idade , Harry sobrevivera a uma maldição de o maior feiticeiro negro de todos os tempos , Lord_Voldemort , cujo nome a maior parte de os feiticeiros e feiticeiras ainda receia pronunciar . Os pais de Harry tinham morrido em um ataque de Voldemort , mas ele escapara com a sua cicatriz em forma de relâmpago e estranhamente , ninguém compreendeu porquê , os poderes de Voldemort tinham sido destruídos em o momento em que não fora capaz de matar o Harry . Por isso , ele foi criado por a irmã de a sua falecida mãe e respectivo marido . Passou dez anos com os Dursleys , sem nunca compreender porque fazia com que acontecessem coisas estranhas , alheias a a sua vontade , acreditando em a história de os Dursleys de que aquela cicatriz fora resultado de um acidente de automóvel em que os pais tinham morrido . E um dia , precisamente um ano antes , Hogwarts escrevera lhe e fora então que tudo começara . Harry fora ocupar o seu lugar em a escola de feitiçaria , onde ele e a sua cicatriz eram famosas ... mas agora o ano escolar chegara a o fim e estava de_novo com os Dursleys . Durante o Verão , voltara a ser tratado como um cão malcheiroso . Os Dursleys nem se tinham lembrado que aquele era o dia de o seu décimo segundo aniversário . É claro que não tivera grandes expectativas : eles nunca lhe tinham dado um presente a sério , muito menos um bolo , mas ignorarem o por completo ... Em esse momento , o tio Vernon pigarreou com um ar importante e disse : - Como todos sabem , hoje é um dia muito importante . Harry olhou para ele , mal conseguindo acreditar . - Pode bem ser que eu faça hoje o maior negócio de toda_a minha vida - afirmou . Harry voltou novamente a atenção para a torrada . É claro , pensou amargamente , o tio Vernon referia se a a estúpida dinner-party . Havia quinze_dias que não falava de outra coisa . Um consultor qualquer cheio de massa e a mulher vinham jantar lá a casa e o tio Vernon tinha esperança de conseguir uma grande encomenda ( a empresa de o tio Vernon fabricava brocas ) . - Acho que devíamos recapitular mais_uma_vez - disse o tio Vernon . - Devemos estar todos a postos a as oito_horas_em_ponto . Petúnia , tu vais estar ... ? - Em o salão - respondeu a tia Petúnia prontamente - a a espera para lhes dar as boas-vindas a nossa casa . - Bom , bom . E o Dudley ? - Eu vou estar a a espera para abrir a porta . - Dudley esboçou um sorriso falso e afectado . - Dão me licença que vos guarde os casacos , Mr. e Mrs._Mason ? - Eles vão adorá o - exclamou arrebatadamente a tia Petúnia . - Excelente , Dudley - disse o tio Vernon . - A seguir voltou se para o Harry . - E tu ? - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - repetiu o Harry , de forma inexpressiva . - Exactamente - confirmou o tio Vernon , de um modo desagradável . - Eu conduzo os até a o salão , apresento te , Petúnia , e sirvo lhes as bebidas . _ a as oito_e_um_quarto . - Eu chamo para a mesa - disse a tia Petúnia . - E tu , Dudley , vais dizer ... - Dá me licença que lhe indique a casa de jantar , Mrs._Mason ? - repetiu o Dudley , oferecendo o seu braço gordo a uma mulher invisível . - O meu pequenino cavalheiro - fungou a tia Petúnia . - E tu ? - perguntou o tio Vernon a o Harry , em o mesmo tom desagradável . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho , fingindo que não estou lá - respondeu Harry aborrecido . - Isso mesmo . Agora , devíamos ter preparadas algumas frases amáveis para o jantar . Petúnia , alguma ideia ? - O Vernon disse me que o senhor é um excelente jogador de golfe , Mr._Mason ... Tem de me dizer onde comprou esse vestido , Mrs._Mason ... - Perfeito . Dudley ? - Que tal : Tivemos de fazer um trabalho para a escola sobre o nosso herói e eu escrevi sobre o senhor ... Foi de mais , tanto para a tia Petúnia como para o Harry . A tia debulhou se em lágrimas e abraçou o filho , enquanto Harry se esgueirava para debaixo de a mesa para ninguém o ver rir . - E tu , rapaz ? Harry fez um esforço para se mostrar inexpressivo quando emergiu . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - disse . - Vais sim senhor - afirmou o tio Vernon energicamente . - Os Mason não sabem nada a teu respeito e é assim que as coisas vão continuar . Quando o jantar terminar , tu trazes Mrs._Mason para o salão , onde vamos tomar café , Petúnia , e eu puxo o assunto de as brocas . Com um_pouco de sorte , tenho o contrato assinado antes de o noticiário de as dez . Amanhã por esta hora , vamos estar a fazer compras para umas férias em Maiorca . Harry não conseguia sentir o menor entusiasmo com aquilo . Não lhe parecia que os Dursleys gostassem mais de ele em Maiorca do_que em Privet_Drive . - Certo , eu vou a a cidade buscar os casacos para mim e para o Dudley . E tu - resmungou , apontando para Harry - não atrapalhes a tua tia enquanto ela estiver a limpar . Harry saiu por a porta de as traseiras . Estava um dia de sol lindo . Atravessou o relvado , deixou se cair em o banco de o jardim e cantarolou baixinho : - Parabéns para mim ... parabéns para mim ... Nem cartas nem presentes e tinha de passar a noite a fingir que não existia . Olhou infeliz para a sebe . Nunca se sentira tão só . Mais do_que tudo em o mundo , mais do_que de Hogwarts , mais até do_que de o jogo de Quidditch , Harry sentia a falta de os amigos Ron_Weasley e Hermione_Granger . Mas eles não pareciam sentir a falta de ele . Nenhum de os dois lhe escrevera durante todo o Verão apesar_de o Ron ter dito que ia convidá o para passar uns dias lá em casa . Inúmeras vezes Harry estivera quase a libertar magicamente Hedwig de a sua gaiola e mandá a levar uma carta a o Ron e a a Hermione mas não valia a pena correr o risco . Os feiticeiros menores de idade não tinham autorização para usar a magia fora de a escola . Harry não contara isto a os Dursleys . Ele sabia que era o medo de que ele os transformasse a todos em baratas que os impedia de o fecharem a a chave em a despensa debaixo de as escadas , juntamente com a varinha e a vassoura . Em as primeiras semanas Harry divertira se a murmurar baixinho palavras sem sentido e a ver o Dudley sair disparado de o quarto , tão rápido quanto as suas pernas gordas lhe permitiam . Mas o silêncio prolongado de Ron e Hermione tinham o feito sentir se tão longe de o mundo de a magia que até divertir se à_custa_de Dudley perdera o interesse . E agora o Ron e a Hermione tinham se esquecido de o seu aniversário . Quanto não daria ele por uma mensagem de Hogwarts ? De qualquer feiticeiro ou feiticeira ? Quase ficaria satisfeito com um sinal de o seu inimigo feroz , Draco_Malfoy , só para ter a certeza de que tudo aquilo não fora apenas um sonho ... Não que tudo durante o ano em Hogwarts tivesse sido divertido . Mesmo em o fim de o último período , Harry confrontara se nem mais nem menos do_que com o próprio Lord_Voldemort . Voldemort podia ter arruinado o seu ego inicial mas continuava a espalhar o terror , ainda astuto , ainda determinado a recuperar o poder . Harry escapara uma segunda vez a as suas garras mas fora por um triz e mesmo agora , algumas semanas decorridas , acordava de noite encharcado em suores frios , perguntando se onde estaria Voldemort , relembrando o seu rosto lívido , os seus olhos completamente loucos ... Harry sentou se subitamente , direito como um fuso , em o banco de o jardim . Tinha estado a olhar distraído para a sebe e a sebe estava a olhar para ele . Dois enormes olhos verdes surgiram por_entre a folhagem . Harry pôs se de pé ao_mesmo_tempo que uma voz sobrevoava a relva . - Eu sei que dia é hoje - cantarolava Dudley , bamboleando se enquanto se aproximava . Os olhos enormes piscaram e desapareceram . - O quê ? - perguntou Harry sem retirar os olhos de o lugar para_onde estava a olhar . - Eu sei que dia é hoje - repetiu , chegando junto de ele . - Ainda_bem - disse Harry . - Aprendeste finalmente os dias de a semana . - Hoje é o dia de os teus anos - troçou o Dudley . - Por_que é_que não recebeste nenhuma carta ? Não tens amigos em esse lugar esquisito ? - É melhor não deixares a tua mãe ouvir te falar de a minha escola - disse Harry calmamente . Dudley puxou para_cima as calças que estavam a escorregar lhe por o rabo gordo abaixo . - Porque estás a olhar para a sebe . ; - perguntou curioso . - Estou a pensar em as palavras que deverei pronunciar para lhe pegar fogo - disse Harry . Dudley recuou de imediato com um olhar de pânico em a cara rechonchuda . - Tu não p-p-odes , o pai disse que não podias fazer magia ou corria contigo aqui de casa e não tens mais nenhum lugar para_onde ir , não tens amigos que te convidem ... - * _ Jiggery pokery * ! - disse Harry com voz firme . - * _ Hocus pocus ... squiggly wiggly * ... - Maaaaaãe - gritou Dudley , tropeçando em os pés , enquanto se precipitava para dentro_de casa . Maaaãe , ele vai fazer aquela coisa ! Harry deu graças a os céus por aquele momento de gozo . Como não aconteceu nada de mal nem a o Dudley nem a a sebe , a tia Petúnia percebeu que ele não fizera magia nenhuma mas , mesmo_assim , Harry teve de se afastar quando ela lhe deu uma forte pancada em a cabeça com a frigideira cheia de detergente . A seguir distribuiu lhe trabalho e o castigo de só voltar a comer quando tivesse acabado tudo . Enquanto Dudley andava a flanar , olhando para o ar e comendo gelados , Harry limpou as janelas , lavou o carro , aparou a relva , adubou os canteiros , podou e regou as rosas e pintou de_novo o banco de o jardim . O sol ardia lá em cima , queimando lhe a parte de trás de o pescoço . Harry sabia que não devia ter provocado Dudley mas ele dissera precisamente aquilo que ele próprio pensava ... talvez não tivesse amigos em Hogwarts . Deviam ver agora o famoso Harry_Potter , pensou amargamente enquanto espalhava adubo em os canteiros , as costas a doerem lhe e o suor a escorrer lhe por o rosto . Eram sete_e_meia_da_tarde quando , por fim , exausto , ouviu a tia Petúnia a chamá o . - Anda para dentro e passa por cima de os jornais . Harry entrou satisfeito em a sombra de a cozinha que rebrilhava . Sobre o frigorífico estava o bolo de a noite : um enorme monte de crome batido coberto de violetas de açúcar . A carne de porco assava em o forno . - Come depressa , os Mason devem estar a chegar ! - exclamou bruscamente a tia Petúnia , apontando para duas fatias de pão e uma de queijo que estavam em cima de a mesa de a cozinha . Ela já tinha posto um vestido de * cocktail * cor de salmão . Harry lavou as mãos e comeu aquele triste jantar . Mal tinha terminado , a tia Petúnia tirou lhe o prato . - Lá para_cima , rápido ! A o passar por a porta de a sala , Harry vislumbrou o tio Vernon e Dudley de casaco e gravata . Tinha acabado de chegar a o cimo de as escadas quando a campainha de a porta tocou e a cara de o tio Vernon apareceu em o patamar . - Lembra te , rapaz , um ruído que seja ... Harry entrou em o quarto em bicos de pés , fechou a porta e preparou se para se meter em a cama . O problema é_que estava lá alguém sentado . II_O aviso de Dobby_Harry conseguiu não gritar , mas foi por_pouco . A pequena criatura que estava em a cama tinha umas orelhas grandes e largas e uns olhos verdes protuberantes de o tamanho de bolas de ténis . Harry percebeu imediatamente que fora para ele que tinha estado a olhar de manhã . Enquanto olhavam um para o outro , Harry ouviu a voz de Dudley em o * hall * . - Posso guardar os vossos casacos , Mr. e Mrs._Mason ? A criatura escorregou por a cama e curvou se tanto que a ponta de o seu enorme nariz tocou em o tapete . Harry reparou que ele tinha vestido uma espécie de fronha de almofada com buracos para os braços e pernas . - Er ... Olá - disse Harry , um_pouco nervoso . - Harry_Potter ! - exclamou a criatura em uma voz tão estridente que Harry calculou que poderia ouvir se lá em baixo . - Há tanto tempo que Dobby queria conhecê o , senhor . É uma enorme honra ... - Ob-obrigado - disse Harry , deslocando se a o longo de a parede e sentando se em a cadeira de a secretária , junto de Hedwig que dormia em a sua grande gaiola . Queria perguntar lhe « O que és tu ? » , mas pensou que seria má educação , por isso perguntou : - Quem és tu ? - Dobby , senhor . Apenas Dobby , o elfo de casa - afirmou a criatura . - Oh ! A sério ? - perguntou Harry . - Não quero ser mal-educado , mas esta não é a melhor altura para ter um elfo em o meu quarto . O riso falso de a tia Petúnia ouvia se em a sala de jantar . O elfo deixou cair a cabeça . - Não que eu não me sinta feliz por te conhecer - disse Harry rapidamente - mas , er ... estás aqui por algum motivo em especial ? - Oh , sim senhor - disse Dobby muito a sério . - Dobby veio dizer lhe que ... é difícil ... Dobby não sabe por_onde começar ... - Senta te - disse Harry educadamente , apontando lhe a cama . Para seu horror , o elfo debulhou se em lágrimas bastante ruidosas . -- S-senta-te ! - repetiu . - Nunca em toda_a minha vida ... Harry pareceu lhe ouvir as vozes lá em baixo vacilarem . - Desculpa - murmurou . - Eu não queria ofender te ... - Ofender Dobby ! - exclamou o elfo em um sufoco . - Nunca nenhum feiticeiro disse a o Dobby que se sentasse como um seu igual , senhor . Harry , tentando dizer lhe « Sch ... » e confortá o ao_mesmo_tempo , conduziu Dobby de_novo até a a cama onde ele se sentou a soluçar , parecendo uma grande boneca muito feia . Por fim , conseguiu controlar se e ficou quieto , com os seus grandes olhos fixos em Harry em uma expressão de absoluta adoração . - Não deves ter conhecido muitos feiticeiros sérios - disse lhe , tentando animá o . Dobby abanou a cabeça . Em seguida , sem qualquer aviso , saltou e começou a bater furiosamente com a cabeça em a janela , gritando : - Dobby é mau ! Dobby é mau ! - Pára , o que é_que estás a fazer ? - perguntou Harry em um murmúrio sibilante , dando um salto e puxando Dobby de_novo para a cama . Hedwig acordara com um pio particularmente agudo e batia agressivamente com as asas contra as grades de a gaiola . - Dobby tinha que se castigar , meu senhor - afirmou o elfo , que ficara ligeiramente estrábico . - Dobby quase falou mal de a família de ele ... - De a tua família ? - De a família de feiticeiros que Dobby serve , meu senhor ... O Dobby é um elfo de casa , obrigado a servir uma casa e uma família para sempre . - Eles sabem que estás aqui ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Dobby estremeceu . - Oh , não senhor , não ... Dobby vai ter que se castigar muito por ter vindo vê o . Dobby vai ter que entalar as orelhas em a porta de o forno por isto . Se eles soubessem , senhor ... - Mas achas que eles não vão reparar se tu entalares as orelhas em a porta de o forno ? - Dobby duvida , senhor . Dobby está sempre a ter de se castigar por qualquer coisa . Eles deixam que o Dobby se castigue . _ às_vezes até sugerem alguns castigos extra . - Mas por_que é_que não te vais embora , não foges ? - Um elfo de casa tem de ser libertado , senhor . E a família nunca libertará Dobby . Dobby servirá a família até morrer . Harry olhou para ele . - E eu que pensava que era infeliz por ter de ficar aqui mais quatro semanas - declarou . - Isto faz os Dursleys parecerem quase humanos . Será que ninguém te pode ajudar ? Poderei eu ? Em o mesmo momento , Harry desejou não ter aberto a boca . Dobby desfez se em ruidosos soluços de gratidão . - Por favor - murmurou Harry , inquieto . - Por favor , está calado . Se os Dursleys ouvem barulho , se eles sabem que estás aqui ... - Harry_Potter pergunta se pode ajudar Dobby . Dobby ouviu falar de a sua grandeza , mas de a sua bondade , Dobby nada sabia . Harry , que se sentia corar , disse : - Seja o que for que tenhas ouvido sobre a minha grandeza , é um disparate . Nem_sequer sou o melhor de o meu ano em Hogwarts . É a Hermione . Ela ... Mas calou se rapidamente porque pensar em Hermione era lhe doloroso . - Harry_Potter é humilde e modesto - disse Dobby reverentemente , com os seus olhos de globo avermelhados . - Harry_Potter não fala de a sua vitória sobre « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . - Voldemort ? - perguntou Harry . Dobby bateu com as mãos em as enormes orelhas e gemeu : - Ai não diga o nome , senhor . Não diga o nome ! - Desculpa - disse Harry muito depressa . - Eu sei que muita gente não gosta . O meu amigo Ron ... Calou se de_novo . Pensar em o Ron era igualmente doloroso . Dobby voltou para Harry os seus dois olhos grandes como candeeiros . - Dobby ouviu dizer - balbuciou com voz rouca - que Harry_Potter encontrou o Senhor_do_Mal uma segunda vez há poucas semanas atrás ... que Harry_Potter lhe escapou de_novo . Harry acenou e os olhos de Dobby encheram se de lágrimas . - Ah , senhor - disse em um sobressalto , limpando o rosto com a ponta de a fronha de almofada que tinha vestida . - Harry_Potter é valente e arrojado . Enfrentou tantos perigos ! Mas Dobby veio protegê o , avisar Harry_Potter , mesmo_que para isso tenha de entalar as orelhas em a porta de o forno , que Harry_Potter não deve voltar para Hogwarts . Houve um silêncio apenas quebrado por o ruído de os garfos e de as facas lá em baixo e por a voz distante de o tio Vernon . - O q-q-uê ? - gaguejou Harry . - Mas eu tenho de voltar , o ano começa em o dia um de Setembro . É a minha razão de viver . Tu não sabes como são as coisas aqui . Eu não pertenço a este lugar , o meu lugar é em Hogwarts . - Não , não , não - guinchou Dobby , sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas andavam de um lado para o outro . - Harry_Potter deve ficar aqui , onde se encontra a salvo . É demasiado grande , demasiado bom para se perder . Se Harry_Potter regressar a Hogwarts correrá perigo de vida . - Porquê ? - inquiriu Harry , surpreendido . - Há uma conspiração , Harry_Potter . Uma conspiração para fazer acontecer coisas terríveis este ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts - murmurou Dobby que começara a tremer de a cabeça a os pés . - Dobby sabe de isto há meses , senhor . Harry_Potter não deve expor se a o perigo . É demasiado importante . - Que coisas terríveis são essas ? - perguntou Harry sem perder tempo . - Quem está por detrás ? Dobby fez um ruído esquisito e começou a bater com a cabeça contra a parede como um louco . - Está bem - gritou Harry , agarrando o braço de o elfo para o fazer parar . - Não podes dizer , eu compreendo . Mas porque vieste avisar me ? - Um pensamento súbito e desagradável surgiu lhe . - Espera aí , isto tem alguma coisa que ver com o Vol , desculpa com o Quem nós sabemos ? Basta que faças sim ou não com a cabeça - acrescentou com vivacidade enquanto a cabeça de Dobby se inclinava de_novo a uma velocidade preocupante para a parede . Lentamente , Dobby abanou a cabeça . - Não , não é « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . Os olhos de Dobby estavam abertos como_se estivesse a tentar dar a Harry uma pista , mas Harry estava completamente a a nora . - Ele não tem nenhum irmão , ou tem ? Dobby abanou a cabeça , os olhos mais abertos do_que nunca . - Bem , em esse caso não estou a ver quem mais poderia ter a possibilidade de fazer acontecer coisas horríveis em Hogwarts - disse Harry . - Quero dizer , para já está lá o Dumbledore . Sabes quem é Dumbledore , não sabes ? Dobby baixou a cabeça . - Albus_Dumbledore é o melhor director que Hogwarts alguma vez teve . Dobby sabe , senhor . Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore rivalizam com os d'aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Mas , senhor - a voz de Dobby desceu a um urgente murmúrio - há poderes que Dumbledore não ... poderes que nenhum feiticeiro sério ... E antes que Harry conseguisse impedi o Dobby saltou de a cama , agarrou o candeeiro de secretária de Harry e começou a bater com a cabeça , dando uivos ensurdecedores . Fez se silêncio lá em baixo . Dois segundos mais tarde , Harry com o coração a bater como um louco , ouviu o tio Vernon chegar a o * hall * e dizer . - O Dudley deve ter deixado outra_vez a televisão ligada , o maroto ! - Depressa , para dentro de o guarda-fatos - gritou Harry , empurrando Dobby bem para o fundo , fechando a porta e metendo se a correr em a cama mesmo a_tempo_de ver a maçaneta de a porta a girar . - Que diabo estás tu a fazer ? - disse o tio Vernon entre dentes , o rosto assustadoramente próximo de o de Harry . - Acabas de estragar o ponto alto de a minha anedota de o golfista japonês . Eu que oiça mais um som e vais desejar nunca ter nascido , rapaz ! Abandonou o quarto com grandes passadas . A tremer , Harry deixou Dobby sair de o guarda-fatos . - Estás a ver como são as coisas por aqui ? - disse . - Vês porque tenho de voltar para Hogwarts ? É o único sítio onde eu tenho ... bem , onde eu acho que tenho amigos . - Amigos que nem_sequer escrevem a Harry_Potter ? - disse Dobby com ar manhoso . - Calculo que devem ter estado ... espera aí - disse Harry , franzindo a testa . - Como é_que tu sabes que os meus amigos não me têm escrito ? Dobby arrastou os pés . - Harry_Potter não deve zangar se com Dobby . Dobby fez o que achou melhor ... - Tu tens estado a interceptar me as cartas ? - Dobby tem as aqui , senhor - disse o elfo . Saltando para longe de o alcance de Harry , retirou de dentro de a fronha que usava um espesso saco cheio de envelopes . Harry reconheceu de imediato a caligrafia certinha de Hermione , a escrita desordenada de Ron e até uns gatafunhos que pareciam ser de o guarda de os campos de Hogwarts , Hagrid . Dobby piscava ansiosamente os olhos . - Harry_Potter não deve ficar zangado ... Dobby esperava que ... se Harry_Potter pensasse que os amigos o tinham esquecido ... Harry_Potter talvez não quisesse voltar a a escola , senhor . Harry não o ouvia . Fez um gesto para agarrar as cartas , mas Dobby deu um salto , afastando se . - Harry_Potter terá as cartas , senhor , se der a Dobby a sua palavra de não voltar a Hogwarts . Ah , senhor , é um risco que não deve correr . Diga que não volta , senhor ! - Não - afirmou Harry zangado . - Dá me as cartas de os meus amigos ! - Em esse caso , Harry_Potter deixa Dobby sem escolha - disse o elfo tristemente . Antes que Harry pudesse fazer um movimento , Dobby tinha aberto a porta de o quarto e descido a correr por as escadas abaixo . Com a boca seca e um aperto em o estômago , Harry correu atrás de ele , tentando não fazer barulho . Saltou os últimos seis degraus , aterrando como um gato em a carpete de o * hall * , olhando em volta a a procura de Dobby . De a sala de jantar , ouviu a voz de o tio Vernon : - Conte a a Petúnia aquela história engraçadíssima de os funileiros americanos , ela tem estado louca por ouvi a , Mr._Mason . Harry correu de o * hall * para a cozinha e sentiu o estômago ficar pequenino . O pudim , que era a a obra-prima de a tia Petúnia , a montanha de creme batido coberto de violetas de açúcar flutuava junto de o tecto . Em cima de o guarda-louça de o canto , Dobby inclinava se servilmente . - Não - suplicou Harry . - Por favor , eles matam me . - Harry_Potter deve dizer que não vai voltar a a escola ... - Dobby , por favor . - Diga , senhor . - Não posso . Dobby lançou lhe um olhar trágico . - Então , Dobby deve fazê o , senhor , para o bem de Harry_Potter . O pudim foi direito a o chão em uma queda que parecia um coração a parar . O crome esguichou para as janelas e para as paredes , enquanto o prato se despedaçava . Com o ruído de uma chicotada , Dobby desapareceu . Ouviram se gritos em a casa de jantar e o tio Vernon irrompeu por a cozinha onde foi dar com Harry coberto , de a cabeça a os pés , por o pudim de a tia Petúnia . A princípio parecia que o tio Vernon ia conseguir arranjar uma desculpa para aquilo tudo . ( É só o nosso sobrinho , muito perturbado ; conhecer pessoas estranhas deixa o muito nervoso , por isso deixamos o lá em cima ... ) Conduziu_os_Mason , bastante chocados , para a sala de jantar , garantindo a Harry que o esfolava vivo quando os Mason se fossem embora e pôs lhe em as mãos um esfregão . A tia Petúnia descobriu um resto de gelado em o frigorífico e Harry , ainda a tremer , começou a limpar a cozinha . O tio Vernon poderia ainda ter feito o negócio , se não fosse a coruja . Estava a tia Petúnia a circular com uma caixa de After-Eight , quando uma enorme coruja de celeiro fez a sua entrada vertiginosa através de a janela de a casa de jantar , deixando cair uma carta em a cabeça de Mr._Mason e desaparecendo logo_a_seguir . Mrs._Mason gritava como uma carpideira e corria por a casa praguejando contra os lunáticos . Mr._Mason ficou o tempo estritamente necessário para dizer a os Dursleys que a mulher tinha um medo pânico de pássaros de todas_as formas e tamanhos e perguntar lhes se aquela era alguma brincadeira de mau gosto . Harry não saiu de a cozinha , agarrando o esfregão como defesa , enquanto o tio Vernon avançava para ele com um brilho demoníaco em os olhos pequeninos . - Lê isso - ordenou maldosamente . Harry pegou em a carta . Não era a desejar lhe um bom aniversário . * _ Caro_Mr._Potter , * _ Recebermos hoje informações de que um feitiço de suspensão em o ar foi efectuado em sua casa esta noite , a as nove_horas_e_doze_minutos . * _ Como sabe , os feiticeiros menores não estão autorizados a praticar magia fora de a escola e , se efectuar mais um trabalho mágico , será expulso de a nossa escola . ( Decreto_de_Restrições_Razoáveis_para_Feitiçaria_de_Menores , 1875 , parágrafo C. ) * _ Pedimos-lhe também que se lembre que qualquer actividade que possa ser notada por membros alheios a a nossa comunidade ( Muggles ) constitui uma ofensa grave , segundo a secção 13 de a Confederação_Internacional_do_Estatuto_da_Magia_Secreta . * _ Tenha umas boas férias . * Atenciosamente_Mafalda_Hopkirk_Gabinete_da_Utilização_Imprópria_da_Magia_Ministério_da_Magia * . Harry olhou para a carta e engoliu em seco . - Tu não nos contaste que estavas proibido de usar magia fora de a escola - disse o tio Vernon com um brilho maldoso a dançar lhe em os olhos . - Esqueceste te de o mencionar , passou te , não foi ? Tinha se aproximado de Harry como um grande * bulldog * , com todos os dentes a a mostra . - Tenho boas notícias para ti , rapaz , vou fechar te a a chave e , se tentares sair através_de magia , nunca mais voltas a aquela escola , eles expulsam te . E rindo como um louco , arrastou Harry até a o andar de cima . O tio Vernon era mau como as cobras . Em a manhã seguinte pagou a um homem para colocar grades em a janela de o quarto de Harry . Ele próprio abriu um pequeno buraco em a porta de o quarto para que a comida pudesse ser introduzida três vezes por dia . Deixavam o Harry sair para ir a a casa_de_banho de manhã e a o final de a tarde . O resto de o tempo estava fechado em o quarto , a a espera que o tempo passasse . Três dias mais tarde , os Dursleys não mostravam qualquer intenção de abrandar o castigo e Harry não sabia como sair de aquela situação . Estava deitado em a cama , vendo o sol brilhar por_entre as grades de a janela e perguntando se tristemente o que viria a acontecer lhe . Qual era a vantagem de sair de ali por artes mágicas , se Hogwarts o expulsaria em seguida ? Contudo , a vida em Privet_Drive tinha atingido o seu nível mais baixo . Agora_que os Dursleys tinham a certeza que não iam acordar transformados em morcegos , ele perdera a única arma que tinha . O Dobby podia tê o salvo de acontecimentos terríveis em Hogwarts , mas de a maneira que as coisas estavam , ele morreria muito provavelmente a a fome . A portinhola rangeu e a mão de a tia Petúnia apareceu empurrando uma tigela de sopa de pacote para dentro de o quarto . Harry , que estava cheio de fome , saltou de a cama e agarrou a . A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um único trago . A seguir , atravessou o quarto até a a gaiola de Hedwig e pôs os legumes ensopados dentro de o seu pratinho vazio . Ela agitou as penas e olhou o com profunda repugnância . - Não vale de nada virares lhe as costas . É tudo_o_que temos - disse Harry , de modo severo . Colocou a tigela vazia em o chão junto de a portinhola e voltou para_cima de a cama , de certo modo com mais fome do_que antes de ter comido a sopa . Admitindo que estaria ainda vivo dentro_de quatro semanas o que aconteceria se ele não se apresentasse em Hogwarts ? Será que mandariam alguém obrigar os Dursleys a deixá o ir ? O quarto começava a escurecer . Exausto e com o estômago a dar horas , o cérebro a as voltas com as mesmas questões sem resposta , Harry caiu em um sono intranquilo . Sonhou que fazia parte de um espectáculo de o jardim zoológico . Preso a a jaula onde se encontrava estava um cartaz onde podia ler se « feiticeiro menor de idade « . As pessoas olhavam o com olhos protuberantes , enquanto ele jazia fraco e esfomeado em um leito de palha . Viu a cara de o Dobby em o meio de a multidão e gritou lhe , pedindo ajuda , mas o Dobby respondeu : - Harry_Potter está em segurança aí , senhor - e desapareceu . Em seguida vieram os Dursleys e Dudley bateu em as grades de a jaula , rindo se de ele . - Pára com isso - murmurou Harry como_se aquele ruído martelasse em a sua cabeça dorida . - Deixa me em paz , pára com isso , estou a tentar dormir . Abriu os olhos . O luar brilhava através de as grades de a janela . E lá fora alguém olhava de olhos arregalados para ele : alguém de rosto sardento , cabelo ruivo e nariz grande . Ron_Weasley estava de o lado de_fora de a janela . III « A toca » Ron ! - exclamou Harry , arrastando se até a a janela e empurrando a para poderem falar através de as grades . - Ron , como é_que tu , foi o ... ? Harry ficou de boca aberta , espantado com o que viu . Ron estava debruçado de a janela de trás de um velho automóvel azul-turquesa que se encontrava estacionado em o ar . Em os lugares de a frente , rindo se para Harry , estavam os irmãos mais velhos , os gémeos Fred e George . - Tudo bem , Harry ? - O que é_que se tem passado ? - perguntou o Ron . - Porque não respondeste a as minhas cartas ? Convidei te para vires ter comigo umas doze vezes e um dia o pai chegou a casa e comunicou nos que tu tinhas recebido um aviso oficial por usares magia diante de os Muggles ... - Não fui eu . E como é_que ele soube ? - Ele trabalha em o Ministério - disse o Ron . - Tu sabes que nós não podemos fazer feitiços fora de a escola . - Bem , isso vindo de ti ... - exclamou Harry , olhando para o carro flutuante . - Oh , isto não conta - disse Ron . - Foi o meu pai que o emprestou . Não o fizemos aparecer por magia . Mas usar magia em a frente de esses Muggles com quem tu vives ... - Já te disse que não fui eu , mas vai demorar muito_tempo a explicar te isso agora . És capaz de avisar em Hogwarts que os Dursleys me fecharam a a chave e que não querem deixar me voltar e obviamente eu não posso sair de aqui magicamente senão o Ministério vai achar que é a segunda vez em três dias e ... - Pára com essa conversa tola - disse o Ron . - Viemos para te levar connosco . - Mas tu também não podes tirar me de aqui utilizando processos mágicos ... - Não precisamos de isso - afirmou Ron , fazendo um sinal de cabeça para os lugares de a frente . - Esqueces te de quem está aqui comigo . - Amarra isso em volta de as grades - disse o Fred , lançando a Harry a ponta de uma corda . - Se os Dursleys acordam estou feito - lamentou se Harry enquanto dava um nó bem apertado com a corda em uma de as grades e o Fred arrancava com o carro . - Não te preocupes e chega te para trás . Harry recuou para a sombra , para junto de Hedwig que parecia ter se apercebido de a importância de tudo aquilo , mantendo se quieta e em silêncio . O carro puxou mais e mais e , subitamente , com um ruído de ferro a ceder , as grades foram arrancadas de a janela , enquanto Fred conduzia com o céu como estrada . Harry correu de_novo para a janela para ver as grades a balouçarem a poucos metros de o chão . Ofegante , Ron içou as para dentro de o carro . Harry escutou ansiosamente mas não vinha qualquer som de o quarto de os Dursleys . Quando as grades estavam em segurança em os lugares de trás junto de Ron , Fred aproximou se o_máximo que lhe foi possível de a janela . - Anda de aí - disse . - Mas , todas_as minhas coisas de Hogwarts , a minha varinha , a minha vassoura ... - Onde estão ? - Fechadas em a despensa debaixo de as escadas e eu não posso sair de este quarto . . - Não há azar - disse o George . - Sai de a frente , Harry . Fred e George treparam cautelosamente e entraram por a janela em o quarto de Harry . Tinhas que ter aberto a boca , pensou Harry enquanto George tirava de o bolso um vulgar gancho de cabelo e começava a tentar abrir a fechadura . - Muitos feiticeiros acham que é uma perda de tempo aprender os truques de os Muggles - disse o Fred . - Mas nós pensamos que há habilidades que é sempre útil conhecer apesar_de serem um_pouco lentas . Ouviu se um pequeno clique e a porta abriu se . - Pronto , vamos buscar as tuas coisas . Tu vai dando a o Ron aquilo que precisas de aí de o teu quarto - murmurou George . - Cuidado com o degrau de cima que range - sussurrou Harry enquanto os gémeos desapareciam em o escuro . Harry deu a volta a o quarto , recolhendo as suas coisas e passando as por a janela a o Ron . Em seguida , foi ajudar o Fred e o George a trazerem o resto por as escadas acima . Ouviu o tio Vernon tossir . Por fim , de língua de_fora , chegaram a o quarto , junto de a janela aberta . Fred trepou para o carro para puxar os volumes com o Ron enquanto Harry e George os empurravam de dentro de o quarto . Centímetro a centímetro o malão foi passando por a janela . O tio Vernon tossiu de_novo . - Mais um_pouco - disse o Fred que estava a puxar de dentro de o carro . Um bom empurrão , vá . Harry e George encostaram os ombros contra a mala e ela escorregou para a parte de trás de o carro . - O. _ K. , vamos embora - murmurou o George . Mas quando Harry trepava para o parapeito de a janela ouviu se um forte pio atrás de ele , imediatamente seguido de o vociferar de o tio Vernon . - Aquela maldita coruja ! - Esqueci me de a Hedwig ! Harry precipitou se de_novo para o quarto , enquanto a luz de o patamar se acendia . Agarrou a gaiola de Hedwig , correu para a janela e passou a a o Ron . Estava a subir para_cima de a cómoda quando o tio Vernon bateu em a porta , que não estava fechada , e esta se abriu completamente . Por uma fracção de segundo , o tio Vernon ficou estático junto de a porta . Em seguida , soltou um mugido como um boi zangado e avançou para Harry , agarrando o por o tornozelo . Ron , Fred e George seguraram o por os braços e puxaram o com toda_a força . - Petúnia - rosnou o tio Vernon . - Ele está a fugir ! : __ ele está a __ fugir ! Os Weasleys deram um puxão gigantesco e a perna de o Harry escapou a as garras de o tio Vernon . Logo_que Harry entrou em o carro e a porta se fechou , Ron gritou : - Acelera Fred ! - E o carro partiu subitamente em direcção a a lua . Harry mal podia acreditar que estava livre . Esticou se a a janela , o ar de a noite a fustigar lhe os cabelos e olhou para baixo , para os telhados apertados de Privet_Drive . O tio Vernon , a tia Petúnia e o Dudley estavam todos debruçados com cara de parvos , a a janela de o quarto de ele . - Até a o próximo Verão - gritou . Os Weasleys riam se a as gargalhadas e Harry esticou se para trás em o assento e pediu a o ouvido de Ron : - Deixa sair a Hedwig . Ela pode voar atrás_de nós . Há séculos que não tem uma oportunidade de esticar as asas . George passou a o Ron o gancho de cabelo e , um momento depois , a Hedwig saíra feliz por a janela , planando atrás de eles como um fantasma . - Então , qual é a história ? - perguntou Ron , impaciente . - O que é_que tem estado a acontecer ? Harry contou lhes tudo sobre o Dobby , o aviso de este e o fracasso de o pudim de violetas . Houve um longo silêncio quando ele se calou . - Isso cheira me a esturro - disse , por fim , o Fred . - Definitivamente misterioso - concordou George . - Então ele nem te disse quem está supostamente por detrás dessa trama toda ? - Acho que não podia - explicou Harry . - Já te disse , de cada_vez que estava quase a deixar escapar qualquer coisa , começava a bater com a cabeça em a parede . Viu Fred e George olharem um para o outro . - O quê ? Acham que ele estava a mentir me ? - perguntou Harry . - Bem - começou o Fred -- , coloquemos as coisas de o seguinte modo , os elfos de casa têm poderes mágicos próprios , mas geralmente não podem usá os sem a autorização de os seus donos . Eu acho que o bom de o Dobby foi enviado para evitar que voltasses para Hogwarts . Uma ideia de um engraçadinho . Haverá alguém em a escola com má vontade contra ti ? - Sim - responderam Harry e Ron , precisamente ao_mesmo_tempo . - Draco_Malfoy - explicou Harry . - Ele detesta me . - Draco_Malfoy ? - perguntou George , voltando se para trás . - O filho de o Lucius_Malfoy ? - Deve ser . Não é um nome muito vulgar , pois não ? - disse Harry . - Mas porquê ? - Ouvi o pai falar acerca de ele - confidenciou George . - Ele era um grande apoiante de o « Quem nós sabemos » . - E quando o « Quem nós sabemos » desapareceu - continuou o Fred , voltando a cara para olhar para Harry - o Lucius_Malfoy voltou , dizendo que não foi por vontade própria que fez o que fez . Monte de lixo . O pai acha que ele fazia parte de um círculo de amigos íntimos de o « Quem nós sabemos » . Harry já tinha ouvido esses boatos sobre a família de Malfoy e não o surpreenderam em absoluto . Malfoy fizera Dudley_Dursley parecer um rapazinho simpático , amável e sensível . - Não sei se os Malfoy têm um elfo de casa ... - afirmou Harry . - Bem , quem quer que o possua é sem dúvida uma antiga família de feiticeiros e deve ser rica - explicou Fred . - Sim . A mãe está sempre a desejar que pudéssemos ter um elfo de casa para passar a roupa a ferro - disse o George . - Mas só temos um velho vampiro piolhoso em o sótão e gnomos espalhados por o jardim . Os elfos de casa pertencem a as grandes casas senhoriais , a os castelos e lugares assim , não encontrarias um em a nossa casa ... Harry estava calado . Considerando que Draco_Malfoy tinha sempre as melhores coisas , que a sua família nadava em ouro de feiticeiros , era fácil imaginá o passeando se por uma enorme casa senhorial . Mandar o servo de a família evitar que Harry voltasse para Hogwarts também parecia exactamente o tipo de coisa que Malfoy poderia fazer . Teria Harry sido estúpido a o tomar Dobby a sério ? - De qualquer modo , ainda_bem que viemos buscar te - declarou Ron . - Eu começava a ficar seriamente preocupado por não responderes a nenhuma de as minhas cartas . A princípio pensei que a culpa fosse de a Errol ... - Quem é a Errol ? - A nossa coruja . Já é velhota . Não seria a primeira vez que adoecia durante uma entrega . Por isso , tentei pedir a Hermes emprestada ... - Quem ? - A coruja que os meus pais compraram a o Percy quando ele foi nomeado prefeito - respondeu Fred . - Mas o Percy não me a emprestou . Disse que precisava de ela . - O Percy tem andado com atitudes muito estranhas este Verão - comentou George franzindo a testa . - E tem mandado imensas cartas e passado um tempo infinito fechado em o quarto ... enfim , pode limpar se e polir um distintivo de prefeito todas_as vezes que se quiser ... Estás a conduzir demasiado para ocidente , Fred - acrescentou apontando para uma bússola em o painel de o automóvel . Fred girou o volante . - Então , o vosso pai sabe que têm o carro ? - perguntou Harry , quase adivinhando a resposta . - Er ... não - disse o Ron . - Ele tinha trabalho esta noite . Felizmente vamos poder pô o de_novo em a garagem , sem a mãe perceber que andámos a voar nele . - A propósito , o que faz o vosso pai em o Ministério_da_Magia ? - Trabalha em o Departamento mais chato - respondeu Ron . - A Divisão de utilização incorrecta de artefactos de os Muggles . - O quê ? - Relaciona se com objectos de feitiçaria que foram feitos por os Muggles ; sabes como é , se forem parar de_novo a uma loja de os Muggles , ou a uma casa , como em o ano passado , quando morreu uma bruxa velha e o bule de ela foi vendido a uma loja de antiguidades . Uma mulher Muggle comprou o , tentou servir chá a os amigos . Foi um pesadelo , o pai teve de fazer horas extraordinárias durante semanas . - O que é_que aconteceu ? - O bule parecia louco , esguichou chá a ferver para todos os lados e um de os homens foi parar a o hospital com a pinça de o açúcar presa em o nariz . O pai ficou nervosíssimo . É só ele e o velho feiticeiro Perkings em o gabinete e tiveram de localizar e descobrir todo o tipo de encantamentos para resolver o assunto . - Mas o teu pai ... este carro ... Fred riu se . - Sim , o pai é louco por tudo_o_que tem que ver com os Muggles . A nossa arrecadação está cheia de coisas de os Muggles . Ele separa as , lança lhes feitiços e volta a pô as em o lugar . Se ele fizesse uma busca a nossa casa teria de se prender a si mesmo . A minha mãe fica louca com tudo aquilo . - É a estrada principal - gritou o George , apontando para baixo através de a janela . - Dentro_de poucos minutos estamos lá , mesmo a tempo , está a começar a clarear . Um leve brilho rosado tingia o horizonte para leste . Fred trouxe o carro para baixo e Harry pôde ver uma manta de retalhos de campos escuros e matas de arbustos . - Estamos um_pouco longe de a vila - disse George . - Em Ottery_St . Catchpole ... O carro voador foi descendo a os poucos . A luz avermelhada brilhava agora por_entre as árvores . - Terra - disse o Fred , em o momento em que tocaram em o chão com um ligeiro solavanco . Tinham aterrado perto_de uma garagem em ruínas em um pequeno pátio e Harry viu pela_primeira_vez a casa de o Ron . Parecia ter sido em tempos uma pocilga de pedra . Mas os quartos que posteriormente lhe tinham sido acrescentados haviam a tornado bastante mais alta e o seu aspecto era tão curvado que parecia ter sido construída por artes mágicas ( o que , pensou Harry , era , muito provavelmente , verdade ) . De o telhado vermelho saíam quatro ou cinco chaminés . Junto de a entrada , fixa em o chão , podia ver se uma inscrição assimétrica que dizia « A toca » . A o lado de a porta principal estava uma contusão de botas de * _ Wellington * e um caldeirão completamente enferrujado . Por o pátio passeavam se várias galinhas castanhas e gordas . - Não é grande coisa - desculpou se o Ron . - É óptima - exclamou Harry , feliz , pensando em Privet_Drive . Saíram de o carro . - Agora vamos lá para_cima sem fazer barulho - disse o Fred . - E esperamos que a mãe nos chame para o pequeno-almoço . Depois tu , Ron , desces a escada entusiasmadíssimo . - Mãe , olha quem apareceu cá durante a noite ! - E ela vai sentir se felicíssima quando vir o Harry . Assim ninguém fica a saber que levámos o carro voador . - Certo - disse o Ron . - Vamos , Harry , eu durmo em o ... Ron ganhou uma cor de um pálido esverdeado , os olhos fixos em a casa . Os outros três fizeram meia volta . Mrs._Weasley avançava por o pátio , afugentando as galinhas e , para uma mulher baixa , roliça e simpática , era fantástico como conseguia parecer se com um tigre dentes-de-sabre . - Ah ! - suspirou o Fred . - Oh , oh ! - exclamou o George . Mrs._Weasley parou em frente de eles . As mãos em as ancas , saltando de um olhar culpado para o outro . Usava um avental a as flores , com uma varinha a sair lhe de o bolso . - Com que então - disse . - Bom dia , mãe - arriscou o George com uma voz que tentou que fosse alegre e bem-disposta . - Vocês têm alguma ideia de como tenho estado preocupada ? - perguntou Mrs._Weasley em um murmúrio fraco . - Desculpe , mãe , mas sabe , nós tivemos que ... Os três filhos de Mrs._Weasley eram mais altos do_que ela , mas tremiam quando a fúria de a mãe se abatia sobre eles . - Camas vazias ! Nem um bilhete ! O carro desaparecido ... Podiam ter tido um acidente , estou fora de mim com tanta preocupação e vocês nem se importam ... nunca , enquanto eu for viva ... esperem só até o vosso pai chegar , nunca tivemos problemas de estes com o Bill , com o Charlie ou com o Percy ... - O perfeito Percy - resmungou Fred . - : __ tu não vales um dedo de a mão de o __ percy ! - gritou Mrs._Weasley , espetando um dedo em o queixo de o Fred . - Podias ter morrido , podias ter sido visto , podias ter feito com que o teu pai perdesse o emprego ... Parecia nunca mais acabar . Mrs._Weasley tinha gritado até ficar ronca , antes de se voltar para o Harry , que recuou . - Estou muito contente por te ver , Harry - disse . - Entra e vem tomar o pequeno-almoço . Ela voltou se e regressou a casa e Harry , depois de trocar um olhar nervoso com o Ron , que lhe acenou , encorajando o , seguiu a . A cozinha era pequena e bastante estreita . A meio havia uma enfezada mesa de madeira e cadeiras em volta e Harry sentou se a a beirinha de o assento , olhando em volta . Era a primeira vez que entrava em uma casa de feiticeiros . O relógio em a parede em frente de ele , tinha apenas um ponteiro e nenhum número . Em volta , estavam escritas frases como « Hora de fazer o chá » , « Hora de dar de comer a as galinhas « e « Estás atrasado » . Empilhados em o rebordo de a lareira estavam livros com títulos como * _ Encanta o teu próprio queijo , Encantamento em a cozedura de o pão e Banquetes em um minuto - é mágico * ! E , a menos que os ouvidos de Harry estivessem a traí o , o velho rádio próximo de o lava-loiças acabara de anunciar que a seguir vinha a Hora de enfeitiçar com a popular feiticeira-cantora Celestina_Warbeck . Mrs._Weasley fazia barulho com os talheres , preparando o pequeno-almoço um bocado a o acaso , lançando olhares furiosos a os filhos , enquanto lançava as salsichas em a frigideira . De vez em quando murmurava coisas como : « Não sei o que vos passou por a cabeça « ou « nunca devia ter confiado em vocês » . - Eu não te culpo , filho - tranquilizou Harry , pondo lhe sete ou oito salsichas em o prato . - Eu e o Arthur temos estado preocupados contigo . Ainda ontem a a noite estivemos a dizer que te iríamos buscar nós próprios se não respondesses a o Ron até sexta-feira . Mas , em a verdade ( estava agora a acrescentar três ovos estrelados a o prato de ele ) , atravessar metade de o país a voar em um carro ilegal , qualquer um vos poderia ter visto ... Agitou maquinalmente a varinha em a direcção de o lava-loiças , onde a loiça começou a lavar se sozinha , tinindo baixinho lá atrás . - Estava enevoado , mãe ! - exclamou o Fred . - Boca fechada enquanto comes ! - interrompeu Mrs._Weasley . - Eles estavam a fazê o passar fome , mãe ! - disse o George . - E tu também ! - disse Mrs._Weasley , mas já foi com uma expressão mais doce que começou a cortar o pão para Harry e a barrá o com manteiga . Em esse momento , as atenções voltaram se para um pequenino volto de cabelos ruivos , em uma camisa de dormir até a os pés , que surgiu em a cozinha , deu um grito agudo e desapareceu de_novo . - É a Ginny - disse Ron baixinho a o Harry -- , a minha irmã . Tem falado de ti todo o Verão . - Sim , ela vai querer o teu autógrafo , Harry - riu se o Fred , mas o seu olhar cruzou se com o de a mãe e inclinou se para o prato , não voltando a abrir a boca . Ninguém falou até os quatro pratos estarem limpos , o que sucedeu a uma velocidade surpreendente . - Bolas , estou cansado - bocejou Fred , pousando a faca e o garfo . Acho que me vou deitar e ... - Não vais , não senhor - interrompeu Mrs._Weasley . - A culpa é tua se ficaste toda_a noite acordado . Vais fazer a des-gnomização de o jardim . Eles estão outra_vez a exagerar . - Oh , mãe ... - E vocês os dois o mesmo - dirigiu se a o Ron e a o Fred . - Tu podes ir para a cama , filho - disse a Harry . - Não lhes pediste que guiassem aquele carro miserável . Mas Harry , que se sentia acordadíssimo , respondeu prontamente : - Eu ajudo o Ron , nunca vi uma des-gnomização ... - É muito simpático de a tua parte , querido , mas é um trabalho chato - explicou Mrs._Weasley . - Vejamos o que o Lockhart tem a dizer acerca disto . E puxou de o rebordo de a lareira um livro pesadíssimo . George resmungou : - Mãe , nós sabemos * des-gnomizar * o jardim . Harry olhou para a capa de o livro de Mrs._Weasley . Em grandes letras douradas , que ocupavam grande parte de a capa , podia ler se Guia_de_Gilderoy_Lockhart para pragas caseiras . Via se também a grande fotografia de um feiticeiro bem-parecido , de cabelos loiros ondulados e olhos azuis brilhantes . Como sempre , em o mundo de os feiticeiros , a fotografia mexia se . O feiticeiro , que Harry calculou ser Gilderoy_Lockhart , não parava de lhes piscar os olhos descaradamente . Mrs._Weasley sorriu lhe . - Oh , ele é fantástico - disse . - Conhece bem as pragas caseiras . É um livro maravilhoso . - A mãe adora o - disse Fred em um murmúrio bastante audível . - Não sejas ridículo , Fred - repreendeu Mrs._Weasley com as bochechas coradas . - É claro que se achas que sabes mais do_que o Lockhart , podes ir fazer o trabalho e ai de ti se houver um único gnomo em o jardim quando eu for fazer a inspecção . A bocejar e a resmungar , os Weasley arrastaram se lá para fora com Harry atrás de eles . O jardim era grande e , em a opinião de Harry , exactamente como deveria ser um jardim . Os Dursleys não teriam gostado . Havia uma enorme quantidade de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada , mas havia árvores nodosas em volta de as paredes , plantas que Harry nunca vira , tombando de todos os canteiros e um grande lago verde cheio de rãs . - Os Muggles também têm gnomos de jardim , sabes - disse o Harry a o Ron , enquanto atravessavam a relva . - Sim , já vi essas coisas que eles pensam que são gnomos - disse o Ron todo dobrado , com a cabeça em uma moita de peónias . - Como os Pais_Natais gordinhos com canas de pesca ... Houve um tumulto ruidoso , a moita de peónias estremeceu e Ron endireitou se . - Isto_é um gnomo - declarou com um ar sério . - Larga eu ! Larga eu ! - guinchou o gnomo . Não se parecia em absoluto com o Pai_Natal . Era pequenino e parecia de couro , com uma grande cabeça protuberante e calva , precisamente como uma batata . Ron agarrou o a a distância de um braço , enquanto ele dava pontapés em o ar com os seus pézinhos que pareciam chifres . Agarrou o por os tornozelos e voltou o de pernas para o ar . - Isto_é o que tens de fazer - disse . Levantou o gnomo acima de a cabeça ( Larga eu ! ) e começou a balouçá o em grandes círculos , como os vaqueiros fazem com os laços . A o ver a expressão chocada de Harry , Ron explicou : - Não os mágoa . Só tens de os deixar bem tontos para que consigam encontrar o caminho de regresso a os buracos de os gnomos . Largou os tornozelos de o gnomo . Ele voou seiscentos metros e aterrou com um ruído surdo em o campo a o lado de a sebe . - Deplorável - afirmou o Fred . - Aposto que consigo lançar o meu para_além de aquele tronco . Harry aprendeu rapidamente a não sentir muita pena de os gnomos . Decidira largar o primeiro que apanhou para_além de a sebe , mas o gnomo , sentindo fraqueza , enfiou os seus dentinhos , aguçados como laminas , em o dedo de o Harry e não foi fácil sacudi o para ele o largar , até que ... - Uau , Harry , esse deve ter sido seiscentos metros ... O ar estava subitamente cheio de gnomos voadores . - Vês , eles não são muito espertos - afirmou o George , agarrando cinco ou seis de uma_vez . - Em o momento em que se apercebem que começou a * des-gnomização * , aparecem todos para espreitar . Era de esperar que já tivessem aprendido a ficar quietinhos . Rapidamente a multidão de gnomos começou a ir se embora , atravessando os campos em uma fila ordenada , com os pequeninos ombros arqueados . - Eles voltam - disse o Ron enquanto os via desaparecer em a sebe de o outro lado de o campo . - Eles adoram estar aqui ... o pai é muito mole com eles , acha lhes piada . Em esse momento , a porta de a frente bateu . - Ele já voltou ! - exclamou o George . - O pai já está em casa ! Apressaram se a entrar . Mr._Weasley tinha se afundado em uma de as cadeiras de a cozinha , sem óculos e com os olhos fechados . Era um homem magro , quase calvo , mas o pouco cabelo que tinha era tão ruivo como o de os filhos . Vestia um longo manto verde cheio de pó e estava cansado de a viagem . - Que noite - murmurou , tacteando em busca de o bule , enquanto todos se sentavam a a volta de ele . - Nove assaltos , nove ! E o velho Mundungs_Fletcher tentou lançar me um feitiço quando eu estava de costas . Mr._Weasley tomou um bom gole de chá e suspirou . - Encontrou alguma coisa , pai ? - perguntou Fred ansiosamente . - Só encontrei algumas chaves encolhidas e uma chaleira que mordia - bocejou Mr._Weasley . - Havia um material bastante mauzinho , mas não era de o meu departamento . O Mortlake foi levado para ser interrogado sobre uns furões extremamente antigos , mas isso pertence a a Comissão_dos_Feitiços_Experimentais , graças_a Deus . - Por_que é_que alguém ia dar se a o trabalho de fazer encolher chaves ? - perguntou George . - Para chatear os Muggles - suspirou Mr._Weasley . - Vende se lhes uma chave que não pára de encolher , até que desaparece , de_modo_a que nunca a encontrem quando precisam ... É claro que é muito difícil condenar alguém , porque nenhum Muggle é capaz de admitir que a sua chave está a encolher , insistem em que estão sempre a perdê a . Benditos sejam , vão até onde for preciso para ignorar a magia , mesmo_que ela esteja em frente de os seus narizes ... mas vocês não acreditariam em as coisas que o nosso grupo tem levado para enfeitiçar ... - : __ como carros , por __ exemplo ? Mrs._Weasley tinha aparecido , segurando um grande atiçador que parecia uma espada . Os olhos de Mr._Weasley abriram se de repente , fitando a mulher com um ar culpado . - C-carros , Molly querida ? - Sim , Artur , carros - afirmou Mrs._Weasley , os olhos a faiscar . - Imagina um feiticeiro a comprar um carro velho e enferrujado e dizer a a mulher que a única coisa que queria fazer com ele era desmontá o para ver como ele funcionava , enquanto em a verdade estava a enfeitiçá o para o fazer voar . Mr._Weasley piscou os olhos . - Bem , querida , acho que poderás constatar que não é ilegal fazer isso , embora , er , talvez ele devesse ter contado a verdade a a mulher ... Existe uma forma de tornear a lei , já_que ela diz que ... desde_que não se tenha a * intenção * de voar em o carro , o facto de ele poder voar , não ... - Arthur_Weasley tu arranjaste essa forma de tornear a lei quando a escreveste ! - gritou Mrs._Weasley . - Para poderes continuar a remexer em todo aquele lixo de os Muggles que tens em a arrecadação ! E , para tua informação , o Harry chegou hoje_de_manhã em o carro que tu não pretendias pôr a voar ! - Harry ? - perguntou Mr._Weasley sem expressão . - Qual Harry ? Olhou em volta , viu Harry e deu um salto . - Santo_Deus , é Harry_Potter ? Muito prazer , o Ron falou nos tanto de si ... - * _ O teu filho conduziu aquele carro até a a casa de o Harry e de volta até aqui em a noite passada ! * - gritou Mrs._Weasley . - O que tens a dizer a esse respeito ? - A sério ! ? - exclamou Mr._Weasley com vivacidade . - Correu tudo bem , quero dizer ... - vacilou a o ver os olhos de Mrs._Weasley que faiscavam . - Er , fizeram mal , rapazes , muito mal , mesmo ... - Vamos deixá os a os dois - murmurou o Ron , enquanto Mrs._Weasley inchava como um sapo gigantesco . - Vamos , vou mostrar te o meu quarto . Esgueiraram se de a cozinha e desceram uma passagem estreita que dava para uma escada desnivelada que ziguezagueava a o longo de a casa . Em o terceiro andar , estava uma porta entreaberta . Harry só teve tempo de ver um par de olhos castanhos brilhantes que o olhavam fixamente , antes de a porta se fechar com um estalido . - A Ginny - disse o Ron . - Não imaginas como é estranho vês a tão tímida , ela que quase nunca se cala ... Subiram mais dois andares , até chegarem a uma porta com a tinta a descascar e uma pequena placa dizendo : « Quarto_do_Ronald » . Harry entrou . A cabeça quase tocava em o tecto inclinado . Piscou os olhos . Era como entrar dentro_de uma fornalha : quase tudo em o quarto de o Ron tinha um violento matiz alaranjado : a colcha de a cama , as paredes , até o tecto . Em seguida , apercebeu se de que o Ron tinha coberto cada centímetro de o velho papel de parede com * posters * de as mesmas sete feiticeiras e feiticeiros , todos vestidos com brilhantes mantos cor de laranja , transportando vassouras e acenando entusiasticamente . - A tua equipa de Quidditch ? - perguntou Harry . - Os Chudley_Cannons - disse Ron , apontando para a colcha cor de laranja que tinha um brasão com dois C's gigantes e uma bala de canhão a_toda_a velocidade . - Nono em a Liga . Os livros de estudo de feitiços de Ron estavam empilhados desordenadamente a um canto , junto de um monte de B. _ D. , todas elas relativas a as * _ Aventuras_de_Martin_Miggs , o Muggle louco * . A varinha mágica de o Ron estava em_cima_de um aquário cheio de ovos de rã sobre o peitoril de a janela , junto de o seu rato gordo e cinzento , Scabbers , que dormia uma soneca a o sol . Harry passou por_cima_de um baralho de cartas de jogar com vontade própria , que estava caído em o chão , e olhou para fora de a janelinha . Em o campo , não muito longe , podia ver um grupo de gnomos a esgueirarem se , um a um , de_novo para a sebe de os Weasley . Em seguida , voltou se para Ron que o observava nervoso , como_se esperasse a opinião de ele . - É um_pouco pequeno - declarou o Ron muito depressa . - Não se parece nada com o quarto que tu tinhas em casa de os Muggles . E estou mesmo debaixo de o vampiro de o sótão . Ele anda sempre a bater nos canos e a gemer ... Mas Harry , com um grande sorriso , disse lhe : - Esta é a melhor casa em que eu já estive . As orelhas de Ron ficaram cor-de-rosa . IV_Na_Flourish and Blotts_A vida em a Toca era o mais diferente que é possível de a vida em Privet_Drive . Os Dursleys gostavam de tudo limpo e arrumado , em casa de os Weasleys explodia o estranho e o inesperado . Harry teve um choque de a primeira vez que olhou para o espelho que estava sobre a lareira de a cozinha e ele gritou : - Mete para dentro a camisa , * desmazelado ! * - O vampiro de o sótão gemia e batia nos canos , sempre_que sentia as coisas demasiado calmas e as pequenas explosões em o quarto de o Fred e de o George , eram consideradas perfeitamente normais . Mas o que o Harry achou mais bizarro em a vida em casa de o Ron , não foi o espelho que falava , nem o vampiro barulhento , foi o facto de todos ali em casa parecerem gostar de ele . Mrs._Weasley preocupava se com o estado de as suas meias e tentava obrigá o a servir se quatro vezes a cada refeição . Mr._Weasley gostava que Harry se sentasse a o lado de ele a a mesa para poder bombardeá o com perguntas sobre a vida com os Muggles , pedindo que lhe explicasse como funcionavam coisas como as canalizações e o serviço de os correios . - Fascinante ! - exclamava , enquanto Harry lhe explicava a utilização de o telefone . - Engenhoso , de facto , todas_as maneiras que os Muggles encontraram para passar sem a magia . Harry teve notícias de Hogwarts em uma manhã de sol , cerca de uma semana depois de ter chegado a a Toca . Quando , ele e o Ron desceram para tomar o pequeno-almoço , encontraram Mr. e Mrs._Weasley e Ginny já sentados a a mesa . Em o momento em que viu o Harry , Ginny entornou a tigela de os cereais , que caiu a o chão com grande espalhafato . Ginny entornava facilmente coisas sempre_que o Harry estava em a sala . Mergulhou debaixo de a mesa para apanhar a tigela e emergiu com o rosto a brilhar como o sol poente . Fingindo não ter dado por nada , Harry sentou se e aceitou a torrada que Mrs._Weasley lhe ofereceu . - Cartas de a escola - disse Mr._Weasley , passando a o Harry e a o Ron envelopes idênticos de pergaminho amarelado , com a morada escrita a tinta verde . - O Dumbledore já sabe que estás aqui , Harry , não perde nada aquele homem . Vocês os dois também - acrescentou , enquanto Fred e George deambulavam em a casa , ainda em pijama . Fez se silêncio durante alguns momentos , enquanto liam as respectivas cartas . A de o Harry dizia para apanhar o Expresso_de_Hogwarts , como sempre em a Estação_de_King's_Cross , em o dia_1_de_Setembro . Havia ainda uma lista de os livros que precisaria para o próximo ano . Os alunos de o segundo ano deverão ter : * _ O_Livro_Padrão_de_Feitiços , Grau 2 , por Miranda_Goshawk . * _ Ensinamentos_de_Uma_Fada_Carpideira , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Férias com Bruxas , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Duendes , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Lobisomens , por Gilderoy_Lockhart . * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves , por Gilderoy_Lockhart * . Fred , que terminara a sua própria lista , espreitou para a de o Harry . - Também te mandam comprar os livros de o Lockhart - disse . - A professora de defesa contra as artes negras deve ser fanática . Aposto que é uma bruxa . Nessa_altura , Fred percebeu o olhar de a mãe e apressou se a comer o doce de laranja . - Esse conjunto não vai ficar barato - disse George , olhando rapidamente para os pais . - Os livros de o Lockhart são de os mais dispendiosos ... - Cá nos havemos de arranjar - declarou Mrs._Weasley , mas parecia preocupada . - Espero que pelo_menos para a Ginny possamos arranjar uma data de coisas em segunda mão . - Ah , vais entrar este ano para Hogwarts ? - perguntou lhe Harry . Ela fez um aceno , corando até a a raiz de os cabelos ruivos e meteu o cotovelo em o pires de a manteiga . Felizmente ninguém deu por nada , a não ser o Harry , porque em esse momento o irmão mais velho de Ron , o Percy , entrou . Já estava vestido , com a placa de prefeito aplicada a a sua camisola de malha . - Bom dia a todos - disse , cheio de vivacidade . - Está um dia lindo . Puxou a única cadeira livre , mas deu um salto quando ia sentar se e , debaixo de ele , saltou um espanador cinzento de penas , pelo_menos , foi o que o Harry pensou até ver que ele respirava . - Errol ! - exclamou Ron , afastando a coruja de o Percy e retirando lhe debaixo de a asa uma carta . - Até que enfim , a resposta de a Hermione . Escrevi lhe a contar que íamos tentar raptar te de casa de os Dursleys . Levou Errol para um poleiro que havia junto a a porta de as traseiras e tentou colocá a lá em cima , mas Errol caiu redonda e Ron teve de a pôr em a pia , murmurando : - Patético . - Em seguida , abriu a carta de a Hermione e leu a em voz alta . * _ Querido_Ron e Harry , se aí estiveres . Espero que tudo tenha corrido bem , que o Harry esteja O. _ K. e que não tenham feito nada ilegal para conseguir trazes o , porque isso podia criar lhe problemas também a ele . Tenho estado muito preocupada e , se o Harry estiver bem , por favor digam me qualquer coisa rapidamente , mas talvez seja melhor usarem uma nova coruja , porque acho que outra entrega pode acabar como esta . * _ Estou muito atarefada com trabalho de a escola , claro * . - Como é possível ? - perguntou Ron , horrorizado . - Estamos em férias ! - * _ E vamos para Londres em a próxima quarta-feira para comprar os meus livros novos . Porque não nos encontramos em a Diagon-al ? * _ Dêem-me notícias vossas o mais depressa possível . * _ Carinhosamente_Hermione * - Bem , parece uma boa solução , podemos ir todos comprar as vossas coisas - disse Mrs._Weasley , começando a limpar a mesa . - O que vão fazer hoje ? Harry , Ron , Fred e George tinham planeado ir a o cimo de o monte a um pequeno cercado de cavalos que os Weasleys possuíam . Estava rodeado de árvores que lhe tapavam a vista de a cidade cá em baixo , o que quer_dizer que podiam praticar Quidditch , desde_que não voassem muito alto . Não podiam usar as verdadeiras bolas de Quidditch pois seria muito difícil explicar se elas escapassem e voassem sobre a cidade . Em vez de elas , lançavam maçãs para os outros apanharem . Faziam turnos para montar a Nimbus dois_mil , que era de longe a melhor vassoura . A velha Shooting_Star_de_Ron fora muitas_vezes ultrapassada por as borboletas que passavam . Cinco minutos mais tarde estavam a marchar por o monte acima , de vassouras a o ombro . Tinham perguntado a o Percy se ele queria juntar se a eles , mas ele alegara muito trabalho . Até esse dia , Harry só tinha visto Percy a a hora de as refeições , ele ficava em silêncio em o quarto o resto de o tempo . - Gostava de saber o que ele anda a fazer - afirmou Fred , de testa franzida . - Não parece o mesmo . O resultado de os exames veio um dia antes de tu chegares : doze N_F_V e ele nem se manifestou satisfeito . - Níveis_de_Feitiçaria_Vulgares - explicou o George , vendo o olhar atarantado de Harry . - Se não temos cuidado , ainda nos calha outro Chefe_de_Turma em a família . Acho que não suportaria a vergonha . Bill era o mais velho de os irmãos Weasley . Ele e o irmão a seguir , Charlie , já tinham saído de Hogwarts . Harry não conhecia nenhum de os dois , mas sabia que o Charlie estava em a Roménia a estudar dragões e o Bill em o Egipto a trabalhar em o banco de os feiticeiros : Gringotts . - Não sei como o pai e a mãe vão arranjar dinheiro para nos pagar o material escolar este ano - disse o George , passado um bocado . - Cinco conjuntos de livros de o Lockhart ! E a Ginny precisa de mantos e de uma varinha e tudo_isso ... Harry não disse nada . Sentiu se um_pouco incomodado . Fechada em um cofre subterrâneo , em o banco de Gringotts_de_Londres , estava uma pequena fortuna que os pais lhe tinham deixado . É claro que só tinha esse dinheiro em o mundo de os feiticeiros , não se podem usar Galeões , Leões e Janotas em as lojas de os Muggles . Ele nunca fizera referência a a sua conta bancária em Gringotts a os Dursleys . Não lhe parecia que o horror que eles sentiam por tudo_o_que se relacionava com a feitiçaria se estendesse a uma enorme pilha de barras de ouro . Mrs._Weasley acordou os a todos bem cedo , em a quarta-feira seguinte . Depois de comerem umas doze sanduíches de * bacon * cada_um , enfiaram os casacos e Mrs._Weasley tirou um vaso de a prateleira de o fogão de a cozinha e espreitou lá para dentro . - Está a acabar se , Arthur - suspirou . - Temos de comprar mais hoje ... Bem , os hóspedes primeiro . Passa , Harry querido ! E ofereceu lhe o vaso de flores . Harry olhou espantado enquanto todos eles o observavam . - O q-que é_que eu devo fazer ? - gaguejou . - Ele nunca viajou com o pó de Floo - disse o Ron subitamente . - Desculpa , Harry , esqueci me . - Nunca ? - perguntou Mrs._Weasley . - Mas então como chegaste a a Diagon - _ Al em o ano passado para comprar as tuas coisas ? -- Fui por o subterrâneo . - A sério ? - disse Mr._Weasley , entusiasmado . - Havia fugitivos ? Como é_que ... - Agora não , Arthur - disse Mrs . Weasley . - O pó de Floo é muito mais rápido , querido , mas , valha me Deus , se ele nunca o usou ... - Vai correr bem , mãe - disse o Fred . - Harry observa nos primeiro . Tirou uma pitada de pó brilhante de dentro de o vaso , aproximou se de o lume e lançou o pó em as chamas . Com um rugido , o fogo ficou verde-esmeralda e elevou se a uma altura superior a a de o Fred que avançou , gritando Diagon - _ Al ! E desapareceu . - Tens de falar claramente , filho - disse Mrs._Weasley a o Harry , ao_mesmo_tempo que George metia a mão em o vaso de as flores . - E vê se sais em o fogão certo . - Em o quê ? - perguntou Harry , nervoso , enquanto o lume crepitava e fazia George desaparecer também . - Bem , há imensos fogos de feiticeiros , mas desde_que te tenhas expressado claramente ... - Ele vai conseguir , Molly , não te preocupes - disse Mr._Weasley , tirando também ele algum pó . - Mas querido se ele se perde como é_que vamos justificar nos perante o tio e a tia de ele ... -- Eles não se importariam - tranquilizou a Harry . - O Dudley ia achar imensa piada se eu me perdesse em uma chaminé , não se preocupe . - Bem , em esse caso ... tu vais a seguir a o Arthur - disse Mrs._Weasley . - Logo_que entres em o fogo diz para_onde queres ir . - E mantém os cotovelos dobrados - preveniu o Ron . - E os olhos fechados - disse Mrs._Weasley . - A fuligem . - Não te enerves - disse o Ron . - Senão podes ir parar a a lareira errada . - Não entres em pânico e não queiras sair cedo de mais . Espera até veres o Fred e o George . Fazendo um enorme esforço por reter toda aquela informação , Harry tirou uma pitada de pó de Floo e avançou para a beirinha de o fogo . Respirou fundo , espalhou o pó em as chamas e entrou . O fogo parecia uma brisa quente . Abriu a boca e engoliu , de imediato , uma grande quantidade de cinzas quentes . D-dia-gon-al - tossiu . Sentiu se como_se estivesse a ser sugado para um buraco gigantesco . Como_se girasse muito depressa ... o ruído era ensurdecedor . Tentou manter os olhos abertos mas o turbilhão de chamas verdes fê lo enjoar ... algo duro bateu lhe em o cotovelo e dobrou o de imediato . Continuava a rodar , a rodar ... sentia se agora como_se várias mãos frias estivessem a bater lhe em a cara ... Espreitando através de os óculos , viu uma torrente imprecisa de fogões e captou lampejos de as salas que estavam por detrás ... as sanduíches de * bacon * davam lhe a volta dentro de o estômago ... fechou os olhos desejando que tudo aquilo parasse e então caiu , de cara em o chão , em a pedra fria e sentiu os óculos partirem se a os bocados . Desorientado e ferido , coberto de fuligem , pôs se cautelosamente de pé , levando a os olhos os óculos partidos . Estava completamente só e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava . Tudo_o_que podia dizer era que a o seu lado via uma lareira que lhe parecia ser a de uma enorme e indistinta loja de feitiçaria . Mas nenhum de os artigos que ali se encontravam tinham aspecto de fazer parte de a lista de a escola de Hogwarts . Em uma caixa de vidro podia ver se uma mão atrofiada que repousava sobre uma almofada , um baralho de cartas ensanguentado e um olho de vidro que o olhava fixamente . Máscaras de expressão maldosa enchiam as paredes , olhando de esguelha , uma enorme quantidade de ossos humanos estendia se sobre o balcão e , de o tecto , pendiam instrumentos aguçados com pontas de ferro e pregos enferrujados . Mas o pior é_que a rua estreita e escura , que Harry conseguia avistar através de a janela poeirenta de a loja , não era de modo algum a Diagon-al . Quanto_mais depressa saísse de ali , melhor . O nariz ainda a doer lhe em o sítio onde batera em o chão a o aterrar , Harry avançou rápida e silenciosamente em direcção a a porta , mas antes de conseguir chegar a meio caminho , duas pessoas apareceram de o lado de_fora de o vidro , e uma de elas era a última pessoa que Harry desejaria encontrar em o momento em que se encontrava perdido , coberto de fuligem e com os óculos partidos , Draco_Malfoy . Harry olhou rapidamente em volta e apercebeu se de a existência de um grande armário escuro a a sua esquerda , saltou lá para dentro e fechou as portas , deixando uma gretazinha para poder espreitar . Segundos depois , uma campainha tocava e Malfoy entrava em a loja . O homem que o acompanhava só podia ser o pai . Tinha o mesmo rosto pálido de feições agudas e os mesmos olhos cinzentos de gelo . Mr._Malfoy atravessou a loja , olhando maquinalmente para os artigos expostos e tocou a campainha de o balcão , antes de se voltar para o filho , dizendo : - Não mexas em nada , Draco . Malfoy , que vira o olho de vidro , disse : - Pensei que ias oferecer me um presente . - Eu prometi que ia comprar te uma vassoura de corrida - declarou o pai , tamborilando com os dedos sobre o balcão . - Para que é_que me serve , se não estou em a equipa de Quidditch ? - perguntou Malfoy , carrancudo e de mau humor . - O Harry_Potter teve uma Nimbus dois_mil o ano passado , com a autorização especial de o Dumbledor é para jogar em os Gryffindor . Ele nem é assim tão bom , é só por ser * famoso * ... famoso por ter uma estúpida cicatriz em a testa . Malfoy baixou se para observar uma prateleira cheia de crânios . - Todos acham que ele é tão esperto , o Potter maravilha , com a sua cicatriz e a sua vassoura ... - Já me disseste isso doze vezes pelo_menos - comentou Mr._Malfoy , olhando repressivamente para o filho . - E devo lembrar te que não é prudente parecer menos do_que amigo de Harry_Potter , quando a maior parte de a nossa gente vê em ele um herói que fez desaparecer o Senhor_do_Mal . Ah , Mr._Borgin . Um homem curvado surgiu por detrás de o balcão , puxando o cabelo gorduroso para trás . - Mr._Malfoy , que prazer vês o de_novo - disse Mr._Borgin , em uma voz tão untuosa como o cabelo . - Encantado , e o nosso jovem Malfoy também , encantado . Em que posso servi os ? Tenho que vos mostrar o que chegou hoje , a um preço muito razoável ... - Hoje não venho comprar , Mr._Borgin , e sim vender - afirmou Mr._Malfoy . - Vender ? - O sorriso apagou se lentamente em o rosto de Mr._Borgin . - Certamente ouviu dizer que o Ministério está a levar a cabo mais buscas - explicou o Mr._Malfoy , retirando de o bolso um rolo de pergaminho e desembrulhando o para Mr._Borgin o ler . - Eu tenho alguns , ah , artigos em casa que poderiam criar me problemas se o Ministério me batesse a porta . Mr._Borgin colocou em o nariz um par de * pince-nez * e olhou para a lista . - O Ministério não se lembraria de o incomodar certamente ... O lábio de Mr._Malfoy dobrou se . - Ainda não me fizeram nenhuma visita . O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito , mas o Ministério está a ficar cada_vez_mais intrometido . Há boatos sobre um novo decreto de protecção de os Muggles , sem dúvida que aquele mordido de as pulgas , adorador de os Muggles , que é o Arthur_Weasley deve estar por detrás de isso . Harry sentiu crescer a raiva . - E , como pode ver , alguns de estes venenos podiam dar a ideia ... - Compreendo perfeitamente , claro - disse Mr._Borgin . - Deixe me ver ... - Posso ter aquilo ? - interrompeu Draco , apontando para a mão raquítica que estava sobre a almofada . - Ah , a mão de a glória ! - exclamou Mr._Borgin , abandonando a lista de Mr._Malfoy e apressando se a responder a Draco . - Põe se lhe uma vela e ela só dá luz a quem a transporta ! A melhor amiga de os gatunos e de os salteadores , o seu filho tem gosto , senhor . - Espero que o meu filho venha a ser mais do_que gatuno ou salteador , Borgin - disse Mr._Malfoy friamente e Mr._Borgin respondeu logo : - Sem ofensa , senhor , sem querer ofender . - Embora , se as notas de a escola não melhorarem - disse Mr._Malfoy ainda mais friamente - esse possa vir a ser o único caminho possível para ele . - Não tenho culpa - retorquiu Draco . - Todos os professores têm os seus preferidos , aquela Hermione_Granger ... - Eu , em o teu lugar , teria vergonha que uma rapariga que nem_sequer pertence a famílias de feiticeiros , me passasse a a frente em todos os exames - interrompeu Mr._Malfoy . Ah - fez Harry baixinho , radiante por ver Draco atrapalhado e furioso . - É o mesmo em todo o lado - comentou Mr._Borgin em a sua voz untuosa . - O sangue de os feiticeiros conta cada_vez menos ... - Não para mim - afirmou Mr._Malfoy , com as longas narinas dilatadas . - Não senhor , nem para mim - concordou Mr._Borgin , inclinando se em uma vénia . - Em esse caso , talvez possamos voltar a a minha lista - disse Mr._Malfoy secamente . - Estou com alguma pressa , Borgin , tenho ainda hoje assuntos importantes a tratar em outro lado . Começaram a discutir os preços . Harry via nervosamente o Draco aproximar se de o seu esconderijo enquanto observava os objectos a a venda . Parou para examinar um enorme rolo de corda de carrasco e para ver , com um sorriso afectado , o cartão preso com um aparatoso laço de opalas onde podia ler se : * _ Cautela , não tocar . Amaldiçoado - reclama as vidas de dezanove donos , todos eles Muggles * . Draco voltou se e viu o armário mesmo em frente . Avançou , estendeu a mão para o puxador ... - Feito - disse Mr._Malfoy , a o balcão . - Vamos , Draco . Harry limpou a testa a a manga quando Draco se afastou . - Muito bom dia , Mr._Borgin . Espero por si amanhã em a mansão para ir buscar a mercadoria . Em o momento em que a porta se fechou , Mr._Borgin abandonou os seus modos subservientes . « Bom dia para o senhor , Mr._Malfoy , e , se as histórias que contam são verdadeiras , não me vendeu nem metade do_que tem escondido em a sua mansão ... » Murmurando de forma taciturna , Mr._Borgin desapareceu em uma sala escura . Harry esperou um minuto não fosse ele voltar e , em seguida , o mais silenciosamente possível , escapou se de o armário , passou por as caixas de vidro e saiu de a loja . Encostando os óculos partidos a o rosto , olhou em volta . Saíra em uma rua estreita e sombria que parecia composta exclusivamente de lojas dedicadas a as artes negras . Aquela de onde acabava de sair parecia ser a maior , mas em frente estava uma montra tétrica de cabeças encolhidas e duas portas abaixo podia ver se uma enorme caixa viva cheia de gigantescas aranhas pretas . Dois feiticeiros com aspecto pobre observavam o de a sombra de uma porta , murmurando entre si . Sentindo se nervoso , Harry pôs se a caminho , tentando agarrar os óculos a direito e não desistindo de a esperança de encontrar maneira de sair de ali . Por um cartaz de madeira , pendurado em a rua , indicando uma loja de venda de velas envenenadas , ficou a saber que se encontrava em a Rua * _ Bativolta * , mas isso não o ajudou pois Harry nunca ouvira falar em tal lugar . Calculou que não tinha pronunciado bem as palavras com a boca cheia de cinzas em a lareira de os Weasley . Tentando manter a calma perguntou a si mesmo o que havia de fazer . - Não estás perdido , pois não , meu menino ? - perguntou uma voz , mesmo junto de o seu ouvido , que o fez dar um salto . Uma bruxa idosa estava em a sua frente , segurando um tabuleiro de uma coisa que se parecia horrivelmente com unhas humanas . A mulher olhou o maldosamente , mostrando os dentes esverdeados . Harry recuou . - Estou bem , obrigado - disse . - Estou só ... - HARRY ! O qu'é que pensas que estás a fazer aqui ? O coração de Harry deu um salto , assim_como o de a bruxa . Um monte de unhas caíram lhe sobre os pés e ela praguejou , enquanto o corpo enorme de Hagrid , o guarda de os campos de Hogwarts , se aproximava de eles a passos largos com os olhos castanhos-escuros a faiscarem sobre a longa barba eriçada . - Hagrid - gritou Harry , aliviado . - Eu estava perdido ... o pó de Floo ... Hagrid agarrou Harry por o cachaço e puxou o para longe de a bruxa , tirando lhe o tabuleiro de as mãos . Os guinchos agudos de a feiticeira seguiram nos até a o fundo de a ruela serpenteante que ia dar a um lagar onde brilhava o sol . Harry avistou a a distância um edifício de mármore branco como a neve que lhe era familiar : o banco de Gringotts . Hagrid conduzira o até a a Diagon - _ Al . - ` _ tás em um péssimo estado ! - disse Hagrid bruscamente , sacudindo lhe a fuligem com tanta força que Harry quase caiu em um barril de estrume de dragão que se encontrava a a porta de um boticário . - A fugir , em a Rua * _ Bativolta * , eu não conheço esse lugar finório , Harry , não quero que ninguém te veja aqui em baixo . - Já percebi - disse Harry , baixando se quando Hagrid fez menção de o escovar melhor . - Já te disse que estava perdido . E o que é_que tu fazes aqui ? - ` _ Tou a a procura d'um repelente para as lesmas comedoras de legumes - resmungou Hagrid . - ` _ tão a destruir as couves todas de a escola . Tu não estás sozinho ? - Estou em casa de os Weasley , mas separámo nos explicou Harry . - Tenho que os encontrar . Desceram juntos a rua . - Por_que é_que nunca respondeste a as minhas cartas ? - perguntou Hagrid , enquanto Harry corria para o acompanhar ( tinha de dar três passos por cada enorme passada de Hagrid ) . Harry explicou lhe tudo sobre Dobby e os Dursleys . - Malditos_Muggles - rugiu Hagrid . - S'eu tivesse sabido ... - Harry ! Harry ! Aqui ! Harry olhou para_cima e viu Hermione_Granger em o topo de a escadaria de Gringotts . Desceu para vir a o encontro de ele , o cabelo castanho de caracóis , a esvoaçar atrás de ela . - O que aconteceu a os teus óculos ? Olá_Hagrid ... Oh , é maravilhoso ver vos outra_vez . Vens a Gringotts , Harry ? - Logo_que encontre os Weasley - respondeu ele . - Não vais ter d'esperar muito - riu se Hagrid . Harry e Hermione olharam em volta . Subindo a rua , em o meio de a multidão , vinham Ron , Fred , George , Percy e Mr._Weasley . - Harry - chamou Mr._Weasley , ofegante . - Tínhamos esperança que só tivesses ido um fogão mais longe ... - passou um pano em a sua calva reluzente . - A Molly está nervosíssima , aí vem ela . - Onde é_que tu saíste ? - perguntou o Ron . - Em a Rua * _ Bativolta * - disse o Hagrid , com um ar sério . - Sensacional ! - exclamaram Fred e George ao_mesmo_tempo . - Nunca nos deram autorização para lá ir - disse o Ron com uma pontinha de inveja . - E fizeram muito bem - grunhiu Hagrid . Mrs._Weasley chegou em aquele momento a correr , a mala a balouçar em uma de as mãos e Ginny quase pendurada em a outra . - Oh Harry , oh meu querido , podias ter ido parar a qualquer lugar ... Tentando recuperar o fôlego , tirou de a mala uma grande escova de roupa e começou a retirar a fuligem que Hagrid não conseguira expulsar . Mr._Weasley pegou em os óculos de Harry , deu lhes um toque de varinha e entregou lhe os como novos . - Bem , tenho de m'ir embora - disse Hagrid cuja mão estava a ser esmagada por Mrs._Weasley ( -- Rua * _ Bativolta * ! Se não o tivesses encontrado , Hagrid ! ) . - Vemo nos em Hogwarts . - E afastou se , os ombros e a cabeça acima de a multidão que enchia completamente a rua . - Adivinham quem eu vi em o Borgin and Burkes ? - perguntou Harry_a_Ron e a Hermione enquanto subiam as escadarias de Gringotts . - Malfoy e o pai . - O Lucius_Malfoy comprou alguma coisa ? - perguntou interessado Mr._Weasley que estava atrás de eles . - Não , estava a vender . - Então está preocupado - comentou Mr._Weasley com visível satisfação . - Ah , eu adorava apanhar o Lucius_Malfoy em alguma . . - Tem cuidado , Arthur - interrompeu Mrs._Weasley enquanto o gnomo porteiro lhes dava reverentemente entrada em o banco . - Isso é um problema de família . Não queiras ter mais olhos que barriga . - Queres dizer com isso que achas que eu não chego para o Malfoy ? - perguntou Mr._Weasley , indignado , mas foi rapidamente afastado de aqueles sentimentos a o avistar os pais de Hermione que estavam de pé , nervosamente encostados a o balcão que acompanhava a grande parede de mármore , a a espera que Hermione os apresentasse . - Mas vocês são Muggles ! - disse Mr._Weasley , encantado . - Temos de tomar uma bebida . O que é isso aí ? Ah , estão a trocar dinheiro de Muggle . Molly , olha - apontou cheio de excitação para as notas de dez libras que Mr._Granger tinha em a mão . - Encontramo nos aqui - disse Ron_a_Hermione , enquanto os Weasley e Harry eram conduzidos a os seus cofres em o subterrâneo de Gringotts . Para chegar a os cofres havia que tomar umas carrinhas conduzidas por gnomos que se deslocavam ao_longo_de carris de comboio de pequenas dimensões através de os túneis subterrâneos de o banco . Harry gostou de a viagem acidentada até a o cofre de os Weasley , mas sentiu se bastante mal , pior do_que em a Rua * _ Bativolta * , quando o cobre foi aberto . Havia lá dentro um pequenino monte de Leões de prata e apenas um Galeão de ouro . Mrs._Weasley foi com a mão a a procura em os cantos antes de , com um gesto rápido , varrer tudo para dentro de o saco . Harry sentiu se ainda pior quando chegaram a o seu cofre . Tentou evitar que vissem o conteúdo enquanto empurrava apressadamente mãos cheias de moedas para dentro_de uma sacola de cabedal . Lá fora , em as escadarias de mármore , separaram se . Percy murmurou vagamente que precisava de uma nova pena de escrever . Fred e George tinham avistado um amigo de Hogwarts , Lee_Jordan . Mrs._Weasley e Ginny iam a uma loja de mantos em segunda mão , Mr._Weasley continuava a insistir em levar os Grangers a o Caldeirão_Escoante para lhes pagar uma bebida . - Encontrarmo nos todos em a Flourish and Blotts dentro_de uma hora para comprar os vossos livros de estudo - disse Mrs._Weasley , afastando se com Ginny . - E nem um passo em direcção a a Rua * _ Bativolta * - gritou a os gémeos que estavam de costas . Harry , Ron e Hermione deambularam por a rua empedrada e sinuosa . O ouro , prata e bronze que tilintavam alegremente em o saco que Harry tinha em o bolso pareciam exigir ser gastos , por isso ele comprou três enormes gelados de morango e manteiga de amendoim que eles devoraram felizes enquanto vagueavam sem destino por a rua fora , observando as montras fantásticas de as lojas . Ron olhou longamente para um conjunto completo de mantos de o Chudley_Cannon , em as montras de o « Equipamento_de_Quidditch_de_Qualidade » até Hermione o arrastar de ali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos . Em a « Jogos_de_Feitiçaria_de_Gambol and Japes » encontraram o Fred , o George e o Lee_Jordan que estavam presos em a fabulosa partida debaixo_de chuva e em os fogos-de-artifício de o Dr._Filibuster . E em uma pequenina loja de velharias cheia de varinhas partidas , balanças instáveis de latão e mantos velhos cobertos de nódoas de poções encontraram Percy profundamente concentrado em um pequenino livro , bastante chato , chamado * _ Prefeitos que conquistam o poder * . - * _ Um estudo sobre os prefeitos de Hogwarts e as suas posteriores carreiras * - leu alto o Ron em a contracapa . - Deve ser fascinante ... - Desaparece - gritou Percy . - Claro , ele é muito ambicioso , já tem tudo planeado . Quer ser ministro de a magia - disse o Ron baixinho a o Harry e a a Hermione , enquanto deixavam Percy entregue a o livro . Uma hora mais tarde dirigiram se a a Flourish and Blotts . Não eram de modo algum os únicos a encaminhar se para a livraria . À_medida_que se aproximavam viram com grande surpresa uma grande multidão a a porta , tentando entrar em a loja . O motivo de tal confusão estava anunciado em um cartaz que se estendia a o longo de a montra superior . GILDEROY_LOCKHART_Assinará exemplares de a sua autobiografia " eu , o mágico " Hoje 12.30 - 16.30 - Vamos poder conhecê o ! - gritou Hermione . - Quero dizer , ele escreveu quase todos os livros de a nossa lista ! A multidão parecia ser maioritariamente composta por bruxas de a idade de Mrs._Weasley . Um feiticeiro bem-parecido estava de pé junto de a porta , dizendo : - Calma , minhas senhoras , não empurrem , cuidado com os livros . Harry , Ron e Hermione conseguiram furar e entrar . Uma longa fila serpenteava para as traseiras de a loja onde Gilderoy_Lockhart estava a assinar os seus livros . Cada_um de eles pegou em um exemplar de * _ ensinamentos de Uma Fada_Carpideira * e escaparam se de a fila indo ter a o lugar onde se encontravam os outros com Mr. e Mrs._Granger . - Ah , aí estão vocês . _ óptimo - disse Mrs._Weasley que parecia estar com falta de ar e não parava de mexer em o cabelo . - Vamos poder vês o dentro_de um minuto . Gilderoy_Lockhart veio lentamente até um lugar onde era visível para todos , sentou se a uma mesa , rodeado de grandes fotografias de o próprio rosto , todo ele sorrisos , mostrando a a multidão o brilho cintilante de os seus dentes . Lockhart usava uma túnica azul-noite que condizia a as mil maravilhas com a cor de os olhos , o chapéu pontiagudo de feiticeiro colocado lateralmente sobre o cabelo ondulado . Um homenzinho pequenino e irritante andava a dançar de um lado para o outro , tirando fotografias com uma grande máquina preta que lançava baforadas de fumo arroxeado em cada * flash * . - Sai de o caminho , tu aí - disse rispidamente a o Ron , mudando de lugar para ter um angulo melhor . - Este é para o * _ Profeta_Diário * . - Grande coisa ! - exclamou o Ron , esfregando os pés em o lugar que o fotógrafo pisara . Gilderoy_Lockhart ouviu o . Olhou , viu o Ron e em seguida Harry . Voltou a olhar , desta_vez com mais atenção . Em seguida , pôs se de pé e gritou : - Não pode ser , o Harry_Potter ? A multidão dividiu se entre murmúrios de excitação . Lockhart aproximou se , agarrou Harry por um braço e levou o para a frente . A multidão rebentou em aplausos . A cara de Harry ardia quando Lockhart lhe apertou a mão para o fotógrafo que disparava como um louco , lançando fumo espesso para_cima de os Weasley . - Belo sorriso , Harry - disse Lockhart através de os seus dentes brilhantes . - Tu e eu juntos merecemos a primeira página . Quando por fim lhe largou a mão , Harry quase não sentia os dedos . Tentou recuar para junto de os Weasley , mas Lockhart lançou lhe um braço por os ombros e prendeu o a o seu lado . - Minhas senhoras e meus senhores - disse bem alto , fazendo sinal para que se acalmassem . - Que momento extraordinário este ! O momento perfeito para eu anunciar algo que tenho vindo a guardar comigo desde_há algum tempo . - Quando o jovem Harry entrou em a Flourish and Blotts hoje , ele queria apenas comprar a minha autobiografia , que tenho agora o maior prazer em oferecer lhe - a multidão aplaudiu de_novo . - Ele não tinha ideia - continuou Lockhart , dando a o Harry um pequeno encontrão que fez com que os óculos lhe escorregassem para a ponta de o nariz - de que ia conseguir em_breve muito mais do_que o meu livro Eu , o mágico . Ele e os seus colegas de a escola vão receber , de facto , o verdadeiro * _ Eu , o mágico * . Sim , minhas senhoras e meus senhores , tenho o maior prazer em anunciar que em o mês_de_Setembro assumirei o lugar de professor de Defesa contra as artes negras em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts ! A multidão aplaudiu e bateu palmas e Harry deu consigo a ser presenteado com a obra completa de Gilderoy_Lockhart . Cambaleando ligeiramente sob o peso de os livros conseguiu abrir caminho para longe de os projectores até a a porta de a sala onde estava Ginny com o seu novo caldeirão . - Podes ficar com estes - murmurou Harry , enfiando os livros em o caldeirão . - Eu vou comprar os meus . - Aposto que adoraste aquilo , não adoraste , Potter ? - disse uma voz que Harry não teve qualquer dificuldade em reconhecer . Endireitou se e deu consigo frente_a_frente com Draco_Malfoy que exibia o seu habitual sorriso escarninho . - O famoso Harry_Potter - disse Malfoy . - Nem_sequer pode entrar em uma livraria sem se tornar primeira página . - Deixa o em paz , ele não queria nada de isso - defendeu a Ginny . Era a primeira vez que falava em frente de Harry . Olhava para Malfoy com um ar feroz . - Potter , arranjaste uma namorada ! - disse arrastadamente Malfoy . Ginny ficou vermelha como um pimentão enquanto Ron e Hermione tentavam abrir caminho , ambos carregando montes de livros de Lockhart . -- Ah és tu ? - disse Ron , olhando para Malfoy como_se ele fosse algo desagradável colado a a sola de o sapato . - Aposto que te surpreendeu ver o Harry aqui ? - Não tanto como a ti em uma loja , Weasley - retorquiu Malfoy . - Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo . Ron ficou tão vermelho quanto Ginny . Deixou também cair os livros em o caldeirão e avançou para Malfoy , mas Harry e Hermione agarraram o por as costas de o casaco . - Ron - disse Mrs._Weasley , aproximando se com Fred e George . - O que estás a fazer ? Isto está uma loucura aqui dentro , vamos lá para fora . - Olha quem ele é , Arthur_Weasley . - Era_Mr._Malfoy . Estava de pé com a mão sobre o ombro de Draco , com o mesmo sorriso escarninho . -- Lucius - disse Mr._Weasley , acenando friamente . -- Muito trabalho em o ministério , segundo me consta - disse Mr._Malfoy . - Todas essas buscas ... espero que te estejam a pagar horas extraordinárias . Meteu a mão em o caldeirão de a Ginny e tirou de o meio de os livros de Lockhart um exemplar muito velho e muito gasto de o * _ Guia_de_Transfiguração_para_Principiantes * . - Parece que não - disse . - Que diabo , qual a vantagem de ser uma nódoa entre os feiticeiros se nem_sequer te pagam bem por isso ? Mr._Weasley corou mais ainda do_que Ron ou Ginny . - Nós temos uma opinião diferente sobre quem são as nódoas entre os feiticeiros - disse . - É claro que ... - disse Mr._Malfoy , os olhos mortiços passando para Mr. e Mrs._Granger apreensivamente . - As companhias com quem tu andas ... e eu que pensava que já não conseguias descer mais baixo ... Ouviu se um tilintar de metal quando o caldeirão de a Ginny foi por os ares . Mr._Weasley lançara se sobre Mr._Malfoy atirando o para dentro_de uma estante . Dezenas_de livros de feitiços saltaram lá de cima , caindo lhes sobre as cabeças . Houve um grito de - Chega lhe , pai ! - de o Fred e de o George . Mrs._Weasley soltava gritos agudos : - Não_Arthur , não . A multidão recuava deitando mais prateleiras a o chão . - Meus senhores , por favor - gritava o encarregado , e então , mais alto do_que todos : - Parem com isso , gente , parem com isso . Hagrid aproximava se através_de um mar de livros . Em um segundo afastou Mr._Weasley e Mr._Malfoy . Mr._Weasley tinha um lábio cortado e Mr._Malfoy fora agredido em um olho por uma * _ Enciclopédia_de_Cogumelos_Venenosos * . Tinha ainda em a mão o livro velho de a Ginny sobre transfiguração . Atirou lhe o , com os olhos a brilhar de malvadez . - Toma o teu livro , garota . É o melhor que o teu pai pode oferecer te . Libertando se de Hagrid , conduziu Draco para fora e abandonaram a livraria . - Devias tê o ignorado , Arthur - disse Hagrid quase a pegar em Mr._Weasley a o colo enquanto lhe endireitava o manto . - São podres até a a raiz , todos eles . Tod'à gente sabe . Nenhum Malfoy vale a pena ser ouvido . Não prestam , ' tá-lhes em o sangue . Vá lá , vamos sair de aqui . O encarregado parecia querer impedis os , mas , olhando bem para Hagrid , pensou melhor . Subiram a rua , os Grangers a tremer de medo e Mrs._Weasley fora de si . - Um belo exemplo para as crianças ... andar a a pancada em público . O que terá pensado Gilderoy_Lockhart ? - Ele gostou - disse o Fred . - Não o ouviram quando ia a sair ? Estava a perguntar a aquele tipo de o Profeta_Diário se conseguia incluir a briga em a reportagem , disse que era boa publicidade . Mas foi um grupo deprimido que regressou a a lareira de o Caldeirão_Escoante onde Harry , os Weasley e todas_as suas compras iriam viajar de volta até a a Toca , usando o pó de Floo . Despediram se de os Grangers que iam sair de o * pub * por a rua de os Muggles , de o outro lado . Mr._Weasley começou a perguntar lhes como funcionavam as paragens de autocarros , mas calou se rapidamente a o ver a expressão de Mrs._Weasley . Harry tirou os óculos e guardou os cautelosamente em o bolso antes de utilizar o pó de Floo . Definitivamente não era a sua forma ideal de viajar . V_O salgueiro zurzidor O fim de as férias de Verão chegou demasiado depressa para o gosto de Harry . Ele desejara muito regressar a Hogwarts , mas aquele mês em a Toca tinha sido o mais feliz de toda_a sua vida . Era difícil não invejar o Ron quando pensava em os Dursleys e em as boas-vindas que ia receber de a próxima vez que pusesse os pés em Privet_Drive . Em a última noite , Mrs._Weasley preparou um jantar magnífico , que incluía os pratos favoritos de Harry e terminava com um pudim de melaço de fazer crescer água em a boca . Fred e George alegraram a noite com uma exibição de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que saltaram de o tecto para as paredes , durante pelo_menos meia_hora . Depois , foi a altura de tomarem uma caneca de chocolate quente e irem para a cama . Em a manhã seguinte , demoraram muito_tempo a preparar se . Levantaram se com o cantar de o galo , mas parecia lhes que ainda tinham muito para fazer . Mrs._Weasley andava de um lado para o outro , mal-humorada , a a procura de meias e penas , chocavam uns com os outros em as escadas , meio vestidos , meio despidos , com pedaços de torrada em as mãos e Mr._Weasley quase partiu o nariz quando tropeçou em uma galinha a o atravessar o pátio , para meter em o carro a mala de Ginny . Harry não percebia lá muito bem_como é_que oito pessoas , seis grandes malas , duas corujas e um rato , iam caber em um pequeno * _ Ford_Anglia * , isso , claro , antes de as artes mágicas que Mr._Weasley acrescentara . - Nem uma palavra a a Molly - murmurou ele a o Harry , enquanto abria a bagageira e lhe mostrava como ela se expandira para que as malas coubessem facilmente . Quando , por fim , se acomodaram todos em o carro , Mrs._Weasley olhou para o banco de trás , onde Harry , Ron , Fred , George e Percy estavam confortavelmente sentados uns a o lado de os outros e disse : - Os Muggles têm mais conhecimentos do_que aqueles que nós lhes atribuímos , não achas ? - Ela e a Ginny entraram para o lugar de a frente , que fora esticado e parecia um banco de jardim . - Quer_dizer , de_fora ninguém diria que este carro era espaçoso , não acham ? Mr._Weasley pôs o motor a funcionar e saíram de o pátio , Harry voltando se para trás para ver por a última vez a casa . Mal teve tempo de se questionar se iria voltar alguma vez e já estavam de volta : George esquecera se de a caixa de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Cinco minutos mais tarde tiveram de interromper de_novo a viagem e voltar a o pátio para o Fred ir a correr buscar a vassoura . Estavam quase a chegar a a auto-estrada , quando Ginny guinchou que se esquecera de o diário . Mas estava a fazer se muito tarde e os ânimos começavam a exaltar se . Mr._Weasley olhou para o relógio e , em seguida , para a mulher . - Molly , querida ... - Não , Arthur . - Ninguém ia ver . Este botãozinho é um transformador de invisibilidade que eu instalei , levava nos por o ar , subíamos acima de as nuvens . Estaríamos lá em dez minutos e ninguém daria por nada ... - Eu disse que não , Arthur . Durante o dia , não . Chegaram a King's_Cross , faltava um quarto para as onze . Mr._Weasley precipitou se em busca de um carrinho de transporte para as malas e correram todos para a estação . Harry apanhara o Expresso_de_Hogwarts em o ano anterior . A parte mais difícil era entrar em a plataforma nove_e_três quartos , que não era visível a os olhos de os Muggles . Era preciso avançar para a barreira sólida que dividia as plataformas nove e dez . Não doía nada , mas tinha de ser feito com cuidado para que nenhum de os Muggles de esse , por o desaparecimento . - O Percy em primeiro lugar - declarou Mrs._Weasley , olhando nervosamente para o relógio lá em cima , que mostrava que tinham apenas cinco minutos para desaparecer através de a barreira . Percy avançou a passos largos e desapareceu . Mr._Weasley foi a seguir e depois de ele Fred e George . - Eu levo a Ginny e vocês vêm atrás_de nós - disse Mrs._Weasley a o Harry e a o Ron , agarrando Ginny pela mão e seguindo em frente . Em um abrir e fechar de olhos , tinham passado . - Vamos passar juntos , só temos um minuto - disse Ron a o Harry . Harry assegurou se de que a gaiola de a Hedwig estava bem fixa em cima de a sua mala e empurrou o carrinho de encontro a a barreira . Estava perfeitamente confiante , aquilo era muito mais fácil do_que usar o pó de Floo . Puseram os dois as mãos em o puxador de os carrinhos e avançaram direitos a a barreira , ganhando velocidade . A um metro e pouco , começaram a correr e ... CRASH . Os dois carros bateram em a barreira e foram impelidos para trás . A mala de o Ron caiu com um enorme estrépito . Harry desequilibrou se e a gaiola de a Hedwig foi parar a o chão brilhante , enquanto ela rolava guinchando , indignada . As pessoas em volta olhavam fixamente e um guarda que estava ali perto gritou : - Que diabo pensam vocês que estão a fazer ? - Perdemos o controlo de o carro de transporte - respondeu o Harry , respirando com dificuldade , agarrando se a as costelas , enquanto se punha de pé . Ron correu a agarrar a Hedwig , que estava a fazer uma cena tal , que já se ouviam murmúrios em a multidão sobre a crueldade para com os animais . - Porque é_que não conseguimos passar ? - perguntou Harry a o Ron em um sussurro . - Não sei . Ron olhou descontroladamente em volta . Uma_dúzia de curiosos estavam ainda a observá os . - Vamos perder o comboio - murmurou o Ron . - Não compreendo porque motivo a cancela se fechou . Harry olhou para o relógio gigantesco com um sentimento de náusea em a boca de o estômago . Dez segundos , nove segundos ... Dirigiu o carrinho de transporte para a frente com toda_a força . O metal manteve se sólido . Três segundos ... dois segundos ... um segundo ... - Partiu - afirmou o Ron , que parecia estonteado . - O comboio foi se embora . E se a mãe e o pai não conseguem voltar para aqui ? Tens algum dinheiro de Muggle ? Harry deu uma gargalhada . - Os Dursleys não me dão um tostão há mais de seis anos ! Ron encostou o ouvido a a barreira . - Não se ouve nada - disse , bastante tenso . - O que vamos nós fazer ? Não sei quanto tempo o pai e a mãe vão demorar . Olharam em volta . As pessoas ainda estavam a observá os , principalmente devido a os contínuos guinchos de a Hedwig . - Acho que o melhor é sairmos de aqui e esperamos por eles junto de o carro - disse Harry . - Aqui estamos a atrair demasiado as aten ... - Harry - disse o Ron , com os olhos a brilhar . - É isso , o carro . - O que é_que tem ? - Podemos voar nele até Hogwarts ! - Mas eu pensei ... - Estamos em apuros , certo ? E temos de chegar a a escola , ou não ? E mesmo os feiticeiros menores de idade estão autorizados a usar a magia em uma emergência real , parágrafo dezanove , ou não sei quê , de a Restrição de ... O sentimento de pânico de Harry transformou se em entusiasmo . - E tu sabes voar nele ? - Não há problema - disse o Ron , andando com o carrinho a a volta e dirigindo se para a saída . - Anda de aí . Se em os apressarmos , conseguiremos sair atrás de o Expresso_de_Hogwarts . E afastaram se de o grupo de Muggles curiosos , abandonando a estação e voltando a a rua , onde o velho * _ Ford_Anglia * se encontrava estacionado . Ron abriu a bagageira com uma série de toques de varinha . Meteram lá dentro as malas , puseram a Hedwig em o assento de trás e entraram para a frente . - Verifica se ninguém está a ver - disse o Ron , ligando a ignição com outro toque de varinha . Harry pôs a cabeça fora de a janela : o trânsito enchia a avenida principal , mas a rua de eles estava vazia . - O. _ K. - disse . Ron carregou em um pequeno botão de o painel . Os carros em volta desapareceram assim_como eles . Harry sentia o assento a vibrar debaixo_de si , ouvia o motor , sentia as mãos sobre os joelhos e os óculos em o nariz , mas , tanto quanto conseguia ver , tornara se um par de olhos redondos flutuando um metro e pouco acima de o chão em uma rua suja , cheia de carros estacionados . - Vamos - disse a voz de o Ron , vinda de o seu lado direito . O chão e os prédios escuros de ambos os lados desapareceram de o seu ângulo de visão , mal o carro se elevou . Em poucos segundos toda_a cidade de Londres , enevoada e resplandecente , estava por baixo de eles . Em seguida , ouviu se um ruído que parecia o saltar de uma rolha e o carro , Harry e Ron , reapareceram . - Oh , oh - disse Ron , batendo em o intensificador de invisibilidade . - Está avariado ... Começaram os dois a bater em o botão . O carro desapareceu . Depois surgiu de forma intermitente . - Aguenta aí - gritou o Ron e carregou com o pé em o acelerador . Saltaram direitinhos para o meio de as nuvens mais baixas e tudo ficou sujo e enevoado . - E agora ? - exclamou Harry , piscando os olhos a a sólida massa de nuvens que os comprimia de todos os lados . - Precisamos de avistar o comboio para sabermos qual a direcção a tomar - explicou o Ron . - Desce rapidamente ... Desceram por o meio de as nuvens e voltaram se em os lugares , espreitando . - Estou a vê o - gritou Harry . - Mesmo em frente , ali . O Expresso_de_Hogwarts deslocava se a grande velocidade lá em baixo , como uma serpente vermelha . - Para Norte - disse o Ron , verificando a bússola de o painel . - O. _ k . , basta que verifiquemos de meia em meia_hora . Aguenta aí ... - e arrancaram por o meio de as nuvens . Em o minuto seguinte , tinham chegado a a luz brilhante de o Sol . Era um mundo diferente . Os pneus de o carro deslizavam sobre o mar de nuvens macias , o céu era de um azul infinito sob a luz , capaz de cegar , que irradiava de o Sol . - Agora só temos de nos preocupar com os aviões - disse o Ron . Olharam um para o outro e desataram a rir . Durante muito_tempo não conseguiram parar . Era como_se tivessem mergulhado em um sonho fabuloso . Aquela , pensou Harry , era certamente a única maneira de viajar : passando por turbilhões e torres de nuvens cor de neve , em um carro cheio de calor , o sol radioso , com um grande pacote de rebuçados em o porta-luvas e antegozando o ar de inveja de o Fred e de o George quando aterrassem suavemente e de forma espectacular em o relvado macio em frente de o castelo de Hogwarts . Espreitaram várias vezes o comboio enquanto voavam cada_vez_mais para norte . Cada descida entre as nuvens dava lhes uma perspectiva diferente . Londres depressa ficou para trás , substituída por campos verdejantes que , por sua vez , deram lugar a grandes pântanos arroxeados , aldeias com pequenas igrejas de brinquedo e uma grande cidade , cheia de vida , com carros que pareciam formigas multicores . Várias horas mais tarde sem acontecer nada de_novo , Harry teve de admitir que uma parte de o entusiasmo se esgotara . Os rebuçados tinham nos deixado cheios de sede e não havia nada para beber . Ele e o Ron tinham tirado as camisolas , mas a * _ T-shirt * de o Harry estava colada a as costas de o assento e os óculos não paravam de lhe escorregar para a ponta de o nariz . Deixara de reparar em as fabulosas formas de as nuvens e pensava com saudade em o comboio , milhas abaixo de eles , onde se podia comprar sumo fresquinho de abóboras em um carro empurrado por uma bruxa gordinha . Porque não teriam conseguido entrar em a plataforma nove_e_três quartos ? - Não pode ser muito mais longe , pois não ? - resmungou o Ron , horas mais tarde quando o Sol começava a enfiar se em o seu chão de nuvens , pintando as de um rosa profundo . - Estás pronto para outra espreitadela a o comboio ? Ainda ia mesmo por baixo de eles , abrindo caminho por_entre uma montanha com o topo coberto de neve . Estava muito mais escuro entre o dossel de nuvens . Ron pôs o pé em o acelerador e levou os de_novo para_cima , mas em esse momento o motor começou a chiar . Harry e Ron trocaram entre si olhares nervosos . - Deve estar só cansado - disse o Ron . - Nunca tinha vindo tão longe ... - E fingiram ambos que não davam por o gemido que se ia tornando maior à_medida_que o céu serenamente escurecia . As estrelas desabrochavam em a escuridão , Harry voltou a enfiar a camisola de lã , tentando ignorar os limpa pára-brisas que acenavam debilmente como_que a protestar . - Não devemos estar longe - disse Ron , dirigindo se mais a o carro do_que a o amigo . - Já não devemos estar longe - deu umas palmadinhas nervosas em o * tablier * . Pouco depois , quando voltaram a voar em o meio de as nuvens , tiveram de olhar de lado em a escuridão , em busca de um ponto de referência que conhecessem . - Ali - gritou Harry , fazendo o Ron e a Hedwig darem um salto . - Mesmo em frente . Recortados em o horizonte negro , sobre o rochedo de o outro lado de o lago , erguiam se as torres e torreões de o castelo de Hogwarts . Mas o carro tinha começado a estremecer e perdia a os poucos velocidade . - Vá lá - disse o Ron , dando a o volante um pequeno abanão bajulador . - Estamos quase a chegar , vá lá ... O motor gemeu . Pequenos jactos de vapor de água brotaram de o capo . Harry deu consigo agarrado com toda_a força a os bordos de o assento enquanto voavam direitos a o lago . O carro deu um solavanco feio . Espreitando por a janela , Harry viu a superfície negra , macia e espelhada de a água cerca de uma milha abaixo de eles . Os dedos de o Ron agarrados a o volante tinham as articulações brancas . O carro deu um novo esticão . - Vá lá - murmurou o Ron . Estavam sobre o lago ... o castelo ficava mesmo em frente . Ron fez força com o pé . Houve um ruído surdo , uma crepitação e o motor morreu por completo . - Oh ! oh ! - gemeu Ron em o silêncio . O nariz de o carro voltou se para baixo . Estavam a cair , ganhando velocidade em direcção a os muros sólidos de o castelo . - Naaaaão ! - gritou o Ron , girando o volante . Escaparam a a muralha de pedra negra por centímetros , quando o carro fez um grande arco , planando primeiro sobre as estufas , depois sobre o rectângulo plantado com vegetais e , por fim , sobre os relvados , perdendo sempre velocidade . Ron largou o volante por completo e tirou a varinha de o bolso de trás . - __ pára ! __ pára ! - gritou , batendo em o * tablier * e em o pára-brisas , mas eles continuavam a mergulhar , o chão a voar em direcção a eles . - : __ cuidado com essa __ árvore ! ! ! - bramiu Harry , deitando a mão a o volante , mas ... tarde de mais ... CRUNCH . Com um ruído ensurdecedor de metal e madeira , bateram em o tronco espesso de a árvore e caíram em o chão com um forte solavanco . O vapor era um mar debaixo de o capo amachucado . A Hedwig tremia apavorada . Em a cabeça de Harry surgira um alto de o tamanho de uma bola de golfe , quando ele batera em o pára-brisas , tombando em seguida para a direita . Ron soltou um gemido longo e desesperado . - Estás O. _ K ? - perguntou Harry , aflito . - A minha varinha - disse o Ron em uma voz trémula . - Olha para a minha varinha . Tinha se partido praticamente em duas , a ponta balouçava mole , presa por meia_dúzia de esquírolas . Harry abriu a boca para dizer que em a escola com certeza conseguiriam consertá a , mas nem chegou a começar a frase . Em esse preciso momento , algo bateu em o seu lado de o carro , com a força de um touro , projectando o para_cima de o Ron , ao_mesmo_tempo que um golpe igualmente forte se sentiu em o capô . - O que está a acontec ... Ron arfou , olhando fixamente por o pára-brisas e Harry olhou em volta , mesmo a_tempo_de ver uma ramada espessa como uma píton vir contra o vidro . A árvore em que tinham batido estava a atacá os . O tronco dobrara se quase a meio e os seus galhos rugosos davam uma tareia a cada centímetro de o carro que conseguiam atingir . - Ah ! - praguejou o Ron , quando outra pernada retorcida esmurrou a sua porta , amolgando a . O pára-brisas tremia agora sob uma saraivada de golpes vindos de galhos que pareciam patas de animais e uma ramada espessa como um aríete esmagava furiosamente o capo , que parecia estar a ceder ... - Corre ! - gritou o Ron , lançando o seu peso contra a porta , mas , em o momento seguinte , tinha sido atirado para trás , para o colo de Harry por um soco maldoso , dado de baixo para_cima , por outro ramo . - Estamos feitos ! - resmungou , enquanto o tecto descaía . Mas , de repente , o chão de o carro estava a vibrar , o motor pegara . - Marcha atrás - gritou o Harry e o carro deu um salto para trás . A árvore tentava ainda agredis os , ouviam as raízes chiar , enquanto quase se partiam esticando se para os alcançar . - Escapámos por_pouco ! - exclamou o Ron . - Muito bem , carro . Mas o carro tinha atingido o limite de as suas forças . Com dois estalidos , as portas abriram se e Harry sentiu o seu assento inclinar se para o lado . Quando deu por si , estava estatelado em o chão húmido . Ruídos surdos avisaram o de que o carro estava a ejectar as malas de a bagageira . A gaiola de a Hedwig voou por os ares e abriu se . Ela saiu a voar com um pio furioso e dirigiu se a o castelo , sem sequer olhar para trás . Em seguida , o carro , amolgado , arranhado e a fumegar , arrancou em o escuro , com os faróis traseiros ardendo de fúria . - Volta aqui ! - gritou o Ron , brandindo a varinha partida . - O meu pai mata me . Mas o carro desapareceu a perder de vista , com um último estoiro de o tubo de escape . - Já viste bem o nosso azar ! ? - exclamou o Ron em o meio de a sua infelicidade , baixando se para apanhar o rato Scabbers . - De todas_as árvores em que podíamos ter batido , tínhamos de ir dar a uma que bate também . Olhou por cima de o ombro para a velha árvore que ainda agitava os ramos ameaçadoramente . - Vamos - disse Harry , fatigado . - É melhor irmos andando para a escola ... Não foi , de modo algum , a chegada triunfal que tinham imaginado . Constrangidos , cheios de frio e magoados , pegaram em as malas e começaram a arrastá as por o relvado acima , em direcção a as grandes portadas de carvalho . - Acho que o banquete já começou - disse o Ron , largando a mala em os degraus de a entrada e atravessando devagarinho para espreitar por uma janela iluminada . - Harry , anda ver , é a distribuição . Harry apressou se e os dois , ele e o Ron , espreitaram para o Salão_Nobre . Um número infindável de velas pairava em o ar , sobre quatro mesas enormes cheias de gente , fazendo brilhar os pratos dourados e as taças . Em cima , o tecto encantado que espelhava o céu lá de_fora , brilhava cheio de estrelas . Por_entre a floresta de chapéus pretos pontiagudos de Hogwarts , Harry viu uma longa fila de alunos de o primeiro ano com olhares assustados que enchia o vestíbulo . Ginny estava entre eles , facilmente reconhecível devido a o seu chamativo cabelo Weasley . Enquanto isso , a professora Mc_Gonagall , uma bruxa de óculos com cabelo castanho apanhado em um carrapito , colocava o famoso chapéu seleccionador em um banco que se encontrava em frente de os novos alunos . Todos os anos , aquele velho chapéu , remendado , puído e cheio de pó , seleccionava alunos para as quatro equipas de Hogwarts ( Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin ) . Harry lembrava se bem de o ter colocado em a cabeça , precisamente um ano antes , e ter esperado petrificado por a sua decisão , enquanto ele lhe murmurava a o ouvido . Durante alguns horríveis segundos receara que o chapéu o mandasse para os Slytherin , a equipa que produzia maior número de feiticeiros e feiticeiras de magia negra , mas acabara por ficar em os Gryffindor , juntamente com Ron e Hermione e o resto de os Weasley . Em o último período , Harry e Ron tinham ajudado os Gryffindor a vencer o campeonato de a equipa , batendo os Slytherin pela_primeira_vez em sete anos . Um rapazito baixinho com cabelo de rato acabava de ser chamado para pôr o chapéu em a cabeça . Os olhos de Harry saltavam de ele para o lugar onde o professor Dumbledore , o director , estava sentado , observando a selecção de a mesa de os professores , com a sua longa barba cor de prata e óculos de meia-lua que brilhavam a a luz de as velas . Alguns lugares a a frente , Harry viu Gilderoy_Lockhart com um manto verde-azulado . E lá bem a o fundo estava Hagrid , enorme e cabeludo , bebendo satisfeito de a sua taça . - Espera aí - murmurou a o Ron . - Há um lugar vazio em a mesa de os professores . Onde estará o Snape ? Severus_Snape era o professor de quem Harry menos gostava . Harry era também o seu aluno menos querido . Cruel , sarcástico e detestado por todos com excepção de os alunos de a sua própria equipa ( Slytherin ) , Snape tinha a seu cargo a cadeira de Poções . - Talvez esteja doente - sugeriu Ron , cheio de esperança . - Talvez se tenha ido embora - lembrou Harry . - Por não lhe terem dado outra_vez a Defesa contra as artes negras . - Ou talvez tenha sido corrido - propôs Ron com entusiasmo . - Afinal , toda_a_gente o detesta ... - Ou talvez - disse uma voz gelada atrás de eles - esteja a a espera que vocês lhe expliquem por_que motivo não vieram em o comboio de a escola . Harry deu uma volta . Em a sua frente , com o manto negro a ondular em uma brisa fria , estava Severus_Snape . O professor era um homem magro , de pele descorada , nariz adunco e um cabelo preto oleoso que lhe caía sobre os ombros . E em aquele momento sorria de um modo tal que Harry sentiu que tanto ele como Ron estavam em sérios apuros . - Sigam me - disse Snape . Sem ousarem sequer olhar um para o outro , Harry e Ron seguiram Snape por as escadas até a o amplo * hall * de entrada que estava iluminado por as chamas de os archotes . De o salão nobre vinha um cheirinho delicioso a comida , mas Snape levou os para longe de a luz e de o calor , em direcção a uma escada estreita de pedra que conduzia a os calabouços . - Entrem - ordenou , abrindo uma porta a meio de o corredor e apontando . Entraram a tremer em o escritório de Snape . As paredes sombrias estavam cobertas de prateleiras cheias de jarros de vidro grosso onde flutuavam as coisas mais diversas e repugnantes , cujo nome Harry não queria de momento conhecer . A lareira estava escura e vazia . Snape fechou a porta e voltou se de frente para eles . - Com que então - disse com falsa suavidade - o comboio não serve para o famoso Harry_Potter e o seu fiel companheiro Weasley . Queriam chegar em grande estilo , não era rapazes ? - Não senhor , foi a barreira em King's_Cross , ela ... - Silêncio - disse Snape friamente . -- _ o que fizeram a o carro ? Ron engoliu em seco . Aquela não era a primeira vez que Snape dava a Harry a impressão de ser capaz de ler pensamentos . Mas , pouco depois , compreendeu tudo quando Snape desenrolou o exemplar de o Profeta_Vespertino . - Vocês foram vistos - afirmou , mostrando lhes o cabeçalho : : __ ford anglia voador confunde __ muggles . Começou a ler alto a notícia . - Dois Muggles em Londres convenceram se de que tinham visto um carro velho a voar sobre a torre de os correios ... a a tardinha em Norfolk , Mrs._Hetty_Bayliss , enquanto pendurava a roupa ... Mr._Angus_Fleet_de_Peebles informou a polícia ... seis ou sete Muggles a o todo . Julgo que o teu pai trabalha em o departamento de mau uso dado a os objectos de os Muggles ? - disse olhando para Ron e sorrindo de uma forma ainda mais sarcástica . - Que peninha , o próprio filho ... Harry sentiu se como_se tivesse levado um soco em o estômago de uma de as maiores pernadas de a árvore louca . E se alguém descobrisse que Mr._Weasley tinha enfeitiçado o carro ? Ele ainda nem tinha pensado em isso . - Reparei durante a minha volta por o jardim que foi feito um estrago considerável em um salgueiro zurzidor extremamente valioso - continuou Snape . - Essa árvore fez nos pior a nós do_que nós ... - deixou escapar Ron . - Silêncio - interrompeu Snape , de_novo . - Infelizmente vocês não fazem parte de a minha equipa e a decisão de vos expulsar não está em as minhas mãos . Vou , por isso , buscar as pessoas que possuem essa feliz possibilidade . Esperem aqui . Harry e Ron olharam , pálidos , um para o outro . Harry perdera a fome . Sentia se agora extremamente agoniado . Tentava não olhar para uma coisa viscosa , suspensa em um líquido verde que estava em uma prateleira por detrás de a secretária de Snape . Se ele fora buscar a professora Mc_Gonagall , chefe de a equipa de os Gryffindor , não estavam muito melhor . Ela era mais justa do_que Snape , mas extremamente severa . Dez minutos mais tarde , Snape voltou e era , de facto , a professora Mc_Gonagall quem o acompanhava . Harry vira a professora Mc_Gonagall zangada , mas , ou se tinha esquecido de como a boca de ela ficava fina , ou nunca a vira tão zangada como em aquele dia . Levantou a varinha em o momento em que entrou . Harry e Ron estremeceram , mas ela limitou se a apontá a para a lareira onde as chamas se elevaram subitamente . - Sentem se - ordenou , e os dois recuaram para as cadeiras junto de o lume . - Expliquem se - disse com os óculos a brilhar de uma forma ameaçadora . Ron enveredou por a história começando por a barreira de a estação que se recusara a deixá os passar . - Por isso não tínhamos escolha , professora , não podíamos chegar a o comboio . - Porque não nos mandaram uma carta por a coruja ? Julgo que tens uma coruja ? - disse friamente a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a Harry . Harry olhou para ela sem saber o que dizer . - Parece me - continuou ela - que seria a coisa mais adequada . - Eu ... não pensei ... - Isso - disse a professora Mc_Gonagall - é bastante óbvio . Ouviu se bater a a porta de o escritório e Snape , que parecia agora mais feliz do_que nunca , foi abrir . Era o director , o professor Dumbledore . Harry ficou totalmente paralisado . Dumbledore tinha uma expressão grave . Olhou para eles de cima de o seu nariz adunco e Harry desejou estar ainda com Ron a levar uma sova de o salgueiro zurzidor . Fez se um longo silêncio . Em seguida , Dumbledore disse lhes : - Por favor , expliquem porque fizeram isto . Teria sido melhor se gritasse . Harry detestou sentir a decepção em a sua voz . Inexplicavelmente era incapaz de olhar Dumbledore em os olhos e falou em direcção a os seus joelhos . Disse lhe tudo excepto que o carro enfeitiçado pertencia a Mr._Weasley , dando a ideia de que ele e o Ron o tinham encontrado estacionado fora de a estação . Sabia que Dumbledore ia ver para_além de isso , mas o director não fez perguntas sobre o carro . Quando Harry terminou continuou a olhar para ele através de os seus óculos . - Nós vamos buscar as nossas coisas - disse Ron em um tom de voz sem esperança . - Que disparate é esse ? - rosnou a professora Mc_Gonagall . -- Então , vão expulsar nos , não vão ? - disse o Ron . Harry olhou rapidamente para Dumbledore . - Ainda não , Mr._Weasley - afirmou Dumbledore . - Mas vou assinalar a gravidade do_que vocês fizeram . Hoje a a noite escreverei a as vossas famílias . Estão também prevenidos que se voltarem a fazer uma coisa como esta não terei outro remédio senão expulsar vos . A expressão de Snape era como_se o Natal tivesse sido cancelado . Pigarreou e disse : - Professor_Dumbledore , estes rapazes infringiram o decreto para a restrição de a feitiçaria de os menores , causaram estragos consideráveis a uma árvore antiga e valiosa ... sem dúvida , actos de esta natureza ... - Cabe a a professora Mc_Gonagall decidir sobre os castigos de os rapazes , Severus - afirmou Dumbledore com toda_a calma . - Pertencem a a equipa de ela e são , portanto , de a sua responsabilidade . - Voltou se para a professora Mc_Gonagall . - Tenho de regressar a o banquete , Minerva , devo dar algumas informações . Venha Severus , há uma tarte de leite e ovos com um aspecto delicioso que quero mostrar lhe . Snape lançou um olhar de puro veneno a o Harry e a o Ron enquanto permitia que o afastassem de o seu escritório , deixando os a sós com a professora Mc_Gonagall que ainda os olhava como uma águia em fúria . - É melhor ires até a a ala hospitalar , Weasley , estás a sangrar . - Não é nada - disse Ron , limpando o corte com a manga para que ela o visse . - Professora , eu gostava de ver a minha irmã ser seleccionada . - A cerimónia de a selecção terminou - disse a professora Mc_Gonagall . - A tua irmã está também em os Gryffindor . - _ óptimo - exclamou Ron . - E por falar em os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall de forma cortante , mas Harry interrompeu a : - Professora , quando tirámos o carro , o ano escolar ainda não tinha começado , por isso os Gryffindor não deveriam perder pontos , pois não ? - terminou olhando a ansiosamente . A professora Mc_Gonagall lançou lhe um olhar penetrante , mas ele era capaz de jurar que ela quase tinha sorrido . Pelo_menos a boca não parecia tão fina . - Não vou tirar pontos a os Gryffindor - tranquilizou o . E o coração de Harry ficou mais leve . - Mas vocês os dois vão ter um castigo . Foi melhor do_que Harry imaginara . O facto de Dumbledore escrever a os Dursley não tinha a menor importância . Harry sabia perfeitamente que eles só lamentariam que o salgueiro zurzidor não o tivesse esmigalhado . A professora Mc_Gonagall ergueu a varinha de_novo apontou a a a secretária de Snape . Um grande prato de sanduíches , duas taças de prata e um jarro com sumo de abóbora gelado apareceram em menos_de um segundo . - Vocês vão comer aqui e , em seguida , vão direitinhos para o vosso dormitório - disse . - Eu também tenho de voltar para a festa . Mal a porta se fechou atrás de ela , Ron soltou baixinho um assobio . - Pensei que estávamos feitos - confessou , agarrando uma sanduíche . - Também eu - disse o Harry , orando também uma . - Mas já viste bem a nossa pouca sorte ? - insistiu o Ron com a boca cheia de frango e fiambre . - O Fred e o George voaram em aquele carro cinco ou seis vezes e nenhum Muggle os viu - engoliu outro pedaço enorme de a sanduíche . - Porque será que não conseguimos passar a barreira ? Harry encolheu os ombros . - Mas temos de ter muito cuidado a_partir_de agora - disse bebendo um grande trago de sumo de abóbora . - Que pena não termos podido ir a o banquete . - Ela não quis que nos exibíssemos - afirmou Ron com prudência . - Não vão as pessoas pensar que é uma boa chegar aqui de carro voador . Quando já tinham comido todas_as sanduíches que queriam ( o prato ia voltando a encher se sozinho ) , levantaram se e saíram de o escritório , seguindo o caminho que lhes era familiar , para a torre de os Gryffindor . O castelo estava em silêncio . Parecia que o banquete tinha acabado . Passaram por retratos murmurantes e armaduras que gemiam e subiram os degraus estreitos de pedra até que , por fim , chegaram a a passagem onde a entrada secreta para a torre de os Gryffindor se encontrava oculta por detrás de o quadro a óleo de uma dama gorda em um vestido cor-de-rosa . - A senha ? - perguntou ela mal os dois se aproximaram . - Er ... Eles ainda não tinham estado com o prefeito de os Gryffindor e por isso ainda não conheciam a senha para o novo ano , mas a ajuda não se fez esperar . Ouviram passos apressados atrás de eles e quando se voltaram viram Hermione que se aproximava . - Aí estão vocês . Onde é_que se meteram ? Correm os boatos mais ridículos , alguém disse que vocês tinham sido expulsos por espatifarem um carro voador . - Bem , expulsos não fomos - tranquilizou a Harry . - Não estás a dizer me que voaram até aqui ? - perguntou Hermione em um tom quase tão severo como a professora Mc_Gonagall . - Dispensa se o sermão - interrompeu Ron impacientemente . - E diz nos a nova senha de passagem . - É crista de pássaro - disse Hermione não contendo a impaciência . - Mas o mais importante não é isso ... Contudo as palavras de ela foram interrompidas ao_mesmo_tempo que o retrato de a dama gorda se abria e se ouvia uma tempestade de aplausos . A o que parecia a equipa de os Gryffindor estava ainda acordada , dentro de a sala comum em forma de círculo , junto de as mesas assimétricas e de os cadeirões moles a a espera que eles chegassem para , de braços estendidos através de o buraco de o retrato , puxarem Harry e Ron para dentro deixando Hermione para o fim . - Sensacional - gritou Lee_Jordan . - Inspirado ! Que entrada ! Voar em um carro e aterrar em o salgueiro zurzidor . Toda_a_gente vai falar de isto durante anos e anos . - Muito bem - disse um aluno de o quinto ano com quem Harry nunca tinha falado . Alguém dava lhe palmadas em as costas como_se ele acabasse de vencer a maratona . Fred e George abriram caminho por_entre a multidão e disseram ao_mesmo_tempo : - Por_que é_que não nos chamaram , hein ? - Ron estava vermelho como um pimentão , sorrindo envergonhado , mas Harry via perfeitamente uma pessoa que não estava nada contente . Percy elevava se acima de as cabeças de os excitados alunos de o primeiro ano e parecia estar a tentar aproximar se para os repreender . Harry deu uma cotovelada a o Ron e apontou em direcção a Percy . Ron percebeu de imediato . - Temos de ir para_cima , um_pouco cansados ! - explicou e os dois começaram a abrir caminho em direcção a a porta que ficava de o outro lado de a sala e que dava para a escada em espiral e para os dormitórios . - ` _ Noite - despediu se Harry_de_Hermione que tinha um ar tão carrancudo como Percy . Conseguiram chegar a o outro lado de a sala comum sempre a levarem palmadas em as costas e alcançaram o sossego de as escadas . Apressaram se a subir e , por fim , chegaram a a porta de o dormitório que tinha agora um letreiro a dizer « Segundos_Anos » . Entraram em o quarto circular , que conheciam tão bem , com as suas cinco camas de dossel adornadas de velado vermelho e as suas janelas altas e estreitas . As malas tinham sido trazidas para_cima e colocadas a os pés de as camas . Ron fez um sorriso culpado . - Sei que não devia ter gostado de aquilo , mas ... A porta de o dormitório abriu se e os outros rapazes de os Gryffindor entraram ; eram eles o Seamus_Finnigan , o Dean_Thomas e o Neville_Loogbottom . - Inacreditável - aplaudiu Seamus . - Incrível - aprovou o Dean . - Espantoso - exclamou o Neville , aterrado . Harry não pôde evitar também um sorriso . VI_Gilderoy_Lockhart_No dia seguinte , contudo , Harry não conseguiu sorrir . As coisas começaram a correr mal logo em o salão durante o pequeno-almoço . Debaixo de o tecto encantado ( em aquele dia triste e cinzento ) estavam as quatro grandes mesas de as equipas e sobre elas , terrinas de papa de aveia , pratos de arenque defumado , montanhas de torradas e pratadas de ovos com * bacon * . Harry e Ron sentaram se em a mesa de os Gryffindor , junto de Hermione que tinha o seu exemplar de * _ Viagens com Vampiros * totalmente aberto , encostado a um jarro de leite . Havia uma certa rigidez em a maneira como ela disse : - ` _ Dia - que mostrou a Harry que continuava a desaprovar o modo como tinham chegado a a escola . Por seu turno , Neville_Longbottom saudou os entusiasticamente . Neville era um rapazinho de cara redonda , muito dado a acidentes , com a pior memória que Harry tinha conhecido . - A entrega de correio deve estar a chegar , acho que a minha avó me vai mandar umas quantas coisas de que me esqueci ... Harry tinha começado a comer as papas de aveia , quando se ouviu um ruído tumultuoso em o ar e umas cem corujas entraram ao_mesmo_tempo , sobrevoando o salão e deixando cair cartas e pacotes em o meio de a multidão faladora . Um embrulho grande e rugoso caiu em a cabeça de Neville e , um segundo depois , uma coisa larga e cinzenta caiu em o jarro de a Hermione , enchendo os a todos de leite e penas . - Errol - gritou o Ron , puxando a coruja esfarrapada por as patas . Errol caíra inconsciente sobre a mesa com as pernas para o ar e um envelope vermelho húmido em o bico . - Oh , não ! - sobressaltou se Ron . - Ela está bem , ainda está viva - tranquilizou o Hermione , tocando suavemente em a Errol com a ponta de o dedo . - Não é isso , é ... aquilo . Ron apontava para o envelope vermelho . Parecera perfeitamente vulgar a Harry , mas Ron e Neville estavam ambos a observá o como_se esperassem que explodisse . - Qual é o problema ? - perguntou Harry . - Ela . Ela mandou me um * gritador * - disse Ron , quase sem voz . - É melhor abrires - aconselhou Neville em um murmúrio tímido - senão é pior . A minha avó uma_vez mandou me um que eu ignorei e ... - engoliu em seco - foi horrível . Harry olhava , ora para as suas caras , ora para o envelope vermelho . - O que é um * gritador * ? - perguntou . - Mas toda_a atenção de o Ron estava fixa em a carta que começara a fumegar por os cantos . - Abre a - intimou o Neville . - De aqui a poucos minutos já passou tudo . Ron estendeu uma mão trémula , retirou o envelope de o bico de a Errol e começou a abri o . Neville pôs os dedos em os ouvidos . Após uma fracção de segundo , Harry compreendeu porquê . Pensou em o primeiro momento que ela explodira . Um ruído ensurdecedor encheu o enorme salão , fazendo cair pó de o tecto . - ... : __ roubar o carro ! não me surpreendia nada se te expulsassem . espera só até te pôr as mãos em cima . será que não paraste para pensar em a nossa aflição quando vimos que o carro tinha __ desaparecido ... Os gritos de Mrs._Weasley , ampliados cem vezes em relação a o seu normal , fizeram os pratos e as colheres chocalhar em a mesa e ecoaram de forma ensurdecedora em as paredes de pedra . Vinha gente de todos os lados espreitar quem tinha recebido o * gritador * e Ron afundou se tanto em a cadeira que só se lhe via a testa carmesim . - ... : __ uma carta de o dumbledore ontem a a noite , o teu pai quase morria de vergonha . não foi esta a educação que te demos , tu e o harry podiam ter __ morrido ... Harry estava a ver quando é_que o seu nome viria a a baila . Tentou o melhor que pôde agir como_se não ouvisse a voz , mas aquilo estava a fazer com que os tímpanos lhe latejassem . - ... : __ profundamente decepcionada , o teu pai vai ter de se confrontar com um inquérito em o trabalho , tudo por tua culpa e , se pisas mais_uma_vez o risco , trago te para __ casa ! Seguiu se um silêncio ressonante . O envelope vermelho , que caíra de as mãos de o Ron , incendiou se e encaracolou se em cinzas . Harry e Ron estavam sentados de boca aberta , como_se uma onda gigante lhes tivesse passado por cima . Algumas pessoas riam e , a os poucos , o ruído de as conversas recomeçou . Hermione fechou o * _ Viagens com Vampiros * e olhou para o topo de a cabeça de Ron . - Bem , não sei o que esperavas , Ron , mas tu ... - Não me venhas dizer que mereci - interrompeu Ron . Harry afastou as papas de aveia . O estômago ardia lhe de culpa . Mr._Weasley tinha um inquérito em o trabalho , depois de tudo_o_que Mr. e Mrs._Weasley tinham feito por ele durante o Verão ... Mas não teve muito_tempo para se demorar em aqueles pensamentos . A professora Mc_Gonagall circulava em volta de as mesas de os Gryffindor distribuindo horários . Harry pegou em o seu e viu que começavam por ter Herbologia , juntamente com os Hufflepuff . Harry , Ron e Hermione saíram juntos de o castelo , atravessaram as hortas e chegaram a as estufas , onde estavam guardadas as plantas mágicas . O * gritador * tivera pelo_menos uma vantagem : Hermione parecia achar que já tinham sido suficientemente castigados e estava de_novo perfeitamente calorosa . Quando estavam a chegar a as estufas viram o resto de a classe de pé , cá fora , a a espera de a professora Sprout . Harry , Ron e Hermione tinham acabado de se lhes juntar quando a viram aproximar se a passos largos por o relvado , acompanhada de Gilderoy_Lockhart . A professora Sprout era uma bruxa pequenina e atarracada que usava um chapéu a os remendos sobre o cabelo solto . As roupas que vestia estavam sempre cheias de terra e as suas unhas fariam a tia Petúnia desmaiar . Gilderoy_Lockhart , pelo_contrário , tinha um ar imaculado em as suas vestes azul-turquesa , o cabelo doirado a brilhar debaixo_de um chapéu azul-turquesa , com uma fita dourada , perfeitamente posicionado sobre a cabeça . - Olá a todos ! - gritou Lockhart , dirigindo se a o grupo de estudantes . - Estive a mostrar a a professora Sprout a maneira correcta de tratar um salgueiro . Mas não quero que fiquem com a ideia de que sou melhor do_que ela em Herbologia . Acontece que encontrei várias de estas plantas exóticas , durante as minhas viagens .... - Estufa número três hoje , meninos ! - disse a professora Sprout que estava visivelmente descontente , bem diferente de a sua habitual natureza bem-disposta . Houve um murmúrio de interesse . Eles só tinham estado uma_vez em a terceira estufa , que era uma estufa que abrigava plantas bem mais interessantes e perigosas . A professora Sprout tirou uma enorme chave de o cinto e abriu a porta . Harry sentiu o bafo de a terra húmida com adubo misturado e o perfume forte de umas flores gigantescas , de o tamanho de guarda-chuvas , que estavam penduradas de o tecto . Ia seguir Ron e Hermione , quando a mão de o Lockhart o travou . -- Harry ! Tenho querido ter uma palavrinha contigo . Não se importa se ele chegar uns minutos atrasado , pois não , professora Sprout ? A julgar por a expressão carregada de a professora Sprout , importava se sim , mas Lockhart disse : - Então até já - e fechou a porta de a estufa em a cara de ela . - Harry ! - disse Lockhart , com os dentes brancos a brilharem a o sol , enquanto abanava a cabeça . - Harry , Harry , Harry ! Harry , totalmente perplexo , não disse uma palavra . - Quando ouvi dizer , bem , é claro que eu tive muita culpa , deviam castigar me também ... Harry não fazia ideia de que estava ele a falar , quando Lockhart prosseguiu : - Nunca me lembro de ficar tão chocado . Fazer voar um automóvel até Hogwarts ! Bem , é claro que eu percebi logo porque o fizeste . Foi um destaque em grande . Harry , Harry , Harry ! Era notável como ele conseguia mostrar todos aqueles dentes brilhantes , mesmo quando não estava a falar . - Criei te o gosto por a publicidade , não foi ? - perguntou Lockhart . - Passei te o bichinho . Apareceste comigo em a primeira página e não podias esperar para aparecer outra_vez ... - Oh , não , professor , sabe é_que ... - Harry , Harry , Harry - disse Lockhart aproximando se e tocando lhe em o ombro . - * _ Eu compreendo * . É natural querer um_pouco mais quando se lhe tomou o gosto , e eu culpo me por te ter dado esse conhecimento , porque era natural que te subisse a a cabeça , mas vê uma coisa , rapazinho , tu não podes começar a fazer voar carros para tentares ser notícia . Tens de acalmar , está bem ? Tens muito_tempo quando fores mais velho . Sim , sim , eu sei o que estás a pensar ! É fácil para ele falar assim , já é um feiticeiro internacionalmente famoso ! Mas quando eu tinha doze anos era tão zé-ninguém como tu és hoje . Em a verdade , era ainda mais . De ti , já meia_dúzia de pessoas ouviram falar , não é ? Toda aquela história com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . - Olhou para a cicatriz luminosa em a testa de Harry . - Eu sei , eu sei , não é o mesmo_que vencer o Prémio de o sorriso de o feiticeiro de a semana cinco vezes seguidas , como eu venci , mas é um começo , Harry , é um começo . Lançou lhe uma piscadela de olhos cordial e foi se embora . Harry ficou atarantado durante alguns segundos . Depois , lembrando se que deveria estar em a estufa , abriu a porta e esgueirou se lá para dentro . A professora Sprout estava de pé , por_detrás_de uma espécie de mesa em o meio de a estufa . Em cima de a mesa estavam cerca de vinte pares de abafo de ouvidos de diferentes cores . Quando Harry estava já em o seu lugar , entre Ron e Hermione , ela disse : - Hoje vamos transplantar Mandrágoras . Muito bem , quem sabe dizer me as propriedades de a Mandrágora ? Não foi surpresa para ninguém que a mão de a Hermione fosse a primeira em o ar . - A Mandrágora tem um efeito reparador muito poderoso - disse Hermione , com o ar mais normal de este mundo , como_se tivesse engolido o livro de texto . - É usada para fazer voltar as pessoas , que foram transfiguradas ou amaldiçoadas , a o seu estado original . - Excelente . Dez pontos para os Gryffindor ! - exclamou a professora Sprout . - A Mandrágora é parte integrante de a maior parte de os antídotos , mas também é perigosa . Quem sabe dizer me porquê ? A mão de Hermione por_pouco não bateu em os óculos de Harry , quando se ergueu de_novo . - O grito de a Mandrágora é fatal para quem o ouve - disse prontamente . - Precisamente . Dou lhe mais dez pontos - disse a professora Sprout . - Agora vejamos , as Mandrágoras que aqui temos são ainda muito jovens . Enquanto falava , apontou para uma fila de tabuleiros com uma certa profundidade e todos se chegaram a a frente para ver melhor . Cerca de uma centena de plantinhas tufosas de um verde arroxeado cresciam em filas . Pareceram perfeitamente vulgares a Harry , que não fazia a menor ideia do_que Hermione queria dizer com o * grito * de a Mandrágora . - Cada_um de vocês pode tirar um par de abafo de ouvidos - disse a professora Sprout . Houve uma competição renhida porque ninguém queria os cor-de-rosa , cheios de penugem . - Quando eu vos disser para os colocar , assegurem se de que os vossos ouvidos estão completamente tapados - disse a professora Sprout . - Logo_que seja seguro retirá os , eu levanto os dedos . Certo , pôr os abafos de os ouvido . Harry pôs imediatamente os abafos em os ouvidos . Eles fecharam completamente o som . A professora Sprout colocou também um par de abafos cor-de-rosa com penugem em os de ela , arregaçou as mangas de a túnica , agarrou uma de as plantas tufosas e puxou com toda_a força . Harry soltou um grito de surpresa que ninguém ouviu . Em_vez_de raízes , um bebé pequenino , enlameado e extremamente feio , saiu de a terra . As folhas cresciam lhe em o alto de a cabeça , tinha uma pele pintalgada de um pálido esverdeado e estava nitidamente a berrar a plenos pulmões . A professora Sprout tirou debaixo de a mesa um grande vaso de plantas e mergulhou lá dentro a Mandrágora , enterrando a em a mistura escura e húmida , até que só as folhas ficassem visíveis . Em seguida , limpou a terra de as mãos , levantou os dedos e todos eles retiraram os abafos de os ouvidos . - Como as nossas Mandrágoras são muito novas , os seus gritos ainda não matam - disse ela com grande calma , como_se tivesse feito algo tão normal como regar uma begónia . - Contudo , podem pôr vos a dormir durante várias horas e , como com certeza nenhum de vocês quer perder o primeiro dia de aulas , vejam se os abafos estão bem colocados enquanto trabalham . Eu chamarei vos a atenção quando for altura de os retirar . - Quatro em cada fila , há aqui uma grande quantidade de vasos , a mistura de terra está em os sacos ali a o fundo e tenham cuidado com a * _ Venomous_Tentacula * , estão a nascer lhe os dentes . Enquanto falava , deu uma pancada seca a uma planta vermelha escura cheia de pontas eriçadas , fazendo a encolher as longas antenas que tinham estado a avançar lenta e dissimuladamente sobre o seu ombro . A Harry , Ron e Hermione veio juntar se em a fila um rapaz de cabelo encaracolado de os Hufflepuff que Harry conhecia de vista , mas com quem nunca tinha falado . - Justin_Finch - _ Fletchey - disse ele com vivacidade , apertando a mão de o Harry . - Conheço te , claro , o famoso Harry_Potter ... e tu és a Hermione_Granger , sempre a primeira em tudo ( Hermione brilhou em um sorriso , como_se ele lhe tivesse apertado a mão ) e Ron_Weasley . Não era teu o carro voador ? Ron não sorriu . Não lhe saía de a cabeça o * gritador * . - Aquele Lockhart é o_máximo , não acham ? - disse Justin satisfeito , enquanto começavam a encher os vasos com composto de adubo de dragão . - Terrivelmente corajoso . Leram os livros de ele ? Eu teria morrido de medo se um lobisomem me tivesse encurralado em uma cabina telefónica , mas ele manteve se calmo e ... zap ... fantástico ! « Eu estava inscrito em Eton , sabem , não imaginam como estou feliz de ter vindo antes para aqui . É claro que a minha mãe ficou um_pouco desiludida , mas depois de lhe ter dado os livros de Lockhart a ler , tenho a impressão de que ela começou a ver a utilidade de ter um feiticeiro bem treinado em a família ... Depois de isso , não tiveram grandes oportunidades para conversar . Voltaram a pôr os abafos de ouvidos e era preciso concentrarem se em as Mandrágoras . A professora Sprout fizera as coisas parecerem extremamente simples , mas não eram . As Mandrágoras não gostavam de sair de a terra mas também não pareciam querer voltar para lá . Elas contorceram se , deram pontapés , agitaram as mãozinhas finas e rangeram os dentes . Harry levou dez minutos inteirinhos a tentar meter uma Mandrágora particularmente gorda dentro_de um vaso . Em o final de a aula , Harry , como todos os outros , estava a suar , cheio de dores e coberto de terra . Regressaram a o castelo a pé para um banho rápido e , em seguida , os Gryffindor apressaram se para assistir a a aula de transfiguração . As aulas de a professora Mc_Gonagall eram sempre complicadas , mas a de aquele dia era particularmente difícil . Tudo_o_que o Harry aprendera em o ano anterior parecia ter se lhe apagado de a memória durante o Verão . Ele deveria ser capaz de transformar uma barata em um botão , mas , tudo_o_que conseguiu foi fazer a barata praticar um imenso exercício , enquanto corria apressadamente por o tampo de a secretária evitando a varinha . Ron estava a debater se com problemas bastante piores . Tinha atado a varinha com uma fita mágica , mas parecia que não havia reparação possível . Não parava de crepitar e lançar faíscas em os momentos mais estranhos e , sempre_que Ron tentava transfigurar a barata , via se envolvido em um fumo cinzento espesso que cheirava a ovos podres . Incapaz de ver o que estava a fazer , o Ron esmagou , por engano , a barata com o cotovelo e teve de ir pedir que lhe dessem outra , o que deixou a professora Mc_Gonagall muito pouco satisfeita . Harry ficou aliviado quando ouviu tocar a campainha para o almoço . Sentia a cabeça como uma esponja espremida . Todos os alunos saíram em fila de a aula excepto ele e Ron que dava furiosas varadas em a secretária . - Coisa estúpida e inútil . - Escreve a os teus pais a pedir outra - sugeriu Harry , enquanto a varinha disparava com estrondo um foguete explosivo . - Ah pois , e receber outro * gritador * em a volta de o correio - respondeu Ron , metendo a varinha que já assobiava , dentro de o saco . - * _ A culpa é toda tua se a varinha está estragada * ... Desceram para o almoço e aí a disposição de o Ron não iria melhorar com Hermione a mostrar lhe uma mão-cheia de botões de casaco , perfeitinhos , que produzira em a transfiguração . - O que temos esta tarde ? - quis saber Harry , mudando rapidamente de assunto . - Defesa contra as artes negras - disse Hermione , sem perder tempo . - Porque é_que tu ... - perguntou Ron , pegando em o horário de ela - desenhaste corações em volta de as aulas de o Lockhart ? Hermione arrancou lhe o horário de as mãos , corando furiosa . Acabaram de almoçar e foram para o pátio carregado de nuvens . Hermione sentou se em um degrau de pedra e enfiou de_novo o nariz em as * _ Viagens com Vampiros * . Harry e Ron ficaram a falar de Quidditch durante alguns minutos antes de Harry se aperceber de que estava a ser observado de perto . Olhando para_cima viu o rapazinho pequenino com cabelo de rato que ele vira experimentar o chapéu seleccionador em a noite anterior , olhando para ele com uma expressão petrificada . Estava agarrado a o que parecia ser uma vulgar máquina fotográfica de os Muggles e , em o momento em que Harry olhou para ele , ficou todo vermelho . - Tudo bem , Harry ? Eu sou Colin_Creevey - disse , faltando lhe o ar e adiantando se a qualquer pergunta . - Estou em os Gryffindor também . Não te importavas que eu tirasse uma fotografia ? - perguntou , levantando a máquina cheio de expectativa . - Uma fotografia ? - repetiu Harry , inexpressivo . - Para eu provar que te conheci - disse Colin_Creevey cheio de ansiedade , continuando : - Eu sei tudo a teu respeito . Toda_a_gente me tem contado como sobreviveste quando O_Quem nós sabemos tentou matar te , como ele desapareceu depois de isso e como ficaste com a cicatriz em forma de relâmpago em a testa ( os seus olhos procuraram a linha de cabelo de Harry ) e um rapaz de o meu dormitório disse que se eu revelasse o filme em a posição certa ele mexia . - Colin respirou fundo , estremecendo de excitação e disse : - Isto_é fantástico , aqui , não achas ? Eu não sabia que todas_as coisas estranhas que fazia eram magia até a o dia em que recebi uma carta de Hogwarts . O meu pai é leiteiro . Também ele não queria acreditar . Por isso estou a tirar montes de fotografias para lhe mandar e era mesmo bom se tivesse uma tua - parecia implorar . - Talvez o teu amigo pudesse tirá a e assim eu ficava a o teu lado . E depois , podias assiná a ? - Assinar fotografias ? Estás a dar fotos autografadas , Potter ? Alta e mordaz , a voz de Draco_Malfoy ecoou em o pátio . Estava parado mesmo atrás_de Colin , ladeado , como sempre andava em Hogwarts , por os seus fortes guarda-costas Crabbe e Goyle . - Ei gente , façam bicha - gritou Malfoy a a multidão . - Harry_Potter está a dar fotos autografadas ! - Não estou coisa nenhuma - disse Harry , zangado , com os punhos em o ar . - Cala a boca , Malfoy . - Tu tens é inveja - começou a dizer Colin , cujo corpo era de o tamanho de o pescoço de Crabbe . - Inveja - repetiu Malfoy que não precisava de gritar mais , metade de o pátio estava a ouvi o . - De quê ? Não preciso de uma cicatriz em a cabeça , muito obrigado . Não acho que ter um corte em a testa torne alguém especial . Crabbe e Goyle riram estupidamente - Vai pastar caracóis , Malfoy - disse o Ron furioso . Crabbe parou de rir e começou a esfregar os nós de os dedos enormes de uma forma ameaçadora . - Tem cuidado , Weasley - escarneceu Malfoy . - Com certeza não queres começar uma rixa ou a tua mãezinha tem de vir cá para te tirar de a escola - e com uma voz aguda e penetrante : - * _ Se voltas a pisar o risco * ... Um grupo de alunos de o quinto ano de os Slytherin que estava ali perto , riu se bastante alto . - O Weasley gostaria de ter uma foto tua autografada , Potter - escarneceu de_novo Malfoy . - Era capaz de valer mais do_que a casa onde ele mora com a família . Ron sacou de a sua varinha amarrada com fita , mas Hermione fechou as * Viagens com Vampiros * com um estrondo e avisou : - Atenção . - O que é isto , o que é isto ? - Gilderoy_Lockhart aproximava se com o seu manto azul-turquesa girando em torvelinho atrás de ele . - Quem está a dar fotos autografadas ? Harry ia começar a explicar , mas foi interrompido quando Lockhart lhe pôs jovialmente o braço em cima de os ombros . - Mas que pergunta a minha ! Cá estamos nós de_novo , Harry ! Preso ao_lado_de Lockhart e a arder de humilhação , Harry viu Malfoy deslizar com o seu sorriso desdenhoso por o meio de a multidão . - Vamos lá então , Mr._Creevey - disse Lockhart , dirigindo se a Colin . - Uma foto dupla , já viu a sua sorte ? E assinamos a os dois para si . Colin ajustou a máquina e tirou a fotografia em o preciso momento em que a campainha tocava para as aulas de a tarde . - Está em a hora , todos para dentro - gritou Lockhart a a multidão e regressou a o castelo levando a o seu lado o Harry que só lamentava não conhecer um feitiço que o fizesse desaparecer . - Uma palavra só , Harry - disse Lockhart paternalmente , enquanto entravam em o edifício por uma porta lateral . - Eu ajudei te há bocado com o jovem Creevey porque se ele estivesse a fotografar me também a mim os teus colegas não reparariam tanto que estavas a exibir te ... Indiferente a a gaguez de Harry , Lockhart arrastou o para um corredor ladeado de alunos que os olhavam espantados e subiram uma escada . - Deixa me só dizer te uma coisa : dar fotografias autografadas em esta fase de a tua carreira , francamente , não é sensato , Harry , parece um_pouco megalómano . Pode ser que um dia mais tarde , tal_como eu , sejas obrigado a assinar para multidões onde quer que vás , mas - fez uma pequena pausa - não me parece que seja o caso , por enquanto . Tinham chegado a a aula de Lockhart e ele largou finalmente o Harry que sacudiu a túnica e foi sentar se em um lugar bem lá atrás onde começou por empilhar os livros de Lockhart a a sua frente para evitar olhar para a criatura . O resto de a aula entrou ruidosamente e Ron e Hermione foram sentar se um de cada lado de Harry . - Tu estavas vermelho como um pimentão - disse o Ron . - Reza para que o Creevey não se torne amigo de a Ginny senão bem podem criar o clube de * fans * de Harry_Potter . - Cala a boca - interrompeu Harry . A última coisa que desejava era que o Lockhart ouvisse a expressão « clube de * fans * de Harry_Potter « . Quando todos estavam em os seus lugares , Lockhart pigarreou alto e fez se silêncio . Ele inclinou se para a frente , pegou em o exemplar de Neville_Longbottom de * _ viagens com Duendes * e levantou o para mostrar a sua fotografia a piscar os olhos em a capa . - Eu - disse apontando para a fotografia e piscando também os olhos - Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , terceiro ano , membro honorário de a Liga_de_Defesa contra as artes negras e cinco vezes vencedor de o prémio de o * _ Feiticeiro de a semana * por o sorriso mais charmoso . Mas não vamos falar de isso , não venci a fada carpideira de Bandon a sorrir para ela ! Esperou que eles se rissem . Alguns alunos sorriram timidamente . - Já vi que todos vocês compraram a minha obra completa . Muito bem . Pensei começar hoje com um pequeno interrogatório escrito . Nada de complicado , só para perceber se leram bem os meus livros e o que apreenderam ... Depois de distribuir as folhas de teste voltou se para os alunos e disse : - Têm trinta minutos . Comecem já . Harry olhou para o papel e leu : *1 . Qual é a cor preferida de Gilderoy_Lockhart ? *2 . Qual é a ambição secreta de Gilderoy_Lockhart ? *3 . Qual é , em a sua opinião , a maior realização de Gilderoy_Lockhart até a o momento ? * E_por_aí adiante , ao_longo_de três páginas , terminando com : *54 . Qual é o dia de aniversário de Gilderoy_Lockhart e qual seria o seu presente preferido ? * Meia_hora mais tarde , Lockhart recolheu os pontos e folhou os rapidamente em frente de os alunos . - Tut , tut , quase ninguém se lembrou que a minha cor preferida é o lilás . Eu digo o em * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves * . Alguns precisam de voltar a ler com mais cuidado * Fim-de - _ Semana com Um Lobisomem * . Eu afirmo claramente em o décimo segundo capítulo que o meu presente de aniversário preferido seria a harmonia entre todos os seres , mágicos e não mágicos , embora não me importasse de receber uma garrafa grande de * whisky * velho de a Ogden's_Old_Firewhisky . Piscou lhes o olho de_novo . Ron olhava para Lockhart com uma expressão de incredulidade em o rosto . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas que estavam sentados a a frente tremiam de tanto conter o riso . Hermione , contudo , ouvia Lockhart com extrema atenção e deu um salto quando ouviu o seu nome . - Mas Miss_Hermione_Granger sabia que a minha ambição secreta era libertar o mundo de o mal e pôr a a venda a minha gama de poções de tratamento de o cabelo . Muito bem - voltou o papel . - Nota máxima ! Onde está Miss_Hermione_Granger ? Hermione ergueu uma mão trémula . - Excelente - bradou Lockhart , exultante . - Leva dez pontos para os Gryffindor . E vamos a o trabalho . Baixou se atrás de a secretária e pegou em uma grande gaiola coberta . - Ficam desde_já a saber , a minha função é preparar vos contra as criaturas mais malignas que a feitiçaria conhece . Vocês podem ter que enfrentar os maiores medos em esta sala . Saibam que nenhum mal vos sucederá comigo aqui . Só vos peço que se mantenham calmos . Ultrapassando os seus sentimentos , Harry espreitou através de a pilha de livros para ver melhor a gaiola . Lockhart colocou uma mão em a tampa . Dean e Seamus tinham deixado de se rir . Neville estava agachado em o seu lugar de a fila de a frente . - Vou pedir vos que não façam barulho - disse Lockhart em voz baixa . - Podem assustá os . Enquanto a aula inteira continha a respiração , Lockhart tirou a cobertura . - Sim - disse em um tom dramático . - Duendes_da_Cornualha recém-capturados . Seamus_Finnigan não conseguiu controlar se . Soltou uma gargalhada que nem Lockhart poderia confundir com um grito de terror . - Sim ? - sorriu a Seamus . - Bem , eles não são , não são perigosos , pois não ? - perguntou a rir . -- Não tenhas tanta certeza de isso - afirmou Lockhart , aborrecido , abanando um dedo , em direcção a Seamus . - Podem ser maçadores e muito traiçoeiros . Os duendes eram de um azul-eléctrico e tinham cerca de vinte centímetros de altura com feições angulosas e umas vozes tão estridentes que era como ouvir uma discussão entre araras . Logo_que o pano foi retirado , começaram a fazer uma enorme algazarra , a andar de um lado para o outro , batendo em as grades e fazendo caretas a as pessoas que estavam mais perto . - Muito bem - disse Lockhart em voz alta . - Vamos então ver o que vocês conseguem fazer de eles - e abriu a gaiola . Foi um pandemónio . Os duendes dispararam em todas_as direcções como foguetes . Dois de eles agarraram o Neville por as orelhas e levantaram o a o ar . Vários outros foram direitos a a janela , fazendo chover vidros partidos até a a fila de trás . Os restantes decidiram destruir a sala com maior eficácia do_que um rinoceronte em fúria . Agarraram em os tinteiros e salpicaram tudo em volta , rasgaram a os bocados livros e papéis , arrancaram os quadros de as paredes , levantaram a o ar a gaiola vazia , agarraram livros e sacos e lançaram nos por a janela de vidros estilhaçados . Em poucos minutos , metade de a aula estava abrigada debaixo de as secretárias e o Neville pendurado em o candelabro de o tecto . - Vamos lá , agarrem nos , agarrem nos , são apenas duendes ... - gritava Lockhart . Arregaçou as mangas , bramiu a varinha e pronunciou * Peshipiksi_Pesternomi ! * As palavras não tiveram o menor efeito . Um de os duendes pegou em a varinha de Lockhart e atirou a também por a janela fora . Lockhart engoliu em seco e mergulhou debaixo de a secretária , não sendo , por um triz , esmagado por o Neville que caiu um segundo depois , quando o candelabro cedeu . A campainha tocou e houve uma louca precipitação para a porta . Em a calma relativa que se seguiu , Lockhart endireitou se , olhou para Harry , Ron e Hermione que estavam quase a chegar a a porta e disse : - Bem , vou pedir vos a os três que prendam o resto de os duendes em a gaiola - passou por eles e fechou rapidamente a porta atrás_de si . - Isto dá para acreditar ? - resmungou o Ron , enquanto um de os duendes lhe mordia com toda_a força uma de as orelhas . - Ele só quer dar nos uma ajuda , permitindo nos ganhar experiência - justificou Hermione , imobilizando dois duendes de uma_vez com um encantamento de paralisação e metendo os de_novo em a gaiola . - Experiência ? - disse Harry , tentando agarrar um duende que dançava com a língua de_fora . - Hermione , ele não sabia nada do_que estava a fazer . - Disparate - retorquiu Hermione . - Leste os livros de ele . Vê só as coisas que ele já fez ! - Que diz que fez - resmungou o Ron . VII_Sangue de lama e murmúrios Harry passou imenso tempo , em os dias que se seguiram , a fugir sempre_que via Gilderoy_Lockhart aproximar se em o corredor . Mais difícil de evitar era Colin_Creevey que parecia ter decorado o horário de Harry . Parecia que nada o emocionava mais do_que dizer : - Tudo bem , Harry ? - seis ou sete vezes por dia e ouvir : - Olá , Colin - por mais exasperado que Harry estivesse quando lhe respondia . A Hedwig ainda estava zangada com Harry por causa de a desastrosa viagem de automóvel e a varinha de o Ron continuava a não funcionar , tendo ultrapassado tudo em a sexta-feira de manhã quando lhe saltou de as mãos em a aula de encantamentos e foi agredir o velho e baixinho professor Flitwick mesmo entre os olhos , deixando uma enorme bolha latejante em o sítio onde tinha batido . Por tudo_isso Harry via chegar , com satisfação , o fim_de_semana Planeava ir em o Sábado de anhã , com Ron e Hermione visitar o Hagrid . Mas foi acordado várias horas mais cedo do_que desejaria por Oliver ood , treinador de a equipa de Quidditch_dos_Gryffindor . - _ o que é_que se passa ? - perguntou Harry , enrolando as palavras . - Treino_de_Quidditch - disse Wood . - Vamos embora . Harry lançou um olhar de esguelha a a janela . Uma neblina fina pairava em o céu rosa e dourado . Agora_que estava acordado não percebia como pudera dormir com a algazarra que os pássaros faziam . - Oliver resmungou Harry . - É de madrugada . - Exacto - respondeu Wood . Era um rapaz alto e corpulento de o sexto ano e em aquele momento os olhos brilhavam lhe loucamente de entusiasmo . - Faz parte de o nosso novo programa de treinos . Anda lá , vai buscar a vassoura e vamos embora - insistiu Wood empenhado . - Nenhuma de as outras equipas começou ainda a treinar . Vamos ser os primeiros este ano ... A bocejar e a tremer um_pouco , Harry saltou de a cama e tentou descobrir as suas túnicas de Quidditch . - Bem , encontramo nos em o campo , dentro_de quinze minutos . Depois de descobrir a sua roupa escarlate de equipa e pôr o manto por cima para se aquecer , Harry escreveu a o Ron um bilhete a explicar onde tinha ido e desceu por a escada de espiral para a sala comum com a sua Nimbos dois inil a o ombro . Tinha acabado de chegar junto de o buraco de o retrato quando ouviu um barulho atrás_de si e viu Colin_Creevey descer a escada de espiral com a máquina fotográfica pendurada a o pescoço a balouçar como louca e uma coisa em a mão . - Ouvi alguém chamar o teu nome em as escadas , Harry olha o que tenho aqui . Revelei a e queria mostrar te . Harry olhou assombrado para a fotografia que Colin lhe espetava em frente de o nariz . Um Lockhart a preto e branco movia se , puxando com toda_a força um braço que Harry reconheceu como sendo o seu . Ficou satisfeito a o constatar que estava a resistir bastante bem , recusando se a ser trazido para a vista de todos . Enquanto Harry observava , Lockhart desistiu e desinteressou se de lutar contra a parte branca de a fotografia . - Assinas para mim ? - pediu Colin entusiasmado . - Não - respondeu secamente Harry , olhando em volta para verificar se o caminho estava livre . - Desculpa_Colin , mas estou cheio de pressa , treino de Quidditch . Passou por o buraco de o retrato . - Oh Uau ! Espera por mim . Eu nunca vi um jogo de Quidditch . Colin trepou por o buraco de o retrato atrás de ele . - Vai ser uma chatice para ti - disse Harry rapidamente , mas Colin ignorou o comentário . Todo o seu rosto brilhava de satisfação . - Tu foste o jogador mais novo de a equipa em cem anos , não foste Harry ? Não foste ? - perguntava Colin , trotando para o acompanhar . - Deve ser fantástico . Eu nunca voei . É fácil ? Essa vassoura é a tua ? É a melhor que há ? Harry não sabia como ver se livre de ele . Era como ter uma sombra que não se calava . - Eu não percebo nada de Quidditch - disse Colin , já sem fôlego . - É verdade que há quatro bolas ? E que duas anda n a voar , tentando fazer os jogadores caírem de as vassouras ? - Sim - disse Harry lentamente , resignado com o ter de lhe explicar as complicadas regras de o Quidditch . - São as * bludgers * . Há dois * beaters * em cada equipa que têm bastões para bater em as * bludgers * e lançá as para o outro lado . O Fred e o George_Weasley são os * beaters * de os Gryffindor . - E para que servem as outras bolas ? - perguntou Colin , saltando uma série de degraus porque ia a olhar para o Harry de boca aberta . - Bem , a * quaffle * , que é a vermelha grandalhona , é a que marca os golos . Três * chasers * em cada equipa lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam fazes a entrar em as balizas que ficam em o extremo de o campo onde há três grandes postes com argolas em as pontas . - E a quarta bola ? - A * snitch * dourada - explicou Harry . - É muito pequenina e veloz e extremamente difícil de agarrar . Mas é isso que o * seeker * tem de fazer , porque o jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * for agarrada . E o * seeker * que conseguir agarrá a ganha para a sua equipa mais cento_e_cinquenta pontos . - E tu és o * seeker * de os Gryffindor , não és ? - perguntou Colin respeitosamente . - Sim - disse Harry enquanto saíam de o castelo e começavam a atravessar o relvado . - E há também o * keeper * que toma conta de os postes . É isto . Mas Colin não parou de fazer perguntas desde os relvados macios até a o campo de Quidditch e Harry só se viu livre de ele quando chegaram a os vestiários . Colin gritou em uma voz aguda : - Eu vou arranjar um lugar , Harry - e apressou se em direcção a as bancadas . O resto de a equipa de os Gryffindor já se encontrava em os vestiários . Wood era o único que tinha aspecto de estar bem acordado . Fred e George_Weasley estavam sentados com olhos de sono e cabelos desgrenhados junto de Alicia_Spinnet de o quarto ano que parecia inclinar se contra a parede que tinha atrás_de si . Os seus companheiros * chasers * , Katie_Bell e Angelina_Johnson bocejavam em frente de ela . - Até que enfim , Harry , porque é_que demoraste tanto ? - perguntou Wood cheio de actividade . - Eu queria ter uma pequena conversa convosco antes de entrarmos propriamente em campo porque passei o Verão a conjecturar um novo programa de treinos que acredito vai estabelecer grandes mudanças . Wood tinha em as mãos um grande mapa de um campo de Quidditch onde estavam desenhadas muitas linhas , setas e cruzes a tinta de várias cores . Pegou em a varinha , bateu com ela em o quadro e as setas começaram a mover se em o mapa como tractores . Enquanto Wood se lançava em um discurso sobre as suas novas técnicas , a cabeça de Fred_Weasley caiu sobre o ombro de Alicia_Spinnet e ele começou a ressonar . O primeiro mapa levou quase vinte minutos a explicar , mas debaixo de esse havia outro e ainda um terceiro . Harry caiu em uma letargia enquanto Wood continuava indefinidamente . - Então - disse por fim o treinador , arrancando Harry de a avidez de uma fantasia sobre o que poderia estar a comer se se encontrasse em aquele momento em o castelo . - Ficou tudo claro ? Alguma pergunta ? - Eu tenho uma pergunta , Oliver - disse George que acordou estremunhado . - Porque não nos explicaste tudo_isso ontem , quando estávamos acordados ? Wood não ficou nada satisfeito . - Ouçam bem , vocês todos - disse , voltando se para eles mal-humorado . - Nós deveríamos ter ganho a taça de Quidditch o ano passado . Somos de longe a melhor equipa , mas , infelizmente , devido_a circunstancias que estão para_além de o nosso controlo ... Harry mudou de posição em a cadeira sentindo se culpado . Estivera inconsciente em o hospital durante o campeonato final de o ano anterior o que fez com que os Gryffindor com um jogador a menos tivessem sofrido a pior derrota de os últimos trezentos anos . Wood levou um momento a controlar se . Era evidente que a última derrota ainda o torturava . - Portanto , este ano vamos fazer um treino mais duro , como nunca se fez . O. _ K. , vamos lá pôr as teorias em prática - gritou , pegando em a vassoura e conduzindo os para fora de o vestiário . Com as pernas trôpegas e ainda a bocejar , a equipa seguiu o . Tinham estado tanto tempo lá dentro que o sol já tinha nascido e brilhava em o céu embora uma réstia de neblina pairasse ainda sobre o relvado de o campo . Quando Harry entrou em campo viu Ron e Hermione sentados em as bancadas . - Ainda não acabaram ? - perguntou Ron em um tom incrédulo . - Ainda nem começamos - explicou Harry , olhando cheio de inveja para a torrada com doce de laranja que Ron e Hermione tinham trazido de o salão . - O Wood tem estado a ensinar nos as jogadas . Subiu para a vassoura e deu um pontapé em o chão , elevando se em o ar . O ar fresco de a manhã bateu lhe em o rosto fazendo o acordar com mais eficácia do_que o longo discurso de Wood . Era maravilhoso voltar a estar em o campo de Quidditch . Voou em volta de o estádio a toda a a velocidade competindo com Fred e George . - Que barulhinho estranho é aquele ? - perguntou o Fred quando deram a volta . Harry olhou para as bancadas . Colin estava sentado em um de os lugares mais altos com a máquina fotográfica em o ar , tirando fotografia sobre fotografia , o som estranhamente ampliado em o estádio deserto . - Olha para ali , Harry , para ali - gritava de forma estridente . - Quem é aquele ? - perguntou Fred . - Não faço ideia - mentiu Harry , disparando a_toda_a velocidade e distanciando se o mais possível de Colin . - O que se passa aí ? - perguntou Wood , franzindo a testa enquanto corria por os ares atrás de eles . - Porque está aquele aluno de o primeiro ano a tirar fotografias ? Não me agrada . Pode ser um espião de os Slytherin a tentar descobrir o nosso novo programa de treinos . - Ele é de os Gryffindor - disse Harry rapidamente . - E os Slytherin não precisam de um espião , Oliver - completou George . - Porque dizes isso ? - perguntou Wood irritado . - Porque estão aqui em peso - disse George , apontando com o dedo . Vários indivíduos com túnicas verdes vinham em aquele momento a entrar em o campo de vassouras em a mão . - Não posso acreditar - reagiu Wood , sentindo se ultrajado . - Eu reservei o estádio para hoje . Já vamos ver como é_que isto fica ! Wood baixou direito a o chão sendo levado por a fúria a aterrar com mais força do_que pretendia e a cambalear um_pouco quando começou a andar seguido de o Harry e de o Ron . - Flint - bradou para o treinador de os Slytherin . - Este é o nosso tempo de treino . Levantámo nos de propósito . Vocês têm de sair de aqui . Marcus_Flint era ainda mais corpulento do_que Wood . Tinha em o rosto uma expressão de duende travesso quando respondeu : - Há espaço para todos , Wood . Angelina , Alicia e Katie tinham vindo também . Em a equipa de os Slytherin não havia raparigas que enfrentassem a o lado de os rapazes os Gryffindor . - Mas eu reservei o estádio - repetiu Wood de modo afirmativo , cuspindo de raiva . - Reservei o . - Ah ! - exclamou Flint . - Mas eu tenho aqui uma licença especial assinada por o professor Snape . * _ Eu , professor Snape , autorizo a equipa de os Slytherin a praticar hoje em o campo de Quidditch devido a a necessidade de treinar o seu novo seeker . * - Têm um novo * seeker * ? - perguntou Wood perturbado . - Onde ? E detrás de as seis figuras corpulentas que tinham em a frente , viram surgir uma sétima : um rapaz mais pequeno com um sorriso afectado espelhado em o rosto pálido e anguloso . Era_Draco_Malfoy . - Não és o filho de o Lucius_Malfoy ? - perguntou Fred , olhando para ele com antipatia . - Curioso que refiras o pai de o Draco - disse Flint enquanto toda_a equipa de os Slytherin sorria de modo grosseiro . - Deixem me mostrar vos a generosa oferta que ele fez a a equipa de os Slytherin . Os sete exibiram as suas vassouras . Sete cabos novos , polidos , com inscrições em letras douradas de as palavras « Nimbus dois_mil_e_um « brilharam a o sol de a manhã , em frente de o nariz de os Gryffindor . - O último modelo . Só chegou em o mês passado - disse Flint , displicentemente , sacudindo a poeira de o cabo de a sua vassoura . - Julgo que ultrapassam de longe as velhas séries de dois_mil . Quanto a as Cleansweeps - sorriu de forma mesquinha para Fred e George que tinham ambos Cleansweep_Fives - essas já só servem para varrer . Nenhum de os Gryffindor foi capaz de abrir a boca em aquele momento . Malfoy sorria tanto que os seus olhos de gelo estavam reduzidos a duas rachas . - Oh vejam - disse Flint . - Uma invasão de o campo . Ron e Hermione atravessavam o relvado para ver o que se passava . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron a o Harry . - Porque não estão a jogar e o que faz ele aqui ? Olhava para Malfoy em as suas vestes de Quidditch . - Sou o novo * seeker * de os Slytherin , Weasley - disse Malfoy com ar presumido . - Têm estado todos a admirar as vassouras que o meu pai comprou para a nossa equipa . Ron olhou de boca aberta para as sete vassouras que tinha em a frente . - São boas , não são ? - disse Malfoy untuosamente . - Mas talvez a equipa de os Gryffindor consiga levantar algum ouro e comprar também vassouras novas . Vocês podiam levar essas Cleansweep_Fives a leilão , talvez algum museu esteja interessado . A equipa de os Slytherin riu se a bandeiras despregadas . - Pelo_menos em os Gryffindor ninguém teve de comprar a sua entrada - disse secamente Hermione . - Entraram todos por mérito próprio . O ar presumido de Malfoy desapareceu . - Ninguém pediu a tua opinião , sangue de lama - cuspiu Malfoy . Harry apercebeu se , de imediato , que Malfoy dissera algo muito grave porque houve uma tremenda algazarra em o seguimento de as suas palavras . Flint teve que se pôr a a frente de o Malfoy para evitar que Fred e George se atirassem a ele . Alicia bradou : - Como te atreves ? - E Ron meteu a mão em as vestes e sacou de a varinha mágica , gritando : - Vais pagar por o que disseste , Malfoy ! - e apontou a , furioso , por debaixo de o braço de Flint , a o rosto de Malfoy . Um enorme estrondo , ecoou em o estádio e um jacto de luz verde saiu por a extremidade errada de a varinha de Ron , atingindo o em o estômago e projectando o para trás em direcção a o relvado . - Ron ! Ron ! Estás bem ? - gritou Hermione . Ron abriu a boca para falar , mas nenhuma palavra saiu . Em vez de isso , teve um vómito imenso e várias lesmas saíram lhe de a boca , indo cair lhe em o colo . A equipa de os Slytherin ficou paralisada de riso . Flint estava dobrado , agarrado a a vassoura nova . Malfoy , a quatro , batia com o punho em a chão . Os Gryffindor rodeavam o Ron , que continuava a vomitar lesmas enormes e reluzentes . Ninguém queria tocar lhe . - É melhor levá o para_casa de o Hagrid . É o mais perto - disse Harry_a_Hermione , que acenou afirmativamente , e os dois arrastaram o Ron por os braços . - O que aconteceu , Harry ? O que aconteceu ? Ele está doente ? Mas tu podes curá o , não podes ? - Colin descera a correr de o lugar onde estava sentado e dançaricava em frente de eles , enquanto abandonavam o campo . Ron teve um novo arremesso e mais lesmas saíram de a sua boca . - Oooh ! - exclamou Colin fascinado , levantando a máquina fotográfica . - Podes mantê o quieto , Harry ? - Sai de a minha frente , Colin - gritou Harry zangado . Ele e a Hermione conseguiram levar o Ron para fora de o estádio , atravessar os campos e chegar a a beira de a floresta . - Está quase , Ron - disse Hermione , mal avistaram o casebre de o guarda de os campos . - Vais ficar bem dentro_de um minuto ... está quase ... Estavam a sessenta metros de a casa de Hagrid , quando a porta de a frente se abriu . Mas não foi Hagrid quem saiu de lá , e sim Gilderoy_Lockhart , em uma túnica cor de malva . - Rápido , vamos esconder nos aqui - sussurrou Harry , arrastando Ron para trás de um arbusto que havia ali perto . Hermione acompanhou o , embora um_pouco relutante . -- É muito simples quando se sabe o que se está fazer ! - gritava Lockhart_para_Hagrid . - Se precisar de ajuda , sabe onde estou . Vou dar lhe um exemplar de o meu livro . Espanta me que ainda não o tenha . Logo a a noite autografo o e envio lhe o . Bem . até a a próxima ! - e afastou se em direcção a o castelo . Harry esperou que Lockhart desaparecesse , antes de puxar o Ron de trás de o arbusto até a a casa de o Hagrid . Bateram ansiosamente . Hagrid apareceu logo com um ar mal-humorado , que se dissipou quando viu quem era . - Já me tinha perguntado quand'é que vocês vinham ver me , entrem , entrem , pensei qu'era outra_vez o professor Lockhart . Harry e Hermione ajudaram Ron a subir o degrau que dava acesso a a cabana de uma divisão com uma cama enorme a um de os cantos e uma lareira a crepitar alegremente em o outro . Hagrid não pareceu perturbado com o problema de as lesmas de o Ron que Harry lhe explicou precipitadamente , logo_que sentou o Ron em uma cadeira . - Melhor saírem de o qu'entrarem - disse , em um tom bem-disposto , colocando uma grande bacia de cobre em frente de ele . - Deita as todas fora , Ron . - Acho que não há mais_nada a fazer , a não ser esperar que isto pare - disse Hermione ansiosamente , vendo Ron inclinar se para a bacia . - É uma maldição muitas_vezes difícil , mas com uma varinha partida ... Hagrid andava de um lado para o outro a preparar o chá . O cão de ele , Fang , babava se em cima de o Harry . - O que é_que o Lockhart queria de ti ? - perguntou o Harry , coçando as orelhas de o Fang . - Ensinar me a tirar espíritos aquáticos com forma de cavalos d'uma nascente d'água - resmungou Hagrid , retirando de a mesa pequena um galo meio depenado e colocando em o seu lugar o bule . - Como s'eu não soubesse . E contar me uma peta qualquer d'uma fada carpideira que ele venceu . Engulo essa chaleira , se uma palavra do_que ele disse for verdade . Não era hábito de Hagrid criticar um professor de Hogwarts e Harry olhou para ele com alguma surpresa . Mas Hermione disse em uma voz mais aguda do_que de costume : - Acho que estás a ser injusto . O professor Dumbledore obviamente achou que era o melhor homem para o lugar ... - Era o único - explicou Hagrid , oferecendo lhes um prato de bombons de melaço enquanto Ron tossia para a bacia . - E não havia mais ninguém . Não é fácil encontrar quem queira dar Artes de magia negra . As pessoas não gostam de essa matéria . Começam a pensar que está amaldiçoada , ninguém ficou muito_tempo a dá a . Mas digam me lá - continuou Hagrid , inclinando a cabeça para Ron - quem é qu'ele estava a tentar amaldiçoar ? - O Malfoy chamou qualquer coisa a a Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si . - Foi grave , sim - disse o Ron com voz rouca , emergindo a a superfície de a mesa , pálido e transpirado . - O Malfoy chamou lhe sangue de lama , Hagrid . - Ron desapareceu outra_vez quando uma nova onda de lesmas fez o seu aparecimento . Hagrid estava indignado . - Não posso crer - exclamou , dirigindo se a Hermione . - Chamou sim - disse ela . - Mas eu não sei o que significa . Percebi que era má educação , claro ... - É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar - explicou Ron novamente . - Sangue de lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles , sabes , filho de pais não mágicos . Há alguns feiticeiros , como a família de o Malfoy que acham que são melhores do_que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro . - Teve um pequeno vómito e uma lesma isolada caiu lhe em a mão aberta . Ele atirou a para a bacia e continuou . -- É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma . Olha_o_Neville_Longbottom , é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito . - E ainda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer - afirmou Hagrid , orgulhoso , fazendo Hermione corar em tons de magenta . - É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém - disse o Ron , limpando o suor de a testa com a mão trémula . - Sangue sujo , sangue vulgar , é um disparate . A maior parte de os feiticeiros hoje_em_dia têm sangue misturado . Se não tivéssemos casado com Muggles tinha sido o nosso fim . Fez um esforço para vomitar e baixou se mais_uma_vez . - Bem , não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá o , Ron - disse Hagrid bem alto enquanto montes de lesmas caíam em a bacia . - Mas , se_calhar , não foi mau de todo teres a varinha a trabalhar ao_contrário . Acho que Lucius_Malfoy teria vindo logo a correr a a escola se tivesses amaldiçoado o filho . Assim , pelo_menos , não estás metido em nenhum sarilho . Harry teria referido que o problema não podia ser pior do_que deitar lesmas por a boca , mas não pôde . Os bombons de melaço tinham lhe colado os maxilares um_ao_outro . - Harry - disse de repente Hagrid como_que movido por um pensamento súbito . - Tens de me explicar uma coisa . Ouvi dizer que tens andado a dar fotografias autografadas . Porque é qu'eu não tenho nenhuma ? A fúria de Harry foi tão grande que os maxilares se libertaram . - Eu não tenho dado fotografias autografadas - disse com vivacidade . Se o Lockhart andou a espalhar isso ... Mas em esse momento viu que Hagrid se estava a rir . - ´ _ tou a brincar - disse , dando uma palmadinha em as costas de Harry e fazendo lhe sinal para se sentar a a mesa . -- Eu sabia que não tinhas . Disse a o Lockhart que tu não precisavas de isso . Es mais famoso do_que ele sem sequer , tentares . - Aposto que ele não gostou de ouvir isso - comentou Harry , sentando se e esfregando o queixo . - Acho que não gostou mesmo - prosseguiu Hagrid com os olhinhos a brilhar . - E disse lhe também que nunca tinha lido nenhum de os livros de ele e ele foi se embora . Um bombom de melaço , Ron ? - perguntou a o vê o reaparecer . - Não , obrigado - disse o Ron com uma voz fraca . - É melhor não arriscar . - Venham ver o qu'eu tenho estado a criar - disse Hagrid quando Harry e Hermione acabaram de tomar o chá . Em a pequena horta atrás de a casa estava uma_dúzia de as maiores abóboras que Harry alguma vez vira . Pareciam enormes blocos de pedra . - Estão a dar se bem , não achas ? - disse Hagrid , feliz . São para a festa de o * _ Hallow'en * . Devem estar bem grandes quando chegar a altura . - O que é_que lhes tens dado como alimento ? - perguntou Harry . Hagrid olhou por cima de o ombro para confirmar se estavam sós . - Bem , tenho estado a dar lhes ... uma pequena ajuda . Harry reparou em o guarda-chuva cor-de-rosa a as florzinhas que estava encostado contra a parede de a cabana . Tivera em o ano anterior motivos para crer que aquele guarda-chuva não era o que parecia . De facto , acreditava que a antiga varinha de escola de Hagrid se encontrava oculta dentro de ele . Hagrid não tinha autorização para usar magia . Fora expulso de Hogwarts em o terceiro ano embora Harry nunca tivesse descoberto o motivo . Qualquer referência a esta questão fazia Hagrid pigarrear bem alto e ficar misteriosamente surdo até mudarem de assunto . -- Um encantamento de absorção , imagino ? - comentou Hermione entre a desaprovação e o divertimento . - Bem , se assim foi , fizeste um bom trabalho . - Foi o que disse a tua irmãzinha - respondeu Hagrid acenando em direcção a Ron . - Encontrei a ontem . - Hagrid olhou de lado para Harry , a barba a contorcer se . - Disse que andava só a ver os campos , mas eu acho qu'ela esperava encontrar alguém em a minha casa - piscou o olho a o Harry . - Se queres que te diga acho qu'ela não recusaria uma fotografia autogr ... - Cala te com isso - disse Harry . Ron desatou a rir e o chão ficou cheio de lesmas . - Cuidado - resmungou Hagrid , afastando Ron de as suas preciosas abóboras . Estava quase em a hora de o almoço e , como o Harry só tinha provado um bombom de melaço desde manhã cedo , estava ansioso por chegar a a escola para ir comer . Despediram se de o Hagrid e regressaram a o castelo . O Ron a vomitar de vez em quando , mas deitando só duas pequenas lesmas . Mal tinham pisado a entrada de o vestíbulo quando ouviram uma voz . - Aí estão vocês , Potter , Weasley . - A professora Mc_Gonagall vinha em direcção a eles com o seu ar severo . - Vocês os dois vão ter as punições hoje a a tarde . - O que é_que vamos fazer , professora ? - perguntou o Ron nervoso , deixando cair uma lesma . - Tu vais limpar as pratas em a sala de os troféus com Mr._Filch - disse a professora Mc_Gonagall . - E nada de mágicas , Weasley , trabalho com esforço . Ron engoliu em seco . Argus_Filch , o encarregado , era odiado por todos os alunos de a escola . - E tu , Potter , vais ajudar o professor Lockhart a responder a as cartas de as suas fãs - ordenou a professora Mc_Gonagall . - Oh , não ! Não posso ir também trabalhar em a sala de os troféus ? - pediu Harry em desespero de causa . - Nem pensar em isso - respondeu a professora Mc_Gonagall , erguendo as sobrancelhas . - O professor Lockhart requisitou te especialmente a ti . _ a as oito_em_ponto , os dois . Harry e Ron entraram em o salão em um estado de profundo desanimo com a Hermione atrás , ostentando uma expressão de * bem-voces-quebraram-as-regras-da-escola * . Harry não saboreou o empadão de carne como teria desejado . Tanto ele como o Ron achavam que tinham tido o pior de os castigos . -- O Filch vai reter me lá toda_a noite - disse Ron , desanimado . - Sem mágica ! Deve haver umas cem taças em aquela sala , eu não sei fazer limpeza de Muggles . - Eu trocava contigo de boa_vontade - confessou Harry em uma voz surda . - Tive montes de prática com os Dursleys . Responder a o correio de fãs de o Lockhart , que pesadelo ... A tarde de sábado pareceu derreter se . Pouco depois eram já cinco para as oito e Harry arrastava se até a o corredor de o segundo andar onde ficava o escritório de o Lockhart . Rangendo os dentes , bateu a a porta . A porta abriu se imediatamente e Lockhart dirigiu se lhe . - Ah , cá está o patifório ! - exclamou . - Entra , Harry , entra . Em as paredes , brilhando à_luz_de muitas velas , podia ver se uma infinidade de fotografias de Lockhart . Algumas de elas até assinadas . Sobre a secretária estava outro monte enorme . - Podes pôr as moradas em os envelopes - disse Lockhart_a_Harry , como_se fosse uma grande ameaça . - O primeiro é para Gladys_Gudgeon , abençoada seja , uma grande fã minha . Os minutos passavam lentos . De vez em quando , Harry ouvia a voz de Lockhart dizendo : - Mmm - e - certo - e - sim . - De vez em quando , apanhava uma frase como : - A fama é versátil , amigo Harry - ou - Só é célebre quem faz por isso , nunca te esqueças . As velas ardiam cada_vez com maior lentidão , fazendo a luz dançar sobre as muitas caras de Lockhart que o olhavam . Harry passava a mão , já dorida , sobre o que devia ser o centésimo envelope , escrevendo a morada de Verónica_Smethley . « Deve estar quase em a hora de me ir embora » , pensou , sentindo se profundamente infeliz , « por favor , faz com que esteja em a hora ... » E então ouviu algo , algo totalmente diferente de o crepitar de as velas e de os ditos de Lockhart sobre as suas fãs . Era uma voz , uma voz de arrepiar os ossos , de cortar a respiração , de veneno frio . - * _ Vem ... vem ter comigo ... deixa me rasgar te ... cortar te ... matar te * ... Harry deu um salto e uma enorme mancha lilás surgiu em a rua de Verónica_Smethley . - O quê ? - disse ele em voz alta . - Eu sei - exclamou Lockhart . - Seis meses inteirinhos em o topo de a lista de * bestsellers * , bati todos os recordes ! - Não - disse Harry nervosíssimo - aquela voz ! - Como ? - perguntou Lockhart , com um ar confuso . - Que voz ? - Aquela , aquela voz que disse ... não ouviu ? Lockhart olhava para Harry com o maior espanto . - De que é_que estás a falar , Harry ? Estás a ficar com sono ? Meu Deus , olha , só estamos aqui há quase quatro horas , quem diria ? O tempo passou a correr , não é verdade ? Harry não respondeu , estava a fazer um esforço para ouvir de_novo a voz , mas o único som que ouviu foi Lockhart a dizer lhe que não esperasse um tratamento igual de as próximas vezes que fosse castigado . Harry saiu , sentindo se atordoado . Era tão tarde que a sala comum de os Gryffindor estava quase vazia . Harry foi directamente para o dormitório . Ron ainda não tinha voltado . Vestiu o pijama , meteu se em a cama e esperou . Meia_hora mais tarde , chegou o Ron agarrado a o braço direito e inundando o quarto escuro de um forte cheiro a limpa-pratas . - Doem me todos os músculos - resmungou , metendo se em a cama . - Ele fez me polir catorze vezes aquela taça de Quidditch até estar satisfeito . E depois tive outro vómito em_cima_de um troféu de Reconhecimento por serviços prestados a a escola . Demorei séculos a limpar o muco de as lesmas . Como correram as coisas com o Lockhart ? Em voz baixa para não acordar o Neville , o Dean e o Seamus , Harry contou lhe , palavra por palavra , o que tinha ouvido . - E Lockhart disse que não ouviu nada ? - perguntou o Ron . Harry viu o franzir a testa , a a luz de o luar . - Achas que estava a mentir ? Mas , não percebo , mesmo um ser invisível teria aberto a porta . - Eu sei - disse Harry , encostando se a a cama e olhando para o dossel . - Também não compreendo . VIII_A festa de o dia de os mortos Outubro chegou , espalhando um frio húmido por os campos e por os cantos de o castelo . Madam_Pomfrey , a enfermeira-chefe , esteve bastante ocupada com uma onda de constipações que afectou professores e alunos . A sua poção de pimentão entrou imediatamente em acção apesar_de deixar quem a tomava com fumo em os ouvidos durante várias horas . Ginny_Weasley , que andava com ar adoentado , foi convencida a tomá a por o Percy . O fumo que saía por debaixo de o seu cabelo ruivo dava a impressão de que toda_a cabeça estava em fogo . Gotas de chuva de o tamanho de balas agrediram as janelas de o castelo durante dias a fio . O lago rosado e os canteiros de flores tornaram se regatos lamacentos e as abóboras de o Hagrid incharam ficando de o tamanho de alpendres de jardim . Contudo , o entusiasmo de Oliver_Wood por as sessões de treino regular não foi abalado , motivo por o qual Harry iria regressar a a torre de os Gryffindor , em um sábado a a tarde de temporal , alguns dias antes de o * _ Hallowe'en * , ensopado até a os ossos e todo enlameado . Além de a chuva e de o vento , não fora um treino feliz . Fred e George que tinham andado a espiar a equipa de os Slytherin tinham visto com os seus próprios olhos a velocidade alucinante de aquelas novas Nimbus dois_mil_e_um e comentaram que a equipa em o ar parecia composta por sete manchas esverdeadas que disparavam a_toda_a velocidade como aviões a jacto . Enquanto Harry chapinhava a o longo de o corredor deserto , cruzou se com alguém que parecia tão preocupado como ele : Nick quase sem cabeça , o fantasma de a torre de os Gryffindor que olhava taciturno , por a janela , murmurando baixinho : - Não preenche os requisitos , um centímetro e meio se ... - Olá , Nick - cumprimentou Harry . - Olá , olá - disse o Nick quase sem cabeça , começando a olhar em volta . Usava um arrebatado chapéu de plumas sobre a longa cabeleira encaracolada e uma túnica com gola de tufos que disfarçava o facto de ter o pescoço quase totalmente separado de o corpo . Era pálido como o fumo e Harry podia ver através de ele o céu negro e a chuva torrencial , lá fora . - Pareces preocupado , jovem Potter - disse Nick , dobrando uma carta transparente , enquanto falava e escondendo a dentro de a jaqueta . - Tu também - retorquiu Harry . - Ah ! - o Nick quase sem cabeça acenou com a mão de forma elegante . - Uma questão sem importância . Não é_que eu quisesse realmente participar apesar_de me ter inscrito , mas , a o que parece , não preencho os requisitos . - Apesar de o seu tom jovial havia em o seu rosto uma grande amargura . - Mas era de esperar , ou não era - exclamou subitamente , tirando a carta de o bolso - que ter levado quarenta_e_cinco golpes em a cabeça com um machado ferrugento me qualificaria para entrar em o grupo de os Sem - _ Cabeça ? - Sim , sim - respondeu Harry que obviamente o outro esperava que concordasse . - Isto_é , ninguém mais do_que eu desejaria que tudo tivesse sido rápido e perfeito , poupava me muitas dores e ridículo . Mas ... O Nick quase sem cabeça abriu , furioso , a carta e leu : * _ Só podemos aceitar em o grupo homens cuja cabeça tenha sido separada de o corpo . Compreenderá que de outro modo seria impossível a os nossos membros participarem em actividades como equitação de malabarismos com a cabeça e pólo de cabeça . Lamentamos profundamente informá o de que não preenche os requisitos . * _ Os nossos melhores cumprimentos , Sir_Patrick_Delaney - _ Podmore * Furioso , o Nick quase sem cabeça atirou fora a carta . - Um centímetro de pele e tendões a segurarem me a cabeça , Harry ! A maior parte de as pessoas acharia que era mais do_que o suficiente , mas não serve para o senhor correctamente decapitado Podmore . Nick quase sem cabeça respirou fundo várias vezes e , por fim , em um tom bastante mais calmo perguntou : - Então o que é_que te preocupa ? Alguma coisa que eu possa fazer por ti ? - Não - respondeu Harry . - A_não_ser_que saibas onde posso arranjar sete Nimbus dois_mil_e_um , de_graça , para o nosso campeonato contra os Sly ... - o resto de a frase foi afogada por um miado agudo vindo de perto de os seus tornozelos . Olhou para baixo e deu consigo a fitar um par de olhos que pareciam duas lâmpadas amarelas . Era_Mrs._Norris , a gata cinzenta e esquelética usada por o encarregado Argus_Filch como uma espécie de polícia em a sua infindável batalha contra os estudantes . - É melhor saíres de aqui , Harry - preveniu Nick com toda_a calma . - O Filch não está nada bem-disposto . Anda engripado e alguns alunos de o terceiro ano , por acidente , encheram o tecto de o calabouço cinco de miolos de rã . Ele tem andado toda_a manhã a limpar e se te vê a encher tudo de lama ... - Certo - disse Harry , recuando e afastando se de o olhar acusador de Mrs._Norris , mas ... tarde de mais . Conduzido até ali por o misterioso poder que parecia ligá o a a gata , Argus_Filch entrou subitamente por uma tapeçaria que se encontrava a a direita de Harry , com a sua respiração asmática , olhando vivamente em volta em busca de o infractor . Tinha um lenço grosso , de xadrez , a a volta de a cabeça e o nariz invulgarmente arroxeado . - Imundície - gritou com os maxilares a tremer e os olhos a saltarem lhe de as órbitas , enquanto apontava para a poça de lama que pingara de a túnica de Quidditch_de_Harry . - Desarrumação e imundície em todo o lado . Estou farto disto , segue me , Potter . Harry despediu se de o Nick quase sem cabeça com um tímido aceno e seguiu Filch até lá abaixo , duplicando o número de pegadas lamacentas em o chão . Nunca entrara em o gabinete de o Filch . Era um lugar que a maior parte de os estudantes evitava . A divisão era sombria e sem janelas , iluminada por uma única lamparina de óleo que pendia de o tecto . Sentia se um vago cheiro a peixe frito . As paredes estavam forradas por ficheiros de madeira . Por as etiquetas Harry percebeu que continham os dados de todos os alunos que Filch tinha punido . Fred e George_Weasley tinham uma gaveta só para eles . Atrás de a secretária estava pendurada uma colecção bem polida de correntes e algemas . Todos sabiam que ele estava sempre a pedir a Dumbledore que o deixasse pendurar os alunos em o tecto por os tornozelos . Filch pegou em uma pena que estava sobre a secretária e começou a procurar o pergaminho . - Bosta - murmurou , furioso . - Bosta de dragão , miolos de rã , intestinos de ratazana ... eu tinha aqui bastante , onde está o form ... sim ... Tirou um enorme rolo de pergaminho de a gaveta de a secretária e estendeu o em a frente , molhando a longa pena em o tinteiro . - Nome : Harry_Potter . Crime ... - Foi só um bocadinho de lama - disse Harry . - É só um bocadinho de lama para ti , rapaz , mas para mim é mais de uma hora a esfregar - gritou Filch com um pingo a tremer de modo desagradável em a extremidade de o nariz bolboso . - Crime : manchar o castelo . Sentença proposta ... Esfregando o nariz que continuava a pingar , Filch olhou com má cara para Harry que esperava com a respiração entrecortada para ouvir a sentença . Mas quando Filch pegou em a pena ouviu se um estrondo enorme em o tecto que fez a lamparina apagar se . - PEEVES - resmungou Filch , pousando a pena , cheio de raiva . - Desta_vez apanho te . Apanho te ! E sem olhar para trás , saiu a correr a_toda_a velocidade de o gabinete , seguido de a gata , Mrs._Norris . Peeves era o * poltergeist * de a escola , uma ameaça de risota esvoaçante que vivia para fazer estragos e criar aflição . Harry não gostava lá muito de ele , mas desta_vez , não podia deixar de lhe estar grato . Na_melhor_das_hipóteses o que Peeves tivesse feito ( e parecia que agora ele destruíra qualquer coisa em grande ) distrairia Filch_de_Harry . Pensando que o melhor seria esperar que ele voltasse , Harry deixou se cair em uma cadeira carcomida por o tempo que se encontrava junto de a secretária . Havia uma coisa sobre o tampo : um grande envelope roxo e lustroso com letras prateadas em a frente . Lançando um olhar rápido a a porta para confirmar que Filch não estava de volta , Harry pegou lhe e leu : __ feitiço __ rápido Um curso por correspondência De iniciação a a magia Cheio de curiosidade , abriu o envelope e retirou o rolo de pergaminho . Uma letra curvilínea e prateada dizia : Sente se pouco a a vontade em o mundo de a magia moderna ? Dá consigo a arranjar desculpas para não fazer feitiços simples ? Tem sido censurado por o deplorável trabalho com a varinha ? Eis a resposta ! Feitiço rápido e um curso totalmente novo , infalível , de resultados rápidos e rápida aprendizagem . Centenas de bruxas e feiticeiros têm beneficiado de o método feitiço rápido ! Madam_Z._Nettles_de_Topsham escreve nos : Eu não conseguia fixar os encantamentos e as minhas poções eram alvo de risota em a família . Agora , depois de o curso feitiço rápido , tornei me o centro de as atenções em todas_as festas e os meus amigos não param de pedir me a receita de a minha brilhante solução ! O mágico D.J._Prod , de Disbury , afirma : A minha mulher costumava rir se de os meus fracos encantamentos , mas bastou um mês com o vosso fabuloso curso feitiço rápido e consegui transformá a em um iaque . Obrigado , feitiço rápido ! Fascinado , Harry folheou o resto de o conteúdo de o envelope . Para que diabo quereria o Filch um curso de feitiço rápido ? Não seria ele um feiticeiro a sério ? Harry estava a ler a lição número um : Pegando em a varinha ( algumas dicas úteis ) quando umas passadas arrastadas , lá fora , o preveniram de que Filch estava de volta . Metendo rapidamente o pergaminho dentro de o envelope , lançou o para_cima de a secretária em o preciso momento em que a porta se abriu . Filch ostentava um ar triunfante . - Aquele armário que desapareceu era extremamente valioso - vinha ele a dizer a a gata , Mrs._Norris . - Desta_vez vamos correr com o Peeves , minha linda . Os seus olhos recaíram sobre Harry e logo_a_seguir sobre o envelope de o feitiço rápido que , Harry apercebeu se tarde de mais , estava meio metro distanciado de o seu lagar inicial . O rosto pálido de Filch tornou se vermelho escarlate . Harry preparou se para uma nova onda de fúria . Filch coxeou até a a secretária , arrebatou o envelope e meteu o em uma gaveta . -- Chegaste a ... lê o ? - perguntou atabalhoadamente . - Não - mentiu Harry , sem perder tempo . As mãos nodosas de o Filch contorciam se ao_mesmo_tempo . - Se eu soubesse que ias ler a minha correspondência priv ... não que seja minha ... é para um amigo ... mesmo_assim ... Harry olhava para ele espantado . Nunca vira o Filch tão louco . Os olhos pareciam querer saltar lhe de as órbitas , com um tique em as bochechas e aquele lenço axadrezado que não ajudava nada ... - Muito bem , vai e não abras a boca sobre isto ... não que ... mesmo_assim ... se tu não leste ... vai te embora , tenho de escrever o relatório sobre o Peeves , vai . Atordoado com a sua sorte , Harry saiu de ali e largou a correr por o corredor fora e por as escadas acima . Sair de o gabinete de o Filch sem um castigo devia ser um recorde em a escola . - Harry , Harry , deu resultado ? O Nick quase sem cabeça saiu a brilhar de uma sala de aula . Atrás de ele , Harry pôde ver os destroços de um grande armário preto e dourado que parecia ter sido atirado de uma grande altura . - Convenci o Peeves a parti o mesmo em cima de o gabinete de o Filch - disse Nick entusiasmado . - Pensei que talvez o distraísse . - Foste tu ? - exclamou Harry , agradecido . - Funcionou sim . Ele não me deu nenhum castigo . Obrigado , Nick . Atravessaram o corredor juntos . O Nick quase sem cabeça , reparou Harry , ainda tinha em a mão a carta de Sir_Patrick . - Gostaria de poder fazer qualquer coisa sobre o grupo de os Sem - _ Cabeça - disse Harry . O Nick quase sem cabeça parou de repente e Harry passou através de ele . Antes não tivesse passado , foi como atravessar um duche gelado . - Mas há uma coisa que tu podes fazer por mim - disse Nick muito agitado . - Harry , seria pedir te de mais ... mas não , tu não ias querer ... - O quê ? - Bem , este ano em o * _ Hallowe'en * vai ser o meu meio milénio de dia de os mortos - disse o Nick quase sem cabeça endireitando se e adquirindo uma postura de grande dignidade . - Oh - respondeu Harry sem saber se deveria lamentar ou dar lhe os parabéns . - Certo . - Vou dar uma festa em um de os calabouços mais amplos . Vêm amigos meus de todo o país . Seria uma honra muito grande se tu aparecesses . Mr._Weasley e Miss_Granger seriam também muito bem-vindos , claro . Mas tu deves preferir o banquete de a escola , não é verdade ? - Olhou para Harry , aflito . - Não - assegurou ele rapidamente . - Eu vou . - Oh rapaz , Harry_Potter em a minha festa de os mortos - hesitou no_meio_de toda aquela excitação . - Achas que poderias referir a Sir_Patrick como me achas assustador e como te impressiono ? - É claro que sim - assegurou Harry . O Nick quase sem cabeça iluminou se em um sorriso . - Uma festa de os mortos ? - exclamou Hermione , entusiasmada , quando Harry , depois de mudar de roupa , se juntou a ela e a o Ron em a sala comum . - Aposto que não há muitas pessoas que possam gabar se de ter estado em uma festa de essas . Vai ser fantástico ! - Por_que é_que alguém se lembraria de festejar o dia em que morreu ? - perguntou o Ron que estava a meio de o seu trabalho de casa de poções e bastante maldisposto . - Parece me bastante mórbido . A chuva continuava a lamber as janelas que apresentavam agora um negro que parecia tinta , mas , lá dentro , era tudo claro e alegre . O fogo em a lareira brilhava sobre as inúmeras cadeiras de braços onde as pessoas estavam sentadas a ler , a conversar , a fazer os trabalhos de casa ou , no_caso_de Fred e George_Weasley , a tentar descobrir o que aconteceria se alimentassem uma salamandra com fogo-de-artíficio de o Filibuster . O Fred tinha « resgatado . o lagarto cor de laranja brilhante , morador de o fogo , de uma aula de tratamento de seres mágicos e ele estava agora a arder em fogo lento sobre uma mesa , rodeado de um grupo de curiosos . Harry ia começar a contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre o Filch e o curso de feitiço rápido quando a salamandra disparou por os ares , lançando faíscas e estoiros . A visão de Percy a gritar com Fred e George até ficar ronco , a fantástica exibição de estrelas cor de tangerina que choviam de a boca de a salamandra e a sua fuga para o lume acompanhada de explosões , fizeram com que Harry se esquecesse , em aquele momento , de Filch e de o curso de feitiço rápido . Quando chegou o * _ Hallowe'en * , Harry já lamentava a sua promessa imprudente de ir a a festa de os mortos . Toda_a escola antecipava , feliz , a sua festa de * _ Hallowe'en * . O salão nobre fora enfeitado com os habituais morcegos , as enormes abóboras de Hagrid tinham sido esculpidas em forma de lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro_de cada uma , e havia boatos de que Dumbledore contratara um grupo de esqueletos bailarinos para animar a festa . - Uma promessa é uma promessa - lembrou Hermione_a_Harry com o seu autoritarismo habitual . - Tu disseste que ias a a festa de os mortos . Portanto , a as sete_da_tarde , Harry , Ron e Hermione saíram , passando por a porta de o salão nobre que brilhava de modo convidativo com pratos dourados e velas e dirigiram os seus passos para os calabouços . O corredor que conduzia a a festa de o Nick quase sem cabeça tinha sido também ladeado de velas , embora o efeito estivesse longe_de ser alegre : estas eram velas muito esguias e estreitas , negras de breu , ardendo em um azul brilhante e lançando uma luz indistinta e espectral também sobre as caras de as pessoas vivas . A temperatura diminuía a cada degrau que desciam . Harry tremia e cingia a túnica a o corpo quando ouviu qualquer coisa que parecia uma centena de unhas a rasparem um enorme quadro preto . - Será que isto_é a música ? - murmurou Ron . Viraram uma esquina e viram o Nick quase sem cabeça junto de uma porta , todo vestido de veludo negro . - Meus queridos amigos - disse com ar de luto . - Bem-vindos , bem-vindos , ainda_bem que puderam vir . Em um gesto largo tirou o chapéu de plumas e fez lhes sinal para que entrassem . Era uma visão incrível . O calabouço estava cheio com centenas de pessoas de um branco pálido e translúcido , a maior parte de as quais era arrastada em uma pista de dança cheia , valsando a o som de trinta serrotes musicais . Os serrotes que compunham a orquestra encontravam se sobre um estrado enfeitado com panos negros . Um lustre lá em cima resplandecia de um azul nocturno com mais um_milhar de velas negras . A respiração de os três subiu em o ar como uma neblina . Parecia que tinham entrado em um congelador . - Vamos dar uma volta - sugeriu Harry em uma tentativa de aquecer os pés . - Cuidado , não atravessem nenhum de eles - avisou o Ron nervosamente e colocaram se em volta de a pista de dança . Passaram por um grupo escuro de freiras , por um homem esfarrapado e cheio de correntes e por o frade gordo , o divertido fantasma de os Hufflepuff que estava a conversar com um cavaleiro com uma seta enfiada em a testa . Harry não ficou nada surpreendido a o ver que o Barão sangrento , o fantasma lúgubre e berrante de os Slytherin , coberto de nódoas de sangue ; estava a ser totalmente evitado por os outros fantasmas . - Oh ! Não -- exclamou Hermione , parando bruscamente . - Voltem se , voltem se , não quero ter de cumprimentar a Murta_Queixosa . - Quem ? - perguntou Harry enquanto davam rapidamente meia volta . - Ela assombra a casa_de_banho de as raparigas de o primeiro andar - explicou Hermione . - Assombra uma casa_de_banho ? - Sim . Está inoperativa durante todo o ano porque ela tem constantes acessos de choro e inunda tudo . Eu só lá fui quando não pode mesmo evitar . É horrível tentar ir a a sanita com ela a gritar connosco . - Olhem , comida - disse o Ron . De o outro lado de o calabouço estava uma mesa igualmente coberta de velado negro . Iam para se aproximar entusiasmados , mas pararam com uma expressão de horror . O cheiro era nauseabundo . Enormes peixes podres enchiam as bonitas travessas de prata , os bolos estorricados como carvões amontoavam se em as salvas , havia uma grande quantidade de miúdos de macaco , uma tábua de queijos cobertos de bolor e , em o lugar de honra , um enorme bolo cinzento em forma de lápide com letras que pareciam alcatrão formando as palavras , * _ Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington_Morto em 31_de_Outubro , 1492 * . Harry olhou espantado quando um fantasma de porte majestoso se aproximou de a mesa inclinando se e passando através de ela com a boca aberta enquanto atravessava um salmão malcheiroso . - Consegue prová o passando através de ele ? - perguntou lhe Harry . - Quase - disse tristemente o fantasma antes de se afastar . - Devem ter deixado apodrecer tudo_isto para ter um sabor mais forte - comentou Hermione com ar de quem está bem informada , tapando o nariz e aproximando se para ver melhor os pútridos miúdos de macaco . - Podemos sair de aqui , estou a sentir me agoniado - disse o Ron . Mas mal tinham dado meia volta quando um homenzinho pequenino saiu inesperadamente de debaixo de a mesa e fez uma paragem em o ar em frente de eles . - Olá , Peeves - disse Harry cautelosamente . Ao_contrário de os outros fantasmas que os rodeavam , Peeves , o * poltergeist * era o oposto de pálido e transparente . Usava um chapéu festivo cor de laranja , um laço rotativo a o pescoço e tinha um sorriso grosseiro de malvadez , em o rosto . - Querem petiscar ? - perguntou delicadamente , oferecendo lhes uma taça de amendoins cobertos de fungos . - Não , obrigada - disse Hermione . - Ouvi te falar sobre a pobre Murta - disse Peeves com os olhos a bailar . - Que insensível que tu foste para com a pobre Murta - respirou fundo e gritou : - Oh Murta . - Oh ! Não , Peeves , não lhe contes o que eu disse , ela vai ficar muito aborrecida - murmurou Hermione bastante nervosa . - Eu não queria dizer que ... eu não me importo que ela , er , olá , Murta . O espectro atarracado de uma rapariga deslizara . Tinha o rosto mais carrancudo que Harry alguma vez vira , meio escondido por o cabelo liso e por os óculos grossos cor de pérola . - O que é ? - perguntou mal-humorada . - Como estás Murta ? - perguntou Hermione , em uma voz falsamente alegre . - É bom ver te fora de a casa_de_banho . Murta fungou . - Miss_Granger estava justamente a falar de ti - disse lhe Peeves baixinho a o ouvido . - A dizer , a dizer ... como estás bonita esta noite -- terminou Hermione , olhando irritada para Peeves . A Murta olhou para Hermione desconfiada . - Estão a divertir se a a minha custa - disse , com lágrimas de prata a encherem lhe rapidamente os olhos pequeninos . - Não , a sério , eu não estava a dizer vos como a Murta estava bonita esta noite ? - disse Hermione , dando uma palmada em as costas de o Harry e de o Ron . - Sim , sim . - Ela ... - Não me venham com mentiras - protestou a Murta , as lágrimas agora a descerem lhe por o rosto , enquanto Peeves ria baixinho por cima de o ombro de ela . - Julgam que eu não sei o que as pessoas me chamam em as minhas costas ? A Murta gorda , a Murta feia , a Murta queixosa , a Murta deprimida ! - Esqueceste te de « a Murta ponto negro » - sussurrou lhe Peeves a o ouvido . A Murta_Queixosa irrompeu em soluços de angústia e fugiu de o calabouço . Peeves disparou atrás de ela , lançando lhe uma chuva de amendoins cheios de bolor e gritando : Ponto negro ! Ponto negro ! - Oh , coitada ! - exclamou Hermione com tristeza . O Nick quase sem cabeça abria agora caminho entre a multidão para se aproximar de eles . - Estão a divertir se ? - Sim , sim - mentiram . - Uma afluência nada má - disse orgulhoso o Nick quase sem cabeça . - A viúva chorosa veio de Kent ... está quase em a hora de o meu discurso . É melhor ir avisar a orquestra . Mas a orquestra parou de tocar em esse preciso momento . Eles , e todos os outros em o calabouço , ficaram em silêncio total , olhando em volta cheios de excitação quando se ouviu uma trompa de a caça . - Lá vêm eles - disse o Nick quase sem cabeça , com alguma amargura em a voz . Por o calabouço irromperam uma_dúzia de , cavalos fantasmas , cada_um montado por um cavaleiro sem cabeça . A assistência aplaudiu vivamente . Harry começou também a bater palmas , mas parou rapidamente quando viu a cara de o Nick . Os cavalos galoparam até a o meio de a pista de dança e pararam , empinando se , dando pequenos passos para a frente e para trás , sobre as patas traseiras . Um fantasma grande em a frente , cuja cabeça barbuda estava debaixo de o braço , soprando a trompa , desmontou , levantou a cabeça bem em o ar para poder ver toda_a assistência ( todos se riam ) e dirigiu se a o Nick quase sem cabeça , comprimindo a cabeça contra o pescoço . - Bem-vindo , Patrick - disse o Nick , mantendo a sua postura rígida . - Gente viva ! - exclamou o Sir_Patrick , avistando Harry , Ron e Hermione e dando um salto de falso espanto , de_tal_modo_que a cabeça lhe caiu de_novo ( a multidão ria a bom rir ) . - Muito engraçado - disse o Nick quase sem cabeça com um ar soturno . - Não ligues a o Nick - gritou a cabeça de Sir_Patrick de o chão . - Ainda está aborrecido por não o deixarmos juntar se a o grupo . Mas olhem bem para ele ... - Eu acho - disse apressadamente Harry , a seguir a um olhar de o Nick - que o Nick é muito assustador e ... eu ... - Bah ! - gritou a cabeça de Sir_Patrick . - Aposto que ele te pediu que dissesses isso . - Gostaria de ter a vossa atenção . Chegou a altura de fazer o meu discurso - disse o Nick quase sem cabeça bem alto , dirigindo se a o pódio , subindo e parando , iluminado por uma luz azul . - Os meus sentimentos , senhores e senhoras , é com profundo pesar ... Mas já ninguém estava a ouvi o . Sir_Patrick e o resto de o grupo de os Sem - _ Cabeça tinham iniciado um jogo de hóquei de cabeça e a multidão voltara se para os observar . Nick quase sem cabeça tentou em vão recuperar a audiência , mas acabou por desistir quando a cabeça de Sir_Patrick passou por ele a_toda_a velocidade gritando vivas . Harry estava cheio de frio para não falar de a fome . - Não aguento mais isto - murmurou Ron a bater o dente enquanto a orquestra voltava a entrar em acção e os fantasmas enchiam de_novo a pista de dança . - Vamos embora - concordou Harry . Recuaram até a a porta , acenando e sorrindo a todos os que olhavam para eles e um minuto depois passavam apressadamente por a entrada cheia de velas negras . - Talvez o pudim ainda não tenha acabado - disse o Ron cheio de esperança , abrindo caminho em direcção a os degraus de o vestíbulo de a entrada . E foi então que Harry ouviu aquilo . - ... * _ Arrancar ... rasgar ... matar * ... Era a mesma voz , a mesma voz fria e assassina que ouvira em o escritório de Lockhart . Parou , agarrando se a a parede de pedra em a expectativa de ouvir melhor , olhando em volta , espreitando para_cima e para baixo de a passagem mal iluminada . - Harry que estás tu a ... ? - E aquela voz outra_vez , calem se um bocadinho . -- ... * _ Tanta fome ... há tanto tempo * ... - Ouçam insistiu Harry e Ron e Hermione ficaram estáticos a olhar para ele . - * _ Matar ... hora de matar * ... A voz ia ficando mais débil . Harry tinha a certeza de que ela estava a afastar se , a subir . Um misto de medo e excitação tomou posse de ele enquanto olhava para o tecto escuro . Como poderia ele subir ? Seria um fantasma para quem os tectos de pedra não contavam ? - Por aqui - gritou , começando a correr por as éscadas acima até a a entrada de o * hall * . Não havia hipótese de ouvir fosse o que fosse ali , o barulho de vozes que vinha de o banquete de o * _ Hallowe'en * ecoava cá fora . Harry subiu a correr a escadaria de mármore até a o primeiro andar com Ron e Hermione ruidosamente atrás . - Harry o que é_que nós ... ? - Sch ... Harry apurou o ouvido . Ao_longe , em o andar de cima , e ainda a enfraquecer , mesmo_assim ouviu a voz : - ... * Cheira-me a sangue ... cheira me a sangue ! * O estômago deu lhe uma volta . - Ele vai matar alguém - gritou e ignorando as caras perplexas de Ron e Hermione , correu , subindo mais um lanço de escadas , a três_e_três , tentando ouvir através de o ruído de os seus próprios passos . Harry correu a_toda_a velocidade pelo segundo andar com Ron e Hermione atrás e só parou quando viraram uma esquina para o último corredor abandonado . - Harry , o que foi aquilo tudo ? - perguntou o Ron , limpando o suor de o rosto . - Eu não ouvi nada ... Mas Hermione , em um sobressalto , apontou para o fundo de o corredor . - Olhem ! Alguma coisa brilhava em a parede em frente . Aproximaram se devagarinho , tentando ver em a escuridão . Alguém escrevera em letras garrafais em a parede entre duas janelas . As palavras brilhavam a a chama fraca de as tochas . : __ a câmara de os segredos foi aberta . inimigos de o herdeiro , __ cuidado . - O que é aquilo pendurado por baixo de as letras ? - perguntou Ron com um tremor em a voz . Quando se aproximaram , Harry quase escorregou . Havia uma grande poça de água em o chão . Ron e Hermione agarraram o e avançaram cautelosamente até a a mensagem , os olhos fixos em uma sombra escura , em baixo . Aperceberam se os três de imediato do_que se tratava e deram um salto para trás , salpicando tudo de água . Mrs._Norris , a gata de o encarregado , estava pendurada por a cauda em o suporte de a tocha . Tinha o corpo rígido como uma tábua e os olhos abertos . Durante alguns segundos ninguém se mexeu . Depois o Ron disse : - Vamos sair de aqui . - Não devíamos tentar ajudar ? - propôs Harry , sem graça . - Acredita - assegurou o Ron . - É melhor que não nos encontrem aqui . Mas era tarde de mais . Um ruído surdo e prolongado , como um trovejar distante , avisou os de que o festim tinha terminado . De ambos os lados de o corredor onde eles estavam , veio o som de centenas de pés a subirem a escadaria e as vozes alegres de gente bem alimentada . Em o momento seguinte os alunos chegavam junto de eles de ambos os lados . O burburinho morreu subitamente mal as pessoas avistaram a gata pendurada . Harry , Ron e Hermione estavam de pé , sozinhos , em o meio de o corredor quando se fez silêncio em a multidão de estudantes que se empurravam para observar aquele quadro macabro . Então alguém gritou , quebrando o silêncio . - Inimigos de o herdeiro , cuidado . Vocês serão os próximos , sangue de lama ! Era_Draco_Malfoy . Estava a a frente de a multidão com os olhos frios a brilhar , a sua cara habitualmente pálida agora afogueada , sorrindo a a vista de a gata pendurada e imóvel . IX_As palavras em a parede -- O que é_que se passa aqui ? O que é_que se passa ? Sem dúvida , atraído por o grito de Malfoy , Argus_Filch apareceu a coxear em o meio de a multidão . Quando viu Mrs._Norris , caiu para trás agarrando o rosto com verdadeiro horror . - A minha gata ! A minha gata ! O que aconteceu a Mrs._Norris ? - gritou . E os seus olhos rápidos caíram sobre Harry . - Tu - guinchou ele . - Mataste a minha gata ! Mataste a , vou dar cabo de ti , eu ... - Argus . Dumbledore tinha chegado a o lugar , seguido de alguns professores . Em poucos segundos tinha passado a a frente de Harry , Ron e Hermione e desatado Mrs._Norris de o suporte de a tocha . - Vem comigo , Argus - disse ele a o Filch . - Vocês também , Mr._Potter , Mr._Weasley e Miss_Granger . Lockhart deu rapidamente um passo em frente . - O meu escritório é o que está mais perto , senhor director , é já aqui em cima , por favor fiquem a a vontade . - Obrigado , Gilderoy - disse Dumbledore . A multidão silenciosa dividiu se para os deixar passar . Lockhart sentindo se excitado e importante , seguia Dumbledore assim_como a professora Mc_Gonagall e o professor Snape . Quando entraram em o escritório escuro de Lockhart houve uma grande agitação em as paredes . Harry viu várias imagens de Lockhart a esconderem se cheias de rolos em o cabelo . O Lockhart em pessoa acendeu as velas e chegou se mais para trás . Dumbledore pôs Mrs._Norris em a superfície polida de a secretária e começou a examiná a . Harry , Ron e Hermione trocaram olhares tensos entre si e deixaram se cair em as cadeiras que se encontravam longe de a luz , a observar . A ponta de o nariz longo e adunco de Dumbledore estava a menos_de dois centímetros de o pêlo de Mrs._Norris . Ele olhava a de perto através de os óculos de meia-lua , os dedos longos a palpar e tactear suavemente . A professora Mc_Gonagall estava quase tão perto como ele , com os olhos contraídos . Snape surgia mais atrás , meio em a sombra , com uma expressão estranha em o rosto , como_se tentasse a_toda_a força sorrir . E Lockhart andava de um lado para o outro a dar sugestões . - Foi sem dúvida uma maldição que a matou , provavelmente a tortura de a metamorfose . Vi a muitas_vezes ser usada , mas infelizmente eu não estava lá quando isto aconteceu . Conheço o antídoto para essa maldição , o que a teria salvo . Os comentários de Lockhart foram interrompidos por os soluços secos e violentos de Filch . Estava afundado em uma cadeira junto de a secretária , incapaz de olhar para Mrs._Norris , com o rosto em as mãos . Por mais que detestasse Filch , Harry não pôde deixar de sentir pena de ele embora não tanta quanto_a que sentia por si próprio . Se Dumbledore acreditasse em o Filch ele seria certamente expulso . O director estava agora a sussurrar umas palavras estranhas e batendo em Mrs._Norris com a varinha , mas não aconteceu nada , ela continuou com o mesmo aspecto , como_se tivesse sido empalhada . - ... Lembro me de uma coisa semelhante que aconteceu em Ouagadogou - disse LockLart . - Uma série de ataques . Conto essa história em a minha autobiografia . Eu dei a a gente de a cidade vários amuletos que resolveram logo a situação ... As fotografias de Lockhart em as paredes iam acenando afirmativamente com a cabeça enquanto ele falava . Uma de elas esquecera se de tirar os rolos de o cabelo . Por fim , Dumbledore endireitou se . - Ela não está morta , Argus - disse suavemente . Lockhart interrompeu bruscamente a contagem de os crimes que conseguira evitar . - Não está morta ? - disse Filch em um sufoco , olhando através de os dedos para Mrs._Norris . - Mas , porque está ela rígida e gelada ? - Foi petrificada - disse Dumbledore ( Ah ! foi o que eu pensei ! - comentou Lockhart ) mas como , não posso afirmar . - Pergunte lhe - gritou Filch , voltando a cara cheia de furúnculos e lágrimas para Harry . - Nenhum aluno de o segundo ano poderia ter feito isto - explicou Dumbledore . - Era preciso um grande conhecimento de magia negra . - Foi ele , foi ele - disse encolerizado o encarregado com a cara a ficar roxa . - O senhor viu o que ele escreveu em a parede . Ele descobriu em o meu gabinete , ele sabe que eu sou um ... - O rosto de Filch estava horrível . - Ele sabe que eu sou um * _ busca-pé * - disse por fim . - Eu não toquei em a Mrs._Norris - gritou Harry com todos os olhares a recaírem sobre ele , incluindo o de todos os Lockharts de a parede . - E eu nem sei o que é um * busca-pé * . - Mentira ! - gritou Filch . - Ele viu a minha carta de o feitiço rápido . - Se me permite que dê a minha opinião , senhor director - disse Snape , saindo de a sombra , e a sensação de mau presságio de Harry aumentou bastante . Certamente nada do_que Snape tinha para de dizer iria ajudá o . - O Potter e os amigos podiam estar simplesmente em o lugar errado em a altura errada - afirmou com um leve sorriso a torcer lhe a boca como_se tivesse as suas dúvidas . - Mas , temos aqui um conjunto de circunstâncias curiosas . Porque estavam eles afinal em o corredor ? Porque não estiveram presentes em a festa de o * _ Hallowe'en * ? Harry , Ron e Hermione começaram uma longa explicação sobre a festa de o dia de os mortos . - Estavam lá centenas de fantasmas , eles poderão confirmar que lá estivemos ... - Mas porque não foram a seguir a o banquete ? - perguntou Snape com os olhos pretos a brilharem a a luz de as velas . - Porquê ir até a aquele corredor ? Ron e Hermione olharam para Harry . - Porque , porque ... - balbuciou Harry , com o coração a querer saltar lhe de o peito , mas algo lhe disse que ia parecer muito rebuscado se lhes contasse que tinha sido levado até ali por uma voz sem corpo que só ele conseguia ouvir . - Porque estávamos cansados e queríamos ir para a cama - disse . - Sem jantar ? - inquiriu Snape com um sorriso triunfante a bailar lhe em o rosto lúgubre . - Não sabia que os fantasmas ofereciam em as suas festas comida para gente viva . - Não estávamos com fome - disse o Ron bem alto , enquanto o estômago se queixava de forma audível . O sorriso mesquinho de a Snape ampliou se . - Acho , senhor director , que Potter não está a dizer toda_a verdade - afirmou . - Talvez fosse boa ideia retirar lhe alguns privilégios , até ele estar disposto a contar nos a história toda . Pessoalmente , sugiro que seja retirado de a equipa de os Gryffindor até decidir ser honesto . - Francamente , Severus - exclamou a professora Mc_Gonagall com uma voz cortante . - Não vejo porquê impedir o rapaz de jogar Quidditch . Esta gata não levou pauladas em a cabeça dadas por nenhum cabo de vassoura . E não há provas de que o Potter tenha feito algo de mal . Dumbledore observava Harry com um olhar perscrutador . A voz tremeluzente de os seus olhos azuis fez Harry sentir que estava a ser passado a raios X. - Inocente até se provar que é culpado , Severus - disse com segurança . Snape estava furioso , assim_como Filch . - A minha gata foi petrificada ! - berrou , com os olhos a saltarem de as órbitas . - Quero ver um castigo ! - Vamos poder curá a , Argus - explicou pacientemente Dumbledore . - Madam_Sprout conseguiu arranjar algumas Mandrágoras . Logo_que tenham atingido o tamanho adulto , terei uma poção de Mandrágoras que reanimará Mrs._Norris . - Eu posso fazê a - interrompeu Lockhart . - Devo ter feito isso uma centena de vezes . Preparo uma golada de Mandrágora reconstituinte de olhos fechados ... - Perdão - disse Snape friamente -- , mas julgo que o professor de poções de esta escola ainda sou eu . Houve um silêncio bastante incómodo . - Vocês podem ir se embora - disse Dumbledore a o Harry , Ron e a Hermione . Eles saíram o mais depressa que puderam , sem ir a correr . Quando chegaram a o andar acima de o escritório de Lockhart , entraram em uma sala de aulas vazia e fecharam a porta devagarinho . Harry lançou um olhar de esguelha a as caras carrancudas de os amigos . - Acham que eu lhes devia ter falado de a voz que ouvi ? - Não - respondeu Ron , sem a mínima hesitação . - Ouvir vozes que mais ninguém ouve , não é bom sinal , nem em o mundo de os feiticeiros . Algo em a voz de Ron levou Harry a fazer a pergunta : - Tu acreditas em mim , não acreditas ? - Claro que sim - respondeu o Ron de imediato . - Mas tens de concordar que é esquisito ... - Eu sei que é esquisito - confirmou Harry . - É tudo esquisito . O que era aquilo escrito em a parede ? * _ A_Câmara foi aberta * , o que é_que significa ? - Sabes , faz me lembrar qualquer coisa - disse Ron lentamente . - Acho que alguém me contou uma história sobre uma câmara secreta em Hogwarts , talvez tenha sido o Bill ... - E que diabos é um * busca-pé * ? - perguntou Harry . Para sua surpresa , Ron abafou o riso . - Bem , em a verdade não tem graça nenhuma , mas como é o Filch ... - disse . - Um * busca-pé * é alguém que nasceu de uma família de feiticeiros , mas não tem poderes mágicos . É uma espécie de o oposto de os que vêm de famílias de Muggles , mas são feiticeiros . Os * busca-pé * são muito raros . Se o Filch está a tentar aprender magia em um curso rápido , acho que ele deve ser mesmo um busca-pé . Isso explicaria tudo , por_exemplo , porque detesta tanto os estudantes . - Ron sorriu satisfeito . - Tem inveja . Um relógio deu as horas , algures . - Meia-noite - disse Harry . - É melhor irmo nos deitar , antes que o Snape apareça e tente acusar nos de qualquer coisa . Durante alguns dias não se falou de outra coisa em a escola a não ser de o ataque a a gata , Mrs._Norris . Filch manteve o sucedido bem fresco em a memória de todos , andando de um lado para o outro em o lugar onde ela fora atacada , como_se esperasse por o responsável . Harry vira o esfregar a mensagem de a parede com a « solução removedora de toda_a porcaria mágica Mrs._Skower » , mas sem qualquer resultado . As palavras continuavam a brilhar tanto como antes sobre a pedra . Quando Filch não estava a patrulhar a cena de o crime , vagueava , de olhos avermelhados , por os corredores , perseguindo alunos insuspeitos e tentando aplicar lhes castigos por coisas como « respirar muito alto » ou « estar alegre » . Ginny_Weasley parecia muito perturbada com o destino de Mrs._Norris . Segundo Ron ela era uma amante de gatos . - Mas tu nem chegaste a conhecer bem Mrs._Norris - disse lhe Ron para a animar . - Com toda_a franqueza , estamos muito melhor sem ela . - O lábio de Ginny tremeu . - Não é costume acontecerem coisas de estas em Hogwarts - tranquilizou a . - Eles vão descobrir o safado que fez aquilo e põem o de aqui para fora em três tempos . - Só espero que tenha tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso . Estou a brincar , claro - acrescentou o Ron apressadamente a o ver a Ginny a empalidecer . O ataque afectara também Hermione . Era costume de ela passar muito_tempo a ler , mas agora parecia não fazer mais_nada . Nem respondia a o Harry e a o Ron quando lhe perguntavam o que estava a fazer e só acabaram por descobrir em a quarta-feira seguinte . Harry tivera de ficar até mais tarde em a sala de poções onde Snape o mandara raspar restos de larvas de as secretárias . Depois de um almoço comido a a pressa , ele foi lá acima encontrar se com Ron em a biblioteca e viu Justin_Finch - _ Fletchley , o rapaz de os Hufflepuff de herbologia que vinha em direcção a ele . Harry tinha acabado de abrir a boca para dizer um « Olá » quando Justin o viu , voltando se bruscamente e mudando de direcção . Harry foi encontrar o Ron em as traseiras de a biblioteca , a medir o trabalho de casa de história de a magia . O professor Binns pedira uma composição sobre a Assembleia_Medieval_de_Feiticeiros_Europeus com 90cm . De extensão . - Não posso crer que ainda me faltem 16cm - disse o Ron furioso , largando o pergaminho que se enrolou em forma de tubo - e que a Hermione fez um metro e trinta em aquela letra pequenina e apertadinha . - Onde está ela ? - perguntou Harry , agarrando em a fita métrica e desembrulhando o seu trabalho de casa . - Algures por aí - disse o Ron , apontando para as estantes . - _ a a procura de outro livro . Acho que ela está a tentar ler a biblioteca toda antes de o Natal . Harry contou a Ron que Justin_Finch - _ Fletchley tinha evitado falar lhe . - Não sei porque te preocupas com isso . Eu achei o um idiota - disse o Ron , escrevinhando e fazendo a letra o maior possível . - Todo aquele disparate sobre o Lockhart ser tão grande ... Hermione surgiu de o meio de as estantes . Parecia irritada e disposta , por fim , a falar com eles . - Todos os exemplares de * _ Hogwarts : Uma História * foram requisitados - disse , sentando se ao_lado_de Harry e Ron . - E há uma lista de espera de duas semanas . Quem me dera não ter deixado o meu exemplar em casa , mas não consegui que coubesse em a mala com todos os livros de o Lockhart . - Para que o queres ? - perguntou Harry . - Pelo mesmo motivo que toda_a_gente o quer - disse Hermione . - Para ler a lenda de a Câmara_dos_Segredos . - O que é isso ? - Precisamente . Não me lembro - disse Hermione , mordendo o lábio . - E não encontro a História em lugar nenhum . - Hermione , deixa me ler o teu trabalho - pediu Ron desesperado , olhando para o relógio . - Não , não deixo - respondeu Hermione com um ar severo . - Tiveste dez dias para o fazer . - Só preciso de mais quatro centímetros , vá lá ... A campainha tocou . Ron e Hermione encaminharam se para a História_da_Magia , discutindo . A História_da_Magia era a matéria mais chata de o programa . O professor Binns , que dava a cadeira , era o único professor fantasma e a coisa mais excitante que aconteceu em as suas aulas foi o dia em que entrou por o quadro preto . Já velho e enrugado , muita gente afirmava a seu respeito que ele não dera por_que tinha morrido . Pura e simplesmente levantara se um dia para ir dar aulas , deixando o corpo atrás , em um cadeirão em frente de a lareira de a sala de os professores . Desde esse dia a sua rotina mantivera se igual . Era hoje tão chato como fora sempre . Abriu as notas e começou a ler em um tom monocórdico como um velho aspirador até quase todos os alunos estarem em um estado de profunda dormência , acordando de vez em quando , para tomar nota de um nome ou de uma data , e voltando a adormecer . Estava a falar havia meia_hora quando aconteceu algo que nunca tinha acontecido . Hermione pôs o braço em o ar . O professor Binns olhou de relance , em o meio de a chatíssima aula sobre a Convenção_Internacional_de_Feiticeiros de 1289 , verdadeiramente espantado . - Miss ... er ... ? - Granger , professor . Poderia dizer nos alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Hermione em uma voz bem audível . O Dean_Thomas , que tinha estado sentado de boca aberta olhando para fora de a janela , saiu de o seu transe com um salto . A cabeça de Lavender_Brown saiu de os braços e o cotovelo de o Neville_Longbottom escorregou para fora de a secretária . O professor Binns piscou os olhos . - A minha matéria é História_da_Magia - disse em a sua voz seca e asmática . - Eu trato de factos , Miss_Granger , não de mitos e lendas - pigarreou produzindo um ruído que parecia o giz sobre o quadro e continuou : - Em Setembro de esse ano , uma subcomissão de feiticeiros de a Sardenha ... Parou de repente . A mão de Hermione estava de_novo em o ar . - Sim , Miss_Grant ? - Por favor , professor , as lendas não têm sempre um facto como base ? O professor Binns olhava para ela com tal espanto que Harry teve a certeza de que ele nunca , em tempo algum , fora interrompido por um aluno . - Bem - disse lentamente o professor Binns . - Sim , é uma afirmação que pode fazer se . - Olhou para Hermione como_se fosse a primeira vez que olhasse a sério para um estudante . - Contudo , a lenda de que me fala é tão extraordinária , mesmo grotesca ... Mas a aula inteira estava agora atenta a as palavras de o professor , que olhou indistintamente para todos eles . Harry poderia assegurar que ele estava absolutamente abismado por uma tão grande demonstração de interesse . - Muito bem - disse lentamente . - Ora vejamos ... a Câmara_dos_Segredos . Todos vocês sabem com certeza que Hogwarts foi fundada há mais de um_milhar de anos , não se conhece ao_certo a data , por os quatro maiores feiticeiros e feiticeiras de a época : Godric_Gryffindor , Helga_Hufflepuff , Rowena_Ravenclaw e Salazar_Slytherin . Construíram juntos este castelo , longe de os olhares curiosos de os Muggles porque em aquele tempo a magia era temida por as pessoas comuns e as bruxas e feiticeiros sofriam terríveis perseguições . Fez uma pausa , olhou indeciso em volta e prosseguiu : - Durante alguns anos , os fundadores trabalharam juntos em harmonia procurando outros mais novos que mostrassem sinais de possuir dotes mágicos e trazendo os para o castelo para aqui serem ensinados . Mas os desentendimentos surgiram entre eles . Começou a notar se uma divisão entre Slytherin e os outros . Salazar_Slytherin queria ser mais selectivo em relação a os alunos a serem admitidos em Hogwarts . Achava que os ensinamentos de magia deviam ficar dentro de as famílias de feiticeiros . Não lhe agradava a entrada em a escola de alunos de famílias Muggles porque os achava pouco dignos de confiança . Depois de algum tempo houve uma séria discussão sobre esse assunto entre Slytherin e Gryffindor e Slytherin abandonou a escola . O professor Binns fez uma nova pausa , fazendo beicinho o que o fazia parecer uma tartaruga enrugada . - Fontes fidedignas referem nos isto - disse . - Mas estes factos foram obscurecidos por a fantasiosa lenda de a Câmara_dos_Segredos . Conta a história que Slytherin construíra uma câmara oculta dentro de o castelo cuja existência os outros fundadores ignoravam . De_acordo com a lenda , Slytherin selou a Câmara_dos_Segredos para que ninguém pudesse abri a até o seu verdadeiro herdeiro chegar a a escola . O herdeiro , e apenas ele , poderia abrir a Câmara_dos_Segredos , libertar o horror que lá se encontrava e utilizá o para expurgar a escola de todos aqueles que eram indignos de aprender magia . Houve um silêncio quando ele se calou que não era o habitual silêncio de sono de as aulas de o professor Binns . Havia um desassossego em o ar enquanto todos continuavam a olhá o a a espera de mais . O professor Binns estava ligeiramente aborrecido . - A história toda é um disparate , claro - disse ele . - A escola foi revistada por várias vezes em busca de provas de a existência de essa câmara , por os feiticeiros e bruxas mais conhecedores . Não existe nada . Uma lenda que serviu apenas para assustar os ingénuos . A mão de Hermione estava novamente em o ar . - Professor , o que quer_dizer , ao_certo com « o horror que estava dentro de a câmara » ? - Acredita se que seja uma espécie de monstro que só o herdeiro de Slytherin pode controlar - disse o professor Binns em a sua voz seca e débil . A aula trocou entre si olhares inquietos . - Como vos digo , a coisa não existe - afirmou o professor Binns , desordenando as suas notas . - Não há câmara e não há monstro . - Mas , professor - disse Seamus_Finnigan . - Se a câmara só podia ser aberta por o herdeiro de Slytherin ninguém mais poderia encontrá a . Não é ? - Um disparate pegado - disse o professor Binns , em um tom de voz exasperado . - Se uma longa sucessão de directores e directoras de Hogwarts não a encontraram ... - Mas , professor - começou a dizer Parvati_Patil . Se_calhar é preciso usar magia negra para a abrir ... - Lá porque um feiticeiro não usa magia negra não quer_dizer que não possa , Miss_Pennyfeather - interrompeu o professor Binns . - Repito , se os antecessores de Dumbledore ... - Mas talvez seja preciso fazer parte de os Slytherin , por isso Dumbledore não podia ... - começou Dean_Thomas , mas o professor Binns já estava farto . - Já chega - disse , de modo cortante . - É um mito . Não existe . Não há uma única prova de que Slytherin tenha construído nem mesmo uma despensa para vassouras . Lamento ter vos contado esta história tola . Vamos voltar , se fazem o favor , a a História , a os factos sólidos , verificáveis , credíveis . E em menos_de cinco minutos toda_a classe mergulhara em a sua sonolência habitual . - Eu sempre ouvi dizer que Salazar_Slytherin era um velho retorcido e meio pateta - disse Ron_a_Harry e Hermione enquanto abriam caminho por os corredores cheios , em o final de a aula , para ir arrumar as malas antes de o jantar . - Mas não sabia que ele tinha começado esta coisa de o sangue puro . Eu não ia para os Slytherin nem que me pagassem . Se o chapéu seleccionador me tivesse posto lá , pegava em as malas e ia me embora ... Hermione acenou vivamente , mas Harry não abriu a boca . O estômago parecia ter dado uma volta . Harry nunca contara a o Ron e a a Hermione que o chapéu seleccionador tinha considerado seriamente a possibilidade de o colocar em os Slytherin . Lembrava se como_se tivesse sido em a véspera do_que a vozinha lhe dissera a o ouvido quando pôs o chapéu em a cabeça , um ano antes . * _ Podias vir a ser grande , sabes ? Está tudo aqui em a tua cabeça e Slytherin ajudaria te em o caminho para a grandeza , sem a menor dúvida * ... Mas Harry , que já ouvira falar de a fama de o grupo de os Slytherin de formar magos negros , pensou desesperadamente . - Em os Slytherin , não ! - E o chapéu tinha dito . - Bem , se tens assim tanta certeza ... será melhor os Gryfffndor . Enquanto eram empurrados por a multidão , Colin_Creevey passou por eles . - Olá , Harry ! - Olá , Colin - disse Harry automaticamente . - Harry , Harry , um rapaz de a minha turma tem andado a dizer que tu és ... Mas Colin era tão baixinho que não conseguiu lutar contra a maré de gente que o arrastou até a o vestíbulo . Ouviram o despedir se : - Adeus , Harry - e desaparecer . - O que é_que o rapaz de a turma de ele disse de ti ? - quis saber Hermione . - Que eu sou o herdeiro de Slytherin , imagino - disse Harry , com o estômago ainda a as voltas e lembrou se de repente de o Justin_Finch - _ Fletchley a fugir para não lhe falar , a a hora de o almoço . - As pessoas aqui acreditam em tudo - disse o Ron com repugnância . A multidão diminuiu e conseguiram subir as escadas sem dificuldade . - Achas mesmo_que existe uma Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Ron_a_Hermione . - Não sei - respondeu ela , franzindo a testa . - Dumbledore não conseguiu curar Mrs._Norris e isso leva me a pensar que o que a atacou pode não ser ... humano . Enquanto falava , voltaram uma esquina e encontraram se em o fim de aquele mesmo corredor onde o ataque tinha ocorrido . Pararam para olhar . Estava tudo igual a aquela outra noite , com excepção de a gata Mrs._Norris e havia uma cadeira vazia encostada a a parede , onde podia ler se a mensagem « : __ a câmara foi __ aberta » . - Foi aqui que o Filch montou a guarda - murmurou Ron . Olharam uns para os outros . O corredor estava deserto . - Não deve fazer mal dar uma olhadela aqui - disse Harry , deixando cair a mala e pondo se de quatro para poder gatinhar em busca de pistas . - Marcas de queimadura - disse - aqui e aqui ... - Venham ver isto ! - chamou Hermione . - Que estranho ... Harry levantou se e foi até a a janela que ficava junto de a mensagem . Hermione apontava para o vidro mais alto , onde cerca de uma vintena de aranhas se debatiam em uma aparente luta por atravessar por uma pequena brecha de vidro . Um longo fio prateado balouçava como uma corda , como_se todas tivessem trepado , em a ânsia de chegar lá fora . - Alguma vez viram aranhas agir assim ? - perguntou Hermione , curiosa . - Não - respondeu Harry . - E tu , Ron ? Ron ? Olhou por cima de o ombro . Ron estava de costas , bem lá atrás e parecia lutar contra o impulso de se virar . - O que é_que se passa ? - perguntou Harry . - Eu não gosto de aranhas - disse Ron , de modo tenso . - Nunca me tinhas dito - comentou Hermione , olhando para ele com surpresa . - Estás farto de usar aranhas em as poções ... - Não me importo quando estão mortas - explicou Ron que olhava cautelosamente para todos os lados , menos para a janela . - Não gosto de a maneira como_se mexem . Hermione riu se baixinho . - Não tem graça nenhuma - disse o Ron , furioso . - Se queres saber , quando eu tinha três anos , o Fred transformou o meu ursinho de pelúcia em uma enorme aranha nojenta , por eu lhe ter partido a vassoura de brinquedo . Tu também não gostarias de aranhas se estivesses agarrada a o teu ursinho e , de repente , ele tivesse uma data de pernas e ... Começou a tremer ... Hermione ainda estava a tentar conter o riso . Sentindo que era melhor mudarem de assunto , Harry perguntou : - Lembram se de a água que havia aqui em o chão ? De onde terá vindo ? Alguém a limpou . - Era por aqui - disse o Ron , já recuperado , avançando alguns passos em direcção a a cadeira de o Filch e apontando . - Junto de esta porta . Estendeu a mão para o puxador de a porta , mas retirou a de imediato , como_se se tivesse queimado . - O que foi ? - perguntou Harry . - Não posso entrar aí - disse o Ron bruscamente . - É a casa_de_banho de as raparigas . - Oh , Ron , não está aí ninguém - sossegou o Hermione enquanto se aproximava . - É o lugar de a Murta_Queixosa . Anda , vamos dar uma espreitadela . E ignorando o grande letreiro que dizia « Fora de serviço » Hermione abriu a porta . Era a casa_de_banho mais sombria e deprimente em que Harry tinha posto os pés durante toda_a sua vida . Debaixo_de um grande espelho partido e sujo podia ver se uma fila de lavatórios de pedra , rachados . O chão estava húmido e reflectia a luz fraca de os pavios de algumas velas que ardiam baixinho em os suportes . As portas de madeira de os cubículos estavam todas lascadas e riscadas e uma de elas balouçava fora de as dobradiças . Hermione levou os dedos a os lábios e foi até a o último cubículo . Quando lá chegou disse : - Olá , Murta , como estás ? Harry e Ron foram ver . A Murta_Queixosa flutuava em a cisterna de a casa_de_banho , tirando um ponto negro de o queixo . - Esta é a casa_de_banho de as raparigas - disse a o ver o Ron e o Harry . - Eles não são raparigas . - Não - concordou Hermione . - Eu só queria mostrar lhes como esta casa_de_banho é ... er ... simpática . Ela fez um aceno vago a o velho espelho sujo e a o chão húmido . - Pergunta lhe se viu alguma coisa - sussurrou o Ron a a Hermione . - Porque estão a dizer segredinhos ? - perguntou a Murta , fitando o . - Não é nada - disse Harry rapidamente . - Queríamos perguntar ... - Gostava que as pessoas parassem de falar em as minhas costas ! - desabafou a Murta em uma voz abafada por as lágrimas . - Eu tenho sentimentos , sabem , apesar_de estar morta . - Murta , ninguém quis aborrecer te - explicou Hermione . - O Harry só ... - A minha vida foi uma infelicidade em este lugar e agora as pessoas vêm estragar a minha morte . - Nós queríamos perguntar te se tinhas visto alguma coisa estranha ultimamente - disse Hermione sem perder tempo . - Porque foi atacada uma gata mesmo aqui a a frente de a tua porta em a noite de o * _ Hallowe'en * . - Viste alguém aqui perto em essa noite ? - insistiu Harry . - Não estava a prestar atenção - disse a Murta com ar dramático . - O Peeves aborreceu me tanto que vim aqui para tentar matar me . Só então me lembrei de que estou ... de que estou ... - Já morta - ajudou o Ron . A Murta soluçou tragicamente , elevou se em o ar , voltou se e mergulhou de cabeça em a sanita , espalhando água por_cima_de todos eles e desaparecendo . Por o som de os seus soluços abafados fora certamente descansar algures em o cano em forma de V._Harry e Ron ficaram de boca aberta , mas Hermione encolheu os ombros de cansaço e disse : - Se querem saber , para a Murta isto até foi alegre ... vá , vamos embora . Harry tinha acabado de fechar a porta deixando atrás os soluços gorgolejantes de a Murta quando uma voz forte o fez dar um salto . - RON ! Percy_Weasley estava parado em o cimo de as escadas com o seu distintivo de prefeito a brilhar e uma expressão chocadíssima em o rosto . - Isso é a casa_de_banho de as raparigas ... o que é_que vocês ... ? - Estávamos só a dar uma vista de olhos - exclamou o Ron - a a procura de pistas ... Percy engoliu em seco , de uma maneira que fez Harry lembrar se de Mrs._Weasley . - Saiam imediatamente de aqui - disse , aproximando se de eles a passos largos e gesticulando agitadamente . - Não se preocupam com as aparências ? Voltar aqui enquanto toda_a_gente está a jantar ... - Porque não havíamos de estar aqui ? - perguntou cheio de vivacidade o Ron , parando de repente e olhando Percy em os olhos . - Ouve lá , nós não tocamos em aquela gata . - Isso foi o que eu tentei explicar a a Ginny - respondeu Percy furioso - mas ela parece continuar a pensar que vocês vão ser expulsos . Nunca a vi tão aflita . Não pára de chorar . Devias pensar em ela . Todos os alunos de o primeiro ano andam superexcitados com esta história . - Tu não estás nada preocupado com a Ginny - disse o Ron já com as orelhas vermelhas . - O que te assusta é_que eu possa estragar as tuas possibilidades de ser chefe de turma . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor ! - bradou Percy , apontando elegantemente para o distintivo de prefeito . - E espero que te sirva de lição . Acabou se o trabalho de detective ou escrevo a a mãe a contar lhe . E voltou lhes as costas , a nuca tão vermelha como as orelhas de o Ron . Harry , Ron e Hermione , em essa noite , sentaram se em a sala comum o mais longe possível de Percy . Ron estava ainda muito maldisposto e não parava de esborratar o trabalho de casa de os encantamentos . Quando pegou distraidamente em a varinha para tirar as manchas incendiou o pergaminho . A deitar quase tanto fumo como o seu trabalho de casa , fechou bruscamente o * _ Livro_Padrão_de_Encantamentos de o 2.o Grau * . Para grande surpresa de Harry , Hermione fez o mesmo . - Mas quem poderia ser - perguntou ela baixinho como_se continuasse uma conversa que tinham acabado de ter . - Quem quereria todos os * busca-pés * e filhos de Muggles fora de Hogwarts ? - Vamos pensar - disse o Ron em a brincadeira , fingindo estar confuso . - Quem poderemos nós conhecer que ache que os familiares de Muggles são escumalha ? Olhou para Hermione . Ela olhou para ele pouco convencida . - Se estás a pensar em o Malfoy ... - Claro que estou - disse o Ron . - Tu ouviste o dizer : - Vocês serão os próximos , sangues de lama ! - Aliás , basta olhar para aquela cara de renegado para saber que ele é ... - Malfoy , o herdeiro de Slytherin ? - repetiu Hermione cepticamente . - Olha para a família de ele - disse Harry , fechando também os livros . - Todos eles estiveram em os Slytherin . O Draco está sempre a vangloriar se de isso . Podiam bem ser descendentes de Slytherin . O pai de ele é suficientemente mau . - Podiam perfeitamente ter tido a chave de a Câmara_dos_Segredos durante séculos - disse Ron - , fazendo a passar de pai para filho . - Bem - acedeu Hermione cautelosamente . - Seria possível ... - Mas como prová o ? - perguntou Harry tristemente . - Talvez haja um meio - sugeriu Hermione lentamente , baixando ainda mais a voz e lançando um olhar , através de a sala , a Percy . - É claro que não é fácil . E é perigoso , muito perigoso . Suponho que iríamos infringir cerca de cinquenta regras de a escola . - Se de aqui a um mês ou dois te decidires a explicar , avisa , está bem ? - disse Ron , que começava a ficar irritado . - Está bem - concordou Hermione friamente . - O que precisaríamos de fazer para entrar em a sala comum de os Slytherin e fazer algumas perguntas a o Malfoy , sem ele perceber que éramos nós ? - Mas isso é impossível - declarou Harry , enquanto Ron se ria . - Não , não é - continuou Hermione . - Só precisamos de um_pouco de poção * polisuco * . - O que é isso ? - perguntaram ao_mesmo_tempo Ron e Harry . - O Snape falou de ela em uma aula , há poucas semanas atrás . - Achas que não temos mais o que fazer do_que ouvir o Snape ? - murmurou o Ron . - Transforma nos em outra pessoa . Pensem em isso : podíamos transformar nos em três de os Slytherin . Ninguém saberia que éramos nós . É provável que o Malfoy nos contasse alguma coisa . Aposto que ele está a gabar se , em este momento , em a sala de os Slytherin , se ao_menos pudéssemos ouvi o . - Essa coisa de o * polisuco * cheira me um bocado mal - disse o Ron , franzindo as sobrancelhas . - E se ficarmos com a forma de os três Slytherin para sempre ? - Desaparece a o fim de algum tempo - disse Hermione , gesticulando impacientemente com a mão - mas conseguir a receita é muito difícil . O Snape disse que vinha em um livro chamado * _ As_Mais_Potentes_Poções * e está com certeza em a parte de os reservados de a biblioteca . Só havia uma maneira de obter o livro de os reservados : era com uma autorização assinada por um professor . - Não estou a ver porque quereríamos o livro - disse o Ron . - Se não para tentar fabricar uma de as poções . - Eu acho - sugeriu Hermione - que se fizéssemos parecer que o nosso interesse era apenas teórico , talvez conseguíssemos ... - Estás a sonhar , nenhum professor ia cair em essa - afirmou o Ron . - Só se fosse muito burro . X_A * bludger * perigosa Depois de o desastroso incidente de os duendes , o professor Lockhart não voltou a levar seres vivos para as aulas . Em vez de isso , lia a os alunos passagens de os seus livros e , por vezes , voltava a desempenhar alguns de os episódios mais dramáticos . Costumava chamar Harry para o ajudar em essas reconstruções . Até ali Harry fora obrigado a desempenhar o papel de um camponês de a Transilvânia que Lockhart curara de uma maldição murmurada , o abominável homem de as neves com dores de cabeça e um vampiro que depois de ter conhecido Lockhart tinha ficado incapaz de comer outra coisa que não fosse alfaces . Harry foi chamado para a frente de a classe durante a aula de Defesa contra as artes negras que se seguiu . Desta_vez para desempenhar o papel de um lobisomem . Se não tivesse um bom motivo para querer ver o Lockhart bem-disposto , teria se recusado . - Um uivo bem alto , excelente , Harry , isso mesmo . E foi então que , acreditem ou não , eu o ataquei de repente , assim . Atirei o a o chão , agarrei o com uma mão e com a outra consegui meter lhe a varinha em a garganta . Então , com a força que me restava pus em prática o complicadíssimo encantamento * _ Homorphus * . Harry soltou um uivo tristíssimo . - Vá lá , Harry , mais alto . Bom ... o pêlo desapareceu , os dentes diminuíram de tamanho e ele transformou se em um homem . Simples , mas eficaz e mais uma cidade ficará a lembrar se de mim para sempre como o herói que os libertou de os ataques mensais de o lobisomem . A campainha tocou e Lockhart pôs se de pé . - Trabalho para_casa : escrever um poema sobre a minha vitória sobre o lobisomem Wagga_Wagga . Há um exemplar autografado de * _ Eu , o Mágico * para o autor de o melhor poema . Os alunos começaram a sair . Harry voltou para trás e foi juntar se a o Ron e a a Hermione que estavam a a espera de ele . - Prontos ? - perguntou . - Espera até saírem todos - disse Hermione bastante nervosa . - Pronto ... Aproximou se de a secretária de Lockhart , apertando em a mão uma folha de papel , com o Ron e o Harry atrás . - Er ... professor Lockhart - gaguejou Hermione . - Eu queria requisitar este livro em a biblioteca , como leitura de apoio - entregou lhe o papel , com a mão ligeiramente trémula . - Só que faz parte de a secção de os reservados , por isso preciso de a assinatura de um professor . Acho que o livro me vai ajudar a compreender o que o senhor diz em * _ Passeios com Vampiros * acerca de os venenos de acção lenta ... - Ah , * _ Passeando com Vampiros * - disse Lockhart , pegando em a folha de papel de Hermione e sorrindo lhe abertamente . - E provavelmente o meu livro preferido . Gostou ? - Oh , muito - disse Hermione avidamente . - Tão inteligente o modo como apanhou o último com o passador de o chá . - Bem , tenho a certeza que ninguém se importará que eu dê uma ajudazinha suplementar a a melhor aluna de o segundo ano - disse Lockhart calorosamente , sacando de uma enorme pena de pavão . - É bonita , não é ? - comentou , adivinhando uma expressão de repulsa em a cara de o Ron . - Costumo guardas a para as minhas assinaturas de autógrafos . Rabiscou uma enorme assinatura cheia de altos e baixos e entregou a a Hermione . - Então , Harry - disse Lockhart enquanto Hermione dobrava a folha e a guardava em o saco . - Amanhã é a primeira partida de Quidditch de este ano , não é ? Gryffindor contra Slytherin . Ouvi dizer que és um jogador indispensável . Eu também fui * seeker * . Convidaram me inclusivamente para fazer parte de a Equipa_Nacional , mas eu preferi dedicar a minha vida a a erradicação de as forças de o mal . Mesmo_assim , se alguma vez precisares de um treino particular , não hesites em falar comigo , estou sempre disponível para partilhar a minha perícia com os jogadores menos dotados do_que eu . Harry fez um som indistinto com a garganta e saiu atrás_de Ron e Hermione . - Não acredito - disse quando os três examinavam a assinatura de Lockhart . - Ele nem viu que livro nós queríamos . - É porque é um idiota sem miolos - explicou o Ron . - Mas , quem se rala , temos o que queríamos . - Ele não é um idiota sem miolos - gritou Hermione com voz esganiçada enquanto se aproximavam quase a correr de a biblioteca . - Só porque ele disse que eras a melhor aluna de o segundo ano ... Baixaram as vozes a o entrar em a quietude abafada de a biblioteca . Madam_Prince , a bibliotecária , era uma mulher magra e irritável que parecia um abutre mal nutrido . - * _ Moste_Potente_Potions * ? - repetiu intrigada , tentando ficar com a folha de papel que Hermione se recusava a entregar lhe . - Gostava de a guardar para mim - disse sem fôlego . - Vá lá - intercedeu Ron , arrancando lhe a de as mãos e entregando a a Madam_Prince . - Nós arranjamos te outro autógrafo . O Lockhart assina tudo se aqui ficar muito_tempo . Madam_Prince pegou em o papel e voltou o em a direcção de a luz , decidida a descobrir uma falsificação , mas a assinatura passou em o teste . Desapareceu entre as estantes e voltou alguns minutos mais tarde , transportando um livro grande e de aspecto antiquado . Hermione meteu o com todo o cuidado em o saco e saíram , tentando não andar depressa de mais nem aparentar um ar culpado . Cinco minutos depois , estavam de_novo barricados em a casa_de_banho fora de serviço de a Murta_Queixosa . Hermione destruíra as objecções de Ron argumentando que aquele era o último lugar onde alguém em o seu juízo perfeito se lembraria de ir e que poderia assegurar lhes alguma privacidade . A Murta_Queixosa chorava ruidosamente em o seu cubículo , mas eles conseguiram ignorá a assim_como ela a eles . Hermione abriu * _ Moste_Potente_Potions * com todo o cuidado e inclinaram se os três sobre as páginas manchadas de humidade . Era fácil de perceber , logo à_primeira_vista de olhos , porque pertencia a a secção de os reservados . Algumas de as poções tinham efeitos quase impensáveis de tão macabros e havia ilustrações bastante desagradáveis , como , por_exemplo , aquela em que um homem parecia ter sido virado de o avesso e a de a bruxa com vários pares de braços suplementares a nascerem lhe em a cabeça . - Aqui está - disse Hermione excitadíssima a o encontrar a página intitulada « A poção * polisuco * « . Estava ilustrada com imagens de pessoas a meio de o processo de se transformarem em outras pessoas e Harry desejou ardentemente que a expressão de dor intensa que se lhes espelhava em o rosto fosse apenas produto de a imaginação de o artista desenhador . - Esta é a poção mais complicada que vi até hoje - disse Hermione enquanto examinava a receita . - Moscas asas de renda , sanguessugas , fluxo de cizânias e verdezelha - murmurou , acompanhando com o dedo a lista de ingredientes . - Bem , esses são relativamente simples , há os em a despensa de material de os estudantes , podemos tirar a a nossa vontade . Oh ! Vê só , pó de chifre de bicórneo ... não sei onde vamos arranjar isto ... e , é claro , um pedacinho de a pessoa em quem queremos transformar nos . - Como ? - perguntou Ron de forma cortante . - O que é_que queres dizer com um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos ? Eu não bebo nada que tenha lá dentro as unhas de os pés de o Crabbe ... Hermione continuou como_se não o tivesse ouvido . - Mas não temos que nos preocupar com isso por enquanto . Fica para o fim . Ron voltou se sem palavras para o Harry que tinha uma preocupação de outro tipo . - Já viste bem tudo_o_que vamos ter que roubar , Hermione ? Algumas coisas , não estão de certeza em a despensa de material de os alunos . O que é_que vamos fazer , arrombar os armários pessoais de o Snape ? Não sei se será uma boa ideia ... Hermione fechou o livro com um estrondo . - Bem , se vocês os dois se vão acagaçar , então está lindo - disse ela . Tinha as bochechas rosadas e os olhos mais brilhantes do_que era habitual . - Eu não gosto de quebrar regras , vocês sabem , mas acho que ameaçar os filhos de os Muggles é muito pior do_que construir uma poção difícil . Mas se vocês não querem descobrir se é o Malfoy , eu posso voltar já a a biblioteca e entregar o livro a Madam_Prince ... - Nunca pensei que chegaria o dia em que serias tu a convencer nos a quebrar regras - disse o Ron . - Está bem , vamos em essa , mas sem unhas de os pés , O. _ K. ? - Quanto tempo vai isso demorar a fazer , afinal ? - perguntou Harry quando Hermione , já com um ar mais satisfeito , voltou a abrir o livro . - Bem , como o fluxo de cizânias tem de ser recolhido durante a lua cheia e as asas de renda têm de ser abafadas durante vinte_e_um dias ... eu diria que se conseguirmos arranjar todos os ingredientes estará pronta dentro_de um mês . - Um mês ? - exclamou o Ron . - Nessa_altura já o Malfoy terá atacado metade de os filhos de Muggles ! - mas os olhos de Hermione contraíram se de_novo assustadoramente e ele acrescentou rapidamente . - Mas é o melhor plano que temos , por isso é melhor não olharmos para trás . Apesar_de tudo , enquanto Hermione verificava que não havia ninguém em os corredores e podiam sair de a casa_de_banho , Ron murmurou a Harry : - Seria muito mais simples se conseguisses , amanhã , atirar o Malfoy de a vassoura abaixo . Harry acordou cedo em o sábado de manhã e ficou um bocado a pensar em a partida de Quidditch que vinha a seguir . Estava nervoso , principalmente pelo que Wood diria se os Gryffindor perdessem , mas também com a ideia de enfrentar uma equipa apetrechada com as vassouras mais velozes que existiam . Nunca desejara tanto vencer os Slytherin como em aquele dia . Depois de meia_hora deitado com a barriga a dar horas , resolveu levantar se , vestir se e descer para tomar o pequeno-almoço . Lá em baixo , encontrou o resto de a equipa de os Gryffindor amontoada a o longo de a mesa comprida e vazia , todos eles com ar preocupado e sem vontade de conversar . Como_se aproximavam as onze horas , todos os alunos de a escola começaram a dirigir se para o estádio de Quidditch . O dia estava quente e húmido , com uma ameaça de trovoada em o ar . Ron e Hermione vieram apressadamente desejar a Harry boa sorte mal ele entrou em os vestiários . A equipa de os Gryffindor pôs os seus mantos vermelhos e sentou se para ouvir o discurso que Wood lhes fazia sempre antes de o jogo . - Os Slytherin têm vassouras melhores do_que nós - começou . - Não há como negá o . Mas nós temos gente melhor em cima de as vassouras . Treinámos mais do_que eles , voamos com todas_as condições climatéricas ( É bem verdade - murmurou George_Weasley - desde Agosto que não sei o que é estar seco ) . - E vamos fazê os engolir o dia em que deixaram aquele nojento de o Malfoy comprar a entrada em a equipa de eles . Com o peito agitado por a comoção , Wood voltou se par Harry . -- Cabe te a ti , Harry , mostrar lhes que um * seeker * tem de ter mais do_que um pai rico . Agarra a * snitch * antes d Malfoy ou morre a tentar porque temos absolutamente que vencer , hoje , Harry , temos que vencer . - Sem ansiedade , Harry - disse o Fred , piscando lhe o olho . Quando saíram em direcção a o campo , foram saudado por uma grande ovação principalmente de a parte de os Ravenclaw e de os Hufflepuff que estavam ansiosos por ver os Slytherin serem derrotados , mas os Slytherin que estavam entre a multidão também fizeram ouvir as suas vaias e pateadas . Madam_Hooch , a professora de Quidditch , pediu a Flin e Wood que apertassem as mãos o que eles fizeram , lançando um_ao_outro olhares ameaçadores , cada_um apertando a mão de o outro com mais força do_que aquela que seria necessário . - Atenção a o apito - disse Madam_Hooch . - Três , dois , um ... Com um bramido de a multidão para que subissem rapidamente , os catorze jogadores elevaram se em o céu cor de chumbo . Harry , mais alto do_que qualquer de os outros olhando para todos os lados em busca de a * snitch * . - Tudo bem , testa de cicatriz ? - gritou Malfoy , disparando por baixo de ele para lhe mostrar a velocidade de a sua vassoura . Harry não teve tempo de responder . Em esse preciso momento uma * bludger * preta e bem pesada veio direitinha a ele . Evitou a tão por um triz que ainda sentiu em os cabelos o ar que ela deslocara . - Foi por_pouco , Harry ! - exclamou o George , passando com grande rapidez , de bastão em a mão , pronto para lançar a * bludger * contra um Slytherin . Harry viu o dar a a * bludger * uma fortíssima pancada em direcção a Adrian_Pucey , mas a bola mudou de rumo em o meio de o ar e dirigiu se de_novo a Harry . Harry desceu rapidamente para se esquivar e George conseguiu lançá a contra Malfoy . Mais_uma_vez a * bludger * actuou como um * boomerang * e apontou a a cabeça de Harry . Harry ganhou velocidade e disparou contra o outro extremo de o campo . Ouvia o assobio de a * bludger * que o perseguia . O que era aquilo ? As * bludgers * nunca se concentravam assim em um único jogador , a sua função era tentar desmontar o maior número possível de intervenientes . Fred_Weasley esperava por a * bludger * em o extremo oposto . Harry baixou se quando o viu balançar se em frente de ela com toda_a garra . A * bludger * foi lançada para_fora_de campo . - Pronto , já está tudo resolvido - gritou Fred satisfeito , mas estava bastante enganado . Como_se fosse magneticamente atraída para Harry , a * bludger * lançou se de_novo contra ele e Harry teve de voar a_toda_a velocidade . Começara a chover . Harry sentia as gotas pesadas caírem lhe em o rosto , turvando lhe as lentes de os óculos . Não fazia ideia do_que se passava em o resto de o jogo , até ouvir Lee_Jordan que fazia o comentário dizer : - Os Slytherin vão a a frente com seis contra zero . As vassouras de qualidade superior de os Slytherin estavam obviamente a cumprir a sua função e enquanto isso , a * bludger * maluca fazia todos os possíveis para deitar abaixo o Harry . Fred e George voavam agora tão perto de ele , um de cada lado , que Harry não via senão os seus braços a balouçar e , se não conseguia ver a * snitch * , muito menos agarrá a . - Alguém enfeitiçou esta * bludger * - resmungou Fred , preparando o bastão com toda_a força quando ela se lançava de_novo contra Harry . - Precisamos de tempo - disse George , tentando fazer sinal a Wood enquanto evitava que a bola partisse o nariz a o Harry . Wood captou obviamente a mensagem . O apito de Madam_Hooch fez se ouvir e Harry , Fred e George desceram , tentando ainda evitar a * bludger * maluca . - O que é_que se passa ? - perguntou Wood enquanto a equipa de os Gryffindor se amontoava desordenadamente e os Slytherin , em o meio de a multidão , lançavam piadas . - Estamos a ser esmagados . Fred , George , onde estavam vocês quando aquela * bludger * impediu a Angelina de marcar ? - Estávamos seis metros acima , evitando que a outra * bludger * matasse o Harry , Oliver - gritou George furioso . - Alguém preparou isto , a bola não deixa o Harry em paz , ainda não perseguiu mais ninguém desde_que o jogo começou . Os Slytherin fizeram aqui qualquer coisa . - Mas as * bludgers * têm estado fechadas em o escritório de Madam_Hooch desde o último treino , e nessa_altura estava tudo bem ... - disse Wood ansiosamente . Madam_Hooch aproximava se . Por cima de o ombro de ela , Harry pôde ver a equipa de os Slytherin a escarnecer e apontar em a sua direcção . - Ouçam - disse o Harry , enquanto ela se aproximava . - Com vocês os dois a voarem sempre colados a mim , só vou apanhar a * snitch * se ela voar até a a minha manga . Voltem se para o resto de a equipa e deixem a tratante comigo . - Não sejas bronco - disse o Fred . - Ela arranca te a cabeça . Os olhos de Wood saltavam de Harry_para_os_Weasley . - Oliver , isto_é uma loucura - disse Alicia_Spinet , zangada . - Não podes deixar o Harry sozinho entregue a aquela coisa . Vamos pedir uma investigação . - Se pararmos agora , teremos de dar a partida como perdida e não vamos deixar os Slytherin ganhar , só por_causa_de uma * bludger * maluca . Vá lá , Oliver , diz lhes que me deixem sozinho . - A culpa é toda tua . * _ Agarra a snitch ou morre a tentar * , se isso é lá coisa que se diga . Madam_Hooch tinha se lhes juntado . - Prontos para retomar a partida ? - perguntou a Wood . Wood olhou para o ar determinado de Harry . - Deixem o sozinho , ele é capaz de lidar com a * bludger * . A chuva era agora mais pesada . A o apito de Madam_Hooch , Harry elevou se em os ares e ouviu o barulhinho de a * bludger * atrás_de si . Subiu cada_vez_mais alto . Fez acrobacias em espiral , descidas rápidas , ziguezagueou e rolou . Apesar_de ligeiramente estonteado , não deixou nunca de ter os olhos bem abertos . A chuva salpicava lhe os óculos e entrava lhe por as narinas , quando ele se voltou de cabeça para baixo , evitando outra forte investida de a * bludger * . Ouviu os risos de a multidão . Sabia que devia parecer ridículo , mas a * bludger * maluca era pesada e não podia mudar de direcção tão rapidamente quanto ele . Iniciou uma corrida que parecia de feira de diversões em volta de os extremos de o estádio , olhando de soslaio , através de os lençóis prateados de chuva , para os postes de os Gryffindor , onde Adrian_Pucey tentava passar por Wood . Um assobio junto de os ouvidos disse a Harry que a * bludger * falhara uma_vez_mais . Voltou se e voou rapidamente em a direcção oposta . - Estás a ensaiar * ballet * , Potter - gritou Malfoy quando Harry foi obrigado a fazer uma reviravolta estúpida em o ar para se esquivar mais_uma_vez de a * bludger * . Lá foi ele , com a * bludger * atrás a alguns metros de distância . E foi então que , olhando para Malfoy , furioso , a viu , a * snitch * de ouro . Flutuava alguns centímetros acima de os ouvidos de Malfoy que , de tão preocupado a escarnecer de Harry , nem dera por ela . Durante um momento angustiante , Harry ficou quieto em o ar , não ousando dirigir se a Malfoy , não fosse ele olhar para_cima e ver a * snitch * . PUM ! Tinha ficado parado tempo de mais . A * bludger * batera lhe , por fim , apanhando lhe o cotovelo e Harry sentiu o braço a partir se . Debilmente , desorientado por a dor cauterizante em o braço , Harry deslizou para um de os lados em a sua vassoura encharcada , um joelho ainda dobrado , o braço direito a balouçar , inútil , a o seu lado . A * bludger * veio de_novo , preparada para mais um ataque , desta_vez apontada a o seu rosto . Harry desviou se com uma intenção : chegar a Malfoy . Através_de uma nuvem de chuva e dor desceu até a o rosto tremeluzente e trocista e viu os olhos de ele dilatarem se de medo : Malfoy pensou que Harry ia atacá o . - Que diabo ... - resmungou , afastando se de o caminho . Harry tirou a outra mão de a vassoura e fez uma tentativa para agarrar qualquer coisa . Sentiu os dedos fecharem se em volta de a * snitch * dourada , mas conduzia agora a vassoura apenas com as pernas e ouviu se um grito de a multidão cá em baixo , quando ele fez a descida , tentando não desmaiar . Com um ruído seco caiu em a terra enlameada e rolou para fora de a vassoura . O braço tinha um ângulo um_pouco estranho . Torcendo se com dores , ouviu a a distância os assobios e os gritos . Concentrou se em a * snitch * que tinha fechada em a outra mão . - Ai - disse vagamente . - Ganhámos o jogo . E desmaiou . Voltou a si com a chuva a cair lhe em o rosto , ainda deitado em o campo , com alguém inclinado sobre ele . Viu um brilho de dentes brancos . - Oh , não , você não - gemeu . - Não sabe o que diz - afirmou Lockhart bem alto a a ansiosa multidão de Gryffindor que o comprimiam . - Não te preocupes , Harry , eu vou tratar de o teu braço . - Não - gritou Harry . - Eu fico com ele assim , obrigado . Tentou sentar se , mas a dor era enorme . Ouviu um « clique » familiar . - Não quero fotografias de isto , Colin - disse em voz alta . - Deita te para trás , Harry - insistiu Lockhart com toda_a calma . - É um encantamento muito simples que eu fiz imensas vezes . - Porque não me levam só para a ala hospitalar ? - perguntou Harry entredentes . - Seria o melhor , professor - disse a voz rouca de o Wood que não conseguia deixar de sorrir , apesar_de o seu * seeker * estar ferido . - Grande captura , Harry , verdadeiramente espectacular , a tua melhor jogada , em a minha opinião . Em o meio de a floresta de pernas que o rodeava , Harry avistou Fred e George_Weasley , metendo a * budger * perigosa em uma caixa . Continuava a dar uma luta enorme . - Para trás - ordenou Lockhart , que tinha arregaçado as mangas verde jade . - Não , eu não ... - protestou debilmente Harry , mas Lockhart tinha a varinha em a mão e , um segundo depois , apontava a para o braço de Harry . Uma sensação estranha e desagradável começou em o ombro e espalhou se , chegando a as pontas de os dedos . Parecia que o braço inteiro tinha sido esvaziado . Não foi capaz de olhar para o que estava a suceder . Tinha fechado os olhos , voltado o rosto para o outro lado , mas os seus maiores receios concretizaram se quando as pessoas lá em cima se sobressaltaram e Colin_Creevey começou a tirar fotografias como um louco . O braço deixara de lhe doer , mas parecia tudo menos um braço . - Ah ! - disse Lockhart . - Sim , bem isto às_vezes acontece . Mas o importante é_que os ossos já não estão partidos . Isso é o mais importante . Portanto , Harry , vai até a a ala hospitalar ... ah ! Mr._Weasley , Miss_Granger , poderiam levá o lá ? E Madam_Pomfrey poderá ... er ... arranjar um_pouco isso . Quando Harry se pôs de pé sentiu se estranhamente desequilibrado . Depois de respirar fundo , olhou para o lado direito e o que viu quase o fez desmaiar de_novo . Pendurado em a extremidade de a sua túnica estava o que parecia ser uma espessa e colorida luva de borracha . Tentou mexer os dedos mas ... em vão . Lockhart não consertara os ossos de Harry . Retirara os . M. dam Pomfrey não ficou nada satisfeita . - Devias ter vindo logo ter comigo - ralhou , segurando os restos tristes e moles de aquilo que antes fora um braço activo . - Eu conserto ossos em um segundo , mas fazê os crescer de_novo ... - Vai conseguir , não vai ? - perguntou Harry desesperado . - Sim , com certeza , mas vai ser doloroso - disse Madam_Pomfrey de modo severo , entregando lhe um pijama . - Vais ter que ficar cá esta noite ... Hermione esperou de o lado de_fora de a cortina que rodeava outra cama enquanto Ron ajudava Harry a vestir se . Levou algum tempo a enfiar o braço que parecia borracha dentro_de uma manga de o pijama . - Como é_que podes continuar a defender o Lockhart depois disto , Hermione ? - perguntou Ron através de as cortinas , enquanto puxava os dedos moles de o Harry por uma manga . - Se o Harry quisesse ser desossado , teria pedido . - Todos podem enganar se - disse Hermione . - E deixou de doer , não deixou , Harry ? - Sim - disse ele - mas também ficou incapaz de fazer seja o que for . Quando se meteu em a cama , o braço agitou se despropositadamente . Hermione e Madam_Pomfrey entraram . Madam_Pomfrey segurava uma grande garrafa com o rótulo * Skele - _ Gro * . - Vais ter uma noite difícil - preveniu , enchendo um pequeno copo fumegante e dando lhe a beber . - Fazer crescer ossos é uma coisa difícil . Tomar o * _ Skele - _ Gro * também . Queimou a boca e a garganta de o Harry a o descer , fazendo o tossir e cuspir . Resmungando sobre os desportos perigosos e os professores incapazes , Madam_Pomfrey retirou se , deixando Ron e Hermione a ajudar Harry a engolir um_pouco de água . - Mas ganhámos o jogo - disse o Ron com um sorriso em o rosto . - A tua jogada foi em grande . A cara de o Malfoy ... parecia que queria matar alguém . - Eu vou descobrir como é_que enfeitiçaram aquela * bludger * - disse Hermione com ar sombrio . - Podemos juntar essa pergunta a a lista de todas_as que queremos fazer a o Malfoy quando tomarmos a poção * _ Polisuco * - disse Harry , afundando se de_novo em as almofadas . - Espero que tenha um sabor melhor do_que esta coisa ... - Com um bocado de os Slytherin lá dentro , deves estar a brincar - disse o Ron . A porta de a ala hospitalar abriu se em esse momento e , completamente encharcados , entraram os restantes membros de a equipa de os Gryffindor , para ver o Harry . - Um voo inacreditável - disse George . - Acabei de ver Marcus_Flint a gritar com o Malfoy . Qualquer coisa sobre ter a * snitch * mesmo em cima de a cabeça e não ter dado por nada . O Malfoy não parecia nem um_pouco satisfeito . Tinham trazido bolos , rebuçados e garrafas de sumo de abóbora . Juntaram se em volta de a cama de Harry e estavam a dar início a o que prometia ser uma grande festa quando Madam_Pomfrey entrou a vociferar : - Este rapaz precisa de repouso . Tem trinta_e_três ossos a crescer . Fora de aqui . FORA ! E Harry ficou sozinho , sem nada que o distraísse de as dores agudas em o seu braço mole . Muitas horas mais tarde , Harry acordou subitamente em a escuridão total e soltou um pequeno grito de dor : sentia agora o braço cheio de estilhaços . Durante alguns segundos pensou que tinha sido a dor a acordá o . Depois , com um arrepio de horror , apercebeu se de que alguém estava a passar lhe uma esponja em a testa . - Sai de aqui - gritou , e em seguida : - Dobby ! Os olhos de o tamanho de bolas de ténis de o elfo doméstico estavam a olhá o em o escuro , uma lágrima grossa rolava por o seu enorme nariz . - Harry_Potter voltou a a escola - murmurou , infeliz . - Dobby avisou e voltou a avisar Harry_Potter . Ah ! senhor , porque não deu ouvidos a Dobby ? Porque não voltou Harry_Potter para_casa quando perdeu o comboio ? Harry ergueu se um_pouco , encostando se a as almofadas e afastou a esponja de o elfo . - O que estás a fazer aqui ? - perguntou . - E como sabes que eu perdi o comboio ? O lábio de Dobby tremeu e Harry foi assaltado por uma dúvida . - Foste tu . Tu impediste que a barreira nos deixasse passar . - Em a verdade fui eu , senhor - disse Dobby , acenando com a cabeça e com as orelhas a abanar . - Dobby escondeu se , esperou por Harry_Potter e selou a barreira . A seguir , Dobby teve de pôr as mãos em o ferro de engomar - mostrou a o Harry dez dedos longos embrulhados em ligaduras . - Mas Dobby não se importou , senhor , porque pensou que Harry_Potter estava a salvo e nunca Dobby sonhou que mesmo_assim ele viria para a escola ! Balançava se para a frente e para trás , sacudindo a cabeça feia . - Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry_Potter tinha voltado a a escola que deixou queimar o jantar de os seus donos . Dobby nunca tivera um castigo tão grande , senhor . Harry afundou se de_novo em as almofadas . - Quase conseguiste que nos expulsassem , a mim e a o Ron - disse furioso . - É melhor desapareceres de aqui antes que os meus ossos voltem a estar bem , Dobby , ou ainda te estrangulo . O elfo sorriu . - Dobby está habituado a ameaças de morte , senhor . Dobby recebe as cinco vezes por dia em a casa onde mora . Encostou o nariz a um canto de a fronha que usava , ficando tão ridículo que Harry sentiu a raiva desvanecer se , apesar_de tudo . - Porque usas essa coisa , Dobby ? - perguntou com curiosidade . - Isto , senhor ? - disse Dobby apontando para a fronha de almofada . - É uma prova de escravatura de o elfo doméstico , senhor . Dobby só pode ser libertado se os donos lhe derem roupa , senhor . A família tem o cuidado de não dar a o Dobby nem uma peúga , senhor , porque ele poderia ficar livre e deixar a casa para sempre . Dobby limpou os olhos protuberantes e disse subitamente : - Harry_Potter deve ir para_casa . Dobby achou que a sua * bludger * seria o suficiente para o fazer ... - A tua * bludger * ? - disse Harry com a raiva a crescer novamente dentro de ele . - Que queres tu dizer com a tua bludger * ? Foste tu quem fez com que aquela bola tentasse matar me ? - Matar não , senhor . Matar , nunca ! - disse o elho chocado . - Dobby quer salvar a vida de Harry_Potter . É melhor ir para_casa ferido do_que ficar aqui , senhor . Dobby só queria Harry_Potter suficientemente ferido para voltar para_casa . - Só isso ? - disse Harry furioso . - Imagino que não vais dizer me porque querias mandar me para_casa a os bocados ? - Ah ! se Harry_Potter soubesse ! - gemeu Dobby , com mais lágrimas a escorrerem lhe por a fronha esfarrapada . - Se pudesse saber o que significa para nós , para os humildes , os escravizados , nós , a escória social de o mundo mágico ! Dobby lembra se de como eram as coisas quando Aquele cujo nome não deve ser pronunciado estava em o auge de o poder , senhor ! Nós , os elfos domésticos éramos tratados como animais , senhor ! É claro que Dobby ainda é tratado assim - admitiu , secando o rosto em a fronha de almofada . - Mas , em a sua maioria , a vida melhorou bastante para os de a minha espécie desde_que Harry_Potter triunfou sobre Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Harry_Potter sobreviveu e o poder de os senhores de o Mal foi quebrado e veio uma nova alvorada , senhor , e Harry_Potter brilhou como um farol de esperança para aqueles de entre nós que já pensavam que a longa noite nunca mais teria fim , senhor ... e agora em Hogwarts vão acontecer coisas terríveis , talvez já esteiam a acontecer e Dobby não pode deixar Harry_Potter ficar aqui , agora_que a história vai repetir se , agora_que a Câmara_dos_Segredos está de_novo aberta . Dobby calou se horrorizado . Em seguida agarrou em o jarro de a água que Harry tinha a a cabeceira e bateu com ele em a própria cabeça , deixando se cair . Um segundo mais tarde voltou até junto de a cama , repetindo : - Mau , Dobby , muito mau , Dobby . - Quer_dizer , então , que existe mesmo a Câmara_dos_Segredos ? - murmurou Harry . - E dizes tu que já antes foi aberta ? Conta me , Dobby . Agarrou o pulso ossudo de o elfo quando a mão de ele se estendia para o jarro de a água . - Mas eu não sou filho de Muggles . Como posso estar em perigo por causa de a Câmara_dos_Segredos ? - Ah ! senhor , não pergunte a o pobre Dobby - lamentou se o elfo com os olhos enormes a brilharem em o escuro . - As forças de as trevas estão projectadas em este lugar , mas Harry_Potter não deve estar aqui quando as coisas acontecerem . Vá para_casa , Harry_Potter , vá para_casa . Harry_Potter não deve envolver se em isto , senhor , é demasiado perigoso ... - Quem é , Dobby ? - perguntou Harry , continuando a agarrar lhe o pulso com forca , impedindo que batesse de_novo em si próprio com o jarro . - Quem abriu a amara ? Quem a abriu de a última vez ? - Dobby não pode , senhor . Dobby não pode . Dobby não deve dizer - guinchou o elfo . - Vá se embora , Harry_Potter , vá se embora ! - Eu não vou para lugar nenhum - disse Harry , furioso . - Uma de as minhas melhores amigas é filha de Muggles , está em perigo se a câmara foi , de facto , aberta ... - Harry_Potter arrisca a própria vida por os amigos - gemeu Dobby em uma espécie de êxtase infeliz . - Tão nobre , tão corajoso , mas deve salvar se , Harry_Potter não deve ... Dobby calou se de repente com as orelhas de morcego a estremecerem . Harry também ouviu os passos que vinham lá fora , de o corredor . - Dobby tem de ir - balbuciou o elfo apavorado . Ouviu se um ruído e o pulso de Harry ficou subitamente fechado em o ar . Meteu se de_novo para baixo , em a cama , com os olhos fixos em a porta escura que dava entrada em a ala hospitalar enquanto os passos se aproximavam . Em o momento seguinte , Dumbledore estava a entrar , de costas , em o dormitório , vestindo uma longa túnica de lã e uma capa de noite . Transportava um extremo de aquilo que parecia ser uma estátua . A professora Mc_Gonagall surgiu um segundo mais tarde , pegando lhe em os pés . Os dois colocaram a em uma cama . - Chame Madam_Pomfrey - murmurou Dumbledore e a professora Mc_Gonagall passou por a cama de Harry , apressadamente , e desapareceu . Harry deixou se ficar muito quieto como_se estivesse a dormir . Ouviu vozes ansiosas e por fim a professora Mc_Gonagall apareceu de_novo , seguida de Madam_Pomfrey que vestia um casaco curto de lã sobre a camisa de dormir . Ouviu uma inspiração aguda . - O que aconteceu ? - murmurou Madam_Pomfrey_a_Dumbledore , inclinando se sobre a estátua que estava em a cama . - Outro ataque - disse Dumbledore . - A Minerva encontrou o em as escadas . Havia um cacho de uvas junto de ele . Acho que estava a tentar esgueirar se até aqui para vir visitar o Potter . O estômago de Harry deu uma reviravolta . Lenta e cuidadosamente ergueu se alguns centímetros para poder ver a estátua que estava sobre a cama . Um raio de luar iluminou lhe o rosto estático . Era_Colin_Creevey . Tinha os olhos abertos , e as mãos , em frente de a cara , seguravam a máquina fotográfica . -- Petrificado ? - murmurou Madam_Pomfrey . - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - Mas estou tentada a acreditar que ... se Albus não tivesse vindo cá abaixo tomar um chocolate quente ... quem sabe o que teria ... Os três olharam para Colin . Dumbledore inclinou se e retirou lhe a máquina de as mãos rígidas . - Será que ele conseguiu tirar a fotografia de o agressor ? - perguntou ansiosa a professora Mc_Gonagall . Dumbledore não respondeu . Abriu a parte detrás de a máquina . - Cruzes canhoto - disse Madam_Pomfrey . Um jacto de vapor tinha feito fervilhar a máquina . Harry , a três metros de distância , sentiu o cheiro tóxico de o plástico queimado . - Derretido - disse Madam_Pomfrey com grande espanto . - Tudo derretido . - O que significa isto , Albus ? - perguntou cada_vez_mais nervosa a professora Mc_Gonagall . - Significa - disse Dumbledore - que a Câmara_dos_Segredos está mesmo aberta outra_vez . Madam_Pomfrey levou uma mão a a boca . A professora Mc_Gonagall olhou assustada para Dumbledore . - Mas , Albus ... com certeza ... quem ? - A questão não é quem - disse Dumbledore com os olhos fixos em Colin . - A questão é como ... E pelo que Harry conseguiu ver de o rosto indistinto de a professora Mc_Gonagall , ela não compreendeu muito mais do_que ele . XI_O clube de os duelos Quando_Harry acordou , em o domingo de manhã , a enfermaria estava iluminada por um resplandecente sol de inverno e o seu braço tinha de_novo todos os ossos , apesar_de o sentir muito rígido . Sentou se rapidamente e olhou para a cama de Colin , mas ela fora isolada com as cortinas atrás de as quais se despira em a véspera . Vendo que ele tinha acordado , Madam_Pomfrey apareceu com um tabuleiro de pequeno-almoço e a seguir começou a apalpar lhe o braço e os dedos . - Tudo em ordem - disse , enquanto ele , com a mão esquerda , comia avidamente as papas de aveia . - Quando acabares de comer podes ir te embora . Harry vestiu se o mais depressa que pôde e dirigiu se a a pressa para a torre de os Gryffindor , ansioso por contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre Colin e Dobby , mas não os encontrou lá . Foi a a procura de eles , perguntando a si próprio onde teriam ido e sentindo se um_pouco magoado por o pouco interesse que demonstravam em saber se ele tinha recuperado os ossos . Quando passou por a biblioteca , Percy_Weasley vinha a sair com bastante melhor cara do_que de a última vez que se tinham encontrado . - Olá , olá , Harry - disse . - Excelente voo o de ontem , verdadeiramente sensacional . Os Gryffindor estão a a frente para a taça de a equipa . Ganhaste cinquenta pontos . - Não viste o Ron e a Hermione por aí ? - perguntou Harry . - Não , não vi - disse Percy com o sorriso a desaparecer . - Espero que o Ron não esteja outra_vez em a casa_de_banho de as raparigas ... Harry forçou um sorriso , viu Percy desaparecer e a seguir foi direitinho até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Não via lá muito bem por_que motivo o Ron e a Hermione lá estariam de_novo , mas , depois de se assegurar de que nem Filch nem nenhum de os prefeitos estavam por perto , abriu a porta e ouviu as vozes de eles que vinham de um cubículo fechado . - Sou eu - disse , fechando a porta atrás_de si . Ouviu se dentro de o cubículo um estrondo , um chapinhar e um sobressalto e ele viu o olho de a Hermione a espreitar por o buraco de a fechadura . - Harry - disse ela . - Pregaste nos um susto de morte . Entra . Como está o teu braço ? - _ óptimo - respondeu , apertando se dentro de o cubículo . Em cima de a sanita estava encarrapitado um velho caldeirão , e um crepitar a a superfície de a água disse a Harry que eles tinham acendido um fogo lá em baixo . Fazer aparecer fogos portáteis a a prova de água era uma de as especialidades de Hermione . - _ íamos visitar te , mas resolvemos começar a preparar a poção * _ Polisuco * - explicou Ron enquanto Harry fechava outra_vez a porta de o cubículo com alguma dificuldade . - Achámos que este era o lugar mais seguro para a esconder . Harry começou a contar lhes de o Colin , mas Hermione interrompeu o . - Nós já sabemos , ouvimos a professora Mc_Gonagall contar a o professor Flitwick hoje_de_manhã . Por isso resolvemos começar a ... - Quanto_mais depressa arrancarmos uma confissão a o Malfoy , melhor - rosnou o Ron . - Sabem o que eu penso ? Ele estava tão mal-humorado depois de o jogo de Quidditch que se vingou em o Colin . - Há outra coisa - disse Harry , vendo Hermione cortar molhos de verdezelha e lançá os dentro de a poção . - O Dobby foi visitar me a meio de a noite . Ron e Hermione olharam o espantados . Harry contou lhes tudo_o_que Dobby lhe dissera ... ou não dissera . Ron e Hermione ouviram o de boca aberta . - A Câmara_dos_Segredos já tinha sido aberta antes ? - repetiu Hermione . - Encaixa perfeitamente - disse Ron , em uma voz triunfante . - O Lucius_Malfoy deve ter aberto a Câmara_dos_Segredos quando andava em a escola e agora ensinou a o querido filhinho Draco como abris a . É óbvio , que pena o Dobby não te ter dito que tipo de monstro lá se encontra . Gostava de saber como é_que ninguém o viu andar por ai em a escola . - Talvez tenha a capacidade de se tornar invisível - sugeriu Hermione , picando sanguessugas para dentro de o caldeirão . - Ou talvez se disfarce , passando por uma armadura ou outra coisa de o género . Eu li umas coisas sobre vampiros camaleões ... - Tu lês de mais , Hermione - disse o Ron , deitando moscas asas de renda mortas por cima de as sanguessugas . Amarrotou o saco vazio de as asas de renda e olhou para Harry . - Então foi o Dobby que nos impediu de apanhar o comboio e te partiu o braço ... - abanou a cabeça . - Sabes o que eu acho ? Se ele não parar de tentar salvar te a vida ainda acaba por te matar . A notícia de que Colin_Creevey tinha sido atacado e estava agora em a ala hospitalar , como morto , espalhou se por toda_a escola em a segunda-feira de manhã . O ar ficou pesado e cheio de boatos e suspeitas . Os alunos de o primeiro ano começavam a andar por a escola em pequenos grupos , receando ser atacados se se aventurassem a andar isoladamente por os corredores . Ginny_Weasley , que era colega de carteira de o Colin em os encantamentos , estava perturbadíssima , mas Harry achou que Fred e George estavam a tentar animá a de a maneira errada . Revezavam se , mascarados com peles de animais e apareciam lhe subitamente detrás de as estátuas . Só pararam quando Percy , apopléctico de raiva , lhes disse que ia escrever a Mrs._Weasley a contar lhe que a Ginny andava a ter pesadelos . Enquanto isso , às_escondidas de os professores , uma panóplia de talismãs , amuletos e outros objectos de protecção ia enchendo a escola . Neville_Longbottom comprou uma enorme cebola verde que cheirava mal , um cristal pontiagudo cor de púrpura e uma cauda de tritão apodrecida antes de os outros rapazes de os Gryffindor lhe explicarem que ele não corria perigo : era um sangue puro e , portanto , muito pouco passível de ser atacado . - Eles foram a o Filch em primeiro lugar - disse Neville com o medo estampado em a cara redonda . - E toda_a_gente sabe que eu sou quase um * busca-pé * . Em a segunda semana de Dezembro , a professora Mc_Gonagall veio , como de costume , recolher os nomes de os alunos que ficavam em a escola durante o Natal . Harry , Ron e Hermione assinaram a lista . Tinham ouvido dizer que Malfoy ficava , o que lhes parecera muito suspeito . As férias seriam a altura ideal para usar a poção * _ Polisuco * e tentar arrancar lhe uma confissão . Infelizmente a poção estava a meio . Precisavam ainda de o chifre de bicórneo e o único lugar onde podiam arranjá o era em os depósitos privados de Snape . Harry , pessoalmente , preferia enfrentar o lendário monstro de os Slytherin do_que ser apanhado por o Snape a assaltar lhe o escritório . - O que precisamos - disse Hermione cheia de vivacidade quando se aproximava a aula conjunta de poções de quinta-feira a a tarde - para podermos entrar a a vontade em o escritório de o Snape , é de uma diversão . Harry e Ron olharam para ela , nervosos . - Acho que o melhor é ser eu a praticar o roubo - prosseguiu ela , em um tom perfeitamente casual . - Vocês os dois podem ser expulsos se forem apanhados e eu tenho uma folha limpa . Portanto , a única coisa que têm de fazer é distrair o Snape durante cerca de cinco minutos . Harry esboçou um meio sorriso . Provocar deliberadamente um estrago em a aula de poções de o Snape era tão seguro como ferir em um olho um dragão adormecido . As aulas de poções tinham lugar em um de os mais amplos calabouços . A de quinta-feira a a tarde não foi diferente de as outras . Vinte caldeirões fumegavam entre as secretárias de madeira , sobre as quais podia ver se laminas de latão e jarras com ingredientes . Snape deambulava por o meio de os fumos , fazendo reparos petulantes a o trabalho de os Gryffindor , enquanto os Slytherin riam a a socapa . Draco_Malfoy , que era o aluno preferido de Snape , não parava de lançar olhos de carneiro mal morto a o Ron e a o Harry , que sabiam que se retaliassem teriam um castigo , antes de poderem abrir a boca para dizer : - É injusto ! A solução de inchar de o Harry estava demasiado líquida , mas ele estava preocupado com coisas mais importantes . Esperava por o sinal de Hermione e mal deu por Snape se calar para ir espreitar a sua poção aguada . Quando o professor se voltou e foi implicar com o Neville , Hermione trocou um olhar com Harry e fez um aceno . Harry baixou se discretamente por detrás de o seu caldeirão , tirou de o bolso de trás um de os paus de fogo-de-artíficio Filibuster e deu lhe um toque de varinha . O fogo-de-artíficio começou a sibilar e a crepitar . Sabendo que tinha apenas alguns segundos , Harry endireitou se , ganhou coragem e lançou o a o ar . Aterrou certeiro em o caldeirão de o Goyle . A poção de o Goyle explodiu , salpicando toda_a aula . As pessoas gritavam , à_medida_que eram vítimas de os salpicos . Malfoy foi apanhado em a cara e o nariz começou a inchar como um balão . O Goyle tropeçava a as cegas , com as mãos em os olhos , que tinham ficado de o tamanho de pratos de sopa , enquanto o Snape tentava repor a calma e tentar perceber o que sucedera . Em o meio de a confusão , Harry viu Hermione esgueirar se a a socapa por a porta . - Silêncio ! silêncio ! - vociferou Snape . - Todos os que foram salpicados cheguem aqui para uma drenagem . Quando eu descobrir quem fez isto ... Harry fez um enorme esforço para não se rir a o ver Malfoy chegar apressadamente lá a a frente , a cabeça a tombar com o peso de o nariz , que parecia um pequeno melão . Quando metade de a aula se amontoava junto de a secretária de o Snape , alguns alunos vergados por o peso de os braços que pareciam mocas , outros incapazes de falar devido a o gigantesco inchaço de os lábios , Harry viu Hermione reentrar em o calabouço , a túnica mostrando a barriga protuberante . Quando todos os alunos tinham já tomado um gole de o antídoto e os vários inchaços tinham desaparecido , Snape precipitou se para o caldeirão de o Goyle e pescou os restos retorcidos de o fogo-de-artíficio . Houve um súbito silêncio . - Se eu descubro quem lançou isto - murmurou Snape - garanto que é expulsão por a certa . Harry compôs uma expressão de espanto . Snape olhava directamente para ele e a campainha , que tocou dez minutos mais tarde , não podia ser mais bem-vinda . - Ele soube que fui eu - disse Harry_a_Ron e a a Hermione , enquanto se dirigiam apressadamente para a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Tenho a certeza . Hermione lançou o novo ingrediente em o caldeirão e começou a mexer furiosamente . - Isto vai estar pronto dentro_de quinze_dias - afirmou , satisfeita . - O Snape não pode provar que foste tu - assegurou Ron , tranquilizando Harry . - Que pode ele fazer ? - Conhecendo o Snape , qualquer coisa louca - respondeu Harry , enquanto a poção borbulhava e espumava . Uma semana mais tarde , Harry , Ron e Hermione passavam por o vestíbulo de entrada , quando viram um pequeno grupo de pessoas reunidas em volta de o jornal de parede a lerem um pedaço de pergaminho que tinha acabado de ser afixado . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas acenaram lhes , entusiasmados . - Vão lançar um clube de duelos ! - exclamou Seamus . - Hoje a a noite é a primeira reunião . Eu não me importaria nada de ter aulas de duelo , podem vir a ser úteis um dia de estes ... - Porquê ? Achas que o monstro de os Slytherin sabe esgrimir ? - perguntou o Ron , mas , também ele , leu a notícia com interesse . - Pode ser útil - disse a o Harry e a a Hermione , quando foram jantar . - Vamos lá ? Harry e Hermione acharam óptimo , por isso , a as oito_da_noite voltaram a o salão . As longas mesas de refeição tinham desaparecido e um estrado dourado surgira , encostado a a parede . Sobre ele flutuavam milhares de velas . O tecto era , mais_uma_vez , de veludo negro e parecia que quase todos os alunos de a escola se encontravam ali , com as suas varinhas em a mão e com um ar entusiasmado . - Quem será que vai ensinar nos ? - perguntou Hermione , enquanto se misturavam em a multidão barulhenta . - Ouvi dizer que o Filitwick foi campeão de duelo em a juventude , talvez seja ele . - Desde_que não seja ... - começou Harry , mas terminou em um gemido : Gilderoy_Lockhart estava a subir a o estrado , resplandecente em as suas vestes cor de ameixa , acompanhado , nem mais nem menos , do_que de Snape que trajava , como sempre , de negro . Lockhart levantou um braço , pedindo silêncio , bradando : - Aproximem se , aproximem se , conseguem todos ver me e ouvir me ? Excelente ! - O professor Dumbledore deu me autorização para iniciar este pequeno curso de duelo para vos treinar a todos , caso algum dia precisem de se defender , como eu tenho feito em inúmeras ocasiões ; para mais detalhes , leiam os livros que tenho publicados . - Permitam que vos apresente o meu assistente , o professor Snape - disse Lockhart , abrindo um sorriso de orelha a orelha . - Ele diz me que sabe alguma coisa sobre duelos e aceitou desportivamente ajudar me em uma exibição de demonstração , antes de começarmos . Atenção , não quero que os mais novos fiquem preocupados , vão continuar a ter o vosso professor de poções depois de eu o vencer . Não tenham medo . - Não era óptimo se se liquidassem um_ao_outro ? - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . O lábio inferior de Snape estava curvo . Harry interrogou se sobre o motivo por_que Lockhart continuava a sorrir . Se o Snape olhasse de aquela maneira para ele , Harry estaria a correr a_toda_a velocidade para o mais longe possível . Lockhart e Snape voltaram se um para o outro e fizeram uma vénia , pelo_menos Lockhart fê la com muitas reviravoltas de mãos , enquanto Snape acenava , irritado , com a cabeça . Em seguida , ergueram as varinhas , como_se fossem espadas , em a frente . - Como podem ver , estamos a pegar em as varinhas em a posição de aceitação de combate - explicou Lockhart a a multidão silenciosa . - Quando contarmos até três , lançaremos os primeiros feitiços . Nenhum de nós tentará matar o outro , claro . - Eu não poria as mãos em o fogo - murmurou Harry , observando como Snape cerrava os dentes . -- Um , dois , três ... Os dois balançaram as varinhas acima de os ombros . Snape gritou : * _ Expelliarmus * ! Houve um clarão ofuscante de luz escarlate e Lockhart voou para trás , caindo de o estrado batendo contra a parede , escorregando e indo estatelar se em o chão . Malfoy e alguns de os outros Slytherin aplaudiram . Hermione estava em bicos de os pés . - Acham que ele está bem ? - gritou entredentes . - Quem se rala ? - disseram ao_mesmo_tempo o Ron e o Harry . Lockhart estava a pôr se , hesitante , de pé . O chapéu caíra lhe e o cabelo ondulado estava em um desalinho . - Bem , cá está ! - disse , cambaleando até a o estrado . - Este foi um encantamento para desarmar . Como podem ver , perdi a minha varinha . Ah , obrigado Miss_Brown . Sim , foi uma excelente ideia mostrar lhes isto , professor Snape , mas , se me permite que lhe diga , foi muito óbvio o que ia fazer . Se eu tivesse querido impedis o , teria o feito com a maior de as facilidades . Mas achei que seria educativo deixá os ver ... Snape tinha um ar assassino . Provavelmente Lockhart deu por isso , porque declarou : - Chega de demonstrações . Eu vou passar agora por o meio de vocês e criar duplas . Professor_Snape , se quiser ajudar me ... Entraram por o meio de a multidão , agrupando alunos . Lockhart pôs o Neville com Justin_Finch - _ Fletchley , mas Snape chegou primeiro junto de Harry e de Ron . - Tempo de separar a dupla ideal , parece me - rosnou . - Weasley , tu podes ficar com o Finnigan . Potter ... Harry voltou se automaticamente para Hermione . - Não me parece - disse Snape com o seu sorriso frio . - Mr._Malfoy , venha até aqui . Vamos ver o que faz com o famoso Potter . E a menina , Miss_Granger , pode emparceirar com Miss_Bulstrode . Malfoy aproximou se com o seu passo empertigado e o seu sorriso escarninho . Atrás de ele vinha uma rapariga de os Slytherin , que lembrou a Harry uma imagem que tinha visto em as * _ Férias com Bruxas_Velhas * . Era corpulenta e quadrada e os maxilares avançavam agressivamente . Hermione esboçou um meio sorriso , que ela não retribuiu . - Voltem se para os vossos parceiros - gritou Lockhart - e façam a vénia . Harry e Malfoy mal inclinaram as cabeças , não afastando os olhos um de o outro . - Varinhas preparadas ! - gritou Lockhart . - Quando eu disser três preparem os feitiços para desarmar o vosso opositor . Um ... dois ... três ... Harry levantou a varinha acima de o ombro , mas Malfoy começara logo em o « dois » : o seu feitiço apanhou Harry com tanta força que ele se sentiu como_se tivesse levado com uma frigideira em a cabeça . Tropeçou , mas ainda não estava fora de combate e , sem perder tempo , Harry apontou a varinha a Malfoy e gritou : - * _ Rictusempra ! * Um jacto de luz prateada atingiu Malfoy em o estômago , obrigando o a dobrar se , arfando . - Eu disse desarmar ! - gritava Lockhart sobre as cabeças de a multidão em lata , enquanto Malfoy caía de joelhos . Harry atingira o com o feitiço de as cócegas e ele mal conseguia mexer se para se rir . Harry hesitou com o vago sentimento de que seria pouco desportivo enfeitiçar Malfoy enquanto ele estava caído em o chão , mas ... foi um erro . Tentando respirar , Malfoy apontou a varinha a os joelhos de Harry , balbuciando : « * _ Tarantallegra ! * » e , um segundo depois , as pernas de o Harry tinham começado a mexer se , sem que ele pudesse controlá as , executando uma espécie de dança frenética . - Parem , parem - gritava Lockhart , quando Snape resolveu tomar controlo de a situação . - * _ Finite_Incantatem ! * - bradou . Os pés de o Harry pararam de dançar , Malfoy parou de rir e puderam olhar para_cima . Uma onda de fumo esverdeado pairava sobre todos eles . Neville e Justin estavam caídos em o chão , a arfar . Ron tentava fazer parar um Seamus com cara cor de cinza , pedindo lhe mil desculpas por o que a sua varinha partida eventualmente tivesse feito . Mas Hermione e Millicent_Bulstrode ainda não tinham acabado . Millicent tinha feito a Hermione uma prisão de cabeça e Hermione gritava de dor . As duas varinhas jaziam esquecidas em o chão . Harry deu um salto em frente e afastou Millicent . Não foi fácil , ela era bastante maior do_que ele . - Oh , gente ! - exclamou Lockhart , arrastando se por o meio de a multidão e olhando para os resultados de os duelos . - Vamos pôr de pé , Mcmillan ... cuidado , Miss_Fawcett ... belisque com força que pára logo de sangrar ... - Acho que o melhor é ensinar vos como bloquear feitiços pouco amigáveis - afirmou Lockhart que estava nervosíssimo em o meio de o salão . Olhou para Snape , cujos olhos pretos brilhavam e desviou rapidamente o olhar . - Vamos arranjar um par de voluntários . Longbottom e Finch - _ Fletchley , que tal serem vocês ? - Uma má ideia , professor Lockhart - disse Snape , deslizando como um morcego enorme e cruel . - Longbottom provoca devastação com o feitiço mais simples . Ainda temos de mandar o que restar de o Finch - _ Fletchley para a ala hospitalar dentro_de uma caixa de fósforos . - A cara redonda e rosada de Neville ficou ainda mais rosada . - Que tal o Malfoy e o Potter ? - sugeriu Snape com um sorriso retorcido . - Excelente ideia - disse Lockhart , fazendo sinal a os dois para que se aproximassem de o meio de o salão , enquanto a multidão recuava para lhes dar passagem . - Ouve bem , Harry - disse Lockhart . - Quando o Draco te apontar a varinha , tu fazes assim . Levantou a sua varinha , executando uma tentativa complicada de malabarismo e deixou a cair . Snape sorriu pretensiosamente , enquanto Lockhart a apanhava de o chão , dizendo : - Ups , a minha varinha está demasiado excitada . Snape aproximou se de Malfoy , inclinou se e disse lhe qualquer coisa a o ouvido . Malfoy sorriu também de forma afectada . Harry olhou , nervoso , para Lockhart e pediu : - Professor , podia mostrar me outra_vez aquela coisa para bloquear ? - Estás com medo ? - murmurou Malfoy baixinho , para que Lockhart não pudesse ouvir . - Querias ! - exclamou Harry por o canto de a boca . Lockhart deu um soco em o ombro de o Harry , em a brincadeira . - Basta que faças como eu fiz ! - O quê , deixar cair a varinha ? Mas Lockhart não estava a ouvir - Três , dois , um , zero ! - gritou . Malfoy levantou rapidamente a varinha a o ar e gritou : - * _ Serpensortia ! * A extremidade de a varinha explodiu . Harry viu , horrorizado , uma enorme serpente negra sair de ela , cair pesadamente em o chão a meio de os dois e erguer se disposta a atacar . Ouviram se gritos , enquanto a multidão se afastava , deixando o chão vazio . - Não te mexas , Potter - disse Snape vagarosamente , divertindo se claramente a ver Harry , parado , a olhar em os olhos a serpente . - Eu trato de ela ... - Permita me -- gritou Lockhart . Bramiu a varinha em direcção a a serpente e ouviu se um estoiro . A cobra , em_vez_de desaparecer , voou três metros acima de eles e voltou a cair em o chão com um estrondo enorme . Enraivecida , a sibilar de fúria , rastejou em direcção a Finch - _ Fletchley e pôs se de pé com os dentes a a mostra , pronta a atacar . Harry não soube ao_certo o que o levou a fazer aquilo . Não se lembrava sequer de ter tomado aquela decisão . Só soube que as pernas o fizeram avançar como_se tivesse rodas e que gritou a a serpente : - Larga o ! - E , milagrosa e inexplicavelmente , a serpente voltou a o chão , dócil como uma grande mangueira de jardim , preta e grossa , os olhos agora fixos em os olhos de Harry . Harry sentiu o medo a escoar se . Sabia que a cobra não atacaria mais ninguém , embora não pudesse explicar como sabia . Olhou para Justin a sorrir , esperando vê o aliviado , espantado , ou mesmo agradecido , mas nunca zangado ou assustado . - Que brincadeira é essa ? - gritou o outro e , antes que Harry tivesse tempo de dizer fosse o que fosse , voltou as costas e saiu de o salão . Snape deu um passo em frente , fez um gesto com a varinha e a serpente desapareceu em uma onda de fumo preto . Também ele , Snape , olhava para Harry de uma forma inesperada . Era um olhar arguto e calculista , de que Harry não gostou . Apercebeu se também vagamente de um murmúrio ameaçador que vinha de as paredes em volta . Depois , sentiu um puxão em a túnica . - Vamos - disse a voz de o Ron em o seu ouvido . - Mexe te , vá lá ... Ron arrastou o para fora de o salão . Hermione acompanhava os em a passada rápida . Quando cruzaram a porta , as pessoas que a rodeavam afastaram se , como_se tivessem medo de ser contagiadas . Harry não fazia a mais pequena ideia do_que estava a passar se e , nem Ron , nem Hermione lhe deram qualquer explicação , antes de o terem levado até a a sala comum de os Gryffindor , que se encontrava vazia . Aí , Ron empurrou Harry para uma cadeira de braços e disse : - Tu és um * serpentês * . Porque não nos disseste ? - Eu sou um quê ? - perguntou Harry . - Um * serpentês * ! - exclamou o Ron . - Falas com as cobras . - Eu sei - declarou Harry . - Quer_dizer , esta foi a segunda vez que o fiz . A outra foi há muito_tempo em o jardim zoológico , quando soltei uma Boa_Constrictor a o meu primo Dudley . É uma longa história , mas ela estava a dizer me que nunca tinha estado em o Brasil e eu acho que a libertei sem querer . Foi antes de saber que era feiticeiro . . . - Uma Boa_Constrictor disse te que nunca tinha estado em o Brasil ? - repetiu Ron , quase sem voz . - E então ? - disse o Harry . - Aposto que montes de pessoas aqui fazem o mesmo . - Não fazem , não - afirmou Ron . - Não é um dom muito frequente . Harry , isso é mau . - O que é_que é mau ? - perguntou Harry , que começava a ficar chateado . - O que é_que se passa com todos os outros ? Ouve bem , se eu não tivesse dito a aquela cobra para não atacar o Justin ... - Ah , foi isso que tu disseste ? - Que queres dizer ? Tu estavas lá , ouviste perfeitamente o que eu disse . - Eu ouvi te falar em serpentês - disse o Ron . - Língua de cobra . Podias estar a dizer lhe qualquer coisa . Não admira que o Justin tivesse entrado em pânico . Parecia que estavas a incitar a serpente . Foi assustador , sabes ? Harry olhou para ele espantado . - Eu falei uma língua diferente ? Mas não me apercebi , como posso falar uma língua , sem saber que a conheço ? Ron abanou a cabeça . Tanto ele como Hermione tinham um ar fúnebre . Harry não percebia o que havia em aquilo de tão trágico . - Será que me querem explicar o que há de mal em ter impedido que uma serpente enorme arrancasse a cabeça a o Justin ? - perguntou . - Porque é tão importante como o fiz , se evitei que o Justin fosse juntar se a grupo de os SEM_CABEÇA ? - Importa - disse por fim Hermione , em uma voz abafada . - Porque falar com serpentes era a arte por a qual Salazar_Slytherin ficou famoso . Por isso , o símbolo de os Slytherin é uma serpente . Harry ficou de boca aberta . - Exacto - disse o Ron . - E agora todos em a escola vão pensar que tu és descendente de ele . - Mas não sou - contrapôs Harry com um pânico que não conseguia explicar . - Não vai ser fácil prová o - disse Hermione . - Ele viveu há quase mil anos . Pelo que vimos , podias ser . Em essa noite , Harry ficou acordado durante horas . Por uma fresta de os cortinados de a cama de dossel , olhou para a neve que começava a cair de o lado de_fora de a janela de a torre e perguntou se se poderia ser descendente de Salazar_Slytherin . Afinal , não sabia nada de a família de o pai , os Dursley tinham sempre proibido qualquer pergunta sobre os seus familiares feiticeiros . Calmamente , tentou dizer qualquer coisa em * serpentês * , mas as palavras não saíam . Parecia que era necessário estar frente_a_frente com uma cobra para poder fazê o . Mas eu sou um Gryffindor , pensou Harry , o chapéu seleccionador não me poria aqui se eu tivesse sangue de Slytherin ... - Ah ! - disse uma vozinha dentro de o seu cérebro . - Mas o chapéu seleccionador queria pôr te em os Slytherin , não te lembras ? Harry deu voltas e voltas a a cabeça . Em o dia seguinte , quando visse Justin em a aula de herbologia explicaria lhe que estava a afastar a serpente , não a atiçá a o que , aliás , pensou zangado , dando vários socos em a almofada , qualquer idiota teria percebido . Contudo , em a manhã seguinte , a neve que começara a cair durante a noite , transformara se em uma tempestade tão espessa que a última aula de herbologia de o período foi cancelada : a professora Sprout queria tapar as mandrágoras com peúgas e cachecóis , uma operação arriscada que ela não confiava a ninguém agora_que era tão importante que as mandrágoras crescessem depressa e reabilitassem Mrs._Norris e Colin_Creevey . Junto de a lareira de a sala comum de os Gryffindor , Harry matutava sobre o que se passara enquanto Ron e Hermione aproveitavam o foro para jogar xadrez de feitiçaria . - Com os diabos , Harry - disse Hermione exasperada quando um bispo derrubou um de os cavaleiros de o cavalo , arrastando o para fora de o tabuleiro . - Vai falar com o Justin , se isso é assim tão importante para ti . Harry levantou se e saiu por o buraco de o retrato , perguntando a si próprio onde poderia estar o Justin . O castelo estava mais escuro do_que era habitual durante o dia por causa de a neve espessa e cinzenta que cobria as janelas . A tremer , Harry passou por as salas onde estava a haver aulas , captando lampejos do_que sucedia lá dentro . A professora Mc_Gonagall gritava com alguém que , segundo lhe parecia por o som , transformara o parceiro em um texugo . Resistindo a a tentação de dar uma espreitadela , Harry afastou se pensando que Justin poderia estar a utilizar o tempo de o furo para fazer algum trabalho e resolveu , por isso , ir até a a biblioteca . Um grupo de alunos de os Hufflepuff , que deveriam ter estado em Herbologia , encontrava se , de facto , sentado em as traseiras de a biblioteca , mas não parecia estar a trabalhar . Entre as fileiras de as estantes altas , Harry pôde ver as suas cabeças muito juntas em aquilo que deveria ser uma conversa absorvente . Não conseguia perceber se Justin estaria em o meio de eles . Ia para se aproximar quando apanhou em o ar uma frase e parou para ouvir melhor , escondido em a secção de a invisibilidade . - Portanto - dizia um rapaz corpulento - eu disse a o Justin para se esconder em o nosso dormitório . Isto_é , se o Potter o escolheu como próxima vítima é melhor que ele tenha um * low profile * durante algum tempo . É claro que o Justin já estava a a espera que alguma coisa de o género acontecesse desde_que lhe escapou em uma conversa com o Potter que era filho de Muggles . O Justin disse lhe , inclusivamente , que tinha estado inscrito em Eton . Não é o tipo de coisa que se ande a dizer com o herdeiro de Slytherin a a solta por aí . - Achas mesmo_que é o Potter , Ernie ? - perguntou uma rapariga de tranças loiras , ansiosamente . - Hannah - disse com solenidade o rapaz corpulento . - Ele é um serpentês . Todos sabem que essa é a marca de um feiticeiro negro . Alguma vez ouviste falar de um feiticeiro decente que falasse com as cobras ? O Slytherin era conhecido por « Língua de serpente . . Houve alguns murmúrios antes de Ernie prosseguir : - Lembram se do_que estava escrito em a parede ? * _ Inimigos de o herdeiro , cuidado ! * . O Potter teve que ir a o gabinete de o Filch . E o que é_que acontece a seguir ? A gata de o Filch é atacada . O aluno de o primeiro ano , Creevey , estava a aborrecê o em a partida de Quidditch , a tirar lhe fotografias quando ele estava caído em a lama . E o que é_que acontece a seguir ? Creevey é atacado . - Mas ele parece sempre ser tão simpático - disse Hannah , cheia de dúvidas . - E , bem , foi ele que fez com que o Quem nós sabemos desaparecesse . Não pode ser assim tão mau , pois não ? Ernie baixou misteriosamente a voz . Os Hufflepuff inclinaram se mais uns para os outros e Harry aproximou se para conseguir apanhar as palavras de o Ernie . - Ninguém sabe como ele sobreviveu a aquele ataque de o Quem nós sabemos e , afinal , ainda era um bebé quando aquilo aconteceu . Era para ter explodido feito em estilhaços . Só um feiticeiro negro verdadeiramente poderoso teria sobrevivido a uma maldição de aquelas . - Baixou ainda mais a voz até esta ficar reduzida a um leve murmúrio e disse : - Talvez fosse por isso que o Quem nós sabemos o queria matar , para não ter outro feiticeiro negro a competir com ele . Gostava de saber que outros poderes ocultos terá o Potter . Harry não aguentou mais . Pigarreou alto e saiu detrás de as estantes . Se não estivesse tão zangado teria conseguido ver o lado cómico de a situação : cada_um de os Hufflepuff olhava para ele como_se tivesse sido petrificado , e a cor desaparecera de a cara de o Ernie . - Olá - disse Harry . - Estou a a procura de o Justin_Finch - _ Fletchley . Os piores receios de os Hufflepuff tinham se concretizado . Olharam apavorados para o Ernie . - O que queres de ele ? - perguntou Ernie em uma voz sumida . - Explicar lhe o que aconteceu com aquela cobra em o clube de os duelos - disse Harry . Ernie mordeu os lábios brancos e , em seguida , respirando fundo , respondeu : - Estávamos lá todos . Vimos o que aconteceu . - Então viram que depois de eu falar a serpente recuou - disse Harry . - O que eu vi - insistiu teimosamente Ernie , apesar_de tremer a cada palavra que proferia - foi tu a falares serpentês e a atiçares a cobra conta o Justin . - Eu não a aticei - gritou Harry enraivecido . - Ela nem lhe tocou . - Falhou por_pouco - disse Ernie . - E , para o caso de estares com ideias - acrescentou com má cara - posso dizer te que a minha família provem de nove gerações de bruxas e feiticeiros e que o meu sangue é tão puro como o de qualquer feiticeiro , portanto ... - Quero lá saber qual é o teu sangue - disse Harry furioso . - Porque iria eu atacar os filhos de os Muggles ? - Ouvi dizer que detestas os Muggles com quem vives - disse Ernie rapidamente . - Não é possível viver com os Dursley sem os detestar - explicou Harry . - Gostava de te ver lá em casa . Girou sobre os calcanhares e saiu furioso de a biblioteca sob o olhar reprovador de Madam_Prince que limpava a capa dourada de um enorme livro de encantamentos . Harry avançou a as cegas por os corredores , quase sem ver por_onde ia de tão furioso que estava . O resultado foi chocar com algo enorme e sólido que o fez recuar e cair a o chão . - Ah ! Olá , Hagrid - disse , olhando para_cima . Hagrid tinha o rosto completamente tapado com um lenço coberto de neve , mas não podia ser mais ninguém , enchendo assim o corredor dentro de o seu sobretudo de pele de toupeira . De uma de as enormes mãos enluvadas , pendia um galo morto . - Tudo bem , Harry ? - perguntou , afastando o lenço para poder falar . - Porque não estás em a aula ? - Foi cancelada - disse Harry , pondo se de pé . - O que estás a fazer aqui ? Hagrid mostrou lhe o galo inerte . - É o segundo qu'aparece morto este período - explicou . - Ou são raposas ou um vampiro chato e eu preciso d'autorização de o director p'ra fazer um feitiço em volta de a capoeira . Aproximou se e olhou mais de perto para o Harry , por debaixo de as suas sobrancelhas espessas e cheias de neve . - Tens a certeza que estás bem ? Pareces exaltado e preocupado . Harry não foi capaz de repetir o que Ernie e os outros Hufflepuff lhe tinham dito . - Não é nada , tenho de ir , Hagrid . A próxima aula é Transfiguração e preciso de ir buscar os meus livros . Afastou se , a cabeça cheia com tudo_o_que Ernie dissera a seu respeito . « * _ O_Justin já estava d espera que uma coisa de o género acontecesse desde_que deixou escapar , falando com o Potter , que era filho de Muggles * ... » Harry subiu as escadas a correr e entrou por um corredor que estava particularmente escuro . As tochas tinham sido apagadas por uma ventania gelada que entrava por uma janela de fecho estragado . Estava a meio de o corredor quando tropeçou em uma coisa que se encontrava em o chão . Olhou para ver o que era e sentiu como_se o estômago se tivesse dissolvido . Justin_Finch - _ Fletchley estava em o chão , rígido e frio com uma expressão de horror em o rosto e os olhos abertos voltados para o tecto . E não era tudo . Junto de ele estava mais alguém , a visão mais estranha que Harry tivera em toda_a sua vida . Era_o_Nick quase sem cabeça que não estava cor de pérola nem transparente e sim escuro como fumo . Flutuava imóvel , em a horizontal , 12 centímetros acima de o chão , a cabeça meio tombada e em o rosto uma expressão de choque idêntica a a de o Justin . Harry pôs se de pé com a respiração acelerada e o coração a bater como um tambor contra as costelas . Olhou desvairado para ambos os lados de o corredor deserto e viu uma fila de aranhas que corriam a_toda_a velocidade em a direcção oposta a a de os corpos . Os únicos sons eram as vozes abafadas de os professores em as aulas que decorriam de ambos os lados . Podia fugir e ninguém saberia que ali tinha estado , mas não era capaz de os abandonar assim . Tinha de ir procurar ajuda . Será que alguém acreditaria que ele não tivera nada que ver com aquilo ? Enquanto ali estava , em pânico , uma porta a o seu lado abriu se com grande estrondo . Peeves , o * poltergeist * , saiu a os gritos . - Oh ! É o Potter , olá , Potter - alardeou Peeves , lançando por o ar os óculos de o Harry quando passou por ele . - O que está o Potter a fazer ? Porque está o Potter escondido ? Peeves passou de cabeça para baixo , a meio de uma cambalhota em o ar , quando viu Justin e Nick quase sem cabeça . Com um movimento súbito endireitou se , encheu os pulmões de ar e , antes que Harry pudesse impedi o , gritou : __ ataque ! ataque ! outro ataque ! nenhum mortal ou fantasma está em segurança . corram , fujam , __ ataaaque ! Crac , Crac , Crac . Uma atrás de a outra , foram se abrindo todas_as portas a o longo de o corredor e as pessoas saíram para fora de as salas de aula . Durante alguns longos minutos houve uma tal confusão que Justin esteve em perigo de ser esmagado e as pessoas não paravam de chocar com o Nick quase sem cabeça . Harry deu por si colado a a parede enquanto os professores exigiam a os gritos que se fizesse silêncio . A professora Mc_Gonagall veio a correr , seguida por todos os alunos , um de os quais ainda trazia o cabelo a as riscas pretas e brancas . Usou a varinha para produzir um ruído que repôs o silêncio e mandou os alunos todos para dentro de as salas de aula . Mal lugar ficou desimpedido surgiu Ernie , o jovem Hufflepuff . - * _ Apanhado em flagrante ! * - gritou , com o rosto totalmente branco , apontando dramaticamente o dedo par Harry . - Basta_Mcmillan - disse , de forma cortante , a professora Mc_Gonagall . Peeves andava para_cima e para baixo , observando a cena com um sorriso maldoso . Sempre adorara o caos . Quando os professores se inclinaram sobre Justin e sobre o Nick quase sem cabeça para os examinar , iniciou uma cantilena : * _ Oh ! Potter , que fizeste , seu grande bandido * _ Tu matas os estudantes porque achas divertido . * - Basta , Peeves - rosnou a professora Mc_Gonagall e Peeves afastou se , deitando a língua de_fora a o Harry . Justin foi levado para a ala hospitalar por o professor Flitwick e por o professor Sinistra_do_Departamento_de_Astronomia , mas ninguém parecia saber o que fazer em relação a o Nick quase sem cabeça . Por fim , a professora Mc_Gonagall fez aparecer em o ar um enorme leque que entregou a Ernie com o encargo de conduzir , escadas acima , por os ares o Nick quase sem cabeça . Ernie assim fez , soprando Nick como_se fosse um aerodeslizador e deixando , de este modo , o Harry e a professora Mc_Gonagall a sós . - Por aqui , Potter - disse ela . - Professora , eu juro que não ... - Isso não é comigo , Potter - afirmou a professora Mc_Gonagall sinteticamente . Caminharam em silêncio até uma esquina e ela parou perante uma gárgula de pedra extremamente feia . - Refresco de limão - disse . Era obviamente uma senha porque a gárgula animou se subitamente e saltou para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes . Apesar_de estar apavorado com o que ia acontecer a seguir , Harry não conseguiu evitar um sentimento de fascínio . Por detrás de a parede estava uma escada em espiral que se movia lentamente para_cima como um elevador . E quando ele e a professora Mc_Gonagall puseram os pés em o primeiro degrau , Harry ouviu a parede fechar se atrás de eles . Subiram em círculos , cada_vez_mais alto até que , por fim , um_pouco tonto , Harry pôde ver uma porta de carvalho reluzente com um puxador de bronze em forma de abutre . Harry calculava onde estava a ser levado . Devia ser ali que morava Dumbledore . XII_A poção * polisuco * Saltaram de a escada de pedra lá mesmo em cima e a professora Mc_Gonagall bateu a a porta . Ela abriu se silenciosamente dando lhes entrada . A professora Mc_Gonagall disse lhe que esperasse e deixou o sozinho . Harry olhou em volta . Uma coisa era certa : de todos o escritórios de professores que conhecia , o de Dumbledor era , de longe , o mais interessante . Se não estivesse com um medo de morte de ser expulso teria adorado explorá o . Era uma sala grande e bonita em forma de círculo que estava cheia de barulhinhos estranhos . Havia um grande número de instrumentos prateados sobre várias mesas de pernas finas que zumbiam emitindo pequenas baforadas de fumo . As paredes estavam cobertas de fotografias de antigos directores e directoras , todos eles a dormir tranquilamente em as suas molduras . Havia ainda uma enorme secretária pés de garra . E , sobre uma prateleira atrás de ela , um chapéu de feiticeiro andrajoso e puído : * o chapéu seleccionador * . Harry hesitou . Lançou um olhar cauteloso a as bruxas e feiticeiros adormecidos a o longo de as paredes . Com certeza não fazia mal se lhe pegasse e o experimentasse só para ver ... só para ter a certeza de que ele o pusera em a equipa certa . Deu a volta a a secretária , retirou o chapéu de a prateleira e baixou o lentamente sobre a cabeça . Era demasiado grande e escorregou lhe para os olhos como de a outra_vez que o tinha posto . Harry olhou para o forro preto , enquanto esperava . Por fim , uma vozinha disse lhe a o ouvido : - Estás com macaquinhos em o sótão , Harry_Potter ? - Er ... sim - balbuciou Harry . - Er ... desculpa incomodar te , queria saber ... - Querias saber se te pus em a equipa certa - disse prontamente o chapéu . - Sim ... tu és particularmente difícil de seleccionar , mas eu mantenho o que disse antes . - O coração de Harry deu um salto . - Terias ficado bem em os Slytherin . Harry sentiu o estômago contorcer se . Agarrou o chapéu por a aba e tirou o de a cabeça . O chapéu seleccionador ficou pendurado em a mão de ele , inerte , desbotado e sujo . Harry voltou a pô o em a prateleira , sentindo se enjoado . - Estás enganado ! - disse em voz alta a o chapéu parado e silencioso , mas ele não se mexeu . Harry recuou para o observar melhor e foi então que ouviu um ruído estranho e grasnado atrás_de si que o fez dar uma volta . Não estava só , afinal_de_contas . Em um poleiro dourado atrás de a porta estava um pássaro de aspecto decrépito que parecia um peru meio depenado . Harry olhou para ele espantado e o pássaro olhou o também , grasnando de_novo . Harry achou que ele devia estar muito doente porque tinha os olhos parados e , enquanto olhava para ele , caíram lhe mais algumas penas de a cauda . Estava justamente a pensar que a única coisa que lhe faltava era que o pássaro de estimação de Dumbledore morresse quando ele estava ali sozinho com ele , em o escritório , quando a ave se incendiou . Harry gritou , em estado de choque , e recuou até a a secretária . Olhava nervosamente em volta , em busca de um jarro de água , mas não viu nenhum . O pássaro , entretanto , transformara se em uma bola de fogo , dera um guincho e , em seguida , desaparecera , deixando apenas um monte de cinzas em o chão . A porta de o escritório abriu se . Dumbledore entrou com ar taciturno . - Professor - gaguejou Harry . - O seu pássaro ... eu não pode fazer nada ... ele incendiou se . Para seu grande espanto , Dumbledore sorriu . - Já não era sem tempo . Estava com um aspecto horrível em os últimos dias . Fartei me de lhe dizer que fizesse qualquer coisa . Riu se entre dentes com a expressão em o rosto de Harry . - A Fawkes é uma fénix , Harry . As fénix ardem quando é altura de morrer e renascem de as cinzas , repara ... Harry olhou mesmo a_tempo_de ver um passarinho recém-nascido , todo enrugado , espetar a cabeça fora de as cinzas . Era quase tão feio como o antigo . - É uma pena que a tenhas conhecido em dia de arder - disse Dumbledore , passando para trás de a secretária . - É muito bonita a maior parte de o tempo , com uma plumagem vermelha e dourada . São criaturas fascinantes , as fénix . Podem transportar cargas pesadíssimas , as suas lágrimas têm propriedades curativas e são animais de estimação extremamente fiéis . Com o choque de a fénix a pegar fogo , Harry esquecera se de o motivo porque ali estava , mas tudo voltou rapidamente quando Dumbledore se instalou em a cadeira de espaldar alto e o fixou com os seus olhos azuis e penetrantes . Contudo , antes que ele tivesse tido tempo de falar , a porta de o escritório abriu se de par em par com um enorme estrondo e Hagrid entrou com um olhar tresloucado , o lenço todo torcido em volta de a cabeça hirsuta e o galo morto ainda pendurado em a mão . - Não foi Harry , professor Dumbledore - disse , aflito . - Eu tinha estado a falar com ele poucos segundos antes de o rapazinho ser encontrado , ele não teve tempo professor ... Dumbledore tentou dizer qualquer coisa , mas Hagrid continuou , abanando o galo em o meio de a sua agitação e espalhando penas por todo o lado . - Não pode ter sido ele . Eu juro em a frente de o ministro de a magia , se for preciso ... - Hagrid , eu ... -- Tem o rapaz errado , professor . Eu sei qu'o Harry nunca ... - Hagrid - disse Dumbledore , elevando a voz . - Eu não penso que o Harry tenha atacado aquelas pessoas . - Oh ! - disse Hagrid , com o galo pendendo inerte a o seu lado . - Certo , ' tão eu espero lá fora , director . E saiu com ar envergonhado . - O senhor não acha que tenha sido eu ? - repetiu Harry cheio de esperança , enquanto Dumbledore sacudia penas de galo de cima de a secretária . - Não , Harry , não acho - afirmou Dumbledore , apesar de a sua expressão ser de_novo sombria . - Mas mesmo_assim quero falar contigo . Harry esperou ansiosamente enquanto o director o observava com as pontas de os dedos longos unidas . - Tenho de saber uma coisa . Harry , há alguma pergunta que queiras fazer me , qualquer que ela seja ? Harry não soube o que dizer . Lembrou se de Malfoy a gritar * _ Vocês serão os próximos , sangues de lama * e de a poção * _ Polisuco * em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Depois pensou em a voz sem corpo que ouvira duas vezes e em o que o Ron dissera * _ Ouvir vozes que ninguém mais ouve não é bom sinal , nem mesmo em o mundo de a feitiçaria * . Pensou também em o que toda_a_gente dizia de ele e em o receio cada_vez maior de ter uma relação qualquer com Salazar_Slytherin ... - Não - disse por fim . - Não há nada , professor . O ataque duplo a Justin e a o Nick quase sem cabeça transformou o que até_então era nervosismo em verdadeiro pânico . Curiosamente fora o destino de o Nick quase sem cabeça o que mais preocupara as pessoas . Quem poderia ter feito aquilo a um fantasma ? - perguntavam uns a os outros . - Que poder terrível era aquele , capaz de afectar alguém que já tinha morrido ? Houve uma precipitação enorme em a marcação de os bilhetes em o Expresso_de_Hogwarts , pois todos os alunos quiseram ir passar o Natal a casa . - Por este caminho , vamos ser os únicos a ficar - disse o Ron a o Harry e a a Hermione . - Nós , o Malfoy , o Goyle e o Crabbe , que férias lindas que vão ser ! Crabbe e Goyle que faziam sempre o que Malfoy fazia , tinham se inscrito para ficar também durante as férias . Mas Harry estava contente por a maior parte se ir embora . Estava farto de ver gente a afastar se em os corredores como_se ele fosse mostrar os dentes ou cuspir veneno . Estava cansado de tantos segredinhos , de os ver apontar e segredar quando passava . O Fred e o George , esses achavam muito divertido . Vinham , de propósito , pôr se a a frente de ele e atravessavam os corredores a gritar : - Abram alas para o herdeiro de Slytherin , vai passar um feiticeiro verdadeiramente cruel . Percy discordava totalmente de este comportamento . - Não é um assunto para se brincar - dizia com frieza . - Sai mas é de o caminho , Percy - dizia o Fred . - O Harry está com pressa . - Sim , ele vai a a Câmara_dos_Segredos tomar uma chávena de chá com o seu servidor dentes de serpente - completava Fred com uma gargalhada . Ginny também não lhes achava graça . - Cala te - gritava ela sempre_que o Fred perguntava em voz alta a o Harry quem estava a pensar atacar a seguir , ou quando George fingia afastá o com um enorme dente de alho . Harry não se importava . Fazia o sentir se melhor o facto de constatar que , pelo_menos para o Fred e para o George , a ideia de ele ser o herdeiro de Slytherin era absolutamente ridícula . Mas as palhaçadas de eles pareciam ofender Draco_Malfoy que , de cada_vez que os via , ficava mais irritado . - É porque está ansioso por dizer que é mesmo ele - disse o Ron com ar conhecedor . - Sabes como ele detesta que alguém o ultrapasse e tu estás a receber todo o crédito por o seu trabalho sujo . - Não vai ser por muito_tempo - disse Hermione com uma voz satisfeita . - A poção * polisuco * está quase pronta . Um de estes dias arrancamos lhe a verdade . Finalmente , o período chegou a o seu termo e um silêncio profundo como a neve em os campos desceu sobre o castelo . Harry adorou a tranquilidade e apreciou o facto de ele , Hermione e os Weasley terem a torre de os Gryffindor por sua conta , poderem jogar a as explosões bem alto , sem incomodar ninguém e praticar duelos entre si . O Fred , o George e a Ginny tinham preferido ficar em a escola a ir com Mr. e Mrs._Weasley a o Egipto visitar o Bill . Percy que reprovava e considerava infantil a conduta de eles , não passava muito_tempo em a sala comum de os Gryffindor . Já lhes dissera pomposamente que só ficara ali em o Natal , por ser sua obrigação como prefeito apoiar os professores em aquela época agitada . A manhã de o dia de Natal clareou branca e fria . Harry e Ron , os únicos que estavam em o dormitório , foram acordados muito cedo por Hermione que entrou , toda vestida , transportando presentes para ambos . - Acordem - disse em voz alta , abrindo os cortinados . - Hermione , tu não devias estar aqui - exclamou o Ron , protegendo os olhos de a luz . - Feliz_Natal para ti também - disse Hermione , atirando lhe o presente que tinha para ele . - Estou acordada há quase uma hora , acrescentando mais asas de renda a a poção . Está pronta . Harry sentou se , subitamente acordado . - Tens a certeza ? - Absoluta - disse ela , afastando o rato Scrabbers para se sentar a os pés de a cama de dossel . - Se vamos mesmo tomá a , acho que devia ser logo a a noite . Em esse momentzo , a Hedwig entrou em o quarto , transportando em o bico um embrulho pequenino . - Olá - disse Harry , feliz a o vê a aterrar em a sua cama . - Já me falas outra_vez ? Ela mordiscou lhe a orelha de uma forma afectuosa que foi , de longe , um presente melhor do_que aquele que transportava e que era afinal de os Dursley . Tinham mandado a Harry um palito para os dentes com um cartão pedindo lhe que se informasse se não poderia ficar , também em o Verão , em Hogwarts . Os outros presentes que Harry recebeu foram bastante melhores . Hagrid mandara lhe uma lata grande de bombons de melaço que ele decidiu amolecer a o lume antes de comer , o Ron deu lhe um livro chamado * _ Voando com Canhões * , que narrava factos interessantes sobre a sua equipa favorita de Quidditch e Hermione trouxera lhe uma luxuosa pena de águia . Harry abriu o último presente onde vinha uma camisola novinha , feita a a mão por Mrs._Weasley e um grande bolo de passas . Pegou em o cartão com uma nova sensação de culpa , pensando em o carro de Mr._Weasley que não voltara a ser visto desde_que chocara contra o salgueiro zurzidor e em a quantidade de infracções que ele e o Ron tinham em mente . Ninguém , nem mesmo os que estavam cheios de medo por terem de tomar a poção * polisuco * a seguir , deixou de adorar o jantar de Natal em Hogwarts . O salão nobre estava magnífico . Não_só havia uma_dúzia de árvores de Natal , cobertas de geada e espessas serpentinas de azevinho e visco bravo cruzando se junto de o tecto como caia uma neve encantada quente e seca . Dumbledore conduziu os em uma de as suas canções de Natal preferidas enquanto Hagrid se agitava , falando cada_vez_mais alto , a cada gole de gemada que tomava . O Percy que não dera por_que Fred enfeitiçara o seu distintivo de prefeito , onde agora podia ler se « cabeça de alfinetes « , continuava a perguntar a todos para_onde estavam a olhar . Harry nem_sequer se importou com os comentários que Draco_Malfoy fazia bem alto , de a mesa de os Slytherin acerca de a sua camisola nova . Com alguma sorte , Malfoy iria ser desmascarado dentro_de algumas horas . Harry e Ron mal tinham acabado a terceira dose de pudim de Natal quando Hermione os fez sair de o salão a a pressa para acabarem de tratar de os planos para essa noite . - Ainda precisamos de um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos - disse com o ar mais natural de este mundo como_se estivesse a mandá os a o supermercado comprar detergente . - E , é claro que o ideal será conseguirmos alguma coisa de o Crabbe e de o Goyle , são os melhores amigos de o Malfoy , ele conta lhes tudo . E precisamos também de ter a certeza de que eles não vão entrar em a sala quando vocês estiverem a interrogar o Malfoy . - Eu tenho tudo pensado - prosseguiu ela , ignorando a expressão estupefacta de Harry e Ron . Pegou em dois apetitosos bolos de chocolate . - Pus lhes um encantamento de sono . Vocês só têm de fazer com que o Crabbe e o Goyle os encontrem . Sabem como eles são gulosos , vão logo comê os . Quando estiverem a dormir , tirem lhes alguns cabelos e escondam nos em uma despensa de vassouras . Harry e Ron olharam , incrédulos , um para o outro . -- Hermione , eu não creio que ... -- Isto pode correr muito mal ... Mas Hermione tinha um brilho inflexível em os olhos que não era muito diferente do_que costumavam ver em o olhar de a professora Mc_Gonagall . - A poção não nos serve de nada sem os cabelos de o Crabbe e de o Goyle - disse com firmeza . - Vocês querem mesmo descobrir coisas sobre o Malfoy , não querem ? - Pronto , está bem - disse Harry . - Mas , e tu , vais arranjar cabelos de quem ? - Eu já tenho esse assunto resolvido - disse Hermione sorridente , tirando um frasquinho de o bolso e mostrando lhes um cabelo que lá estava dentro . - Lembram se de a Millicent_Bulstrode que lutou comigo em o clube de os duelos ? Ela deixou isto em o meu manto quando tentava estrangular me . E foi passar o Natal a casa , portanto , basta me dizer a os Slytherins que decidi voltar . Quando Hermione saiu para verificar de_novo a poção polisuco , Ron voltou se para Harry com uma expressão lúgubre . - Alguma vez viste um plano onde tantas coisas pudessem correr mal ? Mas para grande espanto de ambos , a primeira fase de a operação decorreu tão naturalmente como Hermione previra . Eles esconderam se em o * hall * de entrada , depois de o lanche de Natal , a a espera de o Crabbe e de o Goyle que tinham ficado sozinhos a a mesa de os Slytherin , deitando abaixo a quarta dose de bolo inglês . Harry colocou os bolos de chocolate em o fim de o corrimão . Quando avistaram Crabbe e Goyle a sair de o salão , Harry e Ron esconderam se rapidamente atrás_de uma armadura que estava junto de a porta de entrada . - Como_se pode ser tão estúpido ? - murmurou Ron sem se mexer enquanto Crabbe apontava satisfeitíssimo , mostrando a Goyle os bolos e agarrando os . Com um riso estúpido , enfiaram nos inteiros em as bocas enormes . Durante um momento , ambos mastigaram avidamente com olhares vitoriosos em o rosto . Depois , sem que a expressão se alterasse , caíram para trás e estatelaram se em o chão . Mais difícil foi transportá os para a despensa de o outro lado de o * hall * . Uma_vez armazenados em o meio de os baldes e esfregões , Harry arrancou alguns de os pêlos que cobriam a cabeça de o Goyle e Ron tirou alguns cabelos a o Crabbe . Roubaram lhes também os sapatos porque os de eles eram demasiado pequenos para os enormes pés de o Crabbe e de o Goyle . Em seguida , ainda atordoados com o que tinham acabado de fazer , correram até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mal conseguiam ver com o fumo preto e espesso que saía de o cubículo onde Hermione mexia o caldeirão . Tapando o rosto com os mantos , Harry e Ron bateram a o de leve em a porta . - Hermione ? Ouviram o ruído de o trinco e Hermione apareceu com a cara lustrosa e um ar ansioso . Por trás de ela ouviam o gloop gloop de a poção espessa e gorgolejante . Em o banco de a casa_de_banho estavam três copos de vidro . - Conseguiram ? - perguntou Hermione quase sem fôlego . Harry mostrou lhe o cabelo de o Goyle . - _ óptimo . Eu tirei estes mantos suplementares de a lavandaria - disse ela , pegando em uma pequena saca . - Vocês vão precisar de tamanhos maiores se vão ser o Crabbe e o Goyle . Olharam os três para o caldeirão . Vista de perto , a poção parecia uma lama espessa e escura a borbulhar indolentemente . - Tenho a certeza que fiz tudo certo - disse Hermione nervosa , relendo a página manchada de * _ Moste_Potente_Potions * . - Tem o aspecto que o livro diz que deveria ter ... depois de a tomar temos precisamente uma hora antes de nos transformarmos de_novo em as pessoas que somos . - E agora ? - murmurou o Ron . - Separamos a em três copos e adicionamos os cabelos . Hermione encheu cada_um de os copos com uma concha de sopa . Em seguida , retirou com a mão a tremer o cabelo de Millicent_Bulstrode de dentro de o frasquinho e pô o em o primeiro copo . A poção chiou fortemente como uma chaleira a ferver e espumou como louca . Um segundo depois ganhara um tom de amarelo doentio . - Urgh ! Essência_de_Millicent_Bulstrode - disse Ron , olhando com repugnância . - Aposto que o sabor é nojento . - Deitem os vossos - disse Hermione . Harry deixou cair o cabelo de o Goyle em o copo de o meio e Ron lançou o de o Crabbe em o último . Ambos chiaram e espumaram : o de o Goyle ficou de um tom caqui , o de o Crabbe de um castanho-escuro algo tenebroso . - Esperem - pediu Harry quando Ron e Hermione pegaram em os copos . - Será melhor não os tomarmos aqui todos juntos em um cubículo ; quando em os transformarmos não vamos cá caber e Millicent_Bulstrode não é nenhum duende . - Bem pensado - admitiu o Ron , abrindo a porta . - Cada_um em seu cubículo . Com todo o cuidado , para não entornar nem uma gota de a poção polisuco , Harry esgueirou se para o cubículo de o meio . - Prontos ? - perguntou . - Prontos - responderam as vozes de o Ron e de a Hermione . - Um , dois , três . Tapando o nariz , Harry bebeu a poção em dois grandes tragos . Tinha o sabor de a couve demasiado cozida . Os seus interiores começaram imediatamente a contorcer se como_se tivesse engolido serpentes vivas . Dobrado , Harry perguntava a si próprio se iria vomitar . Depois , uma sensação de ardor espalhou se rapidamente de o estômago até a as pontas de os dedos de as mãos e de os pés . Em seguida , fazendo o sobressaltar se , sobreveio o sentimento horrível de estar a derreter enquanto a pele de todo o seu corpo borbulhava como cera quente e , perante os seus olhos , as mãos começaram a crescer , os dedos a engrossar , as unhas a alargar e as articulações a tornarem se protuberantes como ferrolhos . Os ombros retesaram se dolorosamente e uma comichão em a testa preveniu o de que o cabelo estava a rastejar em direcção a as sobrancelhas . As túnicas rasgaram se enquanto o tórax se expandia como um barril , rebentando com os seus anéis . Os pés estavam em grande sofrimento dentro_de sapatos quatro números abaixo . Tão depressa como começara , tudo parou . Harry estava caído em o chão de pedra fria , ouvindo a Murta_Queixosa gorgolejando taciturna em o cubículo de o fundo . Com alguma dificuldade tirou os sapatos e levantou se . Era então assim que o Goyle se sentia ! Com a mão enorme a tremer , despiu a sua túnica que lhe ficava 30 centímetros acima de os tornozelos , pegou em as túnicas suplementares e amarrou os atacadores de os sapatos abotinados de o Goyle . Quis escovar o cabelo para o afastar um_pouco de os olhos e deu apenas com os pêlos hirsutos que lhe cresciam em a testa . Apercebeu se então de que os óculos lhe toldavam a visão porque o Goyle , obviamente , não precisava de eles . Tirou os e gritou . - Vocês estão bem ? - De a sua boca saiu a voz baixa e grossa de o Goyle . - Sim - respondeu lhe o grunhido de o Crabbe , a a sua direita . Harry abriu a porta de o cubículo e dirigiu se a o espelho partido . O Goyle olhava o de o outro lado com os seus olhos parados . Harry coçou a orelha e Goyle fez o mesmo . A porta de o Ron abriu se . Olharam um para o outro . Harry estava pálido e chocado . O amigo não se distinguia de o Crabbe , desde o corte de cabelo em forma de tigela até a os longos braços de gorila . - É inacreditável - disse o Ron , aproximando se de o espelho e beliscando o nariz achatado de o Crabbe . - Inacreditável ! - É melhor irmos indo - disse Harry , alargando a pulseira de o relógio que lhe cortava o pulso . - Ainda temos de descobrir onde fica a sala comum de Slytherin . Só espero que encontremos alguém que vá para lá e que nós possamos seguir . Ron que tinha estado a olhar espantado para ele , comentou : - Não imaginas como é bizarro ver o Goyle a pensar - bateu em a porta de Hermione . - Vamos , temos que ir ... Respondeu lhe uma voz aguda : - Eu ... eu acho que afinal não vou . Vão vocês sem mim . - Hermione , nós sabemos que a Millicent_Bulstrode é feia , ninguém vai pensar que és tu . - Não , a sério , acho que não vou . Despachem se vocês os dois , estão a perder tempo . Harry olhou para Ron , baralhado . - Aquilo parece mais de o Goyle , é como ele fica sempre_que algum professor lhe faz uma pergunta . - Estás bem , Hermione ? - perguntou Harry , através de a porta . - _ óptima , estou óptima , vão se embora . Harry olhou para o relógio . Cinco preciosos minutos tinham já passado . - Encontramo nos aqui , está bem ? - disse . Os dois abriram a porta de a casa_de_banho com todo o cuidado , viram se o caminho estava livre e saíram . - Não balances assim os braços - disse o Harry a o Ron . - Hein ? - O Crabbe anda sempre com eles esticados . - Assim ? - Isso , assim está melhor . Desceram a escadaria de mármore . Só precisavam agora de um Slytherin que pudessem seguir até a a sala comum , mas não havia ninguém por perto . - Tens alguma ideia ? - perguntou Harry em um murmúrio . - Os Slytherin vêm sempre de ali para o pequeno-almoço - disse o Ron , apontando para a entrada de os calabouços . Mal tinha pronunciado estas palavras quando uma rapariga de cabelo comprido a os caracóis , apareceu . - Desculpa - disse o Ron , sem perder tempo . - Esquecemo nos de o caminho para a nossa sala comum . - Como ? - disse a rapariga com a maior frieza . - A * nossa * sala comum ? Eu sou uma Ravenclaw . Afastou se , olhando para eles , desconfiada . Harry e Ron desceram apressadamente os degraus de pedra até a a escuridão . Os passos ecoavam em o silêncio , à_medida_que os pés enormes de Crabbe e Goyle tocavam em o chão , fazendo os sentir que as coisas não iam ser tão fáceis como eles desejavam . Os corredores labirínticos estavam desertos . Andaram e tornaram a andar por os subterrâneos , olhando constantemente para os relógios para ver quanto tempo ainda lhes restava . Depois de um quarto de hora , quando começavam a ficar desesperados , ouviram um movimento súbito . - Olha - disse o Ron , agitadamente . - Agora é um de eles . A silhueta saía de uma sala , mas quando se aproximaram o coração de ambos esmoreceu . Não era um Slytherin , era Percy . - O que estás a fazer aqui em baixo ? - perguntou o Ron surpreendido . - Isso - disse ele friamente - não é de a tua conta . És o Crabbe , não és ? - Er ... sim , sim - respondeu o Ron . - Então vão para o vosso dormitório - ordenou Percy com firmeza . - Não é seguro andar a passear por os corredores escuros em os dias que correm . - Tu andas -- fez notar o Ron . - Eu - disse o Percy endireitando se - sou um prefeito . Nada vai atacar me . Ouviu se , de repente , uma voz por_detrás_de Harry e Ron . Era_Draco_Malfoy e , pela_primeira_vez em a vida , Harry ficou satisfeito a o vê o . - Aí estão vocês - disse de modo arrastado , olhando para eles . - Têm estado a chafurdar em o salão este tempo todo ? Tenho andado a a vossa procura , quero mostrar vos uma coisa muito divertida . Malfoy olhou misteriosamente para Percy . - E o que fazes tu aqui , Weasley ? - perguntou com ar de desprezo . Percy olhou , sentindo se ultrajado . - Fazes favor de mostrar um_pouco mais de respeito por um prefeito de a escola - disse . - Não gosto de o teu ar . Malfoy riu se e fez sinal a o Harry e a o Ron para que o seguissem . Harry quase ia pedindo desculpa a o Percy , mas deu se conta a tempo . Apressaram se a seguir o Malfoy que disse , mal viraram em o corredor seguinte : - Aquele Peter_Weasley ... - O Percy - corrigiu Ron automaticamente . - Ou isso - continuou Malfoy . - Ultimamente tenho o visto muitas_vezes a andar por aí sorrateiramente e aposto que sei o que ele quer . Pensa que vai apanhar o herdeiro de Slytherin sozinho . Deu uma pequena gargalhada ridícula . Harry e Ron trocaram olhares nervosos . Malfoy parou junto de uma parede de pedra húmida . - Qual é a senha ? - perguntou a o Harry . - Er ... - Ah ! sim , sangue puro - disse Malfoy sem ouvir e uma porta de pedra , oculta em a parede , abriu se . Malfoy entrou e Harry e Ron seguiram o . A sala comum de os Slytherin era uma ampla divisão subterrânea com espessas paredes de pedra e um tecto de o qual estavam pendurados por correntes vários candeeiros redondos que davam uma luz esverdeada . O fogo crepitava em uma lareira elaboradamente esculpida em frente de a qual se viam as silhuetas de vários Slytherins sentados em cadeiras igualmente esculpidas . - Esperem aí - disse Malfoy a o Harry e a o Ron , encaminhando os para um par de cadeiras vazias , longe de o lume . - Eu vou buscar o que o meu pai acaba de me mandar . Sem saber o que Malfoy iria mostrar lhes , Harry e Ron sentaram se , fazendo todos os possíveis por parecer a a vontade . Malfoy voltou um minuto depois , trazendo em a mão o que parecia ser um recorte de jornal . Pô o debaixo de o nariz de o Ron . - Vais te rir - disse . Harry viu os olhos de o Ron abrirem se como_se estivesse em estado de choque . Viu o ler o recorte rapidamente , dar uma gargalhada forçada e estender lhe o em seguida . Tinha sido retirado de o * _ Profeta_Diário * e dizia : inquérito em o ministério de a magia * _ Arthur_Weasley , chefe de o Gabinete_de_Mau_Uso_dos_Utensílios_dos_Muggles foi hoje multado em cinquenta galeões por ter enfeitiçado um carro de os Muggles . * _ O senhor Lucius_Malfoy , Membro_do_Conselho_Directivo_da_Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts , onde o carro enfeitiçado foi chocar em o princípio de este ano , exigiu hoje a demissão de Mr._Weasley . « * _ O_Weasley trouxe o descrédito a o Ministério « - declarou Mr._Malfoy a o nosso repórter . - « É claramente incompetente para fazer cumprir as leis e a sua protecção ridícula de os Muggles deveria ir imediatamente para a sucata . » * _ Mr._Weasley recusou se a fazer comentários , mas a sua mulher disse a os repórteres que desaparecessem de ali ou lançaria contra eles o vampiro de a família * . - Então - disse Malfoy impaciente quando Harry voltou a entregar lhe o recorte . - Não achas o_máximo ? - Ha , ha - fez Harry tristemente . - O Arthur_Weasley gosta tanto de os Muggles que era capaz de partir a sua varinha a o meio para se juntar a eles - disse Malfoy com desprezo . - Ninguém diria que os Weasley eram sangue puro a avaliar por o modo como_se comportam . A cara de o Ron , ou melhor , de o Crabbe , contorceu se de raiva . - O que é_que se passa ? - perguntou Malfoy . - Dores de estômago - gemeu o Ron . - Então vai a a ala hospitalar e dá a todos aqueles sangues de lama um pontapé de a minha parte - disse Malfoy com o seu riso escarninho . - Sabes que estou espantado por o * _ Profeta_Diário * ainda não se ter referido a todos estes ataques - continuou pensativamente . - Calculo que o Dumbledore deve estar a tentar abafar as coisas . Ele ainda é posto em a rua se isto não acaba depressa . O pai sempre disse que Dumbledore foi a pior coisa que aqui veio parar . Ele adora os filhos de os Muggles , um director decente nunca deixaria um lodo como o Creevey entrar em esta escola . Malfoy começou a fingir que tirava fotografias com uma máquina imaginária e fez uma imitação maldosa , mas bastante fiel de o Colin : - Potter , posso tirar te a fotografia ? Dás me um autógrafo ? Posso lamber te os sapatos , por favor , Potter ? Baixou as mãos e olhou para Harry e Ron . - O que é_que se passa com vocês os dois ? Um_pouco atrasados , Harry e Ron forçaram o riso e Malfoy pareceu satisfeito . Talvez Crabbe e Goyle fossem sempre de reacção lenta . - O santo Potter , amigo de os sangues de lama - disse Malfoy . - É outro que não tem os sentimentos de um feiticeiro a sério ou não andaria por aí com aquela empertigada sangue de lama Granger . E as pessoas a pensarem que ele é o herdeiro de Slytherin . Harry e Ron esperaram com a respiração entrecortada : o Malfoy ia certamente dizer lhes , dentro_de segundos , que era ele , mas então ... - Quem me dera saber quem ele é - disse o Malfoy , de forma petulante . - Podia ajudá o . O queixo de o Ron caiu de tal maneira que a cara de o Crabbe ficou ainda mais desajeitada do_que era habitual . Felizmente Malfoy não deu por nada e Harry , em um pensamento rápido , disse : - Deves ter alguma ideia de quem está por_detrás_de tudo ... - Sabes perfeitamente que não tenho , Goyle , quantas vezes é preciso dizer te ? - cortou Malfoy . - E o pai também não me diz nada sobre a última vez que a câmara foi aberta . É claro que foi há cinquenta anos , antes de ele cá andar , mas o pai sabe tudo a esse respeito e diz que as coisas foram mantidas em grande segredo e que pareceria suspeito se eu soubesse demasiado . Mas há uma coisa que eu sei : de a última vez que a câmara foi aberta , morreu um sangue de lama . Por isso , aposto que é uma questão de tempo até que um de eles seja morto . Só espero que seja a Granger - disse satisfeito . Ron fechara os punhos gigantescos de o Crabbe . Sentindo que deitaria tudo a perder se ele desse um soco a o Malfoy , Harry lançou lhe um olhar de aviso e disse : - Sabes se a pessoa que abriu a câmara de a última vez foi apanhada ? - Ah ! sim , essa pessoa foi expulsa - disse Malfoy . - Ainda deve estar em Azkaban . - Azkaban ? - repetiu Harry confuso . - Azkaban , a prisão de os feiticeiros , Goyle - disse Malfoy , olhando para ele incrédulo . - Francamente , se fosses mais lento andavas para trás . Esticou se intranquilo , em a cadeira e disse : - O pai diz para eu esfriar a cabeça e deixar que o herdeiro de Slytherin faça o seu trabalho . Acha que a escola precisa de se livrar de a escória de os sangues de lama , mas não quer que eu me envolva em nada . Claro que ele agora tem um prato cheio . Sabes que o Ministério de a magia fez uma busca a a nossa mansão em a semana passada ? Harry tentou forçar a cara de bronco de o Goyle a uma expressão preocupada . - Sim - continuou Malfoy . - É claro que não encontraram grande coisa . O pai guarda uns materiais de magia negra muito valiosos , mas , felizmente , temos a nossa câmara secreta debaixo de o soalho de a sala de visitas ... - Ah ! - disse o Ron . Malfoy olhou para ele . Harry também . Ron corou e até o cabelo começou a ficar vermelho . O nariz estava também a diminuir lentamente ... a hora tinha acabado . Ron estava a voltar a a sua forma habitual e por o olhar de horror que lançou a Harry certamente ele também estava . Puseram se rapidamente de pé . - Tenho de tomar o remédio para o estômago - grunhiu o Ron e sem mais explicações saíram ambos a correr de a sala comum de os Slytherin , precipitaram se para a parede de pedra e galgaram a passagem , pedindo a todos os santos que Malfoy não tivesse dado por nada . Harry sentia os pés a nadarem em os sapatos enormes de o Goyle e tinha de levantar o manto visto_que diminuíra de tamanho . Subiram os degraus a correr até a o * hall * escuro de entrada onde se ouvia um som abafado que vinha de a despensa onde tinham fechado o Crabbe e o Goyle . Deixando os sapatorros de os dois de o lado de_fora , subiram já com os respectivos sapatos a escadaria de mármore até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Bem , não foi uma total perda de tempo - disse o Ron ofegante , fechando atrás_de si a porta de a casa_de_banho . - É certo que ainda não descobrimos de quem vêm os ataques , mas vou escrever a o meu pai amanhã a dizer lhe que procure debaixo de o soalho de a sala de visitas de o Malfoy . Harry olhou para o espelho partido . Tinha voltado a o normal . Pôs os óculos enquanto Ron batia em a porta de o cubículo de Hermione . - Hermione , sai de aí , temos um monte de coisas para te contar ... - Vão se embora - guinchou Hermione . Harry e Ron olharam um para o outro . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron . - Tu já deves ter voltado a o normal como nós ... Mas a Murta_Queixosa saiu subitamente através de a porta de o cubículo com um ar divertido como nunca a tinham visto . - Oh ! Esperem até ver - disse ela . - É horrível ! Ouviram o trinco de a porta a abrir se e Hermione apareceu a soluçar , a túnica levantada a cobrir lhe o rosto . - O que foi ? - perguntou o Ron indistintamente . - Ainda tens o nariz de a Millicent ou alguma coisa assim ? Hermione deixou cair a roupa e Ron recuou rapidamente . O rosto de ela estava coberto de pêlo preto , os olhos tinham ganho uma cor amarela e as orelhas eram pontiagudas , saindo espetadas para fora de os cabelos . - Era um pêlo de g-gato - disse a chorar . - A Millicent_Bulstrode d-deve ter um gato e a poção não está preparada para transformação em animais . - Oh-oh - disse o Ron . - Vão te gozar horrivelmente - disse a Murta , felicíssima . - Não te preocupes , Hermione - tranquilizou a rapidamente o Harry . - Vamos levar te para a ala hospitalar , a Madam_Pomfrey nunca faz muitas perguntas ... Não foi fácil convencer Hermione a sair de a casa_de_banho . A Murta_Queixosa despediu se com uma gargalhadavigorosa e grosseira . - Espera até todos descobrirem que tens uma cauda ! XIII_O diário muito secreto Hermione ficou em a ala hospitalar durante várias semanas . Houve uma onda de boatos sobre o seu desaparecimento quando o resto de os alunos voltou de as férias de Natal porque , é claro , todos pensam que ela tinha sido atacada . Foram tantos os estudantes a rondar a ala hospitalar para espreitar a ver se a viam que Madam_Pomfrey desceu de_novo as cortinas de a cama de ela para a poupar a a vergonha de ser vista com pêlo em a cara . Harry e Ron iam visitá a todas_as tardes . Quando o segundo período começou passaram a levar lhe diariamente os trabalhos de casa . - Se eu tivesse o bigode a crescer , tinha uma folga de o trabalho - disse uma tarde o Ron enquanto colocava uma pilha de livros a a cabeceira de a cama de Hermione . - Não sejas parvo , Ron , eu tenho de me manter a par de as coisas - disse Hermione com vivacidade . O humor de ela melhorara bastante com o facto de lhe ter desaparecido todo o pêlo de o rosto e de os olhos estarem lentamente a retomar a cor castanha . - Calculo que não tenham novas pistas ? - disse em um murmúrio para evitar que Madam_Pomfrey os ouvisse . - Nada - disse Harry tristemente . - Eu tinha tanta certeza de que era o Malfoy - repetiu o Ron por a centésima vez . - O que é isso ? - perguntou Harry , apontando para uma coisa com brilho dourado que estava debaixo de a almofada de Hermione . - É só um cartão a desejar boas melhoras - disse ela precipitadamente , tentando escondê o , mas o Ron foi mais rápido . Pegou lhe , abriu o e leu em voz alta : * _ Para_Miss_Granger , desejando lhe uma rápida recuperação , com o interesse e estima de o professor Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , Terceiro grau , Membro_Honorário_da_Liga_de_Defesa contra as Artes_Negras e vencedor por cinco vezes de o prémio O sorriso mais charmoso de a semana de o Semanário_das_Bruxas * . Ron olhou desconsolado para Hermione . - Tu dormes com isto debaixo de a almofada ? Mas Hermione foi poupada a ter de responder por a entrada de Madam_Pomfrey que lhe trazia a dose de medicamento de a tarde . - Achas que o Lockhart é o tipo mais esperto que conheceste ? - perguntou o Ron a o Harry quando saíram de a enfermaria e começavam a subir as escadas para a torre de os Gryffindor . O Snape tinha lhes passado tanto trabalho para_casa que Harry pensou que ia chegar a o sexto ano antes de o ter acabado . Ron vinha a dizer que devia ter perguntado a a Hermione quantas caudas de rato deveria juntar se a uma poção para o crescimento de o cabelo quando um grito de raiva vindo de o andar de cima lhes chegou a os ouvidos . - É o Filch - murmurou Harry enquanto subiam apressadamente as escadas e paravam para ouvir melhor . - Terá mais alguém sido atacado ? - disse nervosamente o Ron . Ficaram parados com as cabeças inclinadas para a voz de o Filch que parecia quase histérica . -- ... * _ Ainda mais trabalho para mim . Toda_a noite a esfregar como_se não tivesse já trabalho de sobra . Não , isto foi a gota de água que fez transbordar o copo , vou falar com Dumbledore * ... Os passos afastaram se e ouviram uma porta fechar se com grande estrondo . Puseram as cabeças fora de a esquina . O Filch tinha obviamente estado a patrulhar o seu habitual posto de vigia : estavam novamente em o lugar onde Mrs._Norris fora atacada . Perceberam imediatamente qual o motivo de os gritos . Uma enorme poça de água enchia metade de o corredor e parecia escorrer de a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Agora_que o Filch se calara podiam ouvir os uivos de a Murta que faziam eco em as paredes de a casa_de_banho . - Mas o que se passará com ela ? - disse o Ron . - Vamos lá ver - sugeriu Harry e arregaçando as túnicas até a os tornozelos entraram , atravessando a enorme poça de água , em a casa_de_banho que tinha o letreiro a dizer « Fora de serviço » e que eles , como sempre , ignoraram . A Murta_Queixosa chorava , se possível , mais alto do_que nunca . Parecia estar escondida em o cubículo de o costume . Lá dentro estava escuro pois as velas tinham se apagado com a enchente de água que deixara as paredes e o chão ensopado . - O que se passa , Murta ? - quis saber o Harry . - Quem é ? - perguntou ela infelicíssima . - Vieste atirar me mais alguma coisa acima ? Harry caminhou com dificuldade por causa de a água até a o cubículo de ela e disse : - Porque te faríamos nós uma coisa de essas ? - Não me perguntem - gritou a Murta , emergindo em uma onda de água que molhou ainda mais o chão já ensopado . - Eu estou aqui metida em a minha morte e alguém acha muito engraçado atirar me com um caderno acima ... - Mas , não pode magoar te se alguém te atirar alguma coisa acima - disse Harry , tentando ser prático . - Isto_é , seja o que for passa através_de ti , não é assim ? Tinha dito a frase errada . A Murta encheu o peito de ar e gritou a plenos pulmões : - Vamos todos atirar cadernos a a Murta já_que ela não sente nada ! Dez pontos se lhe acertarem em o estômago , cinquenta se lhe atravessar a cabeça ! Hah hah hah , que jogo lindo , não acham ? - Quem te atirou um caderno , afinal ? - perguntou o Harry . - Não sei ... eu estava sentada em a sanita a pensar em a morte e caiu me em cima de a cabeça - disse a Murta , olhando para eles . - Está ali , ficou todo molhado . Harry e Ron olharam para o ponto que a Murta lhes apontava debaixo de o lavatório . Um caderno pequenino e fino estava caído em o chão . Tinha uma capa preta muito gasta e estava encharcado como tudo em aquela casa_de_banho . Harry deu um passo em frente para o apanhar , mas o Ron agarrou lhe precipitadamente o braço . - O que foi ? - perguntou Harry . - Estás doido - disse ele . - Pode ser perigoso . - Perigoso ? - riu se Harry . - Essa agora Ron , como é_que pode ser perigoso ? - Ficarias surpreendido ... - explicou ele , olhando com ar apreensivo para o caderno . - Entre os livros que o Ministério confiscou , contou me o meu pai , havia um que queimava os olhos a as pessoas . E todos os que leram os * _ Sonetos_de_Um_Feiticeiro * ficaram a falar em verso para o resto de a vida . Havia também uma bruxa em Bath que tinha um livro que quem o lesse nunca mais conseguia parar , tinha de andar por aí com o nariz enfiado em as folhas , a fazer todas_as coisas só com uma mão e ... - Já chega , já chega , já percebi a tua ideia - disse O_Harry . O caderninho continuava caído e ensopado . - Bem , nunca saberemos a_não_ser_que tenhamos a coragem de dar uma vista de olhos - disse e mergulhou apanhando o de o chão . Harry viu imediatamente que se tratava de um diário e a data meio apagada , em a capa , disse lhe que tinha cinquenta anos de idade . Abriu o ansiosamente . Em a primeira página podia ler se apenas o nome T._M._Riddle em tinta esborratada . - Espera aí - disse o Ron que se aproximara prudentemente e olhava por cima de o ombro de Harry . - Eu conheço esse nome ... T._M._Riddle recebeu um prémio por serviços especiais prestados a a escola há cinquenta anos atrás . - Como diabo sabes tu isso ? - perguntou Harry com grande espanto . - Porque o Filch mandou me limpar a taça de ele umas cinquenta vezes quando estive de castigo - disse o Ron ressentido . - Foi a taça em cima de a qual eu vomitei lesmas . Se tivesses tido que limpar o muco de um nome durante uma hora também te lembrarias . Harry separou umas de as outras as páginas molhadas . Estavam completamente em branco . Não havia o mais leve sinal de escrita em nenhuma , nem coisas como « Aniversário de a tia Mabel « ou « Dentista a as três_e_meia » . - Ele nunca escreveu nada aqui - disse Harry desapontado . - Porque quereria alguém atirá o fora ? - perguntou se o Ron com curiosidade . Harry voltou o caderno e viu , inscrito em a contra capa , o nome de uma tabacaria em Vauxhall_Road , Londres . - Ele devia ser filho de Muggle - disse Harry pensativo - para ter comprado um diário em Vauxhall_Road ... - Bem , não te serve de muito - Ron baixou a voz . - Cinquenta pontos se acertares em o nariz de a Murta . Harry , mesmo_assim , guardou o diário . Hermione saiu de a ala hospitalar desbigodada , sem cauda e sem pêlo em os primeiros dias de Fevereiro . Em a primeira noite em a torre de os Gryffindor , Harry mostrou lhe o diário de T._M._Riddle e contou lhe como o tinham encontrado . - Ooooh ! Deve ter poderes ocultos - disse ela entusiasticamente , pegando em o diário e examinando o de perto . - Se tem , esconde os muito bem - disse Ron . - Talvez fosse tímido . Não sei porque não deitas isso fora , Harry . - Gostava de perceber porque motivo alguém se quis livrar de ele - explicou Harry . - E também não me importava de saber como foi que o Riddle obteve esse prémio de serviços especiais prestados a Hogwarts . - Pode ter sido qualquer coisa - lançou o Ron . - Talvez tenha recebido 30 de nota final ou salvo um professor de a lula gigante . Se_calhar assassinou a Murta , isso teria sido um favor prestado a todos ... Mas Harry quase podia jurar , por o olhar suspenso em a cara de Hermione , que ela pensava o mesmo_que ele . - O que foi ? - perguntou Ron , olhando para um e para o outro . - Bem , a Câmara_dos_Segredos foi aberta há cinquenta anos , não foi isso que disse o Malfoy ? - Sim - respondeu Ron , lentamente . - E este diário tem cinquenta anos de idade - completou Hermione , dando lhe palmadinhas nervosas . - E de aí ? - Oh Ron , acorda - insistiu Hermione . - Sabemos que a pessoa que abriu a câmara de a outra_vez foi expulsa há cinquenta anos . E se o Riddle tivesse tido o prémio especial por apanhar o herdeiro de Slytherin ? O seu diário diria nos provavelmente tudo : onde é a Câmara_dos_Segredos , como abris a e que tipo de criatura vive lá . Achas que a pessoa que está por trás de os ataques desta_vez quereria o diário por aí ? - É uma teoria interessante , Hermione - disse o Ron . - Apenas com uma pequenina falha : o diário não tem nada Mas_Hermione já estava a tirar a varinha de o saco . - Pode ser tinta invisível - murmurou . Bateu três vezes em o diário e repetiu * _ Aparecium ! * Nada aconteceu . Intrépida , Hermione meteu a mão de_novo em o saco e tirou o que parecia ser uma borracha vermelha e brilhante . - É um * revelador * , comprei o em a Diagon - _ Al - disse . Apagou com força em 1_de_Janeiro . Não sucedeu nada . - Já vos disse , não há nada aí - repetiu o Ron . - O Riddle deve ter recebido um diário como prenda de Natal e nem se deu a o trabalho de escrever fosse o que fosse . Harry não conseguia explicar , nem a si próprio , porque motivo não deitara fora o diário de Riddle . A verdade é_que , mesmo depois de saber que ele estava em branco , continuou distraidamente a pegar lhe e a virar as páginas como_se quisesse chegar a o fim de uma história . E , apesar_de saber que nunca tinha ouvido o nome T._M._Riddle , continuava a ter a sensação de que lhe dizia alguma coisa , como_se Riddle fosse um amigo que ele tinha tido quando era muito pequeno e que estivesse meio esquecido . Mas era um absurdo . Nunca tivera amigos antes de Hogwarts , Dudley tivera esse cuidado . Ainda_assim , Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle , por isso em o dia seguinte foi até a a sala de os troféus para examinar a taça , acompanhado de Hermione que estava interessadíssima e de Ron que se mostrava profundamente incrédulo , dizendo que tinha ficado farto de aquela sala até a o fim de a vida . A taça dourada de Riddle estava arrecadada em um armário de canto . Não fornecia detalhes sobre o motivo por_que lhe fora dada ( felizmente , se fosse maior ainda hoje estava a limpá a , disse o Ron ) . Mas encontraram o nome de Riddle em uma antiga medalha de Mérito_Mágico e em uma lista de antigos chefes de turma . - Parece o Percy - comentou Ron , torcendo o nariz com aversão . - Prefeito , chefe de turma , provavelmente o melhor em todas_as disciplinas . - Dizes isso como_se fosse uma coisa má - fez lhe notar Hermione , em um tom de voz ressentido . Um sol fraco brilhava agora de_novo em Hogwarts . Dentro de o castelo , o ambiente estava bastante melhor . Não tinha havido novos ataques desde Justin e Nick quase sem cabeça e Madam_Pomfrey teve a satisfação de informar que as Mandrágoras começavam a ficar instáveis e dissimuladas , sinal de que estavam a abandonar rapidamente a infância . - Logo_que o acne desapareça estarão prontas para novo transplante - ouviu a Harry dizer amavelmente a o Filch . - E depois de isso , não demorará muito até podermos cortá as e estufá as . - Vai ter Mrs._Norris de volta , muito em_breve . Talvez o herdeiro ou herdeira de Slytherin tenha perdido a coragem , pensou Harry . Deve ser cada_vez_mais arriscado abrir a Câmara_dos_Segredos com a escola tão alerta e desconfiada . Talvez o monstro , qualquer_que_fosse , estivesse a preparar se para hibernar durante outros cinquenta anos . Ernie_Mcmillan_dos_Hufilepuff não aceitou esta visão optimista . Continuava convencido de que Harry era o culpado , que se tinha traído em o clube de os duelos . Peeves não ajudava nada : continuava a cantar por os corredores Potter , * seu bandido * ... agora acompanhado de um esquema de dança . Gilderoy_Lockhart parecia pensar que fora ele quem pusera fim a os ataques . Harry fartou se de o ouvir dizer isso a a professora Mc_Gonagall enquanto os Gryffindor formavam bicha para a aula de Transfiguração . - Não creio que volte a haver problemas , Minerva - disse , tocando em o nariz com ar conhecedor e piscando o olho . - Acho que desta_vez a câmara foi definitivamente selada . O culpado deve ter sabido que era uma questão de tempo até eu o apanhar e que era mais sensato parar agora antes que eu lhe tratasse de a saúde . Sabe , a escola está a precisar de um intensificador de animo para apagar as lembranças de o último período . Não vou dizer lhe mais_nada , por enquanto , mas julgo que sei o que ... Voltou a tocar em o nariz e afastou se a passos largos . A ideia de Lockhart de um intensificador de ânimo ficou bastante clara em o dia_14_de_Fevereiro , a o pequeno-almoço . Harry não dormira grande coisa devido a o treino de Quidditch em a noite anterior e chegou a o salão um_pouco atrasado . Pensou , por momentos , que se tinha enganado em a porta . As paredes estavam todas cobertas com enormes e medonhas flores cor-de-rosa . Pior ainda , * confettis * em forma de corações caíam de o tecto azul pálido . Harry dirigiu se a a mesa de os Gryffindor onde o Ron estava sentado com um ar enjoado junto de Hermione que parecia particularmente risonha . - O que se passa ? - perguntou lhes , sentando se e sacudindo os * confettis * de o seu bacon . Ron apontou para a mesa de os professores , com um ar demasiado repugnado para falar . Lockhart , em as suas vestes rosa vivo , a condizer com a decoração de o salão , fazia sinal para que se calassem . Os professores que o ladeavam tinham um ar estupefacto . De o seu lugar , Harry podia ver um músculo mover se em a bochecha de a professora Mc_Gonagall . Snape estava com ar de quem tomou uma imensa dose de xarope * skele-gro * . - Feliz dia de S._Valentim - gritou Lockhart . - E permitam me que agradeça a as quarenta_e_seis pessoas que até agora me enviaram cartões . Sim , fui eu quem tomou a liberdade de vos fazer esta pequena surpresa , e ela não acaba aqui ! Lockhart bateu as palmas e por as portas de o * hall * entraram a marchar cerca de uma_dúzia de duendes de aspecto carrancudo . Não eram uns duendes quaisquer , diga se de passagem . Lockhart fizera os usar asas douradas e transportar harpas . - Os meus amigos cupidos , portadores de os cartões ! gritou Lockhart . - Eles vão andar por a escola durante o dia de hoje , entregando os vossos cartões de S._Valentim . E o divertimento não acaba aqui . Tenho a certeza de que os meus colegas vão querer participar em este espírito de festa . Porque não pedir a o professor Snape que vos mostre como preparar rapidamente uma poção de amor . E , enquanto ele a prepara , está aqui o professor Flitwick que é de todos os feiticeiros que conheci aquele que mais sabe de encantamentos de sedução , o grande safado ! O professor Flitwick enterrou o rosto em as mãos . Snape olhava como_se quisesse dar veneno a a primeira pessoa que fosse pedir lhe a poção de o amor . - Por favor , Hermione , diz me que não foste uma de as quarenta_e_seis - pediu Ron quando saíram de o salão para a primeira aula . Mas Hermione ficou subitamente muito interessada em procurar o horário dentro de a mala e não lhe respondeu . Durante todo o dia os duendes não pararam de se intrometer em as aulas para entregar cartões , para grande aborrecimento de os professores e , ao_fim_da_tarde , quando os Gryffindor subiam as escadas para a aula de encantamentos , um de eles avistou o Harry . - Hei , tu , Harry_Potter ! - gritou um duende de aspecto particularmente lúgubre , dando cotoveladas a_toda_a gente para se aproximar de o Harry . Coradíssimo com a ideia de receber um cartão de S._Valentim diante_de uma fila de alunos de o primeiro ano que , por acaso , incluía Ginny_Weasley , Harry tentou escapar se . Mas o duende cortou lhe o caminho através de a multidão e agarrou o em três tempos . - Tenho uma mensagem musical para entregar a Harry_Potter em pessoa - disse , tangendo a harpa de forma ameaçadora . - Aqui não - disse baixinho o Harry , tentando escapar . - Fica quieto - grunhiu o duende , agarrando o saco de o Harry e puxando com força . - Larga me - disse ele rispidamente , dando um puxão . Com um ruído de tecido a rasgar se , o saco dividiu se em dois . Os livros de Harry , varinha , pergaminho e pena espalharam se por o chão enquanto o tinteiro se partia em cima de as outras coisas . Harry pôs se de gatas , tentando apanhar tudo antes que o duende começasse a cantar , provocando um engarrafamento em o corredor . - O que se passa aqui ? - perguntou a voz fria e afectada de Draco_Malfoy . Harry , nervosíssimo , começou a guardar tudo dentro de o saco rasgado , desesperado para sair de ali antes que Malfoy pudesse ouvir o seu S._Valentim musical . - Que confusão é esta ? - disse outra voz familiar . Percy_Weasley tinha chegado . De cabeça perdida , Harry tentou fugir , mas o duende agarrou o por os joelhos e fê lo cair a o chão . - Certo - disse , sentando se em os tornozelos de Harry . Eis o teu cartão musical : * _ Os olhos de ele são verdes como o sapo de o quintal * _ O seu cabelo é escuro como um temporal * _ É um desatino , oh ! ele é divino ! * _ O herói que venceu o Senhor_do_Mal * . Harry teria dado todo o ouro de Gringotts para se evaporar em aquele momento . Tentando corajosamente rir se com todos os outros , levantou se . Sentia os pés dormentes de o peso de o duende . Enquanto isso , Percy_Weasley fazia todos os possíveis por dispersar a multidão onde havia gente que chorava de hilaridade . - Vamos embora , vamos embora , a campainha tocou há cinco minutos para as aulas - dizia , enxotando alguns de os alunos mais novos . - E tu , Malfoy . Harry olhou e viu Malfoy inclinar se , apanhar qualquer coisa e com um olhar maldoso mostrá a a Crabbe e Goyle . Percebeu que era o diário de Riddle . - Dá cá isso - exigiu com toda_a calma . - O que será que o Potter escreveu aqui ? - disse Malfoy que obviamente não reparara em a data e pensou que tinha em as mãos o diário de o Harry . Houve uma agitação em os presentes . Ginny olhava apavorada para o diário e para Harry . - Dá lhe isso , Malfoy - disse Percy com firmeza . - Depois de dar uma vista de olhos - retorquiu Malfoy , acenando a Harry com o diário de forma provocatória . Percy disse : - Como Prefeito de a escola ... - mas Harry perdera a paciência . Pegou em a varinha e gritou * _ Expelliarmus * e assim_como Snape desarmara Lockhart , MalLoy viu o diário saltar lhe de as mãos e elevar se em o ar enquanto Ron o apanhava sorridente . - Harry - disse Percy levantando a voz . - Não quero magia em os corredores . Vou ter de participar isto , sabes perfeitamente . Mas Harry não se importou . Tinha ganho uma_vez a Malfoy e isso valia bem cinco pontos a menos para os Gryffindor . Malfoy estava furioso e quando a Ginny passou por ele a caminho de a sala de aula , gritou lhe com desprezo : - Não creio que o Potter tenha gostado lá muito de o teu cartão de S._Valentim . Ginny tapou a cara e correu para a aula . Aborrecido , Ron pegou também em a varinha , mas Harry afastou o . Era melhor que ele não passasse a aula de encantamentos a vomitar lesmas . Só quando entraram em a sala de aula de o professor Flitwick é_que Harry reparou em uma coisa bastante estranha em o diário de Riddle . Todos os outros livros estavam cheios de tinta vermelha , mas o diário mantinha se tão limpo como antes de o tinteiro se ter entornado em cima de ele . Tentou chamar a atenção de Ron para este facto , mas ele estava novamente a ter um problema com a varinha : de a extremidade saíam grandes bolhas roxas e ele não parecia interessado em mais_nada . Em essa noite , Harry foi deitar se antes de os outros companheiros de dormitório , em parte porque já não conseguia suportar o Fred e o George a cantarem * _ Os seus olhos são verdes como o sapo de o quintal * e em parte porque queria voltar a examinar o diário de Riddle e sabia que em a opinião de o Ron era uma pura perda de tempo . Sentou se em a cama de dossel e folheou as páginas em branco em as quais não se via uma única mancha de tinta escarlate . Tirou então outro tinteiro de o armário a o lado de a cama , molhou a pena e deixou cair um borrão em a primeira página de o diário . A tinta brilhou em o papel durante um segundo e , em seguida , como_se a página a tivesse sugado , desapareceu sem deixar rasto . Depois , finalmente , algo aconteceu . Deslizando sobre a página em a cor de a sua tinta , surgiram palavras que Harry não escrevera . - * _ Olá_Harry_Potter . O meu nome é Tom_Riddle . Como é_que encontraste o meu diário ? * Também estas palavras desapareceram , mas não sem que Harry tivesse respondido . - Alguém tentou lançá o em uma sanita . Esperou ansiosamente por a resposta de Riddle . - * _ Felizmente guardei as minhas memórias de uma forma mais duradoura do_que a tinta . Mas sempre soube que haveria quem não iria querer que o diário fosse lido . * - O que queres dizer com isso ? - escrevinhou Harry , borrando a página com o nervosismo . - * _ Quero dizer que este diário contém memórias de coisas terríveis . Coisas que foram abafadas . Coisas que aconteceram em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . * - É onde eu estou agora - escreveu Harry rapidamente . - Estou em Hogwarts e estão a acontecer coisas horríveis . Sabes alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? O coração parecia querer saltar lhe de o peito . A resposta de Riddle não se fez esperar , a letra tornara se mais desordenada como_se tivesse pressa em contar lhe tudo_o_que sabia . - * _ É claro que sei de a Câmara_dos_Segredos . Em o meu tempo diziam nos que era uma lenda , que não existia , mas era mentira . Quando eu estava em o quinto ano a Câmara_dos_Segredos foi aberta e o monstro atacou vários estudantes , acabando matar um . Eu apanhei a pessoa que abriu a câmara e ele foi expulso . Mas o director , o professor Dippet , envergonhado por uma coisa de aquelas ter acontecido em Hogwarts , proibiu me de contar a verdade . Foi divulgada uma história dizendo que a rapariga morrera de um acidente extravagante . Deram me um troféu brilhante com o meu nome gravado e avisaram me para ficar calado . Mas eu sabia que ia voltar a acontecer . O monstro sobreviveu e aquele que tinha o poder para o libertar não foi para a prisão . * Harry quase entornou o tinteiro em a pressa de responder . - Está a acontecer outra_vez . Houve três ataques e ninguém parece saber quem está por_detrás_de tudo_isto . Quem foi de a última vez ? - * _ Posso mostrar te , se quiseres * - foi a resposta de o Riddle . - * _ Não tens de acreditar só em a minha palavra . Posso levar te a o fundo de a minha memória de a noite em que o apanhei . * Harry hesitou com a pena em o ar sobre o diário . O que quereria ele dizer ? Como poderia entrar em a memória de outra pessoa ? Olhou inquieto para a porta de o dormitório que começava a ficar escuro . Quando pôs de_novo os olhos em o diário viu as palavras que se formavam . - * _ Deixa-me mostrar te . * Harry parou durante uma fracção de segundo e depois escreveu duas letras . - O. _ K._As páginas de o diário começaram a esvoaçar como_se tivessem sido apanhadas em uma ventania , parando a meio de o mês_de_Junho . Boquiaberto , Harry viu que o quadradinho de 13_de_Junho se transformara em um pequeno ecrã de televisão . Com as mãos ligeiramente trémulas levantou o livro para encostar os olhos a a janelinha e antes de perceber o que estava a passar se , deu consigo inclinado para a frente com a janela a abrir se . O corpo abandonava a cama e era lançado de cabeça , por a abertura de a página , em um turbilhão de cor e sombras . Sentiu os pés tocarem em terra firme e pôs se de pé a tremer enquanto as formas desfocadas se tornavam subitamente nítidas . Soube imediatamente onde estava . Aquela sala circular com os retratos adormecidos era o escritório de Dumbledore , mas não era Dumbledore quem estava atrás de a secretária . Um feiticeiro mirrado , de aspecto débil e quase careca lia uma carta a a luz de as velas . Harry nunca vira aquele homem antes . - Desculpe - disse com a voz a tremer . - Eu não queria intrometer me ... Mas o feiticeiro não olhou . Continuou a ler , franzindo levemente as sobrancelhas . Harry aproximou se de a secretária e gaguejou : - Er ... eu vou me embora , está bem ? E o feiticeiro continuou a ignorá o . Parecia nem_sequer ter ouvido . Pensando que talvez ele fosse surdo , Harry falou mais alto . - Desculpe tê o incomodado - disse quase a gritar . O feiticeiro dobrou a carta com um suspiro . Pôs se de pé , passou por Harry sem olhar para ele e foi abrir os cortinados de a janela . O céu , lá fora , estava vermelho-rubi . Devia ser o pôr de o Sol . O feiticeiro voltou para a secretária , sentou se e girou os polegares , olhando para a porta . Harry olhou em volta . Não viu Fawkes , a fénix , nem as engenhocas prateadas que sibilavam . Aquela Hogwarts era a que Riddle conhecera e , portanto , aquele feiticeiro desconhecido era o director de então , não Dumbledore e ele , Harry , era pouco mais que um fantasma , totalmente invisível a as pessoas de há cinquenta anos atrás . Alguém bateu a a porta . - Entre - disse o velho feiticeiro , em uma voz fraca . Um rapazinho de dezasseis anos entrou , tirando o chapéu pontiagudo . Em o seu peito brilhava um distintivo prateado de prefeito . Era muito mais alto do_que Harry , mas tinha , tal_como ele , cabelo preto asa de corvo . - Ah ! Riddle - disse o director . - Queria falar comigo , professor Dippet ? - perguntou ele com ar nervoso . - Senta te - disse Dippet . - Tenho estado a ler a carta que me mandaste . - Oh ! - exclamou Riddle , sentando se e apertando as mãos uma contra a outra . - Meu rapaz - disse Dippet amavelmente . - Eu não posso deixar te ficar em a escola durante o Verão . Com certeza queres ir para_casa em as férias ? - Não - respondeu Riddle , sem perder tempo . - Prefiro mil vezes ficar em Hogwarts a ter de voltar a aquela ... aquela ... - Tu vives em um orfanato de Muggles durante as férias , não é assim ? - perguntou Dippet com curiosidade . - Sim senhor - disse Riddle , corando um_pouco . - És filho de Muggles ? - Meio sangue , professor - explicou Riddle . - Pai_Muggle , mãe bruxa . - E o teu pai e a tua mãe ... - A minha mãe morreu pouco depois de eu nascer , professor , contaram me em o orfanato que só teve tempo de me dar o nome : Tom , como o meu pai , Marvolo como o meu avô . Dippet estalou a língua solidariamente . - O que acontece , Tom - suspirou - é_que ... podia ter se arranjado uma situação especial para ti , mas em as circunstâncias actuais ... - Refere se a os ataques , professor ? - perguntou Riddle e o coração de Harry deu um salto , aproximando se com medo de perder alguma coisa . - Precisamente - disse o director . - Meu rapaz , compreendes que seria uma imprudência de a minha parte deixar te ficar em o castelo quando o período acabar , principalmente a a luz de a recente tragédia ... a morte de aquela pobre moça ... estarás sem dúvida em maior segurança em o orfanato . Em a verdade , o ministro de a magia até fala em fechar a escola . Não estamos nada perto_de localizar ... er ... a fonte de toda esta história desagradável . Os olhos de Riddle tinham se aberto mais . - Professor , se essa pessoa fosse apanhada ... se tudo acabasse . . . - Que queres dizer com isso ? - perguntou Dippet com voz aguda , endireitando se em a cadeira . - Riddle , tu sabes alguma coisa sobre estes ataques ? - Não senhor - respondeu ele de imediato . Mas Harry sabia que era o mesmo tipo de « não » que ele dissera a Dumbledore . Dippet afundou se de_novo com um ar de profundo desapontamento . - Podes ir , Tom . Riddle esgueirou se de a cadeira e saiu de a sala . Harry seguiu o . Desceram por a escada em espiral , saindo junto de a gárgula em o corredor que escurecia . Riddle parou e Harry fez o mesmo , olhando para ele . Quase podia apostar que ele pensava seriamente em alguma coisa . Mordia o lábio e tinha as sobrancelhas franzidas . A certa altura , como_se tivesse acabado de tomar uma decisão , começou a andar mais depressa com Harry a segui o ruidosamente . Não viram mais ninguém , a não ser quando chegaram a o * hall * de entrada onde um feiticeiro alto de longos cabelos ruivos e barba chamou Riddle de a escadaria de mármore . - O que andas a fazer por aqui tão tarde , Tom ? Harry olhou para o feiticeiro . Não era outro senão Dumbledore com cinquenta anos a menos . - Tive de ir falar com o director - justificou se Riddle . - Bem , agora vai depressa para a cama - disse Dumbledore , olhando Riddle com aquele olhar penetrante que Harry conhecia tão bem . - É melhor não andar a passear por os corredores em os dias que correm , pelo_menos até ... Suspirou profundamente , deu as boas-noites a o Riddle e foi se embora . Riddle viu o desaparecer e , sem perder tempo , desceu os degraus de pedra até a os calabouços com Harry em a peugada . Mas para seu grande desconsolo , Riddle não o conduziu a nenhum corredor ou túnel secreto e sim a o calabouço onde ele costumava ter aulas de poções com o Snape . As tochas não tinham sido acesas e quando Riddle empurrou a porta quase fechada , Harry só conseguiu vê o a ele , de pé , quieto junto de a porta , olhando para o corredor . Pareceu a Harry que ficaram ali quase uma hora . Tudo_o_que via era a silhueta de Riddle junto de a porta , olhando fixamente através de a greta , a a espera . Como_se fosse uma estátua . E quando Harry tinha abandonado todas_as expectativas e começava a desejar voltar a o presente , ouviu alguma coisa que se movia atrás de a porta . Alguém avançava lentamente por o corredor . Ouviu a pessoa , quem quer que fosse , passar por o calabouço onde ele e Riddle estavam escondidos . Riddle , silencioso como uma sombra , esgueirou se por a porta e seguiu o com Harry em bicos de pés atrás de ele , esquecido de que podia fazer barulho a a vontade porque ninguém o ouvia . Durante cerca de cinco minutos seguiram lhe os passos até que Riddle parou repentinamente com a cabeça inclinada em a direcção de novos ruídos . Harry ouviu uma porta a abrir se e em seguida alguém falou em um murmúrio rouco . - Vá lá , temos que sair de aqui ... vá lá , dentro de a caixa ... Havia algo de familiar em aquela voz . Riddle deu subitamente uma volta e Harry seguiu o . Podia ver a silhueta escura de um rapaz enorme que estava inclinado em frente de a porta aberta , com uma grande caixa a o lado . - Boa noite , Rubeus - disse Riddle secamente . O rapaz fechou a porta e pôs se de pé . - O que estás a fazer aqui , Tom ? Riddle aproximou se . - Acabou se - disse . - Vou ter de entregar te , Rubeus . Falam em fechar Hogwarts se os ataques não terminarem . - O que é_que tu ... ? - Eu acho que tu não quiseste matar ninguém , mas os monstros não são os melhores animais domésticos . Tu só quiseste deixá o sair para andar um_pouco e ... - Ele não matou ninguém - disse o rapaz grande , recuando contra a porta fechada . Lá de dentro vinham uns estranhos roncos e rugidos . - Vamos , Rubeus - disse Riddle , aproximando se mais ainda . - Os pais de a rapariga que morreu estarão aqui amanhã . O mínimo que Hogwarts pode fazer é assegurar lhes que aquilo que matou a filha de eles foi abatido ... - Não foi ele - gemeu o rapaz cuja voz ecoou em o corredor escuro . - Ele não faria isso ... ele nunca ... - Afasta te - disse Riddle , pegando em a varinha . O encantamento iluminou o corredor com uma luz brilhante . A porta atrás de o rapaz grande abriu se de par em par com tanta força que o atirou contra a parede . E de lá de dentro saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito que ninguém mais ouviu a não ser ele próprio . Tinha um corpo imenso , magro e peludo e um emaranhado de pernas pretas , a cintilação de muitos olhos e um par de tenazes afiadas . Riddle levantou de_novo a varinha , mas era tarde de mais . A coisa deixara o atarantado e corria apressadamente , precipitando se por o corredor e desaparecendo . Riddle pôs se de pé , olhou a a procura de o monstro , levantou a varinha , mas o rapaz grande saltou sobre ele , tirou lhe a varinha de as mãos e lançou o a o chão , gritando : - Naaaaaão ! A cena rodopiou . A escuridão tornou se total . Harry sentiu se a cair e com um embate aterrou como uma águia de patas e asas abertas em a sua cama de dossel , em o dormitório de os Gryffindor , o diário de Riddle aberto sobre o estômago . Antes de ter tido tempo de normalizar a respiração , a porta de o dormitório abriu se e o Ron entrou . - Aí estás tu - disse . Harry sentou se . Transpirava e tremia . - O que se passa ? - perguntou Ron , olhando aflito para ele . - Foi o Hagrid , Ron . O Hagrid abriu a Câmara_dos_Segredos há cinquenta anos atrás . XIV_Cornelius_Fudge_Harry , Ron e Hermione sabiam há muito_tempo que Hagrid tinha uma triste predilecção por criaturas grandes e monstruosas . Em o primeiro ano que passaram em Hogwarts , ele tentara criar um dragão em a sua pequena cabana de madeira e levaram muito_tempo a esquecer o gigantesco cão de três cabeças que ele baptizara de « fofinho » . E se , em rapaz , Hagrid tinha ouvido dizer que havia um monstro escondido em o castelo , Harry tinha a certeza que ele teria feito os impossíveis por descobri o . Provavelmente achou que era uma injustiça o monstro estar fechado tanto tempo e pensou que ele merecia a oportunidade de esticar as suas muitas pernas . Harry imaginava perfeitamente o Hagrid a os treze anos a tentar pôr uma coleira e uma trela a o monstro . Mas tinha igualmente a certeza de que ele nunca teria querido matar ninguém . De certo modo , Harry desejava não ter descoberto como utilizar o diário de Riddle . Ron e Hermione fizeram o contar repetidas vezes o que vira até ele ficar farto de repetir o mesmo e farto de a conversa circular que se seguia . - O Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse , de essa vez , Hermione . - O monstro que atacava as pessoas podia ser outro .... - Quantos monstros achas tu que pode haver em este lugar ? - perguntou o Ron aborrecido . - Sempre soubemos que o Hagrid tinha sido expulso - disse Harry tristemente - E os ataques devem ter terminado quando ele foi expulso . Se não fosse assim , Riddle não teria recebido um prémio . Ron tentou um caminho diferente . - O Riddle parece o Percy , quem lhe pediu afinal que deitasse abaixo o Hagrid ? - Mas o monstro tinha morto uma pessoa , Ron - insistiu Hermione . - E o Riddle ia ter de voltar para um orfanato Muggle se Hogwarts fosse fechada - disse Harry . - Não posso culpá o por querer ficar aqui ... Ron mordeu o lábio e a seguir sugeriu : - Tu encontraste o Hagrid em a Rua * _ Bativolta * , não foi ? - Ele estava a comprar repelente para lesmas - disse Harry rapidamente . Ficaram os três em silêncio . Depois de uma longa pausa , Hermione , em uma voz hesitante , formulou a pergunta mais complicada de todas : - Não acham que devíamos ir ter com ele e perguntar lhe ? - Essa seria uma visita simpática - disse o Ron . - Olá , Hagrid , diz nos uma coisa , soltaste por acaso alguma coisa louca e peluda por o castelo em estes últimos tempos ? Por fim , decidiram não dizer nada a o Hagrid a_não_ser_que houvesse outro ataque e à_medida_que passava mais tempo sem murmúrios de a voz sem corpo começaram a acreditar , esperançosos , que nunca mais teriam de falar sobre o motivo por_que fora expulso . Tinham passado já quase quatro meses desde o dia em que o Justin e o Nick quase sem cabeça tinham sido petrificados e quase toda_a_gente parecia pensar que o atacante , quem quer que ele fosse , se retirara para sempre . Peeves fartara se de a sua canção * _ Oh_Potter , seu bandido * , Ernie_Mcmillan pediu educadamente a o Harry , em a aula de herbologia , que lhe passasse um balde de cogumelos saltitantes e , em Março , várias mandrágoras deram uma festa ruidosa e roufenha em a estufa número três . A professora Sprout estava muito satisfeita . - Mal elas comecem a tentar mover se para os vasos umas de as outras , saberemos que estão maduras - disse ela a o Harry . - Nessa_altura poderemos reanimar aquelas pobres criaturas que estão em a ala hospitalar . Os alunos de o segundo ano tinham agora uma coisa nova em que pensar durante as férias de a Páscoa . Chegara a altura de escolherem as matérias de o terceiro ano , um assunto que Hermione , pelo_menos , tomou muito a sério . - Pode afectar todo o nosso futuro - disse a o Harry e a o Ron a o vê os ler cuidadosamente as listas de as novas matérias e pôr um V em frente de cada uma . - Eu só quero ver me livre de as poções - disse Harry . - Não podemos - explicou Ron tristemente . - Mantemos todas_as matérias antigas ou eu teria me livrado de a Defesa contra as artes negras . - Mas é muito importante - disse Hermione chocada . - Não de a maneira como Lockhart a dá - insistiu Ron . - Não aprendi nada até agora a não ser a nunca mais libertar duendes . Neville_Longbottom recebera cartas de todas_as bruxas e feiticeiros de a família , cada_um dando um conselho diferente sobre o que ele deveria escolher . Confuso e preocupado , sentou se a ler a lista de matérias , dando estalinhos com a língua e perguntando a as pessoas se achavam que a aritmancia seria mais difícil do_que o estudo de as runas em a Antiguidade . Dean_Thomas que , tal_como Harry , fora criado com Muggles , acabou por fechar os olhos e atirar a varinha contra a lista , escolhendo as matérias onde ela aterrava . Hermione não pediu conselho a ninguém e inscreveu se em todas . Harry sorriu de si para consigo imaginando como seria uma conversa com o tio Vernon e com a tia Petúnia sobre a sua carreira em feitiçaria . Não que não tivesse tido orientação : Percy_Weasley estava ansioso por partilhar a sua experiência . - Tudo depende de o lugar para_onde queres ir , Harry - disse ele . - Nunca é cedo de mais para pensar em o futuro , por isso eu aconselho te a adivinhação . As pessoas dizem que os estudos de Muggles são uma opção leve mas eu , pessoalmente , acho que os feiticeiros deveriam ter uma compreensão profunda de a comunidade não mágica , muito especialmente se pensarem em trabalhar em íntimo contacto com eles . Vê o meu pai que tem de lidar com assuntos de os Muggles a_toda_a hora . O meu irmão Charles foi sempre mais um tipo de o exterior , por isso foi para o Centro_de_Cuidados com as Criaturas_Mágicas . Segue os teus sentimentos , Harry . Mas a única coisa em que Harry sentia que era mesmo bom era o Quidditch . Por fim , acabou por escolher as mesmas matérias que o Ron escolhera , pensando que se fosse péssimo em elas pelo_menos tinha alguém amigo para o ajudar . O próximo jogo de Quidditch_dos_Gryffindor era contra os Hufflepuff . Wood insistia em treinos de equipa todas_as noites depois de jantar , por isso Harry não tinha tempo para mais_nada a não ser para o Quidditch e para os trabalhos de casa . Mas as sessões de treino estavam a melhorar ou pelo_menos estavam mais secas e em a véspera de o jogo de sábado ele foi a o dormitório guardar a vassoura , sentindo que as hipóteses de os Gryffindor ganharem a taça de Quidditch nunca tinham sido tão boas . Mas a sua boa disposição não durou muito . Em o cimo de as escadas que levavam a o dormitório encontrou o Neville_Longbottom nervosíssimo . - Harry , não sei quem fez aquilo , eu fui encontrar ... Olhando receoso para Harry , Neville empurrou a porta . O conteúdo de a mala de Harry fora espalhado por toda_a divisão . O seu manto estava em o chão rasgado . A roupa de cama tinha sido puxada de a cama de dossel e a gaveta de o armário que se encontrava a a cabeceira de a cama fora arrancada , estando o seu conteúdo espalhado sobre o colchão . Harry aproximou se de a cama boquiaberto , pisando algumas páginas soltas de * _ Viagens com Duendes * . Quando ele e Neville estavam a puxar os cobertores para_cima , entraram o Ron e o Dean_Seamas . Dean praguejou alto . - O que é isto , Harry ? - Não faço ideia - disse ele . Mas o Ron estava a examinar as vestes de Harry e todos os bolsos estavam de o avesso . - Alguém andou a a procura de qualquer coisa - disse o Ron . - Dás por falta de alguma coisa ? Harry começou a apanhar o que estava caído , lançando tudo dentro de a mala . Só quando atirou o último livro de Lockhart é_que se apercebeu do_que faltava . - O diário de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a o Ron . - O quê ? Harry fez lhe sinal em direcção a a porta de o dormitório e apressaram se a chegar a a sala comum de os Gryffindor que estava quase vazia e onde foram encontrar Hermione sozinha a ler * _ As_Runas_Antigas a o Alcance_de_Todos * . Hermione ficou aterrada com as notícias . - Mas ... só um Gryffindor podia tê o roubado ... ninguém mais conhece a nossa senha ... - Exactamente - disse Harry . Acordaram em o dia seguinte com um sol brilhante e uma brisa agradável . - Condições ideais para o Quidditch ! - exclamou Wood , cheio de entusiasmo , a a mesa de os Gryffindor , enchendo os pratos de os elementos de a sua equipa de ovos mexidos . - Harry , anima te , precisas de um pequeno-almoço decente . Harry tinha estado a olhar para a mesa cheia de alunos de os Gryffindor , perguntando a si próprio se o novo dono de o diário de Riddle estaria ali mesmo em frente de os seus olhos . Hermione insistira para que ele participasse o roubo mas ele não gostou de a ideia . Teria de contar a um professor tudo sobre o diário , e quantas pessoas saberiam o motivo por_que Hagrid fora expulso há cinquenta anos ? Não queria ser ele a fazer com que relembrassem tudo aquilo . Quando saiu de o salão com o Ron e a Hermione para ir buscar o material de Quidditch , outra preocupação viera juntar se a a sua lista cada_vez maior . Tinha acabado de pisar os degraus de a escadaria de mármore quando ouviu de_novo a voz : - * _ Matar desta_vez ... deixem me rasgar ... romper * ... Deu um grito e Ron e Hermione saltaram alarmados . - A voz - disse Harry , olhando por cima de os ombros de eles . - Acabo de a ouvir de_novo , vocês não ouviram nada ? Ron abanou a cabeça de olhos muito abertos Mas_Hermione bateu com a mão em a testa . - Harry , acho que percebi uma coisa . Tenho que ir a a biblioteca . E disparou a correr por as escadas acima . - O que é_que ela percebeu ? - disse Harry distraidamente , ainda a olhar em volta , tentando determinar de onde vinha a voz . - Mas porque teve ela que ir a a biblioteca ? - Porque a Hermione é assim - disse o Ron , encolhendo os ombros - Quando tem uma dúvida , vai a a biblioteca . Harry manteve se hesitante , tentando captar novamente a voz mas as pessoas começavam a sair de o salão , falando alto , passando por a porta principal e encaminhando se para o estádio de Quidditch . - É melhor ires indo - aconselhou Ron . - São quase onze horas , olha o jogo . Harry deu uma corrida até a a torre de os Gryffindor , pegou em a sua Nimbus dois_mil e juntou se a a vasta multidão que enchia os campos , mas o seu pensamento estava ainda em o castelo , em aquela voz sem corpo e quando pôs as roupas vermelhas , o seu único conforto foi pensar que estavam todos lá fora para assistir a o jogo . As equipas entraram em campo a o som de um tumulto de aplausos . Oliver_Wood fez um voo de aquecimento em volta de os postes , Madam_Hooch soltou as bolas . Os Hufflepuff que tinham fatos amarelo-canário estavam reunidos em grupo em uma discussão de última hora sobre as tácticas . Harry subia para a vassoura quando a professora Mc_Gonagall atravessou o campo , meio a andar , meio a correr , transportando um enorme megafone roxo . O coração de Harry caiu lhe a os pés . - Este jogo foi cancelado - gritou por o megafone a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a o estádio apinhado . Ouviram se Uuuus e assobios . Oliver_Wood , com um ar infelicíssimo , aterrou e correu para a professora McGonagall sem sair de a vassoura . - Mas , professora - gritou - temos de jogar ... a taça ... os Gryffindor ... A professora Mc_Gonagall ignorou o e continuou a gritar por o megafone . - Pede se a os estudantes que regressem a as salas comuns de as respectivas equipas onde os chefes de equipa lhes darão mais informações . O mais depressa possível , se fazem favor ! Em seguida , baixou o megafone e fez sinal a o Harry para que se aproximasse . - Potter , é melhor vires comigo ... Perguntando a si próprio que suspeita poderia ela ter contra ele , desta_vez , Harry viu Ron desligar se de a multidão discordante e vir a correr juntar se lhes , enquanto eles se dirigiam para o castelo . Para sua grande surpresa Mc_Gonagall não pôs qualquer objecção . - Sim , talvez seja melhor vires também , Weasley . Alguns de os estudantes que os rodeavam reclamavam por o jogo ter sido cancelado , outros tinham um ar preocupado . Harry e Ron seguiram a professora Mc_Gonagall de volta a a escola e através de a escadaria de pedra . Mas desta_vez não foram levados a nenhum escritório . - Isto vai chocar vos um_pouco - disse a professora Mc_Gonagall em um tom de voz surpreendentemente suave quando estavam a aproximar se de a ala hospitalar . - Houve outro ataque ... outro ataque duplo . As vísceras de o Harry deram um salto mortal . A professora Mc_Gonagall abriu a porta e ele e Ron entraram . Madam_Pomfrey estava inclinada sobre uma rapariga de o quinto ano de cabelos longos a os caracóis que Harry reconheceu como sendo a colega de os Ravenclaw a quem , por engano , tinham perguntado o caminho para a sala comum de os Slytherin . E , em a cama a o lado de ela , estava ... - Hermione - gemeu o Ron . Hermione jazia totalmente quieta , os olhos abertos e vítreos . - Foram encontradas perto de a biblioteca - disse a professora Mc_Gonagall . - Calculo que nenhum de vocês possa explicar isto ? Estava em o chão , junto de ela . A professora tinha em as mãos um pequeno espelho redondo . Harry e Ron acenaram negativamente com as cabeças , ambos com os olhos fixos em Hermione . - Eu acompanho vos a a torre de os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall pesadamente . - De qualquer modo tenho de falar com os alunos . - Os alunos regressarão a as salas comuns de as respectivas equipas , todos_os_dias , a as seis_horas_da_tarde . Nenhum aluno deverá sair de os dormitórios depois de isso . Serão escoltados até a as aulas por um professor . Nenhum aluno deverá ir a a casa_de_banho sem um professor a acompanhá o . Todos os treinos e jogos de Quidditch estão suspensos a_partir_de agora . Não haverá mais actividades nocturnas . Os Gryffindor , que enchiam a sala comum , ouviram em silêncio a professora Mc_Gonagall . Ela enrolou o pergaminho que acabara de ler e disse em uma voz algo chocada : - Não é preciso acrescentar que nunca me senti tão desolada . É provável que a escola seja encerrada se não for apanhado o culpado de todos estes ataques . Quero pedir que se algum de vocês achar que sabe alguma coisa sobre eles venha imediatamente ter comigo . Mal ela subiu , de forma um_pouco desastrada , por o buraco de o retrato , os Gryffindor começaram logo a falar . - São dois Gryffindor a menos , sem contar com o fantasma de os Gryffindor , um Ravenclaw e um Hufflepuff - disse o amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , contando por os dedos . - Não terá nenhum de os professores reparado que os Slytherin estão a salvo ? Será que não é óbvio que tudo_isto vem de eles ? O herdeiro de Slytherin , o monstro de Slytherin , porque não expulsam todos os Slytherin ? - resmungou , recebendo acenos e aplausos de todos os lados . Percy_Weasley estava sentado em uma cadeira atrás_de Lee , mas por uma_vez não pareceu querer expor os seus pontos de vista . Estava pálido e aturdido . - O Percy está em estado de choque - disse o George baixinho a o Harry . - Aquela rapariga de os Ravenclaw , Penelope_Clearwater , é prefeita . Acho que ele nunca tinha pensado que o monstro pudesse atacar um prefeito . Mas Harry não estava a ouvi o com atenção . Não conseguia esquecer a imagem de Hermione deitada em a cama de o hospital , como_se estivesse esculpida em pedra . E se o culpado não fosse apanhado rapidamente tinha em a frente uma vida inteira com os Dursley . Tom_Riddle entregara o Hagrid porque fora confrontado com a possibilidade de um orfanato Muggle se a escola fechasse . Harry sabia exactamente o que ele sentira . - Que vamos nós fazer ? - disse lhe o Ron baixinho a o ouvido . - Achas que eles suspeitam de o Hagrid ? - Temos de falar com ele - disse Harry , tomando uma decisão . - Não acredito que tenha culpa desta_vez , mas se ele libertou o monstro há cinquenta anos , sabe com certeza como entrar em a Câmara_dos_Segredos , o que já é um princípio . - Mas a Gonagall disse que temos que ficar em a torre a_não_ser_que estejamos em as aulas ... - Eu acho - disse Harry ainda mais baixo - que chegou a altura de tirar outra_vez de a mala o manto de o meu pai . Harry herdara apenas uma coisa de o pai : o enorme manto prateado de a invisibilidade . Era a única maneira de poderem esgueirar se de a escola para fazer uma visita a o Hagrid , sem que ninguém de esse por isso . Deitaram se a a hora de o costume , esperaram que o Neville , o Dean e o Seamas adormecessem para se levantarem , vestirem se de_novo e taparem se com o manto . A viagem por os corredores de o castelo escuro e deserto não era nada agradável . Harry que vagueara por ali muitas_vezes durante a noite nunca vira tanta gente depois de o pôr de o Sol . Professores , prefeitos e fantasmas andavam por os corredores a os pares , olhando em volta , em busca de qualquer actividade fora de o habitual . O manto de a invisibilidade não impedia que fizessem barulho e houve um momento particularmente tenso em que o Ron deu uma topada a menos_de um metro de o lugar onde Snape se encontrava . Felizmente Snape espirrou em o preciso momento em que o Ron praguejava . Foi com grande alívio que chegaram a as portas de carvalho de a entrada principal . Estava uma noite clara e cheia de estrelas . Dirigiram se apressadamente para as janelas iluminadas de a casa de Hagrid e só tiraram o manto mesmo em frente de a porta . Poucos segundos depois de terem batido abriu se a porta . Ficaram frente_a_frente com Hagrid que lhes apontou uma besta enquanto Fang , o cão caçador de javalis , ladrava furiosamente atrás de ele . - Oh ! - disse , baixando a arma quando viu que eram eles . - O que estão vocês a fazer aqui ? - Para que é isso ? - perguntou Harry , apontando para a besta , enquanto entrava . - Nada , não é nada - murmurou Hagrid . - Tenho estado a a espera ... não tem importância , sentem se que eu vou fazer um chá . Dava a impressão de não saber o que fazia . Quase apagou a lareira , vertendo a água de a chaleira em o lume e em seguida esmagou o bule com um gesto de a sua mão maciça . - Estás bem , Hagrid ? - perguntou Harry . - Soubeste de a Hermione ? - Soube , sim - disse ele com um leve tremor em a voz . Continuava a olhar nervosamente para as janelas . Deu lhe os duas grandes canecas de água a ferver ( esquecera se de juntar o chá ) e estava a acabar de pôr em um prato uma fatia grossa de bolo de frutas quando alguém bateu energicamente a a porta . Hagrid deixou cair o bolo . Harry e Ron trocaram entre si olhares de pânico e , em seguida , cobriram se com o manto de a invisibilidade e esconderam se em um canto . Hagrid assegurou se de que eles estavam bem escondidos , pegou em a besta e abriu , mais_uma_vez , a porta . - Boa noite , Hagrid . Era_Dumbledore . Entrou com um ar muito sério , seguido de um homem bizarro . O estranho era um homenzinho pequenino , de porte majestoso com cabelos grisalhos desalinhados e uma expressão de ansiedade em o rosto . Usava uma inesperada mistura de roupas . Um fato a as riscas , uma gravata vermelho escarlate , um longo manto negro e umas botas roxas pontiagudas . Debaixo de o braço trazia um chapéu de coco verde lima . -- É o patrão de o meu pai - murmurou o Ron . Cornelius_Fudge , o ministro de a magia ! Harry deu lhe uma valente cotovelada para o fazer calar se . Hagrid tinha ficado suado e pálido . Deixou se cair em uma de as cadeiras e olhava de Dumbledore_para_Cornelius_Fudge . - Más notícias , Hagrid - disse Fudge em um tom bastante grave . - Muito más notícias . Tive de vir . Quatro ataques a filhos de Muggles , as coisas foram longe_de mais . O ministério tem que tomar uma atitude . - Eu nunca ... - disse Hagrid , parecendo implorar a Dumbledore . - O senhor sabe que eu nunca ... professor Dumbledore , o senhor ... - Quero que fique claro , Cornelius , que Hagrid tem a minha total confiança - afirmou Dumbledore , franzindo as sobrancelhas . - Olha , Albus - disse Fudge pouco a a vontade - a ficha de o Hagrid depõe contra ele . O ministério tem de fazer alguma coisa , o Conselho_Directivo de a escola tem se reunido ... - Mesmo_assim , Cornelius , devo dizer te mais_uma_vez que levar o Hagrid de aqui não vai ajudar em nada - afirmou Dumbledore com os olhos azuis com um fogo que Harry nunca vira antes . - Tenta compreender o meu ponto de vista - insistiu Fudge , brincando com o chapéu . - Estou a ser tremendamente pressionado , tenho de mostrar que faço alguma coisa . Se se provar que não foi o Hagrid , ele voltará e não se fala mais em o assunto . Mas tenho de levá o , tem de ser , não estaria a cumprir a minha obrigação se ... - Levar me ? - perguntou Hagrid a tremer . - Levar me para_onde ? - É uma pena curta - disse Fudge , sem o olhar em os olhos . - Não é um castigo , Hagrid , chamemos lhe antes uma precaução . Se mais alguém for apanhado , tu sais com todas_as nossas desculpas . - Não é para Azkaban ? - balbuciou Hagrid . Mas antes que Fudge tivesse tido tempo de responder , ouviu se bater mais_uma_vez a a porta . Dumbledore abriu . Foi a vez de Harry levar uma cotovelada em as costas : soltara um gemido audível . Mr._Lucius_Malfoy entrou em a cabana de o Hagrid embrulhado em uma longa capa preta de viagem , com um sorriso frio de satisfação . O Fang começou a rosnar . - Já está aqui , Fudge ? - disse de forma aprovadora . - Muito bem , muito bem ... - O que estás a fazer aqui ? - perguntou Hagrid furioso . - Sai imediatamente de a minha casa . - Meu bom homem , acredite que não tenho prazer nenhum em entrar em a sua ... er ... chamou lhe casa ? - disse Lucius_Malfoy , sorrindo sarcasticamente enquanto observava a pequena divisão . - Eu limitei me a ir a a escola e disseram me que o director estava aqui . - E o que queres de mim , Lucius ? - perguntou Dumbledore . O seu tom de voz era educado mas em os olhos azuis brilhava ainda o mesmo fogo . - Uma notícia horrível , Dumbledore - disse Mr._Malfoy de forma arrastada , pegando em um grande rolo de pergaminho . - Mas os membros de o conselho pensam que é altura de tu saíres . Isto_é uma ordem de suspensão , tens aí doze assinaturas . Lamento muito mas em a nossa opinião estás a perder a firmeza . Quantos ataques houve até agora ? Mais dois hoje a a tarde , não foi ? A este ritmo vão acabar todos os filhos de Muggles em Hogwarts e todos sabemos que seria uma terrível perda para a escola . - O que é isso , Lucius ? - protestou Fudge com ar alarmado . - O Dumbledore suspenso não ... não , seria a última coisa que desejaríamos em este momento ... - A nomeação ou suspensão , de o director é de a competência de os membros de o Conselho_Directivo , Fudge - disse suavemente Mr._Malfoy . - E como Dumbledore não foi capaz de pôr cobro a estes ataques ... - Oh ! Lucius , se Dumbledore não conseguiu - disse Fudge com o lábio superior a suar . - Quem irá conseguir ? - Isso está para se ver - disse Mr._Malfoy com um sorriso mesquinho . - Mas como os doze votamos ... Hagrid pôs se de pé em um salto , o cabelo preto hirsuto a roçar em o tecto . - E quantos tiveste de chantajar para concordarem contigo , Malfoy ? - Meu caro Hagrid , sabe que esse seu temperamento ainda acaba por lhe criar problemas um dia de estes - disse Mr._Malfoy . - Não o aconselho a gritar assim com os guardas de Azkaban . Eles não iriam gostar nada . - Não podes levar Dumbledore - gritou Hagrid , fazendo Fang , o cão caçador de javalis , agachar se e ganir em o seu cesto . - Sem ele , os filhos de os Muggles não têm qualquer hipótese . A seguir haverá mortes . - Acalma te , Hagrid - disse Dumbledore de forma cortante , olhando para Lucius_Malfoy . - Se os membros de o conselho querem substituir me , eu sairei , claro . - Mas - interrompeu Fudge . - Não - rosnou Hagrid . Dumbledore não tirara os seus olhos azuis brilhantes de os olhos cinzentos e frios de Lucius_Malfoy . - Contudo - disse , pronunciando cada palavra lenta e claramente para que nenhum de eles perdesse o seu sentido - verás que só deixarei verdadeiramente esta escola quando ninguém aqui me for leal . Descobrirás também que será sempre dada ajuda em Hogwarts a quem a pedir . Por um segundo , Harry teve quase a certeza de que os olhos de Dumbledore tremelaziram em direcção a o canto onde ele e Ron estavam escondidos . - Sentimentos admiráveis - disse Malfoy , fazendo uma vénia . - Todos nós vamos sentir a tua ... forma muito pessoal de fazer as coisas , Albus . Só espero que o teu sucessor consiga evitar qualquer ... crime . Dirigiu se a a porta de a cabana , abriu a e fez sinal a Dumbledore para que passasse a a sua frente . Fudge , mexendo nervosamente em o chapéu de coco , esperou que Hagrid fizesse o mesmo mas ele ficou quieto , respirou fundo e disse prudentemente : - Se alguém quiser descobrir alguma coisa , o que tem a fazer é seguir as aranhas . Elas indicarão o caminho , é tudo_o_que vos digo . Fudge olhou para ele espantado . - Está bem , eu vou - disse Hagrid , pegando em o seu sobretudo de pêlo de toupeira . Mas quando ia seguir o Fudge e sair por a porta , parou e disse em voz alta : - E alguém tem de dar de comer a o Fang enquanto eu não estiver cá . A porta fechou se ruidosamente e Ron tirou o manto de a invisibilidade . -- Estamos outra_vez em uma alhada - disse com voz rouca - Sem o Dumbledore podem fechar a escola já esta noite . Sem ele vai haver um ataque por dia . O Fang começou a ganir , arranhando a porta fechada . XV_Aragog_O_Verão insinuava se em os campos em volta de o castelo . O céu e o lago tinham se tornado de um azul-molusco e as flores , grandes como couves , começavam a florir em as estufas . Mas sem o Hagrid , que ele costumava avistar de o castelo , atravessando os campos com o Fang atrás , parecia a Harry que a paisagem não estava completa . Não era melhor dentro de o castelo onde tudo corria horrivelmente mal . O Harry e o Ron tinham tentado visitar a Hermione , mas as visitas a o hospital estavam proibidas . - Não vamos correr mais riscos - disse lhes Madam_Pomfrey com ar severo , através_de uma fresta de a porta de o hospital . Não , lamento , há muitas hipóteses de o atacante voltar para acabar de vez com estas pessoas ... Com Dumbledore longe , o medo espalhara se como nunca acontecera antes , de_tal_modo_que o sol que aquecia as paredes de o castelo por fora parecia parar junto de as janelas de pinázios . Não se via um único rosto em a escola que não andasse tenso e preocupado e qualquer gargalhada , em os corredores , se tornava incómoda e antinatural e era rapidamente abafada . Harry repetia constantemente , de si para consigo , as últimas palavras que ouvira a Dumbledore : - * _ Só terei verdadeiramente deixado esta escola quando ninguém me for leal ... será sempre dada ajuda , em Hogwarts , a quem a pedir * . Qual seria o significado exacto de aquelas palavras ? A quem deveria pedir ajuda quando todos estavam tão confusos assustados como ele ? A alusão de Hagrid a as aranhas era bastante mais fácil de entender . O problema era que parecia não ter restado uma única aranha em o castelo para eles a poderem seguir . Harry procurou por todo o lado com a ajuda relutante de o Ron . As coisas estavam dificultadas por o facto de não poderem andar sozinhos e terem de se deslocar em grupo dentro de o castelo , juntamente com outros Gryffindor . A maior parte de os alunos gostava de ser conduzida como carneiros de uma aula para a outra por os professores mas Harry achava horrível . Havia , contudo , uma pessoa que parecia apreciar aquela atmosfera de terror e suspeitas . Draco_Malfoy passeava empertigado por a escola como_se tivesse sido nomeado para chefe de turma . Harry só compreendeu o motivo de toda aquela boa disposição cerca de quinze_dias depois de Dumbledore e Hagrid se terem ido embora quando , em uma aula de poções , o ouviu falar com o Crabbe e o Goyle . - Sempre achei que seria o pai quem conseguiria livrar nos de o Dumbledore - disse sem a menor preocupação em baixar a voz . - Já vos disse , segundo ele , Dumbledore foi o pior director que a escola alguma vez teve . Talvez agora venha um director decente que não queira a Câmara_dos_Segredos fechada . A Mc_Gonagall não vai durar muito , está só a ... O Snape passou por Harry , sem fazer comentários a o caldeirão e a a cadeira vazia de Hermione . - Professor - disse Malfoy em voz alta . - Professor , porque não se candidata a o lugar de director ? - Ora , ora , Malfoy - respondeu Snape , sem conseguir esconder um meio sorriso . - O professor Dumbledore foi apenas suspenso por os membros de o conselho de direcção , certamente vai voltar um dia de estes . - Sim , claro - disse Malfoy com o seu sorriso escarninho . - Acho que se o professor quisesse candidatar se a o lugar teria o voto de o pai . Eu vou dizer lhe que o acho o melhor professor de a escola . Snape sorriu enquanto passeava de um lado para o outro em o calabouço , não tendo felizmente visto o Seamus_Finnigan que fingia vomitar para dentro de o caldeirão . - Estou espantado por ver que até agora os sangues de lama ainda não fizeram as malas e não desapareceram - prosseguiu Malfoy . - Aposto cinco galeões em como o próximo morre . Pena que não tenha sido a Granger ... A campainha tocou em esse momento o que foi uma sorte porque a o ouvir as últimas palavras de Malfoy , Ron deu um salto , mas em a barafunda de guardar os livros em os sacos , a sua tentativa de agarrar o Malfoy passou despercebida . - Deixem me - gritava o Ron enquanto o Harry e o Dean lhe agarravam os braços . - Não preciso de varinha , vou dar cabo de ele com as minhas mãos ... - Despachem se , tenho de conduzir vos a a aula de herbologia - praguejava o Snape acima de as cabeças de os alunos . E lá foram como cordeirinhos com Harry , Ron e Dean em a retaguarda , o Ron ainda a tentar libertar se . Só acharam seguro largá o quando Snape os deixou fora de o castelo e iniciaram o percurso por o meio de a horta em direcção a as estufas . A aula de herbologia estava reduzida . Tinha agora dois alunos a menos : Justin e Hermione . A professora Sprout pô os a trabalhar , podando as figueiras-da-abissínia . Harry foi despejar uma braçada de hastes secas em um monte de adubo e deu consigo cara a cara com Ernie_Mcmillan . Ernie respirou fundo . - Só quero dizer te , Harry que lamento ter suspeitado de ti . Sei que nunca atacarias a Hermione_Granger e peço te desculpa por todas_as coisas que disse . Estamos todos em o mesmo barco , agora e , bem ... Estendeu lhe uma mão rechonchuda que o Harry apertou . Ernie e a sua amiga Hannah foram trabalhar em a mesma figueira com o Harry e o Ron . - Aquele tipo , Draco_Malfoy - disse Ernie , partindo pequenos galhos - , parece muito satisfeito com isto tudo , não acham ? É bem possível que ele seja o herdeiro de Slytherin . - Uma observação inteligente de a tua parte - disse o Ron que parecia não ter desculpado Ernie tão facilmente como o Harry . - Acham que é ele ? - perguntou Ernie . - Não - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Hannah ficaram a olhar espantados . Um segundo depois , Harry avistou qualquer coisa que o levou a chamar a atenção de o Ron , batendo lhe em a mão com a tesoura de podar . - Au ... o que é_que tu ... ? Harry apontava para o chão , a poucos centímetros de distância . Várias aranhas grandes corriam precipitadamente por a terra fora . - Ah ! sim - disse o Ron , tentando , sem conseguir , mostrar se entusiasmado . - Mas não podemos seguis as agora ... Ernie e Hannah ouviam nos com curiosidade . Harry viu as aranhas desaparecerem . - Parecem ir em a direcção de a floresta proibida ... E o Ron ficou ainda mais infeliz a o ouvir aquilo . Em o final de a aula , o professor Snape acompanhou os alunos a a « Defesa contra as artes negras » . Harry e Ron foram atrás de os outros para poderem conversar sem serem ouvidos . - Temos de usar outra_vez o manto de a invisibilidade - disse Harry a o Ron . - Podemos levar connosco o Fang , ele está habituado a ir a a floresta com o Hagrid , pode ser uma boa ajuda . - Certo - disse o Ron , que fazia girar nervosamente a varinha em os dedos . - Er ... não costuma haver ... não costuma haver lobisomens em a floresta ? - acrescentou enquanto ocupavam os lugares de o costume em a aula de o Lockhart . Preferindo não responder a a pergunta , Harry disse : - Também há lá coisas boas . Os centauros são fixes e os unicórnios . Ron nunca estivera em a floresta proibida , Harry fora lá só uma_vez e desejara não ter de lá voltar . Lockhart deu um salto para dentro de a sala de aula e os alunos ficaram espantados a olhar para ele . Todos os outros professores andavam mais tristes do_que o habitual mas Lockhart parecia sentir se em as nuvens . - Então , então - exclamou , olhando em volta . - Porquê essas caras deprimidas ? Lançaram lhe olhares exasperados mas ninguém respondeu . - Não compreendem - disse , falando devagar como_se fossem todos um_pouco estúpidos - que o perigo já passou ? O culpado foi se embora . -- Quem disse ? - retorquiu Dean_Thomas em voz alta . -- Meu caro jovem , o ministro de a magia não teria levado Hagrid se não estivesse cem por_cento certo de que ele era o culpado - disse Lockhart como quem explica que um e um são dois . - Teria , sim - disse o Ron , em um tom de voz ainda mais alto do_que o de o Dean . - Eu julgo saber um_pouco mais sobre a prisão de o Hagrid do_que o senhor , Mr._Weasley - disse Lockhart com notória auto-satisfação . Ron começou a dizer que discordava mas foi interrompido por o Harry que lhe deu um forte pontapé por debaixo de a mesa . - Nós não estávamos lá , lembras te ? - murmurou . Mas a alegria revoltante de o Lockhart , as insinuações de que sempre tinha achado que o Hagrid não prestava , a sua certeza de que tudo aquilo estava a chegar a o fim , irritou Harry de tal maneira que teve vontade de lhe atirar as * _ Viagens com Vampiros * e de lhe acertar em aquela cara estúpida . Mas , em vez de isso , limitou se a escrevinhar um bilhete para o Ron : * _ Vamos lá hoje a a noite * . Ron leu a mensagem , engoliu em seco e olhou para o lugar onde Hermione costumava sentar se . A cadeira vazia pareceu ajudá o a decidir se e acenou afirmativamente . A sala comum de os Gryffindor estava agora sempre cheia porque , depois de as seis_da_tarde , os Gryffindor não tinham outro lugar para ir . Por outro lado , tinham imenso para conversar , por isso a sala comum mantinha se cheia de gente até depois de a meia-noite . Logo_a_seguir a o jantar , Harry foi buscar o manto de a invisibilidade a a mala onde estava guardado e passou todo o serão a a espera que a sala esvaziasse . O Fred e o George desafiaram o para alguns jogos de explosão e a Ginny sentou se , muito preocupada , a observá os , em a cadeira habitual de Hermione . Harry e Ron fartaram se de perder de propósito em uma tentativa de pôr rapidamente fim a os jogos mas , mesmo_assim , já passava bastante de a meia-noite quando o Fred , o George e a Ginny se foram , finalmente , deitar . Harry e Ron esperaram até ouvir as portas de os dois dormitórios fecharem se . Em seguida , pegaram em o manto , lançaram o sobre ambos e passaram por o buraco de o retrato . Era mais uma difícil travessia de o castelo , tendo de fintar todos os professores . Finalmente , chegaram a o * hall * de entrada , giraram o fecho de as portas de carvalho , esgueiraram se tentando não fazer barulho e aventuraram se nos campos iluminados por o luar . - É claro que - disse bruscamente o Ron , enquanto atravessavam os relvados negros - podemos perfeitamente chegar a a floresta e descobrir que não há nada para seguir . As aranhas podem não ter ido para lá . É certo que parecia que tomavam essa direcção , mas ... Felizmente a lengalenga não durou muito . Chegaram a a casa de o Hagrid que tinha um ar triste com as suas janelas vazias . Logo_que Harry empurrou a porta e a abriu , o Fang saltou , louco de alegria por os ver . Preocupados , não fosse ele acordar toda_a_gente em o castelo com o seu ladrar forte e agitado , deram lhe rapidamente a comer bombons de melaço que estavam em uma lata sobre a lareira e que lhe colaram os dentes de cima a os de baixo . Harry pousou o manto de a invisibilidade sobre a mesa de o Hagrid . Não iam precisar de ele em a floresta escura como breu . - Anda , Fang , vamos dar um passeio - disse Harry , batendo lhe a o de leve em a pata e Fang saiu feliz , a os saltos , atrás de eles . Precipitou se até a a orla de a floresta e levantou a perna contra uma enorme figueira-do-egipto . Harry pegou em a varinha , murmurou * _ Lumus * ! e uma pequenina luz surgiu em a ponta de a varinha , suficiente para lhes mostrar o caminho e ajudá os a descobrir a pista de as aranhas . - Bem pensado - disse o Ron . - Eu acendia também a minha mas , sabes como ela está , ainda estoirava ou qualquer coisa assim ... Harry tocou em o ombro de o Ron , apontando para as ervas . Duas aranhas solitárias fugiam de a luz de a varinha , aproximando se de a sombra de as árvores . - O. _ K. - disse o Ron , resignando se com o pior . - Estou pronto , vamos . Então , com o Fang a correr atrás de eles , cheirando as raízes de as árvores e as folhas , entraram em a floresta . Seguindo a luz de a varinha de o Harry seguiram a fila disciplinada de aranhas que se movia a o longo de o caminho . Andaram durante cerca de vinte minutos , sem falar , atentos a todos os ruídos que não fossem os de os ramos caídos e de as folhas secas . Então , quando as copas de as árvores se tinham tornado mais cerradas do_que nunca , de_tal_modo_que as estrelas em o céu já não eram visíveis e a varinha de o Harry brilhava isolada em um mar de escuridão , viram as aranhas que eles seguiam a abandonar o caminho . Harry parou , tentando ver para_onde iam mas tudo_o_que ficava longe de a sua pequenina luz era negro de breu . Ele nunca fora tão longe em a floresta . Lembrava se muito bem de Hagrid lhe ter dito , de a última vez que ali tinham estado , que nunca saísse de o caminho de a floresta . Mas Hagrid agora estava a muitos quilómetros de distância e ele também lhes dissera que seguissem as aranhas . Uma coisa húmida tocou em a mão de o Harry e ele deu um salto para trás , pisando o pé a o Ron . Mas afinal era apenas o focinho de o Fang . - O que é_que tu achas ? - perguntou ele a o Ron cujos olhos conseguia vislumbrar , reflectindo a luz de a varinha . - Já_que viemos até aqui - disse ele . Seguiram , portanto as sombras velozes de as aranhas em direcção a as árvores . Não podiam agora andar muito depressa . Tinham em a frente raízes de árvores e troncos cortados que mal se viam em aquela escuridão . Harry sentia o bafo quente de Fang em a mão . Por mais de uma_vez tiveram de parar para o Harry se baixar e descobrir as aranhas a a luz de a varinha . Andaram durante o que lhes pareceu ter sido pelo_menos meia_hora , com os mantos a roçarem em os ramos mais baixos e em as silvas . A o fim de algum tempo repararam que o chão parecia inclinar se para baixo embora as árvores continuassem cerradas . Foi então que o Fang soltou um latido que ecoou em volta , fazendo Harry e Ron darem um salto , ambos com os cabelos em pé . - O que foi ? - gritou o Ron , olhando em volta para a escuridão e agarrando Harry com força , por o cotovelo . - Há qualquer coisa ali a mexer se - murmurou Harry - Ouve ... parece ser grande . Ficaram a ouvir . Um_pouco para a direita algo de grandes dimensões partia os ramos enquanto abria caminho através de as árvores . - Oh ! não - disse o Ron . - Oh ! não , não ... - Cala te - insistiu o Harry , nervoso . - Seja o que for , vai acabar por te ouvir . - Ouvir me ? - disse o Ron , em um tom de voz muito pouco natural . - Já ouviu . Fang ! A escuridão parecia esmagar lhes os globos oculares enquanto ali ficaram apavorados , a a espera . Houve um estranho ruído , surdo e prolongado , e em seguida o silêncio . - O que estará a fazer ? - perguntou Harry . - Talvez esteja a preparar se para atacar - disse o Ron . Esperaram , a tremer , sem ousarem mexer se . - Achas que se foi embora ? - murmurou Harry . - Não sei . Em esse momento , de o lado direito veio um clarão de luz tão forte em o meio de o escuro que os dois levaram as mãos a a cara para proteger os olhos . O Fang ganiu e tentou fugir mas viu se envolvido em um emaranhado de espinhos e ganiu ainda mais alto . - Harry - gritou o Ron com grande alívio em a voz . - Harry , é o nosso carro . - O quê ? - Anda ver . Harry avançou a os tropeções atrás de o Ron , em direcção a a luz e em o momento seguinte estavam em uma clareira . O carro de Mr._Weasley ali estava , vazio , no_meio_de um círculo de árvores grossas , sob um telhado de ramos densos , os faróis de a frente resplandecentes . Quando Ron se aproximou de boca aberta , moveu se lentamente em direcção a ele como_se fosse um grande cão azul turquesa , cumprimentando o dono . - Tem estado aqui todo este tempo - disse o Ron satisfeitíssimo , aproximando se de o carro . - Olha para ele , a floresta tornou o selvagem ... O guarda-lamas estava riscado e cheio de lodo . Parecia que tinha andado a passear sozinho por a floresta . Fang não gostou lá muito de ele . Manteve se a o lado de o Harry que podia senti o a tremer . Com a respiração normalizada , Harry guardou a varinha em o manto . - E nós a pensarmos que ele nos ia atacar - disse o Ron , encostando se a o carro e dando lhe duas palmadinhas - As voltas que eu dei a a cabeça a pensar para_onde ele teria ido ! Harry olhava para todos os lados , em o chão iluminado , em busca de mais aranhas mas todas elas tinham fugido de o brilho de as luzes . - Perdemos as de vista - disse ele . - Anda , vamos procurá as . Ron não disse nada . Não se moveu . Tinha os olhos fixos em um ponto , três metros acima de o chão de a floresta , mesmo atrás de o Harry . O seu rosto estava lívido de terror . Harry nem teve tempo de se voltar . Ouviu se um ruído alto e seco e sentiu que alguma coisa longa e peluda o elevava em o ar com o rosto voltado para baixo . Debatendo se , apavorado , ouviu outro estalido e viu as pernas de o Ron serem também levantadas de o chão . Ouviu o Fang gemer e ganir e , em o momento seguinte , era levado para o meio de as árvores escuras . Com a cabeça a balouçar , Harry viu que a coisa que o transportava tinha seis enormes patas peludas e que as duas de a frente o agarravam com forca sob um par de tenazes pretas e brilhantes . Atrás_de si podia ouvir outra de aquelas criaturas que , sem dúvida , transportava o Ron . Encaminhavam se para o coração de a floresta . Harry ouvia o Fang a ladrar , tentando libertar se de um terceiro monstro mas Harry não podia gritar mesmo_que quisesse , parecia que tinha deixado a voz em a clareira , junto com o carro . Não soube quanto tempo esteve em as patas de a criatura , só se apercebeu que a escuridão se atenuara um_pouco , permitindo lhe ver que o chão coberto de folhas estava agora repleto de aranhas . Voltando a cabeça para o lado , deu se conta de que tinham chegado a a base de uma enorme cova , uma cova que fora limpa de árvores para que as estrelas iluminassem com o seu brilho a cena mais pavorosa que os seus olhos alguma vez tinham visto . Aranhas . Não aranhas pequeninas como aquelas que estavam sobre as folhas . Aranhas de o tamanho de enormes cavalos , com oito olhos , oito pernas pretas , peludas , gigantescas . O espécimen que transportava Harry desceu o terreno íngreme até uma teia brumosa em forma de cúpula que ficava mesmo em o meio de a cova , enquanto os companheiros se juntavam em volta , batendo excitadíssimos com as tenazes e olhando para o que eles traziam a as costas . Harry caiu em o chão de gatas quando a aranha o libertou . Ron e Fang foram cair perto de ele . O Fang já não gania . Estava agachado e muito quieto . Ron e Harry partilhavam o mesmo sentimento . O Ron tinha a boca aberta em uma espécie de grito silencioso e os olhos a saltarem lhe de as órbitas . Harry percebeu de repente que a aranha que o deitara a o chão estava a dizer qualquer coisa . Era difícil entender porque entre cada duas palavras , batia com as tenazes . - Aragog - chamou . - Aragog . E de o meio de a teia brumosa em forma de cúpula saiu muito lentamente uma aranha de o tamanho de um pequeno elefante . As costas e as pernas estavam cobertas de pêlo cinzento e , em a cabeça feia , munida de tenazes , estavam vários olhos , todos eles de um branco leitoso . Era cega . - O que foi ? - disse , batendo rapidamente com as tenazes uma em a outra . - Homens - respondeu a aranha que trouxera o Harry . - É o Hagrid ? - perguntou Aragog , aproximando se mais com os seus oito olhos leitosos a vaguear . - Estranhos - respondeu a aranha que trouxera o Ron . - Matem nos - disse Aragog , irritada . - Eu estava a dormir ... - Nós somos amigos de o Hagrid - gritou Harry . Parecia que o coração lhe saltava por a boca . Clic , clic , clic fizeram as tenazes de a aranha , em volta de a cova . Aragog parou . - O Hagrid nunca mandou homens a a nossa cova - disse lentamente . - O Hagrid está em perigo - explicou Harry , respirando muito depressa . - Foi por isso que eu vim . - Em perigo ? - repetiu a aranha idosa e pareceu a Harry sentir preocupação por detrás de as suas tenazes . - Mas porque vos mandou ele cá ? Harry pensou pôr se de pé mas achou melhor não arriscar . As pernas provavelmente não teriam força para o sustentar . Falou portanto de o chão , o mais calmamente que foi capaz . - Eles lá em a escola pensam que o Hagrid soltou qualquer coisa contra os estudantes . Mandaram o para Azkaban . Aragog bateu furiosamente com as tenazes e , em toda_a cova , o eco foi reproduzido por uma multidão de aranhas . Era uma espécie de aplauso com uma única diferença : os aplausos não costumavam fazer o Harry quase morrer de medo . - Mas isso foi há muitos anos - disse Aragog , maldisposta . - Há anos e anos . Lembro me muito bem . Foi por isso que o expulsaram de a escola . Eles pensaram que eu era o monstro que vive em aquilo a que eles chamam a Câmara_dos_Segredos . Pensaram que o Hagrid a tinha aberto para me libertar . - E tu ... não vieste de a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Harry que sentia a testa cheia de suores frios . - Eu - disse Aragog , batendo irritada com as tenazes - , eu não nasci em o castelo . Venho de uma terra distante . Um viajante ofereceu me a o Hagrid quando eu era ainda um ovo . Hagrid era um rapazinho mas tratou de mim , escondeu me em uma despensa dentro de o castelo e alimentava me com as migalhas que ficavam em as mesas . Hagrid é o meu bom amigo e um bom homem . Quando me encontraram e me culparam por a morte de uma rapariga , ele protegeu me . Desde_então , tenho vivido aqui em a floresta onde o Hagrid ainda vem visitar me . Ele até me arranjou uma esposa , Mosag , e estão a ver como a família cresceu , tudo graças a a bondade de o Hagrid ... Harry reuniu a coragem que lhe restava . - Então tu nunca atacaste ninguém ? - Nunca - resmungou a velha aranha . - Era esse o meu instinto , mas por respeito a Hagrid nunca fiz mal a nenhum humano . O corpo de a rapariga morta foi encontrado em uma casa_de_banho , ora eu nunca conheci mais do_que despensa de o castelo , onde cresci . Nós gostamos de o escuro de o silêncio . - Mas então ... sabes o que matou essa rapariga ? - perguntou Harry . - Porque seja o que for , está a atacar as pessoas outra_vez ... As suas palavras foram abafadas por uma audível explosão de tenazes a bater e por o ruge-ruge de muitas pernas longas , deslocando se iradas . Em volta de Harry começaram a mover se sombras escuras . - O que vive em o castelo - disse Aragog - é uma antiga criatura que nós , aranhas , tememos acima_de todas_as outras . Lembro me bem de o quanto insisti com Hagrid para que me deixasse sair de ali quando senti a criatura a andar por a escola . - O que é ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Mais tenazes a bater , mais pernas a moverem se . As aranhas pareciam estar a aproximar se . - Nós não falamos de isso - exclamou Aragog furiosa . - Não pronunciamos o seu nome . Eu nunca disse a o Hagrid o nome de a horrível criatura , apesar_de ele me ter perguntado vezes sem conta . Harry não quis insistir , principalmente com todas aquelas aranhas a aproximarem se de todos os lados . Aragog parecia ter se cansado de falar . Recuava lentamente para a teia em forma de cúpula , mas as companheiras continuavam a aproximar se ameaçadoramente de Harry e Ron . - Vamos embora , então - gritou Harry , desesperadamente a Aragog , enquanto ouvia as folhas secas a estalarem atrás_de si . - Embora ? - disse Aragog lentamente . - Não me parece ... - Mas , mas ... - Os meus filhos e filhas não fazem mal a o Hagrid por ordem minha . Mas não posso negar lhes carne fresca quando ela veio por vontade própria ter connosco . Adeus , amigo de o Hagrid . Harry deu meia volta . Poucos centímetros acima de ele , uma sólida parede de aranhas batia com as tenazes , os seus muitos olhos a brilharem em as horríveis caras pretas . Mesmo_que se servisse de a varinha , Harry sabia que não ia valer de nada . As aranhas eram demasiadas , mas quando tentava preparar se para morrer a lutar , ouviu se um som prolongado e um clarão de luz iluminou a cova . O carro de Mr._Weasley ribombava , descendo o declive , com os faróis acesos , a buzina a guinchar , afastando as aranhas . Muitas de elas ficaram voltadas ao_contrário com as várias pernas a agitar se em o ar . O carro buzinou com mais força em frente de Harry e Ron e as portas abriram se . - Agarra o Fang - gritou Harry , ajeitando se em o lugar de a frente . Ron agarrou o cão caçador de javalis e lançou o a ganir para o banco de trás . As portas fecharam se com estrondo . Ron não tocou em o acelerador mas o carro não precisou de isso . O motor fez se ouvir e levantaram voo , batendo em mais aranhas . Subiram o declive , saindo de a cova e pouco depois atravessavam a floresta , os ramos a baterem em os vidros enquanto o carro seguia habilmente através de os intervalos maiores , por um caminho que obviamente já conhecia . Harry olhou para o Ron , a o seu lado . Ele tinha ainda a boca aberta em o mesmo grito silencioso mas os olhos já não estavam salientes . - Estás bem ? Ron olhou em frente , incapaz de responder . Começavam a descer para terra firme com o Fang a soltar enormes ganidos em o banco de trás e Harry viu o espelho retrovisor saltar quando passaram rente a um enorme carvalho . Após dez minutos bastante ruidosos , as árvores começaram a ser mais finas e Harry pôde ver de_novo pedaços de o céu . O carro parou tão bruscamente que quase foram projectados por o vidro de a frente . Tinham chegado a a orla de a floresta . O Fang ia agitadíssimo a a janela e quando Harry abriu a porta , disparou a correr através de as árvores até a a casa de o Hagrid , de cauda entre as pernas . Harry saiu também e um minuto depois o Ron pareceu recuperar a força em os membros e seguiu o , ainda com um torcicolo e de olhos esbugalhados . Harry deu uma palmadinha de agradecimento a o carro antes de ele dar a volta e desaparecer em direcção a a floresta . Harry voltou a a cabana de o Hagrid para buscar o manto de a invisibilidade . O Fang tremia em o seu cesto , coberto por um cobertor . Quando saiu de_novo , viu o Ron a vomitar junto de as abóboras . - Sigam as aranhas - disse ele debilmente , limpando a boca a a manga . - Nunca vou perdoar a o Hagrid . É uma sorte ainda estarmos vivos . - Aposto que ele pensou que Aragog nunca faria mal a os seus amigos - justificou Harry . - Esse é justamente o problema de o Hagrid - interrompeu Ron , dando um soco em a parede de a cabana . - Ele acha sempre_que os monstros não são tão maus como os pintam e vê onde isso o levou , a uma cela em Azkaban - tremia agora descontroladamente . - Qual a ideia de ele a o mandar nos ali ? Gostava de saber o que é_que descobrimos . - Que o Hagrid nunca abriu a Câmara_dos_Segredos - disse Harry , lançando o manto sobre Ron e tocando lhe em o braço para o encorajar a andar . - Ele estava inocente . Ron resmungou em voz alta . Para ele , chocar Aragog em uma despensa não era propriamente estar inocente . Quando se aproximaram de o castelo , Harry esticou o manto para garantir que os pés de ambos ficavam cobertos . Em seguida , empurrou as portas de a frente que chiaram . Atravessaram com todo o cuidado o * hall * de entrada e subiram a escadaria de mármore , contendo a respiração em os corredores guardados por sentinelas atentos . Por fim , chegaram a a segurança de a sala de os Gryffindor onde o lume ardera até se transformar em brasas brilhantes . Tiraram o manto e subiram a escada serpenteante que os levava a o dormitório . Ron caiu em a cama sem sequer se despir mas Harry , apesar_de tudo , não tinha sono . Sentou se em a beirinha de a cama , pensando em todas_as coisas que Aragog dissera . A criatura que andava por o castelo , pensou , era uma espécie de monstro Voldemort , nem os outros monstros queriam pronunciar o seu nome . Mas ele e o Ron não estavam agora mais perto_de descobrir o que era nem como petrificava as suas vítimas . Se nem o Hagrid chegara a saber o que estava em a Câmara_dos_Segredos ... Harry balançou as pernas e atirou se para_cima de a cama . Encostado a as almofadas olhou a Lua que brilhava através de a janela de a torre . Não sabia que mais poderiam fazer . Só tinham encontrado portas fechadas . Riddle apanhara a pessoa errada . O herdeiro de Slytherin fugira e ninguém sabia se era a mesma pessoa ou uma outra que abrira , desta_vez , a Câmara_dos_Segredos . Não havia mais ninguém a quem fazer perguntas . Harry deitou se ainda a pensar em as palavras de Aragog . Estava a começar a ficar com sono quando aquilo que parecia ser uma última esperança lhe ocorreu , fazendo o sentar se muito direito em a cama . - Ron - sussurrou em o escuro . - Ron . Ron acordou com um ganido como os de o Fang . Olhou muito assustado em volta e viu o Harry . - Ron , a rapariga que morreu . Aragog contou nos que ela foi encontrada em uma casa_de_banho - disse , ignorando os roncos de o Neville em o outro canto de o quarto . - E se ela nunca tivesse saído de a casa_de_banho ? E se ainda lá estiver ? Ron esfregou os olhos , franzindo as sobrancelhas sob a luz de a Lua . E só então compreendeu . -- Não pensar que ... a Murta_Queixosa ? XVI_A_Câmara_dos_Segredos -- E estivemos nós tantas vezes em aquela casa_de_banho com ela apenas a três cubículos de distância - disse o Ron amargamente em o dia seguinte , a a mesa de o pequeno-almoço . - Podíamos ter lhe perguntado e agora ... Já fora bastante difícil procurar as aranhas . Escapar a os professores o tempo suficiente para ir até a a casa_de_banho de as raparigas , que ficava mesmo em frente de o lugar onde ocorrera o primeiro ataque , ia ser quase impossível . Mas alguma coisa aconteceu que fez com que a Câmara_dos_Segredos desaparecesse de os seus pensamentos pela_primeira_vez em várias semanas . A professora Mc_Gonagall comunicou lhes que os exames começariam a 1_de_Junho , uma semana depois . - Exames ? - gritou Seamus_Finnigan . - Nós mesmo_assim vamos ter exames ? Ouviu se um estrondo atrás de o Harry quando a varinha de o Neville_Longbottom lhe escapou de a mão , fazendo desaparecer uma de as pernas de a secretária . A professora Mc_Gonagall repô a com a sua varinha e voltou se com má cara para o Seamus . - Se temos a escola aberta em uma altura de estas é para vocês receberem instrução - disse com dureza . - Os exames terão lugar , portanto , como é costume e espero que todos vocês façam revisões até lá . Revisões . Não passara por a cabeça de o Harry que houvesse exames com o castelo em aquele estado . Houve uma série de murmúrios revoltados , o que fez com que a professora Mc_Gonagall ficasse ainda mais mal-humorada . - As instruções de o professor Dumbledore foram para manter a escola a funcionar o mais normalmente possível - disse . - E isso , não preciso de vos dizer , passa por uma avaliação de o quanto vocês aprenderam a o longo de este ano . Harry olhou para baixo , para o casal de coelhos brancos que ele deveria transformar em pantufas . Que tinha ele aprendido durante o ano ? Não era capaz de se lembrar de nada que fosse útil em um exame . Ron estava como_se tivessem acabado de lhe dizer que a partir de aquele momento tinha de ir viver para a floresta proibida . - Estás a ver me a ter exames com isto tudo ? - perguntou a o Harry enquanto pegava em a varinha que tinha começado a assobiar bastante alto . Três dias antes de o primeiro exame , a a hora de o pequeno almoço , a professora Mc_Gonagall fez outra comunicação . - Tenho boas notícias - disse , e o salão em_vez_de se calar , explodiu de contentamento . - Dumbledore vai regressar ! - gritaram várias pessoas cheias de alegria . - Apanharam o herdeiro de Slytherin - arriscou uma rapariga em a mesa de os Ravenclaw . - Temos outra_vez os jogos de Quidditch - bradou Wood , excitadíssimo . Quando a agitação passou , Mc_Gonagall disse : - A professora Sprout informou me que as mandrágoras estão finalmente prontas para serem cortadas . Hoje a a noite vamos poder reanimar as pessoas que foram petrificadas . Escusado será dizer que certamente uma de elas poderá revelar nos quem ou o que a atacou . Eu tenho esperança que este ano pavoroso acabe com a prisão de o culpado . Houve uma explosão de aplausos . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e não ficou nada surpreendido a o ver que Draco_Malfoy não aplaudia . O Ron , por outro lado , estava satisfeito como ninguém o via havia dias . - Não faz mal não termos perguntado a a Murta . A Hermione vai , com certeza , ter todas_as respostas quando acordarem . Vai também ficar fula quando souber que temos exames dentro_de três dias . Ela não pôde fazer revisões . Seria melhor deixarem a estar onde está até a o final de os exames . Nessa_altura , Ginny_Weasley veio sentar se junto de o Ron . Parecia nervosa e tensa e Harry reparou que torcia as mãos em o colo . - O que se passa ? - perguntou o Ron , servindo se de mais papa de aveia . Ginny não disse nada mas olhou para um lado e para o outro de a mesa de os Gryffindor , com um olhar assustado que lembrou a Harry alguém que não sabia bem quem era . - Vá lá , vomita - disse o Ron , olhando para ela . Harry percebeu subitamente quem a Ginny lhe lembrara . Ela balançava se ligeiramente para a frente e para trás em a cadeira , exactamente como o Dobby fazia quando estava hesitante , à_beira_de revelar uma informação proibida . - Tenho de te dizer uma coisa - balbuciou a Ginny receosa , sem olhar para Harry . - O que é ? - perguntou ele . Ginny parecia incapaz de encontrar as palavras certas . - O quê ? - insistiu Ron . Ginny abriu a boca mas não saiu nenhum som . Harry inclinou se para a frente e falou devagar para que só ela e Ron pudessem ouvi o . - É alguma coisa relacionada com a Câmara_dos_Segredos ? Viste alguma coisa ou alguém a agir de forma estranha ? Ginny respirou fundo e , em esse preciso momento , apareceu Percy_Weasley com um ar pálido e cansado . - Se já acabaste de comer eu fico com esse lugar , Ginny . Estou cheio de fome . Acabei agora o meu trabalho de patrulhamento . Ginny deu um salto como_se a cadeira tivesse acabado de ser electrificada , lançou a o Percy um olhar assustado e zarpou . Percy sentou se e tirou uma caneca de o meio de a mesa . -- Percy - disse o Ron aborrecido . - Ela ia agora mesmo contar nos uma coisa importante . A meio de um gole de chá , Percy estremeceu . - Que coisa ? - perguntou , tossindo . - Eu quis saber se ela tinha visto alguma coisa estranha e ela ia dizer ... - Ah ! isso ... não tem nada que ver com a Câmara_dos_Segredos - disse o Percy de imediato . - Como sabes ? - indagou o Ron , erguendo as sobrancelhas . - Bem ... er ... já_que perguntam , a Ginny ... er ... passou por mim em outro dia quando eu ... er ... não foi nada , o importante é_que ela viu me fazer uma coisa e eu ... um ... pedi lhe para não comentar com ninguém . Não pensei que ela cumprisse a palavra , verdade se diga . Não é nada importante , eu só ... Harry nunca vira o Percy tão pouco a a vontade . - O que estavas a fazer , Percy ? - riu se o Ron . - Vá lá , conta que nós não nos rimos . Percy ficou sério . - Passa me esses pãezinhos , Harry , estou cheio de fome . Harry sabia que todo o mistério poderia ser desvendado em o dia seguinte sem a ajuda de eles mas não ia deixar de falar com a Murta_Queixosa se a oportunidade surgisse . E , para sua grande satisfação , ela surgiu a meio de a manhã quando eram conduzidos a a aula de História_da_Magia_por_Gilderoy_Lockhart . Lockhart , que tantas vezes lhes assegurara que o perigo tinha passado , estava agora totalmente convencido de que acompanhar os alunos em os corredores era um trabalho inútil . O seu cabelo estava mais liso do_que de costume . Parecia ter passado toda_a noite acordado a vigiar o quarto andar . - Podem escrever o que eu digo - afirmou , acompanhando os até uma esquina . - As primeiras palavras que vão sair de a boca de aquelas pobres pessoas petrificadas serão - * _ Foi_o_Hagrid * . Francamente , estou espantado por a professora Mc_Gonagall considerar ainda necessárias estas medidas de segurança . - Concordo , professor - disse Harry , fazendo com que Ron , surpreendido , deixasse cair os livros a o chão . - Obrigado , Harry - disse Lockhart amavelmente , enquanto deixavam passar uma grande fila de Hufflepuffs . - verdade é_que os professores já têm bastante que fazer para andarem também a acompanhar os alunos a as aulas e a guardar os corredores a a noite ... - É verdade - disse o Ron , percebendo a ideia . - Porque não nos deixa aqui , professor , só falta mais um corredor . - Sabes , Weasley , sou mesmo capaz de fazer isso - disse Lockhart . - Preciso de preparar a minha próxima aula . E apressou se a seguir o seu caminho . - Preparar a aula - zombou o Ron . - Vai encaracolar o cabelo , é o mais certo . Deixaram os restantes Gryffindor passar lhes a a frente e por fim cortaram caminho em um corredor lateral e dirigiram se a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mas quando estavam a congratular se por o seu esquema brilhante ... - Potter , Weasley ! Que estão vocês a fazer aqui ? Era a professora Mc_Gonagall e a boca de ela estava mais fina do_que nunca . - Nós estávamos , estávamos - gaguejou o Ron . - Nós íamos ver , íamos ver ... - Hermione - completou Harry . A professora Mc_Gonagall e Ron olharam para ele . - Não a vemos há séculos , professora - prosseguiu Harry , pisando o pé a o Ron . - E pensamos ir espreitá a a a ala hospitalar e dizer lhe que as mandrágoras estão quase prontas , para ela não se preocupar . A professora Mc_Gonagall estava ainda a olhar para ele e , por um momento , Harry pensou que ela ia explodir mas , quando falou , fê lo em um tom de voz estranhamente rouco . - É claro - disse . E Harry , espantado , viu uma lágrima a brilhar lhe em o canto de um de os olhos . - É claro . Eu compreendo que tudo_isto tem sido muito duro para os amigos de aqueles que foram ... eu compreendo , sim , Potter . Podem ir visitar Miss_Granger . Eu mesma informarei o professor Binns de que vocês estão em o hospital . Digam a Madam_Pomfrey que vos dei autorização . Harry e Ron afastaram se , quase sem acreditar que tinham escapado a um castigo . Quando voltaram em uma esquina ouviram nitidamente a professora Mc_Gonagall a assoar se . - Esta - disse o Ron entusiasmado - foi a melhor história que tu alguma vez inventaste . Não tinham outro remédio senão ir a a ala hospitalar e dizer a Madam_Pomfrey que tinham autorização de a professora Mc_Gonagall para visitar Hermione . Madam_Pomfrey deixou os entrar com alguma relutância . - Não vale a pena falar com uma pessoa petrificada - disse , e ambos tiveram que admitir que ela tinha razão quando se sentaram junto de Hermione e constataram que ela não tinha a menor noção de estar acompanhada . Dizer lhe que não se preocupasse ou falar com o armário que estava a o lado de a cama era exactamente a mesma coisa . - Será que ela viu quem a atacou ? - perguntou o Ron , olhando com tristeza para o rosto rígido de Hermione . - Porque se a coisa saltou sobre eles , ficaremos todos sem saber de nada . Mas Harry não olhava para o rosto de Hermione . Estava mais interessado em a sua mão direita que se encontrava pousada sobre os cobertores e , inclinando se para ela , viu que tinha , fechado entre os dedos , um pedaço de papel . Assegurando se de que Madam_Pomfrey não dava por nada , fez sinal a o Ron . - Tenta tirá o - murmurou ele , colocando a cadeira de_modo_a que Madam_Pomfrey não pudesse ver o Harry . Não foi tarefa fácil . A mão de a Hermione estava fechada com uma força tal que Harry receou parti a . Enquanto Ron vigiava , ele forçou e torceu até que , por fim , depois de vários minutos bastante tensos , conseguiu tirar o papel . Era uma página retirada de um livro muito antigo de a biblioteca . Harry alisou a ansiosamente e Ron inclinou se para poder lês a também . * _ De todos os monstros assustadores que pairam a a face de a Terra , nenhum é tão curioso nem tão fatal como o Basilisk , também conhecido por o rei de as serpentes . Esta cobra que pode atingir proporções gigantescas e viver durante muitas centenas de anos nasce de um ovo de galinha que é chocado por um sapo . As suas formas de matar são pavorosas pois além de os dentes venenosos e mortais , o Basilisk tem um olhar criminoso e todos aqueles que ele fixa com os olhos tem morte instantânea . As aranhas fogem a sete pés de o Basilisk que é seu inimigo mortal , e o Basilisk foge apenas de o canto de o galo que para ele é fatal * . Por debaixo de isto uma única palavra fora escrita , em a letra que Harry reconheceu como sendo de Hermione : Canos . Foi como_se se tivesse acendido uma luz em o seu espírito . - Ron - murmurou - é isso . Está aqui a resposta . O monstro de a Câmara_dos_Segredos é um Basilisk , uma serpente gigante . Por isso , só eu tenho ouvido a sua voz em todos os lugares , porque eu compreendo * serpentês * ... Harry olhou para as camas em volta . - O Basilisk mata as pessoas fixando as com o olhar mas ninguém morreu , o que quer_dizer que ninguém o olhou directamente em os olhos . Colin viu o através de a lente de a máquina fotográfica e o Basilisk queimou o rolo que estava lá dentro mas o Colin ficou apenas petrificado . O Justin ... o Justin deve ter visto o Basilisk através de o Nick quase sem cabeça . O Nick é_que levou com o olhar mas não podia morrer outra_vez ... e perto de a Hermione e de a prefeita de os Ravenclaw foi encontrado um espelho . Hermione acabara de compreender que o monstro era um Basilisk . Aposto que preveniu a primeira pessoa que encontrou de que era melhor olhar por um espelho a o virar de cada esquina . E aquela rapariga puxou de o seu espelho e ... O Ron estava de queixo caído . - E Mrs._Norris ? - perguntou vivamente . Harry pensou um_pouco , tentando imaginar a cena em a noite de o Halloween . - A água . . . - disse lentamente . - A poça de água que saiu de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Aposto que Mrs._Norris só viu o reflexo de o monstro . Examinou a folha de papel que tinha em a mão . Quanto_mais olhava mais sentido faziam as coisas . - * _ O cantar de o galo é fatal para ele * - leu em voz alta . - Os galos de o Hagrid foram mortos . O herdeiro de Slytherin não queria um único galo perto de o castelo , com a câmara aberta . * _ As aranhas são as primeiras a fugir * . Tudo encaixa . - Mas , como tem o Basilisk andado por aí ? - disse o Ron . - Uma serpente horrível e enorme ... alguém a teria visto . Mas Harry apontou para a palavra que Hermione escrevinhara em o final de a página . - Canos - disse . - Canos ... Ron , ele tem usado a canalização . Eu ouvi sempre a voz dentro de as paredes ... Ron agarrou subitamente o braço de o Harry . - A entrada para a Câmara_dos_Segredos - disse em uma voz rouca . - E se for em uma casa_de_banho ? Se for em a ... - Em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa - completou Harry . Sentaram se , tomados de uma excitação enorme , mal querendo acreditar . - Isso significa que - disse o Harry - eu não posso ser o único em a escola a falar * serpentês * . Há também o herdeiro de Slytherin . É de esse modo que tem controlado o Basilisk . - O que vamos fazer ? - perguntou Ron com os olhos a faiscar . - Vamos falar com a Mc_Gonagall ? - Vamos até a a sala de os professores - disse Harry , dando um salto . - Ela estará lá dentro_de dez minutos , está quase em o intervalo . Desceram a escada a correr . Não querendo ser descobertos outra_vez a vaguear por os corredores foram directamente até a a sala de os professores que estava deserta . Era uma divisão ampla , toda forrada , com cadeiras de madeira escura . Harry e Ron passearam de um lado para o outro , demasiado nervosos para se sentarem . Mas a campainha anunciando o intervalo nunca mais tocava . Em vez de isso , ecoando em os corredores , ouviram a voz de a professora Mc_Gonagall incrivelmente ampliada . - * _ Todos os alunos devem regressar de imediato a os seus dormitórios . Todos os professores a a sala de professores . Imediatamente , por favor * . Harry deu meia volta e olhou para o Ron . - Não me digas que houve um novo ataque , não agora ! - Que vamos fazer ? - disse o Ron aterrado . - Voltar para o dormitório ? - Não - disse Harry , olhando e m volta . Havia uma espécie de armário a a sua esquerda cheio com os mantos de os professores . - Ali . Vamos ouvir o que se passa . A seguir poderemos contar lhes o que descobrimos . Esconderam se dentro de o armário , ouvindo a algazarra de centenas de pessoas e a porta de a sala de professores a abrir se . De o meio de a confusão de mantos bafientos , viram os professores encherem a sala . Alguns tinham um ar totalmente confuso , outros pareciam apavorados . Por fim , chegou a professora Mc_Gonagall . - Aconteceu - disse em o silêncio de a sala de professores . - O monstro levou uma aluna . Levou a mesmo para a câmara . O professor Flitwick soltou um grito agudo . A professora Sprout bateu com a mão em a boca . Snape agarrou com força as costas de uma cadeira e perguntou : - Como pode ter tanta certeza ? - O herdeiro de Slytherin - disse a professora Mc_Gonagall , muito pálida . - Deixou outra mensagem . Mesmo por baixo de a primeira : « * _ O esqueleto de ela ficará para sempre em a Câmara_dos_Segredos * . » O professor Flitwick desatou a chorar . - Quem é ela ? - quis saber Madam_Hooch que se afundara em uma cadeira . - Quem é a aluna ? - Ginny_Weasley - disse a professora Mc_Gonagall . Harry viu o Ron , a o seu lado , escorregar silenciosamente até a o chão de o armário . - Vamos ter que mandar todos os alunos embora amanhã - disse a professora Mc_Gonagall . Isto_é o fim de Hogwarts , Dumbledore sempre disse ... A porta de a sala de os professores voltou a abrir se . Por um breve momento , Harry pensou que fosse Dumbledore mas era Lockhart e vinha todo sorridente . - Peço desculpa , adormeci . Perdi alguma coisa ? Não pareceu reparar que os outros professores o olhavam com uma espécie de aversão . Snape deu um passo em frente . - O homem que faltava - disse . - O homem certo . O monstro raptou uma garota , Lockhart levou a para a Câmara_dos_Segredos . O seu momento chegou . - Isso mesmo , Lockhart - acrescentou a professora Sprout . - Não estavas a dizer ontem a a noite que sempre tinhas sabido onde era a entrada para a Câmara_dos_Segredos ? - Eu ... bem ... eu-disse atabalhoadamente Lockhart . - Sim , não me disseste que sabias exactamente o que estava lá dentro ? - disse com voz esganiçada o professor Flitwick . - Eu disse ? Não me lembro ... - Lembro me perfeitamente de o ouvir dizer que lamentava não ter feito uma tentativa com o monstro antes de o Hagrid ser preso - disse Snape . - Não disse que toda_a história tinha sido uma atrapalhação e que deveriam ter lhe dado carta branca desde o princípio ? Lockhart olhou em volta para a cara de espanto de os colegas . - Eu ... nunca ... eu de facto ... deve ter me compreendido mal . - Então vamos deixar te , Gilderoy - disse a professora Mc_Gonagall . - Esta noite será uma excelente oportunidade para actuares . Nós trataremos de assegurar que ninguém te atrapalha . Vais poder enfrentar o monstro sozinho . Finalmente tens carta branca . Lockhart olhou desesperado a a sua volta mas ninguém foi salvá o . Já não estava bem-parecido . O lábio tremia lhe e a ausência de o seu habitual sorriso de dentes brancos dava lhe um ar escanzelado . - M-muito bem - disse . - Vou até a o meu escritório para ... para me preparar . E saiu de a sala . - _ óptimo - exclamou a professora Mc_Gonagall com as narinas dilatadas . - Isto deve afastá o de o nosso caminho . Os chefes de casa devem ir agora comunicar a os respectivos alunos o que se passou e informá os de que o Expresso_de_Hogwarts os levará a casa amanhã de manhã . Os restantes certifiquem se , por favor , de que não há alunos fora de os dormitórios . Os professores levantaram se e saíram um a um . Foi talvez o dia pior de a vida de o Harry . Ele , Ron , Fred e George sentaram se juntos a um canto em a sala comum de os Gryffindor , incapazes de proferir uma palavra . Percy não estava lá . Tinha ido tratar de enviar uma coruja a Mr. e Mrs._Weasley e , em seguida , fechara se em o dormitório . Nunca uma tarde custara tanto a passar e nunca a torre de os Gryfffindor estivera tão cheia de gente e tão silenciosa . Fred e George foram para a cama quase a o pôr de o Sol , incapazes de ficar ali mais tempo . - Ela sabia qualquer coisa , Harry - disse o Ron , falando pela_primeira_vez desde_que tinham saído de o armário de a sala de os professores . - Por isso a levaram . Não era nenhuma parvoíce sobre o Percy , ela tinha descoberto qualquer coisa sobre a Câmara_dos_Segredos . Com certeza por isso é_que a ... - Ron esfregou os olhos , enervadíssimo . - Afinal ela era sangue puro , não pode haver outra explicação . Harry olhava para o sol que mergulhava de um vermelho cor de sangue em a linha de o horizonte . Era a pior coisa que lhe tinha acontecido . Se pelo_menos pudessem fazer alguma coisa . - Harry - disse o Ron . - Achas que há alguma possibilidade de ela não estar ... ? Sabes o que eu quero dizer . Harry não sabia que resposta dar . Não acreditava que a Ginny pudesse ainda estar viva . - Sabes uma coisa ? - disse o Ron . - Acho que devíamos ir ter com o Lockhart , contar lhe o que sabemos . Ele vai tentar entrar em a câmara , podemos dizer lhe onde achamos que fica a entrada e contar lhe que o monstro é um Basilisk . Como Harry não tinha nenhuma ideia melhor e como queria fazer alguma coisa , concordou . Os Gryffindor que os rodeavam estavam tão tristes e com tanta pena de os Weasley que ninguém tentou impedi os quando os viram levantar se , atravessar a sala e sair por o buraco de o retrato . A escuridão começava a instalar se quando chegaram a o escritório de Lockhart onde a actividade era muita . De o corredor ouvia se o ruído de coisas a serem deitadas fora , pancadas surdas e passos apressados . Harry bateu a a porta e houve um silêncio repentino . Em seguida abriu se uma fresta de a porta e viram um de os olhos de Lockhart a espreitar . - Oh ! ... Mr._Potter ... Mr._Weasley - disse entreabrindo a porta . - Estou um_pouco ocupado em este momento , se forem rápidos ... - Professor , nós temos informações para lhe dar - disse o Harry . - Acho que poderão ajudá o . - Er ... bem ... não é - o lado de a cara de Lockhart que conseguiam ver parecia muito pouco a a vontade . - Quer_dizer ... bem ... está bem . Abriu a porta e eles entraram . O escritório estava praticamente vazio . Em o chão estavam duas grandes malas abertas . Mantos verde-jade , lilás , azul-noite tinham sido apressadamente dobrados e guardados dentro_de uma de as malas . Os livros misturavam se todos dentro de a outra . As fotografias que antes cobriam as paredes estavam agora arrumadas em caixas , em cima de a secretária . - Vai a algum lado ? - perguntou Harry . - Er ... bem ... sim - disse Lockhart , arrancando de a porta um poster seu em tamanho natural , enquanto falava , e começando a enrolá o . - Uma chamada urgente ... inevitável ... tenho que ir . - E a minha irmã ? - perguntou o Ron bruscamente . - Bem , quanto_a isso foi uma pena - disse Lockhart , evitando olhá os em os olhos , abrindo uma gaveta e começando a despejar o seu conteúdo dentro_de um saco . - Ninguém lamenta mais do_que eu ... - O senhor é o professor de Defesa contra as artes negras - disse Harry . - Não pode ir se embora agora_que todas estas coisas de magia negra estão a acontecer aqui . - Bem , devo dizer te que ... quando aceitei o lugar ... - resmungou Lockhart , empilhando soquetes sobre os mantos - nada em a descrição de o meu trabalho fazia prever ... - Quer_dizer que vai fugir ? - perguntou Harry , incrédulo . - Depois de todas_as coisas que conta em os seus livros ? - Os livros podem ser enganadores - disse Lockhart delicadamente . - Mas foi o senhor que os escreveu - gritou Harry . - Meu rapaz - disse Lockhart , endireitando se e franzindo as sobrancelhas - usa o senso comum . Os meus livros não teriam vendido metade do_que venderam se as pessoas não acreditassem que eu tinha feito todas aquelas coisas . Ninguém está interessado em ler sobre um velho feiticeiro americano mesmo_que ele tenha salvo uma cidade inteira de os lobisomens , ficaria péssimo em a capa . E a bruxa que correu com a fada carpideira tinha um lábio leporino . Como vês . - Quer_dizer que ficou com os louros por tudo_o_que uma série de outras pessoas fizeram ? - perguntou Harry , sem querer acreditar . - Harry , Harry - disse Lockhart , abanando impacientemente a cabeça . - Não é tão simples assim . Envolveu muito trabalho . Tive de localizar todas essas pessoas , perguntar lhes em pormenor como tinham feito as coisas . Depois tive de lhes fazer um feitiço antimemória para que não voltassem a lembrar se do_que tinham feito . Se há uma coisa de que me orgulho é de os meus feitiços antimemória . Não , tive muito trabalho , Harry . Não foram só as sessões de autógrafos e as fotografias , sabes ? Quem quer ser famoso tem de estar preparado para um trabalho longo e fatigante . Fechou as malas a a chave . - Vejamos - disse . - Acho que está tudo . Sim , só falta uma coisa . - Empunhou a varinha e voltou se para eles . - Lamento muito , rapazes , mas vou ter de vos fazer um feitiço antimemória . Não posso deixar que vão por aí repetir os meus segredos . Não venderia nem mais um livro . Harry pegou em a varinha mesmo a tempo e Lockhart mal tinha levantado a de ele a o ar quando Harry gritou * _ Expelliarmus ! * Lockhart foi projectado de costas , indo cair em cima de a mala . A varinha voou por os ares . Ron agarrou a e atirou a por a janela aberta . - Não devia ter deixado o professor Snape ensinar nos esta - disse Harry furioso , dando um pontapé a uma de as malas . Lockhart olhava para ele , de_novo escanzelado . Harry apontava lhe a varinha . - O que queres que eu faça ? - perguntou debilmente . - Eu não sei onde fica a Câmara_dos_Segredos . Não posso fazer nada . - Está com sorte - disse Harry , forçando o com a varinha a pôr se de pé . - Nós julgamos saber onde é e o que está lá dentro . Vamos . Conduziram Lockhart para fora de o seu escritório , desceram com ele as escadas e seguiram por o corredor escuro em cuja parede brilhavam as mensagens , até a a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mandaram Lockhart a a frente . Harry gostou de ver que todo ele tremia . A Murta_Queixosa estava sentada em a cisterna de o cubículo de o fundo . - Ah ! são vocês - disse a o ver o Harry . - O que querem agora ? - Perguntar te como morreste - disse Harry . O aspecto de a Murta mudou por completo . Parecia que nunca lhe tinham feito uma pergunta tão lisonjeira . - Ooooh ! Foi horrível - disse satisfeita . - Aconteceu aqui mesmo . Morri em este cubículo . Lembro me tão bem . Estava escondida porque a Olive_Hornby andava a implicar comigo por causa de os meus óculos . A porta estava fechada e eu estava a chorar e , então , ouvi alguém entrar . Disseram qualquer coisa estranha em uma língua diferente , acho eu . Mas o que mais me espantou foi o ser um rapaz a falar . Por isso , abri a porta para lhe dizer que fosse a a casa_de_banho de eles e em esse momento - a Murta inchou com ar importante , o rosto a brilhar - morri . - Como ? - perguntou Harry . - Não faço ideia - disse a Murta em um tom de voz abafado . - Só me lembro de ver dois grandes olhos amarelos , de o meu corpo ficar preso e em seguida , sentir me a flutuar ... - olhou sonhadoramente para Harry . - E depois voltei . Estava disposta a vingar me de a Olive_Hornby , percebes ? Ela ia arrepender se de ter gozado com os meus óculos . - Onde foi exactamente que viste os tais olhos ? - perguntou Harry . - Algures por aí - disse a Murta , apontando vagamente para o lavatório em frente de o seu cubículo . Harry e Ron apressaram se . Lockhart estava de pé , mais atrás , com uma expressão de pavor em o rosto . O lavatório parecia perfeitamente vulgar . Examinaram o centímetro a centímetro , dentro e fora , incluindo os canos por baixo . E foi então que Harry reparou : de lado , rabiscada em uma de as torneiras de cobre , estava uma cobra pequenina . - Essa torneira nunca funcionou - disse vivamente a Murta enquanto ele tentava abri a . - Harry - sugeriu o Ron . - Diz qualquer coisa em * serpentês * . Mas , pensou Harry , as únicas vezes que conseguira falar * serpentês * tinham ocorrido quando confrontado com uma verdadeira serpente . Olhou , concentrado para a pequena cobra gravada em o cobre , tentando imaginá a como verdadeira . - Abre te - disse . Olhou para o Ron que abanou a cabeça . - Inglês - disse ele . Harry voltou a olhar para a cobra , forçando se a acreditar que estava viva . A luz de a vela fez parecer que se movia . - Abre te - repetiu . Mas desta_vez as palavras não foram o que ele ouviu . Um estranho sibilar escapou lhe de a boca e a torneira ganhou uma luz branca e brilhante e começou a rodar . Logo_a_seguir o lavatório mexeu se . Afastou se , melhor dizendo , saiu de o caminho , deixando um grande cano a a vista , um cano onde cabia um homem . Harry ouviu a respiração arquejante de o Ron e olhou de_novo para ele . Já decidira o que queria fazer . - Vou descer - disse . Não podia deixar de ir , agora_que acabavam de descobrir a entrada para a câmara , existindo uma possibilidade , por mais remota que fosse , de a Ginny ainda estar viva . - Eu também - disse o Ron . Houve uma pausa . - Bem , parece que não precisam mais de mim - apressou se Lockhart a dizer com uma réstia de sorriso . - Eu vou . . . Pôs a mão em o puxador de a porta mas Ron e Harry apontaram lhe ambos as varinhas . -- O senhor pode ir a a frente - disse rispidamente o Ron . Pálido e sem varinha , Lockhart aproximou se de a entrada . - Meus rapazes - disse em uma voz débil . - Meus rapazes , para quê tudo_isto ? Harry tocou lhe em as costas com a varinha e ele meteu as pernas em o cano . - Eu não me parece que ... - começou a dizer , mas o Ron deu lhe um empurrão e ele desapareceu por o cano abaixo . Harry foi rapidamente atrás . Introduziu se lentamente e deixou se cair . Era como escorregar em uma pista escura e interminável . Ele via outros canos , estendendo se em todas_as direcções mas nenhum tão largo como o de eles que se torcia e virava , inclinando se abruptamente . Harry sabia que estavam a chegar a um ponto muito abaixo de a escola e de os calabouços . Atrás_de si , ouvia o Ron gemendo em cada curva . E então , quando começava a preocupar se com o que iria acontecer quando tocassem em o chão , o cano tornou se horizontal e ele foi projectado com um ruído surdo , indo aterrar em o chão húmido de um túnel de pedra com altura suficiente para ele se pôr de pé . Lockhart estava a levantar se a alguma distancia , todo enlameado e pálido como um fantasma . Harry afastou se para deixar o Ron sair também de o cano . - Devemos estar quilómetros e quilómetros abaixo de a escola - disse o Harry cuja voz ecoou em o túnel negro . - Talvez até debaixo de o lago - arriscou o Ron , olhando em volta para as paredes escuras e viscosas . Voltaram se os três para olhar para a escuridão lá a o fundo . - * _ Lumus ! * - murmurou Harry a a varinha e ela voltou a acender se . - Vamos - disse a o Ron e a o Lockhart e avançaram , os passos a chapinharem ruidosamente em o chão molhado . O túnel era tão escuro que só conseguiam ver alguns centímetros a a frente . As suas sombras em as paredes molhadas pareciam monstruosas a a luz de a varinha . - Lembrem se - disse Harry baixinho enquanto caminhavam . - A o menor movimento fechem logo os olhos ... Mas o túnel era silencioso como um túmulo e o primeiro som inesperado que ouviram foi um grito de o Ron que escorregou em uma coisa que era afinal a cauda de um rato . Harry baixou a varinha para olhar para o chão e viu que estava cheio de pequenos ossos de animais . Fazendo um enorme esforço para evitar pensar em que estado iriam encontrar a Ginny , avançou até uma curva escura de o túnel . - Harry , está aqui qualquer coisa - disse o Ron com voz rouca , agarrando Harry por o ombro . Ficaram estáticos a olhar . Harry só conseguia ver a silhueta de algo enorme e curvo deitado em o túnel . Fosse o que fosse não se movia . - Talvez esteja a dormir - murmurou , olhando para os outros dois . Lockhart tapava os olhos com as mãos . Harry voltou se para olhar para a criatura com o coração a bater tanto que lhe doía em o peito . Lentamente , com os olhos quase fechados mas ainda conseguindo ver , Harry avançou com a varinha levantada . A luz deslizou sobre uma gigantesca pele de serpente , de um verde vivo e venenoso que estava vazia e enrolada em o chão de o túnel . A criatura que a abandonara devia ter , pelo_menos , seis metros e meio de comprimento . - Bolas - disse o Ron , perdendo as forças . Houve um movimento súbito atrás de eles . As pernas de Gilderoy_Lockhart cederam . - Levante se - disse o Ron de uma forma cortante , apontando lhe a varinha . Lockhart pôs se de pé . Em seguida empurrou o Ron , atirando o a o chão . Harry deu um salto , mas ... tarde de mais . Lockhart endireitava se com a varinha de o Ron em as mãos e um sorriso em o rosto . - A aventura acaba aqui , rapazes - disse . - Vou levar um bocado de esta pele de cobra para a escola , contar lhes que foi demasiado tarde para salvar a garota e que vocês os dois perderam tragicamente a memória com a visão de o seu corpinho mutilado . Digam adeus a as vossas recordações . Levantou a o ar a varinha avariada de o Ron e gritou * _ Obliviate ! * A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba . Harry pôs os braços sobre a cabeça e correu , escorregou em os anéis de a pele de cobra , afastando se de os grandes pedaços de tecto de o túnel que caíam em o chão com o ruído de trovões . Pouco depois estava sozinho , olhando para uma sólida parede de rocha partida . - Ron - gritou ele . - Estás bem , Ron ? - Estou aqui - respondeu a voz abafada de o Ron por detrás de a avalancha de rochas . - Eu estou bem mas este sujeito não . A varinha avariou o todo . Ouviu se um ruído surdo e um Oh ! gritado . Parecia que o Ron tinha acabado de dar a o Lockhart um pontapé em as canelas . - E agora ? - disse a voz de o Ron que parecia desesperada . - Não podemos passar , vai demorar séculos . Harry olhou para o tecto de o túnel onde tinham aparecido grandes fendas . Ele nunca tentara partir , através de a magia , nada tão grande como aquelas rochas e agora não lhe parecia ser o melhor momento para fazer experiências . E se o túnel abatesse ? Houve um ruído surdo e outro Oh ! atrás de as rochas . Estavam a perder tempo . A Ginny já estava havia duas horas em a Câmara_dos_Segredos . Harry sabia que só havia uma coisa a fazer . - Espera aqui - gritou a o Ron . - Fica com o Lockhart , eu vou lá . Se não voltar dentro_de uma hora ... Houve um silêncio cheio . - Eu vou ver se desloco um_pouco esta rocha - disse o Ron , tentando manter a voz firme . - Para tu poderes passar . E , Harry ... - Até já - disse o Harry , procurando injectar confiança em a sua voz trémula . E passou sozinho para lá de a imensa pele de serpente . Em_breve , o ruído de o Ron , tentando deslocar a rocha , deixou de se ouvir . O túnel virou uma e outra_vez . Os nervos de o corpo de o Harry tangiam de forma desagradável . Ele só queria que o túnel chegasse a o fim , fosse o que fosse que o aguardasse . E então , finalmente , quando atingiu a última curva , viu em a sua frente uma parede sólida que tinha gravadas duas serpentes enroladas uma em a outra , cujos olhos eram quatro esmeraldas , enormes e brilhantes . Harry aproximou se com a garganta seca . Não foi preciso imaginar que as serpentes eram autênticas . Os seus olhos pareciam estranhamente vivos . Foi fácil descobrir o que tinha de fazer . Pigarreou e os olhos de esmeraldas pareceram mexer se . - Abre te - disse Harry em um sibilar baixo . As serpentes desapareceram enquanto a parede se abria a o meio e , a tremer de os pés a a cabeça , Harry entrou . XVII_Herdeiro_de_Slytherin_Estava de pé em o fundo de uma divisão enorme , fracamente iluminada . Altíssimos pilares de pedra , cheios de serpentes gravadas que os enlaçavam , erguiam se , suportando um tecto que se perdia em a escuridão e que lançava sombras negras imensas através de a estranha luz esverdeada que enchia o local . Com o coração a bater descompassadamente , Harry ficou parado a ouvir aquele silêncio arrepiante . Estaria o Basilisk escondido em um canto cheio de sombras , atrás_de algum pilar ? E onde estaria Ginny ? Pegou em a varinha e avançou a o longo de as colunas serpenteantes . Cada_um de os seus passos provocava um enorme eco em as paredes sombrias . Harry tinha os olhos semicerrados e estava pronto para os fechar a o mais pequeno movimento . As órbitas de olhos fundos de as serpentes de pedra pareciam segui o . Por mais de uma_vez , com o estômago a dar um salto , Harry julgou vê os moverem se . Por fim , chegado a o nível de os dois últimos pilares , avistou uma estátua de a altura de a própria câmara que estava encostada a a parede de o fundo . Harry tinha de esticar o pescoço para olhar para_cima , para a cara de o gigante : era velho e com um ar simiesco , tinha uma barba enorme que lhe caía quase onde acabava a longa túnica de pedra . Os dois pés imensos e cinzentos pousavam em o chão de a câmara . E entre eles , voltada para baixo , estava uma figura pequenina vestida de preto com um cabelo flamejante . - Ginny - murmurou Harry , chegando perto de ela e ajoelhando se . - Ginny , por favor não estejas morta , não estejas morta ! Atirou a varinha para o lado , agarrou Ginny por os ombros e voltou a . O rosto de ela estava branco e frio como o mármore , contudo os olhos encontravam se fechados , portanto não estava petrificada . Mas então devia estar ... - Ginny , acorda por favor - repetiu Harry desesperado , sacudindo a . A cabeça de ela andava de um lado para o outro . - Ela não vai acordar - disse secamente uma voz . Harry deu um salto e girou sobre os joelhos . Um rapaz alto , de cabelo preto , estava encostado a o pilar mais próximo , a observá o . As sombras desfocavam o como_se Harry o visse através_de uma janela embaciada . Mas não havia como confundis o . - Tom , Tom_Riddle ? Riddle acenou , sem tirar os olhos de o rosto de Harry . - O que queres dizer com isso de ela não acordar ? - perguntou Harry desesperado . - Ela não está ... não está ? - Está viva - disse Riddle . - Mas , por um fio . Harry olhou fixamente para ele . Tom_Riddle estivera em Hogwarts há cinquenta anos atrás . Contudo , ali estava com uma luz estranha e desfocada a iluminá o , sem um dia a mais do_que os seus dezasseis anos . - És um fantasma ? - perguntou Harry . - Uma memória - disse Riddle . - Preservada em um diário durante cinquenta anos . Apontou para os pés de a estátua gigantesca . Ali , aberto em o chão , estava o pequeno diário de capa preta que Harry tinha encontrado em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Durante um segundo , Harry perguntou a si próprio como teria ido ali parar , mas havia coisas mais importantes a fazer . Preciso de a tua ajuda , Tom - disse Harry , levantando de_novo a cabeça de a Ginny . - Temos de sair de aqui . Há_um_Basilisk ... não sei onde está mas pode aparecer a qualquer momento . Por favor , ajuda me . Riddle não se mexeu . Harry , a transpirar , conseguiu levantar ligeiramente a Ginny de o solo e inclinou se para pegar em a varinha mas ela tinha desaparecido . - Viste a ... ? Olhou para_cima . Riddle continuava a olhá o , fazendo girar a varinha entre os dedos longos . - Obrigado - disse Harry , esticando o braço para a agarrar . Um sorriso surgiu então em os cantos de a boca de Riddle que continuou a olhar para ele , girando indolentemente a varinha . - Ouve , pá - disse Harry sem querer perder mais tempo , os joelhos a vergarem sob o peso morto de Ginny - temos de ir . Se o Basilisk aparece ... - Ele não vem enquanto não for chamado - disse Riddle com toda_a calma . Harry voltou a pousar Ginny em o chão , incapaz de a segurar por mais tempo . - Que queres dizer com isso ? - perguntou . - Dá me a minha varinha , posso precisar de ela . O sorriso de Riddle ampliou se . - Não vais precisar de ela - disse . Harry olhou o espantado . - O que queres dizer , não vou ? - Esperei muito_tempo por isto , Harry - disse Riddle . - Pela possibilidade de te ver , de falar contigo . - Olha , eu acho que tu não estás a perceber - disse Harry , perdendo a paciência . - Estamos em a Câmara_dos_Segredos , podemos conversar mais tarde . - Vamos conversar agora - disse Riddle , sorrindo de orelha a orelha e guardando a varinha de Harry em o bolso . Harry voltou a olhar para ele . Havia qualquer coisa de muito estranho em tudo aquilo . - Como é_que a Ginny ficou assim ? - perguntou pausadamente . - Bem , essa é uma pergunta interessante - disse Riddle , divertido . - E uma longa história , também . Julgo que o verdadeiro motivo que levou Ginny_Weasley a ficar assim foi o ter aberto o seu coração e revelado todos os seus segredos a um estranho ser invisível . - De quem estás a falar ? - perguntou Harry . - De o diário - disse Riddle . - De o meu diário . A Ginny escreve nele há meses e meses , contando me todas_as suas lamentáveis desgraças e atribulações : como os irmãos a arreliam , que teve de vir para a escola com manto , túnica e livros em segunda mão - os olhos de Riddle brilharam -- , que acha que o maravilhoso , o grande , o famoso Harry_Potter nunca vai gostar de ela ... Enquanto falava , nunca os olhos de Riddle se afastaram de a cara de o Harry . Havia em eles um olhar ávido . - É muito chato ter de ouvir as preocupações idiotas de uma garotinha de onze anos - prosseguiu . - Mas eu fui paciente . Respondi lhe , mostrei me simpático e amável . A Ginny pura e simplesmente adorou me . - * _ Nunca ninguém me compreendeu como tu , Tom ... estou tão feliz por ter este diário a quem me confiar ... é como ter um amigo que pode andar em o meu bolso * ... Riddle riu se . Um riso alto , frio , que não lhe ficava bem . Fez com que os cabelos de o pescoço de Harry se arrepiassem todos . - Verdade se diga que sempre consegui encantar as pessoas necessárias . Portanto a Ginny verteu em mim a sua alma e a alma de ela era precisamente o que eu queria . Fortaleceu me . Alimentei me de os seus medos mais profundos , de os seus mais obscuros segredos . Fui ficando cada_vez_mais forte e poderoso . Muito mais poderoso do_que a pequena Miss_Weasley até que comecei a transmitir lhe alguns de os meus segredos , a passar um_pouco de a minha alma para ela ... - O que queres dizer ? - perguntou Harry cuja boca ficara totalmente seca . - Ainda não descobriste , Harry_Potter ? - disse Riddle muito baixo . - Giony_Weasley abriu a Câmara_dos_Segredos , estrangulou os galos de a escola e escreveu mensagens assustadoras em as paredes . Atiçou a serpente de Slytherin contra quatro sangues de lama e contra o gato de o busca-pé . - Não - murmurou Harry . - Sim - disse calmamente Riddle . - É claro que a princípio não sabia o que estava a fazer . Era muito divertido . Gostava que visses as coisas que escreveu em o diário , começaram a ficar muito mais interessantes . * _ Querido_Tom * - recitou ele , olhando para a expressão horrorizada de o Harry . - * _ Acho que estou a perder a memória . Há penas de galo em todas_as minhas roupas e eu não sei como foram lá parar . Querido_Tom , não me lembro do_que fiz em a noite de o Hallowe'en mas foi atacada uma gata e eu estou cheia de tinta em a cara . Querido_Tom , o Percy não pára de me dizer que ando pálida e não pareço eu . Acho que ele suspeita de mim ... Houve outro ataque hoje e eu não sei onde estava . Tom , que vou eu fazer ? Acho que estou a ficar maluca ... acho que ando a atacar toda_a_gente , Tom ! * Harry tinha os punhos fechados , as unhas cravadas contra a palma de as mãos . - Levou muito_tempo até a pequenina estúpida deixar de confiar em o diário - disse Riddle . - Mas acabou por ficar desconfiada e tentou livrar se de ele . E é aí que tu entras , Harry . Tu encontraste o . E eu não poderia ter ficado mais satisfeito . De todas_as pessoas que poderiam ter ficado com ele , foste tu , aquele que eu ambicionava conhecer ... - E porque querias conhecer me ? - perguntou Harry . Começava a ser tomado por a raiva e fez um esforço para manter o tom de voz controlado . - Bem , a Ginny contou me tudo a teu respeito - disse Riddle . - A tua fascinante história . - Os seus olhos pousaram em a cicatriz em a testa de Harry e a sua expressão ganhou maior avidez . - Sabia que devia descobrir mais a teu respeito , falar te , encontrar me contigo se fosse possível . Por isso , para ganhar a tua confiança , resolvi mostrar te a famosa captura que fiz de aquele demente de o Hagrid . - O Hagrid é meu amigo - disse Harry já com a voz a tremer . - E tu tramaste o , não foi ? Pensei que tinha sido um engano , mas ... Ele riu se . O mesmo riso de antes . - Era a minha palavra contra a palavra de ele . Imagina a cara de o velho Armando_Dippet . De um lado Tom_Riddle , pobre mas brilhante , sem pais mas corajoso , prefeito de a escola , um modelo de aluno . De o outro lado , o Hagrid , grande e disparatado , arranjando problemas semana sim , semana não , tentando criar filhotes de lobisomens debaixo de a cama , escapando se para a floresta proibida para lutar com gigantes . Mas , devo admitir que até eu próprio fiquei admirado com os excelentes resultados de o meu plano . Pensei que alguém perceberia que o Hagrid nunca poderia ser o herdeiro de Slytherin . Demorei cinco anos inteirinhos até descobrir tudo_o_que me foi possível sobre a Câmara_dos_Segredos e a sua entrada secreta ... como_se o Hagrid tivesse cabeça ou poder ! - Só o professor de Transfiguração , Dumbledore , parecia achar que ele estava inocente . Convenceu Dippet a mantê o aqui e a treiná o como guarda de os campos . Sim , é natural que Dumbledore tenha adivinhado , nunca gostou de mim como os outros professores . - Aposto que Dumbledore viu através_de ti - disse Harry , de dentes cerrados . - Pelo_menos passou a vigiar me de perto , a partir de o momento em que o Hagrid foi expulso - disse Riddle descuidadamente . - Eu sabia que não era seguro voltar a abrir a câmara enquanto ainda estava em a escola mas não ia desperdiçar os longos anos que passara a pesquisar . Decidi , por isso , deixar um diário preservando em as suas páginas o meu ego de dezasseis anos para que um dia , com um_pouco de sorte , pudesse levar outro a seguir os meus passos e acabar o nobre trabalho de Salazar_Slytherin . - Bem , não o acabaste - disse Harry triunfante . - Ninguém morreu até agora , nem mesmo a gata . Dentro_de poucas horas a poção de mandrágoras estará pronta e todos os que foram petrificados voltarão de_novo a si . - Não acabei de te dizer que matar sangues de lama já não me interessa ? Há muitos meses que o meu alvo és tu . Harry olhou para ele . - Podes imaginar como fiquei furioso quando em outro dia o diário foi aberto e vi que era a Ginny quem estava a escrever e não tu . Ela viu te com o diário e entrou em pânico . E se tu descobrisses como trabalhar com ele e eu te repetisse todos os seus segredos ? Ainda pior , e se eu te contasse quem tinha andado a estrangular os galos ? Por isso , a grande palerma esperou que o teu dormitório estivesse deserto e foi lá roubá o . Mas eu sabia o que tinha de fazer . Estava muito claro para mim que a tua meta era o herdeiro de Slytherin . Por tudo_o_que a Ginny me contara a teu respeito , sabia que irias até onde fosse preciso para desvendar o mistério , principalmente se um de os teus melhores amigos tivesse sido atacado . E a Ginny disse me que a escola toda bichanava por tu falares * serpentês * ... Por isso , obriguei a Ginny a escrever a sua própria despedida em a parede , a vir até aqui e esperar . Ela debateu se e gritou e ficou muito chatinha . Mas , já não tem muita vida : pôs grande parte de ela em o diário , deu me a . O suficiente para eu abandonar , por fim , as suas páginas . Desde_que aqui cheguei que estou a a tua espera . Sabia que virias . Tenho muitas perguntas a fazer te , Harry_Potter . - Que perguntas ? - disse Harry com os punhos fechados . - Bem - prosseguiu Riddle , sorrindo de satisfação : - Como é_que um bebé sem especiais talentos de magia foi capaz de derrotar o maior feiticeiro de sempre ? Como conseguiste escapar só com uma cicatriz quando os poderes de Lord_Voldemort foram destruídos ? Havia agora em os seus olhos um brilho vermelho e irado . - O que é_que te interessa saber como eu escapei ? - disse Harry lentamente . - Voldemort veio depois de ti . - Voldemort - disse Riddle - é o meu passado , o meu presente e o meu futuro , Harry_Potter ... Tirou a varinha de o Harry de o bolso e começou a escrever em o ar três palavras brilhantes : TOM_MARVOLO_RIDDLE_Em seguida , fez um gesto com a varinha e as letras de o seu nome reagruparam se de outro modo . : __ eu sou lord __ voldemort ( I am Lord_Voldemort ) . - Vês ? - murmurou . - Era um nome que eu já usava em Hogwarts , para os meus amigos mais íntimos apenas , como é óbvio . Achas que ia usar para sempre o nome nojento de o meu pai Muggle ? Eu , em cujas veias , por o lado materno , corre o sangue de Salazar_Slytherin ? Eu , manter o nome de um Muggle tolo que me abandonou ainda antes de eu nascer só porque descobriu que a mulher com quem casara era uma bruxa ? Não , Harry , arranjei um novo nome , um nome que eu sabia que os feiticeiros de todo_o_mundo viriam um dia a ter medo de pronunciar , quando eu me tivesse tornado o maior feiticeiro de o mundo . A cabeça de Harry parecia bloqueada . Olhou como_que paralisado para Riddle , para o rapaz de o orfanato que depois de crescer iria matar os seus pais e tantos outros . Por fim , com algum esforço conseguiu falar . - Não és - disse em uma voz calma e cheia de ódio . - Não sou o quê ? - perguntou Riddle irritado . - Não és o maior feiticeiro de o mundo - disse Harry com a respiração acelerada . - Lamento desiludir te mas o maior feiticeiro de o mundo é Albus_Dumbledore . Toda_a_gente sabe . Mesmo tu , quando tinhas força , não ousavas tentar aproximar te de Hogwarts . Dumbledore viu através_de ti quando andavas em a escola e ainda agora te assusta onde quer que te escondas . O sorriso desaparecera de o rosto de Riddle , fora substituído por um olhar furioso . - Dumbledore foi afastado de este castelo por a minha simples memória - sibilou . - Ele não está tão longe como pensas - retorquiu Harry . Falava por falar , tentando assustar Riddle , desejando mais que assim fosse do_que acreditando em as suas palavras como uma verdade . Riddle abriu a boca mas não chegou a falar . Tinha começado a ouvir se uma música . Riddle deu uma volta , olhando para a câmara vazia . A música estava a ficar mais alta . Era misteriosa , arrepiante , sobrenatural . Fez_Harry ficar com os cabelos em pé e o coração aumentar lhe em o peito . Por fim , quando atingiu um ponto tão alto que Harry a sentiu vibrar dentro de as suas costelas , começaram a sair chamas de o topo de o pilar mais próximo . Uma ave carmesim de o tamanho de um cisne surgiu , assobiando a sua estranha melodia para o tecto em forma de abóbada . Tinha uma cauda dourada tão longa como a de um pavão e garras douradas e brilhantes que seguravam uma trouxa andrajosa . Segundos depois , a ave voava em direcção a Harry . Deixou cair a coisa andrajosa a os seus pés e pousou lhe pesadamente em o ombro . Quando abriu as enormes asas , Harry olhou para_cima e viu que tinha um longo bico afiado e olhos escuros pequenos e brilhantes . A ave parou de cantar . Ficou quieta junto de a cara de Harry , olhando fixamente para Riddle . - É uma fénix , disse Riddle , olhando sagazmente para ela . - Fawkes ? - murmurou Harry e sentiu as garras douradas apertarem lhe devagarinho o ombro . - E aquilo - disse Riddle , olhando para a coisa velha que Fawkes deixara em o chão - é o velho chapéu seleccionador , de a escola . Era , de facto . Amachucado , puído e sujo , o chapéu jazia imóvel a os pés de Harry . Riddle começou a rir . Riu se tanto que a câmara escura se lhe juntou em um eco tal que parecia que dez Riddles se riam ao_mesmo_tempo . - Eis o que Dumbledore envia a o seu defensor . Um pássaro que canta e um chapéu velho . Estás cheio de coragem , Harry_Potter ? Sentes te agora mais seguro ? Harry não respondeu . Podia não estar a ver a vantagem de a Fawkes ou de o chapéu seleccionador mas já não se sentia só , e esperou corajosamente que Riddle parasse de rir . - Vamos a o que importa , Harry - disse ele , ainda com um enorme sorriso . - Encontrámo nos duas vezes em o teu passado , em o meu futuro . E duas vezes falhei a o tentar matar te . Como foi que sobreviveste ? Conta me tudo . Quanto_mais falares , mais tempo tens de vida . Harry pensava rapidamente , medindo as suas possibilidades . Riddle tinha a varinha . Ele , Harry , tinha a Fawkes e o chapéu seleccionador que não lhe serviriam de muito em o combate . As coisas pareciam más , é certo . Mas quanto_mais tempo Riddle ali estivesse , mais vida retirava a a Ginny ... e , entretanto , Harry reparou que a silhueta de Riddle se tornava mais nítida , mais sólida . Se tinha de haver uma luta entre os dois , quanto_mais depressa melhor . - Ninguém sabe porque perdeste os poderes quando me atacaste - disse bruscamente . - Eu próprio não sei . Mas sei porque não conseguiste matar me . A minha mãe morreu para me salvar . A minha mãe , uma vulgar filha de Muggles - acrescentou , a tremer de raiva . - Ela impediu que tu me matasses . E eu vi te como tu és , em o ano passado . És um destroço , quase não existes . Foi onde o teu poder te levou . Estás sob um disfarce , és horrível e és louco . O rosto de Riddle contorceu se . Em seguida , forçou um sorriso pavoroso . - Quer_dizer , então , que a tua mãe morreu para te salvar . Sim , é um antifeitiço poderoso . Compreendo agora , afinal não há em ti nada de especial . Eu tinha curiosidade , sabes , porque há uma estranha semelhança entre nós , Harry_Potter . Até tu deves ter reparado . Somos ambos meio sangue , órfãos , educados com Muggles , provavelmente os dois únicos que falam * serpentês * desde o grande Slytherin , até nos parecemos um_pouco fisicamente ... mas afinal foi apenas uma questão de sorte que te salvou de mim . Era o que eu queria saber . Harry ficou parado , tenso , a a espera que Riddle levantasse a varinha mas o seu sorriso cínico ampliou se de_novo . - Agora , Harry , vou dar te uma pequena lição . Vamos confrontar os poderes de Lord_Voldemort , herdeiro de Salazar_Slytherin e de o famoso Harry_Potter , munido com as melhores armas que Dumbledore lhe deu . Lançou um olhar divertido a a Fawkes e a o chapéu seleccionador e , em seguida , afastou se . Harry com as pernas entorpecidas por o medo viu o parar entre dois pilares altos e olhar para a cara de pedra de Slytherin , lá em cima em a semi-obscuridade . Riddle abriu a boca e sibilou mas Harry compreendeu o que ele dizia . - * _ Responde-me , Slytherin , o maior de os quatro de Hogwarts * . Harry voltou se para olhar melhor para a estátua com Fawkes pousada em o ombro . A gigantesca cara de pedra de Slytherin movia se . Horrorizado , Harry viu a boca abrir se mais e mais até se transformar em um buraco negro . E algo se agitava dentro de a boca de a estátua . Algo se arrastava para fora de as suas entranhas . Harry recuou até a a parede escura de a câmara e enquanto fechava os olhos com força sentiu a asa de a Fawkes roçar lhe o rosto e levantar voo . Harry quis gritar : - Não me abandones ! - mas que possibilidades tinha uma fénix contra o rei de as serpentes ? Uma coisa enorme bateu em o chão de pedra que Harry sentiu estremecer . Sabia o que estava a acontecer , podia sentis o , quase podia ver a serpente gigantesca a sair de a boca de Slytherin . Foi então que ouviu a voz de Riddle sibilar : * _ Mata-o * . O Basilisk avançava em direcção a Harry . Ele ouvia o seu corpo enorme escorregar pesadamente por o chão cheio de pó . Com os olhos sempre fechados , Harry começou a correr para o lado , a as cegas , com as mãos abertas a tactear o caminho . Riddle ria se a as gargalhadas . Harry escorregou e caiu em o chão de pedra e a boca soube lhe a sangue . A serpente estava a poucos centímetros de ele . Podia ouvi a a aproximar se . Ouviu se um crepitar explosivo por cima de ele e alguma coisa pesada bateu lhe com tanta força que ele ficou encostado a a parede . Esperando que os dentes de a serpente lhe perfurassem o corpo , ouviu mais ruídos e qualquer coisa que se agitava com força contra os pilares . Não conseguiu evitar . Abriu bem os olhos para ver o que se passava . A enorme serpente , brilhante , de um verde veneno , espessa como o tronco de um carvalho , erguera se em o ar e a sua imensa cabeça agitava se de um lado para o outro , entre os dois pilares . Quando Harry , a tremer , se preparava para fechar de_novo os olhos , percebeu o que distraíra a cobra . Fawkes esvoaçava em volta de a sua cabeça e o Basilisk , furioso , tentava agarrá a com os dentes longos e afiados como sabres . Fawkes mergulhava . Harry deixou de ver o bico fino e dourado e uma brusca chuva de sangue escuro inundou o chão . A cauda de a serpente agitou se , não batendo em o Harry por_pouco e antes que ele pudesse fechar os olhos voltou se . Harry olhou lhe para a cara e viu que os seus olhos , os dois olhos amarelos e bolbosos tinham sido perfurados por a fénix . O sangue escorria por o chão e a serpente cuspia cheia de dores . - * _ Não * - Harry ouviu o grito de Riddle . - * _ Deixa a ave , deixa a ave , o rapaz está atrás_de ti , ainda podes cheirá o . Mata o ! * A serpente cega oscilou confusa , ainda em fúria . Fawkes andava a a volta de a cabeça de ela soprando a sua misteriosa cantilena , picando lhe aqui_e_ali o nariz cheio de escamas , enquanto o sangue jorrava de os seus olhos destruídos . - Ajudem me . Ajudem me - murmurava Harry aflito . - Alguém , ajude me . A cauda de a serpente chicoteou de_novo o chão . Harry baixou se . Algo macio tocou lhe em o rosto . O Basilisk lançara o chapéu seleccionador para os braços de o Harry que o agarrou . Era tudo_o_que tinha , a sua única esperança . Enfiou o em a cabeça e começou a ficar achatado contra o chão , enquanto a cauda de o Basilisk se lançava de_novo sobre ele . - Ajudem me , ajudem me - pensou Harry , os olhos comprimidos debaixo de o chapéu . - Por favor , ajudem me . Nenhuma voz lhe respondeu . Em vez de isso , o chapéu contraiu se como_se uma mão invisível o tivesse espalmado devagarinho . Alguma coisa muito dura e pesada caíra sobre a cabeça de Harry , conseguindo quase derrubá o . A ver estrelas em frente de os olhos , agarrou o chapéu para o puxar para baixo e sentiu lá dentro uma coisa longa e dura . Uma espada brilhante tinha surgido dentro de o chapéu . Tinha um cabo cravejado de rubis de o tamanho de pequenos ovos . - Mata o rapaz , deixa a ave . O rapaz está atrás_de ti . Cheira o ! Harry estava de pé , preparado . A cabeça de o Basilisk caía , o corpo serpenteava , batendo nos pilares quando se torcia para ficar de frente para ele . Harry podia ver as enormes órbitas ensanguentadas , a boca toda aberta , suficientemente grande para o engolir inteiro , munida de dentes tão longos como a sua espada , finos , brilhantes , venenosos ... Começou a atacar a as cegas . Harry baixou se e a serpente bateu em a parede de a câmara . Atacou de_novo e a sua língua bifurcada lambeu a parede ao_lado_de Harry que levantou a espada com ambas as mãos . O Basilisk investiu mais_uma_vez e agora a pontaria foi certa . Harry pôs todo o seu peso contra a espada e enterrou a até a os copos em o céu de a boca de a serpente . Mas quando o sangue quente lhe encheu os braços , sentiu uma dor aguda mesmo acima de o cotovelo . Um longo dente venenoso penetrava cada_vez_mais fundo em o seu braço , partindo se quando o Basilisk tombou para o lado , perdendo os sentidos . Harry escorregou a o longo de a parede , apertou com força o dente que estava a derramar veneno por todo o seu corpo e arrancou o de o braço . Mas sabia que era demasiado tarde . Uma dor quente emanava lenta e perseverantemente de a ferida . Quando deixou cair o dente e viu o seu próprio sangue manchando lhe as vestes , a vista começou a ficar turva e a câmara a diluir se em uma rotação ardente e colorida . Mas algo escarlate passou por ele e Harry ouviu a o seu lado um suave ruído de garras . - Fawkes - disse com a voz empastada . - Foste sensacional , Fawkes . - Sentiu o pássaro encostar a sua elegante cabeça a o sítio onde o dente de a serpente o tinha ferido . Ouviu passos ecoarem em o vazio e em seguida uma sombra escura moveu se em a sua frente . - Estás morto , Harry_Potter - disse a voz de Riddle , acima de ele . - Morto . Até o pássaro de Dumbledore sabe de isso . Vês o que ele está a fazer ? A chorar . Harry piscou os olhos . A cabeça de Fawkes ora estava focada , ora desfocada . Lágrimas grossas como pérolas escorriam de as suas penas . - Vou sentar me aqui a ver te morrer , Harry_Potter . Leva o teu tempo , eu não tenho pressa . Harry sentiu se sonolento . Tudo parecia girar a a sua volta . - E assim acaba o famoso Harry_Potter - disse a voz distante de Riddle . - Sozinho em a Câmara_dos_Segredos , esquecido por os amigos , finalmente derrotado por o Senhor de o mal que ele tão imprudentemente desafiou . Vais reunir te a a tua querida mãe sangue de lama , Harry ... Ela deu te doze anos de tempo emprestado ... Mas Lord_Voldemort apanhou te em o fim , como sabias que teria de acontecer . Se morrer é isto , pensou Harry , não é assim tão mau . Até a dor estava a desaparecer . Mas , estaria a morrer ? Em_vez_de ficar mais escura a câmara parecia voltar a estar nítida . Harry fez um pequeno gesto com a cabeça e viu a Fawkes ainda repousando a cabeça em o seu ombro . Uma fiada de pérolas brilhava em volta de a ferida , só que já não havia ferida . - Sai de aqui , pássaro - disse subitamente a voz de Riddle . - Afasta te de ele . Já te disse , sai de aqui ! Harry levantou a cabeça . Riddle apontava a sua varinha a Fawkes . Ouviu se um tiro que parecia de carabina e Fawkes levantou novamente voo em um rodopio de ouro e escarlate . - Lágrimas de fénix - disse Riddle em voz baixa , olhando para o braço de o Harry . - É claro ... poderes curativos ... esqueci me ... Olhou para a cara de Harry . - Mas não faz mal . Pensando bem , eu até prefiro assim . Tu e eu , Harry_Potter ... Tu e eu ... Levantou a varinha . Então , em um golpe de asa , Fawkes voou sobre as cabeças de ambos , deixando cair uma coisa em o colo de Harry : o diário . Durante uma fracção de segundo , tanto Harry como Riddle , ainda com a varinha levantada , ficaram a olhar para aquilo . Em seguida , sem pensar , sem ponderar , como_se pensasse fazê o desde o princípio , Harry agarrou o dente de o Basilisk que estava em o chão , junto de ele , e espetou o em o coração de o caderno . Ouviu se um grito longo e terrível . A tinta esguichou em torrentes de dentro de o diário , derramando se sobre as mãos de o Harry e inundando o chão . Riddle torcia se e contorcia se , agitando se a os gritos . E , por fim . Desapareceu . A varinha de Harry caiu a o chão com um ruído e fez se silêncio . Um silêncio apenas cortado por o ping ping de a tinta que ainda escorria de o diário . Com um leve crepitar , o veneno de o Basilisk abrira um buraco mesmo em o meio de o caderno . A tremer de os pés a a cabeça , Harry pôs se de pé . Sentia tudo a andar a a roda como_se tivesse viajado quilómetros e quilómetros com o pó de * _ Floo * . Lentamente apanhou a varinha e o chapéu seleccionador e com um grande estrondo retirou a espada de o céu de a boca de a serpente . Ouviu se então um gemido fraco a o fundo de a câmara . Ginny estava a mexer se . Quando Harry chegou junto de ela , sentou se . Os seus olhos abismados saltaram de o Basilisk morto para Harry em a sua roupa cheia de sangue e , em seguida , para o diário que ele tinha em as mãos . Soltou um enorme soluço e os seus olhos encheram se de lágrimas . - Harry , oh ! Harry , eu tentei dizer te a o pequeno-almoço mas não fui capaz em frente de o Percy . Era eu , Harry , mas eu ... eu ... juro que não queria ... o Riddle obrigou me , levou me e ... como é_que mataste esse bicho ? Onde está o Riddle ? A última coisa de que me lembro foi de o ver a sair de o diário ... - Está tudo bem - disse Harry , mostrando lhe o diário com o buraco de o dente . - O Riddle acabou , olha . Ele e o Basilisk . Anda , Ginny , vamos embora de aqui . - Vou com certeza ser expulsa - disse Ginny a chorar enquanto Harry a ajudava a pôr se de pé . - Desde_que o Bill veio para Hogwarts que eu sonhava vir também para cá e agora vou ter de me ir embora e ... O que vão a minha mãe e o meu pai dizer ? Fawkes esperava por eles , suspensa em o ar , a a entrada de a câmara . Harry fez a Ginny avançar , passaram sobre os anéis parados de o Basilisk , por a escuridão cheia de ecos e voltaram a o túnel . Harry ouviu as portas de pedra fecharem se atrás de eles com um leve sibilar . Depois de alguns minutos a caminhar por o túnel escuro , chegou a os ouvidos de Harry o som distante de o deslocar de uma rocha . - Ron - gritou ele , apressando se . - A Ginny está bem . Está aqui comigo ! Ouviu o Ron gritar de alegria e , voltando em a curva logo_a_seguir , viram a sua cara ansiosa a espreitar por a fresta que conseguira abrir durante a avalancha . - Ginny ! - Ron estendeu o braço por a fresta para a puxar primeiro . - Estás viva . Não posso acreditar . O que aconteceu ? Tentou abraçá a mas a Ginny afastou o , soluçando . - Mas estás bem , Ginny - disse o Ron , sorrindo para ela . - Já passou tudo ... De onde veio esse pássaro ? Fawkes passara por a abertura , atrás_de Ginny . - É de o Dumbledore - explicou Harry , espremendo se para caber também . - E como arranjaste uma espada ? - perguntou o Ron , olhando para a arma brilhante que Harry tinha em a mão . - Eu explico te tudo quando sairmos de aqui - disse Harry , lançando um olhar de esguelha a a Ginny . - Mas ... - Mais tarde - disse Harry rapidamente . Não lhe parecia uma boa ideia contar a o Ron quem tinha aberto a câmara , ali , em frente de a Ginny . - Onde está o Lockhart ? - Ali atrás - disse o Ron , a rir e a abanar a cabeça em direcção a o cano . - Está em muito mau estado . Anda ver . Conduzidos_pela_Fawkes , cujas grandes asas escarlates emitiam um suave dourado que brilhava em a escuridão , voltaram a o lugar onde o cano começava . Gilderoy_Lockhart estava sentado a falar sozinho . - Perdeu a memória - disse o Ron . - O feitiço de a memória fez ricochete . Não sabe quem é nem onde está , nem_sequer sabe quem nós somos . Eu disse lhe que viesse para aqui e esperasse . É um perigo para ele próprio . Lockhart olhou os bem-disposto . - Olá - disse . - Que lugar estranho , este . É aqui que vocês moram ? -- Não - respondeu o Ron , levantando as sobrancelhas para o Harry . Harry baixou se e observou o túnel escuro e longo . - Já pensaste como é_que vamos sair de aqui ? - perguntou a o Ron . O amigo abanou a cabeça mas Fawkes , a fénix , tinha passado por o Harry e estava agora em o ar , em frente de ele , os olhos como pérolas a brilharem em o escuro . Abanava as longas penas douradas de a cauda . Harry olhou para ela , inseguro . - Ela parece querer que a agarres - disse o Ron , perplexo . - Mas tu és muito pesado para um pássaro . - A Fawkes - disse Harry - não é um pássaro qualquer . Voltou se rapidamente para os companheiros . - Temos de nos agarrar uns a os outros . Ginny , agarra a mão de o Ron . O professor Lockhart ... - Ele está a falar consigo - disse o Ron secamente . - Agarre a outra mão de a Ginny . Harry guardou a espada e o chapéu seleccionador em o cinto . Ron deitou a mão a a roupa de Harry e Harry agarrou as penas de a cauda , estranhamente quentes , de a Fawkes . Sentiu uma extraordinária leveza apoderar se de todo o seu corpo e em seguida estavam todos a voar por o cano acima . Harry conseguia ouvir Lockhart , lá atrás , comentando : - Espantoso , isto parece mágico ! Ar frio batia em os cabelos de Harry e antes que ele deixasse de gostar de a viagem já ela acabara . Os quatro tinham chegado a o chão molhado de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa e , enquanto Lockhart endireitava o chapéu , o lavatório voltara a o seu lugar , tapando o cano . A Murta arregalou os olhos . - Vocês estão vivos - disse inexpressivamente a o Harry . - Não é preciso mostrares te tão desiludida - respondeu ele , muito sério , limpando as nódoas de sangue e lodo de os óculos . - Bem ... é_que eu pensei que se vocês morressem seriam bem-vindos a a minha casa_de_banho - disse a Murta com um rubor prateado . - Urgh ! - fez o Ron , quando saíram de ali para o corredor deserto . - Harry , acho que a Murta está a gostar de ti . Tens concorrência , Ginny ! A Ginny continuava a chorar silenciosamente . - Onde vamos agora ? - perguntou o Ron , olhando ansiosamente para ela . Harry apontou . Fawkes indicava o caminho , com o seu tom dourado que brilhava em o corredor . Seguiram a e pouco depois estavam em o escritório de a professora Mc_Gonagall . Harry bateu e empurrou a porta que estava encostada . XVIII_A recompensa de Dobby_Durante alguns momentos reinou o silêncio enquanto Harry , Ron , Ginny e Lockhart estavam em a entrada de a porta . Cobertos de pó e de lama e ( em o caso de o Harry ) sangue . Em seguida , ouviu se um grito . - Ginny ! Era_Mrs._Weasley que tinha estado a chorar , sentada em frente de o lume . Pôs se de pé em um salto , seguida de Mr._Weasley e precipitaram se ambos para a filha . Harry olhava para trás de eles . Dumbledore rejubilava junto de a lareira , a o lado de a professora Mc_Gonagall que , agarrada a o queixo , respirava com dificuldade . Fawkes rasou as orelhas de o Harry e foi instalar se em o ombro de Dumbledore , ao_mesmo_tempo que Harry dava por si em os braços de Mrs._Weasley . - Tu salvaste a ! Salvaste a ! : __ como foi que __ conseguiste ? - Acho que todos nós gostaríamos de saber - disse , sem energia , a professora Mc_Gonagall . Mrs._Weasley soltou o Harry , que hesitou um momento . Depois , foi até a a secretária e colocou sobre o tampo o chapéu seleccionador , a espada cravejada de rubis e o que restava de o diário de Riddle . Em seguida , contou lhes tudo . Falou durante quase um quarto de hora em o silêncio extasiado : contou lhes de a voz sem corpo que ouvia , como a Hermione acabara por descobrir que se tratava de um Basilisk que circulava em os canos , como ele e o Ron tinham seguido as aranhas até a a floresta , que Aragog lhes dissera que a última vítima de o Basilisk morrera , como tinham chegado a a conclusão que se tratava de a Murta_Queixosa e que a entrada para a Câmara_dos_Segredos devia ser em aquela casa_de_banho ... - Muito bem - elogiou a professora Mc_Gonagall quando ele se calou . - Então tu descobriste onde era a entrada , infringindo uma centena de regras de a escola por o caminho , devo dizer , mas como diabo saíram vocês vivos de lá de dentro ? Harry , com a voz já um_pouco rouca de falar tanto , contou lhes de a chegada de a Fawkes e de o chapéu seleccionador que lhe tinha dado a espada . Mas , chegando aí , hesitou . Até a o momento evitara referir se a o diário de Riddle ou a a Ginny . Ela tinha a cabeça encostada a o ombro de Mrs._Weasley e as lágrimas corriam lhe ainda por o rosto . E se a expulsassem ? - pensou Harry , tomado de pânico . O diário de Riddle já não funcionava ... quem poderia provar que fora ele que a obrigara a fazer tudo aquilo ? Olhou instintivamente para Dumbledore que sorria , o fogo iluminando lhe os óculos de meia-lua . - O que mais me interessa saber - disse Dumbledore amavelmente - é como conseguiu Lord_Voldemort enfeitiçar a Ginny quando as minhas fontes me dizem que ele se esconde habitualmente em as florestas de a Albânia . Um alívio , quente e glorioso percorreu Harry de a cabeça a os pés . - O quê ? - disse Mr._Weasley , em uma voz estupefacta . - O Quem nós sabemos enfeitiçou a Ginny ? Mas a Ginny não ... a Ginny não morr ... ? - Foi este diário - esclareceu Harry rapidamente . E mostrando o a Dumbledore . - O Riddle escreveu o quando tinha dezasseis anos . Dumbledore pegou em o diário e olhou atentamente por cima de o seu nariz longo e adunco para as páginas queimadas e húmidas . - Fantástico - disse em voz baixa . - É claro que ele deve ter sido o aluno mais brilhante que alguma vez passou por Hogwarts . - Olhou em volta para os Weasley que o observavam com um ar totalmente confuso . - Muito poucas pessoas sabem que Lord_Voldemort se chamou em tempos Tom_Riddle . Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos , em Hogwarts . Ele desapareceu depois de deixar a escola , viajou muito , mergulhou tão fundo em as artes de a magia negra , associado a os piores feiticeiros , realizou transformações mágicas tão perigosas que quando reapareceu como Lord_Voldemort estava totalmente irreconhecível . Ninguém o relacionou com o rapazinho inteligente e bonito que aqui foi , em tempos , chefe de turma . - Mas a Ginny - insistiu Mrs._Weasley . - O que tem a nossa Ginny que ver com ele ? - O diário - soluçou Ginny . - Eu andei todo o ano a escrever em o diário e ele respondia me ... - Ginny ! - repreendeu Mr._Weasley . - Não aprendeste nada do_que te ensinei ? Não me cansei de dizer te que nunca confiasses em nada que não pensasse por si próprio * se não conseguisses ver onde tinha o cérebro ? * Porque não me mostraste o diário , a mim ou a a tua mãe ? Um objecto suspeito como esse tinha de estar cheio de magia negra ! - Eu não sabia - soluçou Ginny . - Estava junto de os livros que a mãe me comprou . Pensei que alguém se tinha esquecido de ele ali . - É melhor Miss_Weasley ir imediatamente para a ala hospitalar - interrompeu Dumbledore com voz firme . - Foi sujeita a uma prova terrível . Não será castigada . Outros feiticeiros mais velhos do_que ela têm sido ludibriados por Lord_Voldemort . - Dirigiu se a a porta e abriu a . - Repouso , cama e talvez uma caneca de chocolate quente . A mim , anima me sempre - acrescentou , piscando lhe simpaticamente o olho . - Vais ver que Madam_Pomfrey ainda está acordada . Ela tem estado a dar o sumo de Mandrágora , julgo que as vítimas de o Basilisk estarão a acordar dentro_de momentos . de alegria . - Então a Hermione está bem ! - disse o Ron , cheio de alegria . - Não houve danos irreversíveis - disse Dumbledore . Mrs._Weasley saiu com a Ginny e Mr._Weasley seguiu as ainda bastante abalado . - Sabes , Minerva - disse pensativo o professor Dumbledore - acho que tudo_isto merece um banquete . Posso pedir te que previnas os cozinheiros ? - Certamente - disse animada a professora Mc_Gonagall , dirigindo se também a a porta . - Deixo te a tratar de as coisas com o Potter e o Weasley , está bem ? - Claro - disse Dumbledore . Saiu e os dois olharam inseguros para Dumbledore . Que quereria ela dizer com tratar de as coisas ? Certamente não iriam ser castigados ? - Lembro me de vos ter dito a ambos que teria de vos expulsar se voltassem a quebrar as regras de a escola - disse Dumbledore . Ron abriu a boca horrorizado . - O que vem mostrar nos que as melhores pessoas , às_vezes , têm de engolir as suas próprias palavras . - Dumbledore sorriu e continuou : - Vocês vão receber ambos uma recompensa especial por serviços prestados a a escola e ... deixem me ver , sim , acho que duzentos pontos cada_um para os Gryffindor . Ron ficou tão corado que parecia as flores de S._Valentim_do_Lockhart e voltou a fechar a boca . - Mas um de vós parece demasiado calado sobre a sua participação em esta perigosa aventura - acrescentou Dumbledore . - Porquê tanta modéstia , Gilderoy ? Harry estremeceu . Esquecera se por completo de Lockhart . Voltou se e viu o a um canto de a sala ainda com o mesmo sorriso vago . Quando Dumbledore se lhe dirigiu , olhou por cima de o ombro para ver com quem ele estava a falar . - Professor_Dumbledore - disse o Ron rapidamente - Houve um acidente lá em baixo , em a Câmara_dos_Segredos . O professor Lockhart - Eu sou um professor ? - perguntou Lockhart surpreendido . - E eu que pensei que era um inútil ! - Tentou fazer um feitiço antimemória e a varinha fez ricochete - explicou Ron_a_Dumbledore . - Incrível - disse Dumbledore , abanando a cabeça , o bigode prateado a tremer . - Trespassado por a tua própria espada , Gilderoy ! - Espada ? - disse Lockhart de forma imprecisa . - Eu não tenho espada . Esse rapaz é_que tem - apontou para Harry . - Ele empresta lhe uma . - Importas te de levar também o professor Lockhart até a a ala hospitalar , Ron ? - disse Dumbledore . - Eu gostava de falar um_pouco mais com o Harry . Lockhart saiu sem pressa . Antes de fechar a porta , Ron lançou um olhar curioso a Dumbledore e Harry . Dumbledore passou para uma de as cadeiras junto de o lume . - Senta te , Harry - disse . E Harry sentou se , sentindo se indescritivelmente nervoso . - Antes de mais , Harry , quero agradecer te - disse Dumbledore com os olhos a brilharem de_novo . - Deves ter demonstrado uma grande lealdade para comigo . Só isso poderia atrair a Fawkes para ir ajudar te . Deu uma palmadinha a a fénix que voara , entretanto , para_cima de os seus joelhos . Harry sorria acanhadamente sob o olhar observador de Dumbledore . - Encontraste , portanto , Tom_Riddle - disse o director amavelmente . - Calculo que ele estaria particularmente interessado em ti ... De repente , algo que Harry tinha engasgado saiu lhe descontroladamente de a boca para fora . - Professor_Dumbledore ... o Riddle disse que eu sou como ele , que há entre nós estranhas semelhanças ... - Ah ! sim ? - Dumbledore olhou pensativamente para ele , por debaixo de as espessas sobrancelhas prateadas . - E o que achas tu de isso ? - Eu não me considero parecido com ele - disse Harry mais alto do_que desejaria . - Isto_é , eu sou um Gryffindor , eu sou ... Mas calou se com uma dúvida a rondar lhe o espírito . - Professor - arriscou passado alguns momentos . - O chapéu seleccionador disse que eu ... teria ficado bem em os Slytherin ; durante algum tempo toda_a_gente pensou que eu era o herdeiro de Slytherin por falar * serpentês * ... - Tu falas * serpentês * , Harry - disse Dumbledore calmamente - porque Lord_Voldemort que é o mais recente antepassado de Salazar_Slytherin , fala * serpentês * . Ou eu me engano muito , ou ele transferiu para ti alguns de os seus poderes em a noite em que te fez essa cicatriz . Não que quisesse fazê o , claro , mas aconteceu . - Voldemort pôs um_pouco de si próprio em mim ? - disse Harry assombrado . - É o que parece ter acontecido . - Então eu deveria estar em os Slytherin - disse Harry , olhando desesperado para o rosto de Dumbledore . - O chapéu seleccionador viu em mim os poderes de Slytherin e ... -- Pôs te em os Gryffindor - concluiu tranquilamente Dumbledore . - Ouve , Harry , tu tens por acaso muitas de as capacidades que Salazar_Slytherin apreciava em os seus estudantes cuidadosamente seleccionados . O seu raro dom de falar * serpentês * , desenvoltura , determinação , um certo desprezo por as regras estabelecidas - acrescentou com o bigode a tremer de_novo . - Mas ainda_assim , o chapéu seleccionador pôs te em os Gryffindor . E sabes porquê ? Pensa um_pouco . - Só me pôs em os Gryffindor - disse Harry em uma voz débil - porque eu pedi para não ir para os Slytherin . - Exacto - disse Dumbledore a sorrir . - E isso torna te muito diferente de o Tom_Riddle . São as tuas escolhas , Harry , que mostram quem de facto tu és , mais do_que as tuas capacidades . Harry sentou se , imóvel e espantado , em a cadeira . - Se queres provas de que o teu lugar é em os Gryffindor , sugiro que vejas isto com mais atenção . Dumbledore aproximou se de a secretária de a professora Mc_Gonagall , pegou em a espada de prata ensanguentada e mostrou lhe a . Sem perceber , Harry voltou a ao_contrário . Os rubis brilharam a a luz de a lareira e foi então que ele reparou em o nome gravado mesmo por baixo de o copo de a espada . GODRIC_GRYFFINDOR . - Só um verdadeiro Gryffindor poderia ter tirado a espada de dentro de o chapéu , Harry - disse , com simplicidade , Dumbledore . Durante um minuto , nenhum de os dois falou . Depois , Dumbledore abriu uma de as gavetas de a secretária de a professora Mc_Gonagall e retirou de lá uma pena e um tinteiro . - Tu precisas de comer e ir dormir . Sugiro que desças para o banquete enquanto eu escrevo para Azkaban . Precisamos de recuperar o nosso guarda de os campos . E tenho de esboçar um anúncio para o * _ Profeta_Diário * - acrescentou pensativo . - Vamos precisar de um novo professor de Defesa contra as artes negras . É um problema , estamos sempre a perdê os . Harry levantou se e dirigiu se a a porta . Tinha acabado de estender a mão para o puxador quando ela se abriu tão violentamente que saltou de as dobradiças . Lucius_Malfoy estava de pé , furioso . E , debaixo de o braço , embrulhado em diversas ligaduras , estava Dobby . - Boa tarde , Lucius - disse Dumbledore , de forma amena . Mr._Malfoy quase derrubou Harry enquanto entrava em a sala . Dobby dava passos miudinhos atrás de ele , inclinado até a a bainha de o seu manto com um olhar apavorado em o rosto . - Então - disse Lucius_Malfoy com os olhos fixos em Dumbledore - voltaste . Os membros de o Conselho_Directivo suspenderam te , mas tu mesmo_assim sentiste te capaz de voltar a Hogwarts . - Bem vês , Lucius - disse Dumbledore , sorrindo serenamente . - Os outros membros de o Conselho contactaram me hoje . Fui envolvido em um redemoinho de corujas , todos queriam contar me a verdade . Ouviram dizer que a filha de Arthur_Weasley tinha sido morta e queriam me novamente aqui . Parece que me consideravam o melhor homem para o lugar . Contaram me algumas histórias muito estranhas . Alguns de eles tinham a impressão que tu tinhas ameaçado amaldiçoar lhes as famílias se não concordassem com a minha suspensão . Mr._Malfoy ficou ainda mais pálido do_que de costume , mas os olhos continuavam cheios de fúria . - Então já acabaste com os ataques ? - rosnou . - Apanhaste o culpado ? - Já , sim - disse Dumbledore com um sorriso . - E quem é ? - perguntou Malfoy secamente . - A mesma pessoa de a última vez , Lucius - disse Dumbledore . Mas desta_vez , Lord_Voldemort agiu através_de outra pessoa , por_meio_de um diário . Pegou em o pequeno caderno com o buraco em o meio , observando Mr._Malfoy de perto . Mas Harry olhava para Dobby . O elfo fazia um sinal muito estranho . Com os seus grandes olhos fixos em Harry , não parava de apontar para ó diário e , em seguida , para Mr._Malfoy , batendo logo_a_seguir com o punho em a cabeça . - Estou a ver ... - disse Mr._Malfoy lentamente a Dumbledore . - Um plano inteligente - afirmou o director em um tom de voz suave , continuando a olhar Mr._Malfoy directamente em os olhos . - Porque se não fosse aqui o Harry e o seu amigo Ron a descobrirem o diário , sem dúvida Ginny_Weasley teria ficado com todas_as culpas . Ninguém teria conseguido provar que ela agira contra a sua própria vontade . Mr._Malfoy não se pronunciou . O seu rosto parecia agora uma máscara . - E vê bem - continuou Dumbledore - o que poderia ter acontecido ... os Weasley são uma de as mais proeminentes famílias de feiticeiros de sangue puro , imagina o efeito em a imagem de Arthur_Weasley e em a sua acção de protecção a os Muggles , se a sua própria filha fosse acusada de atacar e matar filhos de Muggles . Foi uma sorte o diário ter sido descoberto e as memórias de Riddle apagadas . Quem sabe que consequências poderia ter tido ? Mr._Malfoy falou contra vontade . - Sim , foi uma sorte - disse secamente . E , em as suas costas , Dobby continuava a apontar para o diário e para Lucius_Malfoy , batendo depois com o punho em a cabeça . E Harry finalmente percebeu . Fez um sinal a Dobby que correu a esconder se em um canto , torcendo desta_vez as orelhas para se castigar . - Não quer saber como a Ginny obteve esse diário , Mr._Malfoy ? - perguntou Harry . Lucius_Malfoy voltou se para ele . - Como queres que eu saiba onde é_que a estúpida de a garota o arranjou ? - Porque foi o senhor quem lhe o deu - disse Harry . - Em a Flourish and Blotts . O senhor pegou em o livro velho de ela de Transfiguração e meteu o diário lá dentro , não foi ? Viu as mãos brancas de Mr._Malfoy abrirem se e fecharem se . - Prova isso - sibilou . - Oh ! ninguém vai poder prová o - disse Dumbledore sorrindo a o Harry . - Não agora_que o Riddle desapareceu de o caderno . Por outro lado , aconselharia te , Lucius , a não dares mais nenhuma de as coisas velhas de Lord_Voldemort . Se mais alguma for parar a as mãos de crianças inocentes , acho que o Arthur_Weasley fará com que se voltem com toda_a sua carga negativa contra ti . Lucius_Malfoy ficou calado um momento e Harry viu claramente a sua mão direita torcer se como_se desejasse chegar a a varinha . Em vez de isso , voltou se para o seu elfo doméstico . - Vamos , Dobby . Abriu a porta e quando o elfo se aproximou deu lhe um pontapé que o projectou para longe . Ouviram se em o escritório os gritos de dor de Dobby em o corredor . Harry pensou durante um momento e depois decidiu se . - Professor_Dumbledore - disse apressadamente . - Posso dar o diário outra_vez a Mr._Malfoy ? - Certamente , Harry - disse Dumbledore com toda_a calma . - Mas não demores , olha o banquete . Harry agarrou em o diário e saiu de o escritório . Os gritos de dor de Dobby afastavam se ao_longe . Sem perder tempo , perguntando a si próprio se o plano poderia resultar , Harry tirou um de os sapatos , puxou uma de as peúgas enlameadas e viscosas e meteu o diário lá dentro . Em seguida correu até a o fundo de o corredor escuro . Apanhou os em o topo de as escadas . - Mr._Malfoy - disse ofegante , parando . - Tenho uma coisa para si . E meteu a peúga mal cheirosa em a mão de Lucius_Malfoy . - O que é ... ? Mr._Malfoy tirou o diário de dentro de a peúga , deitou a fora e olhou furioso para o caderno estragado e para Harry - Ainda vais acabar por ter um fim igual a o de os teus pais um dia de estes , Harry_Potter - disse em voz baixa . - Eles também eram uns idiotas metediços . Voltou se para se ir embora . - Anda , Dobby , vem ! Mas Dobby não se mexeu . Tinha em as mãos a peúga nojenta de o Harry e olhava para ela como_se fosse um tesouro de valor incalculável . - O senhor deu uma peúga a o Dobby - disse o elfo maravilhado . - Deu a a o Dobby . - O que é isso ? - cuspiu Mr._Malfoy . - Que estás para aí a dizer ? - Dobby tem uma peúga - repetiu incrédulo . - O senhor deitou a fora e Dobby apanhou a e Dobby agora é livre ... Lucius_Malfoy ficou paralisado a olhar para o elfo . Em seguida precipitou se para Harry . - Fizeste me perder o meu servo , rapaz . Mas Dobby gritou : - Não pense que vai fazer mal a o Harry_Potter ! Ouviu se um enorme estrondo e Mr._Malfoy foi empurrado de costas , galgando os degraus de as escadas a três_e_três e indo aterrar lá em baixo todo embrulhado e amarrotado . Levantou se , o rosto lívido e pegou em a varinha , mas Dobby estendeu lhe um dedo ameaçador . - Vá se embora já - disse furioso , apontando para Mr._Malfoy . - Não tocará em o Harry_Potter . Vá se embora , já . Lucius_Malfoy não teve escolha . Lançando a os dois um último olhar de cólera , embrulhou se em o manto e desapareceu . - Harry_Potter libertou Dobby ! - disse o elfo com voz esganiçada , olhando para Harry , a luz de o luar reflectida em os seus grandes olhos em forma de globos . - Harry_Potter libertou Dobby . - Era o mínimo que eu podia fazer , Dobby - disse Harry a sorrir -- , mas promete me que não vais voltar a tentar salvar me a vida . A cara feia e escura de o elfo abriu se , mostrando os dentes , em um enorme sorriso . - Tenho uma pergunta a fazer te , Dobby - disse Harry enquanto o elfo pegava em a peúga de ele com as mãos a tremer . - Disseste me que tudo_isto não tinha nada que ver com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Lembras te ? - Era uma pista , senhor - disse Dobby com os olhos muito abertos como_se fosse absolutamente óbvio . - Dobby estava a dar lhe uma pista . Antes de o senhor de o mal mudar de nome , o seu nome podia ser pronunciado , está a ver ? - Certo - disse Harry sem grande convicção . - Bem , é melhor eu ir indo embora . Há um banquete e a minha amiga Hermione já deve ter acordado ... Dobby lançou os braços a a cintura de Harry e abraçou o . - Harry_Potter é muito maior do_que Dobby imaginava ! - soluçou . - Adeus , Harry_Potter . E com um estalido final , Dobby desapareceu . Harry assistira a diversos banquetes , mas nenhum que se parecesse com aquele . Estavam todos de pijama e a festa durou a noite inteira . Harry não sabia se o melhor tinha sido a Hermione a correr para ele e a gritar : - Tu conseguiste . Tu conseguiste ! , ou o Justin saindo disparado de a mesa de os Hufflepuff para lhe estender a mão , desfazendo se em desculpas por ter suspeitado de ele , ou o Hagrid que apareceu a as três_e_meia e que lhes deu palmadas com tanta força em os ombros que eles foram parar dentro de os pratos de bolo de creme , ou os quatrocentos pontos que ele e o Ron obtiveram para os Gryffindor , ganhando a taça de a equipa por a segunda vez consecutiva , ou a professora Mc_Gonagall de pé , a comunicar lhes que os exames tinham sido cancelados como medida de a escola ( Oh ! não ! exclamou Hermione ) , ou Dumbledore a anunciar que , infelizmente , o professor Lockhart não poderia voltar em o ano seguinte por ter de se ausentar a_fim_de recuperar a memória . Alguns de os professores juntaram se a os alunos que aplaudiram entusiasmados esta notícia . - Que pena - disse Ron , servindo se de um * dounut * de presunto . - E eu que começava a gostar de ele ... O resto de o período de Verão decorreu sob um sol escaldante . Hogwarts voltara a a normalidade , apenas com algumas pequenas diferenças : as aulas de Defesa contra as artes negras foram canceladas ( Mas nós tivemos imensa prática - disse o Ron vendo o descontentamento de Hermione ) e Lucius_Malfoy foi demitido de o Conselho_Directivo . Draco já não passeava por ali como_se fosse o dono de a escola . Pelo_contrário , tinha um ar melindrado e carrancudo . Por outro lado , Ginny_Weasley andava de_novo feliz de a vida . Em_breve chegou o dia de regressarem a casa em o Expresso_de_Hogwarts . Harry , Ron , Hermione , Fred , George e Ginny encheram um compartimento . Tiraram o_máximo partido de aquelas últimas horas em que lhes era permitido usar a magia antes de as férias . Brincaram a as explosões , gastaram o último fogo-de-artíficio Filibuster , de o Fred e de o George e treinaram o mútuo desarmamento através de a magia . Harry começava a ficar muito bom em aquilo . Já estavam perto de a estação de King's_Cross quando Harry se lembrou de uma coisa . - Ginny , o que foi que viste o Percy fazer que ele não queria que nos contasses ? - Ah ! isso - disse a Ginny a rir . - Bem , é_que o Percy tem uma namorada . Fred deixou cair uma pilha de livros em a cabeça de o George . - O quê ? - É aquela prefeita de os Ravenclaw ' Penelope_Clearwater - disse a Ginny . - Foi para ela que ele escreveu durante todo o Verão . Encontravam se em a escola em grande segredo . Eu apanhei os a beijarem se em uma sala de aula vazia e ele ficou tão aflito quando ela foi ... sabes ... atacada . Não vais aborrecê o , pois não ? - perguntou cheia de ansiedade . - Que ideia - respondeu Fred com uma tal satisfação em o rosto que parecia que o seu aniversário chegara mais cedo . - Claro que não - disse o George a rir se a a socapa . O Expresso_de_Hogwarts abrandou e finalmente parou . Harry tirou a pena e um_pouco de pergaminho e voltou se para Ron e Hermione . - Isto_é um número de telefone - disse ele a o Ron , escrevinhando o duas vezes , cortando o pergaminho a o meio e dando lhes os números . - Eu expliquei a o teu pai como usar um telefone em o Verão passado . Ele sabe fazer a chamada . Liga me para_casa de os Dursley , O. _ K. ? Não consigo suportar outros dois meses sem ter mais ninguém com quem falar ... - Mas a tua tia e o teu tio vão ficar orgulhosos de ti , não vão ? - perguntou Hermione quando saíram de o comboio e se misturaram em a multidão que se encontrava junto de a barreira encantada . - Quando souberem o que fizeste este ano . - Orgulhosos ? - disse Harry . - Estás doida ! Podendo eu ter morrido tantas vezes e tendo escapado ? Vão ficar é furiosos ... E juntos avançaram até a a entrada para o mundo de os Muggles . ----------------- J._K._Rowling_Harry_Potter e a Câmara_dos_Segredos_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Chamber of Secrets_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling 1998 Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 2000 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 2.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 Depósito legal : 143.569/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , a a Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Para_Séan_P._F._Harris , condutor imparável e um amigo de os diabos . I_O pior aniversário Não era a primeira vez que uma discussão estoirava a a mesa de o pequeno-almoço , em o número 4 de a Privet_Drive . Mr._Vernon_Dursley fora acordado de manhã cedo por o piar ruidoso que vinha de o quarto de o seu sobrinho Harry . - É a terceira vez esta semana ! - resmungou , a a mesa . - Se não consegues controlar essa coruja , ela não pode ficar aqui . Harry tentou , mais_uma_vez , explicar . - Ela está aborrecida . Estava habituada a voar livremente lá fora . Se eu pudesse , ao_menos , soltá a a a noite ... - Achas me com cara de idiota ? - perguntou rispidamente o tio Vernon , com um fio de ovo preso em o bigode farfalhudo . - Sei muito bem o que aconteceria se essa coruja fosse lá para fora . Trocou um olhar soturno com a mulher , a tia Petúnia . Harry tentou contra-argumentar , mas as suas palavras foram abafadas por um enorme arroto de o filho de os Dursleys , Dudley . - Quero mais bacon . - Há mais em a frigideira , fofinho - disse a tia Petúnia , lançando um olhar vago a o seu filho maciço . - Tens que te alimentar bem enquanto aqui estás , aquela comida de a tua escola não me cheira . - Disparate , Petúnia , eu nunca passei fome enquanto andei em Smeltings - afirmou com sinceridade o tio Vernon . - O Dudley tem que chegue . Não é verdade , filho ? Dudley , que era tão gordo que o rabo saía de os dois lados de a cadeira de a cozinha , sorriu laconicamente e voltou se para Harry . - Passa me a frigideira . -- Esqueceste te de a palavra mágica - disse Harry , irritado . O efeito que esta simples frase teve em o resto de a família foi inacreditável : Dudley começou a arfar e caiu de a cadeira com um estrondo que abalou a cozinha , Mrs._Dursley deu um gritinho e bateu com a mão em a boca , Mr._Dursley pôs se de pé com as veias de as têmporas dilatadas . - Eu queria dizer « por favor » - explicou Harry rapidamente . - Não me referia a ... - : __ o que é_que eu te __ disse - vociferou o tio , espalhando perdigotos sobre a mesa - : __ sobre pronunciar a palavra m . em esta __ casa ? - Mas eu ... - : __ como te atreves a ameaçar o __ dudley ! - rosnou o tio Vernon , batendo com o punho em a mesa . - Eu só ... - : __ estás avisado . não vou admitir referências a tua anormalidade debaixo de o tecto de a minha __ casa ! Harry olhou alternadamente para o rosto congestionado de o tio e para a palidez de a tia que tentava pôr o Dudley de pé . - Está bem - disse Harry . - Está bem ... O tio Vernon voltou a sentar se , respirando como um rinoceronte exausto e observando Harry de perto por o canto de os seus olhos pequeninos e penetrantes . Desde_que Harry regressara para as férias de Verão que o tio Vernon o tratava como_se ele fosse uma bomba , capaz de explodir a qualquer momento , porque Harry não era um rapazinho normal . Em a verdade , ele era o menos normal que é possível imaginar . Harry_Potter era um feiticeiro , um feiticeiro que acabara de concluir o primeiro ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts e a infelicidade que os Dursleys sentiam por ele estar lá em casa não era nada comparada com a de Harry . As saudades de Hogwarts eram tão intensas que se assemelhavam a uma constante dor em o estômago . Sentia a falta de o castelo com as suas passagens secretas e os seus fantasmas , de as aulas ( com excepção talvez de as de Snape , o professor de as poções ) , de o correio a chegar trazido por as corujas , de os banquetes em o salão nobre , de as noites em as camas de dossel em a camarata de a torre , de as visitas a Hagrid , o guarda de os campos em a sua casinha em o bosque , junto de a floresta proibida e , principalmente , sentia a falta de o Quidditch , o desporto mais popular de o mundo de os feiticeiros ( seis postes altos de golo , quatro bolas esvoaçantes e catorze jogadores em_cima_de vassoura ) . Todos os livros de feitiços de Harry , assim_como a varinha , os mantos , o caldeirão e a vassoura topo de gama Nimbus dois_mil tinham sido encerrados por o tio Vernon em a despensa que ficava debaixo de as escadas , em o momento em que Harry regressara a casa . O que é_que lhes interessava se ele perdia ou não o seu lugar em a equipa de Quidditch por não ter praticado durante todo o Verão ? Que importância tinha para eles que o Harry voltasse a a escola sem ter podido fazer os trabalhos de casa ? Os Dursleys eram aquilo que os feiticeiros chamam « Muggles » ( nem uma gota de sangue mágico em as veias ) e , para eles , ter um feiticeiro em a família era motivo de grande vergonha . O tio Vernon tinha , inclusivamente , fechado a cadeado a coruja de Harry , Hedwig , dentro de a gaiola , para evitar que ela transportasse mensagens para a gente de o mundo de a feitiçaria . Harry não se parecia em nada com o resto de a família . O tio Vernon era atarracado e sem pescoço , dotado de um enorme bigode preto ; a tia Petúnia tinha um rosto cavalar e era esquelética ; Dudley era loiro e rosado como um porquinho . Harry , pelo_contrário , era baixo e franzino , com os olhos verdes brilhantes e cabelo negro sempre desalinhado . Usava uns óculos redondos e tinha em a testa uma cicatriz em forma de relâmpago . Era essa cicatriz que o tornava tão invulgar , mesmo para um feiticeiro . Era a única alusão a o seu passado misterioso , a o motivo por o qual , onze anos antes , tinha sido deixado em o degrau de a porta de os Dursleys . Com um ano de idade , Harry sobrevivera a uma maldição de o maior feiticeiro negro de todos os tempos , Lord_Voldemort , cujo nome a maior parte de os feiticeiros e feiticeiras ainda receia pronunciar . Os pais de Harry tinham morrido em um ataque de Voldemort , mas ele escapara com a sua cicatriz em forma de relâmpago e estranhamente , ninguém compreendeu porquê , os poderes de Voldemort tinham sido destruídos em o momento em que não fora capaz de matar o Harry . Por isso , ele foi criado por a irmã de a sua falecida mãe e respectivo marido . Passou dez anos com os Dursleys , sem nunca compreender porque fazia com que acontecessem coisas estranhas , alheias a a sua vontade , acreditando em a história de os Dursleys de que aquela cicatriz fora resultado de um acidente de automóvel em que os pais tinham morrido . E um dia , precisamente um ano antes , Hogwarts escrevera lhe e fora então que tudo começara . Harry fora ocupar o seu lugar em a escola de feitiçaria , onde ele e a sua cicatriz eram famosas ... mas agora o ano escolar chegara a o fim e estava de_novo com os Dursleys . Durante o Verão , voltara a ser tratado como um cão malcheiroso . Os Dursleys nem se tinham lembrado que aquele era o dia de o seu décimo segundo aniversário . É claro que não tivera grandes expectativas : eles nunca lhe tinham dado um presente a sério , muito menos um bolo , mas ignorarem o por completo ... Em esse momento , o tio Vernon pigarreou com um ar importante e disse : - Como todos sabem , hoje é um dia muito importante . Harry olhou para ele , mal conseguindo acreditar . - Pode bem ser que eu faça hoje o maior negócio de toda_a minha vida - afirmou . Harry voltou novamente a atenção para a torrada . É claro , pensou amargamente , o tio Vernon referia se a a estúpida dinner-party . Havia quinze_dias que não falava de outra coisa . Um consultor qualquer cheio de massa e a mulher vinham jantar lá a casa e o tio Vernon tinha esperança de conseguir uma grande encomenda ( a empresa de o tio Vernon fabricava brocas ) . - Acho que devíamos recapitular mais_uma_vez - disse o tio Vernon . - Devemos estar todos a postos a as oito_horas_em_ponto . Petúnia , tu vais estar ... ? - Em o salão - respondeu a tia Petúnia prontamente - a a espera para lhes dar as boas-vindas a nossa casa . - Bom , bom . E o Dudley ? - Eu vou estar a a espera para abrir a porta . - Dudley esboçou um sorriso falso e afectado . - Dão me licença que vos guarde os casacos , Mr. e Mrs._Mason ? - Eles vão adorá o - exclamou arrebatadamente a tia Petúnia . - Excelente , Dudley - disse o tio Vernon . - A seguir voltou se para o Harry . - E tu ? - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - repetiu o Harry , de forma inexpressiva . - Exactamente - confirmou o tio Vernon , de um modo desagradável . - Eu conduzo os até a o salão , apresento te , Petúnia , e sirvo lhes as bebidas . _ a as oito_e_um_quarto . - Eu chamo para a mesa - disse a tia Petúnia . - E tu , Dudley , vais dizer ... - Dá me licença que lhe indique a casa de jantar , Mrs._Mason ? - repetiu o Dudley , oferecendo o seu braço gordo a uma mulher invisível . - O meu pequenino cavalheiro - fungou a tia Petúnia . - E tu ? - perguntou o tio Vernon a o Harry , em o mesmo tom desagradável . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho , fingindo que não estou lá - respondeu Harry aborrecido . - Isso mesmo . Agora , devíamos ter preparadas algumas frases amáveis para o jantar . Petúnia , alguma ideia ? - O Vernon disse me que o senhor é um excelente jogador de golfe , Mr._Mason ... Tem de me dizer onde comprou esse vestido , Mrs._Mason ... - Perfeito . Dudley ? - Que tal : Tivemos de fazer um trabalho para a escola sobre o nosso herói e eu escrevi sobre o senhor ... Foi de mais , tanto para a tia Petúnia como para o Harry . A tia debulhou se em lágrimas e abraçou o filho , enquanto Harry se esgueirava para debaixo de a mesa para ninguém o ver rir . - E tu , rapaz ? Harry fez um esforço para se mostrar inexpressivo quando emergiu . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - disse . - Vais sim senhor - afirmou o tio Vernon energicamente . - Os Mason não sabem nada a teu respeito e é assim que as coisas vão continuar . Quando o jantar terminar , tu trazes Mrs._Mason para o salão , onde vamos tomar café , Petúnia , e eu puxo o assunto de as brocas . Com um_pouco de sorte , tenho o contrato assinado antes de o noticiário de as dez . Amanhã por esta hora , vamos estar a fazer compras para umas férias em Maiorca . Harry não conseguia sentir o menor entusiasmo com aquilo . Não lhe parecia que os Dursleys gostassem mais de ele em Maiorca do_que em Privet_Drive . - Certo , eu vou a a cidade buscar os casacos para mim e para o Dudley . E tu - resmungou , apontando para Harry - não atrapalhes a tua tia enquanto ela estiver a limpar . Harry saiu por a porta de as traseiras . Estava um dia de sol lindo . Atravessou o relvado , deixou se cair em o banco de o jardim e cantarolou baixinho : - Parabéns para mim ... parabéns para mim ... Nem cartas nem presentes e tinha de passar a noite a fingir que não existia . Olhou infeliz para a sebe . Nunca se sentira tão só . Mais do_que tudo em o mundo , mais do_que de Hogwarts , mais até do_que de o jogo de Quidditch , Harry sentia a falta de os amigos Ron_Weasley e Hermione_Granger . Mas eles não pareciam sentir a falta de ele . Nenhum de os dois lhe escrevera durante todo o Verão apesar_de o Ron ter dito que ia convidá o para passar uns dias lá em casa . Inúmeras vezes Harry estivera quase a libertar magicamente Hedwig de a sua gaiola e mandá a levar uma carta a o Ron e a a Hermione mas não valia a pena correr o risco . Os feiticeiros menores de idade não tinham autorização para usar a magia fora de a escola . Harry não contara isto a os Dursleys . Ele sabia que era o medo de que ele os transformasse a todos em baratas que os impedia de o fecharem a a chave em a despensa debaixo de as escadas , juntamente com a varinha e a vassoura . Em as primeiras semanas Harry divertira se a murmurar baixinho palavras sem sentido e a ver o Dudley sair disparado de o quarto , tão rápido quanto as suas pernas gordas lhe permitiam . Mas o silêncio prolongado de Ron e Hermione tinham o feito sentir se tão longe de o mundo de a magia que até divertir se à_custa_de Dudley perdera o interesse . E agora o Ron e a Hermione tinham se esquecido de o seu aniversário . Quanto não daria ele por uma mensagem de Hogwarts ? De qualquer feiticeiro ou feiticeira ? Quase ficaria satisfeito com um sinal de o seu inimigo feroz , Draco_Malfoy , só para ter a certeza de que tudo aquilo não fora apenas um sonho ... Não que tudo durante o ano em Hogwarts tivesse sido divertido . Mesmo em o fim de o último período , Harry confrontara se nem mais nem menos do_que com o próprio Lord_Voldemort . Voldemort podia ter arruinado o seu ego inicial mas continuava a espalhar o terror , ainda astuto , ainda determinado a recuperar o poder . Harry escapara uma segunda vez a as suas garras mas fora por um triz e mesmo agora , algumas semanas decorridas , acordava de noite encharcado em suores frios , perguntando se onde estaria Voldemort , relembrando o seu rosto lívido , os seus olhos completamente loucos ... Harry sentou se subitamente , direito como um fuso , em o banco de o jardim . Tinha estado a olhar distraído para a sebe e a sebe estava a olhar para ele . Dois enormes olhos verdes surgiram por_entre a folhagem . Harry pôs se de pé ao_mesmo_tempo que uma voz sobrevoava a relva . - Eu sei que dia é hoje - cantarolava Dudley , bamboleando se enquanto se aproximava . Os olhos enormes piscaram e desapareceram . - O quê ? - perguntou Harry sem retirar os olhos de o lugar para_onde estava a olhar . - Eu sei que dia é hoje - repetiu , chegando junto de ele . - Ainda_bem - disse Harry . - Aprendeste finalmente os dias de a semana . - Hoje é o dia de os teus anos - troçou o Dudley . - Por_que é_que não recebeste nenhuma carta ? Não tens amigos em esse lugar esquisito ? - É melhor não deixares a tua mãe ouvir te falar de a minha escola - disse Harry calmamente . Dudley puxou para_cima as calças que estavam a escorregar lhe por o rabo gordo abaixo . - Porque estás a olhar para a sebe . ; - perguntou curioso . - Estou a pensar em as palavras que deverei pronunciar para lhe pegar fogo - disse Harry . Dudley recuou de imediato com um olhar de pânico em a cara rechonchuda . - Tu não p-p-odes , o pai disse que não podias fazer magia ou corria contigo aqui de casa e não tens mais nenhum lugar para_onde ir , não tens amigos que te convidem ... - * _ Jiggery pokery * ! - disse Harry com voz firme . - * _ Hocus pocus ... squiggly wiggly * ... - Maaaaaãe - gritou Dudley , tropeçando em os pés , enquanto se precipitava para dentro_de casa . Maaaãe , ele vai fazer aquela coisa ! Harry deu graças a os céus por aquele momento de gozo . Como não aconteceu nada de mal nem a o Dudley nem a a sebe , a tia Petúnia percebeu que ele não fizera magia nenhuma mas , mesmo_assim , Harry teve de se afastar quando ela lhe deu uma forte pancada em a cabeça com a frigideira cheia de detergente . A seguir distribuiu lhe trabalho e o castigo de só voltar a comer quando tivesse acabado tudo . Enquanto Dudley andava a flanar , olhando para o ar e comendo gelados , Harry limpou as janelas , lavou o carro , aparou a relva , adubou os canteiros , podou e regou as rosas e pintou de_novo o banco de o jardim . O sol ardia lá em cima , queimando lhe a parte de trás de o pescoço . Harry sabia que não devia ter provocado Dudley mas ele dissera precisamente aquilo que ele próprio pensava ... talvez não tivesse amigos em Hogwarts . Deviam ver agora o famoso Harry_Potter , pensou amargamente enquanto espalhava adubo em os canteiros , as costas a doerem lhe e o suor a escorrer lhe por o rosto . Eram sete_e_meia_da_tarde quando , por fim , exausto , ouviu a tia Petúnia a chamá o . - Anda para dentro e passa por cima de os jornais . Harry entrou satisfeito em a sombra de a cozinha que rebrilhava . Sobre o frigorífico estava o bolo de a noite : um enorme monte de crome batido coberto de violetas de açúcar . A carne de porco assava em o forno . - Come depressa , os Mason devem estar a chegar ! - exclamou bruscamente a tia Petúnia , apontando para duas fatias de pão e uma de queijo que estavam em cima de a mesa de a cozinha . Ela já tinha posto um vestido de * cocktail * cor de salmão . Harry lavou as mãos e comeu aquele triste jantar . Mal tinha terminado , a tia Petúnia tirou lhe o prato . - Lá para_cima , rápido ! A o passar por a porta de a sala , Harry vislumbrou o tio Vernon e Dudley de casaco e gravata . Tinha acabado de chegar a o cimo de as escadas quando a campainha de a porta tocou e a cara de o tio Vernon apareceu em o patamar . - Lembra te , rapaz , um ruído que seja ... Harry entrou em o quarto em bicos de pés , fechou a porta e preparou se para se meter em a cama . O problema é_que estava lá alguém sentado . II_O aviso de Dobby_Harry conseguiu não gritar , mas foi por_pouco . A pequena criatura que estava em a cama tinha umas orelhas grandes e largas e uns olhos verdes protuberantes de o tamanho de bolas de ténis . Harry percebeu imediatamente que fora para ele que tinha estado a olhar de manhã . Enquanto olhavam um para o outro , Harry ouviu a voz de Dudley em o * hall * . - Posso guardar os vossos casacos , Mr. e Mrs._Mason ? A criatura escorregou por a cama e curvou se tanto que a ponta de o seu enorme nariz tocou em o tapete . Harry reparou que ele tinha vestido uma espécie de fronha de almofada com buracos para os braços e pernas . - Er ... Olá - disse Harry , um_pouco nervoso . - Harry_Potter ! - exclamou a criatura em uma voz tão estridente que Harry calculou que poderia ouvir se lá em baixo . - Há tanto tempo que Dobby queria conhecê o , senhor . É uma enorme honra ... - Ob-obrigado - disse Harry , deslocando se a o longo de a parede e sentando se em a cadeira de a secretária , junto de Hedwig que dormia em a sua grande gaiola . Queria perguntar lhe « O que és tu ? » , mas pensou que seria má educação , por isso perguntou : - Quem és tu ? - Dobby , senhor . Apenas Dobby , o elfo de casa - afirmou a criatura . - Oh ! A sério ? - perguntou Harry . - Não quero ser mal-educado , mas esta não é a melhor altura para ter um elfo em o meu quarto . O riso falso de a tia Petúnia ouvia se em a sala de jantar . O elfo deixou cair a cabeça . - Não que eu não me sinta feliz por te conhecer - disse Harry rapidamente - mas , er ... estás aqui por algum motivo em especial ? - Oh , sim senhor - disse Dobby muito a sério . - Dobby veio dizer lhe que ... é difícil ... Dobby não sabe por_onde começar ... - Senta te - disse Harry educadamente , apontando lhe a cama . Para seu horror , o elfo debulhou se em lágrimas bastante ruidosas . -- S-senta-te ! - repetiu . - Nunca em toda_a minha vida ... Harry pareceu lhe ouvir as vozes lá em baixo vacilarem . - Desculpa - murmurou . - Eu não queria ofender te ... - Ofender Dobby ! - exclamou o elfo em um sufoco . - Nunca nenhum feiticeiro disse a o Dobby que se sentasse como um seu igual , senhor . Harry , tentando dizer lhe « Sch ... » e confortá o ao_mesmo_tempo , conduziu Dobby de_novo até a a cama onde ele se sentou a soluçar , parecendo uma grande boneca muito feia . Por fim , conseguiu controlar se e ficou quieto , com os seus grandes olhos fixos em Harry em uma expressão de absoluta adoração . - Não deves ter conhecido muitos feiticeiros sérios - disse lhe , tentando animá o . Dobby abanou a cabeça . Em seguida , sem qualquer aviso , saltou e começou a bater furiosamente com a cabeça em a janela , gritando : - Dobby é mau ! Dobby é mau ! - Pára , o que é_que estás a fazer ? - perguntou Harry em um murmúrio sibilante , dando um salto e puxando Dobby de_novo para a cama . Hedwig acordara com um pio particularmente agudo e batia agressivamente com as asas contra as grades de a gaiola . - Dobby tinha que se castigar , meu senhor - afirmou o elfo , que ficara ligeiramente estrábico . - Dobby quase falou mal de a família de ele ... - De a tua família ? - De a família de feiticeiros que Dobby serve , meu senhor ... O Dobby é um elfo de casa , obrigado a servir uma casa e uma família para sempre . - Eles sabem que estás aqui ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Dobby estremeceu . - Oh , não senhor , não ... Dobby vai ter que se castigar muito por ter vindo vê o . Dobby vai ter que entalar as orelhas em a porta de o forno por isto . Se eles soubessem , senhor ... - Mas achas que eles não vão reparar se tu entalares as orelhas em a porta de o forno ? - Dobby duvida , senhor . Dobby está sempre a ter de se castigar por qualquer coisa . Eles deixam que o Dobby se castigue . _ às_vezes até sugerem alguns castigos extra . - Mas por_que é_que não te vais embora , não foges ? - Um elfo de casa tem de ser libertado , senhor . E a família nunca libertará Dobby . Dobby servirá a família até morrer . Harry olhou para ele . - E eu que pensava que era infeliz por ter de ficar aqui mais quatro semanas - declarou . - Isto faz os Dursleys parecerem quase humanos . Será que ninguém te pode ajudar ? Poderei eu ? Em o mesmo momento , Harry desejou não ter aberto a boca . Dobby desfez se em ruidosos soluços de gratidão . - Por favor - murmurou Harry , inquieto . - Por favor , está calado . Se os Dursleys ouvem barulho , se eles sabem que estás aqui ... - Harry_Potter pergunta se pode ajudar Dobby . Dobby ouviu falar de a sua grandeza , mas de a sua bondade , Dobby nada sabia . Harry , que se sentia corar , disse : - Seja o que for que tenhas ouvido sobre a minha grandeza , é um disparate . Nem_sequer sou o melhor de o meu ano em Hogwarts . É a Hermione . Ela ... Mas calou se rapidamente porque pensar em Hermione era lhe doloroso . - Harry_Potter é humilde e modesto - disse Dobby reverentemente , com os seus olhos de globo avermelhados . - Harry_Potter não fala de a sua vitória sobre « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . - Voldemort ? - perguntou Harry . Dobby bateu com as mãos em as enormes orelhas e gemeu : - Ai não diga o nome , senhor . Não diga o nome ! - Desculpa - disse Harry muito depressa . - Eu sei que muita gente não gosta . O meu amigo Ron ... Calou se de_novo . Pensar em o Ron era igualmente doloroso . Dobby voltou para Harry os seus dois olhos grandes como candeeiros . - Dobby ouviu dizer - balbuciou com voz rouca - que Harry_Potter encontrou o Senhor_do_Mal uma segunda vez há poucas semanas atrás ... que Harry_Potter lhe escapou de_novo . Harry acenou e os olhos de Dobby encheram se de lágrimas . - Ah , senhor - disse em um sobressalto , limpando o rosto com a ponta de a fronha de almofada que tinha vestida . - Harry_Potter é valente e arrojado . Enfrentou tantos perigos ! Mas Dobby veio protegê o , avisar Harry_Potter , mesmo_que para isso tenha de entalar as orelhas em a porta de o forno , que Harry_Potter não deve voltar para Hogwarts . Houve um silêncio apenas quebrado por o ruído de os garfos e de as facas lá em baixo e por a voz distante de o tio Vernon . - O q-q-uê ? - gaguejou Harry . - Mas eu tenho de voltar , o ano começa em o dia um de Setembro . É a minha razão de viver . Tu não sabes como são as coisas aqui . Eu não pertenço a este lugar , o meu lugar é em Hogwarts . - Não , não , não - guinchou Dobby , sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas andavam de um lado para o outro . - Harry_Potter deve ficar aqui , onde se encontra a salvo . É demasiado grande , demasiado bom para se perder . Se Harry_Potter regressar a Hogwarts correrá perigo de vida . - Porquê ? - inquiriu Harry , surpreendido . - Há uma conspiração , Harry_Potter . Uma conspiração para fazer acontecer coisas terríveis este ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts - murmurou Dobby que começara a tremer de a cabeça a os pés . - Dobby sabe de isto há meses , senhor . Harry_Potter não deve expor se a o perigo . É demasiado importante . - Que coisas terríveis são essas ? - perguntou Harry sem perder tempo . - Quem está por detrás ? Dobby fez um ruído esquisito e começou a bater com a cabeça contra a parede como um louco . - Está bem - gritou Harry , agarrando o braço de o elfo para o fazer parar . - Não podes dizer , eu compreendo . Mas porque vieste avisar me ? - Um pensamento súbito e desagradável surgiu lhe . - Espera aí , isto tem alguma coisa que ver com o Vol , desculpa com o Quem nós sabemos ? Basta que faças sim ou não com a cabeça - acrescentou com vivacidade enquanto a cabeça de Dobby se inclinava de_novo a uma velocidade preocupante para a parede . Lentamente , Dobby abanou a cabeça . - Não , não é « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . Os olhos de Dobby estavam abertos como_se estivesse a tentar dar a Harry uma pista , mas Harry estava completamente a a nora . - Ele não tem nenhum irmão , ou tem ? Dobby abanou a cabeça , os olhos mais abertos do_que nunca . - Bem , em esse caso não estou a ver quem mais poderia ter a possibilidade de fazer acontecer coisas horríveis em Hogwarts - disse Harry . - Quero dizer , para já está lá o Dumbledore . Sabes quem é Dumbledore , não sabes ? Dobby baixou a cabeça . - Albus_Dumbledore é o melhor director que Hogwarts alguma vez teve . Dobby sabe , senhor . Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore rivalizam com os d'aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Mas , senhor - a voz de Dobby desceu a um urgente murmúrio - há poderes que Dumbledore não ... poderes que nenhum feiticeiro sério ... E antes que Harry conseguisse impedi o Dobby saltou de a cama , agarrou o candeeiro de secretária de Harry e começou a bater com a cabeça , dando uivos ensurdecedores . Fez se silêncio lá em baixo . Dois segundos mais tarde , Harry com o coração a bater como um louco , ouviu o tio Vernon chegar a o * hall * e dizer . - O Dudley deve ter deixado outra_vez a televisão ligada , o maroto ! - Depressa , para dentro de o guarda-fatos - gritou Harry , empurrando Dobby bem para o fundo , fechando a porta e metendo se a correr em a cama mesmo a_tempo_de ver a maçaneta de a porta a girar . - Que diabo estás tu a fazer ? - disse o tio Vernon entre dentes , o rosto assustadoramente próximo de o de Harry . - Acabas de estragar o ponto alto de a minha anedota de o golfista japonês . Eu que oiça mais um som e vais desejar nunca ter nascido , rapaz ! Abandonou o quarto com grandes passadas . A tremer , Harry deixou Dobby sair de o guarda-fatos . - Estás a ver como são as coisas por aqui ? - disse . - Vês porque tenho de voltar para Hogwarts ? É o único sítio onde eu tenho ... bem , onde eu acho que tenho amigos . - Amigos que nem_sequer escrevem a Harry_Potter ? - disse Dobby com ar manhoso . - Calculo que devem ter estado ... espera aí - disse Harry , franzindo a testa . - Como é_que tu sabes que os meus amigos não me têm escrito ? Dobby arrastou os pés . - Harry_Potter não deve zangar se com Dobby . Dobby fez o que achou melhor ... - Tu tens estado a interceptar me as cartas ? - Dobby tem as aqui , senhor - disse o elfo . Saltando para longe de o alcance de Harry , retirou de dentro de a fronha que usava um espesso saco cheio de envelopes . Harry reconheceu de imediato a caligrafia certinha de Hermione , a escrita desordenada de Ron e até uns gatafunhos que pareciam ser de o guarda de os campos de Hogwarts , Hagrid . Dobby piscava ansiosamente os olhos . - Harry_Potter não deve ficar zangado ... Dobby esperava que ... se Harry_Potter pensasse que os amigos o tinham esquecido ... Harry_Potter talvez não quisesse voltar a a escola , senhor . Harry não o ouvia . Fez um gesto para agarrar as cartas , mas Dobby deu um salto , afastando se . - Harry_Potter terá as cartas , senhor , se der a Dobby a sua palavra de não voltar a Hogwarts . Ah , senhor , é um risco que não deve correr . Diga que não volta , senhor ! - Não - afirmou Harry zangado . - Dá me as cartas de os meus amigos ! - Em esse caso , Harry_Potter deixa Dobby sem escolha - disse o elfo tristemente . Antes que Harry pudesse fazer um movimento , Dobby tinha aberto a porta de o quarto e descido a correr por as escadas abaixo . Com a boca seca e um aperto em o estômago , Harry correu atrás de ele , tentando não fazer barulho . Saltou os últimos seis degraus , aterrando como um gato em a carpete de o * hall * , olhando em volta a a procura de Dobby . De a sala de jantar , ouviu a voz de o tio Vernon : - Conte a a Petúnia aquela história engraçadíssima de os funileiros americanos , ela tem estado louca por ouvi a , Mr._Mason . Harry correu de o * hall * para a cozinha e sentiu o estômago ficar pequenino . O pudim , que era a a obra-prima de a tia Petúnia , a montanha de creme batido coberto de violetas de açúcar flutuava junto de o tecto . Em cima de o guarda-louça de o canto , Dobby inclinava se servilmente . - Não - suplicou Harry . - Por favor , eles matam me . - Harry_Potter deve dizer que não vai voltar a a escola ... - Dobby , por favor . - Diga , senhor . - Não posso . Dobby lançou lhe um olhar trágico . - Então , Dobby deve fazê o , senhor , para o bem de Harry_Potter . O pudim foi direito a o chão em uma queda que parecia um coração a parar . O crome esguichou para as janelas e para as paredes , enquanto o prato se despedaçava . Com o ruído de uma chicotada , Dobby desapareceu . Ouviram se gritos em a casa de jantar e o tio Vernon irrompeu por a cozinha onde foi dar com Harry coberto , de a cabeça a os pés , por o pudim de a tia Petúnia . A princípio parecia que o tio Vernon ia conseguir arranjar uma desculpa para aquilo tudo . ( É só o nosso sobrinho , muito perturbado ; conhecer pessoas estranhas deixa o muito nervoso , por isso deixamos o lá em cima ... ) Conduziu_os_Mason , bastante chocados , para a sala de jantar , garantindo a Harry que o esfolava vivo quando os Mason se fossem embora e pôs lhe em as mãos um esfregão . A tia Petúnia descobriu um resto de gelado em o frigorífico e Harry , ainda a tremer , começou a limpar a cozinha . O tio Vernon poderia ainda ter feito o negócio , se não fosse a coruja . Estava a tia Petúnia a circular com uma caixa de After-Eight , quando uma enorme coruja de celeiro fez a sua entrada vertiginosa através de a janela de a casa de jantar , deixando cair uma carta em a cabeça de Mr._Mason e desaparecendo logo_a_seguir . Mrs._Mason gritava como uma carpideira e corria por a casa praguejando contra os lunáticos . Mr._Mason ficou o tempo estritamente necessário para dizer a os Dursleys que a mulher tinha um medo pânico de pássaros de todas_as formas e tamanhos e perguntar lhes se aquela era alguma brincadeira de mau gosto . Harry não saiu de a cozinha , agarrando o esfregão como defesa , enquanto o tio Vernon avançava para ele com um brilho demoníaco em os olhos pequeninos . - Lê isso - ordenou maldosamente . Harry pegou em a carta . Não era a desejar lhe um bom aniversário . * _ Caro_Mr._Potter , * _ Recebermos hoje informações de que um feitiço de suspensão em o ar foi efectuado em sua casa esta noite , a as nove_horas_e_doze_minutos . * _ Como sabe , os feiticeiros menores não estão autorizados a praticar magia fora de a escola e , se efectuar mais um trabalho mágico , será expulso de a nossa escola . ( Decreto_de_Restrições_Razoáveis_para_Feitiçaria_de_Menores , 1875 , parágrafo C. ) * _ Pedimos-lhe também que se lembre que qualquer actividade que possa ser notada por membros alheios a a nossa comunidade ( Muggles ) constitui uma ofensa grave , segundo a secção 13 de a Confederação_Internacional_do_Estatuto_da_Magia_Secreta . * _ Tenha umas boas férias . * Atenciosamente_Mafalda_Hopkirk_Gabinete_da_Utilização_Imprópria_da_Magia_Ministério_da_Magia * . Harry olhou para a carta e engoliu em seco . - Tu não nos contaste que estavas proibido de usar magia fora de a escola - disse o tio Vernon com um brilho maldoso a dançar lhe em os olhos . - Esqueceste te de o mencionar , passou te , não foi ? Tinha se aproximado de Harry como um grande * bulldog * , com todos os dentes a a mostra . - Tenho boas notícias para ti , rapaz , vou fechar te a a chave e , se tentares sair através_de magia , nunca mais voltas a aquela escola , eles expulsam te . E rindo como um louco , arrastou Harry até a o andar de cima . O tio Vernon era mau como as cobras . Em a manhã seguinte pagou a um homem para colocar grades em a janela de o quarto de Harry . Ele próprio abriu um pequeno buraco em a porta de o quarto para que a comida pudesse ser introduzida três vezes por dia . Deixavam o Harry sair para ir a a casa_de_banho de manhã e a o final de a tarde . O resto de o tempo estava fechado em o quarto , a a espera que o tempo passasse . Três dias mais tarde , os Dursleys não mostravam qualquer intenção de abrandar o castigo e Harry não sabia como sair de aquela situação . Estava deitado em a cama , vendo o sol brilhar por_entre as grades de a janela e perguntando se tristemente o que viria a acontecer lhe . Qual era a vantagem de sair de ali por artes mágicas , se Hogwarts o expulsaria em seguida ? Contudo , a vida em Privet_Drive tinha atingido o seu nível mais baixo . Agora_que os Dursleys tinham a certeza que não iam acordar transformados em morcegos , ele perdera a única arma que tinha . O Dobby podia tê o salvo de acontecimentos terríveis em Hogwarts , mas de a maneira que as coisas estavam , ele morreria muito provavelmente a a fome . A portinhola rangeu e a mão de a tia Petúnia apareceu empurrando uma tigela de sopa de pacote para dentro de o quarto . Harry , que estava cheio de fome , saltou de a cama e agarrou a . A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um único trago . A seguir , atravessou o quarto até a a gaiola de Hedwig e pôs os legumes ensopados dentro de o seu pratinho vazio . Ela agitou as penas e olhou o com profunda repugnância . - Não vale de nada virares lhe as costas . É tudo_o_que temos - disse Harry , de modo severo . Colocou a tigela vazia em o chão junto de a portinhola e voltou para_cima de a cama , de certo modo com mais fome do_que antes de ter comido a sopa . Admitindo que estaria ainda vivo dentro_de quatro semanas o que aconteceria se ele não se apresentasse em Hogwarts ? Será que mandariam alguém obrigar os Dursleys a deixá o ir ? O quarto começava a escurecer . Exausto e com o estômago a dar horas , o cérebro a as voltas com as mesmas questões sem resposta , Harry caiu em um sono intranquilo . Sonhou que fazia parte de um espectáculo de o jardim zoológico . Preso a a jaula onde se encontrava estava um cartaz onde podia ler se « feiticeiro menor de idade « . As pessoas olhavam o com olhos protuberantes , enquanto ele jazia fraco e esfomeado em um leito de palha . Viu a cara de o Dobby em o meio de a multidão e gritou lhe , pedindo ajuda , mas o Dobby respondeu : - Harry_Potter está em segurança aí , senhor - e desapareceu . Em seguida vieram os Dursleys e Dudley bateu em as grades de a jaula , rindo se de ele . - Pára com isso - murmurou Harry como_se aquele ruído martelasse em a sua cabeça dorida . - Deixa me em paz , pára com isso , estou a tentar dormir . Abriu os olhos . O luar brilhava através de as grades de a janela . E lá fora alguém olhava de olhos arregalados para ele : alguém de rosto sardento , cabelo ruivo e nariz grande . Ron_Weasley estava de o lado de_fora de a janela . III « A toca » Ron ! - exclamou Harry , arrastando se até a a janela e empurrando a para poderem falar através de as grades . - Ron , como é_que tu , foi o ... ? Harry ficou de boca aberta , espantado com o que viu . Ron estava debruçado de a janela de trás de um velho automóvel azul-turquesa que se encontrava estacionado em o ar . Em os lugares de a frente , rindo se para Harry , estavam os irmãos mais velhos , os gémeos Fred e George . - Tudo bem , Harry ? - O que é_que se tem passado ? - perguntou o Ron . - Porque não respondeste a as minhas cartas ? Convidei te para vires ter comigo umas doze vezes e um dia o pai chegou a casa e comunicou nos que tu tinhas recebido um aviso oficial por usares magia diante de os Muggles ... - Não fui eu . E como é_que ele soube ? - Ele trabalha em o Ministério - disse o Ron . - Tu sabes que nós não podemos fazer feitiços fora de a escola . - Bem , isso vindo de ti ... - exclamou Harry , olhando para o carro flutuante . - Oh , isto não conta - disse Ron . - Foi o meu pai que o emprestou . Não o fizemos aparecer por magia . Mas usar magia em a frente de esses Muggles com quem tu vives ... - Já te disse que não fui eu , mas vai demorar muito_tempo a explicar te isso agora . És capaz de avisar em Hogwarts que os Dursleys me fecharam a a chave e que não querem deixar me voltar e obviamente eu não posso sair de aqui magicamente senão o Ministério vai achar que é a segunda vez em três dias e ... - Pára com essa conversa tola - disse o Ron . - Viemos para te levar connosco . - Mas tu também não podes tirar me de aqui utilizando processos mágicos ... - Não precisamos de isso - afirmou Ron , fazendo um sinal de cabeça para os lugares de a frente . - Esqueces te de quem está aqui comigo . - Amarra isso em volta de as grades - disse o Fred , lançando a Harry a ponta de uma corda . - Se os Dursleys acordam estou feito - lamentou se Harry enquanto dava um nó bem apertado com a corda em uma de as grades e o Fred arrancava com o carro . - Não te preocupes e chega te para trás . Harry recuou para a sombra , para junto de Hedwig que parecia ter se apercebido de a importância de tudo aquilo , mantendo se quieta e em silêncio . O carro puxou mais e mais e , subitamente , com um ruído de ferro a ceder , as grades foram arrancadas de a janela , enquanto Fred conduzia com o céu como estrada . Harry correu de_novo para a janela para ver as grades a balouçarem a poucos metros de o chão . Ofegante , Ron içou as para dentro de o carro . Harry escutou ansiosamente mas não vinha qualquer som de o quarto de os Dursleys . Quando as grades estavam em segurança em os lugares de trás junto de Ron , Fred aproximou se o_máximo que lhe foi possível de a janela . - Anda de aí - disse . - Mas , todas_as minhas coisas de Hogwarts , a minha varinha , a minha vassoura ... - Onde estão ? - Fechadas em a despensa debaixo de as escadas e eu não posso sair de este quarto . . - Não há azar - disse o George . - Sai de a frente , Harry . Fred e George treparam cautelosamente e entraram por a janela em o quarto de Harry . Tinhas que ter aberto a boca , pensou Harry enquanto George tirava de o bolso um vulgar gancho de cabelo e começava a tentar abrir a fechadura . - Muitos feiticeiros acham que é uma perda de tempo aprender os truques de os Muggles - disse o Fred . - Mas nós pensamos que há habilidades que é sempre útil conhecer apesar_de serem um_pouco lentas . Ouviu se um pequeno clique e a porta abriu se . - Pronto , vamos buscar as tuas coisas . Tu vai dando a o Ron aquilo que precisas de aí de o teu quarto - murmurou George . - Cuidado com o degrau de cima que range - sussurrou Harry enquanto os gémeos desapareciam em o escuro . Harry deu a volta a o quarto , recolhendo as suas coisas e passando as por a janela a o Ron . Em seguida , foi ajudar o Fred e o George a trazerem o resto por as escadas acima . Ouviu o tio Vernon tossir . Por fim , de língua de_fora , chegaram a o quarto , junto de a janela aberta . Fred trepou para o carro para puxar os volumes com o Ron enquanto Harry e George os empurravam de dentro de o quarto . Centímetro a centímetro o malão foi passando por a janela . O tio Vernon tossiu de_novo . - Mais um_pouco - disse o Fred que estava a puxar de dentro de o carro . Um bom empurrão , vá . Harry e George encostaram os ombros contra a mala e ela escorregou para a parte de trás de o carro . - O. _ K. , vamos embora - murmurou o George . Mas quando Harry trepava para o parapeito de a janela ouviu se um forte pio atrás de ele , imediatamente seguido de o vociferar de o tio Vernon . - Aquela maldita coruja ! - Esqueci me de a Hedwig ! Harry precipitou se de_novo para o quarto , enquanto a luz de o patamar se acendia . Agarrou a gaiola de Hedwig , correu para a janela e passou a a o Ron . Estava a subir para_cima de a cómoda quando o tio Vernon bateu em a porta , que não estava fechada , e esta se abriu completamente . Por uma fracção de segundo , o tio Vernon ficou estático junto de a porta . Em seguida , soltou um mugido como um boi zangado e avançou para Harry , agarrando o por o tornozelo . Ron , Fred e George seguraram o por os braços e puxaram o com toda_a força . - Petúnia - rosnou o tio Vernon . - Ele está a fugir ! : __ ele está a __ fugir ! Os Weasleys deram um puxão gigantesco e a perna de o Harry escapou a as garras de o tio Vernon . Logo_que Harry entrou em o carro e a porta se fechou , Ron gritou : - Acelera Fred ! - E o carro partiu subitamente em direcção a a lua . Harry mal podia acreditar que estava livre . Esticou se a a janela , o ar de a noite a fustigar lhe os cabelos e olhou para baixo , para os telhados apertados de Privet_Drive . O tio Vernon , a tia Petúnia e o Dudley estavam todos debruçados com cara de parvos , a a janela de o quarto de ele . - Até a o próximo Verão - gritou . Os Weasleys riam se a as gargalhadas e Harry esticou se para trás em o assento e pediu a o ouvido de Ron : - Deixa sair a Hedwig . Ela pode voar atrás_de nós . Há séculos que não tem uma oportunidade de esticar as asas . George passou a o Ron o gancho de cabelo e , um momento depois , a Hedwig saíra feliz por a janela , planando atrás de eles como um fantasma . - Então , qual é a história ? - perguntou Ron , impaciente . - O que é_que tem estado a acontecer ? Harry contou lhes tudo sobre o Dobby , o aviso de este e o fracasso de o pudim de violetas . Houve um longo silêncio quando ele se calou . - Isso cheira me a esturro - disse , por fim , o Fred . - Definitivamente misterioso - concordou George . - Então ele nem te disse quem está supostamente por detrás dessa trama toda ? - Acho que não podia - explicou Harry . - Já te disse , de cada_vez que estava quase a deixar escapar qualquer coisa , começava a bater com a cabeça em a parede . Viu Fred e George olharem um para o outro . - O quê ? Acham que ele estava a mentir me ? - perguntou Harry . - Bem - começou o Fred -- , coloquemos as coisas de o seguinte modo , os elfos de casa têm poderes mágicos próprios , mas geralmente não podem usá os sem a autorização de os seus donos . Eu acho que o bom de o Dobby foi enviado para evitar que voltasses para Hogwarts . Uma ideia de um engraçadinho . Haverá alguém em a escola com má vontade contra ti ? - Sim - responderam Harry e Ron , precisamente ao_mesmo_tempo . - Draco_Malfoy - explicou Harry . - Ele detesta me . - Draco_Malfoy ? - perguntou George , voltando se para trás . - O filho de o Lucius_Malfoy ? - Deve ser . Não é um nome muito vulgar , pois não ? - disse Harry . - Mas porquê ? - Ouvi o pai falar acerca de ele - confidenciou George . - Ele era um grande apoiante de o « Quem nós sabemos » . - E quando o « Quem nós sabemos » desapareceu - continuou o Fred , voltando a cara para olhar para Harry - o Lucius_Malfoy voltou , dizendo que não foi por vontade própria que fez o que fez . Monte de lixo . O pai acha que ele fazia parte de um círculo de amigos íntimos de o « Quem nós sabemos » . Harry já tinha ouvido esses boatos sobre a família de Malfoy e não o surpreenderam em absoluto . Malfoy fizera Dudley_Dursley parecer um rapazinho simpático , amável e sensível . - Não sei se os Malfoy têm um elfo de casa ... - afirmou Harry . - Bem , quem quer que o possua é sem dúvida uma antiga família de feiticeiros e deve ser rica - explicou Fred . - Sim . A mãe está sempre a desejar que pudéssemos ter um elfo de casa para passar a roupa a ferro - disse o George . - Mas só temos um velho vampiro piolhoso em o sótão e gnomos espalhados por o jardim . Os elfos de casa pertencem a as grandes casas senhoriais , a os castelos e lugares assim , não encontrarias um em a nossa casa ... Harry estava calado . Considerando que Draco_Malfoy tinha sempre as melhores coisas , que a sua família nadava em ouro de feiticeiros , era fácil imaginá o passeando se por uma enorme casa senhorial . Mandar o servo de a família evitar que Harry voltasse para Hogwarts também parecia exactamente o tipo de coisa que Malfoy poderia fazer . Teria Harry sido estúpido a o tomar Dobby a sério ? - De qualquer modo , ainda_bem que viemos buscar te - declarou Ron . - Eu começava a ficar seriamente preocupado por não responderes a nenhuma de as minhas cartas . A princípio pensei que a culpa fosse de a Errol ... - Quem é a Errol ? - A nossa coruja . Já é velhota . Não seria a primeira vez que adoecia durante uma entrega . Por isso , tentei pedir a Hermes emprestada ... - Quem ? - A coruja que os meus pais compraram a o Percy quando ele foi nomeado prefeito - respondeu Fred . - Mas o Percy não me a emprestou . Disse que precisava de ela . - O Percy tem andado com atitudes muito estranhas este Verão - comentou George franzindo a testa . - E tem mandado imensas cartas e passado um tempo infinito fechado em o quarto ... enfim , pode limpar se e polir um distintivo de prefeito todas_as vezes que se quiser ... Estás a conduzir demasiado para ocidente , Fred - acrescentou apontando para uma bússola em o painel de o automóvel . Fred girou o volante . - Então , o vosso pai sabe que têm o carro ? - perguntou Harry , quase adivinhando a resposta . - Er ... não - disse o Ron . - Ele tinha trabalho esta noite . Felizmente vamos poder pô o de_novo em a garagem , sem a mãe perceber que andámos a voar nele . - A propósito , o que faz o vosso pai em o Ministério_da_Magia ? - Trabalha em o Departamento mais chato - respondeu Ron . - A Divisão de utilização incorrecta de artefactos de os Muggles . - O quê ? - Relaciona se com objectos de feitiçaria que foram feitos por os Muggles ; sabes como é , se forem parar de_novo a uma loja de os Muggles , ou a uma casa , como em o ano passado , quando morreu uma bruxa velha e o bule de ela foi vendido a uma loja de antiguidades . Uma mulher Muggle comprou o , tentou servir chá a os amigos . Foi um pesadelo , o pai teve de fazer horas extraordinárias durante semanas . - O que é_que aconteceu ? - O bule parecia louco , esguichou chá a ferver para todos os lados e um de os homens foi parar a o hospital com a pinça de o açúcar presa em o nariz . O pai ficou nervosíssimo . É só ele e o velho feiticeiro Perkings em o gabinete e tiveram de localizar e descobrir todo o tipo de encantamentos para resolver o assunto . - Mas o teu pai ... este carro ... Fred riu se . - Sim , o pai é louco por tudo_o_que tem que ver com os Muggles . A nossa arrecadação está cheia de coisas de os Muggles . Ele separa as , lança lhes feitiços e volta a pô as em o lugar . Se ele fizesse uma busca a nossa casa teria de se prender a si mesmo . A minha mãe fica louca com tudo aquilo . - É a estrada principal - gritou o George , apontando para baixo através de a janela . - Dentro_de poucos minutos estamos lá , mesmo a tempo , está a começar a clarear . Um leve brilho rosado tingia o horizonte para leste . Fred trouxe o carro para baixo e Harry pôde ver uma manta de retalhos de campos escuros e matas de arbustos . - Estamos um_pouco longe de a vila - disse George . - Em Ottery_St . Catchpole ... O carro voador foi descendo a os poucos . A luz avermelhada brilhava agora por_entre as árvores . - Terra - disse o Fred , em o momento em que tocaram em o chão com um ligeiro solavanco . Tinham aterrado perto_de uma garagem em ruínas em um pequeno pátio e Harry viu pela_primeira_vez a casa de o Ron . Parecia ter sido em tempos uma pocilga de pedra . Mas os quartos que posteriormente lhe tinham sido acrescentados haviam a tornado bastante mais alta e o seu aspecto era tão curvado que parecia ter sido construída por artes mágicas ( o que , pensou Harry , era , muito provavelmente , verdade ) . De o telhado vermelho saíam quatro ou cinco chaminés . Junto de a entrada , fixa em o chão , podia ver se uma inscrição assimétrica que dizia « A toca » . A o lado de a porta principal estava uma contusão de botas de * _ Wellington * e um caldeirão completamente enferrujado . Por o pátio passeavam se várias galinhas castanhas e gordas . - Não é grande coisa - desculpou se o Ron . - É óptima - exclamou Harry , feliz , pensando em Privet_Drive . Saíram de o carro . - Agora vamos lá para_cima sem fazer barulho - disse o Fred . - E esperamos que a mãe nos chame para o pequeno-almoço . Depois tu , Ron , desces a escada entusiasmadíssimo . - Mãe , olha quem apareceu cá durante a noite ! - E ela vai sentir se felicíssima quando vir o Harry . Assim ninguém fica a saber que levámos o carro voador . - Certo - disse o Ron . - Vamos , Harry , eu durmo em o ... Ron ganhou uma cor de um pálido esverdeado , os olhos fixos em a casa . Os outros três fizeram meia volta . Mrs._Weasley avançava por o pátio , afugentando as galinhas e , para uma mulher baixa , roliça e simpática , era fantástico como conseguia parecer se com um tigre dentes-de-sabre . - Ah ! - suspirou o Fred . - Oh , oh ! - exclamou o George . Mrs._Weasley parou em frente de eles . As mãos em as ancas , saltando de um olhar culpado para o outro . Usava um avental a as flores , com uma varinha a sair lhe de o bolso . - Com que então - disse . - Bom dia , mãe - arriscou o George com uma voz que tentou que fosse alegre e bem-disposta . - Vocês têm alguma ideia de como tenho estado preocupada ? - perguntou Mrs._Weasley em um murmúrio fraco . - Desculpe , mãe , mas sabe , nós tivemos que ... Os três filhos de Mrs._Weasley eram mais altos do_que ela , mas tremiam quando a fúria de a mãe se abatia sobre eles . - Camas vazias ! Nem um bilhete ! O carro desaparecido ... Podiam ter tido um acidente , estou fora de mim com tanta preocupação e vocês nem se importam ... nunca , enquanto eu for viva ... esperem só até o vosso pai chegar , nunca tivemos problemas de estes com o Bill , com o Charlie ou com o Percy ... - O perfeito Percy - resmungou Fred . - : __ tu não vales um dedo de a mão de o __ percy ! - gritou Mrs._Weasley , espetando um dedo em o queixo de o Fred . - Podias ter morrido , podias ter sido visto , podias ter feito com que o teu pai perdesse o emprego ... Parecia nunca mais acabar . Mrs._Weasley tinha gritado até ficar ronca , antes de se voltar para o Harry , que recuou . - Estou muito contente por te ver , Harry - disse . - Entra e vem tomar o pequeno-almoço . Ela voltou se e regressou a casa e Harry , depois de trocar um olhar nervoso com o Ron , que lhe acenou , encorajando o , seguiu a . A cozinha era pequena e bastante estreita . A meio havia uma enfezada mesa de madeira e cadeiras em volta e Harry sentou se a a beirinha de o assento , olhando em volta . Era a primeira vez que entrava em uma casa de feiticeiros . O relógio em a parede em frente de ele , tinha apenas um ponteiro e nenhum número . Em volta , estavam escritas frases como « Hora de fazer o chá » , « Hora de dar de comer a as galinhas « e « Estás atrasado » . Empilhados em o rebordo de a lareira estavam livros com títulos como * _ Encanta o teu próprio queijo , Encantamento em a cozedura de o pão e Banquetes em um minuto - é mágico * ! E , a menos que os ouvidos de Harry estivessem a traí o , o velho rádio próximo de o lava-loiças acabara de anunciar que a seguir vinha a Hora de enfeitiçar com a popular feiticeira-cantora Celestina_Warbeck . Mrs._Weasley fazia barulho com os talheres , preparando o pequeno-almoço um bocado a o acaso , lançando olhares furiosos a os filhos , enquanto lançava as salsichas em a frigideira . De vez em quando murmurava coisas como : « Não sei o que vos passou por a cabeça « ou « nunca devia ter confiado em vocês » . - Eu não te culpo , filho - tranquilizou Harry , pondo lhe sete ou oito salsichas em o prato . - Eu e o Arthur temos estado preocupados contigo . Ainda ontem a a noite estivemos a dizer que te iríamos buscar nós próprios se não respondesses a o Ron até sexta-feira . Mas , em a verdade ( estava agora a acrescentar três ovos estrelados a o prato de ele ) , atravessar metade de o país a voar em um carro ilegal , qualquer um vos poderia ter visto ... Agitou maquinalmente a varinha em a direcção de o lava-loiças , onde a loiça começou a lavar se sozinha , tinindo baixinho lá atrás . - Estava enevoado , mãe ! - exclamou o Fred . - Boca fechada enquanto comes ! - interrompeu Mrs._Weasley . - Eles estavam a fazê o passar fome , mãe ! - disse o George . - E tu também ! - disse Mrs._Weasley , mas já foi com uma expressão mais doce que começou a cortar o pão para Harry e a barrá o com manteiga . Em esse momento , as atenções voltaram se para um pequenino volto de cabelos ruivos , em uma camisa de dormir até a os pés , que surgiu em a cozinha , deu um grito agudo e desapareceu de_novo . - É a Ginny - disse Ron baixinho a o Harry -- , a minha irmã . Tem falado de ti todo o Verão . - Sim , ela vai querer o teu autógrafo , Harry - riu se o Fred , mas o seu olhar cruzou se com o de a mãe e inclinou se para o prato , não voltando a abrir a boca . Ninguém falou até os quatro pratos estarem limpos , o que sucedeu a uma velocidade surpreendente . - Bolas , estou cansado - bocejou Fred , pousando a faca e o garfo . Acho que me vou deitar e ... - Não vais , não senhor - interrompeu Mrs._Weasley . - A culpa é tua se ficaste toda_a noite acordado . Vais fazer a des-gnomização de o jardim . Eles estão outra_vez a exagerar . - Oh , mãe ... - E vocês os dois o mesmo - dirigiu se a o Ron e a o Fred . - Tu podes ir para a cama , filho - disse a Harry . - Não lhes pediste que guiassem aquele carro miserável . Mas Harry , que se sentia acordadíssimo , respondeu prontamente : - Eu ajudo o Ron , nunca vi uma des-gnomização ... - É muito simpático de a tua parte , querido , mas é um trabalho chato - explicou Mrs._Weasley . - Vejamos o que o Lockhart tem a dizer acerca disto . E puxou de o rebordo de a lareira um livro pesadíssimo . George resmungou : - Mãe , nós sabemos * des-gnomizar * o jardim . Harry olhou para a capa de o livro de Mrs._Weasley . Em grandes letras douradas , que ocupavam grande parte de a capa , podia ler se Guia_de_Gilderoy_Lockhart para pragas caseiras . Via se também a grande fotografia de um feiticeiro bem-parecido , de cabelos loiros ondulados e olhos azuis brilhantes . Como sempre , em o mundo de os feiticeiros , a fotografia mexia se . O feiticeiro , que Harry calculou ser Gilderoy_Lockhart , não parava de lhes piscar os olhos descaradamente . Mrs._Weasley sorriu lhe . - Oh , ele é fantástico - disse . - Conhece bem as pragas caseiras . É um livro maravilhoso . - A mãe adora o - disse Fred em um murmúrio bastante audível . - Não sejas ridículo , Fred - repreendeu Mrs._Weasley com as bochechas coradas . - É claro que se achas que sabes mais do_que o Lockhart , podes ir fazer o trabalho e ai de ti se houver um único gnomo em o jardim quando eu for fazer a inspecção . A bocejar e a resmungar , os Weasley arrastaram se lá para fora com Harry atrás de eles . O jardim era grande e , em a opinião de Harry , exactamente como deveria ser um jardim . Os Dursleys não teriam gostado . Havia uma enorme quantidade de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada , mas havia árvores nodosas em volta de as paredes , plantas que Harry nunca vira , tombando de todos os canteiros e um grande lago verde cheio de rãs . - Os Muggles também têm gnomos de jardim , sabes - disse o Harry a o Ron , enquanto atravessavam a relva . - Sim , já vi essas coisas que eles pensam que são gnomos - disse o Ron todo dobrado , com a cabeça em uma moita de peónias . - Como os Pais_Natais gordinhos com canas de pesca ... Houve um tumulto ruidoso , a moita de peónias estremeceu e Ron endireitou se . - Isto_é um gnomo - declarou com um ar sério . - Larga eu ! Larga eu ! - guinchou o gnomo . Não se parecia em absoluto com o Pai_Natal . Era pequenino e parecia de couro , com uma grande cabeça protuberante e calva , precisamente como uma batata . Ron agarrou o a a distância de um braço , enquanto ele dava pontapés em o ar com os seus pézinhos que pareciam chifres . Agarrou o por os tornozelos e voltou o de pernas para o ar . - Isto_é o que tens de fazer - disse . Levantou o gnomo acima de a cabeça ( Larga eu ! ) e começou a balouçá o em grandes círculos , como os vaqueiros fazem com os laços . A o ver a expressão chocada de Harry , Ron explicou : - Não os mágoa . Só tens de os deixar bem tontos para que consigam encontrar o caminho de regresso a os buracos de os gnomos . Largou os tornozelos de o gnomo . Ele voou seiscentos metros e aterrou com um ruído surdo em o campo a o lado de a sebe . - Deplorável - afirmou o Fred . - Aposto que consigo lançar o meu para_além de aquele tronco . Harry aprendeu rapidamente a não sentir muita pena de os gnomos . Decidira largar o primeiro que apanhou para_além de a sebe , mas o gnomo , sentindo fraqueza , enfiou os seus dentinhos , aguçados como laminas , em o dedo de o Harry e não foi fácil sacudi o para ele o largar , até que ... - Uau , Harry , esse deve ter sido seiscentos metros ... O ar estava subitamente cheio de gnomos voadores . - Vês , eles não são muito espertos - afirmou o George , agarrando cinco ou seis de uma_vez . - Em o momento em que se apercebem que começou a * des-gnomização * , aparecem todos para espreitar . Era de esperar que já tivessem aprendido a ficar quietinhos . Rapidamente a multidão de gnomos começou a ir se embora , atravessando os campos em uma fila ordenada , com os pequeninos ombros arqueados . - Eles voltam - disse o Ron enquanto os via desaparecer em a sebe de o outro lado de o campo . - Eles adoram estar aqui ... o pai é muito mole com eles , acha lhes piada . Em esse momento , a porta de a frente bateu . - Ele já voltou ! - exclamou o George . - O pai já está em casa ! Apressaram se a entrar . Mr._Weasley tinha se afundado em uma de as cadeiras de a cozinha , sem óculos e com os olhos fechados . Era um homem magro , quase calvo , mas o pouco cabelo que tinha era tão ruivo como o de os filhos . Vestia um longo manto verde cheio de pó e estava cansado de a viagem . - Que noite - murmurou , tacteando em busca de o bule , enquanto todos se sentavam a a volta de ele . - Nove assaltos , nove ! E o velho Mundungs_Fletcher tentou lançar me um feitiço quando eu estava de costas . Mr._Weasley tomou um bom gole de chá e suspirou . - Encontrou alguma coisa , pai ? - perguntou Fred ansiosamente . - Só encontrei algumas chaves encolhidas e uma chaleira que mordia - bocejou Mr._Weasley . - Havia um material bastante mauzinho , mas não era de o meu departamento . O Mortlake foi levado para ser interrogado sobre uns furões extremamente antigos , mas isso pertence a a Comissão_dos_Feitiços_Experimentais , graças_a Deus . - Por_que é_que alguém ia dar se a o trabalho de fazer encolher chaves ? - perguntou George . - Para chatear os Muggles - suspirou Mr._Weasley . - Vende se lhes uma chave que não pára de encolher , até que desaparece , de_modo_a que nunca a encontrem quando precisam ... É claro que é muito difícil condenar alguém , porque nenhum Muggle é capaz de admitir que a sua chave está a encolher , insistem em que estão sempre a perdê a . Benditos sejam , vão até onde for preciso para ignorar a magia , mesmo_que ela esteja em frente de os seus narizes ... mas vocês não acreditariam em as coisas que o nosso grupo tem levado para enfeitiçar ... - : __ como carros , por __ exemplo ? Mrs._Weasley tinha aparecido , segurando um grande atiçador que parecia uma espada . Os olhos de Mr._Weasley abriram se de repente , fitando a mulher com um ar culpado . - C-carros , Molly querida ? - Sim , Artur , carros - afirmou Mrs._Weasley , os olhos a faiscar . - Imagina um feiticeiro a comprar um carro velho e enferrujado e dizer a a mulher que a única coisa que queria fazer com ele era desmontá o para ver como ele funcionava , enquanto em a verdade estava a enfeitiçá o para o fazer voar . Mr._Weasley piscou os olhos . - Bem , querida , acho que poderás constatar que não é ilegal fazer isso , embora , er , talvez ele devesse ter contado a verdade a a mulher ... Existe uma forma de tornear a lei , já_que ela diz que ... desde_que não se tenha a * intenção * de voar em o carro , o facto de ele poder voar , não ... - Arthur_Weasley tu arranjaste essa forma de tornear a lei quando a escreveste ! - gritou Mrs._Weasley . - Para poderes continuar a remexer em todo aquele lixo de os Muggles que tens em a arrecadação ! E , para tua informação , o Harry chegou hoje_de_manhã em o carro que tu não pretendias pôr a voar ! - Harry ? - perguntou Mr._Weasley sem expressão . - Qual Harry ? Olhou em volta , viu Harry e deu um salto . - Santo_Deus , é Harry_Potter ? Muito prazer , o Ron falou nos tanto de si ... - * _ O teu filho conduziu aquele carro até a a casa de o Harry e de volta até aqui em a noite passada ! * - gritou Mrs._Weasley . - O que tens a dizer a esse respeito ? - A sério ! ? - exclamou Mr._Weasley com vivacidade . - Correu tudo bem , quero dizer ... - vacilou a o ver os olhos de Mrs._Weasley que faiscavam . - Er , fizeram mal , rapazes , muito mal , mesmo ... - Vamos deixá os a os dois - murmurou o Ron , enquanto Mrs._Weasley inchava como um sapo gigantesco . - Vamos , vou mostrar te o meu quarto . Esgueiraram se de a cozinha e desceram uma passagem estreita que dava para uma escada desnivelada que ziguezagueava a o longo de a casa . Em o terceiro andar , estava uma porta entreaberta . Harry só teve tempo de ver um par de olhos castanhos brilhantes que o olhavam fixamente , antes de a porta se fechar com um estalido . - A Ginny - disse o Ron . - Não imaginas como é estranho vês a tão tímida , ela que quase nunca se cala ... Subiram mais dois andares , até chegarem a uma porta com a tinta a descascar e uma pequena placa dizendo : « Quarto_do_Ronald » . Harry entrou . A cabeça quase tocava em o tecto inclinado . Piscou os olhos . Era como entrar dentro_de uma fornalha : quase tudo em o quarto de o Ron tinha um violento matiz alaranjado : a colcha de a cama , as paredes , até o tecto . Em seguida , apercebeu se de que o Ron tinha coberto cada centímetro de o velho papel de parede com * posters * de as mesmas sete feiticeiras e feiticeiros , todos vestidos com brilhantes mantos cor de laranja , transportando vassouras e acenando entusiasticamente . - A tua equipa de Quidditch ? - perguntou Harry . - Os Chudley_Cannons - disse Ron , apontando para a colcha cor de laranja que tinha um brasão com dois C's gigantes e uma bala de canhão a_toda_a velocidade . - Nono em a Liga . Os livros de estudo de feitiços de Ron estavam empilhados desordenadamente a um canto , junto de um monte de B. _ D. , todas elas relativas a as * _ Aventuras_de_Martin_Miggs , o Muggle louco * . A varinha mágica de o Ron estava em_cima_de um aquário cheio de ovos de rã sobre o peitoril de a janela , junto de o seu rato gordo e cinzento , Scabbers , que dormia uma soneca a o sol . Harry passou por_cima_de um baralho de cartas de jogar com vontade própria , que estava caído em o chão , e olhou para fora de a janelinha . Em o campo , não muito longe , podia ver um grupo de gnomos a esgueirarem se , um a um , de_novo para a sebe de os Weasley . Em seguida , voltou se para Ron que o observava nervoso , como_se esperasse a opinião de ele . - É um_pouco pequeno - declarou o Ron muito depressa . - Não se parece nada com o quarto que tu tinhas em casa de os Muggles . E estou mesmo debaixo de o vampiro de o sótão . Ele anda sempre a bater nos canos e a gemer ... Mas Harry , com um grande sorriso , disse lhe : - Esta é a melhor casa em que eu já estive . As orelhas de Ron ficaram cor-de-rosa . IV_Na_Flourish and Blotts_A vida em a Toca era o mais diferente que é possível de a vida em Privet_Drive . Os Dursleys gostavam de tudo limpo e arrumado , em casa de os Weasleys explodia o estranho e o inesperado . Harry teve um choque de a primeira vez que olhou para o espelho que estava sobre a lareira de a cozinha e ele gritou : - Mete para dentro a camisa , * desmazelado ! * - O vampiro de o sótão gemia e batia nos canos , sempre_que sentia as coisas demasiado calmas e as pequenas explosões em o quarto de o Fred e de o George , eram consideradas perfeitamente normais . Mas o que o Harry achou mais bizarro em a vida em casa de o Ron , não foi o espelho que falava , nem o vampiro barulhento , foi o facto de todos ali em casa parecerem gostar de ele . Mrs._Weasley preocupava se com o estado de as suas meias e tentava obrigá o a servir se quatro vezes a cada refeição . Mr._Weasley gostava que Harry se sentasse a o lado de ele a a mesa para poder bombardeá o com perguntas sobre a vida com os Muggles , pedindo que lhe explicasse como funcionavam coisas como as canalizações e o serviço de os correios . - Fascinante ! - exclamava , enquanto Harry lhe explicava a utilização de o telefone . - Engenhoso , de facto , todas_as maneiras que os Muggles encontraram para passar sem a magia . Harry teve notícias de Hogwarts em uma manhã de sol , cerca de uma semana depois de ter chegado a a Toca . Quando , ele e o Ron desceram para tomar o pequeno-almoço , encontraram Mr. e Mrs._Weasley e Ginny já sentados a a mesa . Em o momento em que viu o Harry , Ginny entornou a tigela de os cereais , que caiu a o chão com grande espalhafato . Ginny entornava facilmente coisas sempre_que o Harry estava em a sala . Mergulhou debaixo de a mesa para apanhar a tigela e emergiu com o rosto a brilhar como o sol poente . Fingindo não ter dado por nada , Harry sentou se e aceitou a torrada que Mrs._Weasley lhe ofereceu . - Cartas de a escola - disse Mr._Weasley , passando a o Harry e a o Ron envelopes idênticos de pergaminho amarelado , com a morada escrita a tinta verde . - O Dumbledore já sabe que estás aqui , Harry , não perde nada aquele homem . Vocês os dois também - acrescentou , enquanto Fred e George deambulavam em a casa , ainda em pijama . Fez se silêncio durante alguns momentos , enquanto liam as respectivas cartas . A de o Harry dizia para apanhar o Expresso_de_Hogwarts , como sempre em a Estação_de_King's_Cross , em o dia_1_de_Setembro . Havia ainda uma lista de os livros que precisaria para o próximo ano . Os alunos de o segundo ano deverão ter : * _ O_Livro_Padrão_de_Feitiços , Grau 2 , por Miranda_Goshawk . * _ Ensinamentos_de_Uma_Fada_Carpideira , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Férias com Bruxas , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Duendes , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Lobisomens , por Gilderoy_Lockhart . * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves , por Gilderoy_Lockhart * . Fred , que terminara a sua própria lista , espreitou para a de o Harry . - Também te mandam comprar os livros de o Lockhart - disse . - A professora de defesa contra as artes negras deve ser fanática . Aposto que é uma bruxa . Nessa_altura , Fred percebeu o olhar de a mãe e apressou se a comer o doce de laranja . - Esse conjunto não vai ficar barato - disse George , olhando rapidamente para os pais . - Os livros de o Lockhart são de os mais dispendiosos ... - Cá nos havemos de arranjar - declarou Mrs._Weasley , mas parecia preocupada . - Espero que pelo_menos para a Ginny possamos arranjar uma data de coisas em segunda mão . - Ah , vais entrar este ano para Hogwarts ? - perguntou lhe Harry . Ela fez um aceno , corando até a a raiz de os cabelos ruivos e meteu o cotovelo em o pires de a manteiga . Felizmente ninguém deu por nada , a não ser o Harry , porque em esse momento o irmão mais velho de Ron , o Percy , entrou . Já estava vestido , com a placa de prefeito aplicada a a sua camisola de malha . - Bom dia a todos - disse , cheio de vivacidade . - Está um dia lindo . Puxou a única cadeira livre , mas deu um salto quando ia sentar se e , debaixo de ele , saltou um espanador cinzento de penas , pelo_menos , foi o que o Harry pensou até ver que ele respirava . - Errol ! - exclamou Ron , afastando a coruja de o Percy e retirando lhe debaixo de a asa uma carta . - Até que enfim , a resposta de a Hermione . Escrevi lhe a contar que íamos tentar raptar te de casa de os Dursleys . Levou Errol para um poleiro que havia junto a a porta de as traseiras e tentou colocá a lá em cima , mas Errol caiu redonda e Ron teve de a pôr em a pia , murmurando : - Patético . - Em seguida , abriu a carta de a Hermione e leu a em voz alta . * _ Querido_Ron e Harry , se aí estiveres . Espero que tudo tenha corrido bem , que o Harry esteja O. _ K. e que não tenham feito nada ilegal para conseguir trazes o , porque isso podia criar lhe problemas também a ele . Tenho estado muito preocupada e , se o Harry estiver bem , por favor digam me qualquer coisa rapidamente , mas talvez seja melhor usarem uma nova coruja , porque acho que outra entrega pode acabar como esta . * _ Estou muito atarefada com trabalho de a escola , claro * . - Como é possível ? - perguntou Ron , horrorizado . - Estamos em férias ! - * _ E vamos para Londres em a próxima quarta-feira para comprar os meus livros novos . Porque não nos encontramos em a Diagon-al ? * _ Dêem-me notícias vossas o mais depressa possível . * _ Carinhosamente_Hermione * - Bem , parece uma boa solução , podemos ir todos comprar as vossas coisas - disse Mrs._Weasley , começando a limpar a mesa . - O que vão fazer hoje ? Harry , Ron , Fred e George tinham planeado ir a o cimo de o monte a um pequeno cercado de cavalos que os Weasleys possuíam . Estava rodeado de árvores que lhe tapavam a vista de a cidade cá em baixo , o que quer_dizer que podiam praticar Quidditch , desde_que não voassem muito alto . Não podiam usar as verdadeiras bolas de Quidditch pois seria muito difícil explicar se elas escapassem e voassem sobre a cidade . Em vez de elas , lançavam maçãs para os outros apanharem . Faziam turnos para montar a Nimbus dois_mil , que era de longe a melhor vassoura . A velha Shooting_Star_de_Ron fora muitas_vezes ultrapassada por as borboletas que passavam . Cinco minutos mais tarde estavam a marchar por o monte acima , de vassouras a o ombro . Tinham perguntado a o Percy se ele queria juntar se a eles , mas ele alegara muito trabalho . Até esse dia , Harry só tinha visto Percy a a hora de as refeições , ele ficava em silêncio em o quarto o resto de o tempo . - Gostava de saber o que ele anda a fazer - afirmou Fred , de testa franzida . - Não parece o mesmo . O resultado de os exames veio um dia antes de tu chegares : doze N_F_V e ele nem se manifestou satisfeito . - Níveis_de_Feitiçaria_Vulgares - explicou o George , vendo o olhar atarantado de Harry . - Se não temos cuidado , ainda nos calha outro Chefe_de_Turma em a família . Acho que não suportaria a vergonha . Bill era o mais velho de os irmãos Weasley . Ele e o irmão a seguir , Charlie , já tinham saído de Hogwarts . Harry não conhecia nenhum de os dois , mas sabia que o Charlie estava em a Roménia a estudar dragões e o Bill em o Egipto a trabalhar em o banco de os feiticeiros : Gringotts . - Não sei como o pai e a mãe vão arranjar dinheiro para nos pagar o material escolar este ano - disse o George , passado um bocado . - Cinco conjuntos de livros de o Lockhart ! E a Ginny precisa de mantos e de uma varinha e tudo_isso ... Harry não disse nada . Sentiu se um_pouco incomodado . Fechada em um cofre subterrâneo , em o banco de Gringotts_de_Londres , estava uma pequena fortuna que os pais lhe tinham deixado . É claro que só tinha esse dinheiro em o mundo de os feiticeiros , não se podem usar Galeões , Leões e Janotas em as lojas de os Muggles . Ele nunca fizera referência a a sua conta bancária em Gringotts a os Dursleys . Não lhe parecia que o horror que eles sentiam por tudo_o_que se relacionava com a feitiçaria se estendesse a uma enorme pilha de barras de ouro . Mrs._Weasley acordou os a todos bem cedo , em a quarta-feira seguinte . Depois de comerem umas doze sanduíches de * bacon * cada_um , enfiaram os casacos e Mrs._Weasley tirou um vaso de a prateleira de o fogão de a cozinha e espreitou lá para dentro . - Está a acabar se , Arthur - suspirou . - Temos de comprar mais hoje ... Bem , os hóspedes primeiro . Passa , Harry querido ! E ofereceu lhe o vaso de flores . Harry olhou espantado enquanto todos eles o observavam . - O q-que é_que eu devo fazer ? - gaguejou . - Ele nunca viajou com o pó de Floo - disse o Ron subitamente . - Desculpa , Harry , esqueci me . - Nunca ? - perguntou Mrs._Weasley . - Mas então como chegaste a a Diagon - _ Al em o ano passado para comprar as tuas coisas ? -- Fui por o subterrâneo . - A sério ? - disse Mr._Weasley , entusiasmado . - Havia fugitivos ? Como é_que ... - Agora não , Arthur - disse Mrs . Weasley . - O pó de Floo é muito mais rápido , querido , mas , valha me Deus , se ele nunca o usou ... - Vai correr bem , mãe - disse o Fred . - Harry observa nos primeiro . Tirou uma pitada de pó brilhante de dentro de o vaso , aproximou se de o lume e lançou o pó em as chamas . Com um rugido , o fogo ficou verde-esmeralda e elevou se a uma altura superior a a de o Fred que avançou , gritando Diagon - _ Al ! E desapareceu . - Tens de falar claramente , filho - disse Mrs._Weasley a o Harry , ao_mesmo_tempo que George metia a mão em o vaso de as flores . - E vê se sais em o fogão certo . - Em o quê ? - perguntou Harry , nervoso , enquanto o lume crepitava e fazia George desaparecer também . - Bem , há imensos fogos de feiticeiros , mas desde_que te tenhas expressado claramente ... - Ele vai conseguir , Molly , não te preocupes - disse Mr._Weasley , tirando também ele algum pó . - Mas querido se ele se perde como é_que vamos justificar nos perante o tio e a tia de ele ... -- Eles não se importariam - tranquilizou a Harry . - O Dudley ia achar imensa piada se eu me perdesse em uma chaminé , não se preocupe . - Bem , em esse caso ... tu vais a seguir a o Arthur - disse Mrs._Weasley . - Logo_que entres em o fogo diz para_onde queres ir . - E mantém os cotovelos dobrados - preveniu o Ron . - E os olhos fechados - disse Mrs._Weasley . - A fuligem . - Não te enerves - disse o Ron . - Senão podes ir parar a a lareira errada . - Não entres em pânico e não queiras sair cedo de mais . Espera até veres o Fred e o George . Fazendo um enorme esforço por reter toda aquela informação , Harry tirou uma pitada de pó de Floo e avançou para a beirinha de o fogo . Respirou fundo , espalhou o pó em as chamas e entrou . O fogo parecia uma brisa quente . Abriu a boca e engoliu , de imediato , uma grande quantidade de cinzas quentes . D-dia-gon-al - tossiu . Sentiu se como_se estivesse a ser sugado para um buraco gigantesco . Como_se girasse muito depressa ... o ruído era ensurdecedor . Tentou manter os olhos abertos mas o turbilhão de chamas verdes fê lo enjoar ... algo duro bateu lhe em o cotovelo e dobrou o de imediato . Continuava a rodar , a rodar ... sentia se agora como_se várias mãos frias estivessem a bater lhe em a cara ... Espreitando através de os óculos , viu uma torrente imprecisa de fogões e captou lampejos de as salas que estavam por detrás ... as sanduíches de * bacon * davam lhe a volta dentro de o estômago ... fechou os olhos desejando que tudo aquilo parasse e então caiu , de cara em o chão , em a pedra fria e sentiu os óculos partirem se a os bocados . Desorientado e ferido , coberto de fuligem , pôs se cautelosamente de pé , levando a os olhos os óculos partidos . Estava completamente só e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava . Tudo_o_que podia dizer era que a o seu lado via uma lareira que lhe parecia ser a de uma enorme e indistinta loja de feitiçaria . Mas nenhum de os artigos que ali se encontravam tinham aspecto de fazer parte de a lista de a escola de Hogwarts . Em uma caixa de vidro podia ver se uma mão atrofiada que repousava sobre uma almofada , um baralho de cartas ensanguentado e um olho de vidro que o olhava fixamente . Máscaras de expressão maldosa enchiam as paredes , olhando de esguelha , uma enorme quantidade de ossos humanos estendia se sobre o balcão e , de o tecto , pendiam instrumentos aguçados com pontas de ferro e pregos enferrujados . Mas o pior é_que a rua estreita e escura , que Harry conseguia avistar através de a janela poeirenta de a loja , não era de modo algum a Diagon-al . Quanto_mais depressa saísse de ali , melhor . O nariz ainda a doer lhe em o sítio onde batera em o chão a o aterrar , Harry avançou rápida e silenciosamente em direcção a a porta , mas antes de conseguir chegar a meio caminho , duas pessoas apareceram de o lado de_fora de o vidro , e uma de elas era a última pessoa que Harry desejaria encontrar em o momento em que se encontrava perdido , coberto de fuligem e com os óculos partidos , Draco_Malfoy . Harry olhou rapidamente em volta e apercebeu se de a existência de um grande armário escuro a a sua esquerda , saltou lá para dentro e fechou as portas , deixando uma gretazinha para poder espreitar . Segundos depois , uma campainha tocava e Malfoy entrava em a loja . O homem que o acompanhava só podia ser o pai . Tinha o mesmo rosto pálido de feições agudas e os mesmos olhos cinzentos de gelo . Mr._Malfoy atravessou a loja , olhando maquinalmente para os artigos expostos e tocou a campainha de o balcão , antes de se voltar para o filho , dizendo : - Não mexas em nada , Draco . Malfoy , que vira o olho de vidro , disse : - Pensei que ias oferecer me um presente . - Eu prometi que ia comprar te uma vassoura de corrida - declarou o pai , tamborilando com os dedos sobre o balcão . - Para que é_que me serve , se não estou em a equipa de Quidditch ? - perguntou Malfoy , carrancudo e de mau humor . - O Harry_Potter teve uma Nimbus dois_mil o ano passado , com a autorização especial de o Dumbledor é para jogar em os Gryffindor . Ele nem é assim tão bom , é só por ser * famoso * ... famoso por ter uma estúpida cicatriz em a testa . Malfoy baixou se para observar uma prateleira cheia de crânios . - Todos acham que ele é tão esperto , o Potter maravilha , com a sua cicatriz e a sua vassoura ... - Já me disseste isso doze vezes pelo_menos - comentou Mr._Malfoy , olhando repressivamente para o filho . - E devo lembrar te que não é prudente parecer menos do_que amigo de Harry_Potter , quando a maior parte de a nossa gente vê em ele um herói que fez desaparecer o Senhor_do_Mal . Ah , Mr._Borgin . Um homem curvado surgiu por detrás de o balcão , puxando o cabelo gorduroso para trás . - Mr._Malfoy , que prazer vês o de_novo - disse Mr._Borgin , em uma voz tão untuosa como o cabelo . - Encantado , e o nosso jovem Malfoy também , encantado . Em que posso servi os ? Tenho que vos mostrar o que chegou hoje , a um preço muito razoável ... - Hoje não venho comprar , Mr._Borgin , e sim vender - afirmou Mr._Malfoy . - Vender ? - O sorriso apagou se lentamente em o rosto de Mr._Borgin . - Certamente ouviu dizer que o Ministério está a levar a cabo mais buscas - explicou o Mr._Malfoy , retirando de o bolso um rolo de pergaminho e desembrulhando o para Mr._Borgin o ler . - Eu tenho alguns , ah , artigos em casa que poderiam criar me problemas se o Ministério me batesse a porta . Mr._Borgin colocou em o nariz um par de * pince-nez * e olhou para a lista . - O Ministério não se lembraria de o incomodar certamente ... O lábio de Mr._Malfoy dobrou se . - Ainda não me fizeram nenhuma visita . O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito , mas o Ministério está a ficar cada_vez_mais intrometido . Há boatos sobre um novo decreto de protecção de os Muggles , sem dúvida que aquele mordido de as pulgas , adorador de os Muggles , que é o Arthur_Weasley deve estar por detrás de isso . Harry sentiu crescer a raiva . - E , como pode ver , alguns de estes venenos podiam dar a ideia ... - Compreendo perfeitamente , claro - disse Mr._Borgin . - Deixe me ver ... - Posso ter aquilo ? - interrompeu Draco , apontando para a mão raquítica que estava sobre a almofada . - Ah , a mão de a glória ! - exclamou Mr._Borgin , abandonando a lista de Mr._Malfoy e apressando se a responder a Draco . - Põe se lhe uma vela e ela só dá luz a quem a transporta ! A melhor amiga de os gatunos e de os salteadores , o seu filho tem gosto , senhor . - Espero que o meu filho venha a ser mais do_que gatuno ou salteador , Borgin - disse Mr._Malfoy friamente e Mr._Borgin respondeu logo : - Sem ofensa , senhor , sem querer ofender . - Embora , se as notas de a escola não melhorarem - disse Mr._Malfoy ainda mais friamente - esse possa vir a ser o único caminho possível para ele . - Não tenho culpa - retorquiu Draco . - Todos os professores têm os seus preferidos , aquela Hermione_Granger ... - Eu , em o teu lugar , teria vergonha que uma rapariga que nem_sequer pertence a famílias de feiticeiros , me passasse a a frente em todos os exames - interrompeu Mr._Malfoy . Ah - fez Harry baixinho , radiante por ver Draco atrapalhado e furioso . - É o mesmo em todo o lado - comentou Mr._Borgin em a sua voz untuosa . - O sangue de os feiticeiros conta cada_vez menos ... - Não para mim - afirmou Mr._Malfoy , com as longas narinas dilatadas . - Não senhor , nem para mim - concordou Mr._Borgin , inclinando se em uma vénia . - Em esse caso , talvez possamos voltar a a minha lista - disse Mr._Malfoy secamente . - Estou com alguma pressa , Borgin , tenho ainda hoje assuntos importantes a tratar em outro lado . Começaram a discutir os preços . Harry via nervosamente o Draco aproximar se de o seu esconderijo enquanto observava os objectos a a venda . Parou para examinar um enorme rolo de corda de carrasco e para ver , com um sorriso afectado , o cartão preso com um aparatoso laço de opalas onde podia ler se : * _ Cautela , não tocar . Amaldiçoado - reclama as vidas de dezanove donos , todos eles Muggles * . Draco voltou se e viu o armário mesmo em frente . Avançou , estendeu a mão para o puxador ... - Feito - disse Mr._Malfoy , a o balcão . - Vamos , Draco . Harry limpou a testa a a manga quando Draco se afastou . - Muito bom dia , Mr._Borgin . Espero por si amanhã em a mansão para ir buscar a mercadoria . Em o momento em que a porta se fechou , Mr._Borgin abandonou os seus modos subservientes . « Bom dia para o senhor , Mr._Malfoy , e , se as histórias que contam são verdadeiras , não me vendeu nem metade do_que tem escondido em a sua mansão ... » Murmurando de forma taciturna , Mr._Borgin desapareceu em uma sala escura . Harry esperou um minuto não fosse ele voltar e , em seguida , o mais silenciosamente possível , escapou se de o armário , passou por as caixas de vidro e saiu de a loja . Encostando os óculos partidos a o rosto , olhou em volta . Saíra em uma rua estreita e sombria que parecia composta exclusivamente de lojas dedicadas a as artes negras . Aquela de onde acabava de sair parecia ser a maior , mas em frente estava uma montra tétrica de cabeças encolhidas e duas portas abaixo podia ver se uma enorme caixa viva cheia de gigantescas aranhas pretas . Dois feiticeiros com aspecto pobre observavam o de a sombra de uma porta , murmurando entre si . Sentindo se nervoso , Harry pôs se a caminho , tentando agarrar os óculos a direito e não desistindo de a esperança de encontrar maneira de sair de ali . Por um cartaz de madeira , pendurado em a rua , indicando uma loja de venda de velas envenenadas , ficou a saber que se encontrava em a Rua * _ Bativolta * , mas isso não o ajudou pois Harry nunca ouvira falar em tal lugar . Calculou que não tinha pronunciado bem as palavras com a boca cheia de cinzas em a lareira de os Weasley . Tentando manter a calma perguntou a si mesmo o que havia de fazer . - Não estás perdido , pois não , meu menino ? - perguntou uma voz , mesmo junto de o seu ouvido , que o fez dar um salto . Uma bruxa idosa estava em a sua frente , segurando um tabuleiro de uma coisa que se parecia horrivelmente com unhas humanas . A mulher olhou o maldosamente , mostrando os dentes esverdeados . Harry recuou . - Estou bem , obrigado - disse . - Estou só ... - HARRY ! O qu'é que pensas que estás a fazer aqui ? O coração de Harry deu um salto , assim_como o de a bruxa . Um monte de unhas caíram lhe sobre os pés e ela praguejou , enquanto o corpo enorme de Hagrid , o guarda de os campos de Hogwarts , se aproximava de eles a passos largos com os olhos castanhos-escuros a faiscarem sobre a longa barba eriçada . - Hagrid - gritou Harry , aliviado . - Eu estava perdido ... o pó de Floo ... Hagrid agarrou Harry por o cachaço e puxou o para longe de a bruxa , tirando lhe o tabuleiro de as mãos . Os guinchos agudos de a feiticeira seguiram nos até a o fundo de a ruela serpenteante que ia dar a um lagar onde brilhava o sol . Harry avistou a a distância um edifício de mármore branco como a neve que lhe era familiar : o banco de Gringotts . Hagrid conduzira o até a a Diagon - _ Al . - ` _ tás em um péssimo estado ! - disse Hagrid bruscamente , sacudindo lhe a fuligem com tanta força que Harry quase caiu em um barril de estrume de dragão que se encontrava a a porta de um boticário . - A fugir , em a Rua * _ Bativolta * , eu não conheço esse lugar finório , Harry , não quero que ninguém te veja aqui em baixo . - Já percebi - disse Harry , baixando se quando Hagrid fez menção de o escovar melhor . - Já te disse que estava perdido . E o que é_que tu fazes aqui ? - ` _ Tou a a procura d'um repelente para as lesmas comedoras de legumes - resmungou Hagrid . - ` _ tão a destruir as couves todas de a escola . Tu não estás sozinho ? - Estou em casa de os Weasley , mas separámo nos explicou Harry . - Tenho que os encontrar . Desceram juntos a rua . - Por_que é_que nunca respondeste a as minhas cartas ? - perguntou Hagrid , enquanto Harry corria para o acompanhar ( tinha de dar três passos por cada enorme passada de Hagrid ) . Harry explicou lhe tudo sobre Dobby e os Dursleys . - Malditos_Muggles - rugiu Hagrid . - S'eu tivesse sabido ... - Harry ! Harry ! Aqui ! Harry olhou para_cima e viu Hermione_Granger em o topo de a escadaria de Gringotts . Desceu para vir a o encontro de ele , o cabelo castanho de caracóis , a esvoaçar atrás de ela . - O que aconteceu a os teus óculos ? Olá_Hagrid ... Oh , é maravilhoso ver vos outra_vez . Vens a Gringotts , Harry ? - Logo_que encontre os Weasley - respondeu ele . - Não vais ter d'esperar muito - riu se Hagrid . Harry e Hermione olharam em volta . Subindo a rua , em o meio de a multidão , vinham Ron , Fred , George , Percy e Mr._Weasley . - Harry - chamou Mr._Weasley , ofegante . - Tínhamos esperança que só tivesses ido um fogão mais longe ... - passou um pano em a sua calva reluzente . - A Molly está nervosíssima , aí vem ela . - Onde é_que tu saíste ? - perguntou o Ron . - Em a Rua * _ Bativolta * - disse o Hagrid , com um ar sério . - Sensacional ! - exclamaram Fred e George ao_mesmo_tempo . - Nunca nos deram autorização para lá ir - disse o Ron com uma pontinha de inveja . - E fizeram muito bem - grunhiu Hagrid . Mrs._Weasley chegou em aquele momento a correr , a mala a balouçar em uma de as mãos e Ginny quase pendurada em a outra . - Oh Harry , oh meu querido , podias ter ido parar a qualquer lugar ... Tentando recuperar o fôlego , tirou de a mala uma grande escova de roupa e começou a retirar a fuligem que Hagrid não conseguira expulsar . Mr._Weasley pegou em os óculos de Harry , deu lhes um toque de varinha e entregou lhe os como novos . - Bem , tenho de m'ir embora - disse Hagrid cuja mão estava a ser esmagada por Mrs._Weasley ( -- Rua * _ Bativolta * ! Se não o tivesses encontrado , Hagrid ! ) . - Vemo nos em Hogwarts . - E afastou se , os ombros e a cabeça acima de a multidão que enchia completamente a rua . - Adivinham quem eu vi em o Borgin and Burkes ? - perguntou Harry_a_Ron e a Hermione enquanto subiam as escadarias de Gringotts . - Malfoy e o pai . - O Lucius_Malfoy comprou alguma coisa ? - perguntou interessado Mr._Weasley que estava atrás de eles . - Não , estava a vender . - Então está preocupado - comentou Mr._Weasley com visível satisfação . - Ah , eu adorava apanhar o Lucius_Malfoy em alguma . . - Tem cuidado , Arthur - interrompeu Mrs._Weasley enquanto o gnomo porteiro lhes dava reverentemente entrada em o banco . - Isso é um problema de família . Não queiras ter mais olhos que barriga . - Queres dizer com isso que achas que eu não chego para o Malfoy ? - perguntou Mr._Weasley , indignado , mas foi rapidamente afastado de aqueles sentimentos a o avistar os pais de Hermione que estavam de pé , nervosamente encostados a o balcão que acompanhava a grande parede de mármore , a a espera que Hermione os apresentasse . - Mas vocês são Muggles ! - disse Mr._Weasley , encantado . - Temos de tomar uma bebida . O que é isso aí ? Ah , estão a trocar dinheiro de Muggle . Molly , olha - apontou cheio de excitação para as notas de dez libras que Mr._Granger tinha em a mão . - Encontramo nos aqui - disse Ron_a_Hermione , enquanto os Weasley e Harry eram conduzidos a os seus cofres em o subterrâneo de Gringotts . Para chegar a os cofres havia que tomar umas carrinhas conduzidas por gnomos que se deslocavam ao_longo_de carris de comboio de pequenas dimensões através de os túneis subterrâneos de o banco . Harry gostou de a viagem acidentada até a o cofre de os Weasley , mas sentiu se bastante mal , pior do_que em a Rua * _ Bativolta * , quando o cobre foi aberto . Havia lá dentro um pequenino monte de Leões de prata e apenas um Galeão de ouro . Mrs._Weasley foi com a mão a a procura em os cantos antes de , com um gesto rápido , varrer tudo para dentro de o saco . Harry sentiu se ainda pior quando chegaram a o seu cofre . Tentou evitar que vissem o conteúdo enquanto empurrava apressadamente mãos cheias de moedas para dentro_de uma sacola de cabedal . Lá fora , em as escadarias de mármore , separaram se . Percy murmurou vagamente que precisava de uma nova pena de escrever . Fred e George tinham avistado um amigo de Hogwarts , Lee_Jordan . Mrs._Weasley e Ginny iam a uma loja de mantos em segunda mão , Mr._Weasley continuava a insistir em levar os Grangers a o Caldeirão_Escoante para lhes pagar uma bebida . - Encontrarmo nos todos em a Flourish and Blotts dentro_de uma hora para comprar os vossos livros de estudo - disse Mrs._Weasley , afastando se com Ginny . - E nem um passo em direcção a a Rua * _ Bativolta * - gritou a os gémeos que estavam de costas . Harry , Ron e Hermione deambularam por a rua empedrada e sinuosa . O ouro , prata e bronze que tilintavam alegremente em o saco que Harry tinha em o bolso pareciam exigir ser gastos , por isso ele comprou três enormes gelados de morango e manteiga de amendoim que eles devoraram felizes enquanto vagueavam sem destino por a rua fora , observando as montras fantásticas de as lojas . Ron olhou longamente para um conjunto completo de mantos de o Chudley_Cannon , em as montras de o « Equipamento_de_Quidditch_de_Qualidade » até Hermione o arrastar de ali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos . Em a « Jogos_de_Feitiçaria_de_Gambol and Japes » encontraram o Fred , o George e o Lee_Jordan que estavam presos em a fabulosa partida debaixo_de chuva e em os fogos-de-artifício de o Dr._Filibuster . E em uma pequenina loja de velharias cheia de varinhas partidas , balanças instáveis de latão e mantos velhos cobertos de nódoas de poções encontraram Percy profundamente concentrado em um pequenino livro , bastante chato , chamado * _ Prefeitos que conquistam o poder * . - * _ Um estudo sobre os prefeitos de Hogwarts e as suas posteriores carreiras * - leu alto o Ron em a contracapa . - Deve ser fascinante ... - Desaparece - gritou Percy . - Claro , ele é muito ambicioso , já tem tudo planeado . Quer ser ministro de a magia - disse o Ron baixinho a o Harry e a a Hermione , enquanto deixavam Percy entregue a o livro . Uma hora mais tarde dirigiram se a a Flourish and Blotts . Não eram de modo algum os únicos a encaminhar se para a livraria . À_medida_que se aproximavam viram com grande surpresa uma grande multidão a a porta , tentando entrar em a loja . O motivo de tal confusão estava anunciado em um cartaz que se estendia a o longo de a montra superior . GILDEROY_LOCKHART_Assinará exemplares de a sua autobiografia " eu , o mágico " Hoje 12.30 - 16.30 - Vamos poder conhecê o ! - gritou Hermione . - Quero dizer , ele escreveu quase todos os livros de a nossa lista ! A multidão parecia ser maioritariamente composta por bruxas de a idade de Mrs._Weasley . Um feiticeiro bem-parecido estava de pé junto de a porta , dizendo : - Calma , minhas senhoras , não empurrem , cuidado com os livros . Harry , Ron e Hermione conseguiram furar e entrar . Uma longa fila serpenteava para as traseiras de a loja onde Gilderoy_Lockhart estava a assinar os seus livros . Cada_um de eles pegou em um exemplar de * _ ensinamentos de Uma Fada_Carpideira * e escaparam se de a fila indo ter a o lugar onde se encontravam os outros com Mr. e Mrs._Granger . - Ah , aí estão vocês . _ óptimo - disse Mrs._Weasley que parecia estar com falta de ar e não parava de mexer em o cabelo . - Vamos poder vês o dentro_de um minuto . Gilderoy_Lockhart veio lentamente até um lugar onde era visível para todos , sentou se a uma mesa , rodeado de grandes fotografias de o próprio rosto , todo ele sorrisos , mostrando a a multidão o brilho cintilante de os seus dentes . Lockhart usava uma túnica azul-noite que condizia a as mil maravilhas com a cor de os olhos , o chapéu pontiagudo de feiticeiro colocado lateralmente sobre o cabelo ondulado . Um homenzinho pequenino e irritante andava a dançar de um lado para o outro , tirando fotografias com uma grande máquina preta que lançava baforadas de fumo arroxeado em cada * flash * . - Sai de o caminho , tu aí - disse rispidamente a o Ron , mudando de lugar para ter um angulo melhor . - Este é para o * _ Profeta_Diário * . - Grande coisa ! - exclamou o Ron , esfregando os pés em o lugar que o fotógrafo pisara . Gilderoy_Lockhart ouviu o . Olhou , viu o Ron e em seguida Harry . Voltou a olhar , desta_vez com mais atenção . Em seguida , pôs se de pé e gritou : - Não pode ser , o Harry_Potter ? A multidão dividiu se entre murmúrios de excitação . Lockhart aproximou se , agarrou Harry por um braço e levou o para a frente . A multidão rebentou em aplausos . A cara de Harry ardia quando Lockhart lhe apertou a mão para o fotógrafo que disparava como um louco , lançando fumo espesso para_cima de os Weasley . - Belo sorriso , Harry - disse Lockhart através de os seus dentes brilhantes . - Tu e eu juntos merecemos a primeira página . Quando por fim lhe largou a mão , Harry quase não sentia os dedos . Tentou recuar para junto de os Weasley , mas Lockhart lançou lhe um braço por os ombros e prendeu o a o seu lado . - Minhas senhoras e meus senhores - disse bem alto , fazendo sinal para que se acalmassem . - Que momento extraordinário este ! O momento perfeito para eu anunciar algo que tenho vindo a guardar comigo desde_há algum tempo . - Quando o jovem Harry entrou em a Flourish and Blotts hoje , ele queria apenas comprar a minha autobiografia , que tenho agora o maior prazer em oferecer lhe - a multidão aplaudiu de_novo . - Ele não tinha ideia - continuou Lockhart , dando a o Harry um pequeno encontrão que fez com que os óculos lhe escorregassem para a ponta de o nariz - de que ia conseguir em_breve muito mais do_que o meu livro Eu , o mágico . Ele e os seus colegas de a escola vão receber , de facto , o verdadeiro * _ Eu , o mágico * . Sim , minhas senhoras e meus senhores , tenho o maior prazer em anunciar que em o mês_de_Setembro assumirei o lugar de professor de Defesa contra as artes negras em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts ! A multidão aplaudiu e bateu palmas e Harry deu consigo a ser presenteado com a obra completa de Gilderoy_Lockhart . Cambaleando ligeiramente sob o peso de os livros conseguiu abrir caminho para longe de os projectores até a a porta de a sala onde estava Ginny com o seu novo caldeirão . - Podes ficar com estes - murmurou Harry , enfiando os livros em o caldeirão . - Eu vou comprar os meus . - Aposto que adoraste aquilo , não adoraste , Potter ? - disse uma voz que Harry não teve qualquer dificuldade em reconhecer . Endireitou se e deu consigo frente_a_frente com Draco_Malfoy que exibia o seu habitual sorriso escarninho . - O famoso Harry_Potter - disse Malfoy . - Nem_sequer pode entrar em uma livraria sem se tornar primeira página . - Deixa o em paz , ele não queria nada de isso - defendeu a Ginny . Era a primeira vez que falava em frente de Harry . Olhava para Malfoy com um ar feroz . - Potter , arranjaste uma namorada ! - disse arrastadamente Malfoy . Ginny ficou vermelha como um pimentão enquanto Ron e Hermione tentavam abrir caminho , ambos carregando montes de livros de Lockhart . -- Ah és tu ? - disse Ron , olhando para Malfoy como_se ele fosse algo desagradável colado a a sola de o sapato . - Aposto que te surpreendeu ver o Harry aqui ? - Não tanto como a ti em uma loja , Weasley - retorquiu Malfoy . - Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo . Ron ficou tão vermelho quanto Ginny . Deixou também cair os livros em o caldeirão e avançou para Malfoy , mas Harry e Hermione agarraram o por as costas de o casaco . - Ron - disse Mrs._Weasley , aproximando se com Fred e George . - O que estás a fazer ? Isto está uma loucura aqui dentro , vamos lá para fora . - Olha quem ele é , Arthur_Weasley . - Era_Mr._Malfoy . Estava de pé com a mão sobre o ombro de Draco , com o mesmo sorriso escarninho . -- Lucius - disse Mr._Weasley , acenando friamente . -- Muito trabalho em o ministério , segundo me consta - disse Mr._Malfoy . - Todas essas buscas ... espero que te estejam a pagar horas extraordinárias . Meteu a mão em o caldeirão de a Ginny e tirou de o meio de os livros de Lockhart um exemplar muito velho e muito gasto de o * _ Guia_de_Transfiguração_para_Principiantes * . - Parece que não - disse . - Que diabo , qual a vantagem de ser uma nódoa entre os feiticeiros se nem_sequer te pagam bem por isso ? Mr._Weasley corou mais ainda do_que Ron ou Ginny . - Nós temos uma opinião diferente sobre quem são as nódoas entre os feiticeiros - disse . - É claro que ... - disse Mr._Malfoy , os olhos mortiços passando para Mr. e Mrs._Granger apreensivamente . - As companhias com quem tu andas ... e eu que pensava que já não conseguias descer mais baixo ... Ouviu se um tilintar de metal quando o caldeirão de a Ginny foi por os ares . Mr._Weasley lançara se sobre Mr._Malfoy atirando o para dentro_de uma estante . Dezenas_de livros de feitiços saltaram lá de cima , caindo lhes sobre as cabeças . Houve um grito de - Chega lhe , pai ! - de o Fred e de o George . Mrs._Weasley soltava gritos agudos : - Não_Arthur , não . A multidão recuava deitando mais prateleiras a o chão . - Meus senhores , por favor - gritava o encarregado , e então , mais alto do_que todos : - Parem com isso , gente , parem com isso . Hagrid aproximava se através_de um mar de livros . Em um segundo afastou Mr._Weasley e Mr._Malfoy . Mr._Weasley tinha um lábio cortado e Mr._Malfoy fora agredido em um olho por uma * _ Enciclopédia_de_Cogumelos_Venenosos * . Tinha ainda em a mão o livro velho de a Ginny sobre transfiguração . Atirou lhe o , com os olhos a brilhar de malvadez . - Toma o teu livro , garota . É o melhor que o teu pai pode oferecer te . Libertando se de Hagrid , conduziu Draco para fora e abandonaram a livraria . - Devias tê o ignorado , Arthur - disse Hagrid quase a pegar em Mr._Weasley a o colo enquanto lhe endireitava o manto . - São podres até a a raiz , todos eles . Tod'à gente sabe . Nenhum Malfoy vale a pena ser ouvido . Não prestam , ' tá-lhes em o sangue . Vá lá , vamos sair de aqui . O encarregado parecia querer impedis os , mas , olhando bem para Hagrid , pensou melhor . Subiram a rua , os Grangers a tremer de medo e Mrs._Weasley fora de si . - Um belo exemplo para as crianças ... andar a a pancada em público . O que terá pensado Gilderoy_Lockhart ? - Ele gostou - disse o Fred . - Não o ouviram quando ia a sair ? Estava a perguntar a aquele tipo de o Profeta_Diário se conseguia incluir a briga em a reportagem , disse que era boa publicidade . Mas foi um grupo deprimido que regressou a a lareira de o Caldeirão_Escoante onde Harry , os Weasley e todas_as suas compras iriam viajar de volta até a a Toca , usando o pó de Floo . Despediram se de os Grangers que iam sair de o * pub * por a rua de os Muggles , de o outro lado . Mr._Weasley começou a perguntar lhes como funcionavam as paragens de autocarros , mas calou se rapidamente a o ver a expressão de Mrs._Weasley . Harry tirou os óculos e guardou os cautelosamente em o bolso antes de utilizar o pó de Floo . Definitivamente não era a sua forma ideal de viajar . V_O salgueiro zurzidor O fim de as férias de Verão chegou demasiado depressa para o gosto de Harry . Ele desejara muito regressar a Hogwarts , mas aquele mês em a Toca tinha sido o mais feliz de toda_a sua vida . Era difícil não invejar o Ron quando pensava em os Dursleys e em as boas-vindas que ia receber de a próxima vez que pusesse os pés em Privet_Drive . Em a última noite , Mrs._Weasley preparou um jantar magnífico , que incluía os pratos favoritos de Harry e terminava com um pudim de melaço de fazer crescer água em a boca . Fred e George alegraram a noite com uma exibição de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que saltaram de o tecto para as paredes , durante pelo_menos meia_hora . Depois , foi a altura de tomarem uma caneca de chocolate quente e irem para a cama . Em a manhã seguinte , demoraram muito_tempo a preparar se . Levantaram se com o cantar de o galo , mas parecia lhes que ainda tinham muito para fazer . Mrs._Weasley andava de um lado para o outro , mal-humorada , a a procura de meias e penas , chocavam uns com os outros em as escadas , meio vestidos , meio despidos , com pedaços de torrada em as mãos e Mr._Weasley quase partiu o nariz quando tropeçou em uma galinha a o atravessar o pátio , para meter em o carro a mala de Ginny . Harry não percebia lá muito bem_como é_que oito pessoas , seis grandes malas , duas corujas e um rato , iam caber em um pequeno * _ Ford_Anglia * , isso , claro , antes de as artes mágicas que Mr._Weasley acrescentara . - Nem uma palavra a a Molly - murmurou ele a o Harry , enquanto abria a bagageira e lhe mostrava como ela se expandira para que as malas coubessem facilmente . Quando , por fim , se acomodaram todos em o carro , Mrs._Weasley olhou para o banco de trás , onde Harry , Ron , Fred , George e Percy estavam confortavelmente sentados uns a o lado de os outros e disse : - Os Muggles têm mais conhecimentos do_que aqueles que nós lhes atribuímos , não achas ? - Ela e a Ginny entraram para o lugar de a frente , que fora esticado e parecia um banco de jardim . - Quer_dizer , de_fora ninguém diria que este carro era espaçoso , não acham ? Mr._Weasley pôs o motor a funcionar e saíram de o pátio , Harry voltando se para trás para ver por a última vez a casa . Mal teve tempo de se questionar se iria voltar alguma vez e já estavam de volta : George esquecera se de a caixa de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Cinco minutos mais tarde tiveram de interromper de_novo a viagem e voltar a o pátio para o Fred ir a correr buscar a vassoura . Estavam quase a chegar a a auto-estrada , quando Ginny guinchou que se esquecera de o diário . Mas estava a fazer se muito tarde e os ânimos começavam a exaltar se . Mr._Weasley olhou para o relógio e , em seguida , para a mulher . - Molly , querida ... - Não , Arthur . - Ninguém ia ver . Este botãozinho é um transformador de invisibilidade que eu instalei , levava nos por o ar , subíamos acima de as nuvens . Estaríamos lá em dez minutos e ninguém daria por nada ... - Eu disse que não , Arthur . Durante o dia , não . Chegaram a King's_Cross , faltava um quarto para as onze . Mr._Weasley precipitou se em busca de um carrinho de transporte para as malas e correram todos para a estação . Harry apanhara o Expresso_de_Hogwarts em o ano anterior . A parte mais difícil era entrar em a plataforma nove_e_três quartos , que não era visível a os olhos de os Muggles . Era preciso avançar para a barreira sólida que dividia as plataformas nove e dez . Não doía nada , mas tinha de ser feito com cuidado para que nenhum de os Muggles de esse , por o desaparecimento . - O Percy em primeiro lugar - declarou Mrs._Weasley , olhando nervosamente para o relógio lá em cima , que mostrava que tinham apenas cinco minutos para desaparecer através de a barreira . Percy avançou a passos largos e desapareceu . Mr._Weasley foi a seguir e depois de ele Fred e George . - Eu levo a Ginny e vocês vêm atrás_de nós - disse Mrs._Weasley a o Harry e a o Ron , agarrando Ginny pela mão e seguindo em frente . Em um abrir e fechar de olhos , tinham passado . - Vamos passar juntos , só temos um minuto - disse Ron a o Harry . Harry assegurou se de que a gaiola de a Hedwig estava bem fixa em cima de a sua mala e empurrou o carrinho de encontro a a barreira . Estava perfeitamente confiante , aquilo era muito mais fácil do_que usar o pó de Floo . Puseram os dois as mãos em o puxador de os carrinhos e avançaram direitos a a barreira , ganhando velocidade . A um metro e pouco , começaram a correr e ... CRASH . Os dois carros bateram em a barreira e foram impelidos para trás . A mala de o Ron caiu com um enorme estrépito . Harry desequilibrou se e a gaiola de a Hedwig foi parar a o chão brilhante , enquanto ela rolava guinchando , indignada . As pessoas em volta olhavam fixamente e um guarda que estava ali perto gritou : - Que diabo pensam vocês que estão a fazer ? - Perdemos o controlo de o carro de transporte - respondeu o Harry , respirando com dificuldade , agarrando se a as costelas , enquanto se punha de pé . Ron correu a agarrar a Hedwig , que estava a fazer uma cena tal , que já se ouviam murmúrios em a multidão sobre a crueldade para com os animais . - Porque é_que não conseguimos passar ? - perguntou Harry a o Ron em um sussurro . - Não sei . Ron olhou descontroladamente em volta . Uma_dúzia de curiosos estavam ainda a observá os . - Vamos perder o comboio - murmurou o Ron . - Não compreendo porque motivo a cancela se fechou . Harry olhou para o relógio gigantesco com um sentimento de náusea em a boca de o estômago . Dez segundos , nove segundos ... Dirigiu o carrinho de transporte para a frente com toda_a força . O metal manteve se sólido . Três segundos ... dois segundos ... um segundo ... - Partiu - afirmou o Ron , que parecia estonteado . - O comboio foi se embora . E se a mãe e o pai não conseguem voltar para aqui ? Tens algum dinheiro de Muggle ? Harry deu uma gargalhada . - Os Dursleys não me dão um tostão há mais de seis anos ! Ron encostou o ouvido a a barreira . - Não se ouve nada - disse , bastante tenso . - O que vamos nós fazer ? Não sei quanto tempo o pai e a mãe vão demorar . Olharam em volta . As pessoas ainda estavam a observá os , principalmente devido a os contínuos guinchos de a Hedwig . - Acho que o melhor é sairmos de aqui e esperamos por eles junto de o carro - disse Harry . - Aqui estamos a atrair demasiado as aten ... - Harry - disse o Ron , com os olhos a brilhar . - É isso , o carro . - O que é_que tem ? - Podemos voar nele até Hogwarts ! - Mas eu pensei ... - Estamos em apuros , certo ? E temos de chegar a a escola , ou não ? E mesmo os feiticeiros menores de idade estão autorizados a usar a magia em uma emergência real , parágrafo dezanove , ou não sei quê , de a Restrição de ... O sentimento de pânico de Harry transformou se em entusiasmo . - E tu sabes voar nele ? - Não há problema - disse o Ron , andando com o carrinho a a volta e dirigindo se para a saída . - Anda de aí . Se em os apressarmos , conseguiremos sair atrás de o Expresso_de_Hogwarts . E afastaram se de o grupo de Muggles curiosos , abandonando a estação e voltando a a rua , onde o velho * _ Ford_Anglia * se encontrava estacionado . Ron abriu a bagageira com uma série de toques de varinha . Meteram lá dentro as malas , puseram a Hedwig em o assento de trás e entraram para a frente . - Verifica se ninguém está a ver - disse o Ron , ligando a ignição com outro toque de varinha . Harry pôs a cabeça fora de a janela : o trânsito enchia a avenida principal , mas a rua de eles estava vazia . - O. _ K. - disse . Ron carregou em um pequeno botão de o painel . Os carros em volta desapareceram assim_como eles . Harry sentia o assento a vibrar debaixo_de si , ouvia o motor , sentia as mãos sobre os joelhos e os óculos em o nariz , mas , tanto quanto conseguia ver , tornara se um par de olhos redondos flutuando um metro e pouco acima de o chão em uma rua suja , cheia de carros estacionados . - Vamos - disse a voz de o Ron , vinda de o seu lado direito . O chão e os prédios escuros de ambos os lados desapareceram de o seu ângulo de visão , mal o carro se elevou . Em poucos segundos toda_a cidade de Londres , enevoada e resplandecente , estava por baixo de eles . Em seguida , ouviu se um ruído que parecia o saltar de uma rolha e o carro , Harry e Ron , reapareceram . - Oh , oh - disse Ron , batendo em o intensificador de invisibilidade . - Está avariado ... Começaram os dois a bater em o botão . O carro desapareceu . Depois surgiu de forma intermitente . - Aguenta aí - gritou o Ron e carregou com o pé em o acelerador . Saltaram direitinhos para o meio de as nuvens mais baixas e tudo ficou sujo e enevoado . - E agora ? - exclamou Harry , piscando os olhos a a sólida massa de nuvens que os comprimia de todos os lados . - Precisamos de avistar o comboio para sabermos qual a direcção a tomar - explicou o Ron . - Desce rapidamente ... Desceram por o meio de as nuvens e voltaram se em os lugares , espreitando . - Estou a vê o - gritou Harry . - Mesmo em frente , ali . O Expresso_de_Hogwarts deslocava se a grande velocidade lá em baixo , como uma serpente vermelha . - Para Norte - disse o Ron , verificando a bússola de o painel . - O. _ k . , basta que verifiquemos de meia em meia_hora . Aguenta aí ... - e arrancaram por o meio de as nuvens . Em o minuto seguinte , tinham chegado a a luz brilhante de o Sol . Era um mundo diferente . Os pneus de o carro deslizavam sobre o mar de nuvens macias , o céu era de um azul infinito sob a luz , capaz de cegar , que irradiava de o Sol . - Agora só temos de nos preocupar com os aviões - disse o Ron . Olharam um para o outro e desataram a rir . Durante muito_tempo não conseguiram parar . Era como_se tivessem mergulhado em um sonho fabuloso . Aquela , pensou Harry , era certamente a única maneira de viajar : passando por turbilhões e torres de nuvens cor de neve , em um carro cheio de calor , o sol radioso , com um grande pacote de rebuçados em o porta-luvas e antegozando o ar de inveja de o Fred e de o George quando aterrassem suavemente e de forma espectacular em o relvado macio em frente de o castelo de Hogwarts . Espreitaram várias vezes o comboio enquanto voavam cada_vez_mais para norte . Cada descida entre as nuvens dava lhes uma perspectiva diferente . Londres depressa ficou para trás , substituída por campos verdejantes que , por sua vez , deram lugar a grandes pântanos arroxeados , aldeias com pequenas igrejas de brinquedo e uma grande cidade , cheia de vida , com carros que pareciam formigas multicores . Várias horas mais tarde sem acontecer nada de_novo , Harry teve de admitir que uma parte de o entusiasmo se esgotara . Os rebuçados tinham nos deixado cheios de sede e não havia nada para beber . Ele e o Ron tinham tirado as camisolas , mas a * _ T-shirt * de o Harry estava colada a as costas de o assento e os óculos não paravam de lhe escorregar para a ponta de o nariz . Deixara de reparar em as fabulosas formas de as nuvens e pensava com saudade em o comboio , milhas abaixo de eles , onde se podia comprar sumo fresquinho de abóboras em um carro empurrado por uma bruxa gordinha . Porque não teriam conseguido entrar em a plataforma nove_e_três quartos ? - Não pode ser muito mais longe , pois não ? - resmungou o Ron , horas mais tarde quando o Sol começava a enfiar se em o seu chão de nuvens , pintando as de um rosa profundo . - Estás pronto para outra espreitadela a o comboio ? Ainda ia mesmo por baixo de eles , abrindo caminho por_entre uma montanha com o topo coberto de neve . Estava muito mais escuro entre o dossel de nuvens . Ron pôs o pé em o acelerador e levou os de_novo para_cima , mas em esse momento o motor começou a chiar . Harry e Ron trocaram entre si olhares nervosos . - Deve estar só cansado - disse o Ron . - Nunca tinha vindo tão longe ... - E fingiram ambos que não davam por o gemido que se ia tornando maior à_medida_que o céu serenamente escurecia . As estrelas desabrochavam em a escuridão , Harry voltou a enfiar a camisola de lã , tentando ignorar os limpa pára-brisas que acenavam debilmente como_que a protestar . - Não devemos estar longe - disse Ron , dirigindo se mais a o carro do_que a o amigo . - Já não devemos estar longe - deu umas palmadinhas nervosas em o * tablier * . Pouco depois , quando voltaram a voar em o meio de as nuvens , tiveram de olhar de lado em a escuridão , em busca de um ponto de referência que conhecessem . - Ali - gritou Harry , fazendo o Ron e a Hedwig darem um salto . - Mesmo em frente . Recortados em o horizonte negro , sobre o rochedo de o outro lado de o lago , erguiam se as torres e torreões de o castelo de Hogwarts . Mas o carro tinha começado a estremecer e perdia a os poucos velocidade . - Vá lá - disse o Ron , dando a o volante um pequeno abanão bajulador . - Estamos quase a chegar , vá lá ... O motor gemeu . Pequenos jactos de vapor de água brotaram de o capo . Harry deu consigo agarrado com toda_a força a os bordos de o assento enquanto voavam direitos a o lago . O carro deu um solavanco feio . Espreitando por a janela , Harry viu a superfície negra , macia e espelhada de a água cerca de uma milha abaixo de eles . Os dedos de o Ron agarrados a o volante tinham as articulações brancas . O carro deu um novo esticão . - Vá lá - murmurou o Ron . Estavam sobre o lago ... o castelo ficava mesmo em frente . Ron fez força com o pé . Houve um ruído surdo , uma crepitação e o motor morreu por completo . - Oh ! oh ! - gemeu Ron em o silêncio . O nariz de o carro voltou se para baixo . Estavam a cair , ganhando velocidade em direcção a os muros sólidos de o castelo . - Naaaaão ! - gritou o Ron , girando o volante . Escaparam a a muralha de pedra negra por centímetros , quando o carro fez um grande arco , planando primeiro sobre as estufas , depois sobre o rectângulo plantado com vegetais e , por fim , sobre os relvados , perdendo sempre velocidade . Ron largou o volante por completo e tirou a varinha de o bolso de trás . - __ pára ! __ pára ! - gritou , batendo em o * tablier * e em o pára-brisas , mas eles continuavam a mergulhar , o chão a voar em direcção a eles . - : __ cuidado com essa __ árvore ! ! ! - bramiu Harry , deitando a mão a o volante , mas ... tarde de mais ... CRUNCH . Com um ruído ensurdecedor de metal e madeira , bateram em o tronco espesso de a árvore e caíram em o chão com um forte solavanco . O vapor era um mar debaixo de o capo amachucado . A Hedwig tremia apavorada . Em a cabeça de Harry surgira um alto de o tamanho de uma bola de golfe , quando ele batera em o pára-brisas , tombando em seguida para a direita . Ron soltou um gemido longo e desesperado . - Estás O. _ K ? - perguntou Harry , aflito . - A minha varinha - disse o Ron em uma voz trémula . - Olha para a minha varinha . Tinha se partido praticamente em duas , a ponta balouçava mole , presa por meia_dúzia de esquírolas . Harry abriu a boca para dizer que em a escola com certeza conseguiriam consertá a , mas nem chegou a começar a frase . Em esse preciso momento , algo bateu em o seu lado de o carro , com a força de um touro , projectando o para_cima de o Ron , ao_mesmo_tempo que um golpe igualmente forte se sentiu em o capô . - O que está a acontec ... Ron arfou , olhando fixamente por o pára-brisas e Harry olhou em volta , mesmo a_tempo_de ver uma ramada espessa como uma píton vir contra o vidro . A árvore em que tinham batido estava a atacá os . O tronco dobrara se quase a meio e os seus galhos rugosos davam uma tareia a cada centímetro de o carro que conseguiam atingir . - Ah ! - praguejou o Ron , quando outra pernada retorcida esmurrou a sua porta , amolgando a . O pára-brisas tremia agora sob uma saraivada de golpes vindos de galhos que pareciam patas de animais e uma ramada espessa como um aríete esmagava furiosamente o capo , que parecia estar a ceder ... - Corre ! - gritou o Ron , lançando o seu peso contra a porta , mas , em o momento seguinte , tinha sido atirado para trás , para o colo de Harry por um soco maldoso , dado de baixo para_cima , por outro ramo . - Estamos feitos ! - resmungou , enquanto o tecto descaía . Mas , de repente , o chão de o carro estava a vibrar , o motor pegara . - Marcha atrás - gritou o Harry e o carro deu um salto para trás . A árvore tentava ainda agredis os , ouviam as raízes chiar , enquanto quase se partiam esticando se para os alcançar . - Escapámos por_pouco ! - exclamou o Ron . - Muito bem , carro . Mas o carro tinha atingido o limite de as suas forças . Com dois estalidos , as portas abriram se e Harry sentiu o seu assento inclinar se para o lado . Quando deu por si , estava estatelado em o chão húmido . Ruídos surdos avisaram o de que o carro estava a ejectar as malas de a bagageira . A gaiola de a Hedwig voou por os ares e abriu se . Ela saiu a voar com um pio furioso e dirigiu se a o castelo , sem sequer olhar para trás . Em seguida , o carro , amolgado , arranhado e a fumegar , arrancou em o escuro , com os faróis traseiros ardendo de fúria . - Volta aqui ! - gritou o Ron , brandindo a varinha partida . - O meu pai mata me . Mas o carro desapareceu a perder de vista , com um último estoiro de o tubo de escape . - Já viste bem o nosso azar ! ? - exclamou o Ron em o meio de a sua infelicidade , baixando se para apanhar o rato Scabbers . - De todas_as árvores em que podíamos ter batido , tínhamos de ir dar a uma que bate também . Olhou por cima de o ombro para a velha árvore que ainda agitava os ramos ameaçadoramente . - Vamos - disse Harry , fatigado . - É melhor irmos andando para a escola ... Não foi , de modo algum , a chegada triunfal que tinham imaginado . Constrangidos , cheios de frio e magoados , pegaram em as malas e começaram a arrastá as por o relvado acima , em direcção a as grandes portadas de carvalho . - Acho que o banquete já começou - disse o Ron , largando a mala em os degraus de a entrada e atravessando devagarinho para espreitar por uma janela iluminada . - Harry , anda ver , é a distribuição . Harry apressou se e os dois , ele e o Ron , espreitaram para o Salão_Nobre . Um número infindável de velas pairava em o ar , sobre quatro mesas enormes cheias de gente , fazendo brilhar os pratos dourados e as taças . Em cima , o tecto encantado que espelhava o céu lá de_fora , brilhava cheio de estrelas . Por_entre a floresta de chapéus pretos pontiagudos de Hogwarts , Harry viu uma longa fila de alunos de o primeiro ano com olhares assustados que enchia o vestíbulo . Ginny estava entre eles , facilmente reconhecível devido a o seu chamativo cabelo Weasley . Enquanto isso , a professora Mc_Gonagall , uma bruxa de óculos com cabelo castanho apanhado em um carrapito , colocava o famoso chapéu seleccionador em um banco que se encontrava em frente de os novos alunos . Todos os anos , aquele velho chapéu , remendado , puído e cheio de pó , seleccionava alunos para as quatro equipas de Hogwarts ( Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin ) . Harry lembrava se bem de o ter colocado em a cabeça , precisamente um ano antes , e ter esperado petrificado por a sua decisão , enquanto ele lhe murmurava a o ouvido . Durante alguns horríveis segundos receara que o chapéu o mandasse para os Slytherin , a equipa que produzia maior número de feiticeiros e feiticeiras de magia negra , mas acabara por ficar em os Gryffindor , juntamente com Ron e Hermione e o resto de os Weasley . Em o último período , Harry e Ron tinham ajudado os Gryffindor a vencer o campeonato de a equipa , batendo os Slytherin pela_primeira_vez em sete anos . Um rapazito baixinho com cabelo de rato acabava de ser chamado para pôr o chapéu em a cabeça . Os olhos de Harry saltavam de ele para o lugar onde o professor Dumbledore , o director , estava sentado , observando a selecção de a mesa de os professores , com a sua longa barba cor de prata e óculos de meia-lua que brilhavam a a luz de as velas . Alguns lugares a a frente , Harry viu Gilderoy_Lockhart com um manto verde-azulado . E lá bem a o fundo estava Hagrid , enorme e cabeludo , bebendo satisfeito de a sua taça . - Espera aí - murmurou a o Ron . - Há um lugar vazio em a mesa de os professores . Onde estará o Snape ? Severus_Snape era o professor de quem Harry menos gostava . Harry era também o seu aluno menos querido . Cruel , sarcástico e detestado por todos com excepção de os alunos de a sua própria equipa ( Slytherin ) , Snape tinha a seu cargo a cadeira de Poções . - Talvez esteja doente - sugeriu Ron , cheio de esperança . - Talvez se tenha ido embora - lembrou Harry . - Por não lhe terem dado outra_vez a Defesa contra as artes negras . - Ou talvez tenha sido corrido - propôs Ron com entusiasmo . - Afinal , toda_a_gente o detesta ... - Ou talvez - disse uma voz gelada atrás de eles - esteja a a espera que vocês lhe expliquem por_que motivo não vieram em o comboio de a escola . Harry deu uma volta . Em a sua frente , com o manto negro a ondular em uma brisa fria , estava Severus_Snape . O professor era um homem magro , de pele descorada , nariz adunco e um cabelo preto oleoso que lhe caía sobre os ombros . E em aquele momento sorria de um modo tal que Harry sentiu que tanto ele como Ron estavam em sérios apuros . - Sigam me - disse Snape . Sem ousarem sequer olhar um para o outro , Harry e Ron seguiram Snape por as escadas até a o amplo * hall * de entrada que estava iluminado por as chamas de os archotes . De o salão nobre vinha um cheirinho delicioso a comida , mas Snape levou os para longe de a luz e de o calor , em direcção a uma escada estreita de pedra que conduzia a os calabouços . - Entrem - ordenou , abrindo uma porta a meio de o corredor e apontando . Entraram a tremer em o escritório de Snape . As paredes sombrias estavam cobertas de prateleiras cheias de jarros de vidro grosso onde flutuavam as coisas mais diversas e repugnantes , cujo nome Harry não queria de momento conhecer . A lareira estava escura e vazia . Snape fechou a porta e voltou se de frente para eles . - Com que então - disse com falsa suavidade - o comboio não serve para o famoso Harry_Potter e o seu fiel companheiro Weasley . Queriam chegar em grande estilo , não era rapazes ? - Não senhor , foi a barreira em King's_Cross , ela ... - Silêncio - disse Snape friamente . -- _ o que fizeram a o carro ? Ron engoliu em seco . Aquela não era a primeira vez que Snape dava a Harry a impressão de ser capaz de ler pensamentos . Mas , pouco depois , compreendeu tudo quando Snape desenrolou o exemplar de o Profeta_Vespertino . - Vocês foram vistos - afirmou , mostrando lhes o cabeçalho : : __ ford anglia voador confunde __ muggles . Começou a ler alto a notícia . - Dois Muggles em Londres convenceram se de que tinham visto um carro velho a voar sobre a torre de os correios ... a a tardinha em Norfolk , Mrs._Hetty_Bayliss , enquanto pendurava a roupa ... Mr._Angus_Fleet_de_Peebles informou a polícia ... seis ou sete Muggles a o todo . Julgo que o teu pai trabalha em o departamento de mau uso dado a os objectos de os Muggles ? - disse olhando para Ron e sorrindo de uma forma ainda mais sarcástica . - Que peninha , o próprio filho ... Harry sentiu se como_se tivesse levado um soco em o estômago de uma de as maiores pernadas de a árvore louca . E se alguém descobrisse que Mr._Weasley tinha enfeitiçado o carro ? Ele ainda nem tinha pensado em isso . - Reparei durante a minha volta por o jardim que foi feito um estrago considerável em um salgueiro zurzidor extremamente valioso - continuou Snape . - Essa árvore fez nos pior a nós do_que nós ... - deixou escapar Ron . - Silêncio - interrompeu Snape , de_novo . - Infelizmente vocês não fazem parte de a minha equipa e a decisão de vos expulsar não está em as minhas mãos . Vou , por isso , buscar as pessoas que possuem essa feliz possibilidade . Esperem aqui . Harry e Ron olharam , pálidos , um para o outro . Harry perdera a fome . Sentia se agora extremamente agoniado . Tentava não olhar para uma coisa viscosa , suspensa em um líquido verde que estava em uma prateleira por detrás de a secretária de Snape . Se ele fora buscar a professora Mc_Gonagall , chefe de a equipa de os Gryffindor , não estavam muito melhor . Ela era mais justa do_que Snape , mas extremamente severa . Dez minutos mais tarde , Snape voltou e era , de facto , a professora Mc_Gonagall quem o acompanhava . Harry vira a professora Mc_Gonagall zangada , mas , ou se tinha esquecido de como a boca de ela ficava fina , ou nunca a vira tão zangada como em aquele dia . Levantou a varinha em o momento em que entrou . Harry e Ron estremeceram , mas ela limitou se a apontá a para a lareira onde as chamas se elevaram subitamente . - Sentem se - ordenou , e os dois recuaram para as cadeiras junto de o lume . - Expliquem se - disse com os óculos a brilhar de uma forma ameaçadora . Ron enveredou por a história começando por a barreira de a estação que se recusara a deixá os passar . - Por isso não tínhamos escolha , professora , não podíamos chegar a o comboio . - Porque não nos mandaram uma carta por a coruja ? Julgo que tens uma coruja ? - disse friamente a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a Harry . Harry olhou para ela sem saber o que dizer . - Parece me - continuou ela - que seria a coisa mais adequada . - Eu ... não pensei ... - Isso - disse a professora Mc_Gonagall - é bastante óbvio . Ouviu se bater a a porta de o escritório e Snape , que parecia agora mais feliz do_que nunca , foi abrir . Era o director , o professor Dumbledore . Harry ficou totalmente paralisado . Dumbledore tinha uma expressão grave . Olhou para eles de cima de o seu nariz adunco e Harry desejou estar ainda com Ron a levar uma sova de o salgueiro zurzidor . Fez se um longo silêncio . Em seguida , Dumbledore disse lhes : - Por favor , expliquem porque fizeram isto . Teria sido melhor se gritasse . Harry detestou sentir a decepção em a sua voz . Inexplicavelmente era incapaz de olhar Dumbledore em os olhos e falou em direcção a os seus joelhos . Disse lhe tudo excepto que o carro enfeitiçado pertencia a Mr._Weasley , dando a ideia de que ele e o Ron o tinham encontrado estacionado fora de a estação . Sabia que Dumbledore ia ver para_além de isso , mas o director não fez perguntas sobre o carro . Quando Harry terminou continuou a olhar para ele através de os seus óculos . - Nós vamos buscar as nossas coisas - disse Ron em um tom de voz sem esperança . - Que disparate é esse ? - rosnou a professora Mc_Gonagall . -- Então , vão expulsar nos , não vão ? - disse o Ron . Harry olhou rapidamente para Dumbledore . - Ainda não , Mr._Weasley - afirmou Dumbledore . - Mas vou assinalar a gravidade do_que vocês fizeram . Hoje a a noite escreverei a as vossas famílias . Estão também prevenidos que se voltarem a fazer uma coisa como esta não terei outro remédio senão expulsar vos . A expressão de Snape era como_se o Natal tivesse sido cancelado . Pigarreou e disse : - Professor_Dumbledore , estes rapazes infringiram o decreto para a restrição de a feitiçaria de os menores , causaram estragos consideráveis a uma árvore antiga e valiosa ... sem dúvida , actos de esta natureza ... - Cabe a a professora Mc_Gonagall decidir sobre os castigos de os rapazes , Severus - afirmou Dumbledore com toda_a calma . - Pertencem a a equipa de ela e são , portanto , de a sua responsabilidade . - Voltou se para a professora Mc_Gonagall . - Tenho de regressar a o banquete , Minerva , devo dar algumas informações . Venha Severus , há uma tarte de leite e ovos com um aspecto delicioso que quero mostrar lhe . Snape lançou um olhar de puro veneno a o Harry e a o Ron enquanto permitia que o afastassem de o seu escritório , deixando os a sós com a professora Mc_Gonagall que ainda os olhava como uma águia em fúria . - É melhor ires até a a ala hospitalar , Weasley , estás a sangrar . - Não é nada - disse Ron , limpando o corte com a manga para que ela o visse . - Professora , eu gostava de ver a minha irmã ser seleccionada . - A cerimónia de a selecção terminou - disse a professora Mc_Gonagall . - A tua irmã está também em os Gryffindor . - _ óptimo - exclamou Ron . - E por falar em os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall de forma cortante , mas Harry interrompeu a : - Professora , quando tirámos o carro , o ano escolar ainda não tinha começado , por isso os Gryffindor não deveriam perder pontos , pois não ? - terminou olhando a ansiosamente . A professora Mc_Gonagall lançou lhe um olhar penetrante , mas ele era capaz de jurar que ela quase tinha sorrido . Pelo_menos a boca não parecia tão fina . - Não vou tirar pontos a os Gryffindor - tranquilizou o . E o coração de Harry ficou mais leve . - Mas vocês os dois vão ter um castigo . Foi melhor do_que Harry imaginara . O facto de Dumbledore escrever a os Dursley não tinha a menor importância . Harry sabia perfeitamente que eles só lamentariam que o salgueiro zurzidor não o tivesse esmigalhado . A professora Mc_Gonagall ergueu a varinha de_novo apontou a a a secretária de Snape . Um grande prato de sanduíches , duas taças de prata e um jarro com sumo de abóbora gelado apareceram em menos_de um segundo . - Vocês vão comer aqui e , em seguida , vão direitinhos para o vosso dormitório - disse . - Eu também tenho de voltar para a festa . Mal a porta se fechou atrás de ela , Ron soltou baixinho um assobio . - Pensei que estávamos feitos - confessou , agarrando uma sanduíche . - Também eu - disse o Harry , orando também uma . - Mas já viste bem a nossa pouca sorte ? - insistiu o Ron com a boca cheia de frango e fiambre . - O Fred e o George voaram em aquele carro cinco ou seis vezes e nenhum Muggle os viu - engoliu outro pedaço enorme de a sanduíche . - Porque será que não conseguimos passar a barreira ? Harry encolheu os ombros . - Mas temos de ter muito cuidado a_partir_de agora - disse bebendo um grande trago de sumo de abóbora . - Que pena não termos podido ir a o banquete . - Ela não quis que nos exibíssemos - afirmou Ron com prudência . - Não vão as pessoas pensar que é uma boa chegar aqui de carro voador . Quando já tinham comido todas_as sanduíches que queriam ( o prato ia voltando a encher se sozinho ) , levantaram se e saíram de o escritório , seguindo o caminho que lhes era familiar , para a torre de os Gryffindor . O castelo estava em silêncio . Parecia que o banquete tinha acabado . Passaram por retratos murmurantes e armaduras que gemiam e subiram os degraus estreitos de pedra até que , por fim , chegaram a a passagem onde a entrada secreta para a torre de os Gryffindor se encontrava oculta por detrás de o quadro a óleo de uma dama gorda em um vestido cor-de-rosa . - A senha ? - perguntou ela mal os dois se aproximaram . - Er ... Eles ainda não tinham estado com o prefeito de os Gryffindor e por isso ainda não conheciam a senha para o novo ano , mas a ajuda não se fez esperar . Ouviram passos apressados atrás de eles e quando se voltaram viram Hermione que se aproximava . - Aí estão vocês . Onde é_que se meteram ? Correm os boatos mais ridículos , alguém disse que vocês tinham sido expulsos por espatifarem um carro voador . - Bem , expulsos não fomos - tranquilizou a Harry . - Não estás a dizer me que voaram até aqui ? - perguntou Hermione em um tom quase tão severo como a professora Mc_Gonagall . - Dispensa se o sermão - interrompeu Ron impacientemente . - E diz nos a nova senha de passagem . - É crista de pássaro - disse Hermione não contendo a impaciência . - Mas o mais importante não é isso ... Contudo as palavras de ela foram interrompidas ao_mesmo_tempo que o retrato de a dama gorda se abria e se ouvia uma tempestade de aplausos . A o que parecia a equipa de os Gryffindor estava ainda acordada , dentro de a sala comum em forma de círculo , junto de as mesas assimétricas e de os cadeirões moles a a espera que eles chegassem para , de braços estendidos através de o buraco de o retrato , puxarem Harry e Ron para dentro deixando Hermione para o fim . - Sensacional - gritou Lee_Jordan . - Inspirado ! Que entrada ! Voar em um carro e aterrar em o salgueiro zurzidor . Toda_a_gente vai falar de isto durante anos e anos . - Muito bem - disse um aluno de o quinto ano com quem Harry nunca tinha falado . Alguém dava lhe palmadas em as costas como_se ele acabasse de vencer a maratona . Fred e George abriram caminho por_entre a multidão e disseram ao_mesmo_tempo : - Por_que é_que não nos chamaram , hein ? - Ron estava vermelho como um pimentão , sorrindo envergonhado , mas Harry via perfeitamente uma pessoa que não estava nada contente . Percy elevava se acima de as cabeças de os excitados alunos de o primeiro ano e parecia estar a tentar aproximar se para os repreender . Harry deu uma cotovelada a o Ron e apontou em direcção a Percy . Ron percebeu de imediato . - Temos de ir para_cima , um_pouco cansados ! - explicou e os dois começaram a abrir caminho em direcção a a porta que ficava de o outro lado de a sala e que dava para a escada em espiral e para os dormitórios . - ` _ Noite - despediu se Harry_de_Hermione que tinha um ar tão carrancudo como Percy . Conseguiram chegar a o outro lado de a sala comum sempre a levarem palmadas em as costas e alcançaram o sossego de as escadas . Apressaram se a subir e , por fim , chegaram a a porta de o dormitório que tinha agora um letreiro a dizer « Segundos_Anos » . Entraram em o quarto circular , que conheciam tão bem , com as suas cinco camas de dossel adornadas de velado vermelho e as suas janelas altas e estreitas . As malas tinham sido trazidas para_cima e colocadas a os pés de as camas . Ron fez um sorriso culpado . - Sei que não devia ter gostado de aquilo , mas ... A porta de o dormitório abriu se e os outros rapazes de os Gryffindor entraram ; eram eles o Seamus_Finnigan , o Dean_Thomas e o Neville_Loogbottom . - Inacreditável - aplaudiu Seamus . - Incrível - aprovou o Dean . - Espantoso - exclamou o Neville , aterrado . Harry não pôde evitar também um sorriso . VI_Gilderoy_Lockhart_No dia seguinte , contudo , Harry não conseguiu sorrir . As coisas começaram a correr mal logo em o salão durante o pequeno-almoço . Debaixo de o tecto encantado ( em aquele dia triste e cinzento ) estavam as quatro grandes mesas de as equipas e sobre elas , terrinas de papa de aveia , pratos de arenque defumado , montanhas de torradas e pratadas de ovos com * bacon * . Harry e Ron sentaram se em a mesa de os Gryffindor , junto de Hermione que tinha o seu exemplar de * _ Viagens com Vampiros * totalmente aberto , encostado a um jarro de leite . Havia uma certa rigidez em a maneira como ela disse : - ` _ Dia - que mostrou a Harry que continuava a desaprovar o modo como tinham chegado a a escola . Por seu turno , Neville_Longbottom saudou os entusiasticamente . Neville era um rapazinho de cara redonda , muito dado a acidentes , com a pior memória que Harry tinha conhecido . - A entrega de correio deve estar a chegar , acho que a minha avó me vai mandar umas quantas coisas de que me esqueci ... Harry tinha começado a comer as papas de aveia , quando se ouviu um ruído tumultuoso em o ar e umas cem corujas entraram ao_mesmo_tempo , sobrevoando o salão e deixando cair cartas e pacotes em o meio de a multidão faladora . Um embrulho grande e rugoso caiu em a cabeça de Neville e , um segundo depois , uma coisa larga e cinzenta caiu em o jarro de a Hermione , enchendo os a todos de leite e penas . - Errol - gritou o Ron , puxando a coruja esfarrapada por as patas . Errol caíra inconsciente sobre a mesa com as pernas para o ar e um envelope vermelho húmido em o bico . - Oh , não ! - sobressaltou se Ron . - Ela está bem , ainda está viva - tranquilizou o Hermione , tocando suavemente em a Errol com a ponta de o dedo . - Não é isso , é ... aquilo . Ron apontava para o envelope vermelho . Parecera perfeitamente vulgar a Harry , mas Ron e Neville estavam ambos a observá o como_se esperassem que explodisse . - Qual é o problema ? - perguntou Harry . - Ela . Ela mandou me um * gritador * - disse Ron , quase sem voz . - É melhor abrires - aconselhou Neville em um murmúrio tímido - senão é pior . A minha avó uma_vez mandou me um que eu ignorei e ... - engoliu em seco - foi horrível . Harry olhava , ora para as suas caras , ora para o envelope vermelho . - O que é um * gritador * ? - perguntou . - Mas toda_a atenção de o Ron estava fixa em a carta que começara a fumegar por os cantos . - Abre a - intimou o Neville . - De aqui a poucos minutos já passou tudo . Ron estendeu uma mão trémula , retirou o envelope de o bico de a Errol e começou a abri o . Neville pôs os dedos em os ouvidos . Após uma fracção de segundo , Harry compreendeu porquê . Pensou em o primeiro momento que ela explodira . Um ruído ensurdecedor encheu o enorme salão , fazendo cair pó de o tecto . - ... : __ roubar o carro ! não me surpreendia nada se te expulsassem . espera só até te pôr as mãos em cima . será que não paraste para pensar em a nossa aflição quando vimos que o carro tinha __ desaparecido ... Os gritos de Mrs._Weasley , ampliados cem vezes em relação a o seu normal , fizeram os pratos e as colheres chocalhar em a mesa e ecoaram de forma ensurdecedora em as paredes de pedra . Vinha gente de todos os lados espreitar quem tinha recebido o * gritador * e Ron afundou se tanto em a cadeira que só se lhe via a testa carmesim . - ... : __ uma carta de o dumbledore ontem a a noite , o teu pai quase morria de vergonha . não foi esta a educação que te demos , tu e o harry podiam ter __ morrido ... Harry estava a ver quando é_que o seu nome viria a a baila . Tentou o melhor que pôde agir como_se não ouvisse a voz , mas aquilo estava a fazer com que os tímpanos lhe latejassem . - ... : __ profundamente decepcionada , o teu pai vai ter de se confrontar com um inquérito em o trabalho , tudo por tua culpa e , se pisas mais_uma_vez o risco , trago te para __ casa ! Seguiu se um silêncio ressonante . O envelope vermelho , que caíra de as mãos de o Ron , incendiou se e encaracolou se em cinzas . Harry e Ron estavam sentados de boca aberta , como_se uma onda gigante lhes tivesse passado por cima . Algumas pessoas riam e , a os poucos , o ruído de as conversas recomeçou . Hermione fechou o * _ Viagens com Vampiros * e olhou para o topo de a cabeça de Ron . - Bem , não sei o que esperavas , Ron , mas tu ... - Não me venhas dizer que mereci - interrompeu Ron . Harry afastou as papas de aveia . O estômago ardia lhe de culpa . Mr._Weasley tinha um inquérito em o trabalho , depois de tudo_o_que Mr. e Mrs._Weasley tinham feito por ele durante o Verão ... Mas não teve muito_tempo para se demorar em aqueles pensamentos . A professora Mc_Gonagall circulava em volta de as mesas de os Gryffindor distribuindo horários . Harry pegou em o seu e viu que começavam por ter Herbologia , juntamente com os Hufflepuff . Harry , Ron e Hermione saíram juntos de o castelo , atravessaram as hortas e chegaram a as estufas , onde estavam guardadas as plantas mágicas . O * gritador * tivera pelo_menos uma vantagem : Hermione parecia achar que já tinham sido suficientemente castigados e estava de_novo perfeitamente calorosa . Quando estavam a chegar a as estufas viram o resto de a classe de pé , cá fora , a a espera de a professora Sprout . Harry , Ron e Hermione tinham acabado de se lhes juntar quando a viram aproximar se a passos largos por o relvado , acompanhada de Gilderoy_Lockhart . A professora Sprout era uma bruxa pequenina e atarracada que usava um chapéu a os remendos sobre o cabelo solto . As roupas que vestia estavam sempre cheias de terra e as suas unhas fariam a tia Petúnia desmaiar . Gilderoy_Lockhart , pelo_contrário , tinha um ar imaculado em as suas vestes azul-turquesa , o cabelo doirado a brilhar debaixo_de um chapéu azul-turquesa , com uma fita dourada , perfeitamente posicionado sobre a cabeça . - Olá a todos ! - gritou Lockhart , dirigindo se a o grupo de estudantes . - Estive a mostrar a a professora Sprout a maneira correcta de tratar um salgueiro . Mas não quero que fiquem com a ideia de que sou melhor do_que ela em Herbologia . Acontece que encontrei várias de estas plantas exóticas , durante as minhas viagens .... - Estufa número três hoje , meninos ! - disse a professora Sprout que estava visivelmente descontente , bem diferente de a sua habitual natureza bem-disposta . Houve um murmúrio de interesse . Eles só tinham estado uma_vez em a terceira estufa , que era uma estufa que abrigava plantas bem mais interessantes e perigosas . A professora Sprout tirou uma enorme chave de o cinto e abriu a porta . Harry sentiu o bafo de a terra húmida com adubo misturado e o perfume forte de umas flores gigantescas , de o tamanho de guarda-chuvas , que estavam penduradas de o tecto . Ia seguir Ron e Hermione , quando a mão de o Lockhart o travou . -- Harry ! Tenho querido ter uma palavrinha contigo . Não se importa se ele chegar uns minutos atrasado , pois não , professora Sprout ? A julgar por a expressão carregada de a professora Sprout , importava se sim , mas Lockhart disse : - Então até já - e fechou a porta de a estufa em a cara de ela . - Harry ! - disse Lockhart , com os dentes brancos a brilharem a o sol , enquanto abanava a cabeça . - Harry , Harry , Harry ! Harry , totalmente perplexo , não disse uma palavra . - Quando ouvi dizer , bem , é claro que eu tive muita culpa , deviam castigar me também ... Harry não fazia ideia de que estava ele a falar , quando Lockhart prosseguiu : - Nunca me lembro de ficar tão chocado . Fazer voar um automóvel até Hogwarts ! Bem , é claro que eu percebi logo porque o fizeste . Foi um destaque em grande . Harry , Harry , Harry ! Era notável como ele conseguia mostrar todos aqueles dentes brilhantes , mesmo quando não estava a falar . - Criei te o gosto por a publicidade , não foi ? - perguntou Lockhart . - Passei te o bichinho . Apareceste comigo em a primeira página e não podias esperar para aparecer outra_vez ... - Oh , não , professor , sabe é_que ... - Harry , Harry , Harry - disse Lockhart aproximando se e tocando lhe em o ombro . - * _ Eu compreendo * . É natural querer um_pouco mais quando se lhe tomou o gosto , e eu culpo me por te ter dado esse conhecimento , porque era natural que te subisse a a cabeça , mas vê uma coisa , rapazinho , tu não podes começar a fazer voar carros para tentares ser notícia . Tens de acalmar , está bem ? Tens muito_tempo quando fores mais velho . Sim , sim , eu sei o que estás a pensar ! É fácil para ele falar assim , já é um feiticeiro internacionalmente famoso ! Mas quando eu tinha doze anos era tão zé-ninguém como tu és hoje . Em a verdade , era ainda mais . De ti , já meia_dúzia de pessoas ouviram falar , não é ? Toda aquela história com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . - Olhou para a cicatriz luminosa em a testa de Harry . - Eu sei , eu sei , não é o mesmo_que vencer o Prémio de o sorriso de o feiticeiro de a semana cinco vezes seguidas , como eu venci , mas é um começo , Harry , é um começo . Lançou lhe uma piscadela de olhos cordial e foi se embora . Harry ficou atarantado durante alguns segundos . Depois , lembrando se que deveria estar em a estufa , abriu a porta e esgueirou se lá para dentro . A professora Sprout estava de pé , por_detrás_de uma espécie de mesa em o meio de a estufa . Em cima de a mesa estavam cerca de vinte pares de abafo de ouvidos de diferentes cores . Quando Harry estava já em o seu lugar , entre Ron e Hermione , ela disse : - Hoje vamos transplantar Mandrágoras . Muito bem , quem sabe dizer me as propriedades de a Mandrágora ? Não foi surpresa para ninguém que a mão de a Hermione fosse a primeira em o ar . - A Mandrágora tem um efeito reparador muito poderoso - disse Hermione , com o ar mais normal de este mundo , como_se tivesse engolido o livro de texto . - É usada para fazer voltar as pessoas , que foram transfiguradas ou amaldiçoadas , a o seu estado original . - Excelente . Dez pontos para os Gryffindor ! - exclamou a professora Sprout . - A Mandrágora é parte integrante de a maior parte de os antídotos , mas também é perigosa . Quem sabe dizer me porquê ? A mão de Hermione por_pouco não bateu em os óculos de Harry , quando se ergueu de_novo . - O grito de a Mandrágora é fatal para quem o ouve - disse prontamente . - Precisamente . Dou lhe mais dez pontos - disse a professora Sprout . - Agora vejamos , as Mandrágoras que aqui temos são ainda muito jovens . Enquanto falava , apontou para uma fila de tabuleiros com uma certa profundidade e todos se chegaram a a frente para ver melhor . Cerca de uma centena de plantinhas tufosas de um verde arroxeado cresciam em filas . Pareceram perfeitamente vulgares a Harry , que não fazia a menor ideia do_que Hermione queria dizer com o * grito * de a Mandrágora . - Cada_um de vocês pode tirar um par de abafo de ouvidos - disse a professora Sprout . Houve uma competição renhida porque ninguém queria os cor-de-rosa , cheios de penugem . - Quando eu vos disser para os colocar , assegurem se de que os vossos ouvidos estão completamente tapados - disse a professora Sprout . - Logo_que seja seguro retirá os , eu levanto os dedos . Certo , pôr os abafos de os ouvido . Harry pôs imediatamente os abafos em os ouvidos . Eles fecharam completamente o som . A professora Sprout colocou também um par de abafos cor-de-rosa com penugem em os de ela , arregaçou as mangas de a túnica , agarrou uma de as plantas tufosas e puxou com toda_a força . Harry soltou um grito de surpresa que ninguém ouviu . Em_vez_de raízes , um bebé pequenino , enlameado e extremamente feio , saiu de a terra . As folhas cresciam lhe em o alto de a cabeça , tinha uma pele pintalgada de um pálido esverdeado e estava nitidamente a berrar a plenos pulmões . A professora Sprout tirou debaixo de a mesa um grande vaso de plantas e mergulhou lá dentro a Mandrágora , enterrando a em a mistura escura e húmida , até que só as folhas ficassem visíveis . Em seguida , limpou a terra de as mãos , levantou os dedos e todos eles retiraram os abafos de os ouvidos . - Como as nossas Mandrágoras são muito novas , os seus gritos ainda não matam - disse ela com grande calma , como_se tivesse feito algo tão normal como regar uma begónia . - Contudo , podem pôr vos a dormir durante várias horas e , como com certeza nenhum de vocês quer perder o primeiro dia de aulas , vejam se os abafos estão bem colocados enquanto trabalham . Eu chamarei vos a atenção quando for altura de os retirar . - Quatro em cada fila , há aqui uma grande quantidade de vasos , a mistura de terra está em os sacos ali a o fundo e tenham cuidado com a * _ Venomous_Tentacula * , estão a nascer lhe os dentes . Enquanto falava , deu uma pancada seca a uma planta vermelha escura cheia de pontas eriçadas , fazendo a encolher as longas antenas que tinham estado a avançar lenta e dissimuladamente sobre o seu ombro . A Harry , Ron e Hermione veio juntar se em a fila um rapaz de cabelo encaracolado de os Hufflepuff que Harry conhecia de vista , mas com quem nunca tinha falado . - Justin_Finch - _ Fletchey - disse ele com vivacidade , apertando a mão de o Harry . - Conheço te , claro , o famoso Harry_Potter ... e tu és a Hermione_Granger , sempre a primeira em tudo ( Hermione brilhou em um sorriso , como_se ele lhe tivesse apertado a mão ) e Ron_Weasley . Não era teu o carro voador ? Ron não sorriu . Não lhe saía de a cabeça o * gritador * . - Aquele Lockhart é o_máximo , não acham ? - disse Justin satisfeito , enquanto começavam a encher os vasos com composto de adubo de dragão . - Terrivelmente corajoso . Leram os livros de ele ? Eu teria morrido de medo se um lobisomem me tivesse encurralado em uma cabina telefónica , mas ele manteve se calmo e ... zap ... fantástico ! « Eu estava inscrito em Eton , sabem , não imaginam como estou feliz de ter vindo antes para aqui . É claro que a minha mãe ficou um_pouco desiludida , mas depois de lhe ter dado os livros de Lockhart a ler , tenho a impressão de que ela começou a ver a utilidade de ter um feiticeiro bem treinado em a família ... Depois de isso , não tiveram grandes oportunidades para conversar . Voltaram a pôr os abafos de ouvidos e era preciso concentrarem se em as Mandrágoras . A professora Sprout fizera as coisas parecerem extremamente simples , mas não eram . As Mandrágoras não gostavam de sair de a terra mas também não pareciam querer voltar para lá . Elas contorceram se , deram pontapés , agitaram as mãozinhas finas e rangeram os dentes . Harry levou dez minutos inteirinhos a tentar meter uma Mandrágora particularmente gorda dentro_de um vaso . Em o final de a aula , Harry , como todos os outros , estava a suar , cheio de dores e coberto de terra . Regressaram a o castelo a pé para um banho rápido e , em seguida , os Gryffindor apressaram se para assistir a a aula de transfiguração . As aulas de a professora Mc_Gonagall eram sempre complicadas , mas a de aquele dia era particularmente difícil . Tudo_o_que o Harry aprendera em o ano anterior parecia ter se lhe apagado de a memória durante o Verão . Ele deveria ser capaz de transformar uma barata em um botão , mas , tudo_o_que conseguiu foi fazer a barata praticar um imenso exercício , enquanto corria apressadamente por o tampo de a secretária evitando a varinha . Ron estava a debater se com problemas bastante piores . Tinha atado a varinha com uma fita mágica , mas parecia que não havia reparação possível . Não parava de crepitar e lançar faíscas em os momentos mais estranhos e , sempre_que Ron tentava transfigurar a barata , via se envolvido em um fumo cinzento espesso que cheirava a ovos podres . Incapaz de ver o que estava a fazer , o Ron esmagou , por engano , a barata com o cotovelo e teve de ir pedir que lhe dessem outra , o que deixou a professora Mc_Gonagall muito pouco satisfeita . Harry ficou aliviado quando ouviu tocar a campainha para o almoço . Sentia a cabeça como uma esponja espremida . Todos os alunos saíram em fila de a aula excepto ele e Ron que dava furiosas varadas em a secretária . - Coisa estúpida e inútil . - Escreve a os teus pais a pedir outra - sugeriu Harry , enquanto a varinha disparava com estrondo um foguete explosivo . - Ah pois , e receber outro * gritador * em a volta de o correio - respondeu Ron , metendo a varinha que já assobiava , dentro de o saco . - * _ A culpa é toda tua se a varinha está estragada * ... Desceram para o almoço e aí a disposição de o Ron não iria melhorar com Hermione a mostrar lhe uma mão-cheia de botões de casaco , perfeitinhos , que produzira em a transfiguração . - O que temos esta tarde ? - quis saber Harry , mudando rapidamente de assunto . - Defesa contra as artes negras - disse Hermione , sem perder tempo . - Porque é_que tu ... - perguntou Ron , pegando em o horário de ela - desenhaste corações em volta de as aulas de o Lockhart ? Hermione arrancou lhe o horário de as mãos , corando furiosa . Acabaram de almoçar e foram para o pátio carregado de nuvens . Hermione sentou se em um degrau de pedra e enfiou de_novo o nariz em as * _ Viagens com Vampiros * . Harry e Ron ficaram a falar de Quidditch durante alguns minutos antes de Harry se aperceber de que estava a ser observado de perto . Olhando para_cima viu o rapazinho pequenino com cabelo de rato que ele vira experimentar o chapéu seleccionador em a noite anterior , olhando para ele com uma expressão petrificada . Estava agarrado a o que parecia ser uma vulgar máquina fotográfica de os Muggles e , em o momento em que Harry olhou para ele , ficou todo vermelho . - Tudo bem , Harry ? Eu sou Colin_Creevey - disse , faltando lhe o ar e adiantando se a qualquer pergunta . - Estou em os Gryffindor também . Não te importavas que eu tirasse uma fotografia ? - perguntou , levantando a máquina cheio de expectativa . - Uma fotografia ? - repetiu Harry , inexpressivo . - Para eu provar que te conheci - disse Colin_Creevey cheio de ansiedade , continuando : - Eu sei tudo a teu respeito . Toda_a_gente me tem contado como sobreviveste quando O_Quem nós sabemos tentou matar te , como ele desapareceu depois de isso e como ficaste com a cicatriz em forma de relâmpago em a testa ( os seus olhos procuraram a linha de cabelo de Harry ) e um rapaz de o meu dormitório disse que se eu revelasse o filme em a posição certa ele mexia . - Colin respirou fundo , estremecendo de excitação e disse : - Isto_é fantástico , aqui , não achas ? Eu não sabia que todas_as coisas estranhas que fazia eram magia até a o dia em que recebi uma carta de Hogwarts . O meu pai é leiteiro . Também ele não queria acreditar . Por isso estou a tirar montes de fotografias para lhe mandar e era mesmo bom se tivesse uma tua - parecia implorar . - Talvez o teu amigo pudesse tirá a e assim eu ficava a o teu lado . E depois , podias assiná a ? - Assinar fotografias ? Estás a dar fotos autografadas , Potter ? Alta e mordaz , a voz de Draco_Malfoy ecoou em o pátio . Estava parado mesmo atrás_de Colin , ladeado , como sempre andava em Hogwarts , por os seus fortes guarda-costas Crabbe e Goyle . - Ei gente , façam bicha - gritou Malfoy a a multidão . - Harry_Potter está a dar fotos autografadas ! - Não estou coisa nenhuma - disse Harry , zangado , com os punhos em o ar . - Cala a boca , Malfoy . - Tu tens é inveja - começou a dizer Colin , cujo corpo era de o tamanho de o pescoço de Crabbe . - Inveja - repetiu Malfoy que não precisava de gritar mais , metade de o pátio estava a ouvi o . - De quê ? Não preciso de uma cicatriz em a cabeça , muito obrigado . Não acho que ter um corte em a testa torne alguém especial . Crabbe e Goyle riram estupidamente - Vai pastar caracóis , Malfoy - disse o Ron furioso . Crabbe parou de rir e começou a esfregar os nós de os dedos enormes de uma forma ameaçadora . - Tem cuidado , Weasley - escarneceu Malfoy . - Com certeza não queres começar uma rixa ou a tua mãezinha tem de vir cá para te tirar de a escola - e com uma voz aguda e penetrante : - * _ Se voltas a pisar o risco * ... Um grupo de alunos de o quinto ano de os Slytherin que estava ali perto , riu se bastante alto . - O Weasley gostaria de ter uma foto tua autografada , Potter - escarneceu de_novo Malfoy . - Era capaz de valer mais do_que a casa onde ele mora com a família . Ron sacou de a sua varinha amarrada com fita , mas Hermione fechou as * Viagens com Vampiros * com um estrondo e avisou : - Atenção . - O que é isto , o que é isto ? - Gilderoy_Lockhart aproximava se com o seu manto azul-turquesa girando em torvelinho atrás de ele . - Quem está a dar fotos autografadas ? Harry ia começar a explicar , mas foi interrompido quando Lockhart lhe pôs jovialmente o braço em cima de os ombros . - Mas que pergunta a minha ! Cá estamos nós de_novo , Harry ! Preso ao_lado_de Lockhart e a arder de humilhação , Harry viu Malfoy deslizar com o seu sorriso desdenhoso por o meio de a multidão . - Vamos lá então , Mr._Creevey - disse Lockhart , dirigindo se a Colin . - Uma foto dupla , já viu a sua sorte ? E assinamos a os dois para si . Colin ajustou a máquina e tirou a fotografia em o preciso momento em que a campainha tocava para as aulas de a tarde . - Está em a hora , todos para dentro - gritou Lockhart a a multidão e regressou a o castelo levando a o seu lado o Harry que só lamentava não conhecer um feitiço que o fizesse desaparecer . - Uma palavra só , Harry - disse Lockhart paternalmente , enquanto entravam em o edifício por uma porta lateral . - Eu ajudei te há bocado com o jovem Creevey porque se ele estivesse a fotografar me também a mim os teus colegas não reparariam tanto que estavas a exibir te ... Indiferente a a gaguez de Harry , Lockhart arrastou o para um corredor ladeado de alunos que os olhavam espantados e subiram uma escada . - Deixa me só dizer te uma coisa : dar fotografias autografadas em esta fase de a tua carreira , francamente , não é sensato , Harry , parece um_pouco megalómano . Pode ser que um dia mais tarde , tal_como eu , sejas obrigado a assinar para multidões onde quer que vás , mas - fez uma pequena pausa - não me parece que seja o caso , por enquanto . Tinham chegado a a aula de Lockhart e ele largou finalmente o Harry que sacudiu a túnica e foi sentar se em um lugar bem lá atrás onde começou por empilhar os livros de Lockhart a a sua frente para evitar olhar para a criatura . O resto de a aula entrou ruidosamente e Ron e Hermione foram sentar se um de cada lado de Harry . - Tu estavas vermelho como um pimentão - disse o Ron . - Reza para que o Creevey não se torne amigo de a Ginny senão bem podem criar o clube de * fans * de Harry_Potter . - Cala a boca - interrompeu Harry . A última coisa que desejava era que o Lockhart ouvisse a expressão « clube de * fans * de Harry_Potter « . Quando todos estavam em os seus lugares , Lockhart pigarreou alto e fez se silêncio . Ele inclinou se para a frente , pegou em o exemplar de Neville_Longbottom de * _ viagens com Duendes * e levantou o para mostrar a sua fotografia a piscar os olhos em a capa . - Eu - disse apontando para a fotografia e piscando também os olhos - Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , terceiro ano , membro honorário de a Liga_de_Defesa contra as artes negras e cinco vezes vencedor de o prémio de o * _ Feiticeiro de a semana * por o sorriso mais charmoso . Mas não vamos falar de isso , não venci a fada carpideira de Bandon a sorrir para ela ! Esperou que eles se rissem . Alguns alunos sorriram timidamente . - Já vi que todos vocês compraram a minha obra completa . Muito bem . Pensei começar hoje com um pequeno interrogatório escrito . Nada de complicado , só para perceber se leram bem os meus livros e o que apreenderam ... Depois de distribuir as folhas de teste voltou se para os alunos e disse : - Têm trinta minutos . Comecem já . Harry olhou para o papel e leu : *1 . Qual é a cor preferida de Gilderoy_Lockhart ? *2 . Qual é a ambição secreta de Gilderoy_Lockhart ? *3 . Qual é , em a sua opinião , a maior realização de Gilderoy_Lockhart até a o momento ? * E_por_aí adiante , ao_longo_de três páginas , terminando com : *54 . Qual é o dia de aniversário de Gilderoy_Lockhart e qual seria o seu presente preferido ? * Meia_hora mais tarde , Lockhart recolheu os pontos e folhou os rapidamente em frente de os alunos . - Tut , tut , quase ninguém se lembrou que a minha cor preferida é o lilás . Eu digo o em * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves * . Alguns precisam de voltar a ler com mais cuidado * Fim-de - _ Semana com Um Lobisomem * . Eu afirmo claramente em o décimo segundo capítulo que o meu presente de aniversário preferido seria a harmonia entre todos os seres , mágicos e não mágicos , embora não me importasse de receber uma garrafa grande de * whisky * velho de a Ogden's_Old_Firewhisky . Piscou lhes o olho de_novo . Ron olhava para Lockhart com uma expressão de incredulidade em o rosto . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas que estavam sentados a a frente tremiam de tanto conter o riso . Hermione , contudo , ouvia Lockhart com extrema atenção e deu um salto quando ouviu o seu nome . - Mas Miss_Hermione_Granger sabia que a minha ambição secreta era libertar o mundo de o mal e pôr a a venda a minha gama de poções de tratamento de o cabelo . Muito bem - voltou o papel . - Nota máxima ! Onde está Miss_Hermione_Granger ? Hermione ergueu uma mão trémula . - Excelente - bradou Lockhart , exultante . - Leva dez pontos para os Gryffindor . E vamos a o trabalho . Baixou se atrás de a secretária e pegou em uma grande gaiola coberta . - Ficam desde_já a saber , a minha função é preparar vos contra as criaturas mais malignas que a feitiçaria conhece . Vocês podem ter que enfrentar os maiores medos em esta sala . Saibam que nenhum mal vos sucederá comigo aqui . Só vos peço que se mantenham calmos . Ultrapassando os seus sentimentos , Harry espreitou através de a pilha de livros para ver melhor a gaiola . Lockhart colocou uma mão em a tampa . Dean e Seamus tinham deixado de se rir . Neville estava agachado em o seu lugar de a fila de a frente . - Vou pedir vos que não façam barulho - disse Lockhart em voz baixa . - Podem assustá os . Enquanto a aula inteira continha a respiração , Lockhart tirou a cobertura . - Sim - disse em um tom dramático . - Duendes_da_Cornualha recém-capturados . Seamus_Finnigan não conseguiu controlar se . Soltou uma gargalhada que nem Lockhart poderia confundir com um grito de terror . - Sim ? - sorriu a Seamus . - Bem , eles não são , não são perigosos , pois não ? - perguntou a rir . -- Não tenhas tanta certeza de isso - afirmou Lockhart , aborrecido , abanando um dedo , em direcção a Seamus . - Podem ser maçadores e muito traiçoeiros . Os duendes eram de um azul-eléctrico e tinham cerca de vinte centímetros de altura com feições angulosas e umas vozes tão estridentes que era como ouvir uma discussão entre araras . Logo_que o pano foi retirado , começaram a fazer uma enorme algazarra , a andar de um lado para o outro , batendo em as grades e fazendo caretas a as pessoas que estavam mais perto . - Muito bem - disse Lockhart em voz alta . - Vamos então ver o que vocês conseguem fazer de eles - e abriu a gaiola . Foi um pandemónio . Os duendes dispararam em todas_as direcções como foguetes . Dois de eles agarraram o Neville por as orelhas e levantaram o a o ar . Vários outros foram direitos a a janela , fazendo chover vidros partidos até a a fila de trás . Os restantes decidiram destruir a sala com maior eficácia do_que um rinoceronte em fúria . Agarraram em os tinteiros e salpicaram tudo em volta , rasgaram a os bocados livros e papéis , arrancaram os quadros de as paredes , levantaram a o ar a gaiola vazia , agarraram livros e sacos e lançaram nos por a janela de vidros estilhaçados . Em poucos minutos , metade de a aula estava abrigada debaixo de as secretárias e o Neville pendurado em o candelabro de o tecto . - Vamos lá , agarrem nos , agarrem nos , são apenas duendes ... - gritava Lockhart . Arregaçou as mangas , bramiu a varinha e pronunciou * Peshipiksi_Pesternomi ! * As palavras não tiveram o menor efeito . Um de os duendes pegou em a varinha de Lockhart e atirou a também por a janela fora . Lockhart engoliu em seco e mergulhou debaixo de a secretária , não sendo , por um triz , esmagado por o Neville que caiu um segundo depois , quando o candelabro cedeu . A campainha tocou e houve uma louca precipitação para a porta . Em a calma relativa que se seguiu , Lockhart endireitou se , olhou para Harry , Ron e Hermione que estavam quase a chegar a a porta e disse : - Bem , vou pedir vos a os três que prendam o resto de os duendes em a gaiola - passou por eles e fechou rapidamente a porta atrás_de si . - Isto dá para acreditar ? - resmungou o Ron , enquanto um de os duendes lhe mordia com toda_a força uma de as orelhas . - Ele só quer dar nos uma ajuda , permitindo nos ganhar experiência - justificou Hermione , imobilizando dois duendes de uma_vez com um encantamento de paralisação e metendo os de_novo em a gaiola . - Experiência ? - disse Harry , tentando agarrar um duende que dançava com a língua de_fora . - Hermione , ele não sabia nada do_que estava a fazer . - Disparate - retorquiu Hermione . - Leste os livros de ele . Vê só as coisas que ele já fez ! - Que diz que fez - resmungou o Ron . VII_Sangue de lama e murmúrios Harry passou imenso tempo , em os dias que se seguiram , a fugir sempre_que via Gilderoy_Lockhart aproximar se em o corredor . Mais difícil de evitar era Colin_Creevey que parecia ter decorado o horário de Harry . Parecia que nada o emocionava mais do_que dizer : - Tudo bem , Harry ? - seis ou sete vezes por dia e ouvir : - Olá , Colin - por mais exasperado que Harry estivesse quando lhe respondia . A Hedwig ainda estava zangada com Harry por causa de a desastrosa viagem de automóvel e a varinha de o Ron continuava a não funcionar , tendo ultrapassado tudo em a sexta-feira de manhã quando lhe saltou de as mãos em a aula de encantamentos e foi agredir o velho e baixinho professor Flitwick mesmo entre os olhos , deixando uma enorme bolha latejante em o sítio onde tinha batido . Por tudo_isso Harry via chegar , com satisfação , o fim_de_semana Planeava ir em o Sábado de anhã , com Ron e Hermione visitar o Hagrid . Mas foi acordado várias horas mais cedo do_que desejaria por Oliver ood , treinador de a equipa de Quidditch_dos_Gryffindor . - _ o que é_que se passa ? - perguntou Harry , enrolando as palavras . - Treino_de_Quidditch - disse Wood . - Vamos embora . Harry lançou um olhar de esguelha a a janela . Uma neblina fina pairava em o céu rosa e dourado . Agora_que estava acordado não percebia como pudera dormir com a algazarra que os pássaros faziam . - Oliver resmungou Harry . - É de madrugada . - Exacto - respondeu Wood . Era um rapaz alto e corpulento de o sexto ano e em aquele momento os olhos brilhavam lhe loucamente de entusiasmo . - Faz parte de o nosso novo programa de treinos . Anda lá , vai buscar a vassoura e vamos embora - insistiu Wood empenhado . - Nenhuma de as outras equipas começou ainda a treinar . Vamos ser os primeiros este ano ... A bocejar e a tremer um_pouco , Harry saltou de a cama e tentou descobrir as suas túnicas de Quidditch . - Bem , encontramo nos em o campo , dentro_de quinze minutos . Depois de descobrir a sua roupa escarlate de equipa e pôr o manto por cima para se aquecer , Harry escreveu a o Ron um bilhete a explicar onde tinha ido e desceu por a escada de espiral para a sala comum com a sua Nimbos dois inil a o ombro . Tinha acabado de chegar junto de o buraco de o retrato quando ouviu um barulho atrás_de si e viu Colin_Creevey descer a escada de espiral com a máquina fotográfica pendurada a o pescoço a balouçar como louca e uma coisa em a mão . - Ouvi alguém chamar o teu nome em as escadas , Harry olha o que tenho aqui . Revelei a e queria mostrar te . Harry olhou assombrado para a fotografia que Colin lhe espetava em frente de o nariz . Um Lockhart a preto e branco movia se , puxando com toda_a força um braço que Harry reconheceu como sendo o seu . Ficou satisfeito a o constatar que estava a resistir bastante bem , recusando se a ser trazido para a vista de todos . Enquanto Harry observava , Lockhart desistiu e desinteressou se de lutar contra a parte branca de a fotografia . - Assinas para mim ? - pediu Colin entusiasmado . - Não - respondeu secamente Harry , olhando em volta para verificar se o caminho estava livre . - Desculpa_Colin , mas estou cheio de pressa , treino de Quidditch . Passou por o buraco de o retrato . - Oh Uau ! Espera por mim . Eu nunca vi um jogo de Quidditch . Colin trepou por o buraco de o retrato atrás de ele . - Vai ser uma chatice para ti - disse Harry rapidamente , mas Colin ignorou o comentário . Todo o seu rosto brilhava de satisfação . - Tu foste o jogador mais novo de a equipa em cem anos , não foste Harry ? Não foste ? - perguntava Colin , trotando para o acompanhar . - Deve ser fantástico . Eu nunca voei . É fácil ? Essa vassoura é a tua ? É a melhor que há ? Harry não sabia como ver se livre de ele . Era como ter uma sombra que não se calava . - Eu não percebo nada de Quidditch - disse Colin , já sem fôlego . - É verdade que há quatro bolas ? E que duas anda n a voar , tentando fazer os jogadores caírem de as vassouras ? - Sim - disse Harry lentamente , resignado com o ter de lhe explicar as complicadas regras de o Quidditch . - São as * bludgers * . Há dois * beaters * em cada equipa que têm bastões para bater em as * bludgers * e lançá as para o outro lado . O Fred e o George_Weasley são os * beaters * de os Gryffindor . - E para que servem as outras bolas ? - perguntou Colin , saltando uma série de degraus porque ia a olhar para o Harry de boca aberta . - Bem , a * quaffle * , que é a vermelha grandalhona , é a que marca os golos . Três * chasers * em cada equipa lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam fazes a entrar em as balizas que ficam em o extremo de o campo onde há três grandes postes com argolas em as pontas . - E a quarta bola ? - A * snitch * dourada - explicou Harry . - É muito pequenina e veloz e extremamente difícil de agarrar . Mas é isso que o * seeker * tem de fazer , porque o jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * for agarrada . E o * seeker * que conseguir agarrá a ganha para a sua equipa mais cento_e_cinquenta pontos . - E tu és o * seeker * de os Gryffindor , não és ? - perguntou Colin respeitosamente . - Sim - disse Harry enquanto saíam de o castelo e começavam a atravessar o relvado . - E há também o * keeper * que toma conta de os postes . É isto . Mas Colin não parou de fazer perguntas desde os relvados macios até a o campo de Quidditch e Harry só se viu livre de ele quando chegaram a os vestiários . Colin gritou em uma voz aguda : - Eu vou arranjar um lugar , Harry - e apressou se em direcção a as bancadas . O resto de a equipa de os Gryffindor já se encontrava em os vestiários . Wood era o único que tinha aspecto de estar bem acordado . Fred e George_Weasley estavam sentados com olhos de sono e cabelos desgrenhados junto de Alicia_Spinnet de o quarto ano que parecia inclinar se contra a parede que tinha atrás_de si . Os seus companheiros * chasers * , Katie_Bell e Angelina_Johnson bocejavam em frente de ela . - Até que enfim , Harry , porque é_que demoraste tanto ? - perguntou Wood cheio de actividade . - Eu queria ter uma pequena conversa convosco antes de entrarmos propriamente em campo porque passei o Verão a conjecturar um novo programa de treinos que acredito vai estabelecer grandes mudanças . Wood tinha em as mãos um grande mapa de um campo de Quidditch onde estavam desenhadas muitas linhas , setas e cruzes a tinta de várias cores . Pegou em a varinha , bateu com ela em o quadro e as setas começaram a mover se em o mapa como tractores . Enquanto Wood se lançava em um discurso sobre as suas novas técnicas , a cabeça de Fred_Weasley caiu sobre o ombro de Alicia_Spinnet e ele começou a ressonar . O primeiro mapa levou quase vinte minutos a explicar , mas debaixo de esse havia outro e ainda um terceiro . Harry caiu em uma letargia enquanto Wood continuava indefinidamente . - Então - disse por fim o treinador , arrancando Harry de a avidez de uma fantasia sobre o que poderia estar a comer se se encontrasse em aquele momento em o castelo . - Ficou tudo claro ? Alguma pergunta ? - Eu tenho uma pergunta , Oliver - disse George que acordou estremunhado . - Porque não nos explicaste tudo_isso ontem , quando estávamos acordados ? Wood não ficou nada satisfeito . - Ouçam bem , vocês todos - disse , voltando se para eles mal-humorado . - Nós deveríamos ter ganho a taça de Quidditch o ano passado . Somos de longe a melhor equipa , mas , infelizmente , devido_a circunstancias que estão para_além de o nosso controlo ... Harry mudou de posição em a cadeira sentindo se culpado . Estivera inconsciente em o hospital durante o campeonato final de o ano anterior o que fez com que os Gryffindor com um jogador a menos tivessem sofrido a pior derrota de os últimos trezentos anos . Wood levou um momento a controlar se . Era evidente que a última derrota ainda o torturava . - Portanto , este ano vamos fazer um treino mais duro , como nunca se fez . O. _ K. , vamos lá pôr as teorias em prática - gritou , pegando em a vassoura e conduzindo os para fora de o vestiário . Com as pernas trôpegas e ainda a bocejar , a equipa seguiu o . Tinham estado tanto tempo lá dentro que o sol já tinha nascido e brilhava em o céu embora uma réstia de neblina pairasse ainda sobre o relvado de o campo . Quando Harry entrou em campo viu Ron e Hermione sentados em as bancadas . - Ainda não acabaram ? - perguntou Ron em um tom incrédulo . - Ainda nem começamos - explicou Harry , olhando cheio de inveja para a torrada com doce de laranja que Ron e Hermione tinham trazido de o salão . - O Wood tem estado a ensinar nos as jogadas . Subiu para a vassoura e deu um pontapé em o chão , elevando se em o ar . O ar fresco de a manhã bateu lhe em o rosto fazendo o acordar com mais eficácia do_que o longo discurso de Wood . Era maravilhoso voltar a estar em o campo de Quidditch . Voou em volta de o estádio a toda a a velocidade competindo com Fred e George . - Que barulhinho estranho é aquele ? - perguntou o Fred quando deram a volta . Harry olhou para as bancadas . Colin estava sentado em um de os lugares mais altos com a máquina fotográfica em o ar , tirando fotografia sobre fotografia , o som estranhamente ampliado em o estádio deserto . - Olha para ali , Harry , para ali - gritava de forma estridente . - Quem é aquele ? - perguntou Fred . - Não faço ideia - mentiu Harry , disparando a_toda_a velocidade e distanciando se o mais possível de Colin . - O que se passa aí ? - perguntou Wood , franzindo a testa enquanto corria por os ares atrás de eles . - Porque está aquele aluno de o primeiro ano a tirar fotografias ? Não me agrada . Pode ser um espião de os Slytherin a tentar descobrir o nosso novo programa de treinos . - Ele é de os Gryffindor - disse Harry rapidamente . - E os Slytherin não precisam de um espião , Oliver - completou George . - Porque dizes isso ? - perguntou Wood irritado . - Porque estão aqui em peso - disse George , apontando com o dedo . Vários indivíduos com túnicas verdes vinham em aquele momento a entrar em o campo de vassouras em a mão . - Não posso acreditar - reagiu Wood , sentindo se ultrajado . - Eu reservei o estádio para hoje . Já vamos ver como é_que isto fica ! Wood baixou direito a o chão sendo levado por a fúria a aterrar com mais força do_que pretendia e a cambalear um_pouco quando começou a andar seguido de o Harry e de o Ron . - Flint - bradou para o treinador de os Slytherin . - Este é o nosso tempo de treino . Levantámo nos de propósito . Vocês têm de sair de aqui . Marcus_Flint era ainda mais corpulento do_que Wood . Tinha em o rosto uma expressão de duende travesso quando respondeu : - Há espaço para todos , Wood . Angelina , Alicia e Katie tinham vindo também . Em a equipa de os Slytherin não havia raparigas que enfrentassem a o lado de os rapazes os Gryffindor . - Mas eu reservei o estádio - repetiu Wood de modo afirmativo , cuspindo de raiva . - Reservei o . - Ah ! - exclamou Flint . - Mas eu tenho aqui uma licença especial assinada por o professor Snape . * _ Eu , professor Snape , autorizo a equipa de os Slytherin a praticar hoje em o campo de Quidditch devido a a necessidade de treinar o seu novo seeker . * - Têm um novo * seeker * ? - perguntou Wood perturbado . - Onde ? E detrás de as seis figuras corpulentas que tinham em a frente , viram surgir uma sétima : um rapaz mais pequeno com um sorriso afectado espelhado em o rosto pálido e anguloso . Era_Draco_Malfoy . - Não és o filho de o Lucius_Malfoy ? - perguntou Fred , olhando para ele com antipatia . - Curioso que refiras o pai de o Draco - disse Flint enquanto toda_a equipa de os Slytherin sorria de modo grosseiro . - Deixem me mostrar vos a generosa oferta que ele fez a a equipa de os Slytherin . Os sete exibiram as suas vassouras . Sete cabos novos , polidos , com inscrições em letras douradas de as palavras « Nimbus dois_mil_e_um « brilharam a o sol de a manhã , em frente de o nariz de os Gryffindor . - O último modelo . Só chegou em o mês passado - disse Flint , displicentemente , sacudindo a poeira de o cabo de a sua vassoura . - Julgo que ultrapassam de longe as velhas séries de dois_mil . Quanto a as Cleansweeps - sorriu de forma mesquinha para Fred e George que tinham ambos Cleansweep_Fives - essas já só servem para varrer . Nenhum de os Gryffindor foi capaz de abrir a boca em aquele momento . Malfoy sorria tanto que os seus olhos de gelo estavam reduzidos a duas rachas . - Oh vejam - disse Flint . - Uma invasão de o campo . Ron e Hermione atravessavam o relvado para ver o que se passava . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron a o Harry . - Porque não estão a jogar e o que faz ele aqui ? Olhava para Malfoy em as suas vestes de Quidditch . - Sou o novo * seeker * de os Slytherin , Weasley - disse Malfoy com ar presumido . - Têm estado todos a admirar as vassouras que o meu pai comprou para a nossa equipa . Ron olhou de boca aberta para as sete vassouras que tinha em a frente . - São boas , não são ? - disse Malfoy untuosamente . - Mas talvez a equipa de os Gryffindor consiga levantar algum ouro e comprar também vassouras novas . Vocês podiam levar essas Cleansweep_Fives a leilão , talvez algum museu esteja interessado . A equipa de os Slytherin riu se a bandeiras despregadas . - Pelo_menos em os Gryffindor ninguém teve de comprar a sua entrada - disse secamente Hermione . - Entraram todos por mérito próprio . O ar presumido de Malfoy desapareceu . - Ninguém pediu a tua opinião , sangue de lama - cuspiu Malfoy . Harry apercebeu se , de imediato , que Malfoy dissera algo muito grave porque houve uma tremenda algazarra em o seguimento de as suas palavras . Flint teve que se pôr a a frente de o Malfoy para evitar que Fred e George se atirassem a ele . Alicia bradou : - Como te atreves ? - E Ron meteu a mão em as vestes e sacou de a varinha mágica , gritando : - Vais pagar por o que disseste , Malfoy ! - e apontou a , furioso , por debaixo de o braço de Flint , a o rosto de Malfoy . Um enorme estrondo , ecoou em o estádio e um jacto de luz verde saiu por a extremidade errada de a varinha de Ron , atingindo o em o estômago e projectando o para trás em direcção a o relvado . - Ron ! Ron ! Estás bem ? - gritou Hermione . Ron abriu a boca para falar , mas nenhuma palavra saiu . Em vez de isso , teve um vómito imenso e várias lesmas saíram lhe de a boca , indo cair lhe em o colo . A equipa de os Slytherin ficou paralisada de riso . Flint estava dobrado , agarrado a a vassoura nova . Malfoy , a quatro , batia com o punho em a chão . Os Gryffindor rodeavam o Ron , que continuava a vomitar lesmas enormes e reluzentes . Ninguém queria tocar lhe . - É melhor levá o para_casa de o Hagrid . É o mais perto - disse Harry_a_Hermione , que acenou afirmativamente , e os dois arrastaram o Ron por os braços . - O que aconteceu , Harry ? O que aconteceu ? Ele está doente ? Mas tu podes curá o , não podes ? - Colin descera a correr de o lugar onde estava sentado e dançaricava em frente de eles , enquanto abandonavam o campo . Ron teve um novo arremesso e mais lesmas saíram de a sua boca . - Oooh ! - exclamou Colin fascinado , levantando a máquina fotográfica . - Podes mantê o quieto , Harry ? - Sai de a minha frente , Colin - gritou Harry zangado . Ele e a Hermione conseguiram levar o Ron para fora de o estádio , atravessar os campos e chegar a a beira de a floresta . - Está quase , Ron - disse Hermione , mal avistaram o casebre de o guarda de os campos . - Vais ficar bem dentro_de um minuto ... está quase ... Estavam a sessenta metros de a casa de Hagrid , quando a porta de a frente se abriu . Mas não foi Hagrid quem saiu de lá , e sim Gilderoy_Lockhart , em uma túnica cor de malva . - Rápido , vamos esconder nos aqui - sussurrou Harry , arrastando Ron para trás de um arbusto que havia ali perto . Hermione acompanhou o , embora um_pouco relutante . -- É muito simples quando se sabe o que se está fazer ! - gritava Lockhart_para_Hagrid . - Se precisar de ajuda , sabe onde estou . Vou dar lhe um exemplar de o meu livro . Espanta me que ainda não o tenha . Logo a a noite autografo o e envio lhe o . Bem . até a a próxima ! - e afastou se em direcção a o castelo . Harry esperou que Lockhart desaparecesse , antes de puxar o Ron de trás de o arbusto até a a casa de o Hagrid . Bateram ansiosamente . Hagrid apareceu logo com um ar mal-humorado , que se dissipou quando viu quem era . - Já me tinha perguntado quand'é que vocês vinham ver me , entrem , entrem , pensei qu'era outra_vez o professor Lockhart . Harry e Hermione ajudaram Ron a subir o degrau que dava acesso a a cabana de uma divisão com uma cama enorme a um de os cantos e uma lareira a crepitar alegremente em o outro . Hagrid não pareceu perturbado com o problema de as lesmas de o Ron que Harry lhe explicou precipitadamente , logo_que sentou o Ron em uma cadeira . - Melhor saírem de o qu'entrarem - disse , em um tom bem-disposto , colocando uma grande bacia de cobre em frente de ele . - Deita as todas fora , Ron . - Acho que não há mais_nada a fazer , a não ser esperar que isto pare - disse Hermione ansiosamente , vendo Ron inclinar se para a bacia . - É uma maldição muitas_vezes difícil , mas com uma varinha partida ... Hagrid andava de um lado para o outro a preparar o chá . O cão de ele , Fang , babava se em cima de o Harry . - O que é_que o Lockhart queria de ti ? - perguntou o Harry , coçando as orelhas de o Fang . - Ensinar me a tirar espíritos aquáticos com forma de cavalos d'uma nascente d'água - resmungou Hagrid , retirando de a mesa pequena um galo meio depenado e colocando em o seu lugar o bule . - Como s'eu não soubesse . E contar me uma peta qualquer d'uma fada carpideira que ele venceu . Engulo essa chaleira , se uma palavra do_que ele disse for verdade . Não era hábito de Hagrid criticar um professor de Hogwarts e Harry olhou para ele com alguma surpresa . Mas Hermione disse em uma voz mais aguda do_que de costume : - Acho que estás a ser injusto . O professor Dumbledore obviamente achou que era o melhor homem para o lugar ... - Era o único - explicou Hagrid , oferecendo lhes um prato de bombons de melaço enquanto Ron tossia para a bacia . - E não havia mais ninguém . Não é fácil encontrar quem queira dar Artes de magia negra . As pessoas não gostam de essa matéria . Começam a pensar que está amaldiçoada , ninguém ficou muito_tempo a dá a . Mas digam me lá - continuou Hagrid , inclinando a cabeça para Ron - quem é qu'ele estava a tentar amaldiçoar ? - O Malfoy chamou qualquer coisa a a Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si . - Foi grave , sim - disse o Ron com voz rouca , emergindo a a superfície de a mesa , pálido e transpirado . - O Malfoy chamou lhe sangue de lama , Hagrid . - Ron desapareceu outra_vez quando uma nova onda de lesmas fez o seu aparecimento . Hagrid estava indignado . - Não posso crer - exclamou , dirigindo se a Hermione . - Chamou sim - disse ela . - Mas eu não sei o que significa . Percebi que era má educação , claro ... - É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar - explicou Ron novamente . - Sangue de lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles , sabes , filho de pais não mágicos . Há alguns feiticeiros , como a família de o Malfoy que acham que são melhores do_que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro . - Teve um pequeno vómito e uma lesma isolada caiu lhe em a mão aberta . Ele atirou a para a bacia e continuou . -- É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma . Olha_o_Neville_Longbottom , é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito . - E ainda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer - afirmou Hagrid , orgulhoso , fazendo Hermione corar em tons de magenta . - É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém - disse o Ron , limpando o suor de a testa com a mão trémula . - Sangue sujo , sangue vulgar , é um disparate . A maior parte de os feiticeiros hoje_em_dia têm sangue misturado . Se não tivéssemos casado com Muggles tinha sido o nosso fim . Fez um esforço para vomitar e baixou se mais_uma_vez . - Bem , não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá o , Ron - disse Hagrid bem alto enquanto montes de lesmas caíam em a bacia . - Mas , se_calhar , não foi mau de todo teres a varinha a trabalhar ao_contrário . Acho que Lucius_Malfoy teria vindo logo a correr a a escola se tivesses amaldiçoado o filho . Assim , pelo_menos , não estás metido em nenhum sarilho . Harry teria referido que o problema não podia ser pior do_que deitar lesmas por a boca , mas não pôde . Os bombons de melaço tinham lhe colado os maxilares um_ao_outro . - Harry - disse de repente Hagrid como_que movido por um pensamento súbito . - Tens de me explicar uma coisa . Ouvi dizer que tens andado a dar fotografias autografadas . Porque é qu'eu não tenho nenhuma ? A fúria de Harry foi tão grande que os maxilares se libertaram . - Eu não tenho dado fotografias autografadas - disse com vivacidade . Se o Lockhart andou a espalhar isso ... Mas em esse momento viu que Hagrid se estava a rir . - ´ _ tou a brincar - disse , dando uma palmadinha em as costas de Harry e fazendo lhe sinal para se sentar a a mesa . -- Eu sabia que não tinhas . Disse a o Lockhart que tu não precisavas de isso . Es mais famoso do_que ele sem sequer , tentares . - Aposto que ele não gostou de ouvir isso - comentou Harry , sentando se e esfregando o queixo . - Acho que não gostou mesmo - prosseguiu Hagrid com os olhinhos a brilhar . - E disse lhe também que nunca tinha lido nenhum de os livros de ele e ele foi se embora . Um bombom de melaço , Ron ? - perguntou a o vê o reaparecer . - Não , obrigado - disse o Ron com uma voz fraca . - É melhor não arriscar . - Venham ver o qu'eu tenho estado a criar - disse Hagrid quando Harry e Hermione acabaram de tomar o chá . Em a pequena horta atrás de a casa estava uma_dúzia de as maiores abóboras que Harry alguma vez vira . Pareciam enormes blocos de pedra . - Estão a dar se bem , não achas ? - disse Hagrid , feliz . São para a festa de o * _ Hallow'en * . Devem estar bem grandes quando chegar a altura . - O que é_que lhes tens dado como alimento ? - perguntou Harry . Hagrid olhou por cima de o ombro para confirmar se estavam sós . - Bem , tenho estado a dar lhes ... uma pequena ajuda . Harry reparou em o guarda-chuva cor-de-rosa a as florzinhas que estava encostado contra a parede de a cabana . Tivera em o ano anterior motivos para crer que aquele guarda-chuva não era o que parecia . De facto , acreditava que a antiga varinha de escola de Hagrid se encontrava oculta dentro de ele . Hagrid não tinha autorização para usar magia . Fora expulso de Hogwarts em o terceiro ano embora Harry nunca tivesse descoberto o motivo . Qualquer referência a esta questão fazia Hagrid pigarrear bem alto e ficar misteriosamente surdo até mudarem de assunto . -- Um encantamento de absorção , imagino ? - comentou Hermione entre a desaprovação e o divertimento . - Bem , se assim foi , fizeste um bom trabalho . - Foi o que disse a tua irmãzinha - respondeu Hagrid acenando em direcção a Ron . - Encontrei a ontem . - Hagrid olhou de lado para Harry , a barba a contorcer se . - Disse que andava só a ver os campos , mas eu acho qu'ela esperava encontrar alguém em a minha casa - piscou o olho a o Harry . - Se queres que te diga acho qu'ela não recusaria uma fotografia autogr ... - Cala te com isso - disse Harry . Ron desatou a rir e o chão ficou cheio de lesmas . - Cuidado - resmungou Hagrid , afastando Ron de as suas preciosas abóboras . Estava quase em a hora de o almoço e , como o Harry só tinha provado um bombom de melaço desde manhã cedo , estava ansioso por chegar a a escola para ir comer . Despediram se de o Hagrid e regressaram a o castelo . O Ron a vomitar de vez em quando , mas deitando só duas pequenas lesmas . Mal tinham pisado a entrada de o vestíbulo quando ouviram uma voz . - Aí estão vocês , Potter , Weasley . - A professora Mc_Gonagall vinha em direcção a eles com o seu ar severo . - Vocês os dois vão ter as punições hoje a a tarde . - O que é_que vamos fazer , professora ? - perguntou o Ron nervoso , deixando cair uma lesma . - Tu vais limpar as pratas em a sala de os troféus com Mr._Filch - disse a professora Mc_Gonagall . - E nada de mágicas , Weasley , trabalho com esforço . Ron engoliu em seco . Argus_Filch , o encarregado , era odiado por todos os alunos de a escola . - E tu , Potter , vais ajudar o professor Lockhart a responder a as cartas de as suas fãs - ordenou a professora Mc_Gonagall . - Oh , não ! Não posso ir também trabalhar em a sala de os troféus ? - pediu Harry em desespero de causa . - Nem pensar em isso - respondeu a professora Mc_Gonagall , erguendo as sobrancelhas . - O professor Lockhart requisitou te especialmente a ti . _ a as oito_em_ponto , os dois . Harry e Ron entraram em o salão em um estado de profundo desanimo com a Hermione atrás , ostentando uma expressão de * bem-voces-quebraram-as-regras-da-escola * . Harry não saboreou o empadão de carne como teria desejado . Tanto ele como o Ron achavam que tinham tido o pior de os castigos . -- O Filch vai reter me lá toda_a noite - disse Ron , desanimado . - Sem mágica ! Deve haver umas cem taças em aquela sala , eu não sei fazer limpeza de Muggles . - Eu trocava contigo de boa_vontade - confessou Harry em uma voz surda . - Tive montes de prática com os Dursleys . Responder a o correio de fãs de o Lockhart , que pesadelo ... A tarde de sábado pareceu derreter se . Pouco depois eram já cinco para as oito e Harry arrastava se até a o corredor de o segundo andar onde ficava o escritório de o Lockhart . Rangendo os dentes , bateu a a porta . A porta abriu se imediatamente e Lockhart dirigiu se lhe . - Ah , cá está o patifório ! - exclamou . - Entra , Harry , entra . Em as paredes , brilhando à_luz_de muitas velas , podia ver se uma infinidade de fotografias de Lockhart . Algumas de elas até assinadas . Sobre a secretária estava outro monte enorme . - Podes pôr as moradas em os envelopes - disse Lockhart_a_Harry , como_se fosse uma grande ameaça . - O primeiro é para Gladys_Gudgeon , abençoada seja , uma grande fã minha . Os minutos passavam lentos . De vez em quando , Harry ouvia a voz de Lockhart dizendo : - Mmm - e - certo - e - sim . - De vez em quando , apanhava uma frase como : - A fama é versátil , amigo Harry - ou - Só é célebre quem faz por isso , nunca te esqueças . As velas ardiam cada_vez com maior lentidão , fazendo a luz dançar sobre as muitas caras de Lockhart que o olhavam . Harry passava a mão , já dorida , sobre o que devia ser o centésimo envelope , escrevendo a morada de Verónica_Smethley . « Deve estar quase em a hora de me ir embora » , pensou , sentindo se profundamente infeliz , « por favor , faz com que esteja em a hora ... » E então ouviu algo , algo totalmente diferente de o crepitar de as velas e de os ditos de Lockhart sobre as suas fãs . Era uma voz , uma voz de arrepiar os ossos , de cortar a respiração , de veneno frio . - * _ Vem ... vem ter comigo ... deixa me rasgar te ... cortar te ... matar te * ... Harry deu um salto e uma enorme mancha lilás surgiu em a rua de Verónica_Smethley . - O quê ? - disse ele em voz alta . - Eu sei - exclamou Lockhart . - Seis meses inteirinhos em o topo de a lista de * bestsellers * , bati todos os recordes ! - Não - disse Harry nervosíssimo - aquela voz ! - Como ? - perguntou Lockhart , com um ar confuso . - Que voz ? - Aquela , aquela voz que disse ... não ouviu ? Lockhart olhava para Harry com o maior espanto . - De que é_que estás a falar , Harry ? Estás a ficar com sono ? Meu Deus , olha , só estamos aqui há quase quatro horas , quem diria ? O tempo passou a correr , não é verdade ? Harry não respondeu , estava a fazer um esforço para ouvir de_novo a voz , mas o único som que ouviu foi Lockhart a dizer lhe que não esperasse um tratamento igual de as próximas vezes que fosse castigado . Harry saiu , sentindo se atordoado . Era tão tarde que a sala comum de os Gryffindor estava quase vazia . Harry foi directamente para o dormitório . Ron ainda não tinha voltado . Vestiu o pijama , meteu se em a cama e esperou . Meia_hora mais tarde , chegou o Ron agarrado a o braço direito e inundando o quarto escuro de um forte cheiro a limpa-pratas . - Doem me todos os músculos - resmungou , metendo se em a cama . - Ele fez me polir catorze vezes aquela taça de Quidditch até estar satisfeito . E depois tive outro vómito em_cima_de um troféu de Reconhecimento por serviços prestados a a escola . Demorei séculos a limpar o muco de as lesmas . Como correram as coisas com o Lockhart ? Em voz baixa para não acordar o Neville , o Dean e o Seamus , Harry contou lhe , palavra por palavra , o que tinha ouvido . - E Lockhart disse que não ouviu nada ? - perguntou o Ron . Harry viu o franzir a testa , a a luz de o luar . - Achas que estava a mentir ? Mas , não percebo , mesmo um ser invisível teria aberto a porta . - Eu sei - disse Harry , encostando se a a cama e olhando para o dossel . - Também não compreendo . VIII_A festa de o dia de os mortos Outubro chegou , espalhando um frio húmido por os campos e por os cantos de o castelo . Madam_Pomfrey , a enfermeira-chefe , esteve bastante ocupada com uma onda de constipações que afectou professores e alunos . A sua poção de pimentão entrou imediatamente em acção apesar_de deixar quem a tomava com fumo em os ouvidos durante várias horas . Ginny_Weasley , que andava com ar adoentado , foi convencida a tomá a por o Percy . O fumo que saía por debaixo de o seu cabelo ruivo dava a impressão de que toda_a cabeça estava em fogo . Gotas de chuva de o tamanho de balas agrediram as janelas de o castelo durante dias a fio . O lago rosado e os canteiros de flores tornaram se regatos lamacentos e as abóboras de o Hagrid incharam ficando de o tamanho de alpendres de jardim . Contudo , o entusiasmo de Oliver_Wood por as sessões de treino regular não foi abalado , motivo por o qual Harry iria regressar a a torre de os Gryffindor , em um sábado a a tarde de temporal , alguns dias antes de o * _ Hallowe'en * , ensopado até a os ossos e todo enlameado . Além de a chuva e de o vento , não fora um treino feliz . Fred e George que tinham andado a espiar a equipa de os Slytherin tinham visto com os seus próprios olhos a velocidade alucinante de aquelas novas Nimbus dois_mil_e_um e comentaram que a equipa em o ar parecia composta por sete manchas esverdeadas que disparavam a_toda_a velocidade como aviões a jacto . Enquanto Harry chapinhava a o longo de o corredor deserto , cruzou se com alguém que parecia tão preocupado como ele : Nick quase sem cabeça , o fantasma de a torre de os Gryffindor que olhava taciturno , por a janela , murmurando baixinho : - Não preenche os requisitos , um centímetro e meio se ... - Olá , Nick - cumprimentou Harry . - Olá , olá - disse o Nick quase sem cabeça , começando a olhar em volta . Usava um arrebatado chapéu de plumas sobre a longa cabeleira encaracolada e uma túnica com gola de tufos que disfarçava o facto de ter o pescoço quase totalmente separado de o corpo . Era pálido como o fumo e Harry podia ver através de ele o céu negro e a chuva torrencial , lá fora . - Pareces preocupado , jovem Potter - disse Nick , dobrando uma carta transparente , enquanto falava e escondendo a dentro de a jaqueta . - Tu também - retorquiu Harry . - Ah ! - o Nick quase sem cabeça acenou com a mão de forma elegante . - Uma questão sem importância . Não é_que eu quisesse realmente participar apesar_de me ter inscrito , mas , a o que parece , não preencho os requisitos . - Apesar de o seu tom jovial havia em o seu rosto uma grande amargura . - Mas era de esperar , ou não era - exclamou subitamente , tirando a carta de o bolso - que ter levado quarenta_e_cinco golpes em a cabeça com um machado ferrugento me qualificaria para entrar em o grupo de os Sem - _ Cabeça ? - Sim , sim - respondeu Harry que obviamente o outro esperava que concordasse . - Isto_é , ninguém mais do_que eu desejaria que tudo tivesse sido rápido e perfeito , poupava me muitas dores e ridículo . Mas ... O Nick quase sem cabeça abriu , furioso , a carta e leu : * _ Só podemos aceitar em o grupo homens cuja cabeça tenha sido separada de o corpo . Compreenderá que de outro modo seria impossível a os nossos membros participarem em actividades como equitação de malabarismos com a cabeça e pólo de cabeça . Lamentamos profundamente informá o de que não preenche os requisitos . * _ Os nossos melhores cumprimentos , Sir_Patrick_Delaney - _ Podmore * Furioso , o Nick quase sem cabeça atirou fora a carta . - Um centímetro de pele e tendões a segurarem me a cabeça , Harry ! A maior parte de as pessoas acharia que era mais do_que o suficiente , mas não serve para o senhor correctamente decapitado Podmore . Nick quase sem cabeça respirou fundo várias vezes e , por fim , em um tom bastante mais calmo perguntou : - Então o que é_que te preocupa ? Alguma coisa que eu possa fazer por ti ? - Não - respondeu Harry . - A_não_ser_que saibas onde posso arranjar sete Nimbus dois_mil_e_um , de_graça , para o nosso campeonato contra os Sly ... - o resto de a frase foi afogada por um miado agudo vindo de perto de os seus tornozelos . Olhou para baixo e deu consigo a fitar um par de olhos que pareciam duas lâmpadas amarelas . Era_Mrs._Norris , a gata cinzenta e esquelética usada por o encarregado Argus_Filch como uma espécie de polícia em a sua infindável batalha contra os estudantes . - É melhor saíres de aqui , Harry - preveniu Nick com toda_a calma . - O Filch não está nada bem-disposto . Anda engripado e alguns alunos de o terceiro ano , por acidente , encheram o tecto de o calabouço cinco de miolos de rã . Ele tem andado toda_a manhã a limpar e se te vê a encher tudo de lama ... - Certo - disse Harry , recuando e afastando se de o olhar acusador de Mrs._Norris , mas ... tarde de mais . Conduzido até ali por o misterioso poder que parecia ligá o a a gata , Argus_Filch entrou subitamente por uma tapeçaria que se encontrava a a direita de Harry , com a sua respiração asmática , olhando vivamente em volta em busca de o infractor . Tinha um lenço grosso , de xadrez , a a volta de a cabeça e o nariz invulgarmente arroxeado . - Imundície - gritou com os maxilares a tremer e os olhos a saltarem lhe de as órbitas , enquanto apontava para a poça de lama que pingara de a túnica de Quidditch_de_Harry . - Desarrumação e imundície em todo o lado . Estou farto disto , segue me , Potter . Harry despediu se de o Nick quase sem cabeça com um tímido aceno e seguiu Filch até lá abaixo , duplicando o número de pegadas lamacentas em o chão . Nunca entrara em o gabinete de o Filch . Era um lugar que a maior parte de os estudantes evitava . A divisão era sombria e sem janelas , iluminada por uma única lamparina de óleo que pendia de o tecto . Sentia se um vago cheiro a peixe frito . As paredes estavam forradas por ficheiros de madeira . Por as etiquetas Harry percebeu que continham os dados de todos os alunos que Filch tinha punido . Fred e George_Weasley tinham uma gaveta só para eles . Atrás de a secretária estava pendurada uma colecção bem polida de correntes e algemas . Todos sabiam que ele estava sempre a pedir a Dumbledore que o deixasse pendurar os alunos em o tecto por os tornozelos . Filch pegou em uma pena que estava sobre a secretária e começou a procurar o pergaminho . - Bosta - murmurou , furioso . - Bosta de dragão , miolos de rã , intestinos de ratazana ... eu tinha aqui bastante , onde está o form ... sim ... Tirou um enorme rolo de pergaminho de a gaveta de a secretária e estendeu o em a frente , molhando a longa pena em o tinteiro . - Nome : Harry_Potter . Crime ... - Foi só um bocadinho de lama - disse Harry . - É só um bocadinho de lama para ti , rapaz , mas para mim é mais de uma hora a esfregar - gritou Filch com um pingo a tremer de modo desagradável em a extremidade de o nariz bolboso . - Crime : manchar o castelo . Sentença proposta ... Esfregando o nariz que continuava a pingar , Filch olhou com má cara para Harry que esperava com a respiração entrecortada para ouvir a sentença . Mas quando Filch pegou em a pena ouviu se um estrondo enorme em o tecto que fez a lamparina apagar se . - PEEVES - resmungou Filch , pousando a pena , cheio de raiva . - Desta_vez apanho te . Apanho te ! E sem olhar para trás , saiu a correr a_toda_a velocidade de o gabinete , seguido de a gata , Mrs._Norris . Peeves era o * poltergeist * de a escola , uma ameaça de risota esvoaçante que vivia para fazer estragos e criar aflição . Harry não gostava lá muito de ele , mas desta_vez , não podia deixar de lhe estar grato . Na_melhor_das_hipóteses o que Peeves tivesse feito ( e parecia que agora ele destruíra qualquer coisa em grande ) distrairia Filch_de_Harry . Pensando que o melhor seria esperar que ele voltasse , Harry deixou se cair em uma cadeira carcomida por o tempo que se encontrava junto de a secretária . Havia uma coisa sobre o tampo : um grande envelope roxo e lustroso com letras prateadas em a frente . Lançando um olhar rápido a a porta para confirmar que Filch não estava de volta , Harry pegou lhe e leu : __ feitiço __ rápido Um curso por correspondência De iniciação a a magia Cheio de curiosidade , abriu o envelope e retirou o rolo de pergaminho . Uma letra curvilínea e prateada dizia : Sente se pouco a a vontade em o mundo de a magia moderna ? Dá consigo a arranjar desculpas para não fazer feitiços simples ? Tem sido censurado por o deplorável trabalho com a varinha ? Eis a resposta ! Feitiço rápido e um curso totalmente novo , infalível , de resultados rápidos e rápida aprendizagem . Centenas de bruxas e feiticeiros têm beneficiado de o método feitiço rápido ! Madam_Z._Nettles_de_Topsham escreve nos : Eu não conseguia fixar os encantamentos e as minhas poções eram alvo de risota em a família . Agora , depois de o curso feitiço rápido , tornei me o centro de as atenções em todas_as festas e os meus amigos não param de pedir me a receita de a minha brilhante solução ! O mágico D.J._Prod , de Disbury , afirma : A minha mulher costumava rir se de os meus fracos encantamentos , mas bastou um mês com o vosso fabuloso curso feitiço rápido e consegui transformá a em um iaque . Obrigado , feitiço rápido ! Fascinado , Harry folheou o resto de o conteúdo de o envelope . Para que diabo quereria o Filch um curso de feitiço rápido ? Não seria ele um feiticeiro a sério ? Harry estava a ler a lição número um : Pegando em a varinha ( algumas dicas úteis ) quando umas passadas arrastadas , lá fora , o preveniram de que Filch estava de volta . Metendo rapidamente o pergaminho dentro de o envelope , lançou o para_cima de a secretária em o preciso momento em que a porta se abriu . Filch ostentava um ar triunfante . - Aquele armário que desapareceu era extremamente valioso - vinha ele a dizer a a gata , Mrs._Norris . - Desta_vez vamos correr com o Peeves , minha linda . Os seus olhos recaíram sobre Harry e logo_a_seguir sobre o envelope de o feitiço rápido que , Harry apercebeu se tarde de mais , estava meio metro distanciado de o seu lagar inicial . O rosto pálido de Filch tornou se vermelho escarlate . Harry preparou se para uma nova onda de fúria . Filch coxeou até a a secretária , arrebatou o envelope e meteu o em uma gaveta . -- Chegaste a ... lê o ? - perguntou atabalhoadamente . - Não - mentiu Harry , sem perder tempo . As mãos nodosas de o Filch contorciam se ao_mesmo_tempo . - Se eu soubesse que ias ler a minha correspondência priv ... não que seja minha ... é para um amigo ... mesmo_assim ... Harry olhava para ele espantado . Nunca vira o Filch tão louco . Os olhos pareciam querer saltar lhe de as órbitas , com um tique em as bochechas e aquele lenço axadrezado que não ajudava nada ... - Muito bem , vai e não abras a boca sobre isto ... não que ... mesmo_assim ... se tu não leste ... vai te embora , tenho de escrever o relatório sobre o Peeves , vai . Atordoado com a sua sorte , Harry saiu de ali e largou a correr por o corredor fora e por as escadas acima . Sair de o gabinete de o Filch sem um castigo devia ser um recorde em a escola . - Harry , Harry , deu resultado ? O Nick quase sem cabeça saiu a brilhar de uma sala de aula . Atrás de ele , Harry pôde ver os destroços de um grande armário preto e dourado que parecia ter sido atirado de uma grande altura . - Convenci o Peeves a parti o mesmo em cima de o gabinete de o Filch - disse Nick entusiasmado . - Pensei que talvez o distraísse . - Foste tu ? - exclamou Harry , agradecido . - Funcionou sim . Ele não me deu nenhum castigo . Obrigado , Nick . Atravessaram o corredor juntos . O Nick quase sem cabeça , reparou Harry , ainda tinha em a mão a carta de Sir_Patrick . - Gostaria de poder fazer qualquer coisa sobre o grupo de os Sem - _ Cabeça - disse Harry . O Nick quase sem cabeça parou de repente e Harry passou através de ele . Antes não tivesse passado , foi como atravessar um duche gelado . - Mas há uma coisa que tu podes fazer por mim - disse Nick muito agitado . - Harry , seria pedir te de mais ... mas não , tu não ias querer ... - O quê ? - Bem , este ano em o * _ Hallowe'en * vai ser o meu meio milénio de dia de os mortos - disse o Nick quase sem cabeça endireitando se e adquirindo uma postura de grande dignidade . - Oh - respondeu Harry sem saber se deveria lamentar ou dar lhe os parabéns . - Certo . - Vou dar uma festa em um de os calabouços mais amplos . Vêm amigos meus de todo o país . Seria uma honra muito grande se tu aparecesses . Mr._Weasley e Miss_Granger seriam também muito bem-vindos , claro . Mas tu deves preferir o banquete de a escola , não é verdade ? - Olhou para Harry , aflito . - Não - assegurou ele rapidamente . - Eu vou . - Oh rapaz , Harry_Potter em a minha festa de os mortos - hesitou no_meio_de toda aquela excitação . - Achas que poderias referir a Sir_Patrick como me achas assustador e como te impressiono ? - É claro que sim - assegurou Harry . O Nick quase sem cabeça iluminou se em um sorriso . - Uma festa de os mortos ? - exclamou Hermione , entusiasmada , quando Harry , depois de mudar de roupa , se juntou a ela e a o Ron em a sala comum . - Aposto que não há muitas pessoas que possam gabar se de ter estado em uma festa de essas . Vai ser fantástico ! - Por_que é_que alguém se lembraria de festejar o dia em que morreu ? - perguntou o Ron que estava a meio de o seu trabalho de casa de poções e bastante maldisposto . - Parece me bastante mórbido . A chuva continuava a lamber as janelas que apresentavam agora um negro que parecia tinta , mas , lá dentro , era tudo claro e alegre . O fogo em a lareira brilhava sobre as inúmeras cadeiras de braços onde as pessoas estavam sentadas a ler , a conversar , a fazer os trabalhos de casa ou , no_caso_de Fred e George_Weasley , a tentar descobrir o que aconteceria se alimentassem uma salamandra com fogo-de-artíficio de o Filibuster . O Fred tinha « resgatado . o lagarto cor de laranja brilhante , morador de o fogo , de uma aula de tratamento de seres mágicos e ele estava agora a arder em fogo lento sobre uma mesa , rodeado de um grupo de curiosos . Harry ia começar a contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre o Filch e o curso de feitiço rápido quando a salamandra disparou por os ares , lançando faíscas e estoiros . A visão de Percy a gritar com Fred e George até ficar ronco , a fantástica exibição de estrelas cor de tangerina que choviam de a boca de a salamandra e a sua fuga para o lume acompanhada de explosões , fizeram com que Harry se esquecesse , em aquele momento , de Filch e de o curso de feitiço rápido . Quando chegou o * _ Hallowe'en * , Harry já lamentava a sua promessa imprudente de ir a a festa de os mortos . Toda_a escola antecipava , feliz , a sua festa de * _ Hallowe'en * . O salão nobre fora enfeitado com os habituais morcegos , as enormes abóboras de Hagrid tinham sido esculpidas em forma de lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro_de cada uma , e havia boatos de que Dumbledore contratara um grupo de esqueletos bailarinos para animar a festa . - Uma promessa é uma promessa - lembrou Hermione_a_Harry com o seu autoritarismo habitual . - Tu disseste que ias a a festa de os mortos . Portanto , a as sete_da_tarde , Harry , Ron e Hermione saíram , passando por a porta de o salão nobre que brilhava de modo convidativo com pratos dourados e velas e dirigiram os seus passos para os calabouços . O corredor que conduzia a a festa de o Nick quase sem cabeça tinha sido também ladeado de velas , embora o efeito estivesse longe_de ser alegre : estas eram velas muito esguias e estreitas , negras de breu , ardendo em um azul brilhante e lançando uma luz indistinta e espectral também sobre as caras de as pessoas vivas . A temperatura diminuía a cada degrau que desciam . Harry tremia e cingia a túnica a o corpo quando ouviu qualquer coisa que parecia uma centena de unhas a rasparem um enorme quadro preto . - Será que isto_é a música ? - murmurou Ron . Viraram uma esquina e viram o Nick quase sem cabeça junto de uma porta , todo vestido de veludo negro . - Meus queridos amigos - disse com ar de luto . - Bem-vindos , bem-vindos , ainda_bem que puderam vir . Em um gesto largo tirou o chapéu de plumas e fez lhes sinal para que entrassem . Era uma visão incrível . O calabouço estava cheio com centenas de pessoas de um branco pálido e translúcido , a maior parte de as quais era arrastada em uma pista de dança cheia , valsando a o som de trinta serrotes musicais . Os serrotes que compunham a orquestra encontravam se sobre um estrado enfeitado com panos negros . Um lustre lá em cima resplandecia de um azul nocturno com mais um_milhar de velas negras . A respiração de os três subiu em o ar como uma neblina . Parecia que tinham entrado em um congelador . - Vamos dar uma volta - sugeriu Harry em uma tentativa de aquecer os pés . - Cuidado , não atravessem nenhum de eles - avisou o Ron nervosamente e colocaram se em volta de a pista de dança . Passaram por um grupo escuro de freiras , por um homem esfarrapado e cheio de correntes e por o frade gordo , o divertido fantasma de os Hufflepuff que estava a conversar com um cavaleiro com uma seta enfiada em a testa . Harry não ficou nada surpreendido a o ver que o Barão sangrento , o fantasma lúgubre e berrante de os Slytherin , coberto de nódoas de sangue ; estava a ser totalmente evitado por os outros fantasmas . - Oh ! Não -- exclamou Hermione , parando bruscamente . - Voltem se , voltem se , não quero ter de cumprimentar a Murta_Queixosa . - Quem ? - perguntou Harry enquanto davam rapidamente meia volta . - Ela assombra a casa_de_banho de as raparigas de o primeiro andar - explicou Hermione . - Assombra uma casa_de_banho ? - Sim . Está inoperativa durante todo o ano porque ela tem constantes acessos de choro e inunda tudo . Eu só lá fui quando não pode mesmo evitar . É horrível tentar ir a a sanita com ela a gritar connosco . - Olhem , comida - disse o Ron . De o outro lado de o calabouço estava uma mesa igualmente coberta de velado negro . Iam para se aproximar entusiasmados , mas pararam com uma expressão de horror . O cheiro era nauseabundo . Enormes peixes podres enchiam as bonitas travessas de prata , os bolos estorricados como carvões amontoavam se em as salvas , havia uma grande quantidade de miúdos de macaco , uma tábua de queijos cobertos de bolor e , em o lugar de honra , um enorme bolo cinzento em forma de lápide com letras que pareciam alcatrão formando as palavras , * _ Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington_Morto em 31_de_Outubro , 1492 * . Harry olhou espantado quando um fantasma de porte majestoso se aproximou de a mesa inclinando se e passando através de ela com a boca aberta enquanto atravessava um salmão malcheiroso . - Consegue prová o passando através de ele ? - perguntou lhe Harry . - Quase - disse tristemente o fantasma antes de se afastar . - Devem ter deixado apodrecer tudo_isto para ter um sabor mais forte - comentou Hermione com ar de quem está bem informada , tapando o nariz e aproximando se para ver melhor os pútridos miúdos de macaco . - Podemos sair de aqui , estou a sentir me agoniado - disse o Ron . Mas mal tinham dado meia volta quando um homenzinho pequenino saiu inesperadamente de debaixo de a mesa e fez uma paragem em o ar em frente de eles . - Olá , Peeves - disse Harry cautelosamente . Ao_contrário de os outros fantasmas que os rodeavam , Peeves , o * poltergeist * era o oposto de pálido e transparente . Usava um chapéu festivo cor de laranja , um laço rotativo a o pescoço e tinha um sorriso grosseiro de malvadez , em o rosto . - Querem petiscar ? - perguntou delicadamente , oferecendo lhes uma taça de amendoins cobertos de fungos . - Não , obrigada - disse Hermione . - Ouvi te falar sobre a pobre Murta - disse Peeves com os olhos a bailar . - Que insensível que tu foste para com a pobre Murta - respirou fundo e gritou : - Oh Murta . - Oh ! Não , Peeves , não lhe contes o que eu disse , ela vai ficar muito aborrecida - murmurou Hermione bastante nervosa . - Eu não queria dizer que ... eu não me importo que ela , er , olá , Murta . O espectro atarracado de uma rapariga deslizara . Tinha o rosto mais carrancudo que Harry alguma vez vira , meio escondido por o cabelo liso e por os óculos grossos cor de pérola . - O que é ? - perguntou mal-humorada . - Como estás Murta ? - perguntou Hermione , em uma voz falsamente alegre . - É bom ver te fora de a casa_de_banho . Murta fungou . - Miss_Granger estava justamente a falar de ti - disse lhe Peeves baixinho a o ouvido . - A dizer , a dizer ... como estás bonita esta noite -- terminou Hermione , olhando irritada para Peeves . A Murta olhou para Hermione desconfiada . - Estão a divertir se a a minha custa - disse , com lágrimas de prata a encherem lhe rapidamente os olhos pequeninos . - Não , a sério , eu não estava a dizer vos como a Murta estava bonita esta noite ? - disse Hermione , dando uma palmada em as costas de o Harry e de o Ron . - Sim , sim . - Ela ... - Não me venham com mentiras - protestou a Murta , as lágrimas agora a descerem lhe por o rosto , enquanto Peeves ria baixinho por cima de o ombro de ela . - Julgam que eu não sei o que as pessoas me chamam em as minhas costas ? A Murta gorda , a Murta feia , a Murta queixosa , a Murta deprimida ! - Esqueceste te de « a Murta ponto negro » - sussurrou lhe Peeves a o ouvido . A Murta_Queixosa irrompeu em soluços de angústia e fugiu de o calabouço . Peeves disparou atrás de ela , lançando lhe uma chuva de amendoins cheios de bolor e gritando : Ponto negro ! Ponto negro ! - Oh , coitada ! - exclamou Hermione com tristeza . O Nick quase sem cabeça abria agora caminho entre a multidão para se aproximar de eles . - Estão a divertir se ? - Sim , sim - mentiram . - Uma afluência nada má - disse orgulhoso o Nick quase sem cabeça . - A viúva chorosa veio de Kent ... está quase em a hora de o meu discurso . É melhor ir avisar a orquestra . Mas a orquestra parou de tocar em esse preciso momento . Eles , e todos os outros em o calabouço , ficaram em silêncio total , olhando em volta cheios de excitação quando se ouviu uma trompa de a caça . - Lá vêm eles - disse o Nick quase sem cabeça , com alguma amargura em a voz . Por o calabouço irromperam uma_dúzia de , cavalos fantasmas , cada_um montado por um cavaleiro sem cabeça . A assistência aplaudiu vivamente . Harry começou também a bater palmas , mas parou rapidamente quando viu a cara de o Nick . Os cavalos galoparam até a o meio de a pista de dança e pararam , empinando se , dando pequenos passos para a frente e para trás , sobre as patas traseiras . Um fantasma grande em a frente , cuja cabeça barbuda estava debaixo de o braço , soprando a trompa , desmontou , levantou a cabeça bem em o ar para poder ver toda_a assistência ( todos se riam ) e dirigiu se a o Nick quase sem cabeça , comprimindo a cabeça contra o pescoço . - Bem-vindo , Patrick - disse o Nick , mantendo a sua postura rígida . - Gente viva ! - exclamou o Sir_Patrick , avistando Harry , Ron e Hermione e dando um salto de falso espanto , de_tal_modo_que a cabeça lhe caiu de_novo ( a multidão ria a bom rir ) . - Muito engraçado - disse o Nick quase sem cabeça com um ar soturno . - Não ligues a o Nick - gritou a cabeça de Sir_Patrick de o chão . - Ainda está aborrecido por não o deixarmos juntar se a o grupo . Mas olhem bem para ele ... - Eu acho - disse apressadamente Harry , a seguir a um olhar de o Nick - que o Nick é muito assustador e ... eu ... - Bah ! - gritou a cabeça de Sir_Patrick . - Aposto que ele te pediu que dissesses isso . - Gostaria de ter a vossa atenção . Chegou a altura de fazer o meu discurso - disse o Nick quase sem cabeça bem alto , dirigindo se a o pódio , subindo e parando , iluminado por uma luz azul . - Os meus sentimentos , senhores e senhoras , é com profundo pesar ... Mas já ninguém estava a ouvi o . Sir_Patrick e o resto de o grupo de os Sem - _ Cabeça tinham iniciado um jogo de hóquei de cabeça e a multidão voltara se para os observar . Nick quase sem cabeça tentou em vão recuperar a audiência , mas acabou por desistir quando a cabeça de Sir_Patrick passou por ele a_toda_a velocidade gritando vivas . Harry estava cheio de frio para não falar de a fome . - Não aguento mais isto - murmurou Ron a bater o dente enquanto a orquestra voltava a entrar em acção e os fantasmas enchiam de_novo a pista de dança . - Vamos embora - concordou Harry . Recuaram até a a porta , acenando e sorrindo a todos os que olhavam para eles e um minuto depois passavam apressadamente por a entrada cheia de velas negras . - Talvez o pudim ainda não tenha acabado - disse o Ron cheio de esperança , abrindo caminho em direcção a os degraus de o vestíbulo de a entrada . E foi então que Harry ouviu aquilo . - ... * _ Arrancar ... rasgar ... matar * ... Era a mesma voz , a mesma voz fria e assassina que ouvira em o escritório de Lockhart . Parou , agarrando se a a parede de pedra em a expectativa de ouvir melhor , olhando em volta , espreitando para_cima e para baixo de a passagem mal iluminada . - Harry que estás tu a ... ? - E aquela voz outra_vez , calem se um bocadinho . -- ... * _ Tanta fome ... há tanto tempo * ... - Ouçam insistiu Harry e Ron e Hermione ficaram estáticos a olhar para ele . - * _ Matar ... hora de matar * ... A voz ia ficando mais débil . Harry tinha a certeza de que ela estava a afastar se , a subir . Um misto de medo e excitação tomou posse de ele enquanto olhava para o tecto escuro . Como poderia ele subir ? Seria um fantasma para quem os tectos de pedra não contavam ? - Por aqui - gritou , começando a correr por as éscadas acima até a a entrada de o * hall * . Não havia hipótese de ouvir fosse o que fosse ali , o barulho de vozes que vinha de o banquete de o * _ Hallowe'en * ecoava cá fora . Harry subiu a correr a escadaria de mármore até a o primeiro andar com Ron e Hermione ruidosamente atrás . - Harry o que é_que nós ... ? - Sch ... Harry apurou o ouvido . Ao_longe , em o andar de cima , e ainda a enfraquecer , mesmo_assim ouviu a voz : - ... * Cheira-me a sangue ... cheira me a sangue ! * O estômago deu lhe uma volta . - Ele vai matar alguém - gritou e ignorando as caras perplexas de Ron e Hermione , correu , subindo mais um lanço de escadas , a três_e_três , tentando ouvir através de o ruído de os seus próprios passos . Harry correu a_toda_a velocidade pelo segundo andar com Ron e Hermione atrás e só parou quando viraram uma esquina para o último corredor abandonado . - Harry , o que foi aquilo tudo ? - perguntou o Ron , limpando o suor de o rosto . - Eu não ouvi nada ... Mas Hermione , em um sobressalto , apontou para o fundo de o corredor . - Olhem ! Alguma coisa brilhava em a parede em frente . Aproximaram se devagarinho , tentando ver em a escuridão . Alguém escrevera em letras garrafais em a parede entre duas janelas . As palavras brilhavam a a chama fraca de as tochas . : __ a câmara de os segredos foi aberta . inimigos de o herdeiro , __ cuidado . - O que é aquilo pendurado por baixo de as letras ? - perguntou Ron com um tremor em a voz . Quando se aproximaram , Harry quase escorregou . Havia uma grande poça de água em o chão . Ron e Hermione agarraram o e avançaram cautelosamente até a a mensagem , os olhos fixos em uma sombra escura , em baixo . Aperceberam se os três de imediato do_que se tratava e deram um salto para trás , salpicando tudo de água . Mrs._Norris , a gata de o encarregado , estava pendurada por a cauda em o suporte de a tocha . Tinha o corpo rígido como uma tábua e os olhos abertos . Durante alguns segundos ninguém se mexeu . Depois o Ron disse : - Vamos sair de aqui . - Não devíamos tentar ajudar ? - propôs Harry , sem graça . - Acredita - assegurou o Ron . - É melhor que não nos encontrem aqui . Mas era tarde de mais . Um ruído surdo e prolongado , como um trovejar distante , avisou os de que o festim tinha terminado . De ambos os lados de o corredor onde eles estavam , veio o som de centenas de pés a subirem a escadaria e as vozes alegres de gente bem alimentada . Em o momento seguinte os alunos chegavam junto de eles de ambos os lados . O burburinho morreu subitamente mal as pessoas avistaram a gata pendurada . Harry , Ron e Hermione estavam de pé , sozinhos , em o meio de o corredor quando se fez silêncio em a multidão de estudantes que se empurravam para observar aquele quadro macabro . Então alguém gritou , quebrando o silêncio . - Inimigos de o herdeiro , cuidado . Vocês serão os próximos , sangue de lama ! Era_Draco_Malfoy . Estava a a frente de a multidão com os olhos frios a brilhar , a sua cara habitualmente pálida agora afogueada , sorrindo a a vista de a gata pendurada e imóvel . IX_As palavras em a parede -- O que é_que se passa aqui ? O que é_que se passa ? Sem dúvida , atraído por o grito de Malfoy , Argus_Filch apareceu a coxear em o meio de a multidão . Quando viu Mrs._Norris , caiu para trás agarrando o rosto com verdadeiro horror . - A minha gata ! A minha gata ! O que aconteceu a Mrs._Norris ? - gritou . E os seus olhos rápidos caíram sobre Harry . - Tu - guinchou ele . - Mataste a minha gata ! Mataste a , vou dar cabo de ti , eu ... - Argus . Dumbledore tinha chegado a o lugar , seguido de alguns professores . Em poucos segundos tinha passado a a frente de Harry , Ron e Hermione e desatado Mrs._Norris de o suporte de a tocha . - Vem comigo , Argus - disse ele a o Filch . - Vocês também , Mr._Potter , Mr._Weasley e Miss_Granger . Lockhart deu rapidamente um passo em frente . - O meu escritório é o que está mais perto , senhor director , é já aqui em cima , por favor fiquem a a vontade . - Obrigado , Gilderoy - disse Dumbledore . A multidão silenciosa dividiu se para os deixar passar . Lockhart sentindo se excitado e importante , seguia Dumbledore assim_como a professora Mc_Gonagall e o professor Snape . Quando entraram em o escritório escuro de Lockhart houve uma grande agitação em as paredes . Harry viu várias imagens de Lockhart a esconderem se cheias de rolos em o cabelo . O Lockhart em pessoa acendeu as velas e chegou se mais para trás . Dumbledore pôs Mrs._Norris em a superfície polida de a secretária e começou a examiná a . Harry , Ron e Hermione trocaram olhares tensos entre si e deixaram se cair em as cadeiras que se encontravam longe de a luz , a observar . A ponta de o nariz longo e adunco de Dumbledore estava a menos_de dois centímetros de o pêlo de Mrs._Norris . Ele olhava a de perto através de os óculos de meia-lua , os dedos longos a palpar e tactear suavemente . A professora Mc_Gonagall estava quase tão perto como ele , com os olhos contraídos . Snape surgia mais atrás , meio em a sombra , com uma expressão estranha em o rosto , como_se tentasse a_toda_a força sorrir . E Lockhart andava de um lado para o outro a dar sugestões . - Foi sem dúvida uma maldição que a matou , provavelmente a tortura de a metamorfose . Vi a muitas_vezes ser usada , mas infelizmente eu não estava lá quando isto aconteceu . Conheço o antídoto para essa maldição , o que a teria salvo . Os comentários de Lockhart foram interrompidos por os soluços secos e violentos de Filch . Estava afundado em uma cadeira junto de a secretária , incapaz de olhar para Mrs._Norris , com o rosto em as mãos . Por mais que detestasse Filch , Harry não pôde deixar de sentir pena de ele embora não tanta quanto_a que sentia por si próprio . Se Dumbledore acreditasse em o Filch ele seria certamente expulso . O director estava agora a sussurrar umas palavras estranhas e batendo em Mrs._Norris com a varinha , mas não aconteceu nada , ela continuou com o mesmo aspecto , como_se tivesse sido empalhada . - ... Lembro me de uma coisa semelhante que aconteceu em Ouagadogou - disse LockLart . - Uma série de ataques . Conto essa história em a minha autobiografia . Eu dei a a gente de a cidade vários amuletos que resolveram logo a situação ... As fotografias de Lockhart em as paredes iam acenando afirmativamente com a cabeça enquanto ele falava . Uma de elas esquecera se de tirar os rolos de o cabelo . Por fim , Dumbledore endireitou se . - Ela não está morta , Argus - disse suavemente . Lockhart interrompeu bruscamente a contagem de os crimes que conseguira evitar . - Não está morta ? - disse Filch em um sufoco , olhando através de os dedos para Mrs._Norris . - Mas , porque está ela rígida e gelada ? - Foi petrificada - disse Dumbledore ( Ah ! foi o que eu pensei ! - comentou Lockhart ) mas como , não posso afirmar . - Pergunte lhe - gritou Filch , voltando a cara cheia de furúnculos e lágrimas para Harry . - Nenhum aluno de o segundo ano poderia ter feito isto - explicou Dumbledore . - Era preciso um grande conhecimento de magia negra . - Foi ele , foi ele - disse encolerizado o encarregado com a cara a ficar roxa . - O senhor viu o que ele escreveu em a parede . Ele descobriu em o meu gabinete , ele sabe que eu sou um ... - O rosto de Filch estava horrível . - Ele sabe que eu sou um * _ busca-pé * - disse por fim . - Eu não toquei em a Mrs._Norris - gritou Harry com todos os olhares a recaírem sobre ele , incluindo o de todos os Lockharts de a parede . - E eu nem sei o que é um * busca-pé * . - Mentira ! - gritou Filch . - Ele viu a minha carta de o feitiço rápido . - Se me permite que dê a minha opinião , senhor director - disse Snape , saindo de a sombra , e a sensação de mau presságio de Harry aumentou bastante . Certamente nada do_que Snape tinha para de dizer iria ajudá o . - O Potter e os amigos podiam estar simplesmente em o lugar errado em a altura errada - afirmou com um leve sorriso a torcer lhe a boca como_se tivesse as suas dúvidas . - Mas , temos aqui um conjunto de circunstâncias curiosas . Porque estavam eles afinal em o corredor ? Porque não estiveram presentes em a festa de o * _ Hallowe'en * ? Harry , Ron e Hermione começaram uma longa explicação sobre a festa de o dia de os mortos . - Estavam lá centenas de fantasmas , eles poderão confirmar que lá estivemos ... - Mas porque não foram a seguir a o banquete ? - perguntou Snape com os olhos pretos a brilharem a a luz de as velas . - Porquê ir até a aquele corredor ? Ron e Hermione olharam para Harry . - Porque , porque ... - balbuciou Harry , com o coração a querer saltar lhe de o peito , mas algo lhe disse que ia parecer muito rebuscado se lhes contasse que tinha sido levado até ali por uma voz sem corpo que só ele conseguia ouvir . - Porque estávamos cansados e queríamos ir para a cama - disse . - Sem jantar ? - inquiriu Snape com um sorriso triunfante a bailar lhe em o rosto lúgubre . - Não sabia que os fantasmas ofereciam em as suas festas comida para gente viva . - Não estávamos com fome - disse o Ron bem alto , enquanto o estômago se queixava de forma audível . O sorriso mesquinho de a Snape ampliou se . - Acho , senhor director , que Potter não está a dizer toda_a verdade - afirmou . - Talvez fosse boa ideia retirar lhe alguns privilégios , até ele estar disposto a contar nos a história toda . Pessoalmente , sugiro que seja retirado de a equipa de os Gryffindor até decidir ser honesto . - Francamente , Severus - exclamou a professora Mc_Gonagall com uma voz cortante . - Não vejo porquê impedir o rapaz de jogar Quidditch . Esta gata não levou pauladas em a cabeça dadas por nenhum cabo de vassoura . E não há provas de que o Potter tenha feito algo de mal . Dumbledore observava Harry com um olhar perscrutador . A voz tremeluzente de os seus olhos azuis fez Harry sentir que estava a ser passado a raios X. - Inocente até se provar que é culpado , Severus - disse com segurança . Snape estava furioso , assim_como Filch . - A minha gata foi petrificada ! - berrou , com os olhos a saltarem de as órbitas . - Quero ver um castigo ! - Vamos poder curá a , Argus - explicou pacientemente Dumbledore . - Madam_Sprout conseguiu arranjar algumas Mandrágoras . Logo_que tenham atingido o tamanho adulto , terei uma poção de Mandrágoras que reanimará Mrs._Norris . - Eu posso fazê a - interrompeu Lockhart . - Devo ter feito isso uma centena de vezes . Preparo uma golada de Mandrágora reconstituinte de olhos fechados ... - Perdão - disse Snape friamente -- , mas julgo que o professor de poções de esta escola ainda sou eu . Houve um silêncio bastante incómodo . - Vocês podem ir se embora - disse Dumbledore a o Harry , Ron e a Hermione . Eles saíram o mais depressa que puderam , sem ir a correr . Quando chegaram a o andar acima de o escritório de Lockhart , entraram em uma sala de aulas vazia e fecharam a porta devagarinho . Harry lançou um olhar de esguelha a as caras carrancudas de os amigos . - Acham que eu lhes devia ter falado de a voz que ouvi ? - Não - respondeu Ron , sem a mínima hesitação . - Ouvir vozes que mais ninguém ouve , não é bom sinal , nem em o mundo de os feiticeiros . Algo em a voz de Ron levou Harry a fazer a pergunta : - Tu acreditas em mim , não acreditas ? - Claro que sim - respondeu o Ron de imediato . - Mas tens de concordar que é esquisito ... - Eu sei que é esquisito - confirmou Harry . - É tudo esquisito . O que era aquilo escrito em a parede ? * _ A_Câmara foi aberta * , o que é_que significa ? - Sabes , faz me lembrar qualquer coisa - disse Ron lentamente . - Acho que alguém me contou uma história sobre uma câmara secreta em Hogwarts , talvez tenha sido o Bill ... - E que diabos é um * busca-pé * ? - perguntou Harry . Para sua surpresa , Ron abafou o riso . - Bem , em a verdade não tem graça nenhuma , mas como é o Filch ... - disse . - Um * busca-pé * é alguém que nasceu de uma família de feiticeiros , mas não tem poderes mágicos . É uma espécie de o oposto de os que vêm de famílias de Muggles , mas são feiticeiros . Os * busca-pé * são muito raros . Se o Filch está a tentar aprender magia em um curso rápido , acho que ele deve ser mesmo um busca-pé . Isso explicaria tudo , por_exemplo , porque detesta tanto os estudantes . - Ron sorriu satisfeito . - Tem inveja . Um relógio deu as horas , algures . - Meia-noite - disse Harry . - É melhor irmo nos deitar , antes que o Snape apareça e tente acusar nos de qualquer coisa . Durante alguns dias não se falou de outra coisa em a escola a não ser de o ataque a a gata , Mrs._Norris . Filch manteve o sucedido bem fresco em a memória de todos , andando de um lado para o outro em o lugar onde ela fora atacada , como_se esperasse por o responsável . Harry vira o esfregar a mensagem de a parede com a « solução removedora de toda_a porcaria mágica Mrs._Skower » , mas sem qualquer resultado . As palavras continuavam a brilhar tanto como antes sobre a pedra . Quando Filch não estava a patrulhar a cena de o crime , vagueava , de olhos avermelhados , por os corredores , perseguindo alunos insuspeitos e tentando aplicar lhes castigos por coisas como « respirar muito alto » ou « estar alegre » . Ginny_Weasley parecia muito perturbada com o destino de Mrs._Norris . Segundo Ron ela era uma amante de gatos . - Mas tu nem chegaste a conhecer bem Mrs._Norris - disse lhe Ron para a animar . - Com toda_a franqueza , estamos muito melhor sem ela . - O lábio de Ginny tremeu . - Não é costume acontecerem coisas de estas em Hogwarts - tranquilizou a . - Eles vão descobrir o safado que fez aquilo e põem o de aqui para fora em três tempos . - Só espero que tenha tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso . Estou a brincar , claro - acrescentou o Ron apressadamente a o ver a Ginny a empalidecer . O ataque afectara também Hermione . Era costume de ela passar muito_tempo a ler , mas agora parecia não fazer mais_nada . Nem respondia a o Harry e a o Ron quando lhe perguntavam o que estava a fazer e só acabaram por descobrir em a quarta-feira seguinte . Harry tivera de ficar até mais tarde em a sala de poções onde Snape o mandara raspar restos de larvas de as secretárias . Depois de um almoço comido a a pressa , ele foi lá acima encontrar se com Ron em a biblioteca e viu Justin_Finch - _ Fletchley , o rapaz de os Hufflepuff de herbologia que vinha em direcção a ele . Harry tinha acabado de abrir a boca para dizer um « Olá » quando Justin o viu , voltando se bruscamente e mudando de direcção . Harry foi encontrar o Ron em as traseiras de a biblioteca , a medir o trabalho de casa de história de a magia . O professor Binns pedira uma composição sobre a Assembleia_Medieval_de_Feiticeiros_Europeus com 90cm . De extensão . - Não posso crer que ainda me faltem 16cm - disse o Ron furioso , largando o pergaminho que se enrolou em forma de tubo - e que a Hermione fez um metro e trinta em aquela letra pequenina e apertadinha . - Onde está ela ? - perguntou Harry , agarrando em a fita métrica e desembrulhando o seu trabalho de casa . - Algures por aí - disse o Ron , apontando para as estantes . - _ a a procura de outro livro . Acho que ela está a tentar ler a biblioteca toda antes de o Natal . Harry contou a Ron que Justin_Finch - _ Fletchley tinha evitado falar lhe . - Não sei porque te preocupas com isso . Eu achei o um idiota - disse o Ron , escrevinhando e fazendo a letra o maior possível . - Todo aquele disparate sobre o Lockhart ser tão grande ... Hermione surgiu de o meio de as estantes . Parecia irritada e disposta , por fim , a falar com eles . - Todos os exemplares de * _ Hogwarts : Uma História * foram requisitados - disse , sentando se ao_lado_de Harry e Ron . - E há uma lista de espera de duas semanas . Quem me dera não ter deixado o meu exemplar em casa , mas não consegui que coubesse em a mala com todos os livros de o Lockhart . - Para que o queres ? - perguntou Harry . - Pelo mesmo motivo que toda_a_gente o quer - disse Hermione . - Para ler a lenda de a Câmara_dos_Segredos . - O que é isso ? - Precisamente . Não me lembro - disse Hermione , mordendo o lábio . - E não encontro a História em lugar nenhum . - Hermione , deixa me ler o teu trabalho - pediu Ron desesperado , olhando para o relógio . - Não , não deixo - respondeu Hermione com um ar severo . - Tiveste dez dias para o fazer . - Só preciso de mais quatro centímetros , vá lá ... A campainha tocou . Ron e Hermione encaminharam se para a História_da_Magia , discutindo . A História_da_Magia era a matéria mais chata de o programa . O professor Binns , que dava a cadeira , era o único professor fantasma e a coisa mais excitante que aconteceu em as suas aulas foi o dia em que entrou por o quadro preto . Já velho e enrugado , muita gente afirmava a seu respeito que ele não dera por_que tinha morrido . Pura e simplesmente levantara se um dia para ir dar aulas , deixando o corpo atrás , em um cadeirão em frente de a lareira de a sala de os professores . Desde esse dia a sua rotina mantivera se igual . Era hoje tão chato como fora sempre . Abriu as notas e começou a ler em um tom monocórdico como um velho aspirador até quase todos os alunos estarem em um estado de profunda dormência , acordando de vez em quando , para tomar nota de um nome ou de uma data , e voltando a adormecer . Estava a falar havia meia_hora quando aconteceu algo que nunca tinha acontecido . Hermione pôs o braço em o ar . O professor Binns olhou de relance , em o meio de a chatíssima aula sobre a Convenção_Internacional_de_Feiticeiros de 1289 , verdadeiramente espantado . - Miss ... er ... ? - Granger , professor . Poderia dizer nos alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Hermione em uma voz bem audível . O Dean_Thomas , que tinha estado sentado de boca aberta olhando para fora de a janela , saiu de o seu transe com um salto . A cabeça de Lavender_Brown saiu de os braços e o cotovelo de o Neville_Longbottom escorregou para fora de a secretária . O professor Binns piscou os olhos . - A minha matéria é História_da_Magia - disse em a sua voz seca e asmática . - Eu trato de factos , Miss_Granger , não de mitos e lendas - pigarreou produzindo um ruído que parecia o giz sobre o quadro e continuou : - Em Setembro de esse ano , uma subcomissão de feiticeiros de a Sardenha ... Parou de repente . A mão de Hermione estava de_novo em o ar . - Sim , Miss_Grant ? - Por favor , professor , as lendas não têm sempre um facto como base ? O professor Binns olhava para ela com tal espanto que Harry teve a certeza de que ele nunca , em tempo algum , fora interrompido por um aluno . - Bem - disse lentamente o professor Binns . - Sim , é uma afirmação que pode fazer se . - Olhou para Hermione como_se fosse a primeira vez que olhasse a sério para um estudante . - Contudo , a lenda de que me fala é tão extraordinária , mesmo grotesca ... Mas a aula inteira estava agora atenta a as palavras de o professor , que olhou indistintamente para todos eles . Harry poderia assegurar que ele estava absolutamente abismado por uma tão grande demonstração de interesse . - Muito bem - disse lentamente . - Ora vejamos ... a Câmara_dos_Segredos . Todos vocês sabem com certeza que Hogwarts foi fundada há mais de um_milhar de anos , não se conhece ao_certo a data , por os quatro maiores feiticeiros e feiticeiras de a época : Godric_Gryffindor , Helga_Hufflepuff , Rowena_Ravenclaw e Salazar_Slytherin . Construíram juntos este castelo , longe de os olhares curiosos de os Muggles porque em aquele tempo a magia era temida por as pessoas comuns e as bruxas e feiticeiros sofriam terríveis perseguições . Fez uma pausa , olhou indeciso em volta e prosseguiu : - Durante alguns anos , os fundadores trabalharam juntos em harmonia procurando outros mais novos que mostrassem sinais de possuir dotes mágicos e trazendo os para o castelo para aqui serem ensinados . Mas os desentendimentos surgiram entre eles . Começou a notar se uma divisão entre Slytherin e os outros . Salazar_Slytherin queria ser mais selectivo em relação a os alunos a serem admitidos em Hogwarts . Achava que os ensinamentos de magia deviam ficar dentro de as famílias de feiticeiros . Não lhe agradava a entrada em a escola de alunos de famílias Muggles porque os achava pouco dignos de confiança . Depois de algum tempo houve uma séria discussão sobre esse assunto entre Slytherin e Gryffindor e Slytherin abandonou a escola . O professor Binns fez uma nova pausa , fazendo beicinho o que o fazia parecer uma tartaruga enrugada . - Fontes fidedignas referem nos isto - disse . - Mas estes factos foram obscurecidos por a fantasiosa lenda de a Câmara_dos_Segredos . Conta a história que Slytherin construíra uma câmara oculta dentro de o castelo cuja existência os outros fundadores ignoravam . De_acordo com a lenda , Slytherin selou a Câmara_dos_Segredos para que ninguém pudesse abri a até o seu verdadeiro herdeiro chegar a a escola . O herdeiro , e apenas ele , poderia abrir a Câmara_dos_Segredos , libertar o horror que lá se encontrava e utilizá o para expurgar a escola de todos aqueles que eram indignos de aprender magia . Houve um silêncio quando ele se calou que não era o habitual silêncio de sono de as aulas de o professor Binns . Havia um desassossego em o ar enquanto todos continuavam a olhá o a a espera de mais . O professor Binns estava ligeiramente aborrecido . - A história toda é um disparate , claro - disse ele . - A escola foi revistada por várias vezes em busca de provas de a existência de essa câmara , por os feiticeiros e bruxas mais conhecedores . Não existe nada . Uma lenda que serviu apenas para assustar os ingénuos . A mão de Hermione estava novamente em o ar . - Professor , o que quer_dizer , ao_certo com « o horror que estava dentro de a câmara » ? - Acredita se que seja uma espécie de monstro que só o herdeiro de Slytherin pode controlar - disse o professor Binns em a sua voz seca e débil . A aula trocou entre si olhares inquietos . - Como vos digo , a coisa não existe - afirmou o professor Binns , desordenando as suas notas . - Não há câmara e não há monstro . - Mas , professor - disse Seamus_Finnigan . - Se a câmara só podia ser aberta por o herdeiro de Slytherin ninguém mais poderia encontrá a . Não é ? - Um disparate pegado - disse o professor Binns , em um tom de voz exasperado . - Se uma longa sucessão de directores e directoras de Hogwarts não a encontraram ... - Mas , professor - começou a dizer Parvati_Patil . Se_calhar é preciso usar magia negra para a abrir ... - Lá porque um feiticeiro não usa magia negra não quer_dizer que não possa , Miss_Pennyfeather - interrompeu o professor Binns . - Repito , se os antecessores de Dumbledore ... - Mas talvez seja preciso fazer parte de os Slytherin , por isso Dumbledore não podia ... - começou Dean_Thomas , mas o professor Binns já estava farto . - Já chega - disse , de modo cortante . - É um mito . Não existe . Não há uma única prova de que Slytherin tenha construído nem mesmo uma despensa para vassouras . Lamento ter vos contado esta história tola . Vamos voltar , se fazem o favor , a a História , a os factos sólidos , verificáveis , credíveis . E em menos_de cinco minutos toda_a classe mergulhara em a sua sonolência habitual . - Eu sempre ouvi dizer que Salazar_Slytherin era um velho retorcido e meio pateta - disse Ron_a_Harry e Hermione enquanto abriam caminho por os corredores cheios , em o final de a aula , para ir arrumar as malas antes de o jantar . - Mas não sabia que ele tinha começado esta coisa de o sangue puro . Eu não ia para os Slytherin nem que me pagassem . Se o chapéu seleccionador me tivesse posto lá , pegava em as malas e ia me embora ... Hermione acenou vivamente , mas Harry não abriu a boca . O estômago parecia ter dado uma volta . Harry nunca contara a o Ron e a a Hermione que o chapéu seleccionador tinha considerado seriamente a possibilidade de o colocar em os Slytherin . Lembrava se como_se tivesse sido em a véspera do_que a vozinha lhe dissera a o ouvido quando pôs o chapéu em a cabeça , um ano antes . * _ Podias vir a ser grande , sabes ? Está tudo aqui em a tua cabeça e Slytherin ajudaria te em o caminho para a grandeza , sem a menor dúvida * ... Mas Harry , que já ouvira falar de a fama de o grupo de os Slytherin de formar magos negros , pensou desesperadamente . - Em os Slytherin , não ! - E o chapéu tinha dito . - Bem , se tens assim tanta certeza ... será melhor os Gryfffndor . Enquanto eram empurrados por a multidão , Colin_Creevey passou por eles . - Olá , Harry ! - Olá , Colin - disse Harry automaticamente . - Harry , Harry , um rapaz de a minha turma tem andado a dizer que tu és ... Mas Colin era tão baixinho que não conseguiu lutar contra a maré de gente que o arrastou até a o vestíbulo . Ouviram o despedir se : - Adeus , Harry - e desaparecer . - O que é_que o rapaz de a turma de ele disse de ti ? - quis saber Hermione . - Que eu sou o herdeiro de Slytherin , imagino - disse Harry , com o estômago ainda a as voltas e lembrou se de repente de o Justin_Finch - _ Fletchley a fugir para não lhe falar , a a hora de o almoço . - As pessoas aqui acreditam em tudo - disse o Ron com repugnância . A multidão diminuiu e conseguiram subir as escadas sem dificuldade . - Achas mesmo_que existe uma Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Ron_a_Hermione . - Não sei - respondeu ela , franzindo a testa . - Dumbledore não conseguiu curar Mrs._Norris e isso leva me a pensar que o que a atacou pode não ser ... humano . Enquanto falava , voltaram uma esquina e encontraram se em o fim de aquele mesmo corredor onde o ataque tinha ocorrido . Pararam para olhar . Estava tudo igual a aquela outra noite , com excepção de a gata Mrs._Norris e havia uma cadeira vazia encostada a a parede , onde podia ler se a mensagem « : __ a câmara foi __ aberta » . - Foi aqui que o Filch montou a guarda - murmurou Ron . Olharam uns para os outros . O corredor estava deserto . - Não deve fazer mal dar uma olhadela aqui - disse Harry , deixando cair a mala e pondo se de quatro para poder gatinhar em busca de pistas . - Marcas de queimadura - disse - aqui e aqui ... - Venham ver isto ! - chamou Hermione . - Que estranho ... Harry levantou se e foi até a a janela que ficava junto de a mensagem . Hermione apontava para o vidro mais alto , onde cerca de uma vintena de aranhas se debatiam em uma aparente luta por atravessar por uma pequena brecha de vidro . Um longo fio prateado balouçava como uma corda , como_se todas tivessem trepado , em a ânsia de chegar lá fora . - Alguma vez viram aranhas agir assim ? - perguntou Hermione , curiosa . - Não - respondeu Harry . - E tu , Ron ? Ron ? Olhou por cima de o ombro . Ron estava de costas , bem lá atrás e parecia lutar contra o impulso de se virar . - O que é_que se passa ? - perguntou Harry . - Eu não gosto de aranhas - disse Ron , de modo tenso . - Nunca me tinhas dito - comentou Hermione , olhando para ele com surpresa . - Estás farto de usar aranhas em as poções ... - Não me importo quando estão mortas - explicou Ron que olhava cautelosamente para todos os lados , menos para a janela . - Não gosto de a maneira como_se mexem . Hermione riu se baixinho . - Não tem graça nenhuma - disse o Ron , furioso . - Se queres saber , quando eu tinha três anos , o Fred transformou o meu ursinho de pelúcia em uma enorme aranha nojenta , por eu lhe ter partido a vassoura de brinquedo . Tu também não gostarias de aranhas se estivesses agarrada a o teu ursinho e , de repente , ele tivesse uma data de pernas e ... Começou a tremer ... Hermione ainda estava a tentar conter o riso . Sentindo que era melhor mudarem de assunto , Harry perguntou : - Lembram se de a água que havia aqui em o chão ? De onde terá vindo ? Alguém a limpou . - Era por aqui - disse o Ron , já recuperado , avançando alguns passos em direcção a a cadeira de o Filch e apontando . - Junto de esta porta . Estendeu a mão para o puxador de a porta , mas retirou a de imediato , como_se se tivesse queimado . - O que foi ? - perguntou Harry . - Não posso entrar aí - disse o Ron bruscamente . - É a casa_de_banho de as raparigas . - Oh , Ron , não está aí ninguém - sossegou o Hermione enquanto se aproximava . - É o lugar de a Murta_Queixosa . Anda , vamos dar uma espreitadela . E ignorando o grande letreiro que dizia « Fora de serviço » Hermione abriu a porta . Era a casa_de_banho mais sombria e deprimente em que Harry tinha posto os pés durante toda_a sua vida . Debaixo_de um grande espelho partido e sujo podia ver se uma fila de lavatórios de pedra , rachados . O chão estava húmido e reflectia a luz fraca de os pavios de algumas velas que ardiam baixinho em os suportes . As portas de madeira de os cubículos estavam todas lascadas e riscadas e uma de elas balouçava fora de as dobradiças . Hermione levou os dedos a os lábios e foi até a o último cubículo . Quando lá chegou disse : - Olá , Murta , como estás ? Harry e Ron foram ver . A Murta_Queixosa flutuava em a cisterna de a casa_de_banho , tirando um ponto negro de o queixo . - Esta é a casa_de_banho de as raparigas - disse a o ver o Ron e o Harry . - Eles não são raparigas . - Não - concordou Hermione . - Eu só queria mostrar lhes como esta casa_de_banho é ... er ... simpática . Ela fez um aceno vago a o velho espelho sujo e a o chão húmido . - Pergunta lhe se viu alguma coisa - sussurrou o Ron a a Hermione . - Porque estão a dizer segredinhos ? - perguntou a Murta , fitando o . - Não é nada - disse Harry rapidamente . - Queríamos perguntar ... - Gostava que as pessoas parassem de falar em as minhas costas ! - desabafou a Murta em uma voz abafada por as lágrimas . - Eu tenho sentimentos , sabem , apesar_de estar morta . - Murta , ninguém quis aborrecer te - explicou Hermione . - O Harry só ... - A minha vida foi uma infelicidade em este lugar e agora as pessoas vêm estragar a minha morte . - Nós queríamos perguntar te se tinhas visto alguma coisa estranha ultimamente - disse Hermione sem perder tempo . - Porque foi atacada uma gata mesmo aqui a a frente de a tua porta em a noite de o * _ Hallowe'en * . - Viste alguém aqui perto em essa noite ? - insistiu Harry . - Não estava a prestar atenção - disse a Murta com ar dramático . - O Peeves aborreceu me tanto que vim aqui para tentar matar me . Só então me lembrei de que estou ... de que estou ... - Já morta - ajudou o Ron . A Murta soluçou tragicamente , elevou se em o ar , voltou se e mergulhou de cabeça em a sanita , espalhando água por_cima_de todos eles e desaparecendo . Por o som de os seus soluços abafados fora certamente descansar algures em o cano em forma de V._Harry e Ron ficaram de boca aberta , mas Hermione encolheu os ombros de cansaço e disse : - Se querem saber , para a Murta isto até foi alegre ... vá , vamos embora . Harry tinha acabado de fechar a porta deixando atrás os soluços gorgolejantes de a Murta quando uma voz forte o fez dar um salto . - RON ! Percy_Weasley estava parado em o cimo de as escadas com o seu distintivo de prefeito a brilhar e uma expressão chocadíssima em o rosto . - Isso é a casa_de_banho de as raparigas ... o que é_que vocês ... ? - Estávamos só a dar uma vista de olhos - exclamou o Ron - a a procura de pistas ... Percy engoliu em seco , de uma maneira que fez Harry lembrar se de Mrs._Weasley . - Saiam imediatamente de aqui - disse , aproximando se de eles a passos largos e gesticulando agitadamente . - Não se preocupam com as aparências ? Voltar aqui enquanto toda_a_gente está a jantar ... - Porque não havíamos de estar aqui ? - perguntou cheio de vivacidade o Ron , parando de repente e olhando Percy em os olhos . - Ouve lá , nós não tocamos em aquela gata . - Isso foi o que eu tentei explicar a a Ginny - respondeu Percy furioso - mas ela parece continuar a pensar que vocês vão ser expulsos . Nunca a vi tão aflita . Não pára de chorar . Devias pensar em ela . Todos os alunos de o primeiro ano andam superexcitados com esta história . - Tu não estás nada preocupado com a Ginny - disse o Ron já com as orelhas vermelhas . - O que te assusta é_que eu possa estragar as tuas possibilidades de ser chefe de turma . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor ! - bradou Percy , apontando elegantemente para o distintivo de prefeito . - E espero que te sirva de lição . Acabou se o trabalho de detective ou escrevo a a mãe a contar lhe . E voltou lhes as costas , a nuca tão vermelha como as orelhas de o Ron . Harry , Ron e Hermione , em essa noite , sentaram se em a sala comum o mais longe possível de Percy . Ron estava ainda muito maldisposto e não parava de esborratar o trabalho de casa de os encantamentos . Quando pegou distraidamente em a varinha para tirar as manchas incendiou o pergaminho . A deitar quase tanto fumo como o seu trabalho de casa , fechou bruscamente o * _ Livro_Padrão_de_Encantamentos de o 2.o Grau * . Para grande surpresa de Harry , Hermione fez o mesmo . - Mas quem poderia ser - perguntou ela baixinho como_se continuasse uma conversa que tinham acabado de ter . - Quem quereria todos os * busca-pés * e filhos de Muggles fora de Hogwarts ? - Vamos pensar - disse o Ron em a brincadeira , fingindo estar confuso . - Quem poderemos nós conhecer que ache que os familiares de Muggles são escumalha ? Olhou para Hermione . Ela olhou para ele pouco convencida . - Se estás a pensar em o Malfoy ... - Claro que estou - disse o Ron . - Tu ouviste o dizer : - Vocês serão os próximos , sangues de lama ! - Aliás , basta olhar para aquela cara de renegado para saber que ele é ... - Malfoy , o herdeiro de Slytherin ? - repetiu Hermione cepticamente . - Olha para a família de ele - disse Harry , fechando também os livros . - Todos eles estiveram em os Slytherin . O Draco está sempre a vangloriar se de isso . Podiam bem ser descendentes de Slytherin . O pai de ele é suficientemente mau . - Podiam perfeitamente ter tido a chave de a Câmara_dos_Segredos durante séculos - disse Ron - , fazendo a passar de pai para filho . - Bem - acedeu Hermione cautelosamente . - Seria possível ... - Mas como prová o ? - perguntou Harry tristemente . - Talvez haja um meio - sugeriu Hermione lentamente , baixando ainda mais a voz e lançando um olhar , através de a sala , a Percy . - É claro que não é fácil . E é perigoso , muito perigoso . Suponho que iríamos infringir cerca de cinquenta regras de a escola . - Se de aqui a um mês ou dois te decidires a explicar , avisa , está bem ? - disse Ron , que começava a ficar irritado . - Está bem - concordou Hermione friamente . - O que precisaríamos de fazer para entrar em a sala comum de os Slytherin e fazer algumas perguntas a o Malfoy , sem ele perceber que éramos nós ? - Mas isso é impossível - declarou Harry , enquanto Ron se ria . - Não , não é - continuou Hermione . - Só precisamos de um_pouco de poção * polisuco * . - O que é isso ? - perguntaram ao_mesmo_tempo Ron e Harry . - O Snape falou de ela em uma aula , há poucas semanas atrás . - Achas que não temos mais o que fazer do_que ouvir o Snape ? - murmurou o Ron . - Transforma nos em outra pessoa . Pensem em isso : podíamos transformar nos em três de os Slytherin . Ninguém saberia que éramos nós . É provável que o Malfoy nos contasse alguma coisa . Aposto que ele está a gabar se , em este momento , em a sala de os Slytherin , se ao_menos pudéssemos ouvi o . - Essa coisa de o * polisuco * cheira me um bocado mal - disse o Ron , franzindo as sobrancelhas . - E se ficarmos com a forma de os três Slytherin para sempre ? - Desaparece a o fim de algum tempo - disse Hermione , gesticulando impacientemente com a mão - mas conseguir a receita é muito difícil . O Snape disse que vinha em um livro chamado * _ As_Mais_Potentes_Poções * e está com certeza em a parte de os reservados de a biblioteca . Só havia uma maneira de obter o livro de os reservados : era com uma autorização assinada por um professor . - Não estou a ver porque quereríamos o livro - disse o Ron . - Se não para tentar fabricar uma de as poções . - Eu acho - sugeriu Hermione - que se fizéssemos parecer que o nosso interesse era apenas teórico , talvez conseguíssemos ... - Estás a sonhar , nenhum professor ia cair em essa - afirmou o Ron . - Só se fosse muito burro . X_A * bludger * perigosa Depois de o desastroso incidente de os duendes , o professor Lockhart não voltou a levar seres vivos para as aulas . Em vez de isso , lia a os alunos passagens de os seus livros e , por vezes , voltava a desempenhar alguns de os episódios mais dramáticos . Costumava chamar Harry para o ajudar em essas reconstruções . Até ali Harry fora obrigado a desempenhar o papel de um camponês de a Transilvânia que Lockhart curara de uma maldição murmurada , o abominável homem de as neves com dores de cabeça e um vampiro que depois de ter conhecido Lockhart tinha ficado incapaz de comer outra coisa que não fosse alfaces . Harry foi chamado para a frente de a classe durante a aula de Defesa contra as artes negras que se seguiu . Desta_vez para desempenhar o papel de um lobisomem . Se não tivesse um bom motivo para querer ver o Lockhart bem-disposto , teria se recusado . - Um uivo bem alto , excelente , Harry , isso mesmo . E foi então que , acreditem ou não , eu o ataquei de repente , assim . Atirei o a o chão , agarrei o com uma mão e com a outra consegui meter lhe a varinha em a garganta . Então , com a força que me restava pus em prática o complicadíssimo encantamento * _ Homorphus * . Harry soltou um uivo tristíssimo . - Vá lá , Harry , mais alto . Bom ... o pêlo desapareceu , os dentes diminuíram de tamanho e ele transformou se em um homem . Simples , mas eficaz e mais uma cidade ficará a lembrar se de mim para sempre como o herói que os libertou de os ataques mensais de o lobisomem . A campainha tocou e Lockhart pôs se de pé . - Trabalho para_casa : escrever um poema sobre a minha vitória sobre o lobisomem Wagga_Wagga . Há um exemplar autografado de * _ Eu , o Mágico * para o autor de o melhor poema . Os alunos começaram a sair . Harry voltou para trás e foi juntar se a o Ron e a a Hermione que estavam a a espera de ele . - Prontos ? - perguntou . - Espera até saírem todos - disse Hermione bastante nervosa . - Pronto ... Aproximou se de a secretária de Lockhart , apertando em a mão uma folha de papel , com o Ron e o Harry atrás . - Er ... professor Lockhart - gaguejou Hermione . - Eu queria requisitar este livro em a biblioteca , como leitura de apoio - entregou lhe o papel , com a mão ligeiramente trémula . - Só que faz parte de a secção de os reservados , por isso preciso de a assinatura de um professor . Acho que o livro me vai ajudar a compreender o que o senhor diz em * _ Passeios com Vampiros * acerca de os venenos de acção lenta ... - Ah , * _ Passeando com Vampiros * - disse Lockhart , pegando em a folha de papel de Hermione e sorrindo lhe abertamente . - E provavelmente o meu livro preferido . Gostou ? - Oh , muito - disse Hermione avidamente . - Tão inteligente o modo como apanhou o último com o passador de o chá . - Bem , tenho a certeza que ninguém se importará que eu dê uma ajudazinha suplementar a a melhor aluna de o segundo ano - disse Lockhart calorosamente , sacando de uma enorme pena de pavão . - É bonita , não é ? - comentou , adivinhando uma expressão de repulsa em a cara de o Ron . - Costumo guardas a para as minhas assinaturas de autógrafos . Rabiscou uma enorme assinatura cheia de altos e baixos e entregou a a Hermione . - Então , Harry - disse Lockhart enquanto Hermione dobrava a folha e a guardava em o saco . - Amanhã é a primeira partida de Quidditch de este ano , não é ? Gryffindor contra Slytherin . Ouvi dizer que és um jogador indispensável . Eu também fui * seeker * . Convidaram me inclusivamente para fazer parte de a Equipa_Nacional , mas eu preferi dedicar a minha vida a a erradicação de as forças de o mal . Mesmo_assim , se alguma vez precisares de um treino particular , não hesites em falar comigo , estou sempre disponível para partilhar a minha perícia com os jogadores menos dotados do_que eu . Harry fez um som indistinto com a garganta e saiu atrás_de Ron e Hermione . - Não acredito - disse quando os três examinavam a assinatura de Lockhart . - Ele nem viu que livro nós queríamos . - É porque é um idiota sem miolos - explicou o Ron . - Mas , quem se rala , temos o que queríamos . - Ele não é um idiota sem miolos - gritou Hermione com voz esganiçada enquanto se aproximavam quase a correr de a biblioteca . - Só porque ele disse que eras a melhor aluna de o segundo ano ... Baixaram as vozes a o entrar em a quietude abafada de a biblioteca . Madam_Prince , a bibliotecária , era uma mulher magra e irritável que parecia um abutre mal nutrido . - * _ Moste_Potente_Potions * ? - repetiu intrigada , tentando ficar com a folha de papel que Hermione se recusava a entregar lhe . - Gostava de a guardar para mim - disse sem fôlego . - Vá lá - intercedeu Ron , arrancando lhe a de as mãos e entregando a a Madam_Prince . - Nós arranjamos te outro autógrafo . O Lockhart assina tudo se aqui ficar muito_tempo . Madam_Prince pegou em o papel e voltou o em a direcção de a luz , decidida a descobrir uma falsificação , mas a assinatura passou em o teste . Desapareceu entre as estantes e voltou alguns minutos mais tarde , transportando um livro grande e de aspecto antiquado . Hermione meteu o com todo o cuidado em o saco e saíram , tentando não andar depressa de mais nem aparentar um ar culpado . Cinco minutos depois , estavam de_novo barricados em a casa_de_banho fora de serviço de a Murta_Queixosa . Hermione destruíra as objecções de Ron argumentando que aquele era o último lugar onde alguém em o seu juízo perfeito se lembraria de ir e que poderia assegurar lhes alguma privacidade . A Murta_Queixosa chorava ruidosamente em o seu cubículo , mas eles conseguiram ignorá a assim_como ela a eles . Hermione abriu * _ Moste_Potente_Potions * com todo o cuidado e inclinaram se os três sobre as páginas manchadas de humidade . Era fácil de perceber , logo à_primeira_vista de olhos , porque pertencia a a secção de os reservados . Algumas de as poções tinham efeitos quase impensáveis de tão macabros e havia ilustrações bastante desagradáveis , como , por_exemplo , aquela em que um homem parecia ter sido virado de o avesso e a de a bruxa com vários pares de braços suplementares a nascerem lhe em a cabeça . - Aqui está - disse Hermione excitadíssima a o encontrar a página intitulada « A poção * polisuco * « . Estava ilustrada com imagens de pessoas a meio de o processo de se transformarem em outras pessoas e Harry desejou ardentemente que a expressão de dor intensa que se lhes espelhava em o rosto fosse apenas produto de a imaginação de o artista desenhador . - Esta é a poção mais complicada que vi até hoje - disse Hermione enquanto examinava a receita . - Moscas asas de renda , sanguessugas , fluxo de cizânias e verdezelha - murmurou , acompanhando com o dedo a lista de ingredientes . - Bem , esses são relativamente simples , há os em a despensa de material de os estudantes , podemos tirar a a nossa vontade . Oh ! Vê só , pó de chifre de bicórneo ... não sei onde vamos arranjar isto ... e , é claro , um pedacinho de a pessoa em quem queremos transformar nos . - Como ? - perguntou Ron de forma cortante . - O que é_que queres dizer com um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos ? Eu não bebo nada que tenha lá dentro as unhas de os pés de o Crabbe ... Hermione continuou como_se não o tivesse ouvido . - Mas não temos que nos preocupar com isso por enquanto . Fica para o fim . Ron voltou se sem palavras para o Harry que tinha uma preocupação de outro tipo . - Já viste bem tudo_o_que vamos ter que roubar , Hermione ? Algumas coisas , não estão de certeza em a despensa de material de os alunos . O que é_que vamos fazer , arrombar os armários pessoais de o Snape ? Não sei se será uma boa ideia ... Hermione fechou o livro com um estrondo . - Bem , se vocês os dois se vão acagaçar , então está lindo - disse ela . Tinha as bochechas rosadas e os olhos mais brilhantes do_que era habitual . - Eu não gosto de quebrar regras , vocês sabem , mas acho que ameaçar os filhos de os Muggles é muito pior do_que construir uma poção difícil . Mas se vocês não querem descobrir se é o Malfoy , eu posso voltar já a a biblioteca e entregar o livro a Madam_Prince ... - Nunca pensei que chegaria o dia em que serias tu a convencer nos a quebrar regras - disse o Ron . - Está bem , vamos em essa , mas sem unhas de os pés , O. _ K. ? - Quanto tempo vai isso demorar a fazer , afinal ? - perguntou Harry quando Hermione , já com um ar mais satisfeito , voltou a abrir o livro . - Bem , como o fluxo de cizânias tem de ser recolhido durante a lua cheia e as asas de renda têm de ser abafadas durante vinte_e_um dias ... eu diria que se conseguirmos arranjar todos os ingredientes estará pronta dentro_de um mês . - Um mês ? - exclamou o Ron . - Nessa_altura já o Malfoy terá atacado metade de os filhos de Muggles ! - mas os olhos de Hermione contraíram se de_novo assustadoramente e ele acrescentou rapidamente . - Mas é o melhor plano que temos , por isso é melhor não olharmos para trás . Apesar_de tudo , enquanto Hermione verificava que não havia ninguém em os corredores e podiam sair de a casa_de_banho , Ron murmurou a Harry : - Seria muito mais simples se conseguisses , amanhã , atirar o Malfoy de a vassoura abaixo . Harry acordou cedo em o sábado de manhã e ficou um bocado a pensar em a partida de Quidditch que vinha a seguir . Estava nervoso , principalmente pelo que Wood diria se os Gryffindor perdessem , mas também com a ideia de enfrentar uma equipa apetrechada com as vassouras mais velozes que existiam . Nunca desejara tanto vencer os Slytherin como em aquele dia . Depois de meia_hora deitado com a barriga a dar horas , resolveu levantar se , vestir se e descer para tomar o pequeno-almoço . Lá em baixo , encontrou o resto de a equipa de os Gryffindor amontoada a o longo de a mesa comprida e vazia , todos eles com ar preocupado e sem vontade de conversar . Como_se aproximavam as onze horas , todos os alunos de a escola começaram a dirigir se para o estádio de Quidditch . O dia estava quente e húmido , com uma ameaça de trovoada em o ar . Ron e Hermione vieram apressadamente desejar a Harry boa sorte mal ele entrou em os vestiários . A equipa de os Gryffindor pôs os seus mantos vermelhos e sentou se para ouvir o discurso que Wood lhes fazia sempre antes de o jogo . - Os Slytherin têm vassouras melhores do_que nós - começou . - Não há como negá o . Mas nós temos gente melhor em cima de as vassouras . Treinámos mais do_que eles , voamos com todas_as condições climatéricas ( É bem verdade - murmurou George_Weasley - desde Agosto que não sei o que é estar seco ) . - E vamos fazê os engolir o dia em que deixaram aquele nojento de o Malfoy comprar a entrada em a equipa de eles . Com o peito agitado por a comoção , Wood voltou se par Harry . -- Cabe te a ti , Harry , mostrar lhes que um * seeker * tem de ter mais do_que um pai rico . Agarra a * snitch * antes d Malfoy ou morre a tentar porque temos absolutamente que vencer , hoje , Harry , temos que vencer . - Sem ansiedade , Harry - disse o Fred , piscando lhe o olho . Quando saíram em direcção a o campo , foram saudado por uma grande ovação principalmente de a parte de os Ravenclaw e de os Hufflepuff que estavam ansiosos por ver os Slytherin serem derrotados , mas os Slytherin que estavam entre a multidão também fizeram ouvir as suas vaias e pateadas . Madam_Hooch , a professora de Quidditch , pediu a Flin e Wood que apertassem as mãos o que eles fizeram , lançando um_ao_outro olhares ameaçadores , cada_um apertando a mão de o outro com mais força do_que aquela que seria necessário . - Atenção a o apito - disse Madam_Hooch . - Três , dois , um ... Com um bramido de a multidão para que subissem rapidamente , os catorze jogadores elevaram se em o céu cor de chumbo . Harry , mais alto do_que qualquer de os outros olhando para todos os lados em busca de a * snitch * . - Tudo bem , testa de cicatriz ? - gritou Malfoy , disparando por baixo de ele para lhe mostrar a velocidade de a sua vassoura . Harry não teve tempo de responder . Em esse preciso momento uma * bludger * preta e bem pesada veio direitinha a ele . Evitou a tão por um triz que ainda sentiu em os cabelos o ar que ela deslocara . - Foi por_pouco , Harry ! - exclamou o George , passando com grande rapidez , de bastão em a mão , pronto para lançar a * bludger * contra um Slytherin . Harry viu o dar a a * bludger * uma fortíssima pancada em direcção a Adrian_Pucey , mas a bola mudou de rumo em o meio de o ar e dirigiu se de_novo a Harry . Harry desceu rapidamente para se esquivar e George conseguiu lançá a contra Malfoy . Mais_uma_vez a * bludger * actuou como um * boomerang * e apontou a a cabeça de Harry . Harry ganhou velocidade e disparou contra o outro extremo de o campo . Ouvia o assobio de a * bludger * que o perseguia . O que era aquilo ? As * bludgers * nunca se concentravam assim em um único jogador , a sua função era tentar desmontar o maior número possível de intervenientes . Fred_Weasley esperava por a * bludger * em o extremo oposto . Harry baixou se quando o viu balançar se em frente de ela com toda_a garra . A * bludger * foi lançada para_fora_de campo . - Pronto , já está tudo resolvido - gritou Fred satisfeito , mas estava bastante enganado . Como_se fosse magneticamente atraída para Harry , a * bludger * lançou se de_novo contra ele e Harry teve de voar a_toda_a velocidade . Começara a chover . Harry sentia as gotas pesadas caírem lhe em o rosto , turvando lhe as lentes de os óculos . Não fazia ideia do_que se passava em o resto de o jogo , até ouvir Lee_Jordan que fazia o comentário dizer : - Os Slytherin vão a a frente com seis contra zero . As vassouras de qualidade superior de os Slytherin estavam obviamente a cumprir a sua função e enquanto isso , a * bludger * maluca fazia todos os possíveis para deitar abaixo o Harry . Fred e George voavam agora tão perto de ele , um de cada lado , que Harry não via senão os seus braços a balouçar e , se não conseguia ver a * snitch * , muito menos agarrá a . - Alguém enfeitiçou esta * bludger * - resmungou Fred , preparando o bastão com toda_a força quando ela se lançava de_novo contra Harry . - Precisamos de tempo - disse George , tentando fazer sinal a Wood enquanto evitava que a bola partisse o nariz a o Harry . Wood captou obviamente a mensagem . O apito de Madam_Hooch fez se ouvir e Harry , Fred e George desceram , tentando ainda evitar a * bludger * maluca . - O que é_que se passa ? - perguntou Wood enquanto a equipa de os Gryffindor se amontoava desordenadamente e os Slytherin , em o meio de a multidão , lançavam piadas . - Estamos a ser esmagados . Fred , George , onde estavam vocês quando aquela * bludger * impediu a Angelina de marcar ? - Estávamos seis metros acima , evitando que a outra * bludger * matasse o Harry , Oliver - gritou George furioso . - Alguém preparou isto , a bola não deixa o Harry em paz , ainda não perseguiu mais ninguém desde_que o jogo começou . Os Slytherin fizeram aqui qualquer coisa . - Mas as * bludgers * têm estado fechadas em o escritório de Madam_Hooch desde o último treino , e nessa_altura estava tudo bem ... - disse Wood ansiosamente . Madam_Hooch aproximava se . Por cima de o ombro de ela , Harry pôde ver a equipa de os Slytherin a escarnecer e apontar em a sua direcção . - Ouçam - disse o Harry , enquanto ela se aproximava . - Com vocês os dois a voarem sempre colados a mim , só vou apanhar a * snitch * se ela voar até a a minha manga . Voltem se para o resto de a equipa e deixem a tratante comigo . - Não sejas bronco - disse o Fred . - Ela arranca te a cabeça . Os olhos de Wood saltavam de Harry_para_os_Weasley . - Oliver , isto_é uma loucura - disse Alicia_Spinet , zangada . - Não podes deixar o Harry sozinho entregue a aquela coisa . Vamos pedir uma investigação . - Se pararmos agora , teremos de dar a partida como perdida e não vamos deixar os Slytherin ganhar , só por_causa_de uma * bludger * maluca . Vá lá , Oliver , diz lhes que me deixem sozinho . - A culpa é toda tua . * _ Agarra a snitch ou morre a tentar * , se isso é lá coisa que se diga . Madam_Hooch tinha se lhes juntado . - Prontos para retomar a partida ? - perguntou a Wood . Wood olhou para o ar determinado de Harry . - Deixem o sozinho , ele é capaz de lidar com a * bludger * . A chuva era agora mais pesada . A o apito de Madam_Hooch , Harry elevou se em os ares e ouviu o barulhinho de a * bludger * atrás_de si . Subiu cada_vez_mais alto . Fez acrobacias em espiral , descidas rápidas , ziguezagueou e rolou . Apesar_de ligeiramente estonteado , não deixou nunca de ter os olhos bem abertos . A chuva salpicava lhe os óculos e entrava lhe por as narinas , quando ele se voltou de cabeça para baixo , evitando outra forte investida de a * bludger * . Ouviu os risos de a multidão . Sabia que devia parecer ridículo , mas a * bludger * maluca era pesada e não podia mudar de direcção tão rapidamente quanto ele . Iniciou uma corrida que parecia de feira de diversões em volta de os extremos de o estádio , olhando de soslaio , através de os lençóis prateados de chuva , para os postes de os Gryffindor , onde Adrian_Pucey tentava passar por Wood . Um assobio junto de os ouvidos disse a Harry que a * bludger * falhara uma_vez_mais . Voltou se e voou rapidamente em a direcção oposta . - Estás a ensaiar * ballet * , Potter - gritou Malfoy quando Harry foi obrigado a fazer uma reviravolta estúpida em o ar para se esquivar mais_uma_vez de a * bludger * . Lá foi ele , com a * bludger * atrás a alguns metros de distância . E foi então que , olhando para Malfoy , furioso , a viu , a * snitch * de ouro . Flutuava alguns centímetros acima de os ouvidos de Malfoy que , de tão preocupado a escarnecer de Harry , nem dera por ela . Durante um momento angustiante , Harry ficou quieto em o ar , não ousando dirigir se a Malfoy , não fosse ele olhar para_cima e ver a * snitch * . PUM ! Tinha ficado parado tempo de mais . A * bludger * batera lhe , por fim , apanhando lhe o cotovelo e Harry sentiu o braço a partir se . Debilmente , desorientado por a dor cauterizante em o braço , Harry deslizou para um de os lados em a sua vassoura encharcada , um joelho ainda dobrado , o braço direito a balouçar , inútil , a o seu lado . A * bludger * veio de_novo , preparada para mais um ataque , desta_vez apontada a o seu rosto . Harry desviou se com uma intenção : chegar a Malfoy . Através_de uma nuvem de chuva e dor desceu até a o rosto tremeluzente e trocista e viu os olhos de ele dilatarem se de medo : Malfoy pensou que Harry ia atacá o . - Que diabo ... - resmungou , afastando se de o caminho . Harry tirou a outra mão de a vassoura e fez uma tentativa para agarrar qualquer coisa . Sentiu os dedos fecharem se em volta de a * snitch * dourada , mas conduzia agora a vassoura apenas com as pernas e ouviu se um grito de a multidão cá em baixo , quando ele fez a descida , tentando não desmaiar . Com um ruído seco caiu em a terra enlameada e rolou para fora de a vassoura . O braço tinha um ângulo um_pouco estranho . Torcendo se com dores , ouviu a a distância os assobios e os gritos . Concentrou se em a * snitch * que tinha fechada em a outra mão . - Ai - disse vagamente . - Ganhámos o jogo . E desmaiou . Voltou a si com a chuva a cair lhe em o rosto , ainda deitado em o campo , com alguém inclinado sobre ele . Viu um brilho de dentes brancos . - Oh , não , você não - gemeu . - Não sabe o que diz - afirmou Lockhart bem alto a a ansiosa multidão de Gryffindor que o comprimiam . - Não te preocupes , Harry , eu vou tratar de o teu braço . - Não - gritou Harry . - Eu fico com ele assim , obrigado . Tentou sentar se , mas a dor era enorme . Ouviu um « clique » familiar . - Não quero fotografias de isto , Colin - disse em voz alta . - Deita te para trás , Harry - insistiu Lockhart com toda_a calma . - É um encantamento muito simples que eu fiz imensas vezes . - Porque não me levam só para a ala hospitalar ? - perguntou Harry entredentes . - Seria o melhor , professor - disse a voz rouca de o Wood que não conseguia deixar de sorrir , apesar_de o seu * seeker * estar ferido . - Grande captura , Harry , verdadeiramente espectacular , a tua melhor jogada , em a minha opinião . Em o meio de a floresta de pernas que o rodeava , Harry avistou Fred e George_Weasley , metendo a * budger * perigosa em uma caixa . Continuava a dar uma luta enorme . - Para trás - ordenou Lockhart , que tinha arregaçado as mangas verde jade . - Não , eu não ... - protestou debilmente Harry , mas Lockhart tinha a varinha em a mão e , um segundo depois , apontava a para o braço de Harry . Uma sensação estranha e desagradável começou em o ombro e espalhou se , chegando a as pontas de os dedos . Parecia que o braço inteiro tinha sido esvaziado . Não foi capaz de olhar para o que estava a suceder . Tinha fechado os olhos , voltado o rosto para o outro lado , mas os seus maiores receios concretizaram se quando as pessoas lá em cima se sobressaltaram e Colin_Creevey começou a tirar fotografias como um louco . O braço deixara de lhe doer , mas parecia tudo menos um braço . - Ah ! - disse Lockhart . - Sim , bem isto às_vezes acontece . Mas o importante é_que os ossos já não estão partidos . Isso é o mais importante . Portanto , Harry , vai até a a ala hospitalar ... ah ! Mr._Weasley , Miss_Granger , poderiam levá o lá ? E Madam_Pomfrey poderá ... er ... arranjar um_pouco isso . Quando Harry se pôs de pé sentiu se estranhamente desequilibrado . Depois de respirar fundo , olhou para o lado direito e o que viu quase o fez desmaiar de_novo . Pendurado em a extremidade de a sua túnica estava o que parecia ser uma espessa e colorida luva de borracha . Tentou mexer os dedos mas ... em vão . Lockhart não consertara os ossos de Harry . Retirara os . M. dam Pomfrey não ficou nada satisfeita . - Devias ter vindo logo ter comigo - ralhou , segurando os restos tristes e moles de aquilo que antes fora um braço activo . - Eu conserto ossos em um segundo , mas fazê os crescer de_novo ... - Vai conseguir , não vai ? - perguntou Harry desesperado . - Sim , com certeza , mas vai ser doloroso - disse Madam_Pomfrey de modo severo , entregando lhe um pijama . - Vais ter que ficar cá esta noite ... Hermione esperou de o lado de_fora de a cortina que rodeava outra cama enquanto Ron ajudava Harry a vestir se . Levou algum tempo a enfiar o braço que parecia borracha dentro_de uma manga de o pijama . - Como é_que podes continuar a defender o Lockhart depois disto , Hermione ? - perguntou Ron através de as cortinas , enquanto puxava os dedos moles de o Harry por uma manga . - Se o Harry quisesse ser desossado , teria pedido . - Todos podem enganar se - disse Hermione . - E deixou de doer , não deixou , Harry ? - Sim - disse ele - mas também ficou incapaz de fazer seja o que for . Quando se meteu em a cama , o braço agitou se despropositadamente . Hermione e Madam_Pomfrey entraram . Madam_Pomfrey segurava uma grande garrafa com o rótulo * Skele - _ Gro * . - Vais ter uma noite difícil - preveniu , enchendo um pequeno copo fumegante e dando lhe a beber . - Fazer crescer ossos é uma coisa difícil . Tomar o * _ Skele - _ Gro * também . Queimou a boca e a garganta de o Harry a o descer , fazendo o tossir e cuspir . Resmungando sobre os desportos perigosos e os professores incapazes , Madam_Pomfrey retirou se , deixando Ron e Hermione a ajudar Harry a engolir um_pouco de água . - Mas ganhámos o jogo - disse o Ron com um sorriso em o rosto . - A tua jogada foi em grande . A cara de o Malfoy ... parecia que queria matar alguém . - Eu vou descobrir como é_que enfeitiçaram aquela * bludger * - disse Hermione com ar sombrio . - Podemos juntar essa pergunta a a lista de todas_as que queremos fazer a o Malfoy quando tomarmos a poção * _ Polisuco * - disse Harry , afundando se de_novo em as almofadas . - Espero que tenha um sabor melhor do_que esta coisa ... - Com um bocado de os Slytherin lá dentro , deves estar a brincar - disse o Ron . A porta de a ala hospitalar abriu se em esse momento e , completamente encharcados , entraram os restantes membros de a equipa de os Gryffindor , para ver o Harry . - Um voo inacreditável - disse George . - Acabei de ver Marcus_Flint a gritar com o Malfoy . Qualquer coisa sobre ter a * snitch * mesmo em cima de a cabeça e não ter dado por nada . O Malfoy não parecia nem um_pouco satisfeito . Tinham trazido bolos , rebuçados e garrafas de sumo de abóbora . Juntaram se em volta de a cama de Harry e estavam a dar início a o que prometia ser uma grande festa quando Madam_Pomfrey entrou a vociferar : - Este rapaz precisa de repouso . Tem trinta_e_três ossos a crescer . Fora de aqui . FORA ! E Harry ficou sozinho , sem nada que o distraísse de as dores agudas em o seu braço mole . Muitas horas mais tarde , Harry acordou subitamente em a escuridão total e soltou um pequeno grito de dor : sentia agora o braço cheio de estilhaços . Durante alguns segundos pensou que tinha sido a dor a acordá o . Depois , com um arrepio de horror , apercebeu se de que alguém estava a passar lhe uma esponja em a testa . - Sai de aqui - gritou , e em seguida : - Dobby ! Os olhos de o tamanho de bolas de ténis de o elfo doméstico estavam a olhá o em o escuro , uma lágrima grossa rolava por o seu enorme nariz . - Harry_Potter voltou a a escola - murmurou , infeliz . - Dobby avisou e voltou a avisar Harry_Potter . Ah ! senhor , porque não deu ouvidos a Dobby ? Porque não voltou Harry_Potter para_casa quando perdeu o comboio ? Harry ergueu se um_pouco , encostando se a as almofadas e afastou a esponja de o elfo . - O que estás a fazer aqui ? - perguntou . - E como sabes que eu perdi o comboio ? O lábio de Dobby tremeu e Harry foi assaltado por uma dúvida . - Foste tu . Tu impediste que a barreira nos deixasse passar . - Em a verdade fui eu , senhor - disse Dobby , acenando com a cabeça e com as orelhas a abanar . - Dobby escondeu se , esperou por Harry_Potter e selou a barreira . A seguir , Dobby teve de pôr as mãos em o ferro de engomar - mostrou a o Harry dez dedos longos embrulhados em ligaduras . - Mas Dobby não se importou , senhor , porque pensou que Harry_Potter estava a salvo e nunca Dobby sonhou que mesmo_assim ele viria para a escola ! Balançava se para a frente e para trás , sacudindo a cabeça feia . - Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry_Potter tinha voltado a a escola que deixou queimar o jantar de os seus donos . Dobby nunca tivera um castigo tão grande , senhor . Harry afundou se de_novo em as almofadas . - Quase conseguiste que nos expulsassem , a mim e a o Ron - disse furioso . - É melhor desapareceres de aqui antes que os meus ossos voltem a estar bem , Dobby , ou ainda te estrangulo . O elfo sorriu . - Dobby está habituado a ameaças de morte , senhor . Dobby recebe as cinco vezes por dia em a casa onde mora . Encostou o nariz a um canto de a fronha que usava , ficando tão ridículo que Harry sentiu a raiva desvanecer se , apesar_de tudo . - Porque usas essa coisa , Dobby ? - perguntou com curiosidade . - Isto , senhor ? - disse Dobby apontando para a fronha de almofada . - É uma prova de escravatura de o elfo doméstico , senhor . Dobby só pode ser libertado se os donos lhe derem roupa , senhor . A família tem o cuidado de não dar a o Dobby nem uma peúga , senhor , porque ele poderia ficar livre e deixar a casa para sempre . Dobby limpou os olhos protuberantes e disse subitamente : - Harry_Potter deve ir para_casa . Dobby achou que a sua * bludger * seria o suficiente para o fazer ... - A tua * bludger * ? - disse Harry com a raiva a crescer novamente dentro de ele . - Que queres tu dizer com a tua bludger * ? Foste tu quem fez com que aquela bola tentasse matar me ? - Matar não , senhor . Matar , nunca ! - disse o elho chocado . - Dobby quer salvar a vida de Harry_Potter . É melhor ir para_casa ferido do_que ficar aqui , senhor . Dobby só queria Harry_Potter suficientemente ferido para voltar para_casa . - Só isso ? - disse Harry furioso . - Imagino que não vais dizer me porque querias mandar me para_casa a os bocados ? - Ah ! se Harry_Potter soubesse ! - gemeu Dobby , com mais lágrimas a escorrerem lhe por a fronha esfarrapada . - Se pudesse saber o que significa para nós , para os humildes , os escravizados , nós , a escória social de o mundo mágico ! Dobby lembra se de como eram as coisas quando Aquele cujo nome não deve ser pronunciado estava em o auge de o poder , senhor ! Nós , os elfos domésticos éramos tratados como animais , senhor ! É claro que Dobby ainda é tratado assim - admitiu , secando o rosto em a fronha de almofada . - Mas , em a sua maioria , a vida melhorou bastante para os de a minha espécie desde_que Harry_Potter triunfou sobre Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Harry_Potter sobreviveu e o poder de os senhores de o Mal foi quebrado e veio uma nova alvorada , senhor , e Harry_Potter brilhou como um farol de esperança para aqueles de entre nós que já pensavam que a longa noite nunca mais teria fim , senhor ... e agora em Hogwarts vão acontecer coisas terríveis , talvez já esteiam a acontecer e Dobby não pode deixar Harry_Potter ficar aqui , agora_que a história vai repetir se , agora_que a Câmara_dos_Segredos está de_novo aberta . Dobby calou se horrorizado . Em seguida agarrou em o jarro de a água que Harry tinha a a cabeceira e bateu com ele em a própria cabeça , deixando se cair . Um segundo mais tarde voltou até junto de a cama , repetindo : - Mau , Dobby , muito mau , Dobby . - Quer_dizer , então , que existe mesmo a Câmara_dos_Segredos ? - murmurou Harry . - E dizes tu que já antes foi aberta ? Conta me , Dobby . Agarrou o pulso ossudo de o elfo quando a mão de ele se estendia para o jarro de a água . - Mas eu não sou filho de Muggles . Como posso estar em perigo por causa de a Câmara_dos_Segredos ? - Ah ! senhor , não pergunte a o pobre Dobby - lamentou se o elfo com os olhos enormes a brilharem em o escuro . - As forças de as trevas estão projectadas em este lugar , mas Harry_Potter não deve estar aqui quando as coisas acontecerem . Vá para_casa , Harry_Potter , vá para_casa . Harry_Potter não deve envolver se em isto , senhor , é demasiado perigoso ... - Quem é , Dobby ? - perguntou Harry , continuando a agarrar lhe o pulso com forca , impedindo que batesse de_novo em si próprio com o jarro . - Quem abriu a amara ? Quem a abriu de a última vez ? - Dobby não pode , senhor . Dobby não pode . Dobby não deve dizer - guinchou o elfo . - Vá se embora , Harry_Potter , vá se embora ! - Eu não vou para lugar nenhum - disse Harry , furioso . - Uma de as minhas melhores amigas é filha de Muggles , está em perigo se a câmara foi , de facto , aberta ... - Harry_Potter arrisca a própria vida por os amigos - gemeu Dobby em uma espécie de êxtase infeliz . - Tão nobre , tão corajoso , mas deve salvar se , Harry_Potter não deve ... Dobby calou se de repente com as orelhas de morcego a estremecerem . Harry também ouviu os passos que vinham lá fora , de o corredor . - Dobby tem de ir - balbuciou o elfo apavorado . Ouviu se um ruído e o pulso de Harry ficou subitamente fechado em o ar . Meteu se de_novo para baixo , em a cama , com os olhos fixos em a porta escura que dava entrada em a ala hospitalar enquanto os passos se aproximavam . Em o momento seguinte , Dumbledore estava a entrar , de costas , em o dormitório , vestindo uma longa túnica de lã e uma capa de noite . Transportava um extremo de aquilo que parecia ser uma estátua . A professora Mc_Gonagall surgiu um segundo mais tarde , pegando lhe em os pés . Os dois colocaram a em uma cama . - Chame Madam_Pomfrey - murmurou Dumbledore e a professora Mc_Gonagall passou por a cama de Harry , apressadamente , e desapareceu . Harry deixou se ficar muito quieto como_se estivesse a dormir . Ouviu vozes ansiosas e por fim a professora Mc_Gonagall apareceu de_novo , seguida de Madam_Pomfrey que vestia um casaco curto de lã sobre a camisa de dormir . Ouviu uma inspiração aguda . - O que aconteceu ? - murmurou Madam_Pomfrey_a_Dumbledore , inclinando se sobre a estátua que estava em a cama . - Outro ataque - disse Dumbledore . - A Minerva encontrou o em as escadas . Havia um cacho de uvas junto de ele . Acho que estava a tentar esgueirar se até aqui para vir visitar o Potter . O estômago de Harry deu uma reviravolta . Lenta e cuidadosamente ergueu se alguns centímetros para poder ver a estátua que estava sobre a cama . Um raio de luar iluminou lhe o rosto estático . Era_Colin_Creevey . Tinha os olhos abertos , e as mãos , em frente de a cara , seguravam a máquina fotográfica . -- Petrificado ? - murmurou Madam_Pomfrey . - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - Mas estou tentada a acreditar que ... se Albus não tivesse vindo cá abaixo tomar um chocolate quente ... quem sabe o que teria ... Os três olharam para Colin . Dumbledore inclinou se e retirou lhe a máquina de as mãos rígidas . - Será que ele conseguiu tirar a fotografia de o agressor ? - perguntou ansiosa a professora Mc_Gonagall . Dumbledore não respondeu . Abriu a parte detrás de a máquina . - Cruzes canhoto - disse Madam_Pomfrey . Um jacto de vapor tinha feito fervilhar a máquina . Harry , a três metros de distância , sentiu o cheiro tóxico de o plástico queimado . - Derretido - disse Madam_Pomfrey com grande espanto . - Tudo derretido . - O que significa isto , Albus ? - perguntou cada_vez_mais nervosa a professora Mc_Gonagall . - Significa - disse Dumbledore - que a Câmara_dos_Segredos está mesmo aberta outra_vez . Madam_Pomfrey levou uma mão a a boca . A professora Mc_Gonagall olhou assustada para Dumbledore . - Mas , Albus ... com certeza ... quem ? - A questão não é quem - disse Dumbledore com os olhos fixos em Colin . - A questão é como ... E pelo que Harry conseguiu ver de o rosto indistinto de a professora Mc_Gonagall , ela não compreendeu muito mais do_que ele . XI_O clube de os duelos Quando_Harry acordou , em o domingo de manhã , a enfermaria estava iluminada por um resplandecente sol de inverno e o seu braço tinha de_novo todos os ossos , apesar_de o sentir muito rígido . Sentou se rapidamente e olhou para a cama de Colin , mas ela fora isolada com as cortinas atrás de as quais se despira em a véspera . Vendo que ele tinha acordado , Madam_Pomfrey apareceu com um tabuleiro de pequeno-almoço e a seguir começou a apalpar lhe o braço e os dedos . - Tudo em ordem - disse , enquanto ele , com a mão esquerda , comia avidamente as papas de aveia . - Quando acabares de comer podes ir te embora . Harry vestiu se o mais depressa que pôde e dirigiu se a a pressa para a torre de os Gryffindor , ansioso por contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre Colin e Dobby , mas não os encontrou lá . Foi a a procura de eles , perguntando a si próprio onde teriam ido e sentindo se um_pouco magoado por o pouco interesse que demonstravam em saber se ele tinha recuperado os ossos . Quando passou por a biblioteca , Percy_Weasley vinha a sair com bastante melhor cara do_que de a última vez que se tinham encontrado . - Olá , olá , Harry - disse . - Excelente voo o de ontem , verdadeiramente sensacional . Os Gryffindor estão a a frente para a taça de a equipa . Ganhaste cinquenta pontos . - Não viste o Ron e a Hermione por aí ? - perguntou Harry . - Não , não vi - disse Percy com o sorriso a desaparecer . - Espero que o Ron não esteja outra_vez em a casa_de_banho de as raparigas ... Harry forçou um sorriso , viu Percy desaparecer e a seguir foi direitinho até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Não via lá muito bem por_que motivo o Ron e a Hermione lá estariam de_novo , mas , depois de se assegurar de que nem Filch nem nenhum de os prefeitos estavam por perto , abriu a porta e ouviu as vozes de eles que vinham de um cubículo fechado . - Sou eu - disse , fechando a porta atrás_de si . Ouviu se dentro de o cubículo um estrondo , um chapinhar e um sobressalto e ele viu o olho de a Hermione a espreitar por o buraco de a fechadura . - Harry - disse ela . - Pregaste nos um susto de morte . Entra . Como está o teu braço ? - _ óptimo - respondeu , apertando se dentro de o cubículo . Em cima de a sanita estava encarrapitado um velho caldeirão , e um crepitar a a superfície de a água disse a Harry que eles tinham acendido um fogo lá em baixo . Fazer aparecer fogos portáteis a a prova de água era uma de as especialidades de Hermione . - _ íamos visitar te , mas resolvemos começar a preparar a poção * _ Polisuco * - explicou Ron enquanto Harry fechava outra_vez a porta de o cubículo com alguma dificuldade . - Achámos que este era o lugar mais seguro para a esconder . Harry começou a contar lhes de o Colin , mas Hermione interrompeu o . - Nós já sabemos , ouvimos a professora Mc_Gonagall contar a o professor Flitwick hoje_de_manhã . Por isso resolvemos começar a ... - Quanto_mais depressa arrancarmos uma confissão a o Malfoy , melhor - rosnou o Ron . - Sabem o que eu penso ? Ele estava tão mal-humorado depois de o jogo de Quidditch que se vingou em o Colin . - Há outra coisa - disse Harry , vendo Hermione cortar molhos de verdezelha e lançá os dentro de a poção . - O Dobby foi visitar me a meio de a noite . Ron e Hermione olharam o espantados . Harry contou lhes tudo_o_que Dobby lhe dissera ... ou não dissera . Ron e Hermione ouviram o de boca aberta . - A Câmara_dos_Segredos já tinha sido aberta antes ? - repetiu Hermione . - Encaixa perfeitamente - disse Ron , em uma voz triunfante . - O Lucius_Malfoy deve ter aberto a Câmara_dos_Segredos quando andava em a escola e agora ensinou a o querido filhinho Draco como abris a . É óbvio , que pena o Dobby não te ter dito que tipo de monstro lá se encontra . Gostava de saber como é_que ninguém o viu andar por ai em a escola . - Talvez tenha a capacidade de se tornar invisível - sugeriu Hermione , picando sanguessugas para dentro de o caldeirão . - Ou talvez se disfarce , passando por uma armadura ou outra coisa de o género . Eu li umas coisas sobre vampiros camaleões ... - Tu lês de mais , Hermione - disse o Ron , deitando moscas asas de renda mortas por cima de as sanguessugas . Amarrotou o saco vazio de as asas de renda e olhou para Harry . - Então foi o Dobby que nos impediu de apanhar o comboio e te partiu o braço ... - abanou a cabeça . - Sabes o que eu acho ? Se ele não parar de tentar salvar te a vida ainda acaba por te matar . A notícia de que Colin_Creevey tinha sido atacado e estava agora em a ala hospitalar , como morto , espalhou se por toda_a escola em a segunda-feira de manhã . O ar ficou pesado e cheio de boatos e suspeitas . Os alunos de o primeiro ano começavam a andar por a escola em pequenos grupos , receando ser atacados se se aventurassem a andar isoladamente por os corredores . Ginny_Weasley , que era colega de carteira de o Colin em os encantamentos , estava perturbadíssima , mas Harry achou que Fred e George estavam a tentar animá a de a maneira errada . Revezavam se , mascarados com peles de animais e apareciam lhe subitamente detrás de as estátuas . Só pararam quando Percy , apopléctico de raiva , lhes disse que ia escrever a Mrs._Weasley a contar lhe que a Ginny andava a ter pesadelos . Enquanto isso , às_escondidas de os professores , uma panóplia de talismãs , amuletos e outros objectos de protecção ia enchendo a escola . Neville_Longbottom comprou uma enorme cebola verde que cheirava mal , um cristal pontiagudo cor de púrpura e uma cauda de tritão apodrecida antes de os outros rapazes de os Gryffindor lhe explicarem que ele não corria perigo : era um sangue puro e , portanto , muito pouco passível de ser atacado . - Eles foram a o Filch em primeiro lugar - disse Neville com o medo estampado em a cara redonda . - E toda_a_gente sabe que eu sou quase um * busca-pé * . Em a segunda semana de Dezembro , a professora Mc_Gonagall veio , como de costume , recolher os nomes de os alunos que ficavam em a escola durante o Natal . Harry , Ron e Hermione assinaram a lista . Tinham ouvido dizer que Malfoy ficava , o que lhes parecera muito suspeito . As férias seriam a altura ideal para usar a poção * _ Polisuco * e tentar arrancar lhe uma confissão . Infelizmente a poção estava a meio . Precisavam ainda de o chifre de bicórneo e o único lugar onde podiam arranjá o era em os depósitos privados de Snape . Harry , pessoalmente , preferia enfrentar o lendário monstro de os Slytherin do_que ser apanhado por o Snape a assaltar lhe o escritório . - O que precisamos - disse Hermione cheia de vivacidade quando se aproximava a aula conjunta de poções de quinta-feira a a tarde - para podermos entrar a a vontade em o escritório de o Snape , é de uma diversão . Harry e Ron olharam para ela , nervosos . - Acho que o melhor é ser eu a praticar o roubo - prosseguiu ela , em um tom perfeitamente casual . - Vocês os dois podem ser expulsos se forem apanhados e eu tenho uma folha limpa . Portanto , a única coisa que têm de fazer é distrair o Snape durante cerca de cinco minutos . Harry esboçou um meio sorriso . Provocar deliberadamente um estrago em a aula de poções de o Snape era tão seguro como ferir em um olho um dragão adormecido . As aulas de poções tinham lugar em um de os mais amplos calabouços . A de quinta-feira a a tarde não foi diferente de as outras . Vinte caldeirões fumegavam entre as secretárias de madeira , sobre as quais podia ver se laminas de latão e jarras com ingredientes . Snape deambulava por o meio de os fumos , fazendo reparos petulantes a o trabalho de os Gryffindor , enquanto os Slytherin riam a a socapa . Draco_Malfoy , que era o aluno preferido de Snape , não parava de lançar olhos de carneiro mal morto a o Ron e a o Harry , que sabiam que se retaliassem teriam um castigo , antes de poderem abrir a boca para dizer : - É injusto ! A solução de inchar de o Harry estava demasiado líquida , mas ele estava preocupado com coisas mais importantes . Esperava por o sinal de Hermione e mal deu por Snape se calar para ir espreitar a sua poção aguada . Quando o professor se voltou e foi implicar com o Neville , Hermione trocou um olhar com Harry e fez um aceno . Harry baixou se discretamente por detrás de o seu caldeirão , tirou de o bolso de trás um de os paus de fogo-de-artíficio Filibuster e deu lhe um toque de varinha . O fogo-de-artíficio começou a sibilar e a crepitar . Sabendo que tinha apenas alguns segundos , Harry endireitou se , ganhou coragem e lançou o a o ar . Aterrou certeiro em o caldeirão de o Goyle . A poção de o Goyle explodiu , salpicando toda_a aula . As pessoas gritavam , à_medida_que eram vítimas de os salpicos . Malfoy foi apanhado em a cara e o nariz começou a inchar como um balão . O Goyle tropeçava a as cegas , com as mãos em os olhos , que tinham ficado de o tamanho de pratos de sopa , enquanto o Snape tentava repor a calma e tentar perceber o que sucedera . Em o meio de a confusão , Harry viu Hermione esgueirar se a a socapa por a porta . - Silêncio ! silêncio ! - vociferou Snape . - Todos os que foram salpicados cheguem aqui para uma drenagem . Quando eu descobrir quem fez isto ... Harry fez um enorme esforço para não se rir a o ver Malfoy chegar apressadamente lá a a frente , a cabeça a tombar com o peso de o nariz , que parecia um pequeno melão . Quando metade de a aula se amontoava junto de a secretária de o Snape , alguns alunos vergados por o peso de os braços que pareciam mocas , outros incapazes de falar devido a o gigantesco inchaço de os lábios , Harry viu Hermione reentrar em o calabouço , a túnica mostrando a barriga protuberante . Quando todos os alunos tinham já tomado um gole de o antídoto e os vários inchaços tinham desaparecido , Snape precipitou se para o caldeirão de o Goyle e pescou os restos retorcidos de o fogo-de-artíficio . Houve um súbito silêncio . - Se eu descubro quem lançou isto - murmurou Snape - garanto que é expulsão por a certa . Harry compôs uma expressão de espanto . Snape olhava directamente para ele e a campainha , que tocou dez minutos mais tarde , não podia ser mais bem-vinda . - Ele soube que fui eu - disse Harry_a_Ron e a a Hermione , enquanto se dirigiam apressadamente para a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Tenho a certeza . Hermione lançou o novo ingrediente em o caldeirão e começou a mexer furiosamente . - Isto vai estar pronto dentro_de quinze_dias - afirmou , satisfeita . - O Snape não pode provar que foste tu - assegurou Ron , tranquilizando Harry . - Que pode ele fazer ? - Conhecendo o Snape , qualquer coisa louca - respondeu Harry , enquanto a poção borbulhava e espumava . Uma semana mais tarde , Harry , Ron e Hermione passavam por o vestíbulo de entrada , quando viram um pequeno grupo de pessoas reunidas em volta de o jornal de parede a lerem um pedaço de pergaminho que tinha acabado de ser afixado . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas acenaram lhes , entusiasmados . - Vão lançar um clube de duelos ! - exclamou Seamus . - Hoje a a noite é a primeira reunião . Eu não me importaria nada de ter aulas de duelo , podem vir a ser úteis um dia de estes ... - Porquê ? Achas que o monstro de os Slytherin sabe esgrimir ? - perguntou o Ron , mas , também ele , leu a notícia com interesse . - Pode ser útil - disse a o Harry e a a Hermione , quando foram jantar . - Vamos lá ? Harry e Hermione acharam óptimo , por isso , a as oito_da_noite voltaram a o salão . As longas mesas de refeição tinham desaparecido e um estrado dourado surgira , encostado a a parede . Sobre ele flutuavam milhares de velas . O tecto era , mais_uma_vez , de veludo negro e parecia que quase todos os alunos de a escola se encontravam ali , com as suas varinhas em a mão e com um ar entusiasmado . - Quem será que vai ensinar nos ? - perguntou Hermione , enquanto se misturavam em a multidão barulhenta . - Ouvi dizer que o Filitwick foi campeão de duelo em a juventude , talvez seja ele . - Desde_que não seja ... - começou Harry , mas terminou em um gemido : Gilderoy_Lockhart estava a subir a o estrado , resplandecente em as suas vestes cor de ameixa , acompanhado , nem mais nem menos , do_que de Snape que trajava , como sempre , de negro . Lockhart levantou um braço , pedindo silêncio , bradando : - Aproximem se , aproximem se , conseguem todos ver me e ouvir me ? Excelente ! - O professor Dumbledore deu me autorização para iniciar este pequeno curso de duelo para vos treinar a todos , caso algum dia precisem de se defender , como eu tenho feito em inúmeras ocasiões ; para mais detalhes , leiam os livros que tenho publicados . - Permitam que vos apresente o meu assistente , o professor Snape - disse Lockhart , abrindo um sorriso de orelha a orelha . - Ele diz me que sabe alguma coisa sobre duelos e aceitou desportivamente ajudar me em uma exibição de demonstração , antes de começarmos . Atenção , não quero que os mais novos fiquem preocupados , vão continuar a ter o vosso professor de poções depois de eu o vencer . Não tenham medo . - Não era óptimo se se liquidassem um_ao_outro ? - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . O lábio inferior de Snape estava curvo . Harry interrogou se sobre o motivo por_que Lockhart continuava a sorrir . Se o Snape olhasse de aquela maneira para ele , Harry estaria a correr a_toda_a velocidade para o mais longe possível . Lockhart e Snape voltaram se um para o outro e fizeram uma vénia , pelo_menos Lockhart fê la com muitas reviravoltas de mãos , enquanto Snape acenava , irritado , com a cabeça . Em seguida , ergueram as varinhas , como_se fossem espadas , em a frente . - Como podem ver , estamos a pegar em as varinhas em a posição de aceitação de combate - explicou Lockhart a a multidão silenciosa . - Quando contarmos até três , lançaremos os primeiros feitiços . Nenhum de nós tentará matar o outro , claro . - Eu não poria as mãos em o fogo - murmurou Harry , observando como Snape cerrava os dentes . -- Um , dois , três ... Os dois balançaram as varinhas acima de os ombros . Snape gritou : * _ Expelliarmus * ! Houve um clarão ofuscante de luz escarlate e Lockhart voou para trás , caindo de o estrado batendo contra a parede , escorregando e indo estatelar se em o chão . Malfoy e alguns de os outros Slytherin aplaudiram . Hermione estava em bicos de os pés . - Acham que ele está bem ? - gritou entredentes . - Quem se rala ? - disseram ao_mesmo_tempo o Ron e o Harry . Lockhart estava a pôr se , hesitante , de pé . O chapéu caíra lhe e o cabelo ondulado estava em um desalinho . - Bem , cá está ! - disse , cambaleando até a o estrado . - Este foi um encantamento para desarmar . Como podem ver , perdi a minha varinha . Ah , obrigado Miss_Brown . Sim , foi uma excelente ideia mostrar lhes isto , professor Snape , mas , se me permite que lhe diga , foi muito óbvio o que ia fazer . Se eu tivesse querido impedis o , teria o feito com a maior de as facilidades . Mas achei que seria educativo deixá os ver ... Snape tinha um ar assassino . Provavelmente Lockhart deu por isso , porque declarou : - Chega de demonstrações . Eu vou passar agora por o meio de vocês e criar duplas . Professor_Snape , se quiser ajudar me ... Entraram por o meio de a multidão , agrupando alunos . Lockhart pôs o Neville com Justin_Finch - _ Fletchley , mas Snape chegou primeiro junto de Harry e de Ron . - Tempo de separar a dupla ideal , parece me - rosnou . - Weasley , tu podes ficar com o Finnigan . Potter ... Harry voltou se automaticamente para Hermione . - Não me parece - disse Snape com o seu sorriso frio . - Mr._Malfoy , venha até aqui . Vamos ver o que faz com o famoso Potter . E a menina , Miss_Granger , pode emparceirar com Miss_Bulstrode . Malfoy aproximou se com o seu passo empertigado e o seu sorriso escarninho . Atrás de ele vinha uma rapariga de os Slytherin , que lembrou a Harry uma imagem que tinha visto em as * _ Férias com Bruxas_Velhas * . Era corpulenta e quadrada e os maxilares avançavam agressivamente . Hermione esboçou um meio sorriso , que ela não retribuiu . - Voltem se para os vossos parceiros - gritou Lockhart - e façam a vénia . Harry e Malfoy mal inclinaram as cabeças , não afastando os olhos um de o outro . - Varinhas preparadas ! - gritou Lockhart . - Quando eu disser três preparem os feitiços para desarmar o vosso opositor . Um ... dois ... três ... Harry levantou a varinha acima de o ombro , mas Malfoy começara logo em o « dois » : o seu feitiço apanhou Harry com tanta força que ele se sentiu como_se tivesse levado com uma frigideira em a cabeça . Tropeçou , mas ainda não estava fora de combate e , sem perder tempo , Harry apontou a varinha a Malfoy e gritou : - * _ Rictusempra ! * Um jacto de luz prateada atingiu Malfoy em o estômago , obrigando o a dobrar se , arfando . - Eu disse desarmar ! - gritava Lockhart sobre as cabeças de a multidão em lata , enquanto Malfoy caía de joelhos . Harry atingira o com o feitiço de as cócegas e ele mal conseguia mexer se para se rir . Harry hesitou com o vago sentimento de que seria pouco desportivo enfeitiçar Malfoy enquanto ele estava caído em o chão , mas ... foi um erro . Tentando respirar , Malfoy apontou a varinha a os joelhos de Harry , balbuciando : « * _ Tarantallegra ! * » e , um segundo depois , as pernas de o Harry tinham começado a mexer se , sem que ele pudesse controlá as , executando uma espécie de dança frenética . - Parem , parem - gritava Lockhart , quando Snape resolveu tomar controlo de a situação . - * _ Finite_Incantatem ! * - bradou . Os pés de o Harry pararam de dançar , Malfoy parou de rir e puderam olhar para_cima . Uma onda de fumo esverdeado pairava sobre todos eles . Neville e Justin estavam caídos em o chão , a arfar . Ron tentava fazer parar um Seamus com cara cor de cinza , pedindo lhe mil desculpas por o que a sua varinha partida eventualmente tivesse feito . Mas Hermione e Millicent_Bulstrode ainda não tinham acabado . Millicent tinha feito a Hermione uma prisão de cabeça e Hermione gritava de dor . As duas varinhas jaziam esquecidas em o chão . Harry deu um salto em frente e afastou Millicent . Não foi fácil , ela era bastante maior do_que ele . - Oh , gente ! - exclamou Lockhart , arrastando se por o meio de a multidão e olhando para os resultados de os duelos . - Vamos pôr de pé , Mcmillan ... cuidado , Miss_Fawcett ... belisque com força que pára logo de sangrar ... - Acho que o melhor é ensinar vos como bloquear feitiços pouco amigáveis - afirmou Lockhart que estava nervosíssimo em o meio de o salão . Olhou para Snape , cujos olhos pretos brilhavam e desviou rapidamente o olhar . - Vamos arranjar um par de voluntários . Longbottom e Finch - _ Fletchley , que tal serem vocês ? - Uma má ideia , professor Lockhart - disse Snape , deslizando como um morcego enorme e cruel . - Longbottom provoca devastação com o feitiço mais simples . Ainda temos de mandar o que restar de o Finch - _ Fletchley para a ala hospitalar dentro_de uma caixa de fósforos . - A cara redonda e rosada de Neville ficou ainda mais rosada . - Que tal o Malfoy e o Potter ? - sugeriu Snape com um sorriso retorcido . - Excelente ideia - disse Lockhart , fazendo sinal a os dois para que se aproximassem de o meio de o salão , enquanto a multidão recuava para lhes dar passagem . - Ouve bem , Harry - disse Lockhart . - Quando o Draco te apontar a varinha , tu fazes assim . Levantou a sua varinha , executando uma tentativa complicada de malabarismo e deixou a cair . Snape sorriu pretensiosamente , enquanto Lockhart a apanhava de o chão , dizendo : - Ups , a minha varinha está demasiado excitada . Snape aproximou se de Malfoy , inclinou se e disse lhe qualquer coisa a o ouvido . Malfoy sorriu também de forma afectada . Harry olhou , nervoso , para Lockhart e pediu : - Professor , podia mostrar me outra_vez aquela coisa para bloquear ? - Estás com medo ? - murmurou Malfoy baixinho , para que Lockhart não pudesse ouvir . - Querias ! - exclamou Harry por o canto de a boca . Lockhart deu um soco em o ombro de o Harry , em a brincadeira . - Basta que faças como eu fiz ! - O quê , deixar cair a varinha ? Mas Lockhart não estava a ouvir - Três , dois , um , zero ! - gritou . Malfoy levantou rapidamente a varinha a o ar e gritou : - * _ Serpensortia ! * A extremidade de a varinha explodiu . Harry viu , horrorizado , uma enorme serpente negra sair de ela , cair pesadamente em o chão a meio de os dois e erguer se disposta a atacar . Ouviram se gritos , enquanto a multidão se afastava , deixando o chão vazio . - Não te mexas , Potter - disse Snape vagarosamente , divertindo se claramente a ver Harry , parado , a olhar em os olhos a serpente . - Eu trato de ela ... - Permita me -- gritou Lockhart . Bramiu a varinha em direcção a a serpente e ouviu se um estoiro . A cobra , em_vez_de desaparecer , voou três metros acima de eles e voltou a cair em o chão com um estrondo enorme . Enraivecida , a sibilar de fúria , rastejou em direcção a Finch - _ Fletchley e pôs se de pé com os dentes a a mostra , pronta a atacar . Harry não soube ao_certo o que o levou a fazer aquilo . Não se lembrava sequer de ter tomado aquela decisão . Só soube que as pernas o fizeram avançar como_se tivesse rodas e que gritou a a serpente : - Larga o ! - E , milagrosa e inexplicavelmente , a serpente voltou a o chão , dócil como uma grande mangueira de jardim , preta e grossa , os olhos agora fixos em os olhos de Harry . Harry sentiu o medo a escoar se . Sabia que a cobra não atacaria mais ninguém , embora não pudesse explicar como sabia . Olhou para Justin a sorrir , esperando vê o aliviado , espantado , ou mesmo agradecido , mas nunca zangado ou assustado . - Que brincadeira é essa ? - gritou o outro e , antes que Harry tivesse tempo de dizer fosse o que fosse , voltou as costas e saiu de o salão . Snape deu um passo em frente , fez um gesto com a varinha e a serpente desapareceu em uma onda de fumo preto . Também ele , Snape , olhava para Harry de uma forma inesperada . Era um olhar arguto e calculista , de que Harry não gostou . Apercebeu se também vagamente de um murmúrio ameaçador que vinha de as paredes em volta . Depois , sentiu um puxão em a túnica . - Vamos - disse a voz de o Ron em o seu ouvido . - Mexe te , vá lá ... Ron arrastou o para fora de o salão . Hermione acompanhava os em a passada rápida . Quando cruzaram a porta , as pessoas que a rodeavam afastaram se , como_se tivessem medo de ser contagiadas . Harry não fazia a mais pequena ideia do_que estava a passar se e , nem Ron , nem Hermione lhe deram qualquer explicação , antes de o terem levado até a a sala comum de os Gryffindor , que se encontrava vazia . Aí , Ron empurrou Harry para uma cadeira de braços e disse : - Tu és um * serpentês * . Porque não nos disseste ? - Eu sou um quê ? - perguntou Harry . - Um * serpentês * ! - exclamou o Ron . - Falas com as cobras . - Eu sei - declarou Harry . - Quer_dizer , esta foi a segunda vez que o fiz . A outra foi há muito_tempo em o jardim zoológico , quando soltei uma Boa_Constrictor a o meu primo Dudley . É uma longa história , mas ela estava a dizer me que nunca tinha estado em o Brasil e eu acho que a libertei sem querer . Foi antes de saber que era feiticeiro . . . - Uma Boa_Constrictor disse te que nunca tinha estado em o Brasil ? - repetiu Ron , quase sem voz . - E então ? - disse o Harry . - Aposto que montes de pessoas aqui fazem o mesmo . - Não fazem , não - afirmou Ron . - Não é um dom muito frequente . Harry , isso é mau . - O que é_que é mau ? - perguntou Harry , que começava a ficar chateado . - O que é_que se passa com todos os outros ? Ouve bem , se eu não tivesse dito a aquela cobra para não atacar o Justin ... - Ah , foi isso que tu disseste ? - Que queres dizer ? Tu estavas lá , ouviste perfeitamente o que eu disse . - Eu ouvi te falar em serpentês - disse o Ron . - Língua de cobra . Podias estar a dizer lhe qualquer coisa . Não admira que o Justin tivesse entrado em pânico . Parecia que estavas a incitar a serpente . Foi assustador , sabes ? Harry olhou para ele espantado . - Eu falei uma língua diferente ? Mas não me apercebi , como posso falar uma língua , sem saber que a conheço ? Ron abanou a cabeça . Tanto ele como Hermione tinham um ar fúnebre . Harry não percebia o que havia em aquilo de tão trágico . - Será que me querem explicar o que há de mal em ter impedido que uma serpente enorme arrancasse a cabeça a o Justin ? - perguntou . - Porque é tão importante como o fiz , se evitei que o Justin fosse juntar se a grupo de os SEM_CABEÇA ? - Importa - disse por fim Hermione , em uma voz abafada . - Porque falar com serpentes era a arte por a qual Salazar_Slytherin ficou famoso . Por isso , o símbolo de os Slytherin é uma serpente . Harry ficou de boca aberta . - Exacto - disse o Ron . - E agora todos em a escola vão pensar que tu és descendente de ele . - Mas não sou - contrapôs Harry com um pânico que não conseguia explicar . - Não vai ser fácil prová o - disse Hermione . - Ele viveu há quase mil anos . Pelo que vimos , podias ser . Em essa noite , Harry ficou acordado durante horas . Por uma fresta de os cortinados de a cama de dossel , olhou para a neve que começava a cair de o lado de_fora de a janela de a torre e perguntou se se poderia ser descendente de Salazar_Slytherin . Afinal , não sabia nada de a família de o pai , os Dursley tinham sempre proibido qualquer pergunta sobre os seus familiares feiticeiros . Calmamente , tentou dizer qualquer coisa em * serpentês * , mas as palavras não saíam . Parecia que era necessário estar frente_a_frente com uma cobra para poder fazê o . Mas eu sou um Gryffindor , pensou Harry , o chapéu seleccionador não me poria aqui se eu tivesse sangue de Slytherin ... - Ah ! - disse uma vozinha dentro de o seu cérebro . - Mas o chapéu seleccionador queria pôr te em os Slytherin , não te lembras ? Harry deu voltas e voltas a a cabeça . Em o dia seguinte , quando visse Justin em a aula de herbologia explicaria lhe que estava a afastar a serpente , não a atiçá a o que , aliás , pensou zangado , dando vários socos em a almofada , qualquer idiota teria percebido . Contudo , em a manhã seguinte , a neve que começara a cair durante a noite , transformara se em uma tempestade tão espessa que a última aula de herbologia de o período foi cancelada : a professora Sprout queria tapar as mandrágoras com peúgas e cachecóis , uma operação arriscada que ela não confiava a ninguém agora_que era tão importante que as mandrágoras crescessem depressa e reabilitassem Mrs._Norris e Colin_Creevey . Junto de a lareira de a sala comum de os Gryffindor , Harry matutava sobre o que se passara enquanto Ron e Hermione aproveitavam o foro para jogar xadrez de feitiçaria . - Com os diabos , Harry - disse Hermione exasperada quando um bispo derrubou um de os cavaleiros de o cavalo , arrastando o para fora de o tabuleiro . - Vai falar com o Justin , se isso é assim tão importante para ti . Harry levantou se e saiu por o buraco de o retrato , perguntando a si próprio onde poderia estar o Justin . O castelo estava mais escuro do_que era habitual durante o dia por causa de a neve espessa e cinzenta que cobria as janelas . A tremer , Harry passou por as salas onde estava a haver aulas , captando lampejos do_que sucedia lá dentro . A professora Mc_Gonagall gritava com alguém que , segundo lhe parecia por o som , transformara o parceiro em um texugo . Resistindo a a tentação de dar uma espreitadela , Harry afastou se pensando que Justin poderia estar a utilizar o tempo de o furo para fazer algum trabalho e resolveu , por isso , ir até a a biblioteca . Um grupo de alunos de os Hufflepuff , que deveriam ter estado em Herbologia , encontrava se , de facto , sentado em as traseiras de a biblioteca , mas não parecia estar a trabalhar . Entre as fileiras de as estantes altas , Harry pôde ver as suas cabeças muito juntas em aquilo que deveria ser uma conversa absorvente . Não conseguia perceber se Justin estaria em o meio de eles . Ia para se aproximar quando apanhou em o ar uma frase e parou para ouvir melhor , escondido em a secção de a invisibilidade . - Portanto - dizia um rapaz corpulento - eu disse a o Justin para se esconder em o nosso dormitório . Isto_é , se o Potter o escolheu como próxima vítima é melhor que ele tenha um * low profile * durante algum tempo . É claro que o Justin já estava a a espera que alguma coisa de o género acontecesse desde_que lhe escapou em uma conversa com o Potter que era filho de Muggles . O Justin disse lhe , inclusivamente , que tinha estado inscrito em Eton . Não é o tipo de coisa que se ande a dizer com o herdeiro de Slytherin a a solta por aí . - Achas mesmo_que é o Potter , Ernie ? - perguntou uma rapariga de tranças loiras , ansiosamente . - Hannah - disse com solenidade o rapaz corpulento . - Ele é um serpentês . Todos sabem que essa é a marca de um feiticeiro negro . Alguma vez ouviste falar de um feiticeiro decente que falasse com as cobras ? O Slytherin era conhecido por « Língua de serpente . . Houve alguns murmúrios antes de Ernie prosseguir : - Lembram se do_que estava escrito em a parede ? * _ Inimigos de o herdeiro , cuidado ! * . O Potter teve que ir a o gabinete de o Filch . E o que é_que acontece a seguir ? A gata de o Filch é atacada . O aluno de o primeiro ano , Creevey , estava a aborrecê o em a partida de Quidditch , a tirar lhe fotografias quando ele estava caído em a lama . E o que é_que acontece a seguir ? Creevey é atacado . - Mas ele parece sempre ser tão simpático - disse Hannah , cheia de dúvidas . - E , bem , foi ele que fez com que o Quem nós sabemos desaparecesse . Não pode ser assim tão mau , pois não ? Ernie baixou misteriosamente a voz . Os Hufflepuff inclinaram se mais uns para os outros e Harry aproximou se para conseguir apanhar as palavras de o Ernie . - Ninguém sabe como ele sobreviveu a aquele ataque de o Quem nós sabemos e , afinal , ainda era um bebé quando aquilo aconteceu . Era para ter explodido feito em estilhaços . Só um feiticeiro negro verdadeiramente poderoso teria sobrevivido a uma maldição de aquelas . - Baixou ainda mais a voz até esta ficar reduzida a um leve murmúrio e disse : - Talvez fosse por isso que o Quem nós sabemos o queria matar , para não ter outro feiticeiro negro a competir com ele . Gostava de saber que outros poderes ocultos terá o Potter . Harry não aguentou mais . Pigarreou alto e saiu detrás de as estantes . Se não estivesse tão zangado teria conseguido ver o lado cómico de a situação : cada_um de os Hufflepuff olhava para ele como_se tivesse sido petrificado , e a cor desaparecera de a cara de o Ernie . - Olá - disse Harry . - Estou a a procura de o Justin_Finch - _ Fletchley . Os piores receios de os Hufflepuff tinham se concretizado . Olharam apavorados para o Ernie . - O que queres de ele ? - perguntou Ernie em uma voz sumida . - Explicar lhe o que aconteceu com aquela cobra em o clube de os duelos - disse Harry . Ernie mordeu os lábios brancos e , em seguida , respirando fundo , respondeu : - Estávamos lá todos . Vimos o que aconteceu . - Então viram que depois de eu falar a serpente recuou - disse Harry . - O que eu vi - insistiu teimosamente Ernie , apesar_de tremer a cada palavra que proferia - foi tu a falares serpentês e a atiçares a cobra conta o Justin . - Eu não a aticei - gritou Harry enraivecido . - Ela nem lhe tocou . - Falhou por_pouco - disse Ernie . - E , para o caso de estares com ideias - acrescentou com má cara - posso dizer te que a minha família provem de nove gerações de bruxas e feiticeiros e que o meu sangue é tão puro como o de qualquer feiticeiro , portanto ... - Quero lá saber qual é o teu sangue - disse Harry furioso . - Porque iria eu atacar os filhos de os Muggles ? - Ouvi dizer que detestas os Muggles com quem vives - disse Ernie rapidamente . - Não é possível viver com os Dursley sem os detestar - explicou Harry . - Gostava de te ver lá em casa . Girou sobre os calcanhares e saiu furioso de a biblioteca sob o olhar reprovador de Madam_Prince que limpava a capa dourada de um enorme livro de encantamentos . Harry avançou a as cegas por os corredores , quase sem ver por_onde ia de tão furioso que estava . O resultado foi chocar com algo enorme e sólido que o fez recuar e cair a o chão . - Ah ! Olá , Hagrid - disse , olhando para_cima . Hagrid tinha o rosto completamente tapado com um lenço coberto de neve , mas não podia ser mais ninguém , enchendo assim o corredor dentro de o seu sobretudo de pele de toupeira . De uma de as enormes mãos enluvadas , pendia um galo morto . - Tudo bem , Harry ? - perguntou , afastando o lenço para poder falar . - Porque não estás em a aula ? - Foi cancelada - disse Harry , pondo se de pé . - O que estás a fazer aqui ? Hagrid mostrou lhe o galo inerte . - É o segundo qu'aparece morto este período - explicou . - Ou são raposas ou um vampiro chato e eu preciso d'autorização de o director p'ra fazer um feitiço em volta de a capoeira . Aproximou se e olhou mais de perto para o Harry , por debaixo de as suas sobrancelhas espessas e cheias de neve . - Tens a certeza que estás bem ? Pareces exaltado e preocupado . Harry não foi capaz de repetir o que Ernie e os outros Hufflepuff lhe tinham dito . - Não é nada , tenho de ir , Hagrid . A próxima aula é Transfiguração e preciso de ir buscar os meus livros . Afastou se , a cabeça cheia com tudo_o_que Ernie dissera a seu respeito . « * _ O_Justin já estava d espera que uma coisa de o género acontecesse desde_que deixou escapar , falando com o Potter , que era filho de Muggles * ... » Harry subiu as escadas a correr e entrou por um corredor que estava particularmente escuro . As tochas tinham sido apagadas por uma ventania gelada que entrava por uma janela de fecho estragado . Estava a meio de o corredor quando tropeçou em uma coisa que se encontrava em o chão . Olhou para ver o que era e sentiu como_se o estômago se tivesse dissolvido . Justin_Finch - _ Fletchley estava em o chão , rígido e frio com uma expressão de horror em o rosto e os olhos abertos voltados para o tecto . E não era tudo . Junto de ele estava mais alguém , a visão mais estranha que Harry tivera em toda_a sua vida . Era_o_Nick quase sem cabeça que não estava cor de pérola nem transparente e sim escuro como fumo . Flutuava imóvel , em a horizontal , 12 centímetros acima de o chão , a cabeça meio tombada e em o rosto uma expressão de choque idêntica a a de o Justin . Harry pôs se de pé com a respiração acelerada e o coração a bater como um tambor contra as costelas . Olhou desvairado para ambos os lados de o corredor deserto e viu uma fila de aranhas que corriam a_toda_a velocidade em a direcção oposta a a de os corpos . Os únicos sons eram as vozes abafadas de os professores em as aulas que decorriam de ambos os lados . Podia fugir e ninguém saberia que ali tinha estado , mas não era capaz de os abandonar assim . Tinha de ir procurar ajuda . Será que alguém acreditaria que ele não tivera nada que ver com aquilo ? Enquanto ali estava , em pânico , uma porta a o seu lado abriu se com grande estrondo . Peeves , o * poltergeist * , saiu a os gritos . - Oh ! É o Potter , olá , Potter - alardeou Peeves , lançando por o ar os óculos de o Harry quando passou por ele . - O que está o Potter a fazer ? Porque está o Potter escondido ? Peeves passou de cabeça para baixo , a meio de uma cambalhota em o ar , quando viu Justin e Nick quase sem cabeça . Com um movimento súbito endireitou se , encheu os pulmões de ar e , antes que Harry pudesse impedi o , gritou : __ ataque ! ataque ! outro ataque ! nenhum mortal ou fantasma está em segurança . corram , fujam , __ ataaaque ! Crac , Crac , Crac . Uma atrás de a outra , foram se abrindo todas_as portas a o longo de o corredor e as pessoas saíram para fora de as salas de aula . Durante alguns longos minutos houve uma tal confusão que Justin esteve em perigo de ser esmagado e as pessoas não paravam de chocar com o Nick quase sem cabeça . Harry deu por si colado a a parede enquanto os professores exigiam a os gritos que se fizesse silêncio . A professora Mc_Gonagall veio a correr , seguida por todos os alunos , um de os quais ainda trazia o cabelo a as riscas pretas e brancas . Usou a varinha para produzir um ruído que repôs o silêncio e mandou os alunos todos para dentro de as salas de aula . Mal lugar ficou desimpedido surgiu Ernie , o jovem Hufflepuff . - * _ Apanhado em flagrante ! * - gritou , com o rosto totalmente branco , apontando dramaticamente o dedo par Harry . - Basta_Mcmillan - disse , de forma cortante , a professora Mc_Gonagall . Peeves andava para_cima e para baixo , observando a cena com um sorriso maldoso . Sempre adorara o caos . Quando os professores se inclinaram sobre Justin e sobre o Nick quase sem cabeça para os examinar , iniciou uma cantilena : * _ Oh ! Potter , que fizeste , seu grande bandido * _ Tu matas os estudantes porque achas divertido . * - Basta , Peeves - rosnou a professora Mc_Gonagall e Peeves afastou se , deitando a língua de_fora a o Harry . Justin foi levado para a ala hospitalar por o professor Flitwick e por o professor Sinistra_do_Departamento_de_Astronomia , mas ninguém parecia saber o que fazer em relação a o Nick quase sem cabeça . Por fim , a professora Mc_Gonagall fez aparecer em o ar um enorme leque que entregou a Ernie com o encargo de conduzir , escadas acima , por os ares o Nick quase sem cabeça . Ernie assim fez , soprando Nick como_se fosse um aerodeslizador e deixando , de este modo , o Harry e a professora Mc_Gonagall a sós . - Por aqui , Potter - disse ela . - Professora , eu juro que não ... - Isso não é comigo , Potter - afirmou a professora Mc_Gonagall sinteticamente . Caminharam em silêncio até uma esquina e ela parou perante uma gárgula de pedra extremamente feia . - Refresco de limão - disse . Era obviamente uma senha porque a gárgula animou se subitamente e saltou para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes . Apesar_de estar apavorado com o que ia acontecer a seguir , Harry não conseguiu evitar um sentimento de fascínio . Por detrás de a parede estava uma escada em espiral que se movia lentamente para_cima como um elevador . E quando ele e a professora Mc_Gonagall puseram os pés em o primeiro degrau , Harry ouviu a parede fechar se atrás de eles . Subiram em círculos , cada_vez_mais alto até que , por fim , um_pouco tonto , Harry pôde ver uma porta de carvalho reluzente com um puxador de bronze em forma de abutre . Harry calculava onde estava a ser levado . Devia ser ali que morava Dumbledore . XII_A poção * polisuco * Saltaram de a escada de pedra lá mesmo em cima e a professora Mc_Gonagall bateu a a porta . Ela abriu se silenciosamente dando lhes entrada . A professora Mc_Gonagall disse lhe que esperasse e deixou o sozinho . Harry olhou em volta . Uma coisa era certa : de todos o escritórios de professores que conhecia , o de Dumbledor era , de longe , o mais interessante . Se não estivesse com um medo de morte de ser expulso teria adorado explorá o . Era uma sala grande e bonita em forma de círculo que estava cheia de barulhinhos estranhos . Havia um grande número de instrumentos prateados sobre várias mesas de pernas finas que zumbiam emitindo pequenas baforadas de fumo . As paredes estavam cobertas de fotografias de antigos directores e directoras , todos eles a dormir tranquilamente em as suas molduras . Havia ainda uma enorme secretária pés de garra . E , sobre uma prateleira atrás de ela , um chapéu de feiticeiro andrajoso e puído : * o chapéu seleccionador * . Harry hesitou . Lançou um olhar cauteloso a as bruxas e feiticeiros adormecidos a o longo de as paredes . Com certeza não fazia mal se lhe pegasse e o experimentasse só para ver ... só para ter a certeza de que ele o pusera em a equipa certa . Deu a volta a a secretária , retirou o chapéu de a prateleira e baixou o lentamente sobre a cabeça . Era demasiado grande e escorregou lhe para os olhos como de a outra_vez que o tinha posto . Harry olhou para o forro preto , enquanto esperava . Por fim , uma vozinha disse lhe a o ouvido : - Estás com macaquinhos em o sótão , Harry_Potter ? - Er ... sim - balbuciou Harry . - Er ... desculpa incomodar te , queria saber ... - Querias saber se te pus em a equipa certa - disse prontamente o chapéu . - Sim ... tu és particularmente difícil de seleccionar , mas eu mantenho o que disse antes . - O coração de Harry deu um salto . - Terias ficado bem em os Slytherin . Harry sentiu o estômago contorcer se . Agarrou o chapéu por a aba e tirou o de a cabeça . O chapéu seleccionador ficou pendurado em a mão de ele , inerte , desbotado e sujo . Harry voltou a pô o em a prateleira , sentindo se enjoado . - Estás enganado ! - disse em voz alta a o chapéu parado e silencioso , mas ele não se mexeu . Harry recuou para o observar melhor e foi então que ouviu um ruído estranho e grasnado atrás_de si que o fez dar uma volta . Não estava só , afinal_de_contas . Em um poleiro dourado atrás de a porta estava um pássaro de aspecto decrépito que parecia um peru meio depenado . Harry olhou para ele espantado e o pássaro olhou o também , grasnando de_novo . Harry achou que ele devia estar muito doente porque tinha os olhos parados e , enquanto olhava para ele , caíram lhe mais algumas penas de a cauda . Estava justamente a pensar que a única coisa que lhe faltava era que o pássaro de estimação de Dumbledore morresse quando ele estava ali sozinho com ele , em o escritório , quando a ave se incendiou . Harry gritou , em estado de choque , e recuou até a a secretária . Olhava nervosamente em volta , em busca de um jarro de água , mas não viu nenhum . O pássaro , entretanto , transformara se em uma bola de fogo , dera um guincho e , em seguida , desaparecera , deixando apenas um monte de cinzas em o chão . A porta de o escritório abriu se . Dumbledore entrou com ar taciturno . - Professor - gaguejou Harry . - O seu pássaro ... eu não pode fazer nada ... ele incendiou se . Para seu grande espanto , Dumbledore sorriu . - Já não era sem tempo . Estava com um aspecto horrível em os últimos dias . Fartei me de lhe dizer que fizesse qualquer coisa . Riu se entre dentes com a expressão em o rosto de Harry . - A Fawkes é uma fénix , Harry . As fénix ardem quando é altura de morrer e renascem de as cinzas , repara ... Harry olhou mesmo a_tempo_de ver um passarinho recém-nascido , todo enrugado , espetar a cabeça fora de as cinzas . Era quase tão feio como o antigo . - É uma pena que a tenhas conhecido em dia de arder - disse Dumbledore , passando para trás de a secretária . - É muito bonita a maior parte de o tempo , com uma plumagem vermelha e dourada . São criaturas fascinantes , as fénix . Podem transportar cargas pesadíssimas , as suas lágrimas têm propriedades curativas e são animais de estimação extremamente fiéis . Com o choque de a fénix a pegar fogo , Harry esquecera se de o motivo porque ali estava , mas tudo voltou rapidamente quando Dumbledore se instalou em a cadeira de espaldar alto e o fixou com os seus olhos azuis e penetrantes . Contudo , antes que ele tivesse tido tempo de falar , a porta de o escritório abriu se de par em par com um enorme estrondo e Hagrid entrou com um olhar tresloucado , o lenço todo torcido em volta de a cabeça hirsuta e o galo morto ainda pendurado em a mão . - Não foi Harry , professor Dumbledore - disse , aflito . - Eu tinha estado a falar com ele poucos segundos antes de o rapazinho ser encontrado , ele não teve tempo professor ... Dumbledore tentou dizer qualquer coisa , mas Hagrid continuou , abanando o galo em o meio de a sua agitação e espalhando penas por todo o lado . - Não pode ter sido ele . Eu juro em a frente de o ministro de a magia , se for preciso ... - Hagrid , eu ... -- Tem o rapaz errado , professor . Eu sei qu'o Harry nunca ... - Hagrid - disse Dumbledore , elevando a voz . - Eu não penso que o Harry tenha atacado aquelas pessoas . - Oh ! - disse Hagrid , com o galo pendendo inerte a o seu lado . - Certo , ' tão eu espero lá fora , director . E saiu com ar envergonhado . - O senhor não acha que tenha sido eu ? - repetiu Harry cheio de esperança , enquanto Dumbledore sacudia penas de galo de cima de a secretária . - Não , Harry , não acho - afirmou Dumbledore , apesar de a sua expressão ser de_novo sombria . - Mas mesmo_assim quero falar contigo . Harry esperou ansiosamente enquanto o director o observava com as pontas de os dedos longos unidas . - Tenho de saber uma coisa . Harry , há alguma pergunta que queiras fazer me , qualquer que ela seja ? Harry não soube o que dizer . Lembrou se de Malfoy a gritar * _ Vocês serão os próximos , sangues de lama * e de a poção * _ Polisuco * em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Depois pensou em a voz sem corpo que ouvira duas vezes e em o que o Ron dissera * _ Ouvir vozes que ninguém mais ouve não é bom sinal , nem mesmo em o mundo de a feitiçaria * . Pensou também em o que toda_a_gente dizia de ele e em o receio cada_vez maior de ter uma relação qualquer com Salazar_Slytherin ... - Não - disse por fim . - Não há nada , professor . O ataque duplo a Justin e a o Nick quase sem cabeça transformou o que até_então era nervosismo em verdadeiro pânico . Curiosamente fora o destino de o Nick quase sem cabeça o que mais preocupara as pessoas . Quem poderia ter feito aquilo a um fantasma ? - perguntavam uns a os outros . - Que poder terrível era aquele , capaz de afectar alguém que já tinha morrido ? Houve uma precipitação enorme em a marcação de os bilhetes em o Expresso_de_Hogwarts , pois todos os alunos quiseram ir passar o Natal a casa . - Por este caminho , vamos ser os únicos a ficar - disse o Ron a o Harry e a a Hermione . - Nós , o Malfoy , o Goyle e o Crabbe , que férias lindas que vão ser ! Crabbe e Goyle que faziam sempre o que Malfoy fazia , tinham se inscrito para ficar também durante as férias . Mas Harry estava contente por a maior parte se ir embora . Estava farto de ver gente a afastar se em os corredores como_se ele fosse mostrar os dentes ou cuspir veneno . Estava cansado de tantos segredinhos , de os ver apontar e segredar quando passava . O Fred e o George , esses achavam muito divertido . Vinham , de propósito , pôr se a a frente de ele e atravessavam os corredores a gritar : - Abram alas para o herdeiro de Slytherin , vai passar um feiticeiro verdadeiramente cruel . Percy discordava totalmente de este comportamento . - Não é um assunto para se brincar - dizia com frieza . - Sai mas é de o caminho , Percy - dizia o Fred . - O Harry está com pressa . - Sim , ele vai a a Câmara_dos_Segredos tomar uma chávena de chá com o seu servidor dentes de serpente - completava Fred com uma gargalhada . Ginny também não lhes achava graça . - Cala te - gritava ela sempre_que o Fred perguntava em voz alta a o Harry quem estava a pensar atacar a seguir , ou quando George fingia afastá o com um enorme dente de alho . Harry não se importava . Fazia o sentir se melhor o facto de constatar que , pelo_menos para o Fred e para o George , a ideia de ele ser o herdeiro de Slytherin era absolutamente ridícula . Mas as palhaçadas de eles pareciam ofender Draco_Malfoy que , de cada_vez que os via , ficava mais irritado . - É porque está ansioso por dizer que é mesmo ele - disse o Ron com ar conhecedor . - Sabes como ele detesta que alguém o ultrapasse e tu estás a receber todo o crédito por o seu trabalho sujo . - Não vai ser por muito_tempo - disse Hermione com uma voz satisfeita . - A poção * polisuco * está quase pronta . Um de estes dias arrancamos lhe a verdade . Finalmente , o período chegou a o seu termo e um silêncio profundo como a neve em os campos desceu sobre o castelo . Harry adorou a tranquilidade e apreciou o facto de ele , Hermione e os Weasley terem a torre de os Gryffindor por sua conta , poderem jogar a as explosões bem alto , sem incomodar ninguém e praticar duelos entre si . O Fred , o George e a Ginny tinham preferido ficar em a escola a ir com Mr. e Mrs._Weasley a o Egipto visitar o Bill . Percy que reprovava e considerava infantil a conduta de eles , não passava muito_tempo em a sala comum de os Gryffindor . Já lhes dissera pomposamente que só ficara ali em o Natal , por ser sua obrigação como prefeito apoiar os professores em aquela época agitada . A manhã de o dia de Natal clareou branca e fria . Harry e Ron , os únicos que estavam em o dormitório , foram acordados muito cedo por Hermione que entrou , toda vestida , transportando presentes para ambos . - Acordem - disse em voz alta , abrindo os cortinados . - Hermione , tu não devias estar aqui - exclamou o Ron , protegendo os olhos de a luz . - Feliz_Natal para ti também - disse Hermione , atirando lhe o presente que tinha para ele . - Estou acordada há quase uma hora , acrescentando mais asas de renda a a poção . Está pronta . Harry sentou se , subitamente acordado . - Tens a certeza ? - Absoluta - disse ela , afastando o rato Scrabbers para se sentar a os pés de a cama de dossel . - Se vamos mesmo tomá a , acho que devia ser logo a a noite . Em esse momentzo , a Hedwig entrou em o quarto , transportando em o bico um embrulho pequenino . - Olá - disse Harry , feliz a o vê a aterrar em a sua cama . - Já me falas outra_vez ? Ela mordiscou lhe a orelha de uma forma afectuosa que foi , de longe , um presente melhor do_que aquele que transportava e que era afinal de os Dursley . Tinham mandado a Harry um palito para os dentes com um cartão pedindo lhe que se informasse se não poderia ficar , também em o Verão , em Hogwarts . Os outros presentes que Harry recebeu foram bastante melhores . Hagrid mandara lhe uma lata grande de bombons de melaço que ele decidiu amolecer a o lume antes de comer , o Ron deu lhe um livro chamado * _ Voando com Canhões * , que narrava factos interessantes sobre a sua equipa favorita de Quidditch e Hermione trouxera lhe uma luxuosa pena de águia . Harry abriu o último presente onde vinha uma camisola novinha , feita a a mão por Mrs._Weasley e um grande bolo de passas . Pegou em o cartão com uma nova sensação de culpa , pensando em o carro de Mr._Weasley que não voltara a ser visto desde_que chocara contra o salgueiro zurzidor e em a quantidade de infracções que ele e o Ron tinham em mente . Ninguém , nem mesmo os que estavam cheios de medo por terem de tomar a poção * polisuco * a seguir , deixou de adorar o jantar de Natal em Hogwarts . O salão nobre estava magnífico . Não_só havia uma_dúzia de árvores de Natal , cobertas de geada e espessas serpentinas de azevinho e visco bravo cruzando se junto de o tecto como caia uma neve encantada quente e seca . Dumbledore conduziu os em uma de as suas canções de Natal preferidas enquanto Hagrid se agitava , falando cada_vez_mais alto , a cada gole de gemada que tomava . O Percy que não dera por_que Fred enfeitiçara o seu distintivo de prefeito , onde agora podia ler se « cabeça de alfinetes « , continuava a perguntar a todos para_onde estavam a olhar . Harry nem_sequer se importou com os comentários que Draco_Malfoy fazia bem alto , de a mesa de os Slytherin acerca de a sua camisola nova . Com alguma sorte , Malfoy iria ser desmascarado dentro_de algumas horas . Harry e Ron mal tinham acabado a terceira dose de pudim de Natal quando Hermione os fez sair de o salão a a pressa para acabarem de tratar de os planos para essa noite . - Ainda precisamos de um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos - disse com o ar mais natural de este mundo como_se estivesse a mandá os a o supermercado comprar detergente . - E , é claro que o ideal será conseguirmos alguma coisa de o Crabbe e de o Goyle , são os melhores amigos de o Malfoy , ele conta lhes tudo . E precisamos também de ter a certeza de que eles não vão entrar em a sala quando vocês estiverem a interrogar o Malfoy . - Eu tenho tudo pensado - prosseguiu ela , ignorando a expressão estupefacta de Harry e Ron . Pegou em dois apetitosos bolos de chocolate . - Pus lhes um encantamento de sono . Vocês só têm de fazer com que o Crabbe e o Goyle os encontrem . Sabem como eles são gulosos , vão logo comê os . Quando estiverem a dormir , tirem lhes alguns cabelos e escondam nos em uma despensa de vassouras . Harry e Ron olharam , incrédulos , um para o outro . -- Hermione , eu não creio que ... -- Isto pode correr muito mal ... Mas Hermione tinha um brilho inflexível em os olhos que não era muito diferente do_que costumavam ver em o olhar de a professora Mc_Gonagall . - A poção não nos serve de nada sem os cabelos de o Crabbe e de o Goyle - disse com firmeza . - Vocês querem mesmo descobrir coisas sobre o Malfoy , não querem ? - Pronto , está bem - disse Harry . - Mas , e tu , vais arranjar cabelos de quem ? - Eu já tenho esse assunto resolvido - disse Hermione sorridente , tirando um frasquinho de o bolso e mostrando lhes um cabelo que lá estava dentro . - Lembram se de a Millicent_Bulstrode que lutou comigo em o clube de os duelos ? Ela deixou isto em o meu manto quando tentava estrangular me . E foi passar o Natal a casa , portanto , basta me dizer a os Slytherins que decidi voltar . Quando Hermione saiu para verificar de_novo a poção polisuco , Ron voltou se para Harry com uma expressão lúgubre . - Alguma vez viste um plano onde tantas coisas pudessem correr mal ? Mas para grande espanto de ambos , a primeira fase de a operação decorreu tão naturalmente como Hermione previra . Eles esconderam se em o * hall * de entrada , depois de o lanche de Natal , a a espera de o Crabbe e de o Goyle que tinham ficado sozinhos a a mesa de os Slytherin , deitando abaixo a quarta dose de bolo inglês . Harry colocou os bolos de chocolate em o fim de o corrimão . Quando avistaram Crabbe e Goyle a sair de o salão , Harry e Ron esconderam se rapidamente atrás_de uma armadura que estava junto de a porta de entrada . - Como_se pode ser tão estúpido ? - murmurou Ron sem se mexer enquanto Crabbe apontava satisfeitíssimo , mostrando a Goyle os bolos e agarrando os . Com um riso estúpido , enfiaram nos inteiros em as bocas enormes . Durante um momento , ambos mastigaram avidamente com olhares vitoriosos em o rosto . Depois , sem que a expressão se alterasse , caíram para trás e estatelaram se em o chão . Mais difícil foi transportá os para a despensa de o outro lado de o * hall * . Uma_vez armazenados em o meio de os baldes e esfregões , Harry arrancou alguns de os pêlos que cobriam a cabeça de o Goyle e Ron tirou alguns cabelos a o Crabbe . Roubaram lhes também os sapatos porque os de eles eram demasiado pequenos para os enormes pés de o Crabbe e de o Goyle . Em seguida , ainda atordoados com o que tinham acabado de fazer , correram até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mal conseguiam ver com o fumo preto e espesso que saía de o cubículo onde Hermione mexia o caldeirão . Tapando o rosto com os mantos , Harry e Ron bateram a o de leve em a porta . - Hermione ? Ouviram o ruído de o trinco e Hermione apareceu com a cara lustrosa e um ar ansioso . Por trás de ela ouviam o gloop gloop de a poção espessa e gorgolejante . Em o banco de a casa_de_banho estavam três copos de vidro . - Conseguiram ? - perguntou Hermione quase sem fôlego . Harry mostrou lhe o cabelo de o Goyle . - _ óptimo . Eu tirei estes mantos suplementares de a lavandaria - disse ela , pegando em uma pequena saca . - Vocês vão precisar de tamanhos maiores se vão ser o Crabbe e o Goyle . Olharam os três para o caldeirão . Vista de perto , a poção parecia uma lama espessa e escura a borbulhar indolentemente . - Tenho a certeza que fiz tudo certo - disse Hermione nervosa , relendo a página manchada de * _ Moste_Potente_Potions * . - Tem o aspecto que o livro diz que deveria ter ... depois de a tomar temos precisamente uma hora antes de nos transformarmos de_novo em as pessoas que somos . - E agora ? - murmurou o Ron . - Separamos a em três copos e adicionamos os cabelos . Hermione encheu cada_um de os copos com uma concha de sopa . Em seguida , retirou com a mão a tremer o cabelo de Millicent_Bulstrode de dentro de o frasquinho e pô o em o primeiro copo . A poção chiou fortemente como uma chaleira a ferver e espumou como louca . Um segundo depois ganhara um tom de amarelo doentio . - Urgh ! Essência_de_Millicent_Bulstrode - disse Ron , olhando com repugnância . - Aposto que o sabor é nojento . - Deitem os vossos - disse Hermione . Harry deixou cair o cabelo de o Goyle em o copo de o meio e Ron lançou o de o Crabbe em o último . Ambos chiaram e espumaram : o de o Goyle ficou de um tom caqui , o de o Crabbe de um castanho-escuro algo tenebroso . - Esperem - pediu Harry quando Ron e Hermione pegaram em os copos . - Será melhor não os tomarmos aqui todos juntos em um cubículo ; quando em os transformarmos não vamos cá caber e Millicent_Bulstrode não é nenhum duende . - Bem pensado - admitiu o Ron , abrindo a porta . - Cada_um em seu cubículo . Com todo o cuidado , para não entornar nem uma gota de a poção polisuco , Harry esgueirou se para o cubículo de o meio . - Prontos ? - perguntou . - Prontos - responderam as vozes de o Ron e de a Hermione . - Um , dois , três . Tapando o nariz , Harry bebeu a poção em dois grandes tragos . Tinha o sabor de a couve demasiado cozida . Os seus interiores começaram imediatamente a contorcer se como_se tivesse engolido serpentes vivas . Dobrado , Harry perguntava a si próprio se iria vomitar . Depois , uma sensação de ardor espalhou se rapidamente de o estômago até a as pontas de os dedos de as mãos e de os pés . Em seguida , fazendo o sobressaltar se , sobreveio o sentimento horrível de estar a derreter enquanto a pele de todo o seu corpo borbulhava como cera quente e , perante os seus olhos , as mãos começaram a crescer , os dedos a engrossar , as unhas a alargar e as articulações a tornarem se protuberantes como ferrolhos . Os ombros retesaram se dolorosamente e uma comichão em a testa preveniu o de que o cabelo estava a rastejar em direcção a as sobrancelhas . As túnicas rasgaram se enquanto o tórax se expandia como um barril , rebentando com os seus anéis . Os pés estavam em grande sofrimento dentro_de sapatos quatro números abaixo . Tão depressa como começara , tudo parou . Harry estava caído em o chão de pedra fria , ouvindo a Murta_Queixosa gorgolejando taciturna em o cubículo de o fundo . Com alguma dificuldade tirou os sapatos e levantou se . Era então assim que o Goyle se sentia ! Com a mão enorme a tremer , despiu a sua túnica que lhe ficava 30 centímetros acima de os tornozelos , pegou em as túnicas suplementares e amarrou os atacadores de os sapatos abotinados de o Goyle . Quis escovar o cabelo para o afastar um_pouco de os olhos e deu apenas com os pêlos hirsutos que lhe cresciam em a testa . Apercebeu se então de que os óculos lhe toldavam a visão porque o Goyle , obviamente , não precisava de eles . Tirou os e gritou . - Vocês estão bem ? - De a sua boca saiu a voz baixa e grossa de o Goyle . - Sim - respondeu lhe o grunhido de o Crabbe , a a sua direita . Harry abriu a porta de o cubículo e dirigiu se a o espelho partido . O Goyle olhava o de o outro lado com os seus olhos parados . Harry coçou a orelha e Goyle fez o mesmo . A porta de o Ron abriu se . Olharam um para o outro . Harry estava pálido e chocado . O amigo não se distinguia de o Crabbe , desde o corte de cabelo em forma de tigela até a os longos braços de gorila . - É inacreditável - disse o Ron , aproximando se de o espelho e beliscando o nariz achatado de o Crabbe . - Inacreditável ! - É melhor irmos indo - disse Harry , alargando a pulseira de o relógio que lhe cortava o pulso . - Ainda temos de descobrir onde fica a sala comum de Slytherin . Só espero que encontremos alguém que vá para lá e que nós possamos seguir . Ron que tinha estado a olhar espantado para ele , comentou : - Não imaginas como é bizarro ver o Goyle a pensar - bateu em a porta de Hermione . - Vamos , temos que ir ... Respondeu lhe uma voz aguda : - Eu ... eu acho que afinal não vou . Vão vocês sem mim . - Hermione , nós sabemos que a Millicent_Bulstrode é feia , ninguém vai pensar que és tu . - Não , a sério , acho que não vou . Despachem se vocês os dois , estão a perder tempo . Harry olhou para Ron , baralhado . - Aquilo parece mais de o Goyle , é como ele fica sempre_que algum professor lhe faz uma pergunta . - Estás bem , Hermione ? - perguntou Harry , através de a porta . - _ óptima , estou óptima , vão se embora . Harry olhou para o relógio . Cinco preciosos minutos tinham já passado . - Encontramo nos aqui , está bem ? - disse . Os dois abriram a porta de a casa_de_banho com todo o cuidado , viram se o caminho estava livre e saíram . - Não balances assim os braços - disse o Harry a o Ron . - Hein ? - O Crabbe anda sempre com eles esticados . - Assim ? - Isso , assim está melhor . Desceram a escadaria de mármore . Só precisavam agora de um Slytherin que pudessem seguir até a a sala comum , mas não havia ninguém por perto . - Tens alguma ideia ? - perguntou Harry em um murmúrio . - Os Slytherin vêm sempre de ali para o pequeno-almoço - disse o Ron , apontando para a entrada de os calabouços . Mal tinha pronunciado estas palavras quando uma rapariga de cabelo comprido a os caracóis , apareceu . - Desculpa - disse o Ron , sem perder tempo . - Esquecemo nos de o caminho para a nossa sala comum . - Como ? - disse a rapariga com a maior frieza . - A * nossa * sala comum ? Eu sou uma Ravenclaw . Afastou se , olhando para eles , desconfiada . Harry e Ron desceram apressadamente os degraus de pedra até a a escuridão . Os passos ecoavam em o silêncio , à_medida_que os pés enormes de Crabbe e Goyle tocavam em o chão , fazendo os sentir que as coisas não iam ser tão fáceis como eles desejavam . Os corredores labirínticos estavam desertos . Andaram e tornaram a andar por os subterrâneos , olhando constantemente para os relógios para ver quanto tempo ainda lhes restava . Depois de um quarto de hora , quando começavam a ficar desesperados , ouviram um movimento súbito . - Olha - disse o Ron , agitadamente . - Agora é um de eles . A silhueta saía de uma sala , mas quando se aproximaram o coração de ambos esmoreceu . Não era um Slytherin , era Percy . - O que estás a fazer aqui em baixo ? - perguntou o Ron surpreendido . - Isso - disse ele friamente - não é de a tua conta . És o Crabbe , não és ? - Er ... sim , sim - respondeu o Ron . - Então vão para o vosso dormitório - ordenou Percy com firmeza . - Não é seguro andar a passear por os corredores escuros em os dias que correm . - Tu andas -- fez notar o Ron . - Eu - disse o Percy endireitando se - sou um prefeito . Nada vai atacar me . Ouviu se , de repente , uma voz por_detrás_de Harry e Ron . Era_Draco_Malfoy e , pela_primeira_vez em a vida , Harry ficou satisfeito a o vê o . - Aí estão vocês - disse de modo arrastado , olhando para eles . - Têm estado a chafurdar em o salão este tempo todo ? Tenho andado a a vossa procura , quero mostrar vos uma coisa muito divertida . Malfoy olhou misteriosamente para Percy . - E o que fazes tu aqui , Weasley ? - perguntou com ar de desprezo . Percy olhou , sentindo se ultrajado . - Fazes favor de mostrar um_pouco mais de respeito por um prefeito de a escola - disse . - Não gosto de o teu ar . Malfoy riu se e fez sinal a o Harry e a o Ron para que o seguissem . Harry quase ia pedindo desculpa a o Percy , mas deu se conta a tempo . Apressaram se a seguir o Malfoy que disse , mal viraram em o corredor seguinte : - Aquele Peter_Weasley ... - O Percy - corrigiu Ron automaticamente . - Ou isso - continuou Malfoy . - Ultimamente tenho o visto muitas_vezes a andar por aí sorrateiramente e aposto que sei o que ele quer . Pensa que vai apanhar o herdeiro de Slytherin sozinho . Deu uma pequena gargalhada ridícula . Harry e Ron trocaram olhares nervosos . Malfoy parou junto de uma parede de pedra húmida . - Qual é a senha ? - perguntou a o Harry . - Er ... - Ah ! sim , sangue puro - disse Malfoy sem ouvir e uma porta de pedra , oculta em a parede , abriu se . Malfoy entrou e Harry e Ron seguiram o . A sala comum de os Slytherin era uma ampla divisão subterrânea com espessas paredes de pedra e um tecto de o qual estavam pendurados por correntes vários candeeiros redondos que davam uma luz esverdeada . O fogo crepitava em uma lareira elaboradamente esculpida em frente de a qual se viam as silhuetas de vários Slytherins sentados em cadeiras igualmente esculpidas . - Esperem aí - disse Malfoy a o Harry e a o Ron , encaminhando os para um par de cadeiras vazias , longe de o lume . - Eu vou buscar o que o meu pai acaba de me mandar . Sem saber o que Malfoy iria mostrar lhes , Harry e Ron sentaram se , fazendo todos os possíveis por parecer a a vontade . Malfoy voltou um minuto depois , trazendo em a mão o que parecia ser um recorte de jornal . Pô o debaixo de o nariz de o Ron . - Vais te rir - disse . Harry viu os olhos de o Ron abrirem se como_se estivesse em estado de choque . Viu o ler o recorte rapidamente , dar uma gargalhada forçada e estender lhe o em seguida . Tinha sido retirado de o * _ Profeta_Diário * e dizia : inquérito em o ministério de a magia * _ Arthur_Weasley , chefe de o Gabinete_de_Mau_Uso_dos_Utensílios_dos_Muggles foi hoje multado em cinquenta galeões por ter enfeitiçado um carro de os Muggles . * _ O senhor Lucius_Malfoy , Membro_do_Conselho_Directivo_da_Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts , onde o carro enfeitiçado foi chocar em o princípio de este ano , exigiu hoje a demissão de Mr._Weasley . « * _ O_Weasley trouxe o descrédito a o Ministério « - declarou Mr._Malfoy a o nosso repórter . - « É claramente incompetente para fazer cumprir as leis e a sua protecção ridícula de os Muggles deveria ir imediatamente para a sucata . » * _ Mr._Weasley recusou se a fazer comentários , mas a sua mulher disse a os repórteres que desaparecessem de ali ou lançaria contra eles o vampiro de a família * . - Então - disse Malfoy impaciente quando Harry voltou a entregar lhe o recorte . - Não achas o_máximo ? - Ha , ha - fez Harry tristemente . - O Arthur_Weasley gosta tanto de os Muggles que era capaz de partir a sua varinha a o meio para se juntar a eles - disse Malfoy com desprezo . - Ninguém diria que os Weasley eram sangue puro a avaliar por o modo como_se comportam . A cara de o Ron , ou melhor , de o Crabbe , contorceu se de raiva . - O que é_que se passa ? - perguntou Malfoy . - Dores de estômago - gemeu o Ron . - Então vai a a ala hospitalar e dá a todos aqueles sangues de lama um pontapé de a minha parte - disse Malfoy com o seu riso escarninho . - Sabes que estou espantado por o * _ Profeta_Diário * ainda não se ter referido a todos estes ataques - continuou pensativamente . - Calculo que o Dumbledore deve estar a tentar abafar as coisas . Ele ainda é posto em a rua se isto não acaba depressa . O pai sempre disse que Dumbledore foi a pior coisa que aqui veio parar . Ele adora os filhos de os Muggles , um director decente nunca deixaria um lodo como o Creevey entrar em esta escola . Malfoy começou a fingir que tirava fotografias com uma máquina imaginária e fez uma imitação maldosa , mas bastante fiel de o Colin : - Potter , posso tirar te a fotografia ? Dás me um autógrafo ? Posso lamber te os sapatos , por favor , Potter ? Baixou as mãos e olhou para Harry e Ron . - O que é_que se passa com vocês os dois ? Um_pouco atrasados , Harry e Ron forçaram o riso e Malfoy pareceu satisfeito . Talvez Crabbe e Goyle fossem sempre de reacção lenta . - O santo Potter , amigo de os sangues de lama - disse Malfoy . - É outro que não tem os sentimentos de um feiticeiro a sério ou não andaria por aí com aquela empertigada sangue de lama Granger . E as pessoas a pensarem que ele é o herdeiro de Slytherin . Harry e Ron esperaram com a respiração entrecortada : o Malfoy ia certamente dizer lhes , dentro_de segundos , que era ele , mas então ... - Quem me dera saber quem ele é - disse o Malfoy , de forma petulante . - Podia ajudá o . O queixo de o Ron caiu de tal maneira que a cara de o Crabbe ficou ainda mais desajeitada do_que era habitual . Felizmente Malfoy não deu por nada e Harry , em um pensamento rápido , disse : - Deves ter alguma ideia de quem está por_detrás_de tudo ... - Sabes perfeitamente que não tenho , Goyle , quantas vezes é preciso dizer te ? - cortou Malfoy . - E o pai também não me diz nada sobre a última vez que a câmara foi aberta . É claro que foi há cinquenta anos , antes de ele cá andar , mas o pai sabe tudo a esse respeito e diz que as coisas foram mantidas em grande segredo e que pareceria suspeito se eu soubesse demasiado . Mas há uma coisa que eu sei : de a última vez que a câmara foi aberta , morreu um sangue de lama . Por isso , aposto que é uma questão de tempo até que um de eles seja morto . Só espero que seja a Granger - disse satisfeito . Ron fechara os punhos gigantescos de o Crabbe . Sentindo que deitaria tudo a perder se ele desse um soco a o Malfoy , Harry lançou lhe um olhar de aviso e disse : - Sabes se a pessoa que abriu a câmara de a última vez foi apanhada ? - Ah ! sim , essa pessoa foi expulsa - disse Malfoy . - Ainda deve estar em Azkaban . - Azkaban ? - repetiu Harry confuso . - Azkaban , a prisão de os feiticeiros , Goyle - disse Malfoy , olhando para ele incrédulo . - Francamente , se fosses mais lento andavas para trás . Esticou se intranquilo , em a cadeira e disse : - O pai diz para eu esfriar a cabeça e deixar que o herdeiro de Slytherin faça o seu trabalho . Acha que a escola precisa de se livrar de a escória de os sangues de lama , mas não quer que eu me envolva em nada . Claro que ele agora tem um prato cheio . Sabes que o Ministério de a magia fez uma busca a a nossa mansão em a semana passada ? Harry tentou forçar a cara de bronco de o Goyle a uma expressão preocupada . - Sim - continuou Malfoy . - É claro que não encontraram grande coisa . O pai guarda uns materiais de magia negra muito valiosos , mas , felizmente , temos a nossa câmara secreta debaixo de o soalho de a sala de visitas ... - Ah ! - disse o Ron . Malfoy olhou para ele . Harry também . Ron corou e até o cabelo começou a ficar vermelho . O nariz estava também a diminuir lentamente ... a hora tinha acabado . Ron estava a voltar a a sua forma habitual e por o olhar de horror que lançou a Harry certamente ele também estava . Puseram se rapidamente de pé . - Tenho de tomar o remédio para o estômago - grunhiu o Ron e sem mais explicações saíram ambos a correr de a sala comum de os Slytherin , precipitaram se para a parede de pedra e galgaram a passagem , pedindo a todos os santos que Malfoy não tivesse dado por nada . Harry sentia os pés a nadarem em os sapatos enormes de o Goyle e tinha de levantar o manto visto_que diminuíra de tamanho . Subiram os degraus a correr até a o * hall * escuro de entrada onde se ouvia um som abafado que vinha de a despensa onde tinham fechado o Crabbe e o Goyle . Deixando os sapatorros de os dois de o lado de_fora , subiram já com os respectivos sapatos a escadaria de mármore até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Bem , não foi uma total perda de tempo - disse o Ron ofegante , fechando atrás_de si a porta de a casa_de_banho . - É certo que ainda não descobrimos de quem vêm os ataques , mas vou escrever a o meu pai amanhã a dizer lhe que procure debaixo de o soalho de a sala de visitas de o Malfoy . Harry olhou para o espelho partido . Tinha voltado a o normal . Pôs os óculos enquanto Ron batia em a porta de o cubículo de Hermione . - Hermione , sai de aí , temos um monte de coisas para te contar ... - Vão se embora - guinchou Hermione . Harry e Ron olharam um para o outro . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron . - Tu já deves ter voltado a o normal como nós ... Mas a Murta_Queixosa saiu subitamente através de a porta de o cubículo com um ar divertido como nunca a tinham visto . - Oh ! Esperem até ver - disse ela . - É horrível ! Ouviram o trinco de a porta a abrir se e Hermione apareceu a soluçar , a túnica levantada a cobrir lhe o rosto . - O que foi ? - perguntou o Ron indistintamente . - Ainda tens o nariz de a Millicent ou alguma coisa assim ? Hermione deixou cair a roupa e Ron recuou rapidamente . O rosto de ela estava coberto de pêlo preto , os olhos tinham ganho uma cor amarela e as orelhas eram pontiagudas , saindo espetadas para fora de os cabelos . - Era um pêlo de g-gato - disse a chorar . - A Millicent_Bulstrode d-deve ter um gato e a poção não está preparada para transformação em animais . - Oh-oh - disse o Ron . - Vão te gozar horrivelmente - disse a Murta , felicíssima . - Não te preocupes , Hermione - tranquilizou a rapidamente o Harry . - Vamos levar te para a ala hospitalar , a Madam_Pomfrey nunca faz muitas perguntas ... Não foi fácil convencer Hermione a sair de a casa_de_banho . A Murta_Queixosa despediu se com uma gargalhadavigorosa e grosseira . - Espera até todos descobrirem que tens uma cauda ! XIII_O diário muito secreto Hermione ficou em a ala hospitalar durante várias semanas . Houve uma onda de boatos sobre o seu desaparecimento quando o resto de os alunos voltou de as férias de Natal porque , é claro , todos pensam que ela tinha sido atacada . Foram tantos os estudantes a rondar a ala hospitalar para espreitar a ver se a viam que Madam_Pomfrey desceu de_novo as cortinas de a cama de ela para a poupar a a vergonha de ser vista com pêlo em a cara . Harry e Ron iam visitá a todas_as tardes . Quando o segundo período começou passaram a levar lhe diariamente os trabalhos de casa . - Se eu tivesse o bigode a crescer , tinha uma folga de o trabalho - disse uma tarde o Ron enquanto colocava uma pilha de livros a a cabeceira de a cama de Hermione . - Não sejas parvo , Ron , eu tenho de me manter a par de as coisas - disse Hermione com vivacidade . O humor de ela melhorara bastante com o facto de lhe ter desaparecido todo o pêlo de o rosto e de os olhos estarem lentamente a retomar a cor castanha . - Calculo que não tenham novas pistas ? - disse em um murmúrio para evitar que Madam_Pomfrey os ouvisse . - Nada - disse Harry tristemente . - Eu tinha tanta certeza de que era o Malfoy - repetiu o Ron por a centésima vez . - O que é isso ? - perguntou Harry , apontando para uma coisa com brilho dourado que estava debaixo de a almofada de Hermione . - É só um cartão a desejar boas melhoras - disse ela precipitadamente , tentando escondê o , mas o Ron foi mais rápido . Pegou lhe , abriu o e leu em voz alta : * _ Para_Miss_Granger , desejando lhe uma rápida recuperação , com o interesse e estima de o professor Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , Terceiro grau , Membro_Honorário_da_Liga_de_Defesa contra as Artes_Negras e vencedor por cinco vezes de o prémio O sorriso mais charmoso de a semana de o Semanário_das_Bruxas * . Ron olhou desconsolado para Hermione . - Tu dormes com isto debaixo de a almofada ? Mas Hermione foi poupada a ter de responder por a entrada de Madam_Pomfrey que lhe trazia a dose de medicamento de a tarde . - Achas que o Lockhart é o tipo mais esperto que conheceste ? - perguntou o Ron a o Harry quando saíram de a enfermaria e começavam a subir as escadas para a torre de os Gryffindor . O Snape tinha lhes passado tanto trabalho para_casa que Harry pensou que ia chegar a o sexto ano antes de o ter acabado . Ron vinha a dizer que devia ter perguntado a a Hermione quantas caudas de rato deveria juntar se a uma poção para o crescimento de o cabelo quando um grito de raiva vindo de o andar de cima lhes chegou a os ouvidos . - É o Filch - murmurou Harry enquanto subiam apressadamente as escadas e paravam para ouvir melhor . - Terá mais alguém sido atacado ? - disse nervosamente o Ron . Ficaram parados com as cabeças inclinadas para a voz de o Filch que parecia quase histérica . -- ... * _ Ainda mais trabalho para mim . Toda_a noite a esfregar como_se não tivesse já trabalho de sobra . Não , isto foi a gota de água que fez transbordar o copo , vou falar com Dumbledore * ... Os passos afastaram se e ouviram uma porta fechar se com grande estrondo . Puseram as cabeças fora de a esquina . O Filch tinha obviamente estado a patrulhar o seu habitual posto de vigia : estavam novamente em o lugar onde Mrs._Norris fora atacada . Perceberam imediatamente qual o motivo de os gritos . Uma enorme poça de água enchia metade de o corredor e parecia escorrer de a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Agora_que o Filch se calara podiam ouvir os uivos de a Murta que faziam eco em as paredes de a casa_de_banho . - Mas o que se passará com ela ? - disse o Ron . - Vamos lá ver - sugeriu Harry e arregaçando as túnicas até a os tornozelos entraram , atravessando a enorme poça de água , em a casa_de_banho que tinha o letreiro a dizer « Fora de serviço » e que eles , como sempre , ignoraram . A Murta_Queixosa chorava , se possível , mais alto do_que nunca . Parecia estar escondida em o cubículo de o costume . Lá dentro estava escuro pois as velas tinham se apagado com a enchente de água que deixara as paredes e o chão ensopado . - O que se passa , Murta ? - quis saber o Harry . - Quem é ? - perguntou ela infelicíssima . - Vieste atirar me mais alguma coisa acima ? Harry caminhou com dificuldade por causa de a água até a o cubículo de ela e disse : - Porque te faríamos nós uma coisa de essas ? - Não me perguntem - gritou a Murta , emergindo em uma onda de água que molhou ainda mais o chão já ensopado . - Eu estou aqui metida em a minha morte e alguém acha muito engraçado atirar me com um caderno acima ... - Mas , não pode magoar te se alguém te atirar alguma coisa acima - disse Harry , tentando ser prático . - Isto_é , seja o que for passa através_de ti , não é assim ? Tinha dito a frase errada . A Murta encheu o peito de ar e gritou a plenos pulmões : - Vamos todos atirar cadernos a a Murta já_que ela não sente nada ! Dez pontos se lhe acertarem em o estômago , cinquenta se lhe atravessar a cabeça ! Hah hah hah , que jogo lindo , não acham ? - Quem te atirou um caderno , afinal ? - perguntou o Harry . - Não sei ... eu estava sentada em a sanita a pensar em a morte e caiu me em cima de a cabeça - disse a Murta , olhando para eles . - Está ali , ficou todo molhado . Harry e Ron olharam para o ponto que a Murta lhes apontava debaixo de o lavatório . Um caderno pequenino e fino estava caído em o chão . Tinha uma capa preta muito gasta e estava encharcado como tudo em aquela casa_de_banho . Harry deu um passo em frente para o apanhar , mas o Ron agarrou lhe precipitadamente o braço . - O que foi ? - perguntou Harry . - Estás doido - disse ele . - Pode ser perigoso . - Perigoso ? - riu se Harry . - Essa agora Ron , como é_que pode ser perigoso ? - Ficarias surpreendido ... - explicou ele , olhando com ar apreensivo para o caderno . - Entre os livros que o Ministério confiscou , contou me o meu pai , havia um que queimava os olhos a as pessoas . E todos os que leram os * _ Sonetos_de_Um_Feiticeiro * ficaram a falar em verso para o resto de a vida . Havia também uma bruxa em Bath que tinha um livro que quem o lesse nunca mais conseguia parar , tinha de andar por aí com o nariz enfiado em as folhas , a fazer todas_as coisas só com uma mão e ... - Já chega , já chega , já percebi a tua ideia - disse O_Harry . O caderninho continuava caído e ensopado . - Bem , nunca saberemos a_não_ser_que tenhamos a coragem de dar uma vista de olhos - disse e mergulhou apanhando o de o chão . Harry viu imediatamente que se tratava de um diário e a data meio apagada , em a capa , disse lhe que tinha cinquenta anos de idade . Abriu o ansiosamente . Em a primeira página podia ler se apenas o nome T._M._Riddle em tinta esborratada . - Espera aí - disse o Ron que se aproximara prudentemente e olhava por cima de o ombro de Harry . - Eu conheço esse nome ... T._M._Riddle recebeu um prémio por serviços especiais prestados a a escola há cinquenta anos atrás . - Como diabo sabes tu isso ? - perguntou Harry com grande espanto . - Porque o Filch mandou me limpar a taça de ele umas cinquenta vezes quando estive de castigo - disse o Ron ressentido . - Foi a taça em cima de a qual eu vomitei lesmas . Se tivesses tido que limpar o muco de um nome durante uma hora também te lembrarias . Harry separou umas de as outras as páginas molhadas . Estavam completamente em branco . Não havia o mais leve sinal de escrita em nenhuma , nem coisas como « Aniversário de a tia Mabel « ou « Dentista a as três_e_meia » . - Ele nunca escreveu nada aqui - disse Harry desapontado . - Porque quereria alguém atirá o fora ? - perguntou se o Ron com curiosidade . Harry voltou o caderno e viu , inscrito em a contra capa , o nome de uma tabacaria em Vauxhall_Road , Londres . - Ele devia ser filho de Muggle - disse Harry pensativo - para ter comprado um diário em Vauxhall_Road ... - Bem , não te serve de muito - Ron baixou a voz . - Cinquenta pontos se acertares em o nariz de a Murta . Harry , mesmo_assim , guardou o diário . Hermione saiu de a ala hospitalar desbigodada , sem cauda e sem pêlo em os primeiros dias de Fevereiro . Em a primeira noite em a torre de os Gryffindor , Harry mostrou lhe o diário de T._M._Riddle e contou lhe como o tinham encontrado . - Ooooh ! Deve ter poderes ocultos - disse ela entusiasticamente , pegando em o diário e examinando o de perto . - Se tem , esconde os muito bem - disse Ron . - Talvez fosse tímido . Não sei porque não deitas isso fora , Harry . - Gostava de perceber porque motivo alguém se quis livrar de ele - explicou Harry . - E também não me importava de saber como foi que o Riddle obteve esse prémio de serviços especiais prestados a Hogwarts . - Pode ter sido qualquer coisa - lançou o Ron . - Talvez tenha recebido 30 de nota final ou salvo um professor de a lula gigante . Se_calhar assassinou a Murta , isso teria sido um favor prestado a todos ... Mas Harry quase podia jurar , por o olhar suspenso em a cara de Hermione , que ela pensava o mesmo_que ele . - O que foi ? - perguntou Ron , olhando para um e para o outro . - Bem , a Câmara_dos_Segredos foi aberta há cinquenta anos , não foi isso que disse o Malfoy ? - Sim - respondeu Ron , lentamente . - E este diário tem cinquenta anos de idade - completou Hermione , dando lhe palmadinhas nervosas . - E de aí ? - Oh Ron , acorda - insistiu Hermione . - Sabemos que a pessoa que abriu a câmara de a outra_vez foi expulsa há cinquenta anos . E se o Riddle tivesse tido o prémio especial por apanhar o herdeiro de Slytherin ? O seu diário diria nos provavelmente tudo : onde é a Câmara_dos_Segredos , como abris a e que tipo de criatura vive lá . Achas que a pessoa que está por trás de os ataques desta_vez quereria o diário por aí ? - É uma teoria interessante , Hermione - disse o Ron . - Apenas com uma pequenina falha : o diário não tem nada Mas_Hermione já estava a tirar a varinha de o saco . - Pode ser tinta invisível - murmurou . Bateu três vezes em o diário e repetiu * _ Aparecium ! * Nada aconteceu . Intrépida , Hermione meteu a mão de_novo em o saco e tirou o que parecia ser uma borracha vermelha e brilhante . - É um * revelador * , comprei o em a Diagon - _ Al - disse . Apagou com força em 1_de_Janeiro . Não sucedeu nada . - Já vos disse , não há nada aí - repetiu o Ron . - O Riddle deve ter recebido um diário como prenda de Natal e nem se deu a o trabalho de escrever fosse o que fosse . Harry não conseguia explicar , nem a si próprio , porque motivo não deitara fora o diário de Riddle . A verdade é_que , mesmo depois de saber que ele estava em branco , continuou distraidamente a pegar lhe e a virar as páginas como_se quisesse chegar a o fim de uma história . E , apesar_de saber que nunca tinha ouvido o nome T._M._Riddle , continuava a ter a sensação de que lhe dizia alguma coisa , como_se Riddle fosse um amigo que ele tinha tido quando era muito pequeno e que estivesse meio esquecido . Mas era um absurdo . Nunca tivera amigos antes de Hogwarts , Dudley tivera esse cuidado . Ainda_assim , Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle , por isso em o dia seguinte foi até a a sala de os troféus para examinar a taça , acompanhado de Hermione que estava interessadíssima e de Ron que se mostrava profundamente incrédulo , dizendo que tinha ficado farto de aquela sala até a o fim de a vida . A taça dourada de Riddle estava arrecadada em um armário de canto . Não fornecia detalhes sobre o motivo por_que lhe fora dada ( felizmente , se fosse maior ainda hoje estava a limpá a , disse o Ron ) . Mas encontraram o nome de Riddle em uma antiga medalha de Mérito_Mágico e em uma lista de antigos chefes de turma . - Parece o Percy - comentou Ron , torcendo o nariz com aversão . - Prefeito , chefe de turma , provavelmente o melhor em todas_as disciplinas . - Dizes isso como_se fosse uma coisa má - fez lhe notar Hermione , em um tom de voz ressentido . Um sol fraco brilhava agora de_novo em Hogwarts . Dentro de o castelo , o ambiente estava bastante melhor . Não tinha havido novos ataques desde Justin e Nick quase sem cabeça e Madam_Pomfrey teve a satisfação de informar que as Mandrágoras começavam a ficar instáveis e dissimuladas , sinal de que estavam a abandonar rapidamente a infância . - Logo_que o acne desapareça estarão prontas para novo transplante - ouviu a Harry dizer amavelmente a o Filch . - E depois de isso , não demorará muito até podermos cortá as e estufá as . - Vai ter Mrs._Norris de volta , muito em_breve . Talvez o herdeiro ou herdeira de Slytherin tenha perdido a coragem , pensou Harry . Deve ser cada_vez_mais arriscado abrir a Câmara_dos_Segredos com a escola tão alerta e desconfiada . Talvez o monstro , qualquer_que_fosse , estivesse a preparar se para hibernar durante outros cinquenta anos . Ernie_Mcmillan_dos_Hufilepuff não aceitou esta visão optimista . Continuava convencido de que Harry era o culpado , que se tinha traído em o clube de os duelos . Peeves não ajudava nada : continuava a cantar por os corredores Potter , * seu bandido * ... agora acompanhado de um esquema de dança . Gilderoy_Lockhart parecia pensar que fora ele quem pusera fim a os ataques . Harry fartou se de o ouvir dizer isso a a professora Mc_Gonagall enquanto os Gryffindor formavam bicha para a aula de Transfiguração . - Não creio que volte a haver problemas , Minerva - disse , tocando em o nariz com ar conhecedor e piscando o olho . - Acho que desta_vez a câmara foi definitivamente selada . O culpado deve ter sabido que era uma questão de tempo até eu o apanhar e que era mais sensato parar agora antes que eu lhe tratasse de a saúde . Sabe , a escola está a precisar de um intensificador de animo para apagar as lembranças de o último período . Não vou dizer lhe mais_nada , por enquanto , mas julgo que sei o que ... Voltou a tocar em o nariz e afastou se a passos largos . A ideia de Lockhart de um intensificador de ânimo ficou bastante clara em o dia_14_de_Fevereiro , a o pequeno-almoço . Harry não dormira grande coisa devido a o treino de Quidditch em a noite anterior e chegou a o salão um_pouco atrasado . Pensou , por momentos , que se tinha enganado em a porta . As paredes estavam todas cobertas com enormes e medonhas flores cor-de-rosa . Pior ainda , * confettis * em forma de corações caíam de o tecto azul pálido . Harry dirigiu se a a mesa de os Gryffindor onde o Ron estava sentado com um ar enjoado junto de Hermione que parecia particularmente risonha . - O que se passa ? - perguntou lhes , sentando se e sacudindo os * confettis * de o seu bacon . Ron apontou para a mesa de os professores , com um ar demasiado repugnado para falar . Lockhart , em as suas vestes rosa vivo , a condizer com a decoração de o salão , fazia sinal para que se calassem . Os professores que o ladeavam tinham um ar estupefacto . De o seu lugar , Harry podia ver um músculo mover se em a bochecha de a professora Mc_Gonagall . Snape estava com ar de quem tomou uma imensa dose de xarope * skele-gro * . - Feliz dia de S._Valentim - gritou Lockhart . - E permitam me que agradeça a as quarenta_e_seis pessoas que até agora me enviaram cartões . Sim , fui eu quem tomou a liberdade de vos fazer esta pequena surpresa , e ela não acaba aqui ! Lockhart bateu as palmas e por as portas de o * hall * entraram a marchar cerca de uma_dúzia de duendes de aspecto carrancudo . Não eram uns duendes quaisquer , diga se de passagem . Lockhart fizera os usar asas douradas e transportar harpas . - Os meus amigos cupidos , portadores de os cartões ! gritou Lockhart . - Eles vão andar por a escola durante o dia de hoje , entregando os vossos cartões de S._Valentim . E o divertimento não acaba aqui . Tenho a certeza de que os meus colegas vão querer participar em este espírito de festa . Porque não pedir a o professor Snape que vos mostre como preparar rapidamente uma poção de amor . E , enquanto ele a prepara , está aqui o professor Flitwick que é de todos os feiticeiros que conheci aquele que mais sabe de encantamentos de sedução , o grande safado ! O professor Flitwick enterrou o rosto em as mãos . Snape olhava como_se quisesse dar veneno a a primeira pessoa que fosse pedir lhe a poção de o amor . - Por favor , Hermione , diz me que não foste uma de as quarenta_e_seis - pediu Ron quando saíram de o salão para a primeira aula . Mas Hermione ficou subitamente muito interessada em procurar o horário dentro de a mala e não lhe respondeu . Durante todo o dia os duendes não pararam de se intrometer em as aulas para entregar cartões , para grande aborrecimento de os professores e , ao_fim_da_tarde , quando os Gryffindor subiam as escadas para a aula de encantamentos , um de eles avistou o Harry . - Hei , tu , Harry_Potter ! - gritou um duende de aspecto particularmente lúgubre , dando cotoveladas a_toda_a gente para se aproximar de o Harry . Coradíssimo com a ideia de receber um cartão de S._Valentim diante_de uma fila de alunos de o primeiro ano que , por acaso , incluía Ginny_Weasley , Harry tentou escapar se . Mas o duende cortou lhe o caminho através de a multidão e agarrou o em três tempos . - Tenho uma mensagem musical para entregar a Harry_Potter em pessoa - disse , tangendo a harpa de forma ameaçadora . - Aqui não - disse baixinho o Harry , tentando escapar . - Fica quieto - grunhiu o duende , agarrando o saco de o Harry e puxando com força . - Larga me - disse ele rispidamente , dando um puxão . Com um ruído de tecido a rasgar se , o saco dividiu se em dois . Os livros de Harry , varinha , pergaminho e pena espalharam se por o chão enquanto o tinteiro se partia em cima de as outras coisas . Harry pôs se de gatas , tentando apanhar tudo antes que o duende começasse a cantar , provocando um engarrafamento em o corredor . - O que se passa aqui ? - perguntou a voz fria e afectada de Draco_Malfoy . Harry , nervosíssimo , começou a guardar tudo dentro de o saco rasgado , desesperado para sair de ali antes que Malfoy pudesse ouvir o seu S._Valentim musical . - Que confusão é esta ? - disse outra voz familiar . Percy_Weasley tinha chegado . De cabeça perdida , Harry tentou fugir , mas o duende agarrou o por os joelhos e fê lo cair a o chão . - Certo - disse , sentando se em os tornozelos de Harry . Eis o teu cartão musical : * _ Os olhos de ele são verdes como o sapo de o quintal * _ O seu cabelo é escuro como um temporal * _ É um desatino , oh ! ele é divino ! * _ O herói que venceu o Senhor_do_Mal * . Harry teria dado todo o ouro de Gringotts para se evaporar em aquele momento . Tentando corajosamente rir se com todos os outros , levantou se . Sentia os pés dormentes de o peso de o duende . Enquanto isso , Percy_Weasley fazia todos os possíveis por dispersar a multidão onde havia gente que chorava de hilaridade . - Vamos embora , vamos embora , a campainha tocou há cinco minutos para as aulas - dizia , enxotando alguns de os alunos mais novos . - E tu , Malfoy . Harry olhou e viu Malfoy inclinar se , apanhar qualquer coisa e com um olhar maldoso mostrá a a Crabbe e Goyle . Percebeu que era o diário de Riddle . - Dá cá isso - exigiu com toda_a calma . - O que será que o Potter escreveu aqui ? - disse Malfoy que obviamente não reparara em a data e pensou que tinha em as mãos o diário de o Harry . Houve uma agitação em os presentes . Ginny olhava apavorada para o diário e para Harry . - Dá lhe isso , Malfoy - disse Percy com firmeza . - Depois de dar uma vista de olhos - retorquiu Malfoy , acenando a Harry com o diário de forma provocatória . Percy disse : - Como Prefeito de a escola ... - mas Harry perdera a paciência . Pegou em a varinha e gritou * _ Expelliarmus * e assim_como Snape desarmara Lockhart , MalLoy viu o diário saltar lhe de as mãos e elevar se em o ar enquanto Ron o apanhava sorridente . - Harry - disse Percy levantando a voz . - Não quero magia em os corredores . Vou ter de participar isto , sabes perfeitamente . Mas Harry não se importou . Tinha ganho uma_vez a Malfoy e isso valia bem cinco pontos a menos para os Gryffindor . Malfoy estava furioso e quando a Ginny passou por ele a caminho de a sala de aula , gritou lhe com desprezo : - Não creio que o Potter tenha gostado lá muito de o teu cartão de S._Valentim . Ginny tapou a cara e correu para a aula . Aborrecido , Ron pegou também em a varinha , mas Harry afastou o . Era melhor que ele não passasse a aula de encantamentos a vomitar lesmas . Só quando entraram em a sala de aula de o professor Flitwick é_que Harry reparou em uma coisa bastante estranha em o diário de Riddle . Todos os outros livros estavam cheios de tinta vermelha , mas o diário mantinha se tão limpo como antes de o tinteiro se ter entornado em cima de ele . Tentou chamar a atenção de Ron para este facto , mas ele estava novamente a ter um problema com a varinha : de a extremidade saíam grandes bolhas roxas e ele não parecia interessado em mais_nada . Em essa noite , Harry foi deitar se antes de os outros companheiros de dormitório , em parte porque já não conseguia suportar o Fred e o George a cantarem * _ Os seus olhos são verdes como o sapo de o quintal * e em parte porque queria voltar a examinar o diário de Riddle e sabia que em a opinião de o Ron era uma pura perda de tempo . Sentou se em a cama de dossel e folheou as páginas em branco em as quais não se via uma única mancha de tinta escarlate . Tirou então outro tinteiro de o armário a o lado de a cama , molhou a pena e deixou cair um borrão em a primeira página de o diário . A tinta brilhou em o papel durante um segundo e , em seguida , como_se a página a tivesse sugado , desapareceu sem deixar rasto . Depois , finalmente , algo aconteceu . Deslizando sobre a página em a cor de a sua tinta , surgiram palavras que Harry não escrevera . - * _ Olá_Harry_Potter . O meu nome é Tom_Riddle . Como é_que encontraste o meu diário ? * Também estas palavras desapareceram , mas não sem que Harry tivesse respondido . - Alguém tentou lançá o em uma sanita . Esperou ansiosamente por a resposta de Riddle . - * _ Felizmente guardei as minhas memórias de uma forma mais duradoura do_que a tinta . Mas sempre soube que haveria quem não iria querer que o diário fosse lido . * - O que queres dizer com isso ? - escrevinhou Harry , borrando a página com o nervosismo . - * _ Quero dizer que este diário contém memórias de coisas terríveis . Coisas que foram abafadas . Coisas que aconteceram em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . * - É onde eu estou agora - escreveu Harry rapidamente . - Estou em Hogwarts e estão a acontecer coisas horríveis . Sabes alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? O coração parecia querer saltar lhe de o peito . A resposta de Riddle não se fez esperar , a letra tornara se mais desordenada como_se tivesse pressa em contar lhe tudo_o_que sabia . - * _ É claro que sei de a Câmara_dos_Segredos . Em o meu tempo diziam nos que era uma lenda , que não existia , mas era mentira . Quando eu estava em o quinto ano a Câmara_dos_Segredos foi aberta e o monstro atacou vários estudantes , acabando matar um . Eu apanhei a pessoa que abriu a câmara e ele foi expulso . Mas o director , o professor Dippet , envergonhado por uma coisa de aquelas ter acontecido em Hogwarts , proibiu me de contar a verdade . Foi divulgada uma história dizendo que a rapariga morrera de um acidente extravagante . Deram me um troféu brilhante com o meu nome gravado e avisaram me para ficar calado . Mas eu sabia que ia voltar a acontecer . O monstro sobreviveu e aquele que tinha o poder para o libertar não foi para a prisão . * Harry quase entornou o tinteiro em a pressa de responder . - Está a acontecer outra_vez . Houve três ataques e ninguém parece saber quem está por_detrás_de tudo_isto . Quem foi de a última vez ? - * _ Posso mostrar te , se quiseres * - foi a resposta de o Riddle . - * _ Não tens de acreditar só em a minha palavra . Posso levar te a o fundo de a minha memória de a noite em que o apanhei . * Harry hesitou com a pena em o ar sobre o diário . O que quereria ele dizer ? Como poderia entrar em a memória de outra pessoa ? Olhou inquieto para a porta de o dormitório que começava a ficar escuro . Quando pôs de_novo os olhos em o diário viu as palavras que se formavam . - * _ Deixa-me mostrar te . * Harry parou durante uma fracção de segundo e depois escreveu duas letras . - O. _ K._As páginas de o diário começaram a esvoaçar como_se tivessem sido apanhadas em uma ventania , parando a meio de o mês_de_Junho . Boquiaberto , Harry viu que o quadradinho de 13_de_Junho se transformara em um pequeno ecrã de televisão . Com as mãos ligeiramente trémulas levantou o livro para encostar os olhos a a janelinha e antes de perceber o que estava a passar se , deu consigo inclinado para a frente com a janela a abrir se . O corpo abandonava a cama e era lançado de cabeça , por a abertura de a página , em um turbilhão de cor e sombras . Sentiu os pés tocarem em terra firme e pôs se de pé a tremer enquanto as formas desfocadas se tornavam subitamente nítidas . Soube imediatamente onde estava . Aquela sala circular com os retratos adormecidos era o escritório de Dumbledore , mas não era Dumbledore quem estava atrás de a secretária . Um feiticeiro mirrado , de aspecto débil e quase careca lia uma carta a a luz de as velas . Harry nunca vira aquele homem antes . - Desculpe - disse com a voz a tremer . - Eu não queria intrometer me ... Mas o feiticeiro não olhou . Continuou a ler , franzindo levemente as sobrancelhas . Harry aproximou se de a secretária e gaguejou : - Er ... eu vou me embora , está bem ? E o feiticeiro continuou a ignorá o . Parecia nem_sequer ter ouvido . Pensando que talvez ele fosse surdo , Harry falou mais alto . - Desculpe tê o incomodado - disse quase a gritar . O feiticeiro dobrou a carta com um suspiro . Pôs se de pé , passou por Harry sem olhar para ele e foi abrir os cortinados de a janela . O céu , lá fora , estava vermelho-rubi . Devia ser o pôr de o Sol . O feiticeiro voltou para a secretária , sentou se e girou os polegares , olhando para a porta . Harry olhou em volta . Não viu Fawkes , a fénix , nem as engenhocas prateadas que sibilavam . Aquela Hogwarts era a que Riddle conhecera e , portanto , aquele feiticeiro desconhecido era o director de então , não Dumbledore e ele , Harry , era pouco mais que um fantasma , totalmente invisível a as pessoas de há cinquenta anos atrás . Alguém bateu a a porta . - Entre - disse o velho feiticeiro , em uma voz fraca . Um rapazinho de dezasseis anos entrou , tirando o chapéu pontiagudo . Em o seu peito brilhava um distintivo prateado de prefeito . Era muito mais alto do_que Harry , mas tinha , tal_como ele , cabelo preto asa de corvo . - Ah ! Riddle - disse o director . - Queria falar comigo , professor Dippet ? - perguntou ele com ar nervoso . - Senta te - disse Dippet . - Tenho estado a ler a carta que me mandaste . - Oh ! - exclamou Riddle , sentando se e apertando as mãos uma contra a outra . - Meu rapaz - disse Dippet amavelmente . - Eu não posso deixar te ficar em a escola durante o Verão . Com certeza queres ir para_casa em as férias ? - Não - respondeu Riddle , sem perder tempo . - Prefiro mil vezes ficar em Hogwarts a ter de voltar a aquela ... aquela ... - Tu vives em um orfanato de Muggles durante as férias , não é assim ? - perguntou Dippet com curiosidade . - Sim senhor - disse Riddle , corando um_pouco . - És filho de Muggles ? - Meio sangue , professor - explicou Riddle . - Pai_Muggle , mãe bruxa . - E o teu pai e a tua mãe ... - A minha mãe morreu pouco depois de eu nascer , professor , contaram me em o orfanato que só teve tempo de me dar o nome : Tom , como o meu pai , Marvolo como o meu avô . Dippet estalou a língua solidariamente . - O que acontece , Tom - suspirou - é_que ... podia ter se arranjado uma situação especial para ti , mas em as circunstâncias actuais ... - Refere se a os ataques , professor ? - perguntou Riddle e o coração de Harry deu um salto , aproximando se com medo de perder alguma coisa . - Precisamente - disse o director . - Meu rapaz , compreendes que seria uma imprudência de a minha parte deixar te ficar em o castelo quando o período acabar , principalmente a a luz de a recente tragédia ... a morte de aquela pobre moça ... estarás sem dúvida em maior segurança em o orfanato . Em a verdade , o ministro de a magia até fala em fechar a escola . Não estamos nada perto_de localizar ... er ... a fonte de toda esta história desagradável . Os olhos de Riddle tinham se aberto mais . - Professor , se essa pessoa fosse apanhada ... se tudo acabasse . . . - Que queres dizer com isso ? - perguntou Dippet com voz aguda , endireitando se em a cadeira . - Riddle , tu sabes alguma coisa sobre estes ataques ? - Não senhor - respondeu ele de imediato . Mas Harry sabia que era o mesmo tipo de « não » que ele dissera a Dumbledore . Dippet afundou se de_novo com um ar de profundo desapontamento . - Podes ir , Tom . Riddle esgueirou se de a cadeira e saiu de a sala . Harry seguiu o . Desceram por a escada em espiral , saindo junto de a gárgula em o corredor que escurecia . Riddle parou e Harry fez o mesmo , olhando para ele . Quase podia apostar que ele pensava seriamente em alguma coisa . Mordia o lábio e tinha as sobrancelhas franzidas . A certa altura , como_se tivesse acabado de tomar uma decisão , começou a andar mais depressa com Harry a segui o ruidosamente . Não viram mais ninguém , a não ser quando chegaram a o * hall * de entrada onde um feiticeiro alto de longos cabelos ruivos e barba chamou Riddle de a escadaria de mármore . - O que andas a fazer por aqui tão tarde , Tom ? Harry olhou para o feiticeiro . Não era outro senão Dumbledore com cinquenta anos a menos . - Tive de ir falar com o director - justificou se Riddle . - Bem , agora vai depressa para a cama - disse Dumbledore , olhando Riddle com aquele olhar penetrante que Harry conhecia tão bem . - É melhor não andar a passear por os corredores em os dias que correm , pelo_menos até ... Suspirou profundamente , deu as boas-noites a o Riddle e foi se embora . Riddle viu o desaparecer e , sem perder tempo , desceu os degraus de pedra até a os calabouços com Harry em a peugada . Mas para seu grande desconsolo , Riddle não o conduziu a nenhum corredor ou túnel secreto e sim a o calabouço onde ele costumava ter aulas de poções com o Snape . As tochas não tinham sido acesas e quando Riddle empurrou a porta quase fechada , Harry só conseguiu vê o a ele , de pé , quieto junto de a porta , olhando para o corredor . Pareceu a Harry que ficaram ali quase uma hora . Tudo_o_que via era a silhueta de Riddle junto de a porta , olhando fixamente através de a greta , a a espera . Como_se fosse uma estátua . E quando Harry tinha abandonado todas_as expectativas e começava a desejar voltar a o presente , ouviu alguma coisa que se movia atrás de a porta . Alguém avançava lentamente por o corredor . Ouviu a pessoa , quem quer que fosse , passar por o calabouço onde ele e Riddle estavam escondidos . Riddle , silencioso como uma sombra , esgueirou se por a porta e seguiu o com Harry em bicos de pés atrás de ele , esquecido de que podia fazer barulho a a vontade porque ninguém o ouvia . Durante cerca de cinco minutos seguiram lhe os passos até que Riddle parou repentinamente com a cabeça inclinada em a direcção de novos ruídos . Harry ouviu uma porta a abrir se e em seguida alguém falou em um murmúrio rouco . - Vá lá , temos que sair de aqui ... vá lá , dentro de a caixa ... Havia algo de familiar em aquela voz . Riddle deu subitamente uma volta e Harry seguiu o . Podia ver a silhueta escura de um rapaz enorme que estava inclinado em frente de a porta aberta , com uma grande caixa a o lado . - Boa noite , Rubeus - disse Riddle secamente . O rapaz fechou a porta e pôs se de pé . - O que estás a fazer aqui , Tom ? Riddle aproximou se . - Acabou se - disse . - Vou ter de entregar te , Rubeus . Falam em fechar Hogwarts se os ataques não terminarem . - O que é_que tu ... ? - Eu acho que tu não quiseste matar ninguém , mas os monstros não são os melhores animais domésticos . Tu só quiseste deixá o sair para andar um_pouco e ... - Ele não matou ninguém - disse o rapaz grande , recuando contra a porta fechada . Lá de dentro vinham uns estranhos roncos e rugidos . - Vamos , Rubeus - disse Riddle , aproximando se mais ainda . - Os pais de a rapariga que morreu estarão aqui amanhã . O mínimo que Hogwarts pode fazer é assegurar lhes que aquilo que matou a filha de eles foi abatido ... - Não foi ele - gemeu o rapaz cuja voz ecoou em o corredor escuro . - Ele não faria isso ... ele nunca ... - Afasta te - disse Riddle , pegando em a varinha . O encantamento iluminou o corredor com uma luz brilhante . A porta atrás de o rapaz grande abriu se de par em par com tanta força que o atirou contra a parede . E de lá de dentro saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito que ninguém mais ouviu a não ser ele próprio . Tinha um corpo imenso , magro e peludo e um emaranhado de pernas pretas , a cintilação de muitos olhos e um par de tenazes afiadas . Riddle levantou de_novo a varinha , mas era tarde de mais . A coisa deixara o atarantado e corria apressadamente , precipitando se por o corredor e desaparecendo . Riddle pôs se de pé , olhou a a procura de o monstro , levantou a varinha , mas o rapaz grande saltou sobre ele , tirou lhe a varinha de as mãos e lançou o a o chão , gritando : - Naaaaaão ! A cena rodopiou . A escuridão tornou se total . Harry sentiu se a cair e com um embate aterrou como uma águia de patas e asas abertas em a sua cama de dossel , em o dormitório de os Gryffindor , o diário de Riddle aberto sobre o estômago . Antes de ter tido tempo de normalizar a respiração , a porta de o dormitório abriu se e o Ron entrou . - Aí estás tu - disse . Harry sentou se . Transpirava e tremia . - O que se passa ? - perguntou Ron , olhando aflito para ele . - Foi o Hagrid , Ron . O Hagrid abriu a Câmara_dos_Segredos há cinquenta anos atrás . XIV_Cornelius_Fudge_Harry , Ron e Hermione sabiam há muito_tempo que Hagrid tinha uma triste predilecção por criaturas grandes e monstruosas . Em o primeiro ano que passaram em Hogwarts , ele tentara criar um dragão em a sua pequena cabana de madeira e levaram muito_tempo a esquecer o gigantesco cão de três cabeças que ele baptizara de « fofinho » . E se , em rapaz , Hagrid tinha ouvido dizer que havia um monstro escondido em o castelo , Harry tinha a certeza que ele teria feito os impossíveis por descobri o . Provavelmente achou que era uma injustiça o monstro estar fechado tanto tempo e pensou que ele merecia a oportunidade de esticar as suas muitas pernas . Harry imaginava perfeitamente o Hagrid a os treze anos a tentar pôr uma coleira e uma trela a o monstro . Mas tinha igualmente a certeza de que ele nunca teria querido matar ninguém . De certo modo , Harry desejava não ter descoberto como utilizar o diário de Riddle . Ron e Hermione fizeram o contar repetidas vezes o que vira até ele ficar farto de repetir o mesmo e farto de a conversa circular que se seguia . - O Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse , de essa vez , Hermione . - O monstro que atacava as pessoas podia ser outro .... - Quantos monstros achas tu que pode haver em este lugar ? - perguntou o Ron aborrecido . - Sempre soubemos que o Hagrid tinha sido expulso - disse Harry tristemente - E os ataques devem ter terminado quando ele foi expulso . Se não fosse assim , Riddle não teria recebido um prémio . Ron tentou um caminho diferente . - O Riddle parece o Percy , quem lhe pediu afinal que deitasse abaixo o Hagrid ? - Mas o monstro tinha morto uma pessoa , Ron - insistiu Hermione . - E o Riddle ia ter de voltar para um orfanato Muggle se Hogwarts fosse fechada - disse Harry . - Não posso culpá o por querer ficar aqui ... Ron mordeu o lábio e a seguir sugeriu : - Tu encontraste o Hagrid em a Rua * _ Bativolta * , não foi ? - Ele estava a comprar repelente para lesmas - disse Harry rapidamente . Ficaram os três em silêncio . Depois de uma longa pausa , Hermione , em uma voz hesitante , formulou a pergunta mais complicada de todas : - Não acham que devíamos ir ter com ele e perguntar lhe ? - Essa seria uma visita simpática - disse o Ron . - Olá , Hagrid , diz nos uma coisa , soltaste por acaso alguma coisa louca e peluda por o castelo em estes últimos tempos ? Por fim , decidiram não dizer nada a o Hagrid a_não_ser_que houvesse outro ataque e à_medida_que passava mais tempo sem murmúrios de a voz sem corpo começaram a acreditar , esperançosos , que nunca mais teriam de falar sobre o motivo por_que fora expulso . Tinham passado já quase quatro meses desde o dia em que o Justin e o Nick quase sem cabeça tinham sido petrificados e quase toda_a_gente parecia pensar que o atacante , quem quer que ele fosse , se retirara para sempre . Peeves fartara se de a sua canção * _ Oh_Potter , seu bandido * , Ernie_Mcmillan pediu educadamente a o Harry , em a aula de herbologia , que lhe passasse um balde de cogumelos saltitantes e , em Março , várias mandrágoras deram uma festa ruidosa e roufenha em a estufa número três . A professora Sprout estava muito satisfeita . - Mal elas comecem a tentar mover se para os vasos umas de as outras , saberemos que estão maduras - disse ela a o Harry . - Nessa_altura poderemos reanimar aquelas pobres criaturas que estão em a ala hospitalar . Os alunos de o segundo ano tinham agora uma coisa nova em que pensar durante as férias de a Páscoa . Chegara a altura de escolherem as matérias de o terceiro ano , um assunto que Hermione , pelo_menos , tomou muito a sério . - Pode afectar todo o nosso futuro - disse a o Harry e a o Ron a o vê os ler cuidadosamente as listas de as novas matérias e pôr um V em frente de cada uma . - Eu só quero ver me livre de as poções - disse Harry . - Não podemos - explicou Ron tristemente . - Mantemos todas_as matérias antigas ou eu teria me livrado de a Defesa contra as artes negras . - Mas é muito importante - disse Hermione chocada . - Não de a maneira como Lockhart a dá - insistiu Ron . - Não aprendi nada até agora a não ser a nunca mais libertar duendes . Neville_Longbottom recebera cartas de todas_as bruxas e feiticeiros de a família , cada_um dando um conselho diferente sobre o que ele deveria escolher . Confuso e preocupado , sentou se a ler a lista de matérias , dando estalinhos com a língua e perguntando a as pessoas se achavam que a aritmancia seria mais difícil do_que o estudo de as runas em a Antiguidade . Dean_Thomas que , tal_como Harry , fora criado com Muggles , acabou por fechar os olhos e atirar a varinha contra a lista , escolhendo as matérias onde ela aterrava . Hermione não pediu conselho a ninguém e inscreveu se em todas . Harry sorriu de si para consigo imaginando como seria uma conversa com o tio Vernon e com a tia Petúnia sobre a sua carreira em feitiçaria . Não que não tivesse tido orientação : Percy_Weasley estava ansioso por partilhar a sua experiência . - Tudo depende de o lugar para_onde queres ir , Harry - disse ele . - Nunca é cedo de mais para pensar em o futuro , por isso eu aconselho te a adivinhação . As pessoas dizem que os estudos de Muggles são uma opção leve mas eu , pessoalmente , acho que os feiticeiros deveriam ter uma compreensão profunda de a comunidade não mágica , muito especialmente se pensarem em trabalhar em íntimo contacto com eles . Vê o meu pai que tem de lidar com assuntos de os Muggles a_toda_a hora . O meu irmão Charles foi sempre mais um tipo de o exterior , por isso foi para o Centro_de_Cuidados com as Criaturas_Mágicas . Segue os teus sentimentos , Harry . Mas a única coisa em que Harry sentia que era mesmo bom era o Quidditch . Por fim , acabou por escolher as mesmas matérias que o Ron escolhera , pensando que se fosse péssimo em elas pelo_menos tinha alguém amigo para o ajudar . O próximo jogo de Quidditch_dos_Gryffindor era contra os Hufflepuff . Wood insistia em treinos de equipa todas_as noites depois de jantar , por isso Harry não tinha tempo para mais_nada a não ser para o Quidditch e para os trabalhos de casa . Mas as sessões de treino estavam a melhorar ou pelo_menos estavam mais secas e em a véspera de o jogo de sábado ele foi a o dormitório guardar a vassoura , sentindo que as hipóteses de os Gryffindor ganharem a taça de Quidditch nunca tinham sido tão boas . Mas a sua boa disposição não durou muito . Em o cimo de as escadas que levavam a o dormitório encontrou o Neville_Longbottom nervosíssimo . - Harry , não sei quem fez aquilo , eu fui encontrar ... Olhando receoso para Harry , Neville empurrou a porta . O conteúdo de a mala de Harry fora espalhado por toda_a divisão . O seu manto estava em o chão rasgado . A roupa de cama tinha sido puxada de a cama de dossel e a gaveta de o armário que se encontrava a a cabeceira de a cama fora arrancada , estando o seu conteúdo espalhado sobre o colchão . Harry aproximou se de a cama boquiaberto , pisando algumas páginas soltas de * _ Viagens com Duendes * . Quando ele e Neville estavam a puxar os cobertores para_cima , entraram o Ron e o Dean_Seamas . Dean praguejou alto . - O que é isto , Harry ? - Não faço ideia - disse ele . Mas o Ron estava a examinar as vestes de Harry e todos os bolsos estavam de o avesso . - Alguém andou a a procura de qualquer coisa - disse o Ron . - Dás por falta de alguma coisa ? Harry começou a apanhar o que estava caído , lançando tudo dentro de a mala . Só quando atirou o último livro de Lockhart é_que se apercebeu do_que faltava . - O diário de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a o Ron . - O quê ? Harry fez lhe sinal em direcção a a porta de o dormitório e apressaram se a chegar a a sala comum de os Gryffindor que estava quase vazia e onde foram encontrar Hermione sozinha a ler * _ As_Runas_Antigas a o Alcance_de_Todos * . Hermione ficou aterrada com as notícias . - Mas ... só um Gryffindor podia tê o roubado ... ninguém mais conhece a nossa senha ... - Exactamente - disse Harry . Acordaram em o dia seguinte com um sol brilhante e uma brisa agradável . - Condições ideais para o Quidditch ! - exclamou Wood , cheio de entusiasmo , a a mesa de os Gryffindor , enchendo os pratos de os elementos de a sua equipa de ovos mexidos . - Harry , anima te , precisas de um pequeno-almoço decente . Harry tinha estado a olhar para a mesa cheia de alunos de os Gryffindor , perguntando a si próprio se o novo dono de o diário de Riddle estaria ali mesmo em frente de os seus olhos . Hermione insistira para que ele participasse o roubo mas ele não gostou de a ideia . Teria de contar a um professor tudo sobre o diário , e quantas pessoas saberiam o motivo por_que Hagrid fora expulso há cinquenta anos ? Não queria ser ele a fazer com que relembrassem tudo aquilo . Quando saiu de o salão com o Ron e a Hermione para ir buscar o material de Quidditch , outra preocupação viera juntar se a a sua lista cada_vez maior . Tinha acabado de pisar os degraus de a escadaria de mármore quando ouviu de_novo a voz : - * _ Matar desta_vez ... deixem me rasgar ... romper * ... Deu um grito e Ron e Hermione saltaram alarmados . - A voz - disse Harry , olhando por cima de os ombros de eles . - Acabo de a ouvir de_novo , vocês não ouviram nada ? Ron abanou a cabeça de olhos muito abertos Mas_Hermione bateu com a mão em a testa . - Harry , acho que percebi uma coisa . Tenho que ir a a biblioteca . E disparou a correr por as escadas acima . - O que é_que ela percebeu ? - disse Harry distraidamente , ainda a olhar em volta , tentando determinar de onde vinha a voz . - Mas porque teve ela que ir a a biblioteca ? - Porque a Hermione é assim - disse o Ron , encolhendo os ombros - Quando tem uma dúvida , vai a a biblioteca . Harry manteve se hesitante , tentando captar novamente a voz mas as pessoas começavam a sair de o salão , falando alto , passando por a porta principal e encaminhando se para o estádio de Quidditch . - É melhor ires indo - aconselhou Ron . - São quase onze horas , olha o jogo . Harry deu uma corrida até a a torre de os Gryffindor , pegou em a sua Nimbus dois_mil e juntou se a a vasta multidão que enchia os campos , mas o seu pensamento estava ainda em o castelo , em aquela voz sem corpo e quando pôs as roupas vermelhas , o seu único conforto foi pensar que estavam todos lá fora para assistir a o jogo . As equipas entraram em campo a o som de um tumulto de aplausos . Oliver_Wood fez um voo de aquecimento em volta de os postes , Madam_Hooch soltou as bolas . Os Hufflepuff que tinham fatos amarelo-canário estavam reunidos em grupo em uma discussão de última hora sobre as tácticas . Harry subia para a vassoura quando a professora Mc_Gonagall atravessou o campo , meio a andar , meio a correr , transportando um enorme megafone roxo . O coração de Harry caiu lhe a os pés . - Este jogo foi cancelado - gritou por o megafone a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a o estádio apinhado . Ouviram se Uuuus e assobios . Oliver_Wood , com um ar infelicíssimo , aterrou e correu para a professora McGonagall sem sair de a vassoura . - Mas , professora - gritou - temos de jogar ... a taça ... os Gryffindor ... A professora Mc_Gonagall ignorou o e continuou a gritar por o megafone . - Pede se a os estudantes que regressem a as salas comuns de as respectivas equipas onde os chefes de equipa lhes darão mais informações . O mais depressa possível , se fazem favor ! Em seguida , baixou o megafone e fez sinal a o Harry para que se aproximasse . - Potter , é melhor vires comigo ... Perguntando a si próprio que suspeita poderia ela ter contra ele , desta_vez , Harry viu Ron desligar se de a multidão discordante e vir a correr juntar se lhes , enquanto eles se dirigiam para o castelo . Para sua grande surpresa Mc_Gonagall não pôs qualquer objecção . - Sim , talvez seja melhor vires também , Weasley . Alguns de os estudantes que os rodeavam reclamavam por o jogo ter sido cancelado , outros tinham um ar preocupado . Harry e Ron seguiram a professora Mc_Gonagall de volta a a escola e através de a escadaria de pedra . Mas desta_vez não foram levados a nenhum escritório . - Isto vai chocar vos um_pouco - disse a professora Mc_Gonagall em um tom de voz surpreendentemente suave quando estavam a aproximar se de a ala hospitalar . - Houve outro ataque ... outro ataque duplo . As vísceras de o Harry deram um salto mortal . A professora Mc_Gonagall abriu a porta e ele e Ron entraram . Madam_Pomfrey estava inclinada sobre uma rapariga de o quinto ano de cabelos longos a os caracóis que Harry reconheceu como sendo a colega de os Ravenclaw a quem , por engano , tinham perguntado o caminho para a sala comum de os Slytherin . E , em a cama a o lado de ela , estava ... - Hermione - gemeu o Ron . Hermione jazia totalmente quieta , os olhos abertos e vítreos . - Foram encontradas perto de a biblioteca - disse a professora Mc_Gonagall . - Calculo que nenhum de vocês possa explicar isto ? Estava em o chão , junto de ela . A professora tinha em as mãos um pequeno espelho redondo . Harry e Ron acenaram negativamente com as cabeças , ambos com os olhos fixos em Hermione . - Eu acompanho vos a a torre de os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall pesadamente . - De qualquer modo tenho de falar com os alunos . - Os alunos regressarão a as salas comuns de as respectivas equipas , todos_os_dias , a as seis_horas_da_tarde . Nenhum aluno deverá sair de os dormitórios depois de isso . Serão escoltados até a as aulas por um professor . Nenhum aluno deverá ir a a casa_de_banho sem um professor a acompanhá o . Todos os treinos e jogos de Quidditch estão suspensos a_partir_de agora . Não haverá mais actividades nocturnas . Os Gryffindor , que enchiam a sala comum , ouviram em silêncio a professora Mc_Gonagall . Ela enrolou o pergaminho que acabara de ler e disse em uma voz algo chocada : - Não é preciso acrescentar que nunca me senti tão desolada . É provável que a escola seja encerrada se não for apanhado o culpado de todos estes ataques . Quero pedir que se algum de vocês achar que sabe alguma coisa sobre eles venha imediatamente ter comigo . Mal ela subiu , de forma um_pouco desastrada , por o buraco de o retrato , os Gryffindor começaram logo a falar . - São dois Gryffindor a menos , sem contar com o fantasma de os Gryffindor , um Ravenclaw e um Hufflepuff - disse o amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , contando por os dedos . - Não terá nenhum de os professores reparado que os Slytherin estão a salvo ? Será que não é óbvio que tudo_isto vem de eles ? O herdeiro de Slytherin , o monstro de Slytherin , porque não expulsam todos os Slytherin ? - resmungou , recebendo acenos e aplausos de todos os lados . Percy_Weasley estava sentado em uma cadeira atrás_de Lee , mas por uma_vez não pareceu querer expor os seus pontos de vista . Estava pálido e aturdido . - O Percy está em estado de choque - disse o George baixinho a o Harry . - Aquela rapariga de os Ravenclaw , Penelope_Clearwater , é prefeita . Acho que ele nunca tinha pensado que o monstro pudesse atacar um prefeito . Mas Harry não estava a ouvi o com atenção . Não conseguia esquecer a imagem de Hermione deitada em a cama de o hospital , como_se estivesse esculpida em pedra . E se o culpado não fosse apanhado rapidamente tinha em a frente uma vida inteira com os Dursley . Tom_Riddle entregara o Hagrid porque fora confrontado com a possibilidade de um orfanato Muggle se a escola fechasse . Harry sabia exactamente o que ele sentira . - Que vamos nós fazer ? - disse lhe o Ron baixinho a o ouvido . - Achas que eles suspeitam de o Hagrid ? - Temos de falar com ele - disse Harry , tomando uma decisão . - Não acredito que tenha culpa desta_vez , mas se ele libertou o monstro há cinquenta anos , sabe com certeza como entrar em a Câmara_dos_Segredos , o que já é um princípio . - Mas a Gonagall disse que temos que ficar em a torre a_não_ser_que estejamos em as aulas ... - Eu acho - disse Harry ainda mais baixo - que chegou a altura de tirar outra_vez de a mala o manto de o meu pai . Harry herdara apenas uma coisa de o pai : o enorme manto prateado de a invisibilidade . Era a única maneira de poderem esgueirar se de a escola para fazer uma visita a o Hagrid , sem que ninguém de esse por isso . Deitaram se a a hora de o costume , esperaram que o Neville , o Dean e o Seamas adormecessem para se levantarem , vestirem se de_novo e taparem se com o manto . A viagem por os corredores de o castelo escuro e deserto não era nada agradável . Harry que vagueara por ali muitas_vezes durante a noite nunca vira tanta gente depois de o pôr de o Sol . Professores , prefeitos e fantasmas andavam por os corredores a os pares , olhando em volta , em busca de qualquer actividade fora de o habitual . O manto de a invisibilidade não impedia que fizessem barulho e houve um momento particularmente tenso em que o Ron deu uma topada a menos_de um metro de o lugar onde Snape se encontrava . Felizmente Snape espirrou em o preciso momento em que o Ron praguejava . Foi com grande alívio que chegaram a as portas de carvalho de a entrada principal . Estava uma noite clara e cheia de estrelas . Dirigiram se apressadamente para as janelas iluminadas de a casa de Hagrid e só tiraram o manto mesmo em frente de a porta . Poucos segundos depois de terem batido abriu se a porta . Ficaram frente_a_frente com Hagrid que lhes apontou uma besta enquanto Fang , o cão caçador de javalis , ladrava furiosamente atrás de ele . - Oh ! - disse , baixando a arma quando viu que eram eles . - O que estão vocês a fazer aqui ? - Para que é isso ? - perguntou Harry , apontando para a besta , enquanto entrava . - Nada , não é nada - murmurou Hagrid . - Tenho estado a a espera ... não tem importância , sentem se que eu vou fazer um chá . Dava a impressão de não saber o que fazia . Quase apagou a lareira , vertendo a água de a chaleira em o lume e em seguida esmagou o bule com um gesto de a sua mão maciça . - Estás bem , Hagrid ? - perguntou Harry . - Soubeste de a Hermione ? - Soube , sim - disse ele com um leve tremor em a voz . Continuava a olhar nervosamente para as janelas . Deu lhe os duas grandes canecas de água a ferver ( esquecera se de juntar o chá ) e estava a acabar de pôr em um prato uma fatia grossa de bolo de frutas quando alguém bateu energicamente a a porta . Hagrid deixou cair o bolo . Harry e Ron trocaram entre si olhares de pânico e , em seguida , cobriram se com o manto de a invisibilidade e esconderam se em um canto . Hagrid assegurou se de que eles estavam bem escondidos , pegou em a besta e abriu , mais_uma_vez , a porta . - Boa noite , Hagrid . Era_Dumbledore . Entrou com um ar muito sério , seguido de um homem bizarro . O estranho era um homenzinho pequenino , de porte majestoso com cabelos grisalhos desalinhados e uma expressão de ansiedade em o rosto . Usava uma inesperada mistura de roupas . Um fato a as riscas , uma gravata vermelho escarlate , um longo manto negro e umas botas roxas pontiagudas . Debaixo de o braço trazia um chapéu de coco verde lima . -- É o patrão de o meu pai - murmurou o Ron . Cornelius_Fudge , o ministro de a magia ! Harry deu lhe uma valente cotovelada para o fazer calar se . Hagrid tinha ficado suado e pálido . Deixou se cair em uma de as cadeiras e olhava de Dumbledore_para_Cornelius_Fudge . - Más notícias , Hagrid - disse Fudge em um tom bastante grave . - Muito más notícias . Tive de vir . Quatro ataques a filhos de Muggles , as coisas foram longe_de mais . O ministério tem que tomar uma atitude . - Eu nunca ... - disse Hagrid , parecendo implorar a Dumbledore . - O senhor sabe que eu nunca ... professor Dumbledore , o senhor ... - Quero que fique claro , Cornelius , que Hagrid tem a minha total confiança - afirmou Dumbledore , franzindo as sobrancelhas . - Olha , Albus - disse Fudge pouco a a vontade - a ficha de o Hagrid depõe contra ele . O ministério tem de fazer alguma coisa , o Conselho_Directivo de a escola tem se reunido ... - Mesmo_assim , Cornelius , devo dizer te mais_uma_vez que levar o Hagrid de aqui não vai ajudar em nada - afirmou Dumbledore com os olhos azuis com um fogo que Harry nunca vira antes . - Tenta compreender o meu ponto de vista - insistiu Fudge , brincando com o chapéu . - Estou a ser tremendamente pressionado , tenho de mostrar que faço alguma coisa . Se se provar que não foi o Hagrid , ele voltará e não se fala mais em o assunto . Mas tenho de levá o , tem de ser , não estaria a cumprir a minha obrigação se ... - Levar me ? - perguntou Hagrid a tremer . - Levar me para_onde ? - É uma pena curta - disse Fudge , sem o olhar em os olhos . - Não é um castigo , Hagrid , chamemos lhe antes uma precaução . Se mais alguém for apanhado , tu sais com todas_as nossas desculpas . - Não é para Azkaban ? - balbuciou Hagrid . Mas antes que Fudge tivesse tido tempo de responder , ouviu se bater mais_uma_vez a a porta . Dumbledore abriu . Foi a vez de Harry levar uma cotovelada em as costas : soltara um gemido audível . Mr._Lucius_Malfoy entrou em a cabana de o Hagrid embrulhado em uma longa capa preta de viagem , com um sorriso frio de satisfação . O Fang começou a rosnar . - Já está aqui , Fudge ? - disse de forma aprovadora . - Muito bem , muito bem ... - O que estás a fazer aqui ? - perguntou Hagrid furioso . - Sai imediatamente de a minha casa . - Meu bom homem , acredite que não tenho prazer nenhum em entrar em a sua ... er ... chamou lhe casa ? - disse Lucius_Malfoy , sorrindo sarcasticamente enquanto observava a pequena divisão . - Eu limitei me a ir a a escola e disseram me que o director estava aqui . - E o que queres de mim , Lucius ? - perguntou Dumbledore . O seu tom de voz era educado mas em os olhos azuis brilhava ainda o mesmo fogo . - Uma notícia horrível , Dumbledore - disse Mr._Malfoy de forma arrastada , pegando em um grande rolo de pergaminho . - Mas os membros de o conselho pensam que é altura de tu saíres . Isto_é uma ordem de suspensão , tens aí doze assinaturas . Lamento muito mas em a nossa opinião estás a perder a firmeza . Quantos ataques houve até agora ? Mais dois hoje a a tarde , não foi ? A este ritmo vão acabar todos os filhos de Muggles em Hogwarts e todos sabemos que seria uma terrível perda para a escola . - O que é isso , Lucius ? - protestou Fudge com ar alarmado . - O Dumbledore suspenso não ... não , seria a última coisa que desejaríamos em este momento ... - A nomeação ou suspensão , de o director é de a competência de os membros de o Conselho_Directivo , Fudge - disse suavemente Mr._Malfoy . - E como Dumbledore não foi capaz de pôr cobro a estes ataques ... - Oh ! Lucius , se Dumbledore não conseguiu - disse Fudge com o lábio superior a suar . - Quem irá conseguir ? - Isso está para se ver - disse Mr._Malfoy com um sorriso mesquinho . - Mas como os doze votamos ... Hagrid pôs se de pé em um salto , o cabelo preto hirsuto a roçar em o tecto . - E quantos tiveste de chantajar para concordarem contigo , Malfoy ? - Meu caro Hagrid , sabe que esse seu temperamento ainda acaba por lhe criar problemas um dia de estes - disse Mr._Malfoy . - Não o aconselho a gritar assim com os guardas de Azkaban . Eles não iriam gostar nada . - Não podes levar Dumbledore - gritou Hagrid , fazendo Fang , o cão caçador de javalis , agachar se e ganir em o seu cesto . - Sem ele , os filhos de os Muggles não têm qualquer hipótese . A seguir haverá mortes . - Acalma te , Hagrid - disse Dumbledore de forma cortante , olhando para Lucius_Malfoy . - Se os membros de o conselho querem substituir me , eu sairei , claro . - Mas - interrompeu Fudge . - Não - rosnou Hagrid . Dumbledore não tirara os seus olhos azuis brilhantes de os olhos cinzentos e frios de Lucius_Malfoy . - Contudo - disse , pronunciando cada palavra lenta e claramente para que nenhum de eles perdesse o seu sentido - verás que só deixarei verdadeiramente esta escola quando ninguém aqui me for leal . Descobrirás também que será sempre dada ajuda em Hogwarts a quem a pedir . Por um segundo , Harry teve quase a certeza de que os olhos de Dumbledore tremelaziram em direcção a o canto onde ele e Ron estavam escondidos . - Sentimentos admiráveis - disse Malfoy , fazendo uma vénia . - Todos nós vamos sentir a tua ... forma muito pessoal de fazer as coisas , Albus . Só espero que o teu sucessor consiga evitar qualquer ... crime . Dirigiu se a a porta de a cabana , abriu a e fez sinal a Dumbledore para que passasse a a sua frente . Fudge , mexendo nervosamente em o chapéu de coco , esperou que Hagrid fizesse o mesmo mas ele ficou quieto , respirou fundo e disse prudentemente : - Se alguém quiser descobrir alguma coisa , o que tem a fazer é seguir as aranhas . Elas indicarão o caminho , é tudo_o_que vos digo . Fudge olhou para ele espantado . - Está bem , eu vou - disse Hagrid , pegando em o seu sobretudo de pêlo de toupeira . Mas quando ia seguir o Fudge e sair por a porta , parou e disse em voz alta : - E alguém tem de dar de comer a o Fang enquanto eu não estiver cá . A porta fechou se ruidosamente e Ron tirou o manto de a invisibilidade . -- Estamos outra_vez em uma alhada - disse com voz rouca - Sem o Dumbledore podem fechar a escola já esta noite . Sem ele vai haver um ataque por dia . O Fang começou a ganir , arranhando a porta fechada . XV_Aragog_O_Verão insinuava se em os campos em volta de o castelo . O céu e o lago tinham se tornado de um azul-molusco e as flores , grandes como couves , começavam a florir em as estufas . Mas sem o Hagrid , que ele costumava avistar de o castelo , atravessando os campos com o Fang atrás , parecia a Harry que a paisagem não estava completa . Não era melhor dentro de o castelo onde tudo corria horrivelmente mal . O Harry e o Ron tinham tentado visitar a Hermione , mas as visitas a o hospital estavam proibidas . - Não vamos correr mais riscos - disse lhes Madam_Pomfrey com ar severo , através_de uma fresta de a porta de o hospital . Não , lamento , há muitas hipóteses de o atacante voltar para acabar de vez com estas pessoas ... Com Dumbledore longe , o medo espalhara se como nunca acontecera antes , de_tal_modo_que o sol que aquecia as paredes de o castelo por fora parecia parar junto de as janelas de pinázios . Não se via um único rosto em a escola que não andasse tenso e preocupado e qualquer gargalhada , em os corredores , se tornava incómoda e antinatural e era rapidamente abafada . Harry repetia constantemente , de si para consigo , as últimas palavras que ouvira a Dumbledore : - * _ Só terei verdadeiramente deixado esta escola quando ninguém me for leal ... será sempre dada ajuda , em Hogwarts , a quem a pedir * . Qual seria o significado exacto de aquelas palavras ? A quem deveria pedir ajuda quando todos estavam tão confusos assustados como ele ? A alusão de Hagrid a as aranhas era bastante mais fácil de entender . O problema era que parecia não ter restado uma única aranha em o castelo para eles a poderem seguir . Harry procurou por todo o lado com a ajuda relutante de o Ron . As coisas estavam dificultadas por o facto de não poderem andar sozinhos e terem de se deslocar em grupo dentro de o castelo , juntamente com outros Gryffindor . A maior parte de os alunos gostava de ser conduzida como carneiros de uma aula para a outra por os professores mas Harry achava horrível . Havia , contudo , uma pessoa que parecia apreciar aquela atmosfera de terror e suspeitas . Draco_Malfoy passeava empertigado por a escola como_se tivesse sido nomeado para chefe de turma . Harry só compreendeu o motivo de toda aquela boa disposição cerca de quinze_dias depois de Dumbledore e Hagrid se terem ido embora quando , em uma aula de poções , o ouviu falar com o Crabbe e o Goyle . - Sempre achei que seria o pai quem conseguiria livrar nos de o Dumbledore - disse sem a menor preocupação em baixar a voz . - Já vos disse , segundo ele , Dumbledore foi o pior director que a escola alguma vez teve . Talvez agora venha um director decente que não queira a Câmara_dos_Segredos fechada . A Mc_Gonagall não vai durar muito , está só a ... O Snape passou por Harry , sem fazer comentários a o caldeirão e a a cadeira vazia de Hermione . - Professor - disse Malfoy em voz alta . - Professor , porque não se candidata a o lugar de director ? - Ora , ora , Malfoy - respondeu Snape , sem conseguir esconder um meio sorriso . - O professor Dumbledore foi apenas suspenso por os membros de o conselho de direcção , certamente vai voltar um dia de estes . - Sim , claro - disse Malfoy com o seu sorriso escarninho . - Acho que se o professor quisesse candidatar se a o lugar teria o voto de o pai . Eu vou dizer lhe que o acho o melhor professor de a escola . Snape sorriu enquanto passeava de um lado para o outro em o calabouço , não tendo felizmente visto o Seamus_Finnigan que fingia vomitar para dentro de o caldeirão . - Estou espantado por ver que até agora os sangues de lama ainda não fizeram as malas e não desapareceram - prosseguiu Malfoy . - Aposto cinco galeões em como o próximo morre . Pena que não tenha sido a Granger ... A campainha tocou em esse momento o que foi uma sorte porque a o ouvir as últimas palavras de Malfoy , Ron deu um salto , mas em a barafunda de guardar os livros em os sacos , a sua tentativa de agarrar o Malfoy passou despercebida . - Deixem me - gritava o Ron enquanto o Harry e o Dean lhe agarravam os braços . - Não preciso de varinha , vou dar cabo de ele com as minhas mãos ... - Despachem se , tenho de conduzir vos a a aula de herbologia - praguejava o Snape acima de as cabeças de os alunos . E lá foram como cordeirinhos com Harry , Ron e Dean em a retaguarda , o Ron ainda a tentar libertar se . Só acharam seguro largá o quando Snape os deixou fora de o castelo e iniciaram o percurso por o meio de a horta em direcção a as estufas . A aula de herbologia estava reduzida . Tinha agora dois alunos a menos : Justin e Hermione . A professora Sprout pô os a trabalhar , podando as figueiras-da-abissínia . Harry foi despejar uma braçada de hastes secas em um monte de adubo e deu consigo cara a cara com Ernie_Mcmillan . Ernie respirou fundo . - Só quero dizer te , Harry que lamento ter suspeitado de ti . Sei que nunca atacarias a Hermione_Granger e peço te desculpa por todas_as coisas que disse . Estamos todos em o mesmo barco , agora e , bem ... Estendeu lhe uma mão rechonchuda que o Harry apertou . Ernie e a sua amiga Hannah foram trabalhar em a mesma figueira com o Harry e o Ron . - Aquele tipo , Draco_Malfoy - disse Ernie , partindo pequenos galhos - , parece muito satisfeito com isto tudo , não acham ? É bem possível que ele seja o herdeiro de Slytherin . - Uma observação inteligente de a tua parte - disse o Ron que parecia não ter desculpado Ernie tão facilmente como o Harry . - Acham que é ele ? - perguntou Ernie . - Não - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Hannah ficaram a olhar espantados . Um segundo depois , Harry avistou qualquer coisa que o levou a chamar a atenção de o Ron , batendo lhe em a mão com a tesoura de podar . - Au ... o que é_que tu ... ? Harry apontava para o chão , a poucos centímetros de distância . Várias aranhas grandes corriam precipitadamente por a terra fora . - Ah ! sim - disse o Ron , tentando , sem conseguir , mostrar se entusiasmado . - Mas não podemos seguis as agora ... Ernie e Hannah ouviam nos com curiosidade . Harry viu as aranhas desaparecerem . - Parecem ir em a direcção de a floresta proibida ... E o Ron ficou ainda mais infeliz a o ouvir aquilo . Em o final de a aula , o professor Snape acompanhou os alunos a a « Defesa contra as artes negras » . Harry e Ron foram atrás de os outros para poderem conversar sem serem ouvidos . - Temos de usar outra_vez o manto de a invisibilidade - disse Harry a o Ron . - Podemos levar connosco o Fang , ele está habituado a ir a a floresta com o Hagrid , pode ser uma boa ajuda . - Certo - disse o Ron , que fazia girar nervosamente a varinha em os dedos . - Er ... não costuma haver ... não costuma haver lobisomens em a floresta ? - acrescentou enquanto ocupavam os lugares de o costume em a aula de o Lockhart . Preferindo não responder a a pergunta , Harry disse : - Também há lá coisas boas . Os centauros são fixes e os unicórnios . Ron nunca estivera em a floresta proibida , Harry fora lá só uma_vez e desejara não ter de lá voltar . Lockhart deu um salto para dentro de a sala de aula e os alunos ficaram espantados a olhar para ele . Todos os outros professores andavam mais tristes do_que o habitual mas Lockhart parecia sentir se em as nuvens . - Então , então - exclamou , olhando em volta . - Porquê essas caras deprimidas ? Lançaram lhe olhares exasperados mas ninguém respondeu . - Não compreendem - disse , falando devagar como_se fossem todos um_pouco estúpidos - que o perigo já passou ? O culpado foi se embora . -- Quem disse ? - retorquiu Dean_Thomas em voz alta . -- Meu caro jovem , o ministro de a magia não teria levado Hagrid se não estivesse cem por_cento certo de que ele era o culpado - disse Lockhart como quem explica que um e um são dois . - Teria , sim - disse o Ron , em um tom de voz ainda mais alto do_que o de o Dean . - Eu julgo saber um_pouco mais sobre a prisão de o Hagrid do_que o senhor , Mr._Weasley - disse Lockhart com notória auto-satisfação . Ron começou a dizer que discordava mas foi interrompido por o Harry que lhe deu um forte pontapé por debaixo de a mesa . - Nós não estávamos lá , lembras te ? - murmurou . Mas a alegria revoltante de o Lockhart , as insinuações de que sempre tinha achado que o Hagrid não prestava , a sua certeza de que tudo aquilo estava a chegar a o fim , irritou Harry de tal maneira que teve vontade de lhe atirar as * _ Viagens com Vampiros * e de lhe acertar em aquela cara estúpida . Mas , em vez de isso , limitou se a escrevinhar um bilhete para o Ron : * _ Vamos lá hoje a a noite * . Ron leu a mensagem , engoliu em seco e olhou para o lugar onde Hermione costumava sentar se . A cadeira vazia pareceu ajudá o a decidir se e acenou afirmativamente . A sala comum de os Gryffindor estava agora sempre cheia porque , depois de as seis_da_tarde , os Gryffindor não tinham outro lugar para ir . Por outro lado , tinham imenso para conversar , por isso a sala comum mantinha se cheia de gente até depois de a meia-noite . Logo_a_seguir a o jantar , Harry foi buscar o manto de a invisibilidade a a mala onde estava guardado e passou todo o serão a a espera que a sala esvaziasse . O Fred e o George desafiaram o para alguns jogos de explosão e a Ginny sentou se , muito preocupada , a observá os , em a cadeira habitual de Hermione . Harry e Ron fartaram se de perder de propósito em uma tentativa de pôr rapidamente fim a os jogos mas , mesmo_assim , já passava bastante de a meia-noite quando o Fred , o George e a Ginny se foram , finalmente , deitar . Harry e Ron esperaram até ouvir as portas de os dois dormitórios fecharem se . Em seguida , pegaram em o manto , lançaram o sobre ambos e passaram por o buraco de o retrato . Era mais uma difícil travessia de o castelo , tendo de fintar todos os professores . Finalmente , chegaram a o * hall * de entrada , giraram o fecho de as portas de carvalho , esgueiraram se tentando não fazer barulho e aventuraram se nos campos iluminados por o luar . - É claro que - disse bruscamente o Ron , enquanto atravessavam os relvados negros - podemos perfeitamente chegar a a floresta e descobrir que não há nada para seguir . As aranhas podem não ter ido para lá . É certo que parecia que tomavam essa direcção , mas ... Felizmente a lengalenga não durou muito . Chegaram a a casa de o Hagrid que tinha um ar triste com as suas janelas vazias . Logo_que Harry empurrou a porta e a abriu , o Fang saltou , louco de alegria por os ver . Preocupados , não fosse ele acordar toda_a_gente em o castelo com o seu ladrar forte e agitado , deram lhe rapidamente a comer bombons de melaço que estavam em uma lata sobre a lareira e que lhe colaram os dentes de cima a os de baixo . Harry pousou o manto de a invisibilidade sobre a mesa de o Hagrid . Não iam precisar de ele em a floresta escura como breu . - Anda , Fang , vamos dar um passeio - disse Harry , batendo lhe a o de leve em a pata e Fang saiu feliz , a os saltos , atrás de eles . Precipitou se até a a orla de a floresta e levantou a perna contra uma enorme figueira-do-egipto . Harry pegou em a varinha , murmurou * _ Lumus * ! e uma pequenina luz surgiu em a ponta de a varinha , suficiente para lhes mostrar o caminho e ajudá os a descobrir a pista de as aranhas . - Bem pensado - disse o Ron . - Eu acendia também a minha mas , sabes como ela está , ainda estoirava ou qualquer coisa assim ... Harry tocou em o ombro de o Ron , apontando para as ervas . Duas aranhas solitárias fugiam de a luz de a varinha , aproximando se de a sombra de as árvores . - O. _ K. - disse o Ron , resignando se com o pior . - Estou pronto , vamos . Então , com o Fang a correr atrás de eles , cheirando as raízes de as árvores e as folhas , entraram em a floresta . Seguindo a luz de a varinha de o Harry seguiram a fila disciplinada de aranhas que se movia a o longo de o caminho . Andaram durante cerca de vinte minutos , sem falar , atentos a todos os ruídos que não fossem os de os ramos caídos e de as folhas secas . Então , quando as copas de as árvores se tinham tornado mais cerradas do_que nunca , de_tal_modo_que as estrelas em o céu já não eram visíveis e a varinha de o Harry brilhava isolada em um mar de escuridão , viram as aranhas que eles seguiam a abandonar o caminho . Harry parou , tentando ver para_onde iam mas tudo_o_que ficava longe de a sua pequenina luz era negro de breu . Ele nunca fora tão longe em a floresta . Lembrava se muito bem de Hagrid lhe ter dito , de a última vez que ali tinham estado , que nunca saísse de o caminho de a floresta . Mas Hagrid agora estava a muitos quilómetros de distância e ele também lhes dissera que seguissem as aranhas . Uma coisa húmida tocou em a mão de o Harry e ele deu um salto para trás , pisando o pé a o Ron . Mas afinal era apenas o focinho de o Fang . - O que é_que tu achas ? - perguntou ele a o Ron cujos olhos conseguia vislumbrar , reflectindo a luz de a varinha . - Já_que viemos até aqui - disse ele . Seguiram , portanto as sombras velozes de as aranhas em direcção a as árvores . Não podiam agora andar muito depressa . Tinham em a frente raízes de árvores e troncos cortados que mal se viam em aquela escuridão . Harry sentia o bafo quente de Fang em a mão . Por mais de uma_vez tiveram de parar para o Harry se baixar e descobrir as aranhas a a luz de a varinha . Andaram durante o que lhes pareceu ter sido pelo_menos meia_hora , com os mantos a roçarem em os ramos mais baixos e em as silvas . A o fim de algum tempo repararam que o chão parecia inclinar se para baixo embora as árvores continuassem cerradas . Foi então que o Fang soltou um latido que ecoou em volta , fazendo Harry e Ron darem um salto , ambos com os cabelos em pé . - O que foi ? - gritou o Ron , olhando em volta para a escuridão e agarrando Harry com força , por o cotovelo . - Há qualquer coisa ali a mexer se - murmurou Harry - Ouve ... parece ser grande . Ficaram a ouvir . Um_pouco para a direita algo de grandes dimensões partia os ramos enquanto abria caminho através de as árvores . - Oh ! não - disse o Ron . - Oh ! não , não ... - Cala te - insistiu o Harry , nervoso . - Seja o que for , vai acabar por te ouvir . - Ouvir me ? - disse o Ron , em um tom de voz muito pouco natural . - Já ouviu . Fang ! A escuridão parecia esmagar lhes os globos oculares enquanto ali ficaram apavorados , a a espera . Houve um estranho ruído , surdo e prolongado , e em seguida o silêncio . - O que estará a fazer ? - perguntou Harry . - Talvez esteja a preparar se para atacar - disse o Ron . Esperaram , a tremer , sem ousarem mexer se . - Achas que se foi embora ? - murmurou Harry . - Não sei . Em esse momento , de o lado direito veio um clarão de luz tão forte em o meio de o escuro que os dois levaram as mãos a a cara para proteger os olhos . O Fang ganiu e tentou fugir mas viu se envolvido em um emaranhado de espinhos e ganiu ainda mais alto . - Harry - gritou o Ron com grande alívio em a voz . - Harry , é o nosso carro . - O quê ? - Anda ver . Harry avançou a os tropeções atrás de o Ron , em direcção a a luz e em o momento seguinte estavam em uma clareira . O carro de Mr._Weasley ali estava , vazio , no_meio_de um círculo de árvores grossas , sob um telhado de ramos densos , os faróis de a frente resplandecentes . Quando Ron se aproximou de boca aberta , moveu se lentamente em direcção a ele como_se fosse um grande cão azul turquesa , cumprimentando o dono . - Tem estado aqui todo este tempo - disse o Ron satisfeitíssimo , aproximando se de o carro . - Olha para ele , a floresta tornou o selvagem ... O guarda-lamas estava riscado e cheio de lodo . Parecia que tinha andado a passear sozinho por a floresta . Fang não gostou lá muito de ele . Manteve se a o lado de o Harry que podia senti o a tremer . Com a respiração normalizada , Harry guardou a varinha em o manto . - E nós a pensarmos que ele nos ia atacar - disse o Ron , encostando se a o carro e dando lhe duas palmadinhas - As voltas que eu dei a a cabeça a pensar para_onde ele teria ido ! Harry olhava para todos os lados , em o chão iluminado , em busca de mais aranhas mas todas elas tinham fugido de o brilho de as luzes . - Perdemos as de vista - disse ele . - Anda , vamos procurá as . Ron não disse nada . Não se moveu . Tinha os olhos fixos em um ponto , três metros acima de o chão de a floresta , mesmo atrás de o Harry . O seu rosto estava lívido de terror . Harry nem teve tempo de se voltar . Ouviu se um ruído alto e seco e sentiu que alguma coisa longa e peluda o elevava em o ar com o rosto voltado para baixo . Debatendo se , apavorado , ouviu outro estalido e viu as pernas de o Ron serem também levantadas de o chão . Ouviu o Fang gemer e ganir e , em o momento seguinte , era levado para o meio de as árvores escuras . Com a cabeça a balouçar , Harry viu que a coisa que o transportava tinha seis enormes patas peludas e que as duas de a frente o agarravam com forca sob um par de tenazes pretas e brilhantes . Atrás_de si podia ouvir outra de aquelas criaturas que , sem dúvida , transportava o Ron . Encaminhavam se para o coração de a floresta . Harry ouvia o Fang a ladrar , tentando libertar se de um terceiro monstro mas Harry não podia gritar mesmo_que quisesse , parecia que tinha deixado a voz em a clareira , junto com o carro . Não soube quanto tempo esteve em as patas de a criatura , só se apercebeu que a escuridão se atenuara um_pouco , permitindo lhe ver que o chão coberto de folhas estava agora repleto de aranhas . Voltando a cabeça para o lado , deu se conta de que tinham chegado a a base de uma enorme cova , uma cova que fora limpa de árvores para que as estrelas iluminassem com o seu brilho a cena mais pavorosa que os seus olhos alguma vez tinham visto . Aranhas . Não aranhas pequeninas como aquelas que estavam sobre as folhas . Aranhas de o tamanho de enormes cavalos , com oito olhos , oito pernas pretas , peludas , gigantescas . O espécimen que transportava Harry desceu o terreno íngreme até uma teia brumosa em forma de cúpula que ficava mesmo em o meio de a cova , enquanto os companheiros se juntavam em volta , batendo excitadíssimos com as tenazes e olhando para o que eles traziam a as costas . Harry caiu em o chão de gatas quando a aranha o libertou . Ron e Fang foram cair perto de ele . O Fang já não gania . Estava agachado e muito quieto . Ron e Harry partilhavam o mesmo sentimento . O Ron tinha a boca aberta em uma espécie de grito silencioso e os olhos a saltarem lhe de as órbitas . Harry percebeu de repente que a aranha que o deitara a o chão estava a dizer qualquer coisa . Era difícil entender porque entre cada duas palavras , batia com as tenazes . - Aragog - chamou . - Aragog . E de o meio de a teia brumosa em forma de cúpula saiu muito lentamente uma aranha de o tamanho de um pequeno elefante . As costas e as pernas estavam cobertas de pêlo cinzento e , em a cabeça feia , munida de tenazes , estavam vários olhos , todos eles de um branco leitoso . Era cega . - O que foi ? - disse , batendo rapidamente com as tenazes uma em a outra . - Homens - respondeu a aranha que trouxera o Harry . - É o Hagrid ? - perguntou Aragog , aproximando se mais com os seus oito olhos leitosos a vaguear . - Estranhos - respondeu a aranha que trouxera o Ron . - Matem nos - disse Aragog , irritada . - Eu estava a dormir ... - Nós somos amigos de o Hagrid - gritou Harry . Parecia que o coração lhe saltava por a boca . Clic , clic , clic fizeram as tenazes de a aranha , em volta de a cova . Aragog parou . - O Hagrid nunca mandou homens a a nossa cova - disse lentamente . - O Hagrid está em perigo - explicou Harry , respirando muito depressa . - Foi por isso que eu vim . - Em perigo ? - repetiu a aranha idosa e pareceu a Harry sentir preocupação por detrás de as suas tenazes . - Mas porque vos mandou ele cá ? Harry pensou pôr se de pé mas achou melhor não arriscar . As pernas provavelmente não teriam força para o sustentar . Falou portanto de o chão , o mais calmamente que foi capaz . - Eles lá em a escola pensam que o Hagrid soltou qualquer coisa contra os estudantes . Mandaram o para Azkaban . Aragog bateu furiosamente com as tenazes e , em toda_a cova , o eco foi reproduzido por uma multidão de aranhas . Era uma espécie de aplauso com uma única diferença : os aplausos não costumavam fazer o Harry quase morrer de medo . - Mas isso foi há muitos anos - disse Aragog , maldisposta . - Há anos e anos . Lembro me muito bem . Foi por isso que o expulsaram de a escola . Eles pensaram que eu era o monstro que vive em aquilo a que eles chamam a Câmara_dos_Segredos . Pensaram que o Hagrid a tinha aberto para me libertar . - E tu ... não vieste de a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Harry que sentia a testa cheia de suores frios . - Eu - disse Aragog , batendo irritada com as tenazes - , eu não nasci em o castelo . Venho de uma terra distante . Um viajante ofereceu me a o Hagrid quando eu era ainda um ovo . Hagrid era um rapazinho mas tratou de mim , escondeu me em uma despensa dentro de o castelo e alimentava me com as migalhas que ficavam em as mesas . Hagrid é o meu bom amigo e um bom homem . Quando me encontraram e me culparam por a morte de uma rapariga , ele protegeu me . Desde_então , tenho vivido aqui em a floresta onde o Hagrid ainda vem visitar me . Ele até me arranjou uma esposa , Mosag , e estão a ver como a família cresceu , tudo graças a a bondade de o Hagrid ... Harry reuniu a coragem que lhe restava . - Então tu nunca atacaste ninguém ? - Nunca - resmungou a velha aranha . - Era esse o meu instinto , mas por respeito a Hagrid nunca fiz mal a nenhum humano . O corpo de a rapariga morta foi encontrado em uma casa_de_banho , ora eu nunca conheci mais do_que despensa de o castelo , onde cresci . Nós gostamos de o escuro de o silêncio . - Mas então ... sabes o que matou essa rapariga ? - perguntou Harry . - Porque seja o que for , está a atacar as pessoas outra_vez ... As suas palavras foram abafadas por uma audível explosão de tenazes a bater e por o ruge-ruge de muitas pernas longas , deslocando se iradas . Em volta de Harry começaram a mover se sombras escuras . - O que vive em o castelo - disse Aragog - é uma antiga criatura que nós , aranhas , tememos acima_de todas_as outras . Lembro me bem de o quanto insisti com Hagrid para que me deixasse sair de ali quando senti a criatura a andar por a escola . - O que é ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Mais tenazes a bater , mais pernas a moverem se . As aranhas pareciam estar a aproximar se . - Nós não falamos de isso - exclamou Aragog furiosa . - Não pronunciamos o seu nome . Eu nunca disse a o Hagrid o nome de a horrível criatura , apesar_de ele me ter perguntado vezes sem conta . Harry não quis insistir , principalmente com todas aquelas aranhas a aproximarem se de todos os lados . Aragog parecia ter se cansado de falar . Recuava lentamente para a teia em forma de cúpula , mas as companheiras continuavam a aproximar se ameaçadoramente de Harry e Ron . - Vamos embora , então - gritou Harry , desesperadamente a Aragog , enquanto ouvia as folhas secas a estalarem atrás_de si . - Embora ? - disse Aragog lentamente . - Não me parece ... - Mas , mas ... - Os meus filhos e filhas não fazem mal a o Hagrid por ordem minha . Mas não posso negar lhes carne fresca quando ela veio por vontade própria ter connosco . Adeus , amigo de o Hagrid . Harry deu meia volta . Poucos centímetros acima de ele , uma sólida parede de aranhas batia com as tenazes , os seus muitos olhos a brilharem em as horríveis caras pretas . Mesmo_que se servisse de a varinha , Harry sabia que não ia valer de nada . As aranhas eram demasiadas , mas quando tentava preparar se para morrer a lutar , ouviu se um som prolongado e um clarão de luz iluminou a cova . O carro de Mr._Weasley ribombava , descendo o declive , com os faróis acesos , a buzina a guinchar , afastando as aranhas . Muitas de elas ficaram voltadas ao_contrário com as várias pernas a agitar se em o ar . O carro buzinou com mais força em frente de Harry e Ron e as portas abriram se . - Agarra o Fang - gritou Harry , ajeitando se em o lugar de a frente . Ron agarrou o cão caçador de javalis e lançou o a ganir para o banco de trás . As portas fecharam se com estrondo . Ron não tocou em o acelerador mas o carro não precisou de isso . O motor fez se ouvir e levantaram voo , batendo em mais aranhas . Subiram o declive , saindo de a cova e pouco depois atravessavam a floresta , os ramos a baterem em os vidros enquanto o carro seguia habilmente através de os intervalos maiores , por um caminho que obviamente já conhecia . Harry olhou para o Ron , a o seu lado . Ele tinha ainda a boca aberta em o mesmo grito silencioso mas os olhos já não estavam salientes . - Estás bem ? Ron olhou em frente , incapaz de responder . Começavam a descer para terra firme com o Fang a soltar enormes ganidos em o banco de trás e Harry viu o espelho retrovisor saltar quando passaram rente a um enorme carvalho . Após dez minutos bastante ruidosos , as árvores começaram a ser mais finas e Harry pôde ver de_novo pedaços de o céu . O carro parou tão bruscamente que quase foram projectados por o vidro de a frente . Tinham chegado a a orla de a floresta . O Fang ia agitadíssimo a a janela e quando Harry abriu a porta , disparou a correr através de as árvores até a a casa de o Hagrid , de cauda entre as pernas . Harry saiu também e um minuto depois o Ron pareceu recuperar a força em os membros e seguiu o , ainda com um torcicolo e de olhos esbugalhados . Harry deu uma palmadinha de agradecimento a o carro antes de ele dar a volta e desaparecer em direcção a a floresta . Harry voltou a a cabana de o Hagrid para buscar o manto de a invisibilidade . O Fang tremia em o seu cesto , coberto por um cobertor . Quando saiu de_novo , viu o Ron a vomitar junto de as abóboras . - Sigam as aranhas - disse ele debilmente , limpando a boca a a manga . - Nunca vou perdoar a o Hagrid . É uma sorte ainda estarmos vivos . - Aposto que ele pensou que Aragog nunca faria mal a os seus amigos - justificou Harry . - Esse é justamente o problema de o Hagrid - interrompeu Ron , dando um soco em a parede de a cabana . - Ele acha sempre_que os monstros não são tão maus como os pintam e vê onde isso o levou , a uma cela em Azkaban - tremia agora descontroladamente . - Qual a ideia de ele a o mandar nos ali ? Gostava de saber o que é_que descobrimos . - Que o Hagrid nunca abriu a Câmara_dos_Segredos - disse Harry , lançando o manto sobre Ron e tocando lhe em o braço para o encorajar a andar . - Ele estava inocente . Ron resmungou em voz alta . Para ele , chocar Aragog em uma despensa não era propriamente estar inocente . Quando se aproximaram de o castelo , Harry esticou o manto para garantir que os pés de ambos ficavam cobertos . Em seguida , empurrou as portas de a frente que chiaram . Atravessaram com todo o cuidado o * hall * de entrada e subiram a escadaria de mármore , contendo a respiração em os corredores guardados por sentinelas atentos . Por fim , chegaram a a segurança de a sala de os Gryffindor onde o lume ardera até se transformar em brasas brilhantes . Tiraram o manto e subiram a escada serpenteante que os levava a o dormitório . Ron caiu em a cama sem sequer se despir mas Harry , apesar_de tudo , não tinha sono . Sentou se em a beirinha de a cama , pensando em todas_as coisas que Aragog dissera . A criatura que andava por o castelo , pensou , era uma espécie de monstro Voldemort , nem os outros monstros queriam pronunciar o seu nome . Mas ele e o Ron não estavam agora mais perto_de descobrir o que era nem como petrificava as suas vítimas . Se nem o Hagrid chegara a saber o que estava em a Câmara_dos_Segredos ... Harry balançou as pernas e atirou se para_cima de a cama . Encostado a as almofadas olhou a Lua que brilhava através de a janela de a torre . Não sabia que mais poderiam fazer . Só tinham encontrado portas fechadas . Riddle apanhara a pessoa errada . O herdeiro de Slytherin fugira e ninguém sabia se era a mesma pessoa ou uma outra que abrira , desta_vez , a Câmara_dos_Segredos . Não havia mais ninguém a quem fazer perguntas . Harry deitou se ainda a pensar em as palavras de Aragog . Estava a começar a ficar com sono quando aquilo que parecia ser uma última esperança lhe ocorreu , fazendo o sentar se muito direito em a cama . - Ron - sussurrou em o escuro . - Ron . Ron acordou com um ganido como os de o Fang . Olhou muito assustado em volta e viu o Harry . - Ron , a rapariga que morreu . Aragog contou nos que ela foi encontrada em uma casa_de_banho - disse , ignorando os roncos de o Neville em o outro canto de o quarto . - E se ela nunca tivesse saído de a casa_de_banho ? E se ainda lá estiver ? Ron esfregou os olhos , franzindo as sobrancelhas sob a luz de a Lua . E só então compreendeu . -- Não pensar que ... a Murta_Queixosa ? XVI_A_Câmara_dos_Segredos -- E estivemos nós tantas vezes em aquela casa_de_banho com ela apenas a três cubículos de distância - disse o Ron amargamente em o dia seguinte , a a mesa de o pequeno-almoço . - Podíamos ter lhe perguntado e agora ... Já fora bastante difícil procurar as aranhas . Escapar a os professores o tempo suficiente para ir até a a casa_de_banho de as raparigas , que ficava mesmo em frente de o lugar onde ocorrera o primeiro ataque , ia ser quase impossível . Mas alguma coisa aconteceu que fez com que a Câmara_dos_Segredos desaparecesse de os seus pensamentos pela_primeira_vez em várias semanas . A professora Mc_Gonagall comunicou lhes que os exames começariam a 1_de_Junho , uma semana depois . - Exames ? - gritou Seamus_Finnigan . - Nós mesmo_assim vamos ter exames ? Ouviu se um estrondo atrás de o Harry quando a varinha de o Neville_Longbottom lhe escapou de a mão , fazendo desaparecer uma de as pernas de a secretária . A professora Mc_Gonagall repô a com a sua varinha e voltou se com má cara para o Seamus . - Se temos a escola aberta em uma altura de estas é para vocês receberem instrução - disse com dureza . - Os exames terão lugar , portanto , como é costume e espero que todos vocês façam revisões até lá . Revisões . Não passara por a cabeça de o Harry que houvesse exames com o castelo em aquele estado . Houve uma série de murmúrios revoltados , o que fez com que a professora Mc_Gonagall ficasse ainda mais mal-humorada . - As instruções de o professor Dumbledore foram para manter a escola a funcionar o mais normalmente possível - disse . - E isso , não preciso de vos dizer , passa por uma avaliação de o quanto vocês aprenderam a o longo de este ano . Harry olhou para baixo , para o casal de coelhos brancos que ele deveria transformar em pantufas . Que tinha ele aprendido durante o ano ? Não era capaz de se lembrar de nada que fosse útil em um exame . Ron estava como_se tivessem acabado de lhe dizer que a partir de aquele momento tinha de ir viver para a floresta proibida . - Estás a ver me a ter exames com isto tudo ? - perguntou a o Harry enquanto pegava em a varinha que tinha começado a assobiar bastante alto . Três dias antes de o primeiro exame , a a hora de o pequeno almoço , a professora Mc_Gonagall fez outra comunicação . - Tenho boas notícias - disse , e o salão em_vez_de se calar , explodiu de contentamento . - Dumbledore vai regressar ! - gritaram várias pessoas cheias de alegria . - Apanharam o herdeiro de Slytherin - arriscou uma rapariga em a mesa de os Ravenclaw . - Temos outra_vez os jogos de Quidditch - bradou Wood , excitadíssimo . Quando a agitação passou , Mc_Gonagall disse : - A professora Sprout informou me que as mandrágoras estão finalmente prontas para serem cortadas . Hoje a a noite vamos poder reanimar as pessoas que foram petrificadas . Escusado será dizer que certamente uma de elas poderá revelar nos quem ou o que a atacou . Eu tenho esperança que este ano pavoroso acabe com a prisão de o culpado . Houve uma explosão de aplausos . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e não ficou nada surpreendido a o ver que Draco_Malfoy não aplaudia . O Ron , por outro lado , estava satisfeito como ninguém o via havia dias . - Não faz mal não termos perguntado a a Murta . A Hermione vai , com certeza , ter todas_as respostas quando acordarem . Vai também ficar fula quando souber que temos exames dentro_de três dias . Ela não pôde fazer revisões . Seria melhor deixarem a estar onde está até a o final de os exames . Nessa_altura , Ginny_Weasley veio sentar se junto de o Ron . Parecia nervosa e tensa e Harry reparou que torcia as mãos em o colo . - O que se passa ? - perguntou o Ron , servindo se de mais papa de aveia . Ginny não disse nada mas olhou para um lado e para o outro de a mesa de os Gryffindor , com um olhar assustado que lembrou a Harry alguém que não sabia bem quem era . - Vá lá , vomita - disse o Ron , olhando para ela . Harry percebeu subitamente quem a Ginny lhe lembrara . Ela balançava se ligeiramente para a frente e para trás em a cadeira , exactamente como o Dobby fazia quando estava hesitante , à_beira_de revelar uma informação proibida . - Tenho de te dizer uma coisa - balbuciou a Ginny receosa , sem olhar para Harry . - O que é ? - perguntou ele . Ginny parecia incapaz de encontrar as palavras certas . - O quê ? - insistiu Ron . Ginny abriu a boca mas não saiu nenhum som . Harry inclinou se para a frente e falou devagar para que só ela e Ron pudessem ouvi o . - É alguma coisa relacionada com a Câmara_dos_Segredos ? Viste alguma coisa ou alguém a agir de forma estranha ? Ginny respirou fundo e , em esse preciso momento , apareceu Percy_Weasley com um ar pálido e cansado . - Se já acabaste de comer eu fico com esse lugar , Ginny . Estou cheio de fome . Acabei agora o meu trabalho de patrulhamento . Ginny deu um salto como_se a cadeira tivesse acabado de ser electrificada , lançou a o Percy um olhar assustado e zarpou . Percy sentou se e tirou uma caneca de o meio de a mesa . -- Percy - disse o Ron aborrecido . - Ela ia agora mesmo contar nos uma coisa importante . A meio de um gole de chá , Percy estremeceu . - Que coisa ? - perguntou , tossindo . - Eu quis saber se ela tinha visto alguma coisa estranha e ela ia dizer ... - Ah ! isso ... não tem nada que ver com a Câmara_dos_Segredos - disse o Percy de imediato . - Como sabes ? - indagou o Ron , erguendo as sobrancelhas . - Bem ... er ... já_que perguntam , a Ginny ... er ... passou por mim em outro dia quando eu ... er ... não foi nada , o importante é_que ela viu me fazer uma coisa e eu ... um ... pedi lhe para não comentar com ninguém . Não pensei que ela cumprisse a palavra , verdade se diga . Não é nada importante , eu só ... Harry nunca vira o Percy tão pouco a a vontade . - O que estavas a fazer , Percy ? - riu se o Ron . - Vá lá , conta que nós não nos rimos . Percy ficou sério . - Passa me esses pãezinhos , Harry , estou cheio de fome . Harry sabia que todo o mistério poderia ser desvendado em o dia seguinte sem a ajuda de eles mas não ia deixar de falar com a Murta_Queixosa se a oportunidade surgisse . E , para sua grande satisfação , ela surgiu a meio de a manhã quando eram conduzidos a a aula de História_da_Magia_por_Gilderoy_Lockhart . Lockhart , que tantas vezes lhes assegurara que o perigo tinha passado , estava agora totalmente convencido de que acompanhar os alunos em os corredores era um trabalho inútil . O seu cabelo estava mais liso do_que de costume . Parecia ter passado toda_a noite acordado a vigiar o quarto andar . - Podem escrever o que eu digo - afirmou , acompanhando os até uma esquina . - As primeiras palavras que vão sair de a boca de aquelas pobres pessoas petrificadas serão - * _ Foi_o_Hagrid * . Francamente , estou espantado por a professora Mc_Gonagall considerar ainda necessárias estas medidas de segurança . - Concordo , professor - disse Harry , fazendo com que Ron , surpreendido , deixasse cair os livros a o chão . - Obrigado , Harry - disse Lockhart amavelmente , enquanto deixavam passar uma grande fila de Hufflepuffs . - verdade é_que os professores já têm bastante que fazer para andarem também a acompanhar os alunos a as aulas e a guardar os corredores a a noite ... - É verdade - disse o Ron , percebendo a ideia . - Porque não nos deixa aqui , professor , só falta mais um corredor . - Sabes , Weasley , sou mesmo capaz de fazer isso - disse Lockhart . - Preciso de preparar a minha próxima aula . E apressou se a seguir o seu caminho . - Preparar a aula - zombou o Ron . - Vai encaracolar o cabelo , é o mais certo . Deixaram os restantes Gryffindor passar lhes a a frente e por fim cortaram caminho em um corredor lateral e dirigiram se a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mas quando estavam a congratular se por o seu esquema brilhante ... - Potter , Weasley ! Que estão vocês a fazer aqui ? Era a professora Mc_Gonagall e a boca de ela estava mais fina do_que nunca . - Nós estávamos , estávamos - gaguejou o Ron . - Nós íamos ver , íamos ver ... - Hermione - completou Harry . A professora Mc_Gonagall e Ron olharam para ele . - Não a vemos há séculos , professora - prosseguiu Harry , pisando o pé a o Ron . - E pensamos ir espreitá a a a ala hospitalar e dizer lhe que as mandrágoras estão quase prontas , para ela não se preocupar . A professora Mc_Gonagall estava ainda a olhar para ele e , por um momento , Harry pensou que ela ia explodir mas , quando falou , fê lo em um tom de voz estranhamente rouco . - É claro - disse . E Harry , espantado , viu uma lágrima a brilhar lhe em o canto de um de os olhos . - É claro . Eu compreendo que tudo_isto tem sido muito duro para os amigos de aqueles que foram ... eu compreendo , sim , Potter . Podem ir visitar Miss_Granger . Eu mesma informarei o professor Binns de que vocês estão em o hospital . Digam a Madam_Pomfrey que vos dei autorização . Harry e Ron afastaram se , quase sem acreditar que tinham escapado a um castigo . Quando voltaram em uma esquina ouviram nitidamente a professora Mc_Gonagall a assoar se . - Esta - disse o Ron entusiasmado - foi a melhor história que tu alguma vez inventaste . Não tinham outro remédio senão ir a a ala hospitalar e dizer a Madam_Pomfrey que tinham autorização de a professora Mc_Gonagall para visitar Hermione . Madam_Pomfrey deixou os entrar com alguma relutância . - Não vale a pena falar com uma pessoa petrificada - disse , e ambos tiveram que admitir que ela tinha razão quando se sentaram junto de Hermione e constataram que ela não tinha a menor noção de estar acompanhada . Dizer lhe que não se preocupasse ou falar com o armário que estava a o lado de a cama era exactamente a mesma coisa . - Será que ela viu quem a atacou ? - perguntou o Ron , olhando com tristeza para o rosto rígido de Hermione . - Porque se a coisa saltou sobre eles , ficaremos todos sem saber de nada . Mas Harry não olhava para o rosto de Hermione . Estava mais interessado em a sua mão direita que se encontrava pousada sobre os cobertores e , inclinando se para ela , viu que tinha , fechado entre os dedos , um pedaço de papel . Assegurando se de que Madam_Pomfrey não dava por nada , fez sinal a o Ron . - Tenta tirá o - murmurou ele , colocando a cadeira de_modo_a que Madam_Pomfrey não pudesse ver o Harry . Não foi tarefa fácil . A mão de a Hermione estava fechada com uma força tal que Harry receou parti a . Enquanto Ron vigiava , ele forçou e torceu até que , por fim , depois de vários minutos bastante tensos , conseguiu tirar o papel . Era uma página retirada de um livro muito antigo de a biblioteca . Harry alisou a ansiosamente e Ron inclinou se para poder lês a também . * _ De todos os monstros assustadores que pairam a a face de a Terra , nenhum é tão curioso nem tão fatal como o Basilisk , também conhecido por o rei de as serpentes . Esta cobra que pode atingir proporções gigantescas e viver durante muitas centenas de anos nasce de um ovo de galinha que é chocado por um sapo . As suas formas de matar são pavorosas pois além de os dentes venenosos e mortais , o Basilisk tem um olhar criminoso e todos aqueles que ele fixa com os olhos tem morte instantânea . As aranhas fogem a sete pés de o Basilisk que é seu inimigo mortal , e o Basilisk foge apenas de o canto de o galo que para ele é fatal * . Por debaixo de isto uma única palavra fora escrita , em a letra que Harry reconheceu como sendo de Hermione : Canos . Foi como_se se tivesse acendido uma luz em o seu espírito . - Ron - murmurou - é isso . Está aqui a resposta . O monstro de a Câmara_dos_Segredos é um Basilisk , uma serpente gigante . Por isso , só eu tenho ouvido a sua voz em todos os lugares , porque eu compreendo * serpentês * ... Harry olhou para as camas em volta . - O Basilisk mata as pessoas fixando as com o olhar mas ninguém morreu , o que quer_dizer que ninguém o olhou directamente em os olhos . Colin viu o através de a lente de a máquina fotográfica e o Basilisk queimou o rolo que estava lá dentro mas o Colin ficou apenas petrificado . O Justin ... o Justin deve ter visto o Basilisk através de o Nick quase sem cabeça . O Nick é_que levou com o olhar mas não podia morrer outra_vez ... e perto de a Hermione e de a prefeita de os Ravenclaw foi encontrado um espelho . Hermione acabara de compreender que o monstro era um Basilisk . Aposto que preveniu a primeira pessoa que encontrou de que era melhor olhar por um espelho a o virar de cada esquina . E aquela rapariga puxou de o seu espelho e ... O Ron estava de queixo caído . - E Mrs._Norris ? - perguntou vivamente . Harry pensou um_pouco , tentando imaginar a cena em a noite de o Halloween . - A água . . . - disse lentamente . - A poça de água que saiu de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Aposto que Mrs._Norris só viu o reflexo de o monstro . Examinou a folha de papel que tinha em a mão . Quanto_mais olhava mais sentido faziam as coisas . - * _ O cantar de o galo é fatal para ele * - leu em voz alta . - Os galos de o Hagrid foram mortos . O herdeiro de Slytherin não queria um único galo perto de o castelo , com a câmara aberta . * _ As aranhas são as primeiras a fugir * . Tudo encaixa . - Mas , como tem o Basilisk andado por aí ? - disse o Ron . - Uma serpente horrível e enorme ... alguém a teria visto . Mas Harry apontou para a palavra que Hermione escrevinhara em o final de a página . - Canos - disse . - Canos ... Ron , ele tem usado a canalização . Eu ouvi sempre a voz dentro de as paredes ... Ron agarrou subitamente o braço de o Harry . - A entrada para a Câmara_dos_Segredos - disse em uma voz rouca . - E se for em uma casa_de_banho ? Se for em a ... - Em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa - completou Harry . Sentaram se , tomados de uma excitação enorme , mal querendo acreditar . - Isso significa que - disse o Harry - eu não posso ser o único em a escola a falar * serpentês * . Há também o herdeiro de Slytherin . É de esse modo que tem controlado o Basilisk . - O que vamos fazer ? - perguntou Ron com os olhos a faiscar . - Vamos falar com a Mc_Gonagall ? - Vamos até a a sala de os professores - disse Harry , dando um salto . - Ela estará lá dentro_de dez minutos , está quase em o intervalo . Desceram a escada a correr . Não querendo ser descobertos outra_vez a vaguear por os corredores foram directamente até a a sala de os professores que estava deserta . Era uma divisão ampla , toda forrada , com cadeiras de madeira escura . Harry e Ron passearam de um lado para o outro , demasiado nervosos para se sentarem . Mas a campainha anunciando o intervalo nunca mais tocava . Em vez de isso , ecoando em os corredores , ouviram a voz de a professora Mc_Gonagall incrivelmente ampliada . - * _ Todos os alunos devem regressar de imediato a os seus dormitórios . Todos os professores a a sala de professores . Imediatamente , por favor * . Harry deu meia volta e olhou para o Ron . - Não me digas que houve um novo ataque , não agora ! - Que vamos fazer ? - disse o Ron aterrado . - Voltar para o dormitório ? - Não - disse Harry , olhando e m volta . Havia uma espécie de armário a a sua esquerda cheio com os mantos de os professores . - Ali . Vamos ouvir o que se passa . A seguir poderemos contar lhes o que descobrimos . Esconderam se dentro de o armário , ouvindo a algazarra de centenas de pessoas e a porta de a sala de professores a abrir se . De o meio de a confusão de mantos bafientos , viram os professores encherem a sala . Alguns tinham um ar totalmente confuso , outros pareciam apavorados . Por fim , chegou a professora Mc_Gonagall . - Aconteceu - disse em o silêncio de a sala de professores . - O monstro levou uma aluna . Levou a mesmo para a câmara . O professor Flitwick soltou um grito agudo . A professora Sprout bateu com a mão em a boca . Snape agarrou com força as costas de uma cadeira e perguntou : - Como pode ter tanta certeza ? - O herdeiro de Slytherin - disse a professora Mc_Gonagall , muito pálida . - Deixou outra mensagem . Mesmo por baixo de a primeira : « * _ O esqueleto de ela ficará para sempre em a Câmara_dos_Segredos * . » O professor Flitwick desatou a chorar . - Quem é ela ? - quis saber Madam_Hooch que se afundara em uma cadeira . - Quem é a aluna ? - Ginny_Weasley - disse a professora Mc_Gonagall . Harry viu o Ron , a o seu lado , escorregar silenciosamente até a o chão de o armário . - Vamos ter que mandar todos os alunos embora amanhã - disse a professora Mc_Gonagall . Isto_é o fim de Hogwarts , Dumbledore sempre disse ... A porta de a sala de os professores voltou a abrir se . Por um breve momento , Harry pensou que fosse Dumbledore mas era Lockhart e vinha todo sorridente . - Peço desculpa , adormeci . Perdi alguma coisa ? Não pareceu reparar que os outros professores o olhavam com uma espécie de aversão . Snape deu um passo em frente . - O homem que faltava - disse . - O homem certo . O monstro raptou uma garota , Lockhart levou a para a Câmara_dos_Segredos . O seu momento chegou . - Isso mesmo , Lockhart - acrescentou a professora Sprout . - Não estavas a dizer ontem a a noite que sempre tinhas sabido onde era a entrada para a Câmara_dos_Segredos ? - Eu ... bem ... eu-disse atabalhoadamente Lockhart . - Sim , não me disseste que sabias exactamente o que estava lá dentro ? - disse com voz esganiçada o professor Flitwick . - Eu disse ? Não me lembro ... - Lembro me perfeitamente de o ouvir dizer que lamentava não ter feito uma tentativa com o monstro antes de o Hagrid ser preso - disse Snape . - Não disse que toda_a história tinha sido uma atrapalhação e que deveriam ter lhe dado carta branca desde o princípio ? Lockhart olhou em volta para a cara de espanto de os colegas . - Eu ... nunca ... eu de facto ... deve ter me compreendido mal . - Então vamos deixar te , Gilderoy - disse a professora Mc_Gonagall . - Esta noite será uma excelente oportunidade para actuares . Nós trataremos de assegurar que ninguém te atrapalha . Vais poder enfrentar o monstro sozinho . Finalmente tens carta branca . Lockhart olhou desesperado a a sua volta mas ninguém foi salvá o . Já não estava bem-parecido . O lábio tremia lhe e a ausência de o seu habitual sorriso de dentes brancos dava lhe um ar escanzelado . - M-muito bem - disse . - Vou até a o meu escritório para ... para me preparar . E saiu de a sala . - _ óptimo - exclamou a professora Mc_Gonagall com as narinas dilatadas . - Isto deve afastá o de o nosso caminho . Os chefes de casa devem ir agora comunicar a os respectivos alunos o que se passou e informá os de que o Expresso_de_Hogwarts os levará a casa amanhã de manhã . Os restantes certifiquem se , por favor , de que não há alunos fora de os dormitórios . Os professores levantaram se e saíram um a um . Foi talvez o dia pior de a vida de o Harry . Ele , Ron , Fred e George sentaram se juntos a um canto em a sala comum de os Gryffindor , incapazes de proferir uma palavra . Percy não estava lá . Tinha ido tratar de enviar uma coruja a Mr. e Mrs._Weasley e , em seguida , fechara se em o dormitório . Nunca uma tarde custara tanto a passar e nunca a torre de os Gryfffindor estivera tão cheia de gente e tão silenciosa . Fred e George foram para a cama quase a o pôr de o Sol , incapazes de ficar ali mais tempo . - Ela sabia qualquer coisa , Harry - disse o Ron , falando pela_primeira_vez desde_que tinham saído de o armário de a sala de os professores . - Por isso a levaram . Não era nenhuma parvoíce sobre o Percy , ela tinha descoberto qualquer coisa sobre a Câmara_dos_Segredos . Com certeza por isso é_que a ... - Ron esfregou os olhos , enervadíssimo . - Afinal ela era sangue puro , não pode haver outra explicação . Harry olhava para o sol que mergulhava de um vermelho cor de sangue em a linha de o horizonte . Era a pior coisa que lhe tinha acontecido . Se pelo_menos pudessem fazer alguma coisa . - Harry - disse o Ron . - Achas que há alguma possibilidade de ela não estar ... ? Sabes o que eu quero dizer . Harry não sabia que resposta dar . Não acreditava que a Ginny pudesse ainda estar viva . - Sabes uma coisa ? - disse o Ron . - Acho que devíamos ir ter com o Lockhart , contar lhe o que sabemos . Ele vai tentar entrar em a câmara , podemos dizer lhe onde achamos que fica a entrada e contar lhe que o monstro é um Basilisk . Como Harry não tinha nenhuma ideia melhor e como queria fazer alguma coisa , concordou . Os Gryffindor que os rodeavam estavam tão tristes e com tanta pena de os Weasley que ninguém tentou impedi os quando os viram levantar se , atravessar a sala e sair por o buraco de o retrato . A escuridão começava a instalar se quando chegaram a o escritório de Lockhart onde a actividade era muita . De o corredor ouvia se o ruído de coisas a serem deitadas fora , pancadas surdas e passos apressados . Harry bateu a a porta e houve um silêncio repentino . Em seguida abriu se uma fresta de a porta e viram um de os olhos de Lockhart a espreitar . - Oh ! ... Mr._Potter ... Mr._Weasley - disse entreabrindo a porta . - Estou um_pouco ocupado em este momento , se forem rápidos ... - Professor , nós temos informações para lhe dar - disse o Harry . - Acho que poderão ajudá o . - Er ... bem ... não é - o lado de a cara de Lockhart que conseguiam ver parecia muito pouco a a vontade . - Quer_dizer ... bem ... está bem . Abriu a porta e eles entraram . O escritório estava praticamente vazio . Em o chão estavam duas grandes malas abertas . Mantos verde-jade , lilás , azul-noite tinham sido apressadamente dobrados e guardados dentro_de uma de as malas . Os livros misturavam se todos dentro de a outra . As fotografias que antes cobriam as paredes estavam agora arrumadas em caixas , em cima de a secretária . - Vai a algum lado ? - perguntou Harry . - Er ... bem ... sim - disse Lockhart , arrancando de a porta um poster seu em tamanho natural , enquanto falava , e começando a enrolá o . - Uma chamada urgente ... inevitável ... tenho que ir . - E a minha irmã ? - perguntou o Ron bruscamente . - Bem , quanto_a isso foi uma pena - disse Lockhart , evitando olhá os em os olhos , abrindo uma gaveta e começando a despejar o seu conteúdo dentro_de um saco . - Ninguém lamenta mais do_que eu ... - O senhor é o professor de Defesa contra as artes negras - disse Harry . - Não pode ir se embora agora_que todas estas coisas de magia negra estão a acontecer aqui . - Bem , devo dizer te que ... quando aceitei o lugar ... - resmungou Lockhart , empilhando soquetes sobre os mantos - nada em a descrição de o meu trabalho fazia prever ... - Quer_dizer que vai fugir ? - perguntou Harry , incrédulo . - Depois de todas_as coisas que conta em os seus livros ? - Os livros podem ser enganadores - disse Lockhart delicadamente . - Mas foi o senhor que os escreveu - gritou Harry . - Meu rapaz - disse Lockhart , endireitando se e franzindo as sobrancelhas - usa o senso comum . Os meus livros não teriam vendido metade do_que venderam se as pessoas não acreditassem que eu tinha feito todas aquelas coisas . Ninguém está interessado em ler sobre um velho feiticeiro americano mesmo_que ele tenha salvo uma cidade inteira de os lobisomens , ficaria péssimo em a capa . E a bruxa que correu com a fada carpideira tinha um lábio leporino . Como vês . - Quer_dizer que ficou com os louros por tudo_o_que uma série de outras pessoas fizeram ? - perguntou Harry , sem querer acreditar . - Harry , Harry - disse Lockhart , abanando impacientemente a cabeça . - Não é tão simples assim . Envolveu muito trabalho . Tive de localizar todas essas pessoas , perguntar lhes em pormenor como tinham feito as coisas . Depois tive de lhes fazer um feitiço antimemória para que não voltassem a lembrar se do_que tinham feito . Se há uma coisa de que me orgulho é de os meus feitiços antimemória . Não , tive muito trabalho , Harry . Não foram só as sessões de autógrafos e as fotografias , sabes ? Quem quer ser famoso tem de estar preparado para um trabalho longo e fatigante . Fechou as malas a a chave . - Vejamos - disse . - Acho que está tudo . Sim , só falta uma coisa . - Empunhou a varinha e voltou se para eles . - Lamento muito , rapazes , mas vou ter de vos fazer um feitiço antimemória . Não posso deixar que vão por aí repetir os meus segredos . Não venderia nem mais um livro . Harry pegou em a varinha mesmo a tempo e Lockhart mal tinha levantado a de ele a o ar quando Harry gritou * _ Expelliarmus ! * Lockhart foi projectado de costas , indo cair em cima de a mala . A varinha voou por os ares . Ron agarrou a e atirou a por a janela aberta . - Não devia ter deixado o professor Snape ensinar nos esta - disse Harry furioso , dando um pontapé a uma de as malas . Lockhart olhava para ele , de_novo escanzelado . Harry apontava lhe a varinha . - O que queres que eu faça ? - perguntou debilmente . - Eu não sei onde fica a Câmara_dos_Segredos . Não posso fazer nada . - Está com sorte - disse Harry , forçando o com a varinha a pôr se de pé . - Nós julgamos saber onde é e o que está lá dentro . Vamos . Conduziram Lockhart para fora de o seu escritório , desceram com ele as escadas e seguiram por o corredor escuro em cuja parede brilhavam as mensagens , até a a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mandaram Lockhart a a frente . Harry gostou de ver que todo ele tremia . A Murta_Queixosa estava sentada em a cisterna de o cubículo de o fundo . - Ah ! são vocês - disse a o ver o Harry . - O que querem agora ? - Perguntar te como morreste - disse Harry . O aspecto de a Murta mudou por completo . Parecia que nunca lhe tinham feito uma pergunta tão lisonjeira . - Ooooh ! Foi horrível - disse satisfeita . - Aconteceu aqui mesmo . Morri em este cubículo . Lembro me tão bem . Estava escondida porque a Olive_Hornby andava a implicar comigo por causa de os meus óculos . A porta estava fechada e eu estava a chorar e , então , ouvi alguém entrar . Disseram qualquer coisa estranha em uma língua diferente , acho eu . Mas o que mais me espantou foi o ser um rapaz a falar . Por isso , abri a porta para lhe dizer que fosse a a casa_de_banho de eles e em esse momento - a Murta inchou com ar importante , o rosto a brilhar - morri . - Como ? - perguntou Harry . - Não faço ideia - disse a Murta em um tom de voz abafado . - Só me lembro de ver dois grandes olhos amarelos , de o meu corpo ficar preso e em seguida , sentir me a flutuar ... - olhou sonhadoramente para Harry . - E depois voltei . Estava disposta a vingar me de a Olive_Hornby , percebes ? Ela ia arrepender se de ter gozado com os meus óculos . - Onde foi exactamente que viste os tais olhos ? - perguntou Harry . - Algures por aí - disse a Murta , apontando vagamente para o lavatório em frente de o seu cubículo . Harry e Ron apressaram se . Lockhart estava de pé , mais atrás , com uma expressão de pavor em o rosto . O lavatório parecia perfeitamente vulgar . Examinaram o centímetro a centímetro , dentro e fora , incluindo os canos por baixo . E foi então que Harry reparou : de lado , rabiscada em uma de as torneiras de cobre , estava uma cobra pequenina . - Essa torneira nunca funcionou - disse vivamente a Murta enquanto ele tentava abri a . - Harry - sugeriu o Ron . - Diz qualquer coisa em * serpentês * . Mas , pensou Harry , as únicas vezes que conseguira falar * serpentês * tinham ocorrido quando confrontado com uma verdadeira serpente . Olhou , concentrado para a pequena cobra gravada em o cobre , tentando imaginá a como verdadeira . - Abre te - disse . Olhou para o Ron que abanou a cabeça . - Inglês - disse ele . Harry voltou a olhar para a cobra , forçando se a acreditar que estava viva . A luz de a vela fez parecer que se movia . - Abre te - repetiu . Mas desta_vez as palavras não foram o que ele ouviu . Um estranho sibilar escapou lhe de a boca e a torneira ganhou uma luz branca e brilhante e começou a rodar . Logo_a_seguir o lavatório mexeu se . Afastou se , melhor dizendo , saiu de o caminho , deixando um grande cano a a vista , um cano onde cabia um homem . Harry ouviu a respiração arquejante de o Ron e olhou de_novo para ele . Já decidira o que queria fazer . - Vou descer - disse . Não podia deixar de ir , agora_que acabavam de descobrir a entrada para a câmara , existindo uma possibilidade , por mais remota que fosse , de a Ginny ainda estar viva . - Eu também - disse o Ron . Houve uma pausa . - Bem , parece que não precisam mais de mim - apressou se Lockhart a dizer com uma réstia de sorriso . - Eu vou . . . Pôs a mão em o puxador de a porta mas Ron e Harry apontaram lhe ambos as varinhas . -- O senhor pode ir a a frente - disse rispidamente o Ron . Pálido e sem varinha , Lockhart aproximou se de a entrada . - Meus rapazes - disse em uma voz débil . - Meus rapazes , para quê tudo_isto ? Harry tocou lhe em as costas com a varinha e ele meteu as pernas em o cano . - Eu não me parece que ... - começou a dizer , mas o Ron deu lhe um empurrão e ele desapareceu por o cano abaixo . Harry foi rapidamente atrás . Introduziu se lentamente e deixou se cair . Era como escorregar em uma pista escura e interminável . Ele via outros canos , estendendo se em todas_as direcções mas nenhum tão largo como o de eles que se torcia e virava , inclinando se abruptamente . Harry sabia que estavam a chegar a um ponto muito abaixo de a escola e de os calabouços . Atrás_de si , ouvia o Ron gemendo em cada curva . E então , quando começava a preocupar se com o que iria acontecer quando tocassem em o chão , o cano tornou se horizontal e ele foi projectado com um ruído surdo , indo aterrar em o chão húmido de um túnel de pedra com altura suficiente para ele se pôr de pé . Lockhart estava a levantar se a alguma distancia , todo enlameado e pálido como um fantasma . Harry afastou se para deixar o Ron sair também de o cano . - Devemos estar quilómetros e quilómetros abaixo de a escola - disse o Harry cuja voz ecoou em o túnel negro . - Talvez até debaixo de o lago - arriscou o Ron , olhando em volta para as paredes escuras e viscosas . Voltaram se os três para olhar para a escuridão lá a o fundo . - * _ Lumus ! * - murmurou Harry a a varinha e ela voltou a acender se . - Vamos - disse a o Ron e a o Lockhart e avançaram , os passos a chapinharem ruidosamente em o chão molhado . O túnel era tão escuro que só conseguiam ver alguns centímetros a a frente . As suas sombras em as paredes molhadas pareciam monstruosas a a luz de a varinha . - Lembrem se - disse Harry baixinho enquanto caminhavam . - A o menor movimento fechem logo os olhos ... Mas o túnel era silencioso como um túmulo e o primeiro som inesperado que ouviram foi um grito de o Ron que escorregou em uma coisa que era afinal a cauda de um rato . Harry baixou a varinha para olhar para o chão e viu que estava cheio de pequenos ossos de animais . Fazendo um enorme esforço para evitar pensar em que estado iriam encontrar a Ginny , avançou até uma curva escura de o túnel . - Harry , está aqui qualquer coisa - disse o Ron com voz rouca , agarrando Harry por o ombro . Ficaram estáticos a olhar . Harry só conseguia ver a silhueta de algo enorme e curvo deitado em o túnel . Fosse o que fosse não se movia . - Talvez esteja a dormir - murmurou , olhando para os outros dois . Lockhart tapava os olhos com as mãos . Harry voltou se para olhar para a criatura com o coração a bater tanto que lhe doía em o peito . Lentamente , com os olhos quase fechados mas ainda conseguindo ver , Harry avançou com a varinha levantada . A luz deslizou sobre uma gigantesca pele de serpente , de um verde vivo e venenoso que estava vazia e enrolada em o chão de o túnel . A criatura que a abandonara devia ter , pelo_menos , seis metros e meio de comprimento . - Bolas - disse o Ron , perdendo as forças . Houve um movimento súbito atrás de eles . As pernas de Gilderoy_Lockhart cederam . - Levante se - disse o Ron de uma forma cortante , apontando lhe a varinha . Lockhart pôs se de pé . Em seguida empurrou o Ron , atirando o a o chão . Harry deu um salto , mas ... tarde de mais . Lockhart endireitava se com a varinha de o Ron em as mãos e um sorriso em o rosto . - A aventura acaba aqui , rapazes - disse . - Vou levar um bocado de esta pele de cobra para a escola , contar lhes que foi demasiado tarde para salvar a garota e que vocês os dois perderam tragicamente a memória com a visão de o seu corpinho mutilado . Digam adeus a as vossas recordações . Levantou a o ar a varinha avariada de o Ron e gritou * _ Obliviate ! * A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba . Harry pôs os braços sobre a cabeça e correu , escorregou em os anéis de a pele de cobra , afastando se de os grandes pedaços de tecto de o túnel que caíam em o chão com o ruído de trovões . Pouco depois estava sozinho , olhando para uma sólida parede de rocha partida . - Ron - gritou ele . - Estás bem , Ron ? - Estou aqui - respondeu a voz abafada de o Ron por detrás de a avalancha de rochas . - Eu estou bem mas este sujeito não . A varinha avariou o todo . Ouviu se um ruído surdo e um Oh ! gritado . Parecia que o Ron tinha acabado de dar a o Lockhart um pontapé em as canelas . - E agora ? - disse a voz de o Ron que parecia desesperada . - Não podemos passar , vai demorar séculos . Harry olhou para o tecto de o túnel onde tinham aparecido grandes fendas . Ele nunca tentara partir , através de a magia , nada tão grande como aquelas rochas e agora não lhe parecia ser o melhor momento para fazer experiências . E se o túnel abatesse ? Houve um ruído surdo e outro Oh ! atrás de as rochas . Estavam a perder tempo . A Ginny já estava havia duas horas em a Câmara_dos_Segredos . Harry sabia que só havia uma coisa a fazer . - Espera aqui - gritou a o Ron . - Fica com o Lockhart , eu vou lá . Se não voltar dentro_de uma hora ... Houve um silêncio cheio . - Eu vou ver se desloco um_pouco esta rocha - disse o Ron , tentando manter a voz firme . - Para tu poderes passar . E , Harry ... - Até já - disse o Harry , procurando injectar confiança em a sua voz trémula . E passou sozinho para lá de a imensa pele de serpente . Em_breve , o ruído de o Ron , tentando deslocar a rocha , deixou de se ouvir . O túnel virou uma e outra_vez . Os nervos de o corpo de o Harry tangiam de forma desagradável . Ele só queria que o túnel chegasse a o fim , fosse o que fosse que o aguardasse . E então , finalmente , quando atingiu a última curva , viu em a sua frente uma parede sólida que tinha gravadas duas serpentes enroladas uma em a outra , cujos olhos eram quatro esmeraldas , enormes e brilhantes . Harry aproximou se com a garganta seca . Não foi preciso imaginar que as serpentes eram autênticas . Os seus olhos pareciam estranhamente vivos . Foi fácil descobrir o que tinha de fazer . Pigarreou e os olhos de esmeraldas pareceram mexer se . - Abre te - disse Harry em um sibilar baixo . As serpentes desapareceram enquanto a parede se abria a o meio e , a tremer de os pés a a cabeça , Harry entrou . XVII_Herdeiro_de_Slytherin_Estava de pé em o fundo de uma divisão enorme , fracamente iluminada . Altíssimos pilares de pedra , cheios de serpentes gravadas que os enlaçavam , erguiam se , suportando um tecto que se perdia em a escuridão e que lançava sombras negras imensas através de a estranha luz esverdeada que enchia o local . Com o coração a bater descompassadamente , Harry ficou parado a ouvir aquele silêncio arrepiante . Estaria o Basilisk escondido em um canto cheio de sombras , atrás_de algum pilar ? E onde estaria Ginny ? Pegou em a varinha e avançou a o longo de as colunas serpenteantes . Cada_um de os seus passos provocava um enorme eco em as paredes sombrias . Harry tinha os olhos semicerrados e estava pronto para os fechar a o mais pequeno movimento . As órbitas de olhos fundos de as serpentes de pedra pareciam segui o . Por mais de uma_vez , com o estômago a dar um salto , Harry julgou vê os moverem se . Por fim , chegado a o nível de os dois últimos pilares , avistou uma estátua de a altura de a própria câmara que estava encostada a a parede de o fundo . Harry tinha de esticar o pescoço para olhar para_cima , para a cara de o gigante : era velho e com um ar simiesco , tinha uma barba enorme que lhe caía quase onde acabava a longa túnica de pedra . Os dois pés imensos e cinzentos pousavam em o chão de a câmara . E entre eles , voltada para baixo , estava uma figura pequenina vestida de preto com um cabelo flamejante . - Ginny - murmurou Harry , chegando perto de ela e ajoelhando se . - Ginny , por favor não estejas morta , não estejas morta ! Atirou a varinha para o lado , agarrou Ginny por os ombros e voltou a . O rosto de ela estava branco e frio como o mármore , contudo os olhos encontravam se fechados , portanto não estava petrificada . Mas então devia estar ... - Ginny , acorda por favor - repetiu Harry desesperado , sacudindo a . A cabeça de ela andava de um lado para o outro . - Ela não vai acordar - disse secamente uma voz . Harry deu um salto e girou sobre os joelhos . Um rapaz alto , de cabelo preto , estava encostado a o pilar mais próximo , a observá o . As sombras desfocavam o como_se Harry o visse através_de uma janela embaciada . Mas não havia como confundis o . - Tom , Tom_Riddle ? Riddle acenou , sem tirar os olhos de o rosto de Harry . - O que queres dizer com isso de ela não acordar ? - perguntou Harry desesperado . - Ela não está ... não está ? - Está viva - disse Riddle . - Mas , por um fio . Harry olhou fixamente para ele . Tom_Riddle estivera em Hogwarts há cinquenta anos atrás . Contudo , ali estava com uma luz estranha e desfocada a iluminá o , sem um dia a mais do_que os seus dezasseis anos . - És um fantasma ? - perguntou Harry . - Uma memória - disse Riddle . - Preservada em um diário durante cinquenta anos . Apontou para os pés de a estátua gigantesca . Ali , aberto em o chão , estava o pequeno diário de capa preta que Harry tinha encontrado em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Durante um segundo , Harry perguntou a si próprio como teria ido ali parar , mas havia coisas mais importantes a fazer . Preciso de a tua ajuda , Tom - disse Harry , levantando de_novo a cabeça de a Ginny . - Temos de sair de aqui . Há_um_Basilisk ... não sei onde está mas pode aparecer a qualquer momento . Por favor , ajuda me . Riddle não se mexeu . Harry , a transpirar , conseguiu levantar ligeiramente a Ginny de o solo e inclinou se para pegar em a varinha mas ela tinha desaparecido . - Viste a ... ? Olhou para_cima . Riddle continuava a olhá o , fazendo girar a varinha entre os dedos longos . - Obrigado - disse Harry , esticando o braço para a agarrar . Um sorriso surgiu então em os cantos de a boca de Riddle que continuou a olhar para ele , girando indolentemente a varinha . - Ouve , pá - disse Harry sem querer perder mais tempo , os joelhos a vergarem sob o peso morto de Ginny - temos de ir . Se o Basilisk aparece ... - Ele não vem enquanto não for chamado - disse Riddle com toda_a calma . Harry voltou a pousar Ginny em o chão , incapaz de a segurar por mais tempo . - Que queres dizer com isso ? - perguntou . - Dá me a minha varinha , posso precisar de ela . O sorriso de Riddle ampliou se . - Não vais precisar de ela - disse . Harry olhou o espantado . - O que queres dizer , não vou ? - Esperei muito_tempo por isto , Harry - disse Riddle . - Pela possibilidade de te ver , de falar contigo . - Olha , eu acho que tu não estás a perceber - disse Harry , perdendo a paciência . - Estamos em a Câmara_dos_Segredos , podemos conversar mais tarde . - Vamos conversar agora - disse Riddle , sorrindo de orelha a orelha e guardando a varinha de Harry em o bolso . Harry voltou a olhar para ele . Havia qualquer coisa de muito estranho em tudo aquilo . - Como é_que a Ginny ficou assim ? - perguntou pausadamente . - Bem , essa é uma pergunta interessante - disse Riddle , divertido . - E uma longa história , também . Julgo que o verdadeiro motivo que levou Ginny_Weasley a ficar assim foi o ter aberto o seu coração e revelado todos os seus segredos a um estranho ser invisível . - De quem estás a falar ? - perguntou Harry . - De o diário - disse Riddle . - De o meu diário . A Ginny escreve nele há meses e meses , contando me todas_as suas lamentáveis desgraças e atribulações : como os irmãos a arreliam , que teve de vir para a escola com manto , túnica e livros em segunda mão - os olhos de Riddle brilharam -- , que acha que o maravilhoso , o grande , o famoso Harry_Potter nunca vai gostar de ela ... Enquanto falava , nunca os olhos de Riddle se afastaram de a cara de o Harry . Havia em eles um olhar ávido . - É muito chato ter de ouvir as preocupações idiotas de uma garotinha de onze anos - prosseguiu . - Mas eu fui paciente . Respondi lhe , mostrei me simpático e amável . A Ginny pura e simplesmente adorou me . - * _ Nunca ninguém me compreendeu como tu , Tom ... estou tão feliz por ter este diário a quem me confiar ... é como ter um amigo que pode andar em o meu bolso * ... Riddle riu se . Um riso alto , frio , que não lhe ficava bem . Fez com que os cabelos de o pescoço de Harry se arrepiassem todos . - Verdade se diga que sempre consegui encantar as pessoas necessárias . Portanto a Ginny verteu em mim a sua alma e a alma de ela era precisamente o que eu queria . Fortaleceu me . Alimentei me de os seus medos mais profundos , de os seus mais obscuros segredos . Fui ficando cada_vez_mais forte e poderoso . Muito mais poderoso do_que a pequena Miss_Weasley até que comecei a transmitir lhe alguns de os meus segredos , a passar um_pouco de a minha alma para ela ... - O que queres dizer ? - perguntou Harry cuja boca ficara totalmente seca . - Ainda não descobriste , Harry_Potter ? - disse Riddle muito baixo . - Giony_Weasley abriu a Câmara_dos_Segredos , estrangulou os galos de a escola e escreveu mensagens assustadoras em as paredes . Atiçou a serpente de Slytherin contra quatro sangues de lama e contra o gato de o busca-pé . - Não - murmurou Harry . - Sim - disse calmamente Riddle . - É claro que a princípio não sabia o que estava a fazer . Era muito divertido . Gostava que visses as coisas que escreveu em o diário , começaram a ficar muito mais interessantes . * _ Querido_Tom * - recitou ele , olhando para a expressão horrorizada de o Harry . - * _ Acho que estou a perder a memória . Há penas de galo em todas_as minhas roupas e eu não sei como foram lá parar . Querido_Tom , não me lembro do_que fiz em a noite de o Hallowe'en mas foi atacada uma gata e eu estou cheia de tinta em a cara . Querido_Tom , o Percy não pára de me dizer que ando pálida e não pareço eu . Acho que ele suspeita de mim ... Houve outro ataque hoje e eu não sei onde estava . Tom , que vou eu fazer ? Acho que estou a ficar maluca ... acho que ando a atacar toda_a_gente , Tom ! * Harry tinha os punhos fechados , as unhas cravadas contra a palma de as mãos . - Levou muito_tempo até a pequenina estúpida deixar de confiar em o diário - disse Riddle . - Mas acabou por ficar desconfiada e tentou livrar se de ele . E é aí que tu entras , Harry . Tu encontraste o . E eu não poderia ter ficado mais satisfeito . De todas_as pessoas que poderiam ter ficado com ele , foste tu , aquele que eu ambicionava conhecer ... - E porque querias conhecer me ? - perguntou Harry . Começava a ser tomado por a raiva e fez um esforço para manter o tom de voz controlado . - Bem , a Ginny contou me tudo a teu respeito - disse Riddle . - A tua fascinante história . - Os seus olhos pousaram em a cicatriz em a testa de Harry e a sua expressão ganhou maior avidez . - Sabia que devia descobrir mais a teu respeito , falar te , encontrar me contigo se fosse possível . Por isso , para ganhar a tua confiança , resolvi mostrar te a famosa captura que fiz de aquele demente de o Hagrid . - O Hagrid é meu amigo - disse Harry já com a voz a tremer . - E tu tramaste o , não foi ? Pensei que tinha sido um engano , mas ... Ele riu se . O mesmo riso de antes . - Era a minha palavra contra a palavra de ele . Imagina a cara de o velho Armando_Dippet . De um lado Tom_Riddle , pobre mas brilhante , sem pais mas corajoso , prefeito de a escola , um modelo de aluno . De o outro lado , o Hagrid , grande e disparatado , arranjando problemas semana sim , semana não , tentando criar filhotes de lobisomens debaixo de a cama , escapando se para a floresta proibida para lutar com gigantes . Mas , devo admitir que até eu próprio fiquei admirado com os excelentes resultados de o meu plano . Pensei que alguém perceberia que o Hagrid nunca poderia ser o herdeiro de Slytherin . Demorei cinco anos inteirinhos até descobrir tudo_o_que me foi possível sobre a Câmara_dos_Segredos e a sua entrada secreta ... como_se o Hagrid tivesse cabeça ou poder ! - Só o professor de Transfiguração , Dumbledore , parecia achar que ele estava inocente . Convenceu Dippet a mantê o aqui e a treiná o como guarda de os campos . Sim , é natural que Dumbledore tenha adivinhado , nunca gostou de mim como os outros professores . - Aposto que Dumbledore viu através_de ti - disse Harry , de dentes cerrados . - Pelo_menos passou a vigiar me de perto , a partir de o momento em que o Hagrid foi expulso - disse Riddle descuidadamente . - Eu sabia que não era seguro voltar a abrir a câmara enquanto ainda estava em a escola mas não ia desperdiçar os longos anos que passara a pesquisar . Decidi , por isso , deixar um diário preservando em as suas páginas o meu ego de dezasseis anos para que um dia , com um_pouco de sorte , pudesse levar outro a seguir os meus passos e acabar o nobre trabalho de Salazar_Slytherin . - Bem , não o acabaste - disse Harry triunfante . - Ninguém morreu até agora , nem mesmo a gata . Dentro_de poucas horas a poção de mandrágoras estará pronta e todos os que foram petrificados voltarão de_novo a si . - Não acabei de te dizer que matar sangues de lama já não me interessa ? Há muitos meses que o meu alvo és tu . Harry olhou para ele . - Podes imaginar como fiquei furioso quando em outro dia o diário foi aberto e vi que era a Ginny quem estava a escrever e não tu . Ela viu te com o diário e entrou em pânico . E se tu descobrisses como trabalhar com ele e eu te repetisse todos os seus segredos ? Ainda pior , e se eu te contasse quem tinha andado a estrangular os galos ? Por isso , a grande palerma esperou que o teu dormitório estivesse deserto e foi lá roubá o . Mas eu sabia o que tinha de fazer . Estava muito claro para mim que a tua meta era o herdeiro de Slytherin . Por tudo_o_que a Ginny me contara a teu respeito , sabia que irias até onde fosse preciso para desvendar o mistério , principalmente se um de os teus melhores amigos tivesse sido atacado . E a Ginny disse me que a escola toda bichanava por tu falares * serpentês * ... Por isso , obriguei a Ginny a escrever a sua própria despedida em a parede , a vir até aqui e esperar . Ela debateu se e gritou e ficou muito chatinha . Mas , já não tem muita vida : pôs grande parte de ela em o diário , deu me a . O suficiente para eu abandonar , por fim , as suas páginas . Desde_que aqui cheguei que estou a a tua espera . Sabia que virias . Tenho muitas perguntas a fazer te , Harry_Potter . - Que perguntas ? - disse Harry com os punhos fechados . - Bem - prosseguiu Riddle , sorrindo de satisfação : - Como é_que um bebé sem especiais talentos de magia foi capaz de derrotar o maior feiticeiro de sempre ? Como conseguiste escapar só com uma cicatriz quando os poderes de Lord_Voldemort foram destruídos ? Havia agora em os seus olhos um brilho vermelho e irado . - O que é_que te interessa saber como eu escapei ? - disse Harry lentamente . - Voldemort veio depois de ti . - Voldemort - disse Riddle - é o meu passado , o meu presente e o meu futuro , Harry_Potter ... Tirou a varinha de o Harry de o bolso e começou a escrever em o ar três palavras brilhantes : TOM_MARVOLO_RIDDLE_Em seguida , fez um gesto com a varinha e as letras de o seu nome reagruparam se de outro modo . : __ eu sou lord __ voldemort ( I am Lord_Voldemort ) . - Vês ? - murmurou . - Era um nome que eu já usava em Hogwarts , para os meus amigos mais íntimos apenas , como é óbvio . Achas que ia usar para sempre o nome nojento de o meu pai Muggle ? Eu , em cujas veias , por o lado materno , corre o sangue de Salazar_Slytherin ? Eu , manter o nome de um Muggle tolo que me abandonou ainda antes de eu nascer só porque descobriu que a mulher com quem casara era uma bruxa ? Não , Harry , arranjei um novo nome , um nome que eu sabia que os feiticeiros de todo_o_mundo viriam um dia a ter medo de pronunciar , quando eu me tivesse tornado o maior feiticeiro de o mundo . A cabeça de Harry parecia bloqueada . Olhou como_que paralisado para Riddle , para o rapaz de o orfanato que depois de crescer iria matar os seus pais e tantos outros . Por fim , com algum esforço conseguiu falar . - Não és - disse em uma voz calma e cheia de ódio . - Não sou o quê ? - perguntou Riddle irritado . - Não és o maior feiticeiro de o mundo - disse Harry com a respiração acelerada . - Lamento desiludir te mas o maior feiticeiro de o mundo é Albus_Dumbledore . Toda_a_gente sabe . Mesmo tu , quando tinhas força , não ousavas tentar aproximar te de Hogwarts . Dumbledore viu através_de ti quando andavas em a escola e ainda agora te assusta onde quer que te escondas . O sorriso desaparecera de o rosto de Riddle , fora substituído por um olhar furioso . - Dumbledore foi afastado de este castelo por a minha simples memória - sibilou . - Ele não está tão longe como pensas - retorquiu Harry . Falava por falar , tentando assustar Riddle , desejando mais que assim fosse do_que acreditando em as suas palavras como uma verdade . Riddle abriu a boca mas não chegou a falar . Tinha começado a ouvir se uma música . Riddle deu uma volta , olhando para a câmara vazia . A música estava a ficar mais alta . Era misteriosa , arrepiante , sobrenatural . Fez_Harry ficar com os cabelos em pé e o coração aumentar lhe em o peito . Por fim , quando atingiu um ponto tão alto que Harry a sentiu vibrar dentro de as suas costelas , começaram a sair chamas de o topo de o pilar mais próximo . Uma ave carmesim de o tamanho de um cisne surgiu , assobiando a sua estranha melodia para o tecto em forma de abóbada . Tinha uma cauda dourada tão longa como a de um pavão e garras douradas e brilhantes que seguravam uma trouxa andrajosa . Segundos depois , a ave voava em direcção a Harry . Deixou cair a coisa andrajosa a os seus pés e pousou lhe pesadamente em o ombro . Quando abriu as enormes asas , Harry olhou para_cima e viu que tinha um longo bico afiado e olhos escuros pequenos e brilhantes . A ave parou de cantar . Ficou quieta junto de a cara de Harry , olhando fixamente para Riddle . - É uma fénix , disse Riddle , olhando sagazmente para ela . - Fawkes ? - murmurou Harry e sentiu as garras douradas apertarem lhe devagarinho o ombro . - E aquilo - disse Riddle , olhando para a coisa velha que Fawkes deixara em o chão - é o velho chapéu seleccionador , de a escola . Era , de facto . Amachucado , puído e sujo , o chapéu jazia imóvel a os pés de Harry . Riddle começou a rir . Riu se tanto que a câmara escura se lhe juntou em um eco tal que parecia que dez Riddles se riam ao_mesmo_tempo . - Eis o que Dumbledore envia a o seu defensor . Um pássaro que canta e um chapéu velho . Estás cheio de coragem , Harry_Potter ? Sentes te agora mais seguro ? Harry não respondeu . Podia não estar a ver a vantagem de a Fawkes ou de o chapéu seleccionador mas já não se sentia só , e esperou corajosamente que Riddle parasse de rir . - Vamos a o que importa , Harry - disse ele , ainda com um enorme sorriso . - Encontrámo nos duas vezes em o teu passado , em o meu futuro . E duas vezes falhei a o tentar matar te . Como foi que sobreviveste ? Conta me tudo . Quanto_mais falares , mais tempo tens de vida . Harry pensava rapidamente , medindo as suas possibilidades . Riddle tinha a varinha . Ele , Harry , tinha a Fawkes e o chapéu seleccionador que não lhe serviriam de muito em o combate . As coisas pareciam más , é certo . Mas quanto_mais tempo Riddle ali estivesse , mais vida retirava a a Ginny ... e , entretanto , Harry reparou que a silhueta de Riddle se tornava mais nítida , mais sólida . Se tinha de haver uma luta entre os dois , quanto_mais depressa melhor . - Ninguém sabe porque perdeste os poderes quando me atacaste - disse bruscamente . - Eu próprio não sei . Mas sei porque não conseguiste matar me . A minha mãe morreu para me salvar . A minha mãe , uma vulgar filha de Muggles - acrescentou , a tremer de raiva . - Ela impediu que tu me matasses . E eu vi te como tu és , em o ano passado . És um destroço , quase não existes . Foi onde o teu poder te levou . Estás sob um disfarce , és horrível e és louco . O rosto de Riddle contorceu se . Em seguida , forçou um sorriso pavoroso . - Quer_dizer , então , que a tua mãe morreu para te salvar . Sim , é um antifeitiço poderoso . Compreendo agora , afinal não há em ti nada de especial . Eu tinha curiosidade , sabes , porque há uma estranha semelhança entre nós , Harry_Potter . Até tu deves ter reparado . Somos ambos meio sangue , órfãos , educados com Muggles , provavelmente os dois únicos que falam * serpentês * desde o grande Slytherin , até nos parecemos um_pouco fisicamente ... mas afinal foi apenas uma questão de sorte que te salvou de mim . Era o que eu queria saber . Harry ficou parado , tenso , a a espera que Riddle levantasse a varinha mas o seu sorriso cínico ampliou se de_novo . - Agora , Harry , vou dar te uma pequena lição . Vamos confrontar os poderes de Lord_Voldemort , herdeiro de Salazar_Slytherin e de o famoso Harry_Potter , munido com as melhores armas que Dumbledore lhe deu . Lançou um olhar divertido a a Fawkes e a o chapéu seleccionador e , em seguida , afastou se . Harry com as pernas entorpecidas por o medo viu o parar entre dois pilares altos e olhar para a cara de pedra de Slytherin , lá em cima em a semi-obscuridade . Riddle abriu a boca e sibilou mas Harry compreendeu o que ele dizia . - * _ Responde-me , Slytherin , o maior de os quatro de Hogwarts * . Harry voltou se para olhar melhor para a estátua com Fawkes pousada em o ombro . A gigantesca cara de pedra de Slytherin movia se . Horrorizado , Harry viu a boca abrir se mais e mais até se transformar em um buraco negro . E algo se agitava dentro de a boca de a estátua . Algo se arrastava para fora de as suas entranhas . Harry recuou até a a parede escura de a câmara e enquanto fechava os olhos com força sentiu a asa de a Fawkes roçar lhe o rosto e levantar voo . Harry quis gritar : - Não me abandones ! - mas que possibilidades tinha uma fénix contra o rei de as serpentes ? Uma coisa enorme bateu em o chão de pedra que Harry sentiu estremecer . Sabia o que estava a acontecer , podia sentis o , quase podia ver a serpente gigantesca a sair de a boca de Slytherin . Foi então que ouviu a voz de Riddle sibilar : * _ Mata-o * . O Basilisk avançava em direcção a Harry . Ele ouvia o seu corpo enorme escorregar pesadamente por o chão cheio de pó . Com os olhos sempre fechados , Harry começou a correr para o lado , a as cegas , com as mãos abertas a tactear o caminho . Riddle ria se a as gargalhadas . Harry escorregou e caiu em o chão de pedra e a boca soube lhe a sangue . A serpente estava a poucos centímetros de ele . Podia ouvi a a aproximar se . Ouviu se um crepitar explosivo por cima de ele e alguma coisa pesada bateu lhe com tanta força que ele ficou encostado a a parede . Esperando que os dentes de a serpente lhe perfurassem o corpo , ouviu mais ruídos e qualquer coisa que se agitava com força contra os pilares . Não conseguiu evitar . Abriu bem os olhos para ver o que se passava . A enorme serpente , brilhante , de um verde veneno , espessa como o tronco de um carvalho , erguera se em o ar e a sua imensa cabeça agitava se de um lado para o outro , entre os dois pilares . Quando Harry , a tremer , se preparava para fechar de_novo os olhos , percebeu o que distraíra a cobra . Fawkes esvoaçava em volta de a sua cabeça e o Basilisk , furioso , tentava agarrá a com os dentes longos e afiados como sabres . Fawkes mergulhava . Harry deixou de ver o bico fino e dourado e uma brusca chuva de sangue escuro inundou o chão . A cauda de a serpente agitou se , não batendo em o Harry por_pouco e antes que ele pudesse fechar os olhos voltou se . Harry olhou lhe para a cara e viu que os seus olhos , os dois olhos amarelos e bolbosos tinham sido perfurados por a fénix . O sangue escorria por o chão e a serpente cuspia cheia de dores . - * _ Não * - Harry ouviu o grito de Riddle . - * _ Deixa a ave , deixa a ave , o rapaz está atrás_de ti , ainda podes cheirá o . Mata o ! * A serpente cega oscilou confusa , ainda em fúria . Fawkes andava a a volta de a cabeça de ela soprando a sua misteriosa cantilena , picando lhe aqui_e_ali o nariz cheio de escamas , enquanto o sangue jorrava de os seus olhos destruídos . - Ajudem me . Ajudem me - murmurava Harry aflito . - Alguém , ajude me . A cauda de a serpente chicoteou de_novo o chão . Harry baixou se . Algo macio tocou lhe em o rosto . O Basilisk lançara o chapéu seleccionador para os braços de o Harry que o agarrou . Era tudo_o_que tinha , a sua única esperança . Enfiou o em a cabeça e começou a ficar achatado contra o chão , enquanto a cauda de o Basilisk se lançava de_novo sobre ele . - Ajudem me , ajudem me - pensou Harry , os olhos comprimidos debaixo de o chapéu . - Por favor , ajudem me . Nenhuma voz lhe respondeu . Em vez de isso , o chapéu contraiu se como_se uma mão invisível o tivesse espalmado devagarinho . Alguma coisa muito dura e pesada caíra sobre a cabeça de Harry , conseguindo quase derrubá o . A ver estrelas em frente de os olhos , agarrou o chapéu para o puxar para baixo e sentiu lá dentro uma coisa longa e dura . Uma espada brilhante tinha surgido dentro de o chapéu . Tinha um cabo cravejado de rubis de o tamanho de pequenos ovos . - Mata o rapaz , deixa a ave . O rapaz está atrás_de ti . Cheira o ! Harry estava de pé , preparado . A cabeça de o Basilisk caía , o corpo serpenteava , batendo nos pilares quando se torcia para ficar de frente para ele . Harry podia ver as enormes órbitas ensanguentadas , a boca toda aberta , suficientemente grande para o engolir inteiro , munida de dentes tão longos como a sua espada , finos , brilhantes , venenosos ... Começou a atacar a as cegas . Harry baixou se e a serpente bateu em a parede de a câmara . Atacou de_novo e a sua língua bifurcada lambeu a parede ao_lado_de Harry que levantou a espada com ambas as mãos . O Basilisk investiu mais_uma_vez e agora a pontaria foi certa . Harry pôs todo o seu peso contra a espada e enterrou a até a os copos em o céu de a boca de a serpente . Mas quando o sangue quente lhe encheu os braços , sentiu uma dor aguda mesmo acima de o cotovelo . Um longo dente venenoso penetrava cada_vez_mais fundo em o seu braço , partindo se quando o Basilisk tombou para o lado , perdendo os sentidos . Harry escorregou a o longo de a parede , apertou com força o dente que estava a derramar veneno por todo o seu corpo e arrancou o de o braço . Mas sabia que era demasiado tarde . Uma dor quente emanava lenta e perseverantemente de a ferida . Quando deixou cair o dente e viu o seu próprio sangue manchando lhe as vestes , a vista começou a ficar turva e a câmara a diluir se em uma rotação ardente e colorida . Mas algo escarlate passou por ele e Harry ouviu a o seu lado um suave ruído de garras . - Fawkes - disse com a voz empastada . - Foste sensacional , Fawkes . - Sentiu o pássaro encostar a sua elegante cabeça a o sítio onde o dente de a serpente o tinha ferido . Ouviu passos ecoarem em o vazio e em seguida uma sombra escura moveu se em a sua frente . - Estás morto , Harry_Potter - disse a voz de Riddle , acima de ele . - Morto . Até o pássaro de Dumbledore sabe de isso . Vês o que ele está a fazer ? A chorar . Harry piscou os olhos . A cabeça de Fawkes ora estava focada , ora desfocada . Lágrimas grossas como pérolas escorriam de as suas penas . - Vou sentar me aqui a ver te morrer , Harry_Potter . Leva o teu tempo , eu não tenho pressa . Harry sentiu se sonolento . Tudo parecia girar a a sua volta . - E assim acaba o famoso Harry_Potter - disse a voz distante de Riddle . - Sozinho em a Câmara_dos_Segredos , esquecido por os amigos , finalmente derrotado por o Senhor de o mal que ele tão imprudentemente desafiou . Vais reunir te a a tua querida mãe sangue de lama , Harry ... Ela deu te doze anos de tempo emprestado ... Mas Lord_Voldemort apanhou te em o fim , como sabias que teria de acontecer . Se morrer é isto , pensou Harry , não é assim tão mau . Até a dor estava a desaparecer . Mas , estaria a morrer ? Em_vez_de ficar mais escura a câmara parecia voltar a estar nítida . Harry fez um pequeno gesto com a cabeça e viu a Fawkes ainda repousando a cabeça em o seu ombro . Uma fiada de pérolas brilhava em volta de a ferida , só que já não havia ferida . - Sai de aqui , pássaro - disse subitamente a voz de Riddle . - Afasta te de ele . Já te disse , sai de aqui ! Harry levantou a cabeça . Riddle apontava a sua varinha a Fawkes . Ouviu se um tiro que parecia de carabina e Fawkes levantou novamente voo em um rodopio de ouro e escarlate . - Lágrimas de fénix - disse Riddle em voz baixa , olhando para o braço de o Harry . - É claro ... poderes curativos ... esqueci me ... Olhou para a cara de Harry . - Mas não faz mal . Pensando bem , eu até prefiro assim . Tu e eu , Harry_Potter ... Tu e eu ... Levantou a varinha . Então , em um golpe de asa , Fawkes voou sobre as cabeças de ambos , deixando cair uma coisa em o colo de Harry : o diário . Durante uma fracção de segundo , tanto Harry como Riddle , ainda com a varinha levantada , ficaram a olhar para aquilo . Em seguida , sem pensar , sem ponderar , como_se pensasse fazê o desde o princípio , Harry agarrou o dente de o Basilisk que estava em o chão , junto de ele , e espetou o em o coração de o caderno . Ouviu se um grito longo e terrível . A tinta esguichou em torrentes de dentro de o diário , derramando se sobre as mãos de o Harry e inundando o chão . Riddle torcia se e contorcia se , agitando se a os gritos . E , por fim . Desapareceu . A varinha de Harry caiu a o chão com um ruído e fez se silêncio . Um silêncio apenas cortado por o ping ping de a tinta que ainda escorria de o diário . Com um leve crepitar , o veneno de o Basilisk abrira um buraco mesmo em o meio de o caderno . A tremer de os pés a a cabeça , Harry pôs se de pé . Sentia tudo a andar a a roda como_se tivesse viajado quilómetros e quilómetros com o pó de * _ Floo * . Lentamente apanhou a varinha e o chapéu seleccionador e com um grande estrondo retirou a espada de o céu de a boca de a serpente . Ouviu se então um gemido fraco a o fundo de a câmara . Ginny estava a mexer se . Quando Harry chegou junto de ela , sentou se . Os seus olhos abismados saltaram de o Basilisk morto para Harry em a sua roupa cheia de sangue e , em seguida , para o diário que ele tinha em as mãos . Soltou um enorme soluço e os seus olhos encheram se de lágrimas . - Harry , oh ! Harry , eu tentei dizer te a o pequeno-almoço mas não fui capaz em frente de o Percy . Era eu , Harry , mas eu ... eu ... juro que não queria ... o Riddle obrigou me , levou me e ... como é_que mataste esse bicho ? Onde está o Riddle ? A última coisa de que me lembro foi de o ver a sair de o diário ... - Está tudo bem - disse Harry , mostrando lhe o diário com o buraco de o dente . - O Riddle acabou , olha . Ele e o Basilisk . Anda , Ginny , vamos embora de aqui . - Vou com certeza ser expulsa - disse Ginny a chorar enquanto Harry a ajudava a pôr se de pé . - Desde_que o Bill veio para Hogwarts que eu sonhava vir também para cá e agora vou ter de me ir embora e ... O que vão a minha mãe e o meu pai dizer ? Fawkes esperava por eles , suspensa em o ar , a a entrada de a câmara . Harry fez a Ginny avançar , passaram sobre os anéis parados de o Basilisk , por a escuridão cheia de ecos e voltaram a o túnel . Harry ouviu as portas de pedra fecharem se atrás de eles com um leve sibilar . Depois de alguns minutos a caminhar por o túnel escuro , chegou a os ouvidos de Harry o som distante de o deslocar de uma rocha . - Ron - gritou ele , apressando se . - A Ginny está bem . Está aqui comigo ! Ouviu o Ron gritar de alegria e , voltando em a curva logo_a_seguir , viram a sua cara ansiosa a espreitar por a fresta que conseguira abrir durante a avalancha . - Ginny ! - Ron estendeu o braço por a fresta para a puxar primeiro . - Estás viva . Não posso acreditar . O que aconteceu ? Tentou abraçá a mas a Ginny afastou o , soluçando . - Mas estás bem , Ginny - disse o Ron , sorrindo para ela . - Já passou tudo ... De onde veio esse pássaro ? Fawkes passara por a abertura , atrás_de Ginny . - É de o Dumbledore - explicou Harry , espremendo se para caber também . - E como arranjaste uma espada ? - perguntou o Ron , olhando para a arma brilhante que Harry tinha em a mão . - Eu explico te tudo quando sairmos de aqui - disse Harry , lançando um olhar de esguelha a a Ginny . - Mas ... - Mais tarde - disse Harry rapidamente . Não lhe parecia uma boa ideia contar a o Ron quem tinha aberto a câmara , ali , em frente de a Ginny . - Onde está o Lockhart ? - Ali atrás - disse o Ron , a rir e a abanar a cabeça em direcção a o cano . - Está em muito mau estado . Anda ver . Conduzidos_pela_Fawkes , cujas grandes asas escarlates emitiam um suave dourado que brilhava em a escuridão , voltaram a o lugar onde o cano começava . Gilderoy_Lockhart estava sentado a falar sozinho . - Perdeu a memória - disse o Ron . - O feitiço de a memória fez ricochete . Não sabe quem é nem onde está , nem_sequer sabe quem nós somos . Eu disse lhe que viesse para aqui e esperasse . É um perigo para ele próprio . Lockhart olhou os bem-disposto . - Olá - disse . - Que lugar estranho , este . É aqui que vocês moram ? -- Não - respondeu o Ron , levantando as sobrancelhas para o Harry . Harry baixou se e observou o túnel escuro e longo . - Já pensaste como é_que vamos sair de aqui ? - perguntou a o Ron . O amigo abanou a cabeça mas Fawkes , a fénix , tinha passado por o Harry e estava agora em o ar , em frente de ele , os olhos como pérolas a brilharem em o escuro . Abanava as longas penas douradas de a cauda . Harry olhou para ela , inseguro . - Ela parece querer que a agarres - disse o Ron , perplexo . - Mas tu és muito pesado para um pássaro . - A Fawkes - disse Harry - não é um pássaro qualquer . Voltou se rapidamente para os companheiros . - Temos de nos agarrar uns a os outros . Ginny , agarra a mão de o Ron . O professor Lockhart ... - Ele está a falar consigo - disse o Ron secamente . - Agarre a outra mão de a Ginny . Harry guardou a espada e o chapéu seleccionador em o cinto . Ron deitou a mão a a roupa de Harry e Harry agarrou as penas de a cauda , estranhamente quentes , de a Fawkes . Sentiu uma extraordinária leveza apoderar se de todo o seu corpo e em seguida estavam todos a voar por o cano acima . Harry conseguia ouvir Lockhart , lá atrás , comentando : - Espantoso , isto parece mágico ! Ar frio batia em os cabelos de Harry e antes que ele deixasse de gostar de a viagem já ela acabara . Os quatro tinham chegado a o chão molhado de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa e , enquanto Lockhart endireitava o chapéu , o lavatório voltara a o seu lugar , tapando o cano . A Murta arregalou os olhos . - Vocês estão vivos - disse inexpressivamente a o Harry . - Não é preciso mostrares te tão desiludida - respondeu ele , muito sério , limpando as nódoas de sangue e lodo de os óculos . - Bem ... é_que eu pensei que se vocês morressem seriam bem-vindos a a minha casa_de_banho - disse a Murta com um rubor prateado . - Urgh ! - fez o Ron , quando saíram de ali para o corredor deserto . - Harry , acho que a Murta está a gostar de ti . Tens concorrência , Ginny ! A Ginny continuava a chorar silenciosamente . - Onde vamos agora ? - perguntou o Ron , olhando ansiosamente para ela . Harry apontou . Fawkes indicava o caminho , com o seu tom dourado que brilhava em o corredor . Seguiram a e pouco depois estavam em o escritório de a professora Mc_Gonagall . Harry bateu e empurrou a porta que estava encostada . XVIII_A recompensa de Dobby_Durante alguns momentos reinou o silêncio enquanto Harry , Ron , Ginny e Lockhart estavam em a entrada de a porta . Cobertos de pó e de lama e ( em o caso de o Harry ) sangue . Em seguida , ouviu se um grito . - Ginny ! Era_Mrs._Weasley que tinha estado a chorar , sentada em frente de o lume . Pôs se de pé em um salto , seguida de Mr._Weasley e precipitaram se ambos para a filha . Harry olhava para trás de eles . Dumbledore rejubilava junto de a lareira , a o lado de a professora Mc_Gonagall que , agarrada a o queixo , respirava com dificuldade . Fawkes rasou as orelhas de o Harry e foi instalar se em o ombro de Dumbledore , ao_mesmo_tempo que Harry dava por si em os braços de Mrs._Weasley . - Tu salvaste a ! Salvaste a ! : __ como foi que __ conseguiste ? - Acho que todos nós gostaríamos de saber - disse , sem energia , a professora Mc_Gonagall . Mrs._Weasley soltou o Harry , que hesitou um momento . Depois , foi até a a secretária e colocou sobre o tampo o chapéu seleccionador , a espada cravejada de rubis e o que restava de o diário de Riddle . Em seguida , contou lhes tudo . Falou durante quase um quarto de hora em o silêncio extasiado : contou lhes de a voz sem corpo que ouvia , como a Hermione acabara por descobrir que se tratava de um Basilisk que circulava em os canos , como ele e o Ron tinham seguido as aranhas até a a floresta , que Aragog lhes dissera que a última vítima de o Basilisk morrera , como tinham chegado a a conclusão que se tratava de a Murta_Queixosa e que a entrada para a Câmara_dos_Segredos devia ser em aquela casa_de_banho ... - Muito bem - elogiou a professora Mc_Gonagall quando ele se calou . - Então tu descobriste onde era a entrada , infringindo uma centena de regras de a escola por o caminho , devo dizer , mas como diabo saíram vocês vivos de lá de dentro ? Harry , com a voz já um_pouco rouca de falar tanto , contou lhes de a chegada de a Fawkes e de o chapéu seleccionador que lhe tinha dado a espada . Mas , chegando aí , hesitou . Até a o momento evitara referir se a o diário de Riddle ou a a Ginny . Ela tinha a cabeça encostada a o ombro de Mrs._Weasley e as lágrimas corriam lhe ainda por o rosto . E se a expulsassem ? - pensou Harry , tomado de pânico . O diário de Riddle já não funcionava ... quem poderia provar que fora ele que a obrigara a fazer tudo aquilo ? Olhou instintivamente para Dumbledore que sorria , o fogo iluminando lhe os óculos de meia-lua . - O que mais me interessa saber - disse Dumbledore amavelmente - é como conseguiu Lord_Voldemort enfeitiçar a Ginny quando as minhas fontes me dizem que ele se esconde habitualmente em as florestas de a Albânia . Um alívio , quente e glorioso percorreu Harry de a cabeça a os pés . - O quê ? - disse Mr._Weasley , em uma voz estupefacta . - O Quem nós sabemos enfeitiçou a Ginny ? Mas a Ginny não ... a Ginny não morr ... ? - Foi este diário - esclareceu Harry rapidamente . E mostrando o a Dumbledore . - O Riddle escreveu o quando tinha dezasseis anos . Dumbledore pegou em o diário e olhou atentamente por cima de o seu nariz longo e adunco para as páginas queimadas e húmidas . - Fantástico - disse em voz baixa . - É claro que ele deve ter sido o aluno mais brilhante que alguma vez passou por Hogwarts . - Olhou em volta para os Weasley que o observavam com um ar totalmente confuso . - Muito poucas pessoas sabem que Lord_Voldemort se chamou em tempos Tom_Riddle . Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos , em Hogwarts . Ele desapareceu depois de deixar a escola , viajou muito , mergulhou tão fundo em as artes de a magia negra , associado a os piores feiticeiros , realizou transformações mágicas tão perigosas que quando reapareceu como Lord_Voldemort estava totalmente irreconhecível . Ninguém o relacionou com o rapazinho inteligente e bonito que aqui foi , em tempos , chefe de turma . - Mas a Ginny - insistiu Mrs._Weasley . - O que tem a nossa Ginny que ver com ele ? - O diário - soluçou Ginny . - Eu andei todo o ano a escrever em o diário e ele respondia me ... - Ginny ! - repreendeu Mr._Weasley . - Não aprendeste nada do_que te ensinei ? Não me cansei de dizer te que nunca confiasses em nada que não pensasse por si próprio * se não conseguisses ver onde tinha o cérebro ? * Porque não me mostraste o diário , a mim ou a a tua mãe ? Um objecto suspeito como esse tinha de estar cheio de magia negra ! - Eu não sabia - soluçou Ginny . - Estava junto de os livros que a mãe me comprou . Pensei que alguém se tinha esquecido de ele ali . - É melhor Miss_Weasley ir imediatamente para a ala hospitalar - interrompeu Dumbledore com voz firme . - Foi sujeita a uma prova terrível . Não será castigada . Outros feiticeiros mais velhos do_que ela têm sido ludibriados por Lord_Voldemort . - Dirigiu se a a porta e abriu a . - Repouso , cama e talvez uma caneca de chocolate quente . A mim , anima me sempre - acrescentou , piscando lhe simpaticamente o olho . - Vais ver que Madam_Pomfrey ainda está acordada . Ela tem estado a dar o sumo de Mandrágora , julgo que as vítimas de o Basilisk estarão a acordar dentro_de momentos . de alegria . - Então a Hermione está bem ! - disse o Ron , cheio de alegria . - Não houve danos irreversíveis - disse Dumbledore . Mrs._Weasley saiu com a Ginny e Mr._Weasley seguiu as ainda bastante abalado . - Sabes , Minerva - disse pensativo o professor Dumbledore - acho que tudo_isto merece um banquete . Posso pedir te que previnas os cozinheiros ? - Certamente - disse animada a professora Mc_Gonagall , dirigindo se também a a porta . - Deixo te a tratar de as coisas com o Potter e o Weasley , está bem ? - Claro - disse Dumbledore . Saiu e os dois olharam inseguros para Dumbledore . Que quereria ela dizer com tratar de as coisas ? Certamente não iriam ser castigados ? - Lembro me de vos ter dito a ambos que teria de vos expulsar se voltassem a quebrar as regras de a escola - disse Dumbledore . Ron abriu a boca horrorizado . - O que vem mostrar nos que as melhores pessoas , às_vezes , têm de engolir as suas próprias palavras . - Dumbledore sorriu e continuou : - Vocês vão receber ambos uma recompensa especial por serviços prestados a a escola e ... deixem me ver , sim , acho que duzentos pontos cada_um para os Gryffindor . Ron ficou tão corado que parecia as flores de S._Valentim_do_Lockhart e voltou a fechar a boca . - Mas um de vós parece demasiado calado sobre a sua participação em esta perigosa aventura - acrescentou Dumbledore . - Porquê tanta modéstia , Gilderoy ? Harry estremeceu . Esquecera se por completo de Lockhart . Voltou se e viu o a um canto de a sala ainda com o mesmo sorriso vago . Quando Dumbledore se lhe dirigiu , olhou por cima de o ombro para ver com quem ele estava a falar . - Professor_Dumbledore - disse o Ron rapidamente - Houve um acidente lá em baixo , em a Câmara_dos_Segredos . O professor Lockhart - Eu sou um professor ? - perguntou Lockhart surpreendido . - E eu que pensei que era um inútil ! - Tentou fazer um feitiço antimemória e a varinha fez ricochete - explicou Ron_a_Dumbledore . - Incrível - disse Dumbledore , abanando a cabeça , o bigode prateado a tremer . - Trespassado por a tua própria espada , Gilderoy ! - Espada ? - disse Lockhart de forma imprecisa . - Eu não tenho espada . Esse rapaz é_que tem - apontou para Harry . - Ele empresta lhe uma . - Importas te de levar também o professor Lockhart até a a ala hospitalar , Ron ? - disse Dumbledore . - Eu gostava de falar um_pouco mais com o Harry . Lockhart saiu sem pressa . Antes de fechar a porta , Ron lançou um olhar curioso a Dumbledore e Harry . Dumbledore passou para uma de as cadeiras junto de o lume . - Senta te , Harry - disse . E Harry sentou se , sentindo se indescritivelmente nervoso . - Antes de mais , Harry , quero agradecer te - disse Dumbledore com os olhos a brilharem de_novo . - Deves ter demonstrado uma grande lealdade para comigo . Só isso poderia atrair a Fawkes para ir ajudar te . Deu uma palmadinha a a fénix que voara , entretanto , para_cima de os seus joelhos . Harry sorria acanhadamente sob o olhar observador de Dumbledore . - Encontraste , portanto , Tom_Riddle - disse o director amavelmente . - Calculo que ele estaria particularmente interessado em ti ... De repente , algo que Harry tinha engasgado saiu lhe descontroladamente de a boca para fora . - Professor_Dumbledore ... o Riddle disse que eu sou como ele , que há entre nós estranhas semelhanças ... - Ah ! sim ? - Dumbledore olhou pensativamente para ele , por debaixo de as espessas sobrancelhas prateadas . - E o que achas tu de isso ? - Eu não me considero parecido com ele - disse Harry mais alto do_que desejaria . - Isto_é , eu sou um Gryffindor , eu sou ... Mas calou se com uma dúvida a rondar lhe o espírito . - Professor - arriscou passado alguns momentos . - O chapéu seleccionador disse que eu ... teria ficado bem em os Slytherin ; durante algum tempo toda_a_gente pensou que eu era o herdeiro de Slytherin por falar * serpentês * ... - Tu falas * serpentês * , Harry - disse Dumbledore calmamente - porque Lord_Voldemort que é o mais recente antepassado de Salazar_Slytherin , fala * serpentês * . Ou eu me engano muito , ou ele transferiu para ti alguns de os seus poderes em a noite em que te fez essa cicatriz . Não que quisesse fazê o , claro , mas aconteceu . - Voldemort pôs um_pouco de si próprio em mim ? - disse Harry assombrado . - É o que parece ter acontecido . - Então eu deveria estar em os Slytherin - disse Harry , olhando desesperado para o rosto de Dumbledore . - O chapéu seleccionador viu em mim os poderes de Slytherin e ... -- Pôs te em os Gryffindor - concluiu tranquilamente Dumbledore . - Ouve , Harry , tu tens por acaso muitas de as capacidades que Salazar_Slytherin apreciava em os seus estudantes cuidadosamente seleccionados . O seu raro dom de falar * serpentês * , desenvoltura , determinação , um certo desprezo por as regras estabelecidas - acrescentou com o bigode a tremer de_novo . - Mas ainda_assim , o chapéu seleccionador pôs te em os Gryffindor . E sabes porquê ? Pensa um_pouco . - Só me pôs em os Gryffindor - disse Harry em uma voz débil - porque eu pedi para não ir para os Slytherin . - Exacto - disse Dumbledore a sorrir . - E isso torna te muito diferente de o Tom_Riddle . São as tuas escolhas , Harry , que mostram quem de facto tu és , mais do_que as tuas capacidades . Harry sentou se , imóvel e espantado , em a cadeira . - Se queres provas de que o teu lugar é em os Gryffindor , sugiro que vejas isto com mais atenção . Dumbledore aproximou se de a secretária de a professora Mc_Gonagall , pegou em a espada de prata ensanguentada e mostrou lhe a . Sem perceber , Harry voltou a ao_contrário . Os rubis brilharam a a luz de a lareira e foi então que ele reparou em o nome gravado mesmo por baixo de o copo de a espada . GODRIC_GRYFFINDOR . - Só um verdadeiro Gryffindor poderia ter tirado a espada de dentro de o chapéu , Harry - disse , com simplicidade , Dumbledore . Durante um minuto , nenhum de os dois falou . Depois , Dumbledore abriu uma de as gavetas de a secretária de a professora Mc_Gonagall e retirou de lá uma pena e um tinteiro . - Tu precisas de comer e ir dormir . Sugiro que desças para o banquete enquanto eu escrevo para Azkaban . Precisamos de recuperar o nosso guarda de os campos . E tenho de esboçar um anúncio para o * _ Profeta_Diário * - acrescentou pensativo . - Vamos precisar de um novo professor de Defesa contra as artes negras . É um problema , estamos sempre a perdê os . Harry levantou se e dirigiu se a a porta . Tinha acabado de estender a mão para o puxador quando ela se abriu tão violentamente que saltou de as dobradiças . Lucius_Malfoy estava de pé , furioso . E , debaixo de o braço , embrulhado em diversas ligaduras , estava Dobby . - Boa tarde , Lucius - disse Dumbledore , de forma amena . Mr._Malfoy quase derrubou Harry enquanto entrava em a sala . Dobby dava passos miudinhos atrás de ele , inclinado até a a bainha de o seu manto com um olhar apavorado em o rosto . - Então - disse Lucius_Malfoy com os olhos fixos em Dumbledore - voltaste . Os membros de o Conselho_Directivo suspenderam te , mas tu mesmo_assim sentiste te capaz de voltar a Hogwarts . - Bem vês , Lucius - disse Dumbledore , sorrindo serenamente . - Os outros membros de o Conselho contactaram me hoje . Fui envolvido em um redemoinho de corujas , todos queriam contar me a verdade . Ouviram dizer que a filha de Arthur_Weasley tinha sido morta e queriam me novamente aqui . Parece que me consideravam o melhor homem para o lugar . Contaram me algumas histórias muito estranhas . Alguns de eles tinham a impressão que tu tinhas ameaçado amaldiçoar lhes as famílias se não concordassem com a minha suspensão . Mr._Malfoy ficou ainda mais pálido do_que de costume , mas os olhos continuavam cheios de fúria . - Então já acabaste com os ataques ? - rosnou . - Apanhaste o culpado ? - Já , sim - disse Dumbledore com um sorriso . - E quem é ? - perguntou Malfoy secamente . - A mesma pessoa de a última vez , Lucius - disse Dumbledore . Mas desta_vez , Lord_Voldemort agiu através_de outra pessoa , por_meio_de um diário . Pegou em o pequeno caderno com o buraco em o meio , observando Mr._Malfoy de perto . Mas Harry olhava para Dobby . O elfo fazia um sinal muito estranho . Com os seus grandes olhos fixos em Harry , não parava de apontar para ó diário e , em seguida , para Mr._Malfoy , batendo logo_a_seguir com o punho em a cabeça . - Estou a ver ... - disse Mr._Malfoy lentamente a Dumbledore . - Um plano inteligente - afirmou o director em um tom de voz suave , continuando a olhar Mr._Malfoy directamente em os olhos . - Porque se não fosse aqui o Harry e o seu amigo Ron a descobrirem o diário , sem dúvida Ginny_Weasley teria ficado com todas_as culpas . Ninguém teria conseguido provar que ela agira contra a sua própria vontade . Mr._Malfoy não se pronunciou . O seu rosto parecia agora uma máscara . - E vê bem - continuou Dumbledore - o que poderia ter acontecido ... os Weasley são uma de as mais proeminentes famílias de feiticeiros de sangue puro , imagina o efeito em a imagem de Arthur_Weasley e em a sua acção de protecção a os Muggles , se a sua própria filha fosse acusada de atacar e matar filhos de Muggles . Foi uma sorte o diário ter sido descoberto e as memórias de Riddle apagadas . Quem sabe que consequências poderia ter tido ? Mr._Malfoy falou contra vontade . - Sim , foi uma sorte - disse secamente . E , em as suas costas , Dobby continuava a apontar para o diário e para Lucius_Malfoy , batendo depois com o punho em a cabeça . E Harry finalmente percebeu . Fez um sinal a Dobby que correu a esconder se em um canto , torcendo desta_vez as orelhas para se castigar . - Não quer saber como a Ginny obteve esse diário , Mr._Malfoy ? - perguntou Harry . Lucius_Malfoy voltou se para ele . - Como queres que eu saiba onde é_que a estúpida de a garota o arranjou ? - Porque foi o senhor quem lhe o deu - disse Harry . - Em a Flourish and Blotts . O senhor pegou em o livro velho de ela de Transfiguração e meteu o diário lá dentro , não foi ? Viu as mãos brancas de Mr._Malfoy abrirem se e fecharem se . - Prova isso - sibilou . - Oh ! ninguém vai poder prová o - disse Dumbledore sorrindo a o Harry . - Não agora_que o Riddle desapareceu de o caderno . Por outro lado , aconselharia te , Lucius , a não dares mais nenhuma de as coisas velhas de Lord_Voldemort . Se mais alguma for parar a as mãos de crianças inocentes , acho que o Arthur_Weasley fará com que se voltem com toda_a sua carga negativa contra ti . Lucius_Malfoy ficou calado um momento e Harry viu claramente a sua mão direita torcer se como_se desejasse chegar a a varinha . Em vez de isso , voltou se para o seu elfo doméstico . - Vamos , Dobby . Abriu a porta e quando o elfo se aproximou deu lhe um pontapé que o projectou para longe . Ouviram se em o escritório os gritos de dor de Dobby em o corredor . Harry pensou durante um momento e depois decidiu se . - Professor_Dumbledore - disse apressadamente . - Posso dar o diário outra_vez a Mr._Malfoy ? - Certamente , Harry - disse Dumbledore com toda_a calma . - Mas não demores , olha o banquete . Harry agarrou em o diário e saiu de o escritório . Os gritos de dor de Dobby afastavam se ao_longe . Sem perder tempo , perguntando a si próprio se o plano poderia resultar , Harry tirou um de os sapatos , puxou uma de as peúgas enlameadas e viscosas e meteu o diário lá dentro . Em seguida correu até a o fundo de o corredor escuro . Apanhou os em o topo de as escadas . - Mr._Malfoy - disse ofegante , parando . - Tenho uma coisa para si . E meteu a peúga mal cheirosa em a mão de Lucius_Malfoy . - O que é ... ? Mr._Malfoy tirou o diário de dentro de a peúga , deitou a fora e olhou furioso para o caderno estragado e para Harry - Ainda vais acabar por ter um fim igual a o de os teus pais um dia de estes , Harry_Potter - disse em voz baixa . - Eles também eram uns idiotas metediços . Voltou se para se ir embora . - Anda , Dobby , vem ! Mas Dobby não se mexeu . Tinha em as mãos a peúga nojenta de o Harry e olhava para ela como_se fosse um tesouro de valor incalculável . - O senhor deu uma peúga a o Dobby - disse o elfo maravilhado . - Deu a a o Dobby . - O que é isso ? - cuspiu Mr._Malfoy . - Que estás para aí a dizer ? - Dobby tem uma peúga - repetiu incrédulo . - O senhor deitou a fora e Dobby apanhou a e Dobby agora é livre ... Lucius_Malfoy ficou paralisado a olhar para o elfo . Em seguida precipitou se para Harry . - Fizeste me perder o meu servo , rapaz . Mas Dobby gritou : - Não pense que vai fazer mal a o Harry_Potter ! Ouviu se um enorme estrondo e Mr._Malfoy foi empurrado de costas , galgando os degraus de as escadas a três_e_três e indo aterrar lá em baixo todo embrulhado e amarrotado . Levantou se , o rosto lívido e pegou em a varinha , mas Dobby estendeu lhe um dedo ameaçador . - Vá se embora já - disse furioso , apontando para Mr._Malfoy . - Não tocará em o Harry_Potter . Vá se embora , já . Lucius_Malfoy não teve escolha . Lançando a os dois um último olhar de cólera , embrulhou se em o manto e desapareceu . - Harry_Potter libertou Dobby ! - disse o elfo com voz esganiçada , olhando para Harry , a luz de o luar reflectida em os seus grandes olhos em forma de globos . - Harry_Potter libertou Dobby . - Era o mínimo que eu podia fazer , Dobby - disse Harry a sorrir -- , mas promete me que não vais voltar a tentar salvar me a vida . A cara feia e escura de o elfo abriu se , mostrando os dentes , em um enorme sorriso . - Tenho uma pergunta a fazer te , Dobby - disse Harry enquanto o elfo pegava em a peúga de ele com as mãos a tremer . - Disseste me que tudo_isto não tinha nada que ver com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Lembras te ? - Era uma pista , senhor - disse Dobby com os olhos muito abertos como_se fosse absolutamente óbvio . - Dobby estava a dar lhe uma pista . Antes de o senhor de o mal mudar de nome , o seu nome podia ser pronunciado , está a ver ? - Certo - disse Harry sem grande convicção . - Bem , é melhor eu ir indo embora . Há um banquete e a minha amiga Hermione já deve ter acordado ... Dobby lançou os braços a a cintura de Harry e abraçou o . - Harry_Potter é muito maior do_que Dobby imaginava ! - soluçou . - Adeus , Harry_Potter . E com um estalido final , Dobby desapareceu . Harry assistira a diversos banquetes , mas nenhum que se parecesse com aquele . Estavam todos de pijama e a festa durou a noite inteira . Harry não sabia se o melhor tinha sido a Hermione a correr para ele e a gritar : - Tu conseguiste . Tu conseguiste ! , ou o Justin saindo disparado de a mesa de os Hufflepuff para lhe estender a mão , desfazendo se em desculpas por ter suspeitado de ele , ou o Hagrid que apareceu a as três_e_meia e que lhes deu palmadas com tanta força em os ombros que eles foram parar dentro de os pratos de bolo de creme , ou os quatrocentos pontos que ele e o Ron obtiveram para os Gryffindor , ganhando a taça de a equipa por a segunda vez consecutiva , ou a professora Mc_Gonagall de pé , a comunicar lhes que os exames tinham sido cancelados como medida de a escola ( Oh ! não ! exclamou Hermione ) , ou Dumbledore a anunciar que , infelizmente , o professor Lockhart não poderia voltar em o ano seguinte por ter de se ausentar a_fim_de recuperar a memória . Alguns de os professores juntaram se a os alunos que aplaudiram entusiasmados esta notícia . - Que pena - disse Ron , servindo se de um * dounut * de presunto . - E eu que começava a gostar de ele ... O resto de o período de Verão decorreu sob um sol escaldante . Hogwarts voltara a a normalidade , apenas com algumas pequenas diferenças : as aulas de Defesa contra as artes negras foram canceladas ( Mas nós tivemos imensa prática - disse o Ron vendo o descontentamento de Hermione ) e Lucius_Malfoy foi demitido de o Conselho_Directivo . Draco já não passeava por ali como_se fosse o dono de a escola . Pelo_contrário , tinha um ar melindrado e carrancudo . Por outro lado , Ginny_Weasley andava de_novo feliz de a vida . Em_breve chegou o dia de regressarem a casa em o Expresso_de_Hogwarts . Harry , Ron , Hermione , Fred , George e Ginny encheram um compartimento . Tiraram o_máximo partido de aquelas últimas horas em que lhes era permitido usar a magia antes de as férias . Brincaram a as explosões , gastaram o último fogo-de-artíficio Filibuster , de o Fred e de o George e treinaram o mútuo desarmamento através de a magia . Harry começava a ficar muito bom em aquilo . Já estavam perto de a estação de King's_Cross quando Harry se lembrou de uma coisa . - Ginny , o que foi que viste o Percy fazer que ele não queria que nos contasses ? - Ah ! isso - disse a Ginny a rir . - Bem , é_que o Percy tem uma namorada . Fred deixou cair uma pilha de livros em a cabeça de o George . - O quê ? - É aquela prefeita de os Ravenclaw ' Penelope_Clearwater - disse a Ginny . - Foi para ela que ele escreveu durante todo o Verão . Encontravam se em a escola em grande segredo . Eu apanhei os a beijarem se em uma sala de aula vazia e ele ficou tão aflito quando ela foi ... sabes ... atacada . Não vais aborrecê o , pois não ? - perguntou cheia de ansiedade . - Que ideia - respondeu Fred com uma tal satisfação em o rosto que parecia que o seu aniversário chegara mais cedo . - Claro que não - disse o George a rir se a a socapa . O Expresso_de_Hogwarts abrandou e finalmente parou . Harry tirou a pena e um_pouco de pergaminho e voltou se para Ron e Hermione . - Isto_é um número de telefone - disse ele a o Ron , escrevinhando o duas vezes , cortando o pergaminho a o meio e dando lhes os números . - Eu expliquei a o teu pai como usar um telefone em o Verão passado . Ele sabe fazer a chamada . Liga me para_casa de os Dursley , O. _ K. ? Não consigo suportar outros dois meses sem ter mais ninguém com quem falar ... - Mas a tua tia e o teu tio vão ficar orgulhosos de ti , não vão ? - perguntou Hermione quando saíram de o comboio e se misturaram em a multidão que se encontrava junto de a barreira encantada . - Quando souberem o que fizeste este ano . - Orgulhosos ? - disse Harry . - Estás doida ! Podendo eu ter morrido tantas vezes e tendo escapado ? Vão ficar é furiosos ... E juntos avançaram até a a entrada para o mundo de os Muggles . ----------------- J._K._Rowling_Harry_Potter e a Câmara_dos_Segredos_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Chamber of Secrets_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling 1998 Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 2000 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 2.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 Depósito legal : 143.569/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , a a Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Para_Séan_P._F._Harris , condutor imparável e um amigo de os diabos . I_O pior aniversário Não era a primeira vez que uma discussão estoirava a a mesa de o pequeno-almoço , em o número 4 de a Privet_Drive . Mr._Vernon_Dursley fora acordado de manhã cedo por o piar ruidoso que vinha de o quarto de o seu sobrinho Harry . - É a terceira vez esta semana ! - resmungou , a a mesa . - Se não consegues controlar essa coruja , ela não pode ficar aqui . Harry tentou , mais_uma_vez , explicar . - Ela está aborrecida . Estava habituada a voar livremente lá fora . Se eu pudesse , ao_menos , soltá a a a noite ... - Achas me com cara de idiota ? - perguntou rispidamente o tio Vernon , com um fio de ovo preso em o bigode farfalhudo . - Sei muito bem o que aconteceria se essa coruja fosse lá para fora . Trocou um olhar soturno com a mulher , a tia Petúnia . Harry tentou contra-argumentar , mas as suas palavras foram abafadas por um enorme arroto de o filho de os Dursleys , Dudley . - Quero mais bacon . - Há mais em a frigideira , fofinho - disse a tia Petúnia , lançando um olhar vago a o seu filho maciço . - Tens que te alimentar bem enquanto aqui estás , aquela comida de a tua escola não me cheira . - Disparate , Petúnia , eu nunca passei fome enquanto andei em Smeltings - afirmou com sinceridade o tio Vernon . - O Dudley tem que chegue . Não é verdade , filho ? Dudley , que era tão gordo que o rabo saía de os dois lados de a cadeira de a cozinha , sorriu laconicamente e voltou se para Harry . - Passa me a frigideira . -- Esqueceste te de a palavra mágica - disse Harry , irritado . O efeito que esta simples frase teve em o resto de a família foi inacreditável : Dudley começou a arfar e caiu de a cadeira com um estrondo que abalou a cozinha , Mrs._Dursley deu um gritinho e bateu com a mão em a boca , Mr._Dursley pôs se de pé com as veias de as têmporas dilatadas . - Eu queria dizer « por favor » - explicou Harry rapidamente . - Não me referia a ... - : __ o que é_que eu te __ disse - vociferou o tio , espalhando perdigotos sobre a mesa - : __ sobre pronunciar a palavra m . em esta __ casa ? - Mas eu ... - : __ como te atreves a ameaçar o __ dudley ! - rosnou o tio Vernon , batendo com o punho em a mesa . - Eu só ... - : __ estás avisado . não vou admitir referências a tua anormalidade debaixo de o tecto de a minha __ casa ! Harry olhou alternadamente para o rosto congestionado de o tio e para a palidez de a tia que tentava pôr o Dudley de pé . - Está bem - disse Harry . - Está bem ... O tio Vernon voltou a sentar se , respirando como um rinoceronte exausto e observando Harry de perto por o canto de os seus olhos pequeninos e penetrantes . Desde_que Harry regressara para as férias de Verão que o tio Vernon o tratava como_se ele fosse uma bomba , capaz de explodir a qualquer momento , porque Harry não era um rapazinho normal . Em a verdade , ele era o menos normal que é possível imaginar . Harry_Potter era um feiticeiro , um feiticeiro que acabara de concluir o primeiro ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts e a infelicidade que os Dursleys sentiam por ele estar lá em casa não era nada comparada com a de Harry . As saudades de Hogwarts eram tão intensas que se assemelhavam a uma constante dor em o estômago . Sentia a falta de o castelo com as suas passagens secretas e os seus fantasmas , de as aulas ( com excepção talvez de as de Snape , o professor de as poções ) , de o correio a chegar trazido por as corujas , de os banquetes em o salão nobre , de as noites em as camas de dossel em a camarata de a torre , de as visitas a Hagrid , o guarda de os campos em a sua casinha em o bosque , junto de a floresta proibida e , principalmente , sentia a falta de o Quidditch , o desporto mais popular de o mundo de os feiticeiros ( seis postes altos de golo , quatro bolas esvoaçantes e catorze jogadores em_cima_de vassoura ) . Todos os livros de feitiços de Harry , assim_como a varinha , os mantos , o caldeirão e a vassoura topo de gama Nimbus dois_mil tinham sido encerrados por o tio Vernon em a despensa que ficava debaixo de as escadas , em o momento em que Harry regressara a casa . O que é_que lhes interessava se ele perdia ou não o seu lugar em a equipa de Quidditch por não ter praticado durante todo o Verão ? Que importância tinha para eles que o Harry voltasse a a escola sem ter podido fazer os trabalhos de casa ? Os Dursleys eram aquilo que os feiticeiros chamam « Muggles » ( nem uma gota de sangue mágico em as veias ) e , para eles , ter um feiticeiro em a família era motivo de grande vergonha . O tio Vernon tinha , inclusivamente , fechado a cadeado a coruja de Harry , Hedwig , dentro de a gaiola , para evitar que ela transportasse mensagens para a gente de o mundo de a feitiçaria . Harry não se parecia em nada com o resto de a família . O tio Vernon era atarracado e sem pescoço , dotado de um enorme bigode preto ; a tia Petúnia tinha um rosto cavalar e era esquelética ; Dudley era loiro e rosado como um porquinho . Harry , pelo_contrário , era baixo e franzino , com os olhos verdes brilhantes e cabelo negro sempre desalinhado . Usava uns óculos redondos e tinha em a testa uma cicatriz em forma de relâmpago . Era essa cicatriz que o tornava tão invulgar , mesmo para um feiticeiro . Era a única alusão a o seu passado misterioso , a o motivo por o qual , onze anos antes , tinha sido deixado em o degrau de a porta de os Dursleys . Com um ano de idade , Harry sobrevivera a uma maldição de o maior feiticeiro negro de todos os tempos , Lord_Voldemort , cujo nome a maior parte de os feiticeiros e feiticeiras ainda receia pronunciar . Os pais de Harry tinham morrido em um ataque de Voldemort , mas ele escapara com a sua cicatriz em forma de relâmpago e estranhamente , ninguém compreendeu porquê , os poderes de Voldemort tinham sido destruídos em o momento em que não fora capaz de matar o Harry . Por isso , ele foi criado por a irmã de a sua falecida mãe e respectivo marido . Passou dez anos com os Dursleys , sem nunca compreender porque fazia com que acontecessem coisas estranhas , alheias a a sua vontade , acreditando em a história de os Dursleys de que aquela cicatriz fora resultado de um acidente de automóvel em que os pais tinham morrido . E um dia , precisamente um ano antes , Hogwarts escrevera lhe e fora então que tudo começara . Harry fora ocupar o seu lugar em a escola de feitiçaria , onde ele e a sua cicatriz eram famosas ... mas agora o ano escolar chegara a o fim e estava de_novo com os Dursleys . Durante o Verão , voltara a ser tratado como um cão malcheiroso . Os Dursleys nem se tinham lembrado que aquele era o dia de o seu décimo segundo aniversário . É claro que não tivera grandes expectativas : eles nunca lhe tinham dado um presente a sério , muito menos um bolo , mas ignorarem o por completo ... Em esse momento , o tio Vernon pigarreou com um ar importante e disse : - Como todos sabem , hoje é um dia muito importante . Harry olhou para ele , mal conseguindo acreditar . - Pode bem ser que eu faça hoje o maior negócio de toda_a minha vida - afirmou . Harry voltou novamente a atenção para a torrada . É claro , pensou amargamente , o tio Vernon referia se a a estúpida dinner-party . Havia quinze_dias que não falava de outra coisa . Um consultor qualquer cheio de massa e a mulher vinham jantar lá a casa e o tio Vernon tinha esperança de conseguir uma grande encomenda ( a empresa de o tio Vernon fabricava brocas ) . - Acho que devíamos recapitular mais_uma_vez - disse o tio Vernon . - Devemos estar todos a postos a as oito_horas_em_ponto . Petúnia , tu vais estar ... ? - Em o salão - respondeu a tia Petúnia prontamente - a a espera para lhes dar as boas-vindas a nossa casa . - Bom , bom . E o Dudley ? - Eu vou estar a a espera para abrir a porta . - Dudley esboçou um sorriso falso e afectado . - Dão me licença que vos guarde os casacos , Mr. e Mrs._Mason ? - Eles vão adorá o - exclamou arrebatadamente a tia Petúnia . - Excelente , Dudley - disse o tio Vernon . - A seguir voltou se para o Harry . - E tu ? - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - repetiu o Harry , de forma inexpressiva . - Exactamente - confirmou o tio Vernon , de um modo desagradável . - Eu conduzo os até a o salão , apresento te , Petúnia , e sirvo lhes as bebidas . _ a as oito_e_um_quarto . - Eu chamo para a mesa - disse a tia Petúnia . - E tu , Dudley , vais dizer ... - Dá me licença que lhe indique a casa de jantar , Mrs._Mason ? - repetiu o Dudley , oferecendo o seu braço gordo a uma mulher invisível . - O meu pequenino cavalheiro - fungou a tia Petúnia . - E tu ? - perguntou o tio Vernon a o Harry , em o mesmo tom desagradável . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho , fingindo que não estou lá - respondeu Harry aborrecido . - Isso mesmo . Agora , devíamos ter preparadas algumas frases amáveis para o jantar . Petúnia , alguma ideia ? - O Vernon disse me que o senhor é um excelente jogador de golfe , Mr._Mason ... Tem de me dizer onde comprou esse vestido , Mrs._Mason ... - Perfeito . Dudley ? - Que tal : Tivemos de fazer um trabalho para a escola sobre o nosso herói e eu escrevi sobre o senhor ... Foi de mais , tanto para a tia Petúnia como para o Harry . A tia debulhou se em lágrimas e abraçou o filho , enquanto Harry se esgueirava para debaixo de a mesa para ninguém o ver rir . - E tu , rapaz ? Harry fez um esforço para se mostrar inexpressivo quando emergiu . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - disse . - Vais sim senhor - afirmou o tio Vernon energicamente . - Os Mason não sabem nada a teu respeito e é assim que as coisas vão continuar . Quando o jantar terminar , tu trazes Mrs._Mason para o salão , onde vamos tomar café , Petúnia , e eu puxo o assunto de as brocas . Com um_pouco de sorte , tenho o contrato assinado antes de o noticiário de as dez . Amanhã por esta hora , vamos estar a fazer compras para umas férias em Maiorca . Harry não conseguia sentir o menor entusiasmo com aquilo . Não lhe parecia que os Dursleys gostassem mais de ele em Maiorca do_que em Privet_Drive . - Certo , eu vou a a cidade buscar os casacos para mim e para o Dudley . E tu - resmungou , apontando para Harry - não atrapalhes a tua tia enquanto ela estiver a limpar . Harry saiu por a porta de as traseiras . Estava um dia de sol lindo . Atravessou o relvado , deixou se cair em o banco de o jardim e cantarolou baixinho : - Parabéns para mim ... parabéns para mim ... Nem cartas nem presentes e tinha de passar a noite a fingir que não existia . Olhou infeliz para a sebe . Nunca se sentira tão só . Mais do_que tudo em o mundo , mais do_que de Hogwarts , mais até do_que de o jogo de Quidditch , Harry sentia a falta de os amigos Ron_Weasley e Hermione_Granger . Mas eles não pareciam sentir a falta de ele . Nenhum de os dois lhe escrevera durante todo o Verão apesar_de o Ron ter dito que ia convidá o para passar uns dias lá em casa . Inúmeras vezes Harry estivera quase a libertar magicamente Hedwig de a sua gaiola e mandá a levar uma carta a o Ron e a a Hermione mas não valia a pena correr o risco . Os feiticeiros menores de idade não tinham autorização para usar a magia fora de a escola . Harry não contara isto a os Dursleys . Ele sabia que era o medo de que ele os transformasse a todos em baratas que os impedia de o fecharem a a chave em a despensa debaixo de as escadas , juntamente com a varinha e a vassoura . Em as primeiras semanas Harry divertira se a murmurar baixinho palavras sem sentido e a ver o Dudley sair disparado de o quarto , tão rápido quanto as suas pernas gordas lhe permitiam . Mas o silêncio prolongado de Ron e Hermione tinham o feito sentir se tão longe de o mundo de a magia que até divertir se à_custa_de Dudley perdera o interesse . E agora o Ron e a Hermione tinham se esquecido de o seu aniversário . Quanto não daria ele por uma mensagem de Hogwarts ? De qualquer feiticeiro ou feiticeira ? Quase ficaria satisfeito com um sinal de o seu inimigo feroz , Draco_Malfoy , só para ter a certeza de que tudo aquilo não fora apenas um sonho ... Não que tudo durante o ano em Hogwarts tivesse sido divertido . Mesmo em o fim de o último período , Harry confrontara se nem mais nem menos do_que com o próprio Lord_Voldemort . Voldemort podia ter arruinado o seu ego inicial mas continuava a espalhar o terror , ainda astuto , ainda determinado a recuperar o poder . Harry escapara uma segunda vez a as suas garras mas fora por um triz e mesmo agora , algumas semanas decorridas , acordava de noite encharcado em suores frios , perguntando se onde estaria Voldemort , relembrando o seu rosto lívido , os seus olhos completamente loucos ... Harry sentou se subitamente , direito como um fuso , em o banco de o jardim . Tinha estado a olhar distraído para a sebe e a sebe estava a olhar para ele . Dois enormes olhos verdes surgiram por_entre a folhagem . Harry pôs se de pé ao_mesmo_tempo que uma voz sobrevoava a relva . - Eu sei que dia é hoje - cantarolava Dudley , bamboleando se enquanto se aproximava . Os olhos enormes piscaram e desapareceram . - O quê ? - perguntou Harry sem retirar os olhos de o lugar para_onde estava a olhar . - Eu sei que dia é hoje - repetiu , chegando junto de ele . - Ainda_bem - disse Harry . - Aprendeste finalmente os dias de a semana . - Hoje é o dia de os teus anos - troçou o Dudley . - Por_que é_que não recebeste nenhuma carta ? Não tens amigos em esse lugar esquisito ? - É melhor não deixares a tua mãe ouvir te falar de a minha escola - disse Harry calmamente . Dudley puxou para_cima as calças que estavam a escorregar lhe por o rabo gordo abaixo . - Porque estás a olhar para a sebe . ; - perguntou curioso . - Estou a pensar em as palavras que deverei pronunciar para lhe pegar fogo - disse Harry . Dudley recuou de imediato com um olhar de pânico em a cara rechonchuda . - Tu não p-p-odes , o pai disse que não podias fazer magia ou corria contigo aqui de casa e não tens mais nenhum lugar para_onde ir , não tens amigos que te convidem ... - * _ Jiggery pokery * ! - disse Harry com voz firme . - * _ Hocus pocus ... squiggly wiggly * ... - Maaaaaãe - gritou Dudley , tropeçando em os pés , enquanto se precipitava para dentro_de casa . Maaaãe , ele vai fazer aquela coisa ! Harry deu graças a os céus por aquele momento de gozo . Como não aconteceu nada de mal nem a o Dudley nem a a sebe , a tia Petúnia percebeu que ele não fizera magia nenhuma mas , mesmo_assim , Harry teve de se afastar quando ela lhe deu uma forte pancada em a cabeça com a frigideira cheia de detergente . A seguir distribuiu lhe trabalho e o castigo de só voltar a comer quando tivesse acabado tudo . Enquanto Dudley andava a flanar , olhando para o ar e comendo gelados , Harry limpou as janelas , lavou o carro , aparou a relva , adubou os canteiros , podou e regou as rosas e pintou de_novo o banco de o jardim . O sol ardia lá em cima , queimando lhe a parte de trás de o pescoço . Harry sabia que não devia ter provocado Dudley mas ele dissera precisamente aquilo que ele próprio pensava ... talvez não tivesse amigos em Hogwarts . Deviam ver agora o famoso Harry_Potter , pensou amargamente enquanto espalhava adubo em os canteiros , as costas a doerem lhe e o suor a escorrer lhe por o rosto . Eram sete_e_meia_da_tarde quando , por fim , exausto , ouviu a tia Petúnia a chamá o . - Anda para dentro e passa por cima de os jornais . Harry entrou satisfeito em a sombra de a cozinha que rebrilhava . Sobre o frigorífico estava o bolo de a noite : um enorme monte de crome batido coberto de violetas de açúcar . A carne de porco assava em o forno . - Come depressa , os Mason devem estar a chegar ! - exclamou bruscamente a tia Petúnia , apontando para duas fatias de pão e uma de queijo que estavam em cima de a mesa de a cozinha . Ela já tinha posto um vestido de * cocktail * cor de salmão . Harry lavou as mãos e comeu aquele triste jantar . Mal tinha terminado , a tia Petúnia tirou lhe o prato . - Lá para_cima , rápido ! A o passar por a porta de a sala , Harry vislumbrou o tio Vernon e Dudley de casaco e gravata . Tinha acabado de chegar a o cimo de as escadas quando a campainha de a porta tocou e a cara de o tio Vernon apareceu em o patamar . - Lembra te , rapaz , um ruído que seja ... Harry entrou em o quarto em bicos de pés , fechou a porta e preparou se para se meter em a cama . O problema é_que estava lá alguém sentado . II_O aviso de Dobby_Harry conseguiu não gritar , mas foi por_pouco . A pequena criatura que estava em a cama tinha umas orelhas grandes e largas e uns olhos verdes protuberantes de o tamanho de bolas de ténis . Harry percebeu imediatamente que fora para ele que tinha estado a olhar de manhã . Enquanto olhavam um para o outro , Harry ouviu a voz de Dudley em o * hall * . - Posso guardar os vossos casacos , Mr. e Mrs._Mason ? A criatura escorregou por a cama e curvou se tanto que a ponta de o seu enorme nariz tocou em o tapete . Harry reparou que ele tinha vestido uma espécie de fronha de almofada com buracos para os braços e pernas . - Er ... Olá - disse Harry , um_pouco nervoso . - Harry_Potter ! - exclamou a criatura em uma voz tão estridente que Harry calculou que poderia ouvir se lá em baixo . - Há tanto tempo que Dobby queria conhecê o , senhor . É uma enorme honra ... - Ob-obrigado - disse Harry , deslocando se a o longo de a parede e sentando se em a cadeira de a secretária , junto de Hedwig que dormia em a sua grande gaiola . Queria perguntar lhe « O que és tu ? » , mas pensou que seria má educação , por isso perguntou : - Quem és tu ? - Dobby , senhor . Apenas Dobby , o elfo de casa - afirmou a criatura . - Oh ! A sério ? - perguntou Harry . - Não quero ser mal-educado , mas esta não é a melhor altura para ter um elfo em o meu quarto . O riso falso de a tia Petúnia ouvia se em a sala de jantar . O elfo deixou cair a cabeça . - Não que eu não me sinta feliz por te conhecer - disse Harry rapidamente - mas , er ... estás aqui por algum motivo em especial ? - Oh , sim senhor - disse Dobby muito a sério . - Dobby veio dizer lhe que ... é difícil ... Dobby não sabe por_onde começar ... - Senta te - disse Harry educadamente , apontando lhe a cama . Para seu horror , o elfo debulhou se em lágrimas bastante ruidosas . -- S-senta-te ! - repetiu . - Nunca em toda_a minha vida ... Harry pareceu lhe ouvir as vozes lá em baixo vacilarem . - Desculpa - murmurou . - Eu não queria ofender te ... - Ofender Dobby ! - exclamou o elfo em um sufoco . - Nunca nenhum feiticeiro disse a o Dobby que se sentasse como um seu igual , senhor . Harry , tentando dizer lhe « Sch ... » e confortá o ao_mesmo_tempo , conduziu Dobby de_novo até a a cama onde ele se sentou a soluçar , parecendo uma grande boneca muito feia . Por fim , conseguiu controlar se e ficou quieto , com os seus grandes olhos fixos em Harry em uma expressão de absoluta adoração . - Não deves ter conhecido muitos feiticeiros sérios - disse lhe , tentando animá o . Dobby abanou a cabeça . Em seguida , sem qualquer aviso , saltou e começou a bater furiosamente com a cabeça em a janela , gritando : - Dobby é mau ! Dobby é mau ! - Pára , o que é_que estás a fazer ? - perguntou Harry em um murmúrio sibilante , dando um salto e puxando Dobby de_novo para a cama . Hedwig acordara com um pio particularmente agudo e batia agressivamente com as asas contra as grades de a gaiola . - Dobby tinha que se castigar , meu senhor - afirmou o elfo , que ficara ligeiramente estrábico . - Dobby quase falou mal de a família de ele ... - De a tua família ? - De a família de feiticeiros que Dobby serve , meu senhor ... O Dobby é um elfo de casa , obrigado a servir uma casa e uma família para sempre . - Eles sabem que estás aqui ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Dobby estremeceu . - Oh , não senhor , não ... Dobby vai ter que se castigar muito por ter vindo vê o . Dobby vai ter que entalar as orelhas em a porta de o forno por isto . Se eles soubessem , senhor ... - Mas achas que eles não vão reparar se tu entalares as orelhas em a porta de o forno ? - Dobby duvida , senhor . Dobby está sempre a ter de se castigar por qualquer coisa . Eles deixam que o Dobby se castigue . _ às_vezes até sugerem alguns castigos extra . - Mas por_que é_que não te vais embora , não foges ? - Um elfo de casa tem de ser libertado , senhor . E a família nunca libertará Dobby . Dobby servirá a família até morrer . Harry olhou para ele . - E eu que pensava que era infeliz por ter de ficar aqui mais quatro semanas - declarou . - Isto faz os Dursleys parecerem quase humanos . Será que ninguém te pode ajudar ? Poderei eu ? Em o mesmo momento , Harry desejou não ter aberto a boca . Dobby desfez se em ruidosos soluços de gratidão . - Por favor - murmurou Harry , inquieto . - Por favor , está calado . Se os Dursleys ouvem barulho , se eles sabem que estás aqui ... - Harry_Potter pergunta se pode ajudar Dobby . Dobby ouviu falar de a sua grandeza , mas de a sua bondade , Dobby nada sabia . Harry , que se sentia corar , disse : - Seja o que for que tenhas ouvido sobre a minha grandeza , é um disparate . Nem_sequer sou o melhor de o meu ano em Hogwarts . É a Hermione . Ela ... Mas calou se rapidamente porque pensar em Hermione era lhe doloroso . - Harry_Potter é humilde e modesto - disse Dobby reverentemente , com os seus olhos de globo avermelhados . - Harry_Potter não fala de a sua vitória sobre « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . - Voldemort ? - perguntou Harry . Dobby bateu com as mãos em as enormes orelhas e gemeu : - Ai não diga o nome , senhor . Não diga o nome ! - Desculpa - disse Harry muito depressa . - Eu sei que muita gente não gosta . O meu amigo Ron ... Calou se de_novo . Pensar em o Ron era igualmente doloroso . Dobby voltou para Harry os seus dois olhos grandes como candeeiros . - Dobby ouviu dizer - balbuciou com voz rouca - que Harry_Potter encontrou o Senhor_do_Mal uma segunda vez há poucas semanas atrás ... que Harry_Potter lhe escapou de_novo . Harry acenou e os olhos de Dobby encheram se de lágrimas . - Ah , senhor - disse em um sobressalto , limpando o rosto com a ponta de a fronha de almofada que tinha vestida . - Harry_Potter é valente e arrojado . Enfrentou tantos perigos ! Mas Dobby veio protegê o , avisar Harry_Potter , mesmo_que para isso tenha de entalar as orelhas em a porta de o forno , que Harry_Potter não deve voltar para Hogwarts . Houve um silêncio apenas quebrado por o ruído de os garfos e de as facas lá em baixo e por a voz distante de o tio Vernon . - O q-q-uê ? - gaguejou Harry . - Mas eu tenho de voltar , o ano começa em o dia um de Setembro . É a minha razão de viver . Tu não sabes como são as coisas aqui . Eu não pertenço a este lugar , o meu lugar é em Hogwarts . - Não , não , não - guinchou Dobby , sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas andavam de um lado para o outro . - Harry_Potter deve ficar aqui , onde se encontra a salvo . É demasiado grande , demasiado bom para se perder . Se Harry_Potter regressar a Hogwarts correrá perigo de vida . - Porquê ? - inquiriu Harry , surpreendido . - Há uma conspiração , Harry_Potter . Uma conspiração para fazer acontecer coisas terríveis este ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts - murmurou Dobby que começara a tremer de a cabeça a os pés . - Dobby sabe de isto há meses , senhor . Harry_Potter não deve expor se a o perigo . É demasiado importante . - Que coisas terríveis são essas ? - perguntou Harry sem perder tempo . - Quem está por detrás ? Dobby fez um ruído esquisito e começou a bater com a cabeça contra a parede como um louco . - Está bem - gritou Harry , agarrando o braço de o elfo para o fazer parar . - Não podes dizer , eu compreendo . Mas porque vieste avisar me ? - Um pensamento súbito e desagradável surgiu lhe . - Espera aí , isto tem alguma coisa que ver com o Vol , desculpa com o Quem nós sabemos ? Basta que faças sim ou não com a cabeça - acrescentou com vivacidade enquanto a cabeça de Dobby se inclinava de_novo a uma velocidade preocupante para a parede . Lentamente , Dobby abanou a cabeça . - Não , não é « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . Os olhos de Dobby estavam abertos como_se estivesse a tentar dar a Harry uma pista , mas Harry estava completamente a a nora . - Ele não tem nenhum irmão , ou tem ? Dobby abanou a cabeça , os olhos mais abertos do_que nunca . - Bem , em esse caso não estou a ver quem mais poderia ter a possibilidade de fazer acontecer coisas horríveis em Hogwarts - disse Harry . - Quero dizer , para já está lá o Dumbledore . Sabes quem é Dumbledore , não sabes ? Dobby baixou a cabeça . - Albus_Dumbledore é o melhor director que Hogwarts alguma vez teve . Dobby sabe , senhor . Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore rivalizam com os d'aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Mas , senhor - a voz de Dobby desceu a um urgente murmúrio - há poderes que Dumbledore não ... poderes que nenhum feiticeiro sério ... E antes que Harry conseguisse impedi o Dobby saltou de a cama , agarrou o candeeiro de secretária de Harry e começou a bater com a cabeça , dando uivos ensurdecedores . Fez se silêncio lá em baixo . Dois segundos mais tarde , Harry com o coração a bater como um louco , ouviu o tio Vernon chegar a o * hall * e dizer . - O Dudley deve ter deixado outra_vez a televisão ligada , o maroto ! - Depressa , para dentro de o guarda-fatos - gritou Harry , empurrando Dobby bem para o fundo , fechando a porta e metendo se a correr em a cama mesmo a_tempo_de ver a maçaneta de a porta a girar . - Que diabo estás tu a fazer ? - disse o tio Vernon entre dentes , o rosto assustadoramente próximo de o de Harry . - Acabas de estragar o ponto alto de a minha anedota de o golfista japonês . Eu que oiça mais um som e vais desejar nunca ter nascido , rapaz ! Abandonou o quarto com grandes passadas . A tremer , Harry deixou Dobby sair de o guarda-fatos . - Estás a ver como são as coisas por aqui ? - disse . - Vês porque tenho de voltar para Hogwarts ? É o único sítio onde eu tenho ... bem , onde eu acho que tenho amigos . - Amigos que nem_sequer escrevem a Harry_Potter ? - disse Dobby com ar manhoso . - Calculo que devem ter estado ... espera aí - disse Harry , franzindo a testa . - Como é_que tu sabes que os meus amigos não me têm escrito ? Dobby arrastou os pés . - Harry_Potter não deve zangar se com Dobby . Dobby fez o que achou melhor ... - Tu tens estado a interceptar me as cartas ? - Dobby tem as aqui , senhor - disse o elfo . Saltando para longe de o alcance de Harry , retirou de dentro de a fronha que usava um espesso saco cheio de envelopes . Harry reconheceu de imediato a caligrafia certinha de Hermione , a escrita desordenada de Ron e até uns gatafunhos que pareciam ser de o guarda de os campos de Hogwarts , Hagrid . Dobby piscava ansiosamente os olhos . - Harry_Potter não deve ficar zangado ... Dobby esperava que ... se Harry_Potter pensasse que os amigos o tinham esquecido ... Harry_Potter talvez não quisesse voltar a a escola , senhor . Harry não o ouvia . Fez um gesto para agarrar as cartas , mas Dobby deu um salto , afastando se . - Harry_Potter terá as cartas , senhor , se der a Dobby a sua palavra de não voltar a Hogwarts . Ah , senhor , é um risco que não deve correr . Diga que não volta , senhor ! - Não - afirmou Harry zangado . - Dá me as cartas de os meus amigos ! - Em esse caso , Harry_Potter deixa Dobby sem escolha - disse o elfo tristemente . Antes que Harry pudesse fazer um movimento , Dobby tinha aberto a porta de o quarto e descido a correr por as escadas abaixo . Com a boca seca e um aperto em o estômago , Harry correu atrás de ele , tentando não fazer barulho . Saltou os últimos seis degraus , aterrando como um gato em a carpete de o * hall * , olhando em volta a a procura de Dobby . De a sala de jantar , ouviu a voz de o tio Vernon : - Conte a a Petúnia aquela história engraçadíssima de os funileiros americanos , ela tem estado louca por ouvi a , Mr._Mason . Harry correu de o * hall * para a cozinha e sentiu o estômago ficar pequenino . O pudim , que era a a obra-prima de a tia Petúnia , a montanha de creme batido coberto de violetas de açúcar flutuava junto de o tecto . Em cima de o guarda-louça de o canto , Dobby inclinava se servilmente . - Não - suplicou Harry . - Por favor , eles matam me . - Harry_Potter deve dizer que não vai voltar a a escola ... - Dobby , por favor . - Diga , senhor . - Não posso . Dobby lançou lhe um olhar trágico . - Então , Dobby deve fazê o , senhor , para o bem de Harry_Potter . O pudim foi direito a o chão em uma queda que parecia um coração a parar . O crome esguichou para as janelas e para as paredes , enquanto o prato se despedaçava . Com o ruído de uma chicotada , Dobby desapareceu . Ouviram se gritos em a casa de jantar e o tio Vernon irrompeu por a cozinha onde foi dar com Harry coberto , de a cabeça a os pés , por o pudim de a tia Petúnia . A princípio parecia que o tio Vernon ia conseguir arranjar uma desculpa para aquilo tudo . ( É só o nosso sobrinho , muito perturbado ; conhecer pessoas estranhas deixa o muito nervoso , por isso deixamos o lá em cima ... ) Conduziu_os_Mason , bastante chocados , para a sala de jantar , garantindo a Harry que o esfolava vivo quando os Mason se fossem embora e pôs lhe em as mãos um esfregão . A tia Petúnia descobriu um resto de gelado em o frigorífico e Harry , ainda a tremer , começou a limpar a cozinha . O tio Vernon poderia ainda ter feito o negócio , se não fosse a coruja . Estava a tia Petúnia a circular com uma caixa de After-Eight , quando uma enorme coruja de celeiro fez a sua entrada vertiginosa através de a janela de a casa de jantar , deixando cair uma carta em a cabeça de Mr._Mason e desaparecendo logo_a_seguir . Mrs._Mason gritava como uma carpideira e corria por a casa praguejando contra os lunáticos . Mr._Mason ficou o tempo estritamente necessário para dizer a os Dursleys que a mulher tinha um medo pânico de pássaros de todas_as formas e tamanhos e perguntar lhes se aquela era alguma brincadeira de mau gosto . Harry não saiu de a cozinha , agarrando o esfregão como defesa , enquanto o tio Vernon avançava para ele com um brilho demoníaco em os olhos pequeninos . - Lê isso - ordenou maldosamente . Harry pegou em a carta . Não era a desejar lhe um bom aniversário . * _ Caro_Mr._Potter , * _ Recebermos hoje informações de que um feitiço de suspensão em o ar foi efectuado em sua casa esta noite , a as nove_horas_e_doze_minutos . * _ Como sabe , os feiticeiros menores não estão autorizados a praticar magia fora de a escola e , se efectuar mais um trabalho mágico , será expulso de a nossa escola . ( Decreto_de_Restrições_Razoáveis_para_Feitiçaria_de_Menores , 1875 , parágrafo C. ) * _ Pedimos-lhe também que se lembre que qualquer actividade que possa ser notada por membros alheios a a nossa comunidade ( Muggles ) constitui uma ofensa grave , segundo a secção 13 de a Confederação_Internacional_do_Estatuto_da_Magia_Secreta . * _ Tenha umas boas férias . * Atenciosamente_Mafalda_Hopkirk_Gabinete_da_Utilização_Imprópria_da_Magia_Ministério_da_Magia * . Harry olhou para a carta e engoliu em seco . - Tu não nos contaste que estavas proibido de usar magia fora de a escola - disse o tio Vernon com um brilho maldoso a dançar lhe em os olhos . - Esqueceste te de o mencionar , passou te , não foi ? Tinha se aproximado de Harry como um grande * bulldog * , com todos os dentes a a mostra . - Tenho boas notícias para ti , rapaz , vou fechar te a a chave e , se tentares sair através_de magia , nunca mais voltas a aquela escola , eles expulsam te . E rindo como um louco , arrastou Harry até a o andar de cima . O tio Vernon era mau como as cobras . Em a manhã seguinte pagou a um homem para colocar grades em a janela de o quarto de Harry . Ele próprio abriu um pequeno buraco em a porta de o quarto para que a comida pudesse ser introduzida três vezes por dia . Deixavam o Harry sair para ir a a casa_de_banho de manhã e a o final de a tarde . O resto de o tempo estava fechado em o quarto , a a espera que o tempo passasse . Três dias mais tarde , os Dursleys não mostravam qualquer intenção de abrandar o castigo e Harry não sabia como sair de aquela situação . Estava deitado em a cama , vendo o sol brilhar por_entre as grades de a janela e perguntando se tristemente o que viria a acontecer lhe . Qual era a vantagem de sair de ali por artes mágicas , se Hogwarts o expulsaria em seguida ? Contudo , a vida em Privet_Drive tinha atingido o seu nível mais baixo . Agora_que os Dursleys tinham a certeza que não iam acordar transformados em morcegos , ele perdera a única arma que tinha . O Dobby podia tê o salvo de acontecimentos terríveis em Hogwarts , mas de a maneira que as coisas estavam , ele morreria muito provavelmente a a fome . A portinhola rangeu e a mão de a tia Petúnia apareceu empurrando uma tigela de sopa de pacote para dentro de o quarto . Harry , que estava cheio de fome , saltou de a cama e agarrou a . A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um único trago . A seguir , atravessou o quarto até a a gaiola de Hedwig e pôs os legumes ensopados dentro de o seu pratinho vazio . Ela agitou as penas e olhou o com profunda repugnância . - Não vale de nada virares lhe as costas . É tudo_o_que temos - disse Harry , de modo severo . Colocou a tigela vazia em o chão junto de a portinhola e voltou para_cima de a cama , de certo modo com mais fome do_que antes de ter comido a sopa . Admitindo que estaria ainda vivo dentro_de quatro semanas o que aconteceria se ele não se apresentasse em Hogwarts ? Será que mandariam alguém obrigar os Dursleys a deixá o ir ? O quarto começava a escurecer . Exausto e com o estômago a dar horas , o cérebro a as voltas com as mesmas questões sem resposta , Harry caiu em um sono intranquilo . Sonhou que fazia parte de um espectáculo de o jardim zoológico . Preso a a jaula onde se encontrava estava um cartaz onde podia ler se « feiticeiro menor de idade « . As pessoas olhavam o com olhos protuberantes , enquanto ele jazia fraco e esfomeado em um leito de palha . Viu a cara de o Dobby em o meio de a multidão e gritou lhe , pedindo ajuda , mas o Dobby respondeu : - Harry_Potter está em segurança aí , senhor - e desapareceu . Em seguida vieram os Dursleys e Dudley bateu em as grades de a jaula , rindo se de ele . - Pára com isso - murmurou Harry como_se aquele ruído martelasse em a sua cabeça dorida . - Deixa me em paz , pára com isso , estou a tentar dormir . Abriu os olhos . O luar brilhava através de as grades de a janela . E lá fora alguém olhava de olhos arregalados para ele : alguém de rosto sardento , cabelo ruivo e nariz grande . Ron_Weasley estava de o lado de_fora de a janela . III « A toca » Ron ! - exclamou Harry , arrastando se até a a janela e empurrando a para poderem falar através de as grades . - Ron , como é_que tu , foi o ... ? Harry ficou de boca aberta , espantado com o que viu . Ron estava debruçado de a janela de trás de um velho automóvel azul-turquesa que se encontrava estacionado em o ar . Em os lugares de a frente , rindo se para Harry , estavam os irmãos mais velhos , os gémeos Fred e George . - Tudo bem , Harry ? - O que é_que se tem passado ? - perguntou o Ron . - Porque não respondeste a as minhas cartas ? Convidei te para vires ter comigo umas doze vezes e um dia o pai chegou a casa e comunicou nos que tu tinhas recebido um aviso oficial por usares magia diante de os Muggles ... - Não fui eu . E como é_que ele soube ? - Ele trabalha em o Ministério - disse o Ron . - Tu sabes que nós não podemos fazer feitiços fora de a escola . - Bem , isso vindo de ti ... - exclamou Harry , olhando para o carro flutuante . - Oh , isto não conta - disse Ron . - Foi o meu pai que o emprestou . Não o fizemos aparecer por magia . Mas usar magia em a frente de esses Muggles com quem tu vives ... - Já te disse que não fui eu , mas vai demorar muito_tempo a explicar te isso agora . És capaz de avisar em Hogwarts que os Dursleys me fecharam a a chave e que não querem deixar me voltar e obviamente eu não posso sair de aqui magicamente senão o Ministério vai achar que é a segunda vez em três dias e ... - Pára com essa conversa tola - disse o Ron . - Viemos para te levar connosco . - Mas tu também não podes tirar me de aqui utilizando processos mágicos ... - Não precisamos de isso - afirmou Ron , fazendo um sinal de cabeça para os lugares de a frente . - Esqueces te de quem está aqui comigo . - Amarra isso em volta de as grades - disse o Fred , lançando a Harry a ponta de uma corda . - Se os Dursleys acordam estou feito - lamentou se Harry enquanto dava um nó bem apertado com a corda em uma de as grades e o Fred arrancava com o carro . - Não te preocupes e chega te para trás . Harry recuou para a sombra , para junto de Hedwig que parecia ter se apercebido de a importância de tudo aquilo , mantendo se quieta e em silêncio . O carro puxou mais e mais e , subitamente , com um ruído de ferro a ceder , as grades foram arrancadas de a janela , enquanto Fred conduzia com o céu como estrada . Harry correu de_novo para a janela para ver as grades a balouçarem a poucos metros de o chão . Ofegante , Ron içou as para dentro de o carro . Harry escutou ansiosamente mas não vinha qualquer som de o quarto de os Dursleys . Quando as grades estavam em segurança em os lugares de trás junto de Ron , Fred aproximou se o_máximo que lhe foi possível de a janela . - Anda de aí - disse . - Mas , todas_as minhas coisas de Hogwarts , a minha varinha , a minha vassoura ... - Onde estão ? - Fechadas em a despensa debaixo de as escadas e eu não posso sair de este quarto . . - Não há azar - disse o George . - Sai de a frente , Harry . Fred e George treparam cautelosamente e entraram por a janela em o quarto de Harry . Tinhas que ter aberto a boca , pensou Harry enquanto George tirava de o bolso um vulgar gancho de cabelo e começava a tentar abrir a fechadura . - Muitos feiticeiros acham que é uma perda de tempo aprender os truques de os Muggles - disse o Fred . - Mas nós pensamos que há habilidades que é sempre útil conhecer apesar_de serem um_pouco lentas . Ouviu se um pequeno clique e a porta abriu se . - Pronto , vamos buscar as tuas coisas . Tu vai dando a o Ron aquilo que precisas de aí de o teu quarto - murmurou George . - Cuidado com o degrau de cima que range - sussurrou Harry enquanto os gémeos desapareciam em o escuro . Harry deu a volta a o quarto , recolhendo as suas coisas e passando as por a janela a o Ron . Em seguida , foi ajudar o Fred e o George a trazerem o resto por as escadas acima . Ouviu o tio Vernon tossir . Por fim , de língua de_fora , chegaram a o quarto , junto de a janela aberta . Fred trepou para o carro para puxar os volumes com o Ron enquanto Harry e George os empurravam de dentro de o quarto . Centímetro a centímetro o malão foi passando por a janela . O tio Vernon tossiu de_novo . - Mais um_pouco - disse o Fred que estava a puxar de dentro de o carro . Um bom empurrão , vá . Harry e George encostaram os ombros contra a mala e ela escorregou para a parte de trás de o carro . - O. _ K. , vamos embora - murmurou o George . Mas quando Harry trepava para o parapeito de a janela ouviu se um forte pio atrás de ele , imediatamente seguido de o vociferar de o tio Vernon . - Aquela maldita coruja ! - Esqueci me de a Hedwig ! Harry precipitou se de_novo para o quarto , enquanto a luz de o patamar se acendia . Agarrou a gaiola de Hedwig , correu para a janela e passou a a o Ron . Estava a subir para_cima de a cómoda quando o tio Vernon bateu em a porta , que não estava fechada , e esta se abriu completamente . Por uma fracção de segundo , o tio Vernon ficou estático junto de a porta . Em seguida , soltou um mugido como um boi zangado e avançou para Harry , agarrando o por o tornozelo . Ron , Fred e George seguraram o por os braços e puxaram o com toda_a força . - Petúnia - rosnou o tio Vernon . - Ele está a fugir ! : __ ele está a __ fugir ! Os Weasleys deram um puxão gigantesco e a perna de o Harry escapou a as garras de o tio Vernon . Logo_que Harry entrou em o carro e a porta se fechou , Ron gritou : - Acelera Fred ! - E o carro partiu subitamente em direcção a a lua . Harry mal podia acreditar que estava livre . Esticou se a a janela , o ar de a noite a fustigar lhe os cabelos e olhou para baixo , para os telhados apertados de Privet_Drive . O tio Vernon , a tia Petúnia e o Dudley estavam todos debruçados com cara de parvos , a a janela de o quarto de ele . - Até a o próximo Verão - gritou . Os Weasleys riam se a as gargalhadas e Harry esticou se para trás em o assento e pediu a o ouvido de Ron : - Deixa sair a Hedwig . Ela pode voar atrás_de nós . Há séculos que não tem uma oportunidade de esticar as asas . George passou a o Ron o gancho de cabelo e , um momento depois , a Hedwig saíra feliz por a janela , planando atrás de eles como um fantasma . - Então , qual é a história ? - perguntou Ron , impaciente . - O que é_que tem estado a acontecer ? Harry contou lhes tudo sobre o Dobby , o aviso de este e o fracasso de o pudim de violetas . Houve um longo silêncio quando ele se calou . - Isso cheira me a esturro - disse , por fim , o Fred . - Definitivamente misterioso - concordou George . - Então ele nem te disse quem está supostamente por detrás dessa trama toda ? - Acho que não podia - explicou Harry . - Já te disse , de cada_vez que estava quase a deixar escapar qualquer coisa , começava a bater com a cabeça em a parede . Viu Fred e George olharem um para o outro . - O quê ? Acham que ele estava a mentir me ? - perguntou Harry . - Bem - começou o Fred -- , coloquemos as coisas de o seguinte modo , os elfos de casa têm poderes mágicos próprios , mas geralmente não podem usá os sem a autorização de os seus donos . Eu acho que o bom de o Dobby foi enviado para evitar que voltasses para Hogwarts . Uma ideia de um engraçadinho . Haverá alguém em a escola com má vontade contra ti ? - Sim - responderam Harry e Ron , precisamente ao_mesmo_tempo . - Draco_Malfoy - explicou Harry . - Ele detesta me . - Draco_Malfoy ? - perguntou George , voltando se para trás . - O filho de o Lucius_Malfoy ? - Deve ser . Não é um nome muito vulgar , pois não ? - disse Harry . - Mas porquê ? - Ouvi o pai falar acerca de ele - confidenciou George . - Ele era um grande apoiante de o « Quem nós sabemos » . - E quando o « Quem nós sabemos » desapareceu - continuou o Fred , voltando a cara para olhar para Harry - o Lucius_Malfoy voltou , dizendo que não foi por vontade própria que fez o que fez . Monte de lixo . O pai acha que ele fazia parte de um círculo de amigos íntimos de o « Quem nós sabemos » . Harry já tinha ouvido esses boatos sobre a família de Malfoy e não o surpreenderam em absoluto . Malfoy fizera Dudley_Dursley parecer um rapazinho simpático , amável e sensível . - Não sei se os Malfoy têm um elfo de casa ... - afirmou Harry . - Bem , quem quer que o possua é sem dúvida uma antiga família de feiticeiros e deve ser rica - explicou Fred . - Sim . A mãe está sempre a desejar que pudéssemos ter um elfo de casa para passar a roupa a ferro - disse o George . - Mas só temos um velho vampiro piolhoso em o sótão e gnomos espalhados por o jardim . Os elfos de casa pertencem a as grandes casas senhoriais , a os castelos e lugares assim , não encontrarias um em a nossa casa ... Harry estava calado . Considerando que Draco_Malfoy tinha sempre as melhores coisas , que a sua família nadava em ouro de feiticeiros , era fácil imaginá o passeando se por uma enorme casa senhorial . Mandar o servo de a família evitar que Harry voltasse para Hogwarts também parecia exactamente o tipo de coisa que Malfoy poderia fazer . Teria Harry sido estúpido a o tomar Dobby a sério ? - De qualquer modo , ainda_bem que viemos buscar te - declarou Ron . - Eu começava a ficar seriamente preocupado por não responderes a nenhuma de as minhas cartas . A princípio pensei que a culpa fosse de a Errol ... - Quem é a Errol ? - A nossa coruja . Já é velhota . Não seria a primeira vez que adoecia durante uma entrega . Por isso , tentei pedir a Hermes emprestada ... - Quem ? - A coruja que os meus pais compraram a o Percy quando ele foi nomeado prefeito - respondeu Fred . - Mas o Percy não me a emprestou . Disse que precisava de ela . - O Percy tem andado com atitudes muito estranhas este Verão - comentou George franzindo a testa . - E tem mandado imensas cartas e passado um tempo infinito fechado em o quarto ... enfim , pode limpar se e polir um distintivo de prefeito todas_as vezes que se quiser ... Estás a conduzir demasiado para ocidente , Fred - acrescentou apontando para uma bússola em o painel de o automóvel . Fred girou o volante . - Então , o vosso pai sabe que têm o carro ? - perguntou Harry , quase adivinhando a resposta . - Er ... não - disse o Ron . - Ele tinha trabalho esta noite . Felizmente vamos poder pô o de_novo em a garagem , sem a mãe perceber que andámos a voar nele . - A propósito , o que faz o vosso pai em o Ministério_da_Magia ? - Trabalha em o Departamento mais chato - respondeu Ron . - A Divisão de utilização incorrecta de artefactos de os Muggles . - O quê ? - Relaciona se com objectos de feitiçaria que foram feitos por os Muggles ; sabes como é , se forem parar de_novo a uma loja de os Muggles , ou a uma casa , como em o ano passado , quando morreu uma bruxa velha e o bule de ela foi vendido a uma loja de antiguidades . Uma mulher Muggle comprou o , tentou servir chá a os amigos . Foi um pesadelo , o pai teve de fazer horas extraordinárias durante semanas . - O que é_que aconteceu ? - O bule parecia louco , esguichou chá a ferver para todos os lados e um de os homens foi parar a o hospital com a pinça de o açúcar presa em o nariz . O pai ficou nervosíssimo . É só ele e o velho feiticeiro Perkings em o gabinete e tiveram de localizar e descobrir todo o tipo de encantamentos para resolver o assunto . - Mas o teu pai ... este carro ... Fred riu se . - Sim , o pai é louco por tudo_o_que tem que ver com os Muggles . A nossa arrecadação está cheia de coisas de os Muggles . Ele separa as , lança lhes feitiços e volta a pô as em o lugar . Se ele fizesse uma busca a nossa casa teria de se prender a si mesmo . A minha mãe fica louca com tudo aquilo . - É a estrada principal - gritou o George , apontando para baixo através de a janela . - Dentro_de poucos minutos estamos lá , mesmo a tempo , está a começar a clarear . Um leve brilho rosado tingia o horizonte para leste . Fred trouxe o carro para baixo e Harry pôde ver uma manta de retalhos de campos escuros e matas de arbustos . - Estamos um_pouco longe de a vila - disse George . - Em Ottery_St . Catchpole ... O carro voador foi descendo a os poucos . A luz avermelhada brilhava agora por_entre as árvores . - Terra - disse o Fred , em o momento em que tocaram em o chão com um ligeiro solavanco . Tinham aterrado perto_de uma garagem em ruínas em um pequeno pátio e Harry viu pela_primeira_vez a casa de o Ron . Parecia ter sido em tempos uma pocilga de pedra . Mas os quartos que posteriormente lhe tinham sido acrescentados haviam a tornado bastante mais alta e o seu aspecto era tão curvado que parecia ter sido construída por artes mágicas ( o que , pensou Harry , era , muito provavelmente , verdade ) . De o telhado vermelho saíam quatro ou cinco chaminés . Junto de a entrada , fixa em o chão , podia ver se uma inscrição assimétrica que dizia « A toca » . A o lado de a porta principal estava uma contusão de botas de * _ Wellington * e um caldeirão completamente enferrujado . Por o pátio passeavam se várias galinhas castanhas e gordas . - Não é grande coisa - desculpou se o Ron . - É óptima - exclamou Harry , feliz , pensando em Privet_Drive . Saíram de o carro . - Agora vamos lá para_cima sem fazer barulho - disse o Fred . - E esperamos que a mãe nos chame para o pequeno-almoço . Depois tu , Ron , desces a escada entusiasmadíssimo . - Mãe , olha quem apareceu cá durante a noite ! - E ela vai sentir se felicíssima quando vir o Harry . Assim ninguém fica a saber que levámos o carro voador . - Certo - disse o Ron . - Vamos , Harry , eu durmo em o ... Ron ganhou uma cor de um pálido esverdeado , os olhos fixos em a casa . Os outros três fizeram meia volta . Mrs._Weasley avançava por o pátio , afugentando as galinhas e , para uma mulher baixa , roliça e simpática , era fantástico como conseguia parecer se com um tigre dentes-de-sabre . - Ah ! - suspirou o Fred . - Oh , oh ! - exclamou o George . Mrs._Weasley parou em frente de eles . As mãos em as ancas , saltando de um olhar culpado para o outro . Usava um avental a as flores , com uma varinha a sair lhe de o bolso . - Com que então - disse . - Bom dia , mãe - arriscou o George com uma voz que tentou que fosse alegre e bem-disposta . - Vocês têm alguma ideia de como tenho estado preocupada ? - perguntou Mrs._Weasley em um murmúrio fraco . - Desculpe , mãe , mas sabe , nós tivemos que ... Os três filhos de Mrs._Weasley eram mais altos do_que ela , mas tremiam quando a fúria de a mãe se abatia sobre eles . - Camas vazias ! Nem um bilhete ! O carro desaparecido ... Podiam ter tido um acidente , estou fora de mim com tanta preocupação e vocês nem se importam ... nunca , enquanto eu for viva ... esperem só até o vosso pai chegar , nunca tivemos problemas de estes com o Bill , com o Charlie ou com o Percy ... - O perfeito Percy - resmungou Fred . - : __ tu não vales um dedo de a mão de o __ percy ! - gritou Mrs._Weasley , espetando um dedo em o queixo de o Fred . - Podias ter morrido , podias ter sido visto , podias ter feito com que o teu pai perdesse o emprego ... Parecia nunca mais acabar . Mrs._Weasley tinha gritado até ficar ronca , antes de se voltar para o Harry , que recuou . - Estou muito contente por te ver , Harry - disse . - Entra e vem tomar o pequeno-almoço . Ela voltou se e regressou a casa e Harry , depois de trocar um olhar nervoso com o Ron , que lhe acenou , encorajando o , seguiu a . A cozinha era pequena e bastante estreita . A meio havia uma enfezada mesa de madeira e cadeiras em volta e Harry sentou se a a beirinha de o assento , olhando em volta . Era a primeira vez que entrava em uma casa de feiticeiros . O relógio em a parede em frente de ele , tinha apenas um ponteiro e nenhum número . Em volta , estavam escritas frases como « Hora de fazer o chá » , « Hora de dar de comer a as galinhas « e « Estás atrasado » . Empilhados em o rebordo de a lareira estavam livros com títulos como * _ Encanta o teu próprio queijo , Encantamento em a cozedura de o pão e Banquetes em um minuto - é mágico * ! E , a menos que os ouvidos de Harry estivessem a traí o , o velho rádio próximo de o lava-loiças acabara de anunciar que a seguir vinha a Hora de enfeitiçar com a popular feiticeira-cantora Celestina_Warbeck . Mrs._Weasley fazia barulho com os talheres , preparando o pequeno-almoço um bocado a o acaso , lançando olhares furiosos a os filhos , enquanto lançava as salsichas em a frigideira . De vez em quando murmurava coisas como : « Não sei o que vos passou por a cabeça « ou « nunca devia ter confiado em vocês » . - Eu não te culpo , filho - tranquilizou Harry , pondo lhe sete ou oito salsichas em o prato . - Eu e o Arthur temos estado preocupados contigo . Ainda ontem a a noite estivemos a dizer que te iríamos buscar nós próprios se não respondesses a o Ron até sexta-feira . Mas , em a verdade ( estava agora a acrescentar três ovos estrelados a o prato de ele ) , atravessar metade de o país a voar em um carro ilegal , qualquer um vos poderia ter visto ... Agitou maquinalmente a varinha em a direcção de o lava-loiças , onde a loiça começou a lavar se sozinha , tinindo baixinho lá atrás . - Estava enevoado , mãe ! - exclamou o Fred . - Boca fechada enquanto comes ! - interrompeu Mrs._Weasley . - Eles estavam a fazê o passar fome , mãe ! - disse o George . - E tu também ! - disse Mrs._Weasley , mas já foi com uma expressão mais doce que começou a cortar o pão para Harry e a barrá o com manteiga . Em esse momento , as atenções voltaram se para um pequenino volto de cabelos ruivos , em uma camisa de dormir até a os pés , que surgiu em a cozinha , deu um grito agudo e desapareceu de_novo . - É a Ginny - disse Ron baixinho a o Harry -- , a minha irmã . Tem falado de ti todo o Verão . - Sim , ela vai querer o teu autógrafo , Harry - riu se o Fred , mas o seu olhar cruzou se com o de a mãe e inclinou se para o prato , não voltando a abrir a boca . Ninguém falou até os quatro pratos estarem limpos , o que sucedeu a uma velocidade surpreendente . - Bolas , estou cansado - bocejou Fred , pousando a faca e o garfo . Acho que me vou deitar e ... - Não vais , não senhor - interrompeu Mrs._Weasley . - A culpa é tua se ficaste toda_a noite acordado . Vais fazer a des-gnomização de o jardim . Eles estão outra_vez a exagerar . - Oh , mãe ... - E vocês os dois o mesmo - dirigiu se a o Ron e a o Fred . - Tu podes ir para a cama , filho - disse a Harry . - Não lhes pediste que guiassem aquele carro miserável . Mas Harry , que se sentia acordadíssimo , respondeu prontamente : - Eu ajudo o Ron , nunca vi uma des-gnomização ... - É muito simpático de a tua parte , querido , mas é um trabalho chato - explicou Mrs._Weasley . - Vejamos o que o Lockhart tem a dizer acerca disto . E puxou de o rebordo de a lareira um livro pesadíssimo . George resmungou : - Mãe , nós sabemos * des-gnomizar * o jardim . Harry olhou para a capa de o livro de Mrs._Weasley . Em grandes letras douradas , que ocupavam grande parte de a capa , podia ler se Guia_de_Gilderoy_Lockhart para pragas caseiras . Via se também a grande fotografia de um feiticeiro bem-parecido , de cabelos loiros ondulados e olhos azuis brilhantes . Como sempre , em o mundo de os feiticeiros , a fotografia mexia se . O feiticeiro , que Harry calculou ser Gilderoy_Lockhart , não parava de lhes piscar os olhos descaradamente . Mrs._Weasley sorriu lhe . - Oh , ele é fantástico - disse . - Conhece bem as pragas caseiras . É um livro maravilhoso . - A mãe adora o - disse Fred em um murmúrio bastante audível . - Não sejas ridículo , Fred - repreendeu Mrs._Weasley com as bochechas coradas . - É claro que se achas que sabes mais do_que o Lockhart , podes ir fazer o trabalho e ai de ti se houver um único gnomo em o jardim quando eu for fazer a inspecção . A bocejar e a resmungar , os Weasley arrastaram se lá para fora com Harry atrás de eles . O jardim era grande e , em a opinião de Harry , exactamente como deveria ser um jardim . Os Dursleys não teriam gostado . Havia uma enorme quantidade de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada , mas havia árvores nodosas em volta de as paredes , plantas que Harry nunca vira , tombando de todos os canteiros e um grande lago verde cheio de rãs . - Os Muggles também têm gnomos de jardim , sabes - disse o Harry a o Ron , enquanto atravessavam a relva . - Sim , já vi essas coisas que eles pensam que são gnomos - disse o Ron todo dobrado , com a cabeça em uma moita de peónias . - Como os Pais_Natais gordinhos com canas de pesca ... Houve um tumulto ruidoso , a moita de peónias estremeceu e Ron endireitou se . - Isto_é um gnomo - declarou com um ar sério . - Larga eu ! Larga eu ! - guinchou o gnomo . Não se parecia em absoluto com o Pai_Natal . Era pequenino e parecia de couro , com uma grande cabeça protuberante e calva , precisamente como uma batata . Ron agarrou o a a distância de um braço , enquanto ele dava pontapés em o ar com os seus pézinhos que pareciam chifres . Agarrou o por os tornozelos e voltou o de pernas para o ar . - Isto_é o que tens de fazer - disse . Levantou o gnomo acima de a cabeça ( Larga eu ! ) e começou a balouçá o em grandes círculos , como os vaqueiros fazem com os laços . A o ver a expressão chocada de Harry , Ron explicou : - Não os mágoa . Só tens de os deixar bem tontos para que consigam encontrar o caminho de regresso a os buracos de os gnomos . Largou os tornozelos de o gnomo . Ele voou seiscentos metros e aterrou com um ruído surdo em o campo a o lado de a sebe . - Deplorável - afirmou o Fred . - Aposto que consigo lançar o meu para_além de aquele tronco . Harry aprendeu rapidamente a não sentir muita pena de os gnomos . Decidira largar o primeiro que apanhou para_além de a sebe , mas o gnomo , sentindo fraqueza , enfiou os seus dentinhos , aguçados como laminas , em o dedo de o Harry e não foi fácil sacudi o para ele o largar , até que ... - Uau , Harry , esse deve ter sido seiscentos metros ... O ar estava subitamente cheio de gnomos voadores . - Vês , eles não são muito espertos - afirmou o George , agarrando cinco ou seis de uma_vez . - Em o momento em que se apercebem que começou a * des-gnomização * , aparecem todos para espreitar . Era de esperar que já tivessem aprendido a ficar quietinhos . Rapidamente a multidão de gnomos começou a ir se embora , atravessando os campos em uma fila ordenada , com os pequeninos ombros arqueados . - Eles voltam - disse o Ron enquanto os via desaparecer em a sebe de o outro lado de o campo . - Eles adoram estar aqui ... o pai é muito mole com eles , acha lhes piada . Em esse momento , a porta de a frente bateu . - Ele já voltou ! - exclamou o George . - O pai já está em casa ! Apressaram se a entrar . Mr._Weasley tinha se afundado em uma de as cadeiras de a cozinha , sem óculos e com os olhos fechados . Era um homem magro , quase calvo , mas o pouco cabelo que tinha era tão ruivo como o de os filhos . Vestia um longo manto verde cheio de pó e estava cansado de a viagem . - Que noite - murmurou , tacteando em busca de o bule , enquanto todos se sentavam a a volta de ele . - Nove assaltos , nove ! E o velho Mundungs_Fletcher tentou lançar me um feitiço quando eu estava de costas . Mr._Weasley tomou um bom gole de chá e suspirou . - Encontrou alguma coisa , pai ? - perguntou Fred ansiosamente . - Só encontrei algumas chaves encolhidas e uma chaleira que mordia - bocejou Mr._Weasley . - Havia um material bastante mauzinho , mas não era de o meu departamento . O Mortlake foi levado para ser interrogado sobre uns furões extremamente antigos , mas isso pertence a a Comissão_dos_Feitiços_Experimentais , graças_a Deus . - Por_que é_que alguém ia dar se a o trabalho de fazer encolher chaves ? - perguntou George . - Para chatear os Muggles - suspirou Mr._Weasley . - Vende se lhes uma chave que não pára de encolher , até que desaparece , de_modo_a que nunca a encontrem quando precisam ... É claro que é muito difícil condenar alguém , porque nenhum Muggle é capaz de admitir que a sua chave está a encolher , insistem em que estão sempre a perdê a . Benditos sejam , vão até onde for preciso para ignorar a magia , mesmo_que ela esteja em frente de os seus narizes ... mas vocês não acreditariam em as coisas que o nosso grupo tem levado para enfeitiçar ... - : __ como carros , por __ exemplo ? Mrs._Weasley tinha aparecido , segurando um grande atiçador que parecia uma espada . Os olhos de Mr._Weasley abriram se de repente , fitando a mulher com um ar culpado . - C-carros , Molly querida ? - Sim , Artur , carros - afirmou Mrs._Weasley , os olhos a faiscar . - Imagina um feiticeiro a comprar um carro velho e enferrujado e dizer a a mulher que a única coisa que queria fazer com ele era desmontá o para ver como ele funcionava , enquanto em a verdade estava a enfeitiçá o para o fazer voar . Mr._Weasley piscou os olhos . - Bem , querida , acho que poderás constatar que não é ilegal fazer isso , embora , er , talvez ele devesse ter contado a verdade a a mulher ... Existe uma forma de tornear a lei , já_que ela diz que ... desde_que não se tenha a * intenção * de voar em o carro , o facto de ele poder voar , não ... - Arthur_Weasley tu arranjaste essa forma de tornear a lei quando a escreveste ! - gritou Mrs._Weasley . - Para poderes continuar a remexer em todo aquele lixo de os Muggles que tens em a arrecadação ! E , para tua informação , o Harry chegou hoje_de_manhã em o carro que tu não pretendias pôr a voar ! - Harry ? - perguntou Mr._Weasley sem expressão . - Qual Harry ? Olhou em volta , viu Harry e deu um salto . - Santo_Deus , é Harry_Potter ? Muito prazer , o Ron falou nos tanto de si ... - * _ O teu filho conduziu aquele carro até a a casa de o Harry e de volta até aqui em a noite passada ! * - gritou Mrs._Weasley . - O que tens a dizer a esse respeito ? - A sério ! ? - exclamou Mr._Weasley com vivacidade . - Correu tudo bem , quero dizer ... - vacilou a o ver os olhos de Mrs._Weasley que faiscavam . - Er , fizeram mal , rapazes , muito mal , mesmo ... - Vamos deixá os a os dois - murmurou o Ron , enquanto Mrs._Weasley inchava como um sapo gigantesco . - Vamos , vou mostrar te o meu quarto . Esgueiraram se de a cozinha e desceram uma passagem estreita que dava para uma escada desnivelada que ziguezagueava a o longo de a casa . Em o terceiro andar , estava uma porta entreaberta . Harry só teve tempo de ver um par de olhos castanhos brilhantes que o olhavam fixamente , antes de a porta se fechar com um estalido . - A Ginny - disse o Ron . - Não imaginas como é estranho vês a tão tímida , ela que quase nunca se cala ... Subiram mais dois andares , até chegarem a uma porta com a tinta a descascar e uma pequena placa dizendo : « Quarto_do_Ronald » . Harry entrou . A cabeça quase tocava em o tecto inclinado . Piscou os olhos . Era como entrar dentro_de uma fornalha : quase tudo em o quarto de o Ron tinha um violento matiz alaranjado : a colcha de a cama , as paredes , até o tecto . Em seguida , apercebeu se de que o Ron tinha coberto cada centímetro de o velho papel de parede com * posters * de as mesmas sete feiticeiras e feiticeiros , todos vestidos com brilhantes mantos cor de laranja , transportando vassouras e acenando entusiasticamente . - A tua equipa de Quidditch ? - perguntou Harry . - Os Chudley_Cannons - disse Ron , apontando para a colcha cor de laranja que tinha um brasão com dois C's gigantes e uma bala de canhão a_toda_a velocidade . - Nono em a Liga . Os livros de estudo de feitiços de Ron estavam empilhados desordenadamente a um canto , junto de um monte de B. _ D. , todas elas relativas a as * _ Aventuras_de_Martin_Miggs , o Muggle louco * . A varinha mágica de o Ron estava em_cima_de um aquário cheio de ovos de rã sobre o peitoril de a janela , junto de o seu rato gordo e cinzento , Scabbers , que dormia uma soneca a o sol . Harry passou por_cima_de um baralho de cartas de jogar com vontade própria , que estava caído em o chão , e olhou para fora de a janelinha . Em o campo , não muito longe , podia ver um grupo de gnomos a esgueirarem se , um a um , de_novo para a sebe de os Weasley . Em seguida , voltou se para Ron que o observava nervoso , como_se esperasse a opinião de ele . - É um_pouco pequeno - declarou o Ron muito depressa . - Não se parece nada com o quarto que tu tinhas em casa de os Muggles . E estou mesmo debaixo de o vampiro de o sótão . Ele anda sempre a bater nos canos e a gemer ... Mas Harry , com um grande sorriso , disse lhe : - Esta é a melhor casa em que eu já estive . As orelhas de Ron ficaram cor-de-rosa . IV_Na_Flourish and Blotts_A vida em a Toca era o mais diferente que é possível de a vida em Privet_Drive . Os Dursleys gostavam de tudo limpo e arrumado , em casa de os Weasleys explodia o estranho e o inesperado . Harry teve um choque de a primeira vez que olhou para o espelho que estava sobre a lareira de a cozinha e ele gritou : - Mete para dentro a camisa , * desmazelado ! * - O vampiro de o sótão gemia e batia nos canos , sempre_que sentia as coisas demasiado calmas e as pequenas explosões em o quarto de o Fred e de o George , eram consideradas perfeitamente normais . Mas o que o Harry achou mais bizarro em a vida em casa de o Ron , não foi o espelho que falava , nem o vampiro barulhento , foi o facto de todos ali em casa parecerem gostar de ele . Mrs._Weasley preocupava se com o estado de as suas meias e tentava obrigá o a servir se quatro vezes a cada refeição . Mr._Weasley gostava que Harry se sentasse a o lado de ele a a mesa para poder bombardeá o com perguntas sobre a vida com os Muggles , pedindo que lhe explicasse como funcionavam coisas como as canalizações e o serviço de os correios . - Fascinante ! - exclamava , enquanto Harry lhe explicava a utilização de o telefone . - Engenhoso , de facto , todas_as maneiras que os Muggles encontraram para passar sem a magia . Harry teve notícias de Hogwarts em uma manhã de sol , cerca de uma semana depois de ter chegado a a Toca . Quando , ele e o Ron desceram para tomar o pequeno-almoço , encontraram Mr. e Mrs._Weasley e Ginny já sentados a a mesa . Em o momento em que viu o Harry , Ginny entornou a tigela de os cereais , que caiu a o chão com grande espalhafato . Ginny entornava facilmente coisas sempre_que o Harry estava em a sala . Mergulhou debaixo de a mesa para apanhar a tigela e emergiu com o rosto a brilhar como o sol poente . Fingindo não ter dado por nada , Harry sentou se e aceitou a torrada que Mrs._Weasley lhe ofereceu . - Cartas de a escola - disse Mr._Weasley , passando a o Harry e a o Ron envelopes idênticos de pergaminho amarelado , com a morada escrita a tinta verde . - O Dumbledore já sabe que estás aqui , Harry , não perde nada aquele homem . Vocês os dois também - acrescentou , enquanto Fred e George deambulavam em a casa , ainda em pijama . Fez se silêncio durante alguns momentos , enquanto liam as respectivas cartas . A de o Harry dizia para apanhar o Expresso_de_Hogwarts , como sempre em a Estação_de_King's_Cross , em o dia_1_de_Setembro . Havia ainda uma lista de os livros que precisaria para o próximo ano . Os alunos de o segundo ano deverão ter : * _ O_Livro_Padrão_de_Feitiços , Grau 2 , por Miranda_Goshawk . * _ Ensinamentos_de_Uma_Fada_Carpideira , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Férias com Bruxas , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Duendes , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Lobisomens , por Gilderoy_Lockhart . * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves , por Gilderoy_Lockhart * . Fred , que terminara a sua própria lista , espreitou para a de o Harry . - Também te mandam comprar os livros de o Lockhart - disse . - A professora de defesa contra as artes negras deve ser fanática . Aposto que é uma bruxa . Nessa_altura , Fred percebeu o olhar de a mãe e apressou se a comer o doce de laranja . - Esse conjunto não vai ficar barato - disse George , olhando rapidamente para os pais . - Os livros de o Lockhart são de os mais dispendiosos ... - Cá nos havemos de arranjar - declarou Mrs._Weasley , mas parecia preocupada . - Espero que pelo_menos para a Ginny possamos arranjar uma data de coisas em segunda mão . - Ah , vais entrar este ano para Hogwarts ? - perguntou lhe Harry . Ela fez um aceno , corando até a a raiz de os cabelos ruivos e meteu o cotovelo em o pires de a manteiga . Felizmente ninguém deu por nada , a não ser o Harry , porque em esse momento o irmão mais velho de Ron , o Percy , entrou . Já estava vestido , com a placa de prefeito aplicada a a sua camisola de malha . - Bom dia a todos - disse , cheio de vivacidade . - Está um dia lindo . Puxou a única cadeira livre , mas deu um salto quando ia sentar se e , debaixo de ele , saltou um espanador cinzento de penas , pelo_menos , foi o que o Harry pensou até ver que ele respirava . - Errol ! - exclamou Ron , afastando a coruja de o Percy e retirando lhe debaixo de a asa uma carta . - Até que enfim , a resposta de a Hermione . Escrevi lhe a contar que íamos tentar raptar te de casa de os Dursleys . Levou Errol para um poleiro que havia junto a a porta de as traseiras e tentou colocá a lá em cima , mas Errol caiu redonda e Ron teve de a pôr em a pia , murmurando : - Patético . - Em seguida , abriu a carta de a Hermione e leu a em voz alta . * _ Querido_Ron e Harry , se aí estiveres . Espero que tudo tenha corrido bem , que o Harry esteja O. _ K. e que não tenham feito nada ilegal para conseguir trazes o , porque isso podia criar lhe problemas também a ele . Tenho estado muito preocupada e , se o Harry estiver bem , por favor digam me qualquer coisa rapidamente , mas talvez seja melhor usarem uma nova coruja , porque acho que outra entrega pode acabar como esta . * _ Estou muito atarefada com trabalho de a escola , claro * . - Como é possível ? - perguntou Ron , horrorizado . - Estamos em férias ! - * _ E vamos para Londres em a próxima quarta-feira para comprar os meus livros novos . Porque não nos encontramos em a Diagon-al ? * _ Dêem-me notícias vossas o mais depressa possível . * _ Carinhosamente_Hermione * - Bem , parece uma boa solução , podemos ir todos comprar as vossas coisas - disse Mrs._Weasley , começando a limpar a mesa . - O que vão fazer hoje ? Harry , Ron , Fred e George tinham planeado ir a o cimo de o monte a um pequeno cercado de cavalos que os Weasleys possuíam . Estava rodeado de árvores que lhe tapavam a vista de a cidade cá em baixo , o que quer_dizer que podiam praticar Quidditch , desde_que não voassem muito alto . Não podiam usar as verdadeiras bolas de Quidditch pois seria muito difícil explicar se elas escapassem e voassem sobre a cidade . Em vez de elas , lançavam maçãs para os outros apanharem . Faziam turnos para montar a Nimbus dois_mil , que era de longe a melhor vassoura . A velha Shooting_Star_de_Ron fora muitas_vezes ultrapassada por as borboletas que passavam . Cinco minutos mais tarde estavam a marchar por o monte acima , de vassouras a o ombro . Tinham perguntado a o Percy se ele queria juntar se a eles , mas ele alegara muito trabalho . Até esse dia , Harry só tinha visto Percy a a hora de as refeições , ele ficava em silêncio em o quarto o resto de o tempo . - Gostava de saber o que ele anda a fazer - afirmou Fred , de testa franzida . - Não parece o mesmo . O resultado de os exames veio um dia antes de tu chegares : doze N_F_V e ele nem se manifestou satisfeito . - Níveis_de_Feitiçaria_Vulgares - explicou o George , vendo o olhar atarantado de Harry . - Se não temos cuidado , ainda nos calha outro Chefe_de_Turma em a família . Acho que não suportaria a vergonha . Bill era o mais velho de os irmãos Weasley . Ele e o irmão a seguir , Charlie , já tinham saído de Hogwarts . Harry não conhecia nenhum de os dois , mas sabia que o Charlie estava em a Roménia a estudar dragões e o Bill em o Egipto a trabalhar em o banco de os feiticeiros : Gringotts . - Não sei como o pai e a mãe vão arranjar dinheiro para nos pagar o material escolar este ano - disse o George , passado um bocado . - Cinco conjuntos de livros de o Lockhart ! E a Ginny precisa de mantos e de uma varinha e tudo_isso ... Harry não disse nada . Sentiu se um_pouco incomodado . Fechada em um cofre subterrâneo , em o banco de Gringotts_de_Londres , estava uma pequena fortuna que os pais lhe tinham deixado . É claro que só tinha esse dinheiro em o mundo de os feiticeiros , não se podem usar Galeões , Leões e Janotas em as lojas de os Muggles . Ele nunca fizera referência a a sua conta bancária em Gringotts a os Dursleys . Não lhe parecia que o horror que eles sentiam por tudo_o_que se relacionava com a feitiçaria se estendesse a uma enorme pilha de barras de ouro . Mrs._Weasley acordou os a todos bem cedo , em a quarta-feira seguinte . Depois de comerem umas doze sanduíches de * bacon * cada_um , enfiaram os casacos e Mrs._Weasley tirou um vaso de a prateleira de o fogão de a cozinha e espreitou lá para dentro . - Está a acabar se , Arthur - suspirou . - Temos de comprar mais hoje ... Bem , os hóspedes primeiro . Passa , Harry querido ! E ofereceu lhe o vaso de flores . Harry olhou espantado enquanto todos eles o observavam . - O q-que é_que eu devo fazer ? - gaguejou . - Ele nunca viajou com o pó de Floo - disse o Ron subitamente . - Desculpa , Harry , esqueci me . - Nunca ? - perguntou Mrs._Weasley . - Mas então como chegaste a a Diagon - _ Al em o ano passado para comprar as tuas coisas ? -- Fui por o subterrâneo . - A sério ? - disse Mr._Weasley , entusiasmado . - Havia fugitivos ? Como é_que ... - Agora não , Arthur - disse Mrs . Weasley . - O pó de Floo é muito mais rápido , querido , mas , valha me Deus , se ele nunca o usou ... - Vai correr bem , mãe - disse o Fred . - Harry observa nos primeiro . Tirou uma pitada de pó brilhante de dentro de o vaso , aproximou se de o lume e lançou o pó em as chamas . Com um rugido , o fogo ficou verde-esmeralda e elevou se a uma altura superior a a de o Fred que avançou , gritando Diagon - _ Al ! E desapareceu . - Tens de falar claramente , filho - disse Mrs._Weasley a o Harry , ao_mesmo_tempo que George metia a mão em o vaso de as flores . - E vê se sais em o fogão certo . - Em o quê ? - perguntou Harry , nervoso , enquanto o lume crepitava e fazia George desaparecer também . - Bem , há imensos fogos de feiticeiros , mas desde_que te tenhas expressado claramente ... - Ele vai conseguir , Molly , não te preocupes - disse Mr._Weasley , tirando também ele algum pó . - Mas querido se ele se perde como é_que vamos justificar nos perante o tio e a tia de ele ... -- Eles não se importariam - tranquilizou a Harry . - O Dudley ia achar imensa piada se eu me perdesse em uma chaminé , não se preocupe . - Bem , em esse caso ... tu vais a seguir a o Arthur - disse Mrs._Weasley . - Logo_que entres em o fogo diz para_onde queres ir . - E mantém os cotovelos dobrados - preveniu o Ron . - E os olhos fechados - disse Mrs._Weasley . - A fuligem . - Não te enerves - disse o Ron . - Senão podes ir parar a a lareira errada . - Não entres em pânico e não queiras sair cedo de mais . Espera até veres o Fred e o George . Fazendo um enorme esforço por reter toda aquela informação , Harry tirou uma pitada de pó de Floo e avançou para a beirinha de o fogo . Respirou fundo , espalhou o pó em as chamas e entrou . O fogo parecia uma brisa quente . Abriu a boca e engoliu , de imediato , uma grande quantidade de cinzas quentes . D-dia-gon-al - tossiu . Sentiu se como_se estivesse a ser sugado para um buraco gigantesco . Como_se girasse muito depressa ... o ruído era ensurdecedor . Tentou manter os olhos abertos mas o turbilhão de chamas verdes fê lo enjoar ... algo duro bateu lhe em o cotovelo e dobrou o de imediato . Continuava a rodar , a rodar ... sentia se agora como_se várias mãos frias estivessem a bater lhe em a cara ... Espreitando através de os óculos , viu uma torrente imprecisa de fogões e captou lampejos de as salas que estavam por detrás ... as sanduíches de * bacon * davam lhe a volta dentro de o estômago ... fechou os olhos desejando que tudo aquilo parasse e então caiu , de cara em o chão , em a pedra fria e sentiu os óculos partirem se a os bocados . Desorientado e ferido , coberto de fuligem , pôs se cautelosamente de pé , levando a os olhos os óculos partidos . Estava completamente só e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava . Tudo_o_que podia dizer era que a o seu lado via uma lareira que lhe parecia ser a de uma enorme e indistinta loja de feitiçaria . Mas nenhum de os artigos que ali se encontravam tinham aspecto de fazer parte de a lista de a escola de Hogwarts . Em uma caixa de vidro podia ver se uma mão atrofiada que repousava sobre uma almofada , um baralho de cartas ensanguentado e um olho de vidro que o olhava fixamente . Máscaras de expressão maldosa enchiam as paredes , olhando de esguelha , uma enorme quantidade de ossos humanos estendia se sobre o balcão e , de o tecto , pendiam instrumentos aguçados com pontas de ferro e pregos enferrujados . Mas o pior é_que a rua estreita e escura , que Harry conseguia avistar através de a janela poeirenta de a loja , não era de modo algum a Diagon-al . Quanto_mais depressa saísse de ali , melhor . O nariz ainda a doer lhe em o sítio onde batera em o chão a o aterrar , Harry avançou rápida e silenciosamente em direcção a a porta , mas antes de conseguir chegar a meio caminho , duas pessoas apareceram de o lado de_fora de o vidro , e uma de elas era a última pessoa que Harry desejaria encontrar em o momento em que se encontrava perdido , coberto de fuligem e com os óculos partidos , Draco_Malfoy . Harry olhou rapidamente em volta e apercebeu se de a existência de um grande armário escuro a a sua esquerda , saltou lá para dentro e fechou as portas , deixando uma gretazinha para poder espreitar . Segundos depois , uma campainha tocava e Malfoy entrava em a loja . O homem que o acompanhava só podia ser o pai . Tinha o mesmo rosto pálido de feições agudas e os mesmos olhos cinzentos de gelo . Mr._Malfoy atravessou a loja , olhando maquinalmente para os artigos expostos e tocou a campainha de o balcão , antes de se voltar para o filho , dizendo : - Não mexas em nada , Draco . Malfoy , que vira o olho de vidro , disse : - Pensei que ias oferecer me um presente . - Eu prometi que ia comprar te uma vassoura de corrida - declarou o pai , tamborilando com os dedos sobre o balcão . - Para que é_que me serve , se não estou em a equipa de Quidditch ? - perguntou Malfoy , carrancudo e de mau humor . - O Harry_Potter teve uma Nimbus dois_mil o ano passado , com a autorização especial de o Dumbledor é para jogar em os Gryffindor . Ele nem é assim tão bom , é só por ser * famoso * ... famoso por ter uma estúpida cicatriz em a testa . Malfoy baixou se para observar uma prateleira cheia de crânios . - Todos acham que ele é tão esperto , o Potter maravilha , com a sua cicatriz e a sua vassoura ... - Já me disseste isso doze vezes pelo_menos - comentou Mr._Malfoy , olhando repressivamente para o filho . - E devo lembrar te que não é prudente parecer menos do_que amigo de Harry_Potter , quando a maior parte de a nossa gente vê em ele um herói que fez desaparecer o Senhor_do_Mal . Ah , Mr._Borgin . Um homem curvado surgiu por detrás de o balcão , puxando o cabelo gorduroso para trás . - Mr._Malfoy , que prazer vês o de_novo - disse Mr._Borgin , em uma voz tão untuosa como o cabelo . - Encantado , e o nosso jovem Malfoy também , encantado . Em que posso servi os ? Tenho que vos mostrar o que chegou hoje , a um preço muito razoável ... - Hoje não venho comprar , Mr._Borgin , e sim vender - afirmou Mr._Malfoy . - Vender ? - O sorriso apagou se lentamente em o rosto de Mr._Borgin . - Certamente ouviu dizer que o Ministério está a levar a cabo mais buscas - explicou o Mr._Malfoy , retirando de o bolso um rolo de pergaminho e desembrulhando o para Mr._Borgin o ler . - Eu tenho alguns , ah , artigos em casa que poderiam criar me problemas se o Ministério me batesse a porta . Mr._Borgin colocou em o nariz um par de * pince-nez * e olhou para a lista . - O Ministério não se lembraria de o incomodar certamente ... O lábio de Mr._Malfoy dobrou se . - Ainda não me fizeram nenhuma visita . O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito , mas o Ministério está a ficar cada_vez_mais intrometido . Há boatos sobre um novo decreto de protecção de os Muggles , sem dúvida que aquele mordido de as pulgas , adorador de os Muggles , que é o Arthur_Weasley deve estar por detrás de isso . Harry sentiu crescer a raiva . - E , como pode ver , alguns de estes venenos podiam dar a ideia ... - Compreendo perfeitamente , claro - disse Mr._Borgin . - Deixe me ver ... - Posso ter aquilo ? - interrompeu Draco , apontando para a mão raquítica que estava sobre a almofada . - Ah , a mão de a glória ! - exclamou Mr._Borgin , abandonando a lista de Mr._Malfoy e apressando se a responder a Draco . - Põe se lhe uma vela e ela só dá luz a quem a transporta ! A melhor amiga de os gatunos e de os salteadores , o seu filho tem gosto , senhor . - Espero que o meu filho venha a ser mais do_que gatuno ou salteador , Borgin - disse Mr._Malfoy friamente e Mr._Borgin respondeu logo : - Sem ofensa , senhor , sem querer ofender . - Embora , se as notas de a escola não melhorarem - disse Mr._Malfoy ainda mais friamente - esse possa vir a ser o único caminho possível para ele . - Não tenho culpa - retorquiu Draco . - Todos os professores têm os seus preferidos , aquela Hermione_Granger ... - Eu , em o teu lugar , teria vergonha que uma rapariga que nem_sequer pertence a famílias de feiticeiros , me passasse a a frente em todos os exames - interrompeu Mr._Malfoy . Ah - fez Harry baixinho , radiante por ver Draco atrapalhado e furioso . - É o mesmo em todo o lado - comentou Mr._Borgin em a sua voz untuosa . - O sangue de os feiticeiros conta cada_vez menos ... - Não para mim - afirmou Mr._Malfoy , com as longas narinas dilatadas . - Não senhor , nem para mim - concordou Mr._Borgin , inclinando se em uma vénia . - Em esse caso , talvez possamos voltar a a minha lista - disse Mr._Malfoy secamente . - Estou com alguma pressa , Borgin , tenho ainda hoje assuntos importantes a tratar em outro lado . Começaram a discutir os preços . Harry via nervosamente o Draco aproximar se de o seu esconderijo enquanto observava os objectos a a venda . Parou para examinar um enorme rolo de corda de carrasco e para ver , com um sorriso afectado , o cartão preso com um aparatoso laço de opalas onde podia ler se : * _ Cautela , não tocar . Amaldiçoado - reclama as vidas de dezanove donos , todos eles Muggles * . Draco voltou se e viu o armário mesmo em frente . Avançou , estendeu a mão para o puxador ... - Feito - disse Mr._Malfoy , a o balcão . - Vamos , Draco . Harry limpou a testa a a manga quando Draco se afastou . - Muito bom dia , Mr._Borgin . Espero por si amanhã em a mansão para ir buscar a mercadoria . Em o momento em que a porta se fechou , Mr._Borgin abandonou os seus modos subservientes . « Bom dia para o senhor , Mr._Malfoy , e , se as histórias que contam são verdadeiras , não me vendeu nem metade do_que tem escondido em a sua mansão ... » Murmurando de forma taciturna , Mr._Borgin desapareceu em uma sala escura . Harry esperou um minuto não fosse ele voltar e , em seguida , o mais silenciosamente possível , escapou se de o armário , passou por as caixas de vidro e saiu de a loja . Encostando os óculos partidos a o rosto , olhou em volta . Saíra em uma rua estreita e sombria que parecia composta exclusivamente de lojas dedicadas a as artes negras . Aquela de onde acabava de sair parecia ser a maior , mas em frente estava uma montra tétrica de cabeças encolhidas e duas portas abaixo podia ver se uma enorme caixa viva cheia de gigantescas aranhas pretas . Dois feiticeiros com aspecto pobre observavam o de a sombra de uma porta , murmurando entre si . Sentindo se nervoso , Harry pôs se a caminho , tentando agarrar os óculos a direito e não desistindo de a esperança de encontrar maneira de sair de ali . Por um cartaz de madeira , pendurado em a rua , indicando uma loja de venda de velas envenenadas , ficou a saber que se encontrava em a Rua * _ Bativolta * , mas isso não o ajudou pois Harry nunca ouvira falar em tal lugar . Calculou que não tinha pronunciado bem as palavras com a boca cheia de cinzas em a lareira de os Weasley . Tentando manter a calma perguntou a si mesmo o que havia de fazer . - Não estás perdido , pois não , meu menino ? - perguntou uma voz , mesmo junto de o seu ouvido , que o fez dar um salto . Uma bruxa idosa estava em a sua frente , segurando um tabuleiro de uma coisa que se parecia horrivelmente com unhas humanas . A mulher olhou o maldosamente , mostrando os dentes esverdeados . Harry recuou . - Estou bem , obrigado - disse . - Estou só ... - HARRY ! O qu'é que pensas que estás a fazer aqui ? O coração de Harry deu um salto , assim_como o de a bruxa . Um monte de unhas caíram lhe sobre os pés e ela praguejou , enquanto o corpo enorme de Hagrid , o guarda de os campos de Hogwarts , se aproximava de eles a passos largos com os olhos castanhos-escuros a faiscarem sobre a longa barba eriçada . - Hagrid - gritou Harry , aliviado . - Eu estava perdido ... o pó de Floo ... Hagrid agarrou Harry por o cachaço e puxou o para longe de a bruxa , tirando lhe o tabuleiro de as mãos . Os guinchos agudos de a feiticeira seguiram nos até a o fundo de a ruela serpenteante que ia dar a um lagar onde brilhava o sol . Harry avistou a a distância um edifício de mármore branco como a neve que lhe era familiar : o banco de Gringotts . Hagrid conduzira o até a a Diagon - _ Al . - ` _ tás em um péssimo estado ! - disse Hagrid bruscamente , sacudindo lhe a fuligem com tanta força que Harry quase caiu em um barril de estrume de dragão que se encontrava a a porta de um boticário . - A fugir , em a Rua * _ Bativolta * , eu não conheço esse lugar finório , Harry , não quero que ninguém te veja aqui em baixo . - Já percebi - disse Harry , baixando se quando Hagrid fez menção de o escovar melhor . - Já te disse que estava perdido . E o que é_que tu fazes aqui ? - ` _ Tou a a procura d'um repelente para as lesmas comedoras de legumes - resmungou Hagrid . - ` _ tão a destruir as couves todas de a escola . Tu não estás sozinho ? - Estou em casa de os Weasley , mas separámo nos explicou Harry . - Tenho que os encontrar . Desceram juntos a rua . - Por_que é_que nunca respondeste a as minhas cartas ? - perguntou Hagrid , enquanto Harry corria para o acompanhar ( tinha de dar três passos por cada enorme passada de Hagrid ) . Harry explicou lhe tudo sobre Dobby e os Dursleys . - Malditos_Muggles - rugiu Hagrid . - S'eu tivesse sabido ... - Harry ! Harry ! Aqui ! Harry olhou para_cima e viu Hermione_Granger em o topo de a escadaria de Gringotts . Desceu para vir a o encontro de ele , o cabelo castanho de caracóis , a esvoaçar atrás de ela . - O que aconteceu a os teus óculos ? Olá_Hagrid ... Oh , é maravilhoso ver vos outra_vez . Vens a Gringotts , Harry ? - Logo_que encontre os Weasley - respondeu ele . - Não vais ter d'esperar muito - riu se Hagrid . Harry e Hermione olharam em volta . Subindo a rua , em o meio de a multidão , vinham Ron , Fred , George , Percy e Mr._Weasley . - Harry - chamou Mr._Weasley , ofegante . - Tínhamos esperança que só tivesses ido um fogão mais longe ... - passou um pano em a sua calva reluzente . - A Molly está nervosíssima , aí vem ela . - Onde é_que tu saíste ? - perguntou o Ron . - Em a Rua * _ Bativolta * - disse o Hagrid , com um ar sério . - Sensacional ! - exclamaram Fred e George ao_mesmo_tempo . - Nunca nos deram autorização para lá ir - disse o Ron com uma pontinha de inveja . - E fizeram muito bem - grunhiu Hagrid . Mrs._Weasley chegou em aquele momento a correr , a mala a balouçar em uma de as mãos e Ginny quase pendurada em a outra . - Oh Harry , oh meu querido , podias ter ido parar a qualquer lugar ... Tentando recuperar o fôlego , tirou de a mala uma grande escova de roupa e começou a retirar a fuligem que Hagrid não conseguira expulsar . Mr._Weasley pegou em os óculos de Harry , deu lhes um toque de varinha e entregou lhe os como novos . - Bem , tenho de m'ir embora - disse Hagrid cuja mão estava a ser esmagada por Mrs._Weasley ( -- Rua * _ Bativolta * ! Se não o tivesses encontrado , Hagrid ! ) . - Vemo nos em Hogwarts . - E afastou se , os ombros e a cabeça acima de a multidão que enchia completamente a rua . - Adivinham quem eu vi em o Borgin and Burkes ? - perguntou Harry_a_Ron e a Hermione enquanto subiam as escadarias de Gringotts . - Malfoy e o pai . - O Lucius_Malfoy comprou alguma coisa ? - perguntou interessado Mr._Weasley que estava atrás de eles . - Não , estava a vender . - Então está preocupado - comentou Mr._Weasley com visível satisfação . - Ah , eu adorava apanhar o Lucius_Malfoy em alguma . . - Tem cuidado , Arthur - interrompeu Mrs._Weasley enquanto o gnomo porteiro lhes dava reverentemente entrada em o banco . - Isso é um problema de família . Não queiras ter mais olhos que barriga . - Queres dizer com isso que achas que eu não chego para o Malfoy ? - perguntou Mr._Weasley , indignado , mas foi rapidamente afastado de aqueles sentimentos a o avistar os pais de Hermione que estavam de pé , nervosamente encostados a o balcão que acompanhava a grande parede de mármore , a a espera que Hermione os apresentasse . - Mas vocês são Muggles ! - disse Mr._Weasley , encantado . - Temos de tomar uma bebida . O que é isso aí ? Ah , estão a trocar dinheiro de Muggle . Molly , olha - apontou cheio de excitação para as notas de dez libras que Mr._Granger tinha em a mão . - Encontramo nos aqui - disse Ron_a_Hermione , enquanto os Weasley e Harry eram conduzidos a os seus cofres em o subterrâneo de Gringotts . Para chegar a os cofres havia que tomar umas carrinhas conduzidas por gnomos que se deslocavam ao_longo_de carris de comboio de pequenas dimensões através de os túneis subterrâneos de o banco . Harry gostou de a viagem acidentada até a o cofre de os Weasley , mas sentiu se bastante mal , pior do_que em a Rua * _ Bativolta * , quando o cobre foi aberto . Havia lá dentro um pequenino monte de Leões de prata e apenas um Galeão de ouro . Mrs._Weasley foi com a mão a a procura em os cantos antes de , com um gesto rápido , varrer tudo para dentro de o saco . Harry sentiu se ainda pior quando chegaram a o seu cofre . Tentou evitar que vissem o conteúdo enquanto empurrava apressadamente mãos cheias de moedas para dentro_de uma sacola de cabedal . Lá fora , em as escadarias de mármore , separaram se . Percy murmurou vagamente que precisava de uma nova pena de escrever . Fred e George tinham avistado um amigo de Hogwarts , Lee_Jordan . Mrs._Weasley e Ginny iam a uma loja de mantos em segunda mão , Mr._Weasley continuava a insistir em levar os Grangers a o Caldeirão_Escoante para lhes pagar uma bebida . - Encontrarmo nos todos em a Flourish and Blotts dentro_de uma hora para comprar os vossos livros de estudo - disse Mrs._Weasley , afastando se com Ginny . - E nem um passo em direcção a a Rua * _ Bativolta * - gritou a os gémeos que estavam de costas . Harry , Ron e Hermione deambularam por a rua empedrada e sinuosa . O ouro , prata e bronze que tilintavam alegremente em o saco que Harry tinha em o bolso pareciam exigir ser gastos , por isso ele comprou três enormes gelados de morango e manteiga de amendoim que eles devoraram felizes enquanto vagueavam sem destino por a rua fora , observando as montras fantásticas de as lojas . Ron olhou longamente para um conjunto completo de mantos de o Chudley_Cannon , em as montras de o « Equipamento_de_Quidditch_de_Qualidade » até Hermione o arrastar de ali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos . Em a « Jogos_de_Feitiçaria_de_Gambol and Japes » encontraram o Fred , o George e o Lee_Jordan que estavam presos em a fabulosa partida debaixo_de chuva e em os fogos-de-artifício de o Dr._Filibuster . E em uma pequenina loja de velharias cheia de varinhas partidas , balanças instáveis de latão e mantos velhos cobertos de nódoas de poções encontraram Percy profundamente concentrado em um pequenino livro , bastante chato , chamado * _ Prefeitos que conquistam o poder * . - * _ Um estudo sobre os prefeitos de Hogwarts e as suas posteriores carreiras * - leu alto o Ron em a contracapa . - Deve ser fascinante ... - Desaparece - gritou Percy . - Claro , ele é muito ambicioso , já tem tudo planeado . Quer ser ministro de a magia - disse o Ron baixinho a o Harry e a a Hermione , enquanto deixavam Percy entregue a o livro . Uma hora mais tarde dirigiram se a a Flourish and Blotts . Não eram de modo algum os únicos a encaminhar se para a livraria . À_medida_que se aproximavam viram com grande surpresa uma grande multidão a a porta , tentando entrar em a loja . O motivo de tal confusão estava anunciado em um cartaz que se estendia a o longo de a montra superior . GILDEROY_LOCKHART_Assinará exemplares de a sua autobiografia " eu , o mágico " Hoje 12.30 - 16.30 - Vamos poder conhecê o ! - gritou Hermione . - Quero dizer , ele escreveu quase todos os livros de a nossa lista ! A multidão parecia ser maioritariamente composta por bruxas de a idade de Mrs._Weasley . Um feiticeiro bem-parecido estava de pé junto de a porta , dizendo : - Calma , minhas senhoras , não empurrem , cuidado com os livros . Harry , Ron e Hermione conseguiram furar e entrar . Uma longa fila serpenteava para as traseiras de a loja onde Gilderoy_Lockhart estava a assinar os seus livros . Cada_um de eles pegou em um exemplar de * _ ensinamentos de Uma Fada_Carpideira * e escaparam se de a fila indo ter a o lugar onde se encontravam os outros com Mr. e Mrs._Granger . - Ah , aí estão vocês . _ óptimo - disse Mrs._Weasley que parecia estar com falta de ar e não parava de mexer em o cabelo . - Vamos poder vês o dentro_de um minuto . Gilderoy_Lockhart veio lentamente até um lugar onde era visível para todos , sentou se a uma mesa , rodeado de grandes fotografias de o próprio rosto , todo ele sorrisos , mostrando a a multidão o brilho cintilante de os seus dentes . Lockhart usava uma túnica azul-noite que condizia a as mil maravilhas com a cor de os olhos , o chapéu pontiagudo de feiticeiro colocado lateralmente sobre o cabelo ondulado . Um homenzinho pequenino e irritante andava a dançar de um lado para o outro , tirando fotografias com uma grande máquina preta que lançava baforadas de fumo arroxeado em cada * flash * . - Sai de o caminho , tu aí - disse rispidamente a o Ron , mudando de lugar para ter um angulo melhor . - Este é para o * _ Profeta_Diário * . - Grande coisa ! - exclamou o Ron , esfregando os pés em o lugar que o fotógrafo pisara . Gilderoy_Lockhart ouviu o . Olhou , viu o Ron e em seguida Harry . Voltou a olhar , desta_vez com mais atenção . Em seguida , pôs se de pé e gritou : - Não pode ser , o Harry_Potter ? A multidão dividiu se entre murmúrios de excitação . Lockhart aproximou se , agarrou Harry por um braço e levou o para a frente . A multidão rebentou em aplausos . A cara de Harry ardia quando Lockhart lhe apertou a mão para o fotógrafo que disparava como um louco , lançando fumo espesso para_cima de os Weasley . - Belo sorriso , Harry - disse Lockhart através de os seus dentes brilhantes . - Tu e eu juntos merecemos a primeira página . Quando por fim lhe largou a mão , Harry quase não sentia os dedos . Tentou recuar para junto de os Weasley , mas Lockhart lançou lhe um braço por os ombros e prendeu o a o seu lado . - Minhas senhoras e meus senhores - disse bem alto , fazendo sinal para que se acalmassem . - Que momento extraordinário este ! O momento perfeito para eu anunciar algo que tenho vindo a guardar comigo desde_há algum tempo . - Quando o jovem Harry entrou em a Flourish and Blotts hoje , ele queria apenas comprar a minha autobiografia , que tenho agora o maior prazer em oferecer lhe - a multidão aplaudiu de_novo . - Ele não tinha ideia - continuou Lockhart , dando a o Harry um pequeno encontrão que fez com que os óculos lhe escorregassem para a ponta de o nariz - de que ia conseguir em_breve muito mais do_que o meu livro Eu , o mágico . Ele e os seus colegas de a escola vão receber , de facto , o verdadeiro * _ Eu , o mágico * . Sim , minhas senhoras e meus senhores , tenho o maior prazer em anunciar que em o mês_de_Setembro assumirei o lugar de professor de Defesa contra as artes negras em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts ! A multidão aplaudiu e bateu palmas e Harry deu consigo a ser presenteado com a obra completa de Gilderoy_Lockhart . Cambaleando ligeiramente sob o peso de os livros conseguiu abrir caminho para longe de os projectores até a a porta de a sala onde estava Ginny com o seu novo caldeirão . - Podes ficar com estes - murmurou Harry , enfiando os livros em o caldeirão . - Eu vou comprar os meus . - Aposto que adoraste aquilo , não adoraste , Potter ? - disse uma voz que Harry não teve qualquer dificuldade em reconhecer . Endireitou se e deu consigo frente_a_frente com Draco_Malfoy que exibia o seu habitual sorriso escarninho . - O famoso Harry_Potter - disse Malfoy . - Nem_sequer pode entrar em uma livraria sem se tornar primeira página . - Deixa o em paz , ele não queria nada de isso - defendeu a Ginny . Era a primeira vez que falava em frente de Harry . Olhava para Malfoy com um ar feroz . - Potter , arranjaste uma namorada ! - disse arrastadamente Malfoy . Ginny ficou vermelha como um pimentão enquanto Ron e Hermione tentavam abrir caminho , ambos carregando montes de livros de Lockhart . -- Ah és tu ? - disse Ron , olhando para Malfoy como_se ele fosse algo desagradável colado a a sola de o sapato . - Aposto que te surpreendeu ver o Harry aqui ? - Não tanto como a ti em uma loja , Weasley - retorquiu Malfoy . - Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo . Ron ficou tão vermelho quanto Ginny . Deixou também cair os livros em o caldeirão e avançou para Malfoy , mas Harry e Hermione agarraram o por as costas de o casaco . - Ron - disse Mrs._Weasley , aproximando se com Fred e George . - O que estás a fazer ? Isto está uma loucura aqui dentro , vamos lá para fora . - Olha quem ele é , Arthur_Weasley . - Era_Mr._Malfoy . Estava de pé com a mão sobre o ombro de Draco , com o mesmo sorriso escarninho . -- Lucius - disse Mr._Weasley , acenando friamente . -- Muito trabalho em o ministério , segundo me consta - disse Mr._Malfoy . - Todas essas buscas ... espero que te estejam a pagar horas extraordinárias . Meteu a mão em o caldeirão de a Ginny e tirou de o meio de os livros de Lockhart um exemplar muito velho e muito gasto de o * _ Guia_de_Transfiguração_para_Principiantes * . - Parece que não - disse . - Que diabo , qual a vantagem de ser uma nódoa entre os feiticeiros se nem_sequer te pagam bem por isso ? Mr._Weasley corou mais ainda do_que Ron ou Ginny . - Nós temos uma opinião diferente sobre quem são as nódoas entre os feiticeiros - disse . - É claro que ... - disse Mr._Malfoy , os olhos mortiços passando para Mr. e Mrs._Granger apreensivamente . - As companhias com quem tu andas ... e eu que pensava que já não conseguias descer mais baixo ... Ouviu se um tilintar de metal quando o caldeirão de a Ginny foi por os ares . Mr._Weasley lançara se sobre Mr._Malfoy atirando o para dentro_de uma estante . Dezenas_de livros de feitiços saltaram lá de cima , caindo lhes sobre as cabeças . Houve um grito de - Chega lhe , pai ! - de o Fred e de o George . Mrs._Weasley soltava gritos agudos : - Não_Arthur , não . A multidão recuava deitando mais prateleiras a o chão . - Meus senhores , por favor - gritava o encarregado , e então , mais alto do_que todos : - Parem com isso , gente , parem com isso . Hagrid aproximava se através_de um mar de livros . Em um segundo afastou Mr._Weasley e Mr._Malfoy . Mr._Weasley tinha um lábio cortado e Mr._Malfoy fora agredido em um olho por uma * _ Enciclopédia_de_Cogumelos_Venenosos * . Tinha ainda em a mão o livro velho de a Ginny sobre transfiguração . Atirou lhe o , com os olhos a brilhar de malvadez . - Toma o teu livro , garota . É o melhor que o teu pai pode oferecer te . Libertando se de Hagrid , conduziu Draco para fora e abandonaram a livraria . - Devias tê o ignorado , Arthur - disse Hagrid quase a pegar em Mr._Weasley a o colo enquanto lhe endireitava o manto . - São podres até a a raiz , todos eles . Tod'à gente sabe . Nenhum Malfoy vale a pena ser ouvido . Não prestam , ' tá-lhes em o sangue . Vá lá , vamos sair de aqui . O encarregado parecia querer impedis os , mas , olhando bem para Hagrid , pensou melhor . Subiram a rua , os Grangers a tremer de medo e Mrs._Weasley fora de si . - Um belo exemplo para as crianças ... andar a a pancada em público . O que terá pensado Gilderoy_Lockhart ? - Ele gostou - disse o Fred . - Não o ouviram quando ia a sair ? Estava a perguntar a aquele tipo de o Profeta_Diário se conseguia incluir a briga em a reportagem , disse que era boa publicidade . Mas foi um grupo deprimido que regressou a a lareira de o Caldeirão_Escoante onde Harry , os Weasley e todas_as suas compras iriam viajar de volta até a a Toca , usando o pó de Floo . Despediram se de os Grangers que iam sair de o * pub * por a rua de os Muggles , de o outro lado . Mr._Weasley começou a perguntar lhes como funcionavam as paragens de autocarros , mas calou se rapidamente a o ver a expressão de Mrs._Weasley . Harry tirou os óculos e guardou os cautelosamente em o bolso antes de utilizar o pó de Floo . Definitivamente não era a sua forma ideal de viajar . V_O salgueiro zurzidor O fim de as férias de Verão chegou demasiado depressa para o gosto de Harry . Ele desejara muito regressar a Hogwarts , mas aquele mês em a Toca tinha sido o mais feliz de toda_a sua vida . Era difícil não invejar o Ron quando pensava em os Dursleys e em as boas-vindas que ia receber de a próxima vez que pusesse os pés em Privet_Drive . Em a última noite , Mrs._Weasley preparou um jantar magnífico , que incluía os pratos favoritos de Harry e terminava com um pudim de melaço de fazer crescer água em a boca . Fred e George alegraram a noite com uma exibição de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que saltaram de o tecto para as paredes , durante pelo_menos meia_hora . Depois , foi a altura de tomarem uma caneca de chocolate quente e irem para a cama . Em a manhã seguinte , demoraram muito_tempo a preparar se . Levantaram se com o cantar de o galo , mas parecia lhes que ainda tinham muito para fazer . Mrs._Weasley andava de um lado para o outro , mal-humorada , a a procura de meias e penas , chocavam uns com os outros em as escadas , meio vestidos , meio despidos , com pedaços de torrada em as mãos e Mr._Weasley quase partiu o nariz quando tropeçou em uma galinha a o atravessar o pátio , para meter em o carro a mala de Ginny . Harry não percebia lá muito bem_como é_que oito pessoas , seis grandes malas , duas corujas e um rato , iam caber em um pequeno * _ Ford_Anglia * , isso , claro , antes de as artes mágicas que Mr._Weasley acrescentara . - Nem uma palavra a a Molly - murmurou ele a o Harry , enquanto abria a bagageira e lhe mostrava como ela se expandira para que as malas coubessem facilmente . Quando , por fim , se acomodaram todos em o carro , Mrs._Weasley olhou para o banco de trás , onde Harry , Ron , Fred , George e Percy estavam confortavelmente sentados uns a o lado de os outros e disse : - Os Muggles têm mais conhecimentos do_que aqueles que nós lhes atribuímos , não achas ? - Ela e a Ginny entraram para o lugar de a frente , que fora esticado e parecia um banco de jardim . - Quer_dizer , de_fora ninguém diria que este carro era espaçoso , não acham ? Mr._Weasley pôs o motor a funcionar e saíram de o pátio , Harry voltando se para trás para ver por a última vez a casa . Mal teve tempo de se questionar se iria voltar alguma vez e já estavam de volta : George esquecera se de a caixa de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Cinco minutos mais tarde tiveram de interromper de_novo a viagem e voltar a o pátio para o Fred ir a correr buscar a vassoura . Estavam quase a chegar a a auto-estrada , quando Ginny guinchou que se esquecera de o diário . Mas estava a fazer se muito tarde e os ânimos começavam a exaltar se . Mr._Weasley olhou para o relógio e , em seguida , para a mulher . - Molly , querida ... - Não , Arthur . - Ninguém ia ver . Este botãozinho é um transformador de invisibilidade que eu instalei , levava nos por o ar , subíamos acima de as nuvens . Estaríamos lá em dez minutos e ninguém daria por nada ... - Eu disse que não , Arthur . Durante o dia , não . Chegaram a King's_Cross , faltava um quarto para as onze . Mr._Weasley precipitou se em busca de um carrinho de transporte para as malas e correram todos para a estação . Harry apanhara o Expresso_de_Hogwarts em o ano anterior . A parte mais difícil era entrar em a plataforma nove_e_três quartos , que não era visível a os olhos de os Muggles . Era preciso avançar para a barreira sólida que dividia as plataformas nove e dez . Não doía nada , mas tinha de ser feito com cuidado para que nenhum de os Muggles de esse , por o desaparecimento . - O Percy em primeiro lugar - declarou Mrs._Weasley , olhando nervosamente para o relógio lá em cima , que mostrava que tinham apenas cinco minutos para desaparecer através de a barreira . Percy avançou a passos largos e desapareceu . Mr._Weasley foi a seguir e depois de ele Fred e George . - Eu levo a Ginny e vocês vêm atrás_de nós - disse Mrs._Weasley a o Harry e a o Ron , agarrando Ginny pela mão e seguindo em frente . Em um abrir e fechar de olhos , tinham passado . - Vamos passar juntos , só temos um minuto - disse Ron a o Harry . Harry assegurou se de que a gaiola de a Hedwig estava bem fixa em cima de a sua mala e empurrou o carrinho de encontro a a barreira . Estava perfeitamente confiante , aquilo era muito mais fácil do_que usar o pó de Floo . Puseram os dois as mãos em o puxador de os carrinhos e avançaram direitos a a barreira , ganhando velocidade . A um metro e pouco , começaram a correr e ... CRASH . Os dois carros bateram em a barreira e foram impelidos para trás . A mala de o Ron caiu com um enorme estrépito . Harry desequilibrou se e a gaiola de a Hedwig foi parar a o chão brilhante , enquanto ela rolava guinchando , indignada . As pessoas em volta olhavam fixamente e um guarda que estava ali perto gritou : - Que diabo pensam vocês que estão a fazer ? - Perdemos o controlo de o carro de transporte - respondeu o Harry , respirando com dificuldade , agarrando se a as costelas , enquanto se punha de pé . Ron correu a agarrar a Hedwig , que estava a fazer uma cena tal , que já se ouviam murmúrios em a multidão sobre a crueldade para com os animais . - Porque é_que não conseguimos passar ? - perguntou Harry a o Ron em um sussurro . - Não sei . Ron olhou descontroladamente em volta . Uma_dúzia de curiosos estavam ainda a observá os . - Vamos perder o comboio - murmurou o Ron . - Não compreendo porque motivo a cancela se fechou . Harry olhou para o relógio gigantesco com um sentimento de náusea em a boca de o estômago . Dez segundos , nove segundos ... Dirigiu o carrinho de transporte para a frente com toda_a força . O metal manteve se sólido . Três segundos ... dois segundos ... um segundo ... - Partiu - afirmou o Ron , que parecia estonteado . - O comboio foi se embora . E se a mãe e o pai não conseguem voltar para aqui ? Tens algum dinheiro de Muggle ? Harry deu uma gargalhada . - Os Dursleys não me dão um tostão há mais de seis anos ! Ron encostou o ouvido a a barreira . - Não se ouve nada - disse , bastante tenso . - O que vamos nós fazer ? Não sei quanto tempo o pai e a mãe vão demorar . Olharam em volta . As pessoas ainda estavam a observá os , principalmente devido a os contínuos guinchos de a Hedwig . - Acho que o melhor é sairmos de aqui e esperamos por eles junto de o carro - disse Harry . - Aqui estamos a atrair demasiado as aten ... - Harry - disse o Ron , com os olhos a brilhar . - É isso , o carro . - O que é_que tem ? - Podemos voar nele até Hogwarts ! - Mas eu pensei ... - Estamos em apuros , certo ? E temos de chegar a a escola , ou não ? E mesmo os feiticeiros menores de idade estão autorizados a usar a magia em uma emergência real , parágrafo dezanove , ou não sei quê , de a Restrição de ... O sentimento de pânico de Harry transformou se em entusiasmo . - E tu sabes voar nele ? - Não há problema - disse o Ron , andando com o carrinho a a volta e dirigindo se para a saída . - Anda de aí . Se em os apressarmos , conseguiremos sair atrás de o Expresso_de_Hogwarts . E afastaram se de o grupo de Muggles curiosos , abandonando a estação e voltando a a rua , onde o velho * _ Ford_Anglia * se encontrava estacionado . Ron abriu a bagageira com uma série de toques de varinha . Meteram lá dentro as malas , puseram a Hedwig em o assento de trás e entraram para a frente . - Verifica se ninguém está a ver - disse o Ron , ligando a ignição com outro toque de varinha . Harry pôs a cabeça fora de a janela : o trânsito enchia a avenida principal , mas a rua de eles estava vazia . - O. _ K. - disse . Ron carregou em um pequeno botão de o painel . Os carros em volta desapareceram assim_como eles . Harry sentia o assento a vibrar debaixo_de si , ouvia o motor , sentia as mãos sobre os joelhos e os óculos em o nariz , mas , tanto quanto conseguia ver , tornara se um par de olhos redondos flutuando um metro e pouco acima de o chão em uma rua suja , cheia de carros estacionados . - Vamos - disse a voz de o Ron , vinda de o seu lado direito . O chão e os prédios escuros de ambos os lados desapareceram de o seu ângulo de visão , mal o carro se elevou . Em poucos segundos toda_a cidade de Londres , enevoada e resplandecente , estava por baixo de eles . Em seguida , ouviu se um ruído que parecia o saltar de uma rolha e o carro , Harry e Ron , reapareceram . - Oh , oh - disse Ron , batendo em o intensificador de invisibilidade . - Está avariado ... Começaram os dois a bater em o botão . O carro desapareceu . Depois surgiu de forma intermitente . - Aguenta aí - gritou o Ron e carregou com o pé em o acelerador . Saltaram direitinhos para o meio de as nuvens mais baixas e tudo ficou sujo e enevoado . - E agora ? - exclamou Harry , piscando os olhos a a sólida massa de nuvens que os comprimia de todos os lados . - Precisamos de avistar o comboio para sabermos qual a direcção a tomar - explicou o Ron . - Desce rapidamente ... Desceram por o meio de as nuvens e voltaram se em os lugares , espreitando . - Estou a vê o - gritou Harry . - Mesmo em frente , ali . O Expresso_de_Hogwarts deslocava se a grande velocidade lá em baixo , como uma serpente vermelha . - Para Norte - disse o Ron , verificando a bússola de o painel . - O. _ k . , basta que verifiquemos de meia em meia_hora . Aguenta aí ... - e arrancaram por o meio de as nuvens . Em o minuto seguinte , tinham chegado a a luz brilhante de o Sol . Era um mundo diferente . Os pneus de o carro deslizavam sobre o mar de nuvens macias , o céu era de um azul infinito sob a luz , capaz de cegar , que irradiava de o Sol . - Agora só temos de nos preocupar com os aviões - disse o Ron . Olharam um para o outro e desataram a rir . Durante muito_tempo não conseguiram parar . Era como_se tivessem mergulhado em um sonho fabuloso . Aquela , pensou Harry , era certamente a única maneira de viajar : passando por turbilhões e torres de nuvens cor de neve , em um carro cheio de calor , o sol radioso , com um grande pacote de rebuçados em o porta-luvas e antegozando o ar de inveja de o Fred e de o George quando aterrassem suavemente e de forma espectacular em o relvado macio em frente de o castelo de Hogwarts . Espreitaram várias vezes o comboio enquanto voavam cada_vez_mais para norte . Cada descida entre as nuvens dava lhes uma perspectiva diferente . Londres depressa ficou para trás , substituída por campos verdejantes que , por sua vez , deram lugar a grandes pântanos arroxeados , aldeias com pequenas igrejas de brinquedo e uma grande cidade , cheia de vida , com carros que pareciam formigas multicores . Várias horas mais tarde sem acontecer nada de_novo , Harry teve de admitir que uma parte de o entusiasmo se esgotara . Os rebuçados tinham nos deixado cheios de sede e não havia nada para beber . Ele e o Ron tinham tirado as camisolas , mas a * _ T-shirt * de o Harry estava colada a as costas de o assento e os óculos não paravam de lhe escorregar para a ponta de o nariz . Deixara de reparar em as fabulosas formas de as nuvens e pensava com saudade em o comboio , milhas abaixo de eles , onde se podia comprar sumo fresquinho de abóboras em um carro empurrado por uma bruxa gordinha . Porque não teriam conseguido entrar em a plataforma nove_e_três quartos ? - Não pode ser muito mais longe , pois não ? - resmungou o Ron , horas mais tarde quando o Sol começava a enfiar se em o seu chão de nuvens , pintando as de um rosa profundo . - Estás pronto para outra espreitadela a o comboio ? Ainda ia mesmo por baixo de eles , abrindo caminho por_entre uma montanha com o topo coberto de neve . Estava muito mais escuro entre o dossel de nuvens . Ron pôs o pé em o acelerador e levou os de_novo para_cima , mas em esse momento o motor começou a chiar . Harry e Ron trocaram entre si olhares nervosos . - Deve estar só cansado - disse o Ron . - Nunca tinha vindo tão longe ... - E fingiram ambos que não davam por o gemido que se ia tornando maior à_medida_que o céu serenamente escurecia . As estrelas desabrochavam em a escuridão , Harry voltou a enfiar a camisola de lã , tentando ignorar os limpa pára-brisas que acenavam debilmente como_que a protestar . - Não devemos estar longe - disse Ron , dirigindo se mais a o carro do_que a o amigo . - Já não devemos estar longe - deu umas palmadinhas nervosas em o * tablier * . Pouco depois , quando voltaram a voar em o meio de as nuvens , tiveram de olhar de lado em a escuridão , em busca de um ponto de referência que conhecessem . - Ali - gritou Harry , fazendo o Ron e a Hedwig darem um salto . - Mesmo em frente . Recortados em o horizonte negro , sobre o rochedo de o outro lado de o lago , erguiam se as torres e torreões de o castelo de Hogwarts . Mas o carro tinha começado a estremecer e perdia a os poucos velocidade . - Vá lá - disse o Ron , dando a o volante um pequeno abanão bajulador . - Estamos quase a chegar , vá lá ... O motor gemeu . Pequenos jactos de vapor de água brotaram de o capo . Harry deu consigo agarrado com toda_a força a os bordos de o assento enquanto voavam direitos a o lago . O carro deu um solavanco feio . Espreitando por a janela , Harry viu a superfície negra , macia e espelhada de a água cerca de uma milha abaixo de eles . Os dedos de o Ron agarrados a o volante tinham as articulações brancas . O carro deu um novo esticão . - Vá lá - murmurou o Ron . Estavam sobre o lago ... o castelo ficava mesmo em frente . Ron fez força com o pé . Houve um ruído surdo , uma crepitação e o motor morreu por completo . - Oh ! oh ! - gemeu Ron em o silêncio . O nariz de o carro voltou se para baixo . Estavam a cair , ganhando velocidade em direcção a os muros sólidos de o castelo . - Naaaaão ! - gritou o Ron , girando o volante . Escaparam a a muralha de pedra negra por centímetros , quando o carro fez um grande arco , planando primeiro sobre as estufas , depois sobre o rectângulo plantado com vegetais e , por fim , sobre os relvados , perdendo sempre velocidade . Ron largou o volante por completo e tirou a varinha de o bolso de trás . - __ pára ! __ pára ! - gritou , batendo em o * tablier * e em o pára-brisas , mas eles continuavam a mergulhar , o chão a voar em direcção a eles . - : __ cuidado com essa __ árvore ! ! ! - bramiu Harry , deitando a mão a o volante , mas ... tarde de mais ... CRUNCH . Com um ruído ensurdecedor de metal e madeira , bateram em o tronco espesso de a árvore e caíram em o chão com um forte solavanco . O vapor era um mar debaixo de o capo amachucado . A Hedwig tremia apavorada . Em a cabeça de Harry surgira um alto de o tamanho de uma bola de golfe , quando ele batera em o pára-brisas , tombando em seguida para a direita . Ron soltou um gemido longo e desesperado . - Estás O. _ K ? - perguntou Harry , aflito . - A minha varinha - disse o Ron em uma voz trémula . - Olha para a minha varinha . Tinha se partido praticamente em duas , a ponta balouçava mole , presa por meia_dúzia de esquírolas . Harry abriu a boca para dizer que em a escola com certeza conseguiriam consertá a , mas nem chegou a começar a frase . Em esse preciso momento , algo bateu em o seu lado de o carro , com a força de um touro , projectando o para_cima de o Ron , ao_mesmo_tempo que um golpe igualmente forte se sentiu em o capô . - O que está a acontec ... Ron arfou , olhando fixamente por o pára-brisas e Harry olhou em volta , mesmo a_tempo_de ver uma ramada espessa como uma píton vir contra o vidro . A árvore em que tinham batido estava a atacá os . O tronco dobrara se quase a meio e os seus galhos rugosos davam uma tareia a cada centímetro de o carro que conseguiam atingir . - Ah ! - praguejou o Ron , quando outra pernada retorcida esmurrou a sua porta , amolgando a . O pára-brisas tremia agora sob uma saraivada de golpes vindos de galhos que pareciam patas de animais e uma ramada espessa como um aríete esmagava furiosamente o capo , que parecia estar a ceder ... - Corre ! - gritou o Ron , lançando o seu peso contra a porta , mas , em o momento seguinte , tinha sido atirado para trás , para o colo de Harry por um soco maldoso , dado de baixo para_cima , por outro ramo . - Estamos feitos ! - resmungou , enquanto o tecto descaía . Mas , de repente , o chão de o carro estava a vibrar , o motor pegara . - Marcha atrás - gritou o Harry e o carro deu um salto para trás . A árvore tentava ainda agredis os , ouviam as raízes chiar , enquanto quase se partiam esticando se para os alcançar . - Escapámos por_pouco ! - exclamou o Ron . - Muito bem , carro . Mas o carro tinha atingido o limite de as suas forças . Com dois estalidos , as portas abriram se e Harry sentiu o seu assento inclinar se para o lado . Quando deu por si , estava estatelado em o chão húmido . Ruídos surdos avisaram o de que o carro estava a ejectar as malas de a bagageira . A gaiola de a Hedwig voou por os ares e abriu se . Ela saiu a voar com um pio furioso e dirigiu se a o castelo , sem sequer olhar para trás . Em seguida , o carro , amolgado , arranhado e a fumegar , arrancou em o escuro , com os faróis traseiros ardendo de fúria . - Volta aqui ! - gritou o Ron , brandindo a varinha partida . - O meu pai mata me . Mas o carro desapareceu a perder de vista , com um último estoiro de o tubo de escape . - Já viste bem o nosso azar ! ? - exclamou o Ron em o meio de a sua infelicidade , baixando se para apanhar o rato Scabbers . - De todas_as árvores em que podíamos ter batido , tínhamos de ir dar a uma que bate também . Olhou por cima de o ombro para a velha árvore que ainda agitava os ramos ameaçadoramente . - Vamos - disse Harry , fatigado . - É melhor irmos andando para a escola ... Não foi , de modo algum , a chegada triunfal que tinham imaginado . Constrangidos , cheios de frio e magoados , pegaram em as malas e começaram a arrastá as por o relvado acima , em direcção a as grandes portadas de carvalho . - Acho que o banquete já começou - disse o Ron , largando a mala em os degraus de a entrada e atravessando devagarinho para espreitar por uma janela iluminada . - Harry , anda ver , é a distribuição . Harry apressou se e os dois , ele e o Ron , espreitaram para o Salão_Nobre . Um número infindável de velas pairava em o ar , sobre quatro mesas enormes cheias de gente , fazendo brilhar os pratos dourados e as taças . Em cima , o tecto encantado que espelhava o céu lá de_fora , brilhava cheio de estrelas . Por_entre a floresta de chapéus pretos pontiagudos de Hogwarts , Harry viu uma longa fila de alunos de o primeiro ano com olhares assustados que enchia o vestíbulo . Ginny estava entre eles , facilmente reconhecível devido a o seu chamativo cabelo Weasley . Enquanto isso , a professora Mc_Gonagall , uma bruxa de óculos com cabelo castanho apanhado em um carrapito , colocava o famoso chapéu seleccionador em um banco que se encontrava em frente de os novos alunos . Todos os anos , aquele velho chapéu , remendado , puído e cheio de pó , seleccionava alunos para as quatro equipas de Hogwarts ( Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin ) . Harry lembrava se bem de o ter colocado em a cabeça , precisamente um ano antes , e ter esperado petrificado por a sua decisão , enquanto ele lhe murmurava a o ouvido . Durante alguns horríveis segundos receara que o chapéu o mandasse para os Slytherin , a equipa que produzia maior número de feiticeiros e feiticeiras de magia negra , mas acabara por ficar em os Gryffindor , juntamente com Ron e Hermione e o resto de os Weasley . Em o último período , Harry e Ron tinham ajudado os Gryffindor a vencer o campeonato de a equipa , batendo os Slytherin pela_primeira_vez em sete anos . Um rapazito baixinho com cabelo de rato acabava de ser chamado para pôr o chapéu em a cabeça . Os olhos de Harry saltavam de ele para o lugar onde o professor Dumbledore , o director , estava sentado , observando a selecção de a mesa de os professores , com a sua longa barba cor de prata e óculos de meia-lua que brilhavam a a luz de as velas . Alguns lugares a a frente , Harry viu Gilderoy_Lockhart com um manto verde-azulado . E lá bem a o fundo estava Hagrid , enorme e cabeludo , bebendo satisfeito de a sua taça . - Espera aí - murmurou a o Ron . - Há um lugar vazio em a mesa de os professores . Onde estará o Snape ? Severus_Snape era o professor de quem Harry menos gostava . Harry era também o seu aluno menos querido . Cruel , sarcástico e detestado por todos com excepção de os alunos de a sua própria equipa ( Slytherin ) , Snape tinha a seu cargo a cadeira de Poções . - Talvez esteja doente - sugeriu Ron , cheio de esperança . - Talvez se tenha ido embora - lembrou Harry . - Por não lhe terem dado outra_vez a Defesa contra as artes negras . - Ou talvez tenha sido corrido - propôs Ron com entusiasmo . - Afinal , toda_a_gente o detesta ... - Ou talvez - disse uma voz gelada atrás de eles - esteja a a espera que vocês lhe expliquem por_que motivo não vieram em o comboio de a escola . Harry deu uma volta . Em a sua frente , com o manto negro a ondular em uma brisa fria , estava Severus_Snape . O professor era um homem magro , de pele descorada , nariz adunco e um cabelo preto oleoso que lhe caía sobre os ombros . E em aquele momento sorria de um modo tal que Harry sentiu que tanto ele como Ron estavam em sérios apuros . - Sigam me - disse Snape . Sem ousarem sequer olhar um para o outro , Harry e Ron seguiram Snape por as escadas até a o amplo * hall * de entrada que estava iluminado por as chamas de os archotes . De o salão nobre vinha um cheirinho delicioso a comida , mas Snape levou os para longe de a luz e de o calor , em direcção a uma escada estreita de pedra que conduzia a os calabouços . - Entrem - ordenou , abrindo uma porta a meio de o corredor e apontando . Entraram a tremer em o escritório de Snape . As paredes sombrias estavam cobertas de prateleiras cheias de jarros de vidro grosso onde flutuavam as coisas mais diversas e repugnantes , cujo nome Harry não queria de momento conhecer . A lareira estava escura e vazia . Snape fechou a porta e voltou se de frente para eles . - Com que então - disse com falsa suavidade - o comboio não serve para o famoso Harry_Potter e o seu fiel companheiro Weasley . Queriam chegar em grande estilo , não era rapazes ? - Não senhor , foi a barreira em King's_Cross , ela ... - Silêncio - disse Snape friamente . -- _ o que fizeram a o carro ? Ron engoliu em seco . Aquela não era a primeira vez que Snape dava a Harry a impressão de ser capaz de ler pensamentos . Mas , pouco depois , compreendeu tudo quando Snape desenrolou o exemplar de o Profeta_Vespertino . - Vocês foram vistos - afirmou , mostrando lhes o cabeçalho : : __ ford anglia voador confunde __ muggles . Começou a ler alto a notícia . - Dois Muggles em Londres convenceram se de que tinham visto um carro velho a voar sobre a torre de os correios ... a a tardinha em Norfolk , Mrs._Hetty_Bayliss , enquanto pendurava a roupa ... Mr._Angus_Fleet_de_Peebles informou a polícia ... seis ou sete Muggles a o todo . Julgo que o teu pai trabalha em o departamento de mau uso dado a os objectos de os Muggles ? - disse olhando para Ron e sorrindo de uma forma ainda mais sarcástica . - Que peninha , o próprio filho ... Harry sentiu se como_se tivesse levado um soco em o estômago de uma de as maiores pernadas de a árvore louca . E se alguém descobrisse que Mr._Weasley tinha enfeitiçado o carro ? Ele ainda nem tinha pensado em isso . - Reparei durante a minha volta por o jardim que foi feito um estrago considerável em um salgueiro zurzidor extremamente valioso - continuou Snape . - Essa árvore fez nos pior a nós do_que nós ... - deixou escapar Ron . - Silêncio - interrompeu Snape , de_novo . - Infelizmente vocês não fazem parte de a minha equipa e a decisão de vos expulsar não está em as minhas mãos . Vou , por isso , buscar as pessoas que possuem essa feliz possibilidade . Esperem aqui . Harry e Ron olharam , pálidos , um para o outro . Harry perdera a fome . Sentia se agora extremamente agoniado . Tentava não olhar para uma coisa viscosa , suspensa em um líquido verde que estava em uma prateleira por detrás de a secretária de Snape . Se ele fora buscar a professora Mc_Gonagall , chefe de a equipa de os Gryffindor , não estavam muito melhor . Ela era mais justa do_que Snape , mas extremamente severa . Dez minutos mais tarde , Snape voltou e era , de facto , a professora Mc_Gonagall quem o acompanhava . Harry vira a professora Mc_Gonagall zangada , mas , ou se tinha esquecido de como a boca de ela ficava fina , ou nunca a vira tão zangada como em aquele dia . Levantou a varinha em o momento em que entrou . Harry e Ron estremeceram , mas ela limitou se a apontá a para a lareira onde as chamas se elevaram subitamente . - Sentem se - ordenou , e os dois recuaram para as cadeiras junto de o lume . - Expliquem se - disse com os óculos a brilhar de uma forma ameaçadora . Ron enveredou por a história começando por a barreira de a estação que se recusara a deixá os passar . - Por isso não tínhamos escolha , professora , não podíamos chegar a o comboio . - Porque não nos mandaram uma carta por a coruja ? Julgo que tens uma coruja ? - disse friamente a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a Harry . Harry olhou para ela sem saber o que dizer . - Parece me - continuou ela - que seria a coisa mais adequada . - Eu ... não pensei ... - Isso - disse a professora Mc_Gonagall - é bastante óbvio . Ouviu se bater a a porta de o escritório e Snape , que parecia agora mais feliz do_que nunca , foi abrir . Era o director , o professor Dumbledore . Harry ficou totalmente paralisado . Dumbledore tinha uma expressão grave . Olhou para eles de cima de o seu nariz adunco e Harry desejou estar ainda com Ron a levar uma sova de o salgueiro zurzidor . Fez se um longo silêncio . Em seguida , Dumbledore disse lhes : - Por favor , expliquem porque fizeram isto . Teria sido melhor se gritasse . Harry detestou sentir a decepção em a sua voz . Inexplicavelmente era incapaz de olhar Dumbledore em os olhos e falou em direcção a os seus joelhos . Disse lhe tudo excepto que o carro enfeitiçado pertencia a Mr._Weasley , dando a ideia de que ele e o Ron o tinham encontrado estacionado fora de a estação . Sabia que Dumbledore ia ver para_além de isso , mas o director não fez perguntas sobre o carro . Quando Harry terminou continuou a olhar para ele através de os seus óculos . - Nós vamos buscar as nossas coisas - disse Ron em um tom de voz sem esperança . - Que disparate é esse ? - rosnou a professora Mc_Gonagall . -- Então , vão expulsar nos , não vão ? - disse o Ron . Harry olhou rapidamente para Dumbledore . - Ainda não , Mr._Weasley - afirmou Dumbledore . - Mas vou assinalar a gravidade do_que vocês fizeram . Hoje a a noite escreverei a as vossas famílias . Estão também prevenidos que se voltarem a fazer uma coisa como esta não terei outro remédio senão expulsar vos . A expressão de Snape era como_se o Natal tivesse sido cancelado . Pigarreou e disse : - Professor_Dumbledore , estes rapazes infringiram o decreto para a restrição de a feitiçaria de os menores , causaram estragos consideráveis a uma árvore antiga e valiosa ... sem dúvida , actos de esta natureza ... - Cabe a a professora Mc_Gonagall decidir sobre os castigos de os rapazes , Severus - afirmou Dumbledore com toda_a calma . - Pertencem a a equipa de ela e são , portanto , de a sua responsabilidade . - Voltou se para a professora Mc_Gonagall . - Tenho de regressar a o banquete , Minerva , devo dar algumas informações . Venha Severus , há uma tarte de leite e ovos com um aspecto delicioso que quero mostrar lhe . Snape lançou um olhar de puro veneno a o Harry e a o Ron enquanto permitia que o afastassem de o seu escritório , deixando os a sós com a professora Mc_Gonagall que ainda os olhava como uma águia em fúria . - É melhor ires até a a ala hospitalar , Weasley , estás a sangrar . - Não é nada - disse Ron , limpando o corte com a manga para que ela o visse . - Professora , eu gostava de ver a minha irmã ser seleccionada . - A cerimónia de a selecção terminou - disse a professora Mc_Gonagall . - A tua irmã está também em os Gryffindor . - _ óptimo - exclamou Ron . - E por falar em os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall de forma cortante , mas Harry interrompeu a : - Professora , quando tirámos o carro , o ano escolar ainda não tinha começado , por isso os Gryffindor não deveriam perder pontos , pois não ? - terminou olhando a ansiosamente . A professora Mc_Gonagall lançou lhe um olhar penetrante , mas ele era capaz de jurar que ela quase tinha sorrido . Pelo_menos a boca não parecia tão fina . - Não vou tirar pontos a os Gryffindor - tranquilizou o . E o coração de Harry ficou mais leve . - Mas vocês os dois vão ter um castigo . Foi melhor do_que Harry imaginara . O facto de Dumbledore escrever a os Dursley não tinha a menor importância . Harry sabia perfeitamente que eles só lamentariam que o salgueiro zurzidor não o tivesse esmigalhado . A professora Mc_Gonagall ergueu a varinha de_novo apontou a a a secretária de Snape . Um grande prato de sanduíches , duas taças de prata e um jarro com sumo de abóbora gelado apareceram em menos_de um segundo . - Vocês vão comer aqui e , em seguida , vão direitinhos para o vosso dormitório - disse . - Eu também tenho de voltar para a festa . Mal a porta se fechou atrás de ela , Ron soltou baixinho um assobio . - Pensei que estávamos feitos - confessou , agarrando uma sanduíche . - Também eu - disse o Harry , orando também uma . - Mas já viste bem a nossa pouca sorte ? - insistiu o Ron com a boca cheia de frango e fiambre . - O Fred e o George voaram em aquele carro cinco ou seis vezes e nenhum Muggle os viu - engoliu outro pedaço enorme de a sanduíche . - Porque será que não conseguimos passar a barreira ? Harry encolheu os ombros . - Mas temos de ter muito cuidado a_partir_de agora - disse bebendo um grande trago de sumo de abóbora . - Que pena não termos podido ir a o banquete . - Ela não quis que nos exibíssemos - afirmou Ron com prudência . - Não vão as pessoas pensar que é uma boa chegar aqui de carro voador . Quando já tinham comido todas_as sanduíches que queriam ( o prato ia voltando a encher se sozinho ) , levantaram se e saíram de o escritório , seguindo o caminho que lhes era familiar , para a torre de os Gryffindor . O castelo estava em silêncio . Parecia que o banquete tinha acabado . Passaram por retratos murmurantes e armaduras que gemiam e subiram os degraus estreitos de pedra até que , por fim , chegaram a a passagem onde a entrada secreta para a torre de os Gryffindor se encontrava oculta por detrás de o quadro a óleo de uma dama gorda em um vestido cor-de-rosa . - A senha ? - perguntou ela mal os dois se aproximaram . - Er ... Eles ainda não tinham estado com o prefeito de os Gryffindor e por isso ainda não conheciam a senha para o novo ano , mas a ajuda não se fez esperar . Ouviram passos apressados atrás de eles e quando se voltaram viram Hermione que se aproximava . - Aí estão vocês . Onde é_que se meteram ? Correm os boatos mais ridículos , alguém disse que vocês tinham sido expulsos por espatifarem um carro voador . - Bem , expulsos não fomos - tranquilizou a Harry . - Não estás a dizer me que voaram até aqui ? - perguntou Hermione em um tom quase tão severo como a professora Mc_Gonagall . - Dispensa se o sermão - interrompeu Ron impacientemente . - E diz nos a nova senha de passagem . - É crista de pássaro - disse Hermione não contendo a impaciência . - Mas o mais importante não é isso ... Contudo as palavras de ela foram interrompidas ao_mesmo_tempo que o retrato de a dama gorda se abria e se ouvia uma tempestade de aplausos . A o que parecia a equipa de os Gryffindor estava ainda acordada , dentro de a sala comum em forma de círculo , junto de as mesas assimétricas e de os cadeirões moles a a espera que eles chegassem para , de braços estendidos através de o buraco de o retrato , puxarem Harry e Ron para dentro deixando Hermione para o fim . - Sensacional - gritou Lee_Jordan . - Inspirado ! Que entrada ! Voar em um carro e aterrar em o salgueiro zurzidor . Toda_a_gente vai falar de isto durante anos e anos . - Muito bem - disse um aluno de o quinto ano com quem Harry nunca tinha falado . Alguém dava lhe palmadas em as costas como_se ele acabasse de vencer a maratona . Fred e George abriram caminho por_entre a multidão e disseram ao_mesmo_tempo : - Por_que é_que não nos chamaram , hein ? - Ron estava vermelho como um pimentão , sorrindo envergonhado , mas Harry via perfeitamente uma pessoa que não estava nada contente . Percy elevava se acima de as cabeças de os excitados alunos de o primeiro ano e parecia estar a tentar aproximar se para os repreender . Harry deu uma cotovelada a o Ron e apontou em direcção a Percy . Ron percebeu de imediato . - Temos de ir para_cima , um_pouco cansados ! - explicou e os dois começaram a abrir caminho em direcção a a porta que ficava de o outro lado de a sala e que dava para a escada em espiral e para os dormitórios . - ` _ Noite - despediu se Harry_de_Hermione que tinha um ar tão carrancudo como Percy . Conseguiram chegar a o outro lado de a sala comum sempre a levarem palmadas em as costas e alcançaram o sossego de as escadas . Apressaram se a subir e , por fim , chegaram a a porta de o dormitório que tinha agora um letreiro a dizer « Segundos_Anos » . Entraram em o quarto circular , que conheciam tão bem , com as suas cinco camas de dossel adornadas de velado vermelho e as suas janelas altas e estreitas . As malas tinham sido trazidas para_cima e colocadas a os pés de as camas . Ron fez um sorriso culpado . - Sei que não devia ter gostado de aquilo , mas ... A porta de o dormitório abriu se e os outros rapazes de os Gryffindor entraram ; eram eles o Seamus_Finnigan , o Dean_Thomas e o Neville_Loogbottom . - Inacreditável - aplaudiu Seamus . - Incrível - aprovou o Dean . - Espantoso - exclamou o Neville , aterrado . Harry não pôde evitar também um sorriso . VI_Gilderoy_Lockhart_No dia seguinte , contudo , Harry não conseguiu sorrir . As coisas começaram a correr mal logo em o salão durante o pequeno-almoço . Debaixo de o tecto encantado ( em aquele dia triste e cinzento ) estavam as quatro grandes mesas de as equipas e sobre elas , terrinas de papa de aveia , pratos de arenque defumado , montanhas de torradas e pratadas de ovos com * bacon * . Harry e Ron sentaram se em a mesa de os Gryffindor , junto de Hermione que tinha o seu exemplar de * _ Viagens com Vampiros * totalmente aberto , encostado a um jarro de leite . Havia uma certa rigidez em a maneira como ela disse : - ` _ Dia - que mostrou a Harry que continuava a desaprovar o modo como tinham chegado a a escola . Por seu turno , Neville_Longbottom saudou os entusiasticamente . Neville era um rapazinho de cara redonda , muito dado a acidentes , com a pior memória que Harry tinha conhecido . - A entrega de correio deve estar a chegar , acho que a minha avó me vai mandar umas quantas coisas de que me esqueci ... Harry tinha começado a comer as papas de aveia , quando se ouviu um ruído tumultuoso em o ar e umas cem corujas entraram ao_mesmo_tempo , sobrevoando o salão e deixando cair cartas e pacotes em o meio de a multidão faladora . Um embrulho grande e rugoso caiu em a cabeça de Neville e , um segundo depois , uma coisa larga e cinzenta caiu em o jarro de a Hermione , enchendo os a todos de leite e penas . - Errol - gritou o Ron , puxando a coruja esfarrapada por as patas . Errol caíra inconsciente sobre a mesa com as pernas para o ar e um envelope vermelho húmido em o bico . - Oh , não ! - sobressaltou se Ron . - Ela está bem , ainda está viva - tranquilizou o Hermione , tocando suavemente em a Errol com a ponta de o dedo . - Não é isso , é ... aquilo . Ron apontava para o envelope vermelho . Parecera perfeitamente vulgar a Harry , mas Ron e Neville estavam ambos a observá o como_se esperassem que explodisse . - Qual é o problema ? - perguntou Harry . - Ela . Ela mandou me um * gritador * - disse Ron , quase sem voz . - É melhor abrires - aconselhou Neville em um murmúrio tímido - senão é pior . A minha avó uma_vez mandou me um que eu ignorei e ... - engoliu em seco - foi horrível . Harry olhava , ora para as suas caras , ora para o envelope vermelho . - O que é um * gritador * ? - perguntou . - Mas toda_a atenção de o Ron estava fixa em a carta que começara a fumegar por os cantos . - Abre a - intimou o Neville . - De aqui a poucos minutos já passou tudo . Ron estendeu uma mão trémula , retirou o envelope de o bico de a Errol e começou a abri o . Neville pôs os dedos em os ouvidos . Após uma fracção de segundo , Harry compreendeu porquê . Pensou em o primeiro momento que ela explodira . Um ruído ensurdecedor encheu o enorme salão , fazendo cair pó de o tecto . - ... : __ roubar o carro ! não me surpreendia nada se te expulsassem . espera só até te pôr as mãos em cima . será que não paraste para pensar em a nossa aflição quando vimos que o carro tinha __ desaparecido ... Os gritos de Mrs._Weasley , ampliados cem vezes em relação a o seu normal , fizeram os pratos e as colheres chocalhar em a mesa e ecoaram de forma ensurdecedora em as paredes de pedra . Vinha gente de todos os lados espreitar quem tinha recebido o * gritador * e Ron afundou se tanto em a cadeira que só se lhe via a testa carmesim . - ... : __ uma carta de o dumbledore ontem a a noite , o teu pai quase morria de vergonha . não foi esta a educação que te demos , tu e o harry podiam ter __ morrido ... Harry estava a ver quando é_que o seu nome viria a a baila . Tentou o melhor que pôde agir como_se não ouvisse a voz , mas aquilo estava a fazer com que os tímpanos lhe latejassem . - ... : __ profundamente decepcionada , o teu pai vai ter de se confrontar com um inquérito em o trabalho , tudo por tua culpa e , se pisas mais_uma_vez o risco , trago te para __ casa ! Seguiu se um silêncio ressonante . O envelope vermelho , que caíra de as mãos de o Ron , incendiou se e encaracolou se em cinzas . Harry e Ron estavam sentados de boca aberta , como_se uma onda gigante lhes tivesse passado por cima . Algumas pessoas riam e , a os poucos , o ruído de as conversas recomeçou . Hermione fechou o * _ Viagens com Vampiros * e olhou para o topo de a cabeça de Ron . - Bem , não sei o que esperavas , Ron , mas tu ... - Não me venhas dizer que mereci - interrompeu Ron . Harry afastou as papas de aveia . O estômago ardia lhe de culpa . Mr._Weasley tinha um inquérito em o trabalho , depois de tudo_o_que Mr. e Mrs._Weasley tinham feito por ele durante o Verão ... Mas não teve muito_tempo para se demorar em aqueles pensamentos . A professora Mc_Gonagall circulava em volta de as mesas de os Gryffindor distribuindo horários . Harry pegou em o seu e viu que começavam por ter Herbologia , juntamente com os Hufflepuff . Harry , Ron e Hermione saíram juntos de o castelo , atravessaram as hortas e chegaram a as estufas , onde estavam guardadas as plantas mágicas . O * gritador * tivera pelo_menos uma vantagem : Hermione parecia achar que já tinham sido suficientemente castigados e estava de_novo perfeitamente calorosa . Quando estavam a chegar a as estufas viram o resto de a classe de pé , cá fora , a a espera de a professora Sprout . Harry , Ron e Hermione tinham acabado de se lhes juntar quando a viram aproximar se a passos largos por o relvado , acompanhada de Gilderoy_Lockhart . A professora Sprout era uma bruxa pequenina e atarracada que usava um chapéu a os remendos sobre o cabelo solto . As roupas que vestia estavam sempre cheias de terra e as suas unhas fariam a tia Petúnia desmaiar . Gilderoy_Lockhart , pelo_contrário , tinha um ar imaculado em as suas vestes azul-turquesa , o cabelo doirado a brilhar debaixo_de um chapéu azul-turquesa , com uma fita dourada , perfeitamente posicionado sobre a cabeça . - Olá a todos ! - gritou Lockhart , dirigindo se a o grupo de estudantes . - Estive a mostrar a a professora Sprout a maneira correcta de tratar um salgueiro . Mas não quero que fiquem com a ideia de que sou melhor do_que ela em Herbologia . Acontece que encontrei várias de estas plantas exóticas , durante as minhas viagens .... - Estufa número três hoje , meninos ! - disse a professora Sprout que estava visivelmente descontente , bem diferente de a sua habitual natureza bem-disposta . Houve um murmúrio de interesse . Eles só tinham estado uma_vez em a terceira estufa , que era uma estufa que abrigava plantas bem mais interessantes e perigosas . A professora Sprout tirou uma enorme chave de o cinto e abriu a porta . Harry sentiu o bafo de a terra húmida com adubo misturado e o perfume forte de umas flores gigantescas , de o tamanho de guarda-chuvas , que estavam penduradas de o tecto . Ia seguir Ron e Hermione , quando a mão de o Lockhart o travou . -- Harry ! Tenho querido ter uma palavrinha contigo . Não se importa se ele chegar uns minutos atrasado , pois não , professora Sprout ? A julgar por a expressão carregada de a professora Sprout , importava se sim , mas Lockhart disse : - Então até já - e fechou a porta de a estufa em a cara de ela . - Harry ! - disse Lockhart , com os dentes brancos a brilharem a o sol , enquanto abanava a cabeça . - Harry , Harry , Harry ! Harry , totalmente perplexo , não disse uma palavra . - Quando ouvi dizer , bem , é claro que eu tive muita culpa , deviam castigar me também ... Harry não fazia ideia de que estava ele a falar , quando Lockhart prosseguiu : - Nunca me lembro de ficar tão chocado . Fazer voar um automóvel até Hogwarts ! Bem , é claro que eu percebi logo porque o fizeste . Foi um destaque em grande . Harry , Harry , Harry ! Era notável como ele conseguia mostrar todos aqueles dentes brilhantes , mesmo quando não estava a falar . - Criei te o gosto por a publicidade , não foi ? - perguntou Lockhart . - Passei te o bichinho . Apareceste comigo em a primeira página e não podias esperar para aparecer outra_vez ... - Oh , não , professor , sabe é_que ... - Harry , Harry , Harry - disse Lockhart aproximando se e tocando lhe em o ombro . - * _ Eu compreendo * . É natural querer um_pouco mais quando se lhe tomou o gosto , e eu culpo me por te ter dado esse conhecimento , porque era natural que te subisse a a cabeça , mas vê uma coisa , rapazinho , tu não podes começar a fazer voar carros para tentares ser notícia . Tens de acalmar , está bem ? Tens muito_tempo quando fores mais velho . Sim , sim , eu sei o que estás a pensar ! É fácil para ele falar assim , já é um feiticeiro internacionalmente famoso ! Mas quando eu tinha doze anos era tão zé-ninguém como tu és hoje . Em a verdade , era ainda mais . De ti , já meia_dúzia de pessoas ouviram falar , não é ? Toda aquela história com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . - Olhou para a cicatriz luminosa em a testa de Harry . - Eu sei , eu sei , não é o mesmo_que vencer o Prémio de o sorriso de o feiticeiro de a semana cinco vezes seguidas , como eu venci , mas é um começo , Harry , é um começo . Lançou lhe uma piscadela de olhos cordial e foi se embora . Harry ficou atarantado durante alguns segundos . Depois , lembrando se que deveria estar em a estufa , abriu a porta e esgueirou se lá para dentro . A professora Sprout estava de pé , por_detrás_de uma espécie de mesa em o meio de a estufa . Em cima de a mesa estavam cerca de vinte pares de abafo de ouvidos de diferentes cores . Quando Harry estava já em o seu lugar , entre Ron e Hermione , ela disse : - Hoje vamos transplantar Mandrágoras . Muito bem , quem sabe dizer me as propriedades de a Mandrágora ? Não foi surpresa para ninguém que a mão de a Hermione fosse a primeira em o ar . - A Mandrágora tem um efeito reparador muito poderoso - disse Hermione , com o ar mais normal de este mundo , como_se tivesse engolido o livro de texto . - É usada para fazer voltar as pessoas , que foram transfiguradas ou amaldiçoadas , a o seu estado original . - Excelente . Dez pontos para os Gryffindor ! - exclamou a professora Sprout . - A Mandrágora é parte integrante de a maior parte de os antídotos , mas também é perigosa . Quem sabe dizer me porquê ? A mão de Hermione por_pouco não bateu em os óculos de Harry , quando se ergueu de_novo . - O grito de a Mandrágora é fatal para quem o ouve - disse prontamente . - Precisamente . Dou lhe mais dez pontos - disse a professora Sprout . - Agora vejamos , as Mandrágoras que aqui temos são ainda muito jovens . Enquanto falava , apontou para uma fila de tabuleiros com uma certa profundidade e todos se chegaram a a frente para ver melhor . Cerca de uma centena de plantinhas tufosas de um verde arroxeado cresciam em filas . Pareceram perfeitamente vulgares a Harry , que não fazia a menor ideia do_que Hermione queria dizer com o * grito * de a Mandrágora . - Cada_um de vocês pode tirar um par de abafo de ouvidos - disse a professora Sprout . Houve uma competição renhida porque ninguém queria os cor-de-rosa , cheios de penugem . - Quando eu vos disser para os colocar , assegurem se de que os vossos ouvidos estão completamente tapados - disse a professora Sprout . - Logo_que seja seguro retirá os , eu levanto os dedos . Certo , pôr os abafos de os ouvido . Harry pôs imediatamente os abafos em os ouvidos . Eles fecharam completamente o som . A professora Sprout colocou também um par de abafos cor-de-rosa com penugem em os de ela , arregaçou as mangas de a túnica , agarrou uma de as plantas tufosas e puxou com toda_a força . Harry soltou um grito de surpresa que ninguém ouviu . Em_vez_de raízes , um bebé pequenino , enlameado e extremamente feio , saiu de a terra . As folhas cresciam lhe em o alto de a cabeça , tinha uma pele pintalgada de um pálido esverdeado e estava nitidamente a berrar a plenos pulmões . A professora Sprout tirou debaixo de a mesa um grande vaso de plantas e mergulhou lá dentro a Mandrágora , enterrando a em a mistura escura e húmida , até que só as folhas ficassem visíveis . Em seguida , limpou a terra de as mãos , levantou os dedos e todos eles retiraram os abafos de os ouvidos . - Como as nossas Mandrágoras são muito novas , os seus gritos ainda não matam - disse ela com grande calma , como_se tivesse feito algo tão normal como regar uma begónia . - Contudo , podem pôr vos a dormir durante várias horas e , como com certeza nenhum de vocês quer perder o primeiro dia de aulas , vejam se os abafos estão bem colocados enquanto trabalham . Eu chamarei vos a atenção quando for altura de os retirar . - Quatro em cada fila , há aqui uma grande quantidade de vasos , a mistura de terra está em os sacos ali a o fundo e tenham cuidado com a * _ Venomous_Tentacula * , estão a nascer lhe os dentes . Enquanto falava , deu uma pancada seca a uma planta vermelha escura cheia de pontas eriçadas , fazendo a encolher as longas antenas que tinham estado a avançar lenta e dissimuladamente sobre o seu ombro . A Harry , Ron e Hermione veio juntar se em a fila um rapaz de cabelo encaracolado de os Hufflepuff que Harry conhecia de vista , mas com quem nunca tinha falado . - Justin_Finch - _ Fletchey - disse ele com vivacidade , apertando a mão de o Harry . - Conheço te , claro , o famoso Harry_Potter ... e tu és a Hermione_Granger , sempre a primeira em tudo ( Hermione brilhou em um sorriso , como_se ele lhe tivesse apertado a mão ) e Ron_Weasley . Não era teu o carro voador ? Ron não sorriu . Não lhe saía de a cabeça o * gritador * . - Aquele Lockhart é o_máximo , não acham ? - disse Justin satisfeito , enquanto começavam a encher os vasos com composto de adubo de dragão . - Terrivelmente corajoso . Leram os livros de ele ? Eu teria morrido de medo se um lobisomem me tivesse encurralado em uma cabina telefónica , mas ele manteve se calmo e ... zap ... fantástico ! « Eu estava inscrito em Eton , sabem , não imaginam como estou feliz de ter vindo antes para aqui . É claro que a minha mãe ficou um_pouco desiludida , mas depois de lhe ter dado os livros de Lockhart a ler , tenho a impressão de que ela começou a ver a utilidade de ter um feiticeiro bem treinado em a família ... Depois de isso , não tiveram grandes oportunidades para conversar . Voltaram a pôr os abafos de ouvidos e era preciso concentrarem se em as Mandrágoras . A professora Sprout fizera as coisas parecerem extremamente simples , mas não eram . As Mandrágoras não gostavam de sair de a terra mas também não pareciam querer voltar para lá . Elas contorceram se , deram pontapés , agitaram as mãozinhas finas e rangeram os dentes . Harry levou dez minutos inteirinhos a tentar meter uma Mandrágora particularmente gorda dentro_de um vaso . Em o final de a aula , Harry , como todos os outros , estava a suar , cheio de dores e coberto de terra . Regressaram a o castelo a pé para um banho rápido e , em seguida , os Gryffindor apressaram se para assistir a a aula de transfiguração . As aulas de a professora Mc_Gonagall eram sempre complicadas , mas a de aquele dia era particularmente difícil . Tudo_o_que o Harry aprendera em o ano anterior parecia ter se lhe apagado de a memória durante o Verão . Ele deveria ser capaz de transformar uma barata em um botão , mas , tudo_o_que conseguiu foi fazer a barata praticar um imenso exercício , enquanto corria apressadamente por o tampo de a secretária evitando a varinha . Ron estava a debater se com problemas bastante piores . Tinha atado a varinha com uma fita mágica , mas parecia que não havia reparação possível . Não parava de crepitar e lançar faíscas em os momentos mais estranhos e , sempre_que Ron tentava transfigurar a barata , via se envolvido em um fumo cinzento espesso que cheirava a ovos podres . Incapaz de ver o que estava a fazer , o Ron esmagou , por engano , a barata com o cotovelo e teve de ir pedir que lhe dessem outra , o que deixou a professora Mc_Gonagall muito pouco satisfeita . Harry ficou aliviado quando ouviu tocar a campainha para o almoço . Sentia a cabeça como uma esponja espremida . Todos os alunos saíram em fila de a aula excepto ele e Ron que dava furiosas varadas em a secretária . - Coisa estúpida e inútil . - Escreve a os teus pais a pedir outra - sugeriu Harry , enquanto a varinha disparava com estrondo um foguete explosivo . - Ah pois , e receber outro * gritador * em a volta de o correio - respondeu Ron , metendo a varinha que já assobiava , dentro de o saco . - * _ A culpa é toda tua se a varinha está estragada * ... Desceram para o almoço e aí a disposição de o Ron não iria melhorar com Hermione a mostrar lhe uma mão-cheia de botões de casaco , perfeitinhos , que produzira em a transfiguração . - O que temos esta tarde ? - quis saber Harry , mudando rapidamente de assunto . - Defesa contra as artes negras - disse Hermione , sem perder tempo . - Porque é_que tu ... - perguntou Ron , pegando em o horário de ela - desenhaste corações em volta de as aulas de o Lockhart ? Hermione arrancou lhe o horário de as mãos , corando furiosa . Acabaram de almoçar e foram para o pátio carregado de nuvens . Hermione sentou se em um degrau de pedra e enfiou de_novo o nariz em as * _ Viagens com Vampiros * . Harry e Ron ficaram a falar de Quidditch durante alguns minutos antes de Harry se aperceber de que estava a ser observado de perto . Olhando para_cima viu o rapazinho pequenino com cabelo de rato que ele vira experimentar o chapéu seleccionador em a noite anterior , olhando para ele com uma expressão petrificada . Estava agarrado a o que parecia ser uma vulgar máquina fotográfica de os Muggles e , em o momento em que Harry olhou para ele , ficou todo vermelho . - Tudo bem , Harry ? Eu sou Colin_Creevey - disse , faltando lhe o ar e adiantando se a qualquer pergunta . - Estou em os Gryffindor também . Não te importavas que eu tirasse uma fotografia ? - perguntou , levantando a máquina cheio de expectativa . - Uma fotografia ? - repetiu Harry , inexpressivo . - Para eu provar que te conheci - disse Colin_Creevey cheio de ansiedade , continuando : - Eu sei tudo a teu respeito . Toda_a_gente me tem contado como sobreviveste quando O_Quem nós sabemos tentou matar te , como ele desapareceu depois de isso e como ficaste com a cicatriz em forma de relâmpago em a testa ( os seus olhos procuraram a linha de cabelo de Harry ) e um rapaz de o meu dormitório disse que se eu revelasse o filme em a posição certa ele mexia . - Colin respirou fundo , estremecendo de excitação e disse : - Isto_é fantástico , aqui , não achas ? Eu não sabia que todas_as coisas estranhas que fazia eram magia até a o dia em que recebi uma carta de Hogwarts . O meu pai é leiteiro . Também ele não queria acreditar . Por isso estou a tirar montes de fotografias para lhe mandar e era mesmo bom se tivesse uma tua - parecia implorar . - Talvez o teu amigo pudesse tirá a e assim eu ficava a o teu lado . E depois , podias assiná a ? - Assinar fotografias ? Estás a dar fotos autografadas , Potter ? Alta e mordaz , a voz de Draco_Malfoy ecoou em o pátio . Estava parado mesmo atrás_de Colin , ladeado , como sempre andava em Hogwarts , por os seus fortes guarda-costas Crabbe e Goyle . - Ei gente , façam bicha - gritou Malfoy a a multidão . - Harry_Potter está a dar fotos autografadas ! - Não estou coisa nenhuma - disse Harry , zangado , com os punhos em o ar . - Cala a boca , Malfoy . - Tu tens é inveja - começou a dizer Colin , cujo corpo era de o tamanho de o pescoço de Crabbe . - Inveja - repetiu Malfoy que não precisava de gritar mais , metade de o pátio estava a ouvi o . - De quê ? Não preciso de uma cicatriz em a cabeça , muito obrigado . Não acho que ter um corte em a testa torne alguém especial . Crabbe e Goyle riram estupidamente - Vai pastar caracóis , Malfoy - disse o Ron furioso . Crabbe parou de rir e começou a esfregar os nós de os dedos enormes de uma forma ameaçadora . - Tem cuidado , Weasley - escarneceu Malfoy . - Com certeza não queres começar uma rixa ou a tua mãezinha tem de vir cá para te tirar de a escola - e com uma voz aguda e penetrante : - * _ Se voltas a pisar o risco * ... Um grupo de alunos de o quinto ano de os Slytherin que estava ali perto , riu se bastante alto . - O Weasley gostaria de ter uma foto tua autografada , Potter - escarneceu de_novo Malfoy . - Era capaz de valer mais do_que a casa onde ele mora com a família . Ron sacou de a sua varinha amarrada com fita , mas Hermione fechou as * Viagens com Vampiros * com um estrondo e avisou : - Atenção . - O que é isto , o que é isto ? - Gilderoy_Lockhart aproximava se com o seu manto azul-turquesa girando em torvelinho atrás de ele . - Quem está a dar fotos autografadas ? Harry ia começar a explicar , mas foi interrompido quando Lockhart lhe pôs jovialmente o braço em cima de os ombros . - Mas que pergunta a minha ! Cá estamos nós de_novo , Harry ! Preso ao_lado_de Lockhart e a arder de humilhação , Harry viu Malfoy deslizar com o seu sorriso desdenhoso por o meio de a multidão . - Vamos lá então , Mr._Creevey - disse Lockhart , dirigindo se a Colin . - Uma foto dupla , já viu a sua sorte ? E assinamos a os dois para si . Colin ajustou a máquina e tirou a fotografia em o preciso momento em que a campainha tocava para as aulas de a tarde . - Está em a hora , todos para dentro - gritou Lockhart a a multidão e regressou a o castelo levando a o seu lado o Harry que só lamentava não conhecer um feitiço que o fizesse desaparecer . - Uma palavra só , Harry - disse Lockhart paternalmente , enquanto entravam em o edifício por uma porta lateral . - Eu ajudei te há bocado com o jovem Creevey porque se ele estivesse a fotografar me também a mim os teus colegas não reparariam tanto que estavas a exibir te ... Indiferente a a gaguez de Harry , Lockhart arrastou o para um corredor ladeado de alunos que os olhavam espantados e subiram uma escada . - Deixa me só dizer te uma coisa : dar fotografias autografadas em esta fase de a tua carreira , francamente , não é sensato , Harry , parece um_pouco megalómano . Pode ser que um dia mais tarde , tal_como eu , sejas obrigado a assinar para multidões onde quer que vás , mas - fez uma pequena pausa - não me parece que seja o caso , por enquanto . Tinham chegado a a aula de Lockhart e ele largou finalmente o Harry que sacudiu a túnica e foi sentar se em um lugar bem lá atrás onde começou por empilhar os livros de Lockhart a a sua frente para evitar olhar para a criatura . O resto de a aula entrou ruidosamente e Ron e Hermione foram sentar se um de cada lado de Harry . - Tu estavas vermelho como um pimentão - disse o Ron . - Reza para que o Creevey não se torne amigo de a Ginny senão bem podem criar o clube de * fans * de Harry_Potter . - Cala a boca - interrompeu Harry . A última coisa que desejava era que o Lockhart ouvisse a expressão « clube de * fans * de Harry_Potter « . Quando todos estavam em os seus lugares , Lockhart pigarreou alto e fez se silêncio . Ele inclinou se para a frente , pegou em o exemplar de Neville_Longbottom de * _ viagens com Duendes * e levantou o para mostrar a sua fotografia a piscar os olhos em a capa . - Eu - disse apontando para a fotografia e piscando também os olhos - Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , terceiro ano , membro honorário de a Liga_de_Defesa contra as artes negras e cinco vezes vencedor de o prémio de o * _ Feiticeiro de a semana * por o sorriso mais charmoso . Mas não vamos falar de isso , não venci a fada carpideira de Bandon a sorrir para ela ! Esperou que eles se rissem . Alguns alunos sorriram timidamente . - Já vi que todos vocês compraram a minha obra completa . Muito bem . Pensei começar hoje com um pequeno interrogatório escrito . Nada de complicado , só para perceber se leram bem os meus livros e o que apreenderam ... Depois de distribuir as folhas de teste voltou se para os alunos e disse : - Têm trinta minutos . Comecem já . Harry olhou para o papel e leu : *1 . Qual é a cor preferida de Gilderoy_Lockhart ? *2 . Qual é a ambição secreta de Gilderoy_Lockhart ? *3 . Qual é , em a sua opinião , a maior realização de Gilderoy_Lockhart até a o momento ? * E_por_aí adiante , ao_longo_de três páginas , terminando com : *54 . Qual é o dia de aniversário de Gilderoy_Lockhart e qual seria o seu presente preferido ? * Meia_hora mais tarde , Lockhart recolheu os pontos e folhou os rapidamente em frente de os alunos . - Tut , tut , quase ninguém se lembrou que a minha cor preferida é o lilás . Eu digo o em * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves * . Alguns precisam de voltar a ler com mais cuidado * Fim-de - _ Semana com Um Lobisomem * . Eu afirmo claramente em o décimo segundo capítulo que o meu presente de aniversário preferido seria a harmonia entre todos os seres , mágicos e não mágicos , embora não me importasse de receber uma garrafa grande de * whisky * velho de a Ogden's_Old_Firewhisky . Piscou lhes o olho de_novo . Ron olhava para Lockhart com uma expressão de incredulidade em o rosto . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas que estavam sentados a a frente tremiam de tanto conter o riso . Hermione , contudo , ouvia Lockhart com extrema atenção e deu um salto quando ouviu o seu nome . - Mas Miss_Hermione_Granger sabia que a minha ambição secreta era libertar o mundo de o mal e pôr a a venda a minha gama de poções de tratamento de o cabelo . Muito bem - voltou o papel . - Nota máxima ! Onde está Miss_Hermione_Granger ? Hermione ergueu uma mão trémula . - Excelente - bradou Lockhart , exultante . - Leva dez pontos para os Gryffindor . E vamos a o trabalho . Baixou se atrás de a secretária e pegou em uma grande gaiola coberta . - Ficam desde_já a saber , a minha função é preparar vos contra as criaturas mais malignas que a feitiçaria conhece . Vocês podem ter que enfrentar os maiores medos em esta sala . Saibam que nenhum mal vos sucederá comigo aqui . Só vos peço que se mantenham calmos . Ultrapassando os seus sentimentos , Harry espreitou através de a pilha de livros para ver melhor a gaiola . Lockhart colocou uma mão em a tampa . Dean e Seamus tinham deixado de se rir . Neville estava agachado em o seu lugar de a fila de a frente . - Vou pedir vos que não façam barulho - disse Lockhart em voz baixa . - Podem assustá os . Enquanto a aula inteira continha a respiração , Lockhart tirou a cobertura . - Sim - disse em um tom dramático . - Duendes_da_Cornualha recém-capturados . Seamus_Finnigan não conseguiu controlar se . Soltou uma gargalhada que nem Lockhart poderia confundir com um grito de terror . - Sim ? - sorriu a Seamus . - Bem , eles não são , não são perigosos , pois não ? - perguntou a rir . -- Não tenhas tanta certeza de isso - afirmou Lockhart , aborrecido , abanando um dedo , em direcção a Seamus . - Podem ser maçadores e muito traiçoeiros . Os duendes eram de um azul-eléctrico e tinham cerca de vinte centímetros de altura com feições angulosas e umas vozes tão estridentes que era como ouvir uma discussão entre araras . Logo_que o pano foi retirado , começaram a fazer uma enorme algazarra , a andar de um lado para o outro , batendo em as grades e fazendo caretas a as pessoas que estavam mais perto . - Muito bem - disse Lockhart em voz alta . - Vamos então ver o que vocês conseguem fazer de eles - e abriu a gaiola . Foi um pandemónio . Os duendes dispararam em todas_as direcções como foguetes . Dois de eles agarraram o Neville por as orelhas e levantaram o a o ar . Vários outros foram direitos a a janela , fazendo chover vidros partidos até a a fila de trás . Os restantes decidiram destruir a sala com maior eficácia do_que um rinoceronte em fúria . Agarraram em os tinteiros e salpicaram tudo em volta , rasgaram a os bocados livros e papéis , arrancaram os quadros de as paredes , levantaram a o ar a gaiola vazia , agarraram livros e sacos e lançaram nos por a janela de vidros estilhaçados . Em poucos minutos , metade de a aula estava abrigada debaixo de as secretárias e o Neville pendurado em o candelabro de o tecto . - Vamos lá , agarrem nos , agarrem nos , são apenas duendes ... - gritava Lockhart . Arregaçou as mangas , bramiu a varinha e pronunciou * Peshipiksi_Pesternomi ! * As palavras não tiveram o menor efeito . Um de os duendes pegou em a varinha de Lockhart e atirou a também por a janela fora . Lockhart engoliu em seco e mergulhou debaixo de a secretária , não sendo , por um triz , esmagado por o Neville que caiu um segundo depois , quando o candelabro cedeu . A campainha tocou e houve uma louca precipitação para a porta . Em a calma relativa que se seguiu , Lockhart endireitou se , olhou para Harry , Ron e Hermione que estavam quase a chegar a a porta e disse : - Bem , vou pedir vos a os três que prendam o resto de os duendes em a gaiola - passou por eles e fechou rapidamente a porta atrás_de si . - Isto dá para acreditar ? - resmungou o Ron , enquanto um de os duendes lhe mordia com toda_a força uma de as orelhas . - Ele só quer dar nos uma ajuda , permitindo nos ganhar experiência - justificou Hermione , imobilizando dois duendes de uma_vez com um encantamento de paralisação e metendo os de_novo em a gaiola . - Experiência ? - disse Harry , tentando agarrar um duende que dançava com a língua de_fora . - Hermione , ele não sabia nada do_que estava a fazer . - Disparate - retorquiu Hermione . - Leste os livros de ele . Vê só as coisas que ele já fez ! - Que diz que fez - resmungou o Ron . VII_Sangue de lama e murmúrios Harry passou imenso tempo , em os dias que se seguiram , a fugir sempre_que via Gilderoy_Lockhart aproximar se em o corredor . Mais difícil de evitar era Colin_Creevey que parecia ter decorado o horário de Harry . Parecia que nada o emocionava mais do_que dizer : - Tudo bem , Harry ? - seis ou sete vezes por dia e ouvir : - Olá , Colin - por mais exasperado que Harry estivesse quando lhe respondia . A Hedwig ainda estava zangada com Harry por causa de a desastrosa viagem de automóvel e a varinha de o Ron continuava a não funcionar , tendo ultrapassado tudo em a sexta-feira de manhã quando lhe saltou de as mãos em a aula de encantamentos e foi agredir o velho e baixinho professor Flitwick mesmo entre os olhos , deixando uma enorme bolha latejante em o sítio onde tinha batido . Por tudo_isso Harry via chegar , com satisfação , o fim_de_semana Planeava ir em o Sábado de anhã , com Ron e Hermione visitar o Hagrid . Mas foi acordado várias horas mais cedo do_que desejaria por Oliver ood , treinador de a equipa de Quidditch_dos_Gryffindor . - _ o que é_que se passa ? - perguntou Harry , enrolando as palavras . - Treino_de_Quidditch - disse Wood . - Vamos embora . Harry lançou um olhar de esguelha a a janela . Uma neblina fina pairava em o céu rosa e dourado . Agora_que estava acordado não percebia como pudera dormir com a algazarra que os pássaros faziam . - Oliver resmungou Harry . - É de madrugada . - Exacto - respondeu Wood . Era um rapaz alto e corpulento de o sexto ano e em aquele momento os olhos brilhavam lhe loucamente de entusiasmo . - Faz parte de o nosso novo programa de treinos . Anda lá , vai buscar a vassoura e vamos embora - insistiu Wood empenhado . - Nenhuma de as outras equipas começou ainda a treinar . Vamos ser os primeiros este ano ... A bocejar e a tremer um_pouco , Harry saltou de a cama e tentou descobrir as suas túnicas de Quidditch . - Bem , encontramo nos em o campo , dentro_de quinze minutos . Depois de descobrir a sua roupa escarlate de equipa e pôr o manto por cima para se aquecer , Harry escreveu a o Ron um bilhete a explicar onde tinha ido e desceu por a escada de espiral para a sala comum com a sua Nimbos dois inil a o ombro . Tinha acabado de chegar junto de o buraco de o retrato quando ouviu um barulho atrás_de si e viu Colin_Creevey descer a escada de espiral com a máquina fotográfica pendurada a o pescoço a balouçar como louca e uma coisa em a mão . - Ouvi alguém chamar o teu nome em as escadas , Harry olha o que tenho aqui . Revelei a e queria mostrar te . Harry olhou assombrado para a fotografia que Colin lhe espetava em frente de o nariz . Um Lockhart a preto e branco movia se , puxando com toda_a força um braço que Harry reconheceu como sendo o seu . Ficou satisfeito a o constatar que estava a resistir bastante bem , recusando se a ser trazido para a vista de todos . Enquanto Harry observava , Lockhart desistiu e desinteressou se de lutar contra a parte branca de a fotografia . - Assinas para mim ? - pediu Colin entusiasmado . - Não - respondeu secamente Harry , olhando em volta para verificar se o caminho estava livre . - Desculpa_Colin , mas estou cheio de pressa , treino de Quidditch . Passou por o buraco de o retrato . - Oh Uau ! Espera por mim . Eu nunca vi um jogo de Quidditch . Colin trepou por o buraco de o retrato atrás de ele . - Vai ser uma chatice para ti - disse Harry rapidamente , mas Colin ignorou o comentário . Todo o seu rosto brilhava de satisfação . - Tu foste o jogador mais novo de a equipa em cem anos , não foste Harry ? Não foste ? - perguntava Colin , trotando para o acompanhar . - Deve ser fantástico . Eu nunca voei . É fácil ? Essa vassoura é a tua ? É a melhor que há ? Harry não sabia como ver se livre de ele . Era como ter uma sombra que não se calava . - Eu não percebo nada de Quidditch - disse Colin , já sem fôlego . - É verdade que há quatro bolas ? E que duas anda n a voar , tentando fazer os jogadores caírem de as vassouras ? - Sim - disse Harry lentamente , resignado com o ter de lhe explicar as complicadas regras de o Quidditch . - São as * bludgers * . Há dois * beaters * em cada equipa que têm bastões para bater em as * bludgers * e lançá as para o outro lado . O Fred e o George_Weasley são os * beaters * de os Gryffindor . - E para que servem as outras bolas ? - perguntou Colin , saltando uma série de degraus porque ia a olhar para o Harry de boca aberta . - Bem , a * quaffle * , que é a vermelha grandalhona , é a que marca os golos . Três * chasers * em cada equipa lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam fazes a entrar em as balizas que ficam em o extremo de o campo onde há três grandes postes com argolas em as pontas . - E a quarta bola ? - A * snitch * dourada - explicou Harry . - É muito pequenina e veloz e extremamente difícil de agarrar . Mas é isso que o * seeker * tem de fazer , porque o jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * for agarrada . E o * seeker * que conseguir agarrá a ganha para a sua equipa mais cento_e_cinquenta pontos . - E tu és o * seeker * de os Gryffindor , não és ? - perguntou Colin respeitosamente . - Sim - disse Harry enquanto saíam de o castelo e começavam a atravessar o relvado . - E há também o * keeper * que toma conta de os postes . É isto . Mas Colin não parou de fazer perguntas desde os relvados macios até a o campo de Quidditch e Harry só se viu livre de ele quando chegaram a os vestiários . Colin gritou em uma voz aguda : - Eu vou arranjar um lugar , Harry - e apressou se em direcção a as bancadas . O resto de a equipa de os Gryffindor já se encontrava em os vestiários . Wood era o único que tinha aspecto de estar bem acordado . Fred e George_Weasley estavam sentados com olhos de sono e cabelos desgrenhados junto de Alicia_Spinnet de o quarto ano que parecia inclinar se contra a parede que tinha atrás_de si . Os seus companheiros * chasers * , Katie_Bell e Angelina_Johnson bocejavam em frente de ela . - Até que enfim , Harry , porque é_que demoraste tanto ? - perguntou Wood cheio de actividade . - Eu queria ter uma pequena conversa convosco antes de entrarmos propriamente em campo porque passei o Verão a conjecturar um novo programa de treinos que acredito vai estabelecer grandes mudanças . Wood tinha em as mãos um grande mapa de um campo de Quidditch onde estavam desenhadas muitas linhas , setas e cruzes a tinta de várias cores . Pegou em a varinha , bateu com ela em o quadro e as setas começaram a mover se em o mapa como tractores . Enquanto Wood se lançava em um discurso sobre as suas novas técnicas , a cabeça de Fred_Weasley caiu sobre o ombro de Alicia_Spinnet e ele começou a ressonar . O primeiro mapa levou quase vinte minutos a explicar , mas debaixo de esse havia outro e ainda um terceiro . Harry caiu em uma letargia enquanto Wood continuava indefinidamente . - Então - disse por fim o treinador , arrancando Harry de a avidez de uma fantasia sobre o que poderia estar a comer se se encontrasse em aquele momento em o castelo . - Ficou tudo claro ? Alguma pergunta ? - Eu tenho uma pergunta , Oliver - disse George que acordou estremunhado . - Porque não nos explicaste tudo_isso ontem , quando estávamos acordados ? Wood não ficou nada satisfeito . - Ouçam bem , vocês todos - disse , voltando se para eles mal-humorado . - Nós deveríamos ter ganho a taça de Quidditch o ano passado . Somos de longe a melhor equipa , mas , infelizmente , devido_a circunstancias que estão para_além de o nosso controlo ... Harry mudou de posição em a cadeira sentindo se culpado . Estivera inconsciente em o hospital durante o campeonato final de o ano anterior o que fez com que os Gryffindor com um jogador a menos tivessem sofrido a pior derrota de os últimos trezentos anos . Wood levou um momento a controlar se . Era evidente que a última derrota ainda o torturava . - Portanto , este ano vamos fazer um treino mais duro , como nunca se fez . O. _ K. , vamos lá pôr as teorias em prática - gritou , pegando em a vassoura e conduzindo os para fora de o vestiário . Com as pernas trôpegas e ainda a bocejar , a equipa seguiu o . Tinham estado tanto tempo lá dentro que o sol já tinha nascido e brilhava em o céu embora uma réstia de neblina pairasse ainda sobre o relvado de o campo . Quando Harry entrou em campo viu Ron e Hermione sentados em as bancadas . - Ainda não acabaram ? - perguntou Ron em um tom incrédulo . - Ainda nem começamos - explicou Harry , olhando cheio de inveja para a torrada com doce de laranja que Ron e Hermione tinham trazido de o salão . - O Wood tem estado a ensinar nos as jogadas . Subiu para a vassoura e deu um pontapé em o chão , elevando se em o ar . O ar fresco de a manhã bateu lhe em o rosto fazendo o acordar com mais eficácia do_que o longo discurso de Wood . Era maravilhoso voltar a estar em o campo de Quidditch . Voou em volta de o estádio a toda a a velocidade competindo com Fred e George . - Que barulhinho estranho é aquele ? - perguntou o Fred quando deram a volta . Harry olhou para as bancadas . Colin estava sentado em um de os lugares mais altos com a máquina fotográfica em o ar , tirando fotografia sobre fotografia , o som estranhamente ampliado em o estádio deserto . - Olha para ali , Harry , para ali - gritava de forma estridente . - Quem é aquele ? - perguntou Fred . - Não faço ideia - mentiu Harry , disparando a_toda_a velocidade e distanciando se o mais possível de Colin . - O que se passa aí ? - perguntou Wood , franzindo a testa enquanto corria por os ares atrás de eles . - Porque está aquele aluno de o primeiro ano a tirar fotografias ? Não me agrada . Pode ser um espião de os Slytherin a tentar descobrir o nosso novo programa de treinos . - Ele é de os Gryffindor - disse Harry rapidamente . - E os Slytherin não precisam de um espião , Oliver - completou George . - Porque dizes isso ? - perguntou Wood irritado . - Porque estão aqui em peso - disse George , apontando com o dedo . Vários indivíduos com túnicas verdes vinham em aquele momento a entrar em o campo de vassouras em a mão . - Não posso acreditar - reagiu Wood , sentindo se ultrajado . - Eu reservei o estádio para hoje . Já vamos ver como é_que isto fica ! Wood baixou direito a o chão sendo levado por a fúria a aterrar com mais força do_que pretendia e a cambalear um_pouco quando começou a andar seguido de o Harry e de o Ron . - Flint - bradou para o treinador de os Slytherin . - Este é o nosso tempo de treino . Levantámo nos de propósito . Vocês têm de sair de aqui . Marcus_Flint era ainda mais corpulento do_que Wood . Tinha em o rosto uma expressão de duende travesso quando respondeu : - Há espaço para todos , Wood . Angelina , Alicia e Katie tinham vindo também . Em a equipa de os Slytherin não havia raparigas que enfrentassem a o lado de os rapazes os Gryffindor . - Mas eu reservei o estádio - repetiu Wood de modo afirmativo , cuspindo de raiva . - Reservei o . - Ah ! - exclamou Flint . - Mas eu tenho aqui uma licença especial assinada por o professor Snape . * _ Eu , professor Snape , autorizo a equipa de os Slytherin a praticar hoje em o campo de Quidditch devido a a necessidade de treinar o seu novo seeker . * - Têm um novo * seeker * ? - perguntou Wood perturbado . - Onde ? E detrás de as seis figuras corpulentas que tinham em a frente , viram surgir uma sétima : um rapaz mais pequeno com um sorriso afectado espelhado em o rosto pálido e anguloso . Era_Draco_Malfoy . - Não és o filho de o Lucius_Malfoy ? - perguntou Fred , olhando para ele com antipatia . - Curioso que refiras o pai de o Draco - disse Flint enquanto toda_a equipa de os Slytherin sorria de modo grosseiro . - Deixem me mostrar vos a generosa oferta que ele fez a a equipa de os Slytherin . Os sete exibiram as suas vassouras . Sete cabos novos , polidos , com inscrições em letras douradas de as palavras « Nimbus dois_mil_e_um « brilharam a o sol de a manhã , em frente de o nariz de os Gryffindor . - O último modelo . Só chegou em o mês passado - disse Flint , displicentemente , sacudindo a poeira de o cabo de a sua vassoura . - Julgo que ultrapassam de longe as velhas séries de dois_mil . Quanto a as Cleansweeps - sorriu de forma mesquinha para Fred e George que tinham ambos Cleansweep_Fives - essas já só servem para varrer . Nenhum de os Gryffindor foi capaz de abrir a boca em aquele momento . Malfoy sorria tanto que os seus olhos de gelo estavam reduzidos a duas rachas . - Oh vejam - disse Flint . - Uma invasão de o campo . Ron e Hermione atravessavam o relvado para ver o que se passava . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron a o Harry . - Porque não estão a jogar e o que faz ele aqui ? Olhava para Malfoy em as suas vestes de Quidditch . - Sou o novo * seeker * de os Slytherin , Weasley - disse Malfoy com ar presumido . - Têm estado todos a admirar as vassouras que o meu pai comprou para a nossa equipa . Ron olhou de boca aberta para as sete vassouras que tinha em a frente . - São boas , não são ? - disse Malfoy untuosamente . - Mas talvez a equipa de os Gryffindor consiga levantar algum ouro e comprar também vassouras novas . Vocês podiam levar essas Cleansweep_Fives a leilão , talvez algum museu esteja interessado . A equipa de os Slytherin riu se a bandeiras despregadas . - Pelo_menos em os Gryffindor ninguém teve de comprar a sua entrada - disse secamente Hermione . - Entraram todos por mérito próprio . O ar presumido de Malfoy desapareceu . - Ninguém pediu a tua opinião , sangue de lama - cuspiu Malfoy . Harry apercebeu se , de imediato , que Malfoy dissera algo muito grave porque houve uma tremenda algazarra em o seguimento de as suas palavras . Flint teve que se pôr a a frente de o Malfoy para evitar que Fred e George se atirassem a ele . Alicia bradou : - Como te atreves ? - E Ron meteu a mão em as vestes e sacou de a varinha mágica , gritando : - Vais pagar por o que disseste , Malfoy ! - e apontou a , furioso , por debaixo de o braço de Flint , a o rosto de Malfoy . Um enorme estrondo , ecoou em o estádio e um jacto de luz verde saiu por a extremidade errada de a varinha de Ron , atingindo o em o estômago e projectando o para trás em direcção a o relvado . - Ron ! Ron ! Estás bem ? - gritou Hermione . Ron abriu a boca para falar , mas nenhuma palavra saiu . Em vez de isso , teve um vómito imenso e várias lesmas saíram lhe de a boca , indo cair lhe em o colo . A equipa de os Slytherin ficou paralisada de riso . Flint estava dobrado , agarrado a a vassoura nova . Malfoy , a quatro , batia com o punho em a chão . Os Gryffindor rodeavam o Ron , que continuava a vomitar lesmas enormes e reluzentes . Ninguém queria tocar lhe . - É melhor levá o para_casa de o Hagrid . É o mais perto - disse Harry_a_Hermione , que acenou afirmativamente , e os dois arrastaram o Ron por os braços . - O que aconteceu , Harry ? O que aconteceu ? Ele está doente ? Mas tu podes curá o , não podes ? - Colin descera a correr de o lugar onde estava sentado e dançaricava em frente de eles , enquanto abandonavam o campo . Ron teve um novo arremesso e mais lesmas saíram de a sua boca . - Oooh ! - exclamou Colin fascinado , levantando a máquina fotográfica . - Podes mantê o quieto , Harry ? - Sai de a minha frente , Colin - gritou Harry zangado . Ele e a Hermione conseguiram levar o Ron para fora de o estádio , atravessar os campos e chegar a a beira de a floresta . - Está quase , Ron - disse Hermione , mal avistaram o casebre de o guarda de os campos . - Vais ficar bem dentro_de um minuto ... está quase ... Estavam a sessenta metros de a casa de Hagrid , quando a porta de a frente se abriu . Mas não foi Hagrid quem saiu de lá , e sim Gilderoy_Lockhart , em uma túnica cor de malva . - Rápido , vamos esconder nos aqui - sussurrou Harry , arrastando Ron para trás de um arbusto que havia ali perto . Hermione acompanhou o , embora um_pouco relutante . -- É muito simples quando se sabe o que se está fazer ! - gritava Lockhart_para_Hagrid . - Se precisar de ajuda , sabe onde estou . Vou dar lhe um exemplar de o meu livro . Espanta me que ainda não o tenha . Logo a a noite autografo o e envio lhe o . Bem . até a a próxima ! - e afastou se em direcção a o castelo . Harry esperou que Lockhart desaparecesse , antes de puxar o Ron de trás de o arbusto até a a casa de o Hagrid . Bateram ansiosamente . Hagrid apareceu logo com um ar mal-humorado , que se dissipou quando viu quem era . - Já me tinha perguntado quand'é que vocês vinham ver me , entrem , entrem , pensei qu'era outra_vez o professor Lockhart . Harry e Hermione ajudaram Ron a subir o degrau que dava acesso a a cabana de uma divisão com uma cama enorme a um de os cantos e uma lareira a crepitar alegremente em o outro . Hagrid não pareceu perturbado com o problema de as lesmas de o Ron que Harry lhe explicou precipitadamente , logo_que sentou o Ron em uma cadeira . - Melhor saírem de o qu'entrarem - disse , em um tom bem-disposto , colocando uma grande bacia de cobre em frente de ele . - Deita as todas fora , Ron . - Acho que não há mais_nada a fazer , a não ser esperar que isto pare - disse Hermione ansiosamente , vendo Ron inclinar se para a bacia . - É uma maldição muitas_vezes difícil , mas com uma varinha partida ... Hagrid andava de um lado para o outro a preparar o chá . O cão de ele , Fang , babava se em cima de o Harry . - O que é_que o Lockhart queria de ti ? - perguntou o Harry , coçando as orelhas de o Fang . - Ensinar me a tirar espíritos aquáticos com forma de cavalos d'uma nascente d'água - resmungou Hagrid , retirando de a mesa pequena um galo meio depenado e colocando em o seu lugar o bule . - Como s'eu não soubesse . E contar me uma peta qualquer d'uma fada carpideira que ele venceu . Engulo essa chaleira , se uma palavra do_que ele disse for verdade . Não era hábito de Hagrid criticar um professor de Hogwarts e Harry olhou para ele com alguma surpresa . Mas Hermione disse em uma voz mais aguda do_que de costume : - Acho que estás a ser injusto . O professor Dumbledore obviamente achou que era o melhor homem para o lugar ... - Era o único - explicou Hagrid , oferecendo lhes um prato de bombons de melaço enquanto Ron tossia para a bacia . - E não havia mais ninguém . Não é fácil encontrar quem queira dar Artes de magia negra . As pessoas não gostam de essa matéria . Começam a pensar que está amaldiçoada , ninguém ficou muito_tempo a dá a . Mas digam me lá - continuou Hagrid , inclinando a cabeça para Ron - quem é qu'ele estava a tentar amaldiçoar ? - O Malfoy chamou qualquer coisa a a Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si . - Foi grave , sim - disse o Ron com voz rouca , emergindo a a superfície de a mesa , pálido e transpirado . - O Malfoy chamou lhe sangue de lama , Hagrid . - Ron desapareceu outra_vez quando uma nova onda de lesmas fez o seu aparecimento . Hagrid estava indignado . - Não posso crer - exclamou , dirigindo se a Hermione . - Chamou sim - disse ela . - Mas eu não sei o que significa . Percebi que era má educação , claro ... - É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar - explicou Ron novamente . - Sangue de lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles , sabes , filho de pais não mágicos . Há alguns feiticeiros , como a família de o Malfoy que acham que são melhores do_que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro . - Teve um pequeno vómito e uma lesma isolada caiu lhe em a mão aberta . Ele atirou a para a bacia e continuou . -- É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma . Olha_o_Neville_Longbottom , é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito . - E ainda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer - afirmou Hagrid , orgulhoso , fazendo Hermione corar em tons de magenta . - É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém - disse o Ron , limpando o suor de a testa com a mão trémula . - Sangue sujo , sangue vulgar , é um disparate . A maior parte de os feiticeiros hoje_em_dia têm sangue misturado . Se não tivéssemos casado com Muggles tinha sido o nosso fim . Fez um esforço para vomitar e baixou se mais_uma_vez . - Bem , não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá o , Ron - disse Hagrid bem alto enquanto montes de lesmas caíam em a bacia . - Mas , se_calhar , não foi mau de todo teres a varinha a trabalhar ao_contrário . Acho que Lucius_Malfoy teria vindo logo a correr a a escola se tivesses amaldiçoado o filho . Assim , pelo_menos , não estás metido em nenhum sarilho . Harry teria referido que o problema não podia ser pior do_que deitar lesmas por a boca , mas não pôde . Os bombons de melaço tinham lhe colado os maxilares um_ao_outro . - Harry - disse de repente Hagrid como_que movido por um pensamento súbito . - Tens de me explicar uma coisa . Ouvi dizer que tens andado a dar fotografias autografadas . Porque é qu'eu não tenho nenhuma ? A fúria de Harry foi tão grande que os maxilares se libertaram . - Eu não tenho dado fotografias autografadas - disse com vivacidade . Se o Lockhart andou a espalhar isso ... Mas em esse momento viu que Hagrid se estava a rir . - ´ _ tou a brincar - disse , dando uma palmadinha em as costas de Harry e fazendo lhe sinal para se sentar a a mesa . -- Eu sabia que não tinhas . Disse a o Lockhart que tu não precisavas de isso . Es mais famoso do_que ele sem sequer , tentares . - Aposto que ele não gostou de ouvir isso - comentou Harry , sentando se e esfregando o queixo . - Acho que não gostou mesmo - prosseguiu Hagrid com os olhinhos a brilhar . - E disse lhe também que nunca tinha lido nenhum de os livros de ele e ele foi se embora . Um bombom de melaço , Ron ? - perguntou a o vê o reaparecer . - Não , obrigado - disse o Ron com uma voz fraca . - É melhor não arriscar . - Venham ver o qu'eu tenho estado a criar - disse Hagrid quando Harry e Hermione acabaram de tomar o chá . Em a pequena horta atrás de a casa estava uma_dúzia de as maiores abóboras que Harry alguma vez vira . Pareciam enormes blocos de pedra . - Estão a dar se bem , não achas ? - disse Hagrid , feliz . São para a festa de o * _ Hallow'en * . Devem estar bem grandes quando chegar a altura . - O que é_que lhes tens dado como alimento ? - perguntou Harry . Hagrid olhou por cima de o ombro para confirmar se estavam sós . - Bem , tenho estado a dar lhes ... uma pequena ajuda . Harry reparou em o guarda-chuva cor-de-rosa a as florzinhas que estava encostado contra a parede de a cabana . Tivera em o ano anterior motivos para crer que aquele guarda-chuva não era o que parecia . De facto , acreditava que a antiga varinha de escola de Hagrid se encontrava oculta dentro de ele . Hagrid não tinha autorização para usar magia . Fora expulso de Hogwarts em o terceiro ano embora Harry nunca tivesse descoberto o motivo . Qualquer referência a esta questão fazia Hagrid pigarrear bem alto e ficar misteriosamente surdo até mudarem de assunto . -- Um encantamento de absorção , imagino ? - comentou Hermione entre a desaprovação e o divertimento . - Bem , se assim foi , fizeste um bom trabalho . - Foi o que disse a tua irmãzinha - respondeu Hagrid acenando em direcção a Ron . - Encontrei a ontem . - Hagrid olhou de lado para Harry , a barba a contorcer se . - Disse que andava só a ver os campos , mas eu acho qu'ela esperava encontrar alguém em a minha casa - piscou o olho a o Harry . - Se queres que te diga acho qu'ela não recusaria uma fotografia autogr ... - Cala te com isso - disse Harry . Ron desatou a rir e o chão ficou cheio de lesmas . - Cuidado - resmungou Hagrid , afastando Ron de as suas preciosas abóboras . Estava quase em a hora de o almoço e , como o Harry só tinha provado um bombom de melaço desde manhã cedo , estava ansioso por chegar a a escola para ir comer . Despediram se de o Hagrid e regressaram a o castelo . O Ron a vomitar de vez em quando , mas deitando só duas pequenas lesmas . Mal tinham pisado a entrada de o vestíbulo quando ouviram uma voz . - Aí estão vocês , Potter , Weasley . - A professora Mc_Gonagall vinha em direcção a eles com o seu ar severo . - Vocês os dois vão ter as punições hoje a a tarde . - O que é_que vamos fazer , professora ? - perguntou o Ron nervoso , deixando cair uma lesma . - Tu vais limpar as pratas em a sala de os troféus com Mr._Filch - disse a professora Mc_Gonagall . - E nada de mágicas , Weasley , trabalho com esforço . Ron engoliu em seco . Argus_Filch , o encarregado , era odiado por todos os alunos de a escola . - E tu , Potter , vais ajudar o professor Lockhart a responder a as cartas de as suas fãs - ordenou a professora Mc_Gonagall . - Oh , não ! Não posso ir também trabalhar em a sala de os troféus ? - pediu Harry em desespero de causa . - Nem pensar em isso - respondeu a professora Mc_Gonagall , erguendo as sobrancelhas . - O professor Lockhart requisitou te especialmente a ti . _ a as oito_em_ponto , os dois . Harry e Ron entraram em o salão em um estado de profundo desanimo com a Hermione atrás , ostentando uma expressão de * bem-voces-quebraram-as-regras-da-escola * . Harry não saboreou o empadão de carne como teria desejado . Tanto ele como o Ron achavam que tinham tido o pior de os castigos . -- O Filch vai reter me lá toda_a noite - disse Ron , desanimado . - Sem mágica ! Deve haver umas cem taças em aquela sala , eu não sei fazer limpeza de Muggles . - Eu trocava contigo de boa_vontade - confessou Harry em uma voz surda . - Tive montes de prática com os Dursleys . Responder a o correio de fãs de o Lockhart , que pesadelo ... A tarde de sábado pareceu derreter se . Pouco depois eram já cinco para as oito e Harry arrastava se até a o corredor de o segundo andar onde ficava o escritório de o Lockhart . Rangendo os dentes , bateu a a porta . A porta abriu se imediatamente e Lockhart dirigiu se lhe . - Ah , cá está o patifório ! - exclamou . - Entra , Harry , entra . Em as paredes , brilhando à_luz_de muitas velas , podia ver se uma infinidade de fotografias de Lockhart . Algumas de elas até assinadas . Sobre a secretária estava outro monte enorme . - Podes pôr as moradas em os envelopes - disse Lockhart_a_Harry , como_se fosse uma grande ameaça . - O primeiro é para Gladys_Gudgeon , abençoada seja , uma grande fã minha . Os minutos passavam lentos . De vez em quando , Harry ouvia a voz de Lockhart dizendo : - Mmm - e - certo - e - sim . - De vez em quando , apanhava uma frase como : - A fama é versátil , amigo Harry - ou - Só é célebre quem faz por isso , nunca te esqueças . As velas ardiam cada_vez com maior lentidão , fazendo a luz dançar sobre as muitas caras de Lockhart que o olhavam . Harry passava a mão , já dorida , sobre o que devia ser o centésimo envelope , escrevendo a morada de Verónica_Smethley . « Deve estar quase em a hora de me ir embora » , pensou , sentindo se profundamente infeliz , « por favor , faz com que esteja em a hora ... » E então ouviu algo , algo totalmente diferente de o crepitar de as velas e de os ditos de Lockhart sobre as suas fãs . Era uma voz , uma voz de arrepiar os ossos , de cortar a respiração , de veneno frio . - * _ Vem ... vem ter comigo ... deixa me rasgar te ... cortar te ... matar te * ... Harry deu um salto e uma enorme mancha lilás surgiu em a rua de Verónica_Smethley . - O quê ? - disse ele em voz alta . - Eu sei - exclamou Lockhart . - Seis meses inteirinhos em o topo de a lista de * bestsellers * , bati todos os recordes ! - Não - disse Harry nervosíssimo - aquela voz ! - Como ? - perguntou Lockhart , com um ar confuso . - Que voz ? - Aquela , aquela voz que disse ... não ouviu ? Lockhart olhava para Harry com o maior espanto . - De que é_que estás a falar , Harry ? Estás a ficar com sono ? Meu Deus , olha , só estamos aqui há quase quatro horas , quem diria ? O tempo passou a correr , não é verdade ? Harry não respondeu , estava a fazer um esforço para ouvir de_novo a voz , mas o único som que ouviu foi Lockhart a dizer lhe que não esperasse um tratamento igual de as próximas vezes que fosse castigado . Harry saiu , sentindo se atordoado . Era tão tarde que a sala comum de os Gryffindor estava quase vazia . Harry foi directamente para o dormitório . Ron ainda não tinha voltado . Vestiu o pijama , meteu se em a cama e esperou . Meia_hora mais tarde , chegou o Ron agarrado a o braço direito e inundando o quarto escuro de um forte cheiro a limpa-pratas . - Doem me todos os músculos - resmungou , metendo se em a cama . - Ele fez me polir catorze vezes aquela taça de Quidditch até estar satisfeito . E depois tive outro vómito em_cima_de um troféu de Reconhecimento por serviços prestados a a escola . Demorei séculos a limpar o muco de as lesmas . Como correram as coisas com o Lockhart ? Em voz baixa para não acordar o Neville , o Dean e o Seamus , Harry contou lhe , palavra por palavra , o que tinha ouvido . - E Lockhart disse que não ouviu nada ? - perguntou o Ron . Harry viu o franzir a testa , a a luz de o luar . - Achas que estava a mentir ? Mas , não percebo , mesmo um ser invisível teria aberto a porta . - Eu sei - disse Harry , encostando se a a cama e olhando para o dossel . - Também não compreendo . VIII_A festa de o dia de os mortos Outubro chegou , espalhando um frio húmido por os campos e por os cantos de o castelo . Madam_Pomfrey , a enfermeira-chefe , esteve bastante ocupada com uma onda de constipações que afectou professores e alunos . A sua poção de pimentão entrou imediatamente em acção apesar_de deixar quem a tomava com fumo em os ouvidos durante várias horas . Ginny_Weasley , que andava com ar adoentado , foi convencida a tomá a por o Percy . O fumo que saía por debaixo de o seu cabelo ruivo dava a impressão de que toda_a cabeça estava em fogo . Gotas de chuva de o tamanho de balas agrediram as janelas de o castelo durante dias a fio . O lago rosado e os canteiros de flores tornaram se regatos lamacentos e as abóboras de o Hagrid incharam ficando de o tamanho de alpendres de jardim . Contudo , o entusiasmo de Oliver_Wood por as sessões de treino regular não foi abalado , motivo por o qual Harry iria regressar a a torre de os Gryffindor , em um sábado a a tarde de temporal , alguns dias antes de o * _ Hallowe'en * , ensopado até a os ossos e todo enlameado . Além de a chuva e de o vento , não fora um treino feliz . Fred e George que tinham andado a espiar a equipa de os Slytherin tinham visto com os seus próprios olhos a velocidade alucinante de aquelas novas Nimbus dois_mil_e_um e comentaram que a equipa em o ar parecia composta por sete manchas esverdeadas que disparavam a_toda_a velocidade como aviões a jacto . Enquanto Harry chapinhava a o longo de o corredor deserto , cruzou se com alguém que parecia tão preocupado como ele : Nick quase sem cabeça , o fantasma de a torre de os Gryffindor que olhava taciturno , por a janela , murmurando baixinho : - Não preenche os requisitos , um centímetro e meio se ... - Olá , Nick - cumprimentou Harry . - Olá , olá - disse o Nick quase sem cabeça , começando a olhar em volta . Usava um arrebatado chapéu de plumas sobre a longa cabeleira encaracolada e uma túnica com gola de tufos que disfarçava o facto de ter o pescoço quase totalmente separado de o corpo . Era pálido como o fumo e Harry podia ver através de ele o céu negro e a chuva torrencial , lá fora . - Pareces preocupado , jovem Potter - disse Nick , dobrando uma carta transparente , enquanto falava e escondendo a dentro de a jaqueta . - Tu também - retorquiu Harry . - Ah ! - o Nick quase sem cabeça acenou com a mão de forma elegante . - Uma questão sem importância . Não é_que eu quisesse realmente participar apesar_de me ter inscrito , mas , a o que parece , não preencho os requisitos . - Apesar de o seu tom jovial havia em o seu rosto uma grande amargura . - Mas era de esperar , ou não era - exclamou subitamente , tirando a carta de o bolso - que ter levado quarenta_e_cinco golpes em a cabeça com um machado ferrugento me qualificaria para entrar em o grupo de os Sem - _ Cabeça ? - Sim , sim - respondeu Harry que obviamente o outro esperava que concordasse . - Isto_é , ninguém mais do_que eu desejaria que tudo tivesse sido rápido e perfeito , poupava me muitas dores e ridículo . Mas ... O Nick quase sem cabeça abriu , furioso , a carta e leu : * _ Só podemos aceitar em o grupo homens cuja cabeça tenha sido separada de o corpo . Compreenderá que de outro modo seria impossível a os nossos membros participarem em actividades como equitação de malabarismos com a cabeça e pólo de cabeça . Lamentamos profundamente informá o de que não preenche os requisitos . * _ Os nossos melhores cumprimentos , Sir_Patrick_Delaney - _ Podmore * Furioso , o Nick quase sem cabeça atirou fora a carta . - Um centímetro de pele e tendões a segurarem me a cabeça , Harry ! A maior parte de as pessoas acharia que era mais do_que o suficiente , mas não serve para o senhor correctamente decapitado Podmore . Nick quase sem cabeça respirou fundo várias vezes e , por fim , em um tom bastante mais calmo perguntou : - Então o que é_que te preocupa ? Alguma coisa que eu possa fazer por ti ? - Não - respondeu Harry . - A_não_ser_que saibas onde posso arranjar sete Nimbus dois_mil_e_um , de_graça , para o nosso campeonato contra os Sly ... - o resto de a frase foi afogada por um miado agudo vindo de perto de os seus tornozelos . Olhou para baixo e deu consigo a fitar um par de olhos que pareciam duas lâmpadas amarelas . Era_Mrs._Norris , a gata cinzenta e esquelética usada por o encarregado Argus_Filch como uma espécie de polícia em a sua infindável batalha contra os estudantes . - É melhor saíres de aqui , Harry - preveniu Nick com toda_a calma . - O Filch não está nada bem-disposto . Anda engripado e alguns alunos de o terceiro ano , por acidente , encheram o tecto de o calabouço cinco de miolos de rã . Ele tem andado toda_a manhã a limpar e se te vê a encher tudo de lama ... - Certo - disse Harry , recuando e afastando se de o olhar acusador de Mrs._Norris , mas ... tarde de mais . Conduzido até ali por o misterioso poder que parecia ligá o a a gata , Argus_Filch entrou subitamente por uma tapeçaria que se encontrava a a direita de Harry , com a sua respiração asmática , olhando vivamente em volta em busca de o infractor . Tinha um lenço grosso , de xadrez , a a volta de a cabeça e o nariz invulgarmente arroxeado . - Imundície - gritou com os maxilares a tremer e os olhos a saltarem lhe de as órbitas , enquanto apontava para a poça de lama que pingara de a túnica de Quidditch_de_Harry . - Desarrumação e imundície em todo o lado . Estou farto disto , segue me , Potter . Harry despediu se de o Nick quase sem cabeça com um tímido aceno e seguiu Filch até lá abaixo , duplicando o número de pegadas lamacentas em o chão . Nunca entrara em o gabinete de o Filch . Era um lugar que a maior parte de os estudantes evitava . A divisão era sombria e sem janelas , iluminada por uma única lamparina de óleo que pendia de o tecto . Sentia se um vago cheiro a peixe frito . As paredes estavam forradas por ficheiros de madeira . Por as etiquetas Harry percebeu que continham os dados de todos os alunos que Filch tinha punido . Fred e George_Weasley tinham uma gaveta só para eles . Atrás de a secretária estava pendurada uma colecção bem polida de correntes e algemas . Todos sabiam que ele estava sempre a pedir a Dumbledore que o deixasse pendurar os alunos em o tecto por os tornozelos . Filch pegou em uma pena que estava sobre a secretária e começou a procurar o pergaminho . - Bosta - murmurou , furioso . - Bosta de dragão , miolos de rã , intestinos de ratazana ... eu tinha aqui bastante , onde está o form ... sim ... Tirou um enorme rolo de pergaminho de a gaveta de a secretária e estendeu o em a frente , molhando a longa pena em o tinteiro . - Nome : Harry_Potter . Crime ... - Foi só um bocadinho de lama - disse Harry . - É só um bocadinho de lama para ti , rapaz , mas para mim é mais de uma hora a esfregar - gritou Filch com um pingo a tremer de modo desagradável em a extremidade de o nariz bolboso . - Crime : manchar o castelo . Sentença proposta ... Esfregando o nariz que continuava a pingar , Filch olhou com má cara para Harry que esperava com a respiração entrecortada para ouvir a sentença . Mas quando Filch pegou em a pena ouviu se um estrondo enorme em o tecto que fez a lamparina apagar se . - PEEVES - resmungou Filch , pousando a pena , cheio de raiva . - Desta_vez apanho te . Apanho te ! E sem olhar para trás , saiu a correr a_toda_a velocidade de o gabinete , seguido de a gata , Mrs._Norris . Peeves era o * poltergeist * de a escola , uma ameaça de risota esvoaçante que vivia para fazer estragos e criar aflição . Harry não gostava lá muito de ele , mas desta_vez , não podia deixar de lhe estar grato . Na_melhor_das_hipóteses o que Peeves tivesse feito ( e parecia que agora ele destruíra qualquer coisa em grande ) distrairia Filch_de_Harry . Pensando que o melhor seria esperar que ele voltasse , Harry deixou se cair em uma cadeira carcomida por o tempo que se encontrava junto de a secretária . Havia uma coisa sobre o tampo : um grande envelope roxo e lustroso com letras prateadas em a frente . Lançando um olhar rápido a a porta para confirmar que Filch não estava de volta , Harry pegou lhe e leu : __ feitiço __ rápido Um curso por correspondência De iniciação a a magia Cheio de curiosidade , abriu o envelope e retirou o rolo de pergaminho . Uma letra curvilínea e prateada dizia : Sente se pouco a a vontade em o mundo de a magia moderna ? Dá consigo a arranjar desculpas para não fazer feitiços simples ? Tem sido censurado por o deplorável trabalho com a varinha ? Eis a resposta ! Feitiço rápido e um curso totalmente novo , infalível , de resultados rápidos e rápida aprendizagem . Centenas de bruxas e feiticeiros têm beneficiado de o método feitiço rápido ! Madam_Z._Nettles_de_Topsham escreve nos : Eu não conseguia fixar os encantamentos e as minhas poções eram alvo de risota em a família . Agora , depois de o curso feitiço rápido , tornei me o centro de as atenções em todas_as festas e os meus amigos não param de pedir me a receita de a minha brilhante solução ! O mágico D.J._Prod , de Disbury , afirma : A minha mulher costumava rir se de os meus fracos encantamentos , mas bastou um mês com o vosso fabuloso curso feitiço rápido e consegui transformá a em um iaque . Obrigado , feitiço rápido ! Fascinado , Harry folheou o resto de o conteúdo de o envelope . Para que diabo quereria o Filch um curso de feitiço rápido ? Não seria ele um feiticeiro a sério ? Harry estava a ler a lição número um : Pegando em a varinha ( algumas dicas úteis ) quando umas passadas arrastadas , lá fora , o preveniram de que Filch estava de volta . Metendo rapidamente o pergaminho dentro de o envelope , lançou o para_cima de a secretária em o preciso momento em que a porta se abriu . Filch ostentava um ar triunfante . - Aquele armário que desapareceu era extremamente valioso - vinha ele a dizer a a gata , Mrs._Norris . - Desta_vez vamos correr com o Peeves , minha linda . Os seus olhos recaíram sobre Harry e logo_a_seguir sobre o envelope de o feitiço rápido que , Harry apercebeu se tarde de mais , estava meio metro distanciado de o seu lagar inicial . O rosto pálido de Filch tornou se vermelho escarlate . Harry preparou se para uma nova onda de fúria . Filch coxeou até a a secretária , arrebatou o envelope e meteu o em uma gaveta . -- Chegaste a ... lê o ? - perguntou atabalhoadamente . - Não - mentiu Harry , sem perder tempo . As mãos nodosas de o Filch contorciam se ao_mesmo_tempo . - Se eu soubesse que ias ler a minha correspondência priv ... não que seja minha ... é para um amigo ... mesmo_assim ... Harry olhava para ele espantado . Nunca vira o Filch tão louco . Os olhos pareciam querer saltar lhe de as órbitas , com um tique em as bochechas e aquele lenço axadrezado que não ajudava nada ... - Muito bem , vai e não abras a boca sobre isto ... não que ... mesmo_assim ... se tu não leste ... vai te embora , tenho de escrever o relatório sobre o Peeves , vai . Atordoado com a sua sorte , Harry saiu de ali e largou a correr por o corredor fora e por as escadas acima . Sair de o gabinete de o Filch sem um castigo devia ser um recorde em a escola . - Harry , Harry , deu resultado ? O Nick quase sem cabeça saiu a brilhar de uma sala de aula . Atrás de ele , Harry pôde ver os destroços de um grande armário preto e dourado que parecia ter sido atirado de uma grande altura . - Convenci o Peeves a parti o mesmo em cima de o gabinete de o Filch - disse Nick entusiasmado . - Pensei que talvez o distraísse . - Foste tu ? - exclamou Harry , agradecido . - Funcionou sim . Ele não me deu nenhum castigo . Obrigado , Nick . Atravessaram o corredor juntos . O Nick quase sem cabeça , reparou Harry , ainda tinha em a mão a carta de Sir_Patrick . - Gostaria de poder fazer qualquer coisa sobre o grupo de os Sem - _ Cabeça - disse Harry . O Nick quase sem cabeça parou de repente e Harry passou através de ele . Antes não tivesse passado , foi como atravessar um duche gelado . - Mas há uma coisa que tu podes fazer por mim - disse Nick muito agitado . - Harry , seria pedir te de mais ... mas não , tu não ias querer ... - O quê ? - Bem , este ano em o * _ Hallowe'en * vai ser o meu meio milénio de dia de os mortos - disse o Nick quase sem cabeça endireitando se e adquirindo uma postura de grande dignidade . - Oh - respondeu Harry sem saber se deveria lamentar ou dar lhe os parabéns . - Certo . - Vou dar uma festa em um de os calabouços mais amplos . Vêm amigos meus de todo o país . Seria uma honra muito grande se tu aparecesses . Mr._Weasley e Miss_Granger seriam também muito bem-vindos , claro . Mas tu deves preferir o banquete de a escola , não é verdade ? - Olhou para Harry , aflito . - Não - assegurou ele rapidamente . - Eu vou . - Oh rapaz , Harry_Potter em a minha festa de os mortos - hesitou no_meio_de toda aquela excitação . - Achas que poderias referir a Sir_Patrick como me achas assustador e como te impressiono ? - É claro que sim - assegurou Harry . O Nick quase sem cabeça iluminou se em um sorriso . - Uma festa de os mortos ? - exclamou Hermione , entusiasmada , quando Harry , depois de mudar de roupa , se juntou a ela e a o Ron em a sala comum . - Aposto que não há muitas pessoas que possam gabar se de ter estado em uma festa de essas . Vai ser fantástico ! - Por_que é_que alguém se lembraria de festejar o dia em que morreu ? - perguntou o Ron que estava a meio de o seu trabalho de casa de poções e bastante maldisposto . - Parece me bastante mórbido . A chuva continuava a lamber as janelas que apresentavam agora um negro que parecia tinta , mas , lá dentro , era tudo claro e alegre . O fogo em a lareira brilhava sobre as inúmeras cadeiras de braços onde as pessoas estavam sentadas a ler , a conversar , a fazer os trabalhos de casa ou , no_caso_de Fred e George_Weasley , a tentar descobrir o que aconteceria se alimentassem uma salamandra com fogo-de-artíficio de o Filibuster . O Fred tinha « resgatado . o lagarto cor de laranja brilhante , morador de o fogo , de uma aula de tratamento de seres mágicos e ele estava agora a arder em fogo lento sobre uma mesa , rodeado de um grupo de curiosos . Harry ia começar a contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre o Filch e o curso de feitiço rápido quando a salamandra disparou por os ares , lançando faíscas e estoiros . A visão de Percy a gritar com Fred e George até ficar ronco , a fantástica exibição de estrelas cor de tangerina que choviam de a boca de a salamandra e a sua fuga para o lume acompanhada de explosões , fizeram com que Harry se esquecesse , em aquele momento , de Filch e de o curso de feitiço rápido . Quando chegou o * _ Hallowe'en * , Harry já lamentava a sua promessa imprudente de ir a a festa de os mortos . Toda_a escola antecipava , feliz , a sua festa de * _ Hallowe'en * . O salão nobre fora enfeitado com os habituais morcegos , as enormes abóboras de Hagrid tinham sido esculpidas em forma de lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro_de cada uma , e havia boatos de que Dumbledore contratara um grupo de esqueletos bailarinos para animar a festa . - Uma promessa é uma promessa - lembrou Hermione_a_Harry com o seu autoritarismo habitual . - Tu disseste que ias a a festa de os mortos . Portanto , a as sete_da_tarde , Harry , Ron e Hermione saíram , passando por a porta de o salão nobre que brilhava de modo convidativo com pratos dourados e velas e dirigiram os seus passos para os calabouços . O corredor que conduzia a a festa de o Nick quase sem cabeça tinha sido também ladeado de velas , embora o efeito estivesse longe_de ser alegre : estas eram velas muito esguias e estreitas , negras de breu , ardendo em um azul brilhante e lançando uma luz indistinta e espectral também sobre as caras de as pessoas vivas . A temperatura diminuía a cada degrau que desciam . Harry tremia e cingia a túnica a o corpo quando ouviu qualquer coisa que parecia uma centena de unhas a rasparem um enorme quadro preto . - Será que isto_é a música ? - murmurou Ron . Viraram uma esquina e viram o Nick quase sem cabeça junto de uma porta , todo vestido de veludo negro . - Meus queridos amigos - disse com ar de luto . - Bem-vindos , bem-vindos , ainda_bem que puderam vir . Em um gesto largo tirou o chapéu de plumas e fez lhes sinal para que entrassem . Era uma visão incrível . O calabouço estava cheio com centenas de pessoas de um branco pálido e translúcido , a maior parte de as quais era arrastada em uma pista de dança cheia , valsando a o som de trinta serrotes musicais . Os serrotes que compunham a orquestra encontravam se sobre um estrado enfeitado com panos negros . Um lustre lá em cima resplandecia de um azul nocturno com mais um_milhar de velas negras . A respiração de os três subiu em o ar como uma neblina . Parecia que tinham entrado em um congelador . - Vamos dar uma volta - sugeriu Harry em uma tentativa de aquecer os pés . - Cuidado , não atravessem nenhum de eles - avisou o Ron nervosamente e colocaram se em volta de a pista de dança . Passaram por um grupo escuro de freiras , por um homem esfarrapado e cheio de correntes e por o frade gordo , o divertido fantasma de os Hufflepuff que estava a conversar com um cavaleiro com uma seta enfiada em a testa . Harry não ficou nada surpreendido a o ver que o Barão sangrento , o fantasma lúgubre e berrante de os Slytherin , coberto de nódoas de sangue ; estava a ser totalmente evitado por os outros fantasmas . - Oh ! Não -- exclamou Hermione , parando bruscamente . - Voltem se , voltem se , não quero ter de cumprimentar a Murta_Queixosa . - Quem ? - perguntou Harry enquanto davam rapidamente meia volta . - Ela assombra a casa_de_banho de as raparigas de o primeiro andar - explicou Hermione . - Assombra uma casa_de_banho ? - Sim . Está inoperativa durante todo o ano porque ela tem constantes acessos de choro e inunda tudo . Eu só lá fui quando não pode mesmo evitar . É horrível tentar ir a a sanita com ela a gritar connosco . - Olhem , comida - disse o Ron . De o outro lado de o calabouço estava uma mesa igualmente coberta de velado negro . Iam para se aproximar entusiasmados , mas pararam com uma expressão de horror . O cheiro era nauseabundo . Enormes peixes podres enchiam as bonitas travessas de prata , os bolos estorricados como carvões amontoavam se em as salvas , havia uma grande quantidade de miúdos de macaco , uma tábua de queijos cobertos de bolor e , em o lugar de honra , um enorme bolo cinzento em forma de lápide com letras que pareciam alcatrão formando as palavras , * _ Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington_Morto em 31_de_Outubro , 1492 * . Harry olhou espantado quando um fantasma de porte majestoso se aproximou de a mesa inclinando se e passando através de ela com a boca aberta enquanto atravessava um salmão malcheiroso . - Consegue prová o passando através de ele ? - perguntou lhe Harry . - Quase - disse tristemente o fantasma antes de se afastar . - Devem ter deixado apodrecer tudo_isto para ter um sabor mais forte - comentou Hermione com ar de quem está bem informada , tapando o nariz e aproximando se para ver melhor os pútridos miúdos de macaco . - Podemos sair de aqui , estou a sentir me agoniado - disse o Ron . Mas mal tinham dado meia volta quando um homenzinho pequenino saiu inesperadamente de debaixo de a mesa e fez uma paragem em o ar em frente de eles . - Olá , Peeves - disse Harry cautelosamente . Ao_contrário de os outros fantasmas que os rodeavam , Peeves , o * poltergeist * era o oposto de pálido e transparente . Usava um chapéu festivo cor de laranja , um laço rotativo a o pescoço e tinha um sorriso grosseiro de malvadez , em o rosto . - Querem petiscar ? - perguntou delicadamente , oferecendo lhes uma taça de amendoins cobertos de fungos . - Não , obrigada - disse Hermione . - Ouvi te falar sobre a pobre Murta - disse Peeves com os olhos a bailar . - Que insensível que tu foste para com a pobre Murta - respirou fundo e gritou : - Oh Murta . - Oh ! Não , Peeves , não lhe contes o que eu disse , ela vai ficar muito aborrecida - murmurou Hermione bastante nervosa . - Eu não queria dizer que ... eu não me importo que ela , er , olá , Murta . O espectro atarracado de uma rapariga deslizara . Tinha o rosto mais carrancudo que Harry alguma vez vira , meio escondido por o cabelo liso e por os óculos grossos cor de pérola . - O que é ? - perguntou mal-humorada . - Como estás Murta ? - perguntou Hermione , em uma voz falsamente alegre . - É bom ver te fora de a casa_de_banho . Murta fungou . - Miss_Granger estava justamente a falar de ti - disse lhe Peeves baixinho a o ouvido . - A dizer , a dizer ... como estás bonita esta noite -- terminou Hermione , olhando irritada para Peeves . A Murta olhou para Hermione desconfiada . - Estão a divertir se a a minha custa - disse , com lágrimas de prata a encherem lhe rapidamente os olhos pequeninos . - Não , a sério , eu não estava a dizer vos como a Murta estava bonita esta noite ? - disse Hermione , dando uma palmada em as costas de o Harry e de o Ron . - Sim , sim . - Ela ... - Não me venham com mentiras - protestou a Murta , as lágrimas agora a descerem lhe por o rosto , enquanto Peeves ria baixinho por cima de o ombro de ela . - Julgam que eu não sei o que as pessoas me chamam em as minhas costas ? A Murta gorda , a Murta feia , a Murta queixosa , a Murta deprimida ! - Esqueceste te de « a Murta ponto negro » - sussurrou lhe Peeves a o ouvido . A Murta_Queixosa irrompeu em soluços de angústia e fugiu de o calabouço . Peeves disparou atrás de ela , lançando lhe uma chuva de amendoins cheios de bolor e gritando : Ponto negro ! Ponto negro ! - Oh , coitada ! - exclamou Hermione com tristeza . O Nick quase sem cabeça abria agora caminho entre a multidão para se aproximar de eles . - Estão a divertir se ? - Sim , sim - mentiram . - Uma afluência nada má - disse orgulhoso o Nick quase sem cabeça . - A viúva chorosa veio de Kent ... está quase em a hora de o meu discurso . É melhor ir avisar a orquestra . Mas a orquestra parou de tocar em esse preciso momento . Eles , e todos os outros em o calabouço , ficaram em silêncio total , olhando em volta cheios de excitação quando se ouviu uma trompa de a caça . - Lá vêm eles - disse o Nick quase sem cabeça , com alguma amargura em a voz . Por o calabouço irromperam uma_dúzia de , cavalos fantasmas , cada_um montado por um cavaleiro sem cabeça . A assistência aplaudiu vivamente . Harry começou também a bater palmas , mas parou rapidamente quando viu a cara de o Nick . Os cavalos galoparam até a o meio de a pista de dança e pararam , empinando se , dando pequenos passos para a frente e para trás , sobre as patas traseiras . Um fantasma grande em a frente , cuja cabeça barbuda estava debaixo de o braço , soprando a trompa , desmontou , levantou a cabeça bem em o ar para poder ver toda_a assistência ( todos se riam ) e dirigiu se a o Nick quase sem cabeça , comprimindo a cabeça contra o pescoço . - Bem-vindo , Patrick - disse o Nick , mantendo a sua postura rígida . - Gente viva ! - exclamou o Sir_Patrick , avistando Harry , Ron e Hermione e dando um salto de falso espanto , de_tal_modo_que a cabeça lhe caiu de_novo ( a multidão ria a bom rir ) . - Muito engraçado - disse o Nick quase sem cabeça com um ar soturno . - Não ligues a o Nick - gritou a cabeça de Sir_Patrick de o chão . - Ainda está aborrecido por não o deixarmos juntar se a o grupo . Mas olhem bem para ele ... - Eu acho - disse apressadamente Harry , a seguir a um olhar de o Nick - que o Nick é muito assustador e ... eu ... - Bah ! - gritou a cabeça de Sir_Patrick . - Aposto que ele te pediu que dissesses isso . - Gostaria de ter a vossa atenção . Chegou a altura de fazer o meu discurso - disse o Nick quase sem cabeça bem alto , dirigindo se a o pódio , subindo e parando , iluminado por uma luz azul . - Os meus sentimentos , senhores e senhoras , é com profundo pesar ... Mas já ninguém estava a ouvi o . Sir_Patrick e o resto de o grupo de os Sem - _ Cabeça tinham iniciado um jogo de hóquei de cabeça e a multidão voltara se para os observar . Nick quase sem cabeça tentou em vão recuperar a audiência , mas acabou por desistir quando a cabeça de Sir_Patrick passou por ele a_toda_a velocidade gritando vivas . Harry estava cheio de frio para não falar de a fome . - Não aguento mais isto - murmurou Ron a bater o dente enquanto a orquestra voltava a entrar em acção e os fantasmas enchiam de_novo a pista de dança . - Vamos embora - concordou Harry . Recuaram até a a porta , acenando e sorrindo a todos os que olhavam para eles e um minuto depois passavam apressadamente por a entrada cheia de velas negras . - Talvez o pudim ainda não tenha acabado - disse o Ron cheio de esperança , abrindo caminho em direcção a os degraus de o vestíbulo de a entrada . E foi então que Harry ouviu aquilo . - ... * _ Arrancar ... rasgar ... matar * ... Era a mesma voz , a mesma voz fria e assassina que ouvira em o escritório de Lockhart . Parou , agarrando se a a parede de pedra em a expectativa de ouvir melhor , olhando em volta , espreitando para_cima e para baixo de a passagem mal iluminada . - Harry que estás tu a ... ? - E aquela voz outra_vez , calem se um bocadinho . -- ... * _ Tanta fome ... há tanto tempo * ... - Ouçam insistiu Harry e Ron e Hermione ficaram estáticos a olhar para ele . - * _ Matar ... hora de matar * ... A voz ia ficando mais débil . Harry tinha a certeza de que ela estava a afastar se , a subir . Um misto de medo e excitação tomou posse de ele enquanto olhava para o tecto escuro . Como poderia ele subir ? Seria um fantasma para quem os tectos de pedra não contavam ? - Por aqui - gritou , começando a correr por as éscadas acima até a a entrada de o * hall * . Não havia hipótese de ouvir fosse o que fosse ali , o barulho de vozes que vinha de o banquete de o * _ Hallowe'en * ecoava cá fora . Harry subiu a correr a escadaria de mármore até a o primeiro andar com Ron e Hermione ruidosamente atrás . - Harry o que é_que nós ... ? - Sch ... Harry apurou o ouvido . Ao_longe , em o andar de cima , e ainda a enfraquecer , mesmo_assim ouviu a voz : - ... * Cheira-me a sangue ... cheira me a sangue ! * O estômago deu lhe uma volta . - Ele vai matar alguém - gritou e ignorando as caras perplexas de Ron e Hermione , correu , subindo mais um lanço de escadas , a três_e_três , tentando ouvir através de o ruído de os seus próprios passos . Harry correu a_toda_a velocidade pelo segundo andar com Ron e Hermione atrás e só parou quando viraram uma esquina para o último corredor abandonado . - Harry , o que foi aquilo tudo ? - perguntou o Ron , limpando o suor de o rosto . - Eu não ouvi nada ... Mas Hermione , em um sobressalto , apontou para o fundo de o corredor . - Olhem ! Alguma coisa brilhava em a parede em frente . Aproximaram se devagarinho , tentando ver em a escuridão . Alguém escrevera em letras garrafais em a parede entre duas janelas . As palavras brilhavam a a chama fraca de as tochas . : __ a câmara de os segredos foi aberta . inimigos de o herdeiro , __ cuidado . - O que é aquilo pendurado por baixo de as letras ? - perguntou Ron com um tremor em a voz . Quando se aproximaram , Harry quase escorregou . Havia uma grande poça de água em o chão . Ron e Hermione agarraram o e avançaram cautelosamente até a a mensagem , os olhos fixos em uma sombra escura , em baixo . Aperceberam se os três de imediato do_que se tratava e deram um salto para trás , salpicando tudo de água . Mrs._Norris , a gata de o encarregado , estava pendurada por a cauda em o suporte de a tocha . Tinha o corpo rígido como uma tábua e os olhos abertos . Durante alguns segundos ninguém se mexeu . Depois o Ron disse : - Vamos sair de aqui . - Não devíamos tentar ajudar ? - propôs Harry , sem graça . - Acredita - assegurou o Ron . - É melhor que não nos encontrem aqui . Mas era tarde de mais . Um ruído surdo e prolongado , como um trovejar distante , avisou os de que o festim tinha terminado . De ambos os lados de o corredor onde eles estavam , veio o som de centenas de pés a subirem a escadaria e as vozes alegres de gente bem alimentada . Em o momento seguinte os alunos chegavam junto de eles de ambos os lados . O burburinho morreu subitamente mal as pessoas avistaram a gata pendurada . Harry , Ron e Hermione estavam de pé , sozinhos , em o meio de o corredor quando se fez silêncio em a multidão de estudantes que se empurravam para observar aquele quadro macabro . Então alguém gritou , quebrando o silêncio . - Inimigos de o herdeiro , cuidado . Vocês serão os próximos , sangue de lama ! Era_Draco_Malfoy . Estava a a frente de a multidão com os olhos frios a brilhar , a sua cara habitualmente pálida agora afogueada , sorrindo a a vista de a gata pendurada e imóvel . IX_As palavras em a parede -- O que é_que se passa aqui ? O que é_que se passa ? Sem dúvida , atraído por o grito de Malfoy , Argus_Filch apareceu a coxear em o meio de a multidão . Quando viu Mrs._Norris , caiu para trás agarrando o rosto com verdadeiro horror . - A minha gata ! A minha gata ! O que aconteceu a Mrs._Norris ? - gritou . E os seus olhos rápidos caíram sobre Harry . - Tu - guinchou ele . - Mataste a minha gata ! Mataste a , vou dar cabo de ti , eu ... - Argus . Dumbledore tinha chegado a o lugar , seguido de alguns professores . Em poucos segundos tinha passado a a frente de Harry , Ron e Hermione e desatado Mrs._Norris de o suporte de a tocha . - Vem comigo , Argus - disse ele a o Filch . - Vocês também , Mr._Potter , Mr._Weasley e Miss_Granger . Lockhart deu rapidamente um passo em frente . - O meu escritório é o que está mais perto , senhor director , é já aqui em cima , por favor fiquem a a vontade . - Obrigado , Gilderoy - disse Dumbledore . A multidão silenciosa dividiu se para os deixar passar . Lockhart sentindo se excitado e importante , seguia Dumbledore assim_como a professora Mc_Gonagall e o professor Snape . Quando entraram em o escritório escuro de Lockhart houve uma grande agitação em as paredes . Harry viu várias imagens de Lockhart a esconderem se cheias de rolos em o cabelo . O Lockhart em pessoa acendeu as velas e chegou se mais para trás . Dumbledore pôs Mrs._Norris em a superfície polida de a secretária e começou a examiná a . Harry , Ron e Hermione trocaram olhares tensos entre si e deixaram se cair em as cadeiras que se encontravam longe de a luz , a observar . A ponta de o nariz longo e adunco de Dumbledore estava a menos_de dois centímetros de o pêlo de Mrs._Norris . Ele olhava a de perto através de os óculos de meia-lua , os dedos longos a palpar e tactear suavemente . A professora Mc_Gonagall estava quase tão perto como ele , com os olhos contraídos . Snape surgia mais atrás , meio em a sombra , com uma expressão estranha em o rosto , como_se tentasse a_toda_a força sorrir . E Lockhart andava de um lado para o outro a dar sugestões . - Foi sem dúvida uma maldição que a matou , provavelmente a tortura de a metamorfose . Vi a muitas_vezes ser usada , mas infelizmente eu não estava lá quando isto aconteceu . Conheço o antídoto para essa maldição , o que a teria salvo . Os comentários de Lockhart foram interrompidos por os soluços secos e violentos de Filch . Estava afundado em uma cadeira junto de a secretária , incapaz de olhar para Mrs._Norris , com o rosto em as mãos . Por mais que detestasse Filch , Harry não pôde deixar de sentir pena de ele embora não tanta quanto_a que sentia por si próprio . Se Dumbledore acreditasse em o Filch ele seria certamente expulso . O director estava agora a sussurrar umas palavras estranhas e batendo em Mrs._Norris com a varinha , mas não aconteceu nada , ela continuou com o mesmo aspecto , como_se tivesse sido empalhada . - ... Lembro me de uma coisa semelhante que aconteceu em Ouagadogou - disse LockLart . - Uma série de ataques . Conto essa história em a minha autobiografia . Eu dei a a gente de a cidade vários amuletos que resolveram logo a situação ... As fotografias de Lockhart em as paredes iam acenando afirmativamente com a cabeça enquanto ele falava . Uma de elas esquecera se de tirar os rolos de o cabelo . Por fim , Dumbledore endireitou se . - Ela não está morta , Argus - disse suavemente . Lockhart interrompeu bruscamente a contagem de os crimes que conseguira evitar . - Não está morta ? - disse Filch em um sufoco , olhando através de os dedos para Mrs._Norris . - Mas , porque está ela rígida e gelada ? - Foi petrificada - disse Dumbledore ( Ah ! foi o que eu pensei ! - comentou Lockhart ) mas como , não posso afirmar . - Pergunte lhe - gritou Filch , voltando a cara cheia de furúnculos e lágrimas para Harry . - Nenhum aluno de o segundo ano poderia ter feito isto - explicou Dumbledore . - Era preciso um grande conhecimento de magia negra . - Foi ele , foi ele - disse encolerizado o encarregado com a cara a ficar roxa . - O senhor viu o que ele escreveu em a parede . Ele descobriu em o meu gabinete , ele sabe que eu sou um ... - O rosto de Filch estava horrível . - Ele sabe que eu sou um * _ busca-pé * - disse por fim . - Eu não toquei em a Mrs._Norris - gritou Harry com todos os olhares a recaírem sobre ele , incluindo o de todos os Lockharts de a parede . - E eu nem sei o que é um * busca-pé * . - Mentira ! - gritou Filch . - Ele viu a minha carta de o feitiço rápido . - Se me permite que dê a minha opinião , senhor director - disse Snape , saindo de a sombra , e a sensação de mau presságio de Harry aumentou bastante . Certamente nada do_que Snape tinha para de dizer iria ajudá o . - O Potter e os amigos podiam estar simplesmente em o lugar errado em a altura errada - afirmou com um leve sorriso a torcer lhe a boca como_se tivesse as suas dúvidas . - Mas , temos aqui um conjunto de circunstâncias curiosas . Porque estavam eles afinal em o corredor ? Porque não estiveram presentes em a festa de o * _ Hallowe'en * ? Harry , Ron e Hermione começaram uma longa explicação sobre a festa de o dia de os mortos . - Estavam lá centenas de fantasmas , eles poderão confirmar que lá estivemos ... - Mas porque não foram a seguir a o banquete ? - perguntou Snape com os olhos pretos a brilharem a a luz de as velas . - Porquê ir até a aquele corredor ? Ron e Hermione olharam para Harry . - Porque , porque ... - balbuciou Harry , com o coração a querer saltar lhe de o peito , mas algo lhe disse que ia parecer muito rebuscado se lhes contasse que tinha sido levado até ali por uma voz sem corpo que só ele conseguia ouvir . - Porque estávamos cansados e queríamos ir para a cama - disse . - Sem jantar ? - inquiriu Snape com um sorriso triunfante a bailar lhe em o rosto lúgubre . - Não sabia que os fantasmas ofereciam em as suas festas comida para gente viva . - Não estávamos com fome - disse o Ron bem alto , enquanto o estômago se queixava de forma audível . O sorriso mesquinho de a Snape ampliou se . - Acho , senhor director , que Potter não está a dizer toda_a verdade - afirmou . - Talvez fosse boa ideia retirar lhe alguns privilégios , até ele estar disposto a contar nos a história toda . Pessoalmente , sugiro que seja retirado de a equipa de os Gryffindor até decidir ser honesto . - Francamente , Severus - exclamou a professora Mc_Gonagall com uma voz cortante . - Não vejo porquê impedir o rapaz de jogar Quidditch . Esta gata não levou pauladas em a cabeça dadas por nenhum cabo de vassoura . E não há provas de que o Potter tenha feito algo de mal . Dumbledore observava Harry com um olhar perscrutador . A voz tremeluzente de os seus olhos azuis fez Harry sentir que estava a ser passado a raios X. - Inocente até se provar que é culpado , Severus - disse com segurança . Snape estava furioso , assim_como Filch . - A minha gata foi petrificada ! - berrou , com os olhos a saltarem de as órbitas . - Quero ver um castigo ! - Vamos poder curá a , Argus - explicou pacientemente Dumbledore . - Madam_Sprout conseguiu arranjar algumas Mandrágoras . Logo_que tenham atingido o tamanho adulto , terei uma poção de Mandrágoras que reanimará Mrs._Norris . - Eu posso fazê a - interrompeu Lockhart . - Devo ter feito isso uma centena de vezes . Preparo uma golada de Mandrágora reconstituinte de olhos fechados ... - Perdão - disse Snape friamente -- , mas julgo que o professor de poções de esta escola ainda sou eu . Houve um silêncio bastante incómodo . - Vocês podem ir se embora - disse Dumbledore a o Harry , Ron e a Hermione . Eles saíram o mais depressa que puderam , sem ir a correr . Quando chegaram a o andar acima de o escritório de Lockhart , entraram em uma sala de aulas vazia e fecharam a porta devagarinho . Harry lançou um olhar de esguelha a as caras carrancudas de os amigos . - Acham que eu lhes devia ter falado de a voz que ouvi ? - Não - respondeu Ron , sem a mínima hesitação . - Ouvir vozes que mais ninguém ouve , não é bom sinal , nem em o mundo de os feiticeiros . Algo em a voz de Ron levou Harry a fazer a pergunta : - Tu acreditas em mim , não acreditas ? - Claro que sim - respondeu o Ron de imediato . - Mas tens de concordar que é esquisito ... - Eu sei que é esquisito - confirmou Harry . - É tudo esquisito . O que era aquilo escrito em a parede ? * _ A_Câmara foi aberta * , o que é_que significa ? - Sabes , faz me lembrar qualquer coisa - disse Ron lentamente . - Acho que alguém me contou uma história sobre uma câmara secreta em Hogwarts , talvez tenha sido o Bill ... - E que diabos é um * busca-pé * ? - perguntou Harry . Para sua surpresa , Ron abafou o riso . - Bem , em a verdade não tem graça nenhuma , mas como é o Filch ... - disse . - Um * busca-pé * é alguém que nasceu de uma família de feiticeiros , mas não tem poderes mágicos . É uma espécie de o oposto de os que vêm de famílias de Muggles , mas são feiticeiros . Os * busca-pé * são muito raros . Se o Filch está a tentar aprender magia em um curso rápido , acho que ele deve ser mesmo um busca-pé . Isso explicaria tudo , por_exemplo , porque detesta tanto os estudantes . - Ron sorriu satisfeito . - Tem inveja . Um relógio deu as horas , algures . - Meia-noite - disse Harry . - É melhor irmo nos deitar , antes que o Snape apareça e tente acusar nos de qualquer coisa . Durante alguns dias não se falou de outra coisa em a escola a não ser de o ataque a a gata , Mrs._Norris . Filch manteve o sucedido bem fresco em a memória de todos , andando de um lado para o outro em o lugar onde ela fora atacada , como_se esperasse por o responsável . Harry vira o esfregar a mensagem de a parede com a « solução removedora de toda_a porcaria mágica Mrs._Skower » , mas sem qualquer resultado . As palavras continuavam a brilhar tanto como antes sobre a pedra . Quando Filch não estava a patrulhar a cena de o crime , vagueava , de olhos avermelhados , por os corredores , perseguindo alunos insuspeitos e tentando aplicar lhes castigos por coisas como « respirar muito alto » ou « estar alegre » . Ginny_Weasley parecia muito perturbada com o destino de Mrs._Norris . Segundo Ron ela era uma amante de gatos . - Mas tu nem chegaste a conhecer bem Mrs._Norris - disse lhe Ron para a animar . - Com toda_a franqueza , estamos muito melhor sem ela . - O lábio de Ginny tremeu . - Não é costume acontecerem coisas de estas em Hogwarts - tranquilizou a . - Eles vão descobrir o safado que fez aquilo e põem o de aqui para fora em três tempos . - Só espero que tenha tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso . Estou a brincar , claro - acrescentou o Ron apressadamente a o ver a Ginny a empalidecer . O ataque afectara também Hermione . Era costume de ela passar muito_tempo a ler , mas agora parecia não fazer mais_nada . Nem respondia a o Harry e a o Ron quando lhe perguntavam o que estava a fazer e só acabaram por descobrir em a quarta-feira seguinte . Harry tivera de ficar até mais tarde em a sala de poções onde Snape o mandara raspar restos de larvas de as secretárias . Depois de um almoço comido a a pressa , ele foi lá acima encontrar se com Ron em a biblioteca e viu Justin_Finch - _ Fletchley , o rapaz de os Hufflepuff de herbologia que vinha em direcção a ele . Harry tinha acabado de abrir a boca para dizer um « Olá » quando Justin o viu , voltando se bruscamente e mudando de direcção . Harry foi encontrar o Ron em as traseiras de a biblioteca , a medir o trabalho de casa de história de a magia . O professor Binns pedira uma composição sobre a Assembleia_Medieval_de_Feiticeiros_Europeus com 90cm . De extensão . - Não posso crer que ainda me faltem 16cm - disse o Ron furioso , largando o pergaminho que se enrolou em forma de tubo - e que a Hermione fez um metro e trinta em aquela letra pequenina e apertadinha . - Onde está ela ? - perguntou Harry , agarrando em a fita métrica e desembrulhando o seu trabalho de casa . - Algures por aí - disse o Ron , apontando para as estantes . - _ a a procura de outro livro . Acho que ela está a tentar ler a biblioteca toda antes de o Natal . Harry contou a Ron que Justin_Finch - _ Fletchley tinha evitado falar lhe . - Não sei porque te preocupas com isso . Eu achei o um idiota - disse o Ron , escrevinhando e fazendo a letra o maior possível . - Todo aquele disparate sobre o Lockhart ser tão grande ... Hermione surgiu de o meio de as estantes . Parecia irritada e disposta , por fim , a falar com eles . - Todos os exemplares de * _ Hogwarts : Uma História * foram requisitados - disse , sentando se ao_lado_de Harry e Ron . - E há uma lista de espera de duas semanas . Quem me dera não ter deixado o meu exemplar em casa , mas não consegui que coubesse em a mala com todos os livros de o Lockhart . - Para que o queres ? - perguntou Harry . - Pelo mesmo motivo que toda_a_gente o quer - disse Hermione . - Para ler a lenda de a Câmara_dos_Segredos . - O que é isso ? - Precisamente . Não me lembro - disse Hermione , mordendo o lábio . - E não encontro a História em lugar nenhum . - Hermione , deixa me ler o teu trabalho - pediu Ron desesperado , olhando para o relógio . - Não , não deixo - respondeu Hermione com um ar severo . - Tiveste dez dias para o fazer . - Só preciso de mais quatro centímetros , vá lá ... A campainha tocou . Ron e Hermione encaminharam se para a História_da_Magia , discutindo . A História_da_Magia era a matéria mais chata de o programa . O professor Binns , que dava a cadeira , era o único professor fantasma e a coisa mais excitante que aconteceu em as suas aulas foi o dia em que entrou por o quadro preto . Já velho e enrugado , muita gente afirmava a seu respeito que ele não dera por_que tinha morrido . Pura e simplesmente levantara se um dia para ir dar aulas , deixando o corpo atrás , em um cadeirão em frente de a lareira de a sala de os professores . Desde esse dia a sua rotina mantivera se igual . Era hoje tão chato como fora sempre . Abriu as notas e começou a ler em um tom monocórdico como um velho aspirador até quase todos os alunos estarem em um estado de profunda dormência , acordando de vez em quando , para tomar nota de um nome ou de uma data , e voltando a adormecer . Estava a falar havia meia_hora quando aconteceu algo que nunca tinha acontecido . Hermione pôs o braço em o ar . O professor Binns olhou de relance , em o meio de a chatíssima aula sobre a Convenção_Internacional_de_Feiticeiros de 1289 , verdadeiramente espantado . - Miss ... er ... ? - Granger , professor . Poderia dizer nos alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Hermione em uma voz bem audível . O Dean_Thomas , que tinha estado sentado de boca aberta olhando para fora de a janela , saiu de o seu transe com um salto . A cabeça de Lavender_Brown saiu de os braços e o cotovelo de o Neville_Longbottom escorregou para fora de a secretária . O professor Binns piscou os olhos . - A minha matéria é História_da_Magia - disse em a sua voz seca e asmática . - Eu trato de factos , Miss_Granger , não de mitos e lendas - pigarreou produzindo um ruído que parecia o giz sobre o quadro e continuou : - Em Setembro de esse ano , uma subcomissão de feiticeiros de a Sardenha ... Parou de repente . A mão de Hermione estava de_novo em o ar . - Sim , Miss_Grant ? - Por favor , professor , as lendas não têm sempre um facto como base ? O professor Binns olhava para ela com tal espanto que Harry teve a certeza de que ele nunca , em tempo algum , fora interrompido por um aluno . - Bem - disse lentamente o professor Binns . - Sim , é uma afirmação que pode fazer se . - Olhou para Hermione como_se fosse a primeira vez que olhasse a sério para um estudante . - Contudo , a lenda de que me fala é tão extraordinária , mesmo grotesca ... Mas a aula inteira estava agora atenta a as palavras de o professor , que olhou indistintamente para todos eles . Harry poderia assegurar que ele estava absolutamente abismado por uma tão grande demonstração de interesse . - Muito bem - disse lentamente . - Ora vejamos ... a Câmara_dos_Segredos . Todos vocês sabem com certeza que Hogwarts foi fundada há mais de um_milhar de anos , não se conhece ao_certo a data , por os quatro maiores feiticeiros e feiticeiras de a época : Godric_Gryffindor , Helga_Hufflepuff , Rowena_Ravenclaw e Salazar_Slytherin . Construíram juntos este castelo , longe de os olhares curiosos de os Muggles porque em aquele tempo a magia era temida por as pessoas comuns e as bruxas e feiticeiros sofriam terríveis perseguições . Fez uma pausa , olhou indeciso em volta e prosseguiu : - Durante alguns anos , os fundadores trabalharam juntos em harmonia procurando outros mais novos que mostrassem sinais de possuir dotes mágicos e trazendo os para o castelo para aqui serem ensinados . Mas os desentendimentos surgiram entre eles . Começou a notar se uma divisão entre Slytherin e os outros . Salazar_Slytherin queria ser mais selectivo em relação a os alunos a serem admitidos em Hogwarts . Achava que os ensinamentos de magia deviam ficar dentro de as famílias de feiticeiros . Não lhe agradava a entrada em a escola de alunos de famílias Muggles porque os achava pouco dignos de confiança . Depois de algum tempo houve uma séria discussão sobre esse assunto entre Slytherin e Gryffindor e Slytherin abandonou a escola . O professor Binns fez uma nova pausa , fazendo beicinho o que o fazia parecer uma tartaruga enrugada . - Fontes fidedignas referem nos isto - disse . - Mas estes factos foram obscurecidos por a fantasiosa lenda de a Câmara_dos_Segredos . Conta a história que Slytherin construíra uma câmara oculta dentro de o castelo cuja existência os outros fundadores ignoravam . De_acordo com a lenda , Slytherin selou a Câmara_dos_Segredos para que ninguém pudesse abri a até o seu verdadeiro herdeiro chegar a a escola . O herdeiro , e apenas ele , poderia abrir a Câmara_dos_Segredos , libertar o horror que lá se encontrava e utilizá o para expurgar a escola de todos aqueles que eram indignos de aprender magia . Houve um silêncio quando ele se calou que não era o habitual silêncio de sono de as aulas de o professor Binns . Havia um desassossego em o ar enquanto todos continuavam a olhá o a a espera de mais . O professor Binns estava ligeiramente aborrecido . - A história toda é um disparate , claro - disse ele . - A escola foi revistada por várias vezes em busca de provas de a existência de essa câmara , por os feiticeiros e bruxas mais conhecedores . Não existe nada . Uma lenda que serviu apenas para assustar os ingénuos . A mão de Hermione estava novamente em o ar . - Professor , o que quer_dizer , ao_certo com « o horror que estava dentro de a câmara » ? - Acredita se que seja uma espécie de monstro que só o herdeiro de Slytherin pode controlar - disse o professor Binns em a sua voz seca e débil . A aula trocou entre si olhares inquietos . - Como vos digo , a coisa não existe - afirmou o professor Binns , desordenando as suas notas . - Não há câmara e não há monstro . - Mas , professor - disse Seamus_Finnigan . - Se a câmara só podia ser aberta por o herdeiro de Slytherin ninguém mais poderia encontrá a . Não é ? - Um disparate pegado - disse o professor Binns , em um tom de voz exasperado . - Se uma longa sucessão de directores e directoras de Hogwarts não a encontraram ... - Mas , professor - começou a dizer Parvati_Patil . Se_calhar é preciso usar magia negra para a abrir ... - Lá porque um feiticeiro não usa magia negra não quer_dizer que não possa , Miss_Pennyfeather - interrompeu o professor Binns . - Repito , se os antecessores de Dumbledore ... - Mas talvez seja preciso fazer parte de os Slytherin , por isso Dumbledore não podia ... - começou Dean_Thomas , mas o professor Binns já estava farto . - Já chega - disse , de modo cortante . - É um mito . Não existe . Não há uma única prova de que Slytherin tenha construído nem mesmo uma despensa para vassouras . Lamento ter vos contado esta história tola . Vamos voltar , se fazem o favor , a a História , a os factos sólidos , verificáveis , credíveis . E em menos_de cinco minutos toda_a classe mergulhara em a sua sonolência habitual . - Eu sempre ouvi dizer que Salazar_Slytherin era um velho retorcido e meio pateta - disse Ron_a_Harry e Hermione enquanto abriam caminho por os corredores cheios , em o final de a aula , para ir arrumar as malas antes de o jantar . - Mas não sabia que ele tinha começado esta coisa de o sangue puro . Eu não ia para os Slytherin nem que me pagassem . Se o chapéu seleccionador me tivesse posto lá , pegava em as malas e ia me embora ... Hermione acenou vivamente , mas Harry não abriu a boca . O estômago parecia ter dado uma volta . Harry nunca contara a o Ron e a a Hermione que o chapéu seleccionador tinha considerado seriamente a possibilidade de o colocar em os Slytherin . Lembrava se como_se tivesse sido em a véspera do_que a vozinha lhe dissera a o ouvido quando pôs o chapéu em a cabeça , um ano antes . * _ Podias vir a ser grande , sabes ? Está tudo aqui em a tua cabeça e Slytherin ajudaria te em o caminho para a grandeza , sem a menor dúvida * ... Mas Harry , que já ouvira falar de a fama de o grupo de os Slytherin de formar magos negros , pensou desesperadamente . - Em os Slytherin , não ! - E o chapéu tinha dito . - Bem , se tens assim tanta certeza ... será melhor os Gryfffndor . Enquanto eram empurrados por a multidão , Colin_Creevey passou por eles . - Olá , Harry ! - Olá , Colin - disse Harry automaticamente . - Harry , Harry , um rapaz de a minha turma tem andado a dizer que tu és ... Mas Colin era tão baixinho que não conseguiu lutar contra a maré de gente que o arrastou até a o vestíbulo . Ouviram o despedir se : - Adeus , Harry - e desaparecer . - O que é_que o rapaz de a turma de ele disse de ti ? - quis saber Hermione . - Que eu sou o herdeiro de Slytherin , imagino - disse Harry , com o estômago ainda a as voltas e lembrou se de repente de o Justin_Finch - _ Fletchley a fugir para não lhe falar , a a hora de o almoço . - As pessoas aqui acreditam em tudo - disse o Ron com repugnância . A multidão diminuiu e conseguiram subir as escadas sem dificuldade . - Achas mesmo_que existe uma Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Ron_a_Hermione . - Não sei - respondeu ela , franzindo a testa . - Dumbledore não conseguiu curar Mrs._Norris e isso leva me a pensar que o que a atacou pode não ser ... humano . Enquanto falava , voltaram uma esquina e encontraram se em o fim de aquele mesmo corredor onde o ataque tinha ocorrido . Pararam para olhar . Estava tudo igual a aquela outra noite , com excepção de a gata Mrs._Norris e havia uma cadeira vazia encostada a a parede , onde podia ler se a mensagem « : __ a câmara foi __ aberta » . - Foi aqui que o Filch montou a guarda - murmurou Ron . Olharam uns para os outros . O corredor estava deserto . - Não deve fazer mal dar uma olhadela aqui - disse Harry , deixando cair a mala e pondo se de quatro para poder gatinhar em busca de pistas . - Marcas de queimadura - disse - aqui e aqui ... - Venham ver isto ! - chamou Hermione . - Que estranho ... Harry levantou se e foi até a a janela que ficava junto de a mensagem . Hermione apontava para o vidro mais alto , onde cerca de uma vintena de aranhas se debatiam em uma aparente luta por atravessar por uma pequena brecha de vidro . Um longo fio prateado balouçava como uma corda , como_se todas tivessem trepado , em a ânsia de chegar lá fora . - Alguma vez viram aranhas agir assim ? - perguntou Hermione , curiosa . - Não - respondeu Harry . - E tu , Ron ? Ron ? Olhou por cima de o ombro . Ron estava de costas , bem lá atrás e parecia lutar contra o impulso de se virar . - O que é_que se passa ? - perguntou Harry . - Eu não gosto de aranhas - disse Ron , de modo tenso . - Nunca me tinhas dito - comentou Hermione , olhando para ele com surpresa . - Estás farto de usar aranhas em as poções ... - Não me importo quando estão mortas - explicou Ron que olhava cautelosamente para todos os lados , menos para a janela . - Não gosto de a maneira como_se mexem . Hermione riu se baixinho . - Não tem graça nenhuma - disse o Ron , furioso . - Se queres saber , quando eu tinha três anos , o Fred transformou o meu ursinho de pelúcia em uma enorme aranha nojenta , por eu lhe ter partido a vassoura de brinquedo . Tu também não gostarias de aranhas se estivesses agarrada a o teu ursinho e , de repente , ele tivesse uma data de pernas e ... Começou a tremer ... Hermione ainda estava a tentar conter o riso . Sentindo que era melhor mudarem de assunto , Harry perguntou : - Lembram se de a água que havia aqui em o chão ? De onde terá vindo ? Alguém a limpou . - Era por aqui - disse o Ron , já recuperado , avançando alguns passos em direcção a a cadeira de o Filch e apontando . - Junto de esta porta . Estendeu a mão para o puxador de a porta , mas retirou a de imediato , como_se se tivesse queimado . - O que foi ? - perguntou Harry . - Não posso entrar aí - disse o Ron bruscamente . - É a casa_de_banho de as raparigas . - Oh , Ron , não está aí ninguém - sossegou o Hermione enquanto se aproximava . - É o lugar de a Murta_Queixosa . Anda , vamos dar uma espreitadela . E ignorando o grande letreiro que dizia « Fora de serviço » Hermione abriu a porta . Era a casa_de_banho mais sombria e deprimente em que Harry tinha posto os pés durante toda_a sua vida . Debaixo_de um grande espelho partido e sujo podia ver se uma fila de lavatórios de pedra , rachados . O chão estava húmido e reflectia a luz fraca de os pavios de algumas velas que ardiam baixinho em os suportes . As portas de madeira de os cubículos estavam todas lascadas e riscadas e uma de elas balouçava fora de as dobradiças . Hermione levou os dedos a os lábios e foi até a o último cubículo . Quando lá chegou disse : - Olá , Murta , como estás ? Harry e Ron foram ver . A Murta_Queixosa flutuava em a cisterna de a casa_de_banho , tirando um ponto negro de o queixo . - Esta é a casa_de_banho de as raparigas - disse a o ver o Ron e o Harry . - Eles não são raparigas . - Não - concordou Hermione . - Eu só queria mostrar lhes como esta casa_de_banho é ... er ... simpática . Ela fez um aceno vago a o velho espelho sujo e a o chão húmido . - Pergunta lhe se viu alguma coisa - sussurrou o Ron a a Hermione . - Porque estão a dizer segredinhos ? - perguntou a Murta , fitando o . - Não é nada - disse Harry rapidamente . - Queríamos perguntar ... - Gostava que as pessoas parassem de falar em as minhas costas ! - desabafou a Murta em uma voz abafada por as lágrimas . - Eu tenho sentimentos , sabem , apesar_de estar morta . - Murta , ninguém quis aborrecer te - explicou Hermione . - O Harry só ... - A minha vida foi uma infelicidade em este lugar e agora as pessoas vêm estragar a minha morte . - Nós queríamos perguntar te se tinhas visto alguma coisa estranha ultimamente - disse Hermione sem perder tempo . - Porque foi atacada uma gata mesmo aqui a a frente de a tua porta em a noite de o * _ Hallowe'en * . - Viste alguém aqui perto em essa noite ? - insistiu Harry . - Não estava a prestar atenção - disse a Murta com ar dramático . - O Peeves aborreceu me tanto que vim aqui para tentar matar me . Só então me lembrei de que estou ... de que estou ... - Já morta - ajudou o Ron . A Murta soluçou tragicamente , elevou se em o ar , voltou se e mergulhou de cabeça em a sanita , espalhando água por_cima_de todos eles e desaparecendo . Por o som de os seus soluços abafados fora certamente descansar algures em o cano em forma de V._Harry e Ron ficaram de boca aberta , mas Hermione encolheu os ombros de cansaço e disse : - Se querem saber , para a Murta isto até foi alegre ... vá , vamos embora . Harry tinha acabado de fechar a porta deixando atrás os soluços gorgolejantes de a Murta quando uma voz forte o fez dar um salto . - RON ! Percy_Weasley estava parado em o cimo de as escadas com o seu distintivo de prefeito a brilhar e uma expressão chocadíssima em o rosto . - Isso é a casa_de_banho de as raparigas ... o que é_que vocês ... ? - Estávamos só a dar uma vista de olhos - exclamou o Ron - a a procura de pistas ... Percy engoliu em seco , de uma maneira que fez Harry lembrar se de Mrs._Weasley . - Saiam imediatamente de aqui - disse , aproximando se de eles a passos largos e gesticulando agitadamente . - Não se preocupam com as aparências ? Voltar aqui enquanto toda_a_gente está a jantar ... - Porque não havíamos de estar aqui ? - perguntou cheio de vivacidade o Ron , parando de repente e olhando Percy em os olhos . - Ouve lá , nós não tocamos em aquela gata . - Isso foi o que eu tentei explicar a a Ginny - respondeu Percy furioso - mas ela parece continuar a pensar que vocês vão ser expulsos . Nunca a vi tão aflita . Não pára de chorar . Devias pensar em ela . Todos os alunos de o primeiro ano andam superexcitados com esta história . - Tu não estás nada preocupado com a Ginny - disse o Ron já com as orelhas vermelhas . - O que te assusta é_que eu possa estragar as tuas possibilidades de ser chefe de turma . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor ! - bradou Percy , apontando elegantemente para o distintivo de prefeito . - E espero que te sirva de lição . Acabou se o trabalho de detective ou escrevo a a mãe a contar lhe . E voltou lhes as costas , a nuca tão vermelha como as orelhas de o Ron . Harry , Ron e Hermione , em essa noite , sentaram se em a sala comum o mais longe possível de Percy . Ron estava ainda muito maldisposto e não parava de esborratar o trabalho de casa de os encantamentos . Quando pegou distraidamente em a varinha para tirar as manchas incendiou o pergaminho . A deitar quase tanto fumo como o seu trabalho de casa , fechou bruscamente o * _ Livro_Padrão_de_Encantamentos de o 2.o Grau * . Para grande surpresa de Harry , Hermione fez o mesmo . - Mas quem poderia ser - perguntou ela baixinho como_se continuasse uma conversa que tinham acabado de ter . - Quem quereria todos os * busca-pés * e filhos de Muggles fora de Hogwarts ? - Vamos pensar - disse o Ron em a brincadeira , fingindo estar confuso . - Quem poderemos nós conhecer que ache que os familiares de Muggles são escumalha ? Olhou para Hermione . Ela olhou para ele pouco convencida . - Se estás a pensar em o Malfoy ... - Claro que estou - disse o Ron . - Tu ouviste o dizer : - Vocês serão os próximos , sangues de lama ! - Aliás , basta olhar para aquela cara de renegado para saber que ele é ... - Malfoy , o herdeiro de Slytherin ? - repetiu Hermione cepticamente . - Olha para a família de ele - disse Harry , fechando também os livros . - Todos eles estiveram em os Slytherin . O Draco está sempre a vangloriar se de isso . Podiam bem ser descendentes de Slytherin . O pai de ele é suficientemente mau . - Podiam perfeitamente ter tido a chave de a Câmara_dos_Segredos durante séculos - disse Ron - , fazendo a passar de pai para filho . - Bem - acedeu Hermione cautelosamente . - Seria possível ... - Mas como prová o ? - perguntou Harry tristemente . - Talvez haja um meio - sugeriu Hermione lentamente , baixando ainda mais a voz e lançando um olhar , através de a sala , a Percy . - É claro que não é fácil . E é perigoso , muito perigoso . Suponho que iríamos infringir cerca de cinquenta regras de a escola . - Se de aqui a um mês ou dois te decidires a explicar , avisa , está bem ? - disse Ron , que começava a ficar irritado . - Está bem - concordou Hermione friamente . - O que precisaríamos de fazer para entrar em a sala comum de os Slytherin e fazer algumas perguntas a o Malfoy , sem ele perceber que éramos nós ? - Mas isso é impossível - declarou Harry , enquanto Ron se ria . - Não , não é - continuou Hermione . - Só precisamos de um_pouco de poção * polisuco * . - O que é isso ? - perguntaram ao_mesmo_tempo Ron e Harry . - O Snape falou de ela em uma aula , há poucas semanas atrás . - Achas que não temos mais o que fazer do_que ouvir o Snape ? - murmurou o Ron . - Transforma nos em outra pessoa . Pensem em isso : podíamos transformar nos em três de os Slytherin . Ninguém saberia que éramos nós . É provável que o Malfoy nos contasse alguma coisa . Aposto que ele está a gabar se , em este momento , em a sala de os Slytherin , se ao_menos pudéssemos ouvi o . - Essa coisa de o * polisuco * cheira me um bocado mal - disse o Ron , franzindo as sobrancelhas . - E se ficarmos com a forma de os três Slytherin para sempre ? - Desaparece a o fim de algum tempo - disse Hermione , gesticulando impacientemente com a mão - mas conseguir a receita é muito difícil . O Snape disse que vinha em um livro chamado * _ As_Mais_Potentes_Poções * e está com certeza em a parte de os reservados de a biblioteca . Só havia uma maneira de obter o livro de os reservados : era com uma autorização assinada por um professor . - Não estou a ver porque quereríamos o livro - disse o Ron . - Se não para tentar fabricar uma de as poções . - Eu acho - sugeriu Hermione - que se fizéssemos parecer que o nosso interesse era apenas teórico , talvez conseguíssemos ... - Estás a sonhar , nenhum professor ia cair em essa - afirmou o Ron . - Só se fosse muito burro . X_A * bludger * perigosa Depois de o desastroso incidente de os duendes , o professor Lockhart não voltou a levar seres vivos para as aulas . Em vez de isso , lia a os alunos passagens de os seus livros e , por vezes , voltava a desempenhar alguns de os episódios mais dramáticos . Costumava chamar Harry para o ajudar em essas reconstruções . Até ali Harry fora obrigado a desempenhar o papel de um camponês de a Transilvânia que Lockhart curara de uma maldição murmurada , o abominável homem de as neves com dores de cabeça e um vampiro que depois de ter conhecido Lockhart tinha ficado incapaz de comer outra coisa que não fosse alfaces . Harry foi chamado para a frente de a classe durante a aula de Defesa contra as artes negras que se seguiu . Desta_vez para desempenhar o papel de um lobisomem . Se não tivesse um bom motivo para querer ver o Lockhart bem-disposto , teria se recusado . - Um uivo bem alto , excelente , Harry , isso mesmo . E foi então que , acreditem ou não , eu o ataquei de repente , assim . Atirei o a o chão , agarrei o com uma mão e com a outra consegui meter lhe a varinha em a garganta . Então , com a força que me restava pus em prática o complicadíssimo encantamento * _ Homorphus * . Harry soltou um uivo tristíssimo . - Vá lá , Harry , mais alto . Bom ... o pêlo desapareceu , os dentes diminuíram de tamanho e ele transformou se em um homem . Simples , mas eficaz e mais uma cidade ficará a lembrar se de mim para sempre como o herói que os libertou de os ataques mensais de o lobisomem . A campainha tocou e Lockhart pôs se de pé . - Trabalho para_casa : escrever um poema sobre a minha vitória sobre o lobisomem Wagga_Wagga . Há um exemplar autografado de * _ Eu , o Mágico * para o autor de o melhor poema . Os alunos começaram a sair . Harry voltou para trás e foi juntar se a o Ron e a a Hermione que estavam a a espera de ele . - Prontos ? - perguntou . - Espera até saírem todos - disse Hermione bastante nervosa . - Pronto ... Aproximou se de a secretária de Lockhart , apertando em a mão uma folha de papel , com o Ron e o Harry atrás . - Er ... professor Lockhart - gaguejou Hermione . - Eu queria requisitar este livro em a biblioteca , como leitura de apoio - entregou lhe o papel , com a mão ligeiramente trémula . - Só que faz parte de a secção de os reservados , por isso preciso de a assinatura de um professor . Acho que o livro me vai ajudar a compreender o que o senhor diz em * _ Passeios com Vampiros * acerca de os venenos de acção lenta ... - Ah , * _ Passeando com Vampiros * - disse Lockhart , pegando em a folha de papel de Hermione e sorrindo lhe abertamente . - E provavelmente o meu livro preferido . Gostou ? - Oh , muito - disse Hermione avidamente . - Tão inteligente o modo como apanhou o último com o passador de o chá . - Bem , tenho a certeza que ninguém se importará que eu dê uma ajudazinha suplementar a a melhor aluna de o segundo ano - disse Lockhart calorosamente , sacando de uma enorme pena de pavão . - É bonita , não é ? - comentou , adivinhando uma expressão de repulsa em a cara de o Ron . - Costumo guardas a para as minhas assinaturas de autógrafos . Rabiscou uma enorme assinatura cheia de altos e baixos e entregou a a Hermione . - Então , Harry - disse Lockhart enquanto Hermione dobrava a folha e a guardava em o saco . - Amanhã é a primeira partida de Quidditch de este ano , não é ? Gryffindor contra Slytherin . Ouvi dizer que és um jogador indispensável . Eu também fui * seeker * . Convidaram me inclusivamente para fazer parte de a Equipa_Nacional , mas eu preferi dedicar a minha vida a a erradicação de as forças de o mal . Mesmo_assim , se alguma vez precisares de um treino particular , não hesites em falar comigo , estou sempre disponível para partilhar a minha perícia com os jogadores menos dotados do_que eu . Harry fez um som indistinto com a garganta e saiu atrás_de Ron e Hermione . - Não acredito - disse quando os três examinavam a assinatura de Lockhart . - Ele nem viu que livro nós queríamos . - É porque é um idiota sem miolos - explicou o Ron . - Mas , quem se rala , temos o que queríamos . - Ele não é um idiota sem miolos - gritou Hermione com voz esganiçada enquanto se aproximavam quase a correr de a biblioteca . - Só porque ele disse que eras a melhor aluna de o segundo ano ... Baixaram as vozes a o entrar em a quietude abafada de a biblioteca . Madam_Prince , a bibliotecária , era uma mulher magra e irritável que parecia um abutre mal nutrido . - * _ Moste_Potente_Potions * ? - repetiu intrigada , tentando ficar com a folha de papel que Hermione se recusava a entregar lhe . - Gostava de a guardar para mim - disse sem fôlego . - Vá lá - intercedeu Ron , arrancando lhe a de as mãos e entregando a a Madam_Prince . - Nós arranjamos te outro autógrafo . O Lockhart assina tudo se aqui ficar muito_tempo . Madam_Prince pegou em o papel e voltou o em a direcção de a luz , decidida a descobrir uma falsificação , mas a assinatura passou em o teste . Desapareceu entre as estantes e voltou alguns minutos mais tarde , transportando um livro grande e de aspecto antiquado . Hermione meteu o com todo o cuidado em o saco e saíram , tentando não andar depressa de mais nem aparentar um ar culpado . Cinco minutos depois , estavam de_novo barricados em a casa_de_banho fora de serviço de a Murta_Queixosa . Hermione destruíra as objecções de Ron argumentando que aquele era o último lugar onde alguém em o seu juízo perfeito se lembraria de ir e que poderia assegurar lhes alguma privacidade . A Murta_Queixosa chorava ruidosamente em o seu cubículo , mas eles conseguiram ignorá a assim_como ela a eles . Hermione abriu * _ Moste_Potente_Potions * com todo o cuidado e inclinaram se os três sobre as páginas manchadas de humidade . Era fácil de perceber , logo à_primeira_vista de olhos , porque pertencia a a secção de os reservados . Algumas de as poções tinham efeitos quase impensáveis de tão macabros e havia ilustrações bastante desagradáveis , como , por_exemplo , aquela em que um homem parecia ter sido virado de o avesso e a de a bruxa com vários pares de braços suplementares a nascerem lhe em a cabeça . - Aqui está - disse Hermione excitadíssima a o encontrar a página intitulada « A poção * polisuco * « . Estava ilustrada com imagens de pessoas a meio de o processo de se transformarem em outras pessoas e Harry desejou ardentemente que a expressão de dor intensa que se lhes espelhava em o rosto fosse apenas produto de a imaginação de o artista desenhador . - Esta é a poção mais complicada que vi até hoje - disse Hermione enquanto examinava a receita . - Moscas asas de renda , sanguessugas , fluxo de cizânias e verdezelha - murmurou , acompanhando com o dedo a lista de ingredientes . - Bem , esses são relativamente simples , há os em a despensa de material de os estudantes , podemos tirar a a nossa vontade . Oh ! Vê só , pó de chifre de bicórneo ... não sei onde vamos arranjar isto ... e , é claro , um pedacinho de a pessoa em quem queremos transformar nos . - Como ? - perguntou Ron de forma cortante . - O que é_que queres dizer com um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos ? Eu não bebo nada que tenha lá dentro as unhas de os pés de o Crabbe ... Hermione continuou como_se não o tivesse ouvido . - Mas não temos que nos preocupar com isso por enquanto . Fica para o fim . Ron voltou se sem palavras para o Harry que tinha uma preocupação de outro tipo . - Já viste bem tudo_o_que vamos ter que roubar , Hermione ? Algumas coisas , não estão de certeza em a despensa de material de os alunos . O que é_que vamos fazer , arrombar os armários pessoais de o Snape ? Não sei se será uma boa ideia ... Hermione fechou o livro com um estrondo . - Bem , se vocês os dois se vão acagaçar , então está lindo - disse ela . Tinha as bochechas rosadas e os olhos mais brilhantes do_que era habitual . - Eu não gosto de quebrar regras , vocês sabem , mas acho que ameaçar os filhos de os Muggles é muito pior do_que construir uma poção difícil . Mas se vocês não querem descobrir se é o Malfoy , eu posso voltar já a a biblioteca e entregar o livro a Madam_Prince ... - Nunca pensei que chegaria o dia em que serias tu a convencer nos a quebrar regras - disse o Ron . - Está bem , vamos em essa , mas sem unhas de os pés , O. _ K. ? - Quanto tempo vai isso demorar a fazer , afinal ? - perguntou Harry quando Hermione , já com um ar mais satisfeito , voltou a abrir o livro . - Bem , como o fluxo de cizânias tem de ser recolhido durante a lua cheia e as asas de renda têm de ser abafadas durante vinte_e_um dias ... eu diria que se conseguirmos arranjar todos os ingredientes estará pronta dentro_de um mês . - Um mês ? - exclamou o Ron . - Nessa_altura já o Malfoy terá atacado metade de os filhos de Muggles ! - mas os olhos de Hermione contraíram se de_novo assustadoramente e ele acrescentou rapidamente . - Mas é o melhor plano que temos , por isso é melhor não olharmos para trás . Apesar_de tudo , enquanto Hermione verificava que não havia ninguém em os corredores e podiam sair de a casa_de_banho , Ron murmurou a Harry : - Seria muito mais simples se conseguisses , amanhã , atirar o Malfoy de a vassoura abaixo . Harry acordou cedo em o sábado de manhã e ficou um bocado a pensar em a partida de Quidditch que vinha a seguir . Estava nervoso , principalmente pelo que Wood diria se os Gryffindor perdessem , mas também com a ideia de enfrentar uma equipa apetrechada com as vassouras mais velozes que existiam . Nunca desejara tanto vencer os Slytherin como em aquele dia . Depois de meia_hora deitado com a barriga a dar horas , resolveu levantar se , vestir se e descer para tomar o pequeno-almoço . Lá em baixo , encontrou o resto de a equipa de os Gryffindor amontoada a o longo de a mesa comprida e vazia , todos eles com ar preocupado e sem vontade de conversar . Como_se aproximavam as onze horas , todos os alunos de a escola começaram a dirigir se para o estádio de Quidditch . O dia estava quente e húmido , com uma ameaça de trovoada em o ar . Ron e Hermione vieram apressadamente desejar a Harry boa sorte mal ele entrou em os vestiários . A equipa de os Gryffindor pôs os seus mantos vermelhos e sentou se para ouvir o discurso que Wood lhes fazia sempre antes de o jogo . - Os Slytherin têm vassouras melhores do_que nós - começou . - Não há como negá o . Mas nós temos gente melhor em cima de as vassouras . Treinámos mais do_que eles , voamos com todas_as condições climatéricas ( É bem verdade - murmurou George_Weasley - desde Agosto que não sei o que é estar seco ) . - E vamos fazê os engolir o dia em que deixaram aquele nojento de o Malfoy comprar a entrada em a equipa de eles . Com o peito agitado por a comoção , Wood voltou se par Harry . -- Cabe te a ti , Harry , mostrar lhes que um * seeker * tem de ter mais do_que um pai rico . Agarra a * snitch * antes d Malfoy ou morre a tentar porque temos absolutamente que vencer , hoje , Harry , temos que vencer . - Sem ansiedade , Harry - disse o Fred , piscando lhe o olho . Quando saíram em direcção a o campo , foram saudado por uma grande ovação principalmente de a parte de os Ravenclaw e de os Hufflepuff que estavam ansiosos por ver os Slytherin serem derrotados , mas os Slytherin que estavam entre a multidão também fizeram ouvir as suas vaias e pateadas . Madam_Hooch , a professora de Quidditch , pediu a Flin e Wood que apertassem as mãos o que eles fizeram , lançando um_ao_outro olhares ameaçadores , cada_um apertando a mão de o outro com mais força do_que aquela que seria necessário . - Atenção a o apito - disse Madam_Hooch . - Três , dois , um ... Com um bramido de a multidão para que subissem rapidamente , os catorze jogadores elevaram se em o céu cor de chumbo . Harry , mais alto do_que qualquer de os outros olhando para todos os lados em busca de a * snitch * . - Tudo bem , testa de cicatriz ? - gritou Malfoy , disparando por baixo de ele para lhe mostrar a velocidade de a sua vassoura . Harry não teve tempo de responder . Em esse preciso momento uma * bludger * preta e bem pesada veio direitinha a ele . Evitou a tão por um triz que ainda sentiu em os cabelos o ar que ela deslocara . - Foi por_pouco , Harry ! - exclamou o George , passando com grande rapidez , de bastão em a mão , pronto para lançar a * bludger * contra um Slytherin . Harry viu o dar a a * bludger * uma fortíssima pancada em direcção a Adrian_Pucey , mas a bola mudou de rumo em o meio de o ar e dirigiu se de_novo a Harry . Harry desceu rapidamente para se esquivar e George conseguiu lançá a contra Malfoy . Mais_uma_vez a * bludger * actuou como um * boomerang * e apontou a a cabeça de Harry . Harry ganhou velocidade e disparou contra o outro extremo de o campo . Ouvia o assobio de a * bludger * que o perseguia . O que era aquilo ? As * bludgers * nunca se concentravam assim em um único jogador , a sua função era tentar desmontar o maior número possível de intervenientes . Fred_Weasley esperava por a * bludger * em o extremo oposto . Harry baixou se quando o viu balançar se em frente de ela com toda_a garra . A * bludger * foi lançada para_fora_de campo . - Pronto , já está tudo resolvido - gritou Fred satisfeito , mas estava bastante enganado . Como_se fosse magneticamente atraída para Harry , a * bludger * lançou se de_novo contra ele e Harry teve de voar a_toda_a velocidade . Começara a chover . Harry sentia as gotas pesadas caírem lhe em o rosto , turvando lhe as lentes de os óculos . Não fazia ideia do_que se passava em o resto de o jogo , até ouvir Lee_Jordan que fazia o comentário dizer : - Os Slytherin vão a a frente com seis contra zero . As vassouras de qualidade superior de os Slytherin estavam obviamente a cumprir a sua função e enquanto isso , a * bludger * maluca fazia todos os possíveis para deitar abaixo o Harry . Fred e George voavam agora tão perto de ele , um de cada lado , que Harry não via senão os seus braços a balouçar e , se não conseguia ver a * snitch * , muito menos agarrá a . - Alguém enfeitiçou esta * bludger * - resmungou Fred , preparando o bastão com toda_a força quando ela se lançava de_novo contra Harry . - Precisamos de tempo - disse George , tentando fazer sinal a Wood enquanto evitava que a bola partisse o nariz a o Harry . Wood captou obviamente a mensagem . O apito de Madam_Hooch fez se ouvir e Harry , Fred e George desceram , tentando ainda evitar a * bludger * maluca . - O que é_que se passa ? - perguntou Wood enquanto a equipa de os Gryffindor se amontoava desordenadamente e os Slytherin , em o meio de a multidão , lançavam piadas . - Estamos a ser esmagados . Fred , George , onde estavam vocês quando aquela * bludger * impediu a Angelina de marcar ? - Estávamos seis metros acima , evitando que a outra * bludger * matasse o Harry , Oliver - gritou George furioso . - Alguém preparou isto , a bola não deixa o Harry em paz , ainda não perseguiu mais ninguém desde_que o jogo começou . Os Slytherin fizeram aqui qualquer coisa . - Mas as * bludgers * têm estado fechadas em o escritório de Madam_Hooch desde o último treino , e nessa_altura estava tudo bem ... - disse Wood ansiosamente . Madam_Hooch aproximava se . Por cima de o ombro de ela , Harry pôde ver a equipa de os Slytherin a escarnecer e apontar em a sua direcção . - Ouçam - disse o Harry , enquanto ela se aproximava . - Com vocês os dois a voarem sempre colados a mim , só vou apanhar a * snitch * se ela voar até a a minha manga . Voltem se para o resto de a equipa e deixem a tratante comigo . - Não sejas bronco - disse o Fred . - Ela arranca te a cabeça . Os olhos de Wood saltavam de Harry_para_os_Weasley . - Oliver , isto_é uma loucura - disse Alicia_Spinet , zangada . - Não podes deixar o Harry sozinho entregue a aquela coisa . Vamos pedir uma investigação . - Se pararmos agora , teremos de dar a partida como perdida e não vamos deixar os Slytherin ganhar , só por_causa_de uma * bludger * maluca . Vá lá , Oliver , diz lhes que me deixem sozinho . - A culpa é toda tua . * _ Agarra a snitch ou morre a tentar * , se isso é lá coisa que se diga . Madam_Hooch tinha se lhes juntado . - Prontos para retomar a partida ? - perguntou a Wood . Wood olhou para o ar determinado de Harry . - Deixem o sozinho , ele é capaz de lidar com a * bludger * . A chuva era agora mais pesada . A o apito de Madam_Hooch , Harry elevou se em os ares e ouviu o barulhinho de a * bludger * atrás_de si . Subiu cada_vez_mais alto . Fez acrobacias em espiral , descidas rápidas , ziguezagueou e rolou . Apesar_de ligeiramente estonteado , não deixou nunca de ter os olhos bem abertos . A chuva salpicava lhe os óculos e entrava lhe por as narinas , quando ele se voltou de cabeça para baixo , evitando outra forte investida de a * bludger * . Ouviu os risos de a multidão . Sabia que devia parecer ridículo , mas a * bludger * maluca era pesada e não podia mudar de direcção tão rapidamente quanto ele . Iniciou uma corrida que parecia de feira de diversões em volta de os extremos de o estádio , olhando de soslaio , através de os lençóis prateados de chuva , para os postes de os Gryffindor , onde Adrian_Pucey tentava passar por Wood . Um assobio junto de os ouvidos disse a Harry que a * bludger * falhara uma_vez_mais . Voltou se e voou rapidamente em a direcção oposta . - Estás a ensaiar * ballet * , Potter - gritou Malfoy quando Harry foi obrigado a fazer uma reviravolta estúpida em o ar para se esquivar mais_uma_vez de a * bludger * . Lá foi ele , com a * bludger * atrás a alguns metros de distância . E foi então que , olhando para Malfoy , furioso , a viu , a * snitch * de ouro . Flutuava alguns centímetros acima de os ouvidos de Malfoy que , de tão preocupado a escarnecer de Harry , nem dera por ela . Durante um momento angustiante , Harry ficou quieto em o ar , não ousando dirigir se a Malfoy , não fosse ele olhar para_cima e ver a * snitch * . PUM ! Tinha ficado parado tempo de mais . A * bludger * batera lhe , por fim , apanhando lhe o cotovelo e Harry sentiu o braço a partir se . Debilmente , desorientado por a dor cauterizante em o braço , Harry deslizou para um de os lados em a sua vassoura encharcada , um joelho ainda dobrado , o braço direito a balouçar , inútil , a o seu lado . A * bludger * veio de_novo , preparada para mais um ataque , desta_vez apontada a o seu rosto . Harry desviou se com uma intenção : chegar a Malfoy . Através_de uma nuvem de chuva e dor desceu até a o rosto tremeluzente e trocista e viu os olhos de ele dilatarem se de medo : Malfoy pensou que Harry ia atacá o . - Que diabo ... - resmungou , afastando se de o caminho . Harry tirou a outra mão de a vassoura e fez uma tentativa para agarrar qualquer coisa . Sentiu os dedos fecharem se em volta de a * snitch * dourada , mas conduzia agora a vassoura apenas com as pernas e ouviu se um grito de a multidão cá em baixo , quando ele fez a descida , tentando não desmaiar . Com um ruído seco caiu em a terra enlameada e rolou para fora de a vassoura . O braço tinha um ângulo um_pouco estranho . Torcendo se com dores , ouviu a a distância os assobios e os gritos . Concentrou se em a * snitch * que tinha fechada em a outra mão . - Ai - disse vagamente . - Ganhámos o jogo . E desmaiou . Voltou a si com a chuva a cair lhe em o rosto , ainda deitado em o campo , com alguém inclinado sobre ele . Viu um brilho de dentes brancos . - Oh , não , você não - gemeu . - Não sabe o que diz - afirmou Lockhart bem alto a a ansiosa multidão de Gryffindor que o comprimiam . - Não te preocupes , Harry , eu vou tratar de o teu braço . - Não - gritou Harry . - Eu fico com ele assim , obrigado . Tentou sentar se , mas a dor era enorme . Ouviu um « clique » familiar . - Não quero fotografias de isto , Colin - disse em voz alta . - Deita te para trás , Harry - insistiu Lockhart com toda_a calma . - É um encantamento muito simples que eu fiz imensas vezes . - Porque não me levam só para a ala hospitalar ? - perguntou Harry entredentes . - Seria o melhor , professor - disse a voz rouca de o Wood que não conseguia deixar de sorrir , apesar_de o seu * seeker * estar ferido . - Grande captura , Harry , verdadeiramente espectacular , a tua melhor jogada , em a minha opinião . Em o meio de a floresta de pernas que o rodeava , Harry avistou Fred e George_Weasley , metendo a * budger * perigosa em uma caixa . Continuava a dar uma luta enorme . - Para trás - ordenou Lockhart , que tinha arregaçado as mangas verde jade . - Não , eu não ... - protestou debilmente Harry , mas Lockhart tinha a varinha em a mão e , um segundo depois , apontava a para o braço de Harry . Uma sensação estranha e desagradável começou em o ombro e espalhou se , chegando a as pontas de os dedos . Parecia que o braço inteiro tinha sido esvaziado . Não foi capaz de olhar para o que estava a suceder . Tinha fechado os olhos , voltado o rosto para o outro lado , mas os seus maiores receios concretizaram se quando as pessoas lá em cima se sobressaltaram e Colin_Creevey começou a tirar fotografias como um louco . O braço deixara de lhe doer , mas parecia tudo menos um braço . - Ah ! - disse Lockhart . - Sim , bem isto às_vezes acontece . Mas o importante é_que os ossos já não estão partidos . Isso é o mais importante . Portanto , Harry , vai até a a ala hospitalar ... ah ! Mr._Weasley , Miss_Granger , poderiam levá o lá ? E Madam_Pomfrey poderá ... er ... arranjar um_pouco isso . Quando Harry se pôs de pé sentiu se estranhamente desequilibrado . Depois de respirar fundo , olhou para o lado direito e o que viu quase o fez desmaiar de_novo . Pendurado em a extremidade de a sua túnica estava o que parecia ser uma espessa e colorida luva de borracha . Tentou mexer os dedos mas ... em vão . Lockhart não consertara os ossos de Harry . Retirara os . M. dam Pomfrey não ficou nada satisfeita . - Devias ter vindo logo ter comigo - ralhou , segurando os restos tristes e moles de aquilo que antes fora um braço activo . - Eu conserto ossos em um segundo , mas fazê os crescer de_novo ... - Vai conseguir , não vai ? - perguntou Harry desesperado . - Sim , com certeza , mas vai ser doloroso - disse Madam_Pomfrey de modo severo , entregando lhe um pijama . - Vais ter que ficar cá esta noite ... Hermione esperou de o lado de_fora de a cortina que rodeava outra cama enquanto Ron ajudava Harry a vestir se . Levou algum tempo a enfiar o braço que parecia borracha dentro_de uma manga de o pijama . - Como é_que podes continuar a defender o Lockhart depois disto , Hermione ? - perguntou Ron através de as cortinas , enquanto puxava os dedos moles de o Harry por uma manga . - Se o Harry quisesse ser desossado , teria pedido . - Todos podem enganar se - disse Hermione . - E deixou de doer , não deixou , Harry ? - Sim - disse ele - mas também ficou incapaz de fazer seja o que for . Quando se meteu em a cama , o braço agitou se despropositadamente . Hermione e Madam_Pomfrey entraram . Madam_Pomfrey segurava uma grande garrafa com o rótulo * Skele - _ Gro * . - Vais ter uma noite difícil - preveniu , enchendo um pequeno copo fumegante e dando lhe a beber . - Fazer crescer ossos é uma coisa difícil . Tomar o * _ Skele - _ Gro * também . Queimou a boca e a garganta de o Harry a o descer , fazendo o tossir e cuspir . Resmungando sobre os desportos perigosos e os professores incapazes , Madam_Pomfrey retirou se , deixando Ron e Hermione a ajudar Harry a engolir um_pouco de água . - Mas ganhámos o jogo - disse o Ron com um sorriso em o rosto . - A tua jogada foi em grande . A cara de o Malfoy ... parecia que queria matar alguém . - Eu vou descobrir como é_que enfeitiçaram aquela * bludger * - disse Hermione com ar sombrio . - Podemos juntar essa pergunta a a lista de todas_as que queremos fazer a o Malfoy quando tomarmos a poção * _ Polisuco * - disse Harry , afundando se de_novo em as almofadas . - Espero que tenha um sabor melhor do_que esta coisa ... - Com um bocado de os Slytherin lá dentro , deves estar a brincar - disse o Ron . A porta de a ala hospitalar abriu se em esse momento e , completamente encharcados , entraram os restantes membros de a equipa de os Gryffindor , para ver o Harry . - Um voo inacreditável - disse George . - Acabei de ver Marcus_Flint a gritar com o Malfoy . Qualquer coisa sobre ter a * snitch * mesmo em cima de a cabeça e não ter dado por nada . O Malfoy não parecia nem um_pouco satisfeito . Tinham trazido bolos , rebuçados e garrafas de sumo de abóbora . Juntaram se em volta de a cama de Harry e estavam a dar início a o que prometia ser uma grande festa quando Madam_Pomfrey entrou a vociferar : - Este rapaz precisa de repouso . Tem trinta_e_três ossos a crescer . Fora de aqui . FORA ! E Harry ficou sozinho , sem nada que o distraísse de as dores agudas em o seu braço mole . Muitas horas mais tarde , Harry acordou subitamente em a escuridão total e soltou um pequeno grito de dor : sentia agora o braço cheio de estilhaços . Durante alguns segundos pensou que tinha sido a dor a acordá o . Depois , com um arrepio de horror , apercebeu se de que alguém estava a passar lhe uma esponja em a testa . - Sai de aqui - gritou , e em seguida : - Dobby ! Os olhos de o tamanho de bolas de ténis de o elfo doméstico estavam a olhá o em o escuro , uma lágrima grossa rolava por o seu enorme nariz . - Harry_Potter voltou a a escola - murmurou , infeliz . - Dobby avisou e voltou a avisar Harry_Potter . Ah ! senhor , porque não deu ouvidos a Dobby ? Porque não voltou Harry_Potter para_casa quando perdeu o comboio ? Harry ergueu se um_pouco , encostando se a as almofadas e afastou a esponja de o elfo . - O que estás a fazer aqui ? - perguntou . - E como sabes que eu perdi o comboio ? O lábio de Dobby tremeu e Harry foi assaltado por uma dúvida . - Foste tu . Tu impediste que a barreira nos deixasse passar . - Em a verdade fui eu , senhor - disse Dobby , acenando com a cabeça e com as orelhas a abanar . - Dobby escondeu se , esperou por Harry_Potter e selou a barreira . A seguir , Dobby teve de pôr as mãos em o ferro de engomar - mostrou a o Harry dez dedos longos embrulhados em ligaduras . - Mas Dobby não se importou , senhor , porque pensou que Harry_Potter estava a salvo e nunca Dobby sonhou que mesmo_assim ele viria para a escola ! Balançava se para a frente e para trás , sacudindo a cabeça feia . - Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry_Potter tinha voltado a a escola que deixou queimar o jantar de os seus donos . Dobby nunca tivera um castigo tão grande , senhor . Harry afundou se de_novo em as almofadas . - Quase conseguiste que nos expulsassem , a mim e a o Ron - disse furioso . - É melhor desapareceres de aqui antes que os meus ossos voltem a estar bem , Dobby , ou ainda te estrangulo . O elfo sorriu . - Dobby está habituado a ameaças de morte , senhor . Dobby recebe as cinco vezes por dia em a casa onde mora . Encostou o nariz a um canto de a fronha que usava , ficando tão ridículo que Harry sentiu a raiva desvanecer se , apesar_de tudo . - Porque usas essa coisa , Dobby ? - perguntou com curiosidade . - Isto , senhor ? - disse Dobby apontando para a fronha de almofada . - É uma prova de escravatura de o elfo doméstico , senhor . Dobby só pode ser libertado se os donos lhe derem roupa , senhor . A família tem o cuidado de não dar a o Dobby nem uma peúga , senhor , porque ele poderia ficar livre e deixar a casa para sempre . Dobby limpou os olhos protuberantes e disse subitamente : - Harry_Potter deve ir para_casa . Dobby achou que a sua * bludger * seria o suficiente para o fazer ... - A tua * bludger * ? - disse Harry com a raiva a crescer novamente dentro de ele . - Que queres tu dizer com a tua bludger * ? Foste tu quem fez com que aquela bola tentasse matar me ? - Matar não , senhor . Matar , nunca ! - disse o elho chocado . - Dobby quer salvar a vida de Harry_Potter . É melhor ir para_casa ferido do_que ficar aqui , senhor . Dobby só queria Harry_Potter suficientemente ferido para voltar para_casa . - Só isso ? - disse Harry furioso . - Imagino que não vais dizer me porque querias mandar me para_casa a os bocados ? - Ah ! se Harry_Potter soubesse ! - gemeu Dobby , com mais lágrimas a escorrerem lhe por a fronha esfarrapada . - Se pudesse saber o que significa para nós , para os humildes , os escravizados , nós , a escória social de o mundo mágico ! Dobby lembra se de como eram as coisas quando Aquele cujo nome não deve ser pronunciado estava em o auge de o poder , senhor ! Nós , os elfos domésticos éramos tratados como animais , senhor ! É claro que Dobby ainda é tratado assim - admitiu , secando o rosto em a fronha de almofada . - Mas , em a sua maioria , a vida melhorou bastante para os de a minha espécie desde_que Harry_Potter triunfou sobre Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Harry_Potter sobreviveu e o poder de os senhores de o Mal foi quebrado e veio uma nova alvorada , senhor , e Harry_Potter brilhou como um farol de esperança para aqueles de entre nós que já pensavam que a longa noite nunca mais teria fim , senhor ... e agora em Hogwarts vão acontecer coisas terríveis , talvez já esteiam a acontecer e Dobby não pode deixar Harry_Potter ficar aqui , agora_que a história vai repetir se , agora_que a Câmara_dos_Segredos está de_novo aberta . Dobby calou se horrorizado . Em seguida agarrou em o jarro de a água que Harry tinha a a cabeceira e bateu com ele em a própria cabeça , deixando se cair . Um segundo mais tarde voltou até junto de a cama , repetindo : - Mau , Dobby , muito mau , Dobby . - Quer_dizer , então , que existe mesmo a Câmara_dos_Segredos ? - murmurou Harry . - E dizes tu que já antes foi aberta ? Conta me , Dobby . Agarrou o pulso ossudo de o elfo quando a mão de ele se estendia para o jarro de a água . - Mas eu não sou filho de Muggles . Como posso estar em perigo por causa de a Câmara_dos_Segredos ? - Ah ! senhor , não pergunte a o pobre Dobby - lamentou se o elfo com os olhos enormes a brilharem em o escuro . - As forças de as trevas estão projectadas em este lugar , mas Harry_Potter não deve estar aqui quando as coisas acontecerem . Vá para_casa , Harry_Potter , vá para_casa . Harry_Potter não deve envolver se em isto , senhor , é demasiado perigoso ... - Quem é , Dobby ? - perguntou Harry , continuando a agarrar lhe o pulso com forca , impedindo que batesse de_novo em si próprio com o jarro . - Quem abriu a amara ? Quem a abriu de a última vez ? - Dobby não pode , senhor . Dobby não pode . Dobby não deve dizer - guinchou o elfo . - Vá se embora , Harry_Potter , vá se embora ! - Eu não vou para lugar nenhum - disse Harry , furioso . - Uma de as minhas melhores amigas é filha de Muggles , está em perigo se a câmara foi , de facto , aberta ... - Harry_Potter arrisca a própria vida por os amigos - gemeu Dobby em uma espécie de êxtase infeliz . - Tão nobre , tão corajoso , mas deve salvar se , Harry_Potter não deve ... Dobby calou se de repente com as orelhas de morcego a estremecerem . Harry também ouviu os passos que vinham lá fora , de o corredor . - Dobby tem de ir - balbuciou o elfo apavorado . Ouviu se um ruído e o pulso de Harry ficou subitamente fechado em o ar . Meteu se de_novo para baixo , em a cama , com os olhos fixos em a porta escura que dava entrada em a ala hospitalar enquanto os passos se aproximavam . Em o momento seguinte , Dumbledore estava a entrar , de costas , em o dormitório , vestindo uma longa túnica de lã e uma capa de noite . Transportava um extremo de aquilo que parecia ser uma estátua . A professora Mc_Gonagall surgiu um segundo mais tarde , pegando lhe em os pés . Os dois colocaram a em uma cama . - Chame Madam_Pomfrey - murmurou Dumbledore e a professora Mc_Gonagall passou por a cama de Harry , apressadamente , e desapareceu . Harry deixou se ficar muito quieto como_se estivesse a dormir . Ouviu vozes ansiosas e por fim a professora Mc_Gonagall apareceu de_novo , seguida de Madam_Pomfrey que vestia um casaco curto de lã sobre a camisa de dormir . Ouviu uma inspiração aguda . - O que aconteceu ? - murmurou Madam_Pomfrey_a_Dumbledore , inclinando se sobre a estátua que estava em a cama . - Outro ataque - disse Dumbledore . - A Minerva encontrou o em as escadas . Havia um cacho de uvas junto de ele . Acho que estava a tentar esgueirar se até aqui para vir visitar o Potter . O estômago de Harry deu uma reviravolta . Lenta e cuidadosamente ergueu se alguns centímetros para poder ver a estátua que estava sobre a cama . Um raio de luar iluminou lhe o rosto estático . Era_Colin_Creevey . Tinha os olhos abertos , e as mãos , em frente de a cara , seguravam a máquina fotográfica . -- Petrificado ? - murmurou Madam_Pomfrey . - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - Mas estou tentada a acreditar que ... se Albus não tivesse vindo cá abaixo tomar um chocolate quente ... quem sabe o que teria ... Os três olharam para Colin . Dumbledore inclinou se e retirou lhe a máquina de as mãos rígidas . - Será que ele conseguiu tirar a fotografia de o agressor ? - perguntou ansiosa a professora Mc_Gonagall . Dumbledore não respondeu . Abriu a parte detrás de a máquina . - Cruzes canhoto - disse Madam_Pomfrey . Um jacto de vapor tinha feito fervilhar a máquina . Harry , a três metros de distância , sentiu o cheiro tóxico de o plástico queimado . - Derretido - disse Madam_Pomfrey com grande espanto . - Tudo derretido . - O que significa isto , Albus ? - perguntou cada_vez_mais nervosa a professora Mc_Gonagall . - Significa - disse Dumbledore - que a Câmara_dos_Segredos está mesmo aberta outra_vez . Madam_Pomfrey levou uma mão a a boca . A professora Mc_Gonagall olhou assustada para Dumbledore . - Mas , Albus ... com certeza ... quem ? - A questão não é quem - disse Dumbledore com os olhos fixos em Colin . - A questão é como ... E pelo que Harry conseguiu ver de o rosto indistinto de a professora Mc_Gonagall , ela não compreendeu muito mais do_que ele . XI_O clube de os duelos Quando_Harry acordou , em o domingo de manhã , a enfermaria estava iluminada por um resplandecente sol de inverno e o seu braço tinha de_novo todos os ossos , apesar_de o sentir muito rígido . Sentou se rapidamente e olhou para a cama de Colin , mas ela fora isolada com as cortinas atrás de as quais se despira em a véspera . Vendo que ele tinha acordado , Madam_Pomfrey apareceu com um tabuleiro de pequeno-almoço e a seguir começou a apalpar lhe o braço e os dedos . - Tudo em ordem - disse , enquanto ele , com a mão esquerda , comia avidamente as papas de aveia . - Quando acabares de comer podes ir te embora . Harry vestiu se o mais depressa que pôde e dirigiu se a a pressa para a torre de os Gryffindor , ansioso por contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre Colin e Dobby , mas não os encontrou lá . Foi a a procura de eles , perguntando a si próprio onde teriam ido e sentindo se um_pouco magoado por o pouco interesse que demonstravam em saber se ele tinha recuperado os ossos . Quando passou por a biblioteca , Percy_Weasley vinha a sair com bastante melhor cara do_que de a última vez que se tinham encontrado . - Olá , olá , Harry - disse . - Excelente voo o de ontem , verdadeiramente sensacional . Os Gryffindor estão a a frente para a taça de a equipa . Ganhaste cinquenta pontos . - Não viste o Ron e a Hermione por aí ? - perguntou Harry . - Não , não vi - disse Percy com o sorriso a desaparecer . - Espero que o Ron não esteja outra_vez em a casa_de_banho de as raparigas ... Harry forçou um sorriso , viu Percy desaparecer e a seguir foi direitinho até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Não via lá muito bem por_que motivo o Ron e a Hermione lá estariam de_novo , mas , depois de se assegurar de que nem Filch nem nenhum de os prefeitos estavam por perto , abriu a porta e ouviu as vozes de eles que vinham de um cubículo fechado . - Sou eu - disse , fechando a porta atrás_de si . Ouviu se dentro de o cubículo um estrondo , um chapinhar e um sobressalto e ele viu o olho de a Hermione a espreitar por o buraco de a fechadura . - Harry - disse ela . - Pregaste nos um susto de morte . Entra . Como está o teu braço ? - _ óptimo - respondeu , apertando se dentro de o cubículo . Em cima de a sanita estava encarrapitado um velho caldeirão , e um crepitar a a superfície de a água disse a Harry que eles tinham acendido um fogo lá em baixo . Fazer aparecer fogos portáteis a a prova de água era uma de as especialidades de Hermione . - _ íamos visitar te , mas resolvemos começar a preparar a poção * _ Polisuco * - explicou Ron enquanto Harry fechava outra_vez a porta de o cubículo com alguma dificuldade . - Achámos que este era o lugar mais seguro para a esconder . Harry começou a contar lhes de o Colin , mas Hermione interrompeu o . - Nós já sabemos , ouvimos a professora Mc_Gonagall contar a o professor Flitwick hoje_de_manhã . Por isso resolvemos começar a ... - Quanto_mais depressa arrancarmos uma confissão a o Malfoy , melhor - rosnou o Ron . - Sabem o que eu penso ? Ele estava tão mal-humorado depois de o jogo de Quidditch que se vingou em o Colin . - Há outra coisa - disse Harry , vendo Hermione cortar molhos de verdezelha e lançá os dentro de a poção . - O Dobby foi visitar me a meio de a noite . Ron e Hermione olharam o espantados . Harry contou lhes tudo_o_que Dobby lhe dissera ... ou não dissera . Ron e Hermione ouviram o de boca aberta . - A Câmara_dos_Segredos já tinha sido aberta antes ? - repetiu Hermione . - Encaixa perfeitamente - disse Ron , em uma voz triunfante . - O Lucius_Malfoy deve ter aberto a Câmara_dos_Segredos quando andava em a escola e agora ensinou a o querido filhinho Draco como abris a . É óbvio , que pena o Dobby não te ter dito que tipo de monstro lá se encontra . Gostava de saber como é_que ninguém o viu andar por ai em a escola . - Talvez tenha a capacidade de se tornar invisível - sugeriu Hermione , picando sanguessugas para dentro de o caldeirão . - Ou talvez se disfarce , passando por uma armadura ou outra coisa de o género . Eu li umas coisas sobre vampiros camaleões ... - Tu lês de mais , Hermione - disse o Ron , deitando moscas asas de renda mortas por cima de as sanguessugas . Amarrotou o saco vazio de as asas de renda e olhou para Harry . - Então foi o Dobby que nos impediu de apanhar o comboio e te partiu o braço ... - abanou a cabeça . - Sabes o que eu acho ? Se ele não parar de tentar salvar te a vida ainda acaba por te matar . A notícia de que Colin_Creevey tinha sido atacado e estava agora em a ala hospitalar , como morto , espalhou se por toda_a escola em a segunda-feira de manhã . O ar ficou pesado e cheio de boatos e suspeitas . Os alunos de o primeiro ano começavam a andar por a escola em pequenos grupos , receando ser atacados se se aventurassem a andar isoladamente por os corredores . Ginny_Weasley , que era colega de carteira de o Colin em os encantamentos , estava perturbadíssima , mas Harry achou que Fred e George estavam a tentar animá a de a maneira errada . Revezavam se , mascarados com peles de animais e apareciam lhe subitamente detrás de as estátuas . Só pararam quando Percy , apopléctico de raiva , lhes disse que ia escrever a Mrs._Weasley a contar lhe que a Ginny andava a ter pesadelos . Enquanto isso , às_escondidas de os professores , uma panóplia de talismãs , amuletos e outros objectos de protecção ia enchendo a escola . Neville_Longbottom comprou uma enorme cebola verde que cheirava mal , um cristal pontiagudo cor de púrpura e uma cauda de tritão apodrecida antes de os outros rapazes de os Gryffindor lhe explicarem que ele não corria perigo : era um sangue puro e , portanto , muito pouco passível de ser atacado . - Eles foram a o Filch em primeiro lugar - disse Neville com o medo estampado em a cara redonda . - E toda_a_gente sabe que eu sou quase um * busca-pé * . Em a segunda semana de Dezembro , a professora Mc_Gonagall veio , como de costume , recolher os nomes de os alunos que ficavam em a escola durante o Natal . Harry , Ron e Hermione assinaram a lista . Tinham ouvido dizer que Malfoy ficava , o que lhes parecera muito suspeito . As férias seriam a altura ideal para usar a poção * _ Polisuco * e tentar arrancar lhe uma confissão . Infelizmente a poção estava a meio . Precisavam ainda de o chifre de bicórneo e o único lugar onde podiam arranjá o era em os depósitos privados de Snape . Harry , pessoalmente , preferia enfrentar o lendário monstro de os Slytherin do_que ser apanhado por o Snape a assaltar lhe o escritório . - O que precisamos - disse Hermione cheia de vivacidade quando se aproximava a aula conjunta de poções de quinta-feira a a tarde - para podermos entrar a a vontade em o escritório de o Snape , é de uma diversão . Harry e Ron olharam para ela , nervosos . - Acho que o melhor é ser eu a praticar o roubo - prosseguiu ela , em um tom perfeitamente casual . - Vocês os dois podem ser expulsos se forem apanhados e eu tenho uma folha limpa . Portanto , a única coisa que têm de fazer é distrair o Snape durante cerca de cinco minutos . Harry esboçou um meio sorriso . Provocar deliberadamente um estrago em a aula de poções de o Snape era tão seguro como ferir em um olho um dragão adormecido . As aulas de poções tinham lugar em um de os mais amplos calabouços . A de quinta-feira a a tarde não foi diferente de as outras . Vinte caldeirões fumegavam entre as secretárias de madeira , sobre as quais podia ver se laminas de latão e jarras com ingredientes . Snape deambulava por o meio de os fumos , fazendo reparos petulantes a o trabalho de os Gryffindor , enquanto os Slytherin riam a a socapa . Draco_Malfoy , que era o aluno preferido de Snape , não parava de lançar olhos de carneiro mal morto a o Ron e a o Harry , que sabiam que se retaliassem teriam um castigo , antes de poderem abrir a boca para dizer : - É injusto ! A solução de inchar de o Harry estava demasiado líquida , mas ele estava preocupado com coisas mais importantes . Esperava por o sinal de Hermione e mal deu por Snape se calar para ir espreitar a sua poção aguada . Quando o professor se voltou e foi implicar com o Neville , Hermione trocou um olhar com Harry e fez um aceno . Harry baixou se discretamente por detrás de o seu caldeirão , tirou de o bolso de trás um de os paus de fogo-de-artíficio Filibuster e deu lhe um toque de varinha . O fogo-de-artíficio começou a sibilar e a crepitar . Sabendo que tinha apenas alguns segundos , Harry endireitou se , ganhou coragem e lançou o a o ar . Aterrou certeiro em o caldeirão de o Goyle . A poção de o Goyle explodiu , salpicando toda_a aula . As pessoas gritavam , à_medida_que eram vítimas de os salpicos . Malfoy foi apanhado em a cara e o nariz começou a inchar como um balão . O Goyle tropeçava a as cegas , com as mãos em os olhos , que tinham ficado de o tamanho de pratos de sopa , enquanto o Snape tentava repor a calma e tentar perceber o que sucedera . Em o meio de a confusão , Harry viu Hermione esgueirar se a a socapa por a porta . - Silêncio ! silêncio ! - vociferou Snape . - Todos os que foram salpicados cheguem aqui para uma drenagem . Quando eu descobrir quem fez isto ... Harry fez um enorme esforço para não se rir a o ver Malfoy chegar apressadamente lá a a frente , a cabeça a tombar com o peso de o nariz , que parecia um pequeno melão . Quando metade de a aula se amontoava junto de a secretária de o Snape , alguns alunos vergados por o peso de os braços que pareciam mocas , outros incapazes de falar devido a o gigantesco inchaço de os lábios , Harry viu Hermione reentrar em o calabouço , a túnica mostrando a barriga protuberante . Quando todos os alunos tinham já tomado um gole de o antídoto e os vários inchaços tinham desaparecido , Snape precipitou se para o caldeirão de o Goyle e pescou os restos retorcidos de o fogo-de-artíficio . Houve um súbito silêncio . - Se eu descubro quem lançou isto - murmurou Snape - garanto que é expulsão por a certa . Harry compôs uma expressão de espanto . Snape olhava directamente para ele e a campainha , que tocou dez minutos mais tarde , não podia ser mais bem-vinda . - Ele soube que fui eu - disse Harry_a_Ron e a a Hermione , enquanto se dirigiam apressadamente para a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Tenho a certeza . Hermione lançou o novo ingrediente em o caldeirão e começou a mexer furiosamente . - Isto vai estar pronto dentro_de quinze_dias - afirmou , satisfeita . - O Snape não pode provar que foste tu - assegurou Ron , tranquilizando Harry . - Que pode ele fazer ? - Conhecendo o Snape , qualquer coisa louca - respondeu Harry , enquanto a poção borbulhava e espumava . Uma semana mais tarde , Harry , Ron e Hermione passavam por o vestíbulo de entrada , quando viram um pequeno grupo de pessoas reunidas em volta de o jornal de parede a lerem um pedaço de pergaminho que tinha acabado de ser afixado . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas acenaram lhes , entusiasmados . - Vão lançar um clube de duelos ! - exclamou Seamus . - Hoje a a noite é a primeira reunião . Eu não me importaria nada de ter aulas de duelo , podem vir a ser úteis um dia de estes ... - Porquê ? Achas que o monstro de os Slytherin sabe esgrimir ? - perguntou o Ron , mas , também ele , leu a notícia com interesse . - Pode ser útil - disse a o Harry e a a Hermione , quando foram jantar . - Vamos lá ? Harry e Hermione acharam óptimo , por isso , a as oito_da_noite voltaram a o salão . As longas mesas de refeição tinham desaparecido e um estrado dourado surgira , encostado a a parede . Sobre ele flutuavam milhares de velas . O tecto era , mais_uma_vez , de veludo negro e parecia que quase todos os alunos de a escola se encontravam ali , com as suas varinhas em a mão e com um ar entusiasmado . - Quem será que vai ensinar nos ? - perguntou Hermione , enquanto se misturavam em a multidão barulhenta . - Ouvi dizer que o Filitwick foi campeão de duelo em a juventude , talvez seja ele . - Desde_que não seja ... - começou Harry , mas terminou em um gemido : Gilderoy_Lockhart estava a subir a o estrado , resplandecente em as suas vestes cor de ameixa , acompanhado , nem mais nem menos , do_que de Snape que trajava , como sempre , de negro . Lockhart levantou um braço , pedindo silêncio , bradando : - Aproximem se , aproximem se , conseguem todos ver me e ouvir me ? Excelente ! - O professor Dumbledore deu me autorização para iniciar este pequeno curso de duelo para vos treinar a todos , caso algum dia precisem de se defender , como eu tenho feito em inúmeras ocasiões ; para mais detalhes , leiam os livros que tenho publicados . - Permitam que vos apresente o meu assistente , o professor Snape - disse Lockhart , abrindo um sorriso de orelha a orelha . - Ele diz me que sabe alguma coisa sobre duelos e aceitou desportivamente ajudar me em uma exibição de demonstração , antes de começarmos . Atenção , não quero que os mais novos fiquem preocupados , vão continuar a ter o vosso professor de poções depois de eu o vencer . Não tenham medo . - Não era óptimo se se liquidassem um_ao_outro ? - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . O lábio inferior de Snape estava curvo . Harry interrogou se sobre o motivo por_que Lockhart continuava a sorrir . Se o Snape olhasse de aquela maneira para ele , Harry estaria a correr a_toda_a velocidade para o mais longe possível . Lockhart e Snape voltaram se um para o outro e fizeram uma vénia , pelo_menos Lockhart fê la com muitas reviravoltas de mãos , enquanto Snape acenava , irritado , com a cabeça . Em seguida , ergueram as varinhas , como_se fossem espadas , em a frente . - Como podem ver , estamos a pegar em as varinhas em a posição de aceitação de combate - explicou Lockhart a a multidão silenciosa . - Quando contarmos até três , lançaremos os primeiros feitiços . Nenhum de nós tentará matar o outro , claro . - Eu não poria as mãos em o fogo - murmurou Harry , observando como Snape cerrava os dentes . -- Um , dois , três ... Os dois balançaram as varinhas acima de os ombros . Snape gritou : * _ Expelliarmus * ! Houve um clarão ofuscante de luz escarlate e Lockhart voou para trás , caindo de o estrado batendo contra a parede , escorregando e indo estatelar se em o chão . Malfoy e alguns de os outros Slytherin aplaudiram . Hermione estava em bicos de os pés . - Acham que ele está bem ? - gritou entredentes . - Quem se rala ? - disseram ao_mesmo_tempo o Ron e o Harry . Lockhart estava a pôr se , hesitante , de pé . O chapéu caíra lhe e o cabelo ondulado estava em um desalinho . - Bem , cá está ! - disse , cambaleando até a o estrado . - Este foi um encantamento para desarmar . Como podem ver , perdi a minha varinha . Ah , obrigado Miss_Brown . Sim , foi uma excelente ideia mostrar lhes isto , professor Snape , mas , se me permite que lhe diga , foi muito óbvio o que ia fazer . Se eu tivesse querido impedis o , teria o feito com a maior de as facilidades . Mas achei que seria educativo deixá os ver ... Snape tinha um ar assassino . Provavelmente Lockhart deu por isso , porque declarou : - Chega de demonstrações . Eu vou passar agora por o meio de vocês e criar duplas . Professor_Snape , se quiser ajudar me ... Entraram por o meio de a multidão , agrupando alunos . Lockhart pôs o Neville com Justin_Finch - _ Fletchley , mas Snape chegou primeiro junto de Harry e de Ron . - Tempo de separar a dupla ideal , parece me - rosnou . - Weasley , tu podes ficar com o Finnigan . Potter ... Harry voltou se automaticamente para Hermione . - Não me parece - disse Snape com o seu sorriso frio . - Mr._Malfoy , venha até aqui . Vamos ver o que faz com o famoso Potter . E a menina , Miss_Granger , pode emparceirar com Miss_Bulstrode . Malfoy aproximou se com o seu passo empertigado e o seu sorriso escarninho . Atrás de ele vinha uma rapariga de os Slytherin , que lembrou a Harry uma imagem que tinha visto em as * _ Férias com Bruxas_Velhas * . Era corpulenta e quadrada e os maxilares avançavam agressivamente . Hermione esboçou um meio sorriso , que ela não retribuiu . - Voltem se para os vossos parceiros - gritou Lockhart - e façam a vénia . Harry e Malfoy mal inclinaram as cabeças , não afastando os olhos um de o outro . - Varinhas preparadas ! - gritou Lockhart . - Quando eu disser três preparem os feitiços para desarmar o vosso opositor . Um ... dois ... três ... Harry levantou a varinha acima de o ombro , mas Malfoy começara logo em o « dois » : o seu feitiço apanhou Harry com tanta força que ele se sentiu como_se tivesse levado com uma frigideira em a cabeça . Tropeçou , mas ainda não estava fora de combate e , sem perder tempo , Harry apontou a varinha a Malfoy e gritou : - * _ Rictusempra ! * Um jacto de luz prateada atingiu Malfoy em o estômago , obrigando o a dobrar se , arfando . - Eu disse desarmar ! - gritava Lockhart sobre as cabeças de a multidão em lata , enquanto Malfoy caía de joelhos . Harry atingira o com o feitiço de as cócegas e ele mal conseguia mexer se para se rir . Harry hesitou com o vago sentimento de que seria pouco desportivo enfeitiçar Malfoy enquanto ele estava caído em o chão , mas ... foi um erro . Tentando respirar , Malfoy apontou a varinha a os joelhos de Harry , balbuciando : « * _ Tarantallegra ! * » e , um segundo depois , as pernas de o Harry tinham começado a mexer se , sem que ele pudesse controlá as , executando uma espécie de dança frenética . - Parem , parem - gritava Lockhart , quando Snape resolveu tomar controlo de a situação . - * _ Finite_Incantatem ! * - bradou . Os pés de o Harry pararam de dançar , Malfoy parou de rir e puderam olhar para_cima . Uma onda de fumo esverdeado pairava sobre todos eles . Neville e Justin estavam caídos em o chão , a arfar . Ron tentava fazer parar um Seamus com cara cor de cinza , pedindo lhe mil desculpas por o que a sua varinha partida eventualmente tivesse feito . Mas Hermione e Millicent_Bulstrode ainda não tinham acabado . Millicent tinha feito a Hermione uma prisão de cabeça e Hermione gritava de dor . As duas varinhas jaziam esquecidas em o chão . Harry deu um salto em frente e afastou Millicent . Não foi fácil , ela era bastante maior do_que ele . - Oh , gente ! - exclamou Lockhart , arrastando se por o meio de a multidão e olhando para os resultados de os duelos . - Vamos pôr de pé , Mcmillan ... cuidado , Miss_Fawcett ... belisque com força que pára logo de sangrar ... - Acho que o melhor é ensinar vos como bloquear feitiços pouco amigáveis - afirmou Lockhart que estava nervosíssimo em o meio de o salão . Olhou para Snape , cujos olhos pretos brilhavam e desviou rapidamente o olhar . - Vamos arranjar um par de voluntários . Longbottom e Finch - _ Fletchley , que tal serem vocês ? - Uma má ideia , professor Lockhart - disse Snape , deslizando como um morcego enorme e cruel . - Longbottom provoca devastação com o feitiço mais simples . Ainda temos de mandar o que restar de o Finch - _ Fletchley para a ala hospitalar dentro_de uma caixa de fósforos . - A cara redonda e rosada de Neville ficou ainda mais rosada . - Que tal o Malfoy e o Potter ? - sugeriu Snape com um sorriso retorcido . - Excelente ideia - disse Lockhart , fazendo sinal a os dois para que se aproximassem de o meio de o salão , enquanto a multidão recuava para lhes dar passagem . - Ouve bem , Harry - disse Lockhart . - Quando o Draco te apontar a varinha , tu fazes assim . Levantou a sua varinha , executando uma tentativa complicada de malabarismo e deixou a cair . Snape sorriu pretensiosamente , enquanto Lockhart a apanhava de o chão , dizendo : - Ups , a minha varinha está demasiado excitada . Snape aproximou se de Malfoy , inclinou se e disse lhe qualquer coisa a o ouvido . Malfoy sorriu também de forma afectada . Harry olhou , nervoso , para Lockhart e pediu : - Professor , podia mostrar me outra_vez aquela coisa para bloquear ? - Estás com medo ? - murmurou Malfoy baixinho , para que Lockhart não pudesse ouvir . - Querias ! - exclamou Harry por o canto de a boca . Lockhart deu um soco em o ombro de o Harry , em a brincadeira . - Basta que faças como eu fiz ! - O quê , deixar cair a varinha ? Mas Lockhart não estava a ouvir - Três , dois , um , zero ! - gritou . Malfoy levantou rapidamente a varinha a o ar e gritou : - * _ Serpensortia ! * A extremidade de a varinha explodiu . Harry viu , horrorizado , uma enorme serpente negra sair de ela , cair pesadamente em o chão a meio de os dois e erguer se disposta a atacar . Ouviram se gritos , enquanto a multidão se afastava , deixando o chão vazio . - Não te mexas , Potter - disse Snape vagarosamente , divertindo se claramente a ver Harry , parado , a olhar em os olhos a serpente . - Eu trato de ela ... - Permita me -- gritou Lockhart . Bramiu a varinha em direcção a a serpente e ouviu se um estoiro . A cobra , em_vez_de desaparecer , voou três metros acima de eles e voltou a cair em o chão com um estrondo enorme . Enraivecida , a sibilar de fúria , rastejou em direcção a Finch - _ Fletchley e pôs se de pé com os dentes a a mostra , pronta a atacar . Harry não soube ao_certo o que o levou a fazer aquilo . Não se lembrava sequer de ter tomado aquela decisão . Só soube que as pernas o fizeram avançar como_se tivesse rodas e que gritou a a serpente : - Larga o ! - E , milagrosa e inexplicavelmente , a serpente voltou a o chão , dócil como uma grande mangueira de jardim , preta e grossa , os olhos agora fixos em os olhos de Harry . Harry sentiu o medo a escoar se . Sabia que a cobra não atacaria mais ninguém , embora não pudesse explicar como sabia . Olhou para Justin a sorrir , esperando vê o aliviado , espantado , ou mesmo agradecido , mas nunca zangado ou assustado . - Que brincadeira é essa ? - gritou o outro e , antes que Harry tivesse tempo de dizer fosse o que fosse , voltou as costas e saiu de o salão . Snape deu um passo em frente , fez um gesto com a varinha e a serpente desapareceu em uma onda de fumo preto . Também ele , Snape , olhava para Harry de uma forma inesperada . Era um olhar arguto e calculista , de que Harry não gostou . Apercebeu se também vagamente de um murmúrio ameaçador que vinha de as paredes em volta . Depois , sentiu um puxão em a túnica . - Vamos - disse a voz de o Ron em o seu ouvido . - Mexe te , vá lá ... Ron arrastou o para fora de o salão . Hermione acompanhava os em a passada rápida . Quando cruzaram a porta , as pessoas que a rodeavam afastaram se , como_se tivessem medo de ser contagiadas . Harry não fazia a mais pequena ideia do_que estava a passar se e , nem Ron , nem Hermione lhe deram qualquer explicação , antes de o terem levado até a a sala comum de os Gryffindor , que se encontrava vazia . Aí , Ron empurrou Harry para uma cadeira de braços e disse : - Tu és um * serpentês * . Porque não nos disseste ? - Eu sou um quê ? - perguntou Harry . - Um * serpentês * ! - exclamou o Ron . - Falas com as cobras . - Eu sei - declarou Harry . - Quer_dizer , esta foi a segunda vez que o fiz . A outra foi há muito_tempo em o jardim zoológico , quando soltei uma Boa_Constrictor a o meu primo Dudley . É uma longa história , mas ela estava a dizer me que nunca tinha estado em o Brasil e eu acho que a libertei sem querer . Foi antes de saber que era feiticeiro . . . - Uma Boa_Constrictor disse te que nunca tinha estado em o Brasil ? - repetiu Ron , quase sem voz . - E então ? - disse o Harry . - Aposto que montes de pessoas aqui fazem o mesmo . - Não fazem , não - afirmou Ron . - Não é um dom muito frequente . Harry , isso é mau . - O que é_que é mau ? - perguntou Harry , que começava a ficar chateado . - O que é_que se passa com todos os outros ? Ouve bem , se eu não tivesse dito a aquela cobra para não atacar o Justin ... - Ah , foi isso que tu disseste ? - Que queres dizer ? Tu estavas lá , ouviste perfeitamente o que eu disse . - Eu ouvi te falar em serpentês - disse o Ron . - Língua de cobra . Podias estar a dizer lhe qualquer coisa . Não admira que o Justin tivesse entrado em pânico . Parecia que estavas a incitar a serpente . Foi assustador , sabes ? Harry olhou para ele espantado . - Eu falei uma língua diferente ? Mas não me apercebi , como posso falar uma língua , sem saber que a conheço ? Ron abanou a cabeça . Tanto ele como Hermione tinham um ar fúnebre . Harry não percebia o que havia em aquilo de tão trágico . - Será que me querem explicar o que há de mal em ter impedido que uma serpente enorme arrancasse a cabeça a o Justin ? - perguntou . - Porque é tão importante como o fiz , se evitei que o Justin fosse juntar se a grupo de os SEM_CABEÇA ? - Importa - disse por fim Hermione , em uma voz abafada . - Porque falar com serpentes era a arte por a qual Salazar_Slytherin ficou famoso . Por isso , o símbolo de os Slytherin é uma serpente . Harry ficou de boca aberta . - Exacto - disse o Ron . - E agora todos em a escola vão pensar que tu és descendente de ele . - Mas não sou - contrapôs Harry com um pânico que não conseguia explicar . - Não vai ser fácil prová o - disse Hermione . - Ele viveu há quase mil anos . Pelo que vimos , podias ser . Em essa noite , Harry ficou acordado durante horas . Por uma fresta de os cortinados de a cama de dossel , olhou para a neve que começava a cair de o lado de_fora de a janela de a torre e perguntou se se poderia ser descendente de Salazar_Slytherin . Afinal , não sabia nada de a família de o pai , os Dursley tinham sempre proibido qualquer pergunta sobre os seus familiares feiticeiros . Calmamente , tentou dizer qualquer coisa em * serpentês * , mas as palavras não saíam . Parecia que era necessário estar frente_a_frente com uma cobra para poder fazê o . Mas eu sou um Gryffindor , pensou Harry , o chapéu seleccionador não me poria aqui se eu tivesse sangue de Slytherin ... - Ah ! - disse uma vozinha dentro de o seu cérebro . - Mas o chapéu seleccionador queria pôr te em os Slytherin , não te lembras ? Harry deu voltas e voltas a a cabeça . Em o dia seguinte , quando visse Justin em a aula de herbologia explicaria lhe que estava a afastar a serpente , não a atiçá a o que , aliás , pensou zangado , dando vários socos em a almofada , qualquer idiota teria percebido . Contudo , em a manhã seguinte , a neve que começara a cair durante a noite , transformara se em uma tempestade tão espessa que a última aula de herbologia de o período foi cancelada : a professora Sprout queria tapar as mandrágoras com peúgas e cachecóis , uma operação arriscada que ela não confiava a ninguém agora_que era tão importante que as mandrágoras crescessem depressa e reabilitassem Mrs._Norris e Colin_Creevey . Junto de a lareira de a sala comum de os Gryffindor , Harry matutava sobre o que se passara enquanto Ron e Hermione aproveitavam o foro para jogar xadrez de feitiçaria . - Com os diabos , Harry - disse Hermione exasperada quando um bispo derrubou um de os cavaleiros de o cavalo , arrastando o para fora de o tabuleiro . - Vai falar com o Justin , se isso é assim tão importante para ti . Harry levantou se e saiu por o buraco de o retrato , perguntando a si próprio onde poderia estar o Justin . O castelo estava mais escuro do_que era habitual durante o dia por causa de a neve espessa e cinzenta que cobria as janelas . A tremer , Harry passou por as salas onde estava a haver aulas , captando lampejos do_que sucedia lá dentro . A professora Mc_Gonagall gritava com alguém que , segundo lhe parecia por o som , transformara o parceiro em um texugo . Resistindo a a tentação de dar uma espreitadela , Harry afastou se pensando que Justin poderia estar a utilizar o tempo de o furo para fazer algum trabalho e resolveu , por isso , ir até a a biblioteca . Um grupo de alunos de os Hufflepuff , que deveriam ter estado em Herbologia , encontrava se , de facto , sentado em as traseiras de a biblioteca , mas não parecia estar a trabalhar . Entre as fileiras de as estantes altas , Harry pôde ver as suas cabeças muito juntas em aquilo que deveria ser uma conversa absorvente . Não conseguia perceber se Justin estaria em o meio de eles . Ia para se aproximar quando apanhou em o ar uma frase e parou para ouvir melhor , escondido em a secção de a invisibilidade . - Portanto - dizia um rapaz corpulento - eu disse a o Justin para se esconder em o nosso dormitório . Isto_é , se o Potter o escolheu como próxima vítima é melhor que ele tenha um * low profile * durante algum tempo . É claro que o Justin já estava a a espera que alguma coisa de o género acontecesse desde_que lhe escapou em uma conversa com o Potter que era filho de Muggles . O Justin disse lhe , inclusivamente , que tinha estado inscrito em Eton . Não é o tipo de coisa que se ande a dizer com o herdeiro de Slytherin a a solta por aí . - Achas mesmo_que é o Potter , Ernie ? - perguntou uma rapariga de tranças loiras , ansiosamente . - Hannah - disse com solenidade o rapaz corpulento . - Ele é um serpentês . Todos sabem que essa é a marca de um feiticeiro negro . Alguma vez ouviste falar de um feiticeiro decente que falasse com as cobras ? O Slytherin era conhecido por « Língua de serpente . . Houve alguns murmúrios antes de Ernie prosseguir : - Lembram se do_que estava escrito em a parede ? * _ Inimigos de o herdeiro , cuidado ! * . O Potter teve que ir a o gabinete de o Filch . E o que é_que acontece a seguir ? A gata de o Filch é atacada . O aluno de o primeiro ano , Creevey , estava a aborrecê o em a partida de Quidditch , a tirar lhe fotografias quando ele estava caído em a lama . E o que é_que acontece a seguir ? Creevey é atacado . - Mas ele parece sempre ser tão simpático - disse Hannah , cheia de dúvidas . - E , bem , foi ele que fez com que o Quem nós sabemos desaparecesse . Não pode ser assim tão mau , pois não ? Ernie baixou misteriosamente a voz . Os Hufflepuff inclinaram se mais uns para os outros e Harry aproximou se para conseguir apanhar as palavras de o Ernie . - Ninguém sabe como ele sobreviveu a aquele ataque de o Quem nós sabemos e , afinal , ainda era um bebé quando aquilo aconteceu . Era para ter explodido feito em estilhaços . Só um feiticeiro negro verdadeiramente poderoso teria sobrevivido a uma maldição de aquelas . - Baixou ainda mais a voz até esta ficar reduzida a um leve murmúrio e disse : - Talvez fosse por isso que o Quem nós sabemos o queria matar , para não ter outro feiticeiro negro a competir com ele . Gostava de saber que outros poderes ocultos terá o Potter . Harry não aguentou mais . Pigarreou alto e saiu detrás de as estantes . Se não estivesse tão zangado teria conseguido ver o lado cómico de a situação : cada_um de os Hufflepuff olhava para ele como_se tivesse sido petrificado , e a cor desaparecera de a cara de o Ernie . - Olá - disse Harry . - Estou a a procura de o Justin_Finch - _ Fletchley . Os piores receios de os Hufflepuff tinham se concretizado . Olharam apavorados para o Ernie . - O que queres de ele ? - perguntou Ernie em uma voz sumida . - Explicar lhe o que aconteceu com aquela cobra em o clube de os duelos - disse Harry . Ernie mordeu os lábios brancos e , em seguida , respirando fundo , respondeu : - Estávamos lá todos . Vimos o que aconteceu . - Então viram que depois de eu falar a serpente recuou - disse Harry . - O que eu vi - insistiu teimosamente Ernie , apesar_de tremer a cada palavra que proferia - foi tu a falares serpentês e a atiçares a cobra conta o Justin . - Eu não a aticei - gritou Harry enraivecido . - Ela nem lhe tocou . - Falhou por_pouco - disse Ernie . - E , para o caso de estares com ideias - acrescentou com má cara - posso dizer te que a minha família provem de nove gerações de bruxas e feiticeiros e que o meu sangue é tão puro como o de qualquer feiticeiro , portanto ... - Quero lá saber qual é o teu sangue - disse Harry furioso . - Porque iria eu atacar os filhos de os Muggles ? - Ouvi dizer que detestas os Muggles com quem vives - disse Ernie rapidamente . - Não é possível viver com os Dursley sem os detestar - explicou Harry . - Gostava de te ver lá em casa . Girou sobre os calcanhares e saiu furioso de a biblioteca sob o olhar reprovador de Madam_Prince que limpava a capa dourada de um enorme livro de encantamentos . Harry avançou a as cegas por os corredores , quase sem ver por_onde ia de tão furioso que estava . O resultado foi chocar com algo enorme e sólido que o fez recuar e cair a o chão . - Ah ! Olá , Hagrid - disse , olhando para_cima . Hagrid tinha o rosto completamente tapado com um lenço coberto de neve , mas não podia ser mais ninguém , enchendo assim o corredor dentro de o seu sobretudo de pele de toupeira . De uma de as enormes mãos enluvadas , pendia um galo morto . - Tudo bem , Harry ? - perguntou , afastando o lenço para poder falar . - Porque não estás em a aula ? - Foi cancelada - disse Harry , pondo se de pé . - O que estás a fazer aqui ? Hagrid mostrou lhe o galo inerte . - É o segundo qu'aparece morto este período - explicou . - Ou são raposas ou um vampiro chato e eu preciso d'autorização de o director p'ra fazer um feitiço em volta de a capoeira . Aproximou se e olhou mais de perto para o Harry , por debaixo de as suas sobrancelhas espessas e cheias de neve . - Tens a certeza que estás bem ? Pareces exaltado e preocupado . Harry não foi capaz de repetir o que Ernie e os outros Hufflepuff lhe tinham dito . - Não é nada , tenho de ir , Hagrid . A próxima aula é Transfiguração e preciso de ir buscar os meus livros . Afastou se , a cabeça cheia com tudo_o_que Ernie dissera a seu respeito . « * _ O_Justin já estava d espera que uma coisa de o género acontecesse desde_que deixou escapar , falando com o Potter , que era filho de Muggles * ... » Harry subiu as escadas a correr e entrou por um corredor que estava particularmente escuro . As tochas tinham sido apagadas por uma ventania gelada que entrava por uma janela de fecho estragado . Estava a meio de o corredor quando tropeçou em uma coisa que se encontrava em o chão . Olhou para ver o que era e sentiu como_se o estômago se tivesse dissolvido . Justin_Finch - _ Fletchley estava em o chão , rígido e frio com uma expressão de horror em o rosto e os olhos abertos voltados para o tecto . E não era tudo . Junto de ele estava mais alguém , a visão mais estranha que Harry tivera em toda_a sua vida . Era_o_Nick quase sem cabeça que não estava cor de pérola nem transparente e sim escuro como fumo . Flutuava imóvel , em a horizontal , 12 centímetros acima de o chão , a cabeça meio tombada e em o rosto uma expressão de choque idêntica a a de o Justin . Harry pôs se de pé com a respiração acelerada e o coração a bater como um tambor contra as costelas . Olhou desvairado para ambos os lados de o corredor deserto e viu uma fila de aranhas que corriam a_toda_a velocidade em a direcção oposta a a de os corpos . Os únicos sons eram as vozes abafadas de os professores em as aulas que decorriam de ambos os lados . Podia fugir e ninguém saberia que ali tinha estado , mas não era capaz de os abandonar assim . Tinha de ir procurar ajuda . Será que alguém acreditaria que ele não tivera nada que ver com aquilo ? Enquanto ali estava , em pânico , uma porta a o seu lado abriu se com grande estrondo . Peeves , o * poltergeist * , saiu a os gritos . - Oh ! É o Potter , olá , Potter - alardeou Peeves , lançando por o ar os óculos de o Harry quando passou por ele . - O que está o Potter a fazer ? Porque está o Potter escondido ? Peeves passou de cabeça para baixo , a meio de uma cambalhota em o ar , quando viu Justin e Nick quase sem cabeça . Com um movimento súbito endireitou se , encheu os pulmões de ar e , antes que Harry pudesse impedi o , gritou : __ ataque ! ataque ! outro ataque ! nenhum mortal ou fantasma está em segurança . corram , fujam , __ ataaaque ! Crac , Crac , Crac . Uma atrás de a outra , foram se abrindo todas_as portas a o longo de o corredor e as pessoas saíram para fora de as salas de aula . Durante alguns longos minutos houve uma tal confusão que Justin esteve em perigo de ser esmagado e as pessoas não paravam de chocar com o Nick quase sem cabeça . Harry deu por si colado a a parede enquanto os professores exigiam a os gritos que se fizesse silêncio . A professora Mc_Gonagall veio a correr , seguida por todos os alunos , um de os quais ainda trazia o cabelo a as riscas pretas e brancas . Usou a varinha para produzir um ruído que repôs o silêncio e mandou os alunos todos para dentro de as salas de aula . Mal lugar ficou desimpedido surgiu Ernie , o jovem Hufflepuff . - * _ Apanhado em flagrante ! * - gritou , com o rosto totalmente branco , apontando dramaticamente o dedo par Harry . - Basta_Mcmillan - disse , de forma cortante , a professora Mc_Gonagall . Peeves andava para_cima e para baixo , observando a cena com um sorriso maldoso . Sempre adorara o caos . Quando os professores se inclinaram sobre Justin e sobre o Nick quase sem cabeça para os examinar , iniciou uma cantilena : * _ Oh ! Potter , que fizeste , seu grande bandido * _ Tu matas os estudantes porque achas divertido . * - Basta , Peeves - rosnou a professora Mc_Gonagall e Peeves afastou se , deitando a língua de_fora a o Harry . Justin foi levado para a ala hospitalar por o professor Flitwick e por o professor Sinistra_do_Departamento_de_Astronomia , mas ninguém parecia saber o que fazer em relação a o Nick quase sem cabeça . Por fim , a professora Mc_Gonagall fez aparecer em o ar um enorme leque que entregou a Ernie com o encargo de conduzir , escadas acima , por os ares o Nick quase sem cabeça . Ernie assim fez , soprando Nick como_se fosse um aerodeslizador e deixando , de este modo , o Harry e a professora Mc_Gonagall a sós . - Por aqui , Potter - disse ela . - Professora , eu juro que não ... - Isso não é comigo , Potter - afirmou a professora Mc_Gonagall sinteticamente . Caminharam em silêncio até uma esquina e ela parou perante uma gárgula de pedra extremamente feia . - Refresco de limão - disse . Era obviamente uma senha porque a gárgula animou se subitamente e saltou para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes . Apesar_de estar apavorado com o que ia acontecer a seguir , Harry não conseguiu evitar um sentimento de fascínio . Por detrás de a parede estava uma escada em espiral que se movia lentamente para_cima como um elevador . E quando ele e a professora Mc_Gonagall puseram os pés em o primeiro degrau , Harry ouviu a parede fechar se atrás de eles . Subiram em círculos , cada_vez_mais alto até que , por fim , um_pouco tonto , Harry pôde ver uma porta de carvalho reluzente com um puxador de bronze em forma de abutre . Harry calculava onde estava a ser levado . Devia ser ali que morava Dumbledore . XII_A poção * polisuco * Saltaram de a escada de pedra lá mesmo em cima e a professora Mc_Gonagall bateu a a porta . Ela abriu se silenciosamente dando lhes entrada . A professora Mc_Gonagall disse lhe que esperasse e deixou o sozinho . Harry olhou em volta . Uma coisa era certa : de todos o escritórios de professores que conhecia , o de Dumbledor era , de longe , o mais interessante . Se não estivesse com um medo de morte de ser expulso teria adorado explorá o . Era uma sala grande e bonita em forma de círculo que estava cheia de barulhinhos estranhos . Havia um grande número de instrumentos prateados sobre várias mesas de pernas finas que zumbiam emitindo pequenas baforadas de fumo . As paredes estavam cobertas de fotografias de antigos directores e directoras , todos eles a dormir tranquilamente em as suas molduras . Havia ainda uma enorme secretária pés de garra . E , sobre uma prateleira atrás de ela , um chapéu de feiticeiro andrajoso e puído : * o chapéu seleccionador * . Harry hesitou . Lançou um olhar cauteloso a as bruxas e feiticeiros adormecidos a o longo de as paredes . Com certeza não fazia mal se lhe pegasse e o experimentasse só para ver ... só para ter a certeza de que ele o pusera em a equipa certa . Deu a volta a a secretária , retirou o chapéu de a prateleira e baixou o lentamente sobre a cabeça . Era demasiado grande e escorregou lhe para os olhos como de a outra_vez que o tinha posto . Harry olhou para o forro preto , enquanto esperava . Por fim , uma vozinha disse lhe a o ouvido : - Estás com macaquinhos em o sótão , Harry_Potter ? - Er ... sim - balbuciou Harry . - Er ... desculpa incomodar te , queria saber ... - Querias saber se te pus em a equipa certa - disse prontamente o chapéu . - Sim ... tu és particularmente difícil de seleccionar , mas eu mantenho o que disse antes . - O coração de Harry deu um salto . - Terias ficado bem em os Slytherin . Harry sentiu o estômago contorcer se . Agarrou o chapéu por a aba e tirou o de a cabeça . O chapéu seleccionador ficou pendurado em a mão de ele , inerte , desbotado e sujo . Harry voltou a pô o em a prateleira , sentindo se enjoado . - Estás enganado ! - disse em voz alta a o chapéu parado e silencioso , mas ele não se mexeu . Harry recuou para o observar melhor e foi então que ouviu um ruído estranho e grasnado atrás_de si que o fez dar uma volta . Não estava só , afinal_de_contas . Em um poleiro dourado atrás de a porta estava um pássaro de aspecto decrépito que parecia um peru meio depenado . Harry olhou para ele espantado e o pássaro olhou o também , grasnando de_novo . Harry achou que ele devia estar muito doente porque tinha os olhos parados e , enquanto olhava para ele , caíram lhe mais algumas penas de a cauda . Estava justamente a pensar que a única coisa que lhe faltava era que o pássaro de estimação de Dumbledore morresse quando ele estava ali sozinho com ele , em o escritório , quando a ave se incendiou . Harry gritou , em estado de choque , e recuou até a a secretária . Olhava nervosamente em volta , em busca de um jarro de água , mas não viu nenhum . O pássaro , entretanto , transformara se em uma bola de fogo , dera um guincho e , em seguida , desaparecera , deixando apenas um monte de cinzas em o chão . A porta de o escritório abriu se . Dumbledore entrou com ar taciturno . - Professor - gaguejou Harry . - O seu pássaro ... eu não pode fazer nada ... ele incendiou se . Para seu grande espanto , Dumbledore sorriu . - Já não era sem tempo . Estava com um aspecto horrível em os últimos dias . Fartei me de lhe dizer que fizesse qualquer coisa . Riu se entre dentes com a expressão em o rosto de Harry . - A Fawkes é uma fénix , Harry . As fénix ardem quando é altura de morrer e renascem de as cinzas , repara ... Harry olhou mesmo a_tempo_de ver um passarinho recém-nascido , todo enrugado , espetar a cabeça fora de as cinzas . Era quase tão feio como o antigo . - É uma pena que a tenhas conhecido em dia de arder - disse Dumbledore , passando para trás de a secretária . - É muito bonita a maior parte de o tempo , com uma plumagem vermelha e dourada . São criaturas fascinantes , as fénix . Podem transportar cargas pesadíssimas , as suas lágrimas têm propriedades curativas e são animais de estimação extremamente fiéis . Com o choque de a fénix a pegar fogo , Harry esquecera se de o motivo porque ali estava , mas tudo voltou rapidamente quando Dumbledore se instalou em a cadeira de espaldar alto e o fixou com os seus olhos azuis e penetrantes . Contudo , antes que ele tivesse tido tempo de falar , a porta de o escritório abriu se de par em par com um enorme estrondo e Hagrid entrou com um olhar tresloucado , o lenço todo torcido em volta de a cabeça hirsuta e o galo morto ainda pendurado em a mão . - Não foi Harry , professor Dumbledore - disse , aflito . - Eu tinha estado a falar com ele poucos segundos antes de o rapazinho ser encontrado , ele não teve tempo professor ... Dumbledore tentou dizer qualquer coisa , mas Hagrid continuou , abanando o galo em o meio de a sua agitação e espalhando penas por todo o lado . - Não pode ter sido ele . Eu juro em a frente de o ministro de a magia , se for preciso ... - Hagrid , eu ... -- Tem o rapaz errado , professor . Eu sei qu'o Harry nunca ... - Hagrid - disse Dumbledore , elevando a voz . - Eu não penso que o Harry tenha atacado aquelas pessoas . - Oh ! - disse Hagrid , com o galo pendendo inerte a o seu lado . - Certo , ' tão eu espero lá fora , director . E saiu com ar envergonhado . - O senhor não acha que tenha sido eu ? - repetiu Harry cheio de esperança , enquanto Dumbledore sacudia penas de galo de cima de a secretária . - Não , Harry , não acho - afirmou Dumbledore , apesar de a sua expressão ser de_novo sombria . - Mas mesmo_assim quero falar contigo . Harry esperou ansiosamente enquanto o director o observava com as pontas de os dedos longos unidas . - Tenho de saber uma coisa . Harry , há alguma pergunta que queiras fazer me , qualquer que ela seja ? Harry não soube o que dizer . Lembrou se de Malfoy a gritar * _ Vocês serão os próximos , sangues de lama * e de a poção * _ Polisuco * em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Depois pensou em a voz sem corpo que ouvira duas vezes e em o que o Ron dissera * _ Ouvir vozes que ninguém mais ouve não é bom sinal , nem mesmo em o mundo de a feitiçaria * . Pensou também em o que toda_a_gente dizia de ele e em o receio cada_vez maior de ter uma relação qualquer com Salazar_Slytherin ... - Não - disse por fim . - Não há nada , professor . O ataque duplo a Justin e a o Nick quase sem cabeça transformou o que até_então era nervosismo em verdadeiro pânico . Curiosamente fora o destino de o Nick quase sem cabeça o que mais preocupara as pessoas . Quem poderia ter feito aquilo a um fantasma ? - perguntavam uns a os outros . - Que poder terrível era aquele , capaz de afectar alguém que já tinha morrido ? Houve uma precipitação enorme em a marcação de os bilhetes em o Expresso_de_Hogwarts , pois todos os alunos quiseram ir passar o Natal a casa . - Por este caminho , vamos ser os únicos a ficar - disse o Ron a o Harry e a a Hermione . - Nós , o Malfoy , o Goyle e o Crabbe , que férias lindas que vão ser ! Crabbe e Goyle que faziam sempre o que Malfoy fazia , tinham se inscrito para ficar também durante as férias . Mas Harry estava contente por a maior parte se ir embora . Estava farto de ver gente a afastar se em os corredores como_se ele fosse mostrar os dentes ou cuspir veneno . Estava cansado de tantos segredinhos , de os ver apontar e segredar quando passava . O Fred e o George , esses achavam muito divertido . Vinham , de propósito , pôr se a a frente de ele e atravessavam os corredores a gritar : - Abram alas para o herdeiro de Slytherin , vai passar um feiticeiro verdadeiramente cruel . Percy discordava totalmente de este comportamento . - Não é um assunto para se brincar - dizia com frieza . - Sai mas é de o caminho , Percy - dizia o Fred . - O Harry está com pressa . - Sim , ele vai a a Câmara_dos_Segredos tomar uma chávena de chá com o seu servidor dentes de serpente - completava Fred com uma gargalhada . Ginny também não lhes achava graça . - Cala te - gritava ela sempre_que o Fred perguntava em voz alta a o Harry quem estava a pensar atacar a seguir , ou quando George fingia afastá o com um enorme dente de alho . Harry não se importava . Fazia o sentir se melhor o facto de constatar que , pelo_menos para o Fred e para o George , a ideia de ele ser o herdeiro de Slytherin era absolutamente ridícula . Mas as palhaçadas de eles pareciam ofender Draco_Malfoy que , de cada_vez que os via , ficava mais irritado . - É porque está ansioso por dizer que é mesmo ele - disse o Ron com ar conhecedor . - Sabes como ele detesta que alguém o ultrapasse e tu estás a receber todo o crédito por o seu trabalho sujo . - Não vai ser por muito_tempo - disse Hermione com uma voz satisfeita . - A poção * polisuco * está quase pronta . Um de estes dias arrancamos lhe a verdade . Finalmente , o período chegou a o seu termo e um silêncio profundo como a neve em os campos desceu sobre o castelo . Harry adorou a tranquilidade e apreciou o facto de ele , Hermione e os Weasley terem a torre de os Gryffindor por sua conta , poderem jogar a as explosões bem alto , sem incomodar ninguém e praticar duelos entre si . O Fred , o George e a Ginny tinham preferido ficar em a escola a ir com Mr. e Mrs._Weasley a o Egipto visitar o Bill . Percy que reprovava e considerava infantil a conduta de eles , não passava muito_tempo em a sala comum de os Gryffindor . Já lhes dissera pomposamente que só ficara ali em o Natal , por ser sua obrigação como prefeito apoiar os professores em aquela época agitada . A manhã de o dia de Natal clareou branca e fria . Harry e Ron , os únicos que estavam em o dormitório , foram acordados muito cedo por Hermione que entrou , toda vestida , transportando presentes para ambos . - Acordem - disse em voz alta , abrindo os cortinados . - Hermione , tu não devias estar aqui - exclamou o Ron , protegendo os olhos de a luz . - Feliz_Natal para ti também - disse Hermione , atirando lhe o presente que tinha para ele . - Estou acordada há quase uma hora , acrescentando mais asas de renda a a poção . Está pronta . Harry sentou se , subitamente acordado . - Tens a certeza ? - Absoluta - disse ela , afastando o rato Scrabbers para se sentar a os pés de a cama de dossel . - Se vamos mesmo tomá a , acho que devia ser logo a a noite . Em esse momentzo , a Hedwig entrou em o quarto , transportando em o bico um embrulho pequenino . - Olá - disse Harry , feliz a o vê a aterrar em a sua cama . - Já me falas outra_vez ? Ela mordiscou lhe a orelha de uma forma afectuosa que foi , de longe , um presente melhor do_que aquele que transportava e que era afinal de os Dursley . Tinham mandado a Harry um palito para os dentes com um cartão pedindo lhe que se informasse se não poderia ficar , também em o Verão , em Hogwarts . Os outros presentes que Harry recebeu foram bastante melhores . Hagrid mandara lhe uma lata grande de bombons de melaço que ele decidiu amolecer a o lume antes de comer , o Ron deu lhe um livro chamado * _ Voando com Canhões * , que narrava factos interessantes sobre a sua equipa favorita de Quidditch e Hermione trouxera lhe uma luxuosa pena de águia . Harry abriu o último presente onde vinha uma camisola novinha , feita a a mão por Mrs._Weasley e um grande bolo de passas . Pegou em o cartão com uma nova sensação de culpa , pensando em o carro de Mr._Weasley que não voltara a ser visto desde_que chocara contra o salgueiro zurzidor e em a quantidade de infracções que ele e o Ron tinham em mente . Ninguém , nem mesmo os que estavam cheios de medo por terem de tomar a poção * polisuco * a seguir , deixou de adorar o jantar de Natal em Hogwarts . O salão nobre estava magnífico . Não_só havia uma_dúzia de árvores de Natal , cobertas de geada e espessas serpentinas de azevinho e visco bravo cruzando se junto de o tecto como caia uma neve encantada quente e seca . Dumbledore conduziu os em uma de as suas canções de Natal preferidas enquanto Hagrid se agitava , falando cada_vez_mais alto , a cada gole de gemada que tomava . O Percy que não dera por_que Fred enfeitiçara o seu distintivo de prefeito , onde agora podia ler se « cabeça de alfinetes « , continuava a perguntar a todos para_onde estavam a olhar . Harry nem_sequer se importou com os comentários que Draco_Malfoy fazia bem alto , de a mesa de os Slytherin acerca de a sua camisola nova . Com alguma sorte , Malfoy iria ser desmascarado dentro_de algumas horas . Harry e Ron mal tinham acabado a terceira dose de pudim de Natal quando Hermione os fez sair de o salão a a pressa para acabarem de tratar de os planos para essa noite . - Ainda precisamos de um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos - disse com o ar mais natural de este mundo como_se estivesse a mandá os a o supermercado comprar detergente . - E , é claro que o ideal será conseguirmos alguma coisa de o Crabbe e de o Goyle , são os melhores amigos de o Malfoy , ele conta lhes tudo . E precisamos também de ter a certeza de que eles não vão entrar em a sala quando vocês estiverem a interrogar o Malfoy . - Eu tenho tudo pensado - prosseguiu ela , ignorando a expressão estupefacta de Harry e Ron . Pegou em dois apetitosos bolos de chocolate . - Pus lhes um encantamento de sono . Vocês só têm de fazer com que o Crabbe e o Goyle os encontrem . Sabem como eles são gulosos , vão logo comê os . Quando estiverem a dormir , tirem lhes alguns cabelos e escondam nos em uma despensa de vassouras . Harry e Ron olharam , incrédulos , um para o outro . -- Hermione , eu não creio que ... -- Isto pode correr muito mal ... Mas Hermione tinha um brilho inflexível em os olhos que não era muito diferente do_que costumavam ver em o olhar de a professora Mc_Gonagall . - A poção não nos serve de nada sem os cabelos de o Crabbe e de o Goyle - disse com firmeza . - Vocês querem mesmo descobrir coisas sobre o Malfoy , não querem ? - Pronto , está bem - disse Harry . - Mas , e tu , vais arranjar cabelos de quem ? - Eu já tenho esse assunto resolvido - disse Hermione sorridente , tirando um frasquinho de o bolso e mostrando lhes um cabelo que lá estava dentro . - Lembram se de a Millicent_Bulstrode que lutou comigo em o clube de os duelos ? Ela deixou isto em o meu manto quando tentava estrangular me . E foi passar o Natal a casa , portanto , basta me dizer a os Slytherins que decidi voltar . Quando Hermione saiu para verificar de_novo a poção polisuco , Ron voltou se para Harry com uma expressão lúgubre . - Alguma vez viste um plano onde tantas coisas pudessem correr mal ? Mas para grande espanto de ambos , a primeira fase de a operação decorreu tão naturalmente como Hermione previra . Eles esconderam se em o * hall * de entrada , depois de o lanche de Natal , a a espera de o Crabbe e de o Goyle que tinham ficado sozinhos a a mesa de os Slytherin , deitando abaixo a quarta dose de bolo inglês . Harry colocou os bolos de chocolate em o fim de o corrimão . Quando avistaram Crabbe e Goyle a sair de o salão , Harry e Ron esconderam se rapidamente atrás_de uma armadura que estava junto de a porta de entrada . - Como_se pode ser tão estúpido ? - murmurou Ron sem se mexer enquanto Crabbe apontava satisfeitíssimo , mostrando a Goyle os bolos e agarrando os . Com um riso estúpido , enfiaram nos inteiros em as bocas enormes . Durante um momento , ambos mastigaram avidamente com olhares vitoriosos em o rosto . Depois , sem que a expressão se alterasse , caíram para trás e estatelaram se em o chão . Mais difícil foi transportá os para a despensa de o outro lado de o * hall * . Uma_vez armazenados em o meio de os baldes e esfregões , Harry arrancou alguns de os pêlos que cobriam a cabeça de o Goyle e Ron tirou alguns cabelos a o Crabbe . Roubaram lhes também os sapatos porque os de eles eram demasiado pequenos para os enormes pés de o Crabbe e de o Goyle . Em seguida , ainda atordoados com o que tinham acabado de fazer , correram até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mal conseguiam ver com o fumo preto e espesso que saía de o cubículo onde Hermione mexia o caldeirão . Tapando o rosto com os mantos , Harry e Ron bateram a o de leve em a porta . - Hermione ? Ouviram o ruído de o trinco e Hermione apareceu com a cara lustrosa e um ar ansioso . Por trás de ela ouviam o gloop gloop de a poção espessa e gorgolejante . Em o banco de a casa_de_banho estavam três copos de vidro . - Conseguiram ? - perguntou Hermione quase sem fôlego . Harry mostrou lhe o cabelo de o Goyle . - _ óptimo . Eu tirei estes mantos suplementares de a lavandaria - disse ela , pegando em uma pequena saca . - Vocês vão precisar de tamanhos maiores se vão ser o Crabbe e o Goyle . Olharam os três para o caldeirão . Vista de perto , a poção parecia uma lama espessa e escura a borbulhar indolentemente . - Tenho a certeza que fiz tudo certo - disse Hermione nervosa , relendo a página manchada de * _ Moste_Potente_Potions * . - Tem o aspecto que o livro diz que deveria ter ... depois de a tomar temos precisamente uma hora antes de nos transformarmos de_novo em as pessoas que somos . - E agora ? - murmurou o Ron . - Separamos a em três copos e adicionamos os cabelos . Hermione encheu cada_um de os copos com uma concha de sopa . Em seguida , retirou com a mão a tremer o cabelo de Millicent_Bulstrode de dentro de o frasquinho e pô o em o primeiro copo . A poção chiou fortemente como uma chaleira a ferver e espumou como louca . Um segundo depois ganhara um tom de amarelo doentio . - Urgh ! Essência_de_Millicent_Bulstrode - disse Ron , olhando com repugnância . - Aposto que o sabor é nojento . - Deitem os vossos - disse Hermione . Harry deixou cair o cabelo de o Goyle em o copo de o meio e Ron lançou o de o Crabbe em o último . Ambos chiaram e espumaram : o de o Goyle ficou de um tom caqui , o de o Crabbe de um castanho-escuro algo tenebroso . - Esperem - pediu Harry quando Ron e Hermione pegaram em os copos . - Será melhor não os tomarmos aqui todos juntos em um cubículo ; quando em os transformarmos não vamos cá caber e Millicent_Bulstrode não é nenhum duende . - Bem pensado - admitiu o Ron , abrindo a porta . - Cada_um em seu cubículo . Com todo o cuidado , para não entornar nem uma gota de a poção polisuco , Harry esgueirou se para o cubículo de o meio . - Prontos ? - perguntou . - Prontos - responderam as vozes de o Ron e de a Hermione . - Um , dois , três . Tapando o nariz , Harry bebeu a poção em dois grandes tragos . Tinha o sabor de a couve demasiado cozida . Os seus interiores começaram imediatamente a contorcer se como_se tivesse engolido serpentes vivas . Dobrado , Harry perguntava a si próprio se iria vomitar . Depois , uma sensação de ardor espalhou se rapidamente de o estômago até a as pontas de os dedos de as mãos e de os pés . Em seguida , fazendo o sobressaltar se , sobreveio o sentimento horrível de estar a derreter enquanto a pele de todo o seu corpo borbulhava como cera quente e , perante os seus olhos , as mãos começaram a crescer , os dedos a engrossar , as unhas a alargar e as articulações a tornarem se protuberantes como ferrolhos . Os ombros retesaram se dolorosamente e uma comichão em a testa preveniu o de que o cabelo estava a rastejar em direcção a as sobrancelhas . As túnicas rasgaram se enquanto o tórax se expandia como um barril , rebentando com os seus anéis . Os pés estavam em grande sofrimento dentro_de sapatos quatro números abaixo . Tão depressa como começara , tudo parou . Harry estava caído em o chão de pedra fria , ouvindo a Murta_Queixosa gorgolejando taciturna em o cubículo de o fundo . Com alguma dificuldade tirou os sapatos e levantou se . Era então assim que o Goyle se sentia ! Com a mão enorme a tremer , despiu a sua túnica que lhe ficava 30 centímetros acima de os tornozelos , pegou em as túnicas suplementares e amarrou os atacadores de os sapatos abotinados de o Goyle . Quis escovar o cabelo para o afastar um_pouco de os olhos e deu apenas com os pêlos hirsutos que lhe cresciam em a testa . Apercebeu se então de que os óculos lhe toldavam a visão porque o Goyle , obviamente , não precisava de eles . Tirou os e gritou . - Vocês estão bem ? - De a sua boca saiu a voz baixa e grossa de o Goyle . - Sim - respondeu lhe o grunhido de o Crabbe , a a sua direita . Harry abriu a porta de o cubículo e dirigiu se a o espelho partido . O Goyle olhava o de o outro lado com os seus olhos parados . Harry coçou a orelha e Goyle fez o mesmo . A porta de o Ron abriu se . Olharam um para o outro . Harry estava pálido e chocado . O amigo não se distinguia de o Crabbe , desde o corte de cabelo em forma de tigela até a os longos braços de gorila . - É inacreditável - disse o Ron , aproximando se de o espelho e beliscando o nariz achatado de o Crabbe . - Inacreditável ! - É melhor irmos indo - disse Harry , alargando a pulseira de o relógio que lhe cortava o pulso . - Ainda temos de descobrir onde fica a sala comum de Slytherin . Só espero que encontremos alguém que vá para lá e que nós possamos seguir . Ron que tinha estado a olhar espantado para ele , comentou : - Não imaginas como é bizarro ver o Goyle a pensar - bateu em a porta de Hermione . - Vamos , temos que ir ... Respondeu lhe uma voz aguda : - Eu ... eu acho que afinal não vou . Vão vocês sem mim . - Hermione , nós sabemos que a Millicent_Bulstrode é feia , ninguém vai pensar que és tu . - Não , a sério , acho que não vou . Despachem se vocês os dois , estão a perder tempo . Harry olhou para Ron , baralhado . - Aquilo parece mais de o Goyle , é como ele fica sempre_que algum professor lhe faz uma pergunta . - Estás bem , Hermione ? - perguntou Harry , através de a porta . - _ óptima , estou óptima , vão se embora . Harry olhou para o relógio . Cinco preciosos minutos tinham já passado . - Encontramo nos aqui , está bem ? - disse . Os dois abriram a porta de a casa_de_banho com todo o cuidado , viram se o caminho estava livre e saíram . - Não balances assim os braços - disse o Harry a o Ron . - Hein ? - O Crabbe anda sempre com eles esticados . - Assim ? - Isso , assim está melhor . Desceram a escadaria de mármore . Só precisavam agora de um Slytherin que pudessem seguir até a a sala comum , mas não havia ninguém por perto . - Tens alguma ideia ? - perguntou Harry em um murmúrio . - Os Slytherin vêm sempre de ali para o pequeno-almoço - disse o Ron , apontando para a entrada de os calabouços . Mal tinha pronunciado estas palavras quando uma rapariga de cabelo comprido a os caracóis , apareceu . - Desculpa - disse o Ron , sem perder tempo . - Esquecemo nos de o caminho para a nossa sala comum . - Como ? - disse a rapariga com a maior frieza . - A * nossa * sala comum ? Eu sou uma Ravenclaw . Afastou se , olhando para eles , desconfiada . Harry e Ron desceram apressadamente os degraus de pedra até a a escuridão . Os passos ecoavam em o silêncio , à_medida_que os pés enormes de Crabbe e Goyle tocavam em o chão , fazendo os sentir que as coisas não iam ser tão fáceis como eles desejavam . Os corredores labirínticos estavam desertos . Andaram e tornaram a andar por os subterrâneos , olhando constantemente para os relógios para ver quanto tempo ainda lhes restava . Depois de um quarto de hora , quando começavam a ficar desesperados , ouviram um movimento súbito . - Olha - disse o Ron , agitadamente . - Agora é um de eles . A silhueta saía de uma sala , mas quando se aproximaram o coração de ambos esmoreceu . Não era um Slytherin , era Percy . - O que estás a fazer aqui em baixo ? - perguntou o Ron surpreendido . - Isso - disse ele friamente - não é de a tua conta . És o Crabbe , não és ? - Er ... sim , sim - respondeu o Ron . - Então vão para o vosso dormitório - ordenou Percy com firmeza . - Não é seguro andar a passear por os corredores escuros em os dias que correm . - Tu andas -- fez notar o Ron . - Eu - disse o Percy endireitando se - sou um prefeito . Nada vai atacar me . Ouviu se , de repente , uma voz por_detrás_de Harry e Ron . Era_Draco_Malfoy e , pela_primeira_vez em a vida , Harry ficou satisfeito a o vê o . - Aí estão vocês - disse de modo arrastado , olhando para eles . - Têm estado a chafurdar em o salão este tempo todo ? Tenho andado a a vossa procura , quero mostrar vos uma coisa muito divertida . Malfoy olhou misteriosamente para Percy . - E o que fazes tu aqui , Weasley ? - perguntou com ar de desprezo . Percy olhou , sentindo se ultrajado . - Fazes favor de mostrar um_pouco mais de respeito por um prefeito de a escola - disse . - Não gosto de o teu ar . Malfoy riu se e fez sinal a o Harry e a o Ron para que o seguissem . Harry quase ia pedindo desculpa a o Percy , mas deu se conta a tempo . Apressaram se a seguir o Malfoy que disse , mal viraram em o corredor seguinte : - Aquele Peter_Weasley ... - O Percy - corrigiu Ron automaticamente . - Ou isso - continuou Malfoy . - Ultimamente tenho o visto muitas_vezes a andar por aí sorrateiramente e aposto que sei o que ele quer . Pensa que vai apanhar o herdeiro de Slytherin sozinho . Deu uma pequena gargalhada ridícula . Harry e Ron trocaram olhares nervosos . Malfoy parou junto de uma parede de pedra húmida . - Qual é a senha ? - perguntou a o Harry . - Er ... - Ah ! sim , sangue puro - disse Malfoy sem ouvir e uma porta de pedra , oculta em a parede , abriu se . Malfoy entrou e Harry e Ron seguiram o . A sala comum de os Slytherin era uma ampla divisão subterrânea com espessas paredes de pedra e um tecto de o qual estavam pendurados por correntes vários candeeiros redondos que davam uma luz esverdeada . O fogo crepitava em uma lareira elaboradamente esculpida em frente de a qual se viam as silhuetas de vários Slytherins sentados em cadeiras igualmente esculpidas . - Esperem aí - disse Malfoy a o Harry e a o Ron , encaminhando os para um par de cadeiras vazias , longe de o lume . - Eu vou buscar o que o meu pai acaba de me mandar . Sem saber o que Malfoy iria mostrar lhes , Harry e Ron sentaram se , fazendo todos os possíveis por parecer a a vontade . Malfoy voltou um minuto depois , trazendo em a mão o que parecia ser um recorte de jornal . Pô o debaixo de o nariz de o Ron . - Vais te rir - disse . Harry viu os olhos de o Ron abrirem se como_se estivesse em estado de choque . Viu o ler o recorte rapidamente , dar uma gargalhada forçada e estender lhe o em seguida . Tinha sido retirado de o * _ Profeta_Diário * e dizia : inquérito em o ministério de a magia * _ Arthur_Weasley , chefe de o Gabinete_de_Mau_Uso_dos_Utensílios_dos_Muggles foi hoje multado em cinquenta galeões por ter enfeitiçado um carro de os Muggles . * _ O senhor Lucius_Malfoy , Membro_do_Conselho_Directivo_da_Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts , onde o carro enfeitiçado foi chocar em o princípio de este ano , exigiu hoje a demissão de Mr._Weasley . « * _ O_Weasley trouxe o descrédito a o Ministério « - declarou Mr._Malfoy a o nosso repórter . - « É claramente incompetente para fazer cumprir as leis e a sua protecção ridícula de os Muggles deveria ir imediatamente para a sucata . » * _ Mr._Weasley recusou se a fazer comentários , mas a sua mulher disse a os repórteres que desaparecessem de ali ou lançaria contra eles o vampiro de a família * . - Então - disse Malfoy impaciente quando Harry voltou a entregar lhe o recorte . - Não achas o_máximo ? - Ha , ha - fez Harry tristemente . - O Arthur_Weasley gosta tanto de os Muggles que era capaz de partir a sua varinha a o meio para se juntar a eles - disse Malfoy com desprezo . - Ninguém diria que os Weasley eram sangue puro a avaliar por o modo como_se comportam . A cara de o Ron , ou melhor , de o Crabbe , contorceu se de raiva . - O que é_que se passa ? - perguntou Malfoy . - Dores de estômago - gemeu o Ron . - Então vai a a ala hospitalar e dá a todos aqueles sangues de lama um pontapé de a minha parte - disse Malfoy com o seu riso escarninho . - Sabes que estou espantado por o * _ Profeta_Diário * ainda não se ter referido a todos estes ataques - continuou pensativamente . - Calculo que o Dumbledore deve estar a tentar abafar as coisas . Ele ainda é posto em a rua se isto não acaba depressa . O pai sempre disse que Dumbledore foi a pior coisa que aqui veio parar . Ele adora os filhos de os Muggles , um director decente nunca deixaria um lodo como o Creevey entrar em esta escola . Malfoy começou a fingir que tirava fotografias com uma máquina imaginária e fez uma imitação maldosa , mas bastante fiel de o Colin : - Potter , posso tirar te a fotografia ? Dás me um autógrafo ? Posso lamber te os sapatos , por favor , Potter ? Baixou as mãos e olhou para Harry e Ron . - O que é_que se passa com vocês os dois ? Um_pouco atrasados , Harry e Ron forçaram o riso e Malfoy pareceu satisfeito . Talvez Crabbe e Goyle fossem sempre de reacção lenta . - O santo Potter , amigo de os sangues de lama - disse Malfoy . - É outro que não tem os sentimentos de um feiticeiro a sério ou não andaria por aí com aquela empertigada sangue de lama Granger . E as pessoas a pensarem que ele é o herdeiro de Slytherin . Harry e Ron esperaram com a respiração entrecortada : o Malfoy ia certamente dizer lhes , dentro_de segundos , que era ele , mas então ... - Quem me dera saber quem ele é - disse o Malfoy , de forma petulante . - Podia ajudá o . O queixo de o Ron caiu de tal maneira que a cara de o Crabbe ficou ainda mais desajeitada do_que era habitual . Felizmente Malfoy não deu por nada e Harry , em um pensamento rápido , disse : - Deves ter alguma ideia de quem está por_detrás_de tudo ... - Sabes perfeitamente que não tenho , Goyle , quantas vezes é preciso dizer te ? - cortou Malfoy . - E o pai também não me diz nada sobre a última vez que a câmara foi aberta . É claro que foi há cinquenta anos , antes de ele cá andar , mas o pai sabe tudo a esse respeito e diz que as coisas foram mantidas em grande segredo e que pareceria suspeito se eu soubesse demasiado . Mas há uma coisa que eu sei : de a última vez que a câmara foi aberta , morreu um sangue de lama . Por isso , aposto que é uma questão de tempo até que um de eles seja morto . Só espero que seja a Granger - disse satisfeito . Ron fechara os punhos gigantescos de o Crabbe . Sentindo que deitaria tudo a perder se ele desse um soco a o Malfoy , Harry lançou lhe um olhar de aviso e disse : - Sabes se a pessoa que abriu a câmara de a última vez foi apanhada ? - Ah ! sim , essa pessoa foi expulsa - disse Malfoy . - Ainda deve estar em Azkaban . - Azkaban ? - repetiu Harry confuso . - Azkaban , a prisão de os feiticeiros , Goyle - disse Malfoy , olhando para ele incrédulo . - Francamente , se fosses mais lento andavas para trás . Esticou se intranquilo , em a cadeira e disse : - O pai diz para eu esfriar a cabeça e deixar que o herdeiro de Slytherin faça o seu trabalho . Acha que a escola precisa de se livrar de a escória de os sangues de lama , mas não quer que eu me envolva em nada . Claro que ele agora tem um prato cheio . Sabes que o Ministério de a magia fez uma busca a a nossa mansão em a semana passada ? Harry tentou forçar a cara de bronco de o Goyle a uma expressão preocupada . - Sim - continuou Malfoy . - É claro que não encontraram grande coisa . O pai guarda uns materiais de magia negra muito valiosos , mas , felizmente , temos a nossa câmara secreta debaixo de o soalho de a sala de visitas ... - Ah ! - disse o Ron . Malfoy olhou para ele . Harry também . Ron corou e até o cabelo começou a ficar vermelho . O nariz estava também a diminuir lentamente ... a hora tinha acabado . Ron estava a voltar a a sua forma habitual e por o olhar de horror que lançou a Harry certamente ele também estava . Puseram se rapidamente de pé . - Tenho de tomar o remédio para o estômago - grunhiu o Ron e sem mais explicações saíram ambos a correr de a sala comum de os Slytherin , precipitaram se para a parede de pedra e galgaram a passagem , pedindo a todos os santos que Malfoy não tivesse dado por nada . Harry sentia os pés a nadarem em os sapatos enormes de o Goyle e tinha de levantar o manto visto_que diminuíra de tamanho . Subiram os degraus a correr até a o * hall * escuro de entrada onde se ouvia um som abafado que vinha de a despensa onde tinham fechado o Crabbe e o Goyle . Deixando os sapatorros de os dois de o lado de_fora , subiram já com os respectivos sapatos a escadaria de mármore até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Bem , não foi uma total perda de tempo - disse o Ron ofegante , fechando atrás_de si a porta de a casa_de_banho . - É certo que ainda não descobrimos de quem vêm os ataques , mas vou escrever a o meu pai amanhã a dizer lhe que procure debaixo de o soalho de a sala de visitas de o Malfoy . Harry olhou para o espelho partido . Tinha voltado a o normal . Pôs os óculos enquanto Ron batia em a porta de o cubículo de Hermione . - Hermione , sai de aí , temos um monte de coisas para te contar ... - Vão se embora - guinchou Hermione . Harry e Ron olharam um para o outro . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron . - Tu já deves ter voltado a o normal como nós ... Mas a Murta_Queixosa saiu subitamente através de a porta de o cubículo com um ar divertido como nunca a tinham visto . - Oh ! Esperem até ver - disse ela . - É horrível ! Ouviram o trinco de a porta a abrir se e Hermione apareceu a soluçar , a túnica levantada a cobrir lhe o rosto . - O que foi ? - perguntou o Ron indistintamente . - Ainda tens o nariz de a Millicent ou alguma coisa assim ? Hermione deixou cair a roupa e Ron recuou rapidamente . O rosto de ela estava coberto de pêlo preto , os olhos tinham ganho uma cor amarela e as orelhas eram pontiagudas , saindo espetadas para fora de os cabelos . - Era um pêlo de g-gato - disse a chorar . - A Millicent_Bulstrode d-deve ter um gato e a poção não está preparada para transformação em animais . - Oh-oh - disse o Ron . - Vão te gozar horrivelmente - disse a Murta , felicíssima . - Não te preocupes , Hermione - tranquilizou a rapidamente o Harry . - Vamos levar te para a ala hospitalar , a Madam_Pomfrey nunca faz muitas perguntas ... Não foi fácil convencer Hermione a sair de a casa_de_banho . A Murta_Queixosa despediu se com uma gargalhadavigorosa e grosseira . - Espera até todos descobrirem que tens uma cauda ! XIII_O diário muito secreto Hermione ficou em a ala hospitalar durante várias semanas . Houve uma onda de boatos sobre o seu desaparecimento quando o resto de os alunos voltou de as férias de Natal porque , é claro , todos pensam que ela tinha sido atacada . Foram tantos os estudantes a rondar a ala hospitalar para espreitar a ver se a viam que Madam_Pomfrey desceu de_novo as cortinas de a cama de ela para a poupar a a vergonha de ser vista com pêlo em a cara . Harry e Ron iam visitá a todas_as tardes . Quando o segundo período começou passaram a levar lhe diariamente os trabalhos de casa . - Se eu tivesse o bigode a crescer , tinha uma folga de o trabalho - disse uma tarde o Ron enquanto colocava uma pilha de livros a a cabeceira de a cama de Hermione . - Não sejas parvo , Ron , eu tenho de me manter a par de as coisas - disse Hermione com vivacidade . O humor de ela melhorara bastante com o facto de lhe ter desaparecido todo o pêlo de o rosto e de os olhos estarem lentamente a retomar a cor castanha . - Calculo que não tenham novas pistas ? - disse em um murmúrio para evitar que Madam_Pomfrey os ouvisse . - Nada - disse Harry tristemente . - Eu tinha tanta certeza de que era o Malfoy - repetiu o Ron por a centésima vez . - O que é isso ? - perguntou Harry , apontando para uma coisa com brilho dourado que estava debaixo de a almofada de Hermione . - É só um cartão a desejar boas melhoras - disse ela precipitadamente , tentando escondê o , mas o Ron foi mais rápido . Pegou lhe , abriu o e leu em voz alta : * _ Para_Miss_Granger , desejando lhe uma rápida recuperação , com o interesse e estima de o professor Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , Terceiro grau , Membro_Honorário_da_Liga_de_Defesa contra as Artes_Negras e vencedor por cinco vezes de o prémio O sorriso mais charmoso de a semana de o Semanário_das_Bruxas * . Ron olhou desconsolado para Hermione . - Tu dormes com isto debaixo de a almofada ? Mas Hermione foi poupada a ter de responder por a entrada de Madam_Pomfrey que lhe trazia a dose de medicamento de a tarde . - Achas que o Lockhart é o tipo mais esperto que conheceste ? - perguntou o Ron a o Harry quando saíram de a enfermaria e começavam a subir as escadas para a torre de os Gryffindor . O Snape tinha lhes passado tanto trabalho para_casa que Harry pensou que ia chegar a o sexto ano antes de o ter acabado . Ron vinha a dizer que devia ter perguntado a a Hermione quantas caudas de rato deveria juntar se a uma poção para o crescimento de o cabelo quando um grito de raiva vindo de o andar de cima lhes chegou a os ouvidos . - É o Filch - murmurou Harry enquanto subiam apressadamente as escadas e paravam para ouvir melhor . - Terá mais alguém sido atacado ? - disse nervosamente o Ron . Ficaram parados com as cabeças inclinadas para a voz de o Filch que parecia quase histérica . -- ... * _ Ainda mais trabalho para mim . Toda_a noite a esfregar como_se não tivesse já trabalho de sobra . Não , isto foi a gota de água que fez transbordar o copo , vou falar com Dumbledore * ... Os passos afastaram se e ouviram uma porta fechar se com grande estrondo . Puseram as cabeças fora de a esquina . O Filch tinha obviamente estado a patrulhar o seu habitual posto de vigia : estavam novamente em o lugar onde Mrs._Norris fora atacada . Perceberam imediatamente qual o motivo de os gritos . Uma enorme poça de água enchia metade de o corredor e parecia escorrer de a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Agora_que o Filch se calara podiam ouvir os uivos de a Murta que faziam eco em as paredes de a casa_de_banho . - Mas o que se passará com ela ? - disse o Ron . - Vamos lá ver - sugeriu Harry e arregaçando as túnicas até a os tornozelos entraram , atravessando a enorme poça de água , em a casa_de_banho que tinha o letreiro a dizer « Fora de serviço » e que eles , como sempre , ignoraram . A Murta_Queixosa chorava , se possível , mais alto do_que nunca . Parecia estar escondida em o cubículo de o costume . Lá dentro estava escuro pois as velas tinham se apagado com a enchente de água que deixara as paredes e o chão ensopado . - O que se passa , Murta ? - quis saber o Harry . - Quem é ? - perguntou ela infelicíssima . - Vieste atirar me mais alguma coisa acima ? Harry caminhou com dificuldade por causa de a água até a o cubículo de ela e disse : - Porque te faríamos nós uma coisa de essas ? - Não me perguntem - gritou a Murta , emergindo em uma onda de água que molhou ainda mais o chão já ensopado . - Eu estou aqui metida em a minha morte e alguém acha muito engraçado atirar me com um caderno acima ... - Mas , não pode magoar te se alguém te atirar alguma coisa acima - disse Harry , tentando ser prático . - Isto_é , seja o que for passa através_de ti , não é assim ? Tinha dito a frase errada . A Murta encheu o peito de ar e gritou a plenos pulmões : - Vamos todos atirar cadernos a a Murta já_que ela não sente nada ! Dez pontos se lhe acertarem em o estômago , cinquenta se lhe atravessar a cabeça ! Hah hah hah , que jogo lindo , não acham ? - Quem te atirou um caderno , afinal ? - perguntou o Harry . - Não sei ... eu estava sentada em a sanita a pensar em a morte e caiu me em cima de a cabeça - disse a Murta , olhando para eles . - Está ali , ficou todo molhado . Harry e Ron olharam para o ponto que a Murta lhes apontava debaixo de o lavatório . Um caderno pequenino e fino estava caído em o chão . Tinha uma capa preta muito gasta e estava encharcado como tudo em aquela casa_de_banho . Harry deu um passo em frente para o apanhar , mas o Ron agarrou lhe precipitadamente o braço . - O que foi ? - perguntou Harry . - Estás doido - disse ele . - Pode ser perigoso . - Perigoso ? - riu se Harry . - Essa agora Ron , como é_que pode ser perigoso ? - Ficarias surpreendido ... - explicou ele , olhando com ar apreensivo para o caderno . - Entre os livros que o Ministério confiscou , contou me o meu pai , havia um que queimava os olhos a as pessoas . E todos os que leram os * _ Sonetos_de_Um_Feiticeiro * ficaram a falar em verso para o resto de a vida . Havia também uma bruxa em Bath que tinha um livro que quem o lesse nunca mais conseguia parar , tinha de andar por aí com o nariz enfiado em as folhas , a fazer todas_as coisas só com uma mão e ... - Já chega , já chega , já percebi a tua ideia - disse O_Harry . O caderninho continuava caído e ensopado . - Bem , nunca saberemos a_não_ser_que tenhamos a coragem de dar uma vista de olhos - disse e mergulhou apanhando o de o chão . Harry viu imediatamente que se tratava de um diário e a data meio apagada , em a capa , disse lhe que tinha cinquenta anos de idade . Abriu o ansiosamente . Em a primeira página podia ler se apenas o nome T._M._Riddle em tinta esborratada . - Espera aí - disse o Ron que se aproximara prudentemente e olhava por cima de o ombro de Harry . - Eu conheço esse nome ... T._M._Riddle recebeu um prémio por serviços especiais prestados a a escola há cinquenta anos atrás . - Como diabo sabes tu isso ? - perguntou Harry com grande espanto . - Porque o Filch mandou me limpar a taça de ele umas cinquenta vezes quando estive de castigo - disse o Ron ressentido . - Foi a taça em cima de a qual eu vomitei lesmas . Se tivesses tido que limpar o muco de um nome durante uma hora também te lembrarias . Harry separou umas de as outras as páginas molhadas . Estavam completamente em branco . Não havia o mais leve sinal de escrita em nenhuma , nem coisas como « Aniversário de a tia Mabel « ou « Dentista a as três_e_meia » . - Ele nunca escreveu nada aqui - disse Harry desapontado . - Porque quereria alguém atirá o fora ? - perguntou se o Ron com curiosidade . Harry voltou o caderno e viu , inscrito em a contra capa , o nome de uma tabacaria em Vauxhall_Road , Londres . - Ele devia ser filho de Muggle - disse Harry pensativo - para ter comprado um diário em Vauxhall_Road ... - Bem , não te serve de muito - Ron baixou a voz . - Cinquenta pontos se acertares em o nariz de a Murta . Harry , mesmo_assim , guardou o diário . Hermione saiu de a ala hospitalar desbigodada , sem cauda e sem pêlo em os primeiros dias de Fevereiro . Em a primeira noite em a torre de os Gryffindor , Harry mostrou lhe o diário de T._M._Riddle e contou lhe como o tinham encontrado . - Ooooh ! Deve ter poderes ocultos - disse ela entusiasticamente , pegando em o diário e examinando o de perto . - Se tem , esconde os muito bem - disse Ron . - Talvez fosse tímido . Não sei porque não deitas isso fora , Harry . - Gostava de perceber porque motivo alguém se quis livrar de ele - explicou Harry . - E também não me importava de saber como foi que o Riddle obteve esse prémio de serviços especiais prestados a Hogwarts . - Pode ter sido qualquer coisa - lançou o Ron . - Talvez tenha recebido 30 de nota final ou salvo um professor de a lula gigante . Se_calhar assassinou a Murta , isso teria sido um favor prestado a todos ... Mas Harry quase podia jurar , por o olhar suspenso em a cara de Hermione , que ela pensava o mesmo_que ele . - O que foi ? - perguntou Ron , olhando para um e para o outro . - Bem , a Câmara_dos_Segredos foi aberta há cinquenta anos , não foi isso que disse o Malfoy ? - Sim - respondeu Ron , lentamente . - E este diário tem cinquenta anos de idade - completou Hermione , dando lhe palmadinhas nervosas . - E de aí ? - Oh Ron , acorda - insistiu Hermione . - Sabemos que a pessoa que abriu a câmara de a outra_vez foi expulsa há cinquenta anos . E se o Riddle tivesse tido o prémio especial por apanhar o herdeiro de Slytherin ? O seu diário diria nos provavelmente tudo : onde é a Câmara_dos_Segredos , como abris a e que tipo de criatura vive lá . Achas que a pessoa que está por trás de os ataques desta_vez quereria o diário por aí ? - É uma teoria interessante , Hermione - disse o Ron . - Apenas com uma pequenina falha : o diário não tem nada Mas_Hermione já estava a tirar a varinha de o saco . - Pode ser tinta invisível - murmurou . Bateu três vezes em o diário e repetiu * _ Aparecium ! * Nada aconteceu . Intrépida , Hermione meteu a mão de_novo em o saco e tirou o que parecia ser uma borracha vermelha e brilhante . - É um * revelador * , comprei o em a Diagon - _ Al - disse . Apagou com força em 1_de_Janeiro . Não sucedeu nada . - Já vos disse , não há nada aí - repetiu o Ron . - O Riddle deve ter recebido um diário como prenda de Natal e nem se deu a o trabalho de escrever fosse o que fosse . Harry não conseguia explicar , nem a si próprio , porque motivo não deitara fora o diário de Riddle . A verdade é_que , mesmo depois de saber que ele estava em branco , continuou distraidamente a pegar lhe e a virar as páginas como_se quisesse chegar a o fim de uma história . E , apesar_de saber que nunca tinha ouvido o nome T._M._Riddle , continuava a ter a sensação de que lhe dizia alguma coisa , como_se Riddle fosse um amigo que ele tinha tido quando era muito pequeno e que estivesse meio esquecido . Mas era um absurdo . Nunca tivera amigos antes de Hogwarts , Dudley tivera esse cuidado . Ainda_assim , Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle , por isso em o dia seguinte foi até a a sala de os troféus para examinar a taça , acompanhado de Hermione que estava interessadíssima e de Ron que se mostrava profundamente incrédulo , dizendo que tinha ficado farto de aquela sala até a o fim de a vida . A taça dourada de Riddle estava arrecadada em um armário de canto . Não fornecia detalhes sobre o motivo por_que lhe fora dada ( felizmente , se fosse maior ainda hoje estava a limpá a , disse o Ron ) . Mas encontraram o nome de Riddle em uma antiga medalha de Mérito_Mágico e em uma lista de antigos chefes de turma . - Parece o Percy - comentou Ron , torcendo o nariz com aversão . - Prefeito , chefe de turma , provavelmente o melhor em todas_as disciplinas . - Dizes isso como_se fosse uma coisa má - fez lhe notar Hermione , em um tom de voz ressentido . Um sol fraco brilhava agora de_novo em Hogwarts . Dentro de o castelo , o ambiente estava bastante melhor . Não tinha havido novos ataques desde Justin e Nick quase sem cabeça e Madam_Pomfrey teve a satisfação de informar que as Mandrágoras começavam a ficar instáveis e dissimuladas , sinal de que estavam a abandonar rapidamente a infância . - Logo_que o acne desapareça estarão prontas para novo transplante - ouviu a Harry dizer amavelmente a o Filch . - E depois de isso , não demorará muito até podermos cortá as e estufá as . - Vai ter Mrs._Norris de volta , muito em_breve . Talvez o herdeiro ou herdeira de Slytherin tenha perdido a coragem , pensou Harry . Deve ser cada_vez_mais arriscado abrir a Câmara_dos_Segredos com a escola tão alerta e desconfiada . Talvez o monstro , qualquer_que_fosse , estivesse a preparar se para hibernar durante outros cinquenta anos . Ernie_Mcmillan_dos_Hufilepuff não aceitou esta visão optimista . Continuava convencido de que Harry era o culpado , que se tinha traído em o clube de os duelos . Peeves não ajudava nada : continuava a cantar por os corredores Potter , * seu bandido * ... agora acompanhado de um esquema de dança . Gilderoy_Lockhart parecia pensar que fora ele quem pusera fim a os ataques . Harry fartou se de o ouvir dizer isso a a professora Mc_Gonagall enquanto os Gryffindor formavam bicha para a aula de Transfiguração . - Não creio que volte a haver problemas , Minerva - disse , tocando em o nariz com ar conhecedor e piscando o olho . - Acho que desta_vez a câmara foi definitivamente selada . O culpado deve ter sabido que era uma questão de tempo até eu o apanhar e que era mais sensato parar agora antes que eu lhe tratasse de a saúde . Sabe , a escola está a precisar de um intensificador de animo para apagar as lembranças de o último período . Não vou dizer lhe mais_nada , por enquanto , mas julgo que sei o que ... Voltou a tocar em o nariz e afastou se a passos largos . A ideia de Lockhart de um intensificador de ânimo ficou bastante clara em o dia_14_de_Fevereiro , a o pequeno-almoço . Harry não dormira grande coisa devido a o treino de Quidditch em a noite anterior e chegou a o salão um_pouco atrasado . Pensou , por momentos , que se tinha enganado em a porta . As paredes estavam todas cobertas com enormes e medonhas flores cor-de-rosa . Pior ainda , * confettis * em forma de corações caíam de o tecto azul pálido . Harry dirigiu se a a mesa de os Gryffindor onde o Ron estava sentado com um ar enjoado junto de Hermione que parecia particularmente risonha . - O que se passa ? - perguntou lhes , sentando se e sacudindo os * confettis * de o seu bacon . Ron apontou para a mesa de os professores , com um ar demasiado repugnado para falar . Lockhart , em as suas vestes rosa vivo , a condizer com a decoração de o salão , fazia sinal para que se calassem . Os professores que o ladeavam tinham um ar estupefacto . De o seu lugar , Harry podia ver um músculo mover se em a bochecha de a professora Mc_Gonagall . Snape estava com ar de quem tomou uma imensa dose de xarope * skele-gro * . - Feliz dia de S._Valentim - gritou Lockhart . - E permitam me que agradeça a as quarenta_e_seis pessoas que até agora me enviaram cartões . Sim , fui eu quem tomou a liberdade de vos fazer esta pequena surpresa , e ela não acaba aqui ! Lockhart bateu as palmas e por as portas de o * hall * entraram a marchar cerca de uma_dúzia de duendes de aspecto carrancudo . Não eram uns duendes quaisquer , diga se de passagem . Lockhart fizera os usar asas douradas e transportar harpas . - Os meus amigos cupidos , portadores de os cartões ! gritou Lockhart . - Eles vão andar por a escola durante o dia de hoje , entregando os vossos cartões de S._Valentim . E o divertimento não acaba aqui . Tenho a certeza de que os meus colegas vão querer participar em este espírito de festa . Porque não pedir a o professor Snape que vos mostre como preparar rapidamente uma poção de amor . E , enquanto ele a prepara , está aqui o professor Flitwick que é de todos os feiticeiros que conheci aquele que mais sabe de encantamentos de sedução , o grande safado ! O professor Flitwick enterrou o rosto em as mãos . Snape olhava como_se quisesse dar veneno a a primeira pessoa que fosse pedir lhe a poção de o amor . - Por favor , Hermione , diz me que não foste uma de as quarenta_e_seis - pediu Ron quando saíram de o salão para a primeira aula . Mas Hermione ficou subitamente muito interessada em procurar o horário dentro de a mala e não lhe respondeu . Durante todo o dia os duendes não pararam de se intrometer em as aulas para entregar cartões , para grande aborrecimento de os professores e , ao_fim_da_tarde , quando os Gryffindor subiam as escadas para a aula de encantamentos , um de eles avistou o Harry . - Hei , tu , Harry_Potter ! - gritou um duende de aspecto particularmente lúgubre , dando cotoveladas a_toda_a gente para se aproximar de o Harry . Coradíssimo com a ideia de receber um cartão de S._Valentim diante_de uma fila de alunos de o primeiro ano que , por acaso , incluía Ginny_Weasley , Harry tentou escapar se . Mas o duende cortou lhe o caminho através de a multidão e agarrou o em três tempos . - Tenho uma mensagem musical para entregar a Harry_Potter em pessoa - disse , tangendo a harpa de forma ameaçadora . - Aqui não - disse baixinho o Harry , tentando escapar . - Fica quieto - grunhiu o duende , agarrando o saco de o Harry e puxando com força . - Larga me - disse ele rispidamente , dando um puxão . Com um ruído de tecido a rasgar se , o saco dividiu se em dois . Os livros de Harry , varinha , pergaminho e pena espalharam se por o chão enquanto o tinteiro se partia em cima de as outras coisas . Harry pôs se de gatas , tentando apanhar tudo antes que o duende começasse a cantar , provocando um engarrafamento em o corredor . - O que se passa aqui ? - perguntou a voz fria e afectada de Draco_Malfoy . Harry , nervosíssimo , começou a guardar tudo dentro de o saco rasgado , desesperado para sair de ali antes que Malfoy pudesse ouvir o seu S._Valentim musical . - Que confusão é esta ? - disse outra voz familiar . Percy_Weasley tinha chegado . De cabeça perdida , Harry tentou fugir , mas o duende agarrou o por os joelhos e fê lo cair a o chão . - Certo - disse , sentando se em os tornozelos de Harry . Eis o teu cartão musical : * _ Os olhos de ele são verdes como o sapo de o quintal * _ O seu cabelo é escuro como um temporal * _ É um desatino , oh ! ele é divino ! * _ O herói que venceu o Senhor_do_Mal * . Harry teria dado todo o ouro de Gringotts para se evaporar em aquele momento . Tentando corajosamente rir se com todos os outros , levantou se . Sentia os pés dormentes de o peso de o duende . Enquanto isso , Percy_Weasley fazia todos os possíveis por dispersar a multidão onde havia gente que chorava de hilaridade . - Vamos embora , vamos embora , a campainha tocou há cinco minutos para as aulas - dizia , enxotando alguns de os alunos mais novos . - E tu , Malfoy . Harry olhou e viu Malfoy inclinar se , apanhar qualquer coisa e com um olhar maldoso mostrá a a Crabbe e Goyle . Percebeu que era o diário de Riddle . - Dá cá isso - exigiu com toda_a calma . - O que será que o Potter escreveu aqui ? - disse Malfoy que obviamente não reparara em a data e pensou que tinha em as mãos o diário de o Harry . Houve uma agitação em os presentes . Ginny olhava apavorada para o diário e para Harry . - Dá lhe isso , Malfoy - disse Percy com firmeza . - Depois de dar uma vista de olhos - retorquiu Malfoy , acenando a Harry com o diário de forma provocatória . Percy disse : - Como Prefeito de a escola ... - mas Harry perdera a paciência . Pegou em a varinha e gritou * _ Expelliarmus * e assim_como Snape desarmara Lockhart , MalLoy viu o diário saltar lhe de as mãos e elevar se em o ar enquanto Ron o apanhava sorridente . - Harry - disse Percy levantando a voz . - Não quero magia em os corredores . Vou ter de participar isto , sabes perfeitamente . Mas Harry não se importou . Tinha ganho uma_vez a Malfoy e isso valia bem cinco pontos a menos para os Gryffindor . Malfoy estava furioso e quando a Ginny passou por ele a caminho de a sala de aula , gritou lhe com desprezo : - Não creio que o Potter tenha gostado lá muito de o teu cartão de S._Valentim . Ginny tapou a cara e correu para a aula . Aborrecido , Ron pegou também em a varinha , mas Harry afastou o . Era melhor que ele não passasse a aula de encantamentos a vomitar lesmas . Só quando entraram em a sala de aula de o professor Flitwick é_que Harry reparou em uma coisa bastante estranha em o diário de Riddle . Todos os outros livros estavam cheios de tinta vermelha , mas o diário mantinha se tão limpo como antes de o tinteiro se ter entornado em cima de ele . Tentou chamar a atenção de Ron para este facto , mas ele estava novamente a ter um problema com a varinha : de a extremidade saíam grandes bolhas roxas e ele não parecia interessado em mais_nada . Em essa noite , Harry foi deitar se antes de os outros companheiros de dormitório , em parte porque já não conseguia suportar o Fred e o George a cantarem * _ Os seus olhos são verdes como o sapo de o quintal * e em parte porque queria voltar a examinar o diário de Riddle e sabia que em a opinião de o Ron era uma pura perda de tempo . Sentou se em a cama de dossel e folheou as páginas em branco em as quais não se via uma única mancha de tinta escarlate . Tirou então outro tinteiro de o armário a o lado de a cama , molhou a pena e deixou cair um borrão em a primeira página de o diário . A tinta brilhou em o papel durante um segundo e , em seguida , como_se a página a tivesse sugado , desapareceu sem deixar rasto . Depois , finalmente , algo aconteceu . Deslizando sobre a página em a cor de a sua tinta , surgiram palavras que Harry não escrevera . - * _ Olá_Harry_Potter . O meu nome é Tom_Riddle . Como é_que encontraste o meu diário ? * Também estas palavras desapareceram , mas não sem que Harry tivesse respondido . - Alguém tentou lançá o em uma sanita . Esperou ansiosamente por a resposta de Riddle . - * _ Felizmente guardei as minhas memórias de uma forma mais duradoura do_que a tinta . Mas sempre soube que haveria quem não iria querer que o diário fosse lido . * - O que queres dizer com isso ? - escrevinhou Harry , borrando a página com o nervosismo . - * _ Quero dizer que este diário contém memórias de coisas terríveis . Coisas que foram abafadas . Coisas que aconteceram em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . * - É onde eu estou agora - escreveu Harry rapidamente . - Estou em Hogwarts e estão a acontecer coisas horríveis . Sabes alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? O coração parecia querer saltar lhe de o peito . A resposta de Riddle não se fez esperar , a letra tornara se mais desordenada como_se tivesse pressa em contar lhe tudo_o_que sabia . - * _ É claro que sei de a Câmara_dos_Segredos . Em o meu tempo diziam nos que era uma lenda , que não existia , mas era mentira . Quando eu estava em o quinto ano a Câmara_dos_Segredos foi aberta e o monstro atacou vários estudantes , acabando matar um . Eu apanhei a pessoa que abriu a câmara e ele foi expulso . Mas o director , o professor Dippet , envergonhado por uma coisa de aquelas ter acontecido em Hogwarts , proibiu me de contar a verdade . Foi divulgada uma história dizendo que a rapariga morrera de um acidente extravagante . Deram me um troféu brilhante com o meu nome gravado e avisaram me para ficar calado . Mas eu sabia que ia voltar a acontecer . O monstro sobreviveu e aquele que tinha o poder para o libertar não foi para a prisão . * Harry quase entornou o tinteiro em a pressa de responder . - Está a acontecer outra_vez . Houve três ataques e ninguém parece saber quem está por_detrás_de tudo_isto . Quem foi de a última vez ? - * _ Posso mostrar te , se quiseres * - foi a resposta de o Riddle . - * _ Não tens de acreditar só em a minha palavra . Posso levar te a o fundo de a minha memória de a noite em que o apanhei . * Harry hesitou com a pena em o ar sobre o diário . O que quereria ele dizer ? Como poderia entrar em a memória de outra pessoa ? Olhou inquieto para a porta de o dormitório que começava a ficar escuro . Quando pôs de_novo os olhos em o diário viu as palavras que se formavam . - * _ Deixa-me mostrar te . * Harry parou durante uma fracção de segundo e depois escreveu duas letras . - O. _ K._As páginas de o diário começaram a esvoaçar como_se tivessem sido apanhadas em uma ventania , parando a meio de o mês_de_Junho . Boquiaberto , Harry viu que o quadradinho de 13_de_Junho se transformara em um pequeno ecrã de televisão . Com as mãos ligeiramente trémulas levantou o livro para encostar os olhos a a janelinha e antes de perceber o que estava a passar se , deu consigo inclinado para a frente com a janela a abrir se . O corpo abandonava a cama e era lançado de cabeça , por a abertura de a página , em um turbilhão de cor e sombras . Sentiu os pés tocarem em terra firme e pôs se de pé a tremer enquanto as formas desfocadas se tornavam subitamente nítidas . Soube imediatamente onde estava . Aquela sala circular com os retratos adormecidos era o escritório de Dumbledore , mas não era Dumbledore quem estava atrás de a secretária . Um feiticeiro mirrado , de aspecto débil e quase careca lia uma carta a a luz de as velas . Harry nunca vira aquele homem antes . - Desculpe - disse com a voz a tremer . - Eu não queria intrometer me ... Mas o feiticeiro não olhou . Continuou a ler , franzindo levemente as sobrancelhas . Harry aproximou se de a secretária e gaguejou : - Er ... eu vou me embora , está bem ? E o feiticeiro continuou a ignorá o . Parecia nem_sequer ter ouvido . Pensando que talvez ele fosse surdo , Harry falou mais alto . - Desculpe tê o incomodado - disse quase a gritar . O feiticeiro dobrou a carta com um suspiro . Pôs se de pé , passou por Harry sem olhar para ele e foi abrir os cortinados de a janela . O céu , lá fora , estava vermelho-rubi . Devia ser o pôr de o Sol . O feiticeiro voltou para a secretária , sentou se e girou os polegares , olhando para a porta . Harry olhou em volta . Não viu Fawkes , a fénix , nem as engenhocas prateadas que sibilavam . Aquela Hogwarts era a que Riddle conhecera e , portanto , aquele feiticeiro desconhecido era o director de então , não Dumbledore e ele , Harry , era pouco mais que um fantasma , totalmente invisível a as pessoas de há cinquenta anos atrás . Alguém bateu a a porta . - Entre - disse o velho feiticeiro , em uma voz fraca . Um rapazinho de dezasseis anos entrou , tirando o chapéu pontiagudo . Em o seu peito brilhava um distintivo prateado de prefeito . Era muito mais alto do_que Harry , mas tinha , tal_como ele , cabelo preto asa de corvo . - Ah ! Riddle - disse o director . - Queria falar comigo , professor Dippet ? - perguntou ele com ar nervoso . - Senta te - disse Dippet . - Tenho estado a ler a carta que me mandaste . - Oh ! - exclamou Riddle , sentando se e apertando as mãos uma contra a outra . - Meu rapaz - disse Dippet amavelmente . - Eu não posso deixar te ficar em a escola durante o Verão . Com certeza queres ir para_casa em as férias ? - Não - respondeu Riddle , sem perder tempo . - Prefiro mil vezes ficar em Hogwarts a ter de voltar a aquela ... aquela ... - Tu vives em um orfanato de Muggles durante as férias , não é assim ? - perguntou Dippet com curiosidade . - Sim senhor - disse Riddle , corando um_pouco . - És filho de Muggles ? - Meio sangue , professor - explicou Riddle . - Pai_Muggle , mãe bruxa . - E o teu pai e a tua mãe ... - A minha mãe morreu pouco depois de eu nascer , professor , contaram me em o orfanato que só teve tempo de me dar o nome : Tom , como o meu pai , Marvolo como o meu avô . Dippet estalou a língua solidariamente . - O que acontece , Tom - suspirou - é_que ... podia ter se arranjado uma situação especial para ti , mas em as circunstâncias actuais ... - Refere se a os ataques , professor ? - perguntou Riddle e o coração de Harry deu um salto , aproximando se com medo de perder alguma coisa . - Precisamente - disse o director . - Meu rapaz , compreendes que seria uma imprudência de a minha parte deixar te ficar em o castelo quando o período acabar , principalmente a a luz de a recente tragédia ... a morte de aquela pobre moça ... estarás sem dúvida em maior segurança em o orfanato . Em a verdade , o ministro de a magia até fala em fechar a escola . Não estamos nada perto_de localizar ... er ... a fonte de toda esta história desagradável . Os olhos de Riddle tinham se aberto mais . - Professor , se essa pessoa fosse apanhada ... se tudo acabasse . . . - Que queres dizer com isso ? - perguntou Dippet com voz aguda , endireitando se em a cadeira . - Riddle , tu sabes alguma coisa sobre estes ataques ? - Não senhor - respondeu ele de imediato . Mas Harry sabia que era o mesmo tipo de « não » que ele dissera a Dumbledore . Dippet afundou se de_novo com um ar de profundo desapontamento . - Podes ir , Tom . Riddle esgueirou se de a cadeira e saiu de a sala . Harry seguiu o . Desceram por a escada em espiral , saindo junto de a gárgula em o corredor que escurecia . Riddle parou e Harry fez o mesmo , olhando para ele . Quase podia apostar que ele pensava seriamente em alguma coisa . Mordia o lábio e tinha as sobrancelhas franzidas . A certa altura , como_se tivesse acabado de tomar uma decisão , começou a andar mais depressa com Harry a segui o ruidosamente . Não viram mais ninguém , a não ser quando chegaram a o * hall * de entrada onde um feiticeiro alto de longos cabelos ruivos e barba chamou Riddle de a escadaria de mármore . - O que andas a fazer por aqui tão tarde , Tom ? Harry olhou para o feiticeiro . Não era outro senão Dumbledore com cinquenta anos a menos . - Tive de ir falar com o director - justificou se Riddle . - Bem , agora vai depressa para a cama - disse Dumbledore , olhando Riddle com aquele olhar penetrante que Harry conhecia tão bem . - É melhor não andar a passear por os corredores em os dias que correm , pelo_menos até ... Suspirou profundamente , deu as boas-noites a o Riddle e foi se embora . Riddle viu o desaparecer e , sem perder tempo , desceu os degraus de pedra até a os calabouços com Harry em a peugada . Mas para seu grande desconsolo , Riddle não o conduziu a nenhum corredor ou túnel secreto e sim a o calabouço onde ele costumava ter aulas de poções com o Snape . As tochas não tinham sido acesas e quando Riddle empurrou a porta quase fechada , Harry só conseguiu vê o a ele , de pé , quieto junto de a porta , olhando para o corredor . Pareceu a Harry que ficaram ali quase uma hora . Tudo_o_que via era a silhueta de Riddle junto de a porta , olhando fixamente através de a greta , a a espera . Como_se fosse uma estátua . E quando Harry tinha abandonado todas_as expectativas e começava a desejar voltar a o presente , ouviu alguma coisa que se movia atrás de a porta . Alguém avançava lentamente por o corredor . Ouviu a pessoa , quem quer que fosse , passar por o calabouço onde ele e Riddle estavam escondidos . Riddle , silencioso como uma sombra , esgueirou se por a porta e seguiu o com Harry em bicos de pés atrás de ele , esquecido de que podia fazer barulho a a vontade porque ninguém o ouvia . Durante cerca de cinco minutos seguiram lhe os passos até que Riddle parou repentinamente com a cabeça inclinada em a direcção de novos ruídos . Harry ouviu uma porta a abrir se e em seguida alguém falou em um murmúrio rouco . - Vá lá , temos que sair de aqui ... vá lá , dentro de a caixa ... Havia algo de familiar em aquela voz . Riddle deu subitamente uma volta e Harry seguiu o . Podia ver a silhueta escura de um rapaz enorme que estava inclinado em frente de a porta aberta , com uma grande caixa a o lado . - Boa noite , Rubeus - disse Riddle secamente . O rapaz fechou a porta e pôs se de pé . - O que estás a fazer aqui , Tom ? Riddle aproximou se . - Acabou se - disse . - Vou ter de entregar te , Rubeus . Falam em fechar Hogwarts se os ataques não terminarem . - O que é_que tu ... ? - Eu acho que tu não quiseste matar ninguém , mas os monstros não são os melhores animais domésticos . Tu só quiseste deixá o sair para andar um_pouco e ... - Ele não matou ninguém - disse o rapaz grande , recuando contra a porta fechada . Lá de dentro vinham uns estranhos roncos e rugidos . - Vamos , Rubeus - disse Riddle , aproximando se mais ainda . - Os pais de a rapariga que morreu estarão aqui amanhã . O mínimo que Hogwarts pode fazer é assegurar lhes que aquilo que matou a filha de eles foi abatido ... - Não foi ele - gemeu o rapaz cuja voz ecoou em o corredor escuro . - Ele não faria isso ... ele nunca ... - Afasta te - disse Riddle , pegando em a varinha . O encantamento iluminou o corredor com uma luz brilhante . A porta atrás de o rapaz grande abriu se de par em par com tanta força que o atirou contra a parede . E de lá de dentro saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito que ninguém mais ouviu a não ser ele próprio . Tinha um corpo imenso , magro e peludo e um emaranhado de pernas pretas , a cintilação de muitos olhos e um par de tenazes afiadas . Riddle levantou de_novo a varinha , mas era tarde de mais . A coisa deixara o atarantado e corria apressadamente , precipitando se por o corredor e desaparecendo . Riddle pôs se de pé , olhou a a procura de o monstro , levantou a varinha , mas o rapaz grande saltou sobre ele , tirou lhe a varinha de as mãos e lançou o a o chão , gritando : - Naaaaaão ! A cena rodopiou . A escuridão tornou se total . Harry sentiu se a cair e com um embate aterrou como uma águia de patas e asas abertas em a sua cama de dossel , em o dormitório de os Gryffindor , o diário de Riddle aberto sobre o estômago . Antes de ter tido tempo de normalizar a respiração , a porta de o dormitório abriu se e o Ron entrou . - Aí estás tu - disse . Harry sentou se . Transpirava e tremia . - O que se passa ? - perguntou Ron , olhando aflito para ele . - Foi o Hagrid , Ron . O Hagrid abriu a Câmara_dos_Segredos há cinquenta anos atrás . XIV_Cornelius_Fudge_Harry , Ron e Hermione sabiam há muito_tempo que Hagrid tinha uma triste predilecção por criaturas grandes e monstruosas . Em o primeiro ano que passaram em Hogwarts , ele tentara criar um dragão em a sua pequena cabana de madeira e levaram muito_tempo a esquecer o gigantesco cão de três cabeças que ele baptizara de « fofinho » . E se , em rapaz , Hagrid tinha ouvido dizer que havia um monstro escondido em o castelo , Harry tinha a certeza que ele teria feito os impossíveis por descobri o . Provavelmente achou que era uma injustiça o monstro estar fechado tanto tempo e pensou que ele merecia a oportunidade de esticar as suas muitas pernas . Harry imaginava perfeitamente o Hagrid a os treze anos a tentar pôr uma coleira e uma trela a o monstro . Mas tinha igualmente a certeza de que ele nunca teria querido matar ninguém . De certo modo , Harry desejava não ter descoberto como utilizar o diário de Riddle . Ron e Hermione fizeram o contar repetidas vezes o que vira até ele ficar farto de repetir o mesmo e farto de a conversa circular que se seguia . - O Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse , de essa vez , Hermione . - O monstro que atacava as pessoas podia ser outro .... - Quantos monstros achas tu que pode haver em este lugar ? - perguntou o Ron aborrecido . - Sempre soubemos que o Hagrid tinha sido expulso - disse Harry tristemente - E os ataques devem ter terminado quando ele foi expulso . Se não fosse assim , Riddle não teria recebido um prémio . Ron tentou um caminho diferente . - O Riddle parece o Percy , quem lhe pediu afinal que deitasse abaixo o Hagrid ? - Mas o monstro tinha morto uma pessoa , Ron - insistiu Hermione . - E o Riddle ia ter de voltar para um orfanato Muggle se Hogwarts fosse fechada - disse Harry . - Não posso culpá o por querer ficar aqui ... Ron mordeu o lábio e a seguir sugeriu : - Tu encontraste o Hagrid em a Rua * _ Bativolta * , não foi ? - Ele estava a comprar repelente para lesmas - disse Harry rapidamente . Ficaram os três em silêncio . Depois de uma longa pausa , Hermione , em uma voz hesitante , formulou a pergunta mais complicada de todas : - Não acham que devíamos ir ter com ele e perguntar lhe ? - Essa seria uma visita simpática - disse o Ron . - Olá , Hagrid , diz nos uma coisa , soltaste por acaso alguma coisa louca e peluda por o castelo em estes últimos tempos ? Por fim , decidiram não dizer nada a o Hagrid a_não_ser_que houvesse outro ataque e à_medida_que passava mais tempo sem murmúrios de a voz sem corpo começaram a acreditar , esperançosos , que nunca mais teriam de falar sobre o motivo por_que fora expulso . Tinham passado já quase quatro meses desde o dia em que o Justin e o Nick quase sem cabeça tinham sido petrificados e quase toda_a_gente parecia pensar que o atacante , quem quer que ele fosse , se retirara para sempre . Peeves fartara se de a sua canção * _ Oh_Potter , seu bandido * , Ernie_Mcmillan pediu educadamente a o Harry , em a aula de herbologia , que lhe passasse um balde de cogumelos saltitantes e , em Março , várias mandrágoras deram uma festa ruidosa e roufenha em a estufa número três . A professora Sprout estava muito satisfeita . - Mal elas comecem a tentar mover se para os vasos umas de as outras , saberemos que estão maduras - disse ela a o Harry . - Nessa_altura poderemos reanimar aquelas pobres criaturas que estão em a ala hospitalar . Os alunos de o segundo ano tinham agora uma coisa nova em que pensar durante as férias de a Páscoa . Chegara a altura de escolherem as matérias de o terceiro ano , um assunto que Hermione , pelo_menos , tomou muito a sério . - Pode afectar todo o nosso futuro - disse a o Harry e a o Ron a o vê os ler cuidadosamente as listas de as novas matérias e pôr um V em frente de cada uma . - Eu só quero ver me livre de as poções - disse Harry . - Não podemos - explicou Ron tristemente . - Mantemos todas_as matérias antigas ou eu teria me livrado de a Defesa contra as artes negras . - Mas é muito importante - disse Hermione chocada . - Não de a maneira como Lockhart a dá - insistiu Ron . - Não aprendi nada até agora a não ser a nunca mais libertar duendes . Neville_Longbottom recebera cartas de todas_as bruxas e feiticeiros de a família , cada_um dando um conselho diferente sobre o que ele deveria escolher . Confuso e preocupado , sentou se a ler a lista de matérias , dando estalinhos com a língua e perguntando a as pessoas se achavam que a aritmancia seria mais difícil do_que o estudo de as runas em a Antiguidade . Dean_Thomas que , tal_como Harry , fora criado com Muggles , acabou por fechar os olhos e atirar a varinha contra a lista , escolhendo as matérias onde ela aterrava . Hermione não pediu conselho a ninguém e inscreveu se em todas . Harry sorriu de si para consigo imaginando como seria uma conversa com o tio Vernon e com a tia Petúnia sobre a sua carreira em feitiçaria . Não que não tivesse tido orientação : Percy_Weasley estava ansioso por partilhar a sua experiência . - Tudo depende de o lugar para_onde queres ir , Harry - disse ele . - Nunca é cedo de mais para pensar em o futuro , por isso eu aconselho te a adivinhação . As pessoas dizem que os estudos de Muggles são uma opção leve mas eu , pessoalmente , acho que os feiticeiros deveriam ter uma compreensão profunda de a comunidade não mágica , muito especialmente se pensarem em trabalhar em íntimo contacto com eles . Vê o meu pai que tem de lidar com assuntos de os Muggles a_toda_a hora . O meu irmão Charles foi sempre mais um tipo de o exterior , por isso foi para o Centro_de_Cuidados com as Criaturas_Mágicas . Segue os teus sentimentos , Harry . Mas a única coisa em que Harry sentia que era mesmo bom era o Quidditch . Por fim , acabou por escolher as mesmas matérias que o Ron escolhera , pensando que se fosse péssimo em elas pelo_menos tinha alguém amigo para o ajudar . O próximo jogo de Quidditch_dos_Gryffindor era contra os Hufflepuff . Wood insistia em treinos de equipa todas_as noites depois de jantar , por isso Harry não tinha tempo para mais_nada a não ser para o Quidditch e para os trabalhos de casa . Mas as sessões de treino estavam a melhorar ou pelo_menos estavam mais secas e em a véspera de o jogo de sábado ele foi a o dormitório guardar a vassoura , sentindo que as hipóteses de os Gryffindor ganharem a taça de Quidditch nunca tinham sido tão boas . Mas a sua boa disposição não durou muito . Em o cimo de as escadas que levavam a o dormitório encontrou o Neville_Longbottom nervosíssimo . - Harry , não sei quem fez aquilo , eu fui encontrar ... Olhando receoso para Harry , Neville empurrou a porta . O conteúdo de a mala de Harry fora espalhado por toda_a divisão . O seu manto estava em o chão rasgado . A roupa de cama tinha sido puxada de a cama de dossel e a gaveta de o armário que se encontrava a a cabeceira de a cama fora arrancada , estando o seu conteúdo espalhado sobre o colchão . Harry aproximou se de a cama boquiaberto , pisando algumas páginas soltas de * _ Viagens com Duendes * . Quando ele e Neville estavam a puxar os cobertores para_cima , entraram o Ron e o Dean_Seamas . Dean praguejou alto . - O que é isto , Harry ? - Não faço ideia - disse ele . Mas o Ron estava a examinar as vestes de Harry e todos os bolsos estavam de o avesso . - Alguém andou a a procura de qualquer coisa - disse o Ron . - Dás por falta de alguma coisa ? Harry começou a apanhar o que estava caído , lançando tudo dentro de a mala . Só quando atirou o último livro de Lockhart é_que se apercebeu do_que faltava . - O diário de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a o Ron . - O quê ? Harry fez lhe sinal em direcção a a porta de o dormitório e apressaram se a chegar a a sala comum de os Gryffindor que estava quase vazia e onde foram encontrar Hermione sozinha a ler * _ As_Runas_Antigas a o Alcance_de_Todos * . Hermione ficou aterrada com as notícias . - Mas ... só um Gryffindor podia tê o roubado ... ninguém mais conhece a nossa senha ... - Exactamente - disse Harry . Acordaram em o dia seguinte com um sol brilhante e uma brisa agradável . - Condições ideais para o Quidditch ! - exclamou Wood , cheio de entusiasmo , a a mesa de os Gryffindor , enchendo os pratos de os elementos de a sua equipa de ovos mexidos . - Harry , anima te , precisas de um pequeno-almoço decente . Harry tinha estado a olhar para a mesa cheia de alunos de os Gryffindor , perguntando a si próprio se o novo dono de o diário de Riddle estaria ali mesmo em frente de os seus olhos . Hermione insistira para que ele participasse o roubo mas ele não gostou de a ideia . Teria de contar a um professor tudo sobre o diário , e quantas pessoas saberiam o motivo por_que Hagrid fora expulso há cinquenta anos ? Não queria ser ele a fazer com que relembrassem tudo aquilo . Quando saiu de o salão com o Ron e a Hermione para ir buscar o material de Quidditch , outra preocupação viera juntar se a a sua lista cada_vez maior . Tinha acabado de pisar os degraus de a escadaria de mármore quando ouviu de_novo a voz : - * _ Matar desta_vez ... deixem me rasgar ... romper * ... Deu um grito e Ron e Hermione saltaram alarmados . - A voz - disse Harry , olhando por cima de os ombros de eles . - Acabo de a ouvir de_novo , vocês não ouviram nada ? Ron abanou a cabeça de olhos muito abertos Mas_Hermione bateu com a mão em a testa . - Harry , acho que percebi uma coisa . Tenho que ir a a biblioteca . E disparou a correr por as escadas acima . - O que é_que ela percebeu ? - disse Harry distraidamente , ainda a olhar em volta , tentando determinar de onde vinha a voz . - Mas porque teve ela que ir a a biblioteca ? - Porque a Hermione é assim - disse o Ron , encolhendo os ombros - Quando tem uma dúvida , vai a a biblioteca . Harry manteve se hesitante , tentando captar novamente a voz mas as pessoas começavam a sair de o salão , falando alto , passando por a porta principal e encaminhando se para o estádio de Quidditch . - É melhor ires indo - aconselhou Ron . - São quase onze horas , olha o jogo . Harry deu uma corrida até a a torre de os Gryffindor , pegou em a sua Nimbus dois_mil e juntou se a a vasta multidão que enchia os campos , mas o seu pensamento estava ainda em o castelo , em aquela voz sem corpo e quando pôs as roupas vermelhas , o seu único conforto foi pensar que estavam todos lá fora para assistir a o jogo . As equipas entraram em campo a o som de um tumulto de aplausos . Oliver_Wood fez um voo de aquecimento em volta de os postes , Madam_Hooch soltou as bolas . Os Hufflepuff que tinham fatos amarelo-canário estavam reunidos em grupo em uma discussão de última hora sobre as tácticas . Harry subia para a vassoura quando a professora Mc_Gonagall atravessou o campo , meio a andar , meio a correr , transportando um enorme megafone roxo . O coração de Harry caiu lhe a os pés . - Este jogo foi cancelado - gritou por o megafone a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a o estádio apinhado . Ouviram se Uuuus e assobios . Oliver_Wood , com um ar infelicíssimo , aterrou e correu para a professora McGonagall sem sair de a vassoura . - Mas , professora - gritou - temos de jogar ... a taça ... os Gryffindor ... A professora Mc_Gonagall ignorou o e continuou a gritar por o megafone . - Pede se a os estudantes que regressem a as salas comuns de as respectivas equipas onde os chefes de equipa lhes darão mais informações . O mais depressa possível , se fazem favor ! Em seguida , baixou o megafone e fez sinal a o Harry para que se aproximasse . - Potter , é melhor vires comigo ... Perguntando a si próprio que suspeita poderia ela ter contra ele , desta_vez , Harry viu Ron desligar se de a multidão discordante e vir a correr juntar se lhes , enquanto eles se dirigiam para o castelo . Para sua grande surpresa Mc_Gonagall não pôs qualquer objecção . - Sim , talvez seja melhor vires também , Weasley . Alguns de os estudantes que os rodeavam reclamavam por o jogo ter sido cancelado , outros tinham um ar preocupado . Harry e Ron seguiram a professora Mc_Gonagall de volta a a escola e através de a escadaria de pedra . Mas desta_vez não foram levados a nenhum escritório . - Isto vai chocar vos um_pouco - disse a professora Mc_Gonagall em um tom de voz surpreendentemente suave quando estavam a aproximar se de a ala hospitalar . - Houve outro ataque ... outro ataque duplo . As vísceras de o Harry deram um salto mortal . A professora Mc_Gonagall abriu a porta e ele e Ron entraram . Madam_Pomfrey estava inclinada sobre uma rapariga de o quinto ano de cabelos longos a os caracóis que Harry reconheceu como sendo a colega de os Ravenclaw a quem , por engano , tinham perguntado o caminho para a sala comum de os Slytherin . E , em a cama a o lado de ela , estava ... - Hermione - gemeu o Ron . Hermione jazia totalmente quieta , os olhos abertos e vítreos . - Foram encontradas perto de a biblioteca - disse a professora Mc_Gonagall . - Calculo que nenhum de vocês possa explicar isto ? Estava em o chão , junto de ela . A professora tinha em as mãos um pequeno espelho redondo . Harry e Ron acenaram negativamente com as cabeças , ambos com os olhos fixos em Hermione . - Eu acompanho vos a a torre de os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall pesadamente . - De qualquer modo tenho de falar com os alunos . - Os alunos regressarão a as salas comuns de as respectivas equipas , todos_os_dias , a as seis_horas_da_tarde . Nenhum aluno deverá sair de os dormitórios depois de isso . Serão escoltados até a as aulas por um professor . Nenhum aluno deverá ir a a casa_de_banho sem um professor a acompanhá o . Todos os treinos e jogos de Quidditch estão suspensos a_partir_de agora . Não haverá mais actividades nocturnas . Os Gryffindor , que enchiam a sala comum , ouviram em silêncio a professora Mc_Gonagall . Ela enrolou o pergaminho que acabara de ler e disse em uma voz algo chocada : - Não é preciso acrescentar que nunca me senti tão desolada . É provável que a escola seja encerrada se não for apanhado o culpado de todos estes ataques . Quero pedir que se algum de vocês achar que sabe alguma coisa sobre eles venha imediatamente ter comigo . Mal ela subiu , de forma um_pouco desastrada , por o buraco de o retrato , os Gryffindor começaram logo a falar . - São dois Gryffindor a menos , sem contar com o fantasma de os Gryffindor , um Ravenclaw e um Hufflepuff - disse o amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , contando por os dedos . - Não terá nenhum de os professores reparado que os Slytherin estão a salvo ? Será que não é óbvio que tudo_isto vem de eles ? O herdeiro de Slytherin , o monstro de Slytherin , porque não expulsam todos os Slytherin ? - resmungou , recebendo acenos e aplausos de todos os lados . Percy_Weasley estava sentado em uma cadeira atrás_de Lee , mas por uma_vez não pareceu querer expor os seus pontos de vista . Estava pálido e aturdido . - O Percy está em estado de choque - disse o George baixinho a o Harry . - Aquela rapariga de os Ravenclaw , Penelope_Clearwater , é prefeita . Acho que ele nunca tinha pensado que o monstro pudesse atacar um prefeito . Mas Harry não estava a ouvi o com atenção . Não conseguia esquecer a imagem de Hermione deitada em a cama de o hospital , como_se estivesse esculpida em pedra . E se o culpado não fosse apanhado rapidamente tinha em a frente uma vida inteira com os Dursley . Tom_Riddle entregara o Hagrid porque fora confrontado com a possibilidade de um orfanato Muggle se a escola fechasse . Harry sabia exactamente o que ele sentira . - Que vamos nós fazer ? - disse lhe o Ron baixinho a o ouvido . - Achas que eles suspeitam de o Hagrid ? - Temos de falar com ele - disse Harry , tomando uma decisão . - Não acredito que tenha culpa desta_vez , mas se ele libertou o monstro há cinquenta anos , sabe com certeza como entrar em a Câmara_dos_Segredos , o que já é um princípio . - Mas a Gonagall disse que temos que ficar em a torre a_não_ser_que estejamos em as aulas ... - Eu acho - disse Harry ainda mais baixo - que chegou a altura de tirar outra_vez de a mala o manto de o meu pai . Harry herdara apenas uma coisa de o pai : o enorme manto prateado de a invisibilidade . Era a única maneira de poderem esgueirar se de a escola para fazer uma visita a o Hagrid , sem que ninguém de esse por isso . Deitaram se a a hora de o costume , esperaram que o Neville , o Dean e o Seamas adormecessem para se levantarem , vestirem se de_novo e taparem se com o manto . A viagem por os corredores de o castelo escuro e deserto não era nada agradável . Harry que vagueara por ali muitas_vezes durante a noite nunca vira tanta gente depois de o pôr de o Sol . Professores , prefeitos e fantasmas andavam por os corredores a os pares , olhando em volta , em busca de qualquer actividade fora de o habitual . O manto de a invisibilidade não impedia que fizessem barulho e houve um momento particularmente tenso em que o Ron deu uma topada a menos_de um metro de o lugar onde Snape se encontrava . Felizmente Snape espirrou em o preciso momento em que o Ron praguejava . Foi com grande alívio que chegaram a as portas de carvalho de a entrada principal . Estava uma noite clara e cheia de estrelas . Dirigiram se apressadamente para as janelas iluminadas de a casa de Hagrid e só tiraram o manto mesmo em frente de a porta . Poucos segundos depois de terem batido abriu se a porta . Ficaram frente_a_frente com Hagrid que lhes apontou uma besta enquanto Fang , o cão caçador de javalis , ladrava furiosamente atrás de ele . - Oh ! - disse , baixando a arma quando viu que eram eles . - O que estão vocês a fazer aqui ? - Para que é isso ? - perguntou Harry , apontando para a besta , enquanto entrava . - Nada , não é nada - murmurou Hagrid . - Tenho estado a a espera ... não tem importância , sentem se que eu vou fazer um chá . Dava a impressão de não saber o que fazia . Quase apagou a lareira , vertendo a água de a chaleira em o lume e em seguida esmagou o bule com um gesto de a sua mão maciça . - Estás bem , Hagrid ? - perguntou Harry . - Soubeste de a Hermione ? - Soube , sim - disse ele com um leve tremor em a voz . Continuava a olhar nervosamente para as janelas . Deu lhe os duas grandes canecas de água a ferver ( esquecera se de juntar o chá ) e estava a acabar de pôr em um prato uma fatia grossa de bolo de frutas quando alguém bateu energicamente a a porta . Hagrid deixou cair o bolo . Harry e Ron trocaram entre si olhares de pânico e , em seguida , cobriram se com o manto de a invisibilidade e esconderam se em um canto . Hagrid assegurou se de que eles estavam bem escondidos , pegou em a besta e abriu , mais_uma_vez , a porta . - Boa noite , Hagrid . Era_Dumbledore . Entrou com um ar muito sério , seguido de um homem bizarro . O estranho era um homenzinho pequenino , de porte majestoso com cabelos grisalhos desalinhados e uma expressão de ansiedade em o rosto . Usava uma inesperada mistura de roupas . Um fato a as riscas , uma gravata vermelho escarlate , um longo manto negro e umas botas roxas pontiagudas . Debaixo de o braço trazia um chapéu de coco verde lima . -- É o patrão de o meu pai - murmurou o Ron . Cornelius_Fudge , o ministro de a magia ! Harry deu lhe uma valente cotovelada para o fazer calar se . Hagrid tinha ficado suado e pálido . Deixou se cair em uma de as cadeiras e olhava de Dumbledore_para_Cornelius_Fudge . - Más notícias , Hagrid - disse Fudge em um tom bastante grave . - Muito más notícias . Tive de vir . Quatro ataques a filhos de Muggles , as coisas foram longe_de mais . O ministério tem que tomar uma atitude . - Eu nunca ... - disse Hagrid , parecendo implorar a Dumbledore . - O senhor sabe que eu nunca ... professor Dumbledore , o senhor ... - Quero que fique claro , Cornelius , que Hagrid tem a minha total confiança - afirmou Dumbledore , franzindo as sobrancelhas . - Olha , Albus - disse Fudge pouco a a vontade - a ficha de o Hagrid depõe contra ele . O ministério tem de fazer alguma coisa , o Conselho_Directivo de a escola tem se reunido ... - Mesmo_assim , Cornelius , devo dizer te mais_uma_vez que levar o Hagrid de aqui não vai ajudar em nada - afirmou Dumbledore com os olhos azuis com um fogo que Harry nunca vira antes . - Tenta compreender o meu ponto de vista - insistiu Fudge , brincando com o chapéu . - Estou a ser tremendamente pressionado , tenho de mostrar que faço alguma coisa . Se se provar que não foi o Hagrid , ele voltará e não se fala mais em o assunto . Mas tenho de levá o , tem de ser , não estaria a cumprir a minha obrigação se ... - Levar me ? - perguntou Hagrid a tremer . - Levar me para_onde ? - É uma pena curta - disse Fudge , sem o olhar em os olhos . - Não é um castigo , Hagrid , chamemos lhe antes uma precaução . Se mais alguém for apanhado , tu sais com todas_as nossas desculpas . - Não é para Azkaban ? - balbuciou Hagrid . Mas antes que Fudge tivesse tido tempo de responder , ouviu se bater mais_uma_vez a a porta . Dumbledore abriu . Foi a vez de Harry levar uma cotovelada em as costas : soltara um gemido audível . Mr._Lucius_Malfoy entrou em a cabana de o Hagrid embrulhado em uma longa capa preta de viagem , com um sorriso frio de satisfação . O Fang começou a rosnar . - Já está aqui , Fudge ? - disse de forma aprovadora . - Muito bem , muito bem ... - O que estás a fazer aqui ? - perguntou Hagrid furioso . - Sai imediatamente de a minha casa . - Meu bom homem , acredite que não tenho prazer nenhum em entrar em a sua ... er ... chamou lhe casa ? - disse Lucius_Malfoy , sorrindo sarcasticamente enquanto observava a pequena divisão . - Eu limitei me a ir a a escola e disseram me que o director estava aqui . - E o que queres de mim , Lucius ? - perguntou Dumbledore . O seu tom de voz era educado mas em os olhos azuis brilhava ainda o mesmo fogo . - Uma notícia horrível , Dumbledore - disse Mr._Malfoy de forma arrastada , pegando em um grande rolo de pergaminho . - Mas os membros de o conselho pensam que é altura de tu saíres . Isto_é uma ordem de suspensão , tens aí doze assinaturas . Lamento muito mas em a nossa opinião estás a perder a firmeza . Quantos ataques houve até agora ? Mais dois hoje a a tarde , não foi ? A este ritmo vão acabar todos os filhos de Muggles em Hogwarts e todos sabemos que seria uma terrível perda para a escola . - O que é isso , Lucius ? - protestou Fudge com ar alarmado . - O Dumbledore suspenso não ... não , seria a última coisa que desejaríamos em este momento ... - A nomeação ou suspensão , de o director é de a competência de os membros de o Conselho_Directivo , Fudge - disse suavemente Mr._Malfoy . - E como Dumbledore não foi capaz de pôr cobro a estes ataques ... - Oh ! Lucius , se Dumbledore não conseguiu - disse Fudge com o lábio superior a suar . - Quem irá conseguir ? - Isso está para se ver - disse Mr._Malfoy com um sorriso mesquinho . - Mas como os doze votamos ... Hagrid pôs se de pé em um salto , o cabelo preto hirsuto a roçar em o tecto . - E quantos tiveste de chantajar para concordarem contigo , Malfoy ? - Meu caro Hagrid , sabe que esse seu temperamento ainda acaba por lhe criar problemas um dia de estes - disse Mr._Malfoy . - Não o aconselho a gritar assim com os guardas de Azkaban . Eles não iriam gostar nada . - Não podes levar Dumbledore - gritou Hagrid , fazendo Fang , o cão caçador de javalis , agachar se e ganir em o seu cesto . - Sem ele , os filhos de os Muggles não têm qualquer hipótese . A seguir haverá mortes . - Acalma te , Hagrid - disse Dumbledore de forma cortante , olhando para Lucius_Malfoy . - Se os membros de o conselho querem substituir me , eu sairei , claro . - Mas - interrompeu Fudge . - Não - rosnou Hagrid . Dumbledore não tirara os seus olhos azuis brilhantes de os olhos cinzentos e frios de Lucius_Malfoy . - Contudo - disse , pronunciando cada palavra lenta e claramente para que nenhum de eles perdesse o seu sentido - verás que só deixarei verdadeiramente esta escola quando ninguém aqui me for leal . Descobrirás também que será sempre dada ajuda em Hogwarts a quem a pedir . Por um segundo , Harry teve quase a certeza de que os olhos de Dumbledore tremelaziram em direcção a o canto onde ele e Ron estavam escondidos . - Sentimentos admiráveis - disse Malfoy , fazendo uma vénia . - Todos nós vamos sentir a tua ... forma muito pessoal de fazer as coisas , Albus . Só espero que o teu sucessor consiga evitar qualquer ... crime . Dirigiu se a a porta de a cabana , abriu a e fez sinal a Dumbledore para que passasse a a sua frente . Fudge , mexendo nervosamente em o chapéu de coco , esperou que Hagrid fizesse o mesmo mas ele ficou quieto , respirou fundo e disse prudentemente : - Se alguém quiser descobrir alguma coisa , o que tem a fazer é seguir as aranhas . Elas indicarão o caminho , é tudo_o_que vos digo . Fudge olhou para ele espantado . - Está bem , eu vou - disse Hagrid , pegando em o seu sobretudo de pêlo de toupeira . Mas quando ia seguir o Fudge e sair por a porta , parou e disse em voz alta : - E alguém tem de dar de comer a o Fang enquanto eu não estiver cá . A porta fechou se ruidosamente e Ron tirou o manto de a invisibilidade . -- Estamos outra_vez em uma alhada - disse com voz rouca - Sem o Dumbledore podem fechar a escola já esta noite . Sem ele vai haver um ataque por dia . O Fang começou a ganir , arranhando a porta fechada . XV_Aragog_O_Verão insinuava se em os campos em volta de o castelo . O céu e o lago tinham se tornado de um azul-molusco e as flores , grandes como couves , começavam a florir em as estufas . Mas sem o Hagrid , que ele costumava avistar de o castelo , atravessando os campos com o Fang atrás , parecia a Harry que a paisagem não estava completa . Não era melhor dentro de o castelo onde tudo corria horrivelmente mal . O Harry e o Ron tinham tentado visitar a Hermione , mas as visitas a o hospital estavam proibidas . - Não vamos correr mais riscos - disse lhes Madam_Pomfrey com ar severo , através_de uma fresta de a porta de o hospital . Não , lamento , há muitas hipóteses de o atacante voltar para acabar de vez com estas pessoas ... Com Dumbledore longe , o medo espalhara se como nunca acontecera antes , de_tal_modo_que o sol que aquecia as paredes de o castelo por fora parecia parar junto de as janelas de pinázios . Não se via um único rosto em a escola que não andasse tenso e preocupado e qualquer gargalhada , em os corredores , se tornava incómoda e antinatural e era rapidamente abafada . Harry repetia constantemente , de si para consigo , as últimas palavras que ouvira a Dumbledore : - * _ Só terei verdadeiramente deixado esta escola quando ninguém me for leal ... será sempre dada ajuda , em Hogwarts , a quem a pedir * . Qual seria o significado exacto de aquelas palavras ? A quem deveria pedir ajuda quando todos estavam tão confusos assustados como ele ? A alusão de Hagrid a as aranhas era bastante mais fácil de entender . O problema era que parecia não ter restado uma única aranha em o castelo para eles a poderem seguir . Harry procurou por todo o lado com a ajuda relutante de o Ron . As coisas estavam dificultadas por o facto de não poderem andar sozinhos e terem de se deslocar em grupo dentro de o castelo , juntamente com outros Gryffindor . A maior parte de os alunos gostava de ser conduzida como carneiros de uma aula para a outra por os professores mas Harry achava horrível . Havia , contudo , uma pessoa que parecia apreciar aquela atmosfera de terror e suspeitas . Draco_Malfoy passeava empertigado por a escola como_se tivesse sido nomeado para chefe de turma . Harry só compreendeu o motivo de toda aquela boa disposição cerca de quinze_dias depois de Dumbledore e Hagrid se terem ido embora quando , em uma aula de poções , o ouviu falar com o Crabbe e o Goyle . - Sempre achei que seria o pai quem conseguiria livrar nos de o Dumbledore - disse sem a menor preocupação em baixar a voz . - Já vos disse , segundo ele , Dumbledore foi o pior director que a escola alguma vez teve . Talvez agora venha um director decente que não queira a Câmara_dos_Segredos fechada . A Mc_Gonagall não vai durar muito , está só a ... O Snape passou por Harry , sem fazer comentários a o caldeirão e a a cadeira vazia de Hermione . - Professor - disse Malfoy em voz alta . - Professor , porque não se candidata a o lugar de director ? - Ora , ora , Malfoy - respondeu Snape , sem conseguir esconder um meio sorriso . - O professor Dumbledore foi apenas suspenso por os membros de o conselho de direcção , certamente vai voltar um dia de estes . - Sim , claro - disse Malfoy com o seu sorriso escarninho . - Acho que se o professor quisesse candidatar se a o lugar teria o voto de o pai . Eu vou dizer lhe que o acho o melhor professor de a escola . Snape sorriu enquanto passeava de um lado para o outro em o calabouço , não tendo felizmente visto o Seamus_Finnigan que fingia vomitar para dentro de o caldeirão . - Estou espantado por ver que até agora os sangues de lama ainda não fizeram as malas e não desapareceram - prosseguiu Malfoy . - Aposto cinco galeões em como o próximo morre . Pena que não tenha sido a Granger ... A campainha tocou em esse momento o que foi uma sorte porque a o ouvir as últimas palavras de Malfoy , Ron deu um salto , mas em a barafunda de guardar os livros em os sacos , a sua tentativa de agarrar o Malfoy passou despercebida . - Deixem me - gritava o Ron enquanto o Harry e o Dean lhe agarravam os braços . - Não preciso de varinha , vou dar cabo de ele com as minhas mãos ... - Despachem se , tenho de conduzir vos a a aula de herbologia - praguejava o Snape acima de as cabeças de os alunos . E lá foram como cordeirinhos com Harry , Ron e Dean em a retaguarda , o Ron ainda a tentar libertar se . Só acharam seguro largá o quando Snape os deixou fora de o castelo e iniciaram o percurso por o meio de a horta em direcção a as estufas . A aula de herbologia estava reduzida . Tinha agora dois alunos a menos : Justin e Hermione . A professora Sprout pô os a trabalhar , podando as figueiras-da-abissínia . Harry foi despejar uma braçada de hastes secas em um monte de adubo e deu consigo cara a cara com Ernie_Mcmillan . Ernie respirou fundo . - Só quero dizer te , Harry que lamento ter suspeitado de ti . Sei que nunca atacarias a Hermione_Granger e peço te desculpa por todas_as coisas que disse . Estamos todos em o mesmo barco , agora e , bem ... Estendeu lhe uma mão rechonchuda que o Harry apertou . Ernie e a sua amiga Hannah foram trabalhar em a mesma figueira com o Harry e o Ron . - Aquele tipo , Draco_Malfoy - disse Ernie , partindo pequenos galhos - , parece muito satisfeito com isto tudo , não acham ? É bem possível que ele seja o herdeiro de Slytherin . - Uma observação inteligente de a tua parte - disse o Ron que parecia não ter desculpado Ernie tão facilmente como o Harry . - Acham que é ele ? - perguntou Ernie . - Não - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Hannah ficaram a olhar espantados . Um segundo depois , Harry avistou qualquer coisa que o levou a chamar a atenção de o Ron , batendo lhe em a mão com a tesoura de podar . - Au ... o que é_que tu ... ? Harry apontava para o chão , a poucos centímetros de distância . Várias aranhas grandes corriam precipitadamente por a terra fora . - Ah ! sim - disse o Ron , tentando , sem conseguir , mostrar se entusiasmado . - Mas não podemos seguis as agora ... Ernie e Hannah ouviam nos com curiosidade . Harry viu as aranhas desaparecerem . - Parecem ir em a direcção de a floresta proibida ... E o Ron ficou ainda mais infeliz a o ouvir aquilo . Em o final de a aula , o professor Snape acompanhou os alunos a a « Defesa contra as artes negras » . Harry e Ron foram atrás de os outros para poderem conversar sem serem ouvidos . - Temos de usar outra_vez o manto de a invisibilidade - disse Harry a o Ron . - Podemos levar connosco o Fang , ele está habituado a ir a a floresta com o Hagrid , pode ser uma boa ajuda . - Certo - disse o Ron , que fazia girar nervosamente a varinha em os dedos . - Er ... não costuma haver ... não costuma haver lobisomens em a floresta ? - acrescentou enquanto ocupavam os lugares de o costume em a aula de o Lockhart . Preferindo não responder a a pergunta , Harry disse : - Também há lá coisas boas . Os centauros são fixes e os unicórnios . Ron nunca estivera em a floresta proibida , Harry fora lá só uma_vez e desejara não ter de lá voltar . Lockhart deu um salto para dentro de a sala de aula e os alunos ficaram espantados a olhar para ele . Todos os outros professores andavam mais tristes do_que o habitual mas Lockhart parecia sentir se em as nuvens . - Então , então - exclamou , olhando em volta . - Porquê essas caras deprimidas ? Lançaram lhe olhares exasperados mas ninguém respondeu . - Não compreendem - disse , falando devagar como_se fossem todos um_pouco estúpidos - que o perigo já passou ? O culpado foi se embora . -- Quem disse ? - retorquiu Dean_Thomas em voz alta . -- Meu caro jovem , o ministro de a magia não teria levado Hagrid se não estivesse cem por_cento certo de que ele era o culpado - disse Lockhart como quem explica que um e um são dois . - Teria , sim - disse o Ron , em um tom de voz ainda mais alto do_que o de o Dean . - Eu julgo saber um_pouco mais sobre a prisão de o Hagrid do_que o senhor , Mr._Weasley - disse Lockhart com notória auto-satisfação . Ron começou a dizer que discordava mas foi interrompido por o Harry que lhe deu um forte pontapé por debaixo de a mesa . - Nós não estávamos lá , lembras te ? - murmurou . Mas a alegria revoltante de o Lockhart , as insinuações de que sempre tinha achado que o Hagrid não prestava , a sua certeza de que tudo aquilo estava a chegar a o fim , irritou Harry de tal maneira que teve vontade de lhe atirar as * _ Viagens com Vampiros * e de lhe acertar em aquela cara estúpida . Mas , em vez de isso , limitou se a escrevinhar um bilhete para o Ron : * _ Vamos lá hoje a a noite * . Ron leu a mensagem , engoliu em seco e olhou para o lugar onde Hermione costumava sentar se . A cadeira vazia pareceu ajudá o a decidir se e acenou afirmativamente . A sala comum de os Gryffindor estava agora sempre cheia porque , depois de as seis_da_tarde , os Gryffindor não tinham outro lugar para ir . Por outro lado , tinham imenso para conversar , por isso a sala comum mantinha se cheia de gente até depois de a meia-noite . Logo_a_seguir a o jantar , Harry foi buscar o manto de a invisibilidade a a mala onde estava guardado e passou todo o serão a a espera que a sala esvaziasse . O Fred e o George desafiaram o para alguns jogos de explosão e a Ginny sentou se , muito preocupada , a observá os , em a cadeira habitual de Hermione . Harry e Ron fartaram se de perder de propósito em uma tentativa de pôr rapidamente fim a os jogos mas , mesmo_assim , já passava bastante de a meia-noite quando o Fred , o George e a Ginny se foram , finalmente , deitar . Harry e Ron esperaram até ouvir as portas de os dois dormitórios fecharem se . Em seguida , pegaram em o manto , lançaram o sobre ambos e passaram por o buraco de o retrato . Era mais uma difícil travessia de o castelo , tendo de fintar todos os professores . Finalmente , chegaram a o * hall * de entrada , giraram o fecho de as portas de carvalho , esgueiraram se tentando não fazer barulho e aventuraram se nos campos iluminados por o luar . - É claro que - disse bruscamente o Ron , enquanto atravessavam os relvados negros - podemos perfeitamente chegar a a floresta e descobrir que não há nada para seguir . As aranhas podem não ter ido para lá . É certo que parecia que tomavam essa direcção , mas ... Felizmente a lengalenga não durou muito . Chegaram a a casa de o Hagrid que tinha um ar triste com as suas janelas vazias . Logo_que Harry empurrou a porta e a abriu , o Fang saltou , louco de alegria por os ver . Preocupados , não fosse ele acordar toda_a_gente em o castelo com o seu ladrar forte e agitado , deram lhe rapidamente a comer bombons de melaço que estavam em uma lata sobre a lareira e que lhe colaram os dentes de cima a os de baixo . Harry pousou o manto de a invisibilidade sobre a mesa de o Hagrid . Não iam precisar de ele em a floresta escura como breu . - Anda , Fang , vamos dar um passeio - disse Harry , batendo lhe a o de leve em a pata e Fang saiu feliz , a os saltos , atrás de eles . Precipitou se até a a orla de a floresta e levantou a perna contra uma enorme figueira-do-egipto . Harry pegou em a varinha , murmurou * _ Lumus * ! e uma pequenina luz surgiu em a ponta de a varinha , suficiente para lhes mostrar o caminho e ajudá os a descobrir a pista de as aranhas . - Bem pensado - disse o Ron . - Eu acendia também a minha mas , sabes como ela está , ainda estoirava ou qualquer coisa assim ... Harry tocou em o ombro de o Ron , apontando para as ervas . Duas aranhas solitárias fugiam de a luz de a varinha , aproximando se de a sombra de as árvores . - O. _ K. - disse o Ron , resignando se com o pior . - Estou pronto , vamos . Então , com o Fang a correr atrás de eles , cheirando as raízes de as árvores e as folhas , entraram em a floresta . Seguindo a luz de a varinha de o Harry seguiram a fila disciplinada de aranhas que se movia a o longo de o caminho . Andaram durante cerca de vinte minutos , sem falar , atentos a todos os ruídos que não fossem os de os ramos caídos e de as folhas secas . Então , quando as copas de as árvores se tinham tornado mais cerradas do_que nunca , de_tal_modo_que as estrelas em o céu já não eram visíveis e a varinha de o Harry brilhava isolada em um mar de escuridão , viram as aranhas que eles seguiam a abandonar o caminho . Harry parou , tentando ver para_onde iam mas tudo_o_que ficava longe de a sua pequenina luz era negro de breu . Ele nunca fora tão longe em a floresta . Lembrava se muito bem de Hagrid lhe ter dito , de a última vez que ali tinham estado , que nunca saísse de o caminho de a floresta . Mas Hagrid agora estava a muitos quilómetros de distância e ele também lhes dissera que seguissem as aranhas . Uma coisa húmida tocou em a mão de o Harry e ele deu um salto para trás , pisando o pé a o Ron . Mas afinal era apenas o focinho de o Fang . - O que é_que tu achas ? - perguntou ele a o Ron cujos olhos conseguia vislumbrar , reflectindo a luz de a varinha . - Já_que viemos até aqui - disse ele . Seguiram , portanto as sombras velozes de as aranhas em direcção a as árvores . Não podiam agora andar muito depressa . Tinham em a frente raízes de árvores e troncos cortados que mal se viam em aquela escuridão . Harry sentia o bafo quente de Fang em a mão . Por mais de uma_vez tiveram de parar para o Harry se baixar e descobrir as aranhas a a luz de a varinha . Andaram durante o que lhes pareceu ter sido pelo_menos meia_hora , com os mantos a roçarem em os ramos mais baixos e em as silvas . A o fim de algum tempo repararam que o chão parecia inclinar se para baixo embora as árvores continuassem cerradas . Foi então que o Fang soltou um latido que ecoou em volta , fazendo Harry e Ron darem um salto , ambos com os cabelos em pé . - O que foi ? - gritou o Ron , olhando em volta para a escuridão e agarrando Harry com força , por o cotovelo . - Há qualquer coisa ali a mexer se - murmurou Harry - Ouve ... parece ser grande . Ficaram a ouvir . Um_pouco para a direita algo de grandes dimensões partia os ramos enquanto abria caminho através de as árvores . - Oh ! não - disse o Ron . - Oh ! não , não ... - Cala te - insistiu o Harry , nervoso . - Seja o que for , vai acabar por te ouvir . - Ouvir me ? - disse o Ron , em um tom de voz muito pouco natural . - Já ouviu . Fang ! A escuridão parecia esmagar lhes os globos oculares enquanto ali ficaram apavorados , a a espera . Houve um estranho ruído , surdo e prolongado , e em seguida o silêncio . - O que estará a fazer ? - perguntou Harry . - Talvez esteja a preparar se para atacar - disse o Ron . Esperaram , a tremer , sem ousarem mexer se . - Achas que se foi embora ? - murmurou Harry . - Não sei . Em esse momento , de o lado direito veio um clarão de luz tão forte em o meio de o escuro que os dois levaram as mãos a a cara para proteger os olhos . O Fang ganiu e tentou fugir mas viu se envolvido em um emaranhado de espinhos e ganiu ainda mais alto . - Harry - gritou o Ron com grande alívio em a voz . - Harry , é o nosso carro . - O quê ? - Anda ver . Harry avançou a os tropeções atrás de o Ron , em direcção a a luz e em o momento seguinte estavam em uma clareira . O carro de Mr._Weasley ali estava , vazio , no_meio_de um círculo de árvores grossas , sob um telhado de ramos densos , os faróis de a frente resplandecentes . Quando Ron se aproximou de boca aberta , moveu se lentamente em direcção a ele como_se fosse um grande cão azul turquesa , cumprimentando o dono . - Tem estado aqui todo este tempo - disse o Ron satisfeitíssimo , aproximando se de o carro . - Olha para ele , a floresta tornou o selvagem ... O guarda-lamas estava riscado e cheio de lodo . Parecia que tinha andado a passear sozinho por a floresta . Fang não gostou lá muito de ele . Manteve se a o lado de o Harry que podia senti o a tremer . Com a respiração normalizada , Harry guardou a varinha em o manto . - E nós a pensarmos que ele nos ia atacar - disse o Ron , encostando se a o carro e dando lhe duas palmadinhas - As voltas que eu dei a a cabeça a pensar para_onde ele teria ido ! Harry olhava para todos os lados , em o chão iluminado , em busca de mais aranhas mas todas elas tinham fugido de o brilho de as luzes . - Perdemos as de vista - disse ele . - Anda , vamos procurá as . Ron não disse nada . Não se moveu . Tinha os olhos fixos em um ponto , três metros acima de o chão de a floresta , mesmo atrás de o Harry . O seu rosto estava lívido de terror . Harry nem teve tempo de se voltar . Ouviu se um ruído alto e seco e sentiu que alguma coisa longa e peluda o elevava em o ar com o rosto voltado para baixo . Debatendo se , apavorado , ouviu outro estalido e viu as pernas de o Ron serem também levantadas de o chão . Ouviu o Fang gemer e ganir e , em o momento seguinte , era levado para o meio de as árvores escuras . Com a cabeça a balouçar , Harry viu que a coisa que o transportava tinha seis enormes patas peludas e que as duas de a frente o agarravam com forca sob um par de tenazes pretas e brilhantes . Atrás_de si podia ouvir outra de aquelas criaturas que , sem dúvida , transportava o Ron . Encaminhavam se para o coração de a floresta . Harry ouvia o Fang a ladrar , tentando libertar se de um terceiro monstro mas Harry não podia gritar mesmo_que quisesse , parecia que tinha deixado a voz em a clareira , junto com o carro . Não soube quanto tempo esteve em as patas de a criatura , só se apercebeu que a escuridão se atenuara um_pouco , permitindo lhe ver que o chão coberto de folhas estava agora repleto de aranhas . Voltando a cabeça para o lado , deu se conta de que tinham chegado a a base de uma enorme cova , uma cova que fora limpa de árvores para que as estrelas iluminassem com o seu brilho a cena mais pavorosa que os seus olhos alguma vez tinham visto . Aranhas . Não aranhas pequeninas como aquelas que estavam sobre as folhas . Aranhas de o tamanho de enormes cavalos , com oito olhos , oito pernas pretas , peludas , gigantescas . O espécimen que transportava Harry desceu o terreno íngreme até uma teia brumosa em forma de cúpula que ficava mesmo em o meio de a cova , enquanto os companheiros se juntavam em volta , batendo excitadíssimos com as tenazes e olhando para o que eles traziam a as costas . Harry caiu em o chão de gatas quando a aranha o libertou . Ron e Fang foram cair perto de ele . O Fang já não gania . Estava agachado e muito quieto . Ron e Harry partilhavam o mesmo sentimento . O Ron tinha a boca aberta em uma espécie de grito silencioso e os olhos a saltarem lhe de as órbitas . Harry percebeu de repente que a aranha que o deitara a o chão estava a dizer qualquer coisa . Era difícil entender porque entre cada duas palavras , batia com as tenazes . - Aragog - chamou . - Aragog . E de o meio de a teia brumosa em forma de cúpula saiu muito lentamente uma aranha de o tamanho de um pequeno elefante . As costas e as pernas estavam cobertas de pêlo cinzento e , em a cabeça feia , munida de tenazes , estavam vários olhos , todos eles de um branco leitoso . Era cega . - O que foi ? - disse , batendo rapidamente com as tenazes uma em a outra . - Homens - respondeu a aranha que trouxera o Harry . - É o Hagrid ? - perguntou Aragog , aproximando se mais com os seus oito olhos leitosos a vaguear . - Estranhos - respondeu a aranha que trouxera o Ron . - Matem nos - disse Aragog , irritada . - Eu estava a dormir ... - Nós somos amigos de o Hagrid - gritou Harry . Parecia que o coração lhe saltava por a boca . Clic , clic , clic fizeram as tenazes de a aranha , em volta de a cova . Aragog parou . - O Hagrid nunca mandou homens a a nossa cova - disse lentamente . - O Hagrid está em perigo - explicou Harry , respirando muito depressa . - Foi por isso que eu vim . - Em perigo ? - repetiu a aranha idosa e pareceu a Harry sentir preocupação por detrás de as suas tenazes . - Mas porque vos mandou ele cá ? Harry pensou pôr se de pé mas achou melhor não arriscar . As pernas provavelmente não teriam força para o sustentar . Falou portanto de o chão , o mais calmamente que foi capaz . - Eles lá em a escola pensam que o Hagrid soltou qualquer coisa contra os estudantes . Mandaram o para Azkaban . Aragog bateu furiosamente com as tenazes e , em toda_a cova , o eco foi reproduzido por uma multidão de aranhas . Era uma espécie de aplauso com uma única diferença : os aplausos não costumavam fazer o Harry quase morrer de medo . - Mas isso foi há muitos anos - disse Aragog , maldisposta . - Há anos e anos . Lembro me muito bem . Foi por isso que o expulsaram de a escola . Eles pensaram que eu era o monstro que vive em aquilo a que eles chamam a Câmara_dos_Segredos . Pensaram que o Hagrid a tinha aberto para me libertar . - E tu ... não vieste de a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Harry que sentia a testa cheia de suores frios . - Eu - disse Aragog , batendo irritada com as tenazes - , eu não nasci em o castelo . Venho de uma terra distante . Um viajante ofereceu me a o Hagrid quando eu era ainda um ovo . Hagrid era um rapazinho mas tratou de mim , escondeu me em uma despensa dentro de o castelo e alimentava me com as migalhas que ficavam em as mesas . Hagrid é o meu bom amigo e um bom homem . Quando me encontraram e me culparam por a morte de uma rapariga , ele protegeu me . Desde_então , tenho vivido aqui em a floresta onde o Hagrid ainda vem visitar me . Ele até me arranjou uma esposa , Mosag , e estão a ver como a família cresceu , tudo graças a a bondade de o Hagrid ... Harry reuniu a coragem que lhe restava . - Então tu nunca atacaste ninguém ? - Nunca - resmungou a velha aranha . - Era esse o meu instinto , mas por respeito a Hagrid nunca fiz mal a nenhum humano . O corpo de a rapariga morta foi encontrado em uma casa_de_banho , ora eu nunca conheci mais do_que despensa de o castelo , onde cresci . Nós gostamos de o escuro de o silêncio . - Mas então ... sabes o que matou essa rapariga ? - perguntou Harry . - Porque seja o que for , está a atacar as pessoas outra_vez ... As suas palavras foram abafadas por uma audível explosão de tenazes a bater e por o ruge-ruge de muitas pernas longas , deslocando se iradas . Em volta de Harry começaram a mover se sombras escuras . - O que vive em o castelo - disse Aragog - é uma antiga criatura que nós , aranhas , tememos acima_de todas_as outras . Lembro me bem de o quanto insisti com Hagrid para que me deixasse sair de ali quando senti a criatura a andar por a escola . - O que é ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Mais tenazes a bater , mais pernas a moverem se . As aranhas pareciam estar a aproximar se . - Nós não falamos de isso - exclamou Aragog furiosa . - Não pronunciamos o seu nome . Eu nunca disse a o Hagrid o nome de a horrível criatura , apesar_de ele me ter perguntado vezes sem conta . Harry não quis insistir , principalmente com todas aquelas aranhas a aproximarem se de todos os lados . Aragog parecia ter se cansado de falar . Recuava lentamente para a teia em forma de cúpula , mas as companheiras continuavam a aproximar se ameaçadoramente de Harry e Ron . - Vamos embora , então - gritou Harry , desesperadamente a Aragog , enquanto ouvia as folhas secas a estalarem atrás_de si . - Embora ? - disse Aragog lentamente . - Não me parece ... - Mas , mas ... - Os meus filhos e filhas não fazem mal a o Hagrid por ordem minha . Mas não posso negar lhes carne fresca quando ela veio por vontade própria ter connosco . Adeus , amigo de o Hagrid . Harry deu meia volta . Poucos centímetros acima de ele , uma sólida parede de aranhas batia com as tenazes , os seus muitos olhos a brilharem em as horríveis caras pretas . Mesmo_que se servisse de a varinha , Harry sabia que não ia valer de nada . As aranhas eram demasiadas , mas quando tentava preparar se para morrer a lutar , ouviu se um som prolongado e um clarão de luz iluminou a cova . O carro de Mr._Weasley ribombava , descendo o declive , com os faróis acesos , a buzina a guinchar , afastando as aranhas . Muitas de elas ficaram voltadas ao_contrário com as várias pernas a agitar se em o ar . O carro buzinou com mais força em frente de Harry e Ron e as portas abriram se . - Agarra o Fang - gritou Harry , ajeitando se em o lugar de a frente . Ron agarrou o cão caçador de javalis e lançou o a ganir para o banco de trás . As portas fecharam se com estrondo . Ron não tocou em o acelerador mas o carro não precisou de isso . O motor fez se ouvir e levantaram voo , batendo em mais aranhas . Subiram o declive , saindo de a cova e pouco depois atravessavam a floresta , os ramos a baterem em os vidros enquanto o carro seguia habilmente através de os intervalos maiores , por um caminho que obviamente já conhecia . Harry olhou para o Ron , a o seu lado . Ele tinha ainda a boca aberta em o mesmo grito silencioso mas os olhos já não estavam salientes . - Estás bem ? Ron olhou em frente , incapaz de responder . Começavam a descer para terra firme com o Fang a soltar enormes ganidos em o banco de trás e Harry viu o espelho retrovisor saltar quando passaram rente a um enorme carvalho . Após dez minutos bastante ruidosos , as árvores começaram a ser mais finas e Harry pôde ver de_novo pedaços de o céu . O carro parou tão bruscamente que quase foram projectados por o vidro de a frente . Tinham chegado a a orla de a floresta . O Fang ia agitadíssimo a a janela e quando Harry abriu a porta , disparou a correr através de as árvores até a a casa de o Hagrid , de cauda entre as pernas . Harry saiu também e um minuto depois o Ron pareceu recuperar a força em os membros e seguiu o , ainda com um torcicolo e de olhos esbugalhados . Harry deu uma palmadinha de agradecimento a o carro antes de ele dar a volta e desaparecer em direcção a a floresta . Harry voltou a a cabana de o Hagrid para buscar o manto de a invisibilidade . O Fang tremia em o seu cesto , coberto por um cobertor . Quando saiu de_novo , viu o Ron a vomitar junto de as abóboras . - Sigam as aranhas - disse ele debilmente , limpando a boca a a manga . - Nunca vou perdoar a o Hagrid . É uma sorte ainda estarmos vivos . - Aposto que ele pensou que Aragog nunca faria mal a os seus amigos - justificou Harry . - Esse é justamente o problema de o Hagrid - interrompeu Ron , dando um soco em a parede de a cabana . - Ele acha sempre_que os monstros não são tão maus como os pintam e vê onde isso o levou , a uma cela em Azkaban - tremia agora descontroladamente . - Qual a ideia de ele a o mandar nos ali ? Gostava de saber o que é_que descobrimos . - Que o Hagrid nunca abriu a Câmara_dos_Segredos - disse Harry , lançando o manto sobre Ron e tocando lhe em o braço para o encorajar a andar . - Ele estava inocente . Ron resmungou em voz alta . Para ele , chocar Aragog em uma despensa não era propriamente estar inocente . Quando se aproximaram de o castelo , Harry esticou o manto para garantir que os pés de ambos ficavam cobertos . Em seguida , empurrou as portas de a frente que chiaram . Atravessaram com todo o cuidado o * hall * de entrada e subiram a escadaria de mármore , contendo a respiração em os corredores guardados por sentinelas atentos . Por fim , chegaram a a segurança de a sala de os Gryffindor onde o lume ardera até se transformar em brasas brilhantes . Tiraram o manto e subiram a escada serpenteante que os levava a o dormitório . Ron caiu em a cama sem sequer se despir mas Harry , apesar_de tudo , não tinha sono . Sentou se em a beirinha de a cama , pensando em todas_as coisas que Aragog dissera . A criatura que andava por o castelo , pensou , era uma espécie de monstro Voldemort , nem os outros monstros queriam pronunciar o seu nome . Mas ele e o Ron não estavam agora mais perto_de descobrir o que era nem como petrificava as suas vítimas . Se nem o Hagrid chegara a saber o que estava em a Câmara_dos_Segredos ... Harry balançou as pernas e atirou se para_cima de a cama . Encostado a as almofadas olhou a Lua que brilhava através de a janela de a torre . Não sabia que mais poderiam fazer . Só tinham encontrado portas fechadas . Riddle apanhara a pessoa errada . O herdeiro de Slytherin fugira e ninguém sabia se era a mesma pessoa ou uma outra que abrira , desta_vez , a Câmara_dos_Segredos . Não havia mais ninguém a quem fazer perguntas . Harry deitou se ainda a pensar em as palavras de Aragog . Estava a começar a ficar com sono quando aquilo que parecia ser uma última esperança lhe ocorreu , fazendo o sentar se muito direito em a cama . - Ron - sussurrou em o escuro . - Ron . Ron acordou com um ganido como os de o Fang . Olhou muito assustado em volta e viu o Harry . - Ron , a rapariga que morreu . Aragog contou nos que ela foi encontrada em uma casa_de_banho - disse , ignorando os roncos de o Neville em o outro canto de o quarto . - E se ela nunca tivesse saído de a casa_de_banho ? E se ainda lá estiver ? Ron esfregou os olhos , franzindo as sobrancelhas sob a luz de a Lua . E só então compreendeu . -- Não pensar que ... a Murta_Queixosa ? XVI_A_Câmara_dos_Segredos -- E estivemos nós tantas vezes em aquela casa_de_banho com ela apenas a três cubículos de distância - disse o Ron amargamente em o dia seguinte , a a mesa de o pequeno-almoço . - Podíamos ter lhe perguntado e agora ... Já fora bastante difícil procurar as aranhas . Escapar a os professores o tempo suficiente para ir até a a casa_de_banho de as raparigas , que ficava mesmo em frente de o lugar onde ocorrera o primeiro ataque , ia ser quase impossível . Mas alguma coisa aconteceu que fez com que a Câmara_dos_Segredos desaparecesse de os seus pensamentos pela_primeira_vez em várias semanas . A professora Mc_Gonagall comunicou lhes que os exames começariam a 1_de_Junho , uma semana depois . - Exames ? - gritou Seamus_Finnigan . - Nós mesmo_assim vamos ter exames ? Ouviu se um estrondo atrás de o Harry quando a varinha de o Neville_Longbottom lhe escapou de a mão , fazendo desaparecer uma de as pernas de a secretária . A professora Mc_Gonagall repô a com a sua varinha e voltou se com má cara para o Seamus . - Se temos a escola aberta em uma altura de estas é para vocês receberem instrução - disse com dureza . - Os exames terão lugar , portanto , como é costume e espero que todos vocês façam revisões até lá . Revisões . Não passara por a cabeça de o Harry que houvesse exames com o castelo em aquele estado . Houve uma série de murmúrios revoltados , o que fez com que a professora Mc_Gonagall ficasse ainda mais mal-humorada . - As instruções de o professor Dumbledore foram para manter a escola a funcionar o mais normalmente possível - disse . - E isso , não preciso de vos dizer , passa por uma avaliação de o quanto vocês aprenderam a o longo de este ano . Harry olhou para baixo , para o casal de coelhos brancos que ele deveria transformar em pantufas . Que tinha ele aprendido durante o ano ? Não era capaz de se lembrar de nada que fosse útil em um exame . Ron estava como_se tivessem acabado de lhe dizer que a partir de aquele momento tinha de ir viver para a floresta proibida . - Estás a ver me a ter exames com isto tudo ? - perguntou a o Harry enquanto pegava em a varinha que tinha começado a assobiar bastante alto . Três dias antes de o primeiro exame , a a hora de o pequeno almoço , a professora Mc_Gonagall fez outra comunicação . - Tenho boas notícias - disse , e o salão em_vez_de se calar , explodiu de contentamento . - Dumbledore vai regressar ! - gritaram várias pessoas cheias de alegria . - Apanharam o herdeiro de Slytherin - arriscou uma rapariga em a mesa de os Ravenclaw . - Temos outra_vez os jogos de Quidditch - bradou Wood , excitadíssimo . Quando a agitação passou , Mc_Gonagall disse : - A professora Sprout informou me que as mandrágoras estão finalmente prontas para serem cortadas . Hoje a a noite vamos poder reanimar as pessoas que foram petrificadas . Escusado será dizer que certamente uma de elas poderá revelar nos quem ou o que a atacou . Eu tenho esperança que este ano pavoroso acabe com a prisão de o culpado . Houve uma explosão de aplausos . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e não ficou nada surpreendido a o ver que Draco_Malfoy não aplaudia . O Ron , por outro lado , estava satisfeito como ninguém o via havia dias . - Não faz mal não termos perguntado a a Murta . A Hermione vai , com certeza , ter todas_as respostas quando acordarem . Vai também ficar fula quando souber que temos exames dentro_de três dias . Ela não pôde fazer revisões . Seria melhor deixarem a estar onde está até a o final de os exames . Nessa_altura , Ginny_Weasley veio sentar se junto de o Ron . Parecia nervosa e tensa e Harry reparou que torcia as mãos em o colo . - O que se passa ? - perguntou o Ron , servindo se de mais papa de aveia . Ginny não disse nada mas olhou para um lado e para o outro de a mesa de os Gryffindor , com um olhar assustado que lembrou a Harry alguém que não sabia bem quem era . - Vá lá , vomita - disse o Ron , olhando para ela . Harry percebeu subitamente quem a Ginny lhe lembrara . Ela balançava se ligeiramente para a frente e para trás em a cadeira , exactamente como o Dobby fazia quando estava hesitante , à_beira_de revelar uma informação proibida . - Tenho de te dizer uma coisa - balbuciou a Ginny receosa , sem olhar para Harry . - O que é ? - perguntou ele . Ginny parecia incapaz de encontrar as palavras certas . - O quê ? - insistiu Ron . Ginny abriu a boca mas não saiu nenhum som . Harry inclinou se para a frente e falou devagar para que só ela e Ron pudessem ouvi o . - É alguma coisa relacionada com a Câmara_dos_Segredos ? Viste alguma coisa ou alguém a agir de forma estranha ? Ginny respirou fundo e , em esse preciso momento , apareceu Percy_Weasley com um ar pálido e cansado . - Se já acabaste de comer eu fico com esse lugar , Ginny . Estou cheio de fome . Acabei agora o meu trabalho de patrulhamento . Ginny deu um salto como_se a cadeira tivesse acabado de ser electrificada , lançou a o Percy um olhar assustado e zarpou . Percy sentou se e tirou uma caneca de o meio de a mesa . -- Percy - disse o Ron aborrecido . - Ela ia agora mesmo contar nos uma coisa importante . A meio de um gole de chá , Percy estremeceu . - Que coisa ? - perguntou , tossindo . - Eu quis saber se ela tinha visto alguma coisa estranha e ela ia dizer ... - Ah ! isso ... não tem nada que ver com a Câmara_dos_Segredos - disse o Percy de imediato . - Como sabes ? - indagou o Ron , erguendo as sobrancelhas . - Bem ... er ... já_que perguntam , a Ginny ... er ... passou por mim em outro dia quando eu ... er ... não foi nada , o importante é_que ela viu me fazer uma coisa e eu ... um ... pedi lhe para não comentar com ninguém . Não pensei que ela cumprisse a palavra , verdade se diga . Não é nada importante , eu só ... Harry nunca vira o Percy tão pouco a a vontade . - O que estavas a fazer , Percy ? - riu se o Ron . - Vá lá , conta que nós não nos rimos . Percy ficou sério . - Passa me esses pãezinhos , Harry , estou cheio de fome . Harry sabia que todo o mistério poderia ser desvendado em o dia seguinte sem a ajuda de eles mas não ia deixar de falar com a Murta_Queixosa se a oportunidade surgisse . E , para sua grande satisfação , ela surgiu a meio de a manhã quando eram conduzidos a a aula de História_da_Magia_por_Gilderoy_Lockhart . Lockhart , que tantas vezes lhes assegurara que o perigo tinha passado , estava agora totalmente convencido de que acompanhar os alunos em os corredores era um trabalho inútil . O seu cabelo estava mais liso do_que de costume . Parecia ter passado toda_a noite acordado a vigiar o quarto andar . - Podem escrever o que eu digo - afirmou , acompanhando os até uma esquina . - As primeiras palavras que vão sair de a boca de aquelas pobres pessoas petrificadas serão - * _ Foi_o_Hagrid * . Francamente , estou espantado por a professora Mc_Gonagall considerar ainda necessárias estas medidas de segurança . - Concordo , professor - disse Harry , fazendo com que Ron , surpreendido , deixasse cair os livros a o chão . - Obrigado , Harry - disse Lockhart amavelmente , enquanto deixavam passar uma grande fila de Hufflepuffs . - verdade é_que os professores já têm bastante que fazer para andarem também a acompanhar os alunos a as aulas e a guardar os corredores a a noite ... - É verdade - disse o Ron , percebendo a ideia . - Porque não nos deixa aqui , professor , só falta mais um corredor . - Sabes , Weasley , sou mesmo capaz de fazer isso - disse Lockhart . - Preciso de preparar a minha próxima aula . E apressou se a seguir o seu caminho . - Preparar a aula - zombou o Ron . - Vai encaracolar o cabelo , é o mais certo . Deixaram os restantes Gryffindor passar lhes a a frente e por fim cortaram caminho em um corredor lateral e dirigiram se a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mas quando estavam a congratular se por o seu esquema brilhante ... - Potter , Weasley ! Que estão vocês a fazer aqui ? Era a professora Mc_Gonagall e a boca de ela estava mais fina do_que nunca . - Nós estávamos , estávamos - gaguejou o Ron . - Nós íamos ver , íamos ver ... - Hermione - completou Harry . A professora Mc_Gonagall e Ron olharam para ele . - Não a vemos há séculos , professora - prosseguiu Harry , pisando o pé a o Ron . - E pensamos ir espreitá a a a ala hospitalar e dizer lhe que as mandrágoras estão quase prontas , para ela não se preocupar . A professora Mc_Gonagall estava ainda a olhar para ele e , por um momento , Harry pensou que ela ia explodir mas , quando falou , fê lo em um tom de voz estranhamente rouco . - É claro - disse . E Harry , espantado , viu uma lágrima a brilhar lhe em o canto de um de os olhos . - É claro . Eu compreendo que tudo_isto tem sido muito duro para os amigos de aqueles que foram ... eu compreendo , sim , Potter . Podem ir visitar Miss_Granger . Eu mesma informarei o professor Binns de que vocês estão em o hospital . Digam a Madam_Pomfrey que vos dei autorização . Harry e Ron afastaram se , quase sem acreditar que tinham escapado a um castigo . Quando voltaram em uma esquina ouviram nitidamente a professora Mc_Gonagall a assoar se . - Esta - disse o Ron entusiasmado - foi a melhor história que tu alguma vez inventaste . Não tinham outro remédio senão ir a a ala hospitalar e dizer a Madam_Pomfrey que tinham autorização de a professora Mc_Gonagall para visitar Hermione . Madam_Pomfrey deixou os entrar com alguma relutância . - Não vale a pena falar com uma pessoa petrificada - disse , e ambos tiveram que admitir que ela tinha razão quando se sentaram junto de Hermione e constataram que ela não tinha a menor noção de estar acompanhada . Dizer lhe que não se preocupasse ou falar com o armário que estava a o lado de a cama era exactamente a mesma coisa . - Será que ela viu quem a atacou ? - perguntou o Ron , olhando com tristeza para o rosto rígido de Hermione . - Porque se a coisa saltou sobre eles , ficaremos todos sem saber de nada . Mas Harry não olhava para o rosto de Hermione . Estava mais interessado em a sua mão direita que se encontrava pousada sobre os cobertores e , inclinando se para ela , viu que tinha , fechado entre os dedos , um pedaço de papel . Assegurando se de que Madam_Pomfrey não dava por nada , fez sinal a o Ron . - Tenta tirá o - murmurou ele , colocando a cadeira de_modo_a que Madam_Pomfrey não pudesse ver o Harry . Não foi tarefa fácil . A mão de a Hermione estava fechada com uma força tal que Harry receou parti a . Enquanto Ron vigiava , ele forçou e torceu até que , por fim , depois de vários minutos bastante tensos , conseguiu tirar o papel . Era uma página retirada de um livro muito antigo de a biblioteca . Harry alisou a ansiosamente e Ron inclinou se para poder lês a também . * _ De todos os monstros assustadores que pairam a a face de a Terra , nenhum é tão curioso nem tão fatal como o Basilisk , também conhecido por o rei de as serpentes . Esta cobra que pode atingir proporções gigantescas e viver durante muitas centenas de anos nasce de um ovo de galinha que é chocado por um sapo . As suas formas de matar são pavorosas pois além de os dentes venenosos e mortais , o Basilisk tem um olhar criminoso e todos aqueles que ele fixa com os olhos tem morte instantânea . As aranhas fogem a sete pés de o Basilisk que é seu inimigo mortal , e o Basilisk foge apenas de o canto de o galo que para ele é fatal * . Por debaixo de isto uma única palavra fora escrita , em a letra que Harry reconheceu como sendo de Hermione : Canos . Foi como_se se tivesse acendido uma luz em o seu espírito . - Ron - murmurou - é isso . Está aqui a resposta . O monstro de a Câmara_dos_Segredos é um Basilisk , uma serpente gigante . Por isso , só eu tenho ouvido a sua voz em todos os lugares , porque eu compreendo * serpentês * ... Harry olhou para as camas em volta . - O Basilisk mata as pessoas fixando as com o olhar mas ninguém morreu , o que quer_dizer que ninguém o olhou directamente em os olhos . Colin viu o através de a lente de a máquina fotográfica e o Basilisk queimou o rolo que estava lá dentro mas o Colin ficou apenas petrificado . O Justin ... o Justin deve ter visto o Basilisk através de o Nick quase sem cabeça . O Nick é_que levou com o olhar mas não podia morrer outra_vez ... e perto de a Hermione e de a prefeita de os Ravenclaw foi encontrado um espelho . Hermione acabara de compreender que o monstro era um Basilisk . Aposto que preveniu a primeira pessoa que encontrou de que era melhor olhar por um espelho a o virar de cada esquina . E aquela rapariga puxou de o seu espelho e ... O Ron estava de queixo caído . - E Mrs._Norris ? - perguntou vivamente . Harry pensou um_pouco , tentando imaginar a cena em a noite de o Halloween . - A água . . . - disse lentamente . - A poça de água que saiu de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Aposto que Mrs._Norris só viu o reflexo de o monstro . Examinou a folha de papel que tinha em a mão . Quanto_mais olhava mais sentido faziam as coisas . - * _ O cantar de o galo é fatal para ele * - leu em voz alta . - Os galos de o Hagrid foram mortos . O herdeiro de Slytherin não queria um único galo perto de o castelo , com a câmara aberta . * _ As aranhas são as primeiras a fugir * . Tudo encaixa . - Mas , como tem o Basilisk andado por aí ? - disse o Ron . - Uma serpente horrível e enorme ... alguém a teria visto . Mas Harry apontou para a palavra que Hermione escrevinhara em o final de a página . - Canos - disse . - Canos ... Ron , ele tem usado a canalização . Eu ouvi sempre a voz dentro de as paredes ... Ron agarrou subitamente o braço de o Harry . - A entrada para a Câmara_dos_Segredos - disse em uma voz rouca . - E se for em uma casa_de_banho ? Se for em a ... - Em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa - completou Harry . Sentaram se , tomados de uma excitação enorme , mal querendo acreditar . - Isso significa que - disse o Harry - eu não posso ser o único em a escola a falar * serpentês * . Há também o herdeiro de Slytherin . É de esse modo que tem controlado o Basilisk . - O que vamos fazer ? - perguntou Ron com os olhos a faiscar . - Vamos falar com a Mc_Gonagall ? - Vamos até a a sala de os professores - disse Harry , dando um salto . - Ela estará lá dentro_de dez minutos , está quase em o intervalo . Desceram a escada a correr . Não querendo ser descobertos outra_vez a vaguear por os corredores foram directamente até a a sala de os professores que estava deserta . Era uma divisão ampla , toda forrada , com cadeiras de madeira escura . Harry e Ron passearam de um lado para o outro , demasiado nervosos para se sentarem . Mas a campainha anunciando o intervalo nunca mais tocava . Em vez de isso , ecoando em os corredores , ouviram a voz de a professora Mc_Gonagall incrivelmente ampliada . - * _ Todos os alunos devem regressar de imediato a os seus dormitórios . Todos os professores a a sala de professores . Imediatamente , por favor * . Harry deu meia volta e olhou para o Ron . - Não me digas que houve um novo ataque , não agora ! - Que vamos fazer ? - disse o Ron aterrado . - Voltar para o dormitório ? - Não - disse Harry , olhando e m volta . Havia uma espécie de armário a a sua esquerda cheio com os mantos de os professores . - Ali . Vamos ouvir o que se passa . A seguir poderemos contar lhes o que descobrimos . Esconderam se dentro de o armário , ouvindo a algazarra de centenas de pessoas e a porta de a sala de professores a abrir se . De o meio de a confusão de mantos bafientos , viram os professores encherem a sala . Alguns tinham um ar totalmente confuso , outros pareciam apavorados . Por fim , chegou a professora Mc_Gonagall . - Aconteceu - disse em o silêncio de a sala de professores . - O monstro levou uma aluna . Levou a mesmo para a câmara . O professor Flitwick soltou um grito agudo . A professora Sprout bateu com a mão em a boca . Snape agarrou com força as costas de uma cadeira e perguntou : - Como pode ter tanta certeza ? - O herdeiro de Slytherin - disse a professora Mc_Gonagall , muito pálida . - Deixou outra mensagem . Mesmo por baixo de a primeira : « * _ O esqueleto de ela ficará para sempre em a Câmara_dos_Segredos * . » O professor Flitwick desatou a chorar . - Quem é ela ? - quis saber Madam_Hooch que se afundara em uma cadeira . - Quem é a aluna ? - Ginny_Weasley - disse a professora Mc_Gonagall . Harry viu o Ron , a o seu lado , escorregar silenciosamente até a o chão de o armário . - Vamos ter que mandar todos os alunos embora amanhã - disse a professora Mc_Gonagall . Isto_é o fim de Hogwarts , Dumbledore sempre disse ... A porta de a sala de os professores voltou a abrir se . Por um breve momento , Harry pensou que fosse Dumbledore mas era Lockhart e vinha todo sorridente . - Peço desculpa , adormeci . Perdi alguma coisa ? Não pareceu reparar que os outros professores o olhavam com uma espécie de aversão . Snape deu um passo em frente . - O homem que faltava - disse . - O homem certo . O monstro raptou uma garota , Lockhart levou a para a Câmara_dos_Segredos . O seu momento chegou . - Isso mesmo , Lockhart - acrescentou a professora Sprout . - Não estavas a dizer ontem a a noite que sempre tinhas sabido onde era a entrada para a Câmara_dos_Segredos ? - Eu ... bem ... eu-disse atabalhoadamente Lockhart . - Sim , não me disseste que sabias exactamente o que estava lá dentro ? - disse com voz esganiçada o professor Flitwick . - Eu disse ? Não me lembro ... - Lembro me perfeitamente de o ouvir dizer que lamentava não ter feito uma tentativa com o monstro antes de o Hagrid ser preso - disse Snape . - Não disse que toda_a história tinha sido uma atrapalhação e que deveriam ter lhe dado carta branca desde o princípio ? Lockhart olhou em volta para a cara de espanto de os colegas . - Eu ... nunca ... eu de facto ... deve ter me compreendido mal . - Então vamos deixar te , Gilderoy - disse a professora Mc_Gonagall . - Esta noite será uma excelente oportunidade para actuares . Nós trataremos de assegurar que ninguém te atrapalha . Vais poder enfrentar o monstro sozinho . Finalmente tens carta branca . Lockhart olhou desesperado a a sua volta mas ninguém foi salvá o . Já não estava bem-parecido . O lábio tremia lhe e a ausência de o seu habitual sorriso de dentes brancos dava lhe um ar escanzelado . - M-muito bem - disse . - Vou até a o meu escritório para ... para me preparar . E saiu de a sala . - _ óptimo - exclamou a professora Mc_Gonagall com as narinas dilatadas . - Isto deve afastá o de o nosso caminho . Os chefes de casa devem ir agora comunicar a os respectivos alunos o que se passou e informá os de que o Expresso_de_Hogwarts os levará a casa amanhã de manhã . Os restantes certifiquem se , por favor , de que não há alunos fora de os dormitórios . Os professores levantaram se e saíram um a um . Foi talvez o dia pior de a vida de o Harry . Ele , Ron , Fred e George sentaram se juntos a um canto em a sala comum de os Gryffindor , incapazes de proferir uma palavra . Percy não estava lá . Tinha ido tratar de enviar uma coruja a Mr. e Mrs._Weasley e , em seguida , fechara se em o dormitório . Nunca uma tarde custara tanto a passar e nunca a torre de os Gryfffindor estivera tão cheia de gente e tão silenciosa . Fred e George foram para a cama quase a o pôr de o Sol , incapazes de ficar ali mais tempo . - Ela sabia qualquer coisa , Harry - disse o Ron , falando pela_primeira_vez desde_que tinham saído de o armário de a sala de os professores . - Por isso a levaram . Não era nenhuma parvoíce sobre o Percy , ela tinha descoberto qualquer coisa sobre a Câmara_dos_Segredos . Com certeza por isso é_que a ... - Ron esfregou os olhos , enervadíssimo . - Afinal ela era sangue puro , não pode haver outra explicação . Harry olhava para o sol que mergulhava de um vermelho cor de sangue em a linha de o horizonte . Era a pior coisa que lhe tinha acontecido . Se pelo_menos pudessem fazer alguma coisa . - Harry - disse o Ron . - Achas que há alguma possibilidade de ela não estar ... ? Sabes o que eu quero dizer . Harry não sabia que resposta dar . Não acreditava que a Ginny pudesse ainda estar viva . - Sabes uma coisa ? - disse o Ron . - Acho que devíamos ir ter com o Lockhart , contar lhe o que sabemos . Ele vai tentar entrar em a câmara , podemos dizer lhe onde achamos que fica a entrada e contar lhe que o monstro é um Basilisk . Como Harry não tinha nenhuma ideia melhor e como queria fazer alguma coisa , concordou . Os Gryffindor que os rodeavam estavam tão tristes e com tanta pena de os Weasley que ninguém tentou impedi os quando os viram levantar se , atravessar a sala e sair por o buraco de o retrato . A escuridão começava a instalar se quando chegaram a o escritório de Lockhart onde a actividade era muita . De o corredor ouvia se o ruído de coisas a serem deitadas fora , pancadas surdas e passos apressados . Harry bateu a a porta e houve um silêncio repentino . Em seguida abriu se uma fresta de a porta e viram um de os olhos de Lockhart a espreitar . - Oh ! ... Mr._Potter ... Mr._Weasley - disse entreabrindo a porta . - Estou um_pouco ocupado em este momento , se forem rápidos ... - Professor , nós temos informações para lhe dar - disse o Harry . - Acho que poderão ajudá o . - Er ... bem ... não é - o lado de a cara de Lockhart que conseguiam ver parecia muito pouco a a vontade . - Quer_dizer ... bem ... está bem . Abriu a porta e eles entraram . O escritório estava praticamente vazio . Em o chão estavam duas grandes malas abertas . Mantos verde-jade , lilás , azul-noite tinham sido apressadamente dobrados e guardados dentro_de uma de as malas . Os livros misturavam se todos dentro de a outra . As fotografias que antes cobriam as paredes estavam agora arrumadas em caixas , em cima de a secretária . - Vai a algum lado ? - perguntou Harry . - Er ... bem ... sim - disse Lockhart , arrancando de a porta um poster seu em tamanho natural , enquanto falava , e começando a enrolá o . - Uma chamada urgente ... inevitável ... tenho que ir . - E a minha irmã ? - perguntou o Ron bruscamente . - Bem , quanto_a isso foi uma pena - disse Lockhart , evitando olhá os em os olhos , abrindo uma gaveta e começando a despejar o seu conteúdo dentro_de um saco . - Ninguém lamenta mais do_que eu ... - O senhor é o professor de Defesa contra as artes negras - disse Harry . - Não pode ir se embora agora_que todas estas coisas de magia negra estão a acontecer aqui . - Bem , devo dizer te que ... quando aceitei o lugar ... - resmungou Lockhart , empilhando soquetes sobre os mantos - nada em a descrição de o meu trabalho fazia prever ... - Quer_dizer que vai fugir ? - perguntou Harry , incrédulo . - Depois de todas_as coisas que conta em os seus livros ? - Os livros podem ser enganadores - disse Lockhart delicadamente . - Mas foi o senhor que os escreveu - gritou Harry . - Meu rapaz - disse Lockhart , endireitando se e franzindo as sobrancelhas - usa o senso comum . Os meus livros não teriam vendido metade do_que venderam se as pessoas não acreditassem que eu tinha feito todas aquelas coisas . Ninguém está interessado em ler sobre um velho feiticeiro americano mesmo_que ele tenha salvo uma cidade inteira de os lobisomens , ficaria péssimo em a capa . E a bruxa que correu com a fada carpideira tinha um lábio leporino . Como vês . - Quer_dizer que ficou com os louros por tudo_o_que uma série de outras pessoas fizeram ? - perguntou Harry , sem querer acreditar . - Harry , Harry - disse Lockhart , abanando impacientemente a cabeça . - Não é tão simples assim . Envolveu muito trabalho . Tive de localizar todas essas pessoas , perguntar lhes em pormenor como tinham feito as coisas . Depois tive de lhes fazer um feitiço antimemória para que não voltassem a lembrar se do_que tinham feito . Se há uma coisa de que me orgulho é de os meus feitiços antimemória . Não , tive muito trabalho , Harry . Não foram só as sessões de autógrafos e as fotografias , sabes ? Quem quer ser famoso tem de estar preparado para um trabalho longo e fatigante . Fechou as malas a a chave . - Vejamos - disse . - Acho que está tudo . Sim , só falta uma coisa . - Empunhou a varinha e voltou se para eles . - Lamento muito , rapazes , mas vou ter de vos fazer um feitiço antimemória . Não posso deixar que vão por aí repetir os meus segredos . Não venderia nem mais um livro . Harry pegou em a varinha mesmo a tempo e Lockhart mal tinha levantado a de ele a o ar quando Harry gritou * _ Expelliarmus ! * Lockhart foi projectado de costas , indo cair em cima de a mala . A varinha voou por os ares . Ron agarrou a e atirou a por a janela aberta . - Não devia ter deixado o professor Snape ensinar nos esta - disse Harry furioso , dando um pontapé a uma de as malas . Lockhart olhava para ele , de_novo escanzelado . Harry apontava lhe a varinha . - O que queres que eu faça ? - perguntou debilmente . - Eu não sei onde fica a Câmara_dos_Segredos . Não posso fazer nada . - Está com sorte - disse Harry , forçando o com a varinha a pôr se de pé . - Nós julgamos saber onde é e o que está lá dentro . Vamos . Conduziram Lockhart para fora de o seu escritório , desceram com ele as escadas e seguiram por o corredor escuro em cuja parede brilhavam as mensagens , até a a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mandaram Lockhart a a frente . Harry gostou de ver que todo ele tremia . A Murta_Queixosa estava sentada em a cisterna de o cubículo de o fundo . - Ah ! são vocês - disse a o ver o Harry . - O que querem agora ? - Perguntar te como morreste - disse Harry . O aspecto de a Murta mudou por completo . Parecia que nunca lhe tinham feito uma pergunta tão lisonjeira . - Ooooh ! Foi horrível - disse satisfeita . - Aconteceu aqui mesmo . Morri em este cubículo . Lembro me tão bem . Estava escondida porque a Olive_Hornby andava a implicar comigo por causa de os meus óculos . A porta estava fechada e eu estava a chorar e , então , ouvi alguém entrar . Disseram qualquer coisa estranha em uma língua diferente , acho eu . Mas o que mais me espantou foi o ser um rapaz a falar . Por isso , abri a porta para lhe dizer que fosse a a casa_de_banho de eles e em esse momento - a Murta inchou com ar importante , o rosto a brilhar - morri . - Como ? - perguntou Harry . - Não faço ideia - disse a Murta em um tom de voz abafado . - Só me lembro de ver dois grandes olhos amarelos , de o meu corpo ficar preso e em seguida , sentir me a flutuar ... - olhou sonhadoramente para Harry . - E depois voltei . Estava disposta a vingar me de a Olive_Hornby , percebes ? Ela ia arrepender se de ter gozado com os meus óculos . - Onde foi exactamente que viste os tais olhos ? - perguntou Harry . - Algures por aí - disse a Murta , apontando vagamente para o lavatório em frente de o seu cubículo . Harry e Ron apressaram se . Lockhart estava de pé , mais atrás , com uma expressão de pavor em o rosto . O lavatório parecia perfeitamente vulgar . Examinaram o centímetro a centímetro , dentro e fora , incluindo os canos por baixo . E foi então que Harry reparou : de lado , rabiscada em uma de as torneiras de cobre , estava uma cobra pequenina . - Essa torneira nunca funcionou - disse vivamente a Murta enquanto ele tentava abri a . - Harry - sugeriu o Ron . - Diz qualquer coisa em * serpentês * . Mas , pensou Harry , as únicas vezes que conseguira falar * serpentês * tinham ocorrido quando confrontado com uma verdadeira serpente . Olhou , concentrado para a pequena cobra gravada em o cobre , tentando imaginá a como verdadeira . - Abre te - disse . Olhou para o Ron que abanou a cabeça . - Inglês - disse ele . Harry voltou a olhar para a cobra , forçando se a acreditar que estava viva . A luz de a vela fez parecer que se movia . - Abre te - repetiu . Mas desta_vez as palavras não foram o que ele ouviu . Um estranho sibilar escapou lhe de a boca e a torneira ganhou uma luz branca e brilhante e começou a rodar . Logo_a_seguir o lavatório mexeu se . Afastou se , melhor dizendo , saiu de o caminho , deixando um grande cano a a vista , um cano onde cabia um homem . Harry ouviu a respiração arquejante de o Ron e olhou de_novo para ele . Já decidira o que queria fazer . - Vou descer - disse . Não podia deixar de ir , agora_que acabavam de descobrir a entrada para a câmara , existindo uma possibilidade , por mais remota que fosse , de a Ginny ainda estar viva . - Eu também - disse o Ron . Houve uma pausa . - Bem , parece que não precisam mais de mim - apressou se Lockhart a dizer com uma réstia de sorriso . - Eu vou . . . Pôs a mão em o puxador de a porta mas Ron e Harry apontaram lhe ambos as varinhas . -- O senhor pode ir a a frente - disse rispidamente o Ron . Pálido e sem varinha , Lockhart aproximou se de a entrada . - Meus rapazes - disse em uma voz débil . - Meus rapazes , para quê tudo_isto ? Harry tocou lhe em as costas com a varinha e ele meteu as pernas em o cano . - Eu não me parece que ... - começou a dizer , mas o Ron deu lhe um empurrão e ele desapareceu por o cano abaixo . Harry foi rapidamente atrás . Introduziu se lentamente e deixou se cair . Era como escorregar em uma pista escura e interminável . Ele via outros canos , estendendo se em todas_as direcções mas nenhum tão largo como o de eles que se torcia e virava , inclinando se abruptamente . Harry sabia que estavam a chegar a um ponto muito abaixo de a escola e de os calabouços . Atrás_de si , ouvia o Ron gemendo em cada curva . E então , quando começava a preocupar se com o que iria acontecer quando tocassem em o chão , o cano tornou se horizontal e ele foi projectado com um ruído surdo , indo aterrar em o chão húmido de um túnel de pedra com altura suficiente para ele se pôr de pé . Lockhart estava a levantar se a alguma distancia , todo enlameado e pálido como um fantasma . Harry afastou se para deixar o Ron sair também de o cano . - Devemos estar quilómetros e quilómetros abaixo de a escola - disse o Harry cuja voz ecoou em o túnel negro . - Talvez até debaixo de o lago - arriscou o Ron , olhando em volta para as paredes escuras e viscosas . Voltaram se os três para olhar para a escuridão lá a o fundo . - * _ Lumus ! * - murmurou Harry a a varinha e ela voltou a acender se . - Vamos - disse a o Ron e a o Lockhart e avançaram , os passos a chapinharem ruidosamente em o chão molhado . O túnel era tão escuro que só conseguiam ver alguns centímetros a a frente . As suas sombras em as paredes molhadas pareciam monstruosas a a luz de a varinha . - Lembrem se - disse Harry baixinho enquanto caminhavam . - A o menor movimento fechem logo os olhos ... Mas o túnel era silencioso como um túmulo e o primeiro som inesperado que ouviram foi um grito de o Ron que escorregou em uma coisa que era afinal a cauda de um rato . Harry baixou a varinha para olhar para o chão e viu que estava cheio de pequenos ossos de animais . Fazendo um enorme esforço para evitar pensar em que estado iriam encontrar a Ginny , avançou até uma curva escura de o túnel . - Harry , está aqui qualquer coisa - disse o Ron com voz rouca , agarrando Harry por o ombro . Ficaram estáticos a olhar . Harry só conseguia ver a silhueta de algo enorme e curvo deitado em o túnel . Fosse o que fosse não se movia . - Talvez esteja a dormir - murmurou , olhando para os outros dois . Lockhart tapava os olhos com as mãos . Harry voltou se para olhar para a criatura com o coração a bater tanto que lhe doía em o peito . Lentamente , com os olhos quase fechados mas ainda conseguindo ver , Harry avançou com a varinha levantada . A luz deslizou sobre uma gigantesca pele de serpente , de um verde vivo e venenoso que estava vazia e enrolada em o chão de o túnel . A criatura que a abandonara devia ter , pelo_menos , seis metros e meio de comprimento . - Bolas - disse o Ron , perdendo as forças . Houve um movimento súbito atrás de eles . As pernas de Gilderoy_Lockhart cederam . - Levante se - disse o Ron de uma forma cortante , apontando lhe a varinha . Lockhart pôs se de pé . Em seguida empurrou o Ron , atirando o a o chão . Harry deu um salto , mas ... tarde de mais . Lockhart endireitava se com a varinha de o Ron em as mãos e um sorriso em o rosto . - A aventura acaba aqui , rapazes - disse . - Vou levar um bocado de esta pele de cobra para a escola , contar lhes que foi demasiado tarde para salvar a garota e que vocês os dois perderam tragicamente a memória com a visão de o seu corpinho mutilado . Digam adeus a as vossas recordações . Levantou a o ar a varinha avariada de o Ron e gritou * _ Obliviate ! * A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba . Harry pôs os braços sobre a cabeça e correu , escorregou em os anéis de a pele de cobra , afastando se de os grandes pedaços de tecto de o túnel que caíam em o chão com o ruído de trovões . Pouco depois estava sozinho , olhando para uma sólida parede de rocha partida . - Ron - gritou ele . - Estás bem , Ron ? - Estou aqui - respondeu a voz abafada de o Ron por detrás de a avalancha de rochas . - Eu estou bem mas este sujeito não . A varinha avariou o todo . Ouviu se um ruído surdo e um Oh ! gritado . Parecia que o Ron tinha acabado de dar a o Lockhart um pontapé em as canelas . - E agora ? - disse a voz de o Ron que parecia desesperada . - Não podemos passar , vai demorar séculos . Harry olhou para o tecto de o túnel onde tinham aparecido grandes fendas . Ele nunca tentara partir , através de a magia , nada tão grande como aquelas rochas e agora não lhe parecia ser o melhor momento para fazer experiências . E se o túnel abatesse ? Houve um ruído surdo e outro Oh ! atrás de as rochas . Estavam a perder tempo . A Ginny já estava havia duas horas em a Câmara_dos_Segredos . Harry sabia que só havia uma coisa a fazer . - Espera aqui - gritou a o Ron . - Fica com o Lockhart , eu vou lá . Se não voltar dentro_de uma hora ... Houve um silêncio cheio . - Eu vou ver se desloco um_pouco esta rocha - disse o Ron , tentando manter a voz firme . - Para tu poderes passar . E , Harry ... - Até já - disse o Harry , procurando injectar confiança em a sua voz trémula . E passou sozinho para lá de a imensa pele de serpente . Em_breve , o ruído de o Ron , tentando deslocar a rocha , deixou de se ouvir . O túnel virou uma e outra_vez . Os nervos de o corpo de o Harry tangiam de forma desagradável . Ele só queria que o túnel chegasse a o fim , fosse o que fosse que o aguardasse . E então , finalmente , quando atingiu a última curva , viu em a sua frente uma parede sólida que tinha gravadas duas serpentes enroladas uma em a outra , cujos olhos eram quatro esmeraldas , enormes e brilhantes . Harry aproximou se com a garganta seca . Não foi preciso imaginar que as serpentes eram autênticas . Os seus olhos pareciam estranhamente vivos . Foi fácil descobrir o que tinha de fazer . Pigarreou e os olhos de esmeraldas pareceram mexer se . - Abre te - disse Harry em um sibilar baixo . As serpentes desapareceram enquanto a parede se abria a o meio e , a tremer de os pés a a cabeça , Harry entrou . XVII_Herdeiro_de_Slytherin_Estava de pé em o fundo de uma divisão enorme , fracamente iluminada . Altíssimos pilares de pedra , cheios de serpentes gravadas que os enlaçavam , erguiam se , suportando um tecto que se perdia em a escuridão e que lançava sombras negras imensas através de a estranha luz esverdeada que enchia o local . Com o coração a bater descompassadamente , Harry ficou parado a ouvir aquele silêncio arrepiante . Estaria o Basilisk escondido em um canto cheio de sombras , atrás_de algum pilar ? E onde estaria Ginny ? Pegou em a varinha e avançou a o longo de as colunas serpenteantes . Cada_um de os seus passos provocava um enorme eco em as paredes sombrias . Harry tinha os olhos semicerrados e estava pronto para os fechar a o mais pequeno movimento . As órbitas de olhos fundos de as serpentes de pedra pareciam segui o . Por mais de uma_vez , com o estômago a dar um salto , Harry julgou vê os moverem se . Por fim , chegado a o nível de os dois últimos pilares , avistou uma estátua de a altura de a própria câmara que estava encostada a a parede de o fundo . Harry tinha de esticar o pescoço para olhar para_cima , para a cara de o gigante : era velho e com um ar simiesco , tinha uma barba enorme que lhe caía quase onde acabava a longa túnica de pedra . Os dois pés imensos e cinzentos pousavam em o chão de a câmara . E entre eles , voltada para baixo , estava uma figura pequenina vestida de preto com um cabelo flamejante . - Ginny - murmurou Harry , chegando perto de ela e ajoelhando se . - Ginny , por favor não estejas morta , não estejas morta ! Atirou a varinha para o lado , agarrou Ginny por os ombros e voltou a . O rosto de ela estava branco e frio como o mármore , contudo os olhos encontravam se fechados , portanto não estava petrificada . Mas então devia estar ... - Ginny , acorda por favor - repetiu Harry desesperado , sacudindo a . A cabeça de ela andava de um lado para o outro . - Ela não vai acordar - disse secamente uma voz . Harry deu um salto e girou sobre os joelhos . Um rapaz alto , de cabelo preto , estava encostado a o pilar mais próximo , a observá o . As sombras desfocavam o como_se Harry o visse através_de uma janela embaciada . Mas não havia como confundis o . - Tom , Tom_Riddle ? Riddle acenou , sem tirar os olhos de o rosto de Harry . - O que queres dizer com isso de ela não acordar ? - perguntou Harry desesperado . - Ela não está ... não está ? - Está viva - disse Riddle . - Mas , por um fio . Harry olhou fixamente para ele . Tom_Riddle estivera em Hogwarts há cinquenta anos atrás . Contudo , ali estava com uma luz estranha e desfocada a iluminá o , sem um dia a mais do_que os seus dezasseis anos . - És um fantasma ? - perguntou Harry . - Uma memória - disse Riddle . - Preservada em um diário durante cinquenta anos . Apontou para os pés de a estátua gigantesca . Ali , aberto em o chão , estava o pequeno diário de capa preta que Harry tinha encontrado em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Durante um segundo , Harry perguntou a si próprio como teria ido ali parar , mas havia coisas mais importantes a fazer . Preciso de a tua ajuda , Tom - disse Harry , levantando de_novo a cabeça de a Ginny . - Temos de sair de aqui . Há_um_Basilisk ... não sei onde está mas pode aparecer a qualquer momento . Por favor , ajuda me . Riddle não se mexeu . Harry , a transpirar , conseguiu levantar ligeiramente a Ginny de o solo e inclinou se para pegar em a varinha mas ela tinha desaparecido . - Viste a ... ? Olhou para_cima . Riddle continuava a olhá o , fazendo girar a varinha entre os dedos longos . - Obrigado - disse Harry , esticando o braço para a agarrar . Um sorriso surgiu então em os cantos de a boca de Riddle que continuou a olhar para ele , girando indolentemente a varinha . - Ouve , pá - disse Harry sem querer perder mais tempo , os joelhos a vergarem sob o peso morto de Ginny - temos de ir . Se o Basilisk aparece ... - Ele não vem enquanto não for chamado - disse Riddle com toda_a calma . Harry voltou a pousar Ginny em o chão , incapaz de a segurar por mais tempo . - Que queres dizer com isso ? - perguntou . - Dá me a minha varinha , posso precisar de ela . O sorriso de Riddle ampliou se . - Não vais precisar de ela - disse . Harry olhou o espantado . - O que queres dizer , não vou ? - Esperei muito_tempo por isto , Harry - disse Riddle . - Pela possibilidade de te ver , de falar contigo . - Olha , eu acho que tu não estás a perceber - disse Harry , perdendo a paciência . - Estamos em a Câmara_dos_Segredos , podemos conversar mais tarde . - Vamos conversar agora - disse Riddle , sorrindo de orelha a orelha e guardando a varinha de Harry em o bolso . Harry voltou a olhar para ele . Havia qualquer coisa de muito estranho em tudo aquilo . - Como é_que a Ginny ficou assim ? - perguntou pausadamente . - Bem , essa é uma pergunta interessante - disse Riddle , divertido . - E uma longa história , também . Julgo que o verdadeiro motivo que levou Ginny_Weasley a ficar assim foi o ter aberto o seu coração e revelado todos os seus segredos a um estranho ser invisível . - De quem estás a falar ? - perguntou Harry . - De o diário - disse Riddle . - De o meu diário . A Ginny escreve nele há meses e meses , contando me todas_as suas lamentáveis desgraças e atribulações : como os irmãos a arreliam , que teve de vir para a escola com manto , túnica e livros em segunda mão - os olhos de Riddle brilharam -- , que acha que o maravilhoso , o grande , o famoso Harry_Potter nunca vai gostar de ela ... Enquanto falava , nunca os olhos de Riddle se afastaram de a cara de o Harry . Havia em eles um olhar ávido . - É muito chato ter de ouvir as preocupações idiotas de uma garotinha de onze anos - prosseguiu . - Mas eu fui paciente . Respondi lhe , mostrei me simpático e amável . A Ginny pura e simplesmente adorou me . - * _ Nunca ninguém me compreendeu como tu , Tom ... estou tão feliz por ter este diário a quem me confiar ... é como ter um amigo que pode andar em o meu bolso * ... Riddle riu se . Um riso alto , frio , que não lhe ficava bem . Fez com que os cabelos de o pescoço de Harry se arrepiassem todos . - Verdade se diga que sempre consegui encantar as pessoas necessárias . Portanto a Ginny verteu em mim a sua alma e a alma de ela era precisamente o que eu queria . Fortaleceu me . Alimentei me de os seus medos mais profundos , de os seus mais obscuros segredos . Fui ficando cada_vez_mais forte e poderoso . Muito mais poderoso do_que a pequena Miss_Weasley até que comecei a transmitir lhe alguns de os meus segredos , a passar um_pouco de a minha alma para ela ... - O que queres dizer ? - perguntou Harry cuja boca ficara totalmente seca . - Ainda não descobriste , Harry_Potter ? - disse Riddle muito baixo . - Giony_Weasley abriu a Câmara_dos_Segredos , estrangulou os galos de a escola e escreveu mensagens assustadoras em as paredes . Atiçou a serpente de Slytherin contra quatro sangues de lama e contra o gato de o busca-pé . - Não - murmurou Harry . - Sim - disse calmamente Riddle . - É claro que a princípio não sabia o que estava a fazer . Era muito divertido . Gostava que visses as coisas que escreveu em o diário , começaram a ficar muito mais interessantes . * _ Querido_Tom * - recitou ele , olhando para a expressão horrorizada de o Harry . - * _ Acho que estou a perder a memória . Há penas de galo em todas_as minhas roupas e eu não sei como foram lá parar . Querido_Tom , não me lembro do_que fiz em a noite de o Hallowe'en mas foi atacada uma gata e eu estou cheia de tinta em a cara . Querido_Tom , o Percy não pára de me dizer que ando pálida e não pareço eu . Acho que ele suspeita de mim ... Houve outro ataque hoje e eu não sei onde estava . Tom , que vou eu fazer ? Acho que estou a ficar maluca ... acho que ando a atacar toda_a_gente , Tom ! * Harry tinha os punhos fechados , as unhas cravadas contra a palma de as mãos . - Levou muito_tempo até a pequenina estúpida deixar de confiar em o diário - disse Riddle . - Mas acabou por ficar desconfiada e tentou livrar se de ele . E é aí que tu entras , Harry . Tu encontraste o . E eu não poderia ter ficado mais satisfeito . De todas_as pessoas que poderiam ter ficado com ele , foste tu , aquele que eu ambicionava conhecer ... - E porque querias conhecer me ? - perguntou Harry . Começava a ser tomado por a raiva e fez um esforço para manter o tom de voz controlado . - Bem , a Ginny contou me tudo a teu respeito - disse Riddle . - A tua fascinante história . - Os seus olhos pousaram em a cicatriz em a testa de Harry e a sua expressão ganhou maior avidez . - Sabia que devia descobrir mais a teu respeito , falar te , encontrar me contigo se fosse possível . Por isso , para ganhar a tua confiança , resolvi mostrar te a famosa captura que fiz de aquele demente de o Hagrid . - O Hagrid é meu amigo - disse Harry já com a voz a tremer . - E tu tramaste o , não foi ? Pensei que tinha sido um engano , mas ... Ele riu se . O mesmo riso de antes . - Era a minha palavra contra a palavra de ele . Imagina a cara de o velho Armando_Dippet . De um lado Tom_Riddle , pobre mas brilhante , sem pais mas corajoso , prefeito de a escola , um modelo de aluno . De o outro lado , o Hagrid , grande e disparatado , arranjando problemas semana sim , semana não , tentando criar filhotes de lobisomens debaixo de a cama , escapando se para a floresta proibida para lutar com gigantes . Mas , devo admitir que até eu próprio fiquei admirado com os excelentes resultados de o meu plano . Pensei que alguém perceberia que o Hagrid nunca poderia ser o herdeiro de Slytherin . Demorei cinco anos inteirinhos até descobrir tudo_o_que me foi possível sobre a Câmara_dos_Segredos e a sua entrada secreta ... como_se o Hagrid tivesse cabeça ou poder ! - Só o professor de Transfiguração , Dumbledore , parecia achar que ele estava inocente . Convenceu Dippet a mantê o aqui e a treiná o como guarda de os campos . Sim , é natural que Dumbledore tenha adivinhado , nunca gostou de mim como os outros professores . - Aposto que Dumbledore viu através_de ti - disse Harry , de dentes cerrados . - Pelo_menos passou a vigiar me de perto , a partir de o momento em que o Hagrid foi expulso - disse Riddle descuidadamente . - Eu sabia que não era seguro voltar a abrir a câmara enquanto ainda estava em a escola mas não ia desperdiçar os longos anos que passara a pesquisar . Decidi , por isso , deixar um diário preservando em as suas páginas o meu ego de dezasseis anos para que um dia , com um_pouco de sorte , pudesse levar outro a seguir os meus passos e acabar o nobre trabalho de Salazar_Slytherin . - Bem , não o acabaste - disse Harry triunfante . - Ninguém morreu até agora , nem mesmo a gata . Dentro_de poucas horas a poção de mandrágoras estará pronta e todos os que foram petrificados voltarão de_novo a si . - Não acabei de te dizer que matar sangues de lama já não me interessa ? Há muitos meses que o meu alvo és tu . Harry olhou para ele . - Podes imaginar como fiquei furioso quando em outro dia o diário foi aberto e vi que era a Ginny quem estava a escrever e não tu . Ela viu te com o diário e entrou em pânico . E se tu descobrisses como trabalhar com ele e eu te repetisse todos os seus segredos ? Ainda pior , e se eu te contasse quem tinha andado a estrangular os galos ? Por isso , a grande palerma esperou que o teu dormitório estivesse deserto e foi lá roubá o . Mas eu sabia o que tinha de fazer . Estava muito claro para mim que a tua meta era o herdeiro de Slytherin . Por tudo_o_que a Ginny me contara a teu respeito , sabia que irias até onde fosse preciso para desvendar o mistério , principalmente se um de os teus melhores amigos tivesse sido atacado . E a Ginny disse me que a escola toda bichanava por tu falares * serpentês * ... Por isso , obriguei a Ginny a escrever a sua própria despedida em a parede , a vir até aqui e esperar . Ela debateu se e gritou e ficou muito chatinha . Mas , já não tem muita vida : pôs grande parte de ela em o diário , deu me a . O suficiente para eu abandonar , por fim , as suas páginas . Desde_que aqui cheguei que estou a a tua espera . Sabia que virias . Tenho muitas perguntas a fazer te , Harry_Potter . - Que perguntas ? - disse Harry com os punhos fechados . - Bem - prosseguiu Riddle , sorrindo de satisfação : - Como é_que um bebé sem especiais talentos de magia foi capaz de derrotar o maior feiticeiro de sempre ? Como conseguiste escapar só com uma cicatriz quando os poderes de Lord_Voldemort foram destruídos ? Havia agora em os seus olhos um brilho vermelho e irado . - O que é_que te interessa saber como eu escapei ? - disse Harry lentamente . - Voldemort veio depois de ti . - Voldemort - disse Riddle - é o meu passado , o meu presente e o meu futuro , Harry_Potter ... Tirou a varinha de o Harry de o bolso e começou a escrever em o ar três palavras brilhantes : TOM_MARVOLO_RIDDLE_Em seguida , fez um gesto com a varinha e as letras de o seu nome reagruparam se de outro modo . : __ eu sou lord __ voldemort ( I am Lord_Voldemort ) . - Vês ? - murmurou . - Era um nome que eu já usava em Hogwarts , para os meus amigos mais íntimos apenas , como é óbvio . Achas que ia usar para sempre o nome nojento de o meu pai Muggle ? Eu , em cujas veias , por o lado materno , corre o sangue de Salazar_Slytherin ? Eu , manter o nome de um Muggle tolo que me abandonou ainda antes de eu nascer só porque descobriu que a mulher com quem casara era uma bruxa ? Não , Harry , arranjei um novo nome , um nome que eu sabia que os feiticeiros de todo_o_mundo viriam um dia a ter medo de pronunciar , quando eu me tivesse tornado o maior feiticeiro de o mundo . A cabeça de Harry parecia bloqueada . Olhou como_que paralisado para Riddle , para o rapaz de o orfanato que depois de crescer iria matar os seus pais e tantos outros . Por fim , com algum esforço conseguiu falar . - Não és - disse em uma voz calma e cheia de ódio . - Não sou o quê ? - perguntou Riddle irritado . - Não és o maior feiticeiro de o mundo - disse Harry com a respiração acelerada . - Lamento desiludir te mas o maior feiticeiro de o mundo é Albus_Dumbledore . Toda_a_gente sabe . Mesmo tu , quando tinhas força , não ousavas tentar aproximar te de Hogwarts . Dumbledore viu através_de ti quando andavas em a escola e ainda agora te assusta onde quer que te escondas . O sorriso desaparecera de o rosto de Riddle , fora substituído por um olhar furioso . - Dumbledore foi afastado de este castelo por a minha simples memória - sibilou . - Ele não está tão longe como pensas - retorquiu Harry . Falava por falar , tentando assustar Riddle , desejando mais que assim fosse do_que acreditando em as suas palavras como uma verdade . Riddle abriu a boca mas não chegou a falar . Tinha começado a ouvir se uma música . Riddle deu uma volta , olhando para a câmara vazia . A música estava a ficar mais alta . Era misteriosa , arrepiante , sobrenatural . Fez_Harry ficar com os cabelos em pé e o coração aumentar lhe em o peito . Por fim , quando atingiu um ponto tão alto que Harry a sentiu vibrar dentro de as suas costelas , começaram a sair chamas de o topo de o pilar mais próximo . Uma ave carmesim de o tamanho de um cisne surgiu , assobiando a sua estranha melodia para o tecto em forma de abóbada . Tinha uma cauda dourada tão longa como a de um pavão e garras douradas e brilhantes que seguravam uma trouxa andrajosa . Segundos depois , a ave voava em direcção a Harry . Deixou cair a coisa andrajosa a os seus pés e pousou lhe pesadamente em o ombro . Quando abriu as enormes asas , Harry olhou para_cima e viu que tinha um longo bico afiado e olhos escuros pequenos e brilhantes . A ave parou de cantar . Ficou quieta junto de a cara de Harry , olhando fixamente para Riddle . - É uma fénix , disse Riddle , olhando sagazmente para ela . - Fawkes ? - murmurou Harry e sentiu as garras douradas apertarem lhe devagarinho o ombro . - E aquilo - disse Riddle , olhando para a coisa velha que Fawkes deixara em o chão - é o velho chapéu seleccionador , de a escola . Era , de facto . Amachucado , puído e sujo , o chapéu jazia imóvel a os pés de Harry . Riddle começou a rir . Riu se tanto que a câmara escura se lhe juntou em um eco tal que parecia que dez Riddles se riam ao_mesmo_tempo . - Eis o que Dumbledore envia a o seu defensor . Um pássaro que canta e um chapéu velho . Estás cheio de coragem , Harry_Potter ? Sentes te agora mais seguro ? Harry não respondeu . Podia não estar a ver a vantagem de a Fawkes ou de o chapéu seleccionador mas já não se sentia só , e esperou corajosamente que Riddle parasse de rir . - Vamos a o que importa , Harry - disse ele , ainda com um enorme sorriso . - Encontrámo nos duas vezes em o teu passado , em o meu futuro . E duas vezes falhei a o tentar matar te . Como foi que sobreviveste ? Conta me tudo . Quanto_mais falares , mais tempo tens de vida . Harry pensava rapidamente , medindo as suas possibilidades . Riddle tinha a varinha . Ele , Harry , tinha a Fawkes e o chapéu seleccionador que não lhe serviriam de muito em o combate . As coisas pareciam más , é certo . Mas quanto_mais tempo Riddle ali estivesse , mais vida retirava a a Ginny ... e , entretanto , Harry reparou que a silhueta de Riddle se tornava mais nítida , mais sólida . Se tinha de haver uma luta entre os dois , quanto_mais depressa melhor . - Ninguém sabe porque perdeste os poderes quando me atacaste - disse bruscamente . - Eu próprio não sei . Mas sei porque não conseguiste matar me . A minha mãe morreu para me salvar . A minha mãe , uma vulgar filha de Muggles - acrescentou , a tremer de raiva . - Ela impediu que tu me matasses . E eu vi te como tu és , em o ano passado . És um destroço , quase não existes . Foi onde o teu poder te levou . Estás sob um disfarce , és horrível e és louco . O rosto de Riddle contorceu se . Em seguida , forçou um sorriso pavoroso . - Quer_dizer , então , que a tua mãe morreu para te salvar . Sim , é um antifeitiço poderoso . Compreendo agora , afinal não há em ti nada de especial . Eu tinha curiosidade , sabes , porque há uma estranha semelhança entre nós , Harry_Potter . Até tu deves ter reparado . Somos ambos meio sangue , órfãos , educados com Muggles , provavelmente os dois únicos que falam * serpentês * desde o grande Slytherin , até nos parecemos um_pouco fisicamente ... mas afinal foi apenas uma questão de sorte que te salvou de mim . Era o que eu queria saber . Harry ficou parado , tenso , a a espera que Riddle levantasse a varinha mas o seu sorriso cínico ampliou se de_novo . - Agora , Harry , vou dar te uma pequena lição . Vamos confrontar os poderes de Lord_Voldemort , herdeiro de Salazar_Slytherin e de o famoso Harry_Potter , munido com as melhores armas que Dumbledore lhe deu . Lançou um olhar divertido a a Fawkes e a o chapéu seleccionador e , em seguida , afastou se . Harry com as pernas entorpecidas por o medo viu o parar entre dois pilares altos e olhar para a cara de pedra de Slytherin , lá em cima em a semi-obscuridade . Riddle abriu a boca e sibilou mas Harry compreendeu o que ele dizia . - * _ Responde-me , Slytherin , o maior de os quatro de Hogwarts * . Harry voltou se para olhar melhor para a estátua com Fawkes pousada em o ombro . A gigantesca cara de pedra de Slytherin movia se . Horrorizado , Harry viu a boca abrir se mais e mais até se transformar em um buraco negro . E algo se agitava dentro de a boca de a estátua . Algo se arrastava para fora de as suas entranhas . Harry recuou até a a parede escura de a câmara e enquanto fechava os olhos com força sentiu a asa de a Fawkes roçar lhe o rosto e levantar voo . Harry quis gritar : - Não me abandones ! - mas que possibilidades tinha uma fénix contra o rei de as serpentes ? Uma coisa enorme bateu em o chão de pedra que Harry sentiu estremecer . Sabia o que estava a acontecer , podia sentis o , quase podia ver a serpente gigantesca a sair de a boca de Slytherin . Foi então que ouviu a voz de Riddle sibilar : * _ Mata-o * . O Basilisk avançava em direcção a Harry . Ele ouvia o seu corpo enorme escorregar pesadamente por o chão cheio de pó . Com os olhos sempre fechados , Harry começou a correr para o lado , a as cegas , com as mãos abertas a tactear o caminho . Riddle ria se a as gargalhadas . Harry escorregou e caiu em o chão de pedra e a boca soube lhe a sangue . A serpente estava a poucos centímetros de ele . Podia ouvi a a aproximar se . Ouviu se um crepitar explosivo por cima de ele e alguma coisa pesada bateu lhe com tanta força que ele ficou encostado a a parede . Esperando que os dentes de a serpente lhe perfurassem o corpo , ouviu mais ruídos e qualquer coisa que se agitava com força contra os pilares . Não conseguiu evitar . Abriu bem os olhos para ver o que se passava . A enorme serpente , brilhante , de um verde veneno , espessa como o tronco de um carvalho , erguera se em o ar e a sua imensa cabeça agitava se de um lado para o outro , entre os dois pilares . Quando Harry , a tremer , se preparava para fechar de_novo os olhos , percebeu o que distraíra a cobra . Fawkes esvoaçava em volta de a sua cabeça e o Basilisk , furioso , tentava agarrá a com os dentes longos e afiados como sabres . Fawkes mergulhava . Harry deixou de ver o bico fino e dourado e uma brusca chuva de sangue escuro inundou o chão . A cauda de a serpente agitou se , não batendo em o Harry por_pouco e antes que ele pudesse fechar os olhos voltou se . Harry olhou lhe para a cara e viu que os seus olhos , os dois olhos amarelos e bolbosos tinham sido perfurados por a fénix . O sangue escorria por o chão e a serpente cuspia cheia de dores . - * _ Não * - Harry ouviu o grito de Riddle . - * _ Deixa a ave , deixa a ave , o rapaz está atrás_de ti , ainda podes cheirá o . Mata o ! * A serpente cega oscilou confusa , ainda em fúria . Fawkes andava a a volta de a cabeça de ela soprando a sua misteriosa cantilena , picando lhe aqui_e_ali o nariz cheio de escamas , enquanto o sangue jorrava de os seus olhos destruídos . - Ajudem me . Ajudem me - murmurava Harry aflito . - Alguém , ajude me . A cauda de a serpente chicoteou de_novo o chão . Harry baixou se . Algo macio tocou lhe em o rosto . O Basilisk lançara o chapéu seleccionador para os braços de o Harry que o agarrou . Era tudo_o_que tinha , a sua única esperança . Enfiou o em a cabeça e começou a ficar achatado contra o chão , enquanto a cauda de o Basilisk se lançava de_novo sobre ele . - Ajudem me , ajudem me - pensou Harry , os olhos comprimidos debaixo de o chapéu . - Por favor , ajudem me . Nenhuma voz lhe respondeu . Em vez de isso , o chapéu contraiu se como_se uma mão invisível o tivesse espalmado devagarinho . Alguma coisa muito dura e pesada caíra sobre a cabeça de Harry , conseguindo quase derrubá o . A ver estrelas em frente de os olhos , agarrou o chapéu para o puxar para baixo e sentiu lá dentro uma coisa longa e dura . Uma espada brilhante tinha surgido dentro de o chapéu . Tinha um cabo cravejado de rubis de o tamanho de pequenos ovos . - Mata o rapaz , deixa a ave . O rapaz está atrás_de ti . Cheira o ! Harry estava de pé , preparado . A cabeça de o Basilisk caía , o corpo serpenteava , batendo nos pilares quando se torcia para ficar de frente para ele . Harry podia ver as enormes órbitas ensanguentadas , a boca toda aberta , suficientemente grande para o engolir inteiro , munida de dentes tão longos como a sua espada , finos , brilhantes , venenosos ... Começou a atacar a as cegas . Harry baixou se e a serpente bateu em a parede de a câmara . Atacou de_novo e a sua língua bifurcada lambeu a parede ao_lado_de Harry que levantou a espada com ambas as mãos . O Basilisk investiu mais_uma_vez e agora a pontaria foi certa . Harry pôs todo o seu peso contra a espada e enterrou a até a os copos em o céu de a boca de a serpente . Mas quando o sangue quente lhe encheu os braços , sentiu uma dor aguda mesmo acima de o cotovelo . Um longo dente venenoso penetrava cada_vez_mais fundo em o seu braço , partindo se quando o Basilisk tombou para o lado , perdendo os sentidos . Harry escorregou a o longo de a parede , apertou com força o dente que estava a derramar veneno por todo o seu corpo e arrancou o de o braço . Mas sabia que era demasiado tarde . Uma dor quente emanava lenta e perseverantemente de a ferida . Quando deixou cair o dente e viu o seu próprio sangue manchando lhe as vestes , a vista começou a ficar turva e a câmara a diluir se em uma rotação ardente e colorida . Mas algo escarlate passou por ele e Harry ouviu a o seu lado um suave ruído de garras . - Fawkes - disse com a voz empastada . - Foste sensacional , Fawkes . - Sentiu o pássaro encostar a sua elegante cabeça a o sítio onde o dente de a serpente o tinha ferido . Ouviu passos ecoarem em o vazio e em seguida uma sombra escura moveu se em a sua frente . - Estás morto , Harry_Potter - disse a voz de Riddle , acima de ele . - Morto . Até o pássaro de Dumbledore sabe de isso . Vês o que ele está a fazer ? A chorar . Harry piscou os olhos . A cabeça de Fawkes ora estava focada , ora desfocada . Lágrimas grossas como pérolas escorriam de as suas penas . - Vou sentar me aqui a ver te morrer , Harry_Potter . Leva o teu tempo , eu não tenho pressa . Harry sentiu se sonolento . Tudo parecia girar a a sua volta . - E assim acaba o famoso Harry_Potter - disse a voz distante de Riddle . - Sozinho em a Câmara_dos_Segredos , esquecido por os amigos , finalmente derrotado por o Senhor de o mal que ele tão imprudentemente desafiou . Vais reunir te a a tua querida mãe sangue de lama , Harry ... Ela deu te doze anos de tempo emprestado ... Mas Lord_Voldemort apanhou te em o fim , como sabias que teria de acontecer . Se morrer é isto , pensou Harry , não é assim tão mau . Até a dor estava a desaparecer . Mas , estaria a morrer ? Em_vez_de ficar mais escura a câmara parecia voltar a estar nítida . Harry fez um pequeno gesto com a cabeça e viu a Fawkes ainda repousando a cabeça em o seu ombro . Uma fiada de pérolas brilhava em volta de a ferida , só que já não havia ferida . - Sai de aqui , pássaro - disse subitamente a voz de Riddle . - Afasta te de ele . Já te disse , sai de aqui ! Harry levantou a cabeça . Riddle apontava a sua varinha a Fawkes . Ouviu se um tiro que parecia de carabina e Fawkes levantou novamente voo em um rodopio de ouro e escarlate . - Lágrimas de fénix - disse Riddle em voz baixa , olhando para o braço de o Harry . - É claro ... poderes curativos ... esqueci me ... Olhou para a cara de Harry . - Mas não faz mal . Pensando bem , eu até prefiro assim . Tu e eu , Harry_Potter ... Tu e eu ... Levantou a varinha . Então , em um golpe de asa , Fawkes voou sobre as cabeças de ambos , deixando cair uma coisa em o colo de Harry : o diário . Durante uma fracção de segundo , tanto Harry como Riddle , ainda com a varinha levantada , ficaram a olhar para aquilo . Em seguida , sem pensar , sem ponderar , como_se pensasse fazê o desde o princípio , Harry agarrou o dente de o Basilisk que estava em o chão , junto de ele , e espetou o em o coração de o caderno . Ouviu se um grito longo e terrível . A tinta esguichou em torrentes de dentro de o diário , derramando se sobre as mãos de o Harry e inundando o chão . Riddle torcia se e contorcia se , agitando se a os gritos . E , por fim . Desapareceu . A varinha de Harry caiu a o chão com um ruído e fez se silêncio . Um silêncio apenas cortado por o ping ping de a tinta que ainda escorria de o diário . Com um leve crepitar , o veneno de o Basilisk abrira um buraco mesmo em o meio de o caderno . A tremer de os pés a a cabeça , Harry pôs se de pé . Sentia tudo a andar a a roda como_se tivesse viajado quilómetros e quilómetros com o pó de * _ Floo * . Lentamente apanhou a varinha e o chapéu seleccionador e com um grande estrondo retirou a espada de o céu de a boca de a serpente . Ouviu se então um gemido fraco a o fundo de a câmara . Ginny estava a mexer se . Quando Harry chegou junto de ela , sentou se . Os seus olhos abismados saltaram de o Basilisk morto para Harry em a sua roupa cheia de sangue e , em seguida , para o diário que ele tinha em as mãos . Soltou um enorme soluço e os seus olhos encheram se de lágrimas . - Harry , oh ! Harry , eu tentei dizer te a o pequeno-almoço mas não fui capaz em frente de o Percy . Era eu , Harry , mas eu ... eu ... juro que não queria ... o Riddle obrigou me , levou me e ... como é_que mataste esse bicho ? Onde está o Riddle ? A última coisa de que me lembro foi de o ver a sair de o diário ... - Está tudo bem - disse Harry , mostrando lhe o diário com o buraco de o dente . - O Riddle acabou , olha . Ele e o Basilisk . Anda , Ginny , vamos embora de aqui . - Vou com certeza ser expulsa - disse Ginny a chorar enquanto Harry a ajudava a pôr se de pé . - Desde_que o Bill veio para Hogwarts que eu sonhava vir também para cá e agora vou ter de me ir embora e ... O que vão a minha mãe e o meu pai dizer ? Fawkes esperava por eles , suspensa em o ar , a a entrada de a câmara . Harry fez a Ginny avançar , passaram sobre os anéis parados de o Basilisk , por a escuridão cheia de ecos e voltaram a o túnel . Harry ouviu as portas de pedra fecharem se atrás de eles com um leve sibilar . Depois de alguns minutos a caminhar por o túnel escuro , chegou a os ouvidos de Harry o som distante de o deslocar de uma rocha . - Ron - gritou ele , apressando se . - A Ginny está bem . Está aqui comigo ! Ouviu o Ron gritar de alegria e , voltando em a curva logo_a_seguir , viram a sua cara ansiosa a espreitar por a fresta que conseguira abrir durante a avalancha . - Ginny ! - Ron estendeu o braço por a fresta para a puxar primeiro . - Estás viva . Não posso acreditar . O que aconteceu ? Tentou abraçá a mas a Ginny afastou o , soluçando . - Mas estás bem , Ginny - disse o Ron , sorrindo para ela . - Já passou tudo ... De onde veio esse pássaro ? Fawkes passara por a abertura , atrás_de Ginny . - É de o Dumbledore - explicou Harry , espremendo se para caber também . - E como arranjaste uma espada ? - perguntou o Ron , olhando para a arma brilhante que Harry tinha em a mão . - Eu explico te tudo quando sairmos de aqui - disse Harry , lançando um olhar de esguelha a a Ginny . - Mas ... - Mais tarde - disse Harry rapidamente . Não lhe parecia uma boa ideia contar a o Ron quem tinha aberto a câmara , ali , em frente de a Ginny . - Onde está o Lockhart ? - Ali atrás - disse o Ron , a rir e a abanar a cabeça em direcção a o cano . - Está em muito mau estado . Anda ver . Conduzidos_pela_Fawkes , cujas grandes asas escarlates emitiam um suave dourado que brilhava em a escuridão , voltaram a o lugar onde o cano começava . Gilderoy_Lockhart estava sentado a falar sozinho . - Perdeu a memória - disse o Ron . - O feitiço de a memória fez ricochete . Não sabe quem é nem onde está , nem_sequer sabe quem nós somos . Eu disse lhe que viesse para aqui e esperasse . É um perigo para ele próprio . Lockhart olhou os bem-disposto . - Olá - disse . - Que lugar estranho , este . É aqui que vocês moram ? -- Não - respondeu o Ron , levantando as sobrancelhas para o Harry . Harry baixou se e observou o túnel escuro e longo . - Já pensaste como é_que vamos sair de aqui ? - perguntou a o Ron . O amigo abanou a cabeça mas Fawkes , a fénix , tinha passado por o Harry e estava agora em o ar , em frente de ele , os olhos como pérolas a brilharem em o escuro . Abanava as longas penas douradas de a cauda . Harry olhou para ela , inseguro . - Ela parece querer que a agarres - disse o Ron , perplexo . - Mas tu és muito pesado para um pássaro . - A Fawkes - disse Harry - não é um pássaro qualquer . Voltou se rapidamente para os companheiros . - Temos de nos agarrar uns a os outros . Ginny , agarra a mão de o Ron . O professor Lockhart ... - Ele está a falar consigo - disse o Ron secamente . - Agarre a outra mão de a Ginny . Harry guardou a espada e o chapéu seleccionador em o cinto . Ron deitou a mão a a roupa de Harry e Harry agarrou as penas de a cauda , estranhamente quentes , de a Fawkes . Sentiu uma extraordinária leveza apoderar se de todo o seu corpo e em seguida estavam todos a voar por o cano acima . Harry conseguia ouvir Lockhart , lá atrás , comentando : - Espantoso , isto parece mágico ! Ar frio batia em os cabelos de Harry e antes que ele deixasse de gostar de a viagem já ela acabara . Os quatro tinham chegado a o chão molhado de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa e , enquanto Lockhart endireitava o chapéu , o lavatório voltara a o seu lugar , tapando o cano . A Murta arregalou os olhos . - Vocês estão vivos - disse inexpressivamente a o Harry . - Não é preciso mostrares te tão desiludida - respondeu ele , muito sério , limpando as nódoas de sangue e lodo de os óculos . - Bem ... é_que eu pensei que se vocês morressem seriam bem-vindos a a minha casa_de_banho - disse a Murta com um rubor prateado . - Urgh ! - fez o Ron , quando saíram de ali para o corredor deserto . - Harry , acho que a Murta está a gostar de ti . Tens concorrência , Ginny ! A Ginny continuava a chorar silenciosamente . - Onde vamos agora ? - perguntou o Ron , olhando ansiosamente para ela . Harry apontou . Fawkes indicava o caminho , com o seu tom dourado que brilhava em o corredor . Seguiram a e pouco depois estavam em o escritório de a professora Mc_Gonagall . Harry bateu e empurrou a porta que estava encostada . XVIII_A recompensa de Dobby_Durante alguns momentos reinou o silêncio enquanto Harry , Ron , Ginny e Lockhart estavam em a entrada de a porta . Cobertos de pó e de lama e ( em o caso de o Harry ) sangue . Em seguida , ouviu se um grito . - Ginny ! Era_Mrs._Weasley que tinha estado a chorar , sentada em frente de o lume . Pôs se de pé em um salto , seguida de Mr._Weasley e precipitaram se ambos para a filha . Harry olhava para trás de eles . Dumbledore rejubilava junto de a lareira , a o lado de a professora Mc_Gonagall que , agarrada a o queixo , respirava com dificuldade . Fawkes rasou as orelhas de o Harry e foi instalar se em o ombro de Dumbledore , ao_mesmo_tempo que Harry dava por si em os braços de Mrs._Weasley . - Tu salvaste a ! Salvaste a ! : __ como foi que __ conseguiste ? - Acho que todos nós gostaríamos de saber - disse , sem energia , a professora Mc_Gonagall . Mrs._Weasley soltou o Harry , que hesitou um momento . Depois , foi até a a secretária e colocou sobre o tampo o chapéu seleccionador , a espada cravejada de rubis e o que restava de o diário de Riddle . Em seguida , contou lhes tudo . Falou durante quase um quarto de hora em o silêncio extasiado : contou lhes de a voz sem corpo que ouvia , como a Hermione acabara por descobrir que se tratava de um Basilisk que circulava em os canos , como ele e o Ron tinham seguido as aranhas até a a floresta , que Aragog lhes dissera que a última vítima de o Basilisk morrera , como tinham chegado a a conclusão que se tratava de a Murta_Queixosa e que a entrada para a Câmara_dos_Segredos devia ser em aquela casa_de_banho ... - Muito bem - elogiou a professora Mc_Gonagall quando ele se calou . - Então tu descobriste onde era a entrada , infringindo uma centena de regras de a escola por o caminho , devo dizer , mas como diabo saíram vocês vivos de lá de dentro ? Harry , com a voz já um_pouco rouca de falar tanto , contou lhes de a chegada de a Fawkes e de o chapéu seleccionador que lhe tinha dado a espada . Mas , chegando aí , hesitou . Até a o momento evitara referir se a o diário de Riddle ou a a Ginny . Ela tinha a cabeça encostada a o ombro de Mrs._Weasley e as lágrimas corriam lhe ainda por o rosto . E se a expulsassem ? - pensou Harry , tomado de pânico . O diário de Riddle já não funcionava ... quem poderia provar que fora ele que a obrigara a fazer tudo aquilo ? Olhou instintivamente para Dumbledore que sorria , o fogo iluminando lhe os óculos de meia-lua . - O que mais me interessa saber - disse Dumbledore amavelmente - é como conseguiu Lord_Voldemort enfeitiçar a Ginny quando as minhas fontes me dizem que ele se esconde habitualmente em as florestas de a Albânia . Um alívio , quente e glorioso percorreu Harry de a cabeça a os pés . - O quê ? - disse Mr._Weasley , em uma voz estupefacta . - O Quem nós sabemos enfeitiçou a Ginny ? Mas a Ginny não ... a Ginny não morr ... ? - Foi este diário - esclareceu Harry rapidamente . E mostrando o a Dumbledore . - O Riddle escreveu o quando tinha dezasseis anos . Dumbledore pegou em o diário e olhou atentamente por cima de o seu nariz longo e adunco para as páginas queimadas e húmidas . - Fantástico - disse em voz baixa . - É claro que ele deve ter sido o aluno mais brilhante que alguma vez passou por Hogwarts . - Olhou em volta para os Weasley que o observavam com um ar totalmente confuso . - Muito poucas pessoas sabem que Lord_Voldemort se chamou em tempos Tom_Riddle . Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos , em Hogwarts . Ele desapareceu depois de deixar a escola , viajou muito , mergulhou tão fundo em as artes de a magia negra , associado a os piores feiticeiros , realizou transformações mágicas tão perigosas que quando reapareceu como Lord_Voldemort estava totalmente irreconhecível . Ninguém o relacionou com o rapazinho inteligente e bonito que aqui foi , em tempos , chefe de turma . - Mas a Ginny - insistiu Mrs._Weasley . - O que tem a nossa Ginny que ver com ele ? - O diário - soluçou Ginny . - Eu andei todo o ano a escrever em o diário e ele respondia me ... - Ginny ! - repreendeu Mr._Weasley . - Não aprendeste nada do_que te ensinei ? Não me cansei de dizer te que nunca confiasses em nada que não pensasse por si próprio * se não conseguisses ver onde tinha o cérebro ? * Porque não me mostraste o diário , a mim ou a a tua mãe ? Um objecto suspeito como esse tinha de estar cheio de magia negra ! - Eu não sabia - soluçou Ginny . - Estava junto de os livros que a mãe me comprou . Pensei que alguém se tinha esquecido de ele ali . - É melhor Miss_Weasley ir imediatamente para a ala hospitalar - interrompeu Dumbledore com voz firme . - Foi sujeita a uma prova terrível . Não será castigada . Outros feiticeiros mais velhos do_que ela têm sido ludibriados por Lord_Voldemort . - Dirigiu se a a porta e abriu a . - Repouso , cama e talvez uma caneca de chocolate quente . A mim , anima me sempre - acrescentou , piscando lhe simpaticamente o olho . - Vais ver que Madam_Pomfrey ainda está acordada . Ela tem estado a dar o sumo de Mandrágora , julgo que as vítimas de o Basilisk estarão a acordar dentro_de momentos . de alegria . - Então a Hermione está bem ! - disse o Ron , cheio de alegria . - Não houve danos irreversíveis - disse Dumbledore . Mrs._Weasley saiu com a Ginny e Mr._Weasley seguiu as ainda bastante abalado . - Sabes , Minerva - disse pensativo o professor Dumbledore - acho que tudo_isto merece um banquete . Posso pedir te que previnas os cozinheiros ? - Certamente - disse animada a professora Mc_Gonagall , dirigindo se também a a porta . - Deixo te a tratar de as coisas com o Potter e o Weasley , está bem ? - Claro - disse Dumbledore . Saiu e os dois olharam inseguros para Dumbledore . Que quereria ela dizer com tratar de as coisas ? Certamente não iriam ser castigados ? - Lembro me de vos ter dito a ambos que teria de vos expulsar se voltassem a quebrar as regras de a escola - disse Dumbledore . Ron abriu a boca horrorizado . - O que vem mostrar nos que as melhores pessoas , às_vezes , têm de engolir as suas próprias palavras . - Dumbledore sorriu e continuou : - Vocês vão receber ambos uma recompensa especial por serviços prestados a a escola e ... deixem me ver , sim , acho que duzentos pontos cada_um para os Gryffindor . Ron ficou tão corado que parecia as flores de S._Valentim_do_Lockhart e voltou a fechar a boca . - Mas um de vós parece demasiado calado sobre a sua participação em esta perigosa aventura - acrescentou Dumbledore . - Porquê tanta modéstia , Gilderoy ? Harry estremeceu . Esquecera se por completo de Lockhart . Voltou se e viu o a um canto de a sala ainda com o mesmo sorriso vago . Quando Dumbledore se lhe dirigiu , olhou por cima de o ombro para ver com quem ele estava a falar . - Professor_Dumbledore - disse o Ron rapidamente - Houve um acidente lá em baixo , em a Câmara_dos_Segredos . O professor Lockhart - Eu sou um professor ? - perguntou Lockhart surpreendido . - E eu que pensei que era um inútil ! - Tentou fazer um feitiço antimemória e a varinha fez ricochete - explicou Ron_a_Dumbledore . - Incrível - disse Dumbledore , abanando a cabeça , o bigode prateado a tremer . - Trespassado por a tua própria espada , Gilderoy ! - Espada ? - disse Lockhart de forma imprecisa . - Eu não tenho espada . Esse rapaz é_que tem - apontou para Harry . - Ele empresta lhe uma . - Importas te de levar também o professor Lockhart até a a ala hospitalar , Ron ? - disse Dumbledore . - Eu gostava de falar um_pouco mais com o Harry . Lockhart saiu sem pressa . Antes de fechar a porta , Ron lançou um olhar curioso a Dumbledore e Harry . Dumbledore passou para uma de as cadeiras junto de o lume . - Senta te , Harry - disse . E Harry sentou se , sentindo se indescritivelmente nervoso . - Antes de mais , Harry , quero agradecer te - disse Dumbledore com os olhos a brilharem de_novo . - Deves ter demonstrado uma grande lealdade para comigo . Só isso poderia atrair a Fawkes para ir ajudar te . Deu uma palmadinha a a fénix que voara , entretanto , para_cima de os seus joelhos . Harry sorria acanhadamente sob o olhar observador de Dumbledore . - Encontraste , portanto , Tom_Riddle - disse o director amavelmente . - Calculo que ele estaria particularmente interessado em ti ... De repente , algo que Harry tinha engasgado saiu lhe descontroladamente de a boca para fora . - Professor_Dumbledore ... o Riddle disse que eu sou como ele , que há entre nós estranhas semelhanças ... - Ah ! sim ? - Dumbledore olhou pensativamente para ele , por debaixo de as espessas sobrancelhas prateadas . - E o que achas tu de isso ? - Eu não me considero parecido com ele - disse Harry mais alto do_que desejaria . - Isto_é , eu sou um Gryffindor , eu sou ... Mas calou se com uma dúvida a rondar lhe o espírito . - Professor - arriscou passado alguns momentos . - O chapéu seleccionador disse que eu ... teria ficado bem em os Slytherin ; durante algum tempo toda_a_gente pensou que eu era o herdeiro de Slytherin por falar * serpentês * ... - Tu falas * serpentês * , Harry - disse Dumbledore calmamente - porque Lord_Voldemort que é o mais recente antepassado de Salazar_Slytherin , fala * serpentês * . Ou eu me engano muito , ou ele transferiu para ti alguns de os seus poderes em a noite em que te fez essa cicatriz . Não que quisesse fazê o , claro , mas aconteceu . - Voldemort pôs um_pouco de si próprio em mim ? - disse Harry assombrado . - É o que parece ter acontecido . - Então eu deveria estar em os Slytherin - disse Harry , olhando desesperado para o rosto de Dumbledore . - O chapéu seleccionador viu em mim os poderes de Slytherin e ... -- Pôs te em os Gryffindor - concluiu tranquilamente Dumbledore . - Ouve , Harry , tu tens por acaso muitas de as capacidades que Salazar_Slytherin apreciava em os seus estudantes cuidadosamente seleccionados . O seu raro dom de falar * serpentês * , desenvoltura , determinação , um certo desprezo por as regras estabelecidas - acrescentou com o bigode a tremer de_novo . - Mas ainda_assim , o chapéu seleccionador pôs te em os Gryffindor . E sabes porquê ? Pensa um_pouco . - Só me pôs em os Gryffindor - disse Harry em uma voz débil - porque eu pedi para não ir para os Slytherin . - Exacto - disse Dumbledore a sorrir . - E isso torna te muito diferente de o Tom_Riddle . São as tuas escolhas , Harry , que mostram quem de facto tu és , mais do_que as tuas capacidades . Harry sentou se , imóvel e espantado , em a cadeira . - Se queres provas de que o teu lugar é em os Gryffindor , sugiro que vejas isto com mais atenção . Dumbledore aproximou se de a secretária de a professora Mc_Gonagall , pegou em a espada de prata ensanguentada e mostrou lhe a . Sem perceber , Harry voltou a ao_contrário . Os rubis brilharam a a luz de a lareira e foi então que ele reparou em o nome gravado mesmo por baixo de o copo de a espada . GODRIC_GRYFFINDOR . - Só um verdadeiro Gryffindor poderia ter tirado a espada de dentro de o chapéu , Harry - disse , com simplicidade , Dumbledore . Durante um minuto , nenhum de os dois falou . Depois , Dumbledore abriu uma de as gavetas de a secretária de a professora Mc_Gonagall e retirou de lá uma pena e um tinteiro . - Tu precisas de comer e ir dormir . Sugiro que desças para o banquete enquanto eu escrevo para Azkaban . Precisamos de recuperar o nosso guarda de os campos . E tenho de esboçar um anúncio para o * _ Profeta_Diário * - acrescentou pensativo . - Vamos precisar de um novo professor de Defesa contra as artes negras . É um problema , estamos sempre a perdê os . Harry levantou se e dirigiu se a a porta . Tinha acabado de estender a mão para o puxador quando ela se abriu tão violentamente que saltou de as dobradiças . Lucius_Malfoy estava de pé , furioso . E , debaixo de o braço , embrulhado em diversas ligaduras , estava Dobby . - Boa tarde , Lucius - disse Dumbledore , de forma amena . Mr._Malfoy quase derrubou Harry enquanto entrava em a sala . Dobby dava passos miudinhos atrás de ele , inclinado até a a bainha de o seu manto com um olhar apavorado em o rosto . - Então - disse Lucius_Malfoy com os olhos fixos em Dumbledore - voltaste . Os membros de o Conselho_Directivo suspenderam te , mas tu mesmo_assim sentiste te capaz de voltar a Hogwarts . - Bem vês , Lucius - disse Dumbledore , sorrindo serenamente . - Os outros membros de o Conselho contactaram me hoje . Fui envolvido em um redemoinho de corujas , todos queriam contar me a verdade . Ouviram dizer que a filha de Arthur_Weasley tinha sido morta e queriam me novamente aqui . Parece que me consideravam o melhor homem para o lugar . Contaram me algumas histórias muito estranhas . Alguns de eles tinham a impressão que tu tinhas ameaçado amaldiçoar lhes as famílias se não concordassem com a minha suspensão . Mr._Malfoy ficou ainda mais pálido do_que de costume , mas os olhos continuavam cheios de fúria . - Então já acabaste com os ataques ? - rosnou . - Apanhaste o culpado ? - Já , sim - disse Dumbledore com um sorriso . - E quem é ? - perguntou Malfoy secamente . - A mesma pessoa de a última vez , Lucius - disse Dumbledore . Mas desta_vez , Lord_Voldemort agiu através_de outra pessoa , por_meio_de um diário . Pegou em o pequeno caderno com o buraco em o meio , observando Mr._Malfoy de perto . Mas Harry olhava para Dobby . O elfo fazia um sinal muito estranho . Com os seus grandes olhos fixos em Harry , não parava de apontar para ó diário e , em seguida , para Mr._Malfoy , batendo logo_a_seguir com o punho em a cabeça . - Estou a ver ... - disse Mr._Malfoy lentamente a Dumbledore . - Um plano inteligente - afirmou o director em um tom de voz suave , continuando a olhar Mr._Malfoy directamente em os olhos . - Porque se não fosse aqui o Harry e o seu amigo Ron a descobrirem o diário , sem dúvida Ginny_Weasley teria ficado com todas_as culpas . Ninguém teria conseguido provar que ela agira contra a sua própria vontade . Mr._Malfoy não se pronunciou . O seu rosto parecia agora uma máscara . - E vê bem - continuou Dumbledore - o que poderia ter acontecido ... os Weasley são uma de as mais proeminentes famílias de feiticeiros de sangue puro , imagina o efeito em a imagem de Arthur_Weasley e em a sua acção de protecção a os Muggles , se a sua própria filha fosse acusada de atacar e matar filhos de Muggles . Foi uma sorte o diário ter sido descoberto e as memórias de Riddle apagadas . Quem sabe que consequências poderia ter tido ? Mr._Malfoy falou contra vontade . - Sim , foi uma sorte - disse secamente . E , em as suas costas , Dobby continuava a apontar para o diário e para Lucius_Malfoy , batendo depois com o punho em a cabeça . E Harry finalmente percebeu . Fez um sinal a Dobby que correu a esconder se em um canto , torcendo desta_vez as orelhas para se castigar . - Não quer saber como a Ginny obteve esse diário , Mr._Malfoy ? - perguntou Harry . Lucius_Malfoy voltou se para ele . - Como queres que eu saiba onde é_que a estúpida de a garota o arranjou ? - Porque foi o senhor quem lhe o deu - disse Harry . - Em a Flourish and Blotts . O senhor pegou em o livro velho de ela de Transfiguração e meteu o diário lá dentro , não foi ? Viu as mãos brancas de Mr._Malfoy abrirem se e fecharem se . - Prova isso - sibilou . - Oh ! ninguém vai poder prová o - disse Dumbledore sorrindo a o Harry . - Não agora_que o Riddle desapareceu de o caderno . Por outro lado , aconselharia te , Lucius , a não dares mais nenhuma de as coisas velhas de Lord_Voldemort . Se mais alguma for parar a as mãos de crianças inocentes , acho que o Arthur_Weasley fará com que se voltem com toda_a sua carga negativa contra ti . Lucius_Malfoy ficou calado um momento e Harry viu claramente a sua mão direita torcer se como_se desejasse chegar a a varinha . Em vez de isso , voltou se para o seu elfo doméstico . - Vamos , Dobby . Abriu a porta e quando o elfo se aproximou deu lhe um pontapé que o projectou para longe . Ouviram se em o escritório os gritos de dor de Dobby em o corredor . Harry pensou durante um momento e depois decidiu se . - Professor_Dumbledore - disse apressadamente . - Posso dar o diário outra_vez a Mr._Malfoy ? - Certamente , Harry - disse Dumbledore com toda_a calma . - Mas não demores , olha o banquete . Harry agarrou em o diário e saiu de o escritório . Os gritos de dor de Dobby afastavam se ao_longe . Sem perder tempo , perguntando a si próprio se o plano poderia resultar , Harry tirou um de os sapatos , puxou uma de as peúgas enlameadas e viscosas e meteu o diário lá dentro . Em seguida correu até a o fundo de o corredor escuro . Apanhou os em o topo de as escadas . - Mr._Malfoy - disse ofegante , parando . - Tenho uma coisa para si . E meteu a peúga mal cheirosa em a mão de Lucius_Malfoy . - O que é ... ? Mr._Malfoy tirou o diário de dentro de a peúga , deitou a fora e olhou furioso para o caderno estragado e para Harry - Ainda vais acabar por ter um fim igual a o de os teus pais um dia de estes , Harry_Potter - disse em voz baixa . - Eles também eram uns idiotas metediços . Voltou se para se ir embora . - Anda , Dobby , vem ! Mas Dobby não se mexeu . Tinha em as mãos a peúga nojenta de o Harry e olhava para ela como_se fosse um tesouro de valor incalculável . - O senhor deu uma peúga a o Dobby - disse o elfo maravilhado . - Deu a a o Dobby . - O que é isso ? - cuspiu Mr._Malfoy . - Que estás para aí a dizer ? - Dobby tem uma peúga - repetiu incrédulo . - O senhor deitou a fora e Dobby apanhou a e Dobby agora é livre ... Lucius_Malfoy ficou paralisado a olhar para o elfo . Em seguida precipitou se para Harry . - Fizeste me perder o meu servo , rapaz . Mas Dobby gritou : - Não pense que vai fazer mal a o Harry_Potter ! Ouviu se um enorme estrondo e Mr._Malfoy foi empurrado de costas , galgando os degraus de as escadas a três_e_três e indo aterrar lá em baixo todo embrulhado e amarrotado . Levantou se , o rosto lívido e pegou em a varinha , mas Dobby estendeu lhe um dedo ameaçador . - Vá se embora já - disse furioso , apontando para Mr._Malfoy . - Não tocará em o Harry_Potter . Vá se embora , já . Lucius_Malfoy não teve escolha . Lançando a os dois um último olhar de cólera , embrulhou se em o manto e desapareceu . - Harry_Potter libertou Dobby ! - disse o elfo com voz esganiçada , olhando para Harry , a luz de o luar reflectida em os seus grandes olhos em forma de globos . - Harry_Potter libertou Dobby . - Era o mínimo que eu podia fazer , Dobby - disse Harry a sorrir -- , mas promete me que não vais voltar a tentar salvar me a vida . A cara feia e escura de o elfo abriu se , mostrando os dentes , em um enorme sorriso . - Tenho uma pergunta a fazer te , Dobby - disse Harry enquanto o elfo pegava em a peúga de ele com as mãos a tremer . - Disseste me que tudo_isto não tinha nada que ver com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Lembras te ? - Era uma pista , senhor - disse Dobby com os olhos muito abertos como_se fosse absolutamente óbvio . - Dobby estava a dar lhe uma pista . Antes de o senhor de o mal mudar de nome , o seu nome podia ser pronunciado , está a ver ? - Certo - disse Harry sem grande convicção . - Bem , é melhor eu ir indo embora . Há um banquete e a minha amiga Hermione já deve ter acordado ... Dobby lançou os braços a a cintura de Harry e abraçou o . - Harry_Potter é muito maior do_que Dobby imaginava ! - soluçou . - Adeus , Harry_Potter . E com um estalido final , Dobby desapareceu . Harry assistira a diversos banquetes , mas nenhum que se parecesse com aquele . Estavam todos de pijama e a festa durou a noite inteira . Harry não sabia se o melhor tinha sido a Hermione a correr para ele e a gritar : - Tu conseguiste . Tu conseguiste ! , ou o Justin saindo disparado de a mesa de os Hufflepuff para lhe estender a mão , desfazendo se em desculpas por ter suspeitado de ele , ou o Hagrid que apareceu a as três_e_meia e que lhes deu palmadas com tanta força em os ombros que eles foram parar dentro de os pratos de bolo de creme , ou os quatrocentos pontos que ele e o Ron obtiveram para os Gryffindor , ganhando a taça de a equipa por a segunda vez consecutiva , ou a professora Mc_Gonagall de pé , a comunicar lhes que os exames tinham sido cancelados como medida de a escola ( Oh ! não ! exclamou Hermione ) , ou Dumbledore a anunciar que , infelizmente , o professor Lockhart não poderia voltar em o ano seguinte por ter de se ausentar a_fim_de recuperar a memória . Alguns de os professores juntaram se a os alunos que aplaudiram entusiasmados esta notícia . - Que pena - disse Ron , servindo se de um * dounut * de presunto . - E eu que começava a gostar de ele ... O resto de o período de Verão decorreu sob um sol escaldante . Hogwarts voltara a a normalidade , apenas com algumas pequenas diferenças : as aulas de Defesa contra as artes negras foram canceladas ( Mas nós tivemos imensa prática - disse o Ron vendo o descontentamento de Hermione ) e Lucius_Malfoy foi demitido de o Conselho_Directivo . Draco já não passeava por ali como_se fosse o dono de a escola . Pelo_contrário , tinha um ar melindrado e carrancudo . Por outro lado , Ginny_Weasley andava de_novo feliz de a vida . Em_breve chegou o dia de regressarem a casa em o Expresso_de_Hogwarts . Harry , Ron , Hermione , Fred , George e Ginny encheram um compartimento . Tiraram o_máximo partido de aquelas últimas horas em que lhes era permitido usar a magia antes de as férias . Brincaram a as explosões , gastaram o último fogo-de-artíficio Filibuster , de o Fred e de o George e treinaram o mútuo desarmamento através de a magia . Harry começava a ficar muito bom em aquilo . Já estavam perto de a estação de King's_Cross quando Harry se lembrou de uma coisa . - Ginny , o que foi que viste o Percy fazer que ele não queria que nos contasses ? - Ah ! isso - disse a Ginny a rir . - Bem , é_que o Percy tem uma namorada . Fred deixou cair uma pilha de livros em a cabeça de o George . - O quê ? - É aquela prefeita de os Ravenclaw ' Penelope_Clearwater - disse a Ginny . - Foi para ela que ele escreveu durante todo o Verão . Encontravam se em a escola em grande segredo . Eu apanhei os a beijarem se em uma sala de aula vazia e ele ficou tão aflito quando ela foi ... sabes ... atacada . Não vais aborrecê o , pois não ? - perguntou cheia de ansiedade . - Que ideia - respondeu Fred com uma tal satisfação em o rosto que parecia que o seu aniversário chegara mais cedo . - Claro que não - disse o George a rir se a a socapa . O Expresso_de_Hogwarts abrandou e finalmente parou . Harry tirou a pena e um_pouco de pergaminho e voltou se para Ron e Hermione . - Isto_é um número de telefone - disse ele a o Ron , escrevinhando o duas vezes , cortando o pergaminho a o meio e dando lhes os números . - Eu expliquei a o teu pai como usar um telefone em o Verão passado . Ele sabe fazer a chamada . Liga me para_casa de os Dursley , O. _ K. ? Não consigo suportar outros dois meses sem ter mais ninguém com quem falar ... - Mas a tua tia e o teu tio vão ficar orgulhosos de ti , não vão ? - perguntou Hermione quando saíram de o comboio e se misturaram em a multidão que se encontrava junto de a barreira encantada . - Quando souberem o que fizeste este ano . - Orgulhosos ? - disse Harry . - Estás doida ! Podendo eu ter morrido tantas vezes e tendo escapado ? Vão ficar é furiosos ... E juntos avançaram até a a entrada para o mundo de os Muggles . ----------------- J._K._Rowling_Harry_Potter e a Câmara_dos_Segredos_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Chamber of Secrets_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling 1998 Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 2000 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 2.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 Depósito legal : 143.569/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , a a Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Para_Séan_P._F._Harris , condutor imparável e um amigo de os diabos . I_O pior aniversário Não era a primeira vez que uma discussão estoirava a a mesa de o pequeno-almoço , em o número 4 de a Privet_Drive . Mr._Vernon_Dursley fora acordado de manhã cedo por o piar ruidoso que vinha de o quarto de o seu sobrinho Harry . - É a terceira vez esta semana ! - resmungou , a a mesa . - Se não consegues controlar essa coruja , ela não pode ficar aqui . Harry tentou , mais_uma_vez , explicar . - Ela está aborrecida . Estava habituada a voar livremente lá fora . Se eu pudesse , ao_menos , soltá a a a noite ... - Achas me com cara de idiota ? - perguntou rispidamente o tio Vernon , com um fio de ovo preso em o bigode farfalhudo . - Sei muito bem o que aconteceria se essa coruja fosse lá para fora . Trocou um olhar soturno com a mulher , a tia Petúnia . Harry tentou contra-argumentar , mas as suas palavras foram abafadas por um enorme arroto de o filho de os Dursleys , Dudley . - Quero mais bacon . - Há mais em a frigideira , fofinho - disse a tia Petúnia , lançando um olhar vago a o seu filho maciço . - Tens que te alimentar bem enquanto aqui estás , aquela comida de a tua escola não me cheira . - Disparate , Petúnia , eu nunca passei fome enquanto andei em Smeltings - afirmou com sinceridade o tio Vernon . - O Dudley tem que chegue . Não é verdade , filho ? Dudley , que era tão gordo que o rabo saía de os dois lados de a cadeira de a cozinha , sorriu laconicamente e voltou se para Harry . - Passa me a frigideira . -- Esqueceste te de a palavra mágica - disse Harry , irritado . O efeito que esta simples frase teve em o resto de a família foi inacreditável : Dudley começou a arfar e caiu de a cadeira com um estrondo que abalou a cozinha , Mrs._Dursley deu um gritinho e bateu com a mão em a boca , Mr._Dursley pôs se de pé com as veias de as têmporas dilatadas . - Eu queria dizer « por favor » - explicou Harry rapidamente . - Não me referia a ... - : __ o que é_que eu te __ disse - vociferou o tio , espalhando perdigotos sobre a mesa - : __ sobre pronunciar a palavra m . em esta __ casa ? - Mas eu ... - : __ como te atreves a ameaçar o __ dudley ! - rosnou o tio Vernon , batendo com o punho em a mesa . - Eu só ... - : __ estás avisado . não vou admitir referências a tua anormalidade debaixo de o tecto de a minha __ casa ! Harry olhou alternadamente para o rosto congestionado de o tio e para a palidez de a tia que tentava pôr o Dudley de pé . - Está bem - disse Harry . - Está bem ... O tio Vernon voltou a sentar se , respirando como um rinoceronte exausto e observando Harry de perto por o canto de os seus olhos pequeninos e penetrantes . Desde_que Harry regressara para as férias de Verão que o tio Vernon o tratava como_se ele fosse uma bomba , capaz de explodir a qualquer momento , porque Harry não era um rapazinho normal . Em a verdade , ele era o menos normal que é possível imaginar . Harry_Potter era um feiticeiro , um feiticeiro que acabara de concluir o primeiro ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts e a infelicidade que os Dursleys sentiam por ele estar lá em casa não era nada comparada com a de Harry . As saudades de Hogwarts eram tão intensas que se assemelhavam a uma constante dor em o estômago . Sentia a falta de o castelo com as suas passagens secretas e os seus fantasmas , de as aulas ( com excepção talvez de as de Snape , o professor de as poções ) , de o correio a chegar trazido por as corujas , de os banquetes em o salão nobre , de as noites em as camas de dossel em a camarata de a torre , de as visitas a Hagrid , o guarda de os campos em a sua casinha em o bosque , junto de a floresta proibida e , principalmente , sentia a falta de o Quidditch , o desporto mais popular de o mundo de os feiticeiros ( seis postes altos de golo , quatro bolas esvoaçantes e catorze jogadores em_cima_de vassoura ) . Todos os livros de feitiços de Harry , assim_como a varinha , os mantos , o caldeirão e a vassoura topo de gama Nimbus dois_mil tinham sido encerrados por o tio Vernon em a despensa que ficava debaixo de as escadas , em o momento em que Harry regressara a casa . O que é_que lhes interessava se ele perdia ou não o seu lugar em a equipa de Quidditch por não ter praticado durante todo o Verão ? Que importância tinha para eles que o Harry voltasse a a escola sem ter podido fazer os trabalhos de casa ? Os Dursleys eram aquilo que os feiticeiros chamam « Muggles » ( nem uma gota de sangue mágico em as veias ) e , para eles , ter um feiticeiro em a família era motivo de grande vergonha . O tio Vernon tinha , inclusivamente , fechado a cadeado a coruja de Harry , Hedwig , dentro de a gaiola , para evitar que ela transportasse mensagens para a gente de o mundo de a feitiçaria . Harry não se parecia em nada com o resto de a família . O tio Vernon era atarracado e sem pescoço , dotado de um enorme bigode preto ; a tia Petúnia tinha um rosto cavalar e era esquelética ; Dudley era loiro e rosado como um porquinho . Harry , pelo_contrário , era baixo e franzino , com os olhos verdes brilhantes e cabelo negro sempre desalinhado . Usava uns óculos redondos e tinha em a testa uma cicatriz em forma de relâmpago . Era essa cicatriz que o tornava tão invulgar , mesmo para um feiticeiro . Era a única alusão a o seu passado misterioso , a o motivo por o qual , onze anos antes , tinha sido deixado em o degrau de a porta de os Dursleys . Com um ano de idade , Harry sobrevivera a uma maldição de o maior feiticeiro negro de todos os tempos , Lord_Voldemort , cujo nome a maior parte de os feiticeiros e feiticeiras ainda receia pronunciar . Os pais de Harry tinham morrido em um ataque de Voldemort , mas ele escapara com a sua cicatriz em forma de relâmpago e estranhamente , ninguém compreendeu porquê , os poderes de Voldemort tinham sido destruídos em o momento em que não fora capaz de matar o Harry . Por isso , ele foi criado por a irmã de a sua falecida mãe e respectivo marido . Passou dez anos com os Dursleys , sem nunca compreender porque fazia com que acontecessem coisas estranhas , alheias a a sua vontade , acreditando em a história de os Dursleys de que aquela cicatriz fora resultado de um acidente de automóvel em que os pais tinham morrido . E um dia , precisamente um ano antes , Hogwarts escrevera lhe e fora então que tudo começara . Harry fora ocupar o seu lugar em a escola de feitiçaria , onde ele e a sua cicatriz eram famosas ... mas agora o ano escolar chegara a o fim e estava de_novo com os Dursleys . Durante o Verão , voltara a ser tratado como um cão malcheiroso . Os Dursleys nem se tinham lembrado que aquele era o dia de o seu décimo segundo aniversário . É claro que não tivera grandes expectativas : eles nunca lhe tinham dado um presente a sério , muito menos um bolo , mas ignorarem o por completo ... Em esse momento , o tio Vernon pigarreou com um ar importante e disse : - Como todos sabem , hoje é um dia muito importante . Harry olhou para ele , mal conseguindo acreditar . - Pode bem ser que eu faça hoje o maior negócio de toda_a minha vida - afirmou . Harry voltou novamente a atenção para a torrada . É claro , pensou amargamente , o tio Vernon referia se a a estúpida dinner-party . Havia quinze_dias que não falava de outra coisa . Um consultor qualquer cheio de massa e a mulher vinham jantar lá a casa e o tio Vernon tinha esperança de conseguir uma grande encomenda ( a empresa de o tio Vernon fabricava brocas ) . - Acho que devíamos recapitular mais_uma_vez - disse o tio Vernon . - Devemos estar todos a postos a as oito_horas_em_ponto . Petúnia , tu vais estar ... ? - Em o salão - respondeu a tia Petúnia prontamente - a a espera para lhes dar as boas-vindas a nossa casa . - Bom , bom . E o Dudley ? - Eu vou estar a a espera para abrir a porta . - Dudley esboçou um sorriso falso e afectado . - Dão me licença que vos guarde os casacos , Mr. e Mrs._Mason ? - Eles vão adorá o - exclamou arrebatadamente a tia Petúnia . - Excelente , Dudley - disse o tio Vernon . - A seguir voltou se para o Harry . - E tu ? - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - repetiu o Harry , de forma inexpressiva . - Exactamente - confirmou o tio Vernon , de um modo desagradável . - Eu conduzo os até a o salão , apresento te , Petúnia , e sirvo lhes as bebidas . _ a as oito_e_um_quarto . - Eu chamo para a mesa - disse a tia Petúnia . - E tu , Dudley , vais dizer ... - Dá me licença que lhe indique a casa de jantar , Mrs._Mason ? - repetiu o Dudley , oferecendo o seu braço gordo a uma mulher invisível . - O meu pequenino cavalheiro - fungou a tia Petúnia . - E tu ? - perguntou o tio Vernon a o Harry , em o mesmo tom desagradável . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho , fingindo que não estou lá - respondeu Harry aborrecido . - Isso mesmo . Agora , devíamos ter preparadas algumas frases amáveis para o jantar . Petúnia , alguma ideia ? - O Vernon disse me que o senhor é um excelente jogador de golfe , Mr._Mason ... Tem de me dizer onde comprou esse vestido , Mrs._Mason ... - Perfeito . Dudley ? - Que tal : Tivemos de fazer um trabalho para a escola sobre o nosso herói e eu escrevi sobre o senhor ... Foi de mais , tanto para a tia Petúnia como para o Harry . A tia debulhou se em lágrimas e abraçou o filho , enquanto Harry se esgueirava para debaixo de a mesa para ninguém o ver rir . - E tu , rapaz ? Harry fez um esforço para se mostrar inexpressivo quando emergiu . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - disse . - Vais sim senhor - afirmou o tio Vernon energicamente . - Os Mason não sabem nada a teu respeito e é assim que as coisas vão continuar . Quando o jantar terminar , tu trazes Mrs._Mason para o salão , onde vamos tomar café , Petúnia , e eu puxo o assunto de as brocas . Com um_pouco de sorte , tenho o contrato assinado antes de o noticiário de as dez . Amanhã por esta hora , vamos estar a fazer compras para umas férias em Maiorca . Harry não conseguia sentir o menor entusiasmo com aquilo . Não lhe parecia que os Dursleys gostassem mais de ele em Maiorca do_que em Privet_Drive . - Certo , eu vou a a cidade buscar os casacos para mim e para o Dudley . E tu - resmungou , apontando para Harry - não atrapalhes a tua tia enquanto ela estiver a limpar . Harry saiu por a porta de as traseiras . Estava um dia de sol lindo . Atravessou o relvado , deixou se cair em o banco de o jardim e cantarolou baixinho : - Parabéns para mim ... parabéns para mim ... Nem cartas nem presentes e tinha de passar a noite a fingir que não existia . Olhou infeliz para a sebe . Nunca se sentira tão só . Mais do_que tudo em o mundo , mais do_que de Hogwarts , mais até do_que de o jogo de Quidditch , Harry sentia a falta de os amigos Ron_Weasley e Hermione_Granger . Mas eles não pareciam sentir a falta de ele . Nenhum de os dois lhe escrevera durante todo o Verão apesar_de o Ron ter dito que ia convidá o para passar uns dias lá em casa . Inúmeras vezes Harry estivera quase a libertar magicamente Hedwig de a sua gaiola e mandá a levar uma carta a o Ron e a a Hermione mas não valia a pena correr o risco . Os feiticeiros menores de idade não tinham autorização para usar a magia fora de a escola . Harry não contara isto a os Dursleys . Ele sabia que era o medo de que ele os transformasse a todos em baratas que os impedia de o fecharem a a chave em a despensa debaixo de as escadas , juntamente com a varinha e a vassoura . Em as primeiras semanas Harry divertira se a murmurar baixinho palavras sem sentido e a ver o Dudley sair disparado de o quarto , tão rápido quanto as suas pernas gordas lhe permitiam . Mas o silêncio prolongado de Ron e Hermione tinham o feito sentir se tão longe de o mundo de a magia que até divertir se à_custa_de Dudley perdera o interesse . E agora o Ron e a Hermione tinham se esquecido de o seu aniversário . Quanto não daria ele por uma mensagem de Hogwarts ? De qualquer feiticeiro ou feiticeira ? Quase ficaria satisfeito com um sinal de o seu inimigo feroz , Draco_Malfoy , só para ter a certeza de que tudo aquilo não fora apenas um sonho ... Não que tudo durante o ano em Hogwarts tivesse sido divertido . Mesmo em o fim de o último período , Harry confrontara se nem mais nem menos do_que com o próprio Lord_Voldemort . Voldemort podia ter arruinado o seu ego inicial mas continuava a espalhar o terror , ainda astuto , ainda determinado a recuperar o poder . Harry escapara uma segunda vez a as suas garras mas fora por um triz e mesmo agora , algumas semanas decorridas , acordava de noite encharcado em suores frios , perguntando se onde estaria Voldemort , relembrando o seu rosto lívido , os seus olhos completamente loucos ... Harry sentou se subitamente , direito como um fuso , em o banco de o jardim . Tinha estado a olhar distraído para a sebe e a sebe estava a olhar para ele . Dois enormes olhos verdes surgiram por_entre a folhagem . Harry pôs se de pé ao_mesmo_tempo que uma voz sobrevoava a relva . - Eu sei que dia é hoje - cantarolava Dudley , bamboleando se enquanto se aproximava . Os olhos enormes piscaram e desapareceram . - O quê ? - perguntou Harry sem retirar os olhos de o lugar para_onde estava a olhar . - Eu sei que dia é hoje - repetiu , chegando junto de ele . - Ainda_bem - disse Harry . - Aprendeste finalmente os dias de a semana . - Hoje é o dia de os teus anos - troçou o Dudley . - Por_que é_que não recebeste nenhuma carta ? Não tens amigos em esse lugar esquisito ? - É melhor não deixares a tua mãe ouvir te falar de a minha escola - disse Harry calmamente . Dudley puxou para_cima as calças que estavam a escorregar lhe por o rabo gordo abaixo . - Porque estás a olhar para a sebe . ; - perguntou curioso . - Estou a pensar em as palavras que deverei pronunciar para lhe pegar fogo - disse Harry . Dudley recuou de imediato com um olhar de pânico em a cara rechonchuda . - Tu não p-p-odes , o pai disse que não podias fazer magia ou corria contigo aqui de casa e não tens mais nenhum lugar para_onde ir , não tens amigos que te convidem ... - * _ Jiggery pokery * ! - disse Harry com voz firme . - * _ Hocus pocus ... squiggly wiggly * ... - Maaaaaãe - gritou Dudley , tropeçando em os pés , enquanto se precipitava para dentro_de casa . Maaaãe , ele vai fazer aquela coisa ! Harry deu graças a os céus por aquele momento de gozo . Como não aconteceu nada de mal nem a o Dudley nem a a sebe , a tia Petúnia percebeu que ele não fizera magia nenhuma mas , mesmo_assim , Harry teve de se afastar quando ela lhe deu uma forte pancada em a cabeça com a frigideira cheia de detergente . A seguir distribuiu lhe trabalho e o castigo de só voltar a comer quando tivesse acabado tudo . Enquanto Dudley andava a flanar , olhando para o ar e comendo gelados , Harry limpou as janelas , lavou o carro , aparou a relva , adubou os canteiros , podou e regou as rosas e pintou de_novo o banco de o jardim . O sol ardia lá em cima , queimando lhe a parte de trás de o pescoço . Harry sabia que não devia ter provocado Dudley mas ele dissera precisamente aquilo que ele próprio pensava ... talvez não tivesse amigos em Hogwarts . Deviam ver agora o famoso Harry_Potter , pensou amargamente enquanto espalhava adubo em os canteiros , as costas a doerem lhe e o suor a escorrer lhe por o rosto . Eram sete_e_meia_da_tarde quando , por fim , exausto , ouviu a tia Petúnia a chamá o . - Anda para dentro e passa por cima de os jornais . Harry entrou satisfeito em a sombra de a cozinha que rebrilhava . Sobre o frigorífico estava o bolo de a noite : um enorme monte de crome batido coberto de violetas de açúcar . A carne de porco assava em o forno . - Come depressa , os Mason devem estar a chegar ! - exclamou bruscamente a tia Petúnia , apontando para duas fatias de pão e uma de queijo que estavam em cima de a mesa de a cozinha . Ela já tinha posto um vestido de * cocktail * cor de salmão . Harry lavou as mãos e comeu aquele triste jantar . Mal tinha terminado , a tia Petúnia tirou lhe o prato . - Lá para_cima , rápido ! A o passar por a porta de a sala , Harry vislumbrou o tio Vernon e Dudley de casaco e gravata . Tinha acabado de chegar a o cimo de as escadas quando a campainha de a porta tocou e a cara de o tio Vernon apareceu em o patamar . - Lembra te , rapaz , um ruído que seja ... Harry entrou em o quarto em bicos de pés , fechou a porta e preparou se para se meter em a cama . O problema é_que estava lá alguém sentado . II_O aviso de Dobby_Harry conseguiu não gritar , mas foi por_pouco . A pequena criatura que estava em a cama tinha umas orelhas grandes e largas e uns olhos verdes protuberantes de o tamanho de bolas de ténis . Harry percebeu imediatamente que fora para ele que tinha estado a olhar de manhã . Enquanto olhavam um para o outro , Harry ouviu a voz de Dudley em o * hall * . - Posso guardar os vossos casacos , Mr. e Mrs._Mason ? A criatura escorregou por a cama e curvou se tanto que a ponta de o seu enorme nariz tocou em o tapete . Harry reparou que ele tinha vestido uma espécie de fronha de almofada com buracos para os braços e pernas . - Er ... Olá - disse Harry , um_pouco nervoso . - Harry_Potter ! - exclamou a criatura em uma voz tão estridente que Harry calculou que poderia ouvir se lá em baixo . - Há tanto tempo que Dobby queria conhecê o , senhor . É uma enorme honra ... - Ob-obrigado - disse Harry , deslocando se a o longo de a parede e sentando se em a cadeira de a secretária , junto de Hedwig que dormia em a sua grande gaiola . Queria perguntar lhe « O que és tu ? » , mas pensou que seria má educação , por isso perguntou : - Quem és tu ? - Dobby , senhor . Apenas Dobby , o elfo de casa - afirmou a criatura . - Oh ! A sério ? - perguntou Harry . - Não quero ser mal-educado , mas esta não é a melhor altura para ter um elfo em o meu quarto . O riso falso de a tia Petúnia ouvia se em a sala de jantar . O elfo deixou cair a cabeça . - Não que eu não me sinta feliz por te conhecer - disse Harry rapidamente - mas , er ... estás aqui por algum motivo em especial ? - Oh , sim senhor - disse Dobby muito a sério . - Dobby veio dizer lhe que ... é difícil ... Dobby não sabe por_onde começar ... - Senta te - disse Harry educadamente , apontando lhe a cama . Para seu horror , o elfo debulhou se em lágrimas bastante ruidosas . -- S-senta-te ! - repetiu . - Nunca em toda_a minha vida ... Harry pareceu lhe ouvir as vozes lá em baixo vacilarem . - Desculpa - murmurou . - Eu não queria ofender te ... - Ofender Dobby ! - exclamou o elfo em um sufoco . - Nunca nenhum feiticeiro disse a o Dobby que se sentasse como um seu igual , senhor . Harry , tentando dizer lhe « Sch ... » e confortá o ao_mesmo_tempo , conduziu Dobby de_novo até a a cama onde ele se sentou a soluçar , parecendo uma grande boneca muito feia . Por fim , conseguiu controlar se e ficou quieto , com os seus grandes olhos fixos em Harry em uma expressão de absoluta adoração . - Não deves ter conhecido muitos feiticeiros sérios - disse lhe , tentando animá o . Dobby abanou a cabeça . Em seguida , sem qualquer aviso , saltou e começou a bater furiosamente com a cabeça em a janela , gritando : - Dobby é mau ! Dobby é mau ! - Pára , o que é_que estás a fazer ? - perguntou Harry em um murmúrio sibilante , dando um salto e puxando Dobby de_novo para a cama . Hedwig acordara com um pio particularmente agudo e batia agressivamente com as asas contra as grades de a gaiola . - Dobby tinha que se castigar , meu senhor - afirmou o elfo , que ficara ligeiramente estrábico . - Dobby quase falou mal de a família de ele ... - De a tua família ? - De a família de feiticeiros que Dobby serve , meu senhor ... O Dobby é um elfo de casa , obrigado a servir uma casa e uma família para sempre . - Eles sabem que estás aqui ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Dobby estremeceu . - Oh , não senhor , não ... Dobby vai ter que se castigar muito por ter vindo vê o . Dobby vai ter que entalar as orelhas em a porta de o forno por isto . Se eles soubessem , senhor ... - Mas achas que eles não vão reparar se tu entalares as orelhas em a porta de o forno ? - Dobby duvida , senhor . Dobby está sempre a ter de se castigar por qualquer coisa . Eles deixam que o Dobby se castigue . _ às_vezes até sugerem alguns castigos extra . - Mas por_que é_que não te vais embora , não foges ? - Um elfo de casa tem de ser libertado , senhor . E a família nunca libertará Dobby . Dobby servirá a família até morrer . Harry olhou para ele . - E eu que pensava que era infeliz por ter de ficar aqui mais quatro semanas - declarou . - Isto faz os Dursleys parecerem quase humanos . Será que ninguém te pode ajudar ? Poderei eu ? Em o mesmo momento , Harry desejou não ter aberto a boca . Dobby desfez se em ruidosos soluços de gratidão . - Por favor - murmurou Harry , inquieto . - Por favor , está calado . Se os Dursleys ouvem barulho , se eles sabem que estás aqui ... - Harry_Potter pergunta se pode ajudar Dobby . Dobby ouviu falar de a sua grandeza , mas de a sua bondade , Dobby nada sabia . Harry , que se sentia corar , disse : - Seja o que for que tenhas ouvido sobre a minha grandeza , é um disparate . Nem_sequer sou o melhor de o meu ano em Hogwarts . É a Hermione . Ela ... Mas calou se rapidamente porque pensar em Hermione era lhe doloroso . - Harry_Potter é humilde e modesto - disse Dobby reverentemente , com os seus olhos de globo avermelhados . - Harry_Potter não fala de a sua vitória sobre « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . - Voldemort ? - perguntou Harry . Dobby bateu com as mãos em as enormes orelhas e gemeu : - Ai não diga o nome , senhor . Não diga o nome ! - Desculpa - disse Harry muito depressa . - Eu sei que muita gente não gosta . O meu amigo Ron ... Calou se de_novo . Pensar em o Ron era igualmente doloroso . Dobby voltou para Harry os seus dois olhos grandes como candeeiros . - Dobby ouviu dizer - balbuciou com voz rouca - que Harry_Potter encontrou o Senhor_do_Mal uma segunda vez há poucas semanas atrás ... que Harry_Potter lhe escapou de_novo . Harry acenou e os olhos de Dobby encheram se de lágrimas . - Ah , senhor - disse em um sobressalto , limpando o rosto com a ponta de a fronha de almofada que tinha vestida . - Harry_Potter é valente e arrojado . Enfrentou tantos perigos ! Mas Dobby veio protegê o , avisar Harry_Potter , mesmo_que para isso tenha de entalar as orelhas em a porta de o forno , que Harry_Potter não deve voltar para Hogwarts . Houve um silêncio apenas quebrado por o ruído de os garfos e de as facas lá em baixo e por a voz distante de o tio Vernon . - O q-q-uê ? - gaguejou Harry . - Mas eu tenho de voltar , o ano começa em o dia um de Setembro . É a minha razão de viver . Tu não sabes como são as coisas aqui . Eu não pertenço a este lugar , o meu lugar é em Hogwarts . - Não , não , não - guinchou Dobby , sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas andavam de um lado para o outro . - Harry_Potter deve ficar aqui , onde se encontra a salvo . É demasiado grande , demasiado bom para se perder . Se Harry_Potter regressar a Hogwarts correrá perigo de vida . - Porquê ? - inquiriu Harry , surpreendido . - Há uma conspiração , Harry_Potter . Uma conspiração para fazer acontecer coisas terríveis este ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts - murmurou Dobby que começara a tremer de a cabeça a os pés . - Dobby sabe de isto há meses , senhor . Harry_Potter não deve expor se a o perigo . É demasiado importante . - Que coisas terríveis são essas ? - perguntou Harry sem perder tempo . - Quem está por detrás ? Dobby fez um ruído esquisito e começou a bater com a cabeça contra a parede como um louco . - Está bem - gritou Harry , agarrando o braço de o elfo para o fazer parar . - Não podes dizer , eu compreendo . Mas porque vieste avisar me ? - Um pensamento súbito e desagradável surgiu lhe . - Espera aí , isto tem alguma coisa que ver com o Vol , desculpa com o Quem nós sabemos ? Basta que faças sim ou não com a cabeça - acrescentou com vivacidade enquanto a cabeça de Dobby se inclinava de_novo a uma velocidade preocupante para a parede . Lentamente , Dobby abanou a cabeça . - Não , não é « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . Os olhos de Dobby estavam abertos como_se estivesse a tentar dar a Harry uma pista , mas Harry estava completamente a a nora . - Ele não tem nenhum irmão , ou tem ? Dobby abanou a cabeça , os olhos mais abertos do_que nunca . - Bem , em esse caso não estou a ver quem mais poderia ter a possibilidade de fazer acontecer coisas horríveis em Hogwarts - disse Harry . - Quero dizer , para já está lá o Dumbledore . Sabes quem é Dumbledore , não sabes ? Dobby baixou a cabeça . - Albus_Dumbledore é o melhor director que Hogwarts alguma vez teve . Dobby sabe , senhor . Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore rivalizam com os d'aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Mas , senhor - a voz de Dobby desceu a um urgente murmúrio - há poderes que Dumbledore não ... poderes que nenhum feiticeiro sério ... E antes que Harry conseguisse impedi o Dobby saltou de a cama , agarrou o candeeiro de secretária de Harry e começou a bater com a cabeça , dando uivos ensurdecedores . Fez se silêncio lá em baixo . Dois segundos mais tarde , Harry com o coração a bater como um louco , ouviu o tio Vernon chegar a o * hall * e dizer . - O Dudley deve ter deixado outra_vez a televisão ligada , o maroto ! - Depressa , para dentro de o guarda-fatos - gritou Harry , empurrando Dobby bem para o fundo , fechando a porta e metendo se a correr em a cama mesmo a_tempo_de ver a maçaneta de a porta a girar . - Que diabo estás tu a fazer ? - disse o tio Vernon entre dentes , o rosto assustadoramente próximo de o de Harry . - Acabas de estragar o ponto alto de a minha anedota de o golfista japonês . Eu que oiça mais um som e vais desejar nunca ter nascido , rapaz ! Abandonou o quarto com grandes passadas . A tremer , Harry deixou Dobby sair de o guarda-fatos . - Estás a ver como são as coisas por aqui ? - disse . - Vês porque tenho de voltar para Hogwarts ? É o único sítio onde eu tenho ... bem , onde eu acho que tenho amigos . - Amigos que nem_sequer escrevem a Harry_Potter ? - disse Dobby com ar manhoso . - Calculo que devem ter estado ... espera aí - disse Harry , franzindo a testa . - Como é_que tu sabes que os meus amigos não me têm escrito ? Dobby arrastou os pés . - Harry_Potter não deve zangar se com Dobby . Dobby fez o que achou melhor ... - Tu tens estado a interceptar me as cartas ? - Dobby tem as aqui , senhor - disse o elfo . Saltando para longe de o alcance de Harry , retirou de dentro de a fronha que usava um espesso saco cheio de envelopes . Harry reconheceu de imediato a caligrafia certinha de Hermione , a escrita desordenada de Ron e até uns gatafunhos que pareciam ser de o guarda de os campos de Hogwarts , Hagrid . Dobby piscava ansiosamente os olhos . - Harry_Potter não deve ficar zangado ... Dobby esperava que ... se Harry_Potter pensasse que os amigos o tinham esquecido ... Harry_Potter talvez não quisesse voltar a a escola , senhor . Harry não o ouvia . Fez um gesto para agarrar as cartas , mas Dobby deu um salto , afastando se . - Harry_Potter terá as cartas , senhor , se der a Dobby a sua palavra de não voltar a Hogwarts . Ah , senhor , é um risco que não deve correr . Diga que não volta , senhor ! - Não - afirmou Harry zangado . - Dá me as cartas de os meus amigos ! - Em esse caso , Harry_Potter deixa Dobby sem escolha - disse o elfo tristemente . Antes que Harry pudesse fazer um movimento , Dobby tinha aberto a porta de o quarto e descido a correr por as escadas abaixo . Com a boca seca e um aperto em o estômago , Harry correu atrás de ele , tentando não fazer barulho . Saltou os últimos seis degraus , aterrando como um gato em a carpete de o * hall * , olhando em volta a a procura de Dobby . De a sala de jantar , ouviu a voz de o tio Vernon : - Conte a a Petúnia aquela história engraçadíssima de os funileiros americanos , ela tem estado louca por ouvi a , Mr._Mason . Harry correu de o * hall * para a cozinha e sentiu o estômago ficar pequenino . O pudim , que era a a obra-prima de a tia Petúnia , a montanha de creme batido coberto de violetas de açúcar flutuava junto de o tecto . Em cima de o guarda-louça de o canto , Dobby inclinava se servilmente . - Não - suplicou Harry . - Por favor , eles matam me . - Harry_Potter deve dizer que não vai voltar a a escola ... - Dobby , por favor . - Diga , senhor . - Não posso . Dobby lançou lhe um olhar trágico . - Então , Dobby deve fazê o , senhor , para o bem de Harry_Potter . O pudim foi direito a o chão em uma queda que parecia um coração a parar . O crome esguichou para as janelas e para as paredes , enquanto o prato se despedaçava . Com o ruído de uma chicotada , Dobby desapareceu . Ouviram se gritos em a casa de jantar e o tio Vernon irrompeu por a cozinha onde foi dar com Harry coberto , de a cabeça a os pés , por o pudim de a tia Petúnia . A princípio parecia que o tio Vernon ia conseguir arranjar uma desculpa para aquilo tudo . ( É só o nosso sobrinho , muito perturbado ; conhecer pessoas estranhas deixa o muito nervoso , por isso deixamos o lá em cima ... ) Conduziu_os_Mason , bastante chocados , para a sala de jantar , garantindo a Harry que o esfolava vivo quando os Mason se fossem embora e pôs lhe em as mãos um esfregão . A tia Petúnia descobriu um resto de gelado em o frigorífico e Harry , ainda a tremer , começou a limpar a cozinha . O tio Vernon poderia ainda ter feito o negócio , se não fosse a coruja . Estava a tia Petúnia a circular com uma caixa de After-Eight , quando uma enorme coruja de celeiro fez a sua entrada vertiginosa através de a janela de a casa de jantar , deixando cair uma carta em a cabeça de Mr._Mason e desaparecendo logo_a_seguir . Mrs._Mason gritava como uma carpideira e corria por a casa praguejando contra os lunáticos . Mr._Mason ficou o tempo estritamente necessário para dizer a os Dursleys que a mulher tinha um medo pânico de pássaros de todas_as formas e tamanhos e perguntar lhes se aquela era alguma brincadeira de mau gosto . Harry não saiu de a cozinha , agarrando o esfregão como defesa , enquanto o tio Vernon avançava para ele com um brilho demoníaco em os olhos pequeninos . - Lê isso - ordenou maldosamente . Harry pegou em a carta . Não era a desejar lhe um bom aniversário . * _ Caro_Mr._Potter , * _ Recebermos hoje informações de que um feitiço de suspensão em o ar foi efectuado em sua casa esta noite , a as nove_horas_e_doze_minutos . * _ Como sabe , os feiticeiros menores não estão autorizados a praticar magia fora de a escola e , se efectuar mais um trabalho mágico , será expulso de a nossa escola . ( Decreto_de_Restrições_Razoáveis_para_Feitiçaria_de_Menores , 1875 , parágrafo C. ) * _ Pedimos-lhe também que se lembre que qualquer actividade que possa ser notada por membros alheios a a nossa comunidade ( Muggles ) constitui uma ofensa grave , segundo a secção 13 de a Confederação_Internacional_do_Estatuto_da_Magia_Secreta . * _ Tenha umas boas férias . * Atenciosamente_Mafalda_Hopkirk_Gabinete_da_Utilização_Imprópria_da_Magia_Ministério_da_Magia * . Harry olhou para a carta e engoliu em seco . - Tu não nos contaste que estavas proibido de usar magia fora de a escola - disse o tio Vernon com um brilho maldoso a dançar lhe em os olhos . - Esqueceste te de o mencionar , passou te , não foi ? Tinha se aproximado de Harry como um grande * bulldog * , com todos os dentes a a mostra . - Tenho boas notícias para ti , rapaz , vou fechar te a a chave e , se tentares sair através_de magia , nunca mais voltas a aquela escola , eles expulsam te . E rindo como um louco , arrastou Harry até a o andar de cima . O tio Vernon era mau como as cobras . Em a manhã seguinte pagou a um homem para colocar grades em a janela de o quarto de Harry . Ele próprio abriu um pequeno buraco em a porta de o quarto para que a comida pudesse ser introduzida três vezes por dia . Deixavam o Harry sair para ir a a casa_de_banho de manhã e a o final de a tarde . O resto de o tempo estava fechado em o quarto , a a espera que o tempo passasse . Três dias mais tarde , os Dursleys não mostravam qualquer intenção de abrandar o castigo e Harry não sabia como sair de aquela situação . Estava deitado em a cama , vendo o sol brilhar por_entre as grades de a janela e perguntando se tristemente o que viria a acontecer lhe . Qual era a vantagem de sair de ali por artes mágicas , se Hogwarts o expulsaria em seguida ? Contudo , a vida em Privet_Drive tinha atingido o seu nível mais baixo . Agora_que os Dursleys tinham a certeza que não iam acordar transformados em morcegos , ele perdera a única arma que tinha . O Dobby podia tê o salvo de acontecimentos terríveis em Hogwarts , mas de a maneira que as coisas estavam , ele morreria muito provavelmente a a fome . A portinhola rangeu e a mão de a tia Petúnia apareceu empurrando uma tigela de sopa de pacote para dentro de o quarto . Harry , que estava cheio de fome , saltou de a cama e agarrou a . A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um único trago . A seguir , atravessou o quarto até a a gaiola de Hedwig e pôs os legumes ensopados dentro de o seu pratinho vazio . Ela agitou as penas e olhou o com profunda repugnância . - Não vale de nada virares lhe as costas . É tudo_o_que temos - disse Harry , de modo severo . Colocou a tigela vazia em o chão junto de a portinhola e voltou para_cima de a cama , de certo modo com mais fome do_que antes de ter comido a sopa . Admitindo que estaria ainda vivo dentro_de quatro semanas o que aconteceria se ele não se apresentasse em Hogwarts ? Será que mandariam alguém obrigar os Dursleys a deixá o ir ? O quarto começava a escurecer . Exausto e com o estômago a dar horas , o cérebro a as voltas com as mesmas questões sem resposta , Harry caiu em um sono intranquilo . Sonhou que fazia parte de um espectáculo de o jardim zoológico . Preso a a jaula onde se encontrava estava um cartaz onde podia ler se « feiticeiro menor de idade « . As pessoas olhavam o com olhos protuberantes , enquanto ele jazia fraco e esfomeado em um leito de palha . Viu a cara de o Dobby em o meio de a multidão e gritou lhe , pedindo ajuda , mas o Dobby respondeu : - Harry_Potter está em segurança aí , senhor - e desapareceu . Em seguida vieram os Dursleys e Dudley bateu em as grades de a jaula , rindo se de ele . - Pára com isso - murmurou Harry como_se aquele ruído martelasse em a sua cabeça dorida . - Deixa me em paz , pára com isso , estou a tentar dormir . Abriu os olhos . O luar brilhava através de as grades de a janela . E lá fora alguém olhava de olhos arregalados para ele : alguém de rosto sardento , cabelo ruivo e nariz grande . Ron_Weasley estava de o lado de_fora de a janela . III « A toca » Ron ! - exclamou Harry , arrastando se até a a janela e empurrando a para poderem falar através de as grades . - Ron , como é_que tu , foi o ... ? Harry ficou de boca aberta , espantado com o que viu . Ron estava debruçado de a janela de trás de um velho automóvel azul-turquesa que se encontrava estacionado em o ar . Em os lugares de a frente , rindo se para Harry , estavam os irmãos mais velhos , os gémeos Fred e George . - Tudo bem , Harry ? - O que é_que se tem passado ? - perguntou o Ron . - Porque não respondeste a as minhas cartas ? Convidei te para vires ter comigo umas doze vezes e um dia o pai chegou a casa e comunicou nos que tu tinhas recebido um aviso oficial por usares magia diante de os Muggles ... - Não fui eu . E como é_que ele soube ? - Ele trabalha em o Ministério - disse o Ron . - Tu sabes que nós não podemos fazer feitiços fora de a escola . - Bem , isso vindo de ti ... - exclamou Harry , olhando para o carro flutuante . - Oh , isto não conta - disse Ron . - Foi o meu pai que o emprestou . Não o fizemos aparecer por magia . Mas usar magia em a frente de esses Muggles com quem tu vives ... - Já te disse que não fui eu , mas vai demorar muito_tempo a explicar te isso agora . És capaz de avisar em Hogwarts que os Dursleys me fecharam a a chave e que não querem deixar me voltar e obviamente eu não posso sair de aqui magicamente senão o Ministério vai achar que é a segunda vez em três dias e ... - Pára com essa conversa tola - disse o Ron . - Viemos para te levar connosco . - Mas tu também não podes tirar me de aqui utilizando processos mágicos ... - Não precisamos de isso - afirmou Ron , fazendo um sinal de cabeça para os lugares de a frente . - Esqueces te de quem está aqui comigo . - Amarra isso em volta de as grades - disse o Fred , lançando a Harry a ponta de uma corda . - Se os Dursleys acordam estou feito - lamentou se Harry enquanto dava um nó bem apertado com a corda em uma de as grades e o Fred arrancava com o carro . - Não te preocupes e chega te para trás . Harry recuou para a sombra , para junto de Hedwig que parecia ter se apercebido de a importância de tudo aquilo , mantendo se quieta e em silêncio . O carro puxou mais e mais e , subitamente , com um ruído de ferro a ceder , as grades foram arrancadas de a janela , enquanto Fred conduzia com o céu como estrada . Harry correu de_novo para a janela para ver as grades a balouçarem a poucos metros de o chão . Ofegante , Ron içou as para dentro de o carro . Harry escutou ansiosamente mas não vinha qualquer som de o quarto de os Dursleys . Quando as grades estavam em segurança em os lugares de trás junto de Ron , Fred aproximou se o_máximo que lhe foi possível de a janela . - Anda de aí - disse . - Mas , todas_as minhas coisas de Hogwarts , a minha varinha , a minha vassoura ... - Onde estão ? - Fechadas em a despensa debaixo de as escadas e eu não posso sair de este quarto . . - Não há azar - disse o George . - Sai de a frente , Harry . Fred e George treparam cautelosamente e entraram por a janela em o quarto de Harry . Tinhas que ter aberto a boca , pensou Harry enquanto George tirava de o bolso um vulgar gancho de cabelo e começava a tentar abrir a fechadura . - Muitos feiticeiros acham que é uma perda de tempo aprender os truques de os Muggles - disse o Fred . - Mas nós pensamos que há habilidades que é sempre útil conhecer apesar_de serem um_pouco lentas . Ouviu se um pequeno clique e a porta abriu se . - Pronto , vamos buscar as tuas coisas . Tu vai dando a o Ron aquilo que precisas de aí de o teu quarto - murmurou George . - Cuidado com o degrau de cima que range - sussurrou Harry enquanto os gémeos desapareciam em o escuro . Harry deu a volta a o quarto , recolhendo as suas coisas e passando as por a janela a o Ron . Em seguida , foi ajudar o Fred e o George a trazerem o resto por as escadas acima . Ouviu o tio Vernon tossir . Por fim , de língua de_fora , chegaram a o quarto , junto de a janela aberta . Fred trepou para o carro para puxar os volumes com o Ron enquanto Harry e George os empurravam de dentro de o quarto . Centímetro a centímetro o malão foi passando por a janela . O tio Vernon tossiu de_novo . - Mais um_pouco - disse o Fred que estava a puxar de dentro de o carro . Um bom empurrão , vá . Harry e George encostaram os ombros contra a mala e ela escorregou para a parte de trás de o carro . - O. _ K. , vamos embora - murmurou o George . Mas quando Harry trepava para o parapeito de a janela ouviu se um forte pio atrás de ele , imediatamente seguido de o vociferar de o tio Vernon . - Aquela maldita coruja ! - Esqueci me de a Hedwig ! Harry precipitou se de_novo para o quarto , enquanto a luz de o patamar se acendia . Agarrou a gaiola de Hedwig , correu para a janela e passou a a o Ron . Estava a subir para_cima de a cómoda quando o tio Vernon bateu em a porta , que não estava fechada , e esta se abriu completamente . Por uma fracção de segundo , o tio Vernon ficou estático junto de a porta . Em seguida , soltou um mugido como um boi zangado e avançou para Harry , agarrando o por o tornozelo . Ron , Fred e George seguraram o por os braços e puxaram o com toda_a força . - Petúnia - rosnou o tio Vernon . - Ele está a fugir ! : __ ele está a __ fugir ! Os Weasleys deram um puxão gigantesco e a perna de o Harry escapou a as garras de o tio Vernon . Logo_que Harry entrou em o carro e a porta se fechou , Ron gritou : - Acelera Fred ! - E o carro partiu subitamente em direcção a a lua . Harry mal podia acreditar que estava livre . Esticou se a a janela , o ar de a noite a fustigar lhe os cabelos e olhou para baixo , para os telhados apertados de Privet_Drive . O tio Vernon , a tia Petúnia e o Dudley estavam todos debruçados com cara de parvos , a a janela de o quarto de ele . - Até a o próximo Verão - gritou . Os Weasleys riam se a as gargalhadas e Harry esticou se para trás em o assento e pediu a o ouvido de Ron : - Deixa sair a Hedwig . Ela pode voar atrás_de nós . Há séculos que não tem uma oportunidade de esticar as asas . George passou a o Ron o gancho de cabelo e , um momento depois , a Hedwig saíra feliz por a janela , planando atrás de eles como um fantasma . - Então , qual é a história ? - perguntou Ron , impaciente . - O que é_que tem estado a acontecer ? Harry contou lhes tudo sobre o Dobby , o aviso de este e o fracasso de o pudim de violetas . Houve um longo silêncio quando ele se calou . - Isso cheira me a esturro - disse , por fim , o Fred . - Definitivamente misterioso - concordou George . - Então ele nem te disse quem está supostamente por detrás dessa trama toda ? - Acho que não podia - explicou Harry . - Já te disse , de cada_vez que estava quase a deixar escapar qualquer coisa , começava a bater com a cabeça em a parede . Viu Fred e George olharem um para o outro . - O quê ? Acham que ele estava a mentir me ? - perguntou Harry . - Bem - começou o Fred -- , coloquemos as coisas de o seguinte modo , os elfos de casa têm poderes mágicos próprios , mas geralmente não podem usá os sem a autorização de os seus donos . Eu acho que o bom de o Dobby foi enviado para evitar que voltasses para Hogwarts . Uma ideia de um engraçadinho . Haverá alguém em a escola com má vontade contra ti ? - Sim - responderam Harry e Ron , precisamente ao_mesmo_tempo . - Draco_Malfoy - explicou Harry . - Ele detesta me . - Draco_Malfoy ? - perguntou George , voltando se para trás . - O filho de o Lucius_Malfoy ? - Deve ser . Não é um nome muito vulgar , pois não ? - disse Harry . - Mas porquê ? - Ouvi o pai falar acerca de ele - confidenciou George . - Ele era um grande apoiante de o « Quem nós sabemos » . - E quando o « Quem nós sabemos » desapareceu - continuou o Fred , voltando a cara para olhar para Harry - o Lucius_Malfoy voltou , dizendo que não foi por vontade própria que fez o que fez . Monte de lixo . O pai acha que ele fazia parte de um círculo de amigos íntimos de o « Quem nós sabemos » . Harry já tinha ouvido esses boatos sobre a família de Malfoy e não o surpreenderam em absoluto . Malfoy fizera Dudley_Dursley parecer um rapazinho simpático , amável e sensível . - Não sei se os Malfoy têm um elfo de casa ... - afirmou Harry . - Bem , quem quer que o possua é sem dúvida uma antiga família de feiticeiros e deve ser rica - explicou Fred . - Sim . A mãe está sempre a desejar que pudéssemos ter um elfo de casa para passar a roupa a ferro - disse o George . - Mas só temos um velho vampiro piolhoso em o sótão e gnomos espalhados por o jardim . Os elfos de casa pertencem a as grandes casas senhoriais , a os castelos e lugares assim , não encontrarias um em a nossa casa ... Harry estava calado . Considerando que Draco_Malfoy tinha sempre as melhores coisas , que a sua família nadava em ouro de feiticeiros , era fácil imaginá o passeando se por uma enorme casa senhorial . Mandar o servo de a família evitar que Harry voltasse para Hogwarts também parecia exactamente o tipo de coisa que Malfoy poderia fazer . Teria Harry sido estúpido a o tomar Dobby a sério ? - De qualquer modo , ainda_bem que viemos buscar te - declarou Ron . - Eu começava a ficar seriamente preocupado por não responderes a nenhuma de as minhas cartas . A princípio pensei que a culpa fosse de a Errol ... - Quem é a Errol ? - A nossa coruja . Já é velhota . Não seria a primeira vez que adoecia durante uma entrega . Por isso , tentei pedir a Hermes emprestada ... - Quem ? - A coruja que os meus pais compraram a o Percy quando ele foi nomeado prefeito - respondeu Fred . - Mas o Percy não me a emprestou . Disse que precisava de ela . - O Percy tem andado com atitudes muito estranhas este Verão - comentou George franzindo a testa . - E tem mandado imensas cartas e passado um tempo infinito fechado em o quarto ... enfim , pode limpar se e polir um distintivo de prefeito todas_as vezes que se quiser ... Estás a conduzir demasiado para ocidente , Fred - acrescentou apontando para uma bússola em o painel de o automóvel . Fred girou o volante . - Então , o vosso pai sabe que têm o carro ? - perguntou Harry , quase adivinhando a resposta . - Er ... não - disse o Ron . - Ele tinha trabalho esta noite . Felizmente vamos poder pô o de_novo em a garagem , sem a mãe perceber que andámos a voar nele . - A propósito , o que faz o vosso pai em o Ministério_da_Magia ? - Trabalha em o Departamento mais chato - respondeu Ron . - A Divisão de utilização incorrecta de artefactos de os Muggles . - O quê ? - Relaciona se com objectos de feitiçaria que foram feitos por os Muggles ; sabes como é , se forem parar de_novo a uma loja de os Muggles , ou a uma casa , como em o ano passado , quando morreu uma bruxa velha e o bule de ela foi vendido a uma loja de antiguidades . Uma mulher Muggle comprou o , tentou servir chá a os amigos . Foi um pesadelo , o pai teve de fazer horas extraordinárias durante semanas . - O que é_que aconteceu ? - O bule parecia louco , esguichou chá a ferver para todos os lados e um de os homens foi parar a o hospital com a pinça de o açúcar presa em o nariz . O pai ficou nervosíssimo . É só ele e o velho feiticeiro Perkings em o gabinete e tiveram de localizar e descobrir todo o tipo de encantamentos para resolver o assunto . - Mas o teu pai ... este carro ... Fred riu se . - Sim , o pai é louco por tudo_o_que tem que ver com os Muggles . A nossa arrecadação está cheia de coisas de os Muggles . Ele separa as , lança lhes feitiços e volta a pô as em o lugar . Se ele fizesse uma busca a nossa casa teria de se prender a si mesmo . A minha mãe fica louca com tudo aquilo . - É a estrada principal - gritou o George , apontando para baixo através de a janela . - Dentro_de poucos minutos estamos lá , mesmo a tempo , está a começar a clarear . Um leve brilho rosado tingia o horizonte para leste . Fred trouxe o carro para baixo e Harry pôde ver uma manta de retalhos de campos escuros e matas de arbustos . - Estamos um_pouco longe de a vila - disse George . - Em Ottery_St . Catchpole ... O carro voador foi descendo a os poucos . A luz avermelhada brilhava agora por_entre as árvores . - Terra - disse o Fred , em o momento em que tocaram em o chão com um ligeiro solavanco . Tinham aterrado perto_de uma garagem em ruínas em um pequeno pátio e Harry viu pela_primeira_vez a casa de o Ron . Parecia ter sido em tempos uma pocilga de pedra . Mas os quartos que posteriormente lhe tinham sido acrescentados haviam a tornado bastante mais alta e o seu aspecto era tão curvado que parecia ter sido construída por artes mágicas ( o que , pensou Harry , era , muito provavelmente , verdade ) . De o telhado vermelho saíam quatro ou cinco chaminés . Junto de a entrada , fixa em o chão , podia ver se uma inscrição assimétrica que dizia « A toca » . A o lado de a porta principal estava uma contusão de botas de * _ Wellington * e um caldeirão completamente enferrujado . Por o pátio passeavam se várias galinhas castanhas e gordas . - Não é grande coisa - desculpou se o Ron . - É óptima - exclamou Harry , feliz , pensando em Privet_Drive . Saíram de o carro . - Agora vamos lá para_cima sem fazer barulho - disse o Fred . - E esperamos que a mãe nos chame para o pequeno-almoço . Depois tu , Ron , desces a escada entusiasmadíssimo . - Mãe , olha quem apareceu cá durante a noite ! - E ela vai sentir se felicíssima quando vir o Harry . Assim ninguém fica a saber que levámos o carro voador . - Certo - disse o Ron . - Vamos , Harry , eu durmo em o ... Ron ganhou uma cor de um pálido esverdeado , os olhos fixos em a casa . Os outros três fizeram meia volta . Mrs._Weasley avançava por o pátio , afugentando as galinhas e , para uma mulher baixa , roliça e simpática , era fantástico como conseguia parecer se com um tigre dentes-de-sabre . - Ah ! - suspirou o Fred . - Oh , oh ! - exclamou o George . Mrs._Weasley parou em frente de eles . As mãos em as ancas , saltando de um olhar culpado para o outro . Usava um avental a as flores , com uma varinha a sair lhe de o bolso . - Com que então - disse . - Bom dia , mãe - arriscou o George com uma voz que tentou que fosse alegre e bem-disposta . - Vocês têm alguma ideia de como tenho estado preocupada ? - perguntou Mrs._Weasley em um murmúrio fraco . - Desculpe , mãe , mas sabe , nós tivemos que ... Os três filhos de Mrs._Weasley eram mais altos do_que ela , mas tremiam quando a fúria de a mãe se abatia sobre eles . - Camas vazias ! Nem um bilhete ! O carro desaparecido ... Podiam ter tido um acidente , estou fora de mim com tanta preocupação e vocês nem se importam ... nunca , enquanto eu for viva ... esperem só até o vosso pai chegar , nunca tivemos problemas de estes com o Bill , com o Charlie ou com o Percy ... - O perfeito Percy - resmungou Fred . - : __ tu não vales um dedo de a mão de o __ percy ! - gritou Mrs._Weasley , espetando um dedo em o queixo de o Fred . - Podias ter morrido , podias ter sido visto , podias ter feito com que o teu pai perdesse o emprego ... Parecia nunca mais acabar . Mrs._Weasley tinha gritado até ficar ronca , antes de se voltar para o Harry , que recuou . - Estou muito contente por te ver , Harry - disse . - Entra e vem tomar o pequeno-almoço . Ela voltou se e regressou a casa e Harry , depois de trocar um olhar nervoso com o Ron , que lhe acenou , encorajando o , seguiu a . A cozinha era pequena e bastante estreita . A meio havia uma enfezada mesa de madeira e cadeiras em volta e Harry sentou se a a beirinha de o assento , olhando em volta . Era a primeira vez que entrava em uma casa de feiticeiros . O relógio em a parede em frente de ele , tinha apenas um ponteiro e nenhum número . Em volta , estavam escritas frases como « Hora de fazer o chá » , « Hora de dar de comer a as galinhas « e « Estás atrasado » . Empilhados em o rebordo de a lareira estavam livros com títulos como * _ Encanta o teu próprio queijo , Encantamento em a cozedura de o pão e Banquetes em um minuto - é mágico * ! E , a menos que os ouvidos de Harry estivessem a traí o , o velho rádio próximo de o lava-loiças acabara de anunciar que a seguir vinha a Hora de enfeitiçar com a popular feiticeira-cantora Celestina_Warbeck . Mrs._Weasley fazia barulho com os talheres , preparando o pequeno-almoço um bocado a o acaso , lançando olhares furiosos a os filhos , enquanto lançava as salsichas em a frigideira . De vez em quando murmurava coisas como : « Não sei o que vos passou por a cabeça « ou « nunca devia ter confiado em vocês » . - Eu não te culpo , filho - tranquilizou Harry , pondo lhe sete ou oito salsichas em o prato . - Eu e o Arthur temos estado preocupados contigo . Ainda ontem a a noite estivemos a dizer que te iríamos buscar nós próprios se não respondesses a o Ron até sexta-feira . Mas , em a verdade ( estava agora a acrescentar três ovos estrelados a o prato de ele ) , atravessar metade de o país a voar em um carro ilegal , qualquer um vos poderia ter visto ... Agitou maquinalmente a varinha em a direcção de o lava-loiças , onde a loiça começou a lavar se sozinha , tinindo baixinho lá atrás . - Estava enevoado , mãe ! - exclamou o Fred . - Boca fechada enquanto comes ! - interrompeu Mrs._Weasley . - Eles estavam a fazê o passar fome , mãe ! - disse o George . - E tu também ! - disse Mrs._Weasley , mas já foi com uma expressão mais doce que começou a cortar o pão para Harry e a barrá o com manteiga . Em esse momento , as atenções voltaram se para um pequenino volto de cabelos ruivos , em uma camisa de dormir até a os pés , que surgiu em a cozinha , deu um grito agudo e desapareceu de_novo . - É a Ginny - disse Ron baixinho a o Harry -- , a minha irmã . Tem falado de ti todo o Verão . - Sim , ela vai querer o teu autógrafo , Harry - riu se o Fred , mas o seu olhar cruzou se com o de a mãe e inclinou se para o prato , não voltando a abrir a boca . Ninguém falou até os quatro pratos estarem limpos , o que sucedeu a uma velocidade surpreendente . - Bolas , estou cansado - bocejou Fred , pousando a faca e o garfo . Acho que me vou deitar e ... - Não vais , não senhor - interrompeu Mrs._Weasley . - A culpa é tua se ficaste toda_a noite acordado . Vais fazer a des-gnomização de o jardim . Eles estão outra_vez a exagerar . - Oh , mãe ... - E vocês os dois o mesmo - dirigiu se a o Ron e a o Fred . - Tu podes ir para a cama , filho - disse a Harry . - Não lhes pediste que guiassem aquele carro miserável . Mas Harry , que se sentia acordadíssimo , respondeu prontamente : - Eu ajudo o Ron , nunca vi uma des-gnomização ... - É muito simpático de a tua parte , querido , mas é um trabalho chato - explicou Mrs._Weasley . - Vejamos o que o Lockhart tem a dizer acerca disto . E puxou de o rebordo de a lareira um livro pesadíssimo . George resmungou : - Mãe , nós sabemos * des-gnomizar * o jardim . Harry olhou para a capa de o livro de Mrs._Weasley . Em grandes letras douradas , que ocupavam grande parte de a capa , podia ler se Guia_de_Gilderoy_Lockhart para pragas caseiras . Via se também a grande fotografia de um feiticeiro bem-parecido , de cabelos loiros ondulados e olhos azuis brilhantes . Como sempre , em o mundo de os feiticeiros , a fotografia mexia se . O feiticeiro , que Harry calculou ser Gilderoy_Lockhart , não parava de lhes piscar os olhos descaradamente . Mrs._Weasley sorriu lhe . - Oh , ele é fantástico - disse . - Conhece bem as pragas caseiras . É um livro maravilhoso . - A mãe adora o - disse Fred em um murmúrio bastante audível . - Não sejas ridículo , Fred - repreendeu Mrs._Weasley com as bochechas coradas . - É claro que se achas que sabes mais do_que o Lockhart , podes ir fazer o trabalho e ai de ti se houver um único gnomo em o jardim quando eu for fazer a inspecção . A bocejar e a resmungar , os Weasley arrastaram se lá para fora com Harry atrás de eles . O jardim era grande e , em a opinião de Harry , exactamente como deveria ser um jardim . Os Dursleys não teriam gostado . Havia uma enorme quantidade de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada , mas havia árvores nodosas em volta de as paredes , plantas que Harry nunca vira , tombando de todos os canteiros e um grande lago verde cheio de rãs . - Os Muggles também têm gnomos de jardim , sabes - disse o Harry a o Ron , enquanto atravessavam a relva . - Sim , já vi essas coisas que eles pensam que são gnomos - disse o Ron todo dobrado , com a cabeça em uma moita de peónias . - Como os Pais_Natais gordinhos com canas de pesca ... Houve um tumulto ruidoso , a moita de peónias estremeceu e Ron endireitou se . - Isto_é um gnomo - declarou com um ar sério . - Larga eu ! Larga eu ! - guinchou o gnomo . Não se parecia em absoluto com o Pai_Natal . Era pequenino e parecia de couro , com uma grande cabeça protuberante e calva , precisamente como uma batata . Ron agarrou o a a distância de um braço , enquanto ele dava pontapés em o ar com os seus pézinhos que pareciam chifres . Agarrou o por os tornozelos e voltou o de pernas para o ar . - Isto_é o que tens de fazer - disse . Levantou o gnomo acima de a cabeça ( Larga eu ! ) e começou a balouçá o em grandes círculos , como os vaqueiros fazem com os laços . A o ver a expressão chocada de Harry , Ron explicou : - Não os mágoa . Só tens de os deixar bem tontos para que consigam encontrar o caminho de regresso a os buracos de os gnomos . Largou os tornozelos de o gnomo . Ele voou seiscentos metros e aterrou com um ruído surdo em o campo a o lado de a sebe . - Deplorável - afirmou o Fred . - Aposto que consigo lançar o meu para_além de aquele tronco . Harry aprendeu rapidamente a não sentir muita pena de os gnomos . Decidira largar o primeiro que apanhou para_além de a sebe , mas o gnomo , sentindo fraqueza , enfiou os seus dentinhos , aguçados como laminas , em o dedo de o Harry e não foi fácil sacudi o para ele o largar , até que ... - Uau , Harry , esse deve ter sido seiscentos metros ... O ar estava subitamente cheio de gnomos voadores . - Vês , eles não são muito espertos - afirmou o George , agarrando cinco ou seis de uma_vez . - Em o momento em que se apercebem que começou a * des-gnomização * , aparecem todos para espreitar . Era de esperar que já tivessem aprendido a ficar quietinhos . Rapidamente a multidão de gnomos começou a ir se embora , atravessando os campos em uma fila ordenada , com os pequeninos ombros arqueados . - Eles voltam - disse o Ron enquanto os via desaparecer em a sebe de o outro lado de o campo . - Eles adoram estar aqui ... o pai é muito mole com eles , acha lhes piada . Em esse momento , a porta de a frente bateu . - Ele já voltou ! - exclamou o George . - O pai já está em casa ! Apressaram se a entrar . Mr._Weasley tinha se afundado em uma de as cadeiras de a cozinha , sem óculos e com os olhos fechados . Era um homem magro , quase calvo , mas o pouco cabelo que tinha era tão ruivo como o de os filhos . Vestia um longo manto verde cheio de pó e estava cansado de a viagem . - Que noite - murmurou , tacteando em busca de o bule , enquanto todos se sentavam a a volta de ele . - Nove assaltos , nove ! E o velho Mundungs_Fletcher tentou lançar me um feitiço quando eu estava de costas . Mr._Weasley tomou um bom gole de chá e suspirou . - Encontrou alguma coisa , pai ? - perguntou Fred ansiosamente . - Só encontrei algumas chaves encolhidas e uma chaleira que mordia - bocejou Mr._Weasley . - Havia um material bastante mauzinho , mas não era de o meu departamento . O Mortlake foi levado para ser interrogado sobre uns furões extremamente antigos , mas isso pertence a a Comissão_dos_Feitiços_Experimentais , graças_a Deus . - Por_que é_que alguém ia dar se a o trabalho de fazer encolher chaves ? - perguntou George . - Para chatear os Muggles - suspirou Mr._Weasley . - Vende se lhes uma chave que não pára de encolher , até que desaparece , de_modo_a que nunca a encontrem quando precisam ... É claro que é muito difícil condenar alguém , porque nenhum Muggle é capaz de admitir que a sua chave está a encolher , insistem em que estão sempre a perdê a . Benditos sejam , vão até onde for preciso para ignorar a magia , mesmo_que ela esteja em frente de os seus narizes ... mas vocês não acreditariam em as coisas que o nosso grupo tem levado para enfeitiçar ... - : __ como carros , por __ exemplo ? Mrs._Weasley tinha aparecido , segurando um grande atiçador que parecia uma espada . Os olhos de Mr._Weasley abriram se de repente , fitando a mulher com um ar culpado . - C-carros , Molly querida ? - Sim , Artur , carros - afirmou Mrs._Weasley , os olhos a faiscar . - Imagina um feiticeiro a comprar um carro velho e enferrujado e dizer a a mulher que a única coisa que queria fazer com ele era desmontá o para ver como ele funcionava , enquanto em a verdade estava a enfeitiçá o para o fazer voar . Mr._Weasley piscou os olhos . - Bem , querida , acho que poderás constatar que não é ilegal fazer isso , embora , er , talvez ele devesse ter contado a verdade a a mulher ... Existe uma forma de tornear a lei , já_que ela diz que ... desde_que não se tenha a * intenção * de voar em o carro , o facto de ele poder voar , não ... - Arthur_Weasley tu arranjaste essa forma de tornear a lei quando a escreveste ! - gritou Mrs._Weasley . - Para poderes continuar a remexer em todo aquele lixo de os Muggles que tens em a arrecadação ! E , para tua informação , o Harry chegou hoje_de_manhã em o carro que tu não pretendias pôr a voar ! - Harry ? - perguntou Mr._Weasley sem expressão . - Qual Harry ? Olhou em volta , viu Harry e deu um salto . - Santo_Deus , é Harry_Potter ? Muito prazer , o Ron falou nos tanto de si ... - * _ O teu filho conduziu aquele carro até a a casa de o Harry e de volta até aqui em a noite passada ! * - gritou Mrs._Weasley . - O que tens a dizer a esse respeito ? - A sério ! ? - exclamou Mr._Weasley com vivacidade . - Correu tudo bem , quero dizer ... - vacilou a o ver os olhos de Mrs._Weasley que faiscavam . - Er , fizeram mal , rapazes , muito mal , mesmo ... - Vamos deixá os a os dois - murmurou o Ron , enquanto Mrs._Weasley inchava como um sapo gigantesco . - Vamos , vou mostrar te o meu quarto . Esgueiraram se de a cozinha e desceram uma passagem estreita que dava para uma escada desnivelada que ziguezagueava a o longo de a casa . Em o terceiro andar , estava uma porta entreaberta . Harry só teve tempo de ver um par de olhos castanhos brilhantes que o olhavam fixamente , antes de a porta se fechar com um estalido . - A Ginny - disse o Ron . - Não imaginas como é estranho vês a tão tímida , ela que quase nunca se cala ... Subiram mais dois andares , até chegarem a uma porta com a tinta a descascar e uma pequena placa dizendo : « Quarto_do_Ronald » . Harry entrou . A cabeça quase tocava em o tecto inclinado . Piscou os olhos . Era como entrar dentro_de uma fornalha : quase tudo em o quarto de o Ron tinha um violento matiz alaranjado : a colcha de a cama , as paredes , até o tecto . Em seguida , apercebeu se de que o Ron tinha coberto cada centímetro de o velho papel de parede com * posters * de as mesmas sete feiticeiras e feiticeiros , todos vestidos com brilhantes mantos cor de laranja , transportando vassouras e acenando entusiasticamente . - A tua equipa de Quidditch ? - perguntou Harry . - Os Chudley_Cannons - disse Ron , apontando para a colcha cor de laranja que tinha um brasão com dois C's gigantes e uma bala de canhão a_toda_a velocidade . - Nono em a Liga . Os livros de estudo de feitiços de Ron estavam empilhados desordenadamente a um canto , junto de um monte de B. _ D. , todas elas relativas a as * _ Aventuras_de_Martin_Miggs , o Muggle louco * . A varinha mágica de o Ron estava em_cima_de um aquário cheio de ovos de rã sobre o peitoril de a janela , junto de o seu rato gordo e cinzento , Scabbers , que dormia uma soneca a o sol . Harry passou por_cima_de um baralho de cartas de jogar com vontade própria , que estava caído em o chão , e olhou para fora de a janelinha . Em o campo , não muito longe , podia ver um grupo de gnomos a esgueirarem se , um a um , de_novo para a sebe de os Weasley . Em seguida , voltou se para Ron que o observava nervoso , como_se esperasse a opinião de ele . - É um_pouco pequeno - declarou o Ron muito depressa . - Não se parece nada com o quarto que tu tinhas em casa de os Muggles . E estou mesmo debaixo de o vampiro de o sótão . Ele anda sempre a bater nos canos e a gemer ... Mas Harry , com um grande sorriso , disse lhe : - Esta é a melhor casa em que eu já estive . As orelhas de Ron ficaram cor-de-rosa . IV_Na_Flourish and Blotts_A vida em a Toca era o mais diferente que é possível de a vida em Privet_Drive . Os Dursleys gostavam de tudo limpo e arrumado , em casa de os Weasleys explodia o estranho e o inesperado . Harry teve um choque de a primeira vez que olhou para o espelho que estava sobre a lareira de a cozinha e ele gritou : - Mete para dentro a camisa , * desmazelado ! * - O vampiro de o sótão gemia e batia nos canos , sempre_que sentia as coisas demasiado calmas e as pequenas explosões em o quarto de o Fred e de o George , eram consideradas perfeitamente normais . Mas o que o Harry achou mais bizarro em a vida em casa de o Ron , não foi o espelho que falava , nem o vampiro barulhento , foi o facto de todos ali em casa parecerem gostar de ele . Mrs._Weasley preocupava se com o estado de as suas meias e tentava obrigá o a servir se quatro vezes a cada refeição . Mr._Weasley gostava que Harry se sentasse a o lado de ele a a mesa para poder bombardeá o com perguntas sobre a vida com os Muggles , pedindo que lhe explicasse como funcionavam coisas como as canalizações e o serviço de os correios . - Fascinante ! - exclamava , enquanto Harry lhe explicava a utilização de o telefone . - Engenhoso , de facto , todas_as maneiras que os Muggles encontraram para passar sem a magia . Harry teve notícias de Hogwarts em uma manhã de sol , cerca de uma semana depois de ter chegado a a Toca . Quando , ele e o Ron desceram para tomar o pequeno-almoço , encontraram Mr. e Mrs._Weasley e Ginny já sentados a a mesa . Em o momento em que viu o Harry , Ginny entornou a tigela de os cereais , que caiu a o chão com grande espalhafato . Ginny entornava facilmente coisas sempre_que o Harry estava em a sala . Mergulhou debaixo de a mesa para apanhar a tigela e emergiu com o rosto a brilhar como o sol poente . Fingindo não ter dado por nada , Harry sentou se e aceitou a torrada que Mrs._Weasley lhe ofereceu . - Cartas de a escola - disse Mr._Weasley , passando a o Harry e a o Ron envelopes idênticos de pergaminho amarelado , com a morada escrita a tinta verde . - O Dumbledore já sabe que estás aqui , Harry , não perde nada aquele homem . Vocês os dois também - acrescentou , enquanto Fred e George deambulavam em a casa , ainda em pijama . Fez se silêncio durante alguns momentos , enquanto liam as respectivas cartas . A de o Harry dizia para apanhar o Expresso_de_Hogwarts , como sempre em a Estação_de_King's_Cross , em o dia_1_de_Setembro . Havia ainda uma lista de os livros que precisaria para o próximo ano . Os alunos de o segundo ano deverão ter : * _ O_Livro_Padrão_de_Feitiços , Grau 2 , por Miranda_Goshawk . * _ Ensinamentos_de_Uma_Fada_Carpideira , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Férias com Bruxas , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Duendes , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Lobisomens , por Gilderoy_Lockhart . * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves , por Gilderoy_Lockhart * . Fred , que terminara a sua própria lista , espreitou para a de o Harry . - Também te mandam comprar os livros de o Lockhart - disse . - A professora de defesa contra as artes negras deve ser fanática . Aposto que é uma bruxa . Nessa_altura , Fred percebeu o olhar de a mãe e apressou se a comer o doce de laranja . - Esse conjunto não vai ficar barato - disse George , olhando rapidamente para os pais . - Os livros de o Lockhart são de os mais dispendiosos ... - Cá nos havemos de arranjar - declarou Mrs._Weasley , mas parecia preocupada . - Espero que pelo_menos para a Ginny possamos arranjar uma data de coisas em segunda mão . - Ah , vais entrar este ano para Hogwarts ? - perguntou lhe Harry . Ela fez um aceno , corando até a a raiz de os cabelos ruivos e meteu o cotovelo em o pires de a manteiga . Felizmente ninguém deu por nada , a não ser o Harry , porque em esse momento o irmão mais velho de Ron , o Percy , entrou . Já estava vestido , com a placa de prefeito aplicada a a sua camisola de malha . - Bom dia a todos - disse , cheio de vivacidade . - Está um dia lindo . Puxou a única cadeira livre , mas deu um salto quando ia sentar se e , debaixo de ele , saltou um espanador cinzento de penas , pelo_menos , foi o que o Harry pensou até ver que ele respirava . - Errol ! - exclamou Ron , afastando a coruja de o Percy e retirando lhe debaixo de a asa uma carta . - Até que enfim , a resposta de a Hermione . Escrevi lhe a contar que íamos tentar raptar te de casa de os Dursleys . Levou Errol para um poleiro que havia junto a a porta de as traseiras e tentou colocá a lá em cima , mas Errol caiu redonda e Ron teve de a pôr em a pia , murmurando : - Patético . - Em seguida , abriu a carta de a Hermione e leu a em voz alta . * _ Querido_Ron e Harry , se aí estiveres . Espero que tudo tenha corrido bem , que o Harry esteja O. _ K. e que não tenham feito nada ilegal para conseguir trazes o , porque isso podia criar lhe problemas também a ele . Tenho estado muito preocupada e , se o Harry estiver bem , por favor digam me qualquer coisa rapidamente , mas talvez seja melhor usarem uma nova coruja , porque acho que outra entrega pode acabar como esta . * _ Estou muito atarefada com trabalho de a escola , claro * . - Como é possível ? - perguntou Ron , horrorizado . - Estamos em férias ! - * _ E vamos para Londres em a próxima quarta-feira para comprar os meus livros novos . Porque não nos encontramos em a Diagon-al ? * _ Dêem-me notícias vossas o mais depressa possível . * _ Carinhosamente_Hermione * - Bem , parece uma boa solução , podemos ir todos comprar as vossas coisas - disse Mrs._Weasley , começando a limpar a mesa . - O que vão fazer hoje ? Harry , Ron , Fred e George tinham planeado ir a o cimo de o monte a um pequeno cercado de cavalos que os Weasleys possuíam . Estava rodeado de árvores que lhe tapavam a vista de a cidade cá em baixo , o que quer_dizer que podiam praticar Quidditch , desde_que não voassem muito alto . Não podiam usar as verdadeiras bolas de Quidditch pois seria muito difícil explicar se elas escapassem e voassem sobre a cidade . Em vez de elas , lançavam maçãs para os outros apanharem . Faziam turnos para montar a Nimbus dois_mil , que era de longe a melhor vassoura . A velha Shooting_Star_de_Ron fora muitas_vezes ultrapassada por as borboletas que passavam . Cinco minutos mais tarde estavam a marchar por o monte acima , de vassouras a o ombro . Tinham perguntado a o Percy se ele queria juntar se a eles , mas ele alegara muito trabalho . Até esse dia , Harry só tinha visto Percy a a hora de as refeições , ele ficava em silêncio em o quarto o resto de o tempo . - Gostava de saber o que ele anda a fazer - afirmou Fred , de testa franzida . - Não parece o mesmo . O resultado de os exames veio um dia antes de tu chegares : doze N_F_V e ele nem se manifestou satisfeito . - Níveis_de_Feitiçaria_Vulgares - explicou o George , vendo o olhar atarantado de Harry . - Se não temos cuidado , ainda nos calha outro Chefe_de_Turma em a família . Acho que não suportaria a vergonha . Bill era o mais velho de os irmãos Weasley . Ele e o irmão a seguir , Charlie , já tinham saído de Hogwarts . Harry não conhecia nenhum de os dois , mas sabia que o Charlie estava em a Roménia a estudar dragões e o Bill em o Egipto a trabalhar em o banco de os feiticeiros : Gringotts . - Não sei como o pai e a mãe vão arranjar dinheiro para nos pagar o material escolar este ano - disse o George , passado um bocado . - Cinco conjuntos de livros de o Lockhart ! E a Ginny precisa de mantos e de uma varinha e tudo_isso ... Harry não disse nada . Sentiu se um_pouco incomodado . Fechada em um cofre subterrâneo , em o banco de Gringotts_de_Londres , estava uma pequena fortuna que os pais lhe tinham deixado . É claro que só tinha esse dinheiro em o mundo de os feiticeiros , não se podem usar Galeões , Leões e Janotas em as lojas de os Muggles . Ele nunca fizera referência a a sua conta bancária em Gringotts a os Dursleys . Não lhe parecia que o horror que eles sentiam por tudo_o_que se relacionava com a feitiçaria se estendesse a uma enorme pilha de barras de ouro . Mrs._Weasley acordou os a todos bem cedo , em a quarta-feira seguinte . Depois de comerem umas doze sanduíches de * bacon * cada_um , enfiaram os casacos e Mrs._Weasley tirou um vaso de a prateleira de o fogão de a cozinha e espreitou lá para dentro . - Está a acabar se , Arthur - suspirou . - Temos de comprar mais hoje ... Bem , os hóspedes primeiro . Passa , Harry querido ! E ofereceu lhe o vaso de flores . Harry olhou espantado enquanto todos eles o observavam . - O q-que é_que eu devo fazer ? - gaguejou . - Ele nunca viajou com o pó de Floo - disse o Ron subitamente . - Desculpa , Harry , esqueci me . - Nunca ? - perguntou Mrs._Weasley . - Mas então como chegaste a a Diagon - _ Al em o ano passado para comprar as tuas coisas ? -- Fui por o subterrâneo . - A sério ? - disse Mr._Weasley , entusiasmado . - Havia fugitivos ? Como é_que ... - Agora não , Arthur - disse Mrs . Weasley . - O pó de Floo é muito mais rápido , querido , mas , valha me Deus , se ele nunca o usou ... - Vai correr bem , mãe - disse o Fred . - Harry observa nos primeiro . Tirou uma pitada de pó brilhante de dentro de o vaso , aproximou se de o lume e lançou o pó em as chamas . Com um rugido , o fogo ficou verde-esmeralda e elevou se a uma altura superior a a de o Fred que avançou , gritando Diagon - _ Al ! E desapareceu . - Tens de falar claramente , filho - disse Mrs._Weasley a o Harry , ao_mesmo_tempo que George metia a mão em o vaso de as flores . - E vê se sais em o fogão certo . - Em o quê ? - perguntou Harry , nervoso , enquanto o lume crepitava e fazia George desaparecer também . - Bem , há imensos fogos de feiticeiros , mas desde_que te tenhas expressado claramente ... - Ele vai conseguir , Molly , não te preocupes - disse Mr._Weasley , tirando também ele algum pó . - Mas querido se ele se perde como é_que vamos justificar nos perante o tio e a tia de ele ... -- Eles não se importariam - tranquilizou a Harry . - O Dudley ia achar imensa piada se eu me perdesse em uma chaminé , não se preocupe . - Bem , em esse caso ... tu vais a seguir a o Arthur - disse Mrs._Weasley . - Logo_que entres em o fogo diz para_onde queres ir . - E mantém os cotovelos dobrados - preveniu o Ron . - E os olhos fechados - disse Mrs._Weasley . - A fuligem . - Não te enerves - disse o Ron . - Senão podes ir parar a a lareira errada . - Não entres em pânico e não queiras sair cedo de mais . Espera até veres o Fred e o George . Fazendo um enorme esforço por reter toda aquela informação , Harry tirou uma pitada de pó de Floo e avançou para a beirinha de o fogo . Respirou fundo , espalhou o pó em as chamas e entrou . O fogo parecia uma brisa quente . Abriu a boca e engoliu , de imediato , uma grande quantidade de cinzas quentes . D-dia-gon-al - tossiu . Sentiu se como_se estivesse a ser sugado para um buraco gigantesco . Como_se girasse muito depressa ... o ruído era ensurdecedor . Tentou manter os olhos abertos mas o turbilhão de chamas verdes fê lo enjoar ... algo duro bateu lhe em o cotovelo e dobrou o de imediato . Continuava a rodar , a rodar ... sentia se agora como_se várias mãos frias estivessem a bater lhe em a cara ... Espreitando através de os óculos , viu uma torrente imprecisa de fogões e captou lampejos de as salas que estavam por detrás ... as sanduíches de * bacon * davam lhe a volta dentro de o estômago ... fechou os olhos desejando que tudo aquilo parasse e então caiu , de cara em o chão , em a pedra fria e sentiu os óculos partirem se a os bocados . Desorientado e ferido , coberto de fuligem , pôs se cautelosamente de pé , levando a os olhos os óculos partidos . Estava completamente só e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava . Tudo_o_que podia dizer era que a o seu lado via uma lareira que lhe parecia ser a de uma enorme e indistinta loja de feitiçaria . Mas nenhum de os artigos que ali se encontravam tinham aspecto de fazer parte de a lista de a escola de Hogwarts . Em uma caixa de vidro podia ver se uma mão atrofiada que repousava sobre uma almofada , um baralho de cartas ensanguentado e um olho de vidro que o olhava fixamente . Máscaras de expressão maldosa enchiam as paredes , olhando de esguelha , uma enorme quantidade de ossos humanos estendia se sobre o balcão e , de o tecto , pendiam instrumentos aguçados com pontas de ferro e pregos enferrujados . Mas o pior é_que a rua estreita e escura , que Harry conseguia avistar através de a janela poeirenta de a loja , não era de modo algum a Diagon-al . Quanto_mais depressa saísse de ali , melhor . O nariz ainda a doer lhe em o sítio onde batera em o chão a o aterrar , Harry avançou rápida e silenciosamente em direcção a a porta , mas antes de conseguir chegar a meio caminho , duas pessoas apareceram de o lado de_fora de o vidro , e uma de elas era a última pessoa que Harry desejaria encontrar em o momento em que se encontrava perdido , coberto de fuligem e com os óculos partidos , Draco_Malfoy . Harry olhou rapidamente em volta e apercebeu se de a existência de um grande armário escuro a a sua esquerda , saltou lá para dentro e fechou as portas , deixando uma gretazinha para poder espreitar . Segundos depois , uma campainha tocava e Malfoy entrava em a loja . O homem que o acompanhava só podia ser o pai . Tinha o mesmo rosto pálido de feições agudas e os mesmos olhos cinzentos de gelo . Mr._Malfoy atravessou a loja , olhando maquinalmente para os artigos expostos e tocou a campainha de o balcão , antes de se voltar para o filho , dizendo : - Não mexas em nada , Draco . Malfoy , que vira o olho de vidro , disse : - Pensei que ias oferecer me um presente . - Eu prometi que ia comprar te uma vassoura de corrida - declarou o pai , tamborilando com os dedos sobre o balcão . - Para que é_que me serve , se não estou em a equipa de Quidditch ? - perguntou Malfoy , carrancudo e de mau humor . - O Harry_Potter teve uma Nimbus dois_mil o ano passado , com a autorização especial de o Dumbledor é para jogar em os Gryffindor . Ele nem é assim tão bom , é só por ser * famoso * ... famoso por ter uma estúpida cicatriz em a testa . Malfoy baixou se para observar uma prateleira cheia de crânios . - Todos acham que ele é tão esperto , o Potter maravilha , com a sua cicatriz e a sua vassoura ... - Já me disseste isso doze vezes pelo_menos - comentou Mr._Malfoy , olhando repressivamente para o filho . - E devo lembrar te que não é prudente parecer menos do_que amigo de Harry_Potter , quando a maior parte de a nossa gente vê em ele um herói que fez desaparecer o Senhor_do_Mal . Ah , Mr._Borgin . Um homem curvado surgiu por detrás de o balcão , puxando o cabelo gorduroso para trás . - Mr._Malfoy , que prazer vês o de_novo - disse Mr._Borgin , em uma voz tão untuosa como o cabelo . - Encantado , e o nosso jovem Malfoy também , encantado . Em que posso servi os ? Tenho que vos mostrar o que chegou hoje , a um preço muito razoável ... - Hoje não venho comprar , Mr._Borgin , e sim vender - afirmou Mr._Malfoy . - Vender ? - O sorriso apagou se lentamente em o rosto de Mr._Borgin . - Certamente ouviu dizer que o Ministério está a levar a cabo mais buscas - explicou o Mr._Malfoy , retirando de o bolso um rolo de pergaminho e desembrulhando o para Mr._Borgin o ler . - Eu tenho alguns , ah , artigos em casa que poderiam criar me problemas se o Ministério me batesse a porta . Mr._Borgin colocou em o nariz um par de * pince-nez * e olhou para a lista . - O Ministério não se lembraria de o incomodar certamente ... O lábio de Mr._Malfoy dobrou se . - Ainda não me fizeram nenhuma visita . O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito , mas o Ministério está a ficar cada_vez_mais intrometido . Há boatos sobre um novo decreto de protecção de os Muggles , sem dúvida que aquele mordido de as pulgas , adorador de os Muggles , que é o Arthur_Weasley deve estar por detrás de isso . Harry sentiu crescer a raiva . - E , como pode ver , alguns de estes venenos podiam dar a ideia ... - Compreendo perfeitamente , claro - disse Mr._Borgin . - Deixe me ver ... - Posso ter aquilo ? - interrompeu Draco , apontando para a mão raquítica que estava sobre a almofada . - Ah , a mão de a glória ! - exclamou Mr._Borgin , abandonando a lista de Mr._Malfoy e apressando se a responder a Draco . - Põe se lhe uma vela e ela só dá luz a quem a transporta ! A melhor amiga de os gatunos e de os salteadores , o seu filho tem gosto , senhor . - Espero que o meu filho venha a ser mais do_que gatuno ou salteador , Borgin - disse Mr._Malfoy friamente e Mr._Borgin respondeu logo : - Sem ofensa , senhor , sem querer ofender . - Embora , se as notas de a escola não melhorarem - disse Mr._Malfoy ainda mais friamente - esse possa vir a ser o único caminho possível para ele . - Não tenho culpa - retorquiu Draco . - Todos os professores têm os seus preferidos , aquela Hermione_Granger ... - Eu , em o teu lugar , teria vergonha que uma rapariga que nem_sequer pertence a famílias de feiticeiros , me passasse a a frente em todos os exames - interrompeu Mr._Malfoy . Ah - fez Harry baixinho , radiante por ver Draco atrapalhado e furioso . - É o mesmo em todo o lado - comentou Mr._Borgin em a sua voz untuosa . - O sangue de os feiticeiros conta cada_vez menos ... - Não para mim - afirmou Mr._Malfoy , com as longas narinas dilatadas . - Não senhor , nem para mim - concordou Mr._Borgin , inclinando se em uma vénia . - Em esse caso , talvez possamos voltar a a minha lista - disse Mr._Malfoy secamente . - Estou com alguma pressa , Borgin , tenho ainda hoje assuntos importantes a tratar em outro lado . Começaram a discutir os preços . Harry via nervosamente o Draco aproximar se de o seu esconderijo enquanto observava os objectos a a venda . Parou para examinar um enorme rolo de corda de carrasco e para ver , com um sorriso afectado , o cartão preso com um aparatoso laço de opalas onde podia ler se : * _ Cautela , não tocar . Amaldiçoado - reclama as vidas de dezanove donos , todos eles Muggles * . Draco voltou se e viu o armário mesmo em frente . Avançou , estendeu a mão para o puxador ... - Feito - disse Mr._Malfoy , a o balcão . - Vamos , Draco . Harry limpou a testa a a manga quando Draco se afastou . - Muito bom dia , Mr._Borgin . Espero por si amanhã em a mansão para ir buscar a mercadoria . Em o momento em que a porta se fechou , Mr._Borgin abandonou os seus modos subservientes . « Bom dia para o senhor , Mr._Malfoy , e , se as histórias que contam são verdadeiras , não me vendeu nem metade do_que tem escondido em a sua mansão ... » Murmurando de forma taciturna , Mr._Borgin desapareceu em uma sala escura . Harry esperou um minuto não fosse ele voltar e , em seguida , o mais silenciosamente possível , escapou se de o armário , passou por as caixas de vidro e saiu de a loja . Encostando os óculos partidos a o rosto , olhou em volta . Saíra em uma rua estreita e sombria que parecia composta exclusivamente de lojas dedicadas a as artes negras . Aquela de onde acabava de sair parecia ser a maior , mas em frente estava uma montra tétrica de cabeças encolhidas e duas portas abaixo podia ver se uma enorme caixa viva cheia de gigantescas aranhas pretas . Dois feiticeiros com aspecto pobre observavam o de a sombra de uma porta , murmurando entre si . Sentindo se nervoso , Harry pôs se a caminho , tentando agarrar os óculos a direito e não desistindo de a esperança de encontrar maneira de sair de ali . Por um cartaz de madeira , pendurado em a rua , indicando uma loja de venda de velas envenenadas , ficou a saber que se encontrava em a Rua * _ Bativolta * , mas isso não o ajudou pois Harry nunca ouvira falar em tal lugar . Calculou que não tinha pronunciado bem as palavras com a boca cheia de cinzas em a lareira de os Weasley . Tentando manter a calma perguntou a si mesmo o que havia de fazer . - Não estás perdido , pois não , meu menino ? - perguntou uma voz , mesmo junto de o seu ouvido , que o fez dar um salto . Uma bruxa idosa estava em a sua frente , segurando um tabuleiro de uma coisa que se parecia horrivelmente com unhas humanas . A mulher olhou o maldosamente , mostrando os dentes esverdeados . Harry recuou . - Estou bem , obrigado - disse . - Estou só ... - HARRY ! O qu'é que pensas que estás a fazer aqui ? O coração de Harry deu um salto , assim_como o de a bruxa . Um monte de unhas caíram lhe sobre os pés e ela praguejou , enquanto o corpo enorme de Hagrid , o guarda de os campos de Hogwarts , se aproximava de eles a passos largos com os olhos castanhos-escuros a faiscarem sobre a longa barba eriçada . - Hagrid - gritou Harry , aliviado . - Eu estava perdido ... o pó de Floo ... Hagrid agarrou Harry por o cachaço e puxou o para longe de a bruxa , tirando lhe o tabuleiro de as mãos . Os guinchos agudos de a feiticeira seguiram nos até a o fundo de a ruela serpenteante que ia dar a um lagar onde brilhava o sol . Harry avistou a a distância um edifício de mármore branco como a neve que lhe era familiar : o banco de Gringotts . Hagrid conduzira o até a a Diagon - _ Al . - ` _ tás em um péssimo estado ! - disse Hagrid bruscamente , sacudindo lhe a fuligem com tanta força que Harry quase caiu em um barril de estrume de dragão que se encontrava a a porta de um boticário . - A fugir , em a Rua * _ Bativolta * , eu não conheço esse lugar finório , Harry , não quero que ninguém te veja aqui em baixo . - Já percebi - disse Harry , baixando se quando Hagrid fez menção de o escovar melhor . - Já te disse que estava perdido . E o que é_que tu fazes aqui ? - ` _ Tou a a procura d'um repelente para as lesmas comedoras de legumes - resmungou Hagrid . - ` _ tão a destruir as couves todas de a escola . Tu não estás sozinho ? - Estou em casa de os Weasley , mas separámo nos explicou Harry . - Tenho que os encontrar . Desceram juntos a rua . - Por_que é_que nunca respondeste a as minhas cartas ? - perguntou Hagrid , enquanto Harry corria para o acompanhar ( tinha de dar três passos por cada enorme passada de Hagrid ) . Harry explicou lhe tudo sobre Dobby e os Dursleys . - Malditos_Muggles - rugiu Hagrid . - S'eu tivesse sabido ... - Harry ! Harry ! Aqui ! Harry olhou para_cima e viu Hermione_Granger em o topo de a escadaria de Gringotts . Desceu para vir a o encontro de ele , o cabelo castanho de caracóis , a esvoaçar atrás de ela . - O que aconteceu a os teus óculos ? Olá_Hagrid ... Oh , é maravilhoso ver vos outra_vez . Vens a Gringotts , Harry ? - Logo_que encontre os Weasley - respondeu ele . - Não vais ter d'esperar muito - riu se Hagrid . Harry e Hermione olharam em volta . Subindo a rua , em o meio de a multidão , vinham Ron , Fred , George , Percy e Mr._Weasley . - Harry - chamou Mr._Weasley , ofegante . - Tínhamos esperança que só tivesses ido um fogão mais longe ... - passou um pano em a sua calva reluzente . - A Molly está nervosíssima , aí vem ela . - Onde é_que tu saíste ? - perguntou o Ron . - Em a Rua * _ Bativolta * - disse o Hagrid , com um ar sério . - Sensacional ! - exclamaram Fred e George ao_mesmo_tempo . - Nunca nos deram autorização para lá ir - disse o Ron com uma pontinha de inveja . - E fizeram muito bem - grunhiu Hagrid . Mrs._Weasley chegou em aquele momento a correr , a mala a balouçar em uma de as mãos e Ginny quase pendurada em a outra . - Oh Harry , oh meu querido , podias ter ido parar a qualquer lugar ... Tentando recuperar o fôlego , tirou de a mala uma grande escova de roupa e começou a retirar a fuligem que Hagrid não conseguira expulsar . Mr._Weasley pegou em os óculos de Harry , deu lhes um toque de varinha e entregou lhe os como novos . - Bem , tenho de m'ir embora - disse Hagrid cuja mão estava a ser esmagada por Mrs._Weasley ( -- Rua * _ Bativolta * ! Se não o tivesses encontrado , Hagrid ! ) . - Vemo nos em Hogwarts . - E afastou se , os ombros e a cabeça acima de a multidão que enchia completamente a rua . - Adivinham quem eu vi em o Borgin and Burkes ? - perguntou Harry_a_Ron e a Hermione enquanto subiam as escadarias de Gringotts . - Malfoy e o pai . - O Lucius_Malfoy comprou alguma coisa ? - perguntou interessado Mr._Weasley que estava atrás de eles . - Não , estava a vender . - Então está preocupado - comentou Mr._Weasley com visível satisfação . - Ah , eu adorava apanhar o Lucius_Malfoy em alguma . . - Tem cuidado , Arthur - interrompeu Mrs._Weasley enquanto o gnomo porteiro lhes dava reverentemente entrada em o banco . - Isso é um problema de família . Não queiras ter mais olhos que barriga . - Queres dizer com isso que achas que eu não chego para o Malfoy ? - perguntou Mr._Weasley , indignado , mas foi rapidamente afastado de aqueles sentimentos a o avistar os pais de Hermione que estavam de pé , nervosamente encostados a o balcão que acompanhava a grande parede de mármore , a a espera que Hermione os apresentasse . - Mas vocês são Muggles ! - disse Mr._Weasley , encantado . - Temos de tomar uma bebida . O que é isso aí ? Ah , estão a trocar dinheiro de Muggle . Molly , olha - apontou cheio de excitação para as notas de dez libras que Mr._Granger tinha em a mão . - Encontramo nos aqui - disse Ron_a_Hermione , enquanto os Weasley e Harry eram conduzidos a os seus cofres em o subterrâneo de Gringotts . Para chegar a os cofres havia que tomar umas carrinhas conduzidas por gnomos que se deslocavam ao_longo_de carris de comboio de pequenas dimensões através de os túneis subterrâneos de o banco . Harry gostou de a viagem acidentada até a o cofre de os Weasley , mas sentiu se bastante mal , pior do_que em a Rua * _ Bativolta * , quando o cobre foi aberto . Havia lá dentro um pequenino monte de Leões de prata e apenas um Galeão de ouro . Mrs._Weasley foi com a mão a a procura em os cantos antes de , com um gesto rápido , varrer tudo para dentro de o saco . Harry sentiu se ainda pior quando chegaram a o seu cofre . Tentou evitar que vissem o conteúdo enquanto empurrava apressadamente mãos cheias de moedas para dentro_de uma sacola de cabedal . Lá fora , em as escadarias de mármore , separaram se . Percy murmurou vagamente que precisava de uma nova pena de escrever . Fred e George tinham avistado um amigo de Hogwarts , Lee_Jordan . Mrs._Weasley e Ginny iam a uma loja de mantos em segunda mão , Mr._Weasley continuava a insistir em levar os Grangers a o Caldeirão_Escoante para lhes pagar uma bebida . - Encontrarmo nos todos em a Flourish and Blotts dentro_de uma hora para comprar os vossos livros de estudo - disse Mrs._Weasley , afastando se com Ginny . - E nem um passo em direcção a a Rua * _ Bativolta * - gritou a os gémeos que estavam de costas . Harry , Ron e Hermione deambularam por a rua empedrada e sinuosa . O ouro , prata e bronze que tilintavam alegremente em o saco que Harry tinha em o bolso pareciam exigir ser gastos , por isso ele comprou três enormes gelados de morango e manteiga de amendoim que eles devoraram felizes enquanto vagueavam sem destino por a rua fora , observando as montras fantásticas de as lojas . Ron olhou longamente para um conjunto completo de mantos de o Chudley_Cannon , em as montras de o « Equipamento_de_Quidditch_de_Qualidade » até Hermione o arrastar de ali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos . Em a « Jogos_de_Feitiçaria_de_Gambol and Japes » encontraram o Fred , o George e o Lee_Jordan que estavam presos em a fabulosa partida debaixo_de chuva e em os fogos-de-artifício de o Dr._Filibuster . E em uma pequenina loja de velharias cheia de varinhas partidas , balanças instáveis de latão e mantos velhos cobertos de nódoas de poções encontraram Percy profundamente concentrado em um pequenino livro , bastante chato , chamado * _ Prefeitos que conquistam o poder * . - * _ Um estudo sobre os prefeitos de Hogwarts e as suas posteriores carreiras * - leu alto o Ron em a contracapa . - Deve ser fascinante ... - Desaparece - gritou Percy . - Claro , ele é muito ambicioso , já tem tudo planeado . Quer ser ministro de a magia - disse o Ron baixinho a o Harry e a a Hermione , enquanto deixavam Percy entregue a o livro . Uma hora mais tarde dirigiram se a a Flourish and Blotts . Não eram de modo algum os únicos a encaminhar se para a livraria . À_medida_que se aproximavam viram com grande surpresa uma grande multidão a a porta , tentando entrar em a loja . O motivo de tal confusão estava anunciado em um cartaz que se estendia a o longo de a montra superior . GILDEROY_LOCKHART_Assinará exemplares de a sua autobiografia " eu , o mágico " Hoje 12.30 - 16.30 - Vamos poder conhecê o ! - gritou Hermione . - Quero dizer , ele escreveu quase todos os livros de a nossa lista ! A multidão parecia ser maioritariamente composta por bruxas de a idade de Mrs._Weasley . Um feiticeiro bem-parecido estava de pé junto de a porta , dizendo : - Calma , minhas senhoras , não empurrem , cuidado com os livros . Harry , Ron e Hermione conseguiram furar e entrar . Uma longa fila serpenteava para as traseiras de a loja onde Gilderoy_Lockhart estava a assinar os seus livros . Cada_um de eles pegou em um exemplar de * _ ensinamentos de Uma Fada_Carpideira * e escaparam se de a fila indo ter a o lugar onde se encontravam os outros com Mr. e Mrs._Granger . - Ah , aí estão vocês . _ óptimo - disse Mrs._Weasley que parecia estar com falta de ar e não parava de mexer em o cabelo . - Vamos poder vês o dentro_de um minuto . Gilderoy_Lockhart veio lentamente até um lugar onde era visível para todos , sentou se a uma mesa , rodeado de grandes fotografias de o próprio rosto , todo ele sorrisos , mostrando a a multidão o brilho cintilante de os seus dentes . Lockhart usava uma túnica azul-noite que condizia a as mil maravilhas com a cor de os olhos , o chapéu pontiagudo de feiticeiro colocado lateralmente sobre o cabelo ondulado . Um homenzinho pequenino e irritante andava a dançar de um lado para o outro , tirando fotografias com uma grande máquina preta que lançava baforadas de fumo arroxeado em cada * flash * . - Sai de o caminho , tu aí - disse rispidamente a o Ron , mudando de lugar para ter um angulo melhor . - Este é para o * _ Profeta_Diário * . - Grande coisa ! - exclamou o Ron , esfregando os pés em o lugar que o fotógrafo pisara . Gilderoy_Lockhart ouviu o . Olhou , viu o Ron e em seguida Harry . Voltou a olhar , desta_vez com mais atenção . Em seguida , pôs se de pé e gritou : - Não pode ser , o Harry_Potter ? A multidão dividiu se entre murmúrios de excitação . Lockhart aproximou se , agarrou Harry por um braço e levou o para a frente . A multidão rebentou em aplausos . A cara de Harry ardia quando Lockhart lhe apertou a mão para o fotógrafo que disparava como um louco , lançando fumo espesso para_cima de os Weasley . - Belo sorriso , Harry - disse Lockhart através de os seus dentes brilhantes . - Tu e eu juntos merecemos a primeira página . Quando por fim lhe largou a mão , Harry quase não sentia os dedos . Tentou recuar para junto de os Weasley , mas Lockhart lançou lhe um braço por os ombros e prendeu o a o seu lado . - Minhas senhoras e meus senhores - disse bem alto , fazendo sinal para que se acalmassem . - Que momento extraordinário este ! O momento perfeito para eu anunciar algo que tenho vindo a guardar comigo desde_há algum tempo . - Quando o jovem Harry entrou em a Flourish and Blotts hoje , ele queria apenas comprar a minha autobiografia , que tenho agora o maior prazer em oferecer lhe - a multidão aplaudiu de_novo . - Ele não tinha ideia - continuou Lockhart , dando a o Harry um pequeno encontrão que fez com que os óculos lhe escorregassem para a ponta de o nariz - de que ia conseguir em_breve muito mais do_que o meu livro Eu , o mágico . Ele e os seus colegas de a escola vão receber , de facto , o verdadeiro * _ Eu , o mágico * . Sim , minhas senhoras e meus senhores , tenho o maior prazer em anunciar que em o mês_de_Setembro assumirei o lugar de professor de Defesa contra as artes negras em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts ! A multidão aplaudiu e bateu palmas e Harry deu consigo a ser presenteado com a obra completa de Gilderoy_Lockhart . Cambaleando ligeiramente sob o peso de os livros conseguiu abrir caminho para longe de os projectores até a a porta de a sala onde estava Ginny com o seu novo caldeirão . - Podes ficar com estes - murmurou Harry , enfiando os livros em o caldeirão . - Eu vou comprar os meus . - Aposto que adoraste aquilo , não adoraste , Potter ? - disse uma voz que Harry não teve qualquer dificuldade em reconhecer . Endireitou se e deu consigo frente_a_frente com Draco_Malfoy que exibia o seu habitual sorriso escarninho . - O famoso Harry_Potter - disse Malfoy . - Nem_sequer pode entrar em uma livraria sem se tornar primeira página . - Deixa o em paz , ele não queria nada de isso - defendeu a Ginny . Era a primeira vez que falava em frente de Harry . Olhava para Malfoy com um ar feroz . - Potter , arranjaste uma namorada ! - disse arrastadamente Malfoy . Ginny ficou vermelha como um pimentão enquanto Ron e Hermione tentavam abrir caminho , ambos carregando montes de livros de Lockhart . -- Ah és tu ? - disse Ron , olhando para Malfoy como_se ele fosse algo desagradável colado a a sola de o sapato . - Aposto que te surpreendeu ver o Harry aqui ? - Não tanto como a ti em uma loja , Weasley - retorquiu Malfoy . - Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo . Ron ficou tão vermelho quanto Ginny . Deixou também cair os livros em o caldeirão e avançou para Malfoy , mas Harry e Hermione agarraram o por as costas de o casaco . - Ron - disse Mrs._Weasley , aproximando se com Fred e George . - O que estás a fazer ? Isto está uma loucura aqui dentro , vamos lá para fora . - Olha quem ele é , Arthur_Weasley . - Era_Mr._Malfoy . Estava de pé com a mão sobre o ombro de Draco , com o mesmo sorriso escarninho . -- Lucius - disse Mr._Weasley , acenando friamente . -- Muito trabalho em o ministério , segundo me consta - disse Mr._Malfoy . - Todas essas buscas ... espero que te estejam a pagar horas extraordinárias . Meteu a mão em o caldeirão de a Ginny e tirou de o meio de os livros de Lockhart um exemplar muito velho e muito gasto de o * _ Guia_de_Transfiguração_para_Principiantes * . - Parece que não - disse . - Que diabo , qual a vantagem de ser uma nódoa entre os feiticeiros se nem_sequer te pagam bem por isso ? Mr._Weasley corou mais ainda do_que Ron ou Ginny . - Nós temos uma opinião diferente sobre quem são as nódoas entre os feiticeiros - disse . - É claro que ... - disse Mr._Malfoy , os olhos mortiços passando para Mr. e Mrs._Granger apreensivamente . - As companhias com quem tu andas ... e eu que pensava que já não conseguias descer mais baixo ... Ouviu se um tilintar de metal quando o caldeirão de a Ginny foi por os ares . Mr._Weasley lançara se sobre Mr._Malfoy atirando o para dentro_de uma estante . Dezenas_de livros de feitiços saltaram lá de cima , caindo lhes sobre as cabeças . Houve um grito de - Chega lhe , pai ! - de o Fred e de o George . Mrs._Weasley soltava gritos agudos : - Não_Arthur , não . A multidão recuava deitando mais prateleiras a o chão . - Meus senhores , por favor - gritava o encarregado , e então , mais alto do_que todos : - Parem com isso , gente , parem com isso . Hagrid aproximava se através_de um mar de livros . Em um segundo afastou Mr._Weasley e Mr._Malfoy . Mr._Weasley tinha um lábio cortado e Mr._Malfoy fora agredido em um olho por uma * _ Enciclopédia_de_Cogumelos_Venenosos * . Tinha ainda em a mão o livro velho de a Ginny sobre transfiguração . Atirou lhe o , com os olhos a brilhar de malvadez . - Toma o teu livro , garota . É o melhor que o teu pai pode oferecer te . Libertando se de Hagrid , conduziu Draco para fora e abandonaram a livraria . - Devias tê o ignorado , Arthur - disse Hagrid quase a pegar em Mr._Weasley a o colo enquanto lhe endireitava o manto . - São podres até a a raiz , todos eles . Tod'à gente sabe . Nenhum Malfoy vale a pena ser ouvido . Não prestam , ' tá-lhes em o sangue . Vá lá , vamos sair de aqui . O encarregado parecia querer impedis os , mas , olhando bem para Hagrid , pensou melhor . Subiram a rua , os Grangers a tremer de medo e Mrs._Weasley fora de si . - Um belo exemplo para as crianças ... andar a a pancada em público . O que terá pensado Gilderoy_Lockhart ? - Ele gostou - disse o Fred . - Não o ouviram quando ia a sair ? Estava a perguntar a aquele tipo de o Profeta_Diário se conseguia incluir a briga em a reportagem , disse que era boa publicidade . Mas foi um grupo deprimido que regressou a a lareira de o Caldeirão_Escoante onde Harry , os Weasley e todas_as suas compras iriam viajar de volta até a a Toca , usando o pó de Floo . Despediram se de os Grangers que iam sair de o * pub * por a rua de os Muggles , de o outro lado . Mr._Weasley começou a perguntar lhes como funcionavam as paragens de autocarros , mas calou se rapidamente a o ver a expressão de Mrs._Weasley . Harry tirou os óculos e guardou os cautelosamente em o bolso antes de utilizar o pó de Floo . Definitivamente não era a sua forma ideal de viajar . V_O salgueiro zurzidor O fim de as férias de Verão chegou demasiado depressa para o gosto de Harry . Ele desejara muito regressar a Hogwarts , mas aquele mês em a Toca tinha sido o mais feliz de toda_a sua vida . Era difícil não invejar o Ron quando pensava em os Dursleys e em as boas-vindas que ia receber de a próxima vez que pusesse os pés em Privet_Drive . Em a última noite , Mrs._Weasley preparou um jantar magnífico , que incluía os pratos favoritos de Harry e terminava com um pudim de melaço de fazer crescer água em a boca . Fred e George alegraram a noite com uma exibição de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que saltaram de o tecto para as paredes , durante pelo_menos meia_hora . Depois , foi a altura de tomarem uma caneca de chocolate quente e irem para a cama . Em a manhã seguinte , demoraram muito_tempo a preparar se . Levantaram se com o cantar de o galo , mas parecia lhes que ainda tinham muito para fazer . Mrs._Weasley andava de um lado para o outro , mal-humorada , a a procura de meias e penas , chocavam uns com os outros em as escadas , meio vestidos , meio despidos , com pedaços de torrada em as mãos e Mr._Weasley quase partiu o nariz quando tropeçou em uma galinha a o atravessar o pátio , para meter em o carro a mala de Ginny . Harry não percebia lá muito bem_como é_que oito pessoas , seis grandes malas , duas corujas e um rato , iam caber em um pequeno * _ Ford_Anglia * , isso , claro , antes de as artes mágicas que Mr._Weasley acrescentara . - Nem uma palavra a a Molly - murmurou ele a o Harry , enquanto abria a bagageira e lhe mostrava como ela se expandira para que as malas coubessem facilmente . Quando , por fim , se acomodaram todos em o carro , Mrs._Weasley olhou para o banco de trás , onde Harry , Ron , Fred , George e Percy estavam confortavelmente sentados uns a o lado de os outros e disse : - Os Muggles têm mais conhecimentos do_que aqueles que nós lhes atribuímos , não achas ? - Ela e a Ginny entraram para o lugar de a frente , que fora esticado e parecia um banco de jardim . - Quer_dizer , de_fora ninguém diria que este carro era espaçoso , não acham ? Mr._Weasley pôs o motor a funcionar e saíram de o pátio , Harry voltando se para trás para ver por a última vez a casa . Mal teve tempo de se questionar se iria voltar alguma vez e já estavam de volta : George esquecera se de a caixa de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Cinco minutos mais tarde tiveram de interromper de_novo a viagem e voltar a o pátio para o Fred ir a correr buscar a vassoura . Estavam quase a chegar a a auto-estrada , quando Ginny guinchou que se esquecera de o diário . Mas estava a fazer se muito tarde e os ânimos começavam a exaltar se . Mr._Weasley olhou para o relógio e , em seguida , para a mulher . - Molly , querida ... - Não , Arthur . - Ninguém ia ver . Este botãozinho é um transformador de invisibilidade que eu instalei , levava nos por o ar , subíamos acima de as nuvens . Estaríamos lá em dez minutos e ninguém daria por nada ... - Eu disse que não , Arthur . Durante o dia , não . Chegaram a King's_Cross , faltava um quarto para as onze . Mr._Weasley precipitou se em busca de um carrinho de transporte para as malas e correram todos para a estação . Harry apanhara o Expresso_de_Hogwarts em o ano anterior . A parte mais difícil era entrar em a plataforma nove_e_três quartos , que não era visível a os olhos de os Muggles . Era preciso avançar para a barreira sólida que dividia as plataformas nove e dez . Não doía nada , mas tinha de ser feito com cuidado para que nenhum de os Muggles de esse , por o desaparecimento . - O Percy em primeiro lugar - declarou Mrs._Weasley , olhando nervosamente para o relógio lá em cima , que mostrava que tinham apenas cinco minutos para desaparecer através de a barreira . Percy avançou a passos largos e desapareceu . Mr._Weasley foi a seguir e depois de ele Fred e George . - Eu levo a Ginny e vocês vêm atrás_de nós - disse Mrs._Weasley a o Harry e a o Ron , agarrando Ginny pela mão e seguindo em frente . Em um abrir e fechar de olhos , tinham passado . - Vamos passar juntos , só temos um minuto - disse Ron a o Harry . Harry assegurou se de que a gaiola de a Hedwig estava bem fixa em cima de a sua mala e empurrou o carrinho de encontro a a barreira . Estava perfeitamente confiante , aquilo era muito mais fácil do_que usar o pó de Floo . Puseram os dois as mãos em o puxador de os carrinhos e avançaram direitos a a barreira , ganhando velocidade . A um metro e pouco , começaram a correr e ... CRASH . Os dois carros bateram em a barreira e foram impelidos para trás . A mala de o Ron caiu com um enorme estrépito . Harry desequilibrou se e a gaiola de a Hedwig foi parar a o chão brilhante , enquanto ela rolava guinchando , indignada . As pessoas em volta olhavam fixamente e um guarda que estava ali perto gritou : - Que diabo pensam vocês que estão a fazer ? - Perdemos o controlo de o carro de transporte - respondeu o Harry , respirando com dificuldade , agarrando se a as costelas , enquanto se punha de pé . Ron correu a agarrar a Hedwig , que estava a fazer uma cena tal , que já se ouviam murmúrios em a multidão sobre a crueldade para com os animais . - Porque é_que não conseguimos passar ? - perguntou Harry a o Ron em um sussurro . - Não sei . Ron olhou descontroladamente em volta . Uma_dúzia de curiosos estavam ainda a observá os . - Vamos perder o comboio - murmurou o Ron . - Não compreendo porque motivo a cancela se fechou . Harry olhou para o relógio gigantesco com um sentimento de náusea em a boca de o estômago . Dez segundos , nove segundos ... Dirigiu o carrinho de transporte para a frente com toda_a força . O metal manteve se sólido . Três segundos ... dois segundos ... um segundo ... - Partiu - afirmou o Ron , que parecia estonteado . - O comboio foi se embora . E se a mãe e o pai não conseguem voltar para aqui ? Tens algum dinheiro de Muggle ? Harry deu uma gargalhada . - Os Dursleys não me dão um tostão há mais de seis anos ! Ron encostou o ouvido a a barreira . - Não se ouve nada - disse , bastante tenso . - O que vamos nós fazer ? Não sei quanto tempo o pai e a mãe vão demorar . Olharam em volta . As pessoas ainda estavam a observá os , principalmente devido a os contínuos guinchos de a Hedwig . - Acho que o melhor é sairmos de aqui e esperamos por eles junto de o carro - disse Harry . - Aqui estamos a atrair demasiado as aten ... - Harry - disse o Ron , com os olhos a brilhar . - É isso , o carro . - O que é_que tem ? - Podemos voar nele até Hogwarts ! - Mas eu pensei ... - Estamos em apuros , certo ? E temos de chegar a a escola , ou não ? E mesmo os feiticeiros menores de idade estão autorizados a usar a magia em uma emergência real , parágrafo dezanove , ou não sei quê , de a Restrição de ... O sentimento de pânico de Harry transformou se em entusiasmo . - E tu sabes voar nele ? - Não há problema - disse o Ron , andando com o carrinho a a volta e dirigindo se para a saída . - Anda de aí . Se em os apressarmos , conseguiremos sair atrás de o Expresso_de_Hogwarts . E afastaram se de o grupo de Muggles curiosos , abandonando a estação e voltando a a rua , onde o velho * _ Ford_Anglia * se encontrava estacionado . Ron abriu a bagageira com uma série de toques de varinha . Meteram lá dentro as malas , puseram a Hedwig em o assento de trás e entraram para a frente . - Verifica se ninguém está a ver - disse o Ron , ligando a ignição com outro toque de varinha . Harry pôs a cabeça fora de a janela : o trânsito enchia a avenida principal , mas a rua de eles estava vazia . - O. _ K. - disse . Ron carregou em um pequeno botão de o painel . Os carros em volta desapareceram assim_como eles . Harry sentia o assento a vibrar debaixo_de si , ouvia o motor , sentia as mãos sobre os joelhos e os óculos em o nariz , mas , tanto quanto conseguia ver , tornara se um par de olhos redondos flutuando um metro e pouco acima de o chão em uma rua suja , cheia de carros estacionados . - Vamos - disse a voz de o Ron , vinda de o seu lado direito . O chão e os prédios escuros de ambos os lados desapareceram de o seu ângulo de visão , mal o carro se elevou . Em poucos segundos toda_a cidade de Londres , enevoada e resplandecente , estava por baixo de eles . Em seguida , ouviu se um ruído que parecia o saltar de uma rolha e o carro , Harry e Ron , reapareceram . - Oh , oh - disse Ron , batendo em o intensificador de invisibilidade . - Está avariado ... Começaram os dois a bater em o botão . O carro desapareceu . Depois surgiu de forma intermitente . - Aguenta aí - gritou o Ron e carregou com o pé em o acelerador . Saltaram direitinhos para o meio de as nuvens mais baixas e tudo ficou sujo e enevoado . - E agora ? - exclamou Harry , piscando os olhos a a sólida massa de nuvens que os comprimia de todos os lados . - Precisamos de avistar o comboio para sabermos qual a direcção a tomar - explicou o Ron . - Desce rapidamente ... Desceram por o meio de as nuvens e voltaram se em os lugares , espreitando . - Estou a vê o - gritou Harry . - Mesmo em frente , ali . O Expresso_de_Hogwarts deslocava se a grande velocidade lá em baixo , como uma serpente vermelha . - Para Norte - disse o Ron , verificando a bússola de o painel . - O. _ k . , basta que verifiquemos de meia em meia_hora . Aguenta aí ... - e arrancaram por o meio de as nuvens . Em o minuto seguinte , tinham chegado a a luz brilhante de o Sol . Era um mundo diferente . Os pneus de o carro deslizavam sobre o mar de nuvens macias , o céu era de um azul infinito sob a luz , capaz de cegar , que irradiava de o Sol . - Agora só temos de nos preocupar com os aviões - disse o Ron . Olharam um para o outro e desataram a rir . Durante muito_tempo não conseguiram parar . Era como_se tivessem mergulhado em um sonho fabuloso . Aquela , pensou Harry , era certamente a única maneira de viajar : passando por turbilhões e torres de nuvens cor de neve , em um carro cheio de calor , o sol radioso , com um grande pacote de rebuçados em o porta-luvas e antegozando o ar de inveja de o Fred e de o George quando aterrassem suavemente e de forma espectacular em o relvado macio em frente de o castelo de Hogwarts . Espreitaram várias vezes o comboio enquanto voavam cada_vez_mais para norte . Cada descida entre as nuvens dava lhes uma perspectiva diferente . Londres depressa ficou para trás , substituída por campos verdejantes que , por sua vez , deram lugar a grandes pântanos arroxeados , aldeias com pequenas igrejas de brinquedo e uma grande cidade , cheia de vida , com carros que pareciam formigas multicores . Várias horas mais tarde sem acontecer nada de_novo , Harry teve de admitir que uma parte de o entusiasmo se esgotara . Os rebuçados tinham nos deixado cheios de sede e não havia nada para beber . Ele e o Ron tinham tirado as camisolas , mas a * _ T-shirt * de o Harry estava colada a as costas de o assento e os óculos não paravam de lhe escorregar para a ponta de o nariz . Deixara de reparar em as fabulosas formas de as nuvens e pensava com saudade em o comboio , milhas abaixo de eles , onde se podia comprar sumo fresquinho de abóboras em um carro empurrado por uma bruxa gordinha . Porque não teriam conseguido entrar em a plataforma nove_e_três quartos ? - Não pode ser muito mais longe , pois não ? - resmungou o Ron , horas mais tarde quando o Sol começava a enfiar se em o seu chão de nuvens , pintando as de um rosa profundo . - Estás pronto para outra espreitadela a o comboio ? Ainda ia mesmo por baixo de eles , abrindo caminho por_entre uma montanha com o topo coberto de neve . Estava muito mais escuro entre o dossel de nuvens . Ron pôs o pé em o acelerador e levou os de_novo para_cima , mas em esse momento o motor começou a chiar . Harry e Ron trocaram entre si olhares nervosos . - Deve estar só cansado - disse o Ron . - Nunca tinha vindo tão longe ... - E fingiram ambos que não davam por o gemido que se ia tornando maior à_medida_que o céu serenamente escurecia . As estrelas desabrochavam em a escuridão , Harry voltou a enfiar a camisola de lã , tentando ignorar os limpa pára-brisas que acenavam debilmente como_que a protestar . - Não devemos estar longe - disse Ron , dirigindo se mais a o carro do_que a o amigo . - Já não devemos estar longe - deu umas palmadinhas nervosas em o * tablier * . Pouco depois , quando voltaram a voar em o meio de as nuvens , tiveram de olhar de lado em a escuridão , em busca de um ponto de referência que conhecessem . - Ali - gritou Harry , fazendo o Ron e a Hedwig darem um salto . - Mesmo em frente . Recortados em o horizonte negro , sobre o rochedo de o outro lado de o lago , erguiam se as torres e torreões de o castelo de Hogwarts . Mas o carro tinha começado a estremecer e perdia a os poucos velocidade . - Vá lá - disse o Ron , dando a o volante um pequeno abanão bajulador . - Estamos quase a chegar , vá lá ... O motor gemeu . Pequenos jactos de vapor de água brotaram de o capo . Harry deu consigo agarrado com toda_a força a os bordos de o assento enquanto voavam direitos a o lago . O carro deu um solavanco feio . Espreitando por a janela , Harry viu a superfície negra , macia e espelhada de a água cerca de uma milha abaixo de eles . Os dedos de o Ron agarrados a o volante tinham as articulações brancas . O carro deu um novo esticão . - Vá lá - murmurou o Ron . Estavam sobre o lago ... o castelo ficava mesmo em frente . Ron fez força com o pé . Houve um ruído surdo , uma crepitação e o motor morreu por completo . - Oh ! oh ! - gemeu Ron em o silêncio . O nariz de o carro voltou se para baixo . Estavam a cair , ganhando velocidade em direcção a os muros sólidos de o castelo . - Naaaaão ! - gritou o Ron , girando o volante . Escaparam a a muralha de pedra negra por centímetros , quando o carro fez um grande arco , planando primeiro sobre as estufas , depois sobre o rectângulo plantado com vegetais e , por fim , sobre os relvados , perdendo sempre velocidade . Ron largou o volante por completo e tirou a varinha de o bolso de trás . - __ pára ! __ pára ! - gritou , batendo em o * tablier * e em o pára-brisas , mas eles continuavam a mergulhar , o chão a voar em direcção a eles . - : __ cuidado com essa __ árvore ! ! ! - bramiu Harry , deitando a mão a o volante , mas ... tarde de mais ... CRUNCH . Com um ruído ensurdecedor de metal e madeira , bateram em o tronco espesso de a árvore e caíram em o chão com um forte solavanco . O vapor era um mar debaixo de o capo amachucado . A Hedwig tremia apavorada . Em a cabeça de Harry surgira um alto de o tamanho de uma bola de golfe , quando ele batera em o pára-brisas , tombando em seguida para a direita . Ron soltou um gemido longo e desesperado . - Estás O. _ K ? - perguntou Harry , aflito . - A minha varinha - disse o Ron em uma voz trémula . - Olha para a minha varinha . Tinha se partido praticamente em duas , a ponta balouçava mole , presa por meia_dúzia de esquírolas . Harry abriu a boca para dizer que em a escola com certeza conseguiriam consertá a , mas nem chegou a começar a frase . Em esse preciso momento , algo bateu em o seu lado de o carro , com a força de um touro , projectando o para_cima de o Ron , ao_mesmo_tempo que um golpe igualmente forte se sentiu em o capô . - O que está a acontec ... Ron arfou , olhando fixamente por o pára-brisas e Harry olhou em volta , mesmo a_tempo_de ver uma ramada espessa como uma píton vir contra o vidro . A árvore em que tinham batido estava a atacá os . O tronco dobrara se quase a meio e os seus galhos rugosos davam uma tareia a cada centímetro de o carro que conseguiam atingir . - Ah ! - praguejou o Ron , quando outra pernada retorcida esmurrou a sua porta , amolgando a . O pára-brisas tremia agora sob uma saraivada de golpes vindos de galhos que pareciam patas de animais e uma ramada espessa como um aríete esmagava furiosamente o capo , que parecia estar a ceder ... - Corre ! - gritou o Ron , lançando o seu peso contra a porta , mas , em o momento seguinte , tinha sido atirado para trás , para o colo de Harry por um soco maldoso , dado de baixo para_cima , por outro ramo . - Estamos feitos ! - resmungou , enquanto o tecto descaía . Mas , de repente , o chão de o carro estava a vibrar , o motor pegara . - Marcha atrás - gritou o Harry e o carro deu um salto para trás . A árvore tentava ainda agredis os , ouviam as raízes chiar , enquanto quase se partiam esticando se para os alcançar . - Escapámos por_pouco ! - exclamou o Ron . - Muito bem , carro . Mas o carro tinha atingido o limite de as suas forças . Com dois estalidos , as portas abriram se e Harry sentiu o seu assento inclinar se para o lado . Quando deu por si , estava estatelado em o chão húmido . Ruídos surdos avisaram o de que o carro estava a ejectar as malas de a bagageira . A gaiola de a Hedwig voou por os ares e abriu se . Ela saiu a voar com um pio furioso e dirigiu se a o castelo , sem sequer olhar para trás . Em seguida , o carro , amolgado , arranhado e a fumegar , arrancou em o escuro , com os faróis traseiros ardendo de fúria . - Volta aqui ! - gritou o Ron , brandindo a varinha partida . - O meu pai mata me . Mas o carro desapareceu a perder de vista , com um último estoiro de o tubo de escape . - Já viste bem o nosso azar ! ? - exclamou o Ron em o meio de a sua infelicidade , baixando se para apanhar o rato Scabbers . - De todas_as árvores em que podíamos ter batido , tínhamos de ir dar a uma que bate também . Olhou por cima de o ombro para a velha árvore que ainda agitava os ramos ameaçadoramente . - Vamos - disse Harry , fatigado . - É melhor irmos andando para a escola ... Não foi , de modo algum , a chegada triunfal que tinham imaginado . Constrangidos , cheios de frio e magoados , pegaram em as malas e começaram a arrastá as por o relvado acima , em direcção a as grandes portadas de carvalho . - Acho que o banquete já começou - disse o Ron , largando a mala em os degraus de a entrada e atravessando devagarinho para espreitar por uma janela iluminada . - Harry , anda ver , é a distribuição . Harry apressou se e os dois , ele e o Ron , espreitaram para o Salão_Nobre . Um número infindável de velas pairava em o ar , sobre quatro mesas enormes cheias de gente , fazendo brilhar os pratos dourados e as taças . Em cima , o tecto encantado que espelhava o céu lá de_fora , brilhava cheio de estrelas . Por_entre a floresta de chapéus pretos pontiagudos de Hogwarts , Harry viu uma longa fila de alunos de o primeiro ano com olhares assustados que enchia o vestíbulo . Ginny estava entre eles , facilmente reconhecível devido a o seu chamativo cabelo Weasley . Enquanto isso , a professora Mc_Gonagall , uma bruxa de óculos com cabelo castanho apanhado em um carrapito , colocava o famoso chapéu seleccionador em um banco que se encontrava em frente de os novos alunos . Todos os anos , aquele velho chapéu , remendado , puído e cheio de pó , seleccionava alunos para as quatro equipas de Hogwarts ( Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin ) . Harry lembrava se bem de o ter colocado em a cabeça , precisamente um ano antes , e ter esperado petrificado por a sua decisão , enquanto ele lhe murmurava a o ouvido . Durante alguns horríveis segundos receara que o chapéu o mandasse para os Slytherin , a equipa que produzia maior número de feiticeiros e feiticeiras de magia negra , mas acabara por ficar em os Gryffindor , juntamente com Ron e Hermione e o resto de os Weasley . Em o último período , Harry e Ron tinham ajudado os Gryffindor a vencer o campeonato de a equipa , batendo os Slytherin pela_primeira_vez em sete anos . Um rapazito baixinho com cabelo de rato acabava de ser chamado para pôr o chapéu em a cabeça . Os olhos de Harry saltavam de ele para o lugar onde o professor Dumbledore , o director , estava sentado , observando a selecção de a mesa de os professores , com a sua longa barba cor de prata e óculos de meia-lua que brilhavam a a luz de as velas . Alguns lugares a a frente , Harry viu Gilderoy_Lockhart com um manto verde-azulado . E lá bem a o fundo estava Hagrid , enorme e cabeludo , bebendo satisfeito de a sua taça . - Espera aí - murmurou a o Ron . - Há um lugar vazio em a mesa de os professores . Onde estará o Snape ? Severus_Snape era o professor de quem Harry menos gostava . Harry era também o seu aluno menos querido . Cruel , sarcástico e detestado por todos com excepção de os alunos de a sua própria equipa ( Slytherin ) , Snape tinha a seu cargo a cadeira de Poções . - Talvez esteja doente - sugeriu Ron , cheio de esperança . - Talvez se tenha ido embora - lembrou Harry . - Por não lhe terem dado outra_vez a Defesa contra as artes negras . - Ou talvez tenha sido corrido - propôs Ron com entusiasmo . - Afinal , toda_a_gente o detesta ... - Ou talvez - disse uma voz gelada atrás de eles - esteja a a espera que vocês lhe expliquem por_que motivo não vieram em o comboio de a escola . Harry deu uma volta . Em a sua frente , com o manto negro a ondular em uma brisa fria , estava Severus_Snape . O professor era um homem magro , de pele descorada , nariz adunco e um cabelo preto oleoso que lhe caía sobre os ombros . E em aquele momento sorria de um modo tal que Harry sentiu que tanto ele como Ron estavam em sérios apuros . - Sigam me - disse Snape . Sem ousarem sequer olhar um para o outro , Harry e Ron seguiram Snape por as escadas até a o amplo * hall * de entrada que estava iluminado por as chamas de os archotes . De o salão nobre vinha um cheirinho delicioso a comida , mas Snape levou os para longe de a luz e de o calor , em direcção a uma escada estreita de pedra que conduzia a os calabouços . - Entrem - ordenou , abrindo uma porta a meio de o corredor e apontando . Entraram a tremer em o escritório de Snape . As paredes sombrias estavam cobertas de prateleiras cheias de jarros de vidro grosso onde flutuavam as coisas mais diversas e repugnantes , cujo nome Harry não queria de momento conhecer . A lareira estava escura e vazia . Snape fechou a porta e voltou se de frente para eles . - Com que então - disse com falsa suavidade - o comboio não serve para o famoso Harry_Potter e o seu fiel companheiro Weasley . Queriam chegar em grande estilo , não era rapazes ? - Não senhor , foi a barreira em King's_Cross , ela ... - Silêncio - disse Snape friamente . -- _ o que fizeram a o carro ? Ron engoliu em seco . Aquela não era a primeira vez que Snape dava a Harry a impressão de ser capaz de ler pensamentos . Mas , pouco depois , compreendeu tudo quando Snape desenrolou o exemplar de o Profeta_Vespertino . - Vocês foram vistos - afirmou , mostrando lhes o cabeçalho : : __ ford anglia voador confunde __ muggles . Começou a ler alto a notícia . - Dois Muggles em Londres convenceram se de que tinham visto um carro velho a voar sobre a torre de os correios ... a a tardinha em Norfolk , Mrs._Hetty_Bayliss , enquanto pendurava a roupa ... Mr._Angus_Fleet_de_Peebles informou a polícia ... seis ou sete Muggles a o todo . Julgo que o teu pai trabalha em o departamento de mau uso dado a os objectos de os Muggles ? - disse olhando para Ron e sorrindo de uma forma ainda mais sarcástica . - Que peninha , o próprio filho ... Harry sentiu se como_se tivesse levado um soco em o estômago de uma de as maiores pernadas de a árvore louca . E se alguém descobrisse que Mr._Weasley tinha enfeitiçado o carro ? Ele ainda nem tinha pensado em isso . - Reparei durante a minha volta por o jardim que foi feito um estrago considerável em um salgueiro zurzidor extremamente valioso - continuou Snape . - Essa árvore fez nos pior a nós do_que nós ... - deixou escapar Ron . - Silêncio - interrompeu Snape , de_novo . - Infelizmente vocês não fazem parte de a minha equipa e a decisão de vos expulsar não está em as minhas mãos . Vou , por isso , buscar as pessoas que possuem essa feliz possibilidade . Esperem aqui . Harry e Ron olharam , pálidos , um para o outro . Harry perdera a fome . Sentia se agora extremamente agoniado . Tentava não olhar para uma coisa viscosa , suspensa em um líquido verde que estava em uma prateleira por detrás de a secretária de Snape . Se ele fora buscar a professora Mc_Gonagall , chefe de a equipa de os Gryffindor , não estavam muito melhor . Ela era mais justa do_que Snape , mas extremamente severa . Dez minutos mais tarde , Snape voltou e era , de facto , a professora Mc_Gonagall quem o acompanhava . Harry vira a professora Mc_Gonagall zangada , mas , ou se tinha esquecido de como a boca de ela ficava fina , ou nunca a vira tão zangada como em aquele dia . Levantou a varinha em o momento em que entrou . Harry e Ron estremeceram , mas ela limitou se a apontá a para a lareira onde as chamas se elevaram subitamente . - Sentem se - ordenou , e os dois recuaram para as cadeiras junto de o lume . - Expliquem se - disse com os óculos a brilhar de uma forma ameaçadora . Ron enveredou por a história começando por a barreira de a estação que se recusara a deixá os passar . - Por isso não tínhamos escolha , professora , não podíamos chegar a o comboio . - Porque não nos mandaram uma carta por a coruja ? Julgo que tens uma coruja ? - disse friamente a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a Harry . Harry olhou para ela sem saber o que dizer . - Parece me - continuou ela - que seria a coisa mais adequada . - Eu ... não pensei ... - Isso - disse a professora Mc_Gonagall - é bastante óbvio . Ouviu se bater a a porta de o escritório e Snape , que parecia agora mais feliz do_que nunca , foi abrir . Era o director , o professor Dumbledore . Harry ficou totalmente paralisado . Dumbledore tinha uma expressão grave . Olhou para eles de cima de o seu nariz adunco e Harry desejou estar ainda com Ron a levar uma sova de o salgueiro zurzidor . Fez se um longo silêncio . Em seguida , Dumbledore disse lhes : - Por favor , expliquem porque fizeram isto . Teria sido melhor se gritasse . Harry detestou sentir a decepção em a sua voz . Inexplicavelmente era incapaz de olhar Dumbledore em os olhos e falou em direcção a os seus joelhos . Disse lhe tudo excepto que o carro enfeitiçado pertencia a Mr._Weasley , dando a ideia de que ele e o Ron o tinham encontrado estacionado fora de a estação . Sabia que Dumbledore ia ver para_além de isso , mas o director não fez perguntas sobre o carro . Quando Harry terminou continuou a olhar para ele através de os seus óculos . - Nós vamos buscar as nossas coisas - disse Ron em um tom de voz sem esperança . - Que disparate é esse ? - rosnou a professora Mc_Gonagall . -- Então , vão expulsar nos , não vão ? - disse o Ron . Harry olhou rapidamente para Dumbledore . - Ainda não , Mr._Weasley - afirmou Dumbledore . - Mas vou assinalar a gravidade do_que vocês fizeram . Hoje a a noite escreverei a as vossas famílias . Estão também prevenidos que se voltarem a fazer uma coisa como esta não terei outro remédio senão expulsar vos . A expressão de Snape era como_se o Natal tivesse sido cancelado . Pigarreou e disse : - Professor_Dumbledore , estes rapazes infringiram o decreto para a restrição de a feitiçaria de os menores , causaram estragos consideráveis a uma árvore antiga e valiosa ... sem dúvida , actos de esta natureza ... - Cabe a a professora Mc_Gonagall decidir sobre os castigos de os rapazes , Severus - afirmou Dumbledore com toda_a calma . - Pertencem a a equipa de ela e são , portanto , de a sua responsabilidade . - Voltou se para a professora Mc_Gonagall . - Tenho de regressar a o banquete , Minerva , devo dar algumas informações . Venha Severus , há uma tarte de leite e ovos com um aspecto delicioso que quero mostrar lhe . Snape lançou um olhar de puro veneno a o Harry e a o Ron enquanto permitia que o afastassem de o seu escritório , deixando os a sós com a professora Mc_Gonagall que ainda os olhava como uma águia em fúria . - É melhor ires até a a ala hospitalar , Weasley , estás a sangrar . - Não é nada - disse Ron , limpando o corte com a manga para que ela o visse . - Professora , eu gostava de ver a minha irmã ser seleccionada . - A cerimónia de a selecção terminou - disse a professora Mc_Gonagall . - A tua irmã está também em os Gryffindor . - _ óptimo - exclamou Ron . - E por falar em os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall de forma cortante , mas Harry interrompeu a : - Professora , quando tirámos o carro , o ano escolar ainda não tinha começado , por isso os Gryffindor não deveriam perder pontos , pois não ? - terminou olhando a ansiosamente . A professora Mc_Gonagall lançou lhe um olhar penetrante , mas ele era capaz de jurar que ela quase tinha sorrido . Pelo_menos a boca não parecia tão fina . - Não vou tirar pontos a os Gryffindor - tranquilizou o . E o coração de Harry ficou mais leve . - Mas vocês os dois vão ter um castigo . Foi melhor do_que Harry imaginara . O facto de Dumbledore escrever a os Dursley não tinha a menor importância . Harry sabia perfeitamente que eles só lamentariam que o salgueiro zurzidor não o tivesse esmigalhado . A professora Mc_Gonagall ergueu a varinha de_novo apontou a a a secretária de Snape . Um grande prato de sanduíches , duas taças de prata e um jarro com sumo de abóbora gelado apareceram em menos_de um segundo . - Vocês vão comer aqui e , em seguida , vão direitinhos para o vosso dormitório - disse . - Eu também tenho de voltar para a festa . Mal a porta se fechou atrás de ela , Ron soltou baixinho um assobio . - Pensei que estávamos feitos - confessou , agarrando uma sanduíche . - Também eu - disse o Harry , orando também uma . - Mas já viste bem a nossa pouca sorte ? - insistiu o Ron com a boca cheia de frango e fiambre . - O Fred e o George voaram em aquele carro cinco ou seis vezes e nenhum Muggle os viu - engoliu outro pedaço enorme de a sanduíche . - Porque será que não conseguimos passar a barreira ? Harry encolheu os ombros . - Mas temos de ter muito cuidado a_partir_de agora - disse bebendo um grande trago de sumo de abóbora . - Que pena não termos podido ir a o banquete . - Ela não quis que nos exibíssemos - afirmou Ron com prudência . - Não vão as pessoas pensar que é uma boa chegar aqui de carro voador . Quando já tinham comido todas_as sanduíches que queriam ( o prato ia voltando a encher se sozinho ) , levantaram se e saíram de o escritório , seguindo o caminho que lhes era familiar , para a torre de os Gryffindor . O castelo estava em silêncio . Parecia que o banquete tinha acabado . Passaram por retratos murmurantes e armaduras que gemiam e subiram os degraus estreitos de pedra até que , por fim , chegaram a a passagem onde a entrada secreta para a torre de os Gryffindor se encontrava oculta por detrás de o quadro a óleo de uma dama gorda em um vestido cor-de-rosa . - A senha ? - perguntou ela mal os dois se aproximaram . - Er ... Eles ainda não tinham estado com o prefeito de os Gryffindor e por isso ainda não conheciam a senha para o novo ano , mas a ajuda não se fez esperar . Ouviram passos apressados atrás de eles e quando se voltaram viram Hermione que se aproximava . - Aí estão vocês . Onde é_que se meteram ? Correm os boatos mais ridículos , alguém disse que vocês tinham sido expulsos por espatifarem um carro voador . - Bem , expulsos não fomos - tranquilizou a Harry . - Não estás a dizer me que voaram até aqui ? - perguntou Hermione em um tom quase tão severo como a professora Mc_Gonagall . - Dispensa se o sermão - interrompeu Ron impacientemente . - E diz nos a nova senha de passagem . - É crista de pássaro - disse Hermione não contendo a impaciência . - Mas o mais importante não é isso ... Contudo as palavras de ela foram interrompidas ao_mesmo_tempo que o retrato de a dama gorda se abria e se ouvia uma tempestade de aplausos . A o que parecia a equipa de os Gryffindor estava ainda acordada , dentro de a sala comum em forma de círculo , junto de as mesas assimétricas e de os cadeirões moles a a espera que eles chegassem para , de braços estendidos através de o buraco de o retrato , puxarem Harry e Ron para dentro deixando Hermione para o fim . - Sensacional - gritou Lee_Jordan . - Inspirado ! Que entrada ! Voar em um carro e aterrar em o salgueiro zurzidor . Toda_a_gente vai falar de isto durante anos e anos . - Muito bem - disse um aluno de o quinto ano com quem Harry nunca tinha falado . Alguém dava lhe palmadas em as costas como_se ele acabasse de vencer a maratona . Fred e George abriram caminho por_entre a multidão e disseram ao_mesmo_tempo : - Por_que é_que não nos chamaram , hein ? - Ron estava vermelho como um pimentão , sorrindo envergonhado , mas Harry via perfeitamente uma pessoa que não estava nada contente . Percy elevava se acima de as cabeças de os excitados alunos de o primeiro ano e parecia estar a tentar aproximar se para os repreender . Harry deu uma cotovelada a o Ron e apontou em direcção a Percy . Ron percebeu de imediato . - Temos de ir para_cima , um_pouco cansados ! - explicou e os dois começaram a abrir caminho em direcção a a porta que ficava de o outro lado de a sala e que dava para a escada em espiral e para os dormitórios . - ` _ Noite - despediu se Harry_de_Hermione que tinha um ar tão carrancudo como Percy . Conseguiram chegar a o outro lado de a sala comum sempre a levarem palmadas em as costas e alcançaram o sossego de as escadas . Apressaram se a subir e , por fim , chegaram a a porta de o dormitório que tinha agora um letreiro a dizer « Segundos_Anos » . Entraram em o quarto circular , que conheciam tão bem , com as suas cinco camas de dossel adornadas de velado vermelho e as suas janelas altas e estreitas . As malas tinham sido trazidas para_cima e colocadas a os pés de as camas . Ron fez um sorriso culpado . - Sei que não devia ter gostado de aquilo , mas ... A porta de o dormitório abriu se e os outros rapazes de os Gryffindor entraram ; eram eles o Seamus_Finnigan , o Dean_Thomas e o Neville_Loogbottom . - Inacreditável - aplaudiu Seamus . - Incrível - aprovou o Dean . - Espantoso - exclamou o Neville , aterrado . Harry não pôde evitar também um sorriso . VI_Gilderoy_Lockhart_No dia seguinte , contudo , Harry não conseguiu sorrir . As coisas começaram a correr mal logo em o salão durante o pequeno-almoço . Debaixo de o tecto encantado ( em aquele dia triste e cinzento ) estavam as quatro grandes mesas de as equipas e sobre elas , terrinas de papa de aveia , pratos de arenque defumado , montanhas de torradas e pratadas de ovos com * bacon * . Harry e Ron sentaram se em a mesa de os Gryffindor , junto de Hermione que tinha o seu exemplar de * _ Viagens com Vampiros * totalmente aberto , encostado a um jarro de leite . Havia uma certa rigidez em a maneira como ela disse : - ` _ Dia - que mostrou a Harry que continuava a desaprovar o modo como tinham chegado a a escola . Por seu turno , Neville_Longbottom saudou os entusiasticamente . Neville era um rapazinho de cara redonda , muito dado a acidentes , com a pior memória que Harry tinha conhecido . - A entrega de correio deve estar a chegar , acho que a minha avó me vai mandar umas quantas coisas de que me esqueci ... Harry tinha começado a comer as papas de aveia , quando se ouviu um ruído tumultuoso em o ar e umas cem corujas entraram ao_mesmo_tempo , sobrevoando o salão e deixando cair cartas e pacotes em o meio de a multidão faladora . Um embrulho grande e rugoso caiu em a cabeça de Neville e , um segundo depois , uma coisa larga e cinzenta caiu em o jarro de a Hermione , enchendo os a todos de leite e penas . - Errol - gritou o Ron , puxando a coruja esfarrapada por as patas . Errol caíra inconsciente sobre a mesa com as pernas para o ar e um envelope vermelho húmido em o bico . - Oh , não ! - sobressaltou se Ron . - Ela está bem , ainda está viva - tranquilizou o Hermione , tocando suavemente em a Errol com a ponta de o dedo . - Não é isso , é ... aquilo . Ron apontava para o envelope vermelho . Parecera perfeitamente vulgar a Harry , mas Ron e Neville estavam ambos a observá o como_se esperassem que explodisse . - Qual é o problema ? - perguntou Harry . - Ela . Ela mandou me um * gritador * - disse Ron , quase sem voz . - É melhor abrires - aconselhou Neville em um murmúrio tímido - senão é pior . A minha avó uma_vez mandou me um que eu ignorei e ... - engoliu em seco - foi horrível . Harry olhava , ora para as suas caras , ora para o envelope vermelho . - O que é um * gritador * ? - perguntou . - Mas toda_a atenção de o Ron estava fixa em a carta que começara a fumegar por os cantos . - Abre a - intimou o Neville . - De aqui a poucos minutos já passou tudo . Ron estendeu uma mão trémula , retirou o envelope de o bico de a Errol e começou a abri o . Neville pôs os dedos em os ouvidos . Após uma fracção de segundo , Harry compreendeu porquê . Pensou em o primeiro momento que ela explodira . Um ruído ensurdecedor encheu o enorme salão , fazendo cair pó de o tecto . - ... : __ roubar o carro ! não me surpreendia nada se te expulsassem . espera só até te pôr as mãos em cima . será que não paraste para pensar em a nossa aflição quando vimos que o carro tinha __ desaparecido ... Os gritos de Mrs._Weasley , ampliados cem vezes em relação a o seu normal , fizeram os pratos e as colheres chocalhar em a mesa e ecoaram de forma ensurdecedora em as paredes de pedra . Vinha gente de todos os lados espreitar quem tinha recebido o * gritador * e Ron afundou se tanto em a cadeira que só se lhe via a testa carmesim . - ... : __ uma carta de o dumbledore ontem a a noite , o teu pai quase morria de vergonha . não foi esta a educação que te demos , tu e o harry podiam ter __ morrido ... Harry estava a ver quando é_que o seu nome viria a a baila . Tentou o melhor que pôde agir como_se não ouvisse a voz , mas aquilo estava a fazer com que os tímpanos lhe latejassem . - ... : __ profundamente decepcionada , o teu pai vai ter de se confrontar com um inquérito em o trabalho , tudo por tua culpa e , se pisas mais_uma_vez o risco , trago te para __ casa ! Seguiu se um silêncio ressonante . O envelope vermelho , que caíra de as mãos de o Ron , incendiou se e encaracolou se em cinzas . Harry e Ron estavam sentados de boca aberta , como_se uma onda gigante lhes tivesse passado por cima . Algumas pessoas riam e , a os poucos , o ruído de as conversas recomeçou . Hermione fechou o * _ Viagens com Vampiros * e olhou para o topo de a cabeça de Ron . - Bem , não sei o que esperavas , Ron , mas tu ... - Não me venhas dizer que mereci - interrompeu Ron . Harry afastou as papas de aveia . O estômago ardia lhe de culpa . Mr._Weasley tinha um inquérito em o trabalho , depois de tudo_o_que Mr. e Mrs._Weasley tinham feito por ele durante o Verão ... Mas não teve muito_tempo para se demorar em aqueles pensamentos . A professora Mc_Gonagall circulava em volta de as mesas de os Gryffindor distribuindo horários . Harry pegou em o seu e viu que começavam por ter Herbologia , juntamente com os Hufflepuff . Harry , Ron e Hermione saíram juntos de o castelo , atravessaram as hortas e chegaram a as estufas , onde estavam guardadas as plantas mágicas . O * gritador * tivera pelo_menos uma vantagem : Hermione parecia achar que já tinham sido suficientemente castigados e estava de_novo perfeitamente calorosa . Quando estavam a chegar a as estufas viram o resto de a classe de pé , cá fora , a a espera de a professora Sprout . Harry , Ron e Hermione tinham acabado de se lhes juntar quando a viram aproximar se a passos largos por o relvado , acompanhada de Gilderoy_Lockhart . A professora Sprout era uma bruxa pequenina e atarracada que usava um chapéu a os remendos sobre o cabelo solto . As roupas que vestia estavam sempre cheias de terra e as suas unhas fariam a tia Petúnia desmaiar . Gilderoy_Lockhart , pelo_contrário , tinha um ar imaculado em as suas vestes azul-turquesa , o cabelo doirado a brilhar debaixo_de um chapéu azul-turquesa , com uma fita dourada , perfeitamente posicionado sobre a cabeça . - Olá a todos ! - gritou Lockhart , dirigindo se a o grupo de estudantes . - Estive a mostrar a a professora Sprout a maneira correcta de tratar um salgueiro . Mas não quero que fiquem com a ideia de que sou melhor do_que ela em Herbologia . Acontece que encontrei várias de estas plantas exóticas , durante as minhas viagens .... - Estufa número três hoje , meninos ! - disse a professora Sprout que estava visivelmente descontente , bem diferente de a sua habitual natureza bem-disposta . Houve um murmúrio de interesse . Eles só tinham estado uma_vez em a terceira estufa , que era uma estufa que abrigava plantas bem mais interessantes e perigosas . A professora Sprout tirou uma enorme chave de o cinto e abriu a porta . Harry sentiu o bafo de a terra húmida com adubo misturado e o perfume forte de umas flores gigantescas , de o tamanho de guarda-chuvas , que estavam penduradas de o tecto . Ia seguir Ron e Hermione , quando a mão de o Lockhart o travou . -- Harry ! Tenho querido ter uma palavrinha contigo . Não se importa se ele chegar uns minutos atrasado , pois não , professora Sprout ? A julgar por a expressão carregada de a professora Sprout , importava se sim , mas Lockhart disse : - Então até já - e fechou a porta de a estufa em a cara de ela . - Harry ! - disse Lockhart , com os dentes brancos a brilharem a o sol , enquanto abanava a cabeça . - Harry , Harry , Harry ! Harry , totalmente perplexo , não disse uma palavra . - Quando ouvi dizer , bem , é claro que eu tive muita culpa , deviam castigar me também ... Harry não fazia ideia de que estava ele a falar , quando Lockhart prosseguiu : - Nunca me lembro de ficar tão chocado . Fazer voar um automóvel até Hogwarts ! Bem , é claro que eu percebi logo porque o fizeste . Foi um destaque em grande . Harry , Harry , Harry ! Era notável como ele conseguia mostrar todos aqueles dentes brilhantes , mesmo quando não estava a falar . - Criei te o gosto por a publicidade , não foi ? - perguntou Lockhart . - Passei te o bichinho . Apareceste comigo em a primeira página e não podias esperar para aparecer outra_vez ... - Oh , não , professor , sabe é_que ... - Harry , Harry , Harry - disse Lockhart aproximando se e tocando lhe em o ombro . - * _ Eu compreendo * . É natural querer um_pouco mais quando se lhe tomou o gosto , e eu culpo me por te ter dado esse conhecimento , porque era natural que te subisse a a cabeça , mas vê uma coisa , rapazinho , tu não podes começar a fazer voar carros para tentares ser notícia . Tens de acalmar , está bem ? Tens muito_tempo quando fores mais velho . Sim , sim , eu sei o que estás a pensar ! É fácil para ele falar assim , já é um feiticeiro internacionalmente famoso ! Mas quando eu tinha doze anos era tão zé-ninguém como tu és hoje . Em a verdade , era ainda mais . De ti , já meia_dúzia de pessoas ouviram falar , não é ? Toda aquela história com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . - Olhou para a cicatriz luminosa em a testa de Harry . - Eu sei , eu sei , não é o mesmo_que vencer o Prémio de o sorriso de o feiticeiro de a semana cinco vezes seguidas , como eu venci , mas é um começo , Harry , é um começo . Lançou lhe uma piscadela de olhos cordial e foi se embora . Harry ficou atarantado durante alguns segundos . Depois , lembrando se que deveria estar em a estufa , abriu a porta e esgueirou se lá para dentro . A professora Sprout estava de pé , por_detrás_de uma espécie de mesa em o meio de a estufa . Em cima de a mesa estavam cerca de vinte pares de abafo de ouvidos de diferentes cores . Quando Harry estava já em o seu lugar , entre Ron e Hermione , ela disse : - Hoje vamos transplantar Mandrágoras . Muito bem , quem sabe dizer me as propriedades de a Mandrágora ? Não foi surpresa para ninguém que a mão de a Hermione fosse a primeira em o ar . - A Mandrágora tem um efeito reparador muito poderoso - disse Hermione , com o ar mais normal de este mundo , como_se tivesse engolido o livro de texto . - É usada para fazer voltar as pessoas , que foram transfiguradas ou amaldiçoadas , a o seu estado original . - Excelente . Dez pontos para os Gryffindor ! - exclamou a professora Sprout . - A Mandrágora é parte integrante de a maior parte de os antídotos , mas também é perigosa . Quem sabe dizer me porquê ? A mão de Hermione por_pouco não bateu em os óculos de Harry , quando se ergueu de_novo . - O grito de a Mandrágora é fatal para quem o ouve - disse prontamente . - Precisamente . Dou lhe mais dez pontos - disse a professora Sprout . - Agora vejamos , as Mandrágoras que aqui temos são ainda muito jovens . Enquanto falava , apontou para uma fila de tabuleiros com uma certa profundidade e todos se chegaram a a frente para ver melhor . Cerca de uma centena de plantinhas tufosas de um verde arroxeado cresciam em filas . Pareceram perfeitamente vulgares a Harry , que não fazia a menor ideia do_que Hermione queria dizer com o * grito * de a Mandrágora . - Cada_um de vocês pode tirar um par de abafo de ouvidos - disse a professora Sprout . Houve uma competição renhida porque ninguém queria os cor-de-rosa , cheios de penugem . - Quando eu vos disser para os colocar , assegurem se de que os vossos ouvidos estão completamente tapados - disse a professora Sprout . - Logo_que seja seguro retirá os , eu levanto os dedos . Certo , pôr os abafos de os ouvido . Harry pôs imediatamente os abafos em os ouvidos . Eles fecharam completamente o som . A professora Sprout colocou também um par de abafos cor-de-rosa com penugem em os de ela , arregaçou as mangas de a túnica , agarrou uma de as plantas tufosas e puxou com toda_a força . Harry soltou um grito de surpresa que ninguém ouviu . Em_vez_de raízes , um bebé pequenino , enlameado e extremamente feio , saiu de a terra . As folhas cresciam lhe em o alto de a cabeça , tinha uma pele pintalgada de um pálido esverdeado e estava nitidamente a berrar a plenos pulmões . A professora Sprout tirou debaixo de a mesa um grande vaso de plantas e mergulhou lá dentro a Mandrágora , enterrando a em a mistura escura e húmida , até que só as folhas ficassem visíveis . Em seguida , limpou a terra de as mãos , levantou os dedos e todos eles retiraram os abafos de os ouvidos . - Como as nossas Mandrágoras são muito novas , os seus gritos ainda não matam - disse ela com grande calma , como_se tivesse feito algo tão normal como regar uma begónia . - Contudo , podem pôr vos a dormir durante várias horas e , como com certeza nenhum de vocês quer perder o primeiro dia de aulas , vejam se os abafos estão bem colocados enquanto trabalham . Eu chamarei vos a atenção quando for altura de os retirar . - Quatro em cada fila , há aqui uma grande quantidade de vasos , a mistura de terra está em os sacos ali a o fundo e tenham cuidado com a * _ Venomous_Tentacula * , estão a nascer lhe os dentes . Enquanto falava , deu uma pancada seca a uma planta vermelha escura cheia de pontas eriçadas , fazendo a encolher as longas antenas que tinham estado a avançar lenta e dissimuladamente sobre o seu ombro . A Harry , Ron e Hermione veio juntar se em a fila um rapaz de cabelo encaracolado de os Hufflepuff que Harry conhecia de vista , mas com quem nunca tinha falado . - Justin_Finch - _ Fletchey - disse ele com vivacidade , apertando a mão de o Harry . - Conheço te , claro , o famoso Harry_Potter ... e tu és a Hermione_Granger , sempre a primeira em tudo ( Hermione brilhou em um sorriso , como_se ele lhe tivesse apertado a mão ) e Ron_Weasley . Não era teu o carro voador ? Ron não sorriu . Não lhe saía de a cabeça o * gritador * . - Aquele Lockhart é o_máximo , não acham ? - disse Justin satisfeito , enquanto começavam a encher os vasos com composto de adubo de dragão . - Terrivelmente corajoso . Leram os livros de ele ? Eu teria morrido de medo se um lobisomem me tivesse encurralado em uma cabina telefónica , mas ele manteve se calmo e ... zap ... fantástico ! « Eu estava inscrito em Eton , sabem , não imaginam como estou feliz de ter vindo antes para aqui . É claro que a minha mãe ficou um_pouco desiludida , mas depois de lhe ter dado os livros de Lockhart a ler , tenho a impressão de que ela começou a ver a utilidade de ter um feiticeiro bem treinado em a família ... Depois de isso , não tiveram grandes oportunidades para conversar . Voltaram a pôr os abafos de ouvidos e era preciso concentrarem se em as Mandrágoras . A professora Sprout fizera as coisas parecerem extremamente simples , mas não eram . As Mandrágoras não gostavam de sair de a terra mas também não pareciam querer voltar para lá . Elas contorceram se , deram pontapés , agitaram as mãozinhas finas e rangeram os dentes . Harry levou dez minutos inteirinhos a tentar meter uma Mandrágora particularmente gorda dentro_de um vaso . Em o final de a aula , Harry , como todos os outros , estava a suar , cheio de dores e coberto de terra . Regressaram a o castelo a pé para um banho rápido e , em seguida , os Gryffindor apressaram se para assistir a a aula de transfiguração . As aulas de a professora Mc_Gonagall eram sempre complicadas , mas a de aquele dia era particularmente difícil . Tudo_o_que o Harry aprendera em o ano anterior parecia ter se lhe apagado de a memória durante o Verão . Ele deveria ser capaz de transformar uma barata em um botão , mas , tudo_o_que conseguiu foi fazer a barata praticar um imenso exercício , enquanto corria apressadamente por o tampo de a secretária evitando a varinha . Ron estava a debater se com problemas bastante piores . Tinha atado a varinha com uma fita mágica , mas parecia que não havia reparação possível . Não parava de crepitar e lançar faíscas em os momentos mais estranhos e , sempre_que Ron tentava transfigurar a barata , via se envolvido em um fumo cinzento espesso que cheirava a ovos podres . Incapaz de ver o que estava a fazer , o Ron esmagou , por engano , a barata com o cotovelo e teve de ir pedir que lhe dessem outra , o que deixou a professora Mc_Gonagall muito pouco satisfeita . Harry ficou aliviado quando ouviu tocar a campainha para o almoço . Sentia a cabeça como uma esponja espremida . Todos os alunos saíram em fila de a aula excepto ele e Ron que dava furiosas varadas em a secretária . - Coisa estúpida e inútil . - Escreve a os teus pais a pedir outra - sugeriu Harry , enquanto a varinha disparava com estrondo um foguete explosivo . - Ah pois , e receber outro * gritador * em a volta de o correio - respondeu Ron , metendo a varinha que já assobiava , dentro de o saco . - * _ A culpa é toda tua se a varinha está estragada * ... Desceram para o almoço e aí a disposição de o Ron não iria melhorar com Hermione a mostrar lhe uma mão-cheia de botões de casaco , perfeitinhos , que produzira em a transfiguração . - O que temos esta tarde ? - quis saber Harry , mudando rapidamente de assunto . - Defesa contra as artes negras - disse Hermione , sem perder tempo . - Porque é_que tu ... - perguntou Ron , pegando em o horário de ela - desenhaste corações em volta de as aulas de o Lockhart ? Hermione arrancou lhe o horário de as mãos , corando furiosa . Acabaram de almoçar e foram para o pátio carregado de nuvens . Hermione sentou se em um degrau de pedra e enfiou de_novo o nariz em as * _ Viagens com Vampiros * . Harry e Ron ficaram a falar de Quidditch durante alguns minutos antes de Harry se aperceber de que estava a ser observado de perto . Olhando para_cima viu o rapazinho pequenino com cabelo de rato que ele vira experimentar o chapéu seleccionador em a noite anterior , olhando para ele com uma expressão petrificada . Estava agarrado a o que parecia ser uma vulgar máquina fotográfica de os Muggles e , em o momento em que Harry olhou para ele , ficou todo vermelho . - Tudo bem , Harry ? Eu sou Colin_Creevey - disse , faltando lhe o ar e adiantando se a qualquer pergunta . - Estou em os Gryffindor também . Não te importavas que eu tirasse uma fotografia ? - perguntou , levantando a máquina cheio de expectativa . - Uma fotografia ? - repetiu Harry , inexpressivo . - Para eu provar que te conheci - disse Colin_Creevey cheio de ansiedade , continuando : - Eu sei tudo a teu respeito . Toda_a_gente me tem contado como sobreviveste quando O_Quem nós sabemos tentou matar te , como ele desapareceu depois de isso e como ficaste com a cicatriz em forma de relâmpago em a testa ( os seus olhos procuraram a linha de cabelo de Harry ) e um rapaz de o meu dormitório disse que se eu revelasse o filme em a posição certa ele mexia . - Colin respirou fundo , estremecendo de excitação e disse : - Isto_é fantástico , aqui , não achas ? Eu não sabia que todas_as coisas estranhas que fazia eram magia até a o dia em que recebi uma carta de Hogwarts . O meu pai é leiteiro . Também ele não queria acreditar . Por isso estou a tirar montes de fotografias para lhe mandar e era mesmo bom se tivesse uma tua - parecia implorar . - Talvez o teu amigo pudesse tirá a e assim eu ficava a o teu lado . E depois , podias assiná a ? - Assinar fotografias ? Estás a dar fotos autografadas , Potter ? Alta e mordaz , a voz de Draco_Malfoy ecoou em o pátio . Estava parado mesmo atrás_de Colin , ladeado , como sempre andava em Hogwarts , por os seus fortes guarda-costas Crabbe e Goyle . - Ei gente , façam bicha - gritou Malfoy a a multidão . - Harry_Potter está a dar fotos autografadas ! - Não estou coisa nenhuma - disse Harry , zangado , com os punhos em o ar . - Cala a boca , Malfoy . - Tu tens é inveja - começou a dizer Colin , cujo corpo era de o tamanho de o pescoço de Crabbe . - Inveja - repetiu Malfoy que não precisava de gritar mais , metade de o pátio estava a ouvi o . - De quê ? Não preciso de uma cicatriz em a cabeça , muito obrigado . Não acho que ter um corte em a testa torne alguém especial . Crabbe e Goyle riram estupidamente - Vai pastar caracóis , Malfoy - disse o Ron furioso . Crabbe parou de rir e começou a esfregar os nós de os dedos enormes de uma forma ameaçadora . - Tem cuidado , Weasley - escarneceu Malfoy . - Com certeza não queres começar uma rixa ou a tua mãezinha tem de vir cá para te tirar de a escola - e com uma voz aguda e penetrante : - * _ Se voltas a pisar o risco * ... Um grupo de alunos de o quinto ano de os Slytherin que estava ali perto , riu se bastante alto . - O Weasley gostaria de ter uma foto tua autografada , Potter - escarneceu de_novo Malfoy . - Era capaz de valer mais do_que a casa onde ele mora com a família . Ron sacou de a sua varinha amarrada com fita , mas Hermione fechou as * Viagens com Vampiros * com um estrondo e avisou : - Atenção . - O que é isto , o que é isto ? - Gilderoy_Lockhart aproximava se com o seu manto azul-turquesa girando em torvelinho atrás de ele . - Quem está a dar fotos autografadas ? Harry ia começar a explicar , mas foi interrompido quando Lockhart lhe pôs jovialmente o braço em cima de os ombros . - Mas que pergunta a minha ! Cá estamos nós de_novo , Harry ! Preso ao_lado_de Lockhart e a arder de humilhação , Harry viu Malfoy deslizar com o seu sorriso desdenhoso por o meio de a multidão . - Vamos lá então , Mr._Creevey - disse Lockhart , dirigindo se a Colin . - Uma foto dupla , já viu a sua sorte ? E assinamos a os dois para si . Colin ajustou a máquina e tirou a fotografia em o preciso momento em que a campainha tocava para as aulas de a tarde . - Está em a hora , todos para dentro - gritou Lockhart a a multidão e regressou a o castelo levando a o seu lado o Harry que só lamentava não conhecer um feitiço que o fizesse desaparecer . - Uma palavra só , Harry - disse Lockhart paternalmente , enquanto entravam em o edifício por uma porta lateral . - Eu ajudei te há bocado com o jovem Creevey porque se ele estivesse a fotografar me também a mim os teus colegas não reparariam tanto que estavas a exibir te ... Indiferente a a gaguez de Harry , Lockhart arrastou o para um corredor ladeado de alunos que os olhavam espantados e subiram uma escada . - Deixa me só dizer te uma coisa : dar fotografias autografadas em esta fase de a tua carreira , francamente , não é sensato , Harry , parece um_pouco megalómano . Pode ser que um dia mais tarde , tal_como eu , sejas obrigado a assinar para multidões onde quer que vás , mas - fez uma pequena pausa - não me parece que seja o caso , por enquanto . Tinham chegado a a aula de Lockhart e ele largou finalmente o Harry que sacudiu a túnica e foi sentar se em um lugar bem lá atrás onde começou por empilhar os livros de Lockhart a a sua frente para evitar olhar para a criatura . O resto de a aula entrou ruidosamente e Ron e Hermione foram sentar se um de cada lado de Harry . - Tu estavas vermelho como um pimentão - disse o Ron . - Reza para que o Creevey não se torne amigo de a Ginny senão bem podem criar o clube de * fans * de Harry_Potter . - Cala a boca - interrompeu Harry . A última coisa que desejava era que o Lockhart ouvisse a expressão « clube de * fans * de Harry_Potter « . Quando todos estavam em os seus lugares , Lockhart pigarreou alto e fez se silêncio . Ele inclinou se para a frente , pegou em o exemplar de Neville_Longbottom de * _ viagens com Duendes * e levantou o para mostrar a sua fotografia a piscar os olhos em a capa . - Eu - disse apontando para a fotografia e piscando também os olhos - Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , terceiro ano , membro honorário de a Liga_de_Defesa contra as artes negras e cinco vezes vencedor de o prémio de o * _ Feiticeiro de a semana * por o sorriso mais charmoso . Mas não vamos falar de isso , não venci a fada carpideira de Bandon a sorrir para ela ! Esperou que eles se rissem . Alguns alunos sorriram timidamente . - Já vi que todos vocês compraram a minha obra completa . Muito bem . Pensei começar hoje com um pequeno interrogatório escrito . Nada de complicado , só para perceber se leram bem os meus livros e o que apreenderam ... Depois de distribuir as folhas de teste voltou se para os alunos e disse : - Têm trinta minutos . Comecem já . Harry olhou para o papel e leu : *1 . Qual é a cor preferida de Gilderoy_Lockhart ? *2 . Qual é a ambição secreta de Gilderoy_Lockhart ? *3 . Qual é , em a sua opinião , a maior realização de Gilderoy_Lockhart até a o momento ? * E_por_aí adiante , ao_longo_de três páginas , terminando com : *54 . Qual é o dia de aniversário de Gilderoy_Lockhart e qual seria o seu presente preferido ? * Meia_hora mais tarde , Lockhart recolheu os pontos e folhou os rapidamente em frente de os alunos . - Tut , tut , quase ninguém se lembrou que a minha cor preferida é o lilás . Eu digo o em * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves * . Alguns precisam de voltar a ler com mais cuidado * Fim-de - _ Semana com Um Lobisomem * . Eu afirmo claramente em o décimo segundo capítulo que o meu presente de aniversário preferido seria a harmonia entre todos os seres , mágicos e não mágicos , embora não me importasse de receber uma garrafa grande de * whisky * velho de a Ogden's_Old_Firewhisky . Piscou lhes o olho de_novo . Ron olhava para Lockhart com uma expressão de incredulidade em o rosto . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas que estavam sentados a a frente tremiam de tanto conter o riso . Hermione , contudo , ouvia Lockhart com extrema atenção e deu um salto quando ouviu o seu nome . - Mas Miss_Hermione_Granger sabia que a minha ambição secreta era libertar o mundo de o mal e pôr a a venda a minha gama de poções de tratamento de o cabelo . Muito bem - voltou o papel . - Nota máxima ! Onde está Miss_Hermione_Granger ? Hermione ergueu uma mão trémula . - Excelente - bradou Lockhart , exultante . - Leva dez pontos para os Gryffindor . E vamos a o trabalho . Baixou se atrás de a secretária e pegou em uma grande gaiola coberta . - Ficam desde_já a saber , a minha função é preparar vos contra as criaturas mais malignas que a feitiçaria conhece . Vocês podem ter que enfrentar os maiores medos em esta sala . Saibam que nenhum mal vos sucederá comigo aqui . Só vos peço que se mantenham calmos . Ultrapassando os seus sentimentos , Harry espreitou através de a pilha de livros para ver melhor a gaiola . Lockhart colocou uma mão em a tampa . Dean e Seamus tinham deixado de se rir . Neville estava agachado em o seu lugar de a fila de a frente . - Vou pedir vos que não façam barulho - disse Lockhart em voz baixa . - Podem assustá os . Enquanto a aula inteira continha a respiração , Lockhart tirou a cobertura . - Sim - disse em um tom dramático . - Duendes_da_Cornualha recém-capturados . Seamus_Finnigan não conseguiu controlar se . Soltou uma gargalhada que nem Lockhart poderia confundir com um grito de terror . - Sim ? - sorriu a Seamus . - Bem , eles não são , não são perigosos , pois não ? - perguntou a rir . -- Não tenhas tanta certeza de isso - afirmou Lockhart , aborrecido , abanando um dedo , em direcção a Seamus . - Podem ser maçadores e muito traiçoeiros . Os duendes eram de um azul-eléctrico e tinham cerca de vinte centímetros de altura com feições angulosas e umas vozes tão estridentes que era como ouvir uma discussão entre araras . Logo_que o pano foi retirado , começaram a fazer uma enorme algazarra , a andar de um lado para o outro , batendo em as grades e fazendo caretas a as pessoas que estavam mais perto . - Muito bem - disse Lockhart em voz alta . - Vamos então ver o que vocês conseguem fazer de eles - e abriu a gaiola . Foi um pandemónio . Os duendes dispararam em todas_as direcções como foguetes . Dois de eles agarraram o Neville por as orelhas e levantaram o a o ar . Vários outros foram direitos a a janela , fazendo chover vidros partidos até a a fila de trás . Os restantes decidiram destruir a sala com maior eficácia do_que um rinoceronte em fúria . Agarraram em os tinteiros e salpicaram tudo em volta , rasgaram a os bocados livros e papéis , arrancaram os quadros de as paredes , levantaram a o ar a gaiola vazia , agarraram livros e sacos e lançaram nos por a janela de vidros estilhaçados . Em poucos minutos , metade de a aula estava abrigada debaixo de as secretárias e o Neville pendurado em o candelabro de o tecto . - Vamos lá , agarrem nos , agarrem nos , são apenas duendes ... - gritava Lockhart . Arregaçou as mangas , bramiu a varinha e pronunciou * Peshipiksi_Pesternomi ! * As palavras não tiveram o menor efeito . Um de os duendes pegou em a varinha de Lockhart e atirou a também por a janela fora . Lockhart engoliu em seco e mergulhou debaixo de a secretária , não sendo , por um triz , esmagado por o Neville que caiu um segundo depois , quando o candelabro cedeu . A campainha tocou e houve uma louca precipitação para a porta . Em a calma relativa que se seguiu , Lockhart endireitou se , olhou para Harry , Ron e Hermione que estavam quase a chegar a a porta e disse : - Bem , vou pedir vos a os três que prendam o resto de os duendes em a gaiola - passou por eles e fechou rapidamente a porta atrás_de si . - Isto dá para acreditar ? - resmungou o Ron , enquanto um de os duendes lhe mordia com toda_a força uma de as orelhas . - Ele só quer dar nos uma ajuda , permitindo nos ganhar experiência - justificou Hermione , imobilizando dois duendes de uma_vez com um encantamento de paralisação e metendo os de_novo em a gaiola . - Experiência ? - disse Harry , tentando agarrar um duende que dançava com a língua de_fora . - Hermione , ele não sabia nada do_que estava a fazer . - Disparate - retorquiu Hermione . - Leste os livros de ele . Vê só as coisas que ele já fez ! - Que diz que fez - resmungou o Ron . VII_Sangue de lama e murmúrios Harry passou imenso tempo , em os dias que se seguiram , a fugir sempre_que via Gilderoy_Lockhart aproximar se em o corredor . Mais difícil de evitar era Colin_Creevey que parecia ter decorado o horário de Harry . Parecia que nada o emocionava mais do_que dizer : - Tudo bem , Harry ? - seis ou sete vezes por dia e ouvir : - Olá , Colin - por mais exasperado que Harry estivesse quando lhe respondia . A Hedwig ainda estava zangada com Harry por causa de a desastrosa viagem de automóvel e a varinha de o Ron continuava a não funcionar , tendo ultrapassado tudo em a sexta-feira de manhã quando lhe saltou de as mãos em a aula de encantamentos e foi agredir o velho e baixinho professor Flitwick mesmo entre os olhos , deixando uma enorme bolha latejante em o sítio onde tinha batido . Por tudo_isso Harry via chegar , com satisfação , o fim_de_semana Planeava ir em o Sábado de anhã , com Ron e Hermione visitar o Hagrid . Mas foi acordado várias horas mais cedo do_que desejaria por Oliver ood , treinador de a equipa de Quidditch_dos_Gryffindor . - _ o que é_que se passa ? - perguntou Harry , enrolando as palavras . - Treino_de_Quidditch - disse Wood . - Vamos embora . Harry lançou um olhar de esguelha a a janela . Uma neblina fina pairava em o céu rosa e dourado . Agora_que estava acordado não percebia como pudera dormir com a algazarra que os pássaros faziam . - Oliver resmungou Harry . - É de madrugada . - Exacto - respondeu Wood . Era um rapaz alto e corpulento de o sexto ano e em aquele momento os olhos brilhavam lhe loucamente de entusiasmo . - Faz parte de o nosso novo programa de treinos . Anda lá , vai buscar a vassoura e vamos embora - insistiu Wood empenhado . - Nenhuma de as outras equipas começou ainda a treinar . Vamos ser os primeiros este ano ... A bocejar e a tremer um_pouco , Harry saltou de a cama e tentou descobrir as suas túnicas de Quidditch . - Bem , encontramo nos em o campo , dentro_de quinze minutos . Depois de descobrir a sua roupa escarlate de equipa e pôr o manto por cima para se aquecer , Harry escreveu a o Ron um bilhete a explicar onde tinha ido e desceu por a escada de espiral para a sala comum com a sua Nimbos dois inil a o ombro . Tinha acabado de chegar junto de o buraco de o retrato quando ouviu um barulho atrás_de si e viu Colin_Creevey descer a escada de espiral com a máquina fotográfica pendurada a o pescoço a balouçar como louca e uma coisa em a mão . - Ouvi alguém chamar o teu nome em as escadas , Harry olha o que tenho aqui . Revelei a e queria mostrar te . Harry olhou assombrado para a fotografia que Colin lhe espetava em frente de o nariz . Um Lockhart a preto e branco movia se , puxando com toda_a força um braço que Harry reconheceu como sendo o seu . Ficou satisfeito a o constatar que estava a resistir bastante bem , recusando se a ser trazido para a vista de todos . Enquanto Harry observava , Lockhart desistiu e desinteressou se de lutar contra a parte branca de a fotografia . - Assinas para mim ? - pediu Colin entusiasmado . - Não - respondeu secamente Harry , olhando em volta para verificar se o caminho estava livre . - Desculpa_Colin , mas estou cheio de pressa , treino de Quidditch . Passou por o buraco de o retrato . - Oh Uau ! Espera por mim . Eu nunca vi um jogo de Quidditch . Colin trepou por o buraco de o retrato atrás de ele . - Vai ser uma chatice para ti - disse Harry rapidamente , mas Colin ignorou o comentário . Todo o seu rosto brilhava de satisfação . - Tu foste o jogador mais novo de a equipa em cem anos , não foste Harry ? Não foste ? - perguntava Colin , trotando para o acompanhar . - Deve ser fantástico . Eu nunca voei . É fácil ? Essa vassoura é a tua ? É a melhor que há ? Harry não sabia como ver se livre de ele . Era como ter uma sombra que não se calava . - Eu não percebo nada de Quidditch - disse Colin , já sem fôlego . - É verdade que há quatro bolas ? E que duas anda n a voar , tentando fazer os jogadores caírem de as vassouras ? - Sim - disse Harry lentamente , resignado com o ter de lhe explicar as complicadas regras de o Quidditch . - São as * bludgers * . Há dois * beaters * em cada equipa que têm bastões para bater em as * bludgers * e lançá as para o outro lado . O Fred e o George_Weasley são os * beaters * de os Gryffindor . - E para que servem as outras bolas ? - perguntou Colin , saltando uma série de degraus porque ia a olhar para o Harry de boca aberta . - Bem , a * quaffle * , que é a vermelha grandalhona , é a que marca os golos . Três * chasers * em cada equipa lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam fazes a entrar em as balizas que ficam em o extremo de o campo onde há três grandes postes com argolas em as pontas . - E a quarta bola ? - A * snitch * dourada - explicou Harry . - É muito pequenina e veloz e extremamente difícil de agarrar . Mas é isso que o * seeker * tem de fazer , porque o jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * for agarrada . E o * seeker * que conseguir agarrá a ganha para a sua equipa mais cento_e_cinquenta pontos . - E tu és o * seeker * de os Gryffindor , não és ? - perguntou Colin respeitosamente . - Sim - disse Harry enquanto saíam de o castelo e começavam a atravessar o relvado . - E há também o * keeper * que toma conta de os postes . É isto . Mas Colin não parou de fazer perguntas desde os relvados macios até a o campo de Quidditch e Harry só se viu livre de ele quando chegaram a os vestiários . Colin gritou em uma voz aguda : - Eu vou arranjar um lugar , Harry - e apressou se em direcção a as bancadas . O resto de a equipa de os Gryffindor já se encontrava em os vestiários . Wood era o único que tinha aspecto de estar bem acordado . Fred e George_Weasley estavam sentados com olhos de sono e cabelos desgrenhados junto de Alicia_Spinnet de o quarto ano que parecia inclinar se contra a parede que tinha atrás_de si . Os seus companheiros * chasers * , Katie_Bell e Angelina_Johnson bocejavam em frente de ela . - Até que enfim , Harry , porque é_que demoraste tanto ? - perguntou Wood cheio de actividade . - Eu queria ter uma pequena conversa convosco antes de entrarmos propriamente em campo porque passei o Verão a conjecturar um novo programa de treinos que acredito vai estabelecer grandes mudanças . Wood tinha em as mãos um grande mapa de um campo de Quidditch onde estavam desenhadas muitas linhas , setas e cruzes a tinta de várias cores . Pegou em a varinha , bateu com ela em o quadro e as setas começaram a mover se em o mapa como tractores . Enquanto Wood se lançava em um discurso sobre as suas novas técnicas , a cabeça de Fred_Weasley caiu sobre o ombro de Alicia_Spinnet e ele começou a ressonar . O primeiro mapa levou quase vinte minutos a explicar , mas debaixo de esse havia outro e ainda um terceiro . Harry caiu em uma letargia enquanto Wood continuava indefinidamente . - Então - disse por fim o treinador , arrancando Harry de a avidez de uma fantasia sobre o que poderia estar a comer se se encontrasse em aquele momento em o castelo . - Ficou tudo claro ? Alguma pergunta ? - Eu tenho uma pergunta , Oliver - disse George que acordou estremunhado . - Porque não nos explicaste tudo_isso ontem , quando estávamos acordados ? Wood não ficou nada satisfeito . - Ouçam bem , vocês todos - disse , voltando se para eles mal-humorado . - Nós deveríamos ter ganho a taça de Quidditch o ano passado . Somos de longe a melhor equipa , mas , infelizmente , devido_a circunstancias que estão para_além de o nosso controlo ... Harry mudou de posição em a cadeira sentindo se culpado . Estivera inconsciente em o hospital durante o campeonato final de o ano anterior o que fez com que os Gryffindor com um jogador a menos tivessem sofrido a pior derrota de os últimos trezentos anos . Wood levou um momento a controlar se . Era evidente que a última derrota ainda o torturava . - Portanto , este ano vamos fazer um treino mais duro , como nunca se fez . O. _ K. , vamos lá pôr as teorias em prática - gritou , pegando em a vassoura e conduzindo os para fora de o vestiário . Com as pernas trôpegas e ainda a bocejar , a equipa seguiu o . Tinham estado tanto tempo lá dentro que o sol já tinha nascido e brilhava em o céu embora uma réstia de neblina pairasse ainda sobre o relvado de o campo . Quando Harry entrou em campo viu Ron e Hermione sentados em as bancadas . - Ainda não acabaram ? - perguntou Ron em um tom incrédulo . - Ainda nem começamos - explicou Harry , olhando cheio de inveja para a torrada com doce de laranja que Ron e Hermione tinham trazido de o salão . - O Wood tem estado a ensinar nos as jogadas . Subiu para a vassoura e deu um pontapé em o chão , elevando se em o ar . O ar fresco de a manhã bateu lhe em o rosto fazendo o acordar com mais eficácia do_que o longo discurso de Wood . Era maravilhoso voltar a estar em o campo de Quidditch . Voou em volta de o estádio a toda a a velocidade competindo com Fred e George . - Que barulhinho estranho é aquele ? - perguntou o Fred quando deram a volta . Harry olhou para as bancadas . Colin estava sentado em um de os lugares mais altos com a máquina fotográfica em o ar , tirando fotografia sobre fotografia , o som estranhamente ampliado em o estádio deserto . - Olha para ali , Harry , para ali - gritava de forma estridente . - Quem é aquele ? - perguntou Fred . - Não faço ideia - mentiu Harry , disparando a_toda_a velocidade e distanciando se o mais possível de Colin . - O que se passa aí ? - perguntou Wood , franzindo a testa enquanto corria por os ares atrás de eles . - Porque está aquele aluno de o primeiro ano a tirar fotografias ? Não me agrada . Pode ser um espião de os Slytherin a tentar descobrir o nosso novo programa de treinos . - Ele é de os Gryffindor - disse Harry rapidamente . - E os Slytherin não precisam de um espião , Oliver - completou George . - Porque dizes isso ? - perguntou Wood irritado . - Porque estão aqui em peso - disse George , apontando com o dedo . Vários indivíduos com túnicas verdes vinham em aquele momento a entrar em o campo de vassouras em a mão . - Não posso acreditar - reagiu Wood , sentindo se ultrajado . - Eu reservei o estádio para hoje . Já vamos ver como é_que isto fica ! Wood baixou direito a o chão sendo levado por a fúria a aterrar com mais força do_que pretendia e a cambalear um_pouco quando começou a andar seguido de o Harry e de o Ron . - Flint - bradou para o treinador de os Slytherin . - Este é o nosso tempo de treino . Levantámo nos de propósito . Vocês têm de sair de aqui . Marcus_Flint era ainda mais corpulento do_que Wood . Tinha em o rosto uma expressão de duende travesso quando respondeu : - Há espaço para todos , Wood . Angelina , Alicia e Katie tinham vindo também . Em a equipa de os Slytherin não havia raparigas que enfrentassem a o lado de os rapazes os Gryffindor . - Mas eu reservei o estádio - repetiu Wood de modo afirmativo , cuspindo de raiva . - Reservei o . - Ah ! - exclamou Flint . - Mas eu tenho aqui uma licença especial assinada por o professor Snape . * _ Eu , professor Snape , autorizo a equipa de os Slytherin a praticar hoje em o campo de Quidditch devido a a necessidade de treinar o seu novo seeker . * - Têm um novo * seeker * ? - perguntou Wood perturbado . - Onde ? E detrás de as seis figuras corpulentas que tinham em a frente , viram surgir uma sétima : um rapaz mais pequeno com um sorriso afectado espelhado em o rosto pálido e anguloso . Era_Draco_Malfoy . - Não és o filho de o Lucius_Malfoy ? - perguntou Fred , olhando para ele com antipatia . - Curioso que refiras o pai de o Draco - disse Flint enquanto toda_a equipa de os Slytherin sorria de modo grosseiro . - Deixem me mostrar vos a generosa oferta que ele fez a a equipa de os Slytherin . Os sete exibiram as suas vassouras . Sete cabos novos , polidos , com inscrições em letras douradas de as palavras « Nimbus dois_mil_e_um « brilharam a o sol de a manhã , em frente de o nariz de os Gryffindor . - O último modelo . Só chegou em o mês passado - disse Flint , displicentemente , sacudindo a poeira de o cabo de a sua vassoura . - Julgo que ultrapassam de longe as velhas séries de dois_mil . Quanto a as Cleansweeps - sorriu de forma mesquinha para Fred e George que tinham ambos Cleansweep_Fives - essas já só servem para varrer . Nenhum de os Gryffindor foi capaz de abrir a boca em aquele momento . Malfoy sorria tanto que os seus olhos de gelo estavam reduzidos a duas rachas . - Oh vejam - disse Flint . - Uma invasão de o campo . Ron e Hermione atravessavam o relvado para ver o que se passava . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron a o Harry . - Porque não estão a jogar e o que faz ele aqui ? Olhava para Malfoy em as suas vestes de Quidditch . - Sou o novo * seeker * de os Slytherin , Weasley - disse Malfoy com ar presumido . - Têm estado todos a admirar as vassouras que o meu pai comprou para a nossa equipa . Ron olhou de boca aberta para as sete vassouras que tinha em a frente . - São boas , não são ? - disse Malfoy untuosamente . - Mas talvez a equipa de os Gryffindor consiga levantar algum ouro e comprar também vassouras novas . Vocês podiam levar essas Cleansweep_Fives a leilão , talvez algum museu esteja interessado . A equipa de os Slytherin riu se a bandeiras despregadas . - Pelo_menos em os Gryffindor ninguém teve de comprar a sua entrada - disse secamente Hermione . - Entraram todos por mérito próprio . O ar presumido de Malfoy desapareceu . - Ninguém pediu a tua opinião , sangue de lama - cuspiu Malfoy . Harry apercebeu se , de imediato , que Malfoy dissera algo muito grave porque houve uma tremenda algazarra em o seguimento de as suas palavras . Flint teve que se pôr a a frente de o Malfoy para evitar que Fred e George se atirassem a ele . Alicia bradou : - Como te atreves ? - E Ron meteu a mão em as vestes e sacou de a varinha mágica , gritando : - Vais pagar por o que disseste , Malfoy ! - e apontou a , furioso , por debaixo de o braço de Flint , a o rosto de Malfoy . Um enorme estrondo , ecoou em o estádio e um jacto de luz verde saiu por a extremidade errada de a varinha de Ron , atingindo o em o estômago e projectando o para trás em direcção a o relvado . - Ron ! Ron ! Estás bem ? - gritou Hermione . Ron abriu a boca para falar , mas nenhuma palavra saiu . Em vez de isso , teve um vómito imenso e várias lesmas saíram lhe de a boca , indo cair lhe em o colo . A equipa de os Slytherin ficou paralisada de riso . Flint estava dobrado , agarrado a a vassoura nova . Malfoy , a quatro , batia com o punho em a chão . Os Gryffindor rodeavam o Ron , que continuava a vomitar lesmas enormes e reluzentes . Ninguém queria tocar lhe . - É melhor levá o para_casa de o Hagrid . É o mais perto - disse Harry_a_Hermione , que acenou afirmativamente , e os dois arrastaram o Ron por os braços . - O que aconteceu , Harry ? O que aconteceu ? Ele está doente ? Mas tu podes curá o , não podes ? - Colin descera a correr de o lugar onde estava sentado e dançaricava em frente de eles , enquanto abandonavam o campo . Ron teve um novo arremesso e mais lesmas saíram de a sua boca . - Oooh ! - exclamou Colin fascinado , levantando a máquina fotográfica . - Podes mantê o quieto , Harry ? - Sai de a minha frente , Colin - gritou Harry zangado . Ele e a Hermione conseguiram levar o Ron para fora de o estádio , atravessar os campos e chegar a a beira de a floresta . - Está quase , Ron - disse Hermione , mal avistaram o casebre de o guarda de os campos . - Vais ficar bem dentro_de um minuto ... está quase ... Estavam a sessenta metros de a casa de Hagrid , quando a porta de a frente se abriu . Mas não foi Hagrid quem saiu de lá , e sim Gilderoy_Lockhart , em uma túnica cor de malva . - Rápido , vamos esconder nos aqui - sussurrou Harry , arrastando Ron para trás de um arbusto que havia ali perto . Hermione acompanhou o , embora um_pouco relutante . -- É muito simples quando se sabe o que se está fazer ! - gritava Lockhart_para_Hagrid . - Se precisar de ajuda , sabe onde estou . Vou dar lhe um exemplar de o meu livro . Espanta me que ainda não o tenha . Logo a a noite autografo o e envio lhe o . Bem . até a a próxima ! - e afastou se em direcção a o castelo . Harry esperou que Lockhart desaparecesse , antes de puxar o Ron de trás de o arbusto até a a casa de o Hagrid . Bateram ansiosamente . Hagrid apareceu logo com um ar mal-humorado , que se dissipou quando viu quem era . - Já me tinha perguntado quand'é que vocês vinham ver me , entrem , entrem , pensei qu'era outra_vez o professor Lockhart . Harry e Hermione ajudaram Ron a subir o degrau que dava acesso a a cabana de uma divisão com uma cama enorme a um de os cantos e uma lareira a crepitar alegremente em o outro . Hagrid não pareceu perturbado com o problema de as lesmas de o Ron que Harry lhe explicou precipitadamente , logo_que sentou o Ron em uma cadeira . - Melhor saírem de o qu'entrarem - disse , em um tom bem-disposto , colocando uma grande bacia de cobre em frente de ele . - Deita as todas fora , Ron . - Acho que não há mais_nada a fazer , a não ser esperar que isto pare - disse Hermione ansiosamente , vendo Ron inclinar se para a bacia . - É uma maldição muitas_vezes difícil , mas com uma varinha partida ... Hagrid andava de um lado para o outro a preparar o chá . O cão de ele , Fang , babava se em cima de o Harry . - O que é_que o Lockhart queria de ti ? - perguntou o Harry , coçando as orelhas de o Fang . - Ensinar me a tirar espíritos aquáticos com forma de cavalos d'uma nascente d'água - resmungou Hagrid , retirando de a mesa pequena um galo meio depenado e colocando em o seu lugar o bule . - Como s'eu não soubesse . E contar me uma peta qualquer d'uma fada carpideira que ele venceu . Engulo essa chaleira , se uma palavra do_que ele disse for verdade . Não era hábito de Hagrid criticar um professor de Hogwarts e Harry olhou para ele com alguma surpresa . Mas Hermione disse em uma voz mais aguda do_que de costume : - Acho que estás a ser injusto . O professor Dumbledore obviamente achou que era o melhor homem para o lugar ... - Era o único - explicou Hagrid , oferecendo lhes um prato de bombons de melaço enquanto Ron tossia para a bacia . - E não havia mais ninguém . Não é fácil encontrar quem queira dar Artes de magia negra . As pessoas não gostam de essa matéria . Começam a pensar que está amaldiçoada , ninguém ficou muito_tempo a dá a . Mas digam me lá - continuou Hagrid , inclinando a cabeça para Ron - quem é qu'ele estava a tentar amaldiçoar ? - O Malfoy chamou qualquer coisa a a Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si . - Foi grave , sim - disse o Ron com voz rouca , emergindo a a superfície de a mesa , pálido e transpirado . - O Malfoy chamou lhe sangue de lama , Hagrid . - Ron desapareceu outra_vez quando uma nova onda de lesmas fez o seu aparecimento . Hagrid estava indignado . - Não posso crer - exclamou , dirigindo se a Hermione . - Chamou sim - disse ela . - Mas eu não sei o que significa . Percebi que era má educação , claro ... - É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar - explicou Ron novamente . - Sangue de lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles , sabes , filho de pais não mágicos . Há alguns feiticeiros , como a família de o Malfoy que acham que são melhores do_que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro . - Teve um pequeno vómito e uma lesma isolada caiu lhe em a mão aberta . Ele atirou a para a bacia e continuou . -- É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma . Olha_o_Neville_Longbottom , é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito . - E ainda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer - afirmou Hagrid , orgulhoso , fazendo Hermione corar em tons de magenta . - É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém - disse o Ron , limpando o suor de a testa com a mão trémula . - Sangue sujo , sangue vulgar , é um disparate . A maior parte de os feiticeiros hoje_em_dia têm sangue misturado . Se não tivéssemos casado com Muggles tinha sido o nosso fim . Fez um esforço para vomitar e baixou se mais_uma_vez . - Bem , não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá o , Ron - disse Hagrid bem alto enquanto montes de lesmas caíam em a bacia . - Mas , se_calhar , não foi mau de todo teres a varinha a trabalhar ao_contrário . Acho que Lucius_Malfoy teria vindo logo a correr a a escola se tivesses amaldiçoado o filho . Assim , pelo_menos , não estás metido em nenhum sarilho . Harry teria referido que o problema não podia ser pior do_que deitar lesmas por a boca , mas não pôde . Os bombons de melaço tinham lhe colado os maxilares um_ao_outro . - Harry - disse de repente Hagrid como_que movido por um pensamento súbito . - Tens de me explicar uma coisa . Ouvi dizer que tens andado a dar fotografias autografadas . Porque é qu'eu não tenho nenhuma ? A fúria de Harry foi tão grande que os maxilares se libertaram . - Eu não tenho dado fotografias autografadas - disse com vivacidade . Se o Lockhart andou a espalhar isso ... Mas em esse momento viu que Hagrid se estava a rir . - ´ _ tou a brincar - disse , dando uma palmadinha em as costas de Harry e fazendo lhe sinal para se sentar a a mesa . -- Eu sabia que não tinhas . Disse a o Lockhart que tu não precisavas de isso . Es mais famoso do_que ele sem sequer , tentares . - Aposto que ele não gostou de ouvir isso - comentou Harry , sentando se e esfregando o queixo . - Acho que não gostou mesmo - prosseguiu Hagrid com os olhinhos a brilhar . - E disse lhe também que nunca tinha lido nenhum de os livros de ele e ele foi se embora . Um bombom de melaço , Ron ? - perguntou a o vê o reaparecer . - Não , obrigado - disse o Ron com uma voz fraca . - É melhor não arriscar . - Venham ver o qu'eu tenho estado a criar - disse Hagrid quando Harry e Hermione acabaram de tomar o chá . Em a pequena horta atrás de a casa estava uma_dúzia de as maiores abóboras que Harry alguma vez vira . Pareciam enormes blocos de pedra . - Estão a dar se bem , não achas ? - disse Hagrid , feliz . São para a festa de o * _ Hallow'en * . Devem estar bem grandes quando chegar a altura . - O que é_que lhes tens dado como alimento ? - perguntou Harry . Hagrid olhou por cima de o ombro para confirmar se estavam sós . - Bem , tenho estado a dar lhes ... uma pequena ajuda . Harry reparou em o guarda-chuva cor-de-rosa a as florzinhas que estava encostado contra a parede de a cabana . Tivera em o ano anterior motivos para crer que aquele guarda-chuva não era o que parecia . De facto , acreditava que a antiga varinha de escola de Hagrid se encontrava oculta dentro de ele . Hagrid não tinha autorização para usar magia . Fora expulso de Hogwarts em o terceiro ano embora Harry nunca tivesse descoberto o motivo . Qualquer referência a esta questão fazia Hagrid pigarrear bem alto e ficar misteriosamente surdo até mudarem de assunto . -- Um encantamento de absorção , imagino ? - comentou Hermione entre a desaprovação e o divertimento . - Bem , se assim foi , fizeste um bom trabalho . - Foi o que disse a tua irmãzinha - respondeu Hagrid acenando em direcção a Ron . - Encontrei a ontem . - Hagrid olhou de lado para Harry , a barba a contorcer se . - Disse que andava só a ver os campos , mas eu acho qu'ela esperava encontrar alguém em a minha casa - piscou o olho a o Harry . - Se queres que te diga acho qu'ela não recusaria uma fotografia autogr ... - Cala te com isso - disse Harry . Ron desatou a rir e o chão ficou cheio de lesmas . - Cuidado - resmungou Hagrid , afastando Ron de as suas preciosas abóboras . Estava quase em a hora de o almoço e , como o Harry só tinha provado um bombom de melaço desde manhã cedo , estava ansioso por chegar a a escola para ir comer . Despediram se de o Hagrid e regressaram a o castelo . O Ron a vomitar de vez em quando , mas deitando só duas pequenas lesmas . Mal tinham pisado a entrada de o vestíbulo quando ouviram uma voz . - Aí estão vocês , Potter , Weasley . - A professora Mc_Gonagall vinha em direcção a eles com o seu ar severo . - Vocês os dois vão ter as punições hoje a a tarde . - O que é_que vamos fazer , professora ? - perguntou o Ron nervoso , deixando cair uma lesma . - Tu vais limpar as pratas em a sala de os troféus com Mr._Filch - disse a professora Mc_Gonagall . - E nada de mágicas , Weasley , trabalho com esforço . Ron engoliu em seco . Argus_Filch , o encarregado , era odiado por todos os alunos de a escola . - E tu , Potter , vais ajudar o professor Lockhart a responder a as cartas de as suas fãs - ordenou a professora Mc_Gonagall . - Oh , não ! Não posso ir também trabalhar em a sala de os troféus ? - pediu Harry em desespero de causa . - Nem pensar em isso - respondeu a professora Mc_Gonagall , erguendo as sobrancelhas . - O professor Lockhart requisitou te especialmente a ti . _ a as oito_em_ponto , os dois . Harry e Ron entraram em o salão em um estado de profundo desanimo com a Hermione atrás , ostentando uma expressão de * bem-voces-quebraram-as-regras-da-escola * . Harry não saboreou o empadão de carne como teria desejado . Tanto ele como o Ron achavam que tinham tido o pior de os castigos . -- O Filch vai reter me lá toda_a noite - disse Ron , desanimado . - Sem mágica ! Deve haver umas cem taças em aquela sala , eu não sei fazer limpeza de Muggles . - Eu trocava contigo de boa_vontade - confessou Harry em uma voz surda . - Tive montes de prática com os Dursleys . Responder a o correio de fãs de o Lockhart , que pesadelo ... A tarde de sábado pareceu derreter se . Pouco depois eram já cinco para as oito e Harry arrastava se até a o corredor de o segundo andar onde ficava o escritório de o Lockhart . Rangendo os dentes , bateu a a porta . A porta abriu se imediatamente e Lockhart dirigiu se lhe . - Ah , cá está o patifório ! - exclamou . - Entra , Harry , entra . Em as paredes , brilhando à_luz_de muitas velas , podia ver se uma infinidade de fotografias de Lockhart . Algumas de elas até assinadas . Sobre a secretária estava outro monte enorme . - Podes pôr as moradas em os envelopes - disse Lockhart_a_Harry , como_se fosse uma grande ameaça . - O primeiro é para Gladys_Gudgeon , abençoada seja , uma grande fã minha . Os minutos passavam lentos . De vez em quando , Harry ouvia a voz de Lockhart dizendo : - Mmm - e - certo - e - sim . - De vez em quando , apanhava uma frase como : - A fama é versátil , amigo Harry - ou - Só é célebre quem faz por isso , nunca te esqueças . As velas ardiam cada_vez com maior lentidão , fazendo a luz dançar sobre as muitas caras de Lockhart que o olhavam . Harry passava a mão , já dorida , sobre o que devia ser o centésimo envelope , escrevendo a morada de Verónica_Smethley . « Deve estar quase em a hora de me ir embora » , pensou , sentindo se profundamente infeliz , « por favor , faz com que esteja em a hora ... » E então ouviu algo , algo totalmente diferente de o crepitar de as velas e de os ditos de Lockhart sobre as suas fãs . Era uma voz , uma voz de arrepiar os ossos , de cortar a respiração , de veneno frio . - * _ Vem ... vem ter comigo ... deixa me rasgar te ... cortar te ... matar te * ... Harry deu um salto e uma enorme mancha lilás surgiu em a rua de Verónica_Smethley . - O quê ? - disse ele em voz alta . - Eu sei - exclamou Lockhart . - Seis meses inteirinhos em o topo de a lista de * bestsellers * , bati todos os recordes ! - Não - disse Harry nervosíssimo - aquela voz ! - Como ? - perguntou Lockhart , com um ar confuso . - Que voz ? - Aquela , aquela voz que disse ... não ouviu ? Lockhart olhava para Harry com o maior espanto . - De que é_que estás a falar , Harry ? Estás a ficar com sono ? Meu Deus , olha , só estamos aqui há quase quatro horas , quem diria ? O tempo passou a correr , não é verdade ? Harry não respondeu , estava a fazer um esforço para ouvir de_novo a voz , mas o único som que ouviu foi Lockhart a dizer lhe que não esperasse um tratamento igual de as próximas vezes que fosse castigado . Harry saiu , sentindo se atordoado . Era tão tarde que a sala comum de os Gryffindor estava quase vazia . Harry foi directamente para o dormitório . Ron ainda não tinha voltado . Vestiu o pijama , meteu se em a cama e esperou . Meia_hora mais tarde , chegou o Ron agarrado a o braço direito e inundando o quarto escuro de um forte cheiro a limpa-pratas . - Doem me todos os músculos - resmungou , metendo se em a cama . - Ele fez me polir catorze vezes aquela taça de Quidditch até estar satisfeito . E depois tive outro vómito em_cima_de um troféu de Reconhecimento por serviços prestados a a escola . Demorei séculos a limpar o muco de as lesmas . Como correram as coisas com o Lockhart ? Em voz baixa para não acordar o Neville , o Dean e o Seamus , Harry contou lhe , palavra por palavra , o que tinha ouvido . - E Lockhart disse que não ouviu nada ? - perguntou o Ron . Harry viu o franzir a testa , a a luz de o luar . - Achas que estava a mentir ? Mas , não percebo , mesmo um ser invisível teria aberto a porta . - Eu sei - disse Harry , encostando se a a cama e olhando para o dossel . - Também não compreendo . VIII_A festa de o dia de os mortos Outubro chegou , espalhando um frio húmido por os campos e por os cantos de o castelo . Madam_Pomfrey , a enfermeira-chefe , esteve bastante ocupada com uma onda de constipações que afectou professores e alunos . A sua poção de pimentão entrou imediatamente em acção apesar_de deixar quem a tomava com fumo em os ouvidos durante várias horas . Ginny_Weasley , que andava com ar adoentado , foi convencida a tomá a por o Percy . O fumo que saía por debaixo de o seu cabelo ruivo dava a impressão de que toda_a cabeça estava em fogo . Gotas de chuva de o tamanho de balas agrediram as janelas de o castelo durante dias a fio . O lago rosado e os canteiros de flores tornaram se regatos lamacentos e as abóboras de o Hagrid incharam ficando de o tamanho de alpendres de jardim . Contudo , o entusiasmo de Oliver_Wood por as sessões de treino regular não foi abalado , motivo por o qual Harry iria regressar a a torre de os Gryffindor , em um sábado a a tarde de temporal , alguns dias antes de o * _ Hallowe'en * , ensopado até a os ossos e todo enlameado . Além de a chuva e de o vento , não fora um treino feliz . Fred e George que tinham andado a espiar a equipa de os Slytherin tinham visto com os seus próprios olhos a velocidade alucinante de aquelas novas Nimbus dois_mil_e_um e comentaram que a equipa em o ar parecia composta por sete manchas esverdeadas que disparavam a_toda_a velocidade como aviões a jacto . Enquanto Harry chapinhava a o longo de o corredor deserto , cruzou se com alguém que parecia tão preocupado como ele : Nick quase sem cabeça , o fantasma de a torre de os Gryffindor que olhava taciturno , por a janela , murmurando baixinho : - Não preenche os requisitos , um centímetro e meio se ... - Olá , Nick - cumprimentou Harry . - Olá , olá - disse o Nick quase sem cabeça , começando a olhar em volta . Usava um arrebatado chapéu de plumas sobre a longa cabeleira encaracolada e uma túnica com gola de tufos que disfarçava o facto de ter o pescoço quase totalmente separado de o corpo . Era pálido como o fumo e Harry podia ver através de ele o céu negro e a chuva torrencial , lá fora . - Pareces preocupado , jovem Potter - disse Nick , dobrando uma carta transparente , enquanto falava e escondendo a dentro de a jaqueta . - Tu também - retorquiu Harry . - Ah ! - o Nick quase sem cabeça acenou com a mão de forma elegante . - Uma questão sem importância . Não é_que eu quisesse realmente participar apesar_de me ter inscrito , mas , a o que parece , não preencho os requisitos . - Apesar de o seu tom jovial havia em o seu rosto uma grande amargura . - Mas era de esperar , ou não era - exclamou subitamente , tirando a carta de o bolso - que ter levado quarenta_e_cinco golpes em a cabeça com um machado ferrugento me qualificaria para entrar em o grupo de os Sem - _ Cabeça ? - Sim , sim - respondeu Harry que obviamente o outro esperava que concordasse . - Isto_é , ninguém mais do_que eu desejaria que tudo tivesse sido rápido e perfeito , poupava me muitas dores e ridículo . Mas ... O Nick quase sem cabeça abriu , furioso , a carta e leu : * _ Só podemos aceitar em o grupo homens cuja cabeça tenha sido separada de o corpo . Compreenderá que de outro modo seria impossível a os nossos membros participarem em actividades como equitação de malabarismos com a cabeça e pólo de cabeça . Lamentamos profundamente informá o de que não preenche os requisitos . * _ Os nossos melhores cumprimentos , Sir_Patrick_Delaney - _ Podmore * Furioso , o Nick quase sem cabeça atirou fora a carta . - Um centímetro de pele e tendões a segurarem me a cabeça , Harry ! A maior parte de as pessoas acharia que era mais do_que o suficiente , mas não serve para o senhor correctamente decapitado Podmore . Nick quase sem cabeça respirou fundo várias vezes e , por fim , em um tom bastante mais calmo perguntou : - Então o que é_que te preocupa ? Alguma coisa que eu possa fazer por ti ? - Não - respondeu Harry . - A_não_ser_que saibas onde posso arranjar sete Nimbus dois_mil_e_um , de_graça , para o nosso campeonato contra os Sly ... - o resto de a frase foi afogada por um miado agudo vindo de perto de os seus tornozelos . Olhou para baixo e deu consigo a fitar um par de olhos que pareciam duas lâmpadas amarelas . Era_Mrs._Norris , a gata cinzenta e esquelética usada por o encarregado Argus_Filch como uma espécie de polícia em a sua infindável batalha contra os estudantes . - É melhor saíres de aqui , Harry - preveniu Nick com toda_a calma . - O Filch não está nada bem-disposto . Anda engripado e alguns alunos de o terceiro ano , por acidente , encheram o tecto de o calabouço cinco de miolos de rã . Ele tem andado toda_a manhã a limpar e se te vê a encher tudo de lama ... - Certo - disse Harry , recuando e afastando se de o olhar acusador de Mrs._Norris , mas ... tarde de mais . Conduzido até ali por o misterioso poder que parecia ligá o a a gata , Argus_Filch entrou subitamente por uma tapeçaria que se encontrava a a direita de Harry , com a sua respiração asmática , olhando vivamente em volta em busca de o infractor . Tinha um lenço grosso , de xadrez , a a volta de a cabeça e o nariz invulgarmente arroxeado . - Imundície - gritou com os maxilares a tremer e os olhos a saltarem lhe de as órbitas , enquanto apontava para a poça de lama que pingara de a túnica de Quidditch_de_Harry . - Desarrumação e imundície em todo o lado . Estou farto disto , segue me , Potter . Harry despediu se de o Nick quase sem cabeça com um tímido aceno e seguiu Filch até lá abaixo , duplicando o número de pegadas lamacentas em o chão . Nunca entrara em o gabinete de o Filch . Era um lugar que a maior parte de os estudantes evitava . A divisão era sombria e sem janelas , iluminada por uma única lamparina de óleo que pendia de o tecto . Sentia se um vago cheiro a peixe frito . As paredes estavam forradas por ficheiros de madeira . Por as etiquetas Harry percebeu que continham os dados de todos os alunos que Filch tinha punido . Fred e George_Weasley tinham uma gaveta só para eles . Atrás de a secretária estava pendurada uma colecção bem polida de correntes e algemas . Todos sabiam que ele estava sempre a pedir a Dumbledore que o deixasse pendurar os alunos em o tecto por os tornozelos . Filch pegou em uma pena que estava sobre a secretária e começou a procurar o pergaminho . - Bosta - murmurou , furioso . - Bosta de dragão , miolos de rã , intestinos de ratazana ... eu tinha aqui bastante , onde está o form ... sim ... Tirou um enorme rolo de pergaminho de a gaveta de a secretária e estendeu o em a frente , molhando a longa pena em o tinteiro . - Nome : Harry_Potter . Crime ... - Foi só um bocadinho de lama - disse Harry . - É só um bocadinho de lama para ti , rapaz , mas para mim é mais de uma hora a esfregar - gritou Filch com um pingo a tremer de modo desagradável em a extremidade de o nariz bolboso . - Crime : manchar o castelo . Sentença proposta ... Esfregando o nariz que continuava a pingar , Filch olhou com má cara para Harry que esperava com a respiração entrecortada para ouvir a sentença . Mas quando Filch pegou em a pena ouviu se um estrondo enorme em o tecto que fez a lamparina apagar se . - PEEVES - resmungou Filch , pousando a pena , cheio de raiva . - Desta_vez apanho te . Apanho te ! E sem olhar para trás , saiu a correr a_toda_a velocidade de o gabinete , seguido de a gata , Mrs._Norris . Peeves era o * poltergeist * de a escola , uma ameaça de risota esvoaçante que vivia para fazer estragos e criar aflição . Harry não gostava lá muito de ele , mas desta_vez , não podia deixar de lhe estar grato . Na_melhor_das_hipóteses o que Peeves tivesse feito ( e parecia que agora ele destruíra qualquer coisa em grande ) distrairia Filch_de_Harry . Pensando que o melhor seria esperar que ele voltasse , Harry deixou se cair em uma cadeira carcomida por o tempo que se encontrava junto de a secretária . Havia uma coisa sobre o tampo : um grande envelope roxo e lustroso com letras prateadas em a frente . Lançando um olhar rápido a a porta para confirmar que Filch não estava de volta , Harry pegou lhe e leu : __ feitiço __ rápido Um curso por correspondência De iniciação a a magia Cheio de curiosidade , abriu o envelope e retirou o rolo de pergaminho . Uma letra curvilínea e prateada dizia : Sente se pouco a a vontade em o mundo de a magia moderna ? Dá consigo a arranjar desculpas para não fazer feitiços simples ? Tem sido censurado por o deplorável trabalho com a varinha ? Eis a resposta ! Feitiço rápido e um curso totalmente novo , infalível , de resultados rápidos e rápida aprendizagem . Centenas de bruxas e feiticeiros têm beneficiado de o método feitiço rápido ! Madam_Z._Nettles_de_Topsham escreve nos : Eu não conseguia fixar os encantamentos e as minhas poções eram alvo de risota em a família . Agora , depois de o curso feitiço rápido , tornei me o centro de as atenções em todas_as festas e os meus amigos não param de pedir me a receita de a minha brilhante solução ! O mágico D.J._Prod , de Disbury , afirma : A minha mulher costumava rir se de os meus fracos encantamentos , mas bastou um mês com o vosso fabuloso curso feitiço rápido e consegui transformá a em um iaque . Obrigado , feitiço rápido ! Fascinado , Harry folheou o resto de o conteúdo de o envelope . Para que diabo quereria o Filch um curso de feitiço rápido ? Não seria ele um feiticeiro a sério ? Harry estava a ler a lição número um : Pegando em a varinha ( algumas dicas úteis ) quando umas passadas arrastadas , lá fora , o preveniram de que Filch estava de volta . Metendo rapidamente o pergaminho dentro de o envelope , lançou o para_cima de a secretária em o preciso momento em que a porta se abriu . Filch ostentava um ar triunfante . - Aquele armário que desapareceu era extremamente valioso - vinha ele a dizer a a gata , Mrs._Norris . - Desta_vez vamos correr com o Peeves , minha linda . Os seus olhos recaíram sobre Harry e logo_a_seguir sobre o envelope de o feitiço rápido que , Harry apercebeu se tarde de mais , estava meio metro distanciado de o seu lagar inicial . O rosto pálido de Filch tornou se vermelho escarlate . Harry preparou se para uma nova onda de fúria . Filch coxeou até a a secretária , arrebatou o envelope e meteu o em uma gaveta . -- Chegaste a ... lê o ? - perguntou atabalhoadamente . - Não - mentiu Harry , sem perder tempo . As mãos nodosas de o Filch contorciam se ao_mesmo_tempo . - Se eu soubesse que ias ler a minha correspondência priv ... não que seja minha ... é para um amigo ... mesmo_assim ... Harry olhava para ele espantado . Nunca vira o Filch tão louco . Os olhos pareciam querer saltar lhe de as órbitas , com um tique em as bochechas e aquele lenço axadrezado que não ajudava nada ... - Muito bem , vai e não abras a boca sobre isto ... não que ... mesmo_assim ... se tu não leste ... vai te embora , tenho de escrever o relatório sobre o Peeves , vai . Atordoado com a sua sorte , Harry saiu de ali e largou a correr por o corredor fora e por as escadas acima . Sair de o gabinete de o Filch sem um castigo devia ser um recorde em a escola . - Harry , Harry , deu resultado ? O Nick quase sem cabeça saiu a brilhar de uma sala de aula . Atrás de ele , Harry pôde ver os destroços de um grande armário preto e dourado que parecia ter sido atirado de uma grande altura . - Convenci o Peeves a parti o mesmo em cima de o gabinete de o Filch - disse Nick entusiasmado . - Pensei que talvez o distraísse . - Foste tu ? - exclamou Harry , agradecido . - Funcionou sim . Ele não me deu nenhum castigo . Obrigado , Nick . Atravessaram o corredor juntos . O Nick quase sem cabeça , reparou Harry , ainda tinha em a mão a carta de Sir_Patrick . - Gostaria de poder fazer qualquer coisa sobre o grupo de os Sem - _ Cabeça - disse Harry . O Nick quase sem cabeça parou de repente e Harry passou através de ele . Antes não tivesse passado , foi como atravessar um duche gelado . - Mas há uma coisa que tu podes fazer por mim - disse Nick muito agitado . - Harry , seria pedir te de mais ... mas não , tu não ias querer ... - O quê ? - Bem , este ano em o * _ Hallowe'en * vai ser o meu meio milénio de dia de os mortos - disse o Nick quase sem cabeça endireitando se e adquirindo uma postura de grande dignidade . - Oh - respondeu Harry sem saber se deveria lamentar ou dar lhe os parabéns . - Certo . - Vou dar uma festa em um de os calabouços mais amplos . Vêm amigos meus de todo o país . Seria uma honra muito grande se tu aparecesses . Mr._Weasley e Miss_Granger seriam também muito bem-vindos , claro . Mas tu deves preferir o banquete de a escola , não é verdade ? - Olhou para Harry , aflito . - Não - assegurou ele rapidamente . - Eu vou . - Oh rapaz , Harry_Potter em a minha festa de os mortos - hesitou no_meio_de toda aquela excitação . - Achas que poderias referir a Sir_Patrick como me achas assustador e como te impressiono ? - É claro que sim - assegurou Harry . O Nick quase sem cabeça iluminou se em um sorriso . - Uma festa de os mortos ? - exclamou Hermione , entusiasmada , quando Harry , depois de mudar de roupa , se juntou a ela e a o Ron em a sala comum . - Aposto que não há muitas pessoas que possam gabar se de ter estado em uma festa de essas . Vai ser fantástico ! - Por_que é_que alguém se lembraria de festejar o dia em que morreu ? - perguntou o Ron que estava a meio de o seu trabalho de casa de poções e bastante maldisposto . - Parece me bastante mórbido . A chuva continuava a lamber as janelas que apresentavam agora um negro que parecia tinta , mas , lá dentro , era tudo claro e alegre . O fogo em a lareira brilhava sobre as inúmeras cadeiras de braços onde as pessoas estavam sentadas a ler , a conversar , a fazer os trabalhos de casa ou , no_caso_de Fred e George_Weasley , a tentar descobrir o que aconteceria se alimentassem uma salamandra com fogo-de-artíficio de o Filibuster . O Fred tinha « resgatado . o lagarto cor de laranja brilhante , morador de o fogo , de uma aula de tratamento de seres mágicos e ele estava agora a arder em fogo lento sobre uma mesa , rodeado de um grupo de curiosos . Harry ia começar a contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre o Filch e o curso de feitiço rápido quando a salamandra disparou por os ares , lançando faíscas e estoiros . A visão de Percy a gritar com Fred e George até ficar ronco , a fantástica exibição de estrelas cor de tangerina que choviam de a boca de a salamandra e a sua fuga para o lume acompanhada de explosões , fizeram com que Harry se esquecesse , em aquele momento , de Filch e de o curso de feitiço rápido . Quando chegou o * _ Hallowe'en * , Harry já lamentava a sua promessa imprudente de ir a a festa de os mortos . Toda_a escola antecipava , feliz , a sua festa de * _ Hallowe'en * . O salão nobre fora enfeitado com os habituais morcegos , as enormes abóboras de Hagrid tinham sido esculpidas em forma de lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro_de cada uma , e havia boatos de que Dumbledore contratara um grupo de esqueletos bailarinos para animar a festa . - Uma promessa é uma promessa - lembrou Hermione_a_Harry com o seu autoritarismo habitual . - Tu disseste que ias a a festa de os mortos . Portanto , a as sete_da_tarde , Harry , Ron e Hermione saíram , passando por a porta de o salão nobre que brilhava de modo convidativo com pratos dourados e velas e dirigiram os seus passos para os calabouços . O corredor que conduzia a a festa de o Nick quase sem cabeça tinha sido também ladeado de velas , embora o efeito estivesse longe_de ser alegre : estas eram velas muito esguias e estreitas , negras de breu , ardendo em um azul brilhante e lançando uma luz indistinta e espectral também sobre as caras de as pessoas vivas . A temperatura diminuía a cada degrau que desciam . Harry tremia e cingia a túnica a o corpo quando ouviu qualquer coisa que parecia uma centena de unhas a rasparem um enorme quadro preto . - Será que isto_é a música ? - murmurou Ron . Viraram uma esquina e viram o Nick quase sem cabeça junto de uma porta , todo vestido de veludo negro . - Meus queridos amigos - disse com ar de luto . - Bem-vindos , bem-vindos , ainda_bem que puderam vir . Em um gesto largo tirou o chapéu de plumas e fez lhes sinal para que entrassem . Era uma visão incrível . O calabouço estava cheio com centenas de pessoas de um branco pálido e translúcido , a maior parte de as quais era arrastada em uma pista de dança cheia , valsando a o som de trinta serrotes musicais . Os serrotes que compunham a orquestra encontravam se sobre um estrado enfeitado com panos negros . Um lustre lá em cima resplandecia de um azul nocturno com mais um_milhar de velas negras . A respiração de os três subiu em o ar como uma neblina . Parecia que tinham entrado em um congelador . - Vamos dar uma volta - sugeriu Harry em uma tentativa de aquecer os pés . - Cuidado , não atravessem nenhum de eles - avisou o Ron nervosamente e colocaram se em volta de a pista de dança . Passaram por um grupo escuro de freiras , por um homem esfarrapado e cheio de correntes e por o frade gordo , o divertido fantasma de os Hufflepuff que estava a conversar com um cavaleiro com uma seta enfiada em a testa . Harry não ficou nada surpreendido a o ver que o Barão sangrento , o fantasma lúgubre e berrante de os Slytherin , coberto de nódoas de sangue ; estava a ser totalmente evitado por os outros fantasmas . - Oh ! Não -- exclamou Hermione , parando bruscamente . - Voltem se , voltem se , não quero ter de cumprimentar a Murta_Queixosa . - Quem ? - perguntou Harry enquanto davam rapidamente meia volta . - Ela assombra a casa_de_banho de as raparigas de o primeiro andar - explicou Hermione . - Assombra uma casa_de_banho ? - Sim . Está inoperativa durante todo o ano porque ela tem constantes acessos de choro e inunda tudo . Eu só lá fui quando não pode mesmo evitar . É horrível tentar ir a a sanita com ela a gritar connosco . - Olhem , comida - disse o Ron . De o outro lado de o calabouço estava uma mesa igualmente coberta de velado negro . Iam para se aproximar entusiasmados , mas pararam com uma expressão de horror . O cheiro era nauseabundo . Enormes peixes podres enchiam as bonitas travessas de prata , os bolos estorricados como carvões amontoavam se em as salvas , havia uma grande quantidade de miúdos de macaco , uma tábua de queijos cobertos de bolor e , em o lugar de honra , um enorme bolo cinzento em forma de lápide com letras que pareciam alcatrão formando as palavras , * _ Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington_Morto em 31_de_Outubro , 1492 * . Harry olhou espantado quando um fantasma de porte majestoso se aproximou de a mesa inclinando se e passando através de ela com a boca aberta enquanto atravessava um salmão malcheiroso . - Consegue prová o passando através de ele ? - perguntou lhe Harry . - Quase - disse tristemente o fantasma antes de se afastar . - Devem ter deixado apodrecer tudo_isto para ter um sabor mais forte - comentou Hermione com ar de quem está bem informada , tapando o nariz e aproximando se para ver melhor os pútridos miúdos de macaco . - Podemos sair de aqui , estou a sentir me agoniado - disse o Ron . Mas mal tinham dado meia volta quando um homenzinho pequenino saiu inesperadamente de debaixo de a mesa e fez uma paragem em o ar em frente de eles . - Olá , Peeves - disse Harry cautelosamente . Ao_contrário de os outros fantasmas que os rodeavam , Peeves , o * poltergeist * era o oposto de pálido e transparente . Usava um chapéu festivo cor de laranja , um laço rotativo a o pescoço e tinha um sorriso grosseiro de malvadez , em o rosto . - Querem petiscar ? - perguntou delicadamente , oferecendo lhes uma taça de amendoins cobertos de fungos . - Não , obrigada - disse Hermione . - Ouvi te falar sobre a pobre Murta - disse Peeves com os olhos a bailar . - Que insensível que tu foste para com a pobre Murta - respirou fundo e gritou : - Oh Murta . - Oh ! Não , Peeves , não lhe contes o que eu disse , ela vai ficar muito aborrecida - murmurou Hermione bastante nervosa . - Eu não queria dizer que ... eu não me importo que ela , er , olá , Murta . O espectro atarracado de uma rapariga deslizara . Tinha o rosto mais carrancudo que Harry alguma vez vira , meio escondido por o cabelo liso e por os óculos grossos cor de pérola . - O que é ? - perguntou mal-humorada . - Como estás Murta ? - perguntou Hermione , em uma voz falsamente alegre . - É bom ver te fora de a casa_de_banho . Murta fungou . - Miss_Granger estava justamente a falar de ti - disse lhe Peeves baixinho a o ouvido . - A dizer , a dizer ... como estás bonita esta noite -- terminou Hermione , olhando irritada para Peeves . A Murta olhou para Hermione desconfiada . - Estão a divertir se a a minha custa - disse , com lágrimas de prata a encherem lhe rapidamente os olhos pequeninos . - Não , a sério , eu não estava a dizer vos como a Murta estava bonita esta noite ? - disse Hermione , dando uma palmada em as costas de o Harry e de o Ron . - Sim , sim . - Ela ... - Não me venham com mentiras - protestou a Murta , as lágrimas agora a descerem lhe por o rosto , enquanto Peeves ria baixinho por cima de o ombro de ela . - Julgam que eu não sei o que as pessoas me chamam em as minhas costas ? A Murta gorda , a Murta feia , a Murta queixosa , a Murta deprimida ! - Esqueceste te de « a Murta ponto negro » - sussurrou lhe Peeves a o ouvido . A Murta_Queixosa irrompeu em soluços de angústia e fugiu de o calabouço . Peeves disparou atrás de ela , lançando lhe uma chuva de amendoins cheios de bolor e gritando : Ponto negro ! Ponto negro ! - Oh , coitada ! - exclamou Hermione com tristeza . O Nick quase sem cabeça abria agora caminho entre a multidão para se aproximar de eles . - Estão a divertir se ? - Sim , sim - mentiram . - Uma afluência nada má - disse orgulhoso o Nick quase sem cabeça . - A viúva chorosa veio de Kent ... está quase em a hora de o meu discurso . É melhor ir avisar a orquestra . Mas a orquestra parou de tocar em esse preciso momento . Eles , e todos os outros em o calabouço , ficaram em silêncio total , olhando em volta cheios de excitação quando se ouviu uma trompa de a caça . - Lá vêm eles - disse o Nick quase sem cabeça , com alguma amargura em a voz . Por o calabouço irromperam uma_dúzia de , cavalos fantasmas , cada_um montado por um cavaleiro sem cabeça . A assistência aplaudiu vivamente . Harry começou também a bater palmas , mas parou rapidamente quando viu a cara de o Nick . Os cavalos galoparam até a o meio de a pista de dança e pararam , empinando se , dando pequenos passos para a frente e para trás , sobre as patas traseiras . Um fantasma grande em a frente , cuja cabeça barbuda estava debaixo de o braço , soprando a trompa , desmontou , levantou a cabeça bem em o ar para poder ver toda_a assistência ( todos se riam ) e dirigiu se a o Nick quase sem cabeça , comprimindo a cabeça contra o pescoço . - Bem-vindo , Patrick - disse o Nick , mantendo a sua postura rígida . - Gente viva ! - exclamou o Sir_Patrick , avistando Harry , Ron e Hermione e dando um salto de falso espanto , de_tal_modo_que a cabeça lhe caiu de_novo ( a multidão ria a bom rir ) . - Muito engraçado - disse o Nick quase sem cabeça com um ar soturno . - Não ligues a o Nick - gritou a cabeça de Sir_Patrick de o chão . - Ainda está aborrecido por não o deixarmos juntar se a o grupo . Mas olhem bem para ele ... - Eu acho - disse apressadamente Harry , a seguir a um olhar de o Nick - que o Nick é muito assustador e ... eu ... - Bah ! - gritou a cabeça de Sir_Patrick . - Aposto que ele te pediu que dissesses isso . - Gostaria de ter a vossa atenção . Chegou a altura de fazer o meu discurso - disse o Nick quase sem cabeça bem alto , dirigindo se a o pódio , subindo e parando , iluminado por uma luz azul . - Os meus sentimentos , senhores e senhoras , é com profundo pesar ... Mas já ninguém estava a ouvi o . Sir_Patrick e o resto de o grupo de os Sem - _ Cabeça tinham iniciado um jogo de hóquei de cabeça e a multidão voltara se para os observar . Nick quase sem cabeça tentou em vão recuperar a audiência , mas acabou por desistir quando a cabeça de Sir_Patrick passou por ele a_toda_a velocidade gritando vivas . Harry estava cheio de frio para não falar de a fome . - Não aguento mais isto - murmurou Ron a bater o dente enquanto a orquestra voltava a entrar em acção e os fantasmas enchiam de_novo a pista de dança . - Vamos embora - concordou Harry . Recuaram até a a porta , acenando e sorrindo a todos os que olhavam para eles e um minuto depois passavam apressadamente por a entrada cheia de velas negras . - Talvez o pudim ainda não tenha acabado - disse o Ron cheio de esperança , abrindo caminho em direcção a os degraus de o vestíbulo de a entrada . E foi então que Harry ouviu aquilo . - ... * _ Arrancar ... rasgar ... matar * ... Era a mesma voz , a mesma voz fria e assassina que ouvira em o escritório de Lockhart . Parou , agarrando se a a parede de pedra em a expectativa de ouvir melhor , olhando em volta , espreitando para_cima e para baixo de a passagem mal iluminada . - Harry que estás tu a ... ? - E aquela voz outra_vez , calem se um bocadinho . -- ... * _ Tanta fome ... há tanto tempo * ... - Ouçam insistiu Harry e Ron e Hermione ficaram estáticos a olhar para ele . - * _ Matar ... hora de matar * ... A voz ia ficando mais débil . Harry tinha a certeza de que ela estava a afastar se , a subir . Um misto de medo e excitação tomou posse de ele enquanto olhava para o tecto escuro . Como poderia ele subir ? Seria um fantasma para quem os tectos de pedra não contavam ? - Por aqui - gritou , começando a correr por as éscadas acima até a a entrada de o * hall * . Não havia hipótese de ouvir fosse o que fosse ali , o barulho de vozes que vinha de o banquete de o * _ Hallowe'en * ecoava cá fora . Harry subiu a correr a escadaria de mármore até a o primeiro andar com Ron e Hermione ruidosamente atrás . - Harry o que é_que nós ... ? - Sch ... Harry apurou o ouvido . Ao_longe , em o andar de cima , e ainda a enfraquecer , mesmo_assim ouviu a voz : - ... * Cheira-me a sangue ... cheira me a sangue ! * O estômago deu lhe uma volta . - Ele vai matar alguém - gritou e ignorando as caras perplexas de Ron e Hermione , correu , subindo mais um lanço de escadas , a três_e_três , tentando ouvir através de o ruído de os seus próprios passos . Harry correu a_toda_a velocidade pelo segundo andar com Ron e Hermione atrás e só parou quando viraram uma esquina para o último corredor abandonado . - Harry , o que foi aquilo tudo ? - perguntou o Ron , limpando o suor de o rosto . - Eu não ouvi nada ... Mas Hermione , em um sobressalto , apontou para o fundo de o corredor . - Olhem ! Alguma coisa brilhava em a parede em frente . Aproximaram se devagarinho , tentando ver em a escuridão . Alguém escrevera em letras garrafais em a parede entre duas janelas . As palavras brilhavam a a chama fraca de as tochas . : __ a câmara de os segredos foi aberta . inimigos de o herdeiro , __ cuidado . - O que é aquilo pendurado por baixo de as letras ? - perguntou Ron com um tremor em a voz . Quando se aproximaram , Harry quase escorregou . Havia uma grande poça de água em o chão . Ron e Hermione agarraram o e avançaram cautelosamente até a a mensagem , os olhos fixos em uma sombra escura , em baixo . Aperceberam se os três de imediato do_que se tratava e deram um salto para trás , salpicando tudo de água . Mrs._Norris , a gata de o encarregado , estava pendurada por a cauda em o suporte de a tocha . Tinha o corpo rígido como uma tábua e os olhos abertos . Durante alguns segundos ninguém se mexeu . Depois o Ron disse : - Vamos sair de aqui . - Não devíamos tentar ajudar ? - propôs Harry , sem graça . - Acredita - assegurou o Ron . - É melhor que não nos encontrem aqui . Mas era tarde de mais . Um ruído surdo e prolongado , como um trovejar distante , avisou os de que o festim tinha terminado . De ambos os lados de o corredor onde eles estavam , veio o som de centenas de pés a subirem a escadaria e as vozes alegres de gente bem alimentada . Em o momento seguinte os alunos chegavam junto de eles de ambos os lados . O burburinho morreu subitamente mal as pessoas avistaram a gata pendurada . Harry , Ron e Hermione estavam de pé , sozinhos , em o meio de o corredor quando se fez silêncio em a multidão de estudantes que se empurravam para observar aquele quadro macabro . Então alguém gritou , quebrando o silêncio . - Inimigos de o herdeiro , cuidado . Vocês serão os próximos , sangue de lama ! Era_Draco_Malfoy . Estava a a frente de a multidão com os olhos frios a brilhar , a sua cara habitualmente pálida agora afogueada , sorrindo a a vista de a gata pendurada e imóvel . IX_As palavras em a parede -- O que é_que se passa aqui ? O que é_que se passa ? Sem dúvida , atraído por o grito de Malfoy , Argus_Filch apareceu a coxear em o meio de a multidão . Quando viu Mrs._Norris , caiu para trás agarrando o rosto com verdadeiro horror . - A minha gata ! A minha gata ! O que aconteceu a Mrs._Norris ? - gritou . E os seus olhos rápidos caíram sobre Harry . - Tu - guinchou ele . - Mataste a minha gata ! Mataste a , vou dar cabo de ti , eu ... - Argus . Dumbledore tinha chegado a o lugar , seguido de alguns professores . Em poucos segundos tinha passado a a frente de Harry , Ron e Hermione e desatado Mrs._Norris de o suporte de a tocha . - Vem comigo , Argus - disse ele a o Filch . - Vocês também , Mr._Potter , Mr._Weasley e Miss_Granger . Lockhart deu rapidamente um passo em frente . - O meu escritório é o que está mais perto , senhor director , é já aqui em cima , por favor fiquem a a vontade . - Obrigado , Gilderoy - disse Dumbledore . A multidão silenciosa dividiu se para os deixar passar . Lockhart sentindo se excitado e importante , seguia Dumbledore assim_como a professora Mc_Gonagall e o professor Snape . Quando entraram em o escritório escuro de Lockhart houve uma grande agitação em as paredes . Harry viu várias imagens de Lockhart a esconderem se cheias de rolos em o cabelo . O Lockhart em pessoa acendeu as velas e chegou se mais para trás . Dumbledore pôs Mrs._Norris em a superfície polida de a secretária e começou a examiná a . Harry , Ron e Hermione trocaram olhares tensos entre si e deixaram se cair em as cadeiras que se encontravam longe de a luz , a observar . A ponta de o nariz longo e adunco de Dumbledore estava a menos_de dois centímetros de o pêlo de Mrs._Norris . Ele olhava a de perto através de os óculos de meia-lua , os dedos longos a palpar e tactear suavemente . A professora Mc_Gonagall estava quase tão perto como ele , com os olhos contraídos . Snape surgia mais atrás , meio em a sombra , com uma expressão estranha em o rosto , como_se tentasse a_toda_a força sorrir . E Lockhart andava de um lado para o outro a dar sugestões . - Foi sem dúvida uma maldição que a matou , provavelmente a tortura de a metamorfose . Vi a muitas_vezes ser usada , mas infelizmente eu não estava lá quando isto aconteceu . Conheço o antídoto para essa maldição , o que a teria salvo . Os comentários de Lockhart foram interrompidos por os soluços secos e violentos de Filch . Estava afundado em uma cadeira junto de a secretária , incapaz de olhar para Mrs._Norris , com o rosto em as mãos . Por mais que detestasse Filch , Harry não pôde deixar de sentir pena de ele embora não tanta quanto_a que sentia por si próprio . Se Dumbledore acreditasse em o Filch ele seria certamente expulso . O director estava agora a sussurrar umas palavras estranhas e batendo em Mrs._Norris com a varinha , mas não aconteceu nada , ela continuou com o mesmo aspecto , como_se tivesse sido empalhada . - ... Lembro me de uma coisa semelhante que aconteceu em Ouagadogou - disse LockLart . - Uma série de ataques . Conto essa história em a minha autobiografia . Eu dei a a gente de a cidade vários amuletos que resolveram logo a situação ... As fotografias de Lockhart em as paredes iam acenando afirmativamente com a cabeça enquanto ele falava . Uma de elas esquecera se de tirar os rolos de o cabelo . Por fim , Dumbledore endireitou se . - Ela não está morta , Argus - disse suavemente . Lockhart interrompeu bruscamente a contagem de os crimes que conseguira evitar . - Não está morta ? - disse Filch em um sufoco , olhando através de os dedos para Mrs._Norris . - Mas , porque está ela rígida e gelada ? - Foi petrificada - disse Dumbledore ( Ah ! foi o que eu pensei ! - comentou Lockhart ) mas como , não posso afirmar . - Pergunte lhe - gritou Filch , voltando a cara cheia de furúnculos e lágrimas para Harry . - Nenhum aluno de o segundo ano poderia ter feito isto - explicou Dumbledore . - Era preciso um grande conhecimento de magia negra . - Foi ele , foi ele - disse encolerizado o encarregado com a cara a ficar roxa . - O senhor viu o que ele escreveu em a parede . Ele descobriu em o meu gabinete , ele sabe que eu sou um ... - O rosto de Filch estava horrível . - Ele sabe que eu sou um * _ busca-pé * - disse por fim . - Eu não toquei em a Mrs._Norris - gritou Harry com todos os olhares a recaírem sobre ele , incluindo o de todos os Lockharts de a parede . - E eu nem sei o que é um * busca-pé * . - Mentira ! - gritou Filch . - Ele viu a minha carta de o feitiço rápido . - Se me permite que dê a minha opinião , senhor director - disse Snape , saindo de a sombra , e a sensação de mau presságio de Harry aumentou bastante . Certamente nada do_que Snape tinha para de dizer iria ajudá o . - O Potter e os amigos podiam estar simplesmente em o lugar errado em a altura errada - afirmou com um leve sorriso a torcer lhe a boca como_se tivesse as suas dúvidas . - Mas , temos aqui um conjunto de circunstâncias curiosas . Porque estavam eles afinal em o corredor ? Porque não estiveram presentes em a festa de o * _ Hallowe'en * ? Harry , Ron e Hermione começaram uma longa explicação sobre a festa de o dia de os mortos . - Estavam lá centenas de fantasmas , eles poderão confirmar que lá estivemos ... - Mas porque não foram a seguir a o banquete ? - perguntou Snape com os olhos pretos a brilharem a a luz de as velas . - Porquê ir até a aquele corredor ? Ron e Hermione olharam para Harry . - Porque , porque ... - balbuciou Harry , com o coração a querer saltar lhe de o peito , mas algo lhe disse que ia parecer muito rebuscado se lhes contasse que tinha sido levado até ali por uma voz sem corpo que só ele conseguia ouvir . - Porque estávamos cansados e queríamos ir para a cama - disse . - Sem jantar ? - inquiriu Snape com um sorriso triunfante a bailar lhe em o rosto lúgubre . - Não sabia que os fantasmas ofereciam em as suas festas comida para gente viva . - Não estávamos com fome - disse o Ron bem alto , enquanto o estômago se queixava de forma audível . O sorriso mesquinho de a Snape ampliou se . - Acho , senhor director , que Potter não está a dizer toda_a verdade - afirmou . - Talvez fosse boa ideia retirar lhe alguns privilégios , até ele estar disposto a contar nos a história toda . Pessoalmente , sugiro que seja retirado de a equipa de os Gryffindor até decidir ser honesto . - Francamente , Severus - exclamou a professora Mc_Gonagall com uma voz cortante . - Não vejo porquê impedir o rapaz de jogar Quidditch . Esta gata não levou pauladas em a cabeça dadas por nenhum cabo de vassoura . E não há provas de que o Potter tenha feito algo de mal . Dumbledore observava Harry com um olhar perscrutador . A voz tremeluzente de os seus olhos azuis fez Harry sentir que estava a ser passado a raios X. - Inocente até se provar que é culpado , Severus - disse com segurança . Snape estava furioso , assim_como Filch . - A minha gata foi petrificada ! - berrou , com os olhos a saltarem de as órbitas . - Quero ver um castigo ! - Vamos poder curá a , Argus - explicou pacientemente Dumbledore . - Madam_Sprout conseguiu arranjar algumas Mandrágoras . Logo_que tenham atingido o tamanho adulto , terei uma poção de Mandrágoras que reanimará Mrs._Norris . - Eu posso fazê a - interrompeu Lockhart . - Devo ter feito isso uma centena de vezes . Preparo uma golada de Mandrágora reconstituinte de olhos fechados ... - Perdão - disse Snape friamente -- , mas julgo que o professor de poções de esta escola ainda sou eu . Houve um silêncio bastante incómodo . - Vocês podem ir se embora - disse Dumbledore a o Harry , Ron e a Hermione . Eles saíram o mais depressa que puderam , sem ir a correr . Quando chegaram a o andar acima de o escritório de Lockhart , entraram em uma sala de aulas vazia e fecharam a porta devagarinho . Harry lançou um olhar de esguelha a as caras carrancudas de os amigos . - Acham que eu lhes devia ter falado de a voz que ouvi ? - Não - respondeu Ron , sem a mínima hesitação . - Ouvir vozes que mais ninguém ouve , não é bom sinal , nem em o mundo de os feiticeiros . Algo em a voz de Ron levou Harry a fazer a pergunta : - Tu acreditas em mim , não acreditas ? - Claro que sim - respondeu o Ron de imediato . - Mas tens de concordar que é esquisito ... - Eu sei que é esquisito - confirmou Harry . - É tudo esquisito . O que era aquilo escrito em a parede ? * _ A_Câmara foi aberta * , o que é_que significa ? - Sabes , faz me lembrar qualquer coisa - disse Ron lentamente . - Acho que alguém me contou uma história sobre uma câmara secreta em Hogwarts , talvez tenha sido o Bill ... - E que diabos é um * busca-pé * ? - perguntou Harry . Para sua surpresa , Ron abafou o riso . - Bem , em a verdade não tem graça nenhuma , mas como é o Filch ... - disse . - Um * busca-pé * é alguém que nasceu de uma família de feiticeiros , mas não tem poderes mágicos . É uma espécie de o oposto de os que vêm de famílias de Muggles , mas são feiticeiros . Os * busca-pé * são muito raros . Se o Filch está a tentar aprender magia em um curso rápido , acho que ele deve ser mesmo um busca-pé . Isso explicaria tudo , por_exemplo , porque detesta tanto os estudantes . - Ron sorriu satisfeito . - Tem inveja . Um relógio deu as horas , algures . - Meia-noite - disse Harry . - É melhor irmo nos deitar , antes que o Snape apareça e tente acusar nos de qualquer coisa . Durante alguns dias não se falou de outra coisa em a escola a não ser de o ataque a a gata , Mrs._Norris . Filch manteve o sucedido bem fresco em a memória de todos , andando de um lado para o outro em o lugar onde ela fora atacada , como_se esperasse por o responsável . Harry vira o esfregar a mensagem de a parede com a « solução removedora de toda_a porcaria mágica Mrs._Skower » , mas sem qualquer resultado . As palavras continuavam a brilhar tanto como antes sobre a pedra . Quando Filch não estava a patrulhar a cena de o crime , vagueava , de olhos avermelhados , por os corredores , perseguindo alunos insuspeitos e tentando aplicar lhes castigos por coisas como « respirar muito alto » ou « estar alegre » . Ginny_Weasley parecia muito perturbada com o destino de Mrs._Norris . Segundo Ron ela era uma amante de gatos . - Mas tu nem chegaste a conhecer bem Mrs._Norris - disse lhe Ron para a animar . - Com toda_a franqueza , estamos muito melhor sem ela . - O lábio de Ginny tremeu . - Não é costume acontecerem coisas de estas em Hogwarts - tranquilizou a . - Eles vão descobrir o safado que fez aquilo e põem o de aqui para fora em três tempos . - Só espero que tenha tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso . Estou a brincar , claro - acrescentou o Ron apressadamente a o ver a Ginny a empalidecer . O ataque afectara também Hermione . Era costume de ela passar muito_tempo a ler , mas agora parecia não fazer mais_nada . Nem respondia a o Harry e a o Ron quando lhe perguntavam o que estava a fazer e só acabaram por descobrir em a quarta-feira seguinte . Harry tivera de ficar até mais tarde em a sala de poções onde Snape o mandara raspar restos de larvas de as secretárias . Depois de um almoço comido a a pressa , ele foi lá acima encontrar se com Ron em a biblioteca e viu Justin_Finch - _ Fletchley , o rapaz de os Hufflepuff de herbologia que vinha em direcção a ele . Harry tinha acabado de abrir a boca para dizer um « Olá » quando Justin o viu , voltando se bruscamente e mudando de direcção . Harry foi encontrar o Ron em as traseiras de a biblioteca , a medir o trabalho de casa de história de a magia . O professor Binns pedira uma composição sobre a Assembleia_Medieval_de_Feiticeiros_Europeus com 90cm . De extensão . - Não posso crer que ainda me faltem 16cm - disse o Ron furioso , largando o pergaminho que se enrolou em forma de tubo - e que a Hermione fez um metro e trinta em aquela letra pequenina e apertadinha . - Onde está ela ? - perguntou Harry , agarrando em a fita métrica e desembrulhando o seu trabalho de casa . - Algures por aí - disse o Ron , apontando para as estantes . - _ a a procura de outro livro . Acho que ela está a tentar ler a biblioteca toda antes de o Natal . Harry contou a Ron que Justin_Finch - _ Fletchley tinha evitado falar lhe . - Não sei porque te preocupas com isso . Eu achei o um idiota - disse o Ron , escrevinhando e fazendo a letra o maior possível . - Todo aquele disparate sobre o Lockhart ser tão grande ... Hermione surgiu de o meio de as estantes . Parecia irritada e disposta , por fim , a falar com eles . - Todos os exemplares de * _ Hogwarts : Uma História * foram requisitados - disse , sentando se ao_lado_de Harry e Ron . - E há uma lista de espera de duas semanas . Quem me dera não ter deixado o meu exemplar em casa , mas não consegui que coubesse em a mala com todos os livros de o Lockhart . - Para que o queres ? - perguntou Harry . - Pelo mesmo motivo que toda_a_gente o quer - disse Hermione . - Para ler a lenda de a Câmara_dos_Segredos . - O que é isso ? - Precisamente . Não me lembro - disse Hermione , mordendo o lábio . - E não encontro a História em lugar nenhum . - Hermione , deixa me ler o teu trabalho - pediu Ron desesperado , olhando para o relógio . - Não , não deixo - respondeu Hermione com um ar severo . - Tiveste dez dias para o fazer . - Só preciso de mais quatro centímetros , vá lá ... A campainha tocou . Ron e Hermione encaminharam se para a História_da_Magia , discutindo . A História_da_Magia era a matéria mais chata de o programa . O professor Binns , que dava a cadeira , era o único professor fantasma e a coisa mais excitante que aconteceu em as suas aulas foi o dia em que entrou por o quadro preto . Já velho e enrugado , muita gente afirmava a seu respeito que ele não dera por_que tinha morrido . Pura e simplesmente levantara se um dia para ir dar aulas , deixando o corpo atrás , em um cadeirão em frente de a lareira de a sala de os professores . Desde esse dia a sua rotina mantivera se igual . Era hoje tão chato como fora sempre . Abriu as notas e começou a ler em um tom monocórdico como um velho aspirador até quase todos os alunos estarem em um estado de profunda dormência , acordando de vez em quando , para tomar nota de um nome ou de uma data , e voltando a adormecer . Estava a falar havia meia_hora quando aconteceu algo que nunca tinha acontecido . Hermione pôs o braço em o ar . O professor Binns olhou de relance , em o meio de a chatíssima aula sobre a Convenção_Internacional_de_Feiticeiros de 1289 , verdadeiramente espantado . - Miss ... er ... ? - Granger , professor . Poderia dizer nos alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Hermione em uma voz bem audível . O Dean_Thomas , que tinha estado sentado de boca aberta olhando para fora de a janela , saiu de o seu transe com um salto . A cabeça de Lavender_Brown saiu de os braços e o cotovelo de o Neville_Longbottom escorregou para fora de a secretária . O professor Binns piscou os olhos . - A minha matéria é História_da_Magia - disse em a sua voz seca e asmática . - Eu trato de factos , Miss_Granger , não de mitos e lendas - pigarreou produzindo um ruído que parecia o giz sobre o quadro e continuou : - Em Setembro de esse ano , uma subcomissão de feiticeiros de a Sardenha ... Parou de repente . A mão de Hermione estava de_novo em o ar . - Sim , Miss_Grant ? - Por favor , professor , as lendas não têm sempre um facto como base ? O professor Binns olhava para ela com tal espanto que Harry teve a certeza de que ele nunca , em tempo algum , fora interrompido por um aluno . - Bem - disse lentamente o professor Binns . - Sim , é uma afirmação que pode fazer se . - Olhou para Hermione como_se fosse a primeira vez que olhasse a sério para um estudante . - Contudo , a lenda de que me fala é tão extraordinária , mesmo grotesca ... Mas a aula inteira estava agora atenta a as palavras de o professor , que olhou indistintamente para todos eles . Harry poderia assegurar que ele estava absolutamente abismado por uma tão grande demonstração de interesse . - Muito bem - disse lentamente . - Ora vejamos ... a Câmara_dos_Segredos . Todos vocês sabem com certeza que Hogwarts foi fundada há mais de um_milhar de anos , não se conhece ao_certo a data , por os quatro maiores feiticeiros e feiticeiras de a época : Godric_Gryffindor , Helga_Hufflepuff , Rowena_Ravenclaw e Salazar_Slytherin . Construíram juntos este castelo , longe de os olhares curiosos de os Muggles porque em aquele tempo a magia era temida por as pessoas comuns e as bruxas e feiticeiros sofriam terríveis perseguições . Fez uma pausa , olhou indeciso em volta e prosseguiu : - Durante alguns anos , os fundadores trabalharam juntos em harmonia procurando outros mais novos que mostrassem sinais de possuir dotes mágicos e trazendo os para o castelo para aqui serem ensinados . Mas os desentendimentos surgiram entre eles . Começou a notar se uma divisão entre Slytherin e os outros . Salazar_Slytherin queria ser mais selectivo em relação a os alunos a serem admitidos em Hogwarts . Achava que os ensinamentos de magia deviam ficar dentro de as famílias de feiticeiros . Não lhe agradava a entrada em a escola de alunos de famílias Muggles porque os achava pouco dignos de confiança . Depois de algum tempo houve uma séria discussão sobre esse assunto entre Slytherin e Gryffindor e Slytherin abandonou a escola . O professor Binns fez uma nova pausa , fazendo beicinho o que o fazia parecer uma tartaruga enrugada . - Fontes fidedignas referem nos isto - disse . - Mas estes factos foram obscurecidos por a fantasiosa lenda de a Câmara_dos_Segredos . Conta a história que Slytherin construíra uma câmara oculta dentro de o castelo cuja existência os outros fundadores ignoravam . De_acordo com a lenda , Slytherin selou a Câmara_dos_Segredos para que ninguém pudesse abri a até o seu verdadeiro herdeiro chegar a a escola . O herdeiro , e apenas ele , poderia abrir a Câmara_dos_Segredos , libertar o horror que lá se encontrava e utilizá o para expurgar a escola de todos aqueles que eram indignos de aprender magia . Houve um silêncio quando ele se calou que não era o habitual silêncio de sono de as aulas de o professor Binns . Havia um desassossego em o ar enquanto todos continuavam a olhá o a a espera de mais . O professor Binns estava ligeiramente aborrecido . - A história toda é um disparate , claro - disse ele . - A escola foi revistada por várias vezes em busca de provas de a existência de essa câmara , por os feiticeiros e bruxas mais conhecedores . Não existe nada . Uma lenda que serviu apenas para assustar os ingénuos . A mão de Hermione estava novamente em o ar . - Professor , o que quer_dizer , ao_certo com « o horror que estava dentro de a câmara » ? - Acredita se que seja uma espécie de monstro que só o herdeiro de Slytherin pode controlar - disse o professor Binns em a sua voz seca e débil . A aula trocou entre si olhares inquietos . - Como vos digo , a coisa não existe - afirmou o professor Binns , desordenando as suas notas . - Não há câmara e não há monstro . - Mas , professor - disse Seamus_Finnigan . - Se a câmara só podia ser aberta por o herdeiro de Slytherin ninguém mais poderia encontrá a . Não é ? - Um disparate pegado - disse o professor Binns , em um tom de voz exasperado . - Se uma longa sucessão de directores e directoras de Hogwarts não a encontraram ... - Mas , professor - começou a dizer Parvati_Patil . Se_calhar é preciso usar magia negra para a abrir ... - Lá porque um feiticeiro não usa magia negra não quer_dizer que não possa , Miss_Pennyfeather - interrompeu o professor Binns . - Repito , se os antecessores de Dumbledore ... - Mas talvez seja preciso fazer parte de os Slytherin , por isso Dumbledore não podia ... - começou Dean_Thomas , mas o professor Binns já estava farto . - Já chega - disse , de modo cortante . - É um mito . Não existe . Não há uma única prova de que Slytherin tenha construído nem mesmo uma despensa para vassouras . Lamento ter vos contado esta história tola . Vamos voltar , se fazem o favor , a a História , a os factos sólidos , verificáveis , credíveis . E em menos_de cinco minutos toda_a classe mergulhara em a sua sonolência habitual . - Eu sempre ouvi dizer que Salazar_Slytherin era um velho retorcido e meio pateta - disse Ron_a_Harry e Hermione enquanto abriam caminho por os corredores cheios , em o final de a aula , para ir arrumar as malas antes de o jantar . - Mas não sabia que ele tinha começado esta coisa de o sangue puro . Eu não ia para os Slytherin nem que me pagassem . Se o chapéu seleccionador me tivesse posto lá , pegava em as malas e ia me embora ... Hermione acenou vivamente , mas Harry não abriu a boca . O estômago parecia ter dado uma volta . Harry nunca contara a o Ron e a a Hermione que o chapéu seleccionador tinha considerado seriamente a possibilidade de o colocar em os Slytherin . Lembrava se como_se tivesse sido em a véspera do_que a vozinha lhe dissera a o ouvido quando pôs o chapéu em a cabeça , um ano antes . * _ Podias vir a ser grande , sabes ? Está tudo aqui em a tua cabeça e Slytherin ajudaria te em o caminho para a grandeza , sem a menor dúvida * ... Mas Harry , que já ouvira falar de a fama de o grupo de os Slytherin de formar magos negros , pensou desesperadamente . - Em os Slytherin , não ! - E o chapéu tinha dito . - Bem , se tens assim tanta certeza ... será melhor os Gryfffndor . Enquanto eram empurrados por a multidão , Colin_Creevey passou por eles . - Olá , Harry ! - Olá , Colin - disse Harry automaticamente . - Harry , Harry , um rapaz de a minha turma tem andado a dizer que tu és ... Mas Colin era tão baixinho que não conseguiu lutar contra a maré de gente que o arrastou até a o vestíbulo . Ouviram o despedir se : - Adeus , Harry - e desaparecer . - O que é_que o rapaz de a turma de ele disse de ti ? - quis saber Hermione . - Que eu sou o herdeiro de Slytherin , imagino - disse Harry , com o estômago ainda a as voltas e lembrou se de repente de o Justin_Finch - _ Fletchley a fugir para não lhe falar , a a hora de o almoço . - As pessoas aqui acreditam em tudo - disse o Ron com repugnância . A multidão diminuiu e conseguiram subir as escadas sem dificuldade . - Achas mesmo_que existe uma Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Ron_a_Hermione . - Não sei - respondeu ela , franzindo a testa . - Dumbledore não conseguiu curar Mrs._Norris e isso leva me a pensar que o que a atacou pode não ser ... humano . Enquanto falava , voltaram uma esquina e encontraram se em o fim de aquele mesmo corredor onde o ataque tinha ocorrido . Pararam para olhar . Estava tudo igual a aquela outra noite , com excepção de a gata Mrs._Norris e havia uma cadeira vazia encostada a a parede , onde podia ler se a mensagem « : __ a câmara foi __ aberta » . - Foi aqui que o Filch montou a guarda - murmurou Ron . Olharam uns para os outros . O corredor estava deserto . - Não deve fazer mal dar uma olhadela aqui - disse Harry , deixando cair a mala e pondo se de quatro para poder gatinhar em busca de pistas . - Marcas de queimadura - disse - aqui e aqui ... - Venham ver isto ! - chamou Hermione . - Que estranho ... Harry levantou se e foi até a a janela que ficava junto de a mensagem . Hermione apontava para o vidro mais alto , onde cerca de uma vintena de aranhas se debatiam em uma aparente luta por atravessar por uma pequena brecha de vidro . Um longo fio prateado balouçava como uma corda , como_se todas tivessem trepado , em a ânsia de chegar lá fora . - Alguma vez viram aranhas agir assim ? - perguntou Hermione , curiosa . - Não - respondeu Harry . - E tu , Ron ? Ron ? Olhou por cima de o ombro . Ron estava de costas , bem lá atrás e parecia lutar contra o impulso de se virar . - O que é_que se passa ? - perguntou Harry . - Eu não gosto de aranhas - disse Ron , de modo tenso . - Nunca me tinhas dito - comentou Hermione , olhando para ele com surpresa . - Estás farto de usar aranhas em as poções ... - Não me importo quando estão mortas - explicou Ron que olhava cautelosamente para todos os lados , menos para a janela . - Não gosto de a maneira como_se mexem . Hermione riu se baixinho . - Não tem graça nenhuma - disse o Ron , furioso . - Se queres saber , quando eu tinha três anos , o Fred transformou o meu ursinho de pelúcia em uma enorme aranha nojenta , por eu lhe ter partido a vassoura de brinquedo . Tu também não gostarias de aranhas se estivesses agarrada a o teu ursinho e , de repente , ele tivesse uma data de pernas e ... Começou a tremer ... Hermione ainda estava a tentar conter o riso . Sentindo que era melhor mudarem de assunto , Harry perguntou : - Lembram se de a água que havia aqui em o chão ? De onde terá vindo ? Alguém a limpou . - Era por aqui - disse o Ron , já recuperado , avançando alguns passos em direcção a a cadeira de o Filch e apontando . - Junto de esta porta . Estendeu a mão para o puxador de a porta , mas retirou a de imediato , como_se se tivesse queimado . - O que foi ? - perguntou Harry . - Não posso entrar aí - disse o Ron bruscamente . - É a casa_de_banho de as raparigas . - Oh , Ron , não está aí ninguém - sossegou o Hermione enquanto se aproximava . - É o lugar de a Murta_Queixosa . Anda , vamos dar uma espreitadela . E ignorando o grande letreiro que dizia « Fora de serviço » Hermione abriu a porta . Era a casa_de_banho mais sombria e deprimente em que Harry tinha posto os pés durante toda_a sua vida . Debaixo_de um grande espelho partido e sujo podia ver se uma fila de lavatórios de pedra , rachados . O chão estava húmido e reflectia a luz fraca de os pavios de algumas velas que ardiam baixinho em os suportes . As portas de madeira de os cubículos estavam todas lascadas e riscadas e uma de elas balouçava fora de as dobradiças . Hermione levou os dedos a os lábios e foi até a o último cubículo . Quando lá chegou disse : - Olá , Murta , como estás ? Harry e Ron foram ver . A Murta_Queixosa flutuava em a cisterna de a casa_de_banho , tirando um ponto negro de o queixo . - Esta é a casa_de_banho de as raparigas - disse a o ver o Ron e o Harry . - Eles não são raparigas . - Não - concordou Hermione . - Eu só queria mostrar lhes como esta casa_de_banho é ... er ... simpática . Ela fez um aceno vago a o velho espelho sujo e a o chão húmido . - Pergunta lhe se viu alguma coisa - sussurrou o Ron a a Hermione . - Porque estão a dizer segredinhos ? - perguntou a Murta , fitando o . - Não é nada - disse Harry rapidamente . - Queríamos perguntar ... - Gostava que as pessoas parassem de falar em as minhas costas ! - desabafou a Murta em uma voz abafada por as lágrimas . - Eu tenho sentimentos , sabem , apesar_de estar morta . - Murta , ninguém quis aborrecer te - explicou Hermione . - O Harry só ... - A minha vida foi uma infelicidade em este lugar e agora as pessoas vêm estragar a minha morte . - Nós queríamos perguntar te se tinhas visto alguma coisa estranha ultimamente - disse Hermione sem perder tempo . - Porque foi atacada uma gata mesmo aqui a a frente de a tua porta em a noite de o * _ Hallowe'en * . - Viste alguém aqui perto em essa noite ? - insistiu Harry . - Não estava a prestar atenção - disse a Murta com ar dramático . - O Peeves aborreceu me tanto que vim aqui para tentar matar me . Só então me lembrei de que estou ... de que estou ... - Já morta - ajudou o Ron . A Murta soluçou tragicamente , elevou se em o ar , voltou se e mergulhou de cabeça em a sanita , espalhando água por_cima_de todos eles e desaparecendo . Por o som de os seus soluços abafados fora certamente descansar algures em o cano em forma de V._Harry e Ron ficaram de boca aberta , mas Hermione encolheu os ombros de cansaço e disse : - Se querem saber , para a Murta isto até foi alegre ... vá , vamos embora . Harry tinha acabado de fechar a porta deixando atrás os soluços gorgolejantes de a Murta quando uma voz forte o fez dar um salto . - RON ! Percy_Weasley estava parado em o cimo de as escadas com o seu distintivo de prefeito a brilhar e uma expressão chocadíssima em o rosto . - Isso é a casa_de_banho de as raparigas ... o que é_que vocês ... ? - Estávamos só a dar uma vista de olhos - exclamou o Ron - a a procura de pistas ... Percy engoliu em seco , de uma maneira que fez Harry lembrar se de Mrs._Weasley . - Saiam imediatamente de aqui - disse , aproximando se de eles a passos largos e gesticulando agitadamente . - Não se preocupam com as aparências ? Voltar aqui enquanto toda_a_gente está a jantar ... - Porque não havíamos de estar aqui ? - perguntou cheio de vivacidade o Ron , parando de repente e olhando Percy em os olhos . - Ouve lá , nós não tocamos em aquela gata . - Isso foi o que eu tentei explicar a a Ginny - respondeu Percy furioso - mas ela parece continuar a pensar que vocês vão ser expulsos . Nunca a vi tão aflita . Não pára de chorar . Devias pensar em ela . Todos os alunos de o primeiro ano andam superexcitados com esta história . - Tu não estás nada preocupado com a Ginny - disse o Ron já com as orelhas vermelhas . - O que te assusta é_que eu possa estragar as tuas possibilidades de ser chefe de turma . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor ! - bradou Percy , apontando elegantemente para o distintivo de prefeito . - E espero que te sirva de lição . Acabou se o trabalho de detective ou escrevo a a mãe a contar lhe . E voltou lhes as costas , a nuca tão vermelha como as orelhas de o Ron . Harry , Ron e Hermione , em essa noite , sentaram se em a sala comum o mais longe possível de Percy . Ron estava ainda muito maldisposto e não parava de esborratar o trabalho de casa de os encantamentos . Quando pegou distraidamente em a varinha para tirar as manchas incendiou o pergaminho . A deitar quase tanto fumo como o seu trabalho de casa , fechou bruscamente o * _ Livro_Padrão_de_Encantamentos de o 2.o Grau * . Para grande surpresa de Harry , Hermione fez o mesmo . - Mas quem poderia ser - perguntou ela baixinho como_se continuasse uma conversa que tinham acabado de ter . - Quem quereria todos os * busca-pés * e filhos de Muggles fora de Hogwarts ? - Vamos pensar - disse o Ron em a brincadeira , fingindo estar confuso . - Quem poderemos nós conhecer que ache que os familiares de Muggles são escumalha ? Olhou para Hermione . Ela olhou para ele pouco convencida . - Se estás a pensar em o Malfoy ... - Claro que estou - disse o Ron . - Tu ouviste o dizer : - Vocês serão os próximos , sangues de lama ! - Aliás , basta olhar para aquela cara de renegado para saber que ele é ... - Malfoy , o herdeiro de Slytherin ? - repetiu Hermione cepticamente . - Olha para a família de ele - disse Harry , fechando também os livros . - Todos eles estiveram em os Slytherin . O Draco está sempre a vangloriar se de isso . Podiam bem ser descendentes de Slytherin . O pai de ele é suficientemente mau . - Podiam perfeitamente ter tido a chave de a Câmara_dos_Segredos durante séculos - disse Ron - , fazendo a passar de pai para filho . - Bem - acedeu Hermione cautelosamente . - Seria possível ... - Mas como prová o ? - perguntou Harry tristemente . - Talvez haja um meio - sugeriu Hermione lentamente , baixando ainda mais a voz e lançando um olhar , através de a sala , a Percy . - É claro que não é fácil . E é perigoso , muito perigoso . Suponho que iríamos infringir cerca de cinquenta regras de a escola . - Se de aqui a um mês ou dois te decidires a explicar , avisa , está bem ? - disse Ron , que começava a ficar irritado . - Está bem - concordou Hermione friamente . - O que precisaríamos de fazer para entrar em a sala comum de os Slytherin e fazer algumas perguntas a o Malfoy , sem ele perceber que éramos nós ? - Mas isso é impossível - declarou Harry , enquanto Ron se ria . - Não , não é - continuou Hermione . - Só precisamos de um_pouco de poção * polisuco * . - O que é isso ? - perguntaram ao_mesmo_tempo Ron e Harry . - O Snape falou de ela em uma aula , há poucas semanas atrás . - Achas que não temos mais o que fazer do_que ouvir o Snape ? - murmurou o Ron . - Transforma nos em outra pessoa . Pensem em isso : podíamos transformar nos em três de os Slytherin . Ninguém saberia que éramos nós . É provável que o Malfoy nos contasse alguma coisa . Aposto que ele está a gabar se , em este momento , em a sala de os Slytherin , se ao_menos pudéssemos ouvi o . - Essa coisa de o * polisuco * cheira me um bocado mal - disse o Ron , franzindo as sobrancelhas . - E se ficarmos com a forma de os três Slytherin para sempre ? - Desaparece a o fim de algum tempo - disse Hermione , gesticulando impacientemente com a mão - mas conseguir a receita é muito difícil . O Snape disse que vinha em um livro chamado * _ As_Mais_Potentes_Poções * e está com certeza em a parte de os reservados de a biblioteca . Só havia uma maneira de obter o livro de os reservados : era com uma autorização assinada por um professor . - Não estou a ver porque quereríamos o livro - disse o Ron . - Se não para tentar fabricar uma de as poções . - Eu acho - sugeriu Hermione - que se fizéssemos parecer que o nosso interesse era apenas teórico , talvez conseguíssemos ... - Estás a sonhar , nenhum professor ia cair em essa - afirmou o Ron . - Só se fosse muito burro . X_A * bludger * perigosa Depois de o desastroso incidente de os duendes , o professor Lockhart não voltou a levar seres vivos para as aulas . Em vez de isso , lia a os alunos passagens de os seus livros e , por vezes , voltava a desempenhar alguns de os episódios mais dramáticos . Costumava chamar Harry para o ajudar em essas reconstruções . Até ali Harry fora obrigado a desempenhar o papel de um camponês de a Transilvânia que Lockhart curara de uma maldição murmurada , o abominável homem de as neves com dores de cabeça e um vampiro que depois de ter conhecido Lockhart tinha ficado incapaz de comer outra coisa que não fosse alfaces . Harry foi chamado para a frente de a classe durante a aula de Defesa contra as artes negras que se seguiu . Desta_vez para desempenhar o papel de um lobisomem . Se não tivesse um bom motivo para querer ver o Lockhart bem-disposto , teria se recusado . - Um uivo bem alto , excelente , Harry , isso mesmo . E foi então que , acreditem ou não , eu o ataquei de repente , assim . Atirei o a o chão , agarrei o com uma mão e com a outra consegui meter lhe a varinha em a garganta . Então , com a força que me restava pus em prática o complicadíssimo encantamento * _ Homorphus * . Harry soltou um uivo tristíssimo . - Vá lá , Harry , mais alto . Bom ... o pêlo desapareceu , os dentes diminuíram de tamanho e ele transformou se em um homem . Simples , mas eficaz e mais uma cidade ficará a lembrar se de mim para sempre como o herói que os libertou de os ataques mensais de o lobisomem . A campainha tocou e Lockhart pôs se de pé . - Trabalho para_casa : escrever um poema sobre a minha vitória sobre o lobisomem Wagga_Wagga . Há um exemplar autografado de * _ Eu , o Mágico * para o autor de o melhor poema . Os alunos começaram a sair . Harry voltou para trás e foi juntar se a o Ron e a a Hermione que estavam a a espera de ele . - Prontos ? - perguntou . - Espera até saírem todos - disse Hermione bastante nervosa . - Pronto ... Aproximou se de a secretária de Lockhart , apertando em a mão uma folha de papel , com o Ron e o Harry atrás . - Er ... professor Lockhart - gaguejou Hermione . - Eu queria requisitar este livro em a biblioteca , como leitura de apoio - entregou lhe o papel , com a mão ligeiramente trémula . - Só que faz parte de a secção de os reservados , por isso preciso de a assinatura de um professor . Acho que o livro me vai ajudar a compreender o que o senhor diz em * _ Passeios com Vampiros * acerca de os venenos de acção lenta ... - Ah , * _ Passeando com Vampiros * - disse Lockhart , pegando em a folha de papel de Hermione e sorrindo lhe abertamente . - E provavelmente o meu livro preferido . Gostou ? - Oh , muito - disse Hermione avidamente . - Tão inteligente o modo como apanhou o último com o passador de o chá . - Bem , tenho a certeza que ninguém se importará que eu dê uma ajudazinha suplementar a a melhor aluna de o segundo ano - disse Lockhart calorosamente , sacando de uma enorme pena de pavão . - É bonita , não é ? - comentou , adivinhando uma expressão de repulsa em a cara de o Ron . - Costumo guardas a para as minhas assinaturas de autógrafos . Rabiscou uma enorme assinatura cheia de altos e baixos e entregou a a Hermione . - Então , Harry - disse Lockhart enquanto Hermione dobrava a folha e a guardava em o saco . - Amanhã é a primeira partida de Quidditch de este ano , não é ? Gryffindor contra Slytherin . Ouvi dizer que és um jogador indispensável . Eu também fui * seeker * . Convidaram me inclusivamente para fazer parte de a Equipa_Nacional , mas eu preferi dedicar a minha vida a a erradicação de as forças de o mal . Mesmo_assim , se alguma vez precisares de um treino particular , não hesites em falar comigo , estou sempre disponível para partilhar a minha perícia com os jogadores menos dotados do_que eu . Harry fez um som indistinto com a garganta e saiu atrás_de Ron e Hermione . - Não acredito - disse quando os três examinavam a assinatura de Lockhart . - Ele nem viu que livro nós queríamos . - É porque é um idiota sem miolos - explicou o Ron . - Mas , quem se rala , temos o que queríamos . - Ele não é um idiota sem miolos - gritou Hermione com voz esganiçada enquanto se aproximavam quase a correr de a biblioteca . - Só porque ele disse que eras a melhor aluna de o segundo ano ... Baixaram as vozes a o entrar em a quietude abafada de a biblioteca . Madam_Prince , a bibliotecária , era uma mulher magra e irritável que parecia um abutre mal nutrido . - * _ Moste_Potente_Potions * ? - repetiu intrigada , tentando ficar com a folha de papel que Hermione se recusava a entregar lhe . - Gostava de a guardar para mim - disse sem fôlego . - Vá lá - intercedeu Ron , arrancando lhe a de as mãos e entregando a a Madam_Prince . - Nós arranjamos te outro autógrafo . O Lockhart assina tudo se aqui ficar muito_tempo . Madam_Prince pegou em o papel e voltou o em a direcção de a luz , decidida a descobrir uma falsificação , mas a assinatura passou em o teste . Desapareceu entre as estantes e voltou alguns minutos mais tarde , transportando um livro grande e de aspecto antiquado . Hermione meteu o com todo o cuidado em o saco e saíram , tentando não andar depressa de mais nem aparentar um ar culpado . Cinco minutos depois , estavam de_novo barricados em a casa_de_banho fora de serviço de a Murta_Queixosa . Hermione destruíra as objecções de Ron argumentando que aquele era o último lugar onde alguém em o seu juízo perfeito se lembraria de ir e que poderia assegurar lhes alguma privacidade . A Murta_Queixosa chorava ruidosamente em o seu cubículo , mas eles conseguiram ignorá a assim_como ela a eles . Hermione abriu * _ Moste_Potente_Potions * com todo o cuidado e inclinaram se os três sobre as páginas manchadas de humidade . Era fácil de perceber , logo à_primeira_vista de olhos , porque pertencia a a secção de os reservados . Algumas de as poções tinham efeitos quase impensáveis de tão macabros e havia ilustrações bastante desagradáveis , como , por_exemplo , aquela em que um homem parecia ter sido virado de o avesso e a de a bruxa com vários pares de braços suplementares a nascerem lhe em a cabeça . - Aqui está - disse Hermione excitadíssima a o encontrar a página intitulada « A poção * polisuco * « . Estava ilustrada com imagens de pessoas a meio de o processo de se transformarem em outras pessoas e Harry desejou ardentemente que a expressão de dor intensa que se lhes espelhava em o rosto fosse apenas produto de a imaginação de o artista desenhador . - Esta é a poção mais complicada que vi até hoje - disse Hermione enquanto examinava a receita . - Moscas asas de renda , sanguessugas , fluxo de cizânias e verdezelha - murmurou , acompanhando com o dedo a lista de ingredientes . - Bem , esses são relativamente simples , há os em a despensa de material de os estudantes , podemos tirar a a nossa vontade . Oh ! Vê só , pó de chifre de bicórneo ... não sei onde vamos arranjar isto ... e , é claro , um pedacinho de a pessoa em quem queremos transformar nos . - Como ? - perguntou Ron de forma cortante . - O que é_que queres dizer com um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos ? Eu não bebo nada que tenha lá dentro as unhas de os pés de o Crabbe ... Hermione continuou como_se não o tivesse ouvido . - Mas não temos que nos preocupar com isso por enquanto . Fica para o fim . Ron voltou se sem palavras para o Harry que tinha uma preocupação de outro tipo . - Já viste bem tudo_o_que vamos ter que roubar , Hermione ? Algumas coisas , não estão de certeza em a despensa de material de os alunos . O que é_que vamos fazer , arrombar os armários pessoais de o Snape ? Não sei se será uma boa ideia ... Hermione fechou o livro com um estrondo . - Bem , se vocês os dois se vão acagaçar , então está lindo - disse ela . Tinha as bochechas rosadas e os olhos mais brilhantes do_que era habitual . - Eu não gosto de quebrar regras , vocês sabem , mas acho que ameaçar os filhos de os Muggles é muito pior do_que construir uma poção difícil . Mas se vocês não querem descobrir se é o Malfoy , eu posso voltar já a a biblioteca e entregar o livro a Madam_Prince ... - Nunca pensei que chegaria o dia em que serias tu a convencer nos a quebrar regras - disse o Ron . - Está bem , vamos em essa , mas sem unhas de os pés , O. _ K. ? - Quanto tempo vai isso demorar a fazer , afinal ? - perguntou Harry quando Hermione , já com um ar mais satisfeito , voltou a abrir o livro . - Bem , como o fluxo de cizânias tem de ser recolhido durante a lua cheia e as asas de renda têm de ser abafadas durante vinte_e_um dias ... eu diria que se conseguirmos arranjar todos os ingredientes estará pronta dentro_de um mês . - Um mês ? - exclamou o Ron . - Nessa_altura já o Malfoy terá atacado metade de os filhos de Muggles ! - mas os olhos de Hermione contraíram se de_novo assustadoramente e ele acrescentou rapidamente . - Mas é o melhor plano que temos , por isso é melhor não olharmos para trás . Apesar_de tudo , enquanto Hermione verificava que não havia ninguém em os corredores e podiam sair de a casa_de_banho , Ron murmurou a Harry : - Seria muito mais simples se conseguisses , amanhã , atirar o Malfoy de a vassoura abaixo . Harry acordou cedo em o sábado de manhã e ficou um bocado a pensar em a partida de Quidditch que vinha a seguir . Estava nervoso , principalmente pelo que Wood diria se os Gryffindor perdessem , mas também com a ideia de enfrentar uma equipa apetrechada com as vassouras mais velozes que existiam . Nunca desejara tanto vencer os Slytherin como em aquele dia . Depois de meia_hora deitado com a barriga a dar horas , resolveu levantar se , vestir se e descer para tomar o pequeno-almoço . Lá em baixo , encontrou o resto de a equipa de os Gryffindor amontoada a o longo de a mesa comprida e vazia , todos eles com ar preocupado e sem vontade de conversar . Como_se aproximavam as onze horas , todos os alunos de a escola começaram a dirigir se para o estádio de Quidditch . O dia estava quente e húmido , com uma ameaça de trovoada em o ar . Ron e Hermione vieram apressadamente desejar a Harry boa sorte mal ele entrou em os vestiários . A equipa de os Gryffindor pôs os seus mantos vermelhos e sentou se para ouvir o discurso que Wood lhes fazia sempre antes de o jogo . - Os Slytherin têm vassouras melhores do_que nós - começou . - Não há como negá o . Mas nós temos gente melhor em cima de as vassouras . Treinámos mais do_que eles , voamos com todas_as condições climatéricas ( É bem verdade - murmurou George_Weasley - desde Agosto que não sei o que é estar seco ) . - E vamos fazê os engolir o dia em que deixaram aquele nojento de o Malfoy comprar a entrada em a equipa de eles . Com o peito agitado por a comoção , Wood voltou se par Harry . -- Cabe te a ti , Harry , mostrar lhes que um * seeker * tem de ter mais do_que um pai rico . Agarra a * snitch * antes d Malfoy ou morre a tentar porque temos absolutamente que vencer , hoje , Harry , temos que vencer . - Sem ansiedade , Harry - disse o Fred , piscando lhe o olho . Quando saíram em direcção a o campo , foram saudado por uma grande ovação principalmente de a parte de os Ravenclaw e de os Hufflepuff que estavam ansiosos por ver os Slytherin serem derrotados , mas os Slytherin que estavam entre a multidão também fizeram ouvir as suas vaias e pateadas . Madam_Hooch , a professora de Quidditch , pediu a Flin e Wood que apertassem as mãos o que eles fizeram , lançando um_ao_outro olhares ameaçadores , cada_um apertando a mão de o outro com mais força do_que aquela que seria necessário . - Atenção a o apito - disse Madam_Hooch . - Três , dois , um ... Com um bramido de a multidão para que subissem rapidamente , os catorze jogadores elevaram se em o céu cor de chumbo . Harry , mais alto do_que qualquer de os outros olhando para todos os lados em busca de a * snitch * . - Tudo bem , testa de cicatriz ? - gritou Malfoy , disparando por baixo de ele para lhe mostrar a velocidade de a sua vassoura . Harry não teve tempo de responder . Em esse preciso momento uma * bludger * preta e bem pesada veio direitinha a ele . Evitou a tão por um triz que ainda sentiu em os cabelos o ar que ela deslocara . - Foi por_pouco , Harry ! - exclamou o George , passando com grande rapidez , de bastão em a mão , pronto para lançar a * bludger * contra um Slytherin . Harry viu o dar a a * bludger * uma fortíssima pancada em direcção a Adrian_Pucey , mas a bola mudou de rumo em o meio de o ar e dirigiu se de_novo a Harry . Harry desceu rapidamente para se esquivar e George conseguiu lançá a contra Malfoy . Mais_uma_vez a * bludger * actuou como um * boomerang * e apontou a a cabeça de Harry . Harry ganhou velocidade e disparou contra o outro extremo de o campo . Ouvia o assobio de a * bludger * que o perseguia . O que era aquilo ? As * bludgers * nunca se concentravam assim em um único jogador , a sua função era tentar desmontar o maior número possível de intervenientes . Fred_Weasley esperava por a * bludger * em o extremo oposto . Harry baixou se quando o viu balançar se em frente de ela com toda_a garra . A * bludger * foi lançada para_fora_de campo . - Pronto , já está tudo resolvido - gritou Fred satisfeito , mas estava bastante enganado . Como_se fosse magneticamente atraída para Harry , a * bludger * lançou se de_novo contra ele e Harry teve de voar a_toda_a velocidade . Começara a chover . Harry sentia as gotas pesadas caírem lhe em o rosto , turvando lhe as lentes de os óculos . Não fazia ideia do_que se passava em o resto de o jogo , até ouvir Lee_Jordan que fazia o comentário dizer : - Os Slytherin vão a a frente com seis contra zero . As vassouras de qualidade superior de os Slytherin estavam obviamente a cumprir a sua função e enquanto isso , a * bludger * maluca fazia todos os possíveis para deitar abaixo o Harry . Fred e George voavam agora tão perto de ele , um de cada lado , que Harry não via senão os seus braços a balouçar e , se não conseguia ver a * snitch * , muito menos agarrá a . - Alguém enfeitiçou esta * bludger * - resmungou Fred , preparando o bastão com toda_a força quando ela se lançava de_novo contra Harry . - Precisamos de tempo - disse George , tentando fazer sinal a Wood enquanto evitava que a bola partisse o nariz a o Harry . Wood captou obviamente a mensagem . O apito de Madam_Hooch fez se ouvir e Harry , Fred e George desceram , tentando ainda evitar a * bludger * maluca . - O que é_que se passa ? - perguntou Wood enquanto a equipa de os Gryffindor se amontoava desordenadamente e os Slytherin , em o meio de a multidão , lançavam piadas . - Estamos a ser esmagados . Fred , George , onde estavam vocês quando aquela * bludger * impediu a Angelina de marcar ? - Estávamos seis metros acima , evitando que a outra * bludger * matasse o Harry , Oliver - gritou George furioso . - Alguém preparou isto , a bola não deixa o Harry em paz , ainda não perseguiu mais ninguém desde_que o jogo começou . Os Slytherin fizeram aqui qualquer coisa . - Mas as * bludgers * têm estado fechadas em o escritório de Madam_Hooch desde o último treino , e nessa_altura estava tudo bem ... - disse Wood ansiosamente . Madam_Hooch aproximava se . Por cima de o ombro de ela , Harry pôde ver a equipa de os Slytherin a escarnecer e apontar em a sua direcção . - Ouçam - disse o Harry , enquanto ela se aproximava . - Com vocês os dois a voarem sempre colados a mim , só vou apanhar a * snitch * se ela voar até a a minha manga . Voltem se para o resto de a equipa e deixem a tratante comigo . - Não sejas bronco - disse o Fred . - Ela arranca te a cabeça . Os olhos de Wood saltavam de Harry_para_os_Weasley . - Oliver , isto_é uma loucura - disse Alicia_Spinet , zangada . - Não podes deixar o Harry sozinho entregue a aquela coisa . Vamos pedir uma investigação . - Se pararmos agora , teremos de dar a partida como perdida e não vamos deixar os Slytherin ganhar , só por_causa_de uma * bludger * maluca . Vá lá , Oliver , diz lhes que me deixem sozinho . - A culpa é toda tua . * _ Agarra a snitch ou morre a tentar * , se isso é lá coisa que se diga . Madam_Hooch tinha se lhes juntado . - Prontos para retomar a partida ? - perguntou a Wood . Wood olhou para o ar determinado de Harry . - Deixem o sozinho , ele é capaz de lidar com a * bludger * . A chuva era agora mais pesada . A o apito de Madam_Hooch , Harry elevou se em os ares e ouviu o barulhinho de a * bludger * atrás_de si . Subiu cada_vez_mais alto . Fez acrobacias em espiral , descidas rápidas , ziguezagueou e rolou . Apesar_de ligeiramente estonteado , não deixou nunca de ter os olhos bem abertos . A chuva salpicava lhe os óculos e entrava lhe por as narinas , quando ele se voltou de cabeça para baixo , evitando outra forte investida de a * bludger * . Ouviu os risos de a multidão . Sabia que devia parecer ridículo , mas a * bludger * maluca era pesada e não podia mudar de direcção tão rapidamente quanto ele . Iniciou uma corrida que parecia de feira de diversões em volta de os extremos de o estádio , olhando de soslaio , através de os lençóis prateados de chuva , para os postes de os Gryffindor , onde Adrian_Pucey tentava passar por Wood . Um assobio junto de os ouvidos disse a Harry que a * bludger * falhara uma_vez_mais . Voltou se e voou rapidamente em a direcção oposta . - Estás a ensaiar * ballet * , Potter - gritou Malfoy quando Harry foi obrigado a fazer uma reviravolta estúpida em o ar para se esquivar mais_uma_vez de a * bludger * . Lá foi ele , com a * bludger * atrás a alguns metros de distância . E foi então que , olhando para Malfoy , furioso , a viu , a * snitch * de ouro . Flutuava alguns centímetros acima de os ouvidos de Malfoy que , de tão preocupado a escarnecer de Harry , nem dera por ela . Durante um momento angustiante , Harry ficou quieto em o ar , não ousando dirigir se a Malfoy , não fosse ele olhar para_cima e ver a * snitch * . PUM ! Tinha ficado parado tempo de mais . A * bludger * batera lhe , por fim , apanhando lhe o cotovelo e Harry sentiu o braço a partir se . Debilmente , desorientado por a dor cauterizante em o braço , Harry deslizou para um de os lados em a sua vassoura encharcada , um joelho ainda dobrado , o braço direito a balouçar , inútil , a o seu lado . A * bludger * veio de_novo , preparada para mais um ataque , desta_vez apontada a o seu rosto . Harry desviou se com uma intenção : chegar a Malfoy . Através_de uma nuvem de chuva e dor desceu até a o rosto tremeluzente e trocista e viu os olhos de ele dilatarem se de medo : Malfoy pensou que Harry ia atacá o . - Que diabo ... - resmungou , afastando se de o caminho . Harry tirou a outra mão de a vassoura e fez uma tentativa para agarrar qualquer coisa . Sentiu os dedos fecharem se em volta de a * snitch * dourada , mas conduzia agora a vassoura apenas com as pernas e ouviu se um grito de a multidão cá em baixo , quando ele fez a descida , tentando não desmaiar . Com um ruído seco caiu em a terra enlameada e rolou para fora de a vassoura . O braço tinha um ângulo um_pouco estranho . Torcendo se com dores , ouviu a a distância os assobios e os gritos . Concentrou se em a * snitch * que tinha fechada em a outra mão . - Ai - disse vagamente . - Ganhámos o jogo . E desmaiou . Voltou a si com a chuva a cair lhe em o rosto , ainda deitado em o campo , com alguém inclinado sobre ele . Viu um brilho de dentes brancos . - Oh , não , você não - gemeu . - Não sabe o que diz - afirmou Lockhart bem alto a a ansiosa multidão de Gryffindor que o comprimiam . - Não te preocupes , Harry , eu vou tratar de o teu braço . - Não - gritou Harry . - Eu fico com ele assim , obrigado . Tentou sentar se , mas a dor era enorme . Ouviu um « clique » familiar . - Não quero fotografias de isto , Colin - disse em voz alta . - Deita te para trás , Harry - insistiu Lockhart com toda_a calma . - É um encantamento muito simples que eu fiz imensas vezes . - Porque não me levam só para a ala hospitalar ? - perguntou Harry entredentes . - Seria o melhor , professor - disse a voz rouca de o Wood que não conseguia deixar de sorrir , apesar_de o seu * seeker * estar ferido . - Grande captura , Harry , verdadeiramente espectacular , a tua melhor jogada , em a minha opinião . Em o meio de a floresta de pernas que o rodeava , Harry avistou Fred e George_Weasley , metendo a * budger * perigosa em uma caixa . Continuava a dar uma luta enorme . - Para trás - ordenou Lockhart , que tinha arregaçado as mangas verde jade . - Não , eu não ... - protestou debilmente Harry , mas Lockhart tinha a varinha em a mão e , um segundo depois , apontava a para o braço de Harry . Uma sensação estranha e desagradável começou em o ombro e espalhou se , chegando a as pontas de os dedos . Parecia que o braço inteiro tinha sido esvaziado . Não foi capaz de olhar para o que estava a suceder . Tinha fechado os olhos , voltado o rosto para o outro lado , mas os seus maiores receios concretizaram se quando as pessoas lá em cima se sobressaltaram e Colin_Creevey começou a tirar fotografias como um louco . O braço deixara de lhe doer , mas parecia tudo menos um braço . - Ah ! - disse Lockhart . - Sim , bem isto às_vezes acontece . Mas o importante é_que os ossos já não estão partidos . Isso é o mais importante . Portanto , Harry , vai até a a ala hospitalar ... ah ! Mr._Weasley , Miss_Granger , poderiam levá o lá ? E Madam_Pomfrey poderá ... er ... arranjar um_pouco isso . Quando Harry se pôs de pé sentiu se estranhamente desequilibrado . Depois de respirar fundo , olhou para o lado direito e o que viu quase o fez desmaiar de_novo . Pendurado em a extremidade de a sua túnica estava o que parecia ser uma espessa e colorida luva de borracha . Tentou mexer os dedos mas ... em vão . Lockhart não consertara os ossos de Harry . Retirara os . M. dam Pomfrey não ficou nada satisfeita . - Devias ter vindo logo ter comigo - ralhou , segurando os restos tristes e moles de aquilo que antes fora um braço activo . - Eu conserto ossos em um segundo , mas fazê os crescer de_novo ... - Vai conseguir , não vai ? - perguntou Harry desesperado . - Sim , com certeza , mas vai ser doloroso - disse Madam_Pomfrey de modo severo , entregando lhe um pijama . - Vais ter que ficar cá esta noite ... Hermione esperou de o lado de_fora de a cortina que rodeava outra cama enquanto Ron ajudava Harry a vestir se . Levou algum tempo a enfiar o braço que parecia borracha dentro_de uma manga de o pijama . - Como é_que podes continuar a defender o Lockhart depois disto , Hermione ? - perguntou Ron através de as cortinas , enquanto puxava os dedos moles de o Harry por uma manga . - Se o Harry quisesse ser desossado , teria pedido . - Todos podem enganar se - disse Hermione . - E deixou de doer , não deixou , Harry ? - Sim - disse ele - mas também ficou incapaz de fazer seja o que for . Quando se meteu em a cama , o braço agitou se despropositadamente . Hermione e Madam_Pomfrey entraram . Madam_Pomfrey segurava uma grande garrafa com o rótulo * Skele - _ Gro * . - Vais ter uma noite difícil - preveniu , enchendo um pequeno copo fumegante e dando lhe a beber . - Fazer crescer ossos é uma coisa difícil . Tomar o * _ Skele - _ Gro * também . Queimou a boca e a garganta de o Harry a o descer , fazendo o tossir e cuspir . Resmungando sobre os desportos perigosos e os professores incapazes , Madam_Pomfrey retirou se , deixando Ron e Hermione a ajudar Harry a engolir um_pouco de água . - Mas ganhámos o jogo - disse o Ron com um sorriso em o rosto . - A tua jogada foi em grande . A cara de o Malfoy ... parecia que queria matar alguém . - Eu vou descobrir como é_que enfeitiçaram aquela * bludger * - disse Hermione com ar sombrio . - Podemos juntar essa pergunta a a lista de todas_as que queremos fazer a o Malfoy quando tomarmos a poção * _ Polisuco * - disse Harry , afundando se de_novo em as almofadas . - Espero que tenha um sabor melhor do_que esta coisa ... - Com um bocado de os Slytherin lá dentro , deves estar a brincar - disse o Ron . A porta de a ala hospitalar abriu se em esse momento e , completamente encharcados , entraram os restantes membros de a equipa de os Gryffindor , para ver o Harry . - Um voo inacreditável - disse George . - Acabei de ver Marcus_Flint a gritar com o Malfoy . Qualquer coisa sobre ter a * snitch * mesmo em cima de a cabeça e não ter dado por nada . O Malfoy não parecia nem um_pouco satisfeito . Tinham trazido bolos , rebuçados e garrafas de sumo de abóbora . Juntaram se em volta de a cama de Harry e estavam a dar início a o que prometia ser uma grande festa quando Madam_Pomfrey entrou a vociferar : - Este rapaz precisa de repouso . Tem trinta_e_três ossos a crescer . Fora de aqui . FORA ! E Harry ficou sozinho , sem nada que o distraísse de as dores agudas em o seu braço mole . Muitas horas mais tarde , Harry acordou subitamente em a escuridão total e soltou um pequeno grito de dor : sentia agora o braço cheio de estilhaços . Durante alguns segundos pensou que tinha sido a dor a acordá o . Depois , com um arrepio de horror , apercebeu se de que alguém estava a passar lhe uma esponja em a testa . - Sai de aqui - gritou , e em seguida : - Dobby ! Os olhos de o tamanho de bolas de ténis de o elfo doméstico estavam a olhá o em o escuro , uma lágrima grossa rolava por o seu enorme nariz . - Harry_Potter voltou a a escola - murmurou , infeliz . - Dobby avisou e voltou a avisar Harry_Potter . Ah ! senhor , porque não deu ouvidos a Dobby ? Porque não voltou Harry_Potter para_casa quando perdeu o comboio ? Harry ergueu se um_pouco , encostando se a as almofadas e afastou a esponja de o elfo . - O que estás a fazer aqui ? - perguntou . - E como sabes que eu perdi o comboio ? O lábio de Dobby tremeu e Harry foi assaltado por uma dúvida . - Foste tu . Tu impediste que a barreira nos deixasse passar . - Em a verdade fui eu , senhor - disse Dobby , acenando com a cabeça e com as orelhas a abanar . - Dobby escondeu se , esperou por Harry_Potter e selou a barreira . A seguir , Dobby teve de pôr as mãos em o ferro de engomar - mostrou a o Harry dez dedos longos embrulhados em ligaduras . - Mas Dobby não se importou , senhor , porque pensou que Harry_Potter estava a salvo e nunca Dobby sonhou que mesmo_assim ele viria para a escola ! Balançava se para a frente e para trás , sacudindo a cabeça feia . - Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry_Potter tinha voltado a a escola que deixou queimar o jantar de os seus donos . Dobby nunca tivera um castigo tão grande , senhor . Harry afundou se de_novo em as almofadas . - Quase conseguiste que nos expulsassem , a mim e a o Ron - disse furioso . - É melhor desapareceres de aqui antes que os meus ossos voltem a estar bem , Dobby , ou ainda te estrangulo . O elfo sorriu . - Dobby está habituado a ameaças de morte , senhor . Dobby recebe as cinco vezes por dia em a casa onde mora . Encostou o nariz a um canto de a fronha que usava , ficando tão ridículo que Harry sentiu a raiva desvanecer se , apesar_de tudo . - Porque usas essa coisa , Dobby ? - perguntou com curiosidade . - Isto , senhor ? - disse Dobby apontando para a fronha de almofada . - É uma prova de escravatura de o elfo doméstico , senhor . Dobby só pode ser libertado se os donos lhe derem roupa , senhor . A família tem o cuidado de não dar a o Dobby nem uma peúga , senhor , porque ele poderia ficar livre e deixar a casa para sempre . Dobby limpou os olhos protuberantes e disse subitamente : - Harry_Potter deve ir para_casa . Dobby achou que a sua * bludger * seria o suficiente para o fazer ... - A tua * bludger * ? - disse Harry com a raiva a crescer novamente dentro de ele . - Que queres tu dizer com a tua bludger * ? Foste tu quem fez com que aquela bola tentasse matar me ? - Matar não , senhor . Matar , nunca ! - disse o elho chocado . - Dobby quer salvar a vida de Harry_Potter . É melhor ir para_casa ferido do_que ficar aqui , senhor . Dobby só queria Harry_Potter suficientemente ferido para voltar para_casa . - Só isso ? - disse Harry furioso . - Imagino que não vais dizer me porque querias mandar me para_casa a os bocados ? - Ah ! se Harry_Potter soubesse ! - gemeu Dobby , com mais lágrimas a escorrerem lhe por a fronha esfarrapada . - Se pudesse saber o que significa para nós , para os humildes , os escravizados , nós , a escória social de o mundo mágico ! Dobby lembra se de como eram as coisas quando Aquele cujo nome não deve ser pronunciado estava em o auge de o poder , senhor ! Nós , os elfos domésticos éramos tratados como animais , senhor ! É claro que Dobby ainda é tratado assim - admitiu , secando o rosto em a fronha de almofada . - Mas , em a sua maioria , a vida melhorou bastante para os de a minha espécie desde_que Harry_Potter triunfou sobre Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Harry_Potter sobreviveu e o poder de os senhores de o Mal foi quebrado e veio uma nova alvorada , senhor , e Harry_Potter brilhou como um farol de esperança para aqueles de entre nós que já pensavam que a longa noite nunca mais teria fim , senhor ... e agora em Hogwarts vão acontecer coisas terríveis , talvez já esteiam a acontecer e Dobby não pode deixar Harry_Potter ficar aqui , agora_que a história vai repetir se , agora_que a Câmara_dos_Segredos está de_novo aberta . Dobby calou se horrorizado . Em seguida agarrou em o jarro de a água que Harry tinha a a cabeceira e bateu com ele em a própria cabeça , deixando se cair . Um segundo mais tarde voltou até junto de a cama , repetindo : - Mau , Dobby , muito mau , Dobby . - Quer_dizer , então , que existe mesmo a Câmara_dos_Segredos ? - murmurou Harry . - E dizes tu que já antes foi aberta ? Conta me , Dobby . Agarrou o pulso ossudo de o elfo quando a mão de ele se estendia para o jarro de a água . - Mas eu não sou filho de Muggles . Como posso estar em perigo por causa de a Câmara_dos_Segredos ? - Ah ! senhor , não pergunte a o pobre Dobby - lamentou se o elfo com os olhos enormes a brilharem em o escuro . - As forças de as trevas estão projectadas em este lugar , mas Harry_Potter não deve estar aqui quando as coisas acontecerem . Vá para_casa , Harry_Potter , vá para_casa . Harry_Potter não deve envolver se em isto , senhor , é demasiado perigoso ... - Quem é , Dobby ? - perguntou Harry , continuando a agarrar lhe o pulso com forca , impedindo que batesse de_novo em si próprio com o jarro . - Quem abriu a amara ? Quem a abriu de a última vez ? - Dobby não pode , senhor . Dobby não pode . Dobby não deve dizer - guinchou o elfo . - Vá se embora , Harry_Potter , vá se embora ! - Eu não vou para lugar nenhum - disse Harry , furioso . - Uma de as minhas melhores amigas é filha de Muggles , está em perigo se a câmara foi , de facto , aberta ... - Harry_Potter arrisca a própria vida por os amigos - gemeu Dobby em uma espécie de êxtase infeliz . - Tão nobre , tão corajoso , mas deve salvar se , Harry_Potter não deve ... Dobby calou se de repente com as orelhas de morcego a estremecerem . Harry também ouviu os passos que vinham lá fora , de o corredor . - Dobby tem de ir - balbuciou o elfo apavorado . Ouviu se um ruído e o pulso de Harry ficou subitamente fechado em o ar . Meteu se de_novo para baixo , em a cama , com os olhos fixos em a porta escura que dava entrada em a ala hospitalar enquanto os passos se aproximavam . Em o momento seguinte , Dumbledore estava a entrar , de costas , em o dormitório , vestindo uma longa túnica de lã e uma capa de noite . Transportava um extremo de aquilo que parecia ser uma estátua . A professora Mc_Gonagall surgiu um segundo mais tarde , pegando lhe em os pés . Os dois colocaram a em uma cama . - Chame Madam_Pomfrey - murmurou Dumbledore e a professora Mc_Gonagall passou por a cama de Harry , apressadamente , e desapareceu . Harry deixou se ficar muito quieto como_se estivesse a dormir . Ouviu vozes ansiosas e por fim a professora Mc_Gonagall apareceu de_novo , seguida de Madam_Pomfrey que vestia um casaco curto de lã sobre a camisa de dormir . Ouviu uma inspiração aguda . - O que aconteceu ? - murmurou Madam_Pomfrey_a_Dumbledore , inclinando se sobre a estátua que estava em a cama . - Outro ataque - disse Dumbledore . - A Minerva encontrou o em as escadas . Havia um cacho de uvas junto de ele . Acho que estava a tentar esgueirar se até aqui para vir visitar o Potter . O estômago de Harry deu uma reviravolta . Lenta e cuidadosamente ergueu se alguns centímetros para poder ver a estátua que estava sobre a cama . Um raio de luar iluminou lhe o rosto estático . Era_Colin_Creevey . Tinha os olhos abertos , e as mãos , em frente de a cara , seguravam a máquina fotográfica . -- Petrificado ? - murmurou Madam_Pomfrey . - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - Mas estou tentada a acreditar que ... se Albus não tivesse vindo cá abaixo tomar um chocolate quente ... quem sabe o que teria ... Os três olharam para Colin . Dumbledore inclinou se e retirou lhe a máquina de as mãos rígidas . - Será que ele conseguiu tirar a fotografia de o agressor ? - perguntou ansiosa a professora Mc_Gonagall . Dumbledore não respondeu . Abriu a parte detrás de a máquina . - Cruzes canhoto - disse Madam_Pomfrey . Um jacto de vapor tinha feito fervilhar a máquina . Harry , a três metros de distância , sentiu o cheiro tóxico de o plástico queimado . - Derretido - disse Madam_Pomfrey com grande espanto . - Tudo derretido . - O que significa isto , Albus ? - perguntou cada_vez_mais nervosa a professora Mc_Gonagall . - Significa - disse Dumbledore - que a Câmara_dos_Segredos está mesmo aberta outra_vez . Madam_Pomfrey levou uma mão a a boca . A professora Mc_Gonagall olhou assustada para Dumbledore . - Mas , Albus ... com certeza ... quem ? - A questão não é quem - disse Dumbledore com os olhos fixos em Colin . - A questão é como ... E pelo que Harry conseguiu ver de o rosto indistinto de a professora Mc_Gonagall , ela não compreendeu muito mais do_que ele . XI_O clube de os duelos Quando_Harry acordou , em o domingo de manhã , a enfermaria estava iluminada por um resplandecente sol de inverno e o seu braço tinha de_novo todos os ossos , apesar_de o sentir muito rígido . Sentou se rapidamente e olhou para a cama de Colin , mas ela fora isolada com as cortinas atrás de as quais se despira em a véspera . Vendo que ele tinha acordado , Madam_Pomfrey apareceu com um tabuleiro de pequeno-almoço e a seguir começou a apalpar lhe o braço e os dedos . - Tudo em ordem - disse , enquanto ele , com a mão esquerda , comia avidamente as papas de aveia . - Quando acabares de comer podes ir te embora . Harry vestiu se o mais depressa que pôde e dirigiu se a a pressa para a torre de os Gryffindor , ansioso por contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre Colin e Dobby , mas não os encontrou lá . Foi a a procura de eles , perguntando a si próprio onde teriam ido e sentindo se um_pouco magoado por o pouco interesse que demonstravam em saber se ele tinha recuperado os ossos . Quando passou por a biblioteca , Percy_Weasley vinha a sair com bastante melhor cara do_que de a última vez que se tinham encontrado . - Olá , olá , Harry - disse . - Excelente voo o de ontem , verdadeiramente sensacional . Os Gryffindor estão a a frente para a taça de a equipa . Ganhaste cinquenta pontos . - Não viste o Ron e a Hermione por aí ? - perguntou Harry . - Não , não vi - disse Percy com o sorriso a desaparecer . - Espero que o Ron não esteja outra_vez em a casa_de_banho de as raparigas ... Harry forçou um sorriso , viu Percy desaparecer e a seguir foi direitinho até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Não via lá muito bem por_que motivo o Ron e a Hermione lá estariam de_novo , mas , depois de se assegurar de que nem Filch nem nenhum de os prefeitos estavam por perto , abriu a porta e ouviu as vozes de eles que vinham de um cubículo fechado . - Sou eu - disse , fechando a porta atrás_de si . Ouviu se dentro de o cubículo um estrondo , um chapinhar e um sobressalto e ele viu o olho de a Hermione a espreitar por o buraco de a fechadura . - Harry - disse ela . - Pregaste nos um susto de morte . Entra . Como está o teu braço ? - _ óptimo - respondeu , apertando se dentro de o cubículo . Em cima de a sanita estava encarrapitado um velho caldeirão , e um crepitar a a superfície de a água disse a Harry que eles tinham acendido um fogo lá em baixo . Fazer aparecer fogos portáteis a a prova de água era uma de as especialidades de Hermione . - _ íamos visitar te , mas resolvemos começar a preparar a poção * _ Polisuco * - explicou Ron enquanto Harry fechava outra_vez a porta de o cubículo com alguma dificuldade . - Achámos que este era o lugar mais seguro para a esconder . Harry começou a contar lhes de o Colin , mas Hermione interrompeu o . - Nós já sabemos , ouvimos a professora Mc_Gonagall contar a o professor Flitwick hoje_de_manhã . Por isso resolvemos começar a ... - Quanto_mais depressa arrancarmos uma confissão a o Malfoy , melhor - rosnou o Ron . - Sabem o que eu penso ? Ele estava tão mal-humorado depois de o jogo de Quidditch que se vingou em o Colin . - Há outra coisa - disse Harry , vendo Hermione cortar molhos de verdezelha e lançá os dentro de a poção . - O Dobby foi visitar me a meio de a noite . Ron e Hermione olharam o espantados . Harry contou lhes tudo_o_que Dobby lhe dissera ... ou não dissera . Ron e Hermione ouviram o de boca aberta . - A Câmara_dos_Segredos já tinha sido aberta antes ? - repetiu Hermione . - Encaixa perfeitamente - disse Ron , em uma voz triunfante . - O Lucius_Malfoy deve ter aberto a Câmara_dos_Segredos quando andava em a escola e agora ensinou a o querido filhinho Draco como abris a . É óbvio , que pena o Dobby não te ter dito que tipo de monstro lá se encontra . Gostava de saber como é_que ninguém o viu andar por ai em a escola . - Talvez tenha a capacidade de se tornar invisível - sugeriu Hermione , picando sanguessugas para dentro de o caldeirão . - Ou talvez se disfarce , passando por uma armadura ou outra coisa de o género . Eu li umas coisas sobre vampiros camaleões ... - Tu lês de mais , Hermione - disse o Ron , deitando moscas asas de renda mortas por cima de as sanguessugas . Amarrotou o saco vazio de as asas de renda e olhou para Harry . - Então foi o Dobby que nos impediu de apanhar o comboio e te partiu o braço ... - abanou a cabeça . - Sabes o que eu acho ? Se ele não parar de tentar salvar te a vida ainda acaba por te matar . A notícia de que Colin_Creevey tinha sido atacado e estava agora em a ala hospitalar , como morto , espalhou se por toda_a escola em a segunda-feira de manhã . O ar ficou pesado e cheio de boatos e suspeitas . Os alunos de o primeiro ano começavam a andar por a escola em pequenos grupos , receando ser atacados se se aventurassem a andar isoladamente por os corredores . Ginny_Weasley , que era colega de carteira de o Colin em os encantamentos , estava perturbadíssima , mas Harry achou que Fred e George estavam a tentar animá a de a maneira errada . Revezavam se , mascarados com peles de animais e apareciam lhe subitamente detrás de as estátuas . Só pararam quando Percy , apopléctico de raiva , lhes disse que ia escrever a Mrs._Weasley a contar lhe que a Ginny andava a ter pesadelos . Enquanto isso , às_escondidas de os professores , uma panóplia de talismãs , amuletos e outros objectos de protecção ia enchendo a escola . Neville_Longbottom comprou uma enorme cebola verde que cheirava mal , um cristal pontiagudo cor de púrpura e uma cauda de tritão apodrecida antes de os outros rapazes de os Gryffindor lhe explicarem que ele não corria perigo : era um sangue puro e , portanto , muito pouco passível de ser atacado . - Eles foram a o Filch em primeiro lugar - disse Neville com o medo estampado em a cara redonda . - E toda_a_gente sabe que eu sou quase um * busca-pé * . Em a segunda semana de Dezembro , a professora Mc_Gonagall veio , como de costume , recolher os nomes de os alunos que ficavam em a escola durante o Natal . Harry , Ron e Hermione assinaram a lista . Tinham ouvido dizer que Malfoy ficava , o que lhes parecera muito suspeito . As férias seriam a altura ideal para usar a poção * _ Polisuco * e tentar arrancar lhe uma confissão . Infelizmente a poção estava a meio . Precisavam ainda de o chifre de bicórneo e o único lugar onde podiam arranjá o era em os depósitos privados de Snape . Harry , pessoalmente , preferia enfrentar o lendário monstro de os Slytherin do_que ser apanhado por o Snape a assaltar lhe o escritório . - O que precisamos - disse Hermione cheia de vivacidade quando se aproximava a aula conjunta de poções de quinta-feira a a tarde - para podermos entrar a a vontade em o escritório de o Snape , é de uma diversão . Harry e Ron olharam para ela , nervosos . - Acho que o melhor é ser eu a praticar o roubo - prosseguiu ela , em um tom perfeitamente casual . - Vocês os dois podem ser expulsos se forem apanhados e eu tenho uma folha limpa . Portanto , a única coisa que têm de fazer é distrair o Snape durante cerca de cinco minutos . Harry esboçou um meio sorriso . Provocar deliberadamente um estrago em a aula de poções de o Snape era tão seguro como ferir em um olho um dragão adormecido . As aulas de poções tinham lugar em um de os mais amplos calabouços . A de quinta-feira a a tarde não foi diferente de as outras . Vinte caldeirões fumegavam entre as secretárias de madeira , sobre as quais podia ver se laminas de latão e jarras com ingredientes . Snape deambulava por o meio de os fumos , fazendo reparos petulantes a o trabalho de os Gryffindor , enquanto os Slytherin riam a a socapa . Draco_Malfoy , que era o aluno preferido de Snape , não parava de lançar olhos de carneiro mal morto a o Ron e a o Harry , que sabiam que se retaliassem teriam um castigo , antes de poderem abrir a boca para dizer : - É injusto ! A solução de inchar de o Harry estava demasiado líquida , mas ele estava preocupado com coisas mais importantes . Esperava por o sinal de Hermione e mal deu por Snape se calar para ir espreitar a sua poção aguada . Quando o professor se voltou e foi implicar com o Neville , Hermione trocou um olhar com Harry e fez um aceno . Harry baixou se discretamente por detrás de o seu caldeirão , tirou de o bolso de trás um de os paus de fogo-de-artíficio Filibuster e deu lhe um toque de varinha . O fogo-de-artíficio começou a sibilar e a crepitar . Sabendo que tinha apenas alguns segundos , Harry endireitou se , ganhou coragem e lançou o a o ar . Aterrou certeiro em o caldeirão de o Goyle . A poção de o Goyle explodiu , salpicando toda_a aula . As pessoas gritavam , à_medida_que eram vítimas de os salpicos . Malfoy foi apanhado em a cara e o nariz começou a inchar como um balão . O Goyle tropeçava a as cegas , com as mãos em os olhos , que tinham ficado de o tamanho de pratos de sopa , enquanto o Snape tentava repor a calma e tentar perceber o que sucedera . Em o meio de a confusão , Harry viu Hermione esgueirar se a a socapa por a porta . - Silêncio ! silêncio ! - vociferou Snape . - Todos os que foram salpicados cheguem aqui para uma drenagem . Quando eu descobrir quem fez isto ... Harry fez um enorme esforço para não se rir a o ver Malfoy chegar apressadamente lá a a frente , a cabeça a tombar com o peso de o nariz , que parecia um pequeno melão . Quando metade de a aula se amontoava junto de a secretária de o Snape , alguns alunos vergados por o peso de os braços que pareciam mocas , outros incapazes de falar devido a o gigantesco inchaço de os lábios , Harry viu Hermione reentrar em o calabouço , a túnica mostrando a barriga protuberante . Quando todos os alunos tinham já tomado um gole de o antídoto e os vários inchaços tinham desaparecido , Snape precipitou se para o caldeirão de o Goyle e pescou os restos retorcidos de o fogo-de-artíficio . Houve um súbito silêncio . - Se eu descubro quem lançou isto - murmurou Snape - garanto que é expulsão por a certa . Harry compôs uma expressão de espanto . Snape olhava directamente para ele e a campainha , que tocou dez minutos mais tarde , não podia ser mais bem-vinda . - Ele soube que fui eu - disse Harry_a_Ron e a a Hermione , enquanto se dirigiam apressadamente para a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Tenho a certeza . Hermione lançou o novo ingrediente em o caldeirão e começou a mexer furiosamente . - Isto vai estar pronto dentro_de quinze_dias - afirmou , satisfeita . - O Snape não pode provar que foste tu - assegurou Ron , tranquilizando Harry . - Que pode ele fazer ? - Conhecendo o Snape , qualquer coisa louca - respondeu Harry , enquanto a poção borbulhava e espumava . Uma semana mais tarde , Harry , Ron e Hermione passavam por o vestíbulo de entrada , quando viram um pequeno grupo de pessoas reunidas em volta de o jornal de parede a lerem um pedaço de pergaminho que tinha acabado de ser afixado . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas acenaram lhes , entusiasmados . - Vão lançar um clube de duelos ! - exclamou Seamus . - Hoje a a noite é a primeira reunião . Eu não me importaria nada de ter aulas de duelo , podem vir a ser úteis um dia de estes ... - Porquê ? Achas que o monstro de os Slytherin sabe esgrimir ? - perguntou o Ron , mas , também ele , leu a notícia com interesse . - Pode ser útil - disse a o Harry e a a Hermione , quando foram jantar . - Vamos lá ? Harry e Hermione acharam óptimo , por isso , a as oito_da_noite voltaram a o salão . As longas mesas de refeição tinham desaparecido e um estrado dourado surgira , encostado a a parede . Sobre ele flutuavam milhares de velas . O tecto era , mais_uma_vez , de veludo negro e parecia que quase todos os alunos de a escola se encontravam ali , com as suas varinhas em a mão e com um ar entusiasmado . - Quem será que vai ensinar nos ? - perguntou Hermione , enquanto se misturavam em a multidão barulhenta . - Ouvi dizer que o Filitwick foi campeão de duelo em a juventude , talvez seja ele . - Desde_que não seja ... - começou Harry , mas terminou em um gemido : Gilderoy_Lockhart estava a subir a o estrado , resplandecente em as suas vestes cor de ameixa , acompanhado , nem mais nem menos , do_que de Snape que trajava , como sempre , de negro . Lockhart levantou um braço , pedindo silêncio , bradando : - Aproximem se , aproximem se , conseguem todos ver me e ouvir me ? Excelente ! - O professor Dumbledore deu me autorização para iniciar este pequeno curso de duelo para vos treinar a todos , caso algum dia precisem de se defender , como eu tenho feito em inúmeras ocasiões ; para mais detalhes , leiam os livros que tenho publicados . - Permitam que vos apresente o meu assistente , o professor Snape - disse Lockhart , abrindo um sorriso de orelha a orelha . - Ele diz me que sabe alguma coisa sobre duelos e aceitou desportivamente ajudar me em uma exibição de demonstração , antes de começarmos . Atenção , não quero que os mais novos fiquem preocupados , vão continuar a ter o vosso professor de poções depois de eu o vencer . Não tenham medo . - Não era óptimo se se liquidassem um_ao_outro ? - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . O lábio inferior de Snape estava curvo . Harry interrogou se sobre o motivo por_que Lockhart continuava a sorrir . Se o Snape olhasse de aquela maneira para ele , Harry estaria a correr a_toda_a velocidade para o mais longe possível . Lockhart e Snape voltaram se um para o outro e fizeram uma vénia , pelo_menos Lockhart fê la com muitas reviravoltas de mãos , enquanto Snape acenava , irritado , com a cabeça . Em seguida , ergueram as varinhas , como_se fossem espadas , em a frente . - Como podem ver , estamos a pegar em as varinhas em a posição de aceitação de combate - explicou Lockhart a a multidão silenciosa . - Quando contarmos até três , lançaremos os primeiros feitiços . Nenhum de nós tentará matar o outro , claro . - Eu não poria as mãos em o fogo - murmurou Harry , observando como Snape cerrava os dentes . -- Um , dois , três ... Os dois balançaram as varinhas acima de os ombros . Snape gritou : * _ Expelliarmus * ! Houve um clarão ofuscante de luz escarlate e Lockhart voou para trás , caindo de o estrado batendo contra a parede , escorregando e indo estatelar se em o chão . Malfoy e alguns de os outros Slytherin aplaudiram . Hermione estava em bicos de os pés . - Acham que ele está bem ? - gritou entredentes . - Quem se rala ? - disseram ao_mesmo_tempo o Ron e o Harry . Lockhart estava a pôr se , hesitante , de pé . O chapéu caíra lhe e o cabelo ondulado estava em um desalinho . - Bem , cá está ! - disse , cambaleando até a o estrado . - Este foi um encantamento para desarmar . Como podem ver , perdi a minha varinha . Ah , obrigado Miss_Brown . Sim , foi uma excelente ideia mostrar lhes isto , professor Snape , mas , se me permite que lhe diga , foi muito óbvio o que ia fazer . Se eu tivesse querido impedis o , teria o feito com a maior de as facilidades . Mas achei que seria educativo deixá os ver ... Snape tinha um ar assassino . Provavelmente Lockhart deu por isso , porque declarou : - Chega de demonstrações . Eu vou passar agora por o meio de vocês e criar duplas . Professor_Snape , se quiser ajudar me ... Entraram por o meio de a multidão , agrupando alunos . Lockhart pôs o Neville com Justin_Finch - _ Fletchley , mas Snape chegou primeiro junto de Harry e de Ron . - Tempo de separar a dupla ideal , parece me - rosnou . - Weasley , tu podes ficar com o Finnigan . Potter ... Harry voltou se automaticamente para Hermione . - Não me parece - disse Snape com o seu sorriso frio . - Mr._Malfoy , venha até aqui . Vamos ver o que faz com o famoso Potter . E a menina , Miss_Granger , pode emparceirar com Miss_Bulstrode . Malfoy aproximou se com o seu passo empertigado e o seu sorriso escarninho . Atrás de ele vinha uma rapariga de os Slytherin , que lembrou a Harry uma imagem que tinha visto em as * _ Férias com Bruxas_Velhas * . Era corpulenta e quadrada e os maxilares avançavam agressivamente . Hermione esboçou um meio sorriso , que ela não retribuiu . - Voltem se para os vossos parceiros - gritou Lockhart - e façam a vénia . Harry e Malfoy mal inclinaram as cabeças , não afastando os olhos um de o outro . - Varinhas preparadas ! - gritou Lockhart . - Quando eu disser três preparem os feitiços para desarmar o vosso opositor . Um ... dois ... três ... Harry levantou a varinha acima de o ombro , mas Malfoy começara logo em o « dois » : o seu feitiço apanhou Harry com tanta força que ele se sentiu como_se tivesse levado com uma frigideira em a cabeça . Tropeçou , mas ainda não estava fora de combate e , sem perder tempo , Harry apontou a varinha a Malfoy e gritou : - * _ Rictusempra ! * Um jacto de luz prateada atingiu Malfoy em o estômago , obrigando o a dobrar se , arfando . - Eu disse desarmar ! - gritava Lockhart sobre as cabeças de a multidão em lata , enquanto Malfoy caía de joelhos . Harry atingira o com o feitiço de as cócegas e ele mal conseguia mexer se para se rir . Harry hesitou com o vago sentimento de que seria pouco desportivo enfeitiçar Malfoy enquanto ele estava caído em o chão , mas ... foi um erro . Tentando respirar , Malfoy apontou a varinha a os joelhos de Harry , balbuciando : « * _ Tarantallegra ! * » e , um segundo depois , as pernas de o Harry tinham começado a mexer se , sem que ele pudesse controlá as , executando uma espécie de dança frenética . - Parem , parem - gritava Lockhart , quando Snape resolveu tomar controlo de a situação . - * _ Finite_Incantatem ! * - bradou . Os pés de o Harry pararam de dançar , Malfoy parou de rir e puderam olhar para_cima . Uma onda de fumo esverdeado pairava sobre todos eles . Neville e Justin estavam caídos em o chão , a arfar . Ron tentava fazer parar um Seamus com cara cor de cinza , pedindo lhe mil desculpas por o que a sua varinha partida eventualmente tivesse feito . Mas Hermione e Millicent_Bulstrode ainda não tinham acabado . Millicent tinha feito a Hermione uma prisão de cabeça e Hermione gritava de dor . As duas varinhas jaziam esquecidas em o chão . Harry deu um salto em frente e afastou Millicent . Não foi fácil , ela era bastante maior do_que ele . - Oh , gente ! - exclamou Lockhart , arrastando se por o meio de a multidão e olhando para os resultados de os duelos . - Vamos pôr de pé , Mcmillan ... cuidado , Miss_Fawcett ... belisque com força que pára logo de sangrar ... - Acho que o melhor é ensinar vos como bloquear feitiços pouco amigáveis - afirmou Lockhart que estava nervosíssimo em o meio de o salão . Olhou para Snape , cujos olhos pretos brilhavam e desviou rapidamente o olhar . - Vamos arranjar um par de voluntários . Longbottom e Finch - _ Fletchley , que tal serem vocês ? - Uma má ideia , professor Lockhart - disse Snape , deslizando como um morcego enorme e cruel . - Longbottom provoca devastação com o feitiço mais simples . Ainda temos de mandar o que restar de o Finch - _ Fletchley para a ala hospitalar dentro_de uma caixa de fósforos . - A cara redonda e rosada de Neville ficou ainda mais rosada . - Que tal o Malfoy e o Potter ? - sugeriu Snape com um sorriso retorcido . - Excelente ideia - disse Lockhart , fazendo sinal a os dois para que se aproximassem de o meio de o salão , enquanto a multidão recuava para lhes dar passagem . - Ouve bem , Harry - disse Lockhart . - Quando o Draco te apontar a varinha , tu fazes assim . Levantou a sua varinha , executando uma tentativa complicada de malabarismo e deixou a cair . Snape sorriu pretensiosamente , enquanto Lockhart a apanhava de o chão , dizendo : - Ups , a minha varinha está demasiado excitada . Snape aproximou se de Malfoy , inclinou se e disse lhe qualquer coisa a o ouvido . Malfoy sorriu também de forma afectada . Harry olhou , nervoso , para Lockhart e pediu : - Professor , podia mostrar me outra_vez aquela coisa para bloquear ? - Estás com medo ? - murmurou Malfoy baixinho , para que Lockhart não pudesse ouvir . - Querias ! - exclamou Harry por o canto de a boca . Lockhart deu um soco em o ombro de o Harry , em a brincadeira . - Basta que faças como eu fiz ! - O quê , deixar cair a varinha ? Mas Lockhart não estava a ouvir - Três , dois , um , zero ! - gritou . Malfoy levantou rapidamente a varinha a o ar e gritou : - * _ Serpensortia ! * A extremidade de a varinha explodiu . Harry viu , horrorizado , uma enorme serpente negra sair de ela , cair pesadamente em o chão a meio de os dois e erguer se disposta a atacar . Ouviram se gritos , enquanto a multidão se afastava , deixando o chão vazio . - Não te mexas , Potter - disse Snape vagarosamente , divertindo se claramente a ver Harry , parado , a olhar em os olhos a serpente . - Eu trato de ela ... - Permita me -- gritou Lockhart . Bramiu a varinha em direcção a a serpente e ouviu se um estoiro . A cobra , em_vez_de desaparecer , voou três metros acima de eles e voltou a cair em o chão com um estrondo enorme . Enraivecida , a sibilar de fúria , rastejou em direcção a Finch - _ Fletchley e pôs se de pé com os dentes a a mostra , pronta a atacar . Harry não soube ao_certo o que o levou a fazer aquilo . Não se lembrava sequer de ter tomado aquela decisão . Só soube que as pernas o fizeram avançar como_se tivesse rodas e que gritou a a serpente : - Larga o ! - E , milagrosa e inexplicavelmente , a serpente voltou a o chão , dócil como uma grande mangueira de jardim , preta e grossa , os olhos agora fixos em os olhos de Harry . Harry sentiu o medo a escoar se . Sabia que a cobra não atacaria mais ninguém , embora não pudesse explicar como sabia . Olhou para Justin a sorrir , esperando vê o aliviado , espantado , ou mesmo agradecido , mas nunca zangado ou assustado . - Que brincadeira é essa ? - gritou o outro e , antes que Harry tivesse tempo de dizer fosse o que fosse , voltou as costas e saiu de o salão . Snape deu um passo em frente , fez um gesto com a varinha e a serpente desapareceu em uma onda de fumo preto . Também ele , Snape , olhava para Harry de uma forma inesperada . Era um olhar arguto e calculista , de que Harry não gostou . Apercebeu se também vagamente de um murmúrio ameaçador que vinha de as paredes em volta . Depois , sentiu um puxão em a túnica . - Vamos - disse a voz de o Ron em o seu ouvido . - Mexe te , vá lá ... Ron arrastou o para fora de o salão . Hermione acompanhava os em a passada rápida . Quando cruzaram a porta , as pessoas que a rodeavam afastaram se , como_se tivessem medo de ser contagiadas . Harry não fazia a mais pequena ideia do_que estava a passar se e , nem Ron , nem Hermione lhe deram qualquer explicação , antes de o terem levado até a a sala comum de os Gryffindor , que se encontrava vazia . Aí , Ron empurrou Harry para uma cadeira de braços e disse : - Tu és um * serpentês * . Porque não nos disseste ? - Eu sou um quê ? - perguntou Harry . - Um * serpentês * ! - exclamou o Ron . - Falas com as cobras . - Eu sei - declarou Harry . - Quer_dizer , esta foi a segunda vez que o fiz . A outra foi há muito_tempo em o jardim zoológico , quando soltei uma Boa_Constrictor a o meu primo Dudley . É uma longa história , mas ela estava a dizer me que nunca tinha estado em o Brasil e eu acho que a libertei sem querer . Foi antes de saber que era feiticeiro . . . - Uma Boa_Constrictor disse te que nunca tinha estado em o Brasil ? - repetiu Ron , quase sem voz . - E então ? - disse o Harry . - Aposto que montes de pessoas aqui fazem o mesmo . - Não fazem , não - afirmou Ron . - Não é um dom muito frequente . Harry , isso é mau . - O que é_que é mau ? - perguntou Harry , que começava a ficar chateado . - O que é_que se passa com todos os outros ? Ouve bem , se eu não tivesse dito a aquela cobra para não atacar o Justin ... - Ah , foi isso que tu disseste ? - Que queres dizer ? Tu estavas lá , ouviste perfeitamente o que eu disse . - Eu ouvi te falar em serpentês - disse o Ron . - Língua de cobra . Podias estar a dizer lhe qualquer coisa . Não admira que o Justin tivesse entrado em pânico . Parecia que estavas a incitar a serpente . Foi assustador , sabes ? Harry olhou para ele espantado . - Eu falei uma língua diferente ? Mas não me apercebi , como posso falar uma língua , sem saber que a conheço ? Ron abanou a cabeça . Tanto ele como Hermione tinham um ar fúnebre . Harry não percebia o que havia em aquilo de tão trágico . - Será que me querem explicar o que há de mal em ter impedido que uma serpente enorme arrancasse a cabeça a o Justin ? - perguntou . - Porque é tão importante como o fiz , se evitei que o Justin fosse juntar se a grupo de os SEM_CABEÇA ? - Importa - disse por fim Hermione , em uma voz abafada . - Porque falar com serpentes era a arte por a qual Salazar_Slytherin ficou famoso . Por isso , o símbolo de os Slytherin é uma serpente . Harry ficou de boca aberta . - Exacto - disse o Ron . - E agora todos em a escola vão pensar que tu és descendente de ele . - Mas não sou - contrapôs Harry com um pânico que não conseguia explicar . - Não vai ser fácil prová o - disse Hermione . - Ele viveu há quase mil anos . Pelo que vimos , podias ser . Em essa noite , Harry ficou acordado durante horas . Por uma fresta de os cortinados de a cama de dossel , olhou para a neve que começava a cair de o lado de_fora de a janela de a torre e perguntou se se poderia ser descendente de Salazar_Slytherin . Afinal , não sabia nada de a família de o pai , os Dursley tinham sempre proibido qualquer pergunta sobre os seus familiares feiticeiros . Calmamente , tentou dizer qualquer coisa em * serpentês * , mas as palavras não saíam . Parecia que era necessário estar frente_a_frente com uma cobra para poder fazê o . Mas eu sou um Gryffindor , pensou Harry , o chapéu seleccionador não me poria aqui se eu tivesse sangue de Slytherin ... - Ah ! - disse uma vozinha dentro de o seu cérebro . - Mas o chapéu seleccionador queria pôr te em os Slytherin , não te lembras ? Harry deu voltas e voltas a a cabeça . Em o dia seguinte , quando visse Justin em a aula de herbologia explicaria lhe que estava a afastar a serpente , não a atiçá a o que , aliás , pensou zangado , dando vários socos em a almofada , qualquer idiota teria percebido . Contudo , em a manhã seguinte , a neve que começara a cair durante a noite , transformara se em uma tempestade tão espessa que a última aula de herbologia de o período foi cancelada : a professora Sprout queria tapar as mandrágoras com peúgas e cachecóis , uma operação arriscada que ela não confiava a ninguém agora_que era tão importante que as mandrágoras crescessem depressa e reabilitassem Mrs._Norris e Colin_Creevey . Junto de a lareira de a sala comum de os Gryffindor , Harry matutava sobre o que se passara enquanto Ron e Hermione aproveitavam o foro para jogar xadrez de feitiçaria . - Com os diabos , Harry - disse Hermione exasperada quando um bispo derrubou um de os cavaleiros de o cavalo , arrastando o para fora de o tabuleiro . - Vai falar com o Justin , se isso é assim tão importante para ti . Harry levantou se e saiu por o buraco de o retrato , perguntando a si próprio onde poderia estar o Justin . O castelo estava mais escuro do_que era habitual durante o dia por causa de a neve espessa e cinzenta que cobria as janelas . A tremer , Harry passou por as salas onde estava a haver aulas , captando lampejos do_que sucedia lá dentro . A professora Mc_Gonagall gritava com alguém que , segundo lhe parecia por o som , transformara o parceiro em um texugo . Resistindo a a tentação de dar uma espreitadela , Harry afastou se pensando que Justin poderia estar a utilizar o tempo de o furo para fazer algum trabalho e resolveu , por isso , ir até a a biblioteca . Um grupo de alunos de os Hufflepuff , que deveriam ter estado em Herbologia , encontrava se , de facto , sentado em as traseiras de a biblioteca , mas não parecia estar a trabalhar . Entre as fileiras de as estantes altas , Harry pôde ver as suas cabeças muito juntas em aquilo que deveria ser uma conversa absorvente . Não conseguia perceber se Justin estaria em o meio de eles . Ia para se aproximar quando apanhou em o ar uma frase e parou para ouvir melhor , escondido em a secção de a invisibilidade . - Portanto - dizia um rapaz corpulento - eu disse a o Justin para se esconder em o nosso dormitório . Isto_é , se o Potter o escolheu como próxima vítima é melhor que ele tenha um * low profile * durante algum tempo . É claro que o Justin já estava a a espera que alguma coisa de o género acontecesse desde_que lhe escapou em uma conversa com o Potter que era filho de Muggles . O Justin disse lhe , inclusivamente , que tinha estado inscrito em Eton . Não é o tipo de coisa que se ande a dizer com o herdeiro de Slytherin a a solta por aí . - Achas mesmo_que é o Potter , Ernie ? - perguntou uma rapariga de tranças loiras , ansiosamente . - Hannah - disse com solenidade o rapaz corpulento . - Ele é um serpentês . Todos sabem que essa é a marca de um feiticeiro negro . Alguma vez ouviste falar de um feiticeiro decente que falasse com as cobras ? O Slytherin era conhecido por « Língua de serpente . . Houve alguns murmúrios antes de Ernie prosseguir : - Lembram se do_que estava escrito em a parede ? * _ Inimigos de o herdeiro , cuidado ! * . O Potter teve que ir a o gabinete de o Filch . E o que é_que acontece a seguir ? A gata de o Filch é atacada . O aluno de o primeiro ano , Creevey , estava a aborrecê o em a partida de Quidditch , a tirar lhe fotografias quando ele estava caído em a lama . E o que é_que acontece a seguir ? Creevey é atacado . - Mas ele parece sempre ser tão simpático - disse Hannah , cheia de dúvidas . - E , bem , foi ele que fez com que o Quem nós sabemos desaparecesse . Não pode ser assim tão mau , pois não ? Ernie baixou misteriosamente a voz . Os Hufflepuff inclinaram se mais uns para os outros e Harry aproximou se para conseguir apanhar as palavras de o Ernie . - Ninguém sabe como ele sobreviveu a aquele ataque de o Quem nós sabemos e , afinal , ainda era um bebé quando aquilo aconteceu . Era para ter explodido feito em estilhaços . Só um feiticeiro negro verdadeiramente poderoso teria sobrevivido a uma maldição de aquelas . - Baixou ainda mais a voz até esta ficar reduzida a um leve murmúrio e disse : - Talvez fosse por isso que o Quem nós sabemos o queria matar , para não ter outro feiticeiro negro a competir com ele . Gostava de saber que outros poderes ocultos terá o Potter . Harry não aguentou mais . Pigarreou alto e saiu detrás de as estantes . Se não estivesse tão zangado teria conseguido ver o lado cómico de a situação : cada_um de os Hufflepuff olhava para ele como_se tivesse sido petrificado , e a cor desaparecera de a cara de o Ernie . - Olá - disse Harry . - Estou a a procura de o Justin_Finch - _ Fletchley . Os piores receios de os Hufflepuff tinham se concretizado . Olharam apavorados para o Ernie . - O que queres de ele ? - perguntou Ernie em uma voz sumida . - Explicar lhe o que aconteceu com aquela cobra em o clube de os duelos - disse Harry . Ernie mordeu os lábios brancos e , em seguida , respirando fundo , respondeu : - Estávamos lá todos . Vimos o que aconteceu . - Então viram que depois de eu falar a serpente recuou - disse Harry . - O que eu vi - insistiu teimosamente Ernie , apesar_de tremer a cada palavra que proferia - foi tu a falares serpentês e a atiçares a cobra conta o Justin . - Eu não a aticei - gritou Harry enraivecido . - Ela nem lhe tocou . - Falhou por_pouco - disse Ernie . - E , para o caso de estares com ideias - acrescentou com má cara - posso dizer te que a minha família provem de nove gerações de bruxas e feiticeiros e que o meu sangue é tão puro como o de qualquer feiticeiro , portanto ... - Quero lá saber qual é o teu sangue - disse Harry furioso . - Porque iria eu atacar os filhos de os Muggles ? - Ouvi dizer que detestas os Muggles com quem vives - disse Ernie rapidamente . - Não é possível viver com os Dursley sem os detestar - explicou Harry . - Gostava de te ver lá em casa . Girou sobre os calcanhares e saiu furioso de a biblioteca sob o olhar reprovador de Madam_Prince que limpava a capa dourada de um enorme livro de encantamentos . Harry avançou a as cegas por os corredores , quase sem ver por_onde ia de tão furioso que estava . O resultado foi chocar com algo enorme e sólido que o fez recuar e cair a o chão . - Ah ! Olá , Hagrid - disse , olhando para_cima . Hagrid tinha o rosto completamente tapado com um lenço coberto de neve , mas não podia ser mais ninguém , enchendo assim o corredor dentro de o seu sobretudo de pele de toupeira . De uma de as enormes mãos enluvadas , pendia um galo morto . - Tudo bem , Harry ? - perguntou , afastando o lenço para poder falar . - Porque não estás em a aula ? - Foi cancelada - disse Harry , pondo se de pé . - O que estás a fazer aqui ? Hagrid mostrou lhe o galo inerte . - É o segundo qu'aparece morto este período - explicou . - Ou são raposas ou um vampiro chato e eu preciso d'autorização de o director p'ra fazer um feitiço em volta de a capoeira . Aproximou se e olhou mais de perto para o Harry , por debaixo de as suas sobrancelhas espessas e cheias de neve . - Tens a certeza que estás bem ? Pareces exaltado e preocupado . Harry não foi capaz de repetir o que Ernie e os outros Hufflepuff lhe tinham dito . - Não é nada , tenho de ir , Hagrid . A próxima aula é Transfiguração e preciso de ir buscar os meus livros . Afastou se , a cabeça cheia com tudo_o_que Ernie dissera a seu respeito . « * _ O_Justin já estava d espera que uma coisa de o género acontecesse desde_que deixou escapar , falando com o Potter , que era filho de Muggles * ... » Harry subiu as escadas a correr e entrou por um corredor que estava particularmente escuro . As tochas tinham sido apagadas por uma ventania gelada que entrava por uma janela de fecho estragado . Estava a meio de o corredor quando tropeçou em uma coisa que se encontrava em o chão . Olhou para ver o que era e sentiu como_se o estômago se tivesse dissolvido . Justin_Finch - _ Fletchley estava em o chão , rígido e frio com uma expressão de horror em o rosto e os olhos abertos voltados para o tecto . E não era tudo . Junto de ele estava mais alguém , a visão mais estranha que Harry tivera em toda_a sua vida . Era_o_Nick quase sem cabeça que não estava cor de pérola nem transparente e sim escuro como fumo . Flutuava imóvel , em a horizontal , 12 centímetros acima de o chão , a cabeça meio tombada e em o rosto uma expressão de choque idêntica a a de o Justin . Harry pôs se de pé com a respiração acelerada e o coração a bater como um tambor contra as costelas . Olhou desvairado para ambos os lados de o corredor deserto e viu uma fila de aranhas que corriam a_toda_a velocidade em a direcção oposta a a de os corpos . Os únicos sons eram as vozes abafadas de os professores em as aulas que decorriam de ambos os lados . Podia fugir e ninguém saberia que ali tinha estado , mas não era capaz de os abandonar assim . Tinha de ir procurar ajuda . Será que alguém acreditaria que ele não tivera nada que ver com aquilo ? Enquanto ali estava , em pânico , uma porta a o seu lado abriu se com grande estrondo . Peeves , o * poltergeist * , saiu a os gritos . - Oh ! É o Potter , olá , Potter - alardeou Peeves , lançando por o ar os óculos de o Harry quando passou por ele . - O que está o Potter a fazer ? Porque está o Potter escondido ? Peeves passou de cabeça para baixo , a meio de uma cambalhota em o ar , quando viu Justin e Nick quase sem cabeça . Com um movimento súbito endireitou se , encheu os pulmões de ar e , antes que Harry pudesse impedi o , gritou : __ ataque ! ataque ! outro ataque ! nenhum mortal ou fantasma está em segurança . corram , fujam , __ ataaaque ! Crac , Crac , Crac . Uma atrás de a outra , foram se abrindo todas_as portas a o longo de o corredor e as pessoas saíram para fora de as salas de aula . Durante alguns longos minutos houve uma tal confusão que Justin esteve em perigo de ser esmagado e as pessoas não paravam de chocar com o Nick quase sem cabeça . Harry deu por si colado a a parede enquanto os professores exigiam a os gritos que se fizesse silêncio . A professora Mc_Gonagall veio a correr , seguida por todos os alunos , um de os quais ainda trazia o cabelo a as riscas pretas e brancas . Usou a varinha para produzir um ruído que repôs o silêncio e mandou os alunos todos para dentro de as salas de aula . Mal lugar ficou desimpedido surgiu Ernie , o jovem Hufflepuff . - * _ Apanhado em flagrante ! * - gritou , com o rosto totalmente branco , apontando dramaticamente o dedo par Harry . - Basta_Mcmillan - disse , de forma cortante , a professora Mc_Gonagall . Peeves andava para_cima e para baixo , observando a cena com um sorriso maldoso . Sempre adorara o caos . Quando os professores se inclinaram sobre Justin e sobre o Nick quase sem cabeça para os examinar , iniciou uma cantilena : * _ Oh ! Potter , que fizeste , seu grande bandido * _ Tu matas os estudantes porque achas divertido . * - Basta , Peeves - rosnou a professora Mc_Gonagall e Peeves afastou se , deitando a língua de_fora a o Harry . Justin foi levado para a ala hospitalar por o professor Flitwick e por o professor Sinistra_do_Departamento_de_Astronomia , mas ninguém parecia saber o que fazer em relação a o Nick quase sem cabeça . Por fim , a professora Mc_Gonagall fez aparecer em o ar um enorme leque que entregou a Ernie com o encargo de conduzir , escadas acima , por os ares o Nick quase sem cabeça . Ernie assim fez , soprando Nick como_se fosse um aerodeslizador e deixando , de este modo , o Harry e a professora Mc_Gonagall a sós . - Por aqui , Potter - disse ela . - Professora , eu juro que não ... - Isso não é comigo , Potter - afirmou a professora Mc_Gonagall sinteticamente . Caminharam em silêncio até uma esquina e ela parou perante uma gárgula de pedra extremamente feia . - Refresco de limão - disse . Era obviamente uma senha porque a gárgula animou se subitamente e saltou para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes . Apesar_de estar apavorado com o que ia acontecer a seguir , Harry não conseguiu evitar um sentimento de fascínio . Por detrás de a parede estava uma escada em espiral que se movia lentamente para_cima como um elevador . E quando ele e a professora Mc_Gonagall puseram os pés em o primeiro degrau , Harry ouviu a parede fechar se atrás de eles . Subiram em círculos , cada_vez_mais alto até que , por fim , um_pouco tonto , Harry pôde ver uma porta de carvalho reluzente com um puxador de bronze em forma de abutre . Harry calculava onde estava a ser levado . Devia ser ali que morava Dumbledore . XII_A poção * polisuco * Saltaram de a escada de pedra lá mesmo em cima e a professora Mc_Gonagall bateu a a porta . Ela abriu se silenciosamente dando lhes entrada . A professora Mc_Gonagall disse lhe que esperasse e deixou o sozinho . Harry olhou em volta . Uma coisa era certa : de todos o escritórios de professores que conhecia , o de Dumbledor era , de longe , o mais interessante . Se não estivesse com um medo de morte de ser expulso teria adorado explorá o . Era uma sala grande e bonita em forma de círculo que estava cheia de barulhinhos estranhos . Havia um grande número de instrumentos prateados sobre várias mesas de pernas finas que zumbiam emitindo pequenas baforadas de fumo . As paredes estavam cobertas de fotografias de antigos directores e directoras , todos eles a dormir tranquilamente em as suas molduras . Havia ainda uma enorme secretária pés de garra . E , sobre uma prateleira atrás de ela , um chapéu de feiticeiro andrajoso e puído : * o chapéu seleccionador * . Harry hesitou . Lançou um olhar cauteloso a as bruxas e feiticeiros adormecidos a o longo de as paredes . Com certeza não fazia mal se lhe pegasse e o experimentasse só para ver ... só para ter a certeza de que ele o pusera em a equipa certa . Deu a volta a a secretária , retirou o chapéu de a prateleira e baixou o lentamente sobre a cabeça . Era demasiado grande e escorregou lhe para os olhos como de a outra_vez que o tinha posto . Harry olhou para o forro preto , enquanto esperava . Por fim , uma vozinha disse lhe a o ouvido : - Estás com macaquinhos em o sótão , Harry_Potter ? - Er ... sim - balbuciou Harry . - Er ... desculpa incomodar te , queria saber ... - Querias saber se te pus em a equipa certa - disse prontamente o chapéu . - Sim ... tu és particularmente difícil de seleccionar , mas eu mantenho o que disse antes . - O coração de Harry deu um salto . - Terias ficado bem em os Slytherin . Harry sentiu o estômago contorcer se . Agarrou o chapéu por a aba e tirou o de a cabeça . O chapéu seleccionador ficou pendurado em a mão de ele , inerte , desbotado e sujo . Harry voltou a pô o em a prateleira , sentindo se enjoado . - Estás enganado ! - disse em voz alta a o chapéu parado e silencioso , mas ele não se mexeu . Harry recuou para o observar melhor e foi então que ouviu um ruído estranho e grasnado atrás_de si que o fez dar uma volta . Não estava só , afinal_de_contas . Em um poleiro dourado atrás de a porta estava um pássaro de aspecto decrépito que parecia um peru meio depenado . Harry olhou para ele espantado e o pássaro olhou o também , grasnando de_novo . Harry achou que ele devia estar muito doente porque tinha os olhos parados e , enquanto olhava para ele , caíram lhe mais algumas penas de a cauda . Estava justamente a pensar que a única coisa que lhe faltava era que o pássaro de estimação de Dumbledore morresse quando ele estava ali sozinho com ele , em o escritório , quando a ave se incendiou . Harry gritou , em estado de choque , e recuou até a a secretária . Olhava nervosamente em volta , em busca de um jarro de água , mas não viu nenhum . O pássaro , entretanto , transformara se em uma bola de fogo , dera um guincho e , em seguida , desaparecera , deixando apenas um monte de cinzas em o chão . A porta de o escritório abriu se . Dumbledore entrou com ar taciturno . - Professor - gaguejou Harry . - O seu pássaro ... eu não pode fazer nada ... ele incendiou se . Para seu grande espanto , Dumbledore sorriu . - Já não era sem tempo . Estava com um aspecto horrível em os últimos dias . Fartei me de lhe dizer que fizesse qualquer coisa . Riu se entre dentes com a expressão em o rosto de Harry . - A Fawkes é uma fénix , Harry . As fénix ardem quando é altura de morrer e renascem de as cinzas , repara ... Harry olhou mesmo a_tempo_de ver um passarinho recém-nascido , todo enrugado , espetar a cabeça fora de as cinzas . Era quase tão feio como o antigo . - É uma pena que a tenhas conhecido em dia de arder - disse Dumbledore , passando para trás de a secretária . - É muito bonita a maior parte de o tempo , com uma plumagem vermelha e dourada . São criaturas fascinantes , as fénix . Podem transportar cargas pesadíssimas , as suas lágrimas têm propriedades curativas e são animais de estimação extremamente fiéis . Com o choque de a fénix a pegar fogo , Harry esquecera se de o motivo porque ali estava , mas tudo voltou rapidamente quando Dumbledore se instalou em a cadeira de espaldar alto e o fixou com os seus olhos azuis e penetrantes . Contudo , antes que ele tivesse tido tempo de falar , a porta de o escritório abriu se de par em par com um enorme estrondo e Hagrid entrou com um olhar tresloucado , o lenço todo torcido em volta de a cabeça hirsuta e o galo morto ainda pendurado em a mão . - Não foi Harry , professor Dumbledore - disse , aflito . - Eu tinha estado a falar com ele poucos segundos antes de o rapazinho ser encontrado , ele não teve tempo professor ... Dumbledore tentou dizer qualquer coisa , mas Hagrid continuou , abanando o galo em o meio de a sua agitação e espalhando penas por todo o lado . - Não pode ter sido ele . Eu juro em a frente de o ministro de a magia , se for preciso ... - Hagrid , eu ... -- Tem o rapaz errado , professor . Eu sei qu'o Harry nunca ... - Hagrid - disse Dumbledore , elevando a voz . - Eu não penso que o Harry tenha atacado aquelas pessoas . - Oh ! - disse Hagrid , com o galo pendendo inerte a o seu lado . - Certo , ' tão eu espero lá fora , director . E saiu com ar envergonhado . - O senhor não acha que tenha sido eu ? - repetiu Harry cheio de esperança , enquanto Dumbledore sacudia penas de galo de cima de a secretária . - Não , Harry , não acho - afirmou Dumbledore , apesar de a sua expressão ser de_novo sombria . - Mas mesmo_assim quero falar contigo . Harry esperou ansiosamente enquanto o director o observava com as pontas de os dedos longos unidas . - Tenho de saber uma coisa . Harry , há alguma pergunta que queiras fazer me , qualquer que ela seja ? Harry não soube o que dizer . Lembrou se de Malfoy a gritar * _ Vocês serão os próximos , sangues de lama * e de a poção * _ Polisuco * em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Depois pensou em a voz sem corpo que ouvira duas vezes e em o que o Ron dissera * _ Ouvir vozes que ninguém mais ouve não é bom sinal , nem mesmo em o mundo de a feitiçaria * . Pensou também em o que toda_a_gente dizia de ele e em o receio cada_vez maior de ter uma relação qualquer com Salazar_Slytherin ... - Não - disse por fim . - Não há nada , professor . O ataque duplo a Justin e a o Nick quase sem cabeça transformou o que até_então era nervosismo em verdadeiro pânico . Curiosamente fora o destino de o Nick quase sem cabeça o que mais preocupara as pessoas . Quem poderia ter feito aquilo a um fantasma ? - perguntavam uns a os outros . - Que poder terrível era aquele , capaz de afectar alguém que já tinha morrido ? Houve uma precipitação enorme em a marcação de os bilhetes em o Expresso_de_Hogwarts , pois todos os alunos quiseram ir passar o Natal a casa . - Por este caminho , vamos ser os únicos a ficar - disse o Ron a o Harry e a a Hermione . - Nós , o Malfoy , o Goyle e o Crabbe , que férias lindas que vão ser ! Crabbe e Goyle que faziam sempre o que Malfoy fazia , tinham se inscrito para ficar também durante as férias . Mas Harry estava contente por a maior parte se ir embora . Estava farto de ver gente a afastar se em os corredores como_se ele fosse mostrar os dentes ou cuspir veneno . Estava cansado de tantos segredinhos , de os ver apontar e segredar quando passava . O Fred e o George , esses achavam muito divertido . Vinham , de propósito , pôr se a a frente de ele e atravessavam os corredores a gritar : - Abram alas para o herdeiro de Slytherin , vai passar um feiticeiro verdadeiramente cruel . Percy discordava totalmente de este comportamento . - Não é um assunto para se brincar - dizia com frieza . - Sai mas é de o caminho , Percy - dizia o Fred . - O Harry está com pressa . - Sim , ele vai a a Câmara_dos_Segredos tomar uma chávena de chá com o seu servidor dentes de serpente - completava Fred com uma gargalhada . Ginny também não lhes achava graça . - Cala te - gritava ela sempre_que o Fred perguntava em voz alta a o Harry quem estava a pensar atacar a seguir , ou quando George fingia afastá o com um enorme dente de alho . Harry não se importava . Fazia o sentir se melhor o facto de constatar que , pelo_menos para o Fred e para o George , a ideia de ele ser o herdeiro de Slytherin era absolutamente ridícula . Mas as palhaçadas de eles pareciam ofender Draco_Malfoy que , de cada_vez que os via , ficava mais irritado . - É porque está ansioso por dizer que é mesmo ele - disse o Ron com ar conhecedor . - Sabes como ele detesta que alguém o ultrapasse e tu estás a receber todo o crédito por o seu trabalho sujo . - Não vai ser por muito_tempo - disse Hermione com uma voz satisfeita . - A poção * polisuco * está quase pronta . Um de estes dias arrancamos lhe a verdade . Finalmente , o período chegou a o seu termo e um silêncio profundo como a neve em os campos desceu sobre o castelo . Harry adorou a tranquilidade e apreciou o facto de ele , Hermione e os Weasley terem a torre de os Gryffindor por sua conta , poderem jogar a as explosões bem alto , sem incomodar ninguém e praticar duelos entre si . O Fred , o George e a Ginny tinham preferido ficar em a escola a ir com Mr. e Mrs._Weasley a o Egipto visitar o Bill . Percy que reprovava e considerava infantil a conduta de eles , não passava muito_tempo em a sala comum de os Gryffindor . Já lhes dissera pomposamente que só ficara ali em o Natal , por ser sua obrigação como prefeito apoiar os professores em aquela época agitada . A manhã de o dia de Natal clareou branca e fria . Harry e Ron , os únicos que estavam em o dormitório , foram acordados muito cedo por Hermione que entrou , toda vestida , transportando presentes para ambos . - Acordem - disse em voz alta , abrindo os cortinados . - Hermione , tu não devias estar aqui - exclamou o Ron , protegendo os olhos de a luz . - Feliz_Natal para ti também - disse Hermione , atirando lhe o presente que tinha para ele . - Estou acordada há quase uma hora , acrescentando mais asas de renda a a poção . Está pronta . Harry sentou se , subitamente acordado . - Tens a certeza ? - Absoluta - disse ela , afastando o rato Scrabbers para se sentar a os pés de a cama de dossel . - Se vamos mesmo tomá a , acho que devia ser logo a a noite . Em esse momentzo , a Hedwig entrou em o quarto , transportando em o bico um embrulho pequenino . - Olá - disse Harry , feliz a o vê a aterrar em a sua cama . - Já me falas outra_vez ? Ela mordiscou lhe a orelha de uma forma afectuosa que foi , de longe , um presente melhor do_que aquele que transportava e que era afinal de os Dursley . Tinham mandado a Harry um palito para os dentes com um cartão pedindo lhe que se informasse se não poderia ficar , também em o Verão , em Hogwarts . Os outros presentes que Harry recebeu foram bastante melhores . Hagrid mandara lhe uma lata grande de bombons de melaço que ele decidiu amolecer a o lume antes de comer , o Ron deu lhe um livro chamado * _ Voando com Canhões * , que narrava factos interessantes sobre a sua equipa favorita de Quidditch e Hermione trouxera lhe uma luxuosa pena de águia . Harry abriu o último presente onde vinha uma camisola novinha , feita a a mão por Mrs._Weasley e um grande bolo de passas . Pegou em o cartão com uma nova sensação de culpa , pensando em o carro de Mr._Weasley que não voltara a ser visto desde_que chocara contra o salgueiro zurzidor e em a quantidade de infracções que ele e o Ron tinham em mente . Ninguém , nem mesmo os que estavam cheios de medo por terem de tomar a poção * polisuco * a seguir , deixou de adorar o jantar de Natal em Hogwarts . O salão nobre estava magnífico . Não_só havia uma_dúzia de árvores de Natal , cobertas de geada e espessas serpentinas de azevinho e visco bravo cruzando se junto de o tecto como caia uma neve encantada quente e seca . Dumbledore conduziu os em uma de as suas canções de Natal preferidas enquanto Hagrid se agitava , falando cada_vez_mais alto , a cada gole de gemada que tomava . O Percy que não dera por_que Fred enfeitiçara o seu distintivo de prefeito , onde agora podia ler se « cabeça de alfinetes « , continuava a perguntar a todos para_onde estavam a olhar . Harry nem_sequer se importou com os comentários que Draco_Malfoy fazia bem alto , de a mesa de os Slytherin acerca de a sua camisola nova . Com alguma sorte , Malfoy iria ser desmascarado dentro_de algumas horas . Harry e Ron mal tinham acabado a terceira dose de pudim de Natal quando Hermione os fez sair de o salão a a pressa para acabarem de tratar de os planos para essa noite . - Ainda precisamos de um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos - disse com o ar mais natural de este mundo como_se estivesse a mandá os a o supermercado comprar detergente . - E , é claro que o ideal será conseguirmos alguma coisa de o Crabbe e de o Goyle , são os melhores amigos de o Malfoy , ele conta lhes tudo . E precisamos também de ter a certeza de que eles não vão entrar em a sala quando vocês estiverem a interrogar o Malfoy . - Eu tenho tudo pensado - prosseguiu ela , ignorando a expressão estupefacta de Harry e Ron . Pegou em dois apetitosos bolos de chocolate . - Pus lhes um encantamento de sono . Vocês só têm de fazer com que o Crabbe e o Goyle os encontrem . Sabem como eles são gulosos , vão logo comê os . Quando estiverem a dormir , tirem lhes alguns cabelos e escondam nos em uma despensa de vassouras . Harry e Ron olharam , incrédulos , um para o outro . -- Hermione , eu não creio que ... -- Isto pode correr muito mal ... Mas Hermione tinha um brilho inflexível em os olhos que não era muito diferente do_que costumavam ver em o olhar de a professora Mc_Gonagall . - A poção não nos serve de nada sem os cabelos de o Crabbe e de o Goyle - disse com firmeza . - Vocês querem mesmo descobrir coisas sobre o Malfoy , não querem ? - Pronto , está bem - disse Harry . - Mas , e tu , vais arranjar cabelos de quem ? - Eu já tenho esse assunto resolvido - disse Hermione sorridente , tirando um frasquinho de o bolso e mostrando lhes um cabelo que lá estava dentro . - Lembram se de a Millicent_Bulstrode que lutou comigo em o clube de os duelos ? Ela deixou isto em o meu manto quando tentava estrangular me . E foi passar o Natal a casa , portanto , basta me dizer a os Slytherins que decidi voltar . Quando Hermione saiu para verificar de_novo a poção polisuco , Ron voltou se para Harry com uma expressão lúgubre . - Alguma vez viste um plano onde tantas coisas pudessem correr mal ? Mas para grande espanto de ambos , a primeira fase de a operação decorreu tão naturalmente como Hermione previra . Eles esconderam se em o * hall * de entrada , depois de o lanche de Natal , a a espera de o Crabbe e de o Goyle que tinham ficado sozinhos a a mesa de os Slytherin , deitando abaixo a quarta dose de bolo inglês . Harry colocou os bolos de chocolate em o fim de o corrimão . Quando avistaram Crabbe e Goyle a sair de o salão , Harry e Ron esconderam se rapidamente atrás_de uma armadura que estava junto de a porta de entrada . - Como_se pode ser tão estúpido ? - murmurou Ron sem se mexer enquanto Crabbe apontava satisfeitíssimo , mostrando a Goyle os bolos e agarrando os . Com um riso estúpido , enfiaram nos inteiros em as bocas enormes . Durante um momento , ambos mastigaram avidamente com olhares vitoriosos em o rosto . Depois , sem que a expressão se alterasse , caíram para trás e estatelaram se em o chão . Mais difícil foi transportá os para a despensa de o outro lado de o * hall * . Uma_vez armazenados em o meio de os baldes e esfregões , Harry arrancou alguns de os pêlos que cobriam a cabeça de o Goyle e Ron tirou alguns cabelos a o Crabbe . Roubaram lhes também os sapatos porque os de eles eram demasiado pequenos para os enormes pés de o Crabbe e de o Goyle . Em seguida , ainda atordoados com o que tinham acabado de fazer , correram até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mal conseguiam ver com o fumo preto e espesso que saía de o cubículo onde Hermione mexia o caldeirão . Tapando o rosto com os mantos , Harry e Ron bateram a o de leve em a porta . - Hermione ? Ouviram o ruído de o trinco e Hermione apareceu com a cara lustrosa e um ar ansioso . Por trás de ela ouviam o gloop gloop de a poção espessa e gorgolejante . Em o banco de a casa_de_banho estavam três copos de vidro . - Conseguiram ? - perguntou Hermione quase sem fôlego . Harry mostrou lhe o cabelo de o Goyle . - _ óptimo . Eu tirei estes mantos suplementares de a lavandaria - disse ela , pegando em uma pequena saca . - Vocês vão precisar de tamanhos maiores se vão ser o Crabbe e o Goyle . Olharam os três para o caldeirão . Vista de perto , a poção parecia uma lama espessa e escura a borbulhar indolentemente . - Tenho a certeza que fiz tudo certo - disse Hermione nervosa , relendo a página manchada de * _ Moste_Potente_Potions * . - Tem o aspecto que o livro diz que deveria ter ... depois de a tomar temos precisamente uma hora antes de nos transformarmos de_novo em as pessoas que somos . - E agora ? - murmurou o Ron . - Separamos a em três copos e adicionamos os cabelos . Hermione encheu cada_um de os copos com uma concha de sopa . Em seguida , retirou com a mão a tremer o cabelo de Millicent_Bulstrode de dentro de o frasquinho e pô o em o primeiro copo . A poção chiou fortemente como uma chaleira a ferver e espumou como louca . Um segundo depois ganhara um tom de amarelo doentio . - Urgh ! Essência_de_Millicent_Bulstrode - disse Ron , olhando com repugnância . - Aposto que o sabor é nojento . - Deitem os vossos - disse Hermione . Harry deixou cair o cabelo de o Goyle em o copo de o meio e Ron lançou o de o Crabbe em o último . Ambos chiaram e espumaram : o de o Goyle ficou de um tom caqui , o de o Crabbe de um castanho-escuro algo tenebroso . - Esperem - pediu Harry quando Ron e Hermione pegaram em os copos . - Será melhor não os tomarmos aqui todos juntos em um cubículo ; quando em os transformarmos não vamos cá caber e Millicent_Bulstrode não é nenhum duende . - Bem pensado - admitiu o Ron , abrindo a porta . - Cada_um em seu cubículo . Com todo o cuidado , para não entornar nem uma gota de a poção polisuco , Harry esgueirou se para o cubículo de o meio . - Prontos ? - perguntou . - Prontos - responderam as vozes de o Ron e de a Hermione . - Um , dois , três . Tapando o nariz , Harry bebeu a poção em dois grandes tragos . Tinha o sabor de a couve demasiado cozida . Os seus interiores começaram imediatamente a contorcer se como_se tivesse engolido serpentes vivas . Dobrado , Harry perguntava a si próprio se iria vomitar . Depois , uma sensação de ardor espalhou se rapidamente de o estômago até a as pontas de os dedos de as mãos e de os pés . Em seguida , fazendo o sobressaltar se , sobreveio o sentimento horrível de estar a derreter enquanto a pele de todo o seu corpo borbulhava como cera quente e , perante os seus olhos , as mãos começaram a crescer , os dedos a engrossar , as unhas a alargar e as articulações a tornarem se protuberantes como ferrolhos . Os ombros retesaram se dolorosamente e uma comichão em a testa preveniu o de que o cabelo estava a rastejar em direcção a as sobrancelhas . As túnicas rasgaram se enquanto o tórax se expandia como um barril , rebentando com os seus anéis . Os pés estavam em grande sofrimento dentro_de sapatos quatro números abaixo . Tão depressa como começara , tudo parou . Harry estava caído em o chão de pedra fria , ouvindo a Murta_Queixosa gorgolejando taciturna em o cubículo de o fundo . Com alguma dificuldade tirou os sapatos e levantou se . Era então assim que o Goyle se sentia ! Com a mão enorme a tremer , despiu a sua túnica que lhe ficava 30 centímetros acima de os tornozelos , pegou em as túnicas suplementares e amarrou os atacadores de os sapatos abotinados de o Goyle . Quis escovar o cabelo para o afastar um_pouco de os olhos e deu apenas com os pêlos hirsutos que lhe cresciam em a testa . Apercebeu se então de que os óculos lhe toldavam a visão porque o Goyle , obviamente , não precisava de eles . Tirou os e gritou . - Vocês estão bem ? - De a sua boca saiu a voz baixa e grossa de o Goyle . - Sim - respondeu lhe o grunhido de o Crabbe , a a sua direita . Harry abriu a porta de o cubículo e dirigiu se a o espelho partido . O Goyle olhava o de o outro lado com os seus olhos parados . Harry coçou a orelha e Goyle fez o mesmo . A porta de o Ron abriu se . Olharam um para o outro . Harry estava pálido e chocado . O amigo não se distinguia de o Crabbe , desde o corte de cabelo em forma de tigela até a os longos braços de gorila . - É inacreditável - disse o Ron , aproximando se de o espelho e beliscando o nariz achatado de o Crabbe . - Inacreditável ! - É melhor irmos indo - disse Harry , alargando a pulseira de o relógio que lhe cortava o pulso . - Ainda temos de descobrir onde fica a sala comum de Slytherin . Só espero que encontremos alguém que vá para lá e que nós possamos seguir . Ron que tinha estado a olhar espantado para ele , comentou : - Não imaginas como é bizarro ver o Goyle a pensar - bateu em a porta de Hermione . - Vamos , temos que ir ... Respondeu lhe uma voz aguda : - Eu ... eu acho que afinal não vou . Vão vocês sem mim . - Hermione , nós sabemos que a Millicent_Bulstrode é feia , ninguém vai pensar que és tu . - Não , a sério , acho que não vou . Despachem se vocês os dois , estão a perder tempo . Harry olhou para Ron , baralhado . - Aquilo parece mais de o Goyle , é como ele fica sempre_que algum professor lhe faz uma pergunta . - Estás bem , Hermione ? - perguntou Harry , através de a porta . - _ óptima , estou óptima , vão se embora . Harry olhou para o relógio . Cinco preciosos minutos tinham já passado . - Encontramo nos aqui , está bem ? - disse . Os dois abriram a porta de a casa_de_banho com todo o cuidado , viram se o caminho estava livre e saíram . - Não balances assim os braços - disse o Harry a o Ron . - Hein ? - O Crabbe anda sempre com eles esticados . - Assim ? - Isso , assim está melhor . Desceram a escadaria de mármore . Só precisavam agora de um Slytherin que pudessem seguir até a a sala comum , mas não havia ninguém por perto . - Tens alguma ideia ? - perguntou Harry em um murmúrio . - Os Slytherin vêm sempre de ali para o pequeno-almoço - disse o Ron , apontando para a entrada de os calabouços . Mal tinha pronunciado estas palavras quando uma rapariga de cabelo comprido a os caracóis , apareceu . - Desculpa - disse o Ron , sem perder tempo . - Esquecemo nos de o caminho para a nossa sala comum . - Como ? - disse a rapariga com a maior frieza . - A * nossa * sala comum ? Eu sou uma Ravenclaw . Afastou se , olhando para eles , desconfiada . Harry e Ron desceram apressadamente os degraus de pedra até a a escuridão . Os passos ecoavam em o silêncio , à_medida_que os pés enormes de Crabbe e Goyle tocavam em o chão , fazendo os sentir que as coisas não iam ser tão fáceis como eles desejavam . Os corredores labirínticos estavam desertos . Andaram e tornaram a andar por os subterrâneos , olhando constantemente para os relógios para ver quanto tempo ainda lhes restava . Depois de um quarto de hora , quando começavam a ficar desesperados , ouviram um movimento súbito . - Olha - disse o Ron , agitadamente . - Agora é um de eles . A silhueta saía de uma sala , mas quando se aproximaram o coração de ambos esmoreceu . Não era um Slytherin , era Percy . - O que estás a fazer aqui em baixo ? - perguntou o Ron surpreendido . - Isso - disse ele friamente - não é de a tua conta . És o Crabbe , não és ? - Er ... sim , sim - respondeu o Ron . - Então vão para o vosso dormitório - ordenou Percy com firmeza . - Não é seguro andar a passear por os corredores escuros em os dias que correm . - Tu andas -- fez notar o Ron . - Eu - disse o Percy endireitando se - sou um prefeito . Nada vai atacar me . Ouviu se , de repente , uma voz por_detrás_de Harry e Ron . Era_Draco_Malfoy e , pela_primeira_vez em a vida , Harry ficou satisfeito a o vê o . - Aí estão vocês - disse de modo arrastado , olhando para eles . - Têm estado a chafurdar em o salão este tempo todo ? Tenho andado a a vossa procura , quero mostrar vos uma coisa muito divertida . Malfoy olhou misteriosamente para Percy . - E o que fazes tu aqui , Weasley ? - perguntou com ar de desprezo . Percy olhou , sentindo se ultrajado . - Fazes favor de mostrar um_pouco mais de respeito por um prefeito de a escola - disse . - Não gosto de o teu ar . Malfoy riu se e fez sinal a o Harry e a o Ron para que o seguissem . Harry quase ia pedindo desculpa a o Percy , mas deu se conta a tempo . Apressaram se a seguir o Malfoy que disse , mal viraram em o corredor seguinte : - Aquele Peter_Weasley ... - O Percy - corrigiu Ron automaticamente . - Ou isso - continuou Malfoy . - Ultimamente tenho o visto muitas_vezes a andar por aí sorrateiramente e aposto que sei o que ele quer . Pensa que vai apanhar o herdeiro de Slytherin sozinho . Deu uma pequena gargalhada ridícula . Harry e Ron trocaram olhares nervosos . Malfoy parou junto de uma parede de pedra húmida . - Qual é a senha ? - perguntou a o Harry . - Er ... - Ah ! sim , sangue puro - disse Malfoy sem ouvir e uma porta de pedra , oculta em a parede , abriu se . Malfoy entrou e Harry e Ron seguiram o . A sala comum de os Slytherin era uma ampla divisão subterrânea com espessas paredes de pedra e um tecto de o qual estavam pendurados por correntes vários candeeiros redondos que davam uma luz esverdeada . O fogo crepitava em uma lareira elaboradamente esculpida em frente de a qual se viam as silhuetas de vários Slytherins sentados em cadeiras igualmente esculpidas . - Esperem aí - disse Malfoy a o Harry e a o Ron , encaminhando os para um par de cadeiras vazias , longe de o lume . - Eu vou buscar o que o meu pai acaba de me mandar . Sem saber o que Malfoy iria mostrar lhes , Harry e Ron sentaram se , fazendo todos os possíveis por parecer a a vontade . Malfoy voltou um minuto depois , trazendo em a mão o que parecia ser um recorte de jornal . Pô o debaixo de o nariz de o Ron . - Vais te rir - disse . Harry viu os olhos de o Ron abrirem se como_se estivesse em estado de choque . Viu o ler o recorte rapidamente , dar uma gargalhada forçada e estender lhe o em seguida . Tinha sido retirado de o * _ Profeta_Diário * e dizia : inquérito em o ministério de a magia * _ Arthur_Weasley , chefe de o Gabinete_de_Mau_Uso_dos_Utensílios_dos_Muggles foi hoje multado em cinquenta galeões por ter enfeitiçado um carro de os Muggles . * _ O senhor Lucius_Malfoy , Membro_do_Conselho_Directivo_da_Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts , onde o carro enfeitiçado foi chocar em o princípio de este ano , exigiu hoje a demissão de Mr._Weasley . « * _ O_Weasley trouxe o descrédito a o Ministério « - declarou Mr._Malfoy a o nosso repórter . - « É claramente incompetente para fazer cumprir as leis e a sua protecção ridícula de os Muggles deveria ir imediatamente para a sucata . » * _ Mr._Weasley recusou se a fazer comentários , mas a sua mulher disse a os repórteres que desaparecessem de ali ou lançaria contra eles o vampiro de a família * . - Então - disse Malfoy impaciente quando Harry voltou a entregar lhe o recorte . - Não achas o_máximo ? - Ha , ha - fez Harry tristemente . - O Arthur_Weasley gosta tanto de os Muggles que era capaz de partir a sua varinha a o meio para se juntar a eles - disse Malfoy com desprezo . - Ninguém diria que os Weasley eram sangue puro a avaliar por o modo como_se comportam . A cara de o Ron , ou melhor , de o Crabbe , contorceu se de raiva . - O que é_que se passa ? - perguntou Malfoy . - Dores de estômago - gemeu o Ron . - Então vai a a ala hospitalar e dá a todos aqueles sangues de lama um pontapé de a minha parte - disse Malfoy com o seu riso escarninho . - Sabes que estou espantado por o * _ Profeta_Diário * ainda não se ter referido a todos estes ataques - continuou pensativamente . - Calculo que o Dumbledore deve estar a tentar abafar as coisas . Ele ainda é posto em a rua se isto não acaba depressa . O pai sempre disse que Dumbledore foi a pior coisa que aqui veio parar . Ele adora os filhos de os Muggles , um director decente nunca deixaria um lodo como o Creevey entrar em esta escola . Malfoy começou a fingir que tirava fotografias com uma máquina imaginária e fez uma imitação maldosa , mas bastante fiel de o Colin : - Potter , posso tirar te a fotografia ? Dás me um autógrafo ? Posso lamber te os sapatos , por favor , Potter ? Baixou as mãos e olhou para Harry e Ron . - O que é_que se passa com vocês os dois ? Um_pouco atrasados , Harry e Ron forçaram o riso e Malfoy pareceu satisfeito . Talvez Crabbe e Goyle fossem sempre de reacção lenta . - O santo Potter , amigo de os sangues de lama - disse Malfoy . - É outro que não tem os sentimentos de um feiticeiro a sério ou não andaria por aí com aquela empertigada sangue de lama Granger . E as pessoas a pensarem que ele é o herdeiro de Slytherin . Harry e Ron esperaram com a respiração entrecortada : o Malfoy ia certamente dizer lhes , dentro_de segundos , que era ele , mas então ... - Quem me dera saber quem ele é - disse o Malfoy , de forma petulante . - Podia ajudá o . O queixo de o Ron caiu de tal maneira que a cara de o Crabbe ficou ainda mais desajeitada do_que era habitual . Felizmente Malfoy não deu por nada e Harry , em um pensamento rápido , disse : - Deves ter alguma ideia de quem está por_detrás_de tudo ... - Sabes perfeitamente que não tenho , Goyle , quantas vezes é preciso dizer te ? - cortou Malfoy . - E o pai também não me diz nada sobre a última vez que a câmara foi aberta . É claro que foi há cinquenta anos , antes de ele cá andar , mas o pai sabe tudo a esse respeito e diz que as coisas foram mantidas em grande segredo e que pareceria suspeito se eu soubesse demasiado . Mas há uma coisa que eu sei : de a última vez que a câmara foi aberta , morreu um sangue de lama . Por isso , aposto que é uma questão de tempo até que um de eles seja morto . Só espero que seja a Granger - disse satisfeito . Ron fechara os punhos gigantescos de o Crabbe . Sentindo que deitaria tudo a perder se ele desse um soco a o Malfoy , Harry lançou lhe um olhar de aviso e disse : - Sabes se a pessoa que abriu a câmara de a última vez foi apanhada ? - Ah ! sim , essa pessoa foi expulsa - disse Malfoy . - Ainda deve estar em Azkaban . - Azkaban ? - repetiu Harry confuso . - Azkaban , a prisão de os feiticeiros , Goyle - disse Malfoy , olhando para ele incrédulo . - Francamente , se fosses mais lento andavas para trás . Esticou se intranquilo , em a cadeira e disse : - O pai diz para eu esfriar a cabeça e deixar que o herdeiro de Slytherin faça o seu trabalho . Acha que a escola precisa de se livrar de a escória de os sangues de lama , mas não quer que eu me envolva em nada . Claro que ele agora tem um prato cheio . Sabes que o Ministério de a magia fez uma busca a a nossa mansão em a semana passada ? Harry tentou forçar a cara de bronco de o Goyle a uma expressão preocupada . - Sim - continuou Malfoy . - É claro que não encontraram grande coisa . O pai guarda uns materiais de magia negra muito valiosos , mas , felizmente , temos a nossa câmara secreta debaixo de o soalho de a sala de visitas ... - Ah ! - disse o Ron . Malfoy olhou para ele . Harry também . Ron corou e até o cabelo começou a ficar vermelho . O nariz estava também a diminuir lentamente ... a hora tinha acabado . Ron estava a voltar a a sua forma habitual e por o olhar de horror que lançou a Harry certamente ele também estava . Puseram se rapidamente de pé . - Tenho de tomar o remédio para o estômago - grunhiu o Ron e sem mais explicações saíram ambos a correr de a sala comum de os Slytherin , precipitaram se para a parede de pedra e galgaram a passagem , pedindo a todos os santos que Malfoy não tivesse dado por nada . Harry sentia os pés a nadarem em os sapatos enormes de o Goyle e tinha de levantar o manto visto_que diminuíra de tamanho . Subiram os degraus a correr até a o * hall * escuro de entrada onde se ouvia um som abafado que vinha de a despensa onde tinham fechado o Crabbe e o Goyle . Deixando os sapatorros de os dois de o lado de_fora , subiram já com os respectivos sapatos a escadaria de mármore até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Bem , não foi uma total perda de tempo - disse o Ron ofegante , fechando atrás_de si a porta de a casa_de_banho . - É certo que ainda não descobrimos de quem vêm os ataques , mas vou escrever a o meu pai amanhã a dizer lhe que procure debaixo de o soalho de a sala de visitas de o Malfoy . Harry olhou para o espelho partido . Tinha voltado a o normal . Pôs os óculos enquanto Ron batia em a porta de o cubículo de Hermione . - Hermione , sai de aí , temos um monte de coisas para te contar ... - Vão se embora - guinchou Hermione . Harry e Ron olharam um para o outro . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron . - Tu já deves ter voltado a o normal como nós ... Mas a Murta_Queixosa saiu subitamente através de a porta de o cubículo com um ar divertido como nunca a tinham visto . - Oh ! Esperem até ver - disse ela . - É horrível ! Ouviram o trinco de a porta a abrir se e Hermione apareceu a soluçar , a túnica levantada a cobrir lhe o rosto . - O que foi ? - perguntou o Ron indistintamente . - Ainda tens o nariz de a Millicent ou alguma coisa assim ? Hermione deixou cair a roupa e Ron recuou rapidamente . O rosto de ela estava coberto de pêlo preto , os olhos tinham ganho uma cor amarela e as orelhas eram pontiagudas , saindo espetadas para fora de os cabelos . - Era um pêlo de g-gato - disse a chorar . - A Millicent_Bulstrode d-deve ter um gato e a poção não está preparada para transformação em animais . - Oh-oh - disse o Ron . - Vão te gozar horrivelmente - disse a Murta , felicíssima . - Não te preocupes , Hermione - tranquilizou a rapidamente o Harry . - Vamos levar te para a ala hospitalar , a Madam_Pomfrey nunca faz muitas perguntas ... Não foi fácil convencer Hermione a sair de a casa_de_banho . A Murta_Queixosa despediu se com uma gargalhadavigorosa e grosseira . - Espera até todos descobrirem que tens uma cauda ! XIII_O diário muito secreto Hermione ficou em a ala hospitalar durante várias semanas . Houve uma onda de boatos sobre o seu desaparecimento quando o resto de os alunos voltou de as férias de Natal porque , é claro , todos pensam que ela tinha sido atacada . Foram tantos os estudantes a rondar a ala hospitalar para espreitar a ver se a viam que Madam_Pomfrey desceu de_novo as cortinas de a cama de ela para a poupar a a vergonha de ser vista com pêlo em a cara . Harry e Ron iam visitá a todas_as tardes . Quando o segundo período começou passaram a levar lhe diariamente os trabalhos de casa . - Se eu tivesse o bigode a crescer , tinha uma folga de o trabalho - disse uma tarde o Ron enquanto colocava uma pilha de livros a a cabeceira de a cama de Hermione . - Não sejas parvo , Ron , eu tenho de me manter a par de as coisas - disse Hermione com vivacidade . O humor de ela melhorara bastante com o facto de lhe ter desaparecido todo o pêlo de o rosto e de os olhos estarem lentamente a retomar a cor castanha . - Calculo que não tenham novas pistas ? - disse em um murmúrio para evitar que Madam_Pomfrey os ouvisse . - Nada - disse Harry tristemente . - Eu tinha tanta certeza de que era o Malfoy - repetiu o Ron por a centésima vez . - O que é isso ? - perguntou Harry , apontando para uma coisa com brilho dourado que estava debaixo de a almofada de Hermione . - É só um cartão a desejar boas melhoras - disse ela precipitadamente , tentando escondê o , mas o Ron foi mais rápido . Pegou lhe , abriu o e leu em voz alta : * _ Para_Miss_Granger , desejando lhe uma rápida recuperação , com o interesse e estima de o professor Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , Terceiro grau , Membro_Honorário_da_Liga_de_Defesa contra as Artes_Negras e vencedor por cinco vezes de o prémio O sorriso mais charmoso de a semana de o Semanário_das_Bruxas * . Ron olhou desconsolado para Hermione . - Tu dormes com isto debaixo de a almofada ? Mas Hermione foi poupada a ter de responder por a entrada de Madam_Pomfrey que lhe trazia a dose de medicamento de a tarde . - Achas que o Lockhart é o tipo mais esperto que conheceste ? - perguntou o Ron a o Harry quando saíram de a enfermaria e começavam a subir as escadas para a torre de os Gryffindor . O Snape tinha lhes passado tanto trabalho para_casa que Harry pensou que ia chegar a o sexto ano antes de o ter acabado . Ron vinha a dizer que devia ter perguntado a a Hermione quantas caudas de rato deveria juntar se a uma poção para o crescimento de o cabelo quando um grito de raiva vindo de o andar de cima lhes chegou a os ouvidos . - É o Filch - murmurou Harry enquanto subiam apressadamente as escadas e paravam para ouvir melhor . - Terá mais alguém sido atacado ? - disse nervosamente o Ron . Ficaram parados com as cabeças inclinadas para a voz de o Filch que parecia quase histérica . -- ... * _ Ainda mais trabalho para mim . Toda_a noite a esfregar como_se não tivesse já trabalho de sobra . Não , isto foi a gota de água que fez transbordar o copo , vou falar com Dumbledore * ... Os passos afastaram se e ouviram uma porta fechar se com grande estrondo . Puseram as cabeças fora de a esquina . O Filch tinha obviamente estado a patrulhar o seu habitual posto de vigia : estavam novamente em o lugar onde Mrs._Norris fora atacada . Perceberam imediatamente qual o motivo de os gritos . Uma enorme poça de água enchia metade de o corredor e parecia escorrer de a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Agora_que o Filch se calara podiam ouvir os uivos de a Murta que faziam eco em as paredes de a casa_de_banho . - Mas o que se passará com ela ? - disse o Ron . - Vamos lá ver - sugeriu Harry e arregaçando as túnicas até a os tornozelos entraram , atravessando a enorme poça de água , em a casa_de_banho que tinha o letreiro a dizer « Fora de serviço » e que eles , como sempre , ignoraram . A Murta_Queixosa chorava , se possível , mais alto do_que nunca . Parecia estar escondida em o cubículo de o costume . Lá dentro estava escuro pois as velas tinham se apagado com a enchente de água que deixara as paredes e o chão ensopado . - O que se passa , Murta ? - quis saber o Harry . - Quem é ? - perguntou ela infelicíssima . - Vieste atirar me mais alguma coisa acima ? Harry caminhou com dificuldade por causa de a água até a o cubículo de ela e disse : - Porque te faríamos nós uma coisa de essas ? - Não me perguntem - gritou a Murta , emergindo em uma onda de água que molhou ainda mais o chão já ensopado . - Eu estou aqui metida em a minha morte e alguém acha muito engraçado atirar me com um caderno acima ... - Mas , não pode magoar te se alguém te atirar alguma coisa acima - disse Harry , tentando ser prático . - Isto_é , seja o que for passa através_de ti , não é assim ? Tinha dito a frase errada . A Murta encheu o peito de ar e gritou a plenos pulmões : - Vamos todos atirar cadernos a a Murta já_que ela não sente nada ! Dez pontos se lhe acertarem em o estômago , cinquenta se lhe atravessar a cabeça ! Hah hah hah , que jogo lindo , não acham ? - Quem te atirou um caderno , afinal ? - perguntou o Harry . - Não sei ... eu estava sentada em a sanita a pensar em a morte e caiu me em cima de a cabeça - disse a Murta , olhando para eles . - Está ali , ficou todo molhado . Harry e Ron olharam para o ponto que a Murta lhes apontava debaixo de o lavatório . Um caderno pequenino e fino estava caído em o chão . Tinha uma capa preta muito gasta e estava encharcado como tudo em aquela casa_de_banho . Harry deu um passo em frente para o apanhar , mas o Ron agarrou lhe precipitadamente o braço . - O que foi ? - perguntou Harry . - Estás doido - disse ele . - Pode ser perigoso . - Perigoso ? - riu se Harry . - Essa agora Ron , como é_que pode ser perigoso ? - Ficarias surpreendido ... - explicou ele , olhando com ar apreensivo para o caderno . - Entre os livros que o Ministério confiscou , contou me o meu pai , havia um que queimava os olhos a as pessoas . E todos os que leram os * _ Sonetos_de_Um_Feiticeiro * ficaram a falar em verso para o resto de a vida . Havia também uma bruxa em Bath que tinha um livro que quem o lesse nunca mais conseguia parar , tinha de andar por aí com o nariz enfiado em as folhas , a fazer todas_as coisas só com uma mão e ... - Já chega , já chega , já percebi a tua ideia - disse O_Harry . O caderninho continuava caído e ensopado . - Bem , nunca saberemos a_não_ser_que tenhamos a coragem de dar uma vista de olhos - disse e mergulhou apanhando o de o chão . Harry viu imediatamente que se tratava de um diário e a data meio apagada , em a capa , disse lhe que tinha cinquenta anos de idade . Abriu o ansiosamente . Em a primeira página podia ler se apenas o nome T._M._Riddle em tinta esborratada . - Espera aí - disse o Ron que se aproximara prudentemente e olhava por cima de o ombro de Harry . - Eu conheço esse nome ... T._M._Riddle recebeu um prémio por serviços especiais prestados a a escola há cinquenta anos atrás . - Como diabo sabes tu isso ? - perguntou Harry com grande espanto . - Porque o Filch mandou me limpar a taça de ele umas cinquenta vezes quando estive de castigo - disse o Ron ressentido . - Foi a taça em cima de a qual eu vomitei lesmas . Se tivesses tido que limpar o muco de um nome durante uma hora também te lembrarias . Harry separou umas de as outras as páginas molhadas . Estavam completamente em branco . Não havia o mais leve sinal de escrita em nenhuma , nem coisas como « Aniversário de a tia Mabel « ou « Dentista a as três_e_meia » . - Ele nunca escreveu nada aqui - disse Harry desapontado . - Porque quereria alguém atirá o fora ? - perguntou se o Ron com curiosidade . Harry voltou o caderno e viu , inscrito em a contra capa , o nome de uma tabacaria em Vauxhall_Road , Londres . - Ele devia ser filho de Muggle - disse Harry pensativo - para ter comprado um diário em Vauxhall_Road ... - Bem , não te serve de muito - Ron baixou a voz . - Cinquenta pontos se acertares em o nariz de a Murta . Harry , mesmo_assim , guardou o diário . Hermione saiu de a ala hospitalar desbigodada , sem cauda e sem pêlo em os primeiros dias de Fevereiro . Em a primeira noite em a torre de os Gryffindor , Harry mostrou lhe o diário de T._M._Riddle e contou lhe como o tinham encontrado . - Ooooh ! Deve ter poderes ocultos - disse ela entusiasticamente , pegando em o diário e examinando o de perto . - Se tem , esconde os muito bem - disse Ron . - Talvez fosse tímido . Não sei porque não deitas isso fora , Harry . - Gostava de perceber porque motivo alguém se quis livrar de ele - explicou Harry . - E também não me importava de saber como foi que o Riddle obteve esse prémio de serviços especiais prestados a Hogwarts . - Pode ter sido qualquer coisa - lançou o Ron . - Talvez tenha recebido 30 de nota final ou salvo um professor de a lula gigante . Se_calhar assassinou a Murta , isso teria sido um favor prestado a todos ... Mas Harry quase podia jurar , por o olhar suspenso em a cara de Hermione , que ela pensava o mesmo_que ele . - O que foi ? - perguntou Ron , olhando para um e para o outro . - Bem , a Câmara_dos_Segredos foi aberta há cinquenta anos , não foi isso que disse o Malfoy ? - Sim - respondeu Ron , lentamente . - E este diário tem cinquenta anos de idade - completou Hermione , dando lhe palmadinhas nervosas . - E de aí ? - Oh Ron , acorda - insistiu Hermione . - Sabemos que a pessoa que abriu a câmara de a outra_vez foi expulsa há cinquenta anos . E se o Riddle tivesse tido o prémio especial por apanhar o herdeiro de Slytherin ? O seu diário diria nos provavelmente tudo : onde é a Câmara_dos_Segredos , como abris a e que tipo de criatura vive lá . Achas que a pessoa que está por trás de os ataques desta_vez quereria o diário por aí ? - É uma teoria interessante , Hermione - disse o Ron . - Apenas com uma pequenina falha : o diário não tem nada Mas_Hermione já estava a tirar a varinha de o saco . - Pode ser tinta invisível - murmurou . Bateu três vezes em o diário e repetiu * _ Aparecium ! * Nada aconteceu . Intrépida , Hermione meteu a mão de_novo em o saco e tirou o que parecia ser uma borracha vermelha e brilhante . - É um * revelador * , comprei o em a Diagon - _ Al - disse . Apagou com força em 1_de_Janeiro . Não sucedeu nada . - Já vos disse , não há nada aí - repetiu o Ron . - O Riddle deve ter recebido um diário como prenda de Natal e nem se deu a o trabalho de escrever fosse o que fosse . Harry não conseguia explicar , nem a si próprio , porque motivo não deitara fora o diário de Riddle . A verdade é_que , mesmo depois de saber que ele estava em branco , continuou distraidamente a pegar lhe e a virar as páginas como_se quisesse chegar a o fim de uma história . E , apesar_de saber que nunca tinha ouvido o nome T._M._Riddle , continuava a ter a sensação de que lhe dizia alguma coisa , como_se Riddle fosse um amigo que ele tinha tido quando era muito pequeno e que estivesse meio esquecido . Mas era um absurdo . Nunca tivera amigos antes de Hogwarts , Dudley tivera esse cuidado . Ainda_assim , Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle , por isso em o dia seguinte foi até a a sala de os troféus para examinar a taça , acompanhado de Hermione que estava interessadíssima e de Ron que se mostrava profundamente incrédulo , dizendo que tinha ficado farto de aquela sala até a o fim de a vida . A taça dourada de Riddle estava arrecadada em um armário de canto . Não fornecia detalhes sobre o motivo por_que lhe fora dada ( felizmente , se fosse maior ainda hoje estava a limpá a , disse o Ron ) . Mas encontraram o nome de Riddle em uma antiga medalha de Mérito_Mágico e em uma lista de antigos chefes de turma . - Parece o Percy - comentou Ron , torcendo o nariz com aversão . - Prefeito , chefe de turma , provavelmente o melhor em todas_as disciplinas . - Dizes isso como_se fosse uma coisa má - fez lhe notar Hermione , em um tom de voz ressentido . Um sol fraco brilhava agora de_novo em Hogwarts . Dentro de o castelo , o ambiente estava bastante melhor . Não tinha havido novos ataques desde Justin e Nick quase sem cabeça e Madam_Pomfrey teve a satisfação de informar que as Mandrágoras começavam a ficar instáveis e dissimuladas , sinal de que estavam a abandonar rapidamente a infância . - Logo_que o acne desapareça estarão prontas para novo transplante - ouviu a Harry dizer amavelmente a o Filch . - E depois de isso , não demorará muito até podermos cortá as e estufá as . - Vai ter Mrs._Norris de volta , muito em_breve . Talvez o herdeiro ou herdeira de Slytherin tenha perdido a coragem , pensou Harry . Deve ser cada_vez_mais arriscado abrir a Câmara_dos_Segredos com a escola tão alerta e desconfiada . Talvez o monstro , qualquer_que_fosse , estivesse a preparar se para hibernar durante outros cinquenta anos . Ernie_Mcmillan_dos_Hufilepuff não aceitou esta visão optimista . Continuava convencido de que Harry era o culpado , que se tinha traído em o clube de os duelos . Peeves não ajudava nada : continuava a cantar por os corredores Potter , * seu bandido * ... agora acompanhado de um esquema de dança . Gilderoy_Lockhart parecia pensar que fora ele quem pusera fim a os ataques . Harry fartou se de o ouvir dizer isso a a professora Mc_Gonagall enquanto os Gryffindor formavam bicha para a aula de Transfiguração . - Não creio que volte a haver problemas , Minerva - disse , tocando em o nariz com ar conhecedor e piscando o olho . - Acho que desta_vez a câmara foi definitivamente selada . O culpado deve ter sabido que era uma questão de tempo até eu o apanhar e que era mais sensato parar agora antes que eu lhe tratasse de a saúde . Sabe , a escola está a precisar de um intensificador de animo para apagar as lembranças de o último período . Não vou dizer lhe mais_nada , por enquanto , mas julgo que sei o que ... Voltou a tocar em o nariz e afastou se a passos largos . A ideia de Lockhart de um intensificador de ânimo ficou bastante clara em o dia_14_de_Fevereiro , a o pequeno-almoço . Harry não dormira grande coisa devido a o treino de Quidditch em a noite anterior e chegou a o salão um_pouco atrasado . Pensou , por momentos , que se tinha enganado em a porta . As paredes estavam todas cobertas com enormes e medonhas flores cor-de-rosa . Pior ainda , * confettis * em forma de corações caíam de o tecto azul pálido . Harry dirigiu se a a mesa de os Gryffindor onde o Ron estava sentado com um ar enjoado junto de Hermione que parecia particularmente risonha . - O que se passa ? - perguntou lhes , sentando se e sacudindo os * confettis * de o seu bacon . Ron apontou para a mesa de os professores , com um ar demasiado repugnado para falar . Lockhart , em as suas vestes rosa vivo , a condizer com a decoração de o salão , fazia sinal para que se calassem . Os professores que o ladeavam tinham um ar estupefacto . De o seu lugar , Harry podia ver um músculo mover se em a bochecha de a professora Mc_Gonagall . Snape estava com ar de quem tomou uma imensa dose de xarope * skele-gro * . - Feliz dia de S._Valentim - gritou Lockhart . - E permitam me que agradeça a as quarenta_e_seis pessoas que até agora me enviaram cartões . Sim , fui eu quem tomou a liberdade de vos fazer esta pequena surpresa , e ela não acaba aqui ! Lockhart bateu as palmas e por as portas de o * hall * entraram a marchar cerca de uma_dúzia de duendes de aspecto carrancudo . Não eram uns duendes quaisquer , diga se de passagem . Lockhart fizera os usar asas douradas e transportar harpas . - Os meus amigos cupidos , portadores de os cartões ! gritou Lockhart . - Eles vão andar por a escola durante o dia de hoje , entregando os vossos cartões de S._Valentim . E o divertimento não acaba aqui . Tenho a certeza de que os meus colegas vão querer participar em este espírito de festa . Porque não pedir a o professor Snape que vos mostre como preparar rapidamente uma poção de amor . E , enquanto ele a prepara , está aqui o professor Flitwick que é de todos os feiticeiros que conheci aquele que mais sabe de encantamentos de sedução , o grande safado ! O professor Flitwick enterrou o rosto em as mãos . Snape olhava como_se quisesse dar veneno a a primeira pessoa que fosse pedir lhe a poção de o amor . - Por favor , Hermione , diz me que não foste uma de as quarenta_e_seis - pediu Ron quando saíram de o salão para a primeira aula . Mas Hermione ficou subitamente muito interessada em procurar o horário dentro de a mala e não lhe respondeu . Durante todo o dia os duendes não pararam de se intrometer em as aulas para entregar cartões , para grande aborrecimento de os professores e , ao_fim_da_tarde , quando os Gryffindor subiam as escadas para a aula de encantamentos , um de eles avistou o Harry . - Hei , tu , Harry_Potter ! - gritou um duende de aspecto particularmente lúgubre , dando cotoveladas a_toda_a gente para se aproximar de o Harry . Coradíssimo com a ideia de receber um cartão de S._Valentim diante_de uma fila de alunos de o primeiro ano que , por acaso , incluía Ginny_Weasley , Harry tentou escapar se . Mas o duende cortou lhe o caminho através de a multidão e agarrou o em três tempos . - Tenho uma mensagem musical para entregar a Harry_Potter em pessoa - disse , tangendo a harpa de forma ameaçadora . - Aqui não - disse baixinho o Harry , tentando escapar . - Fica quieto - grunhiu o duende , agarrando o saco de o Harry e puxando com força . - Larga me - disse ele rispidamente , dando um puxão . Com um ruído de tecido a rasgar se , o saco dividiu se em dois . Os livros de Harry , varinha , pergaminho e pena espalharam se por o chão enquanto o tinteiro se partia em cima de as outras coisas . Harry pôs se de gatas , tentando apanhar tudo antes que o duende começasse a cantar , provocando um engarrafamento em o corredor . - O que se passa aqui ? - perguntou a voz fria e afectada de Draco_Malfoy . Harry , nervosíssimo , começou a guardar tudo dentro de o saco rasgado , desesperado para sair de ali antes que Malfoy pudesse ouvir o seu S._Valentim musical . - Que confusão é esta ? - disse outra voz familiar . Percy_Weasley tinha chegado . De cabeça perdida , Harry tentou fugir , mas o duende agarrou o por os joelhos e fê lo cair a o chão . - Certo - disse , sentando se em os tornozelos de Harry . Eis o teu cartão musical : * _ Os olhos de ele são verdes como o sapo de o quintal * _ O seu cabelo é escuro como um temporal * _ É um desatino , oh ! ele é divino ! * _ O herói que venceu o Senhor_do_Mal * . Harry teria dado todo o ouro de Gringotts para se evaporar em aquele momento . Tentando corajosamente rir se com todos os outros , levantou se . Sentia os pés dormentes de o peso de o duende . Enquanto isso , Percy_Weasley fazia todos os possíveis por dispersar a multidão onde havia gente que chorava de hilaridade . - Vamos embora , vamos embora , a campainha tocou há cinco minutos para as aulas - dizia , enxotando alguns de os alunos mais novos . - E tu , Malfoy . Harry olhou e viu Malfoy inclinar se , apanhar qualquer coisa e com um olhar maldoso mostrá a a Crabbe e Goyle . Percebeu que era o diário de Riddle . - Dá cá isso - exigiu com toda_a calma . - O que será que o Potter escreveu aqui ? - disse Malfoy que obviamente não reparara em a data e pensou que tinha em as mãos o diário de o Harry . Houve uma agitação em os presentes . Ginny olhava apavorada para o diário e para Harry . - Dá lhe isso , Malfoy - disse Percy com firmeza . - Depois de dar uma vista de olhos - retorquiu Malfoy , acenando a Harry com o diário de forma provocatória . Percy disse : - Como Prefeito de a escola ... - mas Harry perdera a paciência . Pegou em a varinha e gritou * _ Expelliarmus * e assim_como Snape desarmara Lockhart , MalLoy viu o diário saltar lhe de as mãos e elevar se em o ar enquanto Ron o apanhava sorridente . - Harry - disse Percy levantando a voz . - Não quero magia em os corredores . Vou ter de participar isto , sabes perfeitamente . Mas Harry não se importou . Tinha ganho uma_vez a Malfoy e isso valia bem cinco pontos a menos para os Gryffindor . Malfoy estava furioso e quando a Ginny passou por ele a caminho de a sala de aula , gritou lhe com desprezo : - Não creio que o Potter tenha gostado lá muito de o teu cartão de S._Valentim . Ginny tapou a cara e correu para a aula . Aborrecido , Ron pegou também em a varinha , mas Harry afastou o . Era melhor que ele não passasse a aula de encantamentos a vomitar lesmas . Só quando entraram em a sala de aula de o professor Flitwick é_que Harry reparou em uma coisa bastante estranha em o diário de Riddle . Todos os outros livros estavam cheios de tinta vermelha , mas o diário mantinha se tão limpo como antes de o tinteiro se ter entornado em cima de ele . Tentou chamar a atenção de Ron para este facto , mas ele estava novamente a ter um problema com a varinha : de a extremidade saíam grandes bolhas roxas e ele não parecia interessado em mais_nada . Em essa noite , Harry foi deitar se antes de os outros companheiros de dormitório , em parte porque já não conseguia suportar o Fred e o George a cantarem * _ Os seus olhos são verdes como o sapo de o quintal * e em parte porque queria voltar a examinar o diário de Riddle e sabia que em a opinião de o Ron era uma pura perda de tempo . Sentou se em a cama de dossel e folheou as páginas em branco em as quais não se via uma única mancha de tinta escarlate . Tirou então outro tinteiro de o armário a o lado de a cama , molhou a pena e deixou cair um borrão em a primeira página de o diário . A tinta brilhou em o papel durante um segundo e , em seguida , como_se a página a tivesse sugado , desapareceu sem deixar rasto . Depois , finalmente , algo aconteceu . Deslizando sobre a página em a cor de a sua tinta , surgiram palavras que Harry não escrevera . - * _ Olá_Harry_Potter . O meu nome é Tom_Riddle . Como é_que encontraste o meu diário ? * Também estas palavras desapareceram , mas não sem que Harry tivesse respondido . - Alguém tentou lançá o em uma sanita . Esperou ansiosamente por a resposta de Riddle . - * _ Felizmente guardei as minhas memórias de uma forma mais duradoura do_que a tinta . Mas sempre soube que haveria quem não iria querer que o diário fosse lido . * - O que queres dizer com isso ? - escrevinhou Harry , borrando a página com o nervosismo . - * _ Quero dizer que este diário contém memórias de coisas terríveis . Coisas que foram abafadas . Coisas que aconteceram em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . * - É onde eu estou agora - escreveu Harry rapidamente . - Estou em Hogwarts e estão a acontecer coisas horríveis . Sabes alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? O coração parecia querer saltar lhe de o peito . A resposta de Riddle não se fez esperar , a letra tornara se mais desordenada como_se tivesse pressa em contar lhe tudo_o_que sabia . - * _ É claro que sei de a Câmara_dos_Segredos . Em o meu tempo diziam nos que era uma lenda , que não existia , mas era mentira . Quando eu estava em o quinto ano a Câmara_dos_Segredos foi aberta e o monstro atacou vários estudantes , acabando matar um . Eu apanhei a pessoa que abriu a câmara e ele foi expulso . Mas o director , o professor Dippet , envergonhado por uma coisa de aquelas ter acontecido em Hogwarts , proibiu me de contar a verdade . Foi divulgada uma história dizendo que a rapariga morrera de um acidente extravagante . Deram me um troféu brilhante com o meu nome gravado e avisaram me para ficar calado . Mas eu sabia que ia voltar a acontecer . O monstro sobreviveu e aquele que tinha o poder para o libertar não foi para a prisão . * Harry quase entornou o tinteiro em a pressa de responder . - Está a acontecer outra_vez . Houve três ataques e ninguém parece saber quem está por_detrás_de tudo_isto . Quem foi de a última vez ? - * _ Posso mostrar te , se quiseres * - foi a resposta de o Riddle . - * _ Não tens de acreditar só em a minha palavra . Posso levar te a o fundo de a minha memória de a noite em que o apanhei . * Harry hesitou com a pena em o ar sobre o diário . O que quereria ele dizer ? Como poderia entrar em a memória de outra pessoa ? Olhou inquieto para a porta de o dormitório que começava a ficar escuro . Quando pôs de_novo os olhos em o diário viu as palavras que se formavam . - * _ Deixa-me mostrar te . * Harry parou durante uma fracção de segundo e depois escreveu duas letras . - O. _ K._As páginas de o diário começaram a esvoaçar como_se tivessem sido apanhadas em uma ventania , parando a meio de o mês_de_Junho . Boquiaberto , Harry viu que o quadradinho de 13_de_Junho se transformara em um pequeno ecrã de televisão . Com as mãos ligeiramente trémulas levantou o livro para encostar os olhos a a janelinha e antes de perceber o que estava a passar se , deu consigo inclinado para a frente com a janela a abrir se . O corpo abandonava a cama e era lançado de cabeça , por a abertura de a página , em um turbilhão de cor e sombras . Sentiu os pés tocarem em terra firme e pôs se de pé a tremer enquanto as formas desfocadas se tornavam subitamente nítidas . Soube imediatamente onde estava . Aquela sala circular com os retratos adormecidos era o escritório de Dumbledore , mas não era Dumbledore quem estava atrás de a secretária . Um feiticeiro mirrado , de aspecto débil e quase careca lia uma carta a a luz de as velas . Harry nunca vira aquele homem antes . - Desculpe - disse com a voz a tremer . - Eu não queria intrometer me ... Mas o feiticeiro não olhou . Continuou a ler , franzindo levemente as sobrancelhas . Harry aproximou se de a secretária e gaguejou : - Er ... eu vou me embora , está bem ? E o feiticeiro continuou a ignorá o . Parecia nem_sequer ter ouvido . Pensando que talvez ele fosse surdo , Harry falou mais alto . - Desculpe tê o incomodado - disse quase a gritar . O feiticeiro dobrou a carta com um suspiro . Pôs se de pé , passou por Harry sem olhar para ele e foi abrir os cortinados de a janela . O céu , lá fora , estava vermelho-rubi . Devia ser o pôr de o Sol . O feiticeiro voltou para a secretária , sentou se e girou os polegares , olhando para a porta . Harry olhou em volta . Não viu Fawkes , a fénix , nem as engenhocas prateadas que sibilavam . Aquela Hogwarts era a que Riddle conhecera e , portanto , aquele feiticeiro desconhecido era o director de então , não Dumbledore e ele , Harry , era pouco mais que um fantasma , totalmente invisível a as pessoas de há cinquenta anos atrás . Alguém bateu a a porta . - Entre - disse o velho feiticeiro , em uma voz fraca . Um rapazinho de dezasseis anos entrou , tirando o chapéu pontiagudo . Em o seu peito brilhava um distintivo prateado de prefeito . Era muito mais alto do_que Harry , mas tinha , tal_como ele , cabelo preto asa de corvo . - Ah ! Riddle - disse o director . - Queria falar comigo , professor Dippet ? - perguntou ele com ar nervoso . - Senta te - disse Dippet . - Tenho estado a ler a carta que me mandaste . - Oh ! - exclamou Riddle , sentando se e apertando as mãos uma contra a outra . - Meu rapaz - disse Dippet amavelmente . - Eu não posso deixar te ficar em a escola durante o Verão . Com certeza queres ir para_casa em as férias ? - Não - respondeu Riddle , sem perder tempo . - Prefiro mil vezes ficar em Hogwarts a ter de voltar a aquela ... aquela ... - Tu vives em um orfanato de Muggles durante as férias , não é assim ? - perguntou Dippet com curiosidade . - Sim senhor - disse Riddle , corando um_pouco . - És filho de Muggles ? - Meio sangue , professor - explicou Riddle . - Pai_Muggle , mãe bruxa . - E o teu pai e a tua mãe ... - A minha mãe morreu pouco depois de eu nascer , professor , contaram me em o orfanato que só teve tempo de me dar o nome : Tom , como o meu pai , Marvolo como o meu avô . Dippet estalou a língua solidariamente . - O que acontece , Tom - suspirou - é_que ... podia ter se arranjado uma situação especial para ti , mas em as circunstâncias actuais ... - Refere se a os ataques , professor ? - perguntou Riddle e o coração de Harry deu um salto , aproximando se com medo de perder alguma coisa . - Precisamente - disse o director . - Meu rapaz , compreendes que seria uma imprudência de a minha parte deixar te ficar em o castelo quando o período acabar , principalmente a a luz de a recente tragédia ... a morte de aquela pobre moça ... estarás sem dúvida em maior segurança em o orfanato . Em a verdade , o ministro de a magia até fala em fechar a escola . Não estamos nada perto_de localizar ... er ... a fonte de toda esta história desagradável . Os olhos de Riddle tinham se aberto mais . - Professor , se essa pessoa fosse apanhada ... se tudo acabasse . . . - Que queres dizer com isso ? - perguntou Dippet com voz aguda , endireitando se em a cadeira . - Riddle , tu sabes alguma coisa sobre estes ataques ? - Não senhor - respondeu ele de imediato . Mas Harry sabia que era o mesmo tipo de « não » que ele dissera a Dumbledore . Dippet afundou se de_novo com um ar de profundo desapontamento . - Podes ir , Tom . Riddle esgueirou se de a cadeira e saiu de a sala . Harry seguiu o . Desceram por a escada em espiral , saindo junto de a gárgula em o corredor que escurecia . Riddle parou e Harry fez o mesmo , olhando para ele . Quase podia apostar que ele pensava seriamente em alguma coisa . Mordia o lábio e tinha as sobrancelhas franzidas . A certa altura , como_se tivesse acabado de tomar uma decisão , começou a andar mais depressa com Harry a segui o ruidosamente . Não viram mais ninguém , a não ser quando chegaram a o * hall * de entrada onde um feiticeiro alto de longos cabelos ruivos e barba chamou Riddle de a escadaria de mármore . - O que andas a fazer por aqui tão tarde , Tom ? Harry olhou para o feiticeiro . Não era outro senão Dumbledore com cinquenta anos a menos . - Tive de ir falar com o director - justificou se Riddle . - Bem , agora vai depressa para a cama - disse Dumbledore , olhando Riddle com aquele olhar penetrante que Harry conhecia tão bem . - É melhor não andar a passear por os corredores em os dias que correm , pelo_menos até ... Suspirou profundamente , deu as boas-noites a o Riddle e foi se embora . Riddle viu o desaparecer e , sem perder tempo , desceu os degraus de pedra até a os calabouços com Harry em a peugada . Mas para seu grande desconsolo , Riddle não o conduziu a nenhum corredor ou túnel secreto e sim a o calabouço onde ele costumava ter aulas de poções com o Snape . As tochas não tinham sido acesas e quando Riddle empurrou a porta quase fechada , Harry só conseguiu vê o a ele , de pé , quieto junto de a porta , olhando para o corredor . Pareceu a Harry que ficaram ali quase uma hora . Tudo_o_que via era a silhueta de Riddle junto de a porta , olhando fixamente através de a greta , a a espera . Como_se fosse uma estátua . E quando Harry tinha abandonado todas_as expectativas e começava a desejar voltar a o presente , ouviu alguma coisa que se movia atrás de a porta . Alguém avançava lentamente por o corredor . Ouviu a pessoa , quem quer que fosse , passar por o calabouço onde ele e Riddle estavam escondidos . Riddle , silencioso como uma sombra , esgueirou se por a porta e seguiu o com Harry em bicos de pés atrás de ele , esquecido de que podia fazer barulho a a vontade porque ninguém o ouvia . Durante cerca de cinco minutos seguiram lhe os passos até que Riddle parou repentinamente com a cabeça inclinada em a direcção de novos ruídos . Harry ouviu uma porta a abrir se e em seguida alguém falou em um murmúrio rouco . - Vá lá , temos que sair de aqui ... vá lá , dentro de a caixa ... Havia algo de familiar em aquela voz . Riddle deu subitamente uma volta e Harry seguiu o . Podia ver a silhueta escura de um rapaz enorme que estava inclinado em frente de a porta aberta , com uma grande caixa a o lado . - Boa noite , Rubeus - disse Riddle secamente . O rapaz fechou a porta e pôs se de pé . - O que estás a fazer aqui , Tom ? Riddle aproximou se . - Acabou se - disse . - Vou ter de entregar te , Rubeus . Falam em fechar Hogwarts se os ataques não terminarem . - O que é_que tu ... ? - Eu acho que tu não quiseste matar ninguém , mas os monstros não são os melhores animais domésticos . Tu só quiseste deixá o sair para andar um_pouco e ... - Ele não matou ninguém - disse o rapaz grande , recuando contra a porta fechada . Lá de dentro vinham uns estranhos roncos e rugidos . - Vamos , Rubeus - disse Riddle , aproximando se mais ainda . - Os pais de a rapariga que morreu estarão aqui amanhã . O mínimo que Hogwarts pode fazer é assegurar lhes que aquilo que matou a filha de eles foi abatido ... - Não foi ele - gemeu o rapaz cuja voz ecoou em o corredor escuro . - Ele não faria isso ... ele nunca ... - Afasta te - disse Riddle , pegando em a varinha . O encantamento iluminou o corredor com uma luz brilhante . A porta atrás de o rapaz grande abriu se de par em par com tanta força que o atirou contra a parede . E de lá de dentro saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito que ninguém mais ouviu a não ser ele próprio . Tinha um corpo imenso , magro e peludo e um emaranhado de pernas pretas , a cintilação de muitos olhos e um par de tenazes afiadas . Riddle levantou de_novo a varinha , mas era tarde de mais . A coisa deixara o atarantado e corria apressadamente , precipitando se por o corredor e desaparecendo . Riddle pôs se de pé , olhou a a procura de o monstro , levantou a varinha , mas o rapaz grande saltou sobre ele , tirou lhe a varinha de as mãos e lançou o a o chão , gritando : - Naaaaaão ! A cena rodopiou . A escuridão tornou se total . Harry sentiu se a cair e com um embate aterrou como uma águia de patas e asas abertas em a sua cama de dossel , em o dormitório de os Gryffindor , o diário de Riddle aberto sobre o estômago . Antes de ter tido tempo de normalizar a respiração , a porta de o dormitório abriu se e o Ron entrou . - Aí estás tu - disse . Harry sentou se . Transpirava e tremia . - O que se passa ? - perguntou Ron , olhando aflito para ele . - Foi o Hagrid , Ron . O Hagrid abriu a Câmara_dos_Segredos há cinquenta anos atrás . XIV_Cornelius_Fudge_Harry , Ron e Hermione sabiam há muito_tempo que Hagrid tinha uma triste predilecção por criaturas grandes e monstruosas . Em o primeiro ano que passaram em Hogwarts , ele tentara criar um dragão em a sua pequena cabana de madeira e levaram muito_tempo a esquecer o gigantesco cão de três cabeças que ele baptizara de « fofinho » . E se , em rapaz , Hagrid tinha ouvido dizer que havia um monstro escondido em o castelo , Harry tinha a certeza que ele teria feito os impossíveis por descobri o . Provavelmente achou que era uma injustiça o monstro estar fechado tanto tempo e pensou que ele merecia a oportunidade de esticar as suas muitas pernas . Harry imaginava perfeitamente o Hagrid a os treze anos a tentar pôr uma coleira e uma trela a o monstro . Mas tinha igualmente a certeza de que ele nunca teria querido matar ninguém . De certo modo , Harry desejava não ter descoberto como utilizar o diário de Riddle . Ron e Hermione fizeram o contar repetidas vezes o que vira até ele ficar farto de repetir o mesmo e farto de a conversa circular que se seguia . - O Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse , de essa vez , Hermione . - O monstro que atacava as pessoas podia ser outro .... - Quantos monstros achas tu que pode haver em este lugar ? - perguntou o Ron aborrecido . - Sempre soubemos que o Hagrid tinha sido expulso - disse Harry tristemente - E os ataques devem ter terminado quando ele foi expulso . Se não fosse assim , Riddle não teria recebido um prémio . Ron tentou um caminho diferente . - O Riddle parece o Percy , quem lhe pediu afinal que deitasse abaixo o Hagrid ? - Mas o monstro tinha morto uma pessoa , Ron - insistiu Hermione . - E o Riddle ia ter de voltar para um orfanato Muggle se Hogwarts fosse fechada - disse Harry . - Não posso culpá o por querer ficar aqui ... Ron mordeu o lábio e a seguir sugeriu : - Tu encontraste o Hagrid em a Rua * _ Bativolta * , não foi ? - Ele estava a comprar repelente para lesmas - disse Harry rapidamente . Ficaram os três em silêncio . Depois de uma longa pausa , Hermione , em uma voz hesitante , formulou a pergunta mais complicada de todas : - Não acham que devíamos ir ter com ele e perguntar lhe ? - Essa seria uma visita simpática - disse o Ron . - Olá , Hagrid , diz nos uma coisa , soltaste por acaso alguma coisa louca e peluda por o castelo em estes últimos tempos ? Por fim , decidiram não dizer nada a o Hagrid a_não_ser_que houvesse outro ataque e à_medida_que passava mais tempo sem murmúrios de a voz sem corpo começaram a acreditar , esperançosos , que nunca mais teriam de falar sobre o motivo por_que fora expulso . Tinham passado já quase quatro meses desde o dia em que o Justin e o Nick quase sem cabeça tinham sido petrificados e quase toda_a_gente parecia pensar que o atacante , quem quer que ele fosse , se retirara para sempre . Peeves fartara se de a sua canção * _ Oh_Potter , seu bandido * , Ernie_Mcmillan pediu educadamente a o Harry , em a aula de herbologia , que lhe passasse um balde de cogumelos saltitantes e , em Março , várias mandrágoras deram uma festa ruidosa e roufenha em a estufa número três . A professora Sprout estava muito satisfeita . - Mal elas comecem a tentar mover se para os vasos umas de as outras , saberemos que estão maduras - disse ela a o Harry . - Nessa_altura poderemos reanimar aquelas pobres criaturas que estão em a ala hospitalar . Os alunos de o segundo ano tinham agora uma coisa nova em que pensar durante as férias de a Páscoa . Chegara a altura de escolherem as matérias de o terceiro ano , um assunto que Hermione , pelo_menos , tomou muito a sério . - Pode afectar todo o nosso futuro - disse a o Harry e a o Ron a o vê os ler cuidadosamente as listas de as novas matérias e pôr um V em frente de cada uma . - Eu só quero ver me livre de as poções - disse Harry . - Não podemos - explicou Ron tristemente . - Mantemos todas_as matérias antigas ou eu teria me livrado de a Defesa contra as artes negras . - Mas é muito importante - disse Hermione chocada . - Não de a maneira como Lockhart a dá - insistiu Ron . - Não aprendi nada até agora a não ser a nunca mais libertar duendes . Neville_Longbottom recebera cartas de todas_as bruxas e feiticeiros de a família , cada_um dando um conselho diferente sobre o que ele deveria escolher . Confuso e preocupado , sentou se a ler a lista de matérias , dando estalinhos com a língua e perguntando a as pessoas se achavam que a aritmancia seria mais difícil do_que o estudo de as runas em a Antiguidade . Dean_Thomas que , tal_como Harry , fora criado com Muggles , acabou por fechar os olhos e atirar a varinha contra a lista , escolhendo as matérias onde ela aterrava . Hermione não pediu conselho a ninguém e inscreveu se em todas . Harry sorriu de si para consigo imaginando como seria uma conversa com o tio Vernon e com a tia Petúnia sobre a sua carreira em feitiçaria . Não que não tivesse tido orientação : Percy_Weasley estava ansioso por partilhar a sua experiência . - Tudo depende de o lugar para_onde queres ir , Harry - disse ele . - Nunca é cedo de mais para pensar em o futuro , por isso eu aconselho te a adivinhação . As pessoas dizem que os estudos de Muggles são uma opção leve mas eu , pessoalmente , acho que os feiticeiros deveriam ter uma compreensão profunda de a comunidade não mágica , muito especialmente se pensarem em trabalhar em íntimo contacto com eles . Vê o meu pai que tem de lidar com assuntos de os Muggles a_toda_a hora . O meu irmão Charles foi sempre mais um tipo de o exterior , por isso foi para o Centro_de_Cuidados com as Criaturas_Mágicas . Segue os teus sentimentos , Harry . Mas a única coisa em que Harry sentia que era mesmo bom era o Quidditch . Por fim , acabou por escolher as mesmas matérias que o Ron escolhera , pensando que se fosse péssimo em elas pelo_menos tinha alguém amigo para o ajudar . O próximo jogo de Quidditch_dos_Gryffindor era contra os Hufflepuff . Wood insistia em treinos de equipa todas_as noites depois de jantar , por isso Harry não tinha tempo para mais_nada a não ser para o Quidditch e para os trabalhos de casa . Mas as sessões de treino estavam a melhorar ou pelo_menos estavam mais secas e em a véspera de o jogo de sábado ele foi a o dormitório guardar a vassoura , sentindo que as hipóteses de os Gryffindor ganharem a taça de Quidditch nunca tinham sido tão boas . Mas a sua boa disposição não durou muito . Em o cimo de as escadas que levavam a o dormitório encontrou o Neville_Longbottom nervosíssimo . - Harry , não sei quem fez aquilo , eu fui encontrar ... Olhando receoso para Harry , Neville empurrou a porta . O conteúdo de a mala de Harry fora espalhado por toda_a divisão . O seu manto estava em o chão rasgado . A roupa de cama tinha sido puxada de a cama de dossel e a gaveta de o armário que se encontrava a a cabeceira de a cama fora arrancada , estando o seu conteúdo espalhado sobre o colchão . Harry aproximou se de a cama boquiaberto , pisando algumas páginas soltas de * _ Viagens com Duendes * . Quando ele e Neville estavam a puxar os cobertores para_cima , entraram o Ron e o Dean_Seamas . Dean praguejou alto . - O que é isto , Harry ? - Não faço ideia - disse ele . Mas o Ron estava a examinar as vestes de Harry e todos os bolsos estavam de o avesso . - Alguém andou a a procura de qualquer coisa - disse o Ron . - Dás por falta de alguma coisa ? Harry começou a apanhar o que estava caído , lançando tudo dentro de a mala . Só quando atirou o último livro de Lockhart é_que se apercebeu do_que faltava . - O diário de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a o Ron . - O quê ? Harry fez lhe sinal em direcção a a porta de o dormitório e apressaram se a chegar a a sala comum de os Gryffindor que estava quase vazia e onde foram encontrar Hermione sozinha a ler * _ As_Runas_Antigas a o Alcance_de_Todos * . Hermione ficou aterrada com as notícias . - Mas ... só um Gryffindor podia tê o roubado ... ninguém mais conhece a nossa senha ... - Exactamente - disse Harry . Acordaram em o dia seguinte com um sol brilhante e uma brisa agradável . - Condições ideais para o Quidditch ! - exclamou Wood , cheio de entusiasmo , a a mesa de os Gryffindor , enchendo os pratos de os elementos de a sua equipa de ovos mexidos . - Harry , anima te , precisas de um pequeno-almoço decente . Harry tinha estado a olhar para a mesa cheia de alunos de os Gryffindor , perguntando a si próprio se o novo dono de o diário de Riddle estaria ali mesmo em frente de os seus olhos . Hermione insistira para que ele participasse o roubo mas ele não gostou de a ideia . Teria de contar a um professor tudo sobre o diário , e quantas pessoas saberiam o motivo por_que Hagrid fora expulso há cinquenta anos ? Não queria ser ele a fazer com que relembrassem tudo aquilo . Quando saiu de o salão com o Ron e a Hermione para ir buscar o material de Quidditch , outra preocupação viera juntar se a a sua lista cada_vez maior . Tinha acabado de pisar os degraus de a escadaria de mármore quando ouviu de_novo a voz : - * _ Matar desta_vez ... deixem me rasgar ... romper * ... Deu um grito e Ron e Hermione saltaram alarmados . - A voz - disse Harry , olhando por cima de os ombros de eles . - Acabo de a ouvir de_novo , vocês não ouviram nada ? Ron abanou a cabeça de olhos muito abertos Mas_Hermione bateu com a mão em a testa . - Harry , acho que percebi uma coisa . Tenho que ir a a biblioteca . E disparou a correr por as escadas acima . - O que é_que ela percebeu ? - disse Harry distraidamente , ainda a olhar em volta , tentando determinar de onde vinha a voz . - Mas porque teve ela que ir a a biblioteca ? - Porque a Hermione é assim - disse o Ron , encolhendo os ombros - Quando tem uma dúvida , vai a a biblioteca . Harry manteve se hesitante , tentando captar novamente a voz mas as pessoas começavam a sair de o salão , falando alto , passando por a porta principal e encaminhando se para o estádio de Quidditch . - É melhor ires indo - aconselhou Ron . - São quase onze horas , olha o jogo . Harry deu uma corrida até a a torre de os Gryffindor , pegou em a sua Nimbus dois_mil e juntou se a a vasta multidão que enchia os campos , mas o seu pensamento estava ainda em o castelo , em aquela voz sem corpo e quando pôs as roupas vermelhas , o seu único conforto foi pensar que estavam todos lá fora para assistir a o jogo . As equipas entraram em campo a o som de um tumulto de aplausos . Oliver_Wood fez um voo de aquecimento em volta de os postes , Madam_Hooch soltou as bolas . Os Hufflepuff que tinham fatos amarelo-canário estavam reunidos em grupo em uma discussão de última hora sobre as tácticas . Harry subia para a vassoura quando a professora Mc_Gonagall atravessou o campo , meio a andar , meio a correr , transportando um enorme megafone roxo . O coração de Harry caiu lhe a os pés . - Este jogo foi cancelado - gritou por o megafone a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a o estádio apinhado . Ouviram se Uuuus e assobios . Oliver_Wood , com um ar infelicíssimo , aterrou e correu para a professora McGonagall sem sair de a vassoura . - Mas , professora - gritou - temos de jogar ... a taça ... os Gryffindor ... A professora Mc_Gonagall ignorou o e continuou a gritar por o megafone . - Pede se a os estudantes que regressem a as salas comuns de as respectivas equipas onde os chefes de equipa lhes darão mais informações . O mais depressa possível , se fazem favor ! Em seguida , baixou o megafone e fez sinal a o Harry para que se aproximasse . - Potter , é melhor vires comigo ... Perguntando a si próprio que suspeita poderia ela ter contra ele , desta_vez , Harry viu Ron desligar se de a multidão discordante e vir a correr juntar se lhes , enquanto eles se dirigiam para o castelo . Para sua grande surpresa Mc_Gonagall não pôs qualquer objecção . - Sim , talvez seja melhor vires também , Weasley . Alguns de os estudantes que os rodeavam reclamavam por o jogo ter sido cancelado , outros tinham um ar preocupado . Harry e Ron seguiram a professora Mc_Gonagall de volta a a escola e através de a escadaria de pedra . Mas desta_vez não foram levados a nenhum escritório . - Isto vai chocar vos um_pouco - disse a professora Mc_Gonagall em um tom de voz surpreendentemente suave quando estavam a aproximar se de a ala hospitalar . - Houve outro ataque ... outro ataque duplo . As vísceras de o Harry deram um salto mortal . A professora Mc_Gonagall abriu a porta e ele e Ron entraram . Madam_Pomfrey estava inclinada sobre uma rapariga de o quinto ano de cabelos longos a os caracóis que Harry reconheceu como sendo a colega de os Ravenclaw a quem , por engano , tinham perguntado o caminho para a sala comum de os Slytherin . E , em a cama a o lado de ela , estava ... - Hermione - gemeu o Ron . Hermione jazia totalmente quieta , os olhos abertos e vítreos . - Foram encontradas perto de a biblioteca - disse a professora Mc_Gonagall . - Calculo que nenhum de vocês possa explicar isto ? Estava em o chão , junto de ela . A professora tinha em as mãos um pequeno espelho redondo . Harry e Ron acenaram negativamente com as cabeças , ambos com os olhos fixos em Hermione . - Eu acompanho vos a a torre de os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall pesadamente . - De qualquer modo tenho de falar com os alunos . - Os alunos regressarão a as salas comuns de as respectivas equipas , todos_os_dias , a as seis_horas_da_tarde . Nenhum aluno deverá sair de os dormitórios depois de isso . Serão escoltados até a as aulas por um professor . Nenhum aluno deverá ir a a casa_de_banho sem um professor a acompanhá o . Todos os treinos e jogos de Quidditch estão suspensos a_partir_de agora . Não haverá mais actividades nocturnas . Os Gryffindor , que enchiam a sala comum , ouviram em silêncio a professora Mc_Gonagall . Ela enrolou o pergaminho que acabara de ler e disse em uma voz algo chocada : - Não é preciso acrescentar que nunca me senti tão desolada . É provável que a escola seja encerrada se não for apanhado o culpado de todos estes ataques . Quero pedir que se algum de vocês achar que sabe alguma coisa sobre eles venha imediatamente ter comigo . Mal ela subiu , de forma um_pouco desastrada , por o buraco de o retrato , os Gryffindor começaram logo a falar . - São dois Gryffindor a menos , sem contar com o fantasma de os Gryffindor , um Ravenclaw e um Hufflepuff - disse o amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , contando por os dedos . - Não terá nenhum de os professores reparado que os Slytherin estão a salvo ? Será que não é óbvio que tudo_isto vem de eles ? O herdeiro de Slytherin , o monstro de Slytherin , porque não expulsam todos os Slytherin ? - resmungou , recebendo acenos e aplausos de todos os lados . Percy_Weasley estava sentado em uma cadeira atrás_de Lee , mas por uma_vez não pareceu querer expor os seus pontos de vista . Estava pálido e aturdido . - O Percy está em estado de choque - disse o George baixinho a o Harry . - Aquela rapariga de os Ravenclaw , Penelope_Clearwater , é prefeita . Acho que ele nunca tinha pensado que o monstro pudesse atacar um prefeito . Mas Harry não estava a ouvi o com atenção . Não conseguia esquecer a imagem de Hermione deitada em a cama de o hospital , como_se estivesse esculpida em pedra . E se o culpado não fosse apanhado rapidamente tinha em a frente uma vida inteira com os Dursley . Tom_Riddle entregara o Hagrid porque fora confrontado com a possibilidade de um orfanato Muggle se a escola fechasse . Harry sabia exactamente o que ele sentira . - Que vamos nós fazer ? - disse lhe o Ron baixinho a o ouvido . - Achas que eles suspeitam de o Hagrid ? - Temos de falar com ele - disse Harry , tomando uma decisão . - Não acredito que tenha culpa desta_vez , mas se ele libertou o monstro há cinquenta anos , sabe com certeza como entrar em a Câmara_dos_Segredos , o que já é um princípio . - Mas a Gonagall disse que temos que ficar em a torre a_não_ser_que estejamos em as aulas ... - Eu acho - disse Harry ainda mais baixo - que chegou a altura de tirar outra_vez de a mala o manto de o meu pai . Harry herdara apenas uma coisa de o pai : o enorme manto prateado de a invisibilidade . Era a única maneira de poderem esgueirar se de a escola para fazer uma visita a o Hagrid , sem que ninguém de esse por isso . Deitaram se a a hora de o costume , esperaram que o Neville , o Dean e o Seamas adormecessem para se levantarem , vestirem se de_novo e taparem se com o manto . A viagem por os corredores de o castelo escuro e deserto não era nada agradável . Harry que vagueara por ali muitas_vezes durante a noite nunca vira tanta gente depois de o pôr de o Sol . Professores , prefeitos e fantasmas andavam por os corredores a os pares , olhando em volta , em busca de qualquer actividade fora de o habitual . O manto de a invisibilidade não impedia que fizessem barulho e houve um momento particularmente tenso em que o Ron deu uma topada a menos_de um metro de o lugar onde Snape se encontrava . Felizmente Snape espirrou em o preciso momento em que o Ron praguejava . Foi com grande alívio que chegaram a as portas de carvalho de a entrada principal . Estava uma noite clara e cheia de estrelas . Dirigiram se apressadamente para as janelas iluminadas de a casa de Hagrid e só tiraram o manto mesmo em frente de a porta . Poucos segundos depois de terem batido abriu se a porta . Ficaram frente_a_frente com Hagrid que lhes apontou uma besta enquanto Fang , o cão caçador de javalis , ladrava furiosamente atrás de ele . - Oh ! - disse , baixando a arma quando viu que eram eles . - O que estão vocês a fazer aqui ? - Para que é isso ? - perguntou Harry , apontando para a besta , enquanto entrava . - Nada , não é nada - murmurou Hagrid . - Tenho estado a a espera ... não tem importância , sentem se que eu vou fazer um chá . Dava a impressão de não saber o que fazia . Quase apagou a lareira , vertendo a água de a chaleira em o lume e em seguida esmagou o bule com um gesto de a sua mão maciça . - Estás bem , Hagrid ? - perguntou Harry . - Soubeste de a Hermione ? - Soube , sim - disse ele com um leve tremor em a voz . Continuava a olhar nervosamente para as janelas . Deu lhe os duas grandes canecas de água a ferver ( esquecera se de juntar o chá ) e estava a acabar de pôr em um prato uma fatia grossa de bolo de frutas quando alguém bateu energicamente a a porta . Hagrid deixou cair o bolo . Harry e Ron trocaram entre si olhares de pânico e , em seguida , cobriram se com o manto de a invisibilidade e esconderam se em um canto . Hagrid assegurou se de que eles estavam bem escondidos , pegou em a besta e abriu , mais_uma_vez , a porta . - Boa noite , Hagrid . Era_Dumbledore . Entrou com um ar muito sério , seguido de um homem bizarro . O estranho era um homenzinho pequenino , de porte majestoso com cabelos grisalhos desalinhados e uma expressão de ansiedade em o rosto . Usava uma inesperada mistura de roupas . Um fato a as riscas , uma gravata vermelho escarlate , um longo manto negro e umas botas roxas pontiagudas . Debaixo de o braço trazia um chapéu de coco verde lima . -- É o patrão de o meu pai - murmurou o Ron . Cornelius_Fudge , o ministro de a magia ! Harry deu lhe uma valente cotovelada para o fazer calar se . Hagrid tinha ficado suado e pálido . Deixou se cair em uma de as cadeiras e olhava de Dumbledore_para_Cornelius_Fudge . - Más notícias , Hagrid - disse Fudge em um tom bastante grave . - Muito más notícias . Tive de vir . Quatro ataques a filhos de Muggles , as coisas foram longe_de mais . O ministério tem que tomar uma atitude . - Eu nunca ... - disse Hagrid , parecendo implorar a Dumbledore . - O senhor sabe que eu nunca ... professor Dumbledore , o senhor ... - Quero que fique claro , Cornelius , que Hagrid tem a minha total confiança - afirmou Dumbledore , franzindo as sobrancelhas . - Olha , Albus - disse Fudge pouco a a vontade - a ficha de o Hagrid depõe contra ele . O ministério tem de fazer alguma coisa , o Conselho_Directivo de a escola tem se reunido ... - Mesmo_assim , Cornelius , devo dizer te mais_uma_vez que levar o Hagrid de aqui não vai ajudar em nada - afirmou Dumbledore com os olhos azuis com um fogo que Harry nunca vira antes . - Tenta compreender o meu ponto de vista - insistiu Fudge , brincando com o chapéu . - Estou a ser tremendamente pressionado , tenho de mostrar que faço alguma coisa . Se se provar que não foi o Hagrid , ele voltará e não se fala mais em o assunto . Mas tenho de levá o , tem de ser , não estaria a cumprir a minha obrigação se ... - Levar me ? - perguntou Hagrid a tremer . - Levar me para_onde ? - É uma pena curta - disse Fudge , sem o olhar em os olhos . - Não é um castigo , Hagrid , chamemos lhe antes uma precaução . Se mais alguém for apanhado , tu sais com todas_as nossas desculpas . - Não é para Azkaban ? - balbuciou Hagrid . Mas antes que Fudge tivesse tido tempo de responder , ouviu se bater mais_uma_vez a a porta . Dumbledore abriu . Foi a vez de Harry levar uma cotovelada em as costas : soltara um gemido audível . Mr._Lucius_Malfoy entrou em a cabana de o Hagrid embrulhado em uma longa capa preta de viagem , com um sorriso frio de satisfação . O Fang começou a rosnar . - Já está aqui , Fudge ? - disse de forma aprovadora . - Muito bem , muito bem ... - O que estás a fazer aqui ? - perguntou Hagrid furioso . - Sai imediatamente de a minha casa . - Meu bom homem , acredite que não tenho prazer nenhum em entrar em a sua ... er ... chamou lhe casa ? - disse Lucius_Malfoy , sorrindo sarcasticamente enquanto observava a pequena divisão . - Eu limitei me a ir a a escola e disseram me que o director estava aqui . - E o que queres de mim , Lucius ? - perguntou Dumbledore . O seu tom de voz era educado mas em os olhos azuis brilhava ainda o mesmo fogo . - Uma notícia horrível , Dumbledore - disse Mr._Malfoy de forma arrastada , pegando em um grande rolo de pergaminho . - Mas os membros de o conselho pensam que é altura de tu saíres . Isto_é uma ordem de suspensão , tens aí doze assinaturas . Lamento muito mas em a nossa opinião estás a perder a firmeza . Quantos ataques houve até agora ? Mais dois hoje a a tarde , não foi ? A este ritmo vão acabar todos os filhos de Muggles em Hogwarts e todos sabemos que seria uma terrível perda para a escola . - O que é isso , Lucius ? - protestou Fudge com ar alarmado . - O Dumbledore suspenso não ... não , seria a última coisa que desejaríamos em este momento ... - A nomeação ou suspensão , de o director é de a competência de os membros de o Conselho_Directivo , Fudge - disse suavemente Mr._Malfoy . - E como Dumbledore não foi capaz de pôr cobro a estes ataques ... - Oh ! Lucius , se Dumbledore não conseguiu - disse Fudge com o lábio superior a suar . - Quem irá conseguir ? - Isso está para se ver - disse Mr._Malfoy com um sorriso mesquinho . - Mas como os doze votamos ... Hagrid pôs se de pé em um salto , o cabelo preto hirsuto a roçar em o tecto . - E quantos tiveste de chantajar para concordarem contigo , Malfoy ? - Meu caro Hagrid , sabe que esse seu temperamento ainda acaba por lhe criar problemas um dia de estes - disse Mr._Malfoy . - Não o aconselho a gritar assim com os guardas de Azkaban . Eles não iriam gostar nada . - Não podes levar Dumbledore - gritou Hagrid , fazendo Fang , o cão caçador de javalis , agachar se e ganir em o seu cesto . - Sem ele , os filhos de os Muggles não têm qualquer hipótese . A seguir haverá mortes . - Acalma te , Hagrid - disse Dumbledore de forma cortante , olhando para Lucius_Malfoy . - Se os membros de o conselho querem substituir me , eu sairei , claro . - Mas - interrompeu Fudge . - Não - rosnou Hagrid . Dumbledore não tirara os seus olhos azuis brilhantes de os olhos cinzentos e frios de Lucius_Malfoy . - Contudo - disse , pronunciando cada palavra lenta e claramente para que nenhum de eles perdesse o seu sentido - verás que só deixarei verdadeiramente esta escola quando ninguém aqui me for leal . Descobrirás também que será sempre dada ajuda em Hogwarts a quem a pedir . Por um segundo , Harry teve quase a certeza de que os olhos de Dumbledore tremelaziram em direcção a o canto onde ele e Ron estavam escondidos . - Sentimentos admiráveis - disse Malfoy , fazendo uma vénia . - Todos nós vamos sentir a tua ... forma muito pessoal de fazer as coisas , Albus . Só espero que o teu sucessor consiga evitar qualquer ... crime . Dirigiu se a a porta de a cabana , abriu a e fez sinal a Dumbledore para que passasse a a sua frente . Fudge , mexendo nervosamente em o chapéu de coco , esperou que Hagrid fizesse o mesmo mas ele ficou quieto , respirou fundo e disse prudentemente : - Se alguém quiser descobrir alguma coisa , o que tem a fazer é seguir as aranhas . Elas indicarão o caminho , é tudo_o_que vos digo . Fudge olhou para ele espantado . - Está bem , eu vou - disse Hagrid , pegando em o seu sobretudo de pêlo de toupeira . Mas quando ia seguir o Fudge e sair por a porta , parou e disse em voz alta : - E alguém tem de dar de comer a o Fang enquanto eu não estiver cá . A porta fechou se ruidosamente e Ron tirou o manto de a invisibilidade . -- Estamos outra_vez em uma alhada - disse com voz rouca - Sem o Dumbledore podem fechar a escola já esta noite . Sem ele vai haver um ataque por dia . O Fang começou a ganir , arranhando a porta fechada . XV_Aragog_O_Verão insinuava se em os campos em volta de o castelo . O céu e o lago tinham se tornado de um azul-molusco e as flores , grandes como couves , começavam a florir em as estufas . Mas sem o Hagrid , que ele costumava avistar de o castelo , atravessando os campos com o Fang atrás , parecia a Harry que a paisagem não estava completa . Não era melhor dentro de o castelo onde tudo corria horrivelmente mal . O Harry e o Ron tinham tentado visitar a Hermione , mas as visitas a o hospital estavam proibidas . - Não vamos correr mais riscos - disse lhes Madam_Pomfrey com ar severo , através_de uma fresta de a porta de o hospital . Não , lamento , há muitas hipóteses de o atacante voltar para acabar de vez com estas pessoas ... Com Dumbledore longe , o medo espalhara se como nunca acontecera antes , de_tal_modo_que o sol que aquecia as paredes de o castelo por fora parecia parar junto de as janelas de pinázios . Não se via um único rosto em a escola que não andasse tenso e preocupado e qualquer gargalhada , em os corredores , se tornava incómoda e antinatural e era rapidamente abafada . Harry repetia constantemente , de si para consigo , as últimas palavras que ouvira a Dumbledore : - * _ Só terei verdadeiramente deixado esta escola quando ninguém me for leal ... será sempre dada ajuda , em Hogwarts , a quem a pedir * . Qual seria o significado exacto de aquelas palavras ? A quem deveria pedir ajuda quando todos estavam tão confusos assustados como ele ? A alusão de Hagrid a as aranhas era bastante mais fácil de entender . O problema era que parecia não ter restado uma única aranha em o castelo para eles a poderem seguir . Harry procurou por todo o lado com a ajuda relutante de o Ron . As coisas estavam dificultadas por o facto de não poderem andar sozinhos e terem de se deslocar em grupo dentro de o castelo , juntamente com outros Gryffindor . A maior parte de os alunos gostava de ser conduzida como carneiros de uma aula para a outra por os professores mas Harry achava horrível . Havia , contudo , uma pessoa que parecia apreciar aquela atmosfera de terror e suspeitas . Draco_Malfoy passeava empertigado por a escola como_se tivesse sido nomeado para chefe de turma . Harry só compreendeu o motivo de toda aquela boa disposição cerca de quinze_dias depois de Dumbledore e Hagrid se terem ido embora quando , em uma aula de poções , o ouviu falar com o Crabbe e o Goyle . - Sempre achei que seria o pai quem conseguiria livrar nos de o Dumbledore - disse sem a menor preocupação em baixar a voz . - Já vos disse , segundo ele , Dumbledore foi o pior director que a escola alguma vez teve . Talvez agora venha um director decente que não queira a Câmara_dos_Segredos fechada . A Mc_Gonagall não vai durar muito , está só a ... O Snape passou por Harry , sem fazer comentários a o caldeirão e a a cadeira vazia de Hermione . - Professor - disse Malfoy em voz alta . - Professor , porque não se candidata a o lugar de director ? - Ora , ora , Malfoy - respondeu Snape , sem conseguir esconder um meio sorriso . - O professor Dumbledore foi apenas suspenso por os membros de o conselho de direcção , certamente vai voltar um dia de estes . - Sim , claro - disse Malfoy com o seu sorriso escarninho . - Acho que se o professor quisesse candidatar se a o lugar teria o voto de o pai . Eu vou dizer lhe que o acho o melhor professor de a escola . Snape sorriu enquanto passeava de um lado para o outro em o calabouço , não tendo felizmente visto o Seamus_Finnigan que fingia vomitar para dentro de o caldeirão . - Estou espantado por ver que até agora os sangues de lama ainda não fizeram as malas e não desapareceram - prosseguiu Malfoy . - Aposto cinco galeões em como o próximo morre . Pena que não tenha sido a Granger ... A campainha tocou em esse momento o que foi uma sorte porque a o ouvir as últimas palavras de Malfoy , Ron deu um salto , mas em a barafunda de guardar os livros em os sacos , a sua tentativa de agarrar o Malfoy passou despercebida . - Deixem me - gritava o Ron enquanto o Harry e o Dean lhe agarravam os braços . - Não preciso de varinha , vou dar cabo de ele com as minhas mãos ... - Despachem se , tenho de conduzir vos a a aula de herbologia - praguejava o Snape acima de as cabeças de os alunos . E lá foram como cordeirinhos com Harry , Ron e Dean em a retaguarda , o Ron ainda a tentar libertar se . Só acharam seguro largá o quando Snape os deixou fora de o castelo e iniciaram o percurso por o meio de a horta em direcção a as estufas . A aula de herbologia estava reduzida . Tinha agora dois alunos a menos : Justin e Hermione . A professora Sprout pô os a trabalhar , podando as figueiras-da-abissínia . Harry foi despejar uma braçada de hastes secas em um monte de adubo e deu consigo cara a cara com Ernie_Mcmillan . Ernie respirou fundo . - Só quero dizer te , Harry que lamento ter suspeitado de ti . Sei que nunca atacarias a Hermione_Granger e peço te desculpa por todas_as coisas que disse . Estamos todos em o mesmo barco , agora e , bem ... Estendeu lhe uma mão rechonchuda que o Harry apertou . Ernie e a sua amiga Hannah foram trabalhar em a mesma figueira com o Harry e o Ron . - Aquele tipo , Draco_Malfoy - disse Ernie , partindo pequenos galhos - , parece muito satisfeito com isto tudo , não acham ? É bem possível que ele seja o herdeiro de Slytherin . - Uma observação inteligente de a tua parte - disse o Ron que parecia não ter desculpado Ernie tão facilmente como o Harry . - Acham que é ele ? - perguntou Ernie . - Não - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Hannah ficaram a olhar espantados . Um segundo depois , Harry avistou qualquer coisa que o levou a chamar a atenção de o Ron , batendo lhe em a mão com a tesoura de podar . - Au ... o que é_que tu ... ? Harry apontava para o chão , a poucos centímetros de distância . Várias aranhas grandes corriam precipitadamente por a terra fora . - Ah ! sim - disse o Ron , tentando , sem conseguir , mostrar se entusiasmado . - Mas não podemos seguis as agora ... Ernie e Hannah ouviam nos com curiosidade . Harry viu as aranhas desaparecerem . - Parecem ir em a direcção de a floresta proibida ... E o Ron ficou ainda mais infeliz a o ouvir aquilo . Em o final de a aula , o professor Snape acompanhou os alunos a a « Defesa contra as artes negras » . Harry e Ron foram atrás de os outros para poderem conversar sem serem ouvidos . - Temos de usar outra_vez o manto de a invisibilidade - disse Harry a o Ron . - Podemos levar connosco o Fang , ele está habituado a ir a a floresta com o Hagrid , pode ser uma boa ajuda . - Certo - disse o Ron , que fazia girar nervosamente a varinha em os dedos . - Er ... não costuma haver ... não costuma haver lobisomens em a floresta ? - acrescentou enquanto ocupavam os lugares de o costume em a aula de o Lockhart . Preferindo não responder a a pergunta , Harry disse : - Também há lá coisas boas . Os centauros são fixes e os unicórnios . Ron nunca estivera em a floresta proibida , Harry fora lá só uma_vez e desejara não ter de lá voltar . Lockhart deu um salto para dentro de a sala de aula e os alunos ficaram espantados a olhar para ele . Todos os outros professores andavam mais tristes do_que o habitual mas Lockhart parecia sentir se em as nuvens . - Então , então - exclamou , olhando em volta . - Porquê essas caras deprimidas ? Lançaram lhe olhares exasperados mas ninguém respondeu . - Não compreendem - disse , falando devagar como_se fossem todos um_pouco estúpidos - que o perigo já passou ? O culpado foi se embora . -- Quem disse ? - retorquiu Dean_Thomas em voz alta . -- Meu caro jovem , o ministro de a magia não teria levado Hagrid se não estivesse cem por_cento certo de que ele era o culpado - disse Lockhart como quem explica que um e um são dois . - Teria , sim - disse o Ron , em um tom de voz ainda mais alto do_que o de o Dean . - Eu julgo saber um_pouco mais sobre a prisão de o Hagrid do_que o senhor , Mr._Weasley - disse Lockhart com notória auto-satisfação . Ron começou a dizer que discordava mas foi interrompido por o Harry que lhe deu um forte pontapé por debaixo de a mesa . - Nós não estávamos lá , lembras te ? - murmurou . Mas a alegria revoltante de o Lockhart , as insinuações de que sempre tinha achado que o Hagrid não prestava , a sua certeza de que tudo aquilo estava a chegar a o fim , irritou Harry de tal maneira que teve vontade de lhe atirar as * _ Viagens com Vampiros * e de lhe acertar em aquela cara estúpida . Mas , em vez de isso , limitou se a escrevinhar um bilhete para o Ron : * _ Vamos lá hoje a a noite * . Ron leu a mensagem , engoliu em seco e olhou para o lugar onde Hermione costumava sentar se . A cadeira vazia pareceu ajudá o a decidir se e acenou afirmativamente . A sala comum de os Gryffindor estava agora sempre cheia porque , depois de as seis_da_tarde , os Gryffindor não tinham outro lugar para ir . Por outro lado , tinham imenso para conversar , por isso a sala comum mantinha se cheia de gente até depois de a meia-noite . Logo_a_seguir a o jantar , Harry foi buscar o manto de a invisibilidade a a mala onde estava guardado e passou todo o serão a a espera que a sala esvaziasse . O Fred e o George desafiaram o para alguns jogos de explosão e a Ginny sentou se , muito preocupada , a observá os , em a cadeira habitual de Hermione . Harry e Ron fartaram se de perder de propósito em uma tentativa de pôr rapidamente fim a os jogos mas , mesmo_assim , já passava bastante de a meia-noite quando o Fred , o George e a Ginny se foram , finalmente , deitar . Harry e Ron esperaram até ouvir as portas de os dois dormitórios fecharem se . Em seguida , pegaram em o manto , lançaram o sobre ambos e passaram por o buraco de o retrato . Era mais uma difícil travessia de o castelo , tendo de fintar todos os professores . Finalmente , chegaram a o * hall * de entrada , giraram o fecho de as portas de carvalho , esgueiraram se tentando não fazer barulho e aventuraram se nos campos iluminados por o luar . - É claro que - disse bruscamente o Ron , enquanto atravessavam os relvados negros - podemos perfeitamente chegar a a floresta e descobrir que não há nada para seguir . As aranhas podem não ter ido para lá . É certo que parecia que tomavam essa direcção , mas ... Felizmente a lengalenga não durou muito . Chegaram a a casa de o Hagrid que tinha um ar triste com as suas janelas vazias . Logo_que Harry empurrou a porta e a abriu , o Fang saltou , louco de alegria por os ver . Preocupados , não fosse ele acordar toda_a_gente em o castelo com o seu ladrar forte e agitado , deram lhe rapidamente a comer bombons de melaço que estavam em uma lata sobre a lareira e que lhe colaram os dentes de cima a os de baixo . Harry pousou o manto de a invisibilidade sobre a mesa de o Hagrid . Não iam precisar de ele em a floresta escura como breu . - Anda , Fang , vamos dar um passeio - disse Harry , batendo lhe a o de leve em a pata e Fang saiu feliz , a os saltos , atrás de eles . Precipitou se até a a orla de a floresta e levantou a perna contra uma enorme figueira-do-egipto . Harry pegou em a varinha , murmurou * _ Lumus * ! e uma pequenina luz surgiu em a ponta de a varinha , suficiente para lhes mostrar o caminho e ajudá os a descobrir a pista de as aranhas . - Bem pensado - disse o Ron . - Eu acendia também a minha mas , sabes como ela está , ainda estoirava ou qualquer coisa assim ... Harry tocou em o ombro de o Ron , apontando para as ervas . Duas aranhas solitárias fugiam de a luz de a varinha , aproximando se de a sombra de as árvores . - O. _ K. - disse o Ron , resignando se com o pior . - Estou pronto , vamos . Então , com o Fang a correr atrás de eles , cheirando as raízes de as árvores e as folhas , entraram em a floresta . Seguindo a luz de a varinha de o Harry seguiram a fila disciplinada de aranhas que se movia a o longo de o caminho . Andaram durante cerca de vinte minutos , sem falar , atentos a todos os ruídos que não fossem os de os ramos caídos e de as folhas secas . Então , quando as copas de as árvores se tinham tornado mais cerradas do_que nunca , de_tal_modo_que as estrelas em o céu já não eram visíveis e a varinha de o Harry brilhava isolada em um mar de escuridão , viram as aranhas que eles seguiam a abandonar o caminho . Harry parou , tentando ver para_onde iam mas tudo_o_que ficava longe de a sua pequenina luz era negro de breu . Ele nunca fora tão longe em a floresta . Lembrava se muito bem de Hagrid lhe ter dito , de a última vez que ali tinham estado , que nunca saísse de o caminho de a floresta . Mas Hagrid agora estava a muitos quilómetros de distância e ele também lhes dissera que seguissem as aranhas . Uma coisa húmida tocou em a mão de o Harry e ele deu um salto para trás , pisando o pé a o Ron . Mas afinal era apenas o focinho de o Fang . - O que é_que tu achas ? - perguntou ele a o Ron cujos olhos conseguia vislumbrar , reflectindo a luz de a varinha . - Já_que viemos até aqui - disse ele . Seguiram , portanto as sombras velozes de as aranhas em direcção a as árvores . Não podiam agora andar muito depressa . Tinham em a frente raízes de árvores e troncos cortados que mal se viam em aquela escuridão . Harry sentia o bafo quente de Fang em a mão . Por mais de uma_vez tiveram de parar para o Harry se baixar e descobrir as aranhas a a luz de a varinha . Andaram durante o que lhes pareceu ter sido pelo_menos meia_hora , com os mantos a roçarem em os ramos mais baixos e em as silvas . A o fim de algum tempo repararam que o chão parecia inclinar se para baixo embora as árvores continuassem cerradas . Foi então que o Fang soltou um latido que ecoou em volta , fazendo Harry e Ron darem um salto , ambos com os cabelos em pé . - O que foi ? - gritou o Ron , olhando em volta para a escuridão e agarrando Harry com força , por o cotovelo . - Há qualquer coisa ali a mexer se - murmurou Harry - Ouve ... parece ser grande . Ficaram a ouvir . Um_pouco para a direita algo de grandes dimensões partia os ramos enquanto abria caminho através de as árvores . - Oh ! não - disse o Ron . - Oh ! não , não ... - Cala te - insistiu o Harry , nervoso . - Seja o que for , vai acabar por te ouvir . - Ouvir me ? - disse o Ron , em um tom de voz muito pouco natural . - Já ouviu . Fang ! A escuridão parecia esmagar lhes os globos oculares enquanto ali ficaram apavorados , a a espera . Houve um estranho ruído , surdo e prolongado , e em seguida o silêncio . - O que estará a fazer ? - perguntou Harry . - Talvez esteja a preparar se para atacar - disse o Ron . Esperaram , a tremer , sem ousarem mexer se . - Achas que se foi embora ? - murmurou Harry . - Não sei . Em esse momento , de o lado direito veio um clarão de luz tão forte em o meio de o escuro que os dois levaram as mãos a a cara para proteger os olhos . O Fang ganiu e tentou fugir mas viu se envolvido em um emaranhado de espinhos e ganiu ainda mais alto . - Harry - gritou o Ron com grande alívio em a voz . - Harry , é o nosso carro . - O quê ? - Anda ver . Harry avançou a os tropeções atrás de o Ron , em direcção a a luz e em o momento seguinte estavam em uma clareira . O carro de Mr._Weasley ali estava , vazio , no_meio_de um círculo de árvores grossas , sob um telhado de ramos densos , os faróis de a frente resplandecentes . Quando Ron se aproximou de boca aberta , moveu se lentamente em direcção a ele como_se fosse um grande cão azul turquesa , cumprimentando o dono . - Tem estado aqui todo este tempo - disse o Ron satisfeitíssimo , aproximando se de o carro . - Olha para ele , a floresta tornou o selvagem ... O guarda-lamas estava riscado e cheio de lodo . Parecia que tinha andado a passear sozinho por a floresta . Fang não gostou lá muito de ele . Manteve se a o lado de o Harry que podia senti o a tremer . Com a respiração normalizada , Harry guardou a varinha em o manto . - E nós a pensarmos que ele nos ia atacar - disse o Ron , encostando se a o carro e dando lhe duas palmadinhas - As voltas que eu dei a a cabeça a pensar para_onde ele teria ido ! Harry olhava para todos os lados , em o chão iluminado , em busca de mais aranhas mas todas elas tinham fugido de o brilho de as luzes . - Perdemos as de vista - disse ele . - Anda , vamos procurá as . Ron não disse nada . Não se moveu . Tinha os olhos fixos em um ponto , três metros acima de o chão de a floresta , mesmo atrás de o Harry . O seu rosto estava lívido de terror . Harry nem teve tempo de se voltar . Ouviu se um ruído alto e seco e sentiu que alguma coisa longa e peluda o elevava em o ar com o rosto voltado para baixo . Debatendo se , apavorado , ouviu outro estalido e viu as pernas de o Ron serem também levantadas de o chão . Ouviu o Fang gemer e ganir e , em o momento seguinte , era levado para o meio de as árvores escuras . Com a cabeça a balouçar , Harry viu que a coisa que o transportava tinha seis enormes patas peludas e que as duas de a frente o agarravam com forca sob um par de tenazes pretas e brilhantes . Atrás_de si podia ouvir outra de aquelas criaturas que , sem dúvida , transportava o Ron . Encaminhavam se para o coração de a floresta . Harry ouvia o Fang a ladrar , tentando libertar se de um terceiro monstro mas Harry não podia gritar mesmo_que quisesse , parecia que tinha deixado a voz em a clareira , junto com o carro . Não soube quanto tempo esteve em as patas de a criatura , só se apercebeu que a escuridão se atenuara um_pouco , permitindo lhe ver que o chão coberto de folhas estava agora repleto de aranhas . Voltando a cabeça para o lado , deu se conta de que tinham chegado a a base de uma enorme cova , uma cova que fora limpa de árvores para que as estrelas iluminassem com o seu brilho a cena mais pavorosa que os seus olhos alguma vez tinham visto . Aranhas . Não aranhas pequeninas como aquelas que estavam sobre as folhas . Aranhas de o tamanho de enormes cavalos , com oito olhos , oito pernas pretas , peludas , gigantescas . O espécimen que transportava Harry desceu o terreno íngreme até uma teia brumosa em forma de cúpula que ficava mesmo em o meio de a cova , enquanto os companheiros se juntavam em volta , batendo excitadíssimos com as tenazes e olhando para o que eles traziam a as costas . Harry caiu em o chão de gatas quando a aranha o libertou . Ron e Fang foram cair perto de ele . O Fang já não gania . Estava agachado e muito quieto . Ron e Harry partilhavam o mesmo sentimento . O Ron tinha a boca aberta em uma espécie de grito silencioso e os olhos a saltarem lhe de as órbitas . Harry percebeu de repente que a aranha que o deitara a o chão estava a dizer qualquer coisa . Era difícil entender porque entre cada duas palavras , batia com as tenazes . - Aragog - chamou . - Aragog . E de o meio de a teia brumosa em forma de cúpula saiu muito lentamente uma aranha de o tamanho de um pequeno elefante . As costas e as pernas estavam cobertas de pêlo cinzento e , em a cabeça feia , munida de tenazes , estavam vários olhos , todos eles de um branco leitoso . Era cega . - O que foi ? - disse , batendo rapidamente com as tenazes uma em a outra . - Homens - respondeu a aranha que trouxera o Harry . - É o Hagrid ? - perguntou Aragog , aproximando se mais com os seus oito olhos leitosos a vaguear . - Estranhos - respondeu a aranha que trouxera o Ron . - Matem nos - disse Aragog , irritada . - Eu estava a dormir ... - Nós somos amigos de o Hagrid - gritou Harry . Parecia que o coração lhe saltava por a boca . Clic , clic , clic fizeram as tenazes de a aranha , em volta de a cova . Aragog parou . - O Hagrid nunca mandou homens a a nossa cova - disse lentamente . - O Hagrid está em perigo - explicou Harry , respirando muito depressa . - Foi por isso que eu vim . - Em perigo ? - repetiu a aranha idosa e pareceu a Harry sentir preocupação por detrás de as suas tenazes . - Mas porque vos mandou ele cá ? Harry pensou pôr se de pé mas achou melhor não arriscar . As pernas provavelmente não teriam força para o sustentar . Falou portanto de o chão , o mais calmamente que foi capaz . - Eles lá em a escola pensam que o Hagrid soltou qualquer coisa contra os estudantes . Mandaram o para Azkaban . Aragog bateu furiosamente com as tenazes e , em toda_a cova , o eco foi reproduzido por uma multidão de aranhas . Era uma espécie de aplauso com uma única diferença : os aplausos não costumavam fazer o Harry quase morrer de medo . - Mas isso foi há muitos anos - disse Aragog , maldisposta . - Há anos e anos . Lembro me muito bem . Foi por isso que o expulsaram de a escola . Eles pensaram que eu era o monstro que vive em aquilo a que eles chamam a Câmara_dos_Segredos . Pensaram que o Hagrid a tinha aberto para me libertar . - E tu ... não vieste de a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Harry que sentia a testa cheia de suores frios . - Eu - disse Aragog , batendo irritada com as tenazes - , eu não nasci em o castelo . Venho de uma terra distante . Um viajante ofereceu me a o Hagrid quando eu era ainda um ovo . Hagrid era um rapazinho mas tratou de mim , escondeu me em uma despensa dentro de o castelo e alimentava me com as migalhas que ficavam em as mesas . Hagrid é o meu bom amigo e um bom homem . Quando me encontraram e me culparam por a morte de uma rapariga , ele protegeu me . Desde_então , tenho vivido aqui em a floresta onde o Hagrid ainda vem visitar me . Ele até me arranjou uma esposa , Mosag , e estão a ver como a família cresceu , tudo graças a a bondade de o Hagrid ... Harry reuniu a coragem que lhe restava . - Então tu nunca atacaste ninguém ? - Nunca - resmungou a velha aranha . - Era esse o meu instinto , mas por respeito a Hagrid nunca fiz mal a nenhum humano . O corpo de a rapariga morta foi encontrado em uma casa_de_banho , ora eu nunca conheci mais do_que despensa de o castelo , onde cresci . Nós gostamos de o escuro de o silêncio . - Mas então ... sabes o que matou essa rapariga ? - perguntou Harry . - Porque seja o que for , está a atacar as pessoas outra_vez ... As suas palavras foram abafadas por uma audível explosão de tenazes a bater e por o ruge-ruge de muitas pernas longas , deslocando se iradas . Em volta de Harry começaram a mover se sombras escuras . - O que vive em o castelo - disse Aragog - é uma antiga criatura que nós , aranhas , tememos acima_de todas_as outras . Lembro me bem de o quanto insisti com Hagrid para que me deixasse sair de ali quando senti a criatura a andar por a escola . - O que é ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Mais tenazes a bater , mais pernas a moverem se . As aranhas pareciam estar a aproximar se . - Nós não falamos de isso - exclamou Aragog furiosa . - Não pronunciamos o seu nome . Eu nunca disse a o Hagrid o nome de a horrível criatura , apesar_de ele me ter perguntado vezes sem conta . Harry não quis insistir , principalmente com todas aquelas aranhas a aproximarem se de todos os lados . Aragog parecia ter se cansado de falar . Recuava lentamente para a teia em forma de cúpula , mas as companheiras continuavam a aproximar se ameaçadoramente de Harry e Ron . - Vamos embora , então - gritou Harry , desesperadamente a Aragog , enquanto ouvia as folhas secas a estalarem atrás_de si . - Embora ? - disse Aragog lentamente . - Não me parece ... - Mas , mas ... - Os meus filhos e filhas não fazem mal a o Hagrid por ordem minha . Mas não posso negar lhes carne fresca quando ela veio por vontade própria ter connosco . Adeus , amigo de o Hagrid . Harry deu meia volta . Poucos centímetros acima de ele , uma sólida parede de aranhas batia com as tenazes , os seus muitos olhos a brilharem em as horríveis caras pretas . Mesmo_que se servisse de a varinha , Harry sabia que não ia valer de nada . As aranhas eram demasiadas , mas quando tentava preparar se para morrer a lutar , ouviu se um som prolongado e um clarão de luz iluminou a cova . O carro de Mr._Weasley ribombava , descendo o declive , com os faróis acesos , a buzina a guinchar , afastando as aranhas . Muitas de elas ficaram voltadas ao_contrário com as várias pernas a agitar se em o ar . O carro buzinou com mais força em frente de Harry e Ron e as portas abriram se . - Agarra o Fang - gritou Harry , ajeitando se em o lugar de a frente . Ron agarrou o cão caçador de javalis e lançou o a ganir para o banco de trás . As portas fecharam se com estrondo . Ron não tocou em o acelerador mas o carro não precisou de isso . O motor fez se ouvir e levantaram voo , batendo em mais aranhas . Subiram o declive , saindo de a cova e pouco depois atravessavam a floresta , os ramos a baterem em os vidros enquanto o carro seguia habilmente através de os intervalos maiores , por um caminho que obviamente já conhecia . Harry olhou para o Ron , a o seu lado . Ele tinha ainda a boca aberta em o mesmo grito silencioso mas os olhos já não estavam salientes . - Estás bem ? Ron olhou em frente , incapaz de responder . Começavam a descer para terra firme com o Fang a soltar enormes ganidos em o banco de trás e Harry viu o espelho retrovisor saltar quando passaram rente a um enorme carvalho . Após dez minutos bastante ruidosos , as árvores começaram a ser mais finas e Harry pôde ver de_novo pedaços de o céu . O carro parou tão bruscamente que quase foram projectados por o vidro de a frente . Tinham chegado a a orla de a floresta . O Fang ia agitadíssimo a a janela e quando Harry abriu a porta , disparou a correr através de as árvores até a a casa de o Hagrid , de cauda entre as pernas . Harry saiu também e um minuto depois o Ron pareceu recuperar a força em os membros e seguiu o , ainda com um torcicolo e de olhos esbugalhados . Harry deu uma palmadinha de agradecimento a o carro antes de ele dar a volta e desaparecer em direcção a a floresta . Harry voltou a a cabana de o Hagrid para buscar o manto de a invisibilidade . O Fang tremia em o seu cesto , coberto por um cobertor . Quando saiu de_novo , viu o Ron a vomitar junto de as abóboras . - Sigam as aranhas - disse ele debilmente , limpando a boca a a manga . - Nunca vou perdoar a o Hagrid . É uma sorte ainda estarmos vivos . - Aposto que ele pensou que Aragog nunca faria mal a os seus amigos - justificou Harry . - Esse é justamente o problema de o Hagrid - interrompeu Ron , dando um soco em a parede de a cabana . - Ele acha sempre_que os monstros não são tão maus como os pintam e vê onde isso o levou , a uma cela em Azkaban - tremia agora descontroladamente . - Qual a ideia de ele a o mandar nos ali ? Gostava de saber o que é_que descobrimos . - Que o Hagrid nunca abriu a Câmara_dos_Segredos - disse Harry , lançando o manto sobre Ron e tocando lhe em o braço para o encorajar a andar . - Ele estava inocente . Ron resmungou em voz alta . Para ele , chocar Aragog em uma despensa não era propriamente estar inocente . Quando se aproximaram de o castelo , Harry esticou o manto para garantir que os pés de ambos ficavam cobertos . Em seguida , empurrou as portas de a frente que chiaram . Atravessaram com todo o cuidado o * hall * de entrada e subiram a escadaria de mármore , contendo a respiração em os corredores guardados por sentinelas atentos . Por fim , chegaram a a segurança de a sala de os Gryffindor onde o lume ardera até se transformar em brasas brilhantes . Tiraram o manto e subiram a escada serpenteante que os levava a o dormitório . Ron caiu em a cama sem sequer se despir mas Harry , apesar_de tudo , não tinha sono . Sentou se em a beirinha de a cama , pensando em todas_as coisas que Aragog dissera . A criatura que andava por o castelo , pensou , era uma espécie de monstro Voldemort , nem os outros monstros queriam pronunciar o seu nome . Mas ele e o Ron não estavam agora mais perto_de descobrir o que era nem como petrificava as suas vítimas . Se nem o Hagrid chegara a saber o que estava em a Câmara_dos_Segredos ... Harry balançou as pernas e atirou se para_cima de a cama . Encostado a as almofadas olhou a Lua que brilhava através de a janela de a torre . Não sabia que mais poderiam fazer . Só tinham encontrado portas fechadas . Riddle apanhara a pessoa errada . O herdeiro de Slytherin fugira e ninguém sabia se era a mesma pessoa ou uma outra que abrira , desta_vez , a Câmara_dos_Segredos . Não havia mais ninguém a quem fazer perguntas . Harry deitou se ainda a pensar em as palavras de Aragog . Estava a começar a ficar com sono quando aquilo que parecia ser uma última esperança lhe ocorreu , fazendo o sentar se muito direito em a cama . - Ron - sussurrou em o escuro . - Ron . Ron acordou com um ganido como os de o Fang . Olhou muito assustado em volta e viu o Harry . - Ron , a rapariga que morreu . Aragog contou nos que ela foi encontrada em uma casa_de_banho - disse , ignorando os roncos de o Neville em o outro canto de o quarto . - E se ela nunca tivesse saído de a casa_de_banho ? E se ainda lá estiver ? Ron esfregou os olhos , franzindo as sobrancelhas sob a luz de a Lua . E só então compreendeu . -- Não pensar que ... a Murta_Queixosa ? XVI_A_Câmara_dos_Segredos -- E estivemos nós tantas vezes em aquela casa_de_banho com ela apenas a três cubículos de distância - disse o Ron amargamente em o dia seguinte , a a mesa de o pequeno-almoço . - Podíamos ter lhe perguntado e agora ... Já fora bastante difícil procurar as aranhas . Escapar a os professores o tempo suficiente para ir até a a casa_de_banho de as raparigas , que ficava mesmo em frente de o lugar onde ocorrera o primeiro ataque , ia ser quase impossível . Mas alguma coisa aconteceu que fez com que a Câmara_dos_Segredos desaparecesse de os seus pensamentos pela_primeira_vez em várias semanas . A professora Mc_Gonagall comunicou lhes que os exames começariam a 1_de_Junho , uma semana depois . - Exames ? - gritou Seamus_Finnigan . - Nós mesmo_assim vamos ter exames ? Ouviu se um estrondo atrás de o Harry quando a varinha de o Neville_Longbottom lhe escapou de a mão , fazendo desaparecer uma de as pernas de a secretária . A professora Mc_Gonagall repô a com a sua varinha e voltou se com má cara para o Seamus . - Se temos a escola aberta em uma altura de estas é para vocês receberem instrução - disse com dureza . - Os exames terão lugar , portanto , como é costume e espero que todos vocês façam revisões até lá . Revisões . Não passara por a cabeça de o Harry que houvesse exames com o castelo em aquele estado . Houve uma série de murmúrios revoltados , o que fez com que a professora Mc_Gonagall ficasse ainda mais mal-humorada . - As instruções de o professor Dumbledore foram para manter a escola a funcionar o mais normalmente possível - disse . - E isso , não preciso de vos dizer , passa por uma avaliação de o quanto vocês aprenderam a o longo de este ano . Harry olhou para baixo , para o casal de coelhos brancos que ele deveria transformar em pantufas . Que tinha ele aprendido durante o ano ? Não era capaz de se lembrar de nada que fosse útil em um exame . Ron estava como_se tivessem acabado de lhe dizer que a partir de aquele momento tinha de ir viver para a floresta proibida . - Estás a ver me a ter exames com isto tudo ? - perguntou a o Harry enquanto pegava em a varinha que tinha começado a assobiar bastante alto . Três dias antes de o primeiro exame , a a hora de o pequeno almoço , a professora Mc_Gonagall fez outra comunicação . - Tenho boas notícias - disse , e o salão em_vez_de se calar , explodiu de contentamento . - Dumbledore vai regressar ! - gritaram várias pessoas cheias de alegria . - Apanharam o herdeiro de Slytherin - arriscou uma rapariga em a mesa de os Ravenclaw . - Temos outra_vez os jogos de Quidditch - bradou Wood , excitadíssimo . Quando a agitação passou , Mc_Gonagall disse : - A professora Sprout informou me que as mandrágoras estão finalmente prontas para serem cortadas . Hoje a a noite vamos poder reanimar as pessoas que foram petrificadas . Escusado será dizer que certamente uma de elas poderá revelar nos quem ou o que a atacou . Eu tenho esperança que este ano pavoroso acabe com a prisão de o culpado . Houve uma explosão de aplausos . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e não ficou nada surpreendido a o ver que Draco_Malfoy não aplaudia . O Ron , por outro lado , estava satisfeito como ninguém o via havia dias . - Não faz mal não termos perguntado a a Murta . A Hermione vai , com certeza , ter todas_as respostas quando acordarem . Vai também ficar fula quando souber que temos exames dentro_de três dias . Ela não pôde fazer revisões . Seria melhor deixarem a estar onde está até a o final de os exames . Nessa_altura , Ginny_Weasley veio sentar se junto de o Ron . Parecia nervosa e tensa e Harry reparou que torcia as mãos em o colo . - O que se passa ? - perguntou o Ron , servindo se de mais papa de aveia . Ginny não disse nada mas olhou para um lado e para o outro de a mesa de os Gryffindor , com um olhar assustado que lembrou a Harry alguém que não sabia bem quem era . - Vá lá , vomita - disse o Ron , olhando para ela . Harry percebeu subitamente quem a Ginny lhe lembrara . Ela balançava se ligeiramente para a frente e para trás em a cadeira , exactamente como o Dobby fazia quando estava hesitante , à_beira_de revelar uma informação proibida . - Tenho de te dizer uma coisa - balbuciou a Ginny receosa , sem olhar para Harry . - O que é ? - perguntou ele . Ginny parecia incapaz de encontrar as palavras certas . - O quê ? - insistiu Ron . Ginny abriu a boca mas não saiu nenhum som . Harry inclinou se para a frente e falou devagar para que só ela e Ron pudessem ouvi o . - É alguma coisa relacionada com a Câmara_dos_Segredos ? Viste alguma coisa ou alguém a agir de forma estranha ? Ginny respirou fundo e , em esse preciso momento , apareceu Percy_Weasley com um ar pálido e cansado . - Se já acabaste de comer eu fico com esse lugar , Ginny . Estou cheio de fome . Acabei agora o meu trabalho de patrulhamento . Ginny deu um salto como_se a cadeira tivesse acabado de ser electrificada , lançou a o Percy um olhar assustado e zarpou . Percy sentou se e tirou uma caneca de o meio de a mesa . -- Percy - disse o Ron aborrecido . - Ela ia agora mesmo contar nos uma coisa importante . A meio de um gole de chá , Percy estremeceu . - Que coisa ? - perguntou , tossindo . - Eu quis saber se ela tinha visto alguma coisa estranha e ela ia dizer ... - Ah ! isso ... não tem nada que ver com a Câmara_dos_Segredos - disse o Percy de imediato . - Como sabes ? - indagou o Ron , erguendo as sobrancelhas . - Bem ... er ... já_que perguntam , a Ginny ... er ... passou por mim em outro dia quando eu ... er ... não foi nada , o importante é_que ela viu me fazer uma coisa e eu ... um ... pedi lhe para não comentar com ninguém . Não pensei que ela cumprisse a palavra , verdade se diga . Não é nada importante , eu só ... Harry nunca vira o Percy tão pouco a a vontade . - O que estavas a fazer , Percy ? - riu se o Ron . - Vá lá , conta que nós não nos rimos . Percy ficou sério . - Passa me esses pãezinhos , Harry , estou cheio de fome . Harry sabia que todo o mistério poderia ser desvendado em o dia seguinte sem a ajuda de eles mas não ia deixar de falar com a Murta_Queixosa se a oportunidade surgisse . E , para sua grande satisfação , ela surgiu a meio de a manhã quando eram conduzidos a a aula de História_da_Magia_por_Gilderoy_Lockhart . Lockhart , que tantas vezes lhes assegurara que o perigo tinha passado , estava agora totalmente convencido de que acompanhar os alunos em os corredores era um trabalho inútil . O seu cabelo estava mais liso do_que de costume . Parecia ter passado toda_a noite acordado a vigiar o quarto andar . - Podem escrever o que eu digo - afirmou , acompanhando os até uma esquina . - As primeiras palavras que vão sair de a boca de aquelas pobres pessoas petrificadas serão - * _ Foi_o_Hagrid * . Francamente , estou espantado por a professora Mc_Gonagall considerar ainda necessárias estas medidas de segurança . - Concordo , professor - disse Harry , fazendo com que Ron , surpreendido , deixasse cair os livros a o chão . - Obrigado , Harry - disse Lockhart amavelmente , enquanto deixavam passar uma grande fila de Hufflepuffs . - verdade é_que os professores já têm bastante que fazer para andarem também a acompanhar os alunos a as aulas e a guardar os corredores a a noite ... - É verdade - disse o Ron , percebendo a ideia . - Porque não nos deixa aqui , professor , só falta mais um corredor . - Sabes , Weasley , sou mesmo capaz de fazer isso - disse Lockhart . - Preciso de preparar a minha próxima aula . E apressou se a seguir o seu caminho . - Preparar a aula - zombou o Ron . - Vai encaracolar o cabelo , é o mais certo . Deixaram os restantes Gryffindor passar lhes a a frente e por fim cortaram caminho em um corredor lateral e dirigiram se a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mas quando estavam a congratular se por o seu esquema brilhante ... - Potter , Weasley ! Que estão vocês a fazer aqui ? Era a professora Mc_Gonagall e a boca de ela estava mais fina do_que nunca . - Nós estávamos , estávamos - gaguejou o Ron . - Nós íamos ver , íamos ver ... - Hermione - completou Harry . A professora Mc_Gonagall e Ron olharam para ele . - Não a vemos há séculos , professora - prosseguiu Harry , pisando o pé a o Ron . - E pensamos ir espreitá a a a ala hospitalar e dizer lhe que as mandrágoras estão quase prontas , para ela não se preocupar . A professora Mc_Gonagall estava ainda a olhar para ele e , por um momento , Harry pensou que ela ia explodir mas , quando falou , fê lo em um tom de voz estranhamente rouco . - É claro - disse . E Harry , espantado , viu uma lágrima a brilhar lhe em o canto de um de os olhos . - É claro . Eu compreendo que tudo_isto tem sido muito duro para os amigos de aqueles que foram ... eu compreendo , sim , Potter . Podem ir visitar Miss_Granger . Eu mesma informarei o professor Binns de que vocês estão em o hospital . Digam a Madam_Pomfrey que vos dei autorização . Harry e Ron afastaram se , quase sem acreditar que tinham escapado a um castigo . Quando voltaram em uma esquina ouviram nitidamente a professora Mc_Gonagall a assoar se . - Esta - disse o Ron entusiasmado - foi a melhor história que tu alguma vez inventaste . Não tinham outro remédio senão ir a a ala hospitalar e dizer a Madam_Pomfrey que tinham autorização de a professora Mc_Gonagall para visitar Hermione . Madam_Pomfrey deixou os entrar com alguma relutância . - Não vale a pena falar com uma pessoa petrificada - disse , e ambos tiveram que admitir que ela tinha razão quando se sentaram junto de Hermione e constataram que ela não tinha a menor noção de estar acompanhada . Dizer lhe que não se preocupasse ou falar com o armário que estava a o lado de a cama era exactamente a mesma coisa . - Será que ela viu quem a atacou ? - perguntou o Ron , olhando com tristeza para o rosto rígido de Hermione . - Porque se a coisa saltou sobre eles , ficaremos todos sem saber de nada . Mas Harry não olhava para o rosto de Hermione . Estava mais interessado em a sua mão direita que se encontrava pousada sobre os cobertores e , inclinando se para ela , viu que tinha , fechado entre os dedos , um pedaço de papel . Assegurando se de que Madam_Pomfrey não dava por nada , fez sinal a o Ron . - Tenta tirá o - murmurou ele , colocando a cadeira de_modo_a que Madam_Pomfrey não pudesse ver o Harry . Não foi tarefa fácil . A mão de a Hermione estava fechada com uma força tal que Harry receou parti a . Enquanto Ron vigiava , ele forçou e torceu até que , por fim , depois de vários minutos bastante tensos , conseguiu tirar o papel . Era uma página retirada de um livro muito antigo de a biblioteca . Harry alisou a ansiosamente e Ron inclinou se para poder lês a também . * _ De todos os monstros assustadores que pairam a a face de a Terra , nenhum é tão curioso nem tão fatal como o Basilisk , também conhecido por o rei de as serpentes . Esta cobra que pode atingir proporções gigantescas e viver durante muitas centenas de anos nasce de um ovo de galinha que é chocado por um sapo . As suas formas de matar são pavorosas pois além de os dentes venenosos e mortais , o Basilisk tem um olhar criminoso e todos aqueles que ele fixa com os olhos tem morte instantânea . As aranhas fogem a sete pés de o Basilisk que é seu inimigo mortal , e o Basilisk foge apenas de o canto de o galo que para ele é fatal * . Por debaixo de isto uma única palavra fora escrita , em a letra que Harry reconheceu como sendo de Hermione : Canos . Foi como_se se tivesse acendido uma luz em o seu espírito . - Ron - murmurou - é isso . Está aqui a resposta . O monstro de a Câmara_dos_Segredos é um Basilisk , uma serpente gigante . Por isso , só eu tenho ouvido a sua voz em todos os lugares , porque eu compreendo * serpentês * ... Harry olhou para as camas em volta . - O Basilisk mata as pessoas fixando as com o olhar mas ninguém morreu , o que quer_dizer que ninguém o olhou directamente em os olhos . Colin viu o através de a lente de a máquina fotográfica e o Basilisk queimou o rolo que estava lá dentro mas o Colin ficou apenas petrificado . O Justin ... o Justin deve ter visto o Basilisk através de o Nick quase sem cabeça . O Nick é_que levou com o olhar mas não podia morrer outra_vez ... e perto de a Hermione e de a prefeita de os Ravenclaw foi encontrado um espelho . Hermione acabara de compreender que o monstro era um Basilisk . Aposto que preveniu a primeira pessoa que encontrou de que era melhor olhar por um espelho a o virar de cada esquina . E aquela rapariga puxou de o seu espelho e ... O Ron estava de queixo caído . - E Mrs._Norris ? - perguntou vivamente . Harry pensou um_pouco , tentando imaginar a cena em a noite de o Halloween . - A água . . . - disse lentamente . - A poça de água que saiu de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Aposto que Mrs._Norris só viu o reflexo de o monstro . Examinou a folha de papel que tinha em a mão . Quanto_mais olhava mais sentido faziam as coisas . - * _ O cantar de o galo é fatal para ele * - leu em voz alta . - Os galos de o Hagrid foram mortos . O herdeiro de Slytherin não queria um único galo perto de o castelo , com a câmara aberta . * _ As aranhas são as primeiras a fugir * . Tudo encaixa . - Mas , como tem o Basilisk andado por aí ? - disse o Ron . - Uma serpente horrível e enorme ... alguém a teria visto . Mas Harry apontou para a palavra que Hermione escrevinhara em o final de a página . - Canos - disse . - Canos ... Ron , ele tem usado a canalização . Eu ouvi sempre a voz dentro de as paredes ... Ron agarrou subitamente o braço de o Harry . - A entrada para a Câmara_dos_Segredos - disse em uma voz rouca . - E se for em uma casa_de_banho ? Se for em a ... - Em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa - completou Harry . Sentaram se , tomados de uma excitação enorme , mal querendo acreditar . - Isso significa que - disse o Harry - eu não posso ser o único em a escola a falar * serpentês * . Há também o herdeiro de Slytherin . É de esse modo que tem controlado o Basilisk . - O que vamos fazer ? - perguntou Ron com os olhos a faiscar . - Vamos falar com a Mc_Gonagall ? - Vamos até a a sala de os professores - disse Harry , dando um salto . - Ela estará lá dentro_de dez minutos , está quase em o intervalo . Desceram a escada a correr . Não querendo ser descobertos outra_vez a vaguear por os corredores foram directamente até a a sala de os professores que estava deserta . Era uma divisão ampla , toda forrada , com cadeiras de madeira escura . Harry e Ron passearam de um lado para o outro , demasiado nervosos para se sentarem . Mas a campainha anunciando o intervalo nunca mais tocava . Em vez de isso , ecoando em os corredores , ouviram a voz de a professora Mc_Gonagall incrivelmente ampliada . - * _ Todos os alunos devem regressar de imediato a os seus dormitórios . Todos os professores a a sala de professores . Imediatamente , por favor * . Harry deu meia volta e olhou para o Ron . - Não me digas que houve um novo ataque , não agora ! - Que vamos fazer ? - disse o Ron aterrado . - Voltar para o dormitório ? - Não - disse Harry , olhando e m volta . Havia uma espécie de armário a a sua esquerda cheio com os mantos de os professores . - Ali . Vamos ouvir o que se passa . A seguir poderemos contar lhes o que descobrimos . Esconderam se dentro de o armário , ouvindo a algazarra de centenas de pessoas e a porta de a sala de professores a abrir se . De o meio de a confusão de mantos bafientos , viram os professores encherem a sala . Alguns tinham um ar totalmente confuso , outros pareciam apavorados . Por fim , chegou a professora Mc_Gonagall . - Aconteceu - disse em o silêncio de a sala de professores . - O monstro levou uma aluna . Levou a mesmo para a câmara . O professor Flitwick soltou um grito agudo . A professora Sprout bateu com a mão em a boca . Snape agarrou com força as costas de uma cadeira e perguntou : - Como pode ter tanta certeza ? - O herdeiro de Slytherin - disse a professora Mc_Gonagall , muito pálida . - Deixou outra mensagem . Mesmo por baixo de a primeira : « * _ O esqueleto de ela ficará para sempre em a Câmara_dos_Segredos * . » O professor Flitwick desatou a chorar . - Quem é ela ? - quis saber Madam_Hooch que se afundara em uma cadeira . - Quem é a aluna ? - Ginny_Weasley - disse a professora Mc_Gonagall . Harry viu o Ron , a o seu lado , escorregar silenciosamente até a o chão de o armário . - Vamos ter que mandar todos os alunos embora amanhã - disse a professora Mc_Gonagall . Isto_é o fim de Hogwarts , Dumbledore sempre disse ... A porta de a sala de os professores voltou a abrir se . Por um breve momento , Harry pensou que fosse Dumbledore mas era Lockhart e vinha todo sorridente . - Peço desculpa , adormeci . Perdi alguma coisa ? Não pareceu reparar que os outros professores o olhavam com uma espécie de aversão . Snape deu um passo em frente . - O homem que faltava - disse . - O homem certo . O monstro raptou uma garota , Lockhart levou a para a Câmara_dos_Segredos . O seu momento chegou . - Isso mesmo , Lockhart - acrescentou a professora Sprout . - Não estavas a dizer ontem a a noite que sempre tinhas sabido onde era a entrada para a Câmara_dos_Segredos ? - Eu ... bem ... eu-disse atabalhoadamente Lockhart . - Sim , não me disseste que sabias exactamente o que estava lá dentro ? - disse com voz esganiçada o professor Flitwick . - Eu disse ? Não me lembro ... - Lembro me perfeitamente de o ouvir dizer que lamentava não ter feito uma tentativa com o monstro antes de o Hagrid ser preso - disse Snape . - Não disse que toda_a história tinha sido uma atrapalhação e que deveriam ter lhe dado carta branca desde o princípio ? Lockhart olhou em volta para a cara de espanto de os colegas . - Eu ... nunca ... eu de facto ... deve ter me compreendido mal . - Então vamos deixar te , Gilderoy - disse a professora Mc_Gonagall . - Esta noite será uma excelente oportunidade para actuares . Nós trataremos de assegurar que ninguém te atrapalha . Vais poder enfrentar o monstro sozinho . Finalmente tens carta branca . Lockhart olhou desesperado a a sua volta mas ninguém foi salvá o . Já não estava bem-parecido . O lábio tremia lhe e a ausência de o seu habitual sorriso de dentes brancos dava lhe um ar escanzelado . - M-muito bem - disse . - Vou até a o meu escritório para ... para me preparar . E saiu de a sala . - _ óptimo - exclamou a professora Mc_Gonagall com as narinas dilatadas . - Isto deve afastá o de o nosso caminho . Os chefes de casa devem ir agora comunicar a os respectivos alunos o que se passou e informá os de que o Expresso_de_Hogwarts os levará a casa amanhã de manhã . Os restantes certifiquem se , por favor , de que não há alunos fora de os dormitórios . Os professores levantaram se e saíram um a um . Foi talvez o dia pior de a vida de o Harry . Ele , Ron , Fred e George sentaram se juntos a um canto em a sala comum de os Gryffindor , incapazes de proferir uma palavra . Percy não estava lá . Tinha ido tratar de enviar uma coruja a Mr. e Mrs._Weasley e , em seguida , fechara se em o dormitório . Nunca uma tarde custara tanto a passar e nunca a torre de os Gryfffindor estivera tão cheia de gente e tão silenciosa . Fred e George foram para a cama quase a o pôr de o Sol , incapazes de ficar ali mais tempo . - Ela sabia qualquer coisa , Harry - disse o Ron , falando pela_primeira_vez desde_que tinham saído de o armário de a sala de os professores . - Por isso a levaram . Não era nenhuma parvoíce sobre o Percy , ela tinha descoberto qualquer coisa sobre a Câmara_dos_Segredos . Com certeza por isso é_que a ... - Ron esfregou os olhos , enervadíssimo . - Afinal ela era sangue puro , não pode haver outra explicação . Harry olhava para o sol que mergulhava de um vermelho cor de sangue em a linha de o horizonte . Era a pior coisa que lhe tinha acontecido . Se pelo_menos pudessem fazer alguma coisa . - Harry - disse o Ron . - Achas que há alguma possibilidade de ela não estar ... ? Sabes o que eu quero dizer . Harry não sabia que resposta dar . Não acreditava que a Ginny pudesse ainda estar viva . - Sabes uma coisa ? - disse o Ron . - Acho que devíamos ir ter com o Lockhart , contar lhe o que sabemos . Ele vai tentar entrar em a câmara , podemos dizer lhe onde achamos que fica a entrada e contar lhe que o monstro é um Basilisk . Como Harry não tinha nenhuma ideia melhor e como queria fazer alguma coisa , concordou . Os Gryffindor que os rodeavam estavam tão tristes e com tanta pena de os Weasley que ninguém tentou impedi os quando os viram levantar se , atravessar a sala e sair por o buraco de o retrato . A escuridão começava a instalar se quando chegaram a o escritório de Lockhart onde a actividade era muita . De o corredor ouvia se o ruído de coisas a serem deitadas fora , pancadas surdas e passos apressados . Harry bateu a a porta e houve um silêncio repentino . Em seguida abriu se uma fresta de a porta e viram um de os olhos de Lockhart a espreitar . - Oh ! ... Mr._Potter ... Mr._Weasley - disse entreabrindo a porta . - Estou um_pouco ocupado em este momento , se forem rápidos ... - Professor , nós temos informações para lhe dar - disse o Harry . - Acho que poderão ajudá o . - Er ... bem ... não é - o lado de a cara de Lockhart que conseguiam ver parecia muito pouco a a vontade . - Quer_dizer ... bem ... está bem . Abriu a porta e eles entraram . O escritório estava praticamente vazio . Em o chão estavam duas grandes malas abertas . Mantos verde-jade , lilás , azul-noite tinham sido apressadamente dobrados e guardados dentro_de uma de as malas . Os livros misturavam se todos dentro de a outra . As fotografias que antes cobriam as paredes estavam agora arrumadas em caixas , em cima de a secretária . - Vai a algum lado ? - perguntou Harry . - Er ... bem ... sim - disse Lockhart , arrancando de a porta um poster seu em tamanho natural , enquanto falava , e começando a enrolá o . - Uma chamada urgente ... inevitável ... tenho que ir . - E a minha irmã ? - perguntou o Ron bruscamente . - Bem , quanto_a isso foi uma pena - disse Lockhart , evitando olhá os em os olhos , abrindo uma gaveta e começando a despejar o seu conteúdo dentro_de um saco . - Ninguém lamenta mais do_que eu ... - O senhor é o professor de Defesa contra as artes negras - disse Harry . - Não pode ir se embora agora_que todas estas coisas de magia negra estão a acontecer aqui . - Bem , devo dizer te que ... quando aceitei o lugar ... - resmungou Lockhart , empilhando soquetes sobre os mantos - nada em a descrição de o meu trabalho fazia prever ... - Quer_dizer que vai fugir ? - perguntou Harry , incrédulo . - Depois de todas_as coisas que conta em os seus livros ? - Os livros podem ser enganadores - disse Lockhart delicadamente . - Mas foi o senhor que os escreveu - gritou Harry . - Meu rapaz - disse Lockhart , endireitando se e franzindo as sobrancelhas - usa o senso comum . Os meus livros não teriam vendido metade do_que venderam se as pessoas não acreditassem que eu tinha feito todas aquelas coisas . Ninguém está interessado em ler sobre um velho feiticeiro americano mesmo_que ele tenha salvo uma cidade inteira de os lobisomens , ficaria péssimo em a capa . E a bruxa que correu com a fada carpideira tinha um lábio leporino . Como vês . - Quer_dizer que ficou com os louros por tudo_o_que uma série de outras pessoas fizeram ? - perguntou Harry , sem querer acreditar . - Harry , Harry - disse Lockhart , abanando impacientemente a cabeça . - Não é tão simples assim . Envolveu muito trabalho . Tive de localizar todas essas pessoas , perguntar lhes em pormenor como tinham feito as coisas . Depois tive de lhes fazer um feitiço antimemória para que não voltassem a lembrar se do_que tinham feito . Se há uma coisa de que me orgulho é de os meus feitiços antimemória . Não , tive muito trabalho , Harry . Não foram só as sessões de autógrafos e as fotografias , sabes ? Quem quer ser famoso tem de estar preparado para um trabalho longo e fatigante . Fechou as malas a a chave . - Vejamos - disse . - Acho que está tudo . Sim , só falta uma coisa . - Empunhou a varinha e voltou se para eles . - Lamento muito , rapazes , mas vou ter de vos fazer um feitiço antimemória . Não posso deixar que vão por aí repetir os meus segredos . Não venderia nem mais um livro . Harry pegou em a varinha mesmo a tempo e Lockhart mal tinha levantado a de ele a o ar quando Harry gritou * _ Expelliarmus ! * Lockhart foi projectado de costas , indo cair em cima de a mala . A varinha voou por os ares . Ron agarrou a e atirou a por a janela aberta . - Não devia ter deixado o professor Snape ensinar nos esta - disse Harry furioso , dando um pontapé a uma de as malas . Lockhart olhava para ele , de_novo escanzelado . Harry apontava lhe a varinha . - O que queres que eu faça ? - perguntou debilmente . - Eu não sei onde fica a Câmara_dos_Segredos . Não posso fazer nada . - Está com sorte - disse Harry , forçando o com a varinha a pôr se de pé . - Nós julgamos saber onde é e o que está lá dentro . Vamos . Conduziram Lockhart para fora de o seu escritório , desceram com ele as escadas e seguiram por o corredor escuro em cuja parede brilhavam as mensagens , até a a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mandaram Lockhart a a frente . Harry gostou de ver que todo ele tremia . A Murta_Queixosa estava sentada em a cisterna de o cubículo de o fundo . - Ah ! são vocês - disse a o ver o Harry . - O que querem agora ? - Perguntar te como morreste - disse Harry . O aspecto de a Murta mudou por completo . Parecia que nunca lhe tinham feito uma pergunta tão lisonjeira . - Ooooh ! Foi horrível - disse satisfeita . - Aconteceu aqui mesmo . Morri em este cubículo . Lembro me tão bem . Estava escondida porque a Olive_Hornby andava a implicar comigo por causa de os meus óculos . A porta estava fechada e eu estava a chorar e , então , ouvi alguém entrar . Disseram qualquer coisa estranha em uma língua diferente , acho eu . Mas o que mais me espantou foi o ser um rapaz a falar . Por isso , abri a porta para lhe dizer que fosse a a casa_de_banho de eles e em esse momento - a Murta inchou com ar importante , o rosto a brilhar - morri . - Como ? - perguntou Harry . - Não faço ideia - disse a Murta em um tom de voz abafado . - Só me lembro de ver dois grandes olhos amarelos , de o meu corpo ficar preso e em seguida , sentir me a flutuar ... - olhou sonhadoramente para Harry . - E depois voltei . Estava disposta a vingar me de a Olive_Hornby , percebes ? Ela ia arrepender se de ter gozado com os meus óculos . - Onde foi exactamente que viste os tais olhos ? - perguntou Harry . - Algures por aí - disse a Murta , apontando vagamente para o lavatório em frente de o seu cubículo . Harry e Ron apressaram se . Lockhart estava de pé , mais atrás , com uma expressão de pavor em o rosto . O lavatório parecia perfeitamente vulgar . Examinaram o centímetro a centímetro , dentro e fora , incluindo os canos por baixo . E foi então que Harry reparou : de lado , rabiscada em uma de as torneiras de cobre , estava uma cobra pequenina . - Essa torneira nunca funcionou - disse vivamente a Murta enquanto ele tentava abri a . - Harry - sugeriu o Ron . - Diz qualquer coisa em * serpentês * . Mas , pensou Harry , as únicas vezes que conseguira falar * serpentês * tinham ocorrido quando confrontado com uma verdadeira serpente . Olhou , concentrado para a pequena cobra gravada em o cobre , tentando imaginá a como verdadeira . - Abre te - disse . Olhou para o Ron que abanou a cabeça . - Inglês - disse ele . Harry voltou a olhar para a cobra , forçando se a acreditar que estava viva . A luz de a vela fez parecer que se movia . - Abre te - repetiu . Mas desta_vez as palavras não foram o que ele ouviu . Um estranho sibilar escapou lhe de a boca e a torneira ganhou uma luz branca e brilhante e começou a rodar . Logo_a_seguir o lavatório mexeu se . Afastou se , melhor dizendo , saiu de o caminho , deixando um grande cano a a vista , um cano onde cabia um homem . Harry ouviu a respiração arquejante de o Ron e olhou de_novo para ele . Já decidira o que queria fazer . - Vou descer - disse . Não podia deixar de ir , agora_que acabavam de descobrir a entrada para a câmara , existindo uma possibilidade , por mais remota que fosse , de a Ginny ainda estar viva . - Eu também - disse o Ron . Houve uma pausa . - Bem , parece que não precisam mais de mim - apressou se Lockhart a dizer com uma réstia de sorriso . - Eu vou . . . Pôs a mão em o puxador de a porta mas Ron e Harry apontaram lhe ambos as varinhas . -- O senhor pode ir a a frente - disse rispidamente o Ron . Pálido e sem varinha , Lockhart aproximou se de a entrada . - Meus rapazes - disse em uma voz débil . - Meus rapazes , para quê tudo_isto ? Harry tocou lhe em as costas com a varinha e ele meteu as pernas em o cano . - Eu não me parece que ... - começou a dizer , mas o Ron deu lhe um empurrão e ele desapareceu por o cano abaixo . Harry foi rapidamente atrás . Introduziu se lentamente e deixou se cair . Era como escorregar em uma pista escura e interminável . Ele via outros canos , estendendo se em todas_as direcções mas nenhum tão largo como o de eles que se torcia e virava , inclinando se abruptamente . Harry sabia que estavam a chegar a um ponto muito abaixo de a escola e de os calabouços . Atrás_de si , ouvia o Ron gemendo em cada curva . E então , quando começava a preocupar se com o que iria acontecer quando tocassem em o chão , o cano tornou se horizontal e ele foi projectado com um ruído surdo , indo aterrar em o chão húmido de um túnel de pedra com altura suficiente para ele se pôr de pé . Lockhart estava a levantar se a alguma distancia , todo enlameado e pálido como um fantasma . Harry afastou se para deixar o Ron sair também de o cano . - Devemos estar quilómetros e quilómetros abaixo de a escola - disse o Harry cuja voz ecoou em o túnel negro . - Talvez até debaixo de o lago - arriscou o Ron , olhando em volta para as paredes escuras e viscosas . Voltaram se os três para olhar para a escuridão lá a o fundo . - * _ Lumus ! * - murmurou Harry a a varinha e ela voltou a acender se . - Vamos - disse a o Ron e a o Lockhart e avançaram , os passos a chapinharem ruidosamente em o chão molhado . O túnel era tão escuro que só conseguiam ver alguns centímetros a a frente . As suas sombras em as paredes molhadas pareciam monstruosas a a luz de a varinha . - Lembrem se - disse Harry baixinho enquanto caminhavam . - A o menor movimento fechem logo os olhos ... Mas o túnel era silencioso como um túmulo e o primeiro som inesperado que ouviram foi um grito de o Ron que escorregou em uma coisa que era afinal a cauda de um rato . Harry baixou a varinha para olhar para o chão e viu que estava cheio de pequenos ossos de animais . Fazendo um enorme esforço para evitar pensar em que estado iriam encontrar a Ginny , avançou até uma curva escura de o túnel . - Harry , está aqui qualquer coisa - disse o Ron com voz rouca , agarrando Harry por o ombro . Ficaram estáticos a olhar . Harry só conseguia ver a silhueta de algo enorme e curvo deitado em o túnel . Fosse o que fosse não se movia . - Talvez esteja a dormir - murmurou , olhando para os outros dois . Lockhart tapava os olhos com as mãos . Harry voltou se para olhar para a criatura com o coração a bater tanto que lhe doía em o peito . Lentamente , com os olhos quase fechados mas ainda conseguindo ver , Harry avançou com a varinha levantada . A luz deslizou sobre uma gigantesca pele de serpente , de um verde vivo e venenoso que estava vazia e enrolada em o chão de o túnel . A criatura que a abandonara devia ter , pelo_menos , seis metros e meio de comprimento . - Bolas - disse o Ron , perdendo as forças . Houve um movimento súbito atrás de eles . As pernas de Gilderoy_Lockhart cederam . - Levante se - disse o Ron de uma forma cortante , apontando lhe a varinha . Lockhart pôs se de pé . Em seguida empurrou o Ron , atirando o a o chão . Harry deu um salto , mas ... tarde de mais . Lockhart endireitava se com a varinha de o Ron em as mãos e um sorriso em o rosto . - A aventura acaba aqui , rapazes - disse . - Vou levar um bocado de esta pele de cobra para a escola , contar lhes que foi demasiado tarde para salvar a garota e que vocês os dois perderam tragicamente a memória com a visão de o seu corpinho mutilado . Digam adeus a as vossas recordações . Levantou a o ar a varinha avariada de o Ron e gritou * _ Obliviate ! * A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba . Harry pôs os braços sobre a cabeça e correu , escorregou em os anéis de a pele de cobra , afastando se de os grandes pedaços de tecto de o túnel que caíam em o chão com o ruído de trovões . Pouco depois estava sozinho , olhando para uma sólida parede de rocha partida . - Ron - gritou ele . - Estás bem , Ron ? - Estou aqui - respondeu a voz abafada de o Ron por detrás de a avalancha de rochas . - Eu estou bem mas este sujeito não . A varinha avariou o todo . Ouviu se um ruído surdo e um Oh ! gritado . Parecia que o Ron tinha acabado de dar a o Lockhart um pontapé em as canelas . - E agora ? - disse a voz de o Ron que parecia desesperada . - Não podemos passar , vai demorar séculos . Harry olhou para o tecto de o túnel onde tinham aparecido grandes fendas . Ele nunca tentara partir , através de a magia , nada tão grande como aquelas rochas e agora não lhe parecia ser o melhor momento para fazer experiências . E se o túnel abatesse ? Houve um ruído surdo e outro Oh ! atrás de as rochas . Estavam a perder tempo . A Ginny já estava havia duas horas em a Câmara_dos_Segredos . Harry sabia que só havia uma coisa a fazer . - Espera aqui - gritou a o Ron . - Fica com o Lockhart , eu vou lá . Se não voltar dentro_de uma hora ... Houve um silêncio cheio . - Eu vou ver se desloco um_pouco esta rocha - disse o Ron , tentando manter a voz firme . - Para tu poderes passar . E , Harry ... - Até já - disse o Harry , procurando injectar confiança em a sua voz trémula . E passou sozinho para lá de a imensa pele de serpente . Em_breve , o ruído de o Ron , tentando deslocar a rocha , deixou de se ouvir . O túnel virou uma e outra_vez . Os nervos de o corpo de o Harry tangiam de forma desagradável . Ele só queria que o túnel chegasse a o fim , fosse o que fosse que o aguardasse . E então , finalmente , quando atingiu a última curva , viu em a sua frente uma parede sólida que tinha gravadas duas serpentes enroladas uma em a outra , cujos olhos eram quatro esmeraldas , enormes e brilhantes . Harry aproximou se com a garganta seca . Não foi preciso imaginar que as serpentes eram autênticas . Os seus olhos pareciam estranhamente vivos . Foi fácil descobrir o que tinha de fazer . Pigarreou e os olhos de esmeraldas pareceram mexer se . - Abre te - disse Harry em um sibilar baixo . As serpentes desapareceram enquanto a parede se abria a o meio e , a tremer de os pés a a cabeça , Harry entrou . XVII_Herdeiro_de_Slytherin_Estava de pé em o fundo de uma divisão enorme , fracamente iluminada . Altíssimos pilares de pedra , cheios de serpentes gravadas que os enlaçavam , erguiam se , suportando um tecto que se perdia em a escuridão e que lançava sombras negras imensas através de a estranha luz esverdeada que enchia o local . Com o coração a bater descompassadamente , Harry ficou parado a ouvir aquele silêncio arrepiante . Estaria o Basilisk escondido em um canto cheio de sombras , atrás_de algum pilar ? E onde estaria Ginny ? Pegou em a varinha e avançou a o longo de as colunas serpenteantes . Cada_um de os seus passos provocava um enorme eco em as paredes sombrias . Harry tinha os olhos semicerrados e estava pronto para os fechar a o mais pequeno movimento . As órbitas de olhos fundos de as serpentes de pedra pareciam segui o . Por mais de uma_vez , com o estômago a dar um salto , Harry julgou vê os moverem se . Por fim , chegado a o nível de os dois últimos pilares , avistou uma estátua de a altura de a própria câmara que estava encostada a a parede de o fundo . Harry tinha de esticar o pescoço para olhar para_cima , para a cara de o gigante : era velho e com um ar simiesco , tinha uma barba enorme que lhe caía quase onde acabava a longa túnica de pedra . Os dois pés imensos e cinzentos pousavam em o chão de a câmara . E entre eles , voltada para baixo , estava uma figura pequenina vestida de preto com um cabelo flamejante . - Ginny - murmurou Harry , chegando perto de ela e ajoelhando se . - Ginny , por favor não estejas morta , não estejas morta ! Atirou a varinha para o lado , agarrou Ginny por os ombros e voltou a . O rosto de ela estava branco e frio como o mármore , contudo os olhos encontravam se fechados , portanto não estava petrificada . Mas então devia estar ... - Ginny , acorda por favor - repetiu Harry desesperado , sacudindo a . A cabeça de ela andava de um lado para o outro . - Ela não vai acordar - disse secamente uma voz . Harry deu um salto e girou sobre os joelhos . Um rapaz alto , de cabelo preto , estava encostado a o pilar mais próximo , a observá o . As sombras desfocavam o como_se Harry o visse através_de uma janela embaciada . Mas não havia como confundis o . - Tom , Tom_Riddle ? Riddle acenou , sem tirar os olhos de o rosto de Harry . - O que queres dizer com isso de ela não acordar ? - perguntou Harry desesperado . - Ela não está ... não está ? - Está viva - disse Riddle . - Mas , por um fio . Harry olhou fixamente para ele . Tom_Riddle estivera em Hogwarts há cinquenta anos atrás . Contudo , ali estava com uma luz estranha e desfocada a iluminá o , sem um dia a mais do_que os seus dezasseis anos . - És um fantasma ? - perguntou Harry . - Uma memória - disse Riddle . - Preservada em um diário durante cinquenta anos . Apontou para os pés de a estátua gigantesca . Ali , aberto em o chão , estava o pequeno diário de capa preta que Harry tinha encontrado em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Durante um segundo , Harry perguntou a si próprio como teria ido ali parar , mas havia coisas mais importantes a fazer . Preciso de a tua ajuda , Tom - disse Harry , levantando de_novo a cabeça de a Ginny . - Temos de sair de aqui . Há_um_Basilisk ... não sei onde está mas pode aparecer a qualquer momento . Por favor , ajuda me . Riddle não se mexeu . Harry , a transpirar , conseguiu levantar ligeiramente a Ginny de o solo e inclinou se para pegar em a varinha mas ela tinha desaparecido . - Viste a ... ? Olhou para_cima . Riddle continuava a olhá o , fazendo girar a varinha entre os dedos longos . - Obrigado - disse Harry , esticando o braço para a agarrar . Um sorriso surgiu então em os cantos de a boca de Riddle que continuou a olhar para ele , girando indolentemente a varinha . - Ouve , pá - disse Harry sem querer perder mais tempo , os joelhos a vergarem sob o peso morto de Ginny - temos de ir . Se o Basilisk aparece ... - Ele não vem enquanto não for chamado - disse Riddle com toda_a calma . Harry voltou a pousar Ginny em o chão , incapaz de a segurar por mais tempo . - Que queres dizer com isso ? - perguntou . - Dá me a minha varinha , posso precisar de ela . O sorriso de Riddle ampliou se . - Não vais precisar de ela - disse . Harry olhou o espantado . - O que queres dizer , não vou ? - Esperei muito_tempo por isto , Harry - disse Riddle . - Pela possibilidade de te ver , de falar contigo . - Olha , eu acho que tu não estás a perceber - disse Harry , perdendo a paciência . - Estamos em a Câmara_dos_Segredos , podemos conversar mais tarde . - Vamos conversar agora - disse Riddle , sorrindo de orelha a orelha e guardando a varinha de Harry em o bolso . Harry voltou a olhar para ele . Havia qualquer coisa de muito estranho em tudo aquilo . - Como é_que a Ginny ficou assim ? - perguntou pausadamente . - Bem , essa é uma pergunta interessante - disse Riddle , divertido . - E uma longa história , também . Julgo que o verdadeiro motivo que levou Ginny_Weasley a ficar assim foi o ter aberto o seu coração e revelado todos os seus segredos a um estranho ser invisível . - De quem estás a falar ? - perguntou Harry . - De o diário - disse Riddle . - De o meu diário . A Ginny escreve nele há meses e meses , contando me todas_as suas lamentáveis desgraças e atribulações : como os irmãos a arreliam , que teve de vir para a escola com manto , túnica e livros em segunda mão - os olhos de Riddle brilharam -- , que acha que o maravilhoso , o grande , o famoso Harry_Potter nunca vai gostar de ela ... Enquanto falava , nunca os olhos de Riddle se afastaram de a cara de o Harry . Havia em eles um olhar ávido . - É muito chato ter de ouvir as preocupações idiotas de uma garotinha de onze anos - prosseguiu . - Mas eu fui paciente . Respondi lhe , mostrei me simpático e amável . A Ginny pura e simplesmente adorou me . - * _ Nunca ninguém me compreendeu como tu , Tom ... estou tão feliz por ter este diário a quem me confiar ... é como ter um amigo que pode andar em o meu bolso * ... Riddle riu se . Um riso alto , frio , que não lhe ficava bem . Fez com que os cabelos de o pescoço de Harry se arrepiassem todos . - Verdade se diga que sempre consegui encantar as pessoas necessárias . Portanto a Ginny verteu em mim a sua alma e a alma de ela era precisamente o que eu queria . Fortaleceu me . Alimentei me de os seus medos mais profundos , de os seus mais obscuros segredos . Fui ficando cada_vez_mais forte e poderoso . Muito mais poderoso do_que a pequena Miss_Weasley até que comecei a transmitir lhe alguns de os meus segredos , a passar um_pouco de a minha alma para ela ... - O que queres dizer ? - perguntou Harry cuja boca ficara totalmente seca . - Ainda não descobriste , Harry_Potter ? - disse Riddle muito baixo . - Giony_Weasley abriu a Câmara_dos_Segredos , estrangulou os galos de a escola e escreveu mensagens assustadoras em as paredes . Atiçou a serpente de Slytherin contra quatro sangues de lama e contra o gato de o busca-pé . - Não - murmurou Harry . - Sim - disse calmamente Riddle . - É claro que a princípio não sabia o que estava a fazer . Era muito divertido . Gostava que visses as coisas que escreveu em o diário , começaram a ficar muito mais interessantes . * _ Querido_Tom * - recitou ele , olhando para a expressão horrorizada de o Harry . - * _ Acho que estou a perder a memória . Há penas de galo em todas_as minhas roupas e eu não sei como foram lá parar . Querido_Tom , não me lembro do_que fiz em a noite de o Hallowe'en mas foi atacada uma gata e eu estou cheia de tinta em a cara . Querido_Tom , o Percy não pára de me dizer que ando pálida e não pareço eu . Acho que ele suspeita de mim ... Houve outro ataque hoje e eu não sei onde estava . Tom , que vou eu fazer ? Acho que estou a ficar maluca ... acho que ando a atacar toda_a_gente , Tom ! * Harry tinha os punhos fechados , as unhas cravadas contra a palma de as mãos . - Levou muito_tempo até a pequenina estúpida deixar de confiar em o diário - disse Riddle . - Mas acabou por ficar desconfiada e tentou livrar se de ele . E é aí que tu entras , Harry . Tu encontraste o . E eu não poderia ter ficado mais satisfeito . De todas_as pessoas que poderiam ter ficado com ele , foste tu , aquele que eu ambicionava conhecer ... - E porque querias conhecer me ? - perguntou Harry . Começava a ser tomado por a raiva e fez um esforço para manter o tom de voz controlado . - Bem , a Ginny contou me tudo a teu respeito - disse Riddle . - A tua fascinante história . - Os seus olhos pousaram em a cicatriz em a testa de Harry e a sua expressão ganhou maior avidez . - Sabia que devia descobrir mais a teu respeito , falar te , encontrar me contigo se fosse possível . Por isso , para ganhar a tua confiança , resolvi mostrar te a famosa captura que fiz de aquele demente de o Hagrid . - O Hagrid é meu amigo - disse Harry já com a voz a tremer . - E tu tramaste o , não foi ? Pensei que tinha sido um engano , mas ... Ele riu se . O mesmo riso de antes . - Era a minha palavra contra a palavra de ele . Imagina a cara de o velho Armando_Dippet . De um lado Tom_Riddle , pobre mas brilhante , sem pais mas corajoso , prefeito de a escola , um modelo de aluno . De o outro lado , o Hagrid , grande e disparatado , arranjando problemas semana sim , semana não , tentando criar filhotes de lobisomens debaixo de a cama , escapando se para a floresta proibida para lutar com gigantes . Mas , devo admitir que até eu próprio fiquei admirado com os excelentes resultados de o meu plano . Pensei que alguém perceberia que o Hagrid nunca poderia ser o herdeiro de Slytherin . Demorei cinco anos inteirinhos até descobrir tudo_o_que me foi possível sobre a Câmara_dos_Segredos e a sua entrada secreta ... como_se o Hagrid tivesse cabeça ou poder ! - Só o professor de Transfiguração , Dumbledore , parecia achar que ele estava inocente . Convenceu Dippet a mantê o aqui e a treiná o como guarda de os campos . Sim , é natural que Dumbledore tenha adivinhado , nunca gostou de mim como os outros professores . - Aposto que Dumbledore viu através_de ti - disse Harry , de dentes cerrados . - Pelo_menos passou a vigiar me de perto , a partir de o momento em que o Hagrid foi expulso - disse Riddle descuidadamente . - Eu sabia que não era seguro voltar a abrir a câmara enquanto ainda estava em a escola mas não ia desperdiçar os longos anos que passara a pesquisar . Decidi , por isso , deixar um diário preservando em as suas páginas o meu ego de dezasseis anos para que um dia , com um_pouco de sorte , pudesse levar outro a seguir os meus passos e acabar o nobre trabalho de Salazar_Slytherin . - Bem , não o acabaste - disse Harry triunfante . - Ninguém morreu até agora , nem mesmo a gata . Dentro_de poucas horas a poção de mandrágoras estará pronta e todos os que foram petrificados voltarão de_novo a si . - Não acabei de te dizer que matar sangues de lama já não me interessa ? Há muitos meses que o meu alvo és tu . Harry olhou para ele . - Podes imaginar como fiquei furioso quando em outro dia o diário foi aberto e vi que era a Ginny quem estava a escrever e não tu . Ela viu te com o diário e entrou em pânico . E se tu descobrisses como trabalhar com ele e eu te repetisse todos os seus segredos ? Ainda pior , e se eu te contasse quem tinha andado a estrangular os galos ? Por isso , a grande palerma esperou que o teu dormitório estivesse deserto e foi lá roubá o . Mas eu sabia o que tinha de fazer . Estava muito claro para mim que a tua meta era o herdeiro de Slytherin . Por tudo_o_que a Ginny me contara a teu respeito , sabia que irias até onde fosse preciso para desvendar o mistério , principalmente se um de os teus melhores amigos tivesse sido atacado . E a Ginny disse me que a escola toda bichanava por tu falares * serpentês * ... Por isso , obriguei a Ginny a escrever a sua própria despedida em a parede , a vir até aqui e esperar . Ela debateu se e gritou e ficou muito chatinha . Mas , já não tem muita vida : pôs grande parte de ela em o diário , deu me a . O suficiente para eu abandonar , por fim , as suas páginas . Desde_que aqui cheguei que estou a a tua espera . Sabia que virias . Tenho muitas perguntas a fazer te , Harry_Potter . - Que perguntas ? - disse Harry com os punhos fechados . - Bem - prosseguiu Riddle , sorrindo de satisfação : - Como é_que um bebé sem especiais talentos de magia foi capaz de derrotar o maior feiticeiro de sempre ? Como conseguiste escapar só com uma cicatriz quando os poderes de Lord_Voldemort foram destruídos ? Havia agora em os seus olhos um brilho vermelho e irado . - O que é_que te interessa saber como eu escapei ? - disse Harry lentamente . - Voldemort veio depois de ti . - Voldemort - disse Riddle - é o meu passado , o meu presente e o meu futuro , Harry_Potter ... Tirou a varinha de o Harry de o bolso e começou a escrever em o ar três palavras brilhantes : TOM_MARVOLO_RIDDLE_Em seguida , fez um gesto com a varinha e as letras de o seu nome reagruparam se de outro modo . : __ eu sou lord __ voldemort ( I am Lord_Voldemort ) . - Vês ? - murmurou . - Era um nome que eu já usava em Hogwarts , para os meus amigos mais íntimos apenas , como é óbvio . Achas que ia usar para sempre o nome nojento de o meu pai Muggle ? Eu , em cujas veias , por o lado materno , corre o sangue de Salazar_Slytherin ? Eu , manter o nome de um Muggle tolo que me abandonou ainda antes de eu nascer só porque descobriu que a mulher com quem casara era uma bruxa ? Não , Harry , arranjei um novo nome , um nome que eu sabia que os feiticeiros de todo_o_mundo viriam um dia a ter medo de pronunciar , quando eu me tivesse tornado o maior feiticeiro de o mundo . A cabeça de Harry parecia bloqueada . Olhou como_que paralisado para Riddle , para o rapaz de o orfanato que depois de crescer iria matar os seus pais e tantos outros . Por fim , com algum esforço conseguiu falar . - Não és - disse em uma voz calma e cheia de ódio . - Não sou o quê ? - perguntou Riddle irritado . - Não és o maior feiticeiro de o mundo - disse Harry com a respiração acelerada . - Lamento desiludir te mas o maior feiticeiro de o mundo é Albus_Dumbledore . Toda_a_gente sabe . Mesmo tu , quando tinhas força , não ousavas tentar aproximar te de Hogwarts . Dumbledore viu através_de ti quando andavas em a escola e ainda agora te assusta onde quer que te escondas . O sorriso desaparecera de o rosto de Riddle , fora substituído por um olhar furioso . - Dumbledore foi afastado de este castelo por a minha simples memória - sibilou . - Ele não está tão longe como pensas - retorquiu Harry . Falava por falar , tentando assustar Riddle , desejando mais que assim fosse do_que acreditando em as suas palavras como uma verdade . Riddle abriu a boca mas não chegou a falar . Tinha começado a ouvir se uma música . Riddle deu uma volta , olhando para a câmara vazia . A música estava a ficar mais alta . Era misteriosa , arrepiante , sobrenatural . Fez_Harry ficar com os cabelos em pé e o coração aumentar lhe em o peito . Por fim , quando atingiu um ponto tão alto que Harry a sentiu vibrar dentro de as suas costelas , começaram a sair chamas de o topo de o pilar mais próximo . Uma ave carmesim de o tamanho de um cisne surgiu , assobiando a sua estranha melodia para o tecto em forma de abóbada . Tinha uma cauda dourada tão longa como a de um pavão e garras douradas e brilhantes que seguravam uma trouxa andrajosa . Segundos depois , a ave voava em direcção a Harry . Deixou cair a coisa andrajosa a os seus pés e pousou lhe pesadamente em o ombro . Quando abriu as enormes asas , Harry olhou para_cima e viu que tinha um longo bico afiado e olhos escuros pequenos e brilhantes . A ave parou de cantar . Ficou quieta junto de a cara de Harry , olhando fixamente para Riddle . - É uma fénix , disse Riddle , olhando sagazmente para ela . - Fawkes ? - murmurou Harry e sentiu as garras douradas apertarem lhe devagarinho o ombro . - E aquilo - disse Riddle , olhando para a coisa velha que Fawkes deixara em o chão - é o velho chapéu seleccionador , de a escola . Era , de facto . Amachucado , puído e sujo , o chapéu jazia imóvel a os pés de Harry . Riddle começou a rir . Riu se tanto que a câmara escura se lhe juntou em um eco tal que parecia que dez Riddles se riam ao_mesmo_tempo . - Eis o que Dumbledore envia a o seu defensor . Um pássaro que canta e um chapéu velho . Estás cheio de coragem , Harry_Potter ? Sentes te agora mais seguro ? Harry não respondeu . Podia não estar a ver a vantagem de a Fawkes ou de o chapéu seleccionador mas já não se sentia só , e esperou corajosamente que Riddle parasse de rir . - Vamos a o que importa , Harry - disse ele , ainda com um enorme sorriso . - Encontrámo nos duas vezes em o teu passado , em o meu futuro . E duas vezes falhei a o tentar matar te . Como foi que sobreviveste ? Conta me tudo . Quanto_mais falares , mais tempo tens de vida . Harry pensava rapidamente , medindo as suas possibilidades . Riddle tinha a varinha . Ele , Harry , tinha a Fawkes e o chapéu seleccionador que não lhe serviriam de muito em o combate . As coisas pareciam más , é certo . Mas quanto_mais tempo Riddle ali estivesse , mais vida retirava a a Ginny ... e , entretanto , Harry reparou que a silhueta de Riddle se tornava mais nítida , mais sólida . Se tinha de haver uma luta entre os dois , quanto_mais depressa melhor . - Ninguém sabe porque perdeste os poderes quando me atacaste - disse bruscamente . - Eu próprio não sei . Mas sei porque não conseguiste matar me . A minha mãe morreu para me salvar . A minha mãe , uma vulgar filha de Muggles - acrescentou , a tremer de raiva . - Ela impediu que tu me matasses . E eu vi te como tu és , em o ano passado . És um destroço , quase não existes . Foi onde o teu poder te levou . Estás sob um disfarce , és horrível e és louco . O rosto de Riddle contorceu se . Em seguida , forçou um sorriso pavoroso . - Quer_dizer , então , que a tua mãe morreu para te salvar . Sim , é um antifeitiço poderoso . Compreendo agora , afinal não há em ti nada de especial . Eu tinha curiosidade , sabes , porque há uma estranha semelhança entre nós , Harry_Potter . Até tu deves ter reparado . Somos ambos meio sangue , órfãos , educados com Muggles , provavelmente os dois únicos que falam * serpentês * desde o grande Slytherin , até nos parecemos um_pouco fisicamente ... mas afinal foi apenas uma questão de sorte que te salvou de mim . Era o que eu queria saber . Harry ficou parado , tenso , a a espera que Riddle levantasse a varinha mas o seu sorriso cínico ampliou se de_novo . - Agora , Harry , vou dar te uma pequena lição . Vamos confrontar os poderes de Lord_Voldemort , herdeiro de Salazar_Slytherin e de o famoso Harry_Potter , munido com as melhores armas que Dumbledore lhe deu . Lançou um olhar divertido a a Fawkes e a o chapéu seleccionador e , em seguida , afastou se . Harry com as pernas entorpecidas por o medo viu o parar entre dois pilares altos e olhar para a cara de pedra de Slytherin , lá em cima em a semi-obscuridade . Riddle abriu a boca e sibilou mas Harry compreendeu o que ele dizia . - * _ Responde-me , Slytherin , o maior de os quatro de Hogwarts * . Harry voltou se para olhar melhor para a estátua com Fawkes pousada em o ombro . A gigantesca cara de pedra de Slytherin movia se . Horrorizado , Harry viu a boca abrir se mais e mais até se transformar em um buraco negro . E algo se agitava dentro de a boca de a estátua . Algo se arrastava para fora de as suas entranhas . Harry recuou até a a parede escura de a câmara e enquanto fechava os olhos com força sentiu a asa de a Fawkes roçar lhe o rosto e levantar voo . Harry quis gritar : - Não me abandones ! - mas que possibilidades tinha uma fénix contra o rei de as serpentes ? Uma coisa enorme bateu em o chão de pedra que Harry sentiu estremecer . Sabia o que estava a acontecer , podia sentis o , quase podia ver a serpente gigantesca a sair de a boca de Slytherin . Foi então que ouviu a voz de Riddle sibilar : * _ Mata-o * . O Basilisk avançava em direcção a Harry . Ele ouvia o seu corpo enorme escorregar pesadamente por o chão cheio de pó . Com os olhos sempre fechados , Harry começou a correr para o lado , a as cegas , com as mãos abertas a tactear o caminho . Riddle ria se a as gargalhadas . Harry escorregou e caiu em o chão de pedra e a boca soube lhe a sangue . A serpente estava a poucos centímetros de ele . Podia ouvi a a aproximar se . Ouviu se um crepitar explosivo por cima de ele e alguma coisa pesada bateu lhe com tanta força que ele ficou encostado a a parede . Esperando que os dentes de a serpente lhe perfurassem o corpo , ouviu mais ruídos e qualquer coisa que se agitava com força contra os pilares . Não conseguiu evitar . Abriu bem os olhos para ver o que se passava . A enorme serpente , brilhante , de um verde veneno , espessa como o tronco de um carvalho , erguera se em o ar e a sua imensa cabeça agitava se de um lado para o outro , entre os dois pilares . Quando Harry , a tremer , se preparava para fechar de_novo os olhos , percebeu o que distraíra a cobra . Fawkes esvoaçava em volta de a sua cabeça e o Basilisk , furioso , tentava agarrá a com os dentes longos e afiados como sabres . Fawkes mergulhava . Harry deixou de ver o bico fino e dourado e uma brusca chuva de sangue escuro inundou o chão . A cauda de a serpente agitou se , não batendo em o Harry por_pouco e antes que ele pudesse fechar os olhos voltou se . Harry olhou lhe para a cara e viu que os seus olhos , os dois olhos amarelos e bolbosos tinham sido perfurados por a fénix . O sangue escorria por o chão e a serpente cuspia cheia de dores . - * _ Não * - Harry ouviu o grito de Riddle . - * _ Deixa a ave , deixa a ave , o rapaz está atrás_de ti , ainda podes cheirá o . Mata o ! * A serpente cega oscilou confusa , ainda em fúria . Fawkes andava a a volta de a cabeça de ela soprando a sua misteriosa cantilena , picando lhe aqui_e_ali o nariz cheio de escamas , enquanto o sangue jorrava de os seus olhos destruídos . - Ajudem me . Ajudem me - murmurava Harry aflito . - Alguém , ajude me . A cauda de a serpente chicoteou de_novo o chão . Harry baixou se . Algo macio tocou lhe em o rosto . O Basilisk lançara o chapéu seleccionador para os braços de o Harry que o agarrou . Era tudo_o_que tinha , a sua única esperança . Enfiou o em a cabeça e começou a ficar achatado contra o chão , enquanto a cauda de o Basilisk se lançava de_novo sobre ele . - Ajudem me , ajudem me - pensou Harry , os olhos comprimidos debaixo de o chapéu . - Por favor , ajudem me . Nenhuma voz lhe respondeu . Em vez de isso , o chapéu contraiu se como_se uma mão invisível o tivesse espalmado devagarinho . Alguma coisa muito dura e pesada caíra sobre a cabeça de Harry , conseguindo quase derrubá o . A ver estrelas em frente de os olhos , agarrou o chapéu para o puxar para baixo e sentiu lá dentro uma coisa longa e dura . Uma espada brilhante tinha surgido dentro de o chapéu . Tinha um cabo cravejado de rubis de o tamanho de pequenos ovos . - Mata o rapaz , deixa a ave . O rapaz está atrás_de ti . Cheira o ! Harry estava de pé , preparado . A cabeça de o Basilisk caía , o corpo serpenteava , batendo nos pilares quando se torcia para ficar de frente para ele . Harry podia ver as enormes órbitas ensanguentadas , a boca toda aberta , suficientemente grande para o engolir inteiro , munida de dentes tão longos como a sua espada , finos , brilhantes , venenosos ... Começou a atacar a as cegas . Harry baixou se e a serpente bateu em a parede de a câmara . Atacou de_novo e a sua língua bifurcada lambeu a parede ao_lado_de Harry que levantou a espada com ambas as mãos . O Basilisk investiu mais_uma_vez e agora a pontaria foi certa . Harry pôs todo o seu peso contra a espada e enterrou a até a os copos em o céu de a boca de a serpente . Mas quando o sangue quente lhe encheu os braços , sentiu uma dor aguda mesmo acima de o cotovelo . Um longo dente venenoso penetrava cada_vez_mais fundo em o seu braço , partindo se quando o Basilisk tombou para o lado , perdendo os sentidos . Harry escorregou a o longo de a parede , apertou com força o dente que estava a derramar veneno por todo o seu corpo e arrancou o de o braço . Mas sabia que era demasiado tarde . Uma dor quente emanava lenta e perseverantemente de a ferida . Quando deixou cair o dente e viu o seu próprio sangue manchando lhe as vestes , a vista começou a ficar turva e a câmara a diluir se em uma rotação ardente e colorida . Mas algo escarlate passou por ele e Harry ouviu a o seu lado um suave ruído de garras . - Fawkes - disse com a voz empastada . - Foste sensacional , Fawkes . - Sentiu o pássaro encostar a sua elegante cabeça a o sítio onde o dente de a serpente o tinha ferido . Ouviu passos ecoarem em o vazio e em seguida uma sombra escura moveu se em a sua frente . - Estás morto , Harry_Potter - disse a voz de Riddle , acima de ele . - Morto . Até o pássaro de Dumbledore sabe de isso . Vês o que ele está a fazer ? A chorar . Harry piscou os olhos . A cabeça de Fawkes ora estava focada , ora desfocada . Lágrimas grossas como pérolas escorriam de as suas penas . - Vou sentar me aqui a ver te morrer , Harry_Potter . Leva o teu tempo , eu não tenho pressa . Harry sentiu se sonolento . Tudo parecia girar a a sua volta . - E assim acaba o famoso Harry_Potter - disse a voz distante de Riddle . - Sozinho em a Câmara_dos_Segredos , esquecido por os amigos , finalmente derrotado por o Senhor de o mal que ele tão imprudentemente desafiou . Vais reunir te a a tua querida mãe sangue de lama , Harry ... Ela deu te doze anos de tempo emprestado ... Mas Lord_Voldemort apanhou te em o fim , como sabias que teria de acontecer . Se morrer é isto , pensou Harry , não é assim tão mau . Até a dor estava a desaparecer . Mas , estaria a morrer ? Em_vez_de ficar mais escura a câmara parecia voltar a estar nítida . Harry fez um pequeno gesto com a cabeça e viu a Fawkes ainda repousando a cabeça em o seu ombro . Uma fiada de pérolas brilhava em volta de a ferida , só que já não havia ferida . - Sai de aqui , pássaro - disse subitamente a voz de Riddle . - Afasta te de ele . Já te disse , sai de aqui ! Harry levantou a cabeça . Riddle apontava a sua varinha a Fawkes . Ouviu se um tiro que parecia de carabina e Fawkes levantou novamente voo em um rodopio de ouro e escarlate . - Lágrimas de fénix - disse Riddle em voz baixa , olhando para o braço de o Harry . - É claro ... poderes curativos ... esqueci me ... Olhou para a cara de Harry . - Mas não faz mal . Pensando bem , eu até prefiro assim . Tu e eu , Harry_Potter ... Tu e eu ... Levantou a varinha . Então , em um golpe de asa , Fawkes voou sobre as cabeças de ambos , deixando cair uma coisa em o colo de Harry : o diário . Durante uma fracção de segundo , tanto Harry como Riddle , ainda com a varinha levantada , ficaram a olhar para aquilo . Em seguida , sem pensar , sem ponderar , como_se pensasse fazê o desde o princípio , Harry agarrou o dente de o Basilisk que estava em o chão , junto de ele , e espetou o em o coração de o caderno . Ouviu se um grito longo e terrível . A tinta esguichou em torrentes de dentro de o diário , derramando se sobre as mãos de o Harry e inundando o chão . Riddle torcia se e contorcia se , agitando se a os gritos . E , por fim . Desapareceu . A varinha de Harry caiu a o chão com um ruído e fez se silêncio . Um silêncio apenas cortado por o ping ping de a tinta que ainda escorria de o diário . Com um leve crepitar , o veneno de o Basilisk abrira um buraco mesmo em o meio de o caderno . A tremer de os pés a a cabeça , Harry pôs se de pé . Sentia tudo a andar a a roda como_se tivesse viajado quilómetros e quilómetros com o pó de * _ Floo * . Lentamente apanhou a varinha e o chapéu seleccionador e com um grande estrondo retirou a espada de o céu de a boca de a serpente . Ouviu se então um gemido fraco a o fundo de a câmara . Ginny estava a mexer se . Quando Harry chegou junto de ela , sentou se . Os seus olhos abismados saltaram de o Basilisk morto para Harry em a sua roupa cheia de sangue e , em seguida , para o diário que ele tinha em as mãos . Soltou um enorme soluço e os seus olhos encheram se de lágrimas . - Harry , oh ! Harry , eu tentei dizer te a o pequeno-almoço mas não fui capaz em frente de o Percy . Era eu , Harry , mas eu ... eu ... juro que não queria ... o Riddle obrigou me , levou me e ... como é_que mataste esse bicho ? Onde está o Riddle ? A última coisa de que me lembro foi de o ver a sair de o diário ... - Está tudo bem - disse Harry , mostrando lhe o diário com o buraco de o dente . - O Riddle acabou , olha . Ele e o Basilisk . Anda , Ginny , vamos embora de aqui . - Vou com certeza ser expulsa - disse Ginny a chorar enquanto Harry a ajudava a pôr se de pé . - Desde_que o Bill veio para Hogwarts que eu sonhava vir também para cá e agora vou ter de me ir embora e ... O que vão a minha mãe e o meu pai dizer ? Fawkes esperava por eles , suspensa em o ar , a a entrada de a câmara . Harry fez a Ginny avançar , passaram sobre os anéis parados de o Basilisk , por a escuridão cheia de ecos e voltaram a o túnel . Harry ouviu as portas de pedra fecharem se atrás de eles com um leve sibilar . Depois de alguns minutos a caminhar por o túnel escuro , chegou a os ouvidos de Harry o som distante de o deslocar de uma rocha . - Ron - gritou ele , apressando se . - A Ginny está bem . Está aqui comigo ! Ouviu o Ron gritar de alegria e , voltando em a curva logo_a_seguir , viram a sua cara ansiosa a espreitar por a fresta que conseguira abrir durante a avalancha . - Ginny ! - Ron estendeu o braço por a fresta para a puxar primeiro . - Estás viva . Não posso acreditar . O que aconteceu ? Tentou abraçá a mas a Ginny afastou o , soluçando . - Mas estás bem , Ginny - disse o Ron , sorrindo para ela . - Já passou tudo ... De onde veio esse pássaro ? Fawkes passara por a abertura , atrás_de Ginny . - É de o Dumbledore - explicou Harry , espremendo se para caber também . - E como arranjaste uma espada ? - perguntou o Ron , olhando para a arma brilhante que Harry tinha em a mão . - Eu explico te tudo quando sairmos de aqui - disse Harry , lançando um olhar de esguelha a a Ginny . - Mas ... - Mais tarde - disse Harry rapidamente . Não lhe parecia uma boa ideia contar a o Ron quem tinha aberto a câmara , ali , em frente de a Ginny . - Onde está o Lockhart ? - Ali atrás - disse o Ron , a rir e a abanar a cabeça em direcção a o cano . - Está em muito mau estado . Anda ver . Conduzidos_pela_Fawkes , cujas grandes asas escarlates emitiam um suave dourado que brilhava em a escuridão , voltaram a o lugar onde o cano começava . Gilderoy_Lockhart estava sentado a falar sozinho . - Perdeu a memória - disse o Ron . - O feitiço de a memória fez ricochete . Não sabe quem é nem onde está , nem_sequer sabe quem nós somos . Eu disse lhe que viesse para aqui e esperasse . É um perigo para ele próprio . Lockhart olhou os bem-disposto . - Olá - disse . - Que lugar estranho , este . É aqui que vocês moram ? -- Não - respondeu o Ron , levantando as sobrancelhas para o Harry . Harry baixou se e observou o túnel escuro e longo . - Já pensaste como é_que vamos sair de aqui ? - perguntou a o Ron . O amigo abanou a cabeça mas Fawkes , a fénix , tinha passado por o Harry e estava agora em o ar , em frente de ele , os olhos como pérolas a brilharem em o escuro . Abanava as longas penas douradas de a cauda . Harry olhou para ela , inseguro . - Ela parece querer que a agarres - disse o Ron , perplexo . - Mas tu és muito pesado para um pássaro . - A Fawkes - disse Harry - não é um pássaro qualquer . Voltou se rapidamente para os companheiros . - Temos de nos agarrar uns a os outros . Ginny , agarra a mão de o Ron . O professor Lockhart ... - Ele está a falar consigo - disse o Ron secamente . - Agarre a outra mão de a Ginny . Harry guardou a espada e o chapéu seleccionador em o cinto . Ron deitou a mão a a roupa de Harry e Harry agarrou as penas de a cauda , estranhamente quentes , de a Fawkes . Sentiu uma extraordinária leveza apoderar se de todo o seu corpo e em seguida estavam todos a voar por o cano acima . Harry conseguia ouvir Lockhart , lá atrás , comentando : - Espantoso , isto parece mágico ! Ar frio batia em os cabelos de Harry e antes que ele deixasse de gostar de a viagem já ela acabara . Os quatro tinham chegado a o chão molhado de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa e , enquanto Lockhart endireitava o chapéu , o lavatório voltara a o seu lugar , tapando o cano . A Murta arregalou os olhos . - Vocês estão vivos - disse inexpressivamente a o Harry . - Não é preciso mostrares te tão desiludida - respondeu ele , muito sério , limpando as nódoas de sangue e lodo de os óculos . - Bem ... é_que eu pensei que se vocês morressem seriam bem-vindos a a minha casa_de_banho - disse a Murta com um rubor prateado . - Urgh ! - fez o Ron , quando saíram de ali para o corredor deserto . - Harry , acho que a Murta está a gostar de ti . Tens concorrência , Ginny ! A Ginny continuava a chorar silenciosamente . - Onde vamos agora ? - perguntou o Ron , olhando ansiosamente para ela . Harry apontou . Fawkes indicava o caminho , com o seu tom dourado que brilhava em o corredor . Seguiram a e pouco depois estavam em o escritório de a professora Mc_Gonagall . Harry bateu e empurrou a porta que estava encostada . XVIII_A recompensa de Dobby_Durante alguns momentos reinou o silêncio enquanto Harry , Ron , Ginny e Lockhart estavam em a entrada de a porta . Cobertos de pó e de lama e ( em o caso de o Harry ) sangue . Em seguida , ouviu se um grito . - Ginny ! Era_Mrs._Weasley que tinha estado a chorar , sentada em frente de o lume . Pôs se de pé em um salto , seguida de Mr._Weasley e precipitaram se ambos para a filha . Harry olhava para trás de eles . Dumbledore rejubilava junto de a lareira , a o lado de a professora Mc_Gonagall que , agarrada a o queixo , respirava com dificuldade . Fawkes rasou as orelhas de o Harry e foi instalar se em o ombro de Dumbledore , ao_mesmo_tempo que Harry dava por si em os braços de Mrs._Weasley . - Tu salvaste a ! Salvaste a ! : __ como foi que __ conseguiste ? - Acho que todos nós gostaríamos de saber - disse , sem energia , a professora Mc_Gonagall . Mrs._Weasley soltou o Harry , que hesitou um momento . Depois , foi até a a secretária e colocou sobre o tampo o chapéu seleccionador , a espada cravejada de rubis e o que restava de o diário de Riddle . Em seguida , contou lhes tudo . Falou durante quase um quarto de hora em o silêncio extasiado : contou lhes de a voz sem corpo que ouvia , como a Hermione acabara por descobrir que se tratava de um Basilisk que circulava em os canos , como ele e o Ron tinham seguido as aranhas até a a floresta , que Aragog lhes dissera que a última vítima de o Basilisk morrera , como tinham chegado a a conclusão que se tratava de a Murta_Queixosa e que a entrada para a Câmara_dos_Segredos devia ser em aquela casa_de_banho ... - Muito bem - elogiou a professora Mc_Gonagall quando ele se calou . - Então tu descobriste onde era a entrada , infringindo uma centena de regras de a escola por o caminho , devo dizer , mas como diabo saíram vocês vivos de lá de dentro ? Harry , com a voz já um_pouco rouca de falar tanto , contou lhes de a chegada de a Fawkes e de o chapéu seleccionador que lhe tinha dado a espada . Mas , chegando aí , hesitou . Até a o momento evitara referir se a o diário de Riddle ou a a Ginny . Ela tinha a cabeça encostada a o ombro de Mrs._Weasley e as lágrimas corriam lhe ainda por o rosto . E se a expulsassem ? - pensou Harry , tomado de pânico . O diário de Riddle já não funcionava ... quem poderia provar que fora ele que a obrigara a fazer tudo aquilo ? Olhou instintivamente para Dumbledore que sorria , o fogo iluminando lhe os óculos de meia-lua . - O que mais me interessa saber - disse Dumbledore amavelmente - é como conseguiu Lord_Voldemort enfeitiçar a Ginny quando as minhas fontes me dizem que ele se esconde habitualmente em as florestas de a Albânia . Um alívio , quente e glorioso percorreu Harry de a cabeça a os pés . - O quê ? - disse Mr._Weasley , em uma voz estupefacta . - O Quem nós sabemos enfeitiçou a Ginny ? Mas a Ginny não ... a Ginny não morr ... ? - Foi este diário - esclareceu Harry rapidamente . E mostrando o a Dumbledore . - O Riddle escreveu o quando tinha dezasseis anos . Dumbledore pegou em o diário e olhou atentamente por cima de o seu nariz longo e adunco para as páginas queimadas e húmidas . - Fantástico - disse em voz baixa . - É claro que ele deve ter sido o aluno mais brilhante que alguma vez passou por Hogwarts . - Olhou em volta para os Weasley que o observavam com um ar totalmente confuso . - Muito poucas pessoas sabem que Lord_Voldemort se chamou em tempos Tom_Riddle . Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos , em Hogwarts . Ele desapareceu depois de deixar a escola , viajou muito , mergulhou tão fundo em as artes de a magia negra , associado a os piores feiticeiros , realizou transformações mágicas tão perigosas que quando reapareceu como Lord_Voldemort estava totalmente irreconhecível . Ninguém o relacionou com o rapazinho inteligente e bonito que aqui foi , em tempos , chefe de turma . - Mas a Ginny - insistiu Mrs._Weasley . - O que tem a nossa Ginny que ver com ele ? - O diário - soluçou Ginny . - Eu andei todo o ano a escrever em o diário e ele respondia me ... - Ginny ! - repreendeu Mr._Weasley . - Não aprendeste nada do_que te ensinei ? Não me cansei de dizer te que nunca confiasses em nada que não pensasse por si próprio * se não conseguisses ver onde tinha o cérebro ? * Porque não me mostraste o diário , a mim ou a a tua mãe ? Um objecto suspeito como esse tinha de estar cheio de magia negra ! - Eu não sabia - soluçou Ginny . - Estava junto de os livros que a mãe me comprou . Pensei que alguém se tinha esquecido de ele ali . - É melhor Miss_Weasley ir imediatamente para a ala hospitalar - interrompeu Dumbledore com voz firme . - Foi sujeita a uma prova terrível . Não será castigada . Outros feiticeiros mais velhos do_que ela têm sido ludibriados por Lord_Voldemort . - Dirigiu se a a porta e abriu a . - Repouso , cama e talvez uma caneca de chocolate quente . A mim , anima me sempre - acrescentou , piscando lhe simpaticamente o olho . - Vais ver que Madam_Pomfrey ainda está acordada . Ela tem estado a dar o sumo de Mandrágora , julgo que as vítimas de o Basilisk estarão a acordar dentro_de momentos . de alegria . - Então a Hermione está bem ! - disse o Ron , cheio de alegria . - Não houve danos irreversíveis - disse Dumbledore . Mrs._Weasley saiu com a Ginny e Mr._Weasley seguiu as ainda bastante abalado . - Sabes , Minerva - disse pensativo o professor Dumbledore - acho que tudo_isto merece um banquete . Posso pedir te que previnas os cozinheiros ? - Certamente - disse animada a professora Mc_Gonagall , dirigindo se também a a porta . - Deixo te a tratar de as coisas com o Potter e o Weasley , está bem ? - Claro - disse Dumbledore . Saiu e os dois olharam inseguros para Dumbledore . Que quereria ela dizer com tratar de as coisas ? Certamente não iriam ser castigados ? - Lembro me de vos ter dito a ambos que teria de vos expulsar se voltassem a quebrar as regras de a escola - disse Dumbledore . Ron abriu a boca horrorizado . - O que vem mostrar nos que as melhores pessoas , às_vezes , têm de engolir as suas próprias palavras . - Dumbledore sorriu e continuou : - Vocês vão receber ambos uma recompensa especial por serviços prestados a a escola e ... deixem me ver , sim , acho que duzentos pontos cada_um para os Gryffindor . Ron ficou tão corado que parecia as flores de S._Valentim_do_Lockhart e voltou a fechar a boca . - Mas um de vós parece demasiado calado sobre a sua participação em esta perigosa aventura - acrescentou Dumbledore . - Porquê tanta modéstia , Gilderoy ? Harry estremeceu . Esquecera se por completo de Lockhart . Voltou se e viu o a um canto de a sala ainda com o mesmo sorriso vago . Quando Dumbledore se lhe dirigiu , olhou por cima de o ombro para ver com quem ele estava a falar . - Professor_Dumbledore - disse o Ron rapidamente - Houve um acidente lá em baixo , em a Câmara_dos_Segredos . O professor Lockhart - Eu sou um professor ? - perguntou Lockhart surpreendido . - E eu que pensei que era um inútil ! - Tentou fazer um feitiço antimemória e a varinha fez ricochete - explicou Ron_a_Dumbledore . - Incrível - disse Dumbledore , abanando a cabeça , o bigode prateado a tremer . - Trespassado por a tua própria espada , Gilderoy ! - Espada ? - disse Lockhart de forma imprecisa . - Eu não tenho espada . Esse rapaz é_que tem - apontou para Harry . - Ele empresta lhe uma . - Importas te de levar também o professor Lockhart até a a ala hospitalar , Ron ? - disse Dumbledore . - Eu gostava de falar um_pouco mais com o Harry . Lockhart saiu sem pressa . Antes de fechar a porta , Ron lançou um olhar curioso a Dumbledore e Harry . Dumbledore passou para uma de as cadeiras junto de o lume . - Senta te , Harry - disse . E Harry sentou se , sentindo se indescritivelmente nervoso . - Antes de mais , Harry , quero agradecer te - disse Dumbledore com os olhos a brilharem de_novo . - Deves ter demonstrado uma grande lealdade para comigo . Só isso poderia atrair a Fawkes para ir ajudar te . Deu uma palmadinha a a fénix que voara , entretanto , para_cima de os seus joelhos . Harry sorria acanhadamente sob o olhar observador de Dumbledore . - Encontraste , portanto , Tom_Riddle - disse o director amavelmente . - Calculo que ele estaria particularmente interessado em ti ... De repente , algo que Harry tinha engasgado saiu lhe descontroladamente de a boca para fora . - Professor_Dumbledore ... o Riddle disse que eu sou como ele , que há entre nós estranhas semelhanças ... - Ah ! sim ? - Dumbledore olhou pensativamente para ele , por debaixo de as espessas sobrancelhas prateadas . - E o que achas tu de isso ? - Eu não me considero parecido com ele - disse Harry mais alto do_que desejaria . - Isto_é , eu sou um Gryffindor , eu sou ... Mas calou se com uma dúvida a rondar lhe o espírito . - Professor - arriscou passado alguns momentos . - O chapéu seleccionador disse que eu ... teria ficado bem em os Slytherin ; durante algum tempo toda_a_gente pensou que eu era o herdeiro de Slytherin por falar * serpentês * ... - Tu falas * serpentês * , Harry - disse Dumbledore calmamente - porque Lord_Voldemort que é o mais recente antepassado de Salazar_Slytherin , fala * serpentês * . Ou eu me engano muito , ou ele transferiu para ti alguns de os seus poderes em a noite em que te fez essa cicatriz . Não que quisesse fazê o , claro , mas aconteceu . - Voldemort pôs um_pouco de si próprio em mim ? - disse Harry assombrado . - É o que parece ter acontecido . - Então eu deveria estar em os Slytherin - disse Harry , olhando desesperado para o rosto de Dumbledore . - O chapéu seleccionador viu em mim os poderes de Slytherin e ... -- Pôs te em os Gryffindor - concluiu tranquilamente Dumbledore . - Ouve , Harry , tu tens por acaso muitas de as capacidades que Salazar_Slytherin apreciava em os seus estudantes cuidadosamente seleccionados . O seu raro dom de falar * serpentês * , desenvoltura , determinação , um certo desprezo por as regras estabelecidas - acrescentou com o bigode a tremer de_novo . - Mas ainda_assim , o chapéu seleccionador pôs te em os Gryffindor . E sabes porquê ? Pensa um_pouco . - Só me pôs em os Gryffindor - disse Harry em uma voz débil - porque eu pedi para não ir para os Slytherin . - Exacto - disse Dumbledore a sorrir . - E isso torna te muito diferente de o Tom_Riddle . São as tuas escolhas , Harry , que mostram quem de facto tu és , mais do_que as tuas capacidades . Harry sentou se , imóvel e espantado , em a cadeira . - Se queres provas de que o teu lugar é em os Gryffindor , sugiro que vejas isto com mais atenção . Dumbledore aproximou se de a secretária de a professora Mc_Gonagall , pegou em a espada de prata ensanguentada e mostrou lhe a . Sem perceber , Harry voltou a ao_contrário . Os rubis brilharam a a luz de a lareira e foi então que ele reparou em o nome gravado mesmo por baixo de o copo de a espada . GODRIC_GRYFFINDOR . - Só um verdadeiro Gryffindor poderia ter tirado a espada de dentro de o chapéu , Harry - disse , com simplicidade , Dumbledore . Durante um minuto , nenhum de os dois falou . Depois , Dumbledore abriu uma de as gavetas de a secretária de a professora Mc_Gonagall e retirou de lá uma pena e um tinteiro . - Tu precisas de comer e ir dormir . Sugiro que desças para o banquete enquanto eu escrevo para Azkaban . Precisamos de recuperar o nosso guarda de os campos . E tenho de esboçar um anúncio para o * _ Profeta_Diário * - acrescentou pensativo . - Vamos precisar de um novo professor de Defesa contra as artes negras . É um problema , estamos sempre a perdê os . Harry levantou se e dirigiu se a a porta . Tinha acabado de estender a mão para o puxador quando ela se abriu tão violentamente que saltou de as dobradiças . Lucius_Malfoy estava de pé , furioso . E , debaixo de o braço , embrulhado em diversas ligaduras , estava Dobby . - Boa tarde , Lucius - disse Dumbledore , de forma amena . Mr._Malfoy quase derrubou Harry enquanto entrava em a sala . Dobby dava passos miudinhos atrás de ele , inclinado até a a bainha de o seu manto com um olhar apavorado em o rosto . - Então - disse Lucius_Malfoy com os olhos fixos em Dumbledore - voltaste . Os membros de o Conselho_Directivo suspenderam te , mas tu mesmo_assim sentiste te capaz de voltar a Hogwarts . - Bem vês , Lucius - disse Dumbledore , sorrindo serenamente . - Os outros membros de o Conselho contactaram me hoje . Fui envolvido em um redemoinho de corujas , todos queriam contar me a verdade . Ouviram dizer que a filha de Arthur_Weasley tinha sido morta e queriam me novamente aqui . Parece que me consideravam o melhor homem para o lugar . Contaram me algumas histórias muito estranhas . Alguns de eles tinham a impressão que tu tinhas ameaçado amaldiçoar lhes as famílias se não concordassem com a minha suspensão . Mr._Malfoy ficou ainda mais pálido do_que de costume , mas os olhos continuavam cheios de fúria . - Então já acabaste com os ataques ? - rosnou . - Apanhaste o culpado ? - Já , sim - disse Dumbledore com um sorriso . - E quem é ? - perguntou Malfoy secamente . - A mesma pessoa de a última vez , Lucius - disse Dumbledore . Mas desta_vez , Lord_Voldemort agiu através_de outra pessoa , por_meio_de um diário . Pegou em o pequeno caderno com o buraco em o meio , observando Mr._Malfoy de perto . Mas Harry olhava para Dobby . O elfo fazia um sinal muito estranho . Com os seus grandes olhos fixos em Harry , não parava de apontar para ó diário e , em seguida , para Mr._Malfoy , batendo logo_a_seguir com o punho em a cabeça . - Estou a ver ... - disse Mr._Malfoy lentamente a Dumbledore . - Um plano inteligente - afirmou o director em um tom de voz suave , continuando a olhar Mr._Malfoy directamente em os olhos . - Porque se não fosse aqui o Harry e o seu amigo Ron a descobrirem o diário , sem dúvida Ginny_Weasley teria ficado com todas_as culpas . Ninguém teria conseguido provar que ela agira contra a sua própria vontade . Mr._Malfoy não se pronunciou . O seu rosto parecia agora uma máscara . - E vê bem - continuou Dumbledore - o que poderia ter acontecido ... os Weasley são uma de as mais proeminentes famílias de feiticeiros de sangue puro , imagina o efeito em a imagem de Arthur_Weasley e em a sua acção de protecção a os Muggles , se a sua própria filha fosse acusada de atacar e matar filhos de Muggles . Foi uma sorte o diário ter sido descoberto e as memórias de Riddle apagadas . Quem sabe que consequências poderia ter tido ? Mr._Malfoy falou contra vontade . - Sim , foi uma sorte - disse secamente . E , em as suas costas , Dobby continuava a apontar para o diário e para Lucius_Malfoy , batendo depois com o punho em a cabeça . E Harry finalmente percebeu . Fez um sinal a Dobby que correu a esconder se em um canto , torcendo desta_vez as orelhas para se castigar . - Não quer saber como a Ginny obteve esse diário , Mr._Malfoy ? - perguntou Harry . Lucius_Malfoy voltou se para ele . - Como queres que eu saiba onde é_que a estúpida de a garota o arranjou ? - Porque foi o senhor quem lhe o deu - disse Harry . - Em a Flourish and Blotts . O senhor pegou em o livro velho de ela de Transfiguração e meteu o diário lá dentro , não foi ? Viu as mãos brancas de Mr._Malfoy abrirem se e fecharem se . - Prova isso - sibilou . - Oh ! ninguém vai poder prová o - disse Dumbledore sorrindo a o Harry . - Não agora_que o Riddle desapareceu de o caderno . Por outro lado , aconselharia te , Lucius , a não dares mais nenhuma de as coisas velhas de Lord_Voldemort . Se mais alguma for parar a as mãos de crianças inocentes , acho que o Arthur_Weasley fará com que se voltem com toda_a sua carga negativa contra ti . Lucius_Malfoy ficou calado um momento e Harry viu claramente a sua mão direita torcer se como_se desejasse chegar a a varinha . Em vez de isso , voltou se para o seu elfo doméstico . - Vamos , Dobby . Abriu a porta e quando o elfo se aproximou deu lhe um pontapé que o projectou para longe . Ouviram se em o escritório os gritos de dor de Dobby em o corredor . Harry pensou durante um momento e depois decidiu se . - Professor_Dumbledore - disse apressadamente . - Posso dar o diário outra_vez a Mr._Malfoy ? - Certamente , Harry - disse Dumbledore com toda_a calma . - Mas não demores , olha o banquete . Harry agarrou em o diário e saiu de o escritório . Os gritos de dor de Dobby afastavam se ao_longe . Sem perder tempo , perguntando a si próprio se o plano poderia resultar , Harry tirou um de os sapatos , puxou uma de as peúgas enlameadas e viscosas e meteu o diário lá dentro . Em seguida correu até a o fundo de o corredor escuro . Apanhou os em o topo de as escadas . - Mr._Malfoy - disse ofegante , parando . - Tenho uma coisa para si . E meteu a peúga mal cheirosa em a mão de Lucius_Malfoy . - O que é ... ? Mr._Malfoy tirou o diário de dentro de a peúga , deitou a fora e olhou furioso para o caderno estragado e para Harry - Ainda vais acabar por ter um fim igual a o de os teus pais um dia de estes , Harry_Potter - disse em voz baixa . - Eles também eram uns idiotas metediços . Voltou se para se ir embora . - Anda , Dobby , vem ! Mas Dobby não se mexeu . Tinha em as mãos a peúga nojenta de o Harry e olhava para ela como_se fosse um tesouro de valor incalculável . - O senhor deu uma peúga a o Dobby - disse o elfo maravilhado . - Deu a a o Dobby . - O que é isso ? - cuspiu Mr._Malfoy . - Que estás para aí a dizer ? - Dobby tem uma peúga - repetiu incrédulo . - O senhor deitou a fora e Dobby apanhou a e Dobby agora é livre ... Lucius_Malfoy ficou paralisado a olhar para o elfo . Em seguida precipitou se para Harry . - Fizeste me perder o meu servo , rapaz . Mas Dobby gritou : - Não pense que vai fazer mal a o Harry_Potter ! Ouviu se um enorme estrondo e Mr._Malfoy foi empurrado de costas , galgando os degraus de as escadas a três_e_três e indo aterrar lá em baixo todo embrulhado e amarrotado . Levantou se , o rosto lívido e pegou em a varinha , mas Dobby estendeu lhe um dedo ameaçador . - Vá se embora já - disse furioso , apontando para Mr._Malfoy . - Não tocará em o Harry_Potter . Vá se embora , já . Lucius_Malfoy não teve escolha . Lançando a os dois um último olhar de cólera , embrulhou se em o manto e desapareceu . - Harry_Potter libertou Dobby ! - disse o elfo com voz esganiçada , olhando para Harry , a luz de o luar reflectida em os seus grandes olhos em forma de globos . - Harry_Potter libertou Dobby . - Era o mínimo que eu podia fazer , Dobby - disse Harry a sorrir -- , mas promete me que não vais voltar a tentar salvar me a vida . A cara feia e escura de o elfo abriu se , mostrando os dentes , em um enorme sorriso . - Tenho uma pergunta a fazer te , Dobby - disse Harry enquanto o elfo pegava em a peúga de ele com as mãos a tremer . - Disseste me que tudo_isto não tinha nada que ver com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Lembras te ? - Era uma pista , senhor - disse Dobby com os olhos muito abertos como_se fosse absolutamente óbvio . - Dobby estava a dar lhe uma pista . Antes de o senhor de o mal mudar de nome , o seu nome podia ser pronunciado , está a ver ? - Certo - disse Harry sem grande convicção . - Bem , é melhor eu ir indo embora . Há um banquete e a minha amiga Hermione já deve ter acordado ... Dobby lançou os braços a a cintura de Harry e abraçou o . - Harry_Potter é muito maior do_que Dobby imaginava ! - soluçou . - Adeus , Harry_Potter . E com um estalido final , Dobby desapareceu . Harry assistira a diversos banquetes , mas nenhum que se parecesse com aquele . Estavam todos de pijama e a festa durou a noite inteira . Harry não sabia se o melhor tinha sido a Hermione a correr para ele e a gritar : - Tu conseguiste . Tu conseguiste ! , ou o Justin saindo disparado de a mesa de os Hufflepuff para lhe estender a mão , desfazendo se em desculpas por ter suspeitado de ele , ou o Hagrid que apareceu a as três_e_meia e que lhes deu palmadas com tanta força em os ombros que eles foram parar dentro de os pratos de bolo de creme , ou os quatrocentos pontos que ele e o Ron obtiveram para os Gryffindor , ganhando a taça de a equipa por a segunda vez consecutiva , ou a professora Mc_Gonagall de pé , a comunicar lhes que os exames tinham sido cancelados como medida de a escola ( Oh ! não ! exclamou Hermione ) , ou Dumbledore a anunciar que , infelizmente , o professor Lockhart não poderia voltar em o ano seguinte por ter de se ausentar a_fim_de recuperar a memória . Alguns de os professores juntaram se a os alunos que aplaudiram entusiasmados esta notícia . - Que pena - disse Ron , servindo se de um * dounut * de presunto . - E eu que começava a gostar de ele ... O resto de o período de Verão decorreu sob um sol escaldante . Hogwarts voltara a a normalidade , apenas com algumas pequenas diferenças : as aulas de Defesa contra as artes negras foram canceladas ( Mas nós tivemos imensa prática - disse o Ron vendo o descontentamento de Hermione ) e Lucius_Malfoy foi demitido de o Conselho_Directivo . Draco já não passeava por ali como_se fosse o dono de a escola . Pelo_contrário , tinha um ar melindrado e carrancudo . Por outro lado , Ginny_Weasley andava de_novo feliz de a vida . Em_breve chegou o dia de regressarem a casa em o Expresso_de_Hogwarts . Harry , Ron , Hermione , Fred , George e Ginny encheram um compartimento . Tiraram o_máximo partido de aquelas últimas horas em que lhes era permitido usar a magia antes de as férias . Brincaram a as explosões , gastaram o último fogo-de-artíficio Filibuster , de o Fred e de o George e treinaram o mútuo desarmamento através de a magia . Harry começava a ficar muito bom em aquilo . Já estavam perto de a estação de King's_Cross quando Harry se lembrou de uma coisa . - Ginny , o que foi que viste o Percy fazer que ele não queria que nos contasses ? - Ah ! isso - disse a Ginny a rir . - Bem , é_que o Percy tem uma namorada . Fred deixou cair uma pilha de livros em a cabeça de o George . - O quê ? - É aquela prefeita de os Ravenclaw ' Penelope_Clearwater - disse a Ginny . - Foi para ela que ele escreveu durante todo o Verão . Encontravam se em a escola em grande segredo . Eu apanhei os a beijarem se em uma sala de aula vazia e ele ficou tão aflito quando ela foi ... sabes ... atacada . Não vais aborrecê o , pois não ? - perguntou cheia de ansiedade . - Que ideia - respondeu Fred com uma tal satisfação em o rosto que parecia que o seu aniversário chegara mais cedo . - Claro que não - disse o George a rir se a a socapa . O Expresso_de_Hogwarts abrandou e finalmente parou . Harry tirou a pena e um_pouco de pergaminho e voltou se para Ron e Hermione . - Isto_é um número de telefone - disse ele a o Ron , escrevinhando o duas vezes , cortando o pergaminho a o meio e dando lhes os números . - Eu expliquei a o teu pai como usar um telefone em o Verão passado . Ele sabe fazer a chamada . Liga me para_casa de os Dursley , O. _ K. ? Não consigo suportar outros dois meses sem ter mais ninguém com quem falar ... - Mas a tua tia e o teu tio vão ficar orgulhosos de ti , não vão ? - perguntou Hermione quando saíram de o comboio e se misturaram em a multidão que se encontrava junto de a barreira encantada . - Quando souberem o que fizeste este ano . - Orgulhosos ? - disse Harry . - Estás doida ! Podendo eu ter morrido tantas vezes e tendo escapado ? Vão ficar é furiosos ... E juntos avançaram até a a entrada para o mundo de os Muggles . ----------------- J._K._Rowling_Harry_Potter e a Câmara_dos_Segredos_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Chamber of Secrets_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling 1998 Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 2000 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 2.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 Depósito legal : 143.569/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , a a Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Para_Séan_P._F._Harris , condutor imparável e um amigo de os diabos . I_O pior aniversário Não era a primeira vez que uma discussão estoirava a a mesa de o pequeno-almoço , em o número 4 de a Privet_Drive . Mr._Vernon_Dursley fora acordado de manhã cedo por o piar ruidoso que vinha de o quarto de o seu sobrinho Harry . - É a terceira vez esta semana ! - resmungou , a a mesa . - Se não consegues controlar essa coruja , ela não pode ficar aqui . Harry tentou , mais_uma_vez , explicar . - Ela está aborrecida . Estava habituada a voar livremente lá fora . Se eu pudesse , ao_menos , soltá a a a noite ... - Achas me com cara de idiota ? - perguntou rispidamente o tio Vernon , com um fio de ovo preso em o bigode farfalhudo . - Sei muito bem o que aconteceria se essa coruja fosse lá para fora . Trocou um olhar soturno com a mulher , a tia Petúnia . Harry tentou contra-argumentar , mas as suas palavras foram abafadas por um enorme arroto de o filho de os Dursleys , Dudley . - Quero mais bacon . - Há mais em a frigideira , fofinho - disse a tia Petúnia , lançando um olhar vago a o seu filho maciço . - Tens que te alimentar bem enquanto aqui estás , aquela comida de a tua escola não me cheira . - Disparate , Petúnia , eu nunca passei fome enquanto andei em Smeltings - afirmou com sinceridade o tio Vernon . - O Dudley tem que chegue . Não é verdade , filho ? Dudley , que era tão gordo que o rabo saía de os dois lados de a cadeira de a cozinha , sorriu laconicamente e voltou se para Harry . - Passa me a frigideira . -- Esqueceste te de a palavra mágica - disse Harry , irritado . O efeito que esta simples frase teve em o resto de a família foi inacreditável : Dudley começou a arfar e caiu de a cadeira com um estrondo que abalou a cozinha , Mrs._Dursley deu um gritinho e bateu com a mão em a boca , Mr._Dursley pôs se de pé com as veias de as têmporas dilatadas . - Eu queria dizer « por favor » - explicou Harry rapidamente . - Não me referia a ... - : __ o que é_que eu te __ disse - vociferou o tio , espalhando perdigotos sobre a mesa - : __ sobre pronunciar a palavra m . em esta __ casa ? - Mas eu ... - : __ como te atreves a ameaçar o __ dudley ! - rosnou o tio Vernon , batendo com o punho em a mesa . - Eu só ... - : __ estás avisado . não vou admitir referências a tua anormalidade debaixo de o tecto de a minha __ casa ! Harry olhou alternadamente para o rosto congestionado de o tio e para a palidez de a tia que tentava pôr o Dudley de pé . - Está bem - disse Harry . - Está bem ... O tio Vernon voltou a sentar se , respirando como um rinoceronte exausto e observando Harry de perto por o canto de os seus olhos pequeninos e penetrantes . Desde_que Harry regressara para as férias de Verão que o tio Vernon o tratava como_se ele fosse uma bomba , capaz de explodir a qualquer momento , porque Harry não era um rapazinho normal . Em a verdade , ele era o menos normal que é possível imaginar . Harry_Potter era um feiticeiro , um feiticeiro que acabara de concluir o primeiro ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts e a infelicidade que os Dursleys sentiam por ele estar lá em casa não era nada comparada com a de Harry . As saudades de Hogwarts eram tão intensas que se assemelhavam a uma constante dor em o estômago . Sentia a falta de o castelo com as suas passagens secretas e os seus fantasmas , de as aulas ( com excepção talvez de as de Snape , o professor de as poções ) , de o correio a chegar trazido por as corujas , de os banquetes em o salão nobre , de as noites em as camas de dossel em a camarata de a torre , de as visitas a Hagrid , o guarda de os campos em a sua casinha em o bosque , junto de a floresta proibida e , principalmente , sentia a falta de o Quidditch , o desporto mais popular de o mundo de os feiticeiros ( seis postes altos de golo , quatro bolas esvoaçantes e catorze jogadores em_cima_de vassoura ) . Todos os livros de feitiços de Harry , assim_como a varinha , os mantos , o caldeirão e a vassoura topo de gama Nimbus dois_mil tinham sido encerrados por o tio Vernon em a despensa que ficava debaixo de as escadas , em o momento em que Harry regressara a casa . O que é_que lhes interessava se ele perdia ou não o seu lugar em a equipa de Quidditch por não ter praticado durante todo o Verão ? Que importância tinha para eles que o Harry voltasse a a escola sem ter podido fazer os trabalhos de casa ? Os Dursleys eram aquilo que os feiticeiros chamam « Muggles » ( nem uma gota de sangue mágico em as veias ) e , para eles , ter um feiticeiro em a família era motivo de grande vergonha . O tio Vernon tinha , inclusivamente , fechado a cadeado a coruja de Harry , Hedwig , dentro de a gaiola , para evitar que ela transportasse mensagens para a gente de o mundo de a feitiçaria . Harry não se parecia em nada com o resto de a família . O tio Vernon era atarracado e sem pescoço , dotado de um enorme bigode preto ; a tia Petúnia tinha um rosto cavalar e era esquelética ; Dudley era loiro e rosado como um porquinho . Harry , pelo_contrário , era baixo e franzino , com os olhos verdes brilhantes e cabelo negro sempre desalinhado . Usava uns óculos redondos e tinha em a testa uma cicatriz em forma de relâmpago . Era essa cicatriz que o tornava tão invulgar , mesmo para um feiticeiro . Era a única alusão a o seu passado misterioso , a o motivo por o qual , onze anos antes , tinha sido deixado em o degrau de a porta de os Dursleys . Com um ano de idade , Harry sobrevivera a uma maldição de o maior feiticeiro negro de todos os tempos , Lord_Voldemort , cujo nome a maior parte de os feiticeiros e feiticeiras ainda receia pronunciar . Os pais de Harry tinham morrido em um ataque de Voldemort , mas ele escapara com a sua cicatriz em forma de relâmpago e estranhamente , ninguém compreendeu porquê , os poderes de Voldemort tinham sido destruídos em o momento em que não fora capaz de matar o Harry . Por isso , ele foi criado por a irmã de a sua falecida mãe e respectivo marido . Passou dez anos com os Dursleys , sem nunca compreender porque fazia com que acontecessem coisas estranhas , alheias a a sua vontade , acreditando em a história de os Dursleys de que aquela cicatriz fora resultado de um acidente de automóvel em que os pais tinham morrido . E um dia , precisamente um ano antes , Hogwarts escrevera lhe e fora então que tudo começara . Harry fora ocupar o seu lugar em a escola de feitiçaria , onde ele e a sua cicatriz eram famosas ... mas agora o ano escolar chegara a o fim e estava de_novo com os Dursleys . Durante o Verão , voltara a ser tratado como um cão malcheiroso . Os Dursleys nem se tinham lembrado que aquele era o dia de o seu décimo segundo aniversário . É claro que não tivera grandes expectativas : eles nunca lhe tinham dado um presente a sério , muito menos um bolo , mas ignorarem o por completo ... Em esse momento , o tio Vernon pigarreou com um ar importante e disse : - Como todos sabem , hoje é um dia muito importante . Harry olhou para ele , mal conseguindo acreditar . - Pode bem ser que eu faça hoje o maior negócio de toda_a minha vida - afirmou . Harry voltou novamente a atenção para a torrada . É claro , pensou amargamente , o tio Vernon referia se a a estúpida dinner-party . Havia quinze_dias que não falava de outra coisa . Um consultor qualquer cheio de massa e a mulher vinham jantar lá a casa e o tio Vernon tinha esperança de conseguir uma grande encomenda ( a empresa de o tio Vernon fabricava brocas ) . - Acho que devíamos recapitular mais_uma_vez - disse o tio Vernon . - Devemos estar todos a postos a as oito_horas_em_ponto . Petúnia , tu vais estar ... ? - Em o salão - respondeu a tia Petúnia prontamente - a a espera para lhes dar as boas-vindas a nossa casa . - Bom , bom . E o Dudley ? - Eu vou estar a a espera para abrir a porta . - Dudley esboçou um sorriso falso e afectado . - Dão me licença que vos guarde os casacos , Mr. e Mrs._Mason ? - Eles vão adorá o - exclamou arrebatadamente a tia Petúnia . - Excelente , Dudley - disse o tio Vernon . - A seguir voltou se para o Harry . - E tu ? - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - repetiu o Harry , de forma inexpressiva . - Exactamente - confirmou o tio Vernon , de um modo desagradável . - Eu conduzo os até a o salão , apresento te , Petúnia , e sirvo lhes as bebidas . _ a as oito_e_um_quarto . - Eu chamo para a mesa - disse a tia Petúnia . - E tu , Dudley , vais dizer ... - Dá me licença que lhe indique a casa de jantar , Mrs._Mason ? - repetiu o Dudley , oferecendo o seu braço gordo a uma mulher invisível . - O meu pequenino cavalheiro - fungou a tia Petúnia . - E tu ? - perguntou o tio Vernon a o Harry , em o mesmo tom desagradável . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho , fingindo que não estou lá - respondeu Harry aborrecido . - Isso mesmo . Agora , devíamos ter preparadas algumas frases amáveis para o jantar . Petúnia , alguma ideia ? - O Vernon disse me que o senhor é um excelente jogador de golfe , Mr._Mason ... Tem de me dizer onde comprou esse vestido , Mrs._Mason ... - Perfeito . Dudley ? - Que tal : Tivemos de fazer um trabalho para a escola sobre o nosso herói e eu escrevi sobre o senhor ... Foi de mais , tanto para a tia Petúnia como para o Harry . A tia debulhou se em lágrimas e abraçou o filho , enquanto Harry se esgueirava para debaixo de a mesa para ninguém o ver rir . - E tu , rapaz ? Harry fez um esforço para se mostrar inexpressivo quando emergiu . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - disse . - Vais sim senhor - afirmou o tio Vernon energicamente . - Os Mason não sabem nada a teu respeito e é assim que as coisas vão continuar . Quando o jantar terminar , tu trazes Mrs._Mason para o salão , onde vamos tomar café , Petúnia , e eu puxo o assunto de as brocas . Com um_pouco de sorte , tenho o contrato assinado antes de o noticiário de as dez . Amanhã por esta hora , vamos estar a fazer compras para umas férias em Maiorca . Harry não conseguia sentir o menor entusiasmo com aquilo . Não lhe parecia que os Dursleys gostassem mais de ele em Maiorca do_que em Privet_Drive . - Certo , eu vou a a cidade buscar os casacos para mim e para o Dudley . E tu - resmungou , apontando para Harry - não atrapalhes a tua tia enquanto ela estiver a limpar . Harry saiu por a porta de as traseiras . Estava um dia de sol lindo . Atravessou o relvado , deixou se cair em o banco de o jardim e cantarolou baixinho : - Parabéns para mim ... parabéns para mim ... Nem cartas nem presentes e tinha de passar a noite a fingir que não existia . Olhou infeliz para a sebe . Nunca se sentira tão só . Mais do_que tudo em o mundo , mais do_que de Hogwarts , mais até do_que de o jogo de Quidditch , Harry sentia a falta de os amigos Ron_Weasley e Hermione_Granger . Mas eles não pareciam sentir a falta de ele . Nenhum de os dois lhe escrevera durante todo o Verão apesar_de o Ron ter dito que ia convidá o para passar uns dias lá em casa . Inúmeras vezes Harry estivera quase a libertar magicamente Hedwig de a sua gaiola e mandá a levar uma carta a o Ron e a a Hermione mas não valia a pena correr o risco . Os feiticeiros menores de idade não tinham autorização para usar a magia fora de a escola . Harry não contara isto a os Dursleys . Ele sabia que era o medo de que ele os transformasse a todos em baratas que os impedia de o fecharem a a chave em a despensa debaixo de as escadas , juntamente com a varinha e a vassoura . Em as primeiras semanas Harry divertira se a murmurar baixinho palavras sem sentido e a ver o Dudley sair disparado de o quarto , tão rápido quanto as suas pernas gordas lhe permitiam . Mas o silêncio prolongado de Ron e Hermione tinham o feito sentir se tão longe de o mundo de a magia que até divertir se à_custa_de Dudley perdera o interesse . E agora o Ron e a Hermione tinham se esquecido de o seu aniversário . Quanto não daria ele por uma mensagem de Hogwarts ? De qualquer feiticeiro ou feiticeira ? Quase ficaria satisfeito com um sinal de o seu inimigo feroz , Draco_Malfoy , só para ter a certeza de que tudo aquilo não fora apenas um sonho ... Não que tudo durante o ano em Hogwarts tivesse sido divertido . Mesmo em o fim de o último período , Harry confrontara se nem mais nem menos do_que com o próprio Lord_Voldemort . Voldemort podia ter arruinado o seu ego inicial mas continuava a espalhar o terror , ainda astuto , ainda determinado a recuperar o poder . Harry escapara uma segunda vez a as suas garras mas fora por um triz e mesmo agora , algumas semanas decorridas , acordava de noite encharcado em suores frios , perguntando se onde estaria Voldemort , relembrando o seu rosto lívido , os seus olhos completamente loucos ... Harry sentou se subitamente , direito como um fuso , em o banco de o jardim . Tinha estado a olhar distraído para a sebe e a sebe estava a olhar para ele . Dois enormes olhos verdes surgiram por_entre a folhagem . Harry pôs se de pé ao_mesmo_tempo que uma voz sobrevoava a relva . - Eu sei que dia é hoje - cantarolava Dudley , bamboleando se enquanto se aproximava . Os olhos enormes piscaram e desapareceram . - O quê ? - perguntou Harry sem retirar os olhos de o lugar para_onde estava a olhar . - Eu sei que dia é hoje - repetiu , chegando junto de ele . - Ainda_bem - disse Harry . - Aprendeste finalmente os dias de a semana . - Hoje é o dia de os teus anos - troçou o Dudley . - Por_que é_que não recebeste nenhuma carta ? Não tens amigos em esse lugar esquisito ? - É melhor não deixares a tua mãe ouvir te falar de a minha escola - disse Harry calmamente . Dudley puxou para_cima as calças que estavam a escorregar lhe por o rabo gordo abaixo . - Porque estás a olhar para a sebe . ; - perguntou curioso . - Estou a pensar em as palavras que deverei pronunciar para lhe pegar fogo - disse Harry . Dudley recuou de imediato com um olhar de pânico em a cara rechonchuda . - Tu não p-p-odes , o pai disse que não podias fazer magia ou corria contigo aqui de casa e não tens mais nenhum lugar para_onde ir , não tens amigos que te convidem ... - * _ Jiggery pokery * ! - disse Harry com voz firme . - * _ Hocus pocus ... squiggly wiggly * ... - Maaaaaãe - gritou Dudley , tropeçando em os pés , enquanto se precipitava para dentro_de casa . Maaaãe , ele vai fazer aquela coisa ! Harry deu graças a os céus por aquele momento de gozo . Como não aconteceu nada de mal nem a o Dudley nem a a sebe , a tia Petúnia percebeu que ele não fizera magia nenhuma mas , mesmo_assim , Harry teve de se afastar quando ela lhe deu uma forte pancada em a cabeça com a frigideira cheia de detergente . A seguir distribuiu lhe trabalho e o castigo de só voltar a comer quando tivesse acabado tudo . Enquanto Dudley andava a flanar , olhando para o ar e comendo gelados , Harry limpou as janelas , lavou o carro , aparou a relva , adubou os canteiros , podou e regou as rosas e pintou de_novo o banco de o jardim . O sol ardia lá em cima , queimando lhe a parte de trás de o pescoço . Harry sabia que não devia ter provocado Dudley mas ele dissera precisamente aquilo que ele próprio pensava ... talvez não tivesse amigos em Hogwarts . Deviam ver agora o famoso Harry_Potter , pensou amargamente enquanto espalhava adubo em os canteiros , as costas a doerem lhe e o suor a escorrer lhe por o rosto . Eram sete_e_meia_da_tarde quando , por fim , exausto , ouviu a tia Petúnia a chamá o . - Anda para dentro e passa por cima de os jornais . Harry entrou satisfeito em a sombra de a cozinha que rebrilhava . Sobre o frigorífico estava o bolo de a noite : um enorme monte de crome batido coberto de violetas de açúcar . A carne de porco assava em o forno . - Come depressa , os Mason devem estar a chegar ! - exclamou bruscamente a tia Petúnia , apontando para duas fatias de pão e uma de queijo que estavam em cima de a mesa de a cozinha . Ela já tinha posto um vestido de * cocktail * cor de salmão . Harry lavou as mãos e comeu aquele triste jantar . Mal tinha terminado , a tia Petúnia tirou lhe o prato . - Lá para_cima , rápido ! A o passar por a porta de a sala , Harry vislumbrou o tio Vernon e Dudley de casaco e gravata . Tinha acabado de chegar a o cimo de as escadas quando a campainha de a porta tocou e a cara de o tio Vernon apareceu em o patamar . - Lembra te , rapaz , um ruído que seja ... Harry entrou em o quarto em bicos de pés , fechou a porta e preparou se para se meter em a cama . O problema é_que estava lá alguém sentado . II_O aviso de Dobby_Harry conseguiu não gritar , mas foi por_pouco . A pequena criatura que estava em a cama tinha umas orelhas grandes e largas e uns olhos verdes protuberantes de o tamanho de bolas de ténis . Harry percebeu imediatamente que fora para ele que tinha estado a olhar de manhã . Enquanto olhavam um para o outro , Harry ouviu a voz de Dudley em o * hall * . - Posso guardar os vossos casacos , Mr. e Mrs._Mason ? A criatura escorregou por a cama e curvou se tanto que a ponta de o seu enorme nariz tocou em o tapete . Harry reparou que ele tinha vestido uma espécie de fronha de almofada com buracos para os braços e pernas . - Er ... Olá - disse Harry , um_pouco nervoso . - Harry_Potter ! - exclamou a criatura em uma voz tão estridente que Harry calculou que poderia ouvir se lá em baixo . - Há tanto tempo que Dobby queria conhecê o , senhor . É uma enorme honra ... - Ob-obrigado - disse Harry , deslocando se a o longo de a parede e sentando se em a cadeira de a secretária , junto de Hedwig que dormia em a sua grande gaiola . Queria perguntar lhe « O que és tu ? » , mas pensou que seria má educação , por isso perguntou : - Quem és tu ? - Dobby , senhor . Apenas Dobby , o elfo de casa - afirmou a criatura . - Oh ! A sério ? - perguntou Harry . - Não quero ser mal-educado , mas esta não é a melhor altura para ter um elfo em o meu quarto . O riso falso de a tia Petúnia ouvia se em a sala de jantar . O elfo deixou cair a cabeça . - Não que eu não me sinta feliz por te conhecer - disse Harry rapidamente - mas , er ... estás aqui por algum motivo em especial ? - Oh , sim senhor - disse Dobby muito a sério . - Dobby veio dizer lhe que ... é difícil ... Dobby não sabe por_onde começar ... - Senta te - disse Harry educadamente , apontando lhe a cama . Para seu horror , o elfo debulhou se em lágrimas bastante ruidosas . -- S-senta-te ! - repetiu . - Nunca em toda_a minha vida ... Harry pareceu lhe ouvir as vozes lá em baixo vacilarem . - Desculpa - murmurou . - Eu não queria ofender te ... - Ofender Dobby ! - exclamou o elfo em um sufoco . - Nunca nenhum feiticeiro disse a o Dobby que se sentasse como um seu igual , senhor . Harry , tentando dizer lhe « Sch ... » e confortá o ao_mesmo_tempo , conduziu Dobby de_novo até a a cama onde ele se sentou a soluçar , parecendo uma grande boneca muito feia . Por fim , conseguiu controlar se e ficou quieto , com os seus grandes olhos fixos em Harry em uma expressão de absoluta adoração . - Não deves ter conhecido muitos feiticeiros sérios - disse lhe , tentando animá o . Dobby abanou a cabeça . Em seguida , sem qualquer aviso , saltou e começou a bater furiosamente com a cabeça em a janela , gritando : - Dobby é mau ! Dobby é mau ! - Pára , o que é_que estás a fazer ? - perguntou Harry em um murmúrio sibilante , dando um salto e puxando Dobby de_novo para a cama . Hedwig acordara com um pio particularmente agudo e batia agressivamente com as asas contra as grades de a gaiola . - Dobby tinha que se castigar , meu senhor - afirmou o elfo , que ficara ligeiramente estrábico . - Dobby quase falou mal de a família de ele ... - De a tua família ? - De a família de feiticeiros que Dobby serve , meu senhor ... O Dobby é um elfo de casa , obrigado a servir uma casa e uma família para sempre . - Eles sabem que estás aqui ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Dobby estremeceu . - Oh , não senhor , não ... Dobby vai ter que se castigar muito por ter vindo vê o . Dobby vai ter que entalar as orelhas em a porta de o forno por isto . Se eles soubessem , senhor ... - Mas achas que eles não vão reparar se tu entalares as orelhas em a porta de o forno ? - Dobby duvida , senhor . Dobby está sempre a ter de se castigar por qualquer coisa . Eles deixam que o Dobby se castigue . _ às_vezes até sugerem alguns castigos extra . - Mas por_que é_que não te vais embora , não foges ? - Um elfo de casa tem de ser libertado , senhor . E a família nunca libertará Dobby . Dobby servirá a família até morrer . Harry olhou para ele . - E eu que pensava que era infeliz por ter de ficar aqui mais quatro semanas - declarou . - Isto faz os Dursleys parecerem quase humanos . Será que ninguém te pode ajudar ? Poderei eu ? Em o mesmo momento , Harry desejou não ter aberto a boca . Dobby desfez se em ruidosos soluços de gratidão . - Por favor - murmurou Harry , inquieto . - Por favor , está calado . Se os Dursleys ouvem barulho , se eles sabem que estás aqui ... - Harry_Potter pergunta se pode ajudar Dobby . Dobby ouviu falar de a sua grandeza , mas de a sua bondade , Dobby nada sabia . Harry , que se sentia corar , disse : - Seja o que for que tenhas ouvido sobre a minha grandeza , é um disparate . Nem_sequer sou o melhor de o meu ano em Hogwarts . É a Hermione . Ela ... Mas calou se rapidamente porque pensar em Hermione era lhe doloroso . - Harry_Potter é humilde e modesto - disse Dobby reverentemente , com os seus olhos de globo avermelhados . - Harry_Potter não fala de a sua vitória sobre « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . - Voldemort ? - perguntou Harry . Dobby bateu com as mãos em as enormes orelhas e gemeu : - Ai não diga o nome , senhor . Não diga o nome ! - Desculpa - disse Harry muito depressa . - Eu sei que muita gente não gosta . O meu amigo Ron ... Calou se de_novo . Pensar em o Ron era igualmente doloroso . Dobby voltou para Harry os seus dois olhos grandes como candeeiros . - Dobby ouviu dizer - balbuciou com voz rouca - que Harry_Potter encontrou o Senhor_do_Mal uma segunda vez há poucas semanas atrás ... que Harry_Potter lhe escapou de_novo . Harry acenou e os olhos de Dobby encheram se de lágrimas . - Ah , senhor - disse em um sobressalto , limpando o rosto com a ponta de a fronha de almofada que tinha vestida . - Harry_Potter é valente e arrojado . Enfrentou tantos perigos ! Mas Dobby veio protegê o , avisar Harry_Potter , mesmo_que para isso tenha de entalar as orelhas em a porta de o forno , que Harry_Potter não deve voltar para Hogwarts . Houve um silêncio apenas quebrado por o ruído de os garfos e de as facas lá em baixo e por a voz distante de o tio Vernon . - O q-q-uê ? - gaguejou Harry . - Mas eu tenho de voltar , o ano começa em o dia um de Setembro . É a minha razão de viver . Tu não sabes como são as coisas aqui . Eu não pertenço a este lugar , o meu lugar é em Hogwarts . - Não , não , não - guinchou Dobby , sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas andavam de um lado para o outro . - Harry_Potter deve ficar aqui , onde se encontra a salvo . É demasiado grande , demasiado bom para se perder . Se Harry_Potter regressar a Hogwarts correrá perigo de vida . - Porquê ? - inquiriu Harry , surpreendido . - Há uma conspiração , Harry_Potter . Uma conspiração para fazer acontecer coisas terríveis este ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts - murmurou Dobby que começara a tremer de a cabeça a os pés . - Dobby sabe de isto há meses , senhor . Harry_Potter não deve expor se a o perigo . É demasiado importante . - Que coisas terríveis são essas ? - perguntou Harry sem perder tempo . - Quem está por detrás ? Dobby fez um ruído esquisito e começou a bater com a cabeça contra a parede como um louco . - Está bem - gritou Harry , agarrando o braço de o elfo para o fazer parar . - Não podes dizer , eu compreendo . Mas porque vieste avisar me ? - Um pensamento súbito e desagradável surgiu lhe . - Espera aí , isto tem alguma coisa que ver com o Vol , desculpa com o Quem nós sabemos ? Basta que faças sim ou não com a cabeça - acrescentou com vivacidade enquanto a cabeça de Dobby se inclinava de_novo a uma velocidade preocupante para a parede . Lentamente , Dobby abanou a cabeça . - Não , não é « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . Os olhos de Dobby estavam abertos como_se estivesse a tentar dar a Harry uma pista , mas Harry estava completamente a a nora . - Ele não tem nenhum irmão , ou tem ? Dobby abanou a cabeça , os olhos mais abertos do_que nunca . - Bem , em esse caso não estou a ver quem mais poderia ter a possibilidade de fazer acontecer coisas horríveis em Hogwarts - disse Harry . - Quero dizer , para já está lá o Dumbledore . Sabes quem é Dumbledore , não sabes ? Dobby baixou a cabeça . - Albus_Dumbledore é o melhor director que Hogwarts alguma vez teve . Dobby sabe , senhor . Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore rivalizam com os d'aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Mas , senhor - a voz de Dobby desceu a um urgente murmúrio - há poderes que Dumbledore não ... poderes que nenhum feiticeiro sério ... E antes que Harry conseguisse impedi o Dobby saltou de a cama , agarrou o candeeiro de secretária de Harry e começou a bater com a cabeça , dando uivos ensurdecedores . Fez se silêncio lá em baixo . Dois segundos mais tarde , Harry com o coração a bater como um louco , ouviu o tio Vernon chegar a o * hall * e dizer . - O Dudley deve ter deixado outra_vez a televisão ligada , o maroto ! - Depressa , para dentro de o guarda-fatos - gritou Harry , empurrando Dobby bem para o fundo , fechando a porta e metendo se a correr em a cama mesmo a_tempo_de ver a maçaneta de a porta a girar . - Que diabo estás tu a fazer ? - disse o tio Vernon entre dentes , o rosto assustadoramente próximo de o de Harry . - Acabas de estragar o ponto alto de a minha anedota de o golfista japonês . Eu que oiça mais um som e vais desejar nunca ter nascido , rapaz ! Abandonou o quarto com grandes passadas . A tremer , Harry deixou Dobby sair de o guarda-fatos . - Estás a ver como são as coisas por aqui ? - disse . - Vês porque tenho de voltar para Hogwarts ? É o único sítio onde eu tenho ... bem , onde eu acho que tenho amigos . - Amigos que nem_sequer escrevem a Harry_Potter ? - disse Dobby com ar manhoso . - Calculo que devem ter estado ... espera aí - disse Harry , franzindo a testa . - Como é_que tu sabes que os meus amigos não me têm escrito ? Dobby arrastou os pés . - Harry_Potter não deve zangar se com Dobby . Dobby fez o que achou melhor ... - Tu tens estado a interceptar me as cartas ? - Dobby tem as aqui , senhor - disse o elfo . Saltando para longe de o alcance de Harry , retirou de dentro de a fronha que usava um espesso saco cheio de envelopes . Harry reconheceu de imediato a caligrafia certinha de Hermione , a escrita desordenada de Ron e até uns gatafunhos que pareciam ser de o guarda de os campos de Hogwarts , Hagrid . Dobby piscava ansiosamente os olhos . - Harry_Potter não deve ficar zangado ... Dobby esperava que ... se Harry_Potter pensasse que os amigos o tinham esquecido ... Harry_Potter talvez não quisesse voltar a a escola , senhor . Harry não o ouvia . Fez um gesto para agarrar as cartas , mas Dobby deu um salto , afastando se . - Harry_Potter terá as cartas , senhor , se der a Dobby a sua palavra de não voltar a Hogwarts . Ah , senhor , é um risco que não deve correr . Diga que não volta , senhor ! - Não - afirmou Harry zangado . - Dá me as cartas de os meus amigos ! - Em esse caso , Harry_Potter deixa Dobby sem escolha - disse o elfo tristemente . Antes que Harry pudesse fazer um movimento , Dobby tinha aberto a porta de o quarto e descido a correr por as escadas abaixo . Com a boca seca e um aperto em o estômago , Harry correu atrás de ele , tentando não fazer barulho . Saltou os últimos seis degraus , aterrando como um gato em a carpete de o * hall * , olhando em volta a a procura de Dobby . De a sala de jantar , ouviu a voz de o tio Vernon : - Conte a a Petúnia aquela história engraçadíssima de os funileiros americanos , ela tem estado louca por ouvi a , Mr._Mason . Harry correu de o * hall * para a cozinha e sentiu o estômago ficar pequenino . O pudim , que era a a obra-prima de a tia Petúnia , a montanha de creme batido coberto de violetas de açúcar flutuava junto de o tecto . Em cima de o guarda-louça de o canto , Dobby inclinava se servilmente . - Não - suplicou Harry . - Por favor , eles matam me . - Harry_Potter deve dizer que não vai voltar a a escola ... - Dobby , por favor . - Diga , senhor . - Não posso . Dobby lançou lhe um olhar trágico . - Então , Dobby deve fazê o , senhor , para o bem de Harry_Potter . O pudim foi direito a o chão em uma queda que parecia um coração a parar . O crome esguichou para as janelas e para as paredes , enquanto o prato se despedaçava . Com o ruído de uma chicotada , Dobby desapareceu . Ouviram se gritos em a casa de jantar e o tio Vernon irrompeu por a cozinha onde foi dar com Harry coberto , de a cabeça a os pés , por o pudim de a tia Petúnia . A princípio parecia que o tio Vernon ia conseguir arranjar uma desculpa para aquilo tudo . ( É só o nosso sobrinho , muito perturbado ; conhecer pessoas estranhas deixa o muito nervoso , por isso deixamos o lá em cima ... ) Conduziu_os_Mason , bastante chocados , para a sala de jantar , garantindo a Harry que o esfolava vivo quando os Mason se fossem embora e pôs lhe em as mãos um esfregão . A tia Petúnia descobriu um resto de gelado em o frigorífico e Harry , ainda a tremer , começou a limpar a cozinha . O tio Vernon poderia ainda ter feito o negócio , se não fosse a coruja . Estava a tia Petúnia a circular com uma caixa de After-Eight , quando uma enorme coruja de celeiro fez a sua entrada vertiginosa através de a janela de a casa de jantar , deixando cair uma carta em a cabeça de Mr._Mason e desaparecendo logo_a_seguir . Mrs._Mason gritava como uma carpideira e corria por a casa praguejando contra os lunáticos . Mr._Mason ficou o tempo estritamente necessário para dizer a os Dursleys que a mulher tinha um medo pânico de pássaros de todas_as formas e tamanhos e perguntar lhes se aquela era alguma brincadeira de mau gosto . Harry não saiu de a cozinha , agarrando o esfregão como defesa , enquanto o tio Vernon avançava para ele com um brilho demoníaco em os olhos pequeninos . - Lê isso - ordenou maldosamente . Harry pegou em a carta . Não era a desejar lhe um bom aniversário . * _ Caro_Mr._Potter , * _ Recebermos hoje informações de que um feitiço de suspensão em o ar foi efectuado em sua casa esta noite , a as nove_horas_e_doze_minutos . * _ Como sabe , os feiticeiros menores não estão autorizados a praticar magia fora de a escola e , se efectuar mais um trabalho mágico , será expulso de a nossa escola . ( Decreto_de_Restrições_Razoáveis_para_Feitiçaria_de_Menores , 1875 , parágrafo C. ) * _ Pedimos-lhe também que se lembre que qualquer actividade que possa ser notada por membros alheios a a nossa comunidade ( Muggles ) constitui uma ofensa grave , segundo a secção 13 de a Confederação_Internacional_do_Estatuto_da_Magia_Secreta . * _ Tenha umas boas férias . * Atenciosamente_Mafalda_Hopkirk_Gabinete_da_Utilização_Imprópria_da_Magia_Ministério_da_Magia * . Harry olhou para a carta e engoliu em seco . - Tu não nos contaste que estavas proibido de usar magia fora de a escola - disse o tio Vernon com um brilho maldoso a dançar lhe em os olhos . - Esqueceste te de o mencionar , passou te , não foi ? Tinha se aproximado de Harry como um grande * bulldog * , com todos os dentes a a mostra . - Tenho boas notícias para ti , rapaz , vou fechar te a a chave e , se tentares sair através_de magia , nunca mais voltas a aquela escola , eles expulsam te . E rindo como um louco , arrastou Harry até a o andar de cima . O tio Vernon era mau como as cobras . Em a manhã seguinte pagou a um homem para colocar grades em a janela de o quarto de Harry . Ele próprio abriu um pequeno buraco em a porta de o quarto para que a comida pudesse ser introduzida três vezes por dia . Deixavam o Harry sair para ir a a casa_de_banho de manhã e a o final de a tarde . O resto de o tempo estava fechado em o quarto , a a espera que o tempo passasse . Três dias mais tarde , os Dursleys não mostravam qualquer intenção de abrandar o castigo e Harry não sabia como sair de aquela situação . Estava deitado em a cama , vendo o sol brilhar por_entre as grades de a janela e perguntando se tristemente o que viria a acontecer lhe . Qual era a vantagem de sair de ali por artes mágicas , se Hogwarts o expulsaria em seguida ? Contudo , a vida em Privet_Drive tinha atingido o seu nível mais baixo . Agora_que os Dursleys tinham a certeza que não iam acordar transformados em morcegos , ele perdera a única arma que tinha . O Dobby podia tê o salvo de acontecimentos terríveis em Hogwarts , mas de a maneira que as coisas estavam , ele morreria muito provavelmente a a fome . A portinhola rangeu e a mão de a tia Petúnia apareceu empurrando uma tigela de sopa de pacote para dentro de o quarto . Harry , que estava cheio de fome , saltou de a cama e agarrou a . A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um único trago . A seguir , atravessou o quarto até a a gaiola de Hedwig e pôs os legumes ensopados dentro de o seu pratinho vazio . Ela agitou as penas e olhou o com profunda repugnância . - Não vale de nada virares lhe as costas . É tudo_o_que temos - disse Harry , de modo severo . Colocou a tigela vazia em o chão junto de a portinhola e voltou para_cima de a cama , de certo modo com mais fome do_que antes de ter comido a sopa . Admitindo que estaria ainda vivo dentro_de quatro semanas o que aconteceria se ele não se apresentasse em Hogwarts ? Será que mandariam alguém obrigar os Dursleys a deixá o ir ? O quarto começava a escurecer . Exausto e com o estômago a dar horas , o cérebro a as voltas com as mesmas questões sem resposta , Harry caiu em um sono intranquilo . Sonhou que fazia parte de um espectáculo de o jardim zoológico . Preso a a jaula onde se encontrava estava um cartaz onde podia ler se « feiticeiro menor de idade « . As pessoas olhavam o com olhos protuberantes , enquanto ele jazia fraco e esfomeado em um leito de palha . Viu a cara de o Dobby em o meio de a multidão e gritou lhe , pedindo ajuda , mas o Dobby respondeu : - Harry_Potter está em segurança aí , senhor - e desapareceu . Em seguida vieram os Dursleys e Dudley bateu em as grades de a jaula , rindo se de ele . - Pára com isso - murmurou Harry como_se aquele ruído martelasse em a sua cabeça dorida . - Deixa me em paz , pára com isso , estou a tentar dormir . Abriu os olhos . O luar brilhava através de as grades de a janela . E lá fora alguém olhava de olhos arregalados para ele : alguém de rosto sardento , cabelo ruivo e nariz grande . Ron_Weasley estava de o lado de_fora de a janela . III « A toca » Ron ! - exclamou Harry , arrastando se até a a janela e empurrando a para poderem falar através de as grades . - Ron , como é_que tu , foi o ... ? Harry ficou de boca aberta , espantado com o que viu . Ron estava debruçado de a janela de trás de um velho automóvel azul-turquesa que se encontrava estacionado em o ar . Em os lugares de a frente , rindo se para Harry , estavam os irmãos mais velhos , os gémeos Fred e George . - Tudo bem , Harry ? - O que é_que se tem passado ? - perguntou o Ron . - Porque não respondeste a as minhas cartas ? Convidei te para vires ter comigo umas doze vezes e um dia o pai chegou a casa e comunicou nos que tu tinhas recebido um aviso oficial por usares magia diante de os Muggles ... - Não fui eu . E como é_que ele soube ? - Ele trabalha em o Ministério - disse o Ron . - Tu sabes que nós não podemos fazer feitiços fora de a escola . - Bem , isso vindo de ti ... - exclamou Harry , olhando para o carro flutuante . - Oh , isto não conta - disse Ron . - Foi o meu pai que o emprestou . Não o fizemos aparecer por magia . Mas usar magia em a frente de esses Muggles com quem tu vives ... - Já te disse que não fui eu , mas vai demorar muito_tempo a explicar te isso agora . És capaz de avisar em Hogwarts que os Dursleys me fecharam a a chave e que não querem deixar me voltar e obviamente eu não posso sair de aqui magicamente senão o Ministério vai achar que é a segunda vez em três dias e ... - Pára com essa conversa tola - disse o Ron . - Viemos para te levar connosco . - Mas tu também não podes tirar me de aqui utilizando processos mágicos ... - Não precisamos de isso - afirmou Ron , fazendo um sinal de cabeça para os lugares de a frente . - Esqueces te de quem está aqui comigo . - Amarra isso em volta de as grades - disse o Fred , lançando a Harry a ponta de uma corda . - Se os Dursleys acordam estou feito - lamentou se Harry enquanto dava um nó bem apertado com a corda em uma de as grades e o Fred arrancava com o carro . - Não te preocupes e chega te para trás . Harry recuou para a sombra , para junto de Hedwig que parecia ter se apercebido de a importância de tudo aquilo , mantendo se quieta e em silêncio . O carro puxou mais e mais e , subitamente , com um ruído de ferro a ceder , as grades foram arrancadas de a janela , enquanto Fred conduzia com o céu como estrada . Harry correu de_novo para a janela para ver as grades a balouçarem a poucos metros de o chão . Ofegante , Ron içou as para dentro de o carro . Harry escutou ansiosamente mas não vinha qualquer som de o quarto de os Dursleys . Quando as grades estavam em segurança em os lugares de trás junto de Ron , Fred aproximou se o_máximo que lhe foi possível de a janela . - Anda de aí - disse . - Mas , todas_as minhas coisas de Hogwarts , a minha varinha , a minha vassoura ... - Onde estão ? - Fechadas em a despensa debaixo de as escadas e eu não posso sair de este quarto . . - Não há azar - disse o George . - Sai de a frente , Harry . Fred e George treparam cautelosamente e entraram por a janela em o quarto de Harry . Tinhas que ter aberto a boca , pensou Harry enquanto George tirava de o bolso um vulgar gancho de cabelo e começava a tentar abrir a fechadura . - Muitos feiticeiros acham que é uma perda de tempo aprender os truques de os Muggles - disse o Fred . - Mas nós pensamos que há habilidades que é sempre útil conhecer apesar_de serem um_pouco lentas . Ouviu se um pequeno clique e a porta abriu se . - Pronto , vamos buscar as tuas coisas . Tu vai dando a o Ron aquilo que precisas de aí de o teu quarto - murmurou George . - Cuidado com o degrau de cima que range - sussurrou Harry enquanto os gémeos desapareciam em o escuro . Harry deu a volta a o quarto , recolhendo as suas coisas e passando as por a janela a o Ron . Em seguida , foi ajudar o Fred e o George a trazerem o resto por as escadas acima . Ouviu o tio Vernon tossir . Por fim , de língua de_fora , chegaram a o quarto , junto de a janela aberta . Fred trepou para o carro para puxar os volumes com o Ron enquanto Harry e George os empurravam de dentro de o quarto . Centímetro a centímetro o malão foi passando por a janela . O tio Vernon tossiu de_novo . - Mais um_pouco - disse o Fred que estava a puxar de dentro de o carro . Um bom empurrão , vá . Harry e George encostaram os ombros contra a mala e ela escorregou para a parte de trás de o carro . - O. _ K. , vamos embora - murmurou o George . Mas quando Harry trepava para o parapeito de a janela ouviu se um forte pio atrás de ele , imediatamente seguido de o vociferar de o tio Vernon . - Aquela maldita coruja ! - Esqueci me de a Hedwig ! Harry precipitou se de_novo para o quarto , enquanto a luz de o patamar se acendia . Agarrou a gaiola de Hedwig , correu para a janela e passou a a o Ron . Estava a subir para_cima de a cómoda quando o tio Vernon bateu em a porta , que não estava fechada , e esta se abriu completamente . Por uma fracção de segundo , o tio Vernon ficou estático junto de a porta . Em seguida , soltou um mugido como um boi zangado e avançou para Harry , agarrando o por o tornozelo . Ron , Fred e George seguraram o por os braços e puxaram o com toda_a força . - Petúnia - rosnou o tio Vernon . - Ele está a fugir ! : __ ele está a __ fugir ! Os Weasleys deram um puxão gigantesco e a perna de o Harry escapou a as garras de o tio Vernon . Logo_que Harry entrou em o carro e a porta se fechou , Ron gritou : - Acelera Fred ! - E o carro partiu subitamente em direcção a a lua . Harry mal podia acreditar que estava livre . Esticou se a a janela , o ar de a noite a fustigar lhe os cabelos e olhou para baixo , para os telhados apertados de Privet_Drive . O tio Vernon , a tia Petúnia e o Dudley estavam todos debruçados com cara de parvos , a a janela de o quarto de ele . - Até a o próximo Verão - gritou . Os Weasleys riam se a as gargalhadas e Harry esticou se para trás em o assento e pediu a o ouvido de Ron : - Deixa sair a Hedwig . Ela pode voar atrás_de nós . Há séculos que não tem uma oportunidade de esticar as asas . George passou a o Ron o gancho de cabelo e , um momento depois , a Hedwig saíra feliz por a janela , planando atrás de eles como um fantasma . - Então , qual é a história ? - perguntou Ron , impaciente . - O que é_que tem estado a acontecer ? Harry contou lhes tudo sobre o Dobby , o aviso de este e o fracasso de o pudim de violetas . Houve um longo silêncio quando ele se calou . - Isso cheira me a esturro - disse , por fim , o Fred . - Definitivamente misterioso - concordou George . - Então ele nem te disse quem está supostamente por detrás dessa trama toda ? - Acho que não podia - explicou Harry . - Já te disse , de cada_vez que estava quase a deixar escapar qualquer coisa , começava a bater com a cabeça em a parede . Viu Fred e George olharem um para o outro . - O quê ? Acham que ele estava a mentir me ? - perguntou Harry . - Bem - começou o Fred -- , coloquemos as coisas de o seguinte modo , os elfos de casa têm poderes mágicos próprios , mas geralmente não podem usá os sem a autorização de os seus donos . Eu acho que o bom de o Dobby foi enviado para evitar que voltasses para Hogwarts . Uma ideia de um engraçadinho . Haverá alguém em a escola com má vontade contra ti ? - Sim - responderam Harry e Ron , precisamente ao_mesmo_tempo . - Draco_Malfoy - explicou Harry . - Ele detesta me . - Draco_Malfoy ? - perguntou George , voltando se para trás . - O filho de o Lucius_Malfoy ? - Deve ser . Não é um nome muito vulgar , pois não ? - disse Harry . - Mas porquê ? - Ouvi o pai falar acerca de ele - confidenciou George . - Ele era um grande apoiante de o « Quem nós sabemos » . - E quando o « Quem nós sabemos » desapareceu - continuou o Fred , voltando a cara para olhar para Harry - o Lucius_Malfoy voltou , dizendo que não foi por vontade própria que fez o que fez . Monte de lixo . O pai acha que ele fazia parte de um círculo de amigos íntimos de o « Quem nós sabemos » . Harry já tinha ouvido esses boatos sobre a família de Malfoy e não o surpreenderam em absoluto . Malfoy fizera Dudley_Dursley parecer um rapazinho simpático , amável e sensível . - Não sei se os Malfoy têm um elfo de casa ... - afirmou Harry . - Bem , quem quer que o possua é sem dúvida uma antiga família de feiticeiros e deve ser rica - explicou Fred . - Sim . A mãe está sempre a desejar que pudéssemos ter um elfo de casa para passar a roupa a ferro - disse o George . - Mas só temos um velho vampiro piolhoso em o sótão e gnomos espalhados por o jardim . Os elfos de casa pertencem a as grandes casas senhoriais , a os castelos e lugares assim , não encontrarias um em a nossa casa ... Harry estava calado . Considerando que Draco_Malfoy tinha sempre as melhores coisas , que a sua família nadava em ouro de feiticeiros , era fácil imaginá o passeando se por uma enorme casa senhorial . Mandar o servo de a família evitar que Harry voltasse para Hogwarts também parecia exactamente o tipo de coisa que Malfoy poderia fazer . Teria Harry sido estúpido a o tomar Dobby a sério ? - De qualquer modo , ainda_bem que viemos buscar te - declarou Ron . - Eu começava a ficar seriamente preocupado por não responderes a nenhuma de as minhas cartas . A princípio pensei que a culpa fosse de a Errol ... - Quem é a Errol ? - A nossa coruja . Já é velhota . Não seria a primeira vez que adoecia durante uma entrega . Por isso , tentei pedir a Hermes emprestada ... - Quem ? - A coruja que os meus pais compraram a o Percy quando ele foi nomeado prefeito - respondeu Fred . - Mas o Percy não me a emprestou . Disse que precisava de ela . - O Percy tem andado com atitudes muito estranhas este Verão - comentou George franzindo a testa . - E tem mandado imensas cartas e passado um tempo infinito fechado em o quarto ... enfim , pode limpar se e polir um distintivo de prefeito todas_as vezes que se quiser ... Estás a conduzir demasiado para ocidente , Fred - acrescentou apontando para uma bússola em o painel de o automóvel . Fred girou o volante . - Então , o vosso pai sabe que têm o carro ? - perguntou Harry , quase adivinhando a resposta . - Er ... não - disse o Ron . - Ele tinha trabalho esta noite . Felizmente vamos poder pô o de_novo em a garagem , sem a mãe perceber que andámos a voar nele . - A propósito , o que faz o vosso pai em o Ministério_da_Magia ? - Trabalha em o Departamento mais chato - respondeu Ron . - A Divisão de utilização incorrecta de artefactos de os Muggles . - O quê ? - Relaciona se com objectos de feitiçaria que foram feitos por os Muggles ; sabes como é , se forem parar de_novo a uma loja de os Muggles , ou a uma casa , como em o ano passado , quando morreu uma bruxa velha e o bule de ela foi vendido a uma loja de antiguidades . Uma mulher Muggle comprou o , tentou servir chá a os amigos . Foi um pesadelo , o pai teve de fazer horas extraordinárias durante semanas . - O que é_que aconteceu ? - O bule parecia louco , esguichou chá a ferver para todos os lados e um de os homens foi parar a o hospital com a pinça de o açúcar presa em o nariz . O pai ficou nervosíssimo . É só ele e o velho feiticeiro Perkings em o gabinete e tiveram de localizar e descobrir todo o tipo de encantamentos para resolver o assunto . - Mas o teu pai ... este carro ... Fred riu se . - Sim , o pai é louco por tudo_o_que tem que ver com os Muggles . A nossa arrecadação está cheia de coisas de os Muggles . Ele separa as , lança lhes feitiços e volta a pô as em o lugar . Se ele fizesse uma busca a nossa casa teria de se prender a si mesmo . A minha mãe fica louca com tudo aquilo . - É a estrada principal - gritou o George , apontando para baixo através de a janela . - Dentro_de poucos minutos estamos lá , mesmo a tempo , está a começar a clarear . Um leve brilho rosado tingia o horizonte para leste . Fred trouxe o carro para baixo e Harry pôde ver uma manta de retalhos de campos escuros e matas de arbustos . - Estamos um_pouco longe de a vila - disse George . - Em Ottery_St . Catchpole ... O carro voador foi descendo a os poucos . A luz avermelhada brilhava agora por_entre as árvores . - Terra - disse o Fred , em o momento em que tocaram em o chão com um ligeiro solavanco . Tinham aterrado perto_de uma garagem em ruínas em um pequeno pátio e Harry viu pela_primeira_vez a casa de o Ron . Parecia ter sido em tempos uma pocilga de pedra . Mas os quartos que posteriormente lhe tinham sido acrescentados haviam a tornado bastante mais alta e o seu aspecto era tão curvado que parecia ter sido construída por artes mágicas ( o que , pensou Harry , era , muito provavelmente , verdade ) . De o telhado vermelho saíam quatro ou cinco chaminés . Junto de a entrada , fixa em o chão , podia ver se uma inscrição assimétrica que dizia « A toca » . A o lado de a porta principal estava uma contusão de botas de * _ Wellington * e um caldeirão completamente enferrujado . Por o pátio passeavam se várias galinhas castanhas e gordas . - Não é grande coisa - desculpou se o Ron . - É óptima - exclamou Harry , feliz , pensando em Privet_Drive . Saíram de o carro . - Agora vamos lá para_cima sem fazer barulho - disse o Fred . - E esperamos que a mãe nos chame para o pequeno-almoço . Depois tu , Ron , desces a escada entusiasmadíssimo . - Mãe , olha quem apareceu cá durante a noite ! - E ela vai sentir se felicíssima quando vir o Harry . Assim ninguém fica a saber que levámos o carro voador . - Certo - disse o Ron . - Vamos , Harry , eu durmo em o ... Ron ganhou uma cor de um pálido esverdeado , os olhos fixos em a casa . Os outros três fizeram meia volta . Mrs._Weasley avançava por o pátio , afugentando as galinhas e , para uma mulher baixa , roliça e simpática , era fantástico como conseguia parecer se com um tigre dentes-de-sabre . - Ah ! - suspirou o Fred . - Oh , oh ! - exclamou o George . Mrs._Weasley parou em frente de eles . As mãos em as ancas , saltando de um olhar culpado para o outro . Usava um avental a as flores , com uma varinha a sair lhe de o bolso . - Com que então - disse . - Bom dia , mãe - arriscou o George com uma voz que tentou que fosse alegre e bem-disposta . - Vocês têm alguma ideia de como tenho estado preocupada ? - perguntou Mrs._Weasley em um murmúrio fraco . - Desculpe , mãe , mas sabe , nós tivemos que ... Os três filhos de Mrs._Weasley eram mais altos do_que ela , mas tremiam quando a fúria de a mãe se abatia sobre eles . - Camas vazias ! Nem um bilhete ! O carro desaparecido ... Podiam ter tido um acidente , estou fora de mim com tanta preocupação e vocês nem se importam ... nunca , enquanto eu for viva ... esperem só até o vosso pai chegar , nunca tivemos problemas de estes com o Bill , com o Charlie ou com o Percy ... - O perfeito Percy - resmungou Fred . - : __ tu não vales um dedo de a mão de o __ percy ! - gritou Mrs._Weasley , espetando um dedo em o queixo de o Fred . - Podias ter morrido , podias ter sido visto , podias ter feito com que o teu pai perdesse o emprego ... Parecia nunca mais acabar . Mrs._Weasley tinha gritado até ficar ronca , antes de se voltar para o Harry , que recuou . - Estou muito contente por te ver , Harry - disse . - Entra e vem tomar o pequeno-almoço . Ela voltou se e regressou a casa e Harry , depois de trocar um olhar nervoso com o Ron , que lhe acenou , encorajando o , seguiu a . A cozinha era pequena e bastante estreita . A meio havia uma enfezada mesa de madeira e cadeiras em volta e Harry sentou se a a beirinha de o assento , olhando em volta . Era a primeira vez que entrava em uma casa de feiticeiros . O relógio em a parede em frente de ele , tinha apenas um ponteiro e nenhum número . Em volta , estavam escritas frases como « Hora de fazer o chá » , « Hora de dar de comer a as galinhas « e « Estás atrasado » . Empilhados em o rebordo de a lareira estavam livros com títulos como * _ Encanta o teu próprio queijo , Encantamento em a cozedura de o pão e Banquetes em um minuto - é mágico * ! E , a menos que os ouvidos de Harry estivessem a traí o , o velho rádio próximo de o lava-loiças acabara de anunciar que a seguir vinha a Hora de enfeitiçar com a popular feiticeira-cantora Celestina_Warbeck . Mrs._Weasley fazia barulho com os talheres , preparando o pequeno-almoço um bocado a o acaso , lançando olhares furiosos a os filhos , enquanto lançava as salsichas em a frigideira . De vez em quando murmurava coisas como : « Não sei o que vos passou por a cabeça « ou « nunca devia ter confiado em vocês » . - Eu não te culpo , filho - tranquilizou Harry , pondo lhe sete ou oito salsichas em o prato . - Eu e o Arthur temos estado preocupados contigo . Ainda ontem a a noite estivemos a dizer que te iríamos buscar nós próprios se não respondesses a o Ron até sexta-feira . Mas , em a verdade ( estava agora a acrescentar três ovos estrelados a o prato de ele ) , atravessar metade de o país a voar em um carro ilegal , qualquer um vos poderia ter visto ... Agitou maquinalmente a varinha em a direcção de o lava-loiças , onde a loiça começou a lavar se sozinha , tinindo baixinho lá atrás . - Estava enevoado , mãe ! - exclamou o Fred . - Boca fechada enquanto comes ! - interrompeu Mrs._Weasley . - Eles estavam a fazê o passar fome , mãe ! - disse o George . - E tu também ! - disse Mrs._Weasley , mas já foi com uma expressão mais doce que começou a cortar o pão para Harry e a barrá o com manteiga . Em esse momento , as atenções voltaram se para um pequenino volto de cabelos ruivos , em uma camisa de dormir até a os pés , que surgiu em a cozinha , deu um grito agudo e desapareceu de_novo . - É a Ginny - disse Ron baixinho a o Harry -- , a minha irmã . Tem falado de ti todo o Verão . - Sim , ela vai querer o teu autógrafo , Harry - riu se o Fred , mas o seu olhar cruzou se com o de a mãe e inclinou se para o prato , não voltando a abrir a boca . Ninguém falou até os quatro pratos estarem limpos , o que sucedeu a uma velocidade surpreendente . - Bolas , estou cansado - bocejou Fred , pousando a faca e o garfo . Acho que me vou deitar e ... - Não vais , não senhor - interrompeu Mrs._Weasley . - A culpa é tua se ficaste toda_a noite acordado . Vais fazer a des-gnomização de o jardim . Eles estão outra_vez a exagerar . - Oh , mãe ... - E vocês os dois o mesmo - dirigiu se a o Ron e a o Fred . - Tu podes ir para a cama , filho - disse a Harry . - Não lhes pediste que guiassem aquele carro miserável . Mas Harry , que se sentia acordadíssimo , respondeu prontamente : - Eu ajudo o Ron , nunca vi uma des-gnomização ... - É muito simpático de a tua parte , querido , mas é um trabalho chato - explicou Mrs._Weasley . - Vejamos o que o Lockhart tem a dizer acerca disto . E puxou de o rebordo de a lareira um livro pesadíssimo . George resmungou : - Mãe , nós sabemos * des-gnomizar * o jardim . Harry olhou para a capa de o livro de Mrs._Weasley . Em grandes letras douradas , que ocupavam grande parte de a capa , podia ler se Guia_de_Gilderoy_Lockhart para pragas caseiras . Via se também a grande fotografia de um feiticeiro bem-parecido , de cabelos loiros ondulados e olhos azuis brilhantes . Como sempre , em o mundo de os feiticeiros , a fotografia mexia se . O feiticeiro , que Harry calculou ser Gilderoy_Lockhart , não parava de lhes piscar os olhos descaradamente . Mrs._Weasley sorriu lhe . - Oh , ele é fantástico - disse . - Conhece bem as pragas caseiras . É um livro maravilhoso . - A mãe adora o - disse Fred em um murmúrio bastante audível . - Não sejas ridículo , Fred - repreendeu Mrs._Weasley com as bochechas coradas . - É claro que se achas que sabes mais do_que o Lockhart , podes ir fazer o trabalho e ai de ti se houver um único gnomo em o jardim quando eu for fazer a inspecção . A bocejar e a resmungar , os Weasley arrastaram se lá para fora com Harry atrás de eles . O jardim era grande e , em a opinião de Harry , exactamente como deveria ser um jardim . Os Dursleys não teriam gostado . Havia uma enorme quantidade de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada , mas havia árvores nodosas em volta de as paredes , plantas que Harry nunca vira , tombando de todos os canteiros e um grande lago verde cheio de rãs . - Os Muggles também têm gnomos de jardim , sabes - disse o Harry a o Ron , enquanto atravessavam a relva . - Sim , já vi essas coisas que eles pensam que são gnomos - disse o Ron todo dobrado , com a cabeça em uma moita de peónias . - Como os Pais_Natais gordinhos com canas de pesca ... Houve um tumulto ruidoso , a moita de peónias estremeceu e Ron endireitou se . - Isto_é um gnomo - declarou com um ar sério . - Larga eu ! Larga eu ! - guinchou o gnomo . Não se parecia em absoluto com o Pai_Natal . Era pequenino e parecia de couro , com uma grande cabeça protuberante e calva , precisamente como uma batata . Ron agarrou o a a distância de um braço , enquanto ele dava pontapés em o ar com os seus pézinhos que pareciam chifres . Agarrou o por os tornozelos e voltou o de pernas para o ar . - Isto_é o que tens de fazer - disse . Levantou o gnomo acima de a cabeça ( Larga eu ! ) e começou a balouçá o em grandes círculos , como os vaqueiros fazem com os laços . A o ver a expressão chocada de Harry , Ron explicou : - Não os mágoa . Só tens de os deixar bem tontos para que consigam encontrar o caminho de regresso a os buracos de os gnomos . Largou os tornozelos de o gnomo . Ele voou seiscentos metros e aterrou com um ruído surdo em o campo a o lado de a sebe . - Deplorável - afirmou o Fred . - Aposto que consigo lançar o meu para_além de aquele tronco . Harry aprendeu rapidamente a não sentir muita pena de os gnomos . Decidira largar o primeiro que apanhou para_além de a sebe , mas o gnomo , sentindo fraqueza , enfiou os seus dentinhos , aguçados como laminas , em o dedo de o Harry e não foi fácil sacudi o para ele o largar , até que ... - Uau , Harry , esse deve ter sido seiscentos metros ... O ar estava subitamente cheio de gnomos voadores . - Vês , eles não são muito espertos - afirmou o George , agarrando cinco ou seis de uma_vez . - Em o momento em que se apercebem que começou a * des-gnomização * , aparecem todos para espreitar . Era de esperar que já tivessem aprendido a ficar quietinhos . Rapidamente a multidão de gnomos começou a ir se embora , atravessando os campos em uma fila ordenada , com os pequeninos ombros arqueados . - Eles voltam - disse o Ron enquanto os via desaparecer em a sebe de o outro lado de o campo . - Eles adoram estar aqui ... o pai é muito mole com eles , acha lhes piada . Em esse momento , a porta de a frente bateu . - Ele já voltou ! - exclamou o George . - O pai já está em casa ! Apressaram se a entrar . Mr._Weasley tinha se afundado em uma de as cadeiras de a cozinha , sem óculos e com os olhos fechados . Era um homem magro , quase calvo , mas o pouco cabelo que tinha era tão ruivo como o de os filhos . Vestia um longo manto verde cheio de pó e estava cansado de a viagem . - Que noite - murmurou , tacteando em busca de o bule , enquanto todos se sentavam a a volta de ele . - Nove assaltos , nove ! E o velho Mundungs_Fletcher tentou lançar me um feitiço quando eu estava de costas . Mr._Weasley tomou um bom gole de chá e suspirou . - Encontrou alguma coisa , pai ? - perguntou Fred ansiosamente . - Só encontrei algumas chaves encolhidas e uma chaleira que mordia - bocejou Mr._Weasley . - Havia um material bastante mauzinho , mas não era de o meu departamento . O Mortlake foi levado para ser interrogado sobre uns furões extremamente antigos , mas isso pertence a a Comissão_dos_Feitiços_Experimentais , graças_a Deus . - Por_que é_que alguém ia dar se a o trabalho de fazer encolher chaves ? - perguntou George . - Para chatear os Muggles - suspirou Mr._Weasley . - Vende se lhes uma chave que não pára de encolher , até que desaparece , de_modo_a que nunca a encontrem quando precisam ... É claro que é muito difícil condenar alguém , porque nenhum Muggle é capaz de admitir que a sua chave está a encolher , insistem em que estão sempre a perdê a . Benditos sejam , vão até onde for preciso para ignorar a magia , mesmo_que ela esteja em frente de os seus narizes ... mas vocês não acreditariam em as coisas que o nosso grupo tem levado para enfeitiçar ... - : __ como carros , por __ exemplo ? Mrs._Weasley tinha aparecido , segurando um grande atiçador que parecia uma espada . Os olhos de Mr._Weasley abriram se de repente , fitando a mulher com um ar culpado . - C-carros , Molly querida ? - Sim , Artur , carros - afirmou Mrs._Weasley , os olhos a faiscar . - Imagina um feiticeiro a comprar um carro velho e enferrujado e dizer a a mulher que a única coisa que queria fazer com ele era desmontá o para ver como ele funcionava , enquanto em a verdade estava a enfeitiçá o para o fazer voar . Mr._Weasley piscou os olhos . - Bem , querida , acho que poderás constatar que não é ilegal fazer isso , embora , er , talvez ele devesse ter contado a verdade a a mulher ... Existe uma forma de tornear a lei , já_que ela diz que ... desde_que não se tenha a * intenção * de voar em o carro , o facto de ele poder voar , não ... - Arthur_Weasley tu arranjaste essa forma de tornear a lei quando a escreveste ! - gritou Mrs._Weasley . - Para poderes continuar a remexer em todo aquele lixo de os Muggles que tens em a arrecadação ! E , para tua informação , o Harry chegou hoje_de_manhã em o carro que tu não pretendias pôr a voar ! - Harry ? - perguntou Mr._Weasley sem expressão . - Qual Harry ? Olhou em volta , viu Harry e deu um salto . - Santo_Deus , é Harry_Potter ? Muito prazer , o Ron falou nos tanto de si ... - * _ O teu filho conduziu aquele carro até a a casa de o Harry e de volta até aqui em a noite passada ! * - gritou Mrs._Weasley . - O que tens a dizer a esse respeito ? - A sério ! ? - exclamou Mr._Weasley com vivacidade . - Correu tudo bem , quero dizer ... - vacilou a o ver os olhos de Mrs._Weasley que faiscavam . - Er , fizeram mal , rapazes , muito mal , mesmo ... - Vamos deixá os a os dois - murmurou o Ron , enquanto Mrs._Weasley inchava como um sapo gigantesco . - Vamos , vou mostrar te o meu quarto . Esgueiraram se de a cozinha e desceram uma passagem estreita que dava para uma escada desnivelada que ziguezagueava a o longo de a casa . Em o terceiro andar , estava uma porta entreaberta . Harry só teve tempo de ver um par de olhos castanhos brilhantes que o olhavam fixamente , antes de a porta se fechar com um estalido . - A Ginny - disse o Ron . - Não imaginas como é estranho vês a tão tímida , ela que quase nunca se cala ... Subiram mais dois andares , até chegarem a uma porta com a tinta a descascar e uma pequena placa dizendo : « Quarto_do_Ronald » . Harry entrou . A cabeça quase tocava em o tecto inclinado . Piscou os olhos . Era como entrar dentro_de uma fornalha : quase tudo em o quarto de o Ron tinha um violento matiz alaranjado : a colcha de a cama , as paredes , até o tecto . Em seguida , apercebeu se de que o Ron tinha coberto cada centímetro de o velho papel de parede com * posters * de as mesmas sete feiticeiras e feiticeiros , todos vestidos com brilhantes mantos cor de laranja , transportando vassouras e acenando entusiasticamente . - A tua equipa de Quidditch ? - perguntou Harry . - Os Chudley_Cannons - disse Ron , apontando para a colcha cor de laranja que tinha um brasão com dois C's gigantes e uma bala de canhão a_toda_a velocidade . - Nono em a Liga . Os livros de estudo de feitiços de Ron estavam empilhados desordenadamente a um canto , junto de um monte de B. _ D. , todas elas relativas a as * _ Aventuras_de_Martin_Miggs , o Muggle louco * . A varinha mágica de o Ron estava em_cima_de um aquário cheio de ovos de rã sobre o peitoril de a janela , junto de o seu rato gordo e cinzento , Scabbers , que dormia uma soneca a o sol . Harry passou por_cima_de um baralho de cartas de jogar com vontade própria , que estava caído em o chão , e olhou para fora de a janelinha . Em o campo , não muito longe , podia ver um grupo de gnomos a esgueirarem se , um a um , de_novo para a sebe de os Weasley . Em seguida , voltou se para Ron que o observava nervoso , como_se esperasse a opinião de ele . - É um_pouco pequeno - declarou o Ron muito depressa . - Não se parece nada com o quarto que tu tinhas em casa de os Muggles . E estou mesmo debaixo de o vampiro de o sótão . Ele anda sempre a bater nos canos e a gemer ... Mas Harry , com um grande sorriso , disse lhe : - Esta é a melhor casa em que eu já estive . As orelhas de Ron ficaram cor-de-rosa . IV_Na_Flourish and Blotts_A vida em a Toca era o mais diferente que é possível de a vida em Privet_Drive . Os Dursleys gostavam de tudo limpo e arrumado , em casa de os Weasleys explodia o estranho e o inesperado . Harry teve um choque de a primeira vez que olhou para o espelho que estava sobre a lareira de a cozinha e ele gritou : - Mete para dentro a camisa , * desmazelado ! * - O vampiro de o sótão gemia e batia nos canos , sempre_que sentia as coisas demasiado calmas e as pequenas explosões em o quarto de o Fred e de o George , eram consideradas perfeitamente normais . Mas o que o Harry achou mais bizarro em a vida em casa de o Ron , não foi o espelho que falava , nem o vampiro barulhento , foi o facto de todos ali em casa parecerem gostar de ele . Mrs._Weasley preocupava se com o estado de as suas meias e tentava obrigá o a servir se quatro vezes a cada refeição . Mr._Weasley gostava que Harry se sentasse a o lado de ele a a mesa para poder bombardeá o com perguntas sobre a vida com os Muggles , pedindo que lhe explicasse como funcionavam coisas como as canalizações e o serviço de os correios . - Fascinante ! - exclamava , enquanto Harry lhe explicava a utilização de o telefone . - Engenhoso , de facto , todas_as maneiras que os Muggles encontraram para passar sem a magia . Harry teve notícias de Hogwarts em uma manhã de sol , cerca de uma semana depois de ter chegado a a Toca . Quando , ele e o Ron desceram para tomar o pequeno-almoço , encontraram Mr. e Mrs._Weasley e Ginny já sentados a a mesa . Em o momento em que viu o Harry , Ginny entornou a tigela de os cereais , que caiu a o chão com grande espalhafato . Ginny entornava facilmente coisas sempre_que o Harry estava em a sala . Mergulhou debaixo de a mesa para apanhar a tigela e emergiu com o rosto a brilhar como o sol poente . Fingindo não ter dado por nada , Harry sentou se e aceitou a torrada que Mrs._Weasley lhe ofereceu . - Cartas de a escola - disse Mr._Weasley , passando a o Harry e a o Ron envelopes idênticos de pergaminho amarelado , com a morada escrita a tinta verde . - O Dumbledore já sabe que estás aqui , Harry , não perde nada aquele homem . Vocês os dois também - acrescentou , enquanto Fred e George deambulavam em a casa , ainda em pijama . Fez se silêncio durante alguns momentos , enquanto liam as respectivas cartas . A de o Harry dizia para apanhar o Expresso_de_Hogwarts , como sempre em a Estação_de_King's_Cross , em o dia_1_de_Setembro . Havia ainda uma lista de os livros que precisaria para o próximo ano . Os alunos de o segundo ano deverão ter : * _ O_Livro_Padrão_de_Feitiços , Grau 2 , por Miranda_Goshawk . * _ Ensinamentos_de_Uma_Fada_Carpideira , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Férias com Bruxas , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Duendes , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Lobisomens , por Gilderoy_Lockhart . * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves , por Gilderoy_Lockhart * . Fred , que terminara a sua própria lista , espreitou para a de o Harry . - Também te mandam comprar os livros de o Lockhart - disse . - A professora de defesa contra as artes negras deve ser fanática . Aposto que é uma bruxa . Nessa_altura , Fred percebeu o olhar de a mãe e apressou se a comer o doce de laranja . - Esse conjunto não vai ficar barato - disse George , olhando rapidamente para os pais . - Os livros de o Lockhart são de os mais dispendiosos ... - Cá nos havemos de arranjar - declarou Mrs._Weasley , mas parecia preocupada . - Espero que pelo_menos para a Ginny possamos arranjar uma data de coisas em segunda mão . - Ah , vais entrar este ano para Hogwarts ? - perguntou lhe Harry . Ela fez um aceno , corando até a a raiz de os cabelos ruivos e meteu o cotovelo em o pires de a manteiga . Felizmente ninguém deu por nada , a não ser o Harry , porque em esse momento o irmão mais velho de Ron , o Percy , entrou . Já estava vestido , com a placa de prefeito aplicada a a sua camisola de malha . - Bom dia a todos - disse , cheio de vivacidade . - Está um dia lindo . Puxou a única cadeira livre , mas deu um salto quando ia sentar se e , debaixo de ele , saltou um espanador cinzento de penas , pelo_menos , foi o que o Harry pensou até ver que ele respirava . - Errol ! - exclamou Ron , afastando a coruja de o Percy e retirando lhe debaixo de a asa uma carta . - Até que enfim , a resposta de a Hermione . Escrevi lhe a contar que íamos tentar raptar te de casa de os Dursleys . Levou Errol para um poleiro que havia junto a a porta de as traseiras e tentou colocá a lá em cima , mas Errol caiu redonda e Ron teve de a pôr em a pia , murmurando : - Patético . - Em seguida , abriu a carta de a Hermione e leu a em voz alta . * _ Querido_Ron e Harry , se aí estiveres . Espero que tudo tenha corrido bem , que o Harry esteja O. _ K. e que não tenham feito nada ilegal para conseguir trazes o , porque isso podia criar lhe problemas também a ele . Tenho estado muito preocupada e , se o Harry estiver bem , por favor digam me qualquer coisa rapidamente , mas talvez seja melhor usarem uma nova coruja , porque acho que outra entrega pode acabar como esta . * _ Estou muito atarefada com trabalho de a escola , claro * . - Como é possível ? - perguntou Ron , horrorizado . - Estamos em férias ! - * _ E vamos para Londres em a próxima quarta-feira para comprar os meus livros novos . Porque não nos encontramos em a Diagon-al ? * _ Dêem-me notícias vossas o mais depressa possível . * _ Carinhosamente_Hermione * - Bem , parece uma boa solução , podemos ir todos comprar as vossas coisas - disse Mrs._Weasley , começando a limpar a mesa . - O que vão fazer hoje ? Harry , Ron , Fred e George tinham planeado ir a o cimo de o monte a um pequeno cercado de cavalos que os Weasleys possuíam . Estava rodeado de árvores que lhe tapavam a vista de a cidade cá em baixo , o que quer_dizer que podiam praticar Quidditch , desde_que não voassem muito alto . Não podiam usar as verdadeiras bolas de Quidditch pois seria muito difícil explicar se elas escapassem e voassem sobre a cidade . Em vez de elas , lançavam maçãs para os outros apanharem . Faziam turnos para montar a Nimbus dois_mil , que era de longe a melhor vassoura . A velha Shooting_Star_de_Ron fora muitas_vezes ultrapassada por as borboletas que passavam . Cinco minutos mais tarde estavam a marchar por o monte acima , de vassouras a o ombro . Tinham perguntado a o Percy se ele queria juntar se a eles , mas ele alegara muito trabalho . Até esse dia , Harry só tinha visto Percy a a hora de as refeições , ele ficava em silêncio em o quarto o resto de o tempo . - Gostava de saber o que ele anda a fazer - afirmou Fred , de testa franzida . - Não parece o mesmo . O resultado de os exames veio um dia antes de tu chegares : doze N_F_V e ele nem se manifestou satisfeito . - Níveis_de_Feitiçaria_Vulgares - explicou o George , vendo o olhar atarantado de Harry . - Se não temos cuidado , ainda nos calha outro Chefe_de_Turma em a família . Acho que não suportaria a vergonha . Bill era o mais velho de os irmãos Weasley . Ele e o irmão a seguir , Charlie , já tinham saído de Hogwarts . Harry não conhecia nenhum de os dois , mas sabia que o Charlie estava em a Roménia a estudar dragões e o Bill em o Egipto a trabalhar em o banco de os feiticeiros : Gringotts . - Não sei como o pai e a mãe vão arranjar dinheiro para nos pagar o material escolar este ano - disse o George , passado um bocado . - Cinco conjuntos de livros de o Lockhart ! E a Ginny precisa de mantos e de uma varinha e tudo_isso ... Harry não disse nada . Sentiu se um_pouco incomodado . Fechada em um cofre subterrâneo , em o banco de Gringotts_de_Londres , estava uma pequena fortuna que os pais lhe tinham deixado . É claro que só tinha esse dinheiro em o mundo de os feiticeiros , não se podem usar Galeões , Leões e Janotas em as lojas de os Muggles . Ele nunca fizera referência a a sua conta bancária em Gringotts a os Dursleys . Não lhe parecia que o horror que eles sentiam por tudo_o_que se relacionava com a feitiçaria se estendesse a uma enorme pilha de barras de ouro . Mrs._Weasley acordou os a todos bem cedo , em a quarta-feira seguinte . Depois de comerem umas doze sanduíches de * bacon * cada_um , enfiaram os casacos e Mrs._Weasley tirou um vaso de a prateleira de o fogão de a cozinha e espreitou lá para dentro . - Está a acabar se , Arthur - suspirou . - Temos de comprar mais hoje ... Bem , os hóspedes primeiro . Passa , Harry querido ! E ofereceu lhe o vaso de flores . Harry olhou espantado enquanto todos eles o observavam . - O q-que é_que eu devo fazer ? - gaguejou . - Ele nunca viajou com o pó de Floo - disse o Ron subitamente . - Desculpa , Harry , esqueci me . - Nunca ? - perguntou Mrs._Weasley . - Mas então como chegaste a a Diagon - _ Al em o ano passado para comprar as tuas coisas ? -- Fui por o subterrâneo . - A sério ? - disse Mr._Weasley , entusiasmado . - Havia fugitivos ? Como é_que ... - Agora não , Arthur - disse Mrs . Weasley . - O pó de Floo é muito mais rápido , querido , mas , valha me Deus , se ele nunca o usou ... - Vai correr bem , mãe - disse o Fred . - Harry observa nos primeiro . Tirou uma pitada de pó brilhante de dentro de o vaso , aproximou se de o lume e lançou o pó em as chamas . Com um rugido , o fogo ficou verde-esmeralda e elevou se a uma altura superior a a de o Fred que avançou , gritando Diagon - _ Al ! E desapareceu . - Tens de falar claramente , filho - disse Mrs._Weasley a o Harry , ao_mesmo_tempo que George metia a mão em o vaso de as flores . - E vê se sais em o fogão certo . - Em o quê ? - perguntou Harry , nervoso , enquanto o lume crepitava e fazia George desaparecer também . - Bem , há imensos fogos de feiticeiros , mas desde_que te tenhas expressado claramente ... - Ele vai conseguir , Molly , não te preocupes - disse Mr._Weasley , tirando também ele algum pó . - Mas querido se ele se perde como é_que vamos justificar nos perante o tio e a tia de ele ... -- Eles não se importariam - tranquilizou a Harry . - O Dudley ia achar imensa piada se eu me perdesse em uma chaminé , não se preocupe . - Bem , em esse caso ... tu vais a seguir a o Arthur - disse Mrs._Weasley . - Logo_que entres em o fogo diz para_onde queres ir . - E mantém os cotovelos dobrados - preveniu o Ron . - E os olhos fechados - disse Mrs._Weasley . - A fuligem . - Não te enerves - disse o Ron . - Senão podes ir parar a a lareira errada . - Não entres em pânico e não queiras sair cedo de mais . Espera até veres o Fred e o George . Fazendo um enorme esforço por reter toda aquela informação , Harry tirou uma pitada de pó de Floo e avançou para a beirinha de o fogo . Respirou fundo , espalhou o pó em as chamas e entrou . O fogo parecia uma brisa quente . Abriu a boca e engoliu , de imediato , uma grande quantidade de cinzas quentes . D-dia-gon-al - tossiu . Sentiu se como_se estivesse a ser sugado para um buraco gigantesco . Como_se girasse muito depressa ... o ruído era ensurdecedor . Tentou manter os olhos abertos mas o turbilhão de chamas verdes fê lo enjoar ... algo duro bateu lhe em o cotovelo e dobrou o de imediato . Continuava a rodar , a rodar ... sentia se agora como_se várias mãos frias estivessem a bater lhe em a cara ... Espreitando através de os óculos , viu uma torrente imprecisa de fogões e captou lampejos de as salas que estavam por detrás ... as sanduíches de * bacon * davam lhe a volta dentro de o estômago ... fechou os olhos desejando que tudo aquilo parasse e então caiu , de cara em o chão , em a pedra fria e sentiu os óculos partirem se a os bocados . Desorientado e ferido , coberto de fuligem , pôs se cautelosamente de pé , levando a os olhos os óculos partidos . Estava completamente só e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava . Tudo_o_que podia dizer era que a o seu lado via uma lareira que lhe parecia ser a de uma enorme e indistinta loja de feitiçaria . Mas nenhum de os artigos que ali se encontravam tinham aspecto de fazer parte de a lista de a escola de Hogwarts . Em uma caixa de vidro podia ver se uma mão atrofiada que repousava sobre uma almofada , um baralho de cartas ensanguentado e um olho de vidro que o olhava fixamente . Máscaras de expressão maldosa enchiam as paredes , olhando de esguelha , uma enorme quantidade de ossos humanos estendia se sobre o balcão e , de o tecto , pendiam instrumentos aguçados com pontas de ferro e pregos enferrujados . Mas o pior é_que a rua estreita e escura , que Harry conseguia avistar através de a janela poeirenta de a loja , não era de modo algum a Diagon-al . Quanto_mais depressa saísse de ali , melhor . O nariz ainda a doer lhe em o sítio onde batera em o chão a o aterrar , Harry avançou rápida e silenciosamente em direcção a a porta , mas antes de conseguir chegar a meio caminho , duas pessoas apareceram de o lado de_fora de o vidro , e uma de elas era a última pessoa que Harry desejaria encontrar em o momento em que se encontrava perdido , coberto de fuligem e com os óculos partidos , Draco_Malfoy . Harry olhou rapidamente em volta e apercebeu se de a existência de um grande armário escuro a a sua esquerda , saltou lá para dentro e fechou as portas , deixando uma gretazinha para poder espreitar . Segundos depois , uma campainha tocava e Malfoy entrava em a loja . O homem que o acompanhava só podia ser o pai . Tinha o mesmo rosto pálido de feições agudas e os mesmos olhos cinzentos de gelo . Mr._Malfoy atravessou a loja , olhando maquinalmente para os artigos expostos e tocou a campainha de o balcão , antes de se voltar para o filho , dizendo : - Não mexas em nada , Draco . Malfoy , que vira o olho de vidro , disse : - Pensei que ias oferecer me um presente . - Eu prometi que ia comprar te uma vassoura de corrida - declarou o pai , tamborilando com os dedos sobre o balcão . - Para que é_que me serve , se não estou em a equipa de Quidditch ? - perguntou Malfoy , carrancudo e de mau humor . - O Harry_Potter teve uma Nimbus dois_mil o ano passado , com a autorização especial de o Dumbledor é para jogar em os Gryffindor . Ele nem é assim tão bom , é só por ser * famoso * ... famoso por ter uma estúpida cicatriz em a testa . Malfoy baixou se para observar uma prateleira cheia de crânios . - Todos acham que ele é tão esperto , o Potter maravilha , com a sua cicatriz e a sua vassoura ... - Já me disseste isso doze vezes pelo_menos - comentou Mr._Malfoy , olhando repressivamente para o filho . - E devo lembrar te que não é prudente parecer menos do_que amigo de Harry_Potter , quando a maior parte de a nossa gente vê em ele um herói que fez desaparecer o Senhor_do_Mal . Ah , Mr._Borgin . Um homem curvado surgiu por detrás de o balcão , puxando o cabelo gorduroso para trás . - Mr._Malfoy , que prazer vês o de_novo - disse Mr._Borgin , em uma voz tão untuosa como o cabelo . - Encantado , e o nosso jovem Malfoy também , encantado . Em que posso servi os ? Tenho que vos mostrar o que chegou hoje , a um preço muito razoável ... - Hoje não venho comprar , Mr._Borgin , e sim vender - afirmou Mr._Malfoy . - Vender ? - O sorriso apagou se lentamente em o rosto de Mr._Borgin . - Certamente ouviu dizer que o Ministério está a levar a cabo mais buscas - explicou o Mr._Malfoy , retirando de o bolso um rolo de pergaminho e desembrulhando o para Mr._Borgin o ler . - Eu tenho alguns , ah , artigos em casa que poderiam criar me problemas se o Ministério me batesse a porta . Mr._Borgin colocou em o nariz um par de * pince-nez * e olhou para a lista . - O Ministério não se lembraria de o incomodar certamente ... O lábio de Mr._Malfoy dobrou se . - Ainda não me fizeram nenhuma visita . O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito , mas o Ministério está a ficar cada_vez_mais intrometido . Há boatos sobre um novo decreto de protecção de os Muggles , sem dúvida que aquele mordido de as pulgas , adorador de os Muggles , que é o Arthur_Weasley deve estar por detrás de isso . Harry sentiu crescer a raiva . - E , como pode ver , alguns de estes venenos podiam dar a ideia ... - Compreendo perfeitamente , claro - disse Mr._Borgin . - Deixe me ver ... - Posso ter aquilo ? - interrompeu Draco , apontando para a mão raquítica que estava sobre a almofada . - Ah , a mão de a glória ! - exclamou Mr._Borgin , abandonando a lista de Mr._Malfoy e apressando se a responder a Draco . - Põe se lhe uma vela e ela só dá luz a quem a transporta ! A melhor amiga de os gatunos e de os salteadores , o seu filho tem gosto , senhor . - Espero que o meu filho venha a ser mais do_que gatuno ou salteador , Borgin - disse Mr._Malfoy friamente e Mr._Borgin respondeu logo : - Sem ofensa , senhor , sem querer ofender . - Embora , se as notas de a escola não melhorarem - disse Mr._Malfoy ainda mais friamente - esse possa vir a ser o único caminho possível para ele . - Não tenho culpa - retorquiu Draco . - Todos os professores têm os seus preferidos , aquela Hermione_Granger ... - Eu , em o teu lugar , teria vergonha que uma rapariga que nem_sequer pertence a famílias de feiticeiros , me passasse a a frente em todos os exames - interrompeu Mr._Malfoy . Ah - fez Harry baixinho , radiante por ver Draco atrapalhado e furioso . - É o mesmo em todo o lado - comentou Mr._Borgin em a sua voz untuosa . - O sangue de os feiticeiros conta cada_vez menos ... - Não para mim - afirmou Mr._Malfoy , com as longas narinas dilatadas . - Não senhor , nem para mim - concordou Mr._Borgin , inclinando se em uma vénia . - Em esse caso , talvez possamos voltar a a minha lista - disse Mr._Malfoy secamente . - Estou com alguma pressa , Borgin , tenho ainda hoje assuntos importantes a tratar em outro lado . Começaram a discutir os preços . Harry via nervosamente o Draco aproximar se de o seu esconderijo enquanto observava os objectos a a venda . Parou para examinar um enorme rolo de corda de carrasco e para ver , com um sorriso afectado , o cartão preso com um aparatoso laço de opalas onde podia ler se : * _ Cautela , não tocar . Amaldiçoado - reclama as vidas de dezanove donos , todos eles Muggles * . Draco voltou se e viu o armário mesmo em frente . Avançou , estendeu a mão para o puxador ... - Feito - disse Mr._Malfoy , a o balcão . - Vamos , Draco . Harry limpou a testa a a manga quando Draco se afastou . - Muito bom dia , Mr._Borgin . Espero por si amanhã em a mansão para ir buscar a mercadoria . Em o momento em que a porta se fechou , Mr._Borgin abandonou os seus modos subservientes . « Bom dia para o senhor , Mr._Malfoy , e , se as histórias que contam são verdadeiras , não me vendeu nem metade do_que tem escondido em a sua mansão ... » Murmurando de forma taciturna , Mr._Borgin desapareceu em uma sala escura . Harry esperou um minuto não fosse ele voltar e , em seguida , o mais silenciosamente possível , escapou se de o armário , passou por as caixas de vidro e saiu de a loja . Encostando os óculos partidos a o rosto , olhou em volta . Saíra em uma rua estreita e sombria que parecia composta exclusivamente de lojas dedicadas a as artes negras . Aquela de onde acabava de sair parecia ser a maior , mas em frente estava uma montra tétrica de cabeças encolhidas e duas portas abaixo podia ver se uma enorme caixa viva cheia de gigantescas aranhas pretas . Dois feiticeiros com aspecto pobre observavam o de a sombra de uma porta , murmurando entre si . Sentindo se nervoso , Harry pôs se a caminho , tentando agarrar os óculos a direito e não desistindo de a esperança de encontrar maneira de sair de ali . Por um cartaz de madeira , pendurado em a rua , indicando uma loja de venda de velas envenenadas , ficou a saber que se encontrava em a Rua * _ Bativolta * , mas isso não o ajudou pois Harry nunca ouvira falar em tal lugar . Calculou que não tinha pronunciado bem as palavras com a boca cheia de cinzas em a lareira de os Weasley . Tentando manter a calma perguntou a si mesmo o que havia de fazer . - Não estás perdido , pois não , meu menino ? - perguntou uma voz , mesmo junto de o seu ouvido , que o fez dar um salto . Uma bruxa idosa estava em a sua frente , segurando um tabuleiro de uma coisa que se parecia horrivelmente com unhas humanas . A mulher olhou o maldosamente , mostrando os dentes esverdeados . Harry recuou . - Estou bem , obrigado - disse . - Estou só ... - HARRY ! O qu'é que pensas que estás a fazer aqui ? O coração de Harry deu um salto , assim_como o de a bruxa . Um monte de unhas caíram lhe sobre os pés e ela praguejou , enquanto o corpo enorme de Hagrid , o guarda de os campos de Hogwarts , se aproximava de eles a passos largos com os olhos castanhos-escuros a faiscarem sobre a longa barba eriçada . - Hagrid - gritou Harry , aliviado . - Eu estava perdido ... o pó de Floo ... Hagrid agarrou Harry por o cachaço e puxou o para longe de a bruxa , tirando lhe o tabuleiro de as mãos . Os guinchos agudos de a feiticeira seguiram nos até a o fundo de a ruela serpenteante que ia dar a um lagar onde brilhava o sol . Harry avistou a a distância um edifício de mármore branco como a neve que lhe era familiar : o banco de Gringotts . Hagrid conduzira o até a a Diagon - _ Al . - ` _ tás em um péssimo estado ! - disse Hagrid bruscamente , sacudindo lhe a fuligem com tanta força que Harry quase caiu em um barril de estrume de dragão que se encontrava a a porta de um boticário . - A fugir , em a Rua * _ Bativolta * , eu não conheço esse lugar finório , Harry , não quero que ninguém te veja aqui em baixo . - Já percebi - disse Harry , baixando se quando Hagrid fez menção de o escovar melhor . - Já te disse que estava perdido . E o que é_que tu fazes aqui ? - ` _ Tou a a procura d'um repelente para as lesmas comedoras de legumes - resmungou Hagrid . - ` _ tão a destruir as couves todas de a escola . Tu não estás sozinho ? - Estou em casa de os Weasley , mas separámo nos explicou Harry . - Tenho que os encontrar . Desceram juntos a rua . - Por_que é_que nunca respondeste a as minhas cartas ? - perguntou Hagrid , enquanto Harry corria para o acompanhar ( tinha de dar três passos por cada enorme passada de Hagrid ) . Harry explicou lhe tudo sobre Dobby e os Dursleys . - Malditos_Muggles - rugiu Hagrid . - S'eu tivesse sabido ... - Harry ! Harry ! Aqui ! Harry olhou para_cima e viu Hermione_Granger em o topo de a escadaria de Gringotts . Desceu para vir a o encontro de ele , o cabelo castanho de caracóis , a esvoaçar atrás de ela . - O que aconteceu a os teus óculos ? Olá_Hagrid ... Oh , é maravilhoso ver vos outra_vez . Vens a Gringotts , Harry ? - Logo_que encontre os Weasley - respondeu ele . - Não vais ter d'esperar muito - riu se Hagrid . Harry e Hermione olharam em volta . Subindo a rua , em o meio de a multidão , vinham Ron , Fred , George , Percy e Mr._Weasley . - Harry - chamou Mr._Weasley , ofegante . - Tínhamos esperança que só tivesses ido um fogão mais longe ... - passou um pano em a sua calva reluzente . - A Molly está nervosíssima , aí vem ela . - Onde é_que tu saíste ? - perguntou o Ron . - Em a Rua * _ Bativolta * - disse o Hagrid , com um ar sério . - Sensacional ! - exclamaram Fred e George ao_mesmo_tempo . - Nunca nos deram autorização para lá ir - disse o Ron com uma pontinha de inveja . - E fizeram muito bem - grunhiu Hagrid . Mrs._Weasley chegou em aquele momento a correr , a mala a balouçar em uma de as mãos e Ginny quase pendurada em a outra . - Oh Harry , oh meu querido , podias ter ido parar a qualquer lugar ... Tentando recuperar o fôlego , tirou de a mala uma grande escova de roupa e começou a retirar a fuligem que Hagrid não conseguira expulsar . Mr._Weasley pegou em os óculos de Harry , deu lhes um toque de varinha e entregou lhe os como novos . - Bem , tenho de m'ir embora - disse Hagrid cuja mão estava a ser esmagada por Mrs._Weasley ( -- Rua * _ Bativolta * ! Se não o tivesses encontrado , Hagrid ! ) . - Vemo nos em Hogwarts . - E afastou se , os ombros e a cabeça acima de a multidão que enchia completamente a rua . - Adivinham quem eu vi em o Borgin and Burkes ? - perguntou Harry_a_Ron e a Hermione enquanto subiam as escadarias de Gringotts . - Malfoy e o pai . - O Lucius_Malfoy comprou alguma coisa ? - perguntou interessado Mr._Weasley que estava atrás de eles . - Não , estava a vender . - Então está preocupado - comentou Mr._Weasley com visível satisfação . - Ah , eu adorava apanhar o Lucius_Malfoy em alguma . . - Tem cuidado , Arthur - interrompeu Mrs._Weasley enquanto o gnomo porteiro lhes dava reverentemente entrada em o banco . - Isso é um problema de família . Não queiras ter mais olhos que barriga . - Queres dizer com isso que achas que eu não chego para o Malfoy ? - perguntou Mr._Weasley , indignado , mas foi rapidamente afastado de aqueles sentimentos a o avistar os pais de Hermione que estavam de pé , nervosamente encostados a o balcão que acompanhava a grande parede de mármore , a a espera que Hermione os apresentasse . - Mas vocês são Muggles ! - disse Mr._Weasley , encantado . - Temos de tomar uma bebida . O que é isso aí ? Ah , estão a trocar dinheiro de Muggle . Molly , olha - apontou cheio de excitação para as notas de dez libras que Mr._Granger tinha em a mão . - Encontramo nos aqui - disse Ron_a_Hermione , enquanto os Weasley e Harry eram conduzidos a os seus cofres em o subterrâneo de Gringotts . Para chegar a os cofres havia que tomar umas carrinhas conduzidas por gnomos que se deslocavam ao_longo_de carris de comboio de pequenas dimensões através de os túneis subterrâneos de o banco . Harry gostou de a viagem acidentada até a o cofre de os Weasley , mas sentiu se bastante mal , pior do_que em a Rua * _ Bativolta * , quando o cobre foi aberto . Havia lá dentro um pequenino monte de Leões de prata e apenas um Galeão de ouro . Mrs._Weasley foi com a mão a a procura em os cantos antes de , com um gesto rápido , varrer tudo para dentro de o saco . Harry sentiu se ainda pior quando chegaram a o seu cofre . Tentou evitar que vissem o conteúdo enquanto empurrava apressadamente mãos cheias de moedas para dentro_de uma sacola de cabedal . Lá fora , em as escadarias de mármore , separaram se . Percy murmurou vagamente que precisava de uma nova pena de escrever . Fred e George tinham avistado um amigo de Hogwarts , Lee_Jordan . Mrs._Weasley e Ginny iam a uma loja de mantos em segunda mão , Mr._Weasley continuava a insistir em levar os Grangers a o Caldeirão_Escoante para lhes pagar uma bebida . - Encontrarmo nos todos em a Flourish and Blotts dentro_de uma hora para comprar os vossos livros de estudo - disse Mrs._Weasley , afastando se com Ginny . - E nem um passo em direcção a a Rua * _ Bativolta * - gritou a os gémeos que estavam de costas . Harry , Ron e Hermione deambularam por a rua empedrada e sinuosa . O ouro , prata e bronze que tilintavam alegremente em o saco que Harry tinha em o bolso pareciam exigir ser gastos , por isso ele comprou três enormes gelados de morango e manteiga de amendoim que eles devoraram felizes enquanto vagueavam sem destino por a rua fora , observando as montras fantásticas de as lojas . Ron olhou longamente para um conjunto completo de mantos de o Chudley_Cannon , em as montras de o « Equipamento_de_Quidditch_de_Qualidade » até Hermione o arrastar de ali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos . Em a « Jogos_de_Feitiçaria_de_Gambol and Japes » encontraram o Fred , o George e o Lee_Jordan que estavam presos em a fabulosa partida debaixo_de chuva e em os fogos-de-artifício de o Dr._Filibuster . E em uma pequenina loja de velharias cheia de varinhas partidas , balanças instáveis de latão e mantos velhos cobertos de nódoas de poções encontraram Percy profundamente concentrado em um pequenino livro , bastante chato , chamado * _ Prefeitos que conquistam o poder * . - * _ Um estudo sobre os prefeitos de Hogwarts e as suas posteriores carreiras * - leu alto o Ron em a contracapa . - Deve ser fascinante ... - Desaparece - gritou Percy . - Claro , ele é muito ambicioso , já tem tudo planeado . Quer ser ministro de a magia - disse o Ron baixinho a o Harry e a a Hermione , enquanto deixavam Percy entregue a o livro . Uma hora mais tarde dirigiram se a a Flourish and Blotts . Não eram de modo algum os únicos a encaminhar se para a livraria . À_medida_que se aproximavam viram com grande surpresa uma grande multidão a a porta , tentando entrar em a loja . O motivo de tal confusão estava anunciado em um cartaz que se estendia a o longo de a montra superior . GILDEROY_LOCKHART_Assinará exemplares de a sua autobiografia " eu , o mágico " Hoje 12.30 - 16.30 - Vamos poder conhecê o ! - gritou Hermione . - Quero dizer , ele escreveu quase todos os livros de a nossa lista ! A multidão parecia ser maioritariamente composta por bruxas de a idade de Mrs._Weasley . Um feiticeiro bem-parecido estava de pé junto de a porta , dizendo : - Calma , minhas senhoras , não empurrem , cuidado com os livros . Harry , Ron e Hermione conseguiram furar e entrar . Uma longa fila serpenteava para as traseiras de a loja onde Gilderoy_Lockhart estava a assinar os seus livros . Cada_um de eles pegou em um exemplar de * _ ensinamentos de Uma Fada_Carpideira * e escaparam se de a fila indo ter a o lugar onde se encontravam os outros com Mr. e Mrs._Granger . - Ah , aí estão vocês . _ óptimo - disse Mrs._Weasley que parecia estar com falta de ar e não parava de mexer em o cabelo . - Vamos poder vês o dentro_de um minuto . Gilderoy_Lockhart veio lentamente até um lugar onde era visível para todos , sentou se a uma mesa , rodeado de grandes fotografias de o próprio rosto , todo ele sorrisos , mostrando a a multidão o brilho cintilante de os seus dentes . Lockhart usava uma túnica azul-noite que condizia a as mil maravilhas com a cor de os olhos , o chapéu pontiagudo de feiticeiro colocado lateralmente sobre o cabelo ondulado . Um homenzinho pequenino e irritante andava a dançar de um lado para o outro , tirando fotografias com uma grande máquina preta que lançava baforadas de fumo arroxeado em cada * flash * . - Sai de o caminho , tu aí - disse rispidamente a o Ron , mudando de lugar para ter um angulo melhor . - Este é para o * _ Profeta_Diário * . - Grande coisa ! - exclamou o Ron , esfregando os pés em o lugar que o fotógrafo pisara . Gilderoy_Lockhart ouviu o . Olhou , viu o Ron e em seguida Harry . Voltou a olhar , desta_vez com mais atenção . Em seguida , pôs se de pé e gritou : - Não pode ser , o Harry_Potter ? A multidão dividiu se entre murmúrios de excitação . Lockhart aproximou se , agarrou Harry por um braço e levou o para a frente . A multidão rebentou em aplausos . A cara de Harry ardia quando Lockhart lhe apertou a mão para o fotógrafo que disparava como um louco , lançando fumo espesso para_cima de os Weasley . - Belo sorriso , Harry - disse Lockhart através de os seus dentes brilhantes . - Tu e eu juntos merecemos a primeira página . Quando por fim lhe largou a mão , Harry quase não sentia os dedos . Tentou recuar para junto de os Weasley , mas Lockhart lançou lhe um braço por os ombros e prendeu o a o seu lado . - Minhas senhoras e meus senhores - disse bem alto , fazendo sinal para que se acalmassem . - Que momento extraordinário este ! O momento perfeito para eu anunciar algo que tenho vindo a guardar comigo desde_há algum tempo . - Quando o jovem Harry entrou em a Flourish and Blotts hoje , ele queria apenas comprar a minha autobiografia , que tenho agora o maior prazer em oferecer lhe - a multidão aplaudiu de_novo . - Ele não tinha ideia - continuou Lockhart , dando a o Harry um pequeno encontrão que fez com que os óculos lhe escorregassem para a ponta de o nariz - de que ia conseguir em_breve muito mais do_que o meu livro Eu , o mágico . Ele e os seus colegas de a escola vão receber , de facto , o verdadeiro * _ Eu , o mágico * . Sim , minhas senhoras e meus senhores , tenho o maior prazer em anunciar que em o mês_de_Setembro assumirei o lugar de professor de Defesa contra as artes negras em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts ! A multidão aplaudiu e bateu palmas e Harry deu consigo a ser presenteado com a obra completa de Gilderoy_Lockhart . Cambaleando ligeiramente sob o peso de os livros conseguiu abrir caminho para longe de os projectores até a a porta de a sala onde estava Ginny com o seu novo caldeirão . - Podes ficar com estes - murmurou Harry , enfiando os livros em o caldeirão . - Eu vou comprar os meus . - Aposto que adoraste aquilo , não adoraste , Potter ? - disse uma voz que Harry não teve qualquer dificuldade em reconhecer . Endireitou se e deu consigo frente_a_frente com Draco_Malfoy que exibia o seu habitual sorriso escarninho . - O famoso Harry_Potter - disse Malfoy . - Nem_sequer pode entrar em uma livraria sem se tornar primeira página . - Deixa o em paz , ele não queria nada de isso - defendeu a Ginny . Era a primeira vez que falava em frente de Harry . Olhava para Malfoy com um ar feroz . - Potter , arranjaste uma namorada ! - disse arrastadamente Malfoy . Ginny ficou vermelha como um pimentão enquanto Ron e Hermione tentavam abrir caminho , ambos carregando montes de livros de Lockhart . -- Ah és tu ? - disse Ron , olhando para Malfoy como_se ele fosse algo desagradável colado a a sola de o sapato . - Aposto que te surpreendeu ver o Harry aqui ? - Não tanto como a ti em uma loja , Weasley - retorquiu Malfoy . - Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo . Ron ficou tão vermelho quanto Ginny . Deixou também cair os livros em o caldeirão e avançou para Malfoy , mas Harry e Hermione agarraram o por as costas de o casaco . - Ron - disse Mrs._Weasley , aproximando se com Fred e George . - O que estás a fazer ? Isto está uma loucura aqui dentro , vamos lá para fora . - Olha quem ele é , Arthur_Weasley . - Era_Mr._Malfoy . Estava de pé com a mão sobre o ombro de Draco , com o mesmo sorriso escarninho . -- Lucius - disse Mr._Weasley , acenando friamente . -- Muito trabalho em o ministério , segundo me consta - disse Mr._Malfoy . - Todas essas buscas ... espero que te estejam a pagar horas extraordinárias . Meteu a mão em o caldeirão de a Ginny e tirou de o meio de os livros de Lockhart um exemplar muito velho e muito gasto de o * _ Guia_de_Transfiguração_para_Principiantes * . - Parece que não - disse . - Que diabo , qual a vantagem de ser uma nódoa entre os feiticeiros se nem_sequer te pagam bem por isso ? Mr._Weasley corou mais ainda do_que Ron ou Ginny . - Nós temos uma opinião diferente sobre quem são as nódoas entre os feiticeiros - disse . - É claro que ... - disse Mr._Malfoy , os olhos mortiços passando para Mr. e Mrs._Granger apreensivamente . - As companhias com quem tu andas ... e eu que pensava que já não conseguias descer mais baixo ... Ouviu se um tilintar de metal quando o caldeirão de a Ginny foi por os ares . Mr._Weasley lançara se sobre Mr._Malfoy atirando o para dentro_de uma estante . Dezenas_de livros de feitiços saltaram lá de cima , caindo lhes sobre as cabeças . Houve um grito de - Chega lhe , pai ! - de o Fred e de o George . Mrs._Weasley soltava gritos agudos : - Não_Arthur , não . A multidão recuava deitando mais prateleiras a o chão . - Meus senhores , por favor - gritava o encarregado , e então , mais alto do_que todos : - Parem com isso , gente , parem com isso . Hagrid aproximava se através_de um mar de livros . Em um segundo afastou Mr._Weasley e Mr._Malfoy . Mr._Weasley tinha um lábio cortado e Mr._Malfoy fora agredido em um olho por uma * _ Enciclopédia_de_Cogumelos_Venenosos * . Tinha ainda em a mão o livro velho de a Ginny sobre transfiguração . Atirou lhe o , com os olhos a brilhar de malvadez . - Toma o teu livro , garota . É o melhor que o teu pai pode oferecer te . Libertando se de Hagrid , conduziu Draco para fora e abandonaram a livraria . - Devias tê o ignorado , Arthur - disse Hagrid quase a pegar em Mr._Weasley a o colo enquanto lhe endireitava o manto . - São podres até a a raiz , todos eles . Tod'à gente sabe . Nenhum Malfoy vale a pena ser ouvido . Não prestam , ' tá-lhes em o sangue . Vá lá , vamos sair de aqui . O encarregado parecia querer impedis os , mas , olhando bem para Hagrid , pensou melhor . Subiram a rua , os Grangers a tremer de medo e Mrs._Weasley fora de si . - Um belo exemplo para as crianças ... andar a a pancada em público . O que terá pensado Gilderoy_Lockhart ? - Ele gostou - disse o Fred . - Não o ouviram quando ia a sair ? Estava a perguntar a aquele tipo de o Profeta_Diário se conseguia incluir a briga em a reportagem , disse que era boa publicidade . Mas foi um grupo deprimido que regressou a a lareira de o Caldeirão_Escoante onde Harry , os Weasley e todas_as suas compras iriam viajar de volta até a a Toca , usando o pó de Floo . Despediram se de os Grangers que iam sair de o * pub * por a rua de os Muggles , de o outro lado . Mr._Weasley começou a perguntar lhes como funcionavam as paragens de autocarros , mas calou se rapidamente a o ver a expressão de Mrs._Weasley . Harry tirou os óculos e guardou os cautelosamente em o bolso antes de utilizar o pó de Floo . Definitivamente não era a sua forma ideal de viajar . V_O salgueiro zurzidor O fim de as férias de Verão chegou demasiado depressa para o gosto de Harry . Ele desejara muito regressar a Hogwarts , mas aquele mês em a Toca tinha sido o mais feliz de toda_a sua vida . Era difícil não invejar o Ron quando pensava em os Dursleys e em as boas-vindas que ia receber de a próxima vez que pusesse os pés em Privet_Drive . Em a última noite , Mrs._Weasley preparou um jantar magnífico , que incluía os pratos favoritos de Harry e terminava com um pudim de melaço de fazer crescer água em a boca . Fred e George alegraram a noite com uma exibição de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que saltaram de o tecto para as paredes , durante pelo_menos meia_hora . Depois , foi a altura de tomarem uma caneca de chocolate quente e irem para a cama . Em a manhã seguinte , demoraram muito_tempo a preparar se . Levantaram se com o cantar de o galo , mas parecia lhes que ainda tinham muito para fazer . Mrs._Weasley andava de um lado para o outro , mal-humorada , a a procura de meias e penas , chocavam uns com os outros em as escadas , meio vestidos , meio despidos , com pedaços de torrada em as mãos e Mr._Weasley quase partiu o nariz quando tropeçou em uma galinha a o atravessar o pátio , para meter em o carro a mala de Ginny . Harry não percebia lá muito bem_como é_que oito pessoas , seis grandes malas , duas corujas e um rato , iam caber em um pequeno * _ Ford_Anglia * , isso , claro , antes de as artes mágicas que Mr._Weasley acrescentara . - Nem uma palavra a a Molly - murmurou ele a o Harry , enquanto abria a bagageira e lhe mostrava como ela se expandira para que as malas coubessem facilmente . Quando , por fim , se acomodaram todos em o carro , Mrs._Weasley olhou para o banco de trás , onde Harry , Ron , Fred , George e Percy estavam confortavelmente sentados uns a o lado de os outros e disse : - Os Muggles têm mais conhecimentos do_que aqueles que nós lhes atribuímos , não achas ? - Ela e a Ginny entraram para o lugar de a frente , que fora esticado e parecia um banco de jardim . - Quer_dizer , de_fora ninguém diria que este carro era espaçoso , não acham ? Mr._Weasley pôs o motor a funcionar e saíram de o pátio , Harry voltando se para trás para ver por a última vez a casa . Mal teve tempo de se questionar se iria voltar alguma vez e já estavam de volta : George esquecera se de a caixa de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Cinco minutos mais tarde tiveram de interromper de_novo a viagem e voltar a o pátio para o Fred ir a correr buscar a vassoura . Estavam quase a chegar a a auto-estrada , quando Ginny guinchou que se esquecera de o diário . Mas estava a fazer se muito tarde e os ânimos começavam a exaltar se . Mr._Weasley olhou para o relógio e , em seguida , para a mulher . - Molly , querida ... - Não , Arthur . - Ninguém ia ver . Este botãozinho é um transformador de invisibilidade que eu instalei , levava nos por o ar , subíamos acima de as nuvens . Estaríamos lá em dez minutos e ninguém daria por nada ... - Eu disse que não , Arthur . Durante o dia , não . Chegaram a King's_Cross , faltava um quarto para as onze . Mr._Weasley precipitou se em busca de um carrinho de transporte para as malas e correram todos para a estação . Harry apanhara o Expresso_de_Hogwarts em o ano anterior . A parte mais difícil era entrar em a plataforma nove_e_três quartos , que não era visível a os olhos de os Muggles . Era preciso avançar para a barreira sólida que dividia as plataformas nove e dez . Não doía nada , mas tinha de ser feito com cuidado para que nenhum de os Muggles de esse , por o desaparecimento . - O Percy em primeiro lugar - declarou Mrs._Weasley , olhando nervosamente para o relógio lá em cima , que mostrava que tinham apenas cinco minutos para desaparecer através de a barreira . Percy avançou a passos largos e desapareceu . Mr._Weasley foi a seguir e depois de ele Fred e George . - Eu levo a Ginny e vocês vêm atrás_de nós - disse Mrs._Weasley a o Harry e a o Ron , agarrando Ginny pela mão e seguindo em frente . Em um abrir e fechar de olhos , tinham passado . - Vamos passar juntos , só temos um minuto - disse Ron a o Harry . Harry assegurou se de que a gaiola de a Hedwig estava bem fixa em cima de a sua mala e empurrou o carrinho de encontro a a barreira . Estava perfeitamente confiante , aquilo era muito mais fácil do_que usar o pó de Floo . Puseram os dois as mãos em o puxador de os carrinhos e avançaram direitos a a barreira , ganhando velocidade . A um metro e pouco , começaram a correr e ... CRASH . Os dois carros bateram em a barreira e foram impelidos para trás . A mala de o Ron caiu com um enorme estrépito . Harry desequilibrou se e a gaiola de a Hedwig foi parar a o chão brilhante , enquanto ela rolava guinchando , indignada . As pessoas em volta olhavam fixamente e um guarda que estava ali perto gritou : - Que diabo pensam vocês que estão a fazer ? - Perdemos o controlo de o carro de transporte - respondeu o Harry , respirando com dificuldade , agarrando se a as costelas , enquanto se punha de pé . Ron correu a agarrar a Hedwig , que estava a fazer uma cena tal , que já se ouviam murmúrios em a multidão sobre a crueldade para com os animais . - Porque é_que não conseguimos passar ? - perguntou Harry a o Ron em um sussurro . - Não sei . Ron olhou descontroladamente em volta . Uma_dúzia de curiosos estavam ainda a observá os . - Vamos perder o comboio - murmurou o Ron . - Não compreendo porque motivo a cancela se fechou . Harry olhou para o relógio gigantesco com um sentimento de náusea em a boca de o estômago . Dez segundos , nove segundos ... Dirigiu o carrinho de transporte para a frente com toda_a força . O metal manteve se sólido . Três segundos ... dois segundos ... um segundo ... - Partiu - afirmou o Ron , que parecia estonteado . - O comboio foi se embora . E se a mãe e o pai não conseguem voltar para aqui ? Tens algum dinheiro de Muggle ? Harry deu uma gargalhada . - Os Dursleys não me dão um tostão há mais de seis anos ! Ron encostou o ouvido a a barreira . - Não se ouve nada - disse , bastante tenso . - O que vamos nós fazer ? Não sei quanto tempo o pai e a mãe vão demorar . Olharam em volta . As pessoas ainda estavam a observá os , principalmente devido a os contínuos guinchos de a Hedwig . - Acho que o melhor é sairmos de aqui e esperamos por eles junto de o carro - disse Harry . - Aqui estamos a atrair demasiado as aten ... - Harry - disse o Ron , com os olhos a brilhar . - É isso , o carro . - O que é_que tem ? - Podemos voar nele até Hogwarts ! - Mas eu pensei ... - Estamos em apuros , certo ? E temos de chegar a a escola , ou não ? E mesmo os feiticeiros menores de idade estão autorizados a usar a magia em uma emergência real , parágrafo dezanove , ou não sei quê , de a Restrição de ... O sentimento de pânico de Harry transformou se em entusiasmo . - E tu sabes voar nele ? - Não há problema - disse o Ron , andando com o carrinho a a volta e dirigindo se para a saída . - Anda de aí . Se em os apressarmos , conseguiremos sair atrás de o Expresso_de_Hogwarts . E afastaram se de o grupo de Muggles curiosos , abandonando a estação e voltando a a rua , onde o velho * _ Ford_Anglia * se encontrava estacionado . Ron abriu a bagageira com uma série de toques de varinha . Meteram lá dentro as malas , puseram a Hedwig em o assento de trás e entraram para a frente . - Verifica se ninguém está a ver - disse o Ron , ligando a ignição com outro toque de varinha . Harry pôs a cabeça fora de a janela : o trânsito enchia a avenida principal , mas a rua de eles estava vazia . - O. _ K. - disse . Ron carregou em um pequeno botão de o painel . Os carros em volta desapareceram assim_como eles . Harry sentia o assento a vibrar debaixo_de si , ouvia o motor , sentia as mãos sobre os joelhos e os óculos em o nariz , mas , tanto quanto conseguia ver , tornara se um par de olhos redondos flutuando um metro e pouco acima de o chão em uma rua suja , cheia de carros estacionados . - Vamos - disse a voz de o Ron , vinda de o seu lado direito . O chão e os prédios escuros de ambos os lados desapareceram de o seu ângulo de visão , mal o carro se elevou . Em poucos segundos toda_a cidade de Londres , enevoada e resplandecente , estava por baixo de eles . Em seguida , ouviu se um ruído que parecia o saltar de uma rolha e o carro , Harry e Ron , reapareceram . - Oh , oh - disse Ron , batendo em o intensificador de invisibilidade . - Está avariado ... Começaram os dois a bater em o botão . O carro desapareceu . Depois surgiu de forma intermitente . - Aguenta aí - gritou o Ron e carregou com o pé em o acelerador . Saltaram direitinhos para o meio de as nuvens mais baixas e tudo ficou sujo e enevoado . - E agora ? - exclamou Harry , piscando os olhos a a sólida massa de nuvens que os comprimia de todos os lados . - Precisamos de avistar o comboio para sabermos qual a direcção a tomar - explicou o Ron . - Desce rapidamente ... Desceram por o meio de as nuvens e voltaram se em os lugares , espreitando . - Estou a vê o - gritou Harry . - Mesmo em frente , ali . O Expresso_de_Hogwarts deslocava se a grande velocidade lá em baixo , como uma serpente vermelha . - Para Norte - disse o Ron , verificando a bússola de o painel . - O. _ k . , basta que verifiquemos de meia em meia_hora . Aguenta aí ... - e arrancaram por o meio de as nuvens . Em o minuto seguinte , tinham chegado a a luz brilhante de o Sol . Era um mundo diferente . Os pneus de o carro deslizavam sobre o mar de nuvens macias , o céu era de um azul infinito sob a luz , capaz de cegar , que irradiava de o Sol . - Agora só temos de nos preocupar com os aviões - disse o Ron . Olharam um para o outro e desataram a rir . Durante muito_tempo não conseguiram parar . Era como_se tivessem mergulhado em um sonho fabuloso . Aquela , pensou Harry , era certamente a única maneira de viajar : passando por turbilhões e torres de nuvens cor de neve , em um carro cheio de calor , o sol radioso , com um grande pacote de rebuçados em o porta-luvas e antegozando o ar de inveja de o Fred e de o George quando aterrassem suavemente e de forma espectacular em o relvado macio em frente de o castelo de Hogwarts . Espreitaram várias vezes o comboio enquanto voavam cada_vez_mais para norte . Cada descida entre as nuvens dava lhes uma perspectiva diferente . Londres depressa ficou para trás , substituída por campos verdejantes que , por sua vez , deram lugar a grandes pântanos arroxeados , aldeias com pequenas igrejas de brinquedo e uma grande cidade , cheia de vida , com carros que pareciam formigas multicores . Várias horas mais tarde sem acontecer nada de_novo , Harry teve de admitir que uma parte de o entusiasmo se esgotara . Os rebuçados tinham nos deixado cheios de sede e não havia nada para beber . Ele e o Ron tinham tirado as camisolas , mas a * _ T-shirt * de o Harry estava colada a as costas de o assento e os óculos não paravam de lhe escorregar para a ponta de o nariz . Deixara de reparar em as fabulosas formas de as nuvens e pensava com saudade em o comboio , milhas abaixo de eles , onde se podia comprar sumo fresquinho de abóboras em um carro empurrado por uma bruxa gordinha . Porque não teriam conseguido entrar em a plataforma nove_e_três quartos ? - Não pode ser muito mais longe , pois não ? - resmungou o Ron , horas mais tarde quando o Sol começava a enfiar se em o seu chão de nuvens , pintando as de um rosa profundo . - Estás pronto para outra espreitadela a o comboio ? Ainda ia mesmo por baixo de eles , abrindo caminho por_entre uma montanha com o topo coberto de neve . Estava muito mais escuro entre o dossel de nuvens . Ron pôs o pé em o acelerador e levou os de_novo para_cima , mas em esse momento o motor começou a chiar . Harry e Ron trocaram entre si olhares nervosos . - Deve estar só cansado - disse o Ron . - Nunca tinha vindo tão longe ... - E fingiram ambos que não davam por o gemido que se ia tornando maior à_medida_que o céu serenamente escurecia . As estrelas desabrochavam em a escuridão , Harry voltou a enfiar a camisola de lã , tentando ignorar os limpa pára-brisas que acenavam debilmente como_que a protestar . - Não devemos estar longe - disse Ron , dirigindo se mais a o carro do_que a o amigo . - Já não devemos estar longe - deu umas palmadinhas nervosas em o * tablier * . Pouco depois , quando voltaram a voar em o meio de as nuvens , tiveram de olhar de lado em a escuridão , em busca de um ponto de referência que conhecessem . - Ali - gritou Harry , fazendo o Ron e a Hedwig darem um salto . - Mesmo em frente . Recortados em o horizonte negro , sobre o rochedo de o outro lado de o lago , erguiam se as torres e torreões de o castelo de Hogwarts . Mas o carro tinha começado a estremecer e perdia a os poucos velocidade . - Vá lá - disse o Ron , dando a o volante um pequeno abanão bajulador . - Estamos quase a chegar , vá lá ... O motor gemeu . Pequenos jactos de vapor de água brotaram de o capo . Harry deu consigo agarrado com toda_a força a os bordos de o assento enquanto voavam direitos a o lago . O carro deu um solavanco feio . Espreitando por a janela , Harry viu a superfície negra , macia e espelhada de a água cerca de uma milha abaixo de eles . Os dedos de o Ron agarrados a o volante tinham as articulações brancas . O carro deu um novo esticão . - Vá lá - murmurou o Ron . Estavam sobre o lago ... o castelo ficava mesmo em frente . Ron fez força com o pé . Houve um ruído surdo , uma crepitação e o motor morreu por completo . - Oh ! oh ! - gemeu Ron em o silêncio . O nariz de o carro voltou se para baixo . Estavam a cair , ganhando velocidade em direcção a os muros sólidos de o castelo . - Naaaaão ! - gritou o Ron , girando o volante . Escaparam a a muralha de pedra negra por centímetros , quando o carro fez um grande arco , planando primeiro sobre as estufas , depois sobre o rectângulo plantado com vegetais e , por fim , sobre os relvados , perdendo sempre velocidade . Ron largou o volante por completo e tirou a varinha de o bolso de trás . - __ pára ! __ pára ! - gritou , batendo em o * tablier * e em o pára-brisas , mas eles continuavam a mergulhar , o chão a voar em direcção a eles . - : __ cuidado com essa __ árvore ! ! ! - bramiu Harry , deitando a mão a o volante , mas ... tarde de mais ... CRUNCH . Com um ruído ensurdecedor de metal e madeira , bateram em o tronco espesso de a árvore e caíram em o chão com um forte solavanco . O vapor era um mar debaixo de o capo amachucado . A Hedwig tremia apavorada . Em a cabeça de Harry surgira um alto de o tamanho de uma bola de golfe , quando ele batera em o pára-brisas , tombando em seguida para a direita . Ron soltou um gemido longo e desesperado . - Estás O. _ K ? - perguntou Harry , aflito . - A minha varinha - disse o Ron em uma voz trémula . - Olha para a minha varinha . Tinha se partido praticamente em duas , a ponta balouçava mole , presa por meia_dúzia de esquírolas . Harry abriu a boca para dizer que em a escola com certeza conseguiriam consertá a , mas nem chegou a começar a frase . Em esse preciso momento , algo bateu em o seu lado de o carro , com a força de um touro , projectando o para_cima de o Ron , ao_mesmo_tempo que um golpe igualmente forte se sentiu em o capô . - O que está a acontec ... Ron arfou , olhando fixamente por o pára-brisas e Harry olhou em volta , mesmo a_tempo_de ver uma ramada espessa como uma píton vir contra o vidro . A árvore em que tinham batido estava a atacá os . O tronco dobrara se quase a meio e os seus galhos rugosos davam uma tareia a cada centímetro de o carro que conseguiam atingir . - Ah ! - praguejou o Ron , quando outra pernada retorcida esmurrou a sua porta , amolgando a . O pára-brisas tremia agora sob uma saraivada de golpes vindos de galhos que pareciam patas de animais e uma ramada espessa como um aríete esmagava furiosamente o capo , que parecia estar a ceder ... - Corre ! - gritou o Ron , lançando o seu peso contra a porta , mas , em o momento seguinte , tinha sido atirado para trás , para o colo de Harry por um soco maldoso , dado de baixo para_cima , por outro ramo . - Estamos feitos ! - resmungou , enquanto o tecto descaía . Mas , de repente , o chão de o carro estava a vibrar , o motor pegara . - Marcha atrás - gritou o Harry e o carro deu um salto para trás . A árvore tentava ainda agredis os , ouviam as raízes chiar , enquanto quase se partiam esticando se para os alcançar . - Escapámos por_pouco ! - exclamou o Ron . - Muito bem , carro . Mas o carro tinha atingido o limite de as suas forças . Com dois estalidos , as portas abriram se e Harry sentiu o seu assento inclinar se para o lado . Quando deu por si , estava estatelado em o chão húmido . Ruídos surdos avisaram o de que o carro estava a ejectar as malas de a bagageira . A gaiola de a Hedwig voou por os ares e abriu se . Ela saiu a voar com um pio furioso e dirigiu se a o castelo , sem sequer olhar para trás . Em seguida , o carro , amolgado , arranhado e a fumegar , arrancou em o escuro , com os faróis traseiros ardendo de fúria . - Volta aqui ! - gritou o Ron , brandindo a varinha partida . - O meu pai mata me . Mas o carro desapareceu a perder de vista , com um último estoiro de o tubo de escape . - Já viste bem o nosso azar ! ? - exclamou o Ron em o meio de a sua infelicidade , baixando se para apanhar o rato Scabbers . - De todas_as árvores em que podíamos ter batido , tínhamos de ir dar a uma que bate também . Olhou por cima de o ombro para a velha árvore que ainda agitava os ramos ameaçadoramente . - Vamos - disse Harry , fatigado . - É melhor irmos andando para a escola ... Não foi , de modo algum , a chegada triunfal que tinham imaginado . Constrangidos , cheios de frio e magoados , pegaram em as malas e começaram a arrastá as por o relvado acima , em direcção a as grandes portadas de carvalho . - Acho que o banquete já começou - disse o Ron , largando a mala em os degraus de a entrada e atravessando devagarinho para espreitar por uma janela iluminada . - Harry , anda ver , é a distribuição . Harry apressou se e os dois , ele e o Ron , espreitaram para o Salão_Nobre . Um número infindável de velas pairava em o ar , sobre quatro mesas enormes cheias de gente , fazendo brilhar os pratos dourados e as taças . Em cima , o tecto encantado que espelhava o céu lá de_fora , brilhava cheio de estrelas . Por_entre a floresta de chapéus pretos pontiagudos de Hogwarts , Harry viu uma longa fila de alunos de o primeiro ano com olhares assustados que enchia o vestíbulo . Ginny estava entre eles , facilmente reconhecível devido a o seu chamativo cabelo Weasley . Enquanto isso , a professora Mc_Gonagall , uma bruxa de óculos com cabelo castanho apanhado em um carrapito , colocava o famoso chapéu seleccionador em um banco que se encontrava em frente de os novos alunos . Todos os anos , aquele velho chapéu , remendado , puído e cheio de pó , seleccionava alunos para as quatro equipas de Hogwarts ( Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin ) . Harry lembrava se bem de o ter colocado em a cabeça , precisamente um ano antes , e ter esperado petrificado por a sua decisão , enquanto ele lhe murmurava a o ouvido . Durante alguns horríveis segundos receara que o chapéu o mandasse para os Slytherin , a equipa que produzia maior número de feiticeiros e feiticeiras de magia negra , mas acabara por ficar em os Gryffindor , juntamente com Ron e Hermione e o resto de os Weasley . Em o último período , Harry e Ron tinham ajudado os Gryffindor a vencer o campeonato de a equipa , batendo os Slytherin pela_primeira_vez em sete anos . Um rapazito baixinho com cabelo de rato acabava de ser chamado para pôr o chapéu em a cabeça . Os olhos de Harry saltavam de ele para o lugar onde o professor Dumbledore , o director , estava sentado , observando a selecção de a mesa de os professores , com a sua longa barba cor de prata e óculos de meia-lua que brilhavam a a luz de as velas . Alguns lugares a a frente , Harry viu Gilderoy_Lockhart com um manto verde-azulado . E lá bem a o fundo estava Hagrid , enorme e cabeludo , bebendo satisfeito de a sua taça . - Espera aí - murmurou a o Ron . - Há um lugar vazio em a mesa de os professores . Onde estará o Snape ? Severus_Snape era o professor de quem Harry menos gostava . Harry era também o seu aluno menos querido . Cruel , sarcástico e detestado por todos com excepção de os alunos de a sua própria equipa ( Slytherin ) , Snape tinha a seu cargo a cadeira de Poções . - Talvez esteja doente - sugeriu Ron , cheio de esperança . - Talvez se tenha ido embora - lembrou Harry . - Por não lhe terem dado outra_vez a Defesa contra as artes negras . - Ou talvez tenha sido corrido - propôs Ron com entusiasmo . - Afinal , toda_a_gente o detesta ... - Ou talvez - disse uma voz gelada atrás de eles - esteja a a espera que vocês lhe expliquem por_que motivo não vieram em o comboio de a escola . Harry deu uma volta . Em a sua frente , com o manto negro a ondular em uma brisa fria , estava Severus_Snape . O professor era um homem magro , de pele descorada , nariz adunco e um cabelo preto oleoso que lhe caía sobre os ombros . E em aquele momento sorria de um modo tal que Harry sentiu que tanto ele como Ron estavam em sérios apuros . - Sigam me - disse Snape . Sem ousarem sequer olhar um para o outro , Harry e Ron seguiram Snape por as escadas até a o amplo * hall * de entrada que estava iluminado por as chamas de os archotes . De o salão nobre vinha um cheirinho delicioso a comida , mas Snape levou os para longe de a luz e de o calor , em direcção a uma escada estreita de pedra que conduzia a os calabouços . - Entrem - ordenou , abrindo uma porta a meio de o corredor e apontando . Entraram a tremer em o escritório de Snape . As paredes sombrias estavam cobertas de prateleiras cheias de jarros de vidro grosso onde flutuavam as coisas mais diversas e repugnantes , cujo nome Harry não queria de momento conhecer . A lareira estava escura e vazia . Snape fechou a porta e voltou se de frente para eles . - Com que então - disse com falsa suavidade - o comboio não serve para o famoso Harry_Potter e o seu fiel companheiro Weasley . Queriam chegar em grande estilo , não era rapazes ? - Não senhor , foi a barreira em King's_Cross , ela ... - Silêncio - disse Snape friamente . -- _ o que fizeram a o carro ? Ron engoliu em seco . Aquela não era a primeira vez que Snape dava a Harry a impressão de ser capaz de ler pensamentos . Mas , pouco depois , compreendeu tudo quando Snape desenrolou o exemplar de o Profeta_Vespertino . - Vocês foram vistos - afirmou , mostrando lhes o cabeçalho : : __ ford anglia voador confunde __ muggles . Começou a ler alto a notícia . - Dois Muggles em Londres convenceram se de que tinham visto um carro velho a voar sobre a torre de os correios ... a a tardinha em Norfolk , Mrs._Hetty_Bayliss , enquanto pendurava a roupa ... Mr._Angus_Fleet_de_Peebles informou a polícia ... seis ou sete Muggles a o todo . Julgo que o teu pai trabalha em o departamento de mau uso dado a os objectos de os Muggles ? - disse olhando para Ron e sorrindo de uma forma ainda mais sarcástica . - Que peninha , o próprio filho ... Harry sentiu se como_se tivesse levado um soco em o estômago de uma de as maiores pernadas de a árvore louca . E se alguém descobrisse que Mr._Weasley tinha enfeitiçado o carro ? Ele ainda nem tinha pensado em isso . - Reparei durante a minha volta por o jardim que foi feito um estrago considerável em um salgueiro zurzidor extremamente valioso - continuou Snape . - Essa árvore fez nos pior a nós do_que nós ... - deixou escapar Ron . - Silêncio - interrompeu Snape , de_novo . - Infelizmente vocês não fazem parte de a minha equipa e a decisão de vos expulsar não está em as minhas mãos . Vou , por isso , buscar as pessoas que possuem essa feliz possibilidade . Esperem aqui . Harry e Ron olharam , pálidos , um para o outro . Harry perdera a fome . Sentia se agora extremamente agoniado . Tentava não olhar para uma coisa viscosa , suspensa em um líquido verde que estava em uma prateleira por detrás de a secretária de Snape . Se ele fora buscar a professora Mc_Gonagall , chefe de a equipa de os Gryffindor , não estavam muito melhor . Ela era mais justa do_que Snape , mas extremamente severa . Dez minutos mais tarde , Snape voltou e era , de facto , a professora Mc_Gonagall quem o acompanhava . Harry vira a professora Mc_Gonagall zangada , mas , ou se tinha esquecido de como a boca de ela ficava fina , ou nunca a vira tão zangada como em aquele dia . Levantou a varinha em o momento em que entrou . Harry e Ron estremeceram , mas ela limitou se a apontá a para a lareira onde as chamas se elevaram subitamente . - Sentem se - ordenou , e os dois recuaram para as cadeiras junto de o lume . - Expliquem se - disse com os óculos a brilhar de uma forma ameaçadora . Ron enveredou por a história começando por a barreira de a estação que se recusara a deixá os passar . - Por isso não tínhamos escolha , professora , não podíamos chegar a o comboio . - Porque não nos mandaram uma carta por a coruja ? Julgo que tens uma coruja ? - disse friamente a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a Harry . Harry olhou para ela sem saber o que dizer . - Parece me - continuou ela - que seria a coisa mais adequada . - Eu ... não pensei ... - Isso - disse a professora Mc_Gonagall - é bastante óbvio . Ouviu se bater a a porta de o escritório e Snape , que parecia agora mais feliz do_que nunca , foi abrir . Era o director , o professor Dumbledore . Harry ficou totalmente paralisado . Dumbledore tinha uma expressão grave . Olhou para eles de cima de o seu nariz adunco e Harry desejou estar ainda com Ron a levar uma sova de o salgueiro zurzidor . Fez se um longo silêncio . Em seguida , Dumbledore disse lhes : - Por favor , expliquem porque fizeram isto . Teria sido melhor se gritasse . Harry detestou sentir a decepção em a sua voz . Inexplicavelmente era incapaz de olhar Dumbledore em os olhos e falou em direcção a os seus joelhos . Disse lhe tudo excepto que o carro enfeitiçado pertencia a Mr._Weasley , dando a ideia de que ele e o Ron o tinham encontrado estacionado fora de a estação . Sabia que Dumbledore ia ver para_além de isso , mas o director não fez perguntas sobre o carro . Quando Harry terminou continuou a olhar para ele através de os seus óculos . - Nós vamos buscar as nossas coisas - disse Ron em um tom de voz sem esperança . - Que disparate é esse ? - rosnou a professora Mc_Gonagall . -- Então , vão expulsar nos , não vão ? - disse o Ron . Harry olhou rapidamente para Dumbledore . - Ainda não , Mr._Weasley - afirmou Dumbledore . - Mas vou assinalar a gravidade do_que vocês fizeram . Hoje a a noite escreverei a as vossas famílias . Estão também prevenidos que se voltarem a fazer uma coisa como esta não terei outro remédio senão expulsar vos . A expressão de Snape era como_se o Natal tivesse sido cancelado . Pigarreou e disse : - Professor_Dumbledore , estes rapazes infringiram o decreto para a restrição de a feitiçaria de os menores , causaram estragos consideráveis a uma árvore antiga e valiosa ... sem dúvida , actos de esta natureza ... - Cabe a a professora Mc_Gonagall decidir sobre os castigos de os rapazes , Severus - afirmou Dumbledore com toda_a calma . - Pertencem a a equipa de ela e são , portanto , de a sua responsabilidade . - Voltou se para a professora Mc_Gonagall . - Tenho de regressar a o banquete , Minerva , devo dar algumas informações . Venha Severus , há uma tarte de leite e ovos com um aspecto delicioso que quero mostrar lhe . Snape lançou um olhar de puro veneno a o Harry e a o Ron enquanto permitia que o afastassem de o seu escritório , deixando os a sós com a professora Mc_Gonagall que ainda os olhava como uma águia em fúria . - É melhor ires até a a ala hospitalar , Weasley , estás a sangrar . - Não é nada - disse Ron , limpando o corte com a manga para que ela o visse . - Professora , eu gostava de ver a minha irmã ser seleccionada . - A cerimónia de a selecção terminou - disse a professora Mc_Gonagall . - A tua irmã está também em os Gryffindor . - _ óptimo - exclamou Ron . - E por falar em os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall de forma cortante , mas Harry interrompeu a : - Professora , quando tirámos o carro , o ano escolar ainda não tinha começado , por isso os Gryffindor não deveriam perder pontos , pois não ? - terminou olhando a ansiosamente . A professora Mc_Gonagall lançou lhe um olhar penetrante , mas ele era capaz de jurar que ela quase tinha sorrido . Pelo_menos a boca não parecia tão fina . - Não vou tirar pontos a os Gryffindor - tranquilizou o . E o coração de Harry ficou mais leve . - Mas vocês os dois vão ter um castigo . Foi melhor do_que Harry imaginara . O facto de Dumbledore escrever a os Dursley não tinha a menor importância . Harry sabia perfeitamente que eles só lamentariam que o salgueiro zurzidor não o tivesse esmigalhado . A professora Mc_Gonagall ergueu a varinha de_novo apontou a a a secretária de Snape . Um grande prato de sanduíches , duas taças de prata e um jarro com sumo de abóbora gelado apareceram em menos_de um segundo . - Vocês vão comer aqui e , em seguida , vão direitinhos para o vosso dormitório - disse . - Eu também tenho de voltar para a festa . Mal a porta se fechou atrás de ela , Ron soltou baixinho um assobio . - Pensei que estávamos feitos - confessou , agarrando uma sanduíche . - Também eu - disse o Harry , orando também uma . - Mas já viste bem a nossa pouca sorte ? - insistiu o Ron com a boca cheia de frango e fiambre . - O Fred e o George voaram em aquele carro cinco ou seis vezes e nenhum Muggle os viu - engoliu outro pedaço enorme de a sanduíche . - Porque será que não conseguimos passar a barreira ? Harry encolheu os ombros . - Mas temos de ter muito cuidado a_partir_de agora - disse bebendo um grande trago de sumo de abóbora . - Que pena não termos podido ir a o banquete . - Ela não quis que nos exibíssemos - afirmou Ron com prudência . - Não vão as pessoas pensar que é uma boa chegar aqui de carro voador . Quando já tinham comido todas_as sanduíches que queriam ( o prato ia voltando a encher se sozinho ) , levantaram se e saíram de o escritório , seguindo o caminho que lhes era familiar , para a torre de os Gryffindor . O castelo estava em silêncio . Parecia que o banquete tinha acabado . Passaram por retratos murmurantes e armaduras que gemiam e subiram os degraus estreitos de pedra até que , por fim , chegaram a a passagem onde a entrada secreta para a torre de os Gryffindor se encontrava oculta por detrás de o quadro a óleo de uma dama gorda em um vestido cor-de-rosa . - A senha ? - perguntou ela mal os dois se aproximaram . - Er ... Eles ainda não tinham estado com o prefeito de os Gryffindor e por isso ainda não conheciam a senha para o novo ano , mas a ajuda não se fez esperar . Ouviram passos apressados atrás de eles e quando se voltaram viram Hermione que se aproximava . - Aí estão vocês . Onde é_que se meteram ? Correm os boatos mais ridículos , alguém disse que vocês tinham sido expulsos por espatifarem um carro voador . - Bem , expulsos não fomos - tranquilizou a Harry . - Não estás a dizer me que voaram até aqui ? - perguntou Hermione em um tom quase tão severo como a professora Mc_Gonagall . - Dispensa se o sermão - interrompeu Ron impacientemente . - E diz nos a nova senha de passagem . - É crista de pássaro - disse Hermione não contendo a impaciência . - Mas o mais importante não é isso ... Contudo as palavras de ela foram interrompidas ao_mesmo_tempo que o retrato de a dama gorda se abria e se ouvia uma tempestade de aplausos . A o que parecia a equipa de os Gryffindor estava ainda acordada , dentro de a sala comum em forma de círculo , junto de as mesas assimétricas e de os cadeirões moles a a espera que eles chegassem para , de braços estendidos através de o buraco de o retrato , puxarem Harry e Ron para dentro deixando Hermione para o fim . - Sensacional - gritou Lee_Jordan . - Inspirado ! Que entrada ! Voar em um carro e aterrar em o salgueiro zurzidor . Toda_a_gente vai falar de isto durante anos e anos . - Muito bem - disse um aluno de o quinto ano com quem Harry nunca tinha falado . Alguém dava lhe palmadas em as costas como_se ele acabasse de vencer a maratona . Fred e George abriram caminho por_entre a multidão e disseram ao_mesmo_tempo : - Por_que é_que não nos chamaram , hein ? - Ron estava vermelho como um pimentão , sorrindo envergonhado , mas Harry via perfeitamente uma pessoa que não estava nada contente . Percy elevava se acima de as cabeças de os excitados alunos de o primeiro ano e parecia estar a tentar aproximar se para os repreender . Harry deu uma cotovelada a o Ron e apontou em direcção a Percy . Ron percebeu de imediato . - Temos de ir para_cima , um_pouco cansados ! - explicou e os dois começaram a abrir caminho em direcção a a porta que ficava de o outro lado de a sala e que dava para a escada em espiral e para os dormitórios . - ` _ Noite - despediu se Harry_de_Hermione que tinha um ar tão carrancudo como Percy . Conseguiram chegar a o outro lado de a sala comum sempre a levarem palmadas em as costas e alcançaram o sossego de as escadas . Apressaram se a subir e , por fim , chegaram a a porta de o dormitório que tinha agora um letreiro a dizer « Segundos_Anos » . Entraram em o quarto circular , que conheciam tão bem , com as suas cinco camas de dossel adornadas de velado vermelho e as suas janelas altas e estreitas . As malas tinham sido trazidas para_cima e colocadas a os pés de as camas . Ron fez um sorriso culpado . - Sei que não devia ter gostado de aquilo , mas ... A porta de o dormitório abriu se e os outros rapazes de os Gryffindor entraram ; eram eles o Seamus_Finnigan , o Dean_Thomas e o Neville_Loogbottom . - Inacreditável - aplaudiu Seamus . - Incrível - aprovou o Dean . - Espantoso - exclamou o Neville , aterrado . Harry não pôde evitar também um sorriso . VI_Gilderoy_Lockhart_No dia seguinte , contudo , Harry não conseguiu sorrir . As coisas começaram a correr mal logo em o salão durante o pequeno-almoço . Debaixo de o tecto encantado ( em aquele dia triste e cinzento ) estavam as quatro grandes mesas de as equipas e sobre elas , terrinas de papa de aveia , pratos de arenque defumado , montanhas de torradas e pratadas de ovos com * bacon * . Harry e Ron sentaram se em a mesa de os Gryffindor , junto de Hermione que tinha o seu exemplar de * _ Viagens com Vampiros * totalmente aberto , encostado a um jarro de leite . Havia uma certa rigidez em a maneira como ela disse : - ` _ Dia - que mostrou a Harry que continuava a desaprovar o modo como tinham chegado a a escola . Por seu turno , Neville_Longbottom saudou os entusiasticamente . Neville era um rapazinho de cara redonda , muito dado a acidentes , com a pior memória que Harry tinha conhecido . - A entrega de correio deve estar a chegar , acho que a minha avó me vai mandar umas quantas coisas de que me esqueci ... Harry tinha começado a comer as papas de aveia , quando se ouviu um ruído tumultuoso em o ar e umas cem corujas entraram ao_mesmo_tempo , sobrevoando o salão e deixando cair cartas e pacotes em o meio de a multidão faladora . Um embrulho grande e rugoso caiu em a cabeça de Neville e , um segundo depois , uma coisa larga e cinzenta caiu em o jarro de a Hermione , enchendo os a todos de leite e penas . - Errol - gritou o Ron , puxando a coruja esfarrapada por as patas . Errol caíra inconsciente sobre a mesa com as pernas para o ar e um envelope vermelho húmido em o bico . - Oh , não ! - sobressaltou se Ron . - Ela está bem , ainda está viva - tranquilizou o Hermione , tocando suavemente em a Errol com a ponta de o dedo . - Não é isso , é ... aquilo . Ron apontava para o envelope vermelho . Parecera perfeitamente vulgar a Harry , mas Ron e Neville estavam ambos a observá o como_se esperassem que explodisse . - Qual é o problema ? - perguntou Harry . - Ela . Ela mandou me um * gritador * - disse Ron , quase sem voz . - É melhor abrires - aconselhou Neville em um murmúrio tímido - senão é pior . A minha avó uma_vez mandou me um que eu ignorei e ... - engoliu em seco - foi horrível . Harry olhava , ora para as suas caras , ora para o envelope vermelho . - O que é um * gritador * ? - perguntou . - Mas toda_a atenção de o Ron estava fixa em a carta que começara a fumegar por os cantos . - Abre a - intimou o Neville . - De aqui a poucos minutos já passou tudo . Ron estendeu uma mão trémula , retirou o envelope de o bico de a Errol e começou a abri o . Neville pôs os dedos em os ouvidos . Após uma fracção de segundo , Harry compreendeu porquê . Pensou em o primeiro momento que ela explodira . Um ruído ensurdecedor encheu o enorme salão , fazendo cair pó de o tecto . - ... : __ roubar o carro ! não me surpreendia nada se te expulsassem . espera só até te pôr as mãos em cima . será que não paraste para pensar em a nossa aflição quando vimos que o carro tinha __ desaparecido ... Os gritos de Mrs._Weasley , ampliados cem vezes em relação a o seu normal , fizeram os pratos e as colheres chocalhar em a mesa e ecoaram de forma ensurdecedora em as paredes de pedra . Vinha gente de todos os lados espreitar quem tinha recebido o * gritador * e Ron afundou se tanto em a cadeira que só se lhe via a testa carmesim . - ... : __ uma carta de o dumbledore ontem a a noite , o teu pai quase morria de vergonha . não foi esta a educação que te demos , tu e o harry podiam ter __ morrido ... Harry estava a ver quando é_que o seu nome viria a a baila . Tentou o melhor que pôde agir como_se não ouvisse a voz , mas aquilo estava a fazer com que os tímpanos lhe latejassem . - ... : __ profundamente decepcionada , o teu pai vai ter de se confrontar com um inquérito em o trabalho , tudo por tua culpa e , se pisas mais_uma_vez o risco , trago te para __ casa ! Seguiu se um silêncio ressonante . O envelope vermelho , que caíra de as mãos de o Ron , incendiou se e encaracolou se em cinzas . Harry e Ron estavam sentados de boca aberta , como_se uma onda gigante lhes tivesse passado por cima . Algumas pessoas riam e , a os poucos , o ruído de as conversas recomeçou . Hermione fechou o * _ Viagens com Vampiros * e olhou para o topo de a cabeça de Ron . - Bem , não sei o que esperavas , Ron , mas tu ... - Não me venhas dizer que mereci - interrompeu Ron . Harry afastou as papas de aveia . O estômago ardia lhe de culpa . Mr._Weasley tinha um inquérito em o trabalho , depois de tudo_o_que Mr. e Mrs._Weasley tinham feito por ele durante o Verão ... Mas não teve muito_tempo para se demorar em aqueles pensamentos . A professora Mc_Gonagall circulava em volta de as mesas de os Gryffindor distribuindo horários . Harry pegou em o seu e viu que começavam por ter Herbologia , juntamente com os Hufflepuff . Harry , Ron e Hermione saíram juntos de o castelo , atravessaram as hortas e chegaram a as estufas , onde estavam guardadas as plantas mágicas . O * gritador * tivera pelo_menos uma vantagem : Hermione parecia achar que já tinham sido suficientemente castigados e estava de_novo perfeitamente calorosa . Quando estavam a chegar a as estufas viram o resto de a classe de pé , cá fora , a a espera de a professora Sprout . Harry , Ron e Hermione tinham acabado de se lhes juntar quando a viram aproximar se a passos largos por o relvado , acompanhada de Gilderoy_Lockhart . A professora Sprout era uma bruxa pequenina e atarracada que usava um chapéu a os remendos sobre o cabelo solto . As roupas que vestia estavam sempre cheias de terra e as suas unhas fariam a tia Petúnia desmaiar . Gilderoy_Lockhart , pelo_contrário , tinha um ar imaculado em as suas vestes azul-turquesa , o cabelo doirado a brilhar debaixo_de um chapéu azul-turquesa , com uma fita dourada , perfeitamente posicionado sobre a cabeça . - Olá a todos ! - gritou Lockhart , dirigindo se a o grupo de estudantes . - Estive a mostrar a a professora Sprout a maneira correcta de tratar um salgueiro . Mas não quero que fiquem com a ideia de que sou melhor do_que ela em Herbologia . Acontece que encontrei várias de estas plantas exóticas , durante as minhas viagens .... - Estufa número três hoje , meninos ! - disse a professora Sprout que estava visivelmente descontente , bem diferente de a sua habitual natureza bem-disposta . Houve um murmúrio de interesse . Eles só tinham estado uma_vez em a terceira estufa , que era uma estufa que abrigava plantas bem mais interessantes e perigosas . A professora Sprout tirou uma enorme chave de o cinto e abriu a porta . Harry sentiu o bafo de a terra húmida com adubo misturado e o perfume forte de umas flores gigantescas , de o tamanho de guarda-chuvas , que estavam penduradas de o tecto . Ia seguir Ron e Hermione , quando a mão de o Lockhart o travou . -- Harry ! Tenho querido ter uma palavrinha contigo . Não se importa se ele chegar uns minutos atrasado , pois não , professora Sprout ? A julgar por a expressão carregada de a professora Sprout , importava se sim , mas Lockhart disse : - Então até já - e fechou a porta de a estufa em a cara de ela . - Harry ! - disse Lockhart , com os dentes brancos a brilharem a o sol , enquanto abanava a cabeça . - Harry , Harry , Harry ! Harry , totalmente perplexo , não disse uma palavra . - Quando ouvi dizer , bem , é claro que eu tive muita culpa , deviam castigar me também ... Harry não fazia ideia de que estava ele a falar , quando Lockhart prosseguiu : - Nunca me lembro de ficar tão chocado . Fazer voar um automóvel até Hogwarts ! Bem , é claro que eu percebi logo porque o fizeste . Foi um destaque em grande . Harry , Harry , Harry ! Era notável como ele conseguia mostrar todos aqueles dentes brilhantes , mesmo quando não estava a falar . - Criei te o gosto por a publicidade , não foi ? - perguntou Lockhart . - Passei te o bichinho . Apareceste comigo em a primeira página e não podias esperar para aparecer outra_vez ... - Oh , não , professor , sabe é_que ... - Harry , Harry , Harry - disse Lockhart aproximando se e tocando lhe em o ombro . - * _ Eu compreendo * . É natural querer um_pouco mais quando se lhe tomou o gosto , e eu culpo me por te ter dado esse conhecimento , porque era natural que te subisse a a cabeça , mas vê uma coisa , rapazinho , tu não podes começar a fazer voar carros para tentares ser notícia . Tens de acalmar , está bem ? Tens muito_tempo quando fores mais velho . Sim , sim , eu sei o que estás a pensar ! É fácil para ele falar assim , já é um feiticeiro internacionalmente famoso ! Mas quando eu tinha doze anos era tão zé-ninguém como tu és hoje . Em a verdade , era ainda mais . De ti , já meia_dúzia de pessoas ouviram falar , não é ? Toda aquela história com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . - Olhou para a cicatriz luminosa em a testa de Harry . - Eu sei , eu sei , não é o mesmo_que vencer o Prémio de o sorriso de o feiticeiro de a semana cinco vezes seguidas , como eu venci , mas é um começo , Harry , é um começo . Lançou lhe uma piscadela de olhos cordial e foi se embora . Harry ficou atarantado durante alguns segundos . Depois , lembrando se que deveria estar em a estufa , abriu a porta e esgueirou se lá para dentro . A professora Sprout estava de pé , por_detrás_de uma espécie de mesa em o meio de a estufa . Em cima de a mesa estavam cerca de vinte pares de abafo de ouvidos de diferentes cores . Quando Harry estava já em o seu lugar , entre Ron e Hermione , ela disse : - Hoje vamos transplantar Mandrágoras . Muito bem , quem sabe dizer me as propriedades de a Mandrágora ? Não foi surpresa para ninguém que a mão de a Hermione fosse a primeira em o ar . - A Mandrágora tem um efeito reparador muito poderoso - disse Hermione , com o ar mais normal de este mundo , como_se tivesse engolido o livro de texto . - É usada para fazer voltar as pessoas , que foram transfiguradas ou amaldiçoadas , a o seu estado original . - Excelente . Dez pontos para os Gryffindor ! - exclamou a professora Sprout . - A Mandrágora é parte integrante de a maior parte de os antídotos , mas também é perigosa . Quem sabe dizer me porquê ? A mão de Hermione por_pouco não bateu em os óculos de Harry , quando se ergueu de_novo . - O grito de a Mandrágora é fatal para quem o ouve - disse prontamente . - Precisamente . Dou lhe mais dez pontos - disse a professora Sprout . - Agora vejamos , as Mandrágoras que aqui temos são ainda muito jovens . Enquanto falava , apontou para uma fila de tabuleiros com uma certa profundidade e todos se chegaram a a frente para ver melhor . Cerca de uma centena de plantinhas tufosas de um verde arroxeado cresciam em filas . Pareceram perfeitamente vulgares a Harry , que não fazia a menor ideia do_que Hermione queria dizer com o * grito * de a Mandrágora . - Cada_um de vocês pode tirar um par de abafo de ouvidos - disse a professora Sprout . Houve uma competição renhida porque ninguém queria os cor-de-rosa , cheios de penugem . - Quando eu vos disser para os colocar , assegurem se de que os vossos ouvidos estão completamente tapados - disse a professora Sprout . - Logo_que seja seguro retirá os , eu levanto os dedos . Certo , pôr os abafos de os ouvido . Harry pôs imediatamente os abafos em os ouvidos . Eles fecharam completamente o som . A professora Sprout colocou também um par de abafos cor-de-rosa com penugem em os de ela , arregaçou as mangas de a túnica , agarrou uma de as plantas tufosas e puxou com toda_a força . Harry soltou um grito de surpresa que ninguém ouviu . Em_vez_de raízes , um bebé pequenino , enlameado e extremamente feio , saiu de a terra . As folhas cresciam lhe em o alto de a cabeça , tinha uma pele pintalgada de um pálido esverdeado e estava nitidamente a berrar a plenos pulmões . A professora Sprout tirou debaixo de a mesa um grande vaso de plantas e mergulhou lá dentro a Mandrágora , enterrando a em a mistura escura e húmida , até que só as folhas ficassem visíveis . Em seguida , limpou a terra de as mãos , levantou os dedos e todos eles retiraram os abafos de os ouvidos . - Como as nossas Mandrágoras são muito novas , os seus gritos ainda não matam - disse ela com grande calma , como_se tivesse feito algo tão normal como regar uma begónia . - Contudo , podem pôr vos a dormir durante várias horas e , como com certeza nenhum de vocês quer perder o primeiro dia de aulas , vejam se os abafos estão bem colocados enquanto trabalham . Eu chamarei vos a atenção quando for altura de os retirar . - Quatro em cada fila , há aqui uma grande quantidade de vasos , a mistura de terra está em os sacos ali a o fundo e tenham cuidado com a * _ Venomous_Tentacula * , estão a nascer lhe os dentes . Enquanto falava , deu uma pancada seca a uma planta vermelha escura cheia de pontas eriçadas , fazendo a encolher as longas antenas que tinham estado a avançar lenta e dissimuladamente sobre o seu ombro . A Harry , Ron e Hermione veio juntar se em a fila um rapaz de cabelo encaracolado de os Hufflepuff que Harry conhecia de vista , mas com quem nunca tinha falado . - Justin_Finch - _ Fletchey - disse ele com vivacidade , apertando a mão de o Harry . - Conheço te , claro , o famoso Harry_Potter ... e tu és a Hermione_Granger , sempre a primeira em tudo ( Hermione brilhou em um sorriso , como_se ele lhe tivesse apertado a mão ) e Ron_Weasley . Não era teu o carro voador ? Ron não sorriu . Não lhe saía de a cabeça o * gritador * . - Aquele Lockhart é o_máximo , não acham ? - disse Justin satisfeito , enquanto começavam a encher os vasos com composto de adubo de dragão . - Terrivelmente corajoso . Leram os livros de ele ? Eu teria morrido de medo se um lobisomem me tivesse encurralado em uma cabina telefónica , mas ele manteve se calmo e ... zap ... fantástico ! « Eu estava inscrito em Eton , sabem , não imaginam como estou feliz de ter vindo antes para aqui . É claro que a minha mãe ficou um_pouco desiludida , mas depois de lhe ter dado os livros de Lockhart a ler , tenho a impressão de que ela começou a ver a utilidade de ter um feiticeiro bem treinado em a família ... Depois de isso , não tiveram grandes oportunidades para conversar . Voltaram a pôr os abafos de ouvidos e era preciso concentrarem se em as Mandrágoras . A professora Sprout fizera as coisas parecerem extremamente simples , mas não eram . As Mandrágoras não gostavam de sair de a terra mas também não pareciam querer voltar para lá . Elas contorceram se , deram pontapés , agitaram as mãozinhas finas e rangeram os dentes . Harry levou dez minutos inteirinhos a tentar meter uma Mandrágora particularmente gorda dentro_de um vaso . Em o final de a aula , Harry , como todos os outros , estava a suar , cheio de dores e coberto de terra . Regressaram a o castelo a pé para um banho rápido e , em seguida , os Gryffindor apressaram se para assistir a a aula de transfiguração . As aulas de a professora Mc_Gonagall eram sempre complicadas , mas a de aquele dia era particularmente difícil . Tudo_o_que o Harry aprendera em o ano anterior parecia ter se lhe apagado de a memória durante o Verão . Ele deveria ser capaz de transformar uma barata em um botão , mas , tudo_o_que conseguiu foi fazer a barata praticar um imenso exercício , enquanto corria apressadamente por o tampo de a secretária evitando a varinha . Ron estava a debater se com problemas bastante piores . Tinha atado a varinha com uma fita mágica , mas parecia que não havia reparação possível . Não parava de crepitar e lançar faíscas em os momentos mais estranhos e , sempre_que Ron tentava transfigurar a barata , via se envolvido em um fumo cinzento espesso que cheirava a ovos podres . Incapaz de ver o que estava a fazer , o Ron esmagou , por engano , a barata com o cotovelo e teve de ir pedir que lhe dessem outra , o que deixou a professora Mc_Gonagall muito pouco satisfeita . Harry ficou aliviado quando ouviu tocar a campainha para o almoço . Sentia a cabeça como uma esponja espremida . Todos os alunos saíram em fila de a aula excepto ele e Ron que dava furiosas varadas em a secretária . - Coisa estúpida e inútil . - Escreve a os teus pais a pedir outra - sugeriu Harry , enquanto a varinha disparava com estrondo um foguete explosivo . - Ah pois , e receber outro * gritador * em a volta de o correio - respondeu Ron , metendo a varinha que já assobiava , dentro de o saco . - * _ A culpa é toda tua se a varinha está estragada * ... Desceram para o almoço e aí a disposição de o Ron não iria melhorar com Hermione a mostrar lhe uma mão-cheia de botões de casaco , perfeitinhos , que produzira em a transfiguração . - O que temos esta tarde ? - quis saber Harry , mudando rapidamente de assunto . - Defesa contra as artes negras - disse Hermione , sem perder tempo . - Porque é_que tu ... - perguntou Ron , pegando em o horário de ela - desenhaste corações em volta de as aulas de o Lockhart ? Hermione arrancou lhe o horário de as mãos , corando furiosa . Acabaram de almoçar e foram para o pátio carregado de nuvens . Hermione sentou se em um degrau de pedra e enfiou de_novo o nariz em as * _ Viagens com Vampiros * . Harry e Ron ficaram a falar de Quidditch durante alguns minutos antes de Harry se aperceber de que estava a ser observado de perto . Olhando para_cima viu o rapazinho pequenino com cabelo de rato que ele vira experimentar o chapéu seleccionador em a noite anterior , olhando para ele com uma expressão petrificada . Estava agarrado a o que parecia ser uma vulgar máquina fotográfica de os Muggles e , em o momento em que Harry olhou para ele , ficou todo vermelho . - Tudo bem , Harry ? Eu sou Colin_Creevey - disse , faltando lhe o ar e adiantando se a qualquer pergunta . - Estou em os Gryffindor também . Não te importavas que eu tirasse uma fotografia ? - perguntou , levantando a máquina cheio de expectativa . - Uma fotografia ? - repetiu Harry , inexpressivo . - Para eu provar que te conheci - disse Colin_Creevey cheio de ansiedade , continuando : - Eu sei tudo a teu respeito . Toda_a_gente me tem contado como sobreviveste quando O_Quem nós sabemos tentou matar te , como ele desapareceu depois de isso e como ficaste com a cicatriz em forma de relâmpago em a testa ( os seus olhos procuraram a linha de cabelo de Harry ) e um rapaz de o meu dormitório disse que se eu revelasse o filme em a posição certa ele mexia . - Colin respirou fundo , estremecendo de excitação e disse : - Isto_é fantástico , aqui , não achas ? Eu não sabia que todas_as coisas estranhas que fazia eram magia até a o dia em que recebi uma carta de Hogwarts . O meu pai é leiteiro . Também ele não queria acreditar . Por isso estou a tirar montes de fotografias para lhe mandar e era mesmo bom se tivesse uma tua - parecia implorar . - Talvez o teu amigo pudesse tirá a e assim eu ficava a o teu lado . E depois , podias assiná a ? - Assinar fotografias ? Estás a dar fotos autografadas , Potter ? Alta e mordaz , a voz de Draco_Malfoy ecoou em o pátio . Estava parado mesmo atrás_de Colin , ladeado , como sempre andava em Hogwarts , por os seus fortes guarda-costas Crabbe e Goyle . - Ei gente , façam bicha - gritou Malfoy a a multidão . - Harry_Potter está a dar fotos autografadas ! - Não estou coisa nenhuma - disse Harry , zangado , com os punhos em o ar . - Cala a boca , Malfoy . - Tu tens é inveja - começou a dizer Colin , cujo corpo era de o tamanho de o pescoço de Crabbe . - Inveja - repetiu Malfoy que não precisava de gritar mais , metade de o pátio estava a ouvi o . - De quê ? Não preciso de uma cicatriz em a cabeça , muito obrigado . Não acho que ter um corte em a testa torne alguém especial . Crabbe e Goyle riram estupidamente - Vai pastar caracóis , Malfoy - disse o Ron furioso . Crabbe parou de rir e começou a esfregar os nós de os dedos enormes de uma forma ameaçadora . - Tem cuidado , Weasley - escarneceu Malfoy . - Com certeza não queres começar uma rixa ou a tua mãezinha tem de vir cá para te tirar de a escola - e com uma voz aguda e penetrante : - * _ Se voltas a pisar o risco * ... Um grupo de alunos de o quinto ano de os Slytherin que estava ali perto , riu se bastante alto . - O Weasley gostaria de ter uma foto tua autografada , Potter - escarneceu de_novo Malfoy . - Era capaz de valer mais do_que a casa onde ele mora com a família . Ron sacou de a sua varinha amarrada com fita , mas Hermione fechou as * Viagens com Vampiros * com um estrondo e avisou : - Atenção . - O que é isto , o que é isto ? - Gilderoy_Lockhart aproximava se com o seu manto azul-turquesa girando em torvelinho atrás de ele . - Quem está a dar fotos autografadas ? Harry ia começar a explicar , mas foi interrompido quando Lockhart lhe pôs jovialmente o braço em cima de os ombros . - Mas que pergunta a minha ! Cá estamos nós de_novo , Harry ! Preso ao_lado_de Lockhart e a arder de humilhação , Harry viu Malfoy deslizar com o seu sorriso desdenhoso por o meio de a multidão . - Vamos lá então , Mr._Creevey - disse Lockhart , dirigindo se a Colin . - Uma foto dupla , já viu a sua sorte ? E assinamos a os dois para si . Colin ajustou a máquina e tirou a fotografia em o preciso momento em que a campainha tocava para as aulas de a tarde . - Está em a hora , todos para dentro - gritou Lockhart a a multidão e regressou a o castelo levando a o seu lado o Harry que só lamentava não conhecer um feitiço que o fizesse desaparecer . - Uma palavra só , Harry - disse Lockhart paternalmente , enquanto entravam em o edifício por uma porta lateral . - Eu ajudei te há bocado com o jovem Creevey porque se ele estivesse a fotografar me também a mim os teus colegas não reparariam tanto que estavas a exibir te ... Indiferente a a gaguez de Harry , Lockhart arrastou o para um corredor ladeado de alunos que os olhavam espantados e subiram uma escada . - Deixa me só dizer te uma coisa : dar fotografias autografadas em esta fase de a tua carreira , francamente , não é sensato , Harry , parece um_pouco megalómano . Pode ser que um dia mais tarde , tal_como eu , sejas obrigado a assinar para multidões onde quer que vás , mas - fez uma pequena pausa - não me parece que seja o caso , por enquanto . Tinham chegado a a aula de Lockhart e ele largou finalmente o Harry que sacudiu a túnica e foi sentar se em um lugar bem lá atrás onde começou por empilhar os livros de Lockhart a a sua frente para evitar olhar para a criatura . O resto de a aula entrou ruidosamente e Ron e Hermione foram sentar se um de cada lado de Harry . - Tu estavas vermelho como um pimentão - disse o Ron . - Reza para que o Creevey não se torne amigo de a Ginny senão bem podem criar o clube de * fans * de Harry_Potter . - Cala a boca - interrompeu Harry . A última coisa que desejava era que o Lockhart ouvisse a expressão « clube de * fans * de Harry_Potter « . Quando todos estavam em os seus lugares , Lockhart pigarreou alto e fez se silêncio . Ele inclinou se para a frente , pegou em o exemplar de Neville_Longbottom de * _ viagens com Duendes * e levantou o para mostrar a sua fotografia a piscar os olhos em a capa . - Eu - disse apontando para a fotografia e piscando também os olhos - Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , terceiro ano , membro honorário de a Liga_de_Defesa contra as artes negras e cinco vezes vencedor de o prémio de o * _ Feiticeiro de a semana * por o sorriso mais charmoso . Mas não vamos falar de isso , não venci a fada carpideira de Bandon a sorrir para ela ! Esperou que eles se rissem . Alguns alunos sorriram timidamente . - Já vi que todos vocês compraram a minha obra completa . Muito bem . Pensei começar hoje com um pequeno interrogatório escrito . Nada de complicado , só para perceber se leram bem os meus livros e o que apreenderam ... Depois de distribuir as folhas de teste voltou se para os alunos e disse : - Têm trinta minutos . Comecem já . Harry olhou para o papel e leu : *1 . Qual é a cor preferida de Gilderoy_Lockhart ? *2 . Qual é a ambição secreta de Gilderoy_Lockhart ? *3 . Qual é , em a sua opinião , a maior realização de Gilderoy_Lockhart até a o momento ? * E_por_aí adiante , ao_longo_de três páginas , terminando com : *54 . Qual é o dia de aniversário de Gilderoy_Lockhart e qual seria o seu presente preferido ? * Meia_hora mais tarde , Lockhart recolheu os pontos e folhou os rapidamente em frente de os alunos . - Tut , tut , quase ninguém se lembrou que a minha cor preferida é o lilás . Eu digo o em * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves * . Alguns precisam de voltar a ler com mais cuidado * Fim-de - _ Semana com Um Lobisomem * . Eu afirmo claramente em o décimo segundo capítulo que o meu presente de aniversário preferido seria a harmonia entre todos os seres , mágicos e não mágicos , embora não me importasse de receber uma garrafa grande de * whisky * velho de a Ogden's_Old_Firewhisky . Piscou lhes o olho de_novo . Ron olhava para Lockhart com uma expressão de incredulidade em o rosto . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas que estavam sentados a a frente tremiam de tanto conter o riso . Hermione , contudo , ouvia Lockhart com extrema atenção e deu um salto quando ouviu o seu nome . - Mas Miss_Hermione_Granger sabia que a minha ambição secreta era libertar o mundo de o mal e pôr a a venda a minha gama de poções de tratamento de o cabelo . Muito bem - voltou o papel . - Nota máxima ! Onde está Miss_Hermione_Granger ? Hermione ergueu uma mão trémula . - Excelente - bradou Lockhart , exultante . - Leva dez pontos para os Gryffindor . E vamos a o trabalho . Baixou se atrás de a secretária e pegou em uma grande gaiola coberta . - Ficam desde_já a saber , a minha função é preparar vos contra as criaturas mais malignas que a feitiçaria conhece . Vocês podem ter que enfrentar os maiores medos em esta sala . Saibam que nenhum mal vos sucederá comigo aqui . Só vos peço que se mantenham calmos . Ultrapassando os seus sentimentos , Harry espreitou através de a pilha de livros para ver melhor a gaiola . Lockhart colocou uma mão em a tampa . Dean e Seamus tinham deixado de se rir . Neville estava agachado em o seu lugar de a fila de a frente . - Vou pedir vos que não façam barulho - disse Lockhart em voz baixa . - Podem assustá os . Enquanto a aula inteira continha a respiração , Lockhart tirou a cobertura . - Sim - disse em um tom dramático . - Duendes_da_Cornualha recém-capturados . Seamus_Finnigan não conseguiu controlar se . Soltou uma gargalhada que nem Lockhart poderia confundir com um grito de terror . - Sim ? - sorriu a Seamus . - Bem , eles não são , não são perigosos , pois não ? - perguntou a rir . -- Não tenhas tanta certeza de isso - afirmou Lockhart , aborrecido , abanando um dedo , em direcção a Seamus . - Podem ser maçadores e muito traiçoeiros . Os duendes eram de um azul-eléctrico e tinham cerca de vinte centímetros de altura com feições angulosas e umas vozes tão estridentes que era como ouvir uma discussão entre araras . Logo_que o pano foi retirado , começaram a fazer uma enorme algazarra , a andar de um lado para o outro , batendo em as grades e fazendo caretas a as pessoas que estavam mais perto . - Muito bem - disse Lockhart em voz alta . - Vamos então ver o que vocês conseguem fazer de eles - e abriu a gaiola . Foi um pandemónio . Os duendes dispararam em todas_as direcções como foguetes . Dois de eles agarraram o Neville por as orelhas e levantaram o a o ar . Vários outros foram direitos a a janela , fazendo chover vidros partidos até a a fila de trás . Os restantes decidiram destruir a sala com maior eficácia do_que um rinoceronte em fúria . Agarraram em os tinteiros e salpicaram tudo em volta , rasgaram a os bocados livros e papéis , arrancaram os quadros de as paredes , levantaram a o ar a gaiola vazia , agarraram livros e sacos e lançaram nos por a janela de vidros estilhaçados . Em poucos minutos , metade de a aula estava abrigada debaixo de as secretárias e o Neville pendurado em o candelabro de o tecto . - Vamos lá , agarrem nos , agarrem nos , são apenas duendes ... - gritava Lockhart . Arregaçou as mangas , bramiu a varinha e pronunciou * Peshipiksi_Pesternomi ! * As palavras não tiveram o menor efeito . Um de os duendes pegou em a varinha de Lockhart e atirou a também por a janela fora . Lockhart engoliu em seco e mergulhou debaixo de a secretária , não sendo , por um triz , esmagado por o Neville que caiu um segundo depois , quando o candelabro cedeu . A campainha tocou e houve uma louca precipitação para a porta . Em a calma relativa que se seguiu , Lockhart endireitou se , olhou para Harry , Ron e Hermione que estavam quase a chegar a a porta e disse : - Bem , vou pedir vos a os três que prendam o resto de os duendes em a gaiola - passou por eles e fechou rapidamente a porta atrás_de si . - Isto dá para acreditar ? - resmungou o Ron , enquanto um de os duendes lhe mordia com toda_a força uma de as orelhas . - Ele só quer dar nos uma ajuda , permitindo nos ganhar experiência - justificou Hermione , imobilizando dois duendes de uma_vez com um encantamento de paralisação e metendo os de_novo em a gaiola . - Experiência ? - disse Harry , tentando agarrar um duende que dançava com a língua de_fora . - Hermione , ele não sabia nada do_que estava a fazer . - Disparate - retorquiu Hermione . - Leste os livros de ele . Vê só as coisas que ele já fez ! - Que diz que fez - resmungou o Ron . VII_Sangue de lama e murmúrios Harry passou imenso tempo , em os dias que se seguiram , a fugir sempre_que via Gilderoy_Lockhart aproximar se em o corredor . Mais difícil de evitar era Colin_Creevey que parecia ter decorado o horário de Harry . Parecia que nada o emocionava mais do_que dizer : - Tudo bem , Harry ? - seis ou sete vezes por dia e ouvir : - Olá , Colin - por mais exasperado que Harry estivesse quando lhe respondia . A Hedwig ainda estava zangada com Harry por causa de a desastrosa viagem de automóvel e a varinha de o Ron continuava a não funcionar , tendo ultrapassado tudo em a sexta-feira de manhã quando lhe saltou de as mãos em a aula de encantamentos e foi agredir o velho e baixinho professor Flitwick mesmo entre os olhos , deixando uma enorme bolha latejante em o sítio onde tinha batido . Por tudo_isso Harry via chegar , com satisfação , o fim_de_semana Planeava ir em o Sábado de anhã , com Ron e Hermione visitar o Hagrid . Mas foi acordado várias horas mais cedo do_que desejaria por Oliver ood , treinador de a equipa de Quidditch_dos_Gryffindor . - _ o que é_que se passa ? - perguntou Harry , enrolando as palavras . - Treino_de_Quidditch - disse Wood . - Vamos embora . Harry lançou um olhar de esguelha a a janela . Uma neblina fina pairava em o céu rosa e dourado . Agora_que estava acordado não percebia como pudera dormir com a algazarra que os pássaros faziam . - Oliver resmungou Harry . - É de madrugada . - Exacto - respondeu Wood . Era um rapaz alto e corpulento de o sexto ano e em aquele momento os olhos brilhavam lhe loucamente de entusiasmo . - Faz parte de o nosso novo programa de treinos . Anda lá , vai buscar a vassoura e vamos embora - insistiu Wood empenhado . - Nenhuma de as outras equipas começou ainda a treinar . Vamos ser os primeiros este ano ... A bocejar e a tremer um_pouco , Harry saltou de a cama e tentou descobrir as suas túnicas de Quidditch . - Bem , encontramo nos em o campo , dentro_de quinze minutos . Depois de descobrir a sua roupa escarlate de equipa e pôr o manto por cima para se aquecer , Harry escreveu a o Ron um bilhete a explicar onde tinha ido e desceu por a escada de espiral para a sala comum com a sua Nimbos dois inil a o ombro . Tinha acabado de chegar junto de o buraco de o retrato quando ouviu um barulho atrás_de si e viu Colin_Creevey descer a escada de espiral com a máquina fotográfica pendurada a o pescoço a balouçar como louca e uma coisa em a mão . - Ouvi alguém chamar o teu nome em as escadas , Harry olha o que tenho aqui . Revelei a e queria mostrar te . Harry olhou assombrado para a fotografia que Colin lhe espetava em frente de o nariz . Um Lockhart a preto e branco movia se , puxando com toda_a força um braço que Harry reconheceu como sendo o seu . Ficou satisfeito a o constatar que estava a resistir bastante bem , recusando se a ser trazido para a vista de todos . Enquanto Harry observava , Lockhart desistiu e desinteressou se de lutar contra a parte branca de a fotografia . - Assinas para mim ? - pediu Colin entusiasmado . - Não - respondeu secamente Harry , olhando em volta para verificar se o caminho estava livre . - Desculpa_Colin , mas estou cheio de pressa , treino de Quidditch . Passou por o buraco de o retrato . - Oh Uau ! Espera por mim . Eu nunca vi um jogo de Quidditch . Colin trepou por o buraco de o retrato atrás de ele . - Vai ser uma chatice para ti - disse Harry rapidamente , mas Colin ignorou o comentário . Todo o seu rosto brilhava de satisfação . - Tu foste o jogador mais novo de a equipa em cem anos , não foste Harry ? Não foste ? - perguntava Colin , trotando para o acompanhar . - Deve ser fantástico . Eu nunca voei . É fácil ? Essa vassoura é a tua ? É a melhor que há ? Harry não sabia como ver se livre de ele . Era como ter uma sombra que não se calava . - Eu não percebo nada de Quidditch - disse Colin , já sem fôlego . - É verdade que há quatro bolas ? E que duas anda n a voar , tentando fazer os jogadores caírem de as vassouras ? - Sim - disse Harry lentamente , resignado com o ter de lhe explicar as complicadas regras de o Quidditch . - São as * bludgers * . Há dois * beaters * em cada equipa que têm bastões para bater em as * bludgers * e lançá as para o outro lado . O Fred e o George_Weasley são os * beaters * de os Gryffindor . - E para que servem as outras bolas ? - perguntou Colin , saltando uma série de degraus porque ia a olhar para o Harry de boca aberta . - Bem , a * quaffle * , que é a vermelha grandalhona , é a que marca os golos . Três * chasers * em cada equipa lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam fazes a entrar em as balizas que ficam em o extremo de o campo onde há três grandes postes com argolas em as pontas . - E a quarta bola ? - A * snitch * dourada - explicou Harry . - É muito pequenina e veloz e extremamente difícil de agarrar . Mas é isso que o * seeker * tem de fazer , porque o jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * for agarrada . E o * seeker * que conseguir agarrá a ganha para a sua equipa mais cento_e_cinquenta pontos . - E tu és o * seeker * de os Gryffindor , não és ? - perguntou Colin respeitosamente . - Sim - disse Harry enquanto saíam de o castelo e começavam a atravessar o relvado . - E há também o * keeper * que toma conta de os postes . É isto . Mas Colin não parou de fazer perguntas desde os relvados macios até a o campo de Quidditch e Harry só se viu livre de ele quando chegaram a os vestiários . Colin gritou em uma voz aguda : - Eu vou arranjar um lugar , Harry - e apressou se em direcção a as bancadas . O resto de a equipa de os Gryffindor já se encontrava em os vestiários . Wood era o único que tinha aspecto de estar bem acordado . Fred e George_Weasley estavam sentados com olhos de sono e cabelos desgrenhados junto de Alicia_Spinnet de o quarto ano que parecia inclinar se contra a parede que tinha atrás_de si . Os seus companheiros * chasers * , Katie_Bell e Angelina_Johnson bocejavam em frente de ela . - Até que enfim , Harry , porque é_que demoraste tanto ? - perguntou Wood cheio de actividade . - Eu queria ter uma pequena conversa convosco antes de entrarmos propriamente em campo porque passei o Verão a conjecturar um novo programa de treinos que acredito vai estabelecer grandes mudanças . Wood tinha em as mãos um grande mapa de um campo de Quidditch onde estavam desenhadas muitas linhas , setas e cruzes a tinta de várias cores . Pegou em a varinha , bateu com ela em o quadro e as setas começaram a mover se em o mapa como tractores . Enquanto Wood se lançava em um discurso sobre as suas novas técnicas , a cabeça de Fred_Weasley caiu sobre o ombro de Alicia_Spinnet e ele começou a ressonar . O primeiro mapa levou quase vinte minutos a explicar , mas debaixo de esse havia outro e ainda um terceiro . Harry caiu em uma letargia enquanto Wood continuava indefinidamente . - Então - disse por fim o treinador , arrancando Harry de a avidez de uma fantasia sobre o que poderia estar a comer se se encontrasse em aquele momento em o castelo . - Ficou tudo claro ? Alguma pergunta ? - Eu tenho uma pergunta , Oliver - disse George que acordou estremunhado . - Porque não nos explicaste tudo_isso ontem , quando estávamos acordados ? Wood não ficou nada satisfeito . - Ouçam bem , vocês todos - disse , voltando se para eles mal-humorado . - Nós deveríamos ter ganho a taça de Quidditch o ano passado . Somos de longe a melhor equipa , mas , infelizmente , devido_a circunstancias que estão para_além de o nosso controlo ... Harry mudou de posição em a cadeira sentindo se culpado . Estivera inconsciente em o hospital durante o campeonato final de o ano anterior o que fez com que os Gryffindor com um jogador a menos tivessem sofrido a pior derrota de os últimos trezentos anos . Wood levou um momento a controlar se . Era evidente que a última derrota ainda o torturava . - Portanto , este ano vamos fazer um treino mais duro , como nunca se fez . O. _ K. , vamos lá pôr as teorias em prática - gritou , pegando em a vassoura e conduzindo os para fora de o vestiário . Com as pernas trôpegas e ainda a bocejar , a equipa seguiu o . Tinham estado tanto tempo lá dentro que o sol já tinha nascido e brilhava em o céu embora uma réstia de neblina pairasse ainda sobre o relvado de o campo . Quando Harry entrou em campo viu Ron e Hermione sentados em as bancadas . - Ainda não acabaram ? - perguntou Ron em um tom incrédulo . - Ainda nem começamos - explicou Harry , olhando cheio de inveja para a torrada com doce de laranja que Ron e Hermione tinham trazido de o salão . - O Wood tem estado a ensinar nos as jogadas . Subiu para a vassoura e deu um pontapé em o chão , elevando se em o ar . O ar fresco de a manhã bateu lhe em o rosto fazendo o acordar com mais eficácia do_que o longo discurso de Wood . Era maravilhoso voltar a estar em o campo de Quidditch . Voou em volta de o estádio a toda a a velocidade competindo com Fred e George . - Que barulhinho estranho é aquele ? - perguntou o Fred quando deram a volta . Harry olhou para as bancadas . Colin estava sentado em um de os lugares mais altos com a máquina fotográfica em o ar , tirando fotografia sobre fotografia , o som estranhamente ampliado em o estádio deserto . - Olha para ali , Harry , para ali - gritava de forma estridente . - Quem é aquele ? - perguntou Fred . - Não faço ideia - mentiu Harry , disparando a_toda_a velocidade e distanciando se o mais possível de Colin . - O que se passa aí ? - perguntou Wood , franzindo a testa enquanto corria por os ares atrás de eles . - Porque está aquele aluno de o primeiro ano a tirar fotografias ? Não me agrada . Pode ser um espião de os Slytherin a tentar descobrir o nosso novo programa de treinos . - Ele é de os Gryffindor - disse Harry rapidamente . - E os Slytherin não precisam de um espião , Oliver - completou George . - Porque dizes isso ? - perguntou Wood irritado . - Porque estão aqui em peso - disse George , apontando com o dedo . Vários indivíduos com túnicas verdes vinham em aquele momento a entrar em o campo de vassouras em a mão . - Não posso acreditar - reagiu Wood , sentindo se ultrajado . - Eu reservei o estádio para hoje . Já vamos ver como é_que isto fica ! Wood baixou direito a o chão sendo levado por a fúria a aterrar com mais força do_que pretendia e a cambalear um_pouco quando começou a andar seguido de o Harry e de o Ron . - Flint - bradou para o treinador de os Slytherin . - Este é o nosso tempo de treino . Levantámo nos de propósito . Vocês têm de sair de aqui . Marcus_Flint era ainda mais corpulento do_que Wood . Tinha em o rosto uma expressão de duende travesso quando respondeu : - Há espaço para todos , Wood . Angelina , Alicia e Katie tinham vindo também . Em a equipa de os Slytherin não havia raparigas que enfrentassem a o lado de os rapazes os Gryffindor . - Mas eu reservei o estádio - repetiu Wood de modo afirmativo , cuspindo de raiva . - Reservei o . - Ah ! - exclamou Flint . - Mas eu tenho aqui uma licença especial assinada por o professor Snape . * _ Eu , professor Snape , autorizo a equipa de os Slytherin a praticar hoje em o campo de Quidditch devido a a necessidade de treinar o seu novo seeker . * - Têm um novo * seeker * ? - perguntou Wood perturbado . - Onde ? E detrás de as seis figuras corpulentas que tinham em a frente , viram surgir uma sétima : um rapaz mais pequeno com um sorriso afectado espelhado em o rosto pálido e anguloso . Era_Draco_Malfoy . - Não és o filho de o Lucius_Malfoy ? - perguntou Fred , olhando para ele com antipatia . - Curioso que refiras o pai de o Draco - disse Flint enquanto toda_a equipa de os Slytherin sorria de modo grosseiro . - Deixem me mostrar vos a generosa oferta que ele fez a a equipa de os Slytherin . Os sete exibiram as suas vassouras . Sete cabos novos , polidos , com inscrições em letras douradas de as palavras « Nimbus dois_mil_e_um « brilharam a o sol de a manhã , em frente de o nariz de os Gryffindor . - O último modelo . Só chegou em o mês passado - disse Flint , displicentemente , sacudindo a poeira de o cabo de a sua vassoura . - Julgo que ultrapassam de longe as velhas séries de dois_mil . Quanto a as Cleansweeps - sorriu de forma mesquinha para Fred e George que tinham ambos Cleansweep_Fives - essas já só servem para varrer . Nenhum de os Gryffindor foi capaz de abrir a boca em aquele momento . Malfoy sorria tanto que os seus olhos de gelo estavam reduzidos a duas rachas . - Oh vejam - disse Flint . - Uma invasão de o campo . Ron e Hermione atravessavam o relvado para ver o que se passava . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron a o Harry . - Porque não estão a jogar e o que faz ele aqui ? Olhava para Malfoy em as suas vestes de Quidditch . - Sou o novo * seeker * de os Slytherin , Weasley - disse Malfoy com ar presumido . - Têm estado todos a admirar as vassouras que o meu pai comprou para a nossa equipa . Ron olhou de boca aberta para as sete vassouras que tinha em a frente . - São boas , não são ? - disse Malfoy untuosamente . - Mas talvez a equipa de os Gryffindor consiga levantar algum ouro e comprar também vassouras novas . Vocês podiam levar essas Cleansweep_Fives a leilão , talvez algum museu esteja interessado . A equipa de os Slytherin riu se a bandeiras despregadas . - Pelo_menos em os Gryffindor ninguém teve de comprar a sua entrada - disse secamente Hermione . - Entraram todos por mérito próprio . O ar presumido de Malfoy desapareceu . - Ninguém pediu a tua opinião , sangue de lama - cuspiu Malfoy . Harry apercebeu se , de imediato , que Malfoy dissera algo muito grave porque houve uma tremenda algazarra em o seguimento de as suas palavras . Flint teve que se pôr a a frente de o Malfoy para evitar que Fred e George se atirassem a ele . Alicia bradou : - Como te atreves ? - E Ron meteu a mão em as vestes e sacou de a varinha mágica , gritando : - Vais pagar por o que disseste , Malfoy ! - e apontou a , furioso , por debaixo de o braço de Flint , a o rosto de Malfoy . Um enorme estrondo , ecoou em o estádio e um jacto de luz verde saiu por a extremidade errada de a varinha de Ron , atingindo o em o estômago e projectando o para trás em direcção a o relvado . - Ron ! Ron ! Estás bem ? - gritou Hermione . Ron abriu a boca para falar , mas nenhuma palavra saiu . Em vez de isso , teve um vómito imenso e várias lesmas saíram lhe de a boca , indo cair lhe em o colo . A equipa de os Slytherin ficou paralisada de riso . Flint estava dobrado , agarrado a a vassoura nova . Malfoy , a quatro , batia com o punho em a chão . Os Gryffindor rodeavam o Ron , que continuava a vomitar lesmas enormes e reluzentes . Ninguém queria tocar lhe . - É melhor levá o para_casa de o Hagrid . É o mais perto - disse Harry_a_Hermione , que acenou afirmativamente , e os dois arrastaram o Ron por os braços . - O que aconteceu , Harry ? O que aconteceu ? Ele está doente ? Mas tu podes curá o , não podes ? - Colin descera a correr de o lugar onde estava sentado e dançaricava em frente de eles , enquanto abandonavam o campo . Ron teve um novo arremesso e mais lesmas saíram de a sua boca . - Oooh ! - exclamou Colin fascinado , levantando a máquina fotográfica . - Podes mantê o quieto , Harry ? - Sai de a minha frente , Colin - gritou Harry zangado . Ele e a Hermione conseguiram levar o Ron para fora de o estádio , atravessar os campos e chegar a a beira de a floresta . - Está quase , Ron - disse Hermione , mal avistaram o casebre de o guarda de os campos . - Vais ficar bem dentro_de um minuto ... está quase ... Estavam a sessenta metros de a casa de Hagrid , quando a porta de a frente se abriu . Mas não foi Hagrid quem saiu de lá , e sim Gilderoy_Lockhart , em uma túnica cor de malva . - Rápido , vamos esconder nos aqui - sussurrou Harry , arrastando Ron para trás de um arbusto que havia ali perto . Hermione acompanhou o , embora um_pouco relutante . -- É muito simples quando se sabe o que se está fazer ! - gritava Lockhart_para_Hagrid . - Se precisar de ajuda , sabe onde estou . Vou dar lhe um exemplar de o meu livro . Espanta me que ainda não o tenha . Logo a a noite autografo o e envio lhe o . Bem . até a a próxima ! - e afastou se em direcção a o castelo . Harry esperou que Lockhart desaparecesse , antes de puxar o Ron de trás de o arbusto até a a casa de o Hagrid . Bateram ansiosamente . Hagrid apareceu logo com um ar mal-humorado , que se dissipou quando viu quem era . - Já me tinha perguntado quand'é que vocês vinham ver me , entrem , entrem , pensei qu'era outra_vez o professor Lockhart . Harry e Hermione ajudaram Ron a subir o degrau que dava acesso a a cabana de uma divisão com uma cama enorme a um de os cantos e uma lareira a crepitar alegremente em o outro . Hagrid não pareceu perturbado com o problema de as lesmas de o Ron que Harry lhe explicou precipitadamente , logo_que sentou o Ron em uma cadeira . - Melhor saírem de o qu'entrarem - disse , em um tom bem-disposto , colocando uma grande bacia de cobre em frente de ele . - Deita as todas fora , Ron . - Acho que não há mais_nada a fazer , a não ser esperar que isto pare - disse Hermione ansiosamente , vendo Ron inclinar se para a bacia . - É uma maldição muitas_vezes difícil , mas com uma varinha partida ... Hagrid andava de um lado para o outro a preparar o chá . O cão de ele , Fang , babava se em cima de o Harry . - O que é_que o Lockhart queria de ti ? - perguntou o Harry , coçando as orelhas de o Fang . - Ensinar me a tirar espíritos aquáticos com forma de cavalos d'uma nascente d'água - resmungou Hagrid , retirando de a mesa pequena um galo meio depenado e colocando em o seu lugar o bule . - Como s'eu não soubesse . E contar me uma peta qualquer d'uma fada carpideira que ele venceu . Engulo essa chaleira , se uma palavra do_que ele disse for verdade . Não era hábito de Hagrid criticar um professor de Hogwarts e Harry olhou para ele com alguma surpresa . Mas Hermione disse em uma voz mais aguda do_que de costume : - Acho que estás a ser injusto . O professor Dumbledore obviamente achou que era o melhor homem para o lugar ... - Era o único - explicou Hagrid , oferecendo lhes um prato de bombons de melaço enquanto Ron tossia para a bacia . - E não havia mais ninguém . Não é fácil encontrar quem queira dar Artes de magia negra . As pessoas não gostam de essa matéria . Começam a pensar que está amaldiçoada , ninguém ficou muito_tempo a dá a . Mas digam me lá - continuou Hagrid , inclinando a cabeça para Ron - quem é qu'ele estava a tentar amaldiçoar ? - O Malfoy chamou qualquer coisa a a Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si . - Foi grave , sim - disse o Ron com voz rouca , emergindo a a superfície de a mesa , pálido e transpirado . - O Malfoy chamou lhe sangue de lama , Hagrid . - Ron desapareceu outra_vez quando uma nova onda de lesmas fez o seu aparecimento . Hagrid estava indignado . - Não posso crer - exclamou , dirigindo se a Hermione . - Chamou sim - disse ela . - Mas eu não sei o que significa . Percebi que era má educação , claro ... - É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar - explicou Ron novamente . - Sangue de lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles , sabes , filho de pais não mágicos . Há alguns feiticeiros , como a família de o Malfoy que acham que são melhores do_que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro . - Teve um pequeno vómito e uma lesma isolada caiu lhe em a mão aberta . Ele atirou a para a bacia e continuou . -- É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma . Olha_o_Neville_Longbottom , é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito . - E ainda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer - afirmou Hagrid , orgulhoso , fazendo Hermione corar em tons de magenta . - É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém - disse o Ron , limpando o suor de a testa com a mão trémula . - Sangue sujo , sangue vulgar , é um disparate . A maior parte de os feiticeiros hoje_em_dia têm sangue misturado . Se não tivéssemos casado com Muggles tinha sido o nosso fim . Fez um esforço para vomitar e baixou se mais_uma_vez . - Bem , não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá o , Ron - disse Hagrid bem alto enquanto montes de lesmas caíam em a bacia . - Mas , se_calhar , não foi mau de todo teres a varinha a trabalhar ao_contrário . Acho que Lucius_Malfoy teria vindo logo a correr a a escola se tivesses amaldiçoado o filho . Assim , pelo_menos , não estás metido em nenhum sarilho . Harry teria referido que o problema não podia ser pior do_que deitar lesmas por a boca , mas não pôde . Os bombons de melaço tinham lhe colado os maxilares um_ao_outro . - Harry - disse de repente Hagrid como_que movido por um pensamento súbito . - Tens de me explicar uma coisa . Ouvi dizer que tens andado a dar fotografias autografadas . Porque é qu'eu não tenho nenhuma ? A fúria de Harry foi tão grande que os maxilares se libertaram . - Eu não tenho dado fotografias autografadas - disse com vivacidade . Se o Lockhart andou a espalhar isso ... Mas em esse momento viu que Hagrid se estava a rir . - ´ _ tou a brincar - disse , dando uma palmadinha em as costas de Harry e fazendo lhe sinal para se sentar a a mesa . -- Eu sabia que não tinhas . Disse a o Lockhart que tu não precisavas de isso . Es mais famoso do_que ele sem sequer , tentares . - Aposto que ele não gostou de ouvir isso - comentou Harry , sentando se e esfregando o queixo . - Acho que não gostou mesmo - prosseguiu Hagrid com os olhinhos a brilhar . - E disse lhe também que nunca tinha lido nenhum de os livros de ele e ele foi se embora . Um bombom de melaço , Ron ? - perguntou a o vê o reaparecer . - Não , obrigado - disse o Ron com uma voz fraca . - É melhor não arriscar . - Venham ver o qu'eu tenho estado a criar - disse Hagrid quando Harry e Hermione acabaram de tomar o chá . Em a pequena horta atrás de a casa estava uma_dúzia de as maiores abóboras que Harry alguma vez vira . Pareciam enormes blocos de pedra . - Estão a dar se bem , não achas ? - disse Hagrid , feliz . São para a festa de o * _ Hallow'en * . Devem estar bem grandes quando chegar a altura . - O que é_que lhes tens dado como alimento ? - perguntou Harry . Hagrid olhou por cima de o ombro para confirmar se estavam sós . - Bem , tenho estado a dar lhes ... uma pequena ajuda . Harry reparou em o guarda-chuva cor-de-rosa a as florzinhas que estava encostado contra a parede de a cabana . Tivera em o ano anterior motivos para crer que aquele guarda-chuva não era o que parecia . De facto , acreditava que a antiga varinha de escola de Hagrid se encontrava oculta dentro de ele . Hagrid não tinha autorização para usar magia . Fora expulso de Hogwarts em o terceiro ano embora Harry nunca tivesse descoberto o motivo . Qualquer referência a esta questão fazia Hagrid pigarrear bem alto e ficar misteriosamente surdo até mudarem de assunto . -- Um encantamento de absorção , imagino ? - comentou Hermione entre a desaprovação e o divertimento . - Bem , se assim foi , fizeste um bom trabalho . - Foi o que disse a tua irmãzinha - respondeu Hagrid acenando em direcção a Ron . - Encontrei a ontem . - Hagrid olhou de lado para Harry , a barba a contorcer se . - Disse que andava só a ver os campos , mas eu acho qu'ela esperava encontrar alguém em a minha casa - piscou o olho a o Harry . - Se queres que te diga acho qu'ela não recusaria uma fotografia autogr ... - Cala te com isso - disse Harry . Ron desatou a rir e o chão ficou cheio de lesmas . - Cuidado - resmungou Hagrid , afastando Ron de as suas preciosas abóboras . Estava quase em a hora de o almoço e , como o Harry só tinha provado um bombom de melaço desde manhã cedo , estava ansioso por chegar a a escola para ir comer . Despediram se de o Hagrid e regressaram a o castelo . O Ron a vomitar de vez em quando , mas deitando só duas pequenas lesmas . Mal tinham pisado a entrada de o vestíbulo quando ouviram uma voz . - Aí estão vocês , Potter , Weasley . - A professora Mc_Gonagall vinha em direcção a eles com o seu ar severo . - Vocês os dois vão ter as punições hoje a a tarde . - O que é_que vamos fazer , professora ? - perguntou o Ron nervoso , deixando cair uma lesma . - Tu vais limpar as pratas em a sala de os troféus com Mr._Filch - disse a professora Mc_Gonagall . - E nada de mágicas , Weasley , trabalho com esforço . Ron engoliu em seco . Argus_Filch , o encarregado , era odiado por todos os alunos de a escola . - E tu , Potter , vais ajudar o professor Lockhart a responder a as cartas de as suas fãs - ordenou a professora Mc_Gonagall . - Oh , não ! Não posso ir também trabalhar em a sala de os troféus ? - pediu Harry em desespero de causa . - Nem pensar em isso - respondeu a professora Mc_Gonagall , erguendo as sobrancelhas . - O professor Lockhart requisitou te especialmente a ti . _ a as oito_em_ponto , os dois . Harry e Ron entraram em o salão em um estado de profundo desanimo com a Hermione atrás , ostentando uma expressão de * bem-voces-quebraram-as-regras-da-escola * . Harry não saboreou o empadão de carne como teria desejado . Tanto ele como o Ron achavam que tinham tido o pior de os castigos . -- O Filch vai reter me lá toda_a noite - disse Ron , desanimado . - Sem mágica ! Deve haver umas cem taças em aquela sala , eu não sei fazer limpeza de Muggles . - Eu trocava contigo de boa_vontade - confessou Harry em uma voz surda . - Tive montes de prática com os Dursleys . Responder a o correio de fãs de o Lockhart , que pesadelo ... A tarde de sábado pareceu derreter se . Pouco depois eram já cinco para as oito e Harry arrastava se até a o corredor de o segundo andar onde ficava o escritório de o Lockhart . Rangendo os dentes , bateu a a porta . A porta abriu se imediatamente e Lockhart dirigiu se lhe . - Ah , cá está o patifório ! - exclamou . - Entra , Harry , entra . Em as paredes , brilhando à_luz_de muitas velas , podia ver se uma infinidade de fotografias de Lockhart . Algumas de elas até assinadas . Sobre a secretária estava outro monte enorme . - Podes pôr as moradas em os envelopes - disse Lockhart_a_Harry , como_se fosse uma grande ameaça . - O primeiro é para Gladys_Gudgeon , abençoada seja , uma grande fã minha . Os minutos passavam lentos . De vez em quando , Harry ouvia a voz de Lockhart dizendo : - Mmm - e - certo - e - sim . - De vez em quando , apanhava uma frase como : - A fama é versátil , amigo Harry - ou - Só é célebre quem faz por isso , nunca te esqueças . As velas ardiam cada_vez com maior lentidão , fazendo a luz dançar sobre as muitas caras de Lockhart que o olhavam . Harry passava a mão , já dorida , sobre o que devia ser o centésimo envelope , escrevendo a morada de Verónica_Smethley . « Deve estar quase em a hora de me ir embora » , pensou , sentindo se profundamente infeliz , « por favor , faz com que esteja em a hora ... » E então ouviu algo , algo totalmente diferente de o crepitar de as velas e de os ditos de Lockhart sobre as suas fãs . Era uma voz , uma voz de arrepiar os ossos , de cortar a respiração , de veneno frio . - * _ Vem ... vem ter comigo ... deixa me rasgar te ... cortar te ... matar te * ... Harry deu um salto e uma enorme mancha lilás surgiu em a rua de Verónica_Smethley . - O quê ? - disse ele em voz alta . - Eu sei - exclamou Lockhart . - Seis meses inteirinhos em o topo de a lista de * bestsellers * , bati todos os recordes ! - Não - disse Harry nervosíssimo - aquela voz ! - Como ? - perguntou Lockhart , com um ar confuso . - Que voz ? - Aquela , aquela voz que disse ... não ouviu ? Lockhart olhava para Harry com o maior espanto . - De que é_que estás a falar , Harry ? Estás a ficar com sono ? Meu Deus , olha , só estamos aqui há quase quatro horas , quem diria ? O tempo passou a correr , não é verdade ? Harry não respondeu , estava a fazer um esforço para ouvir de_novo a voz , mas o único som que ouviu foi Lockhart a dizer lhe que não esperasse um tratamento igual de as próximas vezes que fosse castigado . Harry saiu , sentindo se atordoado . Era tão tarde que a sala comum de os Gryffindor estava quase vazia . Harry foi directamente para o dormitório . Ron ainda não tinha voltado . Vestiu o pijama , meteu se em a cama e esperou . Meia_hora mais tarde , chegou o Ron agarrado a o braço direito e inundando o quarto escuro de um forte cheiro a limpa-pratas . - Doem me todos os músculos - resmungou , metendo se em a cama . - Ele fez me polir catorze vezes aquela taça de Quidditch até estar satisfeito . E depois tive outro vómito em_cima_de um troféu de Reconhecimento por serviços prestados a a escola . Demorei séculos a limpar o muco de as lesmas . Como correram as coisas com o Lockhart ? Em voz baixa para não acordar o Neville , o Dean e o Seamus , Harry contou lhe , palavra por palavra , o que tinha ouvido . - E Lockhart disse que não ouviu nada ? - perguntou o Ron . Harry viu o franzir a testa , a a luz de o luar . - Achas que estava a mentir ? Mas , não percebo , mesmo um ser invisível teria aberto a porta . - Eu sei - disse Harry , encostando se a a cama e olhando para o dossel . - Também não compreendo . VIII_A festa de o dia de os mortos Outubro chegou , espalhando um frio húmido por os campos e por os cantos de o castelo . Madam_Pomfrey , a enfermeira-chefe , esteve bastante ocupada com uma onda de constipações que afectou professores e alunos . A sua poção de pimentão entrou imediatamente em acção apesar_de deixar quem a tomava com fumo em os ouvidos durante várias horas . Ginny_Weasley , que andava com ar adoentado , foi convencida a tomá a por o Percy . O fumo que saía por debaixo de o seu cabelo ruivo dava a impressão de que toda_a cabeça estava em fogo . Gotas de chuva de o tamanho de balas agrediram as janelas de o castelo durante dias a fio . O lago rosado e os canteiros de flores tornaram se regatos lamacentos e as abóboras de o Hagrid incharam ficando de o tamanho de alpendres de jardim . Contudo , o entusiasmo de Oliver_Wood por as sessões de treino regular não foi abalado , motivo por o qual Harry iria regressar a a torre de os Gryffindor , em um sábado a a tarde de temporal , alguns dias antes de o * _ Hallowe'en * , ensopado até a os ossos e todo enlameado . Além de a chuva e de o vento , não fora um treino feliz . Fred e George que tinham andado a espiar a equipa de os Slytherin tinham visto com os seus próprios olhos a velocidade alucinante de aquelas novas Nimbus dois_mil_e_um e comentaram que a equipa em o ar parecia composta por sete manchas esverdeadas que disparavam a_toda_a velocidade como aviões a jacto . Enquanto Harry chapinhava a o longo de o corredor deserto , cruzou se com alguém que parecia tão preocupado como ele : Nick quase sem cabeça , o fantasma de a torre de os Gryffindor que olhava taciturno , por a janela , murmurando baixinho : - Não preenche os requisitos , um centímetro e meio se ... - Olá , Nick - cumprimentou Harry . - Olá , olá - disse o Nick quase sem cabeça , começando a olhar em volta . Usava um arrebatado chapéu de plumas sobre a longa cabeleira encaracolada e uma túnica com gola de tufos que disfarçava o facto de ter o pescoço quase totalmente separado de o corpo . Era pálido como o fumo e Harry podia ver através de ele o céu negro e a chuva torrencial , lá fora . - Pareces preocupado , jovem Potter - disse Nick , dobrando uma carta transparente , enquanto falava e escondendo a dentro de a jaqueta . - Tu também - retorquiu Harry . - Ah ! - o Nick quase sem cabeça acenou com a mão de forma elegante . - Uma questão sem importância . Não é_que eu quisesse realmente participar apesar_de me ter inscrito , mas , a o que parece , não preencho os requisitos . - Apesar de o seu tom jovial havia em o seu rosto uma grande amargura . - Mas era de esperar , ou não era - exclamou subitamente , tirando a carta de o bolso - que ter levado quarenta_e_cinco golpes em a cabeça com um machado ferrugento me qualificaria para entrar em o grupo de os Sem - _ Cabeça ? - Sim , sim - respondeu Harry que obviamente o outro esperava que concordasse . - Isto_é , ninguém mais do_que eu desejaria que tudo tivesse sido rápido e perfeito , poupava me muitas dores e ridículo . Mas ... O Nick quase sem cabeça abriu , furioso , a carta e leu : * _ Só podemos aceitar em o grupo homens cuja cabeça tenha sido separada de o corpo . Compreenderá que de outro modo seria impossível a os nossos membros participarem em actividades como equitação de malabarismos com a cabeça e pólo de cabeça . Lamentamos profundamente informá o de que não preenche os requisitos . * _ Os nossos melhores cumprimentos , Sir_Patrick_Delaney - _ Podmore * Furioso , o Nick quase sem cabeça atirou fora a carta . - Um centímetro de pele e tendões a segurarem me a cabeça , Harry ! A maior parte de as pessoas acharia que era mais do_que o suficiente , mas não serve para o senhor correctamente decapitado Podmore . Nick quase sem cabeça respirou fundo várias vezes e , por fim , em um tom bastante mais calmo perguntou : - Então o que é_que te preocupa ? Alguma coisa que eu possa fazer por ti ? - Não - respondeu Harry . - A_não_ser_que saibas onde posso arranjar sete Nimbus dois_mil_e_um , de_graça , para o nosso campeonato contra os Sly ... - o resto de a frase foi afogada por um miado agudo vindo de perto de os seus tornozelos . Olhou para baixo e deu consigo a fitar um par de olhos que pareciam duas lâmpadas amarelas . Era_Mrs._Norris , a gata cinzenta e esquelética usada por o encarregado Argus_Filch como uma espécie de polícia em a sua infindável batalha contra os estudantes . - É melhor saíres de aqui , Harry - preveniu Nick com toda_a calma . - O Filch não está nada bem-disposto . Anda engripado e alguns alunos de o terceiro ano , por acidente , encheram o tecto de o calabouço cinco de miolos de rã . Ele tem andado toda_a manhã a limpar e se te vê a encher tudo de lama ... - Certo - disse Harry , recuando e afastando se de o olhar acusador de Mrs._Norris , mas ... tarde de mais . Conduzido até ali por o misterioso poder que parecia ligá o a a gata , Argus_Filch entrou subitamente por uma tapeçaria que se encontrava a a direita de Harry , com a sua respiração asmática , olhando vivamente em volta em busca de o infractor . Tinha um lenço grosso , de xadrez , a a volta de a cabeça e o nariz invulgarmente arroxeado . - Imundície - gritou com os maxilares a tremer e os olhos a saltarem lhe de as órbitas , enquanto apontava para a poça de lama que pingara de a túnica de Quidditch_de_Harry . - Desarrumação e imundície em todo o lado . Estou farto disto , segue me , Potter . Harry despediu se de o Nick quase sem cabeça com um tímido aceno e seguiu Filch até lá abaixo , duplicando o número de pegadas lamacentas em o chão . Nunca entrara em o gabinete de o Filch . Era um lugar que a maior parte de os estudantes evitava . A divisão era sombria e sem janelas , iluminada por uma única lamparina de óleo que pendia de o tecto . Sentia se um vago cheiro a peixe frito . As paredes estavam forradas por ficheiros de madeira . Por as etiquetas Harry percebeu que continham os dados de todos os alunos que Filch tinha punido . Fred e George_Weasley tinham uma gaveta só para eles . Atrás de a secretária estava pendurada uma colecção bem polida de correntes e algemas . Todos sabiam que ele estava sempre a pedir a Dumbledore que o deixasse pendurar os alunos em o tecto por os tornozelos . Filch pegou em uma pena que estava sobre a secretária e começou a procurar o pergaminho . - Bosta - murmurou , furioso . - Bosta de dragão , miolos de rã , intestinos de ratazana ... eu tinha aqui bastante , onde está o form ... sim ... Tirou um enorme rolo de pergaminho de a gaveta de a secretária e estendeu o em a frente , molhando a longa pena em o tinteiro . - Nome : Harry_Potter . Crime ... - Foi só um bocadinho de lama - disse Harry . - É só um bocadinho de lama para ti , rapaz , mas para mim é mais de uma hora a esfregar - gritou Filch com um pingo a tremer de modo desagradável em a extremidade de o nariz bolboso . - Crime : manchar o castelo . Sentença proposta ... Esfregando o nariz que continuava a pingar , Filch olhou com má cara para Harry que esperava com a respiração entrecortada para ouvir a sentença . Mas quando Filch pegou em a pena ouviu se um estrondo enorme em o tecto que fez a lamparina apagar se . - PEEVES - resmungou Filch , pousando a pena , cheio de raiva . - Desta_vez apanho te . Apanho te ! E sem olhar para trás , saiu a correr a_toda_a velocidade de o gabinete , seguido de a gata , Mrs._Norris . Peeves era o * poltergeist * de a escola , uma ameaça de risota esvoaçante que vivia para fazer estragos e criar aflição . Harry não gostava lá muito de ele , mas desta_vez , não podia deixar de lhe estar grato . Na_melhor_das_hipóteses o que Peeves tivesse feito ( e parecia que agora ele destruíra qualquer coisa em grande ) distrairia Filch_de_Harry . Pensando que o melhor seria esperar que ele voltasse , Harry deixou se cair em uma cadeira carcomida por o tempo que se encontrava junto de a secretária . Havia uma coisa sobre o tampo : um grande envelope roxo e lustroso com letras prateadas em a frente . Lançando um olhar rápido a a porta para confirmar que Filch não estava de volta , Harry pegou lhe e leu : __ feitiço __ rápido Um curso por correspondência De iniciação a a magia Cheio de curiosidade , abriu o envelope e retirou o rolo de pergaminho . Uma letra curvilínea e prateada dizia : Sente se pouco a a vontade em o mundo de a magia moderna ? Dá consigo a arranjar desculpas para não fazer feitiços simples ? Tem sido censurado por o deplorável trabalho com a varinha ? Eis a resposta ! Feitiço rápido e um curso totalmente novo , infalível , de resultados rápidos e rápida aprendizagem . Centenas de bruxas e feiticeiros têm beneficiado de o método feitiço rápido ! Madam_Z._Nettles_de_Topsham escreve nos : Eu não conseguia fixar os encantamentos e as minhas poções eram alvo de risota em a família . Agora , depois de o curso feitiço rápido , tornei me o centro de as atenções em todas_as festas e os meus amigos não param de pedir me a receita de a minha brilhante solução ! O mágico D.J._Prod , de Disbury , afirma : A minha mulher costumava rir se de os meus fracos encantamentos , mas bastou um mês com o vosso fabuloso curso feitiço rápido e consegui transformá a em um iaque . Obrigado , feitiço rápido ! Fascinado , Harry folheou o resto de o conteúdo de o envelope . Para que diabo quereria o Filch um curso de feitiço rápido ? Não seria ele um feiticeiro a sério ? Harry estava a ler a lição número um : Pegando em a varinha ( algumas dicas úteis ) quando umas passadas arrastadas , lá fora , o preveniram de que Filch estava de volta . Metendo rapidamente o pergaminho dentro de o envelope , lançou o para_cima de a secretária em o preciso momento em que a porta se abriu . Filch ostentava um ar triunfante . - Aquele armário que desapareceu era extremamente valioso - vinha ele a dizer a a gata , Mrs._Norris . - Desta_vez vamos correr com o Peeves , minha linda . Os seus olhos recaíram sobre Harry e logo_a_seguir sobre o envelope de o feitiço rápido que , Harry apercebeu se tarde de mais , estava meio metro distanciado de o seu lagar inicial . O rosto pálido de Filch tornou se vermelho escarlate . Harry preparou se para uma nova onda de fúria . Filch coxeou até a a secretária , arrebatou o envelope e meteu o em uma gaveta . -- Chegaste a ... lê o ? - perguntou atabalhoadamente . - Não - mentiu Harry , sem perder tempo . As mãos nodosas de o Filch contorciam se ao_mesmo_tempo . - Se eu soubesse que ias ler a minha correspondência priv ... não que seja minha ... é para um amigo ... mesmo_assim ... Harry olhava para ele espantado . Nunca vira o Filch tão louco . Os olhos pareciam querer saltar lhe de as órbitas , com um tique em as bochechas e aquele lenço axadrezado que não ajudava nada ... - Muito bem , vai e não abras a boca sobre isto ... não que ... mesmo_assim ... se tu não leste ... vai te embora , tenho de escrever o relatório sobre o Peeves , vai . Atordoado com a sua sorte , Harry saiu de ali e largou a correr por o corredor fora e por as escadas acima . Sair de o gabinete de o Filch sem um castigo devia ser um recorde em a escola . - Harry , Harry , deu resultado ? O Nick quase sem cabeça saiu a brilhar de uma sala de aula . Atrás de ele , Harry pôde ver os destroços de um grande armário preto e dourado que parecia ter sido atirado de uma grande altura . - Convenci o Peeves a parti o mesmo em cima de o gabinete de o Filch - disse Nick entusiasmado . - Pensei que talvez o distraísse . - Foste tu ? - exclamou Harry , agradecido . - Funcionou sim . Ele não me deu nenhum castigo . Obrigado , Nick . Atravessaram o corredor juntos . O Nick quase sem cabeça , reparou Harry , ainda tinha em a mão a carta de Sir_Patrick . - Gostaria de poder fazer qualquer coisa sobre o grupo de os Sem - _ Cabeça - disse Harry . O Nick quase sem cabeça parou de repente e Harry passou através de ele . Antes não tivesse passado , foi como atravessar um duche gelado . - Mas há uma coisa que tu podes fazer por mim - disse Nick muito agitado . - Harry , seria pedir te de mais ... mas não , tu não ias querer ... - O quê ? - Bem , este ano em o * _ Hallowe'en * vai ser o meu meio milénio de dia de os mortos - disse o Nick quase sem cabeça endireitando se e adquirindo uma postura de grande dignidade . - Oh - respondeu Harry sem saber se deveria lamentar ou dar lhe os parabéns . - Certo . - Vou dar uma festa em um de os calabouços mais amplos . Vêm amigos meus de todo o país . Seria uma honra muito grande se tu aparecesses . Mr._Weasley e Miss_Granger seriam também muito bem-vindos , claro . Mas tu deves preferir o banquete de a escola , não é verdade ? - Olhou para Harry , aflito . - Não - assegurou ele rapidamente . - Eu vou . - Oh rapaz , Harry_Potter em a minha festa de os mortos - hesitou no_meio_de toda aquela excitação . - Achas que poderias referir a Sir_Patrick como me achas assustador e como te impressiono ? - É claro que sim - assegurou Harry . O Nick quase sem cabeça iluminou se em um sorriso . - Uma festa de os mortos ? - exclamou Hermione , entusiasmada , quando Harry , depois de mudar de roupa , se juntou a ela e a o Ron em a sala comum . - Aposto que não há muitas pessoas que possam gabar se de ter estado em uma festa de essas . Vai ser fantástico ! - Por_que é_que alguém se lembraria de festejar o dia em que morreu ? - perguntou o Ron que estava a meio de o seu trabalho de casa de poções e bastante maldisposto . - Parece me bastante mórbido . A chuva continuava a lamber as janelas que apresentavam agora um negro que parecia tinta , mas , lá dentro , era tudo claro e alegre . O fogo em a lareira brilhava sobre as inúmeras cadeiras de braços onde as pessoas estavam sentadas a ler , a conversar , a fazer os trabalhos de casa ou , no_caso_de Fred e George_Weasley , a tentar descobrir o que aconteceria se alimentassem uma salamandra com fogo-de-artíficio de o Filibuster . O Fred tinha « resgatado . o lagarto cor de laranja brilhante , morador de o fogo , de uma aula de tratamento de seres mágicos e ele estava agora a arder em fogo lento sobre uma mesa , rodeado de um grupo de curiosos . Harry ia começar a contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre o Filch e o curso de feitiço rápido quando a salamandra disparou por os ares , lançando faíscas e estoiros . A visão de Percy a gritar com Fred e George até ficar ronco , a fantástica exibição de estrelas cor de tangerina que choviam de a boca de a salamandra e a sua fuga para o lume acompanhada de explosões , fizeram com que Harry se esquecesse , em aquele momento , de Filch e de o curso de feitiço rápido . Quando chegou o * _ Hallowe'en * , Harry já lamentava a sua promessa imprudente de ir a a festa de os mortos . Toda_a escola antecipava , feliz , a sua festa de * _ Hallowe'en * . O salão nobre fora enfeitado com os habituais morcegos , as enormes abóboras de Hagrid tinham sido esculpidas em forma de lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro_de cada uma , e havia boatos de que Dumbledore contratara um grupo de esqueletos bailarinos para animar a festa . - Uma promessa é uma promessa - lembrou Hermione_a_Harry com o seu autoritarismo habitual . - Tu disseste que ias a a festa de os mortos . Portanto , a as sete_da_tarde , Harry , Ron e Hermione saíram , passando por a porta de o salão nobre que brilhava de modo convidativo com pratos dourados e velas e dirigiram os seus passos para os calabouços . O corredor que conduzia a a festa de o Nick quase sem cabeça tinha sido também ladeado de velas , embora o efeito estivesse longe_de ser alegre : estas eram velas muito esguias e estreitas , negras de breu , ardendo em um azul brilhante e lançando uma luz indistinta e espectral também sobre as caras de as pessoas vivas . A temperatura diminuía a cada degrau que desciam . Harry tremia e cingia a túnica a o corpo quando ouviu qualquer coisa que parecia uma centena de unhas a rasparem um enorme quadro preto . - Será que isto_é a música ? - murmurou Ron . Viraram uma esquina e viram o Nick quase sem cabeça junto de uma porta , todo vestido de veludo negro . - Meus queridos amigos - disse com ar de luto . - Bem-vindos , bem-vindos , ainda_bem que puderam vir . Em um gesto largo tirou o chapéu de plumas e fez lhes sinal para que entrassem . Era uma visão incrível . O calabouço estava cheio com centenas de pessoas de um branco pálido e translúcido , a maior parte de as quais era arrastada em uma pista de dança cheia , valsando a o som de trinta serrotes musicais . Os serrotes que compunham a orquestra encontravam se sobre um estrado enfeitado com panos negros . Um lustre lá em cima resplandecia de um azul nocturno com mais um_milhar de velas negras . A respiração de os três subiu em o ar como uma neblina . Parecia que tinham entrado em um congelador . - Vamos dar uma volta - sugeriu Harry em uma tentativa de aquecer os pés . - Cuidado , não atravessem nenhum de eles - avisou o Ron nervosamente e colocaram se em volta de a pista de dança . Passaram por um grupo escuro de freiras , por um homem esfarrapado e cheio de correntes e por o frade gordo , o divertido fantasma de os Hufflepuff que estava a conversar com um cavaleiro com uma seta enfiada em a testa . Harry não ficou nada surpreendido a o ver que o Barão sangrento , o fantasma lúgubre e berrante de os Slytherin , coberto de nódoas de sangue ; estava a ser totalmente evitado por os outros fantasmas . - Oh ! Não -- exclamou Hermione , parando bruscamente . - Voltem se , voltem se , não quero ter de cumprimentar a Murta_Queixosa . - Quem ? - perguntou Harry enquanto davam rapidamente meia volta . - Ela assombra a casa_de_banho de as raparigas de o primeiro andar - explicou Hermione . - Assombra uma casa_de_banho ? - Sim . Está inoperativa durante todo o ano porque ela tem constantes acessos de choro e inunda tudo . Eu só lá fui quando não pode mesmo evitar . É horrível tentar ir a a sanita com ela a gritar connosco . - Olhem , comida - disse o Ron . De o outro lado de o calabouço estava uma mesa igualmente coberta de velado negro . Iam para se aproximar entusiasmados , mas pararam com uma expressão de horror . O cheiro era nauseabundo . Enormes peixes podres enchiam as bonitas travessas de prata , os bolos estorricados como carvões amontoavam se em as salvas , havia uma grande quantidade de miúdos de macaco , uma tábua de queijos cobertos de bolor e , em o lugar de honra , um enorme bolo cinzento em forma de lápide com letras que pareciam alcatrão formando as palavras , * _ Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington_Morto em 31_de_Outubro , 1492 * . Harry olhou espantado quando um fantasma de porte majestoso se aproximou de a mesa inclinando se e passando através de ela com a boca aberta enquanto atravessava um salmão malcheiroso . - Consegue prová o passando através de ele ? - perguntou lhe Harry . - Quase - disse tristemente o fantasma antes de se afastar . - Devem ter deixado apodrecer tudo_isto para ter um sabor mais forte - comentou Hermione com ar de quem está bem informada , tapando o nariz e aproximando se para ver melhor os pútridos miúdos de macaco . - Podemos sair de aqui , estou a sentir me agoniado - disse o Ron . Mas mal tinham dado meia volta quando um homenzinho pequenino saiu inesperadamente de debaixo de a mesa e fez uma paragem em o ar em frente de eles . - Olá , Peeves - disse Harry cautelosamente . Ao_contrário de os outros fantasmas que os rodeavam , Peeves , o * poltergeist * era o oposto de pálido e transparente . Usava um chapéu festivo cor de laranja , um laço rotativo a o pescoço e tinha um sorriso grosseiro de malvadez , em o rosto . - Querem petiscar ? - perguntou delicadamente , oferecendo lhes uma taça de amendoins cobertos de fungos . - Não , obrigada - disse Hermione . - Ouvi te falar sobre a pobre Murta - disse Peeves com os olhos a bailar . - Que insensível que tu foste para com a pobre Murta - respirou fundo e gritou : - Oh Murta . - Oh ! Não , Peeves , não lhe contes o que eu disse , ela vai ficar muito aborrecida - murmurou Hermione bastante nervosa . - Eu não queria dizer que ... eu não me importo que ela , er , olá , Murta . O espectro atarracado de uma rapariga deslizara . Tinha o rosto mais carrancudo que Harry alguma vez vira , meio escondido por o cabelo liso e por os óculos grossos cor de pérola . - O que é ? - perguntou mal-humorada . - Como estás Murta ? - perguntou Hermione , em uma voz falsamente alegre . - É bom ver te fora de a casa_de_banho . Murta fungou . - Miss_Granger estava justamente a falar de ti - disse lhe Peeves baixinho a o ouvido . - A dizer , a dizer ... como estás bonita esta noite -- terminou Hermione , olhando irritada para Peeves . A Murta olhou para Hermione desconfiada . - Estão a divertir se a a minha custa - disse , com lágrimas de prata a encherem lhe rapidamente os olhos pequeninos . - Não , a sério , eu não estava a dizer vos como a Murta estava bonita esta noite ? - disse Hermione , dando uma palmada em as costas de o Harry e de o Ron . - Sim , sim . - Ela ... - Não me venham com mentiras - protestou a Murta , as lágrimas agora a descerem lhe por o rosto , enquanto Peeves ria baixinho por cima de o ombro de ela . - Julgam que eu não sei o que as pessoas me chamam em as minhas costas ? A Murta gorda , a Murta feia , a Murta queixosa , a Murta deprimida ! - Esqueceste te de « a Murta ponto negro » - sussurrou lhe Peeves a o ouvido . A Murta_Queixosa irrompeu em soluços de angústia e fugiu de o calabouço . Peeves disparou atrás de ela , lançando lhe uma chuva de amendoins cheios de bolor e gritando : Ponto negro ! Ponto negro ! - Oh , coitada ! - exclamou Hermione com tristeza . O Nick quase sem cabeça abria agora caminho entre a multidão para se aproximar de eles . - Estão a divertir se ? - Sim , sim - mentiram . - Uma afluência nada má - disse orgulhoso o Nick quase sem cabeça . - A viúva chorosa veio de Kent ... está quase em a hora de o meu discurso . É melhor ir avisar a orquestra . Mas a orquestra parou de tocar em esse preciso momento . Eles , e todos os outros em o calabouço , ficaram em silêncio total , olhando em volta cheios de excitação quando se ouviu uma trompa de a caça . - Lá vêm eles - disse o Nick quase sem cabeça , com alguma amargura em a voz . Por o calabouço irromperam uma_dúzia de , cavalos fantasmas , cada_um montado por um cavaleiro sem cabeça . A assistência aplaudiu vivamente . Harry começou também a bater palmas , mas parou rapidamente quando viu a cara de o Nick . Os cavalos galoparam até a o meio de a pista de dança e pararam , empinando se , dando pequenos passos para a frente e para trás , sobre as patas traseiras . Um fantasma grande em a frente , cuja cabeça barbuda estava debaixo de o braço , soprando a trompa , desmontou , levantou a cabeça bem em o ar para poder ver toda_a assistência ( todos se riam ) e dirigiu se a o Nick quase sem cabeça , comprimindo a cabeça contra o pescoço . - Bem-vindo , Patrick - disse o Nick , mantendo a sua postura rígida . - Gente viva ! - exclamou o Sir_Patrick , avistando Harry , Ron e Hermione e dando um salto de falso espanto , de_tal_modo_que a cabeça lhe caiu de_novo ( a multidão ria a bom rir ) . - Muito engraçado - disse o Nick quase sem cabeça com um ar soturno . - Não ligues a o Nick - gritou a cabeça de Sir_Patrick de o chão . - Ainda está aborrecido por não o deixarmos juntar se a o grupo . Mas olhem bem para ele ... - Eu acho - disse apressadamente Harry , a seguir a um olhar de o Nick - que o Nick é muito assustador e ... eu ... - Bah ! - gritou a cabeça de Sir_Patrick . - Aposto que ele te pediu que dissesses isso . - Gostaria de ter a vossa atenção . Chegou a altura de fazer o meu discurso - disse o Nick quase sem cabeça bem alto , dirigindo se a o pódio , subindo e parando , iluminado por uma luz azul . - Os meus sentimentos , senhores e senhoras , é com profundo pesar ... Mas já ninguém estava a ouvi o . Sir_Patrick e o resto de o grupo de os Sem - _ Cabeça tinham iniciado um jogo de hóquei de cabeça e a multidão voltara se para os observar . Nick quase sem cabeça tentou em vão recuperar a audiência , mas acabou por desistir quando a cabeça de Sir_Patrick passou por ele a_toda_a velocidade gritando vivas . Harry estava cheio de frio para não falar de a fome . - Não aguento mais isto - murmurou Ron a bater o dente enquanto a orquestra voltava a entrar em acção e os fantasmas enchiam de_novo a pista de dança . - Vamos embora - concordou Harry . Recuaram até a a porta , acenando e sorrindo a todos os que olhavam para eles e um minuto depois passavam apressadamente por a entrada cheia de velas negras . - Talvez o pudim ainda não tenha acabado - disse o Ron cheio de esperança , abrindo caminho em direcção a os degraus de o vestíbulo de a entrada . E foi então que Harry ouviu aquilo . - ... * _ Arrancar ... rasgar ... matar * ... Era a mesma voz , a mesma voz fria e assassina que ouvira em o escritório de Lockhart . Parou , agarrando se a a parede de pedra em a expectativa de ouvir melhor , olhando em volta , espreitando para_cima e para baixo de a passagem mal iluminada . - Harry que estás tu a ... ? - E aquela voz outra_vez , calem se um bocadinho . -- ... * _ Tanta fome ... há tanto tempo * ... - Ouçam insistiu Harry e Ron e Hermione ficaram estáticos a olhar para ele . - * _ Matar ... hora de matar * ... A voz ia ficando mais débil . Harry tinha a certeza de que ela estava a afastar se , a subir . Um misto de medo e excitação tomou posse de ele enquanto olhava para o tecto escuro . Como poderia ele subir ? Seria um fantasma para quem os tectos de pedra não contavam ? - Por aqui - gritou , começando a correr por as éscadas acima até a a entrada de o * hall * . Não havia hipótese de ouvir fosse o que fosse ali , o barulho de vozes que vinha de o banquete de o * _ Hallowe'en * ecoava cá fora . Harry subiu a correr a escadaria de mármore até a o primeiro andar com Ron e Hermione ruidosamente atrás . - Harry o que é_que nós ... ? - Sch ... Harry apurou o ouvido . Ao_longe , em o andar de cima , e ainda a enfraquecer , mesmo_assim ouviu a voz : - ... * Cheira-me a sangue ... cheira me a sangue ! * O estômago deu lhe uma volta . - Ele vai matar alguém - gritou e ignorando as caras perplexas de Ron e Hermione , correu , subindo mais um lanço de escadas , a três_e_três , tentando ouvir através de o ruído de os seus próprios passos . Harry correu a_toda_a velocidade pelo segundo andar com Ron e Hermione atrás e só parou quando viraram uma esquina para o último corredor abandonado . - Harry , o que foi aquilo tudo ? - perguntou o Ron , limpando o suor de o rosto . - Eu não ouvi nada ... Mas Hermione , em um sobressalto , apontou para o fundo de o corredor . - Olhem ! Alguma coisa brilhava em a parede em frente . Aproximaram se devagarinho , tentando ver em a escuridão . Alguém escrevera em letras garrafais em a parede entre duas janelas . As palavras brilhavam a a chama fraca de as tochas . : __ a câmara de os segredos foi aberta . inimigos de o herdeiro , __ cuidado . - O que é aquilo pendurado por baixo de as letras ? - perguntou Ron com um tremor em a voz . Quando se aproximaram , Harry quase escorregou . Havia uma grande poça de água em o chão . Ron e Hermione agarraram o e avançaram cautelosamente até a a mensagem , os olhos fixos em uma sombra escura , em baixo . Aperceberam se os três de imediato do_que se tratava e deram um salto para trás , salpicando tudo de água . Mrs._Norris , a gata de o encarregado , estava pendurada por a cauda em o suporte de a tocha . Tinha o corpo rígido como uma tábua e os olhos abertos . Durante alguns segundos ninguém se mexeu . Depois o Ron disse : - Vamos sair de aqui . - Não devíamos tentar ajudar ? - propôs Harry , sem graça . - Acredita - assegurou o Ron . - É melhor que não nos encontrem aqui . Mas era tarde de mais . Um ruído surdo e prolongado , como um trovejar distante , avisou os de que o festim tinha terminado . De ambos os lados de o corredor onde eles estavam , veio o som de centenas de pés a subirem a escadaria e as vozes alegres de gente bem alimentada . Em o momento seguinte os alunos chegavam junto de eles de ambos os lados . O burburinho morreu subitamente mal as pessoas avistaram a gata pendurada . Harry , Ron e Hermione estavam de pé , sozinhos , em o meio de o corredor quando se fez silêncio em a multidão de estudantes que se empurravam para observar aquele quadro macabro . Então alguém gritou , quebrando o silêncio . - Inimigos de o herdeiro , cuidado . Vocês serão os próximos , sangue de lama ! Era_Draco_Malfoy . Estava a a frente de a multidão com os olhos frios a brilhar , a sua cara habitualmente pálida agora afogueada , sorrindo a a vista de a gata pendurada e imóvel . IX_As palavras em a parede -- O que é_que se passa aqui ? O que é_que se passa ? Sem dúvida , atraído por o grito de Malfoy , Argus_Filch apareceu a coxear em o meio de a multidão . Quando viu Mrs._Norris , caiu para trás agarrando o rosto com verdadeiro horror . - A minha gata ! A minha gata ! O que aconteceu a Mrs._Norris ? - gritou . E os seus olhos rápidos caíram sobre Harry . - Tu - guinchou ele . - Mataste a minha gata ! Mataste a , vou dar cabo de ti , eu ... - Argus . Dumbledore tinha chegado a o lugar , seguido de alguns professores . Em poucos segundos tinha passado a a frente de Harry , Ron e Hermione e desatado Mrs._Norris de o suporte de a tocha . - Vem comigo , Argus - disse ele a o Filch . - Vocês também , Mr._Potter , Mr._Weasley e Miss_Granger . Lockhart deu rapidamente um passo em frente . - O meu escritório é o que está mais perto , senhor director , é já aqui em cima , por favor fiquem a a vontade . - Obrigado , Gilderoy - disse Dumbledore . A multidão silenciosa dividiu se para os deixar passar . Lockhart sentindo se excitado e importante , seguia Dumbledore assim_como a professora Mc_Gonagall e o professor Snape . Quando entraram em o escritório escuro de Lockhart houve uma grande agitação em as paredes . Harry viu várias imagens de Lockhart a esconderem se cheias de rolos em o cabelo . O Lockhart em pessoa acendeu as velas e chegou se mais para trás . Dumbledore pôs Mrs._Norris em a superfície polida de a secretária e começou a examiná a . Harry , Ron e Hermione trocaram olhares tensos entre si e deixaram se cair em as cadeiras que se encontravam longe de a luz , a observar . A ponta de o nariz longo e adunco de Dumbledore estava a menos_de dois centímetros de o pêlo de Mrs._Norris . Ele olhava a de perto através de os óculos de meia-lua , os dedos longos a palpar e tactear suavemente . A professora Mc_Gonagall estava quase tão perto como ele , com os olhos contraídos . Snape surgia mais atrás , meio em a sombra , com uma expressão estranha em o rosto , como_se tentasse a_toda_a força sorrir . E Lockhart andava de um lado para o outro a dar sugestões . - Foi sem dúvida uma maldição que a matou , provavelmente a tortura de a metamorfose . Vi a muitas_vezes ser usada , mas infelizmente eu não estava lá quando isto aconteceu . Conheço o antídoto para essa maldição , o que a teria salvo . Os comentários de Lockhart foram interrompidos por os soluços secos e violentos de Filch . Estava afundado em uma cadeira junto de a secretária , incapaz de olhar para Mrs._Norris , com o rosto em as mãos . Por mais que detestasse Filch , Harry não pôde deixar de sentir pena de ele embora não tanta quanto_a que sentia por si próprio . Se Dumbledore acreditasse em o Filch ele seria certamente expulso . O director estava agora a sussurrar umas palavras estranhas e batendo em Mrs._Norris com a varinha , mas não aconteceu nada , ela continuou com o mesmo aspecto , como_se tivesse sido empalhada . - ... Lembro me de uma coisa semelhante que aconteceu em Ouagadogou - disse LockLart . - Uma série de ataques . Conto essa história em a minha autobiografia . Eu dei a a gente de a cidade vários amuletos que resolveram logo a situação ... As fotografias de Lockhart em as paredes iam acenando afirmativamente com a cabeça enquanto ele falava . Uma de elas esquecera se de tirar os rolos de o cabelo . Por fim , Dumbledore endireitou se . - Ela não está morta , Argus - disse suavemente . Lockhart interrompeu bruscamente a contagem de os crimes que conseguira evitar . - Não está morta ? - disse Filch em um sufoco , olhando através de os dedos para Mrs._Norris . - Mas , porque está ela rígida e gelada ? - Foi petrificada - disse Dumbledore ( Ah ! foi o que eu pensei ! - comentou Lockhart ) mas como , não posso afirmar . - Pergunte lhe - gritou Filch , voltando a cara cheia de furúnculos e lágrimas para Harry . - Nenhum aluno de o segundo ano poderia ter feito isto - explicou Dumbledore . - Era preciso um grande conhecimento de magia negra . - Foi ele , foi ele - disse encolerizado o encarregado com a cara a ficar roxa . - O senhor viu o que ele escreveu em a parede . Ele descobriu em o meu gabinete , ele sabe que eu sou um ... - O rosto de Filch estava horrível . - Ele sabe que eu sou um * _ busca-pé * - disse por fim . - Eu não toquei em a Mrs._Norris - gritou Harry com todos os olhares a recaírem sobre ele , incluindo o de todos os Lockharts de a parede . - E eu nem sei o que é um * busca-pé * . - Mentira ! - gritou Filch . - Ele viu a minha carta de o feitiço rápido . - Se me permite que dê a minha opinião , senhor director - disse Snape , saindo de a sombra , e a sensação de mau presságio de Harry aumentou bastante . Certamente nada do_que Snape tinha para de dizer iria ajudá o . - O Potter e os amigos podiam estar simplesmente em o lugar errado em a altura errada - afirmou com um leve sorriso a torcer lhe a boca como_se tivesse as suas dúvidas . - Mas , temos aqui um conjunto de circunstâncias curiosas . Porque estavam eles afinal em o corredor ? Porque não estiveram presentes em a festa de o * _ Hallowe'en * ? Harry , Ron e Hermione começaram uma longa explicação sobre a festa de o dia de os mortos . - Estavam lá centenas de fantasmas , eles poderão confirmar que lá estivemos ... - Mas porque não foram a seguir a o banquete ? - perguntou Snape com os olhos pretos a brilharem a a luz de as velas . - Porquê ir até a aquele corredor ? Ron e Hermione olharam para Harry . - Porque , porque ... - balbuciou Harry , com o coração a querer saltar lhe de o peito , mas algo lhe disse que ia parecer muito rebuscado se lhes contasse que tinha sido levado até ali por uma voz sem corpo que só ele conseguia ouvir . - Porque estávamos cansados e queríamos ir para a cama - disse . - Sem jantar ? - inquiriu Snape com um sorriso triunfante a bailar lhe em o rosto lúgubre . - Não sabia que os fantasmas ofereciam em as suas festas comida para gente viva . - Não estávamos com fome - disse o Ron bem alto , enquanto o estômago se queixava de forma audível . O sorriso mesquinho de a Snape ampliou se . - Acho , senhor director , que Potter não está a dizer toda_a verdade - afirmou . - Talvez fosse boa ideia retirar lhe alguns privilégios , até ele estar disposto a contar nos a história toda . Pessoalmente , sugiro que seja retirado de a equipa de os Gryffindor até decidir ser honesto . - Francamente , Severus - exclamou a professora Mc_Gonagall com uma voz cortante . - Não vejo porquê impedir o rapaz de jogar Quidditch . Esta gata não levou pauladas em a cabeça dadas por nenhum cabo de vassoura . E não há provas de que o Potter tenha feito algo de mal . Dumbledore observava Harry com um olhar perscrutador . A voz tremeluzente de os seus olhos azuis fez Harry sentir que estava a ser passado a raios X. - Inocente até se provar que é culpado , Severus - disse com segurança . Snape estava furioso , assim_como Filch . - A minha gata foi petrificada ! - berrou , com os olhos a saltarem de as órbitas . - Quero ver um castigo ! - Vamos poder curá a , Argus - explicou pacientemente Dumbledore . - Madam_Sprout conseguiu arranjar algumas Mandrágoras . Logo_que tenham atingido o tamanho adulto , terei uma poção de Mandrágoras que reanimará Mrs._Norris . - Eu posso fazê a - interrompeu Lockhart . - Devo ter feito isso uma centena de vezes . Preparo uma golada de Mandrágora reconstituinte de olhos fechados ... - Perdão - disse Snape friamente -- , mas julgo que o professor de poções de esta escola ainda sou eu . Houve um silêncio bastante incómodo . - Vocês podem ir se embora - disse Dumbledore a o Harry , Ron e a Hermione . Eles saíram o mais depressa que puderam , sem ir a correr . Quando chegaram a o andar acima de o escritório de Lockhart , entraram em uma sala de aulas vazia e fecharam a porta devagarinho . Harry lançou um olhar de esguelha a as caras carrancudas de os amigos . - Acham que eu lhes devia ter falado de a voz que ouvi ? - Não - respondeu Ron , sem a mínima hesitação . - Ouvir vozes que mais ninguém ouve , não é bom sinal , nem em o mundo de os feiticeiros . Algo em a voz de Ron levou Harry a fazer a pergunta : - Tu acreditas em mim , não acreditas ? - Claro que sim - respondeu o Ron de imediato . - Mas tens de concordar que é esquisito ... - Eu sei que é esquisito - confirmou Harry . - É tudo esquisito . O que era aquilo escrito em a parede ? * _ A_Câmara foi aberta * , o que é_que significa ? - Sabes , faz me lembrar qualquer coisa - disse Ron lentamente . - Acho que alguém me contou uma história sobre uma câmara secreta em Hogwarts , talvez tenha sido o Bill ... - E que diabos é um * busca-pé * ? - perguntou Harry . Para sua surpresa , Ron abafou o riso . - Bem , em a verdade não tem graça nenhuma , mas como é o Filch ... - disse . - Um * busca-pé * é alguém que nasceu de uma família de feiticeiros , mas não tem poderes mágicos . É uma espécie de o oposto de os que vêm de famílias de Muggles , mas são feiticeiros . Os * busca-pé * são muito raros . Se o Filch está a tentar aprender magia em um curso rápido , acho que ele deve ser mesmo um busca-pé . Isso explicaria tudo , por_exemplo , porque detesta tanto os estudantes . - Ron sorriu satisfeito . - Tem inveja . Um relógio deu as horas , algures . - Meia-noite - disse Harry . - É melhor irmo nos deitar , antes que o Snape apareça e tente acusar nos de qualquer coisa . Durante alguns dias não se falou de outra coisa em a escola a não ser de o ataque a a gata , Mrs._Norris . Filch manteve o sucedido bem fresco em a memória de todos , andando de um lado para o outro em o lugar onde ela fora atacada , como_se esperasse por o responsável . Harry vira o esfregar a mensagem de a parede com a « solução removedora de toda_a porcaria mágica Mrs._Skower » , mas sem qualquer resultado . As palavras continuavam a brilhar tanto como antes sobre a pedra . Quando Filch não estava a patrulhar a cena de o crime , vagueava , de olhos avermelhados , por os corredores , perseguindo alunos insuspeitos e tentando aplicar lhes castigos por coisas como « respirar muito alto » ou « estar alegre » . Ginny_Weasley parecia muito perturbada com o destino de Mrs._Norris . Segundo Ron ela era uma amante de gatos . - Mas tu nem chegaste a conhecer bem Mrs._Norris - disse lhe Ron para a animar . - Com toda_a franqueza , estamos muito melhor sem ela . - O lábio de Ginny tremeu . - Não é costume acontecerem coisas de estas em Hogwarts - tranquilizou a . - Eles vão descobrir o safado que fez aquilo e põem o de aqui para fora em três tempos . - Só espero que tenha tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso . Estou a brincar , claro - acrescentou o Ron apressadamente a o ver a Ginny a empalidecer . O ataque afectara também Hermione . Era costume de ela passar muito_tempo a ler , mas agora parecia não fazer mais_nada . Nem respondia a o Harry e a o Ron quando lhe perguntavam o que estava a fazer e só acabaram por descobrir em a quarta-feira seguinte . Harry tivera de ficar até mais tarde em a sala de poções onde Snape o mandara raspar restos de larvas de as secretárias . Depois de um almoço comido a a pressa , ele foi lá acima encontrar se com Ron em a biblioteca e viu Justin_Finch - _ Fletchley , o rapaz de os Hufflepuff de herbologia que vinha em direcção a ele . Harry tinha acabado de abrir a boca para dizer um « Olá » quando Justin o viu , voltando se bruscamente e mudando de direcção . Harry foi encontrar o Ron em as traseiras de a biblioteca , a medir o trabalho de casa de história de a magia . O professor Binns pedira uma composição sobre a Assembleia_Medieval_de_Feiticeiros_Europeus com 90cm . De extensão . - Não posso crer que ainda me faltem 16cm - disse o Ron furioso , largando o pergaminho que se enrolou em forma de tubo - e que a Hermione fez um metro e trinta em aquela letra pequenina e apertadinha . - Onde está ela ? - perguntou Harry , agarrando em a fita métrica e desembrulhando o seu trabalho de casa . - Algures por aí - disse o Ron , apontando para as estantes . - _ a a procura de outro livro . Acho que ela está a tentar ler a biblioteca toda antes de o Natal . Harry contou a Ron que Justin_Finch - _ Fletchley tinha evitado falar lhe . - Não sei porque te preocupas com isso . Eu achei o um idiota - disse o Ron , escrevinhando e fazendo a letra o maior possível . - Todo aquele disparate sobre o Lockhart ser tão grande ... Hermione surgiu de o meio de as estantes . Parecia irritada e disposta , por fim , a falar com eles . - Todos os exemplares de * _ Hogwarts : Uma História * foram requisitados - disse , sentando se ao_lado_de Harry e Ron . - E há uma lista de espera de duas semanas . Quem me dera não ter deixado o meu exemplar em casa , mas não consegui que coubesse em a mala com todos os livros de o Lockhart . - Para que o queres ? - perguntou Harry . - Pelo mesmo motivo que toda_a_gente o quer - disse Hermione . - Para ler a lenda de a Câmara_dos_Segredos . - O que é isso ? - Precisamente . Não me lembro - disse Hermione , mordendo o lábio . - E não encontro a História em lugar nenhum . - Hermione , deixa me ler o teu trabalho - pediu Ron desesperado , olhando para o relógio . - Não , não deixo - respondeu Hermione com um ar severo . - Tiveste dez dias para o fazer . - Só preciso de mais quatro centímetros , vá lá ... A campainha tocou . Ron e Hermione encaminharam se para a História_da_Magia , discutindo . A História_da_Magia era a matéria mais chata de o programa . O professor Binns , que dava a cadeira , era o único professor fantasma e a coisa mais excitante que aconteceu em as suas aulas foi o dia em que entrou por o quadro preto . Já velho e enrugado , muita gente afirmava a seu respeito que ele não dera por_que tinha morrido . Pura e simplesmente levantara se um dia para ir dar aulas , deixando o corpo atrás , em um cadeirão em frente de a lareira de a sala de os professores . Desde esse dia a sua rotina mantivera se igual . Era hoje tão chato como fora sempre . Abriu as notas e começou a ler em um tom monocórdico como um velho aspirador até quase todos os alunos estarem em um estado de profunda dormência , acordando de vez em quando , para tomar nota de um nome ou de uma data , e voltando a adormecer . Estava a falar havia meia_hora quando aconteceu algo que nunca tinha acontecido . Hermione pôs o braço em o ar . O professor Binns olhou de relance , em o meio de a chatíssima aula sobre a Convenção_Internacional_de_Feiticeiros de 1289 , verdadeiramente espantado . - Miss ... er ... ? - Granger , professor . Poderia dizer nos alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Hermione em uma voz bem audível . O Dean_Thomas , que tinha estado sentado de boca aberta olhando para fora de a janela , saiu de o seu transe com um salto . A cabeça de Lavender_Brown saiu de os braços e o cotovelo de o Neville_Longbottom escorregou para fora de a secretária . O professor Binns piscou os olhos . - A minha matéria é História_da_Magia - disse em a sua voz seca e asmática . - Eu trato de factos , Miss_Granger , não de mitos e lendas - pigarreou produzindo um ruído que parecia o giz sobre o quadro e continuou : - Em Setembro de esse ano , uma subcomissão de feiticeiros de a Sardenha ... Parou de repente . A mão de Hermione estava de_novo em o ar . - Sim , Miss_Grant ? - Por favor , professor , as lendas não têm sempre um facto como base ? O professor Binns olhava para ela com tal espanto que Harry teve a certeza de que ele nunca , em tempo algum , fora interrompido por um aluno . - Bem - disse lentamente o professor Binns . - Sim , é uma afirmação que pode fazer se . - Olhou para Hermione como_se fosse a primeira vez que olhasse a sério para um estudante . - Contudo , a lenda de que me fala é tão extraordinária , mesmo grotesca ... Mas a aula inteira estava agora atenta a as palavras de o professor , que olhou indistintamente para todos eles . Harry poderia assegurar que ele estava absolutamente abismado por uma tão grande demonstração de interesse . - Muito bem - disse lentamente . - Ora vejamos ... a Câmara_dos_Segredos . Todos vocês sabem com certeza que Hogwarts foi fundada há mais de um_milhar de anos , não se conhece ao_certo a data , por os quatro maiores feiticeiros e feiticeiras de a época : Godric_Gryffindor , Helga_Hufflepuff , Rowena_Ravenclaw e Salazar_Slytherin . Construíram juntos este castelo , longe de os olhares curiosos de os Muggles porque em aquele tempo a magia era temida por as pessoas comuns e as bruxas e feiticeiros sofriam terríveis perseguições . Fez uma pausa , olhou indeciso em volta e prosseguiu : - Durante alguns anos , os fundadores trabalharam juntos em harmonia procurando outros mais novos que mostrassem sinais de possuir dotes mágicos e trazendo os para o castelo para aqui serem ensinados . Mas os desentendimentos surgiram entre eles . Começou a notar se uma divisão entre Slytherin e os outros . Salazar_Slytherin queria ser mais selectivo em relação a os alunos a serem admitidos em Hogwarts . Achava que os ensinamentos de magia deviam ficar dentro de as famílias de feiticeiros . Não lhe agradava a entrada em a escola de alunos de famílias Muggles porque os achava pouco dignos de confiança . Depois de algum tempo houve uma séria discussão sobre esse assunto entre Slytherin e Gryffindor e Slytherin abandonou a escola . O professor Binns fez uma nova pausa , fazendo beicinho o que o fazia parecer uma tartaruga enrugada . - Fontes fidedignas referem nos isto - disse . - Mas estes factos foram obscurecidos por a fantasiosa lenda de a Câmara_dos_Segredos . Conta a história que Slytherin construíra uma câmara oculta dentro de o castelo cuja existência os outros fundadores ignoravam . De_acordo com a lenda , Slytherin selou a Câmara_dos_Segredos para que ninguém pudesse abri a até o seu verdadeiro herdeiro chegar a a escola . O herdeiro , e apenas ele , poderia abrir a Câmara_dos_Segredos , libertar o horror que lá se encontrava e utilizá o para expurgar a escola de todos aqueles que eram indignos de aprender magia . Houve um silêncio quando ele se calou que não era o habitual silêncio de sono de as aulas de o professor Binns . Havia um desassossego em o ar enquanto todos continuavam a olhá o a a espera de mais . O professor Binns estava ligeiramente aborrecido . - A história toda é um disparate , claro - disse ele . - A escola foi revistada por várias vezes em busca de provas de a existência de essa câmara , por os feiticeiros e bruxas mais conhecedores . Não existe nada . Uma lenda que serviu apenas para assustar os ingénuos . A mão de Hermione estava novamente em o ar . - Professor , o que quer_dizer , ao_certo com « o horror que estava dentro de a câmara » ? - Acredita se que seja uma espécie de monstro que só o herdeiro de Slytherin pode controlar - disse o professor Binns em a sua voz seca e débil . A aula trocou entre si olhares inquietos . - Como vos digo , a coisa não existe - afirmou o professor Binns , desordenando as suas notas . - Não há câmara e não há monstro . - Mas , professor - disse Seamus_Finnigan . - Se a câmara só podia ser aberta por o herdeiro de Slytherin ninguém mais poderia encontrá a . Não é ? - Um disparate pegado - disse o professor Binns , em um tom de voz exasperado . - Se uma longa sucessão de directores e directoras de Hogwarts não a encontraram ... - Mas , professor - começou a dizer Parvati_Patil . Se_calhar é preciso usar magia negra para a abrir ... - Lá porque um feiticeiro não usa magia negra não quer_dizer que não possa , Miss_Pennyfeather - interrompeu o professor Binns . - Repito , se os antecessores de Dumbledore ... - Mas talvez seja preciso fazer parte de os Slytherin , por isso Dumbledore não podia ... - começou Dean_Thomas , mas o professor Binns já estava farto . - Já chega - disse , de modo cortante . - É um mito . Não existe . Não há uma única prova de que Slytherin tenha construído nem mesmo uma despensa para vassouras . Lamento ter vos contado esta história tola . Vamos voltar , se fazem o favor , a a História , a os factos sólidos , verificáveis , credíveis . E em menos_de cinco minutos toda_a classe mergulhara em a sua sonolência habitual . - Eu sempre ouvi dizer que Salazar_Slytherin era um velho retorcido e meio pateta - disse Ron_a_Harry e Hermione enquanto abriam caminho por os corredores cheios , em o final de a aula , para ir arrumar as malas antes de o jantar . - Mas não sabia que ele tinha começado esta coisa de o sangue puro . Eu não ia para os Slytherin nem que me pagassem . Se o chapéu seleccionador me tivesse posto lá , pegava em as malas e ia me embora ... Hermione acenou vivamente , mas Harry não abriu a boca . O estômago parecia ter dado uma volta . Harry nunca contara a o Ron e a a Hermione que o chapéu seleccionador tinha considerado seriamente a possibilidade de o colocar em os Slytherin . Lembrava se como_se tivesse sido em a véspera do_que a vozinha lhe dissera a o ouvido quando pôs o chapéu em a cabeça , um ano antes . * _ Podias vir a ser grande , sabes ? Está tudo aqui em a tua cabeça e Slytherin ajudaria te em o caminho para a grandeza , sem a menor dúvida * ... Mas Harry , que já ouvira falar de a fama de o grupo de os Slytherin de formar magos negros , pensou desesperadamente . - Em os Slytherin , não ! - E o chapéu tinha dito . - Bem , se tens assim tanta certeza ... será melhor os Gryfffndor . Enquanto eram empurrados por a multidão , Colin_Creevey passou por eles . - Olá , Harry ! - Olá , Colin - disse Harry automaticamente . - Harry , Harry , um rapaz de a minha turma tem andado a dizer que tu és ... Mas Colin era tão baixinho que não conseguiu lutar contra a maré de gente que o arrastou até a o vestíbulo . Ouviram o despedir se : - Adeus , Harry - e desaparecer . - O que é_que o rapaz de a turma de ele disse de ti ? - quis saber Hermione . - Que eu sou o herdeiro de Slytherin , imagino - disse Harry , com o estômago ainda a as voltas e lembrou se de repente de o Justin_Finch - _ Fletchley a fugir para não lhe falar , a a hora de o almoço . - As pessoas aqui acreditam em tudo - disse o Ron com repugnância . A multidão diminuiu e conseguiram subir as escadas sem dificuldade . - Achas mesmo_que existe uma Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Ron_a_Hermione . - Não sei - respondeu ela , franzindo a testa . - Dumbledore não conseguiu curar Mrs._Norris e isso leva me a pensar que o que a atacou pode não ser ... humano . Enquanto falava , voltaram uma esquina e encontraram se em o fim de aquele mesmo corredor onde o ataque tinha ocorrido . Pararam para olhar . Estava tudo igual a aquela outra noite , com excepção de a gata Mrs._Norris e havia uma cadeira vazia encostada a a parede , onde podia ler se a mensagem « : __ a câmara foi __ aberta » . - Foi aqui que o Filch montou a guarda - murmurou Ron . Olharam uns para os outros . O corredor estava deserto . - Não deve fazer mal dar uma olhadela aqui - disse Harry , deixando cair a mala e pondo se de quatro para poder gatinhar em busca de pistas . - Marcas de queimadura - disse - aqui e aqui ... - Venham ver isto ! - chamou Hermione . - Que estranho ... Harry levantou se e foi até a a janela que ficava junto de a mensagem . Hermione apontava para o vidro mais alto , onde cerca de uma vintena de aranhas se debatiam em uma aparente luta por atravessar por uma pequena brecha de vidro . Um longo fio prateado balouçava como uma corda , como_se todas tivessem trepado , em a ânsia de chegar lá fora . - Alguma vez viram aranhas agir assim ? - perguntou Hermione , curiosa . - Não - respondeu Harry . - E tu , Ron ? Ron ? Olhou por cima de o ombro . Ron estava de costas , bem lá atrás e parecia lutar contra o impulso de se virar . - O que é_que se passa ? - perguntou Harry . - Eu não gosto de aranhas - disse Ron , de modo tenso . - Nunca me tinhas dito - comentou Hermione , olhando para ele com surpresa . - Estás farto de usar aranhas em as poções ... - Não me importo quando estão mortas - explicou Ron que olhava cautelosamente para todos os lados , menos para a janela . - Não gosto de a maneira como_se mexem . Hermione riu se baixinho . - Não tem graça nenhuma - disse o Ron , furioso . - Se queres saber , quando eu tinha três anos , o Fred transformou o meu ursinho de pelúcia em uma enorme aranha nojenta , por eu lhe ter partido a vassoura de brinquedo . Tu também não gostarias de aranhas se estivesses agarrada a o teu ursinho e , de repente , ele tivesse uma data de pernas e ... Começou a tremer ... Hermione ainda estava a tentar conter o riso . Sentindo que era melhor mudarem de assunto , Harry perguntou : - Lembram se de a água que havia aqui em o chão ? De onde terá vindo ? Alguém a limpou . - Era por aqui - disse o Ron , já recuperado , avançando alguns passos em direcção a a cadeira de o Filch e apontando . - Junto de esta porta . Estendeu a mão para o puxador de a porta , mas retirou a de imediato , como_se se tivesse queimado . - O que foi ? - perguntou Harry . - Não posso entrar aí - disse o Ron bruscamente . - É a casa_de_banho de as raparigas . - Oh , Ron , não está aí ninguém - sossegou o Hermione enquanto se aproximava . - É o lugar de a Murta_Queixosa . Anda , vamos dar uma espreitadela . E ignorando o grande letreiro que dizia « Fora de serviço » Hermione abriu a porta . Era a casa_de_banho mais sombria e deprimente em que Harry tinha posto os pés durante toda_a sua vida . Debaixo_de um grande espelho partido e sujo podia ver se uma fila de lavatórios de pedra , rachados . O chão estava húmido e reflectia a luz fraca de os pavios de algumas velas que ardiam baixinho em os suportes . As portas de madeira de os cubículos estavam todas lascadas e riscadas e uma de elas balouçava fora de as dobradiças . Hermione levou os dedos a os lábios e foi até a o último cubículo . Quando lá chegou disse : - Olá , Murta , como estás ? Harry e Ron foram ver . A Murta_Queixosa flutuava em a cisterna de a casa_de_banho , tirando um ponto negro de o queixo . - Esta é a casa_de_banho de as raparigas - disse a o ver o Ron e o Harry . - Eles não são raparigas . - Não - concordou Hermione . - Eu só queria mostrar lhes como esta casa_de_banho é ... er ... simpática . Ela fez um aceno vago a o velho espelho sujo e a o chão húmido . - Pergunta lhe se viu alguma coisa - sussurrou o Ron a a Hermione . - Porque estão a dizer segredinhos ? - perguntou a Murta , fitando o . - Não é nada - disse Harry rapidamente . - Queríamos perguntar ... - Gostava que as pessoas parassem de falar em as minhas costas ! - desabafou a Murta em uma voz abafada por as lágrimas . - Eu tenho sentimentos , sabem , apesar_de estar morta . - Murta , ninguém quis aborrecer te - explicou Hermione . - O Harry só ... - A minha vida foi uma infelicidade em este lugar e agora as pessoas vêm estragar a minha morte . - Nós queríamos perguntar te se tinhas visto alguma coisa estranha ultimamente - disse Hermione sem perder tempo . - Porque foi atacada uma gata mesmo aqui a a frente de a tua porta em a noite de o * _ Hallowe'en * . - Viste alguém aqui perto em essa noite ? - insistiu Harry . - Não estava a prestar atenção - disse a Murta com ar dramático . - O Peeves aborreceu me tanto que vim aqui para tentar matar me . Só então me lembrei de que estou ... de que estou ... - Já morta - ajudou o Ron . A Murta soluçou tragicamente , elevou se em o ar , voltou se e mergulhou de cabeça em a sanita , espalhando água por_cima_de todos eles e desaparecendo . Por o som de os seus soluços abafados fora certamente descansar algures em o cano em forma de V._Harry e Ron ficaram de boca aberta , mas Hermione encolheu os ombros de cansaço e disse : - Se querem saber , para a Murta isto até foi alegre ... vá , vamos embora . Harry tinha acabado de fechar a porta deixando atrás os soluços gorgolejantes de a Murta quando uma voz forte o fez dar um salto . - RON ! Percy_Weasley estava parado em o cimo de as escadas com o seu distintivo de prefeito a brilhar e uma expressão chocadíssima em o rosto . - Isso é a casa_de_banho de as raparigas ... o que é_que vocês ... ? - Estávamos só a dar uma vista de olhos - exclamou o Ron - a a procura de pistas ... Percy engoliu em seco , de uma maneira que fez Harry lembrar se de Mrs._Weasley . - Saiam imediatamente de aqui - disse , aproximando se de eles a passos largos e gesticulando agitadamente . - Não se preocupam com as aparências ? Voltar aqui enquanto toda_a_gente está a jantar ... - Porque não havíamos de estar aqui ? - perguntou cheio de vivacidade o Ron , parando de repente e olhando Percy em os olhos . - Ouve lá , nós não tocamos em aquela gata . - Isso foi o que eu tentei explicar a a Ginny - respondeu Percy furioso - mas ela parece continuar a pensar que vocês vão ser expulsos . Nunca a vi tão aflita . Não pára de chorar . Devias pensar em ela . Todos os alunos de o primeiro ano andam superexcitados com esta história . - Tu não estás nada preocupado com a Ginny - disse o Ron já com as orelhas vermelhas . - O que te assusta é_que eu possa estragar as tuas possibilidades de ser chefe de turma . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor ! - bradou Percy , apontando elegantemente para o distintivo de prefeito . - E espero que te sirva de lição . Acabou se o trabalho de detective ou escrevo a a mãe a contar lhe . E voltou lhes as costas , a nuca tão vermelha como as orelhas de o Ron . Harry , Ron e Hermione , em essa noite , sentaram se em a sala comum o mais longe possível de Percy . Ron estava ainda muito maldisposto e não parava de esborratar o trabalho de casa de os encantamentos . Quando pegou distraidamente em a varinha para tirar as manchas incendiou o pergaminho . A deitar quase tanto fumo como o seu trabalho de casa , fechou bruscamente o * _ Livro_Padrão_de_Encantamentos de o 2.o Grau * . Para grande surpresa de Harry , Hermione fez o mesmo . - Mas quem poderia ser - perguntou ela baixinho como_se continuasse uma conversa que tinham acabado de ter . - Quem quereria todos os * busca-pés * e filhos de Muggles fora de Hogwarts ? - Vamos pensar - disse o Ron em a brincadeira , fingindo estar confuso . - Quem poderemos nós conhecer que ache que os familiares de Muggles são escumalha ? Olhou para Hermione . Ela olhou para ele pouco convencida . - Se estás a pensar em o Malfoy ... - Claro que estou - disse o Ron . - Tu ouviste o dizer : - Vocês serão os próximos , sangues de lama ! - Aliás , basta olhar para aquela cara de renegado para saber que ele é ... - Malfoy , o herdeiro de Slytherin ? - repetiu Hermione cepticamente . - Olha para a família de ele - disse Harry , fechando também os livros . - Todos eles estiveram em os Slytherin . O Draco está sempre a vangloriar se de isso . Podiam bem ser descendentes de Slytherin . O pai de ele é suficientemente mau . - Podiam perfeitamente ter tido a chave de a Câmara_dos_Segredos durante séculos - disse Ron - , fazendo a passar de pai para filho . - Bem - acedeu Hermione cautelosamente . - Seria possível ... - Mas como prová o ? - perguntou Harry tristemente . - Talvez haja um meio - sugeriu Hermione lentamente , baixando ainda mais a voz e lançando um olhar , através de a sala , a Percy . - É claro que não é fácil . E é perigoso , muito perigoso . Suponho que iríamos infringir cerca de cinquenta regras de a escola . - Se de aqui a um mês ou dois te decidires a explicar , avisa , está bem ? - disse Ron , que começava a ficar irritado . - Está bem - concordou Hermione friamente . - O que precisaríamos de fazer para entrar em a sala comum de os Slytherin e fazer algumas perguntas a o Malfoy , sem ele perceber que éramos nós ? - Mas isso é impossível - declarou Harry , enquanto Ron se ria . - Não , não é - continuou Hermione . - Só precisamos de um_pouco de poção * polisuco * . - O que é isso ? - perguntaram ao_mesmo_tempo Ron e Harry . - O Snape falou de ela em uma aula , há poucas semanas atrás . - Achas que não temos mais o que fazer do_que ouvir o Snape ? - murmurou o Ron . - Transforma nos em outra pessoa . Pensem em isso : podíamos transformar nos em três de os Slytherin . Ninguém saberia que éramos nós . É provável que o Malfoy nos contasse alguma coisa . Aposto que ele está a gabar se , em este momento , em a sala de os Slytherin , se ao_menos pudéssemos ouvi o . - Essa coisa de o * polisuco * cheira me um bocado mal - disse o Ron , franzindo as sobrancelhas . - E se ficarmos com a forma de os três Slytherin para sempre ? - Desaparece a o fim de algum tempo - disse Hermione , gesticulando impacientemente com a mão - mas conseguir a receita é muito difícil . O Snape disse que vinha em um livro chamado * _ As_Mais_Potentes_Poções * e está com certeza em a parte de os reservados de a biblioteca . Só havia uma maneira de obter o livro de os reservados : era com uma autorização assinada por um professor . - Não estou a ver porque quereríamos o livro - disse o Ron . - Se não para tentar fabricar uma de as poções . - Eu acho - sugeriu Hermione - que se fizéssemos parecer que o nosso interesse era apenas teórico , talvez conseguíssemos ... - Estás a sonhar , nenhum professor ia cair em essa - afirmou o Ron . - Só se fosse muito burro . X_A * bludger * perigosa Depois de o desastroso incidente de os duendes , o professor Lockhart não voltou a levar seres vivos para as aulas . Em vez de isso , lia a os alunos passagens de os seus livros e , por vezes , voltava a desempenhar alguns de os episódios mais dramáticos . Costumava chamar Harry para o ajudar em essas reconstruções . Até ali Harry fora obrigado a desempenhar o papel de um camponês de a Transilvânia que Lockhart curara de uma maldição murmurada , o abominável homem de as neves com dores de cabeça e um vampiro que depois de ter conhecido Lockhart tinha ficado incapaz de comer outra coisa que não fosse alfaces . Harry foi chamado para a frente de a classe durante a aula de Defesa contra as artes negras que se seguiu . Desta_vez para desempenhar o papel de um lobisomem . Se não tivesse um bom motivo para querer ver o Lockhart bem-disposto , teria se recusado . - Um uivo bem alto , excelente , Harry , isso mesmo . E foi então que , acreditem ou não , eu o ataquei de repente , assim . Atirei o a o chão , agarrei o com uma mão e com a outra consegui meter lhe a varinha em a garganta . Então , com a força que me restava pus em prática o complicadíssimo encantamento * _ Homorphus * . Harry soltou um uivo tristíssimo . - Vá lá , Harry , mais alto . Bom ... o pêlo desapareceu , os dentes diminuíram de tamanho e ele transformou se em um homem . Simples , mas eficaz e mais uma cidade ficará a lembrar se de mim para sempre como o herói que os libertou de os ataques mensais de o lobisomem . A campainha tocou e Lockhart pôs se de pé . - Trabalho para_casa : escrever um poema sobre a minha vitória sobre o lobisomem Wagga_Wagga . Há um exemplar autografado de * _ Eu , o Mágico * para o autor de o melhor poema . Os alunos começaram a sair . Harry voltou para trás e foi juntar se a o Ron e a a Hermione que estavam a a espera de ele . - Prontos ? - perguntou . - Espera até saírem todos - disse Hermione bastante nervosa . - Pronto ... Aproximou se de a secretária de Lockhart , apertando em a mão uma folha de papel , com o Ron e o Harry atrás . - Er ... professor Lockhart - gaguejou Hermione . - Eu queria requisitar este livro em a biblioteca , como leitura de apoio - entregou lhe o papel , com a mão ligeiramente trémula . - Só que faz parte de a secção de os reservados , por isso preciso de a assinatura de um professor . Acho que o livro me vai ajudar a compreender o que o senhor diz em * _ Passeios com Vampiros * acerca de os venenos de acção lenta ... - Ah , * _ Passeando com Vampiros * - disse Lockhart , pegando em a folha de papel de Hermione e sorrindo lhe abertamente . - E provavelmente o meu livro preferido . Gostou ? - Oh , muito - disse Hermione avidamente . - Tão inteligente o modo como apanhou o último com o passador de o chá . - Bem , tenho a certeza que ninguém se importará que eu dê uma ajudazinha suplementar a a melhor aluna de o segundo ano - disse Lockhart calorosamente , sacando de uma enorme pena de pavão . - É bonita , não é ? - comentou , adivinhando uma expressão de repulsa em a cara de o Ron . - Costumo guardas a para as minhas assinaturas de autógrafos . Rabiscou uma enorme assinatura cheia de altos e baixos e entregou a a Hermione . - Então , Harry - disse Lockhart enquanto Hermione dobrava a folha e a guardava em o saco . - Amanhã é a primeira partida de Quidditch de este ano , não é ? Gryffindor contra Slytherin . Ouvi dizer que és um jogador indispensável . Eu também fui * seeker * . Convidaram me inclusivamente para fazer parte de a Equipa_Nacional , mas eu preferi dedicar a minha vida a a erradicação de as forças de o mal . Mesmo_assim , se alguma vez precisares de um treino particular , não hesites em falar comigo , estou sempre disponível para partilhar a minha perícia com os jogadores menos dotados do_que eu . Harry fez um som indistinto com a garganta e saiu atrás_de Ron e Hermione . - Não acredito - disse quando os três examinavam a assinatura de Lockhart . - Ele nem viu que livro nós queríamos . - É porque é um idiota sem miolos - explicou o Ron . - Mas , quem se rala , temos o que queríamos . - Ele não é um idiota sem miolos - gritou Hermione com voz esganiçada enquanto se aproximavam quase a correr de a biblioteca . - Só porque ele disse que eras a melhor aluna de o segundo ano ... Baixaram as vozes a o entrar em a quietude abafada de a biblioteca . Madam_Prince , a bibliotecária , era uma mulher magra e irritável que parecia um abutre mal nutrido . - * _ Moste_Potente_Potions * ? - repetiu intrigada , tentando ficar com a folha de papel que Hermione se recusava a entregar lhe . - Gostava de a guardar para mim - disse sem fôlego . - Vá lá - intercedeu Ron , arrancando lhe a de as mãos e entregando a a Madam_Prince . - Nós arranjamos te outro autógrafo . O Lockhart assina tudo se aqui ficar muito_tempo . Madam_Prince pegou em o papel e voltou o em a direcção de a luz , decidida a descobrir uma falsificação , mas a assinatura passou em o teste . Desapareceu entre as estantes e voltou alguns minutos mais tarde , transportando um livro grande e de aspecto antiquado . Hermione meteu o com todo o cuidado em o saco e saíram , tentando não andar depressa de mais nem aparentar um ar culpado . Cinco minutos depois , estavam de_novo barricados em a casa_de_banho fora de serviço de a Murta_Queixosa . Hermione destruíra as objecções de Ron argumentando que aquele era o último lugar onde alguém em o seu juízo perfeito se lembraria de ir e que poderia assegurar lhes alguma privacidade . A Murta_Queixosa chorava ruidosamente em o seu cubículo , mas eles conseguiram ignorá a assim_como ela a eles . Hermione abriu * _ Moste_Potente_Potions * com todo o cuidado e inclinaram se os três sobre as páginas manchadas de humidade . Era fácil de perceber , logo à_primeira_vista de olhos , porque pertencia a a secção de os reservados . Algumas de as poções tinham efeitos quase impensáveis de tão macabros e havia ilustrações bastante desagradáveis , como , por_exemplo , aquela em que um homem parecia ter sido virado de o avesso e a de a bruxa com vários pares de braços suplementares a nascerem lhe em a cabeça . - Aqui está - disse Hermione excitadíssima a o encontrar a página intitulada « A poção * polisuco * « . Estava ilustrada com imagens de pessoas a meio de o processo de se transformarem em outras pessoas e Harry desejou ardentemente que a expressão de dor intensa que se lhes espelhava em o rosto fosse apenas produto de a imaginação de o artista desenhador . - Esta é a poção mais complicada que vi até hoje - disse Hermione enquanto examinava a receita . - Moscas asas de renda , sanguessugas , fluxo de cizânias e verdezelha - murmurou , acompanhando com o dedo a lista de ingredientes . - Bem , esses são relativamente simples , há os em a despensa de material de os estudantes , podemos tirar a a nossa vontade . Oh ! Vê só , pó de chifre de bicórneo ... não sei onde vamos arranjar isto ... e , é claro , um pedacinho de a pessoa em quem queremos transformar nos . - Como ? - perguntou Ron de forma cortante . - O que é_que queres dizer com um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos ? Eu não bebo nada que tenha lá dentro as unhas de os pés de o Crabbe ... Hermione continuou como_se não o tivesse ouvido . - Mas não temos que nos preocupar com isso por enquanto . Fica para o fim . Ron voltou se sem palavras para o Harry que tinha uma preocupação de outro tipo . - Já viste bem tudo_o_que vamos ter que roubar , Hermione ? Algumas coisas , não estão de certeza em a despensa de material de os alunos . O que é_que vamos fazer , arrombar os armários pessoais de o Snape ? Não sei se será uma boa ideia ... Hermione fechou o livro com um estrondo . - Bem , se vocês os dois se vão acagaçar , então está lindo - disse ela . Tinha as bochechas rosadas e os olhos mais brilhantes do_que era habitual . - Eu não gosto de quebrar regras , vocês sabem , mas acho que ameaçar os filhos de os Muggles é muito pior do_que construir uma poção difícil . Mas se vocês não querem descobrir se é o Malfoy , eu posso voltar já a a biblioteca e entregar o livro a Madam_Prince ... - Nunca pensei que chegaria o dia em que serias tu a convencer nos a quebrar regras - disse o Ron . - Está bem , vamos em essa , mas sem unhas de os pés , O. _ K. ? - Quanto tempo vai isso demorar a fazer , afinal ? - perguntou Harry quando Hermione , já com um ar mais satisfeito , voltou a abrir o livro . - Bem , como o fluxo de cizânias tem de ser recolhido durante a lua cheia e as asas de renda têm de ser abafadas durante vinte_e_um dias ... eu diria que se conseguirmos arranjar todos os ingredientes estará pronta dentro_de um mês . - Um mês ? - exclamou o Ron . - Nessa_altura já o Malfoy terá atacado metade de os filhos de Muggles ! - mas os olhos de Hermione contraíram se de_novo assustadoramente e ele acrescentou rapidamente . - Mas é o melhor plano que temos , por isso é melhor não olharmos para trás . Apesar_de tudo , enquanto Hermione verificava que não havia ninguém em os corredores e podiam sair de a casa_de_banho , Ron murmurou a Harry : - Seria muito mais simples se conseguisses , amanhã , atirar o Malfoy de a vassoura abaixo . Harry acordou cedo em o sábado de manhã e ficou um bocado a pensar em a partida de Quidditch que vinha a seguir . Estava nervoso , principalmente pelo que Wood diria se os Gryffindor perdessem , mas também com a ideia de enfrentar uma equipa apetrechada com as vassouras mais velozes que existiam . Nunca desejara tanto vencer os Slytherin como em aquele dia . Depois de meia_hora deitado com a barriga a dar horas , resolveu levantar se , vestir se e descer para tomar o pequeno-almoço . Lá em baixo , encontrou o resto de a equipa de os Gryffindor amontoada a o longo de a mesa comprida e vazia , todos eles com ar preocupado e sem vontade de conversar . Como_se aproximavam as onze horas , todos os alunos de a escola começaram a dirigir se para o estádio de Quidditch . O dia estava quente e húmido , com uma ameaça de trovoada em o ar . Ron e Hermione vieram apressadamente desejar a Harry boa sorte mal ele entrou em os vestiários . A equipa de os Gryffindor pôs os seus mantos vermelhos e sentou se para ouvir o discurso que Wood lhes fazia sempre antes de o jogo . - Os Slytherin têm vassouras melhores do_que nós - começou . - Não há como negá o . Mas nós temos gente melhor em cima de as vassouras . Treinámos mais do_que eles , voamos com todas_as condições climatéricas ( É bem verdade - murmurou George_Weasley - desde Agosto que não sei o que é estar seco ) . - E vamos fazê os engolir o dia em que deixaram aquele nojento de o Malfoy comprar a entrada em a equipa de eles . Com o peito agitado por a comoção , Wood voltou se par Harry . -- Cabe te a ti , Harry , mostrar lhes que um * seeker * tem de ter mais do_que um pai rico . Agarra a * snitch * antes d Malfoy ou morre a tentar porque temos absolutamente que vencer , hoje , Harry , temos que vencer . - Sem ansiedade , Harry - disse o Fred , piscando lhe o olho . Quando saíram em direcção a o campo , foram saudado por uma grande ovação principalmente de a parte de os Ravenclaw e de os Hufflepuff que estavam ansiosos por ver os Slytherin serem derrotados , mas os Slytherin que estavam entre a multidão também fizeram ouvir as suas vaias e pateadas . Madam_Hooch , a professora de Quidditch , pediu a Flin e Wood que apertassem as mãos o que eles fizeram , lançando um_ao_outro olhares ameaçadores , cada_um apertando a mão de o outro com mais força do_que aquela que seria necessário . - Atenção a o apito - disse Madam_Hooch . - Três , dois , um ... Com um bramido de a multidão para que subissem rapidamente , os catorze jogadores elevaram se em o céu cor de chumbo . Harry , mais alto do_que qualquer de os outros olhando para todos os lados em busca de a * snitch * . - Tudo bem , testa de cicatriz ? - gritou Malfoy , disparando por baixo de ele para lhe mostrar a velocidade de a sua vassoura . Harry não teve tempo de responder . Em esse preciso momento uma * bludger * preta e bem pesada veio direitinha a ele . Evitou a tão por um triz que ainda sentiu em os cabelos o ar que ela deslocara . - Foi por_pouco , Harry ! - exclamou o George , passando com grande rapidez , de bastão em a mão , pronto para lançar a * bludger * contra um Slytherin . Harry viu o dar a a * bludger * uma fortíssima pancada em direcção a Adrian_Pucey , mas a bola mudou de rumo em o meio de o ar e dirigiu se de_novo a Harry . Harry desceu rapidamente para se esquivar e George conseguiu lançá a contra Malfoy . Mais_uma_vez a * bludger * actuou como um * boomerang * e apontou a a cabeça de Harry . Harry ganhou velocidade e disparou contra o outro extremo de o campo . Ouvia o assobio de a * bludger * que o perseguia . O que era aquilo ? As * bludgers * nunca se concentravam assim em um único jogador , a sua função era tentar desmontar o maior número possível de intervenientes . Fred_Weasley esperava por a * bludger * em o extremo oposto . Harry baixou se quando o viu balançar se em frente de ela com toda_a garra . A * bludger * foi lançada para_fora_de campo . - Pronto , já está tudo resolvido - gritou Fred satisfeito , mas estava bastante enganado . Como_se fosse magneticamente atraída para Harry , a * bludger * lançou se de_novo contra ele e Harry teve de voar a_toda_a velocidade . Começara a chover . Harry sentia as gotas pesadas caírem lhe em o rosto , turvando lhe as lentes de os óculos . Não fazia ideia do_que se passava em o resto de o jogo , até ouvir Lee_Jordan que fazia o comentário dizer : - Os Slytherin vão a a frente com seis contra zero . As vassouras de qualidade superior de os Slytherin estavam obviamente a cumprir a sua função e enquanto isso , a * bludger * maluca fazia todos os possíveis para deitar abaixo o Harry . Fred e George voavam agora tão perto de ele , um de cada lado , que Harry não via senão os seus braços a balouçar e , se não conseguia ver a * snitch * , muito menos agarrá a . - Alguém enfeitiçou esta * bludger * - resmungou Fred , preparando o bastão com toda_a força quando ela se lançava de_novo contra Harry . - Precisamos de tempo - disse George , tentando fazer sinal a Wood enquanto evitava que a bola partisse o nariz a o Harry . Wood captou obviamente a mensagem . O apito de Madam_Hooch fez se ouvir e Harry , Fred e George desceram , tentando ainda evitar a * bludger * maluca . - O que é_que se passa ? - perguntou Wood enquanto a equipa de os Gryffindor se amontoava desordenadamente e os Slytherin , em o meio de a multidão , lançavam piadas . - Estamos a ser esmagados . Fred , George , onde estavam vocês quando aquela * bludger * impediu a Angelina de marcar ? - Estávamos seis metros acima , evitando que a outra * bludger * matasse o Harry , Oliver - gritou George furioso . - Alguém preparou isto , a bola não deixa o Harry em paz , ainda não perseguiu mais ninguém desde_que o jogo começou . Os Slytherin fizeram aqui qualquer coisa . - Mas as * bludgers * têm estado fechadas em o escritório de Madam_Hooch desde o último treino , e nessa_altura estava tudo bem ... - disse Wood ansiosamente . Madam_Hooch aproximava se . Por cima de o ombro de ela , Harry pôde ver a equipa de os Slytherin a escarnecer e apontar em a sua direcção . - Ouçam - disse o Harry , enquanto ela se aproximava . - Com vocês os dois a voarem sempre colados a mim , só vou apanhar a * snitch * se ela voar até a a minha manga . Voltem se para o resto de a equipa e deixem a tratante comigo . - Não sejas bronco - disse o Fred . - Ela arranca te a cabeça . Os olhos de Wood saltavam de Harry_para_os_Weasley . - Oliver , isto_é uma loucura - disse Alicia_Spinet , zangada . - Não podes deixar o Harry sozinho entregue a aquela coisa . Vamos pedir uma investigação . - Se pararmos agora , teremos de dar a partida como perdida e não vamos deixar os Slytherin ganhar , só por_causa_de uma * bludger * maluca . Vá lá , Oliver , diz lhes que me deixem sozinho . - A culpa é toda tua . * _ Agarra a snitch ou morre a tentar * , se isso é lá coisa que se diga . Madam_Hooch tinha se lhes juntado . - Prontos para retomar a partida ? - perguntou a Wood . Wood olhou para o ar determinado de Harry . - Deixem o sozinho , ele é capaz de lidar com a * bludger * . A chuva era agora mais pesada . A o apito de Madam_Hooch , Harry elevou se em os ares e ouviu o barulhinho de a * bludger * atrás_de si . Subiu cada_vez_mais alto . Fez acrobacias em espiral , descidas rápidas , ziguezagueou e rolou . Apesar_de ligeiramente estonteado , não deixou nunca de ter os olhos bem abertos . A chuva salpicava lhe os óculos e entrava lhe por as narinas , quando ele se voltou de cabeça para baixo , evitando outra forte investida de a * bludger * . Ouviu os risos de a multidão . Sabia que devia parecer ridículo , mas a * bludger * maluca era pesada e não podia mudar de direcção tão rapidamente quanto ele . Iniciou uma corrida que parecia de feira de diversões em volta de os extremos de o estádio , olhando de soslaio , através de os lençóis prateados de chuva , para os postes de os Gryffindor , onde Adrian_Pucey tentava passar por Wood . Um assobio junto de os ouvidos disse a Harry que a * bludger * falhara uma_vez_mais . Voltou se e voou rapidamente em a direcção oposta . - Estás a ensaiar * ballet * , Potter - gritou Malfoy quando Harry foi obrigado a fazer uma reviravolta estúpida em o ar para se esquivar mais_uma_vez de a * bludger * . Lá foi ele , com a * bludger * atrás a alguns metros de distância . E foi então que , olhando para Malfoy , furioso , a viu , a * snitch * de ouro . Flutuava alguns centímetros acima de os ouvidos de Malfoy que , de tão preocupado a escarnecer de Harry , nem dera por ela . Durante um momento angustiante , Harry ficou quieto em o ar , não ousando dirigir se a Malfoy , não fosse ele olhar para_cima e ver a * snitch * . PUM ! Tinha ficado parado tempo de mais . A * bludger * batera lhe , por fim , apanhando lhe o cotovelo e Harry sentiu o braço a partir se . Debilmente , desorientado por a dor cauterizante em o braço , Harry deslizou para um de os lados em a sua vassoura encharcada , um joelho ainda dobrado , o braço direito a balouçar , inútil , a o seu lado . A * bludger * veio de_novo , preparada para mais um ataque , desta_vez apontada a o seu rosto . Harry desviou se com uma intenção : chegar a Malfoy . Através_de uma nuvem de chuva e dor desceu até a o rosto tremeluzente e trocista e viu os olhos de ele dilatarem se de medo : Malfoy pensou que Harry ia atacá o . - Que diabo ... - resmungou , afastando se de o caminho . Harry tirou a outra mão de a vassoura e fez uma tentativa para agarrar qualquer coisa . Sentiu os dedos fecharem se em volta de a * snitch * dourada , mas conduzia agora a vassoura apenas com as pernas e ouviu se um grito de a multidão cá em baixo , quando ele fez a descida , tentando não desmaiar . Com um ruído seco caiu em a terra enlameada e rolou para fora de a vassoura . O braço tinha um ângulo um_pouco estranho . Torcendo se com dores , ouviu a a distância os assobios e os gritos . Concentrou se em a * snitch * que tinha fechada em a outra mão . - Ai - disse vagamente . - Ganhámos o jogo . E desmaiou . Voltou a si com a chuva a cair lhe em o rosto , ainda deitado em o campo , com alguém inclinado sobre ele . Viu um brilho de dentes brancos . - Oh , não , você não - gemeu . - Não sabe o que diz - afirmou Lockhart bem alto a a ansiosa multidão de Gryffindor que o comprimiam . - Não te preocupes , Harry , eu vou tratar de o teu braço . - Não - gritou Harry . - Eu fico com ele assim , obrigado . Tentou sentar se , mas a dor era enorme . Ouviu um « clique » familiar . - Não quero fotografias de isto , Colin - disse em voz alta . - Deita te para trás , Harry - insistiu Lockhart com toda_a calma . - É um encantamento muito simples que eu fiz imensas vezes . - Porque não me levam só para a ala hospitalar ? - perguntou Harry entredentes . - Seria o melhor , professor - disse a voz rouca de o Wood que não conseguia deixar de sorrir , apesar_de o seu * seeker * estar ferido . - Grande captura , Harry , verdadeiramente espectacular , a tua melhor jogada , em a minha opinião . Em o meio de a floresta de pernas que o rodeava , Harry avistou Fred e George_Weasley , metendo a * budger * perigosa em uma caixa . Continuava a dar uma luta enorme . - Para trás - ordenou Lockhart , que tinha arregaçado as mangas verde jade . - Não , eu não ... - protestou debilmente Harry , mas Lockhart tinha a varinha em a mão e , um segundo depois , apontava a para o braço de Harry . Uma sensação estranha e desagradável começou em o ombro e espalhou se , chegando a as pontas de os dedos . Parecia que o braço inteiro tinha sido esvaziado . Não foi capaz de olhar para o que estava a suceder . Tinha fechado os olhos , voltado o rosto para o outro lado , mas os seus maiores receios concretizaram se quando as pessoas lá em cima se sobressaltaram e Colin_Creevey começou a tirar fotografias como um louco . O braço deixara de lhe doer , mas parecia tudo menos um braço . - Ah ! - disse Lockhart . - Sim , bem isto às_vezes acontece . Mas o importante é_que os ossos já não estão partidos . Isso é o mais importante . Portanto , Harry , vai até a a ala hospitalar ... ah ! Mr._Weasley , Miss_Granger , poderiam levá o lá ? E Madam_Pomfrey poderá ... er ... arranjar um_pouco isso . Quando Harry se pôs de pé sentiu se estranhamente desequilibrado . Depois de respirar fundo , olhou para o lado direito e o que viu quase o fez desmaiar de_novo . Pendurado em a extremidade de a sua túnica estava o que parecia ser uma espessa e colorida luva de borracha . Tentou mexer os dedos mas ... em vão . Lockhart não consertara os ossos de Harry . Retirara os . M. dam Pomfrey não ficou nada satisfeita . - Devias ter vindo logo ter comigo - ralhou , segurando os restos tristes e moles de aquilo que antes fora um braço activo . - Eu conserto ossos em um segundo , mas fazê os crescer de_novo ... - Vai conseguir , não vai ? - perguntou Harry desesperado . - Sim , com certeza , mas vai ser doloroso - disse Madam_Pomfrey de modo severo , entregando lhe um pijama . - Vais ter que ficar cá esta noite ... Hermione esperou de o lado de_fora de a cortina que rodeava outra cama enquanto Ron ajudava Harry a vestir se . Levou algum tempo a enfiar o braço que parecia borracha dentro_de uma manga de o pijama . - Como é_que podes continuar a defender o Lockhart depois disto , Hermione ? - perguntou Ron através de as cortinas , enquanto puxava os dedos moles de o Harry por uma manga . - Se o Harry quisesse ser desossado , teria pedido . - Todos podem enganar se - disse Hermione . - E deixou de doer , não deixou , Harry ? - Sim - disse ele - mas também ficou incapaz de fazer seja o que for . Quando se meteu em a cama , o braço agitou se despropositadamente . Hermione e Madam_Pomfrey entraram . Madam_Pomfrey segurava uma grande garrafa com o rótulo * Skele - _ Gro * . - Vais ter uma noite difícil - preveniu , enchendo um pequeno copo fumegante e dando lhe a beber . - Fazer crescer ossos é uma coisa difícil . Tomar o * _ Skele - _ Gro * também . Queimou a boca e a garganta de o Harry a o descer , fazendo o tossir e cuspir . Resmungando sobre os desportos perigosos e os professores incapazes , Madam_Pomfrey retirou se , deixando Ron e Hermione a ajudar Harry a engolir um_pouco de água . - Mas ganhámos o jogo - disse o Ron com um sorriso em o rosto . - A tua jogada foi em grande . A cara de o Malfoy ... parecia que queria matar alguém . - Eu vou descobrir como é_que enfeitiçaram aquela * bludger * - disse Hermione com ar sombrio . - Podemos juntar essa pergunta a a lista de todas_as que queremos fazer a o Malfoy quando tomarmos a poção * _ Polisuco * - disse Harry , afundando se de_novo em as almofadas . - Espero que tenha um sabor melhor do_que esta coisa ... - Com um bocado de os Slytherin lá dentro , deves estar a brincar - disse o Ron . A porta de a ala hospitalar abriu se em esse momento e , completamente encharcados , entraram os restantes membros de a equipa de os Gryffindor , para ver o Harry . - Um voo inacreditável - disse George . - Acabei de ver Marcus_Flint a gritar com o Malfoy . Qualquer coisa sobre ter a * snitch * mesmo em cima de a cabeça e não ter dado por nada . O Malfoy não parecia nem um_pouco satisfeito . Tinham trazido bolos , rebuçados e garrafas de sumo de abóbora . Juntaram se em volta de a cama de Harry e estavam a dar início a o que prometia ser uma grande festa quando Madam_Pomfrey entrou a vociferar : - Este rapaz precisa de repouso . Tem trinta_e_três ossos a crescer . Fora de aqui . FORA ! E Harry ficou sozinho , sem nada que o distraísse de as dores agudas em o seu braço mole . Muitas horas mais tarde , Harry acordou subitamente em a escuridão total e soltou um pequeno grito de dor : sentia agora o braço cheio de estilhaços . Durante alguns segundos pensou que tinha sido a dor a acordá o . Depois , com um arrepio de horror , apercebeu se de que alguém estava a passar lhe uma esponja em a testa . - Sai de aqui - gritou , e em seguida : - Dobby ! Os olhos de o tamanho de bolas de ténis de o elfo doméstico estavam a olhá o em o escuro , uma lágrima grossa rolava por o seu enorme nariz . - Harry_Potter voltou a a escola - murmurou , infeliz . - Dobby avisou e voltou a avisar Harry_Potter . Ah ! senhor , porque não deu ouvidos a Dobby ? Porque não voltou Harry_Potter para_casa quando perdeu o comboio ? Harry ergueu se um_pouco , encostando se a as almofadas e afastou a esponja de o elfo . - O que estás a fazer aqui ? - perguntou . - E como sabes que eu perdi o comboio ? O lábio de Dobby tremeu e Harry foi assaltado por uma dúvida . - Foste tu . Tu impediste que a barreira nos deixasse passar . - Em a verdade fui eu , senhor - disse Dobby , acenando com a cabeça e com as orelhas a abanar . - Dobby escondeu se , esperou por Harry_Potter e selou a barreira . A seguir , Dobby teve de pôr as mãos em o ferro de engomar - mostrou a o Harry dez dedos longos embrulhados em ligaduras . - Mas Dobby não se importou , senhor , porque pensou que Harry_Potter estava a salvo e nunca Dobby sonhou que mesmo_assim ele viria para a escola ! Balançava se para a frente e para trás , sacudindo a cabeça feia . - Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry_Potter tinha voltado a a escola que deixou queimar o jantar de os seus donos . Dobby nunca tivera um castigo tão grande , senhor . Harry afundou se de_novo em as almofadas . - Quase conseguiste que nos expulsassem , a mim e a o Ron - disse furioso . - É melhor desapareceres de aqui antes que os meus ossos voltem a estar bem , Dobby , ou ainda te estrangulo . O elfo sorriu . - Dobby está habituado a ameaças de morte , senhor . Dobby recebe as cinco vezes por dia em a casa onde mora . Encostou o nariz a um canto de a fronha que usava , ficando tão ridículo que Harry sentiu a raiva desvanecer se , apesar_de tudo . - Porque usas essa coisa , Dobby ? - perguntou com curiosidade . - Isto , senhor ? - disse Dobby apontando para a fronha de almofada . - É uma prova de escravatura de o elfo doméstico , senhor . Dobby só pode ser libertado se os donos lhe derem roupa , senhor . A família tem o cuidado de não dar a o Dobby nem uma peúga , senhor , porque ele poderia ficar livre e deixar a casa para sempre . Dobby limpou os olhos protuberantes e disse subitamente : - Harry_Potter deve ir para_casa . Dobby achou que a sua * bludger * seria o suficiente para o fazer ... - A tua * bludger * ? - disse Harry com a raiva a crescer novamente dentro de ele . - Que queres tu dizer com a tua bludger * ? Foste tu quem fez com que aquela bola tentasse matar me ? - Matar não , senhor . Matar , nunca ! - disse o elho chocado . - Dobby quer salvar a vida de Harry_Potter . É melhor ir para_casa ferido do_que ficar aqui , senhor . Dobby só queria Harry_Potter suficientemente ferido para voltar para_casa . - Só isso ? - disse Harry furioso . - Imagino que não vais dizer me porque querias mandar me para_casa a os bocados ? - Ah ! se Harry_Potter soubesse ! - gemeu Dobby , com mais lágrimas a escorrerem lhe por a fronha esfarrapada . - Se pudesse saber o que significa para nós , para os humildes , os escravizados , nós , a escória social de o mundo mágico ! Dobby lembra se de como eram as coisas quando Aquele cujo nome não deve ser pronunciado estava em o auge de o poder , senhor ! Nós , os elfos domésticos éramos tratados como animais , senhor ! É claro que Dobby ainda é tratado assim - admitiu , secando o rosto em a fronha de almofada . - Mas , em a sua maioria , a vida melhorou bastante para os de a minha espécie desde_que Harry_Potter triunfou sobre Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Harry_Potter sobreviveu e o poder de os senhores de o Mal foi quebrado e veio uma nova alvorada , senhor , e Harry_Potter brilhou como um farol de esperança para aqueles de entre nós que já pensavam que a longa noite nunca mais teria fim , senhor ... e agora em Hogwarts vão acontecer coisas terríveis , talvez já esteiam a acontecer e Dobby não pode deixar Harry_Potter ficar aqui , agora_que a história vai repetir se , agora_que a Câmara_dos_Segredos está de_novo aberta . Dobby calou se horrorizado . Em seguida agarrou em o jarro de a água que Harry tinha a a cabeceira e bateu com ele em a própria cabeça , deixando se cair . Um segundo mais tarde voltou até junto de a cama , repetindo : - Mau , Dobby , muito mau , Dobby . - Quer_dizer , então , que existe mesmo a Câmara_dos_Segredos ? - murmurou Harry . - E dizes tu que já antes foi aberta ? Conta me , Dobby . Agarrou o pulso ossudo de o elfo quando a mão de ele se estendia para o jarro de a água . - Mas eu não sou filho de Muggles . Como posso estar em perigo por causa de a Câmara_dos_Segredos ? - Ah ! senhor , não pergunte a o pobre Dobby - lamentou se o elfo com os olhos enormes a brilharem em o escuro . - As forças de as trevas estão projectadas em este lugar , mas Harry_Potter não deve estar aqui quando as coisas acontecerem . Vá para_casa , Harry_Potter , vá para_casa . Harry_Potter não deve envolver se em isto , senhor , é demasiado perigoso ... - Quem é , Dobby ? - perguntou Harry , continuando a agarrar lhe o pulso com forca , impedindo que batesse de_novo em si próprio com o jarro . - Quem abriu a amara ? Quem a abriu de a última vez ? - Dobby não pode , senhor . Dobby não pode . Dobby não deve dizer - guinchou o elfo . - Vá se embora , Harry_Potter , vá se embora ! - Eu não vou para lugar nenhum - disse Harry , furioso . - Uma de as minhas melhores amigas é filha de Muggles , está em perigo se a câmara foi , de facto , aberta ... - Harry_Potter arrisca a própria vida por os amigos - gemeu Dobby em uma espécie de êxtase infeliz . - Tão nobre , tão corajoso , mas deve salvar se , Harry_Potter não deve ... Dobby calou se de repente com as orelhas de morcego a estremecerem . Harry também ouviu os passos que vinham lá fora , de o corredor . - Dobby tem de ir - balbuciou o elfo apavorado . Ouviu se um ruído e o pulso de Harry ficou subitamente fechado em o ar . Meteu se de_novo para baixo , em a cama , com os olhos fixos em a porta escura que dava entrada em a ala hospitalar enquanto os passos se aproximavam . Em o momento seguinte , Dumbledore estava a entrar , de costas , em o dormitório , vestindo uma longa túnica de lã e uma capa de noite . Transportava um extremo de aquilo que parecia ser uma estátua . A professora Mc_Gonagall surgiu um segundo mais tarde , pegando lhe em os pés . Os dois colocaram a em uma cama . - Chame Madam_Pomfrey - murmurou Dumbledore e a professora Mc_Gonagall passou por a cama de Harry , apressadamente , e desapareceu . Harry deixou se ficar muito quieto como_se estivesse a dormir . Ouviu vozes ansiosas e por fim a professora Mc_Gonagall apareceu de_novo , seguida de Madam_Pomfrey que vestia um casaco curto de lã sobre a camisa de dormir . Ouviu uma inspiração aguda . - O que aconteceu ? - murmurou Madam_Pomfrey_a_Dumbledore , inclinando se sobre a estátua que estava em a cama . - Outro ataque - disse Dumbledore . - A Minerva encontrou o em as escadas . Havia um cacho de uvas junto de ele . Acho que estava a tentar esgueirar se até aqui para vir visitar o Potter . O estômago de Harry deu uma reviravolta . Lenta e cuidadosamente ergueu se alguns centímetros para poder ver a estátua que estava sobre a cama . Um raio de luar iluminou lhe o rosto estático . Era_Colin_Creevey . Tinha os olhos abertos , e as mãos , em frente de a cara , seguravam a máquina fotográfica . -- Petrificado ? - murmurou Madam_Pomfrey . - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - Mas estou tentada a acreditar que ... se Albus não tivesse vindo cá abaixo tomar um chocolate quente ... quem sabe o que teria ... Os três olharam para Colin . Dumbledore inclinou se e retirou lhe a máquina de as mãos rígidas . - Será que ele conseguiu tirar a fotografia de o agressor ? - perguntou ansiosa a professora Mc_Gonagall . Dumbledore não respondeu . Abriu a parte detrás de a máquina . - Cruzes canhoto - disse Madam_Pomfrey . Um jacto de vapor tinha feito fervilhar a máquina . Harry , a três metros de distância , sentiu o cheiro tóxico de o plástico queimado . - Derretido - disse Madam_Pomfrey com grande espanto . - Tudo derretido . - O que significa isto , Albus ? - perguntou cada_vez_mais nervosa a professora Mc_Gonagall . - Significa - disse Dumbledore - que a Câmara_dos_Segredos está mesmo aberta outra_vez . Madam_Pomfrey levou uma mão a a boca . A professora Mc_Gonagall olhou assustada para Dumbledore . - Mas , Albus ... com certeza ... quem ? - A questão não é quem - disse Dumbledore com os olhos fixos em Colin . - A questão é como ... E pelo que Harry conseguiu ver de o rosto indistinto de a professora Mc_Gonagall , ela não compreendeu muito mais do_que ele . XI_O clube de os duelos Quando_Harry acordou , em o domingo de manhã , a enfermaria estava iluminada por um resplandecente sol de inverno e o seu braço tinha de_novo todos os ossos , apesar_de o sentir muito rígido . Sentou se rapidamente e olhou para a cama de Colin , mas ela fora isolada com as cortinas atrás de as quais se despira em a véspera . Vendo que ele tinha acordado , Madam_Pomfrey apareceu com um tabuleiro de pequeno-almoço e a seguir começou a apalpar lhe o braço e os dedos . - Tudo em ordem - disse , enquanto ele , com a mão esquerda , comia avidamente as papas de aveia . - Quando acabares de comer podes ir te embora . Harry vestiu se o mais depressa que pôde e dirigiu se a a pressa para a torre de os Gryffindor , ansioso por contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre Colin e Dobby , mas não os encontrou lá . Foi a a procura de eles , perguntando a si próprio onde teriam ido e sentindo se um_pouco magoado por o pouco interesse que demonstravam em saber se ele tinha recuperado os ossos . Quando passou por a biblioteca , Percy_Weasley vinha a sair com bastante melhor cara do_que de a última vez que se tinham encontrado . - Olá , olá , Harry - disse . - Excelente voo o de ontem , verdadeiramente sensacional . Os Gryffindor estão a a frente para a taça de a equipa . Ganhaste cinquenta pontos . - Não viste o Ron e a Hermione por aí ? - perguntou Harry . - Não , não vi - disse Percy com o sorriso a desaparecer . - Espero que o Ron não esteja outra_vez em a casa_de_banho de as raparigas ... Harry forçou um sorriso , viu Percy desaparecer e a seguir foi direitinho até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Não via lá muito bem por_que motivo o Ron e a Hermione lá estariam de_novo , mas , depois de se assegurar de que nem Filch nem nenhum de os prefeitos estavam por perto , abriu a porta e ouviu as vozes de eles que vinham de um cubículo fechado . - Sou eu - disse , fechando a porta atrás_de si . Ouviu se dentro de o cubículo um estrondo , um chapinhar e um sobressalto e ele viu o olho de a Hermione a espreitar por o buraco de a fechadura . - Harry - disse ela . - Pregaste nos um susto de morte . Entra . Como está o teu braço ? - _ óptimo - respondeu , apertando se dentro de o cubículo . Em cima de a sanita estava encarrapitado um velho caldeirão , e um crepitar a a superfície de a água disse a Harry que eles tinham acendido um fogo lá em baixo . Fazer aparecer fogos portáteis a a prova de água era uma de as especialidades de Hermione . - _ íamos visitar te , mas resolvemos começar a preparar a poção * _ Polisuco * - explicou Ron enquanto Harry fechava outra_vez a porta de o cubículo com alguma dificuldade . - Achámos que este era o lugar mais seguro para a esconder . Harry começou a contar lhes de o Colin , mas Hermione interrompeu o . - Nós já sabemos , ouvimos a professora Mc_Gonagall contar a o professor Flitwick hoje_de_manhã . Por isso resolvemos começar a ... - Quanto_mais depressa arrancarmos uma confissão a o Malfoy , melhor - rosnou o Ron . - Sabem o que eu penso ? Ele estava tão mal-humorado depois de o jogo de Quidditch que se vingou em o Colin . - Há outra coisa - disse Harry , vendo Hermione cortar molhos de verdezelha e lançá os dentro de a poção . - O Dobby foi visitar me a meio de a noite . Ron e Hermione olharam o espantados . Harry contou lhes tudo_o_que Dobby lhe dissera ... ou não dissera . Ron e Hermione ouviram o de boca aberta . - A Câmara_dos_Segredos já tinha sido aberta antes ? - repetiu Hermione . - Encaixa perfeitamente - disse Ron , em uma voz triunfante . - O Lucius_Malfoy deve ter aberto a Câmara_dos_Segredos quando andava em a escola e agora ensinou a o querido filhinho Draco como abris a . É óbvio , que pena o Dobby não te ter dito que tipo de monstro lá se encontra . Gostava de saber como é_que ninguém o viu andar por ai em a escola . - Talvez tenha a capacidade de se tornar invisível - sugeriu Hermione , picando sanguessugas para dentro de o caldeirão . - Ou talvez se disfarce , passando por uma armadura ou outra coisa de o género . Eu li umas coisas sobre vampiros camaleões ... - Tu lês de mais , Hermione - disse o Ron , deitando moscas asas de renda mortas por cima de as sanguessugas . Amarrotou o saco vazio de as asas de renda e olhou para Harry . - Então foi o Dobby que nos impediu de apanhar o comboio e te partiu o braço ... - abanou a cabeça . - Sabes o que eu acho ? Se ele não parar de tentar salvar te a vida ainda acaba por te matar . A notícia de que Colin_Creevey tinha sido atacado e estava agora em a ala hospitalar , como morto , espalhou se por toda_a escola em a segunda-feira de manhã . O ar ficou pesado e cheio de boatos e suspeitas . Os alunos de o primeiro ano começavam a andar por a escola em pequenos grupos , receando ser atacados se se aventurassem a andar isoladamente por os corredores . Ginny_Weasley , que era colega de carteira de o Colin em os encantamentos , estava perturbadíssima , mas Harry achou que Fred e George estavam a tentar animá a de a maneira errada . Revezavam se , mascarados com peles de animais e apareciam lhe subitamente detrás de as estátuas . Só pararam quando Percy , apopléctico de raiva , lhes disse que ia escrever a Mrs._Weasley a contar lhe que a Ginny andava a ter pesadelos . Enquanto isso , às_escondidas de os professores , uma panóplia de talismãs , amuletos e outros objectos de protecção ia enchendo a escola . Neville_Longbottom comprou uma enorme cebola verde que cheirava mal , um cristal pontiagudo cor de púrpura e uma cauda de tritão apodrecida antes de os outros rapazes de os Gryffindor lhe explicarem que ele não corria perigo : era um sangue puro e , portanto , muito pouco passível de ser atacado . - Eles foram a o Filch em primeiro lugar - disse Neville com o medo estampado em a cara redonda . - E toda_a_gente sabe que eu sou quase um * busca-pé * . Em a segunda semana de Dezembro , a professora Mc_Gonagall veio , como de costume , recolher os nomes de os alunos que ficavam em a escola durante o Natal . Harry , Ron e Hermione assinaram a lista . Tinham ouvido dizer que Malfoy ficava , o que lhes parecera muito suspeito . As férias seriam a altura ideal para usar a poção * _ Polisuco * e tentar arrancar lhe uma confissão . Infelizmente a poção estava a meio . Precisavam ainda de o chifre de bicórneo e o único lugar onde podiam arranjá o era em os depósitos privados de Snape . Harry , pessoalmente , preferia enfrentar o lendário monstro de os Slytherin do_que ser apanhado por o Snape a assaltar lhe o escritório . - O que precisamos - disse Hermione cheia de vivacidade quando se aproximava a aula conjunta de poções de quinta-feira a a tarde - para podermos entrar a a vontade em o escritório de o Snape , é de uma diversão . Harry e Ron olharam para ela , nervosos . - Acho que o melhor é ser eu a praticar o roubo - prosseguiu ela , em um tom perfeitamente casual . - Vocês os dois podem ser expulsos se forem apanhados e eu tenho uma folha limpa . Portanto , a única coisa que têm de fazer é distrair o Snape durante cerca de cinco minutos . Harry esboçou um meio sorriso . Provocar deliberadamente um estrago em a aula de poções de o Snape era tão seguro como ferir em um olho um dragão adormecido . As aulas de poções tinham lugar em um de os mais amplos calabouços . A de quinta-feira a a tarde não foi diferente de as outras . Vinte caldeirões fumegavam entre as secretárias de madeira , sobre as quais podia ver se laminas de latão e jarras com ingredientes . Snape deambulava por o meio de os fumos , fazendo reparos petulantes a o trabalho de os Gryffindor , enquanto os Slytherin riam a a socapa . Draco_Malfoy , que era o aluno preferido de Snape , não parava de lançar olhos de carneiro mal morto a o Ron e a o Harry , que sabiam que se retaliassem teriam um castigo , antes de poderem abrir a boca para dizer : - É injusto ! A solução de inchar de o Harry estava demasiado líquida , mas ele estava preocupado com coisas mais importantes . Esperava por o sinal de Hermione e mal deu por Snape se calar para ir espreitar a sua poção aguada . Quando o professor se voltou e foi implicar com o Neville , Hermione trocou um olhar com Harry e fez um aceno . Harry baixou se discretamente por detrás de o seu caldeirão , tirou de o bolso de trás um de os paus de fogo-de-artíficio Filibuster e deu lhe um toque de varinha . O fogo-de-artíficio começou a sibilar e a crepitar . Sabendo que tinha apenas alguns segundos , Harry endireitou se , ganhou coragem e lançou o a o ar . Aterrou certeiro em o caldeirão de o Goyle . A poção de o Goyle explodiu , salpicando toda_a aula . As pessoas gritavam , à_medida_que eram vítimas de os salpicos . Malfoy foi apanhado em a cara e o nariz começou a inchar como um balão . O Goyle tropeçava a as cegas , com as mãos em os olhos , que tinham ficado de o tamanho de pratos de sopa , enquanto o Snape tentava repor a calma e tentar perceber o que sucedera . Em o meio de a confusão , Harry viu Hermione esgueirar se a a socapa por a porta . - Silêncio ! silêncio ! - vociferou Snape . - Todos os que foram salpicados cheguem aqui para uma drenagem . Quando eu descobrir quem fez isto ... Harry fez um enorme esforço para não se rir a o ver Malfoy chegar apressadamente lá a a frente , a cabeça a tombar com o peso de o nariz , que parecia um pequeno melão . Quando metade de a aula se amontoava junto de a secretária de o Snape , alguns alunos vergados por o peso de os braços que pareciam mocas , outros incapazes de falar devido a o gigantesco inchaço de os lábios , Harry viu Hermione reentrar em o calabouço , a túnica mostrando a barriga protuberante . Quando todos os alunos tinham já tomado um gole de o antídoto e os vários inchaços tinham desaparecido , Snape precipitou se para o caldeirão de o Goyle e pescou os restos retorcidos de o fogo-de-artíficio . Houve um súbito silêncio . - Se eu descubro quem lançou isto - murmurou Snape - garanto que é expulsão por a certa . Harry compôs uma expressão de espanto . Snape olhava directamente para ele e a campainha , que tocou dez minutos mais tarde , não podia ser mais bem-vinda . - Ele soube que fui eu - disse Harry_a_Ron e a a Hermione , enquanto se dirigiam apressadamente para a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Tenho a certeza . Hermione lançou o novo ingrediente em o caldeirão e começou a mexer furiosamente . - Isto vai estar pronto dentro_de quinze_dias - afirmou , satisfeita . - O Snape não pode provar que foste tu - assegurou Ron , tranquilizando Harry . - Que pode ele fazer ? - Conhecendo o Snape , qualquer coisa louca - respondeu Harry , enquanto a poção borbulhava e espumava . Uma semana mais tarde , Harry , Ron e Hermione passavam por o vestíbulo de entrada , quando viram um pequeno grupo de pessoas reunidas em volta de o jornal de parede a lerem um pedaço de pergaminho que tinha acabado de ser afixado . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas acenaram lhes , entusiasmados . - Vão lançar um clube de duelos ! - exclamou Seamus . - Hoje a a noite é a primeira reunião . Eu não me importaria nada de ter aulas de duelo , podem vir a ser úteis um dia de estes ... - Porquê ? Achas que o monstro de os Slytherin sabe esgrimir ? - perguntou o Ron , mas , também ele , leu a notícia com interesse . - Pode ser útil - disse a o Harry e a a Hermione , quando foram jantar . - Vamos lá ? Harry e Hermione acharam óptimo , por isso , a as oito_da_noite voltaram a o salão . As longas mesas de refeição tinham desaparecido e um estrado dourado surgira , encostado a a parede . Sobre ele flutuavam milhares de velas . O tecto era , mais_uma_vez , de veludo negro e parecia que quase todos os alunos de a escola se encontravam ali , com as suas varinhas em a mão e com um ar entusiasmado . - Quem será que vai ensinar nos ? - perguntou Hermione , enquanto se misturavam em a multidão barulhenta . - Ouvi dizer que o Filitwick foi campeão de duelo em a juventude , talvez seja ele . - Desde_que não seja ... - começou Harry , mas terminou em um gemido : Gilderoy_Lockhart estava a subir a o estrado , resplandecente em as suas vestes cor de ameixa , acompanhado , nem mais nem menos , do_que de Snape que trajava , como sempre , de negro . Lockhart levantou um braço , pedindo silêncio , bradando : - Aproximem se , aproximem se , conseguem todos ver me e ouvir me ? Excelente ! - O professor Dumbledore deu me autorização para iniciar este pequeno curso de duelo para vos treinar a todos , caso algum dia precisem de se defender , como eu tenho feito em inúmeras ocasiões ; para mais detalhes , leiam os livros que tenho publicados . - Permitam que vos apresente o meu assistente , o professor Snape - disse Lockhart , abrindo um sorriso de orelha a orelha . - Ele diz me que sabe alguma coisa sobre duelos e aceitou desportivamente ajudar me em uma exibição de demonstração , antes de começarmos . Atenção , não quero que os mais novos fiquem preocupados , vão continuar a ter o vosso professor de poções depois de eu o vencer . Não tenham medo . - Não era óptimo se se liquidassem um_ao_outro ? - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . O lábio inferior de Snape estava curvo . Harry interrogou se sobre o motivo por_que Lockhart continuava a sorrir . Se o Snape olhasse de aquela maneira para ele , Harry estaria a correr a_toda_a velocidade para o mais longe possível . Lockhart e Snape voltaram se um para o outro e fizeram uma vénia , pelo_menos Lockhart fê la com muitas reviravoltas de mãos , enquanto Snape acenava , irritado , com a cabeça . Em seguida , ergueram as varinhas , como_se fossem espadas , em a frente . - Como podem ver , estamos a pegar em as varinhas em a posição de aceitação de combate - explicou Lockhart a a multidão silenciosa . - Quando contarmos até três , lançaremos os primeiros feitiços . Nenhum de nós tentará matar o outro , claro . - Eu não poria as mãos em o fogo - murmurou Harry , observando como Snape cerrava os dentes . -- Um , dois , três ... Os dois balançaram as varinhas acima de os ombros . Snape gritou : * _ Expelliarmus * ! Houve um clarão ofuscante de luz escarlate e Lockhart voou para trás , caindo de o estrado batendo contra a parede , escorregando e indo estatelar se em o chão . Malfoy e alguns de os outros Slytherin aplaudiram . Hermione estava em bicos de os pés . - Acham que ele está bem ? - gritou entredentes . - Quem se rala ? - disseram ao_mesmo_tempo o Ron e o Harry . Lockhart estava a pôr se , hesitante , de pé . O chapéu caíra lhe e o cabelo ondulado estava em um desalinho . - Bem , cá está ! - disse , cambaleando até a o estrado . - Este foi um encantamento para desarmar . Como podem ver , perdi a minha varinha . Ah , obrigado Miss_Brown . Sim , foi uma excelente ideia mostrar lhes isto , professor Snape , mas , se me permite que lhe diga , foi muito óbvio o que ia fazer . Se eu tivesse querido impedis o , teria o feito com a maior de as facilidades . Mas achei que seria educativo deixá os ver ... Snape tinha um ar assassino . Provavelmente Lockhart deu por isso , porque declarou : - Chega de demonstrações . Eu vou passar agora por o meio de vocês e criar duplas . Professor_Snape , se quiser ajudar me ... Entraram por o meio de a multidão , agrupando alunos . Lockhart pôs o Neville com Justin_Finch - _ Fletchley , mas Snape chegou primeiro junto de Harry e de Ron . - Tempo de separar a dupla ideal , parece me - rosnou . - Weasley , tu podes ficar com o Finnigan . Potter ... Harry voltou se automaticamente para Hermione . - Não me parece - disse Snape com o seu sorriso frio . - Mr._Malfoy , venha até aqui . Vamos ver o que faz com o famoso Potter . E a menina , Miss_Granger , pode emparceirar com Miss_Bulstrode . Malfoy aproximou se com o seu passo empertigado e o seu sorriso escarninho . Atrás de ele vinha uma rapariga de os Slytherin , que lembrou a Harry uma imagem que tinha visto em as * _ Férias com Bruxas_Velhas * . Era corpulenta e quadrada e os maxilares avançavam agressivamente . Hermione esboçou um meio sorriso , que ela não retribuiu . - Voltem se para os vossos parceiros - gritou Lockhart - e façam a vénia . Harry e Malfoy mal inclinaram as cabeças , não afastando os olhos um de o outro . - Varinhas preparadas ! - gritou Lockhart . - Quando eu disser três preparem os feitiços para desarmar o vosso opositor . Um ... dois ... três ... Harry levantou a varinha acima de o ombro , mas Malfoy começara logo em o « dois » : o seu feitiço apanhou Harry com tanta força que ele se sentiu como_se tivesse levado com uma frigideira em a cabeça . Tropeçou , mas ainda não estava fora de combate e , sem perder tempo , Harry apontou a varinha a Malfoy e gritou : - * _ Rictusempra ! * Um jacto de luz prateada atingiu Malfoy em o estômago , obrigando o a dobrar se , arfando . - Eu disse desarmar ! - gritava Lockhart sobre as cabeças de a multidão em lata , enquanto Malfoy caía de joelhos . Harry atingira o com o feitiço de as cócegas e ele mal conseguia mexer se para se rir . Harry hesitou com o vago sentimento de que seria pouco desportivo enfeitiçar Malfoy enquanto ele estava caído em o chão , mas ... foi um erro . Tentando respirar , Malfoy apontou a varinha a os joelhos de Harry , balbuciando : « * _ Tarantallegra ! * » e , um segundo depois , as pernas de o Harry tinham começado a mexer se , sem que ele pudesse controlá as , executando uma espécie de dança frenética . - Parem , parem - gritava Lockhart , quando Snape resolveu tomar controlo de a situação . - * _ Finite_Incantatem ! * - bradou . Os pés de o Harry pararam de dançar , Malfoy parou de rir e puderam olhar para_cima . Uma onda de fumo esverdeado pairava sobre todos eles . Neville e Justin estavam caídos em o chão , a arfar . Ron tentava fazer parar um Seamus com cara cor de cinza , pedindo lhe mil desculpas por o que a sua varinha partida eventualmente tivesse feito . Mas Hermione e Millicent_Bulstrode ainda não tinham acabado . Millicent tinha feito a Hermione uma prisão de cabeça e Hermione gritava de dor . As duas varinhas jaziam esquecidas em o chão . Harry deu um salto em frente e afastou Millicent . Não foi fácil , ela era bastante maior do_que ele . - Oh , gente ! - exclamou Lockhart , arrastando se por o meio de a multidão e olhando para os resultados de os duelos . - Vamos pôr de pé , Mcmillan ... cuidado , Miss_Fawcett ... belisque com força que pára logo de sangrar ... - Acho que o melhor é ensinar vos como bloquear feitiços pouco amigáveis - afirmou Lockhart que estava nervosíssimo em o meio de o salão . Olhou para Snape , cujos olhos pretos brilhavam e desviou rapidamente o olhar . - Vamos arranjar um par de voluntários . Longbottom e Finch - _ Fletchley , que tal serem vocês ? - Uma má ideia , professor Lockhart - disse Snape , deslizando como um morcego enorme e cruel . - Longbottom provoca devastação com o feitiço mais simples . Ainda temos de mandar o que restar de o Finch - _ Fletchley para a ala hospitalar dentro_de uma caixa de fósforos . - A cara redonda e rosada de Neville ficou ainda mais rosada . - Que tal o Malfoy e o Potter ? - sugeriu Snape com um sorriso retorcido . - Excelente ideia - disse Lockhart , fazendo sinal a os dois para que se aproximassem de o meio de o salão , enquanto a multidão recuava para lhes dar passagem . - Ouve bem , Harry - disse Lockhart . - Quando o Draco te apontar a varinha , tu fazes assim . Levantou a sua varinha , executando uma tentativa complicada de malabarismo e deixou a cair . Snape sorriu pretensiosamente , enquanto Lockhart a apanhava de o chão , dizendo : - Ups , a minha varinha está demasiado excitada . Snape aproximou se de Malfoy , inclinou se e disse lhe qualquer coisa a o ouvido . Malfoy sorriu também de forma afectada . Harry olhou , nervoso , para Lockhart e pediu : - Professor , podia mostrar me outra_vez aquela coisa para bloquear ? - Estás com medo ? - murmurou Malfoy baixinho , para que Lockhart não pudesse ouvir . - Querias ! - exclamou Harry por o canto de a boca . Lockhart deu um soco em o ombro de o Harry , em a brincadeira . - Basta que faças como eu fiz ! - O quê , deixar cair a varinha ? Mas Lockhart não estava a ouvir - Três , dois , um , zero ! - gritou . Malfoy levantou rapidamente a varinha a o ar e gritou : - * _ Serpensortia ! * A extremidade de a varinha explodiu . Harry viu , horrorizado , uma enorme serpente negra sair de ela , cair pesadamente em o chão a meio de os dois e erguer se disposta a atacar . Ouviram se gritos , enquanto a multidão se afastava , deixando o chão vazio . - Não te mexas , Potter - disse Snape vagarosamente , divertindo se claramente a ver Harry , parado , a olhar em os olhos a serpente . - Eu trato de ela ... - Permita me -- gritou Lockhart . Bramiu a varinha em direcção a a serpente e ouviu se um estoiro . A cobra , em_vez_de desaparecer , voou três metros acima de eles e voltou a cair em o chão com um estrondo enorme . Enraivecida , a sibilar de fúria , rastejou em direcção a Finch - _ Fletchley e pôs se de pé com os dentes a a mostra , pronta a atacar . Harry não soube ao_certo o que o levou a fazer aquilo . Não se lembrava sequer de ter tomado aquela decisão . Só soube que as pernas o fizeram avançar como_se tivesse rodas e que gritou a a serpente : - Larga o ! - E , milagrosa e inexplicavelmente , a serpente voltou a o chão , dócil como uma grande mangueira de jardim , preta e grossa , os olhos agora fixos em os olhos de Harry . Harry sentiu o medo a escoar se . Sabia que a cobra não atacaria mais ninguém , embora não pudesse explicar como sabia . Olhou para Justin a sorrir , esperando vê o aliviado , espantado , ou mesmo agradecido , mas nunca zangado ou assustado . - Que brincadeira é essa ? - gritou o outro e , antes que Harry tivesse tempo de dizer fosse o que fosse , voltou as costas e saiu de o salão . Snape deu um passo em frente , fez um gesto com a varinha e a serpente desapareceu em uma onda de fumo preto . Também ele , Snape , olhava para Harry de uma forma inesperada . Era um olhar arguto e calculista , de que Harry não gostou . Apercebeu se também vagamente de um murmúrio ameaçador que vinha de as paredes em volta . Depois , sentiu um puxão em a túnica . - Vamos - disse a voz de o Ron em o seu ouvido . - Mexe te , vá lá ... Ron arrastou o para fora de o salão . Hermione acompanhava os em a passada rápida . Quando cruzaram a porta , as pessoas que a rodeavam afastaram se , como_se tivessem medo de ser contagiadas . Harry não fazia a mais pequena ideia do_que estava a passar se e , nem Ron , nem Hermione lhe deram qualquer explicação , antes de o terem levado até a a sala comum de os Gryffindor , que se encontrava vazia . Aí , Ron empurrou Harry para uma cadeira de braços e disse : - Tu és um * serpentês * . Porque não nos disseste ? - Eu sou um quê ? - perguntou Harry . - Um * serpentês * ! - exclamou o Ron . - Falas com as cobras . - Eu sei - declarou Harry . - Quer_dizer , esta foi a segunda vez que o fiz . A outra foi há muito_tempo em o jardim zoológico , quando soltei uma Boa_Constrictor a o meu primo Dudley . É uma longa história , mas ela estava a dizer me que nunca tinha estado em o Brasil e eu acho que a libertei sem querer . Foi antes de saber que era feiticeiro . . . - Uma Boa_Constrictor disse te que nunca tinha estado em o Brasil ? - repetiu Ron , quase sem voz . - E então ? - disse o Harry . - Aposto que montes de pessoas aqui fazem o mesmo . - Não fazem , não - afirmou Ron . - Não é um dom muito frequente . Harry , isso é mau . - O que é_que é mau ? - perguntou Harry , que começava a ficar chateado . - O que é_que se passa com todos os outros ? Ouve bem , se eu não tivesse dito a aquela cobra para não atacar o Justin ... - Ah , foi isso que tu disseste ? - Que queres dizer ? Tu estavas lá , ouviste perfeitamente o que eu disse . - Eu ouvi te falar em serpentês - disse o Ron . - Língua de cobra . Podias estar a dizer lhe qualquer coisa . Não admira que o Justin tivesse entrado em pânico . Parecia que estavas a incitar a serpente . Foi assustador , sabes ? Harry olhou para ele espantado . - Eu falei uma língua diferente ? Mas não me apercebi , como posso falar uma língua , sem saber que a conheço ? Ron abanou a cabeça . Tanto ele como Hermione tinham um ar fúnebre . Harry não percebia o que havia em aquilo de tão trágico . - Será que me querem explicar o que há de mal em ter impedido que uma serpente enorme arrancasse a cabeça a o Justin ? - perguntou . - Porque é tão importante como o fiz , se evitei que o Justin fosse juntar se a grupo de os SEM_CABEÇA ? - Importa - disse por fim Hermione , em uma voz abafada . - Porque falar com serpentes era a arte por a qual Salazar_Slytherin ficou famoso . Por isso , o símbolo de os Slytherin é uma serpente . Harry ficou de boca aberta . - Exacto - disse o Ron . - E agora todos em a escola vão pensar que tu és descendente de ele . - Mas não sou - contrapôs Harry com um pânico que não conseguia explicar . - Não vai ser fácil prová o - disse Hermione . - Ele viveu há quase mil anos . Pelo que vimos , podias ser . Em essa noite , Harry ficou acordado durante horas . Por uma fresta de os cortinados de a cama de dossel , olhou para a neve que começava a cair de o lado de_fora de a janela de a torre e perguntou se se poderia ser descendente de Salazar_Slytherin . Afinal , não sabia nada de a família de o pai , os Dursley tinham sempre proibido qualquer pergunta sobre os seus familiares feiticeiros . Calmamente , tentou dizer qualquer coisa em * serpentês * , mas as palavras não saíam . Parecia que era necessário estar frente_a_frente com uma cobra para poder fazê o . Mas eu sou um Gryffindor , pensou Harry , o chapéu seleccionador não me poria aqui se eu tivesse sangue de Slytherin ... - Ah ! - disse uma vozinha dentro de o seu cérebro . - Mas o chapéu seleccionador queria pôr te em os Slytherin , não te lembras ? Harry deu voltas e voltas a a cabeça . Em o dia seguinte , quando visse Justin em a aula de herbologia explicaria lhe que estava a afastar a serpente , não a atiçá a o que , aliás , pensou zangado , dando vários socos em a almofada , qualquer idiota teria percebido . Contudo , em a manhã seguinte , a neve que começara a cair durante a noite , transformara se em uma tempestade tão espessa que a última aula de herbologia de o período foi cancelada : a professora Sprout queria tapar as mandrágoras com peúgas e cachecóis , uma operação arriscada que ela não confiava a ninguém agora_que era tão importante que as mandrágoras crescessem depressa e reabilitassem Mrs._Norris e Colin_Creevey . Junto de a lareira de a sala comum de os Gryffindor , Harry matutava sobre o que se passara enquanto Ron e Hermione aproveitavam o foro para jogar xadrez de feitiçaria . - Com os diabos , Harry - disse Hermione exasperada quando um bispo derrubou um de os cavaleiros de o cavalo , arrastando o para fora de o tabuleiro . - Vai falar com o Justin , se isso é assim tão importante para ti . Harry levantou se e saiu por o buraco de o retrato , perguntando a si próprio onde poderia estar o Justin . O castelo estava mais escuro do_que era habitual durante o dia por causa de a neve espessa e cinzenta que cobria as janelas . A tremer , Harry passou por as salas onde estava a haver aulas , captando lampejos do_que sucedia lá dentro . A professora Mc_Gonagall gritava com alguém que , segundo lhe parecia por o som , transformara o parceiro em um texugo . Resistindo a a tentação de dar uma espreitadela , Harry afastou se pensando que Justin poderia estar a utilizar o tempo de o furo para fazer algum trabalho e resolveu , por isso , ir até a a biblioteca . Um grupo de alunos de os Hufflepuff , que deveriam ter estado em Herbologia , encontrava se , de facto , sentado em as traseiras de a biblioteca , mas não parecia estar a trabalhar . Entre as fileiras de as estantes altas , Harry pôde ver as suas cabeças muito juntas em aquilo que deveria ser uma conversa absorvente . Não conseguia perceber se Justin estaria em o meio de eles . Ia para se aproximar quando apanhou em o ar uma frase e parou para ouvir melhor , escondido em a secção de a invisibilidade . - Portanto - dizia um rapaz corpulento - eu disse a o Justin para se esconder em o nosso dormitório . Isto_é , se o Potter o escolheu como próxima vítima é melhor que ele tenha um * low profile * durante algum tempo . É claro que o Justin já estava a a espera que alguma coisa de o género acontecesse desde_que lhe escapou em uma conversa com o Potter que era filho de Muggles . O Justin disse lhe , inclusivamente , que tinha estado inscrito em Eton . Não é o tipo de coisa que se ande a dizer com o herdeiro de Slytherin a a solta por aí . - Achas mesmo_que é o Potter , Ernie ? - perguntou uma rapariga de tranças loiras , ansiosamente . - Hannah - disse com solenidade o rapaz corpulento . - Ele é um serpentês . Todos sabem que essa é a marca de um feiticeiro negro . Alguma vez ouviste falar de um feiticeiro decente que falasse com as cobras ? O Slytherin era conhecido por « Língua de serpente . . Houve alguns murmúrios antes de Ernie prosseguir : - Lembram se do_que estava escrito em a parede ? * _ Inimigos de o herdeiro , cuidado ! * . O Potter teve que ir a o gabinete de o Filch . E o que é_que acontece a seguir ? A gata de o Filch é atacada . O aluno de o primeiro ano , Creevey , estava a aborrecê o em a partida de Quidditch , a tirar lhe fotografias quando ele estava caído em a lama . E o que é_que acontece a seguir ? Creevey é atacado . - Mas ele parece sempre ser tão simpático - disse Hannah , cheia de dúvidas . - E , bem , foi ele que fez com que o Quem nós sabemos desaparecesse . Não pode ser assim tão mau , pois não ? Ernie baixou misteriosamente a voz . Os Hufflepuff inclinaram se mais uns para os outros e Harry aproximou se para conseguir apanhar as palavras de o Ernie . - Ninguém sabe como ele sobreviveu a aquele ataque de o Quem nós sabemos e , afinal , ainda era um bebé quando aquilo aconteceu . Era para ter explodido feito em estilhaços . Só um feiticeiro negro verdadeiramente poderoso teria sobrevivido a uma maldição de aquelas . - Baixou ainda mais a voz até esta ficar reduzida a um leve murmúrio e disse : - Talvez fosse por isso que o Quem nós sabemos o queria matar , para não ter outro feiticeiro negro a competir com ele . Gostava de saber que outros poderes ocultos terá o Potter . Harry não aguentou mais . Pigarreou alto e saiu detrás de as estantes . Se não estivesse tão zangado teria conseguido ver o lado cómico de a situação : cada_um de os Hufflepuff olhava para ele como_se tivesse sido petrificado , e a cor desaparecera de a cara de o Ernie . - Olá - disse Harry . - Estou a a procura de o Justin_Finch - _ Fletchley . Os piores receios de os Hufflepuff tinham se concretizado . Olharam apavorados para o Ernie . - O que queres de ele ? - perguntou Ernie em uma voz sumida . - Explicar lhe o que aconteceu com aquela cobra em o clube de os duelos - disse Harry . Ernie mordeu os lábios brancos e , em seguida , respirando fundo , respondeu : - Estávamos lá todos . Vimos o que aconteceu . - Então viram que depois de eu falar a serpente recuou - disse Harry . - O que eu vi - insistiu teimosamente Ernie , apesar_de tremer a cada palavra que proferia - foi tu a falares serpentês e a atiçares a cobra conta o Justin . - Eu não a aticei - gritou Harry enraivecido . - Ela nem lhe tocou . - Falhou por_pouco - disse Ernie . - E , para o caso de estares com ideias - acrescentou com má cara - posso dizer te que a minha família provem de nove gerações de bruxas e feiticeiros e que o meu sangue é tão puro como o de qualquer feiticeiro , portanto ... - Quero lá saber qual é o teu sangue - disse Harry furioso . - Porque iria eu atacar os filhos de os Muggles ? - Ouvi dizer que detestas os Muggles com quem vives - disse Ernie rapidamente . - Não é possível viver com os Dursley sem os detestar - explicou Harry . - Gostava de te ver lá em casa . Girou sobre os calcanhares e saiu furioso de a biblioteca sob o olhar reprovador de Madam_Prince que limpava a capa dourada de um enorme livro de encantamentos . Harry avançou a as cegas por os corredores , quase sem ver por_onde ia de tão furioso que estava . O resultado foi chocar com algo enorme e sólido que o fez recuar e cair a o chão . - Ah ! Olá , Hagrid - disse , olhando para_cima . Hagrid tinha o rosto completamente tapado com um lenço coberto de neve , mas não podia ser mais ninguém , enchendo assim o corredor dentro de o seu sobretudo de pele de toupeira . De uma de as enormes mãos enluvadas , pendia um galo morto . - Tudo bem , Harry ? - perguntou , afastando o lenço para poder falar . - Porque não estás em a aula ? - Foi cancelada - disse Harry , pondo se de pé . - O que estás a fazer aqui ? Hagrid mostrou lhe o galo inerte . - É o segundo qu'aparece morto este período - explicou . - Ou são raposas ou um vampiro chato e eu preciso d'autorização de o director p'ra fazer um feitiço em volta de a capoeira . Aproximou se e olhou mais de perto para o Harry , por debaixo de as suas sobrancelhas espessas e cheias de neve . - Tens a certeza que estás bem ? Pareces exaltado e preocupado . Harry não foi capaz de repetir o que Ernie e os outros Hufflepuff lhe tinham dito . - Não é nada , tenho de ir , Hagrid . A próxima aula é Transfiguração e preciso de ir buscar os meus livros . Afastou se , a cabeça cheia com tudo_o_que Ernie dissera a seu respeito . « * _ O_Justin já estava d espera que uma coisa de o género acontecesse desde_que deixou escapar , falando com o Potter , que era filho de Muggles * ... » Harry subiu as escadas a correr e entrou por um corredor que estava particularmente escuro . As tochas tinham sido apagadas por uma ventania gelada que entrava por uma janela de fecho estragado . Estava a meio de o corredor quando tropeçou em uma coisa que se encontrava em o chão . Olhou para ver o que era e sentiu como_se o estômago se tivesse dissolvido . Justin_Finch - _ Fletchley estava em o chão , rígido e frio com uma expressão de horror em o rosto e os olhos abertos voltados para o tecto . E não era tudo . Junto de ele estava mais alguém , a visão mais estranha que Harry tivera em toda_a sua vida . Era_o_Nick quase sem cabeça que não estava cor de pérola nem transparente e sim escuro como fumo . Flutuava imóvel , em a horizontal , 12 centímetros acima de o chão , a cabeça meio tombada e em o rosto uma expressão de choque idêntica a a de o Justin . Harry pôs se de pé com a respiração acelerada e o coração a bater como um tambor contra as costelas . Olhou desvairado para ambos os lados de o corredor deserto e viu uma fila de aranhas que corriam a_toda_a velocidade em a direcção oposta a a de os corpos . Os únicos sons eram as vozes abafadas de os professores em as aulas que decorriam de ambos os lados . Podia fugir e ninguém saberia que ali tinha estado , mas não era capaz de os abandonar assim . Tinha de ir procurar ajuda . Será que alguém acreditaria que ele não tivera nada que ver com aquilo ? Enquanto ali estava , em pânico , uma porta a o seu lado abriu se com grande estrondo . Peeves , o * poltergeist * , saiu a os gritos . - Oh ! É o Potter , olá , Potter - alardeou Peeves , lançando por o ar os óculos de o Harry quando passou por ele . - O que está o Potter a fazer ? Porque está o Potter escondido ? Peeves passou de cabeça para baixo , a meio de uma cambalhota em o ar , quando viu Justin e Nick quase sem cabeça . Com um movimento súbito endireitou se , encheu os pulmões de ar e , antes que Harry pudesse impedi o , gritou : __ ataque ! ataque ! outro ataque ! nenhum mortal ou fantasma está em segurança . corram , fujam , __ ataaaque ! Crac , Crac , Crac . Uma atrás de a outra , foram se abrindo todas_as portas a o longo de o corredor e as pessoas saíram para fora de as salas de aula . Durante alguns longos minutos houve uma tal confusão que Justin esteve em perigo de ser esmagado e as pessoas não paravam de chocar com o Nick quase sem cabeça . Harry deu por si colado a a parede enquanto os professores exigiam a os gritos que se fizesse silêncio . A professora Mc_Gonagall veio a correr , seguida por todos os alunos , um de os quais ainda trazia o cabelo a as riscas pretas e brancas . Usou a varinha para produzir um ruído que repôs o silêncio e mandou os alunos todos para dentro de as salas de aula . Mal lugar ficou desimpedido surgiu Ernie , o jovem Hufflepuff . - * _ Apanhado em flagrante ! * - gritou , com o rosto totalmente branco , apontando dramaticamente o dedo par Harry . - Basta_Mcmillan - disse , de forma cortante , a professora Mc_Gonagall . Peeves andava para_cima e para baixo , observando a cena com um sorriso maldoso . Sempre adorara o caos . Quando os professores se inclinaram sobre Justin e sobre o Nick quase sem cabeça para os examinar , iniciou uma cantilena : * _ Oh ! Potter , que fizeste , seu grande bandido * _ Tu matas os estudantes porque achas divertido . * - Basta , Peeves - rosnou a professora Mc_Gonagall e Peeves afastou se , deitando a língua de_fora a o Harry . Justin foi levado para a ala hospitalar por o professor Flitwick e por o professor Sinistra_do_Departamento_de_Astronomia , mas ninguém parecia saber o que fazer em relação a o Nick quase sem cabeça . Por fim , a professora Mc_Gonagall fez aparecer em o ar um enorme leque que entregou a Ernie com o encargo de conduzir , escadas acima , por os ares o Nick quase sem cabeça . Ernie assim fez , soprando Nick como_se fosse um aerodeslizador e deixando , de este modo , o Harry e a professora Mc_Gonagall a sós . - Por aqui , Potter - disse ela . - Professora , eu juro que não ... - Isso não é comigo , Potter - afirmou a professora Mc_Gonagall sinteticamente . Caminharam em silêncio até uma esquina e ela parou perante uma gárgula de pedra extremamente feia . - Refresco de limão - disse . Era obviamente uma senha porque a gárgula animou se subitamente e saltou para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes . Apesar_de estar apavorado com o que ia acontecer a seguir , Harry não conseguiu evitar um sentimento de fascínio . Por detrás de a parede estava uma escada em espiral que se movia lentamente para_cima como um elevador . E quando ele e a professora Mc_Gonagall puseram os pés em o primeiro degrau , Harry ouviu a parede fechar se atrás de eles . Subiram em círculos , cada_vez_mais alto até que , por fim , um_pouco tonto , Harry pôde ver uma porta de carvalho reluzente com um puxador de bronze em forma de abutre . Harry calculava onde estava a ser levado . Devia ser ali que morava Dumbledore . XII_A poção * polisuco * Saltaram de a escada de pedra lá mesmo em cima e a professora Mc_Gonagall bateu a a porta . Ela abriu se silenciosamente dando lhes entrada . A professora Mc_Gonagall disse lhe que esperasse e deixou o sozinho . Harry olhou em volta . Uma coisa era certa : de todos o escritórios de professores que conhecia , o de Dumbledor era , de longe , o mais interessante . Se não estivesse com um medo de morte de ser expulso teria adorado explorá o . Era uma sala grande e bonita em forma de círculo que estava cheia de barulhinhos estranhos . Havia um grande número de instrumentos prateados sobre várias mesas de pernas finas que zumbiam emitindo pequenas baforadas de fumo . As paredes estavam cobertas de fotografias de antigos directores e directoras , todos eles a dormir tranquilamente em as suas molduras . Havia ainda uma enorme secretária pés de garra . E , sobre uma prateleira atrás de ela , um chapéu de feiticeiro andrajoso e puído : * o chapéu seleccionador * . Harry hesitou . Lançou um olhar cauteloso a as bruxas e feiticeiros adormecidos a o longo de as paredes . Com certeza não fazia mal se lhe pegasse e o experimentasse só para ver ... só para ter a certeza de que ele o pusera em a equipa certa . Deu a volta a a secretária , retirou o chapéu de a prateleira e baixou o lentamente sobre a cabeça . Era demasiado grande e escorregou lhe para os olhos como de a outra_vez que o tinha posto . Harry olhou para o forro preto , enquanto esperava . Por fim , uma vozinha disse lhe a o ouvido : - Estás com macaquinhos em o sótão , Harry_Potter ? - Er ... sim - balbuciou Harry . - Er ... desculpa incomodar te , queria saber ... - Querias saber se te pus em a equipa certa - disse prontamente o chapéu . - Sim ... tu és particularmente difícil de seleccionar , mas eu mantenho o que disse antes . - O coração de Harry deu um salto . - Terias ficado bem em os Slytherin . Harry sentiu o estômago contorcer se . Agarrou o chapéu por a aba e tirou o de a cabeça . O chapéu seleccionador ficou pendurado em a mão de ele , inerte , desbotado e sujo . Harry voltou a pô o em a prateleira , sentindo se enjoado . - Estás enganado ! - disse em voz alta a o chapéu parado e silencioso , mas ele não se mexeu . Harry recuou para o observar melhor e foi então que ouviu um ruído estranho e grasnado atrás_de si que o fez dar uma volta . Não estava só , afinal_de_contas . Em um poleiro dourado atrás de a porta estava um pássaro de aspecto decrépito que parecia um peru meio depenado . Harry olhou para ele espantado e o pássaro olhou o também , grasnando de_novo . Harry achou que ele devia estar muito doente porque tinha os olhos parados e , enquanto olhava para ele , caíram lhe mais algumas penas de a cauda . Estava justamente a pensar que a única coisa que lhe faltava era que o pássaro de estimação de Dumbledore morresse quando ele estava ali sozinho com ele , em o escritório , quando a ave se incendiou . Harry gritou , em estado de choque , e recuou até a a secretária . Olhava nervosamente em volta , em busca de um jarro de água , mas não viu nenhum . O pássaro , entretanto , transformara se em uma bola de fogo , dera um guincho e , em seguida , desaparecera , deixando apenas um monte de cinzas em o chão . A porta de o escritório abriu se . Dumbledore entrou com ar taciturno . - Professor - gaguejou Harry . - O seu pássaro ... eu não pode fazer nada ... ele incendiou se . Para seu grande espanto , Dumbledore sorriu . - Já não era sem tempo . Estava com um aspecto horrível em os últimos dias . Fartei me de lhe dizer que fizesse qualquer coisa . Riu se entre dentes com a expressão em o rosto de Harry . - A Fawkes é uma fénix , Harry . As fénix ardem quando é altura de morrer e renascem de as cinzas , repara ... Harry olhou mesmo a_tempo_de ver um passarinho recém-nascido , todo enrugado , espetar a cabeça fora de as cinzas . Era quase tão feio como o antigo . - É uma pena que a tenhas conhecido em dia de arder - disse Dumbledore , passando para trás de a secretária . - É muito bonita a maior parte de o tempo , com uma plumagem vermelha e dourada . São criaturas fascinantes , as fénix . Podem transportar cargas pesadíssimas , as suas lágrimas têm propriedades curativas e são animais de estimação extremamente fiéis . Com o choque de a fénix a pegar fogo , Harry esquecera se de o motivo porque ali estava , mas tudo voltou rapidamente quando Dumbledore se instalou em a cadeira de espaldar alto e o fixou com os seus olhos azuis e penetrantes . Contudo , antes que ele tivesse tido tempo de falar , a porta de o escritório abriu se de par em par com um enorme estrondo e Hagrid entrou com um olhar tresloucado , o lenço todo torcido em volta de a cabeça hirsuta e o galo morto ainda pendurado em a mão . - Não foi Harry , professor Dumbledore - disse , aflito . - Eu tinha estado a falar com ele poucos segundos antes de o rapazinho ser encontrado , ele não teve tempo professor ... Dumbledore tentou dizer qualquer coisa , mas Hagrid continuou , abanando o galo em o meio de a sua agitação e espalhando penas por todo o lado . - Não pode ter sido ele . Eu juro em a frente de o ministro de a magia , se for preciso ... - Hagrid , eu ... -- Tem o rapaz errado , professor . Eu sei qu'o Harry nunca ... - Hagrid - disse Dumbledore , elevando a voz . - Eu não penso que o Harry tenha atacado aquelas pessoas . - Oh ! - disse Hagrid , com o galo pendendo inerte a o seu lado . - Certo , ' tão eu espero lá fora , director . E saiu com ar envergonhado . - O senhor não acha que tenha sido eu ? - repetiu Harry cheio de esperança , enquanto Dumbledore sacudia penas de galo de cima de a secretária . - Não , Harry , não acho - afirmou Dumbledore , apesar de a sua expressão ser de_novo sombria . - Mas mesmo_assim quero falar contigo . Harry esperou ansiosamente enquanto o director o observava com as pontas de os dedos longos unidas . - Tenho de saber uma coisa . Harry , há alguma pergunta que queiras fazer me , qualquer que ela seja ? Harry não soube o que dizer . Lembrou se de Malfoy a gritar * _ Vocês serão os próximos , sangues de lama * e de a poção * _ Polisuco * em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Depois pensou em a voz sem corpo que ouvira duas vezes e em o que o Ron dissera * _ Ouvir vozes que ninguém mais ouve não é bom sinal , nem mesmo em o mundo de a feitiçaria * . Pensou também em o que toda_a_gente dizia de ele e em o receio cada_vez maior de ter uma relação qualquer com Salazar_Slytherin ... - Não - disse por fim . - Não há nada , professor . O ataque duplo a Justin e a o Nick quase sem cabeça transformou o que até_então era nervosismo em verdadeiro pânico . Curiosamente fora o destino de o Nick quase sem cabeça o que mais preocupara as pessoas . Quem poderia ter feito aquilo a um fantasma ? - perguntavam uns a os outros . - Que poder terrível era aquele , capaz de afectar alguém que já tinha morrido ? Houve uma precipitação enorme em a marcação de os bilhetes em o Expresso_de_Hogwarts , pois todos os alunos quiseram ir passar o Natal a casa . - Por este caminho , vamos ser os únicos a ficar - disse o Ron a o Harry e a a Hermione . - Nós , o Malfoy , o Goyle e o Crabbe , que férias lindas que vão ser ! Crabbe e Goyle que faziam sempre o que Malfoy fazia , tinham se inscrito para ficar também durante as férias . Mas Harry estava contente por a maior parte se ir embora . Estava farto de ver gente a afastar se em os corredores como_se ele fosse mostrar os dentes ou cuspir veneno . Estava cansado de tantos segredinhos , de os ver apontar e segredar quando passava . O Fred e o George , esses achavam muito divertido . Vinham , de propósito , pôr se a a frente de ele e atravessavam os corredores a gritar : - Abram alas para o herdeiro de Slytherin , vai passar um feiticeiro verdadeiramente cruel . Percy discordava totalmente de este comportamento . - Não é um assunto para se brincar - dizia com frieza . - Sai mas é de o caminho , Percy - dizia o Fred . - O Harry está com pressa . - Sim , ele vai a a Câmara_dos_Segredos tomar uma chávena de chá com o seu servidor dentes de serpente - completava Fred com uma gargalhada . Ginny também não lhes achava graça . - Cala te - gritava ela sempre_que o Fred perguntava em voz alta a o Harry quem estava a pensar atacar a seguir , ou quando George fingia afastá o com um enorme dente de alho . Harry não se importava . Fazia o sentir se melhor o facto de constatar que , pelo_menos para o Fred e para o George , a ideia de ele ser o herdeiro de Slytherin era absolutamente ridícula . Mas as palhaçadas de eles pareciam ofender Draco_Malfoy que , de cada_vez que os via , ficava mais irritado . - É porque está ansioso por dizer que é mesmo ele - disse o Ron com ar conhecedor . - Sabes como ele detesta que alguém o ultrapasse e tu estás a receber todo o crédito por o seu trabalho sujo . - Não vai ser por muito_tempo - disse Hermione com uma voz satisfeita . - A poção * polisuco * está quase pronta . Um de estes dias arrancamos lhe a verdade . Finalmente , o período chegou a o seu termo e um silêncio profundo como a neve em os campos desceu sobre o castelo . Harry adorou a tranquilidade e apreciou o facto de ele , Hermione e os Weasley terem a torre de os Gryffindor por sua conta , poderem jogar a as explosões bem alto , sem incomodar ninguém e praticar duelos entre si . O Fred , o George e a Ginny tinham preferido ficar em a escola a ir com Mr. e Mrs._Weasley a o Egipto visitar o Bill . Percy que reprovava e considerava infantil a conduta de eles , não passava muito_tempo em a sala comum de os Gryffindor . Já lhes dissera pomposamente que só ficara ali em o Natal , por ser sua obrigação como prefeito apoiar os professores em aquela época agitada . A manhã de o dia de Natal clareou branca e fria . Harry e Ron , os únicos que estavam em o dormitório , foram acordados muito cedo por Hermione que entrou , toda vestida , transportando presentes para ambos . - Acordem - disse em voz alta , abrindo os cortinados . - Hermione , tu não devias estar aqui - exclamou o Ron , protegendo os olhos de a luz . - Feliz_Natal para ti também - disse Hermione , atirando lhe o presente que tinha para ele . - Estou acordada há quase uma hora , acrescentando mais asas de renda a a poção . Está pronta . Harry sentou se , subitamente acordado . - Tens a certeza ? - Absoluta - disse ela , afastando o rato Scrabbers para se sentar a os pés de a cama de dossel . - Se vamos mesmo tomá a , acho que devia ser logo a a noite . Em esse momentzo , a Hedwig entrou em o quarto , transportando em o bico um embrulho pequenino . - Olá - disse Harry , feliz a o vê a aterrar em a sua cama . - Já me falas outra_vez ? Ela mordiscou lhe a orelha de uma forma afectuosa que foi , de longe , um presente melhor do_que aquele que transportava e que era afinal de os Dursley . Tinham mandado a Harry um palito para os dentes com um cartão pedindo lhe que se informasse se não poderia ficar , também em o Verão , em Hogwarts . Os outros presentes que Harry recebeu foram bastante melhores . Hagrid mandara lhe uma lata grande de bombons de melaço que ele decidiu amolecer a o lume antes de comer , o Ron deu lhe um livro chamado * _ Voando com Canhões * , que narrava factos interessantes sobre a sua equipa favorita de Quidditch e Hermione trouxera lhe uma luxuosa pena de águia . Harry abriu o último presente onde vinha uma camisola novinha , feita a a mão por Mrs._Weasley e um grande bolo de passas . Pegou em o cartão com uma nova sensação de culpa , pensando em o carro de Mr._Weasley que não voltara a ser visto desde_que chocara contra o salgueiro zurzidor e em a quantidade de infracções que ele e o Ron tinham em mente . Ninguém , nem mesmo os que estavam cheios de medo por terem de tomar a poção * polisuco * a seguir , deixou de adorar o jantar de Natal em Hogwarts . O salão nobre estava magnífico . Não_só havia uma_dúzia de árvores de Natal , cobertas de geada e espessas serpentinas de azevinho e visco bravo cruzando se junto de o tecto como caia uma neve encantada quente e seca . Dumbledore conduziu os em uma de as suas canções de Natal preferidas enquanto Hagrid se agitava , falando cada_vez_mais alto , a cada gole de gemada que tomava . O Percy que não dera por_que Fred enfeitiçara o seu distintivo de prefeito , onde agora podia ler se « cabeça de alfinetes « , continuava a perguntar a todos para_onde estavam a olhar . Harry nem_sequer se importou com os comentários que Draco_Malfoy fazia bem alto , de a mesa de os Slytherin acerca de a sua camisola nova . Com alguma sorte , Malfoy iria ser desmascarado dentro_de algumas horas . Harry e Ron mal tinham acabado a terceira dose de pudim de Natal quando Hermione os fez sair de o salão a a pressa para acabarem de tratar de os planos para essa noite . - Ainda precisamos de um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos - disse com o ar mais natural de este mundo como_se estivesse a mandá os a o supermercado comprar detergente . - E , é claro que o ideal será conseguirmos alguma coisa de o Crabbe e de o Goyle , são os melhores amigos de o Malfoy , ele conta lhes tudo . E precisamos também de ter a certeza de que eles não vão entrar em a sala quando vocês estiverem a interrogar o Malfoy . - Eu tenho tudo pensado - prosseguiu ela , ignorando a expressão estupefacta de Harry e Ron . Pegou em dois apetitosos bolos de chocolate . - Pus lhes um encantamento de sono . Vocês só têm de fazer com que o Crabbe e o Goyle os encontrem . Sabem como eles são gulosos , vão logo comê os . Quando estiverem a dormir , tirem lhes alguns cabelos e escondam nos em uma despensa de vassouras . Harry e Ron olharam , incrédulos , um para o outro . -- Hermione , eu não creio que ... -- Isto pode correr muito mal ... Mas Hermione tinha um brilho inflexível em os olhos que não era muito diferente do_que costumavam ver em o olhar de a professora Mc_Gonagall . - A poção não nos serve de nada sem os cabelos de o Crabbe e de o Goyle - disse com firmeza . - Vocês querem mesmo descobrir coisas sobre o Malfoy , não querem ? - Pronto , está bem - disse Harry . - Mas , e tu , vais arranjar cabelos de quem ? - Eu já tenho esse assunto resolvido - disse Hermione sorridente , tirando um frasquinho de o bolso e mostrando lhes um cabelo que lá estava dentro . - Lembram se de a Millicent_Bulstrode que lutou comigo em o clube de os duelos ? Ela deixou isto em o meu manto quando tentava estrangular me . E foi passar o Natal a casa , portanto , basta me dizer a os Slytherins que decidi voltar . Quando Hermione saiu para verificar de_novo a poção polisuco , Ron voltou se para Harry com uma expressão lúgubre . - Alguma vez viste um plano onde tantas coisas pudessem correr mal ? Mas para grande espanto de ambos , a primeira fase de a operação decorreu tão naturalmente como Hermione previra . Eles esconderam se em o * hall * de entrada , depois de o lanche de Natal , a a espera de o Crabbe e de o Goyle que tinham ficado sozinhos a a mesa de os Slytherin , deitando abaixo a quarta dose de bolo inglês . Harry colocou os bolos de chocolate em o fim de o corrimão . Quando avistaram Crabbe e Goyle a sair de o salão , Harry e Ron esconderam se rapidamente atrás_de uma armadura que estava junto de a porta de entrada . - Como_se pode ser tão estúpido ? - murmurou Ron sem se mexer enquanto Crabbe apontava satisfeitíssimo , mostrando a Goyle os bolos e agarrando os . Com um riso estúpido , enfiaram nos inteiros em as bocas enormes . Durante um momento , ambos mastigaram avidamente com olhares vitoriosos em o rosto . Depois , sem que a expressão se alterasse , caíram para trás e estatelaram se em o chão . Mais difícil foi transportá os para a despensa de o outro lado de o * hall * . Uma_vez armazenados em o meio de os baldes e esfregões , Harry arrancou alguns de os pêlos que cobriam a cabeça de o Goyle e Ron tirou alguns cabelos a o Crabbe . Roubaram lhes também os sapatos porque os de eles eram demasiado pequenos para os enormes pés de o Crabbe e de o Goyle . Em seguida , ainda atordoados com o que tinham acabado de fazer , correram até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mal conseguiam ver com o fumo preto e espesso que saía de o cubículo onde Hermione mexia o caldeirão . Tapando o rosto com os mantos , Harry e Ron bateram a o de leve em a porta . - Hermione ? Ouviram o ruído de o trinco e Hermione apareceu com a cara lustrosa e um ar ansioso . Por trás de ela ouviam o gloop gloop de a poção espessa e gorgolejante . Em o banco de a casa_de_banho estavam três copos de vidro . - Conseguiram ? - perguntou Hermione quase sem fôlego . Harry mostrou lhe o cabelo de o Goyle . - _ óptimo . Eu tirei estes mantos suplementares de a lavandaria - disse ela , pegando em uma pequena saca . - Vocês vão precisar de tamanhos maiores se vão ser o Crabbe e o Goyle . Olharam os três para o caldeirão . Vista de perto , a poção parecia uma lama espessa e escura a borbulhar indolentemente . - Tenho a certeza que fiz tudo certo - disse Hermione nervosa , relendo a página manchada de * _ Moste_Potente_Potions * . - Tem o aspecto que o livro diz que deveria ter ... depois de a tomar temos precisamente uma hora antes de nos transformarmos de_novo em as pessoas que somos . - E agora ? - murmurou o Ron . - Separamos a em três copos e adicionamos os cabelos . Hermione encheu cada_um de os copos com uma concha de sopa . Em seguida , retirou com a mão a tremer o cabelo de Millicent_Bulstrode de dentro de o frasquinho e pô o em o primeiro copo . A poção chiou fortemente como uma chaleira a ferver e espumou como louca . Um segundo depois ganhara um tom de amarelo doentio . - Urgh ! Essência_de_Millicent_Bulstrode - disse Ron , olhando com repugnância . - Aposto que o sabor é nojento . - Deitem os vossos - disse Hermione . Harry deixou cair o cabelo de o Goyle em o copo de o meio e Ron lançou o de o Crabbe em o último . Ambos chiaram e espumaram : o de o Goyle ficou de um tom caqui , o de o Crabbe de um castanho-escuro algo tenebroso . - Esperem - pediu Harry quando Ron e Hermione pegaram em os copos . - Será melhor não os tomarmos aqui todos juntos em um cubículo ; quando em os transformarmos não vamos cá caber e Millicent_Bulstrode não é nenhum duende . - Bem pensado - admitiu o Ron , abrindo a porta . - Cada_um em seu cubículo . Com todo o cuidado , para não entornar nem uma gota de a poção polisuco , Harry esgueirou se para o cubículo de o meio . - Prontos ? - perguntou . - Prontos - responderam as vozes de o Ron e de a Hermione . - Um , dois , três . Tapando o nariz , Harry bebeu a poção em dois grandes tragos . Tinha o sabor de a couve demasiado cozida . Os seus interiores começaram imediatamente a contorcer se como_se tivesse engolido serpentes vivas . Dobrado , Harry perguntava a si próprio se iria vomitar . Depois , uma sensação de ardor espalhou se rapidamente de o estômago até a as pontas de os dedos de as mãos e de os pés . Em seguida , fazendo o sobressaltar se , sobreveio o sentimento horrível de estar a derreter enquanto a pele de todo o seu corpo borbulhava como cera quente e , perante os seus olhos , as mãos começaram a crescer , os dedos a engrossar , as unhas a alargar e as articulações a tornarem se protuberantes como ferrolhos . Os ombros retesaram se dolorosamente e uma comichão em a testa preveniu o de que o cabelo estava a rastejar em direcção a as sobrancelhas . As túnicas rasgaram se enquanto o tórax se expandia como um barril , rebentando com os seus anéis . Os pés estavam em grande sofrimento dentro_de sapatos quatro números abaixo . Tão depressa como começara , tudo parou . Harry estava caído em o chão de pedra fria , ouvindo a Murta_Queixosa gorgolejando taciturna em o cubículo de o fundo . Com alguma dificuldade tirou os sapatos e levantou se . Era então assim que o Goyle se sentia ! Com a mão enorme a tremer , despiu a sua túnica que lhe ficava 30 centímetros acima de os tornozelos , pegou em as túnicas suplementares e amarrou os atacadores de os sapatos abotinados de o Goyle . Quis escovar o cabelo para o afastar um_pouco de os olhos e deu apenas com os pêlos hirsutos que lhe cresciam em a testa . Apercebeu se então de que os óculos lhe toldavam a visão porque o Goyle , obviamente , não precisava de eles . Tirou os e gritou . - Vocês estão bem ? - De a sua boca saiu a voz baixa e grossa de o Goyle . - Sim - respondeu lhe o grunhido de o Crabbe , a a sua direita . Harry abriu a porta de o cubículo e dirigiu se a o espelho partido . O Goyle olhava o de o outro lado com os seus olhos parados . Harry coçou a orelha e Goyle fez o mesmo . A porta de o Ron abriu se . Olharam um para o outro . Harry estava pálido e chocado . O amigo não se distinguia de o Crabbe , desde o corte de cabelo em forma de tigela até a os longos braços de gorila . - É inacreditável - disse o Ron , aproximando se de o espelho e beliscando o nariz achatado de o Crabbe . - Inacreditável ! - É melhor irmos indo - disse Harry , alargando a pulseira de o relógio que lhe cortava o pulso . - Ainda temos de descobrir onde fica a sala comum de Slytherin . Só espero que encontremos alguém que vá para lá e que nós possamos seguir . Ron que tinha estado a olhar espantado para ele , comentou : - Não imaginas como é bizarro ver o Goyle a pensar - bateu em a porta de Hermione . - Vamos , temos que ir ... Respondeu lhe uma voz aguda : - Eu ... eu acho que afinal não vou . Vão vocês sem mim . - Hermione , nós sabemos que a Millicent_Bulstrode é feia , ninguém vai pensar que és tu . - Não , a sério , acho que não vou . Despachem se vocês os dois , estão a perder tempo . Harry olhou para Ron , baralhado . - Aquilo parece mais de o Goyle , é como ele fica sempre_que algum professor lhe faz uma pergunta . - Estás bem , Hermione ? - perguntou Harry , através de a porta . - _ óptima , estou óptima , vão se embora . Harry olhou para o relógio . Cinco preciosos minutos tinham já passado . - Encontramo nos aqui , está bem ? - disse . Os dois abriram a porta de a casa_de_banho com todo o cuidado , viram se o caminho estava livre e saíram . - Não balances assim os braços - disse o Harry a o Ron . - Hein ? - O Crabbe anda sempre com eles esticados . - Assim ? - Isso , assim está melhor . Desceram a escadaria de mármore . Só precisavam agora de um Slytherin que pudessem seguir até a a sala comum , mas não havia ninguém por perto . - Tens alguma ideia ? - perguntou Harry em um murmúrio . - Os Slytherin vêm sempre de ali para o pequeno-almoço - disse o Ron , apontando para a entrada de os calabouços . Mal tinha pronunciado estas palavras quando uma rapariga de cabelo comprido a os caracóis , apareceu . - Desculpa - disse o Ron , sem perder tempo . - Esquecemo nos de o caminho para a nossa sala comum . - Como ? - disse a rapariga com a maior frieza . - A * nossa * sala comum ? Eu sou uma Ravenclaw . Afastou se , olhando para eles , desconfiada . Harry e Ron desceram apressadamente os degraus de pedra até a a escuridão . Os passos ecoavam em o silêncio , à_medida_que os pés enormes de Crabbe e Goyle tocavam em o chão , fazendo os sentir que as coisas não iam ser tão fáceis como eles desejavam . Os corredores labirínticos estavam desertos . Andaram e tornaram a andar por os subterrâneos , olhando constantemente para os relógios para ver quanto tempo ainda lhes restava . Depois de um quarto de hora , quando começavam a ficar desesperados , ouviram um movimento súbito . - Olha - disse o Ron , agitadamente . - Agora é um de eles . A silhueta saía de uma sala , mas quando se aproximaram o coração de ambos esmoreceu . Não era um Slytherin , era Percy . - O que estás a fazer aqui em baixo ? - perguntou o Ron surpreendido . - Isso - disse ele friamente - não é de a tua conta . És o Crabbe , não és ? - Er ... sim , sim - respondeu o Ron . - Então vão para o vosso dormitório - ordenou Percy com firmeza . - Não é seguro andar a passear por os corredores escuros em os dias que correm . - Tu andas -- fez notar o Ron . - Eu - disse o Percy endireitando se - sou um prefeito . Nada vai atacar me . Ouviu se , de repente , uma voz por_detrás_de Harry e Ron . Era_Draco_Malfoy e , pela_primeira_vez em a vida , Harry ficou satisfeito a o vê o . - Aí estão vocês - disse de modo arrastado , olhando para eles . - Têm estado a chafurdar em o salão este tempo todo ? Tenho andado a a vossa procura , quero mostrar vos uma coisa muito divertida . Malfoy olhou misteriosamente para Percy . - E o que fazes tu aqui , Weasley ? - perguntou com ar de desprezo . Percy olhou , sentindo se ultrajado . - Fazes favor de mostrar um_pouco mais de respeito por um prefeito de a escola - disse . - Não gosto de o teu ar . Malfoy riu se e fez sinal a o Harry e a o Ron para que o seguissem . Harry quase ia pedindo desculpa a o Percy , mas deu se conta a tempo . Apressaram se a seguir o Malfoy que disse , mal viraram em o corredor seguinte : - Aquele Peter_Weasley ... - O Percy - corrigiu Ron automaticamente . - Ou isso - continuou Malfoy . - Ultimamente tenho o visto muitas_vezes a andar por aí sorrateiramente e aposto que sei o que ele quer . Pensa que vai apanhar o herdeiro de Slytherin sozinho . Deu uma pequena gargalhada ridícula . Harry e Ron trocaram olhares nervosos . Malfoy parou junto de uma parede de pedra húmida . - Qual é a senha ? - perguntou a o Harry . - Er ... - Ah ! sim , sangue puro - disse Malfoy sem ouvir e uma porta de pedra , oculta em a parede , abriu se . Malfoy entrou e Harry e Ron seguiram o . A sala comum de os Slytherin era uma ampla divisão subterrânea com espessas paredes de pedra e um tecto de o qual estavam pendurados por correntes vários candeeiros redondos que davam uma luz esverdeada . O fogo crepitava em uma lareira elaboradamente esculpida em frente de a qual se viam as silhuetas de vários Slytherins sentados em cadeiras igualmente esculpidas . - Esperem aí - disse Malfoy a o Harry e a o Ron , encaminhando os para um par de cadeiras vazias , longe de o lume . - Eu vou buscar o que o meu pai acaba de me mandar . Sem saber o que Malfoy iria mostrar lhes , Harry e Ron sentaram se , fazendo todos os possíveis por parecer a a vontade . Malfoy voltou um minuto depois , trazendo em a mão o que parecia ser um recorte de jornal . Pô o debaixo de o nariz de o Ron . - Vais te rir - disse . Harry viu os olhos de o Ron abrirem se como_se estivesse em estado de choque . Viu o ler o recorte rapidamente , dar uma gargalhada forçada e estender lhe o em seguida . Tinha sido retirado de o * _ Profeta_Diário * e dizia : inquérito em o ministério de a magia * _ Arthur_Weasley , chefe de o Gabinete_de_Mau_Uso_dos_Utensílios_dos_Muggles foi hoje multado em cinquenta galeões por ter enfeitiçado um carro de os Muggles . * _ O senhor Lucius_Malfoy , Membro_do_Conselho_Directivo_da_Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts , onde o carro enfeitiçado foi chocar em o princípio de este ano , exigiu hoje a demissão de Mr._Weasley . « * _ O_Weasley trouxe o descrédito a o Ministério « - declarou Mr._Malfoy a o nosso repórter . - « É claramente incompetente para fazer cumprir as leis e a sua protecção ridícula de os Muggles deveria ir imediatamente para a sucata . » * _ Mr._Weasley recusou se a fazer comentários , mas a sua mulher disse a os repórteres que desaparecessem de ali ou lançaria contra eles o vampiro de a família * . - Então - disse Malfoy impaciente quando Harry voltou a entregar lhe o recorte . - Não achas o_máximo ? - Ha , ha - fez Harry tristemente . - O Arthur_Weasley gosta tanto de os Muggles que era capaz de partir a sua varinha a o meio para se juntar a eles - disse Malfoy com desprezo . - Ninguém diria que os Weasley eram sangue puro a avaliar por o modo como_se comportam . A cara de o Ron , ou melhor , de o Crabbe , contorceu se de raiva . - O que é_que se passa ? - perguntou Malfoy . - Dores de estômago - gemeu o Ron . - Então vai a a ala hospitalar e dá a todos aqueles sangues de lama um pontapé de a minha parte - disse Malfoy com o seu riso escarninho . - Sabes que estou espantado por o * _ Profeta_Diário * ainda não se ter referido a todos estes ataques - continuou pensativamente . - Calculo que o Dumbledore deve estar a tentar abafar as coisas . Ele ainda é posto em a rua se isto não acaba depressa . O pai sempre disse que Dumbledore foi a pior coisa que aqui veio parar . Ele adora os filhos de os Muggles , um director decente nunca deixaria um lodo como o Creevey entrar em esta escola . Malfoy começou a fingir que tirava fotografias com uma máquina imaginária e fez uma imitação maldosa , mas bastante fiel de o Colin : - Potter , posso tirar te a fotografia ? Dás me um autógrafo ? Posso lamber te os sapatos , por favor , Potter ? Baixou as mãos e olhou para Harry e Ron . - O que é_que se passa com vocês os dois ? Um_pouco atrasados , Harry e Ron forçaram o riso e Malfoy pareceu satisfeito . Talvez Crabbe e Goyle fossem sempre de reacção lenta . - O santo Potter , amigo de os sangues de lama - disse Malfoy . - É outro que não tem os sentimentos de um feiticeiro a sério ou não andaria por aí com aquela empertigada sangue de lama Granger . E as pessoas a pensarem que ele é o herdeiro de Slytherin . Harry e Ron esperaram com a respiração entrecortada : o Malfoy ia certamente dizer lhes , dentro_de segundos , que era ele , mas então ... - Quem me dera saber quem ele é - disse o Malfoy , de forma petulante . - Podia ajudá o . O queixo de o Ron caiu de tal maneira que a cara de o Crabbe ficou ainda mais desajeitada do_que era habitual . Felizmente Malfoy não deu por nada e Harry , em um pensamento rápido , disse : - Deves ter alguma ideia de quem está por_detrás_de tudo ... - Sabes perfeitamente que não tenho , Goyle , quantas vezes é preciso dizer te ? - cortou Malfoy . - E o pai também não me diz nada sobre a última vez que a câmara foi aberta . É claro que foi há cinquenta anos , antes de ele cá andar , mas o pai sabe tudo a esse respeito e diz que as coisas foram mantidas em grande segredo e que pareceria suspeito se eu soubesse demasiado . Mas há uma coisa que eu sei : de a última vez que a câmara foi aberta , morreu um sangue de lama . Por isso , aposto que é uma questão de tempo até que um de eles seja morto . Só espero que seja a Granger - disse satisfeito . Ron fechara os punhos gigantescos de o Crabbe . Sentindo que deitaria tudo a perder se ele desse um soco a o Malfoy , Harry lançou lhe um olhar de aviso e disse : - Sabes se a pessoa que abriu a câmara de a última vez foi apanhada ? - Ah ! sim , essa pessoa foi expulsa - disse Malfoy . - Ainda deve estar em Azkaban . - Azkaban ? - repetiu Harry confuso . - Azkaban , a prisão de os feiticeiros , Goyle - disse Malfoy , olhando para ele incrédulo . - Francamente , se fosses mais lento andavas para trás . Esticou se intranquilo , em a cadeira e disse : - O pai diz para eu esfriar a cabeça e deixar que o herdeiro de Slytherin faça o seu trabalho . Acha que a escola precisa de se livrar de a escória de os sangues de lama , mas não quer que eu me envolva em nada . Claro que ele agora tem um prato cheio . Sabes que o Ministério de a magia fez uma busca a a nossa mansão em a semana passada ? Harry tentou forçar a cara de bronco de o Goyle a uma expressão preocupada . - Sim - continuou Malfoy . - É claro que não encontraram grande coisa . O pai guarda uns materiais de magia negra muito valiosos , mas , felizmente , temos a nossa câmara secreta debaixo de o soalho de a sala de visitas ... - Ah ! - disse o Ron . Malfoy olhou para ele . Harry também . Ron corou e até o cabelo começou a ficar vermelho . O nariz estava também a diminuir lentamente ... a hora tinha acabado . Ron estava a voltar a a sua forma habitual e por o olhar de horror que lançou a Harry certamente ele também estava . Puseram se rapidamente de pé . - Tenho de tomar o remédio para o estômago - grunhiu o Ron e sem mais explicações saíram ambos a correr de a sala comum de os Slytherin , precipitaram se para a parede de pedra e galgaram a passagem , pedindo a todos os santos que Malfoy não tivesse dado por nada . Harry sentia os pés a nadarem em os sapatos enormes de o Goyle e tinha de levantar o manto visto_que diminuíra de tamanho . Subiram os degraus a correr até a o * hall * escuro de entrada onde se ouvia um som abafado que vinha de a despensa onde tinham fechado o Crabbe e o Goyle . Deixando os sapatorros de os dois de o lado de_fora , subiram já com os respectivos sapatos a escadaria de mármore até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Bem , não foi uma total perda de tempo - disse o Ron ofegante , fechando atrás_de si a porta de a casa_de_banho . - É certo que ainda não descobrimos de quem vêm os ataques , mas vou escrever a o meu pai amanhã a dizer lhe que procure debaixo de o soalho de a sala de visitas de o Malfoy . Harry olhou para o espelho partido . Tinha voltado a o normal . Pôs os óculos enquanto Ron batia em a porta de o cubículo de Hermione . - Hermione , sai de aí , temos um monte de coisas para te contar ... - Vão se embora - guinchou Hermione . Harry e Ron olharam um para o outro . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron . - Tu já deves ter voltado a o normal como nós ... Mas a Murta_Queixosa saiu subitamente através de a porta de o cubículo com um ar divertido como nunca a tinham visto . - Oh ! Esperem até ver - disse ela . - É horrível ! Ouviram o trinco de a porta a abrir se e Hermione apareceu a soluçar , a túnica levantada a cobrir lhe o rosto . - O que foi ? - perguntou o Ron indistintamente . - Ainda tens o nariz de a Millicent ou alguma coisa assim ? Hermione deixou cair a roupa e Ron recuou rapidamente . O rosto de ela estava coberto de pêlo preto , os olhos tinham ganho uma cor amarela e as orelhas eram pontiagudas , saindo espetadas para fora de os cabelos . - Era um pêlo de g-gato - disse a chorar . - A Millicent_Bulstrode d-deve ter um gato e a poção não está preparada para transformação em animais . - Oh-oh - disse o Ron . - Vão te gozar horrivelmente - disse a Murta , felicíssima . - Não te preocupes , Hermione - tranquilizou a rapidamente o Harry . - Vamos levar te para a ala hospitalar , a Madam_Pomfrey nunca faz muitas perguntas ... Não foi fácil convencer Hermione a sair de a casa_de_banho . A Murta_Queixosa despediu se com uma gargalhadavigorosa e grosseira . - Espera até todos descobrirem que tens uma cauda ! XIII_O diário muito secreto Hermione ficou em a ala hospitalar durante várias semanas . Houve uma onda de boatos sobre o seu desaparecimento quando o resto de os alunos voltou de as férias de Natal porque , é claro , todos pensam que ela tinha sido atacada . Foram tantos os estudantes a rondar a ala hospitalar para espreitar a ver se a viam que Madam_Pomfrey desceu de_novo as cortinas de a cama de ela para a poupar a a vergonha de ser vista com pêlo em a cara . Harry e Ron iam visitá a todas_as tardes . Quando o segundo período começou passaram a levar lhe diariamente os trabalhos de casa . - Se eu tivesse o bigode a crescer , tinha uma folga de o trabalho - disse uma tarde o Ron enquanto colocava uma pilha de livros a a cabeceira de a cama de Hermione . - Não sejas parvo , Ron , eu tenho de me manter a par de as coisas - disse Hermione com vivacidade . O humor de ela melhorara bastante com o facto de lhe ter desaparecido todo o pêlo de o rosto e de os olhos estarem lentamente a retomar a cor castanha . - Calculo que não tenham novas pistas ? - disse em um murmúrio para evitar que Madam_Pomfrey os ouvisse . - Nada - disse Harry tristemente . - Eu tinha tanta certeza de que era o Malfoy - repetiu o Ron por a centésima vez . - O que é isso ? - perguntou Harry , apontando para uma coisa com brilho dourado que estava debaixo de a almofada de Hermione . - É só um cartão a desejar boas melhoras - disse ela precipitadamente , tentando escondê o , mas o Ron foi mais rápido . Pegou lhe , abriu o e leu em voz alta : * _ Para_Miss_Granger , desejando lhe uma rápida recuperação , com o interesse e estima de o professor Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , Terceiro grau , Membro_Honorário_da_Liga_de_Defesa contra as Artes_Negras e vencedor por cinco vezes de o prémio O sorriso mais charmoso de a semana de o Semanário_das_Bruxas * . Ron olhou desconsolado para Hermione . - Tu dormes com isto debaixo de a almofada ? Mas Hermione foi poupada a ter de responder por a entrada de Madam_Pomfrey que lhe trazia a dose de medicamento de a tarde . - Achas que o Lockhart é o tipo mais esperto que conheceste ? - perguntou o Ron a o Harry quando saíram de a enfermaria e começavam a subir as escadas para a torre de os Gryffindor . O Snape tinha lhes passado tanto trabalho para_casa que Harry pensou que ia chegar a o sexto ano antes de o ter acabado . Ron vinha a dizer que devia ter perguntado a a Hermione quantas caudas de rato deveria juntar se a uma poção para o crescimento de o cabelo quando um grito de raiva vindo de o andar de cima lhes chegou a os ouvidos . - É o Filch - murmurou Harry enquanto subiam apressadamente as escadas e paravam para ouvir melhor . - Terá mais alguém sido atacado ? - disse nervosamente o Ron . Ficaram parados com as cabeças inclinadas para a voz de o Filch que parecia quase histérica . -- ... * _ Ainda mais trabalho para mim . Toda_a noite a esfregar como_se não tivesse já trabalho de sobra . Não , isto foi a gota de água que fez transbordar o copo , vou falar com Dumbledore * ... Os passos afastaram se e ouviram uma porta fechar se com grande estrondo . Puseram as cabeças fora de a esquina . O Filch tinha obviamente estado a patrulhar o seu habitual posto de vigia : estavam novamente em o lugar onde Mrs._Norris fora atacada . Perceberam imediatamente qual o motivo de os gritos . Uma enorme poça de água enchia metade de o corredor e parecia escorrer de a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Agora_que o Filch se calara podiam ouvir os uivos de a Murta que faziam eco em as paredes de a casa_de_banho . - Mas o que se passará com ela ? - disse o Ron . - Vamos lá ver - sugeriu Harry e arregaçando as túnicas até a os tornozelos entraram , atravessando a enorme poça de água , em a casa_de_banho que tinha o letreiro a dizer « Fora de serviço » e que eles , como sempre , ignoraram . A Murta_Queixosa chorava , se possível , mais alto do_que nunca . Parecia estar escondida em o cubículo de o costume . Lá dentro estava escuro pois as velas tinham se apagado com a enchente de água que deixara as paredes e o chão ensopado . - O que se passa , Murta ? - quis saber o Harry . - Quem é ? - perguntou ela infelicíssima . - Vieste atirar me mais alguma coisa acima ? Harry caminhou com dificuldade por causa de a água até a o cubículo de ela e disse : - Porque te faríamos nós uma coisa de essas ? - Não me perguntem - gritou a Murta , emergindo em uma onda de água que molhou ainda mais o chão já ensopado . - Eu estou aqui metida em a minha morte e alguém acha muito engraçado atirar me com um caderno acima ... - Mas , não pode magoar te se alguém te atirar alguma coisa acima - disse Harry , tentando ser prático . - Isto_é , seja o que for passa através_de ti , não é assim ? Tinha dito a frase errada . A Murta encheu o peito de ar e gritou a plenos pulmões : - Vamos todos atirar cadernos a a Murta já_que ela não sente nada ! Dez pontos se lhe acertarem em o estômago , cinquenta se lhe atravessar a cabeça ! Hah hah hah , que jogo lindo , não acham ? - Quem te atirou um caderno , afinal ? - perguntou o Harry . - Não sei ... eu estava sentada em a sanita a pensar em a morte e caiu me em cima de a cabeça - disse a Murta , olhando para eles . - Está ali , ficou todo molhado . Harry e Ron olharam para o ponto que a Murta lhes apontava debaixo de o lavatório . Um caderno pequenino e fino estava caído em o chão . Tinha uma capa preta muito gasta e estava encharcado como tudo em aquela casa_de_banho . Harry deu um passo em frente para o apanhar , mas o Ron agarrou lhe precipitadamente o braço . - O que foi ? - perguntou Harry . - Estás doido - disse ele . - Pode ser perigoso . - Perigoso ? - riu se Harry . - Essa agora Ron , como é_que pode ser perigoso ? - Ficarias surpreendido ... - explicou ele , olhando com ar apreensivo para o caderno . - Entre os livros que o Ministério confiscou , contou me o meu pai , havia um que queimava os olhos a as pessoas . E todos os que leram os * _ Sonetos_de_Um_Feiticeiro * ficaram a falar em verso para o resto de a vida . Havia também uma bruxa em Bath que tinha um livro que quem o lesse nunca mais conseguia parar , tinha de andar por aí com o nariz enfiado em as folhas , a fazer todas_as coisas só com uma mão e ... - Já chega , já chega , já percebi a tua ideia - disse O_Harry . O caderninho continuava caído e ensopado . - Bem , nunca saberemos a_não_ser_que tenhamos a coragem de dar uma vista de olhos - disse e mergulhou apanhando o de o chão . Harry viu imediatamente que se tratava de um diário e a data meio apagada , em a capa , disse lhe que tinha cinquenta anos de idade . Abriu o ansiosamente . Em a primeira página podia ler se apenas o nome T._M._Riddle em tinta esborratada . - Espera aí - disse o Ron que se aproximara prudentemente e olhava por cima de o ombro de Harry . - Eu conheço esse nome ... T._M._Riddle recebeu um prémio por serviços especiais prestados a a escola há cinquenta anos atrás . - Como diabo sabes tu isso ? - perguntou Harry com grande espanto . - Porque o Filch mandou me limpar a taça de ele umas cinquenta vezes quando estive de castigo - disse o Ron ressentido . - Foi a taça em cima de a qual eu vomitei lesmas . Se tivesses tido que limpar o muco de um nome durante uma hora também te lembrarias . Harry separou umas de as outras as páginas molhadas . Estavam completamente em branco . Não havia o mais leve sinal de escrita em nenhuma , nem coisas como « Aniversário de a tia Mabel « ou « Dentista a as três_e_meia » . - Ele nunca escreveu nada aqui - disse Harry desapontado . - Porque quereria alguém atirá o fora ? - perguntou se o Ron com curiosidade . Harry voltou o caderno e viu , inscrito em a contra capa , o nome de uma tabacaria em Vauxhall_Road , Londres . - Ele devia ser filho de Muggle - disse Harry pensativo - para ter comprado um diário em Vauxhall_Road ... - Bem , não te serve de muito - Ron baixou a voz . - Cinquenta pontos se acertares em o nariz de a Murta . Harry , mesmo_assim , guardou o diário . Hermione saiu de a ala hospitalar desbigodada , sem cauda e sem pêlo em os primeiros dias de Fevereiro . Em a primeira noite em a torre de os Gryffindor , Harry mostrou lhe o diário de T._M._Riddle e contou lhe como o tinham encontrado . - Ooooh ! Deve ter poderes ocultos - disse ela entusiasticamente , pegando em o diário e examinando o de perto . - Se tem , esconde os muito bem - disse Ron . - Talvez fosse tímido . Não sei porque não deitas isso fora , Harry . - Gostava de perceber porque motivo alguém se quis livrar de ele - explicou Harry . - E também não me importava de saber como foi que o Riddle obteve esse prémio de serviços especiais prestados a Hogwarts . - Pode ter sido qualquer coisa - lançou o Ron . - Talvez tenha recebido 30 de nota final ou salvo um professor de a lula gigante . Se_calhar assassinou a Murta , isso teria sido um favor prestado a todos ... Mas Harry quase podia jurar , por o olhar suspenso em a cara de Hermione , que ela pensava o mesmo_que ele . - O que foi ? - perguntou Ron , olhando para um e para o outro . - Bem , a Câmara_dos_Segredos foi aberta há cinquenta anos , não foi isso que disse o Malfoy ? - Sim - respondeu Ron , lentamente . - E este diário tem cinquenta anos de idade - completou Hermione , dando lhe palmadinhas nervosas . - E de aí ? - Oh Ron , acorda - insistiu Hermione . - Sabemos que a pessoa que abriu a câmara de a outra_vez foi expulsa há cinquenta anos . E se o Riddle tivesse tido o prémio especial por apanhar o herdeiro de Slytherin ? O seu diário diria nos provavelmente tudo : onde é a Câmara_dos_Segredos , como abris a e que tipo de criatura vive lá . Achas que a pessoa que está por trás de os ataques desta_vez quereria o diário por aí ? - É uma teoria interessante , Hermione - disse o Ron . - Apenas com uma pequenina falha : o diário não tem nada Mas_Hermione já estava a tirar a varinha de o saco . - Pode ser tinta invisível - murmurou . Bateu três vezes em o diário e repetiu * _ Aparecium ! * Nada aconteceu . Intrépida , Hermione meteu a mão de_novo em o saco e tirou o que parecia ser uma borracha vermelha e brilhante . - É um * revelador * , comprei o em a Diagon - _ Al - disse . Apagou com força em 1_de_Janeiro . Não sucedeu nada . - Já vos disse , não há nada aí - repetiu o Ron . - O Riddle deve ter recebido um diário como prenda de Natal e nem se deu a o trabalho de escrever fosse o que fosse . Harry não conseguia explicar , nem a si próprio , porque motivo não deitara fora o diário de Riddle . A verdade é_que , mesmo depois de saber que ele estava em branco , continuou distraidamente a pegar lhe e a virar as páginas como_se quisesse chegar a o fim de uma história . E , apesar_de saber que nunca tinha ouvido o nome T._M._Riddle , continuava a ter a sensação de que lhe dizia alguma coisa , como_se Riddle fosse um amigo que ele tinha tido quando era muito pequeno e que estivesse meio esquecido . Mas era um absurdo . Nunca tivera amigos antes de Hogwarts , Dudley tivera esse cuidado . Ainda_assim , Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle , por isso em o dia seguinte foi até a a sala de os troféus para examinar a taça , acompanhado de Hermione que estava interessadíssima e de Ron que se mostrava profundamente incrédulo , dizendo que tinha ficado farto de aquela sala até a o fim de a vida . A taça dourada de Riddle estava arrecadada em um armário de canto . Não fornecia detalhes sobre o motivo por_que lhe fora dada ( felizmente , se fosse maior ainda hoje estava a limpá a , disse o Ron ) . Mas encontraram o nome de Riddle em uma antiga medalha de Mérito_Mágico e em uma lista de antigos chefes de turma . - Parece o Percy - comentou Ron , torcendo o nariz com aversão . - Prefeito , chefe de turma , provavelmente o melhor em todas_as disciplinas . - Dizes isso como_se fosse uma coisa má - fez lhe notar Hermione , em um tom de voz ressentido . Um sol fraco brilhava agora de_novo em Hogwarts . Dentro de o castelo , o ambiente estava bastante melhor . Não tinha havido novos ataques desde Justin e Nick quase sem cabeça e Madam_Pomfrey teve a satisfação de informar que as Mandrágoras começavam a ficar instáveis e dissimuladas , sinal de que estavam a abandonar rapidamente a infância . - Logo_que o acne desapareça estarão prontas para novo transplante - ouviu a Harry dizer amavelmente a o Filch . - E depois de isso , não demorará muito até podermos cortá as e estufá as . - Vai ter Mrs._Norris de volta , muito em_breve . Talvez o herdeiro ou herdeira de Slytherin tenha perdido a coragem , pensou Harry . Deve ser cada_vez_mais arriscado abrir a Câmara_dos_Segredos com a escola tão alerta e desconfiada . Talvez o monstro , qualquer_que_fosse , estivesse a preparar se para hibernar durante outros cinquenta anos . Ernie_Mcmillan_dos_Hufilepuff não aceitou esta visão optimista . Continuava convencido de que Harry era o culpado , que se tinha traído em o clube de os duelos . Peeves não ajudava nada : continuava a cantar por os corredores Potter , * seu bandido * ... agora acompanhado de um esquema de dança . Gilderoy_Lockhart parecia pensar que fora ele quem pusera fim a os ataques . Harry fartou se de o ouvir dizer isso a a professora Mc_Gonagall enquanto os Gryffindor formavam bicha para a aula de Transfiguração . - Não creio que volte a haver problemas , Minerva - disse , tocando em o nariz com ar conhecedor e piscando o olho . - Acho que desta_vez a câmara foi definitivamente selada . O culpado deve ter sabido que era uma questão de tempo até eu o apanhar e que era mais sensato parar agora antes que eu lhe tratasse de a saúde . Sabe , a escola está a precisar de um intensificador de animo para apagar as lembranças de o último período . Não vou dizer lhe mais_nada , por enquanto , mas julgo que sei o que ... Voltou a tocar em o nariz e afastou se a passos largos . A ideia de Lockhart de um intensificador de ânimo ficou bastante clara em o dia_14_de_Fevereiro , a o pequeno-almoço . Harry não dormira grande coisa devido a o treino de Quidditch em a noite anterior e chegou a o salão um_pouco atrasado . Pensou , por momentos , que se tinha enganado em a porta . As paredes estavam todas cobertas com enormes e medonhas flores cor-de-rosa . Pior ainda , * confettis * em forma de corações caíam de o tecto azul pálido . Harry dirigiu se a a mesa de os Gryffindor onde o Ron estava sentado com um ar enjoado junto de Hermione que parecia particularmente risonha . - O que se passa ? - perguntou lhes , sentando se e sacudindo os * confettis * de o seu bacon . Ron apontou para a mesa de os professores , com um ar demasiado repugnado para falar . Lockhart , em as suas vestes rosa vivo , a condizer com a decoração de o salão , fazia sinal para que se calassem . Os professores que o ladeavam tinham um ar estupefacto . De o seu lugar , Harry podia ver um músculo mover se em a bochecha de a professora Mc_Gonagall . Snape estava com ar de quem tomou uma imensa dose de xarope * skele-gro * . - Feliz dia de S._Valentim - gritou Lockhart . - E permitam me que agradeça a as quarenta_e_seis pessoas que até agora me enviaram cartões . Sim , fui eu quem tomou a liberdade de vos fazer esta pequena surpresa , e ela não acaba aqui ! Lockhart bateu as palmas e por as portas de o * hall * entraram a marchar cerca de uma_dúzia de duendes de aspecto carrancudo . Não eram uns duendes quaisquer , diga se de passagem . Lockhart fizera os usar asas douradas e transportar harpas . - Os meus amigos cupidos , portadores de os cartões ! gritou Lockhart . - Eles vão andar por a escola durante o dia de hoje , entregando os vossos cartões de S._Valentim . E o divertimento não acaba aqui . Tenho a certeza de que os meus colegas vão querer participar em este espírito de festa . Porque não pedir a o professor Snape que vos mostre como preparar rapidamente uma poção de amor . E , enquanto ele a prepara , está aqui o professor Flitwick que é de todos os feiticeiros que conheci aquele que mais sabe de encantamentos de sedução , o grande safado ! O professor Flitwick enterrou o rosto em as mãos . Snape olhava como_se quisesse dar veneno a a primeira pessoa que fosse pedir lhe a poção de o amor . - Por favor , Hermione , diz me que não foste uma de as quarenta_e_seis - pediu Ron quando saíram de o salão para a primeira aula . Mas Hermione ficou subitamente muito interessada em procurar o horário dentro de a mala e não lhe respondeu . Durante todo o dia os duendes não pararam de se intrometer em as aulas para entregar cartões , para grande aborrecimento de os professores e , ao_fim_da_tarde , quando os Gryffindor subiam as escadas para a aula de encantamentos , um de eles avistou o Harry . - Hei , tu , Harry_Potter ! - gritou um duende de aspecto particularmente lúgubre , dando cotoveladas a_toda_a gente para se aproximar de o Harry . Coradíssimo com a ideia de receber um cartão de S._Valentim diante_de uma fila de alunos de o primeiro ano que , por acaso , incluía Ginny_Weasley , Harry tentou escapar se . Mas o duende cortou lhe o caminho através de a multidão e agarrou o em três tempos . - Tenho uma mensagem musical para entregar a Harry_Potter em pessoa - disse , tangendo a harpa de forma ameaçadora . - Aqui não - disse baixinho o Harry , tentando escapar . - Fica quieto - grunhiu o duende , agarrando o saco de o Harry e puxando com força . - Larga me - disse ele rispidamente , dando um puxão . Com um ruído de tecido a rasgar se , o saco dividiu se em dois . Os livros de Harry , varinha , pergaminho e pena espalharam se por o chão enquanto o tinteiro se partia em cima de as outras coisas . Harry pôs se de gatas , tentando apanhar tudo antes que o duende começasse a cantar , provocando um engarrafamento em o corredor . - O que se passa aqui ? - perguntou a voz fria e afectada de Draco_Malfoy . Harry , nervosíssimo , começou a guardar tudo dentro de o saco rasgado , desesperado para sair de ali antes que Malfoy pudesse ouvir o seu S._Valentim musical . - Que confusão é esta ? - disse outra voz familiar . Percy_Weasley tinha chegado . De cabeça perdida , Harry tentou fugir , mas o duende agarrou o por os joelhos e fê lo cair a o chão . - Certo - disse , sentando se em os tornozelos de Harry . Eis o teu cartão musical : * _ Os olhos de ele são verdes como o sapo de o quintal * _ O seu cabelo é escuro como um temporal * _ É um desatino , oh ! ele é divino ! * _ O herói que venceu o Senhor_do_Mal * . Harry teria dado todo o ouro de Gringotts para se evaporar em aquele momento . Tentando corajosamente rir se com todos os outros , levantou se . Sentia os pés dormentes de o peso de o duende . Enquanto isso , Percy_Weasley fazia todos os possíveis por dispersar a multidão onde havia gente que chorava de hilaridade . - Vamos embora , vamos embora , a campainha tocou há cinco minutos para as aulas - dizia , enxotando alguns de os alunos mais novos . - E tu , Malfoy . Harry olhou e viu Malfoy inclinar se , apanhar qualquer coisa e com um olhar maldoso mostrá a a Crabbe e Goyle . Percebeu que era o diário de Riddle . - Dá cá isso - exigiu com toda_a calma . - O que será que o Potter escreveu aqui ? - disse Malfoy que obviamente não reparara em a data e pensou que tinha em as mãos o diário de o Harry . Houve uma agitação em os presentes . Ginny olhava apavorada para o diário e para Harry . - Dá lhe isso , Malfoy - disse Percy com firmeza . - Depois de dar uma vista de olhos - retorquiu Malfoy , acenando a Harry com o diário de forma provocatória . Percy disse : - Como Prefeito de a escola ... - mas Harry perdera a paciência . Pegou em a varinha e gritou * _ Expelliarmus * e assim_como Snape desarmara Lockhart , MalLoy viu o diário saltar lhe de as mãos e elevar se em o ar enquanto Ron o apanhava sorridente . - Harry - disse Percy levantando a voz . - Não quero magia em os corredores . Vou ter de participar isto , sabes perfeitamente . Mas Harry não se importou . Tinha ganho uma_vez a Malfoy e isso valia bem cinco pontos a menos para os Gryffindor . Malfoy estava furioso e quando a Ginny passou por ele a caminho de a sala de aula , gritou lhe com desprezo : - Não creio que o Potter tenha gostado lá muito de o teu cartão de S._Valentim . Ginny tapou a cara e correu para a aula . Aborrecido , Ron pegou também em a varinha , mas Harry afastou o . Era melhor que ele não passasse a aula de encantamentos a vomitar lesmas . Só quando entraram em a sala de aula de o professor Flitwick é_que Harry reparou em uma coisa bastante estranha em o diário de Riddle . Todos os outros livros estavam cheios de tinta vermelha , mas o diário mantinha se tão limpo como antes de o tinteiro se ter entornado em cima de ele . Tentou chamar a atenção de Ron para este facto , mas ele estava novamente a ter um problema com a varinha : de a extremidade saíam grandes bolhas roxas e ele não parecia interessado em mais_nada . Em essa noite , Harry foi deitar se antes de os outros companheiros de dormitório , em parte porque já não conseguia suportar o Fred e o George a cantarem * _ Os seus olhos são verdes como o sapo de o quintal * e em parte porque queria voltar a examinar o diário de Riddle e sabia que em a opinião de o Ron era uma pura perda de tempo . Sentou se em a cama de dossel e folheou as páginas em branco em as quais não se via uma única mancha de tinta escarlate . Tirou então outro tinteiro de o armário a o lado de a cama , molhou a pena e deixou cair um borrão em a primeira página de o diário . A tinta brilhou em o papel durante um segundo e , em seguida , como_se a página a tivesse sugado , desapareceu sem deixar rasto . Depois , finalmente , algo aconteceu . Deslizando sobre a página em a cor de a sua tinta , surgiram palavras que Harry não escrevera . - * _ Olá_Harry_Potter . O meu nome é Tom_Riddle . Como é_que encontraste o meu diário ? * Também estas palavras desapareceram , mas não sem que Harry tivesse respondido . - Alguém tentou lançá o em uma sanita . Esperou ansiosamente por a resposta de Riddle . - * _ Felizmente guardei as minhas memórias de uma forma mais duradoura do_que a tinta . Mas sempre soube que haveria quem não iria querer que o diário fosse lido . * - O que queres dizer com isso ? - escrevinhou Harry , borrando a página com o nervosismo . - * _ Quero dizer que este diário contém memórias de coisas terríveis . Coisas que foram abafadas . Coisas que aconteceram em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . * - É onde eu estou agora - escreveu Harry rapidamente . - Estou em Hogwarts e estão a acontecer coisas horríveis . Sabes alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? O coração parecia querer saltar lhe de o peito . A resposta de Riddle não se fez esperar , a letra tornara se mais desordenada como_se tivesse pressa em contar lhe tudo_o_que sabia . - * _ É claro que sei de a Câmara_dos_Segredos . Em o meu tempo diziam nos que era uma lenda , que não existia , mas era mentira . Quando eu estava em o quinto ano a Câmara_dos_Segredos foi aberta e o monstro atacou vários estudantes , acabando matar um . Eu apanhei a pessoa que abriu a câmara e ele foi expulso . Mas o director , o professor Dippet , envergonhado por uma coisa de aquelas ter acontecido em Hogwarts , proibiu me de contar a verdade . Foi divulgada uma história dizendo que a rapariga morrera de um acidente extravagante . Deram me um troféu brilhante com o meu nome gravado e avisaram me para ficar calado . Mas eu sabia que ia voltar a acontecer . O monstro sobreviveu e aquele que tinha o poder para o libertar não foi para a prisão . * Harry quase entornou o tinteiro em a pressa de responder . - Está a acontecer outra_vez . Houve três ataques e ninguém parece saber quem está por_detrás_de tudo_isto . Quem foi de a última vez ? - * _ Posso mostrar te , se quiseres * - foi a resposta de o Riddle . - * _ Não tens de acreditar só em a minha palavra . Posso levar te a o fundo de a minha memória de a noite em que o apanhei . * Harry hesitou com a pena em o ar sobre o diário . O que quereria ele dizer ? Como poderia entrar em a memória de outra pessoa ? Olhou inquieto para a porta de o dormitório que começava a ficar escuro . Quando pôs de_novo os olhos em o diário viu as palavras que se formavam . - * _ Deixa-me mostrar te . * Harry parou durante uma fracção de segundo e depois escreveu duas letras . - O. _ K._As páginas de o diário começaram a esvoaçar como_se tivessem sido apanhadas em uma ventania , parando a meio de o mês_de_Junho . Boquiaberto , Harry viu que o quadradinho de 13_de_Junho se transformara em um pequeno ecrã de televisão . Com as mãos ligeiramente trémulas levantou o livro para encostar os olhos a a janelinha e antes de perceber o que estava a passar se , deu consigo inclinado para a frente com a janela a abrir se . O corpo abandonava a cama e era lançado de cabeça , por a abertura de a página , em um turbilhão de cor e sombras . Sentiu os pés tocarem em terra firme e pôs se de pé a tremer enquanto as formas desfocadas se tornavam subitamente nítidas . Soube imediatamente onde estava . Aquela sala circular com os retratos adormecidos era o escritório de Dumbledore , mas não era Dumbledore quem estava atrás de a secretária . Um feiticeiro mirrado , de aspecto débil e quase careca lia uma carta a a luz de as velas . Harry nunca vira aquele homem antes . - Desculpe - disse com a voz a tremer . - Eu não queria intrometer me ... Mas o feiticeiro não olhou . Continuou a ler , franzindo levemente as sobrancelhas . Harry aproximou se de a secretária e gaguejou : - Er ... eu vou me embora , está bem ? E o feiticeiro continuou a ignorá o . Parecia nem_sequer ter ouvido . Pensando que talvez ele fosse surdo , Harry falou mais alto . - Desculpe tê o incomodado - disse quase a gritar . O feiticeiro dobrou a carta com um suspiro . Pôs se de pé , passou por Harry sem olhar para ele e foi abrir os cortinados de a janela . O céu , lá fora , estava vermelho-rubi . Devia ser o pôr de o Sol . O feiticeiro voltou para a secretária , sentou se e girou os polegares , olhando para a porta . Harry olhou em volta . Não viu Fawkes , a fénix , nem as engenhocas prateadas que sibilavam . Aquela Hogwarts era a que Riddle conhecera e , portanto , aquele feiticeiro desconhecido era o director de então , não Dumbledore e ele , Harry , era pouco mais que um fantasma , totalmente invisível a as pessoas de há cinquenta anos atrás . Alguém bateu a a porta . - Entre - disse o velho feiticeiro , em uma voz fraca . Um rapazinho de dezasseis anos entrou , tirando o chapéu pontiagudo . Em o seu peito brilhava um distintivo prateado de prefeito . Era muito mais alto do_que Harry , mas tinha , tal_como ele , cabelo preto asa de corvo . - Ah ! Riddle - disse o director . - Queria falar comigo , professor Dippet ? - perguntou ele com ar nervoso . - Senta te - disse Dippet . - Tenho estado a ler a carta que me mandaste . - Oh ! - exclamou Riddle , sentando se e apertando as mãos uma contra a outra . - Meu rapaz - disse Dippet amavelmente . - Eu não posso deixar te ficar em a escola durante o Verão . Com certeza queres ir para_casa em as férias ? - Não - respondeu Riddle , sem perder tempo . - Prefiro mil vezes ficar em Hogwarts a ter de voltar a aquela ... aquela ... - Tu vives em um orfanato de Muggles durante as férias , não é assim ? - perguntou Dippet com curiosidade . - Sim senhor - disse Riddle , corando um_pouco . - És filho de Muggles ? - Meio sangue , professor - explicou Riddle . - Pai_Muggle , mãe bruxa . - E o teu pai e a tua mãe ... - A minha mãe morreu pouco depois de eu nascer , professor , contaram me em o orfanato que só teve tempo de me dar o nome : Tom , como o meu pai , Marvolo como o meu avô . Dippet estalou a língua solidariamente . - O que acontece , Tom - suspirou - é_que ... podia ter se arranjado uma situação especial para ti , mas em as circunstâncias actuais ... - Refere se a os ataques , professor ? - perguntou Riddle e o coração de Harry deu um salto , aproximando se com medo de perder alguma coisa . - Precisamente - disse o director . - Meu rapaz , compreendes que seria uma imprudência de a minha parte deixar te ficar em o castelo quando o período acabar , principalmente a a luz de a recente tragédia ... a morte de aquela pobre moça ... estarás sem dúvida em maior segurança em o orfanato . Em a verdade , o ministro de a magia até fala em fechar a escola . Não estamos nada perto_de localizar ... er ... a fonte de toda esta história desagradável . Os olhos de Riddle tinham se aberto mais . - Professor , se essa pessoa fosse apanhada ... se tudo acabasse . . . - Que queres dizer com isso ? - perguntou Dippet com voz aguda , endireitando se em a cadeira . - Riddle , tu sabes alguma coisa sobre estes ataques ? - Não senhor - respondeu ele de imediato . Mas Harry sabia que era o mesmo tipo de « não » que ele dissera a Dumbledore . Dippet afundou se de_novo com um ar de profundo desapontamento . - Podes ir , Tom . Riddle esgueirou se de a cadeira e saiu de a sala . Harry seguiu o . Desceram por a escada em espiral , saindo junto de a gárgula em o corredor que escurecia . Riddle parou e Harry fez o mesmo , olhando para ele . Quase podia apostar que ele pensava seriamente em alguma coisa . Mordia o lábio e tinha as sobrancelhas franzidas . A certa altura , como_se tivesse acabado de tomar uma decisão , começou a andar mais depressa com Harry a segui o ruidosamente . Não viram mais ninguém , a não ser quando chegaram a o * hall * de entrada onde um feiticeiro alto de longos cabelos ruivos e barba chamou Riddle de a escadaria de mármore . - O que andas a fazer por aqui tão tarde , Tom ? Harry olhou para o feiticeiro . Não era outro senão Dumbledore com cinquenta anos a menos . - Tive de ir falar com o director - justificou se Riddle . - Bem , agora vai depressa para a cama - disse Dumbledore , olhando Riddle com aquele olhar penetrante que Harry conhecia tão bem . - É melhor não andar a passear por os corredores em os dias que correm , pelo_menos até ... Suspirou profundamente , deu as boas-noites a o Riddle e foi se embora . Riddle viu o desaparecer e , sem perder tempo , desceu os degraus de pedra até a os calabouços com Harry em a peugada . Mas para seu grande desconsolo , Riddle não o conduziu a nenhum corredor ou túnel secreto e sim a o calabouço onde ele costumava ter aulas de poções com o Snape . As tochas não tinham sido acesas e quando Riddle empurrou a porta quase fechada , Harry só conseguiu vê o a ele , de pé , quieto junto de a porta , olhando para o corredor . Pareceu a Harry que ficaram ali quase uma hora . Tudo_o_que via era a silhueta de Riddle junto de a porta , olhando fixamente através de a greta , a a espera . Como_se fosse uma estátua . E quando Harry tinha abandonado todas_as expectativas e começava a desejar voltar a o presente , ouviu alguma coisa que se movia atrás de a porta . Alguém avançava lentamente por o corredor . Ouviu a pessoa , quem quer que fosse , passar por o calabouço onde ele e Riddle estavam escondidos . Riddle , silencioso como uma sombra , esgueirou se por a porta e seguiu o com Harry em bicos de pés atrás de ele , esquecido de que podia fazer barulho a a vontade porque ninguém o ouvia . Durante cerca de cinco minutos seguiram lhe os passos até que Riddle parou repentinamente com a cabeça inclinada em a direcção de novos ruídos . Harry ouviu uma porta a abrir se e em seguida alguém falou em um murmúrio rouco . - Vá lá , temos que sair de aqui ... vá lá , dentro de a caixa ... Havia algo de familiar em aquela voz . Riddle deu subitamente uma volta e Harry seguiu o . Podia ver a silhueta escura de um rapaz enorme que estava inclinado em frente de a porta aberta , com uma grande caixa a o lado . - Boa noite , Rubeus - disse Riddle secamente . O rapaz fechou a porta e pôs se de pé . - O que estás a fazer aqui , Tom ? Riddle aproximou se . - Acabou se - disse . - Vou ter de entregar te , Rubeus . Falam em fechar Hogwarts se os ataques não terminarem . - O que é_que tu ... ? - Eu acho que tu não quiseste matar ninguém , mas os monstros não são os melhores animais domésticos . Tu só quiseste deixá o sair para andar um_pouco e ... - Ele não matou ninguém - disse o rapaz grande , recuando contra a porta fechada . Lá de dentro vinham uns estranhos roncos e rugidos . - Vamos , Rubeus - disse Riddle , aproximando se mais ainda . - Os pais de a rapariga que morreu estarão aqui amanhã . O mínimo que Hogwarts pode fazer é assegurar lhes que aquilo que matou a filha de eles foi abatido ... - Não foi ele - gemeu o rapaz cuja voz ecoou em o corredor escuro . - Ele não faria isso ... ele nunca ... - Afasta te - disse Riddle , pegando em a varinha . O encantamento iluminou o corredor com uma luz brilhante . A porta atrás de o rapaz grande abriu se de par em par com tanta força que o atirou contra a parede . E de lá de dentro saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito que ninguém mais ouviu a não ser ele próprio . Tinha um corpo imenso , magro e peludo e um emaranhado de pernas pretas , a cintilação de muitos olhos e um par de tenazes afiadas . Riddle levantou de_novo a varinha , mas era tarde de mais . A coisa deixara o atarantado e corria apressadamente , precipitando se por o corredor e desaparecendo . Riddle pôs se de pé , olhou a a procura de o monstro , levantou a varinha , mas o rapaz grande saltou sobre ele , tirou lhe a varinha de as mãos e lançou o a o chão , gritando : - Naaaaaão ! A cena rodopiou . A escuridão tornou se total . Harry sentiu se a cair e com um embate aterrou como uma águia de patas e asas abertas em a sua cama de dossel , em o dormitório de os Gryffindor , o diário de Riddle aberto sobre o estômago . Antes de ter tido tempo de normalizar a respiração , a porta de o dormitório abriu se e o Ron entrou . - Aí estás tu - disse . Harry sentou se . Transpirava e tremia . - O que se passa ? - perguntou Ron , olhando aflito para ele . - Foi o Hagrid , Ron . O Hagrid abriu a Câmara_dos_Segredos há cinquenta anos atrás . XIV_Cornelius_Fudge_Harry , Ron e Hermione sabiam há muito_tempo que Hagrid tinha uma triste predilecção por criaturas grandes e monstruosas . Em o primeiro ano que passaram em Hogwarts , ele tentara criar um dragão em a sua pequena cabana de madeira e levaram muito_tempo a esquecer o gigantesco cão de três cabeças que ele baptizara de « fofinho » . E se , em rapaz , Hagrid tinha ouvido dizer que havia um monstro escondido em o castelo , Harry tinha a certeza que ele teria feito os impossíveis por descobri o . Provavelmente achou que era uma injustiça o monstro estar fechado tanto tempo e pensou que ele merecia a oportunidade de esticar as suas muitas pernas . Harry imaginava perfeitamente o Hagrid a os treze anos a tentar pôr uma coleira e uma trela a o monstro . Mas tinha igualmente a certeza de que ele nunca teria querido matar ninguém . De certo modo , Harry desejava não ter descoberto como utilizar o diário de Riddle . Ron e Hermione fizeram o contar repetidas vezes o que vira até ele ficar farto de repetir o mesmo e farto de a conversa circular que se seguia . - O Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse , de essa vez , Hermione . - O monstro que atacava as pessoas podia ser outro .... - Quantos monstros achas tu que pode haver em este lugar ? - perguntou o Ron aborrecido . - Sempre soubemos que o Hagrid tinha sido expulso - disse Harry tristemente - E os ataques devem ter terminado quando ele foi expulso . Se não fosse assim , Riddle não teria recebido um prémio . Ron tentou um caminho diferente . - O Riddle parece o Percy , quem lhe pediu afinal que deitasse abaixo o Hagrid ? - Mas o monstro tinha morto uma pessoa , Ron - insistiu Hermione . - E o Riddle ia ter de voltar para um orfanato Muggle se Hogwarts fosse fechada - disse Harry . - Não posso culpá o por querer ficar aqui ... Ron mordeu o lábio e a seguir sugeriu : - Tu encontraste o Hagrid em a Rua * _ Bativolta * , não foi ? - Ele estava a comprar repelente para lesmas - disse Harry rapidamente . Ficaram os três em silêncio . Depois de uma longa pausa , Hermione , em uma voz hesitante , formulou a pergunta mais complicada de todas : - Não acham que devíamos ir ter com ele e perguntar lhe ? - Essa seria uma visita simpática - disse o Ron . - Olá , Hagrid , diz nos uma coisa , soltaste por acaso alguma coisa louca e peluda por o castelo em estes últimos tempos ? Por fim , decidiram não dizer nada a o Hagrid a_não_ser_que houvesse outro ataque e à_medida_que passava mais tempo sem murmúrios de a voz sem corpo começaram a acreditar , esperançosos , que nunca mais teriam de falar sobre o motivo por_que fora expulso . Tinham passado já quase quatro meses desde o dia em que o Justin e o Nick quase sem cabeça tinham sido petrificados e quase toda_a_gente parecia pensar que o atacante , quem quer que ele fosse , se retirara para sempre . Peeves fartara se de a sua canção * _ Oh_Potter , seu bandido * , Ernie_Mcmillan pediu educadamente a o Harry , em a aula de herbologia , que lhe passasse um balde de cogumelos saltitantes e , em Março , várias mandrágoras deram uma festa ruidosa e roufenha em a estufa número três . A professora Sprout estava muito satisfeita . - Mal elas comecem a tentar mover se para os vasos umas de as outras , saberemos que estão maduras - disse ela a o Harry . - Nessa_altura poderemos reanimar aquelas pobres criaturas que estão em a ala hospitalar . Os alunos de o segundo ano tinham agora uma coisa nova em que pensar durante as férias de a Páscoa . Chegara a altura de escolherem as matérias de o terceiro ano , um assunto que Hermione , pelo_menos , tomou muito a sério . - Pode afectar todo o nosso futuro - disse a o Harry e a o Ron a o vê os ler cuidadosamente as listas de as novas matérias e pôr um V em frente de cada uma . - Eu só quero ver me livre de as poções - disse Harry . - Não podemos - explicou Ron tristemente . - Mantemos todas_as matérias antigas ou eu teria me livrado de a Defesa contra as artes negras . - Mas é muito importante - disse Hermione chocada . - Não de a maneira como Lockhart a dá - insistiu Ron . - Não aprendi nada até agora a não ser a nunca mais libertar duendes . Neville_Longbottom recebera cartas de todas_as bruxas e feiticeiros de a família , cada_um dando um conselho diferente sobre o que ele deveria escolher . Confuso e preocupado , sentou se a ler a lista de matérias , dando estalinhos com a língua e perguntando a as pessoas se achavam que a aritmancia seria mais difícil do_que o estudo de as runas em a Antiguidade . Dean_Thomas que , tal_como Harry , fora criado com Muggles , acabou por fechar os olhos e atirar a varinha contra a lista , escolhendo as matérias onde ela aterrava . Hermione não pediu conselho a ninguém e inscreveu se em todas . Harry sorriu de si para consigo imaginando como seria uma conversa com o tio Vernon e com a tia Petúnia sobre a sua carreira em feitiçaria . Não que não tivesse tido orientação : Percy_Weasley estava ansioso por partilhar a sua experiência . - Tudo depende de o lugar para_onde queres ir , Harry - disse ele . - Nunca é cedo de mais para pensar em o futuro , por isso eu aconselho te a adivinhação . As pessoas dizem que os estudos de Muggles são uma opção leve mas eu , pessoalmente , acho que os feiticeiros deveriam ter uma compreensão profunda de a comunidade não mágica , muito especialmente se pensarem em trabalhar em íntimo contacto com eles . Vê o meu pai que tem de lidar com assuntos de os Muggles a_toda_a hora . O meu irmão Charles foi sempre mais um tipo de o exterior , por isso foi para o Centro_de_Cuidados com as Criaturas_Mágicas . Segue os teus sentimentos , Harry . Mas a única coisa em que Harry sentia que era mesmo bom era o Quidditch . Por fim , acabou por escolher as mesmas matérias que o Ron escolhera , pensando que se fosse péssimo em elas pelo_menos tinha alguém amigo para o ajudar . O próximo jogo de Quidditch_dos_Gryffindor era contra os Hufflepuff . Wood insistia em treinos de equipa todas_as noites depois de jantar , por isso Harry não tinha tempo para mais_nada a não ser para o Quidditch e para os trabalhos de casa . Mas as sessões de treino estavam a melhorar ou pelo_menos estavam mais secas e em a véspera de o jogo de sábado ele foi a o dormitório guardar a vassoura , sentindo que as hipóteses de os Gryffindor ganharem a taça de Quidditch nunca tinham sido tão boas . Mas a sua boa disposição não durou muito . Em o cimo de as escadas que levavam a o dormitório encontrou o Neville_Longbottom nervosíssimo . - Harry , não sei quem fez aquilo , eu fui encontrar ... Olhando receoso para Harry , Neville empurrou a porta . O conteúdo de a mala de Harry fora espalhado por toda_a divisão . O seu manto estava em o chão rasgado . A roupa de cama tinha sido puxada de a cama de dossel e a gaveta de o armário que se encontrava a a cabeceira de a cama fora arrancada , estando o seu conteúdo espalhado sobre o colchão . Harry aproximou se de a cama boquiaberto , pisando algumas páginas soltas de * _ Viagens com Duendes * . Quando ele e Neville estavam a puxar os cobertores para_cima , entraram o Ron e o Dean_Seamas . Dean praguejou alto . - O que é isto , Harry ? - Não faço ideia - disse ele . Mas o Ron estava a examinar as vestes de Harry e todos os bolsos estavam de o avesso . - Alguém andou a a procura de qualquer coisa - disse o Ron . - Dás por falta de alguma coisa ? Harry começou a apanhar o que estava caído , lançando tudo dentro de a mala . Só quando atirou o último livro de Lockhart é_que se apercebeu do_que faltava . - O diário de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a o Ron . - O quê ? Harry fez lhe sinal em direcção a a porta de o dormitório e apressaram se a chegar a a sala comum de os Gryffindor que estava quase vazia e onde foram encontrar Hermione sozinha a ler * _ As_Runas_Antigas a o Alcance_de_Todos * . Hermione ficou aterrada com as notícias . - Mas ... só um Gryffindor podia tê o roubado ... ninguém mais conhece a nossa senha ... - Exactamente - disse Harry . Acordaram em o dia seguinte com um sol brilhante e uma brisa agradável . - Condições ideais para o Quidditch ! - exclamou Wood , cheio de entusiasmo , a a mesa de os Gryffindor , enchendo os pratos de os elementos de a sua equipa de ovos mexidos . - Harry , anima te , precisas de um pequeno-almoço decente . Harry tinha estado a olhar para a mesa cheia de alunos de os Gryffindor , perguntando a si próprio se o novo dono de o diário de Riddle estaria ali mesmo em frente de os seus olhos . Hermione insistira para que ele participasse o roubo mas ele não gostou de a ideia . Teria de contar a um professor tudo sobre o diário , e quantas pessoas saberiam o motivo por_que Hagrid fora expulso há cinquenta anos ? Não queria ser ele a fazer com que relembrassem tudo aquilo . Quando saiu de o salão com o Ron e a Hermione para ir buscar o material de Quidditch , outra preocupação viera juntar se a a sua lista cada_vez maior . Tinha acabado de pisar os degraus de a escadaria de mármore quando ouviu de_novo a voz : - * _ Matar desta_vez ... deixem me rasgar ... romper * ... Deu um grito e Ron e Hermione saltaram alarmados . - A voz - disse Harry , olhando por cima de os ombros de eles . - Acabo de a ouvir de_novo , vocês não ouviram nada ? Ron abanou a cabeça de olhos muito abertos Mas_Hermione bateu com a mão em a testa . - Harry , acho que percebi uma coisa . Tenho que ir a a biblioteca . E disparou a correr por as escadas acima . - O que é_que ela percebeu ? - disse Harry distraidamente , ainda a olhar em volta , tentando determinar de onde vinha a voz . - Mas porque teve ela que ir a a biblioteca ? - Porque a Hermione é assim - disse o Ron , encolhendo os ombros - Quando tem uma dúvida , vai a a biblioteca . Harry manteve se hesitante , tentando captar novamente a voz mas as pessoas começavam a sair de o salão , falando alto , passando por a porta principal e encaminhando se para o estádio de Quidditch . - É melhor ires indo - aconselhou Ron . - São quase onze horas , olha o jogo . Harry deu uma corrida até a a torre de os Gryffindor , pegou em a sua Nimbus dois_mil e juntou se a a vasta multidão que enchia os campos , mas o seu pensamento estava ainda em o castelo , em aquela voz sem corpo e quando pôs as roupas vermelhas , o seu único conforto foi pensar que estavam todos lá fora para assistir a o jogo . As equipas entraram em campo a o som de um tumulto de aplausos . Oliver_Wood fez um voo de aquecimento em volta de os postes , Madam_Hooch soltou as bolas . Os Hufflepuff que tinham fatos amarelo-canário estavam reunidos em grupo em uma discussão de última hora sobre as tácticas . Harry subia para a vassoura quando a professora Mc_Gonagall atravessou o campo , meio a andar , meio a correr , transportando um enorme megafone roxo . O coração de Harry caiu lhe a os pés . - Este jogo foi cancelado - gritou por o megafone a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a o estádio apinhado . Ouviram se Uuuus e assobios . Oliver_Wood , com um ar infelicíssimo , aterrou e correu para a professora McGonagall sem sair de a vassoura . - Mas , professora - gritou - temos de jogar ... a taça ... os Gryffindor ... A professora Mc_Gonagall ignorou o e continuou a gritar por o megafone . - Pede se a os estudantes que regressem a as salas comuns de as respectivas equipas onde os chefes de equipa lhes darão mais informações . O mais depressa possível , se fazem favor ! Em seguida , baixou o megafone e fez sinal a o Harry para que se aproximasse . - Potter , é melhor vires comigo ... Perguntando a si próprio que suspeita poderia ela ter contra ele , desta_vez , Harry viu Ron desligar se de a multidão discordante e vir a correr juntar se lhes , enquanto eles se dirigiam para o castelo . Para sua grande surpresa Mc_Gonagall não pôs qualquer objecção . - Sim , talvez seja melhor vires também , Weasley . Alguns de os estudantes que os rodeavam reclamavam por o jogo ter sido cancelado , outros tinham um ar preocupado . Harry e Ron seguiram a professora Mc_Gonagall de volta a a escola e através de a escadaria de pedra . Mas desta_vez não foram levados a nenhum escritório . - Isto vai chocar vos um_pouco - disse a professora Mc_Gonagall em um tom de voz surpreendentemente suave quando estavam a aproximar se de a ala hospitalar . - Houve outro ataque ... outro ataque duplo . As vísceras de o Harry deram um salto mortal . A professora Mc_Gonagall abriu a porta e ele e Ron entraram . Madam_Pomfrey estava inclinada sobre uma rapariga de o quinto ano de cabelos longos a os caracóis que Harry reconheceu como sendo a colega de os Ravenclaw a quem , por engano , tinham perguntado o caminho para a sala comum de os Slytherin . E , em a cama a o lado de ela , estava ... - Hermione - gemeu o Ron . Hermione jazia totalmente quieta , os olhos abertos e vítreos . - Foram encontradas perto de a biblioteca - disse a professora Mc_Gonagall . - Calculo que nenhum de vocês possa explicar isto ? Estava em o chão , junto de ela . A professora tinha em as mãos um pequeno espelho redondo . Harry e Ron acenaram negativamente com as cabeças , ambos com os olhos fixos em Hermione . - Eu acompanho vos a a torre de os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall pesadamente . - De qualquer modo tenho de falar com os alunos . - Os alunos regressarão a as salas comuns de as respectivas equipas , todos_os_dias , a as seis_horas_da_tarde . Nenhum aluno deverá sair de os dormitórios depois de isso . Serão escoltados até a as aulas por um professor . Nenhum aluno deverá ir a a casa_de_banho sem um professor a acompanhá o . Todos os treinos e jogos de Quidditch estão suspensos a_partir_de agora . Não haverá mais actividades nocturnas . Os Gryffindor , que enchiam a sala comum , ouviram em silêncio a professora Mc_Gonagall . Ela enrolou o pergaminho que acabara de ler e disse em uma voz algo chocada : - Não é preciso acrescentar que nunca me senti tão desolada . É provável que a escola seja encerrada se não for apanhado o culpado de todos estes ataques . Quero pedir que se algum de vocês achar que sabe alguma coisa sobre eles venha imediatamente ter comigo . Mal ela subiu , de forma um_pouco desastrada , por o buraco de o retrato , os Gryffindor começaram logo a falar . - São dois Gryffindor a menos , sem contar com o fantasma de os Gryffindor , um Ravenclaw e um Hufflepuff - disse o amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , contando por os dedos . - Não terá nenhum de os professores reparado que os Slytherin estão a salvo ? Será que não é óbvio que tudo_isto vem de eles ? O herdeiro de Slytherin , o monstro de Slytherin , porque não expulsam todos os Slytherin ? - resmungou , recebendo acenos e aplausos de todos os lados . Percy_Weasley estava sentado em uma cadeira atrás_de Lee , mas por uma_vez não pareceu querer expor os seus pontos de vista . Estava pálido e aturdido . - O Percy está em estado de choque - disse o George baixinho a o Harry . - Aquela rapariga de os Ravenclaw , Penelope_Clearwater , é prefeita . Acho que ele nunca tinha pensado que o monstro pudesse atacar um prefeito . Mas Harry não estava a ouvi o com atenção . Não conseguia esquecer a imagem de Hermione deitada em a cama de o hospital , como_se estivesse esculpida em pedra . E se o culpado não fosse apanhado rapidamente tinha em a frente uma vida inteira com os Dursley . Tom_Riddle entregara o Hagrid porque fora confrontado com a possibilidade de um orfanato Muggle se a escola fechasse . Harry sabia exactamente o que ele sentira . - Que vamos nós fazer ? - disse lhe o Ron baixinho a o ouvido . - Achas que eles suspeitam de o Hagrid ? - Temos de falar com ele - disse Harry , tomando uma decisão . - Não acredito que tenha culpa desta_vez , mas se ele libertou o monstro há cinquenta anos , sabe com certeza como entrar em a Câmara_dos_Segredos , o que já é um princípio . - Mas a Gonagall disse que temos que ficar em a torre a_não_ser_que estejamos em as aulas ... - Eu acho - disse Harry ainda mais baixo - que chegou a altura de tirar outra_vez de a mala o manto de o meu pai . Harry herdara apenas uma coisa de o pai : o enorme manto prateado de a invisibilidade . Era a única maneira de poderem esgueirar se de a escola para fazer uma visita a o Hagrid , sem que ninguém de esse por isso . Deitaram se a a hora de o costume , esperaram que o Neville , o Dean e o Seamas adormecessem para se levantarem , vestirem se de_novo e taparem se com o manto . A viagem por os corredores de o castelo escuro e deserto não era nada agradável . Harry que vagueara por ali muitas_vezes durante a noite nunca vira tanta gente depois de o pôr de o Sol . Professores , prefeitos e fantasmas andavam por os corredores a os pares , olhando em volta , em busca de qualquer actividade fora de o habitual . O manto de a invisibilidade não impedia que fizessem barulho e houve um momento particularmente tenso em que o Ron deu uma topada a menos_de um metro de o lugar onde Snape se encontrava . Felizmente Snape espirrou em o preciso momento em que o Ron praguejava . Foi com grande alívio que chegaram a as portas de carvalho de a entrada principal . Estava uma noite clara e cheia de estrelas . Dirigiram se apressadamente para as janelas iluminadas de a casa de Hagrid e só tiraram o manto mesmo em frente de a porta . Poucos segundos depois de terem batido abriu se a porta . Ficaram frente_a_frente com Hagrid que lhes apontou uma besta enquanto Fang , o cão caçador de javalis , ladrava furiosamente atrás de ele . - Oh ! - disse , baixando a arma quando viu que eram eles . - O que estão vocês a fazer aqui ? - Para que é isso ? - perguntou Harry , apontando para a besta , enquanto entrava . - Nada , não é nada - murmurou Hagrid . - Tenho estado a a espera ... não tem importância , sentem se que eu vou fazer um chá . Dava a impressão de não saber o que fazia . Quase apagou a lareira , vertendo a água de a chaleira em o lume e em seguida esmagou o bule com um gesto de a sua mão maciça . - Estás bem , Hagrid ? - perguntou Harry . - Soubeste de a Hermione ? - Soube , sim - disse ele com um leve tremor em a voz . Continuava a olhar nervosamente para as janelas . Deu lhe os duas grandes canecas de água a ferver ( esquecera se de juntar o chá ) e estava a acabar de pôr em um prato uma fatia grossa de bolo de frutas quando alguém bateu energicamente a a porta . Hagrid deixou cair o bolo . Harry e Ron trocaram entre si olhares de pânico e , em seguida , cobriram se com o manto de a invisibilidade e esconderam se em um canto . Hagrid assegurou se de que eles estavam bem escondidos , pegou em a besta e abriu , mais_uma_vez , a porta . - Boa noite , Hagrid . Era_Dumbledore . Entrou com um ar muito sério , seguido de um homem bizarro . O estranho era um homenzinho pequenino , de porte majestoso com cabelos grisalhos desalinhados e uma expressão de ansiedade em o rosto . Usava uma inesperada mistura de roupas . Um fato a as riscas , uma gravata vermelho escarlate , um longo manto negro e umas botas roxas pontiagudas . Debaixo de o braço trazia um chapéu de coco verde lima . -- É o patrão de o meu pai - murmurou o Ron . Cornelius_Fudge , o ministro de a magia ! Harry deu lhe uma valente cotovelada para o fazer calar se . Hagrid tinha ficado suado e pálido . Deixou se cair em uma de as cadeiras e olhava de Dumbledore_para_Cornelius_Fudge . - Más notícias , Hagrid - disse Fudge em um tom bastante grave . - Muito más notícias . Tive de vir . Quatro ataques a filhos de Muggles , as coisas foram longe_de mais . O ministério tem que tomar uma atitude . - Eu nunca ... - disse Hagrid , parecendo implorar a Dumbledore . - O senhor sabe que eu nunca ... professor Dumbledore , o senhor ... - Quero que fique claro , Cornelius , que Hagrid tem a minha total confiança - afirmou Dumbledore , franzindo as sobrancelhas . - Olha , Albus - disse Fudge pouco a a vontade - a ficha de o Hagrid depõe contra ele . O ministério tem de fazer alguma coisa , o Conselho_Directivo de a escola tem se reunido ... - Mesmo_assim , Cornelius , devo dizer te mais_uma_vez que levar o Hagrid de aqui não vai ajudar em nada - afirmou Dumbledore com os olhos azuis com um fogo que Harry nunca vira antes . - Tenta compreender o meu ponto de vista - insistiu Fudge , brincando com o chapéu . - Estou a ser tremendamente pressionado , tenho de mostrar que faço alguma coisa . Se se provar que não foi o Hagrid , ele voltará e não se fala mais em o assunto . Mas tenho de levá o , tem de ser , não estaria a cumprir a minha obrigação se ... - Levar me ? - perguntou Hagrid a tremer . - Levar me para_onde ? - É uma pena curta - disse Fudge , sem o olhar em os olhos . - Não é um castigo , Hagrid , chamemos lhe antes uma precaução . Se mais alguém for apanhado , tu sais com todas_as nossas desculpas . - Não é para Azkaban ? - balbuciou Hagrid . Mas antes que Fudge tivesse tido tempo de responder , ouviu se bater mais_uma_vez a a porta . Dumbledore abriu . Foi a vez de Harry levar uma cotovelada em as costas : soltara um gemido audível . Mr._Lucius_Malfoy entrou em a cabana de o Hagrid embrulhado em uma longa capa preta de viagem , com um sorriso frio de satisfação . O Fang começou a rosnar . - Já está aqui , Fudge ? - disse de forma aprovadora . - Muito bem , muito bem ... - O que estás a fazer aqui ? - perguntou Hagrid furioso . - Sai imediatamente de a minha casa . - Meu bom homem , acredite que não tenho prazer nenhum em entrar em a sua ... er ... chamou lhe casa ? - disse Lucius_Malfoy , sorrindo sarcasticamente enquanto observava a pequena divisão . - Eu limitei me a ir a a escola e disseram me que o director estava aqui . - E o que queres de mim , Lucius ? - perguntou Dumbledore . O seu tom de voz era educado mas em os olhos azuis brilhava ainda o mesmo fogo . - Uma notícia horrível , Dumbledore - disse Mr._Malfoy de forma arrastada , pegando em um grande rolo de pergaminho . - Mas os membros de o conselho pensam que é altura de tu saíres . Isto_é uma ordem de suspensão , tens aí doze assinaturas . Lamento muito mas em a nossa opinião estás a perder a firmeza . Quantos ataques houve até agora ? Mais dois hoje a a tarde , não foi ? A este ritmo vão acabar todos os filhos de Muggles em Hogwarts e todos sabemos que seria uma terrível perda para a escola . - O que é isso , Lucius ? - protestou Fudge com ar alarmado . - O Dumbledore suspenso não ... não , seria a última coisa que desejaríamos em este momento ... - A nomeação ou suspensão , de o director é de a competência de os membros de o Conselho_Directivo , Fudge - disse suavemente Mr._Malfoy . - E como Dumbledore não foi capaz de pôr cobro a estes ataques ... - Oh ! Lucius , se Dumbledore não conseguiu - disse Fudge com o lábio superior a suar . - Quem irá conseguir ? - Isso está para se ver - disse Mr._Malfoy com um sorriso mesquinho . - Mas como os doze votamos ... Hagrid pôs se de pé em um salto , o cabelo preto hirsuto a roçar em o tecto . - E quantos tiveste de chantajar para concordarem contigo , Malfoy ? - Meu caro Hagrid , sabe que esse seu temperamento ainda acaba por lhe criar problemas um dia de estes - disse Mr._Malfoy . - Não o aconselho a gritar assim com os guardas de Azkaban . Eles não iriam gostar nada . - Não podes levar Dumbledore - gritou Hagrid , fazendo Fang , o cão caçador de javalis , agachar se e ganir em o seu cesto . - Sem ele , os filhos de os Muggles não têm qualquer hipótese . A seguir haverá mortes . - Acalma te , Hagrid - disse Dumbledore de forma cortante , olhando para Lucius_Malfoy . - Se os membros de o conselho querem substituir me , eu sairei , claro . - Mas - interrompeu Fudge . - Não - rosnou Hagrid . Dumbledore não tirara os seus olhos azuis brilhantes de os olhos cinzentos e frios de Lucius_Malfoy . - Contudo - disse , pronunciando cada palavra lenta e claramente para que nenhum de eles perdesse o seu sentido - verás que só deixarei verdadeiramente esta escola quando ninguém aqui me for leal . Descobrirás também que será sempre dada ajuda em Hogwarts a quem a pedir . Por um segundo , Harry teve quase a certeza de que os olhos de Dumbledore tremelaziram em direcção a o canto onde ele e Ron estavam escondidos . - Sentimentos admiráveis - disse Malfoy , fazendo uma vénia . - Todos nós vamos sentir a tua ... forma muito pessoal de fazer as coisas , Albus . Só espero que o teu sucessor consiga evitar qualquer ... crime . Dirigiu se a a porta de a cabana , abriu a e fez sinal a Dumbledore para que passasse a a sua frente . Fudge , mexendo nervosamente em o chapéu de coco , esperou que Hagrid fizesse o mesmo mas ele ficou quieto , respirou fundo e disse prudentemente : - Se alguém quiser descobrir alguma coisa , o que tem a fazer é seguir as aranhas . Elas indicarão o caminho , é tudo_o_que vos digo . Fudge olhou para ele espantado . - Está bem , eu vou - disse Hagrid , pegando em o seu sobretudo de pêlo de toupeira . Mas quando ia seguir o Fudge e sair por a porta , parou e disse em voz alta : - E alguém tem de dar de comer a o Fang enquanto eu não estiver cá . A porta fechou se ruidosamente e Ron tirou o manto de a invisibilidade . -- Estamos outra_vez em uma alhada - disse com voz rouca - Sem o Dumbledore podem fechar a escola já esta noite . Sem ele vai haver um ataque por dia . O Fang começou a ganir , arranhando a porta fechada . XV_Aragog_O_Verão insinuava se em os campos em volta de o castelo . O céu e o lago tinham se tornado de um azul-molusco e as flores , grandes como couves , começavam a florir em as estufas . Mas sem o Hagrid , que ele costumava avistar de o castelo , atravessando os campos com o Fang atrás , parecia a Harry que a paisagem não estava completa . Não era melhor dentro de o castelo onde tudo corria horrivelmente mal . O Harry e o Ron tinham tentado visitar a Hermione , mas as visitas a o hospital estavam proibidas . - Não vamos correr mais riscos - disse lhes Madam_Pomfrey com ar severo , através_de uma fresta de a porta de o hospital . Não , lamento , há muitas hipóteses de o atacante voltar para acabar de vez com estas pessoas ... Com Dumbledore longe , o medo espalhara se como nunca acontecera antes , de_tal_modo_que o sol que aquecia as paredes de o castelo por fora parecia parar junto de as janelas de pinázios . Não se via um único rosto em a escola que não andasse tenso e preocupado e qualquer gargalhada , em os corredores , se tornava incómoda e antinatural e era rapidamente abafada . Harry repetia constantemente , de si para consigo , as últimas palavras que ouvira a Dumbledore : - * _ Só terei verdadeiramente deixado esta escola quando ninguém me for leal ... será sempre dada ajuda , em Hogwarts , a quem a pedir * . Qual seria o significado exacto de aquelas palavras ? A quem deveria pedir ajuda quando todos estavam tão confusos assustados como ele ? A alusão de Hagrid a as aranhas era bastante mais fácil de entender . O problema era que parecia não ter restado uma única aranha em o castelo para eles a poderem seguir . Harry procurou por todo o lado com a ajuda relutante de o Ron . As coisas estavam dificultadas por o facto de não poderem andar sozinhos e terem de se deslocar em grupo dentro de o castelo , juntamente com outros Gryffindor . A maior parte de os alunos gostava de ser conduzida como carneiros de uma aula para a outra por os professores mas Harry achava horrível . Havia , contudo , uma pessoa que parecia apreciar aquela atmosfera de terror e suspeitas . Draco_Malfoy passeava empertigado por a escola como_se tivesse sido nomeado para chefe de turma . Harry só compreendeu o motivo de toda aquela boa disposição cerca de quinze_dias depois de Dumbledore e Hagrid se terem ido embora quando , em uma aula de poções , o ouviu falar com o Crabbe e o Goyle . - Sempre achei que seria o pai quem conseguiria livrar nos de o Dumbledore - disse sem a menor preocupação em baixar a voz . - Já vos disse , segundo ele , Dumbledore foi o pior director que a escola alguma vez teve . Talvez agora venha um director decente que não queira a Câmara_dos_Segredos fechada . A Mc_Gonagall não vai durar muito , está só a ... O Snape passou por Harry , sem fazer comentários a o caldeirão e a a cadeira vazia de Hermione . - Professor - disse Malfoy em voz alta . - Professor , porque não se candidata a o lugar de director ? - Ora , ora , Malfoy - respondeu Snape , sem conseguir esconder um meio sorriso . - O professor Dumbledore foi apenas suspenso por os membros de o conselho de direcção , certamente vai voltar um dia de estes . - Sim , claro - disse Malfoy com o seu sorriso escarninho . - Acho que se o professor quisesse candidatar se a o lugar teria o voto de o pai . Eu vou dizer lhe que o acho o melhor professor de a escola . Snape sorriu enquanto passeava de um lado para o outro em o calabouço , não tendo felizmente visto o Seamus_Finnigan que fingia vomitar para dentro de o caldeirão . - Estou espantado por ver que até agora os sangues de lama ainda não fizeram as malas e não desapareceram - prosseguiu Malfoy . - Aposto cinco galeões em como o próximo morre . Pena que não tenha sido a Granger ... A campainha tocou em esse momento o que foi uma sorte porque a o ouvir as últimas palavras de Malfoy , Ron deu um salto , mas em a barafunda de guardar os livros em os sacos , a sua tentativa de agarrar o Malfoy passou despercebida . - Deixem me - gritava o Ron enquanto o Harry e o Dean lhe agarravam os braços . - Não preciso de varinha , vou dar cabo de ele com as minhas mãos ... - Despachem se , tenho de conduzir vos a a aula de herbologia - praguejava o Snape acima de as cabeças de os alunos . E lá foram como cordeirinhos com Harry , Ron e Dean em a retaguarda , o Ron ainda a tentar libertar se . Só acharam seguro largá o quando Snape os deixou fora de o castelo e iniciaram o percurso por o meio de a horta em direcção a as estufas . A aula de herbologia estava reduzida . Tinha agora dois alunos a menos : Justin e Hermione . A professora Sprout pô os a trabalhar , podando as figueiras-da-abissínia . Harry foi despejar uma braçada de hastes secas em um monte de adubo e deu consigo cara a cara com Ernie_Mcmillan . Ernie respirou fundo . - Só quero dizer te , Harry que lamento ter suspeitado de ti . Sei que nunca atacarias a Hermione_Granger e peço te desculpa por todas_as coisas que disse . Estamos todos em o mesmo barco , agora e , bem ... Estendeu lhe uma mão rechonchuda que o Harry apertou . Ernie e a sua amiga Hannah foram trabalhar em a mesma figueira com o Harry e o Ron . - Aquele tipo , Draco_Malfoy - disse Ernie , partindo pequenos galhos - , parece muito satisfeito com isto tudo , não acham ? É bem possível que ele seja o herdeiro de Slytherin . - Uma observação inteligente de a tua parte - disse o Ron que parecia não ter desculpado Ernie tão facilmente como o Harry . - Acham que é ele ? - perguntou Ernie . - Não - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Hannah ficaram a olhar espantados . Um segundo depois , Harry avistou qualquer coisa que o levou a chamar a atenção de o Ron , batendo lhe em a mão com a tesoura de podar . - Au ... o que é_que tu ... ? Harry apontava para o chão , a poucos centímetros de distância . Várias aranhas grandes corriam precipitadamente por a terra fora . - Ah ! sim - disse o Ron , tentando , sem conseguir , mostrar se entusiasmado . - Mas não podemos seguis as agora ... Ernie e Hannah ouviam nos com curiosidade . Harry viu as aranhas desaparecerem . - Parecem ir em a direcção de a floresta proibida ... E o Ron ficou ainda mais infeliz a o ouvir aquilo . Em o final de a aula , o professor Snape acompanhou os alunos a a « Defesa contra as artes negras » . Harry e Ron foram atrás de os outros para poderem conversar sem serem ouvidos . - Temos de usar outra_vez o manto de a invisibilidade - disse Harry a o Ron . - Podemos levar connosco o Fang , ele está habituado a ir a a floresta com o Hagrid , pode ser uma boa ajuda . - Certo - disse o Ron , que fazia girar nervosamente a varinha em os dedos . - Er ... não costuma haver ... não costuma haver lobisomens em a floresta ? - acrescentou enquanto ocupavam os lugares de o costume em a aula de o Lockhart . Preferindo não responder a a pergunta , Harry disse : - Também há lá coisas boas . Os centauros são fixes e os unicórnios . Ron nunca estivera em a floresta proibida , Harry fora lá só uma_vez e desejara não ter de lá voltar . Lockhart deu um salto para dentro de a sala de aula e os alunos ficaram espantados a olhar para ele . Todos os outros professores andavam mais tristes do_que o habitual mas Lockhart parecia sentir se em as nuvens . - Então , então - exclamou , olhando em volta . - Porquê essas caras deprimidas ? Lançaram lhe olhares exasperados mas ninguém respondeu . - Não compreendem - disse , falando devagar como_se fossem todos um_pouco estúpidos - que o perigo já passou ? O culpado foi se embora . -- Quem disse ? - retorquiu Dean_Thomas em voz alta . -- Meu caro jovem , o ministro de a magia não teria levado Hagrid se não estivesse cem por_cento certo de que ele era o culpado - disse Lockhart como quem explica que um e um são dois . - Teria , sim - disse o Ron , em um tom de voz ainda mais alto do_que o de o Dean . - Eu julgo saber um_pouco mais sobre a prisão de o Hagrid do_que o senhor , Mr._Weasley - disse Lockhart com notória auto-satisfação . Ron começou a dizer que discordava mas foi interrompido por o Harry que lhe deu um forte pontapé por debaixo de a mesa . - Nós não estávamos lá , lembras te ? - murmurou . Mas a alegria revoltante de o Lockhart , as insinuações de que sempre tinha achado que o Hagrid não prestava , a sua certeza de que tudo aquilo estava a chegar a o fim , irritou Harry de tal maneira que teve vontade de lhe atirar as * _ Viagens com Vampiros * e de lhe acertar em aquela cara estúpida . Mas , em vez de isso , limitou se a escrevinhar um bilhete para o Ron : * _ Vamos lá hoje a a noite * . Ron leu a mensagem , engoliu em seco e olhou para o lugar onde Hermione costumava sentar se . A cadeira vazia pareceu ajudá o a decidir se e acenou afirmativamente . A sala comum de os Gryffindor estava agora sempre cheia porque , depois de as seis_da_tarde , os Gryffindor não tinham outro lugar para ir . Por outro lado , tinham imenso para conversar , por isso a sala comum mantinha se cheia de gente até depois de a meia-noite . Logo_a_seguir a o jantar , Harry foi buscar o manto de a invisibilidade a a mala onde estava guardado e passou todo o serão a a espera que a sala esvaziasse . O Fred e o George desafiaram o para alguns jogos de explosão e a Ginny sentou se , muito preocupada , a observá os , em a cadeira habitual de Hermione . Harry e Ron fartaram se de perder de propósito em uma tentativa de pôr rapidamente fim a os jogos mas , mesmo_assim , já passava bastante de a meia-noite quando o Fred , o George e a Ginny se foram , finalmente , deitar . Harry e Ron esperaram até ouvir as portas de os dois dormitórios fecharem se . Em seguida , pegaram em o manto , lançaram o sobre ambos e passaram por o buraco de o retrato . Era mais uma difícil travessia de o castelo , tendo de fintar todos os professores . Finalmente , chegaram a o * hall * de entrada , giraram o fecho de as portas de carvalho , esgueiraram se tentando não fazer barulho e aventuraram se nos campos iluminados por o luar . - É claro que - disse bruscamente o Ron , enquanto atravessavam os relvados negros - podemos perfeitamente chegar a a floresta e descobrir que não há nada para seguir . As aranhas podem não ter ido para lá . É certo que parecia que tomavam essa direcção , mas ... Felizmente a lengalenga não durou muito . Chegaram a a casa de o Hagrid que tinha um ar triste com as suas janelas vazias . Logo_que Harry empurrou a porta e a abriu , o Fang saltou , louco de alegria por os ver . Preocupados , não fosse ele acordar toda_a_gente em o castelo com o seu ladrar forte e agitado , deram lhe rapidamente a comer bombons de melaço que estavam em uma lata sobre a lareira e que lhe colaram os dentes de cima a os de baixo . Harry pousou o manto de a invisibilidade sobre a mesa de o Hagrid . Não iam precisar de ele em a floresta escura como breu . - Anda , Fang , vamos dar um passeio - disse Harry , batendo lhe a o de leve em a pata e Fang saiu feliz , a os saltos , atrás de eles . Precipitou se até a a orla de a floresta e levantou a perna contra uma enorme figueira-do-egipto . Harry pegou em a varinha , murmurou * _ Lumus * ! e uma pequenina luz surgiu em a ponta de a varinha , suficiente para lhes mostrar o caminho e ajudá os a descobrir a pista de as aranhas . - Bem pensado - disse o Ron . - Eu acendia também a minha mas , sabes como ela está , ainda estoirava ou qualquer coisa assim ... Harry tocou em o ombro de o Ron , apontando para as ervas . Duas aranhas solitárias fugiam de a luz de a varinha , aproximando se de a sombra de as árvores . - O. _ K. - disse o Ron , resignando se com o pior . - Estou pronto , vamos . Então , com o Fang a correr atrás de eles , cheirando as raízes de as árvores e as folhas , entraram em a floresta . Seguindo a luz de a varinha de o Harry seguiram a fila disciplinada de aranhas que se movia a o longo de o caminho . Andaram durante cerca de vinte minutos , sem falar , atentos a todos os ruídos que não fossem os de os ramos caídos e de as folhas secas . Então , quando as copas de as árvores se tinham tornado mais cerradas do_que nunca , de_tal_modo_que as estrelas em o céu já não eram visíveis e a varinha de o Harry brilhava isolada em um mar de escuridão , viram as aranhas que eles seguiam a abandonar o caminho . Harry parou , tentando ver para_onde iam mas tudo_o_que ficava longe de a sua pequenina luz era negro de breu . Ele nunca fora tão longe em a floresta . Lembrava se muito bem de Hagrid lhe ter dito , de a última vez que ali tinham estado , que nunca saísse de o caminho de a floresta . Mas Hagrid agora estava a muitos quilómetros de distância e ele também lhes dissera que seguissem as aranhas . Uma coisa húmida tocou em a mão de o Harry e ele deu um salto para trás , pisando o pé a o Ron . Mas afinal era apenas o focinho de o Fang . - O que é_que tu achas ? - perguntou ele a o Ron cujos olhos conseguia vislumbrar , reflectindo a luz de a varinha . - Já_que viemos até aqui - disse ele . Seguiram , portanto as sombras velozes de as aranhas em direcção a as árvores . Não podiam agora andar muito depressa . Tinham em a frente raízes de árvores e troncos cortados que mal se viam em aquela escuridão . Harry sentia o bafo quente de Fang em a mão . Por mais de uma_vez tiveram de parar para o Harry se baixar e descobrir as aranhas a a luz de a varinha . Andaram durante o que lhes pareceu ter sido pelo_menos meia_hora , com os mantos a roçarem em os ramos mais baixos e em as silvas . A o fim de algum tempo repararam que o chão parecia inclinar se para baixo embora as árvores continuassem cerradas . Foi então que o Fang soltou um latido que ecoou em volta , fazendo Harry e Ron darem um salto , ambos com os cabelos em pé . - O que foi ? - gritou o Ron , olhando em volta para a escuridão e agarrando Harry com força , por o cotovelo . - Há qualquer coisa ali a mexer se - murmurou Harry - Ouve ... parece ser grande . Ficaram a ouvir . Um_pouco para a direita algo de grandes dimensões partia os ramos enquanto abria caminho através de as árvores . - Oh ! não - disse o Ron . - Oh ! não , não ... - Cala te - insistiu o Harry , nervoso . - Seja o que for , vai acabar por te ouvir . - Ouvir me ? - disse o Ron , em um tom de voz muito pouco natural . - Já ouviu . Fang ! A escuridão parecia esmagar lhes os globos oculares enquanto ali ficaram apavorados , a a espera . Houve um estranho ruído , surdo e prolongado , e em seguida o silêncio . - O que estará a fazer ? - perguntou Harry . - Talvez esteja a preparar se para atacar - disse o Ron . Esperaram , a tremer , sem ousarem mexer se . - Achas que se foi embora ? - murmurou Harry . - Não sei . Em esse momento , de o lado direito veio um clarão de luz tão forte em o meio de o escuro que os dois levaram as mãos a a cara para proteger os olhos . O Fang ganiu e tentou fugir mas viu se envolvido em um emaranhado de espinhos e ganiu ainda mais alto . - Harry - gritou o Ron com grande alívio em a voz . - Harry , é o nosso carro . - O quê ? - Anda ver . Harry avançou a os tropeções atrás de o Ron , em direcção a a luz e em o momento seguinte estavam em uma clareira . O carro de Mr._Weasley ali estava , vazio , no_meio_de um círculo de árvores grossas , sob um telhado de ramos densos , os faróis de a frente resplandecentes . Quando Ron se aproximou de boca aberta , moveu se lentamente em direcção a ele como_se fosse um grande cão azul turquesa , cumprimentando o dono . - Tem estado aqui todo este tempo - disse o Ron satisfeitíssimo , aproximando se de o carro . - Olha para ele , a floresta tornou o selvagem ... O guarda-lamas estava riscado e cheio de lodo . Parecia que tinha andado a passear sozinho por a floresta . Fang não gostou lá muito de ele . Manteve se a o lado de o Harry que podia senti o a tremer . Com a respiração normalizada , Harry guardou a varinha em o manto . - E nós a pensarmos que ele nos ia atacar - disse o Ron , encostando se a o carro e dando lhe duas palmadinhas - As voltas que eu dei a a cabeça a pensar para_onde ele teria ido ! Harry olhava para todos os lados , em o chão iluminado , em busca de mais aranhas mas todas elas tinham fugido de o brilho de as luzes . - Perdemos as de vista - disse ele . - Anda , vamos procurá as . Ron não disse nada . Não se moveu . Tinha os olhos fixos em um ponto , três metros acima de o chão de a floresta , mesmo atrás de o Harry . O seu rosto estava lívido de terror . Harry nem teve tempo de se voltar . Ouviu se um ruído alto e seco e sentiu que alguma coisa longa e peluda o elevava em o ar com o rosto voltado para baixo . Debatendo se , apavorado , ouviu outro estalido e viu as pernas de o Ron serem também levantadas de o chão . Ouviu o Fang gemer e ganir e , em o momento seguinte , era levado para o meio de as árvores escuras . Com a cabeça a balouçar , Harry viu que a coisa que o transportava tinha seis enormes patas peludas e que as duas de a frente o agarravam com forca sob um par de tenazes pretas e brilhantes . Atrás_de si podia ouvir outra de aquelas criaturas que , sem dúvida , transportava o Ron . Encaminhavam se para o coração de a floresta . Harry ouvia o Fang a ladrar , tentando libertar se de um terceiro monstro mas Harry não podia gritar mesmo_que quisesse , parecia que tinha deixado a voz em a clareira , junto com o carro . Não soube quanto tempo esteve em as patas de a criatura , só se apercebeu que a escuridão se atenuara um_pouco , permitindo lhe ver que o chão coberto de folhas estava agora repleto de aranhas . Voltando a cabeça para o lado , deu se conta de que tinham chegado a a base de uma enorme cova , uma cova que fora limpa de árvores para que as estrelas iluminassem com o seu brilho a cena mais pavorosa que os seus olhos alguma vez tinham visto . Aranhas . Não aranhas pequeninas como aquelas que estavam sobre as folhas . Aranhas de o tamanho de enormes cavalos , com oito olhos , oito pernas pretas , peludas , gigantescas . O espécimen que transportava Harry desceu o terreno íngreme até uma teia brumosa em forma de cúpula que ficava mesmo em o meio de a cova , enquanto os companheiros se juntavam em volta , batendo excitadíssimos com as tenazes e olhando para o que eles traziam a as costas . Harry caiu em o chão de gatas quando a aranha o libertou . Ron e Fang foram cair perto de ele . O Fang já não gania . Estava agachado e muito quieto . Ron e Harry partilhavam o mesmo sentimento . O Ron tinha a boca aberta em uma espécie de grito silencioso e os olhos a saltarem lhe de as órbitas . Harry percebeu de repente que a aranha que o deitara a o chão estava a dizer qualquer coisa . Era difícil entender porque entre cada duas palavras , batia com as tenazes . - Aragog - chamou . - Aragog . E de o meio de a teia brumosa em forma de cúpula saiu muito lentamente uma aranha de o tamanho de um pequeno elefante . As costas e as pernas estavam cobertas de pêlo cinzento e , em a cabeça feia , munida de tenazes , estavam vários olhos , todos eles de um branco leitoso . Era cega . - O que foi ? - disse , batendo rapidamente com as tenazes uma em a outra . - Homens - respondeu a aranha que trouxera o Harry . - É o Hagrid ? - perguntou Aragog , aproximando se mais com os seus oito olhos leitosos a vaguear . - Estranhos - respondeu a aranha que trouxera o Ron . - Matem nos - disse Aragog , irritada . - Eu estava a dormir ... - Nós somos amigos de o Hagrid - gritou Harry . Parecia que o coração lhe saltava por a boca . Clic , clic , clic fizeram as tenazes de a aranha , em volta de a cova . Aragog parou . - O Hagrid nunca mandou homens a a nossa cova - disse lentamente . - O Hagrid está em perigo - explicou Harry , respirando muito depressa . - Foi por isso que eu vim . - Em perigo ? - repetiu a aranha idosa e pareceu a Harry sentir preocupação por detrás de as suas tenazes . - Mas porque vos mandou ele cá ? Harry pensou pôr se de pé mas achou melhor não arriscar . As pernas provavelmente não teriam força para o sustentar . Falou portanto de o chão , o mais calmamente que foi capaz . - Eles lá em a escola pensam que o Hagrid soltou qualquer coisa contra os estudantes . Mandaram o para Azkaban . Aragog bateu furiosamente com as tenazes e , em toda_a cova , o eco foi reproduzido por uma multidão de aranhas . Era uma espécie de aplauso com uma única diferença : os aplausos não costumavam fazer o Harry quase morrer de medo . - Mas isso foi há muitos anos - disse Aragog , maldisposta . - Há anos e anos . Lembro me muito bem . Foi por isso que o expulsaram de a escola . Eles pensaram que eu era o monstro que vive em aquilo a que eles chamam a Câmara_dos_Segredos . Pensaram que o Hagrid a tinha aberto para me libertar . - E tu ... não vieste de a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Harry que sentia a testa cheia de suores frios . - Eu - disse Aragog , batendo irritada com as tenazes - , eu não nasci em o castelo . Venho de uma terra distante . Um viajante ofereceu me a o Hagrid quando eu era ainda um ovo . Hagrid era um rapazinho mas tratou de mim , escondeu me em uma despensa dentro de o castelo e alimentava me com as migalhas que ficavam em as mesas . Hagrid é o meu bom amigo e um bom homem . Quando me encontraram e me culparam por a morte de uma rapariga , ele protegeu me . Desde_então , tenho vivido aqui em a floresta onde o Hagrid ainda vem visitar me . Ele até me arranjou uma esposa , Mosag , e estão a ver como a família cresceu , tudo graças a a bondade de o Hagrid ... Harry reuniu a coragem que lhe restava . - Então tu nunca atacaste ninguém ? - Nunca - resmungou a velha aranha . - Era esse o meu instinto , mas por respeito a Hagrid nunca fiz mal a nenhum humano . O corpo de a rapariga morta foi encontrado em uma casa_de_banho , ora eu nunca conheci mais do_que despensa de o castelo , onde cresci . Nós gostamos de o escuro de o silêncio . - Mas então ... sabes o que matou essa rapariga ? - perguntou Harry . - Porque seja o que for , está a atacar as pessoas outra_vez ... As suas palavras foram abafadas por uma audível explosão de tenazes a bater e por o ruge-ruge de muitas pernas longas , deslocando se iradas . Em volta de Harry começaram a mover se sombras escuras . - O que vive em o castelo - disse Aragog - é uma antiga criatura que nós , aranhas , tememos acima_de todas_as outras . Lembro me bem de o quanto insisti com Hagrid para que me deixasse sair de ali quando senti a criatura a andar por a escola . - O que é ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Mais tenazes a bater , mais pernas a moverem se . As aranhas pareciam estar a aproximar se . - Nós não falamos de isso - exclamou Aragog furiosa . - Não pronunciamos o seu nome . Eu nunca disse a o Hagrid o nome de a horrível criatura , apesar_de ele me ter perguntado vezes sem conta . Harry não quis insistir , principalmente com todas aquelas aranhas a aproximarem se de todos os lados . Aragog parecia ter se cansado de falar . Recuava lentamente para a teia em forma de cúpula , mas as companheiras continuavam a aproximar se ameaçadoramente de Harry e Ron . - Vamos embora , então - gritou Harry , desesperadamente a Aragog , enquanto ouvia as folhas secas a estalarem atrás_de si . - Embora ? - disse Aragog lentamente . - Não me parece ... - Mas , mas ... - Os meus filhos e filhas não fazem mal a o Hagrid por ordem minha . Mas não posso negar lhes carne fresca quando ela veio por vontade própria ter connosco . Adeus , amigo de o Hagrid . Harry deu meia volta . Poucos centímetros acima de ele , uma sólida parede de aranhas batia com as tenazes , os seus muitos olhos a brilharem em as horríveis caras pretas . Mesmo_que se servisse de a varinha , Harry sabia que não ia valer de nada . As aranhas eram demasiadas , mas quando tentava preparar se para morrer a lutar , ouviu se um som prolongado e um clarão de luz iluminou a cova . O carro de Mr._Weasley ribombava , descendo o declive , com os faróis acesos , a buzina a guinchar , afastando as aranhas . Muitas de elas ficaram voltadas ao_contrário com as várias pernas a agitar se em o ar . O carro buzinou com mais força em frente de Harry e Ron e as portas abriram se . - Agarra o Fang - gritou Harry , ajeitando se em o lugar de a frente . Ron agarrou o cão caçador de javalis e lançou o a ganir para o banco de trás . As portas fecharam se com estrondo . Ron não tocou em o acelerador mas o carro não precisou de isso . O motor fez se ouvir e levantaram voo , batendo em mais aranhas . Subiram o declive , saindo de a cova e pouco depois atravessavam a floresta , os ramos a baterem em os vidros enquanto o carro seguia habilmente através de os intervalos maiores , por um caminho que obviamente já conhecia . Harry olhou para o Ron , a o seu lado . Ele tinha ainda a boca aberta em o mesmo grito silencioso mas os olhos já não estavam salientes . - Estás bem ? Ron olhou em frente , incapaz de responder . Começavam a descer para terra firme com o Fang a soltar enormes ganidos em o banco de trás e Harry viu o espelho retrovisor saltar quando passaram rente a um enorme carvalho . Após dez minutos bastante ruidosos , as árvores começaram a ser mais finas e Harry pôde ver de_novo pedaços de o céu . O carro parou tão bruscamente que quase foram projectados por o vidro de a frente . Tinham chegado a a orla de a floresta . O Fang ia agitadíssimo a a janela e quando Harry abriu a porta , disparou a correr através de as árvores até a a casa de o Hagrid , de cauda entre as pernas . Harry saiu também e um minuto depois o Ron pareceu recuperar a força em os membros e seguiu o , ainda com um torcicolo e de olhos esbugalhados . Harry deu uma palmadinha de agradecimento a o carro antes de ele dar a volta e desaparecer em direcção a a floresta . Harry voltou a a cabana de o Hagrid para buscar o manto de a invisibilidade . O Fang tremia em o seu cesto , coberto por um cobertor . Quando saiu de_novo , viu o Ron a vomitar junto de as abóboras . - Sigam as aranhas - disse ele debilmente , limpando a boca a a manga . - Nunca vou perdoar a o Hagrid . É uma sorte ainda estarmos vivos . - Aposto que ele pensou que Aragog nunca faria mal a os seus amigos - justificou Harry . - Esse é justamente o problema de o Hagrid - interrompeu Ron , dando um soco em a parede de a cabana . - Ele acha sempre_que os monstros não são tão maus como os pintam e vê onde isso o levou , a uma cela em Azkaban - tremia agora descontroladamente . - Qual a ideia de ele a o mandar nos ali ? Gostava de saber o que é_que descobrimos . - Que o Hagrid nunca abriu a Câmara_dos_Segredos - disse Harry , lançando o manto sobre Ron e tocando lhe em o braço para o encorajar a andar . - Ele estava inocente . Ron resmungou em voz alta . Para ele , chocar Aragog em uma despensa não era propriamente estar inocente . Quando se aproximaram de o castelo , Harry esticou o manto para garantir que os pés de ambos ficavam cobertos . Em seguida , empurrou as portas de a frente que chiaram . Atravessaram com todo o cuidado o * hall * de entrada e subiram a escadaria de mármore , contendo a respiração em os corredores guardados por sentinelas atentos . Por fim , chegaram a a segurança de a sala de os Gryffindor onde o lume ardera até se transformar em brasas brilhantes . Tiraram o manto e subiram a escada serpenteante que os levava a o dormitório . Ron caiu em a cama sem sequer se despir mas Harry , apesar_de tudo , não tinha sono . Sentou se em a beirinha de a cama , pensando em todas_as coisas que Aragog dissera . A criatura que andava por o castelo , pensou , era uma espécie de monstro Voldemort , nem os outros monstros queriam pronunciar o seu nome . Mas ele e o Ron não estavam agora mais perto_de descobrir o que era nem como petrificava as suas vítimas . Se nem o Hagrid chegara a saber o que estava em a Câmara_dos_Segredos ... Harry balançou as pernas e atirou se para_cima de a cama . Encostado a as almofadas olhou a Lua que brilhava através de a janela de a torre . Não sabia que mais poderiam fazer . Só tinham encontrado portas fechadas . Riddle apanhara a pessoa errada . O herdeiro de Slytherin fugira e ninguém sabia se era a mesma pessoa ou uma outra que abrira , desta_vez , a Câmara_dos_Segredos . Não havia mais ninguém a quem fazer perguntas . Harry deitou se ainda a pensar em as palavras de Aragog . Estava a começar a ficar com sono quando aquilo que parecia ser uma última esperança lhe ocorreu , fazendo o sentar se muito direito em a cama . - Ron - sussurrou em o escuro . - Ron . Ron acordou com um ganido como os de o Fang . Olhou muito assustado em volta e viu o Harry . - Ron , a rapariga que morreu . Aragog contou nos que ela foi encontrada em uma casa_de_banho - disse , ignorando os roncos de o Neville em o outro canto de o quarto . - E se ela nunca tivesse saído de a casa_de_banho ? E se ainda lá estiver ? Ron esfregou os olhos , franzindo as sobrancelhas sob a luz de a Lua . E só então compreendeu . -- Não pensar que ... a Murta_Queixosa ? XVI_A_Câmara_dos_Segredos -- E estivemos nós tantas vezes em aquela casa_de_banho com ela apenas a três cubículos de distância - disse o Ron amargamente em o dia seguinte , a a mesa de o pequeno-almoço . - Podíamos ter lhe perguntado e agora ... Já fora bastante difícil procurar as aranhas . Escapar a os professores o tempo suficiente para ir até a a casa_de_banho de as raparigas , que ficava mesmo em frente de o lugar onde ocorrera o primeiro ataque , ia ser quase impossível . Mas alguma coisa aconteceu que fez com que a Câmara_dos_Segredos desaparecesse de os seus pensamentos pela_primeira_vez em várias semanas . A professora Mc_Gonagall comunicou lhes que os exames começariam a 1_de_Junho , uma semana depois . - Exames ? - gritou Seamus_Finnigan . - Nós mesmo_assim vamos ter exames ? Ouviu se um estrondo atrás de o Harry quando a varinha de o Neville_Longbottom lhe escapou de a mão , fazendo desaparecer uma de as pernas de a secretária . A professora Mc_Gonagall repô a com a sua varinha e voltou se com má cara para o Seamus . - Se temos a escola aberta em uma altura de estas é para vocês receberem instrução - disse com dureza . - Os exames terão lugar , portanto , como é costume e espero que todos vocês façam revisões até lá . Revisões . Não passara por a cabeça de o Harry que houvesse exames com o castelo em aquele estado . Houve uma série de murmúrios revoltados , o que fez com que a professora Mc_Gonagall ficasse ainda mais mal-humorada . - As instruções de o professor Dumbledore foram para manter a escola a funcionar o mais normalmente possível - disse . - E isso , não preciso de vos dizer , passa por uma avaliação de o quanto vocês aprenderam a o longo de este ano . Harry olhou para baixo , para o casal de coelhos brancos que ele deveria transformar em pantufas . Que tinha ele aprendido durante o ano ? Não era capaz de se lembrar de nada que fosse útil em um exame . Ron estava como_se tivessem acabado de lhe dizer que a partir de aquele momento tinha de ir viver para a floresta proibida . - Estás a ver me a ter exames com isto tudo ? - perguntou a o Harry enquanto pegava em a varinha que tinha começado a assobiar bastante alto . Três dias antes de o primeiro exame , a a hora de o pequeno almoço , a professora Mc_Gonagall fez outra comunicação . - Tenho boas notícias - disse , e o salão em_vez_de se calar , explodiu de contentamento . - Dumbledore vai regressar ! - gritaram várias pessoas cheias de alegria . - Apanharam o herdeiro de Slytherin - arriscou uma rapariga em a mesa de os Ravenclaw . - Temos outra_vez os jogos de Quidditch - bradou Wood , excitadíssimo . Quando a agitação passou , Mc_Gonagall disse : - A professora Sprout informou me que as mandrágoras estão finalmente prontas para serem cortadas . Hoje a a noite vamos poder reanimar as pessoas que foram petrificadas . Escusado será dizer que certamente uma de elas poderá revelar nos quem ou o que a atacou . Eu tenho esperança que este ano pavoroso acabe com a prisão de o culpado . Houve uma explosão de aplausos . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e não ficou nada surpreendido a o ver que Draco_Malfoy não aplaudia . O Ron , por outro lado , estava satisfeito como ninguém o via havia dias . - Não faz mal não termos perguntado a a Murta . A Hermione vai , com certeza , ter todas_as respostas quando acordarem . Vai também ficar fula quando souber que temos exames dentro_de três dias . Ela não pôde fazer revisões . Seria melhor deixarem a estar onde está até a o final de os exames . Nessa_altura , Ginny_Weasley veio sentar se junto de o Ron . Parecia nervosa e tensa e Harry reparou que torcia as mãos em o colo . - O que se passa ? - perguntou o Ron , servindo se de mais papa de aveia . Ginny não disse nada mas olhou para um lado e para o outro de a mesa de os Gryffindor , com um olhar assustado que lembrou a Harry alguém que não sabia bem quem era . - Vá lá , vomita - disse o Ron , olhando para ela . Harry percebeu subitamente quem a Ginny lhe lembrara . Ela balançava se ligeiramente para a frente e para trás em a cadeira , exactamente como o Dobby fazia quando estava hesitante , à_beira_de revelar uma informação proibida . - Tenho de te dizer uma coisa - balbuciou a Ginny receosa , sem olhar para Harry . - O que é ? - perguntou ele . Ginny parecia incapaz de encontrar as palavras certas . - O quê ? - insistiu Ron . Ginny abriu a boca mas não saiu nenhum som . Harry inclinou se para a frente e falou devagar para que só ela e Ron pudessem ouvi o . - É alguma coisa relacionada com a Câmara_dos_Segredos ? Viste alguma coisa ou alguém a agir de forma estranha ? Ginny respirou fundo e , em esse preciso momento , apareceu Percy_Weasley com um ar pálido e cansado . - Se já acabaste de comer eu fico com esse lugar , Ginny . Estou cheio de fome . Acabei agora o meu trabalho de patrulhamento . Ginny deu um salto como_se a cadeira tivesse acabado de ser electrificada , lançou a o Percy um olhar assustado e zarpou . Percy sentou se e tirou uma caneca de o meio de a mesa . -- Percy - disse o Ron aborrecido . - Ela ia agora mesmo contar nos uma coisa importante . A meio de um gole de chá , Percy estremeceu . - Que coisa ? - perguntou , tossindo . - Eu quis saber se ela tinha visto alguma coisa estranha e ela ia dizer ... - Ah ! isso ... não tem nada que ver com a Câmara_dos_Segredos - disse o Percy de imediato . - Como sabes ? - indagou o Ron , erguendo as sobrancelhas . - Bem ... er ... já_que perguntam , a Ginny ... er ... passou por mim em outro dia quando eu ... er ... não foi nada , o importante é_que ela viu me fazer uma coisa e eu ... um ... pedi lhe para não comentar com ninguém . Não pensei que ela cumprisse a palavra , verdade se diga . Não é nada importante , eu só ... Harry nunca vira o Percy tão pouco a a vontade . - O que estavas a fazer , Percy ? - riu se o Ron . - Vá lá , conta que nós não nos rimos . Percy ficou sério . - Passa me esses pãezinhos , Harry , estou cheio de fome . Harry sabia que todo o mistério poderia ser desvendado em o dia seguinte sem a ajuda de eles mas não ia deixar de falar com a Murta_Queixosa se a oportunidade surgisse . E , para sua grande satisfação , ela surgiu a meio de a manhã quando eram conduzidos a a aula de História_da_Magia_por_Gilderoy_Lockhart . Lockhart , que tantas vezes lhes assegurara que o perigo tinha passado , estava agora totalmente convencido de que acompanhar os alunos em os corredores era um trabalho inútil . O seu cabelo estava mais liso do_que de costume . Parecia ter passado toda_a noite acordado a vigiar o quarto andar . - Podem escrever o que eu digo - afirmou , acompanhando os até uma esquina . - As primeiras palavras que vão sair de a boca de aquelas pobres pessoas petrificadas serão - * _ Foi_o_Hagrid * . Francamente , estou espantado por a professora Mc_Gonagall considerar ainda necessárias estas medidas de segurança . - Concordo , professor - disse Harry , fazendo com que Ron , surpreendido , deixasse cair os livros a o chão . - Obrigado , Harry - disse Lockhart amavelmente , enquanto deixavam passar uma grande fila de Hufflepuffs . - verdade é_que os professores já têm bastante que fazer para andarem também a acompanhar os alunos a as aulas e a guardar os corredores a a noite ... - É verdade - disse o Ron , percebendo a ideia . - Porque não nos deixa aqui , professor , só falta mais um corredor . - Sabes , Weasley , sou mesmo capaz de fazer isso - disse Lockhart . - Preciso de preparar a minha próxima aula . E apressou se a seguir o seu caminho . - Preparar a aula - zombou o Ron . - Vai encaracolar o cabelo , é o mais certo . Deixaram os restantes Gryffindor passar lhes a a frente e por fim cortaram caminho em um corredor lateral e dirigiram se a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mas quando estavam a congratular se por o seu esquema brilhante ... - Potter , Weasley ! Que estão vocês a fazer aqui ? Era a professora Mc_Gonagall e a boca de ela estava mais fina do_que nunca . - Nós estávamos , estávamos - gaguejou o Ron . - Nós íamos ver , íamos ver ... - Hermione - completou Harry . A professora Mc_Gonagall e Ron olharam para ele . - Não a vemos há séculos , professora - prosseguiu Harry , pisando o pé a o Ron . - E pensamos ir espreitá a a a ala hospitalar e dizer lhe que as mandrágoras estão quase prontas , para ela não se preocupar . A professora Mc_Gonagall estava ainda a olhar para ele e , por um momento , Harry pensou que ela ia explodir mas , quando falou , fê lo em um tom de voz estranhamente rouco . - É claro - disse . E Harry , espantado , viu uma lágrima a brilhar lhe em o canto de um de os olhos . - É claro . Eu compreendo que tudo_isto tem sido muito duro para os amigos de aqueles que foram ... eu compreendo , sim , Potter . Podem ir visitar Miss_Granger . Eu mesma informarei o professor Binns de que vocês estão em o hospital . Digam a Madam_Pomfrey que vos dei autorização . Harry e Ron afastaram se , quase sem acreditar que tinham escapado a um castigo . Quando voltaram em uma esquina ouviram nitidamente a professora Mc_Gonagall a assoar se . - Esta - disse o Ron entusiasmado - foi a melhor história que tu alguma vez inventaste . Não tinham outro remédio senão ir a a ala hospitalar e dizer a Madam_Pomfrey que tinham autorização de a professora Mc_Gonagall para visitar Hermione . Madam_Pomfrey deixou os entrar com alguma relutância . - Não vale a pena falar com uma pessoa petrificada - disse , e ambos tiveram que admitir que ela tinha razão quando se sentaram junto de Hermione e constataram que ela não tinha a menor noção de estar acompanhada . Dizer lhe que não se preocupasse ou falar com o armário que estava a o lado de a cama era exactamente a mesma coisa . - Será que ela viu quem a atacou ? - perguntou o Ron , olhando com tristeza para o rosto rígido de Hermione . - Porque se a coisa saltou sobre eles , ficaremos todos sem saber de nada . Mas Harry não olhava para o rosto de Hermione . Estava mais interessado em a sua mão direita que se encontrava pousada sobre os cobertores e , inclinando se para ela , viu que tinha , fechado entre os dedos , um pedaço de papel . Assegurando se de que Madam_Pomfrey não dava por nada , fez sinal a o Ron . - Tenta tirá o - murmurou ele , colocando a cadeira de_modo_a que Madam_Pomfrey não pudesse ver o Harry . Não foi tarefa fácil . A mão de a Hermione estava fechada com uma força tal que Harry receou parti a . Enquanto Ron vigiava , ele forçou e torceu até que , por fim , depois de vários minutos bastante tensos , conseguiu tirar o papel . Era uma página retirada de um livro muito antigo de a biblioteca . Harry alisou a ansiosamente e Ron inclinou se para poder lês a também . * _ De todos os monstros assustadores que pairam a a face de a Terra , nenhum é tão curioso nem tão fatal como o Basilisk , também conhecido por o rei de as serpentes . Esta cobra que pode atingir proporções gigantescas e viver durante muitas centenas de anos nasce de um ovo de galinha que é chocado por um sapo . As suas formas de matar são pavorosas pois além de os dentes venenosos e mortais , o Basilisk tem um olhar criminoso e todos aqueles que ele fixa com os olhos tem morte instantânea . As aranhas fogem a sete pés de o Basilisk que é seu inimigo mortal , e o Basilisk foge apenas de o canto de o galo que para ele é fatal * . Por debaixo de isto uma única palavra fora escrita , em a letra que Harry reconheceu como sendo de Hermione : Canos . Foi como_se se tivesse acendido uma luz em o seu espírito . - Ron - murmurou - é isso . Está aqui a resposta . O monstro de a Câmara_dos_Segredos é um Basilisk , uma serpente gigante . Por isso , só eu tenho ouvido a sua voz em todos os lugares , porque eu compreendo * serpentês * ... Harry olhou para as camas em volta . - O Basilisk mata as pessoas fixando as com o olhar mas ninguém morreu , o que quer_dizer que ninguém o olhou directamente em os olhos . Colin viu o através de a lente de a máquina fotográfica e o Basilisk queimou o rolo que estava lá dentro mas o Colin ficou apenas petrificado . O Justin ... o Justin deve ter visto o Basilisk através de o Nick quase sem cabeça . O Nick é_que levou com o olhar mas não podia morrer outra_vez ... e perto de a Hermione e de a prefeita de os Ravenclaw foi encontrado um espelho . Hermione acabara de compreender que o monstro era um Basilisk . Aposto que preveniu a primeira pessoa que encontrou de que era melhor olhar por um espelho a o virar de cada esquina . E aquela rapariga puxou de o seu espelho e ... O Ron estava de queixo caído . - E Mrs._Norris ? - perguntou vivamente . Harry pensou um_pouco , tentando imaginar a cena em a noite de o Halloween . - A água . . . - disse lentamente . - A poça de água que saiu de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Aposto que Mrs._Norris só viu o reflexo de o monstro . Examinou a folha de papel que tinha em a mão . Quanto_mais olhava mais sentido faziam as coisas . - * _ O cantar de o galo é fatal para ele * - leu em voz alta . - Os galos de o Hagrid foram mortos . O herdeiro de Slytherin não queria um único galo perto de o castelo , com a câmara aberta . * _ As aranhas são as primeiras a fugir * . Tudo encaixa . - Mas , como tem o Basilisk andado por aí ? - disse o Ron . - Uma serpente horrível e enorme ... alguém a teria visto . Mas Harry apontou para a palavra que Hermione escrevinhara em o final de a página . - Canos - disse . - Canos ... Ron , ele tem usado a canalização . Eu ouvi sempre a voz dentro de as paredes ... Ron agarrou subitamente o braço de o Harry . - A entrada para a Câmara_dos_Segredos - disse em uma voz rouca . - E se for em uma casa_de_banho ? Se for em a ... - Em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa - completou Harry . Sentaram se , tomados de uma excitação enorme , mal querendo acreditar . - Isso significa que - disse o Harry - eu não posso ser o único em a escola a falar * serpentês * . Há também o herdeiro de Slytherin . É de esse modo que tem controlado o Basilisk . - O que vamos fazer ? - perguntou Ron com os olhos a faiscar . - Vamos falar com a Mc_Gonagall ? - Vamos até a a sala de os professores - disse Harry , dando um salto . - Ela estará lá dentro_de dez minutos , está quase em o intervalo . Desceram a escada a correr . Não querendo ser descobertos outra_vez a vaguear por os corredores foram directamente até a a sala de os professores que estava deserta . Era uma divisão ampla , toda forrada , com cadeiras de madeira escura . Harry e Ron passearam de um lado para o outro , demasiado nervosos para se sentarem . Mas a campainha anunciando o intervalo nunca mais tocava . Em vez de isso , ecoando em os corredores , ouviram a voz de a professora Mc_Gonagall incrivelmente ampliada . - * _ Todos os alunos devem regressar de imediato a os seus dormitórios . Todos os professores a a sala de professores . Imediatamente , por favor * . Harry deu meia volta e olhou para o Ron . - Não me digas que houve um novo ataque , não agora ! - Que vamos fazer ? - disse o Ron aterrado . - Voltar para o dormitório ? - Não - disse Harry , olhando e m volta . Havia uma espécie de armário a a sua esquerda cheio com os mantos de os professores . - Ali . Vamos ouvir o que se passa . A seguir poderemos contar lhes o que descobrimos . Esconderam se dentro de o armário , ouvindo a algazarra de centenas de pessoas e a porta de a sala de professores a abrir se . De o meio de a confusão de mantos bafientos , viram os professores encherem a sala . Alguns tinham um ar totalmente confuso , outros pareciam apavorados . Por fim , chegou a professora Mc_Gonagall . - Aconteceu - disse em o silêncio de a sala de professores . - O monstro levou uma aluna . Levou a mesmo para a câmara . O professor Flitwick soltou um grito agudo . A professora Sprout bateu com a mão em a boca . Snape agarrou com força as costas de uma cadeira e perguntou : - Como pode ter tanta certeza ? - O herdeiro de Slytherin - disse a professora Mc_Gonagall , muito pálida . - Deixou outra mensagem . Mesmo por baixo de a primeira : « * _ O esqueleto de ela ficará para sempre em a Câmara_dos_Segredos * . » O professor Flitwick desatou a chorar . - Quem é ela ? - quis saber Madam_Hooch que se afundara em uma cadeira . - Quem é a aluna ? - Ginny_Weasley - disse a professora Mc_Gonagall . Harry viu o Ron , a o seu lado , escorregar silenciosamente até a o chão de o armário . - Vamos ter que mandar todos os alunos embora amanhã - disse a professora Mc_Gonagall . Isto_é o fim de Hogwarts , Dumbledore sempre disse ... A porta de a sala de os professores voltou a abrir se . Por um breve momento , Harry pensou que fosse Dumbledore mas era Lockhart e vinha todo sorridente . - Peço desculpa , adormeci . Perdi alguma coisa ? Não pareceu reparar que os outros professores o olhavam com uma espécie de aversão . Snape deu um passo em frente . - O homem que faltava - disse . - O homem certo . O monstro raptou uma garota , Lockhart levou a para a Câmara_dos_Segredos . O seu momento chegou . - Isso mesmo , Lockhart - acrescentou a professora Sprout . - Não estavas a dizer ontem a a noite que sempre tinhas sabido onde era a entrada para a Câmara_dos_Segredos ? - Eu ... bem ... eu-disse atabalhoadamente Lockhart . - Sim , não me disseste que sabias exactamente o que estava lá dentro ? - disse com voz esganiçada o professor Flitwick . - Eu disse ? Não me lembro ... - Lembro me perfeitamente de o ouvir dizer que lamentava não ter feito uma tentativa com o monstro antes de o Hagrid ser preso - disse Snape . - Não disse que toda_a história tinha sido uma atrapalhação e que deveriam ter lhe dado carta branca desde o princípio ? Lockhart olhou em volta para a cara de espanto de os colegas . - Eu ... nunca ... eu de facto ... deve ter me compreendido mal . - Então vamos deixar te , Gilderoy - disse a professora Mc_Gonagall . - Esta noite será uma excelente oportunidade para actuares . Nós trataremos de assegurar que ninguém te atrapalha . Vais poder enfrentar o monstro sozinho . Finalmente tens carta branca . Lockhart olhou desesperado a a sua volta mas ninguém foi salvá o . Já não estava bem-parecido . O lábio tremia lhe e a ausência de o seu habitual sorriso de dentes brancos dava lhe um ar escanzelado . - M-muito bem - disse . - Vou até a o meu escritório para ... para me preparar . E saiu de a sala . - _ óptimo - exclamou a professora Mc_Gonagall com as narinas dilatadas . - Isto deve afastá o de o nosso caminho . Os chefes de casa devem ir agora comunicar a os respectivos alunos o que se passou e informá os de que o Expresso_de_Hogwarts os levará a casa amanhã de manhã . Os restantes certifiquem se , por favor , de que não há alunos fora de os dormitórios . Os professores levantaram se e saíram um a um . Foi talvez o dia pior de a vida de o Harry . Ele , Ron , Fred e George sentaram se juntos a um canto em a sala comum de os Gryffindor , incapazes de proferir uma palavra . Percy não estava lá . Tinha ido tratar de enviar uma coruja a Mr. e Mrs._Weasley e , em seguida , fechara se em o dormitório . Nunca uma tarde custara tanto a passar e nunca a torre de os Gryfffindor estivera tão cheia de gente e tão silenciosa . Fred e George foram para a cama quase a o pôr de o Sol , incapazes de ficar ali mais tempo . - Ela sabia qualquer coisa , Harry - disse o Ron , falando pela_primeira_vez desde_que tinham saído de o armário de a sala de os professores . - Por isso a levaram . Não era nenhuma parvoíce sobre o Percy , ela tinha descoberto qualquer coisa sobre a Câmara_dos_Segredos . Com certeza por isso é_que a ... - Ron esfregou os olhos , enervadíssimo . - Afinal ela era sangue puro , não pode haver outra explicação . Harry olhava para o sol que mergulhava de um vermelho cor de sangue em a linha de o horizonte . Era a pior coisa que lhe tinha acontecido . Se pelo_menos pudessem fazer alguma coisa . - Harry - disse o Ron . - Achas que há alguma possibilidade de ela não estar ... ? Sabes o que eu quero dizer . Harry não sabia que resposta dar . Não acreditava que a Ginny pudesse ainda estar viva . - Sabes uma coisa ? - disse o Ron . - Acho que devíamos ir ter com o Lockhart , contar lhe o que sabemos . Ele vai tentar entrar em a câmara , podemos dizer lhe onde achamos que fica a entrada e contar lhe que o monstro é um Basilisk . Como Harry não tinha nenhuma ideia melhor e como queria fazer alguma coisa , concordou . Os Gryffindor que os rodeavam estavam tão tristes e com tanta pena de os Weasley que ninguém tentou impedi os quando os viram levantar se , atravessar a sala e sair por o buraco de o retrato . A escuridão começava a instalar se quando chegaram a o escritório de Lockhart onde a actividade era muita . De o corredor ouvia se o ruído de coisas a serem deitadas fora , pancadas surdas e passos apressados . Harry bateu a a porta e houve um silêncio repentino . Em seguida abriu se uma fresta de a porta e viram um de os olhos de Lockhart a espreitar . - Oh ! ... Mr._Potter ... Mr._Weasley - disse entreabrindo a porta . - Estou um_pouco ocupado em este momento , se forem rápidos ... - Professor , nós temos informações para lhe dar - disse o Harry . - Acho que poderão ajudá o . - Er ... bem ... não é - o lado de a cara de Lockhart que conseguiam ver parecia muito pouco a a vontade . - Quer_dizer ... bem ... está bem . Abriu a porta e eles entraram . O escritório estava praticamente vazio . Em o chão estavam duas grandes malas abertas . Mantos verde-jade , lilás , azul-noite tinham sido apressadamente dobrados e guardados dentro_de uma de as malas . Os livros misturavam se todos dentro de a outra . As fotografias que antes cobriam as paredes estavam agora arrumadas em caixas , em cima de a secretária . - Vai a algum lado ? - perguntou Harry . - Er ... bem ... sim - disse Lockhart , arrancando de a porta um poster seu em tamanho natural , enquanto falava , e começando a enrolá o . - Uma chamada urgente ... inevitável ... tenho que ir . - E a minha irmã ? - perguntou o Ron bruscamente . - Bem , quanto_a isso foi uma pena - disse Lockhart , evitando olhá os em os olhos , abrindo uma gaveta e começando a despejar o seu conteúdo dentro_de um saco . - Ninguém lamenta mais do_que eu ... - O senhor é o professor de Defesa contra as artes negras - disse Harry . - Não pode ir se embora agora_que todas estas coisas de magia negra estão a acontecer aqui . - Bem , devo dizer te que ... quando aceitei o lugar ... - resmungou Lockhart , empilhando soquetes sobre os mantos - nada em a descrição de o meu trabalho fazia prever ... - Quer_dizer que vai fugir ? - perguntou Harry , incrédulo . - Depois de todas_as coisas que conta em os seus livros ? - Os livros podem ser enganadores - disse Lockhart delicadamente . - Mas foi o senhor que os escreveu - gritou Harry . - Meu rapaz - disse Lockhart , endireitando se e franzindo as sobrancelhas - usa o senso comum . Os meus livros não teriam vendido metade do_que venderam se as pessoas não acreditassem que eu tinha feito todas aquelas coisas . Ninguém está interessado em ler sobre um velho feiticeiro americano mesmo_que ele tenha salvo uma cidade inteira de os lobisomens , ficaria péssimo em a capa . E a bruxa que correu com a fada carpideira tinha um lábio leporino . Como vês . - Quer_dizer que ficou com os louros por tudo_o_que uma série de outras pessoas fizeram ? - perguntou Harry , sem querer acreditar . - Harry , Harry - disse Lockhart , abanando impacientemente a cabeça . - Não é tão simples assim . Envolveu muito trabalho . Tive de localizar todas essas pessoas , perguntar lhes em pormenor como tinham feito as coisas . Depois tive de lhes fazer um feitiço antimemória para que não voltassem a lembrar se do_que tinham feito . Se há uma coisa de que me orgulho é de os meus feitiços antimemória . Não , tive muito trabalho , Harry . Não foram só as sessões de autógrafos e as fotografias , sabes ? Quem quer ser famoso tem de estar preparado para um trabalho longo e fatigante . Fechou as malas a a chave . - Vejamos - disse . - Acho que está tudo . Sim , só falta uma coisa . - Empunhou a varinha e voltou se para eles . - Lamento muito , rapazes , mas vou ter de vos fazer um feitiço antimemória . Não posso deixar que vão por aí repetir os meus segredos . Não venderia nem mais um livro . Harry pegou em a varinha mesmo a tempo e Lockhart mal tinha levantado a de ele a o ar quando Harry gritou * _ Expelliarmus ! * Lockhart foi projectado de costas , indo cair em cima de a mala . A varinha voou por os ares . Ron agarrou a e atirou a por a janela aberta . - Não devia ter deixado o professor Snape ensinar nos esta - disse Harry furioso , dando um pontapé a uma de as malas . Lockhart olhava para ele , de_novo escanzelado . Harry apontava lhe a varinha . - O que queres que eu faça ? - perguntou debilmente . - Eu não sei onde fica a Câmara_dos_Segredos . Não posso fazer nada . - Está com sorte - disse Harry , forçando o com a varinha a pôr se de pé . - Nós julgamos saber onde é e o que está lá dentro . Vamos . Conduziram Lockhart para fora de o seu escritório , desceram com ele as escadas e seguiram por o corredor escuro em cuja parede brilhavam as mensagens , até a a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mandaram Lockhart a a frente . Harry gostou de ver que todo ele tremia . A Murta_Queixosa estava sentada em a cisterna de o cubículo de o fundo . - Ah ! são vocês - disse a o ver o Harry . - O que querem agora ? - Perguntar te como morreste - disse Harry . O aspecto de a Murta mudou por completo . Parecia que nunca lhe tinham feito uma pergunta tão lisonjeira . - Ooooh ! Foi horrível - disse satisfeita . - Aconteceu aqui mesmo . Morri em este cubículo . Lembro me tão bem . Estava escondida porque a Olive_Hornby andava a implicar comigo por causa de os meus óculos . A porta estava fechada e eu estava a chorar e , então , ouvi alguém entrar . Disseram qualquer coisa estranha em uma língua diferente , acho eu . Mas o que mais me espantou foi o ser um rapaz a falar . Por isso , abri a porta para lhe dizer que fosse a a casa_de_banho de eles e em esse momento - a Murta inchou com ar importante , o rosto a brilhar - morri . - Como ? - perguntou Harry . - Não faço ideia - disse a Murta em um tom de voz abafado . - Só me lembro de ver dois grandes olhos amarelos , de o meu corpo ficar preso e em seguida , sentir me a flutuar ... - olhou sonhadoramente para Harry . - E depois voltei . Estava disposta a vingar me de a Olive_Hornby , percebes ? Ela ia arrepender se de ter gozado com os meus óculos . - Onde foi exactamente que viste os tais olhos ? - perguntou Harry . - Algures por aí - disse a Murta , apontando vagamente para o lavatório em frente de o seu cubículo . Harry e Ron apressaram se . Lockhart estava de pé , mais atrás , com uma expressão de pavor em o rosto . O lavatório parecia perfeitamente vulgar . Examinaram o centímetro a centímetro , dentro e fora , incluindo os canos por baixo . E foi então que Harry reparou : de lado , rabiscada em uma de as torneiras de cobre , estava uma cobra pequenina . - Essa torneira nunca funcionou - disse vivamente a Murta enquanto ele tentava abri a . - Harry - sugeriu o Ron . - Diz qualquer coisa em * serpentês * . Mas , pensou Harry , as únicas vezes que conseguira falar * serpentês * tinham ocorrido quando confrontado com uma verdadeira serpente . Olhou , concentrado para a pequena cobra gravada em o cobre , tentando imaginá a como verdadeira . - Abre te - disse . Olhou para o Ron que abanou a cabeça . - Inglês - disse ele . Harry voltou a olhar para a cobra , forçando se a acreditar que estava viva . A luz de a vela fez parecer que se movia . - Abre te - repetiu . Mas desta_vez as palavras não foram o que ele ouviu . Um estranho sibilar escapou lhe de a boca e a torneira ganhou uma luz branca e brilhante e começou a rodar . Logo_a_seguir o lavatório mexeu se . Afastou se , melhor dizendo , saiu de o caminho , deixando um grande cano a a vista , um cano onde cabia um homem . Harry ouviu a respiração arquejante de o Ron e olhou de_novo para ele . Já decidira o que queria fazer . - Vou descer - disse . Não podia deixar de ir , agora_que acabavam de descobrir a entrada para a câmara , existindo uma possibilidade , por mais remota que fosse , de a Ginny ainda estar viva . - Eu também - disse o Ron . Houve uma pausa . - Bem , parece que não precisam mais de mim - apressou se Lockhart a dizer com uma réstia de sorriso . - Eu vou . . . Pôs a mão em o puxador de a porta mas Ron e Harry apontaram lhe ambos as varinhas . -- O senhor pode ir a a frente - disse rispidamente o Ron . Pálido e sem varinha , Lockhart aproximou se de a entrada . - Meus rapazes - disse em uma voz débil . - Meus rapazes , para quê tudo_isto ? Harry tocou lhe em as costas com a varinha e ele meteu as pernas em o cano . - Eu não me parece que ... - começou a dizer , mas o Ron deu lhe um empurrão e ele desapareceu por o cano abaixo . Harry foi rapidamente atrás . Introduziu se lentamente e deixou se cair . Era como escorregar em uma pista escura e interminável . Ele via outros canos , estendendo se em todas_as direcções mas nenhum tão largo como o de eles que se torcia e virava , inclinando se abruptamente . Harry sabia que estavam a chegar a um ponto muito abaixo de a escola e de os calabouços . Atrás_de si , ouvia o Ron gemendo em cada curva . E então , quando começava a preocupar se com o que iria acontecer quando tocassem em o chão , o cano tornou se horizontal e ele foi projectado com um ruído surdo , indo aterrar em o chão húmido de um túnel de pedra com altura suficiente para ele se pôr de pé . Lockhart estava a levantar se a alguma distancia , todo enlameado e pálido como um fantasma . Harry afastou se para deixar o Ron sair também de o cano . - Devemos estar quilómetros e quilómetros abaixo de a escola - disse o Harry cuja voz ecoou em o túnel negro . - Talvez até debaixo de o lago - arriscou o Ron , olhando em volta para as paredes escuras e viscosas . Voltaram se os três para olhar para a escuridão lá a o fundo . - * _ Lumus ! * - murmurou Harry a a varinha e ela voltou a acender se . - Vamos - disse a o Ron e a o Lockhart e avançaram , os passos a chapinharem ruidosamente em o chão molhado . O túnel era tão escuro que só conseguiam ver alguns centímetros a a frente . As suas sombras em as paredes molhadas pareciam monstruosas a a luz de a varinha . - Lembrem se - disse Harry baixinho enquanto caminhavam . - A o menor movimento fechem logo os olhos ... Mas o túnel era silencioso como um túmulo e o primeiro som inesperado que ouviram foi um grito de o Ron que escorregou em uma coisa que era afinal a cauda de um rato . Harry baixou a varinha para olhar para o chão e viu que estava cheio de pequenos ossos de animais . Fazendo um enorme esforço para evitar pensar em que estado iriam encontrar a Ginny , avançou até uma curva escura de o túnel . - Harry , está aqui qualquer coisa - disse o Ron com voz rouca , agarrando Harry por o ombro . Ficaram estáticos a olhar . Harry só conseguia ver a silhueta de algo enorme e curvo deitado em o túnel . Fosse o que fosse não se movia . - Talvez esteja a dormir - murmurou , olhando para os outros dois . Lockhart tapava os olhos com as mãos . Harry voltou se para olhar para a criatura com o coração a bater tanto que lhe doía em o peito . Lentamente , com os olhos quase fechados mas ainda conseguindo ver , Harry avançou com a varinha levantada . A luz deslizou sobre uma gigantesca pele de serpente , de um verde vivo e venenoso que estava vazia e enrolada em o chão de o túnel . A criatura que a abandonara devia ter , pelo_menos , seis metros e meio de comprimento . - Bolas - disse o Ron , perdendo as forças . Houve um movimento súbito atrás de eles . As pernas de Gilderoy_Lockhart cederam . - Levante se - disse o Ron de uma forma cortante , apontando lhe a varinha . Lockhart pôs se de pé . Em seguida empurrou o Ron , atirando o a o chão . Harry deu um salto , mas ... tarde de mais . Lockhart endireitava se com a varinha de o Ron em as mãos e um sorriso em o rosto . - A aventura acaba aqui , rapazes - disse . - Vou levar um bocado de esta pele de cobra para a escola , contar lhes que foi demasiado tarde para salvar a garota e que vocês os dois perderam tragicamente a memória com a visão de o seu corpinho mutilado . Digam adeus a as vossas recordações . Levantou a o ar a varinha avariada de o Ron e gritou * _ Obliviate ! * A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba . Harry pôs os braços sobre a cabeça e correu , escorregou em os anéis de a pele de cobra , afastando se de os grandes pedaços de tecto de o túnel que caíam em o chão com o ruído de trovões . Pouco depois estava sozinho , olhando para uma sólida parede de rocha partida . - Ron - gritou ele . - Estás bem , Ron ? - Estou aqui - respondeu a voz abafada de o Ron por detrás de a avalancha de rochas . - Eu estou bem mas este sujeito não . A varinha avariou o todo . Ouviu se um ruído surdo e um Oh ! gritado . Parecia que o Ron tinha acabado de dar a o Lockhart um pontapé em as canelas . - E agora ? - disse a voz de o Ron que parecia desesperada . - Não podemos passar , vai demorar séculos . Harry olhou para o tecto de o túnel onde tinham aparecido grandes fendas . Ele nunca tentara partir , através de a magia , nada tão grande como aquelas rochas e agora não lhe parecia ser o melhor momento para fazer experiências . E se o túnel abatesse ? Houve um ruído surdo e outro Oh ! atrás de as rochas . Estavam a perder tempo . A Ginny já estava havia duas horas em a Câmara_dos_Segredos . Harry sabia que só havia uma coisa a fazer . - Espera aqui - gritou a o Ron . - Fica com o Lockhart , eu vou lá . Se não voltar dentro_de uma hora ... Houve um silêncio cheio . - Eu vou ver se desloco um_pouco esta rocha - disse o Ron , tentando manter a voz firme . - Para tu poderes passar . E , Harry ... - Até já - disse o Harry , procurando injectar confiança em a sua voz trémula . E passou sozinho para lá de a imensa pele de serpente . Em_breve , o ruído de o Ron , tentando deslocar a rocha , deixou de se ouvir . O túnel virou uma e outra_vez . Os nervos de o corpo de o Harry tangiam de forma desagradável . Ele só queria que o túnel chegasse a o fim , fosse o que fosse que o aguardasse . E então , finalmente , quando atingiu a última curva , viu em a sua frente uma parede sólida que tinha gravadas duas serpentes enroladas uma em a outra , cujos olhos eram quatro esmeraldas , enormes e brilhantes . Harry aproximou se com a garganta seca . Não foi preciso imaginar que as serpentes eram autênticas . Os seus olhos pareciam estranhamente vivos . Foi fácil descobrir o que tinha de fazer . Pigarreou e os olhos de esmeraldas pareceram mexer se . - Abre te - disse Harry em um sibilar baixo . As serpentes desapareceram enquanto a parede se abria a o meio e , a tremer de os pés a a cabeça , Harry entrou . XVII_Herdeiro_de_Slytherin_Estava de pé em o fundo de uma divisão enorme , fracamente iluminada . Altíssimos pilares de pedra , cheios de serpentes gravadas que os enlaçavam , erguiam se , suportando um tecto que se perdia em a escuridão e que lançava sombras negras imensas através de a estranha luz esverdeada que enchia o local . Com o coração a bater descompassadamente , Harry ficou parado a ouvir aquele silêncio arrepiante . Estaria o Basilisk escondido em um canto cheio de sombras , atrás_de algum pilar ? E onde estaria Ginny ? Pegou em a varinha e avançou a o longo de as colunas serpenteantes . Cada_um de os seus passos provocava um enorme eco em as paredes sombrias . Harry tinha os olhos semicerrados e estava pronto para os fechar a o mais pequeno movimento . As órbitas de olhos fundos de as serpentes de pedra pareciam segui o . Por mais de uma_vez , com o estômago a dar um salto , Harry julgou vê os moverem se . Por fim , chegado a o nível de os dois últimos pilares , avistou uma estátua de a altura de a própria câmara que estava encostada a a parede de o fundo . Harry tinha de esticar o pescoço para olhar para_cima , para a cara de o gigante : era velho e com um ar simiesco , tinha uma barba enorme que lhe caía quase onde acabava a longa túnica de pedra . Os dois pés imensos e cinzentos pousavam em o chão de a câmara . E entre eles , voltada para baixo , estava uma figura pequenina vestida de preto com um cabelo flamejante . - Ginny - murmurou Harry , chegando perto de ela e ajoelhando se . - Ginny , por favor não estejas morta , não estejas morta ! Atirou a varinha para o lado , agarrou Ginny por os ombros e voltou a . O rosto de ela estava branco e frio como o mármore , contudo os olhos encontravam se fechados , portanto não estava petrificada . Mas então devia estar ... - Ginny , acorda por favor - repetiu Harry desesperado , sacudindo a . A cabeça de ela andava de um lado para o outro . - Ela não vai acordar - disse secamente uma voz . Harry deu um salto e girou sobre os joelhos . Um rapaz alto , de cabelo preto , estava encostado a o pilar mais próximo , a observá o . As sombras desfocavam o como_se Harry o visse através_de uma janela embaciada . Mas não havia como confundis o . - Tom , Tom_Riddle ? Riddle acenou , sem tirar os olhos de o rosto de Harry . - O que queres dizer com isso de ela não acordar ? - perguntou Harry desesperado . - Ela não está ... não está ? - Está viva - disse Riddle . - Mas , por um fio . Harry olhou fixamente para ele . Tom_Riddle estivera em Hogwarts há cinquenta anos atrás . Contudo , ali estava com uma luz estranha e desfocada a iluminá o , sem um dia a mais do_que os seus dezasseis anos . - És um fantasma ? - perguntou Harry . - Uma memória - disse Riddle . - Preservada em um diário durante cinquenta anos . Apontou para os pés de a estátua gigantesca . Ali , aberto em o chão , estava o pequeno diário de capa preta que Harry tinha encontrado em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Durante um segundo , Harry perguntou a si próprio como teria ido ali parar , mas havia coisas mais importantes a fazer . Preciso de a tua ajuda , Tom - disse Harry , levantando de_novo a cabeça de a Ginny . - Temos de sair de aqui . Há_um_Basilisk ... não sei onde está mas pode aparecer a qualquer momento . Por favor , ajuda me . Riddle não se mexeu . Harry , a transpirar , conseguiu levantar ligeiramente a Ginny de o solo e inclinou se para pegar em a varinha mas ela tinha desaparecido . - Viste a ... ? Olhou para_cima . Riddle continuava a olhá o , fazendo girar a varinha entre os dedos longos . - Obrigado - disse Harry , esticando o braço para a agarrar . Um sorriso surgiu então em os cantos de a boca de Riddle que continuou a olhar para ele , girando indolentemente a varinha . - Ouve , pá - disse Harry sem querer perder mais tempo , os joelhos a vergarem sob o peso morto de Ginny - temos de ir . Se o Basilisk aparece ... - Ele não vem enquanto não for chamado - disse Riddle com toda_a calma . Harry voltou a pousar Ginny em o chão , incapaz de a segurar por mais tempo . - Que queres dizer com isso ? - perguntou . - Dá me a minha varinha , posso precisar de ela . O sorriso de Riddle ampliou se . - Não vais precisar de ela - disse . Harry olhou o espantado . - O que queres dizer , não vou ? - Esperei muito_tempo por isto , Harry - disse Riddle . - Pela possibilidade de te ver , de falar contigo . - Olha , eu acho que tu não estás a perceber - disse Harry , perdendo a paciência . - Estamos em a Câmara_dos_Segredos , podemos conversar mais tarde . - Vamos conversar agora - disse Riddle , sorrindo de orelha a orelha e guardando a varinha de Harry em o bolso . Harry voltou a olhar para ele . Havia qualquer coisa de muito estranho em tudo aquilo . - Como é_que a Ginny ficou assim ? - perguntou pausadamente . - Bem , essa é uma pergunta interessante - disse Riddle , divertido . - E uma longa história , também . Julgo que o verdadeiro motivo que levou Ginny_Weasley a ficar assim foi o ter aberto o seu coração e revelado todos os seus segredos a um estranho ser invisível . - De quem estás a falar ? - perguntou Harry . - De o diário - disse Riddle . - De o meu diário . A Ginny escreve nele há meses e meses , contando me todas_as suas lamentáveis desgraças e atribulações : como os irmãos a arreliam , que teve de vir para a escola com manto , túnica e livros em segunda mão - os olhos de Riddle brilharam -- , que acha que o maravilhoso , o grande , o famoso Harry_Potter nunca vai gostar de ela ... Enquanto falava , nunca os olhos de Riddle se afastaram de a cara de o Harry . Havia em eles um olhar ávido . - É muito chato ter de ouvir as preocupações idiotas de uma garotinha de onze anos - prosseguiu . - Mas eu fui paciente . Respondi lhe , mostrei me simpático e amável . A Ginny pura e simplesmente adorou me . - * _ Nunca ninguém me compreendeu como tu , Tom ... estou tão feliz por ter este diário a quem me confiar ... é como ter um amigo que pode andar em o meu bolso * ... Riddle riu se . Um riso alto , frio , que não lhe ficava bem . Fez com que os cabelos de o pescoço de Harry se arrepiassem todos . - Verdade se diga que sempre consegui encantar as pessoas necessárias . Portanto a Ginny verteu em mim a sua alma e a alma de ela era precisamente o que eu queria . Fortaleceu me . Alimentei me de os seus medos mais profundos , de os seus mais obscuros segredos . Fui ficando cada_vez_mais forte e poderoso . Muito mais poderoso do_que a pequena Miss_Weasley até que comecei a transmitir lhe alguns de os meus segredos , a passar um_pouco de a minha alma para ela ... - O que queres dizer ? - perguntou Harry cuja boca ficara totalmente seca . - Ainda não descobriste , Harry_Potter ? - disse Riddle muito baixo . - Giony_Weasley abriu a Câmara_dos_Segredos , estrangulou os galos de a escola e escreveu mensagens assustadoras em as paredes . Atiçou a serpente de Slytherin contra quatro sangues de lama e contra o gato de o busca-pé . - Não - murmurou Harry . - Sim - disse calmamente Riddle . - É claro que a princípio não sabia o que estava a fazer . Era muito divertido . Gostava que visses as coisas que escreveu em o diário , começaram a ficar muito mais interessantes . * _ Querido_Tom * - recitou ele , olhando para a expressão horrorizada de o Harry . - * _ Acho que estou a perder a memória . Há penas de galo em todas_as minhas roupas e eu não sei como foram lá parar . Querido_Tom , não me lembro do_que fiz em a noite de o Hallowe'en mas foi atacada uma gata e eu estou cheia de tinta em a cara . Querido_Tom , o Percy não pára de me dizer que ando pálida e não pareço eu . Acho que ele suspeita de mim ... Houve outro ataque hoje e eu não sei onde estava . Tom , que vou eu fazer ? Acho que estou a ficar maluca ... acho que ando a atacar toda_a_gente , Tom ! * Harry tinha os punhos fechados , as unhas cravadas contra a palma de as mãos . - Levou muito_tempo até a pequenina estúpida deixar de confiar em o diário - disse Riddle . - Mas acabou por ficar desconfiada e tentou livrar se de ele . E é aí que tu entras , Harry . Tu encontraste o . E eu não poderia ter ficado mais satisfeito . De todas_as pessoas que poderiam ter ficado com ele , foste tu , aquele que eu ambicionava conhecer ... - E porque querias conhecer me ? - perguntou Harry . Começava a ser tomado por a raiva e fez um esforço para manter o tom de voz controlado . - Bem , a Ginny contou me tudo a teu respeito - disse Riddle . - A tua fascinante história . - Os seus olhos pousaram em a cicatriz em a testa de Harry e a sua expressão ganhou maior avidez . - Sabia que devia descobrir mais a teu respeito , falar te , encontrar me contigo se fosse possível . Por isso , para ganhar a tua confiança , resolvi mostrar te a famosa captura que fiz de aquele demente de o Hagrid . - O Hagrid é meu amigo - disse Harry já com a voz a tremer . - E tu tramaste o , não foi ? Pensei que tinha sido um engano , mas ... Ele riu se . O mesmo riso de antes . - Era a minha palavra contra a palavra de ele . Imagina a cara de o velho Armando_Dippet . De um lado Tom_Riddle , pobre mas brilhante , sem pais mas corajoso , prefeito de a escola , um modelo de aluno . De o outro lado , o Hagrid , grande e disparatado , arranjando problemas semana sim , semana não , tentando criar filhotes de lobisomens debaixo de a cama , escapando se para a floresta proibida para lutar com gigantes . Mas , devo admitir que até eu próprio fiquei admirado com os excelentes resultados de o meu plano . Pensei que alguém perceberia que o Hagrid nunca poderia ser o herdeiro de Slytherin . Demorei cinco anos inteirinhos até descobrir tudo_o_que me foi possível sobre a Câmara_dos_Segredos e a sua entrada secreta ... como_se o Hagrid tivesse cabeça ou poder ! - Só o professor de Transfiguração , Dumbledore , parecia achar que ele estava inocente . Convenceu Dippet a mantê o aqui e a treiná o como guarda de os campos . Sim , é natural que Dumbledore tenha adivinhado , nunca gostou de mim como os outros professores . - Aposto que Dumbledore viu através_de ti - disse Harry , de dentes cerrados . - Pelo_menos passou a vigiar me de perto , a partir de o momento em que o Hagrid foi expulso - disse Riddle descuidadamente . - Eu sabia que não era seguro voltar a abrir a câmara enquanto ainda estava em a escola mas não ia desperdiçar os longos anos que passara a pesquisar . Decidi , por isso , deixar um diário preservando em as suas páginas o meu ego de dezasseis anos para que um dia , com um_pouco de sorte , pudesse levar outro a seguir os meus passos e acabar o nobre trabalho de Salazar_Slytherin . - Bem , não o acabaste - disse Harry triunfante . - Ninguém morreu até agora , nem mesmo a gata . Dentro_de poucas horas a poção de mandrágoras estará pronta e todos os que foram petrificados voltarão de_novo a si . - Não acabei de te dizer que matar sangues de lama já não me interessa ? Há muitos meses que o meu alvo és tu . Harry olhou para ele . - Podes imaginar como fiquei furioso quando em outro dia o diário foi aberto e vi que era a Ginny quem estava a escrever e não tu . Ela viu te com o diário e entrou em pânico . E se tu descobrisses como trabalhar com ele e eu te repetisse todos os seus segredos ? Ainda pior , e se eu te contasse quem tinha andado a estrangular os galos ? Por isso , a grande palerma esperou que o teu dormitório estivesse deserto e foi lá roubá o . Mas eu sabia o que tinha de fazer . Estava muito claro para mim que a tua meta era o herdeiro de Slytherin . Por tudo_o_que a Ginny me contara a teu respeito , sabia que irias até onde fosse preciso para desvendar o mistério , principalmente se um de os teus melhores amigos tivesse sido atacado . E a Ginny disse me que a escola toda bichanava por tu falares * serpentês * ... Por isso , obriguei a Ginny a escrever a sua própria despedida em a parede , a vir até aqui e esperar . Ela debateu se e gritou e ficou muito chatinha . Mas , já não tem muita vida : pôs grande parte de ela em o diário , deu me a . O suficiente para eu abandonar , por fim , as suas páginas . Desde_que aqui cheguei que estou a a tua espera . Sabia que virias . Tenho muitas perguntas a fazer te , Harry_Potter . - Que perguntas ? - disse Harry com os punhos fechados . - Bem - prosseguiu Riddle , sorrindo de satisfação : - Como é_que um bebé sem especiais talentos de magia foi capaz de derrotar o maior feiticeiro de sempre ? Como conseguiste escapar só com uma cicatriz quando os poderes de Lord_Voldemort foram destruídos ? Havia agora em os seus olhos um brilho vermelho e irado . - O que é_que te interessa saber como eu escapei ? - disse Harry lentamente . - Voldemort veio depois de ti . - Voldemort - disse Riddle - é o meu passado , o meu presente e o meu futuro , Harry_Potter ... Tirou a varinha de o Harry de o bolso e começou a escrever em o ar três palavras brilhantes : TOM_MARVOLO_RIDDLE_Em seguida , fez um gesto com a varinha e as letras de o seu nome reagruparam se de outro modo . : __ eu sou lord __ voldemort ( I am Lord_Voldemort ) . - Vês ? - murmurou . - Era um nome que eu já usava em Hogwarts , para os meus amigos mais íntimos apenas , como é óbvio . Achas que ia usar para sempre o nome nojento de o meu pai Muggle ? Eu , em cujas veias , por o lado materno , corre o sangue de Salazar_Slytherin ? Eu , manter o nome de um Muggle tolo que me abandonou ainda antes de eu nascer só porque descobriu que a mulher com quem casara era uma bruxa ? Não , Harry , arranjei um novo nome , um nome que eu sabia que os feiticeiros de todo_o_mundo viriam um dia a ter medo de pronunciar , quando eu me tivesse tornado o maior feiticeiro de o mundo . A cabeça de Harry parecia bloqueada . Olhou como_que paralisado para Riddle , para o rapaz de o orfanato que depois de crescer iria matar os seus pais e tantos outros . Por fim , com algum esforço conseguiu falar . - Não és - disse em uma voz calma e cheia de ódio . - Não sou o quê ? - perguntou Riddle irritado . - Não és o maior feiticeiro de o mundo - disse Harry com a respiração acelerada . - Lamento desiludir te mas o maior feiticeiro de o mundo é Albus_Dumbledore . Toda_a_gente sabe . Mesmo tu , quando tinhas força , não ousavas tentar aproximar te de Hogwarts . Dumbledore viu através_de ti quando andavas em a escola e ainda agora te assusta onde quer que te escondas . O sorriso desaparecera de o rosto de Riddle , fora substituído por um olhar furioso . - Dumbledore foi afastado de este castelo por a minha simples memória - sibilou . - Ele não está tão longe como pensas - retorquiu Harry . Falava por falar , tentando assustar Riddle , desejando mais que assim fosse do_que acreditando em as suas palavras como uma verdade . Riddle abriu a boca mas não chegou a falar . Tinha começado a ouvir se uma música . Riddle deu uma volta , olhando para a câmara vazia . A música estava a ficar mais alta . Era misteriosa , arrepiante , sobrenatural . Fez_Harry ficar com os cabelos em pé e o coração aumentar lhe em o peito . Por fim , quando atingiu um ponto tão alto que Harry a sentiu vibrar dentro de as suas costelas , começaram a sair chamas de o topo de o pilar mais próximo . Uma ave carmesim de o tamanho de um cisne surgiu , assobiando a sua estranha melodia para o tecto em forma de abóbada . Tinha uma cauda dourada tão longa como a de um pavão e garras douradas e brilhantes que seguravam uma trouxa andrajosa . Segundos depois , a ave voava em direcção a Harry . Deixou cair a coisa andrajosa a os seus pés e pousou lhe pesadamente em o ombro . Quando abriu as enormes asas , Harry olhou para_cima e viu que tinha um longo bico afiado e olhos escuros pequenos e brilhantes . A ave parou de cantar . Ficou quieta junto de a cara de Harry , olhando fixamente para Riddle . - É uma fénix , disse Riddle , olhando sagazmente para ela . - Fawkes ? - murmurou Harry e sentiu as garras douradas apertarem lhe devagarinho o ombro . - E aquilo - disse Riddle , olhando para a coisa velha que Fawkes deixara em o chão - é o velho chapéu seleccionador , de a escola . Era , de facto . Amachucado , puído e sujo , o chapéu jazia imóvel a os pés de Harry . Riddle começou a rir . Riu se tanto que a câmara escura se lhe juntou em um eco tal que parecia que dez Riddles se riam ao_mesmo_tempo . - Eis o que Dumbledore envia a o seu defensor . Um pássaro que canta e um chapéu velho . Estás cheio de coragem , Harry_Potter ? Sentes te agora mais seguro ? Harry não respondeu . Podia não estar a ver a vantagem de a Fawkes ou de o chapéu seleccionador mas já não se sentia só , e esperou corajosamente que Riddle parasse de rir . - Vamos a o que importa , Harry - disse ele , ainda com um enorme sorriso . - Encontrámo nos duas vezes em o teu passado , em o meu futuro . E duas vezes falhei a o tentar matar te . Como foi que sobreviveste ? Conta me tudo . Quanto_mais falares , mais tempo tens de vida . Harry pensava rapidamente , medindo as suas possibilidades . Riddle tinha a varinha . Ele , Harry , tinha a Fawkes e o chapéu seleccionador que não lhe serviriam de muito em o combate . As coisas pareciam más , é certo . Mas quanto_mais tempo Riddle ali estivesse , mais vida retirava a a Ginny ... e , entretanto , Harry reparou que a silhueta de Riddle se tornava mais nítida , mais sólida . Se tinha de haver uma luta entre os dois , quanto_mais depressa melhor . - Ninguém sabe porque perdeste os poderes quando me atacaste - disse bruscamente . - Eu próprio não sei . Mas sei porque não conseguiste matar me . A minha mãe morreu para me salvar . A minha mãe , uma vulgar filha de Muggles - acrescentou , a tremer de raiva . - Ela impediu que tu me matasses . E eu vi te como tu és , em o ano passado . És um destroço , quase não existes . Foi onde o teu poder te levou . Estás sob um disfarce , és horrível e és louco . O rosto de Riddle contorceu se . Em seguida , forçou um sorriso pavoroso . - Quer_dizer , então , que a tua mãe morreu para te salvar . Sim , é um antifeitiço poderoso . Compreendo agora , afinal não há em ti nada de especial . Eu tinha curiosidade , sabes , porque há uma estranha semelhança entre nós , Harry_Potter . Até tu deves ter reparado . Somos ambos meio sangue , órfãos , educados com Muggles , provavelmente os dois únicos que falam * serpentês * desde o grande Slytherin , até nos parecemos um_pouco fisicamente ... mas afinal foi apenas uma questão de sorte que te salvou de mim . Era o que eu queria saber . Harry ficou parado , tenso , a a espera que Riddle levantasse a varinha mas o seu sorriso cínico ampliou se de_novo . - Agora , Harry , vou dar te uma pequena lição . Vamos confrontar os poderes de Lord_Voldemort , herdeiro de Salazar_Slytherin e de o famoso Harry_Potter , munido com as melhores armas que Dumbledore lhe deu . Lançou um olhar divertido a a Fawkes e a o chapéu seleccionador e , em seguida , afastou se . Harry com as pernas entorpecidas por o medo viu o parar entre dois pilares altos e olhar para a cara de pedra de Slytherin , lá em cima em a semi-obscuridade . Riddle abriu a boca e sibilou mas Harry compreendeu o que ele dizia . - * _ Responde-me , Slytherin , o maior de os quatro de Hogwarts * . Harry voltou se para olhar melhor para a estátua com Fawkes pousada em o ombro . A gigantesca cara de pedra de Slytherin movia se . Horrorizado , Harry viu a boca abrir se mais e mais até se transformar em um buraco negro . E algo se agitava dentro de a boca de a estátua . Algo se arrastava para fora de as suas entranhas . Harry recuou até a a parede escura de a câmara e enquanto fechava os olhos com força sentiu a asa de a Fawkes roçar lhe o rosto e levantar voo . Harry quis gritar : - Não me abandones ! - mas que possibilidades tinha uma fénix contra o rei de as serpentes ? Uma coisa enorme bateu em o chão de pedra que Harry sentiu estremecer . Sabia o que estava a acontecer , podia sentis o , quase podia ver a serpente gigantesca a sair de a boca de Slytherin . Foi então que ouviu a voz de Riddle sibilar : * _ Mata-o * . O Basilisk avançava em direcção a Harry . Ele ouvia o seu corpo enorme escorregar pesadamente por o chão cheio de pó . Com os olhos sempre fechados , Harry começou a correr para o lado , a as cegas , com as mãos abertas a tactear o caminho . Riddle ria se a as gargalhadas . Harry escorregou e caiu em o chão de pedra e a boca soube lhe a sangue . A serpente estava a poucos centímetros de ele . Podia ouvi a a aproximar se . Ouviu se um crepitar explosivo por cima de ele e alguma coisa pesada bateu lhe com tanta força que ele ficou encostado a a parede . Esperando que os dentes de a serpente lhe perfurassem o corpo , ouviu mais ruídos e qualquer coisa que se agitava com força contra os pilares . Não conseguiu evitar . Abriu bem os olhos para ver o que se passava . A enorme serpente , brilhante , de um verde veneno , espessa como o tronco de um carvalho , erguera se em o ar e a sua imensa cabeça agitava se de um lado para o outro , entre os dois pilares . Quando Harry , a tremer , se preparava para fechar de_novo os olhos , percebeu o que distraíra a cobra . Fawkes esvoaçava em volta de a sua cabeça e o Basilisk , furioso , tentava agarrá a com os dentes longos e afiados como sabres . Fawkes mergulhava . Harry deixou de ver o bico fino e dourado e uma brusca chuva de sangue escuro inundou o chão . A cauda de a serpente agitou se , não batendo em o Harry por_pouco e antes que ele pudesse fechar os olhos voltou se . Harry olhou lhe para a cara e viu que os seus olhos , os dois olhos amarelos e bolbosos tinham sido perfurados por a fénix . O sangue escorria por o chão e a serpente cuspia cheia de dores . - * _ Não * - Harry ouviu o grito de Riddle . - * _ Deixa a ave , deixa a ave , o rapaz está atrás_de ti , ainda podes cheirá o . Mata o ! * A serpente cega oscilou confusa , ainda em fúria . Fawkes andava a a volta de a cabeça de ela soprando a sua misteriosa cantilena , picando lhe aqui_e_ali o nariz cheio de escamas , enquanto o sangue jorrava de os seus olhos destruídos . - Ajudem me . Ajudem me - murmurava Harry aflito . - Alguém , ajude me . A cauda de a serpente chicoteou de_novo o chão . Harry baixou se . Algo macio tocou lhe em o rosto . O Basilisk lançara o chapéu seleccionador para os braços de o Harry que o agarrou . Era tudo_o_que tinha , a sua única esperança . Enfiou o em a cabeça e começou a ficar achatado contra o chão , enquanto a cauda de o Basilisk se lançava de_novo sobre ele . - Ajudem me , ajudem me - pensou Harry , os olhos comprimidos debaixo de o chapéu . - Por favor , ajudem me . Nenhuma voz lhe respondeu . Em vez de isso , o chapéu contraiu se como_se uma mão invisível o tivesse espalmado devagarinho . Alguma coisa muito dura e pesada caíra sobre a cabeça de Harry , conseguindo quase derrubá o . A ver estrelas em frente de os olhos , agarrou o chapéu para o puxar para baixo e sentiu lá dentro uma coisa longa e dura . Uma espada brilhante tinha surgido dentro de o chapéu . Tinha um cabo cravejado de rubis de o tamanho de pequenos ovos . - Mata o rapaz , deixa a ave . O rapaz está atrás_de ti . Cheira o ! Harry estava de pé , preparado . A cabeça de o Basilisk caía , o corpo serpenteava , batendo nos pilares quando se torcia para ficar de frente para ele . Harry podia ver as enormes órbitas ensanguentadas , a boca toda aberta , suficientemente grande para o engolir inteiro , munida de dentes tão longos como a sua espada , finos , brilhantes , venenosos ... Começou a atacar a as cegas . Harry baixou se e a serpente bateu em a parede de a câmara . Atacou de_novo e a sua língua bifurcada lambeu a parede ao_lado_de Harry que levantou a espada com ambas as mãos . O Basilisk investiu mais_uma_vez e agora a pontaria foi certa . Harry pôs todo o seu peso contra a espada e enterrou a até a os copos em o céu de a boca de a serpente . Mas quando o sangue quente lhe encheu os braços , sentiu uma dor aguda mesmo acima de o cotovelo . Um longo dente venenoso penetrava cada_vez_mais fundo em o seu braço , partindo se quando o Basilisk tombou para o lado , perdendo os sentidos . Harry escorregou a o longo de a parede , apertou com força o dente que estava a derramar veneno por todo o seu corpo e arrancou o de o braço . Mas sabia que era demasiado tarde . Uma dor quente emanava lenta e perseverantemente de a ferida . Quando deixou cair o dente e viu o seu próprio sangue manchando lhe as vestes , a vista começou a ficar turva e a câmara a diluir se em uma rotação ardente e colorida . Mas algo escarlate passou por ele e Harry ouviu a o seu lado um suave ruído de garras . - Fawkes - disse com a voz empastada . - Foste sensacional , Fawkes . - Sentiu o pássaro encostar a sua elegante cabeça a o sítio onde o dente de a serpente o tinha ferido . Ouviu passos ecoarem em o vazio e em seguida uma sombra escura moveu se em a sua frente . - Estás morto , Harry_Potter - disse a voz de Riddle , acima de ele . - Morto . Até o pássaro de Dumbledore sabe de isso . Vês o que ele está a fazer ? A chorar . Harry piscou os olhos . A cabeça de Fawkes ora estava focada , ora desfocada . Lágrimas grossas como pérolas escorriam de as suas penas . - Vou sentar me aqui a ver te morrer , Harry_Potter . Leva o teu tempo , eu não tenho pressa . Harry sentiu se sonolento . Tudo parecia girar a a sua volta . - E assim acaba o famoso Harry_Potter - disse a voz distante de Riddle . - Sozinho em a Câmara_dos_Segredos , esquecido por os amigos , finalmente derrotado por o Senhor de o mal que ele tão imprudentemente desafiou . Vais reunir te a a tua querida mãe sangue de lama , Harry ... Ela deu te doze anos de tempo emprestado ... Mas Lord_Voldemort apanhou te em o fim , como sabias que teria de acontecer . Se morrer é isto , pensou Harry , não é assim tão mau . Até a dor estava a desaparecer . Mas , estaria a morrer ? Em_vez_de ficar mais escura a câmara parecia voltar a estar nítida . Harry fez um pequeno gesto com a cabeça e viu a Fawkes ainda repousando a cabeça em o seu ombro . Uma fiada de pérolas brilhava em volta de a ferida , só que já não havia ferida . - Sai de aqui , pássaro - disse subitamente a voz de Riddle . - Afasta te de ele . Já te disse , sai de aqui ! Harry levantou a cabeça . Riddle apontava a sua varinha a Fawkes . Ouviu se um tiro que parecia de carabina e Fawkes levantou novamente voo em um rodopio de ouro e escarlate . - Lágrimas de fénix - disse Riddle em voz baixa , olhando para o braço de o Harry . - É claro ... poderes curativos ... esqueci me ... Olhou para a cara de Harry . - Mas não faz mal . Pensando bem , eu até prefiro assim . Tu e eu , Harry_Potter ... Tu e eu ... Levantou a varinha . Então , em um golpe de asa , Fawkes voou sobre as cabeças de ambos , deixando cair uma coisa em o colo de Harry : o diário . Durante uma fracção de segundo , tanto Harry como Riddle , ainda com a varinha levantada , ficaram a olhar para aquilo . Em seguida , sem pensar , sem ponderar , como_se pensasse fazê o desde o princípio , Harry agarrou o dente de o Basilisk que estava em o chão , junto de ele , e espetou o em o coração de o caderno . Ouviu se um grito longo e terrível . A tinta esguichou em torrentes de dentro de o diário , derramando se sobre as mãos de o Harry e inundando o chão . Riddle torcia se e contorcia se , agitando se a os gritos . E , por fim . Desapareceu . A varinha de Harry caiu a o chão com um ruído e fez se silêncio . Um silêncio apenas cortado por o ping ping de a tinta que ainda escorria de o diário . Com um leve crepitar , o veneno de o Basilisk abrira um buraco mesmo em o meio de o caderno . A tremer de os pés a a cabeça , Harry pôs se de pé . Sentia tudo a andar a a roda como_se tivesse viajado quilómetros e quilómetros com o pó de * _ Floo * . Lentamente apanhou a varinha e o chapéu seleccionador e com um grande estrondo retirou a espada de o céu de a boca de a serpente . Ouviu se então um gemido fraco a o fundo de a câmara . Ginny estava a mexer se . Quando Harry chegou junto de ela , sentou se . Os seus olhos abismados saltaram de o Basilisk morto para Harry em a sua roupa cheia de sangue e , em seguida , para o diário que ele tinha em as mãos . Soltou um enorme soluço e os seus olhos encheram se de lágrimas . - Harry , oh ! Harry , eu tentei dizer te a o pequeno-almoço mas não fui capaz em frente de o Percy . Era eu , Harry , mas eu ... eu ... juro que não queria ... o Riddle obrigou me , levou me e ... como é_que mataste esse bicho ? Onde está o Riddle ? A última coisa de que me lembro foi de o ver a sair de o diário ... - Está tudo bem - disse Harry , mostrando lhe o diário com o buraco de o dente . - O Riddle acabou , olha . Ele e o Basilisk . Anda , Ginny , vamos embora de aqui . - Vou com certeza ser expulsa - disse Ginny a chorar enquanto Harry a ajudava a pôr se de pé . - Desde_que o Bill veio para Hogwarts que eu sonhava vir também para cá e agora vou ter de me ir embora e ... O que vão a minha mãe e o meu pai dizer ? Fawkes esperava por eles , suspensa em o ar , a a entrada de a câmara . Harry fez a Ginny avançar , passaram sobre os anéis parados de o Basilisk , por a escuridão cheia de ecos e voltaram a o túnel . Harry ouviu as portas de pedra fecharem se atrás de eles com um leve sibilar . Depois de alguns minutos a caminhar por o túnel escuro , chegou a os ouvidos de Harry o som distante de o deslocar de uma rocha . - Ron - gritou ele , apressando se . - A Ginny está bem . Está aqui comigo ! Ouviu o Ron gritar de alegria e , voltando em a curva logo_a_seguir , viram a sua cara ansiosa a espreitar por a fresta que conseguira abrir durante a avalancha . - Ginny ! - Ron estendeu o braço por a fresta para a puxar primeiro . - Estás viva . Não posso acreditar . O que aconteceu ? Tentou abraçá a mas a Ginny afastou o , soluçando . - Mas estás bem , Ginny - disse o Ron , sorrindo para ela . - Já passou tudo ... De onde veio esse pássaro ? Fawkes passara por a abertura , atrás_de Ginny . - É de o Dumbledore - explicou Harry , espremendo se para caber também . - E como arranjaste uma espada ? - perguntou o Ron , olhando para a arma brilhante que Harry tinha em a mão . - Eu explico te tudo quando sairmos de aqui - disse Harry , lançando um olhar de esguelha a a Ginny . - Mas ... - Mais tarde - disse Harry rapidamente . Não lhe parecia uma boa ideia contar a o Ron quem tinha aberto a câmara , ali , em frente de a Ginny . - Onde está o Lockhart ? - Ali atrás - disse o Ron , a rir e a abanar a cabeça em direcção a o cano . - Está em muito mau estado . Anda ver . Conduzidos_pela_Fawkes , cujas grandes asas escarlates emitiam um suave dourado que brilhava em a escuridão , voltaram a o lugar onde o cano começava . Gilderoy_Lockhart estava sentado a falar sozinho . - Perdeu a memória - disse o Ron . - O feitiço de a memória fez ricochete . Não sabe quem é nem onde está , nem_sequer sabe quem nós somos . Eu disse lhe que viesse para aqui e esperasse . É um perigo para ele próprio . Lockhart olhou os bem-disposto . - Olá - disse . - Que lugar estranho , este . É aqui que vocês moram ? -- Não - respondeu o Ron , levantando as sobrancelhas para o Harry . Harry baixou se e observou o túnel escuro e longo . - Já pensaste como é_que vamos sair de aqui ? - perguntou a o Ron . O amigo abanou a cabeça mas Fawkes , a fénix , tinha passado por o Harry e estava agora em o ar , em frente de ele , os olhos como pérolas a brilharem em o escuro . Abanava as longas penas douradas de a cauda . Harry olhou para ela , inseguro . - Ela parece querer que a agarres - disse o Ron , perplexo . - Mas tu és muito pesado para um pássaro . - A Fawkes - disse Harry - não é um pássaro qualquer . Voltou se rapidamente para os companheiros . - Temos de nos agarrar uns a os outros . Ginny , agarra a mão de o Ron . O professor Lockhart ... - Ele está a falar consigo - disse o Ron secamente . - Agarre a outra mão de a Ginny . Harry guardou a espada e o chapéu seleccionador em o cinto . Ron deitou a mão a a roupa de Harry e Harry agarrou as penas de a cauda , estranhamente quentes , de a Fawkes . Sentiu uma extraordinária leveza apoderar se de todo o seu corpo e em seguida estavam todos a voar por o cano acima . Harry conseguia ouvir Lockhart , lá atrás , comentando : - Espantoso , isto parece mágico ! Ar frio batia em os cabelos de Harry e antes que ele deixasse de gostar de a viagem já ela acabara . Os quatro tinham chegado a o chão molhado de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa e , enquanto Lockhart endireitava o chapéu , o lavatório voltara a o seu lugar , tapando o cano . A Murta arregalou os olhos . - Vocês estão vivos - disse inexpressivamente a o Harry . - Não é preciso mostrares te tão desiludida - respondeu ele , muito sério , limpando as nódoas de sangue e lodo de os óculos . - Bem ... é_que eu pensei que se vocês morressem seriam bem-vindos a a minha casa_de_banho - disse a Murta com um rubor prateado . - Urgh ! - fez o Ron , quando saíram de ali para o corredor deserto . - Harry , acho que a Murta está a gostar de ti . Tens concorrência , Ginny ! A Ginny continuava a chorar silenciosamente . - Onde vamos agora ? - perguntou o Ron , olhando ansiosamente para ela . Harry apontou . Fawkes indicava o caminho , com o seu tom dourado que brilhava em o corredor . Seguiram a e pouco depois estavam em o escritório de a professora Mc_Gonagall . Harry bateu e empurrou a porta que estava encostada . XVIII_A recompensa de Dobby_Durante alguns momentos reinou o silêncio enquanto Harry , Ron , Ginny e Lockhart estavam em a entrada de a porta . Cobertos de pó e de lama e ( em o caso de o Harry ) sangue . Em seguida , ouviu se um grito . - Ginny ! Era_Mrs._Weasley que tinha estado a chorar , sentada em frente de o lume . Pôs se de pé em um salto , seguida de Mr._Weasley e precipitaram se ambos para a filha . Harry olhava para trás de eles . Dumbledore rejubilava junto de a lareira , a o lado de a professora Mc_Gonagall que , agarrada a o queixo , respirava com dificuldade . Fawkes rasou as orelhas de o Harry e foi instalar se em o ombro de Dumbledore , ao_mesmo_tempo que Harry dava por si em os braços de Mrs._Weasley . - Tu salvaste a ! Salvaste a ! : __ como foi que __ conseguiste ? - Acho que todos nós gostaríamos de saber - disse , sem energia , a professora Mc_Gonagall . Mrs._Weasley soltou o Harry , que hesitou um momento . Depois , foi até a a secretária e colocou sobre o tampo o chapéu seleccionador , a espada cravejada de rubis e o que restava de o diário de Riddle . Em seguida , contou lhes tudo . Falou durante quase um quarto de hora em o silêncio extasiado : contou lhes de a voz sem corpo que ouvia , como a Hermione acabara por descobrir que se tratava de um Basilisk que circulava em os canos , como ele e o Ron tinham seguido as aranhas até a a floresta , que Aragog lhes dissera que a última vítima de o Basilisk morrera , como tinham chegado a a conclusão que se tratava de a Murta_Queixosa e que a entrada para a Câmara_dos_Segredos devia ser em aquela casa_de_banho ... - Muito bem - elogiou a professora Mc_Gonagall quando ele se calou . - Então tu descobriste onde era a entrada , infringindo uma centena de regras de a escola por o caminho , devo dizer , mas como diabo saíram vocês vivos de lá de dentro ? Harry , com a voz já um_pouco rouca de falar tanto , contou lhes de a chegada de a Fawkes e de o chapéu seleccionador que lhe tinha dado a espada . Mas , chegando aí , hesitou . Até a o momento evitara referir se a o diário de Riddle ou a a Ginny . Ela tinha a cabeça encostada a o ombro de Mrs._Weasley e as lágrimas corriam lhe ainda por o rosto . E se a expulsassem ? - pensou Harry , tomado de pânico . O diário de Riddle já não funcionava ... quem poderia provar que fora ele que a obrigara a fazer tudo aquilo ? Olhou instintivamente para Dumbledore que sorria , o fogo iluminando lhe os óculos de meia-lua . - O que mais me interessa saber - disse Dumbledore amavelmente - é como conseguiu Lord_Voldemort enfeitiçar a Ginny quando as minhas fontes me dizem que ele se esconde habitualmente em as florestas de a Albânia . Um alívio , quente e glorioso percorreu Harry de a cabeça a os pés . - O quê ? - disse Mr._Weasley , em uma voz estupefacta . - O Quem nós sabemos enfeitiçou a Ginny ? Mas a Ginny não ... a Ginny não morr ... ? - Foi este diário - esclareceu Harry rapidamente . E mostrando o a Dumbledore . - O Riddle escreveu o quando tinha dezasseis anos . Dumbledore pegou em o diário e olhou atentamente por cima de o seu nariz longo e adunco para as páginas queimadas e húmidas . - Fantástico - disse em voz baixa . - É claro que ele deve ter sido o aluno mais brilhante que alguma vez passou por Hogwarts . - Olhou em volta para os Weasley que o observavam com um ar totalmente confuso . - Muito poucas pessoas sabem que Lord_Voldemort se chamou em tempos Tom_Riddle . Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos , em Hogwarts . Ele desapareceu depois de deixar a escola , viajou muito , mergulhou tão fundo em as artes de a magia negra , associado a os piores feiticeiros , realizou transformações mágicas tão perigosas que quando reapareceu como Lord_Voldemort estava totalmente irreconhecível . Ninguém o relacionou com o rapazinho inteligente e bonito que aqui foi , em tempos , chefe de turma . - Mas a Ginny - insistiu Mrs._Weasley . - O que tem a nossa Ginny que ver com ele ? - O diário - soluçou Ginny . - Eu andei todo o ano a escrever em o diário e ele respondia me ... - Ginny ! - repreendeu Mr._Weasley . - Não aprendeste nada do_que te ensinei ? Não me cansei de dizer te que nunca confiasses em nada que não pensasse por si próprio * se não conseguisses ver onde tinha o cérebro ? * Porque não me mostraste o diário , a mim ou a a tua mãe ? Um objecto suspeito como esse tinha de estar cheio de magia negra ! - Eu não sabia - soluçou Ginny . - Estava junto de os livros que a mãe me comprou . Pensei que alguém se tinha esquecido de ele ali . - É melhor Miss_Weasley ir imediatamente para a ala hospitalar - interrompeu Dumbledore com voz firme . - Foi sujeita a uma prova terrível . Não será castigada . Outros feiticeiros mais velhos do_que ela têm sido ludibriados por Lord_Voldemort . - Dirigiu se a a porta e abriu a . - Repouso , cama e talvez uma caneca de chocolate quente . A mim , anima me sempre - acrescentou , piscando lhe simpaticamente o olho . - Vais ver que Madam_Pomfrey ainda está acordada . Ela tem estado a dar o sumo de Mandrágora , julgo que as vítimas de o Basilisk estarão a acordar dentro_de momentos . de alegria . - Então a Hermione está bem ! - disse o Ron , cheio de alegria . - Não houve danos irreversíveis - disse Dumbledore . Mrs._Weasley saiu com a Ginny e Mr._Weasley seguiu as ainda bastante abalado . - Sabes , Minerva - disse pensativo o professor Dumbledore - acho que tudo_isto merece um banquete . Posso pedir te que previnas os cozinheiros ? - Certamente - disse animada a professora Mc_Gonagall , dirigindo se também a a porta . - Deixo te a tratar de as coisas com o Potter e o Weasley , está bem ? - Claro - disse Dumbledore . Saiu e os dois olharam inseguros para Dumbledore . Que quereria ela dizer com tratar de as coisas ? Certamente não iriam ser castigados ? - Lembro me de vos ter dito a ambos que teria de vos expulsar se voltassem a quebrar as regras de a escola - disse Dumbledore . Ron abriu a boca horrorizado . - O que vem mostrar nos que as melhores pessoas , às_vezes , têm de engolir as suas próprias palavras . - Dumbledore sorriu e continuou : - Vocês vão receber ambos uma recompensa especial por serviços prestados a a escola e ... deixem me ver , sim , acho que duzentos pontos cada_um para os Gryffindor . Ron ficou tão corado que parecia as flores de S._Valentim_do_Lockhart e voltou a fechar a boca . - Mas um de vós parece demasiado calado sobre a sua participação em esta perigosa aventura - acrescentou Dumbledore . - Porquê tanta modéstia , Gilderoy ? Harry estremeceu . Esquecera se por completo de Lockhart . Voltou se e viu o a um canto de a sala ainda com o mesmo sorriso vago . Quando Dumbledore se lhe dirigiu , olhou por cima de o ombro para ver com quem ele estava a falar . - Professor_Dumbledore - disse o Ron rapidamente - Houve um acidente lá em baixo , em a Câmara_dos_Segredos . O professor Lockhart - Eu sou um professor ? - perguntou Lockhart surpreendido . - E eu que pensei que era um inútil ! - Tentou fazer um feitiço antimemória e a varinha fez ricochete - explicou Ron_a_Dumbledore . - Incrível - disse Dumbledore , abanando a cabeça , o bigode prateado a tremer . - Trespassado por a tua própria espada , Gilderoy ! - Espada ? - disse Lockhart de forma imprecisa . - Eu não tenho espada . Esse rapaz é_que tem - apontou para Harry . - Ele empresta lhe uma . - Importas te de levar também o professor Lockhart até a a ala hospitalar , Ron ? - disse Dumbledore . - Eu gostava de falar um_pouco mais com o Harry . Lockhart saiu sem pressa . Antes de fechar a porta , Ron lançou um olhar curioso a Dumbledore e Harry . Dumbledore passou para uma de as cadeiras junto de o lume . - Senta te , Harry - disse . E Harry sentou se , sentindo se indescritivelmente nervoso . - Antes de mais , Harry , quero agradecer te - disse Dumbledore com os olhos a brilharem de_novo . - Deves ter demonstrado uma grande lealdade para comigo . Só isso poderia atrair a Fawkes para ir ajudar te . Deu uma palmadinha a a fénix que voara , entretanto , para_cima de os seus joelhos . Harry sorria acanhadamente sob o olhar observador de Dumbledore . - Encontraste , portanto , Tom_Riddle - disse o director amavelmente . - Calculo que ele estaria particularmente interessado em ti ... De repente , algo que Harry tinha engasgado saiu lhe descontroladamente de a boca para fora . - Professor_Dumbledore ... o Riddle disse que eu sou como ele , que há entre nós estranhas semelhanças ... - Ah ! sim ? - Dumbledore olhou pensativamente para ele , por debaixo de as espessas sobrancelhas prateadas . - E o que achas tu de isso ? - Eu não me considero parecido com ele - disse Harry mais alto do_que desejaria . - Isto_é , eu sou um Gryffindor , eu sou ... Mas calou se com uma dúvida a rondar lhe o espírito . - Professor - arriscou passado alguns momentos . - O chapéu seleccionador disse que eu ... teria ficado bem em os Slytherin ; durante algum tempo toda_a_gente pensou que eu era o herdeiro de Slytherin por falar * serpentês * ... - Tu falas * serpentês * , Harry - disse Dumbledore calmamente - porque Lord_Voldemort que é o mais recente antepassado de Salazar_Slytherin , fala * serpentês * . Ou eu me engano muito , ou ele transferiu para ti alguns de os seus poderes em a noite em que te fez essa cicatriz . Não que quisesse fazê o , claro , mas aconteceu . - Voldemort pôs um_pouco de si próprio em mim ? - disse Harry assombrado . - É o que parece ter acontecido . - Então eu deveria estar em os Slytherin - disse Harry , olhando desesperado para o rosto de Dumbledore . - O chapéu seleccionador viu em mim os poderes de Slytherin e ... -- Pôs te em os Gryffindor - concluiu tranquilamente Dumbledore . - Ouve , Harry , tu tens por acaso muitas de as capacidades que Salazar_Slytherin apreciava em os seus estudantes cuidadosamente seleccionados . O seu raro dom de falar * serpentês * , desenvoltura , determinação , um certo desprezo por as regras estabelecidas - acrescentou com o bigode a tremer de_novo . - Mas ainda_assim , o chapéu seleccionador pôs te em os Gryffindor . E sabes porquê ? Pensa um_pouco . - Só me pôs em os Gryffindor - disse Harry em uma voz débil - porque eu pedi para não ir para os Slytherin . - Exacto - disse Dumbledore a sorrir . - E isso torna te muito diferente de o Tom_Riddle . São as tuas escolhas , Harry , que mostram quem de facto tu és , mais do_que as tuas capacidades . Harry sentou se , imóvel e espantado , em a cadeira . - Se queres provas de que o teu lugar é em os Gryffindor , sugiro que vejas isto com mais atenção . Dumbledore aproximou se de a secretária de a professora Mc_Gonagall , pegou em a espada de prata ensanguentada e mostrou lhe a . Sem perceber , Harry voltou a ao_contrário . Os rubis brilharam a a luz de a lareira e foi então que ele reparou em o nome gravado mesmo por baixo de o copo de a espada . GODRIC_GRYFFINDOR . - Só um verdadeiro Gryffindor poderia ter tirado a espada de dentro de o chapéu , Harry - disse , com simplicidade , Dumbledore . Durante um minuto , nenhum de os dois falou . Depois , Dumbledore abriu uma de as gavetas de a secretária de a professora Mc_Gonagall e retirou de lá uma pena e um tinteiro . - Tu precisas de comer e ir dormir . Sugiro que desças para o banquete enquanto eu escrevo para Azkaban . Precisamos de recuperar o nosso guarda de os campos . E tenho de esboçar um anúncio para o * _ Profeta_Diário * - acrescentou pensativo . - Vamos precisar de um novo professor de Defesa contra as artes negras . É um problema , estamos sempre a perdê os . Harry levantou se e dirigiu se a a porta . Tinha acabado de estender a mão para o puxador quando ela se abriu tão violentamente que saltou de as dobradiças . Lucius_Malfoy estava de pé , furioso . E , debaixo de o braço , embrulhado em diversas ligaduras , estava Dobby . - Boa tarde , Lucius - disse Dumbledore , de forma amena . Mr._Malfoy quase derrubou Harry enquanto entrava em a sala . Dobby dava passos miudinhos atrás de ele , inclinado até a a bainha de o seu manto com um olhar apavorado em o rosto . - Então - disse Lucius_Malfoy com os olhos fixos em Dumbledore - voltaste . Os membros de o Conselho_Directivo suspenderam te , mas tu mesmo_assim sentiste te capaz de voltar a Hogwarts . - Bem vês , Lucius - disse Dumbledore , sorrindo serenamente . - Os outros membros de o Conselho contactaram me hoje . Fui envolvido em um redemoinho de corujas , todos queriam contar me a verdade . Ouviram dizer que a filha de Arthur_Weasley tinha sido morta e queriam me novamente aqui . Parece que me consideravam o melhor homem para o lugar . Contaram me algumas histórias muito estranhas . Alguns de eles tinham a impressão que tu tinhas ameaçado amaldiçoar lhes as famílias se não concordassem com a minha suspensão . Mr._Malfoy ficou ainda mais pálido do_que de costume , mas os olhos continuavam cheios de fúria . - Então já acabaste com os ataques ? - rosnou . - Apanhaste o culpado ? - Já , sim - disse Dumbledore com um sorriso . - E quem é ? - perguntou Malfoy secamente . - A mesma pessoa de a última vez , Lucius - disse Dumbledore . Mas desta_vez , Lord_Voldemort agiu através_de outra pessoa , por_meio_de um diário . Pegou em o pequeno caderno com o buraco em o meio , observando Mr._Malfoy de perto . Mas Harry olhava para Dobby . O elfo fazia um sinal muito estranho . Com os seus grandes olhos fixos em Harry , não parava de apontar para ó diário e , em seguida , para Mr._Malfoy , batendo logo_a_seguir com o punho em a cabeça . - Estou a ver ... - disse Mr._Malfoy lentamente a Dumbledore . - Um plano inteligente - afirmou o director em um tom de voz suave , continuando a olhar Mr._Malfoy directamente em os olhos . - Porque se não fosse aqui o Harry e o seu amigo Ron a descobrirem o diário , sem dúvida Ginny_Weasley teria ficado com todas_as culpas . Ninguém teria conseguido provar que ela agira contra a sua própria vontade . Mr._Malfoy não se pronunciou . O seu rosto parecia agora uma máscara . - E vê bem - continuou Dumbledore - o que poderia ter acontecido ... os Weasley são uma de as mais proeminentes famílias de feiticeiros de sangue puro , imagina o efeito em a imagem de Arthur_Weasley e em a sua acção de protecção a os Muggles , se a sua própria filha fosse acusada de atacar e matar filhos de Muggles . Foi uma sorte o diário ter sido descoberto e as memórias de Riddle apagadas . Quem sabe que consequências poderia ter tido ? Mr._Malfoy falou contra vontade . - Sim , foi uma sorte - disse secamente . E , em as suas costas , Dobby continuava a apontar para o diário e para Lucius_Malfoy , batendo depois com o punho em a cabeça . E Harry finalmente percebeu . Fez um sinal a Dobby que correu a esconder se em um canto , torcendo desta_vez as orelhas para se castigar . - Não quer saber como a Ginny obteve esse diário , Mr._Malfoy ? - perguntou Harry . Lucius_Malfoy voltou se para ele . - Como queres que eu saiba onde é_que a estúpida de a garota o arranjou ? - Porque foi o senhor quem lhe o deu - disse Harry . - Em a Flourish and Blotts . O senhor pegou em o livro velho de ela de Transfiguração e meteu o diário lá dentro , não foi ? Viu as mãos brancas de Mr._Malfoy abrirem se e fecharem se . - Prova isso - sibilou . - Oh ! ninguém vai poder prová o - disse Dumbledore sorrindo a o Harry . - Não agora_que o Riddle desapareceu de o caderno . Por outro lado , aconselharia te , Lucius , a não dares mais nenhuma de as coisas velhas de Lord_Voldemort . Se mais alguma for parar a as mãos de crianças inocentes , acho que o Arthur_Weasley fará com que se voltem com toda_a sua carga negativa contra ti . Lucius_Malfoy ficou calado um momento e Harry viu claramente a sua mão direita torcer se como_se desejasse chegar a a varinha . Em vez de isso , voltou se para o seu elfo doméstico . - Vamos , Dobby . Abriu a porta e quando o elfo se aproximou deu lhe um pontapé que o projectou para longe . Ouviram se em o escritório os gritos de dor de Dobby em o corredor . Harry pensou durante um momento e depois decidiu se . - Professor_Dumbledore - disse apressadamente . - Posso dar o diário outra_vez a Mr._Malfoy ? - Certamente , Harry - disse Dumbledore com toda_a calma . - Mas não demores , olha o banquete . Harry agarrou em o diário e saiu de o escritório . Os gritos de dor de Dobby afastavam se ao_longe . Sem perder tempo , perguntando a si próprio se o plano poderia resultar , Harry tirou um de os sapatos , puxou uma de as peúgas enlameadas e viscosas e meteu o diário lá dentro . Em seguida correu até a o fundo de o corredor escuro . Apanhou os em o topo de as escadas . - Mr._Malfoy - disse ofegante , parando . - Tenho uma coisa para si . E meteu a peúga mal cheirosa em a mão de Lucius_Malfoy . - O que é ... ? Mr._Malfoy tirou o diário de dentro de a peúga , deitou a fora e olhou furioso para o caderno estragado e para Harry - Ainda vais acabar por ter um fim igual a o de os teus pais um dia de estes , Harry_Potter - disse em voz baixa . - Eles também eram uns idiotas metediços . Voltou se para se ir embora . - Anda , Dobby , vem ! Mas Dobby não se mexeu . Tinha em as mãos a peúga nojenta de o Harry e olhava para ela como_se fosse um tesouro de valor incalculável . - O senhor deu uma peúga a o Dobby - disse o elfo maravilhado . - Deu a a o Dobby . - O que é isso ? - cuspiu Mr._Malfoy . - Que estás para aí a dizer ? - Dobby tem uma peúga - repetiu incrédulo . - O senhor deitou a fora e Dobby apanhou a e Dobby agora é livre ... Lucius_Malfoy ficou paralisado a olhar para o elfo . Em seguida precipitou se para Harry . - Fizeste me perder o meu servo , rapaz . Mas Dobby gritou : - Não pense que vai fazer mal a o Harry_Potter ! Ouviu se um enorme estrondo e Mr._Malfoy foi empurrado de costas , galgando os degraus de as escadas a três_e_três e indo aterrar lá em baixo todo embrulhado e amarrotado . Levantou se , o rosto lívido e pegou em a varinha , mas Dobby estendeu lhe um dedo ameaçador . - Vá se embora já - disse furioso , apontando para Mr._Malfoy . - Não tocará em o Harry_Potter . Vá se embora , já . Lucius_Malfoy não teve escolha . Lançando a os dois um último olhar de cólera , embrulhou se em o manto e desapareceu . - Harry_Potter libertou Dobby ! - disse o elfo com voz esganiçada , olhando para Harry , a luz de o luar reflectida em os seus grandes olhos em forma de globos . - Harry_Potter libertou Dobby . - Era o mínimo que eu podia fazer , Dobby - disse Harry a sorrir -- , mas promete me que não vais voltar a tentar salvar me a vida . A cara feia e escura de o elfo abriu se , mostrando os dentes , em um enorme sorriso . - Tenho uma pergunta a fazer te , Dobby - disse Harry enquanto o elfo pegava em a peúga de ele com as mãos a tremer . - Disseste me que tudo_isto não tinha nada que ver com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Lembras te ? - Era uma pista , senhor - disse Dobby com os olhos muito abertos como_se fosse absolutamente óbvio . - Dobby estava a dar lhe uma pista . Antes de o senhor de o mal mudar de nome , o seu nome podia ser pronunciado , está a ver ? - Certo - disse Harry sem grande convicção . - Bem , é melhor eu ir indo embora . Há um banquete e a minha amiga Hermione já deve ter acordado ... Dobby lançou os braços a a cintura de Harry e abraçou o . - Harry_Potter é muito maior do_que Dobby imaginava ! - soluçou . - Adeus , Harry_Potter . E com um estalido final , Dobby desapareceu . Harry assistira a diversos banquetes , mas nenhum que se parecesse com aquele . Estavam todos de pijama e a festa durou a noite inteira . Harry não sabia se o melhor tinha sido a Hermione a correr para ele e a gritar : - Tu conseguiste . Tu conseguiste ! , ou o Justin saindo disparado de a mesa de os Hufflepuff para lhe estender a mão , desfazendo se em desculpas por ter suspeitado de ele , ou o Hagrid que apareceu a as três_e_meia e que lhes deu palmadas com tanta força em os ombros que eles foram parar dentro de os pratos de bolo de creme , ou os quatrocentos pontos que ele e o Ron obtiveram para os Gryffindor , ganhando a taça de a equipa por a segunda vez consecutiva , ou a professora Mc_Gonagall de pé , a comunicar lhes que os exames tinham sido cancelados como medida de a escola ( Oh ! não ! exclamou Hermione ) , ou Dumbledore a anunciar que , infelizmente , o professor Lockhart não poderia voltar em o ano seguinte por ter de se ausentar a_fim_de recuperar a memória . Alguns de os professores juntaram se a os alunos que aplaudiram entusiasmados esta notícia . - Que pena - disse Ron , servindo se de um * dounut * de presunto . - E eu que começava a gostar de ele ... O resto de o período de Verão decorreu sob um sol escaldante . Hogwarts voltara a a normalidade , apenas com algumas pequenas diferenças : as aulas de Defesa contra as artes negras foram canceladas ( Mas nós tivemos imensa prática - disse o Ron vendo o descontentamento de Hermione ) e Lucius_Malfoy foi demitido de o Conselho_Directivo . Draco já não passeava por ali como_se fosse o dono de a escola . Pelo_contrário , tinha um ar melindrado e carrancudo . Por outro lado , Ginny_Weasley andava de_novo feliz de a vida . Em_breve chegou o dia de regressarem a casa em o Expresso_de_Hogwarts . Harry , Ron , Hermione , Fred , George e Ginny encheram um compartimento . Tiraram o_máximo partido de aquelas últimas horas em que lhes era permitido usar a magia antes de as férias . Brincaram a as explosões , gastaram o último fogo-de-artíficio Filibuster , de o Fred e de o George e treinaram o mútuo desarmamento através de a magia . Harry começava a ficar muito bom em aquilo . Já estavam perto de a estação de King's_Cross quando Harry se lembrou de uma coisa . - Ginny , o que foi que viste o Percy fazer que ele não queria que nos contasses ? - Ah ! isso - disse a Ginny a rir . - Bem , é_que o Percy tem uma namorada . Fred deixou cair uma pilha de livros em a cabeça de o George . - O quê ? - É aquela prefeita de os Ravenclaw ' Penelope_Clearwater - disse a Ginny . - Foi para ela que ele escreveu durante todo o Verão . Encontravam se em a escola em grande segredo . Eu apanhei os a beijarem se em uma sala de aula vazia e ele ficou tão aflito quando ela foi ... sabes ... atacada . Não vais aborrecê o , pois não ? - perguntou cheia de ansiedade . - Que ideia - respondeu Fred com uma tal satisfação em o rosto que parecia que o seu aniversário chegara mais cedo . - Claro que não - disse o George a rir se a a socapa . O Expresso_de_Hogwarts abrandou e finalmente parou . Harry tirou a pena e um_pouco de pergaminho e voltou se para Ron e Hermione . - Isto_é um número de telefone - disse ele a o Ron , escrevinhando o duas vezes , cortando o pergaminho a o meio e dando lhes os números . - Eu expliquei a o teu pai como usar um telefone em o Verão passado . Ele sabe fazer a chamada . Liga me para_casa de os Dursley , O. _ K. ? Não consigo suportar outros dois meses sem ter mais ninguém com quem falar ... - Mas a tua tia e o teu tio vão ficar orgulhosos de ti , não vão ? - perguntou Hermione quando saíram de o comboio e se misturaram em a multidão que se encontrava junto de a barreira encantada . - Quando souberem o que fizeste este ano . - Orgulhosos ? - disse Harry . - Estás doida ! Podendo eu ter morrido tantas vezes e tendo escapado ? Vão ficar é furiosos ... E juntos avançaram até a a entrada para o mundo de os Muggles . ----------------- J._K._Rowling_Harry_Potter e a Câmara_dos_Segredos_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Chamber of Secrets_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling 1998 Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 2000 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 2.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 Depósito legal : 143.569/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , a a Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Para_Séan_P._F._Harris , condutor imparável e um amigo de os diabos . I_O pior aniversário Não era a primeira vez que uma discussão estoirava a a mesa de o pequeno-almoço , em o número 4 de a Privet_Drive . Mr._Vernon_Dursley fora acordado de manhã cedo por o piar ruidoso que vinha de o quarto de o seu sobrinho Harry . - É a terceira vez esta semana ! - resmungou , a a mesa . - Se não consegues controlar essa coruja , ela não pode ficar aqui . Harry tentou , mais_uma_vez , explicar . - Ela está aborrecida . Estava habituada a voar livremente lá fora . Se eu pudesse , ao_menos , soltá a a a noite ... - Achas me com cara de idiota ? - perguntou rispidamente o tio Vernon , com um fio de ovo preso em o bigode farfalhudo . - Sei muito bem o que aconteceria se essa coruja fosse lá para fora . Trocou um olhar soturno com a mulher , a tia Petúnia . Harry tentou contra-argumentar , mas as suas palavras foram abafadas por um enorme arroto de o filho de os Dursleys , Dudley . - Quero mais bacon . - Há mais em a frigideira , fofinho - disse a tia Petúnia , lançando um olhar vago a o seu filho maciço . - Tens que te alimentar bem enquanto aqui estás , aquela comida de a tua escola não me cheira . - Disparate , Petúnia , eu nunca passei fome enquanto andei em Smeltings - afirmou com sinceridade o tio Vernon . - O Dudley tem que chegue . Não é verdade , filho ? Dudley , que era tão gordo que o rabo saía de os dois lados de a cadeira de a cozinha , sorriu laconicamente e voltou se para Harry . - Passa me a frigideira . -- Esqueceste te de a palavra mágica - disse Harry , irritado . O efeito que esta simples frase teve em o resto de a família foi inacreditável : Dudley começou a arfar e caiu de a cadeira com um estrondo que abalou a cozinha , Mrs._Dursley deu um gritinho e bateu com a mão em a boca , Mr._Dursley pôs se de pé com as veias de as têmporas dilatadas . - Eu queria dizer « por favor » - explicou Harry rapidamente . - Não me referia a ... - : __ o que é_que eu te __ disse - vociferou o tio , espalhando perdigotos sobre a mesa - : __ sobre pronunciar a palavra m . em esta __ casa ? - Mas eu ... - : __ como te atreves a ameaçar o __ dudley ! - rosnou o tio Vernon , batendo com o punho em a mesa . - Eu só ... - : __ estás avisado . não vou admitir referências a tua anormalidade debaixo de o tecto de a minha __ casa ! Harry olhou alternadamente para o rosto congestionado de o tio e para a palidez de a tia que tentava pôr o Dudley de pé . - Está bem - disse Harry . - Está bem ... O tio Vernon voltou a sentar se , respirando como um rinoceronte exausto e observando Harry de perto por o canto de os seus olhos pequeninos e penetrantes . Desde_que Harry regressara para as férias de Verão que o tio Vernon o tratava como_se ele fosse uma bomba , capaz de explodir a qualquer momento , porque Harry não era um rapazinho normal . Em a verdade , ele era o menos normal que é possível imaginar . Harry_Potter era um feiticeiro , um feiticeiro que acabara de concluir o primeiro ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts e a infelicidade que os Dursleys sentiam por ele estar lá em casa não era nada comparada com a de Harry . As saudades de Hogwarts eram tão intensas que se assemelhavam a uma constante dor em o estômago . Sentia a falta de o castelo com as suas passagens secretas e os seus fantasmas , de as aulas ( com excepção talvez de as de Snape , o professor de as poções ) , de o correio a chegar trazido por as corujas , de os banquetes em o salão nobre , de as noites em as camas de dossel em a camarata de a torre , de as visitas a Hagrid , o guarda de os campos em a sua casinha em o bosque , junto de a floresta proibida e , principalmente , sentia a falta de o Quidditch , o desporto mais popular de o mundo de os feiticeiros ( seis postes altos de golo , quatro bolas esvoaçantes e catorze jogadores em_cima_de vassoura ) . Todos os livros de feitiços de Harry , assim_como a varinha , os mantos , o caldeirão e a vassoura topo de gama Nimbus dois_mil tinham sido encerrados por o tio Vernon em a despensa que ficava debaixo de as escadas , em o momento em que Harry regressara a casa . O que é_que lhes interessava se ele perdia ou não o seu lugar em a equipa de Quidditch por não ter praticado durante todo o Verão ? Que importância tinha para eles que o Harry voltasse a a escola sem ter podido fazer os trabalhos de casa ? Os Dursleys eram aquilo que os feiticeiros chamam « Muggles » ( nem uma gota de sangue mágico em as veias ) e , para eles , ter um feiticeiro em a família era motivo de grande vergonha . O tio Vernon tinha , inclusivamente , fechado a cadeado a coruja de Harry , Hedwig , dentro de a gaiola , para evitar que ela transportasse mensagens para a gente de o mundo de a feitiçaria . Harry não se parecia em nada com o resto de a família . O tio Vernon era atarracado e sem pescoço , dotado de um enorme bigode preto ; a tia Petúnia tinha um rosto cavalar e era esquelética ; Dudley era loiro e rosado como um porquinho . Harry , pelo_contrário , era baixo e franzino , com os olhos verdes brilhantes e cabelo negro sempre desalinhado . Usava uns óculos redondos e tinha em a testa uma cicatriz em forma de relâmpago . Era essa cicatriz que o tornava tão invulgar , mesmo para um feiticeiro . Era a única alusão a o seu passado misterioso , a o motivo por o qual , onze anos antes , tinha sido deixado em o degrau de a porta de os Dursleys . Com um ano de idade , Harry sobrevivera a uma maldição de o maior feiticeiro negro de todos os tempos , Lord_Voldemort , cujo nome a maior parte de os feiticeiros e feiticeiras ainda receia pronunciar . Os pais de Harry tinham morrido em um ataque de Voldemort , mas ele escapara com a sua cicatriz em forma de relâmpago e estranhamente , ninguém compreendeu porquê , os poderes de Voldemort tinham sido destruídos em o momento em que não fora capaz de matar o Harry . Por isso , ele foi criado por a irmã de a sua falecida mãe e respectivo marido . Passou dez anos com os Dursleys , sem nunca compreender porque fazia com que acontecessem coisas estranhas , alheias a a sua vontade , acreditando em a história de os Dursleys de que aquela cicatriz fora resultado de um acidente de automóvel em que os pais tinham morrido . E um dia , precisamente um ano antes , Hogwarts escrevera lhe e fora então que tudo começara . Harry fora ocupar o seu lugar em a escola de feitiçaria , onde ele e a sua cicatriz eram famosas ... mas agora o ano escolar chegara a o fim e estava de_novo com os Dursleys . Durante o Verão , voltara a ser tratado como um cão malcheiroso . Os Dursleys nem se tinham lembrado que aquele era o dia de o seu décimo segundo aniversário . É claro que não tivera grandes expectativas : eles nunca lhe tinham dado um presente a sério , muito menos um bolo , mas ignorarem o por completo ... Em esse momento , o tio Vernon pigarreou com um ar importante e disse : - Como todos sabem , hoje é um dia muito importante . Harry olhou para ele , mal conseguindo acreditar . - Pode bem ser que eu faça hoje o maior negócio de toda_a minha vida - afirmou . Harry voltou novamente a atenção para a torrada . É claro , pensou amargamente , o tio Vernon referia se a a estúpida dinner-party . Havia quinze_dias que não falava de outra coisa . Um consultor qualquer cheio de massa e a mulher vinham jantar lá a casa e o tio Vernon tinha esperança de conseguir uma grande encomenda ( a empresa de o tio Vernon fabricava brocas ) . - Acho que devíamos recapitular mais_uma_vez - disse o tio Vernon . - Devemos estar todos a postos a as oito_horas_em_ponto . Petúnia , tu vais estar ... ? - Em o salão - respondeu a tia Petúnia prontamente - a a espera para lhes dar as boas-vindas a nossa casa . - Bom , bom . E o Dudley ? - Eu vou estar a a espera para abrir a porta . - Dudley esboçou um sorriso falso e afectado . - Dão me licença que vos guarde os casacos , Mr. e Mrs._Mason ? - Eles vão adorá o - exclamou arrebatadamente a tia Petúnia . - Excelente , Dudley - disse o tio Vernon . - A seguir voltou se para o Harry . - E tu ? - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - repetiu o Harry , de forma inexpressiva . - Exactamente - confirmou o tio Vernon , de um modo desagradável . - Eu conduzo os até a o salão , apresento te , Petúnia , e sirvo lhes as bebidas . _ a as oito_e_um_quarto . - Eu chamo para a mesa - disse a tia Petúnia . - E tu , Dudley , vais dizer ... - Dá me licença que lhe indique a casa de jantar , Mrs._Mason ? - repetiu o Dudley , oferecendo o seu braço gordo a uma mulher invisível . - O meu pequenino cavalheiro - fungou a tia Petúnia . - E tu ? - perguntou o tio Vernon a o Harry , em o mesmo tom desagradável . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho , fingindo que não estou lá - respondeu Harry aborrecido . - Isso mesmo . Agora , devíamos ter preparadas algumas frases amáveis para o jantar . Petúnia , alguma ideia ? - O Vernon disse me que o senhor é um excelente jogador de golfe , Mr._Mason ... Tem de me dizer onde comprou esse vestido , Mrs._Mason ... - Perfeito . Dudley ? - Que tal : Tivemos de fazer um trabalho para a escola sobre o nosso herói e eu escrevi sobre o senhor ... Foi de mais , tanto para a tia Petúnia como para o Harry . A tia debulhou se em lágrimas e abraçou o filho , enquanto Harry se esgueirava para debaixo de a mesa para ninguém o ver rir . - E tu , rapaz ? Harry fez um esforço para se mostrar inexpressivo quando emergiu . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - disse . - Vais sim senhor - afirmou o tio Vernon energicamente . - Os Mason não sabem nada a teu respeito e é assim que as coisas vão continuar . Quando o jantar terminar , tu trazes Mrs._Mason para o salão , onde vamos tomar café , Petúnia , e eu puxo o assunto de as brocas . Com um_pouco de sorte , tenho o contrato assinado antes de o noticiário de as dez . Amanhã por esta hora , vamos estar a fazer compras para umas férias em Maiorca . Harry não conseguia sentir o menor entusiasmo com aquilo . Não lhe parecia que os Dursleys gostassem mais de ele em Maiorca do_que em Privet_Drive . - Certo , eu vou a a cidade buscar os casacos para mim e para o Dudley . E tu - resmungou , apontando para Harry - não atrapalhes a tua tia enquanto ela estiver a limpar . Harry saiu por a porta de as traseiras . Estava um dia de sol lindo . Atravessou o relvado , deixou se cair em o banco de o jardim e cantarolou baixinho : - Parabéns para mim ... parabéns para mim ... Nem cartas nem presentes e tinha de passar a noite a fingir que não existia . Olhou infeliz para a sebe . Nunca se sentira tão só . Mais do_que tudo em o mundo , mais do_que de Hogwarts , mais até do_que de o jogo de Quidditch , Harry sentia a falta de os amigos Ron_Weasley e Hermione_Granger . Mas eles não pareciam sentir a falta de ele . Nenhum de os dois lhe escrevera durante todo o Verão apesar_de o Ron ter dito que ia convidá o para passar uns dias lá em casa . Inúmeras vezes Harry estivera quase a libertar magicamente Hedwig de a sua gaiola e mandá a levar uma carta a o Ron e a a Hermione mas não valia a pena correr o risco . Os feiticeiros menores de idade não tinham autorização para usar a magia fora de a escola . Harry não contara isto a os Dursleys . Ele sabia que era o medo de que ele os transformasse a todos em baratas que os impedia de o fecharem a a chave em a despensa debaixo de as escadas , juntamente com a varinha e a vassoura . Em as primeiras semanas Harry divertira se a murmurar baixinho palavras sem sentido e a ver o Dudley sair disparado de o quarto , tão rápido quanto as suas pernas gordas lhe permitiam . Mas o silêncio prolongado de Ron e Hermione tinham o feito sentir se tão longe de o mundo de a magia que até divertir se à_custa_de Dudley perdera o interesse . E agora o Ron e a Hermione tinham se esquecido de o seu aniversário . Quanto não daria ele por uma mensagem de Hogwarts ? De qualquer feiticeiro ou feiticeira ? Quase ficaria satisfeito com um sinal de o seu inimigo feroz , Draco_Malfoy , só para ter a certeza de que tudo aquilo não fora apenas um sonho ... Não que tudo durante o ano em Hogwarts tivesse sido divertido . Mesmo em o fim de o último período , Harry confrontara se nem mais nem menos do_que com o próprio Lord_Voldemort . Voldemort podia ter arruinado o seu ego inicial mas continuava a espalhar o terror , ainda astuto , ainda determinado a recuperar o poder . Harry escapara uma segunda vez a as suas garras mas fora por um triz e mesmo agora , algumas semanas decorridas , acordava de noite encharcado em suores frios , perguntando se onde estaria Voldemort , relembrando o seu rosto lívido , os seus olhos completamente loucos ... Harry sentou se subitamente , direito como um fuso , em o banco de o jardim . Tinha estado a olhar distraído para a sebe e a sebe estava a olhar para ele . Dois enormes olhos verdes surgiram por_entre a folhagem . Harry pôs se de pé ao_mesmo_tempo que uma voz sobrevoava a relva . - Eu sei que dia é hoje - cantarolava Dudley , bamboleando se enquanto se aproximava . Os olhos enormes piscaram e desapareceram . - O quê ? - perguntou Harry sem retirar os olhos de o lugar para_onde estava a olhar . - Eu sei que dia é hoje - repetiu , chegando junto de ele . - Ainda_bem - disse Harry . - Aprendeste finalmente os dias de a semana . - Hoje é o dia de os teus anos - troçou o Dudley . - Por_que é_que não recebeste nenhuma carta ? Não tens amigos em esse lugar esquisito ? - É melhor não deixares a tua mãe ouvir te falar de a minha escola - disse Harry calmamente . Dudley puxou para_cima as calças que estavam a escorregar lhe por o rabo gordo abaixo . - Porque estás a olhar para a sebe . ; - perguntou curioso . - Estou a pensar em as palavras que deverei pronunciar para lhe pegar fogo - disse Harry . Dudley recuou de imediato com um olhar de pânico em a cara rechonchuda . - Tu não p-p-odes , o pai disse que não podias fazer magia ou corria contigo aqui de casa e não tens mais nenhum lugar para_onde ir , não tens amigos que te convidem ... - * _ Jiggery pokery * ! - disse Harry com voz firme . - * _ Hocus pocus ... squiggly wiggly * ... - Maaaaaãe - gritou Dudley , tropeçando em os pés , enquanto se precipitava para dentro_de casa . Maaaãe , ele vai fazer aquela coisa ! Harry deu graças a os céus por aquele momento de gozo . Como não aconteceu nada de mal nem a o Dudley nem a a sebe , a tia Petúnia percebeu que ele não fizera magia nenhuma mas , mesmo_assim , Harry teve de se afastar quando ela lhe deu uma forte pancada em a cabeça com a frigideira cheia de detergente . A seguir distribuiu lhe trabalho e o castigo de só voltar a comer quando tivesse acabado tudo . Enquanto Dudley andava a flanar , olhando para o ar e comendo gelados , Harry limpou as janelas , lavou o carro , aparou a relva , adubou os canteiros , podou e regou as rosas e pintou de_novo o banco de o jardim . O sol ardia lá em cima , queimando lhe a parte de trás de o pescoço . Harry sabia que não devia ter provocado Dudley mas ele dissera precisamente aquilo que ele próprio pensava ... talvez não tivesse amigos em Hogwarts . Deviam ver agora o famoso Harry_Potter , pensou amargamente enquanto espalhava adubo em os canteiros , as costas a doerem lhe e o suor a escorrer lhe por o rosto . Eram sete_e_meia_da_tarde quando , por fim , exausto , ouviu a tia Petúnia a chamá o . - Anda para dentro e passa por cima de os jornais . Harry entrou satisfeito em a sombra de a cozinha que rebrilhava . Sobre o frigorífico estava o bolo de a noite : um enorme monte de crome batido coberto de violetas de açúcar . A carne de porco assava em o forno . - Come depressa , os Mason devem estar a chegar ! - exclamou bruscamente a tia Petúnia , apontando para duas fatias de pão e uma de queijo que estavam em cima de a mesa de a cozinha . Ela já tinha posto um vestido de * cocktail * cor de salmão . Harry lavou as mãos e comeu aquele triste jantar . Mal tinha terminado , a tia Petúnia tirou lhe o prato . - Lá para_cima , rápido ! A o passar por a porta de a sala , Harry vislumbrou o tio Vernon e Dudley de casaco e gravata . Tinha acabado de chegar a o cimo de as escadas quando a campainha de a porta tocou e a cara de o tio Vernon apareceu em o patamar . - Lembra te , rapaz , um ruído que seja ... Harry entrou em o quarto em bicos de pés , fechou a porta e preparou se para se meter em a cama . O problema é_que estava lá alguém sentado . II_O aviso de Dobby_Harry conseguiu não gritar , mas foi por_pouco . A pequena criatura que estava em a cama tinha umas orelhas grandes e largas e uns olhos verdes protuberantes de o tamanho de bolas de ténis . Harry percebeu imediatamente que fora para ele que tinha estado a olhar de manhã . Enquanto olhavam um para o outro , Harry ouviu a voz de Dudley em o * hall * . - Posso guardar os vossos casacos , Mr. e Mrs._Mason ? A criatura escorregou por a cama e curvou se tanto que a ponta de o seu enorme nariz tocou em o tapete . Harry reparou que ele tinha vestido uma espécie de fronha de almofada com buracos para os braços e pernas . - Er ... Olá - disse Harry , um_pouco nervoso . - Harry_Potter ! - exclamou a criatura em uma voz tão estridente que Harry calculou que poderia ouvir se lá em baixo . - Há tanto tempo que Dobby queria conhecê o , senhor . É uma enorme honra ... - Ob-obrigado - disse Harry , deslocando se a o longo de a parede e sentando se em a cadeira de a secretária , junto de Hedwig que dormia em a sua grande gaiola . Queria perguntar lhe « O que és tu ? » , mas pensou que seria má educação , por isso perguntou : - Quem és tu ? - Dobby , senhor . Apenas Dobby , o elfo de casa - afirmou a criatura . - Oh ! A sério ? - perguntou Harry . - Não quero ser mal-educado , mas esta não é a melhor altura para ter um elfo em o meu quarto . O riso falso de a tia Petúnia ouvia se em a sala de jantar . O elfo deixou cair a cabeça . - Não que eu não me sinta feliz por te conhecer - disse Harry rapidamente - mas , er ... estás aqui por algum motivo em especial ? - Oh , sim senhor - disse Dobby muito a sério . - Dobby veio dizer lhe que ... é difícil ... Dobby não sabe por_onde começar ... - Senta te - disse Harry educadamente , apontando lhe a cama . Para seu horror , o elfo debulhou se em lágrimas bastante ruidosas . -- S-senta-te ! - repetiu . - Nunca em toda_a minha vida ... Harry pareceu lhe ouvir as vozes lá em baixo vacilarem . - Desculpa - murmurou . - Eu não queria ofender te ... - Ofender Dobby ! - exclamou o elfo em um sufoco . - Nunca nenhum feiticeiro disse a o Dobby que se sentasse como um seu igual , senhor . Harry , tentando dizer lhe « Sch ... » e confortá o ao_mesmo_tempo , conduziu Dobby de_novo até a a cama onde ele se sentou a soluçar , parecendo uma grande boneca muito feia . Por fim , conseguiu controlar se e ficou quieto , com os seus grandes olhos fixos em Harry em uma expressão de absoluta adoração . - Não deves ter conhecido muitos feiticeiros sérios - disse lhe , tentando animá o . Dobby abanou a cabeça . Em seguida , sem qualquer aviso , saltou e começou a bater furiosamente com a cabeça em a janela , gritando : - Dobby é mau ! Dobby é mau ! - Pára , o que é_que estás a fazer ? - perguntou Harry em um murmúrio sibilante , dando um salto e puxando Dobby de_novo para a cama . Hedwig acordara com um pio particularmente agudo e batia agressivamente com as asas contra as grades de a gaiola . - Dobby tinha que se castigar , meu senhor - afirmou o elfo , que ficara ligeiramente estrábico . - Dobby quase falou mal de a família de ele ... - De a tua família ? - De a família de feiticeiros que Dobby serve , meu senhor ... O Dobby é um elfo de casa , obrigado a servir uma casa e uma família para sempre . - Eles sabem que estás aqui ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Dobby estremeceu . - Oh , não senhor , não ... Dobby vai ter que se castigar muito por ter vindo vê o . Dobby vai ter que entalar as orelhas em a porta de o forno por isto . Se eles soubessem , senhor ... - Mas achas que eles não vão reparar se tu entalares as orelhas em a porta de o forno ? - Dobby duvida , senhor . Dobby está sempre a ter de se castigar por qualquer coisa . Eles deixam que o Dobby se castigue . _ às_vezes até sugerem alguns castigos extra . - Mas por_que é_que não te vais embora , não foges ? - Um elfo de casa tem de ser libertado , senhor . E a família nunca libertará Dobby . Dobby servirá a família até morrer . Harry olhou para ele . - E eu que pensava que era infeliz por ter de ficar aqui mais quatro semanas - declarou . - Isto faz os Dursleys parecerem quase humanos . Será que ninguém te pode ajudar ? Poderei eu ? Em o mesmo momento , Harry desejou não ter aberto a boca . Dobby desfez se em ruidosos soluços de gratidão . - Por favor - murmurou Harry , inquieto . - Por favor , está calado . Se os Dursleys ouvem barulho , se eles sabem que estás aqui ... - Harry_Potter pergunta se pode ajudar Dobby . Dobby ouviu falar de a sua grandeza , mas de a sua bondade , Dobby nada sabia . Harry , que se sentia corar , disse : - Seja o que for que tenhas ouvido sobre a minha grandeza , é um disparate . Nem_sequer sou o melhor de o meu ano em Hogwarts . É a Hermione . Ela ... Mas calou se rapidamente porque pensar em Hermione era lhe doloroso . - Harry_Potter é humilde e modesto - disse Dobby reverentemente , com os seus olhos de globo avermelhados . - Harry_Potter não fala de a sua vitória sobre « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . - Voldemort ? - perguntou Harry . Dobby bateu com as mãos em as enormes orelhas e gemeu : - Ai não diga o nome , senhor . Não diga o nome ! - Desculpa - disse Harry muito depressa . - Eu sei que muita gente não gosta . O meu amigo Ron ... Calou se de_novo . Pensar em o Ron era igualmente doloroso . Dobby voltou para Harry os seus dois olhos grandes como candeeiros . - Dobby ouviu dizer - balbuciou com voz rouca - que Harry_Potter encontrou o Senhor_do_Mal uma segunda vez há poucas semanas atrás ... que Harry_Potter lhe escapou de_novo . Harry acenou e os olhos de Dobby encheram se de lágrimas . - Ah , senhor - disse em um sobressalto , limpando o rosto com a ponta de a fronha de almofada que tinha vestida . - Harry_Potter é valente e arrojado . Enfrentou tantos perigos ! Mas Dobby veio protegê o , avisar Harry_Potter , mesmo_que para isso tenha de entalar as orelhas em a porta de o forno , que Harry_Potter não deve voltar para Hogwarts . Houve um silêncio apenas quebrado por o ruído de os garfos e de as facas lá em baixo e por a voz distante de o tio Vernon . - O q-q-uê ? - gaguejou Harry . - Mas eu tenho de voltar , o ano começa em o dia um de Setembro . É a minha razão de viver . Tu não sabes como são as coisas aqui . Eu não pertenço a este lugar , o meu lugar é em Hogwarts . - Não , não , não - guinchou Dobby , sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas andavam de um lado para o outro . - Harry_Potter deve ficar aqui , onde se encontra a salvo . É demasiado grande , demasiado bom para se perder . Se Harry_Potter regressar a Hogwarts correrá perigo de vida . - Porquê ? - inquiriu Harry , surpreendido . - Há uma conspiração , Harry_Potter . Uma conspiração para fazer acontecer coisas terríveis este ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts - murmurou Dobby que começara a tremer de a cabeça a os pés . - Dobby sabe de isto há meses , senhor . Harry_Potter não deve expor se a o perigo . É demasiado importante . - Que coisas terríveis são essas ? - perguntou Harry sem perder tempo . - Quem está por detrás ? Dobby fez um ruído esquisito e começou a bater com a cabeça contra a parede como um louco . - Está bem - gritou Harry , agarrando o braço de o elfo para o fazer parar . - Não podes dizer , eu compreendo . Mas porque vieste avisar me ? - Um pensamento súbito e desagradável surgiu lhe . - Espera aí , isto tem alguma coisa que ver com o Vol , desculpa com o Quem nós sabemos ? Basta que faças sim ou não com a cabeça - acrescentou com vivacidade enquanto a cabeça de Dobby se inclinava de_novo a uma velocidade preocupante para a parede . Lentamente , Dobby abanou a cabeça . - Não , não é « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . Os olhos de Dobby estavam abertos como_se estivesse a tentar dar a Harry uma pista , mas Harry estava completamente a a nora . - Ele não tem nenhum irmão , ou tem ? Dobby abanou a cabeça , os olhos mais abertos do_que nunca . - Bem , em esse caso não estou a ver quem mais poderia ter a possibilidade de fazer acontecer coisas horríveis em Hogwarts - disse Harry . - Quero dizer , para já está lá o Dumbledore . Sabes quem é Dumbledore , não sabes ? Dobby baixou a cabeça . - Albus_Dumbledore é o melhor director que Hogwarts alguma vez teve . Dobby sabe , senhor . Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore rivalizam com os d'aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Mas , senhor - a voz de Dobby desceu a um urgente murmúrio - há poderes que Dumbledore não ... poderes que nenhum feiticeiro sério ... E antes que Harry conseguisse impedi o Dobby saltou de a cama , agarrou o candeeiro de secretária de Harry e começou a bater com a cabeça , dando uivos ensurdecedores . Fez se silêncio lá em baixo . Dois segundos mais tarde , Harry com o coração a bater como um louco , ouviu o tio Vernon chegar a o * hall * e dizer . - O Dudley deve ter deixado outra_vez a televisão ligada , o maroto ! - Depressa , para dentro de o guarda-fatos - gritou Harry , empurrando Dobby bem para o fundo , fechando a porta e metendo se a correr em a cama mesmo a_tempo_de ver a maçaneta de a porta a girar . - Que diabo estás tu a fazer ? - disse o tio Vernon entre dentes , o rosto assustadoramente próximo de o de Harry . - Acabas de estragar o ponto alto de a minha anedota de o golfista japonês . Eu que oiça mais um som e vais desejar nunca ter nascido , rapaz ! Abandonou o quarto com grandes passadas . A tremer , Harry deixou Dobby sair de o guarda-fatos . - Estás a ver como são as coisas por aqui ? - disse . - Vês porque tenho de voltar para Hogwarts ? É o único sítio onde eu tenho ... bem , onde eu acho que tenho amigos . - Amigos que nem_sequer escrevem a Harry_Potter ? - disse Dobby com ar manhoso . - Calculo que devem ter estado ... espera aí - disse Harry , franzindo a testa . - Como é_que tu sabes que os meus amigos não me têm escrito ? Dobby arrastou os pés . - Harry_Potter não deve zangar se com Dobby . Dobby fez o que achou melhor ... - Tu tens estado a interceptar me as cartas ? - Dobby tem as aqui , senhor - disse o elfo . Saltando para longe de o alcance de Harry , retirou de dentro de a fronha que usava um espesso saco cheio de envelopes . Harry reconheceu de imediato a caligrafia certinha de Hermione , a escrita desordenada de Ron e até uns gatafunhos que pareciam ser de o guarda de os campos de Hogwarts , Hagrid . Dobby piscava ansiosamente os olhos . - Harry_Potter não deve ficar zangado ... Dobby esperava que ... se Harry_Potter pensasse que os amigos o tinham esquecido ... Harry_Potter talvez não quisesse voltar a a escola , senhor . Harry não o ouvia . Fez um gesto para agarrar as cartas , mas Dobby deu um salto , afastando se . - Harry_Potter terá as cartas , senhor , se der a Dobby a sua palavra de não voltar a Hogwarts . Ah , senhor , é um risco que não deve correr . Diga que não volta , senhor ! - Não - afirmou Harry zangado . - Dá me as cartas de os meus amigos ! - Em esse caso , Harry_Potter deixa Dobby sem escolha - disse o elfo tristemente . Antes que Harry pudesse fazer um movimento , Dobby tinha aberto a porta de o quarto e descido a correr por as escadas abaixo . Com a boca seca e um aperto em o estômago , Harry correu atrás de ele , tentando não fazer barulho . Saltou os últimos seis degraus , aterrando como um gato em a carpete de o * hall * , olhando em volta a a procura de Dobby . De a sala de jantar , ouviu a voz de o tio Vernon : - Conte a a Petúnia aquela história engraçadíssima de os funileiros americanos , ela tem estado louca por ouvi a , Mr._Mason . Harry correu de o * hall * para a cozinha e sentiu o estômago ficar pequenino . O pudim , que era a a obra-prima de a tia Petúnia , a montanha de creme batido coberto de violetas de açúcar flutuava junto de o tecto . Em cima de o guarda-louça de o canto , Dobby inclinava se servilmente . - Não - suplicou Harry . - Por favor , eles matam me . - Harry_Potter deve dizer que não vai voltar a a escola ... - Dobby , por favor . - Diga , senhor . - Não posso . Dobby lançou lhe um olhar trágico . - Então , Dobby deve fazê o , senhor , para o bem de Harry_Potter . O pudim foi direito a o chão em uma queda que parecia um coração a parar . O crome esguichou para as janelas e para as paredes , enquanto o prato se despedaçava . Com o ruído de uma chicotada , Dobby desapareceu . Ouviram se gritos em a casa de jantar e o tio Vernon irrompeu por a cozinha onde foi dar com Harry coberto , de a cabeça a os pés , por o pudim de a tia Petúnia . A princípio parecia que o tio Vernon ia conseguir arranjar uma desculpa para aquilo tudo . ( É só o nosso sobrinho , muito perturbado ; conhecer pessoas estranhas deixa o muito nervoso , por isso deixamos o lá em cima ... ) Conduziu_os_Mason , bastante chocados , para a sala de jantar , garantindo a Harry que o esfolava vivo quando os Mason se fossem embora e pôs lhe em as mãos um esfregão . A tia Petúnia descobriu um resto de gelado em o frigorífico e Harry , ainda a tremer , começou a limpar a cozinha . O tio Vernon poderia ainda ter feito o negócio , se não fosse a coruja . Estava a tia Petúnia a circular com uma caixa de After-Eight , quando uma enorme coruja de celeiro fez a sua entrada vertiginosa através de a janela de a casa de jantar , deixando cair uma carta em a cabeça de Mr._Mason e desaparecendo logo_a_seguir . Mrs._Mason gritava como uma carpideira e corria por a casa praguejando contra os lunáticos . Mr._Mason ficou o tempo estritamente necessário para dizer a os Dursleys que a mulher tinha um medo pânico de pássaros de todas_as formas e tamanhos e perguntar lhes se aquela era alguma brincadeira de mau gosto . Harry não saiu de a cozinha , agarrando o esfregão como defesa , enquanto o tio Vernon avançava para ele com um brilho demoníaco em os olhos pequeninos . - Lê isso - ordenou maldosamente . Harry pegou em a carta . Não era a desejar lhe um bom aniversário . * _ Caro_Mr._Potter , * _ Recebermos hoje informações de que um feitiço de suspensão em o ar foi efectuado em sua casa esta noite , a as nove_horas_e_doze_minutos . * _ Como sabe , os feiticeiros menores não estão autorizados a praticar magia fora de a escola e , se efectuar mais um trabalho mágico , será expulso de a nossa escola . ( Decreto_de_Restrições_Razoáveis_para_Feitiçaria_de_Menores , 1875 , parágrafo C. ) * _ Pedimos-lhe também que se lembre que qualquer actividade que possa ser notada por membros alheios a a nossa comunidade ( Muggles ) constitui uma ofensa grave , segundo a secção 13 de a Confederação_Internacional_do_Estatuto_da_Magia_Secreta . * _ Tenha umas boas férias . * Atenciosamente_Mafalda_Hopkirk_Gabinete_da_Utilização_Imprópria_da_Magia_Ministério_da_Magia * . Harry olhou para a carta e engoliu em seco . - Tu não nos contaste que estavas proibido de usar magia fora de a escola - disse o tio Vernon com um brilho maldoso a dançar lhe em os olhos . - Esqueceste te de o mencionar , passou te , não foi ? Tinha se aproximado de Harry como um grande * bulldog * , com todos os dentes a a mostra . - Tenho boas notícias para ti , rapaz , vou fechar te a a chave e , se tentares sair através_de magia , nunca mais voltas a aquela escola , eles expulsam te . E rindo como um louco , arrastou Harry até a o andar de cima . O tio Vernon era mau como as cobras . Em a manhã seguinte pagou a um homem para colocar grades em a janela de o quarto de Harry . Ele próprio abriu um pequeno buraco em a porta de o quarto para que a comida pudesse ser introduzida três vezes por dia . Deixavam o Harry sair para ir a a casa_de_banho de manhã e a o final de a tarde . O resto de o tempo estava fechado em o quarto , a a espera que o tempo passasse . Três dias mais tarde , os Dursleys não mostravam qualquer intenção de abrandar o castigo e Harry não sabia como sair de aquela situação . Estava deitado em a cama , vendo o sol brilhar por_entre as grades de a janela e perguntando se tristemente o que viria a acontecer lhe . Qual era a vantagem de sair de ali por artes mágicas , se Hogwarts o expulsaria em seguida ? Contudo , a vida em Privet_Drive tinha atingido o seu nível mais baixo . Agora_que os Dursleys tinham a certeza que não iam acordar transformados em morcegos , ele perdera a única arma que tinha . O Dobby podia tê o salvo de acontecimentos terríveis em Hogwarts , mas de a maneira que as coisas estavam , ele morreria muito provavelmente a a fome . A portinhola rangeu e a mão de a tia Petúnia apareceu empurrando uma tigela de sopa de pacote para dentro de o quarto . Harry , que estava cheio de fome , saltou de a cama e agarrou a . A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um único trago . A seguir , atravessou o quarto até a a gaiola de Hedwig e pôs os legumes ensopados dentro de o seu pratinho vazio . Ela agitou as penas e olhou o com profunda repugnância . - Não vale de nada virares lhe as costas . É tudo_o_que temos - disse Harry , de modo severo . Colocou a tigela vazia em o chão junto de a portinhola e voltou para_cima de a cama , de certo modo com mais fome do_que antes de ter comido a sopa . Admitindo que estaria ainda vivo dentro_de quatro semanas o que aconteceria se ele não se apresentasse em Hogwarts ? Será que mandariam alguém obrigar os Dursleys a deixá o ir ? O quarto começava a escurecer . Exausto e com o estômago a dar horas , o cérebro a as voltas com as mesmas questões sem resposta , Harry caiu em um sono intranquilo . Sonhou que fazia parte de um espectáculo de o jardim zoológico . Preso a a jaula onde se encontrava estava um cartaz onde podia ler se « feiticeiro menor de idade « . As pessoas olhavam o com olhos protuberantes , enquanto ele jazia fraco e esfomeado em um leito de palha . Viu a cara de o Dobby em o meio de a multidão e gritou lhe , pedindo ajuda , mas o Dobby respondeu : - Harry_Potter está em segurança aí , senhor - e desapareceu . Em seguida vieram os Dursleys e Dudley bateu em as grades de a jaula , rindo se de ele . - Pára com isso - murmurou Harry como_se aquele ruído martelasse em a sua cabeça dorida . - Deixa me em paz , pára com isso , estou a tentar dormir . Abriu os olhos . O luar brilhava através de as grades de a janela . E lá fora alguém olhava de olhos arregalados para ele : alguém de rosto sardento , cabelo ruivo e nariz grande . Ron_Weasley estava de o lado de_fora de a janela . III « A toca » Ron ! - exclamou Harry , arrastando se até a a janela e empurrando a para poderem falar através de as grades . - Ron , como é_que tu , foi o ... ? Harry ficou de boca aberta , espantado com o que viu . Ron estava debruçado de a janela de trás de um velho automóvel azul-turquesa que se encontrava estacionado em o ar . Em os lugares de a frente , rindo se para Harry , estavam os irmãos mais velhos , os gémeos Fred e George . - Tudo bem , Harry ? - O que é_que se tem passado ? - perguntou o Ron . - Porque não respondeste a as minhas cartas ? Convidei te para vires ter comigo umas doze vezes e um dia o pai chegou a casa e comunicou nos que tu tinhas recebido um aviso oficial por usares magia diante de os Muggles ... - Não fui eu . E como é_que ele soube ? - Ele trabalha em o Ministério - disse o Ron . - Tu sabes que nós não podemos fazer feitiços fora de a escola . - Bem , isso vindo de ti ... - exclamou Harry , olhando para o carro flutuante . - Oh , isto não conta - disse Ron . - Foi o meu pai que o emprestou . Não o fizemos aparecer por magia . Mas usar magia em a frente de esses Muggles com quem tu vives ... - Já te disse que não fui eu , mas vai demorar muito_tempo a explicar te isso agora . És capaz de avisar em Hogwarts que os Dursleys me fecharam a a chave e que não querem deixar me voltar e obviamente eu não posso sair de aqui magicamente senão o Ministério vai achar que é a segunda vez em três dias e ... - Pára com essa conversa tola - disse o Ron . - Viemos para te levar connosco . - Mas tu também não podes tirar me de aqui utilizando processos mágicos ... - Não precisamos de isso - afirmou Ron , fazendo um sinal de cabeça para os lugares de a frente . - Esqueces te de quem está aqui comigo . - Amarra isso em volta de as grades - disse o Fred , lançando a Harry a ponta de uma corda . - Se os Dursleys acordam estou feito - lamentou se Harry enquanto dava um nó bem apertado com a corda em uma de as grades e o Fred arrancava com o carro . - Não te preocupes e chega te para trás . Harry recuou para a sombra , para junto de Hedwig que parecia ter se apercebido de a importância de tudo aquilo , mantendo se quieta e em silêncio . O carro puxou mais e mais e , subitamente , com um ruído de ferro a ceder , as grades foram arrancadas de a janela , enquanto Fred conduzia com o céu como estrada . Harry correu de_novo para a janela para ver as grades a balouçarem a poucos metros de o chão . Ofegante , Ron içou as para dentro de o carro . Harry escutou ansiosamente mas não vinha qualquer som de o quarto de os Dursleys . Quando as grades estavam em segurança em os lugares de trás junto de Ron , Fred aproximou se o_máximo que lhe foi possível de a janela . - Anda de aí - disse . - Mas , todas_as minhas coisas de Hogwarts , a minha varinha , a minha vassoura ... - Onde estão ? - Fechadas em a despensa debaixo de as escadas e eu não posso sair de este quarto . . - Não há azar - disse o George . - Sai de a frente , Harry . Fred e George treparam cautelosamente e entraram por a janela em o quarto de Harry . Tinhas que ter aberto a boca , pensou Harry enquanto George tirava de o bolso um vulgar gancho de cabelo e começava a tentar abrir a fechadura . - Muitos feiticeiros acham que é uma perda de tempo aprender os truques de os Muggles - disse o Fred . - Mas nós pensamos que há habilidades que é sempre útil conhecer apesar_de serem um_pouco lentas . Ouviu se um pequeno clique e a porta abriu se . - Pronto , vamos buscar as tuas coisas . Tu vai dando a o Ron aquilo que precisas de aí de o teu quarto - murmurou George . - Cuidado com o degrau de cima que range - sussurrou Harry enquanto os gémeos desapareciam em o escuro . Harry deu a volta a o quarto , recolhendo as suas coisas e passando as por a janela a o Ron . Em seguida , foi ajudar o Fred e o George a trazerem o resto por as escadas acima . Ouviu o tio Vernon tossir . Por fim , de língua de_fora , chegaram a o quarto , junto de a janela aberta . Fred trepou para o carro para puxar os volumes com o Ron enquanto Harry e George os empurravam de dentro de o quarto . Centímetro a centímetro o malão foi passando por a janela . O tio Vernon tossiu de_novo . - Mais um_pouco - disse o Fred que estava a puxar de dentro de o carro . Um bom empurrão , vá . Harry e George encostaram os ombros contra a mala e ela escorregou para a parte de trás de o carro . - O. _ K. , vamos embora - murmurou o George . Mas quando Harry trepava para o parapeito de a janela ouviu se um forte pio atrás de ele , imediatamente seguido de o vociferar de o tio Vernon . - Aquela maldita coruja ! - Esqueci me de a Hedwig ! Harry precipitou se de_novo para o quarto , enquanto a luz de o patamar se acendia . Agarrou a gaiola de Hedwig , correu para a janela e passou a a o Ron . Estava a subir para_cima de a cómoda quando o tio Vernon bateu em a porta , que não estava fechada , e esta se abriu completamente . Por uma fracção de segundo , o tio Vernon ficou estático junto de a porta . Em seguida , soltou um mugido como um boi zangado e avançou para Harry , agarrando o por o tornozelo . Ron , Fred e George seguraram o por os braços e puxaram o com toda_a força . - Petúnia - rosnou o tio Vernon . - Ele está a fugir ! : __ ele está a __ fugir ! Os Weasleys deram um puxão gigantesco e a perna de o Harry escapou a as garras de o tio Vernon . Logo_que Harry entrou em o carro e a porta se fechou , Ron gritou : - Acelera Fred ! - E o carro partiu subitamente em direcção a a lua . Harry mal podia acreditar que estava livre . Esticou se a a janela , o ar de a noite a fustigar lhe os cabelos e olhou para baixo , para os telhados apertados de Privet_Drive . O tio Vernon , a tia Petúnia e o Dudley estavam todos debruçados com cara de parvos , a a janela de o quarto de ele . - Até a o próximo Verão - gritou . Os Weasleys riam se a as gargalhadas e Harry esticou se para trás em o assento e pediu a o ouvido de Ron : - Deixa sair a Hedwig . Ela pode voar atrás_de nós . Há séculos que não tem uma oportunidade de esticar as asas . George passou a o Ron o gancho de cabelo e , um momento depois , a Hedwig saíra feliz por a janela , planando atrás de eles como um fantasma . - Então , qual é a história ? - perguntou Ron , impaciente . - O que é_que tem estado a acontecer ? Harry contou lhes tudo sobre o Dobby , o aviso de este e o fracasso de o pudim de violetas . Houve um longo silêncio quando ele se calou . - Isso cheira me a esturro - disse , por fim , o Fred . - Definitivamente misterioso - concordou George . - Então ele nem te disse quem está supostamente por detrás dessa trama toda ? - Acho que não podia - explicou Harry . - Já te disse , de cada_vez que estava quase a deixar escapar qualquer coisa , começava a bater com a cabeça em a parede . Viu Fred e George olharem um para o outro . - O quê ? Acham que ele estava a mentir me ? - perguntou Harry . - Bem - começou o Fred -- , coloquemos as coisas de o seguinte modo , os elfos de casa têm poderes mágicos próprios , mas geralmente não podem usá os sem a autorização de os seus donos . Eu acho que o bom de o Dobby foi enviado para evitar que voltasses para Hogwarts . Uma ideia de um engraçadinho . Haverá alguém em a escola com má vontade contra ti ? - Sim - responderam Harry e Ron , precisamente ao_mesmo_tempo . - Draco_Malfoy - explicou Harry . - Ele detesta me . - Draco_Malfoy ? - perguntou George , voltando se para trás . - O filho de o Lucius_Malfoy ? - Deve ser . Não é um nome muito vulgar , pois não ? - disse Harry . - Mas porquê ? - Ouvi o pai falar acerca de ele - confidenciou George . - Ele era um grande apoiante de o « Quem nós sabemos » . - E quando o « Quem nós sabemos » desapareceu - continuou o Fred , voltando a cara para olhar para Harry - o Lucius_Malfoy voltou , dizendo que não foi por vontade própria que fez o que fez . Monte de lixo . O pai acha que ele fazia parte de um círculo de amigos íntimos de o « Quem nós sabemos » . Harry já tinha ouvido esses boatos sobre a família de Malfoy e não o surpreenderam em absoluto . Malfoy fizera Dudley_Dursley parecer um rapazinho simpático , amável e sensível . - Não sei se os Malfoy têm um elfo de casa ... - afirmou Harry . - Bem , quem quer que o possua é sem dúvida uma antiga família de feiticeiros e deve ser rica - explicou Fred . - Sim . A mãe está sempre a desejar que pudéssemos ter um elfo de casa para passar a roupa a ferro - disse o George . - Mas só temos um velho vampiro piolhoso em o sótão e gnomos espalhados por o jardim . Os elfos de casa pertencem a as grandes casas senhoriais , a os castelos e lugares assim , não encontrarias um em a nossa casa ... Harry estava calado . Considerando que Draco_Malfoy tinha sempre as melhores coisas , que a sua família nadava em ouro de feiticeiros , era fácil imaginá o passeando se por uma enorme casa senhorial . Mandar o servo de a família evitar que Harry voltasse para Hogwarts também parecia exactamente o tipo de coisa que Malfoy poderia fazer . Teria Harry sido estúpido a o tomar Dobby a sério ? - De qualquer modo , ainda_bem que viemos buscar te - declarou Ron . - Eu começava a ficar seriamente preocupado por não responderes a nenhuma de as minhas cartas . A princípio pensei que a culpa fosse de a Errol ... - Quem é a Errol ? - A nossa coruja . Já é velhota . Não seria a primeira vez que adoecia durante uma entrega . Por isso , tentei pedir a Hermes emprestada ... - Quem ? - A coruja que os meus pais compraram a o Percy quando ele foi nomeado prefeito - respondeu Fred . - Mas o Percy não me a emprestou . Disse que precisava de ela . - O Percy tem andado com atitudes muito estranhas este Verão - comentou George franzindo a testa . - E tem mandado imensas cartas e passado um tempo infinito fechado em o quarto ... enfim , pode limpar se e polir um distintivo de prefeito todas_as vezes que se quiser ... Estás a conduzir demasiado para ocidente , Fred - acrescentou apontando para uma bússola em o painel de o automóvel . Fred girou o volante . - Então , o vosso pai sabe que têm o carro ? - perguntou Harry , quase adivinhando a resposta . - Er ... não - disse o Ron . - Ele tinha trabalho esta noite . Felizmente vamos poder pô o de_novo em a garagem , sem a mãe perceber que andámos a voar nele . - A propósito , o que faz o vosso pai em o Ministério_da_Magia ? - Trabalha em o Departamento mais chato - respondeu Ron . - A Divisão de utilização incorrecta de artefactos de os Muggles . - O quê ? - Relaciona se com objectos de feitiçaria que foram feitos por os Muggles ; sabes como é , se forem parar de_novo a uma loja de os Muggles , ou a uma casa , como em o ano passado , quando morreu uma bruxa velha e o bule de ela foi vendido a uma loja de antiguidades . Uma mulher Muggle comprou o , tentou servir chá a os amigos . Foi um pesadelo , o pai teve de fazer horas extraordinárias durante semanas . - O que é_que aconteceu ? - O bule parecia louco , esguichou chá a ferver para todos os lados e um de os homens foi parar a o hospital com a pinça de o açúcar presa em o nariz . O pai ficou nervosíssimo . É só ele e o velho feiticeiro Perkings em o gabinete e tiveram de localizar e descobrir todo o tipo de encantamentos para resolver o assunto . - Mas o teu pai ... este carro ... Fred riu se . - Sim , o pai é louco por tudo_o_que tem que ver com os Muggles . A nossa arrecadação está cheia de coisas de os Muggles . Ele separa as , lança lhes feitiços e volta a pô as em o lugar . Se ele fizesse uma busca a nossa casa teria de se prender a si mesmo . A minha mãe fica louca com tudo aquilo . - É a estrada principal - gritou o George , apontando para baixo através de a janela . - Dentro_de poucos minutos estamos lá , mesmo a tempo , está a começar a clarear . Um leve brilho rosado tingia o horizonte para leste . Fred trouxe o carro para baixo e Harry pôde ver uma manta de retalhos de campos escuros e matas de arbustos . - Estamos um_pouco longe de a vila - disse George . - Em Ottery_St . Catchpole ... O carro voador foi descendo a os poucos . A luz avermelhada brilhava agora por_entre as árvores . - Terra - disse o Fred , em o momento em que tocaram em o chão com um ligeiro solavanco . Tinham aterrado perto_de uma garagem em ruínas em um pequeno pátio e Harry viu pela_primeira_vez a casa de o Ron . Parecia ter sido em tempos uma pocilga de pedra . Mas os quartos que posteriormente lhe tinham sido acrescentados haviam a tornado bastante mais alta e o seu aspecto era tão curvado que parecia ter sido construída por artes mágicas ( o que , pensou Harry , era , muito provavelmente , verdade ) . De o telhado vermelho saíam quatro ou cinco chaminés . Junto de a entrada , fixa em o chão , podia ver se uma inscrição assimétrica que dizia « A toca » . A o lado de a porta principal estava uma contusão de botas de * _ Wellington * e um caldeirão completamente enferrujado . Por o pátio passeavam se várias galinhas castanhas e gordas . - Não é grande coisa - desculpou se o Ron . - É óptima - exclamou Harry , feliz , pensando em Privet_Drive . Saíram de o carro . - Agora vamos lá para_cima sem fazer barulho - disse o Fred . - E esperamos que a mãe nos chame para o pequeno-almoço . Depois tu , Ron , desces a escada entusiasmadíssimo . - Mãe , olha quem apareceu cá durante a noite ! - E ela vai sentir se felicíssima quando vir o Harry . Assim ninguém fica a saber que levámos o carro voador . - Certo - disse o Ron . - Vamos , Harry , eu durmo em o ... Ron ganhou uma cor de um pálido esverdeado , os olhos fixos em a casa . Os outros três fizeram meia volta . Mrs._Weasley avançava por o pátio , afugentando as galinhas e , para uma mulher baixa , roliça e simpática , era fantástico como conseguia parecer se com um tigre dentes-de-sabre . - Ah ! - suspirou o Fred . - Oh , oh ! - exclamou o George . Mrs._Weasley parou em frente de eles . As mãos em as ancas , saltando de um olhar culpado para o outro . Usava um avental a as flores , com uma varinha a sair lhe de o bolso . - Com que então - disse . - Bom dia , mãe - arriscou o George com uma voz que tentou que fosse alegre e bem-disposta . - Vocês têm alguma ideia de como tenho estado preocupada ? - perguntou Mrs._Weasley em um murmúrio fraco . - Desculpe , mãe , mas sabe , nós tivemos que ... Os três filhos de Mrs._Weasley eram mais altos do_que ela , mas tremiam quando a fúria de a mãe se abatia sobre eles . - Camas vazias ! Nem um bilhete ! O carro desaparecido ... Podiam ter tido um acidente , estou fora de mim com tanta preocupação e vocês nem se importam ... nunca , enquanto eu for viva ... esperem só até o vosso pai chegar , nunca tivemos problemas de estes com o Bill , com o Charlie ou com o Percy ... - O perfeito Percy - resmungou Fred . - : __ tu não vales um dedo de a mão de o __ percy ! - gritou Mrs._Weasley , espetando um dedo em o queixo de o Fred . - Podias ter morrido , podias ter sido visto , podias ter feito com que o teu pai perdesse o emprego ... Parecia nunca mais acabar . Mrs._Weasley tinha gritado até ficar ronca , antes de se voltar para o Harry , que recuou . - Estou muito contente por te ver , Harry - disse . - Entra e vem tomar o pequeno-almoço . Ela voltou se e regressou a casa e Harry , depois de trocar um olhar nervoso com o Ron , que lhe acenou , encorajando o , seguiu a . A cozinha era pequena e bastante estreita . A meio havia uma enfezada mesa de madeira e cadeiras em volta e Harry sentou se a a beirinha de o assento , olhando em volta . Era a primeira vez que entrava em uma casa de feiticeiros . O relógio em a parede em frente de ele , tinha apenas um ponteiro e nenhum número . Em volta , estavam escritas frases como « Hora de fazer o chá » , « Hora de dar de comer a as galinhas « e « Estás atrasado » . Empilhados em o rebordo de a lareira estavam livros com títulos como * _ Encanta o teu próprio queijo , Encantamento em a cozedura de o pão e Banquetes em um minuto - é mágico * ! E , a menos que os ouvidos de Harry estivessem a traí o , o velho rádio próximo de o lava-loiças acabara de anunciar que a seguir vinha a Hora de enfeitiçar com a popular feiticeira-cantora Celestina_Warbeck . Mrs._Weasley fazia barulho com os talheres , preparando o pequeno-almoço um bocado a o acaso , lançando olhares furiosos a os filhos , enquanto lançava as salsichas em a frigideira . De vez em quando murmurava coisas como : « Não sei o que vos passou por a cabeça « ou « nunca devia ter confiado em vocês » . - Eu não te culpo , filho - tranquilizou Harry , pondo lhe sete ou oito salsichas em o prato . - Eu e o Arthur temos estado preocupados contigo . Ainda ontem a a noite estivemos a dizer que te iríamos buscar nós próprios se não respondesses a o Ron até sexta-feira . Mas , em a verdade ( estava agora a acrescentar três ovos estrelados a o prato de ele ) , atravessar metade de o país a voar em um carro ilegal , qualquer um vos poderia ter visto ... Agitou maquinalmente a varinha em a direcção de o lava-loiças , onde a loiça começou a lavar se sozinha , tinindo baixinho lá atrás . - Estava enevoado , mãe ! - exclamou o Fred . - Boca fechada enquanto comes ! - interrompeu Mrs._Weasley . - Eles estavam a fazê o passar fome , mãe ! - disse o George . - E tu também ! - disse Mrs._Weasley , mas já foi com uma expressão mais doce que começou a cortar o pão para Harry e a barrá o com manteiga . Em esse momento , as atenções voltaram se para um pequenino volto de cabelos ruivos , em uma camisa de dormir até a os pés , que surgiu em a cozinha , deu um grito agudo e desapareceu de_novo . - É a Ginny - disse Ron baixinho a o Harry -- , a minha irmã . Tem falado de ti todo o Verão . - Sim , ela vai querer o teu autógrafo , Harry - riu se o Fred , mas o seu olhar cruzou se com o de a mãe e inclinou se para o prato , não voltando a abrir a boca . Ninguém falou até os quatro pratos estarem limpos , o que sucedeu a uma velocidade surpreendente . - Bolas , estou cansado - bocejou Fred , pousando a faca e o garfo . Acho que me vou deitar e ... - Não vais , não senhor - interrompeu Mrs._Weasley . - A culpa é tua se ficaste toda_a noite acordado . Vais fazer a des-gnomização de o jardim . Eles estão outra_vez a exagerar . - Oh , mãe ... - E vocês os dois o mesmo - dirigiu se a o Ron e a o Fred . - Tu podes ir para a cama , filho - disse a Harry . - Não lhes pediste que guiassem aquele carro miserável . Mas Harry , que se sentia acordadíssimo , respondeu prontamente : - Eu ajudo o Ron , nunca vi uma des-gnomização ... - É muito simpático de a tua parte , querido , mas é um trabalho chato - explicou Mrs._Weasley . - Vejamos o que o Lockhart tem a dizer acerca disto . E puxou de o rebordo de a lareira um livro pesadíssimo . George resmungou : - Mãe , nós sabemos * des-gnomizar * o jardim . Harry olhou para a capa de o livro de Mrs._Weasley . Em grandes letras douradas , que ocupavam grande parte de a capa , podia ler se Guia_de_Gilderoy_Lockhart para pragas caseiras . Via se também a grande fotografia de um feiticeiro bem-parecido , de cabelos loiros ondulados e olhos azuis brilhantes . Como sempre , em o mundo de os feiticeiros , a fotografia mexia se . O feiticeiro , que Harry calculou ser Gilderoy_Lockhart , não parava de lhes piscar os olhos descaradamente . Mrs._Weasley sorriu lhe . - Oh , ele é fantástico - disse . - Conhece bem as pragas caseiras . É um livro maravilhoso . - A mãe adora o - disse Fred em um murmúrio bastante audível . - Não sejas ridículo , Fred - repreendeu Mrs._Weasley com as bochechas coradas . - É claro que se achas que sabes mais do_que o Lockhart , podes ir fazer o trabalho e ai de ti se houver um único gnomo em o jardim quando eu for fazer a inspecção . A bocejar e a resmungar , os Weasley arrastaram se lá para fora com Harry atrás de eles . O jardim era grande e , em a opinião de Harry , exactamente como deveria ser um jardim . Os Dursleys não teriam gostado . Havia uma enorme quantidade de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada , mas havia árvores nodosas em volta de as paredes , plantas que Harry nunca vira , tombando de todos os canteiros e um grande lago verde cheio de rãs . - Os Muggles também têm gnomos de jardim , sabes - disse o Harry a o Ron , enquanto atravessavam a relva . - Sim , já vi essas coisas que eles pensam que são gnomos - disse o Ron todo dobrado , com a cabeça em uma moita de peónias . - Como os Pais_Natais gordinhos com canas de pesca ... Houve um tumulto ruidoso , a moita de peónias estremeceu e Ron endireitou se . - Isto_é um gnomo - declarou com um ar sério . - Larga eu ! Larga eu ! - guinchou o gnomo . Não se parecia em absoluto com o Pai_Natal . Era pequenino e parecia de couro , com uma grande cabeça protuberante e calva , precisamente como uma batata . Ron agarrou o a a distância de um braço , enquanto ele dava pontapés em o ar com os seus pézinhos que pareciam chifres . Agarrou o por os tornozelos e voltou o de pernas para o ar . - Isto_é o que tens de fazer - disse . Levantou o gnomo acima de a cabeça ( Larga eu ! ) e começou a balouçá o em grandes círculos , como os vaqueiros fazem com os laços . A o ver a expressão chocada de Harry , Ron explicou : - Não os mágoa . Só tens de os deixar bem tontos para que consigam encontrar o caminho de regresso a os buracos de os gnomos . Largou os tornozelos de o gnomo . Ele voou seiscentos metros e aterrou com um ruído surdo em o campo a o lado de a sebe . - Deplorável - afirmou o Fred . - Aposto que consigo lançar o meu para_além de aquele tronco . Harry aprendeu rapidamente a não sentir muita pena de os gnomos . Decidira largar o primeiro que apanhou para_além de a sebe , mas o gnomo , sentindo fraqueza , enfiou os seus dentinhos , aguçados como laminas , em o dedo de o Harry e não foi fácil sacudi o para ele o largar , até que ... - Uau , Harry , esse deve ter sido seiscentos metros ... O ar estava subitamente cheio de gnomos voadores . - Vês , eles não são muito espertos - afirmou o George , agarrando cinco ou seis de uma_vez . - Em o momento em que se apercebem que começou a * des-gnomização * , aparecem todos para espreitar . Era de esperar que já tivessem aprendido a ficar quietinhos . Rapidamente a multidão de gnomos começou a ir se embora , atravessando os campos em uma fila ordenada , com os pequeninos ombros arqueados . - Eles voltam - disse o Ron enquanto os via desaparecer em a sebe de o outro lado de o campo . - Eles adoram estar aqui ... o pai é muito mole com eles , acha lhes piada . Em esse momento , a porta de a frente bateu . - Ele já voltou ! - exclamou o George . - O pai já está em casa ! Apressaram se a entrar . Mr._Weasley tinha se afundado em uma de as cadeiras de a cozinha , sem óculos e com os olhos fechados . Era um homem magro , quase calvo , mas o pouco cabelo que tinha era tão ruivo como o de os filhos . Vestia um longo manto verde cheio de pó e estava cansado de a viagem . - Que noite - murmurou , tacteando em busca de o bule , enquanto todos se sentavam a a volta de ele . - Nove assaltos , nove ! E o velho Mundungs_Fletcher tentou lançar me um feitiço quando eu estava de costas . Mr._Weasley tomou um bom gole de chá e suspirou . - Encontrou alguma coisa , pai ? - perguntou Fred ansiosamente . - Só encontrei algumas chaves encolhidas e uma chaleira que mordia - bocejou Mr._Weasley . - Havia um material bastante mauzinho , mas não era de o meu departamento . O Mortlake foi levado para ser interrogado sobre uns furões extremamente antigos , mas isso pertence a a Comissão_dos_Feitiços_Experimentais , graças_a Deus . - Por_que é_que alguém ia dar se a o trabalho de fazer encolher chaves ? - perguntou George . - Para chatear os Muggles - suspirou Mr._Weasley . - Vende se lhes uma chave que não pára de encolher , até que desaparece , de_modo_a que nunca a encontrem quando precisam ... É claro que é muito difícil condenar alguém , porque nenhum Muggle é capaz de admitir que a sua chave está a encolher , insistem em que estão sempre a perdê a . Benditos sejam , vão até onde for preciso para ignorar a magia , mesmo_que ela esteja em frente de os seus narizes ... mas vocês não acreditariam em as coisas que o nosso grupo tem levado para enfeitiçar ... - : __ como carros , por __ exemplo ? Mrs._Weasley tinha aparecido , segurando um grande atiçador que parecia uma espada . Os olhos de Mr._Weasley abriram se de repente , fitando a mulher com um ar culpado . - C-carros , Molly querida ? - Sim , Artur , carros - afirmou Mrs._Weasley , os olhos a faiscar . - Imagina um feiticeiro a comprar um carro velho e enferrujado e dizer a a mulher que a única coisa que queria fazer com ele era desmontá o para ver como ele funcionava , enquanto em a verdade estava a enfeitiçá o para o fazer voar . Mr._Weasley piscou os olhos . - Bem , querida , acho que poderás constatar que não é ilegal fazer isso , embora , er , talvez ele devesse ter contado a verdade a a mulher ... Existe uma forma de tornear a lei , já_que ela diz que ... desde_que não se tenha a * intenção * de voar em o carro , o facto de ele poder voar , não ... - Arthur_Weasley tu arranjaste essa forma de tornear a lei quando a escreveste ! - gritou Mrs._Weasley . - Para poderes continuar a remexer em todo aquele lixo de os Muggles que tens em a arrecadação ! E , para tua informação , o Harry chegou hoje_de_manhã em o carro que tu não pretendias pôr a voar ! - Harry ? - perguntou Mr._Weasley sem expressão . - Qual Harry ? Olhou em volta , viu Harry e deu um salto . - Santo_Deus , é Harry_Potter ? Muito prazer , o Ron falou nos tanto de si ... - * _ O teu filho conduziu aquele carro até a a casa de o Harry e de volta até aqui em a noite passada ! * - gritou Mrs._Weasley . - O que tens a dizer a esse respeito ? - A sério ! ? - exclamou Mr._Weasley com vivacidade . - Correu tudo bem , quero dizer ... - vacilou a o ver os olhos de Mrs._Weasley que faiscavam . - Er , fizeram mal , rapazes , muito mal , mesmo ... - Vamos deixá os a os dois - murmurou o Ron , enquanto Mrs._Weasley inchava como um sapo gigantesco . - Vamos , vou mostrar te o meu quarto . Esgueiraram se de a cozinha e desceram uma passagem estreita que dava para uma escada desnivelada que ziguezagueava a o longo de a casa . Em o terceiro andar , estava uma porta entreaberta . Harry só teve tempo de ver um par de olhos castanhos brilhantes que o olhavam fixamente , antes de a porta se fechar com um estalido . - A Ginny - disse o Ron . - Não imaginas como é estranho vês a tão tímida , ela que quase nunca se cala ... Subiram mais dois andares , até chegarem a uma porta com a tinta a descascar e uma pequena placa dizendo : « Quarto_do_Ronald » . Harry entrou . A cabeça quase tocava em o tecto inclinado . Piscou os olhos . Era como entrar dentro_de uma fornalha : quase tudo em o quarto de o Ron tinha um violento matiz alaranjado : a colcha de a cama , as paredes , até o tecto . Em seguida , apercebeu se de que o Ron tinha coberto cada centímetro de o velho papel de parede com * posters * de as mesmas sete feiticeiras e feiticeiros , todos vestidos com brilhantes mantos cor de laranja , transportando vassouras e acenando entusiasticamente . - A tua equipa de Quidditch ? - perguntou Harry . - Os Chudley_Cannons - disse Ron , apontando para a colcha cor de laranja que tinha um brasão com dois C's gigantes e uma bala de canhão a_toda_a velocidade . - Nono em a Liga . Os livros de estudo de feitiços de Ron estavam empilhados desordenadamente a um canto , junto de um monte de B. _ D. , todas elas relativas a as * _ Aventuras_de_Martin_Miggs , o Muggle louco * . A varinha mágica de o Ron estava em_cima_de um aquário cheio de ovos de rã sobre o peitoril de a janela , junto de o seu rato gordo e cinzento , Scabbers , que dormia uma soneca a o sol . Harry passou por_cima_de um baralho de cartas de jogar com vontade própria , que estava caído em o chão , e olhou para fora de a janelinha . Em o campo , não muito longe , podia ver um grupo de gnomos a esgueirarem se , um a um , de_novo para a sebe de os Weasley . Em seguida , voltou se para Ron que o observava nervoso , como_se esperasse a opinião de ele . - É um_pouco pequeno - declarou o Ron muito depressa . - Não se parece nada com o quarto que tu tinhas em casa de os Muggles . E estou mesmo debaixo de o vampiro de o sótão . Ele anda sempre a bater nos canos e a gemer ... Mas Harry , com um grande sorriso , disse lhe : - Esta é a melhor casa em que eu já estive . As orelhas de Ron ficaram cor-de-rosa . IV_Na_Flourish and Blotts_A vida em a Toca era o mais diferente que é possível de a vida em Privet_Drive . Os Dursleys gostavam de tudo limpo e arrumado , em casa de os Weasleys explodia o estranho e o inesperado . Harry teve um choque de a primeira vez que olhou para o espelho que estava sobre a lareira de a cozinha e ele gritou : - Mete para dentro a camisa , * desmazelado ! * - O vampiro de o sótão gemia e batia nos canos , sempre_que sentia as coisas demasiado calmas e as pequenas explosões em o quarto de o Fred e de o George , eram consideradas perfeitamente normais . Mas o que o Harry achou mais bizarro em a vida em casa de o Ron , não foi o espelho que falava , nem o vampiro barulhento , foi o facto de todos ali em casa parecerem gostar de ele . Mrs._Weasley preocupava se com o estado de as suas meias e tentava obrigá o a servir se quatro vezes a cada refeição . Mr._Weasley gostava que Harry se sentasse a o lado de ele a a mesa para poder bombardeá o com perguntas sobre a vida com os Muggles , pedindo que lhe explicasse como funcionavam coisas como as canalizações e o serviço de os correios . - Fascinante ! - exclamava , enquanto Harry lhe explicava a utilização de o telefone . - Engenhoso , de facto , todas_as maneiras que os Muggles encontraram para passar sem a magia . Harry teve notícias de Hogwarts em uma manhã de sol , cerca de uma semana depois de ter chegado a a Toca . Quando , ele e o Ron desceram para tomar o pequeno-almoço , encontraram Mr. e Mrs._Weasley e Ginny já sentados a a mesa . Em o momento em que viu o Harry , Ginny entornou a tigela de os cereais , que caiu a o chão com grande espalhafato . Ginny entornava facilmente coisas sempre_que o Harry estava em a sala . Mergulhou debaixo de a mesa para apanhar a tigela e emergiu com o rosto a brilhar como o sol poente . Fingindo não ter dado por nada , Harry sentou se e aceitou a torrada que Mrs._Weasley lhe ofereceu . - Cartas de a escola - disse Mr._Weasley , passando a o Harry e a o Ron envelopes idênticos de pergaminho amarelado , com a morada escrita a tinta verde . - O Dumbledore já sabe que estás aqui , Harry , não perde nada aquele homem . Vocês os dois também - acrescentou , enquanto Fred e George deambulavam em a casa , ainda em pijama . Fez se silêncio durante alguns momentos , enquanto liam as respectivas cartas . A de o Harry dizia para apanhar o Expresso_de_Hogwarts , como sempre em a Estação_de_King's_Cross , em o dia_1_de_Setembro . Havia ainda uma lista de os livros que precisaria para o próximo ano . Os alunos de o segundo ano deverão ter : * _ O_Livro_Padrão_de_Feitiços , Grau 2 , por Miranda_Goshawk . * _ Ensinamentos_de_Uma_Fada_Carpideira , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Férias com Bruxas , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Duendes , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Lobisomens , por Gilderoy_Lockhart . * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves , por Gilderoy_Lockhart * . Fred , que terminara a sua própria lista , espreitou para a de o Harry . - Também te mandam comprar os livros de o Lockhart - disse . - A professora de defesa contra as artes negras deve ser fanática . Aposto que é uma bruxa . Nessa_altura , Fred percebeu o olhar de a mãe e apressou se a comer o doce de laranja . - Esse conjunto não vai ficar barato - disse George , olhando rapidamente para os pais . - Os livros de o Lockhart são de os mais dispendiosos ... - Cá nos havemos de arranjar - declarou Mrs._Weasley , mas parecia preocupada . - Espero que pelo_menos para a Ginny possamos arranjar uma data de coisas em segunda mão . - Ah , vais entrar este ano para Hogwarts ? - perguntou lhe Harry . Ela fez um aceno , corando até a a raiz de os cabelos ruivos e meteu o cotovelo em o pires de a manteiga . Felizmente ninguém deu por nada , a não ser o Harry , porque em esse momento o irmão mais velho de Ron , o Percy , entrou . Já estava vestido , com a placa de prefeito aplicada a a sua camisola de malha . - Bom dia a todos - disse , cheio de vivacidade . - Está um dia lindo . Puxou a única cadeira livre , mas deu um salto quando ia sentar se e , debaixo de ele , saltou um espanador cinzento de penas , pelo_menos , foi o que o Harry pensou até ver que ele respirava . - Errol ! - exclamou Ron , afastando a coruja de o Percy e retirando lhe debaixo de a asa uma carta . - Até que enfim , a resposta de a Hermione . Escrevi lhe a contar que íamos tentar raptar te de casa de os Dursleys . Levou Errol para um poleiro que havia junto a a porta de as traseiras e tentou colocá a lá em cima , mas Errol caiu redonda e Ron teve de a pôr em a pia , murmurando : - Patético . - Em seguida , abriu a carta de a Hermione e leu a em voz alta . * _ Querido_Ron e Harry , se aí estiveres . Espero que tudo tenha corrido bem , que o Harry esteja O. _ K. e que não tenham feito nada ilegal para conseguir trazes o , porque isso podia criar lhe problemas também a ele . Tenho estado muito preocupada e , se o Harry estiver bem , por favor digam me qualquer coisa rapidamente , mas talvez seja melhor usarem uma nova coruja , porque acho que outra entrega pode acabar como esta . * _ Estou muito atarefada com trabalho de a escola , claro * . - Como é possível ? - perguntou Ron , horrorizado . - Estamos em férias ! - * _ E vamos para Londres em a próxima quarta-feira para comprar os meus livros novos . Porque não nos encontramos em a Diagon-al ? * _ Dêem-me notícias vossas o mais depressa possível . * _ Carinhosamente_Hermione * - Bem , parece uma boa solução , podemos ir todos comprar as vossas coisas - disse Mrs._Weasley , começando a limpar a mesa . - O que vão fazer hoje ? Harry , Ron , Fred e George tinham planeado ir a o cimo de o monte a um pequeno cercado de cavalos que os Weasleys possuíam . Estava rodeado de árvores que lhe tapavam a vista de a cidade cá em baixo , o que quer_dizer que podiam praticar Quidditch , desde_que não voassem muito alto . Não podiam usar as verdadeiras bolas de Quidditch pois seria muito difícil explicar se elas escapassem e voassem sobre a cidade . Em vez de elas , lançavam maçãs para os outros apanharem . Faziam turnos para montar a Nimbus dois_mil , que era de longe a melhor vassoura . A velha Shooting_Star_de_Ron fora muitas_vezes ultrapassada por as borboletas que passavam . Cinco minutos mais tarde estavam a marchar por o monte acima , de vassouras a o ombro . Tinham perguntado a o Percy se ele queria juntar se a eles , mas ele alegara muito trabalho . Até esse dia , Harry só tinha visto Percy a a hora de as refeições , ele ficava em silêncio em o quarto o resto de o tempo . - Gostava de saber o que ele anda a fazer - afirmou Fred , de testa franzida . - Não parece o mesmo . O resultado de os exames veio um dia antes de tu chegares : doze N_F_V e ele nem se manifestou satisfeito . - Níveis_de_Feitiçaria_Vulgares - explicou o George , vendo o olhar atarantado de Harry . - Se não temos cuidado , ainda nos calha outro Chefe_de_Turma em a família . Acho que não suportaria a vergonha . Bill era o mais velho de os irmãos Weasley . Ele e o irmão a seguir , Charlie , já tinham saído de Hogwarts . Harry não conhecia nenhum de os dois , mas sabia que o Charlie estava em a Roménia a estudar dragões e o Bill em o Egipto a trabalhar em o banco de os feiticeiros : Gringotts . - Não sei como o pai e a mãe vão arranjar dinheiro para nos pagar o material escolar este ano - disse o George , passado um bocado . - Cinco conjuntos de livros de o Lockhart ! E a Ginny precisa de mantos e de uma varinha e tudo_isso ... Harry não disse nada . Sentiu se um_pouco incomodado . Fechada em um cofre subterrâneo , em o banco de Gringotts_de_Londres , estava uma pequena fortuna que os pais lhe tinham deixado . É claro que só tinha esse dinheiro em o mundo de os feiticeiros , não se podem usar Galeões , Leões e Janotas em as lojas de os Muggles . Ele nunca fizera referência a a sua conta bancária em Gringotts a os Dursleys . Não lhe parecia que o horror que eles sentiam por tudo_o_que se relacionava com a feitiçaria se estendesse a uma enorme pilha de barras de ouro . Mrs._Weasley acordou os a todos bem cedo , em a quarta-feira seguinte . Depois de comerem umas doze sanduíches de * bacon * cada_um , enfiaram os casacos e Mrs._Weasley tirou um vaso de a prateleira de o fogão de a cozinha e espreitou lá para dentro . - Está a acabar se , Arthur - suspirou . - Temos de comprar mais hoje ... Bem , os hóspedes primeiro . Passa , Harry querido ! E ofereceu lhe o vaso de flores . Harry olhou espantado enquanto todos eles o observavam . - O q-que é_que eu devo fazer ? - gaguejou . - Ele nunca viajou com o pó de Floo - disse o Ron subitamente . - Desculpa , Harry , esqueci me . - Nunca ? - perguntou Mrs._Weasley . - Mas então como chegaste a a Diagon - _ Al em o ano passado para comprar as tuas coisas ? -- Fui por o subterrâneo . - A sério ? - disse Mr._Weasley , entusiasmado . - Havia fugitivos ? Como é_que ... - Agora não , Arthur - disse Mrs . Weasley . - O pó de Floo é muito mais rápido , querido , mas , valha me Deus , se ele nunca o usou ... - Vai correr bem , mãe - disse o Fred . - Harry observa nos primeiro . Tirou uma pitada de pó brilhante de dentro de o vaso , aproximou se de o lume e lançou o pó em as chamas . Com um rugido , o fogo ficou verde-esmeralda e elevou se a uma altura superior a a de o Fred que avançou , gritando Diagon - _ Al ! E desapareceu . - Tens de falar claramente , filho - disse Mrs._Weasley a o Harry , ao_mesmo_tempo que George metia a mão em o vaso de as flores . - E vê se sais em o fogão certo . - Em o quê ? - perguntou Harry , nervoso , enquanto o lume crepitava e fazia George desaparecer também . - Bem , há imensos fogos de feiticeiros , mas desde_que te tenhas expressado claramente ... - Ele vai conseguir , Molly , não te preocupes - disse Mr._Weasley , tirando também ele algum pó . - Mas querido se ele se perde como é_que vamos justificar nos perante o tio e a tia de ele ... -- Eles não se importariam - tranquilizou a Harry . - O Dudley ia achar imensa piada se eu me perdesse em uma chaminé , não se preocupe . - Bem , em esse caso ... tu vais a seguir a o Arthur - disse Mrs._Weasley . - Logo_que entres em o fogo diz para_onde queres ir . - E mantém os cotovelos dobrados - preveniu o Ron . - E os olhos fechados - disse Mrs._Weasley . - A fuligem . - Não te enerves - disse o Ron . - Senão podes ir parar a a lareira errada . - Não entres em pânico e não queiras sair cedo de mais . Espera até veres o Fred e o George . Fazendo um enorme esforço por reter toda aquela informação , Harry tirou uma pitada de pó de Floo e avançou para a beirinha de o fogo . Respirou fundo , espalhou o pó em as chamas e entrou . O fogo parecia uma brisa quente . Abriu a boca e engoliu , de imediato , uma grande quantidade de cinzas quentes . D-dia-gon-al - tossiu . Sentiu se como_se estivesse a ser sugado para um buraco gigantesco . Como_se girasse muito depressa ... o ruído era ensurdecedor . Tentou manter os olhos abertos mas o turbilhão de chamas verdes fê lo enjoar ... algo duro bateu lhe em o cotovelo e dobrou o de imediato . Continuava a rodar , a rodar ... sentia se agora como_se várias mãos frias estivessem a bater lhe em a cara ... Espreitando através de os óculos , viu uma torrente imprecisa de fogões e captou lampejos de as salas que estavam por detrás ... as sanduíches de * bacon * davam lhe a volta dentro de o estômago ... fechou os olhos desejando que tudo aquilo parasse e então caiu , de cara em o chão , em a pedra fria e sentiu os óculos partirem se a os bocados . Desorientado e ferido , coberto de fuligem , pôs se cautelosamente de pé , levando a os olhos os óculos partidos . Estava completamente só e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava . Tudo_o_que podia dizer era que a o seu lado via uma lareira que lhe parecia ser a de uma enorme e indistinta loja de feitiçaria . Mas nenhum de os artigos que ali se encontravam tinham aspecto de fazer parte de a lista de a escola de Hogwarts . Em uma caixa de vidro podia ver se uma mão atrofiada que repousava sobre uma almofada , um baralho de cartas ensanguentado e um olho de vidro que o olhava fixamente . Máscaras de expressão maldosa enchiam as paredes , olhando de esguelha , uma enorme quantidade de ossos humanos estendia se sobre o balcão e , de o tecto , pendiam instrumentos aguçados com pontas de ferro e pregos enferrujados . Mas o pior é_que a rua estreita e escura , que Harry conseguia avistar através de a janela poeirenta de a loja , não era de modo algum a Diagon-al . Quanto_mais depressa saísse de ali , melhor . O nariz ainda a doer lhe em o sítio onde batera em o chão a o aterrar , Harry avançou rápida e silenciosamente em direcção a a porta , mas antes de conseguir chegar a meio caminho , duas pessoas apareceram de o lado de_fora de o vidro , e uma de elas era a última pessoa que Harry desejaria encontrar em o momento em que se encontrava perdido , coberto de fuligem e com os óculos partidos , Draco_Malfoy . Harry olhou rapidamente em volta e apercebeu se de a existência de um grande armário escuro a a sua esquerda , saltou lá para dentro e fechou as portas , deixando uma gretazinha para poder espreitar . Segundos depois , uma campainha tocava e Malfoy entrava em a loja . O homem que o acompanhava só podia ser o pai . Tinha o mesmo rosto pálido de feições agudas e os mesmos olhos cinzentos de gelo . Mr._Malfoy atravessou a loja , olhando maquinalmente para os artigos expostos e tocou a campainha de o balcão , antes de se voltar para o filho , dizendo : - Não mexas em nada , Draco . Malfoy , que vira o olho de vidro , disse : - Pensei que ias oferecer me um presente . - Eu prometi que ia comprar te uma vassoura de corrida - declarou o pai , tamborilando com os dedos sobre o balcão . - Para que é_que me serve , se não estou em a equipa de Quidditch ? - perguntou Malfoy , carrancudo e de mau humor . - O Harry_Potter teve uma Nimbus dois_mil o ano passado , com a autorização especial de o Dumbledor é para jogar em os Gryffindor . Ele nem é assim tão bom , é só por ser * famoso * ... famoso por ter uma estúpida cicatriz em a testa . Malfoy baixou se para observar uma prateleira cheia de crânios . - Todos acham que ele é tão esperto , o Potter maravilha , com a sua cicatriz e a sua vassoura ... - Já me disseste isso doze vezes pelo_menos - comentou Mr._Malfoy , olhando repressivamente para o filho . - E devo lembrar te que não é prudente parecer menos do_que amigo de Harry_Potter , quando a maior parte de a nossa gente vê em ele um herói que fez desaparecer o Senhor_do_Mal . Ah , Mr._Borgin . Um homem curvado surgiu por detrás de o balcão , puxando o cabelo gorduroso para trás . - Mr._Malfoy , que prazer vês o de_novo - disse Mr._Borgin , em uma voz tão untuosa como o cabelo . - Encantado , e o nosso jovem Malfoy também , encantado . Em que posso servi os ? Tenho que vos mostrar o que chegou hoje , a um preço muito razoável ... - Hoje não venho comprar , Mr._Borgin , e sim vender - afirmou Mr._Malfoy . - Vender ? - O sorriso apagou se lentamente em o rosto de Mr._Borgin . - Certamente ouviu dizer que o Ministério está a levar a cabo mais buscas - explicou o Mr._Malfoy , retirando de o bolso um rolo de pergaminho e desembrulhando o para Mr._Borgin o ler . - Eu tenho alguns , ah , artigos em casa que poderiam criar me problemas se o Ministério me batesse a porta . Mr._Borgin colocou em o nariz um par de * pince-nez * e olhou para a lista . - O Ministério não se lembraria de o incomodar certamente ... O lábio de Mr._Malfoy dobrou se . - Ainda não me fizeram nenhuma visita . O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito , mas o Ministério está a ficar cada_vez_mais intrometido . Há boatos sobre um novo decreto de protecção de os Muggles , sem dúvida que aquele mordido de as pulgas , adorador de os Muggles , que é o Arthur_Weasley deve estar por detrás de isso . Harry sentiu crescer a raiva . - E , como pode ver , alguns de estes venenos podiam dar a ideia ... - Compreendo perfeitamente , claro - disse Mr._Borgin . - Deixe me ver ... - Posso ter aquilo ? - interrompeu Draco , apontando para a mão raquítica que estava sobre a almofada . - Ah , a mão de a glória ! - exclamou Mr._Borgin , abandonando a lista de Mr._Malfoy e apressando se a responder a Draco . - Põe se lhe uma vela e ela só dá luz a quem a transporta ! A melhor amiga de os gatunos e de os salteadores , o seu filho tem gosto , senhor . - Espero que o meu filho venha a ser mais do_que gatuno ou salteador , Borgin - disse Mr._Malfoy friamente e Mr._Borgin respondeu logo : - Sem ofensa , senhor , sem querer ofender . - Embora , se as notas de a escola não melhorarem - disse Mr._Malfoy ainda mais friamente - esse possa vir a ser o único caminho possível para ele . - Não tenho culpa - retorquiu Draco . - Todos os professores têm os seus preferidos , aquela Hermione_Granger ... - Eu , em o teu lugar , teria vergonha que uma rapariga que nem_sequer pertence a famílias de feiticeiros , me passasse a a frente em todos os exames - interrompeu Mr._Malfoy . Ah - fez Harry baixinho , radiante por ver Draco atrapalhado e furioso . - É o mesmo em todo o lado - comentou Mr._Borgin em a sua voz untuosa . - O sangue de os feiticeiros conta cada_vez menos ... - Não para mim - afirmou Mr._Malfoy , com as longas narinas dilatadas . - Não senhor , nem para mim - concordou Mr._Borgin , inclinando se em uma vénia . - Em esse caso , talvez possamos voltar a a minha lista - disse Mr._Malfoy secamente . - Estou com alguma pressa , Borgin , tenho ainda hoje assuntos importantes a tratar em outro lado . Começaram a discutir os preços . Harry via nervosamente o Draco aproximar se de o seu esconderijo enquanto observava os objectos a a venda . Parou para examinar um enorme rolo de corda de carrasco e para ver , com um sorriso afectado , o cartão preso com um aparatoso laço de opalas onde podia ler se : * _ Cautela , não tocar . Amaldiçoado - reclama as vidas de dezanove donos , todos eles Muggles * . Draco voltou se e viu o armário mesmo em frente . Avançou , estendeu a mão para o puxador ... - Feito - disse Mr._Malfoy , a o balcão . - Vamos , Draco . Harry limpou a testa a a manga quando Draco se afastou . - Muito bom dia , Mr._Borgin . Espero por si amanhã em a mansão para ir buscar a mercadoria . Em o momento em que a porta se fechou , Mr._Borgin abandonou os seus modos subservientes . « Bom dia para o senhor , Mr._Malfoy , e , se as histórias que contam são verdadeiras , não me vendeu nem metade do_que tem escondido em a sua mansão ... » Murmurando de forma taciturna , Mr._Borgin desapareceu em uma sala escura . Harry esperou um minuto não fosse ele voltar e , em seguida , o mais silenciosamente possível , escapou se de o armário , passou por as caixas de vidro e saiu de a loja . Encostando os óculos partidos a o rosto , olhou em volta . Saíra em uma rua estreita e sombria que parecia composta exclusivamente de lojas dedicadas a as artes negras . Aquela de onde acabava de sair parecia ser a maior , mas em frente estava uma montra tétrica de cabeças encolhidas e duas portas abaixo podia ver se uma enorme caixa viva cheia de gigantescas aranhas pretas . Dois feiticeiros com aspecto pobre observavam o de a sombra de uma porta , murmurando entre si . Sentindo se nervoso , Harry pôs se a caminho , tentando agarrar os óculos a direito e não desistindo de a esperança de encontrar maneira de sair de ali . Por um cartaz de madeira , pendurado em a rua , indicando uma loja de venda de velas envenenadas , ficou a saber que se encontrava em a Rua * _ Bativolta * , mas isso não o ajudou pois Harry nunca ouvira falar em tal lugar . Calculou que não tinha pronunciado bem as palavras com a boca cheia de cinzas em a lareira de os Weasley . Tentando manter a calma perguntou a si mesmo o que havia de fazer . - Não estás perdido , pois não , meu menino ? - perguntou uma voz , mesmo junto de o seu ouvido , que o fez dar um salto . Uma bruxa idosa estava em a sua frente , segurando um tabuleiro de uma coisa que se parecia horrivelmente com unhas humanas . A mulher olhou o maldosamente , mostrando os dentes esverdeados . Harry recuou . - Estou bem , obrigado - disse . - Estou só ... - HARRY ! O qu'é que pensas que estás a fazer aqui ? O coração de Harry deu um salto , assim_como o de a bruxa . Um monte de unhas caíram lhe sobre os pés e ela praguejou , enquanto o corpo enorme de Hagrid , o guarda de os campos de Hogwarts , se aproximava de eles a passos largos com os olhos castanhos-escuros a faiscarem sobre a longa barba eriçada . - Hagrid - gritou Harry , aliviado . - Eu estava perdido ... o pó de Floo ... Hagrid agarrou Harry por o cachaço e puxou o para longe de a bruxa , tirando lhe o tabuleiro de as mãos . Os guinchos agudos de a feiticeira seguiram nos até a o fundo de a ruela serpenteante que ia dar a um lagar onde brilhava o sol . Harry avistou a a distância um edifício de mármore branco como a neve que lhe era familiar : o banco de Gringotts . Hagrid conduzira o até a a Diagon - _ Al . - ` _ tás em um péssimo estado ! - disse Hagrid bruscamente , sacudindo lhe a fuligem com tanta força que Harry quase caiu em um barril de estrume de dragão que se encontrava a a porta de um boticário . - A fugir , em a Rua * _ Bativolta * , eu não conheço esse lugar finório , Harry , não quero que ninguém te veja aqui em baixo . - Já percebi - disse Harry , baixando se quando Hagrid fez menção de o escovar melhor . - Já te disse que estava perdido . E o que é_que tu fazes aqui ? - ` _ Tou a a procura d'um repelente para as lesmas comedoras de legumes - resmungou Hagrid . - ` _ tão a destruir as couves todas de a escola . Tu não estás sozinho ? - Estou em casa de os Weasley , mas separámo nos explicou Harry . - Tenho que os encontrar . Desceram juntos a rua . - Por_que é_que nunca respondeste a as minhas cartas ? - perguntou Hagrid , enquanto Harry corria para o acompanhar ( tinha de dar três passos por cada enorme passada de Hagrid ) . Harry explicou lhe tudo sobre Dobby e os Dursleys . - Malditos_Muggles - rugiu Hagrid . - S'eu tivesse sabido ... - Harry ! Harry ! Aqui ! Harry olhou para_cima e viu Hermione_Granger em o topo de a escadaria de Gringotts . Desceu para vir a o encontro de ele , o cabelo castanho de caracóis , a esvoaçar atrás de ela . - O que aconteceu a os teus óculos ? Olá_Hagrid ... Oh , é maravilhoso ver vos outra_vez . Vens a Gringotts , Harry ? - Logo_que encontre os Weasley - respondeu ele . - Não vais ter d'esperar muito - riu se Hagrid . Harry e Hermione olharam em volta . Subindo a rua , em o meio de a multidão , vinham Ron , Fred , George , Percy e Mr._Weasley . - Harry - chamou Mr._Weasley , ofegante . - Tínhamos esperança que só tivesses ido um fogão mais longe ... - passou um pano em a sua calva reluzente . - A Molly está nervosíssima , aí vem ela . - Onde é_que tu saíste ? - perguntou o Ron . - Em a Rua * _ Bativolta * - disse o Hagrid , com um ar sério . - Sensacional ! - exclamaram Fred e George ao_mesmo_tempo . - Nunca nos deram autorização para lá ir - disse o Ron com uma pontinha de inveja . - E fizeram muito bem - grunhiu Hagrid . Mrs._Weasley chegou em aquele momento a correr , a mala a balouçar em uma de as mãos e Ginny quase pendurada em a outra . - Oh Harry , oh meu querido , podias ter ido parar a qualquer lugar ... Tentando recuperar o fôlego , tirou de a mala uma grande escova de roupa e começou a retirar a fuligem que Hagrid não conseguira expulsar . Mr._Weasley pegou em os óculos de Harry , deu lhes um toque de varinha e entregou lhe os como novos . - Bem , tenho de m'ir embora - disse Hagrid cuja mão estava a ser esmagada por Mrs._Weasley ( -- Rua * _ Bativolta * ! Se não o tivesses encontrado , Hagrid ! ) . - Vemo nos em Hogwarts . - E afastou se , os ombros e a cabeça acima de a multidão que enchia completamente a rua . - Adivinham quem eu vi em o Borgin and Burkes ? - perguntou Harry_a_Ron e a Hermione enquanto subiam as escadarias de Gringotts . - Malfoy e o pai . - O Lucius_Malfoy comprou alguma coisa ? - perguntou interessado Mr._Weasley que estava atrás de eles . - Não , estava a vender . - Então está preocupado - comentou Mr._Weasley com visível satisfação . - Ah , eu adorava apanhar o Lucius_Malfoy em alguma . . - Tem cuidado , Arthur - interrompeu Mrs._Weasley enquanto o gnomo porteiro lhes dava reverentemente entrada em o banco . - Isso é um problema de família . Não queiras ter mais olhos que barriga . - Queres dizer com isso que achas que eu não chego para o Malfoy ? - perguntou Mr._Weasley , indignado , mas foi rapidamente afastado de aqueles sentimentos a o avistar os pais de Hermione que estavam de pé , nervosamente encostados a o balcão que acompanhava a grande parede de mármore , a a espera que Hermione os apresentasse . - Mas vocês são Muggles ! - disse Mr._Weasley , encantado . - Temos de tomar uma bebida . O que é isso aí ? Ah , estão a trocar dinheiro de Muggle . Molly , olha - apontou cheio de excitação para as notas de dez libras que Mr._Granger tinha em a mão . - Encontramo nos aqui - disse Ron_a_Hermione , enquanto os Weasley e Harry eram conduzidos a os seus cofres em o subterrâneo de Gringotts . Para chegar a os cofres havia que tomar umas carrinhas conduzidas por gnomos que se deslocavam ao_longo_de carris de comboio de pequenas dimensões através de os túneis subterrâneos de o banco . Harry gostou de a viagem acidentada até a o cofre de os Weasley , mas sentiu se bastante mal , pior do_que em a Rua * _ Bativolta * , quando o cobre foi aberto . Havia lá dentro um pequenino monte de Leões de prata e apenas um Galeão de ouro . Mrs._Weasley foi com a mão a a procura em os cantos antes de , com um gesto rápido , varrer tudo para dentro de o saco . Harry sentiu se ainda pior quando chegaram a o seu cofre . Tentou evitar que vissem o conteúdo enquanto empurrava apressadamente mãos cheias de moedas para dentro_de uma sacola de cabedal . Lá fora , em as escadarias de mármore , separaram se . Percy murmurou vagamente que precisava de uma nova pena de escrever . Fred e George tinham avistado um amigo de Hogwarts , Lee_Jordan . Mrs._Weasley e Ginny iam a uma loja de mantos em segunda mão , Mr._Weasley continuava a insistir em levar os Grangers a o Caldeirão_Escoante para lhes pagar uma bebida . - Encontrarmo nos todos em a Flourish and Blotts dentro_de uma hora para comprar os vossos livros de estudo - disse Mrs._Weasley , afastando se com Ginny . - E nem um passo em direcção a a Rua * _ Bativolta * - gritou a os gémeos que estavam de costas . Harry , Ron e Hermione deambularam por a rua empedrada e sinuosa . O ouro , prata e bronze que tilintavam alegremente em o saco que Harry tinha em o bolso pareciam exigir ser gastos , por isso ele comprou três enormes gelados de morango e manteiga de amendoim que eles devoraram felizes enquanto vagueavam sem destino por a rua fora , observando as montras fantásticas de as lojas . Ron olhou longamente para um conjunto completo de mantos de o Chudley_Cannon , em as montras de o « Equipamento_de_Quidditch_de_Qualidade » até Hermione o arrastar de ali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos . Em a « Jogos_de_Feitiçaria_de_Gambol and Japes » encontraram o Fred , o George e o Lee_Jordan que estavam presos em a fabulosa partida debaixo_de chuva e em os fogos-de-artifício de o Dr._Filibuster . E em uma pequenina loja de velharias cheia de varinhas partidas , balanças instáveis de latão e mantos velhos cobertos de nódoas de poções encontraram Percy profundamente concentrado em um pequenino livro , bastante chato , chamado * _ Prefeitos que conquistam o poder * . - * _ Um estudo sobre os prefeitos de Hogwarts e as suas posteriores carreiras * - leu alto o Ron em a contracapa . - Deve ser fascinante ... - Desaparece - gritou Percy . - Claro , ele é muito ambicioso , já tem tudo planeado . Quer ser ministro de a magia - disse o Ron baixinho a o Harry e a a Hermione , enquanto deixavam Percy entregue a o livro . Uma hora mais tarde dirigiram se a a Flourish and Blotts . Não eram de modo algum os únicos a encaminhar se para a livraria . À_medida_que se aproximavam viram com grande surpresa uma grande multidão a a porta , tentando entrar em a loja . O motivo de tal confusão estava anunciado em um cartaz que se estendia a o longo de a montra superior . GILDEROY_LOCKHART_Assinará exemplares de a sua autobiografia " eu , o mágico " Hoje 12.30 - 16.30 - Vamos poder conhecê o ! - gritou Hermione . - Quero dizer , ele escreveu quase todos os livros de a nossa lista ! A multidão parecia ser maioritariamente composta por bruxas de a idade de Mrs._Weasley . Um feiticeiro bem-parecido estava de pé junto de a porta , dizendo : - Calma , minhas senhoras , não empurrem , cuidado com os livros . Harry , Ron e Hermione conseguiram furar e entrar . Uma longa fila serpenteava para as traseiras de a loja onde Gilderoy_Lockhart estava a assinar os seus livros . Cada_um de eles pegou em um exemplar de * _ ensinamentos de Uma Fada_Carpideira * e escaparam se de a fila indo ter a o lugar onde se encontravam os outros com Mr. e Mrs._Granger . - Ah , aí estão vocês . _ óptimo - disse Mrs._Weasley que parecia estar com falta de ar e não parava de mexer em o cabelo . - Vamos poder vês o dentro_de um minuto . Gilderoy_Lockhart veio lentamente até um lugar onde era visível para todos , sentou se a uma mesa , rodeado de grandes fotografias de o próprio rosto , todo ele sorrisos , mostrando a a multidão o brilho cintilante de os seus dentes . Lockhart usava uma túnica azul-noite que condizia a as mil maravilhas com a cor de os olhos , o chapéu pontiagudo de feiticeiro colocado lateralmente sobre o cabelo ondulado . Um homenzinho pequenino e irritante andava a dançar de um lado para o outro , tirando fotografias com uma grande máquina preta que lançava baforadas de fumo arroxeado em cada * flash * . - Sai de o caminho , tu aí - disse rispidamente a o Ron , mudando de lugar para ter um angulo melhor . - Este é para o * _ Profeta_Diário * . - Grande coisa ! - exclamou o Ron , esfregando os pés em o lugar que o fotógrafo pisara . Gilderoy_Lockhart ouviu o . Olhou , viu o Ron e em seguida Harry . Voltou a olhar , desta_vez com mais atenção . Em seguida , pôs se de pé e gritou : - Não pode ser , o Harry_Potter ? A multidão dividiu se entre murmúrios de excitação . Lockhart aproximou se , agarrou Harry por um braço e levou o para a frente . A multidão rebentou em aplausos . A cara de Harry ardia quando Lockhart lhe apertou a mão para o fotógrafo que disparava como um louco , lançando fumo espesso para_cima de os Weasley . - Belo sorriso , Harry - disse Lockhart através de os seus dentes brilhantes . - Tu e eu juntos merecemos a primeira página . Quando por fim lhe largou a mão , Harry quase não sentia os dedos . Tentou recuar para junto de os Weasley , mas Lockhart lançou lhe um braço por os ombros e prendeu o a o seu lado . - Minhas senhoras e meus senhores - disse bem alto , fazendo sinal para que se acalmassem . - Que momento extraordinário este ! O momento perfeito para eu anunciar algo que tenho vindo a guardar comigo desde_há algum tempo . - Quando o jovem Harry entrou em a Flourish and Blotts hoje , ele queria apenas comprar a minha autobiografia , que tenho agora o maior prazer em oferecer lhe - a multidão aplaudiu de_novo . - Ele não tinha ideia - continuou Lockhart , dando a o Harry um pequeno encontrão que fez com que os óculos lhe escorregassem para a ponta de o nariz - de que ia conseguir em_breve muito mais do_que o meu livro Eu , o mágico . Ele e os seus colegas de a escola vão receber , de facto , o verdadeiro * _ Eu , o mágico * . Sim , minhas senhoras e meus senhores , tenho o maior prazer em anunciar que em o mês_de_Setembro assumirei o lugar de professor de Defesa contra as artes negras em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts ! A multidão aplaudiu e bateu palmas e Harry deu consigo a ser presenteado com a obra completa de Gilderoy_Lockhart . Cambaleando ligeiramente sob o peso de os livros conseguiu abrir caminho para longe de os projectores até a a porta de a sala onde estava Ginny com o seu novo caldeirão . - Podes ficar com estes - murmurou Harry , enfiando os livros em o caldeirão . - Eu vou comprar os meus . - Aposto que adoraste aquilo , não adoraste , Potter ? - disse uma voz que Harry não teve qualquer dificuldade em reconhecer . Endireitou se e deu consigo frente_a_frente com Draco_Malfoy que exibia o seu habitual sorriso escarninho . - O famoso Harry_Potter - disse Malfoy . - Nem_sequer pode entrar em uma livraria sem se tornar primeira página . - Deixa o em paz , ele não queria nada de isso - defendeu a Ginny . Era a primeira vez que falava em frente de Harry . Olhava para Malfoy com um ar feroz . - Potter , arranjaste uma namorada ! - disse arrastadamente Malfoy . Ginny ficou vermelha como um pimentão enquanto Ron e Hermione tentavam abrir caminho , ambos carregando montes de livros de Lockhart . -- Ah és tu ? - disse Ron , olhando para Malfoy como_se ele fosse algo desagradável colado a a sola de o sapato . - Aposto que te surpreendeu ver o Harry aqui ? - Não tanto como a ti em uma loja , Weasley - retorquiu Malfoy . - Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo . Ron ficou tão vermelho quanto Ginny . Deixou também cair os livros em o caldeirão e avançou para Malfoy , mas Harry e Hermione agarraram o por as costas de o casaco . - Ron - disse Mrs._Weasley , aproximando se com Fred e George . - O que estás a fazer ? Isto está uma loucura aqui dentro , vamos lá para fora . - Olha quem ele é , Arthur_Weasley . - Era_Mr._Malfoy . Estava de pé com a mão sobre o ombro de Draco , com o mesmo sorriso escarninho . -- Lucius - disse Mr._Weasley , acenando friamente . -- Muito trabalho em o ministério , segundo me consta - disse Mr._Malfoy . - Todas essas buscas ... espero que te estejam a pagar horas extraordinárias . Meteu a mão em o caldeirão de a Ginny e tirou de o meio de os livros de Lockhart um exemplar muito velho e muito gasto de o * _ Guia_de_Transfiguração_para_Principiantes * . - Parece que não - disse . - Que diabo , qual a vantagem de ser uma nódoa entre os feiticeiros se nem_sequer te pagam bem por isso ? Mr._Weasley corou mais ainda do_que Ron ou Ginny . - Nós temos uma opinião diferente sobre quem são as nódoas entre os feiticeiros - disse . - É claro que ... - disse Mr._Malfoy , os olhos mortiços passando para Mr. e Mrs._Granger apreensivamente . - As companhias com quem tu andas ... e eu que pensava que já não conseguias descer mais baixo ... Ouviu se um tilintar de metal quando o caldeirão de a Ginny foi por os ares . Mr._Weasley lançara se sobre Mr._Malfoy atirando o para dentro_de uma estante . Dezenas_de livros de feitiços saltaram lá de cima , caindo lhes sobre as cabeças . Houve um grito de - Chega lhe , pai ! - de o Fred e de o George . Mrs._Weasley soltava gritos agudos : - Não_Arthur , não . A multidão recuava deitando mais prateleiras a o chão . - Meus senhores , por favor - gritava o encarregado , e então , mais alto do_que todos : - Parem com isso , gente , parem com isso . Hagrid aproximava se através_de um mar de livros . Em um segundo afastou Mr._Weasley e Mr._Malfoy . Mr._Weasley tinha um lábio cortado e Mr._Malfoy fora agredido em um olho por uma * _ Enciclopédia_de_Cogumelos_Venenosos * . Tinha ainda em a mão o livro velho de a Ginny sobre transfiguração . Atirou lhe o , com os olhos a brilhar de malvadez . - Toma o teu livro , garota . É o melhor que o teu pai pode oferecer te . Libertando se de Hagrid , conduziu Draco para fora e abandonaram a livraria . - Devias tê o ignorado , Arthur - disse Hagrid quase a pegar em Mr._Weasley a o colo enquanto lhe endireitava o manto . - São podres até a a raiz , todos eles . Tod'à gente sabe . Nenhum Malfoy vale a pena ser ouvido . Não prestam , ' tá-lhes em o sangue . Vá lá , vamos sair de aqui . O encarregado parecia querer impedis os , mas , olhando bem para Hagrid , pensou melhor . Subiram a rua , os Grangers a tremer de medo e Mrs._Weasley fora de si . - Um belo exemplo para as crianças ... andar a a pancada em público . O que terá pensado Gilderoy_Lockhart ? - Ele gostou - disse o Fred . - Não o ouviram quando ia a sair ? Estava a perguntar a aquele tipo de o Profeta_Diário se conseguia incluir a briga em a reportagem , disse que era boa publicidade . Mas foi um grupo deprimido que regressou a a lareira de o Caldeirão_Escoante onde Harry , os Weasley e todas_as suas compras iriam viajar de volta até a a Toca , usando o pó de Floo . Despediram se de os Grangers que iam sair de o * pub * por a rua de os Muggles , de o outro lado . Mr._Weasley começou a perguntar lhes como funcionavam as paragens de autocarros , mas calou se rapidamente a o ver a expressão de Mrs._Weasley . Harry tirou os óculos e guardou os cautelosamente em o bolso antes de utilizar o pó de Floo . Definitivamente não era a sua forma ideal de viajar . V_O salgueiro zurzidor O fim de as férias de Verão chegou demasiado depressa para o gosto de Harry . Ele desejara muito regressar a Hogwarts , mas aquele mês em a Toca tinha sido o mais feliz de toda_a sua vida . Era difícil não invejar o Ron quando pensava em os Dursleys e em as boas-vindas que ia receber de a próxima vez que pusesse os pés em Privet_Drive . Em a última noite , Mrs._Weasley preparou um jantar magnífico , que incluía os pratos favoritos de Harry e terminava com um pudim de melaço de fazer crescer água em a boca . Fred e George alegraram a noite com uma exibição de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que saltaram de o tecto para as paredes , durante pelo_menos meia_hora . Depois , foi a altura de tomarem uma caneca de chocolate quente e irem para a cama . Em a manhã seguinte , demoraram muito_tempo a preparar se . Levantaram se com o cantar de o galo , mas parecia lhes que ainda tinham muito para fazer . Mrs._Weasley andava de um lado para o outro , mal-humorada , a a procura de meias e penas , chocavam uns com os outros em as escadas , meio vestidos , meio despidos , com pedaços de torrada em as mãos e Mr._Weasley quase partiu o nariz quando tropeçou em uma galinha a o atravessar o pátio , para meter em o carro a mala de Ginny . Harry não percebia lá muito bem_como é_que oito pessoas , seis grandes malas , duas corujas e um rato , iam caber em um pequeno * _ Ford_Anglia * , isso , claro , antes de as artes mágicas que Mr._Weasley acrescentara . - Nem uma palavra a a Molly - murmurou ele a o Harry , enquanto abria a bagageira e lhe mostrava como ela se expandira para que as malas coubessem facilmente . Quando , por fim , se acomodaram todos em o carro , Mrs._Weasley olhou para o banco de trás , onde Harry , Ron , Fred , George e Percy estavam confortavelmente sentados uns a o lado de os outros e disse : - Os Muggles têm mais conhecimentos do_que aqueles que nós lhes atribuímos , não achas ? - Ela e a Ginny entraram para o lugar de a frente , que fora esticado e parecia um banco de jardim . - Quer_dizer , de_fora ninguém diria que este carro era espaçoso , não acham ? Mr._Weasley pôs o motor a funcionar e saíram de o pátio , Harry voltando se para trás para ver por a última vez a casa . Mal teve tempo de se questionar se iria voltar alguma vez e já estavam de volta : George esquecera se de a caixa de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Cinco minutos mais tarde tiveram de interromper de_novo a viagem e voltar a o pátio para o Fred ir a correr buscar a vassoura . Estavam quase a chegar a a auto-estrada , quando Ginny guinchou que se esquecera de o diário . Mas estava a fazer se muito tarde e os ânimos começavam a exaltar se . Mr._Weasley olhou para o relógio e , em seguida , para a mulher . - Molly , querida ... - Não , Arthur . - Ninguém ia ver . Este botãozinho é um transformador de invisibilidade que eu instalei , levava nos por o ar , subíamos acima de as nuvens . Estaríamos lá em dez minutos e ninguém daria por nada ... - Eu disse que não , Arthur . Durante o dia , não . Chegaram a King's_Cross , faltava um quarto para as onze . Mr._Weasley precipitou se em busca de um carrinho de transporte para as malas e correram todos para a estação . Harry apanhara o Expresso_de_Hogwarts em o ano anterior . A parte mais difícil era entrar em a plataforma nove_e_três quartos , que não era visível a os olhos de os Muggles . Era preciso avançar para a barreira sólida que dividia as plataformas nove e dez . Não doía nada , mas tinha de ser feito com cuidado para que nenhum de os Muggles de esse , por o desaparecimento . - O Percy em primeiro lugar - declarou Mrs._Weasley , olhando nervosamente para o relógio lá em cima , que mostrava que tinham apenas cinco minutos para desaparecer através de a barreira . Percy avançou a passos largos e desapareceu . Mr._Weasley foi a seguir e depois de ele Fred e George . - Eu levo a Ginny e vocês vêm atrás_de nós - disse Mrs._Weasley a o Harry e a o Ron , agarrando Ginny pela mão e seguindo em frente . Em um abrir e fechar de olhos , tinham passado . - Vamos passar juntos , só temos um minuto - disse Ron a o Harry . Harry assegurou se de que a gaiola de a Hedwig estava bem fixa em cima de a sua mala e empurrou o carrinho de encontro a a barreira . Estava perfeitamente confiante , aquilo era muito mais fácil do_que usar o pó de Floo . Puseram os dois as mãos em o puxador de os carrinhos e avançaram direitos a a barreira , ganhando velocidade . A um metro e pouco , começaram a correr e ... CRASH . Os dois carros bateram em a barreira e foram impelidos para trás . A mala de o Ron caiu com um enorme estrépito . Harry desequilibrou se e a gaiola de a Hedwig foi parar a o chão brilhante , enquanto ela rolava guinchando , indignada . As pessoas em volta olhavam fixamente e um guarda que estava ali perto gritou : - Que diabo pensam vocês que estão a fazer ? - Perdemos o controlo de o carro de transporte - respondeu o Harry , respirando com dificuldade , agarrando se a as costelas , enquanto se punha de pé . Ron correu a agarrar a Hedwig , que estava a fazer uma cena tal , que já se ouviam murmúrios em a multidão sobre a crueldade para com os animais . - Porque é_que não conseguimos passar ? - perguntou Harry a o Ron em um sussurro . - Não sei . Ron olhou descontroladamente em volta . Uma_dúzia de curiosos estavam ainda a observá os . - Vamos perder o comboio - murmurou o Ron . - Não compreendo porque motivo a cancela se fechou . Harry olhou para o relógio gigantesco com um sentimento de náusea em a boca de o estômago . Dez segundos , nove segundos ... Dirigiu o carrinho de transporte para a frente com toda_a força . O metal manteve se sólido . Três segundos ... dois segundos ... um segundo ... - Partiu - afirmou o Ron , que parecia estonteado . - O comboio foi se embora . E se a mãe e o pai não conseguem voltar para aqui ? Tens algum dinheiro de Muggle ? Harry deu uma gargalhada . - Os Dursleys não me dão um tostão há mais de seis anos ! Ron encostou o ouvido a a barreira . - Não se ouve nada - disse , bastante tenso . - O que vamos nós fazer ? Não sei quanto tempo o pai e a mãe vão demorar . Olharam em volta . As pessoas ainda estavam a observá os , principalmente devido a os contínuos guinchos de a Hedwig . - Acho que o melhor é sairmos de aqui e esperamos por eles junto de o carro - disse Harry . - Aqui estamos a atrair demasiado as aten ... - Harry - disse o Ron , com os olhos a brilhar . - É isso , o carro . - O que é_que tem ? - Podemos voar nele até Hogwarts ! - Mas eu pensei ... - Estamos em apuros , certo ? E temos de chegar a a escola , ou não ? E mesmo os feiticeiros menores de idade estão autorizados a usar a magia em uma emergência real , parágrafo dezanove , ou não sei quê , de a Restrição de ... O sentimento de pânico de Harry transformou se em entusiasmo . - E tu sabes voar nele ? - Não há problema - disse o Ron , andando com o carrinho a a volta e dirigindo se para a saída . - Anda de aí . Se em os apressarmos , conseguiremos sair atrás de o Expresso_de_Hogwarts . E afastaram se de o grupo de Muggles curiosos , abandonando a estação e voltando a a rua , onde o velho * _ Ford_Anglia * se encontrava estacionado . Ron abriu a bagageira com uma série de toques de varinha . Meteram lá dentro as malas , puseram a Hedwig em o assento de trás e entraram para a frente . - Verifica se ninguém está a ver - disse o Ron , ligando a ignição com outro toque de varinha . Harry pôs a cabeça fora de a janela : o trânsito enchia a avenida principal , mas a rua de eles estava vazia . - O. _ K. - disse . Ron carregou em um pequeno botão de o painel . Os carros em volta desapareceram assim_como eles . Harry sentia o assento a vibrar debaixo_de si , ouvia o motor , sentia as mãos sobre os joelhos e os óculos em o nariz , mas , tanto quanto conseguia ver , tornara se um par de olhos redondos flutuando um metro e pouco acima de o chão em uma rua suja , cheia de carros estacionados . - Vamos - disse a voz de o Ron , vinda de o seu lado direito . O chão e os prédios escuros de ambos os lados desapareceram de o seu ângulo de visão , mal o carro se elevou . Em poucos segundos toda_a cidade de Londres , enevoada e resplandecente , estava por baixo de eles . Em seguida , ouviu se um ruído que parecia o saltar de uma rolha e o carro , Harry e Ron , reapareceram . - Oh , oh - disse Ron , batendo em o intensificador de invisibilidade . - Está avariado ... Começaram os dois a bater em o botão . O carro desapareceu . Depois surgiu de forma intermitente . - Aguenta aí - gritou o Ron e carregou com o pé em o acelerador . Saltaram direitinhos para o meio de as nuvens mais baixas e tudo ficou sujo e enevoado . - E agora ? - exclamou Harry , piscando os olhos a a sólida massa de nuvens que os comprimia de todos os lados . - Precisamos de avistar o comboio para sabermos qual a direcção a tomar - explicou o Ron . - Desce rapidamente ... Desceram por o meio de as nuvens e voltaram se em os lugares , espreitando . - Estou a vê o - gritou Harry . - Mesmo em frente , ali . O Expresso_de_Hogwarts deslocava se a grande velocidade lá em baixo , como uma serpente vermelha . - Para Norte - disse o Ron , verificando a bússola de o painel . - O. _ k . , basta que verifiquemos de meia em meia_hora . Aguenta aí ... - e arrancaram por o meio de as nuvens . Em o minuto seguinte , tinham chegado a a luz brilhante de o Sol . Era um mundo diferente . Os pneus de o carro deslizavam sobre o mar de nuvens macias , o céu era de um azul infinito sob a luz , capaz de cegar , que irradiava de o Sol . - Agora só temos de nos preocupar com os aviões - disse o Ron . Olharam um para o outro e desataram a rir . Durante muito_tempo não conseguiram parar . Era como_se tivessem mergulhado em um sonho fabuloso . Aquela , pensou Harry , era certamente a única maneira de viajar : passando por turbilhões e torres de nuvens cor de neve , em um carro cheio de calor , o sol radioso , com um grande pacote de rebuçados em o porta-luvas e antegozando o ar de inveja de o Fred e de o George quando aterrassem suavemente e de forma espectacular em o relvado macio em frente de o castelo de Hogwarts . Espreitaram várias vezes o comboio enquanto voavam cada_vez_mais para norte . Cada descida entre as nuvens dava lhes uma perspectiva diferente . Londres depressa ficou para trás , substituída por campos verdejantes que , por sua vez , deram lugar a grandes pântanos arroxeados , aldeias com pequenas igrejas de brinquedo e uma grande cidade , cheia de vida , com carros que pareciam formigas multicores . Várias horas mais tarde sem acontecer nada de_novo , Harry teve de admitir que uma parte de o entusiasmo se esgotara . Os rebuçados tinham nos deixado cheios de sede e não havia nada para beber . Ele e o Ron tinham tirado as camisolas , mas a * _ T-shirt * de o Harry estava colada a as costas de o assento e os óculos não paravam de lhe escorregar para a ponta de o nariz . Deixara de reparar em as fabulosas formas de as nuvens e pensava com saudade em o comboio , milhas abaixo de eles , onde se podia comprar sumo fresquinho de abóboras em um carro empurrado por uma bruxa gordinha . Porque não teriam conseguido entrar em a plataforma nove_e_três quartos ? - Não pode ser muito mais longe , pois não ? - resmungou o Ron , horas mais tarde quando o Sol começava a enfiar se em o seu chão de nuvens , pintando as de um rosa profundo . - Estás pronto para outra espreitadela a o comboio ? Ainda ia mesmo por baixo de eles , abrindo caminho por_entre uma montanha com o topo coberto de neve . Estava muito mais escuro entre o dossel de nuvens . Ron pôs o pé em o acelerador e levou os de_novo para_cima , mas em esse momento o motor começou a chiar . Harry e Ron trocaram entre si olhares nervosos . - Deve estar só cansado - disse o Ron . - Nunca tinha vindo tão longe ... - E fingiram ambos que não davam por o gemido que se ia tornando maior à_medida_que o céu serenamente escurecia . As estrelas desabrochavam em a escuridão , Harry voltou a enfiar a camisola de lã , tentando ignorar os limpa pára-brisas que acenavam debilmente como_que a protestar . - Não devemos estar longe - disse Ron , dirigindo se mais a o carro do_que a o amigo . - Já não devemos estar longe - deu umas palmadinhas nervosas em o * tablier * . Pouco depois , quando voltaram a voar em o meio de as nuvens , tiveram de olhar de lado em a escuridão , em busca de um ponto de referência que conhecessem . - Ali - gritou Harry , fazendo o Ron e a Hedwig darem um salto . - Mesmo em frente . Recortados em o horizonte negro , sobre o rochedo de o outro lado de o lago , erguiam se as torres e torreões de o castelo de Hogwarts . Mas o carro tinha começado a estremecer e perdia a os poucos velocidade . - Vá lá - disse o Ron , dando a o volante um pequeno abanão bajulador . - Estamos quase a chegar , vá lá ... O motor gemeu . Pequenos jactos de vapor de água brotaram de o capo . Harry deu consigo agarrado com toda_a força a os bordos de o assento enquanto voavam direitos a o lago . O carro deu um solavanco feio . Espreitando por a janela , Harry viu a superfície negra , macia e espelhada de a água cerca de uma milha abaixo de eles . Os dedos de o Ron agarrados a o volante tinham as articulações brancas . O carro deu um novo esticão . - Vá lá - murmurou o Ron . Estavam sobre o lago ... o castelo ficava mesmo em frente . Ron fez força com o pé . Houve um ruído surdo , uma crepitação e o motor morreu por completo . - Oh ! oh ! - gemeu Ron em o silêncio . O nariz de o carro voltou se para baixo . Estavam a cair , ganhando velocidade em direcção a os muros sólidos de o castelo . - Naaaaão ! - gritou o Ron , girando o volante . Escaparam a a muralha de pedra negra por centímetros , quando o carro fez um grande arco , planando primeiro sobre as estufas , depois sobre o rectângulo plantado com vegetais e , por fim , sobre os relvados , perdendo sempre velocidade . Ron largou o volante por completo e tirou a varinha de o bolso de trás . - __ pára ! __ pára ! - gritou , batendo em o * tablier * e em o pára-brisas , mas eles continuavam a mergulhar , o chão a voar em direcção a eles . - : __ cuidado com essa __ árvore ! ! ! - bramiu Harry , deitando a mão a o volante , mas ... tarde de mais ... CRUNCH . Com um ruído ensurdecedor de metal e madeira , bateram em o tronco espesso de a árvore e caíram em o chão com um forte solavanco . O vapor era um mar debaixo de o capo amachucado . A Hedwig tremia apavorada . Em a cabeça de Harry surgira um alto de o tamanho de uma bola de golfe , quando ele batera em o pára-brisas , tombando em seguida para a direita . Ron soltou um gemido longo e desesperado . - Estás O. _ K ? - perguntou Harry , aflito . - A minha varinha - disse o Ron em uma voz trémula . - Olha para a minha varinha . Tinha se partido praticamente em duas , a ponta balouçava mole , presa por meia_dúzia de esquírolas . Harry abriu a boca para dizer que em a escola com certeza conseguiriam consertá a , mas nem chegou a começar a frase . Em esse preciso momento , algo bateu em o seu lado de o carro , com a força de um touro , projectando o para_cima de o Ron , ao_mesmo_tempo que um golpe igualmente forte se sentiu em o capô . - O que está a acontec ... Ron arfou , olhando fixamente por o pára-brisas e Harry olhou em volta , mesmo a_tempo_de ver uma ramada espessa como uma píton vir contra o vidro . A árvore em que tinham batido estava a atacá os . O tronco dobrara se quase a meio e os seus galhos rugosos davam uma tareia a cada centímetro de o carro que conseguiam atingir . - Ah ! - praguejou o Ron , quando outra pernada retorcida esmurrou a sua porta , amolgando a . O pára-brisas tremia agora sob uma saraivada de golpes vindos de galhos que pareciam patas de animais e uma ramada espessa como um aríete esmagava furiosamente o capo , que parecia estar a ceder ... - Corre ! - gritou o Ron , lançando o seu peso contra a porta , mas , em o momento seguinte , tinha sido atirado para trás , para o colo de Harry por um soco maldoso , dado de baixo para_cima , por outro ramo . - Estamos feitos ! - resmungou , enquanto o tecto descaía . Mas , de repente , o chão de o carro estava a vibrar , o motor pegara . - Marcha atrás - gritou o Harry e o carro deu um salto para trás . A árvore tentava ainda agredis os , ouviam as raízes chiar , enquanto quase se partiam esticando se para os alcançar . - Escapámos por_pouco ! - exclamou o Ron . - Muito bem , carro . Mas o carro tinha atingido o limite de as suas forças . Com dois estalidos , as portas abriram se e Harry sentiu o seu assento inclinar se para o lado . Quando deu por si , estava estatelado em o chão húmido . Ruídos surdos avisaram o de que o carro estava a ejectar as malas de a bagageira . A gaiola de a Hedwig voou por os ares e abriu se . Ela saiu a voar com um pio furioso e dirigiu se a o castelo , sem sequer olhar para trás . Em seguida , o carro , amolgado , arranhado e a fumegar , arrancou em o escuro , com os faróis traseiros ardendo de fúria . - Volta aqui ! - gritou o Ron , brandindo a varinha partida . - O meu pai mata me . Mas o carro desapareceu a perder de vista , com um último estoiro de o tubo de escape . - Já viste bem o nosso azar ! ? - exclamou o Ron em o meio de a sua infelicidade , baixando se para apanhar o rato Scabbers . - De todas_as árvores em que podíamos ter batido , tínhamos de ir dar a uma que bate também . Olhou por cima de o ombro para a velha árvore que ainda agitava os ramos ameaçadoramente . - Vamos - disse Harry , fatigado . - É melhor irmos andando para a escola ... Não foi , de modo algum , a chegada triunfal que tinham imaginado . Constrangidos , cheios de frio e magoados , pegaram em as malas e começaram a arrastá as por o relvado acima , em direcção a as grandes portadas de carvalho . - Acho que o banquete já começou - disse o Ron , largando a mala em os degraus de a entrada e atravessando devagarinho para espreitar por uma janela iluminada . - Harry , anda ver , é a distribuição . Harry apressou se e os dois , ele e o Ron , espreitaram para o Salão_Nobre . Um número infindável de velas pairava em o ar , sobre quatro mesas enormes cheias de gente , fazendo brilhar os pratos dourados e as taças . Em cima , o tecto encantado que espelhava o céu lá de_fora , brilhava cheio de estrelas . Por_entre a floresta de chapéus pretos pontiagudos de Hogwarts , Harry viu uma longa fila de alunos de o primeiro ano com olhares assustados que enchia o vestíbulo . Ginny estava entre eles , facilmente reconhecível devido a o seu chamativo cabelo Weasley . Enquanto isso , a professora Mc_Gonagall , uma bruxa de óculos com cabelo castanho apanhado em um carrapito , colocava o famoso chapéu seleccionador em um banco que se encontrava em frente de os novos alunos . Todos os anos , aquele velho chapéu , remendado , puído e cheio de pó , seleccionava alunos para as quatro equipas de Hogwarts ( Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin ) . Harry lembrava se bem de o ter colocado em a cabeça , precisamente um ano antes , e ter esperado petrificado por a sua decisão , enquanto ele lhe murmurava a o ouvido . Durante alguns horríveis segundos receara que o chapéu o mandasse para os Slytherin , a equipa que produzia maior número de feiticeiros e feiticeiras de magia negra , mas acabara por ficar em os Gryffindor , juntamente com Ron e Hermione e o resto de os Weasley . Em o último período , Harry e Ron tinham ajudado os Gryffindor a vencer o campeonato de a equipa , batendo os Slytherin pela_primeira_vez em sete anos . Um rapazito baixinho com cabelo de rato acabava de ser chamado para pôr o chapéu em a cabeça . Os olhos de Harry saltavam de ele para o lugar onde o professor Dumbledore , o director , estava sentado , observando a selecção de a mesa de os professores , com a sua longa barba cor de prata e óculos de meia-lua que brilhavam a a luz de as velas . Alguns lugares a a frente , Harry viu Gilderoy_Lockhart com um manto verde-azulado . E lá bem a o fundo estava Hagrid , enorme e cabeludo , bebendo satisfeito de a sua taça . - Espera aí - murmurou a o Ron . - Há um lugar vazio em a mesa de os professores . Onde estará o Snape ? Severus_Snape era o professor de quem Harry menos gostava . Harry era também o seu aluno menos querido . Cruel , sarcástico e detestado por todos com excepção de os alunos de a sua própria equipa ( Slytherin ) , Snape tinha a seu cargo a cadeira de Poções . - Talvez esteja doente - sugeriu Ron , cheio de esperança . - Talvez se tenha ido embora - lembrou Harry . - Por não lhe terem dado outra_vez a Defesa contra as artes negras . - Ou talvez tenha sido corrido - propôs Ron com entusiasmo . - Afinal , toda_a_gente o detesta ... - Ou talvez - disse uma voz gelada atrás de eles - esteja a a espera que vocês lhe expliquem por_que motivo não vieram em o comboio de a escola . Harry deu uma volta . Em a sua frente , com o manto negro a ondular em uma brisa fria , estava Severus_Snape . O professor era um homem magro , de pele descorada , nariz adunco e um cabelo preto oleoso que lhe caía sobre os ombros . E em aquele momento sorria de um modo tal que Harry sentiu que tanto ele como Ron estavam em sérios apuros . - Sigam me - disse Snape . Sem ousarem sequer olhar um para o outro , Harry e Ron seguiram Snape por as escadas até a o amplo * hall * de entrada que estava iluminado por as chamas de os archotes . De o salão nobre vinha um cheirinho delicioso a comida , mas Snape levou os para longe de a luz e de o calor , em direcção a uma escada estreita de pedra que conduzia a os calabouços . - Entrem - ordenou , abrindo uma porta a meio de o corredor e apontando . Entraram a tremer em o escritório de Snape . As paredes sombrias estavam cobertas de prateleiras cheias de jarros de vidro grosso onde flutuavam as coisas mais diversas e repugnantes , cujo nome Harry não queria de momento conhecer . A lareira estava escura e vazia . Snape fechou a porta e voltou se de frente para eles . - Com que então - disse com falsa suavidade - o comboio não serve para o famoso Harry_Potter e o seu fiel companheiro Weasley . Queriam chegar em grande estilo , não era rapazes ? - Não senhor , foi a barreira em King's_Cross , ela ... - Silêncio - disse Snape friamente . -- _ o que fizeram a o carro ? Ron engoliu em seco . Aquela não era a primeira vez que Snape dava a Harry a impressão de ser capaz de ler pensamentos . Mas , pouco depois , compreendeu tudo quando Snape desenrolou o exemplar de o Profeta_Vespertino . - Vocês foram vistos - afirmou , mostrando lhes o cabeçalho : : __ ford anglia voador confunde __ muggles . Começou a ler alto a notícia . - Dois Muggles em Londres convenceram se de que tinham visto um carro velho a voar sobre a torre de os correios ... a a tardinha em Norfolk , Mrs._Hetty_Bayliss , enquanto pendurava a roupa ... Mr._Angus_Fleet_de_Peebles informou a polícia ... seis ou sete Muggles a o todo . Julgo que o teu pai trabalha em o departamento de mau uso dado a os objectos de os Muggles ? - disse olhando para Ron e sorrindo de uma forma ainda mais sarcástica . - Que peninha , o próprio filho ... Harry sentiu se como_se tivesse levado um soco em o estômago de uma de as maiores pernadas de a árvore louca . E se alguém descobrisse que Mr._Weasley tinha enfeitiçado o carro ? Ele ainda nem tinha pensado em isso . - Reparei durante a minha volta por o jardim que foi feito um estrago considerável em um salgueiro zurzidor extremamente valioso - continuou Snape . - Essa árvore fez nos pior a nós do_que nós ... - deixou escapar Ron . - Silêncio - interrompeu Snape , de_novo . - Infelizmente vocês não fazem parte de a minha equipa e a decisão de vos expulsar não está em as minhas mãos . Vou , por isso , buscar as pessoas que possuem essa feliz possibilidade . Esperem aqui . Harry e Ron olharam , pálidos , um para o outro . Harry perdera a fome . Sentia se agora extremamente agoniado . Tentava não olhar para uma coisa viscosa , suspensa em um líquido verde que estava em uma prateleira por detrás de a secretária de Snape . Se ele fora buscar a professora Mc_Gonagall , chefe de a equipa de os Gryffindor , não estavam muito melhor . Ela era mais justa do_que Snape , mas extremamente severa . Dez minutos mais tarde , Snape voltou e era , de facto , a professora Mc_Gonagall quem o acompanhava . Harry vira a professora Mc_Gonagall zangada , mas , ou se tinha esquecido de como a boca de ela ficava fina , ou nunca a vira tão zangada como em aquele dia . Levantou a varinha em o momento em que entrou . Harry e Ron estremeceram , mas ela limitou se a apontá a para a lareira onde as chamas se elevaram subitamente . - Sentem se - ordenou , e os dois recuaram para as cadeiras junto de o lume . - Expliquem se - disse com os óculos a brilhar de uma forma ameaçadora . Ron enveredou por a história começando por a barreira de a estação que se recusara a deixá os passar . - Por isso não tínhamos escolha , professora , não podíamos chegar a o comboio . - Porque não nos mandaram uma carta por a coruja ? Julgo que tens uma coruja ? - disse friamente a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a Harry . Harry olhou para ela sem saber o que dizer . - Parece me - continuou ela - que seria a coisa mais adequada . - Eu ... não pensei ... - Isso - disse a professora Mc_Gonagall - é bastante óbvio . Ouviu se bater a a porta de o escritório e Snape , que parecia agora mais feliz do_que nunca , foi abrir . Era o director , o professor Dumbledore . Harry ficou totalmente paralisado . Dumbledore tinha uma expressão grave . Olhou para eles de cima de o seu nariz adunco e Harry desejou estar ainda com Ron a levar uma sova de o salgueiro zurzidor . Fez se um longo silêncio . Em seguida , Dumbledore disse lhes : - Por favor , expliquem porque fizeram isto . Teria sido melhor se gritasse . Harry detestou sentir a decepção em a sua voz . Inexplicavelmente era incapaz de olhar Dumbledore em os olhos e falou em direcção a os seus joelhos . Disse lhe tudo excepto que o carro enfeitiçado pertencia a Mr._Weasley , dando a ideia de que ele e o Ron o tinham encontrado estacionado fora de a estação . Sabia que Dumbledore ia ver para_além de isso , mas o director não fez perguntas sobre o carro . Quando Harry terminou continuou a olhar para ele através de os seus óculos . - Nós vamos buscar as nossas coisas - disse Ron em um tom de voz sem esperança . - Que disparate é esse ? - rosnou a professora Mc_Gonagall . -- Então , vão expulsar nos , não vão ? - disse o Ron . Harry olhou rapidamente para Dumbledore . - Ainda não , Mr._Weasley - afirmou Dumbledore . - Mas vou assinalar a gravidade do_que vocês fizeram . Hoje a a noite escreverei a as vossas famílias . Estão também prevenidos que se voltarem a fazer uma coisa como esta não terei outro remédio senão expulsar vos . A expressão de Snape era como_se o Natal tivesse sido cancelado . Pigarreou e disse : - Professor_Dumbledore , estes rapazes infringiram o decreto para a restrição de a feitiçaria de os menores , causaram estragos consideráveis a uma árvore antiga e valiosa ... sem dúvida , actos de esta natureza ... - Cabe a a professora Mc_Gonagall decidir sobre os castigos de os rapazes , Severus - afirmou Dumbledore com toda_a calma . - Pertencem a a equipa de ela e são , portanto , de a sua responsabilidade . - Voltou se para a professora Mc_Gonagall . - Tenho de regressar a o banquete , Minerva , devo dar algumas informações . Venha Severus , há uma tarte de leite e ovos com um aspecto delicioso que quero mostrar lhe . Snape lançou um olhar de puro veneno a o Harry e a o Ron enquanto permitia que o afastassem de o seu escritório , deixando os a sós com a professora Mc_Gonagall que ainda os olhava como uma águia em fúria . - É melhor ires até a a ala hospitalar , Weasley , estás a sangrar . - Não é nada - disse Ron , limpando o corte com a manga para que ela o visse . - Professora , eu gostava de ver a minha irmã ser seleccionada . - A cerimónia de a selecção terminou - disse a professora Mc_Gonagall . - A tua irmã está também em os Gryffindor . - _ óptimo - exclamou Ron . - E por falar em os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall de forma cortante , mas Harry interrompeu a : - Professora , quando tirámos o carro , o ano escolar ainda não tinha começado , por isso os Gryffindor não deveriam perder pontos , pois não ? - terminou olhando a ansiosamente . A professora Mc_Gonagall lançou lhe um olhar penetrante , mas ele era capaz de jurar que ela quase tinha sorrido . Pelo_menos a boca não parecia tão fina . - Não vou tirar pontos a os Gryffindor - tranquilizou o . E o coração de Harry ficou mais leve . - Mas vocês os dois vão ter um castigo . Foi melhor do_que Harry imaginara . O facto de Dumbledore escrever a os Dursley não tinha a menor importância . Harry sabia perfeitamente que eles só lamentariam que o salgueiro zurzidor não o tivesse esmigalhado . A professora Mc_Gonagall ergueu a varinha de_novo apontou a a a secretária de Snape . Um grande prato de sanduíches , duas taças de prata e um jarro com sumo de abóbora gelado apareceram em menos_de um segundo . - Vocês vão comer aqui e , em seguida , vão direitinhos para o vosso dormitório - disse . - Eu também tenho de voltar para a festa . Mal a porta se fechou atrás de ela , Ron soltou baixinho um assobio . - Pensei que estávamos feitos - confessou , agarrando uma sanduíche . - Também eu - disse o Harry , orando também uma . - Mas já viste bem a nossa pouca sorte ? - insistiu o Ron com a boca cheia de frango e fiambre . - O Fred e o George voaram em aquele carro cinco ou seis vezes e nenhum Muggle os viu - engoliu outro pedaço enorme de a sanduíche . - Porque será que não conseguimos passar a barreira ? Harry encolheu os ombros . - Mas temos de ter muito cuidado a_partir_de agora - disse bebendo um grande trago de sumo de abóbora . - Que pena não termos podido ir a o banquete . - Ela não quis que nos exibíssemos - afirmou Ron com prudência . - Não vão as pessoas pensar que é uma boa chegar aqui de carro voador . Quando já tinham comido todas_as sanduíches que queriam ( o prato ia voltando a encher se sozinho ) , levantaram se e saíram de o escritório , seguindo o caminho que lhes era familiar , para a torre de os Gryffindor . O castelo estava em silêncio . Parecia que o banquete tinha acabado . Passaram por retratos murmurantes e armaduras que gemiam e subiram os degraus estreitos de pedra até que , por fim , chegaram a a passagem onde a entrada secreta para a torre de os Gryffindor se encontrava oculta por detrás de o quadro a óleo de uma dama gorda em um vestido cor-de-rosa . - A senha ? - perguntou ela mal os dois se aproximaram . - Er ... Eles ainda não tinham estado com o prefeito de os Gryffindor e por isso ainda não conheciam a senha para o novo ano , mas a ajuda não se fez esperar . Ouviram passos apressados atrás de eles e quando se voltaram viram Hermione que se aproximava . - Aí estão vocês . Onde é_que se meteram ? Correm os boatos mais ridículos , alguém disse que vocês tinham sido expulsos por espatifarem um carro voador . - Bem , expulsos não fomos - tranquilizou a Harry . - Não estás a dizer me que voaram até aqui ? - perguntou Hermione em um tom quase tão severo como a professora Mc_Gonagall . - Dispensa se o sermão - interrompeu Ron impacientemente . - E diz nos a nova senha de passagem . - É crista de pássaro - disse Hermione não contendo a impaciência . - Mas o mais importante não é isso ... Contudo as palavras de ela foram interrompidas ao_mesmo_tempo que o retrato de a dama gorda se abria e se ouvia uma tempestade de aplausos . A o que parecia a equipa de os Gryffindor estava ainda acordada , dentro de a sala comum em forma de círculo , junto de as mesas assimétricas e de os cadeirões moles a a espera que eles chegassem para , de braços estendidos através de o buraco de o retrato , puxarem Harry e Ron para dentro deixando Hermione para o fim . - Sensacional - gritou Lee_Jordan . - Inspirado ! Que entrada ! Voar em um carro e aterrar em o salgueiro zurzidor . Toda_a_gente vai falar de isto durante anos e anos . - Muito bem - disse um aluno de o quinto ano com quem Harry nunca tinha falado . Alguém dava lhe palmadas em as costas como_se ele acabasse de vencer a maratona . Fred e George abriram caminho por_entre a multidão e disseram ao_mesmo_tempo : - Por_que é_que não nos chamaram , hein ? - Ron estava vermelho como um pimentão , sorrindo envergonhado , mas Harry via perfeitamente uma pessoa que não estava nada contente . Percy elevava se acima de as cabeças de os excitados alunos de o primeiro ano e parecia estar a tentar aproximar se para os repreender . Harry deu uma cotovelada a o Ron e apontou em direcção a Percy . Ron percebeu de imediato . - Temos de ir para_cima , um_pouco cansados ! - explicou e os dois começaram a abrir caminho em direcção a a porta que ficava de o outro lado de a sala e que dava para a escada em espiral e para os dormitórios . - ` _ Noite - despediu se Harry_de_Hermione que tinha um ar tão carrancudo como Percy . Conseguiram chegar a o outro lado de a sala comum sempre a levarem palmadas em as costas e alcançaram o sossego de as escadas . Apressaram se a subir e , por fim , chegaram a a porta de o dormitório que tinha agora um letreiro a dizer « Segundos_Anos » . Entraram em o quarto circular , que conheciam tão bem , com as suas cinco camas de dossel adornadas de velado vermelho e as suas janelas altas e estreitas . As malas tinham sido trazidas para_cima e colocadas a os pés de as camas . Ron fez um sorriso culpado . - Sei que não devia ter gostado de aquilo , mas ... A porta de o dormitório abriu se e os outros rapazes de os Gryffindor entraram ; eram eles o Seamus_Finnigan , o Dean_Thomas e o Neville_Loogbottom . - Inacreditável - aplaudiu Seamus . - Incrível - aprovou o Dean . - Espantoso - exclamou o Neville , aterrado . Harry não pôde evitar também um sorriso . VI_Gilderoy_Lockhart_No dia seguinte , contudo , Harry não conseguiu sorrir . As coisas começaram a correr mal logo em o salão durante o pequeno-almoço . Debaixo de o tecto encantado ( em aquele dia triste e cinzento ) estavam as quatro grandes mesas de as equipas e sobre elas , terrinas de papa de aveia , pratos de arenque defumado , montanhas de torradas e pratadas de ovos com * bacon * . Harry e Ron sentaram se em a mesa de os Gryffindor , junto de Hermione que tinha o seu exemplar de * _ Viagens com Vampiros * totalmente aberto , encostado a um jarro de leite . Havia uma certa rigidez em a maneira como ela disse : - ` _ Dia - que mostrou a Harry que continuava a desaprovar o modo como tinham chegado a a escola . Por seu turno , Neville_Longbottom saudou os entusiasticamente . Neville era um rapazinho de cara redonda , muito dado a acidentes , com a pior memória que Harry tinha conhecido . - A entrega de correio deve estar a chegar , acho que a minha avó me vai mandar umas quantas coisas de que me esqueci ... Harry tinha começado a comer as papas de aveia , quando se ouviu um ruído tumultuoso em o ar e umas cem corujas entraram ao_mesmo_tempo , sobrevoando o salão e deixando cair cartas e pacotes em o meio de a multidão faladora . Um embrulho grande e rugoso caiu em a cabeça de Neville e , um segundo depois , uma coisa larga e cinzenta caiu em o jarro de a Hermione , enchendo os a todos de leite e penas . - Errol - gritou o Ron , puxando a coruja esfarrapada por as patas . Errol caíra inconsciente sobre a mesa com as pernas para o ar e um envelope vermelho húmido em o bico . - Oh , não ! - sobressaltou se Ron . - Ela está bem , ainda está viva - tranquilizou o Hermione , tocando suavemente em a Errol com a ponta de o dedo . - Não é isso , é ... aquilo . Ron apontava para o envelope vermelho . Parecera perfeitamente vulgar a Harry , mas Ron e Neville estavam ambos a observá o como_se esperassem que explodisse . - Qual é o problema ? - perguntou Harry . - Ela . Ela mandou me um * gritador * - disse Ron , quase sem voz . - É melhor abrires - aconselhou Neville em um murmúrio tímido - senão é pior . A minha avó uma_vez mandou me um que eu ignorei e ... - engoliu em seco - foi horrível . Harry olhava , ora para as suas caras , ora para o envelope vermelho . - O que é um * gritador * ? - perguntou . - Mas toda_a atenção de o Ron estava fixa em a carta que começara a fumegar por os cantos . - Abre a - intimou o Neville . - De aqui a poucos minutos já passou tudo . Ron estendeu uma mão trémula , retirou o envelope de o bico de a Errol e começou a abri o . Neville pôs os dedos em os ouvidos . Após uma fracção de segundo , Harry compreendeu porquê . Pensou em o primeiro momento que ela explodira . Um ruído ensurdecedor encheu o enorme salão , fazendo cair pó de o tecto . - ... : __ roubar o carro ! não me surpreendia nada se te expulsassem . espera só até te pôr as mãos em cima . será que não paraste para pensar em a nossa aflição quando vimos que o carro tinha __ desaparecido ... Os gritos de Mrs._Weasley , ampliados cem vezes em relação a o seu normal , fizeram os pratos e as colheres chocalhar em a mesa e ecoaram de forma ensurdecedora em as paredes de pedra . Vinha gente de todos os lados espreitar quem tinha recebido o * gritador * e Ron afundou se tanto em a cadeira que só se lhe via a testa carmesim . - ... : __ uma carta de o dumbledore ontem a a noite , o teu pai quase morria de vergonha . não foi esta a educação que te demos , tu e o harry podiam ter __ morrido ... Harry estava a ver quando é_que o seu nome viria a a baila . Tentou o melhor que pôde agir como_se não ouvisse a voz , mas aquilo estava a fazer com que os tímpanos lhe latejassem . - ... : __ profundamente decepcionada , o teu pai vai ter de se confrontar com um inquérito em o trabalho , tudo por tua culpa e , se pisas mais_uma_vez o risco , trago te para __ casa ! Seguiu se um silêncio ressonante . O envelope vermelho , que caíra de as mãos de o Ron , incendiou se e encaracolou se em cinzas . Harry e Ron estavam sentados de boca aberta , como_se uma onda gigante lhes tivesse passado por cima . Algumas pessoas riam e , a os poucos , o ruído de as conversas recomeçou . Hermione fechou o * _ Viagens com Vampiros * e olhou para o topo de a cabeça de Ron . - Bem , não sei o que esperavas , Ron , mas tu ... - Não me venhas dizer que mereci - interrompeu Ron . Harry afastou as papas de aveia . O estômago ardia lhe de culpa . Mr._Weasley tinha um inquérito em o trabalho , depois de tudo_o_que Mr. e Mrs._Weasley tinham feito por ele durante o Verão ... Mas não teve muito_tempo para se demorar em aqueles pensamentos . A professora Mc_Gonagall circulava em volta de as mesas de os Gryffindor distribuindo horários . Harry pegou em o seu e viu que começavam por ter Herbologia , juntamente com os Hufflepuff . Harry , Ron e Hermione saíram juntos de o castelo , atravessaram as hortas e chegaram a as estufas , onde estavam guardadas as plantas mágicas . O * gritador * tivera pelo_menos uma vantagem : Hermione parecia achar que já tinham sido suficientemente castigados e estava de_novo perfeitamente calorosa . Quando estavam a chegar a as estufas viram o resto de a classe de pé , cá fora , a a espera de a professora Sprout . Harry , Ron e Hermione tinham acabado de se lhes juntar quando a viram aproximar se a passos largos por o relvado , acompanhada de Gilderoy_Lockhart . A professora Sprout era uma bruxa pequenina e atarracada que usava um chapéu a os remendos sobre o cabelo solto . As roupas que vestia estavam sempre cheias de terra e as suas unhas fariam a tia Petúnia desmaiar . Gilderoy_Lockhart , pelo_contrário , tinha um ar imaculado em as suas vestes azul-turquesa , o cabelo doirado a brilhar debaixo_de um chapéu azul-turquesa , com uma fita dourada , perfeitamente posicionado sobre a cabeça . - Olá a todos ! - gritou Lockhart , dirigindo se a o grupo de estudantes . - Estive a mostrar a a professora Sprout a maneira correcta de tratar um salgueiro . Mas não quero que fiquem com a ideia de que sou melhor do_que ela em Herbologia . Acontece que encontrei várias de estas plantas exóticas , durante as minhas viagens .... - Estufa número três hoje , meninos ! - disse a professora Sprout que estava visivelmente descontente , bem diferente de a sua habitual natureza bem-disposta . Houve um murmúrio de interesse . Eles só tinham estado uma_vez em a terceira estufa , que era uma estufa que abrigava plantas bem mais interessantes e perigosas . A professora Sprout tirou uma enorme chave de o cinto e abriu a porta . Harry sentiu o bafo de a terra húmida com adubo misturado e o perfume forte de umas flores gigantescas , de o tamanho de guarda-chuvas , que estavam penduradas de o tecto . Ia seguir Ron e Hermione , quando a mão de o Lockhart o travou . -- Harry ! Tenho querido ter uma palavrinha contigo . Não se importa se ele chegar uns minutos atrasado , pois não , professora Sprout ? A julgar por a expressão carregada de a professora Sprout , importava se sim , mas Lockhart disse : - Então até já - e fechou a porta de a estufa em a cara de ela . - Harry ! - disse Lockhart , com os dentes brancos a brilharem a o sol , enquanto abanava a cabeça . - Harry , Harry , Harry ! Harry , totalmente perplexo , não disse uma palavra . - Quando ouvi dizer , bem , é claro que eu tive muita culpa , deviam castigar me também ... Harry não fazia ideia de que estava ele a falar , quando Lockhart prosseguiu : - Nunca me lembro de ficar tão chocado . Fazer voar um automóvel até Hogwarts ! Bem , é claro que eu percebi logo porque o fizeste . Foi um destaque em grande . Harry , Harry , Harry ! Era notável como ele conseguia mostrar todos aqueles dentes brilhantes , mesmo quando não estava a falar . - Criei te o gosto por a publicidade , não foi ? - perguntou Lockhart . - Passei te o bichinho . Apareceste comigo em a primeira página e não podias esperar para aparecer outra_vez ... - Oh , não , professor , sabe é_que ... - Harry , Harry , Harry - disse Lockhart aproximando se e tocando lhe em o ombro . - * _ Eu compreendo * . É natural querer um_pouco mais quando se lhe tomou o gosto , e eu culpo me por te ter dado esse conhecimento , porque era natural que te subisse a a cabeça , mas vê uma coisa , rapazinho , tu não podes começar a fazer voar carros para tentares ser notícia . Tens de acalmar , está bem ? Tens muito_tempo quando fores mais velho . Sim , sim , eu sei o que estás a pensar ! É fácil para ele falar assim , já é um feiticeiro internacionalmente famoso ! Mas quando eu tinha doze anos era tão zé-ninguém como tu és hoje . Em a verdade , era ainda mais . De ti , já meia_dúzia de pessoas ouviram falar , não é ? Toda aquela história com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . - Olhou para a cicatriz luminosa em a testa de Harry . - Eu sei , eu sei , não é o mesmo_que vencer o Prémio de o sorriso de o feiticeiro de a semana cinco vezes seguidas , como eu venci , mas é um começo , Harry , é um começo . Lançou lhe uma piscadela de olhos cordial e foi se embora . Harry ficou atarantado durante alguns segundos . Depois , lembrando se que deveria estar em a estufa , abriu a porta e esgueirou se lá para dentro . A professora Sprout estava de pé , por_detrás_de uma espécie de mesa em o meio de a estufa . Em cima de a mesa estavam cerca de vinte pares de abafo de ouvidos de diferentes cores . Quando Harry estava já em o seu lugar , entre Ron e Hermione , ela disse : - Hoje vamos transplantar Mandrágoras . Muito bem , quem sabe dizer me as propriedades de a Mandrágora ? Não foi surpresa para ninguém que a mão de a Hermione fosse a primeira em o ar . - A Mandrágora tem um efeito reparador muito poderoso - disse Hermione , com o ar mais normal de este mundo , como_se tivesse engolido o livro de texto . - É usada para fazer voltar as pessoas , que foram transfiguradas ou amaldiçoadas , a o seu estado original . - Excelente . Dez pontos para os Gryffindor ! - exclamou a professora Sprout . - A Mandrágora é parte integrante de a maior parte de os antídotos , mas também é perigosa . Quem sabe dizer me porquê ? A mão de Hermione por_pouco não bateu em os óculos de Harry , quando se ergueu de_novo . - O grito de a Mandrágora é fatal para quem o ouve - disse prontamente . - Precisamente . Dou lhe mais dez pontos - disse a professora Sprout . - Agora vejamos , as Mandrágoras que aqui temos são ainda muito jovens . Enquanto falava , apontou para uma fila de tabuleiros com uma certa profundidade e todos se chegaram a a frente para ver melhor . Cerca de uma centena de plantinhas tufosas de um verde arroxeado cresciam em filas . Pareceram perfeitamente vulgares a Harry , que não fazia a menor ideia do_que Hermione queria dizer com o * grito * de a Mandrágora . - Cada_um de vocês pode tirar um par de abafo de ouvidos - disse a professora Sprout . Houve uma competição renhida porque ninguém queria os cor-de-rosa , cheios de penugem . - Quando eu vos disser para os colocar , assegurem se de que os vossos ouvidos estão completamente tapados - disse a professora Sprout . - Logo_que seja seguro retirá os , eu levanto os dedos . Certo , pôr os abafos de os ouvido . Harry pôs imediatamente os abafos em os ouvidos . Eles fecharam completamente o som . A professora Sprout colocou também um par de abafos cor-de-rosa com penugem em os de ela , arregaçou as mangas de a túnica , agarrou uma de as plantas tufosas e puxou com toda_a força . Harry soltou um grito de surpresa que ninguém ouviu . Em_vez_de raízes , um bebé pequenino , enlameado e extremamente feio , saiu de a terra . As folhas cresciam lhe em o alto de a cabeça , tinha uma pele pintalgada de um pálido esverdeado e estava nitidamente a berrar a plenos pulmões . A professora Sprout tirou debaixo de a mesa um grande vaso de plantas e mergulhou lá dentro a Mandrágora , enterrando a em a mistura escura e húmida , até que só as folhas ficassem visíveis . Em seguida , limpou a terra de as mãos , levantou os dedos e todos eles retiraram os abafos de os ouvidos . - Como as nossas Mandrágoras são muito novas , os seus gritos ainda não matam - disse ela com grande calma , como_se tivesse feito algo tão normal como regar uma begónia . - Contudo , podem pôr vos a dormir durante várias horas e , como com certeza nenhum de vocês quer perder o primeiro dia de aulas , vejam se os abafos estão bem colocados enquanto trabalham . Eu chamarei vos a atenção quando for altura de os retirar . - Quatro em cada fila , há aqui uma grande quantidade de vasos , a mistura de terra está em os sacos ali a o fundo e tenham cuidado com a * _ Venomous_Tentacula * , estão a nascer lhe os dentes . Enquanto falava , deu uma pancada seca a uma planta vermelha escura cheia de pontas eriçadas , fazendo a encolher as longas antenas que tinham estado a avançar lenta e dissimuladamente sobre o seu ombro . A Harry , Ron e Hermione veio juntar se em a fila um rapaz de cabelo encaracolado de os Hufflepuff que Harry conhecia de vista , mas com quem nunca tinha falado . - Justin_Finch - _ Fletchey - disse ele com vivacidade , apertando a mão de o Harry . - Conheço te , claro , o famoso Harry_Potter ... e tu és a Hermione_Granger , sempre a primeira em tudo ( Hermione brilhou em um sorriso , como_se ele lhe tivesse apertado a mão ) e Ron_Weasley . Não era teu o carro voador ? Ron não sorriu . Não lhe saía de a cabeça o * gritador * . - Aquele Lockhart é o_máximo , não acham ? - disse Justin satisfeito , enquanto começavam a encher os vasos com composto de adubo de dragão . - Terrivelmente corajoso . Leram os livros de ele ? Eu teria morrido de medo se um lobisomem me tivesse encurralado em uma cabina telefónica , mas ele manteve se calmo e ... zap ... fantástico ! « Eu estava inscrito em Eton , sabem , não imaginam como estou feliz de ter vindo antes para aqui . É claro que a minha mãe ficou um_pouco desiludida , mas depois de lhe ter dado os livros de Lockhart a ler , tenho a impressão de que ela começou a ver a utilidade de ter um feiticeiro bem treinado em a família ... Depois de isso , não tiveram grandes oportunidades para conversar . Voltaram a pôr os abafos de ouvidos e era preciso concentrarem se em as Mandrágoras . A professora Sprout fizera as coisas parecerem extremamente simples , mas não eram . As Mandrágoras não gostavam de sair de a terra mas também não pareciam querer voltar para lá . Elas contorceram se , deram pontapés , agitaram as mãozinhas finas e rangeram os dentes . Harry levou dez minutos inteirinhos a tentar meter uma Mandrágora particularmente gorda dentro_de um vaso . Em o final de a aula , Harry , como todos os outros , estava a suar , cheio de dores e coberto de terra . Regressaram a o castelo a pé para um banho rápido e , em seguida , os Gryffindor apressaram se para assistir a a aula de transfiguração . As aulas de a professora Mc_Gonagall eram sempre complicadas , mas a de aquele dia era particularmente difícil . Tudo_o_que o Harry aprendera em o ano anterior parecia ter se lhe apagado de a memória durante o Verão . Ele deveria ser capaz de transformar uma barata em um botão , mas , tudo_o_que conseguiu foi fazer a barata praticar um imenso exercício , enquanto corria apressadamente por o tampo de a secretária evitando a varinha . Ron estava a debater se com problemas bastante piores . Tinha atado a varinha com uma fita mágica , mas parecia que não havia reparação possível . Não parava de crepitar e lançar faíscas em os momentos mais estranhos e , sempre_que Ron tentava transfigurar a barata , via se envolvido em um fumo cinzento espesso que cheirava a ovos podres . Incapaz de ver o que estava a fazer , o Ron esmagou , por engano , a barata com o cotovelo e teve de ir pedir que lhe dessem outra , o que deixou a professora Mc_Gonagall muito pouco satisfeita . Harry ficou aliviado quando ouviu tocar a campainha para o almoço . Sentia a cabeça como uma esponja espremida . Todos os alunos saíram em fila de a aula excepto ele e Ron que dava furiosas varadas em a secretária . - Coisa estúpida e inútil . - Escreve a os teus pais a pedir outra - sugeriu Harry , enquanto a varinha disparava com estrondo um foguete explosivo . - Ah pois , e receber outro * gritador * em a volta de o correio - respondeu Ron , metendo a varinha que já assobiava , dentro de o saco . - * _ A culpa é toda tua se a varinha está estragada * ... Desceram para o almoço e aí a disposição de o Ron não iria melhorar com Hermione a mostrar lhe uma mão-cheia de botões de casaco , perfeitinhos , que produzira em a transfiguração . - O que temos esta tarde ? - quis saber Harry , mudando rapidamente de assunto . - Defesa contra as artes negras - disse Hermione , sem perder tempo . - Porque é_que tu ... - perguntou Ron , pegando em o horário de ela - desenhaste corações em volta de as aulas de o Lockhart ? Hermione arrancou lhe o horário de as mãos , corando furiosa . Acabaram de almoçar e foram para o pátio carregado de nuvens . Hermione sentou se em um degrau de pedra e enfiou de_novo o nariz em as * _ Viagens com Vampiros * . Harry e Ron ficaram a falar de Quidditch durante alguns minutos antes de Harry se aperceber de que estava a ser observado de perto . Olhando para_cima viu o rapazinho pequenino com cabelo de rato que ele vira experimentar o chapéu seleccionador em a noite anterior , olhando para ele com uma expressão petrificada . Estava agarrado a o que parecia ser uma vulgar máquina fotográfica de os Muggles e , em o momento em que Harry olhou para ele , ficou todo vermelho . - Tudo bem , Harry ? Eu sou Colin_Creevey - disse , faltando lhe o ar e adiantando se a qualquer pergunta . - Estou em os Gryffindor também . Não te importavas que eu tirasse uma fotografia ? - perguntou , levantando a máquina cheio de expectativa . - Uma fotografia ? - repetiu Harry , inexpressivo . - Para eu provar que te conheci - disse Colin_Creevey cheio de ansiedade , continuando : - Eu sei tudo a teu respeito . Toda_a_gente me tem contado como sobreviveste quando O_Quem nós sabemos tentou matar te , como ele desapareceu depois de isso e como ficaste com a cicatriz em forma de relâmpago em a testa ( os seus olhos procuraram a linha de cabelo de Harry ) e um rapaz de o meu dormitório disse que se eu revelasse o filme em a posição certa ele mexia . - Colin respirou fundo , estremecendo de excitação e disse : - Isto_é fantástico , aqui , não achas ? Eu não sabia que todas_as coisas estranhas que fazia eram magia até a o dia em que recebi uma carta de Hogwarts . O meu pai é leiteiro . Também ele não queria acreditar . Por isso estou a tirar montes de fotografias para lhe mandar e era mesmo bom se tivesse uma tua - parecia implorar . - Talvez o teu amigo pudesse tirá a e assim eu ficava a o teu lado . E depois , podias assiná a ? - Assinar fotografias ? Estás a dar fotos autografadas , Potter ? Alta e mordaz , a voz de Draco_Malfoy ecoou em o pátio . Estava parado mesmo atrás_de Colin , ladeado , como sempre andava em Hogwarts , por os seus fortes guarda-costas Crabbe e Goyle . - Ei gente , façam bicha - gritou Malfoy a a multidão . - Harry_Potter está a dar fotos autografadas ! - Não estou coisa nenhuma - disse Harry , zangado , com os punhos em o ar . - Cala a boca , Malfoy . - Tu tens é inveja - começou a dizer Colin , cujo corpo era de o tamanho de o pescoço de Crabbe . - Inveja - repetiu Malfoy que não precisava de gritar mais , metade de o pátio estava a ouvi o . - De quê ? Não preciso de uma cicatriz em a cabeça , muito obrigado . Não acho que ter um corte em a testa torne alguém especial . Crabbe e Goyle riram estupidamente - Vai pastar caracóis , Malfoy - disse o Ron furioso . Crabbe parou de rir e começou a esfregar os nós de os dedos enormes de uma forma ameaçadora . - Tem cuidado , Weasley - escarneceu Malfoy . - Com certeza não queres começar uma rixa ou a tua mãezinha tem de vir cá para te tirar de a escola - e com uma voz aguda e penetrante : - * _ Se voltas a pisar o risco * ... Um grupo de alunos de o quinto ano de os Slytherin que estava ali perto , riu se bastante alto . - O Weasley gostaria de ter uma foto tua autografada , Potter - escarneceu de_novo Malfoy . - Era capaz de valer mais do_que a casa onde ele mora com a família . Ron sacou de a sua varinha amarrada com fita , mas Hermione fechou as * Viagens com Vampiros * com um estrondo e avisou : - Atenção . - O que é isto , o que é isto ? - Gilderoy_Lockhart aproximava se com o seu manto azul-turquesa girando em torvelinho atrás de ele . - Quem está a dar fotos autografadas ? Harry ia começar a explicar , mas foi interrompido quando Lockhart lhe pôs jovialmente o braço em cima de os ombros . - Mas que pergunta a minha ! Cá estamos nós de_novo , Harry ! Preso ao_lado_de Lockhart e a arder de humilhação , Harry viu Malfoy deslizar com o seu sorriso desdenhoso por o meio de a multidão . - Vamos lá então , Mr._Creevey - disse Lockhart , dirigindo se a Colin . - Uma foto dupla , já viu a sua sorte ? E assinamos a os dois para si . Colin ajustou a máquina e tirou a fotografia em o preciso momento em que a campainha tocava para as aulas de a tarde . - Está em a hora , todos para dentro - gritou Lockhart a a multidão e regressou a o castelo levando a o seu lado o Harry que só lamentava não conhecer um feitiço que o fizesse desaparecer . - Uma palavra só , Harry - disse Lockhart paternalmente , enquanto entravam em o edifício por uma porta lateral . - Eu ajudei te há bocado com o jovem Creevey porque se ele estivesse a fotografar me também a mim os teus colegas não reparariam tanto que estavas a exibir te ... Indiferente a a gaguez de Harry , Lockhart arrastou o para um corredor ladeado de alunos que os olhavam espantados e subiram uma escada . - Deixa me só dizer te uma coisa : dar fotografias autografadas em esta fase de a tua carreira , francamente , não é sensato , Harry , parece um_pouco megalómano . Pode ser que um dia mais tarde , tal_como eu , sejas obrigado a assinar para multidões onde quer que vás , mas - fez uma pequena pausa - não me parece que seja o caso , por enquanto . Tinham chegado a a aula de Lockhart e ele largou finalmente o Harry que sacudiu a túnica e foi sentar se em um lugar bem lá atrás onde começou por empilhar os livros de Lockhart a a sua frente para evitar olhar para a criatura . O resto de a aula entrou ruidosamente e Ron e Hermione foram sentar se um de cada lado de Harry . - Tu estavas vermelho como um pimentão - disse o Ron . - Reza para que o Creevey não se torne amigo de a Ginny senão bem podem criar o clube de * fans * de Harry_Potter . - Cala a boca - interrompeu Harry . A última coisa que desejava era que o Lockhart ouvisse a expressão « clube de * fans * de Harry_Potter « . Quando todos estavam em os seus lugares , Lockhart pigarreou alto e fez se silêncio . Ele inclinou se para a frente , pegou em o exemplar de Neville_Longbottom de * _ viagens com Duendes * e levantou o para mostrar a sua fotografia a piscar os olhos em a capa . - Eu - disse apontando para a fotografia e piscando também os olhos - Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , terceiro ano , membro honorário de a Liga_de_Defesa contra as artes negras e cinco vezes vencedor de o prémio de o * _ Feiticeiro de a semana * por o sorriso mais charmoso . Mas não vamos falar de isso , não venci a fada carpideira de Bandon a sorrir para ela ! Esperou que eles se rissem . Alguns alunos sorriram timidamente . - Já vi que todos vocês compraram a minha obra completa . Muito bem . Pensei começar hoje com um pequeno interrogatório escrito . Nada de complicado , só para perceber se leram bem os meus livros e o que apreenderam ... Depois de distribuir as folhas de teste voltou se para os alunos e disse : - Têm trinta minutos . Comecem já . Harry olhou para o papel e leu : *1 . Qual é a cor preferida de Gilderoy_Lockhart ? *2 . Qual é a ambição secreta de Gilderoy_Lockhart ? *3 . Qual é , em a sua opinião , a maior realização de Gilderoy_Lockhart até a o momento ? * E_por_aí adiante , ao_longo_de três páginas , terminando com : *54 . Qual é o dia de aniversário de Gilderoy_Lockhart e qual seria o seu presente preferido ? * Meia_hora mais tarde , Lockhart recolheu os pontos e folhou os rapidamente em frente de os alunos . - Tut , tut , quase ninguém se lembrou que a minha cor preferida é o lilás . Eu digo o em * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves * . Alguns precisam de voltar a ler com mais cuidado * Fim-de - _ Semana com Um Lobisomem * . Eu afirmo claramente em o décimo segundo capítulo que o meu presente de aniversário preferido seria a harmonia entre todos os seres , mágicos e não mágicos , embora não me importasse de receber uma garrafa grande de * whisky * velho de a Ogden's_Old_Firewhisky . Piscou lhes o olho de_novo . Ron olhava para Lockhart com uma expressão de incredulidade em o rosto . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas que estavam sentados a a frente tremiam de tanto conter o riso . Hermione , contudo , ouvia Lockhart com extrema atenção e deu um salto quando ouviu o seu nome . - Mas Miss_Hermione_Granger sabia que a minha ambição secreta era libertar o mundo de o mal e pôr a a venda a minha gama de poções de tratamento de o cabelo . Muito bem - voltou o papel . - Nota máxima ! Onde está Miss_Hermione_Granger ? Hermione ergueu uma mão trémula . - Excelente - bradou Lockhart , exultante . - Leva dez pontos para os Gryffindor . E vamos a o trabalho . Baixou se atrás de a secretária e pegou em uma grande gaiola coberta . - Ficam desde_já a saber , a minha função é preparar vos contra as criaturas mais malignas que a feitiçaria conhece . Vocês podem ter que enfrentar os maiores medos em esta sala . Saibam que nenhum mal vos sucederá comigo aqui . Só vos peço que se mantenham calmos . Ultrapassando os seus sentimentos , Harry espreitou através de a pilha de livros para ver melhor a gaiola . Lockhart colocou uma mão em a tampa . Dean e Seamus tinham deixado de se rir . Neville estava agachado em o seu lugar de a fila de a frente . - Vou pedir vos que não façam barulho - disse Lockhart em voz baixa . - Podem assustá os . Enquanto a aula inteira continha a respiração , Lockhart tirou a cobertura . - Sim - disse em um tom dramático . - Duendes_da_Cornualha recém-capturados . Seamus_Finnigan não conseguiu controlar se . Soltou uma gargalhada que nem Lockhart poderia confundir com um grito de terror . - Sim ? - sorriu a Seamus . - Bem , eles não são , não são perigosos , pois não ? - perguntou a rir . -- Não tenhas tanta certeza de isso - afirmou Lockhart , aborrecido , abanando um dedo , em direcção a Seamus . - Podem ser maçadores e muito traiçoeiros . Os duendes eram de um azul-eléctrico e tinham cerca de vinte centímetros de altura com feições angulosas e umas vozes tão estridentes que era como ouvir uma discussão entre araras . Logo_que o pano foi retirado , começaram a fazer uma enorme algazarra , a andar de um lado para o outro , batendo em as grades e fazendo caretas a as pessoas que estavam mais perto . - Muito bem - disse Lockhart em voz alta . - Vamos então ver o que vocês conseguem fazer de eles - e abriu a gaiola . Foi um pandemónio . Os duendes dispararam em todas_as direcções como foguetes . Dois de eles agarraram o Neville por as orelhas e levantaram o a o ar . Vários outros foram direitos a a janela , fazendo chover vidros partidos até a a fila de trás . Os restantes decidiram destruir a sala com maior eficácia do_que um rinoceronte em fúria . Agarraram em os tinteiros e salpicaram tudo em volta , rasgaram a os bocados livros e papéis , arrancaram os quadros de as paredes , levantaram a o ar a gaiola vazia , agarraram livros e sacos e lançaram nos por a janela de vidros estilhaçados . Em poucos minutos , metade de a aula estava abrigada debaixo de as secretárias e o Neville pendurado em o candelabro de o tecto . - Vamos lá , agarrem nos , agarrem nos , são apenas duendes ... - gritava Lockhart . Arregaçou as mangas , bramiu a varinha e pronunciou * Peshipiksi_Pesternomi ! * As palavras não tiveram o menor efeito . Um de os duendes pegou em a varinha de Lockhart e atirou a também por a janela fora . Lockhart engoliu em seco e mergulhou debaixo de a secretária , não sendo , por um triz , esmagado por o Neville que caiu um segundo depois , quando o candelabro cedeu . A campainha tocou e houve uma louca precipitação para a porta . Em a calma relativa que se seguiu , Lockhart endireitou se , olhou para Harry , Ron e Hermione que estavam quase a chegar a a porta e disse : - Bem , vou pedir vos a os três que prendam o resto de os duendes em a gaiola - passou por eles e fechou rapidamente a porta atrás_de si . - Isto dá para acreditar ? - resmungou o Ron , enquanto um de os duendes lhe mordia com toda_a força uma de as orelhas . - Ele só quer dar nos uma ajuda , permitindo nos ganhar experiência - justificou Hermione , imobilizando dois duendes de uma_vez com um encantamento de paralisação e metendo os de_novo em a gaiola . - Experiência ? - disse Harry , tentando agarrar um duende que dançava com a língua de_fora . - Hermione , ele não sabia nada do_que estava a fazer . - Disparate - retorquiu Hermione . - Leste os livros de ele . Vê só as coisas que ele já fez ! - Que diz que fez - resmungou o Ron . VII_Sangue de lama e murmúrios Harry passou imenso tempo , em os dias que se seguiram , a fugir sempre_que via Gilderoy_Lockhart aproximar se em o corredor . Mais difícil de evitar era Colin_Creevey que parecia ter decorado o horário de Harry . Parecia que nada o emocionava mais do_que dizer : - Tudo bem , Harry ? - seis ou sete vezes por dia e ouvir : - Olá , Colin - por mais exasperado que Harry estivesse quando lhe respondia . A Hedwig ainda estava zangada com Harry por causa de a desastrosa viagem de automóvel e a varinha de o Ron continuava a não funcionar , tendo ultrapassado tudo em a sexta-feira de manhã quando lhe saltou de as mãos em a aula de encantamentos e foi agredir o velho e baixinho professor Flitwick mesmo entre os olhos , deixando uma enorme bolha latejante em o sítio onde tinha batido . Por tudo_isso Harry via chegar , com satisfação , o fim_de_semana Planeava ir em o Sábado de anhã , com Ron e Hermione visitar o Hagrid . Mas foi acordado várias horas mais cedo do_que desejaria por Oliver ood , treinador de a equipa de Quidditch_dos_Gryffindor . - _ o que é_que se passa ? - perguntou Harry , enrolando as palavras . - Treino_de_Quidditch - disse Wood . - Vamos embora . Harry lançou um olhar de esguelha a a janela . Uma neblina fina pairava em o céu rosa e dourado . Agora_que estava acordado não percebia como pudera dormir com a algazarra que os pássaros faziam . - Oliver resmungou Harry . - É de madrugada . - Exacto - respondeu Wood . Era um rapaz alto e corpulento de o sexto ano e em aquele momento os olhos brilhavam lhe loucamente de entusiasmo . - Faz parte de o nosso novo programa de treinos . Anda lá , vai buscar a vassoura e vamos embora - insistiu Wood empenhado . - Nenhuma de as outras equipas começou ainda a treinar . Vamos ser os primeiros este ano ... A bocejar e a tremer um_pouco , Harry saltou de a cama e tentou descobrir as suas túnicas de Quidditch . - Bem , encontramo nos em o campo , dentro_de quinze minutos . Depois de descobrir a sua roupa escarlate de equipa e pôr o manto por cima para se aquecer , Harry escreveu a o Ron um bilhete a explicar onde tinha ido e desceu por a escada de espiral para a sala comum com a sua Nimbos dois inil a o ombro . Tinha acabado de chegar junto de o buraco de o retrato quando ouviu um barulho atrás_de si e viu Colin_Creevey descer a escada de espiral com a máquina fotográfica pendurada a o pescoço a balouçar como louca e uma coisa em a mão . - Ouvi alguém chamar o teu nome em as escadas , Harry olha o que tenho aqui . Revelei a e queria mostrar te . Harry olhou assombrado para a fotografia que Colin lhe espetava em frente de o nariz . Um Lockhart a preto e branco movia se , puxando com toda_a força um braço que Harry reconheceu como sendo o seu . Ficou satisfeito a o constatar que estava a resistir bastante bem , recusando se a ser trazido para a vista de todos . Enquanto Harry observava , Lockhart desistiu e desinteressou se de lutar contra a parte branca de a fotografia . - Assinas para mim ? - pediu Colin entusiasmado . - Não - respondeu secamente Harry , olhando em volta para verificar se o caminho estava livre . - Desculpa_Colin , mas estou cheio de pressa , treino de Quidditch . Passou por o buraco de o retrato . - Oh Uau ! Espera por mim . Eu nunca vi um jogo de Quidditch . Colin trepou por o buraco de o retrato atrás de ele . - Vai ser uma chatice para ti - disse Harry rapidamente , mas Colin ignorou o comentário . Todo o seu rosto brilhava de satisfação . - Tu foste o jogador mais novo de a equipa em cem anos , não foste Harry ? Não foste ? - perguntava Colin , trotando para o acompanhar . - Deve ser fantástico . Eu nunca voei . É fácil ? Essa vassoura é a tua ? É a melhor que há ? Harry não sabia como ver se livre de ele . Era como ter uma sombra que não se calava . - Eu não percebo nada de Quidditch - disse Colin , já sem fôlego . - É verdade que há quatro bolas ? E que duas anda n a voar , tentando fazer os jogadores caírem de as vassouras ? - Sim - disse Harry lentamente , resignado com o ter de lhe explicar as complicadas regras de o Quidditch . - São as * bludgers * . Há dois * beaters * em cada equipa que têm bastões para bater em as * bludgers * e lançá as para o outro lado . O Fred e o George_Weasley são os * beaters * de os Gryffindor . - E para que servem as outras bolas ? - perguntou Colin , saltando uma série de degraus porque ia a olhar para o Harry de boca aberta . - Bem , a * quaffle * , que é a vermelha grandalhona , é a que marca os golos . Três * chasers * em cada equipa lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam fazes a entrar em as balizas que ficam em o extremo de o campo onde há três grandes postes com argolas em as pontas . - E a quarta bola ? - A * snitch * dourada - explicou Harry . - É muito pequenina e veloz e extremamente difícil de agarrar . Mas é isso que o * seeker * tem de fazer , porque o jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * for agarrada . E o * seeker * que conseguir agarrá a ganha para a sua equipa mais cento_e_cinquenta pontos . - E tu és o * seeker * de os Gryffindor , não és ? - perguntou Colin respeitosamente . - Sim - disse Harry enquanto saíam de o castelo e começavam a atravessar o relvado . - E há também o * keeper * que toma conta de os postes . É isto . Mas Colin não parou de fazer perguntas desde os relvados macios até a o campo de Quidditch e Harry só se viu livre de ele quando chegaram a os vestiários . Colin gritou em uma voz aguda : - Eu vou arranjar um lugar , Harry - e apressou se em direcção a as bancadas . O resto de a equipa de os Gryffindor já se encontrava em os vestiários . Wood era o único que tinha aspecto de estar bem acordado . Fred e George_Weasley estavam sentados com olhos de sono e cabelos desgrenhados junto de Alicia_Spinnet de o quarto ano que parecia inclinar se contra a parede que tinha atrás_de si . Os seus companheiros * chasers * , Katie_Bell e Angelina_Johnson bocejavam em frente de ela . - Até que enfim , Harry , porque é_que demoraste tanto ? - perguntou Wood cheio de actividade . - Eu queria ter uma pequena conversa convosco antes de entrarmos propriamente em campo porque passei o Verão a conjecturar um novo programa de treinos que acredito vai estabelecer grandes mudanças . Wood tinha em as mãos um grande mapa de um campo de Quidditch onde estavam desenhadas muitas linhas , setas e cruzes a tinta de várias cores . Pegou em a varinha , bateu com ela em o quadro e as setas começaram a mover se em o mapa como tractores . Enquanto Wood se lançava em um discurso sobre as suas novas técnicas , a cabeça de Fred_Weasley caiu sobre o ombro de Alicia_Spinnet e ele começou a ressonar . O primeiro mapa levou quase vinte minutos a explicar , mas debaixo de esse havia outro e ainda um terceiro . Harry caiu em uma letargia enquanto Wood continuava indefinidamente . - Então - disse por fim o treinador , arrancando Harry de a avidez de uma fantasia sobre o que poderia estar a comer se se encontrasse em aquele momento em o castelo . - Ficou tudo claro ? Alguma pergunta ? - Eu tenho uma pergunta , Oliver - disse George que acordou estremunhado . - Porque não nos explicaste tudo_isso ontem , quando estávamos acordados ? Wood não ficou nada satisfeito . - Ouçam bem , vocês todos - disse , voltando se para eles mal-humorado . - Nós deveríamos ter ganho a taça de Quidditch o ano passado . Somos de longe a melhor equipa , mas , infelizmente , devido_a circunstancias que estão para_além de o nosso controlo ... Harry mudou de posição em a cadeira sentindo se culpado . Estivera inconsciente em o hospital durante o campeonato final de o ano anterior o que fez com que os Gryffindor com um jogador a menos tivessem sofrido a pior derrota de os últimos trezentos anos . Wood levou um momento a controlar se . Era evidente que a última derrota ainda o torturava . - Portanto , este ano vamos fazer um treino mais duro , como nunca se fez . O. _ K. , vamos lá pôr as teorias em prática - gritou , pegando em a vassoura e conduzindo os para fora de o vestiário . Com as pernas trôpegas e ainda a bocejar , a equipa seguiu o . Tinham estado tanto tempo lá dentro que o sol já tinha nascido e brilhava em o céu embora uma réstia de neblina pairasse ainda sobre o relvado de o campo . Quando Harry entrou em campo viu Ron e Hermione sentados em as bancadas . - Ainda não acabaram ? - perguntou Ron em um tom incrédulo . - Ainda nem começamos - explicou Harry , olhando cheio de inveja para a torrada com doce de laranja que Ron e Hermione tinham trazido de o salão . - O Wood tem estado a ensinar nos as jogadas . Subiu para a vassoura e deu um pontapé em o chão , elevando se em o ar . O ar fresco de a manhã bateu lhe em o rosto fazendo o acordar com mais eficácia do_que o longo discurso de Wood . Era maravilhoso voltar a estar em o campo de Quidditch . Voou em volta de o estádio a toda a a velocidade competindo com Fred e George . - Que barulhinho estranho é aquele ? - perguntou o Fred quando deram a volta . Harry olhou para as bancadas . Colin estava sentado em um de os lugares mais altos com a máquina fotográfica em o ar , tirando fotografia sobre fotografia , o som estranhamente ampliado em o estádio deserto . - Olha para ali , Harry , para ali - gritava de forma estridente . - Quem é aquele ? - perguntou Fred . - Não faço ideia - mentiu Harry , disparando a_toda_a velocidade e distanciando se o mais possível de Colin . - O que se passa aí ? - perguntou Wood , franzindo a testa enquanto corria por os ares atrás de eles . - Porque está aquele aluno de o primeiro ano a tirar fotografias ? Não me agrada . Pode ser um espião de os Slytherin a tentar descobrir o nosso novo programa de treinos . - Ele é de os Gryffindor - disse Harry rapidamente . - E os Slytherin não precisam de um espião , Oliver - completou George . - Porque dizes isso ? - perguntou Wood irritado . - Porque estão aqui em peso - disse George , apontando com o dedo . Vários indivíduos com túnicas verdes vinham em aquele momento a entrar em o campo de vassouras em a mão . - Não posso acreditar - reagiu Wood , sentindo se ultrajado . - Eu reservei o estádio para hoje . Já vamos ver como é_que isto fica ! Wood baixou direito a o chão sendo levado por a fúria a aterrar com mais força do_que pretendia e a cambalear um_pouco quando começou a andar seguido de o Harry e de o Ron . - Flint - bradou para o treinador de os Slytherin . - Este é o nosso tempo de treino . Levantámo nos de propósito . Vocês têm de sair de aqui . Marcus_Flint era ainda mais corpulento do_que Wood . Tinha em o rosto uma expressão de duende travesso quando respondeu : - Há espaço para todos , Wood . Angelina , Alicia e Katie tinham vindo também . Em a equipa de os Slytherin não havia raparigas que enfrentassem a o lado de os rapazes os Gryffindor . - Mas eu reservei o estádio - repetiu Wood de modo afirmativo , cuspindo de raiva . - Reservei o . - Ah ! - exclamou Flint . - Mas eu tenho aqui uma licença especial assinada por o professor Snape . * _ Eu , professor Snape , autorizo a equipa de os Slytherin a praticar hoje em o campo de Quidditch devido a a necessidade de treinar o seu novo seeker . * - Têm um novo * seeker * ? - perguntou Wood perturbado . - Onde ? E detrás de as seis figuras corpulentas que tinham em a frente , viram surgir uma sétima : um rapaz mais pequeno com um sorriso afectado espelhado em o rosto pálido e anguloso . Era_Draco_Malfoy . - Não és o filho de o Lucius_Malfoy ? - perguntou Fred , olhando para ele com antipatia . - Curioso que refiras o pai de o Draco - disse Flint enquanto toda_a equipa de os Slytherin sorria de modo grosseiro . - Deixem me mostrar vos a generosa oferta que ele fez a a equipa de os Slytherin . Os sete exibiram as suas vassouras . Sete cabos novos , polidos , com inscrições em letras douradas de as palavras « Nimbus dois_mil_e_um « brilharam a o sol de a manhã , em frente de o nariz de os Gryffindor . - O último modelo . Só chegou em o mês passado - disse Flint , displicentemente , sacudindo a poeira de o cabo de a sua vassoura . - Julgo que ultrapassam de longe as velhas séries de dois_mil . Quanto a as Cleansweeps - sorriu de forma mesquinha para Fred e George que tinham ambos Cleansweep_Fives - essas já só servem para varrer . Nenhum de os Gryffindor foi capaz de abrir a boca em aquele momento . Malfoy sorria tanto que os seus olhos de gelo estavam reduzidos a duas rachas . - Oh vejam - disse Flint . - Uma invasão de o campo . Ron e Hermione atravessavam o relvado para ver o que se passava . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron a o Harry . - Porque não estão a jogar e o que faz ele aqui ? Olhava para Malfoy em as suas vestes de Quidditch . - Sou o novo * seeker * de os Slytherin , Weasley - disse Malfoy com ar presumido . - Têm estado todos a admirar as vassouras que o meu pai comprou para a nossa equipa . Ron olhou de boca aberta para as sete vassouras que tinha em a frente . - São boas , não são ? - disse Malfoy untuosamente . - Mas talvez a equipa de os Gryffindor consiga levantar algum ouro e comprar também vassouras novas . Vocês podiam levar essas Cleansweep_Fives a leilão , talvez algum museu esteja interessado . A equipa de os Slytherin riu se a bandeiras despregadas . - Pelo_menos em os Gryffindor ninguém teve de comprar a sua entrada - disse secamente Hermione . - Entraram todos por mérito próprio . O ar presumido de Malfoy desapareceu . - Ninguém pediu a tua opinião , sangue de lama - cuspiu Malfoy . Harry apercebeu se , de imediato , que Malfoy dissera algo muito grave porque houve uma tremenda algazarra em o seguimento de as suas palavras . Flint teve que se pôr a a frente de o Malfoy para evitar que Fred e George se atirassem a ele . Alicia bradou : - Como te atreves ? - E Ron meteu a mão em as vestes e sacou de a varinha mágica , gritando : - Vais pagar por o que disseste , Malfoy ! - e apontou a , furioso , por debaixo de o braço de Flint , a o rosto de Malfoy . Um enorme estrondo , ecoou em o estádio e um jacto de luz verde saiu por a extremidade errada de a varinha de Ron , atingindo o em o estômago e projectando o para trás em direcção a o relvado . - Ron ! Ron ! Estás bem ? - gritou Hermione . Ron abriu a boca para falar , mas nenhuma palavra saiu . Em vez de isso , teve um vómito imenso e várias lesmas saíram lhe de a boca , indo cair lhe em o colo . A equipa de os Slytherin ficou paralisada de riso . Flint estava dobrado , agarrado a a vassoura nova . Malfoy , a quatro , batia com o punho em a chão . Os Gryffindor rodeavam o Ron , que continuava a vomitar lesmas enormes e reluzentes . Ninguém queria tocar lhe . - É melhor levá o para_casa de o Hagrid . É o mais perto - disse Harry_a_Hermione , que acenou afirmativamente , e os dois arrastaram o Ron por os braços . - O que aconteceu , Harry ? O que aconteceu ? Ele está doente ? Mas tu podes curá o , não podes ? - Colin descera a correr de o lugar onde estava sentado e dançaricava em frente de eles , enquanto abandonavam o campo . Ron teve um novo arremesso e mais lesmas saíram de a sua boca . - Oooh ! - exclamou Colin fascinado , levantando a máquina fotográfica . - Podes mantê o quieto , Harry ? - Sai de a minha frente , Colin - gritou Harry zangado . Ele e a Hermione conseguiram levar o Ron para fora de o estádio , atravessar os campos e chegar a a beira de a floresta . - Está quase , Ron - disse Hermione , mal avistaram o casebre de o guarda de os campos . - Vais ficar bem dentro_de um minuto ... está quase ... Estavam a sessenta metros de a casa de Hagrid , quando a porta de a frente se abriu . Mas não foi Hagrid quem saiu de lá , e sim Gilderoy_Lockhart , em uma túnica cor de malva . - Rápido , vamos esconder nos aqui - sussurrou Harry , arrastando Ron para trás de um arbusto que havia ali perto . Hermione acompanhou o , embora um_pouco relutante . -- É muito simples quando se sabe o que se está fazer ! - gritava Lockhart_para_Hagrid . - Se precisar de ajuda , sabe onde estou . Vou dar lhe um exemplar de o meu livro . Espanta me que ainda não o tenha . Logo a a noite autografo o e envio lhe o . Bem . até a a próxima ! - e afastou se em direcção a o castelo . Harry esperou que Lockhart desaparecesse , antes de puxar o Ron de trás de o arbusto até a a casa de o Hagrid . Bateram ansiosamente . Hagrid apareceu logo com um ar mal-humorado , que se dissipou quando viu quem era . - Já me tinha perguntado quand'é que vocês vinham ver me , entrem , entrem , pensei qu'era outra_vez o professor Lockhart . Harry e Hermione ajudaram Ron a subir o degrau que dava acesso a a cabana de uma divisão com uma cama enorme a um de os cantos e uma lareira a crepitar alegremente em o outro . Hagrid não pareceu perturbado com o problema de as lesmas de o Ron que Harry lhe explicou precipitadamente , logo_que sentou o Ron em uma cadeira . - Melhor saírem de o qu'entrarem - disse , em um tom bem-disposto , colocando uma grande bacia de cobre em frente de ele . - Deita as todas fora , Ron . - Acho que não há mais_nada a fazer , a não ser esperar que isto pare - disse Hermione ansiosamente , vendo Ron inclinar se para a bacia . - É uma maldição muitas_vezes difícil , mas com uma varinha partida ... Hagrid andava de um lado para o outro a preparar o chá . O cão de ele , Fang , babava se em cima de o Harry . - O que é_que o Lockhart queria de ti ? - perguntou o Harry , coçando as orelhas de o Fang . - Ensinar me a tirar espíritos aquáticos com forma de cavalos d'uma nascente d'água - resmungou Hagrid , retirando de a mesa pequena um galo meio depenado e colocando em o seu lugar o bule . - Como s'eu não soubesse . E contar me uma peta qualquer d'uma fada carpideira que ele venceu . Engulo essa chaleira , se uma palavra do_que ele disse for verdade . Não era hábito de Hagrid criticar um professor de Hogwarts e Harry olhou para ele com alguma surpresa . Mas Hermione disse em uma voz mais aguda do_que de costume : - Acho que estás a ser injusto . O professor Dumbledore obviamente achou que era o melhor homem para o lugar ... - Era o único - explicou Hagrid , oferecendo lhes um prato de bombons de melaço enquanto Ron tossia para a bacia . - E não havia mais ninguém . Não é fácil encontrar quem queira dar Artes de magia negra . As pessoas não gostam de essa matéria . Começam a pensar que está amaldiçoada , ninguém ficou muito_tempo a dá a . Mas digam me lá - continuou Hagrid , inclinando a cabeça para Ron - quem é qu'ele estava a tentar amaldiçoar ? - O Malfoy chamou qualquer coisa a a Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si . - Foi grave , sim - disse o Ron com voz rouca , emergindo a a superfície de a mesa , pálido e transpirado . - O Malfoy chamou lhe sangue de lama , Hagrid . - Ron desapareceu outra_vez quando uma nova onda de lesmas fez o seu aparecimento . Hagrid estava indignado . - Não posso crer - exclamou , dirigindo se a Hermione . - Chamou sim - disse ela . - Mas eu não sei o que significa . Percebi que era má educação , claro ... - É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar - explicou Ron novamente . - Sangue de lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles , sabes , filho de pais não mágicos . Há alguns feiticeiros , como a família de o Malfoy que acham que são melhores do_que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro . - Teve um pequeno vómito e uma lesma isolada caiu lhe em a mão aberta . Ele atirou a para a bacia e continuou . -- É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma . Olha_o_Neville_Longbottom , é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito . - E ainda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer - afirmou Hagrid , orgulhoso , fazendo Hermione corar em tons de magenta . - É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém - disse o Ron , limpando o suor de a testa com a mão trémula . - Sangue sujo , sangue vulgar , é um disparate . A maior parte de os feiticeiros hoje_em_dia têm sangue misturado . Se não tivéssemos casado com Muggles tinha sido o nosso fim . Fez um esforço para vomitar e baixou se mais_uma_vez . - Bem , não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá o , Ron - disse Hagrid bem alto enquanto montes de lesmas caíam em a bacia . - Mas , se_calhar , não foi mau de todo teres a varinha a trabalhar ao_contrário . Acho que Lucius_Malfoy teria vindo logo a correr a a escola se tivesses amaldiçoado o filho . Assim , pelo_menos , não estás metido em nenhum sarilho . Harry teria referido que o problema não podia ser pior do_que deitar lesmas por a boca , mas não pôde . Os bombons de melaço tinham lhe colado os maxilares um_ao_outro . - Harry - disse de repente Hagrid como_que movido por um pensamento súbito . - Tens de me explicar uma coisa . Ouvi dizer que tens andado a dar fotografias autografadas . Porque é qu'eu não tenho nenhuma ? A fúria de Harry foi tão grande que os maxilares se libertaram . - Eu não tenho dado fotografias autografadas - disse com vivacidade . Se o Lockhart andou a espalhar isso ... Mas em esse momento viu que Hagrid se estava a rir . - ´ _ tou a brincar - disse , dando uma palmadinha em as costas de Harry e fazendo lhe sinal para se sentar a a mesa . -- Eu sabia que não tinhas . Disse a o Lockhart que tu não precisavas de isso . Es mais famoso do_que ele sem sequer , tentares . - Aposto que ele não gostou de ouvir isso - comentou Harry , sentando se e esfregando o queixo . - Acho que não gostou mesmo - prosseguiu Hagrid com os olhinhos a brilhar . - E disse lhe também que nunca tinha lido nenhum de os livros de ele e ele foi se embora . Um bombom de melaço , Ron ? - perguntou a o vê o reaparecer . - Não , obrigado - disse o Ron com uma voz fraca . - É melhor não arriscar . - Venham ver o qu'eu tenho estado a criar - disse Hagrid quando Harry e Hermione acabaram de tomar o chá . Em a pequena horta atrás de a casa estava uma_dúzia de as maiores abóboras que Harry alguma vez vira . Pareciam enormes blocos de pedra . - Estão a dar se bem , não achas ? - disse Hagrid , feliz . São para a festa de o * _ Hallow'en * . Devem estar bem grandes quando chegar a altura . - O que é_que lhes tens dado como alimento ? - perguntou Harry . Hagrid olhou por cima de o ombro para confirmar se estavam sós . - Bem , tenho estado a dar lhes ... uma pequena ajuda . Harry reparou em o guarda-chuva cor-de-rosa a as florzinhas que estava encostado contra a parede de a cabana . Tivera em o ano anterior motivos para crer que aquele guarda-chuva não era o que parecia . De facto , acreditava que a antiga varinha de escola de Hagrid se encontrava oculta dentro de ele . Hagrid não tinha autorização para usar magia . Fora expulso de Hogwarts em o terceiro ano embora Harry nunca tivesse descoberto o motivo . Qualquer referência a esta questão fazia Hagrid pigarrear bem alto e ficar misteriosamente surdo até mudarem de assunto . -- Um encantamento de absorção , imagino ? - comentou Hermione entre a desaprovação e o divertimento . - Bem , se assim foi , fizeste um bom trabalho . - Foi o que disse a tua irmãzinha - respondeu Hagrid acenando em direcção a Ron . - Encontrei a ontem . - Hagrid olhou de lado para Harry , a barba a contorcer se . - Disse que andava só a ver os campos , mas eu acho qu'ela esperava encontrar alguém em a minha casa - piscou o olho a o Harry . - Se queres que te diga acho qu'ela não recusaria uma fotografia autogr ... - Cala te com isso - disse Harry . Ron desatou a rir e o chão ficou cheio de lesmas . - Cuidado - resmungou Hagrid , afastando Ron de as suas preciosas abóboras . Estava quase em a hora de o almoço e , como o Harry só tinha provado um bombom de melaço desde manhã cedo , estava ansioso por chegar a a escola para ir comer . Despediram se de o Hagrid e regressaram a o castelo . O Ron a vomitar de vez em quando , mas deitando só duas pequenas lesmas . Mal tinham pisado a entrada de o vestíbulo quando ouviram uma voz . - Aí estão vocês , Potter , Weasley . - A professora Mc_Gonagall vinha em direcção a eles com o seu ar severo . - Vocês os dois vão ter as punições hoje a a tarde . - O que é_que vamos fazer , professora ? - perguntou o Ron nervoso , deixando cair uma lesma . - Tu vais limpar as pratas em a sala de os troféus com Mr._Filch - disse a professora Mc_Gonagall . - E nada de mágicas , Weasley , trabalho com esforço . Ron engoliu em seco . Argus_Filch , o encarregado , era odiado por todos os alunos de a escola . - E tu , Potter , vais ajudar o professor Lockhart a responder a as cartas de as suas fãs - ordenou a professora Mc_Gonagall . - Oh , não ! Não posso ir também trabalhar em a sala de os troféus ? - pediu Harry em desespero de causa . - Nem pensar em isso - respondeu a professora Mc_Gonagall , erguendo as sobrancelhas . - O professor Lockhart requisitou te especialmente a ti . _ a as oito_em_ponto , os dois . Harry e Ron entraram em o salão em um estado de profundo desanimo com a Hermione atrás , ostentando uma expressão de * bem-voces-quebraram-as-regras-da-escola * . Harry não saboreou o empadão de carne como teria desejado . Tanto ele como o Ron achavam que tinham tido o pior de os castigos . -- O Filch vai reter me lá toda_a noite - disse Ron , desanimado . - Sem mágica ! Deve haver umas cem taças em aquela sala , eu não sei fazer limpeza de Muggles . - Eu trocava contigo de boa_vontade - confessou Harry em uma voz surda . - Tive montes de prática com os Dursleys . Responder a o correio de fãs de o Lockhart , que pesadelo ... A tarde de sábado pareceu derreter se . Pouco depois eram já cinco para as oito e Harry arrastava se até a o corredor de o segundo andar onde ficava o escritório de o Lockhart . Rangendo os dentes , bateu a a porta . A porta abriu se imediatamente e Lockhart dirigiu se lhe . - Ah , cá está o patifório ! - exclamou . - Entra , Harry , entra . Em as paredes , brilhando à_luz_de muitas velas , podia ver se uma infinidade de fotografias de Lockhart . Algumas de elas até assinadas . Sobre a secretária estava outro monte enorme . - Podes pôr as moradas em os envelopes - disse Lockhart_a_Harry , como_se fosse uma grande ameaça . - O primeiro é para Gladys_Gudgeon , abençoada seja , uma grande fã minha . Os minutos passavam lentos . De vez em quando , Harry ouvia a voz de Lockhart dizendo : - Mmm - e - certo - e - sim . - De vez em quando , apanhava uma frase como : - A fama é versátil , amigo Harry - ou - Só é célebre quem faz por isso , nunca te esqueças . As velas ardiam cada_vez com maior lentidão , fazendo a luz dançar sobre as muitas caras de Lockhart que o olhavam . Harry passava a mão , já dorida , sobre o que devia ser o centésimo envelope , escrevendo a morada de Verónica_Smethley . « Deve estar quase em a hora de me ir embora » , pensou , sentindo se profundamente infeliz , « por favor , faz com que esteja em a hora ... » E então ouviu algo , algo totalmente diferente de o crepitar de as velas e de os ditos de Lockhart sobre as suas fãs . Era uma voz , uma voz de arrepiar os ossos , de cortar a respiração , de veneno frio . - * _ Vem ... vem ter comigo ... deixa me rasgar te ... cortar te ... matar te * ... Harry deu um salto e uma enorme mancha lilás surgiu em a rua de Verónica_Smethley . - O quê ? - disse ele em voz alta . - Eu sei - exclamou Lockhart . - Seis meses inteirinhos em o topo de a lista de * bestsellers * , bati todos os recordes ! - Não - disse Harry nervosíssimo - aquela voz ! - Como ? - perguntou Lockhart , com um ar confuso . - Que voz ? - Aquela , aquela voz que disse ... não ouviu ? Lockhart olhava para Harry com o maior espanto . - De que é_que estás a falar , Harry ? Estás a ficar com sono ? Meu Deus , olha , só estamos aqui há quase quatro horas , quem diria ? O tempo passou a correr , não é verdade ? Harry não respondeu , estava a fazer um esforço para ouvir de_novo a voz , mas o único som que ouviu foi Lockhart a dizer lhe que não esperasse um tratamento igual de as próximas vezes que fosse castigado . Harry saiu , sentindo se atordoado . Era tão tarde que a sala comum de os Gryffindor estava quase vazia . Harry foi directamente para o dormitório . Ron ainda não tinha voltado . Vestiu o pijama , meteu se em a cama e esperou . Meia_hora mais tarde , chegou o Ron agarrado a o braço direito e inundando o quarto escuro de um forte cheiro a limpa-pratas . - Doem me todos os músculos - resmungou , metendo se em a cama . - Ele fez me polir catorze vezes aquela taça de Quidditch até estar satisfeito . E depois tive outro vómito em_cima_de um troféu de Reconhecimento por serviços prestados a a escola . Demorei séculos a limpar o muco de as lesmas . Como correram as coisas com o Lockhart ? Em voz baixa para não acordar o Neville , o Dean e o Seamus , Harry contou lhe , palavra por palavra , o que tinha ouvido . - E Lockhart disse que não ouviu nada ? - perguntou o Ron . Harry viu o franzir a testa , a a luz de o luar . - Achas que estava a mentir ? Mas , não percebo , mesmo um ser invisível teria aberto a porta . - Eu sei - disse Harry , encostando se a a cama e olhando para o dossel . - Também não compreendo . VIII_A festa de o dia de os mortos Outubro chegou , espalhando um frio húmido por os campos e por os cantos de o castelo . Madam_Pomfrey , a enfermeira-chefe , esteve bastante ocupada com uma onda de constipações que afectou professores e alunos . A sua poção de pimentão entrou imediatamente em acção apesar_de deixar quem a tomava com fumo em os ouvidos durante várias horas . Ginny_Weasley , que andava com ar adoentado , foi convencida a tomá a por o Percy . O fumo que saía por debaixo de o seu cabelo ruivo dava a impressão de que toda_a cabeça estava em fogo . Gotas de chuva de o tamanho de balas agrediram as janelas de o castelo durante dias a fio . O lago rosado e os canteiros de flores tornaram se regatos lamacentos e as abóboras de o Hagrid incharam ficando de o tamanho de alpendres de jardim . Contudo , o entusiasmo de Oliver_Wood por as sessões de treino regular não foi abalado , motivo por o qual Harry iria regressar a a torre de os Gryffindor , em um sábado a a tarde de temporal , alguns dias antes de o * _ Hallowe'en * , ensopado até a os ossos e todo enlameado . Além de a chuva e de o vento , não fora um treino feliz . Fred e George que tinham andado a espiar a equipa de os Slytherin tinham visto com os seus próprios olhos a velocidade alucinante de aquelas novas Nimbus dois_mil_e_um e comentaram que a equipa em o ar parecia composta por sete manchas esverdeadas que disparavam a_toda_a velocidade como aviões a jacto . Enquanto Harry chapinhava a o longo de o corredor deserto , cruzou se com alguém que parecia tão preocupado como ele : Nick quase sem cabeça , o fantasma de a torre de os Gryffindor que olhava taciturno , por a janela , murmurando baixinho : - Não preenche os requisitos , um centímetro e meio se ... - Olá , Nick - cumprimentou Harry . - Olá , olá - disse o Nick quase sem cabeça , começando a olhar em volta . Usava um arrebatado chapéu de plumas sobre a longa cabeleira encaracolada e uma túnica com gola de tufos que disfarçava o facto de ter o pescoço quase totalmente separado de o corpo . Era pálido como o fumo e Harry podia ver através de ele o céu negro e a chuva torrencial , lá fora . - Pareces preocupado , jovem Potter - disse Nick , dobrando uma carta transparente , enquanto falava e escondendo a dentro de a jaqueta . - Tu também - retorquiu Harry . - Ah ! - o Nick quase sem cabeça acenou com a mão de forma elegante . - Uma questão sem importância . Não é_que eu quisesse realmente participar apesar_de me ter inscrito , mas , a o que parece , não preencho os requisitos . - Apesar de o seu tom jovial havia em o seu rosto uma grande amargura . - Mas era de esperar , ou não era - exclamou subitamente , tirando a carta de o bolso - que ter levado quarenta_e_cinco golpes em a cabeça com um machado ferrugento me qualificaria para entrar em o grupo de os Sem - _ Cabeça ? - Sim , sim - respondeu Harry que obviamente o outro esperava que concordasse . - Isto_é , ninguém mais do_que eu desejaria que tudo tivesse sido rápido e perfeito , poupava me muitas dores e ridículo . Mas ... O Nick quase sem cabeça abriu , furioso , a carta e leu : * _ Só podemos aceitar em o grupo homens cuja cabeça tenha sido separada de o corpo . Compreenderá que de outro modo seria impossível a os nossos membros participarem em actividades como equitação de malabarismos com a cabeça e pólo de cabeça . Lamentamos profundamente informá o de que não preenche os requisitos . * _ Os nossos melhores cumprimentos , Sir_Patrick_Delaney - _ Podmore * Furioso , o Nick quase sem cabeça atirou fora a carta . - Um centímetro de pele e tendões a segurarem me a cabeça , Harry ! A maior parte de as pessoas acharia que era mais do_que o suficiente , mas não serve para o senhor correctamente decapitado Podmore . Nick quase sem cabeça respirou fundo várias vezes e , por fim , em um tom bastante mais calmo perguntou : - Então o que é_que te preocupa ? Alguma coisa que eu possa fazer por ti ? - Não - respondeu Harry . - A_não_ser_que saibas onde posso arranjar sete Nimbus dois_mil_e_um , de_graça , para o nosso campeonato contra os Sly ... - o resto de a frase foi afogada por um miado agudo vindo de perto de os seus tornozelos . Olhou para baixo e deu consigo a fitar um par de olhos que pareciam duas lâmpadas amarelas . Era_Mrs._Norris , a gata cinzenta e esquelética usada por o encarregado Argus_Filch como uma espécie de polícia em a sua infindável batalha contra os estudantes . - É melhor saíres de aqui , Harry - preveniu Nick com toda_a calma . - O Filch não está nada bem-disposto . Anda engripado e alguns alunos de o terceiro ano , por acidente , encheram o tecto de o calabouço cinco de miolos de rã . Ele tem andado toda_a manhã a limpar e se te vê a encher tudo de lama ... - Certo - disse Harry , recuando e afastando se de o olhar acusador de Mrs._Norris , mas ... tarde de mais . Conduzido até ali por o misterioso poder que parecia ligá o a a gata , Argus_Filch entrou subitamente por uma tapeçaria que se encontrava a a direita de Harry , com a sua respiração asmática , olhando vivamente em volta em busca de o infractor . Tinha um lenço grosso , de xadrez , a a volta de a cabeça e o nariz invulgarmente arroxeado . - Imundície - gritou com os maxilares a tremer e os olhos a saltarem lhe de as órbitas , enquanto apontava para a poça de lama que pingara de a túnica de Quidditch_de_Harry . - Desarrumação e imundície em todo o lado . Estou farto disto , segue me , Potter . Harry despediu se de o Nick quase sem cabeça com um tímido aceno e seguiu Filch até lá abaixo , duplicando o número de pegadas lamacentas em o chão . Nunca entrara em o gabinete de o Filch . Era um lugar que a maior parte de os estudantes evitava . A divisão era sombria e sem janelas , iluminada por uma única lamparina de óleo que pendia de o tecto . Sentia se um vago cheiro a peixe frito . As paredes estavam forradas por ficheiros de madeira . Por as etiquetas Harry percebeu que continham os dados de todos os alunos que Filch tinha punido . Fred e George_Weasley tinham uma gaveta só para eles . Atrás de a secretária estava pendurada uma colecção bem polida de correntes e algemas . Todos sabiam que ele estava sempre a pedir a Dumbledore que o deixasse pendurar os alunos em o tecto por os tornozelos . Filch pegou em uma pena que estava sobre a secretária e começou a procurar o pergaminho . - Bosta - murmurou , furioso . - Bosta de dragão , miolos de rã , intestinos de ratazana ... eu tinha aqui bastante , onde está o form ... sim ... Tirou um enorme rolo de pergaminho de a gaveta de a secretária e estendeu o em a frente , molhando a longa pena em o tinteiro . - Nome : Harry_Potter . Crime ... - Foi só um bocadinho de lama - disse Harry . - É só um bocadinho de lama para ti , rapaz , mas para mim é mais de uma hora a esfregar - gritou Filch com um pingo a tremer de modo desagradável em a extremidade de o nariz bolboso . - Crime : manchar o castelo . Sentença proposta ... Esfregando o nariz que continuava a pingar , Filch olhou com má cara para Harry que esperava com a respiração entrecortada para ouvir a sentença . Mas quando Filch pegou em a pena ouviu se um estrondo enorme em o tecto que fez a lamparina apagar se . - PEEVES - resmungou Filch , pousando a pena , cheio de raiva . - Desta_vez apanho te . Apanho te ! E sem olhar para trás , saiu a correr a_toda_a velocidade de o gabinete , seguido de a gata , Mrs._Norris . Peeves era o * poltergeist * de a escola , uma ameaça de risota esvoaçante que vivia para fazer estragos e criar aflição . Harry não gostava lá muito de ele , mas desta_vez , não podia deixar de lhe estar grato . Na_melhor_das_hipóteses o que Peeves tivesse feito ( e parecia que agora ele destruíra qualquer coisa em grande ) distrairia Filch_de_Harry . Pensando que o melhor seria esperar que ele voltasse , Harry deixou se cair em uma cadeira carcomida por o tempo que se encontrava junto de a secretária . Havia uma coisa sobre o tampo : um grande envelope roxo e lustroso com letras prateadas em a frente . Lançando um olhar rápido a a porta para confirmar que Filch não estava de volta , Harry pegou lhe e leu : __ feitiço __ rápido Um curso por correspondência De iniciação a a magia Cheio de curiosidade , abriu o envelope e retirou o rolo de pergaminho . Uma letra curvilínea e prateada dizia : Sente se pouco a a vontade em o mundo de a magia moderna ? Dá consigo a arranjar desculpas para não fazer feitiços simples ? Tem sido censurado por o deplorável trabalho com a varinha ? Eis a resposta ! Feitiço rápido e um curso totalmente novo , infalível , de resultados rápidos e rápida aprendizagem . Centenas de bruxas e feiticeiros têm beneficiado de o método feitiço rápido ! Madam_Z._Nettles_de_Topsham escreve nos : Eu não conseguia fixar os encantamentos e as minhas poções eram alvo de risota em a família . Agora , depois de o curso feitiço rápido , tornei me o centro de as atenções em todas_as festas e os meus amigos não param de pedir me a receita de a minha brilhante solução ! O mágico D.J._Prod , de Disbury , afirma : A minha mulher costumava rir se de os meus fracos encantamentos , mas bastou um mês com o vosso fabuloso curso feitiço rápido e consegui transformá a em um iaque . Obrigado , feitiço rápido ! Fascinado , Harry folheou o resto de o conteúdo de o envelope . Para que diabo quereria o Filch um curso de feitiço rápido ? Não seria ele um feiticeiro a sério ? Harry estava a ler a lição número um : Pegando em a varinha ( algumas dicas úteis ) quando umas passadas arrastadas , lá fora , o preveniram de que Filch estava de volta . Metendo rapidamente o pergaminho dentro de o envelope , lançou o para_cima de a secretária em o preciso momento em que a porta se abriu . Filch ostentava um ar triunfante . - Aquele armário que desapareceu era extremamente valioso - vinha ele a dizer a a gata , Mrs._Norris . - Desta_vez vamos correr com o Peeves , minha linda . Os seus olhos recaíram sobre Harry e logo_a_seguir sobre o envelope de o feitiço rápido que , Harry apercebeu se tarde de mais , estava meio metro distanciado de o seu lagar inicial . O rosto pálido de Filch tornou se vermelho escarlate . Harry preparou se para uma nova onda de fúria . Filch coxeou até a a secretária , arrebatou o envelope e meteu o em uma gaveta . -- Chegaste a ... lê o ? - perguntou atabalhoadamente . - Não - mentiu Harry , sem perder tempo . As mãos nodosas de o Filch contorciam se ao_mesmo_tempo . - Se eu soubesse que ias ler a minha correspondência priv ... não que seja minha ... é para um amigo ... mesmo_assim ... Harry olhava para ele espantado . Nunca vira o Filch tão louco . Os olhos pareciam querer saltar lhe de as órbitas , com um tique em as bochechas e aquele lenço axadrezado que não ajudava nada ... - Muito bem , vai e não abras a boca sobre isto ... não que ... mesmo_assim ... se tu não leste ... vai te embora , tenho de escrever o relatório sobre o Peeves , vai . Atordoado com a sua sorte , Harry saiu de ali e largou a correr por o corredor fora e por as escadas acima . Sair de o gabinete de o Filch sem um castigo devia ser um recorde em a escola . - Harry , Harry , deu resultado ? O Nick quase sem cabeça saiu a brilhar de uma sala de aula . Atrás de ele , Harry pôde ver os destroços de um grande armário preto e dourado que parecia ter sido atirado de uma grande altura . - Convenci o Peeves a parti o mesmo em cima de o gabinete de o Filch - disse Nick entusiasmado . - Pensei que talvez o distraísse . - Foste tu ? - exclamou Harry , agradecido . - Funcionou sim . Ele não me deu nenhum castigo . Obrigado , Nick . Atravessaram o corredor juntos . O Nick quase sem cabeça , reparou Harry , ainda tinha em a mão a carta de Sir_Patrick . - Gostaria de poder fazer qualquer coisa sobre o grupo de os Sem - _ Cabeça - disse Harry . O Nick quase sem cabeça parou de repente e Harry passou através de ele . Antes não tivesse passado , foi como atravessar um duche gelado . - Mas há uma coisa que tu podes fazer por mim - disse Nick muito agitado . - Harry , seria pedir te de mais ... mas não , tu não ias querer ... - O quê ? - Bem , este ano em o * _ Hallowe'en * vai ser o meu meio milénio de dia de os mortos - disse o Nick quase sem cabeça endireitando se e adquirindo uma postura de grande dignidade . - Oh - respondeu Harry sem saber se deveria lamentar ou dar lhe os parabéns . - Certo . - Vou dar uma festa em um de os calabouços mais amplos . Vêm amigos meus de todo o país . Seria uma honra muito grande se tu aparecesses . Mr._Weasley e Miss_Granger seriam também muito bem-vindos , claro . Mas tu deves preferir o banquete de a escola , não é verdade ? - Olhou para Harry , aflito . - Não - assegurou ele rapidamente . - Eu vou . - Oh rapaz , Harry_Potter em a minha festa de os mortos - hesitou no_meio_de toda aquela excitação . - Achas que poderias referir a Sir_Patrick como me achas assustador e como te impressiono ? - É claro que sim - assegurou Harry . O Nick quase sem cabeça iluminou se em um sorriso . - Uma festa de os mortos ? - exclamou Hermione , entusiasmada , quando Harry , depois de mudar de roupa , se juntou a ela e a o Ron em a sala comum . - Aposto que não há muitas pessoas que possam gabar se de ter estado em uma festa de essas . Vai ser fantástico ! - Por_que é_que alguém se lembraria de festejar o dia em que morreu ? - perguntou o Ron que estava a meio de o seu trabalho de casa de poções e bastante maldisposto . - Parece me bastante mórbido . A chuva continuava a lamber as janelas que apresentavam agora um negro que parecia tinta , mas , lá dentro , era tudo claro e alegre . O fogo em a lareira brilhava sobre as inúmeras cadeiras de braços onde as pessoas estavam sentadas a ler , a conversar , a fazer os trabalhos de casa ou , no_caso_de Fred e George_Weasley , a tentar descobrir o que aconteceria se alimentassem uma salamandra com fogo-de-artíficio de o Filibuster . O Fred tinha « resgatado . o lagarto cor de laranja brilhante , morador de o fogo , de uma aula de tratamento de seres mágicos e ele estava agora a arder em fogo lento sobre uma mesa , rodeado de um grupo de curiosos . Harry ia começar a contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre o Filch e o curso de feitiço rápido quando a salamandra disparou por os ares , lançando faíscas e estoiros . A visão de Percy a gritar com Fred e George até ficar ronco , a fantástica exibição de estrelas cor de tangerina que choviam de a boca de a salamandra e a sua fuga para o lume acompanhada de explosões , fizeram com que Harry se esquecesse , em aquele momento , de Filch e de o curso de feitiço rápido . Quando chegou o * _ Hallowe'en * , Harry já lamentava a sua promessa imprudente de ir a a festa de os mortos . Toda_a escola antecipava , feliz , a sua festa de * _ Hallowe'en * . O salão nobre fora enfeitado com os habituais morcegos , as enormes abóboras de Hagrid tinham sido esculpidas em forma de lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro_de cada uma , e havia boatos de que Dumbledore contratara um grupo de esqueletos bailarinos para animar a festa . - Uma promessa é uma promessa - lembrou Hermione_a_Harry com o seu autoritarismo habitual . - Tu disseste que ias a a festa de os mortos . Portanto , a as sete_da_tarde , Harry , Ron e Hermione saíram , passando por a porta de o salão nobre que brilhava de modo convidativo com pratos dourados e velas e dirigiram os seus passos para os calabouços . O corredor que conduzia a a festa de o Nick quase sem cabeça tinha sido também ladeado de velas , embora o efeito estivesse longe_de ser alegre : estas eram velas muito esguias e estreitas , negras de breu , ardendo em um azul brilhante e lançando uma luz indistinta e espectral também sobre as caras de as pessoas vivas . A temperatura diminuía a cada degrau que desciam . Harry tremia e cingia a túnica a o corpo quando ouviu qualquer coisa que parecia uma centena de unhas a rasparem um enorme quadro preto . - Será que isto_é a música ? - murmurou Ron . Viraram uma esquina e viram o Nick quase sem cabeça junto de uma porta , todo vestido de veludo negro . - Meus queridos amigos - disse com ar de luto . - Bem-vindos , bem-vindos , ainda_bem que puderam vir . Em um gesto largo tirou o chapéu de plumas e fez lhes sinal para que entrassem . Era uma visão incrível . O calabouço estava cheio com centenas de pessoas de um branco pálido e translúcido , a maior parte de as quais era arrastada em uma pista de dança cheia , valsando a o som de trinta serrotes musicais . Os serrotes que compunham a orquestra encontravam se sobre um estrado enfeitado com panos negros . Um lustre lá em cima resplandecia de um azul nocturno com mais um_milhar de velas negras . A respiração de os três subiu em o ar como uma neblina . Parecia que tinham entrado em um congelador . - Vamos dar uma volta - sugeriu Harry em uma tentativa de aquecer os pés . - Cuidado , não atravessem nenhum de eles - avisou o Ron nervosamente e colocaram se em volta de a pista de dança . Passaram por um grupo escuro de freiras , por um homem esfarrapado e cheio de correntes e por o frade gordo , o divertido fantasma de os Hufflepuff que estava a conversar com um cavaleiro com uma seta enfiada em a testa . Harry não ficou nada surpreendido a o ver que o Barão sangrento , o fantasma lúgubre e berrante de os Slytherin , coberto de nódoas de sangue ; estava a ser totalmente evitado por os outros fantasmas . - Oh ! Não -- exclamou Hermione , parando bruscamente . - Voltem se , voltem se , não quero ter de cumprimentar a Murta_Queixosa . - Quem ? - perguntou Harry enquanto davam rapidamente meia volta . - Ela assombra a casa_de_banho de as raparigas de o primeiro andar - explicou Hermione . - Assombra uma casa_de_banho ? - Sim . Está inoperativa durante todo o ano porque ela tem constantes acessos de choro e inunda tudo . Eu só lá fui quando não pode mesmo evitar . É horrível tentar ir a a sanita com ela a gritar connosco . - Olhem , comida - disse o Ron . De o outro lado de o calabouço estava uma mesa igualmente coberta de velado negro . Iam para se aproximar entusiasmados , mas pararam com uma expressão de horror . O cheiro era nauseabundo . Enormes peixes podres enchiam as bonitas travessas de prata , os bolos estorricados como carvões amontoavam se em as salvas , havia uma grande quantidade de miúdos de macaco , uma tábua de queijos cobertos de bolor e , em o lugar de honra , um enorme bolo cinzento em forma de lápide com letras que pareciam alcatrão formando as palavras , * _ Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington_Morto em 31_de_Outubro , 1492 * . Harry olhou espantado quando um fantasma de porte majestoso se aproximou de a mesa inclinando se e passando através de ela com a boca aberta enquanto atravessava um salmão malcheiroso . - Consegue prová o passando através de ele ? - perguntou lhe Harry . - Quase - disse tristemente o fantasma antes de se afastar . - Devem ter deixado apodrecer tudo_isto para ter um sabor mais forte - comentou Hermione com ar de quem está bem informada , tapando o nariz e aproximando se para ver melhor os pútridos miúdos de macaco . - Podemos sair de aqui , estou a sentir me agoniado - disse o Ron . Mas mal tinham dado meia volta quando um homenzinho pequenino saiu inesperadamente de debaixo de a mesa e fez uma paragem em o ar em frente de eles . - Olá , Peeves - disse Harry cautelosamente . Ao_contrário de os outros fantasmas que os rodeavam , Peeves , o * poltergeist * era o oposto de pálido e transparente . Usava um chapéu festivo cor de laranja , um laço rotativo a o pescoço e tinha um sorriso grosseiro de malvadez , em o rosto . - Querem petiscar ? - perguntou delicadamente , oferecendo lhes uma taça de amendoins cobertos de fungos . - Não , obrigada - disse Hermione . - Ouvi te falar sobre a pobre Murta - disse Peeves com os olhos a bailar . - Que insensível que tu foste para com a pobre Murta - respirou fundo e gritou : - Oh Murta . - Oh ! Não , Peeves , não lhe contes o que eu disse , ela vai ficar muito aborrecida - murmurou Hermione bastante nervosa . - Eu não queria dizer que ... eu não me importo que ela , er , olá , Murta . O espectro atarracado de uma rapariga deslizara . Tinha o rosto mais carrancudo que Harry alguma vez vira , meio escondido por o cabelo liso e por os óculos grossos cor de pérola . - O que é ? - perguntou mal-humorada . - Como estás Murta ? - perguntou Hermione , em uma voz falsamente alegre . - É bom ver te fora de a casa_de_banho . Murta fungou . - Miss_Granger estava justamente a falar de ti - disse lhe Peeves baixinho a o ouvido . - A dizer , a dizer ... como estás bonita esta noite -- terminou Hermione , olhando irritada para Peeves . A Murta olhou para Hermione desconfiada . - Estão a divertir se a a minha custa - disse , com lágrimas de prata a encherem lhe rapidamente os olhos pequeninos . - Não , a sério , eu não estava a dizer vos como a Murta estava bonita esta noite ? - disse Hermione , dando uma palmada em as costas de o Harry e de o Ron . - Sim , sim . - Ela ... - Não me venham com mentiras - protestou a Murta , as lágrimas agora a descerem lhe por o rosto , enquanto Peeves ria baixinho por cima de o ombro de ela . - Julgam que eu não sei o que as pessoas me chamam em as minhas costas ? A Murta gorda , a Murta feia , a Murta queixosa , a Murta deprimida ! - Esqueceste te de « a Murta ponto negro » - sussurrou lhe Peeves a o ouvido . A Murta_Queixosa irrompeu em soluços de angústia e fugiu de o calabouço . Peeves disparou atrás de ela , lançando lhe uma chuva de amendoins cheios de bolor e gritando : Ponto negro ! Ponto negro ! - Oh , coitada ! - exclamou Hermione com tristeza . O Nick quase sem cabeça abria agora caminho entre a multidão para se aproximar de eles . - Estão a divertir se ? - Sim , sim - mentiram . - Uma afluência nada má - disse orgulhoso o Nick quase sem cabeça . - A viúva chorosa veio de Kent ... está quase em a hora de o meu discurso . É melhor ir avisar a orquestra . Mas a orquestra parou de tocar em esse preciso momento . Eles , e todos os outros em o calabouço , ficaram em silêncio total , olhando em volta cheios de excitação quando se ouviu uma trompa de a caça . - Lá vêm eles - disse o Nick quase sem cabeça , com alguma amargura em a voz . Por o calabouço irromperam uma_dúzia de , cavalos fantasmas , cada_um montado por um cavaleiro sem cabeça . A assistência aplaudiu vivamente . Harry começou também a bater palmas , mas parou rapidamente quando viu a cara de o Nick . Os cavalos galoparam até a o meio de a pista de dança e pararam , empinando se , dando pequenos passos para a frente e para trás , sobre as patas traseiras . Um fantasma grande em a frente , cuja cabeça barbuda estava debaixo de o braço , soprando a trompa , desmontou , levantou a cabeça bem em o ar para poder ver toda_a assistência ( todos se riam ) e dirigiu se a o Nick quase sem cabeça , comprimindo a cabeça contra o pescoço . - Bem-vindo , Patrick - disse o Nick , mantendo a sua postura rígida . - Gente viva ! - exclamou o Sir_Patrick , avistando Harry , Ron e Hermione e dando um salto de falso espanto , de_tal_modo_que a cabeça lhe caiu de_novo ( a multidão ria a bom rir ) . - Muito engraçado - disse o Nick quase sem cabeça com um ar soturno . - Não ligues a o Nick - gritou a cabeça de Sir_Patrick de o chão . - Ainda está aborrecido por não o deixarmos juntar se a o grupo . Mas olhem bem para ele ... - Eu acho - disse apressadamente Harry , a seguir a um olhar de o Nick - que o Nick é muito assustador e ... eu ... - Bah ! - gritou a cabeça de Sir_Patrick . - Aposto que ele te pediu que dissesses isso . - Gostaria de ter a vossa atenção . Chegou a altura de fazer o meu discurso - disse o Nick quase sem cabeça bem alto , dirigindo se a o pódio , subindo e parando , iluminado por uma luz azul . - Os meus sentimentos , senhores e senhoras , é com profundo pesar ... Mas já ninguém estava a ouvi o . Sir_Patrick e o resto de o grupo de os Sem - _ Cabeça tinham iniciado um jogo de hóquei de cabeça e a multidão voltara se para os observar . Nick quase sem cabeça tentou em vão recuperar a audiência , mas acabou por desistir quando a cabeça de Sir_Patrick passou por ele a_toda_a velocidade gritando vivas . Harry estava cheio de frio para não falar de a fome . - Não aguento mais isto - murmurou Ron a bater o dente enquanto a orquestra voltava a entrar em acção e os fantasmas enchiam de_novo a pista de dança . - Vamos embora - concordou Harry . Recuaram até a a porta , acenando e sorrindo a todos os que olhavam para eles e um minuto depois passavam apressadamente por a entrada cheia de velas negras . - Talvez o pudim ainda não tenha acabado - disse o Ron cheio de esperança , abrindo caminho em direcção a os degraus de o vestíbulo de a entrada . E foi então que Harry ouviu aquilo . - ... * _ Arrancar ... rasgar ... matar * ... Era a mesma voz , a mesma voz fria e assassina que ouvira em o escritório de Lockhart . Parou , agarrando se a a parede de pedra em a expectativa de ouvir melhor , olhando em volta , espreitando para_cima e para baixo de a passagem mal iluminada . - Harry que estás tu a ... ? - E aquela voz outra_vez , calem se um bocadinho . -- ... * _ Tanta fome ... há tanto tempo * ... - Ouçam insistiu Harry e Ron e Hermione ficaram estáticos a olhar para ele . - * _ Matar ... hora de matar * ... A voz ia ficando mais débil . Harry tinha a certeza de que ela estava a afastar se , a subir . Um misto de medo e excitação tomou posse de ele enquanto olhava para o tecto escuro . Como poderia ele subir ? Seria um fantasma para quem os tectos de pedra não contavam ? - Por aqui - gritou , começando a correr por as éscadas acima até a a entrada de o * hall * . Não havia hipótese de ouvir fosse o que fosse ali , o barulho de vozes que vinha de o banquete de o * _ Hallowe'en * ecoava cá fora . Harry subiu a correr a escadaria de mármore até a o primeiro andar com Ron e Hermione ruidosamente atrás . - Harry o que é_que nós ... ? - Sch ... Harry apurou o ouvido . Ao_longe , em o andar de cima , e ainda a enfraquecer , mesmo_assim ouviu a voz : - ... * Cheira-me a sangue ... cheira me a sangue ! * O estômago deu lhe uma volta . - Ele vai matar alguém - gritou e ignorando as caras perplexas de Ron e Hermione , correu , subindo mais um lanço de escadas , a três_e_três , tentando ouvir através de o ruído de os seus próprios passos . Harry correu a_toda_a velocidade pelo segundo andar com Ron e Hermione atrás e só parou quando viraram uma esquina para o último corredor abandonado . - Harry , o que foi aquilo tudo ? - perguntou o Ron , limpando o suor de o rosto . - Eu não ouvi nada ... Mas Hermione , em um sobressalto , apontou para o fundo de o corredor . - Olhem ! Alguma coisa brilhava em a parede em frente . Aproximaram se devagarinho , tentando ver em a escuridão . Alguém escrevera em letras garrafais em a parede entre duas janelas . As palavras brilhavam a a chama fraca de as tochas . : __ a câmara de os segredos foi aberta . inimigos de o herdeiro , __ cuidado . - O que é aquilo pendurado por baixo de as letras ? - perguntou Ron com um tremor em a voz . Quando se aproximaram , Harry quase escorregou . Havia uma grande poça de água em o chão . Ron e Hermione agarraram o e avançaram cautelosamente até a a mensagem , os olhos fixos em uma sombra escura , em baixo . Aperceberam se os três de imediato do_que se tratava e deram um salto para trás , salpicando tudo de água . Mrs._Norris , a gata de o encarregado , estava pendurada por a cauda em o suporte de a tocha . Tinha o corpo rígido como uma tábua e os olhos abertos . Durante alguns segundos ninguém se mexeu . Depois o Ron disse : - Vamos sair de aqui . - Não devíamos tentar ajudar ? - propôs Harry , sem graça . - Acredita - assegurou o Ron . - É melhor que não nos encontrem aqui . Mas era tarde de mais . Um ruído surdo e prolongado , como um trovejar distante , avisou os de que o festim tinha terminado . De ambos os lados de o corredor onde eles estavam , veio o som de centenas de pés a subirem a escadaria e as vozes alegres de gente bem alimentada . Em o momento seguinte os alunos chegavam junto de eles de ambos os lados . O burburinho morreu subitamente mal as pessoas avistaram a gata pendurada . Harry , Ron e Hermione estavam de pé , sozinhos , em o meio de o corredor quando se fez silêncio em a multidão de estudantes que se empurravam para observar aquele quadro macabro . Então alguém gritou , quebrando o silêncio . - Inimigos de o herdeiro , cuidado . Vocês serão os próximos , sangue de lama ! Era_Draco_Malfoy . Estava a a frente de a multidão com os olhos frios a brilhar , a sua cara habitualmente pálida agora afogueada , sorrindo a a vista de a gata pendurada e imóvel . IX_As palavras em a parede -- O que é_que se passa aqui ? O que é_que se passa ? Sem dúvida , atraído por o grito de Malfoy , Argus_Filch apareceu a coxear em o meio de a multidão . Quando viu Mrs._Norris , caiu para trás agarrando o rosto com verdadeiro horror . - A minha gata ! A minha gata ! O que aconteceu a Mrs._Norris ? - gritou . E os seus olhos rápidos caíram sobre Harry . - Tu - guinchou ele . - Mataste a minha gata ! Mataste a , vou dar cabo de ti , eu ... - Argus . Dumbledore tinha chegado a o lugar , seguido de alguns professores . Em poucos segundos tinha passado a a frente de Harry , Ron e Hermione e desatado Mrs._Norris de o suporte de a tocha . - Vem comigo , Argus - disse ele a o Filch . - Vocês também , Mr._Potter , Mr._Weasley e Miss_Granger . Lockhart deu rapidamente um passo em frente . - O meu escritório é o que está mais perto , senhor director , é já aqui em cima , por favor fiquem a a vontade . - Obrigado , Gilderoy - disse Dumbledore . A multidão silenciosa dividiu se para os deixar passar . Lockhart sentindo se excitado e importante , seguia Dumbledore assim_como a professora Mc_Gonagall e o professor Snape . Quando entraram em o escritório escuro de Lockhart houve uma grande agitação em as paredes . Harry viu várias imagens de Lockhart a esconderem se cheias de rolos em o cabelo . O Lockhart em pessoa acendeu as velas e chegou se mais para trás . Dumbledore pôs Mrs._Norris em a superfície polida de a secretária e começou a examiná a . Harry , Ron e Hermione trocaram olhares tensos entre si e deixaram se cair em as cadeiras que se encontravam longe de a luz , a observar . A ponta de o nariz longo e adunco de Dumbledore estava a menos_de dois centímetros de o pêlo de Mrs._Norris . Ele olhava a de perto através de os óculos de meia-lua , os dedos longos a palpar e tactear suavemente . A professora Mc_Gonagall estava quase tão perto como ele , com os olhos contraídos . Snape surgia mais atrás , meio em a sombra , com uma expressão estranha em o rosto , como_se tentasse a_toda_a força sorrir . E Lockhart andava de um lado para o outro a dar sugestões . - Foi sem dúvida uma maldição que a matou , provavelmente a tortura de a metamorfose . Vi a muitas_vezes ser usada , mas infelizmente eu não estava lá quando isto aconteceu . Conheço o antídoto para essa maldição , o que a teria salvo . Os comentários de Lockhart foram interrompidos por os soluços secos e violentos de Filch . Estava afundado em uma cadeira junto de a secretária , incapaz de olhar para Mrs._Norris , com o rosto em as mãos . Por mais que detestasse Filch , Harry não pôde deixar de sentir pena de ele embora não tanta quanto_a que sentia por si próprio . Se Dumbledore acreditasse em o Filch ele seria certamente expulso . O director estava agora a sussurrar umas palavras estranhas e batendo em Mrs._Norris com a varinha , mas não aconteceu nada , ela continuou com o mesmo aspecto , como_se tivesse sido empalhada . - ... Lembro me de uma coisa semelhante que aconteceu em Ouagadogou - disse LockLart . - Uma série de ataques . Conto essa história em a minha autobiografia . Eu dei a a gente de a cidade vários amuletos que resolveram logo a situação ... As fotografias de Lockhart em as paredes iam acenando afirmativamente com a cabeça enquanto ele falava . Uma de elas esquecera se de tirar os rolos de o cabelo . Por fim , Dumbledore endireitou se . - Ela não está morta , Argus - disse suavemente . Lockhart interrompeu bruscamente a contagem de os crimes que conseguira evitar . - Não está morta ? - disse Filch em um sufoco , olhando através de os dedos para Mrs._Norris . - Mas , porque está ela rígida e gelada ? - Foi petrificada - disse Dumbledore ( Ah ! foi o que eu pensei ! - comentou Lockhart ) mas como , não posso afirmar . - Pergunte lhe - gritou Filch , voltando a cara cheia de furúnculos e lágrimas para Harry . - Nenhum aluno de o segundo ano poderia ter feito isto - explicou Dumbledore . - Era preciso um grande conhecimento de magia negra . - Foi ele , foi ele - disse encolerizado o encarregado com a cara a ficar roxa . - O senhor viu o que ele escreveu em a parede . Ele descobriu em o meu gabinete , ele sabe que eu sou um ... - O rosto de Filch estava horrível . - Ele sabe que eu sou um * _ busca-pé * - disse por fim . - Eu não toquei em a Mrs._Norris - gritou Harry com todos os olhares a recaírem sobre ele , incluindo o de todos os Lockharts de a parede . - E eu nem sei o que é um * busca-pé * . - Mentira ! - gritou Filch . - Ele viu a minha carta de o feitiço rápido . - Se me permite que dê a minha opinião , senhor director - disse Snape , saindo de a sombra , e a sensação de mau presságio de Harry aumentou bastante . Certamente nada do_que Snape tinha para de dizer iria ajudá o . - O Potter e os amigos podiam estar simplesmente em o lugar errado em a altura errada - afirmou com um leve sorriso a torcer lhe a boca como_se tivesse as suas dúvidas . - Mas , temos aqui um conjunto de circunstâncias curiosas . Porque estavam eles afinal em o corredor ? Porque não estiveram presentes em a festa de o * _ Hallowe'en * ? Harry , Ron e Hermione começaram uma longa explicação sobre a festa de o dia de os mortos . - Estavam lá centenas de fantasmas , eles poderão confirmar que lá estivemos ... - Mas porque não foram a seguir a o banquete ? - perguntou Snape com os olhos pretos a brilharem a a luz de as velas . - Porquê ir até a aquele corredor ? Ron e Hermione olharam para Harry . - Porque , porque ... - balbuciou Harry , com o coração a querer saltar lhe de o peito , mas algo lhe disse que ia parecer muito rebuscado se lhes contasse que tinha sido levado até ali por uma voz sem corpo que só ele conseguia ouvir . - Porque estávamos cansados e queríamos ir para a cama - disse . - Sem jantar ? - inquiriu Snape com um sorriso triunfante a bailar lhe em o rosto lúgubre . - Não sabia que os fantasmas ofereciam em as suas festas comida para gente viva . - Não estávamos com fome - disse o Ron bem alto , enquanto o estômago se queixava de forma audível . O sorriso mesquinho de a Snape ampliou se . - Acho , senhor director , que Potter não está a dizer toda_a verdade - afirmou . - Talvez fosse boa ideia retirar lhe alguns privilégios , até ele estar disposto a contar nos a história toda . Pessoalmente , sugiro que seja retirado de a equipa de os Gryffindor até decidir ser honesto . - Francamente , Severus - exclamou a professora Mc_Gonagall com uma voz cortante . - Não vejo porquê impedir o rapaz de jogar Quidditch . Esta gata não levou pauladas em a cabeça dadas por nenhum cabo de vassoura . E não há provas de que o Potter tenha feito algo de mal . Dumbledore observava Harry com um olhar perscrutador . A voz tremeluzente de os seus olhos azuis fez Harry sentir que estava a ser passado a raios X. - Inocente até se provar que é culpado , Severus - disse com segurança . Snape estava furioso , assim_como Filch . - A minha gata foi petrificada ! - berrou , com os olhos a saltarem de as órbitas . - Quero ver um castigo ! - Vamos poder curá a , Argus - explicou pacientemente Dumbledore . - Madam_Sprout conseguiu arranjar algumas Mandrágoras . Logo_que tenham atingido o tamanho adulto , terei uma poção de Mandrágoras que reanimará Mrs._Norris . - Eu posso fazê a - interrompeu Lockhart . - Devo ter feito isso uma centena de vezes . Preparo uma golada de Mandrágora reconstituinte de olhos fechados ... - Perdão - disse Snape friamente -- , mas julgo que o professor de poções de esta escola ainda sou eu . Houve um silêncio bastante incómodo . - Vocês podem ir se embora - disse Dumbledore a o Harry , Ron e a Hermione . Eles saíram o mais depressa que puderam , sem ir a correr . Quando chegaram a o andar acima de o escritório de Lockhart , entraram em uma sala de aulas vazia e fecharam a porta devagarinho . Harry lançou um olhar de esguelha a as caras carrancudas de os amigos . - Acham que eu lhes devia ter falado de a voz que ouvi ? - Não - respondeu Ron , sem a mínima hesitação . - Ouvir vozes que mais ninguém ouve , não é bom sinal , nem em o mundo de os feiticeiros . Algo em a voz de Ron levou Harry a fazer a pergunta : - Tu acreditas em mim , não acreditas ? - Claro que sim - respondeu o Ron de imediato . - Mas tens de concordar que é esquisito ... - Eu sei que é esquisito - confirmou Harry . - É tudo esquisito . O que era aquilo escrito em a parede ? * _ A_Câmara foi aberta * , o que é_que significa ? - Sabes , faz me lembrar qualquer coisa - disse Ron lentamente . - Acho que alguém me contou uma história sobre uma câmara secreta em Hogwarts , talvez tenha sido o Bill ... - E que diabos é um * busca-pé * ? - perguntou Harry . Para sua surpresa , Ron abafou o riso . - Bem , em a verdade não tem graça nenhuma , mas como é o Filch ... - disse . - Um * busca-pé * é alguém que nasceu de uma família de feiticeiros , mas não tem poderes mágicos . É uma espécie de o oposto de os que vêm de famílias de Muggles , mas são feiticeiros . Os * busca-pé * são muito raros . Se o Filch está a tentar aprender magia em um curso rápido , acho que ele deve ser mesmo um busca-pé . Isso explicaria tudo , por_exemplo , porque detesta tanto os estudantes . - Ron sorriu satisfeito . - Tem inveja . Um relógio deu as horas , algures . - Meia-noite - disse Harry . - É melhor irmo nos deitar , antes que o Snape apareça e tente acusar nos de qualquer coisa . Durante alguns dias não se falou de outra coisa em a escola a não ser de o ataque a a gata , Mrs._Norris . Filch manteve o sucedido bem fresco em a memória de todos , andando de um lado para o outro em o lugar onde ela fora atacada , como_se esperasse por o responsável . Harry vira o esfregar a mensagem de a parede com a « solução removedora de toda_a porcaria mágica Mrs._Skower » , mas sem qualquer resultado . As palavras continuavam a brilhar tanto como antes sobre a pedra . Quando Filch não estava a patrulhar a cena de o crime , vagueava , de olhos avermelhados , por os corredores , perseguindo alunos insuspeitos e tentando aplicar lhes castigos por coisas como « respirar muito alto » ou « estar alegre » . Ginny_Weasley parecia muito perturbada com o destino de Mrs._Norris . Segundo Ron ela era uma amante de gatos . - Mas tu nem chegaste a conhecer bem Mrs._Norris - disse lhe Ron para a animar . - Com toda_a franqueza , estamos muito melhor sem ela . - O lábio de Ginny tremeu . - Não é costume acontecerem coisas de estas em Hogwarts - tranquilizou a . - Eles vão descobrir o safado que fez aquilo e põem o de aqui para fora em três tempos . - Só espero que tenha tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso . Estou a brincar , claro - acrescentou o Ron apressadamente a o ver a Ginny a empalidecer . O ataque afectara também Hermione . Era costume de ela passar muito_tempo a ler , mas agora parecia não fazer mais_nada . Nem respondia a o Harry e a o Ron quando lhe perguntavam o que estava a fazer e só acabaram por descobrir em a quarta-feira seguinte . Harry tivera de ficar até mais tarde em a sala de poções onde Snape o mandara raspar restos de larvas de as secretárias . Depois de um almoço comido a a pressa , ele foi lá acima encontrar se com Ron em a biblioteca e viu Justin_Finch - _ Fletchley , o rapaz de os Hufflepuff de herbologia que vinha em direcção a ele . Harry tinha acabado de abrir a boca para dizer um « Olá » quando Justin o viu , voltando se bruscamente e mudando de direcção . Harry foi encontrar o Ron em as traseiras de a biblioteca , a medir o trabalho de casa de história de a magia . O professor Binns pedira uma composição sobre a Assembleia_Medieval_de_Feiticeiros_Europeus com 90cm . De extensão . - Não posso crer que ainda me faltem 16cm - disse o Ron furioso , largando o pergaminho que se enrolou em forma de tubo - e que a Hermione fez um metro e trinta em aquela letra pequenina e apertadinha . - Onde está ela ? - perguntou Harry , agarrando em a fita métrica e desembrulhando o seu trabalho de casa . - Algures por aí - disse o Ron , apontando para as estantes . - _ a a procura de outro livro . Acho que ela está a tentar ler a biblioteca toda antes de o Natal . Harry contou a Ron que Justin_Finch - _ Fletchley tinha evitado falar lhe . - Não sei porque te preocupas com isso . Eu achei o um idiota - disse o Ron , escrevinhando e fazendo a letra o maior possível . - Todo aquele disparate sobre o Lockhart ser tão grande ... Hermione surgiu de o meio de as estantes . Parecia irritada e disposta , por fim , a falar com eles . - Todos os exemplares de * _ Hogwarts : Uma História * foram requisitados - disse , sentando se ao_lado_de Harry e Ron . - E há uma lista de espera de duas semanas . Quem me dera não ter deixado o meu exemplar em casa , mas não consegui que coubesse em a mala com todos os livros de o Lockhart . - Para que o queres ? - perguntou Harry . - Pelo mesmo motivo que toda_a_gente o quer - disse Hermione . - Para ler a lenda de a Câmara_dos_Segredos . - O que é isso ? - Precisamente . Não me lembro - disse Hermione , mordendo o lábio . - E não encontro a História em lugar nenhum . - Hermione , deixa me ler o teu trabalho - pediu Ron desesperado , olhando para o relógio . - Não , não deixo - respondeu Hermione com um ar severo . - Tiveste dez dias para o fazer . - Só preciso de mais quatro centímetros , vá lá ... A campainha tocou . Ron e Hermione encaminharam se para a História_da_Magia , discutindo . A História_da_Magia era a matéria mais chata de o programa . O professor Binns , que dava a cadeira , era o único professor fantasma e a coisa mais excitante que aconteceu em as suas aulas foi o dia em que entrou por o quadro preto . Já velho e enrugado , muita gente afirmava a seu respeito que ele não dera por_que tinha morrido . Pura e simplesmente levantara se um dia para ir dar aulas , deixando o corpo atrás , em um cadeirão em frente de a lareira de a sala de os professores . Desde esse dia a sua rotina mantivera se igual . Era hoje tão chato como fora sempre . Abriu as notas e começou a ler em um tom monocórdico como um velho aspirador até quase todos os alunos estarem em um estado de profunda dormência , acordando de vez em quando , para tomar nota de um nome ou de uma data , e voltando a adormecer . Estava a falar havia meia_hora quando aconteceu algo que nunca tinha acontecido . Hermione pôs o braço em o ar . O professor Binns olhou de relance , em o meio de a chatíssima aula sobre a Convenção_Internacional_de_Feiticeiros de 1289 , verdadeiramente espantado . - Miss ... er ... ? - Granger , professor . Poderia dizer nos alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Hermione em uma voz bem audível . O Dean_Thomas , que tinha estado sentado de boca aberta olhando para fora de a janela , saiu de o seu transe com um salto . A cabeça de Lavender_Brown saiu de os braços e o cotovelo de o Neville_Longbottom escorregou para fora de a secretária . O professor Binns piscou os olhos . - A minha matéria é História_da_Magia - disse em a sua voz seca e asmática . - Eu trato de factos , Miss_Granger , não de mitos e lendas - pigarreou produzindo um ruído que parecia o giz sobre o quadro e continuou : - Em Setembro de esse ano , uma subcomissão de feiticeiros de a Sardenha ... Parou de repente . A mão de Hermione estava de_novo em o ar . - Sim , Miss_Grant ? - Por favor , professor , as lendas não têm sempre um facto como base ? O professor Binns olhava para ela com tal espanto que Harry teve a certeza de que ele nunca , em tempo algum , fora interrompido por um aluno . - Bem - disse lentamente o professor Binns . - Sim , é uma afirmação que pode fazer se . - Olhou para Hermione como_se fosse a primeira vez que olhasse a sério para um estudante . - Contudo , a lenda de que me fala é tão extraordinária , mesmo grotesca ... Mas a aula inteira estava agora atenta a as palavras de o professor , que olhou indistintamente para todos eles . Harry poderia assegurar que ele estava absolutamente abismado por uma tão grande demonstração de interesse . - Muito bem - disse lentamente . - Ora vejamos ... a Câmara_dos_Segredos . Todos vocês sabem com certeza que Hogwarts foi fundada há mais de um_milhar de anos , não se conhece ao_certo a data , por os quatro maiores feiticeiros e feiticeiras de a época : Godric_Gryffindor , Helga_Hufflepuff , Rowena_Ravenclaw e Salazar_Slytherin . Construíram juntos este castelo , longe de os olhares curiosos de os Muggles porque em aquele tempo a magia era temida por as pessoas comuns e as bruxas e feiticeiros sofriam terríveis perseguições . Fez uma pausa , olhou indeciso em volta e prosseguiu : - Durante alguns anos , os fundadores trabalharam juntos em harmonia procurando outros mais novos que mostrassem sinais de possuir dotes mágicos e trazendo os para o castelo para aqui serem ensinados . Mas os desentendimentos surgiram entre eles . Começou a notar se uma divisão entre Slytherin e os outros . Salazar_Slytherin queria ser mais selectivo em relação a os alunos a serem admitidos em Hogwarts . Achava que os ensinamentos de magia deviam ficar dentro de as famílias de feiticeiros . Não lhe agradava a entrada em a escola de alunos de famílias Muggles porque os achava pouco dignos de confiança . Depois de algum tempo houve uma séria discussão sobre esse assunto entre Slytherin e Gryffindor e Slytherin abandonou a escola . O professor Binns fez uma nova pausa , fazendo beicinho o que o fazia parecer uma tartaruga enrugada . - Fontes fidedignas referem nos isto - disse . - Mas estes factos foram obscurecidos por a fantasiosa lenda de a Câmara_dos_Segredos . Conta a história que Slytherin construíra uma câmara oculta dentro de o castelo cuja existência os outros fundadores ignoravam . De_acordo com a lenda , Slytherin selou a Câmara_dos_Segredos para que ninguém pudesse abri a até o seu verdadeiro herdeiro chegar a a escola . O herdeiro , e apenas ele , poderia abrir a Câmara_dos_Segredos , libertar o horror que lá se encontrava e utilizá o para expurgar a escola de todos aqueles que eram indignos de aprender magia . Houve um silêncio quando ele se calou que não era o habitual silêncio de sono de as aulas de o professor Binns . Havia um desassossego em o ar enquanto todos continuavam a olhá o a a espera de mais . O professor Binns estava ligeiramente aborrecido . - A história toda é um disparate , claro - disse ele . - A escola foi revistada por várias vezes em busca de provas de a existência de essa câmara , por os feiticeiros e bruxas mais conhecedores . Não existe nada . Uma lenda que serviu apenas para assustar os ingénuos . A mão de Hermione estava novamente em o ar . - Professor , o que quer_dizer , ao_certo com « o horror que estava dentro de a câmara » ? - Acredita se que seja uma espécie de monstro que só o herdeiro de Slytherin pode controlar - disse o professor Binns em a sua voz seca e débil . A aula trocou entre si olhares inquietos . - Como vos digo , a coisa não existe - afirmou o professor Binns , desordenando as suas notas . - Não há câmara e não há monstro . - Mas , professor - disse Seamus_Finnigan . - Se a câmara só podia ser aberta por o herdeiro de Slytherin ninguém mais poderia encontrá a . Não é ? - Um disparate pegado - disse o professor Binns , em um tom de voz exasperado . - Se uma longa sucessão de directores e directoras de Hogwarts não a encontraram ... - Mas , professor - começou a dizer Parvati_Patil . Se_calhar é preciso usar magia negra para a abrir ... - Lá porque um feiticeiro não usa magia negra não quer_dizer que não possa , Miss_Pennyfeather - interrompeu o professor Binns . - Repito , se os antecessores de Dumbledore ... - Mas talvez seja preciso fazer parte de os Slytherin , por isso Dumbledore não podia ... - começou Dean_Thomas , mas o professor Binns já estava farto . - Já chega - disse , de modo cortante . - É um mito . Não existe . Não há uma única prova de que Slytherin tenha construído nem mesmo uma despensa para vassouras . Lamento ter vos contado esta história tola . Vamos voltar , se fazem o favor , a a História , a os factos sólidos , verificáveis , credíveis . E em menos_de cinco minutos toda_a classe mergulhara em a sua sonolência habitual . - Eu sempre ouvi dizer que Salazar_Slytherin era um velho retorcido e meio pateta - disse Ron_a_Harry e Hermione enquanto abriam caminho por os corredores cheios , em o final de a aula , para ir arrumar as malas antes de o jantar . - Mas não sabia que ele tinha começado esta coisa de o sangue puro . Eu não ia para os Slytherin nem que me pagassem . Se o chapéu seleccionador me tivesse posto lá , pegava em as malas e ia me embora ... Hermione acenou vivamente , mas Harry não abriu a boca . O estômago parecia ter dado uma volta . Harry nunca contara a o Ron e a a Hermione que o chapéu seleccionador tinha considerado seriamente a possibilidade de o colocar em os Slytherin . Lembrava se como_se tivesse sido em a véspera do_que a vozinha lhe dissera a o ouvido quando pôs o chapéu em a cabeça , um ano antes . * _ Podias vir a ser grande , sabes ? Está tudo aqui em a tua cabeça e Slytherin ajudaria te em o caminho para a grandeza , sem a menor dúvida * ... Mas Harry , que já ouvira falar de a fama de o grupo de os Slytherin de formar magos negros , pensou desesperadamente . - Em os Slytherin , não ! - E o chapéu tinha dito . - Bem , se tens assim tanta certeza ... será melhor os Gryfffndor . Enquanto eram empurrados por a multidão , Colin_Creevey passou por eles . - Olá , Harry ! - Olá , Colin - disse Harry automaticamente . - Harry , Harry , um rapaz de a minha turma tem andado a dizer que tu és ... Mas Colin era tão baixinho que não conseguiu lutar contra a maré de gente que o arrastou até a o vestíbulo . Ouviram o despedir se : - Adeus , Harry - e desaparecer . - O que é_que o rapaz de a turma de ele disse de ti ? - quis saber Hermione . - Que eu sou o herdeiro de Slytherin , imagino - disse Harry , com o estômago ainda a as voltas e lembrou se de repente de o Justin_Finch - _ Fletchley a fugir para não lhe falar , a a hora de o almoço . - As pessoas aqui acreditam em tudo - disse o Ron com repugnância . A multidão diminuiu e conseguiram subir as escadas sem dificuldade . - Achas mesmo_que existe uma Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Ron_a_Hermione . - Não sei - respondeu ela , franzindo a testa . - Dumbledore não conseguiu curar Mrs._Norris e isso leva me a pensar que o que a atacou pode não ser ... humano . Enquanto falava , voltaram uma esquina e encontraram se em o fim de aquele mesmo corredor onde o ataque tinha ocorrido . Pararam para olhar . Estava tudo igual a aquela outra noite , com excepção de a gata Mrs._Norris e havia uma cadeira vazia encostada a a parede , onde podia ler se a mensagem « : __ a câmara foi __ aberta » . - Foi aqui que o Filch montou a guarda - murmurou Ron . Olharam uns para os outros . O corredor estava deserto . - Não deve fazer mal dar uma olhadela aqui - disse Harry , deixando cair a mala e pondo se de quatro para poder gatinhar em busca de pistas . - Marcas de queimadura - disse - aqui e aqui ... - Venham ver isto ! - chamou Hermione . - Que estranho ... Harry levantou se e foi até a a janela que ficava junto de a mensagem . Hermione apontava para o vidro mais alto , onde cerca de uma vintena de aranhas se debatiam em uma aparente luta por atravessar por uma pequena brecha de vidro . Um longo fio prateado balouçava como uma corda , como_se todas tivessem trepado , em a ânsia de chegar lá fora . - Alguma vez viram aranhas agir assim ? - perguntou Hermione , curiosa . - Não - respondeu Harry . - E tu , Ron ? Ron ? Olhou por cima de o ombro . Ron estava de costas , bem lá atrás e parecia lutar contra o impulso de se virar . - O que é_que se passa ? - perguntou Harry . - Eu não gosto de aranhas - disse Ron , de modo tenso . - Nunca me tinhas dito - comentou Hermione , olhando para ele com surpresa . - Estás farto de usar aranhas em as poções ... - Não me importo quando estão mortas - explicou Ron que olhava cautelosamente para todos os lados , menos para a janela . - Não gosto de a maneira como_se mexem . Hermione riu se baixinho . - Não tem graça nenhuma - disse o Ron , furioso . - Se queres saber , quando eu tinha três anos , o Fred transformou o meu ursinho de pelúcia em uma enorme aranha nojenta , por eu lhe ter partido a vassoura de brinquedo . Tu também não gostarias de aranhas se estivesses agarrada a o teu ursinho e , de repente , ele tivesse uma data de pernas e ... Começou a tremer ... Hermione ainda estava a tentar conter o riso . Sentindo que era melhor mudarem de assunto , Harry perguntou : - Lembram se de a água que havia aqui em o chão ? De onde terá vindo ? Alguém a limpou . - Era por aqui - disse o Ron , já recuperado , avançando alguns passos em direcção a a cadeira de o Filch e apontando . - Junto de esta porta . Estendeu a mão para o puxador de a porta , mas retirou a de imediato , como_se se tivesse queimado . - O que foi ? - perguntou Harry . - Não posso entrar aí - disse o Ron bruscamente . - É a casa_de_banho de as raparigas . - Oh , Ron , não está aí ninguém - sossegou o Hermione enquanto se aproximava . - É o lugar de a Murta_Queixosa . Anda , vamos dar uma espreitadela . E ignorando o grande letreiro que dizia « Fora de serviço » Hermione abriu a porta . Era a casa_de_banho mais sombria e deprimente em que Harry tinha posto os pés durante toda_a sua vida . Debaixo_de um grande espelho partido e sujo podia ver se uma fila de lavatórios de pedra , rachados . O chão estava húmido e reflectia a luz fraca de os pavios de algumas velas que ardiam baixinho em os suportes . As portas de madeira de os cubículos estavam todas lascadas e riscadas e uma de elas balouçava fora de as dobradiças . Hermione levou os dedos a os lábios e foi até a o último cubículo . Quando lá chegou disse : - Olá , Murta , como estás ? Harry e Ron foram ver . A Murta_Queixosa flutuava em a cisterna de a casa_de_banho , tirando um ponto negro de o queixo . - Esta é a casa_de_banho de as raparigas - disse a o ver o Ron e o Harry . - Eles não são raparigas . - Não - concordou Hermione . - Eu só queria mostrar lhes como esta casa_de_banho é ... er ... simpática . Ela fez um aceno vago a o velho espelho sujo e a o chão húmido . - Pergunta lhe se viu alguma coisa - sussurrou o Ron a a Hermione . - Porque estão a dizer segredinhos ? - perguntou a Murta , fitando o . - Não é nada - disse Harry rapidamente . - Queríamos perguntar ... - Gostava que as pessoas parassem de falar em as minhas costas ! - desabafou a Murta em uma voz abafada por as lágrimas . - Eu tenho sentimentos , sabem , apesar_de estar morta . - Murta , ninguém quis aborrecer te - explicou Hermione . - O Harry só ... - A minha vida foi uma infelicidade em este lugar e agora as pessoas vêm estragar a minha morte . - Nós queríamos perguntar te se tinhas visto alguma coisa estranha ultimamente - disse Hermione sem perder tempo . - Porque foi atacada uma gata mesmo aqui a a frente de a tua porta em a noite de o * _ Hallowe'en * . - Viste alguém aqui perto em essa noite ? - insistiu Harry . - Não estava a prestar atenção - disse a Murta com ar dramático . - O Peeves aborreceu me tanto que vim aqui para tentar matar me . Só então me lembrei de que estou ... de que estou ... - Já morta - ajudou o Ron . A Murta soluçou tragicamente , elevou se em o ar , voltou se e mergulhou de cabeça em a sanita , espalhando água por_cima_de todos eles e desaparecendo . Por o som de os seus soluços abafados fora certamente descansar algures em o cano em forma de V._Harry e Ron ficaram de boca aberta , mas Hermione encolheu os ombros de cansaço e disse : - Se querem saber , para a Murta isto até foi alegre ... vá , vamos embora . Harry tinha acabado de fechar a porta deixando atrás os soluços gorgolejantes de a Murta quando uma voz forte o fez dar um salto . - RON ! Percy_Weasley estava parado em o cimo de as escadas com o seu distintivo de prefeito a brilhar e uma expressão chocadíssima em o rosto . - Isso é a casa_de_banho de as raparigas ... o que é_que vocês ... ? - Estávamos só a dar uma vista de olhos - exclamou o Ron - a a procura de pistas ... Percy engoliu em seco , de uma maneira que fez Harry lembrar se de Mrs._Weasley . - Saiam imediatamente de aqui - disse , aproximando se de eles a passos largos e gesticulando agitadamente . - Não se preocupam com as aparências ? Voltar aqui enquanto toda_a_gente está a jantar ... - Porque não havíamos de estar aqui ? - perguntou cheio de vivacidade o Ron , parando de repente e olhando Percy em os olhos . - Ouve lá , nós não tocamos em aquela gata . - Isso foi o que eu tentei explicar a a Ginny - respondeu Percy furioso - mas ela parece continuar a pensar que vocês vão ser expulsos . Nunca a vi tão aflita . Não pára de chorar . Devias pensar em ela . Todos os alunos de o primeiro ano andam superexcitados com esta história . - Tu não estás nada preocupado com a Ginny - disse o Ron já com as orelhas vermelhas . - O que te assusta é_que eu possa estragar as tuas possibilidades de ser chefe de turma . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor ! - bradou Percy , apontando elegantemente para o distintivo de prefeito . - E espero que te sirva de lição . Acabou se o trabalho de detective ou escrevo a a mãe a contar lhe . E voltou lhes as costas , a nuca tão vermelha como as orelhas de o Ron . Harry , Ron e Hermione , em essa noite , sentaram se em a sala comum o mais longe possível de Percy . Ron estava ainda muito maldisposto e não parava de esborratar o trabalho de casa de os encantamentos . Quando pegou distraidamente em a varinha para tirar as manchas incendiou o pergaminho . A deitar quase tanto fumo como o seu trabalho de casa , fechou bruscamente o * _ Livro_Padrão_de_Encantamentos de o 2.o Grau * . Para grande surpresa de Harry , Hermione fez o mesmo . - Mas quem poderia ser - perguntou ela baixinho como_se continuasse uma conversa que tinham acabado de ter . - Quem quereria todos os * busca-pés * e filhos de Muggles fora de Hogwarts ? - Vamos pensar - disse o Ron em a brincadeira , fingindo estar confuso . - Quem poderemos nós conhecer que ache que os familiares de Muggles são escumalha ? Olhou para Hermione . Ela olhou para ele pouco convencida . - Se estás a pensar em o Malfoy ... - Claro que estou - disse o Ron . - Tu ouviste o dizer : - Vocês serão os próximos , sangues de lama ! - Aliás , basta olhar para aquela cara de renegado para saber que ele é ... - Malfoy , o herdeiro de Slytherin ? - repetiu Hermione cepticamente . - Olha para a família de ele - disse Harry , fechando também os livros . - Todos eles estiveram em os Slytherin . O Draco está sempre a vangloriar se de isso . Podiam bem ser descendentes de Slytherin . O pai de ele é suficientemente mau . - Podiam perfeitamente ter tido a chave de a Câmara_dos_Segredos durante séculos - disse Ron - , fazendo a passar de pai para filho . - Bem - acedeu Hermione cautelosamente . - Seria possível ... - Mas como prová o ? - perguntou Harry tristemente . - Talvez haja um meio - sugeriu Hermione lentamente , baixando ainda mais a voz e lançando um olhar , através de a sala , a Percy . - É claro que não é fácil . E é perigoso , muito perigoso . Suponho que iríamos infringir cerca de cinquenta regras de a escola . - Se de aqui a um mês ou dois te decidires a explicar , avisa , está bem ? - disse Ron , que começava a ficar irritado . - Está bem - concordou Hermione friamente . - O que precisaríamos de fazer para entrar em a sala comum de os Slytherin e fazer algumas perguntas a o Malfoy , sem ele perceber que éramos nós ? - Mas isso é impossível - declarou Harry , enquanto Ron se ria . - Não , não é - continuou Hermione . - Só precisamos de um_pouco de poção * polisuco * . - O que é isso ? - perguntaram ao_mesmo_tempo Ron e Harry . - O Snape falou de ela em uma aula , há poucas semanas atrás . - Achas que não temos mais o que fazer do_que ouvir o Snape ? - murmurou o Ron . - Transforma nos em outra pessoa . Pensem em isso : podíamos transformar nos em três de os Slytherin . Ninguém saberia que éramos nós . É provável que o Malfoy nos contasse alguma coisa . Aposto que ele está a gabar se , em este momento , em a sala de os Slytherin , se ao_menos pudéssemos ouvi o . - Essa coisa de o * polisuco * cheira me um bocado mal - disse o Ron , franzindo as sobrancelhas . - E se ficarmos com a forma de os três Slytherin para sempre ? - Desaparece a o fim de algum tempo - disse Hermione , gesticulando impacientemente com a mão - mas conseguir a receita é muito difícil . O Snape disse que vinha em um livro chamado * _ As_Mais_Potentes_Poções * e está com certeza em a parte de os reservados de a biblioteca . Só havia uma maneira de obter o livro de os reservados : era com uma autorização assinada por um professor . - Não estou a ver porque quereríamos o livro - disse o Ron . - Se não para tentar fabricar uma de as poções . - Eu acho - sugeriu Hermione - que se fizéssemos parecer que o nosso interesse era apenas teórico , talvez conseguíssemos ... - Estás a sonhar , nenhum professor ia cair em essa - afirmou o Ron . - Só se fosse muito burro . X_A * bludger * perigosa Depois de o desastroso incidente de os duendes , o professor Lockhart não voltou a levar seres vivos para as aulas . Em vez de isso , lia a os alunos passagens de os seus livros e , por vezes , voltava a desempenhar alguns de os episódios mais dramáticos . Costumava chamar Harry para o ajudar em essas reconstruções . Até ali Harry fora obrigado a desempenhar o papel de um camponês de a Transilvânia que Lockhart curara de uma maldição murmurada , o abominável homem de as neves com dores de cabeça e um vampiro que depois de ter conhecido Lockhart tinha ficado incapaz de comer outra coisa que não fosse alfaces . Harry foi chamado para a frente de a classe durante a aula de Defesa contra as artes negras que se seguiu . Desta_vez para desempenhar o papel de um lobisomem . Se não tivesse um bom motivo para querer ver o Lockhart bem-disposto , teria se recusado . - Um uivo bem alto , excelente , Harry , isso mesmo . E foi então que , acreditem ou não , eu o ataquei de repente , assim . Atirei o a o chão , agarrei o com uma mão e com a outra consegui meter lhe a varinha em a garganta . Então , com a força que me restava pus em prática o complicadíssimo encantamento * _ Homorphus * . Harry soltou um uivo tristíssimo . - Vá lá , Harry , mais alto . Bom ... o pêlo desapareceu , os dentes diminuíram de tamanho e ele transformou se em um homem . Simples , mas eficaz e mais uma cidade ficará a lembrar se de mim para sempre como o herói que os libertou de os ataques mensais de o lobisomem . A campainha tocou e Lockhart pôs se de pé . - Trabalho para_casa : escrever um poema sobre a minha vitória sobre o lobisomem Wagga_Wagga . Há um exemplar autografado de * _ Eu , o Mágico * para o autor de o melhor poema . Os alunos começaram a sair . Harry voltou para trás e foi juntar se a o Ron e a a Hermione que estavam a a espera de ele . - Prontos ? - perguntou . - Espera até saírem todos - disse Hermione bastante nervosa . - Pronto ... Aproximou se de a secretária de Lockhart , apertando em a mão uma folha de papel , com o Ron e o Harry atrás . - Er ... professor Lockhart - gaguejou Hermione . - Eu queria requisitar este livro em a biblioteca , como leitura de apoio - entregou lhe o papel , com a mão ligeiramente trémula . - Só que faz parte de a secção de os reservados , por isso preciso de a assinatura de um professor . Acho que o livro me vai ajudar a compreender o que o senhor diz em * _ Passeios com Vampiros * acerca de os venenos de acção lenta ... - Ah , * _ Passeando com Vampiros * - disse Lockhart , pegando em a folha de papel de Hermione e sorrindo lhe abertamente . - E provavelmente o meu livro preferido . Gostou ? - Oh , muito - disse Hermione avidamente . - Tão inteligente o modo como apanhou o último com o passador de o chá . - Bem , tenho a certeza que ninguém se importará que eu dê uma ajudazinha suplementar a a melhor aluna de o segundo ano - disse Lockhart calorosamente , sacando de uma enorme pena de pavão . - É bonita , não é ? - comentou , adivinhando uma expressão de repulsa em a cara de o Ron . - Costumo guardas a para as minhas assinaturas de autógrafos . Rabiscou uma enorme assinatura cheia de altos e baixos e entregou a a Hermione . - Então , Harry - disse Lockhart enquanto Hermione dobrava a folha e a guardava em o saco . - Amanhã é a primeira partida de Quidditch de este ano , não é ? Gryffindor contra Slytherin . Ouvi dizer que és um jogador indispensável . Eu também fui * seeker * . Convidaram me inclusivamente para fazer parte de a Equipa_Nacional , mas eu preferi dedicar a minha vida a a erradicação de as forças de o mal . Mesmo_assim , se alguma vez precisares de um treino particular , não hesites em falar comigo , estou sempre disponível para partilhar a minha perícia com os jogadores menos dotados do_que eu . Harry fez um som indistinto com a garganta e saiu atrás_de Ron e Hermione . - Não acredito - disse quando os três examinavam a assinatura de Lockhart . - Ele nem viu que livro nós queríamos . - É porque é um idiota sem miolos - explicou o Ron . - Mas , quem se rala , temos o que queríamos . - Ele não é um idiota sem miolos - gritou Hermione com voz esganiçada enquanto se aproximavam quase a correr de a biblioteca . - Só porque ele disse que eras a melhor aluna de o segundo ano ... Baixaram as vozes a o entrar em a quietude abafada de a biblioteca . Madam_Prince , a bibliotecária , era uma mulher magra e irritável que parecia um abutre mal nutrido . - * _ Moste_Potente_Potions * ? - repetiu intrigada , tentando ficar com a folha de papel que Hermione se recusava a entregar lhe . - Gostava de a guardar para mim - disse sem fôlego . - Vá lá - intercedeu Ron , arrancando lhe a de as mãos e entregando a a Madam_Prince . - Nós arranjamos te outro autógrafo . O Lockhart assina tudo se aqui ficar muito_tempo . Madam_Prince pegou em o papel e voltou o em a direcção de a luz , decidida a descobrir uma falsificação , mas a assinatura passou em o teste . Desapareceu entre as estantes e voltou alguns minutos mais tarde , transportando um livro grande e de aspecto antiquado . Hermione meteu o com todo o cuidado em o saco e saíram , tentando não andar depressa de mais nem aparentar um ar culpado . Cinco minutos depois , estavam de_novo barricados em a casa_de_banho fora de serviço de a Murta_Queixosa . Hermione destruíra as objecções de Ron argumentando que aquele era o último lugar onde alguém em o seu juízo perfeito se lembraria de ir e que poderia assegurar lhes alguma privacidade . A Murta_Queixosa chorava ruidosamente em o seu cubículo , mas eles conseguiram ignorá a assim_como ela a eles . Hermione abriu * _ Moste_Potente_Potions * com todo o cuidado e inclinaram se os três sobre as páginas manchadas de humidade . Era fácil de perceber , logo à_primeira_vista de olhos , porque pertencia a a secção de os reservados . Algumas de as poções tinham efeitos quase impensáveis de tão macabros e havia ilustrações bastante desagradáveis , como , por_exemplo , aquela em que um homem parecia ter sido virado de o avesso e a de a bruxa com vários pares de braços suplementares a nascerem lhe em a cabeça . - Aqui está - disse Hermione excitadíssima a o encontrar a página intitulada « A poção * polisuco * « . Estava ilustrada com imagens de pessoas a meio de o processo de se transformarem em outras pessoas e Harry desejou ardentemente que a expressão de dor intensa que se lhes espelhava em o rosto fosse apenas produto de a imaginação de o artista desenhador . - Esta é a poção mais complicada que vi até hoje - disse Hermione enquanto examinava a receita . - Moscas asas de renda , sanguessugas , fluxo de cizânias e verdezelha - murmurou , acompanhando com o dedo a lista de ingredientes . - Bem , esses são relativamente simples , há os em a despensa de material de os estudantes , podemos tirar a a nossa vontade . Oh ! Vê só , pó de chifre de bicórneo ... não sei onde vamos arranjar isto ... e , é claro , um pedacinho de a pessoa em quem queremos transformar nos . - Como ? - perguntou Ron de forma cortante . - O que é_que queres dizer com um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos ? Eu não bebo nada que tenha lá dentro as unhas de os pés de o Crabbe ... Hermione continuou como_se não o tivesse ouvido . - Mas não temos que nos preocupar com isso por enquanto . Fica para o fim . Ron voltou se sem palavras para o Harry que tinha uma preocupação de outro tipo . - Já viste bem tudo_o_que vamos ter que roubar , Hermione ? Algumas coisas , não estão de certeza em a despensa de material de os alunos . O que é_que vamos fazer , arrombar os armários pessoais de o Snape ? Não sei se será uma boa ideia ... Hermione fechou o livro com um estrondo . - Bem , se vocês os dois se vão acagaçar , então está lindo - disse ela . Tinha as bochechas rosadas e os olhos mais brilhantes do_que era habitual . - Eu não gosto de quebrar regras , vocês sabem , mas acho que ameaçar os filhos de os Muggles é muito pior do_que construir uma poção difícil . Mas se vocês não querem descobrir se é o Malfoy , eu posso voltar já a a biblioteca e entregar o livro a Madam_Prince ... - Nunca pensei que chegaria o dia em que serias tu a convencer nos a quebrar regras - disse o Ron . - Está bem , vamos em essa , mas sem unhas de os pés , O. _ K. ? - Quanto tempo vai isso demorar a fazer , afinal ? - perguntou Harry quando Hermione , já com um ar mais satisfeito , voltou a abrir o livro . - Bem , como o fluxo de cizânias tem de ser recolhido durante a lua cheia e as asas de renda têm de ser abafadas durante vinte_e_um dias ... eu diria que se conseguirmos arranjar todos os ingredientes estará pronta dentro_de um mês . - Um mês ? - exclamou o Ron . - Nessa_altura já o Malfoy terá atacado metade de os filhos de Muggles ! - mas os olhos de Hermione contraíram se de_novo assustadoramente e ele acrescentou rapidamente . - Mas é o melhor plano que temos , por isso é melhor não olharmos para trás . Apesar_de tudo , enquanto Hermione verificava que não havia ninguém em os corredores e podiam sair de a casa_de_banho , Ron murmurou a Harry : - Seria muito mais simples se conseguisses , amanhã , atirar o Malfoy de a vassoura abaixo . Harry acordou cedo em o sábado de manhã e ficou um bocado a pensar em a partida de Quidditch que vinha a seguir . Estava nervoso , principalmente pelo que Wood diria se os Gryffindor perdessem , mas também com a ideia de enfrentar uma equipa apetrechada com as vassouras mais velozes que existiam . Nunca desejara tanto vencer os Slytherin como em aquele dia . Depois de meia_hora deitado com a barriga a dar horas , resolveu levantar se , vestir se e descer para tomar o pequeno-almoço . Lá em baixo , encontrou o resto de a equipa de os Gryffindor amontoada a o longo de a mesa comprida e vazia , todos eles com ar preocupado e sem vontade de conversar . Como_se aproximavam as onze horas , todos os alunos de a escola começaram a dirigir se para o estádio de Quidditch . O dia estava quente e húmido , com uma ameaça de trovoada em o ar . Ron e Hermione vieram apressadamente desejar a Harry boa sorte mal ele entrou em os vestiários . A equipa de os Gryffindor pôs os seus mantos vermelhos e sentou se para ouvir o discurso que Wood lhes fazia sempre antes de o jogo . - Os Slytherin têm vassouras melhores do_que nós - começou . - Não há como negá o . Mas nós temos gente melhor em cima de as vassouras . Treinámos mais do_que eles , voamos com todas_as condições climatéricas ( É bem verdade - murmurou George_Weasley - desde Agosto que não sei o que é estar seco ) . - E vamos fazê os engolir o dia em que deixaram aquele nojento de o Malfoy comprar a entrada em a equipa de eles . Com o peito agitado por a comoção , Wood voltou se par Harry . -- Cabe te a ti , Harry , mostrar lhes que um * seeker * tem de ter mais do_que um pai rico . Agarra a * snitch * antes d Malfoy ou morre a tentar porque temos absolutamente que vencer , hoje , Harry , temos que vencer . - Sem ansiedade , Harry - disse o Fred , piscando lhe o olho . Quando saíram em direcção a o campo , foram saudado por uma grande ovação principalmente de a parte de os Ravenclaw e de os Hufflepuff que estavam ansiosos por ver os Slytherin serem derrotados , mas os Slytherin que estavam entre a multidão também fizeram ouvir as suas vaias e pateadas . Madam_Hooch , a professora de Quidditch , pediu a Flin e Wood que apertassem as mãos o que eles fizeram , lançando um_ao_outro olhares ameaçadores , cada_um apertando a mão de o outro com mais força do_que aquela que seria necessário . - Atenção a o apito - disse Madam_Hooch . - Três , dois , um ... Com um bramido de a multidão para que subissem rapidamente , os catorze jogadores elevaram se em o céu cor de chumbo . Harry , mais alto do_que qualquer de os outros olhando para todos os lados em busca de a * snitch * . - Tudo bem , testa de cicatriz ? - gritou Malfoy , disparando por baixo de ele para lhe mostrar a velocidade de a sua vassoura . Harry não teve tempo de responder . Em esse preciso momento uma * bludger * preta e bem pesada veio direitinha a ele . Evitou a tão por um triz que ainda sentiu em os cabelos o ar que ela deslocara . - Foi por_pouco , Harry ! - exclamou o George , passando com grande rapidez , de bastão em a mão , pronto para lançar a * bludger * contra um Slytherin . Harry viu o dar a a * bludger * uma fortíssima pancada em direcção a Adrian_Pucey , mas a bola mudou de rumo em o meio de o ar e dirigiu se de_novo a Harry . Harry desceu rapidamente para se esquivar e George conseguiu lançá a contra Malfoy . Mais_uma_vez a * bludger * actuou como um * boomerang * e apontou a a cabeça de Harry . Harry ganhou velocidade e disparou contra o outro extremo de o campo . Ouvia o assobio de a * bludger * que o perseguia . O que era aquilo ? As * bludgers * nunca se concentravam assim em um único jogador , a sua função era tentar desmontar o maior número possível de intervenientes . Fred_Weasley esperava por a * bludger * em o extremo oposto . Harry baixou se quando o viu balançar se em frente de ela com toda_a garra . A * bludger * foi lançada para_fora_de campo . - Pronto , já está tudo resolvido - gritou Fred satisfeito , mas estava bastante enganado . Como_se fosse magneticamente atraída para Harry , a * bludger * lançou se de_novo contra ele e Harry teve de voar a_toda_a velocidade . Começara a chover . Harry sentia as gotas pesadas caírem lhe em o rosto , turvando lhe as lentes de os óculos . Não fazia ideia do_que se passava em o resto de o jogo , até ouvir Lee_Jordan que fazia o comentário dizer : - Os Slytherin vão a a frente com seis contra zero . As vassouras de qualidade superior de os Slytherin estavam obviamente a cumprir a sua função e enquanto isso , a * bludger * maluca fazia todos os possíveis para deitar abaixo o Harry . Fred e George voavam agora tão perto de ele , um de cada lado , que Harry não via senão os seus braços a balouçar e , se não conseguia ver a * snitch * , muito menos agarrá a . - Alguém enfeitiçou esta * bludger * - resmungou Fred , preparando o bastão com toda_a força quando ela se lançava de_novo contra Harry . - Precisamos de tempo - disse George , tentando fazer sinal a Wood enquanto evitava que a bola partisse o nariz a o Harry . Wood captou obviamente a mensagem . O apito de Madam_Hooch fez se ouvir e Harry , Fred e George desceram , tentando ainda evitar a * bludger * maluca . - O que é_que se passa ? - perguntou Wood enquanto a equipa de os Gryffindor se amontoava desordenadamente e os Slytherin , em o meio de a multidão , lançavam piadas . - Estamos a ser esmagados . Fred , George , onde estavam vocês quando aquela * bludger * impediu a Angelina de marcar ? - Estávamos seis metros acima , evitando que a outra * bludger * matasse o Harry , Oliver - gritou George furioso . - Alguém preparou isto , a bola não deixa o Harry em paz , ainda não perseguiu mais ninguém desde_que o jogo começou . Os Slytherin fizeram aqui qualquer coisa . - Mas as * bludgers * têm estado fechadas em o escritório de Madam_Hooch desde o último treino , e nessa_altura estava tudo bem ... - disse Wood ansiosamente . Madam_Hooch aproximava se . Por cima de o ombro de ela , Harry pôde ver a equipa de os Slytherin a escarnecer e apontar em a sua direcção . - Ouçam - disse o Harry , enquanto ela se aproximava . - Com vocês os dois a voarem sempre colados a mim , só vou apanhar a * snitch * se ela voar até a a minha manga . Voltem se para o resto de a equipa e deixem a tratante comigo . - Não sejas bronco - disse o Fred . - Ela arranca te a cabeça . Os olhos de Wood saltavam de Harry_para_os_Weasley . - Oliver , isto_é uma loucura - disse Alicia_Spinet , zangada . - Não podes deixar o Harry sozinho entregue a aquela coisa . Vamos pedir uma investigação . - Se pararmos agora , teremos de dar a partida como perdida e não vamos deixar os Slytherin ganhar , só por_causa_de uma * bludger * maluca . Vá lá , Oliver , diz lhes que me deixem sozinho . - A culpa é toda tua . * _ Agarra a snitch ou morre a tentar * , se isso é lá coisa que se diga . Madam_Hooch tinha se lhes juntado . - Prontos para retomar a partida ? - perguntou a Wood . Wood olhou para o ar determinado de Harry . - Deixem o sozinho , ele é capaz de lidar com a * bludger * . A chuva era agora mais pesada . A o apito de Madam_Hooch , Harry elevou se em os ares e ouviu o barulhinho de a * bludger * atrás_de si . Subiu cada_vez_mais alto . Fez acrobacias em espiral , descidas rápidas , ziguezagueou e rolou . Apesar_de ligeiramente estonteado , não deixou nunca de ter os olhos bem abertos . A chuva salpicava lhe os óculos e entrava lhe por as narinas , quando ele se voltou de cabeça para baixo , evitando outra forte investida de a * bludger * . Ouviu os risos de a multidão . Sabia que devia parecer ridículo , mas a * bludger * maluca era pesada e não podia mudar de direcção tão rapidamente quanto ele . Iniciou uma corrida que parecia de feira de diversões em volta de os extremos de o estádio , olhando de soslaio , através de os lençóis prateados de chuva , para os postes de os Gryffindor , onde Adrian_Pucey tentava passar por Wood . Um assobio junto de os ouvidos disse a Harry que a * bludger * falhara uma_vez_mais . Voltou se e voou rapidamente em a direcção oposta . - Estás a ensaiar * ballet * , Potter - gritou Malfoy quando Harry foi obrigado a fazer uma reviravolta estúpida em o ar para se esquivar mais_uma_vez de a * bludger * . Lá foi ele , com a * bludger * atrás a alguns metros de distância . E foi então que , olhando para Malfoy , furioso , a viu , a * snitch * de ouro . Flutuava alguns centímetros acima de os ouvidos de Malfoy que , de tão preocupado a escarnecer de Harry , nem dera por ela . Durante um momento angustiante , Harry ficou quieto em o ar , não ousando dirigir se a Malfoy , não fosse ele olhar para_cima e ver a * snitch * . PUM ! Tinha ficado parado tempo de mais . A * bludger * batera lhe , por fim , apanhando lhe o cotovelo e Harry sentiu o braço a partir se . Debilmente , desorientado por a dor cauterizante em o braço , Harry deslizou para um de os lados em a sua vassoura encharcada , um joelho ainda dobrado , o braço direito a balouçar , inútil , a o seu lado . A * bludger * veio de_novo , preparada para mais um ataque , desta_vez apontada a o seu rosto . Harry desviou se com uma intenção : chegar a Malfoy . Através_de uma nuvem de chuva e dor desceu até a o rosto tremeluzente e trocista e viu os olhos de ele dilatarem se de medo : Malfoy pensou que Harry ia atacá o . - Que diabo ... - resmungou , afastando se de o caminho . Harry tirou a outra mão de a vassoura e fez uma tentativa para agarrar qualquer coisa . Sentiu os dedos fecharem se em volta de a * snitch * dourada , mas conduzia agora a vassoura apenas com as pernas e ouviu se um grito de a multidão cá em baixo , quando ele fez a descida , tentando não desmaiar . Com um ruído seco caiu em a terra enlameada e rolou para fora de a vassoura . O braço tinha um ângulo um_pouco estranho . Torcendo se com dores , ouviu a a distância os assobios e os gritos . Concentrou se em a * snitch * que tinha fechada em a outra mão . - Ai - disse vagamente . - Ganhámos o jogo . E desmaiou . Voltou a si com a chuva a cair lhe em o rosto , ainda deitado em o campo , com alguém inclinado sobre ele . Viu um brilho de dentes brancos . - Oh , não , você não - gemeu . - Não sabe o que diz - afirmou Lockhart bem alto a a ansiosa multidão de Gryffindor que o comprimiam . - Não te preocupes , Harry , eu vou tratar de o teu braço . - Não - gritou Harry . - Eu fico com ele assim , obrigado . Tentou sentar se , mas a dor era enorme . Ouviu um « clique » familiar . - Não quero fotografias de isto , Colin - disse em voz alta . - Deita te para trás , Harry - insistiu Lockhart com toda_a calma . - É um encantamento muito simples que eu fiz imensas vezes . - Porque não me levam só para a ala hospitalar ? - perguntou Harry entredentes . - Seria o melhor , professor - disse a voz rouca de o Wood que não conseguia deixar de sorrir , apesar_de o seu * seeker * estar ferido . - Grande captura , Harry , verdadeiramente espectacular , a tua melhor jogada , em a minha opinião . Em o meio de a floresta de pernas que o rodeava , Harry avistou Fred e George_Weasley , metendo a * budger * perigosa em uma caixa . Continuava a dar uma luta enorme . - Para trás - ordenou Lockhart , que tinha arregaçado as mangas verde jade . - Não , eu não ... - protestou debilmente Harry , mas Lockhart tinha a varinha em a mão e , um segundo depois , apontava a para o braço de Harry . Uma sensação estranha e desagradável começou em o ombro e espalhou se , chegando a as pontas de os dedos . Parecia que o braço inteiro tinha sido esvaziado . Não foi capaz de olhar para o que estava a suceder . Tinha fechado os olhos , voltado o rosto para o outro lado , mas os seus maiores receios concretizaram se quando as pessoas lá em cima se sobressaltaram e Colin_Creevey começou a tirar fotografias como um louco . O braço deixara de lhe doer , mas parecia tudo menos um braço . - Ah ! - disse Lockhart . - Sim , bem isto às_vezes acontece . Mas o importante é_que os ossos já não estão partidos . Isso é o mais importante . Portanto , Harry , vai até a a ala hospitalar ... ah ! Mr._Weasley , Miss_Granger , poderiam levá o lá ? E Madam_Pomfrey poderá ... er ... arranjar um_pouco isso . Quando Harry se pôs de pé sentiu se estranhamente desequilibrado . Depois de respirar fundo , olhou para o lado direito e o que viu quase o fez desmaiar de_novo . Pendurado em a extremidade de a sua túnica estava o que parecia ser uma espessa e colorida luva de borracha . Tentou mexer os dedos mas ... em vão . Lockhart não consertara os ossos de Harry . Retirara os . M. dam Pomfrey não ficou nada satisfeita . - Devias ter vindo logo ter comigo - ralhou , segurando os restos tristes e moles de aquilo que antes fora um braço activo . - Eu conserto ossos em um segundo , mas fazê os crescer de_novo ... - Vai conseguir , não vai ? - perguntou Harry desesperado . - Sim , com certeza , mas vai ser doloroso - disse Madam_Pomfrey de modo severo , entregando lhe um pijama . - Vais ter que ficar cá esta noite ... Hermione esperou de o lado de_fora de a cortina que rodeava outra cama enquanto Ron ajudava Harry a vestir se . Levou algum tempo a enfiar o braço que parecia borracha dentro_de uma manga de o pijama . - Como é_que podes continuar a defender o Lockhart depois disto , Hermione ? - perguntou Ron através de as cortinas , enquanto puxava os dedos moles de o Harry por uma manga . - Se o Harry quisesse ser desossado , teria pedido . - Todos podem enganar se - disse Hermione . - E deixou de doer , não deixou , Harry ? - Sim - disse ele - mas também ficou incapaz de fazer seja o que for . Quando se meteu em a cama , o braço agitou se despropositadamente . Hermione e Madam_Pomfrey entraram . Madam_Pomfrey segurava uma grande garrafa com o rótulo * Skele - _ Gro * . - Vais ter uma noite difícil - preveniu , enchendo um pequeno copo fumegante e dando lhe a beber . - Fazer crescer ossos é uma coisa difícil . Tomar o * _ Skele - _ Gro * também . Queimou a boca e a garganta de o Harry a o descer , fazendo o tossir e cuspir . Resmungando sobre os desportos perigosos e os professores incapazes , Madam_Pomfrey retirou se , deixando Ron e Hermione a ajudar Harry a engolir um_pouco de água . - Mas ganhámos o jogo - disse o Ron com um sorriso em o rosto . - A tua jogada foi em grande . A cara de o Malfoy ... parecia que queria matar alguém . - Eu vou descobrir como é_que enfeitiçaram aquela * bludger * - disse Hermione com ar sombrio . - Podemos juntar essa pergunta a a lista de todas_as que queremos fazer a o Malfoy quando tomarmos a poção * _ Polisuco * - disse Harry , afundando se de_novo em as almofadas . - Espero que tenha um sabor melhor do_que esta coisa ... - Com um bocado de os Slytherin lá dentro , deves estar a brincar - disse o Ron . A porta de a ala hospitalar abriu se em esse momento e , completamente encharcados , entraram os restantes membros de a equipa de os Gryffindor , para ver o Harry . - Um voo inacreditável - disse George . - Acabei de ver Marcus_Flint a gritar com o Malfoy . Qualquer coisa sobre ter a * snitch * mesmo em cima de a cabeça e não ter dado por nada . O Malfoy não parecia nem um_pouco satisfeito . Tinham trazido bolos , rebuçados e garrafas de sumo de abóbora . Juntaram se em volta de a cama de Harry e estavam a dar início a o que prometia ser uma grande festa quando Madam_Pomfrey entrou a vociferar : - Este rapaz precisa de repouso . Tem trinta_e_três ossos a crescer . Fora de aqui . FORA ! E Harry ficou sozinho , sem nada que o distraísse de as dores agudas em o seu braço mole . Muitas horas mais tarde , Harry acordou subitamente em a escuridão total e soltou um pequeno grito de dor : sentia agora o braço cheio de estilhaços . Durante alguns segundos pensou que tinha sido a dor a acordá o . Depois , com um arrepio de horror , apercebeu se de que alguém estava a passar lhe uma esponja em a testa . - Sai de aqui - gritou , e em seguida : - Dobby ! Os olhos de o tamanho de bolas de ténis de o elfo doméstico estavam a olhá o em o escuro , uma lágrima grossa rolava por o seu enorme nariz . - Harry_Potter voltou a a escola - murmurou , infeliz . - Dobby avisou e voltou a avisar Harry_Potter . Ah ! senhor , porque não deu ouvidos a Dobby ? Porque não voltou Harry_Potter para_casa quando perdeu o comboio ? Harry ergueu se um_pouco , encostando se a as almofadas e afastou a esponja de o elfo . - O que estás a fazer aqui ? - perguntou . - E como sabes que eu perdi o comboio ? O lábio de Dobby tremeu e Harry foi assaltado por uma dúvida . - Foste tu . Tu impediste que a barreira nos deixasse passar . - Em a verdade fui eu , senhor - disse Dobby , acenando com a cabeça e com as orelhas a abanar . - Dobby escondeu se , esperou por Harry_Potter e selou a barreira . A seguir , Dobby teve de pôr as mãos em o ferro de engomar - mostrou a o Harry dez dedos longos embrulhados em ligaduras . - Mas Dobby não se importou , senhor , porque pensou que Harry_Potter estava a salvo e nunca Dobby sonhou que mesmo_assim ele viria para a escola ! Balançava se para a frente e para trás , sacudindo a cabeça feia . - Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry_Potter tinha voltado a a escola que deixou queimar o jantar de os seus donos . Dobby nunca tivera um castigo tão grande , senhor . Harry afundou se de_novo em as almofadas . - Quase conseguiste que nos expulsassem , a mim e a o Ron - disse furioso . - É melhor desapareceres de aqui antes que os meus ossos voltem a estar bem , Dobby , ou ainda te estrangulo . O elfo sorriu . - Dobby está habituado a ameaças de morte , senhor . Dobby recebe as cinco vezes por dia em a casa onde mora . Encostou o nariz a um canto de a fronha que usava , ficando tão ridículo que Harry sentiu a raiva desvanecer se , apesar_de tudo . - Porque usas essa coisa , Dobby ? - perguntou com curiosidade . - Isto , senhor ? - disse Dobby apontando para a fronha de almofada . - É uma prova de escravatura de o elfo doméstico , senhor . Dobby só pode ser libertado se os donos lhe derem roupa , senhor . A família tem o cuidado de não dar a o Dobby nem uma peúga , senhor , porque ele poderia ficar livre e deixar a casa para sempre . Dobby limpou os olhos protuberantes e disse subitamente : - Harry_Potter deve ir para_casa . Dobby achou que a sua * bludger * seria o suficiente para o fazer ... - A tua * bludger * ? - disse Harry com a raiva a crescer novamente dentro de ele . - Que queres tu dizer com a tua bludger * ? Foste tu quem fez com que aquela bola tentasse matar me ? - Matar não , senhor . Matar , nunca ! - disse o elho chocado . - Dobby quer salvar a vida de Harry_Potter . É melhor ir para_casa ferido do_que ficar aqui , senhor . Dobby só queria Harry_Potter suficientemente ferido para voltar para_casa . - Só isso ? - disse Harry furioso . - Imagino que não vais dizer me porque querias mandar me para_casa a os bocados ? - Ah ! se Harry_Potter soubesse ! - gemeu Dobby , com mais lágrimas a escorrerem lhe por a fronha esfarrapada . - Se pudesse saber o que significa para nós , para os humildes , os escravizados , nós , a escória social de o mundo mágico ! Dobby lembra se de como eram as coisas quando Aquele cujo nome não deve ser pronunciado estava em o auge de o poder , senhor ! Nós , os elfos domésticos éramos tratados como animais , senhor ! É claro que Dobby ainda é tratado assim - admitiu , secando o rosto em a fronha de almofada . - Mas , em a sua maioria , a vida melhorou bastante para os de a minha espécie desde_que Harry_Potter triunfou sobre Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Harry_Potter sobreviveu e o poder de os senhores de o Mal foi quebrado e veio uma nova alvorada , senhor , e Harry_Potter brilhou como um farol de esperança para aqueles de entre nós que já pensavam que a longa noite nunca mais teria fim , senhor ... e agora em Hogwarts vão acontecer coisas terríveis , talvez já esteiam a acontecer e Dobby não pode deixar Harry_Potter ficar aqui , agora_que a história vai repetir se , agora_que a Câmara_dos_Segredos está de_novo aberta . Dobby calou se horrorizado . Em seguida agarrou em o jarro de a água que Harry tinha a a cabeceira e bateu com ele em a própria cabeça , deixando se cair . Um segundo mais tarde voltou até junto de a cama , repetindo : - Mau , Dobby , muito mau , Dobby . - Quer_dizer , então , que existe mesmo a Câmara_dos_Segredos ? - murmurou Harry . - E dizes tu que já antes foi aberta ? Conta me , Dobby . Agarrou o pulso ossudo de o elfo quando a mão de ele se estendia para o jarro de a água . - Mas eu não sou filho de Muggles . Como posso estar em perigo por causa de a Câmara_dos_Segredos ? - Ah ! senhor , não pergunte a o pobre Dobby - lamentou se o elfo com os olhos enormes a brilharem em o escuro . - As forças de as trevas estão projectadas em este lugar , mas Harry_Potter não deve estar aqui quando as coisas acontecerem . Vá para_casa , Harry_Potter , vá para_casa . Harry_Potter não deve envolver se em isto , senhor , é demasiado perigoso ... - Quem é , Dobby ? - perguntou Harry , continuando a agarrar lhe o pulso com forca , impedindo que batesse de_novo em si próprio com o jarro . - Quem abriu a amara ? Quem a abriu de a última vez ? - Dobby não pode , senhor . Dobby não pode . Dobby não deve dizer - guinchou o elfo . - Vá se embora , Harry_Potter , vá se embora ! - Eu não vou para lugar nenhum - disse Harry , furioso . - Uma de as minhas melhores amigas é filha de Muggles , está em perigo se a câmara foi , de facto , aberta ... - Harry_Potter arrisca a própria vida por os amigos - gemeu Dobby em uma espécie de êxtase infeliz . - Tão nobre , tão corajoso , mas deve salvar se , Harry_Potter não deve ... Dobby calou se de repente com as orelhas de morcego a estremecerem . Harry também ouviu os passos que vinham lá fora , de o corredor . - Dobby tem de ir - balbuciou o elfo apavorado . Ouviu se um ruído e o pulso de Harry ficou subitamente fechado em o ar . Meteu se de_novo para baixo , em a cama , com os olhos fixos em a porta escura que dava entrada em a ala hospitalar enquanto os passos se aproximavam . Em o momento seguinte , Dumbledore estava a entrar , de costas , em o dormitório , vestindo uma longa túnica de lã e uma capa de noite . Transportava um extremo de aquilo que parecia ser uma estátua . A professora Mc_Gonagall surgiu um segundo mais tarde , pegando lhe em os pés . Os dois colocaram a em uma cama . - Chame Madam_Pomfrey - murmurou Dumbledore e a professora Mc_Gonagall passou por a cama de Harry , apressadamente , e desapareceu . Harry deixou se ficar muito quieto como_se estivesse a dormir . Ouviu vozes ansiosas e por fim a professora Mc_Gonagall apareceu de_novo , seguida de Madam_Pomfrey que vestia um casaco curto de lã sobre a camisa de dormir . Ouviu uma inspiração aguda . - O que aconteceu ? - murmurou Madam_Pomfrey_a_Dumbledore , inclinando se sobre a estátua que estava em a cama . - Outro ataque - disse Dumbledore . - A Minerva encontrou o em as escadas . Havia um cacho de uvas junto de ele . Acho que estava a tentar esgueirar se até aqui para vir visitar o Potter . O estômago de Harry deu uma reviravolta . Lenta e cuidadosamente ergueu se alguns centímetros para poder ver a estátua que estava sobre a cama . Um raio de luar iluminou lhe o rosto estático . Era_Colin_Creevey . Tinha os olhos abertos , e as mãos , em frente de a cara , seguravam a máquina fotográfica . -- Petrificado ? - murmurou Madam_Pomfrey . - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - Mas estou tentada a acreditar que ... se Albus não tivesse vindo cá abaixo tomar um chocolate quente ... quem sabe o que teria ... Os três olharam para Colin . Dumbledore inclinou se e retirou lhe a máquina de as mãos rígidas . - Será que ele conseguiu tirar a fotografia de o agressor ? - perguntou ansiosa a professora Mc_Gonagall . Dumbledore não respondeu . Abriu a parte detrás de a máquina . - Cruzes canhoto - disse Madam_Pomfrey . Um jacto de vapor tinha feito fervilhar a máquina . Harry , a três metros de distância , sentiu o cheiro tóxico de o plástico queimado . - Derretido - disse Madam_Pomfrey com grande espanto . - Tudo derretido . - O que significa isto , Albus ? - perguntou cada_vez_mais nervosa a professora Mc_Gonagall . - Significa - disse Dumbledore - que a Câmara_dos_Segredos está mesmo aberta outra_vez . Madam_Pomfrey levou uma mão a a boca . A professora Mc_Gonagall olhou assustada para Dumbledore . - Mas , Albus ... com certeza ... quem ? - A questão não é quem - disse Dumbledore com os olhos fixos em Colin . - A questão é como ... E pelo que Harry conseguiu ver de o rosto indistinto de a professora Mc_Gonagall , ela não compreendeu muito mais do_que ele . XI_O clube de os duelos Quando_Harry acordou , em o domingo de manhã , a enfermaria estava iluminada por um resplandecente sol de inverno e o seu braço tinha de_novo todos os ossos , apesar_de o sentir muito rígido . Sentou se rapidamente e olhou para a cama de Colin , mas ela fora isolada com as cortinas atrás de as quais se despira em a véspera . Vendo que ele tinha acordado , Madam_Pomfrey apareceu com um tabuleiro de pequeno-almoço e a seguir começou a apalpar lhe o braço e os dedos . - Tudo em ordem - disse , enquanto ele , com a mão esquerda , comia avidamente as papas de aveia . - Quando acabares de comer podes ir te embora . Harry vestiu se o mais depressa que pôde e dirigiu se a a pressa para a torre de os Gryffindor , ansioso por contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre Colin e Dobby , mas não os encontrou lá . Foi a a procura de eles , perguntando a si próprio onde teriam ido e sentindo se um_pouco magoado por o pouco interesse que demonstravam em saber se ele tinha recuperado os ossos . Quando passou por a biblioteca , Percy_Weasley vinha a sair com bastante melhor cara do_que de a última vez que se tinham encontrado . - Olá , olá , Harry - disse . - Excelente voo o de ontem , verdadeiramente sensacional . Os Gryffindor estão a a frente para a taça de a equipa . Ganhaste cinquenta pontos . - Não viste o Ron e a Hermione por aí ? - perguntou Harry . - Não , não vi - disse Percy com o sorriso a desaparecer . - Espero que o Ron não esteja outra_vez em a casa_de_banho de as raparigas ... Harry forçou um sorriso , viu Percy desaparecer e a seguir foi direitinho até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Não via lá muito bem por_que motivo o Ron e a Hermione lá estariam de_novo , mas , depois de se assegurar de que nem Filch nem nenhum de os prefeitos estavam por perto , abriu a porta e ouviu as vozes de eles que vinham de um cubículo fechado . - Sou eu - disse , fechando a porta atrás_de si . Ouviu se dentro de o cubículo um estrondo , um chapinhar e um sobressalto e ele viu o olho de a Hermione a espreitar por o buraco de a fechadura . - Harry - disse ela . - Pregaste nos um susto de morte . Entra . Como está o teu braço ? - _ óptimo - respondeu , apertando se dentro de o cubículo . Em cima de a sanita estava encarrapitado um velho caldeirão , e um crepitar a a superfície de a água disse a Harry que eles tinham acendido um fogo lá em baixo . Fazer aparecer fogos portáteis a a prova de água era uma de as especialidades de Hermione . - _ íamos visitar te , mas resolvemos começar a preparar a poção * _ Polisuco * - explicou Ron enquanto Harry fechava outra_vez a porta de o cubículo com alguma dificuldade . - Achámos que este era o lugar mais seguro para a esconder . Harry começou a contar lhes de o Colin , mas Hermione interrompeu o . - Nós já sabemos , ouvimos a professora Mc_Gonagall contar a o professor Flitwick hoje_de_manhã . Por isso resolvemos começar a ... - Quanto_mais depressa arrancarmos uma confissão a o Malfoy , melhor - rosnou o Ron . - Sabem o que eu penso ? Ele estava tão mal-humorado depois de o jogo de Quidditch que se vingou em o Colin . - Há outra coisa - disse Harry , vendo Hermione cortar molhos de verdezelha e lançá os dentro de a poção . - O Dobby foi visitar me a meio de a noite . Ron e Hermione olharam o espantados . Harry contou lhes tudo_o_que Dobby lhe dissera ... ou não dissera . Ron e Hermione ouviram o de boca aberta . - A Câmara_dos_Segredos já tinha sido aberta antes ? - repetiu Hermione . - Encaixa perfeitamente - disse Ron , em uma voz triunfante . - O Lucius_Malfoy deve ter aberto a Câmara_dos_Segredos quando andava em a escola e agora ensinou a o querido filhinho Draco como abris a . É óbvio , que pena o Dobby não te ter dito que tipo de monstro lá se encontra . Gostava de saber como é_que ninguém o viu andar por ai em a escola . - Talvez tenha a capacidade de se tornar invisível - sugeriu Hermione , picando sanguessugas para dentro de o caldeirão . - Ou talvez se disfarce , passando por uma armadura ou outra coisa de o género . Eu li umas coisas sobre vampiros camaleões ... - Tu lês de mais , Hermione - disse o Ron , deitando moscas asas de renda mortas por cima de as sanguessugas . Amarrotou o saco vazio de as asas de renda e olhou para Harry . - Então foi o Dobby que nos impediu de apanhar o comboio e te partiu o braço ... - abanou a cabeça . - Sabes o que eu acho ? Se ele não parar de tentar salvar te a vida ainda acaba por te matar . A notícia de que Colin_Creevey tinha sido atacado e estava agora em a ala hospitalar , como morto , espalhou se por toda_a escola em a segunda-feira de manhã . O ar ficou pesado e cheio de boatos e suspeitas . Os alunos de o primeiro ano começavam a andar por a escola em pequenos grupos , receando ser atacados se se aventurassem a andar isoladamente por os corredores . Ginny_Weasley , que era colega de carteira de o Colin em os encantamentos , estava perturbadíssima , mas Harry achou que Fred e George estavam a tentar animá a de a maneira errada . Revezavam se , mascarados com peles de animais e apareciam lhe subitamente detrás de as estátuas . Só pararam quando Percy , apopléctico de raiva , lhes disse que ia escrever a Mrs._Weasley a contar lhe que a Ginny andava a ter pesadelos . Enquanto isso , às_escondidas de os professores , uma panóplia de talismãs , amuletos e outros objectos de protecção ia enchendo a escola . Neville_Longbottom comprou uma enorme cebola verde que cheirava mal , um cristal pontiagudo cor de púrpura e uma cauda de tritão apodrecida antes de os outros rapazes de os Gryffindor lhe explicarem que ele não corria perigo : era um sangue puro e , portanto , muito pouco passível de ser atacado . - Eles foram a o Filch em primeiro lugar - disse Neville com o medo estampado em a cara redonda . - E toda_a_gente sabe que eu sou quase um * busca-pé * . Em a segunda semana de Dezembro , a professora Mc_Gonagall veio , como de costume , recolher os nomes de os alunos que ficavam em a escola durante o Natal . Harry , Ron e Hermione assinaram a lista . Tinham ouvido dizer que Malfoy ficava , o que lhes parecera muito suspeito . As férias seriam a altura ideal para usar a poção * _ Polisuco * e tentar arrancar lhe uma confissão . Infelizmente a poção estava a meio . Precisavam ainda de o chifre de bicórneo e o único lugar onde podiam arranjá o era em os depósitos privados de Snape . Harry , pessoalmente , preferia enfrentar o lendário monstro de os Slytherin do_que ser apanhado por o Snape a assaltar lhe o escritório . - O que precisamos - disse Hermione cheia de vivacidade quando se aproximava a aula conjunta de poções de quinta-feira a a tarde - para podermos entrar a a vontade em o escritório de o Snape , é de uma diversão . Harry e Ron olharam para ela , nervosos . - Acho que o melhor é ser eu a praticar o roubo - prosseguiu ela , em um tom perfeitamente casual . - Vocês os dois podem ser expulsos se forem apanhados e eu tenho uma folha limpa . Portanto , a única coisa que têm de fazer é distrair o Snape durante cerca de cinco minutos . Harry esboçou um meio sorriso . Provocar deliberadamente um estrago em a aula de poções de o Snape era tão seguro como ferir em um olho um dragão adormecido . As aulas de poções tinham lugar em um de os mais amplos calabouços . A de quinta-feira a a tarde não foi diferente de as outras . Vinte caldeirões fumegavam entre as secretárias de madeira , sobre as quais podia ver se laminas de latão e jarras com ingredientes . Snape deambulava por o meio de os fumos , fazendo reparos petulantes a o trabalho de os Gryffindor , enquanto os Slytherin riam a a socapa . Draco_Malfoy , que era o aluno preferido de Snape , não parava de lançar olhos de carneiro mal morto a o Ron e a o Harry , que sabiam que se retaliassem teriam um castigo , antes de poderem abrir a boca para dizer : - É injusto ! A solução de inchar de o Harry estava demasiado líquida , mas ele estava preocupado com coisas mais importantes . Esperava por o sinal de Hermione e mal deu por Snape se calar para ir espreitar a sua poção aguada . Quando o professor se voltou e foi implicar com o Neville , Hermione trocou um olhar com Harry e fez um aceno . Harry baixou se discretamente por detrás de o seu caldeirão , tirou de o bolso de trás um de os paus de fogo-de-artíficio Filibuster e deu lhe um toque de varinha . O fogo-de-artíficio começou a sibilar e a crepitar . Sabendo que tinha apenas alguns segundos , Harry endireitou se , ganhou coragem e lançou o a o ar . Aterrou certeiro em o caldeirão de o Goyle . A poção de o Goyle explodiu , salpicando toda_a aula . As pessoas gritavam , à_medida_que eram vítimas de os salpicos . Malfoy foi apanhado em a cara e o nariz começou a inchar como um balão . O Goyle tropeçava a as cegas , com as mãos em os olhos , que tinham ficado de o tamanho de pratos de sopa , enquanto o Snape tentava repor a calma e tentar perceber o que sucedera . Em o meio de a confusão , Harry viu Hermione esgueirar se a a socapa por a porta . - Silêncio ! silêncio ! - vociferou Snape . - Todos os que foram salpicados cheguem aqui para uma drenagem . Quando eu descobrir quem fez isto ... Harry fez um enorme esforço para não se rir a o ver Malfoy chegar apressadamente lá a a frente , a cabeça a tombar com o peso de o nariz , que parecia um pequeno melão . Quando metade de a aula se amontoava junto de a secretária de o Snape , alguns alunos vergados por o peso de os braços que pareciam mocas , outros incapazes de falar devido a o gigantesco inchaço de os lábios , Harry viu Hermione reentrar em o calabouço , a túnica mostrando a barriga protuberante . Quando todos os alunos tinham já tomado um gole de o antídoto e os vários inchaços tinham desaparecido , Snape precipitou se para o caldeirão de o Goyle e pescou os restos retorcidos de o fogo-de-artíficio . Houve um súbito silêncio . - Se eu descubro quem lançou isto - murmurou Snape - garanto que é expulsão por a certa . Harry compôs uma expressão de espanto . Snape olhava directamente para ele e a campainha , que tocou dez minutos mais tarde , não podia ser mais bem-vinda . - Ele soube que fui eu - disse Harry_a_Ron e a a Hermione , enquanto se dirigiam apressadamente para a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Tenho a certeza . Hermione lançou o novo ingrediente em o caldeirão e começou a mexer furiosamente . - Isto vai estar pronto dentro_de quinze_dias - afirmou , satisfeita . - O Snape não pode provar que foste tu - assegurou Ron , tranquilizando Harry . - Que pode ele fazer ? - Conhecendo o Snape , qualquer coisa louca - respondeu Harry , enquanto a poção borbulhava e espumava . Uma semana mais tarde , Harry , Ron e Hermione passavam por o vestíbulo de entrada , quando viram um pequeno grupo de pessoas reunidas em volta de o jornal de parede a lerem um pedaço de pergaminho que tinha acabado de ser afixado . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas acenaram lhes , entusiasmados . - Vão lançar um clube de duelos ! - exclamou Seamus . - Hoje a a noite é a primeira reunião . Eu não me importaria nada de ter aulas de duelo , podem vir a ser úteis um dia de estes ... - Porquê ? Achas que o monstro de os Slytherin sabe esgrimir ? - perguntou o Ron , mas , também ele , leu a notícia com interesse . - Pode ser útil - disse a o Harry e a a Hermione , quando foram jantar . - Vamos lá ? Harry e Hermione acharam óptimo , por isso , a as oito_da_noite voltaram a o salão . As longas mesas de refeição tinham desaparecido e um estrado dourado surgira , encostado a a parede . Sobre ele flutuavam milhares de velas . O tecto era , mais_uma_vez , de veludo negro e parecia que quase todos os alunos de a escola se encontravam ali , com as suas varinhas em a mão e com um ar entusiasmado . - Quem será que vai ensinar nos ? - perguntou Hermione , enquanto se misturavam em a multidão barulhenta . - Ouvi dizer que o Filitwick foi campeão de duelo em a juventude , talvez seja ele . - Desde_que não seja ... - começou Harry , mas terminou em um gemido : Gilderoy_Lockhart estava a subir a o estrado , resplandecente em as suas vestes cor de ameixa , acompanhado , nem mais nem menos , do_que de Snape que trajava , como sempre , de negro . Lockhart levantou um braço , pedindo silêncio , bradando : - Aproximem se , aproximem se , conseguem todos ver me e ouvir me ? Excelente ! - O professor Dumbledore deu me autorização para iniciar este pequeno curso de duelo para vos treinar a todos , caso algum dia precisem de se defender , como eu tenho feito em inúmeras ocasiões ; para mais detalhes , leiam os livros que tenho publicados . - Permitam que vos apresente o meu assistente , o professor Snape - disse Lockhart , abrindo um sorriso de orelha a orelha . - Ele diz me que sabe alguma coisa sobre duelos e aceitou desportivamente ajudar me em uma exibição de demonstração , antes de começarmos . Atenção , não quero que os mais novos fiquem preocupados , vão continuar a ter o vosso professor de poções depois de eu o vencer . Não tenham medo . - Não era óptimo se se liquidassem um_ao_outro ? - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . O lábio inferior de Snape estava curvo . Harry interrogou se sobre o motivo por_que Lockhart continuava a sorrir . Se o Snape olhasse de aquela maneira para ele , Harry estaria a correr a_toda_a velocidade para o mais longe possível . Lockhart e Snape voltaram se um para o outro e fizeram uma vénia , pelo_menos Lockhart fê la com muitas reviravoltas de mãos , enquanto Snape acenava , irritado , com a cabeça . Em seguida , ergueram as varinhas , como_se fossem espadas , em a frente . - Como podem ver , estamos a pegar em as varinhas em a posição de aceitação de combate - explicou Lockhart a a multidão silenciosa . - Quando contarmos até três , lançaremos os primeiros feitiços . Nenhum de nós tentará matar o outro , claro . - Eu não poria as mãos em o fogo - murmurou Harry , observando como Snape cerrava os dentes . -- Um , dois , três ... Os dois balançaram as varinhas acima de os ombros . Snape gritou : * _ Expelliarmus * ! Houve um clarão ofuscante de luz escarlate e Lockhart voou para trás , caindo de o estrado batendo contra a parede , escorregando e indo estatelar se em o chão . Malfoy e alguns de os outros Slytherin aplaudiram . Hermione estava em bicos de os pés . - Acham que ele está bem ? - gritou entredentes . - Quem se rala ? - disseram ao_mesmo_tempo o Ron e o Harry . Lockhart estava a pôr se , hesitante , de pé . O chapéu caíra lhe e o cabelo ondulado estava em um desalinho . - Bem , cá está ! - disse , cambaleando até a o estrado . - Este foi um encantamento para desarmar . Como podem ver , perdi a minha varinha . Ah , obrigado Miss_Brown . Sim , foi uma excelente ideia mostrar lhes isto , professor Snape , mas , se me permite que lhe diga , foi muito óbvio o que ia fazer . Se eu tivesse querido impedis o , teria o feito com a maior de as facilidades . Mas achei que seria educativo deixá os ver ... Snape tinha um ar assassino . Provavelmente Lockhart deu por isso , porque declarou : - Chega de demonstrações . Eu vou passar agora por o meio de vocês e criar duplas . Professor_Snape , se quiser ajudar me ... Entraram por o meio de a multidão , agrupando alunos . Lockhart pôs o Neville com Justin_Finch - _ Fletchley , mas Snape chegou primeiro junto de Harry e de Ron . - Tempo de separar a dupla ideal , parece me - rosnou . - Weasley , tu podes ficar com o Finnigan . Potter ... Harry voltou se automaticamente para Hermione . - Não me parece - disse Snape com o seu sorriso frio . - Mr._Malfoy , venha até aqui . Vamos ver o que faz com o famoso Potter . E a menina , Miss_Granger , pode emparceirar com Miss_Bulstrode . Malfoy aproximou se com o seu passo empertigado e o seu sorriso escarninho . Atrás de ele vinha uma rapariga de os Slytherin , que lembrou a Harry uma imagem que tinha visto em as * _ Férias com Bruxas_Velhas * . Era corpulenta e quadrada e os maxilares avançavam agressivamente . Hermione esboçou um meio sorriso , que ela não retribuiu . - Voltem se para os vossos parceiros - gritou Lockhart - e façam a vénia . Harry e Malfoy mal inclinaram as cabeças , não afastando os olhos um de o outro . - Varinhas preparadas ! - gritou Lockhart . - Quando eu disser três preparem os feitiços para desarmar o vosso opositor . Um ... dois ... três ... Harry levantou a varinha acima de o ombro , mas Malfoy começara logo em o « dois » : o seu feitiço apanhou Harry com tanta força que ele se sentiu como_se tivesse levado com uma frigideira em a cabeça . Tropeçou , mas ainda não estava fora de combate e , sem perder tempo , Harry apontou a varinha a Malfoy e gritou : - * _ Rictusempra ! * Um jacto de luz prateada atingiu Malfoy em o estômago , obrigando o a dobrar se , arfando . - Eu disse desarmar ! - gritava Lockhart sobre as cabeças de a multidão em lata , enquanto Malfoy caía de joelhos . Harry atingira o com o feitiço de as cócegas e ele mal conseguia mexer se para se rir . Harry hesitou com o vago sentimento de que seria pouco desportivo enfeitiçar Malfoy enquanto ele estava caído em o chão , mas ... foi um erro . Tentando respirar , Malfoy apontou a varinha a os joelhos de Harry , balbuciando : « * _ Tarantallegra ! * » e , um segundo depois , as pernas de o Harry tinham começado a mexer se , sem que ele pudesse controlá as , executando uma espécie de dança frenética . - Parem , parem - gritava Lockhart , quando Snape resolveu tomar controlo de a situação . - * _ Finite_Incantatem ! * - bradou . Os pés de o Harry pararam de dançar , Malfoy parou de rir e puderam olhar para_cima . Uma onda de fumo esverdeado pairava sobre todos eles . Neville e Justin estavam caídos em o chão , a arfar . Ron tentava fazer parar um Seamus com cara cor de cinza , pedindo lhe mil desculpas por o que a sua varinha partida eventualmente tivesse feito . Mas Hermione e Millicent_Bulstrode ainda não tinham acabado . Millicent tinha feito a Hermione uma prisão de cabeça e Hermione gritava de dor . As duas varinhas jaziam esquecidas em o chão . Harry deu um salto em frente e afastou Millicent . Não foi fácil , ela era bastante maior do_que ele . - Oh , gente ! - exclamou Lockhart , arrastando se por o meio de a multidão e olhando para os resultados de os duelos . - Vamos pôr de pé , Mcmillan ... cuidado , Miss_Fawcett ... belisque com força que pára logo de sangrar ... - Acho que o melhor é ensinar vos como bloquear feitiços pouco amigáveis - afirmou Lockhart que estava nervosíssimo em o meio de o salão . Olhou para Snape , cujos olhos pretos brilhavam e desviou rapidamente o olhar . - Vamos arranjar um par de voluntários . Longbottom e Finch - _ Fletchley , que tal serem vocês ? - Uma má ideia , professor Lockhart - disse Snape , deslizando como um morcego enorme e cruel . - Longbottom provoca devastação com o feitiço mais simples . Ainda temos de mandar o que restar de o Finch - _ Fletchley para a ala hospitalar dentro_de uma caixa de fósforos . - A cara redonda e rosada de Neville ficou ainda mais rosada . - Que tal o Malfoy e o Potter ? - sugeriu Snape com um sorriso retorcido . - Excelente ideia - disse Lockhart , fazendo sinal a os dois para que se aproximassem de o meio de o salão , enquanto a multidão recuava para lhes dar passagem . - Ouve bem , Harry - disse Lockhart . - Quando o Draco te apontar a varinha , tu fazes assim . Levantou a sua varinha , executando uma tentativa complicada de malabarismo e deixou a cair . Snape sorriu pretensiosamente , enquanto Lockhart a apanhava de o chão , dizendo : - Ups , a minha varinha está demasiado excitada . Snape aproximou se de Malfoy , inclinou se e disse lhe qualquer coisa a o ouvido . Malfoy sorriu também de forma afectada . Harry olhou , nervoso , para Lockhart e pediu : - Professor , podia mostrar me outra_vez aquela coisa para bloquear ? - Estás com medo ? - murmurou Malfoy baixinho , para que Lockhart não pudesse ouvir . - Querias ! - exclamou Harry por o canto de a boca . Lockhart deu um soco em o ombro de o Harry , em a brincadeira . - Basta que faças como eu fiz ! - O quê , deixar cair a varinha ? Mas Lockhart não estava a ouvir - Três , dois , um , zero ! - gritou . Malfoy levantou rapidamente a varinha a o ar e gritou : - * _ Serpensortia ! * A extremidade de a varinha explodiu . Harry viu , horrorizado , uma enorme serpente negra sair de ela , cair pesadamente em o chão a meio de os dois e erguer se disposta a atacar . Ouviram se gritos , enquanto a multidão se afastava , deixando o chão vazio . - Não te mexas , Potter - disse Snape vagarosamente , divertindo se claramente a ver Harry , parado , a olhar em os olhos a serpente . - Eu trato de ela ... - Permita me -- gritou Lockhart . Bramiu a varinha em direcção a a serpente e ouviu se um estoiro . A cobra , em_vez_de desaparecer , voou três metros acima de eles e voltou a cair em o chão com um estrondo enorme . Enraivecida , a sibilar de fúria , rastejou em direcção a Finch - _ Fletchley e pôs se de pé com os dentes a a mostra , pronta a atacar . Harry não soube ao_certo o que o levou a fazer aquilo . Não se lembrava sequer de ter tomado aquela decisão . Só soube que as pernas o fizeram avançar como_se tivesse rodas e que gritou a a serpente : - Larga o ! - E , milagrosa e inexplicavelmente , a serpente voltou a o chão , dócil como uma grande mangueira de jardim , preta e grossa , os olhos agora fixos em os olhos de Harry . Harry sentiu o medo a escoar se . Sabia que a cobra não atacaria mais ninguém , embora não pudesse explicar como sabia . Olhou para Justin a sorrir , esperando vê o aliviado , espantado , ou mesmo agradecido , mas nunca zangado ou assustado . - Que brincadeira é essa ? - gritou o outro e , antes que Harry tivesse tempo de dizer fosse o que fosse , voltou as costas e saiu de o salão . Snape deu um passo em frente , fez um gesto com a varinha e a serpente desapareceu em uma onda de fumo preto . Também ele , Snape , olhava para Harry de uma forma inesperada . Era um olhar arguto e calculista , de que Harry não gostou . Apercebeu se também vagamente de um murmúrio ameaçador que vinha de as paredes em volta . Depois , sentiu um puxão em a túnica . - Vamos - disse a voz de o Ron em o seu ouvido . - Mexe te , vá lá ... Ron arrastou o para fora de o salão . Hermione acompanhava os em a passada rápida . Quando cruzaram a porta , as pessoas que a rodeavam afastaram se , como_se tivessem medo de ser contagiadas . Harry não fazia a mais pequena ideia do_que estava a passar se e , nem Ron , nem Hermione lhe deram qualquer explicação , antes de o terem levado até a a sala comum de os Gryffindor , que se encontrava vazia . Aí , Ron empurrou Harry para uma cadeira de braços e disse : - Tu és um * serpentês * . Porque não nos disseste ? - Eu sou um quê ? - perguntou Harry . - Um * serpentês * ! - exclamou o Ron . - Falas com as cobras . - Eu sei - declarou Harry . - Quer_dizer , esta foi a segunda vez que o fiz . A outra foi há muito_tempo em o jardim zoológico , quando soltei uma Boa_Constrictor a o meu primo Dudley . É uma longa história , mas ela estava a dizer me que nunca tinha estado em o Brasil e eu acho que a libertei sem querer . Foi antes de saber que era feiticeiro . . . - Uma Boa_Constrictor disse te que nunca tinha estado em o Brasil ? - repetiu Ron , quase sem voz . - E então ? - disse o Harry . - Aposto que montes de pessoas aqui fazem o mesmo . - Não fazem , não - afirmou Ron . - Não é um dom muito frequente . Harry , isso é mau . - O que é_que é mau ? - perguntou Harry , que começava a ficar chateado . - O que é_que se passa com todos os outros ? Ouve bem , se eu não tivesse dito a aquela cobra para não atacar o Justin ... - Ah , foi isso que tu disseste ? - Que queres dizer ? Tu estavas lá , ouviste perfeitamente o que eu disse . - Eu ouvi te falar em serpentês - disse o Ron . - Língua de cobra . Podias estar a dizer lhe qualquer coisa . Não admira que o Justin tivesse entrado em pânico . Parecia que estavas a incitar a serpente . Foi assustador , sabes ? Harry olhou para ele espantado . - Eu falei uma língua diferente ? Mas não me apercebi , como posso falar uma língua , sem saber que a conheço ? Ron abanou a cabeça . Tanto ele como Hermione tinham um ar fúnebre . Harry não percebia o que havia em aquilo de tão trágico . - Será que me querem explicar o que há de mal em ter impedido que uma serpente enorme arrancasse a cabeça a o Justin ? - perguntou . - Porque é tão importante como o fiz , se evitei que o Justin fosse juntar se a grupo de os SEM_CABEÇA ? - Importa - disse por fim Hermione , em uma voz abafada . - Porque falar com serpentes era a arte por a qual Salazar_Slytherin ficou famoso . Por isso , o símbolo de os Slytherin é uma serpente . Harry ficou de boca aberta . - Exacto - disse o Ron . - E agora todos em a escola vão pensar que tu és descendente de ele . - Mas não sou - contrapôs Harry com um pânico que não conseguia explicar . - Não vai ser fácil prová o - disse Hermione . - Ele viveu há quase mil anos . Pelo que vimos , podias ser . Em essa noite , Harry ficou acordado durante horas . Por uma fresta de os cortinados de a cama de dossel , olhou para a neve que começava a cair de o lado de_fora de a janela de a torre e perguntou se se poderia ser descendente de Salazar_Slytherin . Afinal , não sabia nada de a família de o pai , os Dursley tinham sempre proibido qualquer pergunta sobre os seus familiares feiticeiros . Calmamente , tentou dizer qualquer coisa em * serpentês * , mas as palavras não saíam . Parecia que era necessário estar frente_a_frente com uma cobra para poder fazê o . Mas eu sou um Gryffindor , pensou Harry , o chapéu seleccionador não me poria aqui se eu tivesse sangue de Slytherin ... - Ah ! - disse uma vozinha dentro de o seu cérebro . - Mas o chapéu seleccionador queria pôr te em os Slytherin , não te lembras ? Harry deu voltas e voltas a a cabeça . Em o dia seguinte , quando visse Justin em a aula de herbologia explicaria lhe que estava a afastar a serpente , não a atiçá a o que , aliás , pensou zangado , dando vários socos em a almofada , qualquer idiota teria percebido . Contudo , em a manhã seguinte , a neve que começara a cair durante a noite , transformara se em uma tempestade tão espessa que a última aula de herbologia de o período foi cancelada : a professora Sprout queria tapar as mandrágoras com peúgas e cachecóis , uma operação arriscada que ela não confiava a ninguém agora_que era tão importante que as mandrágoras crescessem depressa e reabilitassem Mrs._Norris e Colin_Creevey . Junto de a lareira de a sala comum de os Gryffindor , Harry matutava sobre o que se passara enquanto Ron e Hermione aproveitavam o foro para jogar xadrez de feitiçaria . - Com os diabos , Harry - disse Hermione exasperada quando um bispo derrubou um de os cavaleiros de o cavalo , arrastando o para fora de o tabuleiro . - Vai falar com o Justin , se isso é assim tão importante para ti . Harry levantou se e saiu por o buraco de o retrato , perguntando a si próprio onde poderia estar o Justin . O castelo estava mais escuro do_que era habitual durante o dia por causa de a neve espessa e cinzenta que cobria as janelas . A tremer , Harry passou por as salas onde estava a haver aulas , captando lampejos do_que sucedia lá dentro . A professora Mc_Gonagall gritava com alguém que , segundo lhe parecia por o som , transformara o parceiro em um texugo . Resistindo a a tentação de dar uma espreitadela , Harry afastou se pensando que Justin poderia estar a utilizar o tempo de o furo para fazer algum trabalho e resolveu , por isso , ir até a a biblioteca . Um grupo de alunos de os Hufflepuff , que deveriam ter estado em Herbologia , encontrava se , de facto , sentado em as traseiras de a biblioteca , mas não parecia estar a trabalhar . Entre as fileiras de as estantes altas , Harry pôde ver as suas cabeças muito juntas em aquilo que deveria ser uma conversa absorvente . Não conseguia perceber se Justin estaria em o meio de eles . Ia para se aproximar quando apanhou em o ar uma frase e parou para ouvir melhor , escondido em a secção de a invisibilidade . - Portanto - dizia um rapaz corpulento - eu disse a o Justin para se esconder em o nosso dormitório . Isto_é , se o Potter o escolheu como próxima vítima é melhor que ele tenha um * low profile * durante algum tempo . É claro que o Justin já estava a a espera que alguma coisa de o género acontecesse desde_que lhe escapou em uma conversa com o Potter que era filho de Muggles . O Justin disse lhe , inclusivamente , que tinha estado inscrito em Eton . Não é o tipo de coisa que se ande a dizer com o herdeiro de Slytherin a a solta por aí . - Achas mesmo_que é o Potter , Ernie ? - perguntou uma rapariga de tranças loiras , ansiosamente . - Hannah - disse com solenidade o rapaz corpulento . - Ele é um serpentês . Todos sabem que essa é a marca de um feiticeiro negro . Alguma vez ouviste falar de um feiticeiro decente que falasse com as cobras ? O Slytherin era conhecido por « Língua de serpente . . Houve alguns murmúrios antes de Ernie prosseguir : - Lembram se do_que estava escrito em a parede ? * _ Inimigos de o herdeiro , cuidado ! * . O Potter teve que ir a o gabinete de o Filch . E o que é_que acontece a seguir ? A gata de o Filch é atacada . O aluno de o primeiro ano , Creevey , estava a aborrecê o em a partida de Quidditch , a tirar lhe fotografias quando ele estava caído em a lama . E o que é_que acontece a seguir ? Creevey é atacado . - Mas ele parece sempre ser tão simpático - disse Hannah , cheia de dúvidas . - E , bem , foi ele que fez com que o Quem nós sabemos desaparecesse . Não pode ser assim tão mau , pois não ? Ernie baixou misteriosamente a voz . Os Hufflepuff inclinaram se mais uns para os outros e Harry aproximou se para conseguir apanhar as palavras de o Ernie . - Ninguém sabe como ele sobreviveu a aquele ataque de o Quem nós sabemos e , afinal , ainda era um bebé quando aquilo aconteceu . Era para ter explodido feito em estilhaços . Só um feiticeiro negro verdadeiramente poderoso teria sobrevivido a uma maldição de aquelas . - Baixou ainda mais a voz até esta ficar reduzida a um leve murmúrio e disse : - Talvez fosse por isso que o Quem nós sabemos o queria matar , para não ter outro feiticeiro negro a competir com ele . Gostava de saber que outros poderes ocultos terá o Potter . Harry não aguentou mais . Pigarreou alto e saiu detrás de as estantes . Se não estivesse tão zangado teria conseguido ver o lado cómico de a situação : cada_um de os Hufflepuff olhava para ele como_se tivesse sido petrificado , e a cor desaparecera de a cara de o Ernie . - Olá - disse Harry . - Estou a a procura de o Justin_Finch - _ Fletchley . Os piores receios de os Hufflepuff tinham se concretizado . Olharam apavorados para o Ernie . - O que queres de ele ? - perguntou Ernie em uma voz sumida . - Explicar lhe o que aconteceu com aquela cobra em o clube de os duelos - disse Harry . Ernie mordeu os lábios brancos e , em seguida , respirando fundo , respondeu : - Estávamos lá todos . Vimos o que aconteceu . - Então viram que depois de eu falar a serpente recuou - disse Harry . - O que eu vi - insistiu teimosamente Ernie , apesar_de tremer a cada palavra que proferia - foi tu a falares serpentês e a atiçares a cobra conta o Justin . - Eu não a aticei - gritou Harry enraivecido . - Ela nem lhe tocou . - Falhou por_pouco - disse Ernie . - E , para o caso de estares com ideias - acrescentou com má cara - posso dizer te que a minha família provem de nove gerações de bruxas e feiticeiros e que o meu sangue é tão puro como o de qualquer feiticeiro , portanto ... - Quero lá saber qual é o teu sangue - disse Harry furioso . - Porque iria eu atacar os filhos de os Muggles ? - Ouvi dizer que detestas os Muggles com quem vives - disse Ernie rapidamente . - Não é possível viver com os Dursley sem os detestar - explicou Harry . - Gostava de te ver lá em casa . Girou sobre os calcanhares e saiu furioso de a biblioteca sob o olhar reprovador de Madam_Prince que limpava a capa dourada de um enorme livro de encantamentos . Harry avançou a as cegas por os corredores , quase sem ver por_onde ia de tão furioso que estava . O resultado foi chocar com algo enorme e sólido que o fez recuar e cair a o chão . - Ah ! Olá , Hagrid - disse , olhando para_cima . Hagrid tinha o rosto completamente tapado com um lenço coberto de neve , mas não podia ser mais ninguém , enchendo assim o corredor dentro de o seu sobretudo de pele de toupeira . De uma de as enormes mãos enluvadas , pendia um galo morto . - Tudo bem , Harry ? - perguntou , afastando o lenço para poder falar . - Porque não estás em a aula ? - Foi cancelada - disse Harry , pondo se de pé . - O que estás a fazer aqui ? Hagrid mostrou lhe o galo inerte . - É o segundo qu'aparece morto este período - explicou . - Ou são raposas ou um vampiro chato e eu preciso d'autorização de o director p'ra fazer um feitiço em volta de a capoeira . Aproximou se e olhou mais de perto para o Harry , por debaixo de as suas sobrancelhas espessas e cheias de neve . - Tens a certeza que estás bem ? Pareces exaltado e preocupado . Harry não foi capaz de repetir o que Ernie e os outros Hufflepuff lhe tinham dito . - Não é nada , tenho de ir , Hagrid . A próxima aula é Transfiguração e preciso de ir buscar os meus livros . Afastou se , a cabeça cheia com tudo_o_que Ernie dissera a seu respeito . « * _ O_Justin já estava d espera que uma coisa de o género acontecesse desde_que deixou escapar , falando com o Potter , que era filho de Muggles * ... » Harry subiu as escadas a correr e entrou por um corredor que estava particularmente escuro . As tochas tinham sido apagadas por uma ventania gelada que entrava por uma janela de fecho estragado . Estava a meio de o corredor quando tropeçou em uma coisa que se encontrava em o chão . Olhou para ver o que era e sentiu como_se o estômago se tivesse dissolvido . Justin_Finch - _ Fletchley estava em o chão , rígido e frio com uma expressão de horror em o rosto e os olhos abertos voltados para o tecto . E não era tudo . Junto de ele estava mais alguém , a visão mais estranha que Harry tivera em toda_a sua vida . Era_o_Nick quase sem cabeça que não estava cor de pérola nem transparente e sim escuro como fumo . Flutuava imóvel , em a horizontal , 12 centímetros acima de o chão , a cabeça meio tombada e em o rosto uma expressão de choque idêntica a a de o Justin . Harry pôs se de pé com a respiração acelerada e o coração a bater como um tambor contra as costelas . Olhou desvairado para ambos os lados de o corredor deserto e viu uma fila de aranhas que corriam a_toda_a velocidade em a direcção oposta a a de os corpos . Os únicos sons eram as vozes abafadas de os professores em as aulas que decorriam de ambos os lados . Podia fugir e ninguém saberia que ali tinha estado , mas não era capaz de os abandonar assim . Tinha de ir procurar ajuda . Será que alguém acreditaria que ele não tivera nada que ver com aquilo ? Enquanto ali estava , em pânico , uma porta a o seu lado abriu se com grande estrondo . Peeves , o * poltergeist * , saiu a os gritos . - Oh ! É o Potter , olá , Potter - alardeou Peeves , lançando por o ar os óculos de o Harry quando passou por ele . - O que está o Potter a fazer ? Porque está o Potter escondido ? Peeves passou de cabeça para baixo , a meio de uma cambalhota em o ar , quando viu Justin e Nick quase sem cabeça . Com um movimento súbito endireitou se , encheu os pulmões de ar e , antes que Harry pudesse impedi o , gritou : __ ataque ! ataque ! outro ataque ! nenhum mortal ou fantasma está em segurança . corram , fujam , __ ataaaque ! Crac , Crac , Crac . Uma atrás de a outra , foram se abrindo todas_as portas a o longo de o corredor e as pessoas saíram para fora de as salas de aula . Durante alguns longos minutos houve uma tal confusão que Justin esteve em perigo de ser esmagado e as pessoas não paravam de chocar com o Nick quase sem cabeça . Harry deu por si colado a a parede enquanto os professores exigiam a os gritos que se fizesse silêncio . A professora Mc_Gonagall veio a correr , seguida por todos os alunos , um de os quais ainda trazia o cabelo a as riscas pretas e brancas . Usou a varinha para produzir um ruído que repôs o silêncio e mandou os alunos todos para dentro de as salas de aula . Mal lugar ficou desimpedido surgiu Ernie , o jovem Hufflepuff . - * _ Apanhado em flagrante ! * - gritou , com o rosto totalmente branco , apontando dramaticamente o dedo par Harry . - Basta_Mcmillan - disse , de forma cortante , a professora Mc_Gonagall . Peeves andava para_cima e para baixo , observando a cena com um sorriso maldoso . Sempre adorara o caos . Quando os professores se inclinaram sobre Justin e sobre o Nick quase sem cabeça para os examinar , iniciou uma cantilena : * _ Oh ! Potter , que fizeste , seu grande bandido * _ Tu matas os estudantes porque achas divertido . * - Basta , Peeves - rosnou a professora Mc_Gonagall e Peeves afastou se , deitando a língua de_fora a o Harry . Justin foi levado para a ala hospitalar por o professor Flitwick e por o professor Sinistra_do_Departamento_de_Astronomia , mas ninguém parecia saber o que fazer em relação a o Nick quase sem cabeça . Por fim , a professora Mc_Gonagall fez aparecer em o ar um enorme leque que entregou a Ernie com o encargo de conduzir , escadas acima , por os ares o Nick quase sem cabeça . Ernie assim fez , soprando Nick como_se fosse um aerodeslizador e deixando , de este modo , o Harry e a professora Mc_Gonagall a sós . - Por aqui , Potter - disse ela . - Professora , eu juro que não ... - Isso não é comigo , Potter - afirmou a professora Mc_Gonagall sinteticamente . Caminharam em silêncio até uma esquina e ela parou perante uma gárgula de pedra extremamente feia . - Refresco de limão - disse . Era obviamente uma senha porque a gárgula animou se subitamente e saltou para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes . Apesar_de estar apavorado com o que ia acontecer a seguir , Harry não conseguiu evitar um sentimento de fascínio . Por detrás de a parede estava uma escada em espiral que se movia lentamente para_cima como um elevador . E quando ele e a professora Mc_Gonagall puseram os pés em o primeiro degrau , Harry ouviu a parede fechar se atrás de eles . Subiram em círculos , cada_vez_mais alto até que , por fim , um_pouco tonto , Harry pôde ver uma porta de carvalho reluzente com um puxador de bronze em forma de abutre . Harry calculava onde estava a ser levado . Devia ser ali que morava Dumbledore . XII_A poção * polisuco * Saltaram de a escada de pedra lá mesmo em cima e a professora Mc_Gonagall bateu a a porta . Ela abriu se silenciosamente dando lhes entrada . A professora Mc_Gonagall disse lhe que esperasse e deixou o sozinho . Harry olhou em volta . Uma coisa era certa : de todos o escritórios de professores que conhecia , o de Dumbledor era , de longe , o mais interessante . Se não estivesse com um medo de morte de ser expulso teria adorado explorá o . Era uma sala grande e bonita em forma de círculo que estava cheia de barulhinhos estranhos . Havia um grande número de instrumentos prateados sobre várias mesas de pernas finas que zumbiam emitindo pequenas baforadas de fumo . As paredes estavam cobertas de fotografias de antigos directores e directoras , todos eles a dormir tranquilamente em as suas molduras . Havia ainda uma enorme secretária pés de garra . E , sobre uma prateleira atrás de ela , um chapéu de feiticeiro andrajoso e puído : * o chapéu seleccionador * . Harry hesitou . Lançou um olhar cauteloso a as bruxas e feiticeiros adormecidos a o longo de as paredes . Com certeza não fazia mal se lhe pegasse e o experimentasse só para ver ... só para ter a certeza de que ele o pusera em a equipa certa . Deu a volta a a secretária , retirou o chapéu de a prateleira e baixou o lentamente sobre a cabeça . Era demasiado grande e escorregou lhe para os olhos como de a outra_vez que o tinha posto . Harry olhou para o forro preto , enquanto esperava . Por fim , uma vozinha disse lhe a o ouvido : - Estás com macaquinhos em o sótão , Harry_Potter ? - Er ... sim - balbuciou Harry . - Er ... desculpa incomodar te , queria saber ... - Querias saber se te pus em a equipa certa - disse prontamente o chapéu . - Sim ... tu és particularmente difícil de seleccionar , mas eu mantenho o que disse antes . - O coração de Harry deu um salto . - Terias ficado bem em os Slytherin . Harry sentiu o estômago contorcer se . Agarrou o chapéu por a aba e tirou o de a cabeça . O chapéu seleccionador ficou pendurado em a mão de ele , inerte , desbotado e sujo . Harry voltou a pô o em a prateleira , sentindo se enjoado . - Estás enganado ! - disse em voz alta a o chapéu parado e silencioso , mas ele não se mexeu . Harry recuou para o observar melhor e foi então que ouviu um ruído estranho e grasnado atrás_de si que o fez dar uma volta . Não estava só , afinal_de_contas . Em um poleiro dourado atrás de a porta estava um pássaro de aspecto decrépito que parecia um peru meio depenado . Harry olhou para ele espantado e o pássaro olhou o também , grasnando de_novo . Harry achou que ele devia estar muito doente porque tinha os olhos parados e , enquanto olhava para ele , caíram lhe mais algumas penas de a cauda . Estava justamente a pensar que a única coisa que lhe faltava era que o pássaro de estimação de Dumbledore morresse quando ele estava ali sozinho com ele , em o escritório , quando a ave se incendiou . Harry gritou , em estado de choque , e recuou até a a secretária . Olhava nervosamente em volta , em busca de um jarro de água , mas não viu nenhum . O pássaro , entretanto , transformara se em uma bola de fogo , dera um guincho e , em seguida , desaparecera , deixando apenas um monte de cinzas em o chão . A porta de o escritório abriu se . Dumbledore entrou com ar taciturno . - Professor - gaguejou Harry . - O seu pássaro ... eu não pode fazer nada ... ele incendiou se . Para seu grande espanto , Dumbledore sorriu . - Já não era sem tempo . Estava com um aspecto horrível em os últimos dias . Fartei me de lhe dizer que fizesse qualquer coisa . Riu se entre dentes com a expressão em o rosto de Harry . - A Fawkes é uma fénix , Harry . As fénix ardem quando é altura de morrer e renascem de as cinzas , repara ... Harry olhou mesmo a_tempo_de ver um passarinho recém-nascido , todo enrugado , espetar a cabeça fora de as cinzas . Era quase tão feio como o antigo . - É uma pena que a tenhas conhecido em dia de arder - disse Dumbledore , passando para trás de a secretária . - É muito bonita a maior parte de o tempo , com uma plumagem vermelha e dourada . São criaturas fascinantes , as fénix . Podem transportar cargas pesadíssimas , as suas lágrimas têm propriedades curativas e são animais de estimação extremamente fiéis . Com o choque de a fénix a pegar fogo , Harry esquecera se de o motivo porque ali estava , mas tudo voltou rapidamente quando Dumbledore se instalou em a cadeira de espaldar alto e o fixou com os seus olhos azuis e penetrantes . Contudo , antes que ele tivesse tido tempo de falar , a porta de o escritório abriu se de par em par com um enorme estrondo e Hagrid entrou com um olhar tresloucado , o lenço todo torcido em volta de a cabeça hirsuta e o galo morto ainda pendurado em a mão . - Não foi Harry , professor Dumbledore - disse , aflito . - Eu tinha estado a falar com ele poucos segundos antes de o rapazinho ser encontrado , ele não teve tempo professor ... Dumbledore tentou dizer qualquer coisa , mas Hagrid continuou , abanando o galo em o meio de a sua agitação e espalhando penas por todo o lado . - Não pode ter sido ele . Eu juro em a frente de o ministro de a magia , se for preciso ... - Hagrid , eu ... -- Tem o rapaz errado , professor . Eu sei qu'o Harry nunca ... - Hagrid - disse Dumbledore , elevando a voz . - Eu não penso que o Harry tenha atacado aquelas pessoas . - Oh ! - disse Hagrid , com o galo pendendo inerte a o seu lado . - Certo , ' tão eu espero lá fora , director . E saiu com ar envergonhado . - O senhor não acha que tenha sido eu ? - repetiu Harry cheio de esperança , enquanto Dumbledore sacudia penas de galo de cima de a secretária . - Não , Harry , não acho - afirmou Dumbledore , apesar de a sua expressão ser de_novo sombria . - Mas mesmo_assim quero falar contigo . Harry esperou ansiosamente enquanto o director o observava com as pontas de os dedos longos unidas . - Tenho de saber uma coisa . Harry , há alguma pergunta que queiras fazer me , qualquer que ela seja ? Harry não soube o que dizer . Lembrou se de Malfoy a gritar * _ Vocês serão os próximos , sangues de lama * e de a poção * _ Polisuco * em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Depois pensou em a voz sem corpo que ouvira duas vezes e em o que o Ron dissera * _ Ouvir vozes que ninguém mais ouve não é bom sinal , nem mesmo em o mundo de a feitiçaria * . Pensou também em o que toda_a_gente dizia de ele e em o receio cada_vez maior de ter uma relação qualquer com Salazar_Slytherin ... - Não - disse por fim . - Não há nada , professor . O ataque duplo a Justin e a o Nick quase sem cabeça transformou o que até_então era nervosismo em verdadeiro pânico . Curiosamente fora o destino de o Nick quase sem cabeça o que mais preocupara as pessoas . Quem poderia ter feito aquilo a um fantasma ? - perguntavam uns a os outros . - Que poder terrível era aquele , capaz de afectar alguém que já tinha morrido ? Houve uma precipitação enorme em a marcação de os bilhetes em o Expresso_de_Hogwarts , pois todos os alunos quiseram ir passar o Natal a casa . - Por este caminho , vamos ser os únicos a ficar - disse o Ron a o Harry e a a Hermione . - Nós , o Malfoy , o Goyle e o Crabbe , que férias lindas que vão ser ! Crabbe e Goyle que faziam sempre o que Malfoy fazia , tinham se inscrito para ficar também durante as férias . Mas Harry estava contente por a maior parte se ir embora . Estava farto de ver gente a afastar se em os corredores como_se ele fosse mostrar os dentes ou cuspir veneno . Estava cansado de tantos segredinhos , de os ver apontar e segredar quando passava . O Fred e o George , esses achavam muito divertido . Vinham , de propósito , pôr se a a frente de ele e atravessavam os corredores a gritar : - Abram alas para o herdeiro de Slytherin , vai passar um feiticeiro verdadeiramente cruel . Percy discordava totalmente de este comportamento . - Não é um assunto para se brincar - dizia com frieza . - Sai mas é de o caminho , Percy - dizia o Fred . - O Harry está com pressa . - Sim , ele vai a a Câmara_dos_Segredos tomar uma chávena de chá com o seu servidor dentes de serpente - completava Fred com uma gargalhada . Ginny também não lhes achava graça . - Cala te - gritava ela sempre_que o Fred perguntava em voz alta a o Harry quem estava a pensar atacar a seguir , ou quando George fingia afastá o com um enorme dente de alho . Harry não se importava . Fazia o sentir se melhor o facto de constatar que , pelo_menos para o Fred e para o George , a ideia de ele ser o herdeiro de Slytherin era absolutamente ridícula . Mas as palhaçadas de eles pareciam ofender Draco_Malfoy que , de cada_vez que os via , ficava mais irritado . - É porque está ansioso por dizer que é mesmo ele - disse o Ron com ar conhecedor . - Sabes como ele detesta que alguém o ultrapasse e tu estás a receber todo o crédito por o seu trabalho sujo . - Não vai ser por muito_tempo - disse Hermione com uma voz satisfeita . - A poção * polisuco * está quase pronta . Um de estes dias arrancamos lhe a verdade . Finalmente , o período chegou a o seu termo e um silêncio profundo como a neve em os campos desceu sobre o castelo . Harry adorou a tranquilidade e apreciou o facto de ele , Hermione e os Weasley terem a torre de os Gryffindor por sua conta , poderem jogar a as explosões bem alto , sem incomodar ninguém e praticar duelos entre si . O Fred , o George e a Ginny tinham preferido ficar em a escola a ir com Mr. e Mrs._Weasley a o Egipto visitar o Bill . Percy que reprovava e considerava infantil a conduta de eles , não passava muito_tempo em a sala comum de os Gryffindor . Já lhes dissera pomposamente que só ficara ali em o Natal , por ser sua obrigação como prefeito apoiar os professores em aquela época agitada . A manhã de o dia de Natal clareou branca e fria . Harry e Ron , os únicos que estavam em o dormitório , foram acordados muito cedo por Hermione que entrou , toda vestida , transportando presentes para ambos . - Acordem - disse em voz alta , abrindo os cortinados . - Hermione , tu não devias estar aqui - exclamou o Ron , protegendo os olhos de a luz . - Feliz_Natal para ti também - disse Hermione , atirando lhe o presente que tinha para ele . - Estou acordada há quase uma hora , acrescentando mais asas de renda a a poção . Está pronta . Harry sentou se , subitamente acordado . - Tens a certeza ? - Absoluta - disse ela , afastando o rato Scrabbers para se sentar a os pés de a cama de dossel . - Se vamos mesmo tomá a , acho que devia ser logo a a noite . Em esse momentzo , a Hedwig entrou em o quarto , transportando em o bico um embrulho pequenino . - Olá - disse Harry , feliz a o vê a aterrar em a sua cama . - Já me falas outra_vez ? Ela mordiscou lhe a orelha de uma forma afectuosa que foi , de longe , um presente melhor do_que aquele que transportava e que era afinal de os Dursley . Tinham mandado a Harry um palito para os dentes com um cartão pedindo lhe que se informasse se não poderia ficar , também em o Verão , em Hogwarts . Os outros presentes que Harry recebeu foram bastante melhores . Hagrid mandara lhe uma lata grande de bombons de melaço que ele decidiu amolecer a o lume antes de comer , o Ron deu lhe um livro chamado * _ Voando com Canhões * , que narrava factos interessantes sobre a sua equipa favorita de Quidditch e Hermione trouxera lhe uma luxuosa pena de águia . Harry abriu o último presente onde vinha uma camisola novinha , feita a a mão por Mrs._Weasley e um grande bolo de passas . Pegou em o cartão com uma nova sensação de culpa , pensando em o carro de Mr._Weasley que não voltara a ser visto desde_que chocara contra o salgueiro zurzidor e em a quantidade de infracções que ele e o Ron tinham em mente . Ninguém , nem mesmo os que estavam cheios de medo por terem de tomar a poção * polisuco * a seguir , deixou de adorar o jantar de Natal em Hogwarts . O salão nobre estava magnífico . Não_só havia uma_dúzia de árvores de Natal , cobertas de geada e espessas serpentinas de azevinho e visco bravo cruzando se junto de o tecto como caia uma neve encantada quente e seca . Dumbledore conduziu os em uma de as suas canções de Natal preferidas enquanto Hagrid se agitava , falando cada_vez_mais alto , a cada gole de gemada que tomava . O Percy que não dera por_que Fred enfeitiçara o seu distintivo de prefeito , onde agora podia ler se « cabeça de alfinetes « , continuava a perguntar a todos para_onde estavam a olhar . Harry nem_sequer se importou com os comentários que Draco_Malfoy fazia bem alto , de a mesa de os Slytherin acerca de a sua camisola nova . Com alguma sorte , Malfoy iria ser desmascarado dentro_de algumas horas . Harry e Ron mal tinham acabado a terceira dose de pudim de Natal quando Hermione os fez sair de o salão a a pressa para acabarem de tratar de os planos para essa noite . - Ainda precisamos de um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos - disse com o ar mais natural de este mundo como_se estivesse a mandá os a o supermercado comprar detergente . - E , é claro que o ideal será conseguirmos alguma coisa de o Crabbe e de o Goyle , são os melhores amigos de o Malfoy , ele conta lhes tudo . E precisamos também de ter a certeza de que eles não vão entrar em a sala quando vocês estiverem a interrogar o Malfoy . - Eu tenho tudo pensado - prosseguiu ela , ignorando a expressão estupefacta de Harry e Ron . Pegou em dois apetitosos bolos de chocolate . - Pus lhes um encantamento de sono . Vocês só têm de fazer com que o Crabbe e o Goyle os encontrem . Sabem como eles são gulosos , vão logo comê os . Quando estiverem a dormir , tirem lhes alguns cabelos e escondam nos em uma despensa de vassouras . Harry e Ron olharam , incrédulos , um para o outro . -- Hermione , eu não creio que ... -- Isto pode correr muito mal ... Mas Hermione tinha um brilho inflexível em os olhos que não era muito diferente do_que costumavam ver em o olhar de a professora Mc_Gonagall . - A poção não nos serve de nada sem os cabelos de o Crabbe e de o Goyle - disse com firmeza . - Vocês querem mesmo descobrir coisas sobre o Malfoy , não querem ? - Pronto , está bem - disse Harry . - Mas , e tu , vais arranjar cabelos de quem ? - Eu já tenho esse assunto resolvido - disse Hermione sorridente , tirando um frasquinho de o bolso e mostrando lhes um cabelo que lá estava dentro . - Lembram se de a Millicent_Bulstrode que lutou comigo em o clube de os duelos ? Ela deixou isto em o meu manto quando tentava estrangular me . E foi passar o Natal a casa , portanto , basta me dizer a os Slytherins que decidi voltar . Quando Hermione saiu para verificar de_novo a poção polisuco , Ron voltou se para Harry com uma expressão lúgubre . - Alguma vez viste um plano onde tantas coisas pudessem correr mal ? Mas para grande espanto de ambos , a primeira fase de a operação decorreu tão naturalmente como Hermione previra . Eles esconderam se em o * hall * de entrada , depois de o lanche de Natal , a a espera de o Crabbe e de o Goyle que tinham ficado sozinhos a a mesa de os Slytherin , deitando abaixo a quarta dose de bolo inglês . Harry colocou os bolos de chocolate em o fim de o corrimão . Quando avistaram Crabbe e Goyle a sair de o salão , Harry e Ron esconderam se rapidamente atrás_de uma armadura que estava junto de a porta de entrada . - Como_se pode ser tão estúpido ? - murmurou Ron sem se mexer enquanto Crabbe apontava satisfeitíssimo , mostrando a Goyle os bolos e agarrando os . Com um riso estúpido , enfiaram nos inteiros em as bocas enormes . Durante um momento , ambos mastigaram avidamente com olhares vitoriosos em o rosto . Depois , sem que a expressão se alterasse , caíram para trás e estatelaram se em o chão . Mais difícil foi transportá os para a despensa de o outro lado de o * hall * . Uma_vez armazenados em o meio de os baldes e esfregões , Harry arrancou alguns de os pêlos que cobriam a cabeça de o Goyle e Ron tirou alguns cabelos a o Crabbe . Roubaram lhes também os sapatos porque os de eles eram demasiado pequenos para os enormes pés de o Crabbe e de o Goyle . Em seguida , ainda atordoados com o que tinham acabado de fazer , correram até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mal conseguiam ver com o fumo preto e espesso que saía de o cubículo onde Hermione mexia o caldeirão . Tapando o rosto com os mantos , Harry e Ron bateram a o de leve em a porta . - Hermione ? Ouviram o ruído de o trinco e Hermione apareceu com a cara lustrosa e um ar ansioso . Por trás de ela ouviam o gloop gloop de a poção espessa e gorgolejante . Em o banco de a casa_de_banho estavam três copos de vidro . - Conseguiram ? - perguntou Hermione quase sem fôlego . Harry mostrou lhe o cabelo de o Goyle . - _ óptimo . Eu tirei estes mantos suplementares de a lavandaria - disse ela , pegando em uma pequena saca . - Vocês vão precisar de tamanhos maiores se vão ser o Crabbe e o Goyle . Olharam os três para o caldeirão . Vista de perto , a poção parecia uma lama espessa e escura a borbulhar indolentemente . - Tenho a certeza que fiz tudo certo - disse Hermione nervosa , relendo a página manchada de * _ Moste_Potente_Potions * . - Tem o aspecto que o livro diz que deveria ter ... depois de a tomar temos precisamente uma hora antes de nos transformarmos de_novo em as pessoas que somos . - E agora ? - murmurou o Ron . - Separamos a em três copos e adicionamos os cabelos . Hermione encheu cada_um de os copos com uma concha de sopa . Em seguida , retirou com a mão a tremer o cabelo de Millicent_Bulstrode de dentro de o frasquinho e pô o em o primeiro copo . A poção chiou fortemente como uma chaleira a ferver e espumou como louca . Um segundo depois ganhara um tom de amarelo doentio . - Urgh ! Essência_de_Millicent_Bulstrode - disse Ron , olhando com repugnância . - Aposto que o sabor é nojento . - Deitem os vossos - disse Hermione . Harry deixou cair o cabelo de o Goyle em o copo de o meio e Ron lançou o de o Crabbe em o último . Ambos chiaram e espumaram : o de o Goyle ficou de um tom caqui , o de o Crabbe de um castanho-escuro algo tenebroso . - Esperem - pediu Harry quando Ron e Hermione pegaram em os copos . - Será melhor não os tomarmos aqui todos juntos em um cubículo ; quando em os transformarmos não vamos cá caber e Millicent_Bulstrode não é nenhum duende . - Bem pensado - admitiu o Ron , abrindo a porta . - Cada_um em seu cubículo . Com todo o cuidado , para não entornar nem uma gota de a poção polisuco , Harry esgueirou se para o cubículo de o meio . - Prontos ? - perguntou . - Prontos - responderam as vozes de o Ron e de a Hermione . - Um , dois , três . Tapando o nariz , Harry bebeu a poção em dois grandes tragos . Tinha o sabor de a couve demasiado cozida . Os seus interiores começaram imediatamente a contorcer se como_se tivesse engolido serpentes vivas . Dobrado , Harry perguntava a si próprio se iria vomitar . Depois , uma sensação de ardor espalhou se rapidamente de o estômago até a as pontas de os dedos de as mãos e de os pés . Em seguida , fazendo o sobressaltar se , sobreveio o sentimento horrível de estar a derreter enquanto a pele de todo o seu corpo borbulhava como cera quente e , perante os seus olhos , as mãos começaram a crescer , os dedos a engrossar , as unhas a alargar e as articulações a tornarem se protuberantes como ferrolhos . Os ombros retesaram se dolorosamente e uma comichão em a testa preveniu o de que o cabelo estava a rastejar em direcção a as sobrancelhas . As túnicas rasgaram se enquanto o tórax se expandia como um barril , rebentando com os seus anéis . Os pés estavam em grande sofrimento dentro_de sapatos quatro números abaixo . Tão depressa como começara , tudo parou . Harry estava caído em o chão de pedra fria , ouvindo a Murta_Queixosa gorgolejando taciturna em o cubículo de o fundo . Com alguma dificuldade tirou os sapatos e levantou se . Era então assim que o Goyle se sentia ! Com a mão enorme a tremer , despiu a sua túnica que lhe ficava 30 centímetros acima de os tornozelos , pegou em as túnicas suplementares e amarrou os atacadores de os sapatos abotinados de o Goyle . Quis escovar o cabelo para o afastar um_pouco de os olhos e deu apenas com os pêlos hirsutos que lhe cresciam em a testa . Apercebeu se então de que os óculos lhe toldavam a visão porque o Goyle , obviamente , não precisava de eles . Tirou os e gritou . - Vocês estão bem ? - De a sua boca saiu a voz baixa e grossa de o Goyle . - Sim - respondeu lhe o grunhido de o Crabbe , a a sua direita . Harry abriu a porta de o cubículo e dirigiu se a o espelho partido . O Goyle olhava o de o outro lado com os seus olhos parados . Harry coçou a orelha e Goyle fez o mesmo . A porta de o Ron abriu se . Olharam um para o outro . Harry estava pálido e chocado . O amigo não se distinguia de o Crabbe , desde o corte de cabelo em forma de tigela até a os longos braços de gorila . - É inacreditável - disse o Ron , aproximando se de o espelho e beliscando o nariz achatado de o Crabbe . - Inacreditável ! - É melhor irmos indo - disse Harry , alargando a pulseira de o relógio que lhe cortava o pulso . - Ainda temos de descobrir onde fica a sala comum de Slytherin . Só espero que encontremos alguém que vá para lá e que nós possamos seguir . Ron que tinha estado a olhar espantado para ele , comentou : - Não imaginas como é bizarro ver o Goyle a pensar - bateu em a porta de Hermione . - Vamos , temos que ir ... Respondeu lhe uma voz aguda : - Eu ... eu acho que afinal não vou . Vão vocês sem mim . - Hermione , nós sabemos que a Millicent_Bulstrode é feia , ninguém vai pensar que és tu . - Não , a sério , acho que não vou . Despachem se vocês os dois , estão a perder tempo . Harry olhou para Ron , baralhado . - Aquilo parece mais de o Goyle , é como ele fica sempre_que algum professor lhe faz uma pergunta . - Estás bem , Hermione ? - perguntou Harry , através de a porta . - _ óptima , estou óptima , vão se embora . Harry olhou para o relógio . Cinco preciosos minutos tinham já passado . - Encontramo nos aqui , está bem ? - disse . Os dois abriram a porta de a casa_de_banho com todo o cuidado , viram se o caminho estava livre e saíram . - Não balances assim os braços - disse o Harry a o Ron . - Hein ? - O Crabbe anda sempre com eles esticados . - Assim ? - Isso , assim está melhor . Desceram a escadaria de mármore . Só precisavam agora de um Slytherin que pudessem seguir até a a sala comum , mas não havia ninguém por perto . - Tens alguma ideia ? - perguntou Harry em um murmúrio . - Os Slytherin vêm sempre de ali para o pequeno-almoço - disse o Ron , apontando para a entrada de os calabouços . Mal tinha pronunciado estas palavras quando uma rapariga de cabelo comprido a os caracóis , apareceu . - Desculpa - disse o Ron , sem perder tempo . - Esquecemo nos de o caminho para a nossa sala comum . - Como ? - disse a rapariga com a maior frieza . - A * nossa * sala comum ? Eu sou uma Ravenclaw . Afastou se , olhando para eles , desconfiada . Harry e Ron desceram apressadamente os degraus de pedra até a a escuridão . Os passos ecoavam em o silêncio , à_medida_que os pés enormes de Crabbe e Goyle tocavam em o chão , fazendo os sentir que as coisas não iam ser tão fáceis como eles desejavam . Os corredores labirínticos estavam desertos . Andaram e tornaram a andar por os subterrâneos , olhando constantemente para os relógios para ver quanto tempo ainda lhes restava . Depois de um quarto de hora , quando começavam a ficar desesperados , ouviram um movimento súbito . - Olha - disse o Ron , agitadamente . - Agora é um de eles . A silhueta saía de uma sala , mas quando se aproximaram o coração de ambos esmoreceu . Não era um Slytherin , era Percy . - O que estás a fazer aqui em baixo ? - perguntou o Ron surpreendido . - Isso - disse ele friamente - não é de a tua conta . És o Crabbe , não és ? - Er ... sim , sim - respondeu o Ron . - Então vão para o vosso dormitório - ordenou Percy com firmeza . - Não é seguro andar a passear por os corredores escuros em os dias que correm . - Tu andas -- fez notar o Ron . - Eu - disse o Percy endireitando se - sou um prefeito . Nada vai atacar me . Ouviu se , de repente , uma voz por_detrás_de Harry e Ron . Era_Draco_Malfoy e , pela_primeira_vez em a vida , Harry ficou satisfeito a o vê o . - Aí estão vocês - disse de modo arrastado , olhando para eles . - Têm estado a chafurdar em o salão este tempo todo ? Tenho andado a a vossa procura , quero mostrar vos uma coisa muito divertida . Malfoy olhou misteriosamente para Percy . - E o que fazes tu aqui , Weasley ? - perguntou com ar de desprezo . Percy olhou , sentindo se ultrajado . - Fazes favor de mostrar um_pouco mais de respeito por um prefeito de a escola - disse . - Não gosto de o teu ar . Malfoy riu se e fez sinal a o Harry e a o Ron para que o seguissem . Harry quase ia pedindo desculpa a o Percy , mas deu se conta a tempo . Apressaram se a seguir o Malfoy que disse , mal viraram em o corredor seguinte : - Aquele Peter_Weasley ... - O Percy - corrigiu Ron automaticamente . - Ou isso - continuou Malfoy . - Ultimamente tenho o visto muitas_vezes a andar por aí sorrateiramente e aposto que sei o que ele quer . Pensa que vai apanhar o herdeiro de Slytherin sozinho . Deu uma pequena gargalhada ridícula . Harry e Ron trocaram olhares nervosos . Malfoy parou junto de uma parede de pedra húmida . - Qual é a senha ? - perguntou a o Harry . - Er ... - Ah ! sim , sangue puro - disse Malfoy sem ouvir e uma porta de pedra , oculta em a parede , abriu se . Malfoy entrou e Harry e Ron seguiram o . A sala comum de os Slytherin era uma ampla divisão subterrânea com espessas paredes de pedra e um tecto de o qual estavam pendurados por correntes vários candeeiros redondos que davam uma luz esverdeada . O fogo crepitava em uma lareira elaboradamente esculpida em frente de a qual se viam as silhuetas de vários Slytherins sentados em cadeiras igualmente esculpidas . - Esperem aí - disse Malfoy a o Harry e a o Ron , encaminhando os para um par de cadeiras vazias , longe de o lume . - Eu vou buscar o que o meu pai acaba de me mandar . Sem saber o que Malfoy iria mostrar lhes , Harry e Ron sentaram se , fazendo todos os possíveis por parecer a a vontade . Malfoy voltou um minuto depois , trazendo em a mão o que parecia ser um recorte de jornal . Pô o debaixo de o nariz de o Ron . - Vais te rir - disse . Harry viu os olhos de o Ron abrirem se como_se estivesse em estado de choque . Viu o ler o recorte rapidamente , dar uma gargalhada forçada e estender lhe o em seguida . Tinha sido retirado de o * _ Profeta_Diário * e dizia : inquérito em o ministério de a magia * _ Arthur_Weasley , chefe de o Gabinete_de_Mau_Uso_dos_Utensílios_dos_Muggles foi hoje multado em cinquenta galeões por ter enfeitiçado um carro de os Muggles . * _ O senhor Lucius_Malfoy , Membro_do_Conselho_Directivo_da_Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts , onde o carro enfeitiçado foi chocar em o princípio de este ano , exigiu hoje a demissão de Mr._Weasley . « * _ O_Weasley trouxe o descrédito a o Ministério « - declarou Mr._Malfoy a o nosso repórter . - « É claramente incompetente para fazer cumprir as leis e a sua protecção ridícula de os Muggles deveria ir imediatamente para a sucata . » * _ Mr._Weasley recusou se a fazer comentários , mas a sua mulher disse a os repórteres que desaparecessem de ali ou lançaria contra eles o vampiro de a família * . - Então - disse Malfoy impaciente quando Harry voltou a entregar lhe o recorte . - Não achas o_máximo ? - Ha , ha - fez Harry tristemente . - O Arthur_Weasley gosta tanto de os Muggles que era capaz de partir a sua varinha a o meio para se juntar a eles - disse Malfoy com desprezo . - Ninguém diria que os Weasley eram sangue puro a avaliar por o modo como_se comportam . A cara de o Ron , ou melhor , de o Crabbe , contorceu se de raiva . - O que é_que se passa ? - perguntou Malfoy . - Dores de estômago - gemeu o Ron . - Então vai a a ala hospitalar e dá a todos aqueles sangues de lama um pontapé de a minha parte - disse Malfoy com o seu riso escarninho . - Sabes que estou espantado por o * _ Profeta_Diário * ainda não se ter referido a todos estes ataques - continuou pensativamente . - Calculo que o Dumbledore deve estar a tentar abafar as coisas . Ele ainda é posto em a rua se isto não acaba depressa . O pai sempre disse que Dumbledore foi a pior coisa que aqui veio parar . Ele adora os filhos de os Muggles , um director decente nunca deixaria um lodo como o Creevey entrar em esta escola . Malfoy começou a fingir que tirava fotografias com uma máquina imaginária e fez uma imitação maldosa , mas bastante fiel de o Colin : - Potter , posso tirar te a fotografia ? Dás me um autógrafo ? Posso lamber te os sapatos , por favor , Potter ? Baixou as mãos e olhou para Harry e Ron . - O que é_que se passa com vocês os dois ? Um_pouco atrasados , Harry e Ron forçaram o riso e Malfoy pareceu satisfeito . Talvez Crabbe e Goyle fossem sempre de reacção lenta . - O santo Potter , amigo de os sangues de lama - disse Malfoy . - É outro que não tem os sentimentos de um feiticeiro a sério ou não andaria por aí com aquela empertigada sangue de lama Granger . E as pessoas a pensarem que ele é o herdeiro de Slytherin . Harry e Ron esperaram com a respiração entrecortada : o Malfoy ia certamente dizer lhes , dentro_de segundos , que era ele , mas então ... - Quem me dera saber quem ele é - disse o Malfoy , de forma petulante . - Podia ajudá o . O queixo de o Ron caiu de tal maneira que a cara de o Crabbe ficou ainda mais desajeitada do_que era habitual . Felizmente Malfoy não deu por nada e Harry , em um pensamento rápido , disse : - Deves ter alguma ideia de quem está por_detrás_de tudo ... - Sabes perfeitamente que não tenho , Goyle , quantas vezes é preciso dizer te ? - cortou Malfoy . - E o pai também não me diz nada sobre a última vez que a câmara foi aberta . É claro que foi há cinquenta anos , antes de ele cá andar , mas o pai sabe tudo a esse respeito e diz que as coisas foram mantidas em grande segredo e que pareceria suspeito se eu soubesse demasiado . Mas há uma coisa que eu sei : de a última vez que a câmara foi aberta , morreu um sangue de lama . Por isso , aposto que é uma questão de tempo até que um de eles seja morto . Só espero que seja a Granger - disse satisfeito . Ron fechara os punhos gigantescos de o Crabbe . Sentindo que deitaria tudo a perder se ele desse um soco a o Malfoy , Harry lançou lhe um olhar de aviso e disse : - Sabes se a pessoa que abriu a câmara de a última vez foi apanhada ? - Ah ! sim , essa pessoa foi expulsa - disse Malfoy . - Ainda deve estar em Azkaban . - Azkaban ? - repetiu Harry confuso . - Azkaban , a prisão de os feiticeiros , Goyle - disse Malfoy , olhando para ele incrédulo . - Francamente , se fosses mais lento andavas para trás . Esticou se intranquilo , em a cadeira e disse : - O pai diz para eu esfriar a cabeça e deixar que o herdeiro de Slytherin faça o seu trabalho . Acha que a escola precisa de se livrar de a escória de os sangues de lama , mas não quer que eu me envolva em nada . Claro que ele agora tem um prato cheio . Sabes que o Ministério de a magia fez uma busca a a nossa mansão em a semana passada ? Harry tentou forçar a cara de bronco de o Goyle a uma expressão preocupada . - Sim - continuou Malfoy . - É claro que não encontraram grande coisa . O pai guarda uns materiais de magia negra muito valiosos , mas , felizmente , temos a nossa câmara secreta debaixo de o soalho de a sala de visitas ... - Ah ! - disse o Ron . Malfoy olhou para ele . Harry também . Ron corou e até o cabelo começou a ficar vermelho . O nariz estava também a diminuir lentamente ... a hora tinha acabado . Ron estava a voltar a a sua forma habitual e por o olhar de horror que lançou a Harry certamente ele também estava . Puseram se rapidamente de pé . - Tenho de tomar o remédio para o estômago - grunhiu o Ron e sem mais explicações saíram ambos a correr de a sala comum de os Slytherin , precipitaram se para a parede de pedra e galgaram a passagem , pedindo a todos os santos que Malfoy não tivesse dado por nada . Harry sentia os pés a nadarem em os sapatos enormes de o Goyle e tinha de levantar o manto visto_que diminuíra de tamanho . Subiram os degraus a correr até a o * hall * escuro de entrada onde se ouvia um som abafado que vinha de a despensa onde tinham fechado o Crabbe e o Goyle . Deixando os sapatorros de os dois de o lado de_fora , subiram já com os respectivos sapatos a escadaria de mármore até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Bem , não foi uma total perda de tempo - disse o Ron ofegante , fechando atrás_de si a porta de a casa_de_banho . - É certo que ainda não descobrimos de quem vêm os ataques , mas vou escrever a o meu pai amanhã a dizer lhe que procure debaixo de o soalho de a sala de visitas de o Malfoy . Harry olhou para o espelho partido . Tinha voltado a o normal . Pôs os óculos enquanto Ron batia em a porta de o cubículo de Hermione . - Hermione , sai de aí , temos um monte de coisas para te contar ... - Vão se embora - guinchou Hermione . Harry e Ron olharam um para o outro . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron . - Tu já deves ter voltado a o normal como nós ... Mas a Murta_Queixosa saiu subitamente através de a porta de o cubículo com um ar divertido como nunca a tinham visto . - Oh ! Esperem até ver - disse ela . - É horrível ! Ouviram o trinco de a porta a abrir se e Hermione apareceu a soluçar , a túnica levantada a cobrir lhe o rosto . - O que foi ? - perguntou o Ron indistintamente . - Ainda tens o nariz de a Millicent ou alguma coisa assim ? Hermione deixou cair a roupa e Ron recuou rapidamente . O rosto de ela estava coberto de pêlo preto , os olhos tinham ganho uma cor amarela e as orelhas eram pontiagudas , saindo espetadas para fora de os cabelos . - Era um pêlo de g-gato - disse a chorar . - A Millicent_Bulstrode d-deve ter um gato e a poção não está preparada para transformação em animais . - Oh-oh - disse o Ron . - Vão te gozar horrivelmente - disse a Murta , felicíssima . - Não te preocupes , Hermione - tranquilizou a rapidamente o Harry . - Vamos levar te para a ala hospitalar , a Madam_Pomfrey nunca faz muitas perguntas ... Não foi fácil convencer Hermione a sair de a casa_de_banho . A Murta_Queixosa despediu se com uma gargalhadavigorosa e grosseira . - Espera até todos descobrirem que tens uma cauda ! XIII_O diário muito secreto Hermione ficou em a ala hospitalar durante várias semanas . Houve uma onda de boatos sobre o seu desaparecimento quando o resto de os alunos voltou de as férias de Natal porque , é claro , todos pensam que ela tinha sido atacada . Foram tantos os estudantes a rondar a ala hospitalar para espreitar a ver se a viam que Madam_Pomfrey desceu de_novo as cortinas de a cama de ela para a poupar a a vergonha de ser vista com pêlo em a cara . Harry e Ron iam visitá a todas_as tardes . Quando o segundo período começou passaram a levar lhe diariamente os trabalhos de casa . - Se eu tivesse o bigode a crescer , tinha uma folga de o trabalho - disse uma tarde o Ron enquanto colocava uma pilha de livros a a cabeceira de a cama de Hermione . - Não sejas parvo , Ron , eu tenho de me manter a par de as coisas - disse Hermione com vivacidade . O humor de ela melhorara bastante com o facto de lhe ter desaparecido todo o pêlo de o rosto e de os olhos estarem lentamente a retomar a cor castanha . - Calculo que não tenham novas pistas ? - disse em um murmúrio para evitar que Madam_Pomfrey os ouvisse . - Nada - disse Harry tristemente . - Eu tinha tanta certeza de que era o Malfoy - repetiu o Ron por a centésima vez . - O que é isso ? - perguntou Harry , apontando para uma coisa com brilho dourado que estava debaixo de a almofada de Hermione . - É só um cartão a desejar boas melhoras - disse ela precipitadamente , tentando escondê o , mas o Ron foi mais rápido . Pegou lhe , abriu o e leu em voz alta : * _ Para_Miss_Granger , desejando lhe uma rápida recuperação , com o interesse e estima de o professor Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , Terceiro grau , Membro_Honorário_da_Liga_de_Defesa contra as Artes_Negras e vencedor por cinco vezes de o prémio O sorriso mais charmoso de a semana de o Semanário_das_Bruxas * . Ron olhou desconsolado para Hermione . - Tu dormes com isto debaixo de a almofada ? Mas Hermione foi poupada a ter de responder por a entrada de Madam_Pomfrey que lhe trazia a dose de medicamento de a tarde . - Achas que o Lockhart é o tipo mais esperto que conheceste ? - perguntou o Ron a o Harry quando saíram de a enfermaria e começavam a subir as escadas para a torre de os Gryffindor . O Snape tinha lhes passado tanto trabalho para_casa que Harry pensou que ia chegar a o sexto ano antes de o ter acabado . Ron vinha a dizer que devia ter perguntado a a Hermione quantas caudas de rato deveria juntar se a uma poção para o crescimento de o cabelo quando um grito de raiva vindo de o andar de cima lhes chegou a os ouvidos . - É o Filch - murmurou Harry enquanto subiam apressadamente as escadas e paravam para ouvir melhor . - Terá mais alguém sido atacado ? - disse nervosamente o Ron . Ficaram parados com as cabeças inclinadas para a voz de o Filch que parecia quase histérica . -- ... * _ Ainda mais trabalho para mim . Toda_a noite a esfregar como_se não tivesse já trabalho de sobra . Não , isto foi a gota de água que fez transbordar o copo , vou falar com Dumbledore * ... Os passos afastaram se e ouviram uma porta fechar se com grande estrondo . Puseram as cabeças fora de a esquina . O Filch tinha obviamente estado a patrulhar o seu habitual posto de vigia : estavam novamente em o lugar onde Mrs._Norris fora atacada . Perceberam imediatamente qual o motivo de os gritos . Uma enorme poça de água enchia metade de o corredor e parecia escorrer de a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Agora_que o Filch se calara podiam ouvir os uivos de a Murta que faziam eco em as paredes de a casa_de_banho . - Mas o que se passará com ela ? - disse o Ron . - Vamos lá ver - sugeriu Harry e arregaçando as túnicas até a os tornozelos entraram , atravessando a enorme poça de água , em a casa_de_banho que tinha o letreiro a dizer « Fora de serviço » e que eles , como sempre , ignoraram . A Murta_Queixosa chorava , se possível , mais alto do_que nunca . Parecia estar escondida em o cubículo de o costume . Lá dentro estava escuro pois as velas tinham se apagado com a enchente de água que deixara as paredes e o chão ensopado . - O que se passa , Murta ? - quis saber o Harry . - Quem é ? - perguntou ela infelicíssima . - Vieste atirar me mais alguma coisa acima ? Harry caminhou com dificuldade por causa de a água até a o cubículo de ela e disse : - Porque te faríamos nós uma coisa de essas ? - Não me perguntem - gritou a Murta , emergindo em uma onda de água que molhou ainda mais o chão já ensopado . - Eu estou aqui metida em a minha morte e alguém acha muito engraçado atirar me com um caderno acima ... - Mas , não pode magoar te se alguém te atirar alguma coisa acima - disse Harry , tentando ser prático . - Isto_é , seja o que for passa através_de ti , não é assim ? Tinha dito a frase errada . A Murta encheu o peito de ar e gritou a plenos pulmões : - Vamos todos atirar cadernos a a Murta já_que ela não sente nada ! Dez pontos se lhe acertarem em o estômago , cinquenta se lhe atravessar a cabeça ! Hah hah hah , que jogo lindo , não acham ? - Quem te atirou um caderno , afinal ? - perguntou o Harry . - Não sei ... eu estava sentada em a sanita a pensar em a morte e caiu me em cima de a cabeça - disse a Murta , olhando para eles . - Está ali , ficou todo molhado . Harry e Ron olharam para o ponto que a Murta lhes apontava debaixo de o lavatório . Um caderno pequenino e fino estava caído em o chão . Tinha uma capa preta muito gasta e estava encharcado como tudo em aquela casa_de_banho . Harry deu um passo em frente para o apanhar , mas o Ron agarrou lhe precipitadamente o braço . - O que foi ? - perguntou Harry . - Estás doido - disse ele . - Pode ser perigoso . - Perigoso ? - riu se Harry . - Essa agora Ron , como é_que pode ser perigoso ? - Ficarias surpreendido ... - explicou ele , olhando com ar apreensivo para o caderno . - Entre os livros que o Ministério confiscou , contou me o meu pai , havia um que queimava os olhos a as pessoas . E todos os que leram os * _ Sonetos_de_Um_Feiticeiro * ficaram a falar em verso para o resto de a vida . Havia também uma bruxa em Bath que tinha um livro que quem o lesse nunca mais conseguia parar , tinha de andar por aí com o nariz enfiado em as folhas , a fazer todas_as coisas só com uma mão e ... - Já chega , já chega , já percebi a tua ideia - disse O_Harry . O caderninho continuava caído e ensopado . - Bem , nunca saberemos a_não_ser_que tenhamos a coragem de dar uma vista de olhos - disse e mergulhou apanhando o de o chão . Harry viu imediatamente que se tratava de um diário e a data meio apagada , em a capa , disse lhe que tinha cinquenta anos de idade . Abriu o ansiosamente . Em a primeira página podia ler se apenas o nome T._M._Riddle em tinta esborratada . - Espera aí - disse o Ron que se aproximara prudentemente e olhava por cima de o ombro de Harry . - Eu conheço esse nome ... T._M._Riddle recebeu um prémio por serviços especiais prestados a a escola há cinquenta anos atrás . - Como diabo sabes tu isso ? - perguntou Harry com grande espanto . - Porque o Filch mandou me limpar a taça de ele umas cinquenta vezes quando estive de castigo - disse o Ron ressentido . - Foi a taça em cima de a qual eu vomitei lesmas . Se tivesses tido que limpar o muco de um nome durante uma hora também te lembrarias . Harry separou umas de as outras as páginas molhadas . Estavam completamente em branco . Não havia o mais leve sinal de escrita em nenhuma , nem coisas como « Aniversário de a tia Mabel « ou « Dentista a as três_e_meia » . - Ele nunca escreveu nada aqui - disse Harry desapontado . - Porque quereria alguém atirá o fora ? - perguntou se o Ron com curiosidade . Harry voltou o caderno e viu , inscrito em a contra capa , o nome de uma tabacaria em Vauxhall_Road , Londres . - Ele devia ser filho de Muggle - disse Harry pensativo - para ter comprado um diário em Vauxhall_Road ... - Bem , não te serve de muito - Ron baixou a voz . - Cinquenta pontos se acertares em o nariz de a Murta . Harry , mesmo_assim , guardou o diário . Hermione saiu de a ala hospitalar desbigodada , sem cauda e sem pêlo em os primeiros dias de Fevereiro . Em a primeira noite em a torre de os Gryffindor , Harry mostrou lhe o diário de T._M._Riddle e contou lhe como o tinham encontrado . - Ooooh ! Deve ter poderes ocultos - disse ela entusiasticamente , pegando em o diário e examinando o de perto . - Se tem , esconde os muito bem - disse Ron . - Talvez fosse tímido . Não sei porque não deitas isso fora , Harry . - Gostava de perceber porque motivo alguém se quis livrar de ele - explicou Harry . - E também não me importava de saber como foi que o Riddle obteve esse prémio de serviços especiais prestados a Hogwarts . - Pode ter sido qualquer coisa - lançou o Ron . - Talvez tenha recebido 30 de nota final ou salvo um professor de a lula gigante . Se_calhar assassinou a Murta , isso teria sido um favor prestado a todos ... Mas Harry quase podia jurar , por o olhar suspenso em a cara de Hermione , que ela pensava o mesmo_que ele . - O que foi ? - perguntou Ron , olhando para um e para o outro . - Bem , a Câmara_dos_Segredos foi aberta há cinquenta anos , não foi isso que disse o Malfoy ? - Sim - respondeu Ron , lentamente . - E este diário tem cinquenta anos de idade - completou Hermione , dando lhe palmadinhas nervosas . - E de aí ? - Oh Ron , acorda - insistiu Hermione . - Sabemos que a pessoa que abriu a câmara de a outra_vez foi expulsa há cinquenta anos . E se o Riddle tivesse tido o prémio especial por apanhar o herdeiro de Slytherin ? O seu diário diria nos provavelmente tudo : onde é a Câmara_dos_Segredos , como abris a e que tipo de criatura vive lá . Achas que a pessoa que está por trás de os ataques desta_vez quereria o diário por aí ? - É uma teoria interessante , Hermione - disse o Ron . - Apenas com uma pequenina falha : o diário não tem nada Mas_Hermione já estava a tirar a varinha de o saco . - Pode ser tinta invisível - murmurou . Bateu três vezes em o diário e repetiu * _ Aparecium ! * Nada aconteceu . Intrépida , Hermione meteu a mão de_novo em o saco e tirou o que parecia ser uma borracha vermelha e brilhante . - É um * revelador * , comprei o em a Diagon - _ Al - disse . Apagou com força em 1_de_Janeiro . Não sucedeu nada . - Já vos disse , não há nada aí - repetiu o Ron . - O Riddle deve ter recebido um diário como prenda de Natal e nem se deu a o trabalho de escrever fosse o que fosse . Harry não conseguia explicar , nem a si próprio , porque motivo não deitara fora o diário de Riddle . A verdade é_que , mesmo depois de saber que ele estava em branco , continuou distraidamente a pegar lhe e a virar as páginas como_se quisesse chegar a o fim de uma história . E , apesar_de saber que nunca tinha ouvido o nome T._M._Riddle , continuava a ter a sensação de que lhe dizia alguma coisa , como_se Riddle fosse um amigo que ele tinha tido quando era muito pequeno e que estivesse meio esquecido . Mas era um absurdo . Nunca tivera amigos antes de Hogwarts , Dudley tivera esse cuidado . Ainda_assim , Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle , por isso em o dia seguinte foi até a a sala de os troféus para examinar a taça , acompanhado de Hermione que estava interessadíssima e de Ron que se mostrava profundamente incrédulo , dizendo que tinha ficado farto de aquela sala até a o fim de a vida . A taça dourada de Riddle estava arrecadada em um armário de canto . Não fornecia detalhes sobre o motivo por_que lhe fora dada ( felizmente , se fosse maior ainda hoje estava a limpá a , disse o Ron ) . Mas encontraram o nome de Riddle em uma antiga medalha de Mérito_Mágico e em uma lista de antigos chefes de turma . - Parece o Percy - comentou Ron , torcendo o nariz com aversão . - Prefeito , chefe de turma , provavelmente o melhor em todas_as disciplinas . - Dizes isso como_se fosse uma coisa má - fez lhe notar Hermione , em um tom de voz ressentido . Um sol fraco brilhava agora de_novo em Hogwarts . Dentro de o castelo , o ambiente estava bastante melhor . Não tinha havido novos ataques desde Justin e Nick quase sem cabeça e Madam_Pomfrey teve a satisfação de informar que as Mandrágoras começavam a ficar instáveis e dissimuladas , sinal de que estavam a abandonar rapidamente a infância . - Logo_que o acne desapareça estarão prontas para novo transplante - ouviu a Harry dizer amavelmente a o Filch . - E depois de isso , não demorará muito até podermos cortá as e estufá as . - Vai ter Mrs._Norris de volta , muito em_breve . Talvez o herdeiro ou herdeira de Slytherin tenha perdido a coragem , pensou Harry . Deve ser cada_vez_mais arriscado abrir a Câmara_dos_Segredos com a escola tão alerta e desconfiada . Talvez o monstro , qualquer_que_fosse , estivesse a preparar se para hibernar durante outros cinquenta anos . Ernie_Mcmillan_dos_Hufilepuff não aceitou esta visão optimista . Continuava convencido de que Harry era o culpado , que se tinha traído em o clube de os duelos . Peeves não ajudava nada : continuava a cantar por os corredores Potter , * seu bandido * ... agora acompanhado de um esquema de dança . Gilderoy_Lockhart parecia pensar que fora ele quem pusera fim a os ataques . Harry fartou se de o ouvir dizer isso a a professora Mc_Gonagall enquanto os Gryffindor formavam bicha para a aula de Transfiguração . - Não creio que volte a haver problemas , Minerva - disse , tocando em o nariz com ar conhecedor e piscando o olho . - Acho que desta_vez a câmara foi definitivamente selada . O culpado deve ter sabido que era uma questão de tempo até eu o apanhar e que era mais sensato parar agora antes que eu lhe tratasse de a saúde . Sabe , a escola está a precisar de um intensificador de animo para apagar as lembranças de o último período . Não vou dizer lhe mais_nada , por enquanto , mas julgo que sei o que ... Voltou a tocar em o nariz e afastou se a passos largos . A ideia de Lockhart de um intensificador de ânimo ficou bastante clara em o dia_14_de_Fevereiro , a o pequeno-almoço . Harry não dormira grande coisa devido a o treino de Quidditch em a noite anterior e chegou a o salão um_pouco atrasado . Pensou , por momentos , que se tinha enganado em a porta . As paredes estavam todas cobertas com enormes e medonhas flores cor-de-rosa . Pior ainda , * confettis * em forma de corações caíam de o tecto azul pálido . Harry dirigiu se a a mesa de os Gryffindor onde o Ron estava sentado com um ar enjoado junto de Hermione que parecia particularmente risonha . - O que se passa ? - perguntou lhes , sentando se e sacudindo os * confettis * de o seu bacon . Ron apontou para a mesa de os professores , com um ar demasiado repugnado para falar . Lockhart , em as suas vestes rosa vivo , a condizer com a decoração de o salão , fazia sinal para que se calassem . Os professores que o ladeavam tinham um ar estupefacto . De o seu lugar , Harry podia ver um músculo mover se em a bochecha de a professora Mc_Gonagall . Snape estava com ar de quem tomou uma imensa dose de xarope * skele-gro * . - Feliz dia de S._Valentim - gritou Lockhart . - E permitam me que agradeça a as quarenta_e_seis pessoas que até agora me enviaram cartões . Sim , fui eu quem tomou a liberdade de vos fazer esta pequena surpresa , e ela não acaba aqui ! Lockhart bateu as palmas e por as portas de o * hall * entraram a marchar cerca de uma_dúzia de duendes de aspecto carrancudo . Não eram uns duendes quaisquer , diga se de passagem . Lockhart fizera os usar asas douradas e transportar harpas . - Os meus amigos cupidos , portadores de os cartões ! gritou Lockhart . - Eles vão andar por a escola durante o dia de hoje , entregando os vossos cartões de S._Valentim . E o divertimento não acaba aqui . Tenho a certeza de que os meus colegas vão querer participar em este espírito de festa . Porque não pedir a o professor Snape que vos mostre como preparar rapidamente uma poção de amor . E , enquanto ele a prepara , está aqui o professor Flitwick que é de todos os feiticeiros que conheci aquele que mais sabe de encantamentos de sedução , o grande safado ! O professor Flitwick enterrou o rosto em as mãos . Snape olhava como_se quisesse dar veneno a a primeira pessoa que fosse pedir lhe a poção de o amor . - Por favor , Hermione , diz me que não foste uma de as quarenta_e_seis - pediu Ron quando saíram de o salão para a primeira aula . Mas Hermione ficou subitamente muito interessada em procurar o horário dentro de a mala e não lhe respondeu . Durante todo o dia os duendes não pararam de se intrometer em as aulas para entregar cartões , para grande aborrecimento de os professores e , ao_fim_da_tarde , quando os Gryffindor subiam as escadas para a aula de encantamentos , um de eles avistou o Harry . - Hei , tu , Harry_Potter ! - gritou um duende de aspecto particularmente lúgubre , dando cotoveladas a_toda_a gente para se aproximar de o Harry . Coradíssimo com a ideia de receber um cartão de S._Valentim diante_de uma fila de alunos de o primeiro ano que , por acaso , incluía Ginny_Weasley , Harry tentou escapar se . Mas o duende cortou lhe o caminho através de a multidão e agarrou o em três tempos . - Tenho uma mensagem musical para entregar a Harry_Potter em pessoa - disse , tangendo a harpa de forma ameaçadora . - Aqui não - disse baixinho o Harry , tentando escapar . - Fica quieto - grunhiu o duende , agarrando o saco de o Harry e puxando com força . - Larga me - disse ele rispidamente , dando um puxão . Com um ruído de tecido a rasgar se , o saco dividiu se em dois . Os livros de Harry , varinha , pergaminho e pena espalharam se por o chão enquanto o tinteiro se partia em cima de as outras coisas . Harry pôs se de gatas , tentando apanhar tudo antes que o duende começasse a cantar , provocando um engarrafamento em o corredor . - O que se passa aqui ? - perguntou a voz fria e afectada de Draco_Malfoy . Harry , nervosíssimo , começou a guardar tudo dentro de o saco rasgado , desesperado para sair de ali antes que Malfoy pudesse ouvir o seu S._Valentim musical . - Que confusão é esta ? - disse outra voz familiar . Percy_Weasley tinha chegado . De cabeça perdida , Harry tentou fugir , mas o duende agarrou o por os joelhos e fê lo cair a o chão . - Certo - disse , sentando se em os tornozelos de Harry . Eis o teu cartão musical : * _ Os olhos de ele são verdes como o sapo de o quintal * _ O seu cabelo é escuro como um temporal * _ É um desatino , oh ! ele é divino ! * _ O herói que venceu o Senhor_do_Mal * . Harry teria dado todo o ouro de Gringotts para se evaporar em aquele momento . Tentando corajosamente rir se com todos os outros , levantou se . Sentia os pés dormentes de o peso de o duende . Enquanto isso , Percy_Weasley fazia todos os possíveis por dispersar a multidão onde havia gente que chorava de hilaridade . - Vamos embora , vamos embora , a campainha tocou há cinco minutos para as aulas - dizia , enxotando alguns de os alunos mais novos . - E tu , Malfoy . Harry olhou e viu Malfoy inclinar se , apanhar qualquer coisa e com um olhar maldoso mostrá a a Crabbe e Goyle . Percebeu que era o diário de Riddle . - Dá cá isso - exigiu com toda_a calma . - O que será que o Potter escreveu aqui ? - disse Malfoy que obviamente não reparara em a data e pensou que tinha em as mãos o diário de o Harry . Houve uma agitação em os presentes . Ginny olhava apavorada para o diário e para Harry . - Dá lhe isso , Malfoy - disse Percy com firmeza . - Depois de dar uma vista de olhos - retorquiu Malfoy , acenando a Harry com o diário de forma provocatória . Percy disse : - Como Prefeito de a escola ... - mas Harry perdera a paciência . Pegou em a varinha e gritou * _ Expelliarmus * e assim_como Snape desarmara Lockhart , MalLoy viu o diário saltar lhe de as mãos e elevar se em o ar enquanto Ron o apanhava sorridente . - Harry - disse Percy levantando a voz . - Não quero magia em os corredores . Vou ter de participar isto , sabes perfeitamente . Mas Harry não se importou . Tinha ganho uma_vez a Malfoy e isso valia bem cinco pontos a menos para os Gryffindor . Malfoy estava furioso e quando a Ginny passou por ele a caminho de a sala de aula , gritou lhe com desprezo : - Não creio que o Potter tenha gostado lá muito de o teu cartão de S._Valentim . Ginny tapou a cara e correu para a aula . Aborrecido , Ron pegou também em a varinha , mas Harry afastou o . Era melhor que ele não passasse a aula de encantamentos a vomitar lesmas . Só quando entraram em a sala de aula de o professor Flitwick é_que Harry reparou em uma coisa bastante estranha em o diário de Riddle . Todos os outros livros estavam cheios de tinta vermelha , mas o diário mantinha se tão limpo como antes de o tinteiro se ter entornado em cima de ele . Tentou chamar a atenção de Ron para este facto , mas ele estava novamente a ter um problema com a varinha : de a extremidade saíam grandes bolhas roxas e ele não parecia interessado em mais_nada . Em essa noite , Harry foi deitar se antes de os outros companheiros de dormitório , em parte porque já não conseguia suportar o Fred e o George a cantarem * _ Os seus olhos são verdes como o sapo de o quintal * e em parte porque queria voltar a examinar o diário de Riddle e sabia que em a opinião de o Ron era uma pura perda de tempo . Sentou se em a cama de dossel e folheou as páginas em branco em as quais não se via uma única mancha de tinta escarlate . Tirou então outro tinteiro de o armário a o lado de a cama , molhou a pena e deixou cair um borrão em a primeira página de o diário . A tinta brilhou em o papel durante um segundo e , em seguida , como_se a página a tivesse sugado , desapareceu sem deixar rasto . Depois , finalmente , algo aconteceu . Deslizando sobre a página em a cor de a sua tinta , surgiram palavras que Harry não escrevera . - * _ Olá_Harry_Potter . O meu nome é Tom_Riddle . Como é_que encontraste o meu diário ? * Também estas palavras desapareceram , mas não sem que Harry tivesse respondido . - Alguém tentou lançá o em uma sanita . Esperou ansiosamente por a resposta de Riddle . - * _ Felizmente guardei as minhas memórias de uma forma mais duradoura do_que a tinta . Mas sempre soube que haveria quem não iria querer que o diário fosse lido . * - O que queres dizer com isso ? - escrevinhou Harry , borrando a página com o nervosismo . - * _ Quero dizer que este diário contém memórias de coisas terríveis . Coisas que foram abafadas . Coisas que aconteceram em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . * - É onde eu estou agora - escreveu Harry rapidamente . - Estou em Hogwarts e estão a acontecer coisas horríveis . Sabes alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? O coração parecia querer saltar lhe de o peito . A resposta de Riddle não se fez esperar , a letra tornara se mais desordenada como_se tivesse pressa em contar lhe tudo_o_que sabia . - * _ É claro que sei de a Câmara_dos_Segredos . Em o meu tempo diziam nos que era uma lenda , que não existia , mas era mentira . Quando eu estava em o quinto ano a Câmara_dos_Segredos foi aberta e o monstro atacou vários estudantes , acabando matar um . Eu apanhei a pessoa que abriu a câmara e ele foi expulso . Mas o director , o professor Dippet , envergonhado por uma coisa de aquelas ter acontecido em Hogwarts , proibiu me de contar a verdade . Foi divulgada uma história dizendo que a rapariga morrera de um acidente extravagante . Deram me um troféu brilhante com o meu nome gravado e avisaram me para ficar calado . Mas eu sabia que ia voltar a acontecer . O monstro sobreviveu e aquele que tinha o poder para o libertar não foi para a prisão . * Harry quase entornou o tinteiro em a pressa de responder . - Está a acontecer outra_vez . Houve três ataques e ninguém parece saber quem está por_detrás_de tudo_isto . Quem foi de a última vez ? - * _ Posso mostrar te , se quiseres * - foi a resposta de o Riddle . - * _ Não tens de acreditar só em a minha palavra . Posso levar te a o fundo de a minha memória de a noite em que o apanhei . * Harry hesitou com a pena em o ar sobre o diário . O que quereria ele dizer ? Como poderia entrar em a memória de outra pessoa ? Olhou inquieto para a porta de o dormitório que começava a ficar escuro . Quando pôs de_novo os olhos em o diário viu as palavras que se formavam . - * _ Deixa-me mostrar te . * Harry parou durante uma fracção de segundo e depois escreveu duas letras . - O. _ K._As páginas de o diário começaram a esvoaçar como_se tivessem sido apanhadas em uma ventania , parando a meio de o mês_de_Junho . Boquiaberto , Harry viu que o quadradinho de 13_de_Junho se transformara em um pequeno ecrã de televisão . Com as mãos ligeiramente trémulas levantou o livro para encostar os olhos a a janelinha e antes de perceber o que estava a passar se , deu consigo inclinado para a frente com a janela a abrir se . O corpo abandonava a cama e era lançado de cabeça , por a abertura de a página , em um turbilhão de cor e sombras . Sentiu os pés tocarem em terra firme e pôs se de pé a tremer enquanto as formas desfocadas se tornavam subitamente nítidas . Soube imediatamente onde estava . Aquela sala circular com os retratos adormecidos era o escritório de Dumbledore , mas não era Dumbledore quem estava atrás de a secretária . Um feiticeiro mirrado , de aspecto débil e quase careca lia uma carta a a luz de as velas . Harry nunca vira aquele homem antes . - Desculpe - disse com a voz a tremer . - Eu não queria intrometer me ... Mas o feiticeiro não olhou . Continuou a ler , franzindo levemente as sobrancelhas . Harry aproximou se de a secretária e gaguejou : - Er ... eu vou me embora , está bem ? E o feiticeiro continuou a ignorá o . Parecia nem_sequer ter ouvido . Pensando que talvez ele fosse surdo , Harry falou mais alto . - Desculpe tê o incomodado - disse quase a gritar . O feiticeiro dobrou a carta com um suspiro . Pôs se de pé , passou por Harry sem olhar para ele e foi abrir os cortinados de a janela . O céu , lá fora , estava vermelho-rubi . Devia ser o pôr de o Sol . O feiticeiro voltou para a secretária , sentou se e girou os polegares , olhando para a porta . Harry olhou em volta . Não viu Fawkes , a fénix , nem as engenhocas prateadas que sibilavam . Aquela Hogwarts era a que Riddle conhecera e , portanto , aquele feiticeiro desconhecido era o director de então , não Dumbledore e ele , Harry , era pouco mais que um fantasma , totalmente invisível a as pessoas de há cinquenta anos atrás . Alguém bateu a a porta . - Entre - disse o velho feiticeiro , em uma voz fraca . Um rapazinho de dezasseis anos entrou , tirando o chapéu pontiagudo . Em o seu peito brilhava um distintivo prateado de prefeito . Era muito mais alto do_que Harry , mas tinha , tal_como ele , cabelo preto asa de corvo . - Ah ! Riddle - disse o director . - Queria falar comigo , professor Dippet ? - perguntou ele com ar nervoso . - Senta te - disse Dippet . - Tenho estado a ler a carta que me mandaste . - Oh ! - exclamou Riddle , sentando se e apertando as mãos uma contra a outra . - Meu rapaz - disse Dippet amavelmente . - Eu não posso deixar te ficar em a escola durante o Verão . Com certeza queres ir para_casa em as férias ? - Não - respondeu Riddle , sem perder tempo . - Prefiro mil vezes ficar em Hogwarts a ter de voltar a aquela ... aquela ... - Tu vives em um orfanato de Muggles durante as férias , não é assim ? - perguntou Dippet com curiosidade . - Sim senhor - disse Riddle , corando um_pouco . - És filho de Muggles ? - Meio sangue , professor - explicou Riddle . - Pai_Muggle , mãe bruxa . - E o teu pai e a tua mãe ... - A minha mãe morreu pouco depois de eu nascer , professor , contaram me em o orfanato que só teve tempo de me dar o nome : Tom , como o meu pai , Marvolo como o meu avô . Dippet estalou a língua solidariamente . - O que acontece , Tom - suspirou - é_que ... podia ter se arranjado uma situação especial para ti , mas em as circunstâncias actuais ... - Refere se a os ataques , professor ? - perguntou Riddle e o coração de Harry deu um salto , aproximando se com medo de perder alguma coisa . - Precisamente - disse o director . - Meu rapaz , compreendes que seria uma imprudência de a minha parte deixar te ficar em o castelo quando o período acabar , principalmente a a luz de a recente tragédia ... a morte de aquela pobre moça ... estarás sem dúvida em maior segurança em o orfanato . Em a verdade , o ministro de a magia até fala em fechar a escola . Não estamos nada perto_de localizar ... er ... a fonte de toda esta história desagradável . Os olhos de Riddle tinham se aberto mais . - Professor , se essa pessoa fosse apanhada ... se tudo acabasse . . . - Que queres dizer com isso ? - perguntou Dippet com voz aguda , endireitando se em a cadeira . - Riddle , tu sabes alguma coisa sobre estes ataques ? - Não senhor - respondeu ele de imediato . Mas Harry sabia que era o mesmo tipo de « não » que ele dissera a Dumbledore . Dippet afundou se de_novo com um ar de profundo desapontamento . - Podes ir , Tom . Riddle esgueirou se de a cadeira e saiu de a sala . Harry seguiu o . Desceram por a escada em espiral , saindo junto de a gárgula em o corredor que escurecia . Riddle parou e Harry fez o mesmo , olhando para ele . Quase podia apostar que ele pensava seriamente em alguma coisa . Mordia o lábio e tinha as sobrancelhas franzidas . A certa altura , como_se tivesse acabado de tomar uma decisão , começou a andar mais depressa com Harry a segui o ruidosamente . Não viram mais ninguém , a não ser quando chegaram a o * hall * de entrada onde um feiticeiro alto de longos cabelos ruivos e barba chamou Riddle de a escadaria de mármore . - O que andas a fazer por aqui tão tarde , Tom ? Harry olhou para o feiticeiro . Não era outro senão Dumbledore com cinquenta anos a menos . - Tive de ir falar com o director - justificou se Riddle . - Bem , agora vai depressa para a cama - disse Dumbledore , olhando Riddle com aquele olhar penetrante que Harry conhecia tão bem . - É melhor não andar a passear por os corredores em os dias que correm , pelo_menos até ... Suspirou profundamente , deu as boas-noites a o Riddle e foi se embora . Riddle viu o desaparecer e , sem perder tempo , desceu os degraus de pedra até a os calabouços com Harry em a peugada . Mas para seu grande desconsolo , Riddle não o conduziu a nenhum corredor ou túnel secreto e sim a o calabouço onde ele costumava ter aulas de poções com o Snape . As tochas não tinham sido acesas e quando Riddle empurrou a porta quase fechada , Harry só conseguiu vê o a ele , de pé , quieto junto de a porta , olhando para o corredor . Pareceu a Harry que ficaram ali quase uma hora . Tudo_o_que via era a silhueta de Riddle junto de a porta , olhando fixamente através de a greta , a a espera . Como_se fosse uma estátua . E quando Harry tinha abandonado todas_as expectativas e começava a desejar voltar a o presente , ouviu alguma coisa que se movia atrás de a porta . Alguém avançava lentamente por o corredor . Ouviu a pessoa , quem quer que fosse , passar por o calabouço onde ele e Riddle estavam escondidos . Riddle , silencioso como uma sombra , esgueirou se por a porta e seguiu o com Harry em bicos de pés atrás de ele , esquecido de que podia fazer barulho a a vontade porque ninguém o ouvia . Durante cerca de cinco minutos seguiram lhe os passos até que Riddle parou repentinamente com a cabeça inclinada em a direcção de novos ruídos . Harry ouviu uma porta a abrir se e em seguida alguém falou em um murmúrio rouco . - Vá lá , temos que sair de aqui ... vá lá , dentro de a caixa ... Havia algo de familiar em aquela voz . Riddle deu subitamente uma volta e Harry seguiu o . Podia ver a silhueta escura de um rapaz enorme que estava inclinado em frente de a porta aberta , com uma grande caixa a o lado . - Boa noite , Rubeus - disse Riddle secamente . O rapaz fechou a porta e pôs se de pé . - O que estás a fazer aqui , Tom ? Riddle aproximou se . - Acabou se - disse . - Vou ter de entregar te , Rubeus . Falam em fechar Hogwarts se os ataques não terminarem . - O que é_que tu ... ? - Eu acho que tu não quiseste matar ninguém , mas os monstros não são os melhores animais domésticos . Tu só quiseste deixá o sair para andar um_pouco e ... - Ele não matou ninguém - disse o rapaz grande , recuando contra a porta fechada . Lá de dentro vinham uns estranhos roncos e rugidos . - Vamos , Rubeus - disse Riddle , aproximando se mais ainda . - Os pais de a rapariga que morreu estarão aqui amanhã . O mínimo que Hogwarts pode fazer é assegurar lhes que aquilo que matou a filha de eles foi abatido ... - Não foi ele - gemeu o rapaz cuja voz ecoou em o corredor escuro . - Ele não faria isso ... ele nunca ... - Afasta te - disse Riddle , pegando em a varinha . O encantamento iluminou o corredor com uma luz brilhante . A porta atrás de o rapaz grande abriu se de par em par com tanta força que o atirou contra a parede . E de lá de dentro saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito que ninguém mais ouviu a não ser ele próprio . Tinha um corpo imenso , magro e peludo e um emaranhado de pernas pretas , a cintilação de muitos olhos e um par de tenazes afiadas . Riddle levantou de_novo a varinha , mas era tarde de mais . A coisa deixara o atarantado e corria apressadamente , precipitando se por o corredor e desaparecendo . Riddle pôs se de pé , olhou a a procura de o monstro , levantou a varinha , mas o rapaz grande saltou sobre ele , tirou lhe a varinha de as mãos e lançou o a o chão , gritando : - Naaaaaão ! A cena rodopiou . A escuridão tornou se total . Harry sentiu se a cair e com um embate aterrou como uma águia de patas e asas abertas em a sua cama de dossel , em o dormitório de os Gryffindor , o diário de Riddle aberto sobre o estômago . Antes de ter tido tempo de normalizar a respiração , a porta de o dormitório abriu se e o Ron entrou . - Aí estás tu - disse . Harry sentou se . Transpirava e tremia . - O que se passa ? - perguntou Ron , olhando aflito para ele . - Foi o Hagrid , Ron . O Hagrid abriu a Câmara_dos_Segredos há cinquenta anos atrás . XIV_Cornelius_Fudge_Harry , Ron e Hermione sabiam há muito_tempo que Hagrid tinha uma triste predilecção por criaturas grandes e monstruosas . Em o primeiro ano que passaram em Hogwarts , ele tentara criar um dragão em a sua pequena cabana de madeira e levaram muito_tempo a esquecer o gigantesco cão de três cabeças que ele baptizara de « fofinho » . E se , em rapaz , Hagrid tinha ouvido dizer que havia um monstro escondido em o castelo , Harry tinha a certeza que ele teria feito os impossíveis por descobri o . Provavelmente achou que era uma injustiça o monstro estar fechado tanto tempo e pensou que ele merecia a oportunidade de esticar as suas muitas pernas . Harry imaginava perfeitamente o Hagrid a os treze anos a tentar pôr uma coleira e uma trela a o monstro . Mas tinha igualmente a certeza de que ele nunca teria querido matar ninguém . De certo modo , Harry desejava não ter descoberto como utilizar o diário de Riddle . Ron e Hermione fizeram o contar repetidas vezes o que vira até ele ficar farto de repetir o mesmo e farto de a conversa circular que se seguia . - O Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse , de essa vez , Hermione . - O monstro que atacava as pessoas podia ser outro .... - Quantos monstros achas tu que pode haver em este lugar ? - perguntou o Ron aborrecido . - Sempre soubemos que o Hagrid tinha sido expulso - disse Harry tristemente - E os ataques devem ter terminado quando ele foi expulso . Se não fosse assim , Riddle não teria recebido um prémio . Ron tentou um caminho diferente . - O Riddle parece o Percy , quem lhe pediu afinal que deitasse abaixo o Hagrid ? - Mas o monstro tinha morto uma pessoa , Ron - insistiu Hermione . - E o Riddle ia ter de voltar para um orfanato Muggle se Hogwarts fosse fechada - disse Harry . - Não posso culpá o por querer ficar aqui ... Ron mordeu o lábio e a seguir sugeriu : - Tu encontraste o Hagrid em a Rua * _ Bativolta * , não foi ? - Ele estava a comprar repelente para lesmas - disse Harry rapidamente . Ficaram os três em silêncio . Depois de uma longa pausa , Hermione , em uma voz hesitante , formulou a pergunta mais complicada de todas : - Não acham que devíamos ir ter com ele e perguntar lhe ? - Essa seria uma visita simpática - disse o Ron . - Olá , Hagrid , diz nos uma coisa , soltaste por acaso alguma coisa louca e peluda por o castelo em estes últimos tempos ? Por fim , decidiram não dizer nada a o Hagrid a_não_ser_que houvesse outro ataque e à_medida_que passava mais tempo sem murmúrios de a voz sem corpo começaram a acreditar , esperançosos , que nunca mais teriam de falar sobre o motivo por_que fora expulso . Tinham passado já quase quatro meses desde o dia em que o Justin e o Nick quase sem cabeça tinham sido petrificados e quase toda_a_gente parecia pensar que o atacante , quem quer que ele fosse , se retirara para sempre . Peeves fartara se de a sua canção * _ Oh_Potter , seu bandido * , Ernie_Mcmillan pediu educadamente a o Harry , em a aula de herbologia , que lhe passasse um balde de cogumelos saltitantes e , em Março , várias mandrágoras deram uma festa ruidosa e roufenha em a estufa número três . A professora Sprout estava muito satisfeita . - Mal elas comecem a tentar mover se para os vasos umas de as outras , saberemos que estão maduras - disse ela a o Harry . - Nessa_altura poderemos reanimar aquelas pobres criaturas que estão em a ala hospitalar . Os alunos de o segundo ano tinham agora uma coisa nova em que pensar durante as férias de a Páscoa . Chegara a altura de escolherem as matérias de o terceiro ano , um assunto que Hermione , pelo_menos , tomou muito a sério . - Pode afectar todo o nosso futuro - disse a o Harry e a o Ron a o vê os ler cuidadosamente as listas de as novas matérias e pôr um V em frente de cada uma . - Eu só quero ver me livre de as poções - disse Harry . - Não podemos - explicou Ron tristemente . - Mantemos todas_as matérias antigas ou eu teria me livrado de a Defesa contra as artes negras . - Mas é muito importante - disse Hermione chocada . - Não de a maneira como Lockhart a dá - insistiu Ron . - Não aprendi nada até agora a não ser a nunca mais libertar duendes . Neville_Longbottom recebera cartas de todas_as bruxas e feiticeiros de a família , cada_um dando um conselho diferente sobre o que ele deveria escolher . Confuso e preocupado , sentou se a ler a lista de matérias , dando estalinhos com a língua e perguntando a as pessoas se achavam que a aritmancia seria mais difícil do_que o estudo de as runas em a Antiguidade . Dean_Thomas que , tal_como Harry , fora criado com Muggles , acabou por fechar os olhos e atirar a varinha contra a lista , escolhendo as matérias onde ela aterrava . Hermione não pediu conselho a ninguém e inscreveu se em todas . Harry sorriu de si para consigo imaginando como seria uma conversa com o tio Vernon e com a tia Petúnia sobre a sua carreira em feitiçaria . Não que não tivesse tido orientação : Percy_Weasley estava ansioso por partilhar a sua experiência . - Tudo depende de o lugar para_onde queres ir , Harry - disse ele . - Nunca é cedo de mais para pensar em o futuro , por isso eu aconselho te a adivinhação . As pessoas dizem que os estudos de Muggles são uma opção leve mas eu , pessoalmente , acho que os feiticeiros deveriam ter uma compreensão profunda de a comunidade não mágica , muito especialmente se pensarem em trabalhar em íntimo contacto com eles . Vê o meu pai que tem de lidar com assuntos de os Muggles a_toda_a hora . O meu irmão Charles foi sempre mais um tipo de o exterior , por isso foi para o Centro_de_Cuidados com as Criaturas_Mágicas . Segue os teus sentimentos , Harry . Mas a única coisa em que Harry sentia que era mesmo bom era o Quidditch . Por fim , acabou por escolher as mesmas matérias que o Ron escolhera , pensando que se fosse péssimo em elas pelo_menos tinha alguém amigo para o ajudar . O próximo jogo de Quidditch_dos_Gryffindor era contra os Hufflepuff . Wood insistia em treinos de equipa todas_as noites depois de jantar , por isso Harry não tinha tempo para mais_nada a não ser para o Quidditch e para os trabalhos de casa . Mas as sessões de treino estavam a melhorar ou pelo_menos estavam mais secas e em a véspera de o jogo de sábado ele foi a o dormitório guardar a vassoura , sentindo que as hipóteses de os Gryffindor ganharem a taça de Quidditch nunca tinham sido tão boas . Mas a sua boa disposição não durou muito . Em o cimo de as escadas que levavam a o dormitório encontrou o Neville_Longbottom nervosíssimo . - Harry , não sei quem fez aquilo , eu fui encontrar ... Olhando receoso para Harry , Neville empurrou a porta . O conteúdo de a mala de Harry fora espalhado por toda_a divisão . O seu manto estava em o chão rasgado . A roupa de cama tinha sido puxada de a cama de dossel e a gaveta de o armário que se encontrava a a cabeceira de a cama fora arrancada , estando o seu conteúdo espalhado sobre o colchão . Harry aproximou se de a cama boquiaberto , pisando algumas páginas soltas de * _ Viagens com Duendes * . Quando ele e Neville estavam a puxar os cobertores para_cima , entraram o Ron e o Dean_Seamas . Dean praguejou alto . - O que é isto , Harry ? - Não faço ideia - disse ele . Mas o Ron estava a examinar as vestes de Harry e todos os bolsos estavam de o avesso . - Alguém andou a a procura de qualquer coisa - disse o Ron . - Dás por falta de alguma coisa ? Harry começou a apanhar o que estava caído , lançando tudo dentro de a mala . Só quando atirou o último livro de Lockhart é_que se apercebeu do_que faltava . - O diário de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a o Ron . - O quê ? Harry fez lhe sinal em direcção a a porta de o dormitório e apressaram se a chegar a a sala comum de os Gryffindor que estava quase vazia e onde foram encontrar Hermione sozinha a ler * _ As_Runas_Antigas a o Alcance_de_Todos * . Hermione ficou aterrada com as notícias . - Mas ... só um Gryffindor podia tê o roubado ... ninguém mais conhece a nossa senha ... - Exactamente - disse Harry . Acordaram em o dia seguinte com um sol brilhante e uma brisa agradável . - Condições ideais para o Quidditch ! - exclamou Wood , cheio de entusiasmo , a a mesa de os Gryffindor , enchendo os pratos de os elementos de a sua equipa de ovos mexidos . - Harry , anima te , precisas de um pequeno-almoço decente . Harry tinha estado a olhar para a mesa cheia de alunos de os Gryffindor , perguntando a si próprio se o novo dono de o diário de Riddle estaria ali mesmo em frente de os seus olhos . Hermione insistira para que ele participasse o roubo mas ele não gostou de a ideia . Teria de contar a um professor tudo sobre o diário , e quantas pessoas saberiam o motivo por_que Hagrid fora expulso há cinquenta anos ? Não queria ser ele a fazer com que relembrassem tudo aquilo . Quando saiu de o salão com o Ron e a Hermione para ir buscar o material de Quidditch , outra preocupação viera juntar se a a sua lista cada_vez maior . Tinha acabado de pisar os degraus de a escadaria de mármore quando ouviu de_novo a voz : - * _ Matar desta_vez ... deixem me rasgar ... romper * ... Deu um grito e Ron e Hermione saltaram alarmados . - A voz - disse Harry , olhando por cima de os ombros de eles . - Acabo de a ouvir de_novo , vocês não ouviram nada ? Ron abanou a cabeça de olhos muito abertos Mas_Hermione bateu com a mão em a testa . - Harry , acho que percebi uma coisa . Tenho que ir a a biblioteca . E disparou a correr por as escadas acima . - O que é_que ela percebeu ? - disse Harry distraidamente , ainda a olhar em volta , tentando determinar de onde vinha a voz . - Mas porque teve ela que ir a a biblioteca ? - Porque a Hermione é assim - disse o Ron , encolhendo os ombros - Quando tem uma dúvida , vai a a biblioteca . Harry manteve se hesitante , tentando captar novamente a voz mas as pessoas começavam a sair de o salão , falando alto , passando por a porta principal e encaminhando se para o estádio de Quidditch . - É melhor ires indo - aconselhou Ron . - São quase onze horas , olha o jogo . Harry deu uma corrida até a a torre de os Gryffindor , pegou em a sua Nimbus dois_mil e juntou se a a vasta multidão que enchia os campos , mas o seu pensamento estava ainda em o castelo , em aquela voz sem corpo e quando pôs as roupas vermelhas , o seu único conforto foi pensar que estavam todos lá fora para assistir a o jogo . As equipas entraram em campo a o som de um tumulto de aplausos . Oliver_Wood fez um voo de aquecimento em volta de os postes , Madam_Hooch soltou as bolas . Os Hufflepuff que tinham fatos amarelo-canário estavam reunidos em grupo em uma discussão de última hora sobre as tácticas . Harry subia para a vassoura quando a professora Mc_Gonagall atravessou o campo , meio a andar , meio a correr , transportando um enorme megafone roxo . O coração de Harry caiu lhe a os pés . - Este jogo foi cancelado - gritou por o megafone a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a o estádio apinhado . Ouviram se Uuuus e assobios . Oliver_Wood , com um ar infelicíssimo , aterrou e correu para a professora McGonagall sem sair de a vassoura . - Mas , professora - gritou - temos de jogar ... a taça ... os Gryffindor ... A professora Mc_Gonagall ignorou o e continuou a gritar por o megafone . - Pede se a os estudantes que regressem a as salas comuns de as respectivas equipas onde os chefes de equipa lhes darão mais informações . O mais depressa possível , se fazem favor ! Em seguida , baixou o megafone e fez sinal a o Harry para que se aproximasse . - Potter , é melhor vires comigo ... Perguntando a si próprio que suspeita poderia ela ter contra ele , desta_vez , Harry viu Ron desligar se de a multidão discordante e vir a correr juntar se lhes , enquanto eles se dirigiam para o castelo . Para sua grande surpresa Mc_Gonagall não pôs qualquer objecção . - Sim , talvez seja melhor vires também , Weasley . Alguns de os estudantes que os rodeavam reclamavam por o jogo ter sido cancelado , outros tinham um ar preocupado . Harry e Ron seguiram a professora Mc_Gonagall de volta a a escola e através de a escadaria de pedra . Mas desta_vez não foram levados a nenhum escritório . - Isto vai chocar vos um_pouco - disse a professora Mc_Gonagall em um tom de voz surpreendentemente suave quando estavam a aproximar se de a ala hospitalar . - Houve outro ataque ... outro ataque duplo . As vísceras de o Harry deram um salto mortal . A professora Mc_Gonagall abriu a porta e ele e Ron entraram . Madam_Pomfrey estava inclinada sobre uma rapariga de o quinto ano de cabelos longos a os caracóis que Harry reconheceu como sendo a colega de os Ravenclaw a quem , por engano , tinham perguntado o caminho para a sala comum de os Slytherin . E , em a cama a o lado de ela , estava ... - Hermione - gemeu o Ron . Hermione jazia totalmente quieta , os olhos abertos e vítreos . - Foram encontradas perto de a biblioteca - disse a professora Mc_Gonagall . - Calculo que nenhum de vocês possa explicar isto ? Estava em o chão , junto de ela . A professora tinha em as mãos um pequeno espelho redondo . Harry e Ron acenaram negativamente com as cabeças , ambos com os olhos fixos em Hermione . - Eu acompanho vos a a torre de os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall pesadamente . - De qualquer modo tenho de falar com os alunos . - Os alunos regressarão a as salas comuns de as respectivas equipas , todos_os_dias , a as seis_horas_da_tarde . Nenhum aluno deverá sair de os dormitórios depois de isso . Serão escoltados até a as aulas por um professor . Nenhum aluno deverá ir a a casa_de_banho sem um professor a acompanhá o . Todos os treinos e jogos de Quidditch estão suspensos a_partir_de agora . Não haverá mais actividades nocturnas . Os Gryffindor , que enchiam a sala comum , ouviram em silêncio a professora Mc_Gonagall . Ela enrolou o pergaminho que acabara de ler e disse em uma voz algo chocada : - Não é preciso acrescentar que nunca me senti tão desolada . É provável que a escola seja encerrada se não for apanhado o culpado de todos estes ataques . Quero pedir que se algum de vocês achar que sabe alguma coisa sobre eles venha imediatamente ter comigo . Mal ela subiu , de forma um_pouco desastrada , por o buraco de o retrato , os Gryffindor começaram logo a falar . - São dois Gryffindor a menos , sem contar com o fantasma de os Gryffindor , um Ravenclaw e um Hufflepuff - disse o amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , contando por os dedos . - Não terá nenhum de os professores reparado que os Slytherin estão a salvo ? Será que não é óbvio que tudo_isto vem de eles ? O herdeiro de Slytherin , o monstro de Slytherin , porque não expulsam todos os Slytherin ? - resmungou , recebendo acenos e aplausos de todos os lados . Percy_Weasley estava sentado em uma cadeira atrás_de Lee , mas por uma_vez não pareceu querer expor os seus pontos de vista . Estava pálido e aturdido . - O Percy está em estado de choque - disse o George baixinho a o Harry . - Aquela rapariga de os Ravenclaw , Penelope_Clearwater , é prefeita . Acho que ele nunca tinha pensado que o monstro pudesse atacar um prefeito . Mas Harry não estava a ouvi o com atenção . Não conseguia esquecer a imagem de Hermione deitada em a cama de o hospital , como_se estivesse esculpida em pedra . E se o culpado não fosse apanhado rapidamente tinha em a frente uma vida inteira com os Dursley . Tom_Riddle entregara o Hagrid porque fora confrontado com a possibilidade de um orfanato Muggle se a escola fechasse . Harry sabia exactamente o que ele sentira . - Que vamos nós fazer ? - disse lhe o Ron baixinho a o ouvido . - Achas que eles suspeitam de o Hagrid ? - Temos de falar com ele - disse Harry , tomando uma decisão . - Não acredito que tenha culpa desta_vez , mas se ele libertou o monstro há cinquenta anos , sabe com certeza como entrar em a Câmara_dos_Segredos , o que já é um princípio . - Mas a Gonagall disse que temos que ficar em a torre a_não_ser_que estejamos em as aulas ... - Eu acho - disse Harry ainda mais baixo - que chegou a altura de tirar outra_vez de a mala o manto de o meu pai . Harry herdara apenas uma coisa de o pai : o enorme manto prateado de a invisibilidade . Era a única maneira de poderem esgueirar se de a escola para fazer uma visita a o Hagrid , sem que ninguém de esse por isso . Deitaram se a a hora de o costume , esperaram que o Neville , o Dean e o Seamas adormecessem para se levantarem , vestirem se de_novo e taparem se com o manto . A viagem por os corredores de o castelo escuro e deserto não era nada agradável . Harry que vagueara por ali muitas_vezes durante a noite nunca vira tanta gente depois de o pôr de o Sol . Professores , prefeitos e fantasmas andavam por os corredores a os pares , olhando em volta , em busca de qualquer actividade fora de o habitual . O manto de a invisibilidade não impedia que fizessem barulho e houve um momento particularmente tenso em que o Ron deu uma topada a menos_de um metro de o lugar onde Snape se encontrava . Felizmente Snape espirrou em o preciso momento em que o Ron praguejava . Foi com grande alívio que chegaram a as portas de carvalho de a entrada principal . Estava uma noite clara e cheia de estrelas . Dirigiram se apressadamente para as janelas iluminadas de a casa de Hagrid e só tiraram o manto mesmo em frente de a porta . Poucos segundos depois de terem batido abriu se a porta . Ficaram frente_a_frente com Hagrid que lhes apontou uma besta enquanto Fang , o cão caçador de javalis , ladrava furiosamente atrás de ele . - Oh ! - disse , baixando a arma quando viu que eram eles . - O que estão vocês a fazer aqui ? - Para que é isso ? - perguntou Harry , apontando para a besta , enquanto entrava . - Nada , não é nada - murmurou Hagrid . - Tenho estado a a espera ... não tem importância , sentem se que eu vou fazer um chá . Dava a impressão de não saber o que fazia . Quase apagou a lareira , vertendo a água de a chaleira em o lume e em seguida esmagou o bule com um gesto de a sua mão maciça . - Estás bem , Hagrid ? - perguntou Harry . - Soubeste de a Hermione ? - Soube , sim - disse ele com um leve tremor em a voz . Continuava a olhar nervosamente para as janelas . Deu lhe os duas grandes canecas de água a ferver ( esquecera se de juntar o chá ) e estava a acabar de pôr em um prato uma fatia grossa de bolo de frutas quando alguém bateu energicamente a a porta . Hagrid deixou cair o bolo . Harry e Ron trocaram entre si olhares de pânico e , em seguida , cobriram se com o manto de a invisibilidade e esconderam se em um canto . Hagrid assegurou se de que eles estavam bem escondidos , pegou em a besta e abriu , mais_uma_vez , a porta . - Boa noite , Hagrid . Era_Dumbledore . Entrou com um ar muito sério , seguido de um homem bizarro . O estranho era um homenzinho pequenino , de porte majestoso com cabelos grisalhos desalinhados e uma expressão de ansiedade em o rosto . Usava uma inesperada mistura de roupas . Um fato a as riscas , uma gravata vermelho escarlate , um longo manto negro e umas botas roxas pontiagudas . Debaixo de o braço trazia um chapéu de coco verde lima . -- É o patrão de o meu pai - murmurou o Ron . Cornelius_Fudge , o ministro de a magia ! Harry deu lhe uma valente cotovelada para o fazer calar se . Hagrid tinha ficado suado e pálido . Deixou se cair em uma de as cadeiras e olhava de Dumbledore_para_Cornelius_Fudge . - Más notícias , Hagrid - disse Fudge em um tom bastante grave . - Muito más notícias . Tive de vir . Quatro ataques a filhos de Muggles , as coisas foram longe_de mais . O ministério tem que tomar uma atitude . - Eu nunca ... - disse Hagrid , parecendo implorar a Dumbledore . - O senhor sabe que eu nunca ... professor Dumbledore , o senhor ... - Quero que fique claro , Cornelius , que Hagrid tem a minha total confiança - afirmou Dumbledore , franzindo as sobrancelhas . - Olha , Albus - disse Fudge pouco a a vontade - a ficha de o Hagrid depõe contra ele . O ministério tem de fazer alguma coisa , o Conselho_Directivo de a escola tem se reunido ... - Mesmo_assim , Cornelius , devo dizer te mais_uma_vez que levar o Hagrid de aqui não vai ajudar em nada - afirmou Dumbledore com os olhos azuis com um fogo que Harry nunca vira antes . - Tenta compreender o meu ponto de vista - insistiu Fudge , brincando com o chapéu . - Estou a ser tremendamente pressionado , tenho de mostrar que faço alguma coisa . Se se provar que não foi o Hagrid , ele voltará e não se fala mais em o assunto . Mas tenho de levá o , tem de ser , não estaria a cumprir a minha obrigação se ... - Levar me ? - perguntou Hagrid a tremer . - Levar me para_onde ? - É uma pena curta - disse Fudge , sem o olhar em os olhos . - Não é um castigo , Hagrid , chamemos lhe antes uma precaução . Se mais alguém for apanhado , tu sais com todas_as nossas desculpas . - Não é para Azkaban ? - balbuciou Hagrid . Mas antes que Fudge tivesse tido tempo de responder , ouviu se bater mais_uma_vez a a porta . Dumbledore abriu . Foi a vez de Harry levar uma cotovelada em as costas : soltara um gemido audível . Mr._Lucius_Malfoy entrou em a cabana de o Hagrid embrulhado em uma longa capa preta de viagem , com um sorriso frio de satisfação . O Fang começou a rosnar . - Já está aqui , Fudge ? - disse de forma aprovadora . - Muito bem , muito bem ... - O que estás a fazer aqui ? - perguntou Hagrid furioso . - Sai imediatamente de a minha casa . - Meu bom homem , acredite que não tenho prazer nenhum em entrar em a sua ... er ... chamou lhe casa ? - disse Lucius_Malfoy , sorrindo sarcasticamente enquanto observava a pequena divisão . - Eu limitei me a ir a a escola e disseram me que o director estava aqui . - E o que queres de mim , Lucius ? - perguntou Dumbledore . O seu tom de voz era educado mas em os olhos azuis brilhava ainda o mesmo fogo . - Uma notícia horrível , Dumbledore - disse Mr._Malfoy de forma arrastada , pegando em um grande rolo de pergaminho . - Mas os membros de o conselho pensam que é altura de tu saíres . Isto_é uma ordem de suspensão , tens aí doze assinaturas . Lamento muito mas em a nossa opinião estás a perder a firmeza . Quantos ataques houve até agora ? Mais dois hoje a a tarde , não foi ? A este ritmo vão acabar todos os filhos de Muggles em Hogwarts e todos sabemos que seria uma terrível perda para a escola . - O que é isso , Lucius ? - protestou Fudge com ar alarmado . - O Dumbledore suspenso não ... não , seria a última coisa que desejaríamos em este momento ... - A nomeação ou suspensão , de o director é de a competência de os membros de o Conselho_Directivo , Fudge - disse suavemente Mr._Malfoy . - E como Dumbledore não foi capaz de pôr cobro a estes ataques ... - Oh ! Lucius , se Dumbledore não conseguiu - disse Fudge com o lábio superior a suar . - Quem irá conseguir ? - Isso está para se ver - disse Mr._Malfoy com um sorriso mesquinho . - Mas como os doze votamos ... Hagrid pôs se de pé em um salto , o cabelo preto hirsuto a roçar em o tecto . - E quantos tiveste de chantajar para concordarem contigo , Malfoy ? - Meu caro Hagrid , sabe que esse seu temperamento ainda acaba por lhe criar problemas um dia de estes - disse Mr._Malfoy . - Não o aconselho a gritar assim com os guardas de Azkaban . Eles não iriam gostar nada . - Não podes levar Dumbledore - gritou Hagrid , fazendo Fang , o cão caçador de javalis , agachar se e ganir em o seu cesto . - Sem ele , os filhos de os Muggles não têm qualquer hipótese . A seguir haverá mortes . - Acalma te , Hagrid - disse Dumbledore de forma cortante , olhando para Lucius_Malfoy . - Se os membros de o conselho querem substituir me , eu sairei , claro . - Mas - interrompeu Fudge . - Não - rosnou Hagrid . Dumbledore não tirara os seus olhos azuis brilhantes de os olhos cinzentos e frios de Lucius_Malfoy . - Contudo - disse , pronunciando cada palavra lenta e claramente para que nenhum de eles perdesse o seu sentido - verás que só deixarei verdadeiramente esta escola quando ninguém aqui me for leal . Descobrirás também que será sempre dada ajuda em Hogwarts a quem a pedir . Por um segundo , Harry teve quase a certeza de que os olhos de Dumbledore tremelaziram em direcção a o canto onde ele e Ron estavam escondidos . - Sentimentos admiráveis - disse Malfoy , fazendo uma vénia . - Todos nós vamos sentir a tua ... forma muito pessoal de fazer as coisas , Albus . Só espero que o teu sucessor consiga evitar qualquer ... crime . Dirigiu se a a porta de a cabana , abriu a e fez sinal a Dumbledore para que passasse a a sua frente . Fudge , mexendo nervosamente em o chapéu de coco , esperou que Hagrid fizesse o mesmo mas ele ficou quieto , respirou fundo e disse prudentemente : - Se alguém quiser descobrir alguma coisa , o que tem a fazer é seguir as aranhas . Elas indicarão o caminho , é tudo_o_que vos digo . Fudge olhou para ele espantado . - Está bem , eu vou - disse Hagrid , pegando em o seu sobretudo de pêlo de toupeira . Mas quando ia seguir o Fudge e sair por a porta , parou e disse em voz alta : - E alguém tem de dar de comer a o Fang enquanto eu não estiver cá . A porta fechou se ruidosamente e Ron tirou o manto de a invisibilidade . -- Estamos outra_vez em uma alhada - disse com voz rouca - Sem o Dumbledore podem fechar a escola já esta noite . Sem ele vai haver um ataque por dia . O Fang começou a ganir , arranhando a porta fechada . XV_Aragog_O_Verão insinuava se em os campos em volta de o castelo . O céu e o lago tinham se tornado de um azul-molusco e as flores , grandes como couves , começavam a florir em as estufas . Mas sem o Hagrid , que ele costumava avistar de o castelo , atravessando os campos com o Fang atrás , parecia a Harry que a paisagem não estava completa . Não era melhor dentro de o castelo onde tudo corria horrivelmente mal . O Harry e o Ron tinham tentado visitar a Hermione , mas as visitas a o hospital estavam proibidas . - Não vamos correr mais riscos - disse lhes Madam_Pomfrey com ar severo , através_de uma fresta de a porta de o hospital . Não , lamento , há muitas hipóteses de o atacante voltar para acabar de vez com estas pessoas ... Com Dumbledore longe , o medo espalhara se como nunca acontecera antes , de_tal_modo_que o sol que aquecia as paredes de o castelo por fora parecia parar junto de as janelas de pinázios . Não se via um único rosto em a escola que não andasse tenso e preocupado e qualquer gargalhada , em os corredores , se tornava incómoda e antinatural e era rapidamente abafada . Harry repetia constantemente , de si para consigo , as últimas palavras que ouvira a Dumbledore : - * _ Só terei verdadeiramente deixado esta escola quando ninguém me for leal ... será sempre dada ajuda , em Hogwarts , a quem a pedir * . Qual seria o significado exacto de aquelas palavras ? A quem deveria pedir ajuda quando todos estavam tão confusos assustados como ele ? A alusão de Hagrid a as aranhas era bastante mais fácil de entender . O problema era que parecia não ter restado uma única aranha em o castelo para eles a poderem seguir . Harry procurou por todo o lado com a ajuda relutante de o Ron . As coisas estavam dificultadas por o facto de não poderem andar sozinhos e terem de se deslocar em grupo dentro de o castelo , juntamente com outros Gryffindor . A maior parte de os alunos gostava de ser conduzida como carneiros de uma aula para a outra por os professores mas Harry achava horrível . Havia , contudo , uma pessoa que parecia apreciar aquela atmosfera de terror e suspeitas . Draco_Malfoy passeava empertigado por a escola como_se tivesse sido nomeado para chefe de turma . Harry só compreendeu o motivo de toda aquela boa disposição cerca de quinze_dias depois de Dumbledore e Hagrid se terem ido embora quando , em uma aula de poções , o ouviu falar com o Crabbe e o Goyle . - Sempre achei que seria o pai quem conseguiria livrar nos de o Dumbledore - disse sem a menor preocupação em baixar a voz . - Já vos disse , segundo ele , Dumbledore foi o pior director que a escola alguma vez teve . Talvez agora venha um director decente que não queira a Câmara_dos_Segredos fechada . A Mc_Gonagall não vai durar muito , está só a ... O Snape passou por Harry , sem fazer comentários a o caldeirão e a a cadeira vazia de Hermione . - Professor - disse Malfoy em voz alta . - Professor , porque não se candidata a o lugar de director ? - Ora , ora , Malfoy - respondeu Snape , sem conseguir esconder um meio sorriso . - O professor Dumbledore foi apenas suspenso por os membros de o conselho de direcção , certamente vai voltar um dia de estes . - Sim , claro - disse Malfoy com o seu sorriso escarninho . - Acho que se o professor quisesse candidatar se a o lugar teria o voto de o pai . Eu vou dizer lhe que o acho o melhor professor de a escola . Snape sorriu enquanto passeava de um lado para o outro em o calabouço , não tendo felizmente visto o Seamus_Finnigan que fingia vomitar para dentro de o caldeirão . - Estou espantado por ver que até agora os sangues de lama ainda não fizeram as malas e não desapareceram - prosseguiu Malfoy . - Aposto cinco galeões em como o próximo morre . Pena que não tenha sido a Granger ... A campainha tocou em esse momento o que foi uma sorte porque a o ouvir as últimas palavras de Malfoy , Ron deu um salto , mas em a barafunda de guardar os livros em os sacos , a sua tentativa de agarrar o Malfoy passou despercebida . - Deixem me - gritava o Ron enquanto o Harry e o Dean lhe agarravam os braços . - Não preciso de varinha , vou dar cabo de ele com as minhas mãos ... - Despachem se , tenho de conduzir vos a a aula de herbologia - praguejava o Snape acima de as cabeças de os alunos . E lá foram como cordeirinhos com Harry , Ron e Dean em a retaguarda , o Ron ainda a tentar libertar se . Só acharam seguro largá o quando Snape os deixou fora de o castelo e iniciaram o percurso por o meio de a horta em direcção a as estufas . A aula de herbologia estava reduzida . Tinha agora dois alunos a menos : Justin e Hermione . A professora Sprout pô os a trabalhar , podando as figueiras-da-abissínia . Harry foi despejar uma braçada de hastes secas em um monte de adubo e deu consigo cara a cara com Ernie_Mcmillan . Ernie respirou fundo . - Só quero dizer te , Harry que lamento ter suspeitado de ti . Sei que nunca atacarias a Hermione_Granger e peço te desculpa por todas_as coisas que disse . Estamos todos em o mesmo barco , agora e , bem ... Estendeu lhe uma mão rechonchuda que o Harry apertou . Ernie e a sua amiga Hannah foram trabalhar em a mesma figueira com o Harry e o Ron . - Aquele tipo , Draco_Malfoy - disse Ernie , partindo pequenos galhos - , parece muito satisfeito com isto tudo , não acham ? É bem possível que ele seja o herdeiro de Slytherin . - Uma observação inteligente de a tua parte - disse o Ron que parecia não ter desculpado Ernie tão facilmente como o Harry . - Acham que é ele ? - perguntou Ernie . - Não - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Hannah ficaram a olhar espantados . Um segundo depois , Harry avistou qualquer coisa que o levou a chamar a atenção de o Ron , batendo lhe em a mão com a tesoura de podar . - Au ... o que é_que tu ... ? Harry apontava para o chão , a poucos centímetros de distância . Várias aranhas grandes corriam precipitadamente por a terra fora . - Ah ! sim - disse o Ron , tentando , sem conseguir , mostrar se entusiasmado . - Mas não podemos seguis as agora ... Ernie e Hannah ouviam nos com curiosidade . Harry viu as aranhas desaparecerem . - Parecem ir em a direcção de a floresta proibida ... E o Ron ficou ainda mais infeliz a o ouvir aquilo . Em o final de a aula , o professor Snape acompanhou os alunos a a « Defesa contra as artes negras » . Harry e Ron foram atrás de os outros para poderem conversar sem serem ouvidos . - Temos de usar outra_vez o manto de a invisibilidade - disse Harry a o Ron . - Podemos levar connosco o Fang , ele está habituado a ir a a floresta com o Hagrid , pode ser uma boa ajuda . - Certo - disse o Ron , que fazia girar nervosamente a varinha em os dedos . - Er ... não costuma haver ... não costuma haver lobisomens em a floresta ? - acrescentou enquanto ocupavam os lugares de o costume em a aula de o Lockhart . Preferindo não responder a a pergunta , Harry disse : - Também há lá coisas boas . Os centauros são fixes e os unicórnios . Ron nunca estivera em a floresta proibida , Harry fora lá só uma_vez e desejara não ter de lá voltar . Lockhart deu um salto para dentro de a sala de aula e os alunos ficaram espantados a olhar para ele . Todos os outros professores andavam mais tristes do_que o habitual mas Lockhart parecia sentir se em as nuvens . - Então , então - exclamou , olhando em volta . - Porquê essas caras deprimidas ? Lançaram lhe olhares exasperados mas ninguém respondeu . - Não compreendem - disse , falando devagar como_se fossem todos um_pouco estúpidos - que o perigo já passou ? O culpado foi se embora . -- Quem disse ? - retorquiu Dean_Thomas em voz alta . -- Meu caro jovem , o ministro de a magia não teria levado Hagrid se não estivesse cem por_cento certo de que ele era o culpado - disse Lockhart como quem explica que um e um são dois . - Teria , sim - disse o Ron , em um tom de voz ainda mais alto do_que o de o Dean . - Eu julgo saber um_pouco mais sobre a prisão de o Hagrid do_que o senhor , Mr._Weasley - disse Lockhart com notória auto-satisfação . Ron começou a dizer que discordava mas foi interrompido por o Harry que lhe deu um forte pontapé por debaixo de a mesa . - Nós não estávamos lá , lembras te ? - murmurou . Mas a alegria revoltante de o Lockhart , as insinuações de que sempre tinha achado que o Hagrid não prestava , a sua certeza de que tudo aquilo estava a chegar a o fim , irritou Harry de tal maneira que teve vontade de lhe atirar as * _ Viagens com Vampiros * e de lhe acertar em aquela cara estúpida . Mas , em vez de isso , limitou se a escrevinhar um bilhete para o Ron : * _ Vamos lá hoje a a noite * . Ron leu a mensagem , engoliu em seco e olhou para o lugar onde Hermione costumava sentar se . A cadeira vazia pareceu ajudá o a decidir se e acenou afirmativamente . A sala comum de os Gryffindor estava agora sempre cheia porque , depois de as seis_da_tarde , os Gryffindor não tinham outro lugar para ir . Por outro lado , tinham imenso para conversar , por isso a sala comum mantinha se cheia de gente até depois de a meia-noite . Logo_a_seguir a o jantar , Harry foi buscar o manto de a invisibilidade a a mala onde estava guardado e passou todo o serão a a espera que a sala esvaziasse . O Fred e o George desafiaram o para alguns jogos de explosão e a Ginny sentou se , muito preocupada , a observá os , em a cadeira habitual de Hermione . Harry e Ron fartaram se de perder de propósito em uma tentativa de pôr rapidamente fim a os jogos mas , mesmo_assim , já passava bastante de a meia-noite quando o Fred , o George e a Ginny se foram , finalmente , deitar . Harry e Ron esperaram até ouvir as portas de os dois dormitórios fecharem se . Em seguida , pegaram em o manto , lançaram o sobre ambos e passaram por o buraco de o retrato . Era mais uma difícil travessia de o castelo , tendo de fintar todos os professores . Finalmente , chegaram a o * hall * de entrada , giraram o fecho de as portas de carvalho , esgueiraram se tentando não fazer barulho e aventuraram se nos campos iluminados por o luar . - É claro que - disse bruscamente o Ron , enquanto atravessavam os relvados negros - podemos perfeitamente chegar a a floresta e descobrir que não há nada para seguir . As aranhas podem não ter ido para lá . É certo que parecia que tomavam essa direcção , mas ... Felizmente a lengalenga não durou muito . Chegaram a a casa de o Hagrid que tinha um ar triste com as suas janelas vazias . Logo_que Harry empurrou a porta e a abriu , o Fang saltou , louco de alegria por os ver . Preocupados , não fosse ele acordar toda_a_gente em o castelo com o seu ladrar forte e agitado , deram lhe rapidamente a comer bombons de melaço que estavam em uma lata sobre a lareira e que lhe colaram os dentes de cima a os de baixo . Harry pousou o manto de a invisibilidade sobre a mesa de o Hagrid . Não iam precisar de ele em a floresta escura como breu . - Anda , Fang , vamos dar um passeio - disse Harry , batendo lhe a o de leve em a pata e Fang saiu feliz , a os saltos , atrás de eles . Precipitou se até a a orla de a floresta e levantou a perna contra uma enorme figueira-do-egipto . Harry pegou em a varinha , murmurou * _ Lumus * ! e uma pequenina luz surgiu em a ponta de a varinha , suficiente para lhes mostrar o caminho e ajudá os a descobrir a pista de as aranhas . - Bem pensado - disse o Ron . - Eu acendia também a minha mas , sabes como ela está , ainda estoirava ou qualquer coisa assim ... Harry tocou em o ombro de o Ron , apontando para as ervas . Duas aranhas solitárias fugiam de a luz de a varinha , aproximando se de a sombra de as árvores . - O. _ K. - disse o Ron , resignando se com o pior . - Estou pronto , vamos . Então , com o Fang a correr atrás de eles , cheirando as raízes de as árvores e as folhas , entraram em a floresta . Seguindo a luz de a varinha de o Harry seguiram a fila disciplinada de aranhas que se movia a o longo de o caminho . Andaram durante cerca de vinte minutos , sem falar , atentos a todos os ruídos que não fossem os de os ramos caídos e de as folhas secas . Então , quando as copas de as árvores se tinham tornado mais cerradas do_que nunca , de_tal_modo_que as estrelas em o céu já não eram visíveis e a varinha de o Harry brilhava isolada em um mar de escuridão , viram as aranhas que eles seguiam a abandonar o caminho . Harry parou , tentando ver para_onde iam mas tudo_o_que ficava longe de a sua pequenina luz era negro de breu . Ele nunca fora tão longe em a floresta . Lembrava se muito bem de Hagrid lhe ter dito , de a última vez que ali tinham estado , que nunca saísse de o caminho de a floresta . Mas Hagrid agora estava a muitos quilómetros de distância e ele também lhes dissera que seguissem as aranhas . Uma coisa húmida tocou em a mão de o Harry e ele deu um salto para trás , pisando o pé a o Ron . Mas afinal era apenas o focinho de o Fang . - O que é_que tu achas ? - perguntou ele a o Ron cujos olhos conseguia vislumbrar , reflectindo a luz de a varinha . - Já_que viemos até aqui - disse ele . Seguiram , portanto as sombras velozes de as aranhas em direcção a as árvores . Não podiam agora andar muito depressa . Tinham em a frente raízes de árvores e troncos cortados que mal se viam em aquela escuridão . Harry sentia o bafo quente de Fang em a mão . Por mais de uma_vez tiveram de parar para o Harry se baixar e descobrir as aranhas a a luz de a varinha . Andaram durante o que lhes pareceu ter sido pelo_menos meia_hora , com os mantos a roçarem em os ramos mais baixos e em as silvas . A o fim de algum tempo repararam que o chão parecia inclinar se para baixo embora as árvores continuassem cerradas . Foi então que o Fang soltou um latido que ecoou em volta , fazendo Harry e Ron darem um salto , ambos com os cabelos em pé . - O que foi ? - gritou o Ron , olhando em volta para a escuridão e agarrando Harry com força , por o cotovelo . - Há qualquer coisa ali a mexer se - murmurou Harry - Ouve ... parece ser grande . Ficaram a ouvir . Um_pouco para a direita algo de grandes dimensões partia os ramos enquanto abria caminho através de as árvores . - Oh ! não - disse o Ron . - Oh ! não , não ... - Cala te - insistiu o Harry , nervoso . - Seja o que for , vai acabar por te ouvir . - Ouvir me ? - disse o Ron , em um tom de voz muito pouco natural . - Já ouviu . Fang ! A escuridão parecia esmagar lhes os globos oculares enquanto ali ficaram apavorados , a a espera . Houve um estranho ruído , surdo e prolongado , e em seguida o silêncio . - O que estará a fazer ? - perguntou Harry . - Talvez esteja a preparar se para atacar - disse o Ron . Esperaram , a tremer , sem ousarem mexer se . - Achas que se foi embora ? - murmurou Harry . - Não sei . Em esse momento , de o lado direito veio um clarão de luz tão forte em o meio de o escuro que os dois levaram as mãos a a cara para proteger os olhos . O Fang ganiu e tentou fugir mas viu se envolvido em um emaranhado de espinhos e ganiu ainda mais alto . - Harry - gritou o Ron com grande alívio em a voz . - Harry , é o nosso carro . - O quê ? - Anda ver . Harry avançou a os tropeções atrás de o Ron , em direcção a a luz e em o momento seguinte estavam em uma clareira . O carro de Mr._Weasley ali estava , vazio , no_meio_de um círculo de árvores grossas , sob um telhado de ramos densos , os faróis de a frente resplandecentes . Quando Ron se aproximou de boca aberta , moveu se lentamente em direcção a ele como_se fosse um grande cão azul turquesa , cumprimentando o dono . - Tem estado aqui todo este tempo - disse o Ron satisfeitíssimo , aproximando se de o carro . - Olha para ele , a floresta tornou o selvagem ... O guarda-lamas estava riscado e cheio de lodo . Parecia que tinha andado a passear sozinho por a floresta . Fang não gostou lá muito de ele . Manteve se a o lado de o Harry que podia senti o a tremer . Com a respiração normalizada , Harry guardou a varinha em o manto . - E nós a pensarmos que ele nos ia atacar - disse o Ron , encostando se a o carro e dando lhe duas palmadinhas - As voltas que eu dei a a cabeça a pensar para_onde ele teria ido ! Harry olhava para todos os lados , em o chão iluminado , em busca de mais aranhas mas todas elas tinham fugido de o brilho de as luzes . - Perdemos as de vista - disse ele . - Anda , vamos procurá as . Ron não disse nada . Não se moveu . Tinha os olhos fixos em um ponto , três metros acima de o chão de a floresta , mesmo atrás de o Harry . O seu rosto estava lívido de terror . Harry nem teve tempo de se voltar . Ouviu se um ruído alto e seco e sentiu que alguma coisa longa e peluda o elevava em o ar com o rosto voltado para baixo . Debatendo se , apavorado , ouviu outro estalido e viu as pernas de o Ron serem também levantadas de o chão . Ouviu o Fang gemer e ganir e , em o momento seguinte , era levado para o meio de as árvores escuras . Com a cabeça a balouçar , Harry viu que a coisa que o transportava tinha seis enormes patas peludas e que as duas de a frente o agarravam com forca sob um par de tenazes pretas e brilhantes . Atrás_de si podia ouvir outra de aquelas criaturas que , sem dúvida , transportava o Ron . Encaminhavam se para o coração de a floresta . Harry ouvia o Fang a ladrar , tentando libertar se de um terceiro monstro mas Harry não podia gritar mesmo_que quisesse , parecia que tinha deixado a voz em a clareira , junto com o carro . Não soube quanto tempo esteve em as patas de a criatura , só se apercebeu que a escuridão se atenuara um_pouco , permitindo lhe ver que o chão coberto de folhas estava agora repleto de aranhas . Voltando a cabeça para o lado , deu se conta de que tinham chegado a a base de uma enorme cova , uma cova que fora limpa de árvores para que as estrelas iluminassem com o seu brilho a cena mais pavorosa que os seus olhos alguma vez tinham visto . Aranhas . Não aranhas pequeninas como aquelas que estavam sobre as folhas . Aranhas de o tamanho de enormes cavalos , com oito olhos , oito pernas pretas , peludas , gigantescas . O espécimen que transportava Harry desceu o terreno íngreme até uma teia brumosa em forma de cúpula que ficava mesmo em o meio de a cova , enquanto os companheiros se juntavam em volta , batendo excitadíssimos com as tenazes e olhando para o que eles traziam a as costas . Harry caiu em o chão de gatas quando a aranha o libertou . Ron e Fang foram cair perto de ele . O Fang já não gania . Estava agachado e muito quieto . Ron e Harry partilhavam o mesmo sentimento . O Ron tinha a boca aberta em uma espécie de grito silencioso e os olhos a saltarem lhe de as órbitas . Harry percebeu de repente que a aranha que o deitara a o chão estava a dizer qualquer coisa . Era difícil entender porque entre cada duas palavras , batia com as tenazes . - Aragog - chamou . - Aragog . E de o meio de a teia brumosa em forma de cúpula saiu muito lentamente uma aranha de o tamanho de um pequeno elefante . As costas e as pernas estavam cobertas de pêlo cinzento e , em a cabeça feia , munida de tenazes , estavam vários olhos , todos eles de um branco leitoso . Era cega . - O que foi ? - disse , batendo rapidamente com as tenazes uma em a outra . - Homens - respondeu a aranha que trouxera o Harry . - É o Hagrid ? - perguntou Aragog , aproximando se mais com os seus oito olhos leitosos a vaguear . - Estranhos - respondeu a aranha que trouxera o Ron . - Matem nos - disse Aragog , irritada . - Eu estava a dormir ... - Nós somos amigos de o Hagrid - gritou Harry . Parecia que o coração lhe saltava por a boca . Clic , clic , clic fizeram as tenazes de a aranha , em volta de a cova . Aragog parou . - O Hagrid nunca mandou homens a a nossa cova - disse lentamente . - O Hagrid está em perigo - explicou Harry , respirando muito depressa . - Foi por isso que eu vim . - Em perigo ? - repetiu a aranha idosa e pareceu a Harry sentir preocupação por detrás de as suas tenazes . - Mas porque vos mandou ele cá ? Harry pensou pôr se de pé mas achou melhor não arriscar . As pernas provavelmente não teriam força para o sustentar . Falou portanto de o chão , o mais calmamente que foi capaz . - Eles lá em a escola pensam que o Hagrid soltou qualquer coisa contra os estudantes . Mandaram o para Azkaban . Aragog bateu furiosamente com as tenazes e , em toda_a cova , o eco foi reproduzido por uma multidão de aranhas . Era uma espécie de aplauso com uma única diferença : os aplausos não costumavam fazer o Harry quase morrer de medo . - Mas isso foi há muitos anos - disse Aragog , maldisposta . - Há anos e anos . Lembro me muito bem . Foi por isso que o expulsaram de a escola . Eles pensaram que eu era o monstro que vive em aquilo a que eles chamam a Câmara_dos_Segredos . Pensaram que o Hagrid a tinha aberto para me libertar . - E tu ... não vieste de a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Harry que sentia a testa cheia de suores frios . - Eu - disse Aragog , batendo irritada com as tenazes - , eu não nasci em o castelo . Venho de uma terra distante . Um viajante ofereceu me a o Hagrid quando eu era ainda um ovo . Hagrid era um rapazinho mas tratou de mim , escondeu me em uma despensa dentro de o castelo e alimentava me com as migalhas que ficavam em as mesas . Hagrid é o meu bom amigo e um bom homem . Quando me encontraram e me culparam por a morte de uma rapariga , ele protegeu me . Desde_então , tenho vivido aqui em a floresta onde o Hagrid ainda vem visitar me . Ele até me arranjou uma esposa , Mosag , e estão a ver como a família cresceu , tudo graças a a bondade de o Hagrid ... Harry reuniu a coragem que lhe restava . - Então tu nunca atacaste ninguém ? - Nunca - resmungou a velha aranha . - Era esse o meu instinto , mas por respeito a Hagrid nunca fiz mal a nenhum humano . O corpo de a rapariga morta foi encontrado em uma casa_de_banho , ora eu nunca conheci mais do_que despensa de o castelo , onde cresci . Nós gostamos de o escuro de o silêncio . - Mas então ... sabes o que matou essa rapariga ? - perguntou Harry . - Porque seja o que for , está a atacar as pessoas outra_vez ... As suas palavras foram abafadas por uma audível explosão de tenazes a bater e por o ruge-ruge de muitas pernas longas , deslocando se iradas . Em volta de Harry começaram a mover se sombras escuras . - O que vive em o castelo - disse Aragog - é uma antiga criatura que nós , aranhas , tememos acima_de todas_as outras . Lembro me bem de o quanto insisti com Hagrid para que me deixasse sair de ali quando senti a criatura a andar por a escola . - O que é ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Mais tenazes a bater , mais pernas a moverem se . As aranhas pareciam estar a aproximar se . - Nós não falamos de isso - exclamou Aragog furiosa . - Não pronunciamos o seu nome . Eu nunca disse a o Hagrid o nome de a horrível criatura , apesar_de ele me ter perguntado vezes sem conta . Harry não quis insistir , principalmente com todas aquelas aranhas a aproximarem se de todos os lados . Aragog parecia ter se cansado de falar . Recuava lentamente para a teia em forma de cúpula , mas as companheiras continuavam a aproximar se ameaçadoramente de Harry e Ron . - Vamos embora , então - gritou Harry , desesperadamente a Aragog , enquanto ouvia as folhas secas a estalarem atrás_de si . - Embora ? - disse Aragog lentamente . - Não me parece ... - Mas , mas ... - Os meus filhos e filhas não fazem mal a o Hagrid por ordem minha . Mas não posso negar lhes carne fresca quando ela veio por vontade própria ter connosco . Adeus , amigo de o Hagrid . Harry deu meia volta . Poucos centímetros acima de ele , uma sólida parede de aranhas batia com as tenazes , os seus muitos olhos a brilharem em as horríveis caras pretas . Mesmo_que se servisse de a varinha , Harry sabia que não ia valer de nada . As aranhas eram demasiadas , mas quando tentava preparar se para morrer a lutar , ouviu se um som prolongado e um clarão de luz iluminou a cova . O carro de Mr._Weasley ribombava , descendo o declive , com os faróis acesos , a buzina a guinchar , afastando as aranhas . Muitas de elas ficaram voltadas ao_contrário com as várias pernas a agitar se em o ar . O carro buzinou com mais força em frente de Harry e Ron e as portas abriram se . - Agarra o Fang - gritou Harry , ajeitando se em o lugar de a frente . Ron agarrou o cão caçador de javalis e lançou o a ganir para o banco de trás . As portas fecharam se com estrondo . Ron não tocou em o acelerador mas o carro não precisou de isso . O motor fez se ouvir e levantaram voo , batendo em mais aranhas . Subiram o declive , saindo de a cova e pouco depois atravessavam a floresta , os ramos a baterem em os vidros enquanto o carro seguia habilmente através de os intervalos maiores , por um caminho que obviamente já conhecia . Harry olhou para o Ron , a o seu lado . Ele tinha ainda a boca aberta em o mesmo grito silencioso mas os olhos já não estavam salientes . - Estás bem ? Ron olhou em frente , incapaz de responder . Começavam a descer para terra firme com o Fang a soltar enormes ganidos em o banco de trás e Harry viu o espelho retrovisor saltar quando passaram rente a um enorme carvalho . Após dez minutos bastante ruidosos , as árvores começaram a ser mais finas e Harry pôde ver de_novo pedaços de o céu . O carro parou tão bruscamente que quase foram projectados por o vidro de a frente . Tinham chegado a a orla de a floresta . O Fang ia agitadíssimo a a janela e quando Harry abriu a porta , disparou a correr através de as árvores até a a casa de o Hagrid , de cauda entre as pernas . Harry saiu também e um minuto depois o Ron pareceu recuperar a força em os membros e seguiu o , ainda com um torcicolo e de olhos esbugalhados . Harry deu uma palmadinha de agradecimento a o carro antes de ele dar a volta e desaparecer em direcção a a floresta . Harry voltou a a cabana de o Hagrid para buscar o manto de a invisibilidade . O Fang tremia em o seu cesto , coberto por um cobertor . Quando saiu de_novo , viu o Ron a vomitar junto de as abóboras . - Sigam as aranhas - disse ele debilmente , limpando a boca a a manga . - Nunca vou perdoar a o Hagrid . É uma sorte ainda estarmos vivos . - Aposto que ele pensou que Aragog nunca faria mal a os seus amigos - justificou Harry . - Esse é justamente o problema de o Hagrid - interrompeu Ron , dando um soco em a parede de a cabana . - Ele acha sempre_que os monstros não são tão maus como os pintam e vê onde isso o levou , a uma cela em Azkaban - tremia agora descontroladamente . - Qual a ideia de ele a o mandar nos ali ? Gostava de saber o que é_que descobrimos . - Que o Hagrid nunca abriu a Câmara_dos_Segredos - disse Harry , lançando o manto sobre Ron e tocando lhe em o braço para o encorajar a andar . - Ele estava inocente . Ron resmungou em voz alta . Para ele , chocar Aragog em uma despensa não era propriamente estar inocente . Quando se aproximaram de o castelo , Harry esticou o manto para garantir que os pés de ambos ficavam cobertos . Em seguida , empurrou as portas de a frente que chiaram . Atravessaram com todo o cuidado o * hall * de entrada e subiram a escadaria de mármore , contendo a respiração em os corredores guardados por sentinelas atentos . Por fim , chegaram a a segurança de a sala de os Gryffindor onde o lume ardera até se transformar em brasas brilhantes . Tiraram o manto e subiram a escada serpenteante que os levava a o dormitório . Ron caiu em a cama sem sequer se despir mas Harry , apesar_de tudo , não tinha sono . Sentou se em a beirinha de a cama , pensando em todas_as coisas que Aragog dissera . A criatura que andava por o castelo , pensou , era uma espécie de monstro Voldemort , nem os outros monstros queriam pronunciar o seu nome . Mas ele e o Ron não estavam agora mais perto_de descobrir o que era nem como petrificava as suas vítimas . Se nem o Hagrid chegara a saber o que estava em a Câmara_dos_Segredos ... Harry balançou as pernas e atirou se para_cima de a cama . Encostado a as almofadas olhou a Lua que brilhava através de a janela de a torre . Não sabia que mais poderiam fazer . Só tinham encontrado portas fechadas . Riddle apanhara a pessoa errada . O herdeiro de Slytherin fugira e ninguém sabia se era a mesma pessoa ou uma outra que abrira , desta_vez , a Câmara_dos_Segredos . Não havia mais ninguém a quem fazer perguntas . Harry deitou se ainda a pensar em as palavras de Aragog . Estava a começar a ficar com sono quando aquilo que parecia ser uma última esperança lhe ocorreu , fazendo o sentar se muito direito em a cama . - Ron - sussurrou em o escuro . - Ron . Ron acordou com um ganido como os de o Fang . Olhou muito assustado em volta e viu o Harry . - Ron , a rapariga que morreu . Aragog contou nos que ela foi encontrada em uma casa_de_banho - disse , ignorando os roncos de o Neville em o outro canto de o quarto . - E se ela nunca tivesse saído de a casa_de_banho ? E se ainda lá estiver ? Ron esfregou os olhos , franzindo as sobrancelhas sob a luz de a Lua . E só então compreendeu . -- Não pensar que ... a Murta_Queixosa ? XVI_A_Câmara_dos_Segredos -- E estivemos nós tantas vezes em aquela casa_de_banho com ela apenas a três cubículos de distância - disse o Ron amargamente em o dia seguinte , a a mesa de o pequeno-almoço . - Podíamos ter lhe perguntado e agora ... Já fora bastante difícil procurar as aranhas . Escapar a os professores o tempo suficiente para ir até a a casa_de_banho de as raparigas , que ficava mesmo em frente de o lugar onde ocorrera o primeiro ataque , ia ser quase impossível . Mas alguma coisa aconteceu que fez com que a Câmara_dos_Segredos desaparecesse de os seus pensamentos pela_primeira_vez em várias semanas . A professora Mc_Gonagall comunicou lhes que os exames começariam a 1_de_Junho , uma semana depois . - Exames ? - gritou Seamus_Finnigan . - Nós mesmo_assim vamos ter exames ? Ouviu se um estrondo atrás de o Harry quando a varinha de o Neville_Longbottom lhe escapou de a mão , fazendo desaparecer uma de as pernas de a secretária . A professora Mc_Gonagall repô a com a sua varinha e voltou se com má cara para o Seamus . - Se temos a escola aberta em uma altura de estas é para vocês receberem instrução - disse com dureza . - Os exames terão lugar , portanto , como é costume e espero que todos vocês façam revisões até lá . Revisões . Não passara por a cabeça de o Harry que houvesse exames com o castelo em aquele estado . Houve uma série de murmúrios revoltados , o que fez com que a professora Mc_Gonagall ficasse ainda mais mal-humorada . - As instruções de o professor Dumbledore foram para manter a escola a funcionar o mais normalmente possível - disse . - E isso , não preciso de vos dizer , passa por uma avaliação de o quanto vocês aprenderam a o longo de este ano . Harry olhou para baixo , para o casal de coelhos brancos que ele deveria transformar em pantufas . Que tinha ele aprendido durante o ano ? Não era capaz de se lembrar de nada que fosse útil em um exame . Ron estava como_se tivessem acabado de lhe dizer que a partir de aquele momento tinha de ir viver para a floresta proibida . - Estás a ver me a ter exames com isto tudo ? - perguntou a o Harry enquanto pegava em a varinha que tinha começado a assobiar bastante alto . Três dias antes de o primeiro exame , a a hora de o pequeno almoço , a professora Mc_Gonagall fez outra comunicação . - Tenho boas notícias - disse , e o salão em_vez_de se calar , explodiu de contentamento . - Dumbledore vai regressar ! - gritaram várias pessoas cheias de alegria . - Apanharam o herdeiro de Slytherin - arriscou uma rapariga em a mesa de os Ravenclaw . - Temos outra_vez os jogos de Quidditch - bradou Wood , excitadíssimo . Quando a agitação passou , Mc_Gonagall disse : - A professora Sprout informou me que as mandrágoras estão finalmente prontas para serem cortadas . Hoje a a noite vamos poder reanimar as pessoas que foram petrificadas . Escusado será dizer que certamente uma de elas poderá revelar nos quem ou o que a atacou . Eu tenho esperança que este ano pavoroso acabe com a prisão de o culpado . Houve uma explosão de aplausos . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e não ficou nada surpreendido a o ver que Draco_Malfoy não aplaudia . O Ron , por outro lado , estava satisfeito como ninguém o via havia dias . - Não faz mal não termos perguntado a a Murta . A Hermione vai , com certeza , ter todas_as respostas quando acordarem . Vai também ficar fula quando souber que temos exames dentro_de três dias . Ela não pôde fazer revisões . Seria melhor deixarem a estar onde está até a o final de os exames . Nessa_altura , Ginny_Weasley veio sentar se junto de o Ron . Parecia nervosa e tensa e Harry reparou que torcia as mãos em o colo . - O que se passa ? - perguntou o Ron , servindo se de mais papa de aveia . Ginny não disse nada mas olhou para um lado e para o outro de a mesa de os Gryffindor , com um olhar assustado que lembrou a Harry alguém que não sabia bem quem era . - Vá lá , vomita - disse o Ron , olhando para ela . Harry percebeu subitamente quem a Ginny lhe lembrara . Ela balançava se ligeiramente para a frente e para trás em a cadeira , exactamente como o Dobby fazia quando estava hesitante , à_beira_de revelar uma informação proibida . - Tenho de te dizer uma coisa - balbuciou a Ginny receosa , sem olhar para Harry . - O que é ? - perguntou ele . Ginny parecia incapaz de encontrar as palavras certas . - O quê ? - insistiu Ron . Ginny abriu a boca mas não saiu nenhum som . Harry inclinou se para a frente e falou devagar para que só ela e Ron pudessem ouvi o . - É alguma coisa relacionada com a Câmara_dos_Segredos ? Viste alguma coisa ou alguém a agir de forma estranha ? Ginny respirou fundo e , em esse preciso momento , apareceu Percy_Weasley com um ar pálido e cansado . - Se já acabaste de comer eu fico com esse lugar , Ginny . Estou cheio de fome . Acabei agora o meu trabalho de patrulhamento . Ginny deu um salto como_se a cadeira tivesse acabado de ser electrificada , lançou a o Percy um olhar assustado e zarpou . Percy sentou se e tirou uma caneca de o meio de a mesa . -- Percy - disse o Ron aborrecido . - Ela ia agora mesmo contar nos uma coisa importante . A meio de um gole de chá , Percy estremeceu . - Que coisa ? - perguntou , tossindo . - Eu quis saber se ela tinha visto alguma coisa estranha e ela ia dizer ... - Ah ! isso ... não tem nada que ver com a Câmara_dos_Segredos - disse o Percy de imediato . - Como sabes ? - indagou o Ron , erguendo as sobrancelhas . - Bem ... er ... já_que perguntam , a Ginny ... er ... passou por mim em outro dia quando eu ... er ... não foi nada , o importante é_que ela viu me fazer uma coisa e eu ... um ... pedi lhe para não comentar com ninguém . Não pensei que ela cumprisse a palavra , verdade se diga . Não é nada importante , eu só ... Harry nunca vira o Percy tão pouco a a vontade . - O que estavas a fazer , Percy ? - riu se o Ron . - Vá lá , conta que nós não nos rimos . Percy ficou sério . - Passa me esses pãezinhos , Harry , estou cheio de fome . Harry sabia que todo o mistério poderia ser desvendado em o dia seguinte sem a ajuda de eles mas não ia deixar de falar com a Murta_Queixosa se a oportunidade surgisse . E , para sua grande satisfação , ela surgiu a meio de a manhã quando eram conduzidos a a aula de História_da_Magia_por_Gilderoy_Lockhart . Lockhart , que tantas vezes lhes assegurara que o perigo tinha passado , estava agora totalmente convencido de que acompanhar os alunos em os corredores era um trabalho inútil . O seu cabelo estava mais liso do_que de costume . Parecia ter passado toda_a noite acordado a vigiar o quarto andar . - Podem escrever o que eu digo - afirmou , acompanhando os até uma esquina . - As primeiras palavras que vão sair de a boca de aquelas pobres pessoas petrificadas serão - * _ Foi_o_Hagrid * . Francamente , estou espantado por a professora Mc_Gonagall considerar ainda necessárias estas medidas de segurança . - Concordo , professor - disse Harry , fazendo com que Ron , surpreendido , deixasse cair os livros a o chão . - Obrigado , Harry - disse Lockhart amavelmente , enquanto deixavam passar uma grande fila de Hufflepuffs . - verdade é_que os professores já têm bastante que fazer para andarem também a acompanhar os alunos a as aulas e a guardar os corredores a a noite ... - É verdade - disse o Ron , percebendo a ideia . - Porque não nos deixa aqui , professor , só falta mais um corredor . - Sabes , Weasley , sou mesmo capaz de fazer isso - disse Lockhart . - Preciso de preparar a minha próxima aula . E apressou se a seguir o seu caminho . - Preparar a aula - zombou o Ron . - Vai encaracolar o cabelo , é o mais certo . Deixaram os restantes Gryffindor passar lhes a a frente e por fim cortaram caminho em um corredor lateral e dirigiram se a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mas quando estavam a congratular se por o seu esquema brilhante ... - Potter , Weasley ! Que estão vocês a fazer aqui ? Era a professora Mc_Gonagall e a boca de ela estava mais fina do_que nunca . - Nós estávamos , estávamos - gaguejou o Ron . - Nós íamos ver , íamos ver ... - Hermione - completou Harry . A professora Mc_Gonagall e Ron olharam para ele . - Não a vemos há séculos , professora - prosseguiu Harry , pisando o pé a o Ron . - E pensamos ir espreitá a a a ala hospitalar e dizer lhe que as mandrágoras estão quase prontas , para ela não se preocupar . A professora Mc_Gonagall estava ainda a olhar para ele e , por um momento , Harry pensou que ela ia explodir mas , quando falou , fê lo em um tom de voz estranhamente rouco . - É claro - disse . E Harry , espantado , viu uma lágrima a brilhar lhe em o canto de um de os olhos . - É claro . Eu compreendo que tudo_isto tem sido muito duro para os amigos de aqueles que foram ... eu compreendo , sim , Potter . Podem ir visitar Miss_Granger . Eu mesma informarei o professor Binns de que vocês estão em o hospital . Digam a Madam_Pomfrey que vos dei autorização . Harry e Ron afastaram se , quase sem acreditar que tinham escapado a um castigo . Quando voltaram em uma esquina ouviram nitidamente a professora Mc_Gonagall a assoar se . - Esta - disse o Ron entusiasmado - foi a melhor história que tu alguma vez inventaste . Não tinham outro remédio senão ir a a ala hospitalar e dizer a Madam_Pomfrey que tinham autorização de a professora Mc_Gonagall para visitar Hermione . Madam_Pomfrey deixou os entrar com alguma relutância . - Não vale a pena falar com uma pessoa petrificada - disse , e ambos tiveram que admitir que ela tinha razão quando se sentaram junto de Hermione e constataram que ela não tinha a menor noção de estar acompanhada . Dizer lhe que não se preocupasse ou falar com o armário que estava a o lado de a cama era exactamente a mesma coisa . - Será que ela viu quem a atacou ? - perguntou o Ron , olhando com tristeza para o rosto rígido de Hermione . - Porque se a coisa saltou sobre eles , ficaremos todos sem saber de nada . Mas Harry não olhava para o rosto de Hermione . Estava mais interessado em a sua mão direita que se encontrava pousada sobre os cobertores e , inclinando se para ela , viu que tinha , fechado entre os dedos , um pedaço de papel . Assegurando se de que Madam_Pomfrey não dava por nada , fez sinal a o Ron . - Tenta tirá o - murmurou ele , colocando a cadeira de_modo_a que Madam_Pomfrey não pudesse ver o Harry . Não foi tarefa fácil . A mão de a Hermione estava fechada com uma força tal que Harry receou parti a . Enquanto Ron vigiava , ele forçou e torceu até que , por fim , depois de vários minutos bastante tensos , conseguiu tirar o papel . Era uma página retirada de um livro muito antigo de a biblioteca . Harry alisou a ansiosamente e Ron inclinou se para poder lês a também . * _ De todos os monstros assustadores que pairam a a face de a Terra , nenhum é tão curioso nem tão fatal como o Basilisk , também conhecido por o rei de as serpentes . Esta cobra que pode atingir proporções gigantescas e viver durante muitas centenas de anos nasce de um ovo de galinha que é chocado por um sapo . As suas formas de matar são pavorosas pois além de os dentes venenosos e mortais , o Basilisk tem um olhar criminoso e todos aqueles que ele fixa com os olhos tem morte instantânea . As aranhas fogem a sete pés de o Basilisk que é seu inimigo mortal , e o Basilisk foge apenas de o canto de o galo que para ele é fatal * . Por debaixo de isto uma única palavra fora escrita , em a letra que Harry reconheceu como sendo de Hermione : Canos . Foi como_se se tivesse acendido uma luz em o seu espírito . - Ron - murmurou - é isso . Está aqui a resposta . O monstro de a Câmara_dos_Segredos é um Basilisk , uma serpente gigante . Por isso , só eu tenho ouvido a sua voz em todos os lugares , porque eu compreendo * serpentês * ... Harry olhou para as camas em volta . - O Basilisk mata as pessoas fixando as com o olhar mas ninguém morreu , o que quer_dizer que ninguém o olhou directamente em os olhos . Colin viu o através de a lente de a máquina fotográfica e o Basilisk queimou o rolo que estava lá dentro mas o Colin ficou apenas petrificado . O Justin ... o Justin deve ter visto o Basilisk através de o Nick quase sem cabeça . O Nick é_que levou com o olhar mas não podia morrer outra_vez ... e perto de a Hermione e de a prefeita de os Ravenclaw foi encontrado um espelho . Hermione acabara de compreender que o monstro era um Basilisk . Aposto que preveniu a primeira pessoa que encontrou de que era melhor olhar por um espelho a o virar de cada esquina . E aquela rapariga puxou de o seu espelho e ... O Ron estava de queixo caído . - E Mrs._Norris ? - perguntou vivamente . Harry pensou um_pouco , tentando imaginar a cena em a noite de o Halloween . - A água . . . - disse lentamente . - A poça de água que saiu de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Aposto que Mrs._Norris só viu o reflexo de o monstro . Examinou a folha de papel que tinha em a mão . Quanto_mais olhava mais sentido faziam as coisas . - * _ O cantar de o galo é fatal para ele * - leu em voz alta . - Os galos de o Hagrid foram mortos . O herdeiro de Slytherin não queria um único galo perto de o castelo , com a câmara aberta . * _ As aranhas são as primeiras a fugir * . Tudo encaixa . - Mas , como tem o Basilisk andado por aí ? - disse o Ron . - Uma serpente horrível e enorme ... alguém a teria visto . Mas Harry apontou para a palavra que Hermione escrevinhara em o final de a página . - Canos - disse . - Canos ... Ron , ele tem usado a canalização . Eu ouvi sempre a voz dentro de as paredes ... Ron agarrou subitamente o braço de o Harry . - A entrada para a Câmara_dos_Segredos - disse em uma voz rouca . - E se for em uma casa_de_banho ? Se for em a ... - Em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa - completou Harry . Sentaram se , tomados de uma excitação enorme , mal querendo acreditar . - Isso significa que - disse o Harry - eu não posso ser o único em a escola a falar * serpentês * . Há também o herdeiro de Slytherin . É de esse modo que tem controlado o Basilisk . - O que vamos fazer ? - perguntou Ron com os olhos a faiscar . - Vamos falar com a Mc_Gonagall ? - Vamos até a a sala de os professores - disse Harry , dando um salto . - Ela estará lá dentro_de dez minutos , está quase em o intervalo . Desceram a escada a correr . Não querendo ser descobertos outra_vez a vaguear por os corredores foram directamente até a a sala de os professores que estava deserta . Era uma divisão ampla , toda forrada , com cadeiras de madeira escura . Harry e Ron passearam de um lado para o outro , demasiado nervosos para se sentarem . Mas a campainha anunciando o intervalo nunca mais tocava . Em vez de isso , ecoando em os corredores , ouviram a voz de a professora Mc_Gonagall incrivelmente ampliada . - * _ Todos os alunos devem regressar de imediato a os seus dormitórios . Todos os professores a a sala de professores . Imediatamente , por favor * . Harry deu meia volta e olhou para o Ron . - Não me digas que houve um novo ataque , não agora ! - Que vamos fazer ? - disse o Ron aterrado . - Voltar para o dormitório ? - Não - disse Harry , olhando e m volta . Havia uma espécie de armário a a sua esquerda cheio com os mantos de os professores . - Ali . Vamos ouvir o que se passa . A seguir poderemos contar lhes o que descobrimos . Esconderam se dentro de o armário , ouvindo a algazarra de centenas de pessoas e a porta de a sala de professores a abrir se . De o meio de a confusão de mantos bafientos , viram os professores encherem a sala . Alguns tinham um ar totalmente confuso , outros pareciam apavorados . Por fim , chegou a professora Mc_Gonagall . - Aconteceu - disse em o silêncio de a sala de professores . - O monstro levou uma aluna . Levou a mesmo para a câmara . O professor Flitwick soltou um grito agudo . A professora Sprout bateu com a mão em a boca . Snape agarrou com força as costas de uma cadeira e perguntou : - Como pode ter tanta certeza ? - O herdeiro de Slytherin - disse a professora Mc_Gonagall , muito pálida . - Deixou outra mensagem . Mesmo por baixo de a primeira : « * _ O esqueleto de ela ficará para sempre em a Câmara_dos_Segredos * . » O professor Flitwick desatou a chorar . - Quem é ela ? - quis saber Madam_Hooch que se afundara em uma cadeira . - Quem é a aluna ? - Ginny_Weasley - disse a professora Mc_Gonagall . Harry viu o Ron , a o seu lado , escorregar silenciosamente até a o chão de o armário . - Vamos ter que mandar todos os alunos embora amanhã - disse a professora Mc_Gonagall . Isto_é o fim de Hogwarts , Dumbledore sempre disse ... A porta de a sala de os professores voltou a abrir se . Por um breve momento , Harry pensou que fosse Dumbledore mas era Lockhart e vinha todo sorridente . - Peço desculpa , adormeci . Perdi alguma coisa ? Não pareceu reparar que os outros professores o olhavam com uma espécie de aversão . Snape deu um passo em frente . - O homem que faltava - disse . - O homem certo . O monstro raptou uma garota , Lockhart levou a para a Câmara_dos_Segredos . O seu momento chegou . - Isso mesmo , Lockhart - acrescentou a professora Sprout . - Não estavas a dizer ontem a a noite que sempre tinhas sabido onde era a entrada para a Câmara_dos_Segredos ? - Eu ... bem ... eu-disse atabalhoadamente Lockhart . - Sim , não me disseste que sabias exactamente o que estava lá dentro ? - disse com voz esganiçada o professor Flitwick . - Eu disse ? Não me lembro ... - Lembro me perfeitamente de o ouvir dizer que lamentava não ter feito uma tentativa com o monstro antes de o Hagrid ser preso - disse Snape . - Não disse que toda_a história tinha sido uma atrapalhação e que deveriam ter lhe dado carta branca desde o princípio ? Lockhart olhou em volta para a cara de espanto de os colegas . - Eu ... nunca ... eu de facto ... deve ter me compreendido mal . - Então vamos deixar te , Gilderoy - disse a professora Mc_Gonagall . - Esta noite será uma excelente oportunidade para actuares . Nós trataremos de assegurar que ninguém te atrapalha . Vais poder enfrentar o monstro sozinho . Finalmente tens carta branca . Lockhart olhou desesperado a a sua volta mas ninguém foi salvá o . Já não estava bem-parecido . O lábio tremia lhe e a ausência de o seu habitual sorriso de dentes brancos dava lhe um ar escanzelado . - M-muito bem - disse . - Vou até a o meu escritório para ... para me preparar . E saiu de a sala . - _ óptimo - exclamou a professora Mc_Gonagall com as narinas dilatadas . - Isto deve afastá o de o nosso caminho . Os chefes de casa devem ir agora comunicar a os respectivos alunos o que se passou e informá os de que o Expresso_de_Hogwarts os levará a casa amanhã de manhã . Os restantes certifiquem se , por favor , de que não há alunos fora de os dormitórios . Os professores levantaram se e saíram um a um . Foi talvez o dia pior de a vida de o Harry . Ele , Ron , Fred e George sentaram se juntos a um canto em a sala comum de os Gryffindor , incapazes de proferir uma palavra . Percy não estava lá . Tinha ido tratar de enviar uma coruja a Mr. e Mrs._Weasley e , em seguida , fechara se em o dormitório . Nunca uma tarde custara tanto a passar e nunca a torre de os Gryfffindor estivera tão cheia de gente e tão silenciosa . Fred e George foram para a cama quase a o pôr de o Sol , incapazes de ficar ali mais tempo . - Ela sabia qualquer coisa , Harry - disse o Ron , falando pela_primeira_vez desde_que tinham saído de o armário de a sala de os professores . - Por isso a levaram . Não era nenhuma parvoíce sobre o Percy , ela tinha descoberto qualquer coisa sobre a Câmara_dos_Segredos . Com certeza por isso é_que a ... - Ron esfregou os olhos , enervadíssimo . - Afinal ela era sangue puro , não pode haver outra explicação . Harry olhava para o sol que mergulhava de um vermelho cor de sangue em a linha de o horizonte . Era a pior coisa que lhe tinha acontecido . Se pelo_menos pudessem fazer alguma coisa . - Harry - disse o Ron . - Achas que há alguma possibilidade de ela não estar ... ? Sabes o que eu quero dizer . Harry não sabia que resposta dar . Não acreditava que a Ginny pudesse ainda estar viva . - Sabes uma coisa ? - disse o Ron . - Acho que devíamos ir ter com o Lockhart , contar lhe o que sabemos . Ele vai tentar entrar em a câmara , podemos dizer lhe onde achamos que fica a entrada e contar lhe que o monstro é um Basilisk . Como Harry não tinha nenhuma ideia melhor e como queria fazer alguma coisa , concordou . Os Gryffindor que os rodeavam estavam tão tristes e com tanta pena de os Weasley que ninguém tentou impedi os quando os viram levantar se , atravessar a sala e sair por o buraco de o retrato . A escuridão começava a instalar se quando chegaram a o escritório de Lockhart onde a actividade era muita . De o corredor ouvia se o ruído de coisas a serem deitadas fora , pancadas surdas e passos apressados . Harry bateu a a porta e houve um silêncio repentino . Em seguida abriu se uma fresta de a porta e viram um de os olhos de Lockhart a espreitar . - Oh ! ... Mr._Potter ... Mr._Weasley - disse entreabrindo a porta . - Estou um_pouco ocupado em este momento , se forem rápidos ... - Professor , nós temos informações para lhe dar - disse o Harry . - Acho que poderão ajudá o . - Er ... bem ... não é - o lado de a cara de Lockhart que conseguiam ver parecia muito pouco a a vontade . - Quer_dizer ... bem ... está bem . Abriu a porta e eles entraram . O escritório estava praticamente vazio . Em o chão estavam duas grandes malas abertas . Mantos verde-jade , lilás , azul-noite tinham sido apressadamente dobrados e guardados dentro_de uma de as malas . Os livros misturavam se todos dentro de a outra . As fotografias que antes cobriam as paredes estavam agora arrumadas em caixas , em cima de a secretária . - Vai a algum lado ? - perguntou Harry . - Er ... bem ... sim - disse Lockhart , arrancando de a porta um poster seu em tamanho natural , enquanto falava , e começando a enrolá o . - Uma chamada urgente ... inevitável ... tenho que ir . - E a minha irmã ? - perguntou o Ron bruscamente . - Bem , quanto_a isso foi uma pena - disse Lockhart , evitando olhá os em os olhos , abrindo uma gaveta e começando a despejar o seu conteúdo dentro_de um saco . - Ninguém lamenta mais do_que eu ... - O senhor é o professor de Defesa contra as artes negras - disse Harry . - Não pode ir se embora agora_que todas estas coisas de magia negra estão a acontecer aqui . - Bem , devo dizer te que ... quando aceitei o lugar ... - resmungou Lockhart , empilhando soquetes sobre os mantos - nada em a descrição de o meu trabalho fazia prever ... - Quer_dizer que vai fugir ? - perguntou Harry , incrédulo . - Depois de todas_as coisas que conta em os seus livros ? - Os livros podem ser enganadores - disse Lockhart delicadamente . - Mas foi o senhor que os escreveu - gritou Harry . - Meu rapaz - disse Lockhart , endireitando se e franzindo as sobrancelhas - usa o senso comum . Os meus livros não teriam vendido metade do_que venderam se as pessoas não acreditassem que eu tinha feito todas aquelas coisas . Ninguém está interessado em ler sobre um velho feiticeiro americano mesmo_que ele tenha salvo uma cidade inteira de os lobisomens , ficaria péssimo em a capa . E a bruxa que correu com a fada carpideira tinha um lábio leporino . Como vês . - Quer_dizer que ficou com os louros por tudo_o_que uma série de outras pessoas fizeram ? - perguntou Harry , sem querer acreditar . - Harry , Harry - disse Lockhart , abanando impacientemente a cabeça . - Não é tão simples assim . Envolveu muito trabalho . Tive de localizar todas essas pessoas , perguntar lhes em pormenor como tinham feito as coisas . Depois tive de lhes fazer um feitiço antimemória para que não voltassem a lembrar se do_que tinham feito . Se há uma coisa de que me orgulho é de os meus feitiços antimemória . Não , tive muito trabalho , Harry . Não foram só as sessões de autógrafos e as fotografias , sabes ? Quem quer ser famoso tem de estar preparado para um trabalho longo e fatigante . Fechou as malas a a chave . - Vejamos - disse . - Acho que está tudo . Sim , só falta uma coisa . - Empunhou a varinha e voltou se para eles . - Lamento muito , rapazes , mas vou ter de vos fazer um feitiço antimemória . Não posso deixar que vão por aí repetir os meus segredos . Não venderia nem mais um livro . Harry pegou em a varinha mesmo a tempo e Lockhart mal tinha levantado a de ele a o ar quando Harry gritou * _ Expelliarmus ! * Lockhart foi projectado de costas , indo cair em cima de a mala . A varinha voou por os ares . Ron agarrou a e atirou a por a janela aberta . - Não devia ter deixado o professor Snape ensinar nos esta - disse Harry furioso , dando um pontapé a uma de as malas . Lockhart olhava para ele , de_novo escanzelado . Harry apontava lhe a varinha . - O que queres que eu faça ? - perguntou debilmente . - Eu não sei onde fica a Câmara_dos_Segredos . Não posso fazer nada . - Está com sorte - disse Harry , forçando o com a varinha a pôr se de pé . - Nós julgamos saber onde é e o que está lá dentro . Vamos . Conduziram Lockhart para fora de o seu escritório , desceram com ele as escadas e seguiram por o corredor escuro em cuja parede brilhavam as mensagens , até a a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mandaram Lockhart a a frente . Harry gostou de ver que todo ele tremia . A Murta_Queixosa estava sentada em a cisterna de o cubículo de o fundo . - Ah ! são vocês - disse a o ver o Harry . - O que querem agora ? - Perguntar te como morreste - disse Harry . O aspecto de a Murta mudou por completo . Parecia que nunca lhe tinham feito uma pergunta tão lisonjeira . - Ooooh ! Foi horrível - disse satisfeita . - Aconteceu aqui mesmo . Morri em este cubículo . Lembro me tão bem . Estava escondida porque a Olive_Hornby andava a implicar comigo por causa de os meus óculos . A porta estava fechada e eu estava a chorar e , então , ouvi alguém entrar . Disseram qualquer coisa estranha em uma língua diferente , acho eu . Mas o que mais me espantou foi o ser um rapaz a falar . Por isso , abri a porta para lhe dizer que fosse a a casa_de_banho de eles e em esse momento - a Murta inchou com ar importante , o rosto a brilhar - morri . - Como ? - perguntou Harry . - Não faço ideia - disse a Murta em um tom de voz abafado . - Só me lembro de ver dois grandes olhos amarelos , de o meu corpo ficar preso e em seguida , sentir me a flutuar ... - olhou sonhadoramente para Harry . - E depois voltei . Estava disposta a vingar me de a Olive_Hornby , percebes ? Ela ia arrepender se de ter gozado com os meus óculos . - Onde foi exactamente que viste os tais olhos ? - perguntou Harry . - Algures por aí - disse a Murta , apontando vagamente para o lavatório em frente de o seu cubículo . Harry e Ron apressaram se . Lockhart estava de pé , mais atrás , com uma expressão de pavor em o rosto . O lavatório parecia perfeitamente vulgar . Examinaram o centímetro a centímetro , dentro e fora , incluindo os canos por baixo . E foi então que Harry reparou : de lado , rabiscada em uma de as torneiras de cobre , estava uma cobra pequenina . - Essa torneira nunca funcionou - disse vivamente a Murta enquanto ele tentava abri a . - Harry - sugeriu o Ron . - Diz qualquer coisa em * serpentês * . Mas , pensou Harry , as únicas vezes que conseguira falar * serpentês * tinham ocorrido quando confrontado com uma verdadeira serpente . Olhou , concentrado para a pequena cobra gravada em o cobre , tentando imaginá a como verdadeira . - Abre te - disse . Olhou para o Ron que abanou a cabeça . - Inglês - disse ele . Harry voltou a olhar para a cobra , forçando se a acreditar que estava viva . A luz de a vela fez parecer que se movia . - Abre te - repetiu . Mas desta_vez as palavras não foram o que ele ouviu . Um estranho sibilar escapou lhe de a boca e a torneira ganhou uma luz branca e brilhante e começou a rodar . Logo_a_seguir o lavatório mexeu se . Afastou se , melhor dizendo , saiu de o caminho , deixando um grande cano a a vista , um cano onde cabia um homem . Harry ouviu a respiração arquejante de o Ron e olhou de_novo para ele . Já decidira o que queria fazer . - Vou descer - disse . Não podia deixar de ir , agora_que acabavam de descobrir a entrada para a câmara , existindo uma possibilidade , por mais remota que fosse , de a Ginny ainda estar viva . - Eu também - disse o Ron . Houve uma pausa . - Bem , parece que não precisam mais de mim - apressou se Lockhart a dizer com uma réstia de sorriso . - Eu vou . . . Pôs a mão em o puxador de a porta mas Ron e Harry apontaram lhe ambos as varinhas . -- O senhor pode ir a a frente - disse rispidamente o Ron . Pálido e sem varinha , Lockhart aproximou se de a entrada . - Meus rapazes - disse em uma voz débil . - Meus rapazes , para quê tudo_isto ? Harry tocou lhe em as costas com a varinha e ele meteu as pernas em o cano . - Eu não me parece que ... - começou a dizer , mas o Ron deu lhe um empurrão e ele desapareceu por o cano abaixo . Harry foi rapidamente atrás . Introduziu se lentamente e deixou se cair . Era como escorregar em uma pista escura e interminável . Ele via outros canos , estendendo se em todas_as direcções mas nenhum tão largo como o de eles que se torcia e virava , inclinando se abruptamente . Harry sabia que estavam a chegar a um ponto muito abaixo de a escola e de os calabouços . Atrás_de si , ouvia o Ron gemendo em cada curva . E então , quando começava a preocupar se com o que iria acontecer quando tocassem em o chão , o cano tornou se horizontal e ele foi projectado com um ruído surdo , indo aterrar em o chão húmido de um túnel de pedra com altura suficiente para ele se pôr de pé . Lockhart estava a levantar se a alguma distancia , todo enlameado e pálido como um fantasma . Harry afastou se para deixar o Ron sair também de o cano . - Devemos estar quilómetros e quilómetros abaixo de a escola - disse o Harry cuja voz ecoou em o túnel negro . - Talvez até debaixo de o lago - arriscou o Ron , olhando em volta para as paredes escuras e viscosas . Voltaram se os três para olhar para a escuridão lá a o fundo . - * _ Lumus ! * - murmurou Harry a a varinha e ela voltou a acender se . - Vamos - disse a o Ron e a o Lockhart e avançaram , os passos a chapinharem ruidosamente em o chão molhado . O túnel era tão escuro que só conseguiam ver alguns centímetros a a frente . As suas sombras em as paredes molhadas pareciam monstruosas a a luz de a varinha . - Lembrem se - disse Harry baixinho enquanto caminhavam . - A o menor movimento fechem logo os olhos ... Mas o túnel era silencioso como um túmulo e o primeiro som inesperado que ouviram foi um grito de o Ron que escorregou em uma coisa que era afinal a cauda de um rato . Harry baixou a varinha para olhar para o chão e viu que estava cheio de pequenos ossos de animais . Fazendo um enorme esforço para evitar pensar em que estado iriam encontrar a Ginny , avançou até uma curva escura de o túnel . - Harry , está aqui qualquer coisa - disse o Ron com voz rouca , agarrando Harry por o ombro . Ficaram estáticos a olhar . Harry só conseguia ver a silhueta de algo enorme e curvo deitado em o túnel . Fosse o que fosse não se movia . - Talvez esteja a dormir - murmurou , olhando para os outros dois . Lockhart tapava os olhos com as mãos . Harry voltou se para olhar para a criatura com o coração a bater tanto que lhe doía em o peito . Lentamente , com os olhos quase fechados mas ainda conseguindo ver , Harry avançou com a varinha levantada . A luz deslizou sobre uma gigantesca pele de serpente , de um verde vivo e venenoso que estava vazia e enrolada em o chão de o túnel . A criatura que a abandonara devia ter , pelo_menos , seis metros e meio de comprimento . - Bolas - disse o Ron , perdendo as forças . Houve um movimento súbito atrás de eles . As pernas de Gilderoy_Lockhart cederam . - Levante se - disse o Ron de uma forma cortante , apontando lhe a varinha . Lockhart pôs se de pé . Em seguida empurrou o Ron , atirando o a o chão . Harry deu um salto , mas ... tarde de mais . Lockhart endireitava se com a varinha de o Ron em as mãos e um sorriso em o rosto . - A aventura acaba aqui , rapazes - disse . - Vou levar um bocado de esta pele de cobra para a escola , contar lhes que foi demasiado tarde para salvar a garota e que vocês os dois perderam tragicamente a memória com a visão de o seu corpinho mutilado . Digam adeus a as vossas recordações . Levantou a o ar a varinha avariada de o Ron e gritou * _ Obliviate ! * A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba . Harry pôs os braços sobre a cabeça e correu , escorregou em os anéis de a pele de cobra , afastando se de os grandes pedaços de tecto de o túnel que caíam em o chão com o ruído de trovões . Pouco depois estava sozinho , olhando para uma sólida parede de rocha partida . - Ron - gritou ele . - Estás bem , Ron ? - Estou aqui - respondeu a voz abafada de o Ron por detrás de a avalancha de rochas . - Eu estou bem mas este sujeito não . A varinha avariou o todo . Ouviu se um ruído surdo e um Oh ! gritado . Parecia que o Ron tinha acabado de dar a o Lockhart um pontapé em as canelas . - E agora ? - disse a voz de o Ron que parecia desesperada . - Não podemos passar , vai demorar séculos . Harry olhou para o tecto de o túnel onde tinham aparecido grandes fendas . Ele nunca tentara partir , através de a magia , nada tão grande como aquelas rochas e agora não lhe parecia ser o melhor momento para fazer experiências . E se o túnel abatesse ? Houve um ruído surdo e outro Oh ! atrás de as rochas . Estavam a perder tempo . A Ginny já estava havia duas horas em a Câmara_dos_Segredos . Harry sabia que só havia uma coisa a fazer . - Espera aqui - gritou a o Ron . - Fica com o Lockhart , eu vou lá . Se não voltar dentro_de uma hora ... Houve um silêncio cheio . - Eu vou ver se desloco um_pouco esta rocha - disse o Ron , tentando manter a voz firme . - Para tu poderes passar . E , Harry ... - Até já - disse o Harry , procurando injectar confiança em a sua voz trémula . E passou sozinho para lá de a imensa pele de serpente . Em_breve , o ruído de o Ron , tentando deslocar a rocha , deixou de se ouvir . O túnel virou uma e outra_vez . Os nervos de o corpo de o Harry tangiam de forma desagradável . Ele só queria que o túnel chegasse a o fim , fosse o que fosse que o aguardasse . E então , finalmente , quando atingiu a última curva , viu em a sua frente uma parede sólida que tinha gravadas duas serpentes enroladas uma em a outra , cujos olhos eram quatro esmeraldas , enormes e brilhantes . Harry aproximou se com a garganta seca . Não foi preciso imaginar que as serpentes eram autênticas . Os seus olhos pareciam estranhamente vivos . Foi fácil descobrir o que tinha de fazer . Pigarreou e os olhos de esmeraldas pareceram mexer se . - Abre te - disse Harry em um sibilar baixo . As serpentes desapareceram enquanto a parede se abria a o meio e , a tremer de os pés a a cabeça , Harry entrou . XVII_Herdeiro_de_Slytherin_Estava de pé em o fundo de uma divisão enorme , fracamente iluminada . Altíssimos pilares de pedra , cheios de serpentes gravadas que os enlaçavam , erguiam se , suportando um tecto que se perdia em a escuridão e que lançava sombras negras imensas através de a estranha luz esverdeada que enchia o local . Com o coração a bater descompassadamente , Harry ficou parado a ouvir aquele silêncio arrepiante . Estaria o Basilisk escondido em um canto cheio de sombras , atrás_de algum pilar ? E onde estaria Ginny ? Pegou em a varinha e avançou a o longo de as colunas serpenteantes . Cada_um de os seus passos provocava um enorme eco em as paredes sombrias . Harry tinha os olhos semicerrados e estava pronto para os fechar a o mais pequeno movimento . As órbitas de olhos fundos de as serpentes de pedra pareciam segui o . Por mais de uma_vez , com o estômago a dar um salto , Harry julgou vê os moverem se . Por fim , chegado a o nível de os dois últimos pilares , avistou uma estátua de a altura de a própria câmara que estava encostada a a parede de o fundo . Harry tinha de esticar o pescoço para olhar para_cima , para a cara de o gigante : era velho e com um ar simiesco , tinha uma barba enorme que lhe caía quase onde acabava a longa túnica de pedra . Os dois pés imensos e cinzentos pousavam em o chão de a câmara . E entre eles , voltada para baixo , estava uma figura pequenina vestida de preto com um cabelo flamejante . - Ginny - murmurou Harry , chegando perto de ela e ajoelhando se . - Ginny , por favor não estejas morta , não estejas morta ! Atirou a varinha para o lado , agarrou Ginny por os ombros e voltou a . O rosto de ela estava branco e frio como o mármore , contudo os olhos encontravam se fechados , portanto não estava petrificada . Mas então devia estar ... - Ginny , acorda por favor - repetiu Harry desesperado , sacudindo a . A cabeça de ela andava de um lado para o outro . - Ela não vai acordar - disse secamente uma voz . Harry deu um salto e girou sobre os joelhos . Um rapaz alto , de cabelo preto , estava encostado a o pilar mais próximo , a observá o . As sombras desfocavam o como_se Harry o visse através_de uma janela embaciada . Mas não havia como confundis o . - Tom , Tom_Riddle ? Riddle acenou , sem tirar os olhos de o rosto de Harry . - O que queres dizer com isso de ela não acordar ? - perguntou Harry desesperado . - Ela não está ... não está ? - Está viva - disse Riddle . - Mas , por um fio . Harry olhou fixamente para ele . Tom_Riddle estivera em Hogwarts há cinquenta anos atrás . Contudo , ali estava com uma luz estranha e desfocada a iluminá o , sem um dia a mais do_que os seus dezasseis anos . - És um fantasma ? - perguntou Harry . - Uma memória - disse Riddle . - Preservada em um diário durante cinquenta anos . Apontou para os pés de a estátua gigantesca . Ali , aberto em o chão , estava o pequeno diário de capa preta que Harry tinha encontrado em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Durante um segundo , Harry perguntou a si próprio como teria ido ali parar , mas havia coisas mais importantes a fazer . Preciso de a tua ajuda , Tom - disse Harry , levantando de_novo a cabeça de a Ginny . - Temos de sair de aqui . Há_um_Basilisk ... não sei onde está mas pode aparecer a qualquer momento . Por favor , ajuda me . Riddle não se mexeu . Harry , a transpirar , conseguiu levantar ligeiramente a Ginny de o solo e inclinou se para pegar em a varinha mas ela tinha desaparecido . - Viste a ... ? Olhou para_cima . Riddle continuava a olhá o , fazendo girar a varinha entre os dedos longos . - Obrigado - disse Harry , esticando o braço para a agarrar . Um sorriso surgiu então em os cantos de a boca de Riddle que continuou a olhar para ele , girando indolentemente a varinha . - Ouve , pá - disse Harry sem querer perder mais tempo , os joelhos a vergarem sob o peso morto de Ginny - temos de ir . Se o Basilisk aparece ... - Ele não vem enquanto não for chamado - disse Riddle com toda_a calma . Harry voltou a pousar Ginny em o chão , incapaz de a segurar por mais tempo . - Que queres dizer com isso ? - perguntou . - Dá me a minha varinha , posso precisar de ela . O sorriso de Riddle ampliou se . - Não vais precisar de ela - disse . Harry olhou o espantado . - O que queres dizer , não vou ? - Esperei muito_tempo por isto , Harry - disse Riddle . - Pela possibilidade de te ver , de falar contigo . - Olha , eu acho que tu não estás a perceber - disse Harry , perdendo a paciência . - Estamos em a Câmara_dos_Segredos , podemos conversar mais tarde . - Vamos conversar agora - disse Riddle , sorrindo de orelha a orelha e guardando a varinha de Harry em o bolso . Harry voltou a olhar para ele . Havia qualquer coisa de muito estranho em tudo aquilo . - Como é_que a Ginny ficou assim ? - perguntou pausadamente . - Bem , essa é uma pergunta interessante - disse Riddle , divertido . - E uma longa história , também . Julgo que o verdadeiro motivo que levou Ginny_Weasley a ficar assim foi o ter aberto o seu coração e revelado todos os seus segredos a um estranho ser invisível . - De quem estás a falar ? - perguntou Harry . - De o diário - disse Riddle . - De o meu diário . A Ginny escreve nele há meses e meses , contando me todas_as suas lamentáveis desgraças e atribulações : como os irmãos a arreliam , que teve de vir para a escola com manto , túnica e livros em segunda mão - os olhos de Riddle brilharam -- , que acha que o maravilhoso , o grande , o famoso Harry_Potter nunca vai gostar de ela ... Enquanto falava , nunca os olhos de Riddle se afastaram de a cara de o Harry . Havia em eles um olhar ávido . - É muito chato ter de ouvir as preocupações idiotas de uma garotinha de onze anos - prosseguiu . - Mas eu fui paciente . Respondi lhe , mostrei me simpático e amável . A Ginny pura e simplesmente adorou me . - * _ Nunca ninguém me compreendeu como tu , Tom ... estou tão feliz por ter este diário a quem me confiar ... é como ter um amigo que pode andar em o meu bolso * ... Riddle riu se . Um riso alto , frio , que não lhe ficava bem . Fez com que os cabelos de o pescoço de Harry se arrepiassem todos . - Verdade se diga que sempre consegui encantar as pessoas necessárias . Portanto a Ginny verteu em mim a sua alma e a alma de ela era precisamente o que eu queria . Fortaleceu me . Alimentei me de os seus medos mais profundos , de os seus mais obscuros segredos . Fui ficando cada_vez_mais forte e poderoso . Muito mais poderoso do_que a pequena Miss_Weasley até que comecei a transmitir lhe alguns de os meus segredos , a passar um_pouco de a minha alma para ela ... - O que queres dizer ? - perguntou Harry cuja boca ficara totalmente seca . - Ainda não descobriste , Harry_Potter ? - disse Riddle muito baixo . - Giony_Weasley abriu a Câmara_dos_Segredos , estrangulou os galos de a escola e escreveu mensagens assustadoras em as paredes . Atiçou a serpente de Slytherin contra quatro sangues de lama e contra o gato de o busca-pé . - Não - murmurou Harry . - Sim - disse calmamente Riddle . - É claro que a princípio não sabia o que estava a fazer . Era muito divertido . Gostava que visses as coisas que escreveu em o diário , começaram a ficar muito mais interessantes . * _ Querido_Tom * - recitou ele , olhando para a expressão horrorizada de o Harry . - * _ Acho que estou a perder a memória . Há penas de galo em todas_as minhas roupas e eu não sei como foram lá parar . Querido_Tom , não me lembro do_que fiz em a noite de o Hallowe'en mas foi atacada uma gata e eu estou cheia de tinta em a cara . Querido_Tom , o Percy não pára de me dizer que ando pálida e não pareço eu . Acho que ele suspeita de mim ... Houve outro ataque hoje e eu não sei onde estava . Tom , que vou eu fazer ? Acho que estou a ficar maluca ... acho que ando a atacar toda_a_gente , Tom ! * Harry tinha os punhos fechados , as unhas cravadas contra a palma de as mãos . - Levou muito_tempo até a pequenina estúpida deixar de confiar em o diário - disse Riddle . - Mas acabou por ficar desconfiada e tentou livrar se de ele . E é aí que tu entras , Harry . Tu encontraste o . E eu não poderia ter ficado mais satisfeito . De todas_as pessoas que poderiam ter ficado com ele , foste tu , aquele que eu ambicionava conhecer ... - E porque querias conhecer me ? - perguntou Harry . Começava a ser tomado por a raiva e fez um esforço para manter o tom de voz controlado . - Bem , a Ginny contou me tudo a teu respeito - disse Riddle . - A tua fascinante história . - Os seus olhos pousaram em a cicatriz em a testa de Harry e a sua expressão ganhou maior avidez . - Sabia que devia descobrir mais a teu respeito , falar te , encontrar me contigo se fosse possível . Por isso , para ganhar a tua confiança , resolvi mostrar te a famosa captura que fiz de aquele demente de o Hagrid . - O Hagrid é meu amigo - disse Harry já com a voz a tremer . - E tu tramaste o , não foi ? Pensei que tinha sido um engano , mas ... Ele riu se . O mesmo riso de antes . - Era a minha palavra contra a palavra de ele . Imagina a cara de o velho Armando_Dippet . De um lado Tom_Riddle , pobre mas brilhante , sem pais mas corajoso , prefeito de a escola , um modelo de aluno . De o outro lado , o Hagrid , grande e disparatado , arranjando problemas semana sim , semana não , tentando criar filhotes de lobisomens debaixo de a cama , escapando se para a floresta proibida para lutar com gigantes . Mas , devo admitir que até eu próprio fiquei admirado com os excelentes resultados de o meu plano . Pensei que alguém perceberia que o Hagrid nunca poderia ser o herdeiro de Slytherin . Demorei cinco anos inteirinhos até descobrir tudo_o_que me foi possível sobre a Câmara_dos_Segredos e a sua entrada secreta ... como_se o Hagrid tivesse cabeça ou poder ! - Só o professor de Transfiguração , Dumbledore , parecia achar que ele estava inocente . Convenceu Dippet a mantê o aqui e a treiná o como guarda de os campos . Sim , é natural que Dumbledore tenha adivinhado , nunca gostou de mim como os outros professores . - Aposto que Dumbledore viu através_de ti - disse Harry , de dentes cerrados . - Pelo_menos passou a vigiar me de perto , a partir de o momento em que o Hagrid foi expulso - disse Riddle descuidadamente . - Eu sabia que não era seguro voltar a abrir a câmara enquanto ainda estava em a escola mas não ia desperdiçar os longos anos que passara a pesquisar . Decidi , por isso , deixar um diário preservando em as suas páginas o meu ego de dezasseis anos para que um dia , com um_pouco de sorte , pudesse levar outro a seguir os meus passos e acabar o nobre trabalho de Salazar_Slytherin . - Bem , não o acabaste - disse Harry triunfante . - Ninguém morreu até agora , nem mesmo a gata . Dentro_de poucas horas a poção de mandrágoras estará pronta e todos os que foram petrificados voltarão de_novo a si . - Não acabei de te dizer que matar sangues de lama já não me interessa ? Há muitos meses que o meu alvo és tu . Harry olhou para ele . - Podes imaginar como fiquei furioso quando em outro dia o diário foi aberto e vi que era a Ginny quem estava a escrever e não tu . Ela viu te com o diário e entrou em pânico . E se tu descobrisses como trabalhar com ele e eu te repetisse todos os seus segredos ? Ainda pior , e se eu te contasse quem tinha andado a estrangular os galos ? Por isso , a grande palerma esperou que o teu dormitório estivesse deserto e foi lá roubá o . Mas eu sabia o que tinha de fazer . Estava muito claro para mim que a tua meta era o herdeiro de Slytherin . Por tudo_o_que a Ginny me contara a teu respeito , sabia que irias até onde fosse preciso para desvendar o mistério , principalmente se um de os teus melhores amigos tivesse sido atacado . E a Ginny disse me que a escola toda bichanava por tu falares * serpentês * ... Por isso , obriguei a Ginny a escrever a sua própria despedida em a parede , a vir até aqui e esperar . Ela debateu se e gritou e ficou muito chatinha . Mas , já não tem muita vida : pôs grande parte de ela em o diário , deu me a . O suficiente para eu abandonar , por fim , as suas páginas . Desde_que aqui cheguei que estou a a tua espera . Sabia que virias . Tenho muitas perguntas a fazer te , Harry_Potter . - Que perguntas ? - disse Harry com os punhos fechados . - Bem - prosseguiu Riddle , sorrindo de satisfação : - Como é_que um bebé sem especiais talentos de magia foi capaz de derrotar o maior feiticeiro de sempre ? Como conseguiste escapar só com uma cicatriz quando os poderes de Lord_Voldemort foram destruídos ? Havia agora em os seus olhos um brilho vermelho e irado . - O que é_que te interessa saber como eu escapei ? - disse Harry lentamente . - Voldemort veio depois de ti . - Voldemort - disse Riddle - é o meu passado , o meu presente e o meu futuro , Harry_Potter ... Tirou a varinha de o Harry de o bolso e começou a escrever em o ar três palavras brilhantes : TOM_MARVOLO_RIDDLE_Em seguida , fez um gesto com a varinha e as letras de o seu nome reagruparam se de outro modo . : __ eu sou lord __ voldemort ( I am Lord_Voldemort ) . - Vês ? - murmurou . - Era um nome que eu já usava em Hogwarts , para os meus amigos mais íntimos apenas , como é óbvio . Achas que ia usar para sempre o nome nojento de o meu pai Muggle ? Eu , em cujas veias , por o lado materno , corre o sangue de Salazar_Slytherin ? Eu , manter o nome de um Muggle tolo que me abandonou ainda antes de eu nascer só porque descobriu que a mulher com quem casara era uma bruxa ? Não , Harry , arranjei um novo nome , um nome que eu sabia que os feiticeiros de todo_o_mundo viriam um dia a ter medo de pronunciar , quando eu me tivesse tornado o maior feiticeiro de o mundo . A cabeça de Harry parecia bloqueada . Olhou como_que paralisado para Riddle , para o rapaz de o orfanato que depois de crescer iria matar os seus pais e tantos outros . Por fim , com algum esforço conseguiu falar . - Não és - disse em uma voz calma e cheia de ódio . - Não sou o quê ? - perguntou Riddle irritado . - Não és o maior feiticeiro de o mundo - disse Harry com a respiração acelerada . - Lamento desiludir te mas o maior feiticeiro de o mundo é Albus_Dumbledore . Toda_a_gente sabe . Mesmo tu , quando tinhas força , não ousavas tentar aproximar te de Hogwarts . Dumbledore viu através_de ti quando andavas em a escola e ainda agora te assusta onde quer que te escondas . O sorriso desaparecera de o rosto de Riddle , fora substituído por um olhar furioso . - Dumbledore foi afastado de este castelo por a minha simples memória - sibilou . - Ele não está tão longe como pensas - retorquiu Harry . Falava por falar , tentando assustar Riddle , desejando mais que assim fosse do_que acreditando em as suas palavras como uma verdade . Riddle abriu a boca mas não chegou a falar . Tinha começado a ouvir se uma música . Riddle deu uma volta , olhando para a câmara vazia . A música estava a ficar mais alta . Era misteriosa , arrepiante , sobrenatural . Fez_Harry ficar com os cabelos em pé e o coração aumentar lhe em o peito . Por fim , quando atingiu um ponto tão alto que Harry a sentiu vibrar dentro de as suas costelas , começaram a sair chamas de o topo de o pilar mais próximo . Uma ave carmesim de o tamanho de um cisne surgiu , assobiando a sua estranha melodia para o tecto em forma de abóbada . Tinha uma cauda dourada tão longa como a de um pavão e garras douradas e brilhantes que seguravam uma trouxa andrajosa . Segundos depois , a ave voava em direcção a Harry . Deixou cair a coisa andrajosa a os seus pés e pousou lhe pesadamente em o ombro . Quando abriu as enormes asas , Harry olhou para_cima e viu que tinha um longo bico afiado e olhos escuros pequenos e brilhantes . A ave parou de cantar . Ficou quieta junto de a cara de Harry , olhando fixamente para Riddle . - É uma fénix , disse Riddle , olhando sagazmente para ela . - Fawkes ? - murmurou Harry e sentiu as garras douradas apertarem lhe devagarinho o ombro . - E aquilo - disse Riddle , olhando para a coisa velha que Fawkes deixara em o chão - é o velho chapéu seleccionador , de a escola . Era , de facto . Amachucado , puído e sujo , o chapéu jazia imóvel a os pés de Harry . Riddle começou a rir . Riu se tanto que a câmara escura se lhe juntou em um eco tal que parecia que dez Riddles se riam ao_mesmo_tempo . - Eis o que Dumbledore envia a o seu defensor . Um pássaro que canta e um chapéu velho . Estás cheio de coragem , Harry_Potter ? Sentes te agora mais seguro ? Harry não respondeu . Podia não estar a ver a vantagem de a Fawkes ou de o chapéu seleccionador mas já não se sentia só , e esperou corajosamente que Riddle parasse de rir . - Vamos a o que importa , Harry - disse ele , ainda com um enorme sorriso . - Encontrámo nos duas vezes em o teu passado , em o meu futuro . E duas vezes falhei a o tentar matar te . Como foi que sobreviveste ? Conta me tudo . Quanto_mais falares , mais tempo tens de vida . Harry pensava rapidamente , medindo as suas possibilidades . Riddle tinha a varinha . Ele , Harry , tinha a Fawkes e o chapéu seleccionador que não lhe serviriam de muito em o combate . As coisas pareciam más , é certo . Mas quanto_mais tempo Riddle ali estivesse , mais vida retirava a a Ginny ... e , entretanto , Harry reparou que a silhueta de Riddle se tornava mais nítida , mais sólida . Se tinha de haver uma luta entre os dois , quanto_mais depressa melhor . - Ninguém sabe porque perdeste os poderes quando me atacaste - disse bruscamente . - Eu próprio não sei . Mas sei porque não conseguiste matar me . A minha mãe morreu para me salvar . A minha mãe , uma vulgar filha de Muggles - acrescentou , a tremer de raiva . - Ela impediu que tu me matasses . E eu vi te como tu és , em o ano passado . És um destroço , quase não existes . Foi onde o teu poder te levou . Estás sob um disfarce , és horrível e és louco . O rosto de Riddle contorceu se . Em seguida , forçou um sorriso pavoroso . - Quer_dizer , então , que a tua mãe morreu para te salvar . Sim , é um antifeitiço poderoso . Compreendo agora , afinal não há em ti nada de especial . Eu tinha curiosidade , sabes , porque há uma estranha semelhança entre nós , Harry_Potter . Até tu deves ter reparado . Somos ambos meio sangue , órfãos , educados com Muggles , provavelmente os dois únicos que falam * serpentês * desde o grande Slytherin , até nos parecemos um_pouco fisicamente ... mas afinal foi apenas uma questão de sorte que te salvou de mim . Era o que eu queria saber . Harry ficou parado , tenso , a a espera que Riddle levantasse a varinha mas o seu sorriso cínico ampliou se de_novo . - Agora , Harry , vou dar te uma pequena lição . Vamos confrontar os poderes de Lord_Voldemort , herdeiro de Salazar_Slytherin e de o famoso Harry_Potter , munido com as melhores armas que Dumbledore lhe deu . Lançou um olhar divertido a a Fawkes e a o chapéu seleccionador e , em seguida , afastou se . Harry com as pernas entorpecidas por o medo viu o parar entre dois pilares altos e olhar para a cara de pedra de Slytherin , lá em cima em a semi-obscuridade . Riddle abriu a boca e sibilou mas Harry compreendeu o que ele dizia . - * _ Responde-me , Slytherin , o maior de os quatro de Hogwarts * . Harry voltou se para olhar melhor para a estátua com Fawkes pousada em o ombro . A gigantesca cara de pedra de Slytherin movia se . Horrorizado , Harry viu a boca abrir se mais e mais até se transformar em um buraco negro . E algo se agitava dentro de a boca de a estátua . Algo se arrastava para fora de as suas entranhas . Harry recuou até a a parede escura de a câmara e enquanto fechava os olhos com força sentiu a asa de a Fawkes roçar lhe o rosto e levantar voo . Harry quis gritar : - Não me abandones ! - mas que possibilidades tinha uma fénix contra o rei de as serpentes ? Uma coisa enorme bateu em o chão de pedra que Harry sentiu estremecer . Sabia o que estava a acontecer , podia sentis o , quase podia ver a serpente gigantesca a sair de a boca de Slytherin . Foi então que ouviu a voz de Riddle sibilar : * _ Mata-o * . O Basilisk avançava em direcção a Harry . Ele ouvia o seu corpo enorme escorregar pesadamente por o chão cheio de pó . Com os olhos sempre fechados , Harry começou a correr para o lado , a as cegas , com as mãos abertas a tactear o caminho . Riddle ria se a as gargalhadas . Harry escorregou e caiu em o chão de pedra e a boca soube lhe a sangue . A serpente estava a poucos centímetros de ele . Podia ouvi a a aproximar se . Ouviu se um crepitar explosivo por cima de ele e alguma coisa pesada bateu lhe com tanta força que ele ficou encostado a a parede . Esperando que os dentes de a serpente lhe perfurassem o corpo , ouviu mais ruídos e qualquer coisa que se agitava com força contra os pilares . Não conseguiu evitar . Abriu bem os olhos para ver o que se passava . A enorme serpente , brilhante , de um verde veneno , espessa como o tronco de um carvalho , erguera se em o ar e a sua imensa cabeça agitava se de um lado para o outro , entre os dois pilares . Quando Harry , a tremer , se preparava para fechar de_novo os olhos , percebeu o que distraíra a cobra . Fawkes esvoaçava em volta de a sua cabeça e o Basilisk , furioso , tentava agarrá a com os dentes longos e afiados como sabres . Fawkes mergulhava . Harry deixou de ver o bico fino e dourado e uma brusca chuva de sangue escuro inundou o chão . A cauda de a serpente agitou se , não batendo em o Harry por_pouco e antes que ele pudesse fechar os olhos voltou se . Harry olhou lhe para a cara e viu que os seus olhos , os dois olhos amarelos e bolbosos tinham sido perfurados por a fénix . O sangue escorria por o chão e a serpente cuspia cheia de dores . - * _ Não * - Harry ouviu o grito de Riddle . - * _ Deixa a ave , deixa a ave , o rapaz está atrás_de ti , ainda podes cheirá o . Mata o ! * A serpente cega oscilou confusa , ainda em fúria . Fawkes andava a a volta de a cabeça de ela soprando a sua misteriosa cantilena , picando lhe aqui_e_ali o nariz cheio de escamas , enquanto o sangue jorrava de os seus olhos destruídos . - Ajudem me . Ajudem me - murmurava Harry aflito . - Alguém , ajude me . A cauda de a serpente chicoteou de_novo o chão . Harry baixou se . Algo macio tocou lhe em o rosto . O Basilisk lançara o chapéu seleccionador para os braços de o Harry que o agarrou . Era tudo_o_que tinha , a sua única esperança . Enfiou o em a cabeça e começou a ficar achatado contra o chão , enquanto a cauda de o Basilisk se lançava de_novo sobre ele . - Ajudem me , ajudem me - pensou Harry , os olhos comprimidos debaixo de o chapéu . - Por favor , ajudem me . Nenhuma voz lhe respondeu . Em vez de isso , o chapéu contraiu se como_se uma mão invisível o tivesse espalmado devagarinho . Alguma coisa muito dura e pesada caíra sobre a cabeça de Harry , conseguindo quase derrubá o . A ver estrelas em frente de os olhos , agarrou o chapéu para o puxar para baixo e sentiu lá dentro uma coisa longa e dura . Uma espada brilhante tinha surgido dentro de o chapéu . Tinha um cabo cravejado de rubis de o tamanho de pequenos ovos . - Mata o rapaz , deixa a ave . O rapaz está atrás_de ti . Cheira o ! Harry estava de pé , preparado . A cabeça de o Basilisk caía , o corpo serpenteava , batendo nos pilares quando se torcia para ficar de frente para ele . Harry podia ver as enormes órbitas ensanguentadas , a boca toda aberta , suficientemente grande para o engolir inteiro , munida de dentes tão longos como a sua espada , finos , brilhantes , venenosos ... Começou a atacar a as cegas . Harry baixou se e a serpente bateu em a parede de a câmara . Atacou de_novo e a sua língua bifurcada lambeu a parede ao_lado_de Harry que levantou a espada com ambas as mãos . O Basilisk investiu mais_uma_vez e agora a pontaria foi certa . Harry pôs todo o seu peso contra a espada e enterrou a até a os copos em o céu de a boca de a serpente . Mas quando o sangue quente lhe encheu os braços , sentiu uma dor aguda mesmo acima de o cotovelo . Um longo dente venenoso penetrava cada_vez_mais fundo em o seu braço , partindo se quando o Basilisk tombou para o lado , perdendo os sentidos . Harry escorregou a o longo de a parede , apertou com força o dente que estava a derramar veneno por todo o seu corpo e arrancou o de o braço . Mas sabia que era demasiado tarde . Uma dor quente emanava lenta e perseverantemente de a ferida . Quando deixou cair o dente e viu o seu próprio sangue manchando lhe as vestes , a vista começou a ficar turva e a câmara a diluir se em uma rotação ardente e colorida . Mas algo escarlate passou por ele e Harry ouviu a o seu lado um suave ruído de garras . - Fawkes - disse com a voz empastada . - Foste sensacional , Fawkes . - Sentiu o pássaro encostar a sua elegante cabeça a o sítio onde o dente de a serpente o tinha ferido . Ouviu passos ecoarem em o vazio e em seguida uma sombra escura moveu se em a sua frente . - Estás morto , Harry_Potter - disse a voz de Riddle , acima de ele . - Morto . Até o pássaro de Dumbledore sabe de isso . Vês o que ele está a fazer ? A chorar . Harry piscou os olhos . A cabeça de Fawkes ora estava focada , ora desfocada . Lágrimas grossas como pérolas escorriam de as suas penas . - Vou sentar me aqui a ver te morrer , Harry_Potter . Leva o teu tempo , eu não tenho pressa . Harry sentiu se sonolento . Tudo parecia girar a a sua volta . - E assim acaba o famoso Harry_Potter - disse a voz distante de Riddle . - Sozinho em a Câmara_dos_Segredos , esquecido por os amigos , finalmente derrotado por o Senhor de o mal que ele tão imprudentemente desafiou . Vais reunir te a a tua querida mãe sangue de lama , Harry ... Ela deu te doze anos de tempo emprestado ... Mas Lord_Voldemort apanhou te em o fim , como sabias que teria de acontecer . Se morrer é isto , pensou Harry , não é assim tão mau . Até a dor estava a desaparecer . Mas , estaria a morrer ? Em_vez_de ficar mais escura a câmara parecia voltar a estar nítida . Harry fez um pequeno gesto com a cabeça e viu a Fawkes ainda repousando a cabeça em o seu ombro . Uma fiada de pérolas brilhava em volta de a ferida , só que já não havia ferida . - Sai de aqui , pássaro - disse subitamente a voz de Riddle . - Afasta te de ele . Já te disse , sai de aqui ! Harry levantou a cabeça . Riddle apontava a sua varinha a Fawkes . Ouviu se um tiro que parecia de carabina e Fawkes levantou novamente voo em um rodopio de ouro e escarlate . - Lágrimas de fénix - disse Riddle em voz baixa , olhando para o braço de o Harry . - É claro ... poderes curativos ... esqueci me ... Olhou para a cara de Harry . - Mas não faz mal . Pensando bem , eu até prefiro assim . Tu e eu , Harry_Potter ... Tu e eu ... Levantou a varinha . Então , em um golpe de asa , Fawkes voou sobre as cabeças de ambos , deixando cair uma coisa em o colo de Harry : o diário . Durante uma fracção de segundo , tanto Harry como Riddle , ainda com a varinha levantada , ficaram a olhar para aquilo . Em seguida , sem pensar , sem ponderar , como_se pensasse fazê o desde o princípio , Harry agarrou o dente de o Basilisk que estava em o chão , junto de ele , e espetou o em o coração de o caderno . Ouviu se um grito longo e terrível . A tinta esguichou em torrentes de dentro de o diário , derramando se sobre as mãos de o Harry e inundando o chão . Riddle torcia se e contorcia se , agitando se a os gritos . E , por fim . Desapareceu . A varinha de Harry caiu a o chão com um ruído e fez se silêncio . Um silêncio apenas cortado por o ping ping de a tinta que ainda escorria de o diário . Com um leve crepitar , o veneno de o Basilisk abrira um buraco mesmo em o meio de o caderno . A tremer de os pés a a cabeça , Harry pôs se de pé . Sentia tudo a andar a a roda como_se tivesse viajado quilómetros e quilómetros com o pó de * _ Floo * . Lentamente apanhou a varinha e o chapéu seleccionador e com um grande estrondo retirou a espada de o céu de a boca de a serpente . Ouviu se então um gemido fraco a o fundo de a câmara . Ginny estava a mexer se . Quando Harry chegou junto de ela , sentou se . Os seus olhos abismados saltaram de o Basilisk morto para Harry em a sua roupa cheia de sangue e , em seguida , para o diário que ele tinha em as mãos . Soltou um enorme soluço e os seus olhos encheram se de lágrimas . - Harry , oh ! Harry , eu tentei dizer te a o pequeno-almoço mas não fui capaz em frente de o Percy . Era eu , Harry , mas eu ... eu ... juro que não queria ... o Riddle obrigou me , levou me e ... como é_que mataste esse bicho ? Onde está o Riddle ? A última coisa de que me lembro foi de o ver a sair de o diário ... - Está tudo bem - disse Harry , mostrando lhe o diário com o buraco de o dente . - O Riddle acabou , olha . Ele e o Basilisk . Anda , Ginny , vamos embora de aqui . - Vou com certeza ser expulsa - disse Ginny a chorar enquanto Harry a ajudava a pôr se de pé . - Desde_que o Bill veio para Hogwarts que eu sonhava vir também para cá e agora vou ter de me ir embora e ... O que vão a minha mãe e o meu pai dizer ? Fawkes esperava por eles , suspensa em o ar , a a entrada de a câmara . Harry fez a Ginny avançar , passaram sobre os anéis parados de o Basilisk , por a escuridão cheia de ecos e voltaram a o túnel . Harry ouviu as portas de pedra fecharem se atrás de eles com um leve sibilar . Depois de alguns minutos a caminhar por o túnel escuro , chegou a os ouvidos de Harry o som distante de o deslocar de uma rocha . - Ron - gritou ele , apressando se . - A Ginny está bem . Está aqui comigo ! Ouviu o Ron gritar de alegria e , voltando em a curva logo_a_seguir , viram a sua cara ansiosa a espreitar por a fresta que conseguira abrir durante a avalancha . - Ginny ! - Ron estendeu o braço por a fresta para a puxar primeiro . - Estás viva . Não posso acreditar . O que aconteceu ? Tentou abraçá a mas a Ginny afastou o , soluçando . - Mas estás bem , Ginny - disse o Ron , sorrindo para ela . - Já passou tudo ... De onde veio esse pássaro ? Fawkes passara por a abertura , atrás_de Ginny . - É de o Dumbledore - explicou Harry , espremendo se para caber também . - E como arranjaste uma espada ? - perguntou o Ron , olhando para a arma brilhante que Harry tinha em a mão . - Eu explico te tudo quando sairmos de aqui - disse Harry , lançando um olhar de esguelha a a Ginny . - Mas ... - Mais tarde - disse Harry rapidamente . Não lhe parecia uma boa ideia contar a o Ron quem tinha aberto a câmara , ali , em frente de a Ginny . - Onde está o Lockhart ? - Ali atrás - disse o Ron , a rir e a abanar a cabeça em direcção a o cano . - Está em muito mau estado . Anda ver . Conduzidos_pela_Fawkes , cujas grandes asas escarlates emitiam um suave dourado que brilhava em a escuridão , voltaram a o lugar onde o cano começava . Gilderoy_Lockhart estava sentado a falar sozinho . - Perdeu a memória - disse o Ron . - O feitiço de a memória fez ricochete . Não sabe quem é nem onde está , nem_sequer sabe quem nós somos . Eu disse lhe que viesse para aqui e esperasse . É um perigo para ele próprio . Lockhart olhou os bem-disposto . - Olá - disse . - Que lugar estranho , este . É aqui que vocês moram ? -- Não - respondeu o Ron , levantando as sobrancelhas para o Harry . Harry baixou se e observou o túnel escuro e longo . - Já pensaste como é_que vamos sair de aqui ? - perguntou a o Ron . O amigo abanou a cabeça mas Fawkes , a fénix , tinha passado por o Harry e estava agora em o ar , em frente de ele , os olhos como pérolas a brilharem em o escuro . Abanava as longas penas douradas de a cauda . Harry olhou para ela , inseguro . - Ela parece querer que a agarres - disse o Ron , perplexo . - Mas tu és muito pesado para um pássaro . - A Fawkes - disse Harry - não é um pássaro qualquer . Voltou se rapidamente para os companheiros . - Temos de nos agarrar uns a os outros . Ginny , agarra a mão de o Ron . O professor Lockhart ... - Ele está a falar consigo - disse o Ron secamente . - Agarre a outra mão de a Ginny . Harry guardou a espada e o chapéu seleccionador em o cinto . Ron deitou a mão a a roupa de Harry e Harry agarrou as penas de a cauda , estranhamente quentes , de a Fawkes . Sentiu uma extraordinária leveza apoderar se de todo o seu corpo e em seguida estavam todos a voar por o cano acima . Harry conseguia ouvir Lockhart , lá atrás , comentando : - Espantoso , isto parece mágico ! Ar frio batia em os cabelos de Harry e antes que ele deixasse de gostar de a viagem já ela acabara . Os quatro tinham chegado a o chão molhado de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa e , enquanto Lockhart endireitava o chapéu , o lavatório voltara a o seu lugar , tapando o cano . A Murta arregalou os olhos . - Vocês estão vivos - disse inexpressivamente a o Harry . - Não é preciso mostrares te tão desiludida - respondeu ele , muito sério , limpando as nódoas de sangue e lodo de os óculos . - Bem ... é_que eu pensei que se vocês morressem seriam bem-vindos a a minha casa_de_banho - disse a Murta com um rubor prateado . - Urgh ! - fez o Ron , quando saíram de ali para o corredor deserto . - Harry , acho que a Murta está a gostar de ti . Tens concorrência , Ginny ! A Ginny continuava a chorar silenciosamente . - Onde vamos agora ? - perguntou o Ron , olhando ansiosamente para ela . Harry apontou . Fawkes indicava o caminho , com o seu tom dourado que brilhava em o corredor . Seguiram a e pouco depois estavam em o escritório de a professora Mc_Gonagall . Harry bateu e empurrou a porta que estava encostada . XVIII_A recompensa de Dobby_Durante alguns momentos reinou o silêncio enquanto Harry , Ron , Ginny e Lockhart estavam em a entrada de a porta . Cobertos de pó e de lama e ( em o caso de o Harry ) sangue . Em seguida , ouviu se um grito . - Ginny ! Era_Mrs._Weasley que tinha estado a chorar , sentada em frente de o lume . Pôs se de pé em um salto , seguida de Mr._Weasley e precipitaram se ambos para a filha . Harry olhava para trás de eles . Dumbledore rejubilava junto de a lareira , a o lado de a professora Mc_Gonagall que , agarrada a o queixo , respirava com dificuldade . Fawkes rasou as orelhas de o Harry e foi instalar se em o ombro de Dumbledore , ao_mesmo_tempo que Harry dava por si em os braços de Mrs._Weasley . - Tu salvaste a ! Salvaste a ! : __ como foi que __ conseguiste ? - Acho que todos nós gostaríamos de saber - disse , sem energia , a professora Mc_Gonagall . Mrs._Weasley soltou o Harry , que hesitou um momento . Depois , foi até a a secretária e colocou sobre o tampo o chapéu seleccionador , a espada cravejada de rubis e o que restava de o diário de Riddle . Em seguida , contou lhes tudo . Falou durante quase um quarto de hora em o silêncio extasiado : contou lhes de a voz sem corpo que ouvia , como a Hermione acabara por descobrir que se tratava de um Basilisk que circulava em os canos , como ele e o Ron tinham seguido as aranhas até a a floresta , que Aragog lhes dissera que a última vítima de o Basilisk morrera , como tinham chegado a a conclusão que se tratava de a Murta_Queixosa e que a entrada para a Câmara_dos_Segredos devia ser em aquela casa_de_banho ... - Muito bem - elogiou a professora Mc_Gonagall quando ele se calou . - Então tu descobriste onde era a entrada , infringindo uma centena de regras de a escola por o caminho , devo dizer , mas como diabo saíram vocês vivos de lá de dentro ? Harry , com a voz já um_pouco rouca de falar tanto , contou lhes de a chegada de a Fawkes e de o chapéu seleccionador que lhe tinha dado a espada . Mas , chegando aí , hesitou . Até a o momento evitara referir se a o diário de Riddle ou a a Ginny . Ela tinha a cabeça encostada a o ombro de Mrs._Weasley e as lágrimas corriam lhe ainda por o rosto . E se a expulsassem ? - pensou Harry , tomado de pânico . O diário de Riddle já não funcionava ... quem poderia provar que fora ele que a obrigara a fazer tudo aquilo ? Olhou instintivamente para Dumbledore que sorria , o fogo iluminando lhe os óculos de meia-lua . - O que mais me interessa saber - disse Dumbledore amavelmente - é como conseguiu Lord_Voldemort enfeitiçar a Ginny quando as minhas fontes me dizem que ele se esconde habitualmente em as florestas de a Albânia . Um alívio , quente e glorioso percorreu Harry de a cabeça a os pés . - O quê ? - disse Mr._Weasley , em uma voz estupefacta . - O Quem nós sabemos enfeitiçou a Ginny ? Mas a Ginny não ... a Ginny não morr ... ? - Foi este diário - esclareceu Harry rapidamente . E mostrando o a Dumbledore . - O Riddle escreveu o quando tinha dezasseis anos . Dumbledore pegou em o diário e olhou atentamente por cima de o seu nariz longo e adunco para as páginas queimadas e húmidas . - Fantástico - disse em voz baixa . - É claro que ele deve ter sido o aluno mais brilhante que alguma vez passou por Hogwarts . - Olhou em volta para os Weasley que o observavam com um ar totalmente confuso . - Muito poucas pessoas sabem que Lord_Voldemort se chamou em tempos Tom_Riddle . Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos , em Hogwarts . Ele desapareceu depois de deixar a escola , viajou muito , mergulhou tão fundo em as artes de a magia negra , associado a os piores feiticeiros , realizou transformações mágicas tão perigosas que quando reapareceu como Lord_Voldemort estava totalmente irreconhecível . Ninguém o relacionou com o rapazinho inteligente e bonito que aqui foi , em tempos , chefe de turma . - Mas a Ginny - insistiu Mrs._Weasley . - O que tem a nossa Ginny que ver com ele ? - O diário - soluçou Ginny . - Eu andei todo o ano a escrever em o diário e ele respondia me ... - Ginny ! - repreendeu Mr._Weasley . - Não aprendeste nada do_que te ensinei ? Não me cansei de dizer te que nunca confiasses em nada que não pensasse por si próprio * se não conseguisses ver onde tinha o cérebro ? * Porque não me mostraste o diário , a mim ou a a tua mãe ? Um objecto suspeito como esse tinha de estar cheio de magia negra ! - Eu não sabia - soluçou Ginny . - Estava junto de os livros que a mãe me comprou . Pensei que alguém se tinha esquecido de ele ali . - É melhor Miss_Weasley ir imediatamente para a ala hospitalar - interrompeu Dumbledore com voz firme . - Foi sujeita a uma prova terrível . Não será castigada . Outros feiticeiros mais velhos do_que ela têm sido ludibriados por Lord_Voldemort . - Dirigiu se a a porta e abriu a . - Repouso , cama e talvez uma caneca de chocolate quente . A mim , anima me sempre - acrescentou , piscando lhe simpaticamente o olho . - Vais ver que Madam_Pomfrey ainda está acordada . Ela tem estado a dar o sumo de Mandrágora , julgo que as vítimas de o Basilisk estarão a acordar dentro_de momentos . de alegria . - Então a Hermione está bem ! - disse o Ron , cheio de alegria . - Não houve danos irreversíveis - disse Dumbledore . Mrs._Weasley saiu com a Ginny e Mr._Weasley seguiu as ainda bastante abalado . - Sabes , Minerva - disse pensativo o professor Dumbledore - acho que tudo_isto merece um banquete . Posso pedir te que previnas os cozinheiros ? - Certamente - disse animada a professora Mc_Gonagall , dirigindo se também a a porta . - Deixo te a tratar de as coisas com o Potter e o Weasley , está bem ? - Claro - disse Dumbledore . Saiu e os dois olharam inseguros para Dumbledore . Que quereria ela dizer com tratar de as coisas ? Certamente não iriam ser castigados ? - Lembro me de vos ter dito a ambos que teria de vos expulsar se voltassem a quebrar as regras de a escola - disse Dumbledore . Ron abriu a boca horrorizado . - O que vem mostrar nos que as melhores pessoas , às_vezes , têm de engolir as suas próprias palavras . - Dumbledore sorriu e continuou : - Vocês vão receber ambos uma recompensa especial por serviços prestados a a escola e ... deixem me ver , sim , acho que duzentos pontos cada_um para os Gryffindor . Ron ficou tão corado que parecia as flores de S._Valentim_do_Lockhart e voltou a fechar a boca . - Mas um de vós parece demasiado calado sobre a sua participação em esta perigosa aventura - acrescentou Dumbledore . - Porquê tanta modéstia , Gilderoy ? Harry estremeceu . Esquecera se por completo de Lockhart . Voltou se e viu o a um canto de a sala ainda com o mesmo sorriso vago . Quando Dumbledore se lhe dirigiu , olhou por cima de o ombro para ver com quem ele estava a falar . - Professor_Dumbledore - disse o Ron rapidamente - Houve um acidente lá em baixo , em a Câmara_dos_Segredos . O professor Lockhart - Eu sou um professor ? - perguntou Lockhart surpreendido . - E eu que pensei que era um inútil ! - Tentou fazer um feitiço antimemória e a varinha fez ricochete - explicou Ron_a_Dumbledore . - Incrível - disse Dumbledore , abanando a cabeça , o bigode prateado a tremer . - Trespassado por a tua própria espada , Gilderoy ! - Espada ? - disse Lockhart de forma imprecisa . - Eu não tenho espada . Esse rapaz é_que tem - apontou para Harry . - Ele empresta lhe uma . - Importas te de levar também o professor Lockhart até a a ala hospitalar , Ron ? - disse Dumbledore . - Eu gostava de falar um_pouco mais com o Harry . Lockhart saiu sem pressa . Antes de fechar a porta , Ron lançou um olhar curioso a Dumbledore e Harry . Dumbledore passou para uma de as cadeiras junto de o lume . - Senta te , Harry - disse . E Harry sentou se , sentindo se indescritivelmente nervoso . - Antes de mais , Harry , quero agradecer te - disse Dumbledore com os olhos a brilharem de_novo . - Deves ter demonstrado uma grande lealdade para comigo . Só isso poderia atrair a Fawkes para ir ajudar te . Deu uma palmadinha a a fénix que voara , entretanto , para_cima de os seus joelhos . Harry sorria acanhadamente sob o olhar observador de Dumbledore . - Encontraste , portanto , Tom_Riddle - disse o director amavelmente . - Calculo que ele estaria particularmente interessado em ti ... De repente , algo que Harry tinha engasgado saiu lhe descontroladamente de a boca para fora . - Professor_Dumbledore ... o Riddle disse que eu sou como ele , que há entre nós estranhas semelhanças ... - Ah ! sim ? - Dumbledore olhou pensativamente para ele , por debaixo de as espessas sobrancelhas prateadas . - E o que achas tu de isso ? - Eu não me considero parecido com ele - disse Harry mais alto do_que desejaria . - Isto_é , eu sou um Gryffindor , eu sou ... Mas calou se com uma dúvida a rondar lhe o espírito . - Professor - arriscou passado alguns momentos . - O chapéu seleccionador disse que eu ... teria ficado bem em os Slytherin ; durante algum tempo toda_a_gente pensou que eu era o herdeiro de Slytherin por falar * serpentês * ... - Tu falas * serpentês * , Harry - disse Dumbledore calmamente - porque Lord_Voldemort que é o mais recente antepassado de Salazar_Slytherin , fala * serpentês * . Ou eu me engano muito , ou ele transferiu para ti alguns de os seus poderes em a noite em que te fez essa cicatriz . Não que quisesse fazê o , claro , mas aconteceu . - Voldemort pôs um_pouco de si próprio em mim ? - disse Harry assombrado . - É o que parece ter acontecido . - Então eu deveria estar em os Slytherin - disse Harry , olhando desesperado para o rosto de Dumbledore . - O chapéu seleccionador viu em mim os poderes de Slytherin e ... -- Pôs te em os Gryffindor - concluiu tranquilamente Dumbledore . - Ouve , Harry , tu tens por acaso muitas de as capacidades que Salazar_Slytherin apreciava em os seus estudantes cuidadosamente seleccionados . O seu raro dom de falar * serpentês * , desenvoltura , determinação , um certo desprezo por as regras estabelecidas - acrescentou com o bigode a tremer de_novo . - Mas ainda_assim , o chapéu seleccionador pôs te em os Gryffindor . E sabes porquê ? Pensa um_pouco . - Só me pôs em os Gryffindor - disse Harry em uma voz débil - porque eu pedi para não ir para os Slytherin . - Exacto - disse Dumbledore a sorrir . - E isso torna te muito diferente de o Tom_Riddle . São as tuas escolhas , Harry , que mostram quem de facto tu és , mais do_que as tuas capacidades . Harry sentou se , imóvel e espantado , em a cadeira . - Se queres provas de que o teu lugar é em os Gryffindor , sugiro que vejas isto com mais atenção . Dumbledore aproximou se de a secretária de a professora Mc_Gonagall , pegou em a espada de prata ensanguentada e mostrou lhe a . Sem perceber , Harry voltou a ao_contrário . Os rubis brilharam a a luz de a lareira e foi então que ele reparou em o nome gravado mesmo por baixo de o copo de a espada . GODRIC_GRYFFINDOR . - Só um verdadeiro Gryffindor poderia ter tirado a espada de dentro de o chapéu , Harry - disse , com simplicidade , Dumbledore . Durante um minuto , nenhum de os dois falou . Depois , Dumbledore abriu uma de as gavetas de a secretária de a professora Mc_Gonagall e retirou de lá uma pena e um tinteiro . - Tu precisas de comer e ir dormir . Sugiro que desças para o banquete enquanto eu escrevo para Azkaban . Precisamos de recuperar o nosso guarda de os campos . E tenho de esboçar um anúncio para o * _ Profeta_Diário * - acrescentou pensativo . - Vamos precisar de um novo professor de Defesa contra as artes negras . É um problema , estamos sempre a perdê os . Harry levantou se e dirigiu se a a porta . Tinha acabado de estender a mão para o puxador quando ela se abriu tão violentamente que saltou de as dobradiças . Lucius_Malfoy estava de pé , furioso . E , debaixo de o braço , embrulhado em diversas ligaduras , estava Dobby . - Boa tarde , Lucius - disse Dumbledore , de forma amena . Mr._Malfoy quase derrubou Harry enquanto entrava em a sala . Dobby dava passos miudinhos atrás de ele , inclinado até a a bainha de o seu manto com um olhar apavorado em o rosto . - Então - disse Lucius_Malfoy com os olhos fixos em Dumbledore - voltaste . Os membros de o Conselho_Directivo suspenderam te , mas tu mesmo_assim sentiste te capaz de voltar a Hogwarts . - Bem vês , Lucius - disse Dumbledore , sorrindo serenamente . - Os outros membros de o Conselho contactaram me hoje . Fui envolvido em um redemoinho de corujas , todos queriam contar me a verdade . Ouviram dizer que a filha de Arthur_Weasley tinha sido morta e queriam me novamente aqui . Parece que me consideravam o melhor homem para o lugar . Contaram me algumas histórias muito estranhas . Alguns de eles tinham a impressão que tu tinhas ameaçado amaldiçoar lhes as famílias se não concordassem com a minha suspensão . Mr._Malfoy ficou ainda mais pálido do_que de costume , mas os olhos continuavam cheios de fúria . - Então já acabaste com os ataques ? - rosnou . - Apanhaste o culpado ? - Já , sim - disse Dumbledore com um sorriso . - E quem é ? - perguntou Malfoy secamente . - A mesma pessoa de a última vez , Lucius - disse Dumbledore . Mas desta_vez , Lord_Voldemort agiu através_de outra pessoa , por_meio_de um diário . Pegou em o pequeno caderno com o buraco em o meio , observando Mr._Malfoy de perto . Mas Harry olhava para Dobby . O elfo fazia um sinal muito estranho . Com os seus grandes olhos fixos em Harry , não parava de apontar para ó diário e , em seguida , para Mr._Malfoy , batendo logo_a_seguir com o punho em a cabeça . - Estou a ver ... - disse Mr._Malfoy lentamente a Dumbledore . - Um plano inteligente - afirmou o director em um tom de voz suave , continuando a olhar Mr._Malfoy directamente em os olhos . - Porque se não fosse aqui o Harry e o seu amigo Ron a descobrirem o diário , sem dúvida Ginny_Weasley teria ficado com todas_as culpas . Ninguém teria conseguido provar que ela agira contra a sua própria vontade . Mr._Malfoy não se pronunciou . O seu rosto parecia agora uma máscara . - E vê bem - continuou Dumbledore - o que poderia ter acontecido ... os Weasley são uma de as mais proeminentes famílias de feiticeiros de sangue puro , imagina o efeito em a imagem de Arthur_Weasley e em a sua acção de protecção a os Muggles , se a sua própria filha fosse acusada de atacar e matar filhos de Muggles . Foi uma sorte o diário ter sido descoberto e as memórias de Riddle apagadas . Quem sabe que consequências poderia ter tido ? Mr._Malfoy falou contra vontade . - Sim , foi uma sorte - disse secamente . E , em as suas costas , Dobby continuava a apontar para o diário e para Lucius_Malfoy , batendo depois com o punho em a cabeça . E Harry finalmente percebeu . Fez um sinal a Dobby que correu a esconder se em um canto , torcendo desta_vez as orelhas para se castigar . - Não quer saber como a Ginny obteve esse diário , Mr._Malfoy ? - perguntou Harry . Lucius_Malfoy voltou se para ele . - Como queres que eu saiba onde é_que a estúpida de a garota o arranjou ? - Porque foi o senhor quem lhe o deu - disse Harry . - Em a Flourish and Blotts . O senhor pegou em o livro velho de ela de Transfiguração e meteu o diário lá dentro , não foi ? Viu as mãos brancas de Mr._Malfoy abrirem se e fecharem se . - Prova isso - sibilou . - Oh ! ninguém vai poder prová o - disse Dumbledore sorrindo a o Harry . - Não agora_que o Riddle desapareceu de o caderno . Por outro lado , aconselharia te , Lucius , a não dares mais nenhuma de as coisas velhas de Lord_Voldemort . Se mais alguma for parar a as mãos de crianças inocentes , acho que o Arthur_Weasley fará com que se voltem com toda_a sua carga negativa contra ti . Lucius_Malfoy ficou calado um momento e Harry viu claramente a sua mão direita torcer se como_se desejasse chegar a a varinha . Em vez de isso , voltou se para o seu elfo doméstico . - Vamos , Dobby . Abriu a porta e quando o elfo se aproximou deu lhe um pontapé que o projectou para longe . Ouviram se em o escritório os gritos de dor de Dobby em o corredor . Harry pensou durante um momento e depois decidiu se . - Professor_Dumbledore - disse apressadamente . - Posso dar o diário outra_vez a Mr._Malfoy ? - Certamente , Harry - disse Dumbledore com toda_a calma . - Mas não demores , olha o banquete . Harry agarrou em o diário e saiu de o escritório . Os gritos de dor de Dobby afastavam se ao_longe . Sem perder tempo , perguntando a si próprio se o plano poderia resultar , Harry tirou um de os sapatos , puxou uma de as peúgas enlameadas e viscosas e meteu o diário lá dentro . Em seguida correu até a o fundo de o corredor escuro . Apanhou os em o topo de as escadas . - Mr._Malfoy - disse ofegante , parando . - Tenho uma coisa para si . E meteu a peúga mal cheirosa em a mão de Lucius_Malfoy . - O que é ... ? Mr._Malfoy tirou o diário de dentro de a peúga , deitou a fora e olhou furioso para o caderno estragado e para Harry - Ainda vais acabar por ter um fim igual a o de os teus pais um dia de estes , Harry_Potter - disse em voz baixa . - Eles também eram uns idiotas metediços . Voltou se para se ir embora . - Anda , Dobby , vem ! Mas Dobby não se mexeu . Tinha em as mãos a peúga nojenta de o Harry e olhava para ela como_se fosse um tesouro de valor incalculável . - O senhor deu uma peúga a o Dobby - disse o elfo maravilhado . - Deu a a o Dobby . - O que é isso ? - cuspiu Mr._Malfoy . - Que estás para aí a dizer ? - Dobby tem uma peúga - repetiu incrédulo . - O senhor deitou a fora e Dobby apanhou a e Dobby agora é livre ... Lucius_Malfoy ficou paralisado a olhar para o elfo . Em seguida precipitou se para Harry . - Fizeste me perder o meu servo , rapaz . Mas Dobby gritou : - Não pense que vai fazer mal a o Harry_Potter ! Ouviu se um enorme estrondo e Mr._Malfoy foi empurrado de costas , galgando os degraus de as escadas a três_e_três e indo aterrar lá em baixo todo embrulhado e amarrotado . Levantou se , o rosto lívido e pegou em a varinha , mas Dobby estendeu lhe um dedo ameaçador . - Vá se embora já - disse furioso , apontando para Mr._Malfoy . - Não tocará em o Harry_Potter . Vá se embora , já . Lucius_Malfoy não teve escolha . Lançando a os dois um último olhar de cólera , embrulhou se em o manto e desapareceu . - Harry_Potter libertou Dobby ! - disse o elfo com voz esganiçada , olhando para Harry , a luz de o luar reflectida em os seus grandes olhos em forma de globos . - Harry_Potter libertou Dobby . - Era o mínimo que eu podia fazer , Dobby - disse Harry a sorrir -- , mas promete me que não vais voltar a tentar salvar me a vida . A cara feia e escura de o elfo abriu se , mostrando os dentes , em um enorme sorriso . - Tenho uma pergunta a fazer te , Dobby - disse Harry enquanto o elfo pegava em a peúga de ele com as mãos a tremer . - Disseste me que tudo_isto não tinha nada que ver com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Lembras te ? - Era uma pista , senhor - disse Dobby com os olhos muito abertos como_se fosse absolutamente óbvio . - Dobby estava a dar lhe uma pista . Antes de o senhor de o mal mudar de nome , o seu nome podia ser pronunciado , está a ver ? - Certo - disse Harry sem grande convicção . - Bem , é melhor eu ir indo embora . Há um banquete e a minha amiga Hermione já deve ter acordado ... Dobby lançou os braços a a cintura de Harry e abraçou o . - Harry_Potter é muito maior do_que Dobby imaginava ! - soluçou . - Adeus , Harry_Potter . E com um estalido final , Dobby desapareceu . Harry assistira a diversos banquetes , mas nenhum que se parecesse com aquele . Estavam todos de pijama e a festa durou a noite inteira . Harry não sabia se o melhor tinha sido a Hermione a correr para ele e a gritar : - Tu conseguiste . Tu conseguiste ! , ou o Justin saindo disparado de a mesa de os Hufflepuff para lhe estender a mão , desfazendo se em desculpas por ter suspeitado de ele , ou o Hagrid que apareceu a as três_e_meia e que lhes deu palmadas com tanta força em os ombros que eles foram parar dentro de os pratos de bolo de creme , ou os quatrocentos pontos que ele e o Ron obtiveram para os Gryffindor , ganhando a taça de a equipa por a segunda vez consecutiva , ou a professora Mc_Gonagall de pé , a comunicar lhes que os exames tinham sido cancelados como medida de a escola ( Oh ! não ! exclamou Hermione ) , ou Dumbledore a anunciar que , infelizmente , o professor Lockhart não poderia voltar em o ano seguinte por ter de se ausentar a_fim_de recuperar a memória . Alguns de os professores juntaram se a os alunos que aplaudiram entusiasmados esta notícia . - Que pena - disse Ron , servindo se de um * dounut * de presunto . - E eu que começava a gostar de ele ... O resto de o período de Verão decorreu sob um sol escaldante . Hogwarts voltara a a normalidade , apenas com algumas pequenas diferenças : as aulas de Defesa contra as artes negras foram canceladas ( Mas nós tivemos imensa prática - disse o Ron vendo o descontentamento de Hermione ) e Lucius_Malfoy foi demitido de o Conselho_Directivo . Draco já não passeava por ali como_se fosse o dono de a escola . Pelo_contrário , tinha um ar melindrado e carrancudo . Por outro lado , Ginny_Weasley andava de_novo feliz de a vida . Em_breve chegou o dia de regressarem a casa em o Expresso_de_Hogwarts . Harry , Ron , Hermione , Fred , George e Ginny encheram um compartimento . Tiraram o_máximo partido de aquelas últimas horas em que lhes era permitido usar a magia antes de as férias . Brincaram a as explosões , gastaram o último fogo-de-artíficio Filibuster , de o Fred e de o George e treinaram o mútuo desarmamento através de a magia . Harry começava a ficar muito bom em aquilo . Já estavam perto de a estação de King's_Cross quando Harry se lembrou de uma coisa . - Ginny , o que foi que viste o Percy fazer que ele não queria que nos contasses ? - Ah ! isso - disse a Ginny a rir . - Bem , é_que o Percy tem uma namorada . Fred deixou cair uma pilha de livros em a cabeça de o George . - O quê ? - É aquela prefeita de os Ravenclaw ' Penelope_Clearwater - disse a Ginny . - Foi para ela que ele escreveu durante todo o Verão . Encontravam se em a escola em grande segredo . Eu apanhei os a beijarem se em uma sala de aula vazia e ele ficou tão aflito quando ela foi ... sabes ... atacada . Não vais aborrecê o , pois não ? - perguntou cheia de ansiedade . - Que ideia - respondeu Fred com uma tal satisfação em o rosto que parecia que o seu aniversário chegara mais cedo . - Claro que não - disse o George a rir se a a socapa . O Expresso_de_Hogwarts abrandou e finalmente parou . Harry tirou a pena e um_pouco de pergaminho e voltou se para Ron e Hermione . - Isto_é um número de telefone - disse ele a o Ron , escrevinhando o duas vezes , cortando o pergaminho a o meio e dando lhes os números . - Eu expliquei a o teu pai como usar um telefone em o Verão passado . Ele sabe fazer a chamada . Liga me para_casa de os Dursley , O. _ K. ? Não consigo suportar outros dois meses sem ter mais ninguém com quem falar ... - Mas a tua tia e o teu tio vão ficar orgulhosos de ti , não vão ? - perguntou Hermione quando saíram de o comboio e se misturaram em a multidão que se encontrava junto de a barreira encantada . - Quando souberem o que fizeste este ano . - Orgulhosos ? - disse Harry . - Estás doida ! Podendo eu ter morrido tantas vezes e tendo escapado ? Vão ficar é furiosos ... E juntos avançaram até a a entrada para o mundo de os Muggles . ----------------- J._K._Rowling_Harry_Potter e a Câmara_dos_Segredos_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Chamber of Secrets_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling 1998 Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 2000 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 2.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 Depósito legal : 143.569/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , a a Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Para_Séan_P._F._Harris , condutor imparável e um amigo de os diabos . I_O pior aniversário Não era a primeira vez que uma discussão estoirava a a mesa de o pequeno-almoço , em o número 4 de a Privet_Drive . Mr._Vernon_Dursley fora acordado de manhã cedo por o piar ruidoso que vinha de o quarto de o seu sobrinho Harry . - É a terceira vez esta semana ! - resmungou , a a mesa . - Se não consegues controlar essa coruja , ela não pode ficar aqui . Harry tentou , mais_uma_vez , explicar . - Ela está aborrecida . Estava habituada a voar livremente lá fora . Se eu pudesse , ao_menos , soltá a a a noite ... - Achas me com cara de idiota ? - perguntou rispidamente o tio Vernon , com um fio de ovo preso em o bigode farfalhudo . - Sei muito bem o que aconteceria se essa coruja fosse lá para fora . Trocou um olhar soturno com a mulher , a tia Petúnia . Harry tentou contra-argumentar , mas as suas palavras foram abafadas por um enorme arroto de o filho de os Dursleys , Dudley . - Quero mais bacon . - Há mais em a frigideira , fofinho - disse a tia Petúnia , lançando um olhar vago a o seu filho maciço . - Tens que te alimentar bem enquanto aqui estás , aquela comida de a tua escola não me cheira . - Disparate , Petúnia , eu nunca passei fome enquanto andei em Smeltings - afirmou com sinceridade o tio Vernon . - O Dudley tem que chegue . Não é verdade , filho ? Dudley , que era tão gordo que o rabo saía de os dois lados de a cadeira de a cozinha , sorriu laconicamente e voltou se para Harry . - Passa me a frigideira . -- Esqueceste te de a palavra mágica - disse Harry , irritado . O efeito que esta simples frase teve em o resto de a família foi inacreditável : Dudley começou a arfar e caiu de a cadeira com um estrondo que abalou a cozinha , Mrs._Dursley deu um gritinho e bateu com a mão em a boca , Mr._Dursley pôs se de pé com as veias de as têmporas dilatadas . - Eu queria dizer « por favor » - explicou Harry rapidamente . - Não me referia a ... - : __ o que é_que eu te __ disse - vociferou o tio , espalhando perdigotos sobre a mesa - : __ sobre pronunciar a palavra m . em esta __ casa ? - Mas eu ... - : __ como te atreves a ameaçar o __ dudley ! - rosnou o tio Vernon , batendo com o punho em a mesa . - Eu só ... - : __ estás avisado . não vou admitir referências a tua anormalidade debaixo de o tecto de a minha __ casa ! Harry olhou alternadamente para o rosto congestionado de o tio e para a palidez de a tia que tentava pôr o Dudley de pé . - Está bem - disse Harry . - Está bem ... O tio Vernon voltou a sentar se , respirando como um rinoceronte exausto e observando Harry de perto por o canto de os seus olhos pequeninos e penetrantes . Desde_que Harry regressara para as férias de Verão que o tio Vernon o tratava como_se ele fosse uma bomba , capaz de explodir a qualquer momento , porque Harry não era um rapazinho normal . Em a verdade , ele era o menos normal que é possível imaginar . Harry_Potter era um feiticeiro , um feiticeiro que acabara de concluir o primeiro ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts e a infelicidade que os Dursleys sentiam por ele estar lá em casa não era nada comparada com a de Harry . As saudades de Hogwarts eram tão intensas que se assemelhavam a uma constante dor em o estômago . Sentia a falta de o castelo com as suas passagens secretas e os seus fantasmas , de as aulas ( com excepção talvez de as de Snape , o professor de as poções ) , de o correio a chegar trazido por as corujas , de os banquetes em o salão nobre , de as noites em as camas de dossel em a camarata de a torre , de as visitas a Hagrid , o guarda de os campos em a sua casinha em o bosque , junto de a floresta proibida e , principalmente , sentia a falta de o Quidditch , o desporto mais popular de o mundo de os feiticeiros ( seis postes altos de golo , quatro bolas esvoaçantes e catorze jogadores em_cima_de vassoura ) . Todos os livros de feitiços de Harry , assim_como a varinha , os mantos , o caldeirão e a vassoura topo de gama Nimbus dois_mil tinham sido encerrados por o tio Vernon em a despensa que ficava debaixo de as escadas , em o momento em que Harry regressara a casa . O que é_que lhes interessava se ele perdia ou não o seu lugar em a equipa de Quidditch por não ter praticado durante todo o Verão ? Que importância tinha para eles que o Harry voltasse a a escola sem ter podido fazer os trabalhos de casa ? Os Dursleys eram aquilo que os feiticeiros chamam « Muggles » ( nem uma gota de sangue mágico em as veias ) e , para eles , ter um feiticeiro em a família era motivo de grande vergonha . O tio Vernon tinha , inclusivamente , fechado a cadeado a coruja de Harry , Hedwig , dentro de a gaiola , para evitar que ela transportasse mensagens para a gente de o mundo de a feitiçaria . Harry não se parecia em nada com o resto de a família . O tio Vernon era atarracado e sem pescoço , dotado de um enorme bigode preto ; a tia Petúnia tinha um rosto cavalar e era esquelética ; Dudley era loiro e rosado como um porquinho . Harry , pelo_contrário , era baixo e franzino , com os olhos verdes brilhantes e cabelo negro sempre desalinhado . Usava uns óculos redondos e tinha em a testa uma cicatriz em forma de relâmpago . Era essa cicatriz que o tornava tão invulgar , mesmo para um feiticeiro . Era a única alusão a o seu passado misterioso , a o motivo por o qual , onze anos antes , tinha sido deixado em o degrau de a porta de os Dursleys . Com um ano de idade , Harry sobrevivera a uma maldição de o maior feiticeiro negro de todos os tempos , Lord_Voldemort , cujo nome a maior parte de os feiticeiros e feiticeiras ainda receia pronunciar . Os pais de Harry tinham morrido em um ataque de Voldemort , mas ele escapara com a sua cicatriz em forma de relâmpago e estranhamente , ninguém compreendeu porquê , os poderes de Voldemort tinham sido destruídos em o momento em que não fora capaz de matar o Harry . Por isso , ele foi criado por a irmã de a sua falecida mãe e respectivo marido . Passou dez anos com os Dursleys , sem nunca compreender porque fazia com que acontecessem coisas estranhas , alheias a a sua vontade , acreditando em a história de os Dursleys de que aquela cicatriz fora resultado de um acidente de automóvel em que os pais tinham morrido . E um dia , precisamente um ano antes , Hogwarts escrevera lhe e fora então que tudo começara . Harry fora ocupar o seu lugar em a escola de feitiçaria , onde ele e a sua cicatriz eram famosas ... mas agora o ano escolar chegara a o fim e estava de_novo com os Dursleys . Durante o Verão , voltara a ser tratado como um cão malcheiroso . Os Dursleys nem se tinham lembrado que aquele era o dia de o seu décimo segundo aniversário . É claro que não tivera grandes expectativas : eles nunca lhe tinham dado um presente a sério , muito menos um bolo , mas ignorarem o por completo ... Em esse momento , o tio Vernon pigarreou com um ar importante e disse : - Como todos sabem , hoje é um dia muito importante . Harry olhou para ele , mal conseguindo acreditar . - Pode bem ser que eu faça hoje o maior negócio de toda_a minha vida - afirmou . Harry voltou novamente a atenção para a torrada . É claro , pensou amargamente , o tio Vernon referia se a a estúpida dinner-party . Havia quinze_dias que não falava de outra coisa . Um consultor qualquer cheio de massa e a mulher vinham jantar lá a casa e o tio Vernon tinha esperança de conseguir uma grande encomenda ( a empresa de o tio Vernon fabricava brocas ) . - Acho que devíamos recapitular mais_uma_vez - disse o tio Vernon . - Devemos estar todos a postos a as oito_horas_em_ponto . Petúnia , tu vais estar ... ? - Em o salão - respondeu a tia Petúnia prontamente - a a espera para lhes dar as boas-vindas a nossa casa . - Bom , bom . E o Dudley ? - Eu vou estar a a espera para abrir a porta . - Dudley esboçou um sorriso falso e afectado . - Dão me licença que vos guarde os casacos , Mr. e Mrs._Mason ? - Eles vão adorá o - exclamou arrebatadamente a tia Petúnia . - Excelente , Dudley - disse o tio Vernon . - A seguir voltou se para o Harry . - E tu ? - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - repetiu o Harry , de forma inexpressiva . - Exactamente - confirmou o tio Vernon , de um modo desagradável . - Eu conduzo os até a o salão , apresento te , Petúnia , e sirvo lhes as bebidas . _ a as oito_e_um_quarto . - Eu chamo para a mesa - disse a tia Petúnia . - E tu , Dudley , vais dizer ... - Dá me licença que lhe indique a casa de jantar , Mrs._Mason ? - repetiu o Dudley , oferecendo o seu braço gordo a uma mulher invisível . - O meu pequenino cavalheiro - fungou a tia Petúnia . - E tu ? - perguntou o tio Vernon a o Harry , em o mesmo tom desagradável . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho , fingindo que não estou lá - respondeu Harry aborrecido . - Isso mesmo . Agora , devíamos ter preparadas algumas frases amáveis para o jantar . Petúnia , alguma ideia ? - O Vernon disse me que o senhor é um excelente jogador de golfe , Mr._Mason ... Tem de me dizer onde comprou esse vestido , Mrs._Mason ... - Perfeito . Dudley ? - Que tal : Tivemos de fazer um trabalho para a escola sobre o nosso herói e eu escrevi sobre o senhor ... Foi de mais , tanto para a tia Petúnia como para o Harry . A tia debulhou se em lágrimas e abraçou o filho , enquanto Harry se esgueirava para debaixo de a mesa para ninguém o ver rir . - E tu , rapaz ? Harry fez um esforço para se mostrar inexpressivo quando emergiu . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - disse . - Vais sim senhor - afirmou o tio Vernon energicamente . - Os Mason não sabem nada a teu respeito e é assim que as coisas vão continuar . Quando o jantar terminar , tu trazes Mrs._Mason para o salão , onde vamos tomar café , Petúnia , e eu puxo o assunto de as brocas . Com um_pouco de sorte , tenho o contrato assinado antes de o noticiário de as dez . Amanhã por esta hora , vamos estar a fazer compras para umas férias em Maiorca . Harry não conseguia sentir o menor entusiasmo com aquilo . Não lhe parecia que os Dursleys gostassem mais de ele em Maiorca do_que em Privet_Drive . - Certo , eu vou a a cidade buscar os casacos para mim e para o Dudley . E tu - resmungou , apontando para Harry - não atrapalhes a tua tia enquanto ela estiver a limpar . Harry saiu por a porta de as traseiras . Estava um dia de sol lindo . Atravessou o relvado , deixou se cair em o banco de o jardim e cantarolou baixinho : - Parabéns para mim ... parabéns para mim ... Nem cartas nem presentes e tinha de passar a noite a fingir que não existia . Olhou infeliz para a sebe . Nunca se sentira tão só . Mais do_que tudo em o mundo , mais do_que de Hogwarts , mais até do_que de o jogo de Quidditch , Harry sentia a falta de os amigos Ron_Weasley e Hermione_Granger . Mas eles não pareciam sentir a falta de ele . Nenhum de os dois lhe escrevera durante todo o Verão apesar_de o Ron ter dito que ia convidá o para passar uns dias lá em casa . Inúmeras vezes Harry estivera quase a libertar magicamente Hedwig de a sua gaiola e mandá a levar uma carta a o Ron e a a Hermione mas não valia a pena correr o risco . Os feiticeiros menores de idade não tinham autorização para usar a magia fora de a escola . Harry não contara isto a os Dursleys . Ele sabia que era o medo de que ele os transformasse a todos em baratas que os impedia de o fecharem a a chave em a despensa debaixo de as escadas , juntamente com a varinha e a vassoura . Em as primeiras semanas Harry divertira se a murmurar baixinho palavras sem sentido e a ver o Dudley sair disparado de o quarto , tão rápido quanto as suas pernas gordas lhe permitiam . Mas o silêncio prolongado de Ron e Hermione tinham o feito sentir se tão longe de o mundo de a magia que até divertir se à_custa_de Dudley perdera o interesse . E agora o Ron e a Hermione tinham se esquecido de o seu aniversário . Quanto não daria ele por uma mensagem de Hogwarts ? De qualquer feiticeiro ou feiticeira ? Quase ficaria satisfeito com um sinal de o seu inimigo feroz , Draco_Malfoy , só para ter a certeza de que tudo aquilo não fora apenas um sonho ... Não que tudo durante o ano em Hogwarts tivesse sido divertido . Mesmo em o fim de o último período , Harry confrontara se nem mais nem menos do_que com o próprio Lord_Voldemort . Voldemort podia ter arruinado o seu ego inicial mas continuava a espalhar o terror , ainda astuto , ainda determinado a recuperar o poder . Harry escapara uma segunda vez a as suas garras mas fora por um triz e mesmo agora , algumas semanas decorridas , acordava de noite encharcado em suores frios , perguntando se onde estaria Voldemort , relembrando o seu rosto lívido , os seus olhos completamente loucos ... Harry sentou se subitamente , direito como um fuso , em o banco de o jardim . Tinha estado a olhar distraído para a sebe e a sebe estava a olhar para ele . Dois enormes olhos verdes surgiram por_entre a folhagem . Harry pôs se de pé ao_mesmo_tempo que uma voz sobrevoava a relva . - Eu sei que dia é hoje - cantarolava Dudley , bamboleando se enquanto se aproximava . Os olhos enormes piscaram e desapareceram . - O quê ? - perguntou Harry sem retirar os olhos de o lugar para_onde estava a olhar . - Eu sei que dia é hoje - repetiu , chegando junto de ele . - Ainda_bem - disse Harry . - Aprendeste finalmente os dias de a semana . - Hoje é o dia de os teus anos - troçou o Dudley . - Por_que é_que não recebeste nenhuma carta ? Não tens amigos em esse lugar esquisito ? - É melhor não deixares a tua mãe ouvir te falar de a minha escola - disse Harry calmamente . Dudley puxou para_cima as calças que estavam a escorregar lhe por o rabo gordo abaixo . - Porque estás a olhar para a sebe . ; - perguntou curioso . - Estou a pensar em as palavras que deverei pronunciar para lhe pegar fogo - disse Harry . Dudley recuou de imediato com um olhar de pânico em a cara rechonchuda . - Tu não p-p-odes , o pai disse que não podias fazer magia ou corria contigo aqui de casa e não tens mais nenhum lugar para_onde ir , não tens amigos que te convidem ... - * _ Jiggery pokery * ! - disse Harry com voz firme . - * _ Hocus pocus ... squiggly wiggly * ... - Maaaaaãe - gritou Dudley , tropeçando em os pés , enquanto se precipitava para dentro_de casa . Maaaãe , ele vai fazer aquela coisa ! Harry deu graças a os céus por aquele momento de gozo . Como não aconteceu nada de mal nem a o Dudley nem a a sebe , a tia Petúnia percebeu que ele não fizera magia nenhuma mas , mesmo_assim , Harry teve de se afastar quando ela lhe deu uma forte pancada em a cabeça com a frigideira cheia de detergente . A seguir distribuiu lhe trabalho e o castigo de só voltar a comer quando tivesse acabado tudo . Enquanto Dudley andava a flanar , olhando para o ar e comendo gelados , Harry limpou as janelas , lavou o carro , aparou a relva , adubou os canteiros , podou e regou as rosas e pintou de_novo o banco de o jardim . O sol ardia lá em cima , queimando lhe a parte de trás de o pescoço . Harry sabia que não devia ter provocado Dudley mas ele dissera precisamente aquilo que ele próprio pensava ... talvez não tivesse amigos em Hogwarts . Deviam ver agora o famoso Harry_Potter , pensou amargamente enquanto espalhava adubo em os canteiros , as costas a doerem lhe e o suor a escorrer lhe por o rosto . Eram sete_e_meia_da_tarde quando , por fim , exausto , ouviu a tia Petúnia a chamá o . - Anda para dentro e passa por cima de os jornais . Harry entrou satisfeito em a sombra de a cozinha que rebrilhava . Sobre o frigorífico estava o bolo de a noite : um enorme monte de crome batido coberto de violetas de açúcar . A carne de porco assava em o forno . - Come depressa , os Mason devem estar a chegar ! - exclamou bruscamente a tia Petúnia , apontando para duas fatias de pão e uma de queijo que estavam em cima de a mesa de a cozinha . Ela já tinha posto um vestido de * cocktail * cor de salmão . Harry lavou as mãos e comeu aquele triste jantar . Mal tinha terminado , a tia Petúnia tirou lhe o prato . - Lá para_cima , rápido ! A o passar por a porta de a sala , Harry vislumbrou o tio Vernon e Dudley de casaco e gravata . Tinha acabado de chegar a o cimo de as escadas quando a campainha de a porta tocou e a cara de o tio Vernon apareceu em o patamar . - Lembra te , rapaz , um ruído que seja ... Harry entrou em o quarto em bicos de pés , fechou a porta e preparou se para se meter em a cama . O problema é_que estava lá alguém sentado . II_O aviso de Dobby_Harry conseguiu não gritar , mas foi por_pouco . A pequena criatura que estava em a cama tinha umas orelhas grandes e largas e uns olhos verdes protuberantes de o tamanho de bolas de ténis . Harry percebeu imediatamente que fora para ele que tinha estado a olhar de manhã . Enquanto olhavam um para o outro , Harry ouviu a voz de Dudley em o * hall * . - Posso guardar os vossos casacos , Mr. e Mrs._Mason ? A criatura escorregou por a cama e curvou se tanto que a ponta de o seu enorme nariz tocou em o tapete . Harry reparou que ele tinha vestido uma espécie de fronha de almofada com buracos para os braços e pernas . - Er ... Olá - disse Harry , um_pouco nervoso . - Harry_Potter ! - exclamou a criatura em uma voz tão estridente que Harry calculou que poderia ouvir se lá em baixo . - Há tanto tempo que Dobby queria conhecê o , senhor . É uma enorme honra ... - Ob-obrigado - disse Harry , deslocando se a o longo de a parede e sentando se em a cadeira de a secretária , junto de Hedwig que dormia em a sua grande gaiola . Queria perguntar lhe « O que és tu ? » , mas pensou que seria má educação , por isso perguntou : - Quem és tu ? - Dobby , senhor . Apenas Dobby , o elfo de casa - afirmou a criatura . - Oh ! A sério ? - perguntou Harry . - Não quero ser mal-educado , mas esta não é a melhor altura para ter um elfo em o meu quarto . O riso falso de a tia Petúnia ouvia se em a sala de jantar . O elfo deixou cair a cabeça . - Não que eu não me sinta feliz por te conhecer - disse Harry rapidamente - mas , er ... estás aqui por algum motivo em especial ? - Oh , sim senhor - disse Dobby muito a sério . - Dobby veio dizer lhe que ... é difícil ... Dobby não sabe por_onde começar ... - Senta te - disse Harry educadamente , apontando lhe a cama . Para seu horror , o elfo debulhou se em lágrimas bastante ruidosas . -- S-senta-te ! - repetiu . - Nunca em toda_a minha vida ... Harry pareceu lhe ouvir as vozes lá em baixo vacilarem . - Desculpa - murmurou . - Eu não queria ofender te ... - Ofender Dobby ! - exclamou o elfo em um sufoco . - Nunca nenhum feiticeiro disse a o Dobby que se sentasse como um seu igual , senhor . Harry , tentando dizer lhe « Sch ... » e confortá o ao_mesmo_tempo , conduziu Dobby de_novo até a a cama onde ele se sentou a soluçar , parecendo uma grande boneca muito feia . Por fim , conseguiu controlar se e ficou quieto , com os seus grandes olhos fixos em Harry em uma expressão de absoluta adoração . - Não deves ter conhecido muitos feiticeiros sérios - disse lhe , tentando animá o . Dobby abanou a cabeça . Em seguida , sem qualquer aviso , saltou e começou a bater furiosamente com a cabeça em a janela , gritando : - Dobby é mau ! Dobby é mau ! - Pára , o que é_que estás a fazer ? - perguntou Harry em um murmúrio sibilante , dando um salto e puxando Dobby de_novo para a cama . Hedwig acordara com um pio particularmente agudo e batia agressivamente com as asas contra as grades de a gaiola . - Dobby tinha que se castigar , meu senhor - afirmou o elfo , que ficara ligeiramente estrábico . - Dobby quase falou mal de a família de ele ... - De a tua família ? - De a família de feiticeiros que Dobby serve , meu senhor ... O Dobby é um elfo de casa , obrigado a servir uma casa e uma família para sempre . - Eles sabem que estás aqui ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Dobby estremeceu . - Oh , não senhor , não ... Dobby vai ter que se castigar muito por ter vindo vê o . Dobby vai ter que entalar as orelhas em a porta de o forno por isto . Se eles soubessem , senhor ... - Mas achas que eles não vão reparar se tu entalares as orelhas em a porta de o forno ? - Dobby duvida , senhor . Dobby está sempre a ter de se castigar por qualquer coisa . Eles deixam que o Dobby se castigue . _ às_vezes até sugerem alguns castigos extra . - Mas por_que é_que não te vais embora , não foges ? - Um elfo de casa tem de ser libertado , senhor . E a família nunca libertará Dobby . Dobby servirá a família até morrer . Harry olhou para ele . - E eu que pensava que era infeliz por ter de ficar aqui mais quatro semanas - declarou . - Isto faz os Dursleys parecerem quase humanos . Será que ninguém te pode ajudar ? Poderei eu ? Em o mesmo momento , Harry desejou não ter aberto a boca . Dobby desfez se em ruidosos soluços de gratidão . - Por favor - murmurou Harry , inquieto . - Por favor , está calado . Se os Dursleys ouvem barulho , se eles sabem que estás aqui ... - Harry_Potter pergunta se pode ajudar Dobby . Dobby ouviu falar de a sua grandeza , mas de a sua bondade , Dobby nada sabia . Harry , que se sentia corar , disse : - Seja o que for que tenhas ouvido sobre a minha grandeza , é um disparate . Nem_sequer sou o melhor de o meu ano em Hogwarts . É a Hermione . Ela ... Mas calou se rapidamente porque pensar em Hermione era lhe doloroso . - Harry_Potter é humilde e modesto - disse Dobby reverentemente , com os seus olhos de globo avermelhados . - Harry_Potter não fala de a sua vitória sobre « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . - Voldemort ? - perguntou Harry . Dobby bateu com as mãos em as enormes orelhas e gemeu : - Ai não diga o nome , senhor . Não diga o nome ! - Desculpa - disse Harry muito depressa . - Eu sei que muita gente não gosta . O meu amigo Ron ... Calou se de_novo . Pensar em o Ron era igualmente doloroso . Dobby voltou para Harry os seus dois olhos grandes como candeeiros . - Dobby ouviu dizer - balbuciou com voz rouca - que Harry_Potter encontrou o Senhor_do_Mal uma segunda vez há poucas semanas atrás ... que Harry_Potter lhe escapou de_novo . Harry acenou e os olhos de Dobby encheram se de lágrimas . - Ah , senhor - disse em um sobressalto , limpando o rosto com a ponta de a fronha de almofada que tinha vestida . - Harry_Potter é valente e arrojado . Enfrentou tantos perigos ! Mas Dobby veio protegê o , avisar Harry_Potter , mesmo_que para isso tenha de entalar as orelhas em a porta de o forno , que Harry_Potter não deve voltar para Hogwarts . Houve um silêncio apenas quebrado por o ruído de os garfos e de as facas lá em baixo e por a voz distante de o tio Vernon . - O q-q-uê ? - gaguejou Harry . - Mas eu tenho de voltar , o ano começa em o dia um de Setembro . É a minha razão de viver . Tu não sabes como são as coisas aqui . Eu não pertenço a este lugar , o meu lugar é em Hogwarts . - Não , não , não - guinchou Dobby , sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas andavam de um lado para o outro . - Harry_Potter deve ficar aqui , onde se encontra a salvo . É demasiado grande , demasiado bom para se perder . Se Harry_Potter regressar a Hogwarts correrá perigo de vida . - Porquê ? - inquiriu Harry , surpreendido . - Há uma conspiração , Harry_Potter . Uma conspiração para fazer acontecer coisas terríveis este ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts - murmurou Dobby que começara a tremer de a cabeça a os pés . - Dobby sabe de isto há meses , senhor . Harry_Potter não deve expor se a o perigo . É demasiado importante . - Que coisas terríveis são essas ? - perguntou Harry sem perder tempo . - Quem está por detrás ? Dobby fez um ruído esquisito e começou a bater com a cabeça contra a parede como um louco . - Está bem - gritou Harry , agarrando o braço de o elfo para o fazer parar . - Não podes dizer , eu compreendo . Mas porque vieste avisar me ? - Um pensamento súbito e desagradável surgiu lhe . - Espera aí , isto tem alguma coisa que ver com o Vol , desculpa com o Quem nós sabemos ? Basta que faças sim ou não com a cabeça - acrescentou com vivacidade enquanto a cabeça de Dobby se inclinava de_novo a uma velocidade preocupante para a parede . Lentamente , Dobby abanou a cabeça . - Não , não é « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . Os olhos de Dobby estavam abertos como_se estivesse a tentar dar a Harry uma pista , mas Harry estava completamente a a nora . - Ele não tem nenhum irmão , ou tem ? Dobby abanou a cabeça , os olhos mais abertos do_que nunca . - Bem , em esse caso não estou a ver quem mais poderia ter a possibilidade de fazer acontecer coisas horríveis em Hogwarts - disse Harry . - Quero dizer , para já está lá o Dumbledore . Sabes quem é Dumbledore , não sabes ? Dobby baixou a cabeça . - Albus_Dumbledore é o melhor director que Hogwarts alguma vez teve . Dobby sabe , senhor . Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore rivalizam com os d'aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Mas , senhor - a voz de Dobby desceu a um urgente murmúrio - há poderes que Dumbledore não ... poderes que nenhum feiticeiro sério ... E antes que Harry conseguisse impedi o Dobby saltou de a cama , agarrou o candeeiro de secretária de Harry e começou a bater com a cabeça , dando uivos ensurdecedores . Fez se silêncio lá em baixo . Dois segundos mais tarde , Harry com o coração a bater como um louco , ouviu o tio Vernon chegar a o * hall * e dizer . - O Dudley deve ter deixado outra_vez a televisão ligada , o maroto ! - Depressa , para dentro de o guarda-fatos - gritou Harry , empurrando Dobby bem para o fundo , fechando a porta e metendo se a correr em a cama mesmo a_tempo_de ver a maçaneta de a porta a girar . - Que diabo estás tu a fazer ? - disse o tio Vernon entre dentes , o rosto assustadoramente próximo de o de Harry . - Acabas de estragar o ponto alto de a minha anedota de o golfista japonês . Eu que oiça mais um som e vais desejar nunca ter nascido , rapaz ! Abandonou o quarto com grandes passadas . A tremer , Harry deixou Dobby sair de o guarda-fatos . - Estás a ver como são as coisas por aqui ? - disse . - Vês porque tenho de voltar para Hogwarts ? É o único sítio onde eu tenho ... bem , onde eu acho que tenho amigos . - Amigos que nem_sequer escrevem a Harry_Potter ? - disse Dobby com ar manhoso . - Calculo que devem ter estado ... espera aí - disse Harry , franzindo a testa . - Como é_que tu sabes que os meus amigos não me têm escrito ? Dobby arrastou os pés . - Harry_Potter não deve zangar se com Dobby . Dobby fez o que achou melhor ... - Tu tens estado a interceptar me as cartas ? - Dobby tem as aqui , senhor - disse o elfo . Saltando para longe de o alcance de Harry , retirou de dentro de a fronha que usava um espesso saco cheio de envelopes . Harry reconheceu de imediato a caligrafia certinha de Hermione , a escrita desordenada de Ron e até uns gatafunhos que pareciam ser de o guarda de os campos de Hogwarts , Hagrid . Dobby piscava ansiosamente os olhos . - Harry_Potter não deve ficar zangado ... Dobby esperava que ... se Harry_Potter pensasse que os amigos o tinham esquecido ... Harry_Potter talvez não quisesse voltar a a escola , senhor . Harry não o ouvia . Fez um gesto para agarrar as cartas , mas Dobby deu um salto , afastando se . - Harry_Potter terá as cartas , senhor , se der a Dobby a sua palavra de não voltar a Hogwarts . Ah , senhor , é um risco que não deve correr . Diga que não volta , senhor ! - Não - afirmou Harry zangado . - Dá me as cartas de os meus amigos ! - Em esse caso , Harry_Potter deixa Dobby sem escolha - disse o elfo tristemente . Antes que Harry pudesse fazer um movimento , Dobby tinha aberto a porta de o quarto e descido a correr por as escadas abaixo . Com a boca seca e um aperto em o estômago , Harry correu atrás de ele , tentando não fazer barulho . Saltou os últimos seis degraus , aterrando como um gato em a carpete de o * hall * , olhando em volta a a procura de Dobby . De a sala de jantar , ouviu a voz de o tio Vernon : - Conte a a Petúnia aquela história engraçadíssima de os funileiros americanos , ela tem estado louca por ouvi a , Mr._Mason . Harry correu de o * hall * para a cozinha e sentiu o estômago ficar pequenino . O pudim , que era a a obra-prima de a tia Petúnia , a montanha de creme batido coberto de violetas de açúcar flutuava junto de o tecto . Em cima de o guarda-louça de o canto , Dobby inclinava se servilmente . - Não - suplicou Harry . - Por favor , eles matam me . - Harry_Potter deve dizer que não vai voltar a a escola ... - Dobby , por favor . - Diga , senhor . - Não posso . Dobby lançou lhe um olhar trágico . - Então , Dobby deve fazê o , senhor , para o bem de Harry_Potter . O pudim foi direito a o chão em uma queda que parecia um coração a parar . O crome esguichou para as janelas e para as paredes , enquanto o prato se despedaçava . Com o ruído de uma chicotada , Dobby desapareceu . Ouviram se gritos em a casa de jantar e o tio Vernon irrompeu por a cozinha onde foi dar com Harry coberto , de a cabeça a os pés , por o pudim de a tia Petúnia . A princípio parecia que o tio Vernon ia conseguir arranjar uma desculpa para aquilo tudo . ( É só o nosso sobrinho , muito perturbado ; conhecer pessoas estranhas deixa o muito nervoso , por isso deixamos o lá em cima ... ) Conduziu_os_Mason , bastante chocados , para a sala de jantar , garantindo a Harry que o esfolava vivo quando os Mason se fossem embora e pôs lhe em as mãos um esfregão . A tia Petúnia descobriu um resto de gelado em o frigorífico e Harry , ainda a tremer , começou a limpar a cozinha . O tio Vernon poderia ainda ter feito o negócio , se não fosse a coruja . Estava a tia Petúnia a circular com uma caixa de After-Eight , quando uma enorme coruja de celeiro fez a sua entrada vertiginosa através de a janela de a casa de jantar , deixando cair uma carta em a cabeça de Mr._Mason e desaparecendo logo_a_seguir . Mrs._Mason gritava como uma carpideira e corria por a casa praguejando contra os lunáticos . Mr._Mason ficou o tempo estritamente necessário para dizer a os Dursleys que a mulher tinha um medo pânico de pássaros de todas_as formas e tamanhos e perguntar lhes se aquela era alguma brincadeira de mau gosto . Harry não saiu de a cozinha , agarrando o esfregão como defesa , enquanto o tio Vernon avançava para ele com um brilho demoníaco em os olhos pequeninos . - Lê isso - ordenou maldosamente . Harry pegou em a carta . Não era a desejar lhe um bom aniversário . * _ Caro_Mr._Potter , * _ Recebermos hoje informações de que um feitiço de suspensão em o ar foi efectuado em sua casa esta noite , a as nove_horas_e_doze_minutos . * _ Como sabe , os feiticeiros menores não estão autorizados a praticar magia fora de a escola e , se efectuar mais um trabalho mágico , será expulso de a nossa escola . ( Decreto_de_Restrições_Razoáveis_para_Feitiçaria_de_Menores , 1875 , parágrafo C. ) * _ Pedimos-lhe também que se lembre que qualquer actividade que possa ser notada por membros alheios a a nossa comunidade ( Muggles ) constitui uma ofensa grave , segundo a secção 13 de a Confederação_Internacional_do_Estatuto_da_Magia_Secreta . * _ Tenha umas boas férias . * Atenciosamente_Mafalda_Hopkirk_Gabinete_da_Utilização_Imprópria_da_Magia_Ministério_da_Magia * . Harry olhou para a carta e engoliu em seco . - Tu não nos contaste que estavas proibido de usar magia fora de a escola - disse o tio Vernon com um brilho maldoso a dançar lhe em os olhos . - Esqueceste te de o mencionar , passou te , não foi ? Tinha se aproximado de Harry como um grande * bulldog * , com todos os dentes a a mostra . - Tenho boas notícias para ti , rapaz , vou fechar te a a chave e , se tentares sair através_de magia , nunca mais voltas a aquela escola , eles expulsam te . E rindo como um louco , arrastou Harry até a o andar de cima . O tio Vernon era mau como as cobras . Em a manhã seguinte pagou a um homem para colocar grades em a janela de o quarto de Harry . Ele próprio abriu um pequeno buraco em a porta de o quarto para que a comida pudesse ser introduzida três vezes por dia . Deixavam o Harry sair para ir a a casa_de_banho de manhã e a o final de a tarde . O resto de o tempo estava fechado em o quarto , a a espera que o tempo passasse . Três dias mais tarde , os Dursleys não mostravam qualquer intenção de abrandar o castigo e Harry não sabia como sair de aquela situação . Estava deitado em a cama , vendo o sol brilhar por_entre as grades de a janela e perguntando se tristemente o que viria a acontecer lhe . Qual era a vantagem de sair de ali por artes mágicas , se Hogwarts o expulsaria em seguida ? Contudo , a vida em Privet_Drive tinha atingido o seu nível mais baixo . Agora_que os Dursleys tinham a certeza que não iam acordar transformados em morcegos , ele perdera a única arma que tinha . O Dobby podia tê o salvo de acontecimentos terríveis em Hogwarts , mas de a maneira que as coisas estavam , ele morreria muito provavelmente a a fome . A portinhola rangeu e a mão de a tia Petúnia apareceu empurrando uma tigela de sopa de pacote para dentro de o quarto . Harry , que estava cheio de fome , saltou de a cama e agarrou a . A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um único trago . A seguir , atravessou o quarto até a a gaiola de Hedwig e pôs os legumes ensopados dentro de o seu pratinho vazio . Ela agitou as penas e olhou o com profunda repugnância . - Não vale de nada virares lhe as costas . É tudo_o_que temos - disse Harry , de modo severo . Colocou a tigela vazia em o chão junto de a portinhola e voltou para_cima de a cama , de certo modo com mais fome do_que antes de ter comido a sopa . Admitindo que estaria ainda vivo dentro_de quatro semanas o que aconteceria se ele não se apresentasse em Hogwarts ? Será que mandariam alguém obrigar os Dursleys a deixá o ir ? O quarto começava a escurecer . Exausto e com o estômago a dar horas , o cérebro a as voltas com as mesmas questões sem resposta , Harry caiu em um sono intranquilo . Sonhou que fazia parte de um espectáculo de o jardim zoológico . Preso a a jaula onde se encontrava estava um cartaz onde podia ler se « feiticeiro menor de idade « . As pessoas olhavam o com olhos protuberantes , enquanto ele jazia fraco e esfomeado em um leito de palha . Viu a cara de o Dobby em o meio de a multidão e gritou lhe , pedindo ajuda , mas o Dobby respondeu : - Harry_Potter está em segurança aí , senhor - e desapareceu . Em seguida vieram os Dursleys e Dudley bateu em as grades de a jaula , rindo se de ele . - Pára com isso - murmurou Harry como_se aquele ruído martelasse em a sua cabeça dorida . - Deixa me em paz , pára com isso , estou a tentar dormir . Abriu os olhos . O luar brilhava através de as grades de a janela . E lá fora alguém olhava de olhos arregalados para ele : alguém de rosto sardento , cabelo ruivo e nariz grande . Ron_Weasley estava de o lado de_fora de a janela . III « A toca » Ron ! - exclamou Harry , arrastando se até a a janela e empurrando a para poderem falar através de as grades . - Ron , como é_que tu , foi o ... ? Harry ficou de boca aberta , espantado com o que viu . Ron estava debruçado de a janela de trás de um velho automóvel azul-turquesa que se encontrava estacionado em o ar . Em os lugares de a frente , rindo se para Harry , estavam os irmãos mais velhos , os gémeos Fred e George . - Tudo bem , Harry ? - O que é_que se tem passado ? - perguntou o Ron . - Porque não respondeste a as minhas cartas ? Convidei te para vires ter comigo umas doze vezes e um dia o pai chegou a casa e comunicou nos que tu tinhas recebido um aviso oficial por usares magia diante de os Muggles ... - Não fui eu . E como é_que ele soube ? - Ele trabalha em o Ministério - disse o Ron . - Tu sabes que nós não podemos fazer feitiços fora de a escola . - Bem , isso vindo de ti ... - exclamou Harry , olhando para o carro flutuante . - Oh , isto não conta - disse Ron . - Foi o meu pai que o emprestou . Não o fizemos aparecer por magia . Mas usar magia em a frente de esses Muggles com quem tu vives ... - Já te disse que não fui eu , mas vai demorar muito_tempo a explicar te isso agora . És capaz de avisar em Hogwarts que os Dursleys me fecharam a a chave e que não querem deixar me voltar e obviamente eu não posso sair de aqui magicamente senão o Ministério vai achar que é a segunda vez em três dias e ... - Pára com essa conversa tola - disse o Ron . - Viemos para te levar connosco . - Mas tu também não podes tirar me de aqui utilizando processos mágicos ... - Não precisamos de isso - afirmou Ron , fazendo um sinal de cabeça para os lugares de a frente . - Esqueces te de quem está aqui comigo . - Amarra isso em volta de as grades - disse o Fred , lançando a Harry a ponta de uma corda . - Se os Dursleys acordam estou feito - lamentou se Harry enquanto dava um nó bem apertado com a corda em uma de as grades e o Fred arrancava com o carro . - Não te preocupes e chega te para trás . Harry recuou para a sombra , para junto de Hedwig que parecia ter se apercebido de a importância de tudo aquilo , mantendo se quieta e em silêncio . O carro puxou mais e mais e , subitamente , com um ruído de ferro a ceder , as grades foram arrancadas de a janela , enquanto Fred conduzia com o céu como estrada . Harry correu de_novo para a janela para ver as grades a balouçarem a poucos metros de o chão . Ofegante , Ron içou as para dentro de o carro . Harry escutou ansiosamente mas não vinha qualquer som de o quarto de os Dursleys . Quando as grades estavam em segurança em os lugares de trás junto de Ron , Fred aproximou se o_máximo que lhe foi possível de a janela . - Anda de aí - disse . - Mas , todas_as minhas coisas de Hogwarts , a minha varinha , a minha vassoura ... - Onde estão ? - Fechadas em a despensa debaixo de as escadas e eu não posso sair de este quarto . . - Não há azar - disse o George . - Sai de a frente , Harry . Fred e George treparam cautelosamente e entraram por a janela em o quarto de Harry . Tinhas que ter aberto a boca , pensou Harry enquanto George tirava de o bolso um vulgar gancho de cabelo e começava a tentar abrir a fechadura . - Muitos feiticeiros acham que é uma perda de tempo aprender os truques de os Muggles - disse o Fred . - Mas nós pensamos que há habilidades que é sempre útil conhecer apesar_de serem um_pouco lentas . Ouviu se um pequeno clique e a porta abriu se . - Pronto , vamos buscar as tuas coisas . Tu vai dando a o Ron aquilo que precisas de aí de o teu quarto - murmurou George . - Cuidado com o degrau de cima que range - sussurrou Harry enquanto os gémeos desapareciam em o escuro . Harry deu a volta a o quarto , recolhendo as suas coisas e passando as por a janela a o Ron . Em seguida , foi ajudar o Fred e o George a trazerem o resto por as escadas acima . Ouviu o tio Vernon tossir . Por fim , de língua de_fora , chegaram a o quarto , junto de a janela aberta . Fred trepou para o carro para puxar os volumes com o Ron enquanto Harry e George os empurravam de dentro de o quarto . Centímetro a centímetro o malão foi passando por a janela . O tio Vernon tossiu de_novo . - Mais um_pouco - disse o Fred que estava a puxar de dentro de o carro . Um bom empurrão , vá . Harry e George encostaram os ombros contra a mala e ela escorregou para a parte de trás de o carro . - O. _ K. , vamos embora - murmurou o George . Mas quando Harry trepava para o parapeito de a janela ouviu se um forte pio atrás de ele , imediatamente seguido de o vociferar de o tio Vernon . - Aquela maldita coruja ! - Esqueci me de a Hedwig ! Harry precipitou se de_novo para o quarto , enquanto a luz de o patamar se acendia . Agarrou a gaiola de Hedwig , correu para a janela e passou a a o Ron . Estava a subir para_cima de a cómoda quando o tio Vernon bateu em a porta , que não estava fechada , e esta se abriu completamente . Por uma fracção de segundo , o tio Vernon ficou estático junto de a porta . Em seguida , soltou um mugido como um boi zangado e avançou para Harry , agarrando o por o tornozelo . Ron , Fred e George seguraram o por os braços e puxaram o com toda_a força . - Petúnia - rosnou o tio Vernon . - Ele está a fugir ! : __ ele está a __ fugir ! Os Weasleys deram um puxão gigantesco e a perna de o Harry escapou a as garras de o tio Vernon . Logo_que Harry entrou em o carro e a porta se fechou , Ron gritou : - Acelera Fred ! - E o carro partiu subitamente em direcção a a lua . Harry mal podia acreditar que estava livre . Esticou se a a janela , o ar de a noite a fustigar lhe os cabelos e olhou para baixo , para os telhados apertados de Privet_Drive . O tio Vernon , a tia Petúnia e o Dudley estavam todos debruçados com cara de parvos , a a janela de o quarto de ele . - Até a o próximo Verão - gritou . Os Weasleys riam se a as gargalhadas e Harry esticou se para trás em o assento e pediu a o ouvido de Ron : - Deixa sair a Hedwig . Ela pode voar atrás_de nós . Há séculos que não tem uma oportunidade de esticar as asas . George passou a o Ron o gancho de cabelo e , um momento depois , a Hedwig saíra feliz por a janela , planando atrás de eles como um fantasma . - Então , qual é a história ? - perguntou Ron , impaciente . - O que é_que tem estado a acontecer ? Harry contou lhes tudo sobre o Dobby , o aviso de este e o fracasso de o pudim de violetas . Houve um longo silêncio quando ele se calou . - Isso cheira me a esturro - disse , por fim , o Fred . - Definitivamente misterioso - concordou George . - Então ele nem te disse quem está supostamente por detrás dessa trama toda ? - Acho que não podia - explicou Harry . - Já te disse , de cada_vez que estava quase a deixar escapar qualquer coisa , começava a bater com a cabeça em a parede . Viu Fred e George olharem um para o outro . - O quê ? Acham que ele estava a mentir me ? - perguntou Harry . - Bem - começou o Fred -- , coloquemos as coisas de o seguinte modo , os elfos de casa têm poderes mágicos próprios , mas geralmente não podem usá os sem a autorização de os seus donos . Eu acho que o bom de o Dobby foi enviado para evitar que voltasses para Hogwarts . Uma ideia de um engraçadinho . Haverá alguém em a escola com má vontade contra ti ? - Sim - responderam Harry e Ron , precisamente ao_mesmo_tempo . - Draco_Malfoy - explicou Harry . - Ele detesta me . - Draco_Malfoy ? - perguntou George , voltando se para trás . - O filho de o Lucius_Malfoy ? - Deve ser . Não é um nome muito vulgar , pois não ? - disse Harry . - Mas porquê ? - Ouvi o pai falar acerca de ele - confidenciou George . - Ele era um grande apoiante de o « Quem nós sabemos » . - E quando o « Quem nós sabemos » desapareceu - continuou o Fred , voltando a cara para olhar para Harry - o Lucius_Malfoy voltou , dizendo que não foi por vontade própria que fez o que fez . Monte de lixo . O pai acha que ele fazia parte de um círculo de amigos íntimos de o « Quem nós sabemos » . Harry já tinha ouvido esses boatos sobre a família de Malfoy e não o surpreenderam em absoluto . Malfoy fizera Dudley_Dursley parecer um rapazinho simpático , amável e sensível . - Não sei se os Malfoy têm um elfo de casa ... - afirmou Harry . - Bem , quem quer que o possua é sem dúvida uma antiga família de feiticeiros e deve ser rica - explicou Fred . - Sim . A mãe está sempre a desejar que pudéssemos ter um elfo de casa para passar a roupa a ferro - disse o George . - Mas só temos um velho vampiro piolhoso em o sótão e gnomos espalhados por o jardim . Os elfos de casa pertencem a as grandes casas senhoriais , a os castelos e lugares assim , não encontrarias um em a nossa casa ... Harry estava calado . Considerando que Draco_Malfoy tinha sempre as melhores coisas , que a sua família nadava em ouro de feiticeiros , era fácil imaginá o passeando se por uma enorme casa senhorial . Mandar o servo de a família evitar que Harry voltasse para Hogwarts também parecia exactamente o tipo de coisa que Malfoy poderia fazer . Teria Harry sido estúpido a o tomar Dobby a sério ? - De qualquer modo , ainda_bem que viemos buscar te - declarou Ron . - Eu começava a ficar seriamente preocupado por não responderes a nenhuma de as minhas cartas . A princípio pensei que a culpa fosse de a Errol ... - Quem é a Errol ? - A nossa coruja . Já é velhota . Não seria a primeira vez que adoecia durante uma entrega . Por isso , tentei pedir a Hermes emprestada ... - Quem ? - A coruja que os meus pais compraram a o Percy quando ele foi nomeado prefeito - respondeu Fred . - Mas o Percy não me a emprestou . Disse que precisava de ela . - O Percy tem andado com atitudes muito estranhas este Verão - comentou George franzindo a testa . - E tem mandado imensas cartas e passado um tempo infinito fechado em o quarto ... enfim , pode limpar se e polir um distintivo de prefeito todas_as vezes que se quiser ... Estás a conduzir demasiado para ocidente , Fred - acrescentou apontando para uma bússola em o painel de o automóvel . Fred girou o volante . - Então , o vosso pai sabe que têm o carro ? - perguntou Harry , quase adivinhando a resposta . - Er ... não - disse o Ron . - Ele tinha trabalho esta noite . Felizmente vamos poder pô o de_novo em a garagem , sem a mãe perceber que andámos a voar nele . - A propósito , o que faz o vosso pai em o Ministério_da_Magia ? - Trabalha em o Departamento mais chato - respondeu Ron . - A Divisão de utilização incorrecta de artefactos de os Muggles . - O quê ? - Relaciona se com objectos de feitiçaria que foram feitos por os Muggles ; sabes como é , se forem parar de_novo a uma loja de os Muggles , ou a uma casa , como em o ano passado , quando morreu uma bruxa velha e o bule de ela foi vendido a uma loja de antiguidades . Uma mulher Muggle comprou o , tentou servir chá a os amigos . Foi um pesadelo , o pai teve de fazer horas extraordinárias durante semanas . - O que é_que aconteceu ? - O bule parecia louco , esguichou chá a ferver para todos os lados e um de os homens foi parar a o hospital com a pinça de o açúcar presa em o nariz . O pai ficou nervosíssimo . É só ele e o velho feiticeiro Perkings em o gabinete e tiveram de localizar e descobrir todo o tipo de encantamentos para resolver o assunto . - Mas o teu pai ... este carro ... Fred riu se . - Sim , o pai é louco por tudo_o_que tem que ver com os Muggles . A nossa arrecadação está cheia de coisas de os Muggles . Ele separa as , lança lhes feitiços e volta a pô as em o lugar . Se ele fizesse uma busca a nossa casa teria de se prender a si mesmo . A minha mãe fica louca com tudo aquilo . - É a estrada principal - gritou o George , apontando para baixo através de a janela . - Dentro_de poucos minutos estamos lá , mesmo a tempo , está a começar a clarear . Um leve brilho rosado tingia o horizonte para leste . Fred trouxe o carro para baixo e Harry pôde ver uma manta de retalhos de campos escuros e matas de arbustos . - Estamos um_pouco longe de a vila - disse George . - Em Ottery_St . Catchpole ... O carro voador foi descendo a os poucos . A luz avermelhada brilhava agora por_entre as árvores . - Terra - disse o Fred , em o momento em que tocaram em o chão com um ligeiro solavanco . Tinham aterrado perto_de uma garagem em ruínas em um pequeno pátio e Harry viu pela_primeira_vez a casa de o Ron . Parecia ter sido em tempos uma pocilga de pedra . Mas os quartos que posteriormente lhe tinham sido acrescentados haviam a tornado bastante mais alta e o seu aspecto era tão curvado que parecia ter sido construída por artes mágicas ( o que , pensou Harry , era , muito provavelmente , verdade ) . De o telhado vermelho saíam quatro ou cinco chaminés . Junto de a entrada , fixa em o chão , podia ver se uma inscrição assimétrica que dizia « A toca » . A o lado de a porta principal estava uma contusão de botas de * _ Wellington * e um caldeirão completamente enferrujado . Por o pátio passeavam se várias galinhas castanhas e gordas . - Não é grande coisa - desculpou se o Ron . - É óptima - exclamou Harry , feliz , pensando em Privet_Drive . Saíram de o carro . - Agora vamos lá para_cima sem fazer barulho - disse o Fred . - E esperamos que a mãe nos chame para o pequeno-almoço . Depois tu , Ron , desces a escada entusiasmadíssimo . - Mãe , olha quem apareceu cá durante a noite ! - E ela vai sentir se felicíssima quando vir o Harry . Assim ninguém fica a saber que levámos o carro voador . - Certo - disse o Ron . - Vamos , Harry , eu durmo em o ... Ron ganhou uma cor de um pálido esverdeado , os olhos fixos em a casa . Os outros três fizeram meia volta . Mrs._Weasley avançava por o pátio , afugentando as galinhas e , para uma mulher baixa , roliça e simpática , era fantástico como conseguia parecer se com um tigre dentes-de-sabre . - Ah ! - suspirou o Fred . - Oh , oh ! - exclamou o George . Mrs._Weasley parou em frente de eles . As mãos em as ancas , saltando de um olhar culpado para o outro . Usava um avental a as flores , com uma varinha a sair lhe de o bolso . - Com que então - disse . - Bom dia , mãe - arriscou o George com uma voz que tentou que fosse alegre e bem-disposta . - Vocês têm alguma ideia de como tenho estado preocupada ? - perguntou Mrs._Weasley em um murmúrio fraco . - Desculpe , mãe , mas sabe , nós tivemos que ... Os três filhos de Mrs._Weasley eram mais altos do_que ela , mas tremiam quando a fúria de a mãe se abatia sobre eles . - Camas vazias ! Nem um bilhete ! O carro desaparecido ... Podiam ter tido um acidente , estou fora de mim com tanta preocupação e vocês nem se importam ... nunca , enquanto eu for viva ... esperem só até o vosso pai chegar , nunca tivemos problemas de estes com o Bill , com o Charlie ou com o Percy ... - O perfeito Percy - resmungou Fred . - : __ tu não vales um dedo de a mão de o __ percy ! - gritou Mrs._Weasley , espetando um dedo em o queixo de o Fred . - Podias ter morrido , podias ter sido visto , podias ter feito com que o teu pai perdesse o emprego ... Parecia nunca mais acabar . Mrs._Weasley tinha gritado até ficar ronca , antes de se voltar para o Harry , que recuou . - Estou muito contente por te ver , Harry - disse . - Entra e vem tomar o pequeno-almoço . Ela voltou se e regressou a casa e Harry , depois de trocar um olhar nervoso com o Ron , que lhe acenou , encorajando o , seguiu a . A cozinha era pequena e bastante estreita . A meio havia uma enfezada mesa de madeira e cadeiras em volta e Harry sentou se a a beirinha de o assento , olhando em volta . Era a primeira vez que entrava em uma casa de feiticeiros . O relógio em a parede em frente de ele , tinha apenas um ponteiro e nenhum número . Em volta , estavam escritas frases como « Hora de fazer o chá » , « Hora de dar de comer a as galinhas « e « Estás atrasado » . Empilhados em o rebordo de a lareira estavam livros com títulos como * _ Encanta o teu próprio queijo , Encantamento em a cozedura de o pão e Banquetes em um minuto - é mágico * ! E , a menos que os ouvidos de Harry estivessem a traí o , o velho rádio próximo de o lava-loiças acabara de anunciar que a seguir vinha a Hora de enfeitiçar com a popular feiticeira-cantora Celestina_Warbeck . Mrs._Weasley fazia barulho com os talheres , preparando o pequeno-almoço um bocado a o acaso , lançando olhares furiosos a os filhos , enquanto lançava as salsichas em a frigideira . De vez em quando murmurava coisas como : « Não sei o que vos passou por a cabeça « ou « nunca devia ter confiado em vocês » . - Eu não te culpo , filho - tranquilizou Harry , pondo lhe sete ou oito salsichas em o prato . - Eu e o Arthur temos estado preocupados contigo . Ainda ontem a a noite estivemos a dizer que te iríamos buscar nós próprios se não respondesses a o Ron até sexta-feira . Mas , em a verdade ( estava agora a acrescentar três ovos estrelados a o prato de ele ) , atravessar metade de o país a voar em um carro ilegal , qualquer um vos poderia ter visto ... Agitou maquinalmente a varinha em a direcção de o lava-loiças , onde a loiça começou a lavar se sozinha , tinindo baixinho lá atrás . - Estava enevoado , mãe ! - exclamou o Fred . - Boca fechada enquanto comes ! - interrompeu Mrs._Weasley . - Eles estavam a fazê o passar fome , mãe ! - disse o George . - E tu também ! - disse Mrs._Weasley , mas já foi com uma expressão mais doce que começou a cortar o pão para Harry e a barrá o com manteiga . Em esse momento , as atenções voltaram se para um pequenino volto de cabelos ruivos , em uma camisa de dormir até a os pés , que surgiu em a cozinha , deu um grito agudo e desapareceu de_novo . - É a Ginny - disse Ron baixinho a o Harry -- , a minha irmã . Tem falado de ti todo o Verão . - Sim , ela vai querer o teu autógrafo , Harry - riu se o Fred , mas o seu olhar cruzou se com o de a mãe e inclinou se para o prato , não voltando a abrir a boca . Ninguém falou até os quatro pratos estarem limpos , o que sucedeu a uma velocidade surpreendente . - Bolas , estou cansado - bocejou Fred , pousando a faca e o garfo . Acho que me vou deitar e ... - Não vais , não senhor - interrompeu Mrs._Weasley . - A culpa é tua se ficaste toda_a noite acordado . Vais fazer a des-gnomização de o jardim . Eles estão outra_vez a exagerar . - Oh , mãe ... - E vocês os dois o mesmo - dirigiu se a o Ron e a o Fred . - Tu podes ir para a cama , filho - disse a Harry . - Não lhes pediste que guiassem aquele carro miserável . Mas Harry , que se sentia acordadíssimo , respondeu prontamente : - Eu ajudo o Ron , nunca vi uma des-gnomização ... - É muito simpático de a tua parte , querido , mas é um trabalho chato - explicou Mrs._Weasley . - Vejamos o que o Lockhart tem a dizer acerca disto . E puxou de o rebordo de a lareira um livro pesadíssimo . George resmungou : - Mãe , nós sabemos * des-gnomizar * o jardim . Harry olhou para a capa de o livro de Mrs._Weasley . Em grandes letras douradas , que ocupavam grande parte de a capa , podia ler se Guia_de_Gilderoy_Lockhart para pragas caseiras . Via se também a grande fotografia de um feiticeiro bem-parecido , de cabelos loiros ondulados e olhos azuis brilhantes . Como sempre , em o mundo de os feiticeiros , a fotografia mexia se . O feiticeiro , que Harry calculou ser Gilderoy_Lockhart , não parava de lhes piscar os olhos descaradamente . Mrs._Weasley sorriu lhe . - Oh , ele é fantástico - disse . - Conhece bem as pragas caseiras . É um livro maravilhoso . - A mãe adora o - disse Fred em um murmúrio bastante audível . - Não sejas ridículo , Fred - repreendeu Mrs._Weasley com as bochechas coradas . - É claro que se achas que sabes mais do_que o Lockhart , podes ir fazer o trabalho e ai de ti se houver um único gnomo em o jardim quando eu for fazer a inspecção . A bocejar e a resmungar , os Weasley arrastaram se lá para fora com Harry atrás de eles . O jardim era grande e , em a opinião de Harry , exactamente como deveria ser um jardim . Os Dursleys não teriam gostado . Havia uma enorme quantidade de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada , mas havia árvores nodosas em volta de as paredes , plantas que Harry nunca vira , tombando de todos os canteiros e um grande lago verde cheio de rãs . - Os Muggles também têm gnomos de jardim , sabes - disse o Harry a o Ron , enquanto atravessavam a relva . - Sim , já vi essas coisas que eles pensam que são gnomos - disse o Ron todo dobrado , com a cabeça em uma moita de peónias . - Como os Pais_Natais gordinhos com canas de pesca ... Houve um tumulto ruidoso , a moita de peónias estremeceu e Ron endireitou se . - Isto_é um gnomo - declarou com um ar sério . - Larga eu ! Larga eu ! - guinchou o gnomo . Não se parecia em absoluto com o Pai_Natal . Era pequenino e parecia de couro , com uma grande cabeça protuberante e calva , precisamente como uma batata . Ron agarrou o a a distância de um braço , enquanto ele dava pontapés em o ar com os seus pézinhos que pareciam chifres . Agarrou o por os tornozelos e voltou o de pernas para o ar . - Isto_é o que tens de fazer - disse . Levantou o gnomo acima de a cabeça ( Larga eu ! ) e começou a balouçá o em grandes círculos , como os vaqueiros fazem com os laços . A o ver a expressão chocada de Harry , Ron explicou : - Não os mágoa . Só tens de os deixar bem tontos para que consigam encontrar o caminho de regresso a os buracos de os gnomos . Largou os tornozelos de o gnomo . Ele voou seiscentos metros e aterrou com um ruído surdo em o campo a o lado de a sebe . - Deplorável - afirmou o Fred . - Aposto que consigo lançar o meu para_além de aquele tronco . Harry aprendeu rapidamente a não sentir muita pena de os gnomos . Decidira largar o primeiro que apanhou para_além de a sebe , mas o gnomo , sentindo fraqueza , enfiou os seus dentinhos , aguçados como laminas , em o dedo de o Harry e não foi fácil sacudi o para ele o largar , até que ... - Uau , Harry , esse deve ter sido seiscentos metros ... O ar estava subitamente cheio de gnomos voadores . - Vês , eles não são muito espertos - afirmou o George , agarrando cinco ou seis de uma_vez . - Em o momento em que se apercebem que começou a * des-gnomização * , aparecem todos para espreitar . Era de esperar que já tivessem aprendido a ficar quietinhos . Rapidamente a multidão de gnomos começou a ir se embora , atravessando os campos em uma fila ordenada , com os pequeninos ombros arqueados . - Eles voltam - disse o Ron enquanto os via desaparecer em a sebe de o outro lado de o campo . - Eles adoram estar aqui ... o pai é muito mole com eles , acha lhes piada . Em esse momento , a porta de a frente bateu . - Ele já voltou ! - exclamou o George . - O pai já está em casa ! Apressaram se a entrar . Mr._Weasley tinha se afundado em uma de as cadeiras de a cozinha , sem óculos e com os olhos fechados . Era um homem magro , quase calvo , mas o pouco cabelo que tinha era tão ruivo como o de os filhos . Vestia um longo manto verde cheio de pó e estava cansado de a viagem . - Que noite - murmurou , tacteando em busca de o bule , enquanto todos se sentavam a a volta de ele . - Nove assaltos , nove ! E o velho Mundungs_Fletcher tentou lançar me um feitiço quando eu estava de costas . Mr._Weasley tomou um bom gole de chá e suspirou . - Encontrou alguma coisa , pai ? - perguntou Fred ansiosamente . - Só encontrei algumas chaves encolhidas e uma chaleira que mordia - bocejou Mr._Weasley . - Havia um material bastante mauzinho , mas não era de o meu departamento . O Mortlake foi levado para ser interrogado sobre uns furões extremamente antigos , mas isso pertence a a Comissão_dos_Feitiços_Experimentais , graças_a Deus . - Por_que é_que alguém ia dar se a o trabalho de fazer encolher chaves ? - perguntou George . - Para chatear os Muggles - suspirou Mr._Weasley . - Vende se lhes uma chave que não pára de encolher , até que desaparece , de_modo_a que nunca a encontrem quando precisam ... É claro que é muito difícil condenar alguém , porque nenhum Muggle é capaz de admitir que a sua chave está a encolher , insistem em que estão sempre a perdê a . Benditos sejam , vão até onde for preciso para ignorar a magia , mesmo_que ela esteja em frente de os seus narizes ... mas vocês não acreditariam em as coisas que o nosso grupo tem levado para enfeitiçar ... - : __ como carros , por __ exemplo ? Mrs._Weasley tinha aparecido , segurando um grande atiçador que parecia uma espada . Os olhos de Mr._Weasley abriram se de repente , fitando a mulher com um ar culpado . - C-carros , Molly querida ? - Sim , Artur , carros - afirmou Mrs._Weasley , os olhos a faiscar . - Imagina um feiticeiro a comprar um carro velho e enferrujado e dizer a a mulher que a única coisa que queria fazer com ele era desmontá o para ver como ele funcionava , enquanto em a verdade estava a enfeitiçá o para o fazer voar . Mr._Weasley piscou os olhos . - Bem , querida , acho que poderás constatar que não é ilegal fazer isso , embora , er , talvez ele devesse ter contado a verdade a a mulher ... Existe uma forma de tornear a lei , já_que ela diz que ... desde_que não se tenha a * intenção * de voar em o carro , o facto de ele poder voar , não ... - Arthur_Weasley tu arranjaste essa forma de tornear a lei quando a escreveste ! - gritou Mrs._Weasley . - Para poderes continuar a remexer em todo aquele lixo de os Muggles que tens em a arrecadação ! E , para tua informação , o Harry chegou hoje_de_manhã em o carro que tu não pretendias pôr a voar ! - Harry ? - perguntou Mr._Weasley sem expressão . - Qual Harry ? Olhou em volta , viu Harry e deu um salto . - Santo_Deus , é Harry_Potter ? Muito prazer , o Ron falou nos tanto de si ... - * _ O teu filho conduziu aquele carro até a a casa de o Harry e de volta até aqui em a noite passada ! * - gritou Mrs._Weasley . - O que tens a dizer a esse respeito ? - A sério ! ? - exclamou Mr._Weasley com vivacidade . - Correu tudo bem , quero dizer ... - vacilou a o ver os olhos de Mrs._Weasley que faiscavam . - Er , fizeram mal , rapazes , muito mal , mesmo ... - Vamos deixá os a os dois - murmurou o Ron , enquanto Mrs._Weasley inchava como um sapo gigantesco . - Vamos , vou mostrar te o meu quarto . Esgueiraram se de a cozinha e desceram uma passagem estreita que dava para uma escada desnivelada que ziguezagueava a o longo de a casa . Em o terceiro andar , estava uma porta entreaberta . Harry só teve tempo de ver um par de olhos castanhos brilhantes que o olhavam fixamente , antes de a porta se fechar com um estalido . - A Ginny - disse o Ron . - Não imaginas como é estranho vês a tão tímida , ela que quase nunca se cala ... Subiram mais dois andares , até chegarem a uma porta com a tinta a descascar e uma pequena placa dizendo : « Quarto_do_Ronald » . Harry entrou . A cabeça quase tocava em o tecto inclinado . Piscou os olhos . Era como entrar dentro_de uma fornalha : quase tudo em o quarto de o Ron tinha um violento matiz alaranjado : a colcha de a cama , as paredes , até o tecto . Em seguida , apercebeu se de que o Ron tinha coberto cada centímetro de o velho papel de parede com * posters * de as mesmas sete feiticeiras e feiticeiros , todos vestidos com brilhantes mantos cor de laranja , transportando vassouras e acenando entusiasticamente . - A tua equipa de Quidditch ? - perguntou Harry . - Os Chudley_Cannons - disse Ron , apontando para a colcha cor de laranja que tinha um brasão com dois C's gigantes e uma bala de canhão a_toda_a velocidade . - Nono em a Liga . Os livros de estudo de feitiços de Ron estavam empilhados desordenadamente a um canto , junto de um monte de B. _ D. , todas elas relativas a as * _ Aventuras_de_Martin_Miggs , o Muggle louco * . A varinha mágica de o Ron estava em_cima_de um aquário cheio de ovos de rã sobre o peitoril de a janela , junto de o seu rato gordo e cinzento , Scabbers , que dormia uma soneca a o sol . Harry passou por_cima_de um baralho de cartas de jogar com vontade própria , que estava caído em o chão , e olhou para fora de a janelinha . Em o campo , não muito longe , podia ver um grupo de gnomos a esgueirarem se , um a um , de_novo para a sebe de os Weasley . Em seguida , voltou se para Ron que o observava nervoso , como_se esperasse a opinião de ele . - É um_pouco pequeno - declarou o Ron muito depressa . - Não se parece nada com o quarto que tu tinhas em casa de os Muggles . E estou mesmo debaixo de o vampiro de o sótão . Ele anda sempre a bater nos canos e a gemer ... Mas Harry , com um grande sorriso , disse lhe : - Esta é a melhor casa em que eu já estive . As orelhas de Ron ficaram cor-de-rosa . IV_Na_Flourish and Blotts_A vida em a Toca era o mais diferente que é possível de a vida em Privet_Drive . Os Dursleys gostavam de tudo limpo e arrumado , em casa de os Weasleys explodia o estranho e o inesperado . Harry teve um choque de a primeira vez que olhou para o espelho que estava sobre a lareira de a cozinha e ele gritou : - Mete para dentro a camisa , * desmazelado ! * - O vampiro de o sótão gemia e batia nos canos , sempre_que sentia as coisas demasiado calmas e as pequenas explosões em o quarto de o Fred e de o George , eram consideradas perfeitamente normais . Mas o que o Harry achou mais bizarro em a vida em casa de o Ron , não foi o espelho que falava , nem o vampiro barulhento , foi o facto de todos ali em casa parecerem gostar de ele . Mrs._Weasley preocupava se com o estado de as suas meias e tentava obrigá o a servir se quatro vezes a cada refeição . Mr._Weasley gostava que Harry se sentasse a o lado de ele a a mesa para poder bombardeá o com perguntas sobre a vida com os Muggles , pedindo que lhe explicasse como funcionavam coisas como as canalizações e o serviço de os correios . - Fascinante ! - exclamava , enquanto Harry lhe explicava a utilização de o telefone . - Engenhoso , de facto , todas_as maneiras que os Muggles encontraram para passar sem a magia . Harry teve notícias de Hogwarts em uma manhã de sol , cerca de uma semana depois de ter chegado a a Toca . Quando , ele e o Ron desceram para tomar o pequeno-almoço , encontraram Mr. e Mrs._Weasley e Ginny já sentados a a mesa . Em o momento em que viu o Harry , Ginny entornou a tigela de os cereais , que caiu a o chão com grande espalhafato . Ginny entornava facilmente coisas sempre_que o Harry estava em a sala . Mergulhou debaixo de a mesa para apanhar a tigela e emergiu com o rosto a brilhar como o sol poente . Fingindo não ter dado por nada , Harry sentou se e aceitou a torrada que Mrs._Weasley lhe ofereceu . - Cartas de a escola - disse Mr._Weasley , passando a o Harry e a o Ron envelopes idênticos de pergaminho amarelado , com a morada escrita a tinta verde . - O Dumbledore já sabe que estás aqui , Harry , não perde nada aquele homem . Vocês os dois também - acrescentou , enquanto Fred e George deambulavam em a casa , ainda em pijama . Fez se silêncio durante alguns momentos , enquanto liam as respectivas cartas . A de o Harry dizia para apanhar o Expresso_de_Hogwarts , como sempre em a Estação_de_King's_Cross , em o dia_1_de_Setembro . Havia ainda uma lista de os livros que precisaria para o próximo ano . Os alunos de o segundo ano deverão ter : * _ O_Livro_Padrão_de_Feitiços , Grau 2 , por Miranda_Goshawk . * _ Ensinamentos_de_Uma_Fada_Carpideira , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Férias com Bruxas , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Duendes , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Lobisomens , por Gilderoy_Lockhart . * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves , por Gilderoy_Lockhart * . Fred , que terminara a sua própria lista , espreitou para a de o Harry . - Também te mandam comprar os livros de o Lockhart - disse . - A professora de defesa contra as artes negras deve ser fanática . Aposto que é uma bruxa . Nessa_altura , Fred percebeu o olhar de a mãe e apressou se a comer o doce de laranja . - Esse conjunto não vai ficar barato - disse George , olhando rapidamente para os pais . - Os livros de o Lockhart são de os mais dispendiosos ... - Cá nos havemos de arranjar - declarou Mrs._Weasley , mas parecia preocupada . - Espero que pelo_menos para a Ginny possamos arranjar uma data de coisas em segunda mão . - Ah , vais entrar este ano para Hogwarts ? - perguntou lhe Harry . Ela fez um aceno , corando até a a raiz de os cabelos ruivos e meteu o cotovelo em o pires de a manteiga . Felizmente ninguém deu por nada , a não ser o Harry , porque em esse momento o irmão mais velho de Ron , o Percy , entrou . Já estava vestido , com a placa de prefeito aplicada a a sua camisola de malha . - Bom dia a todos - disse , cheio de vivacidade . - Está um dia lindo . Puxou a única cadeira livre , mas deu um salto quando ia sentar se e , debaixo de ele , saltou um espanador cinzento de penas , pelo_menos , foi o que o Harry pensou até ver que ele respirava . - Errol ! - exclamou Ron , afastando a coruja de o Percy e retirando lhe debaixo de a asa uma carta . - Até que enfim , a resposta de a Hermione . Escrevi lhe a contar que íamos tentar raptar te de casa de os Dursleys . Levou Errol para um poleiro que havia junto a a porta de as traseiras e tentou colocá a lá em cima , mas Errol caiu redonda e Ron teve de a pôr em a pia , murmurando : - Patético . - Em seguida , abriu a carta de a Hermione e leu a em voz alta . * _ Querido_Ron e Harry , se aí estiveres . Espero que tudo tenha corrido bem , que o Harry esteja O. _ K. e que não tenham feito nada ilegal para conseguir trazes o , porque isso podia criar lhe problemas também a ele . Tenho estado muito preocupada e , se o Harry estiver bem , por favor digam me qualquer coisa rapidamente , mas talvez seja melhor usarem uma nova coruja , porque acho que outra entrega pode acabar como esta . * _ Estou muito atarefada com trabalho de a escola , claro * . - Como é possível ? - perguntou Ron , horrorizado . - Estamos em férias ! - * _ E vamos para Londres em a próxima quarta-feira para comprar os meus livros novos . Porque não nos encontramos em a Diagon-al ? * _ Dêem-me notícias vossas o mais depressa possível . * _ Carinhosamente_Hermione * - Bem , parece uma boa solução , podemos ir todos comprar as vossas coisas - disse Mrs._Weasley , começando a limpar a mesa . - O que vão fazer hoje ? Harry , Ron , Fred e George tinham planeado ir a o cimo de o monte a um pequeno cercado de cavalos que os Weasleys possuíam . Estava rodeado de árvores que lhe tapavam a vista de a cidade cá em baixo , o que quer_dizer que podiam praticar Quidditch , desde_que não voassem muito alto . Não podiam usar as verdadeiras bolas de Quidditch pois seria muito difícil explicar se elas escapassem e voassem sobre a cidade . Em vez de elas , lançavam maçãs para os outros apanharem . Faziam turnos para montar a Nimbus dois_mil , que era de longe a melhor vassoura . A velha Shooting_Star_de_Ron fora muitas_vezes ultrapassada por as borboletas que passavam . Cinco minutos mais tarde estavam a marchar por o monte acima , de vassouras a o ombro . Tinham perguntado a o Percy se ele queria juntar se a eles , mas ele alegara muito trabalho . Até esse dia , Harry só tinha visto Percy a a hora de as refeições , ele ficava em silêncio em o quarto o resto de o tempo . - Gostava de saber o que ele anda a fazer - afirmou Fred , de testa franzida . - Não parece o mesmo . O resultado de os exames veio um dia antes de tu chegares : doze N_F_V e ele nem se manifestou satisfeito . - Níveis_de_Feitiçaria_Vulgares - explicou o George , vendo o olhar atarantado de Harry . - Se não temos cuidado , ainda nos calha outro Chefe_de_Turma em a família . Acho que não suportaria a vergonha . Bill era o mais velho de os irmãos Weasley . Ele e o irmão a seguir , Charlie , já tinham saído de Hogwarts . Harry não conhecia nenhum de os dois , mas sabia que o Charlie estava em a Roménia a estudar dragões e o Bill em o Egipto a trabalhar em o banco de os feiticeiros : Gringotts . - Não sei como o pai e a mãe vão arranjar dinheiro para nos pagar o material escolar este ano - disse o George , passado um bocado . - Cinco conjuntos de livros de o Lockhart ! E a Ginny precisa de mantos e de uma varinha e tudo_isso ... Harry não disse nada . Sentiu se um_pouco incomodado . Fechada em um cofre subterrâneo , em o banco de Gringotts_de_Londres , estava uma pequena fortuna que os pais lhe tinham deixado . É claro que só tinha esse dinheiro em o mundo de os feiticeiros , não se podem usar Galeões , Leões e Janotas em as lojas de os Muggles . Ele nunca fizera referência a a sua conta bancária em Gringotts a os Dursleys . Não lhe parecia que o horror que eles sentiam por tudo_o_que se relacionava com a feitiçaria se estendesse a uma enorme pilha de barras de ouro . Mrs._Weasley acordou os a todos bem cedo , em a quarta-feira seguinte . Depois de comerem umas doze sanduíches de * bacon * cada_um , enfiaram os casacos e Mrs._Weasley tirou um vaso de a prateleira de o fogão de a cozinha e espreitou lá para dentro . - Está a acabar se , Arthur - suspirou . - Temos de comprar mais hoje ... Bem , os hóspedes primeiro . Passa , Harry querido ! E ofereceu lhe o vaso de flores . Harry olhou espantado enquanto todos eles o observavam . - O q-que é_que eu devo fazer ? - gaguejou . - Ele nunca viajou com o pó de Floo - disse o Ron subitamente . - Desculpa , Harry , esqueci me . - Nunca ? - perguntou Mrs._Weasley . - Mas então como chegaste a a Diagon - _ Al em o ano passado para comprar as tuas coisas ? -- Fui por o subterrâneo . - A sério ? - disse Mr._Weasley , entusiasmado . - Havia fugitivos ? Como é_que ... - Agora não , Arthur - disse Mrs . Weasley . - O pó de Floo é muito mais rápido , querido , mas , valha me Deus , se ele nunca o usou ... - Vai correr bem , mãe - disse o Fred . - Harry observa nos primeiro . Tirou uma pitada de pó brilhante de dentro de o vaso , aproximou se de o lume e lançou o pó em as chamas . Com um rugido , o fogo ficou verde-esmeralda e elevou se a uma altura superior a a de o Fred que avançou , gritando Diagon - _ Al ! E desapareceu . - Tens de falar claramente , filho - disse Mrs._Weasley a o Harry , ao_mesmo_tempo que George metia a mão em o vaso de as flores . - E vê se sais em o fogão certo . - Em o quê ? - perguntou Harry , nervoso , enquanto o lume crepitava e fazia George desaparecer também . - Bem , há imensos fogos de feiticeiros , mas desde_que te tenhas expressado claramente ... - Ele vai conseguir , Molly , não te preocupes - disse Mr._Weasley , tirando também ele algum pó . - Mas querido se ele se perde como é_que vamos justificar nos perante o tio e a tia de ele ... -- Eles não se importariam - tranquilizou a Harry . - O Dudley ia achar imensa piada se eu me perdesse em uma chaminé , não se preocupe . - Bem , em esse caso ... tu vais a seguir a o Arthur - disse Mrs._Weasley . - Logo_que entres em o fogo diz para_onde queres ir . - E mantém os cotovelos dobrados - preveniu o Ron . - E os olhos fechados - disse Mrs._Weasley . - A fuligem . - Não te enerves - disse o Ron . - Senão podes ir parar a a lareira errada . - Não entres em pânico e não queiras sair cedo de mais . Espera até veres o Fred e o George . Fazendo um enorme esforço por reter toda aquela informação , Harry tirou uma pitada de pó de Floo e avançou para a beirinha de o fogo . Respirou fundo , espalhou o pó em as chamas e entrou . O fogo parecia uma brisa quente . Abriu a boca e engoliu , de imediato , uma grande quantidade de cinzas quentes . D-dia-gon-al - tossiu . Sentiu se como_se estivesse a ser sugado para um buraco gigantesco . Como_se girasse muito depressa ... o ruído era ensurdecedor . Tentou manter os olhos abertos mas o turbilhão de chamas verdes fê lo enjoar ... algo duro bateu lhe em o cotovelo e dobrou o de imediato . Continuava a rodar , a rodar ... sentia se agora como_se várias mãos frias estivessem a bater lhe em a cara ... Espreitando através de os óculos , viu uma torrente imprecisa de fogões e captou lampejos de as salas que estavam por detrás ... as sanduíches de * bacon * davam lhe a volta dentro de o estômago ... fechou os olhos desejando que tudo aquilo parasse e então caiu , de cara em o chão , em a pedra fria e sentiu os óculos partirem se a os bocados . Desorientado e ferido , coberto de fuligem , pôs se cautelosamente de pé , levando a os olhos os óculos partidos . Estava completamente só e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava . Tudo_o_que podia dizer era que a o seu lado via uma lareira que lhe parecia ser a de uma enorme e indistinta loja de feitiçaria . Mas nenhum de os artigos que ali se encontravam tinham aspecto de fazer parte de a lista de a escola de Hogwarts . Em uma caixa de vidro podia ver se uma mão atrofiada que repousava sobre uma almofada , um baralho de cartas ensanguentado e um olho de vidro que o olhava fixamente . Máscaras de expressão maldosa enchiam as paredes , olhando de esguelha , uma enorme quantidade de ossos humanos estendia se sobre o balcão e , de o tecto , pendiam instrumentos aguçados com pontas de ferro e pregos enferrujados . Mas o pior é_que a rua estreita e escura , que Harry conseguia avistar através de a janela poeirenta de a loja , não era de modo algum a Diagon-al . Quanto_mais depressa saísse de ali , melhor . O nariz ainda a doer lhe em o sítio onde batera em o chão a o aterrar , Harry avançou rápida e silenciosamente em direcção a a porta , mas antes de conseguir chegar a meio caminho , duas pessoas apareceram de o lado de_fora de o vidro , e uma de elas era a última pessoa que Harry desejaria encontrar em o momento em que se encontrava perdido , coberto de fuligem e com os óculos partidos , Draco_Malfoy . Harry olhou rapidamente em volta e apercebeu se de a existência de um grande armário escuro a a sua esquerda , saltou lá para dentro e fechou as portas , deixando uma gretazinha para poder espreitar . Segundos depois , uma campainha tocava e Malfoy entrava em a loja . O homem que o acompanhava só podia ser o pai . Tinha o mesmo rosto pálido de feições agudas e os mesmos olhos cinzentos de gelo . Mr._Malfoy atravessou a loja , olhando maquinalmente para os artigos expostos e tocou a campainha de o balcão , antes de se voltar para o filho , dizendo : - Não mexas em nada , Draco . Malfoy , que vira o olho de vidro , disse : - Pensei que ias oferecer me um presente . - Eu prometi que ia comprar te uma vassoura de corrida - declarou o pai , tamborilando com os dedos sobre o balcão . - Para que é_que me serve , se não estou em a equipa de Quidditch ? - perguntou Malfoy , carrancudo e de mau humor . - O Harry_Potter teve uma Nimbus dois_mil o ano passado , com a autorização especial de o Dumbledor é para jogar em os Gryffindor . Ele nem é assim tão bom , é só por ser * famoso * ... famoso por ter uma estúpida cicatriz em a testa . Malfoy baixou se para observar uma prateleira cheia de crânios . - Todos acham que ele é tão esperto , o Potter maravilha , com a sua cicatriz e a sua vassoura ... - Já me disseste isso doze vezes pelo_menos - comentou Mr._Malfoy , olhando repressivamente para o filho . - E devo lembrar te que não é prudente parecer menos do_que amigo de Harry_Potter , quando a maior parte de a nossa gente vê em ele um herói que fez desaparecer o Senhor_do_Mal . Ah , Mr._Borgin . Um homem curvado surgiu por detrás de o balcão , puxando o cabelo gorduroso para trás . - Mr._Malfoy , que prazer vês o de_novo - disse Mr._Borgin , em uma voz tão untuosa como o cabelo . - Encantado , e o nosso jovem Malfoy também , encantado . Em que posso servi os ? Tenho que vos mostrar o que chegou hoje , a um preço muito razoável ... - Hoje não venho comprar , Mr._Borgin , e sim vender - afirmou Mr._Malfoy . - Vender ? - O sorriso apagou se lentamente em o rosto de Mr._Borgin . - Certamente ouviu dizer que o Ministério está a levar a cabo mais buscas - explicou o Mr._Malfoy , retirando de o bolso um rolo de pergaminho e desembrulhando o para Mr._Borgin o ler . - Eu tenho alguns , ah , artigos em casa que poderiam criar me problemas se o Ministério me batesse a porta . Mr._Borgin colocou em o nariz um par de * pince-nez * e olhou para a lista . - O Ministério não se lembraria de o incomodar certamente ... O lábio de Mr._Malfoy dobrou se . - Ainda não me fizeram nenhuma visita . O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito , mas o Ministério está a ficar cada_vez_mais intrometido . Há boatos sobre um novo decreto de protecção de os Muggles , sem dúvida que aquele mordido de as pulgas , adorador de os Muggles , que é o Arthur_Weasley deve estar por detrás de isso . Harry sentiu crescer a raiva . - E , como pode ver , alguns de estes venenos podiam dar a ideia ... - Compreendo perfeitamente , claro - disse Mr._Borgin . - Deixe me ver ... - Posso ter aquilo ? - interrompeu Draco , apontando para a mão raquítica que estava sobre a almofada . - Ah , a mão de a glória ! - exclamou Mr._Borgin , abandonando a lista de Mr._Malfoy e apressando se a responder a Draco . - Põe se lhe uma vela e ela só dá luz a quem a transporta ! A melhor amiga de os gatunos e de os salteadores , o seu filho tem gosto , senhor . - Espero que o meu filho venha a ser mais do_que gatuno ou salteador , Borgin - disse Mr._Malfoy friamente e Mr._Borgin respondeu logo : - Sem ofensa , senhor , sem querer ofender . - Embora , se as notas de a escola não melhorarem - disse Mr._Malfoy ainda mais friamente - esse possa vir a ser o único caminho possível para ele . - Não tenho culpa - retorquiu Draco . - Todos os professores têm os seus preferidos , aquela Hermione_Granger ... - Eu , em o teu lugar , teria vergonha que uma rapariga que nem_sequer pertence a famílias de feiticeiros , me passasse a a frente em todos os exames - interrompeu Mr._Malfoy . Ah - fez Harry baixinho , radiante por ver Draco atrapalhado e furioso . - É o mesmo em todo o lado - comentou Mr._Borgin em a sua voz untuosa . - O sangue de os feiticeiros conta cada_vez menos ... - Não para mim - afirmou Mr._Malfoy , com as longas narinas dilatadas . - Não senhor , nem para mim - concordou Mr._Borgin , inclinando se em uma vénia . - Em esse caso , talvez possamos voltar a a minha lista - disse Mr._Malfoy secamente . - Estou com alguma pressa , Borgin , tenho ainda hoje assuntos importantes a tratar em outro lado . Começaram a discutir os preços . Harry via nervosamente o Draco aproximar se de o seu esconderijo enquanto observava os objectos a a venda . Parou para examinar um enorme rolo de corda de carrasco e para ver , com um sorriso afectado , o cartão preso com um aparatoso laço de opalas onde podia ler se : * _ Cautela , não tocar . Amaldiçoado - reclama as vidas de dezanove donos , todos eles Muggles * . Draco voltou se e viu o armário mesmo em frente . Avançou , estendeu a mão para o puxador ... - Feito - disse Mr._Malfoy , a o balcão . - Vamos , Draco . Harry limpou a testa a a manga quando Draco se afastou . - Muito bom dia , Mr._Borgin . Espero por si amanhã em a mansão para ir buscar a mercadoria . Em o momento em que a porta se fechou , Mr._Borgin abandonou os seus modos subservientes . « Bom dia para o senhor , Mr._Malfoy , e , se as histórias que contam são verdadeiras , não me vendeu nem metade do_que tem escondido em a sua mansão ... » Murmurando de forma taciturna , Mr._Borgin desapareceu em uma sala escura . Harry esperou um minuto não fosse ele voltar e , em seguida , o mais silenciosamente possível , escapou se de o armário , passou por as caixas de vidro e saiu de a loja . Encostando os óculos partidos a o rosto , olhou em volta . Saíra em uma rua estreita e sombria que parecia composta exclusivamente de lojas dedicadas a as artes negras . Aquela de onde acabava de sair parecia ser a maior , mas em frente estava uma montra tétrica de cabeças encolhidas e duas portas abaixo podia ver se uma enorme caixa viva cheia de gigantescas aranhas pretas . Dois feiticeiros com aspecto pobre observavam o de a sombra de uma porta , murmurando entre si . Sentindo se nervoso , Harry pôs se a caminho , tentando agarrar os óculos a direito e não desistindo de a esperança de encontrar maneira de sair de ali . Por um cartaz de madeira , pendurado em a rua , indicando uma loja de venda de velas envenenadas , ficou a saber que se encontrava em a Rua * _ Bativolta * , mas isso não o ajudou pois Harry nunca ouvira falar em tal lugar . Calculou que não tinha pronunciado bem as palavras com a boca cheia de cinzas em a lareira de os Weasley . Tentando manter a calma perguntou a si mesmo o que havia de fazer . - Não estás perdido , pois não , meu menino ? - perguntou uma voz , mesmo junto de o seu ouvido , que o fez dar um salto . Uma bruxa idosa estava em a sua frente , segurando um tabuleiro de uma coisa que se parecia horrivelmente com unhas humanas . A mulher olhou o maldosamente , mostrando os dentes esverdeados . Harry recuou . - Estou bem , obrigado - disse . - Estou só ... - HARRY ! O qu'é que pensas que estás a fazer aqui ? O coração de Harry deu um salto , assim_como o de a bruxa . Um monte de unhas caíram lhe sobre os pés e ela praguejou , enquanto o corpo enorme de Hagrid , o guarda de os campos de Hogwarts , se aproximava de eles a passos largos com os olhos castanhos-escuros a faiscarem sobre a longa barba eriçada . - Hagrid - gritou Harry , aliviado . - Eu estava perdido ... o pó de Floo ... Hagrid agarrou Harry por o cachaço e puxou o para longe de a bruxa , tirando lhe o tabuleiro de as mãos . Os guinchos agudos de a feiticeira seguiram nos até a o fundo de a ruela serpenteante que ia dar a um lagar onde brilhava o sol . Harry avistou a a distância um edifício de mármore branco como a neve que lhe era familiar : o banco de Gringotts . Hagrid conduzira o até a a Diagon - _ Al . - ` _ tás em um péssimo estado ! - disse Hagrid bruscamente , sacudindo lhe a fuligem com tanta força que Harry quase caiu em um barril de estrume de dragão que se encontrava a a porta de um boticário . - A fugir , em a Rua * _ Bativolta * , eu não conheço esse lugar finório , Harry , não quero que ninguém te veja aqui em baixo . - Já percebi - disse Harry , baixando se quando Hagrid fez menção de o escovar melhor . - Já te disse que estava perdido . E o que é_que tu fazes aqui ? - ` _ Tou a a procura d'um repelente para as lesmas comedoras de legumes - resmungou Hagrid . - ` _ tão a destruir as couves todas de a escola . Tu não estás sozinho ? - Estou em casa de os Weasley , mas separámo nos explicou Harry . - Tenho que os encontrar . Desceram juntos a rua . - Por_que é_que nunca respondeste a as minhas cartas ? - perguntou Hagrid , enquanto Harry corria para o acompanhar ( tinha de dar três passos por cada enorme passada de Hagrid ) . Harry explicou lhe tudo sobre Dobby e os Dursleys . - Malditos_Muggles - rugiu Hagrid . - S'eu tivesse sabido ... - Harry ! Harry ! Aqui ! Harry olhou para_cima e viu Hermione_Granger em o topo de a escadaria de Gringotts . Desceu para vir a o encontro de ele , o cabelo castanho de caracóis , a esvoaçar atrás de ela . - O que aconteceu a os teus óculos ? Olá_Hagrid ... Oh , é maravilhoso ver vos outra_vez . Vens a Gringotts , Harry ? - Logo_que encontre os Weasley - respondeu ele . - Não vais ter d'esperar muito - riu se Hagrid . Harry e Hermione olharam em volta . Subindo a rua , em o meio de a multidão , vinham Ron , Fred , George , Percy e Mr._Weasley . - Harry - chamou Mr._Weasley , ofegante . - Tínhamos esperança que só tivesses ido um fogão mais longe ... - passou um pano em a sua calva reluzente . - A Molly está nervosíssima , aí vem ela . - Onde é_que tu saíste ? - perguntou o Ron . - Em a Rua * _ Bativolta * - disse o Hagrid , com um ar sério . - Sensacional ! - exclamaram Fred e George ao_mesmo_tempo . - Nunca nos deram autorização para lá ir - disse o Ron com uma pontinha de inveja . - E fizeram muito bem - grunhiu Hagrid . Mrs._Weasley chegou em aquele momento a correr , a mala a balouçar em uma de as mãos e Ginny quase pendurada em a outra . - Oh Harry , oh meu querido , podias ter ido parar a qualquer lugar ... Tentando recuperar o fôlego , tirou de a mala uma grande escova de roupa e começou a retirar a fuligem que Hagrid não conseguira expulsar . Mr._Weasley pegou em os óculos de Harry , deu lhes um toque de varinha e entregou lhe os como novos . - Bem , tenho de m'ir embora - disse Hagrid cuja mão estava a ser esmagada por Mrs._Weasley ( -- Rua * _ Bativolta * ! Se não o tivesses encontrado , Hagrid ! ) . - Vemo nos em Hogwarts . - E afastou se , os ombros e a cabeça acima de a multidão que enchia completamente a rua . - Adivinham quem eu vi em o Borgin and Burkes ? - perguntou Harry_a_Ron e a Hermione enquanto subiam as escadarias de Gringotts . - Malfoy e o pai . - O Lucius_Malfoy comprou alguma coisa ? - perguntou interessado Mr._Weasley que estava atrás de eles . - Não , estava a vender . - Então está preocupado - comentou Mr._Weasley com visível satisfação . - Ah , eu adorava apanhar o Lucius_Malfoy em alguma . . - Tem cuidado , Arthur - interrompeu Mrs._Weasley enquanto o gnomo porteiro lhes dava reverentemente entrada em o banco . - Isso é um problema de família . Não queiras ter mais olhos que barriga . - Queres dizer com isso que achas que eu não chego para o Malfoy ? - perguntou Mr._Weasley , indignado , mas foi rapidamente afastado de aqueles sentimentos a o avistar os pais de Hermione que estavam de pé , nervosamente encostados a o balcão que acompanhava a grande parede de mármore , a a espera que Hermione os apresentasse . - Mas vocês são Muggles ! - disse Mr._Weasley , encantado . - Temos de tomar uma bebida . O que é isso aí ? Ah , estão a trocar dinheiro de Muggle . Molly , olha - apontou cheio de excitação para as notas de dez libras que Mr._Granger tinha em a mão . - Encontramo nos aqui - disse Ron_a_Hermione , enquanto os Weasley e Harry eram conduzidos a os seus cofres em o subterrâneo de Gringotts . Para chegar a os cofres havia que tomar umas carrinhas conduzidas por gnomos que se deslocavam ao_longo_de carris de comboio de pequenas dimensões através de os túneis subterrâneos de o banco . Harry gostou de a viagem acidentada até a o cofre de os Weasley , mas sentiu se bastante mal , pior do_que em a Rua * _ Bativolta * , quando o cobre foi aberto . Havia lá dentro um pequenino monte de Leões de prata e apenas um Galeão de ouro . Mrs._Weasley foi com a mão a a procura em os cantos antes de , com um gesto rápido , varrer tudo para dentro de o saco . Harry sentiu se ainda pior quando chegaram a o seu cofre . Tentou evitar que vissem o conteúdo enquanto empurrava apressadamente mãos cheias de moedas para dentro_de uma sacola de cabedal . Lá fora , em as escadarias de mármore , separaram se . Percy murmurou vagamente que precisava de uma nova pena de escrever . Fred e George tinham avistado um amigo de Hogwarts , Lee_Jordan . Mrs._Weasley e Ginny iam a uma loja de mantos em segunda mão , Mr._Weasley continuava a insistir em levar os Grangers a o Caldeirão_Escoante para lhes pagar uma bebida . - Encontrarmo nos todos em a Flourish and Blotts dentro_de uma hora para comprar os vossos livros de estudo - disse Mrs._Weasley , afastando se com Ginny . - E nem um passo em direcção a a Rua * _ Bativolta * - gritou a os gémeos que estavam de costas . Harry , Ron e Hermione deambularam por a rua empedrada e sinuosa . O ouro , prata e bronze que tilintavam alegremente em o saco que Harry tinha em o bolso pareciam exigir ser gastos , por isso ele comprou três enormes gelados de morango e manteiga de amendoim que eles devoraram felizes enquanto vagueavam sem destino por a rua fora , observando as montras fantásticas de as lojas . Ron olhou longamente para um conjunto completo de mantos de o Chudley_Cannon , em as montras de o « Equipamento_de_Quidditch_de_Qualidade » até Hermione o arrastar de ali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos . Em a « Jogos_de_Feitiçaria_de_Gambol and Japes » encontraram o Fred , o George e o Lee_Jordan que estavam presos em a fabulosa partida debaixo_de chuva e em os fogos-de-artifício de o Dr._Filibuster . E em uma pequenina loja de velharias cheia de varinhas partidas , balanças instáveis de latão e mantos velhos cobertos de nódoas de poções encontraram Percy profundamente concentrado em um pequenino livro , bastante chato , chamado * _ Prefeitos que conquistam o poder * . - * _ Um estudo sobre os prefeitos de Hogwarts e as suas posteriores carreiras * - leu alto o Ron em a contracapa . - Deve ser fascinante ... - Desaparece - gritou Percy . - Claro , ele é muito ambicioso , já tem tudo planeado . Quer ser ministro de a magia - disse o Ron baixinho a o Harry e a a Hermione , enquanto deixavam Percy entregue a o livro . Uma hora mais tarde dirigiram se a a Flourish and Blotts . Não eram de modo algum os únicos a encaminhar se para a livraria . À_medida_que se aproximavam viram com grande surpresa uma grande multidão a a porta , tentando entrar em a loja . O motivo de tal confusão estava anunciado em um cartaz que se estendia a o longo de a montra superior . GILDEROY_LOCKHART_Assinará exemplares de a sua autobiografia " eu , o mágico " Hoje 12.30 - 16.30 - Vamos poder conhecê o ! - gritou Hermione . - Quero dizer , ele escreveu quase todos os livros de a nossa lista ! A multidão parecia ser maioritariamente composta por bruxas de a idade de Mrs._Weasley . Um feiticeiro bem-parecido estava de pé junto de a porta , dizendo : - Calma , minhas senhoras , não empurrem , cuidado com os livros . Harry , Ron e Hermione conseguiram furar e entrar . Uma longa fila serpenteava para as traseiras de a loja onde Gilderoy_Lockhart estava a assinar os seus livros . Cada_um de eles pegou em um exemplar de * _ ensinamentos de Uma Fada_Carpideira * e escaparam se de a fila indo ter a o lugar onde se encontravam os outros com Mr. e Mrs._Granger . - Ah , aí estão vocês . _ óptimo - disse Mrs._Weasley que parecia estar com falta de ar e não parava de mexer em o cabelo . - Vamos poder vês o dentro_de um minuto . Gilderoy_Lockhart veio lentamente até um lugar onde era visível para todos , sentou se a uma mesa , rodeado de grandes fotografias de o próprio rosto , todo ele sorrisos , mostrando a a multidão o brilho cintilante de os seus dentes . Lockhart usava uma túnica azul-noite que condizia a as mil maravilhas com a cor de os olhos , o chapéu pontiagudo de feiticeiro colocado lateralmente sobre o cabelo ondulado . Um homenzinho pequenino e irritante andava a dançar de um lado para o outro , tirando fotografias com uma grande máquina preta que lançava baforadas de fumo arroxeado em cada * flash * . - Sai de o caminho , tu aí - disse rispidamente a o Ron , mudando de lugar para ter um angulo melhor . - Este é para o * _ Profeta_Diário * . - Grande coisa ! - exclamou o Ron , esfregando os pés em o lugar que o fotógrafo pisara . Gilderoy_Lockhart ouviu o . Olhou , viu o Ron e em seguida Harry . Voltou a olhar , desta_vez com mais atenção . Em seguida , pôs se de pé e gritou : - Não pode ser , o Harry_Potter ? A multidão dividiu se entre murmúrios de excitação . Lockhart aproximou se , agarrou Harry por um braço e levou o para a frente . A multidão rebentou em aplausos . A cara de Harry ardia quando Lockhart lhe apertou a mão para o fotógrafo que disparava como um louco , lançando fumo espesso para_cima de os Weasley . - Belo sorriso , Harry - disse Lockhart através de os seus dentes brilhantes . - Tu e eu juntos merecemos a primeira página . Quando por fim lhe largou a mão , Harry quase não sentia os dedos . Tentou recuar para junto de os Weasley , mas Lockhart lançou lhe um braço por os ombros e prendeu o a o seu lado . - Minhas senhoras e meus senhores - disse bem alto , fazendo sinal para que se acalmassem . - Que momento extraordinário este ! O momento perfeito para eu anunciar algo que tenho vindo a guardar comigo desde_há algum tempo . - Quando o jovem Harry entrou em a Flourish and Blotts hoje , ele queria apenas comprar a minha autobiografia , que tenho agora o maior prazer em oferecer lhe - a multidão aplaudiu de_novo . - Ele não tinha ideia - continuou Lockhart , dando a o Harry um pequeno encontrão que fez com que os óculos lhe escorregassem para a ponta de o nariz - de que ia conseguir em_breve muito mais do_que o meu livro Eu , o mágico . Ele e os seus colegas de a escola vão receber , de facto , o verdadeiro * _ Eu , o mágico * . Sim , minhas senhoras e meus senhores , tenho o maior prazer em anunciar que em o mês_de_Setembro assumirei o lugar de professor de Defesa contra as artes negras em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts ! A multidão aplaudiu e bateu palmas e Harry deu consigo a ser presenteado com a obra completa de Gilderoy_Lockhart . Cambaleando ligeiramente sob o peso de os livros conseguiu abrir caminho para longe de os projectores até a a porta de a sala onde estava Ginny com o seu novo caldeirão . - Podes ficar com estes - murmurou Harry , enfiando os livros em o caldeirão . - Eu vou comprar os meus . - Aposto que adoraste aquilo , não adoraste , Potter ? - disse uma voz que Harry não teve qualquer dificuldade em reconhecer . Endireitou se e deu consigo frente_a_frente com Draco_Malfoy que exibia o seu habitual sorriso escarninho . - O famoso Harry_Potter - disse Malfoy . - Nem_sequer pode entrar em uma livraria sem se tornar primeira página . - Deixa o em paz , ele não queria nada de isso - defendeu a Ginny . Era a primeira vez que falava em frente de Harry . Olhava para Malfoy com um ar feroz . - Potter , arranjaste uma namorada ! - disse arrastadamente Malfoy . Ginny ficou vermelha como um pimentão enquanto Ron e Hermione tentavam abrir caminho , ambos carregando montes de livros de Lockhart . -- Ah és tu ? - disse Ron , olhando para Malfoy como_se ele fosse algo desagradável colado a a sola de o sapato . - Aposto que te surpreendeu ver o Harry aqui ? - Não tanto como a ti em uma loja , Weasley - retorquiu Malfoy . - Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo . Ron ficou tão vermelho quanto Ginny . Deixou também cair os livros em o caldeirão e avançou para Malfoy , mas Harry e Hermione agarraram o por as costas de o casaco . - Ron - disse Mrs._Weasley , aproximando se com Fred e George . - O que estás a fazer ? Isto está uma loucura aqui dentro , vamos lá para fora . - Olha quem ele é , Arthur_Weasley . - Era_Mr._Malfoy . Estava de pé com a mão sobre o ombro de Draco , com o mesmo sorriso escarninho . -- Lucius - disse Mr._Weasley , acenando friamente . -- Muito trabalho em o ministério , segundo me consta - disse Mr._Malfoy . - Todas essas buscas ... espero que te estejam a pagar horas extraordinárias . Meteu a mão em o caldeirão de a Ginny e tirou de o meio de os livros de Lockhart um exemplar muito velho e muito gasto de o * _ Guia_de_Transfiguração_para_Principiantes * . - Parece que não - disse . - Que diabo , qual a vantagem de ser uma nódoa entre os feiticeiros se nem_sequer te pagam bem por isso ? Mr._Weasley corou mais ainda do_que Ron ou Ginny . - Nós temos uma opinião diferente sobre quem são as nódoas entre os feiticeiros - disse . - É claro que ... - disse Mr._Malfoy , os olhos mortiços passando para Mr. e Mrs._Granger apreensivamente . - As companhias com quem tu andas ... e eu que pensava que já não conseguias descer mais baixo ... Ouviu se um tilintar de metal quando o caldeirão de a Ginny foi por os ares . Mr._Weasley lançara se sobre Mr._Malfoy atirando o para dentro_de uma estante . Dezenas_de livros de feitiços saltaram lá de cima , caindo lhes sobre as cabeças . Houve um grito de - Chega lhe , pai ! - de o Fred e de o George . Mrs._Weasley soltava gritos agudos : - Não_Arthur , não . A multidão recuava deitando mais prateleiras a o chão . - Meus senhores , por favor - gritava o encarregado , e então , mais alto do_que todos : - Parem com isso , gente , parem com isso . Hagrid aproximava se através_de um mar de livros . Em um segundo afastou Mr._Weasley e Mr._Malfoy . Mr._Weasley tinha um lábio cortado e Mr._Malfoy fora agredido em um olho por uma * _ Enciclopédia_de_Cogumelos_Venenosos * . Tinha ainda em a mão o livro velho de a Ginny sobre transfiguração . Atirou lhe o , com os olhos a brilhar de malvadez . - Toma o teu livro , garota . É o melhor que o teu pai pode oferecer te . Libertando se de Hagrid , conduziu Draco para fora e abandonaram a livraria . - Devias tê o ignorado , Arthur - disse Hagrid quase a pegar em Mr._Weasley a o colo enquanto lhe endireitava o manto . - São podres até a a raiz , todos eles . Tod'à gente sabe . Nenhum Malfoy vale a pena ser ouvido . Não prestam , ' tá-lhes em o sangue . Vá lá , vamos sair de aqui . O encarregado parecia querer impedis os , mas , olhando bem para Hagrid , pensou melhor . Subiram a rua , os Grangers a tremer de medo e Mrs._Weasley fora de si . - Um belo exemplo para as crianças ... andar a a pancada em público . O que terá pensado Gilderoy_Lockhart ? - Ele gostou - disse o Fred . - Não o ouviram quando ia a sair ? Estava a perguntar a aquele tipo de o Profeta_Diário se conseguia incluir a briga em a reportagem , disse que era boa publicidade . Mas foi um grupo deprimido que regressou a a lareira de o Caldeirão_Escoante onde Harry , os Weasley e todas_as suas compras iriam viajar de volta até a a Toca , usando o pó de Floo . Despediram se de os Grangers que iam sair de o * pub * por a rua de os Muggles , de o outro lado . Mr._Weasley começou a perguntar lhes como funcionavam as paragens de autocarros , mas calou se rapidamente a o ver a expressão de Mrs._Weasley . Harry tirou os óculos e guardou os cautelosamente em o bolso antes de utilizar o pó de Floo . Definitivamente não era a sua forma ideal de viajar . V_O salgueiro zurzidor O fim de as férias de Verão chegou demasiado depressa para o gosto de Harry . Ele desejara muito regressar a Hogwarts , mas aquele mês em a Toca tinha sido o mais feliz de toda_a sua vida . Era difícil não invejar o Ron quando pensava em os Dursleys e em as boas-vindas que ia receber de a próxima vez que pusesse os pés em Privet_Drive . Em a última noite , Mrs._Weasley preparou um jantar magnífico , que incluía os pratos favoritos de Harry e terminava com um pudim de melaço de fazer crescer água em a boca . Fred e George alegraram a noite com uma exibição de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que saltaram de o tecto para as paredes , durante pelo_menos meia_hora . Depois , foi a altura de tomarem uma caneca de chocolate quente e irem para a cama . Em a manhã seguinte , demoraram muito_tempo a preparar se . Levantaram se com o cantar de o galo , mas parecia lhes que ainda tinham muito para fazer . Mrs._Weasley andava de um lado para o outro , mal-humorada , a a procura de meias e penas , chocavam uns com os outros em as escadas , meio vestidos , meio despidos , com pedaços de torrada em as mãos e Mr._Weasley quase partiu o nariz quando tropeçou em uma galinha a o atravessar o pátio , para meter em o carro a mala de Ginny . Harry não percebia lá muito bem_como é_que oito pessoas , seis grandes malas , duas corujas e um rato , iam caber em um pequeno * _ Ford_Anglia * , isso , claro , antes de as artes mágicas que Mr._Weasley acrescentara . - Nem uma palavra a a Molly - murmurou ele a o Harry , enquanto abria a bagageira e lhe mostrava como ela se expandira para que as malas coubessem facilmente . Quando , por fim , se acomodaram todos em o carro , Mrs._Weasley olhou para o banco de trás , onde Harry , Ron , Fred , George e Percy estavam confortavelmente sentados uns a o lado de os outros e disse : - Os Muggles têm mais conhecimentos do_que aqueles que nós lhes atribuímos , não achas ? - Ela e a Ginny entraram para o lugar de a frente , que fora esticado e parecia um banco de jardim . - Quer_dizer , de_fora ninguém diria que este carro era espaçoso , não acham ? Mr._Weasley pôs o motor a funcionar e saíram de o pátio , Harry voltando se para trás para ver por a última vez a casa . Mal teve tempo de se questionar se iria voltar alguma vez e já estavam de volta : George esquecera se de a caixa de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Cinco minutos mais tarde tiveram de interromper de_novo a viagem e voltar a o pátio para o Fred ir a correr buscar a vassoura . Estavam quase a chegar a a auto-estrada , quando Ginny guinchou que se esquecera de o diário . Mas estava a fazer se muito tarde e os ânimos começavam a exaltar se . Mr._Weasley olhou para o relógio e , em seguida , para a mulher . - Molly , querida ... - Não , Arthur . - Ninguém ia ver . Este botãozinho é um transformador de invisibilidade que eu instalei , levava nos por o ar , subíamos acima de as nuvens . Estaríamos lá em dez minutos e ninguém daria por nada ... - Eu disse que não , Arthur . Durante o dia , não . Chegaram a King's_Cross , faltava um quarto para as onze . Mr._Weasley precipitou se em busca de um carrinho de transporte para as malas e correram todos para a estação . Harry apanhara o Expresso_de_Hogwarts em o ano anterior . A parte mais difícil era entrar em a plataforma nove_e_três quartos , que não era visível a os olhos de os Muggles . Era preciso avançar para a barreira sólida que dividia as plataformas nove e dez . Não doía nada , mas tinha de ser feito com cuidado para que nenhum de os Muggles de esse , por o desaparecimento . - O Percy em primeiro lugar - declarou Mrs._Weasley , olhando nervosamente para o relógio lá em cima , que mostrava que tinham apenas cinco minutos para desaparecer através de a barreira . Percy avançou a passos largos e desapareceu . Mr._Weasley foi a seguir e depois de ele Fred e George . - Eu levo a Ginny e vocês vêm atrás_de nós - disse Mrs._Weasley a o Harry e a o Ron , agarrando Ginny pela mão e seguindo em frente . Em um abrir e fechar de olhos , tinham passado . - Vamos passar juntos , só temos um minuto - disse Ron a o Harry . Harry assegurou se de que a gaiola de a Hedwig estava bem fixa em cima de a sua mala e empurrou o carrinho de encontro a a barreira . Estava perfeitamente confiante , aquilo era muito mais fácil do_que usar o pó de Floo . Puseram os dois as mãos em o puxador de os carrinhos e avançaram direitos a a barreira , ganhando velocidade . A um metro e pouco , começaram a correr e ... CRASH . Os dois carros bateram em a barreira e foram impelidos para trás . A mala de o Ron caiu com um enorme estrépito . Harry desequilibrou se e a gaiola de a Hedwig foi parar a o chão brilhante , enquanto ela rolava guinchando , indignada . As pessoas em volta olhavam fixamente e um guarda que estava ali perto gritou : - Que diabo pensam vocês que estão a fazer ? - Perdemos o controlo de o carro de transporte - respondeu o Harry , respirando com dificuldade , agarrando se a as costelas , enquanto se punha de pé . Ron correu a agarrar a Hedwig , que estava a fazer uma cena tal , que já se ouviam murmúrios em a multidão sobre a crueldade para com os animais . - Porque é_que não conseguimos passar ? - perguntou Harry a o Ron em um sussurro . - Não sei . Ron olhou descontroladamente em volta . Uma_dúzia de curiosos estavam ainda a observá os . - Vamos perder o comboio - murmurou o Ron . - Não compreendo porque motivo a cancela se fechou . Harry olhou para o relógio gigantesco com um sentimento de náusea em a boca de o estômago . Dez segundos , nove segundos ... Dirigiu o carrinho de transporte para a frente com toda_a força . O metal manteve se sólido . Três segundos ... dois segundos ... um segundo ... - Partiu - afirmou o Ron , que parecia estonteado . - O comboio foi se embora . E se a mãe e o pai não conseguem voltar para aqui ? Tens algum dinheiro de Muggle ? Harry deu uma gargalhada . - Os Dursleys não me dão um tostão há mais de seis anos ! Ron encostou o ouvido a a barreira . - Não se ouve nada - disse , bastante tenso . - O que vamos nós fazer ? Não sei quanto tempo o pai e a mãe vão demorar . Olharam em volta . As pessoas ainda estavam a observá os , principalmente devido a os contínuos guinchos de a Hedwig . - Acho que o melhor é sairmos de aqui e esperamos por eles junto de o carro - disse Harry . - Aqui estamos a atrair demasiado as aten ... - Harry - disse o Ron , com os olhos a brilhar . - É isso , o carro . - O que é_que tem ? - Podemos voar nele até Hogwarts ! - Mas eu pensei ... - Estamos em apuros , certo ? E temos de chegar a a escola , ou não ? E mesmo os feiticeiros menores de idade estão autorizados a usar a magia em uma emergência real , parágrafo dezanove , ou não sei quê , de a Restrição de ... O sentimento de pânico de Harry transformou se em entusiasmo . - E tu sabes voar nele ? - Não há problema - disse o Ron , andando com o carrinho a a volta e dirigindo se para a saída . - Anda de aí . Se em os apressarmos , conseguiremos sair atrás de o Expresso_de_Hogwarts . E afastaram se de o grupo de Muggles curiosos , abandonando a estação e voltando a a rua , onde o velho * _ Ford_Anglia * se encontrava estacionado . Ron abriu a bagageira com uma série de toques de varinha . Meteram lá dentro as malas , puseram a Hedwig em o assento de trás e entraram para a frente . - Verifica se ninguém está a ver - disse o Ron , ligando a ignição com outro toque de varinha . Harry pôs a cabeça fora de a janela : o trânsito enchia a avenida principal , mas a rua de eles estava vazia . - O. _ K. - disse . Ron carregou em um pequeno botão de o painel . Os carros em volta desapareceram assim_como eles . Harry sentia o assento a vibrar debaixo_de si , ouvia o motor , sentia as mãos sobre os joelhos e os óculos em o nariz , mas , tanto quanto conseguia ver , tornara se um par de olhos redondos flutuando um metro e pouco acima de o chão em uma rua suja , cheia de carros estacionados . - Vamos - disse a voz de o Ron , vinda de o seu lado direito . O chão e os prédios escuros de ambos os lados desapareceram de o seu ângulo de visão , mal o carro se elevou . Em poucos segundos toda_a cidade de Londres , enevoada e resplandecente , estava por baixo de eles . Em seguida , ouviu se um ruído que parecia o saltar de uma rolha e o carro , Harry e Ron , reapareceram . - Oh , oh - disse Ron , batendo em o intensificador de invisibilidade . - Está avariado ... Começaram os dois a bater em o botão . O carro desapareceu . Depois surgiu de forma intermitente . - Aguenta aí - gritou o Ron e carregou com o pé em o acelerador . Saltaram direitinhos para o meio de as nuvens mais baixas e tudo ficou sujo e enevoado . - E agora ? - exclamou Harry , piscando os olhos a a sólida massa de nuvens que os comprimia de todos os lados . - Precisamos de avistar o comboio para sabermos qual a direcção a tomar - explicou o Ron . - Desce rapidamente ... Desceram por o meio de as nuvens e voltaram se em os lugares , espreitando . - Estou a vê o - gritou Harry . - Mesmo em frente , ali . O Expresso_de_Hogwarts deslocava se a grande velocidade lá em baixo , como uma serpente vermelha . - Para Norte - disse o Ron , verificando a bússola de o painel . - O. _ k . , basta que verifiquemos de meia em meia_hora . Aguenta aí ... - e arrancaram por o meio de as nuvens . Em o minuto seguinte , tinham chegado a a luz brilhante de o Sol . Era um mundo diferente . Os pneus de o carro deslizavam sobre o mar de nuvens macias , o céu era de um azul infinito sob a luz , capaz de cegar , que irradiava de o Sol . - Agora só temos de nos preocupar com os aviões - disse o Ron . Olharam um para o outro e desataram a rir . Durante muito_tempo não conseguiram parar . Era como_se tivessem mergulhado em um sonho fabuloso . Aquela , pensou Harry , era certamente a única maneira de viajar : passando por turbilhões e torres de nuvens cor de neve , em um carro cheio de calor , o sol radioso , com um grande pacote de rebuçados em o porta-luvas e antegozando o ar de inveja de o Fred e de o George quando aterrassem suavemente e de forma espectacular em o relvado macio em frente de o castelo de Hogwarts . Espreitaram várias vezes o comboio enquanto voavam cada_vez_mais para norte . Cada descida entre as nuvens dava lhes uma perspectiva diferente . Londres depressa ficou para trás , substituída por campos verdejantes que , por sua vez , deram lugar a grandes pântanos arroxeados , aldeias com pequenas igrejas de brinquedo e uma grande cidade , cheia de vida , com carros que pareciam formigas multicores . Várias horas mais tarde sem acontecer nada de_novo , Harry teve de admitir que uma parte de o entusiasmo se esgotara . Os rebuçados tinham nos deixado cheios de sede e não havia nada para beber . Ele e o Ron tinham tirado as camisolas , mas a * _ T-shirt * de o Harry estava colada a as costas de o assento e os óculos não paravam de lhe escorregar para a ponta de o nariz . Deixara de reparar em as fabulosas formas de as nuvens e pensava com saudade em o comboio , milhas abaixo de eles , onde se podia comprar sumo fresquinho de abóboras em um carro empurrado por uma bruxa gordinha . Porque não teriam conseguido entrar em a plataforma nove_e_três quartos ? - Não pode ser muito mais longe , pois não ? - resmungou o Ron , horas mais tarde quando o Sol começava a enfiar se em o seu chão de nuvens , pintando as de um rosa profundo . - Estás pronto para outra espreitadela a o comboio ? Ainda ia mesmo por baixo de eles , abrindo caminho por_entre uma montanha com o topo coberto de neve . Estava muito mais escuro entre o dossel de nuvens . Ron pôs o pé em o acelerador e levou os de_novo para_cima , mas em esse momento o motor começou a chiar . Harry e Ron trocaram entre si olhares nervosos . - Deve estar só cansado - disse o Ron . - Nunca tinha vindo tão longe ... - E fingiram ambos que não davam por o gemido que se ia tornando maior à_medida_que o céu serenamente escurecia . As estrelas desabrochavam em a escuridão , Harry voltou a enfiar a camisola de lã , tentando ignorar os limpa pára-brisas que acenavam debilmente como_que a protestar . - Não devemos estar longe - disse Ron , dirigindo se mais a o carro do_que a o amigo . - Já não devemos estar longe - deu umas palmadinhas nervosas em o * tablier * . Pouco depois , quando voltaram a voar em o meio de as nuvens , tiveram de olhar de lado em a escuridão , em busca de um ponto de referência que conhecessem . - Ali - gritou Harry , fazendo o Ron e a Hedwig darem um salto . - Mesmo em frente . Recortados em o horizonte negro , sobre o rochedo de o outro lado de o lago , erguiam se as torres e torreões de o castelo de Hogwarts . Mas o carro tinha começado a estremecer e perdia a os poucos velocidade . - Vá lá - disse o Ron , dando a o volante um pequeno abanão bajulador . - Estamos quase a chegar , vá lá ... O motor gemeu . Pequenos jactos de vapor de água brotaram de o capo . Harry deu consigo agarrado com toda_a força a os bordos de o assento enquanto voavam direitos a o lago . O carro deu um solavanco feio . Espreitando por a janela , Harry viu a superfície negra , macia e espelhada de a água cerca de uma milha abaixo de eles . Os dedos de o Ron agarrados a o volante tinham as articulações brancas . O carro deu um novo esticão . - Vá lá - murmurou o Ron . Estavam sobre o lago ... o castelo ficava mesmo em frente . Ron fez força com o pé . Houve um ruído surdo , uma crepitação e o motor morreu por completo . - Oh ! oh ! - gemeu Ron em o silêncio . O nariz de o carro voltou se para baixo . Estavam a cair , ganhando velocidade em direcção a os muros sólidos de o castelo . - Naaaaão ! - gritou o Ron , girando o volante . Escaparam a a muralha de pedra negra por centímetros , quando o carro fez um grande arco , planando primeiro sobre as estufas , depois sobre o rectângulo plantado com vegetais e , por fim , sobre os relvados , perdendo sempre velocidade . Ron largou o volante por completo e tirou a varinha de o bolso de trás . - __ pára ! __ pára ! - gritou , batendo em o * tablier * e em o pára-brisas , mas eles continuavam a mergulhar , o chão a voar em direcção a eles . - : __ cuidado com essa __ árvore ! ! ! - bramiu Harry , deitando a mão a o volante , mas ... tarde de mais ... CRUNCH . Com um ruído ensurdecedor de metal e madeira , bateram em o tronco espesso de a árvore e caíram em o chão com um forte solavanco . O vapor era um mar debaixo de o capo amachucado . A Hedwig tremia apavorada . Em a cabeça de Harry surgira um alto de o tamanho de uma bola de golfe , quando ele batera em o pára-brisas , tombando em seguida para a direita . Ron soltou um gemido longo e desesperado . - Estás O. _ K ? - perguntou Harry , aflito . - A minha varinha - disse o Ron em uma voz trémula . - Olha para a minha varinha . Tinha se partido praticamente em duas , a ponta balouçava mole , presa por meia_dúzia de esquírolas . Harry abriu a boca para dizer que em a escola com certeza conseguiriam consertá a , mas nem chegou a começar a frase . Em esse preciso momento , algo bateu em o seu lado de o carro , com a força de um touro , projectando o para_cima de o Ron , ao_mesmo_tempo que um golpe igualmente forte se sentiu em o capô . - O que está a acontec ... Ron arfou , olhando fixamente por o pára-brisas e Harry olhou em volta , mesmo a_tempo_de ver uma ramada espessa como uma píton vir contra o vidro . A árvore em que tinham batido estava a atacá os . O tronco dobrara se quase a meio e os seus galhos rugosos davam uma tareia a cada centímetro de o carro que conseguiam atingir . - Ah ! - praguejou o Ron , quando outra pernada retorcida esmurrou a sua porta , amolgando a . O pára-brisas tremia agora sob uma saraivada de golpes vindos de galhos que pareciam patas de animais e uma ramada espessa como um aríete esmagava furiosamente o capo , que parecia estar a ceder ... - Corre ! - gritou o Ron , lançando o seu peso contra a porta , mas , em o momento seguinte , tinha sido atirado para trás , para o colo de Harry por um soco maldoso , dado de baixo para_cima , por outro ramo . - Estamos feitos ! - resmungou , enquanto o tecto descaía . Mas , de repente , o chão de o carro estava a vibrar , o motor pegara . - Marcha atrás - gritou o Harry e o carro deu um salto para trás . A árvore tentava ainda agredis os , ouviam as raízes chiar , enquanto quase se partiam esticando se para os alcançar . - Escapámos por_pouco ! - exclamou o Ron . - Muito bem , carro . Mas o carro tinha atingido o limite de as suas forças . Com dois estalidos , as portas abriram se e Harry sentiu o seu assento inclinar se para o lado . Quando deu por si , estava estatelado em o chão húmido . Ruídos surdos avisaram o de que o carro estava a ejectar as malas de a bagageira . A gaiola de a Hedwig voou por os ares e abriu se . Ela saiu a voar com um pio furioso e dirigiu se a o castelo , sem sequer olhar para trás . Em seguida , o carro , amolgado , arranhado e a fumegar , arrancou em o escuro , com os faróis traseiros ardendo de fúria . - Volta aqui ! - gritou o Ron , brandindo a varinha partida . - O meu pai mata me . Mas o carro desapareceu a perder de vista , com um último estoiro de o tubo de escape . - Já viste bem o nosso azar ! ? - exclamou o Ron em o meio de a sua infelicidade , baixando se para apanhar o rato Scabbers . - De todas_as árvores em que podíamos ter batido , tínhamos de ir dar a uma que bate também . Olhou por cima de o ombro para a velha árvore que ainda agitava os ramos ameaçadoramente . - Vamos - disse Harry , fatigado . - É melhor irmos andando para a escola ... Não foi , de modo algum , a chegada triunfal que tinham imaginado . Constrangidos , cheios de frio e magoados , pegaram em as malas e começaram a arrastá as por o relvado acima , em direcção a as grandes portadas de carvalho . - Acho que o banquete já começou - disse o Ron , largando a mala em os degraus de a entrada e atravessando devagarinho para espreitar por uma janela iluminada . - Harry , anda ver , é a distribuição . Harry apressou se e os dois , ele e o Ron , espreitaram para o Salão_Nobre . Um número infindável de velas pairava em o ar , sobre quatro mesas enormes cheias de gente , fazendo brilhar os pratos dourados e as taças . Em cima , o tecto encantado que espelhava o céu lá de_fora , brilhava cheio de estrelas . Por_entre a floresta de chapéus pretos pontiagudos de Hogwarts , Harry viu uma longa fila de alunos de o primeiro ano com olhares assustados que enchia o vestíbulo . Ginny estava entre eles , facilmente reconhecível devido a o seu chamativo cabelo Weasley . Enquanto isso , a professora Mc_Gonagall , uma bruxa de óculos com cabelo castanho apanhado em um carrapito , colocava o famoso chapéu seleccionador em um banco que se encontrava em frente de os novos alunos . Todos os anos , aquele velho chapéu , remendado , puído e cheio de pó , seleccionava alunos para as quatro equipas de Hogwarts ( Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin ) . Harry lembrava se bem de o ter colocado em a cabeça , precisamente um ano antes , e ter esperado petrificado por a sua decisão , enquanto ele lhe murmurava a o ouvido . Durante alguns horríveis segundos receara que o chapéu o mandasse para os Slytherin , a equipa que produzia maior número de feiticeiros e feiticeiras de magia negra , mas acabara por ficar em os Gryffindor , juntamente com Ron e Hermione e o resto de os Weasley . Em o último período , Harry e Ron tinham ajudado os Gryffindor a vencer o campeonato de a equipa , batendo os Slytherin pela_primeira_vez em sete anos . Um rapazito baixinho com cabelo de rato acabava de ser chamado para pôr o chapéu em a cabeça . Os olhos de Harry saltavam de ele para o lugar onde o professor Dumbledore , o director , estava sentado , observando a selecção de a mesa de os professores , com a sua longa barba cor de prata e óculos de meia-lua que brilhavam a a luz de as velas . Alguns lugares a a frente , Harry viu Gilderoy_Lockhart com um manto verde-azulado . E lá bem a o fundo estava Hagrid , enorme e cabeludo , bebendo satisfeito de a sua taça . - Espera aí - murmurou a o Ron . - Há um lugar vazio em a mesa de os professores . Onde estará o Snape ? Severus_Snape era o professor de quem Harry menos gostava . Harry era também o seu aluno menos querido . Cruel , sarcástico e detestado por todos com excepção de os alunos de a sua própria equipa ( Slytherin ) , Snape tinha a seu cargo a cadeira de Poções . - Talvez esteja doente - sugeriu Ron , cheio de esperança . - Talvez se tenha ido embora - lembrou Harry . - Por não lhe terem dado outra_vez a Defesa contra as artes negras . - Ou talvez tenha sido corrido - propôs Ron com entusiasmo . - Afinal , toda_a_gente o detesta ... - Ou talvez - disse uma voz gelada atrás de eles - esteja a a espera que vocês lhe expliquem por_que motivo não vieram em o comboio de a escola . Harry deu uma volta . Em a sua frente , com o manto negro a ondular em uma brisa fria , estava Severus_Snape . O professor era um homem magro , de pele descorada , nariz adunco e um cabelo preto oleoso que lhe caía sobre os ombros . E em aquele momento sorria de um modo tal que Harry sentiu que tanto ele como Ron estavam em sérios apuros . - Sigam me - disse Snape . Sem ousarem sequer olhar um para o outro , Harry e Ron seguiram Snape por as escadas até a o amplo * hall * de entrada que estava iluminado por as chamas de os archotes . De o salão nobre vinha um cheirinho delicioso a comida , mas Snape levou os para longe de a luz e de o calor , em direcção a uma escada estreita de pedra que conduzia a os calabouços . - Entrem - ordenou , abrindo uma porta a meio de o corredor e apontando . Entraram a tremer em o escritório de Snape . As paredes sombrias estavam cobertas de prateleiras cheias de jarros de vidro grosso onde flutuavam as coisas mais diversas e repugnantes , cujo nome Harry não queria de momento conhecer . A lareira estava escura e vazia . Snape fechou a porta e voltou se de frente para eles . - Com que então - disse com falsa suavidade - o comboio não serve para o famoso Harry_Potter e o seu fiel companheiro Weasley . Queriam chegar em grande estilo , não era rapazes ? - Não senhor , foi a barreira em King's_Cross , ela ... - Silêncio - disse Snape friamente . -- _ o que fizeram a o carro ? Ron engoliu em seco . Aquela não era a primeira vez que Snape dava a Harry a impressão de ser capaz de ler pensamentos . Mas , pouco depois , compreendeu tudo quando Snape desenrolou o exemplar de o Profeta_Vespertino . - Vocês foram vistos - afirmou , mostrando lhes o cabeçalho : : __ ford anglia voador confunde __ muggles . Começou a ler alto a notícia . - Dois Muggles em Londres convenceram se de que tinham visto um carro velho a voar sobre a torre de os correios ... a a tardinha em Norfolk , Mrs._Hetty_Bayliss , enquanto pendurava a roupa ... Mr._Angus_Fleet_de_Peebles informou a polícia ... seis ou sete Muggles a o todo . Julgo que o teu pai trabalha em o departamento de mau uso dado a os objectos de os Muggles ? - disse olhando para Ron e sorrindo de uma forma ainda mais sarcástica . - Que peninha , o próprio filho ... Harry sentiu se como_se tivesse levado um soco em o estômago de uma de as maiores pernadas de a árvore louca . E se alguém descobrisse que Mr._Weasley tinha enfeitiçado o carro ? Ele ainda nem tinha pensado em isso . - Reparei durante a minha volta por o jardim que foi feito um estrago considerável em um salgueiro zurzidor extremamente valioso - continuou Snape . - Essa árvore fez nos pior a nós do_que nós ... - deixou escapar Ron . - Silêncio - interrompeu Snape , de_novo . - Infelizmente vocês não fazem parte de a minha equipa e a decisão de vos expulsar não está em as minhas mãos . Vou , por isso , buscar as pessoas que possuem essa feliz possibilidade . Esperem aqui . Harry e Ron olharam , pálidos , um para o outro . Harry perdera a fome . Sentia se agora extremamente agoniado . Tentava não olhar para uma coisa viscosa , suspensa em um líquido verde que estava em uma prateleira por detrás de a secretária de Snape . Se ele fora buscar a professora Mc_Gonagall , chefe de a equipa de os Gryffindor , não estavam muito melhor . Ela era mais justa do_que Snape , mas extremamente severa . Dez minutos mais tarde , Snape voltou e era , de facto , a professora Mc_Gonagall quem o acompanhava . Harry vira a professora Mc_Gonagall zangada , mas , ou se tinha esquecido de como a boca de ela ficava fina , ou nunca a vira tão zangada como em aquele dia . Levantou a varinha em o momento em que entrou . Harry e Ron estremeceram , mas ela limitou se a apontá a para a lareira onde as chamas se elevaram subitamente . - Sentem se - ordenou , e os dois recuaram para as cadeiras junto de o lume . - Expliquem se - disse com os óculos a brilhar de uma forma ameaçadora . Ron enveredou por a história começando por a barreira de a estação que se recusara a deixá os passar . - Por isso não tínhamos escolha , professora , não podíamos chegar a o comboio . - Porque não nos mandaram uma carta por a coruja ? Julgo que tens uma coruja ? - disse friamente a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a Harry . Harry olhou para ela sem saber o que dizer . - Parece me - continuou ela - que seria a coisa mais adequada . - Eu ... não pensei ... - Isso - disse a professora Mc_Gonagall - é bastante óbvio . Ouviu se bater a a porta de o escritório e Snape , que parecia agora mais feliz do_que nunca , foi abrir . Era o director , o professor Dumbledore . Harry ficou totalmente paralisado . Dumbledore tinha uma expressão grave . Olhou para eles de cima de o seu nariz adunco e Harry desejou estar ainda com Ron a levar uma sova de o salgueiro zurzidor . Fez se um longo silêncio . Em seguida , Dumbledore disse lhes : - Por favor , expliquem porque fizeram isto . Teria sido melhor se gritasse . Harry detestou sentir a decepção em a sua voz . Inexplicavelmente era incapaz de olhar Dumbledore em os olhos e falou em direcção a os seus joelhos . Disse lhe tudo excepto que o carro enfeitiçado pertencia a Mr._Weasley , dando a ideia de que ele e o Ron o tinham encontrado estacionado fora de a estação . Sabia que Dumbledore ia ver para_além de isso , mas o director não fez perguntas sobre o carro . Quando Harry terminou continuou a olhar para ele através de os seus óculos . - Nós vamos buscar as nossas coisas - disse Ron em um tom de voz sem esperança . - Que disparate é esse ? - rosnou a professora Mc_Gonagall . -- Então , vão expulsar nos , não vão ? - disse o Ron . Harry olhou rapidamente para Dumbledore . - Ainda não , Mr._Weasley - afirmou Dumbledore . - Mas vou assinalar a gravidade do_que vocês fizeram . Hoje a a noite escreverei a as vossas famílias . Estão também prevenidos que se voltarem a fazer uma coisa como esta não terei outro remédio senão expulsar vos . A expressão de Snape era como_se o Natal tivesse sido cancelado . Pigarreou e disse : - Professor_Dumbledore , estes rapazes infringiram o decreto para a restrição de a feitiçaria de os menores , causaram estragos consideráveis a uma árvore antiga e valiosa ... sem dúvida , actos de esta natureza ... - Cabe a a professora Mc_Gonagall decidir sobre os castigos de os rapazes , Severus - afirmou Dumbledore com toda_a calma . - Pertencem a a equipa de ela e são , portanto , de a sua responsabilidade . - Voltou se para a professora Mc_Gonagall . - Tenho de regressar a o banquete , Minerva , devo dar algumas informações . Venha Severus , há uma tarte de leite e ovos com um aspecto delicioso que quero mostrar lhe . Snape lançou um olhar de puro veneno a o Harry e a o Ron enquanto permitia que o afastassem de o seu escritório , deixando os a sós com a professora Mc_Gonagall que ainda os olhava como uma águia em fúria . - É melhor ires até a a ala hospitalar , Weasley , estás a sangrar . - Não é nada - disse Ron , limpando o corte com a manga para que ela o visse . - Professora , eu gostava de ver a minha irmã ser seleccionada . - A cerimónia de a selecção terminou - disse a professora Mc_Gonagall . - A tua irmã está também em os Gryffindor . - _ óptimo - exclamou Ron . - E por falar em os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall de forma cortante , mas Harry interrompeu a : - Professora , quando tirámos o carro , o ano escolar ainda não tinha começado , por isso os Gryffindor não deveriam perder pontos , pois não ? - terminou olhando a ansiosamente . A professora Mc_Gonagall lançou lhe um olhar penetrante , mas ele era capaz de jurar que ela quase tinha sorrido . Pelo_menos a boca não parecia tão fina . - Não vou tirar pontos a os Gryffindor - tranquilizou o . E o coração de Harry ficou mais leve . - Mas vocês os dois vão ter um castigo . Foi melhor do_que Harry imaginara . O facto de Dumbledore escrever a os Dursley não tinha a menor importância . Harry sabia perfeitamente que eles só lamentariam que o salgueiro zurzidor não o tivesse esmigalhado . A professora Mc_Gonagall ergueu a varinha de_novo apontou a a a secretária de Snape . Um grande prato de sanduíches , duas taças de prata e um jarro com sumo de abóbora gelado apareceram em menos_de um segundo . - Vocês vão comer aqui e , em seguida , vão direitinhos para o vosso dormitório - disse . - Eu também tenho de voltar para a festa . Mal a porta se fechou atrás de ela , Ron soltou baixinho um assobio . - Pensei que estávamos feitos - confessou , agarrando uma sanduíche . - Também eu - disse o Harry , orando também uma . - Mas já viste bem a nossa pouca sorte ? - insistiu o Ron com a boca cheia de frango e fiambre . - O Fred e o George voaram em aquele carro cinco ou seis vezes e nenhum Muggle os viu - engoliu outro pedaço enorme de a sanduíche . - Porque será que não conseguimos passar a barreira ? Harry encolheu os ombros . - Mas temos de ter muito cuidado a_partir_de agora - disse bebendo um grande trago de sumo de abóbora . - Que pena não termos podido ir a o banquete . - Ela não quis que nos exibíssemos - afirmou Ron com prudência . - Não vão as pessoas pensar que é uma boa chegar aqui de carro voador . Quando já tinham comido todas_as sanduíches que queriam ( o prato ia voltando a encher se sozinho ) , levantaram se e saíram de o escritório , seguindo o caminho que lhes era familiar , para a torre de os Gryffindor . O castelo estava em silêncio . Parecia que o banquete tinha acabado . Passaram por retratos murmurantes e armaduras que gemiam e subiram os degraus estreitos de pedra até que , por fim , chegaram a a passagem onde a entrada secreta para a torre de os Gryffindor se encontrava oculta por detrás de o quadro a óleo de uma dama gorda em um vestido cor-de-rosa . - A senha ? - perguntou ela mal os dois se aproximaram . - Er ... Eles ainda não tinham estado com o prefeito de os Gryffindor e por isso ainda não conheciam a senha para o novo ano , mas a ajuda não se fez esperar . Ouviram passos apressados atrás de eles e quando se voltaram viram Hermione que se aproximava . - Aí estão vocês . Onde é_que se meteram ? Correm os boatos mais ridículos , alguém disse que vocês tinham sido expulsos por espatifarem um carro voador . - Bem , expulsos não fomos - tranquilizou a Harry . - Não estás a dizer me que voaram até aqui ? - perguntou Hermione em um tom quase tão severo como a professora Mc_Gonagall . - Dispensa se o sermão - interrompeu Ron impacientemente . - E diz nos a nova senha de passagem . - É crista de pássaro - disse Hermione não contendo a impaciência . - Mas o mais importante não é isso ... Contudo as palavras de ela foram interrompidas ao_mesmo_tempo que o retrato de a dama gorda se abria e se ouvia uma tempestade de aplausos . A o que parecia a equipa de os Gryffindor estava ainda acordada , dentro de a sala comum em forma de círculo , junto de as mesas assimétricas e de os cadeirões moles a a espera que eles chegassem para , de braços estendidos através de o buraco de o retrato , puxarem Harry e Ron para dentro deixando Hermione para o fim . - Sensacional - gritou Lee_Jordan . - Inspirado ! Que entrada ! Voar em um carro e aterrar em o salgueiro zurzidor . Toda_a_gente vai falar de isto durante anos e anos . - Muito bem - disse um aluno de o quinto ano com quem Harry nunca tinha falado . Alguém dava lhe palmadas em as costas como_se ele acabasse de vencer a maratona . Fred e George abriram caminho por_entre a multidão e disseram ao_mesmo_tempo : - Por_que é_que não nos chamaram , hein ? - Ron estava vermelho como um pimentão , sorrindo envergonhado , mas Harry via perfeitamente uma pessoa que não estava nada contente . Percy elevava se acima de as cabeças de os excitados alunos de o primeiro ano e parecia estar a tentar aproximar se para os repreender . Harry deu uma cotovelada a o Ron e apontou em direcção a Percy . Ron percebeu de imediato . - Temos de ir para_cima , um_pouco cansados ! - explicou e os dois começaram a abrir caminho em direcção a a porta que ficava de o outro lado de a sala e que dava para a escada em espiral e para os dormitórios . - ` _ Noite - despediu se Harry_de_Hermione que tinha um ar tão carrancudo como Percy . Conseguiram chegar a o outro lado de a sala comum sempre a levarem palmadas em as costas e alcançaram o sossego de as escadas . Apressaram se a subir e , por fim , chegaram a a porta de o dormitório que tinha agora um letreiro a dizer « Segundos_Anos » . Entraram em o quarto circular , que conheciam tão bem , com as suas cinco camas de dossel adornadas de velado vermelho e as suas janelas altas e estreitas . As malas tinham sido trazidas para_cima e colocadas a os pés de as camas . Ron fez um sorriso culpado . - Sei que não devia ter gostado de aquilo , mas ... A porta de o dormitório abriu se e os outros rapazes de os Gryffindor entraram ; eram eles o Seamus_Finnigan , o Dean_Thomas e o Neville_Loogbottom . - Inacreditável - aplaudiu Seamus . - Incrível - aprovou o Dean . - Espantoso - exclamou o Neville , aterrado . Harry não pôde evitar também um sorriso . VI_Gilderoy_Lockhart_No dia seguinte , contudo , Harry não conseguiu sorrir . As coisas começaram a correr mal logo em o salão durante o pequeno-almoço . Debaixo de o tecto encantado ( em aquele dia triste e cinzento ) estavam as quatro grandes mesas de as equipas e sobre elas , terrinas de papa de aveia , pratos de arenque defumado , montanhas de torradas e pratadas de ovos com * bacon * . Harry e Ron sentaram se em a mesa de os Gryffindor , junto de Hermione que tinha o seu exemplar de * _ Viagens com Vampiros * totalmente aberto , encostado a um jarro de leite . Havia uma certa rigidez em a maneira como ela disse : - ` _ Dia - que mostrou a Harry que continuava a desaprovar o modo como tinham chegado a a escola . Por seu turno , Neville_Longbottom saudou os entusiasticamente . Neville era um rapazinho de cara redonda , muito dado a acidentes , com a pior memória que Harry tinha conhecido . - A entrega de correio deve estar a chegar , acho que a minha avó me vai mandar umas quantas coisas de que me esqueci ... Harry tinha começado a comer as papas de aveia , quando se ouviu um ruído tumultuoso em o ar e umas cem corujas entraram ao_mesmo_tempo , sobrevoando o salão e deixando cair cartas e pacotes em o meio de a multidão faladora . Um embrulho grande e rugoso caiu em a cabeça de Neville e , um segundo depois , uma coisa larga e cinzenta caiu em o jarro de a Hermione , enchendo os a todos de leite e penas . - Errol - gritou o Ron , puxando a coruja esfarrapada por as patas . Errol caíra inconsciente sobre a mesa com as pernas para o ar e um envelope vermelho húmido em o bico . - Oh , não ! - sobressaltou se Ron . - Ela está bem , ainda está viva - tranquilizou o Hermione , tocando suavemente em a Errol com a ponta de o dedo . - Não é isso , é ... aquilo . Ron apontava para o envelope vermelho . Parecera perfeitamente vulgar a Harry , mas Ron e Neville estavam ambos a observá o como_se esperassem que explodisse . - Qual é o problema ? - perguntou Harry . - Ela . Ela mandou me um * gritador * - disse Ron , quase sem voz . - É melhor abrires - aconselhou Neville em um murmúrio tímido - senão é pior . A minha avó uma_vez mandou me um que eu ignorei e ... - engoliu em seco - foi horrível . Harry olhava , ora para as suas caras , ora para o envelope vermelho . - O que é um * gritador * ? - perguntou . - Mas toda_a atenção de o Ron estava fixa em a carta que começara a fumegar por os cantos . - Abre a - intimou o Neville . - De aqui a poucos minutos já passou tudo . Ron estendeu uma mão trémula , retirou o envelope de o bico de a Errol e começou a abri o . Neville pôs os dedos em os ouvidos . Após uma fracção de segundo , Harry compreendeu porquê . Pensou em o primeiro momento que ela explodira . Um ruído ensurdecedor encheu o enorme salão , fazendo cair pó de o tecto . - ... : __ roubar o carro ! não me surpreendia nada se te expulsassem . espera só até te pôr as mãos em cima . será que não paraste para pensar em a nossa aflição quando vimos que o carro tinha __ desaparecido ... Os gritos de Mrs._Weasley , ampliados cem vezes em relação a o seu normal , fizeram os pratos e as colheres chocalhar em a mesa e ecoaram de forma ensurdecedora em as paredes de pedra . Vinha gente de todos os lados espreitar quem tinha recebido o * gritador * e Ron afundou se tanto em a cadeira que só se lhe via a testa carmesim . - ... : __ uma carta de o dumbledore ontem a a noite , o teu pai quase morria de vergonha . não foi esta a educação que te demos , tu e o harry podiam ter __ morrido ... Harry estava a ver quando é_que o seu nome viria a a baila . Tentou o melhor que pôde agir como_se não ouvisse a voz , mas aquilo estava a fazer com que os tímpanos lhe latejassem . - ... : __ profundamente decepcionada , o teu pai vai ter de se confrontar com um inquérito em o trabalho , tudo por tua culpa e , se pisas mais_uma_vez o risco , trago te para __ casa ! Seguiu se um silêncio ressonante . O envelope vermelho , que caíra de as mãos de o Ron , incendiou se e encaracolou se em cinzas . Harry e Ron estavam sentados de boca aberta , como_se uma onda gigante lhes tivesse passado por cima . Algumas pessoas riam e , a os poucos , o ruído de as conversas recomeçou . Hermione fechou o * _ Viagens com Vampiros * e olhou para o topo de a cabeça de Ron . - Bem , não sei o que esperavas , Ron , mas tu ... - Não me venhas dizer que mereci - interrompeu Ron . Harry afastou as papas de aveia . O estômago ardia lhe de culpa . Mr._Weasley tinha um inquérito em o trabalho , depois de tudo_o_que Mr. e Mrs._Weasley tinham feito por ele durante o Verão ... Mas não teve muito_tempo para se demorar em aqueles pensamentos . A professora Mc_Gonagall circulava em volta de as mesas de os Gryffindor distribuindo horários . Harry pegou em o seu e viu que começavam por ter Herbologia , juntamente com os Hufflepuff . Harry , Ron e Hermione saíram juntos de o castelo , atravessaram as hortas e chegaram a as estufas , onde estavam guardadas as plantas mágicas . O * gritador * tivera pelo_menos uma vantagem : Hermione parecia achar que já tinham sido suficientemente castigados e estava de_novo perfeitamente calorosa . Quando estavam a chegar a as estufas viram o resto de a classe de pé , cá fora , a a espera de a professora Sprout . Harry , Ron e Hermione tinham acabado de se lhes juntar quando a viram aproximar se a passos largos por o relvado , acompanhada de Gilderoy_Lockhart . A professora Sprout era uma bruxa pequenina e atarracada que usava um chapéu a os remendos sobre o cabelo solto . As roupas que vestia estavam sempre cheias de terra e as suas unhas fariam a tia Petúnia desmaiar . Gilderoy_Lockhart , pelo_contrário , tinha um ar imaculado em as suas vestes azul-turquesa , o cabelo doirado a brilhar debaixo_de um chapéu azul-turquesa , com uma fita dourada , perfeitamente posicionado sobre a cabeça . - Olá a todos ! - gritou Lockhart , dirigindo se a o grupo de estudantes . - Estive a mostrar a a professora Sprout a maneira correcta de tratar um salgueiro . Mas não quero que fiquem com a ideia de que sou melhor do_que ela em Herbologia . Acontece que encontrei várias de estas plantas exóticas , durante as minhas viagens .... - Estufa número três hoje , meninos ! - disse a professora Sprout que estava visivelmente descontente , bem diferente de a sua habitual natureza bem-disposta . Houve um murmúrio de interesse . Eles só tinham estado uma_vez em a terceira estufa , que era uma estufa que abrigava plantas bem mais interessantes e perigosas . A professora Sprout tirou uma enorme chave de o cinto e abriu a porta . Harry sentiu o bafo de a terra húmida com adubo misturado e o perfume forte de umas flores gigantescas , de o tamanho de guarda-chuvas , que estavam penduradas de o tecto . Ia seguir Ron e Hermione , quando a mão de o Lockhart o travou . -- Harry ! Tenho querido ter uma palavrinha contigo . Não se importa se ele chegar uns minutos atrasado , pois não , professora Sprout ? A julgar por a expressão carregada de a professora Sprout , importava se sim , mas Lockhart disse : - Então até já - e fechou a porta de a estufa em a cara de ela . - Harry ! - disse Lockhart , com os dentes brancos a brilharem a o sol , enquanto abanava a cabeça . - Harry , Harry , Harry ! Harry , totalmente perplexo , não disse uma palavra . - Quando ouvi dizer , bem , é claro que eu tive muita culpa , deviam castigar me também ... Harry não fazia ideia de que estava ele a falar , quando Lockhart prosseguiu : - Nunca me lembro de ficar tão chocado . Fazer voar um automóvel até Hogwarts ! Bem , é claro que eu percebi logo porque o fizeste . Foi um destaque em grande . Harry , Harry , Harry ! Era notável como ele conseguia mostrar todos aqueles dentes brilhantes , mesmo quando não estava a falar . - Criei te o gosto por a publicidade , não foi ? - perguntou Lockhart . - Passei te o bichinho . Apareceste comigo em a primeira página e não podias esperar para aparecer outra_vez ... - Oh , não , professor , sabe é_que ... - Harry , Harry , Harry - disse Lockhart aproximando se e tocando lhe em o ombro . - * _ Eu compreendo * . É natural querer um_pouco mais quando se lhe tomou o gosto , e eu culpo me por te ter dado esse conhecimento , porque era natural que te subisse a a cabeça , mas vê uma coisa , rapazinho , tu não podes começar a fazer voar carros para tentares ser notícia . Tens de acalmar , está bem ? Tens muito_tempo quando fores mais velho . Sim , sim , eu sei o que estás a pensar ! É fácil para ele falar assim , já é um feiticeiro internacionalmente famoso ! Mas quando eu tinha doze anos era tão zé-ninguém como tu és hoje . Em a verdade , era ainda mais . De ti , já meia_dúzia de pessoas ouviram falar , não é ? Toda aquela história com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . - Olhou para a cicatriz luminosa em a testa de Harry . - Eu sei , eu sei , não é o mesmo_que vencer o Prémio de o sorriso de o feiticeiro de a semana cinco vezes seguidas , como eu venci , mas é um começo , Harry , é um começo . Lançou lhe uma piscadela de olhos cordial e foi se embora . Harry ficou atarantado durante alguns segundos . Depois , lembrando se que deveria estar em a estufa , abriu a porta e esgueirou se lá para dentro . A professora Sprout estava de pé , por_detrás_de uma espécie de mesa em o meio de a estufa . Em cima de a mesa estavam cerca de vinte pares de abafo de ouvidos de diferentes cores . Quando Harry estava já em o seu lugar , entre Ron e Hermione , ela disse : - Hoje vamos transplantar Mandrágoras . Muito bem , quem sabe dizer me as propriedades de a Mandrágora ? Não foi surpresa para ninguém que a mão de a Hermione fosse a primeira em o ar . - A Mandrágora tem um efeito reparador muito poderoso - disse Hermione , com o ar mais normal de este mundo , como_se tivesse engolido o livro de texto . - É usada para fazer voltar as pessoas , que foram transfiguradas ou amaldiçoadas , a o seu estado original . - Excelente . Dez pontos para os Gryffindor ! - exclamou a professora Sprout . - A Mandrágora é parte integrante de a maior parte de os antídotos , mas também é perigosa . Quem sabe dizer me porquê ? A mão de Hermione por_pouco não bateu em os óculos de Harry , quando se ergueu de_novo . - O grito de a Mandrágora é fatal para quem o ouve - disse prontamente . - Precisamente . Dou lhe mais dez pontos - disse a professora Sprout . - Agora vejamos , as Mandrágoras que aqui temos são ainda muito jovens . Enquanto falava , apontou para uma fila de tabuleiros com uma certa profundidade e todos se chegaram a a frente para ver melhor . Cerca de uma centena de plantinhas tufosas de um verde arroxeado cresciam em filas . Pareceram perfeitamente vulgares a Harry , que não fazia a menor ideia do_que Hermione queria dizer com o * grito * de a Mandrágora . - Cada_um de vocês pode tirar um par de abafo de ouvidos - disse a professora Sprout . Houve uma competição renhida porque ninguém queria os cor-de-rosa , cheios de penugem . - Quando eu vos disser para os colocar , assegurem se de que os vossos ouvidos estão completamente tapados - disse a professora Sprout . - Logo_que seja seguro retirá os , eu levanto os dedos . Certo , pôr os abafos de os ouvido . Harry pôs imediatamente os abafos em os ouvidos . Eles fecharam completamente o som . A professora Sprout colocou também um par de abafos cor-de-rosa com penugem em os de ela , arregaçou as mangas de a túnica , agarrou uma de as plantas tufosas e puxou com toda_a força . Harry soltou um grito de surpresa que ninguém ouviu . Em_vez_de raízes , um bebé pequenino , enlameado e extremamente feio , saiu de a terra . As folhas cresciam lhe em o alto de a cabeça , tinha uma pele pintalgada de um pálido esverdeado e estava nitidamente a berrar a plenos pulmões . A professora Sprout tirou debaixo de a mesa um grande vaso de plantas e mergulhou lá dentro a Mandrágora , enterrando a em a mistura escura e húmida , até que só as folhas ficassem visíveis . Em seguida , limpou a terra de as mãos , levantou os dedos e todos eles retiraram os abafos de os ouvidos . - Como as nossas Mandrágoras são muito novas , os seus gritos ainda não matam - disse ela com grande calma , como_se tivesse feito algo tão normal como regar uma begónia . - Contudo , podem pôr vos a dormir durante várias horas e , como com certeza nenhum de vocês quer perder o primeiro dia de aulas , vejam se os abafos estão bem colocados enquanto trabalham . Eu chamarei vos a atenção quando for altura de os retirar . - Quatro em cada fila , há aqui uma grande quantidade de vasos , a mistura de terra está em os sacos ali a o fundo e tenham cuidado com a * _ Venomous_Tentacula * , estão a nascer lhe os dentes . Enquanto falava , deu uma pancada seca a uma planta vermelha escura cheia de pontas eriçadas , fazendo a encolher as longas antenas que tinham estado a avançar lenta e dissimuladamente sobre o seu ombro . A Harry , Ron e Hermione veio juntar se em a fila um rapaz de cabelo encaracolado de os Hufflepuff que Harry conhecia de vista , mas com quem nunca tinha falado . - Justin_Finch - _ Fletchey - disse ele com vivacidade , apertando a mão de o Harry . - Conheço te , claro , o famoso Harry_Potter ... e tu és a Hermione_Granger , sempre a primeira em tudo ( Hermione brilhou em um sorriso , como_se ele lhe tivesse apertado a mão ) e Ron_Weasley . Não era teu o carro voador ? Ron não sorriu . Não lhe saía de a cabeça o * gritador * . - Aquele Lockhart é o_máximo , não acham ? - disse Justin satisfeito , enquanto começavam a encher os vasos com composto de adubo de dragão . - Terrivelmente corajoso . Leram os livros de ele ? Eu teria morrido de medo se um lobisomem me tivesse encurralado em uma cabina telefónica , mas ele manteve se calmo e ... zap ... fantástico ! « Eu estava inscrito em Eton , sabem , não imaginam como estou feliz de ter vindo antes para aqui . É claro que a minha mãe ficou um_pouco desiludida , mas depois de lhe ter dado os livros de Lockhart a ler , tenho a impressão de que ela começou a ver a utilidade de ter um feiticeiro bem treinado em a família ... Depois de isso , não tiveram grandes oportunidades para conversar . Voltaram a pôr os abafos de ouvidos e era preciso concentrarem se em as Mandrágoras . A professora Sprout fizera as coisas parecerem extremamente simples , mas não eram . As Mandrágoras não gostavam de sair de a terra mas também não pareciam querer voltar para lá . Elas contorceram se , deram pontapés , agitaram as mãozinhas finas e rangeram os dentes . Harry levou dez minutos inteirinhos a tentar meter uma Mandrágora particularmente gorda dentro_de um vaso . Em o final de a aula , Harry , como todos os outros , estava a suar , cheio de dores e coberto de terra . Regressaram a o castelo a pé para um banho rápido e , em seguida , os Gryffindor apressaram se para assistir a a aula de transfiguração . As aulas de a professora Mc_Gonagall eram sempre complicadas , mas a de aquele dia era particularmente difícil . Tudo_o_que o Harry aprendera em o ano anterior parecia ter se lhe apagado de a memória durante o Verão . Ele deveria ser capaz de transformar uma barata em um botão , mas , tudo_o_que conseguiu foi fazer a barata praticar um imenso exercício , enquanto corria apressadamente por o tampo de a secretária evitando a varinha . Ron estava a debater se com problemas bastante piores . Tinha atado a varinha com uma fita mágica , mas parecia que não havia reparação possível . Não parava de crepitar e lançar faíscas em os momentos mais estranhos e , sempre_que Ron tentava transfigurar a barata , via se envolvido em um fumo cinzento espesso que cheirava a ovos podres . Incapaz de ver o que estava a fazer , o Ron esmagou , por engano , a barata com o cotovelo e teve de ir pedir que lhe dessem outra , o que deixou a professora Mc_Gonagall muito pouco satisfeita . Harry ficou aliviado quando ouviu tocar a campainha para o almoço . Sentia a cabeça como uma esponja espremida . Todos os alunos saíram em fila de a aula excepto ele e Ron que dava furiosas varadas em a secretária . - Coisa estúpida e inútil . - Escreve a os teus pais a pedir outra - sugeriu Harry , enquanto a varinha disparava com estrondo um foguete explosivo . - Ah pois , e receber outro * gritador * em a volta de o correio - respondeu Ron , metendo a varinha que já assobiava , dentro de o saco . - * _ A culpa é toda tua se a varinha está estragada * ... Desceram para o almoço e aí a disposição de o Ron não iria melhorar com Hermione a mostrar lhe uma mão-cheia de botões de casaco , perfeitinhos , que produzira em a transfiguração . - O que temos esta tarde ? - quis saber Harry , mudando rapidamente de assunto . - Defesa contra as artes negras - disse Hermione , sem perder tempo . - Porque é_que tu ... - perguntou Ron , pegando em o horário de ela - desenhaste corações em volta de as aulas de o Lockhart ? Hermione arrancou lhe o horário de as mãos , corando furiosa . Acabaram de almoçar e foram para o pátio carregado de nuvens . Hermione sentou se em um degrau de pedra e enfiou de_novo o nariz em as * _ Viagens com Vampiros * . Harry e Ron ficaram a falar de Quidditch durante alguns minutos antes de Harry se aperceber de que estava a ser observado de perto . Olhando para_cima viu o rapazinho pequenino com cabelo de rato que ele vira experimentar o chapéu seleccionador em a noite anterior , olhando para ele com uma expressão petrificada . Estava agarrado a o que parecia ser uma vulgar máquina fotográfica de os Muggles e , em o momento em que Harry olhou para ele , ficou todo vermelho . - Tudo bem , Harry ? Eu sou Colin_Creevey - disse , faltando lhe o ar e adiantando se a qualquer pergunta . - Estou em os Gryffindor também . Não te importavas que eu tirasse uma fotografia ? - perguntou , levantando a máquina cheio de expectativa . - Uma fotografia ? - repetiu Harry , inexpressivo . - Para eu provar que te conheci - disse Colin_Creevey cheio de ansiedade , continuando : - Eu sei tudo a teu respeito . Toda_a_gente me tem contado como sobreviveste quando O_Quem nós sabemos tentou matar te , como ele desapareceu depois de isso e como ficaste com a cicatriz em forma de relâmpago em a testa ( os seus olhos procuraram a linha de cabelo de Harry ) e um rapaz de o meu dormitório disse que se eu revelasse o filme em a posição certa ele mexia . - Colin respirou fundo , estremecendo de excitação e disse : - Isto_é fantástico , aqui , não achas ? Eu não sabia que todas_as coisas estranhas que fazia eram magia até a o dia em que recebi uma carta de Hogwarts . O meu pai é leiteiro . Também ele não queria acreditar . Por isso estou a tirar montes de fotografias para lhe mandar e era mesmo bom se tivesse uma tua - parecia implorar . - Talvez o teu amigo pudesse tirá a e assim eu ficava a o teu lado . E depois , podias assiná a ? - Assinar fotografias ? Estás a dar fotos autografadas , Potter ? Alta e mordaz , a voz de Draco_Malfoy ecoou em o pátio . Estava parado mesmo atrás_de Colin , ladeado , como sempre andava em Hogwarts , por os seus fortes guarda-costas Crabbe e Goyle . - Ei gente , façam bicha - gritou Malfoy a a multidão . - Harry_Potter está a dar fotos autografadas ! - Não estou coisa nenhuma - disse Harry , zangado , com os punhos em o ar . - Cala a boca , Malfoy . - Tu tens é inveja - começou a dizer Colin , cujo corpo era de o tamanho de o pescoço de Crabbe . - Inveja - repetiu Malfoy que não precisava de gritar mais , metade de o pátio estava a ouvi o . - De quê ? Não preciso de uma cicatriz em a cabeça , muito obrigado . Não acho que ter um corte em a testa torne alguém especial . Crabbe e Goyle riram estupidamente - Vai pastar caracóis , Malfoy - disse o Ron furioso . Crabbe parou de rir e começou a esfregar os nós de os dedos enormes de uma forma ameaçadora . - Tem cuidado , Weasley - escarneceu Malfoy . - Com certeza não queres começar uma rixa ou a tua mãezinha tem de vir cá para te tirar de a escola - e com uma voz aguda e penetrante : - * _ Se voltas a pisar o risco * ... Um grupo de alunos de o quinto ano de os Slytherin que estava ali perto , riu se bastante alto . - O Weasley gostaria de ter uma foto tua autografada , Potter - escarneceu de_novo Malfoy . - Era capaz de valer mais do_que a casa onde ele mora com a família . Ron sacou de a sua varinha amarrada com fita , mas Hermione fechou as * Viagens com Vampiros * com um estrondo e avisou : - Atenção . - O que é isto , o que é isto ? - Gilderoy_Lockhart aproximava se com o seu manto azul-turquesa girando em torvelinho atrás de ele . - Quem está a dar fotos autografadas ? Harry ia começar a explicar , mas foi interrompido quando Lockhart lhe pôs jovialmente o braço em cima de os ombros . - Mas que pergunta a minha ! Cá estamos nós de_novo , Harry ! Preso ao_lado_de Lockhart e a arder de humilhação , Harry viu Malfoy deslizar com o seu sorriso desdenhoso por o meio de a multidão . - Vamos lá então , Mr._Creevey - disse Lockhart , dirigindo se a Colin . - Uma foto dupla , já viu a sua sorte ? E assinamos a os dois para si . Colin ajustou a máquina e tirou a fotografia em o preciso momento em que a campainha tocava para as aulas de a tarde . - Está em a hora , todos para dentro - gritou Lockhart a a multidão e regressou a o castelo levando a o seu lado o Harry que só lamentava não conhecer um feitiço que o fizesse desaparecer . - Uma palavra só , Harry - disse Lockhart paternalmente , enquanto entravam em o edifício por uma porta lateral . - Eu ajudei te há bocado com o jovem Creevey porque se ele estivesse a fotografar me também a mim os teus colegas não reparariam tanto que estavas a exibir te ... Indiferente a a gaguez de Harry , Lockhart arrastou o para um corredor ladeado de alunos que os olhavam espantados e subiram uma escada . - Deixa me só dizer te uma coisa : dar fotografias autografadas em esta fase de a tua carreira , francamente , não é sensato , Harry , parece um_pouco megalómano . Pode ser que um dia mais tarde , tal_como eu , sejas obrigado a assinar para multidões onde quer que vás , mas - fez uma pequena pausa - não me parece que seja o caso , por enquanto . Tinham chegado a a aula de Lockhart e ele largou finalmente o Harry que sacudiu a túnica e foi sentar se em um lugar bem lá atrás onde começou por empilhar os livros de Lockhart a a sua frente para evitar olhar para a criatura . O resto de a aula entrou ruidosamente e Ron e Hermione foram sentar se um de cada lado de Harry . - Tu estavas vermelho como um pimentão - disse o Ron . - Reza para que o Creevey não se torne amigo de a Ginny senão bem podem criar o clube de * fans * de Harry_Potter . - Cala a boca - interrompeu Harry . A última coisa que desejava era que o Lockhart ouvisse a expressão « clube de * fans * de Harry_Potter « . Quando todos estavam em os seus lugares , Lockhart pigarreou alto e fez se silêncio . Ele inclinou se para a frente , pegou em o exemplar de Neville_Longbottom de * _ viagens com Duendes * e levantou o para mostrar a sua fotografia a piscar os olhos em a capa . - Eu - disse apontando para a fotografia e piscando também os olhos - Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , terceiro ano , membro honorário de a Liga_de_Defesa contra as artes negras e cinco vezes vencedor de o prémio de o * _ Feiticeiro de a semana * por o sorriso mais charmoso . Mas não vamos falar de isso , não venci a fada carpideira de Bandon a sorrir para ela ! Esperou que eles se rissem . Alguns alunos sorriram timidamente . - Já vi que todos vocês compraram a minha obra completa . Muito bem . Pensei começar hoje com um pequeno interrogatório escrito . Nada de complicado , só para perceber se leram bem os meus livros e o que apreenderam ... Depois de distribuir as folhas de teste voltou se para os alunos e disse : - Têm trinta minutos . Comecem já . Harry olhou para o papel e leu : *1 . Qual é a cor preferida de Gilderoy_Lockhart ? *2 . Qual é a ambição secreta de Gilderoy_Lockhart ? *3 . Qual é , em a sua opinião , a maior realização de Gilderoy_Lockhart até a o momento ? * E_por_aí adiante , ao_longo_de três páginas , terminando com : *54 . Qual é o dia de aniversário de Gilderoy_Lockhart e qual seria o seu presente preferido ? * Meia_hora mais tarde , Lockhart recolheu os pontos e folhou os rapidamente em frente de os alunos . - Tut , tut , quase ninguém se lembrou que a minha cor preferida é o lilás . Eu digo o em * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves * . Alguns precisam de voltar a ler com mais cuidado * Fim-de - _ Semana com Um Lobisomem * . Eu afirmo claramente em o décimo segundo capítulo que o meu presente de aniversário preferido seria a harmonia entre todos os seres , mágicos e não mágicos , embora não me importasse de receber uma garrafa grande de * whisky * velho de a Ogden's_Old_Firewhisky . Piscou lhes o olho de_novo . Ron olhava para Lockhart com uma expressão de incredulidade em o rosto . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas que estavam sentados a a frente tremiam de tanto conter o riso . Hermione , contudo , ouvia Lockhart com extrema atenção e deu um salto quando ouviu o seu nome . - Mas Miss_Hermione_Granger sabia que a minha ambição secreta era libertar o mundo de o mal e pôr a a venda a minha gama de poções de tratamento de o cabelo . Muito bem - voltou o papel . - Nota máxima ! Onde está Miss_Hermione_Granger ? Hermione ergueu uma mão trémula . - Excelente - bradou Lockhart , exultante . - Leva dez pontos para os Gryffindor . E vamos a o trabalho . Baixou se atrás de a secretária e pegou em uma grande gaiola coberta . - Ficam desde_já a saber , a minha função é preparar vos contra as criaturas mais malignas que a feitiçaria conhece . Vocês podem ter que enfrentar os maiores medos em esta sala . Saibam que nenhum mal vos sucederá comigo aqui . Só vos peço que se mantenham calmos . Ultrapassando os seus sentimentos , Harry espreitou através de a pilha de livros para ver melhor a gaiola . Lockhart colocou uma mão em a tampa . Dean e Seamus tinham deixado de se rir . Neville estava agachado em o seu lugar de a fila de a frente . - Vou pedir vos que não façam barulho - disse Lockhart em voz baixa . - Podem assustá os . Enquanto a aula inteira continha a respiração , Lockhart tirou a cobertura . - Sim - disse em um tom dramático . - Duendes_da_Cornualha recém-capturados . Seamus_Finnigan não conseguiu controlar se . Soltou uma gargalhada que nem Lockhart poderia confundir com um grito de terror . - Sim ? - sorriu a Seamus . - Bem , eles não são , não são perigosos , pois não ? - perguntou a rir . -- Não tenhas tanta certeza de isso - afirmou Lockhart , aborrecido , abanando um dedo , em direcção a Seamus . - Podem ser maçadores e muito traiçoeiros . Os duendes eram de um azul-eléctrico e tinham cerca de vinte centímetros de altura com feições angulosas e umas vozes tão estridentes que era como ouvir uma discussão entre araras . Logo_que o pano foi retirado , começaram a fazer uma enorme algazarra , a andar de um lado para o outro , batendo em as grades e fazendo caretas a as pessoas que estavam mais perto . - Muito bem - disse Lockhart em voz alta . - Vamos então ver o que vocês conseguem fazer de eles - e abriu a gaiola . Foi um pandemónio . Os duendes dispararam em todas_as direcções como foguetes . Dois de eles agarraram o Neville por as orelhas e levantaram o a o ar . Vários outros foram direitos a a janela , fazendo chover vidros partidos até a a fila de trás . Os restantes decidiram destruir a sala com maior eficácia do_que um rinoceronte em fúria . Agarraram em os tinteiros e salpicaram tudo em volta , rasgaram a os bocados livros e papéis , arrancaram os quadros de as paredes , levantaram a o ar a gaiola vazia , agarraram livros e sacos e lançaram nos por a janela de vidros estilhaçados . Em poucos minutos , metade de a aula estava abrigada debaixo de as secretárias e o Neville pendurado em o candelabro de o tecto . - Vamos lá , agarrem nos , agarrem nos , são apenas duendes ... - gritava Lockhart . Arregaçou as mangas , bramiu a varinha e pronunciou * Peshipiksi_Pesternomi ! * As palavras não tiveram o menor efeito . Um de os duendes pegou em a varinha de Lockhart e atirou a também por a janela fora . Lockhart engoliu em seco e mergulhou debaixo de a secretária , não sendo , por um triz , esmagado por o Neville que caiu um segundo depois , quando o candelabro cedeu . A campainha tocou e houve uma louca precipitação para a porta . Em a calma relativa que se seguiu , Lockhart endireitou se , olhou para Harry , Ron e Hermione que estavam quase a chegar a a porta e disse : - Bem , vou pedir vos a os três que prendam o resto de os duendes em a gaiola - passou por eles e fechou rapidamente a porta atrás_de si . - Isto dá para acreditar ? - resmungou o Ron , enquanto um de os duendes lhe mordia com toda_a força uma de as orelhas . - Ele só quer dar nos uma ajuda , permitindo nos ganhar experiência - justificou Hermione , imobilizando dois duendes de uma_vez com um encantamento de paralisação e metendo os de_novo em a gaiola . - Experiência ? - disse Harry , tentando agarrar um duende que dançava com a língua de_fora . - Hermione , ele não sabia nada do_que estava a fazer . - Disparate - retorquiu Hermione . - Leste os livros de ele . Vê só as coisas que ele já fez ! - Que diz que fez - resmungou o Ron . VII_Sangue de lama e murmúrios Harry passou imenso tempo , em os dias que se seguiram , a fugir sempre_que via Gilderoy_Lockhart aproximar se em o corredor . Mais difícil de evitar era Colin_Creevey que parecia ter decorado o horário de Harry . Parecia que nada o emocionava mais do_que dizer : - Tudo bem , Harry ? - seis ou sete vezes por dia e ouvir : - Olá , Colin - por mais exasperado que Harry estivesse quando lhe respondia . A Hedwig ainda estava zangada com Harry por causa de a desastrosa viagem de automóvel e a varinha de o Ron continuava a não funcionar , tendo ultrapassado tudo em a sexta-feira de manhã quando lhe saltou de as mãos em a aula de encantamentos e foi agredir o velho e baixinho professor Flitwick mesmo entre os olhos , deixando uma enorme bolha latejante em o sítio onde tinha batido . Por tudo_isso Harry via chegar , com satisfação , o fim_de_semana Planeava ir em o Sábado de anhã , com Ron e Hermione visitar o Hagrid . Mas foi acordado várias horas mais cedo do_que desejaria por Oliver ood , treinador de a equipa de Quidditch_dos_Gryffindor . - _ o que é_que se passa ? - perguntou Harry , enrolando as palavras . - Treino_de_Quidditch - disse Wood . - Vamos embora . Harry lançou um olhar de esguelha a a janela . Uma neblina fina pairava em o céu rosa e dourado . Agora_que estava acordado não percebia como pudera dormir com a algazarra que os pássaros faziam . - Oliver resmungou Harry . - É de madrugada . - Exacto - respondeu Wood . Era um rapaz alto e corpulento de o sexto ano e em aquele momento os olhos brilhavam lhe loucamente de entusiasmo . - Faz parte de o nosso novo programa de treinos . Anda lá , vai buscar a vassoura e vamos embora - insistiu Wood empenhado . - Nenhuma de as outras equipas começou ainda a treinar . Vamos ser os primeiros este ano ... A bocejar e a tremer um_pouco , Harry saltou de a cama e tentou descobrir as suas túnicas de Quidditch . - Bem , encontramo nos em o campo , dentro_de quinze minutos . Depois de descobrir a sua roupa escarlate de equipa e pôr o manto por cima para se aquecer , Harry escreveu a o Ron um bilhete a explicar onde tinha ido e desceu por a escada de espiral para a sala comum com a sua Nimbos dois inil a o ombro . Tinha acabado de chegar junto de o buraco de o retrato quando ouviu um barulho atrás_de si e viu Colin_Creevey descer a escada de espiral com a máquina fotográfica pendurada a o pescoço a balouçar como louca e uma coisa em a mão . - Ouvi alguém chamar o teu nome em as escadas , Harry olha o que tenho aqui . Revelei a e queria mostrar te . Harry olhou assombrado para a fotografia que Colin lhe espetava em frente de o nariz . Um Lockhart a preto e branco movia se , puxando com toda_a força um braço que Harry reconheceu como sendo o seu . Ficou satisfeito a o constatar que estava a resistir bastante bem , recusando se a ser trazido para a vista de todos . Enquanto Harry observava , Lockhart desistiu e desinteressou se de lutar contra a parte branca de a fotografia . - Assinas para mim ? - pediu Colin entusiasmado . - Não - respondeu secamente Harry , olhando em volta para verificar se o caminho estava livre . - Desculpa_Colin , mas estou cheio de pressa , treino de Quidditch . Passou por o buraco de o retrato . - Oh Uau ! Espera por mim . Eu nunca vi um jogo de Quidditch . Colin trepou por o buraco de o retrato atrás de ele . - Vai ser uma chatice para ti - disse Harry rapidamente , mas Colin ignorou o comentário . Todo o seu rosto brilhava de satisfação . - Tu foste o jogador mais novo de a equipa em cem anos , não foste Harry ? Não foste ? - perguntava Colin , trotando para o acompanhar . - Deve ser fantástico . Eu nunca voei . É fácil ? Essa vassoura é a tua ? É a melhor que há ? Harry não sabia como ver se livre de ele . Era como ter uma sombra que não se calava . - Eu não percebo nada de Quidditch - disse Colin , já sem fôlego . - É verdade que há quatro bolas ? E que duas anda n a voar , tentando fazer os jogadores caírem de as vassouras ? - Sim - disse Harry lentamente , resignado com o ter de lhe explicar as complicadas regras de o Quidditch . - São as * bludgers * . Há dois * beaters * em cada equipa que têm bastões para bater em as * bludgers * e lançá as para o outro lado . O Fred e o George_Weasley são os * beaters * de os Gryffindor . - E para que servem as outras bolas ? - perguntou Colin , saltando uma série de degraus porque ia a olhar para o Harry de boca aberta . - Bem , a * quaffle * , que é a vermelha grandalhona , é a que marca os golos . Três * chasers * em cada equipa lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam fazes a entrar em as balizas que ficam em o extremo de o campo onde há três grandes postes com argolas em as pontas . - E a quarta bola ? - A * snitch * dourada - explicou Harry . - É muito pequenina e veloz e extremamente difícil de agarrar . Mas é isso que o * seeker * tem de fazer , porque o jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * for agarrada . E o * seeker * que conseguir agarrá a ganha para a sua equipa mais cento_e_cinquenta pontos . - E tu és o * seeker * de os Gryffindor , não és ? - perguntou Colin respeitosamente . - Sim - disse Harry enquanto saíam de o castelo e começavam a atravessar o relvado . - E há também o * keeper * que toma conta de os postes . É isto . Mas Colin não parou de fazer perguntas desde os relvados macios até a o campo de Quidditch e Harry só se viu livre de ele quando chegaram a os vestiários . Colin gritou em uma voz aguda : - Eu vou arranjar um lugar , Harry - e apressou se em direcção a as bancadas . O resto de a equipa de os Gryffindor já se encontrava em os vestiários . Wood era o único que tinha aspecto de estar bem acordado . Fred e George_Weasley estavam sentados com olhos de sono e cabelos desgrenhados junto de Alicia_Spinnet de o quarto ano que parecia inclinar se contra a parede que tinha atrás_de si . Os seus companheiros * chasers * , Katie_Bell e Angelina_Johnson bocejavam em frente de ela . - Até que enfim , Harry , porque é_que demoraste tanto ? - perguntou Wood cheio de actividade . - Eu queria ter uma pequena conversa convosco antes de entrarmos propriamente em campo porque passei o Verão a conjecturar um novo programa de treinos que acredito vai estabelecer grandes mudanças . Wood tinha em as mãos um grande mapa de um campo de Quidditch onde estavam desenhadas muitas linhas , setas e cruzes a tinta de várias cores . Pegou em a varinha , bateu com ela em o quadro e as setas começaram a mover se em o mapa como tractores . Enquanto Wood se lançava em um discurso sobre as suas novas técnicas , a cabeça de Fred_Weasley caiu sobre o ombro de Alicia_Spinnet e ele começou a ressonar . O primeiro mapa levou quase vinte minutos a explicar , mas debaixo de esse havia outro e ainda um terceiro . Harry caiu em uma letargia enquanto Wood continuava indefinidamente . - Então - disse por fim o treinador , arrancando Harry de a avidez de uma fantasia sobre o que poderia estar a comer se se encontrasse em aquele momento em o castelo . - Ficou tudo claro ? Alguma pergunta ? - Eu tenho uma pergunta , Oliver - disse George que acordou estremunhado . - Porque não nos explicaste tudo_isso ontem , quando estávamos acordados ? Wood não ficou nada satisfeito . - Ouçam bem , vocês todos - disse , voltando se para eles mal-humorado . - Nós deveríamos ter ganho a taça de Quidditch o ano passado . Somos de longe a melhor equipa , mas , infelizmente , devido_a circunstancias que estão para_além de o nosso controlo ... Harry mudou de posição em a cadeira sentindo se culpado . Estivera inconsciente em o hospital durante o campeonato final de o ano anterior o que fez com que os Gryffindor com um jogador a menos tivessem sofrido a pior derrota de os últimos trezentos anos . Wood levou um momento a controlar se . Era evidente que a última derrota ainda o torturava . - Portanto , este ano vamos fazer um treino mais duro , como nunca se fez . O. _ K. , vamos lá pôr as teorias em prática - gritou , pegando em a vassoura e conduzindo os para fora de o vestiário . Com as pernas trôpegas e ainda a bocejar , a equipa seguiu o . Tinham estado tanto tempo lá dentro que o sol já tinha nascido e brilhava em o céu embora uma réstia de neblina pairasse ainda sobre o relvado de o campo . Quando Harry entrou em campo viu Ron e Hermione sentados em as bancadas . - Ainda não acabaram ? - perguntou Ron em um tom incrédulo . - Ainda nem começamos - explicou Harry , olhando cheio de inveja para a torrada com doce de laranja que Ron e Hermione tinham trazido de o salão . - O Wood tem estado a ensinar nos as jogadas . Subiu para a vassoura e deu um pontapé em o chão , elevando se em o ar . O ar fresco de a manhã bateu lhe em o rosto fazendo o acordar com mais eficácia do_que o longo discurso de Wood . Era maravilhoso voltar a estar em o campo de Quidditch . Voou em volta de o estádio a toda a a velocidade competindo com Fred e George . - Que barulhinho estranho é aquele ? - perguntou o Fred quando deram a volta . Harry olhou para as bancadas . Colin estava sentado em um de os lugares mais altos com a máquina fotográfica em o ar , tirando fotografia sobre fotografia , o som estranhamente ampliado em o estádio deserto . - Olha para ali , Harry , para ali - gritava de forma estridente . - Quem é aquele ? - perguntou Fred . - Não faço ideia - mentiu Harry , disparando a_toda_a velocidade e distanciando se o mais possível de Colin . - O que se passa aí ? - perguntou Wood , franzindo a testa enquanto corria por os ares atrás de eles . - Porque está aquele aluno de o primeiro ano a tirar fotografias ? Não me agrada . Pode ser um espião de os Slytherin a tentar descobrir o nosso novo programa de treinos . - Ele é de os Gryffindor - disse Harry rapidamente . - E os Slytherin não precisam de um espião , Oliver - completou George . - Porque dizes isso ? - perguntou Wood irritado . - Porque estão aqui em peso - disse George , apontando com o dedo . Vários indivíduos com túnicas verdes vinham em aquele momento a entrar em o campo de vassouras em a mão . - Não posso acreditar - reagiu Wood , sentindo se ultrajado . - Eu reservei o estádio para hoje . Já vamos ver como é_que isto fica ! Wood baixou direito a o chão sendo levado por a fúria a aterrar com mais força do_que pretendia e a cambalear um_pouco quando começou a andar seguido de o Harry e de o Ron . - Flint - bradou para o treinador de os Slytherin . - Este é o nosso tempo de treino . Levantámo nos de propósito . Vocês têm de sair de aqui . Marcus_Flint era ainda mais corpulento do_que Wood . Tinha em o rosto uma expressão de duende travesso quando respondeu : - Há espaço para todos , Wood . Angelina , Alicia e Katie tinham vindo também . Em a equipa de os Slytherin não havia raparigas que enfrentassem a o lado de os rapazes os Gryffindor . - Mas eu reservei o estádio - repetiu Wood de modo afirmativo , cuspindo de raiva . - Reservei o . - Ah ! - exclamou Flint . - Mas eu tenho aqui uma licença especial assinada por o professor Snape . * _ Eu , professor Snape , autorizo a equipa de os Slytherin a praticar hoje em o campo de Quidditch devido a a necessidade de treinar o seu novo seeker . * - Têm um novo * seeker * ? - perguntou Wood perturbado . - Onde ? E detrás de as seis figuras corpulentas que tinham em a frente , viram surgir uma sétima : um rapaz mais pequeno com um sorriso afectado espelhado em o rosto pálido e anguloso . Era_Draco_Malfoy . - Não és o filho de o Lucius_Malfoy ? - perguntou Fred , olhando para ele com antipatia . - Curioso que refiras o pai de o Draco - disse Flint enquanto toda_a equipa de os Slytherin sorria de modo grosseiro . - Deixem me mostrar vos a generosa oferta que ele fez a a equipa de os Slytherin . Os sete exibiram as suas vassouras . Sete cabos novos , polidos , com inscrições em letras douradas de as palavras « Nimbus dois_mil_e_um « brilharam a o sol de a manhã , em frente de o nariz de os Gryffindor . - O último modelo . Só chegou em o mês passado - disse Flint , displicentemente , sacudindo a poeira de o cabo de a sua vassoura . - Julgo que ultrapassam de longe as velhas séries de dois_mil . Quanto a as Cleansweeps - sorriu de forma mesquinha para Fred e George que tinham ambos Cleansweep_Fives - essas já só servem para varrer . Nenhum de os Gryffindor foi capaz de abrir a boca em aquele momento . Malfoy sorria tanto que os seus olhos de gelo estavam reduzidos a duas rachas . - Oh vejam - disse Flint . - Uma invasão de o campo . Ron e Hermione atravessavam o relvado para ver o que se passava . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron a o Harry . - Porque não estão a jogar e o que faz ele aqui ? Olhava para Malfoy em as suas vestes de Quidditch . - Sou o novo * seeker * de os Slytherin , Weasley - disse Malfoy com ar presumido . - Têm estado todos a admirar as vassouras que o meu pai comprou para a nossa equipa . Ron olhou de boca aberta para as sete vassouras que tinha em a frente . - São boas , não são ? - disse Malfoy untuosamente . - Mas talvez a equipa de os Gryffindor consiga levantar algum ouro e comprar também vassouras novas . Vocês podiam levar essas Cleansweep_Fives a leilão , talvez algum museu esteja interessado . A equipa de os Slytherin riu se a bandeiras despregadas . - Pelo_menos em os Gryffindor ninguém teve de comprar a sua entrada - disse secamente Hermione . - Entraram todos por mérito próprio . O ar presumido de Malfoy desapareceu . - Ninguém pediu a tua opinião , sangue de lama - cuspiu Malfoy . Harry apercebeu se , de imediato , que Malfoy dissera algo muito grave porque houve uma tremenda algazarra em o seguimento de as suas palavras . Flint teve que se pôr a a frente de o Malfoy para evitar que Fred e George se atirassem a ele . Alicia bradou : - Como te atreves ? - E Ron meteu a mão em as vestes e sacou de a varinha mágica , gritando : - Vais pagar por o que disseste , Malfoy ! - e apontou a , furioso , por debaixo de o braço de Flint , a o rosto de Malfoy . Um enorme estrondo , ecoou em o estádio e um jacto de luz verde saiu por a extremidade errada de a varinha de Ron , atingindo o em o estômago e projectando o para trás em direcção a o relvado . - Ron ! Ron ! Estás bem ? - gritou Hermione . Ron abriu a boca para falar , mas nenhuma palavra saiu . Em vez de isso , teve um vómito imenso e várias lesmas saíram lhe de a boca , indo cair lhe em o colo . A equipa de os Slytherin ficou paralisada de riso . Flint estava dobrado , agarrado a a vassoura nova . Malfoy , a quatro , batia com o punho em a chão . Os Gryffindor rodeavam o Ron , que continuava a vomitar lesmas enormes e reluzentes . Ninguém queria tocar lhe . - É melhor levá o para_casa de o Hagrid . É o mais perto - disse Harry_a_Hermione , que acenou afirmativamente , e os dois arrastaram o Ron por os braços . - O que aconteceu , Harry ? O que aconteceu ? Ele está doente ? Mas tu podes curá o , não podes ? - Colin descera a correr de o lugar onde estava sentado e dançaricava em frente de eles , enquanto abandonavam o campo . Ron teve um novo arremesso e mais lesmas saíram de a sua boca . - Oooh ! - exclamou Colin fascinado , levantando a máquina fotográfica . - Podes mantê o quieto , Harry ? - Sai de a minha frente , Colin - gritou Harry zangado . Ele e a Hermione conseguiram levar o Ron para fora de o estádio , atravessar os campos e chegar a a beira de a floresta . - Está quase , Ron - disse Hermione , mal avistaram o casebre de o guarda de os campos . - Vais ficar bem dentro_de um minuto ... está quase ... Estavam a sessenta metros de a casa de Hagrid , quando a porta de a frente se abriu . Mas não foi Hagrid quem saiu de lá , e sim Gilderoy_Lockhart , em uma túnica cor de malva . - Rápido , vamos esconder nos aqui - sussurrou Harry , arrastando Ron para trás de um arbusto que havia ali perto . Hermione acompanhou o , embora um_pouco relutante . -- É muito simples quando se sabe o que se está fazer ! - gritava Lockhart_para_Hagrid . - Se precisar de ajuda , sabe onde estou . Vou dar lhe um exemplar de o meu livro . Espanta me que ainda não o tenha . Logo a a noite autografo o e envio lhe o . Bem . até a a próxima ! - e afastou se em direcção a o castelo . Harry esperou que Lockhart desaparecesse , antes de puxar o Ron de trás de o arbusto até a a casa de o Hagrid . Bateram ansiosamente . Hagrid apareceu logo com um ar mal-humorado , que se dissipou quando viu quem era . - Já me tinha perguntado quand'é que vocês vinham ver me , entrem , entrem , pensei qu'era outra_vez o professor Lockhart . Harry e Hermione ajudaram Ron a subir o degrau que dava acesso a a cabana de uma divisão com uma cama enorme a um de os cantos e uma lareira a crepitar alegremente em o outro . Hagrid não pareceu perturbado com o problema de as lesmas de o Ron que Harry lhe explicou precipitadamente , logo_que sentou o Ron em uma cadeira . - Melhor saírem de o qu'entrarem - disse , em um tom bem-disposto , colocando uma grande bacia de cobre em frente de ele . - Deita as todas fora , Ron . - Acho que não há mais_nada a fazer , a não ser esperar que isto pare - disse Hermione ansiosamente , vendo Ron inclinar se para a bacia . - É uma maldição muitas_vezes difícil , mas com uma varinha partida ... Hagrid andava de um lado para o outro a preparar o chá . O cão de ele , Fang , babava se em cima de o Harry . - O que é_que o Lockhart queria de ti ? - perguntou o Harry , coçando as orelhas de o Fang . - Ensinar me a tirar espíritos aquáticos com forma de cavalos d'uma nascente d'água - resmungou Hagrid , retirando de a mesa pequena um galo meio depenado e colocando em o seu lugar o bule . - Como s'eu não soubesse . E contar me uma peta qualquer d'uma fada carpideira que ele venceu . Engulo essa chaleira , se uma palavra do_que ele disse for verdade . Não era hábito de Hagrid criticar um professor de Hogwarts e Harry olhou para ele com alguma surpresa . Mas Hermione disse em uma voz mais aguda do_que de costume : - Acho que estás a ser injusto . O professor Dumbledore obviamente achou que era o melhor homem para o lugar ... - Era o único - explicou Hagrid , oferecendo lhes um prato de bombons de melaço enquanto Ron tossia para a bacia . - E não havia mais ninguém . Não é fácil encontrar quem queira dar Artes de magia negra . As pessoas não gostam de essa matéria . Começam a pensar que está amaldiçoada , ninguém ficou muito_tempo a dá a . Mas digam me lá - continuou Hagrid , inclinando a cabeça para Ron - quem é qu'ele estava a tentar amaldiçoar ? - O Malfoy chamou qualquer coisa a a Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si . - Foi grave , sim - disse o Ron com voz rouca , emergindo a a superfície de a mesa , pálido e transpirado . - O Malfoy chamou lhe sangue de lama , Hagrid . - Ron desapareceu outra_vez quando uma nova onda de lesmas fez o seu aparecimento . Hagrid estava indignado . - Não posso crer - exclamou , dirigindo se a Hermione . - Chamou sim - disse ela . - Mas eu não sei o que significa . Percebi que era má educação , claro ... - É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar - explicou Ron novamente . - Sangue de lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles , sabes , filho de pais não mágicos . Há alguns feiticeiros , como a família de o Malfoy que acham que são melhores do_que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro . - Teve um pequeno vómito e uma lesma isolada caiu lhe em a mão aberta . Ele atirou a para a bacia e continuou . -- É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma . Olha_o_Neville_Longbottom , é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito . - E ainda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer - afirmou Hagrid , orgulhoso , fazendo Hermione corar em tons de magenta . - É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém - disse o Ron , limpando o suor de a testa com a mão trémula . - Sangue sujo , sangue vulgar , é um disparate . A maior parte de os feiticeiros hoje_em_dia têm sangue misturado . Se não tivéssemos casado com Muggles tinha sido o nosso fim . Fez um esforço para vomitar e baixou se mais_uma_vez . - Bem , não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá o , Ron - disse Hagrid bem alto enquanto montes de lesmas caíam em a bacia . - Mas , se_calhar , não foi mau de todo teres a varinha a trabalhar ao_contrário . Acho que Lucius_Malfoy teria vindo logo a correr a a escola se tivesses amaldiçoado o filho . Assim , pelo_menos , não estás metido em nenhum sarilho . Harry teria referido que o problema não podia ser pior do_que deitar lesmas por a boca , mas não pôde . Os bombons de melaço tinham lhe colado os maxilares um_ao_outro . - Harry - disse de repente Hagrid como_que movido por um pensamento súbito . - Tens de me explicar uma coisa . Ouvi dizer que tens andado a dar fotografias autografadas . Porque é qu'eu não tenho nenhuma ? A fúria de Harry foi tão grande que os maxilares se libertaram . - Eu não tenho dado fotografias autografadas - disse com vivacidade . Se o Lockhart andou a espalhar isso ... Mas em esse momento viu que Hagrid se estava a rir . - ´ _ tou a brincar - disse , dando uma palmadinha em as costas de Harry e fazendo lhe sinal para se sentar a a mesa . -- Eu sabia que não tinhas . Disse a o Lockhart que tu não precisavas de isso . Es mais famoso do_que ele sem sequer , tentares . - Aposto que ele não gostou de ouvir isso - comentou Harry , sentando se e esfregando o queixo . - Acho que não gostou mesmo - prosseguiu Hagrid com os olhinhos a brilhar . - E disse lhe também que nunca tinha lido nenhum de os livros de ele e ele foi se embora . Um bombom de melaço , Ron ? - perguntou a o vê o reaparecer . - Não , obrigado - disse o Ron com uma voz fraca . - É melhor não arriscar . - Venham ver o qu'eu tenho estado a criar - disse Hagrid quando Harry e Hermione acabaram de tomar o chá . Em a pequena horta atrás de a casa estava uma_dúzia de as maiores abóboras que Harry alguma vez vira . Pareciam enormes blocos de pedra . - Estão a dar se bem , não achas ? - disse Hagrid , feliz . São para a festa de o * _ Hallow'en * . Devem estar bem grandes quando chegar a altura . - O que é_que lhes tens dado como alimento ? - perguntou Harry . Hagrid olhou por cima de o ombro para confirmar se estavam sós . - Bem , tenho estado a dar lhes ... uma pequena ajuda . Harry reparou em o guarda-chuva cor-de-rosa a as florzinhas que estava encostado contra a parede de a cabana . Tivera em o ano anterior motivos para crer que aquele guarda-chuva não era o que parecia . De facto , acreditava que a antiga varinha de escola de Hagrid se encontrava oculta dentro de ele . Hagrid não tinha autorização para usar magia . Fora expulso de Hogwarts em o terceiro ano embora Harry nunca tivesse descoberto o motivo . Qualquer referência a esta questão fazia Hagrid pigarrear bem alto e ficar misteriosamente surdo até mudarem de assunto . -- Um encantamento de absorção , imagino ? - comentou Hermione entre a desaprovação e o divertimento . - Bem , se assim foi , fizeste um bom trabalho . - Foi o que disse a tua irmãzinha - respondeu Hagrid acenando em direcção a Ron . - Encontrei a ontem . - Hagrid olhou de lado para Harry , a barba a contorcer se . - Disse que andava só a ver os campos , mas eu acho qu'ela esperava encontrar alguém em a minha casa - piscou o olho a o Harry . - Se queres que te diga acho qu'ela não recusaria uma fotografia autogr ... - Cala te com isso - disse Harry . Ron desatou a rir e o chão ficou cheio de lesmas . - Cuidado - resmungou Hagrid , afastando Ron de as suas preciosas abóboras . Estava quase em a hora de o almoço e , como o Harry só tinha provado um bombom de melaço desde manhã cedo , estava ansioso por chegar a a escola para ir comer . Despediram se de o Hagrid e regressaram a o castelo . O Ron a vomitar de vez em quando , mas deitando só duas pequenas lesmas . Mal tinham pisado a entrada de o vestíbulo quando ouviram uma voz . - Aí estão vocês , Potter , Weasley . - A professora Mc_Gonagall vinha em direcção a eles com o seu ar severo . - Vocês os dois vão ter as punições hoje a a tarde . - O que é_que vamos fazer , professora ? - perguntou o Ron nervoso , deixando cair uma lesma . - Tu vais limpar as pratas em a sala de os troféus com Mr._Filch - disse a professora Mc_Gonagall . - E nada de mágicas , Weasley , trabalho com esforço . Ron engoliu em seco . Argus_Filch , o encarregado , era odiado por todos os alunos de a escola . - E tu , Potter , vais ajudar o professor Lockhart a responder a as cartas de as suas fãs - ordenou a professora Mc_Gonagall . - Oh , não ! Não posso ir também trabalhar em a sala de os troféus ? - pediu Harry em desespero de causa . - Nem pensar em isso - respondeu a professora Mc_Gonagall , erguendo as sobrancelhas . - O professor Lockhart requisitou te especialmente a ti . _ a as oito_em_ponto , os dois . Harry e Ron entraram em o salão em um estado de profundo desanimo com a Hermione atrás , ostentando uma expressão de * bem-voces-quebraram-as-regras-da-escola * . Harry não saboreou o empadão de carne como teria desejado . Tanto ele como o Ron achavam que tinham tido o pior de os castigos . -- O Filch vai reter me lá toda_a noite - disse Ron , desanimado . - Sem mágica ! Deve haver umas cem taças em aquela sala , eu não sei fazer limpeza de Muggles . - Eu trocava contigo de boa_vontade - confessou Harry em uma voz surda . - Tive montes de prática com os Dursleys . Responder a o correio de fãs de o Lockhart , que pesadelo ... A tarde de sábado pareceu derreter se . Pouco depois eram já cinco para as oito e Harry arrastava se até a o corredor de o segundo andar onde ficava o escritório de o Lockhart . Rangendo os dentes , bateu a a porta . A porta abriu se imediatamente e Lockhart dirigiu se lhe . - Ah , cá está o patifório ! - exclamou . - Entra , Harry , entra . Em as paredes , brilhando à_luz_de muitas velas , podia ver se uma infinidade de fotografias de Lockhart . Algumas de elas até assinadas . Sobre a secretária estava outro monte enorme . - Podes pôr as moradas em os envelopes - disse Lockhart_a_Harry , como_se fosse uma grande ameaça . - O primeiro é para Gladys_Gudgeon , abençoada seja , uma grande fã minha . Os minutos passavam lentos . De vez em quando , Harry ouvia a voz de Lockhart dizendo : - Mmm - e - certo - e - sim . - De vez em quando , apanhava uma frase como : - A fama é versátil , amigo Harry - ou - Só é célebre quem faz por isso , nunca te esqueças . As velas ardiam cada_vez com maior lentidão , fazendo a luz dançar sobre as muitas caras de Lockhart que o olhavam . Harry passava a mão , já dorida , sobre o que devia ser o centésimo envelope , escrevendo a morada de Verónica_Smethley . « Deve estar quase em a hora de me ir embora » , pensou , sentindo se profundamente infeliz , « por favor , faz com que esteja em a hora ... » E então ouviu algo , algo totalmente diferente de o crepitar de as velas e de os ditos de Lockhart sobre as suas fãs . Era uma voz , uma voz de arrepiar os ossos , de cortar a respiração , de veneno frio . - * _ Vem ... vem ter comigo ... deixa me rasgar te ... cortar te ... matar te * ... Harry deu um salto e uma enorme mancha lilás surgiu em a rua de Verónica_Smethley . - O quê ? - disse ele em voz alta . - Eu sei - exclamou Lockhart . - Seis meses inteirinhos em o topo de a lista de * bestsellers * , bati todos os recordes ! - Não - disse Harry nervosíssimo - aquela voz ! - Como ? - perguntou Lockhart , com um ar confuso . - Que voz ? - Aquela , aquela voz que disse ... não ouviu ? Lockhart olhava para Harry com o maior espanto . - De que é_que estás a falar , Harry ? Estás a ficar com sono ? Meu Deus , olha , só estamos aqui há quase quatro horas , quem diria ? O tempo passou a correr , não é verdade ? Harry não respondeu , estava a fazer um esforço para ouvir de_novo a voz , mas o único som que ouviu foi Lockhart a dizer lhe que não esperasse um tratamento igual de as próximas vezes que fosse castigado . Harry saiu , sentindo se atordoado . Era tão tarde que a sala comum de os Gryffindor estava quase vazia . Harry foi directamente para o dormitório . Ron ainda não tinha voltado . Vestiu o pijama , meteu se em a cama e esperou . Meia_hora mais tarde , chegou o Ron agarrado a o braço direito e inundando o quarto escuro de um forte cheiro a limpa-pratas . - Doem me todos os músculos - resmungou , metendo se em a cama . - Ele fez me polir catorze vezes aquela taça de Quidditch até estar satisfeito . E depois tive outro vómito em_cima_de um troféu de Reconhecimento por serviços prestados a a escola . Demorei séculos a limpar o muco de as lesmas . Como correram as coisas com o Lockhart ? Em voz baixa para não acordar o Neville , o Dean e o Seamus , Harry contou lhe , palavra por palavra , o que tinha ouvido . - E Lockhart disse que não ouviu nada ? - perguntou o Ron . Harry viu o franzir a testa , a a luz de o luar . - Achas que estava a mentir ? Mas , não percebo , mesmo um ser invisível teria aberto a porta . - Eu sei - disse Harry , encostando se a a cama e olhando para o dossel . - Também não compreendo . VIII_A festa de o dia de os mortos Outubro chegou , espalhando um frio húmido por os campos e por os cantos de o castelo . Madam_Pomfrey , a enfermeira-chefe , esteve bastante ocupada com uma onda de constipações que afectou professores e alunos . A sua poção de pimentão entrou imediatamente em acção apesar_de deixar quem a tomava com fumo em os ouvidos durante várias horas . Ginny_Weasley , que andava com ar adoentado , foi convencida a tomá a por o Percy . O fumo que saía por debaixo de o seu cabelo ruivo dava a impressão de que toda_a cabeça estava em fogo . Gotas de chuva de o tamanho de balas agrediram as janelas de o castelo durante dias a fio . O lago rosado e os canteiros de flores tornaram se regatos lamacentos e as abóboras de o Hagrid incharam ficando de o tamanho de alpendres de jardim . Contudo , o entusiasmo de Oliver_Wood por as sessões de treino regular não foi abalado , motivo por o qual Harry iria regressar a a torre de os Gryffindor , em um sábado a a tarde de temporal , alguns dias antes de o * _ Hallowe'en * , ensopado até a os ossos e todo enlameado . Além de a chuva e de o vento , não fora um treino feliz . Fred e George que tinham andado a espiar a equipa de os Slytherin tinham visto com os seus próprios olhos a velocidade alucinante de aquelas novas Nimbus dois_mil_e_um e comentaram que a equipa em o ar parecia composta por sete manchas esverdeadas que disparavam a_toda_a velocidade como aviões a jacto . Enquanto Harry chapinhava a o longo de o corredor deserto , cruzou se com alguém que parecia tão preocupado como ele : Nick quase sem cabeça , o fantasma de a torre de os Gryffindor que olhava taciturno , por a janela , murmurando baixinho : - Não preenche os requisitos , um centímetro e meio se ... - Olá , Nick - cumprimentou Harry . - Olá , olá - disse o Nick quase sem cabeça , começando a olhar em volta . Usava um arrebatado chapéu de plumas sobre a longa cabeleira encaracolada e uma túnica com gola de tufos que disfarçava o facto de ter o pescoço quase totalmente separado de o corpo . Era pálido como o fumo e Harry podia ver através de ele o céu negro e a chuva torrencial , lá fora . - Pareces preocupado , jovem Potter - disse Nick , dobrando uma carta transparente , enquanto falava e escondendo a dentro de a jaqueta . - Tu também - retorquiu Harry . - Ah ! - o Nick quase sem cabeça acenou com a mão de forma elegante . - Uma questão sem importância . Não é_que eu quisesse realmente participar apesar_de me ter inscrito , mas , a o que parece , não preencho os requisitos . - Apesar de o seu tom jovial havia em o seu rosto uma grande amargura . - Mas era de esperar , ou não era - exclamou subitamente , tirando a carta de o bolso - que ter levado quarenta_e_cinco golpes em a cabeça com um machado ferrugento me qualificaria para entrar em o grupo de os Sem - _ Cabeça ? - Sim , sim - respondeu Harry que obviamente o outro esperava que concordasse . - Isto_é , ninguém mais do_que eu desejaria que tudo tivesse sido rápido e perfeito , poupava me muitas dores e ridículo . Mas ... O Nick quase sem cabeça abriu , furioso , a carta e leu : * _ Só podemos aceitar em o grupo homens cuja cabeça tenha sido separada de o corpo . Compreenderá que de outro modo seria impossível a os nossos membros participarem em actividades como equitação de malabarismos com a cabeça e pólo de cabeça . Lamentamos profundamente informá o de que não preenche os requisitos . * _ Os nossos melhores cumprimentos , Sir_Patrick_Delaney - _ Podmore * Furioso , o Nick quase sem cabeça atirou fora a carta . - Um centímetro de pele e tendões a segurarem me a cabeça , Harry ! A maior parte de as pessoas acharia que era mais do_que o suficiente , mas não serve para o senhor correctamente decapitado Podmore . Nick quase sem cabeça respirou fundo várias vezes e , por fim , em um tom bastante mais calmo perguntou : - Então o que é_que te preocupa ? Alguma coisa que eu possa fazer por ti ? - Não - respondeu Harry . - A_não_ser_que saibas onde posso arranjar sete Nimbus dois_mil_e_um , de_graça , para o nosso campeonato contra os Sly ... - o resto de a frase foi afogada por um miado agudo vindo de perto de os seus tornozelos . Olhou para baixo e deu consigo a fitar um par de olhos que pareciam duas lâmpadas amarelas . Era_Mrs._Norris , a gata cinzenta e esquelética usada por o encarregado Argus_Filch como uma espécie de polícia em a sua infindável batalha contra os estudantes . - É melhor saíres de aqui , Harry - preveniu Nick com toda_a calma . - O Filch não está nada bem-disposto . Anda engripado e alguns alunos de o terceiro ano , por acidente , encheram o tecto de o calabouço cinco de miolos de rã . Ele tem andado toda_a manhã a limpar e se te vê a encher tudo de lama ... - Certo - disse Harry , recuando e afastando se de o olhar acusador de Mrs._Norris , mas ... tarde de mais . Conduzido até ali por o misterioso poder que parecia ligá o a a gata , Argus_Filch entrou subitamente por uma tapeçaria que se encontrava a a direita de Harry , com a sua respiração asmática , olhando vivamente em volta em busca de o infractor . Tinha um lenço grosso , de xadrez , a a volta de a cabeça e o nariz invulgarmente arroxeado . - Imundície - gritou com os maxilares a tremer e os olhos a saltarem lhe de as órbitas , enquanto apontava para a poça de lama que pingara de a túnica de Quidditch_de_Harry . - Desarrumação e imundície em todo o lado . Estou farto disto , segue me , Potter . Harry despediu se de o Nick quase sem cabeça com um tímido aceno e seguiu Filch até lá abaixo , duplicando o número de pegadas lamacentas em o chão . Nunca entrara em o gabinete de o Filch . Era um lugar que a maior parte de os estudantes evitava . A divisão era sombria e sem janelas , iluminada por uma única lamparina de óleo que pendia de o tecto . Sentia se um vago cheiro a peixe frito . As paredes estavam forradas por ficheiros de madeira . Por as etiquetas Harry percebeu que continham os dados de todos os alunos que Filch tinha punido . Fred e George_Weasley tinham uma gaveta só para eles . Atrás de a secretária estava pendurada uma colecção bem polida de correntes e algemas . Todos sabiam que ele estava sempre a pedir a Dumbledore que o deixasse pendurar os alunos em o tecto por os tornozelos . Filch pegou em uma pena que estava sobre a secretária e começou a procurar o pergaminho . - Bosta - murmurou , furioso . - Bosta de dragão , miolos de rã , intestinos de ratazana ... eu tinha aqui bastante , onde está o form ... sim ... Tirou um enorme rolo de pergaminho de a gaveta de a secretária e estendeu o em a frente , molhando a longa pena em o tinteiro . - Nome : Harry_Potter . Crime ... - Foi só um bocadinho de lama - disse Harry . - É só um bocadinho de lama para ti , rapaz , mas para mim é mais de uma hora a esfregar - gritou Filch com um pingo a tremer de modo desagradável em a extremidade de o nariz bolboso . - Crime : manchar o castelo . Sentença proposta ... Esfregando o nariz que continuava a pingar , Filch olhou com má cara para Harry que esperava com a respiração entrecortada para ouvir a sentença . Mas quando Filch pegou em a pena ouviu se um estrondo enorme em o tecto que fez a lamparina apagar se . - PEEVES - resmungou Filch , pousando a pena , cheio de raiva . - Desta_vez apanho te . Apanho te ! E sem olhar para trás , saiu a correr a_toda_a velocidade de o gabinete , seguido de a gata , Mrs._Norris . Peeves era o * poltergeist * de a escola , uma ameaça de risota esvoaçante que vivia para fazer estragos e criar aflição . Harry não gostava lá muito de ele , mas desta_vez , não podia deixar de lhe estar grato . Na_melhor_das_hipóteses o que Peeves tivesse feito ( e parecia que agora ele destruíra qualquer coisa em grande ) distrairia Filch_de_Harry . Pensando que o melhor seria esperar que ele voltasse , Harry deixou se cair em uma cadeira carcomida por o tempo que se encontrava junto de a secretária . Havia uma coisa sobre o tampo : um grande envelope roxo e lustroso com letras prateadas em a frente . Lançando um olhar rápido a a porta para confirmar que Filch não estava de volta , Harry pegou lhe e leu : __ feitiço __ rápido Um curso por correspondência De iniciação a a magia Cheio de curiosidade , abriu o envelope e retirou o rolo de pergaminho . Uma letra curvilínea e prateada dizia : Sente se pouco a a vontade em o mundo de a magia moderna ? Dá consigo a arranjar desculpas para não fazer feitiços simples ? Tem sido censurado por o deplorável trabalho com a varinha ? Eis a resposta ! Feitiço rápido e um curso totalmente novo , infalível , de resultados rápidos e rápida aprendizagem . Centenas de bruxas e feiticeiros têm beneficiado de o método feitiço rápido ! Madam_Z._Nettles_de_Topsham escreve nos : Eu não conseguia fixar os encantamentos e as minhas poções eram alvo de risota em a família . Agora , depois de o curso feitiço rápido , tornei me o centro de as atenções em todas_as festas e os meus amigos não param de pedir me a receita de a minha brilhante solução ! O mágico D.J._Prod , de Disbury , afirma : A minha mulher costumava rir se de os meus fracos encantamentos , mas bastou um mês com o vosso fabuloso curso feitiço rápido e consegui transformá a em um iaque . Obrigado , feitiço rápido ! Fascinado , Harry folheou o resto de o conteúdo de o envelope . Para que diabo quereria o Filch um curso de feitiço rápido ? Não seria ele um feiticeiro a sério ? Harry estava a ler a lição número um : Pegando em a varinha ( algumas dicas úteis ) quando umas passadas arrastadas , lá fora , o preveniram de que Filch estava de volta . Metendo rapidamente o pergaminho dentro de o envelope , lançou o para_cima de a secretária em o preciso momento em que a porta se abriu . Filch ostentava um ar triunfante . - Aquele armário que desapareceu era extremamente valioso - vinha ele a dizer a a gata , Mrs._Norris . - Desta_vez vamos correr com o Peeves , minha linda . Os seus olhos recaíram sobre Harry e logo_a_seguir sobre o envelope de o feitiço rápido que , Harry apercebeu se tarde de mais , estava meio metro distanciado de o seu lagar inicial . O rosto pálido de Filch tornou se vermelho escarlate . Harry preparou se para uma nova onda de fúria . Filch coxeou até a a secretária , arrebatou o envelope e meteu o em uma gaveta . -- Chegaste a ... lê o ? - perguntou atabalhoadamente . - Não - mentiu Harry , sem perder tempo . As mãos nodosas de o Filch contorciam se ao_mesmo_tempo . - Se eu soubesse que ias ler a minha correspondência priv ... não que seja minha ... é para um amigo ... mesmo_assim ... Harry olhava para ele espantado . Nunca vira o Filch tão louco . Os olhos pareciam querer saltar lhe de as órbitas , com um tique em as bochechas e aquele lenço axadrezado que não ajudava nada ... - Muito bem , vai e não abras a boca sobre isto ... não que ... mesmo_assim ... se tu não leste ... vai te embora , tenho de escrever o relatório sobre o Peeves , vai . Atordoado com a sua sorte , Harry saiu de ali e largou a correr por o corredor fora e por as escadas acima . Sair de o gabinete de o Filch sem um castigo devia ser um recorde em a escola . - Harry , Harry , deu resultado ? O Nick quase sem cabeça saiu a brilhar de uma sala de aula . Atrás de ele , Harry pôde ver os destroços de um grande armário preto e dourado que parecia ter sido atirado de uma grande altura . - Convenci o Peeves a parti o mesmo em cima de o gabinete de o Filch - disse Nick entusiasmado . - Pensei que talvez o distraísse . - Foste tu ? - exclamou Harry , agradecido . - Funcionou sim . Ele não me deu nenhum castigo . Obrigado , Nick . Atravessaram o corredor juntos . O Nick quase sem cabeça , reparou Harry , ainda tinha em a mão a carta de Sir_Patrick . - Gostaria de poder fazer qualquer coisa sobre o grupo de os Sem - _ Cabeça - disse Harry . O Nick quase sem cabeça parou de repente e Harry passou através de ele . Antes não tivesse passado , foi como atravessar um duche gelado . - Mas há uma coisa que tu podes fazer por mim - disse Nick muito agitado . - Harry , seria pedir te de mais ... mas não , tu não ias querer ... - O quê ? - Bem , este ano em o * _ Hallowe'en * vai ser o meu meio milénio de dia de os mortos - disse o Nick quase sem cabeça endireitando se e adquirindo uma postura de grande dignidade . - Oh - respondeu Harry sem saber se deveria lamentar ou dar lhe os parabéns . - Certo . - Vou dar uma festa em um de os calabouços mais amplos . Vêm amigos meus de todo o país . Seria uma honra muito grande se tu aparecesses . Mr._Weasley e Miss_Granger seriam também muito bem-vindos , claro . Mas tu deves preferir o banquete de a escola , não é verdade ? - Olhou para Harry , aflito . - Não - assegurou ele rapidamente . - Eu vou . - Oh rapaz , Harry_Potter em a minha festa de os mortos - hesitou no_meio_de toda aquela excitação . - Achas que poderias referir a Sir_Patrick como me achas assustador e como te impressiono ? - É claro que sim - assegurou Harry . O Nick quase sem cabeça iluminou se em um sorriso . - Uma festa de os mortos ? - exclamou Hermione , entusiasmada , quando Harry , depois de mudar de roupa , se juntou a ela e a o Ron em a sala comum . - Aposto que não há muitas pessoas que possam gabar se de ter estado em uma festa de essas . Vai ser fantástico ! - Por_que é_que alguém se lembraria de festejar o dia em que morreu ? - perguntou o Ron que estava a meio de o seu trabalho de casa de poções e bastante maldisposto . - Parece me bastante mórbido . A chuva continuava a lamber as janelas que apresentavam agora um negro que parecia tinta , mas , lá dentro , era tudo claro e alegre . O fogo em a lareira brilhava sobre as inúmeras cadeiras de braços onde as pessoas estavam sentadas a ler , a conversar , a fazer os trabalhos de casa ou , no_caso_de Fred e George_Weasley , a tentar descobrir o que aconteceria se alimentassem uma salamandra com fogo-de-artíficio de o Filibuster . O Fred tinha « resgatado . o lagarto cor de laranja brilhante , morador de o fogo , de uma aula de tratamento de seres mágicos e ele estava agora a arder em fogo lento sobre uma mesa , rodeado de um grupo de curiosos . Harry ia começar a contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre o Filch e o curso de feitiço rápido quando a salamandra disparou por os ares , lançando faíscas e estoiros . A visão de Percy a gritar com Fred e George até ficar ronco , a fantástica exibição de estrelas cor de tangerina que choviam de a boca de a salamandra e a sua fuga para o lume acompanhada de explosões , fizeram com que Harry se esquecesse , em aquele momento , de Filch e de o curso de feitiço rápido . Quando chegou o * _ Hallowe'en * , Harry já lamentava a sua promessa imprudente de ir a a festa de os mortos . Toda_a escola antecipava , feliz , a sua festa de * _ Hallowe'en * . O salão nobre fora enfeitado com os habituais morcegos , as enormes abóboras de Hagrid tinham sido esculpidas em forma de lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro_de cada uma , e havia boatos de que Dumbledore contratara um grupo de esqueletos bailarinos para animar a festa . - Uma promessa é uma promessa - lembrou Hermione_a_Harry com o seu autoritarismo habitual . - Tu disseste que ias a a festa de os mortos . Portanto , a as sete_da_tarde , Harry , Ron e Hermione saíram , passando por a porta de o salão nobre que brilhava de modo convidativo com pratos dourados e velas e dirigiram os seus passos para os calabouços . O corredor que conduzia a a festa de o Nick quase sem cabeça tinha sido também ladeado de velas , embora o efeito estivesse longe_de ser alegre : estas eram velas muito esguias e estreitas , negras de breu , ardendo em um azul brilhante e lançando uma luz indistinta e espectral também sobre as caras de as pessoas vivas . A temperatura diminuía a cada degrau que desciam . Harry tremia e cingia a túnica a o corpo quando ouviu qualquer coisa que parecia uma centena de unhas a rasparem um enorme quadro preto . - Será que isto_é a música ? - murmurou Ron . Viraram uma esquina e viram o Nick quase sem cabeça junto de uma porta , todo vestido de veludo negro . - Meus queridos amigos - disse com ar de luto . - Bem-vindos , bem-vindos , ainda_bem que puderam vir . Em um gesto largo tirou o chapéu de plumas e fez lhes sinal para que entrassem . Era uma visão incrível . O calabouço estava cheio com centenas de pessoas de um branco pálido e translúcido , a maior parte de as quais era arrastada em uma pista de dança cheia , valsando a o som de trinta serrotes musicais . Os serrotes que compunham a orquestra encontravam se sobre um estrado enfeitado com panos negros . Um lustre lá em cima resplandecia de um azul nocturno com mais um_milhar de velas negras . A respiração de os três subiu em o ar como uma neblina . Parecia que tinham entrado em um congelador . - Vamos dar uma volta - sugeriu Harry em uma tentativa de aquecer os pés . - Cuidado , não atravessem nenhum de eles - avisou o Ron nervosamente e colocaram se em volta de a pista de dança . Passaram por um grupo escuro de freiras , por um homem esfarrapado e cheio de correntes e por o frade gordo , o divertido fantasma de os Hufflepuff que estava a conversar com um cavaleiro com uma seta enfiada em a testa . Harry não ficou nada surpreendido a o ver que o Barão sangrento , o fantasma lúgubre e berrante de os Slytherin , coberto de nódoas de sangue ; estava a ser totalmente evitado por os outros fantasmas . - Oh ! Não -- exclamou Hermione , parando bruscamente . - Voltem se , voltem se , não quero ter de cumprimentar a Murta_Queixosa . - Quem ? - perguntou Harry enquanto davam rapidamente meia volta . - Ela assombra a casa_de_banho de as raparigas de o primeiro andar - explicou Hermione . - Assombra uma casa_de_banho ? - Sim . Está inoperativa durante todo o ano porque ela tem constantes acessos de choro e inunda tudo . Eu só lá fui quando não pode mesmo evitar . É horrível tentar ir a a sanita com ela a gritar connosco . - Olhem , comida - disse o Ron . De o outro lado de o calabouço estava uma mesa igualmente coberta de velado negro . Iam para se aproximar entusiasmados , mas pararam com uma expressão de horror . O cheiro era nauseabundo . Enormes peixes podres enchiam as bonitas travessas de prata , os bolos estorricados como carvões amontoavam se em as salvas , havia uma grande quantidade de miúdos de macaco , uma tábua de queijos cobertos de bolor e , em o lugar de honra , um enorme bolo cinzento em forma de lápide com letras que pareciam alcatrão formando as palavras , * _ Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington_Morto em 31_de_Outubro , 1492 * . Harry olhou espantado quando um fantasma de porte majestoso se aproximou de a mesa inclinando se e passando através de ela com a boca aberta enquanto atravessava um salmão malcheiroso . - Consegue prová o passando através de ele ? - perguntou lhe Harry . - Quase - disse tristemente o fantasma antes de se afastar . - Devem ter deixado apodrecer tudo_isto para ter um sabor mais forte - comentou Hermione com ar de quem está bem informada , tapando o nariz e aproximando se para ver melhor os pútridos miúdos de macaco . - Podemos sair de aqui , estou a sentir me agoniado - disse o Ron . Mas mal tinham dado meia volta quando um homenzinho pequenino saiu inesperadamente de debaixo de a mesa e fez uma paragem em o ar em frente de eles . - Olá , Peeves - disse Harry cautelosamente . Ao_contrário de os outros fantasmas que os rodeavam , Peeves , o * poltergeist * era o oposto de pálido e transparente . Usava um chapéu festivo cor de laranja , um laço rotativo a o pescoço e tinha um sorriso grosseiro de malvadez , em o rosto . - Querem petiscar ? - perguntou delicadamente , oferecendo lhes uma taça de amendoins cobertos de fungos . - Não , obrigada - disse Hermione . - Ouvi te falar sobre a pobre Murta - disse Peeves com os olhos a bailar . - Que insensível que tu foste para com a pobre Murta - respirou fundo e gritou : - Oh Murta . - Oh ! Não , Peeves , não lhe contes o que eu disse , ela vai ficar muito aborrecida - murmurou Hermione bastante nervosa . - Eu não queria dizer que ... eu não me importo que ela , er , olá , Murta . O espectro atarracado de uma rapariga deslizara . Tinha o rosto mais carrancudo que Harry alguma vez vira , meio escondido por o cabelo liso e por os óculos grossos cor de pérola . - O que é ? - perguntou mal-humorada . - Como estás Murta ? - perguntou Hermione , em uma voz falsamente alegre . - É bom ver te fora de a casa_de_banho . Murta fungou . - Miss_Granger estava justamente a falar de ti - disse lhe Peeves baixinho a o ouvido . - A dizer , a dizer ... como estás bonita esta noite -- terminou Hermione , olhando irritada para Peeves . A Murta olhou para Hermione desconfiada . - Estão a divertir se a a minha custa - disse , com lágrimas de prata a encherem lhe rapidamente os olhos pequeninos . - Não , a sério , eu não estava a dizer vos como a Murta estava bonita esta noite ? - disse Hermione , dando uma palmada em as costas de o Harry e de o Ron . - Sim , sim . - Ela ... - Não me venham com mentiras - protestou a Murta , as lágrimas agora a descerem lhe por o rosto , enquanto Peeves ria baixinho por cima de o ombro de ela . - Julgam que eu não sei o que as pessoas me chamam em as minhas costas ? A Murta gorda , a Murta feia , a Murta queixosa , a Murta deprimida ! - Esqueceste te de « a Murta ponto negro » - sussurrou lhe Peeves a o ouvido . A Murta_Queixosa irrompeu em soluços de angústia e fugiu de o calabouço . Peeves disparou atrás de ela , lançando lhe uma chuva de amendoins cheios de bolor e gritando : Ponto negro ! Ponto negro ! - Oh , coitada ! - exclamou Hermione com tristeza . O Nick quase sem cabeça abria agora caminho entre a multidão para se aproximar de eles . - Estão a divertir se ? - Sim , sim - mentiram . - Uma afluência nada má - disse orgulhoso o Nick quase sem cabeça . - A viúva chorosa veio de Kent ... está quase em a hora de o meu discurso . É melhor ir avisar a orquestra . Mas a orquestra parou de tocar em esse preciso momento . Eles , e todos os outros em o calabouço , ficaram em silêncio total , olhando em volta cheios de excitação quando se ouviu uma trompa de a caça . - Lá vêm eles - disse o Nick quase sem cabeça , com alguma amargura em a voz . Por o calabouço irromperam uma_dúzia de , cavalos fantasmas , cada_um montado por um cavaleiro sem cabeça . A assistência aplaudiu vivamente . Harry começou também a bater palmas , mas parou rapidamente quando viu a cara de o Nick . Os cavalos galoparam até a o meio de a pista de dança e pararam , empinando se , dando pequenos passos para a frente e para trás , sobre as patas traseiras . Um fantasma grande em a frente , cuja cabeça barbuda estava debaixo de o braço , soprando a trompa , desmontou , levantou a cabeça bem em o ar para poder ver toda_a assistência ( todos se riam ) e dirigiu se a o Nick quase sem cabeça , comprimindo a cabeça contra o pescoço . - Bem-vindo , Patrick - disse o Nick , mantendo a sua postura rígida . - Gente viva ! - exclamou o Sir_Patrick , avistando Harry , Ron e Hermione e dando um salto de falso espanto , de_tal_modo_que a cabeça lhe caiu de_novo ( a multidão ria a bom rir ) . - Muito engraçado - disse o Nick quase sem cabeça com um ar soturno . - Não ligues a o Nick - gritou a cabeça de Sir_Patrick de o chão . - Ainda está aborrecido por não o deixarmos juntar se a o grupo . Mas olhem bem para ele ... - Eu acho - disse apressadamente Harry , a seguir a um olhar de o Nick - que o Nick é muito assustador e ... eu ... - Bah ! - gritou a cabeça de Sir_Patrick . - Aposto que ele te pediu que dissesses isso . - Gostaria de ter a vossa atenção . Chegou a altura de fazer o meu discurso - disse o Nick quase sem cabeça bem alto , dirigindo se a o pódio , subindo e parando , iluminado por uma luz azul . - Os meus sentimentos , senhores e senhoras , é com profundo pesar ... Mas já ninguém estava a ouvi o . Sir_Patrick e o resto de o grupo de os Sem - _ Cabeça tinham iniciado um jogo de hóquei de cabeça e a multidão voltara se para os observar . Nick quase sem cabeça tentou em vão recuperar a audiência , mas acabou por desistir quando a cabeça de Sir_Patrick passou por ele a_toda_a velocidade gritando vivas . Harry estava cheio de frio para não falar de a fome . - Não aguento mais isto - murmurou Ron a bater o dente enquanto a orquestra voltava a entrar em acção e os fantasmas enchiam de_novo a pista de dança . - Vamos embora - concordou Harry . Recuaram até a a porta , acenando e sorrindo a todos os que olhavam para eles e um minuto depois passavam apressadamente por a entrada cheia de velas negras . - Talvez o pudim ainda não tenha acabado - disse o Ron cheio de esperança , abrindo caminho em direcção a os degraus de o vestíbulo de a entrada . E foi então que Harry ouviu aquilo . - ... * _ Arrancar ... rasgar ... matar * ... Era a mesma voz , a mesma voz fria e assassina que ouvira em o escritório de Lockhart . Parou , agarrando se a a parede de pedra em a expectativa de ouvir melhor , olhando em volta , espreitando para_cima e para baixo de a passagem mal iluminada . - Harry que estás tu a ... ? - E aquela voz outra_vez , calem se um bocadinho . -- ... * _ Tanta fome ... há tanto tempo * ... - Ouçam insistiu Harry e Ron e Hermione ficaram estáticos a olhar para ele . - * _ Matar ... hora de matar * ... A voz ia ficando mais débil . Harry tinha a certeza de que ela estava a afastar se , a subir . Um misto de medo e excitação tomou posse de ele enquanto olhava para o tecto escuro . Como poderia ele subir ? Seria um fantasma para quem os tectos de pedra não contavam ? - Por aqui - gritou , começando a correr por as éscadas acima até a a entrada de o * hall * . Não havia hipótese de ouvir fosse o que fosse ali , o barulho de vozes que vinha de o banquete de o * _ Hallowe'en * ecoava cá fora . Harry subiu a correr a escadaria de mármore até a o primeiro andar com Ron e Hermione ruidosamente atrás . - Harry o que é_que nós ... ? - Sch ... Harry apurou o ouvido . Ao_longe , em o andar de cima , e ainda a enfraquecer , mesmo_assim ouviu a voz : - ... * Cheira-me a sangue ... cheira me a sangue ! * O estômago deu lhe uma volta . - Ele vai matar alguém - gritou e ignorando as caras perplexas de Ron e Hermione , correu , subindo mais um lanço de escadas , a três_e_três , tentando ouvir através de o ruído de os seus próprios passos . Harry correu a_toda_a velocidade pelo segundo andar com Ron e Hermione atrás e só parou quando viraram uma esquina para o último corredor abandonado . - Harry , o que foi aquilo tudo ? - perguntou o Ron , limpando o suor de o rosto . - Eu não ouvi nada ... Mas Hermione , em um sobressalto , apontou para o fundo de o corredor . - Olhem ! Alguma coisa brilhava em a parede em frente . Aproximaram se devagarinho , tentando ver em a escuridão . Alguém escrevera em letras garrafais em a parede entre duas janelas . As palavras brilhavam a a chama fraca de as tochas . : __ a câmara de os segredos foi aberta . inimigos de o herdeiro , __ cuidado . - O que é aquilo pendurado por baixo de as letras ? - perguntou Ron com um tremor em a voz . Quando se aproximaram , Harry quase escorregou . Havia uma grande poça de água em o chão . Ron e Hermione agarraram o e avançaram cautelosamente até a a mensagem , os olhos fixos em uma sombra escura , em baixo . Aperceberam se os três de imediato do_que se tratava e deram um salto para trás , salpicando tudo de água . Mrs._Norris , a gata de o encarregado , estava pendurada por a cauda em o suporte de a tocha . Tinha o corpo rígido como uma tábua e os olhos abertos . Durante alguns segundos ninguém se mexeu . Depois o Ron disse : - Vamos sair de aqui . - Não devíamos tentar ajudar ? - propôs Harry , sem graça . - Acredita - assegurou o Ron . - É melhor que não nos encontrem aqui . Mas era tarde de mais . Um ruído surdo e prolongado , como um trovejar distante , avisou os de que o festim tinha terminado . De ambos os lados de o corredor onde eles estavam , veio o som de centenas de pés a subirem a escadaria e as vozes alegres de gente bem alimentada . Em o momento seguinte os alunos chegavam junto de eles de ambos os lados . O burburinho morreu subitamente mal as pessoas avistaram a gata pendurada . Harry , Ron e Hermione estavam de pé , sozinhos , em o meio de o corredor quando se fez silêncio em a multidão de estudantes que se empurravam para observar aquele quadro macabro . Então alguém gritou , quebrando o silêncio . - Inimigos de o herdeiro , cuidado . Vocês serão os próximos , sangue de lama ! Era_Draco_Malfoy . Estava a a frente de a multidão com os olhos frios a brilhar , a sua cara habitualmente pálida agora afogueada , sorrindo a a vista de a gata pendurada e imóvel . IX_As palavras em a parede -- O que é_que se passa aqui ? O que é_que se passa ? Sem dúvida , atraído por o grito de Malfoy , Argus_Filch apareceu a coxear em o meio de a multidão . Quando viu Mrs._Norris , caiu para trás agarrando o rosto com verdadeiro horror . - A minha gata ! A minha gata ! O que aconteceu a Mrs._Norris ? - gritou . E os seus olhos rápidos caíram sobre Harry . - Tu - guinchou ele . - Mataste a minha gata ! Mataste a , vou dar cabo de ti , eu ... - Argus . Dumbledore tinha chegado a o lugar , seguido de alguns professores . Em poucos segundos tinha passado a a frente de Harry , Ron e Hermione e desatado Mrs._Norris de o suporte de a tocha . - Vem comigo , Argus - disse ele a o Filch . - Vocês também , Mr._Potter , Mr._Weasley e Miss_Granger . Lockhart deu rapidamente um passo em frente . - O meu escritório é o que está mais perto , senhor director , é já aqui em cima , por favor fiquem a a vontade . - Obrigado , Gilderoy - disse Dumbledore . A multidão silenciosa dividiu se para os deixar passar . Lockhart sentindo se excitado e importante , seguia Dumbledore assim_como a professora Mc_Gonagall e o professor Snape . Quando entraram em o escritório escuro de Lockhart houve uma grande agitação em as paredes . Harry viu várias imagens de Lockhart a esconderem se cheias de rolos em o cabelo . O Lockhart em pessoa acendeu as velas e chegou se mais para trás . Dumbledore pôs Mrs._Norris em a superfície polida de a secretária e começou a examiná a . Harry , Ron e Hermione trocaram olhares tensos entre si e deixaram se cair em as cadeiras que se encontravam longe de a luz , a observar . A ponta de o nariz longo e adunco de Dumbledore estava a menos_de dois centímetros de o pêlo de Mrs._Norris . Ele olhava a de perto através de os óculos de meia-lua , os dedos longos a palpar e tactear suavemente . A professora Mc_Gonagall estava quase tão perto como ele , com os olhos contraídos . Snape surgia mais atrás , meio em a sombra , com uma expressão estranha em o rosto , como_se tentasse a_toda_a força sorrir . E Lockhart andava de um lado para o outro a dar sugestões . - Foi sem dúvida uma maldição que a matou , provavelmente a tortura de a metamorfose . Vi a muitas_vezes ser usada , mas infelizmente eu não estava lá quando isto aconteceu . Conheço o antídoto para essa maldição , o que a teria salvo . Os comentários de Lockhart foram interrompidos por os soluços secos e violentos de Filch . Estava afundado em uma cadeira junto de a secretária , incapaz de olhar para Mrs._Norris , com o rosto em as mãos . Por mais que detestasse Filch , Harry não pôde deixar de sentir pena de ele embora não tanta quanto_a que sentia por si próprio . Se Dumbledore acreditasse em o Filch ele seria certamente expulso . O director estava agora a sussurrar umas palavras estranhas e batendo em Mrs._Norris com a varinha , mas não aconteceu nada , ela continuou com o mesmo aspecto , como_se tivesse sido empalhada . - ... Lembro me de uma coisa semelhante que aconteceu em Ouagadogou - disse LockLart . - Uma série de ataques . Conto essa história em a minha autobiografia . Eu dei a a gente de a cidade vários amuletos que resolveram logo a situação ... As fotografias de Lockhart em as paredes iam acenando afirmativamente com a cabeça enquanto ele falava . Uma de elas esquecera se de tirar os rolos de o cabelo . Por fim , Dumbledore endireitou se . - Ela não está morta , Argus - disse suavemente . Lockhart interrompeu bruscamente a contagem de os crimes que conseguira evitar . - Não está morta ? - disse Filch em um sufoco , olhando através de os dedos para Mrs._Norris . - Mas , porque está ela rígida e gelada ? - Foi petrificada - disse Dumbledore ( Ah ! foi o que eu pensei ! - comentou Lockhart ) mas como , não posso afirmar . - Pergunte lhe - gritou Filch , voltando a cara cheia de furúnculos e lágrimas para Harry . - Nenhum aluno de o segundo ano poderia ter feito isto - explicou Dumbledore . - Era preciso um grande conhecimento de magia negra . - Foi ele , foi ele - disse encolerizado o encarregado com a cara a ficar roxa . - O senhor viu o que ele escreveu em a parede . Ele descobriu em o meu gabinete , ele sabe que eu sou um ... - O rosto de Filch estava horrível . - Ele sabe que eu sou um * _ busca-pé * - disse por fim . - Eu não toquei em a Mrs._Norris - gritou Harry com todos os olhares a recaírem sobre ele , incluindo o de todos os Lockharts de a parede . - E eu nem sei o que é um * busca-pé * . - Mentira ! - gritou Filch . - Ele viu a minha carta de o feitiço rápido . - Se me permite que dê a minha opinião , senhor director - disse Snape , saindo de a sombra , e a sensação de mau presságio de Harry aumentou bastante . Certamente nada do_que Snape tinha para de dizer iria ajudá o . - O Potter e os amigos podiam estar simplesmente em o lugar errado em a altura errada - afirmou com um leve sorriso a torcer lhe a boca como_se tivesse as suas dúvidas . - Mas , temos aqui um conjunto de circunstâncias curiosas . Porque estavam eles afinal em o corredor ? Porque não estiveram presentes em a festa de o * _ Hallowe'en * ? Harry , Ron e Hermione começaram uma longa explicação sobre a festa de o dia de os mortos . - Estavam lá centenas de fantasmas , eles poderão confirmar que lá estivemos ... - Mas porque não foram a seguir a o banquete ? - perguntou Snape com os olhos pretos a brilharem a a luz de as velas . - Porquê ir até a aquele corredor ? Ron e Hermione olharam para Harry . - Porque , porque ... - balbuciou Harry , com o coração a querer saltar lhe de o peito , mas algo lhe disse que ia parecer muito rebuscado se lhes contasse que tinha sido levado até ali por uma voz sem corpo que só ele conseguia ouvir . - Porque estávamos cansados e queríamos ir para a cama - disse . - Sem jantar ? - inquiriu Snape com um sorriso triunfante a bailar lhe em o rosto lúgubre . - Não sabia que os fantasmas ofereciam em as suas festas comida para gente viva . - Não estávamos com fome - disse o Ron bem alto , enquanto o estômago se queixava de forma audível . O sorriso mesquinho de a Snape ampliou se . - Acho , senhor director , que Potter não está a dizer toda_a verdade - afirmou . - Talvez fosse boa ideia retirar lhe alguns privilégios , até ele estar disposto a contar nos a história toda . Pessoalmente , sugiro que seja retirado de a equipa de os Gryffindor até decidir ser honesto . - Francamente , Severus - exclamou a professora Mc_Gonagall com uma voz cortante . - Não vejo porquê impedir o rapaz de jogar Quidditch . Esta gata não levou pauladas em a cabeça dadas por nenhum cabo de vassoura . E não há provas de que o Potter tenha feito algo de mal . Dumbledore observava Harry com um olhar perscrutador . A voz tremeluzente de os seus olhos azuis fez Harry sentir que estava a ser passado a raios X. - Inocente até se provar que é culpado , Severus - disse com segurança . Snape estava furioso , assim_como Filch . - A minha gata foi petrificada ! - berrou , com os olhos a saltarem de as órbitas . - Quero ver um castigo ! - Vamos poder curá a , Argus - explicou pacientemente Dumbledore . - Madam_Sprout conseguiu arranjar algumas Mandrágoras . Logo_que tenham atingido o tamanho adulto , terei uma poção de Mandrágoras que reanimará Mrs._Norris . - Eu posso fazê a - interrompeu Lockhart . - Devo ter feito isso uma centena de vezes . Preparo uma golada de Mandrágora reconstituinte de olhos fechados ... - Perdão - disse Snape friamente -- , mas julgo que o professor de poções de esta escola ainda sou eu . Houve um silêncio bastante incómodo . - Vocês podem ir se embora - disse Dumbledore a o Harry , Ron e a Hermione . Eles saíram o mais depressa que puderam , sem ir a correr . Quando chegaram a o andar acima de o escritório de Lockhart , entraram em uma sala de aulas vazia e fecharam a porta devagarinho . Harry lançou um olhar de esguelha a as caras carrancudas de os amigos . - Acham que eu lhes devia ter falado de a voz que ouvi ? - Não - respondeu Ron , sem a mínima hesitação . - Ouvir vozes que mais ninguém ouve , não é bom sinal , nem em o mundo de os feiticeiros . Algo em a voz de Ron levou Harry a fazer a pergunta : - Tu acreditas em mim , não acreditas ? - Claro que sim - respondeu o Ron de imediato . - Mas tens de concordar que é esquisito ... - Eu sei que é esquisito - confirmou Harry . - É tudo esquisito . O que era aquilo escrito em a parede ? * _ A_Câmara foi aberta * , o que é_que significa ? - Sabes , faz me lembrar qualquer coisa - disse Ron lentamente . - Acho que alguém me contou uma história sobre uma câmara secreta em Hogwarts , talvez tenha sido o Bill ... - E que diabos é um * busca-pé * ? - perguntou Harry . Para sua surpresa , Ron abafou o riso . - Bem , em a verdade não tem graça nenhuma , mas como é o Filch ... - disse . - Um * busca-pé * é alguém que nasceu de uma família de feiticeiros , mas não tem poderes mágicos . É uma espécie de o oposto de os que vêm de famílias de Muggles , mas são feiticeiros . Os * busca-pé * são muito raros . Se o Filch está a tentar aprender magia em um curso rápido , acho que ele deve ser mesmo um busca-pé . Isso explicaria tudo , por_exemplo , porque detesta tanto os estudantes . - Ron sorriu satisfeito . - Tem inveja . Um relógio deu as horas , algures . - Meia-noite - disse Harry . - É melhor irmo nos deitar , antes que o Snape apareça e tente acusar nos de qualquer coisa . Durante alguns dias não se falou de outra coisa em a escola a não ser de o ataque a a gata , Mrs._Norris . Filch manteve o sucedido bem fresco em a memória de todos , andando de um lado para o outro em o lugar onde ela fora atacada , como_se esperasse por o responsável . Harry vira o esfregar a mensagem de a parede com a « solução removedora de toda_a porcaria mágica Mrs._Skower » , mas sem qualquer resultado . As palavras continuavam a brilhar tanto como antes sobre a pedra . Quando Filch não estava a patrulhar a cena de o crime , vagueava , de olhos avermelhados , por os corredores , perseguindo alunos insuspeitos e tentando aplicar lhes castigos por coisas como « respirar muito alto » ou « estar alegre » . Ginny_Weasley parecia muito perturbada com o destino de Mrs._Norris . Segundo Ron ela era uma amante de gatos . - Mas tu nem chegaste a conhecer bem Mrs._Norris - disse lhe Ron para a animar . - Com toda_a franqueza , estamos muito melhor sem ela . - O lábio de Ginny tremeu . - Não é costume acontecerem coisas de estas em Hogwarts - tranquilizou a . - Eles vão descobrir o safado que fez aquilo e põem o de aqui para fora em três tempos . - Só espero que tenha tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso . Estou a brincar , claro - acrescentou o Ron apressadamente a o ver a Ginny a empalidecer . O ataque afectara também Hermione . Era costume de ela passar muito_tempo a ler , mas agora parecia não fazer mais_nada . Nem respondia a o Harry e a o Ron quando lhe perguntavam o que estava a fazer e só acabaram por descobrir em a quarta-feira seguinte . Harry tivera de ficar até mais tarde em a sala de poções onde Snape o mandara raspar restos de larvas de as secretárias . Depois de um almoço comido a a pressa , ele foi lá acima encontrar se com Ron em a biblioteca e viu Justin_Finch - _ Fletchley , o rapaz de os Hufflepuff de herbologia que vinha em direcção a ele . Harry tinha acabado de abrir a boca para dizer um « Olá » quando Justin o viu , voltando se bruscamente e mudando de direcção . Harry foi encontrar o Ron em as traseiras de a biblioteca , a medir o trabalho de casa de história de a magia . O professor Binns pedira uma composição sobre a Assembleia_Medieval_de_Feiticeiros_Europeus com 90cm . De extensão . - Não posso crer que ainda me faltem 16cm - disse o Ron furioso , largando o pergaminho que se enrolou em forma de tubo - e que a Hermione fez um metro e trinta em aquela letra pequenina e apertadinha . - Onde está ela ? - perguntou Harry , agarrando em a fita métrica e desembrulhando o seu trabalho de casa . - Algures por aí - disse o Ron , apontando para as estantes . - _ a a procura de outro livro . Acho que ela está a tentar ler a biblioteca toda antes de o Natal . Harry contou a Ron que Justin_Finch - _ Fletchley tinha evitado falar lhe . - Não sei porque te preocupas com isso . Eu achei o um idiota - disse o Ron , escrevinhando e fazendo a letra o maior possível . - Todo aquele disparate sobre o Lockhart ser tão grande ... Hermione surgiu de o meio de as estantes . Parecia irritada e disposta , por fim , a falar com eles . - Todos os exemplares de * _ Hogwarts : Uma História * foram requisitados - disse , sentando se ao_lado_de Harry e Ron . - E há uma lista de espera de duas semanas . Quem me dera não ter deixado o meu exemplar em casa , mas não consegui que coubesse em a mala com todos os livros de o Lockhart . - Para que o queres ? - perguntou Harry . - Pelo mesmo motivo que toda_a_gente o quer - disse Hermione . - Para ler a lenda de a Câmara_dos_Segredos . - O que é isso ? - Precisamente . Não me lembro - disse Hermione , mordendo o lábio . - E não encontro a História em lugar nenhum . - Hermione , deixa me ler o teu trabalho - pediu Ron desesperado , olhando para o relógio . - Não , não deixo - respondeu Hermione com um ar severo . - Tiveste dez dias para o fazer . - Só preciso de mais quatro centímetros , vá lá ... A campainha tocou . Ron e Hermione encaminharam se para a História_da_Magia , discutindo . A História_da_Magia era a matéria mais chata de o programa . O professor Binns , que dava a cadeira , era o único professor fantasma e a coisa mais excitante que aconteceu em as suas aulas foi o dia em que entrou por o quadro preto . Já velho e enrugado , muita gente afirmava a seu respeito que ele não dera por_que tinha morrido . Pura e simplesmente levantara se um dia para ir dar aulas , deixando o corpo atrás , em um cadeirão em frente de a lareira de a sala de os professores . Desde esse dia a sua rotina mantivera se igual . Era hoje tão chato como fora sempre . Abriu as notas e começou a ler em um tom monocórdico como um velho aspirador até quase todos os alunos estarem em um estado de profunda dormência , acordando de vez em quando , para tomar nota de um nome ou de uma data , e voltando a adormecer . Estava a falar havia meia_hora quando aconteceu algo que nunca tinha acontecido . Hermione pôs o braço em o ar . O professor Binns olhou de relance , em o meio de a chatíssima aula sobre a Convenção_Internacional_de_Feiticeiros de 1289 , verdadeiramente espantado . - Miss ... er ... ? - Granger , professor . Poderia dizer nos alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Hermione em uma voz bem audível . O Dean_Thomas , que tinha estado sentado de boca aberta olhando para fora de a janela , saiu de o seu transe com um salto . A cabeça de Lavender_Brown saiu de os braços e o cotovelo de o Neville_Longbottom escorregou para fora de a secretária . O professor Binns piscou os olhos . - A minha matéria é História_da_Magia - disse em a sua voz seca e asmática . - Eu trato de factos , Miss_Granger , não de mitos e lendas - pigarreou produzindo um ruído que parecia o giz sobre o quadro e continuou : - Em Setembro de esse ano , uma subcomissão de feiticeiros de a Sardenha ... Parou de repente . A mão de Hermione estava de_novo em o ar . - Sim , Miss_Grant ? - Por favor , professor , as lendas não têm sempre um facto como base ? O professor Binns olhava para ela com tal espanto que Harry teve a certeza de que ele nunca , em tempo algum , fora interrompido por um aluno . - Bem - disse lentamente o professor Binns . - Sim , é uma afirmação que pode fazer se . - Olhou para Hermione como_se fosse a primeira vez que olhasse a sério para um estudante . - Contudo , a lenda de que me fala é tão extraordinária , mesmo grotesca ... Mas a aula inteira estava agora atenta a as palavras de o professor , que olhou indistintamente para todos eles . Harry poderia assegurar que ele estava absolutamente abismado por uma tão grande demonstração de interesse . - Muito bem - disse lentamente . - Ora vejamos ... a Câmara_dos_Segredos . Todos vocês sabem com certeza que Hogwarts foi fundada há mais de um_milhar de anos , não se conhece ao_certo a data , por os quatro maiores feiticeiros e feiticeiras de a época : Godric_Gryffindor , Helga_Hufflepuff , Rowena_Ravenclaw e Salazar_Slytherin . Construíram juntos este castelo , longe de os olhares curiosos de os Muggles porque em aquele tempo a magia era temida por as pessoas comuns e as bruxas e feiticeiros sofriam terríveis perseguições . Fez uma pausa , olhou indeciso em volta e prosseguiu : - Durante alguns anos , os fundadores trabalharam juntos em harmonia procurando outros mais novos que mostrassem sinais de possuir dotes mágicos e trazendo os para o castelo para aqui serem ensinados . Mas os desentendimentos surgiram entre eles . Começou a notar se uma divisão entre Slytherin e os outros . Salazar_Slytherin queria ser mais selectivo em relação a os alunos a serem admitidos em Hogwarts . Achava que os ensinamentos de magia deviam ficar dentro de as famílias de feiticeiros . Não lhe agradava a entrada em a escola de alunos de famílias Muggles porque os achava pouco dignos de confiança . Depois de algum tempo houve uma séria discussão sobre esse assunto entre Slytherin e Gryffindor e Slytherin abandonou a escola . O professor Binns fez uma nova pausa , fazendo beicinho o que o fazia parecer uma tartaruga enrugada . - Fontes fidedignas referem nos isto - disse . - Mas estes factos foram obscurecidos por a fantasiosa lenda de a Câmara_dos_Segredos . Conta a história que Slytherin construíra uma câmara oculta dentro de o castelo cuja existência os outros fundadores ignoravam . De_acordo com a lenda , Slytherin selou a Câmara_dos_Segredos para que ninguém pudesse abri a até o seu verdadeiro herdeiro chegar a a escola . O herdeiro , e apenas ele , poderia abrir a Câmara_dos_Segredos , libertar o horror que lá se encontrava e utilizá o para expurgar a escola de todos aqueles que eram indignos de aprender magia . Houve um silêncio quando ele se calou que não era o habitual silêncio de sono de as aulas de o professor Binns . Havia um desassossego em o ar enquanto todos continuavam a olhá o a a espera de mais . O professor Binns estava ligeiramente aborrecido . - A história toda é um disparate , claro - disse ele . - A escola foi revistada por várias vezes em busca de provas de a existência de essa câmara , por os feiticeiros e bruxas mais conhecedores . Não existe nada . Uma lenda que serviu apenas para assustar os ingénuos . A mão de Hermione estava novamente em o ar . - Professor , o que quer_dizer , ao_certo com « o horror que estava dentro de a câmara » ? - Acredita se que seja uma espécie de monstro que só o herdeiro de Slytherin pode controlar - disse o professor Binns em a sua voz seca e débil . A aula trocou entre si olhares inquietos . - Como vos digo , a coisa não existe - afirmou o professor Binns , desordenando as suas notas . - Não há câmara e não há monstro . - Mas , professor - disse Seamus_Finnigan . - Se a câmara só podia ser aberta por o herdeiro de Slytherin ninguém mais poderia encontrá a . Não é ? - Um disparate pegado - disse o professor Binns , em um tom de voz exasperado . - Se uma longa sucessão de directores e directoras de Hogwarts não a encontraram ... - Mas , professor - começou a dizer Parvati_Patil . Se_calhar é preciso usar magia negra para a abrir ... - Lá porque um feiticeiro não usa magia negra não quer_dizer que não possa , Miss_Pennyfeather - interrompeu o professor Binns . - Repito , se os antecessores de Dumbledore ... - Mas talvez seja preciso fazer parte de os Slytherin , por isso Dumbledore não podia ... - começou Dean_Thomas , mas o professor Binns já estava farto . - Já chega - disse , de modo cortante . - É um mito . Não existe . Não há uma única prova de que Slytherin tenha construído nem mesmo uma despensa para vassouras . Lamento ter vos contado esta história tola . Vamos voltar , se fazem o favor , a a História , a os factos sólidos , verificáveis , credíveis . E em menos_de cinco minutos toda_a classe mergulhara em a sua sonolência habitual . - Eu sempre ouvi dizer que Salazar_Slytherin era um velho retorcido e meio pateta - disse Ron_a_Harry e Hermione enquanto abriam caminho por os corredores cheios , em o final de a aula , para ir arrumar as malas antes de o jantar . - Mas não sabia que ele tinha começado esta coisa de o sangue puro . Eu não ia para os Slytherin nem que me pagassem . Se o chapéu seleccionador me tivesse posto lá , pegava em as malas e ia me embora ... Hermione acenou vivamente , mas Harry não abriu a boca . O estômago parecia ter dado uma volta . Harry nunca contara a o Ron e a a Hermione que o chapéu seleccionador tinha considerado seriamente a possibilidade de o colocar em os Slytherin . Lembrava se como_se tivesse sido em a véspera do_que a vozinha lhe dissera a o ouvido quando pôs o chapéu em a cabeça , um ano antes . * _ Podias vir a ser grande , sabes ? Está tudo aqui em a tua cabeça e Slytherin ajudaria te em o caminho para a grandeza , sem a menor dúvida * ... Mas Harry , que já ouvira falar de a fama de o grupo de os Slytherin de formar magos negros , pensou desesperadamente . - Em os Slytherin , não ! - E o chapéu tinha dito . - Bem , se tens assim tanta certeza ... será melhor os Gryfffndor . Enquanto eram empurrados por a multidão , Colin_Creevey passou por eles . - Olá , Harry ! - Olá , Colin - disse Harry automaticamente . - Harry , Harry , um rapaz de a minha turma tem andado a dizer que tu és ... Mas Colin era tão baixinho que não conseguiu lutar contra a maré de gente que o arrastou até a o vestíbulo . Ouviram o despedir se : - Adeus , Harry - e desaparecer . - O que é_que o rapaz de a turma de ele disse de ti ? - quis saber Hermione . - Que eu sou o herdeiro de Slytherin , imagino - disse Harry , com o estômago ainda a as voltas e lembrou se de repente de o Justin_Finch - _ Fletchley a fugir para não lhe falar , a a hora de o almoço . - As pessoas aqui acreditam em tudo - disse o Ron com repugnância . A multidão diminuiu e conseguiram subir as escadas sem dificuldade . - Achas mesmo_que existe uma Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Ron_a_Hermione . - Não sei - respondeu ela , franzindo a testa . - Dumbledore não conseguiu curar Mrs._Norris e isso leva me a pensar que o que a atacou pode não ser ... humano . Enquanto falava , voltaram uma esquina e encontraram se em o fim de aquele mesmo corredor onde o ataque tinha ocorrido . Pararam para olhar . Estava tudo igual a aquela outra noite , com excepção de a gata Mrs._Norris e havia uma cadeira vazia encostada a a parede , onde podia ler se a mensagem « : __ a câmara foi __ aberta » . - Foi aqui que o Filch montou a guarda - murmurou Ron . Olharam uns para os outros . O corredor estava deserto . - Não deve fazer mal dar uma olhadela aqui - disse Harry , deixando cair a mala e pondo se de quatro para poder gatinhar em busca de pistas . - Marcas de queimadura - disse - aqui e aqui ... - Venham ver isto ! - chamou Hermione . - Que estranho ... Harry levantou se e foi até a a janela que ficava junto de a mensagem . Hermione apontava para o vidro mais alto , onde cerca de uma vintena de aranhas se debatiam em uma aparente luta por atravessar por uma pequena brecha de vidro . Um longo fio prateado balouçava como uma corda , como_se todas tivessem trepado , em a ânsia de chegar lá fora . - Alguma vez viram aranhas agir assim ? - perguntou Hermione , curiosa . - Não - respondeu Harry . - E tu , Ron ? Ron ? Olhou por cima de o ombro . Ron estava de costas , bem lá atrás e parecia lutar contra o impulso de se virar . - O que é_que se passa ? - perguntou Harry . - Eu não gosto de aranhas - disse Ron , de modo tenso . - Nunca me tinhas dito - comentou Hermione , olhando para ele com surpresa . - Estás farto de usar aranhas em as poções ... - Não me importo quando estão mortas - explicou Ron que olhava cautelosamente para todos os lados , menos para a janela . - Não gosto de a maneira como_se mexem . Hermione riu se baixinho . - Não tem graça nenhuma - disse o Ron , furioso . - Se queres saber , quando eu tinha três anos , o Fred transformou o meu ursinho de pelúcia em uma enorme aranha nojenta , por eu lhe ter partido a vassoura de brinquedo . Tu também não gostarias de aranhas se estivesses agarrada a o teu ursinho e , de repente , ele tivesse uma data de pernas e ... Começou a tremer ... Hermione ainda estava a tentar conter o riso . Sentindo que era melhor mudarem de assunto , Harry perguntou : - Lembram se de a água que havia aqui em o chão ? De onde terá vindo ? Alguém a limpou . - Era por aqui - disse o Ron , já recuperado , avançando alguns passos em direcção a a cadeira de o Filch e apontando . - Junto de esta porta . Estendeu a mão para o puxador de a porta , mas retirou a de imediato , como_se se tivesse queimado . - O que foi ? - perguntou Harry . - Não posso entrar aí - disse o Ron bruscamente . - É a casa_de_banho de as raparigas . - Oh , Ron , não está aí ninguém - sossegou o Hermione enquanto se aproximava . - É o lugar de a Murta_Queixosa . Anda , vamos dar uma espreitadela . E ignorando o grande letreiro que dizia « Fora de serviço » Hermione abriu a porta . Era a casa_de_banho mais sombria e deprimente em que Harry tinha posto os pés durante toda_a sua vida . Debaixo_de um grande espelho partido e sujo podia ver se uma fila de lavatórios de pedra , rachados . O chão estava húmido e reflectia a luz fraca de os pavios de algumas velas que ardiam baixinho em os suportes . As portas de madeira de os cubículos estavam todas lascadas e riscadas e uma de elas balouçava fora de as dobradiças . Hermione levou os dedos a os lábios e foi até a o último cubículo . Quando lá chegou disse : - Olá , Murta , como estás ? Harry e Ron foram ver . A Murta_Queixosa flutuava em a cisterna de a casa_de_banho , tirando um ponto negro de o queixo . - Esta é a casa_de_banho de as raparigas - disse a o ver o Ron e o Harry . - Eles não são raparigas . - Não - concordou Hermione . - Eu só queria mostrar lhes como esta casa_de_banho é ... er ... simpática . Ela fez um aceno vago a o velho espelho sujo e a o chão húmido . - Pergunta lhe se viu alguma coisa - sussurrou o Ron a a Hermione . - Porque estão a dizer segredinhos ? - perguntou a Murta , fitando o . - Não é nada - disse Harry rapidamente . - Queríamos perguntar ... - Gostava que as pessoas parassem de falar em as minhas costas ! - desabafou a Murta em uma voz abafada por as lágrimas . - Eu tenho sentimentos , sabem , apesar_de estar morta . - Murta , ninguém quis aborrecer te - explicou Hermione . - O Harry só ... - A minha vida foi uma infelicidade em este lugar e agora as pessoas vêm estragar a minha morte . - Nós queríamos perguntar te se tinhas visto alguma coisa estranha ultimamente - disse Hermione sem perder tempo . - Porque foi atacada uma gata mesmo aqui a a frente de a tua porta em a noite de o * _ Hallowe'en * . - Viste alguém aqui perto em essa noite ? - insistiu Harry . - Não estava a prestar atenção - disse a Murta com ar dramático . - O Peeves aborreceu me tanto que vim aqui para tentar matar me . Só então me lembrei de que estou ... de que estou ... - Já morta - ajudou o Ron . A Murta soluçou tragicamente , elevou se em o ar , voltou se e mergulhou de cabeça em a sanita , espalhando água por_cima_de todos eles e desaparecendo . Por o som de os seus soluços abafados fora certamente descansar algures em o cano em forma de V._Harry e Ron ficaram de boca aberta , mas Hermione encolheu os ombros de cansaço e disse : - Se querem saber , para a Murta isto até foi alegre ... vá , vamos embora . Harry tinha acabado de fechar a porta deixando atrás os soluços gorgolejantes de a Murta quando uma voz forte o fez dar um salto . - RON ! Percy_Weasley estava parado em o cimo de as escadas com o seu distintivo de prefeito a brilhar e uma expressão chocadíssima em o rosto . - Isso é a casa_de_banho de as raparigas ... o que é_que vocês ... ? - Estávamos só a dar uma vista de olhos - exclamou o Ron - a a procura de pistas ... Percy engoliu em seco , de uma maneira que fez Harry lembrar se de Mrs._Weasley . - Saiam imediatamente de aqui - disse , aproximando se de eles a passos largos e gesticulando agitadamente . - Não se preocupam com as aparências ? Voltar aqui enquanto toda_a_gente está a jantar ... - Porque não havíamos de estar aqui ? - perguntou cheio de vivacidade o Ron , parando de repente e olhando Percy em os olhos . - Ouve lá , nós não tocamos em aquela gata . - Isso foi o que eu tentei explicar a a Ginny - respondeu Percy furioso - mas ela parece continuar a pensar que vocês vão ser expulsos . Nunca a vi tão aflita . Não pára de chorar . Devias pensar em ela . Todos os alunos de o primeiro ano andam superexcitados com esta história . - Tu não estás nada preocupado com a Ginny - disse o Ron já com as orelhas vermelhas . - O que te assusta é_que eu possa estragar as tuas possibilidades de ser chefe de turma . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor ! - bradou Percy , apontando elegantemente para o distintivo de prefeito . - E espero que te sirva de lição . Acabou se o trabalho de detective ou escrevo a a mãe a contar lhe . E voltou lhes as costas , a nuca tão vermelha como as orelhas de o Ron . Harry , Ron e Hermione , em essa noite , sentaram se em a sala comum o mais longe possível de Percy . Ron estava ainda muito maldisposto e não parava de esborratar o trabalho de casa de os encantamentos . Quando pegou distraidamente em a varinha para tirar as manchas incendiou o pergaminho . A deitar quase tanto fumo como o seu trabalho de casa , fechou bruscamente o * _ Livro_Padrão_de_Encantamentos de o 2.o Grau * . Para grande surpresa de Harry , Hermione fez o mesmo . - Mas quem poderia ser - perguntou ela baixinho como_se continuasse uma conversa que tinham acabado de ter . - Quem quereria todos os * busca-pés * e filhos de Muggles fora de Hogwarts ? - Vamos pensar - disse o Ron em a brincadeira , fingindo estar confuso . - Quem poderemos nós conhecer que ache que os familiares de Muggles são escumalha ? Olhou para Hermione . Ela olhou para ele pouco convencida . - Se estás a pensar em o Malfoy ... - Claro que estou - disse o Ron . - Tu ouviste o dizer : - Vocês serão os próximos , sangues de lama ! - Aliás , basta olhar para aquela cara de renegado para saber que ele é ... - Malfoy , o herdeiro de Slytherin ? - repetiu Hermione cepticamente . - Olha para a família de ele - disse Harry , fechando também os livros . - Todos eles estiveram em os Slytherin . O Draco está sempre a vangloriar se de isso . Podiam bem ser descendentes de Slytherin . O pai de ele é suficientemente mau . - Podiam perfeitamente ter tido a chave de a Câmara_dos_Segredos durante séculos - disse Ron - , fazendo a passar de pai para filho . - Bem - acedeu Hermione cautelosamente . - Seria possível ... - Mas como prová o ? - perguntou Harry tristemente . - Talvez haja um meio - sugeriu Hermione lentamente , baixando ainda mais a voz e lançando um olhar , através de a sala , a Percy . - É claro que não é fácil . E é perigoso , muito perigoso . Suponho que iríamos infringir cerca de cinquenta regras de a escola . - Se de aqui a um mês ou dois te decidires a explicar , avisa , está bem ? - disse Ron , que começava a ficar irritado . - Está bem - concordou Hermione friamente . - O que precisaríamos de fazer para entrar em a sala comum de os Slytherin e fazer algumas perguntas a o Malfoy , sem ele perceber que éramos nós ? - Mas isso é impossível - declarou Harry , enquanto Ron se ria . - Não , não é - continuou Hermione . - Só precisamos de um_pouco de poção * polisuco * . - O que é isso ? - perguntaram ao_mesmo_tempo Ron e Harry . - O Snape falou de ela em uma aula , há poucas semanas atrás . - Achas que não temos mais o que fazer do_que ouvir o Snape ? - murmurou o Ron . - Transforma nos em outra pessoa . Pensem em isso : podíamos transformar nos em três de os Slytherin . Ninguém saberia que éramos nós . É provável que o Malfoy nos contasse alguma coisa . Aposto que ele está a gabar se , em este momento , em a sala de os Slytherin , se ao_menos pudéssemos ouvi o . - Essa coisa de o * polisuco * cheira me um bocado mal - disse o Ron , franzindo as sobrancelhas . - E se ficarmos com a forma de os três Slytherin para sempre ? - Desaparece a o fim de algum tempo - disse Hermione , gesticulando impacientemente com a mão - mas conseguir a receita é muito difícil . O Snape disse que vinha em um livro chamado * _ As_Mais_Potentes_Poções * e está com certeza em a parte de os reservados de a biblioteca . Só havia uma maneira de obter o livro de os reservados : era com uma autorização assinada por um professor . - Não estou a ver porque quereríamos o livro - disse o Ron . - Se não para tentar fabricar uma de as poções . - Eu acho - sugeriu Hermione - que se fizéssemos parecer que o nosso interesse era apenas teórico , talvez conseguíssemos ... - Estás a sonhar , nenhum professor ia cair em essa - afirmou o Ron . - Só se fosse muito burro . X_A * bludger * perigosa Depois de o desastroso incidente de os duendes , o professor Lockhart não voltou a levar seres vivos para as aulas . Em vez de isso , lia a os alunos passagens de os seus livros e , por vezes , voltava a desempenhar alguns de os episódios mais dramáticos . Costumava chamar Harry para o ajudar em essas reconstruções . Até ali Harry fora obrigado a desempenhar o papel de um camponês de a Transilvânia que Lockhart curara de uma maldição murmurada , o abominável homem de as neves com dores de cabeça e um vampiro que depois de ter conhecido Lockhart tinha ficado incapaz de comer outra coisa que não fosse alfaces . Harry foi chamado para a frente de a classe durante a aula de Defesa contra as artes negras que se seguiu . Desta_vez para desempenhar o papel de um lobisomem . Se não tivesse um bom motivo para querer ver o Lockhart bem-disposto , teria se recusado . - Um uivo bem alto , excelente , Harry , isso mesmo . E foi então que , acreditem ou não , eu o ataquei de repente , assim . Atirei o a o chão , agarrei o com uma mão e com a outra consegui meter lhe a varinha em a garganta . Então , com a força que me restava pus em prática o complicadíssimo encantamento * _ Homorphus * . Harry soltou um uivo tristíssimo . - Vá lá , Harry , mais alto . Bom ... o pêlo desapareceu , os dentes diminuíram de tamanho e ele transformou se em um homem . Simples , mas eficaz e mais uma cidade ficará a lembrar se de mim para sempre como o herói que os libertou de os ataques mensais de o lobisomem . A campainha tocou e Lockhart pôs se de pé . - Trabalho para_casa : escrever um poema sobre a minha vitória sobre o lobisomem Wagga_Wagga . Há um exemplar autografado de * _ Eu , o Mágico * para o autor de o melhor poema . Os alunos começaram a sair . Harry voltou para trás e foi juntar se a o Ron e a a Hermione que estavam a a espera de ele . - Prontos ? - perguntou . - Espera até saírem todos - disse Hermione bastante nervosa . - Pronto ... Aproximou se de a secretária de Lockhart , apertando em a mão uma folha de papel , com o Ron e o Harry atrás . - Er ... professor Lockhart - gaguejou Hermione . - Eu queria requisitar este livro em a biblioteca , como leitura de apoio - entregou lhe o papel , com a mão ligeiramente trémula . - Só que faz parte de a secção de os reservados , por isso preciso de a assinatura de um professor . Acho que o livro me vai ajudar a compreender o que o senhor diz em * _ Passeios com Vampiros * acerca de os venenos de acção lenta ... - Ah , * _ Passeando com Vampiros * - disse Lockhart , pegando em a folha de papel de Hermione e sorrindo lhe abertamente . - E provavelmente o meu livro preferido . Gostou ? - Oh , muito - disse Hermione avidamente . - Tão inteligente o modo como apanhou o último com o passador de o chá . - Bem , tenho a certeza que ninguém se importará que eu dê uma ajudazinha suplementar a a melhor aluna de o segundo ano - disse Lockhart calorosamente , sacando de uma enorme pena de pavão . - É bonita , não é ? - comentou , adivinhando uma expressão de repulsa em a cara de o Ron . - Costumo guardas a para as minhas assinaturas de autógrafos . Rabiscou uma enorme assinatura cheia de altos e baixos e entregou a a Hermione . - Então , Harry - disse Lockhart enquanto Hermione dobrava a folha e a guardava em o saco . - Amanhã é a primeira partida de Quidditch de este ano , não é ? Gryffindor contra Slytherin . Ouvi dizer que és um jogador indispensável . Eu também fui * seeker * . Convidaram me inclusivamente para fazer parte de a Equipa_Nacional , mas eu preferi dedicar a minha vida a a erradicação de as forças de o mal . Mesmo_assim , se alguma vez precisares de um treino particular , não hesites em falar comigo , estou sempre disponível para partilhar a minha perícia com os jogadores menos dotados do_que eu . Harry fez um som indistinto com a garganta e saiu atrás_de Ron e Hermione . - Não acredito - disse quando os três examinavam a assinatura de Lockhart . - Ele nem viu que livro nós queríamos . - É porque é um idiota sem miolos - explicou o Ron . - Mas , quem se rala , temos o que queríamos . - Ele não é um idiota sem miolos - gritou Hermione com voz esganiçada enquanto se aproximavam quase a correr de a biblioteca . - Só porque ele disse que eras a melhor aluna de o segundo ano ... Baixaram as vozes a o entrar em a quietude abafada de a biblioteca . Madam_Prince , a bibliotecária , era uma mulher magra e irritável que parecia um abutre mal nutrido . - * _ Moste_Potente_Potions * ? - repetiu intrigada , tentando ficar com a folha de papel que Hermione se recusava a entregar lhe . - Gostava de a guardar para mim - disse sem fôlego . - Vá lá - intercedeu Ron , arrancando lhe a de as mãos e entregando a a Madam_Prince . - Nós arranjamos te outro autógrafo . O Lockhart assina tudo se aqui ficar muito_tempo . Madam_Prince pegou em o papel e voltou o em a direcção de a luz , decidida a descobrir uma falsificação , mas a assinatura passou em o teste . Desapareceu entre as estantes e voltou alguns minutos mais tarde , transportando um livro grande e de aspecto antiquado . Hermione meteu o com todo o cuidado em o saco e saíram , tentando não andar depressa de mais nem aparentar um ar culpado . Cinco minutos depois , estavam de_novo barricados em a casa_de_banho fora de serviço de a Murta_Queixosa . Hermione destruíra as objecções de Ron argumentando que aquele era o último lugar onde alguém em o seu juízo perfeito se lembraria de ir e que poderia assegurar lhes alguma privacidade . A Murta_Queixosa chorava ruidosamente em o seu cubículo , mas eles conseguiram ignorá a assim_como ela a eles . Hermione abriu * _ Moste_Potente_Potions * com todo o cuidado e inclinaram se os três sobre as páginas manchadas de humidade . Era fácil de perceber , logo à_primeira_vista de olhos , porque pertencia a a secção de os reservados . Algumas de as poções tinham efeitos quase impensáveis de tão macabros e havia ilustrações bastante desagradáveis , como , por_exemplo , aquela em que um homem parecia ter sido virado de o avesso e a de a bruxa com vários pares de braços suplementares a nascerem lhe em a cabeça . - Aqui está - disse Hermione excitadíssima a o encontrar a página intitulada « A poção * polisuco * « . Estava ilustrada com imagens de pessoas a meio de o processo de se transformarem em outras pessoas e Harry desejou ardentemente que a expressão de dor intensa que se lhes espelhava em o rosto fosse apenas produto de a imaginação de o artista desenhador . - Esta é a poção mais complicada que vi até hoje - disse Hermione enquanto examinava a receita . - Moscas asas de renda , sanguessugas , fluxo de cizânias e verdezelha - murmurou , acompanhando com o dedo a lista de ingredientes . - Bem , esses são relativamente simples , há os em a despensa de material de os estudantes , podemos tirar a a nossa vontade . Oh ! Vê só , pó de chifre de bicórneo ... não sei onde vamos arranjar isto ... e , é claro , um pedacinho de a pessoa em quem queremos transformar nos . - Como ? - perguntou Ron de forma cortante . - O que é_que queres dizer com um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos ? Eu não bebo nada que tenha lá dentro as unhas de os pés de o Crabbe ... Hermione continuou como_se não o tivesse ouvido . - Mas não temos que nos preocupar com isso por enquanto . Fica para o fim . Ron voltou se sem palavras para o Harry que tinha uma preocupação de outro tipo . - Já viste bem tudo_o_que vamos ter que roubar , Hermione ? Algumas coisas , não estão de certeza em a despensa de material de os alunos . O que é_que vamos fazer , arrombar os armários pessoais de o Snape ? Não sei se será uma boa ideia ... Hermione fechou o livro com um estrondo . - Bem , se vocês os dois se vão acagaçar , então está lindo - disse ela . Tinha as bochechas rosadas e os olhos mais brilhantes do_que era habitual . - Eu não gosto de quebrar regras , vocês sabem , mas acho que ameaçar os filhos de os Muggles é muito pior do_que construir uma poção difícil . Mas se vocês não querem descobrir se é o Malfoy , eu posso voltar já a a biblioteca e entregar o livro a Madam_Prince ... - Nunca pensei que chegaria o dia em que serias tu a convencer nos a quebrar regras - disse o Ron . - Está bem , vamos em essa , mas sem unhas de os pés , O. _ K. ? - Quanto tempo vai isso demorar a fazer , afinal ? - perguntou Harry quando Hermione , já com um ar mais satisfeito , voltou a abrir o livro . - Bem , como o fluxo de cizânias tem de ser recolhido durante a lua cheia e as asas de renda têm de ser abafadas durante vinte_e_um dias ... eu diria que se conseguirmos arranjar todos os ingredientes estará pronta dentro_de um mês . - Um mês ? - exclamou o Ron . - Nessa_altura já o Malfoy terá atacado metade de os filhos de Muggles ! - mas os olhos de Hermione contraíram se de_novo assustadoramente e ele acrescentou rapidamente . - Mas é o melhor plano que temos , por isso é melhor não olharmos para trás . Apesar_de tudo , enquanto Hermione verificava que não havia ninguém em os corredores e podiam sair de a casa_de_banho , Ron murmurou a Harry : - Seria muito mais simples se conseguisses , amanhã , atirar o Malfoy de a vassoura abaixo . Harry acordou cedo em o sábado de manhã e ficou um bocado a pensar em a partida de Quidditch que vinha a seguir . Estava nervoso , principalmente pelo que Wood diria se os Gryffindor perdessem , mas também com a ideia de enfrentar uma equipa apetrechada com as vassouras mais velozes que existiam . Nunca desejara tanto vencer os Slytherin como em aquele dia . Depois de meia_hora deitado com a barriga a dar horas , resolveu levantar se , vestir se e descer para tomar o pequeno-almoço . Lá em baixo , encontrou o resto de a equipa de os Gryffindor amontoada a o longo de a mesa comprida e vazia , todos eles com ar preocupado e sem vontade de conversar . Como_se aproximavam as onze horas , todos os alunos de a escola começaram a dirigir se para o estádio de Quidditch . O dia estava quente e húmido , com uma ameaça de trovoada em o ar . Ron e Hermione vieram apressadamente desejar a Harry boa sorte mal ele entrou em os vestiários . A equipa de os Gryffindor pôs os seus mantos vermelhos e sentou se para ouvir o discurso que Wood lhes fazia sempre antes de o jogo . - Os Slytherin têm vassouras melhores do_que nós - começou . - Não há como negá o . Mas nós temos gente melhor em cima de as vassouras . Treinámos mais do_que eles , voamos com todas_as condições climatéricas ( É bem verdade - murmurou George_Weasley - desde Agosto que não sei o que é estar seco ) . - E vamos fazê os engolir o dia em que deixaram aquele nojento de o Malfoy comprar a entrada em a equipa de eles . Com o peito agitado por a comoção , Wood voltou se par Harry . -- Cabe te a ti , Harry , mostrar lhes que um * seeker * tem de ter mais do_que um pai rico . Agarra a * snitch * antes d Malfoy ou morre a tentar porque temos absolutamente que vencer , hoje , Harry , temos que vencer . - Sem ansiedade , Harry - disse o Fred , piscando lhe o olho . Quando saíram em direcção a o campo , foram saudado por uma grande ovação principalmente de a parte de os Ravenclaw e de os Hufflepuff que estavam ansiosos por ver os Slytherin serem derrotados , mas os Slytherin que estavam entre a multidão também fizeram ouvir as suas vaias e pateadas . Madam_Hooch , a professora de Quidditch , pediu a Flin e Wood que apertassem as mãos o que eles fizeram , lançando um_ao_outro olhares ameaçadores , cada_um apertando a mão de o outro com mais força do_que aquela que seria necessário . - Atenção a o apito - disse Madam_Hooch . - Três , dois , um ... Com um bramido de a multidão para que subissem rapidamente , os catorze jogadores elevaram se em o céu cor de chumbo . Harry , mais alto do_que qualquer de os outros olhando para todos os lados em busca de a * snitch * . - Tudo bem , testa de cicatriz ? - gritou Malfoy , disparando por baixo de ele para lhe mostrar a velocidade de a sua vassoura . Harry não teve tempo de responder . Em esse preciso momento uma * bludger * preta e bem pesada veio direitinha a ele . Evitou a tão por um triz que ainda sentiu em os cabelos o ar que ela deslocara . - Foi por_pouco , Harry ! - exclamou o George , passando com grande rapidez , de bastão em a mão , pronto para lançar a * bludger * contra um Slytherin . Harry viu o dar a a * bludger * uma fortíssima pancada em direcção a Adrian_Pucey , mas a bola mudou de rumo em o meio de o ar e dirigiu se de_novo a Harry . Harry desceu rapidamente para se esquivar e George conseguiu lançá a contra Malfoy . Mais_uma_vez a * bludger * actuou como um * boomerang * e apontou a a cabeça de Harry . Harry ganhou velocidade e disparou contra o outro extremo de o campo . Ouvia o assobio de a * bludger * que o perseguia . O que era aquilo ? As * bludgers * nunca se concentravam assim em um único jogador , a sua função era tentar desmontar o maior número possível de intervenientes . Fred_Weasley esperava por a * bludger * em o extremo oposto . Harry baixou se quando o viu balançar se em frente de ela com toda_a garra . A * bludger * foi lançada para_fora_de campo . - Pronto , já está tudo resolvido - gritou Fred satisfeito , mas estava bastante enganado . Como_se fosse magneticamente atraída para Harry , a * bludger * lançou se de_novo contra ele e Harry teve de voar a_toda_a velocidade . Começara a chover . Harry sentia as gotas pesadas caírem lhe em o rosto , turvando lhe as lentes de os óculos . Não fazia ideia do_que se passava em o resto de o jogo , até ouvir Lee_Jordan que fazia o comentário dizer : - Os Slytherin vão a a frente com seis contra zero . As vassouras de qualidade superior de os Slytherin estavam obviamente a cumprir a sua função e enquanto isso , a * bludger * maluca fazia todos os possíveis para deitar abaixo o Harry . Fred e George voavam agora tão perto de ele , um de cada lado , que Harry não via senão os seus braços a balouçar e , se não conseguia ver a * snitch * , muito menos agarrá a . - Alguém enfeitiçou esta * bludger * - resmungou Fred , preparando o bastão com toda_a força quando ela se lançava de_novo contra Harry . - Precisamos de tempo - disse George , tentando fazer sinal a Wood enquanto evitava que a bola partisse o nariz a o Harry . Wood captou obviamente a mensagem . O apito de Madam_Hooch fez se ouvir e Harry , Fred e George desceram , tentando ainda evitar a * bludger * maluca . - O que é_que se passa ? - perguntou Wood enquanto a equipa de os Gryffindor se amontoava desordenadamente e os Slytherin , em o meio de a multidão , lançavam piadas . - Estamos a ser esmagados . Fred , George , onde estavam vocês quando aquela * bludger * impediu a Angelina de marcar ? - Estávamos seis metros acima , evitando que a outra * bludger * matasse o Harry , Oliver - gritou George furioso . - Alguém preparou isto , a bola não deixa o Harry em paz , ainda não perseguiu mais ninguém desde_que o jogo começou . Os Slytherin fizeram aqui qualquer coisa . - Mas as * bludgers * têm estado fechadas em o escritório de Madam_Hooch desde o último treino , e nessa_altura estava tudo bem ... - disse Wood ansiosamente . Madam_Hooch aproximava se . Por cima de o ombro de ela , Harry pôde ver a equipa de os Slytherin a escarnecer e apontar em a sua direcção . - Ouçam - disse o Harry , enquanto ela se aproximava . - Com vocês os dois a voarem sempre colados a mim , só vou apanhar a * snitch * se ela voar até a a minha manga . Voltem se para o resto de a equipa e deixem a tratante comigo . - Não sejas bronco - disse o Fred . - Ela arranca te a cabeça . Os olhos de Wood saltavam de Harry_para_os_Weasley . - Oliver , isto_é uma loucura - disse Alicia_Spinet , zangada . - Não podes deixar o Harry sozinho entregue a aquela coisa . Vamos pedir uma investigação . - Se pararmos agora , teremos de dar a partida como perdida e não vamos deixar os Slytherin ganhar , só por_causa_de uma * bludger * maluca . Vá lá , Oliver , diz lhes que me deixem sozinho . - A culpa é toda tua . * _ Agarra a snitch ou morre a tentar * , se isso é lá coisa que se diga . Madam_Hooch tinha se lhes juntado . - Prontos para retomar a partida ? - perguntou a Wood . Wood olhou para o ar determinado de Harry . - Deixem o sozinho , ele é capaz de lidar com a * bludger * . A chuva era agora mais pesada . A o apito de Madam_Hooch , Harry elevou se em os ares e ouviu o barulhinho de a * bludger * atrás_de si . Subiu cada_vez_mais alto . Fez acrobacias em espiral , descidas rápidas , ziguezagueou e rolou . Apesar_de ligeiramente estonteado , não deixou nunca de ter os olhos bem abertos . A chuva salpicava lhe os óculos e entrava lhe por as narinas , quando ele se voltou de cabeça para baixo , evitando outra forte investida de a * bludger * . Ouviu os risos de a multidão . Sabia que devia parecer ridículo , mas a * bludger * maluca era pesada e não podia mudar de direcção tão rapidamente quanto ele . Iniciou uma corrida que parecia de feira de diversões em volta de os extremos de o estádio , olhando de soslaio , através de os lençóis prateados de chuva , para os postes de os Gryffindor , onde Adrian_Pucey tentava passar por Wood . Um assobio junto de os ouvidos disse a Harry que a * bludger * falhara uma_vez_mais . Voltou se e voou rapidamente em a direcção oposta . - Estás a ensaiar * ballet * , Potter - gritou Malfoy quando Harry foi obrigado a fazer uma reviravolta estúpida em o ar para se esquivar mais_uma_vez de a * bludger * . Lá foi ele , com a * bludger * atrás a alguns metros de distância . E foi então que , olhando para Malfoy , furioso , a viu , a * snitch * de ouro . Flutuava alguns centímetros acima de os ouvidos de Malfoy que , de tão preocupado a escarnecer de Harry , nem dera por ela . Durante um momento angustiante , Harry ficou quieto em o ar , não ousando dirigir se a Malfoy , não fosse ele olhar para_cima e ver a * snitch * . PUM ! Tinha ficado parado tempo de mais . A * bludger * batera lhe , por fim , apanhando lhe o cotovelo e Harry sentiu o braço a partir se . Debilmente , desorientado por a dor cauterizante em o braço , Harry deslizou para um de os lados em a sua vassoura encharcada , um joelho ainda dobrado , o braço direito a balouçar , inútil , a o seu lado . A * bludger * veio de_novo , preparada para mais um ataque , desta_vez apontada a o seu rosto . Harry desviou se com uma intenção : chegar a Malfoy . Através_de uma nuvem de chuva e dor desceu até a o rosto tremeluzente e trocista e viu os olhos de ele dilatarem se de medo : Malfoy pensou que Harry ia atacá o . - Que diabo ... - resmungou , afastando se de o caminho . Harry tirou a outra mão de a vassoura e fez uma tentativa para agarrar qualquer coisa . Sentiu os dedos fecharem se em volta de a * snitch * dourada , mas conduzia agora a vassoura apenas com as pernas e ouviu se um grito de a multidão cá em baixo , quando ele fez a descida , tentando não desmaiar . Com um ruído seco caiu em a terra enlameada e rolou para fora de a vassoura . O braço tinha um ângulo um_pouco estranho . Torcendo se com dores , ouviu a a distância os assobios e os gritos . Concentrou se em a * snitch * que tinha fechada em a outra mão . - Ai - disse vagamente . - Ganhámos o jogo . E desmaiou . Voltou a si com a chuva a cair lhe em o rosto , ainda deitado em o campo , com alguém inclinado sobre ele . Viu um brilho de dentes brancos . - Oh , não , você não - gemeu . - Não sabe o que diz - afirmou Lockhart bem alto a a ansiosa multidão de Gryffindor que o comprimiam . - Não te preocupes , Harry , eu vou tratar de o teu braço . - Não - gritou Harry . - Eu fico com ele assim , obrigado . Tentou sentar se , mas a dor era enorme . Ouviu um « clique » familiar . - Não quero fotografias de isto , Colin - disse em voz alta . - Deita te para trás , Harry - insistiu Lockhart com toda_a calma . - É um encantamento muito simples que eu fiz imensas vezes . - Porque não me levam só para a ala hospitalar ? - perguntou Harry entredentes . - Seria o melhor , professor - disse a voz rouca de o Wood que não conseguia deixar de sorrir , apesar_de o seu * seeker * estar ferido . - Grande captura , Harry , verdadeiramente espectacular , a tua melhor jogada , em a minha opinião . Em o meio de a floresta de pernas que o rodeava , Harry avistou Fred e George_Weasley , metendo a * budger * perigosa em uma caixa . Continuava a dar uma luta enorme . - Para trás - ordenou Lockhart , que tinha arregaçado as mangas verde jade . - Não , eu não ... - protestou debilmente Harry , mas Lockhart tinha a varinha em a mão e , um segundo depois , apontava a para o braço de Harry . Uma sensação estranha e desagradável começou em o ombro e espalhou se , chegando a as pontas de os dedos . Parecia que o braço inteiro tinha sido esvaziado . Não foi capaz de olhar para o que estava a suceder . Tinha fechado os olhos , voltado o rosto para o outro lado , mas os seus maiores receios concretizaram se quando as pessoas lá em cima se sobressaltaram e Colin_Creevey começou a tirar fotografias como um louco . O braço deixara de lhe doer , mas parecia tudo menos um braço . - Ah ! - disse Lockhart . - Sim , bem isto às_vezes acontece . Mas o importante é_que os ossos já não estão partidos . Isso é o mais importante . Portanto , Harry , vai até a a ala hospitalar ... ah ! Mr._Weasley , Miss_Granger , poderiam levá o lá ? E Madam_Pomfrey poderá ... er ... arranjar um_pouco isso . Quando Harry se pôs de pé sentiu se estranhamente desequilibrado . Depois de respirar fundo , olhou para o lado direito e o que viu quase o fez desmaiar de_novo . Pendurado em a extremidade de a sua túnica estava o que parecia ser uma espessa e colorida luva de borracha . Tentou mexer os dedos mas ... em vão . Lockhart não consertara os ossos de Harry . Retirara os . M. dam Pomfrey não ficou nada satisfeita . - Devias ter vindo logo ter comigo - ralhou , segurando os restos tristes e moles de aquilo que antes fora um braço activo . - Eu conserto ossos em um segundo , mas fazê os crescer de_novo ... - Vai conseguir , não vai ? - perguntou Harry desesperado . - Sim , com certeza , mas vai ser doloroso - disse Madam_Pomfrey de modo severo , entregando lhe um pijama . - Vais ter que ficar cá esta noite ... Hermione esperou de o lado de_fora de a cortina que rodeava outra cama enquanto Ron ajudava Harry a vestir se . Levou algum tempo a enfiar o braço que parecia borracha dentro_de uma manga de o pijama . - Como é_que podes continuar a defender o Lockhart depois disto , Hermione ? - perguntou Ron através de as cortinas , enquanto puxava os dedos moles de o Harry por uma manga . - Se o Harry quisesse ser desossado , teria pedido . - Todos podem enganar se - disse Hermione . - E deixou de doer , não deixou , Harry ? - Sim - disse ele - mas também ficou incapaz de fazer seja o que for . Quando se meteu em a cama , o braço agitou se despropositadamente . Hermione e Madam_Pomfrey entraram . Madam_Pomfrey segurava uma grande garrafa com o rótulo * Skele - _ Gro * . - Vais ter uma noite difícil - preveniu , enchendo um pequeno copo fumegante e dando lhe a beber . - Fazer crescer ossos é uma coisa difícil . Tomar o * _ Skele - _ Gro * também . Queimou a boca e a garganta de o Harry a o descer , fazendo o tossir e cuspir . Resmungando sobre os desportos perigosos e os professores incapazes , Madam_Pomfrey retirou se , deixando Ron e Hermione a ajudar Harry a engolir um_pouco de água . - Mas ganhámos o jogo - disse o Ron com um sorriso em o rosto . - A tua jogada foi em grande . A cara de o Malfoy ... parecia que queria matar alguém . - Eu vou descobrir como é_que enfeitiçaram aquela * bludger * - disse Hermione com ar sombrio . - Podemos juntar essa pergunta a a lista de todas_as que queremos fazer a o Malfoy quando tomarmos a poção * _ Polisuco * - disse Harry , afundando se de_novo em as almofadas . - Espero que tenha um sabor melhor do_que esta coisa ... - Com um bocado de os Slytherin lá dentro , deves estar a brincar - disse o Ron . A porta de a ala hospitalar abriu se em esse momento e , completamente encharcados , entraram os restantes membros de a equipa de os Gryffindor , para ver o Harry . - Um voo inacreditável - disse George . - Acabei de ver Marcus_Flint a gritar com o Malfoy . Qualquer coisa sobre ter a * snitch * mesmo em cima de a cabeça e não ter dado por nada . O Malfoy não parecia nem um_pouco satisfeito . Tinham trazido bolos , rebuçados e garrafas de sumo de abóbora . Juntaram se em volta de a cama de Harry e estavam a dar início a o que prometia ser uma grande festa quando Madam_Pomfrey entrou a vociferar : - Este rapaz precisa de repouso . Tem trinta_e_três ossos a crescer . Fora de aqui . FORA ! E Harry ficou sozinho , sem nada que o distraísse de as dores agudas em o seu braço mole . Muitas horas mais tarde , Harry acordou subitamente em a escuridão total e soltou um pequeno grito de dor : sentia agora o braço cheio de estilhaços . Durante alguns segundos pensou que tinha sido a dor a acordá o . Depois , com um arrepio de horror , apercebeu se de que alguém estava a passar lhe uma esponja em a testa . - Sai de aqui - gritou , e em seguida : - Dobby ! Os olhos de o tamanho de bolas de ténis de o elfo doméstico estavam a olhá o em o escuro , uma lágrima grossa rolava por o seu enorme nariz . - Harry_Potter voltou a a escola - murmurou , infeliz . - Dobby avisou e voltou a avisar Harry_Potter . Ah ! senhor , porque não deu ouvidos a Dobby ? Porque não voltou Harry_Potter para_casa quando perdeu o comboio ? Harry ergueu se um_pouco , encostando se a as almofadas e afastou a esponja de o elfo . - O que estás a fazer aqui ? - perguntou . - E como sabes que eu perdi o comboio ? O lábio de Dobby tremeu e Harry foi assaltado por uma dúvida . - Foste tu . Tu impediste que a barreira nos deixasse passar . - Em a verdade fui eu , senhor - disse Dobby , acenando com a cabeça e com as orelhas a abanar . - Dobby escondeu se , esperou por Harry_Potter e selou a barreira . A seguir , Dobby teve de pôr as mãos em o ferro de engomar - mostrou a o Harry dez dedos longos embrulhados em ligaduras . - Mas Dobby não se importou , senhor , porque pensou que Harry_Potter estava a salvo e nunca Dobby sonhou que mesmo_assim ele viria para a escola ! Balançava se para a frente e para trás , sacudindo a cabeça feia . - Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry_Potter tinha voltado a a escola que deixou queimar o jantar de os seus donos . Dobby nunca tivera um castigo tão grande , senhor . Harry afundou se de_novo em as almofadas . - Quase conseguiste que nos expulsassem , a mim e a o Ron - disse furioso . - É melhor desapareceres de aqui antes que os meus ossos voltem a estar bem , Dobby , ou ainda te estrangulo . O elfo sorriu . - Dobby está habituado a ameaças de morte , senhor . Dobby recebe as cinco vezes por dia em a casa onde mora . Encostou o nariz a um canto de a fronha que usava , ficando tão ridículo que Harry sentiu a raiva desvanecer se , apesar_de tudo . - Porque usas essa coisa , Dobby ? - perguntou com curiosidade . - Isto , senhor ? - disse Dobby apontando para a fronha de almofada . - É uma prova de escravatura de o elfo doméstico , senhor . Dobby só pode ser libertado se os donos lhe derem roupa , senhor . A família tem o cuidado de não dar a o Dobby nem uma peúga , senhor , porque ele poderia ficar livre e deixar a casa para sempre . Dobby limpou os olhos protuberantes e disse subitamente : - Harry_Potter deve ir para_casa . Dobby achou que a sua * bludger * seria o suficiente para o fazer ... - A tua * bludger * ? - disse Harry com a raiva a crescer novamente dentro de ele . - Que queres tu dizer com a tua bludger * ? Foste tu quem fez com que aquela bola tentasse matar me ? - Matar não , senhor . Matar , nunca ! - disse o elho chocado . - Dobby quer salvar a vida de Harry_Potter . É melhor ir para_casa ferido do_que ficar aqui , senhor . Dobby só queria Harry_Potter suficientemente ferido para voltar para_casa . - Só isso ? - disse Harry furioso . - Imagino que não vais dizer me porque querias mandar me para_casa a os bocados ? - Ah ! se Harry_Potter soubesse ! - gemeu Dobby , com mais lágrimas a escorrerem lhe por a fronha esfarrapada . - Se pudesse saber o que significa para nós , para os humildes , os escravizados , nós , a escória social de o mundo mágico ! Dobby lembra se de como eram as coisas quando Aquele cujo nome não deve ser pronunciado estava em o auge de o poder , senhor ! Nós , os elfos domésticos éramos tratados como animais , senhor ! É claro que Dobby ainda é tratado assim - admitiu , secando o rosto em a fronha de almofada . - Mas , em a sua maioria , a vida melhorou bastante para os de a minha espécie desde_que Harry_Potter triunfou sobre Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Harry_Potter sobreviveu e o poder de os senhores de o Mal foi quebrado e veio uma nova alvorada , senhor , e Harry_Potter brilhou como um farol de esperança para aqueles de entre nós que já pensavam que a longa noite nunca mais teria fim , senhor ... e agora em Hogwarts vão acontecer coisas terríveis , talvez já esteiam a acontecer e Dobby não pode deixar Harry_Potter ficar aqui , agora_que a história vai repetir se , agora_que a Câmara_dos_Segredos está de_novo aberta . Dobby calou se horrorizado . Em seguida agarrou em o jarro de a água que Harry tinha a a cabeceira e bateu com ele em a própria cabeça , deixando se cair . Um segundo mais tarde voltou até junto de a cama , repetindo : - Mau , Dobby , muito mau , Dobby . - Quer_dizer , então , que existe mesmo a Câmara_dos_Segredos ? - murmurou Harry . - E dizes tu que já antes foi aberta ? Conta me , Dobby . Agarrou o pulso ossudo de o elfo quando a mão de ele se estendia para o jarro de a água . - Mas eu não sou filho de Muggles . Como posso estar em perigo por causa de a Câmara_dos_Segredos ? - Ah ! senhor , não pergunte a o pobre Dobby - lamentou se o elfo com os olhos enormes a brilharem em o escuro . - As forças de as trevas estão projectadas em este lugar , mas Harry_Potter não deve estar aqui quando as coisas acontecerem . Vá para_casa , Harry_Potter , vá para_casa . Harry_Potter não deve envolver se em isto , senhor , é demasiado perigoso ... - Quem é , Dobby ? - perguntou Harry , continuando a agarrar lhe o pulso com forca , impedindo que batesse de_novo em si próprio com o jarro . - Quem abriu a amara ? Quem a abriu de a última vez ? - Dobby não pode , senhor . Dobby não pode . Dobby não deve dizer - guinchou o elfo . - Vá se embora , Harry_Potter , vá se embora ! - Eu não vou para lugar nenhum - disse Harry , furioso . - Uma de as minhas melhores amigas é filha de Muggles , está em perigo se a câmara foi , de facto , aberta ... - Harry_Potter arrisca a própria vida por os amigos - gemeu Dobby em uma espécie de êxtase infeliz . - Tão nobre , tão corajoso , mas deve salvar se , Harry_Potter não deve ... Dobby calou se de repente com as orelhas de morcego a estremecerem . Harry também ouviu os passos que vinham lá fora , de o corredor . - Dobby tem de ir - balbuciou o elfo apavorado . Ouviu se um ruído e o pulso de Harry ficou subitamente fechado em o ar . Meteu se de_novo para baixo , em a cama , com os olhos fixos em a porta escura que dava entrada em a ala hospitalar enquanto os passos se aproximavam . Em o momento seguinte , Dumbledore estava a entrar , de costas , em o dormitório , vestindo uma longa túnica de lã e uma capa de noite . Transportava um extremo de aquilo que parecia ser uma estátua . A professora Mc_Gonagall surgiu um segundo mais tarde , pegando lhe em os pés . Os dois colocaram a em uma cama . - Chame Madam_Pomfrey - murmurou Dumbledore e a professora Mc_Gonagall passou por a cama de Harry , apressadamente , e desapareceu . Harry deixou se ficar muito quieto como_se estivesse a dormir . Ouviu vozes ansiosas e por fim a professora Mc_Gonagall apareceu de_novo , seguida de Madam_Pomfrey que vestia um casaco curto de lã sobre a camisa de dormir . Ouviu uma inspiração aguda . - O que aconteceu ? - murmurou Madam_Pomfrey_a_Dumbledore , inclinando se sobre a estátua que estava em a cama . - Outro ataque - disse Dumbledore . - A Minerva encontrou o em as escadas . Havia um cacho de uvas junto de ele . Acho que estava a tentar esgueirar se até aqui para vir visitar o Potter . O estômago de Harry deu uma reviravolta . Lenta e cuidadosamente ergueu se alguns centímetros para poder ver a estátua que estava sobre a cama . Um raio de luar iluminou lhe o rosto estático . Era_Colin_Creevey . Tinha os olhos abertos , e as mãos , em frente de a cara , seguravam a máquina fotográfica . -- Petrificado ? - murmurou Madam_Pomfrey . - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - Mas estou tentada a acreditar que ... se Albus não tivesse vindo cá abaixo tomar um chocolate quente ... quem sabe o que teria ... Os três olharam para Colin . Dumbledore inclinou se e retirou lhe a máquina de as mãos rígidas . - Será que ele conseguiu tirar a fotografia de o agressor ? - perguntou ansiosa a professora Mc_Gonagall . Dumbledore não respondeu . Abriu a parte detrás de a máquina . - Cruzes canhoto - disse Madam_Pomfrey . Um jacto de vapor tinha feito fervilhar a máquina . Harry , a três metros de distância , sentiu o cheiro tóxico de o plástico queimado . - Derretido - disse Madam_Pomfrey com grande espanto . - Tudo derretido . - O que significa isto , Albus ? - perguntou cada_vez_mais nervosa a professora Mc_Gonagall . - Significa - disse Dumbledore - que a Câmara_dos_Segredos está mesmo aberta outra_vez . Madam_Pomfrey levou uma mão a a boca . A professora Mc_Gonagall olhou assustada para Dumbledore . - Mas , Albus ... com certeza ... quem ? - A questão não é quem - disse Dumbledore com os olhos fixos em Colin . - A questão é como ... E pelo que Harry conseguiu ver de o rosto indistinto de a professora Mc_Gonagall , ela não compreendeu muito mais do_que ele . XI_O clube de os duelos Quando_Harry acordou , em o domingo de manhã , a enfermaria estava iluminada por um resplandecente sol de inverno e o seu braço tinha de_novo todos os ossos , apesar_de o sentir muito rígido . Sentou se rapidamente e olhou para a cama de Colin , mas ela fora isolada com as cortinas atrás de as quais se despira em a véspera . Vendo que ele tinha acordado , Madam_Pomfrey apareceu com um tabuleiro de pequeno-almoço e a seguir começou a apalpar lhe o braço e os dedos . - Tudo em ordem - disse , enquanto ele , com a mão esquerda , comia avidamente as papas de aveia . - Quando acabares de comer podes ir te embora . Harry vestiu se o mais depressa que pôde e dirigiu se a a pressa para a torre de os Gryffindor , ansioso por contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre Colin e Dobby , mas não os encontrou lá . Foi a a procura de eles , perguntando a si próprio onde teriam ido e sentindo se um_pouco magoado por o pouco interesse que demonstravam em saber se ele tinha recuperado os ossos . Quando passou por a biblioteca , Percy_Weasley vinha a sair com bastante melhor cara do_que de a última vez que se tinham encontrado . - Olá , olá , Harry - disse . - Excelente voo o de ontem , verdadeiramente sensacional . Os Gryffindor estão a a frente para a taça de a equipa . Ganhaste cinquenta pontos . - Não viste o Ron e a Hermione por aí ? - perguntou Harry . - Não , não vi - disse Percy com o sorriso a desaparecer . - Espero que o Ron não esteja outra_vez em a casa_de_banho de as raparigas ... Harry forçou um sorriso , viu Percy desaparecer e a seguir foi direitinho até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Não via lá muito bem por_que motivo o Ron e a Hermione lá estariam de_novo , mas , depois de se assegurar de que nem Filch nem nenhum de os prefeitos estavam por perto , abriu a porta e ouviu as vozes de eles que vinham de um cubículo fechado . - Sou eu - disse , fechando a porta atrás_de si . Ouviu se dentro de o cubículo um estrondo , um chapinhar e um sobressalto e ele viu o olho de a Hermione a espreitar por o buraco de a fechadura . - Harry - disse ela . - Pregaste nos um susto de morte . Entra . Como está o teu braço ? - _ óptimo - respondeu , apertando se dentro de o cubículo . Em cima de a sanita estava encarrapitado um velho caldeirão , e um crepitar a a superfície de a água disse a Harry que eles tinham acendido um fogo lá em baixo . Fazer aparecer fogos portáteis a a prova de água era uma de as especialidades de Hermione . - _ íamos visitar te , mas resolvemos começar a preparar a poção * _ Polisuco * - explicou Ron enquanto Harry fechava outra_vez a porta de o cubículo com alguma dificuldade . - Achámos que este era o lugar mais seguro para a esconder . Harry começou a contar lhes de o Colin , mas Hermione interrompeu o . - Nós já sabemos , ouvimos a professora Mc_Gonagall contar a o professor Flitwick hoje_de_manhã . Por isso resolvemos começar a ... - Quanto_mais depressa arrancarmos uma confissão a o Malfoy , melhor - rosnou o Ron . - Sabem o que eu penso ? Ele estava tão mal-humorado depois de o jogo de Quidditch que se vingou em o Colin . - Há outra coisa - disse Harry , vendo Hermione cortar molhos de verdezelha e lançá os dentro de a poção . - O Dobby foi visitar me a meio de a noite . Ron e Hermione olharam o espantados . Harry contou lhes tudo_o_que Dobby lhe dissera ... ou não dissera . Ron e Hermione ouviram o de boca aberta . - A Câmara_dos_Segredos já tinha sido aberta antes ? - repetiu Hermione . - Encaixa perfeitamente - disse Ron , em uma voz triunfante . - O Lucius_Malfoy deve ter aberto a Câmara_dos_Segredos quando andava em a escola e agora ensinou a o querido filhinho Draco como abris a . É óbvio , que pena o Dobby não te ter dito que tipo de monstro lá se encontra . Gostava de saber como é_que ninguém o viu andar por ai em a escola . - Talvez tenha a capacidade de se tornar invisível - sugeriu Hermione , picando sanguessugas para dentro de o caldeirão . - Ou talvez se disfarce , passando por uma armadura ou outra coisa de o género . Eu li umas coisas sobre vampiros camaleões ... - Tu lês de mais , Hermione - disse o Ron , deitando moscas asas de renda mortas por cima de as sanguessugas . Amarrotou o saco vazio de as asas de renda e olhou para Harry . - Então foi o Dobby que nos impediu de apanhar o comboio e te partiu o braço ... - abanou a cabeça . - Sabes o que eu acho ? Se ele não parar de tentar salvar te a vida ainda acaba por te matar . A notícia de que Colin_Creevey tinha sido atacado e estava agora em a ala hospitalar , como morto , espalhou se por toda_a escola em a segunda-feira de manhã . O ar ficou pesado e cheio de boatos e suspeitas . Os alunos de o primeiro ano começavam a andar por a escola em pequenos grupos , receando ser atacados se se aventurassem a andar isoladamente por os corredores . Ginny_Weasley , que era colega de carteira de o Colin em os encantamentos , estava perturbadíssima , mas Harry achou que Fred e George estavam a tentar animá a de a maneira errada . Revezavam se , mascarados com peles de animais e apareciam lhe subitamente detrás de as estátuas . Só pararam quando Percy , apopléctico de raiva , lhes disse que ia escrever a Mrs._Weasley a contar lhe que a Ginny andava a ter pesadelos . Enquanto isso , às_escondidas de os professores , uma panóplia de talismãs , amuletos e outros objectos de protecção ia enchendo a escola . Neville_Longbottom comprou uma enorme cebola verde que cheirava mal , um cristal pontiagudo cor de púrpura e uma cauda de tritão apodrecida antes de os outros rapazes de os Gryffindor lhe explicarem que ele não corria perigo : era um sangue puro e , portanto , muito pouco passível de ser atacado . - Eles foram a o Filch em primeiro lugar - disse Neville com o medo estampado em a cara redonda . - E toda_a_gente sabe que eu sou quase um * busca-pé * . Em a segunda semana de Dezembro , a professora Mc_Gonagall veio , como de costume , recolher os nomes de os alunos que ficavam em a escola durante o Natal . Harry , Ron e Hermione assinaram a lista . Tinham ouvido dizer que Malfoy ficava , o que lhes parecera muito suspeito . As férias seriam a altura ideal para usar a poção * _ Polisuco * e tentar arrancar lhe uma confissão . Infelizmente a poção estava a meio . Precisavam ainda de o chifre de bicórneo e o único lugar onde podiam arranjá o era em os depósitos privados de Snape . Harry , pessoalmente , preferia enfrentar o lendário monstro de os Slytherin do_que ser apanhado por o Snape a assaltar lhe o escritório . - O que precisamos - disse Hermione cheia de vivacidade quando se aproximava a aula conjunta de poções de quinta-feira a a tarde - para podermos entrar a a vontade em o escritório de o Snape , é de uma diversão . Harry e Ron olharam para ela , nervosos . - Acho que o melhor é ser eu a praticar o roubo - prosseguiu ela , em um tom perfeitamente casual . - Vocês os dois podem ser expulsos se forem apanhados e eu tenho uma folha limpa . Portanto , a única coisa que têm de fazer é distrair o Snape durante cerca de cinco minutos . Harry esboçou um meio sorriso . Provocar deliberadamente um estrago em a aula de poções de o Snape era tão seguro como ferir em um olho um dragão adormecido . As aulas de poções tinham lugar em um de os mais amplos calabouços . A de quinta-feira a a tarde não foi diferente de as outras . Vinte caldeirões fumegavam entre as secretárias de madeira , sobre as quais podia ver se laminas de latão e jarras com ingredientes . Snape deambulava por o meio de os fumos , fazendo reparos petulantes a o trabalho de os Gryffindor , enquanto os Slytherin riam a a socapa . Draco_Malfoy , que era o aluno preferido de Snape , não parava de lançar olhos de carneiro mal morto a o Ron e a o Harry , que sabiam que se retaliassem teriam um castigo , antes de poderem abrir a boca para dizer : - É injusto ! A solução de inchar de o Harry estava demasiado líquida , mas ele estava preocupado com coisas mais importantes . Esperava por o sinal de Hermione e mal deu por Snape se calar para ir espreitar a sua poção aguada . Quando o professor se voltou e foi implicar com o Neville , Hermione trocou um olhar com Harry e fez um aceno . Harry baixou se discretamente por detrás de o seu caldeirão , tirou de o bolso de trás um de os paus de fogo-de-artíficio Filibuster e deu lhe um toque de varinha . O fogo-de-artíficio começou a sibilar e a crepitar . Sabendo que tinha apenas alguns segundos , Harry endireitou se , ganhou coragem e lançou o a o ar . Aterrou certeiro em o caldeirão de o Goyle . A poção de o Goyle explodiu , salpicando toda_a aula . As pessoas gritavam , à_medida_que eram vítimas de os salpicos . Malfoy foi apanhado em a cara e o nariz começou a inchar como um balão . O Goyle tropeçava a as cegas , com as mãos em os olhos , que tinham ficado de o tamanho de pratos de sopa , enquanto o Snape tentava repor a calma e tentar perceber o que sucedera . Em o meio de a confusão , Harry viu Hermione esgueirar se a a socapa por a porta . - Silêncio ! silêncio ! - vociferou Snape . - Todos os que foram salpicados cheguem aqui para uma drenagem . Quando eu descobrir quem fez isto ... Harry fez um enorme esforço para não se rir a o ver Malfoy chegar apressadamente lá a a frente , a cabeça a tombar com o peso de o nariz , que parecia um pequeno melão . Quando metade de a aula se amontoava junto de a secretária de o Snape , alguns alunos vergados por o peso de os braços que pareciam mocas , outros incapazes de falar devido a o gigantesco inchaço de os lábios , Harry viu Hermione reentrar em o calabouço , a túnica mostrando a barriga protuberante . Quando todos os alunos tinham já tomado um gole de o antídoto e os vários inchaços tinham desaparecido , Snape precipitou se para o caldeirão de o Goyle e pescou os restos retorcidos de o fogo-de-artíficio . Houve um súbito silêncio . - Se eu descubro quem lançou isto - murmurou Snape - garanto que é expulsão por a certa . Harry compôs uma expressão de espanto . Snape olhava directamente para ele e a campainha , que tocou dez minutos mais tarde , não podia ser mais bem-vinda . - Ele soube que fui eu - disse Harry_a_Ron e a a Hermione , enquanto se dirigiam apressadamente para a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Tenho a certeza . Hermione lançou o novo ingrediente em o caldeirão e começou a mexer furiosamente . - Isto vai estar pronto dentro_de quinze_dias - afirmou , satisfeita . - O Snape não pode provar que foste tu - assegurou Ron , tranquilizando Harry . - Que pode ele fazer ? - Conhecendo o Snape , qualquer coisa louca - respondeu Harry , enquanto a poção borbulhava e espumava . Uma semana mais tarde , Harry , Ron e Hermione passavam por o vestíbulo de entrada , quando viram um pequeno grupo de pessoas reunidas em volta de o jornal de parede a lerem um pedaço de pergaminho que tinha acabado de ser afixado . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas acenaram lhes , entusiasmados . - Vão lançar um clube de duelos ! - exclamou Seamus . - Hoje a a noite é a primeira reunião . Eu não me importaria nada de ter aulas de duelo , podem vir a ser úteis um dia de estes ... - Porquê ? Achas que o monstro de os Slytherin sabe esgrimir ? - perguntou o Ron , mas , também ele , leu a notícia com interesse . - Pode ser útil - disse a o Harry e a a Hermione , quando foram jantar . - Vamos lá ? Harry e Hermione acharam óptimo , por isso , a as oito_da_noite voltaram a o salão . As longas mesas de refeição tinham desaparecido e um estrado dourado surgira , encostado a a parede . Sobre ele flutuavam milhares de velas . O tecto era , mais_uma_vez , de veludo negro e parecia que quase todos os alunos de a escola se encontravam ali , com as suas varinhas em a mão e com um ar entusiasmado . - Quem será que vai ensinar nos ? - perguntou Hermione , enquanto se misturavam em a multidão barulhenta . - Ouvi dizer que o Filitwick foi campeão de duelo em a juventude , talvez seja ele . - Desde_que não seja ... - começou Harry , mas terminou em um gemido : Gilderoy_Lockhart estava a subir a o estrado , resplandecente em as suas vestes cor de ameixa , acompanhado , nem mais nem menos , do_que de Snape que trajava , como sempre , de negro . Lockhart levantou um braço , pedindo silêncio , bradando : - Aproximem se , aproximem se , conseguem todos ver me e ouvir me ? Excelente ! - O professor Dumbledore deu me autorização para iniciar este pequeno curso de duelo para vos treinar a todos , caso algum dia precisem de se defender , como eu tenho feito em inúmeras ocasiões ; para mais detalhes , leiam os livros que tenho publicados . - Permitam que vos apresente o meu assistente , o professor Snape - disse Lockhart , abrindo um sorriso de orelha a orelha . - Ele diz me que sabe alguma coisa sobre duelos e aceitou desportivamente ajudar me em uma exibição de demonstração , antes de começarmos . Atenção , não quero que os mais novos fiquem preocupados , vão continuar a ter o vosso professor de poções depois de eu o vencer . Não tenham medo . - Não era óptimo se se liquidassem um_ao_outro ? - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . O lábio inferior de Snape estava curvo . Harry interrogou se sobre o motivo por_que Lockhart continuava a sorrir . Se o Snape olhasse de aquela maneira para ele , Harry estaria a correr a_toda_a velocidade para o mais longe possível . Lockhart e Snape voltaram se um para o outro e fizeram uma vénia , pelo_menos Lockhart fê la com muitas reviravoltas de mãos , enquanto Snape acenava , irritado , com a cabeça . Em seguida , ergueram as varinhas , como_se fossem espadas , em a frente . - Como podem ver , estamos a pegar em as varinhas em a posição de aceitação de combate - explicou Lockhart a a multidão silenciosa . - Quando contarmos até três , lançaremos os primeiros feitiços . Nenhum de nós tentará matar o outro , claro . - Eu não poria as mãos em o fogo - murmurou Harry , observando como Snape cerrava os dentes . -- Um , dois , três ... Os dois balançaram as varinhas acima de os ombros . Snape gritou : * _ Expelliarmus * ! Houve um clarão ofuscante de luz escarlate e Lockhart voou para trás , caindo de o estrado batendo contra a parede , escorregando e indo estatelar se em o chão . Malfoy e alguns de os outros Slytherin aplaudiram . Hermione estava em bicos de os pés . - Acham que ele está bem ? - gritou entredentes . - Quem se rala ? - disseram ao_mesmo_tempo o Ron e o Harry . Lockhart estava a pôr se , hesitante , de pé . O chapéu caíra lhe e o cabelo ondulado estava em um desalinho . - Bem , cá está ! - disse , cambaleando até a o estrado . - Este foi um encantamento para desarmar . Como podem ver , perdi a minha varinha . Ah , obrigado Miss_Brown . Sim , foi uma excelente ideia mostrar lhes isto , professor Snape , mas , se me permite que lhe diga , foi muito óbvio o que ia fazer . Se eu tivesse querido impedis o , teria o feito com a maior de as facilidades . Mas achei que seria educativo deixá os ver ... Snape tinha um ar assassino . Provavelmente Lockhart deu por isso , porque declarou : - Chega de demonstrações . Eu vou passar agora por o meio de vocês e criar duplas . Professor_Snape , se quiser ajudar me ... Entraram por o meio de a multidão , agrupando alunos . Lockhart pôs o Neville com Justin_Finch - _ Fletchley , mas Snape chegou primeiro junto de Harry e de Ron . - Tempo de separar a dupla ideal , parece me - rosnou . - Weasley , tu podes ficar com o Finnigan . Potter ... Harry voltou se automaticamente para Hermione . - Não me parece - disse Snape com o seu sorriso frio . - Mr._Malfoy , venha até aqui . Vamos ver o que faz com o famoso Potter . E a menina , Miss_Granger , pode emparceirar com Miss_Bulstrode . Malfoy aproximou se com o seu passo empertigado e o seu sorriso escarninho . Atrás de ele vinha uma rapariga de os Slytherin , que lembrou a Harry uma imagem que tinha visto em as * _ Férias com Bruxas_Velhas * . Era corpulenta e quadrada e os maxilares avançavam agressivamente . Hermione esboçou um meio sorriso , que ela não retribuiu . - Voltem se para os vossos parceiros - gritou Lockhart - e façam a vénia . Harry e Malfoy mal inclinaram as cabeças , não afastando os olhos um de o outro . - Varinhas preparadas ! - gritou Lockhart . - Quando eu disser três preparem os feitiços para desarmar o vosso opositor . Um ... dois ... três ... Harry levantou a varinha acima de o ombro , mas Malfoy começara logo em o « dois » : o seu feitiço apanhou Harry com tanta força que ele se sentiu como_se tivesse levado com uma frigideira em a cabeça . Tropeçou , mas ainda não estava fora de combate e , sem perder tempo , Harry apontou a varinha a Malfoy e gritou : - * _ Rictusempra ! * Um jacto de luz prateada atingiu Malfoy em o estômago , obrigando o a dobrar se , arfando . - Eu disse desarmar ! - gritava Lockhart sobre as cabeças de a multidão em lata , enquanto Malfoy caía de joelhos . Harry atingira o com o feitiço de as cócegas e ele mal conseguia mexer se para se rir . Harry hesitou com o vago sentimento de que seria pouco desportivo enfeitiçar Malfoy enquanto ele estava caído em o chão , mas ... foi um erro . Tentando respirar , Malfoy apontou a varinha a os joelhos de Harry , balbuciando : « * _ Tarantallegra ! * » e , um segundo depois , as pernas de o Harry tinham começado a mexer se , sem que ele pudesse controlá as , executando uma espécie de dança frenética . - Parem , parem - gritava Lockhart , quando Snape resolveu tomar controlo de a situação . - * _ Finite_Incantatem ! * - bradou . Os pés de o Harry pararam de dançar , Malfoy parou de rir e puderam olhar para_cima . Uma onda de fumo esverdeado pairava sobre todos eles . Neville e Justin estavam caídos em o chão , a arfar . Ron tentava fazer parar um Seamus com cara cor de cinza , pedindo lhe mil desculpas por o que a sua varinha partida eventualmente tivesse feito . Mas Hermione e Millicent_Bulstrode ainda não tinham acabado . Millicent tinha feito a Hermione uma prisão de cabeça e Hermione gritava de dor . As duas varinhas jaziam esquecidas em o chão . Harry deu um salto em frente e afastou Millicent . Não foi fácil , ela era bastante maior do_que ele . - Oh , gente ! - exclamou Lockhart , arrastando se por o meio de a multidão e olhando para os resultados de os duelos . - Vamos pôr de pé , Mcmillan ... cuidado , Miss_Fawcett ... belisque com força que pára logo de sangrar ... - Acho que o melhor é ensinar vos como bloquear feitiços pouco amigáveis - afirmou Lockhart que estava nervosíssimo em o meio de o salão . Olhou para Snape , cujos olhos pretos brilhavam e desviou rapidamente o olhar . - Vamos arranjar um par de voluntários . Longbottom e Finch - _ Fletchley , que tal serem vocês ? - Uma má ideia , professor Lockhart - disse Snape , deslizando como um morcego enorme e cruel . - Longbottom provoca devastação com o feitiço mais simples . Ainda temos de mandar o que restar de o Finch - _ Fletchley para a ala hospitalar dentro_de uma caixa de fósforos . - A cara redonda e rosada de Neville ficou ainda mais rosada . - Que tal o Malfoy e o Potter ? - sugeriu Snape com um sorriso retorcido . - Excelente ideia - disse Lockhart , fazendo sinal a os dois para que se aproximassem de o meio de o salão , enquanto a multidão recuava para lhes dar passagem . - Ouve bem , Harry - disse Lockhart . - Quando o Draco te apontar a varinha , tu fazes assim . Levantou a sua varinha , executando uma tentativa complicada de malabarismo e deixou a cair . Snape sorriu pretensiosamente , enquanto Lockhart a apanhava de o chão , dizendo : - Ups , a minha varinha está demasiado excitada . Snape aproximou se de Malfoy , inclinou se e disse lhe qualquer coisa a o ouvido . Malfoy sorriu também de forma afectada . Harry olhou , nervoso , para Lockhart e pediu : - Professor , podia mostrar me outra_vez aquela coisa para bloquear ? - Estás com medo ? - murmurou Malfoy baixinho , para que Lockhart não pudesse ouvir . - Querias ! - exclamou Harry por o canto de a boca . Lockhart deu um soco em o ombro de o Harry , em a brincadeira . - Basta que faças como eu fiz ! - O quê , deixar cair a varinha ? Mas Lockhart não estava a ouvir - Três , dois , um , zero ! - gritou . Malfoy levantou rapidamente a varinha a o ar e gritou : - * _ Serpensortia ! * A extremidade de a varinha explodiu . Harry viu , horrorizado , uma enorme serpente negra sair de ela , cair pesadamente em o chão a meio de os dois e erguer se disposta a atacar . Ouviram se gritos , enquanto a multidão se afastava , deixando o chão vazio . - Não te mexas , Potter - disse Snape vagarosamente , divertindo se claramente a ver Harry , parado , a olhar em os olhos a serpente . - Eu trato de ela ... - Permita me -- gritou Lockhart . Bramiu a varinha em direcção a a serpente e ouviu se um estoiro . A cobra , em_vez_de desaparecer , voou três metros acima de eles e voltou a cair em o chão com um estrondo enorme . Enraivecida , a sibilar de fúria , rastejou em direcção a Finch - _ Fletchley e pôs se de pé com os dentes a a mostra , pronta a atacar . Harry não soube ao_certo o que o levou a fazer aquilo . Não se lembrava sequer de ter tomado aquela decisão . Só soube que as pernas o fizeram avançar como_se tivesse rodas e que gritou a a serpente : - Larga o ! - E , milagrosa e inexplicavelmente , a serpente voltou a o chão , dócil como uma grande mangueira de jardim , preta e grossa , os olhos agora fixos em os olhos de Harry . Harry sentiu o medo a escoar se . Sabia que a cobra não atacaria mais ninguém , embora não pudesse explicar como sabia . Olhou para Justin a sorrir , esperando vê o aliviado , espantado , ou mesmo agradecido , mas nunca zangado ou assustado . - Que brincadeira é essa ? - gritou o outro e , antes que Harry tivesse tempo de dizer fosse o que fosse , voltou as costas e saiu de o salão . Snape deu um passo em frente , fez um gesto com a varinha e a serpente desapareceu em uma onda de fumo preto . Também ele , Snape , olhava para Harry de uma forma inesperada . Era um olhar arguto e calculista , de que Harry não gostou . Apercebeu se também vagamente de um murmúrio ameaçador que vinha de as paredes em volta . Depois , sentiu um puxão em a túnica . - Vamos - disse a voz de o Ron em o seu ouvido . - Mexe te , vá lá ... Ron arrastou o para fora de o salão . Hermione acompanhava os em a passada rápida . Quando cruzaram a porta , as pessoas que a rodeavam afastaram se , como_se tivessem medo de ser contagiadas . Harry não fazia a mais pequena ideia do_que estava a passar se e , nem Ron , nem Hermione lhe deram qualquer explicação , antes de o terem levado até a a sala comum de os Gryffindor , que se encontrava vazia . Aí , Ron empurrou Harry para uma cadeira de braços e disse : - Tu és um * serpentês * . Porque não nos disseste ? - Eu sou um quê ? - perguntou Harry . - Um * serpentês * ! - exclamou o Ron . - Falas com as cobras . - Eu sei - declarou Harry . - Quer_dizer , esta foi a segunda vez que o fiz . A outra foi há muito_tempo em o jardim zoológico , quando soltei uma Boa_Constrictor a o meu primo Dudley . É uma longa história , mas ela estava a dizer me que nunca tinha estado em o Brasil e eu acho que a libertei sem querer . Foi antes de saber que era feiticeiro . . . - Uma Boa_Constrictor disse te que nunca tinha estado em o Brasil ? - repetiu Ron , quase sem voz . - E então ? - disse o Harry . - Aposto que montes de pessoas aqui fazem o mesmo . - Não fazem , não - afirmou Ron . - Não é um dom muito frequente . Harry , isso é mau . - O que é_que é mau ? - perguntou Harry , que começava a ficar chateado . - O que é_que se passa com todos os outros ? Ouve bem , se eu não tivesse dito a aquela cobra para não atacar o Justin ... - Ah , foi isso que tu disseste ? - Que queres dizer ? Tu estavas lá , ouviste perfeitamente o que eu disse . - Eu ouvi te falar em serpentês - disse o Ron . - Língua de cobra . Podias estar a dizer lhe qualquer coisa . Não admira que o Justin tivesse entrado em pânico . Parecia que estavas a incitar a serpente . Foi assustador , sabes ? Harry olhou para ele espantado . - Eu falei uma língua diferente ? Mas não me apercebi , como posso falar uma língua , sem saber que a conheço ? Ron abanou a cabeça . Tanto ele como Hermione tinham um ar fúnebre . Harry não percebia o que havia em aquilo de tão trágico . - Será que me querem explicar o que há de mal em ter impedido que uma serpente enorme arrancasse a cabeça a o Justin ? - perguntou . - Porque é tão importante como o fiz , se evitei que o Justin fosse juntar se a grupo de os SEM_CABEÇA ? - Importa - disse por fim Hermione , em uma voz abafada . - Porque falar com serpentes era a arte por a qual Salazar_Slytherin ficou famoso . Por isso , o símbolo de os Slytherin é uma serpente . Harry ficou de boca aberta . - Exacto - disse o Ron . - E agora todos em a escola vão pensar que tu és descendente de ele . - Mas não sou - contrapôs Harry com um pânico que não conseguia explicar . - Não vai ser fácil prová o - disse Hermione . - Ele viveu há quase mil anos . Pelo que vimos , podias ser . Em essa noite , Harry ficou acordado durante horas . Por uma fresta de os cortinados de a cama de dossel , olhou para a neve que começava a cair de o lado de_fora de a janela de a torre e perguntou se se poderia ser descendente de Salazar_Slytherin . Afinal , não sabia nada de a família de o pai , os Dursley tinham sempre proibido qualquer pergunta sobre os seus familiares feiticeiros . Calmamente , tentou dizer qualquer coisa em * serpentês * , mas as palavras não saíam . Parecia que era necessário estar frente_a_frente com uma cobra para poder fazê o . Mas eu sou um Gryffindor , pensou Harry , o chapéu seleccionador não me poria aqui se eu tivesse sangue de Slytherin ... - Ah ! - disse uma vozinha dentro de o seu cérebro . - Mas o chapéu seleccionador queria pôr te em os Slytherin , não te lembras ? Harry deu voltas e voltas a a cabeça . Em o dia seguinte , quando visse Justin em a aula de herbologia explicaria lhe que estava a afastar a serpente , não a atiçá a o que , aliás , pensou zangado , dando vários socos em a almofada , qualquer idiota teria percebido . Contudo , em a manhã seguinte , a neve que começara a cair durante a noite , transformara se em uma tempestade tão espessa que a última aula de herbologia de o período foi cancelada : a professora Sprout queria tapar as mandrágoras com peúgas e cachecóis , uma operação arriscada que ela não confiava a ninguém agora_que era tão importante que as mandrágoras crescessem depressa e reabilitassem Mrs._Norris e Colin_Creevey . Junto de a lareira de a sala comum de os Gryffindor , Harry matutava sobre o que se passara enquanto Ron e Hermione aproveitavam o foro para jogar xadrez de feitiçaria . - Com os diabos , Harry - disse Hermione exasperada quando um bispo derrubou um de os cavaleiros de o cavalo , arrastando o para fora de o tabuleiro . - Vai falar com o Justin , se isso é assim tão importante para ti . Harry levantou se e saiu por o buraco de o retrato , perguntando a si próprio onde poderia estar o Justin . O castelo estava mais escuro do_que era habitual durante o dia por causa de a neve espessa e cinzenta que cobria as janelas . A tremer , Harry passou por as salas onde estava a haver aulas , captando lampejos do_que sucedia lá dentro . A professora Mc_Gonagall gritava com alguém que , segundo lhe parecia por o som , transformara o parceiro em um texugo . Resistindo a a tentação de dar uma espreitadela , Harry afastou se pensando que Justin poderia estar a utilizar o tempo de o furo para fazer algum trabalho e resolveu , por isso , ir até a a biblioteca . Um grupo de alunos de os Hufflepuff , que deveriam ter estado em Herbologia , encontrava se , de facto , sentado em as traseiras de a biblioteca , mas não parecia estar a trabalhar . Entre as fileiras de as estantes altas , Harry pôde ver as suas cabeças muito juntas em aquilo que deveria ser uma conversa absorvente . Não conseguia perceber se Justin estaria em o meio de eles . Ia para se aproximar quando apanhou em o ar uma frase e parou para ouvir melhor , escondido em a secção de a invisibilidade . - Portanto - dizia um rapaz corpulento - eu disse a o Justin para se esconder em o nosso dormitório . Isto_é , se o Potter o escolheu como próxima vítima é melhor que ele tenha um * low profile * durante algum tempo . É claro que o Justin já estava a a espera que alguma coisa de o género acontecesse desde_que lhe escapou em uma conversa com o Potter que era filho de Muggles . O Justin disse lhe , inclusivamente , que tinha estado inscrito em Eton . Não é o tipo de coisa que se ande a dizer com o herdeiro de Slytherin a a solta por aí . - Achas mesmo_que é o Potter , Ernie ? - perguntou uma rapariga de tranças loiras , ansiosamente . - Hannah - disse com solenidade o rapaz corpulento . - Ele é um serpentês . Todos sabem que essa é a marca de um feiticeiro negro . Alguma vez ouviste falar de um feiticeiro decente que falasse com as cobras ? O Slytherin era conhecido por « Língua de serpente . . Houve alguns murmúrios antes de Ernie prosseguir : - Lembram se do_que estava escrito em a parede ? * _ Inimigos de o herdeiro , cuidado ! * . O Potter teve que ir a o gabinete de o Filch . E o que é_que acontece a seguir ? A gata de o Filch é atacada . O aluno de o primeiro ano , Creevey , estava a aborrecê o em a partida de Quidditch , a tirar lhe fotografias quando ele estava caído em a lama . E o que é_que acontece a seguir ? Creevey é atacado . - Mas ele parece sempre ser tão simpático - disse Hannah , cheia de dúvidas . - E , bem , foi ele que fez com que o Quem nós sabemos desaparecesse . Não pode ser assim tão mau , pois não ? Ernie baixou misteriosamente a voz . Os Hufflepuff inclinaram se mais uns para os outros e Harry aproximou se para conseguir apanhar as palavras de o Ernie . - Ninguém sabe como ele sobreviveu a aquele ataque de o Quem nós sabemos e , afinal , ainda era um bebé quando aquilo aconteceu . Era para ter explodido feito em estilhaços . Só um feiticeiro negro verdadeiramente poderoso teria sobrevivido a uma maldição de aquelas . - Baixou ainda mais a voz até esta ficar reduzida a um leve murmúrio e disse : - Talvez fosse por isso que o Quem nós sabemos o queria matar , para não ter outro feiticeiro negro a competir com ele . Gostava de saber que outros poderes ocultos terá o Potter . Harry não aguentou mais . Pigarreou alto e saiu detrás de as estantes . Se não estivesse tão zangado teria conseguido ver o lado cómico de a situação : cada_um de os Hufflepuff olhava para ele como_se tivesse sido petrificado , e a cor desaparecera de a cara de o Ernie . - Olá - disse Harry . - Estou a a procura de o Justin_Finch - _ Fletchley . Os piores receios de os Hufflepuff tinham se concretizado . Olharam apavorados para o Ernie . - O que queres de ele ? - perguntou Ernie em uma voz sumida . - Explicar lhe o que aconteceu com aquela cobra em o clube de os duelos - disse Harry . Ernie mordeu os lábios brancos e , em seguida , respirando fundo , respondeu : - Estávamos lá todos . Vimos o que aconteceu . - Então viram que depois de eu falar a serpente recuou - disse Harry . - O que eu vi - insistiu teimosamente Ernie , apesar_de tremer a cada palavra que proferia - foi tu a falares serpentês e a atiçares a cobra conta o Justin . - Eu não a aticei - gritou Harry enraivecido . - Ela nem lhe tocou . - Falhou por_pouco - disse Ernie . - E , para o caso de estares com ideias - acrescentou com má cara - posso dizer te que a minha família provem de nove gerações de bruxas e feiticeiros e que o meu sangue é tão puro como o de qualquer feiticeiro , portanto ... - Quero lá saber qual é o teu sangue - disse Harry furioso . - Porque iria eu atacar os filhos de os Muggles ? - Ouvi dizer que detestas os Muggles com quem vives - disse Ernie rapidamente . - Não é possível viver com os Dursley sem os detestar - explicou Harry . - Gostava de te ver lá em casa . Girou sobre os calcanhares e saiu furioso de a biblioteca sob o olhar reprovador de Madam_Prince que limpava a capa dourada de um enorme livro de encantamentos . Harry avançou a as cegas por os corredores , quase sem ver por_onde ia de tão furioso que estava . O resultado foi chocar com algo enorme e sólido que o fez recuar e cair a o chão . - Ah ! Olá , Hagrid - disse , olhando para_cima . Hagrid tinha o rosto completamente tapado com um lenço coberto de neve , mas não podia ser mais ninguém , enchendo assim o corredor dentro de o seu sobretudo de pele de toupeira . De uma de as enormes mãos enluvadas , pendia um galo morto . - Tudo bem , Harry ? - perguntou , afastando o lenço para poder falar . - Porque não estás em a aula ? - Foi cancelada - disse Harry , pondo se de pé . - O que estás a fazer aqui ? Hagrid mostrou lhe o galo inerte . - É o segundo qu'aparece morto este período - explicou . - Ou são raposas ou um vampiro chato e eu preciso d'autorização de o director p'ra fazer um feitiço em volta de a capoeira . Aproximou se e olhou mais de perto para o Harry , por debaixo de as suas sobrancelhas espessas e cheias de neve . - Tens a certeza que estás bem ? Pareces exaltado e preocupado . Harry não foi capaz de repetir o que Ernie e os outros Hufflepuff lhe tinham dito . - Não é nada , tenho de ir , Hagrid . A próxima aula é Transfiguração e preciso de ir buscar os meus livros . Afastou se , a cabeça cheia com tudo_o_que Ernie dissera a seu respeito . « * _ O_Justin já estava d espera que uma coisa de o género acontecesse desde_que deixou escapar , falando com o Potter , que era filho de Muggles * ... » Harry subiu as escadas a correr e entrou por um corredor que estava particularmente escuro . As tochas tinham sido apagadas por uma ventania gelada que entrava por uma janela de fecho estragado . Estava a meio de o corredor quando tropeçou em uma coisa que se encontrava em o chão . Olhou para ver o que era e sentiu como_se o estômago se tivesse dissolvido . Justin_Finch - _ Fletchley estava em o chão , rígido e frio com uma expressão de horror em o rosto e os olhos abertos voltados para o tecto . E não era tudo . Junto de ele estava mais alguém , a visão mais estranha que Harry tivera em toda_a sua vida . Era_o_Nick quase sem cabeça que não estava cor de pérola nem transparente e sim escuro como fumo . Flutuava imóvel , em a horizontal , 12 centímetros acima de o chão , a cabeça meio tombada e em o rosto uma expressão de choque idêntica a a de o Justin . Harry pôs se de pé com a respiração acelerada e o coração a bater como um tambor contra as costelas . Olhou desvairado para ambos os lados de o corredor deserto e viu uma fila de aranhas que corriam a_toda_a velocidade em a direcção oposta a a de os corpos . Os únicos sons eram as vozes abafadas de os professores em as aulas que decorriam de ambos os lados . Podia fugir e ninguém saberia que ali tinha estado , mas não era capaz de os abandonar assim . Tinha de ir procurar ajuda . Será que alguém acreditaria que ele não tivera nada que ver com aquilo ? Enquanto ali estava , em pânico , uma porta a o seu lado abriu se com grande estrondo . Peeves , o * poltergeist * , saiu a os gritos . - Oh ! É o Potter , olá , Potter - alardeou Peeves , lançando por o ar os óculos de o Harry quando passou por ele . - O que está o Potter a fazer ? Porque está o Potter escondido ? Peeves passou de cabeça para baixo , a meio de uma cambalhota em o ar , quando viu Justin e Nick quase sem cabeça . Com um movimento súbito endireitou se , encheu os pulmões de ar e , antes que Harry pudesse impedi o , gritou : __ ataque ! ataque ! outro ataque ! nenhum mortal ou fantasma está em segurança . corram , fujam , __ ataaaque ! Crac , Crac , Crac . Uma atrás de a outra , foram se abrindo todas_as portas a o longo de o corredor e as pessoas saíram para fora de as salas de aula . Durante alguns longos minutos houve uma tal confusão que Justin esteve em perigo de ser esmagado e as pessoas não paravam de chocar com o Nick quase sem cabeça . Harry deu por si colado a a parede enquanto os professores exigiam a os gritos que se fizesse silêncio . A professora Mc_Gonagall veio a correr , seguida por todos os alunos , um de os quais ainda trazia o cabelo a as riscas pretas e brancas . Usou a varinha para produzir um ruído que repôs o silêncio e mandou os alunos todos para dentro de as salas de aula . Mal lugar ficou desimpedido surgiu Ernie , o jovem Hufflepuff . - * _ Apanhado em flagrante ! * - gritou , com o rosto totalmente branco , apontando dramaticamente o dedo par Harry . - Basta_Mcmillan - disse , de forma cortante , a professora Mc_Gonagall . Peeves andava para_cima e para baixo , observando a cena com um sorriso maldoso . Sempre adorara o caos . Quando os professores se inclinaram sobre Justin e sobre o Nick quase sem cabeça para os examinar , iniciou uma cantilena : * _ Oh ! Potter , que fizeste , seu grande bandido * _ Tu matas os estudantes porque achas divertido . * - Basta , Peeves - rosnou a professora Mc_Gonagall e Peeves afastou se , deitando a língua de_fora a o Harry . Justin foi levado para a ala hospitalar por o professor Flitwick e por o professor Sinistra_do_Departamento_de_Astronomia , mas ninguém parecia saber o que fazer em relação a o Nick quase sem cabeça . Por fim , a professora Mc_Gonagall fez aparecer em o ar um enorme leque que entregou a Ernie com o encargo de conduzir , escadas acima , por os ares o Nick quase sem cabeça . Ernie assim fez , soprando Nick como_se fosse um aerodeslizador e deixando , de este modo , o Harry e a professora Mc_Gonagall a sós . - Por aqui , Potter - disse ela . - Professora , eu juro que não ... - Isso não é comigo , Potter - afirmou a professora Mc_Gonagall sinteticamente . Caminharam em silêncio até uma esquina e ela parou perante uma gárgula de pedra extremamente feia . - Refresco de limão - disse . Era obviamente uma senha porque a gárgula animou se subitamente e saltou para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes . Apesar_de estar apavorado com o que ia acontecer a seguir , Harry não conseguiu evitar um sentimento de fascínio . Por detrás de a parede estava uma escada em espiral que se movia lentamente para_cima como um elevador . E quando ele e a professora Mc_Gonagall puseram os pés em o primeiro degrau , Harry ouviu a parede fechar se atrás de eles . Subiram em círculos , cada_vez_mais alto até que , por fim , um_pouco tonto , Harry pôde ver uma porta de carvalho reluzente com um puxador de bronze em forma de abutre . Harry calculava onde estava a ser levado . Devia ser ali que morava Dumbledore . XII_A poção * polisuco * Saltaram de a escada de pedra lá mesmo em cima e a professora Mc_Gonagall bateu a a porta . Ela abriu se silenciosamente dando lhes entrada . A professora Mc_Gonagall disse lhe que esperasse e deixou o sozinho . Harry olhou em volta . Uma coisa era certa : de todos o escritórios de professores que conhecia , o de Dumbledor era , de longe , o mais interessante . Se não estivesse com um medo de morte de ser expulso teria adorado explorá o . Era uma sala grande e bonita em forma de círculo que estava cheia de barulhinhos estranhos . Havia um grande número de instrumentos prateados sobre várias mesas de pernas finas que zumbiam emitindo pequenas baforadas de fumo . As paredes estavam cobertas de fotografias de antigos directores e directoras , todos eles a dormir tranquilamente em as suas molduras . Havia ainda uma enorme secretária pés de garra . E , sobre uma prateleira atrás de ela , um chapéu de feiticeiro andrajoso e puído : * o chapéu seleccionador * . Harry hesitou . Lançou um olhar cauteloso a as bruxas e feiticeiros adormecidos a o longo de as paredes . Com certeza não fazia mal se lhe pegasse e o experimentasse só para ver ... só para ter a certeza de que ele o pusera em a equipa certa . Deu a volta a a secretária , retirou o chapéu de a prateleira e baixou o lentamente sobre a cabeça . Era demasiado grande e escorregou lhe para os olhos como de a outra_vez que o tinha posto . Harry olhou para o forro preto , enquanto esperava . Por fim , uma vozinha disse lhe a o ouvido : - Estás com macaquinhos em o sótão , Harry_Potter ? - Er ... sim - balbuciou Harry . - Er ... desculpa incomodar te , queria saber ... - Querias saber se te pus em a equipa certa - disse prontamente o chapéu . - Sim ... tu és particularmente difícil de seleccionar , mas eu mantenho o que disse antes . - O coração de Harry deu um salto . - Terias ficado bem em os Slytherin . Harry sentiu o estômago contorcer se . Agarrou o chapéu por a aba e tirou o de a cabeça . O chapéu seleccionador ficou pendurado em a mão de ele , inerte , desbotado e sujo . Harry voltou a pô o em a prateleira , sentindo se enjoado . - Estás enganado ! - disse em voz alta a o chapéu parado e silencioso , mas ele não se mexeu . Harry recuou para o observar melhor e foi então que ouviu um ruído estranho e grasnado atrás_de si que o fez dar uma volta . Não estava só , afinal_de_contas . Em um poleiro dourado atrás de a porta estava um pássaro de aspecto decrépito que parecia um peru meio depenado . Harry olhou para ele espantado e o pássaro olhou o também , grasnando de_novo . Harry achou que ele devia estar muito doente porque tinha os olhos parados e , enquanto olhava para ele , caíram lhe mais algumas penas de a cauda . Estava justamente a pensar que a única coisa que lhe faltava era que o pássaro de estimação de Dumbledore morresse quando ele estava ali sozinho com ele , em o escritório , quando a ave se incendiou . Harry gritou , em estado de choque , e recuou até a a secretária . Olhava nervosamente em volta , em busca de um jarro de água , mas não viu nenhum . O pássaro , entretanto , transformara se em uma bola de fogo , dera um guincho e , em seguida , desaparecera , deixando apenas um monte de cinzas em o chão . A porta de o escritório abriu se . Dumbledore entrou com ar taciturno . - Professor - gaguejou Harry . - O seu pássaro ... eu não pode fazer nada ... ele incendiou se . Para seu grande espanto , Dumbledore sorriu . - Já não era sem tempo . Estava com um aspecto horrível em os últimos dias . Fartei me de lhe dizer que fizesse qualquer coisa . Riu se entre dentes com a expressão em o rosto de Harry . - A Fawkes é uma fénix , Harry . As fénix ardem quando é altura de morrer e renascem de as cinzas , repara ... Harry olhou mesmo a_tempo_de ver um passarinho recém-nascido , todo enrugado , espetar a cabeça fora de as cinzas . Era quase tão feio como o antigo . - É uma pena que a tenhas conhecido em dia de arder - disse Dumbledore , passando para trás de a secretária . - É muito bonita a maior parte de o tempo , com uma plumagem vermelha e dourada . São criaturas fascinantes , as fénix . Podem transportar cargas pesadíssimas , as suas lágrimas têm propriedades curativas e são animais de estimação extremamente fiéis . Com o choque de a fénix a pegar fogo , Harry esquecera se de o motivo porque ali estava , mas tudo voltou rapidamente quando Dumbledore se instalou em a cadeira de espaldar alto e o fixou com os seus olhos azuis e penetrantes . Contudo , antes que ele tivesse tido tempo de falar , a porta de o escritório abriu se de par em par com um enorme estrondo e Hagrid entrou com um olhar tresloucado , o lenço todo torcido em volta de a cabeça hirsuta e o galo morto ainda pendurado em a mão . - Não foi Harry , professor Dumbledore - disse , aflito . - Eu tinha estado a falar com ele poucos segundos antes de o rapazinho ser encontrado , ele não teve tempo professor ... Dumbledore tentou dizer qualquer coisa , mas Hagrid continuou , abanando o galo em o meio de a sua agitação e espalhando penas por todo o lado . - Não pode ter sido ele . Eu juro em a frente de o ministro de a magia , se for preciso ... - Hagrid , eu ... -- Tem o rapaz errado , professor . Eu sei qu'o Harry nunca ... - Hagrid - disse Dumbledore , elevando a voz . - Eu não penso que o Harry tenha atacado aquelas pessoas . - Oh ! - disse Hagrid , com o galo pendendo inerte a o seu lado . - Certo , ' tão eu espero lá fora , director . E saiu com ar envergonhado . - O senhor não acha que tenha sido eu ? - repetiu Harry cheio de esperança , enquanto Dumbledore sacudia penas de galo de cima de a secretária . - Não , Harry , não acho - afirmou Dumbledore , apesar de a sua expressão ser de_novo sombria . - Mas mesmo_assim quero falar contigo . Harry esperou ansiosamente enquanto o director o observava com as pontas de os dedos longos unidas . - Tenho de saber uma coisa . Harry , há alguma pergunta que queiras fazer me , qualquer que ela seja ? Harry não soube o que dizer . Lembrou se de Malfoy a gritar * _ Vocês serão os próximos , sangues de lama * e de a poção * _ Polisuco * em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Depois pensou em a voz sem corpo que ouvira duas vezes e em o que o Ron dissera * _ Ouvir vozes que ninguém mais ouve não é bom sinal , nem mesmo em o mundo de a feitiçaria * . Pensou também em o que toda_a_gente dizia de ele e em o receio cada_vez maior de ter uma relação qualquer com Salazar_Slytherin ... - Não - disse por fim . - Não há nada , professor . O ataque duplo a Justin e a o Nick quase sem cabeça transformou o que até_então era nervosismo em verdadeiro pânico . Curiosamente fora o destino de o Nick quase sem cabeça o que mais preocupara as pessoas . Quem poderia ter feito aquilo a um fantasma ? - perguntavam uns a os outros . - Que poder terrível era aquele , capaz de afectar alguém que já tinha morrido ? Houve uma precipitação enorme em a marcação de os bilhetes em o Expresso_de_Hogwarts , pois todos os alunos quiseram ir passar o Natal a casa . - Por este caminho , vamos ser os únicos a ficar - disse o Ron a o Harry e a a Hermione . - Nós , o Malfoy , o Goyle e o Crabbe , que férias lindas que vão ser ! Crabbe e Goyle que faziam sempre o que Malfoy fazia , tinham se inscrito para ficar também durante as férias . Mas Harry estava contente por a maior parte se ir embora . Estava farto de ver gente a afastar se em os corredores como_se ele fosse mostrar os dentes ou cuspir veneno . Estava cansado de tantos segredinhos , de os ver apontar e segredar quando passava . O Fred e o George , esses achavam muito divertido . Vinham , de propósito , pôr se a a frente de ele e atravessavam os corredores a gritar : - Abram alas para o herdeiro de Slytherin , vai passar um feiticeiro verdadeiramente cruel . Percy discordava totalmente de este comportamento . - Não é um assunto para se brincar - dizia com frieza . - Sai mas é de o caminho , Percy - dizia o Fred . - O Harry está com pressa . - Sim , ele vai a a Câmara_dos_Segredos tomar uma chávena de chá com o seu servidor dentes de serpente - completava Fred com uma gargalhada . Ginny também não lhes achava graça . - Cala te - gritava ela sempre_que o Fred perguntava em voz alta a o Harry quem estava a pensar atacar a seguir , ou quando George fingia afastá o com um enorme dente de alho . Harry não se importava . Fazia o sentir se melhor o facto de constatar que , pelo_menos para o Fred e para o George , a ideia de ele ser o herdeiro de Slytherin era absolutamente ridícula . Mas as palhaçadas de eles pareciam ofender Draco_Malfoy que , de cada_vez que os via , ficava mais irritado . - É porque está ansioso por dizer que é mesmo ele - disse o Ron com ar conhecedor . - Sabes como ele detesta que alguém o ultrapasse e tu estás a receber todo o crédito por o seu trabalho sujo . - Não vai ser por muito_tempo - disse Hermione com uma voz satisfeita . - A poção * polisuco * está quase pronta . Um de estes dias arrancamos lhe a verdade . Finalmente , o período chegou a o seu termo e um silêncio profundo como a neve em os campos desceu sobre o castelo . Harry adorou a tranquilidade e apreciou o facto de ele , Hermione e os Weasley terem a torre de os Gryffindor por sua conta , poderem jogar a as explosões bem alto , sem incomodar ninguém e praticar duelos entre si . O Fred , o George e a Ginny tinham preferido ficar em a escola a ir com Mr. e Mrs._Weasley a o Egipto visitar o Bill . Percy que reprovava e considerava infantil a conduta de eles , não passava muito_tempo em a sala comum de os Gryffindor . Já lhes dissera pomposamente que só ficara ali em o Natal , por ser sua obrigação como prefeito apoiar os professores em aquela época agitada . A manhã de o dia de Natal clareou branca e fria . Harry e Ron , os únicos que estavam em o dormitório , foram acordados muito cedo por Hermione que entrou , toda vestida , transportando presentes para ambos . - Acordem - disse em voz alta , abrindo os cortinados . - Hermione , tu não devias estar aqui - exclamou o Ron , protegendo os olhos de a luz . - Feliz_Natal para ti também - disse Hermione , atirando lhe o presente que tinha para ele . - Estou acordada há quase uma hora , acrescentando mais asas de renda a a poção . Está pronta . Harry sentou se , subitamente acordado . - Tens a certeza ? - Absoluta - disse ela , afastando o rato Scrabbers para se sentar a os pés de a cama de dossel . - Se vamos mesmo tomá a , acho que devia ser logo a a noite . Em esse momentzo , a Hedwig entrou em o quarto , transportando em o bico um embrulho pequenino . - Olá - disse Harry , feliz a o vê a aterrar em a sua cama . - Já me falas outra_vez ? Ela mordiscou lhe a orelha de uma forma afectuosa que foi , de longe , um presente melhor do_que aquele que transportava e que era afinal de os Dursley . Tinham mandado a Harry um palito para os dentes com um cartão pedindo lhe que se informasse se não poderia ficar , também em o Verão , em Hogwarts . Os outros presentes que Harry recebeu foram bastante melhores . Hagrid mandara lhe uma lata grande de bombons de melaço que ele decidiu amolecer a o lume antes de comer , o Ron deu lhe um livro chamado * _ Voando com Canhões * , que narrava factos interessantes sobre a sua equipa favorita de Quidditch e Hermione trouxera lhe uma luxuosa pena de águia . Harry abriu o último presente onde vinha uma camisola novinha , feita a a mão por Mrs._Weasley e um grande bolo de passas . Pegou em o cartão com uma nova sensação de culpa , pensando em o carro de Mr._Weasley que não voltara a ser visto desde_que chocara contra o salgueiro zurzidor e em a quantidade de infracções que ele e o Ron tinham em mente . Ninguém , nem mesmo os que estavam cheios de medo por terem de tomar a poção * polisuco * a seguir , deixou de adorar o jantar de Natal em Hogwarts . O salão nobre estava magnífico . Não_só havia uma_dúzia de árvores de Natal , cobertas de geada e espessas serpentinas de azevinho e visco bravo cruzando se junto de o tecto como caia uma neve encantada quente e seca . Dumbledore conduziu os em uma de as suas canções de Natal preferidas enquanto Hagrid se agitava , falando cada_vez_mais alto , a cada gole de gemada que tomava . O Percy que não dera por_que Fred enfeitiçara o seu distintivo de prefeito , onde agora podia ler se « cabeça de alfinetes « , continuava a perguntar a todos para_onde estavam a olhar . Harry nem_sequer se importou com os comentários que Draco_Malfoy fazia bem alto , de a mesa de os Slytherin acerca de a sua camisola nova . Com alguma sorte , Malfoy iria ser desmascarado dentro_de algumas horas . Harry e Ron mal tinham acabado a terceira dose de pudim de Natal quando Hermione os fez sair de o salão a a pressa para acabarem de tratar de os planos para essa noite . - Ainda precisamos de um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos - disse com o ar mais natural de este mundo como_se estivesse a mandá os a o supermercado comprar detergente . - E , é claro que o ideal será conseguirmos alguma coisa de o Crabbe e de o Goyle , são os melhores amigos de o Malfoy , ele conta lhes tudo . E precisamos também de ter a certeza de que eles não vão entrar em a sala quando vocês estiverem a interrogar o Malfoy . - Eu tenho tudo pensado - prosseguiu ela , ignorando a expressão estupefacta de Harry e Ron . Pegou em dois apetitosos bolos de chocolate . - Pus lhes um encantamento de sono . Vocês só têm de fazer com que o Crabbe e o Goyle os encontrem . Sabem como eles são gulosos , vão logo comê os . Quando estiverem a dormir , tirem lhes alguns cabelos e escondam nos em uma despensa de vassouras . Harry e Ron olharam , incrédulos , um para o outro . -- Hermione , eu não creio que ... -- Isto pode correr muito mal ... Mas Hermione tinha um brilho inflexível em os olhos que não era muito diferente do_que costumavam ver em o olhar de a professora Mc_Gonagall . - A poção não nos serve de nada sem os cabelos de o Crabbe e de o Goyle - disse com firmeza . - Vocês querem mesmo descobrir coisas sobre o Malfoy , não querem ? - Pronto , está bem - disse Harry . - Mas , e tu , vais arranjar cabelos de quem ? - Eu já tenho esse assunto resolvido - disse Hermione sorridente , tirando um frasquinho de o bolso e mostrando lhes um cabelo que lá estava dentro . - Lembram se de a Millicent_Bulstrode que lutou comigo em o clube de os duelos ? Ela deixou isto em o meu manto quando tentava estrangular me . E foi passar o Natal a casa , portanto , basta me dizer a os Slytherins que decidi voltar . Quando Hermione saiu para verificar de_novo a poção polisuco , Ron voltou se para Harry com uma expressão lúgubre . - Alguma vez viste um plano onde tantas coisas pudessem correr mal ? Mas para grande espanto de ambos , a primeira fase de a operação decorreu tão naturalmente como Hermione previra . Eles esconderam se em o * hall * de entrada , depois de o lanche de Natal , a a espera de o Crabbe e de o Goyle que tinham ficado sozinhos a a mesa de os Slytherin , deitando abaixo a quarta dose de bolo inglês . Harry colocou os bolos de chocolate em o fim de o corrimão . Quando avistaram Crabbe e Goyle a sair de o salão , Harry e Ron esconderam se rapidamente atrás_de uma armadura que estava junto de a porta de entrada . - Como_se pode ser tão estúpido ? - murmurou Ron sem se mexer enquanto Crabbe apontava satisfeitíssimo , mostrando a Goyle os bolos e agarrando os . Com um riso estúpido , enfiaram nos inteiros em as bocas enormes . Durante um momento , ambos mastigaram avidamente com olhares vitoriosos em o rosto . Depois , sem que a expressão se alterasse , caíram para trás e estatelaram se em o chão . Mais difícil foi transportá os para a despensa de o outro lado de o * hall * . Uma_vez armazenados em o meio de os baldes e esfregões , Harry arrancou alguns de os pêlos que cobriam a cabeça de o Goyle e Ron tirou alguns cabelos a o Crabbe . Roubaram lhes também os sapatos porque os de eles eram demasiado pequenos para os enormes pés de o Crabbe e de o Goyle . Em seguida , ainda atordoados com o que tinham acabado de fazer , correram até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mal conseguiam ver com o fumo preto e espesso que saía de o cubículo onde Hermione mexia o caldeirão . Tapando o rosto com os mantos , Harry e Ron bateram a o de leve em a porta . - Hermione ? Ouviram o ruído de o trinco e Hermione apareceu com a cara lustrosa e um ar ansioso . Por trás de ela ouviam o gloop gloop de a poção espessa e gorgolejante . Em o banco de a casa_de_banho estavam três copos de vidro . - Conseguiram ? - perguntou Hermione quase sem fôlego . Harry mostrou lhe o cabelo de o Goyle . - _ óptimo . Eu tirei estes mantos suplementares de a lavandaria - disse ela , pegando em uma pequena saca . - Vocês vão precisar de tamanhos maiores se vão ser o Crabbe e o Goyle . Olharam os três para o caldeirão . Vista de perto , a poção parecia uma lama espessa e escura a borbulhar indolentemente . - Tenho a certeza que fiz tudo certo - disse Hermione nervosa , relendo a página manchada de * _ Moste_Potente_Potions * . - Tem o aspecto que o livro diz que deveria ter ... depois de a tomar temos precisamente uma hora antes de nos transformarmos de_novo em as pessoas que somos . - E agora ? - murmurou o Ron . - Separamos a em três copos e adicionamos os cabelos . Hermione encheu cada_um de os copos com uma concha de sopa . Em seguida , retirou com a mão a tremer o cabelo de Millicent_Bulstrode de dentro de o frasquinho e pô o em o primeiro copo . A poção chiou fortemente como uma chaleira a ferver e espumou como louca . Um segundo depois ganhara um tom de amarelo doentio . - Urgh ! Essência_de_Millicent_Bulstrode - disse Ron , olhando com repugnância . - Aposto que o sabor é nojento . - Deitem os vossos - disse Hermione . Harry deixou cair o cabelo de o Goyle em o copo de o meio e Ron lançou o de o Crabbe em o último . Ambos chiaram e espumaram : o de o Goyle ficou de um tom caqui , o de o Crabbe de um castanho-escuro algo tenebroso . - Esperem - pediu Harry quando Ron e Hermione pegaram em os copos . - Será melhor não os tomarmos aqui todos juntos em um cubículo ; quando em os transformarmos não vamos cá caber e Millicent_Bulstrode não é nenhum duende . - Bem pensado - admitiu o Ron , abrindo a porta . - Cada_um em seu cubículo . Com todo o cuidado , para não entornar nem uma gota de a poção polisuco , Harry esgueirou se para o cubículo de o meio . - Prontos ? - perguntou . - Prontos - responderam as vozes de o Ron e de a Hermione . - Um , dois , três . Tapando o nariz , Harry bebeu a poção em dois grandes tragos . Tinha o sabor de a couve demasiado cozida . Os seus interiores começaram imediatamente a contorcer se como_se tivesse engolido serpentes vivas . Dobrado , Harry perguntava a si próprio se iria vomitar . Depois , uma sensação de ardor espalhou se rapidamente de o estômago até a as pontas de os dedos de as mãos e de os pés . Em seguida , fazendo o sobressaltar se , sobreveio o sentimento horrível de estar a derreter enquanto a pele de todo o seu corpo borbulhava como cera quente e , perante os seus olhos , as mãos começaram a crescer , os dedos a engrossar , as unhas a alargar e as articulações a tornarem se protuberantes como ferrolhos . Os ombros retesaram se dolorosamente e uma comichão em a testa preveniu o de que o cabelo estava a rastejar em direcção a as sobrancelhas . As túnicas rasgaram se enquanto o tórax se expandia como um barril , rebentando com os seus anéis . Os pés estavam em grande sofrimento dentro_de sapatos quatro números abaixo . Tão depressa como começara , tudo parou . Harry estava caído em o chão de pedra fria , ouvindo a Murta_Queixosa gorgolejando taciturna em o cubículo de o fundo . Com alguma dificuldade tirou os sapatos e levantou se . Era então assim que o Goyle se sentia ! Com a mão enorme a tremer , despiu a sua túnica que lhe ficava 30 centímetros acima de os tornozelos , pegou em as túnicas suplementares e amarrou os atacadores de os sapatos abotinados de o Goyle . Quis escovar o cabelo para o afastar um_pouco de os olhos e deu apenas com os pêlos hirsutos que lhe cresciam em a testa . Apercebeu se então de que os óculos lhe toldavam a visão porque o Goyle , obviamente , não precisava de eles . Tirou os e gritou . - Vocês estão bem ? - De a sua boca saiu a voz baixa e grossa de o Goyle . - Sim - respondeu lhe o grunhido de o Crabbe , a a sua direita . Harry abriu a porta de o cubículo e dirigiu se a o espelho partido . O Goyle olhava o de o outro lado com os seus olhos parados . Harry coçou a orelha e Goyle fez o mesmo . A porta de o Ron abriu se . Olharam um para o outro . Harry estava pálido e chocado . O amigo não se distinguia de o Crabbe , desde o corte de cabelo em forma de tigela até a os longos braços de gorila . - É inacreditável - disse o Ron , aproximando se de o espelho e beliscando o nariz achatado de o Crabbe . - Inacreditável ! - É melhor irmos indo - disse Harry , alargando a pulseira de o relógio que lhe cortava o pulso . - Ainda temos de descobrir onde fica a sala comum de Slytherin . Só espero que encontremos alguém que vá para lá e que nós possamos seguir . Ron que tinha estado a olhar espantado para ele , comentou : - Não imaginas como é bizarro ver o Goyle a pensar - bateu em a porta de Hermione . - Vamos , temos que ir ... Respondeu lhe uma voz aguda : - Eu ... eu acho que afinal não vou . Vão vocês sem mim . - Hermione , nós sabemos que a Millicent_Bulstrode é feia , ninguém vai pensar que és tu . - Não , a sério , acho que não vou . Despachem se vocês os dois , estão a perder tempo . Harry olhou para Ron , baralhado . - Aquilo parece mais de o Goyle , é como ele fica sempre_que algum professor lhe faz uma pergunta . - Estás bem , Hermione ? - perguntou Harry , através de a porta . - _ óptima , estou óptima , vão se embora . Harry olhou para o relógio . Cinco preciosos minutos tinham já passado . - Encontramo nos aqui , está bem ? - disse . Os dois abriram a porta de a casa_de_banho com todo o cuidado , viram se o caminho estava livre e saíram . - Não balances assim os braços - disse o Harry a o Ron . - Hein ? - O Crabbe anda sempre com eles esticados . - Assim ? - Isso , assim está melhor . Desceram a escadaria de mármore . Só precisavam agora de um Slytherin que pudessem seguir até a a sala comum , mas não havia ninguém por perto . - Tens alguma ideia ? - perguntou Harry em um murmúrio . - Os Slytherin vêm sempre de ali para o pequeno-almoço - disse o Ron , apontando para a entrada de os calabouços . Mal tinha pronunciado estas palavras quando uma rapariga de cabelo comprido a os caracóis , apareceu . - Desculpa - disse o Ron , sem perder tempo . - Esquecemo nos de o caminho para a nossa sala comum . - Como ? - disse a rapariga com a maior frieza . - A * nossa * sala comum ? Eu sou uma Ravenclaw . Afastou se , olhando para eles , desconfiada . Harry e Ron desceram apressadamente os degraus de pedra até a a escuridão . Os passos ecoavam em o silêncio , à_medida_que os pés enormes de Crabbe e Goyle tocavam em o chão , fazendo os sentir que as coisas não iam ser tão fáceis como eles desejavam . Os corredores labirínticos estavam desertos . Andaram e tornaram a andar por os subterrâneos , olhando constantemente para os relógios para ver quanto tempo ainda lhes restava . Depois de um quarto de hora , quando começavam a ficar desesperados , ouviram um movimento súbito . - Olha - disse o Ron , agitadamente . - Agora é um de eles . A silhueta saía de uma sala , mas quando se aproximaram o coração de ambos esmoreceu . Não era um Slytherin , era Percy . - O que estás a fazer aqui em baixo ? - perguntou o Ron surpreendido . - Isso - disse ele friamente - não é de a tua conta . És o Crabbe , não és ? - Er ... sim , sim - respondeu o Ron . - Então vão para o vosso dormitório - ordenou Percy com firmeza . - Não é seguro andar a passear por os corredores escuros em os dias que correm . - Tu andas -- fez notar o Ron . - Eu - disse o Percy endireitando se - sou um prefeito . Nada vai atacar me . Ouviu se , de repente , uma voz por_detrás_de Harry e Ron . Era_Draco_Malfoy e , pela_primeira_vez em a vida , Harry ficou satisfeito a o vê o . - Aí estão vocês - disse de modo arrastado , olhando para eles . - Têm estado a chafurdar em o salão este tempo todo ? Tenho andado a a vossa procura , quero mostrar vos uma coisa muito divertida . Malfoy olhou misteriosamente para Percy . - E o que fazes tu aqui , Weasley ? - perguntou com ar de desprezo . Percy olhou , sentindo se ultrajado . - Fazes favor de mostrar um_pouco mais de respeito por um prefeito de a escola - disse . - Não gosto de o teu ar . Malfoy riu se e fez sinal a o Harry e a o Ron para que o seguissem . Harry quase ia pedindo desculpa a o Percy , mas deu se conta a tempo . Apressaram se a seguir o Malfoy que disse , mal viraram em o corredor seguinte : - Aquele Peter_Weasley ... - O Percy - corrigiu Ron automaticamente . - Ou isso - continuou Malfoy . - Ultimamente tenho o visto muitas_vezes a andar por aí sorrateiramente e aposto que sei o que ele quer . Pensa que vai apanhar o herdeiro de Slytherin sozinho . Deu uma pequena gargalhada ridícula . Harry e Ron trocaram olhares nervosos . Malfoy parou junto de uma parede de pedra húmida . - Qual é a senha ? - perguntou a o Harry . - Er ... - Ah ! sim , sangue puro - disse Malfoy sem ouvir e uma porta de pedra , oculta em a parede , abriu se . Malfoy entrou e Harry e Ron seguiram o . A sala comum de os Slytherin era uma ampla divisão subterrânea com espessas paredes de pedra e um tecto de o qual estavam pendurados por correntes vários candeeiros redondos que davam uma luz esverdeada . O fogo crepitava em uma lareira elaboradamente esculpida em frente de a qual se viam as silhuetas de vários Slytherins sentados em cadeiras igualmente esculpidas . - Esperem aí - disse Malfoy a o Harry e a o Ron , encaminhando os para um par de cadeiras vazias , longe de o lume . - Eu vou buscar o que o meu pai acaba de me mandar . Sem saber o que Malfoy iria mostrar lhes , Harry e Ron sentaram se , fazendo todos os possíveis por parecer a a vontade . Malfoy voltou um minuto depois , trazendo em a mão o que parecia ser um recorte de jornal . Pô o debaixo de o nariz de o Ron . - Vais te rir - disse . Harry viu os olhos de o Ron abrirem se como_se estivesse em estado de choque . Viu o ler o recorte rapidamente , dar uma gargalhada forçada e estender lhe o em seguida . Tinha sido retirado de o * _ Profeta_Diário * e dizia : inquérito em o ministério de a magia * _ Arthur_Weasley , chefe de o Gabinete_de_Mau_Uso_dos_Utensílios_dos_Muggles foi hoje multado em cinquenta galeões por ter enfeitiçado um carro de os Muggles . * _ O senhor Lucius_Malfoy , Membro_do_Conselho_Directivo_da_Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts , onde o carro enfeitiçado foi chocar em o princípio de este ano , exigiu hoje a demissão de Mr._Weasley . « * _ O_Weasley trouxe o descrédito a o Ministério « - declarou Mr._Malfoy a o nosso repórter . - « É claramente incompetente para fazer cumprir as leis e a sua protecção ridícula de os Muggles deveria ir imediatamente para a sucata . » * _ Mr._Weasley recusou se a fazer comentários , mas a sua mulher disse a os repórteres que desaparecessem de ali ou lançaria contra eles o vampiro de a família * . - Então - disse Malfoy impaciente quando Harry voltou a entregar lhe o recorte . - Não achas o_máximo ? - Ha , ha - fez Harry tristemente . - O Arthur_Weasley gosta tanto de os Muggles que era capaz de partir a sua varinha a o meio para se juntar a eles - disse Malfoy com desprezo . - Ninguém diria que os Weasley eram sangue puro a avaliar por o modo como_se comportam . A cara de o Ron , ou melhor , de o Crabbe , contorceu se de raiva . - O que é_que se passa ? - perguntou Malfoy . - Dores de estômago - gemeu o Ron . - Então vai a a ala hospitalar e dá a todos aqueles sangues de lama um pontapé de a minha parte - disse Malfoy com o seu riso escarninho . - Sabes que estou espantado por o * _ Profeta_Diário * ainda não se ter referido a todos estes ataques - continuou pensativamente . - Calculo que o Dumbledore deve estar a tentar abafar as coisas . Ele ainda é posto em a rua se isto não acaba depressa . O pai sempre disse que Dumbledore foi a pior coisa que aqui veio parar . Ele adora os filhos de os Muggles , um director decente nunca deixaria um lodo como o Creevey entrar em esta escola . Malfoy começou a fingir que tirava fotografias com uma máquina imaginária e fez uma imitação maldosa , mas bastante fiel de o Colin : - Potter , posso tirar te a fotografia ? Dás me um autógrafo ? Posso lamber te os sapatos , por favor , Potter ? Baixou as mãos e olhou para Harry e Ron . - O que é_que se passa com vocês os dois ? Um_pouco atrasados , Harry e Ron forçaram o riso e Malfoy pareceu satisfeito . Talvez Crabbe e Goyle fossem sempre de reacção lenta . - O santo Potter , amigo de os sangues de lama - disse Malfoy . - É outro que não tem os sentimentos de um feiticeiro a sério ou não andaria por aí com aquela empertigada sangue de lama Granger . E as pessoas a pensarem que ele é o herdeiro de Slytherin . Harry e Ron esperaram com a respiração entrecortada : o Malfoy ia certamente dizer lhes , dentro_de segundos , que era ele , mas então ... - Quem me dera saber quem ele é - disse o Malfoy , de forma petulante . - Podia ajudá o . O queixo de o Ron caiu de tal maneira que a cara de o Crabbe ficou ainda mais desajeitada do_que era habitual . Felizmente Malfoy não deu por nada e Harry , em um pensamento rápido , disse : - Deves ter alguma ideia de quem está por_detrás_de tudo ... - Sabes perfeitamente que não tenho , Goyle , quantas vezes é preciso dizer te ? - cortou Malfoy . - E o pai também não me diz nada sobre a última vez que a câmara foi aberta . É claro que foi há cinquenta anos , antes de ele cá andar , mas o pai sabe tudo a esse respeito e diz que as coisas foram mantidas em grande segredo e que pareceria suspeito se eu soubesse demasiado . Mas há uma coisa que eu sei : de a última vez que a câmara foi aberta , morreu um sangue de lama . Por isso , aposto que é uma questão de tempo até que um de eles seja morto . Só espero que seja a Granger - disse satisfeito . Ron fechara os punhos gigantescos de o Crabbe . Sentindo que deitaria tudo a perder se ele desse um soco a o Malfoy , Harry lançou lhe um olhar de aviso e disse : - Sabes se a pessoa que abriu a câmara de a última vez foi apanhada ? - Ah ! sim , essa pessoa foi expulsa - disse Malfoy . - Ainda deve estar em Azkaban . - Azkaban ? - repetiu Harry confuso . - Azkaban , a prisão de os feiticeiros , Goyle - disse Malfoy , olhando para ele incrédulo . - Francamente , se fosses mais lento andavas para trás . Esticou se intranquilo , em a cadeira e disse : - O pai diz para eu esfriar a cabeça e deixar que o herdeiro de Slytherin faça o seu trabalho . Acha que a escola precisa de se livrar de a escória de os sangues de lama , mas não quer que eu me envolva em nada . Claro que ele agora tem um prato cheio . Sabes que o Ministério de a magia fez uma busca a a nossa mansão em a semana passada ? Harry tentou forçar a cara de bronco de o Goyle a uma expressão preocupada . - Sim - continuou Malfoy . - É claro que não encontraram grande coisa . O pai guarda uns materiais de magia negra muito valiosos , mas , felizmente , temos a nossa câmara secreta debaixo de o soalho de a sala de visitas ... - Ah ! - disse o Ron . Malfoy olhou para ele . Harry também . Ron corou e até o cabelo começou a ficar vermelho . O nariz estava também a diminuir lentamente ... a hora tinha acabado . Ron estava a voltar a a sua forma habitual e por o olhar de horror que lançou a Harry certamente ele também estava . Puseram se rapidamente de pé . - Tenho de tomar o remédio para o estômago - grunhiu o Ron e sem mais explicações saíram ambos a correr de a sala comum de os Slytherin , precipitaram se para a parede de pedra e galgaram a passagem , pedindo a todos os santos que Malfoy não tivesse dado por nada . Harry sentia os pés a nadarem em os sapatos enormes de o Goyle e tinha de levantar o manto visto_que diminuíra de tamanho . Subiram os degraus a correr até a o * hall * escuro de entrada onde se ouvia um som abafado que vinha de a despensa onde tinham fechado o Crabbe e o Goyle . Deixando os sapatorros de os dois de o lado de_fora , subiram já com os respectivos sapatos a escadaria de mármore até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Bem , não foi uma total perda de tempo - disse o Ron ofegante , fechando atrás_de si a porta de a casa_de_banho . - É certo que ainda não descobrimos de quem vêm os ataques , mas vou escrever a o meu pai amanhã a dizer lhe que procure debaixo de o soalho de a sala de visitas de o Malfoy . Harry olhou para o espelho partido . Tinha voltado a o normal . Pôs os óculos enquanto Ron batia em a porta de o cubículo de Hermione . - Hermione , sai de aí , temos um monte de coisas para te contar ... - Vão se embora - guinchou Hermione . Harry e Ron olharam um para o outro . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron . - Tu já deves ter voltado a o normal como nós ... Mas a Murta_Queixosa saiu subitamente através de a porta de o cubículo com um ar divertido como nunca a tinham visto . - Oh ! Esperem até ver - disse ela . - É horrível ! Ouviram o trinco de a porta a abrir se e Hermione apareceu a soluçar , a túnica levantada a cobrir lhe o rosto . - O que foi ? - perguntou o Ron indistintamente . - Ainda tens o nariz de a Millicent ou alguma coisa assim ? Hermione deixou cair a roupa e Ron recuou rapidamente . O rosto de ela estava coberto de pêlo preto , os olhos tinham ganho uma cor amarela e as orelhas eram pontiagudas , saindo espetadas para fora de os cabelos . - Era um pêlo de g-gato - disse a chorar . - A Millicent_Bulstrode d-deve ter um gato e a poção não está preparada para transformação em animais . - Oh-oh - disse o Ron . - Vão te gozar horrivelmente - disse a Murta , felicíssima . - Não te preocupes , Hermione - tranquilizou a rapidamente o Harry . - Vamos levar te para a ala hospitalar , a Madam_Pomfrey nunca faz muitas perguntas ... Não foi fácil convencer Hermione a sair de a casa_de_banho . A Murta_Queixosa despediu se com uma gargalhadavigorosa e grosseira . - Espera até todos descobrirem que tens uma cauda ! XIII_O diário muito secreto Hermione ficou em a ala hospitalar durante várias semanas . Houve uma onda de boatos sobre o seu desaparecimento quando o resto de os alunos voltou de as férias de Natal porque , é claro , todos pensam que ela tinha sido atacada . Foram tantos os estudantes a rondar a ala hospitalar para espreitar a ver se a viam que Madam_Pomfrey desceu de_novo as cortinas de a cama de ela para a poupar a a vergonha de ser vista com pêlo em a cara . Harry e Ron iam visitá a todas_as tardes . Quando o segundo período começou passaram a levar lhe diariamente os trabalhos de casa . - Se eu tivesse o bigode a crescer , tinha uma folga de o trabalho - disse uma tarde o Ron enquanto colocava uma pilha de livros a a cabeceira de a cama de Hermione . - Não sejas parvo , Ron , eu tenho de me manter a par de as coisas - disse Hermione com vivacidade . O humor de ela melhorara bastante com o facto de lhe ter desaparecido todo o pêlo de o rosto e de os olhos estarem lentamente a retomar a cor castanha . - Calculo que não tenham novas pistas ? - disse em um murmúrio para evitar que Madam_Pomfrey os ouvisse . - Nada - disse Harry tristemente . - Eu tinha tanta certeza de que era o Malfoy - repetiu o Ron por a centésima vez . - O que é isso ? - perguntou Harry , apontando para uma coisa com brilho dourado que estava debaixo de a almofada de Hermione . - É só um cartão a desejar boas melhoras - disse ela precipitadamente , tentando escondê o , mas o Ron foi mais rápido . Pegou lhe , abriu o e leu em voz alta : * _ Para_Miss_Granger , desejando lhe uma rápida recuperação , com o interesse e estima de o professor Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , Terceiro grau , Membro_Honorário_da_Liga_de_Defesa contra as Artes_Negras e vencedor por cinco vezes de o prémio O sorriso mais charmoso de a semana de o Semanário_das_Bruxas * . Ron olhou desconsolado para Hermione . - Tu dormes com isto debaixo de a almofada ? Mas Hermione foi poupada a ter de responder por a entrada de Madam_Pomfrey que lhe trazia a dose de medicamento de a tarde . - Achas que o Lockhart é o tipo mais esperto que conheceste ? - perguntou o Ron a o Harry quando saíram de a enfermaria e começavam a subir as escadas para a torre de os Gryffindor . O Snape tinha lhes passado tanto trabalho para_casa que Harry pensou que ia chegar a o sexto ano antes de o ter acabado . Ron vinha a dizer que devia ter perguntado a a Hermione quantas caudas de rato deveria juntar se a uma poção para o crescimento de o cabelo quando um grito de raiva vindo de o andar de cima lhes chegou a os ouvidos . - É o Filch - murmurou Harry enquanto subiam apressadamente as escadas e paravam para ouvir melhor . - Terá mais alguém sido atacado ? - disse nervosamente o Ron . Ficaram parados com as cabeças inclinadas para a voz de o Filch que parecia quase histérica . -- ... * _ Ainda mais trabalho para mim . Toda_a noite a esfregar como_se não tivesse já trabalho de sobra . Não , isto foi a gota de água que fez transbordar o copo , vou falar com Dumbledore * ... Os passos afastaram se e ouviram uma porta fechar se com grande estrondo . Puseram as cabeças fora de a esquina . O Filch tinha obviamente estado a patrulhar o seu habitual posto de vigia : estavam novamente em o lugar onde Mrs._Norris fora atacada . Perceberam imediatamente qual o motivo de os gritos . Uma enorme poça de água enchia metade de o corredor e parecia escorrer de a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Agora_que o Filch se calara podiam ouvir os uivos de a Murta que faziam eco em as paredes de a casa_de_banho . - Mas o que se passará com ela ? - disse o Ron . - Vamos lá ver - sugeriu Harry e arregaçando as túnicas até a os tornozelos entraram , atravessando a enorme poça de água , em a casa_de_banho que tinha o letreiro a dizer « Fora de serviço » e que eles , como sempre , ignoraram . A Murta_Queixosa chorava , se possível , mais alto do_que nunca . Parecia estar escondida em o cubículo de o costume . Lá dentro estava escuro pois as velas tinham se apagado com a enchente de água que deixara as paredes e o chão ensopado . - O que se passa , Murta ? - quis saber o Harry . - Quem é ? - perguntou ela infelicíssima . - Vieste atirar me mais alguma coisa acima ? Harry caminhou com dificuldade por causa de a água até a o cubículo de ela e disse : - Porque te faríamos nós uma coisa de essas ? - Não me perguntem - gritou a Murta , emergindo em uma onda de água que molhou ainda mais o chão já ensopado . - Eu estou aqui metida em a minha morte e alguém acha muito engraçado atirar me com um caderno acima ... - Mas , não pode magoar te se alguém te atirar alguma coisa acima - disse Harry , tentando ser prático . - Isto_é , seja o que for passa através_de ti , não é assim ? Tinha dito a frase errada . A Murta encheu o peito de ar e gritou a plenos pulmões : - Vamos todos atirar cadernos a a Murta já_que ela não sente nada ! Dez pontos se lhe acertarem em o estômago , cinquenta se lhe atravessar a cabeça ! Hah hah hah , que jogo lindo , não acham ? - Quem te atirou um caderno , afinal ? - perguntou o Harry . - Não sei ... eu estava sentada em a sanita a pensar em a morte e caiu me em cima de a cabeça - disse a Murta , olhando para eles . - Está ali , ficou todo molhado . Harry e Ron olharam para o ponto que a Murta lhes apontava debaixo de o lavatório . Um caderno pequenino e fino estava caído em o chão . Tinha uma capa preta muito gasta e estava encharcado como tudo em aquela casa_de_banho . Harry deu um passo em frente para o apanhar , mas o Ron agarrou lhe precipitadamente o braço . - O que foi ? - perguntou Harry . - Estás doido - disse ele . - Pode ser perigoso . - Perigoso ? - riu se Harry . - Essa agora Ron , como é_que pode ser perigoso ? - Ficarias surpreendido ... - explicou ele , olhando com ar apreensivo para o caderno . - Entre os livros que o Ministério confiscou , contou me o meu pai , havia um que queimava os olhos a as pessoas . E todos os que leram os * _ Sonetos_de_Um_Feiticeiro * ficaram a falar em verso para o resto de a vida . Havia também uma bruxa em Bath que tinha um livro que quem o lesse nunca mais conseguia parar , tinha de andar por aí com o nariz enfiado em as folhas , a fazer todas_as coisas só com uma mão e ... - Já chega , já chega , já percebi a tua ideia - disse O_Harry . O caderninho continuava caído e ensopado . - Bem , nunca saberemos a_não_ser_que tenhamos a coragem de dar uma vista de olhos - disse e mergulhou apanhando o de o chão . Harry viu imediatamente que se tratava de um diário e a data meio apagada , em a capa , disse lhe que tinha cinquenta anos de idade . Abriu o ansiosamente . Em a primeira página podia ler se apenas o nome T._M._Riddle em tinta esborratada . - Espera aí - disse o Ron que se aproximara prudentemente e olhava por cima de o ombro de Harry . - Eu conheço esse nome ... T._M._Riddle recebeu um prémio por serviços especiais prestados a a escola há cinquenta anos atrás . - Como diabo sabes tu isso ? - perguntou Harry com grande espanto . - Porque o Filch mandou me limpar a taça de ele umas cinquenta vezes quando estive de castigo - disse o Ron ressentido . - Foi a taça em cima de a qual eu vomitei lesmas . Se tivesses tido que limpar o muco de um nome durante uma hora também te lembrarias . Harry separou umas de as outras as páginas molhadas . Estavam completamente em branco . Não havia o mais leve sinal de escrita em nenhuma , nem coisas como « Aniversário de a tia Mabel « ou « Dentista a as três_e_meia » . - Ele nunca escreveu nada aqui - disse Harry desapontado . - Porque quereria alguém atirá o fora ? - perguntou se o Ron com curiosidade . Harry voltou o caderno e viu , inscrito em a contra capa , o nome de uma tabacaria em Vauxhall_Road , Londres . - Ele devia ser filho de Muggle - disse Harry pensativo - para ter comprado um diário em Vauxhall_Road ... - Bem , não te serve de muito - Ron baixou a voz . - Cinquenta pontos se acertares em o nariz de a Murta . Harry , mesmo_assim , guardou o diário . Hermione saiu de a ala hospitalar desbigodada , sem cauda e sem pêlo em os primeiros dias de Fevereiro . Em a primeira noite em a torre de os Gryffindor , Harry mostrou lhe o diário de T._M._Riddle e contou lhe como o tinham encontrado . - Ooooh ! Deve ter poderes ocultos - disse ela entusiasticamente , pegando em o diário e examinando o de perto . - Se tem , esconde os muito bem - disse Ron . - Talvez fosse tímido . Não sei porque não deitas isso fora , Harry . - Gostava de perceber porque motivo alguém se quis livrar de ele - explicou Harry . - E também não me importava de saber como foi que o Riddle obteve esse prémio de serviços especiais prestados a Hogwarts . - Pode ter sido qualquer coisa - lançou o Ron . - Talvez tenha recebido 30 de nota final ou salvo um professor de a lula gigante . Se_calhar assassinou a Murta , isso teria sido um favor prestado a todos ... Mas Harry quase podia jurar , por o olhar suspenso em a cara de Hermione , que ela pensava o mesmo_que ele . - O que foi ? - perguntou Ron , olhando para um e para o outro . - Bem , a Câmara_dos_Segredos foi aberta há cinquenta anos , não foi isso que disse o Malfoy ? - Sim - respondeu Ron , lentamente . - E este diário tem cinquenta anos de idade - completou Hermione , dando lhe palmadinhas nervosas . - E de aí ? - Oh Ron , acorda - insistiu Hermione . - Sabemos que a pessoa que abriu a câmara de a outra_vez foi expulsa há cinquenta anos . E se o Riddle tivesse tido o prémio especial por apanhar o herdeiro de Slytherin ? O seu diário diria nos provavelmente tudo : onde é a Câmara_dos_Segredos , como abris a e que tipo de criatura vive lá . Achas que a pessoa que está por trás de os ataques desta_vez quereria o diário por aí ? - É uma teoria interessante , Hermione - disse o Ron . - Apenas com uma pequenina falha : o diário não tem nada Mas_Hermione já estava a tirar a varinha de o saco . - Pode ser tinta invisível - murmurou . Bateu três vezes em o diário e repetiu * _ Aparecium ! * Nada aconteceu . Intrépida , Hermione meteu a mão de_novo em o saco e tirou o que parecia ser uma borracha vermelha e brilhante . - É um * revelador * , comprei o em a Diagon - _ Al - disse . Apagou com força em 1_de_Janeiro . Não sucedeu nada . - Já vos disse , não há nada aí - repetiu o Ron . - O Riddle deve ter recebido um diário como prenda de Natal e nem se deu a o trabalho de escrever fosse o que fosse . Harry não conseguia explicar , nem a si próprio , porque motivo não deitara fora o diário de Riddle . A verdade é_que , mesmo depois de saber que ele estava em branco , continuou distraidamente a pegar lhe e a virar as páginas como_se quisesse chegar a o fim de uma história . E , apesar_de saber que nunca tinha ouvido o nome T._M._Riddle , continuava a ter a sensação de que lhe dizia alguma coisa , como_se Riddle fosse um amigo que ele tinha tido quando era muito pequeno e que estivesse meio esquecido . Mas era um absurdo . Nunca tivera amigos antes de Hogwarts , Dudley tivera esse cuidado . Ainda_assim , Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle , por isso em o dia seguinte foi até a a sala de os troféus para examinar a taça , acompanhado de Hermione que estava interessadíssima e de Ron que se mostrava profundamente incrédulo , dizendo que tinha ficado farto de aquela sala até a o fim de a vida . A taça dourada de Riddle estava arrecadada em um armário de canto . Não fornecia detalhes sobre o motivo por_que lhe fora dada ( felizmente , se fosse maior ainda hoje estava a limpá a , disse o Ron ) . Mas encontraram o nome de Riddle em uma antiga medalha de Mérito_Mágico e em uma lista de antigos chefes de turma . - Parece o Percy - comentou Ron , torcendo o nariz com aversão . - Prefeito , chefe de turma , provavelmente o melhor em todas_as disciplinas . - Dizes isso como_se fosse uma coisa má - fez lhe notar Hermione , em um tom de voz ressentido . Um sol fraco brilhava agora de_novo em Hogwarts . Dentro de o castelo , o ambiente estava bastante melhor . Não tinha havido novos ataques desde Justin e Nick quase sem cabeça e Madam_Pomfrey teve a satisfação de informar que as Mandrágoras começavam a ficar instáveis e dissimuladas , sinal de que estavam a abandonar rapidamente a infância . - Logo_que o acne desapareça estarão prontas para novo transplante - ouviu a Harry dizer amavelmente a o Filch . - E depois de isso , não demorará muito até podermos cortá as e estufá as . - Vai ter Mrs._Norris de volta , muito em_breve . Talvez o herdeiro ou herdeira de Slytherin tenha perdido a coragem , pensou Harry . Deve ser cada_vez_mais arriscado abrir a Câmara_dos_Segredos com a escola tão alerta e desconfiada . Talvez o monstro , qualquer_que_fosse , estivesse a preparar se para hibernar durante outros cinquenta anos . Ernie_Mcmillan_dos_Hufilepuff não aceitou esta visão optimista . Continuava convencido de que Harry era o culpado , que se tinha traído em o clube de os duelos . Peeves não ajudava nada : continuava a cantar por os corredores Potter , * seu bandido * ... agora acompanhado de um esquema de dança . Gilderoy_Lockhart parecia pensar que fora ele quem pusera fim a os ataques . Harry fartou se de o ouvir dizer isso a a professora Mc_Gonagall enquanto os Gryffindor formavam bicha para a aula de Transfiguração . - Não creio que volte a haver problemas , Minerva - disse , tocando em o nariz com ar conhecedor e piscando o olho . - Acho que desta_vez a câmara foi definitivamente selada . O culpado deve ter sabido que era uma questão de tempo até eu o apanhar e que era mais sensato parar agora antes que eu lhe tratasse de a saúde . Sabe , a escola está a precisar de um intensificador de animo para apagar as lembranças de o último período . Não vou dizer lhe mais_nada , por enquanto , mas julgo que sei o que ... Voltou a tocar em o nariz e afastou se a passos largos . A ideia de Lockhart de um intensificador de ânimo ficou bastante clara em o dia_14_de_Fevereiro , a o pequeno-almoço . Harry não dormira grande coisa devido a o treino de Quidditch em a noite anterior e chegou a o salão um_pouco atrasado . Pensou , por momentos , que se tinha enganado em a porta . As paredes estavam todas cobertas com enormes e medonhas flores cor-de-rosa . Pior ainda , * confettis * em forma de corações caíam de o tecto azul pálido . Harry dirigiu se a a mesa de os Gryffindor onde o Ron estava sentado com um ar enjoado junto de Hermione que parecia particularmente risonha . - O que se passa ? - perguntou lhes , sentando se e sacudindo os * confettis * de o seu bacon . Ron apontou para a mesa de os professores , com um ar demasiado repugnado para falar . Lockhart , em as suas vestes rosa vivo , a condizer com a decoração de o salão , fazia sinal para que se calassem . Os professores que o ladeavam tinham um ar estupefacto . De o seu lugar , Harry podia ver um músculo mover se em a bochecha de a professora Mc_Gonagall . Snape estava com ar de quem tomou uma imensa dose de xarope * skele-gro * . - Feliz dia de S._Valentim - gritou Lockhart . - E permitam me que agradeça a as quarenta_e_seis pessoas que até agora me enviaram cartões . Sim , fui eu quem tomou a liberdade de vos fazer esta pequena surpresa , e ela não acaba aqui ! Lockhart bateu as palmas e por as portas de o * hall * entraram a marchar cerca de uma_dúzia de duendes de aspecto carrancudo . Não eram uns duendes quaisquer , diga se de passagem . Lockhart fizera os usar asas douradas e transportar harpas . - Os meus amigos cupidos , portadores de os cartões ! gritou Lockhart . - Eles vão andar por a escola durante o dia de hoje , entregando os vossos cartões de S._Valentim . E o divertimento não acaba aqui . Tenho a certeza de que os meus colegas vão querer participar em este espírito de festa . Porque não pedir a o professor Snape que vos mostre como preparar rapidamente uma poção de amor . E , enquanto ele a prepara , está aqui o professor Flitwick que é de todos os feiticeiros que conheci aquele que mais sabe de encantamentos de sedução , o grande safado ! O professor Flitwick enterrou o rosto em as mãos . Snape olhava como_se quisesse dar veneno a a primeira pessoa que fosse pedir lhe a poção de o amor . - Por favor , Hermione , diz me que não foste uma de as quarenta_e_seis - pediu Ron quando saíram de o salão para a primeira aula . Mas Hermione ficou subitamente muito interessada em procurar o horário dentro de a mala e não lhe respondeu . Durante todo o dia os duendes não pararam de se intrometer em as aulas para entregar cartões , para grande aborrecimento de os professores e , ao_fim_da_tarde , quando os Gryffindor subiam as escadas para a aula de encantamentos , um de eles avistou o Harry . - Hei , tu , Harry_Potter ! - gritou um duende de aspecto particularmente lúgubre , dando cotoveladas a_toda_a gente para se aproximar de o Harry . Coradíssimo com a ideia de receber um cartão de S._Valentim diante_de uma fila de alunos de o primeiro ano que , por acaso , incluía Ginny_Weasley , Harry tentou escapar se . Mas o duende cortou lhe o caminho através de a multidão e agarrou o em três tempos . - Tenho uma mensagem musical para entregar a Harry_Potter em pessoa - disse , tangendo a harpa de forma ameaçadora . - Aqui não - disse baixinho o Harry , tentando escapar . - Fica quieto - grunhiu o duende , agarrando o saco de o Harry e puxando com força . - Larga me - disse ele rispidamente , dando um puxão . Com um ruído de tecido a rasgar se , o saco dividiu se em dois . Os livros de Harry , varinha , pergaminho e pena espalharam se por o chão enquanto o tinteiro se partia em cima de as outras coisas . Harry pôs se de gatas , tentando apanhar tudo antes que o duende começasse a cantar , provocando um engarrafamento em o corredor . - O que se passa aqui ? - perguntou a voz fria e afectada de Draco_Malfoy . Harry , nervosíssimo , começou a guardar tudo dentro de o saco rasgado , desesperado para sair de ali antes que Malfoy pudesse ouvir o seu S._Valentim musical . - Que confusão é esta ? - disse outra voz familiar . Percy_Weasley tinha chegado . De cabeça perdida , Harry tentou fugir , mas o duende agarrou o por os joelhos e fê lo cair a o chão . - Certo - disse , sentando se em os tornozelos de Harry . Eis o teu cartão musical : * _ Os olhos de ele são verdes como o sapo de o quintal * _ O seu cabelo é escuro como um temporal * _ É um desatino , oh ! ele é divino ! * _ O herói que venceu o Senhor_do_Mal * . Harry teria dado todo o ouro de Gringotts para se evaporar em aquele momento . Tentando corajosamente rir se com todos os outros , levantou se . Sentia os pés dormentes de o peso de o duende . Enquanto isso , Percy_Weasley fazia todos os possíveis por dispersar a multidão onde havia gente que chorava de hilaridade . - Vamos embora , vamos embora , a campainha tocou há cinco minutos para as aulas - dizia , enxotando alguns de os alunos mais novos . - E tu , Malfoy . Harry olhou e viu Malfoy inclinar se , apanhar qualquer coisa e com um olhar maldoso mostrá a a Crabbe e Goyle . Percebeu que era o diário de Riddle . - Dá cá isso - exigiu com toda_a calma . - O que será que o Potter escreveu aqui ? - disse Malfoy que obviamente não reparara em a data e pensou que tinha em as mãos o diário de o Harry . Houve uma agitação em os presentes . Ginny olhava apavorada para o diário e para Harry . - Dá lhe isso , Malfoy - disse Percy com firmeza . - Depois de dar uma vista de olhos - retorquiu Malfoy , acenando a Harry com o diário de forma provocatória . Percy disse : - Como Prefeito de a escola ... - mas Harry perdera a paciência . Pegou em a varinha e gritou * _ Expelliarmus * e assim_como Snape desarmara Lockhart , MalLoy viu o diário saltar lhe de as mãos e elevar se em o ar enquanto Ron o apanhava sorridente . - Harry - disse Percy levantando a voz . - Não quero magia em os corredores . Vou ter de participar isto , sabes perfeitamente . Mas Harry não se importou . Tinha ganho uma_vez a Malfoy e isso valia bem cinco pontos a menos para os Gryffindor . Malfoy estava furioso e quando a Ginny passou por ele a caminho de a sala de aula , gritou lhe com desprezo : - Não creio que o Potter tenha gostado lá muito de o teu cartão de S._Valentim . Ginny tapou a cara e correu para a aula . Aborrecido , Ron pegou também em a varinha , mas Harry afastou o . Era melhor que ele não passasse a aula de encantamentos a vomitar lesmas . Só quando entraram em a sala de aula de o professor Flitwick é_que Harry reparou em uma coisa bastante estranha em o diário de Riddle . Todos os outros livros estavam cheios de tinta vermelha , mas o diário mantinha se tão limpo como antes de o tinteiro se ter entornado em cima de ele . Tentou chamar a atenção de Ron para este facto , mas ele estava novamente a ter um problema com a varinha : de a extremidade saíam grandes bolhas roxas e ele não parecia interessado em mais_nada . Em essa noite , Harry foi deitar se antes de os outros companheiros de dormitório , em parte porque já não conseguia suportar o Fred e o George a cantarem * _ Os seus olhos são verdes como o sapo de o quintal * e em parte porque queria voltar a examinar o diário de Riddle e sabia que em a opinião de o Ron era uma pura perda de tempo . Sentou se em a cama de dossel e folheou as páginas em branco em as quais não se via uma única mancha de tinta escarlate . Tirou então outro tinteiro de o armário a o lado de a cama , molhou a pena e deixou cair um borrão em a primeira página de o diário . A tinta brilhou em o papel durante um segundo e , em seguida , como_se a página a tivesse sugado , desapareceu sem deixar rasto . Depois , finalmente , algo aconteceu . Deslizando sobre a página em a cor de a sua tinta , surgiram palavras que Harry não escrevera . - * _ Olá_Harry_Potter . O meu nome é Tom_Riddle . Como é_que encontraste o meu diário ? * Também estas palavras desapareceram , mas não sem que Harry tivesse respondido . - Alguém tentou lançá o em uma sanita . Esperou ansiosamente por a resposta de Riddle . - * _ Felizmente guardei as minhas memórias de uma forma mais duradoura do_que a tinta . Mas sempre soube que haveria quem não iria querer que o diário fosse lido . * - O que queres dizer com isso ? - escrevinhou Harry , borrando a página com o nervosismo . - * _ Quero dizer que este diário contém memórias de coisas terríveis . Coisas que foram abafadas . Coisas que aconteceram em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . * - É onde eu estou agora - escreveu Harry rapidamente . - Estou em Hogwarts e estão a acontecer coisas horríveis . Sabes alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? O coração parecia querer saltar lhe de o peito . A resposta de Riddle não se fez esperar , a letra tornara se mais desordenada como_se tivesse pressa em contar lhe tudo_o_que sabia . - * _ É claro que sei de a Câmara_dos_Segredos . Em o meu tempo diziam nos que era uma lenda , que não existia , mas era mentira . Quando eu estava em o quinto ano a Câmara_dos_Segredos foi aberta e o monstro atacou vários estudantes , acabando matar um . Eu apanhei a pessoa que abriu a câmara e ele foi expulso . Mas o director , o professor Dippet , envergonhado por uma coisa de aquelas ter acontecido em Hogwarts , proibiu me de contar a verdade . Foi divulgada uma história dizendo que a rapariga morrera de um acidente extravagante . Deram me um troféu brilhante com o meu nome gravado e avisaram me para ficar calado . Mas eu sabia que ia voltar a acontecer . O monstro sobreviveu e aquele que tinha o poder para o libertar não foi para a prisão . * Harry quase entornou o tinteiro em a pressa de responder . - Está a acontecer outra_vez . Houve três ataques e ninguém parece saber quem está por_detrás_de tudo_isto . Quem foi de a última vez ? - * _ Posso mostrar te , se quiseres * - foi a resposta de o Riddle . - * _ Não tens de acreditar só em a minha palavra . Posso levar te a o fundo de a minha memória de a noite em que o apanhei . * Harry hesitou com a pena em o ar sobre o diário . O que quereria ele dizer ? Como poderia entrar em a memória de outra pessoa ? Olhou inquieto para a porta de o dormitório que começava a ficar escuro . Quando pôs de_novo os olhos em o diário viu as palavras que se formavam . - * _ Deixa-me mostrar te . * Harry parou durante uma fracção de segundo e depois escreveu duas letras . - O. _ K._As páginas de o diário começaram a esvoaçar como_se tivessem sido apanhadas em uma ventania , parando a meio de o mês_de_Junho . Boquiaberto , Harry viu que o quadradinho de 13_de_Junho se transformara em um pequeno ecrã de televisão . Com as mãos ligeiramente trémulas levantou o livro para encostar os olhos a a janelinha e antes de perceber o que estava a passar se , deu consigo inclinado para a frente com a janela a abrir se . O corpo abandonava a cama e era lançado de cabeça , por a abertura de a página , em um turbilhão de cor e sombras . Sentiu os pés tocarem em terra firme e pôs se de pé a tremer enquanto as formas desfocadas se tornavam subitamente nítidas . Soube imediatamente onde estava . Aquela sala circular com os retratos adormecidos era o escritório de Dumbledore , mas não era Dumbledore quem estava atrás de a secretária . Um feiticeiro mirrado , de aspecto débil e quase careca lia uma carta a a luz de as velas . Harry nunca vira aquele homem antes . - Desculpe - disse com a voz a tremer . - Eu não queria intrometer me ... Mas o feiticeiro não olhou . Continuou a ler , franzindo levemente as sobrancelhas . Harry aproximou se de a secretária e gaguejou : - Er ... eu vou me embora , está bem ? E o feiticeiro continuou a ignorá o . Parecia nem_sequer ter ouvido . Pensando que talvez ele fosse surdo , Harry falou mais alto . - Desculpe tê o incomodado - disse quase a gritar . O feiticeiro dobrou a carta com um suspiro . Pôs se de pé , passou por Harry sem olhar para ele e foi abrir os cortinados de a janela . O céu , lá fora , estava vermelho-rubi . Devia ser o pôr de o Sol . O feiticeiro voltou para a secretária , sentou se e girou os polegares , olhando para a porta . Harry olhou em volta . Não viu Fawkes , a fénix , nem as engenhocas prateadas que sibilavam . Aquela Hogwarts era a que Riddle conhecera e , portanto , aquele feiticeiro desconhecido era o director de então , não Dumbledore e ele , Harry , era pouco mais que um fantasma , totalmente invisível a as pessoas de há cinquenta anos atrás . Alguém bateu a a porta . - Entre - disse o velho feiticeiro , em uma voz fraca . Um rapazinho de dezasseis anos entrou , tirando o chapéu pontiagudo . Em o seu peito brilhava um distintivo prateado de prefeito . Era muito mais alto do_que Harry , mas tinha , tal_como ele , cabelo preto asa de corvo . - Ah ! Riddle - disse o director . - Queria falar comigo , professor Dippet ? - perguntou ele com ar nervoso . - Senta te - disse Dippet . - Tenho estado a ler a carta que me mandaste . - Oh ! - exclamou Riddle , sentando se e apertando as mãos uma contra a outra . - Meu rapaz - disse Dippet amavelmente . - Eu não posso deixar te ficar em a escola durante o Verão . Com certeza queres ir para_casa em as férias ? - Não - respondeu Riddle , sem perder tempo . - Prefiro mil vezes ficar em Hogwarts a ter de voltar a aquela ... aquela ... - Tu vives em um orfanato de Muggles durante as férias , não é assim ? - perguntou Dippet com curiosidade . - Sim senhor - disse Riddle , corando um_pouco . - És filho de Muggles ? - Meio sangue , professor - explicou Riddle . - Pai_Muggle , mãe bruxa . - E o teu pai e a tua mãe ... - A minha mãe morreu pouco depois de eu nascer , professor , contaram me em o orfanato que só teve tempo de me dar o nome : Tom , como o meu pai , Marvolo como o meu avô . Dippet estalou a língua solidariamente . - O que acontece , Tom - suspirou - é_que ... podia ter se arranjado uma situação especial para ti , mas em as circunstâncias actuais ... - Refere se a os ataques , professor ? - perguntou Riddle e o coração de Harry deu um salto , aproximando se com medo de perder alguma coisa . - Precisamente - disse o director . - Meu rapaz , compreendes que seria uma imprudência de a minha parte deixar te ficar em o castelo quando o período acabar , principalmente a a luz de a recente tragédia ... a morte de aquela pobre moça ... estarás sem dúvida em maior segurança em o orfanato . Em a verdade , o ministro de a magia até fala em fechar a escola . Não estamos nada perto_de localizar ... er ... a fonte de toda esta história desagradável . Os olhos de Riddle tinham se aberto mais . - Professor , se essa pessoa fosse apanhada ... se tudo acabasse . . . - Que queres dizer com isso ? - perguntou Dippet com voz aguda , endireitando se em a cadeira . - Riddle , tu sabes alguma coisa sobre estes ataques ? - Não senhor - respondeu ele de imediato . Mas Harry sabia que era o mesmo tipo de « não » que ele dissera a Dumbledore . Dippet afundou se de_novo com um ar de profundo desapontamento . - Podes ir , Tom . Riddle esgueirou se de a cadeira e saiu de a sala . Harry seguiu o . Desceram por a escada em espiral , saindo junto de a gárgula em o corredor que escurecia . Riddle parou e Harry fez o mesmo , olhando para ele . Quase podia apostar que ele pensava seriamente em alguma coisa . Mordia o lábio e tinha as sobrancelhas franzidas . A certa altura , como_se tivesse acabado de tomar uma decisão , começou a andar mais depressa com Harry a segui o ruidosamente . Não viram mais ninguém , a não ser quando chegaram a o * hall * de entrada onde um feiticeiro alto de longos cabelos ruivos e barba chamou Riddle de a escadaria de mármore . - O que andas a fazer por aqui tão tarde , Tom ? Harry olhou para o feiticeiro . Não era outro senão Dumbledore com cinquenta anos a menos . - Tive de ir falar com o director - justificou se Riddle . - Bem , agora vai depressa para a cama - disse Dumbledore , olhando Riddle com aquele olhar penetrante que Harry conhecia tão bem . - É melhor não andar a passear por os corredores em os dias que correm , pelo_menos até ... Suspirou profundamente , deu as boas-noites a o Riddle e foi se embora . Riddle viu o desaparecer e , sem perder tempo , desceu os degraus de pedra até a os calabouços com Harry em a peugada . Mas para seu grande desconsolo , Riddle não o conduziu a nenhum corredor ou túnel secreto e sim a o calabouço onde ele costumava ter aulas de poções com o Snape . As tochas não tinham sido acesas e quando Riddle empurrou a porta quase fechada , Harry só conseguiu vê o a ele , de pé , quieto junto de a porta , olhando para o corredor . Pareceu a Harry que ficaram ali quase uma hora . Tudo_o_que via era a silhueta de Riddle junto de a porta , olhando fixamente através de a greta , a a espera . Como_se fosse uma estátua . E quando Harry tinha abandonado todas_as expectativas e começava a desejar voltar a o presente , ouviu alguma coisa que se movia atrás de a porta . Alguém avançava lentamente por o corredor . Ouviu a pessoa , quem quer que fosse , passar por o calabouço onde ele e Riddle estavam escondidos . Riddle , silencioso como uma sombra , esgueirou se por a porta e seguiu o com Harry em bicos de pés atrás de ele , esquecido de que podia fazer barulho a a vontade porque ninguém o ouvia . Durante cerca de cinco minutos seguiram lhe os passos até que Riddle parou repentinamente com a cabeça inclinada em a direcção de novos ruídos . Harry ouviu uma porta a abrir se e em seguida alguém falou em um murmúrio rouco . - Vá lá , temos que sair de aqui ... vá lá , dentro de a caixa ... Havia algo de familiar em aquela voz . Riddle deu subitamente uma volta e Harry seguiu o . Podia ver a silhueta escura de um rapaz enorme que estava inclinado em frente de a porta aberta , com uma grande caixa a o lado . - Boa noite , Rubeus - disse Riddle secamente . O rapaz fechou a porta e pôs se de pé . - O que estás a fazer aqui , Tom ? Riddle aproximou se . - Acabou se - disse . - Vou ter de entregar te , Rubeus . Falam em fechar Hogwarts se os ataques não terminarem . - O que é_que tu ... ? - Eu acho que tu não quiseste matar ninguém , mas os monstros não são os melhores animais domésticos . Tu só quiseste deixá o sair para andar um_pouco e ... - Ele não matou ninguém - disse o rapaz grande , recuando contra a porta fechada . Lá de dentro vinham uns estranhos roncos e rugidos . - Vamos , Rubeus - disse Riddle , aproximando se mais ainda . - Os pais de a rapariga que morreu estarão aqui amanhã . O mínimo que Hogwarts pode fazer é assegurar lhes que aquilo que matou a filha de eles foi abatido ... - Não foi ele - gemeu o rapaz cuja voz ecoou em o corredor escuro . - Ele não faria isso ... ele nunca ... - Afasta te - disse Riddle , pegando em a varinha . O encantamento iluminou o corredor com uma luz brilhante . A porta atrás de o rapaz grande abriu se de par em par com tanta força que o atirou contra a parede . E de lá de dentro saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito que ninguém mais ouviu a não ser ele próprio . Tinha um corpo imenso , magro e peludo e um emaranhado de pernas pretas , a cintilação de muitos olhos e um par de tenazes afiadas . Riddle levantou de_novo a varinha , mas era tarde de mais . A coisa deixara o atarantado e corria apressadamente , precipitando se por o corredor e desaparecendo . Riddle pôs se de pé , olhou a a procura de o monstro , levantou a varinha , mas o rapaz grande saltou sobre ele , tirou lhe a varinha de as mãos e lançou o a o chão , gritando : - Naaaaaão ! A cena rodopiou . A escuridão tornou se total . Harry sentiu se a cair e com um embate aterrou como uma águia de patas e asas abertas em a sua cama de dossel , em o dormitório de os Gryffindor , o diário de Riddle aberto sobre o estômago . Antes de ter tido tempo de normalizar a respiração , a porta de o dormitório abriu se e o Ron entrou . - Aí estás tu - disse . Harry sentou se . Transpirava e tremia . - O que se passa ? - perguntou Ron , olhando aflito para ele . - Foi o Hagrid , Ron . O Hagrid abriu a Câmara_dos_Segredos há cinquenta anos atrás . XIV_Cornelius_Fudge_Harry , Ron e Hermione sabiam há muito_tempo que Hagrid tinha uma triste predilecção por criaturas grandes e monstruosas . Em o primeiro ano que passaram em Hogwarts , ele tentara criar um dragão em a sua pequena cabana de madeira e levaram muito_tempo a esquecer o gigantesco cão de três cabeças que ele baptizara de « fofinho » . E se , em rapaz , Hagrid tinha ouvido dizer que havia um monstro escondido em o castelo , Harry tinha a certeza que ele teria feito os impossíveis por descobri o . Provavelmente achou que era uma injustiça o monstro estar fechado tanto tempo e pensou que ele merecia a oportunidade de esticar as suas muitas pernas . Harry imaginava perfeitamente o Hagrid a os treze anos a tentar pôr uma coleira e uma trela a o monstro . Mas tinha igualmente a certeza de que ele nunca teria querido matar ninguém . De certo modo , Harry desejava não ter descoberto como utilizar o diário de Riddle . Ron e Hermione fizeram o contar repetidas vezes o que vira até ele ficar farto de repetir o mesmo e farto de a conversa circular que se seguia . - O Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse , de essa vez , Hermione . - O monstro que atacava as pessoas podia ser outro .... - Quantos monstros achas tu que pode haver em este lugar ? - perguntou o Ron aborrecido . - Sempre soubemos que o Hagrid tinha sido expulso - disse Harry tristemente - E os ataques devem ter terminado quando ele foi expulso . Se não fosse assim , Riddle não teria recebido um prémio . Ron tentou um caminho diferente . - O Riddle parece o Percy , quem lhe pediu afinal que deitasse abaixo o Hagrid ? - Mas o monstro tinha morto uma pessoa , Ron - insistiu Hermione . - E o Riddle ia ter de voltar para um orfanato Muggle se Hogwarts fosse fechada - disse Harry . - Não posso culpá o por querer ficar aqui ... Ron mordeu o lábio e a seguir sugeriu : - Tu encontraste o Hagrid em a Rua * _ Bativolta * , não foi ? - Ele estava a comprar repelente para lesmas - disse Harry rapidamente . Ficaram os três em silêncio . Depois de uma longa pausa , Hermione , em uma voz hesitante , formulou a pergunta mais complicada de todas : - Não acham que devíamos ir ter com ele e perguntar lhe ? - Essa seria uma visita simpática - disse o Ron . - Olá , Hagrid , diz nos uma coisa , soltaste por acaso alguma coisa louca e peluda por o castelo em estes últimos tempos ? Por fim , decidiram não dizer nada a o Hagrid a_não_ser_que houvesse outro ataque e à_medida_que passava mais tempo sem murmúrios de a voz sem corpo começaram a acreditar , esperançosos , que nunca mais teriam de falar sobre o motivo por_que fora expulso . Tinham passado já quase quatro meses desde o dia em que o Justin e o Nick quase sem cabeça tinham sido petrificados e quase toda_a_gente parecia pensar que o atacante , quem quer que ele fosse , se retirara para sempre . Peeves fartara se de a sua canção * _ Oh_Potter , seu bandido * , Ernie_Mcmillan pediu educadamente a o Harry , em a aula de herbologia , que lhe passasse um balde de cogumelos saltitantes e , em Março , várias mandrágoras deram uma festa ruidosa e roufenha em a estufa número três . A professora Sprout estava muito satisfeita . - Mal elas comecem a tentar mover se para os vasos umas de as outras , saberemos que estão maduras - disse ela a o Harry . - Nessa_altura poderemos reanimar aquelas pobres criaturas que estão em a ala hospitalar . Os alunos de o segundo ano tinham agora uma coisa nova em que pensar durante as férias de a Páscoa . Chegara a altura de escolherem as matérias de o terceiro ano , um assunto que Hermione , pelo_menos , tomou muito a sério . - Pode afectar todo o nosso futuro - disse a o Harry e a o Ron a o vê os ler cuidadosamente as listas de as novas matérias e pôr um V em frente de cada uma . - Eu só quero ver me livre de as poções - disse Harry . - Não podemos - explicou Ron tristemente . - Mantemos todas_as matérias antigas ou eu teria me livrado de a Defesa contra as artes negras . - Mas é muito importante - disse Hermione chocada . - Não de a maneira como Lockhart a dá - insistiu Ron . - Não aprendi nada até agora a não ser a nunca mais libertar duendes . Neville_Longbottom recebera cartas de todas_as bruxas e feiticeiros de a família , cada_um dando um conselho diferente sobre o que ele deveria escolher . Confuso e preocupado , sentou se a ler a lista de matérias , dando estalinhos com a língua e perguntando a as pessoas se achavam que a aritmancia seria mais difícil do_que o estudo de as runas em a Antiguidade . Dean_Thomas que , tal_como Harry , fora criado com Muggles , acabou por fechar os olhos e atirar a varinha contra a lista , escolhendo as matérias onde ela aterrava . Hermione não pediu conselho a ninguém e inscreveu se em todas . Harry sorriu de si para consigo imaginando como seria uma conversa com o tio Vernon e com a tia Petúnia sobre a sua carreira em feitiçaria . Não que não tivesse tido orientação : Percy_Weasley estava ansioso por partilhar a sua experiência . - Tudo depende de o lugar para_onde queres ir , Harry - disse ele . - Nunca é cedo de mais para pensar em o futuro , por isso eu aconselho te a adivinhação . As pessoas dizem que os estudos de Muggles são uma opção leve mas eu , pessoalmente , acho que os feiticeiros deveriam ter uma compreensão profunda de a comunidade não mágica , muito especialmente se pensarem em trabalhar em íntimo contacto com eles . Vê o meu pai que tem de lidar com assuntos de os Muggles a_toda_a hora . O meu irmão Charles foi sempre mais um tipo de o exterior , por isso foi para o Centro_de_Cuidados com as Criaturas_Mágicas . Segue os teus sentimentos , Harry . Mas a única coisa em que Harry sentia que era mesmo bom era o Quidditch . Por fim , acabou por escolher as mesmas matérias que o Ron escolhera , pensando que se fosse péssimo em elas pelo_menos tinha alguém amigo para o ajudar . O próximo jogo de Quidditch_dos_Gryffindor era contra os Hufflepuff . Wood insistia em treinos de equipa todas_as noites depois de jantar , por isso Harry não tinha tempo para mais_nada a não ser para o Quidditch e para os trabalhos de casa . Mas as sessões de treino estavam a melhorar ou pelo_menos estavam mais secas e em a véspera de o jogo de sábado ele foi a o dormitório guardar a vassoura , sentindo que as hipóteses de os Gryffindor ganharem a taça de Quidditch nunca tinham sido tão boas . Mas a sua boa disposição não durou muito . Em o cimo de as escadas que levavam a o dormitório encontrou o Neville_Longbottom nervosíssimo . - Harry , não sei quem fez aquilo , eu fui encontrar ... Olhando receoso para Harry , Neville empurrou a porta . O conteúdo de a mala de Harry fora espalhado por toda_a divisão . O seu manto estava em o chão rasgado . A roupa de cama tinha sido puxada de a cama de dossel e a gaveta de o armário que se encontrava a a cabeceira de a cama fora arrancada , estando o seu conteúdo espalhado sobre o colchão . Harry aproximou se de a cama boquiaberto , pisando algumas páginas soltas de * _ Viagens com Duendes * . Quando ele e Neville estavam a puxar os cobertores para_cima , entraram o Ron e o Dean_Seamas . Dean praguejou alto . - O que é isto , Harry ? - Não faço ideia - disse ele . Mas o Ron estava a examinar as vestes de Harry e todos os bolsos estavam de o avesso . - Alguém andou a a procura de qualquer coisa - disse o Ron . - Dás por falta de alguma coisa ? Harry começou a apanhar o que estava caído , lançando tudo dentro de a mala . Só quando atirou o último livro de Lockhart é_que se apercebeu do_que faltava . - O diário de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a o Ron . - O quê ? Harry fez lhe sinal em direcção a a porta de o dormitório e apressaram se a chegar a a sala comum de os Gryffindor que estava quase vazia e onde foram encontrar Hermione sozinha a ler * _ As_Runas_Antigas a o Alcance_de_Todos * . Hermione ficou aterrada com as notícias . - Mas ... só um Gryffindor podia tê o roubado ... ninguém mais conhece a nossa senha ... - Exactamente - disse Harry . Acordaram em o dia seguinte com um sol brilhante e uma brisa agradável . - Condições ideais para o Quidditch ! - exclamou Wood , cheio de entusiasmo , a a mesa de os Gryffindor , enchendo os pratos de os elementos de a sua equipa de ovos mexidos . - Harry , anima te , precisas de um pequeno-almoço decente . Harry tinha estado a olhar para a mesa cheia de alunos de os Gryffindor , perguntando a si próprio se o novo dono de o diário de Riddle estaria ali mesmo em frente de os seus olhos . Hermione insistira para que ele participasse o roubo mas ele não gostou de a ideia . Teria de contar a um professor tudo sobre o diário , e quantas pessoas saberiam o motivo por_que Hagrid fora expulso há cinquenta anos ? Não queria ser ele a fazer com que relembrassem tudo aquilo . Quando saiu de o salão com o Ron e a Hermione para ir buscar o material de Quidditch , outra preocupação viera juntar se a a sua lista cada_vez maior . Tinha acabado de pisar os degraus de a escadaria de mármore quando ouviu de_novo a voz : - * _ Matar desta_vez ... deixem me rasgar ... romper * ... Deu um grito e Ron e Hermione saltaram alarmados . - A voz - disse Harry , olhando por cima de os ombros de eles . - Acabo de a ouvir de_novo , vocês não ouviram nada ? Ron abanou a cabeça de olhos muito abertos Mas_Hermione bateu com a mão em a testa . - Harry , acho que percebi uma coisa . Tenho que ir a a biblioteca . E disparou a correr por as escadas acima . - O que é_que ela percebeu ? - disse Harry distraidamente , ainda a olhar em volta , tentando determinar de onde vinha a voz . - Mas porque teve ela que ir a a biblioteca ? - Porque a Hermione é assim - disse o Ron , encolhendo os ombros - Quando tem uma dúvida , vai a a biblioteca . Harry manteve se hesitante , tentando captar novamente a voz mas as pessoas começavam a sair de o salão , falando alto , passando por a porta principal e encaminhando se para o estádio de Quidditch . - É melhor ires indo - aconselhou Ron . - São quase onze horas , olha o jogo . Harry deu uma corrida até a a torre de os Gryffindor , pegou em a sua Nimbus dois_mil e juntou se a a vasta multidão que enchia os campos , mas o seu pensamento estava ainda em o castelo , em aquela voz sem corpo e quando pôs as roupas vermelhas , o seu único conforto foi pensar que estavam todos lá fora para assistir a o jogo . As equipas entraram em campo a o som de um tumulto de aplausos . Oliver_Wood fez um voo de aquecimento em volta de os postes , Madam_Hooch soltou as bolas . Os Hufflepuff que tinham fatos amarelo-canário estavam reunidos em grupo em uma discussão de última hora sobre as tácticas . Harry subia para a vassoura quando a professora Mc_Gonagall atravessou o campo , meio a andar , meio a correr , transportando um enorme megafone roxo . O coração de Harry caiu lhe a os pés . - Este jogo foi cancelado - gritou por o megafone a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a o estádio apinhado . Ouviram se Uuuus e assobios . Oliver_Wood , com um ar infelicíssimo , aterrou e correu para a professora McGonagall sem sair de a vassoura . - Mas , professora - gritou - temos de jogar ... a taça ... os Gryffindor ... A professora Mc_Gonagall ignorou o e continuou a gritar por o megafone . - Pede se a os estudantes que regressem a as salas comuns de as respectivas equipas onde os chefes de equipa lhes darão mais informações . O mais depressa possível , se fazem favor ! Em seguida , baixou o megafone e fez sinal a o Harry para que se aproximasse . - Potter , é melhor vires comigo ... Perguntando a si próprio que suspeita poderia ela ter contra ele , desta_vez , Harry viu Ron desligar se de a multidão discordante e vir a correr juntar se lhes , enquanto eles se dirigiam para o castelo . Para sua grande surpresa Mc_Gonagall não pôs qualquer objecção . - Sim , talvez seja melhor vires também , Weasley . Alguns de os estudantes que os rodeavam reclamavam por o jogo ter sido cancelado , outros tinham um ar preocupado . Harry e Ron seguiram a professora Mc_Gonagall de volta a a escola e através de a escadaria de pedra . Mas desta_vez não foram levados a nenhum escritório . - Isto vai chocar vos um_pouco - disse a professora Mc_Gonagall em um tom de voz surpreendentemente suave quando estavam a aproximar se de a ala hospitalar . - Houve outro ataque ... outro ataque duplo . As vísceras de o Harry deram um salto mortal . A professora Mc_Gonagall abriu a porta e ele e Ron entraram . Madam_Pomfrey estava inclinada sobre uma rapariga de o quinto ano de cabelos longos a os caracóis que Harry reconheceu como sendo a colega de os Ravenclaw a quem , por engano , tinham perguntado o caminho para a sala comum de os Slytherin . E , em a cama a o lado de ela , estava ... - Hermione - gemeu o Ron . Hermione jazia totalmente quieta , os olhos abertos e vítreos . - Foram encontradas perto de a biblioteca - disse a professora Mc_Gonagall . - Calculo que nenhum de vocês possa explicar isto ? Estava em o chão , junto de ela . A professora tinha em as mãos um pequeno espelho redondo . Harry e Ron acenaram negativamente com as cabeças , ambos com os olhos fixos em Hermione . - Eu acompanho vos a a torre de os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall pesadamente . - De qualquer modo tenho de falar com os alunos . - Os alunos regressarão a as salas comuns de as respectivas equipas , todos_os_dias , a as seis_horas_da_tarde . Nenhum aluno deverá sair de os dormitórios depois de isso . Serão escoltados até a as aulas por um professor . Nenhum aluno deverá ir a a casa_de_banho sem um professor a acompanhá o . Todos os treinos e jogos de Quidditch estão suspensos a_partir_de agora . Não haverá mais actividades nocturnas . Os Gryffindor , que enchiam a sala comum , ouviram em silêncio a professora Mc_Gonagall . Ela enrolou o pergaminho que acabara de ler e disse em uma voz algo chocada : - Não é preciso acrescentar que nunca me senti tão desolada . É provável que a escola seja encerrada se não for apanhado o culpado de todos estes ataques . Quero pedir que se algum de vocês achar que sabe alguma coisa sobre eles venha imediatamente ter comigo . Mal ela subiu , de forma um_pouco desastrada , por o buraco de o retrato , os Gryffindor começaram logo a falar . - São dois Gryffindor a menos , sem contar com o fantasma de os Gryffindor , um Ravenclaw e um Hufflepuff - disse o amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , contando por os dedos . - Não terá nenhum de os professores reparado que os Slytherin estão a salvo ? Será que não é óbvio que tudo_isto vem de eles ? O herdeiro de Slytherin , o monstro de Slytherin , porque não expulsam todos os Slytherin ? - resmungou , recebendo acenos e aplausos de todos os lados . Percy_Weasley estava sentado em uma cadeira atrás_de Lee , mas por uma_vez não pareceu querer expor os seus pontos de vista . Estava pálido e aturdido . - O Percy está em estado de choque - disse o George baixinho a o Harry . - Aquela rapariga de os Ravenclaw , Penelope_Clearwater , é prefeita . Acho que ele nunca tinha pensado que o monstro pudesse atacar um prefeito . Mas Harry não estava a ouvi o com atenção . Não conseguia esquecer a imagem de Hermione deitada em a cama de o hospital , como_se estivesse esculpida em pedra . E se o culpado não fosse apanhado rapidamente tinha em a frente uma vida inteira com os Dursley . Tom_Riddle entregara o Hagrid porque fora confrontado com a possibilidade de um orfanato Muggle se a escola fechasse . Harry sabia exactamente o que ele sentira . - Que vamos nós fazer ? - disse lhe o Ron baixinho a o ouvido . - Achas que eles suspeitam de o Hagrid ? - Temos de falar com ele - disse Harry , tomando uma decisão . - Não acredito que tenha culpa desta_vez , mas se ele libertou o monstro há cinquenta anos , sabe com certeza como entrar em a Câmara_dos_Segredos , o que já é um princípio . - Mas a Gonagall disse que temos que ficar em a torre a_não_ser_que estejamos em as aulas ... - Eu acho - disse Harry ainda mais baixo - que chegou a altura de tirar outra_vez de a mala o manto de o meu pai . Harry herdara apenas uma coisa de o pai : o enorme manto prateado de a invisibilidade . Era a única maneira de poderem esgueirar se de a escola para fazer uma visita a o Hagrid , sem que ninguém de esse por isso . Deitaram se a a hora de o costume , esperaram que o Neville , o Dean e o Seamas adormecessem para se levantarem , vestirem se de_novo e taparem se com o manto . A viagem por os corredores de o castelo escuro e deserto não era nada agradável . Harry que vagueara por ali muitas_vezes durante a noite nunca vira tanta gente depois de o pôr de o Sol . Professores , prefeitos e fantasmas andavam por os corredores a os pares , olhando em volta , em busca de qualquer actividade fora de o habitual . O manto de a invisibilidade não impedia que fizessem barulho e houve um momento particularmente tenso em que o Ron deu uma topada a menos_de um metro de o lugar onde Snape se encontrava . Felizmente Snape espirrou em o preciso momento em que o Ron praguejava . Foi com grande alívio que chegaram a as portas de carvalho de a entrada principal . Estava uma noite clara e cheia de estrelas . Dirigiram se apressadamente para as janelas iluminadas de a casa de Hagrid e só tiraram o manto mesmo em frente de a porta . Poucos segundos depois de terem batido abriu se a porta . Ficaram frente_a_frente com Hagrid que lhes apontou uma besta enquanto Fang , o cão caçador de javalis , ladrava furiosamente atrás de ele . - Oh ! - disse , baixando a arma quando viu que eram eles . - O que estão vocês a fazer aqui ? - Para que é isso ? - perguntou Harry , apontando para a besta , enquanto entrava . - Nada , não é nada - murmurou Hagrid . - Tenho estado a a espera ... não tem importância , sentem se que eu vou fazer um chá . Dava a impressão de não saber o que fazia . Quase apagou a lareira , vertendo a água de a chaleira em o lume e em seguida esmagou o bule com um gesto de a sua mão maciça . - Estás bem , Hagrid ? - perguntou Harry . - Soubeste de a Hermione ? - Soube , sim - disse ele com um leve tremor em a voz . Continuava a olhar nervosamente para as janelas . Deu lhe os duas grandes canecas de água a ferver ( esquecera se de juntar o chá ) e estava a acabar de pôr em um prato uma fatia grossa de bolo de frutas quando alguém bateu energicamente a a porta . Hagrid deixou cair o bolo . Harry e Ron trocaram entre si olhares de pânico e , em seguida , cobriram se com o manto de a invisibilidade e esconderam se em um canto . Hagrid assegurou se de que eles estavam bem escondidos , pegou em a besta e abriu , mais_uma_vez , a porta . - Boa noite , Hagrid . Era_Dumbledore . Entrou com um ar muito sério , seguido de um homem bizarro . O estranho era um homenzinho pequenino , de porte majestoso com cabelos grisalhos desalinhados e uma expressão de ansiedade em o rosto . Usava uma inesperada mistura de roupas . Um fato a as riscas , uma gravata vermelho escarlate , um longo manto negro e umas botas roxas pontiagudas . Debaixo de o braço trazia um chapéu de coco verde lima . -- É o patrão de o meu pai - murmurou o Ron . Cornelius_Fudge , o ministro de a magia ! Harry deu lhe uma valente cotovelada para o fazer calar se . Hagrid tinha ficado suado e pálido . Deixou se cair em uma de as cadeiras e olhava de Dumbledore_para_Cornelius_Fudge . - Más notícias , Hagrid - disse Fudge em um tom bastante grave . - Muito más notícias . Tive de vir . Quatro ataques a filhos de Muggles , as coisas foram longe_de mais . O ministério tem que tomar uma atitude . - Eu nunca ... - disse Hagrid , parecendo implorar a Dumbledore . - O senhor sabe que eu nunca ... professor Dumbledore , o senhor ... - Quero que fique claro , Cornelius , que Hagrid tem a minha total confiança - afirmou Dumbledore , franzindo as sobrancelhas . - Olha , Albus - disse Fudge pouco a a vontade - a ficha de o Hagrid depõe contra ele . O ministério tem de fazer alguma coisa , o Conselho_Directivo de a escola tem se reunido ... - Mesmo_assim , Cornelius , devo dizer te mais_uma_vez que levar o Hagrid de aqui não vai ajudar em nada - afirmou Dumbledore com os olhos azuis com um fogo que Harry nunca vira antes . - Tenta compreender o meu ponto de vista - insistiu Fudge , brincando com o chapéu . - Estou a ser tremendamente pressionado , tenho de mostrar que faço alguma coisa . Se se provar que não foi o Hagrid , ele voltará e não se fala mais em o assunto . Mas tenho de levá o , tem de ser , não estaria a cumprir a minha obrigação se ... - Levar me ? - perguntou Hagrid a tremer . - Levar me para_onde ? - É uma pena curta - disse Fudge , sem o olhar em os olhos . - Não é um castigo , Hagrid , chamemos lhe antes uma precaução . Se mais alguém for apanhado , tu sais com todas_as nossas desculpas . - Não é para Azkaban ? - balbuciou Hagrid . Mas antes que Fudge tivesse tido tempo de responder , ouviu se bater mais_uma_vez a a porta . Dumbledore abriu . Foi a vez de Harry levar uma cotovelada em as costas : soltara um gemido audível . Mr._Lucius_Malfoy entrou em a cabana de o Hagrid embrulhado em uma longa capa preta de viagem , com um sorriso frio de satisfação . O Fang começou a rosnar . - Já está aqui , Fudge ? - disse de forma aprovadora . - Muito bem , muito bem ... - O que estás a fazer aqui ? - perguntou Hagrid furioso . - Sai imediatamente de a minha casa . - Meu bom homem , acredite que não tenho prazer nenhum em entrar em a sua ... er ... chamou lhe casa ? - disse Lucius_Malfoy , sorrindo sarcasticamente enquanto observava a pequena divisão . - Eu limitei me a ir a a escola e disseram me que o director estava aqui . - E o que queres de mim , Lucius ? - perguntou Dumbledore . O seu tom de voz era educado mas em os olhos azuis brilhava ainda o mesmo fogo . - Uma notícia horrível , Dumbledore - disse Mr._Malfoy de forma arrastada , pegando em um grande rolo de pergaminho . - Mas os membros de o conselho pensam que é altura de tu saíres . Isto_é uma ordem de suspensão , tens aí doze assinaturas . Lamento muito mas em a nossa opinião estás a perder a firmeza . Quantos ataques houve até agora ? Mais dois hoje a a tarde , não foi ? A este ritmo vão acabar todos os filhos de Muggles em Hogwarts e todos sabemos que seria uma terrível perda para a escola . - O que é isso , Lucius ? - protestou Fudge com ar alarmado . - O Dumbledore suspenso não ... não , seria a última coisa que desejaríamos em este momento ... - A nomeação ou suspensão , de o director é de a competência de os membros de o Conselho_Directivo , Fudge - disse suavemente Mr._Malfoy . - E como Dumbledore não foi capaz de pôr cobro a estes ataques ... - Oh ! Lucius , se Dumbledore não conseguiu - disse Fudge com o lábio superior a suar . - Quem irá conseguir ? - Isso está para se ver - disse Mr._Malfoy com um sorriso mesquinho . - Mas como os doze votamos ... Hagrid pôs se de pé em um salto , o cabelo preto hirsuto a roçar em o tecto . - E quantos tiveste de chantajar para concordarem contigo , Malfoy ? - Meu caro Hagrid , sabe que esse seu temperamento ainda acaba por lhe criar problemas um dia de estes - disse Mr._Malfoy . - Não o aconselho a gritar assim com os guardas de Azkaban . Eles não iriam gostar nada . - Não podes levar Dumbledore - gritou Hagrid , fazendo Fang , o cão caçador de javalis , agachar se e ganir em o seu cesto . - Sem ele , os filhos de os Muggles não têm qualquer hipótese . A seguir haverá mortes . - Acalma te , Hagrid - disse Dumbledore de forma cortante , olhando para Lucius_Malfoy . - Se os membros de o conselho querem substituir me , eu sairei , claro . - Mas - interrompeu Fudge . - Não - rosnou Hagrid . Dumbledore não tirara os seus olhos azuis brilhantes de os olhos cinzentos e frios de Lucius_Malfoy . - Contudo - disse , pronunciando cada palavra lenta e claramente para que nenhum de eles perdesse o seu sentido - verás que só deixarei verdadeiramente esta escola quando ninguém aqui me for leal . Descobrirás também que será sempre dada ajuda em Hogwarts a quem a pedir . Por um segundo , Harry teve quase a certeza de que os olhos de Dumbledore tremelaziram em direcção a o canto onde ele e Ron estavam escondidos . - Sentimentos admiráveis - disse Malfoy , fazendo uma vénia . - Todos nós vamos sentir a tua ... forma muito pessoal de fazer as coisas , Albus . Só espero que o teu sucessor consiga evitar qualquer ... crime . Dirigiu se a a porta de a cabana , abriu a e fez sinal a Dumbledore para que passasse a a sua frente . Fudge , mexendo nervosamente em o chapéu de coco , esperou que Hagrid fizesse o mesmo mas ele ficou quieto , respirou fundo e disse prudentemente : - Se alguém quiser descobrir alguma coisa , o que tem a fazer é seguir as aranhas . Elas indicarão o caminho , é tudo_o_que vos digo . Fudge olhou para ele espantado . - Está bem , eu vou - disse Hagrid , pegando em o seu sobretudo de pêlo de toupeira . Mas quando ia seguir o Fudge e sair por a porta , parou e disse em voz alta : - E alguém tem de dar de comer a o Fang enquanto eu não estiver cá . A porta fechou se ruidosamente e Ron tirou o manto de a invisibilidade . -- Estamos outra_vez em uma alhada - disse com voz rouca - Sem o Dumbledore podem fechar a escola já esta noite . Sem ele vai haver um ataque por dia . O Fang começou a ganir , arranhando a porta fechada . XV_Aragog_O_Verão insinuava se em os campos em volta de o castelo . O céu e o lago tinham se tornado de um azul-molusco e as flores , grandes como couves , começavam a florir em as estufas . Mas sem o Hagrid , que ele costumava avistar de o castelo , atravessando os campos com o Fang atrás , parecia a Harry que a paisagem não estava completa . Não era melhor dentro de o castelo onde tudo corria horrivelmente mal . O Harry e o Ron tinham tentado visitar a Hermione , mas as visitas a o hospital estavam proibidas . - Não vamos correr mais riscos - disse lhes Madam_Pomfrey com ar severo , através_de uma fresta de a porta de o hospital . Não , lamento , há muitas hipóteses de o atacante voltar para acabar de vez com estas pessoas ... Com Dumbledore longe , o medo espalhara se como nunca acontecera antes , de_tal_modo_que o sol que aquecia as paredes de o castelo por fora parecia parar junto de as janelas de pinázios . Não se via um único rosto em a escola que não andasse tenso e preocupado e qualquer gargalhada , em os corredores , se tornava incómoda e antinatural e era rapidamente abafada . Harry repetia constantemente , de si para consigo , as últimas palavras que ouvira a Dumbledore : - * _ Só terei verdadeiramente deixado esta escola quando ninguém me for leal ... será sempre dada ajuda , em Hogwarts , a quem a pedir * . Qual seria o significado exacto de aquelas palavras ? A quem deveria pedir ajuda quando todos estavam tão confusos assustados como ele ? A alusão de Hagrid a as aranhas era bastante mais fácil de entender . O problema era que parecia não ter restado uma única aranha em o castelo para eles a poderem seguir . Harry procurou por todo o lado com a ajuda relutante de o Ron . As coisas estavam dificultadas por o facto de não poderem andar sozinhos e terem de se deslocar em grupo dentro de o castelo , juntamente com outros Gryffindor . A maior parte de os alunos gostava de ser conduzida como carneiros de uma aula para a outra por os professores mas Harry achava horrível . Havia , contudo , uma pessoa que parecia apreciar aquela atmosfera de terror e suspeitas . Draco_Malfoy passeava empertigado por a escola como_se tivesse sido nomeado para chefe de turma . Harry só compreendeu o motivo de toda aquela boa disposição cerca de quinze_dias depois de Dumbledore e Hagrid se terem ido embora quando , em uma aula de poções , o ouviu falar com o Crabbe e o Goyle . - Sempre achei que seria o pai quem conseguiria livrar nos de o Dumbledore - disse sem a menor preocupação em baixar a voz . - Já vos disse , segundo ele , Dumbledore foi o pior director que a escola alguma vez teve . Talvez agora venha um director decente que não queira a Câmara_dos_Segredos fechada . A Mc_Gonagall não vai durar muito , está só a ... O Snape passou por Harry , sem fazer comentários a o caldeirão e a a cadeira vazia de Hermione . - Professor - disse Malfoy em voz alta . - Professor , porque não se candidata a o lugar de director ? - Ora , ora , Malfoy - respondeu Snape , sem conseguir esconder um meio sorriso . - O professor Dumbledore foi apenas suspenso por os membros de o conselho de direcção , certamente vai voltar um dia de estes . - Sim , claro - disse Malfoy com o seu sorriso escarninho . - Acho que se o professor quisesse candidatar se a o lugar teria o voto de o pai . Eu vou dizer lhe que o acho o melhor professor de a escola . Snape sorriu enquanto passeava de um lado para o outro em o calabouço , não tendo felizmente visto o Seamus_Finnigan que fingia vomitar para dentro de o caldeirão . - Estou espantado por ver que até agora os sangues de lama ainda não fizeram as malas e não desapareceram - prosseguiu Malfoy . - Aposto cinco galeões em como o próximo morre . Pena que não tenha sido a Granger ... A campainha tocou em esse momento o que foi uma sorte porque a o ouvir as últimas palavras de Malfoy , Ron deu um salto , mas em a barafunda de guardar os livros em os sacos , a sua tentativa de agarrar o Malfoy passou despercebida . - Deixem me - gritava o Ron enquanto o Harry e o Dean lhe agarravam os braços . - Não preciso de varinha , vou dar cabo de ele com as minhas mãos ... - Despachem se , tenho de conduzir vos a a aula de herbologia - praguejava o Snape acima de as cabeças de os alunos . E lá foram como cordeirinhos com Harry , Ron e Dean em a retaguarda , o Ron ainda a tentar libertar se . Só acharam seguro largá o quando Snape os deixou fora de o castelo e iniciaram o percurso por o meio de a horta em direcção a as estufas . A aula de herbologia estava reduzida . Tinha agora dois alunos a menos : Justin e Hermione . A professora Sprout pô os a trabalhar , podando as figueiras-da-abissínia . Harry foi despejar uma braçada de hastes secas em um monte de adubo e deu consigo cara a cara com Ernie_Mcmillan . Ernie respirou fundo . - Só quero dizer te , Harry que lamento ter suspeitado de ti . Sei que nunca atacarias a Hermione_Granger e peço te desculpa por todas_as coisas que disse . Estamos todos em o mesmo barco , agora e , bem ... Estendeu lhe uma mão rechonchuda que o Harry apertou . Ernie e a sua amiga Hannah foram trabalhar em a mesma figueira com o Harry e o Ron . - Aquele tipo , Draco_Malfoy - disse Ernie , partindo pequenos galhos - , parece muito satisfeito com isto tudo , não acham ? É bem possível que ele seja o herdeiro de Slytherin . - Uma observação inteligente de a tua parte - disse o Ron que parecia não ter desculpado Ernie tão facilmente como o Harry . - Acham que é ele ? - perguntou Ernie . - Não - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Hannah ficaram a olhar espantados . Um segundo depois , Harry avistou qualquer coisa que o levou a chamar a atenção de o Ron , batendo lhe em a mão com a tesoura de podar . - Au ... o que é_que tu ... ? Harry apontava para o chão , a poucos centímetros de distância . Várias aranhas grandes corriam precipitadamente por a terra fora . - Ah ! sim - disse o Ron , tentando , sem conseguir , mostrar se entusiasmado . - Mas não podemos seguis as agora ... Ernie e Hannah ouviam nos com curiosidade . Harry viu as aranhas desaparecerem . - Parecem ir em a direcção de a floresta proibida ... E o Ron ficou ainda mais infeliz a o ouvir aquilo . Em o final de a aula , o professor Snape acompanhou os alunos a a « Defesa contra as artes negras » . Harry e Ron foram atrás de os outros para poderem conversar sem serem ouvidos . - Temos de usar outra_vez o manto de a invisibilidade - disse Harry a o Ron . - Podemos levar connosco o Fang , ele está habituado a ir a a floresta com o Hagrid , pode ser uma boa ajuda . - Certo - disse o Ron , que fazia girar nervosamente a varinha em os dedos . - Er ... não costuma haver ... não costuma haver lobisomens em a floresta ? - acrescentou enquanto ocupavam os lugares de o costume em a aula de o Lockhart . Preferindo não responder a a pergunta , Harry disse : - Também há lá coisas boas . Os centauros são fixes e os unicórnios . Ron nunca estivera em a floresta proibida , Harry fora lá só uma_vez e desejara não ter de lá voltar . Lockhart deu um salto para dentro de a sala de aula e os alunos ficaram espantados a olhar para ele . Todos os outros professores andavam mais tristes do_que o habitual mas Lockhart parecia sentir se em as nuvens . - Então , então - exclamou , olhando em volta . - Porquê essas caras deprimidas ? Lançaram lhe olhares exasperados mas ninguém respondeu . - Não compreendem - disse , falando devagar como_se fossem todos um_pouco estúpidos - que o perigo já passou ? O culpado foi se embora . -- Quem disse ? - retorquiu Dean_Thomas em voz alta . -- Meu caro jovem , o ministro de a magia não teria levado Hagrid se não estivesse cem por_cento certo de que ele era o culpado - disse Lockhart como quem explica que um e um são dois . - Teria , sim - disse o Ron , em um tom de voz ainda mais alto do_que o de o Dean . - Eu julgo saber um_pouco mais sobre a prisão de o Hagrid do_que o senhor , Mr._Weasley - disse Lockhart com notória auto-satisfação . Ron começou a dizer que discordava mas foi interrompido por o Harry que lhe deu um forte pontapé por debaixo de a mesa . - Nós não estávamos lá , lembras te ? - murmurou . Mas a alegria revoltante de o Lockhart , as insinuações de que sempre tinha achado que o Hagrid não prestava , a sua certeza de que tudo aquilo estava a chegar a o fim , irritou Harry de tal maneira que teve vontade de lhe atirar as * _ Viagens com Vampiros * e de lhe acertar em aquela cara estúpida . Mas , em vez de isso , limitou se a escrevinhar um bilhete para o Ron : * _ Vamos lá hoje a a noite * . Ron leu a mensagem , engoliu em seco e olhou para o lugar onde Hermione costumava sentar se . A cadeira vazia pareceu ajudá o a decidir se e acenou afirmativamente . A sala comum de os Gryffindor estava agora sempre cheia porque , depois de as seis_da_tarde , os Gryffindor não tinham outro lugar para ir . Por outro lado , tinham imenso para conversar , por isso a sala comum mantinha se cheia de gente até depois de a meia-noite . Logo_a_seguir a o jantar , Harry foi buscar o manto de a invisibilidade a a mala onde estava guardado e passou todo o serão a a espera que a sala esvaziasse . O Fred e o George desafiaram o para alguns jogos de explosão e a Ginny sentou se , muito preocupada , a observá os , em a cadeira habitual de Hermione . Harry e Ron fartaram se de perder de propósito em uma tentativa de pôr rapidamente fim a os jogos mas , mesmo_assim , já passava bastante de a meia-noite quando o Fred , o George e a Ginny se foram , finalmente , deitar . Harry e Ron esperaram até ouvir as portas de os dois dormitórios fecharem se . Em seguida , pegaram em o manto , lançaram o sobre ambos e passaram por o buraco de o retrato . Era mais uma difícil travessia de o castelo , tendo de fintar todos os professores . Finalmente , chegaram a o * hall * de entrada , giraram o fecho de as portas de carvalho , esgueiraram se tentando não fazer barulho e aventuraram se nos campos iluminados por o luar . - É claro que - disse bruscamente o Ron , enquanto atravessavam os relvados negros - podemos perfeitamente chegar a a floresta e descobrir que não há nada para seguir . As aranhas podem não ter ido para lá . É certo que parecia que tomavam essa direcção , mas ... Felizmente a lengalenga não durou muito . Chegaram a a casa de o Hagrid que tinha um ar triste com as suas janelas vazias . Logo_que Harry empurrou a porta e a abriu , o Fang saltou , louco de alegria por os ver . Preocupados , não fosse ele acordar toda_a_gente em o castelo com o seu ladrar forte e agitado , deram lhe rapidamente a comer bombons de melaço que estavam em uma lata sobre a lareira e que lhe colaram os dentes de cima a os de baixo . Harry pousou o manto de a invisibilidade sobre a mesa de o Hagrid . Não iam precisar de ele em a floresta escura como breu . - Anda , Fang , vamos dar um passeio - disse Harry , batendo lhe a o de leve em a pata e Fang saiu feliz , a os saltos , atrás de eles . Precipitou se até a a orla de a floresta e levantou a perna contra uma enorme figueira-do-egipto . Harry pegou em a varinha , murmurou * _ Lumus * ! e uma pequenina luz surgiu em a ponta de a varinha , suficiente para lhes mostrar o caminho e ajudá os a descobrir a pista de as aranhas . - Bem pensado - disse o Ron . - Eu acendia também a minha mas , sabes como ela está , ainda estoirava ou qualquer coisa assim ... Harry tocou em o ombro de o Ron , apontando para as ervas . Duas aranhas solitárias fugiam de a luz de a varinha , aproximando se de a sombra de as árvores . - O. _ K. - disse o Ron , resignando se com o pior . - Estou pronto , vamos . Então , com o Fang a correr atrás de eles , cheirando as raízes de as árvores e as folhas , entraram em a floresta . Seguindo a luz de a varinha de o Harry seguiram a fila disciplinada de aranhas que se movia a o longo de o caminho . Andaram durante cerca de vinte minutos , sem falar , atentos a todos os ruídos que não fossem os de os ramos caídos e de as folhas secas . Então , quando as copas de as árvores se tinham tornado mais cerradas do_que nunca , de_tal_modo_que as estrelas em o céu já não eram visíveis e a varinha de o Harry brilhava isolada em um mar de escuridão , viram as aranhas que eles seguiam a abandonar o caminho . Harry parou , tentando ver para_onde iam mas tudo_o_que ficava longe de a sua pequenina luz era negro de breu . Ele nunca fora tão longe em a floresta . Lembrava se muito bem de Hagrid lhe ter dito , de a última vez que ali tinham estado , que nunca saísse de o caminho de a floresta . Mas Hagrid agora estava a muitos quilómetros de distância e ele também lhes dissera que seguissem as aranhas . Uma coisa húmida tocou em a mão de o Harry e ele deu um salto para trás , pisando o pé a o Ron . Mas afinal era apenas o focinho de o Fang . - O que é_que tu achas ? - perguntou ele a o Ron cujos olhos conseguia vislumbrar , reflectindo a luz de a varinha . - Já_que viemos até aqui - disse ele . Seguiram , portanto as sombras velozes de as aranhas em direcção a as árvores . Não podiam agora andar muito depressa . Tinham em a frente raízes de árvores e troncos cortados que mal se viam em aquela escuridão . Harry sentia o bafo quente de Fang em a mão . Por mais de uma_vez tiveram de parar para o Harry se baixar e descobrir as aranhas a a luz de a varinha . Andaram durante o que lhes pareceu ter sido pelo_menos meia_hora , com os mantos a roçarem em os ramos mais baixos e em as silvas . A o fim de algum tempo repararam que o chão parecia inclinar se para baixo embora as árvores continuassem cerradas . Foi então que o Fang soltou um latido que ecoou em volta , fazendo Harry e Ron darem um salto , ambos com os cabelos em pé . - O que foi ? - gritou o Ron , olhando em volta para a escuridão e agarrando Harry com força , por o cotovelo . - Há qualquer coisa ali a mexer se - murmurou Harry - Ouve ... parece ser grande . Ficaram a ouvir . Um_pouco para a direita algo de grandes dimensões partia os ramos enquanto abria caminho através de as árvores . - Oh ! não - disse o Ron . - Oh ! não , não ... - Cala te - insistiu o Harry , nervoso . - Seja o que for , vai acabar por te ouvir . - Ouvir me ? - disse o Ron , em um tom de voz muito pouco natural . - Já ouviu . Fang ! A escuridão parecia esmagar lhes os globos oculares enquanto ali ficaram apavorados , a a espera . Houve um estranho ruído , surdo e prolongado , e em seguida o silêncio . - O que estará a fazer ? - perguntou Harry . - Talvez esteja a preparar se para atacar - disse o Ron . Esperaram , a tremer , sem ousarem mexer se . - Achas que se foi embora ? - murmurou Harry . - Não sei . Em esse momento , de o lado direito veio um clarão de luz tão forte em o meio de o escuro que os dois levaram as mãos a a cara para proteger os olhos . O Fang ganiu e tentou fugir mas viu se envolvido em um emaranhado de espinhos e ganiu ainda mais alto . - Harry - gritou o Ron com grande alívio em a voz . - Harry , é o nosso carro . - O quê ? - Anda ver . Harry avançou a os tropeções atrás de o Ron , em direcção a a luz e em o momento seguinte estavam em uma clareira . O carro de Mr._Weasley ali estava , vazio , no_meio_de um círculo de árvores grossas , sob um telhado de ramos densos , os faróis de a frente resplandecentes . Quando Ron se aproximou de boca aberta , moveu se lentamente em direcção a ele como_se fosse um grande cão azul turquesa , cumprimentando o dono . - Tem estado aqui todo este tempo - disse o Ron satisfeitíssimo , aproximando se de o carro . - Olha para ele , a floresta tornou o selvagem ... O guarda-lamas estava riscado e cheio de lodo . Parecia que tinha andado a passear sozinho por a floresta . Fang não gostou lá muito de ele . Manteve se a o lado de o Harry que podia senti o a tremer . Com a respiração normalizada , Harry guardou a varinha em o manto . - E nós a pensarmos que ele nos ia atacar - disse o Ron , encostando se a o carro e dando lhe duas palmadinhas - As voltas que eu dei a a cabeça a pensar para_onde ele teria ido ! Harry olhava para todos os lados , em o chão iluminado , em busca de mais aranhas mas todas elas tinham fugido de o brilho de as luzes . - Perdemos as de vista - disse ele . - Anda , vamos procurá as . Ron não disse nada . Não se moveu . Tinha os olhos fixos em um ponto , três metros acima de o chão de a floresta , mesmo atrás de o Harry . O seu rosto estava lívido de terror . Harry nem teve tempo de se voltar . Ouviu se um ruído alto e seco e sentiu que alguma coisa longa e peluda o elevava em o ar com o rosto voltado para baixo . Debatendo se , apavorado , ouviu outro estalido e viu as pernas de o Ron serem também levantadas de o chão . Ouviu o Fang gemer e ganir e , em o momento seguinte , era levado para o meio de as árvores escuras . Com a cabeça a balouçar , Harry viu que a coisa que o transportava tinha seis enormes patas peludas e que as duas de a frente o agarravam com forca sob um par de tenazes pretas e brilhantes . Atrás_de si podia ouvir outra de aquelas criaturas que , sem dúvida , transportava o Ron . Encaminhavam se para o coração de a floresta . Harry ouvia o Fang a ladrar , tentando libertar se de um terceiro monstro mas Harry não podia gritar mesmo_que quisesse , parecia que tinha deixado a voz em a clareira , junto com o carro . Não soube quanto tempo esteve em as patas de a criatura , só se apercebeu que a escuridão se atenuara um_pouco , permitindo lhe ver que o chão coberto de folhas estava agora repleto de aranhas . Voltando a cabeça para o lado , deu se conta de que tinham chegado a a base de uma enorme cova , uma cova que fora limpa de árvores para que as estrelas iluminassem com o seu brilho a cena mais pavorosa que os seus olhos alguma vez tinham visto . Aranhas . Não aranhas pequeninas como aquelas que estavam sobre as folhas . Aranhas de o tamanho de enormes cavalos , com oito olhos , oito pernas pretas , peludas , gigantescas . O espécimen que transportava Harry desceu o terreno íngreme até uma teia brumosa em forma de cúpula que ficava mesmo em o meio de a cova , enquanto os companheiros se juntavam em volta , batendo excitadíssimos com as tenazes e olhando para o que eles traziam a as costas . Harry caiu em o chão de gatas quando a aranha o libertou . Ron e Fang foram cair perto de ele . O Fang já não gania . Estava agachado e muito quieto . Ron e Harry partilhavam o mesmo sentimento . O Ron tinha a boca aberta em uma espécie de grito silencioso e os olhos a saltarem lhe de as órbitas . Harry percebeu de repente que a aranha que o deitara a o chão estava a dizer qualquer coisa . Era difícil entender porque entre cada duas palavras , batia com as tenazes . - Aragog - chamou . - Aragog . E de o meio de a teia brumosa em forma de cúpula saiu muito lentamente uma aranha de o tamanho de um pequeno elefante . As costas e as pernas estavam cobertas de pêlo cinzento e , em a cabeça feia , munida de tenazes , estavam vários olhos , todos eles de um branco leitoso . Era cega . - O que foi ? - disse , batendo rapidamente com as tenazes uma em a outra . - Homens - respondeu a aranha que trouxera o Harry . - É o Hagrid ? - perguntou Aragog , aproximando se mais com os seus oito olhos leitosos a vaguear . - Estranhos - respondeu a aranha que trouxera o Ron . - Matem nos - disse Aragog , irritada . - Eu estava a dormir ... - Nós somos amigos de o Hagrid - gritou Harry . Parecia que o coração lhe saltava por a boca . Clic , clic , clic fizeram as tenazes de a aranha , em volta de a cova . Aragog parou . - O Hagrid nunca mandou homens a a nossa cova - disse lentamente . - O Hagrid está em perigo - explicou Harry , respirando muito depressa . - Foi por isso que eu vim . - Em perigo ? - repetiu a aranha idosa e pareceu a Harry sentir preocupação por detrás de as suas tenazes . - Mas porque vos mandou ele cá ? Harry pensou pôr se de pé mas achou melhor não arriscar . As pernas provavelmente não teriam força para o sustentar . Falou portanto de o chão , o mais calmamente que foi capaz . - Eles lá em a escola pensam que o Hagrid soltou qualquer coisa contra os estudantes . Mandaram o para Azkaban . Aragog bateu furiosamente com as tenazes e , em toda_a cova , o eco foi reproduzido por uma multidão de aranhas . Era uma espécie de aplauso com uma única diferença : os aplausos não costumavam fazer o Harry quase morrer de medo . - Mas isso foi há muitos anos - disse Aragog , maldisposta . - Há anos e anos . Lembro me muito bem . Foi por isso que o expulsaram de a escola . Eles pensaram que eu era o monstro que vive em aquilo a que eles chamam a Câmara_dos_Segredos . Pensaram que o Hagrid a tinha aberto para me libertar . - E tu ... não vieste de a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Harry que sentia a testa cheia de suores frios . - Eu - disse Aragog , batendo irritada com as tenazes - , eu não nasci em o castelo . Venho de uma terra distante . Um viajante ofereceu me a o Hagrid quando eu era ainda um ovo . Hagrid era um rapazinho mas tratou de mim , escondeu me em uma despensa dentro de o castelo e alimentava me com as migalhas que ficavam em as mesas . Hagrid é o meu bom amigo e um bom homem . Quando me encontraram e me culparam por a morte de uma rapariga , ele protegeu me . Desde_então , tenho vivido aqui em a floresta onde o Hagrid ainda vem visitar me . Ele até me arranjou uma esposa , Mosag , e estão a ver como a família cresceu , tudo graças a a bondade de o Hagrid ... Harry reuniu a coragem que lhe restava . - Então tu nunca atacaste ninguém ? - Nunca - resmungou a velha aranha . - Era esse o meu instinto , mas por respeito a Hagrid nunca fiz mal a nenhum humano . O corpo de a rapariga morta foi encontrado em uma casa_de_banho , ora eu nunca conheci mais do_que despensa de o castelo , onde cresci . Nós gostamos de o escuro de o silêncio . - Mas então ... sabes o que matou essa rapariga ? - perguntou Harry . - Porque seja o que for , está a atacar as pessoas outra_vez ... As suas palavras foram abafadas por uma audível explosão de tenazes a bater e por o ruge-ruge de muitas pernas longas , deslocando se iradas . Em volta de Harry começaram a mover se sombras escuras . - O que vive em o castelo - disse Aragog - é uma antiga criatura que nós , aranhas , tememos acima_de todas_as outras . Lembro me bem de o quanto insisti com Hagrid para que me deixasse sair de ali quando senti a criatura a andar por a escola . - O que é ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Mais tenazes a bater , mais pernas a moverem se . As aranhas pareciam estar a aproximar se . - Nós não falamos de isso - exclamou Aragog furiosa . - Não pronunciamos o seu nome . Eu nunca disse a o Hagrid o nome de a horrível criatura , apesar_de ele me ter perguntado vezes sem conta . Harry não quis insistir , principalmente com todas aquelas aranhas a aproximarem se de todos os lados . Aragog parecia ter se cansado de falar . Recuava lentamente para a teia em forma de cúpula , mas as companheiras continuavam a aproximar se ameaçadoramente de Harry e Ron . - Vamos embora , então - gritou Harry , desesperadamente a Aragog , enquanto ouvia as folhas secas a estalarem atrás_de si . - Embora ? - disse Aragog lentamente . - Não me parece ... - Mas , mas ... - Os meus filhos e filhas não fazem mal a o Hagrid por ordem minha . Mas não posso negar lhes carne fresca quando ela veio por vontade própria ter connosco . Adeus , amigo de o Hagrid . Harry deu meia volta . Poucos centímetros acima de ele , uma sólida parede de aranhas batia com as tenazes , os seus muitos olhos a brilharem em as horríveis caras pretas . Mesmo_que se servisse de a varinha , Harry sabia que não ia valer de nada . As aranhas eram demasiadas , mas quando tentava preparar se para morrer a lutar , ouviu se um som prolongado e um clarão de luz iluminou a cova . O carro de Mr._Weasley ribombava , descendo o declive , com os faróis acesos , a buzina a guinchar , afastando as aranhas . Muitas de elas ficaram voltadas ao_contrário com as várias pernas a agitar se em o ar . O carro buzinou com mais força em frente de Harry e Ron e as portas abriram se . - Agarra o Fang - gritou Harry , ajeitando se em o lugar de a frente . Ron agarrou o cão caçador de javalis e lançou o a ganir para o banco de trás . As portas fecharam se com estrondo . Ron não tocou em o acelerador mas o carro não precisou de isso . O motor fez se ouvir e levantaram voo , batendo em mais aranhas . Subiram o declive , saindo de a cova e pouco depois atravessavam a floresta , os ramos a baterem em os vidros enquanto o carro seguia habilmente através de os intervalos maiores , por um caminho que obviamente já conhecia . Harry olhou para o Ron , a o seu lado . Ele tinha ainda a boca aberta em o mesmo grito silencioso mas os olhos já não estavam salientes . - Estás bem ? Ron olhou em frente , incapaz de responder . Começavam a descer para terra firme com o Fang a soltar enormes ganidos em o banco de trás e Harry viu o espelho retrovisor saltar quando passaram rente a um enorme carvalho . Após dez minutos bastante ruidosos , as árvores começaram a ser mais finas e Harry pôde ver de_novo pedaços de o céu . O carro parou tão bruscamente que quase foram projectados por o vidro de a frente . Tinham chegado a a orla de a floresta . O Fang ia agitadíssimo a a janela e quando Harry abriu a porta , disparou a correr através de as árvores até a a casa de o Hagrid , de cauda entre as pernas . Harry saiu também e um minuto depois o Ron pareceu recuperar a força em os membros e seguiu o , ainda com um torcicolo e de olhos esbugalhados . Harry deu uma palmadinha de agradecimento a o carro antes de ele dar a volta e desaparecer em direcção a a floresta . Harry voltou a a cabana de o Hagrid para buscar o manto de a invisibilidade . O Fang tremia em o seu cesto , coberto por um cobertor . Quando saiu de_novo , viu o Ron a vomitar junto de as abóboras . - Sigam as aranhas - disse ele debilmente , limpando a boca a a manga . - Nunca vou perdoar a o Hagrid . É uma sorte ainda estarmos vivos . - Aposto que ele pensou que Aragog nunca faria mal a os seus amigos - justificou Harry . - Esse é justamente o problema de o Hagrid - interrompeu Ron , dando um soco em a parede de a cabana . - Ele acha sempre_que os monstros não são tão maus como os pintam e vê onde isso o levou , a uma cela em Azkaban - tremia agora descontroladamente . - Qual a ideia de ele a o mandar nos ali ? Gostava de saber o que é_que descobrimos . - Que o Hagrid nunca abriu a Câmara_dos_Segredos - disse Harry , lançando o manto sobre Ron e tocando lhe em o braço para o encorajar a andar . - Ele estava inocente . Ron resmungou em voz alta . Para ele , chocar Aragog em uma despensa não era propriamente estar inocente . Quando se aproximaram de o castelo , Harry esticou o manto para garantir que os pés de ambos ficavam cobertos . Em seguida , empurrou as portas de a frente que chiaram . Atravessaram com todo o cuidado o * hall * de entrada e subiram a escadaria de mármore , contendo a respiração em os corredores guardados por sentinelas atentos . Por fim , chegaram a a segurança de a sala de os Gryffindor onde o lume ardera até se transformar em brasas brilhantes . Tiraram o manto e subiram a escada serpenteante que os levava a o dormitório . Ron caiu em a cama sem sequer se despir mas Harry , apesar_de tudo , não tinha sono . Sentou se em a beirinha de a cama , pensando em todas_as coisas que Aragog dissera . A criatura que andava por o castelo , pensou , era uma espécie de monstro Voldemort , nem os outros monstros queriam pronunciar o seu nome . Mas ele e o Ron não estavam agora mais perto_de descobrir o que era nem como petrificava as suas vítimas . Se nem o Hagrid chegara a saber o que estava em a Câmara_dos_Segredos ... Harry balançou as pernas e atirou se para_cima de a cama . Encostado a as almofadas olhou a Lua que brilhava através de a janela de a torre . Não sabia que mais poderiam fazer . Só tinham encontrado portas fechadas . Riddle apanhara a pessoa errada . O herdeiro de Slytherin fugira e ninguém sabia se era a mesma pessoa ou uma outra que abrira , desta_vez , a Câmara_dos_Segredos . Não havia mais ninguém a quem fazer perguntas . Harry deitou se ainda a pensar em as palavras de Aragog . Estava a começar a ficar com sono quando aquilo que parecia ser uma última esperança lhe ocorreu , fazendo o sentar se muito direito em a cama . - Ron - sussurrou em o escuro . - Ron . Ron acordou com um ganido como os de o Fang . Olhou muito assustado em volta e viu o Harry . - Ron , a rapariga que morreu . Aragog contou nos que ela foi encontrada em uma casa_de_banho - disse , ignorando os roncos de o Neville em o outro canto de o quarto . - E se ela nunca tivesse saído de a casa_de_banho ? E se ainda lá estiver ? Ron esfregou os olhos , franzindo as sobrancelhas sob a luz de a Lua . E só então compreendeu . -- Não pensar que ... a Murta_Queixosa ? XVI_A_Câmara_dos_Segredos -- E estivemos nós tantas vezes em aquela casa_de_banho com ela apenas a três cubículos de distância - disse o Ron amargamente em o dia seguinte , a a mesa de o pequeno-almoço . - Podíamos ter lhe perguntado e agora ... Já fora bastante difícil procurar as aranhas . Escapar a os professores o tempo suficiente para ir até a a casa_de_banho de as raparigas , que ficava mesmo em frente de o lugar onde ocorrera o primeiro ataque , ia ser quase impossível . Mas alguma coisa aconteceu que fez com que a Câmara_dos_Segredos desaparecesse de os seus pensamentos pela_primeira_vez em várias semanas . A professora Mc_Gonagall comunicou lhes que os exames começariam a 1_de_Junho , uma semana depois . - Exames ? - gritou Seamus_Finnigan . - Nós mesmo_assim vamos ter exames ? Ouviu se um estrondo atrás de o Harry quando a varinha de o Neville_Longbottom lhe escapou de a mão , fazendo desaparecer uma de as pernas de a secretária . A professora Mc_Gonagall repô a com a sua varinha e voltou se com má cara para o Seamus . - Se temos a escola aberta em uma altura de estas é para vocês receberem instrução - disse com dureza . - Os exames terão lugar , portanto , como é costume e espero que todos vocês façam revisões até lá . Revisões . Não passara por a cabeça de o Harry que houvesse exames com o castelo em aquele estado . Houve uma série de murmúrios revoltados , o que fez com que a professora Mc_Gonagall ficasse ainda mais mal-humorada . - As instruções de o professor Dumbledore foram para manter a escola a funcionar o mais normalmente possível - disse . - E isso , não preciso de vos dizer , passa por uma avaliação de o quanto vocês aprenderam a o longo de este ano . Harry olhou para baixo , para o casal de coelhos brancos que ele deveria transformar em pantufas . Que tinha ele aprendido durante o ano ? Não era capaz de se lembrar de nada que fosse útil em um exame . Ron estava como_se tivessem acabado de lhe dizer que a partir de aquele momento tinha de ir viver para a floresta proibida . - Estás a ver me a ter exames com isto tudo ? - perguntou a o Harry enquanto pegava em a varinha que tinha começado a assobiar bastante alto . Três dias antes de o primeiro exame , a a hora de o pequeno almoço , a professora Mc_Gonagall fez outra comunicação . - Tenho boas notícias - disse , e o salão em_vez_de se calar , explodiu de contentamento . - Dumbledore vai regressar ! - gritaram várias pessoas cheias de alegria . - Apanharam o herdeiro de Slytherin - arriscou uma rapariga em a mesa de os Ravenclaw . - Temos outra_vez os jogos de Quidditch - bradou Wood , excitadíssimo . Quando a agitação passou , Mc_Gonagall disse : - A professora Sprout informou me que as mandrágoras estão finalmente prontas para serem cortadas . Hoje a a noite vamos poder reanimar as pessoas que foram petrificadas . Escusado será dizer que certamente uma de elas poderá revelar nos quem ou o que a atacou . Eu tenho esperança que este ano pavoroso acabe com a prisão de o culpado . Houve uma explosão de aplausos . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e não ficou nada surpreendido a o ver que Draco_Malfoy não aplaudia . O Ron , por outro lado , estava satisfeito como ninguém o via havia dias . - Não faz mal não termos perguntado a a Murta . A Hermione vai , com certeza , ter todas_as respostas quando acordarem . Vai também ficar fula quando souber que temos exames dentro_de três dias . Ela não pôde fazer revisões . Seria melhor deixarem a estar onde está até a o final de os exames . Nessa_altura , Ginny_Weasley veio sentar se junto de o Ron . Parecia nervosa e tensa e Harry reparou que torcia as mãos em o colo . - O que se passa ? - perguntou o Ron , servindo se de mais papa de aveia . Ginny não disse nada mas olhou para um lado e para o outro de a mesa de os Gryffindor , com um olhar assustado que lembrou a Harry alguém que não sabia bem quem era . - Vá lá , vomita - disse o Ron , olhando para ela . Harry percebeu subitamente quem a Ginny lhe lembrara . Ela balançava se ligeiramente para a frente e para trás em a cadeira , exactamente como o Dobby fazia quando estava hesitante , à_beira_de revelar uma informação proibida . - Tenho de te dizer uma coisa - balbuciou a Ginny receosa , sem olhar para Harry . - O que é ? - perguntou ele . Ginny parecia incapaz de encontrar as palavras certas . - O quê ? - insistiu Ron . Ginny abriu a boca mas não saiu nenhum som . Harry inclinou se para a frente e falou devagar para que só ela e Ron pudessem ouvi o . - É alguma coisa relacionada com a Câmara_dos_Segredos ? Viste alguma coisa ou alguém a agir de forma estranha ? Ginny respirou fundo e , em esse preciso momento , apareceu Percy_Weasley com um ar pálido e cansado . - Se já acabaste de comer eu fico com esse lugar , Ginny . Estou cheio de fome . Acabei agora o meu trabalho de patrulhamento . Ginny deu um salto como_se a cadeira tivesse acabado de ser electrificada , lançou a o Percy um olhar assustado e zarpou . Percy sentou se e tirou uma caneca de o meio de a mesa . -- Percy - disse o Ron aborrecido . - Ela ia agora mesmo contar nos uma coisa importante . A meio de um gole de chá , Percy estremeceu . - Que coisa ? - perguntou , tossindo . - Eu quis saber se ela tinha visto alguma coisa estranha e ela ia dizer ... - Ah ! isso ... não tem nada que ver com a Câmara_dos_Segredos - disse o Percy de imediato . - Como sabes ? - indagou o Ron , erguendo as sobrancelhas . - Bem ... er ... já_que perguntam , a Ginny ... er ... passou por mim em outro dia quando eu ... er ... não foi nada , o importante é_que ela viu me fazer uma coisa e eu ... um ... pedi lhe para não comentar com ninguém . Não pensei que ela cumprisse a palavra , verdade se diga . Não é nada importante , eu só ... Harry nunca vira o Percy tão pouco a a vontade . - O que estavas a fazer , Percy ? - riu se o Ron . - Vá lá , conta que nós não nos rimos . Percy ficou sério . - Passa me esses pãezinhos , Harry , estou cheio de fome . Harry sabia que todo o mistério poderia ser desvendado em o dia seguinte sem a ajuda de eles mas não ia deixar de falar com a Murta_Queixosa se a oportunidade surgisse . E , para sua grande satisfação , ela surgiu a meio de a manhã quando eram conduzidos a a aula de História_da_Magia_por_Gilderoy_Lockhart . Lockhart , que tantas vezes lhes assegurara que o perigo tinha passado , estava agora totalmente convencido de que acompanhar os alunos em os corredores era um trabalho inútil . O seu cabelo estava mais liso do_que de costume . Parecia ter passado toda_a noite acordado a vigiar o quarto andar . - Podem escrever o que eu digo - afirmou , acompanhando os até uma esquina . - As primeiras palavras que vão sair de a boca de aquelas pobres pessoas petrificadas serão - * _ Foi_o_Hagrid * . Francamente , estou espantado por a professora Mc_Gonagall considerar ainda necessárias estas medidas de segurança . - Concordo , professor - disse Harry , fazendo com que Ron , surpreendido , deixasse cair os livros a o chão . - Obrigado , Harry - disse Lockhart amavelmente , enquanto deixavam passar uma grande fila de Hufflepuffs . - verdade é_que os professores já têm bastante que fazer para andarem também a acompanhar os alunos a as aulas e a guardar os corredores a a noite ... - É verdade - disse o Ron , percebendo a ideia . - Porque não nos deixa aqui , professor , só falta mais um corredor . - Sabes , Weasley , sou mesmo capaz de fazer isso - disse Lockhart . - Preciso de preparar a minha próxima aula . E apressou se a seguir o seu caminho . - Preparar a aula - zombou o Ron . - Vai encaracolar o cabelo , é o mais certo . Deixaram os restantes Gryffindor passar lhes a a frente e por fim cortaram caminho em um corredor lateral e dirigiram se a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mas quando estavam a congratular se por o seu esquema brilhante ... - Potter , Weasley ! Que estão vocês a fazer aqui ? Era a professora Mc_Gonagall e a boca de ela estava mais fina do_que nunca . - Nós estávamos , estávamos - gaguejou o Ron . - Nós íamos ver , íamos ver ... - Hermione - completou Harry . A professora Mc_Gonagall e Ron olharam para ele . - Não a vemos há séculos , professora - prosseguiu Harry , pisando o pé a o Ron . - E pensamos ir espreitá a a a ala hospitalar e dizer lhe que as mandrágoras estão quase prontas , para ela não se preocupar . A professora Mc_Gonagall estava ainda a olhar para ele e , por um momento , Harry pensou que ela ia explodir mas , quando falou , fê lo em um tom de voz estranhamente rouco . - É claro - disse . E Harry , espantado , viu uma lágrima a brilhar lhe em o canto de um de os olhos . - É claro . Eu compreendo que tudo_isto tem sido muito duro para os amigos de aqueles que foram ... eu compreendo , sim , Potter . Podem ir visitar Miss_Granger . Eu mesma informarei o professor Binns de que vocês estão em o hospital . Digam a Madam_Pomfrey que vos dei autorização . Harry e Ron afastaram se , quase sem acreditar que tinham escapado a um castigo . Quando voltaram em uma esquina ouviram nitidamente a professora Mc_Gonagall a assoar se . - Esta - disse o Ron entusiasmado - foi a melhor história que tu alguma vez inventaste . Não tinham outro remédio senão ir a a ala hospitalar e dizer a Madam_Pomfrey que tinham autorização de a professora Mc_Gonagall para visitar Hermione . Madam_Pomfrey deixou os entrar com alguma relutância . - Não vale a pena falar com uma pessoa petrificada - disse , e ambos tiveram que admitir que ela tinha razão quando se sentaram junto de Hermione e constataram que ela não tinha a menor noção de estar acompanhada . Dizer lhe que não se preocupasse ou falar com o armário que estava a o lado de a cama era exactamente a mesma coisa . - Será que ela viu quem a atacou ? - perguntou o Ron , olhando com tristeza para o rosto rígido de Hermione . - Porque se a coisa saltou sobre eles , ficaremos todos sem saber de nada . Mas Harry não olhava para o rosto de Hermione . Estava mais interessado em a sua mão direita que se encontrava pousada sobre os cobertores e , inclinando se para ela , viu que tinha , fechado entre os dedos , um pedaço de papel . Assegurando se de que Madam_Pomfrey não dava por nada , fez sinal a o Ron . - Tenta tirá o - murmurou ele , colocando a cadeira de_modo_a que Madam_Pomfrey não pudesse ver o Harry . Não foi tarefa fácil . A mão de a Hermione estava fechada com uma força tal que Harry receou parti a . Enquanto Ron vigiava , ele forçou e torceu até que , por fim , depois de vários minutos bastante tensos , conseguiu tirar o papel . Era uma página retirada de um livro muito antigo de a biblioteca . Harry alisou a ansiosamente e Ron inclinou se para poder lês a também . * _ De todos os monstros assustadores que pairam a a face de a Terra , nenhum é tão curioso nem tão fatal como o Basilisk , também conhecido por o rei de as serpentes . Esta cobra que pode atingir proporções gigantescas e viver durante muitas centenas de anos nasce de um ovo de galinha que é chocado por um sapo . As suas formas de matar são pavorosas pois além de os dentes venenosos e mortais , o Basilisk tem um olhar criminoso e todos aqueles que ele fixa com os olhos tem morte instantânea . As aranhas fogem a sete pés de o Basilisk que é seu inimigo mortal , e o Basilisk foge apenas de o canto de o galo que para ele é fatal * . Por debaixo de isto uma única palavra fora escrita , em a letra que Harry reconheceu como sendo de Hermione : Canos . Foi como_se se tivesse acendido uma luz em o seu espírito . - Ron - murmurou - é isso . Está aqui a resposta . O monstro de a Câmara_dos_Segredos é um Basilisk , uma serpente gigante . Por isso , só eu tenho ouvido a sua voz em todos os lugares , porque eu compreendo * serpentês * ... Harry olhou para as camas em volta . - O Basilisk mata as pessoas fixando as com o olhar mas ninguém morreu , o que quer_dizer que ninguém o olhou directamente em os olhos . Colin viu o através de a lente de a máquina fotográfica e o Basilisk queimou o rolo que estava lá dentro mas o Colin ficou apenas petrificado . O Justin ... o Justin deve ter visto o Basilisk através de o Nick quase sem cabeça . O Nick é_que levou com o olhar mas não podia morrer outra_vez ... e perto de a Hermione e de a prefeita de os Ravenclaw foi encontrado um espelho . Hermione acabara de compreender que o monstro era um Basilisk . Aposto que preveniu a primeira pessoa que encontrou de que era melhor olhar por um espelho a o virar de cada esquina . E aquela rapariga puxou de o seu espelho e ... O Ron estava de queixo caído . - E Mrs._Norris ? - perguntou vivamente . Harry pensou um_pouco , tentando imaginar a cena em a noite de o Halloween . - A água . . . - disse lentamente . - A poça de água que saiu de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Aposto que Mrs._Norris só viu o reflexo de o monstro . Examinou a folha de papel que tinha em a mão . Quanto_mais olhava mais sentido faziam as coisas . - * _ O cantar de o galo é fatal para ele * - leu em voz alta . - Os galos de o Hagrid foram mortos . O herdeiro de Slytherin não queria um único galo perto de o castelo , com a câmara aberta . * _ As aranhas são as primeiras a fugir * . Tudo encaixa . - Mas , como tem o Basilisk andado por aí ? - disse o Ron . - Uma serpente horrível e enorme ... alguém a teria visto . Mas Harry apontou para a palavra que Hermione escrevinhara em o final de a página . - Canos - disse . - Canos ... Ron , ele tem usado a canalização . Eu ouvi sempre a voz dentro de as paredes ... Ron agarrou subitamente o braço de o Harry . - A entrada para a Câmara_dos_Segredos - disse em uma voz rouca . - E se for em uma casa_de_banho ? Se for em a ... - Em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa - completou Harry . Sentaram se , tomados de uma excitação enorme , mal querendo acreditar . - Isso significa que - disse o Harry - eu não posso ser o único em a escola a falar * serpentês * . Há também o herdeiro de Slytherin . É de esse modo que tem controlado o Basilisk . - O que vamos fazer ? - perguntou Ron com os olhos a faiscar . - Vamos falar com a Mc_Gonagall ? - Vamos até a a sala de os professores - disse Harry , dando um salto . - Ela estará lá dentro_de dez minutos , está quase em o intervalo . Desceram a escada a correr . Não querendo ser descobertos outra_vez a vaguear por os corredores foram directamente até a a sala de os professores que estava deserta . Era uma divisão ampla , toda forrada , com cadeiras de madeira escura . Harry e Ron passearam de um lado para o outro , demasiado nervosos para se sentarem . Mas a campainha anunciando o intervalo nunca mais tocava . Em vez de isso , ecoando em os corredores , ouviram a voz de a professora Mc_Gonagall incrivelmente ampliada . - * _ Todos os alunos devem regressar de imediato a os seus dormitórios . Todos os professores a a sala de professores . Imediatamente , por favor * . Harry deu meia volta e olhou para o Ron . - Não me digas que houve um novo ataque , não agora ! - Que vamos fazer ? - disse o Ron aterrado . - Voltar para o dormitório ? - Não - disse Harry , olhando e m volta . Havia uma espécie de armário a a sua esquerda cheio com os mantos de os professores . - Ali . Vamos ouvir o que se passa . A seguir poderemos contar lhes o que descobrimos . Esconderam se dentro de o armário , ouvindo a algazarra de centenas de pessoas e a porta de a sala de professores a abrir se . De o meio de a confusão de mantos bafientos , viram os professores encherem a sala . Alguns tinham um ar totalmente confuso , outros pareciam apavorados . Por fim , chegou a professora Mc_Gonagall . - Aconteceu - disse em o silêncio de a sala de professores . - O monstro levou uma aluna . Levou a mesmo para a câmara . O professor Flitwick soltou um grito agudo . A professora Sprout bateu com a mão em a boca . Snape agarrou com força as costas de uma cadeira e perguntou : - Como pode ter tanta certeza ? - O herdeiro de Slytherin - disse a professora Mc_Gonagall , muito pálida . - Deixou outra mensagem . Mesmo por baixo de a primeira : « * _ O esqueleto de ela ficará para sempre em a Câmara_dos_Segredos * . » O professor Flitwick desatou a chorar . - Quem é ela ? - quis saber Madam_Hooch que se afundara em uma cadeira . - Quem é a aluna ? - Ginny_Weasley - disse a professora Mc_Gonagall . Harry viu o Ron , a o seu lado , escorregar silenciosamente até a o chão de o armário . - Vamos ter que mandar todos os alunos embora amanhã - disse a professora Mc_Gonagall . Isto_é o fim de Hogwarts , Dumbledore sempre disse ... A porta de a sala de os professores voltou a abrir se . Por um breve momento , Harry pensou que fosse Dumbledore mas era Lockhart e vinha todo sorridente . - Peço desculpa , adormeci . Perdi alguma coisa ? Não pareceu reparar que os outros professores o olhavam com uma espécie de aversão . Snape deu um passo em frente . - O homem que faltava - disse . - O homem certo . O monstro raptou uma garota , Lockhart levou a para a Câmara_dos_Segredos . O seu momento chegou . - Isso mesmo , Lockhart - acrescentou a professora Sprout . - Não estavas a dizer ontem a a noite que sempre tinhas sabido onde era a entrada para a Câmara_dos_Segredos ? - Eu ... bem ... eu-disse atabalhoadamente Lockhart . - Sim , não me disseste que sabias exactamente o que estava lá dentro ? - disse com voz esganiçada o professor Flitwick . - Eu disse ? Não me lembro ... - Lembro me perfeitamente de o ouvir dizer que lamentava não ter feito uma tentativa com o monstro antes de o Hagrid ser preso - disse Snape . - Não disse que toda_a história tinha sido uma atrapalhação e que deveriam ter lhe dado carta branca desde o princípio ? Lockhart olhou em volta para a cara de espanto de os colegas . - Eu ... nunca ... eu de facto ... deve ter me compreendido mal . - Então vamos deixar te , Gilderoy - disse a professora Mc_Gonagall . - Esta noite será uma excelente oportunidade para actuares . Nós trataremos de assegurar que ninguém te atrapalha . Vais poder enfrentar o monstro sozinho . Finalmente tens carta branca . Lockhart olhou desesperado a a sua volta mas ninguém foi salvá o . Já não estava bem-parecido . O lábio tremia lhe e a ausência de o seu habitual sorriso de dentes brancos dava lhe um ar escanzelado . - M-muito bem - disse . - Vou até a o meu escritório para ... para me preparar . E saiu de a sala . - _ óptimo - exclamou a professora Mc_Gonagall com as narinas dilatadas . - Isto deve afastá o de o nosso caminho . Os chefes de casa devem ir agora comunicar a os respectivos alunos o que se passou e informá os de que o Expresso_de_Hogwarts os levará a casa amanhã de manhã . Os restantes certifiquem se , por favor , de que não há alunos fora de os dormitórios . Os professores levantaram se e saíram um a um . Foi talvez o dia pior de a vida de o Harry . Ele , Ron , Fred e George sentaram se juntos a um canto em a sala comum de os Gryffindor , incapazes de proferir uma palavra . Percy não estava lá . Tinha ido tratar de enviar uma coruja a Mr. e Mrs._Weasley e , em seguida , fechara se em o dormitório . Nunca uma tarde custara tanto a passar e nunca a torre de os Gryfffindor estivera tão cheia de gente e tão silenciosa . Fred e George foram para a cama quase a o pôr de o Sol , incapazes de ficar ali mais tempo . - Ela sabia qualquer coisa , Harry - disse o Ron , falando pela_primeira_vez desde_que tinham saído de o armário de a sala de os professores . - Por isso a levaram . Não era nenhuma parvoíce sobre o Percy , ela tinha descoberto qualquer coisa sobre a Câmara_dos_Segredos . Com certeza por isso é_que a ... - Ron esfregou os olhos , enervadíssimo . - Afinal ela era sangue puro , não pode haver outra explicação . Harry olhava para o sol que mergulhava de um vermelho cor de sangue em a linha de o horizonte . Era a pior coisa que lhe tinha acontecido . Se pelo_menos pudessem fazer alguma coisa . - Harry - disse o Ron . - Achas que há alguma possibilidade de ela não estar ... ? Sabes o que eu quero dizer . Harry não sabia que resposta dar . Não acreditava que a Ginny pudesse ainda estar viva . - Sabes uma coisa ? - disse o Ron . - Acho que devíamos ir ter com o Lockhart , contar lhe o que sabemos . Ele vai tentar entrar em a câmara , podemos dizer lhe onde achamos que fica a entrada e contar lhe que o monstro é um Basilisk . Como Harry não tinha nenhuma ideia melhor e como queria fazer alguma coisa , concordou . Os Gryffindor que os rodeavam estavam tão tristes e com tanta pena de os Weasley que ninguém tentou impedi os quando os viram levantar se , atravessar a sala e sair por o buraco de o retrato . A escuridão começava a instalar se quando chegaram a o escritório de Lockhart onde a actividade era muita . De o corredor ouvia se o ruído de coisas a serem deitadas fora , pancadas surdas e passos apressados . Harry bateu a a porta e houve um silêncio repentino . Em seguida abriu se uma fresta de a porta e viram um de os olhos de Lockhart a espreitar . - Oh ! ... Mr._Potter ... Mr._Weasley - disse entreabrindo a porta . - Estou um_pouco ocupado em este momento , se forem rápidos ... - Professor , nós temos informações para lhe dar - disse o Harry . - Acho que poderão ajudá o . - Er ... bem ... não é - o lado de a cara de Lockhart que conseguiam ver parecia muito pouco a a vontade . - Quer_dizer ... bem ... está bem . Abriu a porta e eles entraram . O escritório estava praticamente vazio . Em o chão estavam duas grandes malas abertas . Mantos verde-jade , lilás , azul-noite tinham sido apressadamente dobrados e guardados dentro_de uma de as malas . Os livros misturavam se todos dentro de a outra . As fotografias que antes cobriam as paredes estavam agora arrumadas em caixas , em cima de a secretária . - Vai a algum lado ? - perguntou Harry . - Er ... bem ... sim - disse Lockhart , arrancando de a porta um poster seu em tamanho natural , enquanto falava , e começando a enrolá o . - Uma chamada urgente ... inevitável ... tenho que ir . - E a minha irmã ? - perguntou o Ron bruscamente . - Bem , quanto_a isso foi uma pena - disse Lockhart , evitando olhá os em os olhos , abrindo uma gaveta e começando a despejar o seu conteúdo dentro_de um saco . - Ninguém lamenta mais do_que eu ... - O senhor é o professor de Defesa contra as artes negras - disse Harry . - Não pode ir se embora agora_que todas estas coisas de magia negra estão a acontecer aqui . - Bem , devo dizer te que ... quando aceitei o lugar ... - resmungou Lockhart , empilhando soquetes sobre os mantos - nada em a descrição de o meu trabalho fazia prever ... - Quer_dizer que vai fugir ? - perguntou Harry , incrédulo . - Depois de todas_as coisas que conta em os seus livros ? - Os livros podem ser enganadores - disse Lockhart delicadamente . - Mas foi o senhor que os escreveu - gritou Harry . - Meu rapaz - disse Lockhart , endireitando se e franzindo as sobrancelhas - usa o senso comum . Os meus livros não teriam vendido metade do_que venderam se as pessoas não acreditassem que eu tinha feito todas aquelas coisas . Ninguém está interessado em ler sobre um velho feiticeiro americano mesmo_que ele tenha salvo uma cidade inteira de os lobisomens , ficaria péssimo em a capa . E a bruxa que correu com a fada carpideira tinha um lábio leporino . Como vês . - Quer_dizer que ficou com os louros por tudo_o_que uma série de outras pessoas fizeram ? - perguntou Harry , sem querer acreditar . - Harry , Harry - disse Lockhart , abanando impacientemente a cabeça . - Não é tão simples assim . Envolveu muito trabalho . Tive de localizar todas essas pessoas , perguntar lhes em pormenor como tinham feito as coisas . Depois tive de lhes fazer um feitiço antimemória para que não voltassem a lembrar se do_que tinham feito . Se há uma coisa de que me orgulho é de os meus feitiços antimemória . Não , tive muito trabalho , Harry . Não foram só as sessões de autógrafos e as fotografias , sabes ? Quem quer ser famoso tem de estar preparado para um trabalho longo e fatigante . Fechou as malas a a chave . - Vejamos - disse . - Acho que está tudo . Sim , só falta uma coisa . - Empunhou a varinha e voltou se para eles . - Lamento muito , rapazes , mas vou ter de vos fazer um feitiço antimemória . Não posso deixar que vão por aí repetir os meus segredos . Não venderia nem mais um livro . Harry pegou em a varinha mesmo a tempo e Lockhart mal tinha levantado a de ele a o ar quando Harry gritou * _ Expelliarmus ! * Lockhart foi projectado de costas , indo cair em cima de a mala . A varinha voou por os ares . Ron agarrou a e atirou a por a janela aberta . - Não devia ter deixado o professor Snape ensinar nos esta - disse Harry furioso , dando um pontapé a uma de as malas . Lockhart olhava para ele , de_novo escanzelado . Harry apontava lhe a varinha . - O que queres que eu faça ? - perguntou debilmente . - Eu não sei onde fica a Câmara_dos_Segredos . Não posso fazer nada . - Está com sorte - disse Harry , forçando o com a varinha a pôr se de pé . - Nós julgamos saber onde é e o que está lá dentro . Vamos . Conduziram Lockhart para fora de o seu escritório , desceram com ele as escadas e seguiram por o corredor escuro em cuja parede brilhavam as mensagens , até a a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mandaram Lockhart a a frente . Harry gostou de ver que todo ele tremia . A Murta_Queixosa estava sentada em a cisterna de o cubículo de o fundo . - Ah ! são vocês - disse a o ver o Harry . - O que querem agora ? - Perguntar te como morreste - disse Harry . O aspecto de a Murta mudou por completo . Parecia que nunca lhe tinham feito uma pergunta tão lisonjeira . - Ooooh ! Foi horrível - disse satisfeita . - Aconteceu aqui mesmo . Morri em este cubículo . Lembro me tão bem . Estava escondida porque a Olive_Hornby andava a implicar comigo por causa de os meus óculos . A porta estava fechada e eu estava a chorar e , então , ouvi alguém entrar . Disseram qualquer coisa estranha em uma língua diferente , acho eu . Mas o que mais me espantou foi o ser um rapaz a falar . Por isso , abri a porta para lhe dizer que fosse a a casa_de_banho de eles e em esse momento - a Murta inchou com ar importante , o rosto a brilhar - morri . - Como ? - perguntou Harry . - Não faço ideia - disse a Murta em um tom de voz abafado . - Só me lembro de ver dois grandes olhos amarelos , de o meu corpo ficar preso e em seguida , sentir me a flutuar ... - olhou sonhadoramente para Harry . - E depois voltei . Estava disposta a vingar me de a Olive_Hornby , percebes ? Ela ia arrepender se de ter gozado com os meus óculos . - Onde foi exactamente que viste os tais olhos ? - perguntou Harry . - Algures por aí - disse a Murta , apontando vagamente para o lavatório em frente de o seu cubículo . Harry e Ron apressaram se . Lockhart estava de pé , mais atrás , com uma expressão de pavor em o rosto . O lavatório parecia perfeitamente vulgar . Examinaram o centímetro a centímetro , dentro e fora , incluindo os canos por baixo . E foi então que Harry reparou : de lado , rabiscada em uma de as torneiras de cobre , estava uma cobra pequenina . - Essa torneira nunca funcionou - disse vivamente a Murta enquanto ele tentava abri a . - Harry - sugeriu o Ron . - Diz qualquer coisa em * serpentês * . Mas , pensou Harry , as únicas vezes que conseguira falar * serpentês * tinham ocorrido quando confrontado com uma verdadeira serpente . Olhou , concentrado para a pequena cobra gravada em o cobre , tentando imaginá a como verdadeira . - Abre te - disse . Olhou para o Ron que abanou a cabeça . - Inglês - disse ele . Harry voltou a olhar para a cobra , forçando se a acreditar que estava viva . A luz de a vela fez parecer que se movia . - Abre te - repetiu . Mas desta_vez as palavras não foram o que ele ouviu . Um estranho sibilar escapou lhe de a boca e a torneira ganhou uma luz branca e brilhante e começou a rodar . Logo_a_seguir o lavatório mexeu se . Afastou se , melhor dizendo , saiu de o caminho , deixando um grande cano a a vista , um cano onde cabia um homem . Harry ouviu a respiração arquejante de o Ron e olhou de_novo para ele . Já decidira o que queria fazer . - Vou descer - disse . Não podia deixar de ir , agora_que acabavam de descobrir a entrada para a câmara , existindo uma possibilidade , por mais remota que fosse , de a Ginny ainda estar viva . - Eu também - disse o Ron . Houve uma pausa . - Bem , parece que não precisam mais de mim - apressou se Lockhart a dizer com uma réstia de sorriso . - Eu vou . . . Pôs a mão em o puxador de a porta mas Ron e Harry apontaram lhe ambos as varinhas . -- O senhor pode ir a a frente - disse rispidamente o Ron . Pálido e sem varinha , Lockhart aproximou se de a entrada . - Meus rapazes - disse em uma voz débil . - Meus rapazes , para quê tudo_isto ? Harry tocou lhe em as costas com a varinha e ele meteu as pernas em o cano . - Eu não me parece que ... - começou a dizer , mas o Ron deu lhe um empurrão e ele desapareceu por o cano abaixo . Harry foi rapidamente atrás . Introduziu se lentamente e deixou se cair . Era como escorregar em uma pista escura e interminável . Ele via outros canos , estendendo se em todas_as direcções mas nenhum tão largo como o de eles que se torcia e virava , inclinando se abruptamente . Harry sabia que estavam a chegar a um ponto muito abaixo de a escola e de os calabouços . Atrás_de si , ouvia o Ron gemendo em cada curva . E então , quando começava a preocupar se com o que iria acontecer quando tocassem em o chão , o cano tornou se horizontal e ele foi projectado com um ruído surdo , indo aterrar em o chão húmido de um túnel de pedra com altura suficiente para ele se pôr de pé . Lockhart estava a levantar se a alguma distancia , todo enlameado e pálido como um fantasma . Harry afastou se para deixar o Ron sair também de o cano . - Devemos estar quilómetros e quilómetros abaixo de a escola - disse o Harry cuja voz ecoou em o túnel negro . - Talvez até debaixo de o lago - arriscou o Ron , olhando em volta para as paredes escuras e viscosas . Voltaram se os três para olhar para a escuridão lá a o fundo . - * _ Lumus ! * - murmurou Harry a a varinha e ela voltou a acender se . - Vamos - disse a o Ron e a o Lockhart e avançaram , os passos a chapinharem ruidosamente em o chão molhado . O túnel era tão escuro que só conseguiam ver alguns centímetros a a frente . As suas sombras em as paredes molhadas pareciam monstruosas a a luz de a varinha . - Lembrem se - disse Harry baixinho enquanto caminhavam . - A o menor movimento fechem logo os olhos ... Mas o túnel era silencioso como um túmulo e o primeiro som inesperado que ouviram foi um grito de o Ron que escorregou em uma coisa que era afinal a cauda de um rato . Harry baixou a varinha para olhar para o chão e viu que estava cheio de pequenos ossos de animais . Fazendo um enorme esforço para evitar pensar em que estado iriam encontrar a Ginny , avançou até uma curva escura de o túnel . - Harry , está aqui qualquer coisa - disse o Ron com voz rouca , agarrando Harry por o ombro . Ficaram estáticos a olhar . Harry só conseguia ver a silhueta de algo enorme e curvo deitado em o túnel . Fosse o que fosse não se movia . - Talvez esteja a dormir - murmurou , olhando para os outros dois . Lockhart tapava os olhos com as mãos . Harry voltou se para olhar para a criatura com o coração a bater tanto que lhe doía em o peito . Lentamente , com os olhos quase fechados mas ainda conseguindo ver , Harry avançou com a varinha levantada . A luz deslizou sobre uma gigantesca pele de serpente , de um verde vivo e venenoso que estava vazia e enrolada em o chão de o túnel . A criatura que a abandonara devia ter , pelo_menos , seis metros e meio de comprimento . - Bolas - disse o Ron , perdendo as forças . Houve um movimento súbito atrás de eles . As pernas de Gilderoy_Lockhart cederam . - Levante se - disse o Ron de uma forma cortante , apontando lhe a varinha . Lockhart pôs se de pé . Em seguida empurrou o Ron , atirando o a o chão . Harry deu um salto , mas ... tarde de mais . Lockhart endireitava se com a varinha de o Ron em as mãos e um sorriso em o rosto . - A aventura acaba aqui , rapazes - disse . - Vou levar um bocado de esta pele de cobra para a escola , contar lhes que foi demasiado tarde para salvar a garota e que vocês os dois perderam tragicamente a memória com a visão de o seu corpinho mutilado . Digam adeus a as vossas recordações . Levantou a o ar a varinha avariada de o Ron e gritou * _ Obliviate ! * A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba . Harry pôs os braços sobre a cabeça e correu , escorregou em os anéis de a pele de cobra , afastando se de os grandes pedaços de tecto de o túnel que caíam em o chão com o ruído de trovões . Pouco depois estava sozinho , olhando para uma sólida parede de rocha partida . - Ron - gritou ele . - Estás bem , Ron ? - Estou aqui - respondeu a voz abafada de o Ron por detrás de a avalancha de rochas . - Eu estou bem mas este sujeito não . A varinha avariou o todo . Ouviu se um ruído surdo e um Oh ! gritado . Parecia que o Ron tinha acabado de dar a o Lockhart um pontapé em as canelas . - E agora ? - disse a voz de o Ron que parecia desesperada . - Não podemos passar , vai demorar séculos . Harry olhou para o tecto de o túnel onde tinham aparecido grandes fendas . Ele nunca tentara partir , através de a magia , nada tão grande como aquelas rochas e agora não lhe parecia ser o melhor momento para fazer experiências . E se o túnel abatesse ? Houve um ruído surdo e outro Oh ! atrás de as rochas . Estavam a perder tempo . A Ginny já estava havia duas horas em a Câmara_dos_Segredos . Harry sabia que só havia uma coisa a fazer . - Espera aqui - gritou a o Ron . - Fica com o Lockhart , eu vou lá . Se não voltar dentro_de uma hora ... Houve um silêncio cheio . - Eu vou ver se desloco um_pouco esta rocha - disse o Ron , tentando manter a voz firme . - Para tu poderes passar . E , Harry ... - Até já - disse o Harry , procurando injectar confiança em a sua voz trémula . E passou sozinho para lá de a imensa pele de serpente . Em_breve , o ruído de o Ron , tentando deslocar a rocha , deixou de se ouvir . O túnel virou uma e outra_vez . Os nervos de o corpo de o Harry tangiam de forma desagradável . Ele só queria que o túnel chegasse a o fim , fosse o que fosse que o aguardasse . E então , finalmente , quando atingiu a última curva , viu em a sua frente uma parede sólida que tinha gravadas duas serpentes enroladas uma em a outra , cujos olhos eram quatro esmeraldas , enormes e brilhantes . Harry aproximou se com a garganta seca . Não foi preciso imaginar que as serpentes eram autênticas . Os seus olhos pareciam estranhamente vivos . Foi fácil descobrir o que tinha de fazer . Pigarreou e os olhos de esmeraldas pareceram mexer se . - Abre te - disse Harry em um sibilar baixo . As serpentes desapareceram enquanto a parede se abria a o meio e , a tremer de os pés a a cabeça , Harry entrou . XVII_Herdeiro_de_Slytherin_Estava de pé em o fundo de uma divisão enorme , fracamente iluminada . Altíssimos pilares de pedra , cheios de serpentes gravadas que os enlaçavam , erguiam se , suportando um tecto que se perdia em a escuridão e que lançava sombras negras imensas através de a estranha luz esverdeada que enchia o local . Com o coração a bater descompassadamente , Harry ficou parado a ouvir aquele silêncio arrepiante . Estaria o Basilisk escondido em um canto cheio de sombras , atrás_de algum pilar ? E onde estaria Ginny ? Pegou em a varinha e avançou a o longo de as colunas serpenteantes . Cada_um de os seus passos provocava um enorme eco em as paredes sombrias . Harry tinha os olhos semicerrados e estava pronto para os fechar a o mais pequeno movimento . As órbitas de olhos fundos de as serpentes de pedra pareciam segui o . Por mais de uma_vez , com o estômago a dar um salto , Harry julgou vê os moverem se . Por fim , chegado a o nível de os dois últimos pilares , avistou uma estátua de a altura de a própria câmara que estava encostada a a parede de o fundo . Harry tinha de esticar o pescoço para olhar para_cima , para a cara de o gigante : era velho e com um ar simiesco , tinha uma barba enorme que lhe caía quase onde acabava a longa túnica de pedra . Os dois pés imensos e cinzentos pousavam em o chão de a câmara . E entre eles , voltada para baixo , estava uma figura pequenina vestida de preto com um cabelo flamejante . - Ginny - murmurou Harry , chegando perto de ela e ajoelhando se . - Ginny , por favor não estejas morta , não estejas morta ! Atirou a varinha para o lado , agarrou Ginny por os ombros e voltou a . O rosto de ela estava branco e frio como o mármore , contudo os olhos encontravam se fechados , portanto não estava petrificada . Mas então devia estar ... - Ginny , acorda por favor - repetiu Harry desesperado , sacudindo a . A cabeça de ela andava de um lado para o outro . - Ela não vai acordar - disse secamente uma voz . Harry deu um salto e girou sobre os joelhos . Um rapaz alto , de cabelo preto , estava encostado a o pilar mais próximo , a observá o . As sombras desfocavam o como_se Harry o visse através_de uma janela embaciada . Mas não havia como confundis o . - Tom , Tom_Riddle ? Riddle acenou , sem tirar os olhos de o rosto de Harry . - O que queres dizer com isso de ela não acordar ? - perguntou Harry desesperado . - Ela não está ... não está ? - Está viva - disse Riddle . - Mas , por um fio . Harry olhou fixamente para ele . Tom_Riddle estivera em Hogwarts há cinquenta anos atrás . Contudo , ali estava com uma luz estranha e desfocada a iluminá o , sem um dia a mais do_que os seus dezasseis anos . - És um fantasma ? - perguntou Harry . - Uma memória - disse Riddle . - Preservada em um diário durante cinquenta anos . Apontou para os pés de a estátua gigantesca . Ali , aberto em o chão , estava o pequeno diário de capa preta que Harry tinha encontrado em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Durante um segundo , Harry perguntou a si próprio como teria ido ali parar , mas havia coisas mais importantes a fazer . Preciso de a tua ajuda , Tom - disse Harry , levantando de_novo a cabeça de a Ginny . - Temos de sair de aqui . Há_um_Basilisk ... não sei onde está mas pode aparecer a qualquer momento . Por favor , ajuda me . Riddle não se mexeu . Harry , a transpirar , conseguiu levantar ligeiramente a Ginny de o solo e inclinou se para pegar em a varinha mas ela tinha desaparecido . - Viste a ... ? Olhou para_cima . Riddle continuava a olhá o , fazendo girar a varinha entre os dedos longos . - Obrigado - disse Harry , esticando o braço para a agarrar . Um sorriso surgiu então em os cantos de a boca de Riddle que continuou a olhar para ele , girando indolentemente a varinha . - Ouve , pá - disse Harry sem querer perder mais tempo , os joelhos a vergarem sob o peso morto de Ginny - temos de ir . Se o Basilisk aparece ... - Ele não vem enquanto não for chamado - disse Riddle com toda_a calma . Harry voltou a pousar Ginny em o chão , incapaz de a segurar por mais tempo . - Que queres dizer com isso ? - perguntou . - Dá me a minha varinha , posso precisar de ela . O sorriso de Riddle ampliou se . - Não vais precisar de ela - disse . Harry olhou o espantado . - O que queres dizer , não vou ? - Esperei muito_tempo por isto , Harry - disse Riddle . - Pela possibilidade de te ver , de falar contigo . - Olha , eu acho que tu não estás a perceber - disse Harry , perdendo a paciência . - Estamos em a Câmara_dos_Segredos , podemos conversar mais tarde . - Vamos conversar agora - disse Riddle , sorrindo de orelha a orelha e guardando a varinha de Harry em o bolso . Harry voltou a olhar para ele . Havia qualquer coisa de muito estranho em tudo aquilo . - Como é_que a Ginny ficou assim ? - perguntou pausadamente . - Bem , essa é uma pergunta interessante - disse Riddle , divertido . - E uma longa história , também . Julgo que o verdadeiro motivo que levou Ginny_Weasley a ficar assim foi o ter aberto o seu coração e revelado todos os seus segredos a um estranho ser invisível . - De quem estás a falar ? - perguntou Harry . - De o diário - disse Riddle . - De o meu diário . A Ginny escreve nele há meses e meses , contando me todas_as suas lamentáveis desgraças e atribulações : como os irmãos a arreliam , que teve de vir para a escola com manto , túnica e livros em segunda mão - os olhos de Riddle brilharam -- , que acha que o maravilhoso , o grande , o famoso Harry_Potter nunca vai gostar de ela ... Enquanto falava , nunca os olhos de Riddle se afastaram de a cara de o Harry . Havia em eles um olhar ávido . - É muito chato ter de ouvir as preocupações idiotas de uma garotinha de onze anos - prosseguiu . - Mas eu fui paciente . Respondi lhe , mostrei me simpático e amável . A Ginny pura e simplesmente adorou me . - * _ Nunca ninguém me compreendeu como tu , Tom ... estou tão feliz por ter este diário a quem me confiar ... é como ter um amigo que pode andar em o meu bolso * ... Riddle riu se . Um riso alto , frio , que não lhe ficava bem . Fez com que os cabelos de o pescoço de Harry se arrepiassem todos . - Verdade se diga que sempre consegui encantar as pessoas necessárias . Portanto a Ginny verteu em mim a sua alma e a alma de ela era precisamente o que eu queria . Fortaleceu me . Alimentei me de os seus medos mais profundos , de os seus mais obscuros segredos . Fui ficando cada_vez_mais forte e poderoso . Muito mais poderoso do_que a pequena Miss_Weasley até que comecei a transmitir lhe alguns de os meus segredos , a passar um_pouco de a minha alma para ela ... - O que queres dizer ? - perguntou Harry cuja boca ficara totalmente seca . - Ainda não descobriste , Harry_Potter ? - disse Riddle muito baixo . - Giony_Weasley abriu a Câmara_dos_Segredos , estrangulou os galos de a escola e escreveu mensagens assustadoras em as paredes . Atiçou a serpente de Slytherin contra quatro sangues de lama e contra o gato de o busca-pé . - Não - murmurou Harry . - Sim - disse calmamente Riddle . - É claro que a princípio não sabia o que estava a fazer . Era muito divertido . Gostava que visses as coisas que escreveu em o diário , começaram a ficar muito mais interessantes . * _ Querido_Tom * - recitou ele , olhando para a expressão horrorizada de o Harry . - * _ Acho que estou a perder a memória . Há penas de galo em todas_as minhas roupas e eu não sei como foram lá parar . Querido_Tom , não me lembro do_que fiz em a noite de o Hallowe'en mas foi atacada uma gata e eu estou cheia de tinta em a cara . Querido_Tom , o Percy não pára de me dizer que ando pálida e não pareço eu . Acho que ele suspeita de mim ... Houve outro ataque hoje e eu não sei onde estava . Tom , que vou eu fazer ? Acho que estou a ficar maluca ... acho que ando a atacar toda_a_gente , Tom ! * Harry tinha os punhos fechados , as unhas cravadas contra a palma de as mãos . - Levou muito_tempo até a pequenina estúpida deixar de confiar em o diário - disse Riddle . - Mas acabou por ficar desconfiada e tentou livrar se de ele . E é aí que tu entras , Harry . Tu encontraste o . E eu não poderia ter ficado mais satisfeito . De todas_as pessoas que poderiam ter ficado com ele , foste tu , aquele que eu ambicionava conhecer ... - E porque querias conhecer me ? - perguntou Harry . Começava a ser tomado por a raiva e fez um esforço para manter o tom de voz controlado . - Bem , a Ginny contou me tudo a teu respeito - disse Riddle . - A tua fascinante história . - Os seus olhos pousaram em a cicatriz em a testa de Harry e a sua expressão ganhou maior avidez . - Sabia que devia descobrir mais a teu respeito , falar te , encontrar me contigo se fosse possível . Por isso , para ganhar a tua confiança , resolvi mostrar te a famosa captura que fiz de aquele demente de o Hagrid . - O Hagrid é meu amigo - disse Harry já com a voz a tremer . - E tu tramaste o , não foi ? Pensei que tinha sido um engano , mas ... Ele riu se . O mesmo riso de antes . - Era a minha palavra contra a palavra de ele . Imagina a cara de o velho Armando_Dippet . De um lado Tom_Riddle , pobre mas brilhante , sem pais mas corajoso , prefeito de a escola , um modelo de aluno . De o outro lado , o Hagrid , grande e disparatado , arranjando problemas semana sim , semana não , tentando criar filhotes de lobisomens debaixo de a cama , escapando se para a floresta proibida para lutar com gigantes . Mas , devo admitir que até eu próprio fiquei admirado com os excelentes resultados de o meu plano . Pensei que alguém perceberia que o Hagrid nunca poderia ser o herdeiro de Slytherin . Demorei cinco anos inteirinhos até descobrir tudo_o_que me foi possível sobre a Câmara_dos_Segredos e a sua entrada secreta ... como_se o Hagrid tivesse cabeça ou poder ! - Só o professor de Transfiguração , Dumbledore , parecia achar que ele estava inocente . Convenceu Dippet a mantê o aqui e a treiná o como guarda de os campos . Sim , é natural que Dumbledore tenha adivinhado , nunca gostou de mim como os outros professores . - Aposto que Dumbledore viu através_de ti - disse Harry , de dentes cerrados . - Pelo_menos passou a vigiar me de perto , a partir de o momento em que o Hagrid foi expulso - disse Riddle descuidadamente . - Eu sabia que não era seguro voltar a abrir a câmara enquanto ainda estava em a escola mas não ia desperdiçar os longos anos que passara a pesquisar . Decidi , por isso , deixar um diário preservando em as suas páginas o meu ego de dezasseis anos para que um dia , com um_pouco de sorte , pudesse levar outro a seguir os meus passos e acabar o nobre trabalho de Salazar_Slytherin . - Bem , não o acabaste - disse Harry triunfante . - Ninguém morreu até agora , nem mesmo a gata . Dentro_de poucas horas a poção de mandrágoras estará pronta e todos os que foram petrificados voltarão de_novo a si . - Não acabei de te dizer que matar sangues de lama já não me interessa ? Há muitos meses que o meu alvo és tu . Harry olhou para ele . - Podes imaginar como fiquei furioso quando em outro dia o diário foi aberto e vi que era a Ginny quem estava a escrever e não tu . Ela viu te com o diário e entrou em pânico . E se tu descobrisses como trabalhar com ele e eu te repetisse todos os seus segredos ? Ainda pior , e se eu te contasse quem tinha andado a estrangular os galos ? Por isso , a grande palerma esperou que o teu dormitório estivesse deserto e foi lá roubá o . Mas eu sabia o que tinha de fazer . Estava muito claro para mim que a tua meta era o herdeiro de Slytherin . Por tudo_o_que a Ginny me contara a teu respeito , sabia que irias até onde fosse preciso para desvendar o mistério , principalmente se um de os teus melhores amigos tivesse sido atacado . E a Ginny disse me que a escola toda bichanava por tu falares * serpentês * ... Por isso , obriguei a Ginny a escrever a sua própria despedida em a parede , a vir até aqui e esperar . Ela debateu se e gritou e ficou muito chatinha . Mas , já não tem muita vida : pôs grande parte de ela em o diário , deu me a . O suficiente para eu abandonar , por fim , as suas páginas . Desde_que aqui cheguei que estou a a tua espera . Sabia que virias . Tenho muitas perguntas a fazer te , Harry_Potter . - Que perguntas ? - disse Harry com os punhos fechados . - Bem - prosseguiu Riddle , sorrindo de satisfação : - Como é_que um bebé sem especiais talentos de magia foi capaz de derrotar o maior feiticeiro de sempre ? Como conseguiste escapar só com uma cicatriz quando os poderes de Lord_Voldemort foram destruídos ? Havia agora em os seus olhos um brilho vermelho e irado . - O que é_que te interessa saber como eu escapei ? - disse Harry lentamente . - Voldemort veio depois de ti . - Voldemort - disse Riddle - é o meu passado , o meu presente e o meu futuro , Harry_Potter ... Tirou a varinha de o Harry de o bolso e começou a escrever em o ar três palavras brilhantes : TOM_MARVOLO_RIDDLE_Em seguida , fez um gesto com a varinha e as letras de o seu nome reagruparam se de outro modo . : __ eu sou lord __ voldemort ( I am Lord_Voldemort ) . - Vês ? - murmurou . - Era um nome que eu já usava em Hogwarts , para os meus amigos mais íntimos apenas , como é óbvio . Achas que ia usar para sempre o nome nojento de o meu pai Muggle ? Eu , em cujas veias , por o lado materno , corre o sangue de Salazar_Slytherin ? Eu , manter o nome de um Muggle tolo que me abandonou ainda antes de eu nascer só porque descobriu que a mulher com quem casara era uma bruxa ? Não , Harry , arranjei um novo nome , um nome que eu sabia que os feiticeiros de todo_o_mundo viriam um dia a ter medo de pronunciar , quando eu me tivesse tornado o maior feiticeiro de o mundo . A cabeça de Harry parecia bloqueada . Olhou como_que paralisado para Riddle , para o rapaz de o orfanato que depois de crescer iria matar os seus pais e tantos outros . Por fim , com algum esforço conseguiu falar . - Não és - disse em uma voz calma e cheia de ódio . - Não sou o quê ? - perguntou Riddle irritado . - Não és o maior feiticeiro de o mundo - disse Harry com a respiração acelerada . - Lamento desiludir te mas o maior feiticeiro de o mundo é Albus_Dumbledore . Toda_a_gente sabe . Mesmo tu , quando tinhas força , não ousavas tentar aproximar te de Hogwarts . Dumbledore viu através_de ti quando andavas em a escola e ainda agora te assusta onde quer que te escondas . O sorriso desaparecera de o rosto de Riddle , fora substituído por um olhar furioso . - Dumbledore foi afastado de este castelo por a minha simples memória - sibilou . - Ele não está tão longe como pensas - retorquiu Harry . Falava por falar , tentando assustar Riddle , desejando mais que assim fosse do_que acreditando em as suas palavras como uma verdade . Riddle abriu a boca mas não chegou a falar . Tinha começado a ouvir se uma música . Riddle deu uma volta , olhando para a câmara vazia . A música estava a ficar mais alta . Era misteriosa , arrepiante , sobrenatural . Fez_Harry ficar com os cabelos em pé e o coração aumentar lhe em o peito . Por fim , quando atingiu um ponto tão alto que Harry a sentiu vibrar dentro de as suas costelas , começaram a sair chamas de o topo de o pilar mais próximo . Uma ave carmesim de o tamanho de um cisne surgiu , assobiando a sua estranha melodia para o tecto em forma de abóbada . Tinha uma cauda dourada tão longa como a de um pavão e garras douradas e brilhantes que seguravam uma trouxa andrajosa . Segundos depois , a ave voava em direcção a Harry . Deixou cair a coisa andrajosa a os seus pés e pousou lhe pesadamente em o ombro . Quando abriu as enormes asas , Harry olhou para_cima e viu que tinha um longo bico afiado e olhos escuros pequenos e brilhantes . A ave parou de cantar . Ficou quieta junto de a cara de Harry , olhando fixamente para Riddle . - É uma fénix , disse Riddle , olhando sagazmente para ela . - Fawkes ? - murmurou Harry e sentiu as garras douradas apertarem lhe devagarinho o ombro . - E aquilo - disse Riddle , olhando para a coisa velha que Fawkes deixara em o chão - é o velho chapéu seleccionador , de a escola . Era , de facto . Amachucado , puído e sujo , o chapéu jazia imóvel a os pés de Harry . Riddle começou a rir . Riu se tanto que a câmara escura se lhe juntou em um eco tal que parecia que dez Riddles se riam ao_mesmo_tempo . - Eis o que Dumbledore envia a o seu defensor . Um pássaro que canta e um chapéu velho . Estás cheio de coragem , Harry_Potter ? Sentes te agora mais seguro ? Harry não respondeu . Podia não estar a ver a vantagem de a Fawkes ou de o chapéu seleccionador mas já não se sentia só , e esperou corajosamente que Riddle parasse de rir . - Vamos a o que importa , Harry - disse ele , ainda com um enorme sorriso . - Encontrámo nos duas vezes em o teu passado , em o meu futuro . E duas vezes falhei a o tentar matar te . Como foi que sobreviveste ? Conta me tudo . Quanto_mais falares , mais tempo tens de vida . Harry pensava rapidamente , medindo as suas possibilidades . Riddle tinha a varinha . Ele , Harry , tinha a Fawkes e o chapéu seleccionador que não lhe serviriam de muito em o combate . As coisas pareciam más , é certo . Mas quanto_mais tempo Riddle ali estivesse , mais vida retirava a a Ginny ... e , entretanto , Harry reparou que a silhueta de Riddle se tornava mais nítida , mais sólida . Se tinha de haver uma luta entre os dois , quanto_mais depressa melhor . - Ninguém sabe porque perdeste os poderes quando me atacaste - disse bruscamente . - Eu próprio não sei . Mas sei porque não conseguiste matar me . A minha mãe morreu para me salvar . A minha mãe , uma vulgar filha de Muggles - acrescentou , a tremer de raiva . - Ela impediu que tu me matasses . E eu vi te como tu és , em o ano passado . És um destroço , quase não existes . Foi onde o teu poder te levou . Estás sob um disfarce , és horrível e és louco . O rosto de Riddle contorceu se . Em seguida , forçou um sorriso pavoroso . - Quer_dizer , então , que a tua mãe morreu para te salvar . Sim , é um antifeitiço poderoso . Compreendo agora , afinal não há em ti nada de especial . Eu tinha curiosidade , sabes , porque há uma estranha semelhança entre nós , Harry_Potter . Até tu deves ter reparado . Somos ambos meio sangue , órfãos , educados com Muggles , provavelmente os dois únicos que falam * serpentês * desde o grande Slytherin , até nos parecemos um_pouco fisicamente ... mas afinal foi apenas uma questão de sorte que te salvou de mim . Era o que eu queria saber . Harry ficou parado , tenso , a a espera que Riddle levantasse a varinha mas o seu sorriso cínico ampliou se de_novo . - Agora , Harry , vou dar te uma pequena lição . Vamos confrontar os poderes de Lord_Voldemort , herdeiro de Salazar_Slytherin e de o famoso Harry_Potter , munido com as melhores armas que Dumbledore lhe deu . Lançou um olhar divertido a a Fawkes e a o chapéu seleccionador e , em seguida , afastou se . Harry com as pernas entorpecidas por o medo viu o parar entre dois pilares altos e olhar para a cara de pedra de Slytherin , lá em cima em a semi-obscuridade . Riddle abriu a boca e sibilou mas Harry compreendeu o que ele dizia . - * _ Responde-me , Slytherin , o maior de os quatro de Hogwarts * . Harry voltou se para olhar melhor para a estátua com Fawkes pousada em o ombro . A gigantesca cara de pedra de Slytherin movia se . Horrorizado , Harry viu a boca abrir se mais e mais até se transformar em um buraco negro . E algo se agitava dentro de a boca de a estátua . Algo se arrastava para fora de as suas entranhas . Harry recuou até a a parede escura de a câmara e enquanto fechava os olhos com força sentiu a asa de a Fawkes roçar lhe o rosto e levantar voo . Harry quis gritar : - Não me abandones ! - mas que possibilidades tinha uma fénix contra o rei de as serpentes ? Uma coisa enorme bateu em o chão de pedra que Harry sentiu estremecer . Sabia o que estava a acontecer , podia sentis o , quase podia ver a serpente gigantesca a sair de a boca de Slytherin . Foi então que ouviu a voz de Riddle sibilar : * _ Mata-o * . O Basilisk avançava em direcção a Harry . Ele ouvia o seu corpo enorme escorregar pesadamente por o chão cheio de pó . Com os olhos sempre fechados , Harry começou a correr para o lado , a as cegas , com as mãos abertas a tactear o caminho . Riddle ria se a as gargalhadas . Harry escorregou e caiu em o chão de pedra e a boca soube lhe a sangue . A serpente estava a poucos centímetros de ele . Podia ouvi a a aproximar se . Ouviu se um crepitar explosivo por cima de ele e alguma coisa pesada bateu lhe com tanta força que ele ficou encostado a a parede . Esperando que os dentes de a serpente lhe perfurassem o corpo , ouviu mais ruídos e qualquer coisa que se agitava com força contra os pilares . Não conseguiu evitar . Abriu bem os olhos para ver o que se passava . A enorme serpente , brilhante , de um verde veneno , espessa como o tronco de um carvalho , erguera se em o ar e a sua imensa cabeça agitava se de um lado para o outro , entre os dois pilares . Quando Harry , a tremer , se preparava para fechar de_novo os olhos , percebeu o que distraíra a cobra . Fawkes esvoaçava em volta de a sua cabeça e o Basilisk , furioso , tentava agarrá a com os dentes longos e afiados como sabres . Fawkes mergulhava . Harry deixou de ver o bico fino e dourado e uma brusca chuva de sangue escuro inundou o chão . A cauda de a serpente agitou se , não batendo em o Harry por_pouco e antes que ele pudesse fechar os olhos voltou se . Harry olhou lhe para a cara e viu que os seus olhos , os dois olhos amarelos e bolbosos tinham sido perfurados por a fénix . O sangue escorria por o chão e a serpente cuspia cheia de dores . - * _ Não * - Harry ouviu o grito de Riddle . - * _ Deixa a ave , deixa a ave , o rapaz está atrás_de ti , ainda podes cheirá o . Mata o ! * A serpente cega oscilou confusa , ainda em fúria . Fawkes andava a a volta de a cabeça de ela soprando a sua misteriosa cantilena , picando lhe aqui_e_ali o nariz cheio de escamas , enquanto o sangue jorrava de os seus olhos destruídos . - Ajudem me . Ajudem me - murmurava Harry aflito . - Alguém , ajude me . A cauda de a serpente chicoteou de_novo o chão . Harry baixou se . Algo macio tocou lhe em o rosto . O Basilisk lançara o chapéu seleccionador para os braços de o Harry que o agarrou . Era tudo_o_que tinha , a sua única esperança . Enfiou o em a cabeça e começou a ficar achatado contra o chão , enquanto a cauda de o Basilisk se lançava de_novo sobre ele . - Ajudem me , ajudem me - pensou Harry , os olhos comprimidos debaixo de o chapéu . - Por favor , ajudem me . Nenhuma voz lhe respondeu . Em vez de isso , o chapéu contraiu se como_se uma mão invisível o tivesse espalmado devagarinho . Alguma coisa muito dura e pesada caíra sobre a cabeça de Harry , conseguindo quase derrubá o . A ver estrelas em frente de os olhos , agarrou o chapéu para o puxar para baixo e sentiu lá dentro uma coisa longa e dura . Uma espada brilhante tinha surgido dentro de o chapéu . Tinha um cabo cravejado de rubis de o tamanho de pequenos ovos . - Mata o rapaz , deixa a ave . O rapaz está atrás_de ti . Cheira o ! Harry estava de pé , preparado . A cabeça de o Basilisk caía , o corpo serpenteava , batendo nos pilares quando se torcia para ficar de frente para ele . Harry podia ver as enormes órbitas ensanguentadas , a boca toda aberta , suficientemente grande para o engolir inteiro , munida de dentes tão longos como a sua espada , finos , brilhantes , venenosos ... Começou a atacar a as cegas . Harry baixou se e a serpente bateu em a parede de a câmara . Atacou de_novo e a sua língua bifurcada lambeu a parede ao_lado_de Harry que levantou a espada com ambas as mãos . O Basilisk investiu mais_uma_vez e agora a pontaria foi certa . Harry pôs todo o seu peso contra a espada e enterrou a até a os copos em o céu de a boca de a serpente . Mas quando o sangue quente lhe encheu os braços , sentiu uma dor aguda mesmo acima de o cotovelo . Um longo dente venenoso penetrava cada_vez_mais fundo em o seu braço , partindo se quando o Basilisk tombou para o lado , perdendo os sentidos . Harry escorregou a o longo de a parede , apertou com força o dente que estava a derramar veneno por todo o seu corpo e arrancou o de o braço . Mas sabia que era demasiado tarde . Uma dor quente emanava lenta e perseverantemente de a ferida . Quando deixou cair o dente e viu o seu próprio sangue manchando lhe as vestes , a vista começou a ficar turva e a câmara a diluir se em uma rotação ardente e colorida . Mas algo escarlate passou por ele e Harry ouviu a o seu lado um suave ruído de garras . - Fawkes - disse com a voz empastada . - Foste sensacional , Fawkes . - Sentiu o pássaro encostar a sua elegante cabeça a o sítio onde o dente de a serpente o tinha ferido . Ouviu passos ecoarem em o vazio e em seguida uma sombra escura moveu se em a sua frente . - Estás morto , Harry_Potter - disse a voz de Riddle , acima de ele . - Morto . Até o pássaro de Dumbledore sabe de isso . Vês o que ele está a fazer ? A chorar . Harry piscou os olhos . A cabeça de Fawkes ora estava focada , ora desfocada . Lágrimas grossas como pérolas escorriam de as suas penas . - Vou sentar me aqui a ver te morrer , Harry_Potter . Leva o teu tempo , eu não tenho pressa . Harry sentiu se sonolento . Tudo parecia girar a a sua volta . - E assim acaba o famoso Harry_Potter - disse a voz distante de Riddle . - Sozinho em a Câmara_dos_Segredos , esquecido por os amigos , finalmente derrotado por o Senhor de o mal que ele tão imprudentemente desafiou . Vais reunir te a a tua querida mãe sangue de lama , Harry ... Ela deu te doze anos de tempo emprestado ... Mas Lord_Voldemort apanhou te em o fim , como sabias que teria de acontecer . Se morrer é isto , pensou Harry , não é assim tão mau . Até a dor estava a desaparecer . Mas , estaria a morrer ? Em_vez_de ficar mais escura a câmara parecia voltar a estar nítida . Harry fez um pequeno gesto com a cabeça e viu a Fawkes ainda repousando a cabeça em o seu ombro . Uma fiada de pérolas brilhava em volta de a ferida , só que já não havia ferida . - Sai de aqui , pássaro - disse subitamente a voz de Riddle . - Afasta te de ele . Já te disse , sai de aqui ! Harry levantou a cabeça . Riddle apontava a sua varinha a Fawkes . Ouviu se um tiro que parecia de carabina e Fawkes levantou novamente voo em um rodopio de ouro e escarlate . - Lágrimas de fénix - disse Riddle em voz baixa , olhando para o braço de o Harry . - É claro ... poderes curativos ... esqueci me ... Olhou para a cara de Harry . - Mas não faz mal . Pensando bem , eu até prefiro assim . Tu e eu , Harry_Potter ... Tu e eu ... Levantou a varinha . Então , em um golpe de asa , Fawkes voou sobre as cabeças de ambos , deixando cair uma coisa em o colo de Harry : o diário . Durante uma fracção de segundo , tanto Harry como Riddle , ainda com a varinha levantada , ficaram a olhar para aquilo . Em seguida , sem pensar , sem ponderar , como_se pensasse fazê o desde o princípio , Harry agarrou o dente de o Basilisk que estava em o chão , junto de ele , e espetou o em o coração de o caderno . Ouviu se um grito longo e terrível . A tinta esguichou em torrentes de dentro de o diário , derramando se sobre as mãos de o Harry e inundando o chão . Riddle torcia se e contorcia se , agitando se a os gritos . E , por fim . Desapareceu . A varinha de Harry caiu a o chão com um ruído e fez se silêncio . Um silêncio apenas cortado por o ping ping de a tinta que ainda escorria de o diário . Com um leve crepitar , o veneno de o Basilisk abrira um buraco mesmo em o meio de o caderno . A tremer de os pés a a cabeça , Harry pôs se de pé . Sentia tudo a andar a a roda como_se tivesse viajado quilómetros e quilómetros com o pó de * _ Floo * . Lentamente apanhou a varinha e o chapéu seleccionador e com um grande estrondo retirou a espada de o céu de a boca de a serpente . Ouviu se então um gemido fraco a o fundo de a câmara . Ginny estava a mexer se . Quando Harry chegou junto de ela , sentou se . Os seus olhos abismados saltaram de o Basilisk morto para Harry em a sua roupa cheia de sangue e , em seguida , para o diário que ele tinha em as mãos . Soltou um enorme soluço e os seus olhos encheram se de lágrimas . - Harry , oh ! Harry , eu tentei dizer te a o pequeno-almoço mas não fui capaz em frente de o Percy . Era eu , Harry , mas eu ... eu ... juro que não queria ... o Riddle obrigou me , levou me e ... como é_que mataste esse bicho ? Onde está o Riddle ? A última coisa de que me lembro foi de o ver a sair de o diário ... - Está tudo bem - disse Harry , mostrando lhe o diário com o buraco de o dente . - O Riddle acabou , olha . Ele e o Basilisk . Anda , Ginny , vamos embora de aqui . - Vou com certeza ser expulsa - disse Ginny a chorar enquanto Harry a ajudava a pôr se de pé . - Desde_que o Bill veio para Hogwarts que eu sonhava vir também para cá e agora vou ter de me ir embora e ... O que vão a minha mãe e o meu pai dizer ? Fawkes esperava por eles , suspensa em o ar , a a entrada de a câmara . Harry fez a Ginny avançar , passaram sobre os anéis parados de o Basilisk , por a escuridão cheia de ecos e voltaram a o túnel . Harry ouviu as portas de pedra fecharem se atrás de eles com um leve sibilar . Depois de alguns minutos a caminhar por o túnel escuro , chegou a os ouvidos de Harry o som distante de o deslocar de uma rocha . - Ron - gritou ele , apressando se . - A Ginny está bem . Está aqui comigo ! Ouviu o Ron gritar de alegria e , voltando em a curva logo_a_seguir , viram a sua cara ansiosa a espreitar por a fresta que conseguira abrir durante a avalancha . - Ginny ! - Ron estendeu o braço por a fresta para a puxar primeiro . - Estás viva . Não posso acreditar . O que aconteceu ? Tentou abraçá a mas a Ginny afastou o , soluçando . - Mas estás bem , Ginny - disse o Ron , sorrindo para ela . - Já passou tudo ... De onde veio esse pássaro ? Fawkes passara por a abertura , atrás_de Ginny . - É de o Dumbledore - explicou Harry , espremendo se para caber também . - E como arranjaste uma espada ? - perguntou o Ron , olhando para a arma brilhante que Harry tinha em a mão . - Eu explico te tudo quando sairmos de aqui - disse Harry , lançando um olhar de esguelha a a Ginny . - Mas ... - Mais tarde - disse Harry rapidamente . Não lhe parecia uma boa ideia contar a o Ron quem tinha aberto a câmara , ali , em frente de a Ginny . - Onde está o Lockhart ? - Ali atrás - disse o Ron , a rir e a abanar a cabeça em direcção a o cano . - Está em muito mau estado . Anda ver . Conduzidos_pela_Fawkes , cujas grandes asas escarlates emitiam um suave dourado que brilhava em a escuridão , voltaram a o lugar onde o cano começava . Gilderoy_Lockhart estava sentado a falar sozinho . - Perdeu a memória - disse o Ron . - O feitiço de a memória fez ricochete . Não sabe quem é nem onde está , nem_sequer sabe quem nós somos . Eu disse lhe que viesse para aqui e esperasse . É um perigo para ele próprio . Lockhart olhou os bem-disposto . - Olá - disse . - Que lugar estranho , este . É aqui que vocês moram ? -- Não - respondeu o Ron , levantando as sobrancelhas para o Harry . Harry baixou se e observou o túnel escuro e longo . - Já pensaste como é_que vamos sair de aqui ? - perguntou a o Ron . O amigo abanou a cabeça mas Fawkes , a fénix , tinha passado por o Harry e estava agora em o ar , em frente de ele , os olhos como pérolas a brilharem em o escuro . Abanava as longas penas douradas de a cauda . Harry olhou para ela , inseguro . - Ela parece querer que a agarres - disse o Ron , perplexo . - Mas tu és muito pesado para um pássaro . - A Fawkes - disse Harry - não é um pássaro qualquer . Voltou se rapidamente para os companheiros . - Temos de nos agarrar uns a os outros . Ginny , agarra a mão de o Ron . O professor Lockhart ... - Ele está a falar consigo - disse o Ron secamente . - Agarre a outra mão de a Ginny . Harry guardou a espada e o chapéu seleccionador em o cinto . Ron deitou a mão a a roupa de Harry e Harry agarrou as penas de a cauda , estranhamente quentes , de a Fawkes . Sentiu uma extraordinária leveza apoderar se de todo o seu corpo e em seguida estavam todos a voar por o cano acima . Harry conseguia ouvir Lockhart , lá atrás , comentando : - Espantoso , isto parece mágico ! Ar frio batia em os cabelos de Harry e antes que ele deixasse de gostar de a viagem já ela acabara . Os quatro tinham chegado a o chão molhado de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa e , enquanto Lockhart endireitava o chapéu , o lavatório voltara a o seu lugar , tapando o cano . A Murta arregalou os olhos . - Vocês estão vivos - disse inexpressivamente a o Harry . - Não é preciso mostrares te tão desiludida - respondeu ele , muito sério , limpando as nódoas de sangue e lodo de os óculos . - Bem ... é_que eu pensei que se vocês morressem seriam bem-vindos a a minha casa_de_banho - disse a Murta com um rubor prateado . - Urgh ! - fez o Ron , quando saíram de ali para o corredor deserto . - Harry , acho que a Murta está a gostar de ti . Tens concorrência , Ginny ! A Ginny continuava a chorar silenciosamente . - Onde vamos agora ? - perguntou o Ron , olhando ansiosamente para ela . Harry apontou . Fawkes indicava o caminho , com o seu tom dourado que brilhava em o corredor . Seguiram a e pouco depois estavam em o escritório de a professora Mc_Gonagall . Harry bateu e empurrou a porta que estava encostada . XVIII_A recompensa de Dobby_Durante alguns momentos reinou o silêncio enquanto Harry , Ron , Ginny e Lockhart estavam em a entrada de a porta . Cobertos de pó e de lama e ( em o caso de o Harry ) sangue . Em seguida , ouviu se um grito . - Ginny ! Era_Mrs._Weasley que tinha estado a chorar , sentada em frente de o lume . Pôs se de pé em um salto , seguida de Mr._Weasley e precipitaram se ambos para a filha . Harry olhava para trás de eles . Dumbledore rejubilava junto de a lareira , a o lado de a professora Mc_Gonagall que , agarrada a o queixo , respirava com dificuldade . Fawkes rasou as orelhas de o Harry e foi instalar se em o ombro de Dumbledore , ao_mesmo_tempo que Harry dava por si em os braços de Mrs._Weasley . - Tu salvaste a ! Salvaste a ! : __ como foi que __ conseguiste ? - Acho que todos nós gostaríamos de saber - disse , sem energia , a professora Mc_Gonagall . Mrs._Weasley soltou o Harry , que hesitou um momento . Depois , foi até a a secretária e colocou sobre o tampo o chapéu seleccionador , a espada cravejada de rubis e o que restava de o diário de Riddle . Em seguida , contou lhes tudo . Falou durante quase um quarto de hora em o silêncio extasiado : contou lhes de a voz sem corpo que ouvia , como a Hermione acabara por descobrir que se tratava de um Basilisk que circulava em os canos , como ele e o Ron tinham seguido as aranhas até a a floresta , que Aragog lhes dissera que a última vítima de o Basilisk morrera , como tinham chegado a a conclusão que se tratava de a Murta_Queixosa e que a entrada para a Câmara_dos_Segredos devia ser em aquela casa_de_banho ... - Muito bem - elogiou a professora Mc_Gonagall quando ele se calou . - Então tu descobriste onde era a entrada , infringindo uma centena de regras de a escola por o caminho , devo dizer , mas como diabo saíram vocês vivos de lá de dentro ? Harry , com a voz já um_pouco rouca de falar tanto , contou lhes de a chegada de a Fawkes e de o chapéu seleccionador que lhe tinha dado a espada . Mas , chegando aí , hesitou . Até a o momento evitara referir se a o diário de Riddle ou a a Ginny . Ela tinha a cabeça encostada a o ombro de Mrs._Weasley e as lágrimas corriam lhe ainda por o rosto . E se a expulsassem ? - pensou Harry , tomado de pânico . O diário de Riddle já não funcionava ... quem poderia provar que fora ele que a obrigara a fazer tudo aquilo ? Olhou instintivamente para Dumbledore que sorria , o fogo iluminando lhe os óculos de meia-lua . - O que mais me interessa saber - disse Dumbledore amavelmente - é como conseguiu Lord_Voldemort enfeitiçar a Ginny quando as minhas fontes me dizem que ele se esconde habitualmente em as florestas de a Albânia . Um alívio , quente e glorioso percorreu Harry de a cabeça a os pés . - O quê ? - disse Mr._Weasley , em uma voz estupefacta . - O Quem nós sabemos enfeitiçou a Ginny ? Mas a Ginny não ... a Ginny não morr ... ? - Foi este diário - esclareceu Harry rapidamente . E mostrando o a Dumbledore . - O Riddle escreveu o quando tinha dezasseis anos . Dumbledore pegou em o diário e olhou atentamente por cima de o seu nariz longo e adunco para as páginas queimadas e húmidas . - Fantástico - disse em voz baixa . - É claro que ele deve ter sido o aluno mais brilhante que alguma vez passou por Hogwarts . - Olhou em volta para os Weasley que o observavam com um ar totalmente confuso . - Muito poucas pessoas sabem que Lord_Voldemort se chamou em tempos Tom_Riddle . Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos , em Hogwarts . Ele desapareceu depois de deixar a escola , viajou muito , mergulhou tão fundo em as artes de a magia negra , associado a os piores feiticeiros , realizou transformações mágicas tão perigosas que quando reapareceu como Lord_Voldemort estava totalmente irreconhecível . Ninguém o relacionou com o rapazinho inteligente e bonito que aqui foi , em tempos , chefe de turma . - Mas a Ginny - insistiu Mrs._Weasley . - O que tem a nossa Ginny que ver com ele ? - O diário - soluçou Ginny . - Eu andei todo o ano a escrever em o diário e ele respondia me ... - Ginny ! - repreendeu Mr._Weasley . - Não aprendeste nada do_que te ensinei ? Não me cansei de dizer te que nunca confiasses em nada que não pensasse por si próprio * se não conseguisses ver onde tinha o cérebro ? * Porque não me mostraste o diário , a mim ou a a tua mãe ? Um objecto suspeito como esse tinha de estar cheio de magia negra ! - Eu não sabia - soluçou Ginny . - Estava junto de os livros que a mãe me comprou . Pensei que alguém se tinha esquecido de ele ali . - É melhor Miss_Weasley ir imediatamente para a ala hospitalar - interrompeu Dumbledore com voz firme . - Foi sujeita a uma prova terrível . Não será castigada . Outros feiticeiros mais velhos do_que ela têm sido ludibriados por Lord_Voldemort . - Dirigiu se a a porta e abriu a . - Repouso , cama e talvez uma caneca de chocolate quente . A mim , anima me sempre - acrescentou , piscando lhe simpaticamente o olho . - Vais ver que Madam_Pomfrey ainda está acordada . Ela tem estado a dar o sumo de Mandrágora , julgo que as vítimas de o Basilisk estarão a acordar dentro_de momentos . de alegria . - Então a Hermione está bem ! - disse o Ron , cheio de alegria . - Não houve danos irreversíveis - disse Dumbledore . Mrs._Weasley saiu com a Ginny e Mr._Weasley seguiu as ainda bastante abalado . - Sabes , Minerva - disse pensativo o professor Dumbledore - acho que tudo_isto merece um banquete . Posso pedir te que previnas os cozinheiros ? - Certamente - disse animada a professora Mc_Gonagall , dirigindo se também a a porta . - Deixo te a tratar de as coisas com o Potter e o Weasley , está bem ? - Claro - disse Dumbledore . Saiu e os dois olharam inseguros para Dumbledore . Que quereria ela dizer com tratar de as coisas ? Certamente não iriam ser castigados ? - Lembro me de vos ter dito a ambos que teria de vos expulsar se voltassem a quebrar as regras de a escola - disse Dumbledore . Ron abriu a boca horrorizado . - O que vem mostrar nos que as melhores pessoas , às_vezes , têm de engolir as suas próprias palavras . - Dumbledore sorriu e continuou : - Vocês vão receber ambos uma recompensa especial por serviços prestados a a escola e ... deixem me ver , sim , acho que duzentos pontos cada_um para os Gryffindor . Ron ficou tão corado que parecia as flores de S._Valentim_do_Lockhart e voltou a fechar a boca . - Mas um de vós parece demasiado calado sobre a sua participação em esta perigosa aventura - acrescentou Dumbledore . - Porquê tanta modéstia , Gilderoy ? Harry estremeceu . Esquecera se por completo de Lockhart . Voltou se e viu o a um canto de a sala ainda com o mesmo sorriso vago . Quando Dumbledore se lhe dirigiu , olhou por cima de o ombro para ver com quem ele estava a falar . - Professor_Dumbledore - disse o Ron rapidamente - Houve um acidente lá em baixo , em a Câmara_dos_Segredos . O professor Lockhart - Eu sou um professor ? - perguntou Lockhart surpreendido . - E eu que pensei que era um inútil ! - Tentou fazer um feitiço antimemória e a varinha fez ricochete - explicou Ron_a_Dumbledore . - Incrível - disse Dumbledore , abanando a cabeça , o bigode prateado a tremer . - Trespassado por a tua própria espada , Gilderoy ! - Espada ? - disse Lockhart de forma imprecisa . - Eu não tenho espada . Esse rapaz é_que tem - apontou para Harry . - Ele empresta lhe uma . - Importas te de levar também o professor Lockhart até a a ala hospitalar , Ron ? - disse Dumbledore . - Eu gostava de falar um_pouco mais com o Harry . Lockhart saiu sem pressa . Antes de fechar a porta , Ron lançou um olhar curioso a Dumbledore e Harry . Dumbledore passou para uma de as cadeiras junto de o lume . - Senta te , Harry - disse . E Harry sentou se , sentindo se indescritivelmente nervoso . - Antes de mais , Harry , quero agradecer te - disse Dumbledore com os olhos a brilharem de_novo . - Deves ter demonstrado uma grande lealdade para comigo . Só isso poderia atrair a Fawkes para ir ajudar te . Deu uma palmadinha a a fénix que voara , entretanto , para_cima de os seus joelhos . Harry sorria acanhadamente sob o olhar observador de Dumbledore . - Encontraste , portanto , Tom_Riddle - disse o director amavelmente . - Calculo que ele estaria particularmente interessado em ti ... De repente , algo que Harry tinha engasgado saiu lhe descontroladamente de a boca para fora . - Professor_Dumbledore ... o Riddle disse que eu sou como ele , que há entre nós estranhas semelhanças ... - Ah ! sim ? - Dumbledore olhou pensativamente para ele , por debaixo de as espessas sobrancelhas prateadas . - E o que achas tu de isso ? - Eu não me considero parecido com ele - disse Harry mais alto do_que desejaria . - Isto_é , eu sou um Gryffindor , eu sou ... Mas calou se com uma dúvida a rondar lhe o espírito . - Professor - arriscou passado alguns momentos . - O chapéu seleccionador disse que eu ... teria ficado bem em os Slytherin ; durante algum tempo toda_a_gente pensou que eu era o herdeiro de Slytherin por falar * serpentês * ... - Tu falas * serpentês * , Harry - disse Dumbledore calmamente - porque Lord_Voldemort que é o mais recente antepassado de Salazar_Slytherin , fala * serpentês * . Ou eu me engano muito , ou ele transferiu para ti alguns de os seus poderes em a noite em que te fez essa cicatriz . Não que quisesse fazê o , claro , mas aconteceu . - Voldemort pôs um_pouco de si próprio em mim ? - disse Harry assombrado . - É o que parece ter acontecido . - Então eu deveria estar em os Slytherin - disse Harry , olhando desesperado para o rosto de Dumbledore . - O chapéu seleccionador viu em mim os poderes de Slytherin e ... -- Pôs te em os Gryffindor - concluiu tranquilamente Dumbledore . - Ouve , Harry , tu tens por acaso muitas de as capacidades que Salazar_Slytherin apreciava em os seus estudantes cuidadosamente seleccionados . O seu raro dom de falar * serpentês * , desenvoltura , determinação , um certo desprezo por as regras estabelecidas - acrescentou com o bigode a tremer de_novo . - Mas ainda_assim , o chapéu seleccionador pôs te em os Gryffindor . E sabes porquê ? Pensa um_pouco . - Só me pôs em os Gryffindor - disse Harry em uma voz débil - porque eu pedi para não ir para os Slytherin . - Exacto - disse Dumbledore a sorrir . - E isso torna te muito diferente de o Tom_Riddle . São as tuas escolhas , Harry , que mostram quem de facto tu és , mais do_que as tuas capacidades . Harry sentou se , imóvel e espantado , em a cadeira . - Se queres provas de que o teu lugar é em os Gryffindor , sugiro que vejas isto com mais atenção . Dumbledore aproximou se de a secretária de a professora Mc_Gonagall , pegou em a espada de prata ensanguentada e mostrou lhe a . Sem perceber , Harry voltou a ao_contrário . Os rubis brilharam a a luz de a lareira e foi então que ele reparou em o nome gravado mesmo por baixo de o copo de a espada . GODRIC_GRYFFINDOR . - Só um verdadeiro Gryffindor poderia ter tirado a espada de dentro de o chapéu , Harry - disse , com simplicidade , Dumbledore . Durante um minuto , nenhum de os dois falou . Depois , Dumbledore abriu uma de as gavetas de a secretária de a professora Mc_Gonagall e retirou de lá uma pena e um tinteiro . - Tu precisas de comer e ir dormir . Sugiro que desças para o banquete enquanto eu escrevo para Azkaban . Precisamos de recuperar o nosso guarda de os campos . E tenho de esboçar um anúncio para o * _ Profeta_Diário * - acrescentou pensativo . - Vamos precisar de um novo professor de Defesa contra as artes negras . É um problema , estamos sempre a perdê os . Harry levantou se e dirigiu se a a porta . Tinha acabado de estender a mão para o puxador quando ela se abriu tão violentamente que saltou de as dobradiças . Lucius_Malfoy estava de pé , furioso . E , debaixo de o braço , embrulhado em diversas ligaduras , estava Dobby . - Boa tarde , Lucius - disse Dumbledore , de forma amena . Mr._Malfoy quase derrubou Harry enquanto entrava em a sala . Dobby dava passos miudinhos atrás de ele , inclinado até a a bainha de o seu manto com um olhar apavorado em o rosto . - Então - disse Lucius_Malfoy com os olhos fixos em Dumbledore - voltaste . Os membros de o Conselho_Directivo suspenderam te , mas tu mesmo_assim sentiste te capaz de voltar a Hogwarts . - Bem vês , Lucius - disse Dumbledore , sorrindo serenamente . - Os outros membros de o Conselho contactaram me hoje . Fui envolvido em um redemoinho de corujas , todos queriam contar me a verdade . Ouviram dizer que a filha de Arthur_Weasley tinha sido morta e queriam me novamente aqui . Parece que me consideravam o melhor homem para o lugar . Contaram me algumas histórias muito estranhas . Alguns de eles tinham a impressão que tu tinhas ameaçado amaldiçoar lhes as famílias se não concordassem com a minha suspensão . Mr._Malfoy ficou ainda mais pálido do_que de costume , mas os olhos continuavam cheios de fúria . - Então já acabaste com os ataques ? - rosnou . - Apanhaste o culpado ? - Já , sim - disse Dumbledore com um sorriso . - E quem é ? - perguntou Malfoy secamente . - A mesma pessoa de a última vez , Lucius - disse Dumbledore . Mas desta_vez , Lord_Voldemort agiu através_de outra pessoa , por_meio_de um diário . Pegou em o pequeno caderno com o buraco em o meio , observando Mr._Malfoy de perto . Mas Harry olhava para Dobby . O elfo fazia um sinal muito estranho . Com os seus grandes olhos fixos em Harry , não parava de apontar para ó diário e , em seguida , para Mr._Malfoy , batendo logo_a_seguir com o punho em a cabeça . - Estou a ver ... - disse Mr._Malfoy lentamente a Dumbledore . - Um plano inteligente - afirmou o director em um tom de voz suave , continuando a olhar Mr._Malfoy directamente em os olhos . - Porque se não fosse aqui o Harry e o seu amigo Ron a descobrirem o diário , sem dúvida Ginny_Weasley teria ficado com todas_as culpas . Ninguém teria conseguido provar que ela agira contra a sua própria vontade . Mr._Malfoy não se pronunciou . O seu rosto parecia agora uma máscara . - E vê bem - continuou Dumbledore - o que poderia ter acontecido ... os Weasley são uma de as mais proeminentes famílias de feiticeiros de sangue puro , imagina o efeito em a imagem de Arthur_Weasley e em a sua acção de protecção a os Muggles , se a sua própria filha fosse acusada de atacar e matar filhos de Muggles . Foi uma sorte o diário ter sido descoberto e as memórias de Riddle apagadas . Quem sabe que consequências poderia ter tido ? Mr._Malfoy falou contra vontade . - Sim , foi uma sorte - disse secamente . E , em as suas costas , Dobby continuava a apontar para o diário e para Lucius_Malfoy , batendo depois com o punho em a cabeça . E Harry finalmente percebeu . Fez um sinal a Dobby que correu a esconder se em um canto , torcendo desta_vez as orelhas para se castigar . - Não quer saber como a Ginny obteve esse diário , Mr._Malfoy ? - perguntou Harry . Lucius_Malfoy voltou se para ele . - Como queres que eu saiba onde é_que a estúpida de a garota o arranjou ? - Porque foi o senhor quem lhe o deu - disse Harry . - Em a Flourish and Blotts . O senhor pegou em o livro velho de ela de Transfiguração e meteu o diário lá dentro , não foi ? Viu as mãos brancas de Mr._Malfoy abrirem se e fecharem se . - Prova isso - sibilou . - Oh ! ninguém vai poder prová o - disse Dumbledore sorrindo a o Harry . - Não agora_que o Riddle desapareceu de o caderno . Por outro lado , aconselharia te , Lucius , a não dares mais nenhuma de as coisas velhas de Lord_Voldemort . Se mais alguma for parar a as mãos de crianças inocentes , acho que o Arthur_Weasley fará com que se voltem com toda_a sua carga negativa contra ti . Lucius_Malfoy ficou calado um momento e Harry viu claramente a sua mão direita torcer se como_se desejasse chegar a a varinha . Em vez de isso , voltou se para o seu elfo doméstico . - Vamos , Dobby . Abriu a porta e quando o elfo se aproximou deu lhe um pontapé que o projectou para longe . Ouviram se em o escritório os gritos de dor de Dobby em o corredor . Harry pensou durante um momento e depois decidiu se . - Professor_Dumbledore - disse apressadamente . - Posso dar o diário outra_vez a Mr._Malfoy ? - Certamente , Harry - disse Dumbledore com toda_a calma . - Mas não demores , olha o banquete . Harry agarrou em o diário e saiu de o escritório . Os gritos de dor de Dobby afastavam se ao_longe . Sem perder tempo , perguntando a si próprio se o plano poderia resultar , Harry tirou um de os sapatos , puxou uma de as peúgas enlameadas e viscosas e meteu o diário lá dentro . Em seguida correu até a o fundo de o corredor escuro . Apanhou os em o topo de as escadas . - Mr._Malfoy - disse ofegante , parando . - Tenho uma coisa para si . E meteu a peúga mal cheirosa em a mão de Lucius_Malfoy . - O que é ... ? Mr._Malfoy tirou o diário de dentro de a peúga , deitou a fora e olhou furioso para o caderno estragado e para Harry - Ainda vais acabar por ter um fim igual a o de os teus pais um dia de estes , Harry_Potter - disse em voz baixa . - Eles também eram uns idiotas metediços . Voltou se para se ir embora . - Anda , Dobby , vem ! Mas Dobby não se mexeu . Tinha em as mãos a peúga nojenta de o Harry e olhava para ela como_se fosse um tesouro de valor incalculável . - O senhor deu uma peúga a o Dobby - disse o elfo maravilhado . - Deu a a o Dobby . - O que é isso ? - cuspiu Mr._Malfoy . - Que estás para aí a dizer ? - Dobby tem uma peúga - repetiu incrédulo . - O senhor deitou a fora e Dobby apanhou a e Dobby agora é livre ... Lucius_Malfoy ficou paralisado a olhar para o elfo . Em seguida precipitou se para Harry . - Fizeste me perder o meu servo , rapaz . Mas Dobby gritou : - Não pense que vai fazer mal a o Harry_Potter ! Ouviu se um enorme estrondo e Mr._Malfoy foi empurrado de costas , galgando os degraus de as escadas a três_e_três e indo aterrar lá em baixo todo embrulhado e amarrotado . Levantou se , o rosto lívido e pegou em a varinha , mas Dobby estendeu lhe um dedo ameaçador . - Vá se embora já - disse furioso , apontando para Mr._Malfoy . - Não tocará em o Harry_Potter . Vá se embora , já . Lucius_Malfoy não teve escolha . Lançando a os dois um último olhar de cólera , embrulhou se em o manto e desapareceu . - Harry_Potter libertou Dobby ! - disse o elfo com voz esganiçada , olhando para Harry , a luz de o luar reflectida em os seus grandes olhos em forma de globos . - Harry_Potter libertou Dobby . - Era o mínimo que eu podia fazer , Dobby - disse Harry a sorrir -- , mas promete me que não vais voltar a tentar salvar me a vida . A cara feia e escura de o elfo abriu se , mostrando os dentes , em um enorme sorriso . - Tenho uma pergunta a fazer te , Dobby - disse Harry enquanto o elfo pegava em a peúga de ele com as mãos a tremer . - Disseste me que tudo_isto não tinha nada que ver com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Lembras te ? - Era uma pista , senhor - disse Dobby com os olhos muito abertos como_se fosse absolutamente óbvio . - Dobby estava a dar lhe uma pista . Antes de o senhor de o mal mudar de nome , o seu nome podia ser pronunciado , está a ver ? - Certo - disse Harry sem grande convicção . - Bem , é melhor eu ir indo embora . Há um banquete e a minha amiga Hermione já deve ter acordado ... Dobby lançou os braços a a cintura de Harry e abraçou o . - Harry_Potter é muito maior do_que Dobby imaginava ! - soluçou . - Adeus , Harry_Potter . E com um estalido final , Dobby desapareceu . Harry assistira a diversos banquetes , mas nenhum que se parecesse com aquele . Estavam todos de pijama e a festa durou a noite inteira . Harry não sabia se o melhor tinha sido a Hermione a correr para ele e a gritar : - Tu conseguiste . Tu conseguiste ! , ou o Justin saindo disparado de a mesa de os Hufflepuff para lhe estender a mão , desfazendo se em desculpas por ter suspeitado de ele , ou o Hagrid que apareceu a as três_e_meia e que lhes deu palmadas com tanta força em os ombros que eles foram parar dentro de os pratos de bolo de creme , ou os quatrocentos pontos que ele e o Ron obtiveram para os Gryffindor , ganhando a taça de a equipa por a segunda vez consecutiva , ou a professora Mc_Gonagall de pé , a comunicar lhes que os exames tinham sido cancelados como medida de a escola ( Oh ! não ! exclamou Hermione ) , ou Dumbledore a anunciar que , infelizmente , o professor Lockhart não poderia voltar em o ano seguinte por ter de se ausentar a_fim_de recuperar a memória . Alguns de os professores juntaram se a os alunos que aplaudiram entusiasmados esta notícia . - Que pena - disse Ron , servindo se de um * dounut * de presunto . - E eu que começava a gostar de ele ... O resto de o período de Verão decorreu sob um sol escaldante . Hogwarts voltara a a normalidade , apenas com algumas pequenas diferenças : as aulas de Defesa contra as artes negras foram canceladas ( Mas nós tivemos imensa prática - disse o Ron vendo o descontentamento de Hermione ) e Lucius_Malfoy foi demitido de o Conselho_Directivo . Draco já não passeava por ali como_se fosse o dono de a escola . Pelo_contrário , tinha um ar melindrado e carrancudo . Por outro lado , Ginny_Weasley andava de_novo feliz de a vida . Em_breve chegou o dia de regressarem a casa em o Expresso_de_Hogwarts . Harry , Ron , Hermione , Fred , George e Ginny encheram um compartimento . Tiraram o_máximo partido de aquelas últimas horas em que lhes era permitido usar a magia antes de as férias . Brincaram a as explosões , gastaram o último fogo-de-artíficio Filibuster , de o Fred e de o George e treinaram o mútuo desarmamento através de a magia . Harry começava a ficar muito bom em aquilo . Já estavam perto de a estação de King's_Cross quando Harry se lembrou de uma coisa . - Ginny , o que foi que viste o Percy fazer que ele não queria que nos contasses ? - Ah ! isso - disse a Ginny a rir . - Bem , é_que o Percy tem uma namorada . Fred deixou cair uma pilha de livros em a cabeça de o George . - O quê ? - É aquela prefeita de os Ravenclaw ' Penelope_Clearwater - disse a Ginny . - Foi para ela que ele escreveu durante todo o Verão . Encontravam se em a escola em grande segredo . Eu apanhei os a beijarem se em uma sala de aula vazia e ele ficou tão aflito quando ela foi ... sabes ... atacada . Não vais aborrecê o , pois não ? - perguntou cheia de ansiedade . - Que ideia - respondeu Fred com uma tal satisfação em o rosto que parecia que o seu aniversário chegara mais cedo . - Claro que não - disse o George a rir se a a socapa . O Expresso_de_Hogwarts abrandou e finalmente parou . Harry tirou a pena e um_pouco de pergaminho e voltou se para Ron e Hermione . - Isto_é um número de telefone - disse ele a o Ron , escrevinhando o duas vezes , cortando o pergaminho a o meio e dando lhes os números . - Eu expliquei a o teu pai como usar um telefone em o Verão passado . Ele sabe fazer a chamada . Liga me para_casa de os Dursley , O. _ K. ? Não consigo suportar outros dois meses sem ter mais ninguém com quem falar ... - Mas a tua tia e o teu tio vão ficar orgulhosos de ti , não vão ? - perguntou Hermione quando saíram de o comboio e se misturaram em a multidão que se encontrava junto de a barreira encantada . - Quando souberem o que fizeste este ano . - Orgulhosos ? - disse Harry . - Estás doida ! Podendo eu ter morrido tantas vezes e tendo escapado ? Vão ficar é furiosos ... E juntos avançaram até a a entrada para o mundo de os Muggles . ----------------- J._K._Rowling_Harry_Potter e a Câmara_dos_Segredos_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Chamber of Secrets_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling 1998 Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 2000 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 2.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 Depósito legal : 143.569/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , a a Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Para_Séan_P._F._Harris , condutor imparável e um amigo de os diabos . I_O pior aniversário Não era a primeira vez que uma discussão estoirava a a mesa de o pequeno-almoço , em o número 4 de a Privet_Drive . Mr._Vernon_Dursley fora acordado de manhã cedo por o piar ruidoso que vinha de o quarto de o seu sobrinho Harry . - É a terceira vez esta semana ! - resmungou , a a mesa . - Se não consegues controlar essa coruja , ela não pode ficar aqui . Harry tentou , mais_uma_vez , explicar . - Ela está aborrecida . Estava habituada a voar livremente lá fora . Se eu pudesse , ao_menos , soltá a a a noite ... - Achas me com cara de idiota ? - perguntou rispidamente o tio Vernon , com um fio de ovo preso em o bigode farfalhudo . - Sei muito bem o que aconteceria se essa coruja fosse lá para fora . Trocou um olhar soturno com a mulher , a tia Petúnia . Harry tentou contra-argumentar , mas as suas palavras foram abafadas por um enorme arroto de o filho de os Dursleys , Dudley . - Quero mais bacon . - Há mais em a frigideira , fofinho - disse a tia Petúnia , lançando um olhar vago a o seu filho maciço . - Tens que te alimentar bem enquanto aqui estás , aquela comida de a tua escola não me cheira . - Disparate , Petúnia , eu nunca passei fome enquanto andei em Smeltings - afirmou com sinceridade o tio Vernon . - O Dudley tem que chegue . Não é verdade , filho ? Dudley , que era tão gordo que o rabo saía de os dois lados de a cadeira de a cozinha , sorriu laconicamente e voltou se para Harry . - Passa me a frigideira . -- Esqueceste te de a palavra mágica - disse Harry , irritado . O efeito que esta simples frase teve em o resto de a família foi inacreditável : Dudley começou a arfar e caiu de a cadeira com um estrondo que abalou a cozinha , Mrs._Dursley deu um gritinho e bateu com a mão em a boca , Mr._Dursley pôs se de pé com as veias de as têmporas dilatadas . - Eu queria dizer « por favor » - explicou Harry rapidamente . - Não me referia a ... - : __ o que é_que eu te __ disse - vociferou o tio , espalhando perdigotos sobre a mesa - : __ sobre pronunciar a palavra m . em esta __ casa ? - Mas eu ... - : __ como te atreves a ameaçar o __ dudley ! - rosnou o tio Vernon , batendo com o punho em a mesa . - Eu só ... - : __ estás avisado . não vou admitir referências a tua anormalidade debaixo de o tecto de a minha __ casa ! Harry olhou alternadamente para o rosto congestionado de o tio e para a palidez de a tia que tentava pôr o Dudley de pé . - Está bem - disse Harry . - Está bem ... O tio Vernon voltou a sentar se , respirando como um rinoceronte exausto e observando Harry de perto por o canto de os seus olhos pequeninos e penetrantes . Desde_que Harry regressara para as férias de Verão que o tio Vernon o tratava como_se ele fosse uma bomba , capaz de explodir a qualquer momento , porque Harry não era um rapazinho normal . Em a verdade , ele era o menos normal que é possível imaginar . Harry_Potter era um feiticeiro , um feiticeiro que acabara de concluir o primeiro ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts e a infelicidade que os Dursleys sentiam por ele estar lá em casa não era nada comparada com a de Harry . As saudades de Hogwarts eram tão intensas que se assemelhavam a uma constante dor em o estômago . Sentia a falta de o castelo com as suas passagens secretas e os seus fantasmas , de as aulas ( com excepção talvez de as de Snape , o professor de as poções ) , de o correio a chegar trazido por as corujas , de os banquetes em o salão nobre , de as noites em as camas de dossel em a camarata de a torre , de as visitas a Hagrid , o guarda de os campos em a sua casinha em o bosque , junto de a floresta proibida e , principalmente , sentia a falta de o Quidditch , o desporto mais popular de o mundo de os feiticeiros ( seis postes altos de golo , quatro bolas esvoaçantes e catorze jogadores em_cima_de vassoura ) . Todos os livros de feitiços de Harry , assim_como a varinha , os mantos , o caldeirão e a vassoura topo de gama Nimbus dois_mil tinham sido encerrados por o tio Vernon em a despensa que ficava debaixo de as escadas , em o momento em que Harry regressara a casa . O que é_que lhes interessava se ele perdia ou não o seu lugar em a equipa de Quidditch por não ter praticado durante todo o Verão ? Que importância tinha para eles que o Harry voltasse a a escola sem ter podido fazer os trabalhos de casa ? Os Dursleys eram aquilo que os feiticeiros chamam « Muggles » ( nem uma gota de sangue mágico em as veias ) e , para eles , ter um feiticeiro em a família era motivo de grande vergonha . O tio Vernon tinha , inclusivamente , fechado a cadeado a coruja de Harry , Hedwig , dentro de a gaiola , para evitar que ela transportasse mensagens para a gente de o mundo de a feitiçaria . Harry não se parecia em nada com o resto de a família . O tio Vernon era atarracado e sem pescoço , dotado de um enorme bigode preto ; a tia Petúnia tinha um rosto cavalar e era esquelética ; Dudley era loiro e rosado como um porquinho . Harry , pelo_contrário , era baixo e franzino , com os olhos verdes brilhantes e cabelo negro sempre desalinhado . Usava uns óculos redondos e tinha em a testa uma cicatriz em forma de relâmpago . Era essa cicatriz que o tornava tão invulgar , mesmo para um feiticeiro . Era a única alusão a o seu passado misterioso , a o motivo por o qual , onze anos antes , tinha sido deixado em o degrau de a porta de os Dursleys . Com um ano de idade , Harry sobrevivera a uma maldição de o maior feiticeiro negro de todos os tempos , Lord_Voldemort , cujo nome a maior parte de os feiticeiros e feiticeiras ainda receia pronunciar . Os pais de Harry tinham morrido em um ataque de Voldemort , mas ele escapara com a sua cicatriz em forma de relâmpago e estranhamente , ninguém compreendeu porquê , os poderes de Voldemort tinham sido destruídos em o momento em que não fora capaz de matar o Harry . Por isso , ele foi criado por a irmã de a sua falecida mãe e respectivo marido . Passou dez anos com os Dursleys , sem nunca compreender porque fazia com que acontecessem coisas estranhas , alheias a a sua vontade , acreditando em a história de os Dursleys de que aquela cicatriz fora resultado de um acidente de automóvel em que os pais tinham morrido . E um dia , precisamente um ano antes , Hogwarts escrevera lhe e fora então que tudo começara . Harry fora ocupar o seu lugar em a escola de feitiçaria , onde ele e a sua cicatriz eram famosas ... mas agora o ano escolar chegara a o fim e estava de_novo com os Dursleys . Durante o Verão , voltara a ser tratado como um cão malcheiroso . Os Dursleys nem se tinham lembrado que aquele era o dia de o seu décimo segundo aniversário . É claro que não tivera grandes expectativas : eles nunca lhe tinham dado um presente a sério , muito menos um bolo , mas ignorarem o por completo ... Em esse momento , o tio Vernon pigarreou com um ar importante e disse : - Como todos sabem , hoje é um dia muito importante . Harry olhou para ele , mal conseguindo acreditar . - Pode bem ser que eu faça hoje o maior negócio de toda_a minha vida - afirmou . Harry voltou novamente a atenção para a torrada . É claro , pensou amargamente , o tio Vernon referia se a a estúpida dinner-party . Havia quinze_dias que não falava de outra coisa . Um consultor qualquer cheio de massa e a mulher vinham jantar lá a casa e o tio Vernon tinha esperança de conseguir uma grande encomenda ( a empresa de o tio Vernon fabricava brocas ) . - Acho que devíamos recapitular mais_uma_vez - disse o tio Vernon . - Devemos estar todos a postos a as oito_horas_em_ponto . Petúnia , tu vais estar ... ? - Em o salão - respondeu a tia Petúnia prontamente - a a espera para lhes dar as boas-vindas a nossa casa . - Bom , bom . E o Dudley ? - Eu vou estar a a espera para abrir a porta . - Dudley esboçou um sorriso falso e afectado . - Dão me licença que vos guarde os casacos , Mr. e Mrs._Mason ? - Eles vão adorá o - exclamou arrebatadamente a tia Petúnia . - Excelente , Dudley - disse o tio Vernon . - A seguir voltou se para o Harry . - E tu ? - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - repetiu o Harry , de forma inexpressiva . - Exactamente - confirmou o tio Vernon , de um modo desagradável . - Eu conduzo os até a o salão , apresento te , Petúnia , e sirvo lhes as bebidas . _ a as oito_e_um_quarto . - Eu chamo para a mesa - disse a tia Petúnia . - E tu , Dudley , vais dizer ... - Dá me licença que lhe indique a casa de jantar , Mrs._Mason ? - repetiu o Dudley , oferecendo o seu braço gordo a uma mulher invisível . - O meu pequenino cavalheiro - fungou a tia Petúnia . - E tu ? - perguntou o tio Vernon a o Harry , em o mesmo tom desagradável . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho , fingindo que não estou lá - respondeu Harry aborrecido . - Isso mesmo . Agora , devíamos ter preparadas algumas frases amáveis para o jantar . Petúnia , alguma ideia ? - O Vernon disse me que o senhor é um excelente jogador de golfe , Mr._Mason ... Tem de me dizer onde comprou esse vestido , Mrs._Mason ... - Perfeito . Dudley ? - Que tal : Tivemos de fazer um trabalho para a escola sobre o nosso herói e eu escrevi sobre o senhor ... Foi de mais , tanto para a tia Petúnia como para o Harry . A tia debulhou se em lágrimas e abraçou o filho , enquanto Harry se esgueirava para debaixo de a mesa para ninguém o ver rir . - E tu , rapaz ? Harry fez um esforço para se mostrar inexpressivo quando emergiu . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - disse . - Vais sim senhor - afirmou o tio Vernon energicamente . - Os Mason não sabem nada a teu respeito e é assim que as coisas vão continuar . Quando o jantar terminar , tu trazes Mrs._Mason para o salão , onde vamos tomar café , Petúnia , e eu puxo o assunto de as brocas . Com um_pouco de sorte , tenho o contrato assinado antes de o noticiário de as dez . Amanhã por esta hora , vamos estar a fazer compras para umas férias em Maiorca . Harry não conseguia sentir o menor entusiasmo com aquilo . Não lhe parecia que os Dursleys gostassem mais de ele em Maiorca do_que em Privet_Drive . - Certo , eu vou a a cidade buscar os casacos para mim e para o Dudley . E tu - resmungou , apontando para Harry - não atrapalhes a tua tia enquanto ela estiver a limpar . Harry saiu por a porta de as traseiras . Estava um dia de sol lindo . Atravessou o relvado , deixou se cair em o banco de o jardim e cantarolou baixinho : - Parabéns para mim ... parabéns para mim ... Nem cartas nem presentes e tinha de passar a noite a fingir que não existia . Olhou infeliz para a sebe . Nunca se sentira tão só . Mais do_que tudo em o mundo , mais do_que de Hogwarts , mais até do_que de o jogo de Quidditch , Harry sentia a falta de os amigos Ron_Weasley e Hermione_Granger . Mas eles não pareciam sentir a falta de ele . Nenhum de os dois lhe escrevera durante todo o Verão apesar_de o Ron ter dito que ia convidá o para passar uns dias lá em casa . Inúmeras vezes Harry estivera quase a libertar magicamente Hedwig de a sua gaiola e mandá a levar uma carta a o Ron e a a Hermione mas não valia a pena correr o risco . Os feiticeiros menores de idade não tinham autorização para usar a magia fora de a escola . Harry não contara isto a os Dursleys . Ele sabia que era o medo de que ele os transformasse a todos em baratas que os impedia de o fecharem a a chave em a despensa debaixo de as escadas , juntamente com a varinha e a vassoura . Em as primeiras semanas Harry divertira se a murmurar baixinho palavras sem sentido e a ver o Dudley sair disparado de o quarto , tão rápido quanto as suas pernas gordas lhe permitiam . Mas o silêncio prolongado de Ron e Hermione tinham o feito sentir se tão longe de o mundo de a magia que até divertir se à_custa_de Dudley perdera o interesse . E agora o Ron e a Hermione tinham se esquecido de o seu aniversário . Quanto não daria ele por uma mensagem de Hogwarts ? De qualquer feiticeiro ou feiticeira ? Quase ficaria satisfeito com um sinal de o seu inimigo feroz , Draco_Malfoy , só para ter a certeza de que tudo aquilo não fora apenas um sonho ... Não que tudo durante o ano em Hogwarts tivesse sido divertido . Mesmo em o fim de o último período , Harry confrontara se nem mais nem menos do_que com o próprio Lord_Voldemort . Voldemort podia ter arruinado o seu ego inicial mas continuava a espalhar o terror , ainda astuto , ainda determinado a recuperar o poder . Harry escapara uma segunda vez a as suas garras mas fora por um triz e mesmo agora , algumas semanas decorridas , acordava de noite encharcado em suores frios , perguntando se onde estaria Voldemort , relembrando o seu rosto lívido , os seus olhos completamente loucos ... Harry sentou se subitamente , direito como um fuso , em o banco de o jardim . Tinha estado a olhar distraído para a sebe e a sebe estava a olhar para ele . Dois enormes olhos verdes surgiram por_entre a folhagem . Harry pôs se de pé ao_mesmo_tempo que uma voz sobrevoava a relva . - Eu sei que dia é hoje - cantarolava Dudley , bamboleando se enquanto se aproximava . Os olhos enormes piscaram e desapareceram . - O quê ? - perguntou Harry sem retirar os olhos de o lugar para_onde estava a olhar . - Eu sei que dia é hoje - repetiu , chegando junto de ele . - Ainda_bem - disse Harry . - Aprendeste finalmente os dias de a semana . - Hoje é o dia de os teus anos - troçou o Dudley . - Por_que é_que não recebeste nenhuma carta ? Não tens amigos em esse lugar esquisito ? - É melhor não deixares a tua mãe ouvir te falar de a minha escola - disse Harry calmamente . Dudley puxou para_cima as calças que estavam a escorregar lhe por o rabo gordo abaixo . - Porque estás a olhar para a sebe . ; - perguntou curioso . - Estou a pensar em as palavras que deverei pronunciar para lhe pegar fogo - disse Harry . Dudley recuou de imediato com um olhar de pânico em a cara rechonchuda . - Tu não p-p-odes , o pai disse que não podias fazer magia ou corria contigo aqui de casa e não tens mais nenhum lugar para_onde ir , não tens amigos que te convidem ... - * _ Jiggery pokery * ! - disse Harry com voz firme . - * _ Hocus pocus ... squiggly wiggly * ... - Maaaaaãe - gritou Dudley , tropeçando em os pés , enquanto se precipitava para dentro_de casa . Maaaãe , ele vai fazer aquela coisa ! Harry deu graças a os céus por aquele momento de gozo . Como não aconteceu nada de mal nem a o Dudley nem a a sebe , a tia Petúnia percebeu que ele não fizera magia nenhuma mas , mesmo_assim , Harry teve de se afastar quando ela lhe deu uma forte pancada em a cabeça com a frigideira cheia de detergente . A seguir distribuiu lhe trabalho e o castigo de só voltar a comer quando tivesse acabado tudo . Enquanto Dudley andava a flanar , olhando para o ar e comendo gelados , Harry limpou as janelas , lavou o carro , aparou a relva , adubou os canteiros , podou e regou as rosas e pintou de_novo o banco de o jardim . O sol ardia lá em cima , queimando lhe a parte de trás de o pescoço . Harry sabia que não devia ter provocado Dudley mas ele dissera precisamente aquilo que ele próprio pensava ... talvez não tivesse amigos em Hogwarts . Deviam ver agora o famoso Harry_Potter , pensou amargamente enquanto espalhava adubo em os canteiros , as costas a doerem lhe e o suor a escorrer lhe por o rosto . Eram sete_e_meia_da_tarde quando , por fim , exausto , ouviu a tia Petúnia a chamá o . - Anda para dentro e passa por cima de os jornais . Harry entrou satisfeito em a sombra de a cozinha que rebrilhava . Sobre o frigorífico estava o bolo de a noite : um enorme monte de crome batido coberto de violetas de açúcar . A carne de porco assava em o forno . - Come depressa , os Mason devem estar a chegar ! - exclamou bruscamente a tia Petúnia , apontando para duas fatias de pão e uma de queijo que estavam em cima de a mesa de a cozinha . Ela já tinha posto um vestido de * cocktail * cor de salmão . Harry lavou as mãos e comeu aquele triste jantar . Mal tinha terminado , a tia Petúnia tirou lhe o prato . - Lá para_cima , rápido ! A o passar por a porta de a sala , Harry vislumbrou o tio Vernon e Dudley de casaco e gravata . Tinha acabado de chegar a o cimo de as escadas quando a campainha de a porta tocou e a cara de o tio Vernon apareceu em o patamar . - Lembra te , rapaz , um ruído que seja ... Harry entrou em o quarto em bicos de pés , fechou a porta e preparou se para se meter em a cama . O problema é_que estava lá alguém sentado . II_O aviso de Dobby_Harry conseguiu não gritar , mas foi por_pouco . A pequena criatura que estava em a cama tinha umas orelhas grandes e largas e uns olhos verdes protuberantes de o tamanho de bolas de ténis . Harry percebeu imediatamente que fora para ele que tinha estado a olhar de manhã . Enquanto olhavam um para o outro , Harry ouviu a voz de Dudley em o * hall * . - Posso guardar os vossos casacos , Mr. e Mrs._Mason ? A criatura escorregou por a cama e curvou se tanto que a ponta de o seu enorme nariz tocou em o tapete . Harry reparou que ele tinha vestido uma espécie de fronha de almofada com buracos para os braços e pernas . - Er ... Olá - disse Harry , um_pouco nervoso . - Harry_Potter ! - exclamou a criatura em uma voz tão estridente que Harry calculou que poderia ouvir se lá em baixo . - Há tanto tempo que Dobby queria conhecê o , senhor . É uma enorme honra ... - Ob-obrigado - disse Harry , deslocando se a o longo de a parede e sentando se em a cadeira de a secretária , junto de Hedwig que dormia em a sua grande gaiola . Queria perguntar lhe « O que és tu ? » , mas pensou que seria má educação , por isso perguntou : - Quem és tu ? - Dobby , senhor . Apenas Dobby , o elfo de casa - afirmou a criatura . - Oh ! A sério ? - perguntou Harry . - Não quero ser mal-educado , mas esta não é a melhor altura para ter um elfo em o meu quarto . O riso falso de a tia Petúnia ouvia se em a sala de jantar . O elfo deixou cair a cabeça . - Não que eu não me sinta feliz por te conhecer - disse Harry rapidamente - mas , er ... estás aqui por algum motivo em especial ? - Oh , sim senhor - disse Dobby muito a sério . - Dobby veio dizer lhe que ... é difícil ... Dobby não sabe por_onde começar ... - Senta te - disse Harry educadamente , apontando lhe a cama . Para seu horror , o elfo debulhou se em lágrimas bastante ruidosas . -- S-senta-te ! - repetiu . - Nunca em toda_a minha vida ... Harry pareceu lhe ouvir as vozes lá em baixo vacilarem . - Desculpa - murmurou . - Eu não queria ofender te ... - Ofender Dobby ! - exclamou o elfo em um sufoco . - Nunca nenhum feiticeiro disse a o Dobby que se sentasse como um seu igual , senhor . Harry , tentando dizer lhe « Sch ... » e confortá o ao_mesmo_tempo , conduziu Dobby de_novo até a a cama onde ele se sentou a soluçar , parecendo uma grande boneca muito feia . Por fim , conseguiu controlar se e ficou quieto , com os seus grandes olhos fixos em Harry em uma expressão de absoluta adoração . - Não deves ter conhecido muitos feiticeiros sérios - disse lhe , tentando animá o . Dobby abanou a cabeça . Em seguida , sem qualquer aviso , saltou e começou a bater furiosamente com a cabeça em a janela , gritando : - Dobby é mau ! Dobby é mau ! - Pára , o que é_que estás a fazer ? - perguntou Harry em um murmúrio sibilante , dando um salto e puxando Dobby de_novo para a cama . Hedwig acordara com um pio particularmente agudo e batia agressivamente com as asas contra as grades de a gaiola . - Dobby tinha que se castigar , meu senhor - afirmou o elfo , que ficara ligeiramente estrábico . - Dobby quase falou mal de a família de ele ... - De a tua família ? - De a família de feiticeiros que Dobby serve , meu senhor ... O Dobby é um elfo de casa , obrigado a servir uma casa e uma família para sempre . - Eles sabem que estás aqui ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Dobby estremeceu . - Oh , não senhor , não ... Dobby vai ter que se castigar muito por ter vindo vê o . Dobby vai ter que entalar as orelhas em a porta de o forno por isto . Se eles soubessem , senhor ... - Mas achas que eles não vão reparar se tu entalares as orelhas em a porta de o forno ? - Dobby duvida , senhor . Dobby está sempre a ter de se castigar por qualquer coisa . Eles deixam que o Dobby se castigue . _ às_vezes até sugerem alguns castigos extra . - Mas por_que é_que não te vais embora , não foges ? - Um elfo de casa tem de ser libertado , senhor . E a família nunca libertará Dobby . Dobby servirá a família até morrer . Harry olhou para ele . - E eu que pensava que era infeliz por ter de ficar aqui mais quatro semanas - declarou . - Isto faz os Dursleys parecerem quase humanos . Será que ninguém te pode ajudar ? Poderei eu ? Em o mesmo momento , Harry desejou não ter aberto a boca . Dobby desfez se em ruidosos soluços de gratidão . - Por favor - murmurou Harry , inquieto . - Por favor , está calado . Se os Dursleys ouvem barulho , se eles sabem que estás aqui ... - Harry_Potter pergunta se pode ajudar Dobby . Dobby ouviu falar de a sua grandeza , mas de a sua bondade , Dobby nada sabia . Harry , que se sentia corar , disse : - Seja o que for que tenhas ouvido sobre a minha grandeza , é um disparate . Nem_sequer sou o melhor de o meu ano em Hogwarts . É a Hermione . Ela ... Mas calou se rapidamente porque pensar em Hermione era lhe doloroso . - Harry_Potter é humilde e modesto - disse Dobby reverentemente , com os seus olhos de globo avermelhados . - Harry_Potter não fala de a sua vitória sobre « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . - Voldemort ? - perguntou Harry . Dobby bateu com as mãos em as enormes orelhas e gemeu : - Ai não diga o nome , senhor . Não diga o nome ! - Desculpa - disse Harry muito depressa . - Eu sei que muita gente não gosta . O meu amigo Ron ... Calou se de_novo . Pensar em o Ron era igualmente doloroso . Dobby voltou para Harry os seus dois olhos grandes como candeeiros . - Dobby ouviu dizer - balbuciou com voz rouca - que Harry_Potter encontrou o Senhor_do_Mal uma segunda vez há poucas semanas atrás ... que Harry_Potter lhe escapou de_novo . Harry acenou e os olhos de Dobby encheram se de lágrimas . - Ah , senhor - disse em um sobressalto , limpando o rosto com a ponta de a fronha de almofada que tinha vestida . - Harry_Potter é valente e arrojado . Enfrentou tantos perigos ! Mas Dobby veio protegê o , avisar Harry_Potter , mesmo_que para isso tenha de entalar as orelhas em a porta de o forno , que Harry_Potter não deve voltar para Hogwarts . Houve um silêncio apenas quebrado por o ruído de os garfos e de as facas lá em baixo e por a voz distante de o tio Vernon . - O q-q-uê ? - gaguejou Harry . - Mas eu tenho de voltar , o ano começa em o dia um de Setembro . É a minha razão de viver . Tu não sabes como são as coisas aqui . Eu não pertenço a este lugar , o meu lugar é em Hogwarts . - Não , não , não - guinchou Dobby , sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas andavam de um lado para o outro . - Harry_Potter deve ficar aqui , onde se encontra a salvo . É demasiado grande , demasiado bom para se perder . Se Harry_Potter regressar a Hogwarts correrá perigo de vida . - Porquê ? - inquiriu Harry , surpreendido . - Há uma conspiração , Harry_Potter . Uma conspiração para fazer acontecer coisas terríveis este ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts - murmurou Dobby que começara a tremer de a cabeça a os pés . - Dobby sabe de isto há meses , senhor . Harry_Potter não deve expor se a o perigo . É demasiado importante . - Que coisas terríveis são essas ? - perguntou Harry sem perder tempo . - Quem está por detrás ? Dobby fez um ruído esquisito e começou a bater com a cabeça contra a parede como um louco . - Está bem - gritou Harry , agarrando o braço de o elfo para o fazer parar . - Não podes dizer , eu compreendo . Mas porque vieste avisar me ? - Um pensamento súbito e desagradável surgiu lhe . - Espera aí , isto tem alguma coisa que ver com o Vol , desculpa com o Quem nós sabemos ? Basta que faças sim ou não com a cabeça - acrescentou com vivacidade enquanto a cabeça de Dobby se inclinava de_novo a uma velocidade preocupante para a parede . Lentamente , Dobby abanou a cabeça . - Não , não é « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . Os olhos de Dobby estavam abertos como_se estivesse a tentar dar a Harry uma pista , mas Harry estava completamente a a nora . - Ele não tem nenhum irmão , ou tem ? Dobby abanou a cabeça , os olhos mais abertos do_que nunca . - Bem , em esse caso não estou a ver quem mais poderia ter a possibilidade de fazer acontecer coisas horríveis em Hogwarts - disse Harry . - Quero dizer , para já está lá o Dumbledore . Sabes quem é Dumbledore , não sabes ? Dobby baixou a cabeça . - Albus_Dumbledore é o melhor director que Hogwarts alguma vez teve . Dobby sabe , senhor . Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore rivalizam com os d'aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Mas , senhor - a voz de Dobby desceu a um urgente murmúrio - há poderes que Dumbledore não ... poderes que nenhum feiticeiro sério ... E antes que Harry conseguisse impedi o Dobby saltou de a cama , agarrou o candeeiro de secretária de Harry e começou a bater com a cabeça , dando uivos ensurdecedores . Fez se silêncio lá em baixo . Dois segundos mais tarde , Harry com o coração a bater como um louco , ouviu o tio Vernon chegar a o * hall * e dizer . - O Dudley deve ter deixado outra_vez a televisão ligada , o maroto ! - Depressa , para dentro de o guarda-fatos - gritou Harry , empurrando Dobby bem para o fundo , fechando a porta e metendo se a correr em a cama mesmo a_tempo_de ver a maçaneta de a porta a girar . - Que diabo estás tu a fazer ? - disse o tio Vernon entre dentes , o rosto assustadoramente próximo de o de Harry . - Acabas de estragar o ponto alto de a minha anedota de o golfista japonês . Eu que oiça mais um som e vais desejar nunca ter nascido , rapaz ! Abandonou o quarto com grandes passadas . A tremer , Harry deixou Dobby sair de o guarda-fatos . - Estás a ver como são as coisas por aqui ? - disse . - Vês porque tenho de voltar para Hogwarts ? É o único sítio onde eu tenho ... bem , onde eu acho que tenho amigos . - Amigos que nem_sequer escrevem a Harry_Potter ? - disse Dobby com ar manhoso . - Calculo que devem ter estado ... espera aí - disse Harry , franzindo a testa . - Como é_que tu sabes que os meus amigos não me têm escrito ? Dobby arrastou os pés . - Harry_Potter não deve zangar se com Dobby . Dobby fez o que achou melhor ... - Tu tens estado a interceptar me as cartas ? - Dobby tem as aqui , senhor - disse o elfo . Saltando para longe de o alcance de Harry , retirou de dentro de a fronha que usava um espesso saco cheio de envelopes . Harry reconheceu de imediato a caligrafia certinha de Hermione , a escrita desordenada de Ron e até uns gatafunhos que pareciam ser de o guarda de os campos de Hogwarts , Hagrid . Dobby piscava ansiosamente os olhos . - Harry_Potter não deve ficar zangado ... Dobby esperava que ... se Harry_Potter pensasse que os amigos o tinham esquecido ... Harry_Potter talvez não quisesse voltar a a escola , senhor . Harry não o ouvia . Fez um gesto para agarrar as cartas , mas Dobby deu um salto , afastando se . - Harry_Potter terá as cartas , senhor , se der a Dobby a sua palavra de não voltar a Hogwarts . Ah , senhor , é um risco que não deve correr . Diga que não volta , senhor ! - Não - afirmou Harry zangado . - Dá me as cartas de os meus amigos ! - Em esse caso , Harry_Potter deixa Dobby sem escolha - disse o elfo tristemente . Antes que Harry pudesse fazer um movimento , Dobby tinha aberto a porta de o quarto e descido a correr por as escadas abaixo . Com a boca seca e um aperto em o estômago , Harry correu atrás de ele , tentando não fazer barulho . Saltou os últimos seis degraus , aterrando como um gato em a carpete de o * hall * , olhando em volta a a procura de Dobby . De a sala de jantar , ouviu a voz de o tio Vernon : - Conte a a Petúnia aquela história engraçadíssima de os funileiros americanos , ela tem estado louca por ouvi a , Mr._Mason . Harry correu de o * hall * para a cozinha e sentiu o estômago ficar pequenino . O pudim , que era a a obra-prima de a tia Petúnia , a montanha de creme batido coberto de violetas de açúcar flutuava junto de o tecto . Em cima de o guarda-louça de o canto , Dobby inclinava se servilmente . - Não - suplicou Harry . - Por favor , eles matam me . - Harry_Potter deve dizer que não vai voltar a a escola ... - Dobby , por favor . - Diga , senhor . - Não posso . Dobby lançou lhe um olhar trágico . - Então , Dobby deve fazê o , senhor , para o bem de Harry_Potter . O pudim foi direito a o chão em uma queda que parecia um coração a parar . O crome esguichou para as janelas e para as paredes , enquanto o prato se despedaçava . Com o ruído de uma chicotada , Dobby desapareceu . Ouviram se gritos em a casa de jantar e o tio Vernon irrompeu por a cozinha onde foi dar com Harry coberto , de a cabeça a os pés , por o pudim de a tia Petúnia . A princípio parecia que o tio Vernon ia conseguir arranjar uma desculpa para aquilo tudo . ( É só o nosso sobrinho , muito perturbado ; conhecer pessoas estranhas deixa o muito nervoso , por isso deixamos o lá em cima ... ) Conduziu_os_Mason , bastante chocados , para a sala de jantar , garantindo a Harry que o esfolava vivo quando os Mason se fossem embora e pôs lhe em as mãos um esfregão . A tia Petúnia descobriu um resto de gelado em o frigorífico e Harry , ainda a tremer , começou a limpar a cozinha . O tio Vernon poderia ainda ter feito o negócio , se não fosse a coruja . Estava a tia Petúnia a circular com uma caixa de After-Eight , quando uma enorme coruja de celeiro fez a sua entrada vertiginosa através de a janela de a casa de jantar , deixando cair uma carta em a cabeça de Mr._Mason e desaparecendo logo_a_seguir . Mrs._Mason gritava como uma carpideira e corria por a casa praguejando contra os lunáticos . Mr._Mason ficou o tempo estritamente necessário para dizer a os Dursleys que a mulher tinha um medo pânico de pássaros de todas_as formas e tamanhos e perguntar lhes se aquela era alguma brincadeira de mau gosto . Harry não saiu de a cozinha , agarrando o esfregão como defesa , enquanto o tio Vernon avançava para ele com um brilho demoníaco em os olhos pequeninos . - Lê isso - ordenou maldosamente . Harry pegou em a carta . Não era a desejar lhe um bom aniversário . * _ Caro_Mr._Potter , * _ Recebermos hoje informações de que um feitiço de suspensão em o ar foi efectuado em sua casa esta noite , a as nove_horas_e_doze_minutos . * _ Como sabe , os feiticeiros menores não estão autorizados a praticar magia fora de a escola e , se efectuar mais um trabalho mágico , será expulso de a nossa escola . ( Decreto_de_Restrições_Razoáveis_para_Feitiçaria_de_Menores , 1875 , parágrafo C. ) * _ Pedimos-lhe também que se lembre que qualquer actividade que possa ser notada por membros alheios a a nossa comunidade ( Muggles ) constitui uma ofensa grave , segundo a secção 13 de a Confederação_Internacional_do_Estatuto_da_Magia_Secreta . * _ Tenha umas boas férias . * Atenciosamente_Mafalda_Hopkirk_Gabinete_da_Utilização_Imprópria_da_Magia_Ministério_da_Magia * . Harry olhou para a carta e engoliu em seco . - Tu não nos contaste que estavas proibido de usar magia fora de a escola - disse o tio Vernon com um brilho maldoso a dançar lhe em os olhos . - Esqueceste te de o mencionar , passou te , não foi ? Tinha se aproximado de Harry como um grande * bulldog * , com todos os dentes a a mostra . - Tenho boas notícias para ti , rapaz , vou fechar te a a chave e , se tentares sair através_de magia , nunca mais voltas a aquela escola , eles expulsam te . E rindo como um louco , arrastou Harry até a o andar de cima . O tio Vernon era mau como as cobras . Em a manhã seguinte pagou a um homem para colocar grades em a janela de o quarto de Harry . Ele próprio abriu um pequeno buraco em a porta de o quarto para que a comida pudesse ser introduzida três vezes por dia . Deixavam o Harry sair para ir a a casa_de_banho de manhã e a o final de a tarde . O resto de o tempo estava fechado em o quarto , a a espera que o tempo passasse . Três dias mais tarde , os Dursleys não mostravam qualquer intenção de abrandar o castigo e Harry não sabia como sair de aquela situação . Estava deitado em a cama , vendo o sol brilhar por_entre as grades de a janela e perguntando se tristemente o que viria a acontecer lhe . Qual era a vantagem de sair de ali por artes mágicas , se Hogwarts o expulsaria em seguida ? Contudo , a vida em Privet_Drive tinha atingido o seu nível mais baixo . Agora_que os Dursleys tinham a certeza que não iam acordar transformados em morcegos , ele perdera a única arma que tinha . O Dobby podia tê o salvo de acontecimentos terríveis em Hogwarts , mas de a maneira que as coisas estavam , ele morreria muito provavelmente a a fome . A portinhola rangeu e a mão de a tia Petúnia apareceu empurrando uma tigela de sopa de pacote para dentro de o quarto . Harry , que estava cheio de fome , saltou de a cama e agarrou a . A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um único trago . A seguir , atravessou o quarto até a a gaiola de Hedwig e pôs os legumes ensopados dentro de o seu pratinho vazio . Ela agitou as penas e olhou o com profunda repugnância . - Não vale de nada virares lhe as costas . É tudo_o_que temos - disse Harry , de modo severo . Colocou a tigela vazia em o chão junto de a portinhola e voltou para_cima de a cama , de certo modo com mais fome do_que antes de ter comido a sopa . Admitindo que estaria ainda vivo dentro_de quatro semanas o que aconteceria se ele não se apresentasse em Hogwarts ? Será que mandariam alguém obrigar os Dursleys a deixá o ir ? O quarto começava a escurecer . Exausto e com o estômago a dar horas , o cérebro a as voltas com as mesmas questões sem resposta , Harry caiu em um sono intranquilo . Sonhou que fazia parte de um espectáculo de o jardim zoológico . Preso a a jaula onde se encontrava estava um cartaz onde podia ler se « feiticeiro menor de idade « . As pessoas olhavam o com olhos protuberantes , enquanto ele jazia fraco e esfomeado em um leito de palha . Viu a cara de o Dobby em o meio de a multidão e gritou lhe , pedindo ajuda , mas o Dobby respondeu : - Harry_Potter está em segurança aí , senhor - e desapareceu . Em seguida vieram os Dursleys e Dudley bateu em as grades de a jaula , rindo se de ele . - Pára com isso - murmurou Harry como_se aquele ruído martelasse em a sua cabeça dorida . - Deixa me em paz , pára com isso , estou a tentar dormir . Abriu os olhos . O luar brilhava através de as grades de a janela . E lá fora alguém olhava de olhos arregalados para ele : alguém de rosto sardento , cabelo ruivo e nariz grande . Ron_Weasley estava de o lado de_fora de a janela . III « A toca » Ron ! - exclamou Harry , arrastando se até a a janela e empurrando a para poderem falar através de as grades . - Ron , como é_que tu , foi o ... ? Harry ficou de boca aberta , espantado com o que viu . Ron estava debruçado de a janela de trás de um velho automóvel azul-turquesa que se encontrava estacionado em o ar . Em os lugares de a frente , rindo se para Harry , estavam os irmãos mais velhos , os gémeos Fred e George . - Tudo bem , Harry ? - O que é_que se tem passado ? - perguntou o Ron . - Porque não respondeste a as minhas cartas ? Convidei te para vires ter comigo umas doze vezes e um dia o pai chegou a casa e comunicou nos que tu tinhas recebido um aviso oficial por usares magia diante de os Muggles ... - Não fui eu . E como é_que ele soube ? - Ele trabalha em o Ministério - disse o Ron . - Tu sabes que nós não podemos fazer feitiços fora de a escola . - Bem , isso vindo de ti ... - exclamou Harry , olhando para o carro flutuante . - Oh , isto não conta - disse Ron . - Foi o meu pai que o emprestou . Não o fizemos aparecer por magia . Mas usar magia em a frente de esses Muggles com quem tu vives ... - Já te disse que não fui eu , mas vai demorar muito_tempo a explicar te isso agora . És capaz de avisar em Hogwarts que os Dursleys me fecharam a a chave e que não querem deixar me voltar e obviamente eu não posso sair de aqui magicamente senão o Ministério vai achar que é a segunda vez em três dias e ... - Pára com essa conversa tola - disse o Ron . - Viemos para te levar connosco . - Mas tu também não podes tirar me de aqui utilizando processos mágicos ... - Não precisamos de isso - afirmou Ron , fazendo um sinal de cabeça para os lugares de a frente . - Esqueces te de quem está aqui comigo . - Amarra isso em volta de as grades - disse o Fred , lançando a Harry a ponta de uma corda . - Se os Dursleys acordam estou feito - lamentou se Harry enquanto dava um nó bem apertado com a corda em uma de as grades e o Fred arrancava com o carro . - Não te preocupes e chega te para trás . Harry recuou para a sombra , para junto de Hedwig que parecia ter se apercebido de a importância de tudo aquilo , mantendo se quieta e em silêncio . O carro puxou mais e mais e , subitamente , com um ruído de ferro a ceder , as grades foram arrancadas de a janela , enquanto Fred conduzia com o céu como estrada . Harry correu de_novo para a janela para ver as grades a balouçarem a poucos metros de o chão . Ofegante , Ron içou as para dentro de o carro . Harry escutou ansiosamente mas não vinha qualquer som de o quarto de os Dursleys . Quando as grades estavam em segurança em os lugares de trás junto de Ron , Fred aproximou se o_máximo que lhe foi possível de a janela . - Anda de aí - disse . - Mas , todas_as minhas coisas de Hogwarts , a minha varinha , a minha vassoura ... - Onde estão ? - Fechadas em a despensa debaixo de as escadas e eu não posso sair de este quarto . . - Não há azar - disse o George . - Sai de a frente , Harry . Fred e George treparam cautelosamente e entraram por a janela em o quarto de Harry . Tinhas que ter aberto a boca , pensou Harry enquanto George tirava de o bolso um vulgar gancho de cabelo e começava a tentar abrir a fechadura . - Muitos feiticeiros acham que é uma perda de tempo aprender os truques de os Muggles - disse o Fred . - Mas nós pensamos que há habilidades que é sempre útil conhecer apesar_de serem um_pouco lentas . Ouviu se um pequeno clique e a porta abriu se . - Pronto , vamos buscar as tuas coisas . Tu vai dando a o Ron aquilo que precisas de aí de o teu quarto - murmurou George . - Cuidado com o degrau de cima que range - sussurrou Harry enquanto os gémeos desapareciam em o escuro . Harry deu a volta a o quarto , recolhendo as suas coisas e passando as por a janela a o Ron . Em seguida , foi ajudar o Fred e o George a trazerem o resto por as escadas acima . Ouviu o tio Vernon tossir . Por fim , de língua de_fora , chegaram a o quarto , junto de a janela aberta . Fred trepou para o carro para puxar os volumes com o Ron enquanto Harry e George os empurravam de dentro de o quarto . Centímetro a centímetro o malão foi passando por a janela . O tio Vernon tossiu de_novo . - Mais um_pouco - disse o Fred que estava a puxar de dentro de o carro . Um bom empurrão , vá . Harry e George encostaram os ombros contra a mala e ela escorregou para a parte de trás de o carro . - O. _ K. , vamos embora - murmurou o George . Mas quando Harry trepava para o parapeito de a janela ouviu se um forte pio atrás de ele , imediatamente seguido de o vociferar de o tio Vernon . - Aquela maldita coruja ! - Esqueci me de a Hedwig ! Harry precipitou se de_novo para o quarto , enquanto a luz de o patamar se acendia . Agarrou a gaiola de Hedwig , correu para a janela e passou a a o Ron . Estava a subir para_cima de a cómoda quando o tio Vernon bateu em a porta , que não estava fechada , e esta se abriu completamente . Por uma fracção de segundo , o tio Vernon ficou estático junto de a porta . Em seguida , soltou um mugido como um boi zangado e avançou para Harry , agarrando o por o tornozelo . Ron , Fred e George seguraram o por os braços e puxaram o com toda_a força . - Petúnia - rosnou o tio Vernon . - Ele está a fugir ! : __ ele está a __ fugir ! Os Weasleys deram um puxão gigantesco e a perna de o Harry escapou a as garras de o tio Vernon . Logo_que Harry entrou em o carro e a porta se fechou , Ron gritou : - Acelera Fred ! - E o carro partiu subitamente em direcção a a lua . Harry mal podia acreditar que estava livre . Esticou se a a janela , o ar de a noite a fustigar lhe os cabelos e olhou para baixo , para os telhados apertados de Privet_Drive . O tio Vernon , a tia Petúnia e o Dudley estavam todos debruçados com cara de parvos , a a janela de o quarto de ele . - Até a o próximo Verão - gritou . Os Weasleys riam se a as gargalhadas e Harry esticou se para trás em o assento e pediu a o ouvido de Ron : - Deixa sair a Hedwig . Ela pode voar atrás_de nós . Há séculos que não tem uma oportunidade de esticar as asas . George passou a o Ron o gancho de cabelo e , um momento depois , a Hedwig saíra feliz por a janela , planando atrás de eles como um fantasma . - Então , qual é a história ? - perguntou Ron , impaciente . - O que é_que tem estado a acontecer ? Harry contou lhes tudo sobre o Dobby , o aviso de este e o fracasso de o pudim de violetas . Houve um longo silêncio quando ele se calou . - Isso cheira me a esturro - disse , por fim , o Fred . - Definitivamente misterioso - concordou George . - Então ele nem te disse quem está supostamente por detrás dessa trama toda ? - Acho que não podia - explicou Harry . - Já te disse , de cada_vez que estava quase a deixar escapar qualquer coisa , começava a bater com a cabeça em a parede . Viu Fred e George olharem um para o outro . - O quê ? Acham que ele estava a mentir me ? - perguntou Harry . - Bem - começou o Fred -- , coloquemos as coisas de o seguinte modo , os elfos de casa têm poderes mágicos próprios , mas geralmente não podem usá os sem a autorização de os seus donos . Eu acho que o bom de o Dobby foi enviado para evitar que voltasses para Hogwarts . Uma ideia de um engraçadinho . Haverá alguém em a escola com má vontade contra ti ? - Sim - responderam Harry e Ron , precisamente ao_mesmo_tempo . - Draco_Malfoy - explicou Harry . - Ele detesta me . - Draco_Malfoy ? - perguntou George , voltando se para trás . - O filho de o Lucius_Malfoy ? - Deve ser . Não é um nome muito vulgar , pois não ? - disse Harry . - Mas porquê ? - Ouvi o pai falar acerca de ele - confidenciou George . - Ele era um grande apoiante de o « Quem nós sabemos » . - E quando o « Quem nós sabemos » desapareceu - continuou o Fred , voltando a cara para olhar para Harry - o Lucius_Malfoy voltou , dizendo que não foi por vontade própria que fez o que fez . Monte de lixo . O pai acha que ele fazia parte de um círculo de amigos íntimos de o « Quem nós sabemos » . Harry já tinha ouvido esses boatos sobre a família de Malfoy e não o surpreenderam em absoluto . Malfoy fizera Dudley_Dursley parecer um rapazinho simpático , amável e sensível . - Não sei se os Malfoy têm um elfo de casa ... - afirmou Harry . - Bem , quem quer que o possua é sem dúvida uma antiga família de feiticeiros e deve ser rica - explicou Fred . - Sim . A mãe está sempre a desejar que pudéssemos ter um elfo de casa para passar a roupa a ferro - disse o George . - Mas só temos um velho vampiro piolhoso em o sótão e gnomos espalhados por o jardim . Os elfos de casa pertencem a as grandes casas senhoriais , a os castelos e lugares assim , não encontrarias um em a nossa casa ... Harry estava calado . Considerando que Draco_Malfoy tinha sempre as melhores coisas , que a sua família nadava em ouro de feiticeiros , era fácil imaginá o passeando se por uma enorme casa senhorial . Mandar o servo de a família evitar que Harry voltasse para Hogwarts também parecia exactamente o tipo de coisa que Malfoy poderia fazer . Teria Harry sido estúpido a o tomar Dobby a sério ? - De qualquer modo , ainda_bem que viemos buscar te - declarou Ron . - Eu começava a ficar seriamente preocupado por não responderes a nenhuma de as minhas cartas . A princípio pensei que a culpa fosse de a Errol ... - Quem é a Errol ? - A nossa coruja . Já é velhota . Não seria a primeira vez que adoecia durante uma entrega . Por isso , tentei pedir a Hermes emprestada ... - Quem ? - A coruja que os meus pais compraram a o Percy quando ele foi nomeado prefeito - respondeu Fred . - Mas o Percy não me a emprestou . Disse que precisava de ela . - O Percy tem andado com atitudes muito estranhas este Verão - comentou George franzindo a testa . - E tem mandado imensas cartas e passado um tempo infinito fechado em o quarto ... enfim , pode limpar se e polir um distintivo de prefeito todas_as vezes que se quiser ... Estás a conduzir demasiado para ocidente , Fred - acrescentou apontando para uma bússola em o painel de o automóvel . Fred girou o volante . - Então , o vosso pai sabe que têm o carro ? - perguntou Harry , quase adivinhando a resposta . - Er ... não - disse o Ron . - Ele tinha trabalho esta noite . Felizmente vamos poder pô o de_novo em a garagem , sem a mãe perceber que andámos a voar nele . - A propósito , o que faz o vosso pai em o Ministério_da_Magia ? - Trabalha em o Departamento mais chato - respondeu Ron . - A Divisão de utilização incorrecta de artefactos de os Muggles . - O quê ? - Relaciona se com objectos de feitiçaria que foram feitos por os Muggles ; sabes como é , se forem parar de_novo a uma loja de os Muggles , ou a uma casa , como em o ano passado , quando morreu uma bruxa velha e o bule de ela foi vendido a uma loja de antiguidades . Uma mulher Muggle comprou o , tentou servir chá a os amigos . Foi um pesadelo , o pai teve de fazer horas extraordinárias durante semanas . - O que é_que aconteceu ? - O bule parecia louco , esguichou chá a ferver para todos os lados e um de os homens foi parar a o hospital com a pinça de o açúcar presa em o nariz . O pai ficou nervosíssimo . É só ele e o velho feiticeiro Perkings em o gabinete e tiveram de localizar e descobrir todo o tipo de encantamentos para resolver o assunto . - Mas o teu pai ... este carro ... Fred riu se . - Sim , o pai é louco por tudo_o_que tem que ver com os Muggles . A nossa arrecadação está cheia de coisas de os Muggles . Ele separa as , lança lhes feitiços e volta a pô as em o lugar . Se ele fizesse uma busca a nossa casa teria de se prender a si mesmo . A minha mãe fica louca com tudo aquilo . - É a estrada principal - gritou o George , apontando para baixo através de a janela . - Dentro_de poucos minutos estamos lá , mesmo a tempo , está a começar a clarear . Um leve brilho rosado tingia o horizonte para leste . Fred trouxe o carro para baixo e Harry pôde ver uma manta de retalhos de campos escuros e matas de arbustos . - Estamos um_pouco longe de a vila - disse George . - Em Ottery_St . Catchpole ... O carro voador foi descendo a os poucos . A luz avermelhada brilhava agora por_entre as árvores . - Terra - disse o Fred , em o momento em que tocaram em o chão com um ligeiro solavanco . Tinham aterrado perto_de uma garagem em ruínas em um pequeno pátio e Harry viu pela_primeira_vez a casa de o Ron . Parecia ter sido em tempos uma pocilga de pedra . Mas os quartos que posteriormente lhe tinham sido acrescentados haviam a tornado bastante mais alta e o seu aspecto era tão curvado que parecia ter sido construída por artes mágicas ( o que , pensou Harry , era , muito provavelmente , verdade ) . De o telhado vermelho saíam quatro ou cinco chaminés . Junto de a entrada , fixa em o chão , podia ver se uma inscrição assimétrica que dizia « A toca » . A o lado de a porta principal estava uma contusão de botas de * _ Wellington * e um caldeirão completamente enferrujado . Por o pátio passeavam se várias galinhas castanhas e gordas . - Não é grande coisa - desculpou se o Ron . - É óptima - exclamou Harry , feliz , pensando em Privet_Drive . Saíram de o carro . - Agora vamos lá para_cima sem fazer barulho - disse o Fred . - E esperamos que a mãe nos chame para o pequeno-almoço . Depois tu , Ron , desces a escada entusiasmadíssimo . - Mãe , olha quem apareceu cá durante a noite ! - E ela vai sentir se felicíssima quando vir o Harry . Assim ninguém fica a saber que levámos o carro voador . - Certo - disse o Ron . - Vamos , Harry , eu durmo em o ... Ron ganhou uma cor de um pálido esverdeado , os olhos fixos em a casa . Os outros três fizeram meia volta . Mrs._Weasley avançava por o pátio , afugentando as galinhas e , para uma mulher baixa , roliça e simpática , era fantástico como conseguia parecer se com um tigre dentes-de-sabre . - Ah ! - suspirou o Fred . - Oh , oh ! - exclamou o George . Mrs._Weasley parou em frente de eles . As mãos em as ancas , saltando de um olhar culpado para o outro . Usava um avental a as flores , com uma varinha a sair lhe de o bolso . - Com que então - disse . - Bom dia , mãe - arriscou o George com uma voz que tentou que fosse alegre e bem-disposta . - Vocês têm alguma ideia de como tenho estado preocupada ? - perguntou Mrs._Weasley em um murmúrio fraco . - Desculpe , mãe , mas sabe , nós tivemos que ... Os três filhos de Mrs._Weasley eram mais altos do_que ela , mas tremiam quando a fúria de a mãe se abatia sobre eles . - Camas vazias ! Nem um bilhete ! O carro desaparecido ... Podiam ter tido um acidente , estou fora de mim com tanta preocupação e vocês nem se importam ... nunca , enquanto eu for viva ... esperem só até o vosso pai chegar , nunca tivemos problemas de estes com o Bill , com o Charlie ou com o Percy ... - O perfeito Percy - resmungou Fred . - : __ tu não vales um dedo de a mão de o __ percy ! - gritou Mrs._Weasley , espetando um dedo em o queixo de o Fred . - Podias ter morrido , podias ter sido visto , podias ter feito com que o teu pai perdesse o emprego ... Parecia nunca mais acabar . Mrs._Weasley tinha gritado até ficar ronca , antes de se voltar para o Harry , que recuou . - Estou muito contente por te ver , Harry - disse . - Entra e vem tomar o pequeno-almoço . Ela voltou se e regressou a casa e Harry , depois de trocar um olhar nervoso com o Ron , que lhe acenou , encorajando o , seguiu a . A cozinha era pequena e bastante estreita . A meio havia uma enfezada mesa de madeira e cadeiras em volta e Harry sentou se a a beirinha de o assento , olhando em volta . Era a primeira vez que entrava em uma casa de feiticeiros . O relógio em a parede em frente de ele , tinha apenas um ponteiro e nenhum número . Em volta , estavam escritas frases como « Hora de fazer o chá » , « Hora de dar de comer a as galinhas « e « Estás atrasado » . Empilhados em o rebordo de a lareira estavam livros com títulos como * _ Encanta o teu próprio queijo , Encantamento em a cozedura de o pão e Banquetes em um minuto - é mágico * ! E , a menos que os ouvidos de Harry estivessem a traí o , o velho rádio próximo de o lava-loiças acabara de anunciar que a seguir vinha a Hora de enfeitiçar com a popular feiticeira-cantora Celestina_Warbeck . Mrs._Weasley fazia barulho com os talheres , preparando o pequeno-almoço um bocado a o acaso , lançando olhares furiosos a os filhos , enquanto lançava as salsichas em a frigideira . De vez em quando murmurava coisas como : « Não sei o que vos passou por a cabeça « ou « nunca devia ter confiado em vocês » . - Eu não te culpo , filho - tranquilizou Harry , pondo lhe sete ou oito salsichas em o prato . - Eu e o Arthur temos estado preocupados contigo . Ainda ontem a a noite estivemos a dizer que te iríamos buscar nós próprios se não respondesses a o Ron até sexta-feira . Mas , em a verdade ( estava agora a acrescentar três ovos estrelados a o prato de ele ) , atravessar metade de o país a voar em um carro ilegal , qualquer um vos poderia ter visto ... Agitou maquinalmente a varinha em a direcção de o lava-loiças , onde a loiça começou a lavar se sozinha , tinindo baixinho lá atrás . - Estava enevoado , mãe ! - exclamou o Fred . - Boca fechada enquanto comes ! - interrompeu Mrs._Weasley . - Eles estavam a fazê o passar fome , mãe ! - disse o George . - E tu também ! - disse Mrs._Weasley , mas já foi com uma expressão mais doce que começou a cortar o pão para Harry e a barrá o com manteiga . Em esse momento , as atenções voltaram se para um pequenino volto de cabelos ruivos , em uma camisa de dormir até a os pés , que surgiu em a cozinha , deu um grito agudo e desapareceu de_novo . - É a Ginny - disse Ron baixinho a o Harry -- , a minha irmã . Tem falado de ti todo o Verão . - Sim , ela vai querer o teu autógrafo , Harry - riu se o Fred , mas o seu olhar cruzou se com o de a mãe e inclinou se para o prato , não voltando a abrir a boca . Ninguém falou até os quatro pratos estarem limpos , o que sucedeu a uma velocidade surpreendente . - Bolas , estou cansado - bocejou Fred , pousando a faca e o garfo . Acho que me vou deitar e ... - Não vais , não senhor - interrompeu Mrs._Weasley . - A culpa é tua se ficaste toda_a noite acordado . Vais fazer a des-gnomização de o jardim . Eles estão outra_vez a exagerar . - Oh , mãe ... - E vocês os dois o mesmo - dirigiu se a o Ron e a o Fred . - Tu podes ir para a cama , filho - disse a Harry . - Não lhes pediste que guiassem aquele carro miserável . Mas Harry , que se sentia acordadíssimo , respondeu prontamente : - Eu ajudo o Ron , nunca vi uma des-gnomização ... - É muito simpático de a tua parte , querido , mas é um trabalho chato - explicou Mrs._Weasley . - Vejamos o que o Lockhart tem a dizer acerca disto . E puxou de o rebordo de a lareira um livro pesadíssimo . George resmungou : - Mãe , nós sabemos * des-gnomizar * o jardim . Harry olhou para a capa de o livro de Mrs._Weasley . Em grandes letras douradas , que ocupavam grande parte de a capa , podia ler se Guia_de_Gilderoy_Lockhart para pragas caseiras . Via se também a grande fotografia de um feiticeiro bem-parecido , de cabelos loiros ondulados e olhos azuis brilhantes . Como sempre , em o mundo de os feiticeiros , a fotografia mexia se . O feiticeiro , que Harry calculou ser Gilderoy_Lockhart , não parava de lhes piscar os olhos descaradamente . Mrs._Weasley sorriu lhe . - Oh , ele é fantástico - disse . - Conhece bem as pragas caseiras . É um livro maravilhoso . - A mãe adora o - disse Fred em um murmúrio bastante audível . - Não sejas ridículo , Fred - repreendeu Mrs._Weasley com as bochechas coradas . - É claro que se achas que sabes mais do_que o Lockhart , podes ir fazer o trabalho e ai de ti se houver um único gnomo em o jardim quando eu for fazer a inspecção . A bocejar e a resmungar , os Weasley arrastaram se lá para fora com Harry atrás de eles . O jardim era grande e , em a opinião de Harry , exactamente como deveria ser um jardim . Os Dursleys não teriam gostado . Havia uma enorme quantidade de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada , mas havia árvores nodosas em volta de as paredes , plantas que Harry nunca vira , tombando de todos os canteiros e um grande lago verde cheio de rãs . - Os Muggles também têm gnomos de jardim , sabes - disse o Harry a o Ron , enquanto atravessavam a relva . - Sim , já vi essas coisas que eles pensam que são gnomos - disse o Ron todo dobrado , com a cabeça em uma moita de peónias . - Como os Pais_Natais gordinhos com canas de pesca ... Houve um tumulto ruidoso , a moita de peónias estremeceu e Ron endireitou se . - Isto_é um gnomo - declarou com um ar sério . - Larga eu ! Larga eu ! - guinchou o gnomo . Não se parecia em absoluto com o Pai_Natal . Era pequenino e parecia de couro , com uma grande cabeça protuberante e calva , precisamente como uma batata . Ron agarrou o a a distância de um braço , enquanto ele dava pontapés em o ar com os seus pézinhos que pareciam chifres . Agarrou o por os tornozelos e voltou o de pernas para o ar . - Isto_é o que tens de fazer - disse . Levantou o gnomo acima de a cabeça ( Larga eu ! ) e começou a balouçá o em grandes círculos , como os vaqueiros fazem com os laços . A o ver a expressão chocada de Harry , Ron explicou : - Não os mágoa . Só tens de os deixar bem tontos para que consigam encontrar o caminho de regresso a os buracos de os gnomos . Largou os tornozelos de o gnomo . Ele voou seiscentos metros e aterrou com um ruído surdo em o campo a o lado de a sebe . - Deplorável - afirmou o Fred . - Aposto que consigo lançar o meu para_além de aquele tronco . Harry aprendeu rapidamente a não sentir muita pena de os gnomos . Decidira largar o primeiro que apanhou para_além de a sebe , mas o gnomo , sentindo fraqueza , enfiou os seus dentinhos , aguçados como laminas , em o dedo de o Harry e não foi fácil sacudi o para ele o largar , até que ... - Uau , Harry , esse deve ter sido seiscentos metros ... O ar estava subitamente cheio de gnomos voadores . - Vês , eles não são muito espertos - afirmou o George , agarrando cinco ou seis de uma_vez . - Em o momento em que se apercebem que começou a * des-gnomização * , aparecem todos para espreitar . Era de esperar que já tivessem aprendido a ficar quietinhos . Rapidamente a multidão de gnomos começou a ir se embora , atravessando os campos em uma fila ordenada , com os pequeninos ombros arqueados . - Eles voltam - disse o Ron enquanto os via desaparecer em a sebe de o outro lado de o campo . - Eles adoram estar aqui ... o pai é muito mole com eles , acha lhes piada . Em esse momento , a porta de a frente bateu . - Ele já voltou ! - exclamou o George . - O pai já está em casa ! Apressaram se a entrar . Mr._Weasley tinha se afundado em uma de as cadeiras de a cozinha , sem óculos e com os olhos fechados . Era um homem magro , quase calvo , mas o pouco cabelo que tinha era tão ruivo como o de os filhos . Vestia um longo manto verde cheio de pó e estava cansado de a viagem . - Que noite - murmurou , tacteando em busca de o bule , enquanto todos se sentavam a a volta de ele . - Nove assaltos , nove ! E o velho Mundungs_Fletcher tentou lançar me um feitiço quando eu estava de costas . Mr._Weasley tomou um bom gole de chá e suspirou . - Encontrou alguma coisa , pai ? - perguntou Fred ansiosamente . - Só encontrei algumas chaves encolhidas e uma chaleira que mordia - bocejou Mr._Weasley . - Havia um material bastante mauzinho , mas não era de o meu departamento . O Mortlake foi levado para ser interrogado sobre uns furões extremamente antigos , mas isso pertence a a Comissão_dos_Feitiços_Experimentais , graças_a Deus . - Por_que é_que alguém ia dar se a o trabalho de fazer encolher chaves ? - perguntou George . - Para chatear os Muggles - suspirou Mr._Weasley . - Vende se lhes uma chave que não pára de encolher , até que desaparece , de_modo_a que nunca a encontrem quando precisam ... É claro que é muito difícil condenar alguém , porque nenhum Muggle é capaz de admitir que a sua chave está a encolher , insistem em que estão sempre a perdê a . Benditos sejam , vão até onde for preciso para ignorar a magia , mesmo_que ela esteja em frente de os seus narizes ... mas vocês não acreditariam em as coisas que o nosso grupo tem levado para enfeitiçar ... - : __ como carros , por __ exemplo ? Mrs._Weasley tinha aparecido , segurando um grande atiçador que parecia uma espada . Os olhos de Mr._Weasley abriram se de repente , fitando a mulher com um ar culpado . - C-carros , Molly querida ? - Sim , Artur , carros - afirmou Mrs._Weasley , os olhos a faiscar . - Imagina um feiticeiro a comprar um carro velho e enferrujado e dizer a a mulher que a única coisa que queria fazer com ele era desmontá o para ver como ele funcionava , enquanto em a verdade estava a enfeitiçá o para o fazer voar . Mr._Weasley piscou os olhos . - Bem , querida , acho que poderás constatar que não é ilegal fazer isso , embora , er , talvez ele devesse ter contado a verdade a a mulher ... Existe uma forma de tornear a lei , já_que ela diz que ... desde_que não se tenha a * intenção * de voar em o carro , o facto de ele poder voar , não ... - Arthur_Weasley tu arranjaste essa forma de tornear a lei quando a escreveste ! - gritou Mrs._Weasley . - Para poderes continuar a remexer em todo aquele lixo de os Muggles que tens em a arrecadação ! E , para tua informação , o Harry chegou hoje_de_manhã em o carro que tu não pretendias pôr a voar ! - Harry ? - perguntou Mr._Weasley sem expressão . - Qual Harry ? Olhou em volta , viu Harry e deu um salto . - Santo_Deus , é Harry_Potter ? Muito prazer , o Ron falou nos tanto de si ... - * _ O teu filho conduziu aquele carro até a a casa de o Harry e de volta até aqui em a noite passada ! * - gritou Mrs._Weasley . - O que tens a dizer a esse respeito ? - A sério ! ? - exclamou Mr._Weasley com vivacidade . - Correu tudo bem , quero dizer ... - vacilou a o ver os olhos de Mrs._Weasley que faiscavam . - Er , fizeram mal , rapazes , muito mal , mesmo ... - Vamos deixá os a os dois - murmurou o Ron , enquanto Mrs._Weasley inchava como um sapo gigantesco . - Vamos , vou mostrar te o meu quarto . Esgueiraram se de a cozinha e desceram uma passagem estreita que dava para uma escada desnivelada que ziguezagueava a o longo de a casa . Em o terceiro andar , estava uma porta entreaberta . Harry só teve tempo de ver um par de olhos castanhos brilhantes que o olhavam fixamente , antes de a porta se fechar com um estalido . - A Ginny - disse o Ron . - Não imaginas como é estranho vês a tão tímida , ela que quase nunca se cala ... Subiram mais dois andares , até chegarem a uma porta com a tinta a descascar e uma pequena placa dizendo : « Quarto_do_Ronald » . Harry entrou . A cabeça quase tocava em o tecto inclinado . Piscou os olhos . Era como entrar dentro_de uma fornalha : quase tudo em o quarto de o Ron tinha um violento matiz alaranjado : a colcha de a cama , as paredes , até o tecto . Em seguida , apercebeu se de que o Ron tinha coberto cada centímetro de o velho papel de parede com * posters * de as mesmas sete feiticeiras e feiticeiros , todos vestidos com brilhantes mantos cor de laranja , transportando vassouras e acenando entusiasticamente . - A tua equipa de Quidditch ? - perguntou Harry . - Os Chudley_Cannons - disse Ron , apontando para a colcha cor de laranja que tinha um brasão com dois C's gigantes e uma bala de canhão a_toda_a velocidade . - Nono em a Liga . Os livros de estudo de feitiços de Ron estavam empilhados desordenadamente a um canto , junto de um monte de B. _ D. , todas elas relativas a as * _ Aventuras_de_Martin_Miggs , o Muggle louco * . A varinha mágica de o Ron estava em_cima_de um aquário cheio de ovos de rã sobre o peitoril de a janela , junto de o seu rato gordo e cinzento , Scabbers , que dormia uma soneca a o sol . Harry passou por_cima_de um baralho de cartas de jogar com vontade própria , que estava caído em o chão , e olhou para fora de a janelinha . Em o campo , não muito longe , podia ver um grupo de gnomos a esgueirarem se , um a um , de_novo para a sebe de os Weasley . Em seguida , voltou se para Ron que o observava nervoso , como_se esperasse a opinião de ele . - É um_pouco pequeno - declarou o Ron muito depressa . - Não se parece nada com o quarto que tu tinhas em casa de os Muggles . E estou mesmo debaixo de o vampiro de o sótão . Ele anda sempre a bater nos canos e a gemer ... Mas Harry , com um grande sorriso , disse lhe : - Esta é a melhor casa em que eu já estive . As orelhas de Ron ficaram cor-de-rosa . IV_Na_Flourish and Blotts_A vida em a Toca era o mais diferente que é possível de a vida em Privet_Drive . Os Dursleys gostavam de tudo limpo e arrumado , em casa de os Weasleys explodia o estranho e o inesperado . Harry teve um choque de a primeira vez que olhou para o espelho que estava sobre a lareira de a cozinha e ele gritou : - Mete para dentro a camisa , * desmazelado ! * - O vampiro de o sótão gemia e batia nos canos , sempre_que sentia as coisas demasiado calmas e as pequenas explosões em o quarto de o Fred e de o George , eram consideradas perfeitamente normais . Mas o que o Harry achou mais bizarro em a vida em casa de o Ron , não foi o espelho que falava , nem o vampiro barulhento , foi o facto de todos ali em casa parecerem gostar de ele . Mrs._Weasley preocupava se com o estado de as suas meias e tentava obrigá o a servir se quatro vezes a cada refeição . Mr._Weasley gostava que Harry se sentasse a o lado de ele a a mesa para poder bombardeá o com perguntas sobre a vida com os Muggles , pedindo que lhe explicasse como funcionavam coisas como as canalizações e o serviço de os correios . - Fascinante ! - exclamava , enquanto Harry lhe explicava a utilização de o telefone . - Engenhoso , de facto , todas_as maneiras que os Muggles encontraram para passar sem a magia . Harry teve notícias de Hogwarts em uma manhã de sol , cerca de uma semana depois de ter chegado a a Toca . Quando , ele e o Ron desceram para tomar o pequeno-almoço , encontraram Mr. e Mrs._Weasley e Ginny já sentados a a mesa . Em o momento em que viu o Harry , Ginny entornou a tigela de os cereais , que caiu a o chão com grande espalhafato . Ginny entornava facilmente coisas sempre_que o Harry estava em a sala . Mergulhou debaixo de a mesa para apanhar a tigela e emergiu com o rosto a brilhar como o sol poente . Fingindo não ter dado por nada , Harry sentou se e aceitou a torrada que Mrs._Weasley lhe ofereceu . - Cartas de a escola - disse Mr._Weasley , passando a o Harry e a o Ron envelopes idênticos de pergaminho amarelado , com a morada escrita a tinta verde . - O Dumbledore já sabe que estás aqui , Harry , não perde nada aquele homem . Vocês os dois também - acrescentou , enquanto Fred e George deambulavam em a casa , ainda em pijama . Fez se silêncio durante alguns momentos , enquanto liam as respectivas cartas . A de o Harry dizia para apanhar o Expresso_de_Hogwarts , como sempre em a Estação_de_King's_Cross , em o dia_1_de_Setembro . Havia ainda uma lista de os livros que precisaria para o próximo ano . Os alunos de o segundo ano deverão ter : * _ O_Livro_Padrão_de_Feitiços , Grau 2 , por Miranda_Goshawk . * _ Ensinamentos_de_Uma_Fada_Carpideira , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Férias com Bruxas , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Duendes , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Lobisomens , por Gilderoy_Lockhart . * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves , por Gilderoy_Lockhart * . Fred , que terminara a sua própria lista , espreitou para a de o Harry . - Também te mandam comprar os livros de o Lockhart - disse . - A professora de defesa contra as artes negras deve ser fanática . Aposto que é uma bruxa . Nessa_altura , Fred percebeu o olhar de a mãe e apressou se a comer o doce de laranja . - Esse conjunto não vai ficar barato - disse George , olhando rapidamente para os pais . - Os livros de o Lockhart são de os mais dispendiosos ... - Cá nos havemos de arranjar - declarou Mrs._Weasley , mas parecia preocupada . - Espero que pelo_menos para a Ginny possamos arranjar uma data de coisas em segunda mão . - Ah , vais entrar este ano para Hogwarts ? - perguntou lhe Harry . Ela fez um aceno , corando até a a raiz de os cabelos ruivos e meteu o cotovelo em o pires de a manteiga . Felizmente ninguém deu por nada , a não ser o Harry , porque em esse momento o irmão mais velho de Ron , o Percy , entrou . Já estava vestido , com a placa de prefeito aplicada a a sua camisola de malha . - Bom dia a todos - disse , cheio de vivacidade . - Está um dia lindo . Puxou a única cadeira livre , mas deu um salto quando ia sentar se e , debaixo de ele , saltou um espanador cinzento de penas , pelo_menos , foi o que o Harry pensou até ver que ele respirava . - Errol ! - exclamou Ron , afastando a coruja de o Percy e retirando lhe debaixo de a asa uma carta . - Até que enfim , a resposta de a Hermione . Escrevi lhe a contar que íamos tentar raptar te de casa de os Dursleys . Levou Errol para um poleiro que havia junto a a porta de as traseiras e tentou colocá a lá em cima , mas Errol caiu redonda e Ron teve de a pôr em a pia , murmurando : - Patético . - Em seguida , abriu a carta de a Hermione e leu a em voz alta . * _ Querido_Ron e Harry , se aí estiveres . Espero que tudo tenha corrido bem , que o Harry esteja O. _ K. e que não tenham feito nada ilegal para conseguir trazes o , porque isso podia criar lhe problemas também a ele . Tenho estado muito preocupada e , se o Harry estiver bem , por favor digam me qualquer coisa rapidamente , mas talvez seja melhor usarem uma nova coruja , porque acho que outra entrega pode acabar como esta . * _ Estou muito atarefada com trabalho de a escola , claro * . - Como é possível ? - perguntou Ron , horrorizado . - Estamos em férias ! - * _ E vamos para Londres em a próxima quarta-feira para comprar os meus livros novos . Porque não nos encontramos em a Diagon-al ? * _ Dêem-me notícias vossas o mais depressa possível . * _ Carinhosamente_Hermione * - Bem , parece uma boa solução , podemos ir todos comprar as vossas coisas - disse Mrs._Weasley , começando a limpar a mesa . - O que vão fazer hoje ? Harry , Ron , Fred e George tinham planeado ir a o cimo de o monte a um pequeno cercado de cavalos que os Weasleys possuíam . Estava rodeado de árvores que lhe tapavam a vista de a cidade cá em baixo , o que quer_dizer que podiam praticar Quidditch , desde_que não voassem muito alto . Não podiam usar as verdadeiras bolas de Quidditch pois seria muito difícil explicar se elas escapassem e voassem sobre a cidade . Em vez de elas , lançavam maçãs para os outros apanharem . Faziam turnos para montar a Nimbus dois_mil , que era de longe a melhor vassoura . A velha Shooting_Star_de_Ron fora muitas_vezes ultrapassada por as borboletas que passavam . Cinco minutos mais tarde estavam a marchar por o monte acima , de vassouras a o ombro . Tinham perguntado a o Percy se ele queria juntar se a eles , mas ele alegara muito trabalho . Até esse dia , Harry só tinha visto Percy a a hora de as refeições , ele ficava em silêncio em o quarto o resto de o tempo . - Gostava de saber o que ele anda a fazer - afirmou Fred , de testa franzida . - Não parece o mesmo . O resultado de os exames veio um dia antes de tu chegares : doze N_F_V e ele nem se manifestou satisfeito . - Níveis_de_Feitiçaria_Vulgares - explicou o George , vendo o olhar atarantado de Harry . - Se não temos cuidado , ainda nos calha outro Chefe_de_Turma em a família . Acho que não suportaria a vergonha . Bill era o mais velho de os irmãos Weasley . Ele e o irmão a seguir , Charlie , já tinham saído de Hogwarts . Harry não conhecia nenhum de os dois , mas sabia que o Charlie estava em a Roménia a estudar dragões e o Bill em o Egipto a trabalhar em o banco de os feiticeiros : Gringotts . - Não sei como o pai e a mãe vão arranjar dinheiro para nos pagar o material escolar este ano - disse o George , passado um bocado . - Cinco conjuntos de livros de o Lockhart ! E a Ginny precisa de mantos e de uma varinha e tudo_isso ... Harry não disse nada . Sentiu se um_pouco incomodado . Fechada em um cofre subterrâneo , em o banco de Gringotts_de_Londres , estava uma pequena fortuna que os pais lhe tinham deixado . É claro que só tinha esse dinheiro em o mundo de os feiticeiros , não se podem usar Galeões , Leões e Janotas em as lojas de os Muggles . Ele nunca fizera referência a a sua conta bancária em Gringotts a os Dursleys . Não lhe parecia que o horror que eles sentiam por tudo_o_que se relacionava com a feitiçaria se estendesse a uma enorme pilha de barras de ouro . Mrs._Weasley acordou os a todos bem cedo , em a quarta-feira seguinte . Depois de comerem umas doze sanduíches de * bacon * cada_um , enfiaram os casacos e Mrs._Weasley tirou um vaso de a prateleira de o fogão de a cozinha e espreitou lá para dentro . - Está a acabar se , Arthur - suspirou . - Temos de comprar mais hoje ... Bem , os hóspedes primeiro . Passa , Harry querido ! E ofereceu lhe o vaso de flores . Harry olhou espantado enquanto todos eles o observavam . - O q-que é_que eu devo fazer ? - gaguejou . - Ele nunca viajou com o pó de Floo - disse o Ron subitamente . - Desculpa , Harry , esqueci me . - Nunca ? - perguntou Mrs._Weasley . - Mas então como chegaste a a Diagon - _ Al em o ano passado para comprar as tuas coisas ? -- Fui por o subterrâneo . - A sério ? - disse Mr._Weasley , entusiasmado . - Havia fugitivos ? Como é_que ... - Agora não , Arthur - disse Mrs . Weasley . - O pó de Floo é muito mais rápido , querido , mas , valha me Deus , se ele nunca o usou ... - Vai correr bem , mãe - disse o Fred . - Harry observa nos primeiro . Tirou uma pitada de pó brilhante de dentro de o vaso , aproximou se de o lume e lançou o pó em as chamas . Com um rugido , o fogo ficou verde-esmeralda e elevou se a uma altura superior a a de o Fred que avançou , gritando Diagon - _ Al ! E desapareceu . - Tens de falar claramente , filho - disse Mrs._Weasley a o Harry , ao_mesmo_tempo que George metia a mão em o vaso de as flores . - E vê se sais em o fogão certo . - Em o quê ? - perguntou Harry , nervoso , enquanto o lume crepitava e fazia George desaparecer também . - Bem , há imensos fogos de feiticeiros , mas desde_que te tenhas expressado claramente ... - Ele vai conseguir , Molly , não te preocupes - disse Mr._Weasley , tirando também ele algum pó . - Mas querido se ele se perde como é_que vamos justificar nos perante o tio e a tia de ele ... -- Eles não se importariam - tranquilizou a Harry . - O Dudley ia achar imensa piada se eu me perdesse em uma chaminé , não se preocupe . - Bem , em esse caso ... tu vais a seguir a o Arthur - disse Mrs._Weasley . - Logo_que entres em o fogo diz para_onde queres ir . - E mantém os cotovelos dobrados - preveniu o Ron . - E os olhos fechados - disse Mrs._Weasley . - A fuligem . - Não te enerves - disse o Ron . - Senão podes ir parar a a lareira errada . - Não entres em pânico e não queiras sair cedo de mais . Espera até veres o Fred e o George . Fazendo um enorme esforço por reter toda aquela informação , Harry tirou uma pitada de pó de Floo e avançou para a beirinha de o fogo . Respirou fundo , espalhou o pó em as chamas e entrou . O fogo parecia uma brisa quente . Abriu a boca e engoliu , de imediato , uma grande quantidade de cinzas quentes . D-dia-gon-al - tossiu . Sentiu se como_se estivesse a ser sugado para um buraco gigantesco . Como_se girasse muito depressa ... o ruído era ensurdecedor . Tentou manter os olhos abertos mas o turbilhão de chamas verdes fê lo enjoar ... algo duro bateu lhe em o cotovelo e dobrou o de imediato . Continuava a rodar , a rodar ... sentia se agora como_se várias mãos frias estivessem a bater lhe em a cara ... Espreitando através de os óculos , viu uma torrente imprecisa de fogões e captou lampejos de as salas que estavam por detrás ... as sanduíches de * bacon * davam lhe a volta dentro de o estômago ... fechou os olhos desejando que tudo aquilo parasse e então caiu , de cara em o chão , em a pedra fria e sentiu os óculos partirem se a os bocados . Desorientado e ferido , coberto de fuligem , pôs se cautelosamente de pé , levando a os olhos os óculos partidos . Estava completamente só e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava . Tudo_o_que podia dizer era que a o seu lado via uma lareira que lhe parecia ser a de uma enorme e indistinta loja de feitiçaria . Mas nenhum de os artigos que ali se encontravam tinham aspecto de fazer parte de a lista de a escola de Hogwarts . Em uma caixa de vidro podia ver se uma mão atrofiada que repousava sobre uma almofada , um baralho de cartas ensanguentado e um olho de vidro que o olhava fixamente . Máscaras de expressão maldosa enchiam as paredes , olhando de esguelha , uma enorme quantidade de ossos humanos estendia se sobre o balcão e , de o tecto , pendiam instrumentos aguçados com pontas de ferro e pregos enferrujados . Mas o pior é_que a rua estreita e escura , que Harry conseguia avistar através de a janela poeirenta de a loja , não era de modo algum a Diagon-al . Quanto_mais depressa saísse de ali , melhor . O nariz ainda a doer lhe em o sítio onde batera em o chão a o aterrar , Harry avançou rápida e silenciosamente em direcção a a porta , mas antes de conseguir chegar a meio caminho , duas pessoas apareceram de o lado de_fora de o vidro , e uma de elas era a última pessoa que Harry desejaria encontrar em o momento em que se encontrava perdido , coberto de fuligem e com os óculos partidos , Draco_Malfoy . Harry olhou rapidamente em volta e apercebeu se de a existência de um grande armário escuro a a sua esquerda , saltou lá para dentro e fechou as portas , deixando uma gretazinha para poder espreitar . Segundos depois , uma campainha tocava e Malfoy entrava em a loja . O homem que o acompanhava só podia ser o pai . Tinha o mesmo rosto pálido de feições agudas e os mesmos olhos cinzentos de gelo . Mr._Malfoy atravessou a loja , olhando maquinalmente para os artigos expostos e tocou a campainha de o balcão , antes de se voltar para o filho , dizendo : - Não mexas em nada , Draco . Malfoy , que vira o olho de vidro , disse : - Pensei que ias oferecer me um presente . - Eu prometi que ia comprar te uma vassoura de corrida - declarou o pai , tamborilando com os dedos sobre o balcão . - Para que é_que me serve , se não estou em a equipa de Quidditch ? - perguntou Malfoy , carrancudo e de mau humor . - O Harry_Potter teve uma Nimbus dois_mil o ano passado , com a autorização especial de o Dumbledor é para jogar em os Gryffindor . Ele nem é assim tão bom , é só por ser * famoso * ... famoso por ter uma estúpida cicatriz em a testa . Malfoy baixou se para observar uma prateleira cheia de crânios . - Todos acham que ele é tão esperto , o Potter maravilha , com a sua cicatriz e a sua vassoura ... - Já me disseste isso doze vezes pelo_menos - comentou Mr._Malfoy , olhando repressivamente para o filho . - E devo lembrar te que não é prudente parecer menos do_que amigo de Harry_Potter , quando a maior parte de a nossa gente vê em ele um herói que fez desaparecer o Senhor_do_Mal . Ah , Mr._Borgin . Um homem curvado surgiu por detrás de o balcão , puxando o cabelo gorduroso para trás . - Mr._Malfoy , que prazer vês o de_novo - disse Mr._Borgin , em uma voz tão untuosa como o cabelo . - Encantado , e o nosso jovem Malfoy também , encantado . Em que posso servi os ? Tenho que vos mostrar o que chegou hoje , a um preço muito razoável ... - Hoje não venho comprar , Mr._Borgin , e sim vender - afirmou Mr._Malfoy . - Vender ? - O sorriso apagou se lentamente em o rosto de Mr._Borgin . - Certamente ouviu dizer que o Ministério está a levar a cabo mais buscas - explicou o Mr._Malfoy , retirando de o bolso um rolo de pergaminho e desembrulhando o para Mr._Borgin o ler . - Eu tenho alguns , ah , artigos em casa que poderiam criar me problemas se o Ministério me batesse a porta . Mr._Borgin colocou em o nariz um par de * pince-nez * e olhou para a lista . - O Ministério não se lembraria de o incomodar certamente ... O lábio de Mr._Malfoy dobrou se . - Ainda não me fizeram nenhuma visita . O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito , mas o Ministério está a ficar cada_vez_mais intrometido . Há boatos sobre um novo decreto de protecção de os Muggles , sem dúvida que aquele mordido de as pulgas , adorador de os Muggles , que é o Arthur_Weasley deve estar por detrás de isso . Harry sentiu crescer a raiva . - E , como pode ver , alguns de estes venenos podiam dar a ideia ... - Compreendo perfeitamente , claro - disse Mr._Borgin . - Deixe me ver ... - Posso ter aquilo ? - interrompeu Draco , apontando para a mão raquítica que estava sobre a almofada . - Ah , a mão de a glória ! - exclamou Mr._Borgin , abandonando a lista de Mr._Malfoy e apressando se a responder a Draco . - Põe se lhe uma vela e ela só dá luz a quem a transporta ! A melhor amiga de os gatunos e de os salteadores , o seu filho tem gosto , senhor . - Espero que o meu filho venha a ser mais do_que gatuno ou salteador , Borgin - disse Mr._Malfoy friamente e Mr._Borgin respondeu logo : - Sem ofensa , senhor , sem querer ofender . - Embora , se as notas de a escola não melhorarem - disse Mr._Malfoy ainda mais friamente - esse possa vir a ser o único caminho possível para ele . - Não tenho culpa - retorquiu Draco . - Todos os professores têm os seus preferidos , aquela Hermione_Granger ... - Eu , em o teu lugar , teria vergonha que uma rapariga que nem_sequer pertence a famílias de feiticeiros , me passasse a a frente em todos os exames - interrompeu Mr._Malfoy . Ah - fez Harry baixinho , radiante por ver Draco atrapalhado e furioso . - É o mesmo em todo o lado - comentou Mr._Borgin em a sua voz untuosa . - O sangue de os feiticeiros conta cada_vez menos ... - Não para mim - afirmou Mr._Malfoy , com as longas narinas dilatadas . - Não senhor , nem para mim - concordou Mr._Borgin , inclinando se em uma vénia . - Em esse caso , talvez possamos voltar a a minha lista - disse Mr._Malfoy secamente . - Estou com alguma pressa , Borgin , tenho ainda hoje assuntos importantes a tratar em outro lado . Começaram a discutir os preços . Harry via nervosamente o Draco aproximar se de o seu esconderijo enquanto observava os objectos a a venda . Parou para examinar um enorme rolo de corda de carrasco e para ver , com um sorriso afectado , o cartão preso com um aparatoso laço de opalas onde podia ler se : * _ Cautela , não tocar . Amaldiçoado - reclama as vidas de dezanove donos , todos eles Muggles * . Draco voltou se e viu o armário mesmo em frente . Avançou , estendeu a mão para o puxador ... - Feito - disse Mr._Malfoy , a o balcão . - Vamos , Draco . Harry limpou a testa a a manga quando Draco se afastou . - Muito bom dia , Mr._Borgin . Espero por si amanhã em a mansão para ir buscar a mercadoria . Em o momento em que a porta se fechou , Mr._Borgin abandonou os seus modos subservientes . « Bom dia para o senhor , Mr._Malfoy , e , se as histórias que contam são verdadeiras , não me vendeu nem metade do_que tem escondido em a sua mansão ... » Murmurando de forma taciturna , Mr._Borgin desapareceu em uma sala escura . Harry esperou um minuto não fosse ele voltar e , em seguida , o mais silenciosamente possível , escapou se de o armário , passou por as caixas de vidro e saiu de a loja . Encostando os óculos partidos a o rosto , olhou em volta . Saíra em uma rua estreita e sombria que parecia composta exclusivamente de lojas dedicadas a as artes negras . Aquela de onde acabava de sair parecia ser a maior , mas em frente estava uma montra tétrica de cabeças encolhidas e duas portas abaixo podia ver se uma enorme caixa viva cheia de gigantescas aranhas pretas . Dois feiticeiros com aspecto pobre observavam o de a sombra de uma porta , murmurando entre si . Sentindo se nervoso , Harry pôs se a caminho , tentando agarrar os óculos a direito e não desistindo de a esperança de encontrar maneira de sair de ali . Por um cartaz de madeira , pendurado em a rua , indicando uma loja de venda de velas envenenadas , ficou a saber que se encontrava em a Rua * _ Bativolta * , mas isso não o ajudou pois Harry nunca ouvira falar em tal lugar . Calculou que não tinha pronunciado bem as palavras com a boca cheia de cinzas em a lareira de os Weasley . Tentando manter a calma perguntou a si mesmo o que havia de fazer . - Não estás perdido , pois não , meu menino ? - perguntou uma voz , mesmo junto de o seu ouvido , que o fez dar um salto . Uma bruxa idosa estava em a sua frente , segurando um tabuleiro de uma coisa que se parecia horrivelmente com unhas humanas . A mulher olhou o maldosamente , mostrando os dentes esverdeados . Harry recuou . - Estou bem , obrigado - disse . - Estou só ... - HARRY ! O qu'é que pensas que estás a fazer aqui ? O coração de Harry deu um salto , assim_como o de a bruxa . Um monte de unhas caíram lhe sobre os pés e ela praguejou , enquanto o corpo enorme de Hagrid , o guarda de os campos de Hogwarts , se aproximava de eles a passos largos com os olhos castanhos-escuros a faiscarem sobre a longa barba eriçada . - Hagrid - gritou Harry , aliviado . - Eu estava perdido ... o pó de Floo ... Hagrid agarrou Harry por o cachaço e puxou o para longe de a bruxa , tirando lhe o tabuleiro de as mãos . Os guinchos agudos de a feiticeira seguiram nos até a o fundo de a ruela serpenteante que ia dar a um lagar onde brilhava o sol . Harry avistou a a distância um edifício de mármore branco como a neve que lhe era familiar : o banco de Gringotts . Hagrid conduzira o até a a Diagon - _ Al . - ` _ tás em um péssimo estado ! - disse Hagrid bruscamente , sacudindo lhe a fuligem com tanta força que Harry quase caiu em um barril de estrume de dragão que se encontrava a a porta de um boticário . - A fugir , em a Rua * _ Bativolta * , eu não conheço esse lugar finório , Harry , não quero que ninguém te veja aqui em baixo . - Já percebi - disse Harry , baixando se quando Hagrid fez menção de o escovar melhor . - Já te disse que estava perdido . E o que é_que tu fazes aqui ? - ` _ Tou a a procura d'um repelente para as lesmas comedoras de legumes - resmungou Hagrid . - ` _ tão a destruir as couves todas de a escola . Tu não estás sozinho ? - Estou em casa de os Weasley , mas separámo nos explicou Harry . - Tenho que os encontrar . Desceram juntos a rua . - Por_que é_que nunca respondeste a as minhas cartas ? - perguntou Hagrid , enquanto Harry corria para o acompanhar ( tinha de dar três passos por cada enorme passada de Hagrid ) . Harry explicou lhe tudo sobre Dobby e os Dursleys . - Malditos_Muggles - rugiu Hagrid . - S'eu tivesse sabido ... - Harry ! Harry ! Aqui ! Harry olhou para_cima e viu Hermione_Granger em o topo de a escadaria de Gringotts . Desceu para vir a o encontro de ele , o cabelo castanho de caracóis , a esvoaçar atrás de ela . - O que aconteceu a os teus óculos ? Olá_Hagrid ... Oh , é maravilhoso ver vos outra_vez . Vens a Gringotts , Harry ? - Logo_que encontre os Weasley - respondeu ele . - Não vais ter d'esperar muito - riu se Hagrid . Harry e Hermione olharam em volta . Subindo a rua , em o meio de a multidão , vinham Ron , Fred , George , Percy e Mr._Weasley . - Harry - chamou Mr._Weasley , ofegante . - Tínhamos esperança que só tivesses ido um fogão mais longe ... - passou um pano em a sua calva reluzente . - A Molly está nervosíssima , aí vem ela . - Onde é_que tu saíste ? - perguntou o Ron . - Em a Rua * _ Bativolta * - disse o Hagrid , com um ar sério . - Sensacional ! - exclamaram Fred e George ao_mesmo_tempo . - Nunca nos deram autorização para lá ir - disse o Ron com uma pontinha de inveja . - E fizeram muito bem - grunhiu Hagrid . Mrs._Weasley chegou em aquele momento a correr , a mala a balouçar em uma de as mãos e Ginny quase pendurada em a outra . - Oh Harry , oh meu querido , podias ter ido parar a qualquer lugar ... Tentando recuperar o fôlego , tirou de a mala uma grande escova de roupa e começou a retirar a fuligem que Hagrid não conseguira expulsar . Mr._Weasley pegou em os óculos de Harry , deu lhes um toque de varinha e entregou lhe os como novos . - Bem , tenho de m'ir embora - disse Hagrid cuja mão estava a ser esmagada por Mrs._Weasley ( -- Rua * _ Bativolta * ! Se não o tivesses encontrado , Hagrid ! ) . - Vemo nos em Hogwarts . - E afastou se , os ombros e a cabeça acima de a multidão que enchia completamente a rua . - Adivinham quem eu vi em o Borgin and Burkes ? - perguntou Harry_a_Ron e a Hermione enquanto subiam as escadarias de Gringotts . - Malfoy e o pai . - O Lucius_Malfoy comprou alguma coisa ? - perguntou interessado Mr._Weasley que estava atrás de eles . - Não , estava a vender . - Então está preocupado - comentou Mr._Weasley com visível satisfação . - Ah , eu adorava apanhar o Lucius_Malfoy em alguma . . - Tem cuidado , Arthur - interrompeu Mrs._Weasley enquanto o gnomo porteiro lhes dava reverentemente entrada em o banco . - Isso é um problema de família . Não queiras ter mais olhos que barriga . - Queres dizer com isso que achas que eu não chego para o Malfoy ? - perguntou Mr._Weasley , indignado , mas foi rapidamente afastado de aqueles sentimentos a o avistar os pais de Hermione que estavam de pé , nervosamente encostados a o balcão que acompanhava a grande parede de mármore , a a espera que Hermione os apresentasse . - Mas vocês são Muggles ! - disse Mr._Weasley , encantado . - Temos de tomar uma bebida . O que é isso aí ? Ah , estão a trocar dinheiro de Muggle . Molly , olha - apontou cheio de excitação para as notas de dez libras que Mr._Granger tinha em a mão . - Encontramo nos aqui - disse Ron_a_Hermione , enquanto os Weasley e Harry eram conduzidos a os seus cofres em o subterrâneo de Gringotts . Para chegar a os cofres havia que tomar umas carrinhas conduzidas por gnomos que se deslocavam ao_longo_de carris de comboio de pequenas dimensões através de os túneis subterrâneos de o banco . Harry gostou de a viagem acidentada até a o cofre de os Weasley , mas sentiu se bastante mal , pior do_que em a Rua * _ Bativolta * , quando o cobre foi aberto . Havia lá dentro um pequenino monte de Leões de prata e apenas um Galeão de ouro . Mrs._Weasley foi com a mão a a procura em os cantos antes de , com um gesto rápido , varrer tudo para dentro de o saco . Harry sentiu se ainda pior quando chegaram a o seu cofre . Tentou evitar que vissem o conteúdo enquanto empurrava apressadamente mãos cheias de moedas para dentro_de uma sacola de cabedal . Lá fora , em as escadarias de mármore , separaram se . Percy murmurou vagamente que precisava de uma nova pena de escrever . Fred e George tinham avistado um amigo de Hogwarts , Lee_Jordan . Mrs._Weasley e Ginny iam a uma loja de mantos em segunda mão , Mr._Weasley continuava a insistir em levar os Grangers a o Caldeirão_Escoante para lhes pagar uma bebida . - Encontrarmo nos todos em a Flourish and Blotts dentro_de uma hora para comprar os vossos livros de estudo - disse Mrs._Weasley , afastando se com Ginny . - E nem um passo em direcção a a Rua * _ Bativolta * - gritou a os gémeos que estavam de costas . Harry , Ron e Hermione deambularam por a rua empedrada e sinuosa . O ouro , prata e bronze que tilintavam alegremente em o saco que Harry tinha em o bolso pareciam exigir ser gastos , por isso ele comprou três enormes gelados de morango e manteiga de amendoim que eles devoraram felizes enquanto vagueavam sem destino por a rua fora , observando as montras fantásticas de as lojas . Ron olhou longamente para um conjunto completo de mantos de o Chudley_Cannon , em as montras de o « Equipamento_de_Quidditch_de_Qualidade » até Hermione o arrastar de ali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos . Em a « Jogos_de_Feitiçaria_de_Gambol and Japes » encontraram o Fred , o George e o Lee_Jordan que estavam presos em a fabulosa partida debaixo_de chuva e em os fogos-de-artifício de o Dr._Filibuster . E em uma pequenina loja de velharias cheia de varinhas partidas , balanças instáveis de latão e mantos velhos cobertos de nódoas de poções encontraram Percy profundamente concentrado em um pequenino livro , bastante chato , chamado * _ Prefeitos que conquistam o poder * . - * _ Um estudo sobre os prefeitos de Hogwarts e as suas posteriores carreiras * - leu alto o Ron em a contracapa . - Deve ser fascinante ... - Desaparece - gritou Percy . - Claro , ele é muito ambicioso , já tem tudo planeado . Quer ser ministro de a magia - disse o Ron baixinho a o Harry e a a Hermione , enquanto deixavam Percy entregue a o livro . Uma hora mais tarde dirigiram se a a Flourish and Blotts . Não eram de modo algum os únicos a encaminhar se para a livraria . À_medida_que se aproximavam viram com grande surpresa uma grande multidão a a porta , tentando entrar em a loja . O motivo de tal confusão estava anunciado em um cartaz que se estendia a o longo de a montra superior . GILDEROY_LOCKHART_Assinará exemplares de a sua autobiografia " eu , o mágico " Hoje 12.30 - 16.30 - Vamos poder conhecê o ! - gritou Hermione . - Quero dizer , ele escreveu quase todos os livros de a nossa lista ! A multidão parecia ser maioritariamente composta por bruxas de a idade de Mrs._Weasley . Um feiticeiro bem-parecido estava de pé junto de a porta , dizendo : - Calma , minhas senhoras , não empurrem , cuidado com os livros . Harry , Ron e Hermione conseguiram furar e entrar . Uma longa fila serpenteava para as traseiras de a loja onde Gilderoy_Lockhart estava a assinar os seus livros . Cada_um de eles pegou em um exemplar de * _ ensinamentos de Uma Fada_Carpideira * e escaparam se de a fila indo ter a o lugar onde se encontravam os outros com Mr. e Mrs._Granger . - Ah , aí estão vocês . _ óptimo - disse Mrs._Weasley que parecia estar com falta de ar e não parava de mexer em o cabelo . - Vamos poder vês o dentro_de um minuto . Gilderoy_Lockhart veio lentamente até um lugar onde era visível para todos , sentou se a uma mesa , rodeado de grandes fotografias de o próprio rosto , todo ele sorrisos , mostrando a a multidão o brilho cintilante de os seus dentes . Lockhart usava uma túnica azul-noite que condizia a as mil maravilhas com a cor de os olhos , o chapéu pontiagudo de feiticeiro colocado lateralmente sobre o cabelo ondulado . Um homenzinho pequenino e irritante andava a dançar de um lado para o outro , tirando fotografias com uma grande máquina preta que lançava baforadas de fumo arroxeado em cada * flash * . - Sai de o caminho , tu aí - disse rispidamente a o Ron , mudando de lugar para ter um angulo melhor . - Este é para o * _ Profeta_Diário * . - Grande coisa ! - exclamou o Ron , esfregando os pés em o lugar que o fotógrafo pisara . Gilderoy_Lockhart ouviu o . Olhou , viu o Ron e em seguida Harry . Voltou a olhar , desta_vez com mais atenção . Em seguida , pôs se de pé e gritou : - Não pode ser , o Harry_Potter ? A multidão dividiu se entre murmúrios de excitação . Lockhart aproximou se , agarrou Harry por um braço e levou o para a frente . A multidão rebentou em aplausos . A cara de Harry ardia quando Lockhart lhe apertou a mão para o fotógrafo que disparava como um louco , lançando fumo espesso para_cima de os Weasley . - Belo sorriso , Harry - disse Lockhart através de os seus dentes brilhantes . - Tu e eu juntos merecemos a primeira página . Quando por fim lhe largou a mão , Harry quase não sentia os dedos . Tentou recuar para junto de os Weasley , mas Lockhart lançou lhe um braço por os ombros e prendeu o a o seu lado . - Minhas senhoras e meus senhores - disse bem alto , fazendo sinal para que se acalmassem . - Que momento extraordinário este ! O momento perfeito para eu anunciar algo que tenho vindo a guardar comigo desde_há algum tempo . - Quando o jovem Harry entrou em a Flourish and Blotts hoje , ele queria apenas comprar a minha autobiografia , que tenho agora o maior prazer em oferecer lhe - a multidão aplaudiu de_novo . - Ele não tinha ideia - continuou Lockhart , dando a o Harry um pequeno encontrão que fez com que os óculos lhe escorregassem para a ponta de o nariz - de que ia conseguir em_breve muito mais do_que o meu livro Eu , o mágico . Ele e os seus colegas de a escola vão receber , de facto , o verdadeiro * _ Eu , o mágico * . Sim , minhas senhoras e meus senhores , tenho o maior prazer em anunciar que em o mês_de_Setembro assumirei o lugar de professor de Defesa contra as artes negras em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts ! A multidão aplaudiu e bateu palmas e Harry deu consigo a ser presenteado com a obra completa de Gilderoy_Lockhart . Cambaleando ligeiramente sob o peso de os livros conseguiu abrir caminho para longe de os projectores até a a porta de a sala onde estava Ginny com o seu novo caldeirão . - Podes ficar com estes - murmurou Harry , enfiando os livros em o caldeirão . - Eu vou comprar os meus . - Aposto que adoraste aquilo , não adoraste , Potter ? - disse uma voz que Harry não teve qualquer dificuldade em reconhecer . Endireitou se e deu consigo frente_a_frente com Draco_Malfoy que exibia o seu habitual sorriso escarninho . - O famoso Harry_Potter - disse Malfoy . - Nem_sequer pode entrar em uma livraria sem se tornar primeira página . - Deixa o em paz , ele não queria nada de isso - defendeu a Ginny . Era a primeira vez que falava em frente de Harry . Olhava para Malfoy com um ar feroz . - Potter , arranjaste uma namorada ! - disse arrastadamente Malfoy . Ginny ficou vermelha como um pimentão enquanto Ron e Hermione tentavam abrir caminho , ambos carregando montes de livros de Lockhart . -- Ah és tu ? - disse Ron , olhando para Malfoy como_se ele fosse algo desagradável colado a a sola de o sapato . - Aposto que te surpreendeu ver o Harry aqui ? - Não tanto como a ti em uma loja , Weasley - retorquiu Malfoy . - Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo . Ron ficou tão vermelho quanto Ginny . Deixou também cair os livros em o caldeirão e avançou para Malfoy , mas Harry e Hermione agarraram o por as costas de o casaco . - Ron - disse Mrs._Weasley , aproximando se com Fred e George . - O que estás a fazer ? Isto está uma loucura aqui dentro , vamos lá para fora . - Olha quem ele é , Arthur_Weasley . - Era_Mr._Malfoy . Estava de pé com a mão sobre o ombro de Draco , com o mesmo sorriso escarninho . -- Lucius - disse Mr._Weasley , acenando friamente . -- Muito trabalho em o ministério , segundo me consta - disse Mr._Malfoy . - Todas essas buscas ... espero que te estejam a pagar horas extraordinárias . Meteu a mão em o caldeirão de a Ginny e tirou de o meio de os livros de Lockhart um exemplar muito velho e muito gasto de o * _ Guia_de_Transfiguração_para_Principiantes * . - Parece que não - disse . - Que diabo , qual a vantagem de ser uma nódoa entre os feiticeiros se nem_sequer te pagam bem por isso ? Mr._Weasley corou mais ainda do_que Ron ou Ginny . - Nós temos uma opinião diferente sobre quem são as nódoas entre os feiticeiros - disse . - É claro que ... - disse Mr._Malfoy , os olhos mortiços passando para Mr. e Mrs._Granger apreensivamente . - As companhias com quem tu andas ... e eu que pensava que já não conseguias descer mais baixo ... Ouviu se um tilintar de metal quando o caldeirão de a Ginny foi por os ares . Mr._Weasley lançara se sobre Mr._Malfoy atirando o para dentro_de uma estante . Dezenas_de livros de feitiços saltaram lá de cima , caindo lhes sobre as cabeças . Houve um grito de - Chega lhe , pai ! - de o Fred e de o George . Mrs._Weasley soltava gritos agudos : - Não_Arthur , não . A multidão recuava deitando mais prateleiras a o chão . - Meus senhores , por favor - gritava o encarregado , e então , mais alto do_que todos : - Parem com isso , gente , parem com isso . Hagrid aproximava se através_de um mar de livros . Em um segundo afastou Mr._Weasley e Mr._Malfoy . Mr._Weasley tinha um lábio cortado e Mr._Malfoy fora agredido em um olho por uma * _ Enciclopédia_de_Cogumelos_Venenosos * . Tinha ainda em a mão o livro velho de a Ginny sobre transfiguração . Atirou lhe o , com os olhos a brilhar de malvadez . - Toma o teu livro , garota . É o melhor que o teu pai pode oferecer te . Libertando se de Hagrid , conduziu Draco para fora e abandonaram a livraria . - Devias tê o ignorado , Arthur - disse Hagrid quase a pegar em Mr._Weasley a o colo enquanto lhe endireitava o manto . - São podres até a a raiz , todos eles . Tod'à gente sabe . Nenhum Malfoy vale a pena ser ouvido . Não prestam , ' tá-lhes em o sangue . Vá lá , vamos sair de aqui . O encarregado parecia querer impedis os , mas , olhando bem para Hagrid , pensou melhor . Subiram a rua , os Grangers a tremer de medo e Mrs._Weasley fora de si . - Um belo exemplo para as crianças ... andar a a pancada em público . O que terá pensado Gilderoy_Lockhart ? - Ele gostou - disse o Fred . - Não o ouviram quando ia a sair ? Estava a perguntar a aquele tipo de o Profeta_Diário se conseguia incluir a briga em a reportagem , disse que era boa publicidade . Mas foi um grupo deprimido que regressou a a lareira de o Caldeirão_Escoante onde Harry , os Weasley e todas_as suas compras iriam viajar de volta até a a Toca , usando o pó de Floo . Despediram se de os Grangers que iam sair de o * pub * por a rua de os Muggles , de o outro lado . Mr._Weasley começou a perguntar lhes como funcionavam as paragens de autocarros , mas calou se rapidamente a o ver a expressão de Mrs._Weasley . Harry tirou os óculos e guardou os cautelosamente em o bolso antes de utilizar o pó de Floo . Definitivamente não era a sua forma ideal de viajar . V_O salgueiro zurzidor O fim de as férias de Verão chegou demasiado depressa para o gosto de Harry . Ele desejara muito regressar a Hogwarts , mas aquele mês em a Toca tinha sido o mais feliz de toda_a sua vida . Era difícil não invejar o Ron quando pensava em os Dursleys e em as boas-vindas que ia receber de a próxima vez que pusesse os pés em Privet_Drive . Em a última noite , Mrs._Weasley preparou um jantar magnífico , que incluía os pratos favoritos de Harry e terminava com um pudim de melaço de fazer crescer água em a boca . Fred e George alegraram a noite com uma exibição de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que saltaram de o tecto para as paredes , durante pelo_menos meia_hora . Depois , foi a altura de tomarem uma caneca de chocolate quente e irem para a cama . Em a manhã seguinte , demoraram muito_tempo a preparar se . Levantaram se com o cantar de o galo , mas parecia lhes que ainda tinham muito para fazer . Mrs._Weasley andava de um lado para o outro , mal-humorada , a a procura de meias e penas , chocavam uns com os outros em as escadas , meio vestidos , meio despidos , com pedaços de torrada em as mãos e Mr._Weasley quase partiu o nariz quando tropeçou em uma galinha a o atravessar o pátio , para meter em o carro a mala de Ginny . Harry não percebia lá muito bem_como é_que oito pessoas , seis grandes malas , duas corujas e um rato , iam caber em um pequeno * _ Ford_Anglia * , isso , claro , antes de as artes mágicas que Mr._Weasley acrescentara . - Nem uma palavra a a Molly - murmurou ele a o Harry , enquanto abria a bagageira e lhe mostrava como ela se expandira para que as malas coubessem facilmente . Quando , por fim , se acomodaram todos em o carro , Mrs._Weasley olhou para o banco de trás , onde Harry , Ron , Fred , George e Percy estavam confortavelmente sentados uns a o lado de os outros e disse : - Os Muggles têm mais conhecimentos do_que aqueles que nós lhes atribuímos , não achas ? - Ela e a Ginny entraram para o lugar de a frente , que fora esticado e parecia um banco de jardim . - Quer_dizer , de_fora ninguém diria que este carro era espaçoso , não acham ? Mr._Weasley pôs o motor a funcionar e saíram de o pátio , Harry voltando se para trás para ver por a última vez a casa . Mal teve tempo de se questionar se iria voltar alguma vez e já estavam de volta : George esquecera se de a caixa de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Cinco minutos mais tarde tiveram de interromper de_novo a viagem e voltar a o pátio para o Fred ir a correr buscar a vassoura . Estavam quase a chegar a a auto-estrada , quando Ginny guinchou que se esquecera de o diário . Mas estava a fazer se muito tarde e os ânimos começavam a exaltar se . Mr._Weasley olhou para o relógio e , em seguida , para a mulher . - Molly , querida ... - Não , Arthur . - Ninguém ia ver . Este botãozinho é um transformador de invisibilidade que eu instalei , levava nos por o ar , subíamos acima de as nuvens . Estaríamos lá em dez minutos e ninguém daria por nada ... - Eu disse que não , Arthur . Durante o dia , não . Chegaram a King's_Cross , faltava um quarto para as onze . Mr._Weasley precipitou se em busca de um carrinho de transporte para as malas e correram todos para a estação . Harry apanhara o Expresso_de_Hogwarts em o ano anterior . A parte mais difícil era entrar em a plataforma nove_e_três quartos , que não era visível a os olhos de os Muggles . Era preciso avançar para a barreira sólida que dividia as plataformas nove e dez . Não doía nada , mas tinha de ser feito com cuidado para que nenhum de os Muggles de esse , por o desaparecimento . - O Percy em primeiro lugar - declarou Mrs._Weasley , olhando nervosamente para o relógio lá em cima , que mostrava que tinham apenas cinco minutos para desaparecer através de a barreira . Percy avançou a passos largos e desapareceu . Mr._Weasley foi a seguir e depois de ele Fred e George . - Eu levo a Ginny e vocês vêm atrás_de nós - disse Mrs._Weasley a o Harry e a o Ron , agarrando Ginny pela mão e seguindo em frente . Em um abrir e fechar de olhos , tinham passado . - Vamos passar juntos , só temos um minuto - disse Ron a o Harry . Harry assegurou se de que a gaiola de a Hedwig estava bem fixa em cima de a sua mala e empurrou o carrinho de encontro a a barreira . Estava perfeitamente confiante , aquilo era muito mais fácil do_que usar o pó de Floo . Puseram os dois as mãos em o puxador de os carrinhos e avançaram direitos a a barreira , ganhando velocidade . A um metro e pouco , começaram a correr e ... CRASH . Os dois carros bateram em a barreira e foram impelidos para trás . A mala de o Ron caiu com um enorme estrépito . Harry desequilibrou se e a gaiola de a Hedwig foi parar a o chão brilhante , enquanto ela rolava guinchando , indignada . As pessoas em volta olhavam fixamente e um guarda que estava ali perto gritou : - Que diabo pensam vocês que estão a fazer ? - Perdemos o controlo de o carro de transporte - respondeu o Harry , respirando com dificuldade , agarrando se a as costelas , enquanto se punha de pé . Ron correu a agarrar a Hedwig , que estava a fazer uma cena tal , que já se ouviam murmúrios em a multidão sobre a crueldade para com os animais . - Porque é_que não conseguimos passar ? - perguntou Harry a o Ron em um sussurro . - Não sei . Ron olhou descontroladamente em volta . Uma_dúzia de curiosos estavam ainda a observá os . - Vamos perder o comboio - murmurou o Ron . - Não compreendo porque motivo a cancela se fechou . Harry olhou para o relógio gigantesco com um sentimento de náusea em a boca de o estômago . Dez segundos , nove segundos ... Dirigiu o carrinho de transporte para a frente com toda_a força . O metal manteve se sólido . Três segundos ... dois segundos ... um segundo ... - Partiu - afirmou o Ron , que parecia estonteado . - O comboio foi se embora . E se a mãe e o pai não conseguem voltar para aqui ? Tens algum dinheiro de Muggle ? Harry deu uma gargalhada . - Os Dursleys não me dão um tostão há mais de seis anos ! Ron encostou o ouvido a a barreira . - Não se ouve nada - disse , bastante tenso . - O que vamos nós fazer ? Não sei quanto tempo o pai e a mãe vão demorar . Olharam em volta . As pessoas ainda estavam a observá os , principalmente devido a os contínuos guinchos de a Hedwig . - Acho que o melhor é sairmos de aqui e esperamos por eles junto de o carro - disse Harry . - Aqui estamos a atrair demasiado as aten ... - Harry - disse o Ron , com os olhos a brilhar . - É isso , o carro . - O que é_que tem ? - Podemos voar nele até Hogwarts ! - Mas eu pensei ... - Estamos em apuros , certo ? E temos de chegar a a escola , ou não ? E mesmo os feiticeiros menores de idade estão autorizados a usar a magia em uma emergência real , parágrafo dezanove , ou não sei quê , de a Restrição de ... O sentimento de pânico de Harry transformou se em entusiasmo . - E tu sabes voar nele ? - Não há problema - disse o Ron , andando com o carrinho a a volta e dirigindo se para a saída . - Anda de aí . Se em os apressarmos , conseguiremos sair atrás de o Expresso_de_Hogwarts . E afastaram se de o grupo de Muggles curiosos , abandonando a estação e voltando a a rua , onde o velho * _ Ford_Anglia * se encontrava estacionado . Ron abriu a bagageira com uma série de toques de varinha . Meteram lá dentro as malas , puseram a Hedwig em o assento de trás e entraram para a frente . - Verifica se ninguém está a ver - disse o Ron , ligando a ignição com outro toque de varinha . Harry pôs a cabeça fora de a janela : o trânsito enchia a avenida principal , mas a rua de eles estava vazia . - O. _ K. - disse . Ron carregou em um pequeno botão de o painel . Os carros em volta desapareceram assim_como eles . Harry sentia o assento a vibrar debaixo_de si , ouvia o motor , sentia as mãos sobre os joelhos e os óculos em o nariz , mas , tanto quanto conseguia ver , tornara se um par de olhos redondos flutuando um metro e pouco acima de o chão em uma rua suja , cheia de carros estacionados . - Vamos - disse a voz de o Ron , vinda de o seu lado direito . O chão e os prédios escuros de ambos os lados desapareceram de o seu ângulo de visão , mal o carro se elevou . Em poucos segundos toda_a cidade de Londres , enevoada e resplandecente , estava por baixo de eles . Em seguida , ouviu se um ruído que parecia o saltar de uma rolha e o carro , Harry e Ron , reapareceram . - Oh , oh - disse Ron , batendo em o intensificador de invisibilidade . - Está avariado ... Começaram os dois a bater em o botão . O carro desapareceu . Depois surgiu de forma intermitente . - Aguenta aí - gritou o Ron e carregou com o pé em o acelerador . Saltaram direitinhos para o meio de as nuvens mais baixas e tudo ficou sujo e enevoado . - E agora ? - exclamou Harry , piscando os olhos a a sólida massa de nuvens que os comprimia de todos os lados . - Precisamos de avistar o comboio para sabermos qual a direcção a tomar - explicou o Ron . - Desce rapidamente ... Desceram por o meio de as nuvens e voltaram se em os lugares , espreitando . - Estou a vê o - gritou Harry . - Mesmo em frente , ali . O Expresso_de_Hogwarts deslocava se a grande velocidade lá em baixo , como uma serpente vermelha . - Para Norte - disse o Ron , verificando a bússola de o painel . - O. _ k . , basta que verifiquemos de meia em meia_hora . Aguenta aí ... - e arrancaram por o meio de as nuvens . Em o minuto seguinte , tinham chegado a a luz brilhante de o Sol . Era um mundo diferente . Os pneus de o carro deslizavam sobre o mar de nuvens macias , o céu era de um azul infinito sob a luz , capaz de cegar , que irradiava de o Sol . - Agora só temos de nos preocupar com os aviões - disse o Ron . Olharam um para o outro e desataram a rir . Durante muito_tempo não conseguiram parar . Era como_se tivessem mergulhado em um sonho fabuloso . Aquela , pensou Harry , era certamente a única maneira de viajar : passando por turbilhões e torres de nuvens cor de neve , em um carro cheio de calor , o sol radioso , com um grande pacote de rebuçados em o porta-luvas e antegozando o ar de inveja de o Fred e de o George quando aterrassem suavemente e de forma espectacular em o relvado macio em frente de o castelo de Hogwarts . Espreitaram várias vezes o comboio enquanto voavam cada_vez_mais para norte . Cada descida entre as nuvens dava lhes uma perspectiva diferente . Londres depressa ficou para trás , substituída por campos verdejantes que , por sua vez , deram lugar a grandes pântanos arroxeados , aldeias com pequenas igrejas de brinquedo e uma grande cidade , cheia de vida , com carros que pareciam formigas multicores . Várias horas mais tarde sem acontecer nada de_novo , Harry teve de admitir que uma parte de o entusiasmo se esgotara . Os rebuçados tinham nos deixado cheios de sede e não havia nada para beber . Ele e o Ron tinham tirado as camisolas , mas a * _ T-shirt * de o Harry estava colada a as costas de o assento e os óculos não paravam de lhe escorregar para a ponta de o nariz . Deixara de reparar em as fabulosas formas de as nuvens e pensava com saudade em o comboio , milhas abaixo de eles , onde se podia comprar sumo fresquinho de abóboras em um carro empurrado por uma bruxa gordinha . Porque não teriam conseguido entrar em a plataforma nove_e_três quartos ? - Não pode ser muito mais longe , pois não ? - resmungou o Ron , horas mais tarde quando o Sol começava a enfiar se em o seu chão de nuvens , pintando as de um rosa profundo . - Estás pronto para outra espreitadela a o comboio ? Ainda ia mesmo por baixo de eles , abrindo caminho por_entre uma montanha com o topo coberto de neve . Estava muito mais escuro entre o dossel de nuvens . Ron pôs o pé em o acelerador e levou os de_novo para_cima , mas em esse momento o motor começou a chiar . Harry e Ron trocaram entre si olhares nervosos . - Deve estar só cansado - disse o Ron . - Nunca tinha vindo tão longe ... - E fingiram ambos que não davam por o gemido que se ia tornando maior à_medida_que o céu serenamente escurecia . As estrelas desabrochavam em a escuridão , Harry voltou a enfiar a camisola de lã , tentando ignorar os limpa pára-brisas que acenavam debilmente como_que a protestar . - Não devemos estar longe - disse Ron , dirigindo se mais a o carro do_que a o amigo . - Já não devemos estar longe - deu umas palmadinhas nervosas em o * tablier * . Pouco depois , quando voltaram a voar em o meio de as nuvens , tiveram de olhar de lado em a escuridão , em busca de um ponto de referência que conhecessem . - Ali - gritou Harry , fazendo o Ron e a Hedwig darem um salto . - Mesmo em frente . Recortados em o horizonte negro , sobre o rochedo de o outro lado de o lago , erguiam se as torres e torreões de o castelo de Hogwarts . Mas o carro tinha começado a estremecer e perdia a os poucos velocidade . - Vá lá - disse o Ron , dando a o volante um pequeno abanão bajulador . - Estamos quase a chegar , vá lá ... O motor gemeu . Pequenos jactos de vapor de água brotaram de o capo . Harry deu consigo agarrado com toda_a força a os bordos de o assento enquanto voavam direitos a o lago . O carro deu um solavanco feio . Espreitando por a janela , Harry viu a superfície negra , macia e espelhada de a água cerca de uma milha abaixo de eles . Os dedos de o Ron agarrados a o volante tinham as articulações brancas . O carro deu um novo esticão . - Vá lá - murmurou o Ron . Estavam sobre o lago ... o castelo ficava mesmo em frente . Ron fez força com o pé . Houve um ruído surdo , uma crepitação e o motor morreu por completo . - Oh ! oh ! - gemeu Ron em o silêncio . O nariz de o carro voltou se para baixo . Estavam a cair , ganhando velocidade em direcção a os muros sólidos de o castelo . - Naaaaão ! - gritou o Ron , girando o volante . Escaparam a a muralha de pedra negra por centímetros , quando o carro fez um grande arco , planando primeiro sobre as estufas , depois sobre o rectângulo plantado com vegetais e , por fim , sobre os relvados , perdendo sempre velocidade . Ron largou o volante por completo e tirou a varinha de o bolso de trás . - __ pára ! __ pára ! - gritou , batendo em o * tablier * e em o pára-brisas , mas eles continuavam a mergulhar , o chão a voar em direcção a eles . - : __ cuidado com essa __ árvore ! ! ! - bramiu Harry , deitando a mão a o volante , mas ... tarde de mais ... CRUNCH . Com um ruído ensurdecedor de metal e madeira , bateram em o tronco espesso de a árvore e caíram em o chão com um forte solavanco . O vapor era um mar debaixo de o capo amachucado . A Hedwig tremia apavorada . Em a cabeça de Harry surgira um alto de o tamanho de uma bola de golfe , quando ele batera em o pára-brisas , tombando em seguida para a direita . Ron soltou um gemido longo e desesperado . - Estás O. _ K ? - perguntou Harry , aflito . - A minha varinha - disse o Ron em uma voz trémula . - Olha para a minha varinha . Tinha se partido praticamente em duas , a ponta balouçava mole , presa por meia_dúzia de esquírolas . Harry abriu a boca para dizer que em a escola com certeza conseguiriam consertá a , mas nem chegou a começar a frase . Em esse preciso momento , algo bateu em o seu lado de o carro , com a força de um touro , projectando o para_cima de o Ron , ao_mesmo_tempo que um golpe igualmente forte se sentiu em o capô . - O que está a acontec ... Ron arfou , olhando fixamente por o pára-brisas e Harry olhou em volta , mesmo a_tempo_de ver uma ramada espessa como uma píton vir contra o vidro . A árvore em que tinham batido estava a atacá os . O tronco dobrara se quase a meio e os seus galhos rugosos davam uma tareia a cada centímetro de o carro que conseguiam atingir . - Ah ! - praguejou o Ron , quando outra pernada retorcida esmurrou a sua porta , amolgando a . O pára-brisas tremia agora sob uma saraivada de golpes vindos de galhos que pareciam patas de animais e uma ramada espessa como um aríete esmagava furiosamente o capo , que parecia estar a ceder ... - Corre ! - gritou o Ron , lançando o seu peso contra a porta , mas , em o momento seguinte , tinha sido atirado para trás , para o colo de Harry por um soco maldoso , dado de baixo para_cima , por outro ramo . - Estamos feitos ! - resmungou , enquanto o tecto descaía . Mas , de repente , o chão de o carro estava a vibrar , o motor pegara . - Marcha atrás - gritou o Harry e o carro deu um salto para trás . A árvore tentava ainda agredis os , ouviam as raízes chiar , enquanto quase se partiam esticando se para os alcançar . - Escapámos por_pouco ! - exclamou o Ron . - Muito bem , carro . Mas o carro tinha atingido o limite de as suas forças . Com dois estalidos , as portas abriram se e Harry sentiu o seu assento inclinar se para o lado . Quando deu por si , estava estatelado em o chão húmido . Ruídos surdos avisaram o de que o carro estava a ejectar as malas de a bagageira . A gaiola de a Hedwig voou por os ares e abriu se . Ela saiu a voar com um pio furioso e dirigiu se a o castelo , sem sequer olhar para trás . Em seguida , o carro , amolgado , arranhado e a fumegar , arrancou em o escuro , com os faróis traseiros ardendo de fúria . - Volta aqui ! - gritou o Ron , brandindo a varinha partida . - O meu pai mata me . Mas o carro desapareceu a perder de vista , com um último estoiro de o tubo de escape . - Já viste bem o nosso azar ! ? - exclamou o Ron em o meio de a sua infelicidade , baixando se para apanhar o rato Scabbers . - De todas_as árvores em que podíamos ter batido , tínhamos de ir dar a uma que bate também . Olhou por cima de o ombro para a velha árvore que ainda agitava os ramos ameaçadoramente . - Vamos - disse Harry , fatigado . - É melhor irmos andando para a escola ... Não foi , de modo algum , a chegada triunfal que tinham imaginado . Constrangidos , cheios de frio e magoados , pegaram em as malas e começaram a arrastá as por o relvado acima , em direcção a as grandes portadas de carvalho . - Acho que o banquete já começou - disse o Ron , largando a mala em os degraus de a entrada e atravessando devagarinho para espreitar por uma janela iluminada . - Harry , anda ver , é a distribuição . Harry apressou se e os dois , ele e o Ron , espreitaram para o Salão_Nobre . Um número infindável de velas pairava em o ar , sobre quatro mesas enormes cheias de gente , fazendo brilhar os pratos dourados e as taças . Em cima , o tecto encantado que espelhava o céu lá de_fora , brilhava cheio de estrelas . Por_entre a floresta de chapéus pretos pontiagudos de Hogwarts , Harry viu uma longa fila de alunos de o primeiro ano com olhares assustados que enchia o vestíbulo . Ginny estava entre eles , facilmente reconhecível devido a o seu chamativo cabelo Weasley . Enquanto isso , a professora Mc_Gonagall , uma bruxa de óculos com cabelo castanho apanhado em um carrapito , colocava o famoso chapéu seleccionador em um banco que se encontrava em frente de os novos alunos . Todos os anos , aquele velho chapéu , remendado , puído e cheio de pó , seleccionava alunos para as quatro equipas de Hogwarts ( Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin ) . Harry lembrava se bem de o ter colocado em a cabeça , precisamente um ano antes , e ter esperado petrificado por a sua decisão , enquanto ele lhe murmurava a o ouvido . Durante alguns horríveis segundos receara que o chapéu o mandasse para os Slytherin , a equipa que produzia maior número de feiticeiros e feiticeiras de magia negra , mas acabara por ficar em os Gryffindor , juntamente com Ron e Hermione e o resto de os Weasley . Em o último período , Harry e Ron tinham ajudado os Gryffindor a vencer o campeonato de a equipa , batendo os Slytherin pela_primeira_vez em sete anos . Um rapazito baixinho com cabelo de rato acabava de ser chamado para pôr o chapéu em a cabeça . Os olhos de Harry saltavam de ele para o lugar onde o professor Dumbledore , o director , estava sentado , observando a selecção de a mesa de os professores , com a sua longa barba cor de prata e óculos de meia-lua que brilhavam a a luz de as velas . Alguns lugares a a frente , Harry viu Gilderoy_Lockhart com um manto verde-azulado . E lá bem a o fundo estava Hagrid , enorme e cabeludo , bebendo satisfeito de a sua taça . - Espera aí - murmurou a o Ron . - Há um lugar vazio em a mesa de os professores . Onde estará o Snape ? Severus_Snape era o professor de quem Harry menos gostava . Harry era também o seu aluno menos querido . Cruel , sarcástico e detestado por todos com excepção de os alunos de a sua própria equipa ( Slytherin ) , Snape tinha a seu cargo a cadeira de Poções . - Talvez esteja doente - sugeriu Ron , cheio de esperança . - Talvez se tenha ido embora - lembrou Harry . - Por não lhe terem dado outra_vez a Defesa contra as artes negras . - Ou talvez tenha sido corrido - propôs Ron com entusiasmo . - Afinal , toda_a_gente o detesta ... - Ou talvez - disse uma voz gelada atrás de eles - esteja a a espera que vocês lhe expliquem por_que motivo não vieram em o comboio de a escola . Harry deu uma volta . Em a sua frente , com o manto negro a ondular em uma brisa fria , estava Severus_Snape . O professor era um homem magro , de pele descorada , nariz adunco e um cabelo preto oleoso que lhe caía sobre os ombros . E em aquele momento sorria de um modo tal que Harry sentiu que tanto ele como Ron estavam em sérios apuros . - Sigam me - disse Snape . Sem ousarem sequer olhar um para o outro , Harry e Ron seguiram Snape por as escadas até a o amplo * hall * de entrada que estava iluminado por as chamas de os archotes . De o salão nobre vinha um cheirinho delicioso a comida , mas Snape levou os para longe de a luz e de o calor , em direcção a uma escada estreita de pedra que conduzia a os calabouços . - Entrem - ordenou , abrindo uma porta a meio de o corredor e apontando . Entraram a tremer em o escritório de Snape . As paredes sombrias estavam cobertas de prateleiras cheias de jarros de vidro grosso onde flutuavam as coisas mais diversas e repugnantes , cujo nome Harry não queria de momento conhecer . A lareira estava escura e vazia . Snape fechou a porta e voltou se de frente para eles . - Com que então - disse com falsa suavidade - o comboio não serve para o famoso Harry_Potter e o seu fiel companheiro Weasley . Queriam chegar em grande estilo , não era rapazes ? - Não senhor , foi a barreira em King's_Cross , ela ... - Silêncio - disse Snape friamente . -- _ o que fizeram a o carro ? Ron engoliu em seco . Aquela não era a primeira vez que Snape dava a Harry a impressão de ser capaz de ler pensamentos . Mas , pouco depois , compreendeu tudo quando Snape desenrolou o exemplar de o Profeta_Vespertino . - Vocês foram vistos - afirmou , mostrando lhes o cabeçalho : : __ ford anglia voador confunde __ muggles . Começou a ler alto a notícia . - Dois Muggles em Londres convenceram se de que tinham visto um carro velho a voar sobre a torre de os correios ... a a tardinha em Norfolk , Mrs._Hetty_Bayliss , enquanto pendurava a roupa ... Mr._Angus_Fleet_de_Peebles informou a polícia ... seis ou sete Muggles a o todo . Julgo que o teu pai trabalha em o departamento de mau uso dado a os objectos de os Muggles ? - disse olhando para Ron e sorrindo de uma forma ainda mais sarcástica . - Que peninha , o próprio filho ... Harry sentiu se como_se tivesse levado um soco em o estômago de uma de as maiores pernadas de a árvore louca . E se alguém descobrisse que Mr._Weasley tinha enfeitiçado o carro ? Ele ainda nem tinha pensado em isso . - Reparei durante a minha volta por o jardim que foi feito um estrago considerável em um salgueiro zurzidor extremamente valioso - continuou Snape . - Essa árvore fez nos pior a nós do_que nós ... - deixou escapar Ron . - Silêncio - interrompeu Snape , de_novo . - Infelizmente vocês não fazem parte de a minha equipa e a decisão de vos expulsar não está em as minhas mãos . Vou , por isso , buscar as pessoas que possuem essa feliz possibilidade . Esperem aqui . Harry e Ron olharam , pálidos , um para o outro . Harry perdera a fome . Sentia se agora extremamente agoniado . Tentava não olhar para uma coisa viscosa , suspensa em um líquido verde que estava em uma prateleira por detrás de a secretária de Snape . Se ele fora buscar a professora Mc_Gonagall , chefe de a equipa de os Gryffindor , não estavam muito melhor . Ela era mais justa do_que Snape , mas extremamente severa . Dez minutos mais tarde , Snape voltou e era , de facto , a professora Mc_Gonagall quem o acompanhava . Harry vira a professora Mc_Gonagall zangada , mas , ou se tinha esquecido de como a boca de ela ficava fina , ou nunca a vira tão zangada como em aquele dia . Levantou a varinha em o momento em que entrou . Harry e Ron estremeceram , mas ela limitou se a apontá a para a lareira onde as chamas se elevaram subitamente . - Sentem se - ordenou , e os dois recuaram para as cadeiras junto de o lume . - Expliquem se - disse com os óculos a brilhar de uma forma ameaçadora . Ron enveredou por a história começando por a barreira de a estação que se recusara a deixá os passar . - Por isso não tínhamos escolha , professora , não podíamos chegar a o comboio . - Porque não nos mandaram uma carta por a coruja ? Julgo que tens uma coruja ? - disse friamente a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a Harry . Harry olhou para ela sem saber o que dizer . - Parece me - continuou ela - que seria a coisa mais adequada . - Eu ... não pensei ... - Isso - disse a professora Mc_Gonagall - é bastante óbvio . Ouviu se bater a a porta de o escritório e Snape , que parecia agora mais feliz do_que nunca , foi abrir . Era o director , o professor Dumbledore . Harry ficou totalmente paralisado . Dumbledore tinha uma expressão grave . Olhou para eles de cima de o seu nariz adunco e Harry desejou estar ainda com Ron a levar uma sova de o salgueiro zurzidor . Fez se um longo silêncio . Em seguida , Dumbledore disse lhes : - Por favor , expliquem porque fizeram isto . Teria sido melhor se gritasse . Harry detestou sentir a decepção em a sua voz . Inexplicavelmente era incapaz de olhar Dumbledore em os olhos e falou em direcção a os seus joelhos . Disse lhe tudo excepto que o carro enfeitiçado pertencia a Mr._Weasley , dando a ideia de que ele e o Ron o tinham encontrado estacionado fora de a estação . Sabia que Dumbledore ia ver para_além de isso , mas o director não fez perguntas sobre o carro . Quando Harry terminou continuou a olhar para ele através de os seus óculos . - Nós vamos buscar as nossas coisas - disse Ron em um tom de voz sem esperança . - Que disparate é esse ? - rosnou a professora Mc_Gonagall . -- Então , vão expulsar nos , não vão ? - disse o Ron . Harry olhou rapidamente para Dumbledore . - Ainda não , Mr._Weasley - afirmou Dumbledore . - Mas vou assinalar a gravidade do_que vocês fizeram . Hoje a a noite escreverei a as vossas famílias . Estão também prevenidos que se voltarem a fazer uma coisa como esta não terei outro remédio senão expulsar vos . A expressão de Snape era como_se o Natal tivesse sido cancelado . Pigarreou e disse : - Professor_Dumbledore , estes rapazes infringiram o decreto para a restrição de a feitiçaria de os menores , causaram estragos consideráveis a uma árvore antiga e valiosa ... sem dúvida , actos de esta natureza ... - Cabe a a professora Mc_Gonagall decidir sobre os castigos de os rapazes , Severus - afirmou Dumbledore com toda_a calma . - Pertencem a a equipa de ela e são , portanto , de a sua responsabilidade . - Voltou se para a professora Mc_Gonagall . - Tenho de regressar a o banquete , Minerva , devo dar algumas informações . Venha Severus , há uma tarte de leite e ovos com um aspecto delicioso que quero mostrar lhe . Snape lançou um olhar de puro veneno a o Harry e a o Ron enquanto permitia que o afastassem de o seu escritório , deixando os a sós com a professora Mc_Gonagall que ainda os olhava como uma águia em fúria . - É melhor ires até a a ala hospitalar , Weasley , estás a sangrar . - Não é nada - disse Ron , limpando o corte com a manga para que ela o visse . - Professora , eu gostava de ver a minha irmã ser seleccionada . - A cerimónia de a selecção terminou - disse a professora Mc_Gonagall . - A tua irmã está também em os Gryffindor . - _ óptimo - exclamou Ron . - E por falar em os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall de forma cortante , mas Harry interrompeu a : - Professora , quando tirámos o carro , o ano escolar ainda não tinha começado , por isso os Gryffindor não deveriam perder pontos , pois não ? - terminou olhando a ansiosamente . A professora Mc_Gonagall lançou lhe um olhar penetrante , mas ele era capaz de jurar que ela quase tinha sorrido . Pelo_menos a boca não parecia tão fina . - Não vou tirar pontos a os Gryffindor - tranquilizou o . E o coração de Harry ficou mais leve . - Mas vocês os dois vão ter um castigo . Foi melhor do_que Harry imaginara . O facto de Dumbledore escrever a os Dursley não tinha a menor importância . Harry sabia perfeitamente que eles só lamentariam que o salgueiro zurzidor não o tivesse esmigalhado . A professora Mc_Gonagall ergueu a varinha de_novo apontou a a a secretária de Snape . Um grande prato de sanduíches , duas taças de prata e um jarro com sumo de abóbora gelado apareceram em menos_de um segundo . - Vocês vão comer aqui e , em seguida , vão direitinhos para o vosso dormitório - disse . - Eu também tenho de voltar para a festa . Mal a porta se fechou atrás de ela , Ron soltou baixinho um assobio . - Pensei que estávamos feitos - confessou , agarrando uma sanduíche . - Também eu - disse o Harry , orando também uma . - Mas já viste bem a nossa pouca sorte ? - insistiu o Ron com a boca cheia de frango e fiambre . - O Fred e o George voaram em aquele carro cinco ou seis vezes e nenhum Muggle os viu - engoliu outro pedaço enorme de a sanduíche . - Porque será que não conseguimos passar a barreira ? Harry encolheu os ombros . - Mas temos de ter muito cuidado a_partir_de agora - disse bebendo um grande trago de sumo de abóbora . - Que pena não termos podido ir a o banquete . - Ela não quis que nos exibíssemos - afirmou Ron com prudência . - Não vão as pessoas pensar que é uma boa chegar aqui de carro voador . Quando já tinham comido todas_as sanduíches que queriam ( o prato ia voltando a encher se sozinho ) , levantaram se e saíram de o escritório , seguindo o caminho que lhes era familiar , para a torre de os Gryffindor . O castelo estava em silêncio . Parecia que o banquete tinha acabado . Passaram por retratos murmurantes e armaduras que gemiam e subiram os degraus estreitos de pedra até que , por fim , chegaram a a passagem onde a entrada secreta para a torre de os Gryffindor se encontrava oculta por detrás de o quadro a óleo de uma dama gorda em um vestido cor-de-rosa . - A senha ? - perguntou ela mal os dois se aproximaram . - Er ... Eles ainda não tinham estado com o prefeito de os Gryffindor e por isso ainda não conheciam a senha para o novo ano , mas a ajuda não se fez esperar . Ouviram passos apressados atrás de eles e quando se voltaram viram Hermione que se aproximava . - Aí estão vocês . Onde é_que se meteram ? Correm os boatos mais ridículos , alguém disse que vocês tinham sido expulsos por espatifarem um carro voador . - Bem , expulsos não fomos - tranquilizou a Harry . - Não estás a dizer me que voaram até aqui ? - perguntou Hermione em um tom quase tão severo como a professora Mc_Gonagall . - Dispensa se o sermão - interrompeu Ron impacientemente . - E diz nos a nova senha de passagem . - É crista de pássaro - disse Hermione não contendo a impaciência . - Mas o mais importante não é isso ... Contudo as palavras de ela foram interrompidas ao_mesmo_tempo que o retrato de a dama gorda se abria e se ouvia uma tempestade de aplausos . A o que parecia a equipa de os Gryffindor estava ainda acordada , dentro de a sala comum em forma de círculo , junto de as mesas assimétricas e de os cadeirões moles a a espera que eles chegassem para , de braços estendidos através de o buraco de o retrato , puxarem Harry e Ron para dentro deixando Hermione para o fim . - Sensacional - gritou Lee_Jordan . - Inspirado ! Que entrada ! Voar em um carro e aterrar em o salgueiro zurzidor . Toda_a_gente vai falar de isto durante anos e anos . - Muito bem - disse um aluno de o quinto ano com quem Harry nunca tinha falado . Alguém dava lhe palmadas em as costas como_se ele acabasse de vencer a maratona . Fred e George abriram caminho por_entre a multidão e disseram ao_mesmo_tempo : - Por_que é_que não nos chamaram , hein ? - Ron estava vermelho como um pimentão , sorrindo envergonhado , mas Harry via perfeitamente uma pessoa que não estava nada contente . Percy elevava se acima de as cabeças de os excitados alunos de o primeiro ano e parecia estar a tentar aproximar se para os repreender . Harry deu uma cotovelada a o Ron e apontou em direcção a Percy . Ron percebeu de imediato . - Temos de ir para_cima , um_pouco cansados ! - explicou e os dois começaram a abrir caminho em direcção a a porta que ficava de o outro lado de a sala e que dava para a escada em espiral e para os dormitórios . - ` _ Noite - despediu se Harry_de_Hermione que tinha um ar tão carrancudo como Percy . Conseguiram chegar a o outro lado de a sala comum sempre a levarem palmadas em as costas e alcançaram o sossego de as escadas . Apressaram se a subir e , por fim , chegaram a a porta de o dormitório que tinha agora um letreiro a dizer « Segundos_Anos » . Entraram em o quarto circular , que conheciam tão bem , com as suas cinco camas de dossel adornadas de velado vermelho e as suas janelas altas e estreitas . As malas tinham sido trazidas para_cima e colocadas a os pés de as camas . Ron fez um sorriso culpado . - Sei que não devia ter gostado de aquilo , mas ... A porta de o dormitório abriu se e os outros rapazes de os Gryffindor entraram ; eram eles o Seamus_Finnigan , o Dean_Thomas e o Neville_Loogbottom . - Inacreditável - aplaudiu Seamus . - Incrível - aprovou o Dean . - Espantoso - exclamou o Neville , aterrado . Harry não pôde evitar também um sorriso . VI_Gilderoy_Lockhart_No dia seguinte , contudo , Harry não conseguiu sorrir . As coisas começaram a correr mal logo em o salão durante o pequeno-almoço . Debaixo de o tecto encantado ( em aquele dia triste e cinzento ) estavam as quatro grandes mesas de as equipas e sobre elas , terrinas de papa de aveia , pratos de arenque defumado , montanhas de torradas e pratadas de ovos com * bacon * . Harry e Ron sentaram se em a mesa de os Gryffindor , junto de Hermione que tinha o seu exemplar de * _ Viagens com Vampiros * totalmente aberto , encostado a um jarro de leite . Havia uma certa rigidez em a maneira como ela disse : - ` _ Dia - que mostrou a Harry que continuava a desaprovar o modo como tinham chegado a a escola . Por seu turno , Neville_Longbottom saudou os entusiasticamente . Neville era um rapazinho de cara redonda , muito dado a acidentes , com a pior memória que Harry tinha conhecido . - A entrega de correio deve estar a chegar , acho que a minha avó me vai mandar umas quantas coisas de que me esqueci ... Harry tinha começado a comer as papas de aveia , quando se ouviu um ruído tumultuoso em o ar e umas cem corujas entraram ao_mesmo_tempo , sobrevoando o salão e deixando cair cartas e pacotes em o meio de a multidão faladora . Um embrulho grande e rugoso caiu em a cabeça de Neville e , um segundo depois , uma coisa larga e cinzenta caiu em o jarro de a Hermione , enchendo os a todos de leite e penas . - Errol - gritou o Ron , puxando a coruja esfarrapada por as patas . Errol caíra inconsciente sobre a mesa com as pernas para o ar e um envelope vermelho húmido em o bico . - Oh , não ! - sobressaltou se Ron . - Ela está bem , ainda está viva - tranquilizou o Hermione , tocando suavemente em a Errol com a ponta de o dedo . - Não é isso , é ... aquilo . Ron apontava para o envelope vermelho . Parecera perfeitamente vulgar a Harry , mas Ron e Neville estavam ambos a observá o como_se esperassem que explodisse . - Qual é o problema ? - perguntou Harry . - Ela . Ela mandou me um * gritador * - disse Ron , quase sem voz . - É melhor abrires - aconselhou Neville em um murmúrio tímido - senão é pior . A minha avó uma_vez mandou me um que eu ignorei e ... - engoliu em seco - foi horrível . Harry olhava , ora para as suas caras , ora para o envelope vermelho . - O que é um * gritador * ? - perguntou . - Mas toda_a atenção de o Ron estava fixa em a carta que começara a fumegar por os cantos . - Abre a - intimou o Neville . - De aqui a poucos minutos já passou tudo . Ron estendeu uma mão trémula , retirou o envelope de o bico de a Errol e começou a abri o . Neville pôs os dedos em os ouvidos . Após uma fracção de segundo , Harry compreendeu porquê . Pensou em o primeiro momento que ela explodira . Um ruído ensurdecedor encheu o enorme salão , fazendo cair pó de o tecto . - ... : __ roubar o carro ! não me surpreendia nada se te expulsassem . espera só até te pôr as mãos em cima . será que não paraste para pensar em a nossa aflição quando vimos que o carro tinha __ desaparecido ... Os gritos de Mrs._Weasley , ampliados cem vezes em relação a o seu normal , fizeram os pratos e as colheres chocalhar em a mesa e ecoaram de forma ensurdecedora em as paredes de pedra . Vinha gente de todos os lados espreitar quem tinha recebido o * gritador * e Ron afundou se tanto em a cadeira que só se lhe via a testa carmesim . - ... : __ uma carta de o dumbledore ontem a a noite , o teu pai quase morria de vergonha . não foi esta a educação que te demos , tu e o harry podiam ter __ morrido ... Harry estava a ver quando é_que o seu nome viria a a baila . Tentou o melhor que pôde agir como_se não ouvisse a voz , mas aquilo estava a fazer com que os tímpanos lhe latejassem . - ... : __ profundamente decepcionada , o teu pai vai ter de se confrontar com um inquérito em o trabalho , tudo por tua culpa e , se pisas mais_uma_vez o risco , trago te para __ casa ! Seguiu se um silêncio ressonante . O envelope vermelho , que caíra de as mãos de o Ron , incendiou se e encaracolou se em cinzas . Harry e Ron estavam sentados de boca aberta , como_se uma onda gigante lhes tivesse passado por cima . Algumas pessoas riam e , a os poucos , o ruído de as conversas recomeçou . Hermione fechou o * _ Viagens com Vampiros * e olhou para o topo de a cabeça de Ron . - Bem , não sei o que esperavas , Ron , mas tu ... - Não me venhas dizer que mereci - interrompeu Ron . Harry afastou as papas de aveia . O estômago ardia lhe de culpa . Mr._Weasley tinha um inquérito em o trabalho , depois de tudo_o_que Mr. e Mrs._Weasley tinham feito por ele durante o Verão ... Mas não teve muito_tempo para se demorar em aqueles pensamentos . A professora Mc_Gonagall circulava em volta de as mesas de os Gryffindor distribuindo horários . Harry pegou em o seu e viu que começavam por ter Herbologia , juntamente com os Hufflepuff . Harry , Ron e Hermione saíram juntos de o castelo , atravessaram as hortas e chegaram a as estufas , onde estavam guardadas as plantas mágicas . O * gritador * tivera pelo_menos uma vantagem : Hermione parecia achar que já tinham sido suficientemente castigados e estava de_novo perfeitamente calorosa . Quando estavam a chegar a as estufas viram o resto de a classe de pé , cá fora , a a espera de a professora Sprout . Harry , Ron e Hermione tinham acabado de se lhes juntar quando a viram aproximar se a passos largos por o relvado , acompanhada de Gilderoy_Lockhart . A professora Sprout era uma bruxa pequenina e atarracada que usava um chapéu a os remendos sobre o cabelo solto . As roupas que vestia estavam sempre cheias de terra e as suas unhas fariam a tia Petúnia desmaiar . Gilderoy_Lockhart , pelo_contrário , tinha um ar imaculado em as suas vestes azul-turquesa , o cabelo doirado a brilhar debaixo_de um chapéu azul-turquesa , com uma fita dourada , perfeitamente posicionado sobre a cabeça . - Olá a todos ! - gritou Lockhart , dirigindo se a o grupo de estudantes . - Estive a mostrar a a professora Sprout a maneira correcta de tratar um salgueiro . Mas não quero que fiquem com a ideia de que sou melhor do_que ela em Herbologia . Acontece que encontrei várias de estas plantas exóticas , durante as minhas viagens .... - Estufa número três hoje , meninos ! - disse a professora Sprout que estava visivelmente descontente , bem diferente de a sua habitual natureza bem-disposta . Houve um murmúrio de interesse . Eles só tinham estado uma_vez em a terceira estufa , que era uma estufa que abrigava plantas bem mais interessantes e perigosas . A professora Sprout tirou uma enorme chave de o cinto e abriu a porta . Harry sentiu o bafo de a terra húmida com adubo misturado e o perfume forte de umas flores gigantescas , de o tamanho de guarda-chuvas , que estavam penduradas de o tecto . Ia seguir Ron e Hermione , quando a mão de o Lockhart o travou . -- Harry ! Tenho querido ter uma palavrinha contigo . Não se importa se ele chegar uns minutos atrasado , pois não , professora Sprout ? A julgar por a expressão carregada de a professora Sprout , importava se sim , mas Lockhart disse : - Então até já - e fechou a porta de a estufa em a cara de ela . - Harry ! - disse Lockhart , com os dentes brancos a brilharem a o sol , enquanto abanava a cabeça . - Harry , Harry , Harry ! Harry , totalmente perplexo , não disse uma palavra . - Quando ouvi dizer , bem , é claro que eu tive muita culpa , deviam castigar me também ... Harry não fazia ideia de que estava ele a falar , quando Lockhart prosseguiu : - Nunca me lembro de ficar tão chocado . Fazer voar um automóvel até Hogwarts ! Bem , é claro que eu percebi logo porque o fizeste . Foi um destaque em grande . Harry , Harry , Harry ! Era notável como ele conseguia mostrar todos aqueles dentes brilhantes , mesmo quando não estava a falar . - Criei te o gosto por a publicidade , não foi ? - perguntou Lockhart . - Passei te o bichinho . Apareceste comigo em a primeira página e não podias esperar para aparecer outra_vez ... - Oh , não , professor , sabe é_que ... - Harry , Harry , Harry - disse Lockhart aproximando se e tocando lhe em o ombro . - * _ Eu compreendo * . É natural querer um_pouco mais quando se lhe tomou o gosto , e eu culpo me por te ter dado esse conhecimento , porque era natural que te subisse a a cabeça , mas vê uma coisa , rapazinho , tu não podes começar a fazer voar carros para tentares ser notícia . Tens de acalmar , está bem ? Tens muito_tempo quando fores mais velho . Sim , sim , eu sei o que estás a pensar ! É fácil para ele falar assim , já é um feiticeiro internacionalmente famoso ! Mas quando eu tinha doze anos era tão zé-ninguém como tu és hoje . Em a verdade , era ainda mais . De ti , já meia_dúzia de pessoas ouviram falar , não é ? Toda aquela história com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . - Olhou para a cicatriz luminosa em a testa de Harry . - Eu sei , eu sei , não é o mesmo_que vencer o Prémio de o sorriso de o feiticeiro de a semana cinco vezes seguidas , como eu venci , mas é um começo , Harry , é um começo . Lançou lhe uma piscadela de olhos cordial e foi se embora . Harry ficou atarantado durante alguns segundos . Depois , lembrando se que deveria estar em a estufa , abriu a porta e esgueirou se lá para dentro . A professora Sprout estava de pé , por_detrás_de uma espécie de mesa em o meio de a estufa . Em cima de a mesa estavam cerca de vinte pares de abafo de ouvidos de diferentes cores . Quando Harry estava já em o seu lugar , entre Ron e Hermione , ela disse : - Hoje vamos transplantar Mandrágoras . Muito bem , quem sabe dizer me as propriedades de a Mandrágora ? Não foi surpresa para ninguém que a mão de a Hermione fosse a primeira em o ar . - A Mandrágora tem um efeito reparador muito poderoso - disse Hermione , com o ar mais normal de este mundo , como_se tivesse engolido o livro de texto . - É usada para fazer voltar as pessoas , que foram transfiguradas ou amaldiçoadas , a o seu estado original . - Excelente . Dez pontos para os Gryffindor ! - exclamou a professora Sprout . - A Mandrágora é parte integrante de a maior parte de os antídotos , mas também é perigosa . Quem sabe dizer me porquê ? A mão de Hermione por_pouco não bateu em os óculos de Harry , quando se ergueu de_novo . - O grito de a Mandrágora é fatal para quem o ouve - disse prontamente . - Precisamente . Dou lhe mais dez pontos - disse a professora Sprout . - Agora vejamos , as Mandrágoras que aqui temos são ainda muito jovens . Enquanto falava , apontou para uma fila de tabuleiros com uma certa profundidade e todos se chegaram a a frente para ver melhor . Cerca de uma centena de plantinhas tufosas de um verde arroxeado cresciam em filas . Pareceram perfeitamente vulgares a Harry , que não fazia a menor ideia do_que Hermione queria dizer com o * grito * de a Mandrágora . - Cada_um de vocês pode tirar um par de abafo de ouvidos - disse a professora Sprout . Houve uma competição renhida porque ninguém queria os cor-de-rosa , cheios de penugem . - Quando eu vos disser para os colocar , assegurem se de que os vossos ouvidos estão completamente tapados - disse a professora Sprout . - Logo_que seja seguro retirá os , eu levanto os dedos . Certo , pôr os abafos de os ouvido . Harry pôs imediatamente os abafos em os ouvidos . Eles fecharam completamente o som . A professora Sprout colocou também um par de abafos cor-de-rosa com penugem em os de ela , arregaçou as mangas de a túnica , agarrou uma de as plantas tufosas e puxou com toda_a força . Harry soltou um grito de surpresa que ninguém ouviu . Em_vez_de raízes , um bebé pequenino , enlameado e extremamente feio , saiu de a terra . As folhas cresciam lhe em o alto de a cabeça , tinha uma pele pintalgada de um pálido esverdeado e estava nitidamente a berrar a plenos pulmões . A professora Sprout tirou debaixo de a mesa um grande vaso de plantas e mergulhou lá dentro a Mandrágora , enterrando a em a mistura escura e húmida , até que só as folhas ficassem visíveis . Em seguida , limpou a terra de as mãos , levantou os dedos e todos eles retiraram os abafos de os ouvidos . - Como as nossas Mandrágoras são muito novas , os seus gritos ainda não matam - disse ela com grande calma , como_se tivesse feito algo tão normal como regar uma begónia . - Contudo , podem pôr vos a dormir durante várias horas e , como com certeza nenhum de vocês quer perder o primeiro dia de aulas , vejam se os abafos estão bem colocados enquanto trabalham . Eu chamarei vos a atenção quando for altura de os retirar . - Quatro em cada fila , há aqui uma grande quantidade de vasos , a mistura de terra está em os sacos ali a o fundo e tenham cuidado com a * _ Venomous_Tentacula * , estão a nascer lhe os dentes . Enquanto falava , deu uma pancada seca a uma planta vermelha escura cheia de pontas eriçadas , fazendo a encolher as longas antenas que tinham estado a avançar lenta e dissimuladamente sobre o seu ombro . A Harry , Ron e Hermione veio juntar se em a fila um rapaz de cabelo encaracolado de os Hufflepuff que Harry conhecia de vista , mas com quem nunca tinha falado . - Justin_Finch - _ Fletchey - disse ele com vivacidade , apertando a mão de o Harry . - Conheço te , claro , o famoso Harry_Potter ... e tu és a Hermione_Granger , sempre a primeira em tudo ( Hermione brilhou em um sorriso , como_se ele lhe tivesse apertado a mão ) e Ron_Weasley . Não era teu o carro voador ? Ron não sorriu . Não lhe saía de a cabeça o * gritador * . - Aquele Lockhart é o_máximo , não acham ? - disse Justin satisfeito , enquanto começavam a encher os vasos com composto de adubo de dragão . - Terrivelmente corajoso . Leram os livros de ele ? Eu teria morrido de medo se um lobisomem me tivesse encurralado em uma cabina telefónica , mas ele manteve se calmo e ... zap ... fantástico ! « Eu estava inscrito em Eton , sabem , não imaginam como estou feliz de ter vindo antes para aqui . É claro que a minha mãe ficou um_pouco desiludida , mas depois de lhe ter dado os livros de Lockhart a ler , tenho a impressão de que ela começou a ver a utilidade de ter um feiticeiro bem treinado em a família ... Depois de isso , não tiveram grandes oportunidades para conversar . Voltaram a pôr os abafos de ouvidos e era preciso concentrarem se em as Mandrágoras . A professora Sprout fizera as coisas parecerem extremamente simples , mas não eram . As Mandrágoras não gostavam de sair de a terra mas também não pareciam querer voltar para lá . Elas contorceram se , deram pontapés , agitaram as mãozinhas finas e rangeram os dentes . Harry levou dez minutos inteirinhos a tentar meter uma Mandrágora particularmente gorda dentro_de um vaso . Em o final de a aula , Harry , como todos os outros , estava a suar , cheio de dores e coberto de terra . Regressaram a o castelo a pé para um banho rápido e , em seguida , os Gryffindor apressaram se para assistir a a aula de transfiguração . As aulas de a professora Mc_Gonagall eram sempre complicadas , mas a de aquele dia era particularmente difícil . Tudo_o_que o Harry aprendera em o ano anterior parecia ter se lhe apagado de a memória durante o Verão . Ele deveria ser capaz de transformar uma barata em um botão , mas , tudo_o_que conseguiu foi fazer a barata praticar um imenso exercício , enquanto corria apressadamente por o tampo de a secretária evitando a varinha . Ron estava a debater se com problemas bastante piores . Tinha atado a varinha com uma fita mágica , mas parecia que não havia reparação possível . Não parava de crepitar e lançar faíscas em os momentos mais estranhos e , sempre_que Ron tentava transfigurar a barata , via se envolvido em um fumo cinzento espesso que cheirava a ovos podres . Incapaz de ver o que estava a fazer , o Ron esmagou , por engano , a barata com o cotovelo e teve de ir pedir que lhe dessem outra , o que deixou a professora Mc_Gonagall muito pouco satisfeita . Harry ficou aliviado quando ouviu tocar a campainha para o almoço . Sentia a cabeça como uma esponja espremida . Todos os alunos saíram em fila de a aula excepto ele e Ron que dava furiosas varadas em a secretária . - Coisa estúpida e inútil . - Escreve a os teus pais a pedir outra - sugeriu Harry , enquanto a varinha disparava com estrondo um foguete explosivo . - Ah pois , e receber outro * gritador * em a volta de o correio - respondeu Ron , metendo a varinha que já assobiava , dentro de o saco . - * _ A culpa é toda tua se a varinha está estragada * ... Desceram para o almoço e aí a disposição de o Ron não iria melhorar com Hermione a mostrar lhe uma mão-cheia de botões de casaco , perfeitinhos , que produzira em a transfiguração . - O que temos esta tarde ? - quis saber Harry , mudando rapidamente de assunto . - Defesa contra as artes negras - disse Hermione , sem perder tempo . - Porque é_que tu ... - perguntou Ron , pegando em o horário de ela - desenhaste corações em volta de as aulas de o Lockhart ? Hermione arrancou lhe o horário de as mãos , corando furiosa . Acabaram de almoçar e foram para o pátio carregado de nuvens . Hermione sentou se em um degrau de pedra e enfiou de_novo o nariz em as * _ Viagens com Vampiros * . Harry e Ron ficaram a falar de Quidditch durante alguns minutos antes de Harry se aperceber de que estava a ser observado de perto . Olhando para_cima viu o rapazinho pequenino com cabelo de rato que ele vira experimentar o chapéu seleccionador em a noite anterior , olhando para ele com uma expressão petrificada . Estava agarrado a o que parecia ser uma vulgar máquina fotográfica de os Muggles e , em o momento em que Harry olhou para ele , ficou todo vermelho . - Tudo bem , Harry ? Eu sou Colin_Creevey - disse , faltando lhe o ar e adiantando se a qualquer pergunta . - Estou em os Gryffindor também . Não te importavas que eu tirasse uma fotografia ? - perguntou , levantando a máquina cheio de expectativa . - Uma fotografia ? - repetiu Harry , inexpressivo . - Para eu provar que te conheci - disse Colin_Creevey cheio de ansiedade , continuando : - Eu sei tudo a teu respeito . Toda_a_gente me tem contado como sobreviveste quando O_Quem nós sabemos tentou matar te , como ele desapareceu depois de isso e como ficaste com a cicatriz em forma de relâmpago em a testa ( os seus olhos procuraram a linha de cabelo de Harry ) e um rapaz de o meu dormitório disse que se eu revelasse o filme em a posição certa ele mexia . - Colin respirou fundo , estremecendo de excitação e disse : - Isto_é fantástico , aqui , não achas ? Eu não sabia que todas_as coisas estranhas que fazia eram magia até a o dia em que recebi uma carta de Hogwarts . O meu pai é leiteiro . Também ele não queria acreditar . Por isso estou a tirar montes de fotografias para lhe mandar e era mesmo bom se tivesse uma tua - parecia implorar . - Talvez o teu amigo pudesse tirá a e assim eu ficava a o teu lado . E depois , podias assiná a ? - Assinar fotografias ? Estás a dar fotos autografadas , Potter ? Alta e mordaz , a voz de Draco_Malfoy ecoou em o pátio . Estava parado mesmo atrás_de Colin , ladeado , como sempre andava em Hogwarts , por os seus fortes guarda-costas Crabbe e Goyle . - Ei gente , façam bicha - gritou Malfoy a a multidão . - Harry_Potter está a dar fotos autografadas ! - Não estou coisa nenhuma - disse Harry , zangado , com os punhos em o ar . - Cala a boca , Malfoy . - Tu tens é inveja - começou a dizer Colin , cujo corpo era de o tamanho de o pescoço de Crabbe . - Inveja - repetiu Malfoy que não precisava de gritar mais , metade de o pátio estava a ouvi o . - De quê ? Não preciso de uma cicatriz em a cabeça , muito obrigado . Não acho que ter um corte em a testa torne alguém especial . Crabbe e Goyle riram estupidamente - Vai pastar caracóis , Malfoy - disse o Ron furioso . Crabbe parou de rir e começou a esfregar os nós de os dedos enormes de uma forma ameaçadora . - Tem cuidado , Weasley - escarneceu Malfoy . - Com certeza não queres começar uma rixa ou a tua mãezinha tem de vir cá para te tirar de a escola - e com uma voz aguda e penetrante : - * _ Se voltas a pisar o risco * ... Um grupo de alunos de o quinto ano de os Slytherin que estava ali perto , riu se bastante alto . - O Weasley gostaria de ter uma foto tua autografada , Potter - escarneceu de_novo Malfoy . - Era capaz de valer mais do_que a casa onde ele mora com a família . Ron sacou de a sua varinha amarrada com fita , mas Hermione fechou as * Viagens com Vampiros * com um estrondo e avisou : - Atenção . - O que é isto , o que é isto ? - Gilderoy_Lockhart aproximava se com o seu manto azul-turquesa girando em torvelinho atrás de ele . - Quem está a dar fotos autografadas ? Harry ia começar a explicar , mas foi interrompido quando Lockhart lhe pôs jovialmente o braço em cima de os ombros . - Mas que pergunta a minha ! Cá estamos nós de_novo , Harry ! Preso ao_lado_de Lockhart e a arder de humilhação , Harry viu Malfoy deslizar com o seu sorriso desdenhoso por o meio de a multidão . - Vamos lá então , Mr._Creevey - disse Lockhart , dirigindo se a Colin . - Uma foto dupla , já viu a sua sorte ? E assinamos a os dois para si . Colin ajustou a máquina e tirou a fotografia em o preciso momento em que a campainha tocava para as aulas de a tarde . - Está em a hora , todos para dentro - gritou Lockhart a a multidão e regressou a o castelo levando a o seu lado o Harry que só lamentava não conhecer um feitiço que o fizesse desaparecer . - Uma palavra só , Harry - disse Lockhart paternalmente , enquanto entravam em o edifício por uma porta lateral . - Eu ajudei te há bocado com o jovem Creevey porque se ele estivesse a fotografar me também a mim os teus colegas não reparariam tanto que estavas a exibir te ... Indiferente a a gaguez de Harry , Lockhart arrastou o para um corredor ladeado de alunos que os olhavam espantados e subiram uma escada . - Deixa me só dizer te uma coisa : dar fotografias autografadas em esta fase de a tua carreira , francamente , não é sensato , Harry , parece um_pouco megalómano . Pode ser que um dia mais tarde , tal_como eu , sejas obrigado a assinar para multidões onde quer que vás , mas - fez uma pequena pausa - não me parece que seja o caso , por enquanto . Tinham chegado a a aula de Lockhart e ele largou finalmente o Harry que sacudiu a túnica e foi sentar se em um lugar bem lá atrás onde começou por empilhar os livros de Lockhart a a sua frente para evitar olhar para a criatura . O resto de a aula entrou ruidosamente e Ron e Hermione foram sentar se um de cada lado de Harry . - Tu estavas vermelho como um pimentão - disse o Ron . - Reza para que o Creevey não se torne amigo de a Ginny senão bem podem criar o clube de * fans * de Harry_Potter . - Cala a boca - interrompeu Harry . A última coisa que desejava era que o Lockhart ouvisse a expressão « clube de * fans * de Harry_Potter « . Quando todos estavam em os seus lugares , Lockhart pigarreou alto e fez se silêncio . Ele inclinou se para a frente , pegou em o exemplar de Neville_Longbottom de * _ viagens com Duendes * e levantou o para mostrar a sua fotografia a piscar os olhos em a capa . - Eu - disse apontando para a fotografia e piscando também os olhos - Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , terceiro ano , membro honorário de a Liga_de_Defesa contra as artes negras e cinco vezes vencedor de o prémio de o * _ Feiticeiro de a semana * por o sorriso mais charmoso . Mas não vamos falar de isso , não venci a fada carpideira de Bandon a sorrir para ela ! Esperou que eles se rissem . Alguns alunos sorriram timidamente . - Já vi que todos vocês compraram a minha obra completa . Muito bem . Pensei começar hoje com um pequeno interrogatório escrito . Nada de complicado , só para perceber se leram bem os meus livros e o que apreenderam ... Depois de distribuir as folhas de teste voltou se para os alunos e disse : - Têm trinta minutos . Comecem já . Harry olhou para o papel e leu : *1 . Qual é a cor preferida de Gilderoy_Lockhart ? *2 . Qual é a ambição secreta de Gilderoy_Lockhart ? *3 . Qual é , em a sua opinião , a maior realização de Gilderoy_Lockhart até a o momento ? * E_por_aí adiante , ao_longo_de três páginas , terminando com : *54 . Qual é o dia de aniversário de Gilderoy_Lockhart e qual seria o seu presente preferido ? * Meia_hora mais tarde , Lockhart recolheu os pontos e folhou os rapidamente em frente de os alunos . - Tut , tut , quase ninguém se lembrou que a minha cor preferida é o lilás . Eu digo o em * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves * . Alguns precisam de voltar a ler com mais cuidado * Fim-de - _ Semana com Um Lobisomem * . Eu afirmo claramente em o décimo segundo capítulo que o meu presente de aniversário preferido seria a harmonia entre todos os seres , mágicos e não mágicos , embora não me importasse de receber uma garrafa grande de * whisky * velho de a Ogden's_Old_Firewhisky . Piscou lhes o olho de_novo . Ron olhava para Lockhart com uma expressão de incredulidade em o rosto . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas que estavam sentados a a frente tremiam de tanto conter o riso . Hermione , contudo , ouvia Lockhart com extrema atenção e deu um salto quando ouviu o seu nome . - Mas Miss_Hermione_Granger sabia que a minha ambição secreta era libertar o mundo de o mal e pôr a a venda a minha gama de poções de tratamento de o cabelo . Muito bem - voltou o papel . - Nota máxima ! Onde está Miss_Hermione_Granger ? Hermione ergueu uma mão trémula . - Excelente - bradou Lockhart , exultante . - Leva dez pontos para os Gryffindor . E vamos a o trabalho . Baixou se atrás de a secretária e pegou em uma grande gaiola coberta . - Ficam desde_já a saber , a minha função é preparar vos contra as criaturas mais malignas que a feitiçaria conhece . Vocês podem ter que enfrentar os maiores medos em esta sala . Saibam que nenhum mal vos sucederá comigo aqui . Só vos peço que se mantenham calmos . Ultrapassando os seus sentimentos , Harry espreitou através de a pilha de livros para ver melhor a gaiola . Lockhart colocou uma mão em a tampa . Dean e Seamus tinham deixado de se rir . Neville estava agachado em o seu lugar de a fila de a frente . - Vou pedir vos que não façam barulho - disse Lockhart em voz baixa . - Podem assustá os . Enquanto a aula inteira continha a respiração , Lockhart tirou a cobertura . - Sim - disse em um tom dramático . - Duendes_da_Cornualha recém-capturados . Seamus_Finnigan não conseguiu controlar se . Soltou uma gargalhada que nem Lockhart poderia confundir com um grito de terror . - Sim ? - sorriu a Seamus . - Bem , eles não são , não são perigosos , pois não ? - perguntou a rir . -- Não tenhas tanta certeza de isso - afirmou Lockhart , aborrecido , abanando um dedo , em direcção a Seamus . - Podem ser maçadores e muito traiçoeiros . Os duendes eram de um azul-eléctrico e tinham cerca de vinte centímetros de altura com feições angulosas e umas vozes tão estridentes que era como ouvir uma discussão entre araras . Logo_que o pano foi retirado , começaram a fazer uma enorme algazarra , a andar de um lado para o outro , batendo em as grades e fazendo caretas a as pessoas que estavam mais perto . - Muito bem - disse Lockhart em voz alta . - Vamos então ver o que vocês conseguem fazer de eles - e abriu a gaiola . Foi um pandemónio . Os duendes dispararam em todas_as direcções como foguetes . Dois de eles agarraram o Neville por as orelhas e levantaram o a o ar . Vários outros foram direitos a a janela , fazendo chover vidros partidos até a a fila de trás . Os restantes decidiram destruir a sala com maior eficácia do_que um rinoceronte em fúria . Agarraram em os tinteiros e salpicaram tudo em volta , rasgaram a os bocados livros e papéis , arrancaram os quadros de as paredes , levantaram a o ar a gaiola vazia , agarraram livros e sacos e lançaram nos por a janela de vidros estilhaçados . Em poucos minutos , metade de a aula estava abrigada debaixo de as secretárias e o Neville pendurado em o candelabro de o tecto . - Vamos lá , agarrem nos , agarrem nos , são apenas duendes ... - gritava Lockhart . Arregaçou as mangas , bramiu a varinha e pronunciou * Peshipiksi_Pesternomi ! * As palavras não tiveram o menor efeito . Um de os duendes pegou em a varinha de Lockhart e atirou a também por a janela fora . Lockhart engoliu em seco e mergulhou debaixo de a secretária , não sendo , por um triz , esmagado por o Neville que caiu um segundo depois , quando o candelabro cedeu . A campainha tocou e houve uma louca precipitação para a porta . Em a calma relativa que se seguiu , Lockhart endireitou se , olhou para Harry , Ron e Hermione que estavam quase a chegar a a porta e disse : - Bem , vou pedir vos a os três que prendam o resto de os duendes em a gaiola - passou por eles e fechou rapidamente a porta atrás_de si . - Isto dá para acreditar ? - resmungou o Ron , enquanto um de os duendes lhe mordia com toda_a força uma de as orelhas . - Ele só quer dar nos uma ajuda , permitindo nos ganhar experiência - justificou Hermione , imobilizando dois duendes de uma_vez com um encantamento de paralisação e metendo os de_novo em a gaiola . - Experiência ? - disse Harry , tentando agarrar um duende que dançava com a língua de_fora . - Hermione , ele não sabia nada do_que estava a fazer . - Disparate - retorquiu Hermione . - Leste os livros de ele . Vê só as coisas que ele já fez ! - Que diz que fez - resmungou o Ron . VII_Sangue de lama e murmúrios Harry passou imenso tempo , em os dias que se seguiram , a fugir sempre_que via Gilderoy_Lockhart aproximar se em o corredor . Mais difícil de evitar era Colin_Creevey que parecia ter decorado o horário de Harry . Parecia que nada o emocionava mais do_que dizer : - Tudo bem , Harry ? - seis ou sete vezes por dia e ouvir : - Olá , Colin - por mais exasperado que Harry estivesse quando lhe respondia . A Hedwig ainda estava zangada com Harry por causa de a desastrosa viagem de automóvel e a varinha de o Ron continuava a não funcionar , tendo ultrapassado tudo em a sexta-feira de manhã quando lhe saltou de as mãos em a aula de encantamentos e foi agredir o velho e baixinho professor Flitwick mesmo entre os olhos , deixando uma enorme bolha latejante em o sítio onde tinha batido . Por tudo_isso Harry via chegar , com satisfação , o fim_de_semana Planeava ir em o Sábado de anhã , com Ron e Hermione visitar o Hagrid . Mas foi acordado várias horas mais cedo do_que desejaria por Oliver ood , treinador de a equipa de Quidditch_dos_Gryffindor . - _ o que é_que se passa ? - perguntou Harry , enrolando as palavras . - Treino_de_Quidditch - disse Wood . - Vamos embora . Harry lançou um olhar de esguelha a a janela . Uma neblina fina pairava em o céu rosa e dourado . Agora_que estava acordado não percebia como pudera dormir com a algazarra que os pássaros faziam . - Oliver resmungou Harry . - É de madrugada . - Exacto - respondeu Wood . Era um rapaz alto e corpulento de o sexto ano e em aquele momento os olhos brilhavam lhe loucamente de entusiasmo . - Faz parte de o nosso novo programa de treinos . Anda lá , vai buscar a vassoura e vamos embora - insistiu Wood empenhado . - Nenhuma de as outras equipas começou ainda a treinar . Vamos ser os primeiros este ano ... A bocejar e a tremer um_pouco , Harry saltou de a cama e tentou descobrir as suas túnicas de Quidditch . - Bem , encontramo nos em o campo , dentro_de quinze minutos . Depois de descobrir a sua roupa escarlate de equipa e pôr o manto por cima para se aquecer , Harry escreveu a o Ron um bilhete a explicar onde tinha ido e desceu por a escada de espiral para a sala comum com a sua Nimbos dois inil a o ombro . Tinha acabado de chegar junto de o buraco de o retrato quando ouviu um barulho atrás_de si e viu Colin_Creevey descer a escada de espiral com a máquina fotográfica pendurada a o pescoço a balouçar como louca e uma coisa em a mão . - Ouvi alguém chamar o teu nome em as escadas , Harry olha o que tenho aqui . Revelei a e queria mostrar te . Harry olhou assombrado para a fotografia que Colin lhe espetava em frente de o nariz . Um Lockhart a preto e branco movia se , puxando com toda_a força um braço que Harry reconheceu como sendo o seu . Ficou satisfeito a o constatar que estava a resistir bastante bem , recusando se a ser trazido para a vista de todos . Enquanto Harry observava , Lockhart desistiu e desinteressou se de lutar contra a parte branca de a fotografia . - Assinas para mim ? - pediu Colin entusiasmado . - Não - respondeu secamente Harry , olhando em volta para verificar se o caminho estava livre . - Desculpa_Colin , mas estou cheio de pressa , treino de Quidditch . Passou por o buraco de o retrato . - Oh Uau ! Espera por mim . Eu nunca vi um jogo de Quidditch . Colin trepou por o buraco de o retrato atrás de ele . - Vai ser uma chatice para ti - disse Harry rapidamente , mas Colin ignorou o comentário . Todo o seu rosto brilhava de satisfação . - Tu foste o jogador mais novo de a equipa em cem anos , não foste Harry ? Não foste ? - perguntava Colin , trotando para o acompanhar . - Deve ser fantástico . Eu nunca voei . É fácil ? Essa vassoura é a tua ? É a melhor que há ? Harry não sabia como ver se livre de ele . Era como ter uma sombra que não se calava . - Eu não percebo nada de Quidditch - disse Colin , já sem fôlego . - É verdade que há quatro bolas ? E que duas anda n a voar , tentando fazer os jogadores caírem de as vassouras ? - Sim - disse Harry lentamente , resignado com o ter de lhe explicar as complicadas regras de o Quidditch . - São as * bludgers * . Há dois * beaters * em cada equipa que têm bastões para bater em as * bludgers * e lançá as para o outro lado . O Fred e o George_Weasley são os * beaters * de os Gryffindor . - E para que servem as outras bolas ? - perguntou Colin , saltando uma série de degraus porque ia a olhar para o Harry de boca aberta . - Bem , a * quaffle * , que é a vermelha grandalhona , é a que marca os golos . Três * chasers * em cada equipa lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam fazes a entrar em as balizas que ficam em o extremo de o campo onde há três grandes postes com argolas em as pontas . - E a quarta bola ? - A * snitch * dourada - explicou Harry . - É muito pequenina e veloz e extremamente difícil de agarrar . Mas é isso que o * seeker * tem de fazer , porque o jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * for agarrada . E o * seeker * que conseguir agarrá a ganha para a sua equipa mais cento_e_cinquenta pontos . - E tu és o * seeker * de os Gryffindor , não és ? - perguntou Colin respeitosamente . - Sim - disse Harry enquanto saíam de o castelo e começavam a atravessar o relvado . - E há também o * keeper * que toma conta de os postes . É isto . Mas Colin não parou de fazer perguntas desde os relvados macios até a o campo de Quidditch e Harry só se viu livre de ele quando chegaram a os vestiários . Colin gritou em uma voz aguda : - Eu vou arranjar um lugar , Harry - e apressou se em direcção a as bancadas . O resto de a equipa de os Gryffindor já se encontrava em os vestiários . Wood era o único que tinha aspecto de estar bem acordado . Fred e George_Weasley estavam sentados com olhos de sono e cabelos desgrenhados junto de Alicia_Spinnet de o quarto ano que parecia inclinar se contra a parede que tinha atrás_de si . Os seus companheiros * chasers * , Katie_Bell e Angelina_Johnson bocejavam em frente de ela . - Até que enfim , Harry , porque é_que demoraste tanto ? - perguntou Wood cheio de actividade . - Eu queria ter uma pequena conversa convosco antes de entrarmos propriamente em campo porque passei o Verão a conjecturar um novo programa de treinos que acredito vai estabelecer grandes mudanças . Wood tinha em as mãos um grande mapa de um campo de Quidditch onde estavam desenhadas muitas linhas , setas e cruzes a tinta de várias cores . Pegou em a varinha , bateu com ela em o quadro e as setas começaram a mover se em o mapa como tractores . Enquanto Wood se lançava em um discurso sobre as suas novas técnicas , a cabeça de Fred_Weasley caiu sobre o ombro de Alicia_Spinnet e ele começou a ressonar . O primeiro mapa levou quase vinte minutos a explicar , mas debaixo de esse havia outro e ainda um terceiro . Harry caiu em uma letargia enquanto Wood continuava indefinidamente . - Então - disse por fim o treinador , arrancando Harry de a avidez de uma fantasia sobre o que poderia estar a comer se se encontrasse em aquele momento em o castelo . - Ficou tudo claro ? Alguma pergunta ? - Eu tenho uma pergunta , Oliver - disse George que acordou estremunhado . - Porque não nos explicaste tudo_isso ontem , quando estávamos acordados ? Wood não ficou nada satisfeito . - Ouçam bem , vocês todos - disse , voltando se para eles mal-humorado . - Nós deveríamos ter ganho a taça de Quidditch o ano passado . Somos de longe a melhor equipa , mas , infelizmente , devido_a circunstancias que estão para_além de o nosso controlo ... Harry mudou de posição em a cadeira sentindo se culpado . Estivera inconsciente em o hospital durante o campeonato final de o ano anterior o que fez com que os Gryffindor com um jogador a menos tivessem sofrido a pior derrota de os últimos trezentos anos . Wood levou um momento a controlar se . Era evidente que a última derrota ainda o torturava . - Portanto , este ano vamos fazer um treino mais duro , como nunca se fez . O. _ K. , vamos lá pôr as teorias em prática - gritou , pegando em a vassoura e conduzindo os para fora de o vestiário . Com as pernas trôpegas e ainda a bocejar , a equipa seguiu o . Tinham estado tanto tempo lá dentro que o sol já tinha nascido e brilhava em o céu embora uma réstia de neblina pairasse ainda sobre o relvado de o campo . Quando Harry entrou em campo viu Ron e Hermione sentados em as bancadas . - Ainda não acabaram ? - perguntou Ron em um tom incrédulo . - Ainda nem começamos - explicou Harry , olhando cheio de inveja para a torrada com doce de laranja que Ron e Hermione tinham trazido de o salão . - O Wood tem estado a ensinar nos as jogadas . Subiu para a vassoura e deu um pontapé em o chão , elevando se em o ar . O ar fresco de a manhã bateu lhe em o rosto fazendo o acordar com mais eficácia do_que o longo discurso de Wood . Era maravilhoso voltar a estar em o campo de Quidditch . Voou em volta de o estádio a toda a a velocidade competindo com Fred e George . - Que barulhinho estranho é aquele ? - perguntou o Fred quando deram a volta . Harry olhou para as bancadas . Colin estava sentado em um de os lugares mais altos com a máquina fotográfica em o ar , tirando fotografia sobre fotografia , o som estranhamente ampliado em o estádio deserto . - Olha para ali , Harry , para ali - gritava de forma estridente . - Quem é aquele ? - perguntou Fred . - Não faço ideia - mentiu Harry , disparando a_toda_a velocidade e distanciando se o mais possível de Colin . - O que se passa aí ? - perguntou Wood , franzindo a testa enquanto corria por os ares atrás de eles . - Porque está aquele aluno de o primeiro ano a tirar fotografias ? Não me agrada . Pode ser um espião de os Slytherin a tentar descobrir o nosso novo programa de treinos . - Ele é de os Gryffindor - disse Harry rapidamente . - E os Slytherin não precisam de um espião , Oliver - completou George . - Porque dizes isso ? - perguntou Wood irritado . - Porque estão aqui em peso - disse George , apontando com o dedo . Vários indivíduos com túnicas verdes vinham em aquele momento a entrar em o campo de vassouras em a mão . - Não posso acreditar - reagiu Wood , sentindo se ultrajado . - Eu reservei o estádio para hoje . Já vamos ver como é_que isto fica ! Wood baixou direito a o chão sendo levado por a fúria a aterrar com mais força do_que pretendia e a cambalear um_pouco quando começou a andar seguido de o Harry e de o Ron . - Flint - bradou para o treinador de os Slytherin . - Este é o nosso tempo de treino . Levantámo nos de propósito . Vocês têm de sair de aqui . Marcus_Flint era ainda mais corpulento do_que Wood . Tinha em o rosto uma expressão de duende travesso quando respondeu : - Há espaço para todos , Wood . Angelina , Alicia e Katie tinham vindo também . Em a equipa de os Slytherin não havia raparigas que enfrentassem a o lado de os rapazes os Gryffindor . - Mas eu reservei o estádio - repetiu Wood de modo afirmativo , cuspindo de raiva . - Reservei o . - Ah ! - exclamou Flint . - Mas eu tenho aqui uma licença especial assinada por o professor Snape . * _ Eu , professor Snape , autorizo a equipa de os Slytherin a praticar hoje em o campo de Quidditch devido a a necessidade de treinar o seu novo seeker . * - Têm um novo * seeker * ? - perguntou Wood perturbado . - Onde ? E detrás de as seis figuras corpulentas que tinham em a frente , viram surgir uma sétima : um rapaz mais pequeno com um sorriso afectado espelhado em o rosto pálido e anguloso . Era_Draco_Malfoy . - Não és o filho de o Lucius_Malfoy ? - perguntou Fred , olhando para ele com antipatia . - Curioso que refiras o pai de o Draco - disse Flint enquanto toda_a equipa de os Slytherin sorria de modo grosseiro . - Deixem me mostrar vos a generosa oferta que ele fez a a equipa de os Slytherin . Os sete exibiram as suas vassouras . Sete cabos novos , polidos , com inscrições em letras douradas de as palavras « Nimbus dois_mil_e_um « brilharam a o sol de a manhã , em frente de o nariz de os Gryffindor . - O último modelo . Só chegou em o mês passado - disse Flint , displicentemente , sacudindo a poeira de o cabo de a sua vassoura . - Julgo que ultrapassam de longe as velhas séries de dois_mil . Quanto a as Cleansweeps - sorriu de forma mesquinha para Fred e George que tinham ambos Cleansweep_Fives - essas já só servem para varrer . Nenhum de os Gryffindor foi capaz de abrir a boca em aquele momento . Malfoy sorria tanto que os seus olhos de gelo estavam reduzidos a duas rachas . - Oh vejam - disse Flint . - Uma invasão de o campo . Ron e Hermione atravessavam o relvado para ver o que se passava . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron a o Harry . - Porque não estão a jogar e o que faz ele aqui ? Olhava para Malfoy em as suas vestes de Quidditch . - Sou o novo * seeker * de os Slytherin , Weasley - disse Malfoy com ar presumido . - Têm estado todos a admirar as vassouras que o meu pai comprou para a nossa equipa . Ron olhou de boca aberta para as sete vassouras que tinha em a frente . - São boas , não são ? - disse Malfoy untuosamente . - Mas talvez a equipa de os Gryffindor consiga levantar algum ouro e comprar também vassouras novas . Vocês podiam levar essas Cleansweep_Fives a leilão , talvez algum museu esteja interessado . A equipa de os Slytherin riu se a bandeiras despregadas . - Pelo_menos em os Gryffindor ninguém teve de comprar a sua entrada - disse secamente Hermione . - Entraram todos por mérito próprio . O ar presumido de Malfoy desapareceu . - Ninguém pediu a tua opinião , sangue de lama - cuspiu Malfoy . Harry apercebeu se , de imediato , que Malfoy dissera algo muito grave porque houve uma tremenda algazarra em o seguimento de as suas palavras . Flint teve que se pôr a a frente de o Malfoy para evitar que Fred e George se atirassem a ele . Alicia bradou : - Como te atreves ? - E Ron meteu a mão em as vestes e sacou de a varinha mágica , gritando : - Vais pagar por o que disseste , Malfoy ! - e apontou a , furioso , por debaixo de o braço de Flint , a o rosto de Malfoy . Um enorme estrondo , ecoou em o estádio e um jacto de luz verde saiu por a extremidade errada de a varinha de Ron , atingindo o em o estômago e projectando o para trás em direcção a o relvado . - Ron ! Ron ! Estás bem ? - gritou Hermione . Ron abriu a boca para falar , mas nenhuma palavra saiu . Em vez de isso , teve um vómito imenso e várias lesmas saíram lhe de a boca , indo cair lhe em o colo . A equipa de os Slytherin ficou paralisada de riso . Flint estava dobrado , agarrado a a vassoura nova . Malfoy , a quatro , batia com o punho em a chão . Os Gryffindor rodeavam o Ron , que continuava a vomitar lesmas enormes e reluzentes . Ninguém queria tocar lhe . - É melhor levá o para_casa de o Hagrid . É o mais perto - disse Harry_a_Hermione , que acenou afirmativamente , e os dois arrastaram o Ron por os braços . - O que aconteceu , Harry ? O que aconteceu ? Ele está doente ? Mas tu podes curá o , não podes ? - Colin descera a correr de o lugar onde estava sentado e dançaricava em frente de eles , enquanto abandonavam o campo . Ron teve um novo arremesso e mais lesmas saíram de a sua boca . - Oooh ! - exclamou Colin fascinado , levantando a máquina fotográfica . - Podes mantê o quieto , Harry ? - Sai de a minha frente , Colin - gritou Harry zangado . Ele e a Hermione conseguiram levar o Ron para fora de o estádio , atravessar os campos e chegar a a beira de a floresta . - Está quase , Ron - disse Hermione , mal avistaram o casebre de o guarda de os campos . - Vais ficar bem dentro_de um minuto ... está quase ... Estavam a sessenta metros de a casa de Hagrid , quando a porta de a frente se abriu . Mas não foi Hagrid quem saiu de lá , e sim Gilderoy_Lockhart , em uma túnica cor de malva . - Rápido , vamos esconder nos aqui - sussurrou Harry , arrastando Ron para trás de um arbusto que havia ali perto . Hermione acompanhou o , embora um_pouco relutante . -- É muito simples quando se sabe o que se está fazer ! - gritava Lockhart_para_Hagrid . - Se precisar de ajuda , sabe onde estou . Vou dar lhe um exemplar de o meu livro . Espanta me que ainda não o tenha . Logo a a noite autografo o e envio lhe o . Bem . até a a próxima ! - e afastou se em direcção a o castelo . Harry esperou que Lockhart desaparecesse , antes de puxar o Ron de trás de o arbusto até a a casa de o Hagrid . Bateram ansiosamente . Hagrid apareceu logo com um ar mal-humorado , que se dissipou quando viu quem era . - Já me tinha perguntado quand'é que vocês vinham ver me , entrem , entrem , pensei qu'era outra_vez o professor Lockhart . Harry e Hermione ajudaram Ron a subir o degrau que dava acesso a a cabana de uma divisão com uma cama enorme a um de os cantos e uma lareira a crepitar alegremente em o outro . Hagrid não pareceu perturbado com o problema de as lesmas de o Ron que Harry lhe explicou precipitadamente , logo_que sentou o Ron em uma cadeira . - Melhor saírem de o qu'entrarem - disse , em um tom bem-disposto , colocando uma grande bacia de cobre em frente de ele . - Deita as todas fora , Ron . - Acho que não há mais_nada a fazer , a não ser esperar que isto pare - disse Hermione ansiosamente , vendo Ron inclinar se para a bacia . - É uma maldição muitas_vezes difícil , mas com uma varinha partida ... Hagrid andava de um lado para o outro a preparar o chá . O cão de ele , Fang , babava se em cima de o Harry . - O que é_que o Lockhart queria de ti ? - perguntou o Harry , coçando as orelhas de o Fang . - Ensinar me a tirar espíritos aquáticos com forma de cavalos d'uma nascente d'água - resmungou Hagrid , retirando de a mesa pequena um galo meio depenado e colocando em o seu lugar o bule . - Como s'eu não soubesse . E contar me uma peta qualquer d'uma fada carpideira que ele venceu . Engulo essa chaleira , se uma palavra do_que ele disse for verdade . Não era hábito de Hagrid criticar um professor de Hogwarts e Harry olhou para ele com alguma surpresa . Mas Hermione disse em uma voz mais aguda do_que de costume : - Acho que estás a ser injusto . O professor Dumbledore obviamente achou que era o melhor homem para o lugar ... - Era o único - explicou Hagrid , oferecendo lhes um prato de bombons de melaço enquanto Ron tossia para a bacia . - E não havia mais ninguém . Não é fácil encontrar quem queira dar Artes de magia negra . As pessoas não gostam de essa matéria . Começam a pensar que está amaldiçoada , ninguém ficou muito_tempo a dá a . Mas digam me lá - continuou Hagrid , inclinando a cabeça para Ron - quem é qu'ele estava a tentar amaldiçoar ? - O Malfoy chamou qualquer coisa a a Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si . - Foi grave , sim - disse o Ron com voz rouca , emergindo a a superfície de a mesa , pálido e transpirado . - O Malfoy chamou lhe sangue de lama , Hagrid . - Ron desapareceu outra_vez quando uma nova onda de lesmas fez o seu aparecimento . Hagrid estava indignado . - Não posso crer - exclamou , dirigindo se a Hermione . - Chamou sim - disse ela . - Mas eu não sei o que significa . Percebi que era má educação , claro ... - É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar - explicou Ron novamente . - Sangue de lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles , sabes , filho de pais não mágicos . Há alguns feiticeiros , como a família de o Malfoy que acham que são melhores do_que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro . - Teve um pequeno vómito e uma lesma isolada caiu lhe em a mão aberta . Ele atirou a para a bacia e continuou . -- É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma . Olha_o_Neville_Longbottom , é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito . - E ainda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer - afirmou Hagrid , orgulhoso , fazendo Hermione corar em tons de magenta . - É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém - disse o Ron , limpando o suor de a testa com a mão trémula . - Sangue sujo , sangue vulgar , é um disparate . A maior parte de os feiticeiros hoje_em_dia têm sangue misturado . Se não tivéssemos casado com Muggles tinha sido o nosso fim . Fez um esforço para vomitar e baixou se mais_uma_vez . - Bem , não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá o , Ron - disse Hagrid bem alto enquanto montes de lesmas caíam em a bacia . - Mas , se_calhar , não foi mau de todo teres a varinha a trabalhar ao_contrário . Acho que Lucius_Malfoy teria vindo logo a correr a a escola se tivesses amaldiçoado o filho . Assim , pelo_menos , não estás metido em nenhum sarilho . Harry teria referido que o problema não podia ser pior do_que deitar lesmas por a boca , mas não pôde . Os bombons de melaço tinham lhe colado os maxilares um_ao_outro . - Harry - disse de repente Hagrid como_que movido por um pensamento súbito . - Tens de me explicar uma coisa . Ouvi dizer que tens andado a dar fotografias autografadas . Porque é qu'eu não tenho nenhuma ? A fúria de Harry foi tão grande que os maxilares se libertaram . - Eu não tenho dado fotografias autografadas - disse com vivacidade . Se o Lockhart andou a espalhar isso ... Mas em esse momento viu que Hagrid se estava a rir . - ´ _ tou a brincar - disse , dando uma palmadinha em as costas de Harry e fazendo lhe sinal para se sentar a a mesa . -- Eu sabia que não tinhas . Disse a o Lockhart que tu não precisavas de isso . Es mais famoso do_que ele sem sequer , tentares . - Aposto que ele não gostou de ouvir isso - comentou Harry , sentando se e esfregando o queixo . - Acho que não gostou mesmo - prosseguiu Hagrid com os olhinhos a brilhar . - E disse lhe também que nunca tinha lido nenhum de os livros de ele e ele foi se embora . Um bombom de melaço , Ron ? - perguntou a o vê o reaparecer . - Não , obrigado - disse o Ron com uma voz fraca . - É melhor não arriscar . - Venham ver o qu'eu tenho estado a criar - disse Hagrid quando Harry e Hermione acabaram de tomar o chá . Em a pequena horta atrás de a casa estava uma_dúzia de as maiores abóboras que Harry alguma vez vira . Pareciam enormes blocos de pedra . - Estão a dar se bem , não achas ? - disse Hagrid , feliz . São para a festa de o * _ Hallow'en * . Devem estar bem grandes quando chegar a altura . - O que é_que lhes tens dado como alimento ? - perguntou Harry . Hagrid olhou por cima de o ombro para confirmar se estavam sós . - Bem , tenho estado a dar lhes ... uma pequena ajuda . Harry reparou em o guarda-chuva cor-de-rosa a as florzinhas que estava encostado contra a parede de a cabana . Tivera em o ano anterior motivos para crer que aquele guarda-chuva não era o que parecia . De facto , acreditava que a antiga varinha de escola de Hagrid se encontrava oculta dentro de ele . Hagrid não tinha autorização para usar magia . Fora expulso de Hogwarts em o terceiro ano embora Harry nunca tivesse descoberto o motivo . Qualquer referência a esta questão fazia Hagrid pigarrear bem alto e ficar misteriosamente surdo até mudarem de assunto . -- Um encantamento de absorção , imagino ? - comentou Hermione entre a desaprovação e o divertimento . - Bem , se assim foi , fizeste um bom trabalho . - Foi o que disse a tua irmãzinha - respondeu Hagrid acenando em direcção a Ron . - Encontrei a ontem . - Hagrid olhou de lado para Harry , a barba a contorcer se . - Disse que andava só a ver os campos , mas eu acho qu'ela esperava encontrar alguém em a minha casa - piscou o olho a o Harry . - Se queres que te diga acho qu'ela não recusaria uma fotografia autogr ... - Cala te com isso - disse Harry . Ron desatou a rir e o chão ficou cheio de lesmas . - Cuidado - resmungou Hagrid , afastando Ron de as suas preciosas abóboras . Estava quase em a hora de o almoço e , como o Harry só tinha provado um bombom de melaço desde manhã cedo , estava ansioso por chegar a a escola para ir comer . Despediram se de o Hagrid e regressaram a o castelo . O Ron a vomitar de vez em quando , mas deitando só duas pequenas lesmas . Mal tinham pisado a entrada de o vestíbulo quando ouviram uma voz . - Aí estão vocês , Potter , Weasley . - A professora Mc_Gonagall vinha em direcção a eles com o seu ar severo . - Vocês os dois vão ter as punições hoje a a tarde . - O que é_que vamos fazer , professora ? - perguntou o Ron nervoso , deixando cair uma lesma . - Tu vais limpar as pratas em a sala de os troféus com Mr._Filch - disse a professora Mc_Gonagall . - E nada de mágicas , Weasley , trabalho com esforço . Ron engoliu em seco . Argus_Filch , o encarregado , era odiado por todos os alunos de a escola . - E tu , Potter , vais ajudar o professor Lockhart a responder a as cartas de as suas fãs - ordenou a professora Mc_Gonagall . - Oh , não ! Não posso ir também trabalhar em a sala de os troféus ? - pediu Harry em desespero de causa . - Nem pensar em isso - respondeu a professora Mc_Gonagall , erguendo as sobrancelhas . - O professor Lockhart requisitou te especialmente a ti . _ a as oito_em_ponto , os dois . Harry e Ron entraram em o salão em um estado de profundo desanimo com a Hermione atrás , ostentando uma expressão de * bem-voces-quebraram-as-regras-da-escola * . Harry não saboreou o empadão de carne como teria desejado . Tanto ele como o Ron achavam que tinham tido o pior de os castigos . -- O Filch vai reter me lá toda_a noite - disse Ron , desanimado . - Sem mágica ! Deve haver umas cem taças em aquela sala , eu não sei fazer limpeza de Muggles . - Eu trocava contigo de boa_vontade - confessou Harry em uma voz surda . - Tive montes de prática com os Dursleys . Responder a o correio de fãs de o Lockhart , que pesadelo ... A tarde de sábado pareceu derreter se . Pouco depois eram já cinco para as oito e Harry arrastava se até a o corredor de o segundo andar onde ficava o escritório de o Lockhart . Rangendo os dentes , bateu a a porta . A porta abriu se imediatamente e Lockhart dirigiu se lhe . - Ah , cá está o patifório ! - exclamou . - Entra , Harry , entra . Em as paredes , brilhando à_luz_de muitas velas , podia ver se uma infinidade de fotografias de Lockhart . Algumas de elas até assinadas . Sobre a secretária estava outro monte enorme . - Podes pôr as moradas em os envelopes - disse Lockhart_a_Harry , como_se fosse uma grande ameaça . - O primeiro é para Gladys_Gudgeon , abençoada seja , uma grande fã minha . Os minutos passavam lentos . De vez em quando , Harry ouvia a voz de Lockhart dizendo : - Mmm - e - certo - e - sim . - De vez em quando , apanhava uma frase como : - A fama é versátil , amigo Harry - ou - Só é célebre quem faz por isso , nunca te esqueças . As velas ardiam cada_vez com maior lentidão , fazendo a luz dançar sobre as muitas caras de Lockhart que o olhavam . Harry passava a mão , já dorida , sobre o que devia ser o centésimo envelope , escrevendo a morada de Verónica_Smethley . « Deve estar quase em a hora de me ir embora » , pensou , sentindo se profundamente infeliz , « por favor , faz com que esteja em a hora ... » E então ouviu algo , algo totalmente diferente de o crepitar de as velas e de os ditos de Lockhart sobre as suas fãs . Era uma voz , uma voz de arrepiar os ossos , de cortar a respiração , de veneno frio . - * _ Vem ... vem ter comigo ... deixa me rasgar te ... cortar te ... matar te * ... Harry deu um salto e uma enorme mancha lilás surgiu em a rua de Verónica_Smethley . - O quê ? - disse ele em voz alta . - Eu sei - exclamou Lockhart . - Seis meses inteirinhos em o topo de a lista de * bestsellers * , bati todos os recordes ! - Não - disse Harry nervosíssimo - aquela voz ! - Como ? - perguntou Lockhart , com um ar confuso . - Que voz ? - Aquela , aquela voz que disse ... não ouviu ? Lockhart olhava para Harry com o maior espanto . - De que é_que estás a falar , Harry ? Estás a ficar com sono ? Meu Deus , olha , só estamos aqui há quase quatro horas , quem diria ? O tempo passou a correr , não é verdade ? Harry não respondeu , estava a fazer um esforço para ouvir de_novo a voz , mas o único som que ouviu foi Lockhart a dizer lhe que não esperasse um tratamento igual de as próximas vezes que fosse castigado . Harry saiu , sentindo se atordoado . Era tão tarde que a sala comum de os Gryffindor estava quase vazia . Harry foi directamente para o dormitório . Ron ainda não tinha voltado . Vestiu o pijama , meteu se em a cama e esperou . Meia_hora mais tarde , chegou o Ron agarrado a o braço direito e inundando o quarto escuro de um forte cheiro a limpa-pratas . - Doem me todos os músculos - resmungou , metendo se em a cama . - Ele fez me polir catorze vezes aquela taça de Quidditch até estar satisfeito . E depois tive outro vómito em_cima_de um troféu de Reconhecimento por serviços prestados a a escola . Demorei séculos a limpar o muco de as lesmas . Como correram as coisas com o Lockhart ? Em voz baixa para não acordar o Neville , o Dean e o Seamus , Harry contou lhe , palavra por palavra , o que tinha ouvido . - E Lockhart disse que não ouviu nada ? - perguntou o Ron . Harry viu o franzir a testa , a a luz de o luar . - Achas que estava a mentir ? Mas , não percebo , mesmo um ser invisível teria aberto a porta . - Eu sei - disse Harry , encostando se a a cama e olhando para o dossel . - Também não compreendo . VIII_A festa de o dia de os mortos Outubro chegou , espalhando um frio húmido por os campos e por os cantos de o castelo . Madam_Pomfrey , a enfermeira-chefe , esteve bastante ocupada com uma onda de constipações que afectou professores e alunos . A sua poção de pimentão entrou imediatamente em acção apesar_de deixar quem a tomava com fumo em os ouvidos durante várias horas . Ginny_Weasley , que andava com ar adoentado , foi convencida a tomá a por o Percy . O fumo que saía por debaixo de o seu cabelo ruivo dava a impressão de que toda_a cabeça estava em fogo . Gotas de chuva de o tamanho de balas agrediram as janelas de o castelo durante dias a fio . O lago rosado e os canteiros de flores tornaram se regatos lamacentos e as abóboras de o Hagrid incharam ficando de o tamanho de alpendres de jardim . Contudo , o entusiasmo de Oliver_Wood por as sessões de treino regular não foi abalado , motivo por o qual Harry iria regressar a a torre de os Gryffindor , em um sábado a a tarde de temporal , alguns dias antes de o * _ Hallowe'en * , ensopado até a os ossos e todo enlameado . Além de a chuva e de o vento , não fora um treino feliz . Fred e George que tinham andado a espiar a equipa de os Slytherin tinham visto com os seus próprios olhos a velocidade alucinante de aquelas novas Nimbus dois_mil_e_um e comentaram que a equipa em o ar parecia composta por sete manchas esverdeadas que disparavam a_toda_a velocidade como aviões a jacto . Enquanto Harry chapinhava a o longo de o corredor deserto , cruzou se com alguém que parecia tão preocupado como ele : Nick quase sem cabeça , o fantasma de a torre de os Gryffindor que olhava taciturno , por a janela , murmurando baixinho : - Não preenche os requisitos , um centímetro e meio se ... - Olá , Nick - cumprimentou Harry . - Olá , olá - disse o Nick quase sem cabeça , começando a olhar em volta . Usava um arrebatado chapéu de plumas sobre a longa cabeleira encaracolada e uma túnica com gola de tufos que disfarçava o facto de ter o pescoço quase totalmente separado de o corpo . Era pálido como o fumo e Harry podia ver através de ele o céu negro e a chuva torrencial , lá fora . - Pareces preocupado , jovem Potter - disse Nick , dobrando uma carta transparente , enquanto falava e escondendo a dentro de a jaqueta . - Tu também - retorquiu Harry . - Ah ! - o Nick quase sem cabeça acenou com a mão de forma elegante . - Uma questão sem importância . Não é_que eu quisesse realmente participar apesar_de me ter inscrito , mas , a o que parece , não preencho os requisitos . - Apesar de o seu tom jovial havia em o seu rosto uma grande amargura . - Mas era de esperar , ou não era - exclamou subitamente , tirando a carta de o bolso - que ter levado quarenta_e_cinco golpes em a cabeça com um machado ferrugento me qualificaria para entrar em o grupo de os Sem - _ Cabeça ? - Sim , sim - respondeu Harry que obviamente o outro esperava que concordasse . - Isto_é , ninguém mais do_que eu desejaria que tudo tivesse sido rápido e perfeito , poupava me muitas dores e ridículo . Mas ... O Nick quase sem cabeça abriu , furioso , a carta e leu : * _ Só podemos aceitar em o grupo homens cuja cabeça tenha sido separada de o corpo . Compreenderá que de outro modo seria impossível a os nossos membros participarem em actividades como equitação de malabarismos com a cabeça e pólo de cabeça . Lamentamos profundamente informá o de que não preenche os requisitos . * _ Os nossos melhores cumprimentos , Sir_Patrick_Delaney - _ Podmore * Furioso , o Nick quase sem cabeça atirou fora a carta . - Um centímetro de pele e tendões a segurarem me a cabeça , Harry ! A maior parte de as pessoas acharia que era mais do_que o suficiente , mas não serve para o senhor correctamente decapitado Podmore . Nick quase sem cabeça respirou fundo várias vezes e , por fim , em um tom bastante mais calmo perguntou : - Então o que é_que te preocupa ? Alguma coisa que eu possa fazer por ti ? - Não - respondeu Harry . - A_não_ser_que saibas onde posso arranjar sete Nimbus dois_mil_e_um , de_graça , para o nosso campeonato contra os Sly ... - o resto de a frase foi afogada por um miado agudo vindo de perto de os seus tornozelos . Olhou para baixo e deu consigo a fitar um par de olhos que pareciam duas lâmpadas amarelas . Era_Mrs._Norris , a gata cinzenta e esquelética usada por o encarregado Argus_Filch como uma espécie de polícia em a sua infindável batalha contra os estudantes . - É melhor saíres de aqui , Harry - preveniu Nick com toda_a calma . - O Filch não está nada bem-disposto . Anda engripado e alguns alunos de o terceiro ano , por acidente , encheram o tecto de o calabouço cinco de miolos de rã . Ele tem andado toda_a manhã a limpar e se te vê a encher tudo de lama ... - Certo - disse Harry , recuando e afastando se de o olhar acusador de Mrs._Norris , mas ... tarde de mais . Conduzido até ali por o misterioso poder que parecia ligá o a a gata , Argus_Filch entrou subitamente por uma tapeçaria que se encontrava a a direita de Harry , com a sua respiração asmática , olhando vivamente em volta em busca de o infractor . Tinha um lenço grosso , de xadrez , a a volta de a cabeça e o nariz invulgarmente arroxeado . - Imundície - gritou com os maxilares a tremer e os olhos a saltarem lhe de as órbitas , enquanto apontava para a poça de lama que pingara de a túnica de Quidditch_de_Harry . - Desarrumação e imundície em todo o lado . Estou farto disto , segue me , Potter . Harry despediu se de o Nick quase sem cabeça com um tímido aceno e seguiu Filch até lá abaixo , duplicando o número de pegadas lamacentas em o chão . Nunca entrara em o gabinete de o Filch . Era um lugar que a maior parte de os estudantes evitava . A divisão era sombria e sem janelas , iluminada por uma única lamparina de óleo que pendia de o tecto . Sentia se um vago cheiro a peixe frito . As paredes estavam forradas por ficheiros de madeira . Por as etiquetas Harry percebeu que continham os dados de todos os alunos que Filch tinha punido . Fred e George_Weasley tinham uma gaveta só para eles . Atrás de a secretária estava pendurada uma colecção bem polida de correntes e algemas . Todos sabiam que ele estava sempre a pedir a Dumbledore que o deixasse pendurar os alunos em o tecto por os tornozelos . Filch pegou em uma pena que estava sobre a secretária e começou a procurar o pergaminho . - Bosta - murmurou , furioso . - Bosta de dragão , miolos de rã , intestinos de ratazana ... eu tinha aqui bastante , onde está o form ... sim ... Tirou um enorme rolo de pergaminho de a gaveta de a secretária e estendeu o em a frente , molhando a longa pena em o tinteiro . - Nome : Harry_Potter . Crime ... - Foi só um bocadinho de lama - disse Harry . - É só um bocadinho de lama para ti , rapaz , mas para mim é mais de uma hora a esfregar - gritou Filch com um pingo a tremer de modo desagradável em a extremidade de o nariz bolboso . - Crime : manchar o castelo . Sentença proposta ... Esfregando o nariz que continuava a pingar , Filch olhou com má cara para Harry que esperava com a respiração entrecortada para ouvir a sentença . Mas quando Filch pegou em a pena ouviu se um estrondo enorme em o tecto que fez a lamparina apagar se . - PEEVES - resmungou Filch , pousando a pena , cheio de raiva . - Desta_vez apanho te . Apanho te ! E sem olhar para trás , saiu a correr a_toda_a velocidade de o gabinete , seguido de a gata , Mrs._Norris . Peeves era o * poltergeist * de a escola , uma ameaça de risota esvoaçante que vivia para fazer estragos e criar aflição . Harry não gostava lá muito de ele , mas desta_vez , não podia deixar de lhe estar grato . Na_melhor_das_hipóteses o que Peeves tivesse feito ( e parecia que agora ele destruíra qualquer coisa em grande ) distrairia Filch_de_Harry . Pensando que o melhor seria esperar que ele voltasse , Harry deixou se cair em uma cadeira carcomida por o tempo que se encontrava junto de a secretária . Havia uma coisa sobre o tampo : um grande envelope roxo e lustroso com letras prateadas em a frente . Lançando um olhar rápido a a porta para confirmar que Filch não estava de volta , Harry pegou lhe e leu : __ feitiço __ rápido Um curso por correspondência De iniciação a a magia Cheio de curiosidade , abriu o envelope e retirou o rolo de pergaminho . Uma letra curvilínea e prateada dizia : Sente se pouco a a vontade em o mundo de a magia moderna ? Dá consigo a arranjar desculpas para não fazer feitiços simples ? Tem sido censurado por o deplorável trabalho com a varinha ? Eis a resposta ! Feitiço rápido e um curso totalmente novo , infalível , de resultados rápidos e rápida aprendizagem . Centenas de bruxas e feiticeiros têm beneficiado de o método feitiço rápido ! Madam_Z._Nettles_de_Topsham escreve nos : Eu não conseguia fixar os encantamentos e as minhas poções eram alvo de risota em a família . Agora , depois de o curso feitiço rápido , tornei me o centro de as atenções em todas_as festas e os meus amigos não param de pedir me a receita de a minha brilhante solução ! O mágico D.J._Prod , de Disbury , afirma : A minha mulher costumava rir se de os meus fracos encantamentos , mas bastou um mês com o vosso fabuloso curso feitiço rápido e consegui transformá a em um iaque . Obrigado , feitiço rápido ! Fascinado , Harry folheou o resto de o conteúdo de o envelope . Para que diabo quereria o Filch um curso de feitiço rápido ? Não seria ele um feiticeiro a sério ? Harry estava a ler a lição número um : Pegando em a varinha ( algumas dicas úteis ) quando umas passadas arrastadas , lá fora , o preveniram de que Filch estava de volta . Metendo rapidamente o pergaminho dentro de o envelope , lançou o para_cima de a secretária em o preciso momento em que a porta se abriu . Filch ostentava um ar triunfante . - Aquele armário que desapareceu era extremamente valioso - vinha ele a dizer a a gata , Mrs._Norris . - Desta_vez vamos correr com o Peeves , minha linda . Os seus olhos recaíram sobre Harry e logo_a_seguir sobre o envelope de o feitiço rápido que , Harry apercebeu se tarde de mais , estava meio metro distanciado de o seu lagar inicial . O rosto pálido de Filch tornou se vermelho escarlate . Harry preparou se para uma nova onda de fúria . Filch coxeou até a a secretária , arrebatou o envelope e meteu o em uma gaveta . -- Chegaste a ... lê o ? - perguntou atabalhoadamente . - Não - mentiu Harry , sem perder tempo . As mãos nodosas de o Filch contorciam se ao_mesmo_tempo . - Se eu soubesse que ias ler a minha correspondência priv ... não que seja minha ... é para um amigo ... mesmo_assim ... Harry olhava para ele espantado . Nunca vira o Filch tão louco . Os olhos pareciam querer saltar lhe de as órbitas , com um tique em as bochechas e aquele lenço axadrezado que não ajudava nada ... - Muito bem , vai e não abras a boca sobre isto ... não que ... mesmo_assim ... se tu não leste ... vai te embora , tenho de escrever o relatório sobre o Peeves , vai . Atordoado com a sua sorte , Harry saiu de ali e largou a correr por o corredor fora e por as escadas acima . Sair de o gabinete de o Filch sem um castigo devia ser um recorde em a escola . - Harry , Harry , deu resultado ? O Nick quase sem cabeça saiu a brilhar de uma sala de aula . Atrás de ele , Harry pôde ver os destroços de um grande armário preto e dourado que parecia ter sido atirado de uma grande altura . - Convenci o Peeves a parti o mesmo em cima de o gabinete de o Filch - disse Nick entusiasmado . - Pensei que talvez o distraísse . - Foste tu ? - exclamou Harry , agradecido . - Funcionou sim . Ele não me deu nenhum castigo . Obrigado , Nick . Atravessaram o corredor juntos . O Nick quase sem cabeça , reparou Harry , ainda tinha em a mão a carta de Sir_Patrick . - Gostaria de poder fazer qualquer coisa sobre o grupo de os Sem - _ Cabeça - disse Harry . O Nick quase sem cabeça parou de repente e Harry passou através de ele . Antes não tivesse passado , foi como atravessar um duche gelado . - Mas há uma coisa que tu podes fazer por mim - disse Nick muito agitado . - Harry , seria pedir te de mais ... mas não , tu não ias querer ... - O quê ? - Bem , este ano em o * _ Hallowe'en * vai ser o meu meio milénio de dia de os mortos - disse o Nick quase sem cabeça endireitando se e adquirindo uma postura de grande dignidade . - Oh - respondeu Harry sem saber se deveria lamentar ou dar lhe os parabéns . - Certo . - Vou dar uma festa em um de os calabouços mais amplos . Vêm amigos meus de todo o país . Seria uma honra muito grande se tu aparecesses . Mr._Weasley e Miss_Granger seriam também muito bem-vindos , claro . Mas tu deves preferir o banquete de a escola , não é verdade ? - Olhou para Harry , aflito . - Não - assegurou ele rapidamente . - Eu vou . - Oh rapaz , Harry_Potter em a minha festa de os mortos - hesitou no_meio_de toda aquela excitação . - Achas que poderias referir a Sir_Patrick como me achas assustador e como te impressiono ? - É claro que sim - assegurou Harry . O Nick quase sem cabeça iluminou se em um sorriso . - Uma festa de os mortos ? - exclamou Hermione , entusiasmada , quando Harry , depois de mudar de roupa , se juntou a ela e a o Ron em a sala comum . - Aposto que não há muitas pessoas que possam gabar se de ter estado em uma festa de essas . Vai ser fantástico ! - Por_que é_que alguém se lembraria de festejar o dia em que morreu ? - perguntou o Ron que estava a meio de o seu trabalho de casa de poções e bastante maldisposto . - Parece me bastante mórbido . A chuva continuava a lamber as janelas que apresentavam agora um negro que parecia tinta , mas , lá dentro , era tudo claro e alegre . O fogo em a lareira brilhava sobre as inúmeras cadeiras de braços onde as pessoas estavam sentadas a ler , a conversar , a fazer os trabalhos de casa ou , no_caso_de Fred e George_Weasley , a tentar descobrir o que aconteceria se alimentassem uma salamandra com fogo-de-artíficio de o Filibuster . O Fred tinha « resgatado . o lagarto cor de laranja brilhante , morador de o fogo , de uma aula de tratamento de seres mágicos e ele estava agora a arder em fogo lento sobre uma mesa , rodeado de um grupo de curiosos . Harry ia começar a contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre o Filch e o curso de feitiço rápido quando a salamandra disparou por os ares , lançando faíscas e estoiros . A visão de Percy a gritar com Fred e George até ficar ronco , a fantástica exibição de estrelas cor de tangerina que choviam de a boca de a salamandra e a sua fuga para o lume acompanhada de explosões , fizeram com que Harry se esquecesse , em aquele momento , de Filch e de o curso de feitiço rápido . Quando chegou o * _ Hallowe'en * , Harry já lamentava a sua promessa imprudente de ir a a festa de os mortos . Toda_a escola antecipava , feliz , a sua festa de * _ Hallowe'en * . O salão nobre fora enfeitado com os habituais morcegos , as enormes abóboras de Hagrid tinham sido esculpidas em forma de lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro_de cada uma , e havia boatos de que Dumbledore contratara um grupo de esqueletos bailarinos para animar a festa . - Uma promessa é uma promessa - lembrou Hermione_a_Harry com o seu autoritarismo habitual . - Tu disseste que ias a a festa de os mortos . Portanto , a as sete_da_tarde , Harry , Ron e Hermione saíram , passando por a porta de o salão nobre que brilhava de modo convidativo com pratos dourados e velas e dirigiram os seus passos para os calabouços . O corredor que conduzia a a festa de o Nick quase sem cabeça tinha sido também ladeado de velas , embora o efeito estivesse longe_de ser alegre : estas eram velas muito esguias e estreitas , negras de breu , ardendo em um azul brilhante e lançando uma luz indistinta e espectral também sobre as caras de as pessoas vivas . A temperatura diminuía a cada degrau que desciam . Harry tremia e cingia a túnica a o corpo quando ouviu qualquer coisa que parecia uma centena de unhas a rasparem um enorme quadro preto . - Será que isto_é a música ? - murmurou Ron . Viraram uma esquina e viram o Nick quase sem cabeça junto de uma porta , todo vestido de veludo negro . - Meus queridos amigos - disse com ar de luto . - Bem-vindos , bem-vindos , ainda_bem que puderam vir . Em um gesto largo tirou o chapéu de plumas e fez lhes sinal para que entrassem . Era uma visão incrível . O calabouço estava cheio com centenas de pessoas de um branco pálido e translúcido , a maior parte de as quais era arrastada em uma pista de dança cheia , valsando a o som de trinta serrotes musicais . Os serrotes que compunham a orquestra encontravam se sobre um estrado enfeitado com panos negros . Um lustre lá em cima resplandecia de um azul nocturno com mais um_milhar de velas negras . A respiração de os três subiu em o ar como uma neblina . Parecia que tinham entrado em um congelador . - Vamos dar uma volta - sugeriu Harry em uma tentativa de aquecer os pés . - Cuidado , não atravessem nenhum de eles - avisou o Ron nervosamente e colocaram se em volta de a pista de dança . Passaram por um grupo escuro de freiras , por um homem esfarrapado e cheio de correntes e por o frade gordo , o divertido fantasma de os Hufflepuff que estava a conversar com um cavaleiro com uma seta enfiada em a testa . Harry não ficou nada surpreendido a o ver que o Barão sangrento , o fantasma lúgubre e berrante de os Slytherin , coberto de nódoas de sangue ; estava a ser totalmente evitado por os outros fantasmas . - Oh ! Não -- exclamou Hermione , parando bruscamente . - Voltem se , voltem se , não quero ter de cumprimentar a Murta_Queixosa . - Quem ? - perguntou Harry enquanto davam rapidamente meia volta . - Ela assombra a casa_de_banho de as raparigas de o primeiro andar - explicou Hermione . - Assombra uma casa_de_banho ? - Sim . Está inoperativa durante todo o ano porque ela tem constantes acessos de choro e inunda tudo . Eu só lá fui quando não pode mesmo evitar . É horrível tentar ir a a sanita com ela a gritar connosco . - Olhem , comida - disse o Ron . De o outro lado de o calabouço estava uma mesa igualmente coberta de velado negro . Iam para se aproximar entusiasmados , mas pararam com uma expressão de horror . O cheiro era nauseabundo . Enormes peixes podres enchiam as bonitas travessas de prata , os bolos estorricados como carvões amontoavam se em as salvas , havia uma grande quantidade de miúdos de macaco , uma tábua de queijos cobertos de bolor e , em o lugar de honra , um enorme bolo cinzento em forma de lápide com letras que pareciam alcatrão formando as palavras , * _ Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington_Morto em 31_de_Outubro , 1492 * . Harry olhou espantado quando um fantasma de porte majestoso se aproximou de a mesa inclinando se e passando através de ela com a boca aberta enquanto atravessava um salmão malcheiroso . - Consegue prová o passando através de ele ? - perguntou lhe Harry . - Quase - disse tristemente o fantasma antes de se afastar . - Devem ter deixado apodrecer tudo_isto para ter um sabor mais forte - comentou Hermione com ar de quem está bem informada , tapando o nariz e aproximando se para ver melhor os pútridos miúdos de macaco . - Podemos sair de aqui , estou a sentir me agoniado - disse o Ron . Mas mal tinham dado meia volta quando um homenzinho pequenino saiu inesperadamente de debaixo de a mesa e fez uma paragem em o ar em frente de eles . - Olá , Peeves - disse Harry cautelosamente . Ao_contrário de os outros fantasmas que os rodeavam , Peeves , o * poltergeist * era o oposto de pálido e transparente . Usava um chapéu festivo cor de laranja , um laço rotativo a o pescoço e tinha um sorriso grosseiro de malvadez , em o rosto . - Querem petiscar ? - perguntou delicadamente , oferecendo lhes uma taça de amendoins cobertos de fungos . - Não , obrigada - disse Hermione . - Ouvi te falar sobre a pobre Murta - disse Peeves com os olhos a bailar . - Que insensível que tu foste para com a pobre Murta - respirou fundo e gritou : - Oh Murta . - Oh ! Não , Peeves , não lhe contes o que eu disse , ela vai ficar muito aborrecida - murmurou Hermione bastante nervosa . - Eu não queria dizer que ... eu não me importo que ela , er , olá , Murta . O espectro atarracado de uma rapariga deslizara . Tinha o rosto mais carrancudo que Harry alguma vez vira , meio escondido por o cabelo liso e por os óculos grossos cor de pérola . - O que é ? - perguntou mal-humorada . - Como estás Murta ? - perguntou Hermione , em uma voz falsamente alegre . - É bom ver te fora de a casa_de_banho . Murta fungou . - Miss_Granger estava justamente a falar de ti - disse lhe Peeves baixinho a o ouvido . - A dizer , a dizer ... como estás bonita esta noite -- terminou Hermione , olhando irritada para Peeves . A Murta olhou para Hermione desconfiada . - Estão a divertir se a a minha custa - disse , com lágrimas de prata a encherem lhe rapidamente os olhos pequeninos . - Não , a sério , eu não estava a dizer vos como a Murta estava bonita esta noite ? - disse Hermione , dando uma palmada em as costas de o Harry e de o Ron . - Sim , sim . - Ela ... - Não me venham com mentiras - protestou a Murta , as lágrimas agora a descerem lhe por o rosto , enquanto Peeves ria baixinho por cima de o ombro de ela . - Julgam que eu não sei o que as pessoas me chamam em as minhas costas ? A Murta gorda , a Murta feia , a Murta queixosa , a Murta deprimida ! - Esqueceste te de « a Murta ponto negro » - sussurrou lhe Peeves a o ouvido . A Murta_Queixosa irrompeu em soluços de angústia e fugiu de o calabouço . Peeves disparou atrás de ela , lançando lhe uma chuva de amendoins cheios de bolor e gritando : Ponto negro ! Ponto negro ! - Oh , coitada ! - exclamou Hermione com tristeza . O Nick quase sem cabeça abria agora caminho entre a multidão para se aproximar de eles . - Estão a divertir se ? - Sim , sim - mentiram . - Uma afluência nada má - disse orgulhoso o Nick quase sem cabeça . - A viúva chorosa veio de Kent ... está quase em a hora de o meu discurso . É melhor ir avisar a orquestra . Mas a orquestra parou de tocar em esse preciso momento . Eles , e todos os outros em o calabouço , ficaram em silêncio total , olhando em volta cheios de excitação quando se ouviu uma trompa de a caça . - Lá vêm eles - disse o Nick quase sem cabeça , com alguma amargura em a voz . Por o calabouço irromperam uma_dúzia de , cavalos fantasmas , cada_um montado por um cavaleiro sem cabeça . A assistência aplaudiu vivamente . Harry começou também a bater palmas , mas parou rapidamente quando viu a cara de o Nick . Os cavalos galoparam até a o meio de a pista de dança e pararam , empinando se , dando pequenos passos para a frente e para trás , sobre as patas traseiras . Um fantasma grande em a frente , cuja cabeça barbuda estava debaixo de o braço , soprando a trompa , desmontou , levantou a cabeça bem em o ar para poder ver toda_a assistência ( todos se riam ) e dirigiu se a o Nick quase sem cabeça , comprimindo a cabeça contra o pescoço . - Bem-vindo , Patrick - disse o Nick , mantendo a sua postura rígida . - Gente viva ! - exclamou o Sir_Patrick , avistando Harry , Ron e Hermione e dando um salto de falso espanto , de_tal_modo_que a cabeça lhe caiu de_novo ( a multidão ria a bom rir ) . - Muito engraçado - disse o Nick quase sem cabeça com um ar soturno . - Não ligues a o Nick - gritou a cabeça de Sir_Patrick de o chão . - Ainda está aborrecido por não o deixarmos juntar se a o grupo . Mas olhem bem para ele ... - Eu acho - disse apressadamente Harry , a seguir a um olhar de o Nick - que o Nick é muito assustador e ... eu ... - Bah ! - gritou a cabeça de Sir_Patrick . - Aposto que ele te pediu que dissesses isso . - Gostaria de ter a vossa atenção . Chegou a altura de fazer o meu discurso - disse o Nick quase sem cabeça bem alto , dirigindo se a o pódio , subindo e parando , iluminado por uma luz azul . - Os meus sentimentos , senhores e senhoras , é com profundo pesar ... Mas já ninguém estava a ouvi o . Sir_Patrick e o resto de o grupo de os Sem - _ Cabeça tinham iniciado um jogo de hóquei de cabeça e a multidão voltara se para os observar . Nick quase sem cabeça tentou em vão recuperar a audiência , mas acabou por desistir quando a cabeça de Sir_Patrick passou por ele a_toda_a velocidade gritando vivas . Harry estava cheio de frio para não falar de a fome . - Não aguento mais isto - murmurou Ron a bater o dente enquanto a orquestra voltava a entrar em acção e os fantasmas enchiam de_novo a pista de dança . - Vamos embora - concordou Harry . Recuaram até a a porta , acenando e sorrindo a todos os que olhavam para eles e um minuto depois passavam apressadamente por a entrada cheia de velas negras . - Talvez o pudim ainda não tenha acabado - disse o Ron cheio de esperança , abrindo caminho em direcção a os degraus de o vestíbulo de a entrada . E foi então que Harry ouviu aquilo . - ... * _ Arrancar ... rasgar ... matar * ... Era a mesma voz , a mesma voz fria e assassina que ouvira em o escritório de Lockhart . Parou , agarrando se a a parede de pedra em a expectativa de ouvir melhor , olhando em volta , espreitando para_cima e para baixo de a passagem mal iluminada . - Harry que estás tu a ... ? - E aquela voz outra_vez , calem se um bocadinho . -- ... * _ Tanta fome ... há tanto tempo * ... - Ouçam insistiu Harry e Ron e Hermione ficaram estáticos a olhar para ele . - * _ Matar ... hora de matar * ... A voz ia ficando mais débil . Harry tinha a certeza de que ela estava a afastar se , a subir . Um misto de medo e excitação tomou posse de ele enquanto olhava para o tecto escuro . Como poderia ele subir ? Seria um fantasma para quem os tectos de pedra não contavam ? - Por aqui - gritou , começando a correr por as éscadas acima até a a entrada de o * hall * . Não havia hipótese de ouvir fosse o que fosse ali , o barulho de vozes que vinha de o banquete de o * _ Hallowe'en * ecoava cá fora . Harry subiu a correr a escadaria de mármore até a o primeiro andar com Ron e Hermione ruidosamente atrás . - Harry o que é_que nós ... ? - Sch ... Harry apurou o ouvido . Ao_longe , em o andar de cima , e ainda a enfraquecer , mesmo_assim ouviu a voz : - ... * Cheira-me a sangue ... cheira me a sangue ! * O estômago deu lhe uma volta . - Ele vai matar alguém - gritou e ignorando as caras perplexas de Ron e Hermione , correu , subindo mais um lanço de escadas , a três_e_três , tentando ouvir através de o ruído de os seus próprios passos . Harry correu a_toda_a velocidade pelo segundo andar com Ron e Hermione atrás e só parou quando viraram uma esquina para o último corredor abandonado . - Harry , o que foi aquilo tudo ? - perguntou o Ron , limpando o suor de o rosto . - Eu não ouvi nada ... Mas Hermione , em um sobressalto , apontou para o fundo de o corredor . - Olhem ! Alguma coisa brilhava em a parede em frente . Aproximaram se devagarinho , tentando ver em a escuridão . Alguém escrevera em letras garrafais em a parede entre duas janelas . As palavras brilhavam a a chama fraca de as tochas . : __ a câmara de os segredos foi aberta . inimigos de o herdeiro , __ cuidado . - O que é aquilo pendurado por baixo de as letras ? - perguntou Ron com um tremor em a voz . Quando se aproximaram , Harry quase escorregou . Havia uma grande poça de água em o chão . Ron e Hermione agarraram o e avançaram cautelosamente até a a mensagem , os olhos fixos em uma sombra escura , em baixo . Aperceberam se os três de imediato do_que se tratava e deram um salto para trás , salpicando tudo de água . Mrs._Norris , a gata de o encarregado , estava pendurada por a cauda em o suporte de a tocha . Tinha o corpo rígido como uma tábua e os olhos abertos . Durante alguns segundos ninguém se mexeu . Depois o Ron disse : - Vamos sair de aqui . - Não devíamos tentar ajudar ? - propôs Harry , sem graça . - Acredita - assegurou o Ron . - É melhor que não nos encontrem aqui . Mas era tarde de mais . Um ruído surdo e prolongado , como um trovejar distante , avisou os de que o festim tinha terminado . De ambos os lados de o corredor onde eles estavam , veio o som de centenas de pés a subirem a escadaria e as vozes alegres de gente bem alimentada . Em o momento seguinte os alunos chegavam junto de eles de ambos os lados . O burburinho morreu subitamente mal as pessoas avistaram a gata pendurada . Harry , Ron e Hermione estavam de pé , sozinhos , em o meio de o corredor quando se fez silêncio em a multidão de estudantes que se empurravam para observar aquele quadro macabro . Então alguém gritou , quebrando o silêncio . - Inimigos de o herdeiro , cuidado . Vocês serão os próximos , sangue de lama ! Era_Draco_Malfoy . Estava a a frente de a multidão com os olhos frios a brilhar , a sua cara habitualmente pálida agora afogueada , sorrindo a a vista de a gata pendurada e imóvel . IX_As palavras em a parede -- O que é_que se passa aqui ? O que é_que se passa ? Sem dúvida , atraído por o grito de Malfoy , Argus_Filch apareceu a coxear em o meio de a multidão . Quando viu Mrs._Norris , caiu para trás agarrando o rosto com verdadeiro horror . - A minha gata ! A minha gata ! O que aconteceu a Mrs._Norris ? - gritou . E os seus olhos rápidos caíram sobre Harry . - Tu - guinchou ele . - Mataste a minha gata ! Mataste a , vou dar cabo de ti , eu ... - Argus . Dumbledore tinha chegado a o lugar , seguido de alguns professores . Em poucos segundos tinha passado a a frente de Harry , Ron e Hermione e desatado Mrs._Norris de o suporte de a tocha . - Vem comigo , Argus - disse ele a o Filch . - Vocês também , Mr._Potter , Mr._Weasley e Miss_Granger . Lockhart deu rapidamente um passo em frente . - O meu escritório é o que está mais perto , senhor director , é já aqui em cima , por favor fiquem a a vontade . - Obrigado , Gilderoy - disse Dumbledore . A multidão silenciosa dividiu se para os deixar passar . Lockhart sentindo se excitado e importante , seguia Dumbledore assim_como a professora Mc_Gonagall e o professor Snape . Quando entraram em o escritório escuro de Lockhart houve uma grande agitação em as paredes . Harry viu várias imagens de Lockhart a esconderem se cheias de rolos em o cabelo . O Lockhart em pessoa acendeu as velas e chegou se mais para trás . Dumbledore pôs Mrs._Norris em a superfície polida de a secretária e começou a examiná a . Harry , Ron e Hermione trocaram olhares tensos entre si e deixaram se cair em as cadeiras que se encontravam longe de a luz , a observar . A ponta de o nariz longo e adunco de Dumbledore estava a menos_de dois centímetros de o pêlo de Mrs._Norris . Ele olhava a de perto através de os óculos de meia-lua , os dedos longos a palpar e tactear suavemente . A professora Mc_Gonagall estava quase tão perto como ele , com os olhos contraídos . Snape surgia mais atrás , meio em a sombra , com uma expressão estranha em o rosto , como_se tentasse a_toda_a força sorrir . E Lockhart andava de um lado para o outro a dar sugestões . - Foi sem dúvida uma maldição que a matou , provavelmente a tortura de a metamorfose . Vi a muitas_vezes ser usada , mas infelizmente eu não estava lá quando isto aconteceu . Conheço o antídoto para essa maldição , o que a teria salvo . Os comentários de Lockhart foram interrompidos por os soluços secos e violentos de Filch . Estava afundado em uma cadeira junto de a secretária , incapaz de olhar para Mrs._Norris , com o rosto em as mãos . Por mais que detestasse Filch , Harry não pôde deixar de sentir pena de ele embora não tanta quanto_a que sentia por si próprio . Se Dumbledore acreditasse em o Filch ele seria certamente expulso . O director estava agora a sussurrar umas palavras estranhas e batendo em Mrs._Norris com a varinha , mas não aconteceu nada , ela continuou com o mesmo aspecto , como_se tivesse sido empalhada . - ... Lembro me de uma coisa semelhante que aconteceu em Ouagadogou - disse LockLart . - Uma série de ataques . Conto essa história em a minha autobiografia . Eu dei a a gente de a cidade vários amuletos que resolveram logo a situação ... As fotografias de Lockhart em as paredes iam acenando afirmativamente com a cabeça enquanto ele falava . Uma de elas esquecera se de tirar os rolos de o cabelo . Por fim , Dumbledore endireitou se . - Ela não está morta , Argus - disse suavemente . Lockhart interrompeu bruscamente a contagem de os crimes que conseguira evitar . - Não está morta ? - disse Filch em um sufoco , olhando através de os dedos para Mrs._Norris . - Mas , porque está ela rígida e gelada ? - Foi petrificada - disse Dumbledore ( Ah ! foi o que eu pensei ! - comentou Lockhart ) mas como , não posso afirmar . - Pergunte lhe - gritou Filch , voltando a cara cheia de furúnculos e lágrimas para Harry . - Nenhum aluno de o segundo ano poderia ter feito isto - explicou Dumbledore . - Era preciso um grande conhecimento de magia negra . - Foi ele , foi ele - disse encolerizado o encarregado com a cara a ficar roxa . - O senhor viu o que ele escreveu em a parede . Ele descobriu em o meu gabinete , ele sabe que eu sou um ... - O rosto de Filch estava horrível . - Ele sabe que eu sou um * _ busca-pé * - disse por fim . - Eu não toquei em a Mrs._Norris - gritou Harry com todos os olhares a recaírem sobre ele , incluindo o de todos os Lockharts de a parede . - E eu nem sei o que é um * busca-pé * . - Mentira ! - gritou Filch . - Ele viu a minha carta de o feitiço rápido . - Se me permite que dê a minha opinião , senhor director - disse Snape , saindo de a sombra , e a sensação de mau presságio de Harry aumentou bastante . Certamente nada do_que Snape tinha para de dizer iria ajudá o . - O Potter e os amigos podiam estar simplesmente em o lugar errado em a altura errada - afirmou com um leve sorriso a torcer lhe a boca como_se tivesse as suas dúvidas . - Mas , temos aqui um conjunto de circunstâncias curiosas . Porque estavam eles afinal em o corredor ? Porque não estiveram presentes em a festa de o * _ Hallowe'en * ? Harry , Ron e Hermione começaram uma longa explicação sobre a festa de o dia de os mortos . - Estavam lá centenas de fantasmas , eles poderão confirmar que lá estivemos ... - Mas porque não foram a seguir a o banquete ? - perguntou Snape com os olhos pretos a brilharem a a luz de as velas . - Porquê ir até a aquele corredor ? Ron e Hermione olharam para Harry . - Porque , porque ... - balbuciou Harry , com o coração a querer saltar lhe de o peito , mas algo lhe disse que ia parecer muito rebuscado se lhes contasse que tinha sido levado até ali por uma voz sem corpo que só ele conseguia ouvir . - Porque estávamos cansados e queríamos ir para a cama - disse . - Sem jantar ? - inquiriu Snape com um sorriso triunfante a bailar lhe em o rosto lúgubre . - Não sabia que os fantasmas ofereciam em as suas festas comida para gente viva . - Não estávamos com fome - disse o Ron bem alto , enquanto o estômago se queixava de forma audível . O sorriso mesquinho de a Snape ampliou se . - Acho , senhor director , que Potter não está a dizer toda_a verdade - afirmou . - Talvez fosse boa ideia retirar lhe alguns privilégios , até ele estar disposto a contar nos a história toda . Pessoalmente , sugiro que seja retirado de a equipa de os Gryffindor até decidir ser honesto . - Francamente , Severus - exclamou a professora Mc_Gonagall com uma voz cortante . - Não vejo porquê impedir o rapaz de jogar Quidditch . Esta gata não levou pauladas em a cabeça dadas por nenhum cabo de vassoura . E não há provas de que o Potter tenha feito algo de mal . Dumbledore observava Harry com um olhar perscrutador . A voz tremeluzente de os seus olhos azuis fez Harry sentir que estava a ser passado a raios X. - Inocente até se provar que é culpado , Severus - disse com segurança . Snape estava furioso , assim_como Filch . - A minha gata foi petrificada ! - berrou , com os olhos a saltarem de as órbitas . - Quero ver um castigo ! - Vamos poder curá a , Argus - explicou pacientemente Dumbledore . - Madam_Sprout conseguiu arranjar algumas Mandrágoras . Logo_que tenham atingido o tamanho adulto , terei uma poção de Mandrágoras que reanimará Mrs._Norris . - Eu posso fazê a - interrompeu Lockhart . - Devo ter feito isso uma centena de vezes . Preparo uma golada de Mandrágora reconstituinte de olhos fechados ... - Perdão - disse Snape friamente -- , mas julgo que o professor de poções de esta escola ainda sou eu . Houve um silêncio bastante incómodo . - Vocês podem ir se embora - disse Dumbledore a o Harry , Ron e a Hermione . Eles saíram o mais depressa que puderam , sem ir a correr . Quando chegaram a o andar acima de o escritório de Lockhart , entraram em uma sala de aulas vazia e fecharam a porta devagarinho . Harry lançou um olhar de esguelha a as caras carrancudas de os amigos . - Acham que eu lhes devia ter falado de a voz que ouvi ? - Não - respondeu Ron , sem a mínima hesitação . - Ouvir vozes que mais ninguém ouve , não é bom sinal , nem em o mundo de os feiticeiros . Algo em a voz de Ron levou Harry a fazer a pergunta : - Tu acreditas em mim , não acreditas ? - Claro que sim - respondeu o Ron de imediato . - Mas tens de concordar que é esquisito ... - Eu sei que é esquisito - confirmou Harry . - É tudo esquisito . O que era aquilo escrito em a parede ? * _ A_Câmara foi aberta * , o que é_que significa ? - Sabes , faz me lembrar qualquer coisa - disse Ron lentamente . - Acho que alguém me contou uma história sobre uma câmara secreta em Hogwarts , talvez tenha sido o Bill ... - E que diabos é um * busca-pé * ? - perguntou Harry . Para sua surpresa , Ron abafou o riso . - Bem , em a verdade não tem graça nenhuma , mas como é o Filch ... - disse . - Um * busca-pé * é alguém que nasceu de uma família de feiticeiros , mas não tem poderes mágicos . É uma espécie de o oposto de os que vêm de famílias de Muggles , mas são feiticeiros . Os * busca-pé * são muito raros . Se o Filch está a tentar aprender magia em um curso rápido , acho que ele deve ser mesmo um busca-pé . Isso explicaria tudo , por_exemplo , porque detesta tanto os estudantes . - Ron sorriu satisfeito . - Tem inveja . Um relógio deu as horas , algures . - Meia-noite - disse Harry . - É melhor irmo nos deitar , antes que o Snape apareça e tente acusar nos de qualquer coisa . Durante alguns dias não se falou de outra coisa em a escola a não ser de o ataque a a gata , Mrs._Norris . Filch manteve o sucedido bem fresco em a memória de todos , andando de um lado para o outro em o lugar onde ela fora atacada , como_se esperasse por o responsável . Harry vira o esfregar a mensagem de a parede com a « solução removedora de toda_a porcaria mágica Mrs._Skower » , mas sem qualquer resultado . As palavras continuavam a brilhar tanto como antes sobre a pedra . Quando Filch não estava a patrulhar a cena de o crime , vagueava , de olhos avermelhados , por os corredores , perseguindo alunos insuspeitos e tentando aplicar lhes castigos por coisas como « respirar muito alto » ou « estar alegre » . Ginny_Weasley parecia muito perturbada com o destino de Mrs._Norris . Segundo Ron ela era uma amante de gatos . - Mas tu nem chegaste a conhecer bem Mrs._Norris - disse lhe Ron para a animar . - Com toda_a franqueza , estamos muito melhor sem ela . - O lábio de Ginny tremeu . - Não é costume acontecerem coisas de estas em Hogwarts - tranquilizou a . - Eles vão descobrir o safado que fez aquilo e põem o de aqui para fora em três tempos . - Só espero que tenha tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso . Estou a brincar , claro - acrescentou o Ron apressadamente a o ver a Ginny a empalidecer . O ataque afectara também Hermione . Era costume de ela passar muito_tempo a ler , mas agora parecia não fazer mais_nada . Nem respondia a o Harry e a o Ron quando lhe perguntavam o que estava a fazer e só acabaram por descobrir em a quarta-feira seguinte . Harry tivera de ficar até mais tarde em a sala de poções onde Snape o mandara raspar restos de larvas de as secretárias . Depois de um almoço comido a a pressa , ele foi lá acima encontrar se com Ron em a biblioteca e viu Justin_Finch - _ Fletchley , o rapaz de os Hufflepuff de herbologia que vinha em direcção a ele . Harry tinha acabado de abrir a boca para dizer um « Olá » quando Justin o viu , voltando se bruscamente e mudando de direcção . Harry foi encontrar o Ron em as traseiras de a biblioteca , a medir o trabalho de casa de história de a magia . O professor Binns pedira uma composição sobre a Assembleia_Medieval_de_Feiticeiros_Europeus com 90cm . De extensão . - Não posso crer que ainda me faltem 16cm - disse o Ron furioso , largando o pergaminho que se enrolou em forma de tubo - e que a Hermione fez um metro e trinta em aquela letra pequenina e apertadinha . - Onde está ela ? - perguntou Harry , agarrando em a fita métrica e desembrulhando o seu trabalho de casa . - Algures por aí - disse o Ron , apontando para as estantes . - _ a a procura de outro livro . Acho que ela está a tentar ler a biblioteca toda antes de o Natal . Harry contou a Ron que Justin_Finch - _ Fletchley tinha evitado falar lhe . - Não sei porque te preocupas com isso . Eu achei o um idiota - disse o Ron , escrevinhando e fazendo a letra o maior possível . - Todo aquele disparate sobre o Lockhart ser tão grande ... Hermione surgiu de o meio de as estantes . Parecia irritada e disposta , por fim , a falar com eles . - Todos os exemplares de * _ Hogwarts : Uma História * foram requisitados - disse , sentando se ao_lado_de Harry e Ron . - E há uma lista de espera de duas semanas . Quem me dera não ter deixado o meu exemplar em casa , mas não consegui que coubesse em a mala com todos os livros de o Lockhart . - Para que o queres ? - perguntou Harry . - Pelo mesmo motivo que toda_a_gente o quer - disse Hermione . - Para ler a lenda de a Câmara_dos_Segredos . - O que é isso ? - Precisamente . Não me lembro - disse Hermione , mordendo o lábio . - E não encontro a História em lugar nenhum . - Hermione , deixa me ler o teu trabalho - pediu Ron desesperado , olhando para o relógio . - Não , não deixo - respondeu Hermione com um ar severo . - Tiveste dez dias para o fazer . - Só preciso de mais quatro centímetros , vá lá ... A campainha tocou . Ron e Hermione encaminharam se para a História_da_Magia , discutindo . A História_da_Magia era a matéria mais chata de o programa . O professor Binns , que dava a cadeira , era o único professor fantasma e a coisa mais excitante que aconteceu em as suas aulas foi o dia em que entrou por o quadro preto . Já velho e enrugado , muita gente afirmava a seu respeito que ele não dera por_que tinha morrido . Pura e simplesmente levantara se um dia para ir dar aulas , deixando o corpo atrás , em um cadeirão em frente de a lareira de a sala de os professores . Desde esse dia a sua rotina mantivera se igual . Era hoje tão chato como fora sempre . Abriu as notas e começou a ler em um tom monocórdico como um velho aspirador até quase todos os alunos estarem em um estado de profunda dormência , acordando de vez em quando , para tomar nota de um nome ou de uma data , e voltando a adormecer . Estava a falar havia meia_hora quando aconteceu algo que nunca tinha acontecido . Hermione pôs o braço em o ar . O professor Binns olhou de relance , em o meio de a chatíssima aula sobre a Convenção_Internacional_de_Feiticeiros de 1289 , verdadeiramente espantado . - Miss ... er ... ? - Granger , professor . Poderia dizer nos alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Hermione em uma voz bem audível . O Dean_Thomas , que tinha estado sentado de boca aberta olhando para fora de a janela , saiu de o seu transe com um salto . A cabeça de Lavender_Brown saiu de os braços e o cotovelo de o Neville_Longbottom escorregou para fora de a secretária . O professor Binns piscou os olhos . - A minha matéria é História_da_Magia - disse em a sua voz seca e asmática . - Eu trato de factos , Miss_Granger , não de mitos e lendas - pigarreou produzindo um ruído que parecia o giz sobre o quadro e continuou : - Em Setembro de esse ano , uma subcomissão de feiticeiros de a Sardenha ... Parou de repente . A mão de Hermione estava de_novo em o ar . - Sim , Miss_Grant ? - Por favor , professor , as lendas não têm sempre um facto como base ? O professor Binns olhava para ela com tal espanto que Harry teve a certeza de que ele nunca , em tempo algum , fora interrompido por um aluno . - Bem - disse lentamente o professor Binns . - Sim , é uma afirmação que pode fazer se . - Olhou para Hermione como_se fosse a primeira vez que olhasse a sério para um estudante . - Contudo , a lenda de que me fala é tão extraordinária , mesmo grotesca ... Mas a aula inteira estava agora atenta a as palavras de o professor , que olhou indistintamente para todos eles . Harry poderia assegurar que ele estava absolutamente abismado por uma tão grande demonstração de interesse . - Muito bem - disse lentamente . - Ora vejamos ... a Câmara_dos_Segredos . Todos vocês sabem com certeza que Hogwarts foi fundada há mais de um_milhar de anos , não se conhece ao_certo a data , por os quatro maiores feiticeiros e feiticeiras de a época : Godric_Gryffindor , Helga_Hufflepuff , Rowena_Ravenclaw e Salazar_Slytherin . Construíram juntos este castelo , longe de os olhares curiosos de os Muggles porque em aquele tempo a magia era temida por as pessoas comuns e as bruxas e feiticeiros sofriam terríveis perseguições . Fez uma pausa , olhou indeciso em volta e prosseguiu : - Durante alguns anos , os fundadores trabalharam juntos em harmonia procurando outros mais novos que mostrassem sinais de possuir dotes mágicos e trazendo os para o castelo para aqui serem ensinados . Mas os desentendimentos surgiram entre eles . Começou a notar se uma divisão entre Slytherin e os outros . Salazar_Slytherin queria ser mais selectivo em relação a os alunos a serem admitidos em Hogwarts . Achava que os ensinamentos de magia deviam ficar dentro de as famílias de feiticeiros . Não lhe agradava a entrada em a escola de alunos de famílias Muggles porque os achava pouco dignos de confiança . Depois de algum tempo houve uma séria discussão sobre esse assunto entre Slytherin e Gryffindor e Slytherin abandonou a escola . O professor Binns fez uma nova pausa , fazendo beicinho o que o fazia parecer uma tartaruga enrugada . - Fontes fidedignas referem nos isto - disse . - Mas estes factos foram obscurecidos por a fantasiosa lenda de a Câmara_dos_Segredos . Conta a história que Slytherin construíra uma câmara oculta dentro de o castelo cuja existência os outros fundadores ignoravam . De_acordo com a lenda , Slytherin selou a Câmara_dos_Segredos para que ninguém pudesse abri a até o seu verdadeiro herdeiro chegar a a escola . O herdeiro , e apenas ele , poderia abrir a Câmara_dos_Segredos , libertar o horror que lá se encontrava e utilizá o para expurgar a escola de todos aqueles que eram indignos de aprender magia . Houve um silêncio quando ele se calou que não era o habitual silêncio de sono de as aulas de o professor Binns . Havia um desassossego em o ar enquanto todos continuavam a olhá o a a espera de mais . O professor Binns estava ligeiramente aborrecido . - A história toda é um disparate , claro - disse ele . - A escola foi revistada por várias vezes em busca de provas de a existência de essa câmara , por os feiticeiros e bruxas mais conhecedores . Não existe nada . Uma lenda que serviu apenas para assustar os ingénuos . A mão de Hermione estava novamente em o ar . - Professor , o que quer_dizer , ao_certo com « o horror que estava dentro de a câmara » ? - Acredita se que seja uma espécie de monstro que só o herdeiro de Slytherin pode controlar - disse o professor Binns em a sua voz seca e débil . A aula trocou entre si olhares inquietos . - Como vos digo , a coisa não existe - afirmou o professor Binns , desordenando as suas notas . - Não há câmara e não há monstro . - Mas , professor - disse Seamus_Finnigan . - Se a câmara só podia ser aberta por o herdeiro de Slytherin ninguém mais poderia encontrá a . Não é ? - Um disparate pegado - disse o professor Binns , em um tom de voz exasperado . - Se uma longa sucessão de directores e directoras de Hogwarts não a encontraram ... - Mas , professor - começou a dizer Parvati_Patil . Se_calhar é preciso usar magia negra para a abrir ... - Lá porque um feiticeiro não usa magia negra não quer_dizer que não possa , Miss_Pennyfeather - interrompeu o professor Binns . - Repito , se os antecessores de Dumbledore ... - Mas talvez seja preciso fazer parte de os Slytherin , por isso Dumbledore não podia ... - começou Dean_Thomas , mas o professor Binns já estava farto . - Já chega - disse , de modo cortante . - É um mito . Não existe . Não há uma única prova de que Slytherin tenha construído nem mesmo uma despensa para vassouras . Lamento ter vos contado esta história tola . Vamos voltar , se fazem o favor , a a História , a os factos sólidos , verificáveis , credíveis . E em menos_de cinco minutos toda_a classe mergulhara em a sua sonolência habitual . - Eu sempre ouvi dizer que Salazar_Slytherin era um velho retorcido e meio pateta - disse Ron_a_Harry e Hermione enquanto abriam caminho por os corredores cheios , em o final de a aula , para ir arrumar as malas antes de o jantar . - Mas não sabia que ele tinha começado esta coisa de o sangue puro . Eu não ia para os Slytherin nem que me pagassem . Se o chapéu seleccionador me tivesse posto lá , pegava em as malas e ia me embora ... Hermione acenou vivamente , mas Harry não abriu a boca . O estômago parecia ter dado uma volta . Harry nunca contara a o Ron e a a Hermione que o chapéu seleccionador tinha considerado seriamente a possibilidade de o colocar em os Slytherin . Lembrava se como_se tivesse sido em a véspera do_que a vozinha lhe dissera a o ouvido quando pôs o chapéu em a cabeça , um ano antes . * _ Podias vir a ser grande , sabes ? Está tudo aqui em a tua cabeça e Slytherin ajudaria te em o caminho para a grandeza , sem a menor dúvida * ... Mas Harry , que já ouvira falar de a fama de o grupo de os Slytherin de formar magos negros , pensou desesperadamente . - Em os Slytherin , não ! - E o chapéu tinha dito . - Bem , se tens assim tanta certeza ... será melhor os Gryfffndor . Enquanto eram empurrados por a multidão , Colin_Creevey passou por eles . - Olá , Harry ! - Olá , Colin - disse Harry automaticamente . - Harry , Harry , um rapaz de a minha turma tem andado a dizer que tu és ... Mas Colin era tão baixinho que não conseguiu lutar contra a maré de gente que o arrastou até a o vestíbulo . Ouviram o despedir se : - Adeus , Harry - e desaparecer . - O que é_que o rapaz de a turma de ele disse de ti ? - quis saber Hermione . - Que eu sou o herdeiro de Slytherin , imagino - disse Harry , com o estômago ainda a as voltas e lembrou se de repente de o Justin_Finch - _ Fletchley a fugir para não lhe falar , a a hora de o almoço . - As pessoas aqui acreditam em tudo - disse o Ron com repugnância . A multidão diminuiu e conseguiram subir as escadas sem dificuldade . - Achas mesmo_que existe uma Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Ron_a_Hermione . - Não sei - respondeu ela , franzindo a testa . - Dumbledore não conseguiu curar Mrs._Norris e isso leva me a pensar que o que a atacou pode não ser ... humano . Enquanto falava , voltaram uma esquina e encontraram se em o fim de aquele mesmo corredor onde o ataque tinha ocorrido . Pararam para olhar . Estava tudo igual a aquela outra noite , com excepção de a gata Mrs._Norris e havia uma cadeira vazia encostada a a parede , onde podia ler se a mensagem « : __ a câmara foi __ aberta » . - Foi aqui que o Filch montou a guarda - murmurou Ron . Olharam uns para os outros . O corredor estava deserto . - Não deve fazer mal dar uma olhadela aqui - disse Harry , deixando cair a mala e pondo se de quatro para poder gatinhar em busca de pistas . - Marcas de queimadura - disse - aqui e aqui ... - Venham ver isto ! - chamou Hermione . - Que estranho ... Harry levantou se e foi até a a janela que ficava junto de a mensagem . Hermione apontava para o vidro mais alto , onde cerca de uma vintena de aranhas se debatiam em uma aparente luta por atravessar por uma pequena brecha de vidro . Um longo fio prateado balouçava como uma corda , como_se todas tivessem trepado , em a ânsia de chegar lá fora . - Alguma vez viram aranhas agir assim ? - perguntou Hermione , curiosa . - Não - respondeu Harry . - E tu , Ron ? Ron ? Olhou por cima de o ombro . Ron estava de costas , bem lá atrás e parecia lutar contra o impulso de se virar . - O que é_que se passa ? - perguntou Harry . - Eu não gosto de aranhas - disse Ron , de modo tenso . - Nunca me tinhas dito - comentou Hermione , olhando para ele com surpresa . - Estás farto de usar aranhas em as poções ... - Não me importo quando estão mortas - explicou Ron que olhava cautelosamente para todos os lados , menos para a janela . - Não gosto de a maneira como_se mexem . Hermione riu se baixinho . - Não tem graça nenhuma - disse o Ron , furioso . - Se queres saber , quando eu tinha três anos , o Fred transformou o meu ursinho de pelúcia em uma enorme aranha nojenta , por eu lhe ter partido a vassoura de brinquedo . Tu também não gostarias de aranhas se estivesses agarrada a o teu ursinho e , de repente , ele tivesse uma data de pernas e ... Começou a tremer ... Hermione ainda estava a tentar conter o riso . Sentindo que era melhor mudarem de assunto , Harry perguntou : - Lembram se de a água que havia aqui em o chão ? De onde terá vindo ? Alguém a limpou . - Era por aqui - disse o Ron , já recuperado , avançando alguns passos em direcção a a cadeira de o Filch e apontando . - Junto de esta porta . Estendeu a mão para o puxador de a porta , mas retirou a de imediato , como_se se tivesse queimado . - O que foi ? - perguntou Harry . - Não posso entrar aí - disse o Ron bruscamente . - É a casa_de_banho de as raparigas . - Oh , Ron , não está aí ninguém - sossegou o Hermione enquanto se aproximava . - É o lugar de a Murta_Queixosa . Anda , vamos dar uma espreitadela . E ignorando o grande letreiro que dizia « Fora de serviço » Hermione abriu a porta . Era a casa_de_banho mais sombria e deprimente em que Harry tinha posto os pés durante toda_a sua vida . Debaixo_de um grande espelho partido e sujo podia ver se uma fila de lavatórios de pedra , rachados . O chão estava húmido e reflectia a luz fraca de os pavios de algumas velas que ardiam baixinho em os suportes . As portas de madeira de os cubículos estavam todas lascadas e riscadas e uma de elas balouçava fora de as dobradiças . Hermione levou os dedos a os lábios e foi até a o último cubículo . Quando lá chegou disse : - Olá , Murta , como estás ? Harry e Ron foram ver . A Murta_Queixosa flutuava em a cisterna de a casa_de_banho , tirando um ponto negro de o queixo . - Esta é a casa_de_banho de as raparigas - disse a o ver o Ron e o Harry . - Eles não são raparigas . - Não - concordou Hermione . - Eu só queria mostrar lhes como esta casa_de_banho é ... er ... simpática . Ela fez um aceno vago a o velho espelho sujo e a o chão húmido . - Pergunta lhe se viu alguma coisa - sussurrou o Ron a a Hermione . - Porque estão a dizer segredinhos ? - perguntou a Murta , fitando o . - Não é nada - disse Harry rapidamente . - Queríamos perguntar ... - Gostava que as pessoas parassem de falar em as minhas costas ! - desabafou a Murta em uma voz abafada por as lágrimas . - Eu tenho sentimentos , sabem , apesar_de estar morta . - Murta , ninguém quis aborrecer te - explicou Hermione . - O Harry só ... - A minha vida foi uma infelicidade em este lugar e agora as pessoas vêm estragar a minha morte . - Nós queríamos perguntar te se tinhas visto alguma coisa estranha ultimamente - disse Hermione sem perder tempo . - Porque foi atacada uma gata mesmo aqui a a frente de a tua porta em a noite de o * _ Hallowe'en * . - Viste alguém aqui perto em essa noite ? - insistiu Harry . - Não estava a prestar atenção - disse a Murta com ar dramático . - O Peeves aborreceu me tanto que vim aqui para tentar matar me . Só então me lembrei de que estou ... de que estou ... - Já morta - ajudou o Ron . A Murta soluçou tragicamente , elevou se em o ar , voltou se e mergulhou de cabeça em a sanita , espalhando água por_cima_de todos eles e desaparecendo . Por o som de os seus soluços abafados fora certamente descansar algures em o cano em forma de V._Harry e Ron ficaram de boca aberta , mas Hermione encolheu os ombros de cansaço e disse : - Se querem saber , para a Murta isto até foi alegre ... vá , vamos embora . Harry tinha acabado de fechar a porta deixando atrás os soluços gorgolejantes de a Murta quando uma voz forte o fez dar um salto . - RON ! Percy_Weasley estava parado em o cimo de as escadas com o seu distintivo de prefeito a brilhar e uma expressão chocadíssima em o rosto . - Isso é a casa_de_banho de as raparigas ... o que é_que vocês ... ? - Estávamos só a dar uma vista de olhos - exclamou o Ron - a a procura de pistas ... Percy engoliu em seco , de uma maneira que fez Harry lembrar se de Mrs._Weasley . - Saiam imediatamente de aqui - disse , aproximando se de eles a passos largos e gesticulando agitadamente . - Não se preocupam com as aparências ? Voltar aqui enquanto toda_a_gente está a jantar ... - Porque não havíamos de estar aqui ? - perguntou cheio de vivacidade o Ron , parando de repente e olhando Percy em os olhos . - Ouve lá , nós não tocamos em aquela gata . - Isso foi o que eu tentei explicar a a Ginny - respondeu Percy furioso - mas ela parece continuar a pensar que vocês vão ser expulsos . Nunca a vi tão aflita . Não pára de chorar . Devias pensar em ela . Todos os alunos de o primeiro ano andam superexcitados com esta história . - Tu não estás nada preocupado com a Ginny - disse o Ron já com as orelhas vermelhas . - O que te assusta é_que eu possa estragar as tuas possibilidades de ser chefe de turma . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor ! - bradou Percy , apontando elegantemente para o distintivo de prefeito . - E espero que te sirva de lição . Acabou se o trabalho de detective ou escrevo a a mãe a contar lhe . E voltou lhes as costas , a nuca tão vermelha como as orelhas de o Ron . Harry , Ron e Hermione , em essa noite , sentaram se em a sala comum o mais longe possível de Percy . Ron estava ainda muito maldisposto e não parava de esborratar o trabalho de casa de os encantamentos . Quando pegou distraidamente em a varinha para tirar as manchas incendiou o pergaminho . A deitar quase tanto fumo como o seu trabalho de casa , fechou bruscamente o * _ Livro_Padrão_de_Encantamentos de o 2.o Grau * . Para grande surpresa de Harry , Hermione fez o mesmo . - Mas quem poderia ser - perguntou ela baixinho como_se continuasse uma conversa que tinham acabado de ter . - Quem quereria todos os * busca-pés * e filhos de Muggles fora de Hogwarts ? - Vamos pensar - disse o Ron em a brincadeira , fingindo estar confuso . - Quem poderemos nós conhecer que ache que os familiares de Muggles são escumalha ? Olhou para Hermione . Ela olhou para ele pouco convencida . - Se estás a pensar em o Malfoy ... - Claro que estou - disse o Ron . - Tu ouviste o dizer : - Vocês serão os próximos , sangues de lama ! - Aliás , basta olhar para aquela cara de renegado para saber que ele é ... - Malfoy , o herdeiro de Slytherin ? - repetiu Hermione cepticamente . - Olha para a família de ele - disse Harry , fechando também os livros . - Todos eles estiveram em os Slytherin . O Draco está sempre a vangloriar se de isso . Podiam bem ser descendentes de Slytherin . O pai de ele é suficientemente mau . - Podiam perfeitamente ter tido a chave de a Câmara_dos_Segredos durante séculos - disse Ron - , fazendo a passar de pai para filho . - Bem - acedeu Hermione cautelosamente . - Seria possível ... - Mas como prová o ? - perguntou Harry tristemente . - Talvez haja um meio - sugeriu Hermione lentamente , baixando ainda mais a voz e lançando um olhar , através de a sala , a Percy . - É claro que não é fácil . E é perigoso , muito perigoso . Suponho que iríamos infringir cerca de cinquenta regras de a escola . - Se de aqui a um mês ou dois te decidires a explicar , avisa , está bem ? - disse Ron , que começava a ficar irritado . - Está bem - concordou Hermione friamente . - O que precisaríamos de fazer para entrar em a sala comum de os Slytherin e fazer algumas perguntas a o Malfoy , sem ele perceber que éramos nós ? - Mas isso é impossível - declarou Harry , enquanto Ron se ria . - Não , não é - continuou Hermione . - Só precisamos de um_pouco de poção * polisuco * . - O que é isso ? - perguntaram ao_mesmo_tempo Ron e Harry . - O Snape falou de ela em uma aula , há poucas semanas atrás . - Achas que não temos mais o que fazer do_que ouvir o Snape ? - murmurou o Ron . - Transforma nos em outra pessoa . Pensem em isso : podíamos transformar nos em três de os Slytherin . Ninguém saberia que éramos nós . É provável que o Malfoy nos contasse alguma coisa . Aposto que ele está a gabar se , em este momento , em a sala de os Slytherin , se ao_menos pudéssemos ouvi o . - Essa coisa de o * polisuco * cheira me um bocado mal - disse o Ron , franzindo as sobrancelhas . - E se ficarmos com a forma de os três Slytherin para sempre ? - Desaparece a o fim de algum tempo - disse Hermione , gesticulando impacientemente com a mão - mas conseguir a receita é muito difícil . O Snape disse que vinha em um livro chamado * _ As_Mais_Potentes_Poções * e está com certeza em a parte de os reservados de a biblioteca . Só havia uma maneira de obter o livro de os reservados : era com uma autorização assinada por um professor . - Não estou a ver porque quereríamos o livro - disse o Ron . - Se não para tentar fabricar uma de as poções . - Eu acho - sugeriu Hermione - que se fizéssemos parecer que o nosso interesse era apenas teórico , talvez conseguíssemos ... - Estás a sonhar , nenhum professor ia cair em essa - afirmou o Ron . - Só se fosse muito burro . X_A * bludger * perigosa Depois de o desastroso incidente de os duendes , o professor Lockhart não voltou a levar seres vivos para as aulas . Em vez de isso , lia a os alunos passagens de os seus livros e , por vezes , voltava a desempenhar alguns de os episódios mais dramáticos . Costumava chamar Harry para o ajudar em essas reconstruções . Até ali Harry fora obrigado a desempenhar o papel de um camponês de a Transilvânia que Lockhart curara de uma maldição murmurada , o abominável homem de as neves com dores de cabeça e um vampiro que depois de ter conhecido Lockhart tinha ficado incapaz de comer outra coisa que não fosse alfaces . Harry foi chamado para a frente de a classe durante a aula de Defesa contra as artes negras que se seguiu . Desta_vez para desempenhar o papel de um lobisomem . Se não tivesse um bom motivo para querer ver o Lockhart bem-disposto , teria se recusado . - Um uivo bem alto , excelente , Harry , isso mesmo . E foi então que , acreditem ou não , eu o ataquei de repente , assim . Atirei o a o chão , agarrei o com uma mão e com a outra consegui meter lhe a varinha em a garganta . Então , com a força que me restava pus em prática o complicadíssimo encantamento * _ Homorphus * . Harry soltou um uivo tristíssimo . - Vá lá , Harry , mais alto . Bom ... o pêlo desapareceu , os dentes diminuíram de tamanho e ele transformou se em um homem . Simples , mas eficaz e mais uma cidade ficará a lembrar se de mim para sempre como o herói que os libertou de os ataques mensais de o lobisomem . A campainha tocou e Lockhart pôs se de pé . - Trabalho para_casa : escrever um poema sobre a minha vitória sobre o lobisomem Wagga_Wagga . Há um exemplar autografado de * _ Eu , o Mágico * para o autor de o melhor poema . Os alunos começaram a sair . Harry voltou para trás e foi juntar se a o Ron e a a Hermione que estavam a a espera de ele . - Prontos ? - perguntou . - Espera até saírem todos - disse Hermione bastante nervosa . - Pronto ... Aproximou se de a secretária de Lockhart , apertando em a mão uma folha de papel , com o Ron e o Harry atrás . - Er ... professor Lockhart - gaguejou Hermione . - Eu queria requisitar este livro em a biblioteca , como leitura de apoio - entregou lhe o papel , com a mão ligeiramente trémula . - Só que faz parte de a secção de os reservados , por isso preciso de a assinatura de um professor . Acho que o livro me vai ajudar a compreender o que o senhor diz em * _ Passeios com Vampiros * acerca de os venenos de acção lenta ... - Ah , * _ Passeando com Vampiros * - disse Lockhart , pegando em a folha de papel de Hermione e sorrindo lhe abertamente . - E provavelmente o meu livro preferido . Gostou ? - Oh , muito - disse Hermione avidamente . - Tão inteligente o modo como apanhou o último com o passador de o chá . - Bem , tenho a certeza que ninguém se importará que eu dê uma ajudazinha suplementar a a melhor aluna de o segundo ano - disse Lockhart calorosamente , sacando de uma enorme pena de pavão . - É bonita , não é ? - comentou , adivinhando uma expressão de repulsa em a cara de o Ron . - Costumo guardas a para as minhas assinaturas de autógrafos . Rabiscou uma enorme assinatura cheia de altos e baixos e entregou a a Hermione . - Então , Harry - disse Lockhart enquanto Hermione dobrava a folha e a guardava em o saco . - Amanhã é a primeira partida de Quidditch de este ano , não é ? Gryffindor contra Slytherin . Ouvi dizer que és um jogador indispensável . Eu também fui * seeker * . Convidaram me inclusivamente para fazer parte de a Equipa_Nacional , mas eu preferi dedicar a minha vida a a erradicação de as forças de o mal . Mesmo_assim , se alguma vez precisares de um treino particular , não hesites em falar comigo , estou sempre disponível para partilhar a minha perícia com os jogadores menos dotados do_que eu . Harry fez um som indistinto com a garganta e saiu atrás_de Ron e Hermione . - Não acredito - disse quando os três examinavam a assinatura de Lockhart . - Ele nem viu que livro nós queríamos . - É porque é um idiota sem miolos - explicou o Ron . - Mas , quem se rala , temos o que queríamos . - Ele não é um idiota sem miolos - gritou Hermione com voz esganiçada enquanto se aproximavam quase a correr de a biblioteca . - Só porque ele disse que eras a melhor aluna de o segundo ano ... Baixaram as vozes a o entrar em a quietude abafada de a biblioteca . Madam_Prince , a bibliotecária , era uma mulher magra e irritável que parecia um abutre mal nutrido . - * _ Moste_Potente_Potions * ? - repetiu intrigada , tentando ficar com a folha de papel que Hermione se recusava a entregar lhe . - Gostava de a guardar para mim - disse sem fôlego . - Vá lá - intercedeu Ron , arrancando lhe a de as mãos e entregando a a Madam_Prince . - Nós arranjamos te outro autógrafo . O Lockhart assina tudo se aqui ficar muito_tempo . Madam_Prince pegou em o papel e voltou o em a direcção de a luz , decidida a descobrir uma falsificação , mas a assinatura passou em o teste . Desapareceu entre as estantes e voltou alguns minutos mais tarde , transportando um livro grande e de aspecto antiquado . Hermione meteu o com todo o cuidado em o saco e saíram , tentando não andar depressa de mais nem aparentar um ar culpado . Cinco minutos depois , estavam de_novo barricados em a casa_de_banho fora de serviço de a Murta_Queixosa . Hermione destruíra as objecções de Ron argumentando que aquele era o último lugar onde alguém em o seu juízo perfeito se lembraria de ir e que poderia assegurar lhes alguma privacidade . A Murta_Queixosa chorava ruidosamente em o seu cubículo , mas eles conseguiram ignorá a assim_como ela a eles . Hermione abriu * _ Moste_Potente_Potions * com todo o cuidado e inclinaram se os três sobre as páginas manchadas de humidade . Era fácil de perceber , logo à_primeira_vista de olhos , porque pertencia a a secção de os reservados . Algumas de as poções tinham efeitos quase impensáveis de tão macabros e havia ilustrações bastante desagradáveis , como , por_exemplo , aquela em que um homem parecia ter sido virado de o avesso e a de a bruxa com vários pares de braços suplementares a nascerem lhe em a cabeça . - Aqui está - disse Hermione excitadíssima a o encontrar a página intitulada « A poção * polisuco * « . Estava ilustrada com imagens de pessoas a meio de o processo de se transformarem em outras pessoas e Harry desejou ardentemente que a expressão de dor intensa que se lhes espelhava em o rosto fosse apenas produto de a imaginação de o artista desenhador . - Esta é a poção mais complicada que vi até hoje - disse Hermione enquanto examinava a receita . - Moscas asas de renda , sanguessugas , fluxo de cizânias e verdezelha - murmurou , acompanhando com o dedo a lista de ingredientes . - Bem , esses são relativamente simples , há os em a despensa de material de os estudantes , podemos tirar a a nossa vontade . Oh ! Vê só , pó de chifre de bicórneo ... não sei onde vamos arranjar isto ... e , é claro , um pedacinho de a pessoa em quem queremos transformar nos . - Como ? - perguntou Ron de forma cortante . - O que é_que queres dizer com um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos ? Eu não bebo nada que tenha lá dentro as unhas de os pés de o Crabbe ... Hermione continuou como_se não o tivesse ouvido . - Mas não temos que nos preocupar com isso por enquanto . Fica para o fim . Ron voltou se sem palavras para o Harry que tinha uma preocupação de outro tipo . - Já viste bem tudo_o_que vamos ter que roubar , Hermione ? Algumas coisas , não estão de certeza em a despensa de material de os alunos . O que é_que vamos fazer , arrombar os armários pessoais de o Snape ? Não sei se será uma boa ideia ... Hermione fechou o livro com um estrondo . - Bem , se vocês os dois se vão acagaçar , então está lindo - disse ela . Tinha as bochechas rosadas e os olhos mais brilhantes do_que era habitual . - Eu não gosto de quebrar regras , vocês sabem , mas acho que ameaçar os filhos de os Muggles é muito pior do_que construir uma poção difícil . Mas se vocês não querem descobrir se é o Malfoy , eu posso voltar já a a biblioteca e entregar o livro a Madam_Prince ... - Nunca pensei que chegaria o dia em que serias tu a convencer nos a quebrar regras - disse o Ron . - Está bem , vamos em essa , mas sem unhas de os pés , O. _ K. ? - Quanto tempo vai isso demorar a fazer , afinal ? - perguntou Harry quando Hermione , já com um ar mais satisfeito , voltou a abrir o livro . - Bem , como o fluxo de cizânias tem de ser recolhido durante a lua cheia e as asas de renda têm de ser abafadas durante vinte_e_um dias ... eu diria que se conseguirmos arranjar todos os ingredientes estará pronta dentro_de um mês . - Um mês ? - exclamou o Ron . - Nessa_altura já o Malfoy terá atacado metade de os filhos de Muggles ! - mas os olhos de Hermione contraíram se de_novo assustadoramente e ele acrescentou rapidamente . - Mas é o melhor plano que temos , por isso é melhor não olharmos para trás . Apesar_de tudo , enquanto Hermione verificava que não havia ninguém em os corredores e podiam sair de a casa_de_banho , Ron murmurou a Harry : - Seria muito mais simples se conseguisses , amanhã , atirar o Malfoy de a vassoura abaixo . Harry acordou cedo em o sábado de manhã e ficou um bocado a pensar em a partida de Quidditch que vinha a seguir . Estava nervoso , principalmente pelo que Wood diria se os Gryffindor perdessem , mas também com a ideia de enfrentar uma equipa apetrechada com as vassouras mais velozes que existiam . Nunca desejara tanto vencer os Slytherin como em aquele dia . Depois de meia_hora deitado com a barriga a dar horas , resolveu levantar se , vestir se e descer para tomar o pequeno-almoço . Lá em baixo , encontrou o resto de a equipa de os Gryffindor amontoada a o longo de a mesa comprida e vazia , todos eles com ar preocupado e sem vontade de conversar . Como_se aproximavam as onze horas , todos os alunos de a escola começaram a dirigir se para o estádio de Quidditch . O dia estava quente e húmido , com uma ameaça de trovoada em o ar . Ron e Hermione vieram apressadamente desejar a Harry boa sorte mal ele entrou em os vestiários . A equipa de os Gryffindor pôs os seus mantos vermelhos e sentou se para ouvir o discurso que Wood lhes fazia sempre antes de o jogo . - Os Slytherin têm vassouras melhores do_que nós - começou . - Não há como negá o . Mas nós temos gente melhor em cima de as vassouras . Treinámos mais do_que eles , voamos com todas_as condições climatéricas ( É bem verdade - murmurou George_Weasley - desde Agosto que não sei o que é estar seco ) . - E vamos fazê os engolir o dia em que deixaram aquele nojento de o Malfoy comprar a entrada em a equipa de eles . Com o peito agitado por a comoção , Wood voltou se par Harry . -- Cabe te a ti , Harry , mostrar lhes que um * seeker * tem de ter mais do_que um pai rico . Agarra a * snitch * antes d Malfoy ou morre a tentar porque temos absolutamente que vencer , hoje , Harry , temos que vencer . - Sem ansiedade , Harry - disse o Fred , piscando lhe o olho . Quando saíram em direcção a o campo , foram saudado por uma grande ovação principalmente de a parte de os Ravenclaw e de os Hufflepuff que estavam ansiosos por ver os Slytherin serem derrotados , mas os Slytherin que estavam entre a multidão também fizeram ouvir as suas vaias e pateadas . Madam_Hooch , a professora de Quidditch , pediu a Flin e Wood que apertassem as mãos o que eles fizeram , lançando um_ao_outro olhares ameaçadores , cada_um apertando a mão de o outro com mais força do_que aquela que seria necessário . - Atenção a o apito - disse Madam_Hooch . - Três , dois , um ... Com um bramido de a multidão para que subissem rapidamente , os catorze jogadores elevaram se em o céu cor de chumbo . Harry , mais alto do_que qualquer de os outros olhando para todos os lados em busca de a * snitch * . - Tudo bem , testa de cicatriz ? - gritou Malfoy , disparando por baixo de ele para lhe mostrar a velocidade de a sua vassoura . Harry não teve tempo de responder . Em esse preciso momento uma * bludger * preta e bem pesada veio direitinha a ele . Evitou a tão por um triz que ainda sentiu em os cabelos o ar que ela deslocara . - Foi por_pouco , Harry ! - exclamou o George , passando com grande rapidez , de bastão em a mão , pronto para lançar a * bludger * contra um Slytherin . Harry viu o dar a a * bludger * uma fortíssima pancada em direcção a Adrian_Pucey , mas a bola mudou de rumo em o meio de o ar e dirigiu se de_novo a Harry . Harry desceu rapidamente para se esquivar e George conseguiu lançá a contra Malfoy . Mais_uma_vez a * bludger * actuou como um * boomerang * e apontou a a cabeça de Harry . Harry ganhou velocidade e disparou contra o outro extremo de o campo . Ouvia o assobio de a * bludger * que o perseguia . O que era aquilo ? As * bludgers * nunca se concentravam assim em um único jogador , a sua função era tentar desmontar o maior número possível de intervenientes . Fred_Weasley esperava por a * bludger * em o extremo oposto . Harry baixou se quando o viu balançar se em frente de ela com toda_a garra . A * bludger * foi lançada para_fora_de campo . - Pronto , já está tudo resolvido - gritou Fred satisfeito , mas estava bastante enganado . Como_se fosse magneticamente atraída para Harry , a * bludger * lançou se de_novo contra ele e Harry teve de voar a_toda_a velocidade . Começara a chover . Harry sentia as gotas pesadas caírem lhe em o rosto , turvando lhe as lentes de os óculos . Não fazia ideia do_que se passava em o resto de o jogo , até ouvir Lee_Jordan que fazia o comentário dizer : - Os Slytherin vão a a frente com seis contra zero . As vassouras de qualidade superior de os Slytherin estavam obviamente a cumprir a sua função e enquanto isso , a * bludger * maluca fazia todos os possíveis para deitar abaixo o Harry . Fred e George voavam agora tão perto de ele , um de cada lado , que Harry não via senão os seus braços a balouçar e , se não conseguia ver a * snitch * , muito menos agarrá a . - Alguém enfeitiçou esta * bludger * - resmungou Fred , preparando o bastão com toda_a força quando ela se lançava de_novo contra Harry . - Precisamos de tempo - disse George , tentando fazer sinal a Wood enquanto evitava que a bola partisse o nariz a o Harry . Wood captou obviamente a mensagem . O apito de Madam_Hooch fez se ouvir e Harry , Fred e George desceram , tentando ainda evitar a * bludger * maluca . - O que é_que se passa ? - perguntou Wood enquanto a equipa de os Gryffindor se amontoava desordenadamente e os Slytherin , em o meio de a multidão , lançavam piadas . - Estamos a ser esmagados . Fred , George , onde estavam vocês quando aquela * bludger * impediu a Angelina de marcar ? - Estávamos seis metros acima , evitando que a outra * bludger * matasse o Harry , Oliver - gritou George furioso . - Alguém preparou isto , a bola não deixa o Harry em paz , ainda não perseguiu mais ninguém desde_que o jogo começou . Os Slytherin fizeram aqui qualquer coisa . - Mas as * bludgers * têm estado fechadas em o escritório de Madam_Hooch desde o último treino , e nessa_altura estava tudo bem ... - disse Wood ansiosamente . Madam_Hooch aproximava se . Por cima de o ombro de ela , Harry pôde ver a equipa de os Slytherin a escarnecer e apontar em a sua direcção . - Ouçam - disse o Harry , enquanto ela se aproximava . - Com vocês os dois a voarem sempre colados a mim , só vou apanhar a * snitch * se ela voar até a a minha manga . Voltem se para o resto de a equipa e deixem a tratante comigo . - Não sejas bronco - disse o Fred . - Ela arranca te a cabeça . Os olhos de Wood saltavam de Harry_para_os_Weasley . - Oliver , isto_é uma loucura - disse Alicia_Spinet , zangada . - Não podes deixar o Harry sozinho entregue a aquela coisa . Vamos pedir uma investigação . - Se pararmos agora , teremos de dar a partida como perdida e não vamos deixar os Slytherin ganhar , só por_causa_de uma * bludger * maluca . Vá lá , Oliver , diz lhes que me deixem sozinho . - A culpa é toda tua . * _ Agarra a snitch ou morre a tentar * , se isso é lá coisa que se diga . Madam_Hooch tinha se lhes juntado . - Prontos para retomar a partida ? - perguntou a Wood . Wood olhou para o ar determinado de Harry . - Deixem o sozinho , ele é capaz de lidar com a * bludger * . A chuva era agora mais pesada . A o apito de Madam_Hooch , Harry elevou se em os ares e ouviu o barulhinho de a * bludger * atrás_de si . Subiu cada_vez_mais alto . Fez acrobacias em espiral , descidas rápidas , ziguezagueou e rolou . Apesar_de ligeiramente estonteado , não deixou nunca de ter os olhos bem abertos . A chuva salpicava lhe os óculos e entrava lhe por as narinas , quando ele se voltou de cabeça para baixo , evitando outra forte investida de a * bludger * . Ouviu os risos de a multidão . Sabia que devia parecer ridículo , mas a * bludger * maluca era pesada e não podia mudar de direcção tão rapidamente quanto ele . Iniciou uma corrida que parecia de feira de diversões em volta de os extremos de o estádio , olhando de soslaio , através de os lençóis prateados de chuva , para os postes de os Gryffindor , onde Adrian_Pucey tentava passar por Wood . Um assobio junto de os ouvidos disse a Harry que a * bludger * falhara uma_vez_mais . Voltou se e voou rapidamente em a direcção oposta . - Estás a ensaiar * ballet * , Potter - gritou Malfoy quando Harry foi obrigado a fazer uma reviravolta estúpida em o ar para se esquivar mais_uma_vez de a * bludger * . Lá foi ele , com a * bludger * atrás a alguns metros de distância . E foi então que , olhando para Malfoy , furioso , a viu , a * snitch * de ouro . Flutuava alguns centímetros acima de os ouvidos de Malfoy que , de tão preocupado a escarnecer de Harry , nem dera por ela . Durante um momento angustiante , Harry ficou quieto em o ar , não ousando dirigir se a Malfoy , não fosse ele olhar para_cima e ver a * snitch * . PUM ! Tinha ficado parado tempo de mais . A * bludger * batera lhe , por fim , apanhando lhe o cotovelo e Harry sentiu o braço a partir se . Debilmente , desorientado por a dor cauterizante em o braço , Harry deslizou para um de os lados em a sua vassoura encharcada , um joelho ainda dobrado , o braço direito a balouçar , inútil , a o seu lado . A * bludger * veio de_novo , preparada para mais um ataque , desta_vez apontada a o seu rosto . Harry desviou se com uma intenção : chegar a Malfoy . Através_de uma nuvem de chuva e dor desceu até a o rosto tremeluzente e trocista e viu os olhos de ele dilatarem se de medo : Malfoy pensou que Harry ia atacá o . - Que diabo ... - resmungou , afastando se de o caminho . Harry tirou a outra mão de a vassoura e fez uma tentativa para agarrar qualquer coisa . Sentiu os dedos fecharem se em volta de a * snitch * dourada , mas conduzia agora a vassoura apenas com as pernas e ouviu se um grito de a multidão cá em baixo , quando ele fez a descida , tentando não desmaiar . Com um ruído seco caiu em a terra enlameada e rolou para fora de a vassoura . O braço tinha um ângulo um_pouco estranho . Torcendo se com dores , ouviu a a distância os assobios e os gritos . Concentrou se em a * snitch * que tinha fechada em a outra mão . - Ai - disse vagamente . - Ganhámos o jogo . E desmaiou . Voltou a si com a chuva a cair lhe em o rosto , ainda deitado em o campo , com alguém inclinado sobre ele . Viu um brilho de dentes brancos . - Oh , não , você não - gemeu . - Não sabe o que diz - afirmou Lockhart bem alto a a ansiosa multidão de Gryffindor que o comprimiam . - Não te preocupes , Harry , eu vou tratar de o teu braço . - Não - gritou Harry . - Eu fico com ele assim , obrigado . Tentou sentar se , mas a dor era enorme . Ouviu um « clique » familiar . - Não quero fotografias de isto , Colin - disse em voz alta . - Deita te para trás , Harry - insistiu Lockhart com toda_a calma . - É um encantamento muito simples que eu fiz imensas vezes . - Porque não me levam só para a ala hospitalar ? - perguntou Harry entredentes . - Seria o melhor , professor - disse a voz rouca de o Wood que não conseguia deixar de sorrir , apesar_de o seu * seeker * estar ferido . - Grande captura , Harry , verdadeiramente espectacular , a tua melhor jogada , em a minha opinião . Em o meio de a floresta de pernas que o rodeava , Harry avistou Fred e George_Weasley , metendo a * budger * perigosa em uma caixa . Continuava a dar uma luta enorme . - Para trás - ordenou Lockhart , que tinha arregaçado as mangas verde jade . - Não , eu não ... - protestou debilmente Harry , mas Lockhart tinha a varinha em a mão e , um segundo depois , apontava a para o braço de Harry . Uma sensação estranha e desagradável começou em o ombro e espalhou se , chegando a as pontas de os dedos . Parecia que o braço inteiro tinha sido esvaziado . Não foi capaz de olhar para o que estava a suceder . Tinha fechado os olhos , voltado o rosto para o outro lado , mas os seus maiores receios concretizaram se quando as pessoas lá em cima se sobressaltaram e Colin_Creevey começou a tirar fotografias como um louco . O braço deixara de lhe doer , mas parecia tudo menos um braço . - Ah ! - disse Lockhart . - Sim , bem isto às_vezes acontece . Mas o importante é_que os ossos já não estão partidos . Isso é o mais importante . Portanto , Harry , vai até a a ala hospitalar ... ah ! Mr._Weasley , Miss_Granger , poderiam levá o lá ? E Madam_Pomfrey poderá ... er ... arranjar um_pouco isso . Quando Harry se pôs de pé sentiu se estranhamente desequilibrado . Depois de respirar fundo , olhou para o lado direito e o que viu quase o fez desmaiar de_novo . Pendurado em a extremidade de a sua túnica estava o que parecia ser uma espessa e colorida luva de borracha . Tentou mexer os dedos mas ... em vão . Lockhart não consertara os ossos de Harry . Retirara os . M. dam Pomfrey não ficou nada satisfeita . - Devias ter vindo logo ter comigo - ralhou , segurando os restos tristes e moles de aquilo que antes fora um braço activo . - Eu conserto ossos em um segundo , mas fazê os crescer de_novo ... - Vai conseguir , não vai ? - perguntou Harry desesperado . - Sim , com certeza , mas vai ser doloroso - disse Madam_Pomfrey de modo severo , entregando lhe um pijama . - Vais ter que ficar cá esta noite ... Hermione esperou de o lado de_fora de a cortina que rodeava outra cama enquanto Ron ajudava Harry a vestir se . Levou algum tempo a enfiar o braço que parecia borracha dentro_de uma manga de o pijama . - Como é_que podes continuar a defender o Lockhart depois disto , Hermione ? - perguntou Ron através de as cortinas , enquanto puxava os dedos moles de o Harry por uma manga . - Se o Harry quisesse ser desossado , teria pedido . - Todos podem enganar se - disse Hermione . - E deixou de doer , não deixou , Harry ? - Sim - disse ele - mas também ficou incapaz de fazer seja o que for . Quando se meteu em a cama , o braço agitou se despropositadamente . Hermione e Madam_Pomfrey entraram . Madam_Pomfrey segurava uma grande garrafa com o rótulo * Skele - _ Gro * . - Vais ter uma noite difícil - preveniu , enchendo um pequeno copo fumegante e dando lhe a beber . - Fazer crescer ossos é uma coisa difícil . Tomar o * _ Skele - _ Gro * também . Queimou a boca e a garganta de o Harry a o descer , fazendo o tossir e cuspir . Resmungando sobre os desportos perigosos e os professores incapazes , Madam_Pomfrey retirou se , deixando Ron e Hermione a ajudar Harry a engolir um_pouco de água . - Mas ganhámos o jogo - disse o Ron com um sorriso em o rosto . - A tua jogada foi em grande . A cara de o Malfoy ... parecia que queria matar alguém . - Eu vou descobrir como é_que enfeitiçaram aquela * bludger * - disse Hermione com ar sombrio . - Podemos juntar essa pergunta a a lista de todas_as que queremos fazer a o Malfoy quando tomarmos a poção * _ Polisuco * - disse Harry , afundando se de_novo em as almofadas . - Espero que tenha um sabor melhor do_que esta coisa ... - Com um bocado de os Slytherin lá dentro , deves estar a brincar - disse o Ron . A porta de a ala hospitalar abriu se em esse momento e , completamente encharcados , entraram os restantes membros de a equipa de os Gryffindor , para ver o Harry . - Um voo inacreditável - disse George . - Acabei de ver Marcus_Flint a gritar com o Malfoy . Qualquer coisa sobre ter a * snitch * mesmo em cima de a cabeça e não ter dado por nada . O Malfoy não parecia nem um_pouco satisfeito . Tinham trazido bolos , rebuçados e garrafas de sumo de abóbora . Juntaram se em volta de a cama de Harry e estavam a dar início a o que prometia ser uma grande festa quando Madam_Pomfrey entrou a vociferar : - Este rapaz precisa de repouso . Tem trinta_e_três ossos a crescer . Fora de aqui . FORA ! E Harry ficou sozinho , sem nada que o distraísse de as dores agudas em o seu braço mole . Muitas horas mais tarde , Harry acordou subitamente em a escuridão total e soltou um pequeno grito de dor : sentia agora o braço cheio de estilhaços . Durante alguns segundos pensou que tinha sido a dor a acordá o . Depois , com um arrepio de horror , apercebeu se de que alguém estava a passar lhe uma esponja em a testa . - Sai de aqui - gritou , e em seguida : - Dobby ! Os olhos de o tamanho de bolas de ténis de o elfo doméstico estavam a olhá o em o escuro , uma lágrima grossa rolava por o seu enorme nariz . - Harry_Potter voltou a a escola - murmurou , infeliz . - Dobby avisou e voltou a avisar Harry_Potter . Ah ! senhor , porque não deu ouvidos a Dobby ? Porque não voltou Harry_Potter para_casa quando perdeu o comboio ? Harry ergueu se um_pouco , encostando se a as almofadas e afastou a esponja de o elfo . - O que estás a fazer aqui ? - perguntou . - E como sabes que eu perdi o comboio ? O lábio de Dobby tremeu e Harry foi assaltado por uma dúvida . - Foste tu . Tu impediste que a barreira nos deixasse passar . - Em a verdade fui eu , senhor - disse Dobby , acenando com a cabeça e com as orelhas a abanar . - Dobby escondeu se , esperou por Harry_Potter e selou a barreira . A seguir , Dobby teve de pôr as mãos em o ferro de engomar - mostrou a o Harry dez dedos longos embrulhados em ligaduras . - Mas Dobby não se importou , senhor , porque pensou que Harry_Potter estava a salvo e nunca Dobby sonhou que mesmo_assim ele viria para a escola ! Balançava se para a frente e para trás , sacudindo a cabeça feia . - Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry_Potter tinha voltado a a escola que deixou queimar o jantar de os seus donos . Dobby nunca tivera um castigo tão grande , senhor . Harry afundou se de_novo em as almofadas . - Quase conseguiste que nos expulsassem , a mim e a o Ron - disse furioso . - É melhor desapareceres de aqui antes que os meus ossos voltem a estar bem , Dobby , ou ainda te estrangulo . O elfo sorriu . - Dobby está habituado a ameaças de morte , senhor . Dobby recebe as cinco vezes por dia em a casa onde mora . Encostou o nariz a um canto de a fronha que usava , ficando tão ridículo que Harry sentiu a raiva desvanecer se , apesar_de tudo . - Porque usas essa coisa , Dobby ? - perguntou com curiosidade . - Isto , senhor ? - disse Dobby apontando para a fronha de almofada . - É uma prova de escravatura de o elfo doméstico , senhor . Dobby só pode ser libertado se os donos lhe derem roupa , senhor . A família tem o cuidado de não dar a o Dobby nem uma peúga , senhor , porque ele poderia ficar livre e deixar a casa para sempre . Dobby limpou os olhos protuberantes e disse subitamente : - Harry_Potter deve ir para_casa . Dobby achou que a sua * bludger * seria o suficiente para o fazer ... - A tua * bludger * ? - disse Harry com a raiva a crescer novamente dentro de ele . - Que queres tu dizer com a tua bludger * ? Foste tu quem fez com que aquela bola tentasse matar me ? - Matar não , senhor . Matar , nunca ! - disse o elho chocado . - Dobby quer salvar a vida de Harry_Potter . É melhor ir para_casa ferido do_que ficar aqui , senhor . Dobby só queria Harry_Potter suficientemente ferido para voltar para_casa . - Só isso ? - disse Harry furioso . - Imagino que não vais dizer me porque querias mandar me para_casa a os bocados ? - Ah ! se Harry_Potter soubesse ! - gemeu Dobby , com mais lágrimas a escorrerem lhe por a fronha esfarrapada . - Se pudesse saber o que significa para nós , para os humildes , os escravizados , nós , a escória social de o mundo mágico ! Dobby lembra se de como eram as coisas quando Aquele cujo nome não deve ser pronunciado estava em o auge de o poder , senhor ! Nós , os elfos domésticos éramos tratados como animais , senhor ! É claro que Dobby ainda é tratado assim - admitiu , secando o rosto em a fronha de almofada . - Mas , em a sua maioria , a vida melhorou bastante para os de a minha espécie desde_que Harry_Potter triunfou sobre Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Harry_Potter sobreviveu e o poder de os senhores de o Mal foi quebrado e veio uma nova alvorada , senhor , e Harry_Potter brilhou como um farol de esperança para aqueles de entre nós que já pensavam que a longa noite nunca mais teria fim , senhor ... e agora em Hogwarts vão acontecer coisas terríveis , talvez já esteiam a acontecer e Dobby não pode deixar Harry_Potter ficar aqui , agora_que a história vai repetir se , agora_que a Câmara_dos_Segredos está de_novo aberta . Dobby calou se horrorizado . Em seguida agarrou em o jarro de a água que Harry tinha a a cabeceira e bateu com ele em a própria cabeça , deixando se cair . Um segundo mais tarde voltou até junto de a cama , repetindo : - Mau , Dobby , muito mau , Dobby . - Quer_dizer , então , que existe mesmo a Câmara_dos_Segredos ? - murmurou Harry . - E dizes tu que já antes foi aberta ? Conta me , Dobby . Agarrou o pulso ossudo de o elfo quando a mão de ele se estendia para o jarro de a água . - Mas eu não sou filho de Muggles . Como posso estar em perigo por causa de a Câmara_dos_Segredos ? - Ah ! senhor , não pergunte a o pobre Dobby - lamentou se o elfo com os olhos enormes a brilharem em o escuro . - As forças de as trevas estão projectadas em este lugar , mas Harry_Potter não deve estar aqui quando as coisas acontecerem . Vá para_casa , Harry_Potter , vá para_casa . Harry_Potter não deve envolver se em isto , senhor , é demasiado perigoso ... - Quem é , Dobby ? - perguntou Harry , continuando a agarrar lhe o pulso com forca , impedindo que batesse de_novo em si próprio com o jarro . - Quem abriu a amara ? Quem a abriu de a última vez ? - Dobby não pode , senhor . Dobby não pode . Dobby não deve dizer - guinchou o elfo . - Vá se embora , Harry_Potter , vá se embora ! - Eu não vou para lugar nenhum - disse Harry , furioso . - Uma de as minhas melhores amigas é filha de Muggles , está em perigo se a câmara foi , de facto , aberta ... - Harry_Potter arrisca a própria vida por os amigos - gemeu Dobby em uma espécie de êxtase infeliz . - Tão nobre , tão corajoso , mas deve salvar se , Harry_Potter não deve ... Dobby calou se de repente com as orelhas de morcego a estremecerem . Harry também ouviu os passos que vinham lá fora , de o corredor . - Dobby tem de ir - balbuciou o elfo apavorado . Ouviu se um ruído e o pulso de Harry ficou subitamente fechado em o ar . Meteu se de_novo para baixo , em a cama , com os olhos fixos em a porta escura que dava entrada em a ala hospitalar enquanto os passos se aproximavam . Em o momento seguinte , Dumbledore estava a entrar , de costas , em o dormitório , vestindo uma longa túnica de lã e uma capa de noite . Transportava um extremo de aquilo que parecia ser uma estátua . A professora Mc_Gonagall surgiu um segundo mais tarde , pegando lhe em os pés . Os dois colocaram a em uma cama . - Chame Madam_Pomfrey - murmurou Dumbledore e a professora Mc_Gonagall passou por a cama de Harry , apressadamente , e desapareceu . Harry deixou se ficar muito quieto como_se estivesse a dormir . Ouviu vozes ansiosas e por fim a professora Mc_Gonagall apareceu de_novo , seguida de Madam_Pomfrey que vestia um casaco curto de lã sobre a camisa de dormir . Ouviu uma inspiração aguda . - O que aconteceu ? - murmurou Madam_Pomfrey_a_Dumbledore , inclinando se sobre a estátua que estava em a cama . - Outro ataque - disse Dumbledore . - A Minerva encontrou o em as escadas . Havia um cacho de uvas junto de ele . Acho que estava a tentar esgueirar se até aqui para vir visitar o Potter . O estômago de Harry deu uma reviravolta . Lenta e cuidadosamente ergueu se alguns centímetros para poder ver a estátua que estava sobre a cama . Um raio de luar iluminou lhe o rosto estático . Era_Colin_Creevey . Tinha os olhos abertos , e as mãos , em frente de a cara , seguravam a máquina fotográfica . -- Petrificado ? - murmurou Madam_Pomfrey . - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - Mas estou tentada a acreditar que ... se Albus não tivesse vindo cá abaixo tomar um chocolate quente ... quem sabe o que teria ... Os três olharam para Colin . Dumbledore inclinou se e retirou lhe a máquina de as mãos rígidas . - Será que ele conseguiu tirar a fotografia de o agressor ? - perguntou ansiosa a professora Mc_Gonagall . Dumbledore não respondeu . Abriu a parte detrás de a máquina . - Cruzes canhoto - disse Madam_Pomfrey . Um jacto de vapor tinha feito fervilhar a máquina . Harry , a três metros de distância , sentiu o cheiro tóxico de o plástico queimado . - Derretido - disse Madam_Pomfrey com grande espanto . - Tudo derretido . - O que significa isto , Albus ? - perguntou cada_vez_mais nervosa a professora Mc_Gonagall . - Significa - disse Dumbledore - que a Câmara_dos_Segredos está mesmo aberta outra_vez . Madam_Pomfrey levou uma mão a a boca . A professora Mc_Gonagall olhou assustada para Dumbledore . - Mas , Albus ... com certeza ... quem ? - A questão não é quem - disse Dumbledore com os olhos fixos em Colin . - A questão é como ... E pelo que Harry conseguiu ver de o rosto indistinto de a professora Mc_Gonagall , ela não compreendeu muito mais do_que ele . XI_O clube de os duelos Quando_Harry acordou , em o domingo de manhã , a enfermaria estava iluminada por um resplandecente sol de inverno e o seu braço tinha de_novo todos os ossos , apesar_de o sentir muito rígido . Sentou se rapidamente e olhou para a cama de Colin , mas ela fora isolada com as cortinas atrás de as quais se despira em a véspera . Vendo que ele tinha acordado , Madam_Pomfrey apareceu com um tabuleiro de pequeno-almoço e a seguir começou a apalpar lhe o braço e os dedos . - Tudo em ordem - disse , enquanto ele , com a mão esquerda , comia avidamente as papas de aveia . - Quando acabares de comer podes ir te embora . Harry vestiu se o mais depressa que pôde e dirigiu se a a pressa para a torre de os Gryffindor , ansioso por contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre Colin e Dobby , mas não os encontrou lá . Foi a a procura de eles , perguntando a si próprio onde teriam ido e sentindo se um_pouco magoado por o pouco interesse que demonstravam em saber se ele tinha recuperado os ossos . Quando passou por a biblioteca , Percy_Weasley vinha a sair com bastante melhor cara do_que de a última vez que se tinham encontrado . - Olá , olá , Harry - disse . - Excelente voo o de ontem , verdadeiramente sensacional . Os Gryffindor estão a a frente para a taça de a equipa . Ganhaste cinquenta pontos . - Não viste o Ron e a Hermione por aí ? - perguntou Harry . - Não , não vi - disse Percy com o sorriso a desaparecer . - Espero que o Ron não esteja outra_vez em a casa_de_banho de as raparigas ... Harry forçou um sorriso , viu Percy desaparecer e a seguir foi direitinho até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Não via lá muito bem por_que motivo o Ron e a Hermione lá estariam de_novo , mas , depois de se assegurar de que nem Filch nem nenhum de os prefeitos estavam por perto , abriu a porta e ouviu as vozes de eles que vinham de um cubículo fechado . - Sou eu - disse , fechando a porta atrás_de si . Ouviu se dentro de o cubículo um estrondo , um chapinhar e um sobressalto e ele viu o olho de a Hermione a espreitar por o buraco de a fechadura . - Harry - disse ela . - Pregaste nos um susto de morte . Entra . Como está o teu braço ? - _ óptimo - respondeu , apertando se dentro de o cubículo . Em cima de a sanita estava encarrapitado um velho caldeirão , e um crepitar a a superfície de a água disse a Harry que eles tinham acendido um fogo lá em baixo . Fazer aparecer fogos portáteis a a prova de água era uma de as especialidades de Hermione . - _ íamos visitar te , mas resolvemos começar a preparar a poção * _ Polisuco * - explicou Ron enquanto Harry fechava outra_vez a porta de o cubículo com alguma dificuldade . - Achámos que este era o lugar mais seguro para a esconder . Harry começou a contar lhes de o Colin , mas Hermione interrompeu o . - Nós já sabemos , ouvimos a professora Mc_Gonagall contar a o professor Flitwick hoje_de_manhã . Por isso resolvemos começar a ... - Quanto_mais depressa arrancarmos uma confissão a o Malfoy , melhor - rosnou o Ron . - Sabem o que eu penso ? Ele estava tão mal-humorado depois de o jogo de Quidditch que se vingou em o Colin . - Há outra coisa - disse Harry , vendo Hermione cortar molhos de verdezelha e lançá os dentro de a poção . - O Dobby foi visitar me a meio de a noite . Ron e Hermione olharam o espantados . Harry contou lhes tudo_o_que Dobby lhe dissera ... ou não dissera . Ron e Hermione ouviram o de boca aberta . - A Câmara_dos_Segredos já tinha sido aberta antes ? - repetiu Hermione . - Encaixa perfeitamente - disse Ron , em uma voz triunfante . - O Lucius_Malfoy deve ter aberto a Câmara_dos_Segredos quando andava em a escola e agora ensinou a o querido filhinho Draco como abris a . É óbvio , que pena o Dobby não te ter dito que tipo de monstro lá se encontra . Gostava de saber como é_que ninguém o viu andar por ai em a escola . - Talvez tenha a capacidade de se tornar invisível - sugeriu Hermione , picando sanguessugas para dentro de o caldeirão . - Ou talvez se disfarce , passando por uma armadura ou outra coisa de o género . Eu li umas coisas sobre vampiros camaleões ... - Tu lês de mais , Hermione - disse o Ron , deitando moscas asas de renda mortas por cima de as sanguessugas . Amarrotou o saco vazio de as asas de renda e olhou para Harry . - Então foi o Dobby que nos impediu de apanhar o comboio e te partiu o braço ... - abanou a cabeça . - Sabes o que eu acho ? Se ele não parar de tentar salvar te a vida ainda acaba por te matar . A notícia de que Colin_Creevey tinha sido atacado e estava agora em a ala hospitalar , como morto , espalhou se por toda_a escola em a segunda-feira de manhã . O ar ficou pesado e cheio de boatos e suspeitas . Os alunos de o primeiro ano começavam a andar por a escola em pequenos grupos , receando ser atacados se se aventurassem a andar isoladamente por os corredores . Ginny_Weasley , que era colega de carteira de o Colin em os encantamentos , estava perturbadíssima , mas Harry achou que Fred e George estavam a tentar animá a de a maneira errada . Revezavam se , mascarados com peles de animais e apareciam lhe subitamente detrás de as estátuas . Só pararam quando Percy , apopléctico de raiva , lhes disse que ia escrever a Mrs._Weasley a contar lhe que a Ginny andava a ter pesadelos . Enquanto isso , às_escondidas de os professores , uma panóplia de talismãs , amuletos e outros objectos de protecção ia enchendo a escola . Neville_Longbottom comprou uma enorme cebola verde que cheirava mal , um cristal pontiagudo cor de púrpura e uma cauda de tritão apodrecida antes de os outros rapazes de os Gryffindor lhe explicarem que ele não corria perigo : era um sangue puro e , portanto , muito pouco passível de ser atacado . - Eles foram a o Filch em primeiro lugar - disse Neville com o medo estampado em a cara redonda . - E toda_a_gente sabe que eu sou quase um * busca-pé * . Em a segunda semana de Dezembro , a professora Mc_Gonagall veio , como de costume , recolher os nomes de os alunos que ficavam em a escola durante o Natal . Harry , Ron e Hermione assinaram a lista . Tinham ouvido dizer que Malfoy ficava , o que lhes parecera muito suspeito . As férias seriam a altura ideal para usar a poção * _ Polisuco * e tentar arrancar lhe uma confissão . Infelizmente a poção estava a meio . Precisavam ainda de o chifre de bicórneo e o único lugar onde podiam arranjá o era em os depósitos privados de Snape . Harry , pessoalmente , preferia enfrentar o lendário monstro de os Slytherin do_que ser apanhado por o Snape a assaltar lhe o escritório . - O que precisamos - disse Hermione cheia de vivacidade quando se aproximava a aula conjunta de poções de quinta-feira a a tarde - para podermos entrar a a vontade em o escritório de o Snape , é de uma diversão . Harry e Ron olharam para ela , nervosos . - Acho que o melhor é ser eu a praticar o roubo - prosseguiu ela , em um tom perfeitamente casual . - Vocês os dois podem ser expulsos se forem apanhados e eu tenho uma folha limpa . Portanto , a única coisa que têm de fazer é distrair o Snape durante cerca de cinco minutos . Harry esboçou um meio sorriso . Provocar deliberadamente um estrago em a aula de poções de o Snape era tão seguro como ferir em um olho um dragão adormecido . As aulas de poções tinham lugar em um de os mais amplos calabouços . A de quinta-feira a a tarde não foi diferente de as outras . Vinte caldeirões fumegavam entre as secretárias de madeira , sobre as quais podia ver se laminas de latão e jarras com ingredientes . Snape deambulava por o meio de os fumos , fazendo reparos petulantes a o trabalho de os Gryffindor , enquanto os Slytherin riam a a socapa . Draco_Malfoy , que era o aluno preferido de Snape , não parava de lançar olhos de carneiro mal morto a o Ron e a o Harry , que sabiam que se retaliassem teriam um castigo , antes de poderem abrir a boca para dizer : - É injusto ! A solução de inchar de o Harry estava demasiado líquida , mas ele estava preocupado com coisas mais importantes . Esperava por o sinal de Hermione e mal deu por Snape se calar para ir espreitar a sua poção aguada . Quando o professor se voltou e foi implicar com o Neville , Hermione trocou um olhar com Harry e fez um aceno . Harry baixou se discretamente por detrás de o seu caldeirão , tirou de o bolso de trás um de os paus de fogo-de-artíficio Filibuster e deu lhe um toque de varinha . O fogo-de-artíficio começou a sibilar e a crepitar . Sabendo que tinha apenas alguns segundos , Harry endireitou se , ganhou coragem e lançou o a o ar . Aterrou certeiro em o caldeirão de o Goyle . A poção de o Goyle explodiu , salpicando toda_a aula . As pessoas gritavam , à_medida_que eram vítimas de os salpicos . Malfoy foi apanhado em a cara e o nariz começou a inchar como um balão . O Goyle tropeçava a as cegas , com as mãos em os olhos , que tinham ficado de o tamanho de pratos de sopa , enquanto o Snape tentava repor a calma e tentar perceber o que sucedera . Em o meio de a confusão , Harry viu Hermione esgueirar se a a socapa por a porta . - Silêncio ! silêncio ! - vociferou Snape . - Todos os que foram salpicados cheguem aqui para uma drenagem . Quando eu descobrir quem fez isto ... Harry fez um enorme esforço para não se rir a o ver Malfoy chegar apressadamente lá a a frente , a cabeça a tombar com o peso de o nariz , que parecia um pequeno melão . Quando metade de a aula se amontoava junto de a secretária de o Snape , alguns alunos vergados por o peso de os braços que pareciam mocas , outros incapazes de falar devido a o gigantesco inchaço de os lábios , Harry viu Hermione reentrar em o calabouço , a túnica mostrando a barriga protuberante . Quando todos os alunos tinham já tomado um gole de o antídoto e os vários inchaços tinham desaparecido , Snape precipitou se para o caldeirão de o Goyle e pescou os restos retorcidos de o fogo-de-artíficio . Houve um súbito silêncio . - Se eu descubro quem lançou isto - murmurou Snape - garanto que é expulsão por a certa . Harry compôs uma expressão de espanto . Snape olhava directamente para ele e a campainha , que tocou dez minutos mais tarde , não podia ser mais bem-vinda . - Ele soube que fui eu - disse Harry_a_Ron e a a Hermione , enquanto se dirigiam apressadamente para a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Tenho a certeza . Hermione lançou o novo ingrediente em o caldeirão e começou a mexer furiosamente . - Isto vai estar pronto dentro_de quinze_dias - afirmou , satisfeita . - O Snape não pode provar que foste tu - assegurou Ron , tranquilizando Harry . - Que pode ele fazer ? - Conhecendo o Snape , qualquer coisa louca - respondeu Harry , enquanto a poção borbulhava e espumava . Uma semana mais tarde , Harry , Ron e Hermione passavam por o vestíbulo de entrada , quando viram um pequeno grupo de pessoas reunidas em volta de o jornal de parede a lerem um pedaço de pergaminho que tinha acabado de ser afixado . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas acenaram lhes , entusiasmados . - Vão lançar um clube de duelos ! - exclamou Seamus . - Hoje a a noite é a primeira reunião . Eu não me importaria nada de ter aulas de duelo , podem vir a ser úteis um dia de estes ... - Porquê ? Achas que o monstro de os Slytherin sabe esgrimir ? - perguntou o Ron , mas , também ele , leu a notícia com interesse . - Pode ser útil - disse a o Harry e a a Hermione , quando foram jantar . - Vamos lá ? Harry e Hermione acharam óptimo , por isso , a as oito_da_noite voltaram a o salão . As longas mesas de refeição tinham desaparecido e um estrado dourado surgira , encostado a a parede . Sobre ele flutuavam milhares de velas . O tecto era , mais_uma_vez , de veludo negro e parecia que quase todos os alunos de a escola se encontravam ali , com as suas varinhas em a mão e com um ar entusiasmado . - Quem será que vai ensinar nos ? - perguntou Hermione , enquanto se misturavam em a multidão barulhenta . - Ouvi dizer que o Filitwick foi campeão de duelo em a juventude , talvez seja ele . - Desde_que não seja ... - começou Harry , mas terminou em um gemido : Gilderoy_Lockhart estava a subir a o estrado , resplandecente em as suas vestes cor de ameixa , acompanhado , nem mais nem menos , do_que de Snape que trajava , como sempre , de negro . Lockhart levantou um braço , pedindo silêncio , bradando : - Aproximem se , aproximem se , conseguem todos ver me e ouvir me ? Excelente ! - O professor Dumbledore deu me autorização para iniciar este pequeno curso de duelo para vos treinar a todos , caso algum dia precisem de se defender , como eu tenho feito em inúmeras ocasiões ; para mais detalhes , leiam os livros que tenho publicados . - Permitam que vos apresente o meu assistente , o professor Snape - disse Lockhart , abrindo um sorriso de orelha a orelha . - Ele diz me que sabe alguma coisa sobre duelos e aceitou desportivamente ajudar me em uma exibição de demonstração , antes de começarmos . Atenção , não quero que os mais novos fiquem preocupados , vão continuar a ter o vosso professor de poções depois de eu o vencer . Não tenham medo . - Não era óptimo se se liquidassem um_ao_outro ? - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . O lábio inferior de Snape estava curvo . Harry interrogou se sobre o motivo por_que Lockhart continuava a sorrir . Se o Snape olhasse de aquela maneira para ele , Harry estaria a correr a_toda_a velocidade para o mais longe possível . Lockhart e Snape voltaram se um para o outro e fizeram uma vénia , pelo_menos Lockhart fê la com muitas reviravoltas de mãos , enquanto Snape acenava , irritado , com a cabeça . Em seguida , ergueram as varinhas , como_se fossem espadas , em a frente . - Como podem ver , estamos a pegar em as varinhas em a posição de aceitação de combate - explicou Lockhart a a multidão silenciosa . - Quando contarmos até três , lançaremos os primeiros feitiços . Nenhum de nós tentará matar o outro , claro . - Eu não poria as mãos em o fogo - murmurou Harry , observando como Snape cerrava os dentes . -- Um , dois , três ... Os dois balançaram as varinhas acima de os ombros . Snape gritou : * _ Expelliarmus * ! Houve um clarão ofuscante de luz escarlate e Lockhart voou para trás , caindo de o estrado batendo contra a parede , escorregando e indo estatelar se em o chão . Malfoy e alguns de os outros Slytherin aplaudiram . Hermione estava em bicos de os pés . - Acham que ele está bem ? - gritou entredentes . - Quem se rala ? - disseram ao_mesmo_tempo o Ron e o Harry . Lockhart estava a pôr se , hesitante , de pé . O chapéu caíra lhe e o cabelo ondulado estava em um desalinho . - Bem , cá está ! - disse , cambaleando até a o estrado . - Este foi um encantamento para desarmar . Como podem ver , perdi a minha varinha . Ah , obrigado Miss_Brown . Sim , foi uma excelente ideia mostrar lhes isto , professor Snape , mas , se me permite que lhe diga , foi muito óbvio o que ia fazer . Se eu tivesse querido impedis o , teria o feito com a maior de as facilidades . Mas achei que seria educativo deixá os ver ... Snape tinha um ar assassino . Provavelmente Lockhart deu por isso , porque declarou : - Chega de demonstrações . Eu vou passar agora por o meio de vocês e criar duplas . Professor_Snape , se quiser ajudar me ... Entraram por o meio de a multidão , agrupando alunos . Lockhart pôs o Neville com Justin_Finch - _ Fletchley , mas Snape chegou primeiro junto de Harry e de Ron . - Tempo de separar a dupla ideal , parece me - rosnou . - Weasley , tu podes ficar com o Finnigan . Potter ... Harry voltou se automaticamente para Hermione . - Não me parece - disse Snape com o seu sorriso frio . - Mr._Malfoy , venha até aqui . Vamos ver o que faz com o famoso Potter . E a menina , Miss_Granger , pode emparceirar com Miss_Bulstrode . Malfoy aproximou se com o seu passo empertigado e o seu sorriso escarninho . Atrás de ele vinha uma rapariga de os Slytherin , que lembrou a Harry uma imagem que tinha visto em as * _ Férias com Bruxas_Velhas * . Era corpulenta e quadrada e os maxilares avançavam agressivamente . Hermione esboçou um meio sorriso , que ela não retribuiu . - Voltem se para os vossos parceiros - gritou Lockhart - e façam a vénia . Harry e Malfoy mal inclinaram as cabeças , não afastando os olhos um de o outro . - Varinhas preparadas ! - gritou Lockhart . - Quando eu disser três preparem os feitiços para desarmar o vosso opositor . Um ... dois ... três ... Harry levantou a varinha acima de o ombro , mas Malfoy começara logo em o « dois » : o seu feitiço apanhou Harry com tanta força que ele se sentiu como_se tivesse levado com uma frigideira em a cabeça . Tropeçou , mas ainda não estava fora de combate e , sem perder tempo , Harry apontou a varinha a Malfoy e gritou : - * _ Rictusempra ! * Um jacto de luz prateada atingiu Malfoy em o estômago , obrigando o a dobrar se , arfando . - Eu disse desarmar ! - gritava Lockhart sobre as cabeças de a multidão em lata , enquanto Malfoy caía de joelhos . Harry atingira o com o feitiço de as cócegas e ele mal conseguia mexer se para se rir . Harry hesitou com o vago sentimento de que seria pouco desportivo enfeitiçar Malfoy enquanto ele estava caído em o chão , mas ... foi um erro . Tentando respirar , Malfoy apontou a varinha a os joelhos de Harry , balbuciando : « * _ Tarantallegra ! * » e , um segundo depois , as pernas de o Harry tinham começado a mexer se , sem que ele pudesse controlá as , executando uma espécie de dança frenética . - Parem , parem - gritava Lockhart , quando Snape resolveu tomar controlo de a situação . - * _ Finite_Incantatem ! * - bradou . Os pés de o Harry pararam de dançar , Malfoy parou de rir e puderam olhar para_cima . Uma onda de fumo esverdeado pairava sobre todos eles . Neville e Justin estavam caídos em o chão , a arfar . Ron tentava fazer parar um Seamus com cara cor de cinza , pedindo lhe mil desculpas por o que a sua varinha partida eventualmente tivesse feito . Mas Hermione e Millicent_Bulstrode ainda não tinham acabado . Millicent tinha feito a Hermione uma prisão de cabeça e Hermione gritava de dor . As duas varinhas jaziam esquecidas em o chão . Harry deu um salto em frente e afastou Millicent . Não foi fácil , ela era bastante maior do_que ele . - Oh , gente ! - exclamou Lockhart , arrastando se por o meio de a multidão e olhando para os resultados de os duelos . - Vamos pôr de pé , Mcmillan ... cuidado , Miss_Fawcett ... belisque com força que pára logo de sangrar ... - Acho que o melhor é ensinar vos como bloquear feitiços pouco amigáveis - afirmou Lockhart que estava nervosíssimo em o meio de o salão . Olhou para Snape , cujos olhos pretos brilhavam e desviou rapidamente o olhar . - Vamos arranjar um par de voluntários . Longbottom e Finch - _ Fletchley , que tal serem vocês ? - Uma má ideia , professor Lockhart - disse Snape , deslizando como um morcego enorme e cruel . - Longbottom provoca devastação com o feitiço mais simples . Ainda temos de mandar o que restar de o Finch - _ Fletchley para a ala hospitalar dentro_de uma caixa de fósforos . - A cara redonda e rosada de Neville ficou ainda mais rosada . - Que tal o Malfoy e o Potter ? - sugeriu Snape com um sorriso retorcido . - Excelente ideia - disse Lockhart , fazendo sinal a os dois para que se aproximassem de o meio de o salão , enquanto a multidão recuava para lhes dar passagem . - Ouve bem , Harry - disse Lockhart . - Quando o Draco te apontar a varinha , tu fazes assim . Levantou a sua varinha , executando uma tentativa complicada de malabarismo e deixou a cair . Snape sorriu pretensiosamente , enquanto Lockhart a apanhava de o chão , dizendo : - Ups , a minha varinha está demasiado excitada . Snape aproximou se de Malfoy , inclinou se e disse lhe qualquer coisa a o ouvido . Malfoy sorriu também de forma afectada . Harry olhou , nervoso , para Lockhart e pediu : - Professor , podia mostrar me outra_vez aquela coisa para bloquear ? - Estás com medo ? - murmurou Malfoy baixinho , para que Lockhart não pudesse ouvir . - Querias ! - exclamou Harry por o canto de a boca . Lockhart deu um soco em o ombro de o Harry , em a brincadeira . - Basta que faças como eu fiz ! - O quê , deixar cair a varinha ? Mas Lockhart não estava a ouvir - Três , dois , um , zero ! - gritou . Malfoy levantou rapidamente a varinha a o ar e gritou : - * _ Serpensortia ! * A extremidade de a varinha explodiu . Harry viu , horrorizado , uma enorme serpente negra sair de ela , cair pesadamente em o chão a meio de os dois e erguer se disposta a atacar . Ouviram se gritos , enquanto a multidão se afastava , deixando o chão vazio . - Não te mexas , Potter - disse Snape vagarosamente , divertindo se claramente a ver Harry , parado , a olhar em os olhos a serpente . - Eu trato de ela ... - Permita me -- gritou Lockhart . Bramiu a varinha em direcção a a serpente e ouviu se um estoiro . A cobra , em_vez_de desaparecer , voou três metros acima de eles e voltou a cair em o chão com um estrondo enorme . Enraivecida , a sibilar de fúria , rastejou em direcção a Finch - _ Fletchley e pôs se de pé com os dentes a a mostra , pronta a atacar . Harry não soube ao_certo o que o levou a fazer aquilo . Não se lembrava sequer de ter tomado aquela decisão . Só soube que as pernas o fizeram avançar como_se tivesse rodas e que gritou a a serpente : - Larga o ! - E , milagrosa e inexplicavelmente , a serpente voltou a o chão , dócil como uma grande mangueira de jardim , preta e grossa , os olhos agora fixos em os olhos de Harry . Harry sentiu o medo a escoar se . Sabia que a cobra não atacaria mais ninguém , embora não pudesse explicar como sabia . Olhou para Justin a sorrir , esperando vê o aliviado , espantado , ou mesmo agradecido , mas nunca zangado ou assustado . - Que brincadeira é essa ? - gritou o outro e , antes que Harry tivesse tempo de dizer fosse o que fosse , voltou as costas e saiu de o salão . Snape deu um passo em frente , fez um gesto com a varinha e a serpente desapareceu em uma onda de fumo preto . Também ele , Snape , olhava para Harry de uma forma inesperada . Era um olhar arguto e calculista , de que Harry não gostou . Apercebeu se também vagamente de um murmúrio ameaçador que vinha de as paredes em volta . Depois , sentiu um puxão em a túnica . - Vamos - disse a voz de o Ron em o seu ouvido . - Mexe te , vá lá ... Ron arrastou o para fora de o salão . Hermione acompanhava os em a passada rápida . Quando cruzaram a porta , as pessoas que a rodeavam afastaram se , como_se tivessem medo de ser contagiadas . Harry não fazia a mais pequena ideia do_que estava a passar se e , nem Ron , nem Hermione lhe deram qualquer explicação , antes de o terem levado até a a sala comum de os Gryffindor , que se encontrava vazia . Aí , Ron empurrou Harry para uma cadeira de braços e disse : - Tu és um * serpentês * . Porque não nos disseste ? - Eu sou um quê ? - perguntou Harry . - Um * serpentês * ! - exclamou o Ron . - Falas com as cobras . - Eu sei - declarou Harry . - Quer_dizer , esta foi a segunda vez que o fiz . A outra foi há muito_tempo em o jardim zoológico , quando soltei uma Boa_Constrictor a o meu primo Dudley . É uma longa história , mas ela estava a dizer me que nunca tinha estado em o Brasil e eu acho que a libertei sem querer . Foi antes de saber que era feiticeiro . . . - Uma Boa_Constrictor disse te que nunca tinha estado em o Brasil ? - repetiu Ron , quase sem voz . - E então ? - disse o Harry . - Aposto que montes de pessoas aqui fazem o mesmo . - Não fazem , não - afirmou Ron . - Não é um dom muito frequente . Harry , isso é mau . - O que é_que é mau ? - perguntou Harry , que começava a ficar chateado . - O que é_que se passa com todos os outros ? Ouve bem , se eu não tivesse dito a aquela cobra para não atacar o Justin ... - Ah , foi isso que tu disseste ? - Que queres dizer ? Tu estavas lá , ouviste perfeitamente o que eu disse . - Eu ouvi te falar em serpentês - disse o Ron . - Língua de cobra . Podias estar a dizer lhe qualquer coisa . Não admira que o Justin tivesse entrado em pânico . Parecia que estavas a incitar a serpente . Foi assustador , sabes ? Harry olhou para ele espantado . - Eu falei uma língua diferente ? Mas não me apercebi , como posso falar uma língua , sem saber que a conheço ? Ron abanou a cabeça . Tanto ele como Hermione tinham um ar fúnebre . Harry não percebia o que havia em aquilo de tão trágico . - Será que me querem explicar o que há de mal em ter impedido que uma serpente enorme arrancasse a cabeça a o Justin ? - perguntou . - Porque é tão importante como o fiz , se evitei que o Justin fosse juntar se a grupo de os SEM_CABEÇA ? - Importa - disse por fim Hermione , em uma voz abafada . - Porque falar com serpentes era a arte por a qual Salazar_Slytherin ficou famoso . Por isso , o símbolo de os Slytherin é uma serpente . Harry ficou de boca aberta . - Exacto - disse o Ron . - E agora todos em a escola vão pensar que tu és descendente de ele . - Mas não sou - contrapôs Harry com um pânico que não conseguia explicar . - Não vai ser fácil prová o - disse Hermione . - Ele viveu há quase mil anos . Pelo que vimos , podias ser . Em essa noite , Harry ficou acordado durante horas . Por uma fresta de os cortinados de a cama de dossel , olhou para a neve que começava a cair de o lado de_fora de a janela de a torre e perguntou se se poderia ser descendente de Salazar_Slytherin . Afinal , não sabia nada de a família de o pai , os Dursley tinham sempre proibido qualquer pergunta sobre os seus familiares feiticeiros . Calmamente , tentou dizer qualquer coisa em * serpentês * , mas as palavras não saíam . Parecia que era necessário estar frente_a_frente com uma cobra para poder fazê o . Mas eu sou um Gryffindor , pensou Harry , o chapéu seleccionador não me poria aqui se eu tivesse sangue de Slytherin ... - Ah ! - disse uma vozinha dentro de o seu cérebro . - Mas o chapéu seleccionador queria pôr te em os Slytherin , não te lembras ? Harry deu voltas e voltas a a cabeça . Em o dia seguinte , quando visse Justin em a aula de herbologia explicaria lhe que estava a afastar a serpente , não a atiçá a o que , aliás , pensou zangado , dando vários socos em a almofada , qualquer idiota teria percebido . Contudo , em a manhã seguinte , a neve que começara a cair durante a noite , transformara se em uma tempestade tão espessa que a última aula de herbologia de o período foi cancelada : a professora Sprout queria tapar as mandrágoras com peúgas e cachecóis , uma operação arriscada que ela não confiava a ninguém agora_que era tão importante que as mandrágoras crescessem depressa e reabilitassem Mrs._Norris e Colin_Creevey . Junto de a lareira de a sala comum de os Gryffindor , Harry matutava sobre o que se passara enquanto Ron e Hermione aproveitavam o foro para jogar xadrez de feitiçaria . - Com os diabos , Harry - disse Hermione exasperada quando um bispo derrubou um de os cavaleiros de o cavalo , arrastando o para fora de o tabuleiro . - Vai falar com o Justin , se isso é assim tão importante para ti . Harry levantou se e saiu por o buraco de o retrato , perguntando a si próprio onde poderia estar o Justin . O castelo estava mais escuro do_que era habitual durante o dia por causa de a neve espessa e cinzenta que cobria as janelas . A tremer , Harry passou por as salas onde estava a haver aulas , captando lampejos do_que sucedia lá dentro . A professora Mc_Gonagall gritava com alguém que , segundo lhe parecia por o som , transformara o parceiro em um texugo . Resistindo a a tentação de dar uma espreitadela , Harry afastou se pensando que Justin poderia estar a utilizar o tempo de o furo para fazer algum trabalho e resolveu , por isso , ir até a a biblioteca . Um grupo de alunos de os Hufflepuff , que deveriam ter estado em Herbologia , encontrava se , de facto , sentado em as traseiras de a biblioteca , mas não parecia estar a trabalhar . Entre as fileiras de as estantes altas , Harry pôde ver as suas cabeças muito juntas em aquilo que deveria ser uma conversa absorvente . Não conseguia perceber se Justin estaria em o meio de eles . Ia para se aproximar quando apanhou em o ar uma frase e parou para ouvir melhor , escondido em a secção de a invisibilidade . - Portanto - dizia um rapaz corpulento - eu disse a o Justin para se esconder em o nosso dormitório . Isto_é , se o Potter o escolheu como próxima vítima é melhor que ele tenha um * low profile * durante algum tempo . É claro que o Justin já estava a a espera que alguma coisa de o género acontecesse desde_que lhe escapou em uma conversa com o Potter que era filho de Muggles . O Justin disse lhe , inclusivamente , que tinha estado inscrito em Eton . Não é o tipo de coisa que se ande a dizer com o herdeiro de Slytherin a a solta por aí . - Achas mesmo_que é o Potter , Ernie ? - perguntou uma rapariga de tranças loiras , ansiosamente . - Hannah - disse com solenidade o rapaz corpulento . - Ele é um serpentês . Todos sabem que essa é a marca de um feiticeiro negro . Alguma vez ouviste falar de um feiticeiro decente que falasse com as cobras ? O Slytherin era conhecido por « Língua de serpente . . Houve alguns murmúrios antes de Ernie prosseguir : - Lembram se do_que estava escrito em a parede ? * _ Inimigos de o herdeiro , cuidado ! * . O Potter teve que ir a o gabinete de o Filch . E o que é_que acontece a seguir ? A gata de o Filch é atacada . O aluno de o primeiro ano , Creevey , estava a aborrecê o em a partida de Quidditch , a tirar lhe fotografias quando ele estava caído em a lama . E o que é_que acontece a seguir ? Creevey é atacado . - Mas ele parece sempre ser tão simpático - disse Hannah , cheia de dúvidas . - E , bem , foi ele que fez com que o Quem nós sabemos desaparecesse . Não pode ser assim tão mau , pois não ? Ernie baixou misteriosamente a voz . Os Hufflepuff inclinaram se mais uns para os outros e Harry aproximou se para conseguir apanhar as palavras de o Ernie . - Ninguém sabe como ele sobreviveu a aquele ataque de o Quem nós sabemos e , afinal , ainda era um bebé quando aquilo aconteceu . Era para ter explodido feito em estilhaços . Só um feiticeiro negro verdadeiramente poderoso teria sobrevivido a uma maldição de aquelas . - Baixou ainda mais a voz até esta ficar reduzida a um leve murmúrio e disse : - Talvez fosse por isso que o Quem nós sabemos o queria matar , para não ter outro feiticeiro negro a competir com ele . Gostava de saber que outros poderes ocultos terá o Potter . Harry não aguentou mais . Pigarreou alto e saiu detrás de as estantes . Se não estivesse tão zangado teria conseguido ver o lado cómico de a situação : cada_um de os Hufflepuff olhava para ele como_se tivesse sido petrificado , e a cor desaparecera de a cara de o Ernie . - Olá - disse Harry . - Estou a a procura de o Justin_Finch - _ Fletchley . Os piores receios de os Hufflepuff tinham se concretizado . Olharam apavorados para o Ernie . - O que queres de ele ? - perguntou Ernie em uma voz sumida . - Explicar lhe o que aconteceu com aquela cobra em o clube de os duelos - disse Harry . Ernie mordeu os lábios brancos e , em seguida , respirando fundo , respondeu : - Estávamos lá todos . Vimos o que aconteceu . - Então viram que depois de eu falar a serpente recuou - disse Harry . - O que eu vi - insistiu teimosamente Ernie , apesar_de tremer a cada palavra que proferia - foi tu a falares serpentês e a atiçares a cobra conta o Justin . - Eu não a aticei - gritou Harry enraivecido . - Ela nem lhe tocou . - Falhou por_pouco - disse Ernie . - E , para o caso de estares com ideias - acrescentou com má cara - posso dizer te que a minha família provem de nove gerações de bruxas e feiticeiros e que o meu sangue é tão puro como o de qualquer feiticeiro , portanto ... - Quero lá saber qual é o teu sangue - disse Harry furioso . - Porque iria eu atacar os filhos de os Muggles ? - Ouvi dizer que detestas os Muggles com quem vives - disse Ernie rapidamente . - Não é possível viver com os Dursley sem os detestar - explicou Harry . - Gostava de te ver lá em casa . Girou sobre os calcanhares e saiu furioso de a biblioteca sob o olhar reprovador de Madam_Prince que limpava a capa dourada de um enorme livro de encantamentos . Harry avançou a as cegas por os corredores , quase sem ver por_onde ia de tão furioso que estava . O resultado foi chocar com algo enorme e sólido que o fez recuar e cair a o chão . - Ah ! Olá , Hagrid - disse , olhando para_cima . Hagrid tinha o rosto completamente tapado com um lenço coberto de neve , mas não podia ser mais ninguém , enchendo assim o corredor dentro de o seu sobretudo de pele de toupeira . De uma de as enormes mãos enluvadas , pendia um galo morto . - Tudo bem , Harry ? - perguntou , afastando o lenço para poder falar . - Porque não estás em a aula ? - Foi cancelada - disse Harry , pondo se de pé . - O que estás a fazer aqui ? Hagrid mostrou lhe o galo inerte . - É o segundo qu'aparece morto este período - explicou . - Ou são raposas ou um vampiro chato e eu preciso d'autorização de o director p'ra fazer um feitiço em volta de a capoeira . Aproximou se e olhou mais de perto para o Harry , por debaixo de as suas sobrancelhas espessas e cheias de neve . - Tens a certeza que estás bem ? Pareces exaltado e preocupado . Harry não foi capaz de repetir o que Ernie e os outros Hufflepuff lhe tinham dito . - Não é nada , tenho de ir , Hagrid . A próxima aula é Transfiguração e preciso de ir buscar os meus livros . Afastou se , a cabeça cheia com tudo_o_que Ernie dissera a seu respeito . « * _ O_Justin já estava d espera que uma coisa de o género acontecesse desde_que deixou escapar , falando com o Potter , que era filho de Muggles * ... » Harry subiu as escadas a correr e entrou por um corredor que estava particularmente escuro . As tochas tinham sido apagadas por uma ventania gelada que entrava por uma janela de fecho estragado . Estava a meio de o corredor quando tropeçou em uma coisa que se encontrava em o chão . Olhou para ver o que era e sentiu como_se o estômago se tivesse dissolvido . Justin_Finch - _ Fletchley estava em o chão , rígido e frio com uma expressão de horror em o rosto e os olhos abertos voltados para o tecto . E não era tudo . Junto de ele estava mais alguém , a visão mais estranha que Harry tivera em toda_a sua vida . Era_o_Nick quase sem cabeça que não estava cor de pérola nem transparente e sim escuro como fumo . Flutuava imóvel , em a horizontal , 12 centímetros acima de o chão , a cabeça meio tombada e em o rosto uma expressão de choque idêntica a a de o Justin . Harry pôs se de pé com a respiração acelerada e o coração a bater como um tambor contra as costelas . Olhou desvairado para ambos os lados de o corredor deserto e viu uma fila de aranhas que corriam a_toda_a velocidade em a direcção oposta a a de os corpos . Os únicos sons eram as vozes abafadas de os professores em as aulas que decorriam de ambos os lados . Podia fugir e ninguém saberia que ali tinha estado , mas não era capaz de os abandonar assim . Tinha de ir procurar ajuda . Será que alguém acreditaria que ele não tivera nada que ver com aquilo ? Enquanto ali estava , em pânico , uma porta a o seu lado abriu se com grande estrondo . Peeves , o * poltergeist * , saiu a os gritos . - Oh ! É o Potter , olá , Potter - alardeou Peeves , lançando por o ar os óculos de o Harry quando passou por ele . - O que está o Potter a fazer ? Porque está o Potter escondido ? Peeves passou de cabeça para baixo , a meio de uma cambalhota em o ar , quando viu Justin e Nick quase sem cabeça . Com um movimento súbito endireitou se , encheu os pulmões de ar e , antes que Harry pudesse impedi o , gritou : __ ataque ! ataque ! outro ataque ! nenhum mortal ou fantasma está em segurança . corram , fujam , __ ataaaque ! Crac , Crac , Crac . Uma atrás de a outra , foram se abrindo todas_as portas a o longo de o corredor e as pessoas saíram para fora de as salas de aula . Durante alguns longos minutos houve uma tal confusão que Justin esteve em perigo de ser esmagado e as pessoas não paravam de chocar com o Nick quase sem cabeça . Harry deu por si colado a a parede enquanto os professores exigiam a os gritos que se fizesse silêncio . A professora Mc_Gonagall veio a correr , seguida por todos os alunos , um de os quais ainda trazia o cabelo a as riscas pretas e brancas . Usou a varinha para produzir um ruído que repôs o silêncio e mandou os alunos todos para dentro de as salas de aula . Mal lugar ficou desimpedido surgiu Ernie , o jovem Hufflepuff . - * _ Apanhado em flagrante ! * - gritou , com o rosto totalmente branco , apontando dramaticamente o dedo par Harry . - Basta_Mcmillan - disse , de forma cortante , a professora Mc_Gonagall . Peeves andava para_cima e para baixo , observando a cena com um sorriso maldoso . Sempre adorara o caos . Quando os professores se inclinaram sobre Justin e sobre o Nick quase sem cabeça para os examinar , iniciou uma cantilena : * _ Oh ! Potter , que fizeste , seu grande bandido * _ Tu matas os estudantes porque achas divertido . * - Basta , Peeves - rosnou a professora Mc_Gonagall e Peeves afastou se , deitando a língua de_fora a o Harry . Justin foi levado para a ala hospitalar por o professor Flitwick e por o professor Sinistra_do_Departamento_de_Astronomia , mas ninguém parecia saber o que fazer em relação a o Nick quase sem cabeça . Por fim , a professora Mc_Gonagall fez aparecer em o ar um enorme leque que entregou a Ernie com o encargo de conduzir , escadas acima , por os ares o Nick quase sem cabeça . Ernie assim fez , soprando Nick como_se fosse um aerodeslizador e deixando , de este modo , o Harry e a professora Mc_Gonagall a sós . - Por aqui , Potter - disse ela . - Professora , eu juro que não ... - Isso não é comigo , Potter - afirmou a professora Mc_Gonagall sinteticamente . Caminharam em silêncio até uma esquina e ela parou perante uma gárgula de pedra extremamente feia . - Refresco de limão - disse . Era obviamente uma senha porque a gárgula animou se subitamente e saltou para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes . Apesar_de estar apavorado com o que ia acontecer a seguir , Harry não conseguiu evitar um sentimento de fascínio . Por detrás de a parede estava uma escada em espiral que se movia lentamente para_cima como um elevador . E quando ele e a professora Mc_Gonagall puseram os pés em o primeiro degrau , Harry ouviu a parede fechar se atrás de eles . Subiram em círculos , cada_vez_mais alto até que , por fim , um_pouco tonto , Harry pôde ver uma porta de carvalho reluzente com um puxador de bronze em forma de abutre . Harry calculava onde estava a ser levado . Devia ser ali que morava Dumbledore . XII_A poção * polisuco * Saltaram de a escada de pedra lá mesmo em cima e a professora Mc_Gonagall bateu a a porta . Ela abriu se silenciosamente dando lhes entrada . A professora Mc_Gonagall disse lhe que esperasse e deixou o sozinho . Harry olhou em volta . Uma coisa era certa : de todos o escritórios de professores que conhecia , o de Dumbledor era , de longe , o mais interessante . Se não estivesse com um medo de morte de ser expulso teria adorado explorá o . Era uma sala grande e bonita em forma de círculo que estava cheia de barulhinhos estranhos . Havia um grande número de instrumentos prateados sobre várias mesas de pernas finas que zumbiam emitindo pequenas baforadas de fumo . As paredes estavam cobertas de fotografias de antigos directores e directoras , todos eles a dormir tranquilamente em as suas molduras . Havia ainda uma enorme secretária pés de garra . E , sobre uma prateleira atrás de ela , um chapéu de feiticeiro andrajoso e puído : * o chapéu seleccionador * . Harry hesitou . Lançou um olhar cauteloso a as bruxas e feiticeiros adormecidos a o longo de as paredes . Com certeza não fazia mal se lhe pegasse e o experimentasse só para ver ... só para ter a certeza de que ele o pusera em a equipa certa . Deu a volta a a secretária , retirou o chapéu de a prateleira e baixou o lentamente sobre a cabeça . Era demasiado grande e escorregou lhe para os olhos como de a outra_vez que o tinha posto . Harry olhou para o forro preto , enquanto esperava . Por fim , uma vozinha disse lhe a o ouvido : - Estás com macaquinhos em o sótão , Harry_Potter ? - Er ... sim - balbuciou Harry . - Er ... desculpa incomodar te , queria saber ... - Querias saber se te pus em a equipa certa - disse prontamente o chapéu . - Sim ... tu és particularmente difícil de seleccionar , mas eu mantenho o que disse antes . - O coração de Harry deu um salto . - Terias ficado bem em os Slytherin . Harry sentiu o estômago contorcer se . Agarrou o chapéu por a aba e tirou o de a cabeça . O chapéu seleccionador ficou pendurado em a mão de ele , inerte , desbotado e sujo . Harry voltou a pô o em a prateleira , sentindo se enjoado . - Estás enganado ! - disse em voz alta a o chapéu parado e silencioso , mas ele não se mexeu . Harry recuou para o observar melhor e foi então que ouviu um ruído estranho e grasnado atrás_de si que o fez dar uma volta . Não estava só , afinal_de_contas . Em um poleiro dourado atrás de a porta estava um pássaro de aspecto decrépito que parecia um peru meio depenado . Harry olhou para ele espantado e o pássaro olhou o também , grasnando de_novo . Harry achou que ele devia estar muito doente porque tinha os olhos parados e , enquanto olhava para ele , caíram lhe mais algumas penas de a cauda . Estava justamente a pensar que a única coisa que lhe faltava era que o pássaro de estimação de Dumbledore morresse quando ele estava ali sozinho com ele , em o escritório , quando a ave se incendiou . Harry gritou , em estado de choque , e recuou até a a secretária . Olhava nervosamente em volta , em busca de um jarro de água , mas não viu nenhum . O pássaro , entretanto , transformara se em uma bola de fogo , dera um guincho e , em seguida , desaparecera , deixando apenas um monte de cinzas em o chão . A porta de o escritório abriu se . Dumbledore entrou com ar taciturno . - Professor - gaguejou Harry . - O seu pássaro ... eu não pode fazer nada ... ele incendiou se . Para seu grande espanto , Dumbledore sorriu . - Já não era sem tempo . Estava com um aspecto horrível em os últimos dias . Fartei me de lhe dizer que fizesse qualquer coisa . Riu se entre dentes com a expressão em o rosto de Harry . - A Fawkes é uma fénix , Harry . As fénix ardem quando é altura de morrer e renascem de as cinzas , repara ... Harry olhou mesmo a_tempo_de ver um passarinho recém-nascido , todo enrugado , espetar a cabeça fora de as cinzas . Era quase tão feio como o antigo . - É uma pena que a tenhas conhecido em dia de arder - disse Dumbledore , passando para trás de a secretária . - É muito bonita a maior parte de o tempo , com uma plumagem vermelha e dourada . São criaturas fascinantes , as fénix . Podem transportar cargas pesadíssimas , as suas lágrimas têm propriedades curativas e são animais de estimação extremamente fiéis . Com o choque de a fénix a pegar fogo , Harry esquecera se de o motivo porque ali estava , mas tudo voltou rapidamente quando Dumbledore se instalou em a cadeira de espaldar alto e o fixou com os seus olhos azuis e penetrantes . Contudo , antes que ele tivesse tido tempo de falar , a porta de o escritório abriu se de par em par com um enorme estrondo e Hagrid entrou com um olhar tresloucado , o lenço todo torcido em volta de a cabeça hirsuta e o galo morto ainda pendurado em a mão . - Não foi Harry , professor Dumbledore - disse , aflito . - Eu tinha estado a falar com ele poucos segundos antes de o rapazinho ser encontrado , ele não teve tempo professor ... Dumbledore tentou dizer qualquer coisa , mas Hagrid continuou , abanando o galo em o meio de a sua agitação e espalhando penas por todo o lado . - Não pode ter sido ele . Eu juro em a frente de o ministro de a magia , se for preciso ... - Hagrid , eu ... -- Tem o rapaz errado , professor . Eu sei qu'o Harry nunca ... - Hagrid - disse Dumbledore , elevando a voz . - Eu não penso que o Harry tenha atacado aquelas pessoas . - Oh ! - disse Hagrid , com o galo pendendo inerte a o seu lado . - Certo , ' tão eu espero lá fora , director . E saiu com ar envergonhado . - O senhor não acha que tenha sido eu ? - repetiu Harry cheio de esperança , enquanto Dumbledore sacudia penas de galo de cima de a secretária . - Não , Harry , não acho - afirmou Dumbledore , apesar de a sua expressão ser de_novo sombria . - Mas mesmo_assim quero falar contigo . Harry esperou ansiosamente enquanto o director o observava com as pontas de os dedos longos unidas . - Tenho de saber uma coisa . Harry , há alguma pergunta que queiras fazer me , qualquer que ela seja ? Harry não soube o que dizer . Lembrou se de Malfoy a gritar * _ Vocês serão os próximos , sangues de lama * e de a poção * _ Polisuco * em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Depois pensou em a voz sem corpo que ouvira duas vezes e em o que o Ron dissera * _ Ouvir vozes que ninguém mais ouve não é bom sinal , nem mesmo em o mundo de a feitiçaria * . Pensou também em o que toda_a_gente dizia de ele e em o receio cada_vez maior de ter uma relação qualquer com Salazar_Slytherin ... - Não - disse por fim . - Não há nada , professor . O ataque duplo a Justin e a o Nick quase sem cabeça transformou o que até_então era nervosismo em verdadeiro pânico . Curiosamente fora o destino de o Nick quase sem cabeça o que mais preocupara as pessoas . Quem poderia ter feito aquilo a um fantasma ? - perguntavam uns a os outros . - Que poder terrível era aquele , capaz de afectar alguém que já tinha morrido ? Houve uma precipitação enorme em a marcação de os bilhetes em o Expresso_de_Hogwarts , pois todos os alunos quiseram ir passar o Natal a casa . - Por este caminho , vamos ser os únicos a ficar - disse o Ron a o Harry e a a Hermione . - Nós , o Malfoy , o Goyle e o Crabbe , que férias lindas que vão ser ! Crabbe e Goyle que faziam sempre o que Malfoy fazia , tinham se inscrito para ficar também durante as férias . Mas Harry estava contente por a maior parte se ir embora . Estava farto de ver gente a afastar se em os corredores como_se ele fosse mostrar os dentes ou cuspir veneno . Estava cansado de tantos segredinhos , de os ver apontar e segredar quando passava . O Fred e o George , esses achavam muito divertido . Vinham , de propósito , pôr se a a frente de ele e atravessavam os corredores a gritar : - Abram alas para o herdeiro de Slytherin , vai passar um feiticeiro verdadeiramente cruel . Percy discordava totalmente de este comportamento . - Não é um assunto para se brincar - dizia com frieza . - Sai mas é de o caminho , Percy - dizia o Fred . - O Harry está com pressa . - Sim , ele vai a a Câmara_dos_Segredos tomar uma chávena de chá com o seu servidor dentes de serpente - completava Fred com uma gargalhada . Ginny também não lhes achava graça . - Cala te - gritava ela sempre_que o Fred perguntava em voz alta a o Harry quem estava a pensar atacar a seguir , ou quando George fingia afastá o com um enorme dente de alho . Harry não se importava . Fazia o sentir se melhor o facto de constatar que , pelo_menos para o Fred e para o George , a ideia de ele ser o herdeiro de Slytherin era absolutamente ridícula . Mas as palhaçadas de eles pareciam ofender Draco_Malfoy que , de cada_vez que os via , ficava mais irritado . - É porque está ansioso por dizer que é mesmo ele - disse o Ron com ar conhecedor . - Sabes como ele detesta que alguém o ultrapasse e tu estás a receber todo o crédito por o seu trabalho sujo . - Não vai ser por muito_tempo - disse Hermione com uma voz satisfeita . - A poção * polisuco * está quase pronta . Um de estes dias arrancamos lhe a verdade . Finalmente , o período chegou a o seu termo e um silêncio profundo como a neve em os campos desceu sobre o castelo . Harry adorou a tranquilidade e apreciou o facto de ele , Hermione e os Weasley terem a torre de os Gryffindor por sua conta , poderem jogar a as explosões bem alto , sem incomodar ninguém e praticar duelos entre si . O Fred , o George e a Ginny tinham preferido ficar em a escola a ir com Mr. e Mrs._Weasley a o Egipto visitar o Bill . Percy que reprovava e considerava infantil a conduta de eles , não passava muito_tempo em a sala comum de os Gryffindor . Já lhes dissera pomposamente que só ficara ali em o Natal , por ser sua obrigação como prefeito apoiar os professores em aquela época agitada . A manhã de o dia de Natal clareou branca e fria . Harry e Ron , os únicos que estavam em o dormitório , foram acordados muito cedo por Hermione que entrou , toda vestida , transportando presentes para ambos . - Acordem - disse em voz alta , abrindo os cortinados . - Hermione , tu não devias estar aqui - exclamou o Ron , protegendo os olhos de a luz . - Feliz_Natal para ti também - disse Hermione , atirando lhe o presente que tinha para ele . - Estou acordada há quase uma hora , acrescentando mais asas de renda a a poção . Está pronta . Harry sentou se , subitamente acordado . - Tens a certeza ? - Absoluta - disse ela , afastando o rato Scrabbers para se sentar a os pés de a cama de dossel . - Se vamos mesmo tomá a , acho que devia ser logo a a noite . Em esse momentzo , a Hedwig entrou em o quarto , transportando em o bico um embrulho pequenino . - Olá - disse Harry , feliz a o vê a aterrar em a sua cama . - Já me falas outra_vez ? Ela mordiscou lhe a orelha de uma forma afectuosa que foi , de longe , um presente melhor do_que aquele que transportava e que era afinal de os Dursley . Tinham mandado a Harry um palito para os dentes com um cartão pedindo lhe que se informasse se não poderia ficar , também em o Verão , em Hogwarts . Os outros presentes que Harry recebeu foram bastante melhores . Hagrid mandara lhe uma lata grande de bombons de melaço que ele decidiu amolecer a o lume antes de comer , o Ron deu lhe um livro chamado * _ Voando com Canhões * , que narrava factos interessantes sobre a sua equipa favorita de Quidditch e Hermione trouxera lhe uma luxuosa pena de águia . Harry abriu o último presente onde vinha uma camisola novinha , feita a a mão por Mrs._Weasley e um grande bolo de passas . Pegou em o cartão com uma nova sensação de culpa , pensando em o carro de Mr._Weasley que não voltara a ser visto desde_que chocara contra o salgueiro zurzidor e em a quantidade de infracções que ele e o Ron tinham em mente . Ninguém , nem mesmo os que estavam cheios de medo por terem de tomar a poção * polisuco * a seguir , deixou de adorar o jantar de Natal em Hogwarts . O salão nobre estava magnífico . Não_só havia uma_dúzia de árvores de Natal , cobertas de geada e espessas serpentinas de azevinho e visco bravo cruzando se junto de o tecto como caia uma neve encantada quente e seca . Dumbledore conduziu os em uma de as suas canções de Natal preferidas enquanto Hagrid se agitava , falando cada_vez_mais alto , a cada gole de gemada que tomava . O Percy que não dera por_que Fred enfeitiçara o seu distintivo de prefeito , onde agora podia ler se « cabeça de alfinetes « , continuava a perguntar a todos para_onde estavam a olhar . Harry nem_sequer se importou com os comentários que Draco_Malfoy fazia bem alto , de a mesa de os Slytherin acerca de a sua camisola nova . Com alguma sorte , Malfoy iria ser desmascarado dentro_de algumas horas . Harry e Ron mal tinham acabado a terceira dose de pudim de Natal quando Hermione os fez sair de o salão a a pressa para acabarem de tratar de os planos para essa noite . - Ainda precisamos de um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos - disse com o ar mais natural de este mundo como_se estivesse a mandá os a o supermercado comprar detergente . - E , é claro que o ideal será conseguirmos alguma coisa de o Crabbe e de o Goyle , são os melhores amigos de o Malfoy , ele conta lhes tudo . E precisamos também de ter a certeza de que eles não vão entrar em a sala quando vocês estiverem a interrogar o Malfoy . - Eu tenho tudo pensado - prosseguiu ela , ignorando a expressão estupefacta de Harry e Ron . Pegou em dois apetitosos bolos de chocolate . - Pus lhes um encantamento de sono . Vocês só têm de fazer com que o Crabbe e o Goyle os encontrem . Sabem como eles são gulosos , vão logo comê os . Quando estiverem a dormir , tirem lhes alguns cabelos e escondam nos em uma despensa de vassouras . Harry e Ron olharam , incrédulos , um para o outro . -- Hermione , eu não creio que ... -- Isto pode correr muito mal ... Mas Hermione tinha um brilho inflexível em os olhos que não era muito diferente do_que costumavam ver em o olhar de a professora Mc_Gonagall . - A poção não nos serve de nada sem os cabelos de o Crabbe e de o Goyle - disse com firmeza . - Vocês querem mesmo descobrir coisas sobre o Malfoy , não querem ? - Pronto , está bem - disse Harry . - Mas , e tu , vais arranjar cabelos de quem ? - Eu já tenho esse assunto resolvido - disse Hermione sorridente , tirando um frasquinho de o bolso e mostrando lhes um cabelo que lá estava dentro . - Lembram se de a Millicent_Bulstrode que lutou comigo em o clube de os duelos ? Ela deixou isto em o meu manto quando tentava estrangular me . E foi passar o Natal a casa , portanto , basta me dizer a os Slytherins que decidi voltar . Quando Hermione saiu para verificar de_novo a poção polisuco , Ron voltou se para Harry com uma expressão lúgubre . - Alguma vez viste um plano onde tantas coisas pudessem correr mal ? Mas para grande espanto de ambos , a primeira fase de a operação decorreu tão naturalmente como Hermione previra . Eles esconderam se em o * hall * de entrada , depois de o lanche de Natal , a a espera de o Crabbe e de o Goyle que tinham ficado sozinhos a a mesa de os Slytherin , deitando abaixo a quarta dose de bolo inglês . Harry colocou os bolos de chocolate em o fim de o corrimão . Quando avistaram Crabbe e Goyle a sair de o salão , Harry e Ron esconderam se rapidamente atrás_de uma armadura que estava junto de a porta de entrada . - Como_se pode ser tão estúpido ? - murmurou Ron sem se mexer enquanto Crabbe apontava satisfeitíssimo , mostrando a Goyle os bolos e agarrando os . Com um riso estúpido , enfiaram nos inteiros em as bocas enormes . Durante um momento , ambos mastigaram avidamente com olhares vitoriosos em o rosto . Depois , sem que a expressão se alterasse , caíram para trás e estatelaram se em o chão . Mais difícil foi transportá os para a despensa de o outro lado de o * hall * . Uma_vez armazenados em o meio de os baldes e esfregões , Harry arrancou alguns de os pêlos que cobriam a cabeça de o Goyle e Ron tirou alguns cabelos a o Crabbe . Roubaram lhes também os sapatos porque os de eles eram demasiado pequenos para os enormes pés de o Crabbe e de o Goyle . Em seguida , ainda atordoados com o que tinham acabado de fazer , correram até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mal conseguiam ver com o fumo preto e espesso que saía de o cubículo onde Hermione mexia o caldeirão . Tapando o rosto com os mantos , Harry e Ron bateram a o de leve em a porta . - Hermione ? Ouviram o ruído de o trinco e Hermione apareceu com a cara lustrosa e um ar ansioso . Por trás de ela ouviam o gloop gloop de a poção espessa e gorgolejante . Em o banco de a casa_de_banho estavam três copos de vidro . - Conseguiram ? - perguntou Hermione quase sem fôlego . Harry mostrou lhe o cabelo de o Goyle . - _ óptimo . Eu tirei estes mantos suplementares de a lavandaria - disse ela , pegando em uma pequena saca . - Vocês vão precisar de tamanhos maiores se vão ser o Crabbe e o Goyle . Olharam os três para o caldeirão . Vista de perto , a poção parecia uma lama espessa e escura a borbulhar indolentemente . - Tenho a certeza que fiz tudo certo - disse Hermione nervosa , relendo a página manchada de * _ Moste_Potente_Potions * . - Tem o aspecto que o livro diz que deveria ter ... depois de a tomar temos precisamente uma hora antes de nos transformarmos de_novo em as pessoas que somos . - E agora ? - murmurou o Ron . - Separamos a em três copos e adicionamos os cabelos . Hermione encheu cada_um de os copos com uma concha de sopa . Em seguida , retirou com a mão a tremer o cabelo de Millicent_Bulstrode de dentro de o frasquinho e pô o em o primeiro copo . A poção chiou fortemente como uma chaleira a ferver e espumou como louca . Um segundo depois ganhara um tom de amarelo doentio . - Urgh ! Essência_de_Millicent_Bulstrode - disse Ron , olhando com repugnância . - Aposto que o sabor é nojento . - Deitem os vossos - disse Hermione . Harry deixou cair o cabelo de o Goyle em o copo de o meio e Ron lançou o de o Crabbe em o último . Ambos chiaram e espumaram : o de o Goyle ficou de um tom caqui , o de o Crabbe de um castanho-escuro algo tenebroso . - Esperem - pediu Harry quando Ron e Hermione pegaram em os copos . - Será melhor não os tomarmos aqui todos juntos em um cubículo ; quando em os transformarmos não vamos cá caber e Millicent_Bulstrode não é nenhum duende . - Bem pensado - admitiu o Ron , abrindo a porta . - Cada_um em seu cubículo . Com todo o cuidado , para não entornar nem uma gota de a poção polisuco , Harry esgueirou se para o cubículo de o meio . - Prontos ? - perguntou . - Prontos - responderam as vozes de o Ron e de a Hermione . - Um , dois , três . Tapando o nariz , Harry bebeu a poção em dois grandes tragos . Tinha o sabor de a couve demasiado cozida . Os seus interiores começaram imediatamente a contorcer se como_se tivesse engolido serpentes vivas . Dobrado , Harry perguntava a si próprio se iria vomitar . Depois , uma sensação de ardor espalhou se rapidamente de o estômago até a as pontas de os dedos de as mãos e de os pés . Em seguida , fazendo o sobressaltar se , sobreveio o sentimento horrível de estar a derreter enquanto a pele de todo o seu corpo borbulhava como cera quente e , perante os seus olhos , as mãos começaram a crescer , os dedos a engrossar , as unhas a alargar e as articulações a tornarem se protuberantes como ferrolhos . Os ombros retesaram se dolorosamente e uma comichão em a testa preveniu o de que o cabelo estava a rastejar em direcção a as sobrancelhas . As túnicas rasgaram se enquanto o tórax se expandia como um barril , rebentando com os seus anéis . Os pés estavam em grande sofrimento dentro_de sapatos quatro números abaixo . Tão depressa como começara , tudo parou . Harry estava caído em o chão de pedra fria , ouvindo a Murta_Queixosa gorgolejando taciturna em o cubículo de o fundo . Com alguma dificuldade tirou os sapatos e levantou se . Era então assim que o Goyle se sentia ! Com a mão enorme a tremer , despiu a sua túnica que lhe ficava 30 centímetros acima de os tornozelos , pegou em as túnicas suplementares e amarrou os atacadores de os sapatos abotinados de o Goyle . Quis escovar o cabelo para o afastar um_pouco de os olhos e deu apenas com os pêlos hirsutos que lhe cresciam em a testa . Apercebeu se então de que os óculos lhe toldavam a visão porque o Goyle , obviamente , não precisava de eles . Tirou os e gritou . - Vocês estão bem ? - De a sua boca saiu a voz baixa e grossa de o Goyle . - Sim - respondeu lhe o grunhido de o Crabbe , a a sua direita . Harry abriu a porta de o cubículo e dirigiu se a o espelho partido . O Goyle olhava o de o outro lado com os seus olhos parados . Harry coçou a orelha e Goyle fez o mesmo . A porta de o Ron abriu se . Olharam um para o outro . Harry estava pálido e chocado . O amigo não se distinguia de o Crabbe , desde o corte de cabelo em forma de tigela até a os longos braços de gorila . - É inacreditável - disse o Ron , aproximando se de o espelho e beliscando o nariz achatado de o Crabbe . - Inacreditável ! - É melhor irmos indo - disse Harry , alargando a pulseira de o relógio que lhe cortava o pulso . - Ainda temos de descobrir onde fica a sala comum de Slytherin . Só espero que encontremos alguém que vá para lá e que nós possamos seguir . Ron que tinha estado a olhar espantado para ele , comentou : - Não imaginas como é bizarro ver o Goyle a pensar - bateu em a porta de Hermione . - Vamos , temos que ir ... Respondeu lhe uma voz aguda : - Eu ... eu acho que afinal não vou . Vão vocês sem mim . - Hermione , nós sabemos que a Millicent_Bulstrode é feia , ninguém vai pensar que és tu . - Não , a sério , acho que não vou . Despachem se vocês os dois , estão a perder tempo . Harry olhou para Ron , baralhado . - Aquilo parece mais de o Goyle , é como ele fica sempre_que algum professor lhe faz uma pergunta . - Estás bem , Hermione ? - perguntou Harry , através de a porta . - _ óptima , estou óptima , vão se embora . Harry olhou para o relógio . Cinco preciosos minutos tinham já passado . - Encontramo nos aqui , está bem ? - disse . Os dois abriram a porta de a casa_de_banho com todo o cuidado , viram se o caminho estava livre e saíram . - Não balances assim os braços - disse o Harry a o Ron . - Hein ? - O Crabbe anda sempre com eles esticados . - Assim ? - Isso , assim está melhor . Desceram a escadaria de mármore . Só precisavam agora de um Slytherin que pudessem seguir até a a sala comum , mas não havia ninguém por perto . - Tens alguma ideia ? - perguntou Harry em um murmúrio . - Os Slytherin vêm sempre de ali para o pequeno-almoço - disse o Ron , apontando para a entrada de os calabouços . Mal tinha pronunciado estas palavras quando uma rapariga de cabelo comprido a os caracóis , apareceu . - Desculpa - disse o Ron , sem perder tempo . - Esquecemo nos de o caminho para a nossa sala comum . - Como ? - disse a rapariga com a maior frieza . - A * nossa * sala comum ? Eu sou uma Ravenclaw . Afastou se , olhando para eles , desconfiada . Harry e Ron desceram apressadamente os degraus de pedra até a a escuridão . Os passos ecoavam em o silêncio , à_medida_que os pés enormes de Crabbe e Goyle tocavam em o chão , fazendo os sentir que as coisas não iam ser tão fáceis como eles desejavam . Os corredores labirínticos estavam desertos . Andaram e tornaram a andar por os subterrâneos , olhando constantemente para os relógios para ver quanto tempo ainda lhes restava . Depois de um quarto de hora , quando começavam a ficar desesperados , ouviram um movimento súbito . - Olha - disse o Ron , agitadamente . - Agora é um de eles . A silhueta saía de uma sala , mas quando se aproximaram o coração de ambos esmoreceu . Não era um Slytherin , era Percy . - O que estás a fazer aqui em baixo ? - perguntou o Ron surpreendido . - Isso - disse ele friamente - não é de a tua conta . És o Crabbe , não és ? - Er ... sim , sim - respondeu o Ron . - Então vão para o vosso dormitório - ordenou Percy com firmeza . - Não é seguro andar a passear por os corredores escuros em os dias que correm . - Tu andas -- fez notar o Ron . - Eu - disse o Percy endireitando se - sou um prefeito . Nada vai atacar me . Ouviu se , de repente , uma voz por_detrás_de Harry e Ron . Era_Draco_Malfoy e , pela_primeira_vez em a vida , Harry ficou satisfeito a o vê o . - Aí estão vocês - disse de modo arrastado , olhando para eles . - Têm estado a chafurdar em o salão este tempo todo ? Tenho andado a a vossa procura , quero mostrar vos uma coisa muito divertida . Malfoy olhou misteriosamente para Percy . - E o que fazes tu aqui , Weasley ? - perguntou com ar de desprezo . Percy olhou , sentindo se ultrajado . - Fazes favor de mostrar um_pouco mais de respeito por um prefeito de a escola - disse . - Não gosto de o teu ar . Malfoy riu se e fez sinal a o Harry e a o Ron para que o seguissem . Harry quase ia pedindo desculpa a o Percy , mas deu se conta a tempo . Apressaram se a seguir o Malfoy que disse , mal viraram em o corredor seguinte : - Aquele Peter_Weasley ... - O Percy - corrigiu Ron automaticamente . - Ou isso - continuou Malfoy . - Ultimamente tenho o visto muitas_vezes a andar por aí sorrateiramente e aposto que sei o que ele quer . Pensa que vai apanhar o herdeiro de Slytherin sozinho . Deu uma pequena gargalhada ridícula . Harry e Ron trocaram olhares nervosos . Malfoy parou junto de uma parede de pedra húmida . - Qual é a senha ? - perguntou a o Harry . - Er ... - Ah ! sim , sangue puro - disse Malfoy sem ouvir e uma porta de pedra , oculta em a parede , abriu se . Malfoy entrou e Harry e Ron seguiram o . A sala comum de os Slytherin era uma ampla divisão subterrânea com espessas paredes de pedra e um tecto de o qual estavam pendurados por correntes vários candeeiros redondos que davam uma luz esverdeada . O fogo crepitava em uma lareira elaboradamente esculpida em frente de a qual se viam as silhuetas de vários Slytherins sentados em cadeiras igualmente esculpidas . - Esperem aí - disse Malfoy a o Harry e a o Ron , encaminhando os para um par de cadeiras vazias , longe de o lume . - Eu vou buscar o que o meu pai acaba de me mandar . Sem saber o que Malfoy iria mostrar lhes , Harry e Ron sentaram se , fazendo todos os possíveis por parecer a a vontade . Malfoy voltou um minuto depois , trazendo em a mão o que parecia ser um recorte de jornal . Pô o debaixo de o nariz de o Ron . - Vais te rir - disse . Harry viu os olhos de o Ron abrirem se como_se estivesse em estado de choque . Viu o ler o recorte rapidamente , dar uma gargalhada forçada e estender lhe o em seguida . Tinha sido retirado de o * _ Profeta_Diário * e dizia : inquérito em o ministério de a magia * _ Arthur_Weasley , chefe de o Gabinete_de_Mau_Uso_dos_Utensílios_dos_Muggles foi hoje multado em cinquenta galeões por ter enfeitiçado um carro de os Muggles . * _ O senhor Lucius_Malfoy , Membro_do_Conselho_Directivo_da_Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts , onde o carro enfeitiçado foi chocar em o princípio de este ano , exigiu hoje a demissão de Mr._Weasley . « * _ O_Weasley trouxe o descrédito a o Ministério « - declarou Mr._Malfoy a o nosso repórter . - « É claramente incompetente para fazer cumprir as leis e a sua protecção ridícula de os Muggles deveria ir imediatamente para a sucata . » * _ Mr._Weasley recusou se a fazer comentários , mas a sua mulher disse a os repórteres que desaparecessem de ali ou lançaria contra eles o vampiro de a família * . - Então - disse Malfoy impaciente quando Harry voltou a entregar lhe o recorte . - Não achas o_máximo ? - Ha , ha - fez Harry tristemente . - O Arthur_Weasley gosta tanto de os Muggles que era capaz de partir a sua varinha a o meio para se juntar a eles - disse Malfoy com desprezo . - Ninguém diria que os Weasley eram sangue puro a avaliar por o modo como_se comportam . A cara de o Ron , ou melhor , de o Crabbe , contorceu se de raiva . - O que é_que se passa ? - perguntou Malfoy . - Dores de estômago - gemeu o Ron . - Então vai a a ala hospitalar e dá a todos aqueles sangues de lama um pontapé de a minha parte - disse Malfoy com o seu riso escarninho . - Sabes que estou espantado por o * _ Profeta_Diário * ainda não se ter referido a todos estes ataques - continuou pensativamente . - Calculo que o Dumbledore deve estar a tentar abafar as coisas . Ele ainda é posto em a rua se isto não acaba depressa . O pai sempre disse que Dumbledore foi a pior coisa que aqui veio parar . Ele adora os filhos de os Muggles , um director decente nunca deixaria um lodo como o Creevey entrar em esta escola . Malfoy começou a fingir que tirava fotografias com uma máquina imaginária e fez uma imitação maldosa , mas bastante fiel de o Colin : - Potter , posso tirar te a fotografia ? Dás me um autógrafo ? Posso lamber te os sapatos , por favor , Potter ? Baixou as mãos e olhou para Harry e Ron . - O que é_que se passa com vocês os dois ? Um_pouco atrasados , Harry e Ron forçaram o riso e Malfoy pareceu satisfeito . Talvez Crabbe e Goyle fossem sempre de reacção lenta . - O santo Potter , amigo de os sangues de lama - disse Malfoy . - É outro que não tem os sentimentos de um feiticeiro a sério ou não andaria por aí com aquela empertigada sangue de lama Granger . E as pessoas a pensarem que ele é o herdeiro de Slytherin . Harry e Ron esperaram com a respiração entrecortada : o Malfoy ia certamente dizer lhes , dentro_de segundos , que era ele , mas então ... - Quem me dera saber quem ele é - disse o Malfoy , de forma petulante . - Podia ajudá o . O queixo de o Ron caiu de tal maneira que a cara de o Crabbe ficou ainda mais desajeitada do_que era habitual . Felizmente Malfoy não deu por nada e Harry , em um pensamento rápido , disse : - Deves ter alguma ideia de quem está por_detrás_de tudo ... - Sabes perfeitamente que não tenho , Goyle , quantas vezes é preciso dizer te ? - cortou Malfoy . - E o pai também não me diz nada sobre a última vez que a câmara foi aberta . É claro que foi há cinquenta anos , antes de ele cá andar , mas o pai sabe tudo a esse respeito e diz que as coisas foram mantidas em grande segredo e que pareceria suspeito se eu soubesse demasiado . Mas há uma coisa que eu sei : de a última vez que a câmara foi aberta , morreu um sangue de lama . Por isso , aposto que é uma questão de tempo até que um de eles seja morto . Só espero que seja a Granger - disse satisfeito . Ron fechara os punhos gigantescos de o Crabbe . Sentindo que deitaria tudo a perder se ele desse um soco a o Malfoy , Harry lançou lhe um olhar de aviso e disse : - Sabes se a pessoa que abriu a câmara de a última vez foi apanhada ? - Ah ! sim , essa pessoa foi expulsa - disse Malfoy . - Ainda deve estar em Azkaban . - Azkaban ? - repetiu Harry confuso . - Azkaban , a prisão de os feiticeiros , Goyle - disse Malfoy , olhando para ele incrédulo . - Francamente , se fosses mais lento andavas para trás . Esticou se intranquilo , em a cadeira e disse : - O pai diz para eu esfriar a cabeça e deixar que o herdeiro de Slytherin faça o seu trabalho . Acha que a escola precisa de se livrar de a escória de os sangues de lama , mas não quer que eu me envolva em nada . Claro que ele agora tem um prato cheio . Sabes que o Ministério de a magia fez uma busca a a nossa mansão em a semana passada ? Harry tentou forçar a cara de bronco de o Goyle a uma expressão preocupada . - Sim - continuou Malfoy . - É claro que não encontraram grande coisa . O pai guarda uns materiais de magia negra muito valiosos , mas , felizmente , temos a nossa câmara secreta debaixo de o soalho de a sala de visitas ... - Ah ! - disse o Ron . Malfoy olhou para ele . Harry também . Ron corou e até o cabelo começou a ficar vermelho . O nariz estava também a diminuir lentamente ... a hora tinha acabado . Ron estava a voltar a a sua forma habitual e por o olhar de horror que lançou a Harry certamente ele também estava . Puseram se rapidamente de pé . - Tenho de tomar o remédio para o estômago - grunhiu o Ron e sem mais explicações saíram ambos a correr de a sala comum de os Slytherin , precipitaram se para a parede de pedra e galgaram a passagem , pedindo a todos os santos que Malfoy não tivesse dado por nada . Harry sentia os pés a nadarem em os sapatos enormes de o Goyle e tinha de levantar o manto visto_que diminuíra de tamanho . Subiram os degraus a correr até a o * hall * escuro de entrada onde se ouvia um som abafado que vinha de a despensa onde tinham fechado o Crabbe e o Goyle . Deixando os sapatorros de os dois de o lado de_fora , subiram já com os respectivos sapatos a escadaria de mármore até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Bem , não foi uma total perda de tempo - disse o Ron ofegante , fechando atrás_de si a porta de a casa_de_banho . - É certo que ainda não descobrimos de quem vêm os ataques , mas vou escrever a o meu pai amanhã a dizer lhe que procure debaixo de o soalho de a sala de visitas de o Malfoy . Harry olhou para o espelho partido . Tinha voltado a o normal . Pôs os óculos enquanto Ron batia em a porta de o cubículo de Hermione . - Hermione , sai de aí , temos um monte de coisas para te contar ... - Vão se embora - guinchou Hermione . Harry e Ron olharam um para o outro . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron . - Tu já deves ter voltado a o normal como nós ... Mas a Murta_Queixosa saiu subitamente através de a porta de o cubículo com um ar divertido como nunca a tinham visto . - Oh ! Esperem até ver - disse ela . - É horrível ! Ouviram o trinco de a porta a abrir se e Hermione apareceu a soluçar , a túnica levantada a cobrir lhe o rosto . - O que foi ? - perguntou o Ron indistintamente . - Ainda tens o nariz de a Millicent ou alguma coisa assim ? Hermione deixou cair a roupa e Ron recuou rapidamente . O rosto de ela estava coberto de pêlo preto , os olhos tinham ganho uma cor amarela e as orelhas eram pontiagudas , saindo espetadas para fora de os cabelos . - Era um pêlo de g-gato - disse a chorar . - A Millicent_Bulstrode d-deve ter um gato e a poção não está preparada para transformação em animais . - Oh-oh - disse o Ron . - Vão te gozar horrivelmente - disse a Murta , felicíssima . - Não te preocupes , Hermione - tranquilizou a rapidamente o Harry . - Vamos levar te para a ala hospitalar , a Madam_Pomfrey nunca faz muitas perguntas ... Não foi fácil convencer Hermione a sair de a casa_de_banho . A Murta_Queixosa despediu se com uma gargalhadavigorosa e grosseira . - Espera até todos descobrirem que tens uma cauda ! XIII_O diário muito secreto Hermione ficou em a ala hospitalar durante várias semanas . Houve uma onda de boatos sobre o seu desaparecimento quando o resto de os alunos voltou de as férias de Natal porque , é claro , todos pensam que ela tinha sido atacada . Foram tantos os estudantes a rondar a ala hospitalar para espreitar a ver se a viam que Madam_Pomfrey desceu de_novo as cortinas de a cama de ela para a poupar a a vergonha de ser vista com pêlo em a cara . Harry e Ron iam visitá a todas_as tardes . Quando o segundo período começou passaram a levar lhe diariamente os trabalhos de casa . - Se eu tivesse o bigode a crescer , tinha uma folga de o trabalho - disse uma tarde o Ron enquanto colocava uma pilha de livros a a cabeceira de a cama de Hermione . - Não sejas parvo , Ron , eu tenho de me manter a par de as coisas - disse Hermione com vivacidade . O humor de ela melhorara bastante com o facto de lhe ter desaparecido todo o pêlo de o rosto e de os olhos estarem lentamente a retomar a cor castanha . - Calculo que não tenham novas pistas ? - disse em um murmúrio para evitar que Madam_Pomfrey os ouvisse . - Nada - disse Harry tristemente . - Eu tinha tanta certeza de que era o Malfoy - repetiu o Ron por a centésima vez . - O que é isso ? - perguntou Harry , apontando para uma coisa com brilho dourado que estava debaixo de a almofada de Hermione . - É só um cartão a desejar boas melhoras - disse ela precipitadamente , tentando escondê o , mas o Ron foi mais rápido . Pegou lhe , abriu o e leu em voz alta : * _ Para_Miss_Granger , desejando lhe uma rápida recuperação , com o interesse e estima de o professor Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , Terceiro grau , Membro_Honorário_da_Liga_de_Defesa contra as Artes_Negras e vencedor por cinco vezes de o prémio O sorriso mais charmoso de a semana de o Semanário_das_Bruxas * . Ron olhou desconsolado para Hermione . - Tu dormes com isto debaixo de a almofada ? Mas Hermione foi poupada a ter de responder por a entrada de Madam_Pomfrey que lhe trazia a dose de medicamento de a tarde . - Achas que o Lockhart é o tipo mais esperto que conheceste ? - perguntou o Ron a o Harry quando saíram de a enfermaria e começavam a subir as escadas para a torre de os Gryffindor . O Snape tinha lhes passado tanto trabalho para_casa que Harry pensou que ia chegar a o sexto ano antes de o ter acabado . Ron vinha a dizer que devia ter perguntado a a Hermione quantas caudas de rato deveria juntar se a uma poção para o crescimento de o cabelo quando um grito de raiva vindo de o andar de cima lhes chegou a os ouvidos . - É o Filch - murmurou Harry enquanto subiam apressadamente as escadas e paravam para ouvir melhor . - Terá mais alguém sido atacado ? - disse nervosamente o Ron . Ficaram parados com as cabeças inclinadas para a voz de o Filch que parecia quase histérica . -- ... * _ Ainda mais trabalho para mim . Toda_a noite a esfregar como_se não tivesse já trabalho de sobra . Não , isto foi a gota de água que fez transbordar o copo , vou falar com Dumbledore * ... Os passos afastaram se e ouviram uma porta fechar se com grande estrondo . Puseram as cabeças fora de a esquina . O Filch tinha obviamente estado a patrulhar o seu habitual posto de vigia : estavam novamente em o lugar onde Mrs._Norris fora atacada . Perceberam imediatamente qual o motivo de os gritos . Uma enorme poça de água enchia metade de o corredor e parecia escorrer de a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Agora_que o Filch se calara podiam ouvir os uivos de a Murta que faziam eco em as paredes de a casa_de_banho . - Mas o que se passará com ela ? - disse o Ron . - Vamos lá ver - sugeriu Harry e arregaçando as túnicas até a os tornozelos entraram , atravessando a enorme poça de água , em a casa_de_banho que tinha o letreiro a dizer « Fora de serviço » e que eles , como sempre , ignoraram . A Murta_Queixosa chorava , se possível , mais alto do_que nunca . Parecia estar escondida em o cubículo de o costume . Lá dentro estava escuro pois as velas tinham se apagado com a enchente de água que deixara as paredes e o chão ensopado . - O que se passa , Murta ? - quis saber o Harry . - Quem é ? - perguntou ela infelicíssima . - Vieste atirar me mais alguma coisa acima ? Harry caminhou com dificuldade por causa de a água até a o cubículo de ela e disse : - Porque te faríamos nós uma coisa de essas ? - Não me perguntem - gritou a Murta , emergindo em uma onda de água que molhou ainda mais o chão já ensopado . - Eu estou aqui metida em a minha morte e alguém acha muito engraçado atirar me com um caderno acima ... - Mas , não pode magoar te se alguém te atirar alguma coisa acima - disse Harry , tentando ser prático . - Isto_é , seja o que for passa através_de ti , não é assim ? Tinha dito a frase errada . A Murta encheu o peito de ar e gritou a plenos pulmões : - Vamos todos atirar cadernos a a Murta já_que ela não sente nada ! Dez pontos se lhe acertarem em o estômago , cinquenta se lhe atravessar a cabeça ! Hah hah hah , que jogo lindo , não acham ? - Quem te atirou um caderno , afinal ? - perguntou o Harry . - Não sei ... eu estava sentada em a sanita a pensar em a morte e caiu me em cima de a cabeça - disse a Murta , olhando para eles . - Está ali , ficou todo molhado . Harry e Ron olharam para o ponto que a Murta lhes apontava debaixo de o lavatório . Um caderno pequenino e fino estava caído em o chão . Tinha uma capa preta muito gasta e estava encharcado como tudo em aquela casa_de_banho . Harry deu um passo em frente para o apanhar , mas o Ron agarrou lhe precipitadamente o braço . - O que foi ? - perguntou Harry . - Estás doido - disse ele . - Pode ser perigoso . - Perigoso ? - riu se Harry . - Essa agora Ron , como é_que pode ser perigoso ? - Ficarias surpreendido ... - explicou ele , olhando com ar apreensivo para o caderno . - Entre os livros que o Ministério confiscou , contou me o meu pai , havia um que queimava os olhos a as pessoas . E todos os que leram os * _ Sonetos_de_Um_Feiticeiro * ficaram a falar em verso para o resto de a vida . Havia também uma bruxa em Bath que tinha um livro que quem o lesse nunca mais conseguia parar , tinha de andar por aí com o nariz enfiado em as folhas , a fazer todas_as coisas só com uma mão e ... - Já chega , já chega , já percebi a tua ideia - disse O_Harry . O caderninho continuava caído e ensopado . - Bem , nunca saberemos a_não_ser_que tenhamos a coragem de dar uma vista de olhos - disse e mergulhou apanhando o de o chão . Harry viu imediatamente que se tratava de um diário e a data meio apagada , em a capa , disse lhe que tinha cinquenta anos de idade . Abriu o ansiosamente . Em a primeira página podia ler se apenas o nome T._M._Riddle em tinta esborratada . - Espera aí - disse o Ron que se aproximara prudentemente e olhava por cima de o ombro de Harry . - Eu conheço esse nome ... T._M._Riddle recebeu um prémio por serviços especiais prestados a a escola há cinquenta anos atrás . - Como diabo sabes tu isso ? - perguntou Harry com grande espanto . - Porque o Filch mandou me limpar a taça de ele umas cinquenta vezes quando estive de castigo - disse o Ron ressentido . - Foi a taça em cima de a qual eu vomitei lesmas . Se tivesses tido que limpar o muco de um nome durante uma hora também te lembrarias . Harry separou umas de as outras as páginas molhadas . Estavam completamente em branco . Não havia o mais leve sinal de escrita em nenhuma , nem coisas como « Aniversário de a tia Mabel « ou « Dentista a as três_e_meia » . - Ele nunca escreveu nada aqui - disse Harry desapontado . - Porque quereria alguém atirá o fora ? - perguntou se o Ron com curiosidade . Harry voltou o caderno e viu , inscrito em a contra capa , o nome de uma tabacaria em Vauxhall_Road , Londres . - Ele devia ser filho de Muggle - disse Harry pensativo - para ter comprado um diário em Vauxhall_Road ... - Bem , não te serve de muito - Ron baixou a voz . - Cinquenta pontos se acertares em o nariz de a Murta . Harry , mesmo_assim , guardou o diário . Hermione saiu de a ala hospitalar desbigodada , sem cauda e sem pêlo em os primeiros dias de Fevereiro . Em a primeira noite em a torre de os Gryffindor , Harry mostrou lhe o diário de T._M._Riddle e contou lhe como o tinham encontrado . - Ooooh ! Deve ter poderes ocultos - disse ela entusiasticamente , pegando em o diário e examinando o de perto . - Se tem , esconde os muito bem - disse Ron . - Talvez fosse tímido . Não sei porque não deitas isso fora , Harry . - Gostava de perceber porque motivo alguém se quis livrar de ele - explicou Harry . - E também não me importava de saber como foi que o Riddle obteve esse prémio de serviços especiais prestados a Hogwarts . - Pode ter sido qualquer coisa - lançou o Ron . - Talvez tenha recebido 30 de nota final ou salvo um professor de a lula gigante . Se_calhar assassinou a Murta , isso teria sido um favor prestado a todos ... Mas Harry quase podia jurar , por o olhar suspenso em a cara de Hermione , que ela pensava o mesmo_que ele . - O que foi ? - perguntou Ron , olhando para um e para o outro . - Bem , a Câmara_dos_Segredos foi aberta há cinquenta anos , não foi isso que disse o Malfoy ? - Sim - respondeu Ron , lentamente . - E este diário tem cinquenta anos de idade - completou Hermione , dando lhe palmadinhas nervosas . - E de aí ? - Oh Ron , acorda - insistiu Hermione . - Sabemos que a pessoa que abriu a câmara de a outra_vez foi expulsa há cinquenta anos . E se o Riddle tivesse tido o prémio especial por apanhar o herdeiro de Slytherin ? O seu diário diria nos provavelmente tudo : onde é a Câmara_dos_Segredos , como abris a e que tipo de criatura vive lá . Achas que a pessoa que está por trás de os ataques desta_vez quereria o diário por aí ? - É uma teoria interessante , Hermione - disse o Ron . - Apenas com uma pequenina falha : o diário não tem nada Mas_Hermione já estava a tirar a varinha de o saco . - Pode ser tinta invisível - murmurou . Bateu três vezes em o diário e repetiu * _ Aparecium ! * Nada aconteceu . Intrépida , Hermione meteu a mão de_novo em o saco e tirou o que parecia ser uma borracha vermelha e brilhante . - É um * revelador * , comprei o em a Diagon - _ Al - disse . Apagou com força em 1_de_Janeiro . Não sucedeu nada . - Já vos disse , não há nada aí - repetiu o Ron . - O Riddle deve ter recebido um diário como prenda de Natal e nem se deu a o trabalho de escrever fosse o que fosse . Harry não conseguia explicar , nem a si próprio , porque motivo não deitara fora o diário de Riddle . A verdade é_que , mesmo depois de saber que ele estava em branco , continuou distraidamente a pegar lhe e a virar as páginas como_se quisesse chegar a o fim de uma história . E , apesar_de saber que nunca tinha ouvido o nome T._M._Riddle , continuava a ter a sensação de que lhe dizia alguma coisa , como_se Riddle fosse um amigo que ele tinha tido quando era muito pequeno e que estivesse meio esquecido . Mas era um absurdo . Nunca tivera amigos antes de Hogwarts , Dudley tivera esse cuidado . Ainda_assim , Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle , por isso em o dia seguinte foi até a a sala de os troféus para examinar a taça , acompanhado de Hermione que estava interessadíssima e de Ron que se mostrava profundamente incrédulo , dizendo que tinha ficado farto de aquela sala até a o fim de a vida . A taça dourada de Riddle estava arrecadada em um armário de canto . Não fornecia detalhes sobre o motivo por_que lhe fora dada ( felizmente , se fosse maior ainda hoje estava a limpá a , disse o Ron ) . Mas encontraram o nome de Riddle em uma antiga medalha de Mérito_Mágico e em uma lista de antigos chefes de turma . - Parece o Percy - comentou Ron , torcendo o nariz com aversão . - Prefeito , chefe de turma , provavelmente o melhor em todas_as disciplinas . - Dizes isso como_se fosse uma coisa má - fez lhe notar Hermione , em um tom de voz ressentido . Um sol fraco brilhava agora de_novo em Hogwarts . Dentro de o castelo , o ambiente estava bastante melhor . Não tinha havido novos ataques desde Justin e Nick quase sem cabeça e Madam_Pomfrey teve a satisfação de informar que as Mandrágoras começavam a ficar instáveis e dissimuladas , sinal de que estavam a abandonar rapidamente a infância . - Logo_que o acne desapareça estarão prontas para novo transplante - ouviu a Harry dizer amavelmente a o Filch . - E depois de isso , não demorará muito até podermos cortá as e estufá as . - Vai ter Mrs._Norris de volta , muito em_breve . Talvez o herdeiro ou herdeira de Slytherin tenha perdido a coragem , pensou Harry . Deve ser cada_vez_mais arriscado abrir a Câmara_dos_Segredos com a escola tão alerta e desconfiada . Talvez o monstro , qualquer_que_fosse , estivesse a preparar se para hibernar durante outros cinquenta anos . Ernie_Mcmillan_dos_Hufilepuff não aceitou esta visão optimista . Continuava convencido de que Harry era o culpado , que se tinha traído em o clube de os duelos . Peeves não ajudava nada : continuava a cantar por os corredores Potter , * seu bandido * ... agora acompanhado de um esquema de dança . Gilderoy_Lockhart parecia pensar que fora ele quem pusera fim a os ataques . Harry fartou se de o ouvir dizer isso a a professora Mc_Gonagall enquanto os Gryffindor formavam bicha para a aula de Transfiguração . - Não creio que volte a haver problemas , Minerva - disse , tocando em o nariz com ar conhecedor e piscando o olho . - Acho que desta_vez a câmara foi definitivamente selada . O culpado deve ter sabido que era uma questão de tempo até eu o apanhar e que era mais sensato parar agora antes que eu lhe tratasse de a saúde . Sabe , a escola está a precisar de um intensificador de animo para apagar as lembranças de o último período . Não vou dizer lhe mais_nada , por enquanto , mas julgo que sei o que ... Voltou a tocar em o nariz e afastou se a passos largos . A ideia de Lockhart de um intensificador de ânimo ficou bastante clara em o dia_14_de_Fevereiro , a o pequeno-almoço . Harry não dormira grande coisa devido a o treino de Quidditch em a noite anterior e chegou a o salão um_pouco atrasado . Pensou , por momentos , que se tinha enganado em a porta . As paredes estavam todas cobertas com enormes e medonhas flores cor-de-rosa . Pior ainda , * confettis * em forma de corações caíam de o tecto azul pálido . Harry dirigiu se a a mesa de os Gryffindor onde o Ron estava sentado com um ar enjoado junto de Hermione que parecia particularmente risonha . - O que se passa ? - perguntou lhes , sentando se e sacudindo os * confettis * de o seu bacon . Ron apontou para a mesa de os professores , com um ar demasiado repugnado para falar . Lockhart , em as suas vestes rosa vivo , a condizer com a decoração de o salão , fazia sinal para que se calassem . Os professores que o ladeavam tinham um ar estupefacto . De o seu lugar , Harry podia ver um músculo mover se em a bochecha de a professora Mc_Gonagall . Snape estava com ar de quem tomou uma imensa dose de xarope * skele-gro * . - Feliz dia de S._Valentim - gritou Lockhart . - E permitam me que agradeça a as quarenta_e_seis pessoas que até agora me enviaram cartões . Sim , fui eu quem tomou a liberdade de vos fazer esta pequena surpresa , e ela não acaba aqui ! Lockhart bateu as palmas e por as portas de o * hall * entraram a marchar cerca de uma_dúzia de duendes de aspecto carrancudo . Não eram uns duendes quaisquer , diga se de passagem . Lockhart fizera os usar asas douradas e transportar harpas . - Os meus amigos cupidos , portadores de os cartões ! gritou Lockhart . - Eles vão andar por a escola durante o dia de hoje , entregando os vossos cartões de S._Valentim . E o divertimento não acaba aqui . Tenho a certeza de que os meus colegas vão querer participar em este espírito de festa . Porque não pedir a o professor Snape que vos mostre como preparar rapidamente uma poção de amor . E , enquanto ele a prepara , está aqui o professor Flitwick que é de todos os feiticeiros que conheci aquele que mais sabe de encantamentos de sedução , o grande safado ! O professor Flitwick enterrou o rosto em as mãos . Snape olhava como_se quisesse dar veneno a a primeira pessoa que fosse pedir lhe a poção de o amor . - Por favor , Hermione , diz me que não foste uma de as quarenta_e_seis - pediu Ron quando saíram de o salão para a primeira aula . Mas Hermione ficou subitamente muito interessada em procurar o horário dentro de a mala e não lhe respondeu . Durante todo o dia os duendes não pararam de se intrometer em as aulas para entregar cartões , para grande aborrecimento de os professores e , ao_fim_da_tarde , quando os Gryffindor subiam as escadas para a aula de encantamentos , um de eles avistou o Harry . - Hei , tu , Harry_Potter ! - gritou um duende de aspecto particularmente lúgubre , dando cotoveladas a_toda_a gente para se aproximar de o Harry . Coradíssimo com a ideia de receber um cartão de S._Valentim diante_de uma fila de alunos de o primeiro ano que , por acaso , incluía Ginny_Weasley , Harry tentou escapar se . Mas o duende cortou lhe o caminho através de a multidão e agarrou o em três tempos . - Tenho uma mensagem musical para entregar a Harry_Potter em pessoa - disse , tangendo a harpa de forma ameaçadora . - Aqui não - disse baixinho o Harry , tentando escapar . - Fica quieto - grunhiu o duende , agarrando o saco de o Harry e puxando com força . - Larga me - disse ele rispidamente , dando um puxão . Com um ruído de tecido a rasgar se , o saco dividiu se em dois . Os livros de Harry , varinha , pergaminho e pena espalharam se por o chão enquanto o tinteiro se partia em cima de as outras coisas . Harry pôs se de gatas , tentando apanhar tudo antes que o duende começasse a cantar , provocando um engarrafamento em o corredor . - O que se passa aqui ? - perguntou a voz fria e afectada de Draco_Malfoy . Harry , nervosíssimo , começou a guardar tudo dentro de o saco rasgado , desesperado para sair de ali antes que Malfoy pudesse ouvir o seu S._Valentim musical . - Que confusão é esta ? - disse outra voz familiar . Percy_Weasley tinha chegado . De cabeça perdida , Harry tentou fugir , mas o duende agarrou o por os joelhos e fê lo cair a o chão . - Certo - disse , sentando se em os tornozelos de Harry . Eis o teu cartão musical : * _ Os olhos de ele são verdes como o sapo de o quintal * _ O seu cabelo é escuro como um temporal * _ É um desatino , oh ! ele é divino ! * _ O herói que venceu o Senhor_do_Mal * . Harry teria dado todo o ouro de Gringotts para se evaporar em aquele momento . Tentando corajosamente rir se com todos os outros , levantou se . Sentia os pés dormentes de o peso de o duende . Enquanto isso , Percy_Weasley fazia todos os possíveis por dispersar a multidão onde havia gente que chorava de hilaridade . - Vamos embora , vamos embora , a campainha tocou há cinco minutos para as aulas - dizia , enxotando alguns de os alunos mais novos . - E tu , Malfoy . Harry olhou e viu Malfoy inclinar se , apanhar qualquer coisa e com um olhar maldoso mostrá a a Crabbe e Goyle . Percebeu que era o diário de Riddle . - Dá cá isso - exigiu com toda_a calma . - O que será que o Potter escreveu aqui ? - disse Malfoy que obviamente não reparara em a data e pensou que tinha em as mãos o diário de o Harry . Houve uma agitação em os presentes . Ginny olhava apavorada para o diário e para Harry . - Dá lhe isso , Malfoy - disse Percy com firmeza . - Depois de dar uma vista de olhos - retorquiu Malfoy , acenando a Harry com o diário de forma provocatória . Percy disse : - Como Prefeito de a escola ... - mas Harry perdera a paciência . Pegou em a varinha e gritou * _ Expelliarmus * e assim_como Snape desarmara Lockhart , MalLoy viu o diário saltar lhe de as mãos e elevar se em o ar enquanto Ron o apanhava sorridente . - Harry - disse Percy levantando a voz . - Não quero magia em os corredores . Vou ter de participar isto , sabes perfeitamente . Mas Harry não se importou . Tinha ganho uma_vez a Malfoy e isso valia bem cinco pontos a menos para os Gryffindor . Malfoy estava furioso e quando a Ginny passou por ele a caminho de a sala de aula , gritou lhe com desprezo : - Não creio que o Potter tenha gostado lá muito de o teu cartão de S._Valentim . Ginny tapou a cara e correu para a aula . Aborrecido , Ron pegou também em a varinha , mas Harry afastou o . Era melhor que ele não passasse a aula de encantamentos a vomitar lesmas . Só quando entraram em a sala de aula de o professor Flitwick é_que Harry reparou em uma coisa bastante estranha em o diário de Riddle . Todos os outros livros estavam cheios de tinta vermelha , mas o diário mantinha se tão limpo como antes de o tinteiro se ter entornado em cima de ele . Tentou chamar a atenção de Ron para este facto , mas ele estava novamente a ter um problema com a varinha : de a extremidade saíam grandes bolhas roxas e ele não parecia interessado em mais_nada . Em essa noite , Harry foi deitar se antes de os outros companheiros de dormitório , em parte porque já não conseguia suportar o Fred e o George a cantarem * _ Os seus olhos são verdes como o sapo de o quintal * e em parte porque queria voltar a examinar o diário de Riddle e sabia que em a opinião de o Ron era uma pura perda de tempo . Sentou se em a cama de dossel e folheou as páginas em branco em as quais não se via uma única mancha de tinta escarlate . Tirou então outro tinteiro de o armário a o lado de a cama , molhou a pena e deixou cair um borrão em a primeira página de o diário . A tinta brilhou em o papel durante um segundo e , em seguida , como_se a página a tivesse sugado , desapareceu sem deixar rasto . Depois , finalmente , algo aconteceu . Deslizando sobre a página em a cor de a sua tinta , surgiram palavras que Harry não escrevera . - * _ Olá_Harry_Potter . O meu nome é Tom_Riddle . Como é_que encontraste o meu diário ? * Também estas palavras desapareceram , mas não sem que Harry tivesse respondido . - Alguém tentou lançá o em uma sanita . Esperou ansiosamente por a resposta de Riddle . - * _ Felizmente guardei as minhas memórias de uma forma mais duradoura do_que a tinta . Mas sempre soube que haveria quem não iria querer que o diário fosse lido . * - O que queres dizer com isso ? - escrevinhou Harry , borrando a página com o nervosismo . - * _ Quero dizer que este diário contém memórias de coisas terríveis . Coisas que foram abafadas . Coisas que aconteceram em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . * - É onde eu estou agora - escreveu Harry rapidamente . - Estou em Hogwarts e estão a acontecer coisas horríveis . Sabes alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? O coração parecia querer saltar lhe de o peito . A resposta de Riddle não se fez esperar , a letra tornara se mais desordenada como_se tivesse pressa em contar lhe tudo_o_que sabia . - * _ É claro que sei de a Câmara_dos_Segredos . Em o meu tempo diziam nos que era uma lenda , que não existia , mas era mentira . Quando eu estava em o quinto ano a Câmara_dos_Segredos foi aberta e o monstro atacou vários estudantes , acabando matar um . Eu apanhei a pessoa que abriu a câmara e ele foi expulso . Mas o director , o professor Dippet , envergonhado por uma coisa de aquelas ter acontecido em Hogwarts , proibiu me de contar a verdade . Foi divulgada uma história dizendo que a rapariga morrera de um acidente extravagante . Deram me um troféu brilhante com o meu nome gravado e avisaram me para ficar calado . Mas eu sabia que ia voltar a acontecer . O monstro sobreviveu e aquele que tinha o poder para o libertar não foi para a prisão . * Harry quase entornou o tinteiro em a pressa de responder . - Está a acontecer outra_vez . Houve três ataques e ninguém parece saber quem está por_detrás_de tudo_isto . Quem foi de a última vez ? - * _ Posso mostrar te , se quiseres * - foi a resposta de o Riddle . - * _ Não tens de acreditar só em a minha palavra . Posso levar te a o fundo de a minha memória de a noite em que o apanhei . * Harry hesitou com a pena em o ar sobre o diário . O que quereria ele dizer ? Como poderia entrar em a memória de outra pessoa ? Olhou inquieto para a porta de o dormitório que começava a ficar escuro . Quando pôs de_novo os olhos em o diário viu as palavras que se formavam . - * _ Deixa-me mostrar te . * Harry parou durante uma fracção de segundo e depois escreveu duas letras . - O. _ K._As páginas de o diário começaram a esvoaçar como_se tivessem sido apanhadas em uma ventania , parando a meio de o mês_de_Junho . Boquiaberto , Harry viu que o quadradinho de 13_de_Junho se transformara em um pequeno ecrã de televisão . Com as mãos ligeiramente trémulas levantou o livro para encostar os olhos a a janelinha e antes de perceber o que estava a passar se , deu consigo inclinado para a frente com a janela a abrir se . O corpo abandonava a cama e era lançado de cabeça , por a abertura de a página , em um turbilhão de cor e sombras . Sentiu os pés tocarem em terra firme e pôs se de pé a tremer enquanto as formas desfocadas se tornavam subitamente nítidas . Soube imediatamente onde estava . Aquela sala circular com os retratos adormecidos era o escritório de Dumbledore , mas não era Dumbledore quem estava atrás de a secretária . Um feiticeiro mirrado , de aspecto débil e quase careca lia uma carta a a luz de as velas . Harry nunca vira aquele homem antes . - Desculpe - disse com a voz a tremer . - Eu não queria intrometer me ... Mas o feiticeiro não olhou . Continuou a ler , franzindo levemente as sobrancelhas . Harry aproximou se de a secretária e gaguejou : - Er ... eu vou me embora , está bem ? E o feiticeiro continuou a ignorá o . Parecia nem_sequer ter ouvido . Pensando que talvez ele fosse surdo , Harry falou mais alto . - Desculpe tê o incomodado - disse quase a gritar . O feiticeiro dobrou a carta com um suspiro . Pôs se de pé , passou por Harry sem olhar para ele e foi abrir os cortinados de a janela . O céu , lá fora , estava vermelho-rubi . Devia ser o pôr de o Sol . O feiticeiro voltou para a secretária , sentou se e girou os polegares , olhando para a porta . Harry olhou em volta . Não viu Fawkes , a fénix , nem as engenhocas prateadas que sibilavam . Aquela Hogwarts era a que Riddle conhecera e , portanto , aquele feiticeiro desconhecido era o director de então , não Dumbledore e ele , Harry , era pouco mais que um fantasma , totalmente invisível a as pessoas de há cinquenta anos atrás . Alguém bateu a a porta . - Entre - disse o velho feiticeiro , em uma voz fraca . Um rapazinho de dezasseis anos entrou , tirando o chapéu pontiagudo . Em o seu peito brilhava um distintivo prateado de prefeito . Era muito mais alto do_que Harry , mas tinha , tal_como ele , cabelo preto asa de corvo . - Ah ! Riddle - disse o director . - Queria falar comigo , professor Dippet ? - perguntou ele com ar nervoso . - Senta te - disse Dippet . - Tenho estado a ler a carta que me mandaste . - Oh ! - exclamou Riddle , sentando se e apertando as mãos uma contra a outra . - Meu rapaz - disse Dippet amavelmente . - Eu não posso deixar te ficar em a escola durante o Verão . Com certeza queres ir para_casa em as férias ? - Não - respondeu Riddle , sem perder tempo . - Prefiro mil vezes ficar em Hogwarts a ter de voltar a aquela ... aquela ... - Tu vives em um orfanato de Muggles durante as férias , não é assim ? - perguntou Dippet com curiosidade . - Sim senhor - disse Riddle , corando um_pouco . - És filho de Muggles ? - Meio sangue , professor - explicou Riddle . - Pai_Muggle , mãe bruxa . - E o teu pai e a tua mãe ... - A minha mãe morreu pouco depois de eu nascer , professor , contaram me em o orfanato que só teve tempo de me dar o nome : Tom , como o meu pai , Marvolo como o meu avô . Dippet estalou a língua solidariamente . - O que acontece , Tom - suspirou - é_que ... podia ter se arranjado uma situação especial para ti , mas em as circunstâncias actuais ... - Refere se a os ataques , professor ? - perguntou Riddle e o coração de Harry deu um salto , aproximando se com medo de perder alguma coisa . - Precisamente - disse o director . - Meu rapaz , compreendes que seria uma imprudência de a minha parte deixar te ficar em o castelo quando o período acabar , principalmente a a luz de a recente tragédia ... a morte de aquela pobre moça ... estarás sem dúvida em maior segurança em o orfanato . Em a verdade , o ministro de a magia até fala em fechar a escola . Não estamos nada perto_de localizar ... er ... a fonte de toda esta história desagradável . Os olhos de Riddle tinham se aberto mais . - Professor , se essa pessoa fosse apanhada ... se tudo acabasse . . . - Que queres dizer com isso ? - perguntou Dippet com voz aguda , endireitando se em a cadeira . - Riddle , tu sabes alguma coisa sobre estes ataques ? - Não senhor - respondeu ele de imediato . Mas Harry sabia que era o mesmo tipo de « não » que ele dissera a Dumbledore . Dippet afundou se de_novo com um ar de profundo desapontamento . - Podes ir , Tom . Riddle esgueirou se de a cadeira e saiu de a sala . Harry seguiu o . Desceram por a escada em espiral , saindo junto de a gárgula em o corredor que escurecia . Riddle parou e Harry fez o mesmo , olhando para ele . Quase podia apostar que ele pensava seriamente em alguma coisa . Mordia o lábio e tinha as sobrancelhas franzidas . A certa altura , como_se tivesse acabado de tomar uma decisão , começou a andar mais depressa com Harry a segui o ruidosamente . Não viram mais ninguém , a não ser quando chegaram a o * hall * de entrada onde um feiticeiro alto de longos cabelos ruivos e barba chamou Riddle de a escadaria de mármore . - O que andas a fazer por aqui tão tarde , Tom ? Harry olhou para o feiticeiro . Não era outro senão Dumbledore com cinquenta anos a menos . - Tive de ir falar com o director - justificou se Riddle . - Bem , agora vai depressa para a cama - disse Dumbledore , olhando Riddle com aquele olhar penetrante que Harry conhecia tão bem . - É melhor não andar a passear por os corredores em os dias que correm , pelo_menos até ... Suspirou profundamente , deu as boas-noites a o Riddle e foi se embora . Riddle viu o desaparecer e , sem perder tempo , desceu os degraus de pedra até a os calabouços com Harry em a peugada . Mas para seu grande desconsolo , Riddle não o conduziu a nenhum corredor ou túnel secreto e sim a o calabouço onde ele costumava ter aulas de poções com o Snape . As tochas não tinham sido acesas e quando Riddle empurrou a porta quase fechada , Harry só conseguiu vê o a ele , de pé , quieto junto de a porta , olhando para o corredor . Pareceu a Harry que ficaram ali quase uma hora . Tudo_o_que via era a silhueta de Riddle junto de a porta , olhando fixamente através de a greta , a a espera . Como_se fosse uma estátua . E quando Harry tinha abandonado todas_as expectativas e começava a desejar voltar a o presente , ouviu alguma coisa que se movia atrás de a porta . Alguém avançava lentamente por o corredor . Ouviu a pessoa , quem quer que fosse , passar por o calabouço onde ele e Riddle estavam escondidos . Riddle , silencioso como uma sombra , esgueirou se por a porta e seguiu o com Harry em bicos de pés atrás de ele , esquecido de que podia fazer barulho a a vontade porque ninguém o ouvia . Durante cerca de cinco minutos seguiram lhe os passos até que Riddle parou repentinamente com a cabeça inclinada em a direcção de novos ruídos . Harry ouviu uma porta a abrir se e em seguida alguém falou em um murmúrio rouco . - Vá lá , temos que sair de aqui ... vá lá , dentro de a caixa ... Havia algo de familiar em aquela voz . Riddle deu subitamente uma volta e Harry seguiu o . Podia ver a silhueta escura de um rapaz enorme que estava inclinado em frente de a porta aberta , com uma grande caixa a o lado . - Boa noite , Rubeus - disse Riddle secamente . O rapaz fechou a porta e pôs se de pé . - O que estás a fazer aqui , Tom ? Riddle aproximou se . - Acabou se - disse . - Vou ter de entregar te , Rubeus . Falam em fechar Hogwarts se os ataques não terminarem . - O que é_que tu ... ? - Eu acho que tu não quiseste matar ninguém , mas os monstros não são os melhores animais domésticos . Tu só quiseste deixá o sair para andar um_pouco e ... - Ele não matou ninguém - disse o rapaz grande , recuando contra a porta fechada . Lá de dentro vinham uns estranhos roncos e rugidos . - Vamos , Rubeus - disse Riddle , aproximando se mais ainda . - Os pais de a rapariga que morreu estarão aqui amanhã . O mínimo que Hogwarts pode fazer é assegurar lhes que aquilo que matou a filha de eles foi abatido ... - Não foi ele - gemeu o rapaz cuja voz ecoou em o corredor escuro . - Ele não faria isso ... ele nunca ... - Afasta te - disse Riddle , pegando em a varinha . O encantamento iluminou o corredor com uma luz brilhante . A porta atrás de o rapaz grande abriu se de par em par com tanta força que o atirou contra a parede . E de lá de dentro saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito que ninguém mais ouviu a não ser ele próprio . Tinha um corpo imenso , magro e peludo e um emaranhado de pernas pretas , a cintilação de muitos olhos e um par de tenazes afiadas . Riddle levantou de_novo a varinha , mas era tarde de mais . A coisa deixara o atarantado e corria apressadamente , precipitando se por o corredor e desaparecendo . Riddle pôs se de pé , olhou a a procura de o monstro , levantou a varinha , mas o rapaz grande saltou sobre ele , tirou lhe a varinha de as mãos e lançou o a o chão , gritando : - Naaaaaão ! A cena rodopiou . A escuridão tornou se total . Harry sentiu se a cair e com um embate aterrou como uma águia de patas e asas abertas em a sua cama de dossel , em o dormitório de os Gryffindor , o diário de Riddle aberto sobre o estômago . Antes de ter tido tempo de normalizar a respiração , a porta de o dormitório abriu se e o Ron entrou . - Aí estás tu - disse . Harry sentou se . Transpirava e tremia . - O que se passa ? - perguntou Ron , olhando aflito para ele . - Foi o Hagrid , Ron . O Hagrid abriu a Câmara_dos_Segredos há cinquenta anos atrás . XIV_Cornelius_Fudge_Harry , Ron e Hermione sabiam há muito_tempo que Hagrid tinha uma triste predilecção por criaturas grandes e monstruosas . Em o primeiro ano que passaram em Hogwarts , ele tentara criar um dragão em a sua pequena cabana de madeira e levaram muito_tempo a esquecer o gigantesco cão de três cabeças que ele baptizara de « fofinho » . E se , em rapaz , Hagrid tinha ouvido dizer que havia um monstro escondido em o castelo , Harry tinha a certeza que ele teria feito os impossíveis por descobri o . Provavelmente achou que era uma injustiça o monstro estar fechado tanto tempo e pensou que ele merecia a oportunidade de esticar as suas muitas pernas . Harry imaginava perfeitamente o Hagrid a os treze anos a tentar pôr uma coleira e uma trela a o monstro . Mas tinha igualmente a certeza de que ele nunca teria querido matar ninguém . De certo modo , Harry desejava não ter descoberto como utilizar o diário de Riddle . Ron e Hermione fizeram o contar repetidas vezes o que vira até ele ficar farto de repetir o mesmo e farto de a conversa circular que se seguia . - O Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse , de essa vez , Hermione . - O monstro que atacava as pessoas podia ser outro .... - Quantos monstros achas tu que pode haver em este lugar ? - perguntou o Ron aborrecido . - Sempre soubemos que o Hagrid tinha sido expulso - disse Harry tristemente - E os ataques devem ter terminado quando ele foi expulso . Se não fosse assim , Riddle não teria recebido um prémio . Ron tentou um caminho diferente . - O Riddle parece o Percy , quem lhe pediu afinal que deitasse abaixo o Hagrid ? - Mas o monstro tinha morto uma pessoa , Ron - insistiu Hermione . - E o Riddle ia ter de voltar para um orfanato Muggle se Hogwarts fosse fechada - disse Harry . - Não posso culpá o por querer ficar aqui ... Ron mordeu o lábio e a seguir sugeriu : - Tu encontraste o Hagrid em a Rua * _ Bativolta * , não foi ? - Ele estava a comprar repelente para lesmas - disse Harry rapidamente . Ficaram os três em silêncio . Depois de uma longa pausa , Hermione , em uma voz hesitante , formulou a pergunta mais complicada de todas : - Não acham que devíamos ir ter com ele e perguntar lhe ? - Essa seria uma visita simpática - disse o Ron . - Olá , Hagrid , diz nos uma coisa , soltaste por acaso alguma coisa louca e peluda por o castelo em estes últimos tempos ? Por fim , decidiram não dizer nada a o Hagrid a_não_ser_que houvesse outro ataque e à_medida_que passava mais tempo sem murmúrios de a voz sem corpo começaram a acreditar , esperançosos , que nunca mais teriam de falar sobre o motivo por_que fora expulso . Tinham passado já quase quatro meses desde o dia em que o Justin e o Nick quase sem cabeça tinham sido petrificados e quase toda_a_gente parecia pensar que o atacante , quem quer que ele fosse , se retirara para sempre . Peeves fartara se de a sua canção * _ Oh_Potter , seu bandido * , Ernie_Mcmillan pediu educadamente a o Harry , em a aula de herbologia , que lhe passasse um balde de cogumelos saltitantes e , em Março , várias mandrágoras deram uma festa ruidosa e roufenha em a estufa número três . A professora Sprout estava muito satisfeita . - Mal elas comecem a tentar mover se para os vasos umas de as outras , saberemos que estão maduras - disse ela a o Harry . - Nessa_altura poderemos reanimar aquelas pobres criaturas que estão em a ala hospitalar . Os alunos de o segundo ano tinham agora uma coisa nova em que pensar durante as férias de a Páscoa . Chegara a altura de escolherem as matérias de o terceiro ano , um assunto que Hermione , pelo_menos , tomou muito a sério . - Pode afectar todo o nosso futuro - disse a o Harry e a o Ron a o vê os ler cuidadosamente as listas de as novas matérias e pôr um V em frente de cada uma . - Eu só quero ver me livre de as poções - disse Harry . - Não podemos - explicou Ron tristemente . - Mantemos todas_as matérias antigas ou eu teria me livrado de a Defesa contra as artes negras . - Mas é muito importante - disse Hermione chocada . - Não de a maneira como Lockhart a dá - insistiu Ron . - Não aprendi nada até agora a não ser a nunca mais libertar duendes . Neville_Longbottom recebera cartas de todas_as bruxas e feiticeiros de a família , cada_um dando um conselho diferente sobre o que ele deveria escolher . Confuso e preocupado , sentou se a ler a lista de matérias , dando estalinhos com a língua e perguntando a as pessoas se achavam que a aritmancia seria mais difícil do_que o estudo de as runas em a Antiguidade . Dean_Thomas que , tal_como Harry , fora criado com Muggles , acabou por fechar os olhos e atirar a varinha contra a lista , escolhendo as matérias onde ela aterrava . Hermione não pediu conselho a ninguém e inscreveu se em todas . Harry sorriu de si para consigo imaginando como seria uma conversa com o tio Vernon e com a tia Petúnia sobre a sua carreira em feitiçaria . Não que não tivesse tido orientação : Percy_Weasley estava ansioso por partilhar a sua experiência . - Tudo depende de o lugar para_onde queres ir , Harry - disse ele . - Nunca é cedo de mais para pensar em o futuro , por isso eu aconselho te a adivinhação . As pessoas dizem que os estudos de Muggles são uma opção leve mas eu , pessoalmente , acho que os feiticeiros deveriam ter uma compreensão profunda de a comunidade não mágica , muito especialmente se pensarem em trabalhar em íntimo contacto com eles . Vê o meu pai que tem de lidar com assuntos de os Muggles a_toda_a hora . O meu irmão Charles foi sempre mais um tipo de o exterior , por isso foi para o Centro_de_Cuidados com as Criaturas_Mágicas . Segue os teus sentimentos , Harry . Mas a única coisa em que Harry sentia que era mesmo bom era o Quidditch . Por fim , acabou por escolher as mesmas matérias que o Ron escolhera , pensando que se fosse péssimo em elas pelo_menos tinha alguém amigo para o ajudar . O próximo jogo de Quidditch_dos_Gryffindor era contra os Hufflepuff . Wood insistia em treinos de equipa todas_as noites depois de jantar , por isso Harry não tinha tempo para mais_nada a não ser para o Quidditch e para os trabalhos de casa . Mas as sessões de treino estavam a melhorar ou pelo_menos estavam mais secas e em a véspera de o jogo de sábado ele foi a o dormitório guardar a vassoura , sentindo que as hipóteses de os Gryffindor ganharem a taça de Quidditch nunca tinham sido tão boas . Mas a sua boa disposição não durou muito . Em o cimo de as escadas que levavam a o dormitório encontrou o Neville_Longbottom nervosíssimo . - Harry , não sei quem fez aquilo , eu fui encontrar ... Olhando receoso para Harry , Neville empurrou a porta . O conteúdo de a mala de Harry fora espalhado por toda_a divisão . O seu manto estava em o chão rasgado . A roupa de cama tinha sido puxada de a cama de dossel e a gaveta de o armário que se encontrava a a cabeceira de a cama fora arrancada , estando o seu conteúdo espalhado sobre o colchão . Harry aproximou se de a cama boquiaberto , pisando algumas páginas soltas de * _ Viagens com Duendes * . Quando ele e Neville estavam a puxar os cobertores para_cima , entraram o Ron e o Dean_Seamas . Dean praguejou alto . - O que é isto , Harry ? - Não faço ideia - disse ele . Mas o Ron estava a examinar as vestes de Harry e todos os bolsos estavam de o avesso . - Alguém andou a a procura de qualquer coisa - disse o Ron . - Dás por falta de alguma coisa ? Harry começou a apanhar o que estava caído , lançando tudo dentro de a mala . Só quando atirou o último livro de Lockhart é_que se apercebeu do_que faltava . - O diário de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a o Ron . - O quê ? Harry fez lhe sinal em direcção a a porta de o dormitório e apressaram se a chegar a a sala comum de os Gryffindor que estava quase vazia e onde foram encontrar Hermione sozinha a ler * _ As_Runas_Antigas a o Alcance_de_Todos * . Hermione ficou aterrada com as notícias . - Mas ... só um Gryffindor podia tê o roubado ... ninguém mais conhece a nossa senha ... - Exactamente - disse Harry . Acordaram em o dia seguinte com um sol brilhante e uma brisa agradável . - Condições ideais para o Quidditch ! - exclamou Wood , cheio de entusiasmo , a a mesa de os Gryffindor , enchendo os pratos de os elementos de a sua equipa de ovos mexidos . - Harry , anima te , precisas de um pequeno-almoço decente . Harry tinha estado a olhar para a mesa cheia de alunos de os Gryffindor , perguntando a si próprio se o novo dono de o diário de Riddle estaria ali mesmo em frente de os seus olhos . Hermione insistira para que ele participasse o roubo mas ele não gostou de a ideia . Teria de contar a um professor tudo sobre o diário , e quantas pessoas saberiam o motivo por_que Hagrid fora expulso há cinquenta anos ? Não queria ser ele a fazer com que relembrassem tudo aquilo . Quando saiu de o salão com o Ron e a Hermione para ir buscar o material de Quidditch , outra preocupação viera juntar se a a sua lista cada_vez maior . Tinha acabado de pisar os degraus de a escadaria de mármore quando ouviu de_novo a voz : - * _ Matar desta_vez ... deixem me rasgar ... romper * ... Deu um grito e Ron e Hermione saltaram alarmados . - A voz - disse Harry , olhando por cima de os ombros de eles . - Acabo de a ouvir de_novo , vocês não ouviram nada ? Ron abanou a cabeça de olhos muito abertos Mas_Hermione bateu com a mão em a testa . - Harry , acho que percebi uma coisa . Tenho que ir a a biblioteca . E disparou a correr por as escadas acima . - O que é_que ela percebeu ? - disse Harry distraidamente , ainda a olhar em volta , tentando determinar de onde vinha a voz . - Mas porque teve ela que ir a a biblioteca ? - Porque a Hermione é assim - disse o Ron , encolhendo os ombros - Quando tem uma dúvida , vai a a biblioteca . Harry manteve se hesitante , tentando captar novamente a voz mas as pessoas começavam a sair de o salão , falando alto , passando por a porta principal e encaminhando se para o estádio de Quidditch . - É melhor ires indo - aconselhou Ron . - São quase onze horas , olha o jogo . Harry deu uma corrida até a a torre de os Gryffindor , pegou em a sua Nimbus dois_mil e juntou se a a vasta multidão que enchia os campos , mas o seu pensamento estava ainda em o castelo , em aquela voz sem corpo e quando pôs as roupas vermelhas , o seu único conforto foi pensar que estavam todos lá fora para assistir a o jogo . As equipas entraram em campo a o som de um tumulto de aplausos . Oliver_Wood fez um voo de aquecimento em volta de os postes , Madam_Hooch soltou as bolas . Os Hufflepuff que tinham fatos amarelo-canário estavam reunidos em grupo em uma discussão de última hora sobre as tácticas . Harry subia para a vassoura quando a professora Mc_Gonagall atravessou o campo , meio a andar , meio a correr , transportando um enorme megafone roxo . O coração de Harry caiu lhe a os pés . - Este jogo foi cancelado - gritou por o megafone a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a o estádio apinhado . Ouviram se Uuuus e assobios . Oliver_Wood , com um ar infelicíssimo , aterrou e correu para a professora McGonagall sem sair de a vassoura . - Mas , professora - gritou - temos de jogar ... a taça ... os Gryffindor ... A professora Mc_Gonagall ignorou o e continuou a gritar por o megafone . - Pede se a os estudantes que regressem a as salas comuns de as respectivas equipas onde os chefes de equipa lhes darão mais informações . O mais depressa possível , se fazem favor ! Em seguida , baixou o megafone e fez sinal a o Harry para que se aproximasse . - Potter , é melhor vires comigo ... Perguntando a si próprio que suspeita poderia ela ter contra ele , desta_vez , Harry viu Ron desligar se de a multidão discordante e vir a correr juntar se lhes , enquanto eles se dirigiam para o castelo . Para sua grande surpresa Mc_Gonagall não pôs qualquer objecção . - Sim , talvez seja melhor vires também , Weasley . Alguns de os estudantes que os rodeavam reclamavam por o jogo ter sido cancelado , outros tinham um ar preocupado . Harry e Ron seguiram a professora Mc_Gonagall de volta a a escola e através de a escadaria de pedra . Mas desta_vez não foram levados a nenhum escritório . - Isto vai chocar vos um_pouco - disse a professora Mc_Gonagall em um tom de voz surpreendentemente suave quando estavam a aproximar se de a ala hospitalar . - Houve outro ataque ... outro ataque duplo . As vísceras de o Harry deram um salto mortal . A professora Mc_Gonagall abriu a porta e ele e Ron entraram . Madam_Pomfrey estava inclinada sobre uma rapariga de o quinto ano de cabelos longos a os caracóis que Harry reconheceu como sendo a colega de os Ravenclaw a quem , por engano , tinham perguntado o caminho para a sala comum de os Slytherin . E , em a cama a o lado de ela , estava ... - Hermione - gemeu o Ron . Hermione jazia totalmente quieta , os olhos abertos e vítreos . - Foram encontradas perto de a biblioteca - disse a professora Mc_Gonagall . - Calculo que nenhum de vocês possa explicar isto ? Estava em o chão , junto de ela . A professora tinha em as mãos um pequeno espelho redondo . Harry e Ron acenaram negativamente com as cabeças , ambos com os olhos fixos em Hermione . - Eu acompanho vos a a torre de os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall pesadamente . - De qualquer modo tenho de falar com os alunos . - Os alunos regressarão a as salas comuns de as respectivas equipas , todos_os_dias , a as seis_horas_da_tarde . Nenhum aluno deverá sair de os dormitórios depois de isso . Serão escoltados até a as aulas por um professor . Nenhum aluno deverá ir a a casa_de_banho sem um professor a acompanhá o . Todos os treinos e jogos de Quidditch estão suspensos a_partir_de agora . Não haverá mais actividades nocturnas . Os Gryffindor , que enchiam a sala comum , ouviram em silêncio a professora Mc_Gonagall . Ela enrolou o pergaminho que acabara de ler e disse em uma voz algo chocada : - Não é preciso acrescentar que nunca me senti tão desolada . É provável que a escola seja encerrada se não for apanhado o culpado de todos estes ataques . Quero pedir que se algum de vocês achar que sabe alguma coisa sobre eles venha imediatamente ter comigo . Mal ela subiu , de forma um_pouco desastrada , por o buraco de o retrato , os Gryffindor começaram logo a falar . - São dois Gryffindor a menos , sem contar com o fantasma de os Gryffindor , um Ravenclaw e um Hufflepuff - disse o amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , contando por os dedos . - Não terá nenhum de os professores reparado que os Slytherin estão a salvo ? Será que não é óbvio que tudo_isto vem de eles ? O herdeiro de Slytherin , o monstro de Slytherin , porque não expulsam todos os Slytherin ? - resmungou , recebendo acenos e aplausos de todos os lados . Percy_Weasley estava sentado em uma cadeira atrás_de Lee , mas por uma_vez não pareceu querer expor os seus pontos de vista . Estava pálido e aturdido . - O Percy está em estado de choque - disse o George baixinho a o Harry . - Aquela rapariga de os Ravenclaw , Penelope_Clearwater , é prefeita . Acho que ele nunca tinha pensado que o monstro pudesse atacar um prefeito . Mas Harry não estava a ouvi o com atenção . Não conseguia esquecer a imagem de Hermione deitada em a cama de o hospital , como_se estivesse esculpida em pedra . E se o culpado não fosse apanhado rapidamente tinha em a frente uma vida inteira com os Dursley . Tom_Riddle entregara o Hagrid porque fora confrontado com a possibilidade de um orfanato Muggle se a escola fechasse . Harry sabia exactamente o que ele sentira . - Que vamos nós fazer ? - disse lhe o Ron baixinho a o ouvido . - Achas que eles suspeitam de o Hagrid ? - Temos de falar com ele - disse Harry , tomando uma decisão . - Não acredito que tenha culpa desta_vez , mas se ele libertou o monstro há cinquenta anos , sabe com certeza como entrar em a Câmara_dos_Segredos , o que já é um princípio . - Mas a Gonagall disse que temos que ficar em a torre a_não_ser_que estejamos em as aulas ... - Eu acho - disse Harry ainda mais baixo - que chegou a altura de tirar outra_vez de a mala o manto de o meu pai . Harry herdara apenas uma coisa de o pai : o enorme manto prateado de a invisibilidade . Era a única maneira de poderem esgueirar se de a escola para fazer uma visita a o Hagrid , sem que ninguém de esse por isso . Deitaram se a a hora de o costume , esperaram que o Neville , o Dean e o Seamas adormecessem para se levantarem , vestirem se de_novo e taparem se com o manto . A viagem por os corredores de o castelo escuro e deserto não era nada agradável . Harry que vagueara por ali muitas_vezes durante a noite nunca vira tanta gente depois de o pôr de o Sol . Professores , prefeitos e fantasmas andavam por os corredores a os pares , olhando em volta , em busca de qualquer actividade fora de o habitual . O manto de a invisibilidade não impedia que fizessem barulho e houve um momento particularmente tenso em que o Ron deu uma topada a menos_de um metro de o lugar onde Snape se encontrava . Felizmente Snape espirrou em o preciso momento em que o Ron praguejava . Foi com grande alívio que chegaram a as portas de carvalho de a entrada principal . Estava uma noite clara e cheia de estrelas . Dirigiram se apressadamente para as janelas iluminadas de a casa de Hagrid e só tiraram o manto mesmo em frente de a porta . Poucos segundos depois de terem batido abriu se a porta . Ficaram frente_a_frente com Hagrid que lhes apontou uma besta enquanto Fang , o cão caçador de javalis , ladrava furiosamente atrás de ele . - Oh ! - disse , baixando a arma quando viu que eram eles . - O que estão vocês a fazer aqui ? - Para que é isso ? - perguntou Harry , apontando para a besta , enquanto entrava . - Nada , não é nada - murmurou Hagrid . - Tenho estado a a espera ... não tem importância , sentem se que eu vou fazer um chá . Dava a impressão de não saber o que fazia . Quase apagou a lareira , vertendo a água de a chaleira em o lume e em seguida esmagou o bule com um gesto de a sua mão maciça . - Estás bem , Hagrid ? - perguntou Harry . - Soubeste de a Hermione ? - Soube , sim - disse ele com um leve tremor em a voz . Continuava a olhar nervosamente para as janelas . Deu lhe os duas grandes canecas de água a ferver ( esquecera se de juntar o chá ) e estava a acabar de pôr em um prato uma fatia grossa de bolo de frutas quando alguém bateu energicamente a a porta . Hagrid deixou cair o bolo . Harry e Ron trocaram entre si olhares de pânico e , em seguida , cobriram se com o manto de a invisibilidade e esconderam se em um canto . Hagrid assegurou se de que eles estavam bem escondidos , pegou em a besta e abriu , mais_uma_vez , a porta . - Boa noite , Hagrid . Era_Dumbledore . Entrou com um ar muito sério , seguido de um homem bizarro . O estranho era um homenzinho pequenino , de porte majestoso com cabelos grisalhos desalinhados e uma expressão de ansiedade em o rosto . Usava uma inesperada mistura de roupas . Um fato a as riscas , uma gravata vermelho escarlate , um longo manto negro e umas botas roxas pontiagudas . Debaixo de o braço trazia um chapéu de coco verde lima . -- É o patrão de o meu pai - murmurou o Ron . Cornelius_Fudge , o ministro de a magia ! Harry deu lhe uma valente cotovelada para o fazer calar se . Hagrid tinha ficado suado e pálido . Deixou se cair em uma de as cadeiras e olhava de Dumbledore_para_Cornelius_Fudge . - Más notícias , Hagrid - disse Fudge em um tom bastante grave . - Muito más notícias . Tive de vir . Quatro ataques a filhos de Muggles , as coisas foram longe_de mais . O ministério tem que tomar uma atitude . - Eu nunca ... - disse Hagrid , parecendo implorar a Dumbledore . - O senhor sabe que eu nunca ... professor Dumbledore , o senhor ... - Quero que fique claro , Cornelius , que Hagrid tem a minha total confiança - afirmou Dumbledore , franzindo as sobrancelhas . - Olha , Albus - disse Fudge pouco a a vontade - a ficha de o Hagrid depõe contra ele . O ministério tem de fazer alguma coisa , o Conselho_Directivo de a escola tem se reunido ... - Mesmo_assim , Cornelius , devo dizer te mais_uma_vez que levar o Hagrid de aqui não vai ajudar em nada - afirmou Dumbledore com os olhos azuis com um fogo que Harry nunca vira antes . - Tenta compreender o meu ponto de vista - insistiu Fudge , brincando com o chapéu . - Estou a ser tremendamente pressionado , tenho de mostrar que faço alguma coisa . Se se provar que não foi o Hagrid , ele voltará e não se fala mais em o assunto . Mas tenho de levá o , tem de ser , não estaria a cumprir a minha obrigação se ... - Levar me ? - perguntou Hagrid a tremer . - Levar me para_onde ? - É uma pena curta - disse Fudge , sem o olhar em os olhos . - Não é um castigo , Hagrid , chamemos lhe antes uma precaução . Se mais alguém for apanhado , tu sais com todas_as nossas desculpas . - Não é para Azkaban ? - balbuciou Hagrid . Mas antes que Fudge tivesse tido tempo de responder , ouviu se bater mais_uma_vez a a porta . Dumbledore abriu . Foi a vez de Harry levar uma cotovelada em as costas : soltara um gemido audível . Mr._Lucius_Malfoy entrou em a cabana de o Hagrid embrulhado em uma longa capa preta de viagem , com um sorriso frio de satisfação . O Fang começou a rosnar . - Já está aqui , Fudge ? - disse de forma aprovadora . - Muito bem , muito bem ... - O que estás a fazer aqui ? - perguntou Hagrid furioso . - Sai imediatamente de a minha casa . - Meu bom homem , acredite que não tenho prazer nenhum em entrar em a sua ... er ... chamou lhe casa ? - disse Lucius_Malfoy , sorrindo sarcasticamente enquanto observava a pequena divisão . - Eu limitei me a ir a a escola e disseram me que o director estava aqui . - E o que queres de mim , Lucius ? - perguntou Dumbledore . O seu tom de voz era educado mas em os olhos azuis brilhava ainda o mesmo fogo . - Uma notícia horrível , Dumbledore - disse Mr._Malfoy de forma arrastada , pegando em um grande rolo de pergaminho . - Mas os membros de o conselho pensam que é altura de tu saíres . Isto_é uma ordem de suspensão , tens aí doze assinaturas . Lamento muito mas em a nossa opinião estás a perder a firmeza . Quantos ataques houve até agora ? Mais dois hoje a a tarde , não foi ? A este ritmo vão acabar todos os filhos de Muggles em Hogwarts e todos sabemos que seria uma terrível perda para a escola . - O que é isso , Lucius ? - protestou Fudge com ar alarmado . - O Dumbledore suspenso não ... não , seria a última coisa que desejaríamos em este momento ... - A nomeação ou suspensão , de o director é de a competência de os membros de o Conselho_Directivo , Fudge - disse suavemente Mr._Malfoy . - E como Dumbledore não foi capaz de pôr cobro a estes ataques ... - Oh ! Lucius , se Dumbledore não conseguiu - disse Fudge com o lábio superior a suar . - Quem irá conseguir ? - Isso está para se ver - disse Mr._Malfoy com um sorriso mesquinho . - Mas como os doze votamos ... Hagrid pôs se de pé em um salto , o cabelo preto hirsuto a roçar em o tecto . - E quantos tiveste de chantajar para concordarem contigo , Malfoy ? - Meu caro Hagrid , sabe que esse seu temperamento ainda acaba por lhe criar problemas um dia de estes - disse Mr._Malfoy . - Não o aconselho a gritar assim com os guardas de Azkaban . Eles não iriam gostar nada . - Não podes levar Dumbledore - gritou Hagrid , fazendo Fang , o cão caçador de javalis , agachar se e ganir em o seu cesto . - Sem ele , os filhos de os Muggles não têm qualquer hipótese . A seguir haverá mortes . - Acalma te , Hagrid - disse Dumbledore de forma cortante , olhando para Lucius_Malfoy . - Se os membros de o conselho querem substituir me , eu sairei , claro . - Mas - interrompeu Fudge . - Não - rosnou Hagrid . Dumbledore não tirara os seus olhos azuis brilhantes de os olhos cinzentos e frios de Lucius_Malfoy . - Contudo - disse , pronunciando cada palavra lenta e claramente para que nenhum de eles perdesse o seu sentido - verás que só deixarei verdadeiramente esta escola quando ninguém aqui me for leal . Descobrirás também que será sempre dada ajuda em Hogwarts a quem a pedir . Por um segundo , Harry teve quase a certeza de que os olhos de Dumbledore tremelaziram em direcção a o canto onde ele e Ron estavam escondidos . - Sentimentos admiráveis - disse Malfoy , fazendo uma vénia . - Todos nós vamos sentir a tua ... forma muito pessoal de fazer as coisas , Albus . Só espero que o teu sucessor consiga evitar qualquer ... crime . Dirigiu se a a porta de a cabana , abriu a e fez sinal a Dumbledore para que passasse a a sua frente . Fudge , mexendo nervosamente em o chapéu de coco , esperou que Hagrid fizesse o mesmo mas ele ficou quieto , respirou fundo e disse prudentemente : - Se alguém quiser descobrir alguma coisa , o que tem a fazer é seguir as aranhas . Elas indicarão o caminho , é tudo_o_que vos digo . Fudge olhou para ele espantado . - Está bem , eu vou - disse Hagrid , pegando em o seu sobretudo de pêlo de toupeira . Mas quando ia seguir o Fudge e sair por a porta , parou e disse em voz alta : - E alguém tem de dar de comer a o Fang enquanto eu não estiver cá . A porta fechou se ruidosamente e Ron tirou o manto de a invisibilidade . -- Estamos outra_vez em uma alhada - disse com voz rouca - Sem o Dumbledore podem fechar a escola já esta noite . Sem ele vai haver um ataque por dia . O Fang começou a ganir , arranhando a porta fechada . XV_Aragog_O_Verão insinuava se em os campos em volta de o castelo . O céu e o lago tinham se tornado de um azul-molusco e as flores , grandes como couves , começavam a florir em as estufas . Mas sem o Hagrid , que ele costumava avistar de o castelo , atravessando os campos com o Fang atrás , parecia a Harry que a paisagem não estava completa . Não era melhor dentro de o castelo onde tudo corria horrivelmente mal . O Harry e o Ron tinham tentado visitar a Hermione , mas as visitas a o hospital estavam proibidas . - Não vamos correr mais riscos - disse lhes Madam_Pomfrey com ar severo , através_de uma fresta de a porta de o hospital . Não , lamento , há muitas hipóteses de o atacante voltar para acabar de vez com estas pessoas ... Com Dumbledore longe , o medo espalhara se como nunca acontecera antes , de_tal_modo_que o sol que aquecia as paredes de o castelo por fora parecia parar junto de as janelas de pinázios . Não se via um único rosto em a escola que não andasse tenso e preocupado e qualquer gargalhada , em os corredores , se tornava incómoda e antinatural e era rapidamente abafada . Harry repetia constantemente , de si para consigo , as últimas palavras que ouvira a Dumbledore : - * _ Só terei verdadeiramente deixado esta escola quando ninguém me for leal ... será sempre dada ajuda , em Hogwarts , a quem a pedir * . Qual seria o significado exacto de aquelas palavras ? A quem deveria pedir ajuda quando todos estavam tão confusos assustados como ele ? A alusão de Hagrid a as aranhas era bastante mais fácil de entender . O problema era que parecia não ter restado uma única aranha em o castelo para eles a poderem seguir . Harry procurou por todo o lado com a ajuda relutante de o Ron . As coisas estavam dificultadas por o facto de não poderem andar sozinhos e terem de se deslocar em grupo dentro de o castelo , juntamente com outros Gryffindor . A maior parte de os alunos gostava de ser conduzida como carneiros de uma aula para a outra por os professores mas Harry achava horrível . Havia , contudo , uma pessoa que parecia apreciar aquela atmosfera de terror e suspeitas . Draco_Malfoy passeava empertigado por a escola como_se tivesse sido nomeado para chefe de turma . Harry só compreendeu o motivo de toda aquela boa disposição cerca de quinze_dias depois de Dumbledore e Hagrid se terem ido embora quando , em uma aula de poções , o ouviu falar com o Crabbe e o Goyle . - Sempre achei que seria o pai quem conseguiria livrar nos de o Dumbledore - disse sem a menor preocupação em baixar a voz . - Já vos disse , segundo ele , Dumbledore foi o pior director que a escola alguma vez teve . Talvez agora venha um director decente que não queira a Câmara_dos_Segredos fechada . A Mc_Gonagall não vai durar muito , está só a ... O Snape passou por Harry , sem fazer comentários a o caldeirão e a a cadeira vazia de Hermione . - Professor - disse Malfoy em voz alta . - Professor , porque não se candidata a o lugar de director ? - Ora , ora , Malfoy - respondeu Snape , sem conseguir esconder um meio sorriso . - O professor Dumbledore foi apenas suspenso por os membros de o conselho de direcção , certamente vai voltar um dia de estes . - Sim , claro - disse Malfoy com o seu sorriso escarninho . - Acho que se o professor quisesse candidatar se a o lugar teria o voto de o pai . Eu vou dizer lhe que o acho o melhor professor de a escola . Snape sorriu enquanto passeava de um lado para o outro em o calabouço , não tendo felizmente visto o Seamus_Finnigan que fingia vomitar para dentro de o caldeirão . - Estou espantado por ver que até agora os sangues de lama ainda não fizeram as malas e não desapareceram - prosseguiu Malfoy . - Aposto cinco galeões em como o próximo morre . Pena que não tenha sido a Granger ... A campainha tocou em esse momento o que foi uma sorte porque a o ouvir as últimas palavras de Malfoy , Ron deu um salto , mas em a barafunda de guardar os livros em os sacos , a sua tentativa de agarrar o Malfoy passou despercebida . - Deixem me - gritava o Ron enquanto o Harry e o Dean lhe agarravam os braços . - Não preciso de varinha , vou dar cabo de ele com as minhas mãos ... - Despachem se , tenho de conduzir vos a a aula de herbologia - praguejava o Snape acima de as cabeças de os alunos . E lá foram como cordeirinhos com Harry , Ron e Dean em a retaguarda , o Ron ainda a tentar libertar se . Só acharam seguro largá o quando Snape os deixou fora de o castelo e iniciaram o percurso por o meio de a horta em direcção a as estufas . A aula de herbologia estava reduzida . Tinha agora dois alunos a menos : Justin e Hermione . A professora Sprout pô os a trabalhar , podando as figueiras-da-abissínia . Harry foi despejar uma braçada de hastes secas em um monte de adubo e deu consigo cara a cara com Ernie_Mcmillan . Ernie respirou fundo . - Só quero dizer te , Harry que lamento ter suspeitado de ti . Sei que nunca atacarias a Hermione_Granger e peço te desculpa por todas_as coisas que disse . Estamos todos em o mesmo barco , agora e , bem ... Estendeu lhe uma mão rechonchuda que o Harry apertou . Ernie e a sua amiga Hannah foram trabalhar em a mesma figueira com o Harry e o Ron . - Aquele tipo , Draco_Malfoy - disse Ernie , partindo pequenos galhos - , parece muito satisfeito com isto tudo , não acham ? É bem possível que ele seja o herdeiro de Slytherin . - Uma observação inteligente de a tua parte - disse o Ron que parecia não ter desculpado Ernie tão facilmente como o Harry . - Acham que é ele ? - perguntou Ernie . - Não - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Hannah ficaram a olhar espantados . Um segundo depois , Harry avistou qualquer coisa que o levou a chamar a atenção de o Ron , batendo lhe em a mão com a tesoura de podar . - Au ... o que é_que tu ... ? Harry apontava para o chão , a poucos centímetros de distância . Várias aranhas grandes corriam precipitadamente por a terra fora . - Ah ! sim - disse o Ron , tentando , sem conseguir , mostrar se entusiasmado . - Mas não podemos seguis as agora ... Ernie e Hannah ouviam nos com curiosidade . Harry viu as aranhas desaparecerem . - Parecem ir em a direcção de a floresta proibida ... E o Ron ficou ainda mais infeliz a o ouvir aquilo . Em o final de a aula , o professor Snape acompanhou os alunos a a « Defesa contra as artes negras » . Harry e Ron foram atrás de os outros para poderem conversar sem serem ouvidos . - Temos de usar outra_vez o manto de a invisibilidade - disse Harry a o Ron . - Podemos levar connosco o Fang , ele está habituado a ir a a floresta com o Hagrid , pode ser uma boa ajuda . - Certo - disse o Ron , que fazia girar nervosamente a varinha em os dedos . - Er ... não costuma haver ... não costuma haver lobisomens em a floresta ? - acrescentou enquanto ocupavam os lugares de o costume em a aula de o Lockhart . Preferindo não responder a a pergunta , Harry disse : - Também há lá coisas boas . Os centauros são fixes e os unicórnios . Ron nunca estivera em a floresta proibida , Harry fora lá só uma_vez e desejara não ter de lá voltar . Lockhart deu um salto para dentro de a sala de aula e os alunos ficaram espantados a olhar para ele . Todos os outros professores andavam mais tristes do_que o habitual mas Lockhart parecia sentir se em as nuvens . - Então , então - exclamou , olhando em volta . - Porquê essas caras deprimidas ? Lançaram lhe olhares exasperados mas ninguém respondeu . - Não compreendem - disse , falando devagar como_se fossem todos um_pouco estúpidos - que o perigo já passou ? O culpado foi se embora . -- Quem disse ? - retorquiu Dean_Thomas em voz alta . -- Meu caro jovem , o ministro de a magia não teria levado Hagrid se não estivesse cem por_cento certo de que ele era o culpado - disse Lockhart como quem explica que um e um são dois . - Teria , sim - disse o Ron , em um tom de voz ainda mais alto do_que o de o Dean . - Eu julgo saber um_pouco mais sobre a prisão de o Hagrid do_que o senhor , Mr._Weasley - disse Lockhart com notória auto-satisfação . Ron começou a dizer que discordava mas foi interrompido por o Harry que lhe deu um forte pontapé por debaixo de a mesa . - Nós não estávamos lá , lembras te ? - murmurou . Mas a alegria revoltante de o Lockhart , as insinuações de que sempre tinha achado que o Hagrid não prestava , a sua certeza de que tudo aquilo estava a chegar a o fim , irritou Harry de tal maneira que teve vontade de lhe atirar as * _ Viagens com Vampiros * e de lhe acertar em aquela cara estúpida . Mas , em vez de isso , limitou se a escrevinhar um bilhete para o Ron : * _ Vamos lá hoje a a noite * . Ron leu a mensagem , engoliu em seco e olhou para o lugar onde Hermione costumava sentar se . A cadeira vazia pareceu ajudá o a decidir se e acenou afirmativamente . A sala comum de os Gryffindor estava agora sempre cheia porque , depois de as seis_da_tarde , os Gryffindor não tinham outro lugar para ir . Por outro lado , tinham imenso para conversar , por isso a sala comum mantinha se cheia de gente até depois de a meia-noite . Logo_a_seguir a o jantar , Harry foi buscar o manto de a invisibilidade a a mala onde estava guardado e passou todo o serão a a espera que a sala esvaziasse . O Fred e o George desafiaram o para alguns jogos de explosão e a Ginny sentou se , muito preocupada , a observá os , em a cadeira habitual de Hermione . Harry e Ron fartaram se de perder de propósito em uma tentativa de pôr rapidamente fim a os jogos mas , mesmo_assim , já passava bastante de a meia-noite quando o Fred , o George e a Ginny se foram , finalmente , deitar . Harry e Ron esperaram até ouvir as portas de os dois dormitórios fecharem se . Em seguida , pegaram em o manto , lançaram o sobre ambos e passaram por o buraco de o retrato . Era mais uma difícil travessia de o castelo , tendo de fintar todos os professores . Finalmente , chegaram a o * hall * de entrada , giraram o fecho de as portas de carvalho , esgueiraram se tentando não fazer barulho e aventuraram se nos campos iluminados por o luar . - É claro que - disse bruscamente o Ron , enquanto atravessavam os relvados negros - podemos perfeitamente chegar a a floresta e descobrir que não há nada para seguir . As aranhas podem não ter ido para lá . É certo que parecia que tomavam essa direcção , mas ... Felizmente a lengalenga não durou muito . Chegaram a a casa de o Hagrid que tinha um ar triste com as suas janelas vazias . Logo_que Harry empurrou a porta e a abriu , o Fang saltou , louco de alegria por os ver . Preocupados , não fosse ele acordar toda_a_gente em o castelo com o seu ladrar forte e agitado , deram lhe rapidamente a comer bombons de melaço que estavam em uma lata sobre a lareira e que lhe colaram os dentes de cima a os de baixo . Harry pousou o manto de a invisibilidade sobre a mesa de o Hagrid . Não iam precisar de ele em a floresta escura como breu . - Anda , Fang , vamos dar um passeio - disse Harry , batendo lhe a o de leve em a pata e Fang saiu feliz , a os saltos , atrás de eles . Precipitou se até a a orla de a floresta e levantou a perna contra uma enorme figueira-do-egipto . Harry pegou em a varinha , murmurou * _ Lumus * ! e uma pequenina luz surgiu em a ponta de a varinha , suficiente para lhes mostrar o caminho e ajudá os a descobrir a pista de as aranhas . - Bem pensado - disse o Ron . - Eu acendia também a minha mas , sabes como ela está , ainda estoirava ou qualquer coisa assim ... Harry tocou em o ombro de o Ron , apontando para as ervas . Duas aranhas solitárias fugiam de a luz de a varinha , aproximando se de a sombra de as árvores . - O. _ K. - disse o Ron , resignando se com o pior . - Estou pronto , vamos . Então , com o Fang a correr atrás de eles , cheirando as raízes de as árvores e as folhas , entraram em a floresta . Seguindo a luz de a varinha de o Harry seguiram a fila disciplinada de aranhas que se movia a o longo de o caminho . Andaram durante cerca de vinte minutos , sem falar , atentos a todos os ruídos que não fossem os de os ramos caídos e de as folhas secas . Então , quando as copas de as árvores se tinham tornado mais cerradas do_que nunca , de_tal_modo_que as estrelas em o céu já não eram visíveis e a varinha de o Harry brilhava isolada em um mar de escuridão , viram as aranhas que eles seguiam a abandonar o caminho . Harry parou , tentando ver para_onde iam mas tudo_o_que ficava longe de a sua pequenina luz era negro de breu . Ele nunca fora tão longe em a floresta . Lembrava se muito bem de Hagrid lhe ter dito , de a última vez que ali tinham estado , que nunca saísse de o caminho de a floresta . Mas Hagrid agora estava a muitos quilómetros de distância e ele também lhes dissera que seguissem as aranhas . Uma coisa húmida tocou em a mão de o Harry e ele deu um salto para trás , pisando o pé a o Ron . Mas afinal era apenas o focinho de o Fang . - O que é_que tu achas ? - perguntou ele a o Ron cujos olhos conseguia vislumbrar , reflectindo a luz de a varinha . - Já_que viemos até aqui - disse ele . Seguiram , portanto as sombras velozes de as aranhas em direcção a as árvores . Não podiam agora andar muito depressa . Tinham em a frente raízes de árvores e troncos cortados que mal se viam em aquela escuridão . Harry sentia o bafo quente de Fang em a mão . Por mais de uma_vez tiveram de parar para o Harry se baixar e descobrir as aranhas a a luz de a varinha . Andaram durante o que lhes pareceu ter sido pelo_menos meia_hora , com os mantos a roçarem em os ramos mais baixos e em as silvas . A o fim de algum tempo repararam que o chão parecia inclinar se para baixo embora as árvores continuassem cerradas . Foi então que o Fang soltou um latido que ecoou em volta , fazendo Harry e Ron darem um salto , ambos com os cabelos em pé . - O que foi ? - gritou o Ron , olhando em volta para a escuridão e agarrando Harry com força , por o cotovelo . - Há qualquer coisa ali a mexer se - murmurou Harry - Ouve ... parece ser grande . Ficaram a ouvir . Um_pouco para a direita algo de grandes dimensões partia os ramos enquanto abria caminho através de as árvores . - Oh ! não - disse o Ron . - Oh ! não , não ... - Cala te - insistiu o Harry , nervoso . - Seja o que for , vai acabar por te ouvir . - Ouvir me ? - disse o Ron , em um tom de voz muito pouco natural . - Já ouviu . Fang ! A escuridão parecia esmagar lhes os globos oculares enquanto ali ficaram apavorados , a a espera . Houve um estranho ruído , surdo e prolongado , e em seguida o silêncio . - O que estará a fazer ? - perguntou Harry . - Talvez esteja a preparar se para atacar - disse o Ron . Esperaram , a tremer , sem ousarem mexer se . - Achas que se foi embora ? - murmurou Harry . - Não sei . Em esse momento , de o lado direito veio um clarão de luz tão forte em o meio de o escuro que os dois levaram as mãos a a cara para proteger os olhos . O Fang ganiu e tentou fugir mas viu se envolvido em um emaranhado de espinhos e ganiu ainda mais alto . - Harry - gritou o Ron com grande alívio em a voz . - Harry , é o nosso carro . - O quê ? - Anda ver . Harry avançou a os tropeções atrás de o Ron , em direcção a a luz e em o momento seguinte estavam em uma clareira . O carro de Mr._Weasley ali estava , vazio , no_meio_de um círculo de árvores grossas , sob um telhado de ramos densos , os faróis de a frente resplandecentes . Quando Ron se aproximou de boca aberta , moveu se lentamente em direcção a ele como_se fosse um grande cão azul turquesa , cumprimentando o dono . - Tem estado aqui todo este tempo - disse o Ron satisfeitíssimo , aproximando se de o carro . - Olha para ele , a floresta tornou o selvagem ... O guarda-lamas estava riscado e cheio de lodo . Parecia que tinha andado a passear sozinho por a floresta . Fang não gostou lá muito de ele . Manteve se a o lado de o Harry que podia senti o a tremer . Com a respiração normalizada , Harry guardou a varinha em o manto . - E nós a pensarmos que ele nos ia atacar - disse o Ron , encostando se a o carro e dando lhe duas palmadinhas - As voltas que eu dei a a cabeça a pensar para_onde ele teria ido ! Harry olhava para todos os lados , em o chão iluminado , em busca de mais aranhas mas todas elas tinham fugido de o brilho de as luzes . - Perdemos as de vista - disse ele . - Anda , vamos procurá as . Ron não disse nada . Não se moveu . Tinha os olhos fixos em um ponto , três metros acima de o chão de a floresta , mesmo atrás de o Harry . O seu rosto estava lívido de terror . Harry nem teve tempo de se voltar . Ouviu se um ruído alto e seco e sentiu que alguma coisa longa e peluda o elevava em o ar com o rosto voltado para baixo . Debatendo se , apavorado , ouviu outro estalido e viu as pernas de o Ron serem também levantadas de o chão . Ouviu o Fang gemer e ganir e , em o momento seguinte , era levado para o meio de as árvores escuras . Com a cabeça a balouçar , Harry viu que a coisa que o transportava tinha seis enormes patas peludas e que as duas de a frente o agarravam com forca sob um par de tenazes pretas e brilhantes . Atrás_de si podia ouvir outra de aquelas criaturas que , sem dúvida , transportava o Ron . Encaminhavam se para o coração de a floresta . Harry ouvia o Fang a ladrar , tentando libertar se de um terceiro monstro mas Harry não podia gritar mesmo_que quisesse , parecia que tinha deixado a voz em a clareira , junto com o carro . Não soube quanto tempo esteve em as patas de a criatura , só se apercebeu que a escuridão se atenuara um_pouco , permitindo lhe ver que o chão coberto de folhas estava agora repleto de aranhas . Voltando a cabeça para o lado , deu se conta de que tinham chegado a a base de uma enorme cova , uma cova que fora limpa de árvores para que as estrelas iluminassem com o seu brilho a cena mais pavorosa que os seus olhos alguma vez tinham visto . Aranhas . Não aranhas pequeninas como aquelas que estavam sobre as folhas . Aranhas de o tamanho de enormes cavalos , com oito olhos , oito pernas pretas , peludas , gigantescas . O espécimen que transportava Harry desceu o terreno íngreme até uma teia brumosa em forma de cúpula que ficava mesmo em o meio de a cova , enquanto os companheiros se juntavam em volta , batendo excitadíssimos com as tenazes e olhando para o que eles traziam a as costas . Harry caiu em o chão de gatas quando a aranha o libertou . Ron e Fang foram cair perto de ele . O Fang já não gania . Estava agachado e muito quieto . Ron e Harry partilhavam o mesmo sentimento . O Ron tinha a boca aberta em uma espécie de grito silencioso e os olhos a saltarem lhe de as órbitas . Harry percebeu de repente que a aranha que o deitara a o chão estava a dizer qualquer coisa . Era difícil entender porque entre cada duas palavras , batia com as tenazes . - Aragog - chamou . - Aragog . E de o meio de a teia brumosa em forma de cúpula saiu muito lentamente uma aranha de o tamanho de um pequeno elefante . As costas e as pernas estavam cobertas de pêlo cinzento e , em a cabeça feia , munida de tenazes , estavam vários olhos , todos eles de um branco leitoso . Era cega . - O que foi ? - disse , batendo rapidamente com as tenazes uma em a outra . - Homens - respondeu a aranha que trouxera o Harry . - É o Hagrid ? - perguntou Aragog , aproximando se mais com os seus oito olhos leitosos a vaguear . - Estranhos - respondeu a aranha que trouxera o Ron . - Matem nos - disse Aragog , irritada . - Eu estava a dormir ... - Nós somos amigos de o Hagrid - gritou Harry . Parecia que o coração lhe saltava por a boca . Clic , clic , clic fizeram as tenazes de a aranha , em volta de a cova . Aragog parou . - O Hagrid nunca mandou homens a a nossa cova - disse lentamente . - O Hagrid está em perigo - explicou Harry , respirando muito depressa . - Foi por isso que eu vim . - Em perigo ? - repetiu a aranha idosa e pareceu a Harry sentir preocupação por detrás de as suas tenazes . - Mas porque vos mandou ele cá ? Harry pensou pôr se de pé mas achou melhor não arriscar . As pernas provavelmente não teriam força para o sustentar . Falou portanto de o chão , o mais calmamente que foi capaz . - Eles lá em a escola pensam que o Hagrid soltou qualquer coisa contra os estudantes . Mandaram o para Azkaban . Aragog bateu furiosamente com as tenazes e , em toda_a cova , o eco foi reproduzido por uma multidão de aranhas . Era uma espécie de aplauso com uma única diferença : os aplausos não costumavam fazer o Harry quase morrer de medo . - Mas isso foi há muitos anos - disse Aragog , maldisposta . - Há anos e anos . Lembro me muito bem . Foi por isso que o expulsaram de a escola . Eles pensaram que eu era o monstro que vive em aquilo a que eles chamam a Câmara_dos_Segredos . Pensaram que o Hagrid a tinha aberto para me libertar . - E tu ... não vieste de a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Harry que sentia a testa cheia de suores frios . - Eu - disse Aragog , batendo irritada com as tenazes - , eu não nasci em o castelo . Venho de uma terra distante . Um viajante ofereceu me a o Hagrid quando eu era ainda um ovo . Hagrid era um rapazinho mas tratou de mim , escondeu me em uma despensa dentro de o castelo e alimentava me com as migalhas que ficavam em as mesas . Hagrid é o meu bom amigo e um bom homem . Quando me encontraram e me culparam por a morte de uma rapariga , ele protegeu me . Desde_então , tenho vivido aqui em a floresta onde o Hagrid ainda vem visitar me . Ele até me arranjou uma esposa , Mosag , e estão a ver como a família cresceu , tudo graças a a bondade de o Hagrid ... Harry reuniu a coragem que lhe restava . - Então tu nunca atacaste ninguém ? - Nunca - resmungou a velha aranha . - Era esse o meu instinto , mas por respeito a Hagrid nunca fiz mal a nenhum humano . O corpo de a rapariga morta foi encontrado em uma casa_de_banho , ora eu nunca conheci mais do_que despensa de o castelo , onde cresci . Nós gostamos de o escuro de o silêncio . - Mas então ... sabes o que matou essa rapariga ? - perguntou Harry . - Porque seja o que for , está a atacar as pessoas outra_vez ... As suas palavras foram abafadas por uma audível explosão de tenazes a bater e por o ruge-ruge de muitas pernas longas , deslocando se iradas . Em volta de Harry começaram a mover se sombras escuras . - O que vive em o castelo - disse Aragog - é uma antiga criatura que nós , aranhas , tememos acima_de todas_as outras . Lembro me bem de o quanto insisti com Hagrid para que me deixasse sair de ali quando senti a criatura a andar por a escola . - O que é ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Mais tenazes a bater , mais pernas a moverem se . As aranhas pareciam estar a aproximar se . - Nós não falamos de isso - exclamou Aragog furiosa . - Não pronunciamos o seu nome . Eu nunca disse a o Hagrid o nome de a horrível criatura , apesar_de ele me ter perguntado vezes sem conta . Harry não quis insistir , principalmente com todas aquelas aranhas a aproximarem se de todos os lados . Aragog parecia ter se cansado de falar . Recuava lentamente para a teia em forma de cúpula , mas as companheiras continuavam a aproximar se ameaçadoramente de Harry e Ron . - Vamos embora , então - gritou Harry , desesperadamente a Aragog , enquanto ouvia as folhas secas a estalarem atrás_de si . - Embora ? - disse Aragog lentamente . - Não me parece ... - Mas , mas ... - Os meus filhos e filhas não fazem mal a o Hagrid por ordem minha . Mas não posso negar lhes carne fresca quando ela veio por vontade própria ter connosco . Adeus , amigo de o Hagrid . Harry deu meia volta . Poucos centímetros acima de ele , uma sólida parede de aranhas batia com as tenazes , os seus muitos olhos a brilharem em as horríveis caras pretas . Mesmo_que se servisse de a varinha , Harry sabia que não ia valer de nada . As aranhas eram demasiadas , mas quando tentava preparar se para morrer a lutar , ouviu se um som prolongado e um clarão de luz iluminou a cova . O carro de Mr._Weasley ribombava , descendo o declive , com os faróis acesos , a buzina a guinchar , afastando as aranhas . Muitas de elas ficaram voltadas ao_contrário com as várias pernas a agitar se em o ar . O carro buzinou com mais força em frente de Harry e Ron e as portas abriram se . - Agarra o Fang - gritou Harry , ajeitando se em o lugar de a frente . Ron agarrou o cão caçador de javalis e lançou o a ganir para o banco de trás . As portas fecharam se com estrondo . Ron não tocou em o acelerador mas o carro não precisou de isso . O motor fez se ouvir e levantaram voo , batendo em mais aranhas . Subiram o declive , saindo de a cova e pouco depois atravessavam a floresta , os ramos a baterem em os vidros enquanto o carro seguia habilmente através de os intervalos maiores , por um caminho que obviamente já conhecia . Harry olhou para o Ron , a o seu lado . Ele tinha ainda a boca aberta em o mesmo grito silencioso mas os olhos já não estavam salientes . - Estás bem ? Ron olhou em frente , incapaz de responder . Começavam a descer para terra firme com o Fang a soltar enormes ganidos em o banco de trás e Harry viu o espelho retrovisor saltar quando passaram rente a um enorme carvalho . Após dez minutos bastante ruidosos , as árvores começaram a ser mais finas e Harry pôde ver de_novo pedaços de o céu . O carro parou tão bruscamente que quase foram projectados por o vidro de a frente . Tinham chegado a a orla de a floresta . O Fang ia agitadíssimo a a janela e quando Harry abriu a porta , disparou a correr através de as árvores até a a casa de o Hagrid , de cauda entre as pernas . Harry saiu também e um minuto depois o Ron pareceu recuperar a força em os membros e seguiu o , ainda com um torcicolo e de olhos esbugalhados . Harry deu uma palmadinha de agradecimento a o carro antes de ele dar a volta e desaparecer em direcção a a floresta . Harry voltou a a cabana de o Hagrid para buscar o manto de a invisibilidade . O Fang tremia em o seu cesto , coberto por um cobertor . Quando saiu de_novo , viu o Ron a vomitar junto de as abóboras . - Sigam as aranhas - disse ele debilmente , limpando a boca a a manga . - Nunca vou perdoar a o Hagrid . É uma sorte ainda estarmos vivos . - Aposto que ele pensou que Aragog nunca faria mal a os seus amigos - justificou Harry . - Esse é justamente o problema de o Hagrid - interrompeu Ron , dando um soco em a parede de a cabana . - Ele acha sempre_que os monstros não são tão maus como os pintam e vê onde isso o levou , a uma cela em Azkaban - tremia agora descontroladamente . - Qual a ideia de ele a o mandar nos ali ? Gostava de saber o que é_que descobrimos . - Que o Hagrid nunca abriu a Câmara_dos_Segredos - disse Harry , lançando o manto sobre Ron e tocando lhe em o braço para o encorajar a andar . - Ele estava inocente . Ron resmungou em voz alta . Para ele , chocar Aragog em uma despensa não era propriamente estar inocente . Quando se aproximaram de o castelo , Harry esticou o manto para garantir que os pés de ambos ficavam cobertos . Em seguida , empurrou as portas de a frente que chiaram . Atravessaram com todo o cuidado o * hall * de entrada e subiram a escadaria de mármore , contendo a respiração em os corredores guardados por sentinelas atentos . Por fim , chegaram a a segurança de a sala de os Gryffindor onde o lume ardera até se transformar em brasas brilhantes . Tiraram o manto e subiram a escada serpenteante que os levava a o dormitório . Ron caiu em a cama sem sequer se despir mas Harry , apesar_de tudo , não tinha sono . Sentou se em a beirinha de a cama , pensando em todas_as coisas que Aragog dissera . A criatura que andava por o castelo , pensou , era uma espécie de monstro Voldemort , nem os outros monstros queriam pronunciar o seu nome . Mas ele e o Ron não estavam agora mais perto_de descobrir o que era nem como petrificava as suas vítimas . Se nem o Hagrid chegara a saber o que estava em a Câmara_dos_Segredos ... Harry balançou as pernas e atirou se para_cima de a cama . Encostado a as almofadas olhou a Lua que brilhava através de a janela de a torre . Não sabia que mais poderiam fazer . Só tinham encontrado portas fechadas . Riddle apanhara a pessoa errada . O herdeiro de Slytherin fugira e ninguém sabia se era a mesma pessoa ou uma outra que abrira , desta_vez , a Câmara_dos_Segredos . Não havia mais ninguém a quem fazer perguntas . Harry deitou se ainda a pensar em as palavras de Aragog . Estava a começar a ficar com sono quando aquilo que parecia ser uma última esperança lhe ocorreu , fazendo o sentar se muito direito em a cama . - Ron - sussurrou em o escuro . - Ron . Ron acordou com um ganido como os de o Fang . Olhou muito assustado em volta e viu o Harry . - Ron , a rapariga que morreu . Aragog contou nos que ela foi encontrada em uma casa_de_banho - disse , ignorando os roncos de o Neville em o outro canto de o quarto . - E se ela nunca tivesse saído de a casa_de_banho ? E se ainda lá estiver ? Ron esfregou os olhos , franzindo as sobrancelhas sob a luz de a Lua . E só então compreendeu . -- Não pensar que ... a Murta_Queixosa ? XVI_A_Câmara_dos_Segredos -- E estivemos nós tantas vezes em aquela casa_de_banho com ela apenas a três cubículos de distância - disse o Ron amargamente em o dia seguinte , a a mesa de o pequeno-almoço . - Podíamos ter lhe perguntado e agora ... Já fora bastante difícil procurar as aranhas . Escapar a os professores o tempo suficiente para ir até a a casa_de_banho de as raparigas , que ficava mesmo em frente de o lugar onde ocorrera o primeiro ataque , ia ser quase impossível . Mas alguma coisa aconteceu que fez com que a Câmara_dos_Segredos desaparecesse de os seus pensamentos pela_primeira_vez em várias semanas . A professora Mc_Gonagall comunicou lhes que os exames começariam a 1_de_Junho , uma semana depois . - Exames ? - gritou Seamus_Finnigan . - Nós mesmo_assim vamos ter exames ? Ouviu se um estrondo atrás de o Harry quando a varinha de o Neville_Longbottom lhe escapou de a mão , fazendo desaparecer uma de as pernas de a secretária . A professora Mc_Gonagall repô a com a sua varinha e voltou se com má cara para o Seamus . - Se temos a escola aberta em uma altura de estas é para vocês receberem instrução - disse com dureza . - Os exames terão lugar , portanto , como é costume e espero que todos vocês façam revisões até lá . Revisões . Não passara por a cabeça de o Harry que houvesse exames com o castelo em aquele estado . Houve uma série de murmúrios revoltados , o que fez com que a professora Mc_Gonagall ficasse ainda mais mal-humorada . - As instruções de o professor Dumbledore foram para manter a escola a funcionar o mais normalmente possível - disse . - E isso , não preciso de vos dizer , passa por uma avaliação de o quanto vocês aprenderam a o longo de este ano . Harry olhou para baixo , para o casal de coelhos brancos que ele deveria transformar em pantufas . Que tinha ele aprendido durante o ano ? Não era capaz de se lembrar de nada que fosse útil em um exame . Ron estava como_se tivessem acabado de lhe dizer que a partir de aquele momento tinha de ir viver para a floresta proibida . - Estás a ver me a ter exames com isto tudo ? - perguntou a o Harry enquanto pegava em a varinha que tinha começado a assobiar bastante alto . Três dias antes de o primeiro exame , a a hora de o pequeno almoço , a professora Mc_Gonagall fez outra comunicação . - Tenho boas notícias - disse , e o salão em_vez_de se calar , explodiu de contentamento . - Dumbledore vai regressar ! - gritaram várias pessoas cheias de alegria . - Apanharam o herdeiro de Slytherin - arriscou uma rapariga em a mesa de os Ravenclaw . - Temos outra_vez os jogos de Quidditch - bradou Wood , excitadíssimo . Quando a agitação passou , Mc_Gonagall disse : - A professora Sprout informou me que as mandrágoras estão finalmente prontas para serem cortadas . Hoje a a noite vamos poder reanimar as pessoas que foram petrificadas . Escusado será dizer que certamente uma de elas poderá revelar nos quem ou o que a atacou . Eu tenho esperança que este ano pavoroso acabe com a prisão de o culpado . Houve uma explosão de aplausos . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e não ficou nada surpreendido a o ver que Draco_Malfoy não aplaudia . O Ron , por outro lado , estava satisfeito como ninguém o via havia dias . - Não faz mal não termos perguntado a a Murta . A Hermione vai , com certeza , ter todas_as respostas quando acordarem . Vai também ficar fula quando souber que temos exames dentro_de três dias . Ela não pôde fazer revisões . Seria melhor deixarem a estar onde está até a o final de os exames . Nessa_altura , Ginny_Weasley veio sentar se junto de o Ron . Parecia nervosa e tensa e Harry reparou que torcia as mãos em o colo . - O que se passa ? - perguntou o Ron , servindo se de mais papa de aveia . Ginny não disse nada mas olhou para um lado e para o outro de a mesa de os Gryffindor , com um olhar assustado que lembrou a Harry alguém que não sabia bem quem era . - Vá lá , vomita - disse o Ron , olhando para ela . Harry percebeu subitamente quem a Ginny lhe lembrara . Ela balançava se ligeiramente para a frente e para trás em a cadeira , exactamente como o Dobby fazia quando estava hesitante , à_beira_de revelar uma informação proibida . - Tenho de te dizer uma coisa - balbuciou a Ginny receosa , sem olhar para Harry . - O que é ? - perguntou ele . Ginny parecia incapaz de encontrar as palavras certas . - O quê ? - insistiu Ron . Ginny abriu a boca mas não saiu nenhum som . Harry inclinou se para a frente e falou devagar para que só ela e Ron pudessem ouvi o . - É alguma coisa relacionada com a Câmara_dos_Segredos ? Viste alguma coisa ou alguém a agir de forma estranha ? Ginny respirou fundo e , em esse preciso momento , apareceu Percy_Weasley com um ar pálido e cansado . - Se já acabaste de comer eu fico com esse lugar , Ginny . Estou cheio de fome . Acabei agora o meu trabalho de patrulhamento . Ginny deu um salto como_se a cadeira tivesse acabado de ser electrificada , lançou a o Percy um olhar assustado e zarpou . Percy sentou se e tirou uma caneca de o meio de a mesa . -- Percy - disse o Ron aborrecido . - Ela ia agora mesmo contar nos uma coisa importante . A meio de um gole de chá , Percy estremeceu . - Que coisa ? - perguntou , tossindo . - Eu quis saber se ela tinha visto alguma coisa estranha e ela ia dizer ... - Ah ! isso ... não tem nada que ver com a Câmara_dos_Segredos - disse o Percy de imediato . - Como sabes ? - indagou o Ron , erguendo as sobrancelhas . - Bem ... er ... já_que perguntam , a Ginny ... er ... passou por mim em outro dia quando eu ... er ... não foi nada , o importante é_que ela viu me fazer uma coisa e eu ... um ... pedi lhe para não comentar com ninguém . Não pensei que ela cumprisse a palavra , verdade se diga . Não é nada importante , eu só ... Harry nunca vira o Percy tão pouco a a vontade . - O que estavas a fazer , Percy ? - riu se o Ron . - Vá lá , conta que nós não nos rimos . Percy ficou sério . - Passa me esses pãezinhos , Harry , estou cheio de fome . Harry sabia que todo o mistério poderia ser desvendado em o dia seguinte sem a ajuda de eles mas não ia deixar de falar com a Murta_Queixosa se a oportunidade surgisse . E , para sua grande satisfação , ela surgiu a meio de a manhã quando eram conduzidos a a aula de História_da_Magia_por_Gilderoy_Lockhart . Lockhart , que tantas vezes lhes assegurara que o perigo tinha passado , estava agora totalmente convencido de que acompanhar os alunos em os corredores era um trabalho inútil . O seu cabelo estava mais liso do_que de costume . Parecia ter passado toda_a noite acordado a vigiar o quarto andar . - Podem escrever o que eu digo - afirmou , acompanhando os até uma esquina . - As primeiras palavras que vão sair de a boca de aquelas pobres pessoas petrificadas serão - * _ Foi_o_Hagrid * . Francamente , estou espantado por a professora Mc_Gonagall considerar ainda necessárias estas medidas de segurança . - Concordo , professor - disse Harry , fazendo com que Ron , surpreendido , deixasse cair os livros a o chão . - Obrigado , Harry - disse Lockhart amavelmente , enquanto deixavam passar uma grande fila de Hufflepuffs . - verdade é_que os professores já têm bastante que fazer para andarem também a acompanhar os alunos a as aulas e a guardar os corredores a a noite ... - É verdade - disse o Ron , percebendo a ideia . - Porque não nos deixa aqui , professor , só falta mais um corredor . - Sabes , Weasley , sou mesmo capaz de fazer isso - disse Lockhart . - Preciso de preparar a minha próxima aula . E apressou se a seguir o seu caminho . - Preparar a aula - zombou o Ron . - Vai encaracolar o cabelo , é o mais certo . Deixaram os restantes Gryffindor passar lhes a a frente e por fim cortaram caminho em um corredor lateral e dirigiram se a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mas quando estavam a congratular se por o seu esquema brilhante ... - Potter , Weasley ! Que estão vocês a fazer aqui ? Era a professora Mc_Gonagall e a boca de ela estava mais fina do_que nunca . - Nós estávamos , estávamos - gaguejou o Ron . - Nós íamos ver , íamos ver ... - Hermione - completou Harry . A professora Mc_Gonagall e Ron olharam para ele . - Não a vemos há séculos , professora - prosseguiu Harry , pisando o pé a o Ron . - E pensamos ir espreitá a a a ala hospitalar e dizer lhe que as mandrágoras estão quase prontas , para ela não se preocupar . A professora Mc_Gonagall estava ainda a olhar para ele e , por um momento , Harry pensou que ela ia explodir mas , quando falou , fê lo em um tom de voz estranhamente rouco . - É claro - disse . E Harry , espantado , viu uma lágrima a brilhar lhe em o canto de um de os olhos . - É claro . Eu compreendo que tudo_isto tem sido muito duro para os amigos de aqueles que foram ... eu compreendo , sim , Potter . Podem ir visitar Miss_Granger . Eu mesma informarei o professor Binns de que vocês estão em o hospital . Digam a Madam_Pomfrey que vos dei autorização . Harry e Ron afastaram se , quase sem acreditar que tinham escapado a um castigo . Quando voltaram em uma esquina ouviram nitidamente a professora Mc_Gonagall a assoar se . - Esta - disse o Ron entusiasmado - foi a melhor história que tu alguma vez inventaste . Não tinham outro remédio senão ir a a ala hospitalar e dizer a Madam_Pomfrey que tinham autorização de a professora Mc_Gonagall para visitar Hermione . Madam_Pomfrey deixou os entrar com alguma relutância . - Não vale a pena falar com uma pessoa petrificada - disse , e ambos tiveram que admitir que ela tinha razão quando se sentaram junto de Hermione e constataram que ela não tinha a menor noção de estar acompanhada . Dizer lhe que não se preocupasse ou falar com o armário que estava a o lado de a cama era exactamente a mesma coisa . - Será que ela viu quem a atacou ? - perguntou o Ron , olhando com tristeza para o rosto rígido de Hermione . - Porque se a coisa saltou sobre eles , ficaremos todos sem saber de nada . Mas Harry não olhava para o rosto de Hermione . Estava mais interessado em a sua mão direita que se encontrava pousada sobre os cobertores e , inclinando se para ela , viu que tinha , fechado entre os dedos , um pedaço de papel . Assegurando se de que Madam_Pomfrey não dava por nada , fez sinal a o Ron . - Tenta tirá o - murmurou ele , colocando a cadeira de_modo_a que Madam_Pomfrey não pudesse ver o Harry . Não foi tarefa fácil . A mão de a Hermione estava fechada com uma força tal que Harry receou parti a . Enquanto Ron vigiava , ele forçou e torceu até que , por fim , depois de vários minutos bastante tensos , conseguiu tirar o papel . Era uma página retirada de um livro muito antigo de a biblioteca . Harry alisou a ansiosamente e Ron inclinou se para poder lês a também . * _ De todos os monstros assustadores que pairam a a face de a Terra , nenhum é tão curioso nem tão fatal como o Basilisk , também conhecido por o rei de as serpentes . Esta cobra que pode atingir proporções gigantescas e viver durante muitas centenas de anos nasce de um ovo de galinha que é chocado por um sapo . As suas formas de matar são pavorosas pois além de os dentes venenosos e mortais , o Basilisk tem um olhar criminoso e todos aqueles que ele fixa com os olhos tem morte instantânea . As aranhas fogem a sete pés de o Basilisk que é seu inimigo mortal , e o Basilisk foge apenas de o canto de o galo que para ele é fatal * . Por debaixo de isto uma única palavra fora escrita , em a letra que Harry reconheceu como sendo de Hermione : Canos . Foi como_se se tivesse acendido uma luz em o seu espírito . - Ron - murmurou - é isso . Está aqui a resposta . O monstro de a Câmara_dos_Segredos é um Basilisk , uma serpente gigante . Por isso , só eu tenho ouvido a sua voz em todos os lugares , porque eu compreendo * serpentês * ... Harry olhou para as camas em volta . - O Basilisk mata as pessoas fixando as com o olhar mas ninguém morreu , o que quer_dizer que ninguém o olhou directamente em os olhos . Colin viu o através de a lente de a máquina fotográfica e o Basilisk queimou o rolo que estava lá dentro mas o Colin ficou apenas petrificado . O Justin ... o Justin deve ter visto o Basilisk através de o Nick quase sem cabeça . O Nick é_que levou com o olhar mas não podia morrer outra_vez ... e perto de a Hermione e de a prefeita de os Ravenclaw foi encontrado um espelho . Hermione acabara de compreender que o monstro era um Basilisk . Aposto que preveniu a primeira pessoa que encontrou de que era melhor olhar por um espelho a o virar de cada esquina . E aquela rapariga puxou de o seu espelho e ... O Ron estava de queixo caído . - E Mrs._Norris ? - perguntou vivamente . Harry pensou um_pouco , tentando imaginar a cena em a noite de o Halloween . - A água . . . - disse lentamente . - A poça de água que saiu de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Aposto que Mrs._Norris só viu o reflexo de o monstro . Examinou a folha de papel que tinha em a mão . Quanto_mais olhava mais sentido faziam as coisas . - * _ O cantar de o galo é fatal para ele * - leu em voz alta . - Os galos de o Hagrid foram mortos . O herdeiro de Slytherin não queria um único galo perto de o castelo , com a câmara aberta . * _ As aranhas são as primeiras a fugir * . Tudo encaixa . - Mas , como tem o Basilisk andado por aí ? - disse o Ron . - Uma serpente horrível e enorme ... alguém a teria visto . Mas Harry apontou para a palavra que Hermione escrevinhara em o final de a página . - Canos - disse . - Canos ... Ron , ele tem usado a canalização . Eu ouvi sempre a voz dentro de as paredes ... Ron agarrou subitamente o braço de o Harry . - A entrada para a Câmara_dos_Segredos - disse em uma voz rouca . - E se for em uma casa_de_banho ? Se for em a ... - Em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa - completou Harry . Sentaram se , tomados de uma excitação enorme , mal querendo acreditar . - Isso significa que - disse o Harry - eu não posso ser o único em a escola a falar * serpentês * . Há também o herdeiro de Slytherin . É de esse modo que tem controlado o Basilisk . - O que vamos fazer ? - perguntou Ron com os olhos a faiscar . - Vamos falar com a Mc_Gonagall ? - Vamos até a a sala de os professores - disse Harry , dando um salto . - Ela estará lá dentro_de dez minutos , está quase em o intervalo . Desceram a escada a correr . Não querendo ser descobertos outra_vez a vaguear por os corredores foram directamente até a a sala de os professores que estava deserta . Era uma divisão ampla , toda forrada , com cadeiras de madeira escura . Harry e Ron passearam de um lado para o outro , demasiado nervosos para se sentarem . Mas a campainha anunciando o intervalo nunca mais tocava . Em vez de isso , ecoando em os corredores , ouviram a voz de a professora Mc_Gonagall incrivelmente ampliada . - * _ Todos os alunos devem regressar de imediato a os seus dormitórios . Todos os professores a a sala de professores . Imediatamente , por favor * . Harry deu meia volta e olhou para o Ron . - Não me digas que houve um novo ataque , não agora ! - Que vamos fazer ? - disse o Ron aterrado . - Voltar para o dormitório ? - Não - disse Harry , olhando e m volta . Havia uma espécie de armário a a sua esquerda cheio com os mantos de os professores . - Ali . Vamos ouvir o que se passa . A seguir poderemos contar lhes o que descobrimos . Esconderam se dentro de o armário , ouvindo a algazarra de centenas de pessoas e a porta de a sala de professores a abrir se . De o meio de a confusão de mantos bafientos , viram os professores encherem a sala . Alguns tinham um ar totalmente confuso , outros pareciam apavorados . Por fim , chegou a professora Mc_Gonagall . - Aconteceu - disse em o silêncio de a sala de professores . - O monstro levou uma aluna . Levou a mesmo para a câmara . O professor Flitwick soltou um grito agudo . A professora Sprout bateu com a mão em a boca . Snape agarrou com força as costas de uma cadeira e perguntou : - Como pode ter tanta certeza ? - O herdeiro de Slytherin - disse a professora Mc_Gonagall , muito pálida . - Deixou outra mensagem . Mesmo por baixo de a primeira : « * _ O esqueleto de ela ficará para sempre em a Câmara_dos_Segredos * . » O professor Flitwick desatou a chorar . - Quem é ela ? - quis saber Madam_Hooch que se afundara em uma cadeira . - Quem é a aluna ? - Ginny_Weasley - disse a professora Mc_Gonagall . Harry viu o Ron , a o seu lado , escorregar silenciosamente até a o chão de o armário . - Vamos ter que mandar todos os alunos embora amanhã - disse a professora Mc_Gonagall . Isto_é o fim de Hogwarts , Dumbledore sempre disse ... A porta de a sala de os professores voltou a abrir se . Por um breve momento , Harry pensou que fosse Dumbledore mas era Lockhart e vinha todo sorridente . - Peço desculpa , adormeci . Perdi alguma coisa ? Não pareceu reparar que os outros professores o olhavam com uma espécie de aversão . Snape deu um passo em frente . - O homem que faltava - disse . - O homem certo . O monstro raptou uma garota , Lockhart levou a para a Câmara_dos_Segredos . O seu momento chegou . - Isso mesmo , Lockhart - acrescentou a professora Sprout . - Não estavas a dizer ontem a a noite que sempre tinhas sabido onde era a entrada para a Câmara_dos_Segredos ? - Eu ... bem ... eu-disse atabalhoadamente Lockhart . - Sim , não me disseste que sabias exactamente o que estava lá dentro ? - disse com voz esganiçada o professor Flitwick . - Eu disse ? Não me lembro ... - Lembro me perfeitamente de o ouvir dizer que lamentava não ter feito uma tentativa com o monstro antes de o Hagrid ser preso - disse Snape . - Não disse que toda_a história tinha sido uma atrapalhação e que deveriam ter lhe dado carta branca desde o princípio ? Lockhart olhou em volta para a cara de espanto de os colegas . - Eu ... nunca ... eu de facto ... deve ter me compreendido mal . - Então vamos deixar te , Gilderoy - disse a professora Mc_Gonagall . - Esta noite será uma excelente oportunidade para actuares . Nós trataremos de assegurar que ninguém te atrapalha . Vais poder enfrentar o monstro sozinho . Finalmente tens carta branca . Lockhart olhou desesperado a a sua volta mas ninguém foi salvá o . Já não estava bem-parecido . O lábio tremia lhe e a ausência de o seu habitual sorriso de dentes brancos dava lhe um ar escanzelado . - M-muito bem - disse . - Vou até a o meu escritório para ... para me preparar . E saiu de a sala . - _ óptimo - exclamou a professora Mc_Gonagall com as narinas dilatadas . - Isto deve afastá o de o nosso caminho . Os chefes de casa devem ir agora comunicar a os respectivos alunos o que se passou e informá os de que o Expresso_de_Hogwarts os levará a casa amanhã de manhã . Os restantes certifiquem se , por favor , de que não há alunos fora de os dormitórios . Os professores levantaram se e saíram um a um . Foi talvez o dia pior de a vida de o Harry . Ele , Ron , Fred e George sentaram se juntos a um canto em a sala comum de os Gryffindor , incapazes de proferir uma palavra . Percy não estava lá . Tinha ido tratar de enviar uma coruja a Mr. e Mrs._Weasley e , em seguida , fechara se em o dormitório . Nunca uma tarde custara tanto a passar e nunca a torre de os Gryfffindor estivera tão cheia de gente e tão silenciosa . Fred e George foram para a cama quase a o pôr de o Sol , incapazes de ficar ali mais tempo . - Ela sabia qualquer coisa , Harry - disse o Ron , falando pela_primeira_vez desde_que tinham saído de o armário de a sala de os professores . - Por isso a levaram . Não era nenhuma parvoíce sobre o Percy , ela tinha descoberto qualquer coisa sobre a Câmara_dos_Segredos . Com certeza por isso é_que a ... - Ron esfregou os olhos , enervadíssimo . - Afinal ela era sangue puro , não pode haver outra explicação . Harry olhava para o sol que mergulhava de um vermelho cor de sangue em a linha de o horizonte . Era a pior coisa que lhe tinha acontecido . Se pelo_menos pudessem fazer alguma coisa . - Harry - disse o Ron . - Achas que há alguma possibilidade de ela não estar ... ? Sabes o que eu quero dizer . Harry não sabia que resposta dar . Não acreditava que a Ginny pudesse ainda estar viva . - Sabes uma coisa ? - disse o Ron . - Acho que devíamos ir ter com o Lockhart , contar lhe o que sabemos . Ele vai tentar entrar em a câmara , podemos dizer lhe onde achamos que fica a entrada e contar lhe que o monstro é um Basilisk . Como Harry não tinha nenhuma ideia melhor e como queria fazer alguma coisa , concordou . Os Gryffindor que os rodeavam estavam tão tristes e com tanta pena de os Weasley que ninguém tentou impedi os quando os viram levantar se , atravessar a sala e sair por o buraco de o retrato . A escuridão começava a instalar se quando chegaram a o escritório de Lockhart onde a actividade era muita . De o corredor ouvia se o ruído de coisas a serem deitadas fora , pancadas surdas e passos apressados . Harry bateu a a porta e houve um silêncio repentino . Em seguida abriu se uma fresta de a porta e viram um de os olhos de Lockhart a espreitar . - Oh ! ... Mr._Potter ... Mr._Weasley - disse entreabrindo a porta . - Estou um_pouco ocupado em este momento , se forem rápidos ... - Professor , nós temos informações para lhe dar - disse o Harry . - Acho que poderão ajudá o . - Er ... bem ... não é - o lado de a cara de Lockhart que conseguiam ver parecia muito pouco a a vontade . - Quer_dizer ... bem ... está bem . Abriu a porta e eles entraram . O escritório estava praticamente vazio . Em o chão estavam duas grandes malas abertas . Mantos verde-jade , lilás , azul-noite tinham sido apressadamente dobrados e guardados dentro_de uma de as malas . Os livros misturavam se todos dentro de a outra . As fotografias que antes cobriam as paredes estavam agora arrumadas em caixas , em cima de a secretária . - Vai a algum lado ? - perguntou Harry . - Er ... bem ... sim - disse Lockhart , arrancando de a porta um poster seu em tamanho natural , enquanto falava , e começando a enrolá o . - Uma chamada urgente ... inevitável ... tenho que ir . - E a minha irmã ? - perguntou o Ron bruscamente . - Bem , quanto_a isso foi uma pena - disse Lockhart , evitando olhá os em os olhos , abrindo uma gaveta e começando a despejar o seu conteúdo dentro_de um saco . - Ninguém lamenta mais do_que eu ... - O senhor é o professor de Defesa contra as artes negras - disse Harry . - Não pode ir se embora agora_que todas estas coisas de magia negra estão a acontecer aqui . - Bem , devo dizer te que ... quando aceitei o lugar ... - resmungou Lockhart , empilhando soquetes sobre os mantos - nada em a descrição de o meu trabalho fazia prever ... - Quer_dizer que vai fugir ? - perguntou Harry , incrédulo . - Depois de todas_as coisas que conta em os seus livros ? - Os livros podem ser enganadores - disse Lockhart delicadamente . - Mas foi o senhor que os escreveu - gritou Harry . - Meu rapaz - disse Lockhart , endireitando se e franzindo as sobrancelhas - usa o senso comum . Os meus livros não teriam vendido metade do_que venderam se as pessoas não acreditassem que eu tinha feito todas aquelas coisas . Ninguém está interessado em ler sobre um velho feiticeiro americano mesmo_que ele tenha salvo uma cidade inteira de os lobisomens , ficaria péssimo em a capa . E a bruxa que correu com a fada carpideira tinha um lábio leporino . Como vês . - Quer_dizer que ficou com os louros por tudo_o_que uma série de outras pessoas fizeram ? - perguntou Harry , sem querer acreditar . - Harry , Harry - disse Lockhart , abanando impacientemente a cabeça . - Não é tão simples assim . Envolveu muito trabalho . Tive de localizar todas essas pessoas , perguntar lhes em pormenor como tinham feito as coisas . Depois tive de lhes fazer um feitiço antimemória para que não voltassem a lembrar se do_que tinham feito . Se há uma coisa de que me orgulho é de os meus feitiços antimemória . Não , tive muito trabalho , Harry . Não foram só as sessões de autógrafos e as fotografias , sabes ? Quem quer ser famoso tem de estar preparado para um trabalho longo e fatigante . Fechou as malas a a chave . - Vejamos - disse . - Acho que está tudo . Sim , só falta uma coisa . - Empunhou a varinha e voltou se para eles . - Lamento muito , rapazes , mas vou ter de vos fazer um feitiço antimemória . Não posso deixar que vão por aí repetir os meus segredos . Não venderia nem mais um livro . Harry pegou em a varinha mesmo a tempo e Lockhart mal tinha levantado a de ele a o ar quando Harry gritou * _ Expelliarmus ! * Lockhart foi projectado de costas , indo cair em cima de a mala . A varinha voou por os ares . Ron agarrou a e atirou a por a janela aberta . - Não devia ter deixado o professor Snape ensinar nos esta - disse Harry furioso , dando um pontapé a uma de as malas . Lockhart olhava para ele , de_novo escanzelado . Harry apontava lhe a varinha . - O que queres que eu faça ? - perguntou debilmente . - Eu não sei onde fica a Câmara_dos_Segredos . Não posso fazer nada . - Está com sorte - disse Harry , forçando o com a varinha a pôr se de pé . - Nós julgamos saber onde é e o que está lá dentro . Vamos . Conduziram Lockhart para fora de o seu escritório , desceram com ele as escadas e seguiram por o corredor escuro em cuja parede brilhavam as mensagens , até a a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mandaram Lockhart a a frente . Harry gostou de ver que todo ele tremia . A Murta_Queixosa estava sentada em a cisterna de o cubículo de o fundo . - Ah ! são vocês - disse a o ver o Harry . - O que querem agora ? - Perguntar te como morreste - disse Harry . O aspecto de a Murta mudou por completo . Parecia que nunca lhe tinham feito uma pergunta tão lisonjeira . - Ooooh ! Foi horrível - disse satisfeita . - Aconteceu aqui mesmo . Morri em este cubículo . Lembro me tão bem . Estava escondida porque a Olive_Hornby andava a implicar comigo por causa de os meus óculos . A porta estava fechada e eu estava a chorar e , então , ouvi alguém entrar . Disseram qualquer coisa estranha em uma língua diferente , acho eu . Mas o que mais me espantou foi o ser um rapaz a falar . Por isso , abri a porta para lhe dizer que fosse a a casa_de_banho de eles e em esse momento - a Murta inchou com ar importante , o rosto a brilhar - morri . - Como ? - perguntou Harry . - Não faço ideia - disse a Murta em um tom de voz abafado . - Só me lembro de ver dois grandes olhos amarelos , de o meu corpo ficar preso e em seguida , sentir me a flutuar ... - olhou sonhadoramente para Harry . - E depois voltei . Estava disposta a vingar me de a Olive_Hornby , percebes ? Ela ia arrepender se de ter gozado com os meus óculos . - Onde foi exactamente que viste os tais olhos ? - perguntou Harry . - Algures por aí - disse a Murta , apontando vagamente para o lavatório em frente de o seu cubículo . Harry e Ron apressaram se . Lockhart estava de pé , mais atrás , com uma expressão de pavor em o rosto . O lavatório parecia perfeitamente vulgar . Examinaram o centímetro a centímetro , dentro e fora , incluindo os canos por baixo . E foi então que Harry reparou : de lado , rabiscada em uma de as torneiras de cobre , estava uma cobra pequenina . - Essa torneira nunca funcionou - disse vivamente a Murta enquanto ele tentava abri a . - Harry - sugeriu o Ron . - Diz qualquer coisa em * serpentês * . Mas , pensou Harry , as únicas vezes que conseguira falar * serpentês * tinham ocorrido quando confrontado com uma verdadeira serpente . Olhou , concentrado para a pequena cobra gravada em o cobre , tentando imaginá a como verdadeira . - Abre te - disse . Olhou para o Ron que abanou a cabeça . - Inglês - disse ele . Harry voltou a olhar para a cobra , forçando se a acreditar que estava viva . A luz de a vela fez parecer que se movia . - Abre te - repetiu . Mas desta_vez as palavras não foram o que ele ouviu . Um estranho sibilar escapou lhe de a boca e a torneira ganhou uma luz branca e brilhante e começou a rodar . Logo_a_seguir o lavatório mexeu se . Afastou se , melhor dizendo , saiu de o caminho , deixando um grande cano a a vista , um cano onde cabia um homem . Harry ouviu a respiração arquejante de o Ron e olhou de_novo para ele . Já decidira o que queria fazer . - Vou descer - disse . Não podia deixar de ir , agora_que acabavam de descobrir a entrada para a câmara , existindo uma possibilidade , por mais remota que fosse , de a Ginny ainda estar viva . - Eu também - disse o Ron . Houve uma pausa . - Bem , parece que não precisam mais de mim - apressou se Lockhart a dizer com uma réstia de sorriso . - Eu vou . . . Pôs a mão em o puxador de a porta mas Ron e Harry apontaram lhe ambos as varinhas . -- O senhor pode ir a a frente - disse rispidamente o Ron . Pálido e sem varinha , Lockhart aproximou se de a entrada . - Meus rapazes - disse em uma voz débil . - Meus rapazes , para quê tudo_isto ? Harry tocou lhe em as costas com a varinha e ele meteu as pernas em o cano . - Eu não me parece que ... - começou a dizer , mas o Ron deu lhe um empurrão e ele desapareceu por o cano abaixo . Harry foi rapidamente atrás . Introduziu se lentamente e deixou se cair . Era como escorregar em uma pista escura e interminável . Ele via outros canos , estendendo se em todas_as direcções mas nenhum tão largo como o de eles que se torcia e virava , inclinando se abruptamente . Harry sabia que estavam a chegar a um ponto muito abaixo de a escola e de os calabouços . Atrás_de si , ouvia o Ron gemendo em cada curva . E então , quando começava a preocupar se com o que iria acontecer quando tocassem em o chão , o cano tornou se horizontal e ele foi projectado com um ruído surdo , indo aterrar em o chão húmido de um túnel de pedra com altura suficiente para ele se pôr de pé . Lockhart estava a levantar se a alguma distancia , todo enlameado e pálido como um fantasma . Harry afastou se para deixar o Ron sair também de o cano . - Devemos estar quilómetros e quilómetros abaixo de a escola - disse o Harry cuja voz ecoou em o túnel negro . - Talvez até debaixo de o lago - arriscou o Ron , olhando em volta para as paredes escuras e viscosas . Voltaram se os três para olhar para a escuridão lá a o fundo . - * _ Lumus ! * - murmurou Harry a a varinha e ela voltou a acender se . - Vamos - disse a o Ron e a o Lockhart e avançaram , os passos a chapinharem ruidosamente em o chão molhado . O túnel era tão escuro que só conseguiam ver alguns centímetros a a frente . As suas sombras em as paredes molhadas pareciam monstruosas a a luz de a varinha . - Lembrem se - disse Harry baixinho enquanto caminhavam . - A o menor movimento fechem logo os olhos ... Mas o túnel era silencioso como um túmulo e o primeiro som inesperado que ouviram foi um grito de o Ron que escorregou em uma coisa que era afinal a cauda de um rato . Harry baixou a varinha para olhar para o chão e viu que estava cheio de pequenos ossos de animais . Fazendo um enorme esforço para evitar pensar em que estado iriam encontrar a Ginny , avançou até uma curva escura de o túnel . - Harry , está aqui qualquer coisa - disse o Ron com voz rouca , agarrando Harry por o ombro . Ficaram estáticos a olhar . Harry só conseguia ver a silhueta de algo enorme e curvo deitado em o túnel . Fosse o que fosse não se movia . - Talvez esteja a dormir - murmurou , olhando para os outros dois . Lockhart tapava os olhos com as mãos . Harry voltou se para olhar para a criatura com o coração a bater tanto que lhe doía em o peito . Lentamente , com os olhos quase fechados mas ainda conseguindo ver , Harry avançou com a varinha levantada . A luz deslizou sobre uma gigantesca pele de serpente , de um verde vivo e venenoso que estava vazia e enrolada em o chão de o túnel . A criatura que a abandonara devia ter , pelo_menos , seis metros e meio de comprimento . - Bolas - disse o Ron , perdendo as forças . Houve um movimento súbito atrás de eles . As pernas de Gilderoy_Lockhart cederam . - Levante se - disse o Ron de uma forma cortante , apontando lhe a varinha . Lockhart pôs se de pé . Em seguida empurrou o Ron , atirando o a o chão . Harry deu um salto , mas ... tarde de mais . Lockhart endireitava se com a varinha de o Ron em as mãos e um sorriso em o rosto . - A aventura acaba aqui , rapazes - disse . - Vou levar um bocado de esta pele de cobra para a escola , contar lhes que foi demasiado tarde para salvar a garota e que vocês os dois perderam tragicamente a memória com a visão de o seu corpinho mutilado . Digam adeus a as vossas recordações . Levantou a o ar a varinha avariada de o Ron e gritou * _ Obliviate ! * A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba . Harry pôs os braços sobre a cabeça e correu , escorregou em os anéis de a pele de cobra , afastando se de os grandes pedaços de tecto de o túnel que caíam em o chão com o ruído de trovões . Pouco depois estava sozinho , olhando para uma sólida parede de rocha partida . - Ron - gritou ele . - Estás bem , Ron ? - Estou aqui - respondeu a voz abafada de o Ron por detrás de a avalancha de rochas . - Eu estou bem mas este sujeito não . A varinha avariou o todo . Ouviu se um ruído surdo e um Oh ! gritado . Parecia que o Ron tinha acabado de dar a o Lockhart um pontapé em as canelas . - E agora ? - disse a voz de o Ron que parecia desesperada . - Não podemos passar , vai demorar séculos . Harry olhou para o tecto de o túnel onde tinham aparecido grandes fendas . Ele nunca tentara partir , através de a magia , nada tão grande como aquelas rochas e agora não lhe parecia ser o melhor momento para fazer experiências . E se o túnel abatesse ? Houve um ruído surdo e outro Oh ! atrás de as rochas . Estavam a perder tempo . A Ginny já estava havia duas horas em a Câmara_dos_Segredos . Harry sabia que só havia uma coisa a fazer . - Espera aqui - gritou a o Ron . - Fica com o Lockhart , eu vou lá . Se não voltar dentro_de uma hora ... Houve um silêncio cheio . - Eu vou ver se desloco um_pouco esta rocha - disse o Ron , tentando manter a voz firme . - Para tu poderes passar . E , Harry ... - Até já - disse o Harry , procurando injectar confiança em a sua voz trémula . E passou sozinho para lá de a imensa pele de serpente . Em_breve , o ruído de o Ron , tentando deslocar a rocha , deixou de se ouvir . O túnel virou uma e outra_vez . Os nervos de o corpo de o Harry tangiam de forma desagradável . Ele só queria que o túnel chegasse a o fim , fosse o que fosse que o aguardasse . E então , finalmente , quando atingiu a última curva , viu em a sua frente uma parede sólida que tinha gravadas duas serpentes enroladas uma em a outra , cujos olhos eram quatro esmeraldas , enormes e brilhantes . Harry aproximou se com a garganta seca . Não foi preciso imaginar que as serpentes eram autênticas . Os seus olhos pareciam estranhamente vivos . Foi fácil descobrir o que tinha de fazer . Pigarreou e os olhos de esmeraldas pareceram mexer se . - Abre te - disse Harry em um sibilar baixo . As serpentes desapareceram enquanto a parede se abria a o meio e , a tremer de os pés a a cabeça , Harry entrou . XVII_Herdeiro_de_Slytherin_Estava de pé em o fundo de uma divisão enorme , fracamente iluminada . Altíssimos pilares de pedra , cheios de serpentes gravadas que os enlaçavam , erguiam se , suportando um tecto que se perdia em a escuridão e que lançava sombras negras imensas através de a estranha luz esverdeada que enchia o local . Com o coração a bater descompassadamente , Harry ficou parado a ouvir aquele silêncio arrepiante . Estaria o Basilisk escondido em um canto cheio de sombras , atrás_de algum pilar ? E onde estaria Ginny ? Pegou em a varinha e avançou a o longo de as colunas serpenteantes . Cada_um de os seus passos provocava um enorme eco em as paredes sombrias . Harry tinha os olhos semicerrados e estava pronto para os fechar a o mais pequeno movimento . As órbitas de olhos fundos de as serpentes de pedra pareciam segui o . Por mais de uma_vez , com o estômago a dar um salto , Harry julgou vê os moverem se . Por fim , chegado a o nível de os dois últimos pilares , avistou uma estátua de a altura de a própria câmara que estava encostada a a parede de o fundo . Harry tinha de esticar o pescoço para olhar para_cima , para a cara de o gigante : era velho e com um ar simiesco , tinha uma barba enorme que lhe caía quase onde acabava a longa túnica de pedra . Os dois pés imensos e cinzentos pousavam em o chão de a câmara . E entre eles , voltada para baixo , estava uma figura pequenina vestida de preto com um cabelo flamejante . - Ginny - murmurou Harry , chegando perto de ela e ajoelhando se . - Ginny , por favor não estejas morta , não estejas morta ! Atirou a varinha para o lado , agarrou Ginny por os ombros e voltou a . O rosto de ela estava branco e frio como o mármore , contudo os olhos encontravam se fechados , portanto não estava petrificada . Mas então devia estar ... - Ginny , acorda por favor - repetiu Harry desesperado , sacudindo a . A cabeça de ela andava de um lado para o outro . - Ela não vai acordar - disse secamente uma voz . Harry deu um salto e girou sobre os joelhos . Um rapaz alto , de cabelo preto , estava encostado a o pilar mais próximo , a observá o . As sombras desfocavam o como_se Harry o visse através_de uma janela embaciada . Mas não havia como confundis o . - Tom , Tom_Riddle ? Riddle acenou , sem tirar os olhos de o rosto de Harry . - O que queres dizer com isso de ela não acordar ? - perguntou Harry desesperado . - Ela não está ... não está ? - Está viva - disse Riddle . - Mas , por um fio . Harry olhou fixamente para ele . Tom_Riddle estivera em Hogwarts há cinquenta anos atrás . Contudo , ali estava com uma luz estranha e desfocada a iluminá o , sem um dia a mais do_que os seus dezasseis anos . - És um fantasma ? - perguntou Harry . - Uma memória - disse Riddle . - Preservada em um diário durante cinquenta anos . Apontou para os pés de a estátua gigantesca . Ali , aberto em o chão , estava o pequeno diário de capa preta que Harry tinha encontrado em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Durante um segundo , Harry perguntou a si próprio como teria ido ali parar , mas havia coisas mais importantes a fazer . Preciso de a tua ajuda , Tom - disse Harry , levantando de_novo a cabeça de a Ginny . - Temos de sair de aqui . Há_um_Basilisk ... não sei onde está mas pode aparecer a qualquer momento . Por favor , ajuda me . Riddle não se mexeu . Harry , a transpirar , conseguiu levantar ligeiramente a Ginny de o solo e inclinou se para pegar em a varinha mas ela tinha desaparecido . - Viste a ... ? Olhou para_cima . Riddle continuava a olhá o , fazendo girar a varinha entre os dedos longos . - Obrigado - disse Harry , esticando o braço para a agarrar . Um sorriso surgiu então em os cantos de a boca de Riddle que continuou a olhar para ele , girando indolentemente a varinha . - Ouve , pá - disse Harry sem querer perder mais tempo , os joelhos a vergarem sob o peso morto de Ginny - temos de ir . Se o Basilisk aparece ... - Ele não vem enquanto não for chamado - disse Riddle com toda_a calma . Harry voltou a pousar Ginny em o chão , incapaz de a segurar por mais tempo . - Que queres dizer com isso ? - perguntou . - Dá me a minha varinha , posso precisar de ela . O sorriso de Riddle ampliou se . - Não vais precisar de ela - disse . Harry olhou o espantado . - O que queres dizer , não vou ? - Esperei muito_tempo por isto , Harry - disse Riddle . - Pela possibilidade de te ver , de falar contigo . - Olha , eu acho que tu não estás a perceber - disse Harry , perdendo a paciência . - Estamos em a Câmara_dos_Segredos , podemos conversar mais tarde . - Vamos conversar agora - disse Riddle , sorrindo de orelha a orelha e guardando a varinha de Harry em o bolso . Harry voltou a olhar para ele . Havia qualquer coisa de muito estranho em tudo aquilo . - Como é_que a Ginny ficou assim ? - perguntou pausadamente . - Bem , essa é uma pergunta interessante - disse Riddle , divertido . - E uma longa história , também . Julgo que o verdadeiro motivo que levou Ginny_Weasley a ficar assim foi o ter aberto o seu coração e revelado todos os seus segredos a um estranho ser invisível . - De quem estás a falar ? - perguntou Harry . - De o diário - disse Riddle . - De o meu diário . A Ginny escreve nele há meses e meses , contando me todas_as suas lamentáveis desgraças e atribulações : como os irmãos a arreliam , que teve de vir para a escola com manto , túnica e livros em segunda mão - os olhos de Riddle brilharam -- , que acha que o maravilhoso , o grande , o famoso Harry_Potter nunca vai gostar de ela ... Enquanto falava , nunca os olhos de Riddle se afastaram de a cara de o Harry . Havia em eles um olhar ávido . - É muito chato ter de ouvir as preocupações idiotas de uma garotinha de onze anos - prosseguiu . - Mas eu fui paciente . Respondi lhe , mostrei me simpático e amável . A Ginny pura e simplesmente adorou me . - * _ Nunca ninguém me compreendeu como tu , Tom ... estou tão feliz por ter este diário a quem me confiar ... é como ter um amigo que pode andar em o meu bolso * ... Riddle riu se . Um riso alto , frio , que não lhe ficava bem . Fez com que os cabelos de o pescoço de Harry se arrepiassem todos . - Verdade se diga que sempre consegui encantar as pessoas necessárias . Portanto a Ginny verteu em mim a sua alma e a alma de ela era precisamente o que eu queria . Fortaleceu me . Alimentei me de os seus medos mais profundos , de os seus mais obscuros segredos . Fui ficando cada_vez_mais forte e poderoso . Muito mais poderoso do_que a pequena Miss_Weasley até que comecei a transmitir lhe alguns de os meus segredos , a passar um_pouco de a minha alma para ela ... - O que queres dizer ? - perguntou Harry cuja boca ficara totalmente seca . - Ainda não descobriste , Harry_Potter ? - disse Riddle muito baixo . - Giony_Weasley abriu a Câmara_dos_Segredos , estrangulou os galos de a escola e escreveu mensagens assustadoras em as paredes . Atiçou a serpente de Slytherin contra quatro sangues de lama e contra o gato de o busca-pé . - Não - murmurou Harry . - Sim - disse calmamente Riddle . - É claro que a princípio não sabia o que estava a fazer . Era muito divertido . Gostava que visses as coisas que escreveu em o diário , começaram a ficar muito mais interessantes . * _ Querido_Tom * - recitou ele , olhando para a expressão horrorizada de o Harry . - * _ Acho que estou a perder a memória . Há penas de galo em todas_as minhas roupas e eu não sei como foram lá parar . Querido_Tom , não me lembro do_que fiz em a noite de o Hallowe'en mas foi atacada uma gata e eu estou cheia de tinta em a cara . Querido_Tom , o Percy não pára de me dizer que ando pálida e não pareço eu . Acho que ele suspeita de mim ... Houve outro ataque hoje e eu não sei onde estava . Tom , que vou eu fazer ? Acho que estou a ficar maluca ... acho que ando a atacar toda_a_gente , Tom ! * Harry tinha os punhos fechados , as unhas cravadas contra a palma de as mãos . - Levou muito_tempo até a pequenina estúpida deixar de confiar em o diário - disse Riddle . - Mas acabou por ficar desconfiada e tentou livrar se de ele . E é aí que tu entras , Harry . Tu encontraste o . E eu não poderia ter ficado mais satisfeito . De todas_as pessoas que poderiam ter ficado com ele , foste tu , aquele que eu ambicionava conhecer ... - E porque querias conhecer me ? - perguntou Harry . Começava a ser tomado por a raiva e fez um esforço para manter o tom de voz controlado . - Bem , a Ginny contou me tudo a teu respeito - disse Riddle . - A tua fascinante história . - Os seus olhos pousaram em a cicatriz em a testa de Harry e a sua expressão ganhou maior avidez . - Sabia que devia descobrir mais a teu respeito , falar te , encontrar me contigo se fosse possível . Por isso , para ganhar a tua confiança , resolvi mostrar te a famosa captura que fiz de aquele demente de o Hagrid . - O Hagrid é meu amigo - disse Harry já com a voz a tremer . - E tu tramaste o , não foi ? Pensei que tinha sido um engano , mas ... Ele riu se . O mesmo riso de antes . - Era a minha palavra contra a palavra de ele . Imagina a cara de o velho Armando_Dippet . De um lado Tom_Riddle , pobre mas brilhante , sem pais mas corajoso , prefeito de a escola , um modelo de aluno . De o outro lado , o Hagrid , grande e disparatado , arranjando problemas semana sim , semana não , tentando criar filhotes de lobisomens debaixo de a cama , escapando se para a floresta proibida para lutar com gigantes . Mas , devo admitir que até eu próprio fiquei admirado com os excelentes resultados de o meu plano . Pensei que alguém perceberia que o Hagrid nunca poderia ser o herdeiro de Slytherin . Demorei cinco anos inteirinhos até descobrir tudo_o_que me foi possível sobre a Câmara_dos_Segredos e a sua entrada secreta ... como_se o Hagrid tivesse cabeça ou poder ! - Só o professor de Transfiguração , Dumbledore , parecia achar que ele estava inocente . Convenceu Dippet a mantê o aqui e a treiná o como guarda de os campos . Sim , é natural que Dumbledore tenha adivinhado , nunca gostou de mim como os outros professores . - Aposto que Dumbledore viu através_de ti - disse Harry , de dentes cerrados . - Pelo_menos passou a vigiar me de perto , a partir de o momento em que o Hagrid foi expulso - disse Riddle descuidadamente . - Eu sabia que não era seguro voltar a abrir a câmara enquanto ainda estava em a escola mas não ia desperdiçar os longos anos que passara a pesquisar . Decidi , por isso , deixar um diário preservando em as suas páginas o meu ego de dezasseis anos para que um dia , com um_pouco de sorte , pudesse levar outro a seguir os meus passos e acabar o nobre trabalho de Salazar_Slytherin . - Bem , não o acabaste - disse Harry triunfante . - Ninguém morreu até agora , nem mesmo a gata . Dentro_de poucas horas a poção de mandrágoras estará pronta e todos os que foram petrificados voltarão de_novo a si . - Não acabei de te dizer que matar sangues de lama já não me interessa ? Há muitos meses que o meu alvo és tu . Harry olhou para ele . - Podes imaginar como fiquei furioso quando em outro dia o diário foi aberto e vi que era a Ginny quem estava a escrever e não tu . Ela viu te com o diário e entrou em pânico . E se tu descobrisses como trabalhar com ele e eu te repetisse todos os seus segredos ? Ainda pior , e se eu te contasse quem tinha andado a estrangular os galos ? Por isso , a grande palerma esperou que o teu dormitório estivesse deserto e foi lá roubá o . Mas eu sabia o que tinha de fazer . Estava muito claro para mim que a tua meta era o herdeiro de Slytherin . Por tudo_o_que a Ginny me contara a teu respeito , sabia que irias até onde fosse preciso para desvendar o mistério , principalmente se um de os teus melhores amigos tivesse sido atacado . E a Ginny disse me que a escola toda bichanava por tu falares * serpentês * ... Por isso , obriguei a Ginny a escrever a sua própria despedida em a parede , a vir até aqui e esperar . Ela debateu se e gritou e ficou muito chatinha . Mas , já não tem muita vida : pôs grande parte de ela em o diário , deu me a . O suficiente para eu abandonar , por fim , as suas páginas . Desde_que aqui cheguei que estou a a tua espera . Sabia que virias . Tenho muitas perguntas a fazer te , Harry_Potter . - Que perguntas ? - disse Harry com os punhos fechados . - Bem - prosseguiu Riddle , sorrindo de satisfação : - Como é_que um bebé sem especiais talentos de magia foi capaz de derrotar o maior feiticeiro de sempre ? Como conseguiste escapar só com uma cicatriz quando os poderes de Lord_Voldemort foram destruídos ? Havia agora em os seus olhos um brilho vermelho e irado . - O que é_que te interessa saber como eu escapei ? - disse Harry lentamente . - Voldemort veio depois de ti . - Voldemort - disse Riddle - é o meu passado , o meu presente e o meu futuro , Harry_Potter ... Tirou a varinha de o Harry de o bolso e começou a escrever em o ar três palavras brilhantes : TOM_MARVOLO_RIDDLE_Em seguida , fez um gesto com a varinha e as letras de o seu nome reagruparam se de outro modo . : __ eu sou lord __ voldemort ( I am Lord_Voldemort ) . - Vês ? - murmurou . - Era um nome que eu já usava em Hogwarts , para os meus amigos mais íntimos apenas , como é óbvio . Achas que ia usar para sempre o nome nojento de o meu pai Muggle ? Eu , em cujas veias , por o lado materno , corre o sangue de Salazar_Slytherin ? Eu , manter o nome de um Muggle tolo que me abandonou ainda antes de eu nascer só porque descobriu que a mulher com quem casara era uma bruxa ? Não , Harry , arranjei um novo nome , um nome que eu sabia que os feiticeiros de todo_o_mundo viriam um dia a ter medo de pronunciar , quando eu me tivesse tornado o maior feiticeiro de o mundo . A cabeça de Harry parecia bloqueada . Olhou como_que paralisado para Riddle , para o rapaz de o orfanato que depois de crescer iria matar os seus pais e tantos outros . Por fim , com algum esforço conseguiu falar . - Não és - disse em uma voz calma e cheia de ódio . - Não sou o quê ? - perguntou Riddle irritado . - Não és o maior feiticeiro de o mundo - disse Harry com a respiração acelerada . - Lamento desiludir te mas o maior feiticeiro de o mundo é Albus_Dumbledore . Toda_a_gente sabe . Mesmo tu , quando tinhas força , não ousavas tentar aproximar te de Hogwarts . Dumbledore viu através_de ti quando andavas em a escola e ainda agora te assusta onde quer que te escondas . O sorriso desaparecera de o rosto de Riddle , fora substituído por um olhar furioso . - Dumbledore foi afastado de este castelo por a minha simples memória - sibilou . - Ele não está tão longe como pensas - retorquiu Harry . Falava por falar , tentando assustar Riddle , desejando mais que assim fosse do_que acreditando em as suas palavras como uma verdade . Riddle abriu a boca mas não chegou a falar . Tinha começado a ouvir se uma música . Riddle deu uma volta , olhando para a câmara vazia . A música estava a ficar mais alta . Era misteriosa , arrepiante , sobrenatural . Fez_Harry ficar com os cabelos em pé e o coração aumentar lhe em o peito . Por fim , quando atingiu um ponto tão alto que Harry a sentiu vibrar dentro de as suas costelas , começaram a sair chamas de o topo de o pilar mais próximo . Uma ave carmesim de o tamanho de um cisne surgiu , assobiando a sua estranha melodia para o tecto em forma de abóbada . Tinha uma cauda dourada tão longa como a de um pavão e garras douradas e brilhantes que seguravam uma trouxa andrajosa . Segundos depois , a ave voava em direcção a Harry . Deixou cair a coisa andrajosa a os seus pés e pousou lhe pesadamente em o ombro . Quando abriu as enormes asas , Harry olhou para_cima e viu que tinha um longo bico afiado e olhos escuros pequenos e brilhantes . A ave parou de cantar . Ficou quieta junto de a cara de Harry , olhando fixamente para Riddle . - É uma fénix , disse Riddle , olhando sagazmente para ela . - Fawkes ? - murmurou Harry e sentiu as garras douradas apertarem lhe devagarinho o ombro . - E aquilo - disse Riddle , olhando para a coisa velha que Fawkes deixara em o chão - é o velho chapéu seleccionador , de a escola . Era , de facto . Amachucado , puído e sujo , o chapéu jazia imóvel a os pés de Harry . Riddle começou a rir . Riu se tanto que a câmara escura se lhe juntou em um eco tal que parecia que dez Riddles se riam ao_mesmo_tempo . - Eis o que Dumbledore envia a o seu defensor . Um pássaro que canta e um chapéu velho . Estás cheio de coragem , Harry_Potter ? Sentes te agora mais seguro ? Harry não respondeu . Podia não estar a ver a vantagem de a Fawkes ou de o chapéu seleccionador mas já não se sentia só , e esperou corajosamente que Riddle parasse de rir . - Vamos a o que importa , Harry - disse ele , ainda com um enorme sorriso . - Encontrámo nos duas vezes em o teu passado , em o meu futuro . E duas vezes falhei a o tentar matar te . Como foi que sobreviveste ? Conta me tudo . Quanto_mais falares , mais tempo tens de vida . Harry pensava rapidamente , medindo as suas possibilidades . Riddle tinha a varinha . Ele , Harry , tinha a Fawkes e o chapéu seleccionador que não lhe serviriam de muito em o combate . As coisas pareciam más , é certo . Mas quanto_mais tempo Riddle ali estivesse , mais vida retirava a a Ginny ... e , entretanto , Harry reparou que a silhueta de Riddle se tornava mais nítida , mais sólida . Se tinha de haver uma luta entre os dois , quanto_mais depressa melhor . - Ninguém sabe porque perdeste os poderes quando me atacaste - disse bruscamente . - Eu próprio não sei . Mas sei porque não conseguiste matar me . A minha mãe morreu para me salvar . A minha mãe , uma vulgar filha de Muggles - acrescentou , a tremer de raiva . - Ela impediu que tu me matasses . E eu vi te como tu és , em o ano passado . És um destroço , quase não existes . Foi onde o teu poder te levou . Estás sob um disfarce , és horrível e és louco . O rosto de Riddle contorceu se . Em seguida , forçou um sorriso pavoroso . - Quer_dizer , então , que a tua mãe morreu para te salvar . Sim , é um antifeitiço poderoso . Compreendo agora , afinal não há em ti nada de especial . Eu tinha curiosidade , sabes , porque há uma estranha semelhança entre nós , Harry_Potter . Até tu deves ter reparado . Somos ambos meio sangue , órfãos , educados com Muggles , provavelmente os dois únicos que falam * serpentês * desde o grande Slytherin , até nos parecemos um_pouco fisicamente ... mas afinal foi apenas uma questão de sorte que te salvou de mim . Era o que eu queria saber . Harry ficou parado , tenso , a a espera que Riddle levantasse a varinha mas o seu sorriso cínico ampliou se de_novo . - Agora , Harry , vou dar te uma pequena lição . Vamos confrontar os poderes de Lord_Voldemort , herdeiro de Salazar_Slytherin e de o famoso Harry_Potter , munido com as melhores armas que Dumbledore lhe deu . Lançou um olhar divertido a a Fawkes e a o chapéu seleccionador e , em seguida , afastou se . Harry com as pernas entorpecidas por o medo viu o parar entre dois pilares altos e olhar para a cara de pedra de Slytherin , lá em cima em a semi-obscuridade . Riddle abriu a boca e sibilou mas Harry compreendeu o que ele dizia . - * _ Responde-me , Slytherin , o maior de os quatro de Hogwarts * . Harry voltou se para olhar melhor para a estátua com Fawkes pousada em o ombro . A gigantesca cara de pedra de Slytherin movia se . Horrorizado , Harry viu a boca abrir se mais e mais até se transformar em um buraco negro . E algo se agitava dentro de a boca de a estátua . Algo se arrastava para fora de as suas entranhas . Harry recuou até a a parede escura de a câmara e enquanto fechava os olhos com força sentiu a asa de a Fawkes roçar lhe o rosto e levantar voo . Harry quis gritar : - Não me abandones ! - mas que possibilidades tinha uma fénix contra o rei de as serpentes ? Uma coisa enorme bateu em o chão de pedra que Harry sentiu estremecer . Sabia o que estava a acontecer , podia sentis o , quase podia ver a serpente gigantesca a sair de a boca de Slytherin . Foi então que ouviu a voz de Riddle sibilar : * _ Mata-o * . O Basilisk avançava em direcção a Harry . Ele ouvia o seu corpo enorme escorregar pesadamente por o chão cheio de pó . Com os olhos sempre fechados , Harry começou a correr para o lado , a as cegas , com as mãos abertas a tactear o caminho . Riddle ria se a as gargalhadas . Harry escorregou e caiu em o chão de pedra e a boca soube lhe a sangue . A serpente estava a poucos centímetros de ele . Podia ouvi a a aproximar se . Ouviu se um crepitar explosivo por cima de ele e alguma coisa pesada bateu lhe com tanta força que ele ficou encostado a a parede . Esperando que os dentes de a serpente lhe perfurassem o corpo , ouviu mais ruídos e qualquer coisa que se agitava com força contra os pilares . Não conseguiu evitar . Abriu bem os olhos para ver o que se passava . A enorme serpente , brilhante , de um verde veneno , espessa como o tronco de um carvalho , erguera se em o ar e a sua imensa cabeça agitava se de um lado para o outro , entre os dois pilares . Quando Harry , a tremer , se preparava para fechar de_novo os olhos , percebeu o que distraíra a cobra . Fawkes esvoaçava em volta de a sua cabeça e o Basilisk , furioso , tentava agarrá a com os dentes longos e afiados como sabres . Fawkes mergulhava . Harry deixou de ver o bico fino e dourado e uma brusca chuva de sangue escuro inundou o chão . A cauda de a serpente agitou se , não batendo em o Harry por_pouco e antes que ele pudesse fechar os olhos voltou se . Harry olhou lhe para a cara e viu que os seus olhos , os dois olhos amarelos e bolbosos tinham sido perfurados por a fénix . O sangue escorria por o chão e a serpente cuspia cheia de dores . - * _ Não * - Harry ouviu o grito de Riddle . - * _ Deixa a ave , deixa a ave , o rapaz está atrás_de ti , ainda podes cheirá o . Mata o ! * A serpente cega oscilou confusa , ainda em fúria . Fawkes andava a a volta de a cabeça de ela soprando a sua misteriosa cantilena , picando lhe aqui_e_ali o nariz cheio de escamas , enquanto o sangue jorrava de os seus olhos destruídos . - Ajudem me . Ajudem me - murmurava Harry aflito . - Alguém , ajude me . A cauda de a serpente chicoteou de_novo o chão . Harry baixou se . Algo macio tocou lhe em o rosto . O Basilisk lançara o chapéu seleccionador para os braços de o Harry que o agarrou . Era tudo_o_que tinha , a sua única esperança . Enfiou o em a cabeça e começou a ficar achatado contra o chão , enquanto a cauda de o Basilisk se lançava de_novo sobre ele . - Ajudem me , ajudem me - pensou Harry , os olhos comprimidos debaixo de o chapéu . - Por favor , ajudem me . Nenhuma voz lhe respondeu . Em vez de isso , o chapéu contraiu se como_se uma mão invisível o tivesse espalmado devagarinho . Alguma coisa muito dura e pesada caíra sobre a cabeça de Harry , conseguindo quase derrubá o . A ver estrelas em frente de os olhos , agarrou o chapéu para o puxar para baixo e sentiu lá dentro uma coisa longa e dura . Uma espada brilhante tinha surgido dentro de o chapéu . Tinha um cabo cravejado de rubis de o tamanho de pequenos ovos . - Mata o rapaz , deixa a ave . O rapaz está atrás_de ti . Cheira o ! Harry estava de pé , preparado . A cabeça de o Basilisk caía , o corpo serpenteava , batendo nos pilares quando se torcia para ficar de frente para ele . Harry podia ver as enormes órbitas ensanguentadas , a boca toda aberta , suficientemente grande para o engolir inteiro , munida de dentes tão longos como a sua espada , finos , brilhantes , venenosos ... Começou a atacar a as cegas . Harry baixou se e a serpente bateu em a parede de a câmara . Atacou de_novo e a sua língua bifurcada lambeu a parede ao_lado_de Harry que levantou a espada com ambas as mãos . O Basilisk investiu mais_uma_vez e agora a pontaria foi certa . Harry pôs todo o seu peso contra a espada e enterrou a até a os copos em o céu de a boca de a serpente . Mas quando o sangue quente lhe encheu os braços , sentiu uma dor aguda mesmo acima de o cotovelo . Um longo dente venenoso penetrava cada_vez_mais fundo em o seu braço , partindo se quando o Basilisk tombou para o lado , perdendo os sentidos . Harry escorregou a o longo de a parede , apertou com força o dente que estava a derramar veneno por todo o seu corpo e arrancou o de o braço . Mas sabia que era demasiado tarde . Uma dor quente emanava lenta e perseverantemente de a ferida . Quando deixou cair o dente e viu o seu próprio sangue manchando lhe as vestes , a vista começou a ficar turva e a câmara a diluir se em uma rotação ardente e colorida . Mas algo escarlate passou por ele e Harry ouviu a o seu lado um suave ruído de garras . - Fawkes - disse com a voz empastada . - Foste sensacional , Fawkes . - Sentiu o pássaro encostar a sua elegante cabeça a o sítio onde o dente de a serpente o tinha ferido . Ouviu passos ecoarem em o vazio e em seguida uma sombra escura moveu se em a sua frente . - Estás morto , Harry_Potter - disse a voz de Riddle , acima de ele . - Morto . Até o pássaro de Dumbledore sabe de isso . Vês o que ele está a fazer ? A chorar . Harry piscou os olhos . A cabeça de Fawkes ora estava focada , ora desfocada . Lágrimas grossas como pérolas escorriam de as suas penas . - Vou sentar me aqui a ver te morrer , Harry_Potter . Leva o teu tempo , eu não tenho pressa . Harry sentiu se sonolento . Tudo parecia girar a a sua volta . - E assim acaba o famoso Harry_Potter - disse a voz distante de Riddle . - Sozinho em a Câmara_dos_Segredos , esquecido por os amigos , finalmente derrotado por o Senhor de o mal que ele tão imprudentemente desafiou . Vais reunir te a a tua querida mãe sangue de lama , Harry ... Ela deu te doze anos de tempo emprestado ... Mas Lord_Voldemort apanhou te em o fim , como sabias que teria de acontecer . Se morrer é isto , pensou Harry , não é assim tão mau . Até a dor estava a desaparecer . Mas , estaria a morrer ? Em_vez_de ficar mais escura a câmara parecia voltar a estar nítida . Harry fez um pequeno gesto com a cabeça e viu a Fawkes ainda repousando a cabeça em o seu ombro . Uma fiada de pérolas brilhava em volta de a ferida , só que já não havia ferida . - Sai de aqui , pássaro - disse subitamente a voz de Riddle . - Afasta te de ele . Já te disse , sai de aqui ! Harry levantou a cabeça . Riddle apontava a sua varinha a Fawkes . Ouviu se um tiro que parecia de carabina e Fawkes levantou novamente voo em um rodopio de ouro e escarlate . - Lágrimas de fénix - disse Riddle em voz baixa , olhando para o braço de o Harry . - É claro ... poderes curativos ... esqueci me ... Olhou para a cara de Harry . - Mas não faz mal . Pensando bem , eu até prefiro assim . Tu e eu , Harry_Potter ... Tu e eu ... Levantou a varinha . Então , em um golpe de asa , Fawkes voou sobre as cabeças de ambos , deixando cair uma coisa em o colo de Harry : o diário . Durante uma fracção de segundo , tanto Harry como Riddle , ainda com a varinha levantada , ficaram a olhar para aquilo . Em seguida , sem pensar , sem ponderar , como_se pensasse fazê o desde o princípio , Harry agarrou o dente de o Basilisk que estava em o chão , junto de ele , e espetou o em o coração de o caderno . Ouviu se um grito longo e terrível . A tinta esguichou em torrentes de dentro de o diário , derramando se sobre as mãos de o Harry e inundando o chão . Riddle torcia se e contorcia se , agitando se a os gritos . E , por fim . Desapareceu . A varinha de Harry caiu a o chão com um ruído e fez se silêncio . Um silêncio apenas cortado por o ping ping de a tinta que ainda escorria de o diário . Com um leve crepitar , o veneno de o Basilisk abrira um buraco mesmo em o meio de o caderno . A tremer de os pés a a cabeça , Harry pôs se de pé . Sentia tudo a andar a a roda como_se tivesse viajado quilómetros e quilómetros com o pó de * _ Floo * . Lentamente apanhou a varinha e o chapéu seleccionador e com um grande estrondo retirou a espada de o céu de a boca de a serpente . Ouviu se então um gemido fraco a o fundo de a câmara . Ginny estava a mexer se . Quando Harry chegou junto de ela , sentou se . Os seus olhos abismados saltaram de o Basilisk morto para Harry em a sua roupa cheia de sangue e , em seguida , para o diário que ele tinha em as mãos . Soltou um enorme soluço e os seus olhos encheram se de lágrimas . - Harry , oh ! Harry , eu tentei dizer te a o pequeno-almoço mas não fui capaz em frente de o Percy . Era eu , Harry , mas eu ... eu ... juro que não queria ... o Riddle obrigou me , levou me e ... como é_que mataste esse bicho ? Onde está o Riddle ? A última coisa de que me lembro foi de o ver a sair de o diário ... - Está tudo bem - disse Harry , mostrando lhe o diário com o buraco de o dente . - O Riddle acabou , olha . Ele e o Basilisk . Anda , Ginny , vamos embora de aqui . - Vou com certeza ser expulsa - disse Ginny a chorar enquanto Harry a ajudava a pôr se de pé . - Desde_que o Bill veio para Hogwarts que eu sonhava vir também para cá e agora vou ter de me ir embora e ... O que vão a minha mãe e o meu pai dizer ? Fawkes esperava por eles , suspensa em o ar , a a entrada de a câmara . Harry fez a Ginny avançar , passaram sobre os anéis parados de o Basilisk , por a escuridão cheia de ecos e voltaram a o túnel . Harry ouviu as portas de pedra fecharem se atrás de eles com um leve sibilar . Depois de alguns minutos a caminhar por o túnel escuro , chegou a os ouvidos de Harry o som distante de o deslocar de uma rocha . - Ron - gritou ele , apressando se . - A Ginny está bem . Está aqui comigo ! Ouviu o Ron gritar de alegria e , voltando em a curva logo_a_seguir , viram a sua cara ansiosa a espreitar por a fresta que conseguira abrir durante a avalancha . - Ginny ! - Ron estendeu o braço por a fresta para a puxar primeiro . - Estás viva . Não posso acreditar . O que aconteceu ? Tentou abraçá a mas a Ginny afastou o , soluçando . - Mas estás bem , Ginny - disse o Ron , sorrindo para ela . - Já passou tudo ... De onde veio esse pássaro ? Fawkes passara por a abertura , atrás_de Ginny . - É de o Dumbledore - explicou Harry , espremendo se para caber também . - E como arranjaste uma espada ? - perguntou o Ron , olhando para a arma brilhante que Harry tinha em a mão . - Eu explico te tudo quando sairmos de aqui - disse Harry , lançando um olhar de esguelha a a Ginny . - Mas ... - Mais tarde - disse Harry rapidamente . Não lhe parecia uma boa ideia contar a o Ron quem tinha aberto a câmara , ali , em frente de a Ginny . - Onde está o Lockhart ? - Ali atrás - disse o Ron , a rir e a abanar a cabeça em direcção a o cano . - Está em muito mau estado . Anda ver . Conduzidos_pela_Fawkes , cujas grandes asas escarlates emitiam um suave dourado que brilhava em a escuridão , voltaram a o lugar onde o cano começava . Gilderoy_Lockhart estava sentado a falar sozinho . - Perdeu a memória - disse o Ron . - O feitiço de a memória fez ricochete . Não sabe quem é nem onde está , nem_sequer sabe quem nós somos . Eu disse lhe que viesse para aqui e esperasse . É um perigo para ele próprio . Lockhart olhou os bem-disposto . - Olá - disse . - Que lugar estranho , este . É aqui que vocês moram ? -- Não - respondeu o Ron , levantando as sobrancelhas para o Harry . Harry baixou se e observou o túnel escuro e longo . - Já pensaste como é_que vamos sair de aqui ? - perguntou a o Ron . O amigo abanou a cabeça mas Fawkes , a fénix , tinha passado por o Harry e estava agora em o ar , em frente de ele , os olhos como pérolas a brilharem em o escuro . Abanava as longas penas douradas de a cauda . Harry olhou para ela , inseguro . - Ela parece querer que a agarres - disse o Ron , perplexo . - Mas tu és muito pesado para um pássaro . - A Fawkes - disse Harry - não é um pássaro qualquer . Voltou se rapidamente para os companheiros . - Temos de nos agarrar uns a os outros . Ginny , agarra a mão de o Ron . O professor Lockhart ... - Ele está a falar consigo - disse o Ron secamente . - Agarre a outra mão de a Ginny . Harry guardou a espada e o chapéu seleccionador em o cinto . Ron deitou a mão a a roupa de Harry e Harry agarrou as penas de a cauda , estranhamente quentes , de a Fawkes . Sentiu uma extraordinária leveza apoderar se de todo o seu corpo e em seguida estavam todos a voar por o cano acima . Harry conseguia ouvir Lockhart , lá atrás , comentando : - Espantoso , isto parece mágico ! Ar frio batia em os cabelos de Harry e antes que ele deixasse de gostar de a viagem já ela acabara . Os quatro tinham chegado a o chão molhado de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa e , enquanto Lockhart endireitava o chapéu , o lavatório voltara a o seu lugar , tapando o cano . A Murta arregalou os olhos . - Vocês estão vivos - disse inexpressivamente a o Harry . - Não é preciso mostrares te tão desiludida - respondeu ele , muito sério , limpando as nódoas de sangue e lodo de os óculos . - Bem ... é_que eu pensei que se vocês morressem seriam bem-vindos a a minha casa_de_banho - disse a Murta com um rubor prateado . - Urgh ! - fez o Ron , quando saíram de ali para o corredor deserto . - Harry , acho que a Murta está a gostar de ti . Tens concorrência , Ginny ! A Ginny continuava a chorar silenciosamente . - Onde vamos agora ? - perguntou o Ron , olhando ansiosamente para ela . Harry apontou . Fawkes indicava o caminho , com o seu tom dourado que brilhava em o corredor . Seguiram a e pouco depois estavam em o escritório de a professora Mc_Gonagall . Harry bateu e empurrou a porta que estava encostada . XVIII_A recompensa de Dobby_Durante alguns momentos reinou o silêncio enquanto Harry , Ron , Ginny e Lockhart estavam em a entrada de a porta . Cobertos de pó e de lama e ( em o caso de o Harry ) sangue . Em seguida , ouviu se um grito . - Ginny ! Era_Mrs._Weasley que tinha estado a chorar , sentada em frente de o lume . Pôs se de pé em um salto , seguida de Mr._Weasley e precipitaram se ambos para a filha . Harry olhava para trás de eles . Dumbledore rejubilava junto de a lareira , a o lado de a professora Mc_Gonagall que , agarrada a o queixo , respirava com dificuldade . Fawkes rasou as orelhas de o Harry e foi instalar se em o ombro de Dumbledore , ao_mesmo_tempo que Harry dava por si em os braços de Mrs._Weasley . - Tu salvaste a ! Salvaste a ! : __ como foi que __ conseguiste ? - Acho que todos nós gostaríamos de saber - disse , sem energia , a professora Mc_Gonagall . Mrs._Weasley soltou o Harry , que hesitou um momento . Depois , foi até a a secretária e colocou sobre o tampo o chapéu seleccionador , a espada cravejada de rubis e o que restava de o diário de Riddle . Em seguida , contou lhes tudo . Falou durante quase um quarto de hora em o silêncio extasiado : contou lhes de a voz sem corpo que ouvia , como a Hermione acabara por descobrir que se tratava de um Basilisk que circulava em os canos , como ele e o Ron tinham seguido as aranhas até a a floresta , que Aragog lhes dissera que a última vítima de o Basilisk morrera , como tinham chegado a a conclusão que se tratava de a Murta_Queixosa e que a entrada para a Câmara_dos_Segredos devia ser em aquela casa_de_banho ... - Muito bem - elogiou a professora Mc_Gonagall quando ele se calou . - Então tu descobriste onde era a entrada , infringindo uma centena de regras de a escola por o caminho , devo dizer , mas como diabo saíram vocês vivos de lá de dentro ? Harry , com a voz já um_pouco rouca de falar tanto , contou lhes de a chegada de a Fawkes e de o chapéu seleccionador que lhe tinha dado a espada . Mas , chegando aí , hesitou . Até a o momento evitara referir se a o diário de Riddle ou a a Ginny . Ela tinha a cabeça encostada a o ombro de Mrs._Weasley e as lágrimas corriam lhe ainda por o rosto . E se a expulsassem ? - pensou Harry , tomado de pânico . O diário de Riddle já não funcionava ... quem poderia provar que fora ele que a obrigara a fazer tudo aquilo ? Olhou instintivamente para Dumbledore que sorria , o fogo iluminando lhe os óculos de meia-lua . - O que mais me interessa saber - disse Dumbledore amavelmente - é como conseguiu Lord_Voldemort enfeitiçar a Ginny quando as minhas fontes me dizem que ele se esconde habitualmente em as florestas de a Albânia . Um alívio , quente e glorioso percorreu Harry de a cabeça a os pés . - O quê ? - disse Mr._Weasley , em uma voz estupefacta . - O Quem nós sabemos enfeitiçou a Ginny ? Mas a Ginny não ... a Ginny não morr ... ? - Foi este diário - esclareceu Harry rapidamente . E mostrando o a Dumbledore . - O Riddle escreveu o quando tinha dezasseis anos . Dumbledore pegou em o diário e olhou atentamente por cima de o seu nariz longo e adunco para as páginas queimadas e húmidas . - Fantástico - disse em voz baixa . - É claro que ele deve ter sido o aluno mais brilhante que alguma vez passou por Hogwarts . - Olhou em volta para os Weasley que o observavam com um ar totalmente confuso . - Muito poucas pessoas sabem que Lord_Voldemort se chamou em tempos Tom_Riddle . Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos , em Hogwarts . Ele desapareceu depois de deixar a escola , viajou muito , mergulhou tão fundo em as artes de a magia negra , associado a os piores feiticeiros , realizou transformações mágicas tão perigosas que quando reapareceu como Lord_Voldemort estava totalmente irreconhecível . Ninguém o relacionou com o rapazinho inteligente e bonito que aqui foi , em tempos , chefe de turma . - Mas a Ginny - insistiu Mrs._Weasley . - O que tem a nossa Ginny que ver com ele ? - O diário - soluçou Ginny . - Eu andei todo o ano a escrever em o diário e ele respondia me ... - Ginny ! - repreendeu Mr._Weasley . - Não aprendeste nada do_que te ensinei ? Não me cansei de dizer te que nunca confiasses em nada que não pensasse por si próprio * se não conseguisses ver onde tinha o cérebro ? * Porque não me mostraste o diário , a mim ou a a tua mãe ? Um objecto suspeito como esse tinha de estar cheio de magia negra ! - Eu não sabia - soluçou Ginny . - Estava junto de os livros que a mãe me comprou . Pensei que alguém se tinha esquecido de ele ali . - É melhor Miss_Weasley ir imediatamente para a ala hospitalar - interrompeu Dumbledore com voz firme . - Foi sujeita a uma prova terrível . Não será castigada . Outros feiticeiros mais velhos do_que ela têm sido ludibriados por Lord_Voldemort . - Dirigiu se a a porta e abriu a . - Repouso , cama e talvez uma caneca de chocolate quente . A mim , anima me sempre - acrescentou , piscando lhe simpaticamente o olho . - Vais ver que Madam_Pomfrey ainda está acordada . Ela tem estado a dar o sumo de Mandrágora , julgo que as vítimas de o Basilisk estarão a acordar dentro_de momentos . de alegria . - Então a Hermione está bem ! - disse o Ron , cheio de alegria . - Não houve danos irreversíveis - disse Dumbledore . Mrs._Weasley saiu com a Ginny e Mr._Weasley seguiu as ainda bastante abalado . - Sabes , Minerva - disse pensativo o professor Dumbledore - acho que tudo_isto merece um banquete . Posso pedir te que previnas os cozinheiros ? - Certamente - disse animada a professora Mc_Gonagall , dirigindo se também a a porta . - Deixo te a tratar de as coisas com o Potter e o Weasley , está bem ? - Claro - disse Dumbledore . Saiu e os dois olharam inseguros para Dumbledore . Que quereria ela dizer com tratar de as coisas ? Certamente não iriam ser castigados ? - Lembro me de vos ter dito a ambos que teria de vos expulsar se voltassem a quebrar as regras de a escola - disse Dumbledore . Ron abriu a boca horrorizado . - O que vem mostrar nos que as melhores pessoas , às_vezes , têm de engolir as suas próprias palavras . - Dumbledore sorriu e continuou : - Vocês vão receber ambos uma recompensa especial por serviços prestados a a escola e ... deixem me ver , sim , acho que duzentos pontos cada_um para os Gryffindor . Ron ficou tão corado que parecia as flores de S._Valentim_do_Lockhart e voltou a fechar a boca . - Mas um de vós parece demasiado calado sobre a sua participação em esta perigosa aventura - acrescentou Dumbledore . - Porquê tanta modéstia , Gilderoy ? Harry estremeceu . Esquecera se por completo de Lockhart . Voltou se e viu o a um canto de a sala ainda com o mesmo sorriso vago . Quando Dumbledore se lhe dirigiu , olhou por cima de o ombro para ver com quem ele estava a falar . - Professor_Dumbledore - disse o Ron rapidamente - Houve um acidente lá em baixo , em a Câmara_dos_Segredos . O professor Lockhart - Eu sou um professor ? - perguntou Lockhart surpreendido . - E eu que pensei que era um inútil ! - Tentou fazer um feitiço antimemória e a varinha fez ricochete - explicou Ron_a_Dumbledore . - Incrível - disse Dumbledore , abanando a cabeça , o bigode prateado a tremer . - Trespassado por a tua própria espada , Gilderoy ! - Espada ? - disse Lockhart de forma imprecisa . - Eu não tenho espada . Esse rapaz é_que tem - apontou para Harry . - Ele empresta lhe uma . - Importas te de levar também o professor Lockhart até a a ala hospitalar , Ron ? - disse Dumbledore . - Eu gostava de falar um_pouco mais com o Harry . Lockhart saiu sem pressa . Antes de fechar a porta , Ron lançou um olhar curioso a Dumbledore e Harry . Dumbledore passou para uma de as cadeiras junto de o lume . - Senta te , Harry - disse . E Harry sentou se , sentindo se indescritivelmente nervoso . - Antes de mais , Harry , quero agradecer te - disse Dumbledore com os olhos a brilharem de_novo . - Deves ter demonstrado uma grande lealdade para comigo . Só isso poderia atrair a Fawkes para ir ajudar te . Deu uma palmadinha a a fénix que voara , entretanto , para_cima de os seus joelhos . Harry sorria acanhadamente sob o olhar observador de Dumbledore . - Encontraste , portanto , Tom_Riddle - disse o director amavelmente . - Calculo que ele estaria particularmente interessado em ti ... De repente , algo que Harry tinha engasgado saiu lhe descontroladamente de a boca para fora . - Professor_Dumbledore ... o Riddle disse que eu sou como ele , que há entre nós estranhas semelhanças ... - Ah ! sim ? - Dumbledore olhou pensativamente para ele , por debaixo de as espessas sobrancelhas prateadas . - E o que achas tu de isso ? - Eu não me considero parecido com ele - disse Harry mais alto do_que desejaria . - Isto_é , eu sou um Gryffindor , eu sou ... Mas calou se com uma dúvida a rondar lhe o espírito . - Professor - arriscou passado alguns momentos . - O chapéu seleccionador disse que eu ... teria ficado bem em os Slytherin ; durante algum tempo toda_a_gente pensou que eu era o herdeiro de Slytherin por falar * serpentês * ... - Tu falas * serpentês * , Harry - disse Dumbledore calmamente - porque Lord_Voldemort que é o mais recente antepassado de Salazar_Slytherin , fala * serpentês * . Ou eu me engano muito , ou ele transferiu para ti alguns de os seus poderes em a noite em que te fez essa cicatriz . Não que quisesse fazê o , claro , mas aconteceu . - Voldemort pôs um_pouco de si próprio em mim ? - disse Harry assombrado . - É o que parece ter acontecido . - Então eu deveria estar em os Slytherin - disse Harry , olhando desesperado para o rosto de Dumbledore . - O chapéu seleccionador viu em mim os poderes de Slytherin e ... -- Pôs te em os Gryffindor - concluiu tranquilamente Dumbledore . - Ouve , Harry , tu tens por acaso muitas de as capacidades que Salazar_Slytherin apreciava em os seus estudantes cuidadosamente seleccionados . O seu raro dom de falar * serpentês * , desenvoltura , determinação , um certo desprezo por as regras estabelecidas - acrescentou com o bigode a tremer de_novo . - Mas ainda_assim , o chapéu seleccionador pôs te em os Gryffindor . E sabes porquê ? Pensa um_pouco . - Só me pôs em os Gryffindor - disse Harry em uma voz débil - porque eu pedi para não ir para os Slytherin . - Exacto - disse Dumbledore a sorrir . - E isso torna te muito diferente de o Tom_Riddle . São as tuas escolhas , Harry , que mostram quem de facto tu és , mais do_que as tuas capacidades . Harry sentou se , imóvel e espantado , em a cadeira . - Se queres provas de que o teu lugar é em os Gryffindor , sugiro que vejas isto com mais atenção . Dumbledore aproximou se de a secretária de a professora Mc_Gonagall , pegou em a espada de prata ensanguentada e mostrou lhe a . Sem perceber , Harry voltou a ao_contrário . Os rubis brilharam a a luz de a lareira e foi então que ele reparou em o nome gravado mesmo por baixo de o copo de a espada . GODRIC_GRYFFINDOR . - Só um verdadeiro Gryffindor poderia ter tirado a espada de dentro de o chapéu , Harry - disse , com simplicidade , Dumbledore . Durante um minuto , nenhum de os dois falou . Depois , Dumbledore abriu uma de as gavetas de a secretária de a professora Mc_Gonagall e retirou de lá uma pena e um tinteiro . - Tu precisas de comer e ir dormir . Sugiro que desças para o banquete enquanto eu escrevo para Azkaban . Precisamos de recuperar o nosso guarda de os campos . E tenho de esboçar um anúncio para o * _ Profeta_Diário * - acrescentou pensativo . - Vamos precisar de um novo professor de Defesa contra as artes negras . É um problema , estamos sempre a perdê os . Harry levantou se e dirigiu se a a porta . Tinha acabado de estender a mão para o puxador quando ela se abriu tão violentamente que saltou de as dobradiças . Lucius_Malfoy estava de pé , furioso . E , debaixo de o braço , embrulhado em diversas ligaduras , estava Dobby . - Boa tarde , Lucius - disse Dumbledore , de forma amena . Mr._Malfoy quase derrubou Harry enquanto entrava em a sala . Dobby dava passos miudinhos atrás de ele , inclinado até a a bainha de o seu manto com um olhar apavorado em o rosto . - Então - disse Lucius_Malfoy com os olhos fixos em Dumbledore - voltaste . Os membros de o Conselho_Directivo suspenderam te , mas tu mesmo_assim sentiste te capaz de voltar a Hogwarts . - Bem vês , Lucius - disse Dumbledore , sorrindo serenamente . - Os outros membros de o Conselho contactaram me hoje . Fui envolvido em um redemoinho de corujas , todos queriam contar me a verdade . Ouviram dizer que a filha de Arthur_Weasley tinha sido morta e queriam me novamente aqui . Parece que me consideravam o melhor homem para o lugar . Contaram me algumas histórias muito estranhas . Alguns de eles tinham a impressão que tu tinhas ameaçado amaldiçoar lhes as famílias se não concordassem com a minha suspensão . Mr._Malfoy ficou ainda mais pálido do_que de costume , mas os olhos continuavam cheios de fúria . - Então já acabaste com os ataques ? - rosnou . - Apanhaste o culpado ? - Já , sim - disse Dumbledore com um sorriso . - E quem é ? - perguntou Malfoy secamente . - A mesma pessoa de a última vez , Lucius - disse Dumbledore . Mas desta_vez , Lord_Voldemort agiu através_de outra pessoa , por_meio_de um diário . Pegou em o pequeno caderno com o buraco em o meio , observando Mr._Malfoy de perto . Mas Harry olhava para Dobby . O elfo fazia um sinal muito estranho . Com os seus grandes olhos fixos em Harry , não parava de apontar para ó diário e , em seguida , para Mr._Malfoy , batendo logo_a_seguir com o punho em a cabeça . - Estou a ver ... - disse Mr._Malfoy lentamente a Dumbledore . - Um plano inteligente - afirmou o director em um tom de voz suave , continuando a olhar Mr._Malfoy directamente em os olhos . - Porque se não fosse aqui o Harry e o seu amigo Ron a descobrirem o diário , sem dúvida Ginny_Weasley teria ficado com todas_as culpas . Ninguém teria conseguido provar que ela agira contra a sua própria vontade . Mr._Malfoy não se pronunciou . O seu rosto parecia agora uma máscara . - E vê bem - continuou Dumbledore - o que poderia ter acontecido ... os Weasley são uma de as mais proeminentes famílias de feiticeiros de sangue puro , imagina o efeito em a imagem de Arthur_Weasley e em a sua acção de protecção a os Muggles , se a sua própria filha fosse acusada de atacar e matar filhos de Muggles . Foi uma sorte o diário ter sido descoberto e as memórias de Riddle apagadas . Quem sabe que consequências poderia ter tido ? Mr._Malfoy falou contra vontade . - Sim , foi uma sorte - disse secamente . E , em as suas costas , Dobby continuava a apontar para o diário e para Lucius_Malfoy , batendo depois com o punho em a cabeça . E Harry finalmente percebeu . Fez um sinal a Dobby que correu a esconder se em um canto , torcendo desta_vez as orelhas para se castigar . - Não quer saber como a Ginny obteve esse diário , Mr._Malfoy ? - perguntou Harry . Lucius_Malfoy voltou se para ele . - Como queres que eu saiba onde é_que a estúpida de a garota o arranjou ? - Porque foi o senhor quem lhe o deu - disse Harry . - Em a Flourish and Blotts . O senhor pegou em o livro velho de ela de Transfiguração e meteu o diário lá dentro , não foi ? Viu as mãos brancas de Mr._Malfoy abrirem se e fecharem se . - Prova isso - sibilou . - Oh ! ninguém vai poder prová o - disse Dumbledore sorrindo a o Harry . - Não agora_que o Riddle desapareceu de o caderno . Por outro lado , aconselharia te , Lucius , a não dares mais nenhuma de as coisas velhas de Lord_Voldemort . Se mais alguma for parar a as mãos de crianças inocentes , acho que o Arthur_Weasley fará com que se voltem com toda_a sua carga negativa contra ti . Lucius_Malfoy ficou calado um momento e Harry viu claramente a sua mão direita torcer se como_se desejasse chegar a a varinha . Em vez de isso , voltou se para o seu elfo doméstico . - Vamos , Dobby . Abriu a porta e quando o elfo se aproximou deu lhe um pontapé que o projectou para longe . Ouviram se em o escritório os gritos de dor de Dobby em o corredor . Harry pensou durante um momento e depois decidiu se . - Professor_Dumbledore - disse apressadamente . - Posso dar o diário outra_vez a Mr._Malfoy ? - Certamente , Harry - disse Dumbledore com toda_a calma . - Mas não demores , olha o banquete . Harry agarrou em o diário e saiu de o escritório . Os gritos de dor de Dobby afastavam se ao_longe . Sem perder tempo , perguntando a si próprio se o plano poderia resultar , Harry tirou um de os sapatos , puxou uma de as peúgas enlameadas e viscosas e meteu o diário lá dentro . Em seguida correu até a o fundo de o corredor escuro . Apanhou os em o topo de as escadas . - Mr._Malfoy - disse ofegante , parando . - Tenho uma coisa para si . E meteu a peúga mal cheirosa em a mão de Lucius_Malfoy . - O que é ... ? Mr._Malfoy tirou o diário de dentro de a peúga , deitou a fora e olhou furioso para o caderno estragado e para Harry - Ainda vais acabar por ter um fim igual a o de os teus pais um dia de estes , Harry_Potter - disse em voz baixa . - Eles também eram uns idiotas metediços . Voltou se para se ir embora . - Anda , Dobby , vem ! Mas Dobby não se mexeu . Tinha em as mãos a peúga nojenta de o Harry e olhava para ela como_se fosse um tesouro de valor incalculável . - O senhor deu uma peúga a o Dobby - disse o elfo maravilhado . - Deu a a o Dobby . - O que é isso ? - cuspiu Mr._Malfoy . - Que estás para aí a dizer ? - Dobby tem uma peúga - repetiu incrédulo . - O senhor deitou a fora e Dobby apanhou a e Dobby agora é livre ... Lucius_Malfoy ficou paralisado a olhar para o elfo . Em seguida precipitou se para Harry . - Fizeste me perder o meu servo , rapaz . Mas Dobby gritou : - Não pense que vai fazer mal a o Harry_Potter ! Ouviu se um enorme estrondo e Mr._Malfoy foi empurrado de costas , galgando os degraus de as escadas a três_e_três e indo aterrar lá em baixo todo embrulhado e amarrotado . Levantou se , o rosto lívido e pegou em a varinha , mas Dobby estendeu lhe um dedo ameaçador . - Vá se embora já - disse furioso , apontando para Mr._Malfoy . - Não tocará em o Harry_Potter . Vá se embora , já . Lucius_Malfoy não teve escolha . Lançando a os dois um último olhar de cólera , embrulhou se em o manto e desapareceu . - Harry_Potter libertou Dobby ! - disse o elfo com voz esganiçada , olhando para Harry , a luz de o luar reflectida em os seus grandes olhos em forma de globos . - Harry_Potter libertou Dobby . - Era o mínimo que eu podia fazer , Dobby - disse Harry a sorrir -- , mas promete me que não vais voltar a tentar salvar me a vida . A cara feia e escura de o elfo abriu se , mostrando os dentes , em um enorme sorriso . - Tenho uma pergunta a fazer te , Dobby - disse Harry enquanto o elfo pegava em a peúga de ele com as mãos a tremer . - Disseste me que tudo_isto não tinha nada que ver com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Lembras te ? - Era uma pista , senhor - disse Dobby com os olhos muito abertos como_se fosse absolutamente óbvio . - Dobby estava a dar lhe uma pista . Antes de o senhor de o mal mudar de nome , o seu nome podia ser pronunciado , está a ver ? - Certo - disse Harry sem grande convicção . - Bem , é melhor eu ir indo embora . Há um banquete e a minha amiga Hermione já deve ter acordado ... Dobby lançou os braços a a cintura de Harry e abraçou o . - Harry_Potter é muito maior do_que Dobby imaginava ! - soluçou . - Adeus , Harry_Potter . E com um estalido final , Dobby desapareceu . Harry assistira a diversos banquetes , mas nenhum que se parecesse com aquele . Estavam todos de pijama e a festa durou a noite inteira . Harry não sabia se o melhor tinha sido a Hermione a correr para ele e a gritar : - Tu conseguiste . Tu conseguiste ! , ou o Justin saindo disparado de a mesa de os Hufflepuff para lhe estender a mão , desfazendo se em desculpas por ter suspeitado de ele , ou o Hagrid que apareceu a as três_e_meia e que lhes deu palmadas com tanta força em os ombros que eles foram parar dentro de os pratos de bolo de creme , ou os quatrocentos pontos que ele e o Ron obtiveram para os Gryffindor , ganhando a taça de a equipa por a segunda vez consecutiva , ou a professora Mc_Gonagall de pé , a comunicar lhes que os exames tinham sido cancelados como medida de a escola ( Oh ! não ! exclamou Hermione ) , ou Dumbledore a anunciar que , infelizmente , o professor Lockhart não poderia voltar em o ano seguinte por ter de se ausentar a_fim_de recuperar a memória . Alguns de os professores juntaram se a os alunos que aplaudiram entusiasmados esta notícia . - Que pena - disse Ron , servindo se de um * dounut * de presunto . - E eu que começava a gostar de ele ... O resto de o período de Verão decorreu sob um sol escaldante . Hogwarts voltara a a normalidade , apenas com algumas pequenas diferenças : as aulas de Defesa contra as artes negras foram canceladas ( Mas nós tivemos imensa prática - disse o Ron vendo o descontentamento de Hermione ) e Lucius_Malfoy foi demitido de o Conselho_Directivo . Draco já não passeava por ali como_se fosse o dono de a escola . Pelo_contrário , tinha um ar melindrado e carrancudo . Por outro lado , Ginny_Weasley andava de_novo feliz de a vida . Em_breve chegou o dia de regressarem a casa em o Expresso_de_Hogwarts . Harry , Ron , Hermione , Fred , George e Ginny encheram um compartimento . Tiraram o_máximo partido de aquelas últimas horas em que lhes era permitido usar a magia antes de as férias . Brincaram a as explosões , gastaram o último fogo-de-artíficio Filibuster , de o Fred e de o George e treinaram o mútuo desarmamento através de a magia . Harry começava a ficar muito bom em aquilo . Já estavam perto de a estação de King's_Cross quando Harry se lembrou de uma coisa . - Ginny , o que foi que viste o Percy fazer que ele não queria que nos contasses ? - Ah ! isso - disse a Ginny a rir . - Bem , é_que o Percy tem uma namorada . Fred deixou cair uma pilha de livros em a cabeça de o George . - O quê ? - É aquela prefeita de os Ravenclaw ' Penelope_Clearwater - disse a Ginny . - Foi para ela que ele escreveu durante todo o Verão . Encontravam se em a escola em grande segredo . Eu apanhei os a beijarem se em uma sala de aula vazia e ele ficou tão aflito quando ela foi ... sabes ... atacada . Não vais aborrecê o , pois não ? - perguntou cheia de ansiedade . - Que ideia - respondeu Fred com uma tal satisfação em o rosto que parecia que o seu aniversário chegara mais cedo . - Claro que não - disse o George a rir se a a socapa . O Expresso_de_Hogwarts abrandou e finalmente parou . Harry tirou a pena e um_pouco de pergaminho e voltou se para Ron e Hermione . - Isto_é um número de telefone - disse ele a o Ron , escrevinhando o duas vezes , cortando o pergaminho a o meio e dando lhes os números . - Eu expliquei a o teu pai como usar um telefone em o Verão passado . Ele sabe fazer a chamada . Liga me para_casa de os Dursley , O. _ K. ? Não consigo suportar outros dois meses sem ter mais ninguém com quem falar ... - Mas a tua tia e o teu tio vão ficar orgulhosos de ti , não vão ? - perguntou Hermione quando saíram de o comboio e se misturaram em a multidão que se encontrava junto de a barreira encantada . - Quando souberem o que fizeste este ano . - Orgulhosos ? - disse Harry . - Estás doida ! Podendo eu ter morrido tantas vezes e tendo escapado ? Vão ficar é furiosos ... E juntos avançaram até a a entrada para o mundo de os Muggles . ----------------- J._K._Rowling_Harry_Potter e a Câmara_dos_Segredos_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Chamber of Secrets_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling 1998 Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 2000 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 2.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 Depósito legal : 143.569/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , a a Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Para_Séan_P._F._Harris , condutor imparável e um amigo de os diabos . I_O pior aniversário Não era a primeira vez que uma discussão estoirava a a mesa de o pequeno-almoço , em o número 4 de a Privet_Drive . Mr._Vernon_Dursley fora acordado de manhã cedo por o piar ruidoso que vinha de o quarto de o seu sobrinho Harry . - É a terceira vez esta semana ! - resmungou , a a mesa . - Se não consegues controlar essa coruja , ela não pode ficar aqui . Harry tentou , mais_uma_vez , explicar . - Ela está aborrecida . Estava habituada a voar livremente lá fora . Se eu pudesse , ao_menos , soltá a a a noite ... - Achas me com cara de idiota ? - perguntou rispidamente o tio Vernon , com um fio de ovo preso em o bigode farfalhudo . - Sei muito bem o que aconteceria se essa coruja fosse lá para fora . Trocou um olhar soturno com a mulher , a tia Petúnia . Harry tentou contra-argumentar , mas as suas palavras foram abafadas por um enorme arroto de o filho de os Dursleys , Dudley . - Quero mais bacon . - Há mais em a frigideira , fofinho - disse a tia Petúnia , lançando um olhar vago a o seu filho maciço . - Tens que te alimentar bem enquanto aqui estás , aquela comida de a tua escola não me cheira . - Disparate , Petúnia , eu nunca passei fome enquanto andei em Smeltings - afirmou com sinceridade o tio Vernon . - O Dudley tem que chegue . Não é verdade , filho ? Dudley , que era tão gordo que o rabo saía de os dois lados de a cadeira de a cozinha , sorriu laconicamente e voltou se para Harry . - Passa me a frigideira . -- Esqueceste te de a palavra mágica - disse Harry , irritado . O efeito que esta simples frase teve em o resto de a família foi inacreditável : Dudley começou a arfar e caiu de a cadeira com um estrondo que abalou a cozinha , Mrs._Dursley deu um gritinho e bateu com a mão em a boca , Mr._Dursley pôs se de pé com as veias de as têmporas dilatadas . - Eu queria dizer « por favor » - explicou Harry rapidamente . - Não me referia a ... - : __ o que é_que eu te __ disse - vociferou o tio , espalhando perdigotos sobre a mesa - : __ sobre pronunciar a palavra m . em esta __ casa ? - Mas eu ... - : __ como te atreves a ameaçar o __ dudley ! - rosnou o tio Vernon , batendo com o punho em a mesa . - Eu só ... - : __ estás avisado . não vou admitir referências a tua anormalidade debaixo de o tecto de a minha __ casa ! Harry olhou alternadamente para o rosto congestionado de o tio e para a palidez de a tia que tentava pôr o Dudley de pé . - Está bem - disse Harry . - Está bem ... O tio Vernon voltou a sentar se , respirando como um rinoceronte exausto e observando Harry de perto por o canto de os seus olhos pequeninos e penetrantes . Desde_que Harry regressara para as férias de Verão que o tio Vernon o tratava como_se ele fosse uma bomba , capaz de explodir a qualquer momento , porque Harry não era um rapazinho normal . Em a verdade , ele era o menos normal que é possível imaginar . Harry_Potter era um feiticeiro , um feiticeiro que acabara de concluir o primeiro ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts e a infelicidade que os Dursleys sentiam por ele estar lá em casa não era nada comparada com a de Harry . As saudades de Hogwarts eram tão intensas que se assemelhavam a uma constante dor em o estômago . Sentia a falta de o castelo com as suas passagens secretas e os seus fantasmas , de as aulas ( com excepção talvez de as de Snape , o professor de as poções ) , de o correio a chegar trazido por as corujas , de os banquetes em o salão nobre , de as noites em as camas de dossel em a camarata de a torre , de as visitas a Hagrid , o guarda de os campos em a sua casinha em o bosque , junto de a floresta proibida e , principalmente , sentia a falta de o Quidditch , o desporto mais popular de o mundo de os feiticeiros ( seis postes altos de golo , quatro bolas esvoaçantes e catorze jogadores em_cima_de vassoura ) . Todos os livros de feitiços de Harry , assim_como a varinha , os mantos , o caldeirão e a vassoura topo de gama Nimbus dois_mil tinham sido encerrados por o tio Vernon em a despensa que ficava debaixo de as escadas , em o momento em que Harry regressara a casa . O que é_que lhes interessava se ele perdia ou não o seu lugar em a equipa de Quidditch por não ter praticado durante todo o Verão ? Que importância tinha para eles que o Harry voltasse a a escola sem ter podido fazer os trabalhos de casa ? Os Dursleys eram aquilo que os feiticeiros chamam « Muggles » ( nem uma gota de sangue mágico em as veias ) e , para eles , ter um feiticeiro em a família era motivo de grande vergonha . O tio Vernon tinha , inclusivamente , fechado a cadeado a coruja de Harry , Hedwig , dentro de a gaiola , para evitar que ela transportasse mensagens para a gente de o mundo de a feitiçaria . Harry não se parecia em nada com o resto de a família . O tio Vernon era atarracado e sem pescoço , dotado de um enorme bigode preto ; a tia Petúnia tinha um rosto cavalar e era esquelética ; Dudley era loiro e rosado como um porquinho . Harry , pelo_contrário , era baixo e franzino , com os olhos verdes brilhantes e cabelo negro sempre desalinhado . Usava uns óculos redondos e tinha em a testa uma cicatriz em forma de relâmpago . Era essa cicatriz que o tornava tão invulgar , mesmo para um feiticeiro . Era a única alusão a o seu passado misterioso , a o motivo por o qual , onze anos antes , tinha sido deixado em o degrau de a porta de os Dursleys . Com um ano de idade , Harry sobrevivera a uma maldição de o maior feiticeiro negro de todos os tempos , Lord_Voldemort , cujo nome a maior parte de os feiticeiros e feiticeiras ainda receia pronunciar . Os pais de Harry tinham morrido em um ataque de Voldemort , mas ele escapara com a sua cicatriz em forma de relâmpago e estranhamente , ninguém compreendeu porquê , os poderes de Voldemort tinham sido destruídos em o momento em que não fora capaz de matar o Harry . Por isso , ele foi criado por a irmã de a sua falecida mãe e respectivo marido . Passou dez anos com os Dursleys , sem nunca compreender porque fazia com que acontecessem coisas estranhas , alheias a a sua vontade , acreditando em a história de os Dursleys de que aquela cicatriz fora resultado de um acidente de automóvel em que os pais tinham morrido . E um dia , precisamente um ano antes , Hogwarts escrevera lhe e fora então que tudo começara . Harry fora ocupar o seu lugar em a escola de feitiçaria , onde ele e a sua cicatriz eram famosas ... mas agora o ano escolar chegara a o fim e estava de_novo com os Dursleys . Durante o Verão , voltara a ser tratado como um cão malcheiroso . Os Dursleys nem se tinham lembrado que aquele era o dia de o seu décimo segundo aniversário . É claro que não tivera grandes expectativas : eles nunca lhe tinham dado um presente a sério , muito menos um bolo , mas ignorarem o por completo ... Em esse momento , o tio Vernon pigarreou com um ar importante e disse : - Como todos sabem , hoje é um dia muito importante . Harry olhou para ele , mal conseguindo acreditar . - Pode bem ser que eu faça hoje o maior negócio de toda_a minha vida - afirmou . Harry voltou novamente a atenção para a torrada . É claro , pensou amargamente , o tio Vernon referia se a a estúpida dinner-party . Havia quinze_dias que não falava de outra coisa . Um consultor qualquer cheio de massa e a mulher vinham jantar lá a casa e o tio Vernon tinha esperança de conseguir uma grande encomenda ( a empresa de o tio Vernon fabricava brocas ) . - Acho que devíamos recapitular mais_uma_vez - disse o tio Vernon . - Devemos estar todos a postos a as oito_horas_em_ponto . Petúnia , tu vais estar ... ? - Em o salão - respondeu a tia Petúnia prontamente - a a espera para lhes dar as boas-vindas a nossa casa . - Bom , bom . E o Dudley ? - Eu vou estar a a espera para abrir a porta . - Dudley esboçou um sorriso falso e afectado . - Dão me licença que vos guarde os casacos , Mr. e Mrs._Mason ? - Eles vão adorá o - exclamou arrebatadamente a tia Petúnia . - Excelente , Dudley - disse o tio Vernon . - A seguir voltou se para o Harry . - E tu ? - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - repetiu o Harry , de forma inexpressiva . - Exactamente - confirmou o tio Vernon , de um modo desagradável . - Eu conduzo os até a o salão , apresento te , Petúnia , e sirvo lhes as bebidas . _ a as oito_e_um_quarto . - Eu chamo para a mesa - disse a tia Petúnia . - E tu , Dudley , vais dizer ... - Dá me licença que lhe indique a casa de jantar , Mrs._Mason ? - repetiu o Dudley , oferecendo o seu braço gordo a uma mulher invisível . - O meu pequenino cavalheiro - fungou a tia Petúnia . - E tu ? - perguntou o tio Vernon a o Harry , em o mesmo tom desagradável . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho , fingindo que não estou lá - respondeu Harry aborrecido . - Isso mesmo . Agora , devíamos ter preparadas algumas frases amáveis para o jantar . Petúnia , alguma ideia ? - O Vernon disse me que o senhor é um excelente jogador de golfe , Mr._Mason ... Tem de me dizer onde comprou esse vestido , Mrs._Mason ... - Perfeito . Dudley ? - Que tal : Tivemos de fazer um trabalho para a escola sobre o nosso herói e eu escrevi sobre o senhor ... Foi de mais , tanto para a tia Petúnia como para o Harry . A tia debulhou se em lágrimas e abraçou o filho , enquanto Harry se esgueirava para debaixo de a mesa para ninguém o ver rir . - E tu , rapaz ? Harry fez um esforço para se mostrar inexpressivo quando emergiu . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - disse . - Vais sim senhor - afirmou o tio Vernon energicamente . - Os Mason não sabem nada a teu respeito e é assim que as coisas vão continuar . Quando o jantar terminar , tu trazes Mrs._Mason para o salão , onde vamos tomar café , Petúnia , e eu puxo o assunto de as brocas . Com um_pouco de sorte , tenho o contrato assinado antes de o noticiário de as dez . Amanhã por esta hora , vamos estar a fazer compras para umas férias em Maiorca . Harry não conseguia sentir o menor entusiasmo com aquilo . Não lhe parecia que os Dursleys gostassem mais de ele em Maiorca do_que em Privet_Drive . - Certo , eu vou a a cidade buscar os casacos para mim e para o Dudley . E tu - resmungou , apontando para Harry - não atrapalhes a tua tia enquanto ela estiver a limpar . Harry saiu por a porta de as traseiras . Estava um dia de sol lindo . Atravessou o relvado , deixou se cair em o banco de o jardim e cantarolou baixinho : - Parabéns para mim ... parabéns para mim ... Nem cartas nem presentes e tinha de passar a noite a fingir que não existia . Olhou infeliz para a sebe . Nunca se sentira tão só . Mais do_que tudo em o mundo , mais do_que de Hogwarts , mais até do_que de o jogo de Quidditch , Harry sentia a falta de os amigos Ron_Weasley e Hermione_Granger . Mas eles não pareciam sentir a falta de ele . Nenhum de os dois lhe escrevera durante todo o Verão apesar_de o Ron ter dito que ia convidá o para passar uns dias lá em casa . Inúmeras vezes Harry estivera quase a libertar magicamente Hedwig de a sua gaiola e mandá a levar uma carta a o Ron e a a Hermione mas não valia a pena correr o risco . Os feiticeiros menores de idade não tinham autorização para usar a magia fora de a escola . Harry não contara isto a os Dursleys . Ele sabia que era o medo de que ele os transformasse a todos em baratas que os impedia de o fecharem a a chave em a despensa debaixo de as escadas , juntamente com a varinha e a vassoura . Em as primeiras semanas Harry divertira se a murmurar baixinho palavras sem sentido e a ver o Dudley sair disparado de o quarto , tão rápido quanto as suas pernas gordas lhe permitiam . Mas o silêncio prolongado de Ron e Hermione tinham o feito sentir se tão longe de o mundo de a magia que até divertir se à_custa_de Dudley perdera o interesse . E agora o Ron e a Hermione tinham se esquecido de o seu aniversário . Quanto não daria ele por uma mensagem de Hogwarts ? De qualquer feiticeiro ou feiticeira ? Quase ficaria satisfeito com um sinal de o seu inimigo feroz , Draco_Malfoy , só para ter a certeza de que tudo aquilo não fora apenas um sonho ... Não que tudo durante o ano em Hogwarts tivesse sido divertido . Mesmo em o fim de o último período , Harry confrontara se nem mais nem menos do_que com o próprio Lord_Voldemort . Voldemort podia ter arruinado o seu ego inicial mas continuava a espalhar o terror , ainda astuto , ainda determinado a recuperar o poder . Harry escapara uma segunda vez a as suas garras mas fora por um triz e mesmo agora , algumas semanas decorridas , acordava de noite encharcado em suores frios , perguntando se onde estaria Voldemort , relembrando o seu rosto lívido , os seus olhos completamente loucos ... Harry sentou se subitamente , direito como um fuso , em o banco de o jardim . Tinha estado a olhar distraído para a sebe e a sebe estava a olhar para ele . Dois enormes olhos verdes surgiram por_entre a folhagem . Harry pôs se de pé ao_mesmo_tempo que uma voz sobrevoava a relva . - Eu sei que dia é hoje - cantarolava Dudley , bamboleando se enquanto se aproximava . Os olhos enormes piscaram e desapareceram . - O quê ? - perguntou Harry sem retirar os olhos de o lugar para_onde estava a olhar . - Eu sei que dia é hoje - repetiu , chegando junto de ele . - Ainda_bem - disse Harry . - Aprendeste finalmente os dias de a semana . - Hoje é o dia de os teus anos - troçou o Dudley . - Por_que é_que não recebeste nenhuma carta ? Não tens amigos em esse lugar esquisito ? - É melhor não deixares a tua mãe ouvir te falar de a minha escola - disse Harry calmamente . Dudley puxou para_cima as calças que estavam a escorregar lhe por o rabo gordo abaixo . - Porque estás a olhar para a sebe . ; - perguntou curioso . - Estou a pensar em as palavras que deverei pronunciar para lhe pegar fogo - disse Harry . Dudley recuou de imediato com um olhar de pânico em a cara rechonchuda . - Tu não p-p-odes , o pai disse que não podias fazer magia ou corria contigo aqui de casa e não tens mais nenhum lugar para_onde ir , não tens amigos que te convidem ... - * _ Jiggery pokery * ! - disse Harry com voz firme . - * _ Hocus pocus ... squiggly wiggly * ... - Maaaaaãe - gritou Dudley , tropeçando em os pés , enquanto se precipitava para dentro_de casa . Maaaãe , ele vai fazer aquela coisa ! Harry deu graças a os céus por aquele momento de gozo . Como não aconteceu nada de mal nem a o Dudley nem a a sebe , a tia Petúnia percebeu que ele não fizera magia nenhuma mas , mesmo_assim , Harry teve de se afastar quando ela lhe deu uma forte pancada em a cabeça com a frigideira cheia de detergente . A seguir distribuiu lhe trabalho e o castigo de só voltar a comer quando tivesse acabado tudo . Enquanto Dudley andava a flanar , olhando para o ar e comendo gelados , Harry limpou as janelas , lavou o carro , aparou a relva , adubou os canteiros , podou e regou as rosas e pintou de_novo o banco de o jardim . O sol ardia lá em cima , queimando lhe a parte de trás de o pescoço . Harry sabia que não devia ter provocado Dudley mas ele dissera precisamente aquilo que ele próprio pensava ... talvez não tivesse amigos em Hogwarts . Deviam ver agora o famoso Harry_Potter , pensou amargamente enquanto espalhava adubo em os canteiros , as costas a doerem lhe e o suor a escorrer lhe por o rosto . Eram sete_e_meia_da_tarde quando , por fim , exausto , ouviu a tia Petúnia a chamá o . - Anda para dentro e passa por cima de os jornais . Harry entrou satisfeito em a sombra de a cozinha que rebrilhava . Sobre o frigorífico estava o bolo de a noite : um enorme monte de crome batido coberto de violetas de açúcar . A carne de porco assava em o forno . - Come depressa , os Mason devem estar a chegar ! - exclamou bruscamente a tia Petúnia , apontando para duas fatias de pão e uma de queijo que estavam em cima de a mesa de a cozinha . Ela já tinha posto um vestido de * cocktail * cor de salmão . Harry lavou as mãos e comeu aquele triste jantar . Mal tinha terminado , a tia Petúnia tirou lhe o prato . - Lá para_cima , rápido ! A o passar por a porta de a sala , Harry vislumbrou o tio Vernon e Dudley de casaco e gravata . Tinha acabado de chegar a o cimo de as escadas quando a campainha de a porta tocou e a cara de o tio Vernon apareceu em o patamar . - Lembra te , rapaz , um ruído que seja ... Harry entrou em o quarto em bicos de pés , fechou a porta e preparou se para se meter em a cama . O problema é_que estava lá alguém sentado . II_O aviso de Dobby_Harry conseguiu não gritar , mas foi por_pouco . A pequena criatura que estava em a cama tinha umas orelhas grandes e largas e uns olhos verdes protuberantes de o tamanho de bolas de ténis . Harry percebeu imediatamente que fora para ele que tinha estado a olhar de manhã . Enquanto olhavam um para o outro , Harry ouviu a voz de Dudley em o * hall * . - Posso guardar os vossos casacos , Mr. e Mrs._Mason ? A criatura escorregou por a cama e curvou se tanto que a ponta de o seu enorme nariz tocou em o tapete . Harry reparou que ele tinha vestido uma espécie de fronha de almofada com buracos para os braços e pernas . - Er ... Olá - disse Harry , um_pouco nervoso . - Harry_Potter ! - exclamou a criatura em uma voz tão estridente que Harry calculou que poderia ouvir se lá em baixo . - Há tanto tempo que Dobby queria conhecê o , senhor . É uma enorme honra ... - Ob-obrigado - disse Harry , deslocando se a o longo de a parede e sentando se em a cadeira de a secretária , junto de Hedwig que dormia em a sua grande gaiola . Queria perguntar lhe « O que és tu ? » , mas pensou que seria má educação , por isso perguntou : - Quem és tu ? - Dobby , senhor . Apenas Dobby , o elfo de casa - afirmou a criatura . - Oh ! A sério ? - perguntou Harry . - Não quero ser mal-educado , mas esta não é a melhor altura para ter um elfo em o meu quarto . O riso falso de a tia Petúnia ouvia se em a sala de jantar . O elfo deixou cair a cabeça . - Não que eu não me sinta feliz por te conhecer - disse Harry rapidamente - mas , er ... estás aqui por algum motivo em especial ? - Oh , sim senhor - disse Dobby muito a sério . - Dobby veio dizer lhe que ... é difícil ... Dobby não sabe por_onde começar ... - Senta te - disse Harry educadamente , apontando lhe a cama . Para seu horror , o elfo debulhou se em lágrimas bastante ruidosas . -- S-senta-te ! - repetiu . - Nunca em toda_a minha vida ... Harry pareceu lhe ouvir as vozes lá em baixo vacilarem . - Desculpa - murmurou . - Eu não queria ofender te ... - Ofender Dobby ! - exclamou o elfo em um sufoco . - Nunca nenhum feiticeiro disse a o Dobby que se sentasse como um seu igual , senhor . Harry , tentando dizer lhe « Sch ... » e confortá o ao_mesmo_tempo , conduziu Dobby de_novo até a a cama onde ele se sentou a soluçar , parecendo uma grande boneca muito feia . Por fim , conseguiu controlar se e ficou quieto , com os seus grandes olhos fixos em Harry em uma expressão de absoluta adoração . - Não deves ter conhecido muitos feiticeiros sérios - disse lhe , tentando animá o . Dobby abanou a cabeça . Em seguida , sem qualquer aviso , saltou e começou a bater furiosamente com a cabeça em a janela , gritando : - Dobby é mau ! Dobby é mau ! - Pára , o que é_que estás a fazer ? - perguntou Harry em um murmúrio sibilante , dando um salto e puxando Dobby de_novo para a cama . Hedwig acordara com um pio particularmente agudo e batia agressivamente com as asas contra as grades de a gaiola . - Dobby tinha que se castigar , meu senhor - afirmou o elfo , que ficara ligeiramente estrábico . - Dobby quase falou mal de a família de ele ... - De a tua família ? - De a família de feiticeiros que Dobby serve , meu senhor ... O Dobby é um elfo de casa , obrigado a servir uma casa e uma família para sempre . - Eles sabem que estás aqui ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Dobby estremeceu . - Oh , não senhor , não ... Dobby vai ter que se castigar muito por ter vindo vê o . Dobby vai ter que entalar as orelhas em a porta de o forno por isto . Se eles soubessem , senhor ... - Mas achas que eles não vão reparar se tu entalares as orelhas em a porta de o forno ? - Dobby duvida , senhor . Dobby está sempre a ter de se castigar por qualquer coisa . Eles deixam que o Dobby se castigue . _ às_vezes até sugerem alguns castigos extra . - Mas por_que é_que não te vais embora , não foges ? - Um elfo de casa tem de ser libertado , senhor . E a família nunca libertará Dobby . Dobby servirá a família até morrer . Harry olhou para ele . - E eu que pensava que era infeliz por ter de ficar aqui mais quatro semanas - declarou . - Isto faz os Dursleys parecerem quase humanos . Será que ninguém te pode ajudar ? Poderei eu ? Em o mesmo momento , Harry desejou não ter aberto a boca . Dobby desfez se em ruidosos soluços de gratidão . - Por favor - murmurou Harry , inquieto . - Por favor , está calado . Se os Dursleys ouvem barulho , se eles sabem que estás aqui ... - Harry_Potter pergunta se pode ajudar Dobby . Dobby ouviu falar de a sua grandeza , mas de a sua bondade , Dobby nada sabia . Harry , que se sentia corar , disse : - Seja o que for que tenhas ouvido sobre a minha grandeza , é um disparate . Nem_sequer sou o melhor de o meu ano em Hogwarts . É a Hermione . Ela ... Mas calou se rapidamente porque pensar em Hermione era lhe doloroso . - Harry_Potter é humilde e modesto - disse Dobby reverentemente , com os seus olhos de globo avermelhados . - Harry_Potter não fala de a sua vitória sobre « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . - Voldemort ? - perguntou Harry . Dobby bateu com as mãos em as enormes orelhas e gemeu : - Ai não diga o nome , senhor . Não diga o nome ! - Desculpa - disse Harry muito depressa . - Eu sei que muita gente não gosta . O meu amigo Ron ... Calou se de_novo . Pensar em o Ron era igualmente doloroso . Dobby voltou para Harry os seus dois olhos grandes como candeeiros . - Dobby ouviu dizer - balbuciou com voz rouca - que Harry_Potter encontrou o Senhor_do_Mal uma segunda vez há poucas semanas atrás ... que Harry_Potter lhe escapou de_novo . Harry acenou e os olhos de Dobby encheram se de lágrimas . - Ah , senhor - disse em um sobressalto , limpando o rosto com a ponta de a fronha de almofada que tinha vestida . - Harry_Potter é valente e arrojado . Enfrentou tantos perigos ! Mas Dobby veio protegê o , avisar Harry_Potter , mesmo_que para isso tenha de entalar as orelhas em a porta de o forno , que Harry_Potter não deve voltar para Hogwarts . Houve um silêncio apenas quebrado por o ruído de os garfos e de as facas lá em baixo e por a voz distante de o tio Vernon . - O q-q-uê ? - gaguejou Harry . - Mas eu tenho de voltar , o ano começa em o dia um de Setembro . É a minha razão de viver . Tu não sabes como são as coisas aqui . Eu não pertenço a este lugar , o meu lugar é em Hogwarts . - Não , não , não - guinchou Dobby , sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas andavam de um lado para o outro . - Harry_Potter deve ficar aqui , onde se encontra a salvo . É demasiado grande , demasiado bom para se perder . Se Harry_Potter regressar a Hogwarts correrá perigo de vida . - Porquê ? - inquiriu Harry , surpreendido . - Há uma conspiração , Harry_Potter . Uma conspiração para fazer acontecer coisas terríveis este ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts - murmurou Dobby que começara a tremer de a cabeça a os pés . - Dobby sabe de isto há meses , senhor . Harry_Potter não deve expor se a o perigo . É demasiado importante . - Que coisas terríveis são essas ? - perguntou Harry sem perder tempo . - Quem está por detrás ? Dobby fez um ruído esquisito e começou a bater com a cabeça contra a parede como um louco . - Está bem - gritou Harry , agarrando o braço de o elfo para o fazer parar . - Não podes dizer , eu compreendo . Mas porque vieste avisar me ? - Um pensamento súbito e desagradável surgiu lhe . - Espera aí , isto tem alguma coisa que ver com o Vol , desculpa com o Quem nós sabemos ? Basta que faças sim ou não com a cabeça - acrescentou com vivacidade enquanto a cabeça de Dobby se inclinava de_novo a uma velocidade preocupante para a parede . Lentamente , Dobby abanou a cabeça . - Não , não é « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . Os olhos de Dobby estavam abertos como_se estivesse a tentar dar a Harry uma pista , mas Harry estava completamente a a nora . - Ele não tem nenhum irmão , ou tem ? Dobby abanou a cabeça , os olhos mais abertos do_que nunca . - Bem , em esse caso não estou a ver quem mais poderia ter a possibilidade de fazer acontecer coisas horríveis em Hogwarts - disse Harry . - Quero dizer , para já está lá o Dumbledore . Sabes quem é Dumbledore , não sabes ? Dobby baixou a cabeça . - Albus_Dumbledore é o melhor director que Hogwarts alguma vez teve . Dobby sabe , senhor . Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore rivalizam com os d'aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Mas , senhor - a voz de Dobby desceu a um urgente murmúrio - há poderes que Dumbledore não ... poderes que nenhum feiticeiro sério ... E antes que Harry conseguisse impedi o Dobby saltou de a cama , agarrou o candeeiro de secretária de Harry e começou a bater com a cabeça , dando uivos ensurdecedores . Fez se silêncio lá em baixo . Dois segundos mais tarde , Harry com o coração a bater como um louco , ouviu o tio Vernon chegar a o * hall * e dizer . - O Dudley deve ter deixado outra_vez a televisão ligada , o maroto ! - Depressa , para dentro de o guarda-fatos - gritou Harry , empurrando Dobby bem para o fundo , fechando a porta e metendo se a correr em a cama mesmo a_tempo_de ver a maçaneta de a porta a girar . - Que diabo estás tu a fazer ? - disse o tio Vernon entre dentes , o rosto assustadoramente próximo de o de Harry . - Acabas de estragar o ponto alto de a minha anedota de o golfista japonês . Eu que oiça mais um som e vais desejar nunca ter nascido , rapaz ! Abandonou o quarto com grandes passadas . A tremer , Harry deixou Dobby sair de o guarda-fatos . - Estás a ver como são as coisas por aqui ? - disse . - Vês porque tenho de voltar para Hogwarts ? É o único sítio onde eu tenho ... bem , onde eu acho que tenho amigos . - Amigos que nem_sequer escrevem a Harry_Potter ? - disse Dobby com ar manhoso . - Calculo que devem ter estado ... espera aí - disse Harry , franzindo a testa . - Como é_que tu sabes que os meus amigos não me têm escrito ? Dobby arrastou os pés . - Harry_Potter não deve zangar se com Dobby . Dobby fez o que achou melhor ... - Tu tens estado a interceptar me as cartas ? - Dobby tem as aqui , senhor - disse o elfo . Saltando para longe de o alcance de Harry , retirou de dentro de a fronha que usava um espesso saco cheio de envelopes . Harry reconheceu de imediato a caligrafia certinha de Hermione , a escrita desordenada de Ron e até uns gatafunhos que pareciam ser de o guarda de os campos de Hogwarts , Hagrid . Dobby piscava ansiosamente os olhos . - Harry_Potter não deve ficar zangado ... Dobby esperava que ... se Harry_Potter pensasse que os amigos o tinham esquecido ... Harry_Potter talvez não quisesse voltar a a escola , senhor . Harry não o ouvia . Fez um gesto para agarrar as cartas , mas Dobby deu um salto , afastando se . - Harry_Potter terá as cartas , senhor , se der a Dobby a sua palavra de não voltar a Hogwarts . Ah , senhor , é um risco que não deve correr . Diga que não volta , senhor ! - Não - afirmou Harry zangado . - Dá me as cartas de os meus amigos ! - Em esse caso , Harry_Potter deixa Dobby sem escolha - disse o elfo tristemente . Antes que Harry pudesse fazer um movimento , Dobby tinha aberto a porta de o quarto e descido a correr por as escadas abaixo . Com a boca seca e um aperto em o estômago , Harry correu atrás de ele , tentando não fazer barulho . Saltou os últimos seis degraus , aterrando como um gato em a carpete de o * hall * , olhando em volta a a procura de Dobby . De a sala de jantar , ouviu a voz de o tio Vernon : - Conte a a Petúnia aquela história engraçadíssima de os funileiros americanos , ela tem estado louca por ouvi a , Mr._Mason . Harry correu de o * hall * para a cozinha e sentiu o estômago ficar pequenino . O pudim , que era a a obra-prima de a tia Petúnia , a montanha de creme batido coberto de violetas de açúcar flutuava junto de o tecto . Em cima de o guarda-louça de o canto , Dobby inclinava se servilmente . - Não - suplicou Harry . - Por favor , eles matam me . - Harry_Potter deve dizer que não vai voltar a a escola ... - Dobby , por favor . - Diga , senhor . - Não posso . Dobby lançou lhe um olhar trágico . - Então , Dobby deve fazê o , senhor , para o bem de Harry_Potter . O pudim foi direito a o chão em uma queda que parecia um coração a parar . O crome esguichou para as janelas e para as paredes , enquanto o prato se despedaçava . Com o ruído de uma chicotada , Dobby desapareceu . Ouviram se gritos em a casa de jantar e o tio Vernon irrompeu por a cozinha onde foi dar com Harry coberto , de a cabeça a os pés , por o pudim de a tia Petúnia . A princípio parecia que o tio Vernon ia conseguir arranjar uma desculpa para aquilo tudo . ( É só o nosso sobrinho , muito perturbado ; conhecer pessoas estranhas deixa o muito nervoso , por isso deixamos o lá em cima ... ) Conduziu_os_Mason , bastante chocados , para a sala de jantar , garantindo a Harry que o esfolava vivo quando os Mason se fossem embora e pôs lhe em as mãos um esfregão . A tia Petúnia descobriu um resto de gelado em o frigorífico e Harry , ainda a tremer , começou a limpar a cozinha . O tio Vernon poderia ainda ter feito o negócio , se não fosse a coruja . Estava a tia Petúnia a circular com uma caixa de After-Eight , quando uma enorme coruja de celeiro fez a sua entrada vertiginosa através de a janela de a casa de jantar , deixando cair uma carta em a cabeça de Mr._Mason e desaparecendo logo_a_seguir . Mrs._Mason gritava como uma carpideira e corria por a casa praguejando contra os lunáticos . Mr._Mason ficou o tempo estritamente necessário para dizer a os Dursleys que a mulher tinha um medo pânico de pássaros de todas_as formas e tamanhos e perguntar lhes se aquela era alguma brincadeira de mau gosto . Harry não saiu de a cozinha , agarrando o esfregão como defesa , enquanto o tio Vernon avançava para ele com um brilho demoníaco em os olhos pequeninos . - Lê isso - ordenou maldosamente . Harry pegou em a carta . Não era a desejar lhe um bom aniversário . * _ Caro_Mr._Potter , * _ Recebermos hoje informações de que um feitiço de suspensão em o ar foi efectuado em sua casa esta noite , a as nove_horas_e_doze_minutos . * _ Como sabe , os feiticeiros menores não estão autorizados a praticar magia fora de a escola e , se efectuar mais um trabalho mágico , será expulso de a nossa escola . ( Decreto_de_Restrições_Razoáveis_para_Feitiçaria_de_Menores , 1875 , parágrafo C. ) * _ Pedimos-lhe também que se lembre que qualquer actividade que possa ser notada por membros alheios a a nossa comunidade ( Muggles ) constitui uma ofensa grave , segundo a secção 13 de a Confederação_Internacional_do_Estatuto_da_Magia_Secreta . * _ Tenha umas boas férias . * Atenciosamente_Mafalda_Hopkirk_Gabinete_da_Utilização_Imprópria_da_Magia_Ministério_da_Magia * . Harry olhou para a carta e engoliu em seco . - Tu não nos contaste que estavas proibido de usar magia fora de a escola - disse o tio Vernon com um brilho maldoso a dançar lhe em os olhos . - Esqueceste te de o mencionar , passou te , não foi ? Tinha se aproximado de Harry como um grande * bulldog * , com todos os dentes a a mostra . - Tenho boas notícias para ti , rapaz , vou fechar te a a chave e , se tentares sair através_de magia , nunca mais voltas a aquela escola , eles expulsam te . E rindo como um louco , arrastou Harry até a o andar de cima . O tio Vernon era mau como as cobras . Em a manhã seguinte pagou a um homem para colocar grades em a janela de o quarto de Harry . Ele próprio abriu um pequeno buraco em a porta de o quarto para que a comida pudesse ser introduzida três vezes por dia . Deixavam o Harry sair para ir a a casa_de_banho de manhã e a o final de a tarde . O resto de o tempo estava fechado em o quarto , a a espera que o tempo passasse . Três dias mais tarde , os Dursleys não mostravam qualquer intenção de abrandar o castigo e Harry não sabia como sair de aquela situação . Estava deitado em a cama , vendo o sol brilhar por_entre as grades de a janela e perguntando se tristemente o que viria a acontecer lhe . Qual era a vantagem de sair de ali por artes mágicas , se Hogwarts o expulsaria em seguida ? Contudo , a vida em Privet_Drive tinha atingido o seu nível mais baixo . Agora_que os Dursleys tinham a certeza que não iam acordar transformados em morcegos , ele perdera a única arma que tinha . O Dobby podia tê o salvo de acontecimentos terríveis em Hogwarts , mas de a maneira que as coisas estavam , ele morreria muito provavelmente a a fome . A portinhola rangeu e a mão de a tia Petúnia apareceu empurrando uma tigela de sopa de pacote para dentro de o quarto . Harry , que estava cheio de fome , saltou de a cama e agarrou a . A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um único trago . A seguir , atravessou o quarto até a a gaiola de Hedwig e pôs os legumes ensopados dentro de o seu pratinho vazio . Ela agitou as penas e olhou o com profunda repugnância . - Não vale de nada virares lhe as costas . É tudo_o_que temos - disse Harry , de modo severo . Colocou a tigela vazia em o chão junto de a portinhola e voltou para_cima de a cama , de certo modo com mais fome do_que antes de ter comido a sopa . Admitindo que estaria ainda vivo dentro_de quatro semanas o que aconteceria se ele não se apresentasse em Hogwarts ? Será que mandariam alguém obrigar os Dursleys a deixá o ir ? O quarto começava a escurecer . Exausto e com o estômago a dar horas , o cérebro a as voltas com as mesmas questões sem resposta , Harry caiu em um sono intranquilo . Sonhou que fazia parte de um espectáculo de o jardim zoológico . Preso a a jaula onde se encontrava estava um cartaz onde podia ler se « feiticeiro menor de idade « . As pessoas olhavam o com olhos protuberantes , enquanto ele jazia fraco e esfomeado em um leito de palha . Viu a cara de o Dobby em o meio de a multidão e gritou lhe , pedindo ajuda , mas o Dobby respondeu : - Harry_Potter está em segurança aí , senhor - e desapareceu . Em seguida vieram os Dursleys e Dudley bateu em as grades de a jaula , rindo se de ele . - Pára com isso - murmurou Harry como_se aquele ruído martelasse em a sua cabeça dorida . - Deixa me em paz , pára com isso , estou a tentar dormir . Abriu os olhos . O luar brilhava através de as grades de a janela . E lá fora alguém olhava de olhos arregalados para ele : alguém de rosto sardento , cabelo ruivo e nariz grande . Ron_Weasley estava de o lado de_fora de a janela . III « A toca » Ron ! - exclamou Harry , arrastando se até a a janela e empurrando a para poderem falar através de as grades . - Ron , como é_que tu , foi o ... ? Harry ficou de boca aberta , espantado com o que viu . Ron estava debruçado de a janela de trás de um velho automóvel azul-turquesa que se encontrava estacionado em o ar . Em os lugares de a frente , rindo se para Harry , estavam os irmãos mais velhos , os gémeos Fred e George . - Tudo bem , Harry ? - O que é_que se tem passado ? - perguntou o Ron . - Porque não respondeste a as minhas cartas ? Convidei te para vires ter comigo umas doze vezes e um dia o pai chegou a casa e comunicou nos que tu tinhas recebido um aviso oficial por usares magia diante de os Muggles ... - Não fui eu . E como é_que ele soube ? - Ele trabalha em o Ministério - disse o Ron . - Tu sabes que nós não podemos fazer feitiços fora de a escola . - Bem , isso vindo de ti ... - exclamou Harry , olhando para o carro flutuante . - Oh , isto não conta - disse Ron . - Foi o meu pai que o emprestou . Não o fizemos aparecer por magia . Mas usar magia em a frente de esses Muggles com quem tu vives ... - Já te disse que não fui eu , mas vai demorar muito_tempo a explicar te isso agora . És capaz de avisar em Hogwarts que os Dursleys me fecharam a a chave e que não querem deixar me voltar e obviamente eu não posso sair de aqui magicamente senão o Ministério vai achar que é a segunda vez em três dias e ... - Pára com essa conversa tola - disse o Ron . - Viemos para te levar connosco . - Mas tu também não podes tirar me de aqui utilizando processos mágicos ... - Não precisamos de isso - afirmou Ron , fazendo um sinal de cabeça para os lugares de a frente . - Esqueces te de quem está aqui comigo . - Amarra isso em volta de as grades - disse o Fred , lançando a Harry a ponta de uma corda . - Se os Dursleys acordam estou feito - lamentou se Harry enquanto dava um nó bem apertado com a corda em uma de as grades e o Fred arrancava com o carro . - Não te preocupes e chega te para trás . Harry recuou para a sombra , para junto de Hedwig que parecia ter se apercebido de a importância de tudo aquilo , mantendo se quieta e em silêncio . O carro puxou mais e mais e , subitamente , com um ruído de ferro a ceder , as grades foram arrancadas de a janela , enquanto Fred conduzia com o céu como estrada . Harry correu de_novo para a janela para ver as grades a balouçarem a poucos metros de o chão . Ofegante , Ron içou as para dentro de o carro . Harry escutou ansiosamente mas não vinha qualquer som de o quarto de os Dursleys . Quando as grades estavam em segurança em os lugares de trás junto de Ron , Fred aproximou se o_máximo que lhe foi possível de a janela . - Anda de aí - disse . - Mas , todas_as minhas coisas de Hogwarts , a minha varinha , a minha vassoura ... - Onde estão ? - Fechadas em a despensa debaixo de as escadas e eu não posso sair de este quarto . . - Não há azar - disse o George . - Sai de a frente , Harry . Fred e George treparam cautelosamente e entraram por a janela em o quarto de Harry . Tinhas que ter aberto a boca , pensou Harry enquanto George tirava de o bolso um vulgar gancho de cabelo e começava a tentar abrir a fechadura . - Muitos feiticeiros acham que é uma perda de tempo aprender os truques de os Muggles - disse o Fred . - Mas nós pensamos que há habilidades que é sempre útil conhecer apesar_de serem um_pouco lentas . Ouviu se um pequeno clique e a porta abriu se . - Pronto , vamos buscar as tuas coisas . Tu vai dando a o Ron aquilo que precisas de aí de o teu quarto - murmurou George . - Cuidado com o degrau de cima que range - sussurrou Harry enquanto os gémeos desapareciam em o escuro . Harry deu a volta a o quarto , recolhendo as suas coisas e passando as por a janela a o Ron . Em seguida , foi ajudar o Fred e o George a trazerem o resto por as escadas acima . Ouviu o tio Vernon tossir . Por fim , de língua de_fora , chegaram a o quarto , junto de a janela aberta . Fred trepou para o carro para puxar os volumes com o Ron enquanto Harry e George os empurravam de dentro de o quarto . Centímetro a centímetro o malão foi passando por a janela . O tio Vernon tossiu de_novo . - Mais um_pouco - disse o Fred que estava a puxar de dentro de o carro . Um bom empurrão , vá . Harry e George encostaram os ombros contra a mala e ela escorregou para a parte de trás de o carro . - O. _ K. , vamos embora - murmurou o George . Mas quando Harry trepava para o parapeito de a janela ouviu se um forte pio atrás de ele , imediatamente seguido de o vociferar de o tio Vernon . - Aquela maldita coruja ! - Esqueci me de a Hedwig ! Harry precipitou se de_novo para o quarto , enquanto a luz de o patamar se acendia . Agarrou a gaiola de Hedwig , correu para a janela e passou a a o Ron . Estava a subir para_cima de a cómoda quando o tio Vernon bateu em a porta , que não estava fechada , e esta se abriu completamente . Por uma fracção de segundo , o tio Vernon ficou estático junto de a porta . Em seguida , soltou um mugido como um boi zangado e avançou para Harry , agarrando o por o tornozelo . Ron , Fred e George seguraram o por os braços e puxaram o com toda_a força . - Petúnia - rosnou o tio Vernon . - Ele está a fugir ! : __ ele está a __ fugir ! Os Weasleys deram um puxão gigantesco e a perna de o Harry escapou a as garras de o tio Vernon . Logo_que Harry entrou em o carro e a porta se fechou , Ron gritou : - Acelera Fred ! - E o carro partiu subitamente em direcção a a lua . Harry mal podia acreditar que estava livre . Esticou se a a janela , o ar de a noite a fustigar lhe os cabelos e olhou para baixo , para os telhados apertados de Privet_Drive . O tio Vernon , a tia Petúnia e o Dudley estavam todos debruçados com cara de parvos , a a janela de o quarto de ele . - Até a o próximo Verão - gritou . Os Weasleys riam se a as gargalhadas e Harry esticou se para trás em o assento e pediu a o ouvido de Ron : - Deixa sair a Hedwig . Ela pode voar atrás_de nós . Há séculos que não tem uma oportunidade de esticar as asas . George passou a o Ron o gancho de cabelo e , um momento depois , a Hedwig saíra feliz por a janela , planando atrás de eles como um fantasma . - Então , qual é a história ? - perguntou Ron , impaciente . - O que é_que tem estado a acontecer ? Harry contou lhes tudo sobre o Dobby , o aviso de este e o fracasso de o pudim de violetas . Houve um longo silêncio quando ele se calou . - Isso cheira me a esturro - disse , por fim , o Fred . - Definitivamente misterioso - concordou George . - Então ele nem te disse quem está supostamente por detrás dessa trama toda ? - Acho que não podia - explicou Harry . - Já te disse , de cada_vez que estava quase a deixar escapar qualquer coisa , começava a bater com a cabeça em a parede . Viu Fred e George olharem um para o outro . - O quê ? Acham que ele estava a mentir me ? - perguntou Harry . - Bem - começou o Fred -- , coloquemos as coisas de o seguinte modo , os elfos de casa têm poderes mágicos próprios , mas geralmente não podem usá os sem a autorização de os seus donos . Eu acho que o bom de o Dobby foi enviado para evitar que voltasses para Hogwarts . Uma ideia de um engraçadinho . Haverá alguém em a escola com má vontade contra ti ? - Sim - responderam Harry e Ron , precisamente ao_mesmo_tempo . - Draco_Malfoy - explicou Harry . - Ele detesta me . - Draco_Malfoy ? - perguntou George , voltando se para trás . - O filho de o Lucius_Malfoy ? - Deve ser . Não é um nome muito vulgar , pois não ? - disse Harry . - Mas porquê ? - Ouvi o pai falar acerca de ele - confidenciou George . - Ele era um grande apoiante de o « Quem nós sabemos » . - E quando o « Quem nós sabemos » desapareceu - continuou o Fred , voltando a cara para olhar para Harry - o Lucius_Malfoy voltou , dizendo que não foi por vontade própria que fez o que fez . Monte de lixo . O pai acha que ele fazia parte de um círculo de amigos íntimos de o « Quem nós sabemos » . Harry já tinha ouvido esses boatos sobre a família de Malfoy e não o surpreenderam em absoluto . Malfoy fizera Dudley_Dursley parecer um rapazinho simpático , amável e sensível . - Não sei se os Malfoy têm um elfo de casa ... - afirmou Harry . - Bem , quem quer que o possua é sem dúvida uma antiga família de feiticeiros e deve ser rica - explicou Fred . - Sim . A mãe está sempre a desejar que pudéssemos ter um elfo de casa para passar a roupa a ferro - disse o George . - Mas só temos um velho vampiro piolhoso em o sótão e gnomos espalhados por o jardim . Os elfos de casa pertencem a as grandes casas senhoriais , a os castelos e lugares assim , não encontrarias um em a nossa casa ... Harry estava calado . Considerando que Draco_Malfoy tinha sempre as melhores coisas , que a sua família nadava em ouro de feiticeiros , era fácil imaginá o passeando se por uma enorme casa senhorial . Mandar o servo de a família evitar que Harry voltasse para Hogwarts também parecia exactamente o tipo de coisa que Malfoy poderia fazer . Teria Harry sido estúpido a o tomar Dobby a sério ? - De qualquer modo , ainda_bem que viemos buscar te - declarou Ron . - Eu começava a ficar seriamente preocupado por não responderes a nenhuma de as minhas cartas . A princípio pensei que a culpa fosse de a Errol ... - Quem é a Errol ? - A nossa coruja . Já é velhota . Não seria a primeira vez que adoecia durante uma entrega . Por isso , tentei pedir a Hermes emprestada ... - Quem ? - A coruja que os meus pais compraram a o Percy quando ele foi nomeado prefeito - respondeu Fred . - Mas o Percy não me a emprestou . Disse que precisava de ela . - O Percy tem andado com atitudes muito estranhas este Verão - comentou George franzindo a testa . - E tem mandado imensas cartas e passado um tempo infinito fechado em o quarto ... enfim , pode limpar se e polir um distintivo de prefeito todas_as vezes que se quiser ... Estás a conduzir demasiado para ocidente , Fred - acrescentou apontando para uma bússola em o painel de o automóvel . Fred girou o volante . - Então , o vosso pai sabe que têm o carro ? - perguntou Harry , quase adivinhando a resposta . - Er ... não - disse o Ron . - Ele tinha trabalho esta noite . Felizmente vamos poder pô o de_novo em a garagem , sem a mãe perceber que andámos a voar nele . - A propósito , o que faz o vosso pai em o Ministério_da_Magia ? - Trabalha em o Departamento mais chato - respondeu Ron . - A Divisão de utilização incorrecta de artefactos de os Muggles . - O quê ? - Relaciona se com objectos de feitiçaria que foram feitos por os Muggles ; sabes como é , se forem parar de_novo a uma loja de os Muggles , ou a uma casa , como em o ano passado , quando morreu uma bruxa velha e o bule de ela foi vendido a uma loja de antiguidades . Uma mulher Muggle comprou o , tentou servir chá a os amigos . Foi um pesadelo , o pai teve de fazer horas extraordinárias durante semanas . - O que é_que aconteceu ? - O bule parecia louco , esguichou chá a ferver para todos os lados e um de os homens foi parar a o hospital com a pinça de o açúcar presa em o nariz . O pai ficou nervosíssimo . É só ele e o velho feiticeiro Perkings em o gabinete e tiveram de localizar e descobrir todo o tipo de encantamentos para resolver o assunto . - Mas o teu pai ... este carro ... Fred riu se . - Sim , o pai é louco por tudo_o_que tem que ver com os Muggles . A nossa arrecadação está cheia de coisas de os Muggles . Ele separa as , lança lhes feitiços e volta a pô as em o lugar . Se ele fizesse uma busca a nossa casa teria de se prender a si mesmo . A minha mãe fica louca com tudo aquilo . - É a estrada principal - gritou o George , apontando para baixo através de a janela . - Dentro_de poucos minutos estamos lá , mesmo a tempo , está a começar a clarear . Um leve brilho rosado tingia o horizonte para leste . Fred trouxe o carro para baixo e Harry pôde ver uma manta de retalhos de campos escuros e matas de arbustos . - Estamos um_pouco longe de a vila - disse George . - Em Ottery_St . Catchpole ... O carro voador foi descendo a os poucos . A luz avermelhada brilhava agora por_entre as árvores . - Terra - disse o Fred , em o momento em que tocaram em o chão com um ligeiro solavanco . Tinham aterrado perto_de uma garagem em ruínas em um pequeno pátio e Harry viu pela_primeira_vez a casa de o Ron . Parecia ter sido em tempos uma pocilga de pedra . Mas os quartos que posteriormente lhe tinham sido acrescentados haviam a tornado bastante mais alta e o seu aspecto era tão curvado que parecia ter sido construída por artes mágicas ( o que , pensou Harry , era , muito provavelmente , verdade ) . De o telhado vermelho saíam quatro ou cinco chaminés . Junto de a entrada , fixa em o chão , podia ver se uma inscrição assimétrica que dizia « A toca » . A o lado de a porta principal estava uma contusão de botas de * _ Wellington * e um caldeirão completamente enferrujado . Por o pátio passeavam se várias galinhas castanhas e gordas . - Não é grande coisa - desculpou se o Ron . - É óptima - exclamou Harry , feliz , pensando em Privet_Drive . Saíram de o carro . - Agora vamos lá para_cima sem fazer barulho - disse o Fred . - E esperamos que a mãe nos chame para o pequeno-almoço . Depois tu , Ron , desces a escada entusiasmadíssimo . - Mãe , olha quem apareceu cá durante a noite ! - E ela vai sentir se felicíssima quando vir o Harry . Assim ninguém fica a saber que levámos o carro voador . - Certo - disse o Ron . - Vamos , Harry , eu durmo em o ... Ron ganhou uma cor de um pálido esverdeado , os olhos fixos em a casa . Os outros três fizeram meia volta . Mrs._Weasley avançava por o pátio , afugentando as galinhas e , para uma mulher baixa , roliça e simpática , era fantástico como conseguia parecer se com um tigre dentes-de-sabre . - Ah ! - suspirou o Fred . - Oh , oh ! - exclamou o George . Mrs._Weasley parou em frente de eles . As mãos em as ancas , saltando de um olhar culpado para o outro . Usava um avental a as flores , com uma varinha a sair lhe de o bolso . - Com que então - disse . - Bom dia , mãe - arriscou o George com uma voz que tentou que fosse alegre e bem-disposta . - Vocês têm alguma ideia de como tenho estado preocupada ? - perguntou Mrs._Weasley em um murmúrio fraco . - Desculpe , mãe , mas sabe , nós tivemos que ... Os três filhos de Mrs._Weasley eram mais altos do_que ela , mas tremiam quando a fúria de a mãe se abatia sobre eles . - Camas vazias ! Nem um bilhete ! O carro desaparecido ... Podiam ter tido um acidente , estou fora de mim com tanta preocupação e vocês nem se importam ... nunca , enquanto eu for viva ... esperem só até o vosso pai chegar , nunca tivemos problemas de estes com o Bill , com o Charlie ou com o Percy ... - O perfeito Percy - resmungou Fred . - : __ tu não vales um dedo de a mão de o __ percy ! - gritou Mrs._Weasley , espetando um dedo em o queixo de o Fred . - Podias ter morrido , podias ter sido visto , podias ter feito com que o teu pai perdesse o emprego ... Parecia nunca mais acabar . Mrs._Weasley tinha gritado até ficar ronca , antes de se voltar para o Harry , que recuou . - Estou muito contente por te ver , Harry - disse . - Entra e vem tomar o pequeno-almoço . Ela voltou se e regressou a casa e Harry , depois de trocar um olhar nervoso com o Ron , que lhe acenou , encorajando o , seguiu a . A cozinha era pequena e bastante estreita . A meio havia uma enfezada mesa de madeira e cadeiras em volta e Harry sentou se a a beirinha de o assento , olhando em volta . Era a primeira vez que entrava em uma casa de feiticeiros . O relógio em a parede em frente de ele , tinha apenas um ponteiro e nenhum número . Em volta , estavam escritas frases como « Hora de fazer o chá » , « Hora de dar de comer a as galinhas « e « Estás atrasado » . Empilhados em o rebordo de a lareira estavam livros com títulos como * _ Encanta o teu próprio queijo , Encantamento em a cozedura de o pão e Banquetes em um minuto - é mágico * ! E , a menos que os ouvidos de Harry estivessem a traí o , o velho rádio próximo de o lava-loiças acabara de anunciar que a seguir vinha a Hora de enfeitiçar com a popular feiticeira-cantora Celestina_Warbeck . Mrs._Weasley fazia barulho com os talheres , preparando o pequeno-almoço um bocado a o acaso , lançando olhares furiosos a os filhos , enquanto lançava as salsichas em a frigideira . De vez em quando murmurava coisas como : « Não sei o que vos passou por a cabeça « ou « nunca devia ter confiado em vocês » . - Eu não te culpo , filho - tranquilizou Harry , pondo lhe sete ou oito salsichas em o prato . - Eu e o Arthur temos estado preocupados contigo . Ainda ontem a a noite estivemos a dizer que te iríamos buscar nós próprios se não respondesses a o Ron até sexta-feira . Mas , em a verdade ( estava agora a acrescentar três ovos estrelados a o prato de ele ) , atravessar metade de o país a voar em um carro ilegal , qualquer um vos poderia ter visto ... Agitou maquinalmente a varinha em a direcção de o lava-loiças , onde a loiça começou a lavar se sozinha , tinindo baixinho lá atrás . - Estava enevoado , mãe ! - exclamou o Fred . - Boca fechada enquanto comes ! - interrompeu Mrs._Weasley . - Eles estavam a fazê o passar fome , mãe ! - disse o George . - E tu também ! - disse Mrs._Weasley , mas já foi com uma expressão mais doce que começou a cortar o pão para Harry e a barrá o com manteiga . Em esse momento , as atenções voltaram se para um pequenino volto de cabelos ruivos , em uma camisa de dormir até a os pés , que surgiu em a cozinha , deu um grito agudo e desapareceu de_novo . - É a Ginny - disse Ron baixinho a o Harry -- , a minha irmã . Tem falado de ti todo o Verão . - Sim , ela vai querer o teu autógrafo , Harry - riu se o Fred , mas o seu olhar cruzou se com o de a mãe e inclinou se para o prato , não voltando a abrir a boca . Ninguém falou até os quatro pratos estarem limpos , o que sucedeu a uma velocidade surpreendente . - Bolas , estou cansado - bocejou Fred , pousando a faca e o garfo . Acho que me vou deitar e ... - Não vais , não senhor - interrompeu Mrs._Weasley . - A culpa é tua se ficaste toda_a noite acordado . Vais fazer a des-gnomização de o jardim . Eles estão outra_vez a exagerar . - Oh , mãe ... - E vocês os dois o mesmo - dirigiu se a o Ron e a o Fred . - Tu podes ir para a cama , filho - disse a Harry . - Não lhes pediste que guiassem aquele carro miserável . Mas Harry , que se sentia acordadíssimo , respondeu prontamente : - Eu ajudo o Ron , nunca vi uma des-gnomização ... - É muito simpático de a tua parte , querido , mas é um trabalho chato - explicou Mrs._Weasley . - Vejamos o que o Lockhart tem a dizer acerca disto . E puxou de o rebordo de a lareira um livro pesadíssimo . George resmungou : - Mãe , nós sabemos * des-gnomizar * o jardim . Harry olhou para a capa de o livro de Mrs._Weasley . Em grandes letras douradas , que ocupavam grande parte de a capa , podia ler se Guia_de_Gilderoy_Lockhart para pragas caseiras . Via se também a grande fotografia de um feiticeiro bem-parecido , de cabelos loiros ondulados e olhos azuis brilhantes . Como sempre , em o mundo de os feiticeiros , a fotografia mexia se . O feiticeiro , que Harry calculou ser Gilderoy_Lockhart , não parava de lhes piscar os olhos descaradamente . Mrs._Weasley sorriu lhe . - Oh , ele é fantástico - disse . - Conhece bem as pragas caseiras . É um livro maravilhoso . - A mãe adora o - disse Fred em um murmúrio bastante audível . - Não sejas ridículo , Fred - repreendeu Mrs._Weasley com as bochechas coradas . - É claro que se achas que sabes mais do_que o Lockhart , podes ir fazer o trabalho e ai de ti se houver um único gnomo em o jardim quando eu for fazer a inspecção . A bocejar e a resmungar , os Weasley arrastaram se lá para fora com Harry atrás de eles . O jardim era grande e , em a opinião de Harry , exactamente como deveria ser um jardim . Os Dursleys não teriam gostado . Havia uma enorme quantidade de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada , mas havia árvores nodosas em volta de as paredes , plantas que Harry nunca vira , tombando de todos os canteiros e um grande lago verde cheio de rãs . - Os Muggles também têm gnomos de jardim , sabes - disse o Harry a o Ron , enquanto atravessavam a relva . - Sim , já vi essas coisas que eles pensam que são gnomos - disse o Ron todo dobrado , com a cabeça em uma moita de peónias . - Como os Pais_Natais gordinhos com canas de pesca ... Houve um tumulto ruidoso , a moita de peónias estremeceu e Ron endireitou se . - Isto_é um gnomo - declarou com um ar sério . - Larga eu ! Larga eu ! - guinchou o gnomo . Não se parecia em absoluto com o Pai_Natal . Era pequenino e parecia de couro , com uma grande cabeça protuberante e calva , precisamente como uma batata . Ron agarrou o a a distância de um braço , enquanto ele dava pontapés em o ar com os seus pézinhos que pareciam chifres . Agarrou o por os tornozelos e voltou o de pernas para o ar . - Isto_é o que tens de fazer - disse . Levantou o gnomo acima de a cabeça ( Larga eu ! ) e começou a balouçá o em grandes círculos , como os vaqueiros fazem com os laços . A o ver a expressão chocada de Harry , Ron explicou : - Não os mágoa . Só tens de os deixar bem tontos para que consigam encontrar o caminho de regresso a os buracos de os gnomos . Largou os tornozelos de o gnomo . Ele voou seiscentos metros e aterrou com um ruído surdo em o campo a o lado de a sebe . - Deplorável - afirmou o Fred . - Aposto que consigo lançar o meu para_além de aquele tronco . Harry aprendeu rapidamente a não sentir muita pena de os gnomos . Decidira largar o primeiro que apanhou para_além de a sebe , mas o gnomo , sentindo fraqueza , enfiou os seus dentinhos , aguçados como laminas , em o dedo de o Harry e não foi fácil sacudi o para ele o largar , até que ... - Uau , Harry , esse deve ter sido seiscentos metros ... O ar estava subitamente cheio de gnomos voadores . - Vês , eles não são muito espertos - afirmou o George , agarrando cinco ou seis de uma_vez . - Em o momento em que se apercebem que começou a * des-gnomização * , aparecem todos para espreitar . Era de esperar que já tivessem aprendido a ficar quietinhos . Rapidamente a multidão de gnomos começou a ir se embora , atravessando os campos em uma fila ordenada , com os pequeninos ombros arqueados . - Eles voltam - disse o Ron enquanto os via desaparecer em a sebe de o outro lado de o campo . - Eles adoram estar aqui ... o pai é muito mole com eles , acha lhes piada . Em esse momento , a porta de a frente bateu . - Ele já voltou ! - exclamou o George . - O pai já está em casa ! Apressaram se a entrar . Mr._Weasley tinha se afundado em uma de as cadeiras de a cozinha , sem óculos e com os olhos fechados . Era um homem magro , quase calvo , mas o pouco cabelo que tinha era tão ruivo como o de os filhos . Vestia um longo manto verde cheio de pó e estava cansado de a viagem . - Que noite - murmurou , tacteando em busca de o bule , enquanto todos se sentavam a a volta de ele . - Nove assaltos , nove ! E o velho Mundungs_Fletcher tentou lançar me um feitiço quando eu estava de costas . Mr._Weasley tomou um bom gole de chá e suspirou . - Encontrou alguma coisa , pai ? - perguntou Fred ansiosamente . - Só encontrei algumas chaves encolhidas e uma chaleira que mordia - bocejou Mr._Weasley . - Havia um material bastante mauzinho , mas não era de o meu departamento . O Mortlake foi levado para ser interrogado sobre uns furões extremamente antigos , mas isso pertence a a Comissão_dos_Feitiços_Experimentais , graças_a Deus . - Por_que é_que alguém ia dar se a o trabalho de fazer encolher chaves ? - perguntou George . - Para chatear os Muggles - suspirou Mr._Weasley . - Vende se lhes uma chave que não pára de encolher , até que desaparece , de_modo_a que nunca a encontrem quando precisam ... É claro que é muito difícil condenar alguém , porque nenhum Muggle é capaz de admitir que a sua chave está a encolher , insistem em que estão sempre a perdê a . Benditos sejam , vão até onde for preciso para ignorar a magia , mesmo_que ela esteja em frente de os seus narizes ... mas vocês não acreditariam em as coisas que o nosso grupo tem levado para enfeitiçar ... - : __ como carros , por __ exemplo ? Mrs._Weasley tinha aparecido , segurando um grande atiçador que parecia uma espada . Os olhos de Mr._Weasley abriram se de repente , fitando a mulher com um ar culpado . - C-carros , Molly querida ? - Sim , Artur , carros - afirmou Mrs._Weasley , os olhos a faiscar . - Imagina um feiticeiro a comprar um carro velho e enferrujado e dizer a a mulher que a única coisa que queria fazer com ele era desmontá o para ver como ele funcionava , enquanto em a verdade estava a enfeitiçá o para o fazer voar . Mr._Weasley piscou os olhos . - Bem , querida , acho que poderás constatar que não é ilegal fazer isso , embora , er , talvez ele devesse ter contado a verdade a a mulher ... Existe uma forma de tornear a lei , já_que ela diz que ... desde_que não se tenha a * intenção * de voar em o carro , o facto de ele poder voar , não ... - Arthur_Weasley tu arranjaste essa forma de tornear a lei quando a escreveste ! - gritou Mrs._Weasley . - Para poderes continuar a remexer em todo aquele lixo de os Muggles que tens em a arrecadação ! E , para tua informação , o Harry chegou hoje_de_manhã em o carro que tu não pretendias pôr a voar ! - Harry ? - perguntou Mr._Weasley sem expressão . - Qual Harry ? Olhou em volta , viu Harry e deu um salto . - Santo_Deus , é Harry_Potter ? Muito prazer , o Ron falou nos tanto de si ... - * _ O teu filho conduziu aquele carro até a a casa de o Harry e de volta até aqui em a noite passada ! * - gritou Mrs._Weasley . - O que tens a dizer a esse respeito ? - A sério ! ? - exclamou Mr._Weasley com vivacidade . - Correu tudo bem , quero dizer ... - vacilou a o ver os olhos de Mrs._Weasley que faiscavam . - Er , fizeram mal , rapazes , muito mal , mesmo ... - Vamos deixá os a os dois - murmurou o Ron , enquanto Mrs._Weasley inchava como um sapo gigantesco . - Vamos , vou mostrar te o meu quarto . Esgueiraram se de a cozinha e desceram uma passagem estreita que dava para uma escada desnivelada que ziguezagueava a o longo de a casa . Em o terceiro andar , estava uma porta entreaberta . Harry só teve tempo de ver um par de olhos castanhos brilhantes que o olhavam fixamente , antes de a porta se fechar com um estalido . - A Ginny - disse o Ron . - Não imaginas como é estranho vês a tão tímida , ela que quase nunca se cala ... Subiram mais dois andares , até chegarem a uma porta com a tinta a descascar e uma pequena placa dizendo : « Quarto_do_Ronald » . Harry entrou . A cabeça quase tocava em o tecto inclinado . Piscou os olhos . Era como entrar dentro_de uma fornalha : quase tudo em o quarto de o Ron tinha um violento matiz alaranjado : a colcha de a cama , as paredes , até o tecto . Em seguida , apercebeu se de que o Ron tinha coberto cada centímetro de o velho papel de parede com * posters * de as mesmas sete feiticeiras e feiticeiros , todos vestidos com brilhantes mantos cor de laranja , transportando vassouras e acenando entusiasticamente . - A tua equipa de Quidditch ? - perguntou Harry . - Os Chudley_Cannons - disse Ron , apontando para a colcha cor de laranja que tinha um brasão com dois C's gigantes e uma bala de canhão a_toda_a velocidade . - Nono em a Liga . Os livros de estudo de feitiços de Ron estavam empilhados desordenadamente a um canto , junto de um monte de B. _ D. , todas elas relativas a as * _ Aventuras_de_Martin_Miggs , o Muggle louco * . A varinha mágica de o Ron estava em_cima_de um aquário cheio de ovos de rã sobre o peitoril de a janela , junto de o seu rato gordo e cinzento , Scabbers , que dormia uma soneca a o sol . Harry passou por_cima_de um baralho de cartas de jogar com vontade própria , que estava caído em o chão , e olhou para fora de a janelinha . Em o campo , não muito longe , podia ver um grupo de gnomos a esgueirarem se , um a um , de_novo para a sebe de os Weasley . Em seguida , voltou se para Ron que o observava nervoso , como_se esperasse a opinião de ele . - É um_pouco pequeno - declarou o Ron muito depressa . - Não se parece nada com o quarto que tu tinhas em casa de os Muggles . E estou mesmo debaixo de o vampiro de o sótão . Ele anda sempre a bater nos canos e a gemer ... Mas Harry , com um grande sorriso , disse lhe : - Esta é a melhor casa em que eu já estive . As orelhas de Ron ficaram cor-de-rosa . IV_Na_Flourish and Blotts_A vida em a Toca era o mais diferente que é possível de a vida em Privet_Drive . Os Dursleys gostavam de tudo limpo e arrumado , em casa de os Weasleys explodia o estranho e o inesperado . Harry teve um choque de a primeira vez que olhou para o espelho que estava sobre a lareira de a cozinha e ele gritou : - Mete para dentro a camisa , * desmazelado ! * - O vampiro de o sótão gemia e batia nos canos , sempre_que sentia as coisas demasiado calmas e as pequenas explosões em o quarto de o Fred e de o George , eram consideradas perfeitamente normais . Mas o que o Harry achou mais bizarro em a vida em casa de o Ron , não foi o espelho que falava , nem o vampiro barulhento , foi o facto de todos ali em casa parecerem gostar de ele . Mrs._Weasley preocupava se com o estado de as suas meias e tentava obrigá o a servir se quatro vezes a cada refeição . Mr._Weasley gostava que Harry se sentasse a o lado de ele a a mesa para poder bombardeá o com perguntas sobre a vida com os Muggles , pedindo que lhe explicasse como funcionavam coisas como as canalizações e o serviço de os correios . - Fascinante ! - exclamava , enquanto Harry lhe explicava a utilização de o telefone . - Engenhoso , de facto , todas_as maneiras que os Muggles encontraram para passar sem a magia . Harry teve notícias de Hogwarts em uma manhã de sol , cerca de uma semana depois de ter chegado a a Toca . Quando , ele e o Ron desceram para tomar o pequeno-almoço , encontraram Mr. e Mrs._Weasley e Ginny já sentados a a mesa . Em o momento em que viu o Harry , Ginny entornou a tigela de os cereais , que caiu a o chão com grande espalhafato . Ginny entornava facilmente coisas sempre_que o Harry estava em a sala . Mergulhou debaixo de a mesa para apanhar a tigela e emergiu com o rosto a brilhar como o sol poente . Fingindo não ter dado por nada , Harry sentou se e aceitou a torrada que Mrs._Weasley lhe ofereceu . - Cartas de a escola - disse Mr._Weasley , passando a o Harry e a o Ron envelopes idênticos de pergaminho amarelado , com a morada escrita a tinta verde . - O Dumbledore já sabe que estás aqui , Harry , não perde nada aquele homem . Vocês os dois também - acrescentou , enquanto Fred e George deambulavam em a casa , ainda em pijama . Fez se silêncio durante alguns momentos , enquanto liam as respectivas cartas . A de o Harry dizia para apanhar o Expresso_de_Hogwarts , como sempre em a Estação_de_King's_Cross , em o dia_1_de_Setembro . Havia ainda uma lista de os livros que precisaria para o próximo ano . Os alunos de o segundo ano deverão ter : * _ O_Livro_Padrão_de_Feitiços , Grau 2 , por Miranda_Goshawk . * _ Ensinamentos_de_Uma_Fada_Carpideira , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Férias com Bruxas , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Duendes , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Lobisomens , por Gilderoy_Lockhart . * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves , por Gilderoy_Lockhart * . Fred , que terminara a sua própria lista , espreitou para a de o Harry . - Também te mandam comprar os livros de o Lockhart - disse . - A professora de defesa contra as artes negras deve ser fanática . Aposto que é uma bruxa . Nessa_altura , Fred percebeu o olhar de a mãe e apressou se a comer o doce de laranja . - Esse conjunto não vai ficar barato - disse George , olhando rapidamente para os pais . - Os livros de o Lockhart são de os mais dispendiosos ... - Cá nos havemos de arranjar - declarou Mrs._Weasley , mas parecia preocupada . - Espero que pelo_menos para a Ginny possamos arranjar uma data de coisas em segunda mão . - Ah , vais entrar este ano para Hogwarts ? - perguntou lhe Harry . Ela fez um aceno , corando até a a raiz de os cabelos ruivos e meteu o cotovelo em o pires de a manteiga . Felizmente ninguém deu por nada , a não ser o Harry , porque em esse momento o irmão mais velho de Ron , o Percy , entrou . Já estava vestido , com a placa de prefeito aplicada a a sua camisola de malha . - Bom dia a todos - disse , cheio de vivacidade . - Está um dia lindo . Puxou a única cadeira livre , mas deu um salto quando ia sentar se e , debaixo de ele , saltou um espanador cinzento de penas , pelo_menos , foi o que o Harry pensou até ver que ele respirava . - Errol ! - exclamou Ron , afastando a coruja de o Percy e retirando lhe debaixo de a asa uma carta . - Até que enfim , a resposta de a Hermione . Escrevi lhe a contar que íamos tentar raptar te de casa de os Dursleys . Levou Errol para um poleiro que havia junto a a porta de as traseiras e tentou colocá a lá em cima , mas Errol caiu redonda e Ron teve de a pôr em a pia , murmurando : - Patético . - Em seguida , abriu a carta de a Hermione e leu a em voz alta . * _ Querido_Ron e Harry , se aí estiveres . Espero que tudo tenha corrido bem , que o Harry esteja O. _ K. e que não tenham feito nada ilegal para conseguir trazes o , porque isso podia criar lhe problemas também a ele . Tenho estado muito preocupada e , se o Harry estiver bem , por favor digam me qualquer coisa rapidamente , mas talvez seja melhor usarem uma nova coruja , porque acho que outra entrega pode acabar como esta . * _ Estou muito atarefada com trabalho de a escola , claro * . - Como é possível ? - perguntou Ron , horrorizado . - Estamos em férias ! - * _ E vamos para Londres em a próxima quarta-feira para comprar os meus livros novos . Porque não nos encontramos em a Diagon-al ? * _ Dêem-me notícias vossas o mais depressa possível . * _ Carinhosamente_Hermione * - Bem , parece uma boa solução , podemos ir todos comprar as vossas coisas - disse Mrs._Weasley , começando a limpar a mesa . - O que vão fazer hoje ? Harry , Ron , Fred e George tinham planeado ir a o cimo de o monte a um pequeno cercado de cavalos que os Weasleys possuíam . Estava rodeado de árvores que lhe tapavam a vista de a cidade cá em baixo , o que quer_dizer que podiam praticar Quidditch , desde_que não voassem muito alto . Não podiam usar as verdadeiras bolas de Quidditch pois seria muito difícil explicar se elas escapassem e voassem sobre a cidade . Em vez de elas , lançavam maçãs para os outros apanharem . Faziam turnos para montar a Nimbus dois_mil , que era de longe a melhor vassoura . A velha Shooting_Star_de_Ron fora muitas_vezes ultrapassada por as borboletas que passavam . Cinco minutos mais tarde estavam a marchar por o monte acima , de vassouras a o ombro . Tinham perguntado a o Percy se ele queria juntar se a eles , mas ele alegara muito trabalho . Até esse dia , Harry só tinha visto Percy a a hora de as refeições , ele ficava em silêncio em o quarto o resto de o tempo . - Gostava de saber o que ele anda a fazer - afirmou Fred , de testa franzida . - Não parece o mesmo . O resultado de os exames veio um dia antes de tu chegares : doze N_F_V e ele nem se manifestou satisfeito . - Níveis_de_Feitiçaria_Vulgares - explicou o George , vendo o olhar atarantado de Harry . - Se não temos cuidado , ainda nos calha outro Chefe_de_Turma em a família . Acho que não suportaria a vergonha . Bill era o mais velho de os irmãos Weasley . Ele e o irmão a seguir , Charlie , já tinham saído de Hogwarts . Harry não conhecia nenhum de os dois , mas sabia que o Charlie estava em a Roménia a estudar dragões e o Bill em o Egipto a trabalhar em o banco de os feiticeiros : Gringotts . - Não sei como o pai e a mãe vão arranjar dinheiro para nos pagar o material escolar este ano - disse o George , passado um bocado . - Cinco conjuntos de livros de o Lockhart ! E a Ginny precisa de mantos e de uma varinha e tudo_isso ... Harry não disse nada . Sentiu se um_pouco incomodado . Fechada em um cofre subterrâneo , em o banco de Gringotts_de_Londres , estava uma pequena fortuna que os pais lhe tinham deixado . É claro que só tinha esse dinheiro em o mundo de os feiticeiros , não se podem usar Galeões , Leões e Janotas em as lojas de os Muggles . Ele nunca fizera referência a a sua conta bancária em Gringotts a os Dursleys . Não lhe parecia que o horror que eles sentiam por tudo_o_que se relacionava com a feitiçaria se estendesse a uma enorme pilha de barras de ouro . Mrs._Weasley acordou os a todos bem cedo , em a quarta-feira seguinte . Depois de comerem umas doze sanduíches de * bacon * cada_um , enfiaram os casacos e Mrs._Weasley tirou um vaso de a prateleira de o fogão de a cozinha e espreitou lá para dentro . - Está a acabar se , Arthur - suspirou . - Temos de comprar mais hoje ... Bem , os hóspedes primeiro . Passa , Harry querido ! E ofereceu lhe o vaso de flores . Harry olhou espantado enquanto todos eles o observavam . - O q-que é_que eu devo fazer ? - gaguejou . - Ele nunca viajou com o pó de Floo - disse o Ron subitamente . - Desculpa , Harry , esqueci me . - Nunca ? - perguntou Mrs._Weasley . - Mas então como chegaste a a Diagon - _ Al em o ano passado para comprar as tuas coisas ? -- Fui por o subterrâneo . - A sério ? - disse Mr._Weasley , entusiasmado . - Havia fugitivos ? Como é_que ... - Agora não , Arthur - disse Mrs . Weasley . - O pó de Floo é muito mais rápido , querido , mas , valha me Deus , se ele nunca o usou ... - Vai correr bem , mãe - disse o Fred . - Harry observa nos primeiro . Tirou uma pitada de pó brilhante de dentro de o vaso , aproximou se de o lume e lançou o pó em as chamas . Com um rugido , o fogo ficou verde-esmeralda e elevou se a uma altura superior a a de o Fred que avançou , gritando Diagon - _ Al ! E desapareceu . - Tens de falar claramente , filho - disse Mrs._Weasley a o Harry , ao_mesmo_tempo que George metia a mão em o vaso de as flores . - E vê se sais em o fogão certo . - Em o quê ? - perguntou Harry , nervoso , enquanto o lume crepitava e fazia George desaparecer também . - Bem , há imensos fogos de feiticeiros , mas desde_que te tenhas expressado claramente ... - Ele vai conseguir , Molly , não te preocupes - disse Mr._Weasley , tirando também ele algum pó . - Mas querido se ele se perde como é_que vamos justificar nos perante o tio e a tia de ele ... -- Eles não se importariam - tranquilizou a Harry . - O Dudley ia achar imensa piada se eu me perdesse em uma chaminé , não se preocupe . - Bem , em esse caso ... tu vais a seguir a o Arthur - disse Mrs._Weasley . - Logo_que entres em o fogo diz para_onde queres ir . - E mantém os cotovelos dobrados - preveniu o Ron . - E os olhos fechados - disse Mrs._Weasley . - A fuligem . - Não te enerves - disse o Ron . - Senão podes ir parar a a lareira errada . - Não entres em pânico e não queiras sair cedo de mais . Espera até veres o Fred e o George . Fazendo um enorme esforço por reter toda aquela informação , Harry tirou uma pitada de pó de Floo e avançou para a beirinha de o fogo . Respirou fundo , espalhou o pó em as chamas e entrou . O fogo parecia uma brisa quente . Abriu a boca e engoliu , de imediato , uma grande quantidade de cinzas quentes . D-dia-gon-al - tossiu . Sentiu se como_se estivesse a ser sugado para um buraco gigantesco . Como_se girasse muito depressa ... o ruído era ensurdecedor . Tentou manter os olhos abertos mas o turbilhão de chamas verdes fê lo enjoar ... algo duro bateu lhe em o cotovelo e dobrou o de imediato . Continuava a rodar , a rodar ... sentia se agora como_se várias mãos frias estivessem a bater lhe em a cara ... Espreitando através de os óculos , viu uma torrente imprecisa de fogões e captou lampejos de as salas que estavam por detrás ... as sanduíches de * bacon * davam lhe a volta dentro de o estômago ... fechou os olhos desejando que tudo aquilo parasse e então caiu , de cara em o chão , em a pedra fria e sentiu os óculos partirem se a os bocados . Desorientado e ferido , coberto de fuligem , pôs se cautelosamente de pé , levando a os olhos os óculos partidos . Estava completamente só e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava . Tudo_o_que podia dizer era que a o seu lado via uma lareira que lhe parecia ser a de uma enorme e indistinta loja de feitiçaria . Mas nenhum de os artigos que ali se encontravam tinham aspecto de fazer parte de a lista de a escola de Hogwarts . Em uma caixa de vidro podia ver se uma mão atrofiada que repousava sobre uma almofada , um baralho de cartas ensanguentado e um olho de vidro que o olhava fixamente . Máscaras de expressão maldosa enchiam as paredes , olhando de esguelha , uma enorme quantidade de ossos humanos estendia se sobre o balcão e , de o tecto , pendiam instrumentos aguçados com pontas de ferro e pregos enferrujados . Mas o pior é_que a rua estreita e escura , que Harry conseguia avistar através de a janela poeirenta de a loja , não era de modo algum a Diagon-al . Quanto_mais depressa saísse de ali , melhor . O nariz ainda a doer lhe em o sítio onde batera em o chão a o aterrar , Harry avançou rápida e silenciosamente em direcção a a porta , mas antes de conseguir chegar a meio caminho , duas pessoas apareceram de o lado de_fora de o vidro , e uma de elas era a última pessoa que Harry desejaria encontrar em o momento em que se encontrava perdido , coberto de fuligem e com os óculos partidos , Draco_Malfoy . Harry olhou rapidamente em volta e apercebeu se de a existência de um grande armário escuro a a sua esquerda , saltou lá para dentro e fechou as portas , deixando uma gretazinha para poder espreitar . Segundos depois , uma campainha tocava e Malfoy entrava em a loja . O homem que o acompanhava só podia ser o pai . Tinha o mesmo rosto pálido de feições agudas e os mesmos olhos cinzentos de gelo . Mr._Malfoy atravessou a loja , olhando maquinalmente para os artigos expostos e tocou a campainha de o balcão , antes de se voltar para o filho , dizendo : - Não mexas em nada , Draco . Malfoy , que vira o olho de vidro , disse : - Pensei que ias oferecer me um presente . - Eu prometi que ia comprar te uma vassoura de corrida - declarou o pai , tamborilando com os dedos sobre o balcão . - Para que é_que me serve , se não estou em a equipa de Quidditch ? - perguntou Malfoy , carrancudo e de mau humor . - O Harry_Potter teve uma Nimbus dois_mil o ano passado , com a autorização especial de o Dumbledor é para jogar em os Gryffindor . Ele nem é assim tão bom , é só por ser * famoso * ... famoso por ter uma estúpida cicatriz em a testa . Malfoy baixou se para observar uma prateleira cheia de crânios . - Todos acham que ele é tão esperto , o Potter maravilha , com a sua cicatriz e a sua vassoura ... - Já me disseste isso doze vezes pelo_menos - comentou Mr._Malfoy , olhando repressivamente para o filho . - E devo lembrar te que não é prudente parecer menos do_que amigo de Harry_Potter , quando a maior parte de a nossa gente vê em ele um herói que fez desaparecer o Senhor_do_Mal . Ah , Mr._Borgin . Um homem curvado surgiu por detrás de o balcão , puxando o cabelo gorduroso para trás . - Mr._Malfoy , que prazer vês o de_novo - disse Mr._Borgin , em uma voz tão untuosa como o cabelo . - Encantado , e o nosso jovem Malfoy também , encantado . Em que posso servi os ? Tenho que vos mostrar o que chegou hoje , a um preço muito razoável ... - Hoje não venho comprar , Mr._Borgin , e sim vender - afirmou Mr._Malfoy . - Vender ? - O sorriso apagou se lentamente em o rosto de Mr._Borgin . - Certamente ouviu dizer que o Ministério está a levar a cabo mais buscas - explicou o Mr._Malfoy , retirando de o bolso um rolo de pergaminho e desembrulhando o para Mr._Borgin o ler . - Eu tenho alguns , ah , artigos em casa que poderiam criar me problemas se o Ministério me batesse a porta . Mr._Borgin colocou em o nariz um par de * pince-nez * e olhou para a lista . - O Ministério não se lembraria de o incomodar certamente ... O lábio de Mr._Malfoy dobrou se . - Ainda não me fizeram nenhuma visita . O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito , mas o Ministério está a ficar cada_vez_mais intrometido . Há boatos sobre um novo decreto de protecção de os Muggles , sem dúvida que aquele mordido de as pulgas , adorador de os Muggles , que é o Arthur_Weasley deve estar por detrás de isso . Harry sentiu crescer a raiva . - E , como pode ver , alguns de estes venenos podiam dar a ideia ... - Compreendo perfeitamente , claro - disse Mr._Borgin . - Deixe me ver ... - Posso ter aquilo ? - interrompeu Draco , apontando para a mão raquítica que estava sobre a almofada . - Ah , a mão de a glória ! - exclamou Mr._Borgin , abandonando a lista de Mr._Malfoy e apressando se a responder a Draco . - Põe se lhe uma vela e ela só dá luz a quem a transporta ! A melhor amiga de os gatunos e de os salteadores , o seu filho tem gosto , senhor . - Espero que o meu filho venha a ser mais do_que gatuno ou salteador , Borgin - disse Mr._Malfoy friamente e Mr._Borgin respondeu logo : - Sem ofensa , senhor , sem querer ofender . - Embora , se as notas de a escola não melhorarem - disse Mr._Malfoy ainda mais friamente - esse possa vir a ser o único caminho possível para ele . - Não tenho culpa - retorquiu Draco . - Todos os professores têm os seus preferidos , aquela Hermione_Granger ... - Eu , em o teu lugar , teria vergonha que uma rapariga que nem_sequer pertence a famílias de feiticeiros , me passasse a a frente em todos os exames - interrompeu Mr._Malfoy . Ah - fez Harry baixinho , radiante por ver Draco atrapalhado e furioso . - É o mesmo em todo o lado - comentou Mr._Borgin em a sua voz untuosa . - O sangue de os feiticeiros conta cada_vez menos ... - Não para mim - afirmou Mr._Malfoy , com as longas narinas dilatadas . - Não senhor , nem para mim - concordou Mr._Borgin , inclinando se em uma vénia . - Em esse caso , talvez possamos voltar a a minha lista - disse Mr._Malfoy secamente . - Estou com alguma pressa , Borgin , tenho ainda hoje assuntos importantes a tratar em outro lado . Começaram a discutir os preços . Harry via nervosamente o Draco aproximar se de o seu esconderijo enquanto observava os objectos a a venda . Parou para examinar um enorme rolo de corda de carrasco e para ver , com um sorriso afectado , o cartão preso com um aparatoso laço de opalas onde podia ler se : * _ Cautela , não tocar . Amaldiçoado - reclama as vidas de dezanove donos , todos eles Muggles * . Draco voltou se e viu o armário mesmo em frente . Avançou , estendeu a mão para o puxador ... - Feito - disse Mr._Malfoy , a o balcão . - Vamos , Draco . Harry limpou a testa a a manga quando Draco se afastou . - Muito bom dia , Mr._Borgin . Espero por si amanhã em a mansão para ir buscar a mercadoria . Em o momento em que a porta se fechou , Mr._Borgin abandonou os seus modos subservientes . « Bom dia para o senhor , Mr._Malfoy , e , se as histórias que contam são verdadeiras , não me vendeu nem metade do_que tem escondido em a sua mansão ... » Murmurando de forma taciturna , Mr._Borgin desapareceu em uma sala escura . Harry esperou um minuto não fosse ele voltar e , em seguida , o mais silenciosamente possível , escapou se de o armário , passou por as caixas de vidro e saiu de a loja . Encostando os óculos partidos a o rosto , olhou em volta . Saíra em uma rua estreita e sombria que parecia composta exclusivamente de lojas dedicadas a as artes negras . Aquela de onde acabava de sair parecia ser a maior , mas em frente estava uma montra tétrica de cabeças encolhidas e duas portas abaixo podia ver se uma enorme caixa viva cheia de gigantescas aranhas pretas . Dois feiticeiros com aspecto pobre observavam o de a sombra de uma porta , murmurando entre si . Sentindo se nervoso , Harry pôs se a caminho , tentando agarrar os óculos a direito e não desistindo de a esperança de encontrar maneira de sair de ali . Por um cartaz de madeira , pendurado em a rua , indicando uma loja de venda de velas envenenadas , ficou a saber que se encontrava em a Rua * _ Bativolta * , mas isso não o ajudou pois Harry nunca ouvira falar em tal lugar . Calculou que não tinha pronunciado bem as palavras com a boca cheia de cinzas em a lareira de os Weasley . Tentando manter a calma perguntou a si mesmo o que havia de fazer . - Não estás perdido , pois não , meu menino ? - perguntou uma voz , mesmo junto de o seu ouvido , que o fez dar um salto . Uma bruxa idosa estava em a sua frente , segurando um tabuleiro de uma coisa que se parecia horrivelmente com unhas humanas . A mulher olhou o maldosamente , mostrando os dentes esverdeados . Harry recuou . - Estou bem , obrigado - disse . - Estou só ... - HARRY ! O qu'é que pensas que estás a fazer aqui ? O coração de Harry deu um salto , assim_como o de a bruxa . Um monte de unhas caíram lhe sobre os pés e ela praguejou , enquanto o corpo enorme de Hagrid , o guarda de os campos de Hogwarts , se aproximava de eles a passos largos com os olhos castanhos-escuros a faiscarem sobre a longa barba eriçada . - Hagrid - gritou Harry , aliviado . - Eu estava perdido ... o pó de Floo ... Hagrid agarrou Harry por o cachaço e puxou o para longe de a bruxa , tirando lhe o tabuleiro de as mãos . Os guinchos agudos de a feiticeira seguiram nos até a o fundo de a ruela serpenteante que ia dar a um lagar onde brilhava o sol . Harry avistou a a distância um edifício de mármore branco como a neve que lhe era familiar : o banco de Gringotts . Hagrid conduzira o até a a Diagon - _ Al . - ` _ tás em um péssimo estado ! - disse Hagrid bruscamente , sacudindo lhe a fuligem com tanta força que Harry quase caiu em um barril de estrume de dragão que se encontrava a a porta de um boticário . - A fugir , em a Rua * _ Bativolta * , eu não conheço esse lugar finório , Harry , não quero que ninguém te veja aqui em baixo . - Já percebi - disse Harry , baixando se quando Hagrid fez menção de o escovar melhor . - Já te disse que estava perdido . E o que é_que tu fazes aqui ? - ` _ Tou a a procura d'um repelente para as lesmas comedoras de legumes - resmungou Hagrid . - ` _ tão a destruir as couves todas de a escola . Tu não estás sozinho ? - Estou em casa de os Weasley , mas separámo nos explicou Harry . - Tenho que os encontrar . Desceram juntos a rua . - Por_que é_que nunca respondeste a as minhas cartas ? - perguntou Hagrid , enquanto Harry corria para o acompanhar ( tinha de dar três passos por cada enorme passada de Hagrid ) . Harry explicou lhe tudo sobre Dobby e os Dursleys . - Malditos_Muggles - rugiu Hagrid . - S'eu tivesse sabido ... - Harry ! Harry ! Aqui ! Harry olhou para_cima e viu Hermione_Granger em o topo de a escadaria de Gringotts . Desceu para vir a o encontro de ele , o cabelo castanho de caracóis , a esvoaçar atrás de ela . - O que aconteceu a os teus óculos ? Olá_Hagrid ... Oh , é maravilhoso ver vos outra_vez . Vens a Gringotts , Harry ? - Logo_que encontre os Weasley - respondeu ele . - Não vais ter d'esperar muito - riu se Hagrid . Harry e Hermione olharam em volta . Subindo a rua , em o meio de a multidão , vinham Ron , Fred , George , Percy e Mr._Weasley . - Harry - chamou Mr._Weasley , ofegante . - Tínhamos esperança que só tivesses ido um fogão mais longe ... - passou um pano em a sua calva reluzente . - A Molly está nervosíssima , aí vem ela . - Onde é_que tu saíste ? - perguntou o Ron . - Em a Rua * _ Bativolta * - disse o Hagrid , com um ar sério . - Sensacional ! - exclamaram Fred e George ao_mesmo_tempo . - Nunca nos deram autorização para lá ir - disse o Ron com uma pontinha de inveja . - E fizeram muito bem - grunhiu Hagrid . Mrs._Weasley chegou em aquele momento a correr , a mala a balouçar em uma de as mãos e Ginny quase pendurada em a outra . - Oh Harry , oh meu querido , podias ter ido parar a qualquer lugar ... Tentando recuperar o fôlego , tirou de a mala uma grande escova de roupa e começou a retirar a fuligem que Hagrid não conseguira expulsar . Mr._Weasley pegou em os óculos de Harry , deu lhes um toque de varinha e entregou lhe os como novos . - Bem , tenho de m'ir embora - disse Hagrid cuja mão estava a ser esmagada por Mrs._Weasley ( -- Rua * _ Bativolta * ! Se não o tivesses encontrado , Hagrid ! ) . - Vemo nos em Hogwarts . - E afastou se , os ombros e a cabeça acima de a multidão que enchia completamente a rua . - Adivinham quem eu vi em o Borgin and Burkes ? - perguntou Harry_a_Ron e a Hermione enquanto subiam as escadarias de Gringotts . - Malfoy e o pai . - O Lucius_Malfoy comprou alguma coisa ? - perguntou interessado Mr._Weasley que estava atrás de eles . - Não , estava a vender . - Então está preocupado - comentou Mr._Weasley com visível satisfação . - Ah , eu adorava apanhar o Lucius_Malfoy em alguma . . - Tem cuidado , Arthur - interrompeu Mrs._Weasley enquanto o gnomo porteiro lhes dava reverentemente entrada em o banco . - Isso é um problema de família . Não queiras ter mais olhos que barriga . - Queres dizer com isso que achas que eu não chego para o Malfoy ? - perguntou Mr._Weasley , indignado , mas foi rapidamente afastado de aqueles sentimentos a o avistar os pais de Hermione que estavam de pé , nervosamente encostados a o balcão que acompanhava a grande parede de mármore , a a espera que Hermione os apresentasse . - Mas vocês são Muggles ! - disse Mr._Weasley , encantado . - Temos de tomar uma bebida . O que é isso aí ? Ah , estão a trocar dinheiro de Muggle . Molly , olha - apontou cheio de excitação para as notas de dez libras que Mr._Granger tinha em a mão . - Encontramo nos aqui - disse Ron_a_Hermione , enquanto os Weasley e Harry eram conduzidos a os seus cofres em o subterrâneo de Gringotts . Para chegar a os cofres havia que tomar umas carrinhas conduzidas por gnomos que se deslocavam ao_longo_de carris de comboio de pequenas dimensões através de os túneis subterrâneos de o banco . Harry gostou de a viagem acidentada até a o cofre de os Weasley , mas sentiu se bastante mal , pior do_que em a Rua * _ Bativolta * , quando o cobre foi aberto . Havia lá dentro um pequenino monte de Leões de prata e apenas um Galeão de ouro . Mrs._Weasley foi com a mão a a procura em os cantos antes de , com um gesto rápido , varrer tudo para dentro de o saco . Harry sentiu se ainda pior quando chegaram a o seu cofre . Tentou evitar que vissem o conteúdo enquanto empurrava apressadamente mãos cheias de moedas para dentro_de uma sacola de cabedal . Lá fora , em as escadarias de mármore , separaram se . Percy murmurou vagamente que precisava de uma nova pena de escrever . Fred e George tinham avistado um amigo de Hogwarts , Lee_Jordan . Mrs._Weasley e Ginny iam a uma loja de mantos em segunda mão , Mr._Weasley continuava a insistir em levar os Grangers a o Caldeirão_Escoante para lhes pagar uma bebida . - Encontrarmo nos todos em a Flourish and Blotts dentro_de uma hora para comprar os vossos livros de estudo - disse Mrs._Weasley , afastando se com Ginny . - E nem um passo em direcção a a Rua * _ Bativolta * - gritou a os gémeos que estavam de costas . Harry , Ron e Hermione deambularam por a rua empedrada e sinuosa . O ouro , prata e bronze que tilintavam alegremente em o saco que Harry tinha em o bolso pareciam exigir ser gastos , por isso ele comprou três enormes gelados de morango e manteiga de amendoim que eles devoraram felizes enquanto vagueavam sem destino por a rua fora , observando as montras fantásticas de as lojas . Ron olhou longamente para um conjunto completo de mantos de o Chudley_Cannon , em as montras de o « Equipamento_de_Quidditch_de_Qualidade » até Hermione o arrastar de ali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos . Em a « Jogos_de_Feitiçaria_de_Gambol and Japes » encontraram o Fred , o George e o Lee_Jordan que estavam presos em a fabulosa partida debaixo_de chuva e em os fogos-de-artifício de o Dr._Filibuster . E em uma pequenina loja de velharias cheia de varinhas partidas , balanças instáveis de latão e mantos velhos cobertos de nódoas de poções encontraram Percy profundamente concentrado em um pequenino livro , bastante chato , chamado * _ Prefeitos que conquistam o poder * . - * _ Um estudo sobre os prefeitos de Hogwarts e as suas posteriores carreiras * - leu alto o Ron em a contracapa . - Deve ser fascinante ... - Desaparece - gritou Percy . - Claro , ele é muito ambicioso , já tem tudo planeado . Quer ser ministro de a magia - disse o Ron baixinho a o Harry e a a Hermione , enquanto deixavam Percy entregue a o livro . Uma hora mais tarde dirigiram se a a Flourish and Blotts . Não eram de modo algum os únicos a encaminhar se para a livraria . À_medida_que se aproximavam viram com grande surpresa uma grande multidão a a porta , tentando entrar em a loja . O motivo de tal confusão estava anunciado em um cartaz que se estendia a o longo de a montra superior . GILDEROY_LOCKHART_Assinará exemplares de a sua autobiografia " eu , o mágico " Hoje 12.30 - 16.30 - Vamos poder conhecê o ! - gritou Hermione . - Quero dizer , ele escreveu quase todos os livros de a nossa lista ! A multidão parecia ser maioritariamente composta por bruxas de a idade de Mrs._Weasley . Um feiticeiro bem-parecido estava de pé junto de a porta , dizendo : - Calma , minhas senhoras , não empurrem , cuidado com os livros . Harry , Ron e Hermione conseguiram furar e entrar . Uma longa fila serpenteava para as traseiras de a loja onde Gilderoy_Lockhart estava a assinar os seus livros . Cada_um de eles pegou em um exemplar de * _ ensinamentos de Uma Fada_Carpideira * e escaparam se de a fila indo ter a o lugar onde se encontravam os outros com Mr. e Mrs._Granger . - Ah , aí estão vocês . _ óptimo - disse Mrs._Weasley que parecia estar com falta de ar e não parava de mexer em o cabelo . - Vamos poder vês o dentro_de um minuto . Gilderoy_Lockhart veio lentamente até um lugar onde era visível para todos , sentou se a uma mesa , rodeado de grandes fotografias de o próprio rosto , todo ele sorrisos , mostrando a a multidão o brilho cintilante de os seus dentes . Lockhart usava uma túnica azul-noite que condizia a as mil maravilhas com a cor de os olhos , o chapéu pontiagudo de feiticeiro colocado lateralmente sobre o cabelo ondulado . Um homenzinho pequenino e irritante andava a dançar de um lado para o outro , tirando fotografias com uma grande máquina preta que lançava baforadas de fumo arroxeado em cada * flash * . - Sai de o caminho , tu aí - disse rispidamente a o Ron , mudando de lugar para ter um angulo melhor . - Este é para o * _ Profeta_Diário * . - Grande coisa ! - exclamou o Ron , esfregando os pés em o lugar que o fotógrafo pisara . Gilderoy_Lockhart ouviu o . Olhou , viu o Ron e em seguida Harry . Voltou a olhar , desta_vez com mais atenção . Em seguida , pôs se de pé e gritou : - Não pode ser , o Harry_Potter ? A multidão dividiu se entre murmúrios de excitação . Lockhart aproximou se , agarrou Harry por um braço e levou o para a frente . A multidão rebentou em aplausos . A cara de Harry ardia quando Lockhart lhe apertou a mão para o fotógrafo que disparava como um louco , lançando fumo espesso para_cima de os Weasley . - Belo sorriso , Harry - disse Lockhart através de os seus dentes brilhantes . - Tu e eu juntos merecemos a primeira página . Quando por fim lhe largou a mão , Harry quase não sentia os dedos . Tentou recuar para junto de os Weasley , mas Lockhart lançou lhe um braço por os ombros e prendeu o a o seu lado . - Minhas senhoras e meus senhores - disse bem alto , fazendo sinal para que se acalmassem . - Que momento extraordinário este ! O momento perfeito para eu anunciar algo que tenho vindo a guardar comigo desde_há algum tempo . - Quando o jovem Harry entrou em a Flourish and Blotts hoje , ele queria apenas comprar a minha autobiografia , que tenho agora o maior prazer em oferecer lhe - a multidão aplaudiu de_novo . - Ele não tinha ideia - continuou Lockhart , dando a o Harry um pequeno encontrão que fez com que os óculos lhe escorregassem para a ponta de o nariz - de que ia conseguir em_breve muito mais do_que o meu livro Eu , o mágico . Ele e os seus colegas de a escola vão receber , de facto , o verdadeiro * _ Eu , o mágico * . Sim , minhas senhoras e meus senhores , tenho o maior prazer em anunciar que em o mês_de_Setembro assumirei o lugar de professor de Defesa contra as artes negras em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts ! A multidão aplaudiu e bateu palmas e Harry deu consigo a ser presenteado com a obra completa de Gilderoy_Lockhart . Cambaleando ligeiramente sob o peso de os livros conseguiu abrir caminho para longe de os projectores até a a porta de a sala onde estava Ginny com o seu novo caldeirão . - Podes ficar com estes - murmurou Harry , enfiando os livros em o caldeirão . - Eu vou comprar os meus . - Aposto que adoraste aquilo , não adoraste , Potter ? - disse uma voz que Harry não teve qualquer dificuldade em reconhecer . Endireitou se e deu consigo frente_a_frente com Draco_Malfoy que exibia o seu habitual sorriso escarninho . - O famoso Harry_Potter - disse Malfoy . - Nem_sequer pode entrar em uma livraria sem se tornar primeira página . - Deixa o em paz , ele não queria nada de isso - defendeu a Ginny . Era a primeira vez que falava em frente de Harry . Olhava para Malfoy com um ar feroz . - Potter , arranjaste uma namorada ! - disse arrastadamente Malfoy . Ginny ficou vermelha como um pimentão enquanto Ron e Hermione tentavam abrir caminho , ambos carregando montes de livros de Lockhart . -- Ah és tu ? - disse Ron , olhando para Malfoy como_se ele fosse algo desagradável colado a a sola de o sapato . - Aposto que te surpreendeu ver o Harry aqui ? - Não tanto como a ti em uma loja , Weasley - retorquiu Malfoy . - Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo . Ron ficou tão vermelho quanto Ginny . Deixou também cair os livros em o caldeirão e avançou para Malfoy , mas Harry e Hermione agarraram o por as costas de o casaco . - Ron - disse Mrs._Weasley , aproximando se com Fred e George . - O que estás a fazer ? Isto está uma loucura aqui dentro , vamos lá para fora . - Olha quem ele é , Arthur_Weasley . - Era_Mr._Malfoy . Estava de pé com a mão sobre o ombro de Draco , com o mesmo sorriso escarninho . -- Lucius - disse Mr._Weasley , acenando friamente . -- Muito trabalho em o ministério , segundo me consta - disse Mr._Malfoy . - Todas essas buscas ... espero que te estejam a pagar horas extraordinárias . Meteu a mão em o caldeirão de a Ginny e tirou de o meio de os livros de Lockhart um exemplar muito velho e muito gasto de o * _ Guia_de_Transfiguração_para_Principiantes * . - Parece que não - disse . - Que diabo , qual a vantagem de ser uma nódoa entre os feiticeiros se nem_sequer te pagam bem por isso ? Mr._Weasley corou mais ainda do_que Ron ou Ginny . - Nós temos uma opinião diferente sobre quem são as nódoas entre os feiticeiros - disse . - É claro que ... - disse Mr._Malfoy , os olhos mortiços passando para Mr. e Mrs._Granger apreensivamente . - As companhias com quem tu andas ... e eu que pensava que já não conseguias descer mais baixo ... Ouviu se um tilintar de metal quando o caldeirão de a Ginny foi por os ares . Mr._Weasley lançara se sobre Mr._Malfoy atirando o para dentro_de uma estante . Dezenas_de livros de feitiços saltaram lá de cima , caindo lhes sobre as cabeças . Houve um grito de - Chega lhe , pai ! - de o Fred e de o George . Mrs._Weasley soltava gritos agudos : - Não_Arthur , não . A multidão recuava deitando mais prateleiras a o chão . - Meus senhores , por favor - gritava o encarregado , e então , mais alto do_que todos : - Parem com isso , gente , parem com isso . Hagrid aproximava se através_de um mar de livros . Em um segundo afastou Mr._Weasley e Mr._Malfoy . Mr._Weasley tinha um lábio cortado e Mr._Malfoy fora agredido em um olho por uma * _ Enciclopédia_de_Cogumelos_Venenosos * . Tinha ainda em a mão o livro velho de a Ginny sobre transfiguração . Atirou lhe o , com os olhos a brilhar de malvadez . - Toma o teu livro , garota . É o melhor que o teu pai pode oferecer te . Libertando se de Hagrid , conduziu Draco para fora e abandonaram a livraria . - Devias tê o ignorado , Arthur - disse Hagrid quase a pegar em Mr._Weasley a o colo enquanto lhe endireitava o manto . - São podres até a a raiz , todos eles . Tod'à gente sabe . Nenhum Malfoy vale a pena ser ouvido . Não prestam , ' tá-lhes em o sangue . Vá lá , vamos sair de aqui . O encarregado parecia querer impedis os , mas , olhando bem para Hagrid , pensou melhor . Subiram a rua , os Grangers a tremer de medo e Mrs._Weasley fora de si . - Um belo exemplo para as crianças ... andar a a pancada em público . O que terá pensado Gilderoy_Lockhart ? - Ele gostou - disse o Fred . - Não o ouviram quando ia a sair ? Estava a perguntar a aquele tipo de o Profeta_Diário se conseguia incluir a briga em a reportagem , disse que era boa publicidade . Mas foi um grupo deprimido que regressou a a lareira de o Caldeirão_Escoante onde Harry , os Weasley e todas_as suas compras iriam viajar de volta até a a Toca , usando o pó de Floo . Despediram se de os Grangers que iam sair de o * pub * por a rua de os Muggles , de o outro lado . Mr._Weasley começou a perguntar lhes como funcionavam as paragens de autocarros , mas calou se rapidamente a o ver a expressão de Mrs._Weasley . Harry tirou os óculos e guardou os cautelosamente em o bolso antes de utilizar o pó de Floo . Definitivamente não era a sua forma ideal de viajar . V_O salgueiro zurzidor O fim de as férias de Verão chegou demasiado depressa para o gosto de Harry . Ele desejara muito regressar a Hogwarts , mas aquele mês em a Toca tinha sido o mais feliz de toda_a sua vida . Era difícil não invejar o Ron quando pensava em os Dursleys e em as boas-vindas que ia receber de a próxima vez que pusesse os pés em Privet_Drive . Em a última noite , Mrs._Weasley preparou um jantar magnífico , que incluía os pratos favoritos de Harry e terminava com um pudim de melaço de fazer crescer água em a boca . Fred e George alegraram a noite com uma exibição de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que saltaram de o tecto para as paredes , durante pelo_menos meia_hora . Depois , foi a altura de tomarem uma caneca de chocolate quente e irem para a cama . Em a manhã seguinte , demoraram muito_tempo a preparar se . Levantaram se com o cantar de o galo , mas parecia lhes que ainda tinham muito para fazer . Mrs._Weasley andava de um lado para o outro , mal-humorada , a a procura de meias e penas , chocavam uns com os outros em as escadas , meio vestidos , meio despidos , com pedaços de torrada em as mãos e Mr._Weasley quase partiu o nariz quando tropeçou em uma galinha a o atravessar o pátio , para meter em o carro a mala de Ginny . Harry não percebia lá muito bem_como é_que oito pessoas , seis grandes malas , duas corujas e um rato , iam caber em um pequeno * _ Ford_Anglia * , isso , claro , antes de as artes mágicas que Mr._Weasley acrescentara . - Nem uma palavra a a Molly - murmurou ele a o Harry , enquanto abria a bagageira e lhe mostrava como ela se expandira para que as malas coubessem facilmente . Quando , por fim , se acomodaram todos em o carro , Mrs._Weasley olhou para o banco de trás , onde Harry , Ron , Fred , George e Percy estavam confortavelmente sentados uns a o lado de os outros e disse : - Os Muggles têm mais conhecimentos do_que aqueles que nós lhes atribuímos , não achas ? - Ela e a Ginny entraram para o lugar de a frente , que fora esticado e parecia um banco de jardim . - Quer_dizer , de_fora ninguém diria que este carro era espaçoso , não acham ? Mr._Weasley pôs o motor a funcionar e saíram de o pátio , Harry voltando se para trás para ver por a última vez a casa . Mal teve tempo de se questionar se iria voltar alguma vez e já estavam de volta : George esquecera se de a caixa de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Cinco minutos mais tarde tiveram de interromper de_novo a viagem e voltar a o pátio para o Fred ir a correr buscar a vassoura . Estavam quase a chegar a a auto-estrada , quando Ginny guinchou que se esquecera de o diário . Mas estava a fazer se muito tarde e os ânimos começavam a exaltar se . Mr._Weasley olhou para o relógio e , em seguida , para a mulher . - Molly , querida ... - Não , Arthur . - Ninguém ia ver . Este botãozinho é um transformador de invisibilidade que eu instalei , levava nos por o ar , subíamos acima de as nuvens . Estaríamos lá em dez minutos e ninguém daria por nada ... - Eu disse que não , Arthur . Durante o dia , não . Chegaram a King's_Cross , faltava um quarto para as onze . Mr._Weasley precipitou se em busca de um carrinho de transporte para as malas e correram todos para a estação . Harry apanhara o Expresso_de_Hogwarts em o ano anterior . A parte mais difícil era entrar em a plataforma nove_e_três quartos , que não era visível a os olhos de os Muggles . Era preciso avançar para a barreira sólida que dividia as plataformas nove e dez . Não doía nada , mas tinha de ser feito com cuidado para que nenhum de os Muggles de esse , por o desaparecimento . - O Percy em primeiro lugar - declarou Mrs._Weasley , olhando nervosamente para o relógio lá em cima , que mostrava que tinham apenas cinco minutos para desaparecer através de a barreira . Percy avançou a passos largos e desapareceu . Mr._Weasley foi a seguir e depois de ele Fred e George . - Eu levo a Ginny e vocês vêm atrás_de nós - disse Mrs._Weasley a o Harry e a o Ron , agarrando Ginny pela mão e seguindo em frente . Em um abrir e fechar de olhos , tinham passado . - Vamos passar juntos , só temos um minuto - disse Ron a o Harry . Harry assegurou se de que a gaiola de a Hedwig estava bem fixa em cima de a sua mala e empurrou o carrinho de encontro a a barreira . Estava perfeitamente confiante , aquilo era muito mais fácil do_que usar o pó de Floo . Puseram os dois as mãos em o puxador de os carrinhos e avançaram direitos a a barreira , ganhando velocidade . A um metro e pouco , começaram a correr e ... CRASH . Os dois carros bateram em a barreira e foram impelidos para trás . A mala de o Ron caiu com um enorme estrépito . Harry desequilibrou se e a gaiola de a Hedwig foi parar a o chão brilhante , enquanto ela rolava guinchando , indignada . As pessoas em volta olhavam fixamente e um guarda que estava ali perto gritou : - Que diabo pensam vocês que estão a fazer ? - Perdemos o controlo de o carro de transporte - respondeu o Harry , respirando com dificuldade , agarrando se a as costelas , enquanto se punha de pé . Ron correu a agarrar a Hedwig , que estava a fazer uma cena tal , que já se ouviam murmúrios em a multidão sobre a crueldade para com os animais . - Porque é_que não conseguimos passar ? - perguntou Harry a o Ron em um sussurro . - Não sei . Ron olhou descontroladamente em volta . Uma_dúzia de curiosos estavam ainda a observá os . - Vamos perder o comboio - murmurou o Ron . - Não compreendo porque motivo a cancela se fechou . Harry olhou para o relógio gigantesco com um sentimento de náusea em a boca de o estômago . Dez segundos , nove segundos ... Dirigiu o carrinho de transporte para a frente com toda_a força . O metal manteve se sólido . Três segundos ... dois segundos ... um segundo ... - Partiu - afirmou o Ron , que parecia estonteado . - O comboio foi se embora . E se a mãe e o pai não conseguem voltar para aqui ? Tens algum dinheiro de Muggle ? Harry deu uma gargalhada . - Os Dursleys não me dão um tostão há mais de seis anos ! Ron encostou o ouvido a a barreira . - Não se ouve nada - disse , bastante tenso . - O que vamos nós fazer ? Não sei quanto tempo o pai e a mãe vão demorar . Olharam em volta . As pessoas ainda estavam a observá os , principalmente devido a os contínuos guinchos de a Hedwig . - Acho que o melhor é sairmos de aqui e esperamos por eles junto de o carro - disse Harry . - Aqui estamos a atrair demasiado as aten ... - Harry - disse o Ron , com os olhos a brilhar . - É isso , o carro . - O que é_que tem ? - Podemos voar nele até Hogwarts ! - Mas eu pensei ... - Estamos em apuros , certo ? E temos de chegar a a escola , ou não ? E mesmo os feiticeiros menores de idade estão autorizados a usar a magia em uma emergência real , parágrafo dezanove , ou não sei quê , de a Restrição de ... O sentimento de pânico de Harry transformou se em entusiasmo . - E tu sabes voar nele ? - Não há problema - disse o Ron , andando com o carrinho a a volta e dirigindo se para a saída . - Anda de aí . Se em os apressarmos , conseguiremos sair atrás de o Expresso_de_Hogwarts . E afastaram se de o grupo de Muggles curiosos , abandonando a estação e voltando a a rua , onde o velho * _ Ford_Anglia * se encontrava estacionado . Ron abriu a bagageira com uma série de toques de varinha . Meteram lá dentro as malas , puseram a Hedwig em o assento de trás e entraram para a frente . - Verifica se ninguém está a ver - disse o Ron , ligando a ignição com outro toque de varinha . Harry pôs a cabeça fora de a janela : o trânsito enchia a avenida principal , mas a rua de eles estava vazia . - O. _ K. - disse . Ron carregou em um pequeno botão de o painel . Os carros em volta desapareceram assim_como eles . Harry sentia o assento a vibrar debaixo_de si , ouvia o motor , sentia as mãos sobre os joelhos e os óculos em o nariz , mas , tanto quanto conseguia ver , tornara se um par de olhos redondos flutuando um metro e pouco acima de o chão em uma rua suja , cheia de carros estacionados . - Vamos - disse a voz de o Ron , vinda de o seu lado direito . O chão e os prédios escuros de ambos os lados desapareceram de o seu ângulo de visão , mal o carro se elevou . Em poucos segundos toda_a cidade de Londres , enevoada e resplandecente , estava por baixo de eles . Em seguida , ouviu se um ruído que parecia o saltar de uma rolha e o carro , Harry e Ron , reapareceram . - Oh , oh - disse Ron , batendo em o intensificador de invisibilidade . - Está avariado ... Começaram os dois a bater em o botão . O carro desapareceu . Depois surgiu de forma intermitente . - Aguenta aí - gritou o Ron e carregou com o pé em o acelerador . Saltaram direitinhos para o meio de as nuvens mais baixas e tudo ficou sujo e enevoado . - E agora ? - exclamou Harry , piscando os olhos a a sólida massa de nuvens que os comprimia de todos os lados . - Precisamos de avistar o comboio para sabermos qual a direcção a tomar - explicou o Ron . - Desce rapidamente ... Desceram por o meio de as nuvens e voltaram se em os lugares , espreitando . - Estou a vê o - gritou Harry . - Mesmo em frente , ali . O Expresso_de_Hogwarts deslocava se a grande velocidade lá em baixo , como uma serpente vermelha . - Para Norte - disse o Ron , verificando a bússola de o painel . - O. _ k . , basta que verifiquemos de meia em meia_hora . Aguenta aí ... - e arrancaram por o meio de as nuvens . Em o minuto seguinte , tinham chegado a a luz brilhante de o Sol . Era um mundo diferente . Os pneus de o carro deslizavam sobre o mar de nuvens macias , o céu era de um azul infinito sob a luz , capaz de cegar , que irradiava de o Sol . - Agora só temos de nos preocupar com os aviões - disse o Ron . Olharam um para o outro e desataram a rir . Durante muito_tempo não conseguiram parar . Era como_se tivessem mergulhado em um sonho fabuloso . Aquela , pensou Harry , era certamente a única maneira de viajar : passando por turbilhões e torres de nuvens cor de neve , em um carro cheio de calor , o sol radioso , com um grande pacote de rebuçados em o porta-luvas e antegozando o ar de inveja de o Fred e de o George quando aterrassem suavemente e de forma espectacular em o relvado macio em frente de o castelo de Hogwarts . Espreitaram várias vezes o comboio enquanto voavam cada_vez_mais para norte . Cada descida entre as nuvens dava lhes uma perspectiva diferente . Londres depressa ficou para trás , substituída por campos verdejantes que , por sua vez , deram lugar a grandes pântanos arroxeados , aldeias com pequenas igrejas de brinquedo e uma grande cidade , cheia de vida , com carros que pareciam formigas multicores . Várias horas mais tarde sem acontecer nada de_novo , Harry teve de admitir que uma parte de o entusiasmo se esgotara . Os rebuçados tinham nos deixado cheios de sede e não havia nada para beber . Ele e o Ron tinham tirado as camisolas , mas a * _ T-shirt * de o Harry estava colada a as costas de o assento e os óculos não paravam de lhe escorregar para a ponta de o nariz . Deixara de reparar em as fabulosas formas de as nuvens e pensava com saudade em o comboio , milhas abaixo de eles , onde se podia comprar sumo fresquinho de abóboras em um carro empurrado por uma bruxa gordinha . Porque não teriam conseguido entrar em a plataforma nove_e_três quartos ? - Não pode ser muito mais longe , pois não ? - resmungou o Ron , horas mais tarde quando o Sol começava a enfiar se em o seu chão de nuvens , pintando as de um rosa profundo . - Estás pronto para outra espreitadela a o comboio ? Ainda ia mesmo por baixo de eles , abrindo caminho por_entre uma montanha com o topo coberto de neve . Estava muito mais escuro entre o dossel de nuvens . Ron pôs o pé em o acelerador e levou os de_novo para_cima , mas em esse momento o motor começou a chiar . Harry e Ron trocaram entre si olhares nervosos . - Deve estar só cansado - disse o Ron . - Nunca tinha vindo tão longe ... - E fingiram ambos que não davam por o gemido que se ia tornando maior à_medida_que o céu serenamente escurecia . As estrelas desabrochavam em a escuridão , Harry voltou a enfiar a camisola de lã , tentando ignorar os limpa pára-brisas que acenavam debilmente como_que a protestar . - Não devemos estar longe - disse Ron , dirigindo se mais a o carro do_que a o amigo . - Já não devemos estar longe - deu umas palmadinhas nervosas em o * tablier * . Pouco depois , quando voltaram a voar em o meio de as nuvens , tiveram de olhar de lado em a escuridão , em busca de um ponto de referência que conhecessem . - Ali - gritou Harry , fazendo o Ron e a Hedwig darem um salto . - Mesmo em frente . Recortados em o horizonte negro , sobre o rochedo de o outro lado de o lago , erguiam se as torres e torreões de o castelo de Hogwarts . Mas o carro tinha começado a estremecer e perdia a os poucos velocidade . - Vá lá - disse o Ron , dando a o volante um pequeno abanão bajulador . - Estamos quase a chegar , vá lá ... O motor gemeu . Pequenos jactos de vapor de água brotaram de o capo . Harry deu consigo agarrado com toda_a força a os bordos de o assento enquanto voavam direitos a o lago . O carro deu um solavanco feio . Espreitando por a janela , Harry viu a superfície negra , macia e espelhada de a água cerca de uma milha abaixo de eles . Os dedos de o Ron agarrados a o volante tinham as articulações brancas . O carro deu um novo esticão . - Vá lá - murmurou o Ron . Estavam sobre o lago ... o castelo ficava mesmo em frente . Ron fez força com o pé . Houve um ruído surdo , uma crepitação e o motor morreu por completo . - Oh ! oh ! - gemeu Ron em o silêncio . O nariz de o carro voltou se para baixo . Estavam a cair , ganhando velocidade em direcção a os muros sólidos de o castelo . - Naaaaão ! - gritou o Ron , girando o volante . Escaparam a a muralha de pedra negra por centímetros , quando o carro fez um grande arco , planando primeiro sobre as estufas , depois sobre o rectângulo plantado com vegetais e , por fim , sobre os relvados , perdendo sempre velocidade . Ron largou o volante por completo e tirou a varinha de o bolso de trás . - __ pára ! __ pára ! - gritou , batendo em o * tablier * e em o pára-brisas , mas eles continuavam a mergulhar , o chão a voar em direcção a eles . - : __ cuidado com essa __ árvore ! ! ! - bramiu Harry , deitando a mão a o volante , mas ... tarde de mais ... CRUNCH . Com um ruído ensurdecedor de metal e madeira , bateram em o tronco espesso de a árvore e caíram em o chão com um forte solavanco . O vapor era um mar debaixo de o capo amachucado . A Hedwig tremia apavorada . Em a cabeça de Harry surgira um alto de o tamanho de uma bola de golfe , quando ele batera em o pára-brisas , tombando em seguida para a direita . Ron soltou um gemido longo e desesperado . - Estás O. _ K ? - perguntou Harry , aflito . - A minha varinha - disse o Ron em uma voz trémula . - Olha para a minha varinha . Tinha se partido praticamente em duas , a ponta balouçava mole , presa por meia_dúzia de esquírolas . Harry abriu a boca para dizer que em a escola com certeza conseguiriam consertá a , mas nem chegou a começar a frase . Em esse preciso momento , algo bateu em o seu lado de o carro , com a força de um touro , projectando o para_cima de o Ron , ao_mesmo_tempo que um golpe igualmente forte se sentiu em o capô . - O que está a acontec ... Ron arfou , olhando fixamente por o pára-brisas e Harry olhou em volta , mesmo a_tempo_de ver uma ramada espessa como uma píton vir contra o vidro . A árvore em que tinham batido estava a atacá os . O tronco dobrara se quase a meio e os seus galhos rugosos davam uma tareia a cada centímetro de o carro que conseguiam atingir . - Ah ! - praguejou o Ron , quando outra pernada retorcida esmurrou a sua porta , amolgando a . O pára-brisas tremia agora sob uma saraivada de golpes vindos de galhos que pareciam patas de animais e uma ramada espessa como um aríete esmagava furiosamente o capo , que parecia estar a ceder ... - Corre ! - gritou o Ron , lançando o seu peso contra a porta , mas , em o momento seguinte , tinha sido atirado para trás , para o colo de Harry por um soco maldoso , dado de baixo para_cima , por outro ramo . - Estamos feitos ! - resmungou , enquanto o tecto descaía . Mas , de repente , o chão de o carro estava a vibrar , o motor pegara . - Marcha atrás - gritou o Harry e o carro deu um salto para trás . A árvore tentava ainda agredis os , ouviam as raízes chiar , enquanto quase se partiam esticando se para os alcançar . - Escapámos por_pouco ! - exclamou o Ron . - Muito bem , carro . Mas o carro tinha atingido o limite de as suas forças . Com dois estalidos , as portas abriram se e Harry sentiu o seu assento inclinar se para o lado . Quando deu por si , estava estatelado em o chão húmido . Ruídos surdos avisaram o de que o carro estava a ejectar as malas de a bagageira . A gaiola de a Hedwig voou por os ares e abriu se . Ela saiu a voar com um pio furioso e dirigiu se a o castelo , sem sequer olhar para trás . Em seguida , o carro , amolgado , arranhado e a fumegar , arrancou em o escuro , com os faróis traseiros ardendo de fúria . - Volta aqui ! - gritou o Ron , brandindo a varinha partida . - O meu pai mata me . Mas o carro desapareceu a perder de vista , com um último estoiro de o tubo de escape . - Já viste bem o nosso azar ! ? - exclamou o Ron em o meio de a sua infelicidade , baixando se para apanhar o rato Scabbers . - De todas_as árvores em que podíamos ter batido , tínhamos de ir dar a uma que bate também . Olhou por cima de o ombro para a velha árvore que ainda agitava os ramos ameaçadoramente . - Vamos - disse Harry , fatigado . - É melhor irmos andando para a escola ... Não foi , de modo algum , a chegada triunfal que tinham imaginado . Constrangidos , cheios de frio e magoados , pegaram em as malas e começaram a arrastá as por o relvado acima , em direcção a as grandes portadas de carvalho . - Acho que o banquete já começou - disse o Ron , largando a mala em os degraus de a entrada e atravessando devagarinho para espreitar por uma janela iluminada . - Harry , anda ver , é a distribuição . Harry apressou se e os dois , ele e o Ron , espreitaram para o Salão_Nobre . Um número infindável de velas pairava em o ar , sobre quatro mesas enormes cheias de gente , fazendo brilhar os pratos dourados e as taças . Em cima , o tecto encantado que espelhava o céu lá de_fora , brilhava cheio de estrelas . Por_entre a floresta de chapéus pretos pontiagudos de Hogwarts , Harry viu uma longa fila de alunos de o primeiro ano com olhares assustados que enchia o vestíbulo . Ginny estava entre eles , facilmente reconhecível devido a o seu chamativo cabelo Weasley . Enquanto isso , a professora Mc_Gonagall , uma bruxa de óculos com cabelo castanho apanhado em um carrapito , colocava o famoso chapéu seleccionador em um banco que se encontrava em frente de os novos alunos . Todos os anos , aquele velho chapéu , remendado , puído e cheio de pó , seleccionava alunos para as quatro equipas de Hogwarts ( Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin ) . Harry lembrava se bem de o ter colocado em a cabeça , precisamente um ano antes , e ter esperado petrificado por a sua decisão , enquanto ele lhe murmurava a o ouvido . Durante alguns horríveis segundos receara que o chapéu o mandasse para os Slytherin , a equipa que produzia maior número de feiticeiros e feiticeiras de magia negra , mas acabara por ficar em os Gryffindor , juntamente com Ron e Hermione e o resto de os Weasley . Em o último período , Harry e Ron tinham ajudado os Gryffindor a vencer o campeonato de a equipa , batendo os Slytherin pela_primeira_vez em sete anos . Um rapazito baixinho com cabelo de rato acabava de ser chamado para pôr o chapéu em a cabeça . Os olhos de Harry saltavam de ele para o lugar onde o professor Dumbledore , o director , estava sentado , observando a selecção de a mesa de os professores , com a sua longa barba cor de prata e óculos de meia-lua que brilhavam a a luz de as velas . Alguns lugares a a frente , Harry viu Gilderoy_Lockhart com um manto verde-azulado . E lá bem a o fundo estava Hagrid , enorme e cabeludo , bebendo satisfeito de a sua taça . - Espera aí - murmurou a o Ron . - Há um lugar vazio em a mesa de os professores . Onde estará o Snape ? Severus_Snape era o professor de quem Harry menos gostava . Harry era também o seu aluno menos querido . Cruel , sarcástico e detestado por todos com excepção de os alunos de a sua própria equipa ( Slytherin ) , Snape tinha a seu cargo a cadeira de Poções . - Talvez esteja doente - sugeriu Ron , cheio de esperança . - Talvez se tenha ido embora - lembrou Harry . - Por não lhe terem dado outra_vez a Defesa contra as artes negras . - Ou talvez tenha sido corrido - propôs Ron com entusiasmo . - Afinal , toda_a_gente o detesta ... - Ou talvez - disse uma voz gelada atrás de eles - esteja a a espera que vocês lhe expliquem por_que motivo não vieram em o comboio de a escola . Harry deu uma volta . Em a sua frente , com o manto negro a ondular em uma brisa fria , estava Severus_Snape . O professor era um homem magro , de pele descorada , nariz adunco e um cabelo preto oleoso que lhe caía sobre os ombros . E em aquele momento sorria de um modo tal que Harry sentiu que tanto ele como Ron estavam em sérios apuros . - Sigam me - disse Snape . Sem ousarem sequer olhar um para o outro , Harry e Ron seguiram Snape por as escadas até a o amplo * hall * de entrada que estava iluminado por as chamas de os archotes . De o salão nobre vinha um cheirinho delicioso a comida , mas Snape levou os para longe de a luz e de o calor , em direcção a uma escada estreita de pedra que conduzia a os calabouços . - Entrem - ordenou , abrindo uma porta a meio de o corredor e apontando . Entraram a tremer em o escritório de Snape . As paredes sombrias estavam cobertas de prateleiras cheias de jarros de vidro grosso onde flutuavam as coisas mais diversas e repugnantes , cujo nome Harry não queria de momento conhecer . A lareira estava escura e vazia . Snape fechou a porta e voltou se de frente para eles . - Com que então - disse com falsa suavidade - o comboio não serve para o famoso Harry_Potter e o seu fiel companheiro Weasley . Queriam chegar em grande estilo , não era rapazes ? - Não senhor , foi a barreira em King's_Cross , ela ... - Silêncio - disse Snape friamente . -- _ o que fizeram a o carro ? Ron engoliu em seco . Aquela não era a primeira vez que Snape dava a Harry a impressão de ser capaz de ler pensamentos . Mas , pouco depois , compreendeu tudo quando Snape desenrolou o exemplar de o Profeta_Vespertino . - Vocês foram vistos - afirmou , mostrando lhes o cabeçalho : : __ ford anglia voador confunde __ muggles . Começou a ler alto a notícia . - Dois Muggles em Londres convenceram se de que tinham visto um carro velho a voar sobre a torre de os correios ... a a tardinha em Norfolk , Mrs._Hetty_Bayliss , enquanto pendurava a roupa ... Mr._Angus_Fleet_de_Peebles informou a polícia ... seis ou sete Muggles a o todo . Julgo que o teu pai trabalha em o departamento de mau uso dado a os objectos de os Muggles ? - disse olhando para Ron e sorrindo de uma forma ainda mais sarcástica . - Que peninha , o próprio filho ... Harry sentiu se como_se tivesse levado um soco em o estômago de uma de as maiores pernadas de a árvore louca . E se alguém descobrisse que Mr._Weasley tinha enfeitiçado o carro ? Ele ainda nem tinha pensado em isso . - Reparei durante a minha volta por o jardim que foi feito um estrago considerável em um salgueiro zurzidor extremamente valioso - continuou Snape . - Essa árvore fez nos pior a nós do_que nós ... - deixou escapar Ron . - Silêncio - interrompeu Snape , de_novo . - Infelizmente vocês não fazem parte de a minha equipa e a decisão de vos expulsar não está em as minhas mãos . Vou , por isso , buscar as pessoas que possuem essa feliz possibilidade . Esperem aqui . Harry e Ron olharam , pálidos , um para o outro . Harry perdera a fome . Sentia se agora extremamente agoniado . Tentava não olhar para uma coisa viscosa , suspensa em um líquido verde que estava em uma prateleira por detrás de a secretária de Snape . Se ele fora buscar a professora Mc_Gonagall , chefe de a equipa de os Gryffindor , não estavam muito melhor . Ela era mais justa do_que Snape , mas extremamente severa . Dez minutos mais tarde , Snape voltou e era , de facto , a professora Mc_Gonagall quem o acompanhava . Harry vira a professora Mc_Gonagall zangada , mas , ou se tinha esquecido de como a boca de ela ficava fina , ou nunca a vira tão zangada como em aquele dia . Levantou a varinha em o momento em que entrou . Harry e Ron estremeceram , mas ela limitou se a apontá a para a lareira onde as chamas se elevaram subitamente . - Sentem se - ordenou , e os dois recuaram para as cadeiras junto de o lume . - Expliquem se - disse com os óculos a brilhar de uma forma ameaçadora . Ron enveredou por a história começando por a barreira de a estação que se recusara a deixá os passar . - Por isso não tínhamos escolha , professora , não podíamos chegar a o comboio . - Porque não nos mandaram uma carta por a coruja ? Julgo que tens uma coruja ? - disse friamente a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a Harry . Harry olhou para ela sem saber o que dizer . - Parece me - continuou ela - que seria a coisa mais adequada . - Eu ... não pensei ... - Isso - disse a professora Mc_Gonagall - é bastante óbvio . Ouviu se bater a a porta de o escritório e Snape , que parecia agora mais feliz do_que nunca , foi abrir . Era o director , o professor Dumbledore . Harry ficou totalmente paralisado . Dumbledore tinha uma expressão grave . Olhou para eles de cima de o seu nariz adunco e Harry desejou estar ainda com Ron a levar uma sova de o salgueiro zurzidor . Fez se um longo silêncio . Em seguida , Dumbledore disse lhes : - Por favor , expliquem porque fizeram isto . Teria sido melhor se gritasse . Harry detestou sentir a decepção em a sua voz . Inexplicavelmente era incapaz de olhar Dumbledore em os olhos e falou em direcção a os seus joelhos . Disse lhe tudo excepto que o carro enfeitiçado pertencia a Mr._Weasley , dando a ideia de que ele e o Ron o tinham encontrado estacionado fora de a estação . Sabia que Dumbledore ia ver para_além de isso , mas o director não fez perguntas sobre o carro . Quando Harry terminou continuou a olhar para ele através de os seus óculos . - Nós vamos buscar as nossas coisas - disse Ron em um tom de voz sem esperança . - Que disparate é esse ? - rosnou a professora Mc_Gonagall . -- Então , vão expulsar nos , não vão ? - disse o Ron . Harry olhou rapidamente para Dumbledore . - Ainda não , Mr._Weasley - afirmou Dumbledore . - Mas vou assinalar a gravidade do_que vocês fizeram . Hoje a a noite escreverei a as vossas famílias . Estão também prevenidos que se voltarem a fazer uma coisa como esta não terei outro remédio senão expulsar vos . A expressão de Snape era como_se o Natal tivesse sido cancelado . Pigarreou e disse : - Professor_Dumbledore , estes rapazes infringiram o decreto para a restrição de a feitiçaria de os menores , causaram estragos consideráveis a uma árvore antiga e valiosa ... sem dúvida , actos de esta natureza ... - Cabe a a professora Mc_Gonagall decidir sobre os castigos de os rapazes , Severus - afirmou Dumbledore com toda_a calma . - Pertencem a a equipa de ela e são , portanto , de a sua responsabilidade . - Voltou se para a professora Mc_Gonagall . - Tenho de regressar a o banquete , Minerva , devo dar algumas informações . Venha Severus , há uma tarte de leite e ovos com um aspecto delicioso que quero mostrar lhe . Snape lançou um olhar de puro veneno a o Harry e a o Ron enquanto permitia que o afastassem de o seu escritório , deixando os a sós com a professora Mc_Gonagall que ainda os olhava como uma águia em fúria . - É melhor ires até a a ala hospitalar , Weasley , estás a sangrar . - Não é nada - disse Ron , limpando o corte com a manga para que ela o visse . - Professora , eu gostava de ver a minha irmã ser seleccionada . - A cerimónia de a selecção terminou - disse a professora Mc_Gonagall . - A tua irmã está também em os Gryffindor . - _ óptimo - exclamou Ron . - E por falar em os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall de forma cortante , mas Harry interrompeu a : - Professora , quando tirámos o carro , o ano escolar ainda não tinha começado , por isso os Gryffindor não deveriam perder pontos , pois não ? - terminou olhando a ansiosamente . A professora Mc_Gonagall lançou lhe um olhar penetrante , mas ele era capaz de jurar que ela quase tinha sorrido . Pelo_menos a boca não parecia tão fina . - Não vou tirar pontos a os Gryffindor - tranquilizou o . E o coração de Harry ficou mais leve . - Mas vocês os dois vão ter um castigo . Foi melhor do_que Harry imaginara . O facto de Dumbledore escrever a os Dursley não tinha a menor importância . Harry sabia perfeitamente que eles só lamentariam que o salgueiro zurzidor não o tivesse esmigalhado . A professora Mc_Gonagall ergueu a varinha de_novo apontou a a a secretária de Snape . Um grande prato de sanduíches , duas taças de prata e um jarro com sumo de abóbora gelado apareceram em menos_de um segundo . - Vocês vão comer aqui e , em seguida , vão direitinhos para o vosso dormitório - disse . - Eu também tenho de voltar para a festa . Mal a porta se fechou atrás de ela , Ron soltou baixinho um assobio . - Pensei que estávamos feitos - confessou , agarrando uma sanduíche . - Também eu - disse o Harry , orando também uma . - Mas já viste bem a nossa pouca sorte ? - insistiu o Ron com a boca cheia de frango e fiambre . - O Fred e o George voaram em aquele carro cinco ou seis vezes e nenhum Muggle os viu - engoliu outro pedaço enorme de a sanduíche . - Porque será que não conseguimos passar a barreira ? Harry encolheu os ombros . - Mas temos de ter muito cuidado a_partir_de agora - disse bebendo um grande trago de sumo de abóbora . - Que pena não termos podido ir a o banquete . - Ela não quis que nos exibíssemos - afirmou Ron com prudência . - Não vão as pessoas pensar que é uma boa chegar aqui de carro voador . Quando já tinham comido todas_as sanduíches que queriam ( o prato ia voltando a encher se sozinho ) , levantaram se e saíram de o escritório , seguindo o caminho que lhes era familiar , para a torre de os Gryffindor . O castelo estava em silêncio . Parecia que o banquete tinha acabado . Passaram por retratos murmurantes e armaduras que gemiam e subiram os degraus estreitos de pedra até que , por fim , chegaram a a passagem onde a entrada secreta para a torre de os Gryffindor se encontrava oculta por detrás de o quadro a óleo de uma dama gorda em um vestido cor-de-rosa . - A senha ? - perguntou ela mal os dois se aproximaram . - Er ... Eles ainda não tinham estado com o prefeito de os Gryffindor e por isso ainda não conheciam a senha para o novo ano , mas a ajuda não se fez esperar . Ouviram passos apressados atrás de eles e quando se voltaram viram Hermione que se aproximava . - Aí estão vocês . Onde é_que se meteram ? Correm os boatos mais ridículos , alguém disse que vocês tinham sido expulsos por espatifarem um carro voador . - Bem , expulsos não fomos - tranquilizou a Harry . - Não estás a dizer me que voaram até aqui ? - perguntou Hermione em um tom quase tão severo como a professora Mc_Gonagall . - Dispensa se o sermão - interrompeu Ron impacientemente . - E diz nos a nova senha de passagem . - É crista de pássaro - disse Hermione não contendo a impaciência . - Mas o mais importante não é isso ... Contudo as palavras de ela foram interrompidas ao_mesmo_tempo que o retrato de a dama gorda se abria e se ouvia uma tempestade de aplausos . A o que parecia a equipa de os Gryffindor estava ainda acordada , dentro de a sala comum em forma de círculo , junto de as mesas assimétricas e de os cadeirões moles a a espera que eles chegassem para , de braços estendidos através de o buraco de o retrato , puxarem Harry e Ron para dentro deixando Hermione para o fim . - Sensacional - gritou Lee_Jordan . - Inspirado ! Que entrada ! Voar em um carro e aterrar em o salgueiro zurzidor . Toda_a_gente vai falar de isto durante anos e anos . - Muito bem - disse um aluno de o quinto ano com quem Harry nunca tinha falado . Alguém dava lhe palmadas em as costas como_se ele acabasse de vencer a maratona . Fred e George abriram caminho por_entre a multidão e disseram ao_mesmo_tempo : - Por_que é_que não nos chamaram , hein ? - Ron estava vermelho como um pimentão , sorrindo envergonhado , mas Harry via perfeitamente uma pessoa que não estava nada contente . Percy elevava se acima de as cabeças de os excitados alunos de o primeiro ano e parecia estar a tentar aproximar se para os repreender . Harry deu uma cotovelada a o Ron e apontou em direcção a Percy . Ron percebeu de imediato . - Temos de ir para_cima , um_pouco cansados ! - explicou e os dois começaram a abrir caminho em direcção a a porta que ficava de o outro lado de a sala e que dava para a escada em espiral e para os dormitórios . - ` _ Noite - despediu se Harry_de_Hermione que tinha um ar tão carrancudo como Percy . Conseguiram chegar a o outro lado de a sala comum sempre a levarem palmadas em as costas e alcançaram o sossego de as escadas . Apressaram se a subir e , por fim , chegaram a a porta de o dormitório que tinha agora um letreiro a dizer « Segundos_Anos » . Entraram em o quarto circular , que conheciam tão bem , com as suas cinco camas de dossel adornadas de velado vermelho e as suas janelas altas e estreitas . As malas tinham sido trazidas para_cima e colocadas a os pés de as camas . Ron fez um sorriso culpado . - Sei que não devia ter gostado de aquilo , mas ... A porta de o dormitório abriu se e os outros rapazes de os Gryffindor entraram ; eram eles o Seamus_Finnigan , o Dean_Thomas e o Neville_Loogbottom . - Inacreditável - aplaudiu Seamus . - Incrível - aprovou o Dean . - Espantoso - exclamou o Neville , aterrado . Harry não pôde evitar também um sorriso . VI_Gilderoy_Lockhart_No dia seguinte , contudo , Harry não conseguiu sorrir . As coisas começaram a correr mal logo em o salão durante o pequeno-almoço . Debaixo de o tecto encantado ( em aquele dia triste e cinzento ) estavam as quatro grandes mesas de as equipas e sobre elas , terrinas de papa de aveia , pratos de arenque defumado , montanhas de torradas e pratadas de ovos com * bacon * . Harry e Ron sentaram se em a mesa de os Gryffindor , junto de Hermione que tinha o seu exemplar de * _ Viagens com Vampiros * totalmente aberto , encostado a um jarro de leite . Havia uma certa rigidez em a maneira como ela disse : - ` _ Dia - que mostrou a Harry que continuava a desaprovar o modo como tinham chegado a a escola . Por seu turno , Neville_Longbottom saudou os entusiasticamente . Neville era um rapazinho de cara redonda , muito dado a acidentes , com a pior memória que Harry tinha conhecido . - A entrega de correio deve estar a chegar , acho que a minha avó me vai mandar umas quantas coisas de que me esqueci ... Harry tinha começado a comer as papas de aveia , quando se ouviu um ruído tumultuoso em o ar e umas cem corujas entraram ao_mesmo_tempo , sobrevoando o salão e deixando cair cartas e pacotes em o meio de a multidão faladora . Um embrulho grande e rugoso caiu em a cabeça de Neville e , um segundo depois , uma coisa larga e cinzenta caiu em o jarro de a Hermione , enchendo os a todos de leite e penas . - Errol - gritou o Ron , puxando a coruja esfarrapada por as patas . Errol caíra inconsciente sobre a mesa com as pernas para o ar e um envelope vermelho húmido em o bico . - Oh , não ! - sobressaltou se Ron . - Ela está bem , ainda está viva - tranquilizou o Hermione , tocando suavemente em a Errol com a ponta de o dedo . - Não é isso , é ... aquilo . Ron apontava para o envelope vermelho . Parecera perfeitamente vulgar a Harry , mas Ron e Neville estavam ambos a observá o como_se esperassem que explodisse . - Qual é o problema ? - perguntou Harry . - Ela . Ela mandou me um * gritador * - disse Ron , quase sem voz . - É melhor abrires - aconselhou Neville em um murmúrio tímido - senão é pior . A minha avó uma_vez mandou me um que eu ignorei e ... - engoliu em seco - foi horrível . Harry olhava , ora para as suas caras , ora para o envelope vermelho . - O que é um * gritador * ? - perguntou . - Mas toda_a atenção de o Ron estava fixa em a carta que começara a fumegar por os cantos . - Abre a - intimou o Neville . - De aqui a poucos minutos já passou tudo . Ron estendeu uma mão trémula , retirou o envelope de o bico de a Errol e começou a abri o . Neville pôs os dedos em os ouvidos . Após uma fracção de segundo , Harry compreendeu porquê . Pensou em o primeiro momento que ela explodira . Um ruído ensurdecedor encheu o enorme salão , fazendo cair pó de o tecto . - ... : __ roubar o carro ! não me surpreendia nada se te expulsassem . espera só até te pôr as mãos em cima . será que não paraste para pensar em a nossa aflição quando vimos que o carro tinha __ desaparecido ... Os gritos de Mrs._Weasley , ampliados cem vezes em relação a o seu normal , fizeram os pratos e as colheres chocalhar em a mesa e ecoaram de forma ensurdecedora em as paredes de pedra . Vinha gente de todos os lados espreitar quem tinha recebido o * gritador * e Ron afundou se tanto em a cadeira que só se lhe via a testa carmesim . - ... : __ uma carta de o dumbledore ontem a a noite , o teu pai quase morria de vergonha . não foi esta a educação que te demos , tu e o harry podiam ter __ morrido ... Harry estava a ver quando é_que o seu nome viria a a baila . Tentou o melhor que pôde agir como_se não ouvisse a voz , mas aquilo estava a fazer com que os tímpanos lhe latejassem . - ... : __ profundamente decepcionada , o teu pai vai ter de se confrontar com um inquérito em o trabalho , tudo por tua culpa e , se pisas mais_uma_vez o risco , trago te para __ casa ! Seguiu se um silêncio ressonante . O envelope vermelho , que caíra de as mãos de o Ron , incendiou se e encaracolou se em cinzas . Harry e Ron estavam sentados de boca aberta , como_se uma onda gigante lhes tivesse passado por cima . Algumas pessoas riam e , a os poucos , o ruído de as conversas recomeçou . Hermione fechou o * _ Viagens com Vampiros * e olhou para o topo de a cabeça de Ron . - Bem , não sei o que esperavas , Ron , mas tu ... - Não me venhas dizer que mereci - interrompeu Ron . Harry afastou as papas de aveia . O estômago ardia lhe de culpa . Mr._Weasley tinha um inquérito em o trabalho , depois de tudo_o_que Mr. e Mrs._Weasley tinham feito por ele durante o Verão ... Mas não teve muito_tempo para se demorar em aqueles pensamentos . A professora Mc_Gonagall circulava em volta de as mesas de os Gryffindor distribuindo horários . Harry pegou em o seu e viu que começavam por ter Herbologia , juntamente com os Hufflepuff . Harry , Ron e Hermione saíram juntos de o castelo , atravessaram as hortas e chegaram a as estufas , onde estavam guardadas as plantas mágicas . O * gritador * tivera pelo_menos uma vantagem : Hermione parecia achar que já tinham sido suficientemente castigados e estava de_novo perfeitamente calorosa . Quando estavam a chegar a as estufas viram o resto de a classe de pé , cá fora , a a espera de a professora Sprout . Harry , Ron e Hermione tinham acabado de se lhes juntar quando a viram aproximar se a passos largos por o relvado , acompanhada de Gilderoy_Lockhart . A professora Sprout era uma bruxa pequenina e atarracada que usava um chapéu a os remendos sobre o cabelo solto . As roupas que vestia estavam sempre cheias de terra e as suas unhas fariam a tia Petúnia desmaiar . Gilderoy_Lockhart , pelo_contrário , tinha um ar imaculado em as suas vestes azul-turquesa , o cabelo doirado a brilhar debaixo_de um chapéu azul-turquesa , com uma fita dourada , perfeitamente posicionado sobre a cabeça . - Olá a todos ! - gritou Lockhart , dirigindo se a o grupo de estudantes . - Estive a mostrar a a professora Sprout a maneira correcta de tratar um salgueiro . Mas não quero que fiquem com a ideia de que sou melhor do_que ela em Herbologia . Acontece que encontrei várias de estas plantas exóticas , durante as minhas viagens .... - Estufa número três hoje , meninos ! - disse a professora Sprout que estava visivelmente descontente , bem diferente de a sua habitual natureza bem-disposta . Houve um murmúrio de interesse . Eles só tinham estado uma_vez em a terceira estufa , que era uma estufa que abrigava plantas bem mais interessantes e perigosas . A professora Sprout tirou uma enorme chave de o cinto e abriu a porta . Harry sentiu o bafo de a terra húmida com adubo misturado e o perfume forte de umas flores gigantescas , de o tamanho de guarda-chuvas , que estavam penduradas de o tecto . Ia seguir Ron e Hermione , quando a mão de o Lockhart o travou . -- Harry ! Tenho querido ter uma palavrinha contigo . Não se importa se ele chegar uns minutos atrasado , pois não , professora Sprout ? A julgar por a expressão carregada de a professora Sprout , importava se sim , mas Lockhart disse : - Então até já - e fechou a porta de a estufa em a cara de ela . - Harry ! - disse Lockhart , com os dentes brancos a brilharem a o sol , enquanto abanava a cabeça . - Harry , Harry , Harry ! Harry , totalmente perplexo , não disse uma palavra . - Quando ouvi dizer , bem , é claro que eu tive muita culpa , deviam castigar me também ... Harry não fazia ideia de que estava ele a falar , quando Lockhart prosseguiu : - Nunca me lembro de ficar tão chocado . Fazer voar um automóvel até Hogwarts ! Bem , é claro que eu percebi logo porque o fizeste . Foi um destaque em grande . Harry , Harry , Harry ! Era notável como ele conseguia mostrar todos aqueles dentes brilhantes , mesmo quando não estava a falar . - Criei te o gosto por a publicidade , não foi ? - perguntou Lockhart . - Passei te o bichinho . Apareceste comigo em a primeira página e não podias esperar para aparecer outra_vez ... - Oh , não , professor , sabe é_que ... - Harry , Harry , Harry - disse Lockhart aproximando se e tocando lhe em o ombro . - * _ Eu compreendo * . É natural querer um_pouco mais quando se lhe tomou o gosto , e eu culpo me por te ter dado esse conhecimento , porque era natural que te subisse a a cabeça , mas vê uma coisa , rapazinho , tu não podes começar a fazer voar carros para tentares ser notícia . Tens de acalmar , está bem ? Tens muito_tempo quando fores mais velho . Sim , sim , eu sei o que estás a pensar ! É fácil para ele falar assim , já é um feiticeiro internacionalmente famoso ! Mas quando eu tinha doze anos era tão zé-ninguém como tu és hoje . Em a verdade , era ainda mais . De ti , já meia_dúzia de pessoas ouviram falar , não é ? Toda aquela história com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . - Olhou para a cicatriz luminosa em a testa de Harry . - Eu sei , eu sei , não é o mesmo_que vencer o Prémio de o sorriso de o feiticeiro de a semana cinco vezes seguidas , como eu venci , mas é um começo , Harry , é um começo . Lançou lhe uma piscadela de olhos cordial e foi se embora . Harry ficou atarantado durante alguns segundos . Depois , lembrando se que deveria estar em a estufa , abriu a porta e esgueirou se lá para dentro . A professora Sprout estava de pé , por_detrás_de uma espécie de mesa em o meio de a estufa . Em cima de a mesa estavam cerca de vinte pares de abafo de ouvidos de diferentes cores . Quando Harry estava já em o seu lugar , entre Ron e Hermione , ela disse : - Hoje vamos transplantar Mandrágoras . Muito bem , quem sabe dizer me as propriedades de a Mandrágora ? Não foi surpresa para ninguém que a mão de a Hermione fosse a primeira em o ar . - A Mandrágora tem um efeito reparador muito poderoso - disse Hermione , com o ar mais normal de este mundo , como_se tivesse engolido o livro de texto . - É usada para fazer voltar as pessoas , que foram transfiguradas ou amaldiçoadas , a o seu estado original . - Excelente . Dez pontos para os Gryffindor ! - exclamou a professora Sprout . - A Mandrágora é parte integrante de a maior parte de os antídotos , mas também é perigosa . Quem sabe dizer me porquê ? A mão de Hermione por_pouco não bateu em os óculos de Harry , quando se ergueu de_novo . - O grito de a Mandrágora é fatal para quem o ouve - disse prontamente . - Precisamente . Dou lhe mais dez pontos - disse a professora Sprout . - Agora vejamos , as Mandrágoras que aqui temos são ainda muito jovens . Enquanto falava , apontou para uma fila de tabuleiros com uma certa profundidade e todos se chegaram a a frente para ver melhor . Cerca de uma centena de plantinhas tufosas de um verde arroxeado cresciam em filas . Pareceram perfeitamente vulgares a Harry , que não fazia a menor ideia do_que Hermione queria dizer com o * grito * de a Mandrágora . - Cada_um de vocês pode tirar um par de abafo de ouvidos - disse a professora Sprout . Houve uma competição renhida porque ninguém queria os cor-de-rosa , cheios de penugem . - Quando eu vos disser para os colocar , assegurem se de que os vossos ouvidos estão completamente tapados - disse a professora Sprout . - Logo_que seja seguro retirá os , eu levanto os dedos . Certo , pôr os abafos de os ouvido . Harry pôs imediatamente os abafos em os ouvidos . Eles fecharam completamente o som . A professora Sprout colocou também um par de abafos cor-de-rosa com penugem em os de ela , arregaçou as mangas de a túnica , agarrou uma de as plantas tufosas e puxou com toda_a força . Harry soltou um grito de surpresa que ninguém ouviu . Em_vez_de raízes , um bebé pequenino , enlameado e extremamente feio , saiu de a terra . As folhas cresciam lhe em o alto de a cabeça , tinha uma pele pintalgada de um pálido esverdeado e estava nitidamente a berrar a plenos pulmões . A professora Sprout tirou debaixo de a mesa um grande vaso de plantas e mergulhou lá dentro a Mandrágora , enterrando a em a mistura escura e húmida , até que só as folhas ficassem visíveis . Em seguida , limpou a terra de as mãos , levantou os dedos e todos eles retiraram os abafos de os ouvidos . - Como as nossas Mandrágoras são muito novas , os seus gritos ainda não matam - disse ela com grande calma , como_se tivesse feito algo tão normal como regar uma begónia . - Contudo , podem pôr vos a dormir durante várias horas e , como com certeza nenhum de vocês quer perder o primeiro dia de aulas , vejam se os abafos estão bem colocados enquanto trabalham . Eu chamarei vos a atenção quando for altura de os retirar . - Quatro em cada fila , há aqui uma grande quantidade de vasos , a mistura de terra está em os sacos ali a o fundo e tenham cuidado com a * _ Venomous_Tentacula * , estão a nascer lhe os dentes . Enquanto falava , deu uma pancada seca a uma planta vermelha escura cheia de pontas eriçadas , fazendo a encolher as longas antenas que tinham estado a avançar lenta e dissimuladamente sobre o seu ombro . A Harry , Ron e Hermione veio juntar se em a fila um rapaz de cabelo encaracolado de os Hufflepuff que Harry conhecia de vista , mas com quem nunca tinha falado . - Justin_Finch - _ Fletchey - disse ele com vivacidade , apertando a mão de o Harry . - Conheço te , claro , o famoso Harry_Potter ... e tu és a Hermione_Granger , sempre a primeira em tudo ( Hermione brilhou em um sorriso , como_se ele lhe tivesse apertado a mão ) e Ron_Weasley . Não era teu o carro voador ? Ron não sorriu . Não lhe saía de a cabeça o * gritador * . - Aquele Lockhart é o_máximo , não acham ? - disse Justin satisfeito , enquanto começavam a encher os vasos com composto de adubo de dragão . - Terrivelmente corajoso . Leram os livros de ele ? Eu teria morrido de medo se um lobisomem me tivesse encurralado em uma cabina telefónica , mas ele manteve se calmo e ... zap ... fantástico ! « Eu estava inscrito em Eton , sabem , não imaginam como estou feliz de ter vindo antes para aqui . É claro que a minha mãe ficou um_pouco desiludida , mas depois de lhe ter dado os livros de Lockhart a ler , tenho a impressão de que ela começou a ver a utilidade de ter um feiticeiro bem treinado em a família ... Depois de isso , não tiveram grandes oportunidades para conversar . Voltaram a pôr os abafos de ouvidos e era preciso concentrarem se em as Mandrágoras . A professora Sprout fizera as coisas parecerem extremamente simples , mas não eram . As Mandrágoras não gostavam de sair de a terra mas também não pareciam querer voltar para lá . Elas contorceram se , deram pontapés , agitaram as mãozinhas finas e rangeram os dentes . Harry levou dez minutos inteirinhos a tentar meter uma Mandrágora particularmente gorda dentro_de um vaso . Em o final de a aula , Harry , como todos os outros , estava a suar , cheio de dores e coberto de terra . Regressaram a o castelo a pé para um banho rápido e , em seguida , os Gryffindor apressaram se para assistir a a aula de transfiguração . As aulas de a professora Mc_Gonagall eram sempre complicadas , mas a de aquele dia era particularmente difícil . Tudo_o_que o Harry aprendera em o ano anterior parecia ter se lhe apagado de a memória durante o Verão . Ele deveria ser capaz de transformar uma barata em um botão , mas , tudo_o_que conseguiu foi fazer a barata praticar um imenso exercício , enquanto corria apressadamente por o tampo de a secretária evitando a varinha . Ron estava a debater se com problemas bastante piores . Tinha atado a varinha com uma fita mágica , mas parecia que não havia reparação possível . Não parava de crepitar e lançar faíscas em os momentos mais estranhos e , sempre_que Ron tentava transfigurar a barata , via se envolvido em um fumo cinzento espesso que cheirava a ovos podres . Incapaz de ver o que estava a fazer , o Ron esmagou , por engano , a barata com o cotovelo e teve de ir pedir que lhe dessem outra , o que deixou a professora Mc_Gonagall muito pouco satisfeita . Harry ficou aliviado quando ouviu tocar a campainha para o almoço . Sentia a cabeça como uma esponja espremida . Todos os alunos saíram em fila de a aula excepto ele e Ron que dava furiosas varadas em a secretária . - Coisa estúpida e inútil . - Escreve a os teus pais a pedir outra - sugeriu Harry , enquanto a varinha disparava com estrondo um foguete explosivo . - Ah pois , e receber outro * gritador * em a volta de o correio - respondeu Ron , metendo a varinha que já assobiava , dentro de o saco . - * _ A culpa é toda tua se a varinha está estragada * ... Desceram para o almoço e aí a disposição de o Ron não iria melhorar com Hermione a mostrar lhe uma mão-cheia de botões de casaco , perfeitinhos , que produzira em a transfiguração . - O que temos esta tarde ? - quis saber Harry , mudando rapidamente de assunto . - Defesa contra as artes negras - disse Hermione , sem perder tempo . - Porque é_que tu ... - perguntou Ron , pegando em o horário de ela - desenhaste corações em volta de as aulas de o Lockhart ? Hermione arrancou lhe o horário de as mãos , corando furiosa . Acabaram de almoçar e foram para o pátio carregado de nuvens . Hermione sentou se em um degrau de pedra e enfiou de_novo o nariz em as * _ Viagens com Vampiros * . Harry e Ron ficaram a falar de Quidditch durante alguns minutos antes de Harry se aperceber de que estava a ser observado de perto . Olhando para_cima viu o rapazinho pequenino com cabelo de rato que ele vira experimentar o chapéu seleccionador em a noite anterior , olhando para ele com uma expressão petrificada . Estava agarrado a o que parecia ser uma vulgar máquina fotográfica de os Muggles e , em o momento em que Harry olhou para ele , ficou todo vermelho . - Tudo bem , Harry ? Eu sou Colin_Creevey - disse , faltando lhe o ar e adiantando se a qualquer pergunta . - Estou em os Gryffindor também . Não te importavas que eu tirasse uma fotografia ? - perguntou , levantando a máquina cheio de expectativa . - Uma fotografia ? - repetiu Harry , inexpressivo . - Para eu provar que te conheci - disse Colin_Creevey cheio de ansiedade , continuando : - Eu sei tudo a teu respeito . Toda_a_gente me tem contado como sobreviveste quando O_Quem nós sabemos tentou matar te , como ele desapareceu depois de isso e como ficaste com a cicatriz em forma de relâmpago em a testa ( os seus olhos procuraram a linha de cabelo de Harry ) e um rapaz de o meu dormitório disse que se eu revelasse o filme em a posição certa ele mexia . - Colin respirou fundo , estremecendo de excitação e disse : - Isto_é fantástico , aqui , não achas ? Eu não sabia que todas_as coisas estranhas que fazia eram magia até a o dia em que recebi uma carta de Hogwarts . O meu pai é leiteiro . Também ele não queria acreditar . Por isso estou a tirar montes de fotografias para lhe mandar e era mesmo bom se tivesse uma tua - parecia implorar . - Talvez o teu amigo pudesse tirá a e assim eu ficava a o teu lado . E depois , podias assiná a ? - Assinar fotografias ? Estás a dar fotos autografadas , Potter ? Alta e mordaz , a voz de Draco_Malfoy ecoou em o pátio . Estava parado mesmo atrás_de Colin , ladeado , como sempre andava em Hogwarts , por os seus fortes guarda-costas Crabbe e Goyle . - Ei gente , façam bicha - gritou Malfoy a a multidão . - Harry_Potter está a dar fotos autografadas ! - Não estou coisa nenhuma - disse Harry , zangado , com os punhos em o ar . - Cala a boca , Malfoy . - Tu tens é inveja - começou a dizer Colin , cujo corpo era de o tamanho de o pescoço de Crabbe . - Inveja - repetiu Malfoy que não precisava de gritar mais , metade de o pátio estava a ouvi o . - De quê ? Não preciso de uma cicatriz em a cabeça , muito obrigado . Não acho que ter um corte em a testa torne alguém especial . Crabbe e Goyle riram estupidamente - Vai pastar caracóis , Malfoy - disse o Ron furioso . Crabbe parou de rir e começou a esfregar os nós de os dedos enormes de uma forma ameaçadora . - Tem cuidado , Weasley - escarneceu Malfoy . - Com certeza não queres começar uma rixa ou a tua mãezinha tem de vir cá para te tirar de a escola - e com uma voz aguda e penetrante : - * _ Se voltas a pisar o risco * ... Um grupo de alunos de o quinto ano de os Slytherin que estava ali perto , riu se bastante alto . - O Weasley gostaria de ter uma foto tua autografada , Potter - escarneceu de_novo Malfoy . - Era capaz de valer mais do_que a casa onde ele mora com a família . Ron sacou de a sua varinha amarrada com fita , mas Hermione fechou as * Viagens com Vampiros * com um estrondo e avisou : - Atenção . - O que é isto , o que é isto ? - Gilderoy_Lockhart aproximava se com o seu manto azul-turquesa girando em torvelinho atrás de ele . - Quem está a dar fotos autografadas ? Harry ia começar a explicar , mas foi interrompido quando Lockhart lhe pôs jovialmente o braço em cima de os ombros . - Mas que pergunta a minha ! Cá estamos nós de_novo , Harry ! Preso ao_lado_de Lockhart e a arder de humilhação , Harry viu Malfoy deslizar com o seu sorriso desdenhoso por o meio de a multidão . - Vamos lá então , Mr._Creevey - disse Lockhart , dirigindo se a Colin . - Uma foto dupla , já viu a sua sorte ? E assinamos a os dois para si . Colin ajustou a máquina e tirou a fotografia em o preciso momento em que a campainha tocava para as aulas de a tarde . - Está em a hora , todos para dentro - gritou Lockhart a a multidão e regressou a o castelo levando a o seu lado o Harry que só lamentava não conhecer um feitiço que o fizesse desaparecer . - Uma palavra só , Harry - disse Lockhart paternalmente , enquanto entravam em o edifício por uma porta lateral . - Eu ajudei te há bocado com o jovem Creevey porque se ele estivesse a fotografar me também a mim os teus colegas não reparariam tanto que estavas a exibir te ... Indiferente a a gaguez de Harry , Lockhart arrastou o para um corredor ladeado de alunos que os olhavam espantados e subiram uma escada . - Deixa me só dizer te uma coisa : dar fotografias autografadas em esta fase de a tua carreira , francamente , não é sensato , Harry , parece um_pouco megalómano . Pode ser que um dia mais tarde , tal_como eu , sejas obrigado a assinar para multidões onde quer que vás , mas - fez uma pequena pausa - não me parece que seja o caso , por enquanto . Tinham chegado a a aula de Lockhart e ele largou finalmente o Harry que sacudiu a túnica e foi sentar se em um lugar bem lá atrás onde começou por empilhar os livros de Lockhart a a sua frente para evitar olhar para a criatura . O resto de a aula entrou ruidosamente e Ron e Hermione foram sentar se um de cada lado de Harry . - Tu estavas vermelho como um pimentão - disse o Ron . - Reza para que o Creevey não se torne amigo de a Ginny senão bem podem criar o clube de * fans * de Harry_Potter . - Cala a boca - interrompeu Harry . A última coisa que desejava era que o Lockhart ouvisse a expressão « clube de * fans * de Harry_Potter « . Quando todos estavam em os seus lugares , Lockhart pigarreou alto e fez se silêncio . Ele inclinou se para a frente , pegou em o exemplar de Neville_Longbottom de * _ viagens com Duendes * e levantou o para mostrar a sua fotografia a piscar os olhos em a capa . - Eu - disse apontando para a fotografia e piscando também os olhos - Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , terceiro ano , membro honorário de a Liga_de_Defesa contra as artes negras e cinco vezes vencedor de o prémio de o * _ Feiticeiro de a semana * por o sorriso mais charmoso . Mas não vamos falar de isso , não venci a fada carpideira de Bandon a sorrir para ela ! Esperou que eles se rissem . Alguns alunos sorriram timidamente . - Já vi que todos vocês compraram a minha obra completa . Muito bem . Pensei começar hoje com um pequeno interrogatório escrito . Nada de complicado , só para perceber se leram bem os meus livros e o que apreenderam ... Depois de distribuir as folhas de teste voltou se para os alunos e disse : - Têm trinta minutos . Comecem já . Harry olhou para o papel e leu : *1 . Qual é a cor preferida de Gilderoy_Lockhart ? *2 . Qual é a ambição secreta de Gilderoy_Lockhart ? *3 . Qual é , em a sua opinião , a maior realização de Gilderoy_Lockhart até a o momento ? * E_por_aí adiante , ao_longo_de três páginas , terminando com : *54 . Qual é o dia de aniversário de Gilderoy_Lockhart e qual seria o seu presente preferido ? * Meia_hora mais tarde , Lockhart recolheu os pontos e folhou os rapidamente em frente de os alunos . - Tut , tut , quase ninguém se lembrou que a minha cor preferida é o lilás . Eu digo o em * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves * . Alguns precisam de voltar a ler com mais cuidado * Fim-de - _ Semana com Um Lobisomem * . Eu afirmo claramente em o décimo segundo capítulo que o meu presente de aniversário preferido seria a harmonia entre todos os seres , mágicos e não mágicos , embora não me importasse de receber uma garrafa grande de * whisky * velho de a Ogden's_Old_Firewhisky . Piscou lhes o olho de_novo . Ron olhava para Lockhart com uma expressão de incredulidade em o rosto . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas que estavam sentados a a frente tremiam de tanto conter o riso . Hermione , contudo , ouvia Lockhart com extrema atenção e deu um salto quando ouviu o seu nome . - Mas Miss_Hermione_Granger sabia que a minha ambição secreta era libertar o mundo de o mal e pôr a a venda a minha gama de poções de tratamento de o cabelo . Muito bem - voltou o papel . - Nota máxima ! Onde está Miss_Hermione_Granger ? Hermione ergueu uma mão trémula . - Excelente - bradou Lockhart , exultante . - Leva dez pontos para os Gryffindor . E vamos a o trabalho . Baixou se atrás de a secretária e pegou em uma grande gaiola coberta . - Ficam desde_já a saber , a minha função é preparar vos contra as criaturas mais malignas que a feitiçaria conhece . Vocês podem ter que enfrentar os maiores medos em esta sala . Saibam que nenhum mal vos sucederá comigo aqui . Só vos peço que se mantenham calmos . Ultrapassando os seus sentimentos , Harry espreitou através de a pilha de livros para ver melhor a gaiola . Lockhart colocou uma mão em a tampa . Dean e Seamus tinham deixado de se rir . Neville estava agachado em o seu lugar de a fila de a frente . - Vou pedir vos que não façam barulho - disse Lockhart em voz baixa . - Podem assustá os . Enquanto a aula inteira continha a respiração , Lockhart tirou a cobertura . - Sim - disse em um tom dramático . - Duendes_da_Cornualha recém-capturados . Seamus_Finnigan não conseguiu controlar se . Soltou uma gargalhada que nem Lockhart poderia confundir com um grito de terror . - Sim ? - sorriu a Seamus . - Bem , eles não são , não são perigosos , pois não ? - perguntou a rir . -- Não tenhas tanta certeza de isso - afirmou Lockhart , aborrecido , abanando um dedo , em direcção a Seamus . - Podem ser maçadores e muito traiçoeiros . Os duendes eram de um azul-eléctrico e tinham cerca de vinte centímetros de altura com feições angulosas e umas vozes tão estridentes que era como ouvir uma discussão entre araras . Logo_que o pano foi retirado , começaram a fazer uma enorme algazarra , a andar de um lado para o outro , batendo em as grades e fazendo caretas a as pessoas que estavam mais perto . - Muito bem - disse Lockhart em voz alta . - Vamos então ver o que vocês conseguem fazer de eles - e abriu a gaiola . Foi um pandemónio . Os duendes dispararam em todas_as direcções como foguetes . Dois de eles agarraram o Neville por as orelhas e levantaram o a o ar . Vários outros foram direitos a a janela , fazendo chover vidros partidos até a a fila de trás . Os restantes decidiram destruir a sala com maior eficácia do_que um rinoceronte em fúria . Agarraram em os tinteiros e salpicaram tudo em volta , rasgaram a os bocados livros e papéis , arrancaram os quadros de as paredes , levantaram a o ar a gaiola vazia , agarraram livros e sacos e lançaram nos por a janela de vidros estilhaçados . Em poucos minutos , metade de a aula estava abrigada debaixo de as secretárias e o Neville pendurado em o candelabro de o tecto . - Vamos lá , agarrem nos , agarrem nos , são apenas duendes ... - gritava Lockhart . Arregaçou as mangas , bramiu a varinha e pronunciou * Peshipiksi_Pesternomi ! * As palavras não tiveram o menor efeito . Um de os duendes pegou em a varinha de Lockhart e atirou a também por a janela fora . Lockhart engoliu em seco e mergulhou debaixo de a secretária , não sendo , por um triz , esmagado por o Neville que caiu um segundo depois , quando o candelabro cedeu . A campainha tocou e houve uma louca precipitação para a porta . Em a calma relativa que se seguiu , Lockhart endireitou se , olhou para Harry , Ron e Hermione que estavam quase a chegar a a porta e disse : - Bem , vou pedir vos a os três que prendam o resto de os duendes em a gaiola - passou por eles e fechou rapidamente a porta atrás_de si . - Isto dá para acreditar ? - resmungou o Ron , enquanto um de os duendes lhe mordia com toda_a força uma de as orelhas . - Ele só quer dar nos uma ajuda , permitindo nos ganhar experiência - justificou Hermione , imobilizando dois duendes de uma_vez com um encantamento de paralisação e metendo os de_novo em a gaiola . - Experiência ? - disse Harry , tentando agarrar um duende que dançava com a língua de_fora . - Hermione , ele não sabia nada do_que estava a fazer . - Disparate - retorquiu Hermione . - Leste os livros de ele . Vê só as coisas que ele já fez ! - Que diz que fez - resmungou o Ron . VII_Sangue de lama e murmúrios Harry passou imenso tempo , em os dias que se seguiram , a fugir sempre_que via Gilderoy_Lockhart aproximar se em o corredor . Mais difícil de evitar era Colin_Creevey que parecia ter decorado o horário de Harry . Parecia que nada o emocionava mais do_que dizer : - Tudo bem , Harry ? - seis ou sete vezes por dia e ouvir : - Olá , Colin - por mais exasperado que Harry estivesse quando lhe respondia . A Hedwig ainda estava zangada com Harry por causa de a desastrosa viagem de automóvel e a varinha de o Ron continuava a não funcionar , tendo ultrapassado tudo em a sexta-feira de manhã quando lhe saltou de as mãos em a aula de encantamentos e foi agredir o velho e baixinho professor Flitwick mesmo entre os olhos , deixando uma enorme bolha latejante em o sítio onde tinha batido . Por tudo_isso Harry via chegar , com satisfação , o fim_de_semana Planeava ir em o Sábado de anhã , com Ron e Hermione visitar o Hagrid . Mas foi acordado várias horas mais cedo do_que desejaria por Oliver ood , treinador de a equipa de Quidditch_dos_Gryffindor . - _ o que é_que se passa ? - perguntou Harry , enrolando as palavras . - Treino_de_Quidditch - disse Wood . - Vamos embora . Harry lançou um olhar de esguelha a a janela . Uma neblina fina pairava em o céu rosa e dourado . Agora_que estava acordado não percebia como pudera dormir com a algazarra que os pássaros faziam . - Oliver resmungou Harry . - É de madrugada . - Exacto - respondeu Wood . Era um rapaz alto e corpulento de o sexto ano e em aquele momento os olhos brilhavam lhe loucamente de entusiasmo . - Faz parte de o nosso novo programa de treinos . Anda lá , vai buscar a vassoura e vamos embora - insistiu Wood empenhado . - Nenhuma de as outras equipas começou ainda a treinar . Vamos ser os primeiros este ano ... A bocejar e a tremer um_pouco , Harry saltou de a cama e tentou descobrir as suas túnicas de Quidditch . - Bem , encontramo nos em o campo , dentro_de quinze minutos . Depois de descobrir a sua roupa escarlate de equipa e pôr o manto por cima para se aquecer , Harry escreveu a o Ron um bilhete a explicar onde tinha ido e desceu por a escada de espiral para a sala comum com a sua Nimbos dois inil a o ombro . Tinha acabado de chegar junto de o buraco de o retrato quando ouviu um barulho atrás_de si e viu Colin_Creevey descer a escada de espiral com a máquina fotográfica pendurada a o pescoço a balouçar como louca e uma coisa em a mão . - Ouvi alguém chamar o teu nome em as escadas , Harry olha o que tenho aqui . Revelei a e queria mostrar te . Harry olhou assombrado para a fotografia que Colin lhe espetava em frente de o nariz . Um Lockhart a preto e branco movia se , puxando com toda_a força um braço que Harry reconheceu como sendo o seu . Ficou satisfeito a o constatar que estava a resistir bastante bem , recusando se a ser trazido para a vista de todos . Enquanto Harry observava , Lockhart desistiu e desinteressou se de lutar contra a parte branca de a fotografia . - Assinas para mim ? - pediu Colin entusiasmado . - Não - respondeu secamente Harry , olhando em volta para verificar se o caminho estava livre . - Desculpa_Colin , mas estou cheio de pressa , treino de Quidditch . Passou por o buraco de o retrato . - Oh Uau ! Espera por mim . Eu nunca vi um jogo de Quidditch . Colin trepou por o buraco de o retrato atrás de ele . - Vai ser uma chatice para ti - disse Harry rapidamente , mas Colin ignorou o comentário . Todo o seu rosto brilhava de satisfação . - Tu foste o jogador mais novo de a equipa em cem anos , não foste Harry ? Não foste ? - perguntava Colin , trotando para o acompanhar . - Deve ser fantástico . Eu nunca voei . É fácil ? Essa vassoura é a tua ? É a melhor que há ? Harry não sabia como ver se livre de ele . Era como ter uma sombra que não se calava . - Eu não percebo nada de Quidditch - disse Colin , já sem fôlego . - É verdade que há quatro bolas ? E que duas anda n a voar , tentando fazer os jogadores caírem de as vassouras ? - Sim - disse Harry lentamente , resignado com o ter de lhe explicar as complicadas regras de o Quidditch . - São as * bludgers * . Há dois * beaters * em cada equipa que têm bastões para bater em as * bludgers * e lançá as para o outro lado . O Fred e o George_Weasley são os * beaters * de os Gryffindor . - E para que servem as outras bolas ? - perguntou Colin , saltando uma série de degraus porque ia a olhar para o Harry de boca aberta . - Bem , a * quaffle * , que é a vermelha grandalhona , é a que marca os golos . Três * chasers * em cada equipa lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam fazes a entrar em as balizas que ficam em o extremo de o campo onde há três grandes postes com argolas em as pontas . - E a quarta bola ? - A * snitch * dourada - explicou Harry . - É muito pequenina e veloz e extremamente difícil de agarrar . Mas é isso que o * seeker * tem de fazer , porque o jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * for agarrada . E o * seeker * que conseguir agarrá a ganha para a sua equipa mais cento_e_cinquenta pontos . - E tu és o * seeker * de os Gryffindor , não és ? - perguntou Colin respeitosamente . - Sim - disse Harry enquanto saíam de o castelo e começavam a atravessar o relvado . - E há também o * keeper * que toma conta de os postes . É isto . Mas Colin não parou de fazer perguntas desde os relvados macios até a o campo de Quidditch e Harry só se viu livre de ele quando chegaram a os vestiários . Colin gritou em uma voz aguda : - Eu vou arranjar um lugar , Harry - e apressou se em direcção a as bancadas . O resto de a equipa de os Gryffindor já se encontrava em os vestiários . Wood era o único que tinha aspecto de estar bem acordado . Fred e George_Weasley estavam sentados com olhos de sono e cabelos desgrenhados junto de Alicia_Spinnet de o quarto ano que parecia inclinar se contra a parede que tinha atrás_de si . Os seus companheiros * chasers * , Katie_Bell e Angelina_Johnson bocejavam em frente de ela . - Até que enfim , Harry , porque é_que demoraste tanto ? - perguntou Wood cheio de actividade . - Eu queria ter uma pequena conversa convosco antes de entrarmos propriamente em campo porque passei o Verão a conjecturar um novo programa de treinos que acredito vai estabelecer grandes mudanças . Wood tinha em as mãos um grande mapa de um campo de Quidditch onde estavam desenhadas muitas linhas , setas e cruzes a tinta de várias cores . Pegou em a varinha , bateu com ela em o quadro e as setas começaram a mover se em o mapa como tractores . Enquanto Wood se lançava em um discurso sobre as suas novas técnicas , a cabeça de Fred_Weasley caiu sobre o ombro de Alicia_Spinnet e ele começou a ressonar . O primeiro mapa levou quase vinte minutos a explicar , mas debaixo de esse havia outro e ainda um terceiro . Harry caiu em uma letargia enquanto Wood continuava indefinidamente . - Então - disse por fim o treinador , arrancando Harry de a avidez de uma fantasia sobre o que poderia estar a comer se se encontrasse em aquele momento em o castelo . - Ficou tudo claro ? Alguma pergunta ? - Eu tenho uma pergunta , Oliver - disse George que acordou estremunhado . - Porque não nos explicaste tudo_isso ontem , quando estávamos acordados ? Wood não ficou nada satisfeito . - Ouçam bem , vocês todos - disse , voltando se para eles mal-humorado . - Nós deveríamos ter ganho a taça de Quidditch o ano passado . Somos de longe a melhor equipa , mas , infelizmente , devido_a circunstancias que estão para_além de o nosso controlo ... Harry mudou de posição em a cadeira sentindo se culpado . Estivera inconsciente em o hospital durante o campeonato final de o ano anterior o que fez com que os Gryffindor com um jogador a menos tivessem sofrido a pior derrota de os últimos trezentos anos . Wood levou um momento a controlar se . Era evidente que a última derrota ainda o torturava . - Portanto , este ano vamos fazer um treino mais duro , como nunca se fez . O. _ K. , vamos lá pôr as teorias em prática - gritou , pegando em a vassoura e conduzindo os para fora de o vestiário . Com as pernas trôpegas e ainda a bocejar , a equipa seguiu o . Tinham estado tanto tempo lá dentro que o sol já tinha nascido e brilhava em o céu embora uma réstia de neblina pairasse ainda sobre o relvado de o campo . Quando Harry entrou em campo viu Ron e Hermione sentados em as bancadas . - Ainda não acabaram ? - perguntou Ron em um tom incrédulo . - Ainda nem começamos - explicou Harry , olhando cheio de inveja para a torrada com doce de laranja que Ron e Hermione tinham trazido de o salão . - O Wood tem estado a ensinar nos as jogadas . Subiu para a vassoura e deu um pontapé em o chão , elevando se em o ar . O ar fresco de a manhã bateu lhe em o rosto fazendo o acordar com mais eficácia do_que o longo discurso de Wood . Era maravilhoso voltar a estar em o campo de Quidditch . Voou em volta de o estádio a toda a a velocidade competindo com Fred e George . - Que barulhinho estranho é aquele ? - perguntou o Fred quando deram a volta . Harry olhou para as bancadas . Colin estava sentado em um de os lugares mais altos com a máquina fotográfica em o ar , tirando fotografia sobre fotografia , o som estranhamente ampliado em o estádio deserto . - Olha para ali , Harry , para ali - gritava de forma estridente . - Quem é aquele ? - perguntou Fred . - Não faço ideia - mentiu Harry , disparando a_toda_a velocidade e distanciando se o mais possível de Colin . - O que se passa aí ? - perguntou Wood , franzindo a testa enquanto corria por os ares atrás de eles . - Porque está aquele aluno de o primeiro ano a tirar fotografias ? Não me agrada . Pode ser um espião de os Slytherin a tentar descobrir o nosso novo programa de treinos . - Ele é de os Gryffindor - disse Harry rapidamente . - E os Slytherin não precisam de um espião , Oliver - completou George . - Porque dizes isso ? - perguntou Wood irritado . - Porque estão aqui em peso - disse George , apontando com o dedo . Vários indivíduos com túnicas verdes vinham em aquele momento a entrar em o campo de vassouras em a mão . - Não posso acreditar - reagiu Wood , sentindo se ultrajado . - Eu reservei o estádio para hoje . Já vamos ver como é_que isto fica ! Wood baixou direito a o chão sendo levado por a fúria a aterrar com mais força do_que pretendia e a cambalear um_pouco quando começou a andar seguido de o Harry e de o Ron . - Flint - bradou para o treinador de os Slytherin . - Este é o nosso tempo de treino . Levantámo nos de propósito . Vocês têm de sair de aqui . Marcus_Flint era ainda mais corpulento do_que Wood . Tinha em o rosto uma expressão de duende travesso quando respondeu : - Há espaço para todos , Wood . Angelina , Alicia e Katie tinham vindo também . Em a equipa de os Slytherin não havia raparigas que enfrentassem a o lado de os rapazes os Gryffindor . - Mas eu reservei o estádio - repetiu Wood de modo afirmativo , cuspindo de raiva . - Reservei o . - Ah ! - exclamou Flint . - Mas eu tenho aqui uma licença especial assinada por o professor Snape . * _ Eu , professor Snape , autorizo a equipa de os Slytherin a praticar hoje em o campo de Quidditch devido a a necessidade de treinar o seu novo seeker . * - Têm um novo * seeker * ? - perguntou Wood perturbado . - Onde ? E detrás de as seis figuras corpulentas que tinham em a frente , viram surgir uma sétima : um rapaz mais pequeno com um sorriso afectado espelhado em o rosto pálido e anguloso . Era_Draco_Malfoy . - Não és o filho de o Lucius_Malfoy ? - perguntou Fred , olhando para ele com antipatia . - Curioso que refiras o pai de o Draco - disse Flint enquanto toda_a equipa de os Slytherin sorria de modo grosseiro . - Deixem me mostrar vos a generosa oferta que ele fez a a equipa de os Slytherin . Os sete exibiram as suas vassouras . Sete cabos novos , polidos , com inscrições em letras douradas de as palavras « Nimbus dois_mil_e_um « brilharam a o sol de a manhã , em frente de o nariz de os Gryffindor . - O último modelo . Só chegou em o mês passado - disse Flint , displicentemente , sacudindo a poeira de o cabo de a sua vassoura . - Julgo que ultrapassam de longe as velhas séries de dois_mil . Quanto a as Cleansweeps - sorriu de forma mesquinha para Fred e George que tinham ambos Cleansweep_Fives - essas já só servem para varrer . Nenhum de os Gryffindor foi capaz de abrir a boca em aquele momento . Malfoy sorria tanto que os seus olhos de gelo estavam reduzidos a duas rachas . - Oh vejam - disse Flint . - Uma invasão de o campo . Ron e Hermione atravessavam o relvado para ver o que se passava . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron a o Harry . - Porque não estão a jogar e o que faz ele aqui ? Olhava para Malfoy em as suas vestes de Quidditch . - Sou o novo * seeker * de os Slytherin , Weasley - disse Malfoy com ar presumido . - Têm estado todos a admirar as vassouras que o meu pai comprou para a nossa equipa . Ron olhou de boca aberta para as sete vassouras que tinha em a frente . - São boas , não são ? - disse Malfoy untuosamente . - Mas talvez a equipa de os Gryffindor consiga levantar algum ouro e comprar também vassouras novas . Vocês podiam levar essas Cleansweep_Fives a leilão , talvez algum museu esteja interessado . A equipa de os Slytherin riu se a bandeiras despregadas . - Pelo_menos em os Gryffindor ninguém teve de comprar a sua entrada - disse secamente Hermione . - Entraram todos por mérito próprio . O ar presumido de Malfoy desapareceu . - Ninguém pediu a tua opinião , sangue de lama - cuspiu Malfoy . Harry apercebeu se , de imediato , que Malfoy dissera algo muito grave porque houve uma tremenda algazarra em o seguimento de as suas palavras . Flint teve que se pôr a a frente de o Malfoy para evitar que Fred e George se atirassem a ele . Alicia bradou : - Como te atreves ? - E Ron meteu a mão em as vestes e sacou de a varinha mágica , gritando : - Vais pagar por o que disseste , Malfoy ! - e apontou a , furioso , por debaixo de o braço de Flint , a o rosto de Malfoy . Um enorme estrondo , ecoou em o estádio e um jacto de luz verde saiu por a extremidade errada de a varinha de Ron , atingindo o em o estômago e projectando o para trás em direcção a o relvado . - Ron ! Ron ! Estás bem ? - gritou Hermione . Ron abriu a boca para falar , mas nenhuma palavra saiu . Em vez de isso , teve um vómito imenso e várias lesmas saíram lhe de a boca , indo cair lhe em o colo . A equipa de os Slytherin ficou paralisada de riso . Flint estava dobrado , agarrado a a vassoura nova . Malfoy , a quatro , batia com o punho em a chão . Os Gryffindor rodeavam o Ron , que continuava a vomitar lesmas enormes e reluzentes . Ninguém queria tocar lhe . - É melhor levá o para_casa de o Hagrid . É o mais perto - disse Harry_a_Hermione , que acenou afirmativamente , e os dois arrastaram o Ron por os braços . - O que aconteceu , Harry ? O que aconteceu ? Ele está doente ? Mas tu podes curá o , não podes ? - Colin descera a correr de o lugar onde estava sentado e dançaricava em frente de eles , enquanto abandonavam o campo . Ron teve um novo arremesso e mais lesmas saíram de a sua boca . - Oooh ! - exclamou Colin fascinado , levantando a máquina fotográfica . - Podes mantê o quieto , Harry ? - Sai de a minha frente , Colin - gritou Harry zangado . Ele e a Hermione conseguiram levar o Ron para fora de o estádio , atravessar os campos e chegar a a beira de a floresta . - Está quase , Ron - disse Hermione , mal avistaram o casebre de o guarda de os campos . - Vais ficar bem dentro_de um minuto ... está quase ... Estavam a sessenta metros de a casa de Hagrid , quando a porta de a frente se abriu . Mas não foi Hagrid quem saiu de lá , e sim Gilderoy_Lockhart , em uma túnica cor de malva . - Rápido , vamos esconder nos aqui - sussurrou Harry , arrastando Ron para trás de um arbusto que havia ali perto . Hermione acompanhou o , embora um_pouco relutante . -- É muito simples quando se sabe o que se está fazer ! - gritava Lockhart_para_Hagrid . - Se precisar de ajuda , sabe onde estou . Vou dar lhe um exemplar de o meu livro . Espanta me que ainda não o tenha . Logo a a noite autografo o e envio lhe o . Bem . até a a próxima ! - e afastou se em direcção a o castelo . Harry esperou que Lockhart desaparecesse , antes de puxar o Ron de trás de o arbusto até a a casa de o Hagrid . Bateram ansiosamente . Hagrid apareceu logo com um ar mal-humorado , que se dissipou quando viu quem era . - Já me tinha perguntado quand'é que vocês vinham ver me , entrem , entrem , pensei qu'era outra_vez o professor Lockhart . Harry e Hermione ajudaram Ron a subir o degrau que dava acesso a a cabana de uma divisão com uma cama enorme a um de os cantos e uma lareira a crepitar alegremente em o outro . Hagrid não pareceu perturbado com o problema de as lesmas de o Ron que Harry lhe explicou precipitadamente , logo_que sentou o Ron em uma cadeira . - Melhor saírem de o qu'entrarem - disse , em um tom bem-disposto , colocando uma grande bacia de cobre em frente de ele . - Deita as todas fora , Ron . - Acho que não há mais_nada a fazer , a não ser esperar que isto pare - disse Hermione ansiosamente , vendo Ron inclinar se para a bacia . - É uma maldição muitas_vezes difícil , mas com uma varinha partida ... Hagrid andava de um lado para o outro a preparar o chá . O cão de ele , Fang , babava se em cima de o Harry . - O que é_que o Lockhart queria de ti ? - perguntou o Harry , coçando as orelhas de o Fang . - Ensinar me a tirar espíritos aquáticos com forma de cavalos d'uma nascente d'água - resmungou Hagrid , retirando de a mesa pequena um galo meio depenado e colocando em o seu lugar o bule . - Como s'eu não soubesse . E contar me uma peta qualquer d'uma fada carpideira que ele venceu . Engulo essa chaleira , se uma palavra do_que ele disse for verdade . Não era hábito de Hagrid criticar um professor de Hogwarts e Harry olhou para ele com alguma surpresa . Mas Hermione disse em uma voz mais aguda do_que de costume : - Acho que estás a ser injusto . O professor Dumbledore obviamente achou que era o melhor homem para o lugar ... - Era o único - explicou Hagrid , oferecendo lhes um prato de bombons de melaço enquanto Ron tossia para a bacia . - E não havia mais ninguém . Não é fácil encontrar quem queira dar Artes de magia negra . As pessoas não gostam de essa matéria . Começam a pensar que está amaldiçoada , ninguém ficou muito_tempo a dá a . Mas digam me lá - continuou Hagrid , inclinando a cabeça para Ron - quem é qu'ele estava a tentar amaldiçoar ? - O Malfoy chamou qualquer coisa a a Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si . - Foi grave , sim - disse o Ron com voz rouca , emergindo a a superfície de a mesa , pálido e transpirado . - O Malfoy chamou lhe sangue de lama , Hagrid . - Ron desapareceu outra_vez quando uma nova onda de lesmas fez o seu aparecimento . Hagrid estava indignado . - Não posso crer - exclamou , dirigindo se a Hermione . - Chamou sim - disse ela . - Mas eu não sei o que significa . Percebi que era má educação , claro ... - É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar - explicou Ron novamente . - Sangue de lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles , sabes , filho de pais não mágicos . Há alguns feiticeiros , como a família de o Malfoy que acham que são melhores do_que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro . - Teve um pequeno vómito e uma lesma isolada caiu lhe em a mão aberta . Ele atirou a para a bacia e continuou . -- É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma . Olha_o_Neville_Longbottom , é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito . - E ainda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer - afirmou Hagrid , orgulhoso , fazendo Hermione corar em tons de magenta . - É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém - disse o Ron , limpando o suor de a testa com a mão trémula . - Sangue sujo , sangue vulgar , é um disparate . A maior parte de os feiticeiros hoje_em_dia têm sangue misturado . Se não tivéssemos casado com Muggles tinha sido o nosso fim . Fez um esforço para vomitar e baixou se mais_uma_vez . - Bem , não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá o , Ron - disse Hagrid bem alto enquanto montes de lesmas caíam em a bacia . - Mas , se_calhar , não foi mau de todo teres a varinha a trabalhar ao_contrário . Acho que Lucius_Malfoy teria vindo logo a correr a a escola se tivesses amaldiçoado o filho . Assim , pelo_menos , não estás metido em nenhum sarilho . Harry teria referido que o problema não podia ser pior do_que deitar lesmas por a boca , mas não pôde . Os bombons de melaço tinham lhe colado os maxilares um_ao_outro . - Harry - disse de repente Hagrid como_que movido por um pensamento súbito . - Tens de me explicar uma coisa . Ouvi dizer que tens andado a dar fotografias autografadas . Porque é qu'eu não tenho nenhuma ? A fúria de Harry foi tão grande que os maxilares se libertaram . - Eu não tenho dado fotografias autografadas - disse com vivacidade . Se o Lockhart andou a espalhar isso ... Mas em esse momento viu que Hagrid se estava a rir . - ´ _ tou a brincar - disse , dando uma palmadinha em as costas de Harry e fazendo lhe sinal para se sentar a a mesa . -- Eu sabia que não tinhas . Disse a o Lockhart que tu não precisavas de isso . Es mais famoso do_que ele sem sequer , tentares . - Aposto que ele não gostou de ouvir isso - comentou Harry , sentando se e esfregando o queixo . - Acho que não gostou mesmo - prosseguiu Hagrid com os olhinhos a brilhar . - E disse lhe também que nunca tinha lido nenhum de os livros de ele e ele foi se embora . Um bombom de melaço , Ron ? - perguntou a o vê o reaparecer . - Não , obrigado - disse o Ron com uma voz fraca . - É melhor não arriscar . - Venham ver o qu'eu tenho estado a criar - disse Hagrid quando Harry e Hermione acabaram de tomar o chá . Em a pequena horta atrás de a casa estava uma_dúzia de as maiores abóboras que Harry alguma vez vira . Pareciam enormes blocos de pedra . - Estão a dar se bem , não achas ? - disse Hagrid , feliz . São para a festa de o * _ Hallow'en * . Devem estar bem grandes quando chegar a altura . - O que é_que lhes tens dado como alimento ? - perguntou Harry . Hagrid olhou por cima de o ombro para confirmar se estavam sós . - Bem , tenho estado a dar lhes ... uma pequena ajuda . Harry reparou em o guarda-chuva cor-de-rosa a as florzinhas que estava encostado contra a parede de a cabana . Tivera em o ano anterior motivos para crer que aquele guarda-chuva não era o que parecia . De facto , acreditava que a antiga varinha de escola de Hagrid se encontrava oculta dentro de ele . Hagrid não tinha autorização para usar magia . Fora expulso de Hogwarts em o terceiro ano embora Harry nunca tivesse descoberto o motivo . Qualquer referência a esta questão fazia Hagrid pigarrear bem alto e ficar misteriosamente surdo até mudarem de assunto . -- Um encantamento de absorção , imagino ? - comentou Hermione entre a desaprovação e o divertimento . - Bem , se assim foi , fizeste um bom trabalho . - Foi o que disse a tua irmãzinha - respondeu Hagrid acenando em direcção a Ron . - Encontrei a ontem . - Hagrid olhou de lado para Harry , a barba a contorcer se . - Disse que andava só a ver os campos , mas eu acho qu'ela esperava encontrar alguém em a minha casa - piscou o olho a o Harry . - Se queres que te diga acho qu'ela não recusaria uma fotografia autogr ... - Cala te com isso - disse Harry . Ron desatou a rir e o chão ficou cheio de lesmas . - Cuidado - resmungou Hagrid , afastando Ron de as suas preciosas abóboras . Estava quase em a hora de o almoço e , como o Harry só tinha provado um bombom de melaço desde manhã cedo , estava ansioso por chegar a a escola para ir comer . Despediram se de o Hagrid e regressaram a o castelo . O Ron a vomitar de vez em quando , mas deitando só duas pequenas lesmas . Mal tinham pisado a entrada de o vestíbulo quando ouviram uma voz . - Aí estão vocês , Potter , Weasley . - A professora Mc_Gonagall vinha em direcção a eles com o seu ar severo . - Vocês os dois vão ter as punições hoje a a tarde . - O que é_que vamos fazer , professora ? - perguntou o Ron nervoso , deixando cair uma lesma . - Tu vais limpar as pratas em a sala de os troféus com Mr._Filch - disse a professora Mc_Gonagall . - E nada de mágicas , Weasley , trabalho com esforço . Ron engoliu em seco . Argus_Filch , o encarregado , era odiado por todos os alunos de a escola . - E tu , Potter , vais ajudar o professor Lockhart a responder a as cartas de as suas fãs - ordenou a professora Mc_Gonagall . - Oh , não ! Não posso ir também trabalhar em a sala de os troféus ? - pediu Harry em desespero de causa . - Nem pensar em isso - respondeu a professora Mc_Gonagall , erguendo as sobrancelhas . - O professor Lockhart requisitou te especialmente a ti . _ a as oito_em_ponto , os dois . Harry e Ron entraram em o salão em um estado de profundo desanimo com a Hermione atrás , ostentando uma expressão de * bem-voces-quebraram-as-regras-da-escola * . Harry não saboreou o empadão de carne como teria desejado . Tanto ele como o Ron achavam que tinham tido o pior de os castigos . -- O Filch vai reter me lá toda_a noite - disse Ron , desanimado . - Sem mágica ! Deve haver umas cem taças em aquela sala , eu não sei fazer limpeza de Muggles . - Eu trocava contigo de boa_vontade - confessou Harry em uma voz surda . - Tive montes de prática com os Dursleys . Responder a o correio de fãs de o Lockhart , que pesadelo ... A tarde de sábado pareceu derreter se . Pouco depois eram já cinco para as oito e Harry arrastava se até a o corredor de o segundo andar onde ficava o escritório de o Lockhart . Rangendo os dentes , bateu a a porta . A porta abriu se imediatamente e Lockhart dirigiu se lhe . - Ah , cá está o patifório ! - exclamou . - Entra , Harry , entra . Em as paredes , brilhando à_luz_de muitas velas , podia ver se uma infinidade de fotografias de Lockhart . Algumas de elas até assinadas . Sobre a secretária estava outro monte enorme . - Podes pôr as moradas em os envelopes - disse Lockhart_a_Harry , como_se fosse uma grande ameaça . - O primeiro é para Gladys_Gudgeon , abençoada seja , uma grande fã minha . Os minutos passavam lentos . De vez em quando , Harry ouvia a voz de Lockhart dizendo : - Mmm - e - certo - e - sim . - De vez em quando , apanhava uma frase como : - A fama é versátil , amigo Harry - ou - Só é célebre quem faz por isso , nunca te esqueças . As velas ardiam cada_vez com maior lentidão , fazendo a luz dançar sobre as muitas caras de Lockhart que o olhavam . Harry passava a mão , já dorida , sobre o que devia ser o centésimo envelope , escrevendo a morada de Verónica_Smethley . « Deve estar quase em a hora de me ir embora » , pensou , sentindo se profundamente infeliz , « por favor , faz com que esteja em a hora ... » E então ouviu algo , algo totalmente diferente de o crepitar de as velas e de os ditos de Lockhart sobre as suas fãs . Era uma voz , uma voz de arrepiar os ossos , de cortar a respiração , de veneno frio . - * _ Vem ... vem ter comigo ... deixa me rasgar te ... cortar te ... matar te * ... Harry deu um salto e uma enorme mancha lilás surgiu em a rua de Verónica_Smethley . - O quê ? - disse ele em voz alta . - Eu sei - exclamou Lockhart . - Seis meses inteirinhos em o topo de a lista de * bestsellers * , bati todos os recordes ! - Não - disse Harry nervosíssimo - aquela voz ! - Como ? - perguntou Lockhart , com um ar confuso . - Que voz ? - Aquela , aquela voz que disse ... não ouviu ? Lockhart olhava para Harry com o maior espanto . - De que é_que estás a falar , Harry ? Estás a ficar com sono ? Meu Deus , olha , só estamos aqui há quase quatro horas , quem diria ? O tempo passou a correr , não é verdade ? Harry não respondeu , estava a fazer um esforço para ouvir de_novo a voz , mas o único som que ouviu foi Lockhart a dizer lhe que não esperasse um tratamento igual de as próximas vezes que fosse castigado . Harry saiu , sentindo se atordoado . Era tão tarde que a sala comum de os Gryffindor estava quase vazia . Harry foi directamente para o dormitório . Ron ainda não tinha voltado . Vestiu o pijama , meteu se em a cama e esperou . Meia_hora mais tarde , chegou o Ron agarrado a o braço direito e inundando o quarto escuro de um forte cheiro a limpa-pratas . - Doem me todos os músculos - resmungou , metendo se em a cama . - Ele fez me polir catorze vezes aquela taça de Quidditch até estar satisfeito . E depois tive outro vómito em_cima_de um troféu de Reconhecimento por serviços prestados a a escola . Demorei séculos a limpar o muco de as lesmas . Como correram as coisas com o Lockhart ? Em voz baixa para não acordar o Neville , o Dean e o Seamus , Harry contou lhe , palavra por palavra , o que tinha ouvido . - E Lockhart disse que não ouviu nada ? - perguntou o Ron . Harry viu o franzir a testa , a a luz de o luar . - Achas que estava a mentir ? Mas , não percebo , mesmo um ser invisível teria aberto a porta . - Eu sei - disse Harry , encostando se a a cama e olhando para o dossel . - Também não compreendo . VIII_A festa de o dia de os mortos Outubro chegou , espalhando um frio húmido por os campos e por os cantos de o castelo . Madam_Pomfrey , a enfermeira-chefe , esteve bastante ocupada com uma onda de constipações que afectou professores e alunos . A sua poção de pimentão entrou imediatamente em acção apesar_de deixar quem a tomava com fumo em os ouvidos durante várias horas . Ginny_Weasley , que andava com ar adoentado , foi convencida a tomá a por o Percy . O fumo que saía por debaixo de o seu cabelo ruivo dava a impressão de que toda_a cabeça estava em fogo . Gotas de chuva de o tamanho de balas agrediram as janelas de o castelo durante dias a fio . O lago rosado e os canteiros de flores tornaram se regatos lamacentos e as abóboras de o Hagrid incharam ficando de o tamanho de alpendres de jardim . Contudo , o entusiasmo de Oliver_Wood por as sessões de treino regular não foi abalado , motivo por o qual Harry iria regressar a a torre de os Gryffindor , em um sábado a a tarde de temporal , alguns dias antes de o * _ Hallowe'en * , ensopado até a os ossos e todo enlameado . Além de a chuva e de o vento , não fora um treino feliz . Fred e George que tinham andado a espiar a equipa de os Slytherin tinham visto com os seus próprios olhos a velocidade alucinante de aquelas novas Nimbus dois_mil_e_um e comentaram que a equipa em o ar parecia composta por sete manchas esverdeadas que disparavam a_toda_a velocidade como aviões a jacto . Enquanto Harry chapinhava a o longo de o corredor deserto , cruzou se com alguém que parecia tão preocupado como ele : Nick quase sem cabeça , o fantasma de a torre de os Gryffindor que olhava taciturno , por a janela , murmurando baixinho : - Não preenche os requisitos , um centímetro e meio se ... - Olá , Nick - cumprimentou Harry . - Olá , olá - disse o Nick quase sem cabeça , começando a olhar em volta . Usava um arrebatado chapéu de plumas sobre a longa cabeleira encaracolada e uma túnica com gola de tufos que disfarçava o facto de ter o pescoço quase totalmente separado de o corpo . Era pálido como o fumo e Harry podia ver através de ele o céu negro e a chuva torrencial , lá fora . - Pareces preocupado , jovem Potter - disse Nick , dobrando uma carta transparente , enquanto falava e escondendo a dentro de a jaqueta . - Tu também - retorquiu Harry . - Ah ! - o Nick quase sem cabeça acenou com a mão de forma elegante . - Uma questão sem importância . Não é_que eu quisesse realmente participar apesar_de me ter inscrito , mas , a o que parece , não preencho os requisitos . - Apesar de o seu tom jovial havia em o seu rosto uma grande amargura . - Mas era de esperar , ou não era - exclamou subitamente , tirando a carta de o bolso - que ter levado quarenta_e_cinco golpes em a cabeça com um machado ferrugento me qualificaria para entrar em o grupo de os Sem - _ Cabeça ? - Sim , sim - respondeu Harry que obviamente o outro esperava que concordasse . - Isto_é , ninguém mais do_que eu desejaria que tudo tivesse sido rápido e perfeito , poupava me muitas dores e ridículo . Mas ... O Nick quase sem cabeça abriu , furioso , a carta e leu : * _ Só podemos aceitar em o grupo homens cuja cabeça tenha sido separada de o corpo . Compreenderá que de outro modo seria impossível a os nossos membros participarem em actividades como equitação de malabarismos com a cabeça e pólo de cabeça . Lamentamos profundamente informá o de que não preenche os requisitos . * _ Os nossos melhores cumprimentos , Sir_Patrick_Delaney - _ Podmore * Furioso , o Nick quase sem cabeça atirou fora a carta . - Um centímetro de pele e tendões a segurarem me a cabeça , Harry ! A maior parte de as pessoas acharia que era mais do_que o suficiente , mas não serve para o senhor correctamente decapitado Podmore . Nick quase sem cabeça respirou fundo várias vezes e , por fim , em um tom bastante mais calmo perguntou : - Então o que é_que te preocupa ? Alguma coisa que eu possa fazer por ti ? - Não - respondeu Harry . - A_não_ser_que saibas onde posso arranjar sete Nimbus dois_mil_e_um , de_graça , para o nosso campeonato contra os Sly ... - o resto de a frase foi afogada por um miado agudo vindo de perto de os seus tornozelos . Olhou para baixo e deu consigo a fitar um par de olhos que pareciam duas lâmpadas amarelas . Era_Mrs._Norris , a gata cinzenta e esquelética usada por o encarregado Argus_Filch como uma espécie de polícia em a sua infindável batalha contra os estudantes . - É melhor saíres de aqui , Harry - preveniu Nick com toda_a calma . - O Filch não está nada bem-disposto . Anda engripado e alguns alunos de o terceiro ano , por acidente , encheram o tecto de o calabouço cinco de miolos de rã . Ele tem andado toda_a manhã a limpar e se te vê a encher tudo de lama ... - Certo - disse Harry , recuando e afastando se de o olhar acusador de Mrs._Norris , mas ... tarde de mais . Conduzido até ali por o misterioso poder que parecia ligá o a a gata , Argus_Filch entrou subitamente por uma tapeçaria que se encontrava a a direita de Harry , com a sua respiração asmática , olhando vivamente em volta em busca de o infractor . Tinha um lenço grosso , de xadrez , a a volta de a cabeça e o nariz invulgarmente arroxeado . - Imundície - gritou com os maxilares a tremer e os olhos a saltarem lhe de as órbitas , enquanto apontava para a poça de lama que pingara de a túnica de Quidditch_de_Harry . - Desarrumação e imundície em todo o lado . Estou farto disto , segue me , Potter . Harry despediu se de o Nick quase sem cabeça com um tímido aceno e seguiu Filch até lá abaixo , duplicando o número de pegadas lamacentas em o chão . Nunca entrara em o gabinete de o Filch . Era um lugar que a maior parte de os estudantes evitava . A divisão era sombria e sem janelas , iluminada por uma única lamparina de óleo que pendia de o tecto . Sentia se um vago cheiro a peixe frito . As paredes estavam forradas por ficheiros de madeira . Por as etiquetas Harry percebeu que continham os dados de todos os alunos que Filch tinha punido . Fred e George_Weasley tinham uma gaveta só para eles . Atrás de a secretária estava pendurada uma colecção bem polida de correntes e algemas . Todos sabiam que ele estava sempre a pedir a Dumbledore que o deixasse pendurar os alunos em o tecto por os tornozelos . Filch pegou em uma pena que estava sobre a secretária e começou a procurar o pergaminho . - Bosta - murmurou , furioso . - Bosta de dragão , miolos de rã , intestinos de ratazana ... eu tinha aqui bastante , onde está o form ... sim ... Tirou um enorme rolo de pergaminho de a gaveta de a secretária e estendeu o em a frente , molhando a longa pena em o tinteiro . - Nome : Harry_Potter . Crime ... - Foi só um bocadinho de lama - disse Harry . - É só um bocadinho de lama para ti , rapaz , mas para mim é mais de uma hora a esfregar - gritou Filch com um pingo a tremer de modo desagradável em a extremidade de o nariz bolboso . - Crime : manchar o castelo . Sentença proposta ... Esfregando o nariz que continuava a pingar , Filch olhou com má cara para Harry que esperava com a respiração entrecortada para ouvir a sentença . Mas quando Filch pegou em a pena ouviu se um estrondo enorme em o tecto que fez a lamparina apagar se . - PEEVES - resmungou Filch , pousando a pena , cheio de raiva . - Desta_vez apanho te . Apanho te ! E sem olhar para trás , saiu a correr a_toda_a velocidade de o gabinete , seguido de a gata , Mrs._Norris . Peeves era o * poltergeist * de a escola , uma ameaça de risota esvoaçante que vivia para fazer estragos e criar aflição . Harry não gostava lá muito de ele , mas desta_vez , não podia deixar de lhe estar grato . Na_melhor_das_hipóteses o que Peeves tivesse feito ( e parecia que agora ele destruíra qualquer coisa em grande ) distrairia Filch_de_Harry . Pensando que o melhor seria esperar que ele voltasse , Harry deixou se cair em uma cadeira carcomida por o tempo que se encontrava junto de a secretária . Havia uma coisa sobre o tampo : um grande envelope roxo e lustroso com letras prateadas em a frente . Lançando um olhar rápido a a porta para confirmar que Filch não estava de volta , Harry pegou lhe e leu : __ feitiço __ rápido Um curso por correspondência De iniciação a a magia Cheio de curiosidade , abriu o envelope e retirou o rolo de pergaminho . Uma letra curvilínea e prateada dizia : Sente se pouco a a vontade em o mundo de a magia moderna ? Dá consigo a arranjar desculpas para não fazer feitiços simples ? Tem sido censurado por o deplorável trabalho com a varinha ? Eis a resposta ! Feitiço rápido e um curso totalmente novo , infalível , de resultados rápidos e rápida aprendizagem . Centenas de bruxas e feiticeiros têm beneficiado de o método feitiço rápido ! Madam_Z._Nettles_de_Topsham escreve nos : Eu não conseguia fixar os encantamentos e as minhas poções eram alvo de risota em a família . Agora , depois de o curso feitiço rápido , tornei me o centro de as atenções em todas_as festas e os meus amigos não param de pedir me a receita de a minha brilhante solução ! O mágico D.J._Prod , de Disbury , afirma : A minha mulher costumava rir se de os meus fracos encantamentos , mas bastou um mês com o vosso fabuloso curso feitiço rápido e consegui transformá a em um iaque . Obrigado , feitiço rápido ! Fascinado , Harry folheou o resto de o conteúdo de o envelope . Para que diabo quereria o Filch um curso de feitiço rápido ? Não seria ele um feiticeiro a sério ? Harry estava a ler a lição número um : Pegando em a varinha ( algumas dicas úteis ) quando umas passadas arrastadas , lá fora , o preveniram de que Filch estava de volta . Metendo rapidamente o pergaminho dentro de o envelope , lançou o para_cima de a secretária em o preciso momento em que a porta se abriu . Filch ostentava um ar triunfante . - Aquele armário que desapareceu era extremamente valioso - vinha ele a dizer a a gata , Mrs._Norris . - Desta_vez vamos correr com o Peeves , minha linda . Os seus olhos recaíram sobre Harry e logo_a_seguir sobre o envelope de o feitiço rápido que , Harry apercebeu se tarde de mais , estava meio metro distanciado de o seu lagar inicial . O rosto pálido de Filch tornou se vermelho escarlate . Harry preparou se para uma nova onda de fúria . Filch coxeou até a a secretária , arrebatou o envelope e meteu o em uma gaveta . -- Chegaste a ... lê o ? - perguntou atabalhoadamente . - Não - mentiu Harry , sem perder tempo . As mãos nodosas de o Filch contorciam se ao_mesmo_tempo . - Se eu soubesse que ias ler a minha correspondência priv ... não que seja minha ... é para um amigo ... mesmo_assim ... Harry olhava para ele espantado . Nunca vira o Filch tão louco . Os olhos pareciam querer saltar lhe de as órbitas , com um tique em as bochechas e aquele lenço axadrezado que não ajudava nada ... - Muito bem , vai e não abras a boca sobre isto ... não que ... mesmo_assim ... se tu não leste ... vai te embora , tenho de escrever o relatório sobre o Peeves , vai . Atordoado com a sua sorte , Harry saiu de ali e largou a correr por o corredor fora e por as escadas acima . Sair de o gabinete de o Filch sem um castigo devia ser um recorde em a escola . - Harry , Harry , deu resultado ? O Nick quase sem cabeça saiu a brilhar de uma sala de aula . Atrás de ele , Harry pôde ver os destroços de um grande armário preto e dourado que parecia ter sido atirado de uma grande altura . - Convenci o Peeves a parti o mesmo em cima de o gabinete de o Filch - disse Nick entusiasmado . - Pensei que talvez o distraísse . - Foste tu ? - exclamou Harry , agradecido . - Funcionou sim . Ele não me deu nenhum castigo . Obrigado , Nick . Atravessaram o corredor juntos . O Nick quase sem cabeça , reparou Harry , ainda tinha em a mão a carta de Sir_Patrick . - Gostaria de poder fazer qualquer coisa sobre o grupo de os Sem - _ Cabeça - disse Harry . O Nick quase sem cabeça parou de repente e Harry passou através de ele . Antes não tivesse passado , foi como atravessar um duche gelado . - Mas há uma coisa que tu podes fazer por mim - disse Nick muito agitado . - Harry , seria pedir te de mais ... mas não , tu não ias querer ... - O quê ? - Bem , este ano em o * _ Hallowe'en * vai ser o meu meio milénio de dia de os mortos - disse o Nick quase sem cabeça endireitando se e adquirindo uma postura de grande dignidade . - Oh - respondeu Harry sem saber se deveria lamentar ou dar lhe os parabéns . - Certo . - Vou dar uma festa em um de os calabouços mais amplos . Vêm amigos meus de todo o país . Seria uma honra muito grande se tu aparecesses . Mr._Weasley e Miss_Granger seriam também muito bem-vindos , claro . Mas tu deves preferir o banquete de a escola , não é verdade ? - Olhou para Harry , aflito . - Não - assegurou ele rapidamente . - Eu vou . - Oh rapaz , Harry_Potter em a minha festa de os mortos - hesitou no_meio_de toda aquela excitação . - Achas que poderias referir a Sir_Patrick como me achas assustador e como te impressiono ? - É claro que sim - assegurou Harry . O Nick quase sem cabeça iluminou se em um sorriso . - Uma festa de os mortos ? - exclamou Hermione , entusiasmada , quando Harry , depois de mudar de roupa , se juntou a ela e a o Ron em a sala comum . - Aposto que não há muitas pessoas que possam gabar se de ter estado em uma festa de essas . Vai ser fantástico ! - Por_que é_que alguém se lembraria de festejar o dia em que morreu ? - perguntou o Ron que estava a meio de o seu trabalho de casa de poções e bastante maldisposto . - Parece me bastante mórbido . A chuva continuava a lamber as janelas que apresentavam agora um negro que parecia tinta , mas , lá dentro , era tudo claro e alegre . O fogo em a lareira brilhava sobre as inúmeras cadeiras de braços onde as pessoas estavam sentadas a ler , a conversar , a fazer os trabalhos de casa ou , no_caso_de Fred e George_Weasley , a tentar descobrir o que aconteceria se alimentassem uma salamandra com fogo-de-artíficio de o Filibuster . O Fred tinha « resgatado . o lagarto cor de laranja brilhante , morador de o fogo , de uma aula de tratamento de seres mágicos e ele estava agora a arder em fogo lento sobre uma mesa , rodeado de um grupo de curiosos . Harry ia começar a contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre o Filch e o curso de feitiço rápido quando a salamandra disparou por os ares , lançando faíscas e estoiros . A visão de Percy a gritar com Fred e George até ficar ronco , a fantástica exibição de estrelas cor de tangerina que choviam de a boca de a salamandra e a sua fuga para o lume acompanhada de explosões , fizeram com que Harry se esquecesse , em aquele momento , de Filch e de o curso de feitiço rápido . Quando chegou o * _ Hallowe'en * , Harry já lamentava a sua promessa imprudente de ir a a festa de os mortos . Toda_a escola antecipava , feliz , a sua festa de * _ Hallowe'en * . O salão nobre fora enfeitado com os habituais morcegos , as enormes abóboras de Hagrid tinham sido esculpidas em forma de lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro_de cada uma , e havia boatos de que Dumbledore contratara um grupo de esqueletos bailarinos para animar a festa . - Uma promessa é uma promessa - lembrou Hermione_a_Harry com o seu autoritarismo habitual . - Tu disseste que ias a a festa de os mortos . Portanto , a as sete_da_tarde , Harry , Ron e Hermione saíram , passando por a porta de o salão nobre que brilhava de modo convidativo com pratos dourados e velas e dirigiram os seus passos para os calabouços . O corredor que conduzia a a festa de o Nick quase sem cabeça tinha sido também ladeado de velas , embora o efeito estivesse longe_de ser alegre : estas eram velas muito esguias e estreitas , negras de breu , ardendo em um azul brilhante e lançando uma luz indistinta e espectral também sobre as caras de as pessoas vivas . A temperatura diminuía a cada degrau que desciam . Harry tremia e cingia a túnica a o corpo quando ouviu qualquer coisa que parecia uma centena de unhas a rasparem um enorme quadro preto . - Será que isto_é a música ? - murmurou Ron . Viraram uma esquina e viram o Nick quase sem cabeça junto de uma porta , todo vestido de veludo negro . - Meus queridos amigos - disse com ar de luto . - Bem-vindos , bem-vindos , ainda_bem que puderam vir . Em um gesto largo tirou o chapéu de plumas e fez lhes sinal para que entrassem . Era uma visão incrível . O calabouço estava cheio com centenas de pessoas de um branco pálido e translúcido , a maior parte de as quais era arrastada em uma pista de dança cheia , valsando a o som de trinta serrotes musicais . Os serrotes que compunham a orquestra encontravam se sobre um estrado enfeitado com panos negros . Um lustre lá em cima resplandecia de um azul nocturno com mais um_milhar de velas negras . A respiração de os três subiu em o ar como uma neblina . Parecia que tinham entrado em um congelador . - Vamos dar uma volta - sugeriu Harry em uma tentativa de aquecer os pés . - Cuidado , não atravessem nenhum de eles - avisou o Ron nervosamente e colocaram se em volta de a pista de dança . Passaram por um grupo escuro de freiras , por um homem esfarrapado e cheio de correntes e por o frade gordo , o divertido fantasma de os Hufflepuff que estava a conversar com um cavaleiro com uma seta enfiada em a testa . Harry não ficou nada surpreendido a o ver que o Barão sangrento , o fantasma lúgubre e berrante de os Slytherin , coberto de nódoas de sangue ; estava a ser totalmente evitado por os outros fantasmas . - Oh ! Não -- exclamou Hermione , parando bruscamente . - Voltem se , voltem se , não quero ter de cumprimentar a Murta_Queixosa . - Quem ? - perguntou Harry enquanto davam rapidamente meia volta . - Ela assombra a casa_de_banho de as raparigas de o primeiro andar - explicou Hermione . - Assombra uma casa_de_banho ? - Sim . Está inoperativa durante todo o ano porque ela tem constantes acessos de choro e inunda tudo . Eu só lá fui quando não pode mesmo evitar . É horrível tentar ir a a sanita com ela a gritar connosco . - Olhem , comida - disse o Ron . De o outro lado de o calabouço estava uma mesa igualmente coberta de velado negro . Iam para se aproximar entusiasmados , mas pararam com uma expressão de horror . O cheiro era nauseabundo . Enormes peixes podres enchiam as bonitas travessas de prata , os bolos estorricados como carvões amontoavam se em as salvas , havia uma grande quantidade de miúdos de macaco , uma tábua de queijos cobertos de bolor e , em o lugar de honra , um enorme bolo cinzento em forma de lápide com letras que pareciam alcatrão formando as palavras , * _ Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington_Morto em 31_de_Outubro , 1492 * . Harry olhou espantado quando um fantasma de porte majestoso se aproximou de a mesa inclinando se e passando através de ela com a boca aberta enquanto atravessava um salmão malcheiroso . - Consegue prová o passando através de ele ? - perguntou lhe Harry . - Quase - disse tristemente o fantasma antes de se afastar . - Devem ter deixado apodrecer tudo_isto para ter um sabor mais forte - comentou Hermione com ar de quem está bem informada , tapando o nariz e aproximando se para ver melhor os pútridos miúdos de macaco . - Podemos sair de aqui , estou a sentir me agoniado - disse o Ron . Mas mal tinham dado meia volta quando um homenzinho pequenino saiu inesperadamente de debaixo de a mesa e fez uma paragem em o ar em frente de eles . - Olá , Peeves - disse Harry cautelosamente . Ao_contrário de os outros fantasmas que os rodeavam , Peeves , o * poltergeist * era o oposto de pálido e transparente . Usava um chapéu festivo cor de laranja , um laço rotativo a o pescoço e tinha um sorriso grosseiro de malvadez , em o rosto . - Querem petiscar ? - perguntou delicadamente , oferecendo lhes uma taça de amendoins cobertos de fungos . - Não , obrigada - disse Hermione . - Ouvi te falar sobre a pobre Murta - disse Peeves com os olhos a bailar . - Que insensível que tu foste para com a pobre Murta - respirou fundo e gritou : - Oh Murta . - Oh ! Não , Peeves , não lhe contes o que eu disse , ela vai ficar muito aborrecida - murmurou Hermione bastante nervosa . - Eu não queria dizer que ... eu não me importo que ela , er , olá , Murta . O espectro atarracado de uma rapariga deslizara . Tinha o rosto mais carrancudo que Harry alguma vez vira , meio escondido por o cabelo liso e por os óculos grossos cor de pérola . - O que é ? - perguntou mal-humorada . - Como estás Murta ? - perguntou Hermione , em uma voz falsamente alegre . - É bom ver te fora de a casa_de_banho . Murta fungou . - Miss_Granger estava justamente a falar de ti - disse lhe Peeves baixinho a o ouvido . - A dizer , a dizer ... como estás bonita esta noite -- terminou Hermione , olhando irritada para Peeves . A Murta olhou para Hermione desconfiada . - Estão a divertir se a a minha custa - disse , com lágrimas de prata a encherem lhe rapidamente os olhos pequeninos . - Não , a sério , eu não estava a dizer vos como a Murta estava bonita esta noite ? - disse Hermione , dando uma palmada em as costas de o Harry e de o Ron . - Sim , sim . - Ela ... - Não me venham com mentiras - protestou a Murta , as lágrimas agora a descerem lhe por o rosto , enquanto Peeves ria baixinho por cima de o ombro de ela . - Julgam que eu não sei o que as pessoas me chamam em as minhas costas ? A Murta gorda , a Murta feia , a Murta queixosa , a Murta deprimida ! - Esqueceste te de « a Murta ponto negro » - sussurrou lhe Peeves a o ouvido . A Murta_Queixosa irrompeu em soluços de angústia e fugiu de o calabouço . Peeves disparou atrás de ela , lançando lhe uma chuva de amendoins cheios de bolor e gritando : Ponto negro ! Ponto negro ! - Oh , coitada ! - exclamou Hermione com tristeza . O Nick quase sem cabeça abria agora caminho entre a multidão para se aproximar de eles . - Estão a divertir se ? - Sim , sim - mentiram . - Uma afluência nada má - disse orgulhoso o Nick quase sem cabeça . - A viúva chorosa veio de Kent ... está quase em a hora de o meu discurso . É melhor ir avisar a orquestra . Mas a orquestra parou de tocar em esse preciso momento . Eles , e todos os outros em o calabouço , ficaram em silêncio total , olhando em volta cheios de excitação quando se ouviu uma trompa de a caça . - Lá vêm eles - disse o Nick quase sem cabeça , com alguma amargura em a voz . Por o calabouço irromperam uma_dúzia de , cavalos fantasmas , cada_um montado por um cavaleiro sem cabeça . A assistência aplaudiu vivamente . Harry começou também a bater palmas , mas parou rapidamente quando viu a cara de o Nick . Os cavalos galoparam até a o meio de a pista de dança e pararam , empinando se , dando pequenos passos para a frente e para trás , sobre as patas traseiras . Um fantasma grande em a frente , cuja cabeça barbuda estava debaixo de o braço , soprando a trompa , desmontou , levantou a cabeça bem em o ar para poder ver toda_a assistência ( todos se riam ) e dirigiu se a o Nick quase sem cabeça , comprimindo a cabeça contra o pescoço . - Bem-vindo , Patrick - disse o Nick , mantendo a sua postura rígida . - Gente viva ! - exclamou o Sir_Patrick , avistando Harry , Ron e Hermione e dando um salto de falso espanto , de_tal_modo_que a cabeça lhe caiu de_novo ( a multidão ria a bom rir ) . - Muito engraçado - disse o Nick quase sem cabeça com um ar soturno . - Não ligues a o Nick - gritou a cabeça de Sir_Patrick de o chão . - Ainda está aborrecido por não o deixarmos juntar se a o grupo . Mas olhem bem para ele ... - Eu acho - disse apressadamente Harry , a seguir a um olhar de o Nick - que o Nick é muito assustador e ... eu ... - Bah ! - gritou a cabeça de Sir_Patrick . - Aposto que ele te pediu que dissesses isso . - Gostaria de ter a vossa atenção . Chegou a altura de fazer o meu discurso - disse o Nick quase sem cabeça bem alto , dirigindo se a o pódio , subindo e parando , iluminado por uma luz azul . - Os meus sentimentos , senhores e senhoras , é com profundo pesar ... Mas já ninguém estava a ouvi o . Sir_Patrick e o resto de o grupo de os Sem - _ Cabeça tinham iniciado um jogo de hóquei de cabeça e a multidão voltara se para os observar . Nick quase sem cabeça tentou em vão recuperar a audiência , mas acabou por desistir quando a cabeça de Sir_Patrick passou por ele a_toda_a velocidade gritando vivas . Harry estava cheio de frio para não falar de a fome . - Não aguento mais isto - murmurou Ron a bater o dente enquanto a orquestra voltava a entrar em acção e os fantasmas enchiam de_novo a pista de dança . - Vamos embora - concordou Harry . Recuaram até a a porta , acenando e sorrindo a todos os que olhavam para eles e um minuto depois passavam apressadamente por a entrada cheia de velas negras . - Talvez o pudim ainda não tenha acabado - disse o Ron cheio de esperança , abrindo caminho em direcção a os degraus de o vestíbulo de a entrada . E foi então que Harry ouviu aquilo . - ... * _ Arrancar ... rasgar ... matar * ... Era a mesma voz , a mesma voz fria e assassina que ouvira em o escritório de Lockhart . Parou , agarrando se a a parede de pedra em a expectativa de ouvir melhor , olhando em volta , espreitando para_cima e para baixo de a passagem mal iluminada . - Harry que estás tu a ... ? - E aquela voz outra_vez , calem se um bocadinho . -- ... * _ Tanta fome ... há tanto tempo * ... - Ouçam insistiu Harry e Ron e Hermione ficaram estáticos a olhar para ele . - * _ Matar ... hora de matar * ... A voz ia ficando mais débil . Harry tinha a certeza de que ela estava a afastar se , a subir . Um misto de medo e excitação tomou posse de ele enquanto olhava para o tecto escuro . Como poderia ele subir ? Seria um fantasma para quem os tectos de pedra não contavam ? - Por aqui - gritou , começando a correr por as éscadas acima até a a entrada de o * hall * . Não havia hipótese de ouvir fosse o que fosse ali , o barulho de vozes que vinha de o banquete de o * _ Hallowe'en * ecoava cá fora . Harry subiu a correr a escadaria de mármore até a o primeiro andar com Ron e Hermione ruidosamente atrás . - Harry o que é_que nós ... ? - Sch ... Harry apurou o ouvido . Ao_longe , em o andar de cima , e ainda a enfraquecer , mesmo_assim ouviu a voz : - ... * Cheira-me a sangue ... cheira me a sangue ! * O estômago deu lhe uma volta . - Ele vai matar alguém - gritou e ignorando as caras perplexas de Ron e Hermione , correu , subindo mais um lanço de escadas , a três_e_três , tentando ouvir através de o ruído de os seus próprios passos . Harry correu a_toda_a velocidade pelo segundo andar com Ron e Hermione atrás e só parou quando viraram uma esquina para o último corredor abandonado . - Harry , o que foi aquilo tudo ? - perguntou o Ron , limpando o suor de o rosto . - Eu não ouvi nada ... Mas Hermione , em um sobressalto , apontou para o fundo de o corredor . - Olhem ! Alguma coisa brilhava em a parede em frente . Aproximaram se devagarinho , tentando ver em a escuridão . Alguém escrevera em letras garrafais em a parede entre duas janelas . As palavras brilhavam a a chama fraca de as tochas . : __ a câmara de os segredos foi aberta . inimigos de o herdeiro , __ cuidado . - O que é aquilo pendurado por baixo de as letras ? - perguntou Ron com um tremor em a voz . Quando se aproximaram , Harry quase escorregou . Havia uma grande poça de água em o chão . Ron e Hermione agarraram o e avançaram cautelosamente até a a mensagem , os olhos fixos em uma sombra escura , em baixo . Aperceberam se os três de imediato do_que se tratava e deram um salto para trás , salpicando tudo de água . Mrs._Norris , a gata de o encarregado , estava pendurada por a cauda em o suporte de a tocha . Tinha o corpo rígido como uma tábua e os olhos abertos . Durante alguns segundos ninguém se mexeu . Depois o Ron disse : - Vamos sair de aqui . - Não devíamos tentar ajudar ? - propôs Harry , sem graça . - Acredita - assegurou o Ron . - É melhor que não nos encontrem aqui . Mas era tarde de mais . Um ruído surdo e prolongado , como um trovejar distante , avisou os de que o festim tinha terminado . De ambos os lados de o corredor onde eles estavam , veio o som de centenas de pés a subirem a escadaria e as vozes alegres de gente bem alimentada . Em o momento seguinte os alunos chegavam junto de eles de ambos os lados . O burburinho morreu subitamente mal as pessoas avistaram a gata pendurada . Harry , Ron e Hermione estavam de pé , sozinhos , em o meio de o corredor quando se fez silêncio em a multidão de estudantes que se empurravam para observar aquele quadro macabro . Então alguém gritou , quebrando o silêncio . - Inimigos de o herdeiro , cuidado . Vocês serão os próximos , sangue de lama ! Era_Draco_Malfoy . Estava a a frente de a multidão com os olhos frios a brilhar , a sua cara habitualmente pálida agora afogueada , sorrindo a a vista de a gata pendurada e imóvel . IX_As palavras em a parede -- O que é_que se passa aqui ? O que é_que se passa ? Sem dúvida , atraído por o grito de Malfoy , Argus_Filch apareceu a coxear em o meio de a multidão . Quando viu Mrs._Norris , caiu para trás agarrando o rosto com verdadeiro horror . - A minha gata ! A minha gata ! O que aconteceu a Mrs._Norris ? - gritou . E os seus olhos rápidos caíram sobre Harry . - Tu - guinchou ele . - Mataste a minha gata ! Mataste a , vou dar cabo de ti , eu ... - Argus . Dumbledore tinha chegado a o lugar , seguido de alguns professores . Em poucos segundos tinha passado a a frente de Harry , Ron e Hermione e desatado Mrs._Norris de o suporte de a tocha . - Vem comigo , Argus - disse ele a o Filch . - Vocês também , Mr._Potter , Mr._Weasley e Miss_Granger . Lockhart deu rapidamente um passo em frente . - O meu escritório é o que está mais perto , senhor director , é já aqui em cima , por favor fiquem a a vontade . - Obrigado , Gilderoy - disse Dumbledore . A multidão silenciosa dividiu se para os deixar passar . Lockhart sentindo se excitado e importante , seguia Dumbledore assim_como a professora Mc_Gonagall e o professor Snape . Quando entraram em o escritório escuro de Lockhart houve uma grande agitação em as paredes . Harry viu várias imagens de Lockhart a esconderem se cheias de rolos em o cabelo . O Lockhart em pessoa acendeu as velas e chegou se mais para trás . Dumbledore pôs Mrs._Norris em a superfície polida de a secretária e começou a examiná a . Harry , Ron e Hermione trocaram olhares tensos entre si e deixaram se cair em as cadeiras que se encontravam longe de a luz , a observar . A ponta de o nariz longo e adunco de Dumbledore estava a menos_de dois centímetros de o pêlo de Mrs._Norris . Ele olhava a de perto através de os óculos de meia-lua , os dedos longos a palpar e tactear suavemente . A professora Mc_Gonagall estava quase tão perto como ele , com os olhos contraídos . Snape surgia mais atrás , meio em a sombra , com uma expressão estranha em o rosto , como_se tentasse a_toda_a força sorrir . E Lockhart andava de um lado para o outro a dar sugestões . - Foi sem dúvida uma maldição que a matou , provavelmente a tortura de a metamorfose . Vi a muitas_vezes ser usada , mas infelizmente eu não estava lá quando isto aconteceu . Conheço o antídoto para essa maldição , o que a teria salvo . Os comentários de Lockhart foram interrompidos por os soluços secos e violentos de Filch . Estava afundado em uma cadeira junto de a secretária , incapaz de olhar para Mrs._Norris , com o rosto em as mãos . Por mais que detestasse Filch , Harry não pôde deixar de sentir pena de ele embora não tanta quanto_a que sentia por si próprio . Se Dumbledore acreditasse em o Filch ele seria certamente expulso . O director estava agora a sussurrar umas palavras estranhas e batendo em Mrs._Norris com a varinha , mas não aconteceu nada , ela continuou com o mesmo aspecto , como_se tivesse sido empalhada . - ... Lembro me de uma coisa semelhante que aconteceu em Ouagadogou - disse LockLart . - Uma série de ataques . Conto essa história em a minha autobiografia . Eu dei a a gente de a cidade vários amuletos que resolveram logo a situação ... As fotografias de Lockhart em as paredes iam acenando afirmativamente com a cabeça enquanto ele falava . Uma de elas esquecera se de tirar os rolos de o cabelo . Por fim , Dumbledore endireitou se . - Ela não está morta , Argus - disse suavemente . Lockhart interrompeu bruscamente a contagem de os crimes que conseguira evitar . - Não está morta ? - disse Filch em um sufoco , olhando através de os dedos para Mrs._Norris . - Mas , porque está ela rígida e gelada ? - Foi petrificada - disse Dumbledore ( Ah ! foi o que eu pensei ! - comentou Lockhart ) mas como , não posso afirmar . - Pergunte lhe - gritou Filch , voltando a cara cheia de furúnculos e lágrimas para Harry . - Nenhum aluno de o segundo ano poderia ter feito isto - explicou Dumbledore . - Era preciso um grande conhecimento de magia negra . - Foi ele , foi ele - disse encolerizado o encarregado com a cara a ficar roxa . - O senhor viu o que ele escreveu em a parede . Ele descobriu em o meu gabinete , ele sabe que eu sou um ... - O rosto de Filch estava horrível . - Ele sabe que eu sou um * _ busca-pé * - disse por fim . - Eu não toquei em a Mrs._Norris - gritou Harry com todos os olhares a recaírem sobre ele , incluindo o de todos os Lockharts de a parede . - E eu nem sei o que é um * busca-pé * . - Mentira ! - gritou Filch . - Ele viu a minha carta de o feitiço rápido . - Se me permite que dê a minha opinião , senhor director - disse Snape , saindo de a sombra , e a sensação de mau presságio de Harry aumentou bastante . Certamente nada do_que Snape tinha para de dizer iria ajudá o . - O Potter e os amigos podiam estar simplesmente em o lugar errado em a altura errada - afirmou com um leve sorriso a torcer lhe a boca como_se tivesse as suas dúvidas . - Mas , temos aqui um conjunto de circunstâncias curiosas . Porque estavam eles afinal em o corredor ? Porque não estiveram presentes em a festa de o * _ Hallowe'en * ? Harry , Ron e Hermione começaram uma longa explicação sobre a festa de o dia de os mortos . - Estavam lá centenas de fantasmas , eles poderão confirmar que lá estivemos ... - Mas porque não foram a seguir a o banquete ? - perguntou Snape com os olhos pretos a brilharem a a luz de as velas . - Porquê ir até a aquele corredor ? Ron e Hermione olharam para Harry . - Porque , porque ... - balbuciou Harry , com o coração a querer saltar lhe de o peito , mas algo lhe disse que ia parecer muito rebuscado se lhes contasse que tinha sido levado até ali por uma voz sem corpo que só ele conseguia ouvir . - Porque estávamos cansados e queríamos ir para a cama - disse . - Sem jantar ? - inquiriu Snape com um sorriso triunfante a bailar lhe em o rosto lúgubre . - Não sabia que os fantasmas ofereciam em as suas festas comida para gente viva . - Não estávamos com fome - disse o Ron bem alto , enquanto o estômago se queixava de forma audível . O sorriso mesquinho de a Snape ampliou se . - Acho , senhor director , que Potter não está a dizer toda_a verdade - afirmou . - Talvez fosse boa ideia retirar lhe alguns privilégios , até ele estar disposto a contar nos a história toda . Pessoalmente , sugiro que seja retirado de a equipa de os Gryffindor até decidir ser honesto . - Francamente , Severus - exclamou a professora Mc_Gonagall com uma voz cortante . - Não vejo porquê impedir o rapaz de jogar Quidditch . Esta gata não levou pauladas em a cabeça dadas por nenhum cabo de vassoura . E não há provas de que o Potter tenha feito algo de mal . Dumbledore observava Harry com um olhar perscrutador . A voz tremeluzente de os seus olhos azuis fez Harry sentir que estava a ser passado a raios X. - Inocente até se provar que é culpado , Severus - disse com segurança . Snape estava furioso , assim_como Filch . - A minha gata foi petrificada ! - berrou , com os olhos a saltarem de as órbitas . - Quero ver um castigo ! - Vamos poder curá a , Argus - explicou pacientemente Dumbledore . - Madam_Sprout conseguiu arranjar algumas Mandrágoras . Logo_que tenham atingido o tamanho adulto , terei uma poção de Mandrágoras que reanimará Mrs._Norris . - Eu posso fazê a - interrompeu Lockhart . - Devo ter feito isso uma centena de vezes . Preparo uma golada de Mandrágora reconstituinte de olhos fechados ... - Perdão - disse Snape friamente -- , mas julgo que o professor de poções de esta escola ainda sou eu . Houve um silêncio bastante incómodo . - Vocês podem ir se embora - disse Dumbledore a o Harry , Ron e a Hermione . Eles saíram o mais depressa que puderam , sem ir a correr . Quando chegaram a o andar acima de o escritório de Lockhart , entraram em uma sala de aulas vazia e fecharam a porta devagarinho . Harry lançou um olhar de esguelha a as caras carrancudas de os amigos . - Acham que eu lhes devia ter falado de a voz que ouvi ? - Não - respondeu Ron , sem a mínima hesitação . - Ouvir vozes que mais ninguém ouve , não é bom sinal , nem em o mundo de os feiticeiros . Algo em a voz de Ron levou Harry a fazer a pergunta : - Tu acreditas em mim , não acreditas ? - Claro que sim - respondeu o Ron de imediato . - Mas tens de concordar que é esquisito ... - Eu sei que é esquisito - confirmou Harry . - É tudo esquisito . O que era aquilo escrito em a parede ? * _ A_Câmara foi aberta * , o que é_que significa ? - Sabes , faz me lembrar qualquer coisa - disse Ron lentamente . - Acho que alguém me contou uma história sobre uma câmara secreta em Hogwarts , talvez tenha sido o Bill ... - E que diabos é um * busca-pé * ? - perguntou Harry . Para sua surpresa , Ron abafou o riso . - Bem , em a verdade não tem graça nenhuma , mas como é o Filch ... - disse . - Um * busca-pé * é alguém que nasceu de uma família de feiticeiros , mas não tem poderes mágicos . É uma espécie de o oposto de os que vêm de famílias de Muggles , mas são feiticeiros . Os * busca-pé * são muito raros . Se o Filch está a tentar aprender magia em um curso rápido , acho que ele deve ser mesmo um busca-pé . Isso explicaria tudo , por_exemplo , porque detesta tanto os estudantes . - Ron sorriu satisfeito . - Tem inveja . Um relógio deu as horas , algures . - Meia-noite - disse Harry . - É melhor irmo nos deitar , antes que o Snape apareça e tente acusar nos de qualquer coisa . Durante alguns dias não se falou de outra coisa em a escola a não ser de o ataque a a gata , Mrs._Norris . Filch manteve o sucedido bem fresco em a memória de todos , andando de um lado para o outro em o lugar onde ela fora atacada , como_se esperasse por o responsável . Harry vira o esfregar a mensagem de a parede com a « solução removedora de toda_a porcaria mágica Mrs._Skower » , mas sem qualquer resultado . As palavras continuavam a brilhar tanto como antes sobre a pedra . Quando Filch não estava a patrulhar a cena de o crime , vagueava , de olhos avermelhados , por os corredores , perseguindo alunos insuspeitos e tentando aplicar lhes castigos por coisas como « respirar muito alto » ou « estar alegre » . Ginny_Weasley parecia muito perturbada com o destino de Mrs._Norris . Segundo Ron ela era uma amante de gatos . - Mas tu nem chegaste a conhecer bem Mrs._Norris - disse lhe Ron para a animar . - Com toda_a franqueza , estamos muito melhor sem ela . - O lábio de Ginny tremeu . - Não é costume acontecerem coisas de estas em Hogwarts - tranquilizou a . - Eles vão descobrir o safado que fez aquilo e põem o de aqui para fora em três tempos . - Só espero que tenha tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso . Estou a brincar , claro - acrescentou o Ron apressadamente a o ver a Ginny a empalidecer . O ataque afectara também Hermione . Era costume de ela passar muito_tempo a ler , mas agora parecia não fazer mais_nada . Nem respondia a o Harry e a o Ron quando lhe perguntavam o que estava a fazer e só acabaram por descobrir em a quarta-feira seguinte . Harry tivera de ficar até mais tarde em a sala de poções onde Snape o mandara raspar restos de larvas de as secretárias . Depois de um almoço comido a a pressa , ele foi lá acima encontrar se com Ron em a biblioteca e viu Justin_Finch - _ Fletchley , o rapaz de os Hufflepuff de herbologia que vinha em direcção a ele . Harry tinha acabado de abrir a boca para dizer um « Olá » quando Justin o viu , voltando se bruscamente e mudando de direcção . Harry foi encontrar o Ron em as traseiras de a biblioteca , a medir o trabalho de casa de história de a magia . O professor Binns pedira uma composição sobre a Assembleia_Medieval_de_Feiticeiros_Europeus com 90cm . De extensão . - Não posso crer que ainda me faltem 16cm - disse o Ron furioso , largando o pergaminho que se enrolou em forma de tubo - e que a Hermione fez um metro e trinta em aquela letra pequenina e apertadinha . - Onde está ela ? - perguntou Harry , agarrando em a fita métrica e desembrulhando o seu trabalho de casa . - Algures por aí - disse o Ron , apontando para as estantes . - _ a a procura de outro livro . Acho que ela está a tentar ler a biblioteca toda antes de o Natal . Harry contou a Ron que Justin_Finch - _ Fletchley tinha evitado falar lhe . - Não sei porque te preocupas com isso . Eu achei o um idiota - disse o Ron , escrevinhando e fazendo a letra o maior possível . - Todo aquele disparate sobre o Lockhart ser tão grande ... Hermione surgiu de o meio de as estantes . Parecia irritada e disposta , por fim , a falar com eles . - Todos os exemplares de * _ Hogwarts : Uma História * foram requisitados - disse , sentando se ao_lado_de Harry e Ron . - E há uma lista de espera de duas semanas . Quem me dera não ter deixado o meu exemplar em casa , mas não consegui que coubesse em a mala com todos os livros de o Lockhart . - Para que o queres ? - perguntou Harry . - Pelo mesmo motivo que toda_a_gente o quer - disse Hermione . - Para ler a lenda de a Câmara_dos_Segredos . - O que é isso ? - Precisamente . Não me lembro - disse Hermione , mordendo o lábio . - E não encontro a História em lugar nenhum . - Hermione , deixa me ler o teu trabalho - pediu Ron desesperado , olhando para o relógio . - Não , não deixo - respondeu Hermione com um ar severo . - Tiveste dez dias para o fazer . - Só preciso de mais quatro centímetros , vá lá ... A campainha tocou . Ron e Hermione encaminharam se para a História_da_Magia , discutindo . A História_da_Magia era a matéria mais chata de o programa . O professor Binns , que dava a cadeira , era o único professor fantasma e a coisa mais excitante que aconteceu em as suas aulas foi o dia em que entrou por o quadro preto . Já velho e enrugado , muita gente afirmava a seu respeito que ele não dera por_que tinha morrido . Pura e simplesmente levantara se um dia para ir dar aulas , deixando o corpo atrás , em um cadeirão em frente de a lareira de a sala de os professores . Desde esse dia a sua rotina mantivera se igual . Era hoje tão chato como fora sempre . Abriu as notas e começou a ler em um tom monocórdico como um velho aspirador até quase todos os alunos estarem em um estado de profunda dormência , acordando de vez em quando , para tomar nota de um nome ou de uma data , e voltando a adormecer . Estava a falar havia meia_hora quando aconteceu algo que nunca tinha acontecido . Hermione pôs o braço em o ar . O professor Binns olhou de relance , em o meio de a chatíssima aula sobre a Convenção_Internacional_de_Feiticeiros de 1289 , verdadeiramente espantado . - Miss ... er ... ? - Granger , professor . Poderia dizer nos alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Hermione em uma voz bem audível . O Dean_Thomas , que tinha estado sentado de boca aberta olhando para fora de a janela , saiu de o seu transe com um salto . A cabeça de Lavender_Brown saiu de os braços e o cotovelo de o Neville_Longbottom escorregou para fora de a secretária . O professor Binns piscou os olhos . - A minha matéria é História_da_Magia - disse em a sua voz seca e asmática . - Eu trato de factos , Miss_Granger , não de mitos e lendas - pigarreou produzindo um ruído que parecia o giz sobre o quadro e continuou : - Em Setembro de esse ano , uma subcomissão de feiticeiros de a Sardenha ... Parou de repente . A mão de Hermione estava de_novo em o ar . - Sim , Miss_Grant ? - Por favor , professor , as lendas não têm sempre um facto como base ? O professor Binns olhava para ela com tal espanto que Harry teve a certeza de que ele nunca , em tempo algum , fora interrompido por um aluno . - Bem - disse lentamente o professor Binns . - Sim , é uma afirmação que pode fazer se . - Olhou para Hermione como_se fosse a primeira vez que olhasse a sério para um estudante . - Contudo , a lenda de que me fala é tão extraordinária , mesmo grotesca ... Mas a aula inteira estava agora atenta a as palavras de o professor , que olhou indistintamente para todos eles . Harry poderia assegurar que ele estava absolutamente abismado por uma tão grande demonstração de interesse . - Muito bem - disse lentamente . - Ora vejamos ... a Câmara_dos_Segredos . Todos vocês sabem com certeza que Hogwarts foi fundada há mais de um_milhar de anos , não se conhece ao_certo a data , por os quatro maiores feiticeiros e feiticeiras de a época : Godric_Gryffindor , Helga_Hufflepuff , Rowena_Ravenclaw e Salazar_Slytherin . Construíram juntos este castelo , longe de os olhares curiosos de os Muggles porque em aquele tempo a magia era temida por as pessoas comuns e as bruxas e feiticeiros sofriam terríveis perseguições . Fez uma pausa , olhou indeciso em volta e prosseguiu : - Durante alguns anos , os fundadores trabalharam juntos em harmonia procurando outros mais novos que mostrassem sinais de possuir dotes mágicos e trazendo os para o castelo para aqui serem ensinados . Mas os desentendimentos surgiram entre eles . Começou a notar se uma divisão entre Slytherin e os outros . Salazar_Slytherin queria ser mais selectivo em relação a os alunos a serem admitidos em Hogwarts . Achava que os ensinamentos de magia deviam ficar dentro de as famílias de feiticeiros . Não lhe agradava a entrada em a escola de alunos de famílias Muggles porque os achava pouco dignos de confiança . Depois de algum tempo houve uma séria discussão sobre esse assunto entre Slytherin e Gryffindor e Slytherin abandonou a escola . O professor Binns fez uma nova pausa , fazendo beicinho o que o fazia parecer uma tartaruga enrugada . - Fontes fidedignas referem nos isto - disse . - Mas estes factos foram obscurecidos por a fantasiosa lenda de a Câmara_dos_Segredos . Conta a história que Slytherin construíra uma câmara oculta dentro de o castelo cuja existência os outros fundadores ignoravam . De_acordo com a lenda , Slytherin selou a Câmara_dos_Segredos para que ninguém pudesse abri a até o seu verdadeiro herdeiro chegar a a escola . O herdeiro , e apenas ele , poderia abrir a Câmara_dos_Segredos , libertar o horror que lá se encontrava e utilizá o para expurgar a escola de todos aqueles que eram indignos de aprender magia . Houve um silêncio quando ele se calou que não era o habitual silêncio de sono de as aulas de o professor Binns . Havia um desassossego em o ar enquanto todos continuavam a olhá o a a espera de mais . O professor Binns estava ligeiramente aborrecido . - A história toda é um disparate , claro - disse ele . - A escola foi revistada por várias vezes em busca de provas de a existência de essa câmara , por os feiticeiros e bruxas mais conhecedores . Não existe nada . Uma lenda que serviu apenas para assustar os ingénuos . A mão de Hermione estava novamente em o ar . - Professor , o que quer_dizer , ao_certo com « o horror que estava dentro de a câmara » ? - Acredita se que seja uma espécie de monstro que só o herdeiro de Slytherin pode controlar - disse o professor Binns em a sua voz seca e débil . A aula trocou entre si olhares inquietos . - Como vos digo , a coisa não existe - afirmou o professor Binns , desordenando as suas notas . - Não há câmara e não há monstro . - Mas , professor - disse Seamus_Finnigan . - Se a câmara só podia ser aberta por o herdeiro de Slytherin ninguém mais poderia encontrá a . Não é ? - Um disparate pegado - disse o professor Binns , em um tom de voz exasperado . - Se uma longa sucessão de directores e directoras de Hogwarts não a encontraram ... - Mas , professor - começou a dizer Parvati_Patil . Se_calhar é preciso usar magia negra para a abrir ... - Lá porque um feiticeiro não usa magia negra não quer_dizer que não possa , Miss_Pennyfeather - interrompeu o professor Binns . - Repito , se os antecessores de Dumbledore ... - Mas talvez seja preciso fazer parte de os Slytherin , por isso Dumbledore não podia ... - começou Dean_Thomas , mas o professor Binns já estava farto . - Já chega - disse , de modo cortante . - É um mito . Não existe . Não há uma única prova de que Slytherin tenha construído nem mesmo uma despensa para vassouras . Lamento ter vos contado esta história tola . Vamos voltar , se fazem o favor , a a História , a os factos sólidos , verificáveis , credíveis . E em menos_de cinco minutos toda_a classe mergulhara em a sua sonolência habitual . - Eu sempre ouvi dizer que Salazar_Slytherin era um velho retorcido e meio pateta - disse Ron_a_Harry e Hermione enquanto abriam caminho por os corredores cheios , em o final de a aula , para ir arrumar as malas antes de o jantar . - Mas não sabia que ele tinha começado esta coisa de o sangue puro . Eu não ia para os Slytherin nem que me pagassem . Se o chapéu seleccionador me tivesse posto lá , pegava em as malas e ia me embora ... Hermione acenou vivamente , mas Harry não abriu a boca . O estômago parecia ter dado uma volta . Harry nunca contara a o Ron e a a Hermione que o chapéu seleccionador tinha considerado seriamente a possibilidade de o colocar em os Slytherin . Lembrava se como_se tivesse sido em a véspera do_que a vozinha lhe dissera a o ouvido quando pôs o chapéu em a cabeça , um ano antes . * _ Podias vir a ser grande , sabes ? Está tudo aqui em a tua cabeça e Slytherin ajudaria te em o caminho para a grandeza , sem a menor dúvida * ... Mas Harry , que já ouvira falar de a fama de o grupo de os Slytherin de formar magos negros , pensou desesperadamente . - Em os Slytherin , não ! - E o chapéu tinha dito . - Bem , se tens assim tanta certeza ... será melhor os Gryfffndor . Enquanto eram empurrados por a multidão , Colin_Creevey passou por eles . - Olá , Harry ! - Olá , Colin - disse Harry automaticamente . - Harry , Harry , um rapaz de a minha turma tem andado a dizer que tu és ... Mas Colin era tão baixinho que não conseguiu lutar contra a maré de gente que o arrastou até a o vestíbulo . Ouviram o despedir se : - Adeus , Harry - e desaparecer . - O que é_que o rapaz de a turma de ele disse de ti ? - quis saber Hermione . - Que eu sou o herdeiro de Slytherin , imagino - disse Harry , com o estômago ainda a as voltas e lembrou se de repente de o Justin_Finch - _ Fletchley a fugir para não lhe falar , a a hora de o almoço . - As pessoas aqui acreditam em tudo - disse o Ron com repugnância . A multidão diminuiu e conseguiram subir as escadas sem dificuldade . - Achas mesmo_que existe uma Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Ron_a_Hermione . - Não sei - respondeu ela , franzindo a testa . - Dumbledore não conseguiu curar Mrs._Norris e isso leva me a pensar que o que a atacou pode não ser ... humano . Enquanto falava , voltaram uma esquina e encontraram se em o fim de aquele mesmo corredor onde o ataque tinha ocorrido . Pararam para olhar . Estava tudo igual a aquela outra noite , com excepção de a gata Mrs._Norris e havia uma cadeira vazia encostada a a parede , onde podia ler se a mensagem « : __ a câmara foi __ aberta » . - Foi aqui que o Filch montou a guarda - murmurou Ron . Olharam uns para os outros . O corredor estava deserto . - Não deve fazer mal dar uma olhadela aqui - disse Harry , deixando cair a mala e pondo se de quatro para poder gatinhar em busca de pistas . - Marcas de queimadura - disse - aqui e aqui ... - Venham ver isto ! - chamou Hermione . - Que estranho ... Harry levantou se e foi até a a janela que ficava junto de a mensagem . Hermione apontava para o vidro mais alto , onde cerca de uma vintena de aranhas se debatiam em uma aparente luta por atravessar por uma pequena brecha de vidro . Um longo fio prateado balouçava como uma corda , como_se todas tivessem trepado , em a ânsia de chegar lá fora . - Alguma vez viram aranhas agir assim ? - perguntou Hermione , curiosa . - Não - respondeu Harry . - E tu , Ron ? Ron ? Olhou por cima de o ombro . Ron estava de costas , bem lá atrás e parecia lutar contra o impulso de se virar . - O que é_que se passa ? - perguntou Harry . - Eu não gosto de aranhas - disse Ron , de modo tenso . - Nunca me tinhas dito - comentou Hermione , olhando para ele com surpresa . - Estás farto de usar aranhas em as poções ... - Não me importo quando estão mortas - explicou Ron que olhava cautelosamente para todos os lados , menos para a janela . - Não gosto de a maneira como_se mexem . Hermione riu se baixinho . - Não tem graça nenhuma - disse o Ron , furioso . - Se queres saber , quando eu tinha três anos , o Fred transformou o meu ursinho de pelúcia em uma enorme aranha nojenta , por eu lhe ter partido a vassoura de brinquedo . Tu também não gostarias de aranhas se estivesses agarrada a o teu ursinho e , de repente , ele tivesse uma data de pernas e ... Começou a tremer ... Hermione ainda estava a tentar conter o riso . Sentindo que era melhor mudarem de assunto , Harry perguntou : - Lembram se de a água que havia aqui em o chão ? De onde terá vindo ? Alguém a limpou . - Era por aqui - disse o Ron , já recuperado , avançando alguns passos em direcção a a cadeira de o Filch e apontando . - Junto de esta porta . Estendeu a mão para o puxador de a porta , mas retirou a de imediato , como_se se tivesse queimado . - O que foi ? - perguntou Harry . - Não posso entrar aí - disse o Ron bruscamente . - É a casa_de_banho de as raparigas . - Oh , Ron , não está aí ninguém - sossegou o Hermione enquanto se aproximava . - É o lugar de a Murta_Queixosa . Anda , vamos dar uma espreitadela . E ignorando o grande letreiro que dizia « Fora de serviço » Hermione abriu a porta . Era a casa_de_banho mais sombria e deprimente em que Harry tinha posto os pés durante toda_a sua vida . Debaixo_de um grande espelho partido e sujo podia ver se uma fila de lavatórios de pedra , rachados . O chão estava húmido e reflectia a luz fraca de os pavios de algumas velas que ardiam baixinho em os suportes . As portas de madeira de os cubículos estavam todas lascadas e riscadas e uma de elas balouçava fora de as dobradiças . Hermione levou os dedos a os lábios e foi até a o último cubículo . Quando lá chegou disse : - Olá , Murta , como estás ? Harry e Ron foram ver . A Murta_Queixosa flutuava em a cisterna de a casa_de_banho , tirando um ponto negro de o queixo . - Esta é a casa_de_banho de as raparigas - disse a o ver o Ron e o Harry . - Eles não são raparigas . - Não - concordou Hermione . - Eu só queria mostrar lhes como esta casa_de_banho é ... er ... simpática . Ela fez um aceno vago a o velho espelho sujo e a o chão húmido . - Pergunta lhe se viu alguma coisa - sussurrou o Ron a a Hermione . - Porque estão a dizer segredinhos ? - perguntou a Murta , fitando o . - Não é nada - disse Harry rapidamente . - Queríamos perguntar ... - Gostava que as pessoas parassem de falar em as minhas costas ! - desabafou a Murta em uma voz abafada por as lágrimas . - Eu tenho sentimentos , sabem , apesar_de estar morta . - Murta , ninguém quis aborrecer te - explicou Hermione . - O Harry só ... - A minha vida foi uma infelicidade em este lugar e agora as pessoas vêm estragar a minha morte . - Nós queríamos perguntar te se tinhas visto alguma coisa estranha ultimamente - disse Hermione sem perder tempo . - Porque foi atacada uma gata mesmo aqui a a frente de a tua porta em a noite de o * _ Hallowe'en * . - Viste alguém aqui perto em essa noite ? - insistiu Harry . - Não estava a prestar atenção - disse a Murta com ar dramático . - O Peeves aborreceu me tanto que vim aqui para tentar matar me . Só então me lembrei de que estou ... de que estou ... - Já morta - ajudou o Ron . A Murta soluçou tragicamente , elevou se em o ar , voltou se e mergulhou de cabeça em a sanita , espalhando água por_cima_de todos eles e desaparecendo . Por o som de os seus soluços abafados fora certamente descansar algures em o cano em forma de V._Harry e Ron ficaram de boca aberta , mas Hermione encolheu os ombros de cansaço e disse : - Se querem saber , para a Murta isto até foi alegre ... vá , vamos embora . Harry tinha acabado de fechar a porta deixando atrás os soluços gorgolejantes de a Murta quando uma voz forte o fez dar um salto . - RON ! Percy_Weasley estava parado em o cimo de as escadas com o seu distintivo de prefeito a brilhar e uma expressão chocadíssima em o rosto . - Isso é a casa_de_banho de as raparigas ... o que é_que vocês ... ? - Estávamos só a dar uma vista de olhos - exclamou o Ron - a a procura de pistas ... Percy engoliu em seco , de uma maneira que fez Harry lembrar se de Mrs._Weasley . - Saiam imediatamente de aqui - disse , aproximando se de eles a passos largos e gesticulando agitadamente . - Não se preocupam com as aparências ? Voltar aqui enquanto toda_a_gente está a jantar ... - Porque não havíamos de estar aqui ? - perguntou cheio de vivacidade o Ron , parando de repente e olhando Percy em os olhos . - Ouve lá , nós não tocamos em aquela gata . - Isso foi o que eu tentei explicar a a Ginny - respondeu Percy furioso - mas ela parece continuar a pensar que vocês vão ser expulsos . Nunca a vi tão aflita . Não pára de chorar . Devias pensar em ela . Todos os alunos de o primeiro ano andam superexcitados com esta história . - Tu não estás nada preocupado com a Ginny - disse o Ron já com as orelhas vermelhas . - O que te assusta é_que eu possa estragar as tuas possibilidades de ser chefe de turma . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor ! - bradou Percy , apontando elegantemente para o distintivo de prefeito . - E espero que te sirva de lição . Acabou se o trabalho de detective ou escrevo a a mãe a contar lhe . E voltou lhes as costas , a nuca tão vermelha como as orelhas de o Ron . Harry , Ron e Hermione , em essa noite , sentaram se em a sala comum o mais longe possível de Percy . Ron estava ainda muito maldisposto e não parava de esborratar o trabalho de casa de os encantamentos . Quando pegou distraidamente em a varinha para tirar as manchas incendiou o pergaminho . A deitar quase tanto fumo como o seu trabalho de casa , fechou bruscamente o * _ Livro_Padrão_de_Encantamentos de o 2.o Grau * . Para grande surpresa de Harry , Hermione fez o mesmo . - Mas quem poderia ser - perguntou ela baixinho como_se continuasse uma conversa que tinham acabado de ter . - Quem quereria todos os * busca-pés * e filhos de Muggles fora de Hogwarts ? - Vamos pensar - disse o Ron em a brincadeira , fingindo estar confuso . - Quem poderemos nós conhecer que ache que os familiares de Muggles são escumalha ? Olhou para Hermione . Ela olhou para ele pouco convencida . - Se estás a pensar em o Malfoy ... - Claro que estou - disse o Ron . - Tu ouviste o dizer : - Vocês serão os próximos , sangues de lama ! - Aliás , basta olhar para aquela cara de renegado para saber que ele é ... - Malfoy , o herdeiro de Slytherin ? - repetiu Hermione cepticamente . - Olha para a família de ele - disse Harry , fechando também os livros . - Todos eles estiveram em os Slytherin . O Draco está sempre a vangloriar se de isso . Podiam bem ser descendentes de Slytherin . O pai de ele é suficientemente mau . - Podiam perfeitamente ter tido a chave de a Câmara_dos_Segredos durante séculos - disse Ron - , fazendo a passar de pai para filho . - Bem - acedeu Hermione cautelosamente . - Seria possível ... - Mas como prová o ? - perguntou Harry tristemente . - Talvez haja um meio - sugeriu Hermione lentamente , baixando ainda mais a voz e lançando um olhar , através de a sala , a Percy . - É claro que não é fácil . E é perigoso , muito perigoso . Suponho que iríamos infringir cerca de cinquenta regras de a escola . - Se de aqui a um mês ou dois te decidires a explicar , avisa , está bem ? - disse Ron , que começava a ficar irritado . - Está bem - concordou Hermione friamente . - O que precisaríamos de fazer para entrar em a sala comum de os Slytherin e fazer algumas perguntas a o Malfoy , sem ele perceber que éramos nós ? - Mas isso é impossível - declarou Harry , enquanto Ron se ria . - Não , não é - continuou Hermione . - Só precisamos de um_pouco de poção * polisuco * . - O que é isso ? - perguntaram ao_mesmo_tempo Ron e Harry . - O Snape falou de ela em uma aula , há poucas semanas atrás . - Achas que não temos mais o que fazer do_que ouvir o Snape ? - murmurou o Ron . - Transforma nos em outra pessoa . Pensem em isso : podíamos transformar nos em três de os Slytherin . Ninguém saberia que éramos nós . É provável que o Malfoy nos contasse alguma coisa . Aposto que ele está a gabar se , em este momento , em a sala de os Slytherin , se ao_menos pudéssemos ouvi o . - Essa coisa de o * polisuco * cheira me um bocado mal - disse o Ron , franzindo as sobrancelhas . - E se ficarmos com a forma de os três Slytherin para sempre ? - Desaparece a o fim de algum tempo - disse Hermione , gesticulando impacientemente com a mão - mas conseguir a receita é muito difícil . O Snape disse que vinha em um livro chamado * _ As_Mais_Potentes_Poções * e está com certeza em a parte de os reservados de a biblioteca . Só havia uma maneira de obter o livro de os reservados : era com uma autorização assinada por um professor . - Não estou a ver porque quereríamos o livro - disse o Ron . - Se não para tentar fabricar uma de as poções . - Eu acho - sugeriu Hermione - que se fizéssemos parecer que o nosso interesse era apenas teórico , talvez conseguíssemos ... - Estás a sonhar , nenhum professor ia cair em essa - afirmou o Ron . - Só se fosse muito burro . X_A * bludger * perigosa Depois de o desastroso incidente de os duendes , o professor Lockhart não voltou a levar seres vivos para as aulas . Em vez de isso , lia a os alunos passagens de os seus livros e , por vezes , voltava a desempenhar alguns de os episódios mais dramáticos . Costumava chamar Harry para o ajudar em essas reconstruções . Até ali Harry fora obrigado a desempenhar o papel de um camponês de a Transilvânia que Lockhart curara de uma maldição murmurada , o abominável homem de as neves com dores de cabeça e um vampiro que depois de ter conhecido Lockhart tinha ficado incapaz de comer outra coisa que não fosse alfaces . Harry foi chamado para a frente de a classe durante a aula de Defesa contra as artes negras que se seguiu . Desta_vez para desempenhar o papel de um lobisomem . Se não tivesse um bom motivo para querer ver o Lockhart bem-disposto , teria se recusado . - Um uivo bem alto , excelente , Harry , isso mesmo . E foi então que , acreditem ou não , eu o ataquei de repente , assim . Atirei o a o chão , agarrei o com uma mão e com a outra consegui meter lhe a varinha em a garganta . Então , com a força que me restava pus em prática o complicadíssimo encantamento * _ Homorphus * . Harry soltou um uivo tristíssimo . - Vá lá , Harry , mais alto . Bom ... o pêlo desapareceu , os dentes diminuíram de tamanho e ele transformou se em um homem . Simples , mas eficaz e mais uma cidade ficará a lembrar se de mim para sempre como o herói que os libertou de os ataques mensais de o lobisomem . A campainha tocou e Lockhart pôs se de pé . - Trabalho para_casa : escrever um poema sobre a minha vitória sobre o lobisomem Wagga_Wagga . Há um exemplar autografado de * _ Eu , o Mágico * para o autor de o melhor poema . Os alunos começaram a sair . Harry voltou para trás e foi juntar se a o Ron e a a Hermione que estavam a a espera de ele . - Prontos ? - perguntou . - Espera até saírem todos - disse Hermione bastante nervosa . - Pronto ... Aproximou se de a secretária de Lockhart , apertando em a mão uma folha de papel , com o Ron e o Harry atrás . - Er ... professor Lockhart - gaguejou Hermione . - Eu queria requisitar este livro em a biblioteca , como leitura de apoio - entregou lhe o papel , com a mão ligeiramente trémula . - Só que faz parte de a secção de os reservados , por isso preciso de a assinatura de um professor . Acho que o livro me vai ajudar a compreender o que o senhor diz em * _ Passeios com Vampiros * acerca de os venenos de acção lenta ... - Ah , * _ Passeando com Vampiros * - disse Lockhart , pegando em a folha de papel de Hermione e sorrindo lhe abertamente . - E provavelmente o meu livro preferido . Gostou ? - Oh , muito - disse Hermione avidamente . - Tão inteligente o modo como apanhou o último com o passador de o chá . - Bem , tenho a certeza que ninguém se importará que eu dê uma ajudazinha suplementar a a melhor aluna de o segundo ano - disse Lockhart calorosamente , sacando de uma enorme pena de pavão . - É bonita , não é ? - comentou , adivinhando uma expressão de repulsa em a cara de o Ron . - Costumo guardas a para as minhas assinaturas de autógrafos . Rabiscou uma enorme assinatura cheia de altos e baixos e entregou a a Hermione . - Então , Harry - disse Lockhart enquanto Hermione dobrava a folha e a guardava em o saco . - Amanhã é a primeira partida de Quidditch de este ano , não é ? Gryffindor contra Slytherin . Ouvi dizer que és um jogador indispensável . Eu também fui * seeker * . Convidaram me inclusivamente para fazer parte de a Equipa_Nacional , mas eu preferi dedicar a minha vida a a erradicação de as forças de o mal . Mesmo_assim , se alguma vez precisares de um treino particular , não hesites em falar comigo , estou sempre disponível para partilhar a minha perícia com os jogadores menos dotados do_que eu . Harry fez um som indistinto com a garganta e saiu atrás_de Ron e Hermione . - Não acredito - disse quando os três examinavam a assinatura de Lockhart . - Ele nem viu que livro nós queríamos . - É porque é um idiota sem miolos - explicou o Ron . - Mas , quem se rala , temos o que queríamos . - Ele não é um idiota sem miolos - gritou Hermione com voz esganiçada enquanto se aproximavam quase a correr de a biblioteca . - Só porque ele disse que eras a melhor aluna de o segundo ano ... Baixaram as vozes a o entrar em a quietude abafada de a biblioteca . Madam_Prince , a bibliotecária , era uma mulher magra e irritável que parecia um abutre mal nutrido . - * _ Moste_Potente_Potions * ? - repetiu intrigada , tentando ficar com a folha de papel que Hermione se recusava a entregar lhe . - Gostava de a guardar para mim - disse sem fôlego . - Vá lá - intercedeu Ron , arrancando lhe a de as mãos e entregando a a Madam_Prince . - Nós arranjamos te outro autógrafo . O Lockhart assina tudo se aqui ficar muito_tempo . Madam_Prince pegou em o papel e voltou o em a direcção de a luz , decidida a descobrir uma falsificação , mas a assinatura passou em o teste . Desapareceu entre as estantes e voltou alguns minutos mais tarde , transportando um livro grande e de aspecto antiquado . Hermione meteu o com todo o cuidado em o saco e saíram , tentando não andar depressa de mais nem aparentar um ar culpado . Cinco minutos depois , estavam de_novo barricados em a casa_de_banho fora de serviço de a Murta_Queixosa . Hermione destruíra as objecções de Ron argumentando que aquele era o último lugar onde alguém em o seu juízo perfeito se lembraria de ir e que poderia assegurar lhes alguma privacidade . A Murta_Queixosa chorava ruidosamente em o seu cubículo , mas eles conseguiram ignorá a assim_como ela a eles . Hermione abriu * _ Moste_Potente_Potions * com todo o cuidado e inclinaram se os três sobre as páginas manchadas de humidade . Era fácil de perceber , logo à_primeira_vista de olhos , porque pertencia a a secção de os reservados . Algumas de as poções tinham efeitos quase impensáveis de tão macabros e havia ilustrações bastante desagradáveis , como , por_exemplo , aquela em que um homem parecia ter sido virado de o avesso e a de a bruxa com vários pares de braços suplementares a nascerem lhe em a cabeça . - Aqui está - disse Hermione excitadíssima a o encontrar a página intitulada « A poção * polisuco * « . Estava ilustrada com imagens de pessoas a meio de o processo de se transformarem em outras pessoas e Harry desejou ardentemente que a expressão de dor intensa que se lhes espelhava em o rosto fosse apenas produto de a imaginação de o artista desenhador . - Esta é a poção mais complicada que vi até hoje - disse Hermione enquanto examinava a receita . - Moscas asas de renda , sanguessugas , fluxo de cizânias e verdezelha - murmurou , acompanhando com o dedo a lista de ingredientes . - Bem , esses são relativamente simples , há os em a despensa de material de os estudantes , podemos tirar a a nossa vontade . Oh ! Vê só , pó de chifre de bicórneo ... não sei onde vamos arranjar isto ... e , é claro , um pedacinho de a pessoa em quem queremos transformar nos . - Como ? - perguntou Ron de forma cortante . - O que é_que queres dizer com um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos ? Eu não bebo nada que tenha lá dentro as unhas de os pés de o Crabbe ... Hermione continuou como_se não o tivesse ouvido . - Mas não temos que nos preocupar com isso por enquanto . Fica para o fim . Ron voltou se sem palavras para o Harry que tinha uma preocupação de outro tipo . - Já viste bem tudo_o_que vamos ter que roubar , Hermione ? Algumas coisas , não estão de certeza em a despensa de material de os alunos . O que é_que vamos fazer , arrombar os armários pessoais de o Snape ? Não sei se será uma boa ideia ... Hermione fechou o livro com um estrondo . - Bem , se vocês os dois se vão acagaçar , então está lindo - disse ela . Tinha as bochechas rosadas e os olhos mais brilhantes do_que era habitual . - Eu não gosto de quebrar regras , vocês sabem , mas acho que ameaçar os filhos de os Muggles é muito pior do_que construir uma poção difícil . Mas se vocês não querem descobrir se é o Malfoy , eu posso voltar já a a biblioteca e entregar o livro a Madam_Prince ... - Nunca pensei que chegaria o dia em que serias tu a convencer nos a quebrar regras - disse o Ron . - Está bem , vamos em essa , mas sem unhas de os pés , O. _ K. ? - Quanto tempo vai isso demorar a fazer , afinal ? - perguntou Harry quando Hermione , já com um ar mais satisfeito , voltou a abrir o livro . - Bem , como o fluxo de cizânias tem de ser recolhido durante a lua cheia e as asas de renda têm de ser abafadas durante vinte_e_um dias ... eu diria que se conseguirmos arranjar todos os ingredientes estará pronta dentro_de um mês . - Um mês ? - exclamou o Ron . - Nessa_altura já o Malfoy terá atacado metade de os filhos de Muggles ! - mas os olhos de Hermione contraíram se de_novo assustadoramente e ele acrescentou rapidamente . - Mas é o melhor plano que temos , por isso é melhor não olharmos para trás . Apesar_de tudo , enquanto Hermione verificava que não havia ninguém em os corredores e podiam sair de a casa_de_banho , Ron murmurou a Harry : - Seria muito mais simples se conseguisses , amanhã , atirar o Malfoy de a vassoura abaixo . Harry acordou cedo em o sábado de manhã e ficou um bocado a pensar em a partida de Quidditch que vinha a seguir . Estava nervoso , principalmente pelo que Wood diria se os Gryffindor perdessem , mas também com a ideia de enfrentar uma equipa apetrechada com as vassouras mais velozes que existiam . Nunca desejara tanto vencer os Slytherin como em aquele dia . Depois de meia_hora deitado com a barriga a dar horas , resolveu levantar se , vestir se e descer para tomar o pequeno-almoço . Lá em baixo , encontrou o resto de a equipa de os Gryffindor amontoada a o longo de a mesa comprida e vazia , todos eles com ar preocupado e sem vontade de conversar . Como_se aproximavam as onze horas , todos os alunos de a escola começaram a dirigir se para o estádio de Quidditch . O dia estava quente e húmido , com uma ameaça de trovoada em o ar . Ron e Hermione vieram apressadamente desejar a Harry boa sorte mal ele entrou em os vestiários . A equipa de os Gryffindor pôs os seus mantos vermelhos e sentou se para ouvir o discurso que Wood lhes fazia sempre antes de o jogo . - Os Slytherin têm vassouras melhores do_que nós - começou . - Não há como negá o . Mas nós temos gente melhor em cima de as vassouras . Treinámos mais do_que eles , voamos com todas_as condições climatéricas ( É bem verdade - murmurou George_Weasley - desde Agosto que não sei o que é estar seco ) . - E vamos fazê os engolir o dia em que deixaram aquele nojento de o Malfoy comprar a entrada em a equipa de eles . Com o peito agitado por a comoção , Wood voltou se par Harry . -- Cabe te a ti , Harry , mostrar lhes que um * seeker * tem de ter mais do_que um pai rico . Agarra a * snitch * antes d Malfoy ou morre a tentar porque temos absolutamente que vencer , hoje , Harry , temos que vencer . - Sem ansiedade , Harry - disse o Fred , piscando lhe o olho . Quando saíram em direcção a o campo , foram saudado por uma grande ovação principalmente de a parte de os Ravenclaw e de os Hufflepuff que estavam ansiosos por ver os Slytherin serem derrotados , mas os Slytherin que estavam entre a multidão também fizeram ouvir as suas vaias e pateadas . Madam_Hooch , a professora de Quidditch , pediu a Flin e Wood que apertassem as mãos o que eles fizeram , lançando um_ao_outro olhares ameaçadores , cada_um apertando a mão de o outro com mais força do_que aquela que seria necessário . - Atenção a o apito - disse Madam_Hooch . - Três , dois , um ... Com um bramido de a multidão para que subissem rapidamente , os catorze jogadores elevaram se em o céu cor de chumbo . Harry , mais alto do_que qualquer de os outros olhando para todos os lados em busca de a * snitch * . - Tudo bem , testa de cicatriz ? - gritou Malfoy , disparando por baixo de ele para lhe mostrar a velocidade de a sua vassoura . Harry não teve tempo de responder . Em esse preciso momento uma * bludger * preta e bem pesada veio direitinha a ele . Evitou a tão por um triz que ainda sentiu em os cabelos o ar que ela deslocara . - Foi por_pouco , Harry ! - exclamou o George , passando com grande rapidez , de bastão em a mão , pronto para lançar a * bludger * contra um Slytherin . Harry viu o dar a a * bludger * uma fortíssima pancada em direcção a Adrian_Pucey , mas a bola mudou de rumo em o meio de o ar e dirigiu se de_novo a Harry . Harry desceu rapidamente para se esquivar e George conseguiu lançá a contra Malfoy . Mais_uma_vez a * bludger * actuou como um * boomerang * e apontou a a cabeça de Harry . Harry ganhou velocidade e disparou contra o outro extremo de o campo . Ouvia o assobio de a * bludger * que o perseguia . O que era aquilo ? As * bludgers * nunca se concentravam assim em um único jogador , a sua função era tentar desmontar o maior número possível de intervenientes . Fred_Weasley esperava por a * bludger * em o extremo oposto . Harry baixou se quando o viu balançar se em frente de ela com toda_a garra . A * bludger * foi lançada para_fora_de campo . - Pronto , já está tudo resolvido - gritou Fred satisfeito , mas estava bastante enganado . Como_se fosse magneticamente atraída para Harry , a * bludger * lançou se de_novo contra ele e Harry teve de voar a_toda_a velocidade . Começara a chover . Harry sentia as gotas pesadas caírem lhe em o rosto , turvando lhe as lentes de os óculos . Não fazia ideia do_que se passava em o resto de o jogo , até ouvir Lee_Jordan que fazia o comentário dizer : - Os Slytherin vão a a frente com seis contra zero . As vassouras de qualidade superior de os Slytherin estavam obviamente a cumprir a sua função e enquanto isso , a * bludger * maluca fazia todos os possíveis para deitar abaixo o Harry . Fred e George voavam agora tão perto de ele , um de cada lado , que Harry não via senão os seus braços a balouçar e , se não conseguia ver a * snitch * , muito menos agarrá a . - Alguém enfeitiçou esta * bludger * - resmungou Fred , preparando o bastão com toda_a força quando ela se lançava de_novo contra Harry . - Precisamos de tempo - disse George , tentando fazer sinal a Wood enquanto evitava que a bola partisse o nariz a o Harry . Wood captou obviamente a mensagem . O apito de Madam_Hooch fez se ouvir e Harry , Fred e George desceram , tentando ainda evitar a * bludger * maluca . - O que é_que se passa ? - perguntou Wood enquanto a equipa de os Gryffindor se amontoava desordenadamente e os Slytherin , em o meio de a multidão , lançavam piadas . - Estamos a ser esmagados . Fred , George , onde estavam vocês quando aquela * bludger * impediu a Angelina de marcar ? - Estávamos seis metros acima , evitando que a outra * bludger * matasse o Harry , Oliver - gritou George furioso . - Alguém preparou isto , a bola não deixa o Harry em paz , ainda não perseguiu mais ninguém desde_que o jogo começou . Os Slytherin fizeram aqui qualquer coisa . - Mas as * bludgers * têm estado fechadas em o escritório de Madam_Hooch desde o último treino , e nessa_altura estava tudo bem ... - disse Wood ansiosamente . Madam_Hooch aproximava se . Por cima de o ombro de ela , Harry pôde ver a equipa de os Slytherin a escarnecer e apontar em a sua direcção . - Ouçam - disse o Harry , enquanto ela se aproximava . - Com vocês os dois a voarem sempre colados a mim , só vou apanhar a * snitch * se ela voar até a a minha manga . Voltem se para o resto de a equipa e deixem a tratante comigo . - Não sejas bronco - disse o Fred . - Ela arranca te a cabeça . Os olhos de Wood saltavam de Harry_para_os_Weasley . - Oliver , isto_é uma loucura - disse Alicia_Spinet , zangada . - Não podes deixar o Harry sozinho entregue a aquela coisa . Vamos pedir uma investigação . - Se pararmos agora , teremos de dar a partida como perdida e não vamos deixar os Slytherin ganhar , só por_causa_de uma * bludger * maluca . Vá lá , Oliver , diz lhes que me deixem sozinho . - A culpa é toda tua . * _ Agarra a snitch ou morre a tentar * , se isso é lá coisa que se diga . Madam_Hooch tinha se lhes juntado . - Prontos para retomar a partida ? - perguntou a Wood . Wood olhou para o ar determinado de Harry . - Deixem o sozinho , ele é capaz de lidar com a * bludger * . A chuva era agora mais pesada . A o apito de Madam_Hooch , Harry elevou se em os ares e ouviu o barulhinho de a * bludger * atrás_de si . Subiu cada_vez_mais alto . Fez acrobacias em espiral , descidas rápidas , ziguezagueou e rolou . Apesar_de ligeiramente estonteado , não deixou nunca de ter os olhos bem abertos . A chuva salpicava lhe os óculos e entrava lhe por as narinas , quando ele se voltou de cabeça para baixo , evitando outra forte investida de a * bludger * . Ouviu os risos de a multidão . Sabia que devia parecer ridículo , mas a * bludger * maluca era pesada e não podia mudar de direcção tão rapidamente quanto ele . Iniciou uma corrida que parecia de feira de diversões em volta de os extremos de o estádio , olhando de soslaio , através de os lençóis prateados de chuva , para os postes de os Gryffindor , onde Adrian_Pucey tentava passar por Wood . Um assobio junto de os ouvidos disse a Harry que a * bludger * falhara uma_vez_mais . Voltou se e voou rapidamente em a direcção oposta . - Estás a ensaiar * ballet * , Potter - gritou Malfoy quando Harry foi obrigado a fazer uma reviravolta estúpida em o ar para se esquivar mais_uma_vez de a * bludger * . Lá foi ele , com a * bludger * atrás a alguns metros de distância . E foi então que , olhando para Malfoy , furioso , a viu , a * snitch * de ouro . Flutuava alguns centímetros acima de os ouvidos de Malfoy que , de tão preocupado a escarnecer de Harry , nem dera por ela . Durante um momento angustiante , Harry ficou quieto em o ar , não ousando dirigir se a Malfoy , não fosse ele olhar para_cima e ver a * snitch * . PUM ! Tinha ficado parado tempo de mais . A * bludger * batera lhe , por fim , apanhando lhe o cotovelo e Harry sentiu o braço a partir se . Debilmente , desorientado por a dor cauterizante em o braço , Harry deslizou para um de os lados em a sua vassoura encharcada , um joelho ainda dobrado , o braço direito a balouçar , inútil , a o seu lado . A * bludger * veio de_novo , preparada para mais um ataque , desta_vez apontada a o seu rosto . Harry desviou se com uma intenção : chegar a Malfoy . Através_de uma nuvem de chuva e dor desceu até a o rosto tremeluzente e trocista e viu os olhos de ele dilatarem se de medo : Malfoy pensou que Harry ia atacá o . - Que diabo ... - resmungou , afastando se de o caminho . Harry tirou a outra mão de a vassoura e fez uma tentativa para agarrar qualquer coisa . Sentiu os dedos fecharem se em volta de a * snitch * dourada , mas conduzia agora a vassoura apenas com as pernas e ouviu se um grito de a multidão cá em baixo , quando ele fez a descida , tentando não desmaiar . Com um ruído seco caiu em a terra enlameada e rolou para fora de a vassoura . O braço tinha um ângulo um_pouco estranho . Torcendo se com dores , ouviu a a distância os assobios e os gritos . Concentrou se em a * snitch * que tinha fechada em a outra mão . - Ai - disse vagamente . - Ganhámos o jogo . E desmaiou . Voltou a si com a chuva a cair lhe em o rosto , ainda deitado em o campo , com alguém inclinado sobre ele . Viu um brilho de dentes brancos . - Oh , não , você não - gemeu . - Não sabe o que diz - afirmou Lockhart bem alto a a ansiosa multidão de Gryffindor que o comprimiam . - Não te preocupes , Harry , eu vou tratar de o teu braço . - Não - gritou Harry . - Eu fico com ele assim , obrigado . Tentou sentar se , mas a dor era enorme . Ouviu um « clique » familiar . - Não quero fotografias de isto , Colin - disse em voz alta . - Deita te para trás , Harry - insistiu Lockhart com toda_a calma . - É um encantamento muito simples que eu fiz imensas vezes . - Porque não me levam só para a ala hospitalar ? - perguntou Harry entredentes . - Seria o melhor , professor - disse a voz rouca de o Wood que não conseguia deixar de sorrir , apesar_de o seu * seeker * estar ferido . - Grande captura , Harry , verdadeiramente espectacular , a tua melhor jogada , em a minha opinião . Em o meio de a floresta de pernas que o rodeava , Harry avistou Fred e George_Weasley , metendo a * budger * perigosa em uma caixa . Continuava a dar uma luta enorme . - Para trás - ordenou Lockhart , que tinha arregaçado as mangas verde jade . - Não , eu não ... - protestou debilmente Harry , mas Lockhart tinha a varinha em a mão e , um segundo depois , apontava a para o braço de Harry . Uma sensação estranha e desagradável começou em o ombro e espalhou se , chegando a as pontas de os dedos . Parecia que o braço inteiro tinha sido esvaziado . Não foi capaz de olhar para o que estava a suceder . Tinha fechado os olhos , voltado o rosto para o outro lado , mas os seus maiores receios concretizaram se quando as pessoas lá em cima se sobressaltaram e Colin_Creevey começou a tirar fotografias como um louco . O braço deixara de lhe doer , mas parecia tudo menos um braço . - Ah ! - disse Lockhart . - Sim , bem isto às_vezes acontece . Mas o importante é_que os ossos já não estão partidos . Isso é o mais importante . Portanto , Harry , vai até a a ala hospitalar ... ah ! Mr._Weasley , Miss_Granger , poderiam levá o lá ? E Madam_Pomfrey poderá ... er ... arranjar um_pouco isso . Quando Harry se pôs de pé sentiu se estranhamente desequilibrado . Depois de respirar fundo , olhou para o lado direito e o que viu quase o fez desmaiar de_novo . Pendurado em a extremidade de a sua túnica estava o que parecia ser uma espessa e colorida luva de borracha . Tentou mexer os dedos mas ... em vão . Lockhart não consertara os ossos de Harry . Retirara os . M. dam Pomfrey não ficou nada satisfeita . - Devias ter vindo logo ter comigo - ralhou , segurando os restos tristes e moles de aquilo que antes fora um braço activo . - Eu conserto ossos em um segundo , mas fazê os crescer de_novo ... - Vai conseguir , não vai ? - perguntou Harry desesperado . - Sim , com certeza , mas vai ser doloroso - disse Madam_Pomfrey de modo severo , entregando lhe um pijama . - Vais ter que ficar cá esta noite ... Hermione esperou de o lado de_fora de a cortina que rodeava outra cama enquanto Ron ajudava Harry a vestir se . Levou algum tempo a enfiar o braço que parecia borracha dentro_de uma manga de o pijama . - Como é_que podes continuar a defender o Lockhart depois disto , Hermione ? - perguntou Ron através de as cortinas , enquanto puxava os dedos moles de o Harry por uma manga . - Se o Harry quisesse ser desossado , teria pedido . - Todos podem enganar se - disse Hermione . - E deixou de doer , não deixou , Harry ? - Sim - disse ele - mas também ficou incapaz de fazer seja o que for . Quando se meteu em a cama , o braço agitou se despropositadamente . Hermione e Madam_Pomfrey entraram . Madam_Pomfrey segurava uma grande garrafa com o rótulo * Skele - _ Gro * . - Vais ter uma noite difícil - preveniu , enchendo um pequeno copo fumegante e dando lhe a beber . - Fazer crescer ossos é uma coisa difícil . Tomar o * _ Skele - _ Gro * também . Queimou a boca e a garganta de o Harry a o descer , fazendo o tossir e cuspir . Resmungando sobre os desportos perigosos e os professores incapazes , Madam_Pomfrey retirou se , deixando Ron e Hermione a ajudar Harry a engolir um_pouco de água . - Mas ganhámos o jogo - disse o Ron com um sorriso em o rosto . - A tua jogada foi em grande . A cara de o Malfoy ... parecia que queria matar alguém . - Eu vou descobrir como é_que enfeitiçaram aquela * bludger * - disse Hermione com ar sombrio . - Podemos juntar essa pergunta a a lista de todas_as que queremos fazer a o Malfoy quando tomarmos a poção * _ Polisuco * - disse Harry , afundando se de_novo em as almofadas . - Espero que tenha um sabor melhor do_que esta coisa ... - Com um bocado de os Slytherin lá dentro , deves estar a brincar - disse o Ron . A porta de a ala hospitalar abriu se em esse momento e , completamente encharcados , entraram os restantes membros de a equipa de os Gryffindor , para ver o Harry . - Um voo inacreditável - disse George . - Acabei de ver Marcus_Flint a gritar com o Malfoy . Qualquer coisa sobre ter a * snitch * mesmo em cima de a cabeça e não ter dado por nada . O Malfoy não parecia nem um_pouco satisfeito . Tinham trazido bolos , rebuçados e garrafas de sumo de abóbora . Juntaram se em volta de a cama de Harry e estavam a dar início a o que prometia ser uma grande festa quando Madam_Pomfrey entrou a vociferar : - Este rapaz precisa de repouso . Tem trinta_e_três ossos a crescer . Fora de aqui . FORA ! E Harry ficou sozinho , sem nada que o distraísse de as dores agudas em o seu braço mole . Muitas horas mais tarde , Harry acordou subitamente em a escuridão total e soltou um pequeno grito de dor : sentia agora o braço cheio de estilhaços . Durante alguns segundos pensou que tinha sido a dor a acordá o . Depois , com um arrepio de horror , apercebeu se de que alguém estava a passar lhe uma esponja em a testa . - Sai de aqui - gritou , e em seguida : - Dobby ! Os olhos de o tamanho de bolas de ténis de o elfo doméstico estavam a olhá o em o escuro , uma lágrima grossa rolava por o seu enorme nariz . - Harry_Potter voltou a a escola - murmurou , infeliz . - Dobby avisou e voltou a avisar Harry_Potter . Ah ! senhor , porque não deu ouvidos a Dobby ? Porque não voltou Harry_Potter para_casa quando perdeu o comboio ? Harry ergueu se um_pouco , encostando se a as almofadas e afastou a esponja de o elfo . - O que estás a fazer aqui ? - perguntou . - E como sabes que eu perdi o comboio ? O lábio de Dobby tremeu e Harry foi assaltado por uma dúvida . - Foste tu . Tu impediste que a barreira nos deixasse passar . - Em a verdade fui eu , senhor - disse Dobby , acenando com a cabeça e com as orelhas a abanar . - Dobby escondeu se , esperou por Harry_Potter e selou a barreira . A seguir , Dobby teve de pôr as mãos em o ferro de engomar - mostrou a o Harry dez dedos longos embrulhados em ligaduras . - Mas Dobby não se importou , senhor , porque pensou que Harry_Potter estava a salvo e nunca Dobby sonhou que mesmo_assim ele viria para a escola ! Balançava se para a frente e para trás , sacudindo a cabeça feia . - Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry_Potter tinha voltado a a escola que deixou queimar o jantar de os seus donos . Dobby nunca tivera um castigo tão grande , senhor . Harry afundou se de_novo em as almofadas . - Quase conseguiste que nos expulsassem , a mim e a o Ron - disse furioso . - É melhor desapareceres de aqui antes que os meus ossos voltem a estar bem , Dobby , ou ainda te estrangulo . O elfo sorriu . - Dobby está habituado a ameaças de morte , senhor . Dobby recebe as cinco vezes por dia em a casa onde mora . Encostou o nariz a um canto de a fronha que usava , ficando tão ridículo que Harry sentiu a raiva desvanecer se , apesar_de tudo . - Porque usas essa coisa , Dobby ? - perguntou com curiosidade . - Isto , senhor ? - disse Dobby apontando para a fronha de almofada . - É uma prova de escravatura de o elfo doméstico , senhor . Dobby só pode ser libertado se os donos lhe derem roupa , senhor . A família tem o cuidado de não dar a o Dobby nem uma peúga , senhor , porque ele poderia ficar livre e deixar a casa para sempre . Dobby limpou os olhos protuberantes e disse subitamente : - Harry_Potter deve ir para_casa . Dobby achou que a sua * bludger * seria o suficiente para o fazer ... - A tua * bludger * ? - disse Harry com a raiva a crescer novamente dentro de ele . - Que queres tu dizer com a tua bludger * ? Foste tu quem fez com que aquela bola tentasse matar me ? - Matar não , senhor . Matar , nunca ! - disse o elho chocado . - Dobby quer salvar a vida de Harry_Potter . É melhor ir para_casa ferido do_que ficar aqui , senhor . Dobby só queria Harry_Potter suficientemente ferido para voltar para_casa . - Só isso ? - disse Harry furioso . - Imagino que não vais dizer me porque querias mandar me para_casa a os bocados ? - Ah ! se Harry_Potter soubesse ! - gemeu Dobby , com mais lágrimas a escorrerem lhe por a fronha esfarrapada . - Se pudesse saber o que significa para nós , para os humildes , os escravizados , nós , a escória social de o mundo mágico ! Dobby lembra se de como eram as coisas quando Aquele cujo nome não deve ser pronunciado estava em o auge de o poder , senhor ! Nós , os elfos domésticos éramos tratados como animais , senhor ! É claro que Dobby ainda é tratado assim - admitiu , secando o rosto em a fronha de almofada . - Mas , em a sua maioria , a vida melhorou bastante para os de a minha espécie desde_que Harry_Potter triunfou sobre Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Harry_Potter sobreviveu e o poder de os senhores de o Mal foi quebrado e veio uma nova alvorada , senhor , e Harry_Potter brilhou como um farol de esperança para aqueles de entre nós que já pensavam que a longa noite nunca mais teria fim , senhor ... e agora em Hogwarts vão acontecer coisas terríveis , talvez já esteiam a acontecer e Dobby não pode deixar Harry_Potter ficar aqui , agora_que a história vai repetir se , agora_que a Câmara_dos_Segredos está de_novo aberta . Dobby calou se horrorizado . Em seguida agarrou em o jarro de a água que Harry tinha a a cabeceira e bateu com ele em a própria cabeça , deixando se cair . Um segundo mais tarde voltou até junto de a cama , repetindo : - Mau , Dobby , muito mau , Dobby . - Quer_dizer , então , que existe mesmo a Câmara_dos_Segredos ? - murmurou Harry . - E dizes tu que já antes foi aberta ? Conta me , Dobby . Agarrou o pulso ossudo de o elfo quando a mão de ele se estendia para o jarro de a água . - Mas eu não sou filho de Muggles . Como posso estar em perigo por causa de a Câmara_dos_Segredos ? - Ah ! senhor , não pergunte a o pobre Dobby - lamentou se o elfo com os olhos enormes a brilharem em o escuro . - As forças de as trevas estão projectadas em este lugar , mas Harry_Potter não deve estar aqui quando as coisas acontecerem . Vá para_casa , Harry_Potter , vá para_casa . Harry_Potter não deve envolver se em isto , senhor , é demasiado perigoso ... - Quem é , Dobby ? - perguntou Harry , continuando a agarrar lhe o pulso com forca , impedindo que batesse de_novo em si próprio com o jarro . - Quem abriu a amara ? Quem a abriu de a última vez ? - Dobby não pode , senhor . Dobby não pode . Dobby não deve dizer - guinchou o elfo . - Vá se embora , Harry_Potter , vá se embora ! - Eu não vou para lugar nenhum - disse Harry , furioso . - Uma de as minhas melhores amigas é filha de Muggles , está em perigo se a câmara foi , de facto , aberta ... - Harry_Potter arrisca a própria vida por os amigos - gemeu Dobby em uma espécie de êxtase infeliz . - Tão nobre , tão corajoso , mas deve salvar se , Harry_Potter não deve ... Dobby calou se de repente com as orelhas de morcego a estremecerem . Harry também ouviu os passos que vinham lá fora , de o corredor . - Dobby tem de ir - balbuciou o elfo apavorado . Ouviu se um ruído e o pulso de Harry ficou subitamente fechado em o ar . Meteu se de_novo para baixo , em a cama , com os olhos fixos em a porta escura que dava entrada em a ala hospitalar enquanto os passos se aproximavam . Em o momento seguinte , Dumbledore estava a entrar , de costas , em o dormitório , vestindo uma longa túnica de lã e uma capa de noite . Transportava um extremo de aquilo que parecia ser uma estátua . A professora Mc_Gonagall surgiu um segundo mais tarde , pegando lhe em os pés . Os dois colocaram a em uma cama . - Chame Madam_Pomfrey - murmurou Dumbledore e a professora Mc_Gonagall passou por a cama de Harry , apressadamente , e desapareceu . Harry deixou se ficar muito quieto como_se estivesse a dormir . Ouviu vozes ansiosas e por fim a professora Mc_Gonagall apareceu de_novo , seguida de Madam_Pomfrey que vestia um casaco curto de lã sobre a camisa de dormir . Ouviu uma inspiração aguda . - O que aconteceu ? - murmurou Madam_Pomfrey_a_Dumbledore , inclinando se sobre a estátua que estava em a cama . - Outro ataque - disse Dumbledore . - A Minerva encontrou o em as escadas . Havia um cacho de uvas junto de ele . Acho que estava a tentar esgueirar se até aqui para vir visitar o Potter . O estômago de Harry deu uma reviravolta . Lenta e cuidadosamente ergueu se alguns centímetros para poder ver a estátua que estava sobre a cama . Um raio de luar iluminou lhe o rosto estático . Era_Colin_Creevey . Tinha os olhos abertos , e as mãos , em frente de a cara , seguravam a máquina fotográfica . -- Petrificado ? - murmurou Madam_Pomfrey . - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - Mas estou tentada a acreditar que ... se Albus não tivesse vindo cá abaixo tomar um chocolate quente ... quem sabe o que teria ... Os três olharam para Colin . Dumbledore inclinou se e retirou lhe a máquina de as mãos rígidas . - Será que ele conseguiu tirar a fotografia de o agressor ? - perguntou ansiosa a professora Mc_Gonagall . Dumbledore não respondeu . Abriu a parte detrás de a máquina . - Cruzes canhoto - disse Madam_Pomfrey . Um jacto de vapor tinha feito fervilhar a máquina . Harry , a três metros de distância , sentiu o cheiro tóxico de o plástico queimado . - Derretido - disse Madam_Pomfrey com grande espanto . - Tudo derretido . - O que significa isto , Albus ? - perguntou cada_vez_mais nervosa a professora Mc_Gonagall . - Significa - disse Dumbledore - que a Câmara_dos_Segredos está mesmo aberta outra_vez . Madam_Pomfrey levou uma mão a a boca . A professora Mc_Gonagall olhou assustada para Dumbledore . - Mas , Albus ... com certeza ... quem ? - A questão não é quem - disse Dumbledore com os olhos fixos em Colin . - A questão é como ... E pelo que Harry conseguiu ver de o rosto indistinto de a professora Mc_Gonagall , ela não compreendeu muito mais do_que ele . XI_O clube de os duelos Quando_Harry acordou , em o domingo de manhã , a enfermaria estava iluminada por um resplandecente sol de inverno e o seu braço tinha de_novo todos os ossos , apesar_de o sentir muito rígido . Sentou se rapidamente e olhou para a cama de Colin , mas ela fora isolada com as cortinas atrás de as quais se despira em a véspera . Vendo que ele tinha acordado , Madam_Pomfrey apareceu com um tabuleiro de pequeno-almoço e a seguir começou a apalpar lhe o braço e os dedos . - Tudo em ordem - disse , enquanto ele , com a mão esquerda , comia avidamente as papas de aveia . - Quando acabares de comer podes ir te embora . Harry vestiu se o mais depressa que pôde e dirigiu se a a pressa para a torre de os Gryffindor , ansioso por contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre Colin e Dobby , mas não os encontrou lá . Foi a a procura de eles , perguntando a si próprio onde teriam ido e sentindo se um_pouco magoado por o pouco interesse que demonstravam em saber se ele tinha recuperado os ossos . Quando passou por a biblioteca , Percy_Weasley vinha a sair com bastante melhor cara do_que de a última vez que se tinham encontrado . - Olá , olá , Harry - disse . - Excelente voo o de ontem , verdadeiramente sensacional . Os Gryffindor estão a a frente para a taça de a equipa . Ganhaste cinquenta pontos . - Não viste o Ron e a Hermione por aí ? - perguntou Harry . - Não , não vi - disse Percy com o sorriso a desaparecer . - Espero que o Ron não esteja outra_vez em a casa_de_banho de as raparigas ... Harry forçou um sorriso , viu Percy desaparecer e a seguir foi direitinho até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Não via lá muito bem por_que motivo o Ron e a Hermione lá estariam de_novo , mas , depois de se assegurar de que nem Filch nem nenhum de os prefeitos estavam por perto , abriu a porta e ouviu as vozes de eles que vinham de um cubículo fechado . - Sou eu - disse , fechando a porta atrás_de si . Ouviu se dentro de o cubículo um estrondo , um chapinhar e um sobressalto e ele viu o olho de a Hermione a espreitar por o buraco de a fechadura . - Harry - disse ela . - Pregaste nos um susto de morte . Entra . Como está o teu braço ? - _ óptimo - respondeu , apertando se dentro de o cubículo . Em cima de a sanita estava encarrapitado um velho caldeirão , e um crepitar a a superfície de a água disse a Harry que eles tinham acendido um fogo lá em baixo . Fazer aparecer fogos portáteis a a prova de água era uma de as especialidades de Hermione . - _ íamos visitar te , mas resolvemos começar a preparar a poção * _ Polisuco * - explicou Ron enquanto Harry fechava outra_vez a porta de o cubículo com alguma dificuldade . - Achámos que este era o lugar mais seguro para a esconder . Harry começou a contar lhes de o Colin , mas Hermione interrompeu o . - Nós já sabemos , ouvimos a professora Mc_Gonagall contar a o professor Flitwick hoje_de_manhã . Por isso resolvemos começar a ... - Quanto_mais depressa arrancarmos uma confissão a o Malfoy , melhor - rosnou o Ron . - Sabem o que eu penso ? Ele estava tão mal-humorado depois de o jogo de Quidditch que se vingou em o Colin . - Há outra coisa - disse Harry , vendo Hermione cortar molhos de verdezelha e lançá os dentro de a poção . - O Dobby foi visitar me a meio de a noite . Ron e Hermione olharam o espantados . Harry contou lhes tudo_o_que Dobby lhe dissera ... ou não dissera . Ron e Hermione ouviram o de boca aberta . - A Câmara_dos_Segredos já tinha sido aberta antes ? - repetiu Hermione . - Encaixa perfeitamente - disse Ron , em uma voz triunfante . - O Lucius_Malfoy deve ter aberto a Câmara_dos_Segredos quando andava em a escola e agora ensinou a o querido filhinho Draco como abris a . É óbvio , que pena o Dobby não te ter dito que tipo de monstro lá se encontra . Gostava de saber como é_que ninguém o viu andar por ai em a escola . - Talvez tenha a capacidade de se tornar invisível - sugeriu Hermione , picando sanguessugas para dentro de o caldeirão . - Ou talvez se disfarce , passando por uma armadura ou outra coisa de o género . Eu li umas coisas sobre vampiros camaleões ... - Tu lês de mais , Hermione - disse o Ron , deitando moscas asas de renda mortas por cima de as sanguessugas . Amarrotou o saco vazio de as asas de renda e olhou para Harry . - Então foi o Dobby que nos impediu de apanhar o comboio e te partiu o braço ... - abanou a cabeça . - Sabes o que eu acho ? Se ele não parar de tentar salvar te a vida ainda acaba por te matar . A notícia de que Colin_Creevey tinha sido atacado e estava agora em a ala hospitalar , como morto , espalhou se por toda_a escola em a segunda-feira de manhã . O ar ficou pesado e cheio de boatos e suspeitas . Os alunos de o primeiro ano começavam a andar por a escola em pequenos grupos , receando ser atacados se se aventurassem a andar isoladamente por os corredores . Ginny_Weasley , que era colega de carteira de o Colin em os encantamentos , estava perturbadíssima , mas Harry achou que Fred e George estavam a tentar animá a de a maneira errada . Revezavam se , mascarados com peles de animais e apareciam lhe subitamente detrás de as estátuas . Só pararam quando Percy , apopléctico de raiva , lhes disse que ia escrever a Mrs._Weasley a contar lhe que a Ginny andava a ter pesadelos . Enquanto isso , às_escondidas de os professores , uma panóplia de talismãs , amuletos e outros objectos de protecção ia enchendo a escola . Neville_Longbottom comprou uma enorme cebola verde que cheirava mal , um cristal pontiagudo cor de púrpura e uma cauda de tritão apodrecida antes de os outros rapazes de os Gryffindor lhe explicarem que ele não corria perigo : era um sangue puro e , portanto , muito pouco passível de ser atacado . - Eles foram a o Filch em primeiro lugar - disse Neville com o medo estampado em a cara redonda . - E toda_a_gente sabe que eu sou quase um * busca-pé * . Em a segunda semana de Dezembro , a professora Mc_Gonagall veio , como de costume , recolher os nomes de os alunos que ficavam em a escola durante o Natal . Harry , Ron e Hermione assinaram a lista . Tinham ouvido dizer que Malfoy ficava , o que lhes parecera muito suspeito . As férias seriam a altura ideal para usar a poção * _ Polisuco * e tentar arrancar lhe uma confissão . Infelizmente a poção estava a meio . Precisavam ainda de o chifre de bicórneo e o único lugar onde podiam arranjá o era em os depósitos privados de Snape . Harry , pessoalmente , preferia enfrentar o lendário monstro de os Slytherin do_que ser apanhado por o Snape a assaltar lhe o escritório . - O que precisamos - disse Hermione cheia de vivacidade quando se aproximava a aula conjunta de poções de quinta-feira a a tarde - para podermos entrar a a vontade em o escritório de o Snape , é de uma diversão . Harry e Ron olharam para ela , nervosos . - Acho que o melhor é ser eu a praticar o roubo - prosseguiu ela , em um tom perfeitamente casual . - Vocês os dois podem ser expulsos se forem apanhados e eu tenho uma folha limpa . Portanto , a única coisa que têm de fazer é distrair o Snape durante cerca de cinco minutos . Harry esboçou um meio sorriso . Provocar deliberadamente um estrago em a aula de poções de o Snape era tão seguro como ferir em um olho um dragão adormecido . As aulas de poções tinham lugar em um de os mais amplos calabouços . A de quinta-feira a a tarde não foi diferente de as outras . Vinte caldeirões fumegavam entre as secretárias de madeira , sobre as quais podia ver se laminas de latão e jarras com ingredientes . Snape deambulava por o meio de os fumos , fazendo reparos petulantes a o trabalho de os Gryffindor , enquanto os Slytherin riam a a socapa . Draco_Malfoy , que era o aluno preferido de Snape , não parava de lançar olhos de carneiro mal morto a o Ron e a o Harry , que sabiam que se retaliassem teriam um castigo , antes de poderem abrir a boca para dizer : - É injusto ! A solução de inchar de o Harry estava demasiado líquida , mas ele estava preocupado com coisas mais importantes . Esperava por o sinal de Hermione e mal deu por Snape se calar para ir espreitar a sua poção aguada . Quando o professor se voltou e foi implicar com o Neville , Hermione trocou um olhar com Harry e fez um aceno . Harry baixou se discretamente por detrás de o seu caldeirão , tirou de o bolso de trás um de os paus de fogo-de-artíficio Filibuster e deu lhe um toque de varinha . O fogo-de-artíficio começou a sibilar e a crepitar . Sabendo que tinha apenas alguns segundos , Harry endireitou se , ganhou coragem e lançou o a o ar . Aterrou certeiro em o caldeirão de o Goyle . A poção de o Goyle explodiu , salpicando toda_a aula . As pessoas gritavam , à_medida_que eram vítimas de os salpicos . Malfoy foi apanhado em a cara e o nariz começou a inchar como um balão . O Goyle tropeçava a as cegas , com as mãos em os olhos , que tinham ficado de o tamanho de pratos de sopa , enquanto o Snape tentava repor a calma e tentar perceber o que sucedera . Em o meio de a confusão , Harry viu Hermione esgueirar se a a socapa por a porta . - Silêncio ! silêncio ! - vociferou Snape . - Todos os que foram salpicados cheguem aqui para uma drenagem . Quando eu descobrir quem fez isto ... Harry fez um enorme esforço para não se rir a o ver Malfoy chegar apressadamente lá a a frente , a cabeça a tombar com o peso de o nariz , que parecia um pequeno melão . Quando metade de a aula se amontoava junto de a secretária de o Snape , alguns alunos vergados por o peso de os braços que pareciam mocas , outros incapazes de falar devido a o gigantesco inchaço de os lábios , Harry viu Hermione reentrar em o calabouço , a túnica mostrando a barriga protuberante . Quando todos os alunos tinham já tomado um gole de o antídoto e os vários inchaços tinham desaparecido , Snape precipitou se para o caldeirão de o Goyle e pescou os restos retorcidos de o fogo-de-artíficio . Houve um súbito silêncio . - Se eu descubro quem lançou isto - murmurou Snape - garanto que é expulsão por a certa . Harry compôs uma expressão de espanto . Snape olhava directamente para ele e a campainha , que tocou dez minutos mais tarde , não podia ser mais bem-vinda . - Ele soube que fui eu - disse Harry_a_Ron e a a Hermione , enquanto se dirigiam apressadamente para a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Tenho a certeza . Hermione lançou o novo ingrediente em o caldeirão e começou a mexer furiosamente . - Isto vai estar pronto dentro_de quinze_dias - afirmou , satisfeita . - O Snape não pode provar que foste tu - assegurou Ron , tranquilizando Harry . - Que pode ele fazer ? - Conhecendo o Snape , qualquer coisa louca - respondeu Harry , enquanto a poção borbulhava e espumava . Uma semana mais tarde , Harry , Ron e Hermione passavam por o vestíbulo de entrada , quando viram um pequeno grupo de pessoas reunidas em volta de o jornal de parede a lerem um pedaço de pergaminho que tinha acabado de ser afixado . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas acenaram lhes , entusiasmados . - Vão lançar um clube de duelos ! - exclamou Seamus . - Hoje a a noite é a primeira reunião . Eu não me importaria nada de ter aulas de duelo , podem vir a ser úteis um dia de estes ... - Porquê ? Achas que o monstro de os Slytherin sabe esgrimir ? - perguntou o Ron , mas , também ele , leu a notícia com interesse . - Pode ser útil - disse a o Harry e a a Hermione , quando foram jantar . - Vamos lá ? Harry e Hermione acharam óptimo , por isso , a as oito_da_noite voltaram a o salão . As longas mesas de refeição tinham desaparecido e um estrado dourado surgira , encostado a a parede . Sobre ele flutuavam milhares de velas . O tecto era , mais_uma_vez , de veludo negro e parecia que quase todos os alunos de a escola se encontravam ali , com as suas varinhas em a mão e com um ar entusiasmado . - Quem será que vai ensinar nos ? - perguntou Hermione , enquanto se misturavam em a multidão barulhenta . - Ouvi dizer que o Filitwick foi campeão de duelo em a juventude , talvez seja ele . - Desde_que não seja ... - começou Harry , mas terminou em um gemido : Gilderoy_Lockhart estava a subir a o estrado , resplandecente em as suas vestes cor de ameixa , acompanhado , nem mais nem menos , do_que de Snape que trajava , como sempre , de negro . Lockhart levantou um braço , pedindo silêncio , bradando : - Aproximem se , aproximem se , conseguem todos ver me e ouvir me ? Excelente ! - O professor Dumbledore deu me autorização para iniciar este pequeno curso de duelo para vos treinar a todos , caso algum dia precisem de se defender , como eu tenho feito em inúmeras ocasiões ; para mais detalhes , leiam os livros que tenho publicados . - Permitam que vos apresente o meu assistente , o professor Snape - disse Lockhart , abrindo um sorriso de orelha a orelha . - Ele diz me que sabe alguma coisa sobre duelos e aceitou desportivamente ajudar me em uma exibição de demonstração , antes de começarmos . Atenção , não quero que os mais novos fiquem preocupados , vão continuar a ter o vosso professor de poções depois de eu o vencer . Não tenham medo . - Não era óptimo se se liquidassem um_ao_outro ? - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . O lábio inferior de Snape estava curvo . Harry interrogou se sobre o motivo por_que Lockhart continuava a sorrir . Se o Snape olhasse de aquela maneira para ele , Harry estaria a correr a_toda_a velocidade para o mais longe possível . Lockhart e Snape voltaram se um para o outro e fizeram uma vénia , pelo_menos Lockhart fê la com muitas reviravoltas de mãos , enquanto Snape acenava , irritado , com a cabeça . Em seguida , ergueram as varinhas , como_se fossem espadas , em a frente . - Como podem ver , estamos a pegar em as varinhas em a posição de aceitação de combate - explicou Lockhart a a multidão silenciosa . - Quando contarmos até três , lançaremos os primeiros feitiços . Nenhum de nós tentará matar o outro , claro . - Eu não poria as mãos em o fogo - murmurou Harry , observando como Snape cerrava os dentes . -- Um , dois , três ... Os dois balançaram as varinhas acima de os ombros . Snape gritou : * _ Expelliarmus * ! Houve um clarão ofuscante de luz escarlate e Lockhart voou para trás , caindo de o estrado batendo contra a parede , escorregando e indo estatelar se em o chão . Malfoy e alguns de os outros Slytherin aplaudiram . Hermione estava em bicos de os pés . - Acham que ele está bem ? - gritou entredentes . - Quem se rala ? - disseram ao_mesmo_tempo o Ron e o Harry . Lockhart estava a pôr se , hesitante , de pé . O chapéu caíra lhe e o cabelo ondulado estava em um desalinho . - Bem , cá está ! - disse , cambaleando até a o estrado . - Este foi um encantamento para desarmar . Como podem ver , perdi a minha varinha . Ah , obrigado Miss_Brown . Sim , foi uma excelente ideia mostrar lhes isto , professor Snape , mas , se me permite que lhe diga , foi muito óbvio o que ia fazer . Se eu tivesse querido impedis o , teria o feito com a maior de as facilidades . Mas achei que seria educativo deixá os ver ... Snape tinha um ar assassino . Provavelmente Lockhart deu por isso , porque declarou : - Chega de demonstrações . Eu vou passar agora por o meio de vocês e criar duplas . Professor_Snape , se quiser ajudar me ... Entraram por o meio de a multidão , agrupando alunos . Lockhart pôs o Neville com Justin_Finch - _ Fletchley , mas Snape chegou primeiro junto de Harry e de Ron . - Tempo de separar a dupla ideal , parece me - rosnou . - Weasley , tu podes ficar com o Finnigan . Potter ... Harry voltou se automaticamente para Hermione . - Não me parece - disse Snape com o seu sorriso frio . - Mr._Malfoy , venha até aqui . Vamos ver o que faz com o famoso Potter . E a menina , Miss_Granger , pode emparceirar com Miss_Bulstrode . Malfoy aproximou se com o seu passo empertigado e o seu sorriso escarninho . Atrás de ele vinha uma rapariga de os Slytherin , que lembrou a Harry uma imagem que tinha visto em as * _ Férias com Bruxas_Velhas * . Era corpulenta e quadrada e os maxilares avançavam agressivamente . Hermione esboçou um meio sorriso , que ela não retribuiu . - Voltem se para os vossos parceiros - gritou Lockhart - e façam a vénia . Harry e Malfoy mal inclinaram as cabeças , não afastando os olhos um de o outro . - Varinhas preparadas ! - gritou Lockhart . - Quando eu disser três preparem os feitiços para desarmar o vosso opositor . Um ... dois ... três ... Harry levantou a varinha acima de o ombro , mas Malfoy começara logo em o « dois » : o seu feitiço apanhou Harry com tanta força que ele se sentiu como_se tivesse levado com uma frigideira em a cabeça . Tropeçou , mas ainda não estava fora de combate e , sem perder tempo , Harry apontou a varinha a Malfoy e gritou : - * _ Rictusempra ! * Um jacto de luz prateada atingiu Malfoy em o estômago , obrigando o a dobrar se , arfando . - Eu disse desarmar ! - gritava Lockhart sobre as cabeças de a multidão em lata , enquanto Malfoy caía de joelhos . Harry atingira o com o feitiço de as cócegas e ele mal conseguia mexer se para se rir . Harry hesitou com o vago sentimento de que seria pouco desportivo enfeitiçar Malfoy enquanto ele estava caído em o chão , mas ... foi um erro . Tentando respirar , Malfoy apontou a varinha a os joelhos de Harry , balbuciando : « * _ Tarantallegra ! * » e , um segundo depois , as pernas de o Harry tinham começado a mexer se , sem que ele pudesse controlá as , executando uma espécie de dança frenética . - Parem , parem - gritava Lockhart , quando Snape resolveu tomar controlo de a situação . - * _ Finite_Incantatem ! * - bradou . Os pés de o Harry pararam de dançar , Malfoy parou de rir e puderam olhar para_cima . Uma onda de fumo esverdeado pairava sobre todos eles . Neville e Justin estavam caídos em o chão , a arfar . Ron tentava fazer parar um Seamus com cara cor de cinza , pedindo lhe mil desculpas por o que a sua varinha partida eventualmente tivesse feito . Mas Hermione e Millicent_Bulstrode ainda não tinham acabado . Millicent tinha feito a Hermione uma prisão de cabeça e Hermione gritava de dor . As duas varinhas jaziam esquecidas em o chão . Harry deu um salto em frente e afastou Millicent . Não foi fácil , ela era bastante maior do_que ele . - Oh , gente ! - exclamou Lockhart , arrastando se por o meio de a multidão e olhando para os resultados de os duelos . - Vamos pôr de pé , Mcmillan ... cuidado , Miss_Fawcett ... belisque com força que pára logo de sangrar ... - Acho que o melhor é ensinar vos como bloquear feitiços pouco amigáveis - afirmou Lockhart que estava nervosíssimo em o meio de o salão . Olhou para Snape , cujos olhos pretos brilhavam e desviou rapidamente o olhar . - Vamos arranjar um par de voluntários . Longbottom e Finch - _ Fletchley , que tal serem vocês ? - Uma má ideia , professor Lockhart - disse Snape , deslizando como um morcego enorme e cruel . - Longbottom provoca devastação com o feitiço mais simples . Ainda temos de mandar o que restar de o Finch - _ Fletchley para a ala hospitalar dentro_de uma caixa de fósforos . - A cara redonda e rosada de Neville ficou ainda mais rosada . - Que tal o Malfoy e o Potter ? - sugeriu Snape com um sorriso retorcido . - Excelente ideia - disse Lockhart , fazendo sinal a os dois para que se aproximassem de o meio de o salão , enquanto a multidão recuava para lhes dar passagem . - Ouve bem , Harry - disse Lockhart . - Quando o Draco te apontar a varinha , tu fazes assim . Levantou a sua varinha , executando uma tentativa complicada de malabarismo e deixou a cair . Snape sorriu pretensiosamente , enquanto Lockhart a apanhava de o chão , dizendo : - Ups , a minha varinha está demasiado excitada . Snape aproximou se de Malfoy , inclinou se e disse lhe qualquer coisa a o ouvido . Malfoy sorriu também de forma afectada . Harry olhou , nervoso , para Lockhart e pediu : - Professor , podia mostrar me outra_vez aquela coisa para bloquear ? - Estás com medo ? - murmurou Malfoy baixinho , para que Lockhart não pudesse ouvir . - Querias ! - exclamou Harry por o canto de a boca . Lockhart deu um soco em o ombro de o Harry , em a brincadeira . - Basta que faças como eu fiz ! - O quê , deixar cair a varinha ? Mas Lockhart não estava a ouvir - Três , dois , um , zero ! - gritou . Malfoy levantou rapidamente a varinha a o ar e gritou : - * _ Serpensortia ! * A extremidade de a varinha explodiu . Harry viu , horrorizado , uma enorme serpente negra sair de ela , cair pesadamente em o chão a meio de os dois e erguer se disposta a atacar . Ouviram se gritos , enquanto a multidão se afastava , deixando o chão vazio . - Não te mexas , Potter - disse Snape vagarosamente , divertindo se claramente a ver Harry , parado , a olhar em os olhos a serpente . - Eu trato de ela ... - Permita me -- gritou Lockhart . Bramiu a varinha em direcção a a serpente e ouviu se um estoiro . A cobra , em_vez_de desaparecer , voou três metros acima de eles e voltou a cair em o chão com um estrondo enorme . Enraivecida , a sibilar de fúria , rastejou em direcção a Finch - _ Fletchley e pôs se de pé com os dentes a a mostra , pronta a atacar . Harry não soube ao_certo o que o levou a fazer aquilo . Não se lembrava sequer de ter tomado aquela decisão . Só soube que as pernas o fizeram avançar como_se tivesse rodas e que gritou a a serpente : - Larga o ! - E , milagrosa e inexplicavelmente , a serpente voltou a o chão , dócil como uma grande mangueira de jardim , preta e grossa , os olhos agora fixos em os olhos de Harry . Harry sentiu o medo a escoar se . Sabia que a cobra não atacaria mais ninguém , embora não pudesse explicar como sabia . Olhou para Justin a sorrir , esperando vê o aliviado , espantado , ou mesmo agradecido , mas nunca zangado ou assustado . - Que brincadeira é essa ? - gritou o outro e , antes que Harry tivesse tempo de dizer fosse o que fosse , voltou as costas e saiu de o salão . Snape deu um passo em frente , fez um gesto com a varinha e a serpente desapareceu em uma onda de fumo preto . Também ele , Snape , olhava para Harry de uma forma inesperada . Era um olhar arguto e calculista , de que Harry não gostou . Apercebeu se também vagamente de um murmúrio ameaçador que vinha de as paredes em volta . Depois , sentiu um puxão em a túnica . - Vamos - disse a voz de o Ron em o seu ouvido . - Mexe te , vá lá ... Ron arrastou o para fora de o salão . Hermione acompanhava os em a passada rápida . Quando cruzaram a porta , as pessoas que a rodeavam afastaram se , como_se tivessem medo de ser contagiadas . Harry não fazia a mais pequena ideia do_que estava a passar se e , nem Ron , nem Hermione lhe deram qualquer explicação , antes de o terem levado até a a sala comum de os Gryffindor , que se encontrava vazia . Aí , Ron empurrou Harry para uma cadeira de braços e disse : - Tu és um * serpentês * . Porque não nos disseste ? - Eu sou um quê ? - perguntou Harry . - Um * serpentês * ! - exclamou o Ron . - Falas com as cobras . - Eu sei - declarou Harry . - Quer_dizer , esta foi a segunda vez que o fiz . A outra foi há muito_tempo em o jardim zoológico , quando soltei uma Boa_Constrictor a o meu primo Dudley . É uma longa história , mas ela estava a dizer me que nunca tinha estado em o Brasil e eu acho que a libertei sem querer . Foi antes de saber que era feiticeiro . . . - Uma Boa_Constrictor disse te que nunca tinha estado em o Brasil ? - repetiu Ron , quase sem voz . - E então ? - disse o Harry . - Aposto que montes de pessoas aqui fazem o mesmo . - Não fazem , não - afirmou Ron . - Não é um dom muito frequente . Harry , isso é mau . - O que é_que é mau ? - perguntou Harry , que começava a ficar chateado . - O que é_que se passa com todos os outros ? Ouve bem , se eu não tivesse dito a aquela cobra para não atacar o Justin ... - Ah , foi isso que tu disseste ? - Que queres dizer ? Tu estavas lá , ouviste perfeitamente o que eu disse . - Eu ouvi te falar em serpentês - disse o Ron . - Língua de cobra . Podias estar a dizer lhe qualquer coisa . Não admira que o Justin tivesse entrado em pânico . Parecia que estavas a incitar a serpente . Foi assustador , sabes ? Harry olhou para ele espantado . - Eu falei uma língua diferente ? Mas não me apercebi , como posso falar uma língua , sem saber que a conheço ? Ron abanou a cabeça . Tanto ele como Hermione tinham um ar fúnebre . Harry não percebia o que havia em aquilo de tão trágico . - Será que me querem explicar o que há de mal em ter impedido que uma serpente enorme arrancasse a cabeça a o Justin ? - perguntou . - Porque é tão importante como o fiz , se evitei que o Justin fosse juntar se a grupo de os SEM_CABEÇA ? - Importa - disse por fim Hermione , em uma voz abafada . - Porque falar com serpentes era a arte por a qual Salazar_Slytherin ficou famoso . Por isso , o símbolo de os Slytherin é uma serpente . Harry ficou de boca aberta . - Exacto - disse o Ron . - E agora todos em a escola vão pensar que tu és descendente de ele . - Mas não sou - contrapôs Harry com um pânico que não conseguia explicar . - Não vai ser fácil prová o - disse Hermione . - Ele viveu há quase mil anos . Pelo que vimos , podias ser . Em essa noite , Harry ficou acordado durante horas . Por uma fresta de os cortinados de a cama de dossel , olhou para a neve que começava a cair de o lado de_fora de a janela de a torre e perguntou se se poderia ser descendente de Salazar_Slytherin . Afinal , não sabia nada de a família de o pai , os Dursley tinham sempre proibido qualquer pergunta sobre os seus familiares feiticeiros . Calmamente , tentou dizer qualquer coisa em * serpentês * , mas as palavras não saíam . Parecia que era necessário estar frente_a_frente com uma cobra para poder fazê o . Mas eu sou um Gryffindor , pensou Harry , o chapéu seleccionador não me poria aqui se eu tivesse sangue de Slytherin ... - Ah ! - disse uma vozinha dentro de o seu cérebro . - Mas o chapéu seleccionador queria pôr te em os Slytherin , não te lembras ? Harry deu voltas e voltas a a cabeça . Em o dia seguinte , quando visse Justin em a aula de herbologia explicaria lhe que estava a afastar a serpente , não a atiçá a o que , aliás , pensou zangado , dando vários socos em a almofada , qualquer idiota teria percebido . Contudo , em a manhã seguinte , a neve que começara a cair durante a noite , transformara se em uma tempestade tão espessa que a última aula de herbologia de o período foi cancelada : a professora Sprout queria tapar as mandrágoras com peúgas e cachecóis , uma operação arriscada que ela não confiava a ninguém agora_que era tão importante que as mandrágoras crescessem depressa e reabilitassem Mrs._Norris e Colin_Creevey . Junto de a lareira de a sala comum de os Gryffindor , Harry matutava sobre o que se passara enquanto Ron e Hermione aproveitavam o foro para jogar xadrez de feitiçaria . - Com os diabos , Harry - disse Hermione exasperada quando um bispo derrubou um de os cavaleiros de o cavalo , arrastando o para fora de o tabuleiro . - Vai falar com o Justin , se isso é assim tão importante para ti . Harry levantou se e saiu por o buraco de o retrato , perguntando a si próprio onde poderia estar o Justin . O castelo estava mais escuro do_que era habitual durante o dia por causa de a neve espessa e cinzenta que cobria as janelas . A tremer , Harry passou por as salas onde estava a haver aulas , captando lampejos do_que sucedia lá dentro . A professora Mc_Gonagall gritava com alguém que , segundo lhe parecia por o som , transformara o parceiro em um texugo . Resistindo a a tentação de dar uma espreitadela , Harry afastou se pensando que Justin poderia estar a utilizar o tempo de o furo para fazer algum trabalho e resolveu , por isso , ir até a a biblioteca . Um grupo de alunos de os Hufflepuff , que deveriam ter estado em Herbologia , encontrava se , de facto , sentado em as traseiras de a biblioteca , mas não parecia estar a trabalhar . Entre as fileiras de as estantes altas , Harry pôde ver as suas cabeças muito juntas em aquilo que deveria ser uma conversa absorvente . Não conseguia perceber se Justin estaria em o meio de eles . Ia para se aproximar quando apanhou em o ar uma frase e parou para ouvir melhor , escondido em a secção de a invisibilidade . - Portanto - dizia um rapaz corpulento - eu disse a o Justin para se esconder em o nosso dormitório . Isto_é , se o Potter o escolheu como próxima vítima é melhor que ele tenha um * low profile * durante algum tempo . É claro que o Justin já estava a a espera que alguma coisa de o género acontecesse desde_que lhe escapou em uma conversa com o Potter que era filho de Muggles . O Justin disse lhe , inclusivamente , que tinha estado inscrito em Eton . Não é o tipo de coisa que se ande a dizer com o herdeiro de Slytherin a a solta por aí . - Achas mesmo_que é o Potter , Ernie ? - perguntou uma rapariga de tranças loiras , ansiosamente . - Hannah - disse com solenidade o rapaz corpulento . - Ele é um serpentês . Todos sabem que essa é a marca de um feiticeiro negro . Alguma vez ouviste falar de um feiticeiro decente que falasse com as cobras ? O Slytherin era conhecido por « Língua de serpente . . Houve alguns murmúrios antes de Ernie prosseguir : - Lembram se do_que estava escrito em a parede ? * _ Inimigos de o herdeiro , cuidado ! * . O Potter teve que ir a o gabinete de o Filch . E o que é_que acontece a seguir ? A gata de o Filch é atacada . O aluno de o primeiro ano , Creevey , estava a aborrecê o em a partida de Quidditch , a tirar lhe fotografias quando ele estava caído em a lama . E o que é_que acontece a seguir ? Creevey é atacado . - Mas ele parece sempre ser tão simpático - disse Hannah , cheia de dúvidas . - E , bem , foi ele que fez com que o Quem nós sabemos desaparecesse . Não pode ser assim tão mau , pois não ? Ernie baixou misteriosamente a voz . Os Hufflepuff inclinaram se mais uns para os outros e Harry aproximou se para conseguir apanhar as palavras de o Ernie . - Ninguém sabe como ele sobreviveu a aquele ataque de o Quem nós sabemos e , afinal , ainda era um bebé quando aquilo aconteceu . Era para ter explodido feito em estilhaços . Só um feiticeiro negro verdadeiramente poderoso teria sobrevivido a uma maldição de aquelas . - Baixou ainda mais a voz até esta ficar reduzida a um leve murmúrio e disse : - Talvez fosse por isso que o Quem nós sabemos o queria matar , para não ter outro feiticeiro negro a competir com ele . Gostava de saber que outros poderes ocultos terá o Potter . Harry não aguentou mais . Pigarreou alto e saiu detrás de as estantes . Se não estivesse tão zangado teria conseguido ver o lado cómico de a situação : cada_um de os Hufflepuff olhava para ele como_se tivesse sido petrificado , e a cor desaparecera de a cara de o Ernie . - Olá - disse Harry . - Estou a a procura de o Justin_Finch - _ Fletchley . Os piores receios de os Hufflepuff tinham se concretizado . Olharam apavorados para o Ernie . - O que queres de ele ? - perguntou Ernie em uma voz sumida . - Explicar lhe o que aconteceu com aquela cobra em o clube de os duelos - disse Harry . Ernie mordeu os lábios brancos e , em seguida , respirando fundo , respondeu : - Estávamos lá todos . Vimos o que aconteceu . - Então viram que depois de eu falar a serpente recuou - disse Harry . - O que eu vi - insistiu teimosamente Ernie , apesar_de tremer a cada palavra que proferia - foi tu a falares serpentês e a atiçares a cobra conta o Justin . - Eu não a aticei - gritou Harry enraivecido . - Ela nem lhe tocou . - Falhou por_pouco - disse Ernie . - E , para o caso de estares com ideias - acrescentou com má cara - posso dizer te que a minha família provem de nove gerações de bruxas e feiticeiros e que o meu sangue é tão puro como o de qualquer feiticeiro , portanto ... - Quero lá saber qual é o teu sangue - disse Harry furioso . - Porque iria eu atacar os filhos de os Muggles ? - Ouvi dizer que detestas os Muggles com quem vives - disse Ernie rapidamente . - Não é possível viver com os Dursley sem os detestar - explicou Harry . - Gostava de te ver lá em casa . Girou sobre os calcanhares e saiu furioso de a biblioteca sob o olhar reprovador de Madam_Prince que limpava a capa dourada de um enorme livro de encantamentos . Harry avançou a as cegas por os corredores , quase sem ver por_onde ia de tão furioso que estava . O resultado foi chocar com algo enorme e sólido que o fez recuar e cair a o chão . - Ah ! Olá , Hagrid - disse , olhando para_cima . Hagrid tinha o rosto completamente tapado com um lenço coberto de neve , mas não podia ser mais ninguém , enchendo assim o corredor dentro de o seu sobretudo de pele de toupeira . De uma de as enormes mãos enluvadas , pendia um galo morto . - Tudo bem , Harry ? - perguntou , afastando o lenço para poder falar . - Porque não estás em a aula ? - Foi cancelada - disse Harry , pondo se de pé . - O que estás a fazer aqui ? Hagrid mostrou lhe o galo inerte . - É o segundo qu'aparece morto este período - explicou . - Ou são raposas ou um vampiro chato e eu preciso d'autorização de o director p'ra fazer um feitiço em volta de a capoeira . Aproximou se e olhou mais de perto para o Harry , por debaixo de as suas sobrancelhas espessas e cheias de neve . - Tens a certeza que estás bem ? Pareces exaltado e preocupado . Harry não foi capaz de repetir o que Ernie e os outros Hufflepuff lhe tinham dito . - Não é nada , tenho de ir , Hagrid . A próxima aula é Transfiguração e preciso de ir buscar os meus livros . Afastou se , a cabeça cheia com tudo_o_que Ernie dissera a seu respeito . « * _ O_Justin já estava d espera que uma coisa de o género acontecesse desde_que deixou escapar , falando com o Potter , que era filho de Muggles * ... » Harry subiu as escadas a correr e entrou por um corredor que estava particularmente escuro . As tochas tinham sido apagadas por uma ventania gelada que entrava por uma janela de fecho estragado . Estava a meio de o corredor quando tropeçou em uma coisa que se encontrava em o chão . Olhou para ver o que era e sentiu como_se o estômago se tivesse dissolvido . Justin_Finch - _ Fletchley estava em o chão , rígido e frio com uma expressão de horror em o rosto e os olhos abertos voltados para o tecto . E não era tudo . Junto de ele estava mais alguém , a visão mais estranha que Harry tivera em toda_a sua vida . Era_o_Nick quase sem cabeça que não estava cor de pérola nem transparente e sim escuro como fumo . Flutuava imóvel , em a horizontal , 12 centímetros acima de o chão , a cabeça meio tombada e em o rosto uma expressão de choque idêntica a a de o Justin . Harry pôs se de pé com a respiração acelerada e o coração a bater como um tambor contra as costelas . Olhou desvairado para ambos os lados de o corredor deserto e viu uma fila de aranhas que corriam a_toda_a velocidade em a direcção oposta a a de os corpos . Os únicos sons eram as vozes abafadas de os professores em as aulas que decorriam de ambos os lados . Podia fugir e ninguém saberia que ali tinha estado , mas não era capaz de os abandonar assim . Tinha de ir procurar ajuda . Será que alguém acreditaria que ele não tivera nada que ver com aquilo ? Enquanto ali estava , em pânico , uma porta a o seu lado abriu se com grande estrondo . Peeves , o * poltergeist * , saiu a os gritos . - Oh ! É o Potter , olá , Potter - alardeou Peeves , lançando por o ar os óculos de o Harry quando passou por ele . - O que está o Potter a fazer ? Porque está o Potter escondido ? Peeves passou de cabeça para baixo , a meio de uma cambalhota em o ar , quando viu Justin e Nick quase sem cabeça . Com um movimento súbito endireitou se , encheu os pulmões de ar e , antes que Harry pudesse impedi o , gritou : __ ataque ! ataque ! outro ataque ! nenhum mortal ou fantasma está em segurança . corram , fujam , __ ataaaque ! Crac , Crac , Crac . Uma atrás de a outra , foram se abrindo todas_as portas a o longo de o corredor e as pessoas saíram para fora de as salas de aula . Durante alguns longos minutos houve uma tal confusão que Justin esteve em perigo de ser esmagado e as pessoas não paravam de chocar com o Nick quase sem cabeça . Harry deu por si colado a a parede enquanto os professores exigiam a os gritos que se fizesse silêncio . A professora Mc_Gonagall veio a correr , seguida por todos os alunos , um de os quais ainda trazia o cabelo a as riscas pretas e brancas . Usou a varinha para produzir um ruído que repôs o silêncio e mandou os alunos todos para dentro de as salas de aula . Mal lugar ficou desimpedido surgiu Ernie , o jovem Hufflepuff . - * _ Apanhado em flagrante ! * - gritou , com o rosto totalmente branco , apontando dramaticamente o dedo par Harry . - Basta_Mcmillan - disse , de forma cortante , a professora Mc_Gonagall . Peeves andava para_cima e para baixo , observando a cena com um sorriso maldoso . Sempre adorara o caos . Quando os professores se inclinaram sobre Justin e sobre o Nick quase sem cabeça para os examinar , iniciou uma cantilena : * _ Oh ! Potter , que fizeste , seu grande bandido * _ Tu matas os estudantes porque achas divertido . * - Basta , Peeves - rosnou a professora Mc_Gonagall e Peeves afastou se , deitando a língua de_fora a o Harry . Justin foi levado para a ala hospitalar por o professor Flitwick e por o professor Sinistra_do_Departamento_de_Astronomia , mas ninguém parecia saber o que fazer em relação a o Nick quase sem cabeça . Por fim , a professora Mc_Gonagall fez aparecer em o ar um enorme leque que entregou a Ernie com o encargo de conduzir , escadas acima , por os ares o Nick quase sem cabeça . Ernie assim fez , soprando Nick como_se fosse um aerodeslizador e deixando , de este modo , o Harry e a professora Mc_Gonagall a sós . - Por aqui , Potter - disse ela . - Professora , eu juro que não ... - Isso não é comigo , Potter - afirmou a professora Mc_Gonagall sinteticamente . Caminharam em silêncio até uma esquina e ela parou perante uma gárgula de pedra extremamente feia . - Refresco de limão - disse . Era obviamente uma senha porque a gárgula animou se subitamente e saltou para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes . Apesar_de estar apavorado com o que ia acontecer a seguir , Harry não conseguiu evitar um sentimento de fascínio . Por detrás de a parede estava uma escada em espiral que se movia lentamente para_cima como um elevador . E quando ele e a professora Mc_Gonagall puseram os pés em o primeiro degrau , Harry ouviu a parede fechar se atrás de eles . Subiram em círculos , cada_vez_mais alto até que , por fim , um_pouco tonto , Harry pôde ver uma porta de carvalho reluzente com um puxador de bronze em forma de abutre . Harry calculava onde estava a ser levado . Devia ser ali que morava Dumbledore . XII_A poção * polisuco * Saltaram de a escada de pedra lá mesmo em cima e a professora Mc_Gonagall bateu a a porta . Ela abriu se silenciosamente dando lhes entrada . A professora Mc_Gonagall disse lhe que esperasse e deixou o sozinho . Harry olhou em volta . Uma coisa era certa : de todos o escritórios de professores que conhecia , o de Dumbledor era , de longe , o mais interessante . Se não estivesse com um medo de morte de ser expulso teria adorado explorá o . Era uma sala grande e bonita em forma de círculo que estava cheia de barulhinhos estranhos . Havia um grande número de instrumentos prateados sobre várias mesas de pernas finas que zumbiam emitindo pequenas baforadas de fumo . As paredes estavam cobertas de fotografias de antigos directores e directoras , todos eles a dormir tranquilamente em as suas molduras . Havia ainda uma enorme secretária pés de garra . E , sobre uma prateleira atrás de ela , um chapéu de feiticeiro andrajoso e puído : * o chapéu seleccionador * . Harry hesitou . Lançou um olhar cauteloso a as bruxas e feiticeiros adormecidos a o longo de as paredes . Com certeza não fazia mal se lhe pegasse e o experimentasse só para ver ... só para ter a certeza de que ele o pusera em a equipa certa . Deu a volta a a secretária , retirou o chapéu de a prateleira e baixou o lentamente sobre a cabeça . Era demasiado grande e escorregou lhe para os olhos como de a outra_vez que o tinha posto . Harry olhou para o forro preto , enquanto esperava . Por fim , uma vozinha disse lhe a o ouvido : - Estás com macaquinhos em o sótão , Harry_Potter ? - Er ... sim - balbuciou Harry . - Er ... desculpa incomodar te , queria saber ... - Querias saber se te pus em a equipa certa - disse prontamente o chapéu . - Sim ... tu és particularmente difícil de seleccionar , mas eu mantenho o que disse antes . - O coração de Harry deu um salto . - Terias ficado bem em os Slytherin . Harry sentiu o estômago contorcer se . Agarrou o chapéu por a aba e tirou o de a cabeça . O chapéu seleccionador ficou pendurado em a mão de ele , inerte , desbotado e sujo . Harry voltou a pô o em a prateleira , sentindo se enjoado . - Estás enganado ! - disse em voz alta a o chapéu parado e silencioso , mas ele não se mexeu . Harry recuou para o observar melhor e foi então que ouviu um ruído estranho e grasnado atrás_de si que o fez dar uma volta . Não estava só , afinal_de_contas . Em um poleiro dourado atrás de a porta estava um pássaro de aspecto decrépito que parecia um peru meio depenado . Harry olhou para ele espantado e o pássaro olhou o também , grasnando de_novo . Harry achou que ele devia estar muito doente porque tinha os olhos parados e , enquanto olhava para ele , caíram lhe mais algumas penas de a cauda . Estava justamente a pensar que a única coisa que lhe faltava era que o pássaro de estimação de Dumbledore morresse quando ele estava ali sozinho com ele , em o escritório , quando a ave se incendiou . Harry gritou , em estado de choque , e recuou até a a secretária . Olhava nervosamente em volta , em busca de um jarro de água , mas não viu nenhum . O pássaro , entretanto , transformara se em uma bola de fogo , dera um guincho e , em seguida , desaparecera , deixando apenas um monte de cinzas em o chão . A porta de o escritório abriu se . Dumbledore entrou com ar taciturno . - Professor - gaguejou Harry . - O seu pássaro ... eu não pode fazer nada ... ele incendiou se . Para seu grande espanto , Dumbledore sorriu . - Já não era sem tempo . Estava com um aspecto horrível em os últimos dias . Fartei me de lhe dizer que fizesse qualquer coisa . Riu se entre dentes com a expressão em o rosto de Harry . - A Fawkes é uma fénix , Harry . As fénix ardem quando é altura de morrer e renascem de as cinzas , repara ... Harry olhou mesmo a_tempo_de ver um passarinho recém-nascido , todo enrugado , espetar a cabeça fora de as cinzas . Era quase tão feio como o antigo . - É uma pena que a tenhas conhecido em dia de arder - disse Dumbledore , passando para trás de a secretária . - É muito bonita a maior parte de o tempo , com uma plumagem vermelha e dourada . São criaturas fascinantes , as fénix . Podem transportar cargas pesadíssimas , as suas lágrimas têm propriedades curativas e são animais de estimação extremamente fiéis . Com o choque de a fénix a pegar fogo , Harry esquecera se de o motivo porque ali estava , mas tudo voltou rapidamente quando Dumbledore se instalou em a cadeira de espaldar alto e o fixou com os seus olhos azuis e penetrantes . Contudo , antes que ele tivesse tido tempo de falar , a porta de o escritório abriu se de par em par com um enorme estrondo e Hagrid entrou com um olhar tresloucado , o lenço todo torcido em volta de a cabeça hirsuta e o galo morto ainda pendurado em a mão . - Não foi Harry , professor Dumbledore - disse , aflito . - Eu tinha estado a falar com ele poucos segundos antes de o rapazinho ser encontrado , ele não teve tempo professor ... Dumbledore tentou dizer qualquer coisa , mas Hagrid continuou , abanando o galo em o meio de a sua agitação e espalhando penas por todo o lado . - Não pode ter sido ele . Eu juro em a frente de o ministro de a magia , se for preciso ... - Hagrid , eu ... -- Tem o rapaz errado , professor . Eu sei qu'o Harry nunca ... - Hagrid - disse Dumbledore , elevando a voz . - Eu não penso que o Harry tenha atacado aquelas pessoas . - Oh ! - disse Hagrid , com o galo pendendo inerte a o seu lado . - Certo , ' tão eu espero lá fora , director . E saiu com ar envergonhado . - O senhor não acha que tenha sido eu ? - repetiu Harry cheio de esperança , enquanto Dumbledore sacudia penas de galo de cima de a secretária . - Não , Harry , não acho - afirmou Dumbledore , apesar de a sua expressão ser de_novo sombria . - Mas mesmo_assim quero falar contigo . Harry esperou ansiosamente enquanto o director o observava com as pontas de os dedos longos unidas . - Tenho de saber uma coisa . Harry , há alguma pergunta que queiras fazer me , qualquer que ela seja ? Harry não soube o que dizer . Lembrou se de Malfoy a gritar * _ Vocês serão os próximos , sangues de lama * e de a poção * _ Polisuco * em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Depois pensou em a voz sem corpo que ouvira duas vezes e em o que o Ron dissera * _ Ouvir vozes que ninguém mais ouve não é bom sinal , nem mesmo em o mundo de a feitiçaria * . Pensou também em o que toda_a_gente dizia de ele e em o receio cada_vez maior de ter uma relação qualquer com Salazar_Slytherin ... - Não - disse por fim . - Não há nada , professor . O ataque duplo a Justin e a o Nick quase sem cabeça transformou o que até_então era nervosismo em verdadeiro pânico . Curiosamente fora o destino de o Nick quase sem cabeça o que mais preocupara as pessoas . Quem poderia ter feito aquilo a um fantasma ? - perguntavam uns a os outros . - Que poder terrível era aquele , capaz de afectar alguém que já tinha morrido ? Houve uma precipitação enorme em a marcação de os bilhetes em o Expresso_de_Hogwarts , pois todos os alunos quiseram ir passar o Natal a casa . - Por este caminho , vamos ser os únicos a ficar - disse o Ron a o Harry e a a Hermione . - Nós , o Malfoy , o Goyle e o Crabbe , que férias lindas que vão ser ! Crabbe e Goyle que faziam sempre o que Malfoy fazia , tinham se inscrito para ficar também durante as férias . Mas Harry estava contente por a maior parte se ir embora . Estava farto de ver gente a afastar se em os corredores como_se ele fosse mostrar os dentes ou cuspir veneno . Estava cansado de tantos segredinhos , de os ver apontar e segredar quando passava . O Fred e o George , esses achavam muito divertido . Vinham , de propósito , pôr se a a frente de ele e atravessavam os corredores a gritar : - Abram alas para o herdeiro de Slytherin , vai passar um feiticeiro verdadeiramente cruel . Percy discordava totalmente de este comportamento . - Não é um assunto para se brincar - dizia com frieza . - Sai mas é de o caminho , Percy - dizia o Fred . - O Harry está com pressa . - Sim , ele vai a a Câmara_dos_Segredos tomar uma chávena de chá com o seu servidor dentes de serpente - completava Fred com uma gargalhada . Ginny também não lhes achava graça . - Cala te - gritava ela sempre_que o Fred perguntava em voz alta a o Harry quem estava a pensar atacar a seguir , ou quando George fingia afastá o com um enorme dente de alho . Harry não se importava . Fazia o sentir se melhor o facto de constatar que , pelo_menos para o Fred e para o George , a ideia de ele ser o herdeiro de Slytherin era absolutamente ridícula . Mas as palhaçadas de eles pareciam ofender Draco_Malfoy que , de cada_vez que os via , ficava mais irritado . - É porque está ansioso por dizer que é mesmo ele - disse o Ron com ar conhecedor . - Sabes como ele detesta que alguém o ultrapasse e tu estás a receber todo o crédito por o seu trabalho sujo . - Não vai ser por muito_tempo - disse Hermione com uma voz satisfeita . - A poção * polisuco * está quase pronta . Um de estes dias arrancamos lhe a verdade . Finalmente , o período chegou a o seu termo e um silêncio profundo como a neve em os campos desceu sobre o castelo . Harry adorou a tranquilidade e apreciou o facto de ele , Hermione e os Weasley terem a torre de os Gryffindor por sua conta , poderem jogar a as explosões bem alto , sem incomodar ninguém e praticar duelos entre si . O Fred , o George e a Ginny tinham preferido ficar em a escola a ir com Mr. e Mrs._Weasley a o Egipto visitar o Bill . Percy que reprovava e considerava infantil a conduta de eles , não passava muito_tempo em a sala comum de os Gryffindor . Já lhes dissera pomposamente que só ficara ali em o Natal , por ser sua obrigação como prefeito apoiar os professores em aquela época agitada . A manhã de o dia de Natal clareou branca e fria . Harry e Ron , os únicos que estavam em o dormitório , foram acordados muito cedo por Hermione que entrou , toda vestida , transportando presentes para ambos . - Acordem - disse em voz alta , abrindo os cortinados . - Hermione , tu não devias estar aqui - exclamou o Ron , protegendo os olhos de a luz . - Feliz_Natal para ti também - disse Hermione , atirando lhe o presente que tinha para ele . - Estou acordada há quase uma hora , acrescentando mais asas de renda a a poção . Está pronta . Harry sentou se , subitamente acordado . - Tens a certeza ? - Absoluta - disse ela , afastando o rato Scrabbers para se sentar a os pés de a cama de dossel . - Se vamos mesmo tomá a , acho que devia ser logo a a noite . Em esse momentzo , a Hedwig entrou em o quarto , transportando em o bico um embrulho pequenino . - Olá - disse Harry , feliz a o vê a aterrar em a sua cama . - Já me falas outra_vez ? Ela mordiscou lhe a orelha de uma forma afectuosa que foi , de longe , um presente melhor do_que aquele que transportava e que era afinal de os Dursley . Tinham mandado a Harry um palito para os dentes com um cartão pedindo lhe que se informasse se não poderia ficar , também em o Verão , em Hogwarts . Os outros presentes que Harry recebeu foram bastante melhores . Hagrid mandara lhe uma lata grande de bombons de melaço que ele decidiu amolecer a o lume antes de comer , o Ron deu lhe um livro chamado * _ Voando com Canhões * , que narrava factos interessantes sobre a sua equipa favorita de Quidditch e Hermione trouxera lhe uma luxuosa pena de águia . Harry abriu o último presente onde vinha uma camisola novinha , feita a a mão por Mrs._Weasley e um grande bolo de passas . Pegou em o cartão com uma nova sensação de culpa , pensando em o carro de Mr._Weasley que não voltara a ser visto desde_que chocara contra o salgueiro zurzidor e em a quantidade de infracções que ele e o Ron tinham em mente . Ninguém , nem mesmo os que estavam cheios de medo por terem de tomar a poção * polisuco * a seguir , deixou de adorar o jantar de Natal em Hogwarts . O salão nobre estava magnífico . Não_só havia uma_dúzia de árvores de Natal , cobertas de geada e espessas serpentinas de azevinho e visco bravo cruzando se junto de o tecto como caia uma neve encantada quente e seca . Dumbledore conduziu os em uma de as suas canções de Natal preferidas enquanto Hagrid se agitava , falando cada_vez_mais alto , a cada gole de gemada que tomava . O Percy que não dera por_que Fred enfeitiçara o seu distintivo de prefeito , onde agora podia ler se « cabeça de alfinetes « , continuava a perguntar a todos para_onde estavam a olhar . Harry nem_sequer se importou com os comentários que Draco_Malfoy fazia bem alto , de a mesa de os Slytherin acerca de a sua camisola nova . Com alguma sorte , Malfoy iria ser desmascarado dentro_de algumas horas . Harry e Ron mal tinham acabado a terceira dose de pudim de Natal quando Hermione os fez sair de o salão a a pressa para acabarem de tratar de os planos para essa noite . - Ainda precisamos de um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos - disse com o ar mais natural de este mundo como_se estivesse a mandá os a o supermercado comprar detergente . - E , é claro que o ideal será conseguirmos alguma coisa de o Crabbe e de o Goyle , são os melhores amigos de o Malfoy , ele conta lhes tudo . E precisamos também de ter a certeza de que eles não vão entrar em a sala quando vocês estiverem a interrogar o Malfoy . - Eu tenho tudo pensado - prosseguiu ela , ignorando a expressão estupefacta de Harry e Ron . Pegou em dois apetitosos bolos de chocolate . - Pus lhes um encantamento de sono . Vocês só têm de fazer com que o Crabbe e o Goyle os encontrem . Sabem como eles são gulosos , vão logo comê os . Quando estiverem a dormir , tirem lhes alguns cabelos e escondam nos em uma despensa de vassouras . Harry e Ron olharam , incrédulos , um para o outro . -- Hermione , eu não creio que ... -- Isto pode correr muito mal ... Mas Hermione tinha um brilho inflexível em os olhos que não era muito diferente do_que costumavam ver em o olhar de a professora Mc_Gonagall . - A poção não nos serve de nada sem os cabelos de o Crabbe e de o Goyle - disse com firmeza . - Vocês querem mesmo descobrir coisas sobre o Malfoy , não querem ? - Pronto , está bem - disse Harry . - Mas , e tu , vais arranjar cabelos de quem ? - Eu já tenho esse assunto resolvido - disse Hermione sorridente , tirando um frasquinho de o bolso e mostrando lhes um cabelo que lá estava dentro . - Lembram se de a Millicent_Bulstrode que lutou comigo em o clube de os duelos ? Ela deixou isto em o meu manto quando tentava estrangular me . E foi passar o Natal a casa , portanto , basta me dizer a os Slytherins que decidi voltar . Quando Hermione saiu para verificar de_novo a poção polisuco , Ron voltou se para Harry com uma expressão lúgubre . - Alguma vez viste um plano onde tantas coisas pudessem correr mal ? Mas para grande espanto de ambos , a primeira fase de a operação decorreu tão naturalmente como Hermione previra . Eles esconderam se em o * hall * de entrada , depois de o lanche de Natal , a a espera de o Crabbe e de o Goyle que tinham ficado sozinhos a a mesa de os Slytherin , deitando abaixo a quarta dose de bolo inglês . Harry colocou os bolos de chocolate em o fim de o corrimão . Quando avistaram Crabbe e Goyle a sair de o salão , Harry e Ron esconderam se rapidamente atrás_de uma armadura que estava junto de a porta de entrada . - Como_se pode ser tão estúpido ? - murmurou Ron sem se mexer enquanto Crabbe apontava satisfeitíssimo , mostrando a Goyle os bolos e agarrando os . Com um riso estúpido , enfiaram nos inteiros em as bocas enormes . Durante um momento , ambos mastigaram avidamente com olhares vitoriosos em o rosto . Depois , sem que a expressão se alterasse , caíram para trás e estatelaram se em o chão . Mais difícil foi transportá os para a despensa de o outro lado de o * hall * . Uma_vez armazenados em o meio de os baldes e esfregões , Harry arrancou alguns de os pêlos que cobriam a cabeça de o Goyle e Ron tirou alguns cabelos a o Crabbe . Roubaram lhes também os sapatos porque os de eles eram demasiado pequenos para os enormes pés de o Crabbe e de o Goyle . Em seguida , ainda atordoados com o que tinham acabado de fazer , correram até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mal conseguiam ver com o fumo preto e espesso que saía de o cubículo onde Hermione mexia o caldeirão . Tapando o rosto com os mantos , Harry e Ron bateram a o de leve em a porta . - Hermione ? Ouviram o ruído de o trinco e Hermione apareceu com a cara lustrosa e um ar ansioso . Por trás de ela ouviam o gloop gloop de a poção espessa e gorgolejante . Em o banco de a casa_de_banho estavam três copos de vidro . - Conseguiram ? - perguntou Hermione quase sem fôlego . Harry mostrou lhe o cabelo de o Goyle . - _ óptimo . Eu tirei estes mantos suplementares de a lavandaria - disse ela , pegando em uma pequena saca . - Vocês vão precisar de tamanhos maiores se vão ser o Crabbe e o Goyle . Olharam os três para o caldeirão . Vista de perto , a poção parecia uma lama espessa e escura a borbulhar indolentemente . - Tenho a certeza que fiz tudo certo - disse Hermione nervosa , relendo a página manchada de * _ Moste_Potente_Potions * . - Tem o aspecto que o livro diz que deveria ter ... depois de a tomar temos precisamente uma hora antes de nos transformarmos de_novo em as pessoas que somos . - E agora ? - murmurou o Ron . - Separamos a em três copos e adicionamos os cabelos . Hermione encheu cada_um de os copos com uma concha de sopa . Em seguida , retirou com a mão a tremer o cabelo de Millicent_Bulstrode de dentro de o frasquinho e pô o em o primeiro copo . A poção chiou fortemente como uma chaleira a ferver e espumou como louca . Um segundo depois ganhara um tom de amarelo doentio . - Urgh ! Essência_de_Millicent_Bulstrode - disse Ron , olhando com repugnância . - Aposto que o sabor é nojento . - Deitem os vossos - disse Hermione . Harry deixou cair o cabelo de o Goyle em o copo de o meio e Ron lançou o de o Crabbe em o último . Ambos chiaram e espumaram : o de o Goyle ficou de um tom caqui , o de o Crabbe de um castanho-escuro algo tenebroso . - Esperem - pediu Harry quando Ron e Hermione pegaram em os copos . - Será melhor não os tomarmos aqui todos juntos em um cubículo ; quando em os transformarmos não vamos cá caber e Millicent_Bulstrode não é nenhum duende . - Bem pensado - admitiu o Ron , abrindo a porta . - Cada_um em seu cubículo . Com todo o cuidado , para não entornar nem uma gota de a poção polisuco , Harry esgueirou se para o cubículo de o meio . - Prontos ? - perguntou . - Prontos - responderam as vozes de o Ron e de a Hermione . - Um , dois , três . Tapando o nariz , Harry bebeu a poção em dois grandes tragos . Tinha o sabor de a couve demasiado cozida . Os seus interiores começaram imediatamente a contorcer se como_se tivesse engolido serpentes vivas . Dobrado , Harry perguntava a si próprio se iria vomitar . Depois , uma sensação de ardor espalhou se rapidamente de o estômago até a as pontas de os dedos de as mãos e de os pés . Em seguida , fazendo o sobressaltar se , sobreveio o sentimento horrível de estar a derreter enquanto a pele de todo o seu corpo borbulhava como cera quente e , perante os seus olhos , as mãos começaram a crescer , os dedos a engrossar , as unhas a alargar e as articulações a tornarem se protuberantes como ferrolhos . Os ombros retesaram se dolorosamente e uma comichão em a testa preveniu o de que o cabelo estava a rastejar em direcção a as sobrancelhas . As túnicas rasgaram se enquanto o tórax se expandia como um barril , rebentando com os seus anéis . Os pés estavam em grande sofrimento dentro_de sapatos quatro números abaixo . Tão depressa como começara , tudo parou . Harry estava caído em o chão de pedra fria , ouvindo a Murta_Queixosa gorgolejando taciturna em o cubículo de o fundo . Com alguma dificuldade tirou os sapatos e levantou se . Era então assim que o Goyle se sentia ! Com a mão enorme a tremer , despiu a sua túnica que lhe ficava 30 centímetros acima de os tornozelos , pegou em as túnicas suplementares e amarrou os atacadores de os sapatos abotinados de o Goyle . Quis escovar o cabelo para o afastar um_pouco de os olhos e deu apenas com os pêlos hirsutos que lhe cresciam em a testa . Apercebeu se então de que os óculos lhe toldavam a visão porque o Goyle , obviamente , não precisava de eles . Tirou os e gritou . - Vocês estão bem ? - De a sua boca saiu a voz baixa e grossa de o Goyle . - Sim - respondeu lhe o grunhido de o Crabbe , a a sua direita . Harry abriu a porta de o cubículo e dirigiu se a o espelho partido . O Goyle olhava o de o outro lado com os seus olhos parados . Harry coçou a orelha e Goyle fez o mesmo . A porta de o Ron abriu se . Olharam um para o outro . Harry estava pálido e chocado . O amigo não se distinguia de o Crabbe , desde o corte de cabelo em forma de tigela até a os longos braços de gorila . - É inacreditável - disse o Ron , aproximando se de o espelho e beliscando o nariz achatado de o Crabbe . - Inacreditável ! - É melhor irmos indo - disse Harry , alargando a pulseira de o relógio que lhe cortava o pulso . - Ainda temos de descobrir onde fica a sala comum de Slytherin . Só espero que encontremos alguém que vá para lá e que nós possamos seguir . Ron que tinha estado a olhar espantado para ele , comentou : - Não imaginas como é bizarro ver o Goyle a pensar - bateu em a porta de Hermione . - Vamos , temos que ir ... Respondeu lhe uma voz aguda : - Eu ... eu acho que afinal não vou . Vão vocês sem mim . - Hermione , nós sabemos que a Millicent_Bulstrode é feia , ninguém vai pensar que és tu . - Não , a sério , acho que não vou . Despachem se vocês os dois , estão a perder tempo . Harry olhou para Ron , baralhado . - Aquilo parece mais de o Goyle , é como ele fica sempre_que algum professor lhe faz uma pergunta . - Estás bem , Hermione ? - perguntou Harry , através de a porta . - _ óptima , estou óptima , vão se embora . Harry olhou para o relógio . Cinco preciosos minutos tinham já passado . - Encontramo nos aqui , está bem ? - disse . Os dois abriram a porta de a casa_de_banho com todo o cuidado , viram se o caminho estava livre e saíram . - Não balances assim os braços - disse o Harry a o Ron . - Hein ? - O Crabbe anda sempre com eles esticados . - Assim ? - Isso , assim está melhor . Desceram a escadaria de mármore . Só precisavam agora de um Slytherin que pudessem seguir até a a sala comum , mas não havia ninguém por perto . - Tens alguma ideia ? - perguntou Harry em um murmúrio . - Os Slytherin vêm sempre de ali para o pequeno-almoço - disse o Ron , apontando para a entrada de os calabouços . Mal tinha pronunciado estas palavras quando uma rapariga de cabelo comprido a os caracóis , apareceu . - Desculpa - disse o Ron , sem perder tempo . - Esquecemo nos de o caminho para a nossa sala comum . - Como ? - disse a rapariga com a maior frieza . - A * nossa * sala comum ? Eu sou uma Ravenclaw . Afastou se , olhando para eles , desconfiada . Harry e Ron desceram apressadamente os degraus de pedra até a a escuridão . Os passos ecoavam em o silêncio , à_medida_que os pés enormes de Crabbe e Goyle tocavam em o chão , fazendo os sentir que as coisas não iam ser tão fáceis como eles desejavam . Os corredores labirínticos estavam desertos . Andaram e tornaram a andar por os subterrâneos , olhando constantemente para os relógios para ver quanto tempo ainda lhes restava . Depois de um quarto de hora , quando começavam a ficar desesperados , ouviram um movimento súbito . - Olha - disse o Ron , agitadamente . - Agora é um de eles . A silhueta saía de uma sala , mas quando se aproximaram o coração de ambos esmoreceu . Não era um Slytherin , era Percy . - O que estás a fazer aqui em baixo ? - perguntou o Ron surpreendido . - Isso - disse ele friamente - não é de a tua conta . És o Crabbe , não és ? - Er ... sim , sim - respondeu o Ron . - Então vão para o vosso dormitório - ordenou Percy com firmeza . - Não é seguro andar a passear por os corredores escuros em os dias que correm . - Tu andas -- fez notar o Ron . - Eu - disse o Percy endireitando se - sou um prefeito . Nada vai atacar me . Ouviu se , de repente , uma voz por_detrás_de Harry e Ron . Era_Draco_Malfoy e , pela_primeira_vez em a vida , Harry ficou satisfeito a o vê o . - Aí estão vocês - disse de modo arrastado , olhando para eles . - Têm estado a chafurdar em o salão este tempo todo ? Tenho andado a a vossa procura , quero mostrar vos uma coisa muito divertida . Malfoy olhou misteriosamente para Percy . - E o que fazes tu aqui , Weasley ? - perguntou com ar de desprezo . Percy olhou , sentindo se ultrajado . - Fazes favor de mostrar um_pouco mais de respeito por um prefeito de a escola - disse . - Não gosto de o teu ar . Malfoy riu se e fez sinal a o Harry e a o Ron para que o seguissem . Harry quase ia pedindo desculpa a o Percy , mas deu se conta a tempo . Apressaram se a seguir o Malfoy que disse , mal viraram em o corredor seguinte : - Aquele Peter_Weasley ... - O Percy - corrigiu Ron automaticamente . - Ou isso - continuou Malfoy . - Ultimamente tenho o visto muitas_vezes a andar por aí sorrateiramente e aposto que sei o que ele quer . Pensa que vai apanhar o herdeiro de Slytherin sozinho . Deu uma pequena gargalhada ridícula . Harry e Ron trocaram olhares nervosos . Malfoy parou junto de uma parede de pedra húmida . - Qual é a senha ? - perguntou a o Harry . - Er ... - Ah ! sim , sangue puro - disse Malfoy sem ouvir e uma porta de pedra , oculta em a parede , abriu se . Malfoy entrou e Harry e Ron seguiram o . A sala comum de os Slytherin era uma ampla divisão subterrânea com espessas paredes de pedra e um tecto de o qual estavam pendurados por correntes vários candeeiros redondos que davam uma luz esverdeada . O fogo crepitava em uma lareira elaboradamente esculpida em frente de a qual se viam as silhuetas de vários Slytherins sentados em cadeiras igualmente esculpidas . - Esperem aí - disse Malfoy a o Harry e a o Ron , encaminhando os para um par de cadeiras vazias , longe de o lume . - Eu vou buscar o que o meu pai acaba de me mandar . Sem saber o que Malfoy iria mostrar lhes , Harry e Ron sentaram se , fazendo todos os possíveis por parecer a a vontade . Malfoy voltou um minuto depois , trazendo em a mão o que parecia ser um recorte de jornal . Pô o debaixo de o nariz de o Ron . - Vais te rir - disse . Harry viu os olhos de o Ron abrirem se como_se estivesse em estado de choque . Viu o ler o recorte rapidamente , dar uma gargalhada forçada e estender lhe o em seguida . Tinha sido retirado de o * _ Profeta_Diário * e dizia : inquérito em o ministério de a magia * _ Arthur_Weasley , chefe de o Gabinete_de_Mau_Uso_dos_Utensílios_dos_Muggles foi hoje multado em cinquenta galeões por ter enfeitiçado um carro de os Muggles . * _ O senhor Lucius_Malfoy , Membro_do_Conselho_Directivo_da_Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts , onde o carro enfeitiçado foi chocar em o princípio de este ano , exigiu hoje a demissão de Mr._Weasley . « * _ O_Weasley trouxe o descrédito a o Ministério « - declarou Mr._Malfoy a o nosso repórter . - « É claramente incompetente para fazer cumprir as leis e a sua protecção ridícula de os Muggles deveria ir imediatamente para a sucata . » * _ Mr._Weasley recusou se a fazer comentários , mas a sua mulher disse a os repórteres que desaparecessem de ali ou lançaria contra eles o vampiro de a família * . - Então - disse Malfoy impaciente quando Harry voltou a entregar lhe o recorte . - Não achas o_máximo ? - Ha , ha - fez Harry tristemente . - O Arthur_Weasley gosta tanto de os Muggles que era capaz de partir a sua varinha a o meio para se juntar a eles - disse Malfoy com desprezo . - Ninguém diria que os Weasley eram sangue puro a avaliar por o modo como_se comportam . A cara de o Ron , ou melhor , de o Crabbe , contorceu se de raiva . - O que é_que se passa ? - perguntou Malfoy . - Dores de estômago - gemeu o Ron . - Então vai a a ala hospitalar e dá a todos aqueles sangues de lama um pontapé de a minha parte - disse Malfoy com o seu riso escarninho . - Sabes que estou espantado por o * _ Profeta_Diário * ainda não se ter referido a todos estes ataques - continuou pensativamente . - Calculo que o Dumbledore deve estar a tentar abafar as coisas . Ele ainda é posto em a rua se isto não acaba depressa . O pai sempre disse que Dumbledore foi a pior coisa que aqui veio parar . Ele adora os filhos de os Muggles , um director decente nunca deixaria um lodo como o Creevey entrar em esta escola . Malfoy começou a fingir que tirava fotografias com uma máquina imaginária e fez uma imitação maldosa , mas bastante fiel de o Colin : - Potter , posso tirar te a fotografia ? Dás me um autógrafo ? Posso lamber te os sapatos , por favor , Potter ? Baixou as mãos e olhou para Harry e Ron . - O que é_que se passa com vocês os dois ? Um_pouco atrasados , Harry e Ron forçaram o riso e Malfoy pareceu satisfeito . Talvez Crabbe e Goyle fossem sempre de reacção lenta . - O santo Potter , amigo de os sangues de lama - disse Malfoy . - É outro que não tem os sentimentos de um feiticeiro a sério ou não andaria por aí com aquela empertigada sangue de lama Granger . E as pessoas a pensarem que ele é o herdeiro de Slytherin . Harry e Ron esperaram com a respiração entrecortada : o Malfoy ia certamente dizer lhes , dentro_de segundos , que era ele , mas então ... - Quem me dera saber quem ele é - disse o Malfoy , de forma petulante . - Podia ajudá o . O queixo de o Ron caiu de tal maneira que a cara de o Crabbe ficou ainda mais desajeitada do_que era habitual . Felizmente Malfoy não deu por nada e Harry , em um pensamento rápido , disse : - Deves ter alguma ideia de quem está por_detrás_de tudo ... - Sabes perfeitamente que não tenho , Goyle , quantas vezes é preciso dizer te ? - cortou Malfoy . - E o pai também não me diz nada sobre a última vez que a câmara foi aberta . É claro que foi há cinquenta anos , antes de ele cá andar , mas o pai sabe tudo a esse respeito e diz que as coisas foram mantidas em grande segredo e que pareceria suspeito se eu soubesse demasiado . Mas há uma coisa que eu sei : de a última vez que a câmara foi aberta , morreu um sangue de lama . Por isso , aposto que é uma questão de tempo até que um de eles seja morto . Só espero que seja a Granger - disse satisfeito . Ron fechara os punhos gigantescos de o Crabbe . Sentindo que deitaria tudo a perder se ele desse um soco a o Malfoy , Harry lançou lhe um olhar de aviso e disse : - Sabes se a pessoa que abriu a câmara de a última vez foi apanhada ? - Ah ! sim , essa pessoa foi expulsa - disse Malfoy . - Ainda deve estar em Azkaban . - Azkaban ? - repetiu Harry confuso . - Azkaban , a prisão de os feiticeiros , Goyle - disse Malfoy , olhando para ele incrédulo . - Francamente , se fosses mais lento andavas para trás . Esticou se intranquilo , em a cadeira e disse : - O pai diz para eu esfriar a cabeça e deixar que o herdeiro de Slytherin faça o seu trabalho . Acha que a escola precisa de se livrar de a escória de os sangues de lama , mas não quer que eu me envolva em nada . Claro que ele agora tem um prato cheio . Sabes que o Ministério de a magia fez uma busca a a nossa mansão em a semana passada ? Harry tentou forçar a cara de bronco de o Goyle a uma expressão preocupada . - Sim - continuou Malfoy . - É claro que não encontraram grande coisa . O pai guarda uns materiais de magia negra muito valiosos , mas , felizmente , temos a nossa câmara secreta debaixo de o soalho de a sala de visitas ... - Ah ! - disse o Ron . Malfoy olhou para ele . Harry também . Ron corou e até o cabelo começou a ficar vermelho . O nariz estava também a diminuir lentamente ... a hora tinha acabado . Ron estava a voltar a a sua forma habitual e por o olhar de horror que lançou a Harry certamente ele também estava . Puseram se rapidamente de pé . - Tenho de tomar o remédio para o estômago - grunhiu o Ron e sem mais explicações saíram ambos a correr de a sala comum de os Slytherin , precipitaram se para a parede de pedra e galgaram a passagem , pedindo a todos os santos que Malfoy não tivesse dado por nada . Harry sentia os pés a nadarem em os sapatos enormes de o Goyle e tinha de levantar o manto visto_que diminuíra de tamanho . Subiram os degraus a correr até a o * hall * escuro de entrada onde se ouvia um som abafado que vinha de a despensa onde tinham fechado o Crabbe e o Goyle . Deixando os sapatorros de os dois de o lado de_fora , subiram já com os respectivos sapatos a escadaria de mármore até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Bem , não foi uma total perda de tempo - disse o Ron ofegante , fechando atrás_de si a porta de a casa_de_banho . - É certo que ainda não descobrimos de quem vêm os ataques , mas vou escrever a o meu pai amanhã a dizer lhe que procure debaixo de o soalho de a sala de visitas de o Malfoy . Harry olhou para o espelho partido . Tinha voltado a o normal . Pôs os óculos enquanto Ron batia em a porta de o cubículo de Hermione . - Hermione , sai de aí , temos um monte de coisas para te contar ... - Vão se embora - guinchou Hermione . Harry e Ron olharam um para o outro . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron . - Tu já deves ter voltado a o normal como nós ... Mas a Murta_Queixosa saiu subitamente através de a porta de o cubículo com um ar divertido como nunca a tinham visto . - Oh ! Esperem até ver - disse ela . - É horrível ! Ouviram o trinco de a porta a abrir se e Hermione apareceu a soluçar , a túnica levantada a cobrir lhe o rosto . - O que foi ? - perguntou o Ron indistintamente . - Ainda tens o nariz de a Millicent ou alguma coisa assim ? Hermione deixou cair a roupa e Ron recuou rapidamente . O rosto de ela estava coberto de pêlo preto , os olhos tinham ganho uma cor amarela e as orelhas eram pontiagudas , saindo espetadas para fora de os cabelos . - Era um pêlo de g-gato - disse a chorar . - A Millicent_Bulstrode d-deve ter um gato e a poção não está preparada para transformação em animais . - Oh-oh - disse o Ron . - Vão te gozar horrivelmente - disse a Murta , felicíssima . - Não te preocupes , Hermione - tranquilizou a rapidamente o Harry . - Vamos levar te para a ala hospitalar , a Madam_Pomfrey nunca faz muitas perguntas ... Não foi fácil convencer Hermione a sair de a casa_de_banho . A Murta_Queixosa despediu se com uma gargalhadavigorosa e grosseira . - Espera até todos descobrirem que tens uma cauda ! XIII_O diário muito secreto Hermione ficou em a ala hospitalar durante várias semanas . Houve uma onda de boatos sobre o seu desaparecimento quando o resto de os alunos voltou de as férias de Natal porque , é claro , todos pensam que ela tinha sido atacada . Foram tantos os estudantes a rondar a ala hospitalar para espreitar a ver se a viam que Madam_Pomfrey desceu de_novo as cortinas de a cama de ela para a poupar a a vergonha de ser vista com pêlo em a cara . Harry e Ron iam visitá a todas_as tardes . Quando o segundo período começou passaram a levar lhe diariamente os trabalhos de casa . - Se eu tivesse o bigode a crescer , tinha uma folga de o trabalho - disse uma tarde o Ron enquanto colocava uma pilha de livros a a cabeceira de a cama de Hermione . - Não sejas parvo , Ron , eu tenho de me manter a par de as coisas - disse Hermione com vivacidade . O humor de ela melhorara bastante com o facto de lhe ter desaparecido todo o pêlo de o rosto e de os olhos estarem lentamente a retomar a cor castanha . - Calculo que não tenham novas pistas ? - disse em um murmúrio para evitar que Madam_Pomfrey os ouvisse . - Nada - disse Harry tristemente . - Eu tinha tanta certeza de que era o Malfoy - repetiu o Ron por a centésima vez . - O que é isso ? - perguntou Harry , apontando para uma coisa com brilho dourado que estava debaixo de a almofada de Hermione . - É só um cartão a desejar boas melhoras - disse ela precipitadamente , tentando escondê o , mas o Ron foi mais rápido . Pegou lhe , abriu o e leu em voz alta : * _ Para_Miss_Granger , desejando lhe uma rápida recuperação , com o interesse e estima de o professor Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , Terceiro grau , Membro_Honorário_da_Liga_de_Defesa contra as Artes_Negras e vencedor por cinco vezes de o prémio O sorriso mais charmoso de a semana de o Semanário_das_Bruxas * . Ron olhou desconsolado para Hermione . - Tu dormes com isto debaixo de a almofada ? Mas Hermione foi poupada a ter de responder por a entrada de Madam_Pomfrey que lhe trazia a dose de medicamento de a tarde . - Achas que o Lockhart é o tipo mais esperto que conheceste ? - perguntou o Ron a o Harry quando saíram de a enfermaria e começavam a subir as escadas para a torre de os Gryffindor . O Snape tinha lhes passado tanto trabalho para_casa que Harry pensou que ia chegar a o sexto ano antes de o ter acabado . Ron vinha a dizer que devia ter perguntado a a Hermione quantas caudas de rato deveria juntar se a uma poção para o crescimento de o cabelo quando um grito de raiva vindo de o andar de cima lhes chegou a os ouvidos . - É o Filch - murmurou Harry enquanto subiam apressadamente as escadas e paravam para ouvir melhor . - Terá mais alguém sido atacado ? - disse nervosamente o Ron . Ficaram parados com as cabeças inclinadas para a voz de o Filch que parecia quase histérica . -- ... * _ Ainda mais trabalho para mim . Toda_a noite a esfregar como_se não tivesse já trabalho de sobra . Não , isto foi a gota de água que fez transbordar o copo , vou falar com Dumbledore * ... Os passos afastaram se e ouviram uma porta fechar se com grande estrondo . Puseram as cabeças fora de a esquina . O Filch tinha obviamente estado a patrulhar o seu habitual posto de vigia : estavam novamente em o lugar onde Mrs._Norris fora atacada . Perceberam imediatamente qual o motivo de os gritos . Uma enorme poça de água enchia metade de o corredor e parecia escorrer de a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Agora_que o Filch se calara podiam ouvir os uivos de a Murta que faziam eco em as paredes de a casa_de_banho . - Mas o que se passará com ela ? - disse o Ron . - Vamos lá ver - sugeriu Harry e arregaçando as túnicas até a os tornozelos entraram , atravessando a enorme poça de água , em a casa_de_banho que tinha o letreiro a dizer « Fora de serviço » e que eles , como sempre , ignoraram . A Murta_Queixosa chorava , se possível , mais alto do_que nunca . Parecia estar escondida em o cubículo de o costume . Lá dentro estava escuro pois as velas tinham se apagado com a enchente de água que deixara as paredes e o chão ensopado . - O que se passa , Murta ? - quis saber o Harry . - Quem é ? - perguntou ela infelicíssima . - Vieste atirar me mais alguma coisa acima ? Harry caminhou com dificuldade por causa de a água até a o cubículo de ela e disse : - Porque te faríamos nós uma coisa de essas ? - Não me perguntem - gritou a Murta , emergindo em uma onda de água que molhou ainda mais o chão já ensopado . - Eu estou aqui metida em a minha morte e alguém acha muito engraçado atirar me com um caderno acima ... - Mas , não pode magoar te se alguém te atirar alguma coisa acima - disse Harry , tentando ser prático . - Isto_é , seja o que for passa através_de ti , não é assim ? Tinha dito a frase errada . A Murta encheu o peito de ar e gritou a plenos pulmões : - Vamos todos atirar cadernos a a Murta já_que ela não sente nada ! Dez pontos se lhe acertarem em o estômago , cinquenta se lhe atravessar a cabeça ! Hah hah hah , que jogo lindo , não acham ? - Quem te atirou um caderno , afinal ? - perguntou o Harry . - Não sei ... eu estava sentada em a sanita a pensar em a morte e caiu me em cima de a cabeça - disse a Murta , olhando para eles . - Está ali , ficou todo molhado . Harry e Ron olharam para o ponto que a Murta lhes apontava debaixo de o lavatório . Um caderno pequenino e fino estava caído em o chão . Tinha uma capa preta muito gasta e estava encharcado como tudo em aquela casa_de_banho . Harry deu um passo em frente para o apanhar , mas o Ron agarrou lhe precipitadamente o braço . - O que foi ? - perguntou Harry . - Estás doido - disse ele . - Pode ser perigoso . - Perigoso ? - riu se Harry . - Essa agora Ron , como é_que pode ser perigoso ? - Ficarias surpreendido ... - explicou ele , olhando com ar apreensivo para o caderno . - Entre os livros que o Ministério confiscou , contou me o meu pai , havia um que queimava os olhos a as pessoas . E todos os que leram os * _ Sonetos_de_Um_Feiticeiro * ficaram a falar em verso para o resto de a vida . Havia também uma bruxa em Bath que tinha um livro que quem o lesse nunca mais conseguia parar , tinha de andar por aí com o nariz enfiado em as folhas , a fazer todas_as coisas só com uma mão e ... - Já chega , já chega , já percebi a tua ideia - disse O_Harry . O caderninho continuava caído e ensopado . - Bem , nunca saberemos a_não_ser_que tenhamos a coragem de dar uma vista de olhos - disse e mergulhou apanhando o de o chão . Harry viu imediatamente que se tratava de um diário e a data meio apagada , em a capa , disse lhe que tinha cinquenta anos de idade . Abriu o ansiosamente . Em a primeira página podia ler se apenas o nome T._M._Riddle em tinta esborratada . - Espera aí - disse o Ron que se aproximara prudentemente e olhava por cima de o ombro de Harry . - Eu conheço esse nome ... T._M._Riddle recebeu um prémio por serviços especiais prestados a a escola há cinquenta anos atrás . - Como diabo sabes tu isso ? - perguntou Harry com grande espanto . - Porque o Filch mandou me limpar a taça de ele umas cinquenta vezes quando estive de castigo - disse o Ron ressentido . - Foi a taça em cima de a qual eu vomitei lesmas . Se tivesses tido que limpar o muco de um nome durante uma hora também te lembrarias . Harry separou umas de as outras as páginas molhadas . Estavam completamente em branco . Não havia o mais leve sinal de escrita em nenhuma , nem coisas como « Aniversário de a tia Mabel « ou « Dentista a as três_e_meia » . - Ele nunca escreveu nada aqui - disse Harry desapontado . - Porque quereria alguém atirá o fora ? - perguntou se o Ron com curiosidade . Harry voltou o caderno e viu , inscrito em a contra capa , o nome de uma tabacaria em Vauxhall_Road , Londres . - Ele devia ser filho de Muggle - disse Harry pensativo - para ter comprado um diário em Vauxhall_Road ... - Bem , não te serve de muito - Ron baixou a voz . - Cinquenta pontos se acertares em o nariz de a Murta . Harry , mesmo_assim , guardou o diário . Hermione saiu de a ala hospitalar desbigodada , sem cauda e sem pêlo em os primeiros dias de Fevereiro . Em a primeira noite em a torre de os Gryffindor , Harry mostrou lhe o diário de T._M._Riddle e contou lhe como o tinham encontrado . - Ooooh ! Deve ter poderes ocultos - disse ela entusiasticamente , pegando em o diário e examinando o de perto . - Se tem , esconde os muito bem - disse Ron . - Talvez fosse tímido . Não sei porque não deitas isso fora , Harry . - Gostava de perceber porque motivo alguém se quis livrar de ele - explicou Harry . - E também não me importava de saber como foi que o Riddle obteve esse prémio de serviços especiais prestados a Hogwarts . - Pode ter sido qualquer coisa - lançou o Ron . - Talvez tenha recebido 30 de nota final ou salvo um professor de a lula gigante . Se_calhar assassinou a Murta , isso teria sido um favor prestado a todos ... Mas Harry quase podia jurar , por o olhar suspenso em a cara de Hermione , que ela pensava o mesmo_que ele . - O que foi ? - perguntou Ron , olhando para um e para o outro . - Bem , a Câmara_dos_Segredos foi aberta há cinquenta anos , não foi isso que disse o Malfoy ? - Sim - respondeu Ron , lentamente . - E este diário tem cinquenta anos de idade - completou Hermione , dando lhe palmadinhas nervosas . - E de aí ? - Oh Ron , acorda - insistiu Hermione . - Sabemos que a pessoa que abriu a câmara de a outra_vez foi expulsa há cinquenta anos . E se o Riddle tivesse tido o prémio especial por apanhar o herdeiro de Slytherin ? O seu diário diria nos provavelmente tudo : onde é a Câmara_dos_Segredos , como abris a e que tipo de criatura vive lá . Achas que a pessoa que está por trás de os ataques desta_vez quereria o diário por aí ? - É uma teoria interessante , Hermione - disse o Ron . - Apenas com uma pequenina falha : o diário não tem nada Mas_Hermione já estava a tirar a varinha de o saco . - Pode ser tinta invisível - murmurou . Bateu três vezes em o diário e repetiu * _ Aparecium ! * Nada aconteceu . Intrépida , Hermione meteu a mão de_novo em o saco e tirou o que parecia ser uma borracha vermelha e brilhante . - É um * revelador * , comprei o em a Diagon - _ Al - disse . Apagou com força em 1_de_Janeiro . Não sucedeu nada . - Já vos disse , não há nada aí - repetiu o Ron . - O Riddle deve ter recebido um diário como prenda de Natal e nem se deu a o trabalho de escrever fosse o que fosse . Harry não conseguia explicar , nem a si próprio , porque motivo não deitara fora o diário de Riddle . A verdade é_que , mesmo depois de saber que ele estava em branco , continuou distraidamente a pegar lhe e a virar as páginas como_se quisesse chegar a o fim de uma história . E , apesar_de saber que nunca tinha ouvido o nome T._M._Riddle , continuava a ter a sensação de que lhe dizia alguma coisa , como_se Riddle fosse um amigo que ele tinha tido quando era muito pequeno e que estivesse meio esquecido . Mas era um absurdo . Nunca tivera amigos antes de Hogwarts , Dudley tivera esse cuidado . Ainda_assim , Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle , por isso em o dia seguinte foi até a a sala de os troféus para examinar a taça , acompanhado de Hermione que estava interessadíssima e de Ron que se mostrava profundamente incrédulo , dizendo que tinha ficado farto de aquela sala até a o fim de a vida . A taça dourada de Riddle estava arrecadada em um armário de canto . Não fornecia detalhes sobre o motivo por_que lhe fora dada ( felizmente , se fosse maior ainda hoje estava a limpá a , disse o Ron ) . Mas encontraram o nome de Riddle em uma antiga medalha de Mérito_Mágico e em uma lista de antigos chefes de turma . - Parece o Percy - comentou Ron , torcendo o nariz com aversão . - Prefeito , chefe de turma , provavelmente o melhor em todas_as disciplinas . - Dizes isso como_se fosse uma coisa má - fez lhe notar Hermione , em um tom de voz ressentido . Um sol fraco brilhava agora de_novo em Hogwarts . Dentro de o castelo , o ambiente estava bastante melhor . Não tinha havido novos ataques desde Justin e Nick quase sem cabeça e Madam_Pomfrey teve a satisfação de informar que as Mandrágoras começavam a ficar instáveis e dissimuladas , sinal de que estavam a abandonar rapidamente a infância . - Logo_que o acne desapareça estarão prontas para novo transplante - ouviu a Harry dizer amavelmente a o Filch . - E depois de isso , não demorará muito até podermos cortá as e estufá as . - Vai ter Mrs._Norris de volta , muito em_breve . Talvez o herdeiro ou herdeira de Slytherin tenha perdido a coragem , pensou Harry . Deve ser cada_vez_mais arriscado abrir a Câmara_dos_Segredos com a escola tão alerta e desconfiada . Talvez o monstro , qualquer_que_fosse , estivesse a preparar se para hibernar durante outros cinquenta anos . Ernie_Mcmillan_dos_Hufilepuff não aceitou esta visão optimista . Continuava convencido de que Harry era o culpado , que se tinha traído em o clube de os duelos . Peeves não ajudava nada : continuava a cantar por os corredores Potter , * seu bandido * ... agora acompanhado de um esquema de dança . Gilderoy_Lockhart parecia pensar que fora ele quem pusera fim a os ataques . Harry fartou se de o ouvir dizer isso a a professora Mc_Gonagall enquanto os Gryffindor formavam bicha para a aula de Transfiguração . - Não creio que volte a haver problemas , Minerva - disse , tocando em o nariz com ar conhecedor e piscando o olho . - Acho que desta_vez a câmara foi definitivamente selada . O culpado deve ter sabido que era uma questão de tempo até eu o apanhar e que era mais sensato parar agora antes que eu lhe tratasse de a saúde . Sabe , a escola está a precisar de um intensificador de animo para apagar as lembranças de o último período . Não vou dizer lhe mais_nada , por enquanto , mas julgo que sei o que ... Voltou a tocar em o nariz e afastou se a passos largos . A ideia de Lockhart de um intensificador de ânimo ficou bastante clara em o dia_14_de_Fevereiro , a o pequeno-almoço . Harry não dormira grande coisa devido a o treino de Quidditch em a noite anterior e chegou a o salão um_pouco atrasado . Pensou , por momentos , que se tinha enganado em a porta . As paredes estavam todas cobertas com enormes e medonhas flores cor-de-rosa . Pior ainda , * confettis * em forma de corações caíam de o tecto azul pálido . Harry dirigiu se a a mesa de os Gryffindor onde o Ron estava sentado com um ar enjoado junto de Hermione que parecia particularmente risonha . - O que se passa ? - perguntou lhes , sentando se e sacudindo os * confettis * de o seu bacon . Ron apontou para a mesa de os professores , com um ar demasiado repugnado para falar . Lockhart , em as suas vestes rosa vivo , a condizer com a decoração de o salão , fazia sinal para que se calassem . Os professores que o ladeavam tinham um ar estupefacto . De o seu lugar , Harry podia ver um músculo mover se em a bochecha de a professora Mc_Gonagall . Snape estava com ar de quem tomou uma imensa dose de xarope * skele-gro * . - Feliz dia de S._Valentim - gritou Lockhart . - E permitam me que agradeça a as quarenta_e_seis pessoas que até agora me enviaram cartões . Sim , fui eu quem tomou a liberdade de vos fazer esta pequena surpresa , e ela não acaba aqui ! Lockhart bateu as palmas e por as portas de o * hall * entraram a marchar cerca de uma_dúzia de duendes de aspecto carrancudo . Não eram uns duendes quaisquer , diga se de passagem . Lockhart fizera os usar asas douradas e transportar harpas . - Os meus amigos cupidos , portadores de os cartões ! gritou Lockhart . - Eles vão andar por a escola durante o dia de hoje , entregando os vossos cartões de S._Valentim . E o divertimento não acaba aqui . Tenho a certeza de que os meus colegas vão querer participar em este espírito de festa . Porque não pedir a o professor Snape que vos mostre como preparar rapidamente uma poção de amor . E , enquanto ele a prepara , está aqui o professor Flitwick que é de todos os feiticeiros que conheci aquele que mais sabe de encantamentos de sedução , o grande safado ! O professor Flitwick enterrou o rosto em as mãos . Snape olhava como_se quisesse dar veneno a a primeira pessoa que fosse pedir lhe a poção de o amor . - Por favor , Hermione , diz me que não foste uma de as quarenta_e_seis - pediu Ron quando saíram de o salão para a primeira aula . Mas Hermione ficou subitamente muito interessada em procurar o horário dentro de a mala e não lhe respondeu . Durante todo o dia os duendes não pararam de se intrometer em as aulas para entregar cartões , para grande aborrecimento de os professores e , ao_fim_da_tarde , quando os Gryffindor subiam as escadas para a aula de encantamentos , um de eles avistou o Harry . - Hei , tu , Harry_Potter ! - gritou um duende de aspecto particularmente lúgubre , dando cotoveladas a_toda_a gente para se aproximar de o Harry . Coradíssimo com a ideia de receber um cartão de S._Valentim diante_de uma fila de alunos de o primeiro ano que , por acaso , incluía Ginny_Weasley , Harry tentou escapar se . Mas o duende cortou lhe o caminho através de a multidão e agarrou o em três tempos . - Tenho uma mensagem musical para entregar a Harry_Potter em pessoa - disse , tangendo a harpa de forma ameaçadora . - Aqui não - disse baixinho o Harry , tentando escapar . - Fica quieto - grunhiu o duende , agarrando o saco de o Harry e puxando com força . - Larga me - disse ele rispidamente , dando um puxão . Com um ruído de tecido a rasgar se , o saco dividiu se em dois . Os livros de Harry , varinha , pergaminho e pena espalharam se por o chão enquanto o tinteiro se partia em cima de as outras coisas . Harry pôs se de gatas , tentando apanhar tudo antes que o duende começasse a cantar , provocando um engarrafamento em o corredor . - O que se passa aqui ? - perguntou a voz fria e afectada de Draco_Malfoy . Harry , nervosíssimo , começou a guardar tudo dentro de o saco rasgado , desesperado para sair de ali antes que Malfoy pudesse ouvir o seu S._Valentim musical . - Que confusão é esta ? - disse outra voz familiar . Percy_Weasley tinha chegado . De cabeça perdida , Harry tentou fugir , mas o duende agarrou o por os joelhos e fê lo cair a o chão . - Certo - disse , sentando se em os tornozelos de Harry . Eis o teu cartão musical : * _ Os olhos de ele são verdes como o sapo de o quintal * _ O seu cabelo é escuro como um temporal * _ É um desatino , oh ! ele é divino ! * _ O herói que venceu o Senhor_do_Mal * . Harry teria dado todo o ouro de Gringotts para se evaporar em aquele momento . Tentando corajosamente rir se com todos os outros , levantou se . Sentia os pés dormentes de o peso de o duende . Enquanto isso , Percy_Weasley fazia todos os possíveis por dispersar a multidão onde havia gente que chorava de hilaridade . - Vamos embora , vamos embora , a campainha tocou há cinco minutos para as aulas - dizia , enxotando alguns de os alunos mais novos . - E tu , Malfoy . Harry olhou e viu Malfoy inclinar se , apanhar qualquer coisa e com um olhar maldoso mostrá a a Crabbe e Goyle . Percebeu que era o diário de Riddle . - Dá cá isso - exigiu com toda_a calma . - O que será que o Potter escreveu aqui ? - disse Malfoy que obviamente não reparara em a data e pensou que tinha em as mãos o diário de o Harry . Houve uma agitação em os presentes . Ginny olhava apavorada para o diário e para Harry . - Dá lhe isso , Malfoy - disse Percy com firmeza . - Depois de dar uma vista de olhos - retorquiu Malfoy , acenando a Harry com o diário de forma provocatória . Percy disse : - Como Prefeito de a escola ... - mas Harry perdera a paciência . Pegou em a varinha e gritou * _ Expelliarmus * e assim_como Snape desarmara Lockhart , MalLoy viu o diário saltar lhe de as mãos e elevar se em o ar enquanto Ron o apanhava sorridente . - Harry - disse Percy levantando a voz . - Não quero magia em os corredores . Vou ter de participar isto , sabes perfeitamente . Mas Harry não se importou . Tinha ganho uma_vez a Malfoy e isso valia bem cinco pontos a menos para os Gryffindor . Malfoy estava furioso e quando a Ginny passou por ele a caminho de a sala de aula , gritou lhe com desprezo : - Não creio que o Potter tenha gostado lá muito de o teu cartão de S._Valentim . Ginny tapou a cara e correu para a aula . Aborrecido , Ron pegou também em a varinha , mas Harry afastou o . Era melhor que ele não passasse a aula de encantamentos a vomitar lesmas . Só quando entraram em a sala de aula de o professor Flitwick é_que Harry reparou em uma coisa bastante estranha em o diário de Riddle . Todos os outros livros estavam cheios de tinta vermelha , mas o diário mantinha se tão limpo como antes de o tinteiro se ter entornado em cima de ele . Tentou chamar a atenção de Ron para este facto , mas ele estava novamente a ter um problema com a varinha : de a extremidade saíam grandes bolhas roxas e ele não parecia interessado em mais_nada . Em essa noite , Harry foi deitar se antes de os outros companheiros de dormitório , em parte porque já não conseguia suportar o Fred e o George a cantarem * _ Os seus olhos são verdes como o sapo de o quintal * e em parte porque queria voltar a examinar o diário de Riddle e sabia que em a opinião de o Ron era uma pura perda de tempo . Sentou se em a cama de dossel e folheou as páginas em branco em as quais não se via uma única mancha de tinta escarlate . Tirou então outro tinteiro de o armário a o lado de a cama , molhou a pena e deixou cair um borrão em a primeira página de o diário . A tinta brilhou em o papel durante um segundo e , em seguida , como_se a página a tivesse sugado , desapareceu sem deixar rasto . Depois , finalmente , algo aconteceu . Deslizando sobre a página em a cor de a sua tinta , surgiram palavras que Harry não escrevera . - * _ Olá_Harry_Potter . O meu nome é Tom_Riddle . Como é_que encontraste o meu diário ? * Também estas palavras desapareceram , mas não sem que Harry tivesse respondido . - Alguém tentou lançá o em uma sanita . Esperou ansiosamente por a resposta de Riddle . - * _ Felizmente guardei as minhas memórias de uma forma mais duradoura do_que a tinta . Mas sempre soube que haveria quem não iria querer que o diário fosse lido . * - O que queres dizer com isso ? - escrevinhou Harry , borrando a página com o nervosismo . - * _ Quero dizer que este diário contém memórias de coisas terríveis . Coisas que foram abafadas . Coisas que aconteceram em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . * - É onde eu estou agora - escreveu Harry rapidamente . - Estou em Hogwarts e estão a acontecer coisas horríveis . Sabes alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? O coração parecia querer saltar lhe de o peito . A resposta de Riddle não se fez esperar , a letra tornara se mais desordenada como_se tivesse pressa em contar lhe tudo_o_que sabia . - * _ É claro que sei de a Câmara_dos_Segredos . Em o meu tempo diziam nos que era uma lenda , que não existia , mas era mentira . Quando eu estava em o quinto ano a Câmara_dos_Segredos foi aberta e o monstro atacou vários estudantes , acabando matar um . Eu apanhei a pessoa que abriu a câmara e ele foi expulso . Mas o director , o professor Dippet , envergonhado por uma coisa de aquelas ter acontecido em Hogwarts , proibiu me de contar a verdade . Foi divulgada uma história dizendo que a rapariga morrera de um acidente extravagante . Deram me um troféu brilhante com o meu nome gravado e avisaram me para ficar calado . Mas eu sabia que ia voltar a acontecer . O monstro sobreviveu e aquele que tinha o poder para o libertar não foi para a prisão . * Harry quase entornou o tinteiro em a pressa de responder . - Está a acontecer outra_vez . Houve três ataques e ninguém parece saber quem está por_detrás_de tudo_isto . Quem foi de a última vez ? - * _ Posso mostrar te , se quiseres * - foi a resposta de o Riddle . - * _ Não tens de acreditar só em a minha palavra . Posso levar te a o fundo de a minha memória de a noite em que o apanhei . * Harry hesitou com a pena em o ar sobre o diário . O que quereria ele dizer ? Como poderia entrar em a memória de outra pessoa ? Olhou inquieto para a porta de o dormitório que começava a ficar escuro . Quando pôs de_novo os olhos em o diário viu as palavras que se formavam . - * _ Deixa-me mostrar te . * Harry parou durante uma fracção de segundo e depois escreveu duas letras . - O. _ K._As páginas de o diário começaram a esvoaçar como_se tivessem sido apanhadas em uma ventania , parando a meio de o mês_de_Junho . Boquiaberto , Harry viu que o quadradinho de 13_de_Junho se transformara em um pequeno ecrã de televisão . Com as mãos ligeiramente trémulas levantou o livro para encostar os olhos a a janelinha e antes de perceber o que estava a passar se , deu consigo inclinado para a frente com a janela a abrir se . O corpo abandonava a cama e era lançado de cabeça , por a abertura de a página , em um turbilhão de cor e sombras . Sentiu os pés tocarem em terra firme e pôs se de pé a tremer enquanto as formas desfocadas se tornavam subitamente nítidas . Soube imediatamente onde estava . Aquela sala circular com os retratos adormecidos era o escritório de Dumbledore , mas não era Dumbledore quem estava atrás de a secretária . Um feiticeiro mirrado , de aspecto débil e quase careca lia uma carta a a luz de as velas . Harry nunca vira aquele homem antes . - Desculpe - disse com a voz a tremer . - Eu não queria intrometer me ... Mas o feiticeiro não olhou . Continuou a ler , franzindo levemente as sobrancelhas . Harry aproximou se de a secretária e gaguejou : - Er ... eu vou me embora , está bem ? E o feiticeiro continuou a ignorá o . Parecia nem_sequer ter ouvido . Pensando que talvez ele fosse surdo , Harry falou mais alto . - Desculpe tê o incomodado - disse quase a gritar . O feiticeiro dobrou a carta com um suspiro . Pôs se de pé , passou por Harry sem olhar para ele e foi abrir os cortinados de a janela . O céu , lá fora , estava vermelho-rubi . Devia ser o pôr de o Sol . O feiticeiro voltou para a secretária , sentou se e girou os polegares , olhando para a porta . Harry olhou em volta . Não viu Fawkes , a fénix , nem as engenhocas prateadas que sibilavam . Aquela Hogwarts era a que Riddle conhecera e , portanto , aquele feiticeiro desconhecido era o director de então , não Dumbledore e ele , Harry , era pouco mais que um fantasma , totalmente invisível a as pessoas de há cinquenta anos atrás . Alguém bateu a a porta . - Entre - disse o velho feiticeiro , em uma voz fraca . Um rapazinho de dezasseis anos entrou , tirando o chapéu pontiagudo . Em o seu peito brilhava um distintivo prateado de prefeito . Era muito mais alto do_que Harry , mas tinha , tal_como ele , cabelo preto asa de corvo . - Ah ! Riddle - disse o director . - Queria falar comigo , professor Dippet ? - perguntou ele com ar nervoso . - Senta te - disse Dippet . - Tenho estado a ler a carta que me mandaste . - Oh ! - exclamou Riddle , sentando se e apertando as mãos uma contra a outra . - Meu rapaz - disse Dippet amavelmente . - Eu não posso deixar te ficar em a escola durante o Verão . Com certeza queres ir para_casa em as férias ? - Não - respondeu Riddle , sem perder tempo . - Prefiro mil vezes ficar em Hogwarts a ter de voltar a aquela ... aquela ... - Tu vives em um orfanato de Muggles durante as férias , não é assim ? - perguntou Dippet com curiosidade . - Sim senhor - disse Riddle , corando um_pouco . - És filho de Muggles ? - Meio sangue , professor - explicou Riddle . - Pai_Muggle , mãe bruxa . - E o teu pai e a tua mãe ... - A minha mãe morreu pouco depois de eu nascer , professor , contaram me em o orfanato que só teve tempo de me dar o nome : Tom , como o meu pai , Marvolo como o meu avô . Dippet estalou a língua solidariamente . - O que acontece , Tom - suspirou - é_que ... podia ter se arranjado uma situação especial para ti , mas em as circunstâncias actuais ... - Refere se a os ataques , professor ? - perguntou Riddle e o coração de Harry deu um salto , aproximando se com medo de perder alguma coisa . - Precisamente - disse o director . - Meu rapaz , compreendes que seria uma imprudência de a minha parte deixar te ficar em o castelo quando o período acabar , principalmente a a luz de a recente tragédia ... a morte de aquela pobre moça ... estarás sem dúvida em maior segurança em o orfanato . Em a verdade , o ministro de a magia até fala em fechar a escola . Não estamos nada perto_de localizar ... er ... a fonte de toda esta história desagradável . Os olhos de Riddle tinham se aberto mais . - Professor , se essa pessoa fosse apanhada ... se tudo acabasse . . . - Que queres dizer com isso ? - perguntou Dippet com voz aguda , endireitando se em a cadeira . - Riddle , tu sabes alguma coisa sobre estes ataques ? - Não senhor - respondeu ele de imediato . Mas Harry sabia que era o mesmo tipo de « não » que ele dissera a Dumbledore . Dippet afundou se de_novo com um ar de profundo desapontamento . - Podes ir , Tom . Riddle esgueirou se de a cadeira e saiu de a sala . Harry seguiu o . Desceram por a escada em espiral , saindo junto de a gárgula em o corredor que escurecia . Riddle parou e Harry fez o mesmo , olhando para ele . Quase podia apostar que ele pensava seriamente em alguma coisa . Mordia o lábio e tinha as sobrancelhas franzidas . A certa altura , como_se tivesse acabado de tomar uma decisão , começou a andar mais depressa com Harry a segui o ruidosamente . Não viram mais ninguém , a não ser quando chegaram a o * hall * de entrada onde um feiticeiro alto de longos cabelos ruivos e barba chamou Riddle de a escadaria de mármore . - O que andas a fazer por aqui tão tarde , Tom ? Harry olhou para o feiticeiro . Não era outro senão Dumbledore com cinquenta anos a menos . - Tive de ir falar com o director - justificou se Riddle . - Bem , agora vai depressa para a cama - disse Dumbledore , olhando Riddle com aquele olhar penetrante que Harry conhecia tão bem . - É melhor não andar a passear por os corredores em os dias que correm , pelo_menos até ... Suspirou profundamente , deu as boas-noites a o Riddle e foi se embora . Riddle viu o desaparecer e , sem perder tempo , desceu os degraus de pedra até a os calabouços com Harry em a peugada . Mas para seu grande desconsolo , Riddle não o conduziu a nenhum corredor ou túnel secreto e sim a o calabouço onde ele costumava ter aulas de poções com o Snape . As tochas não tinham sido acesas e quando Riddle empurrou a porta quase fechada , Harry só conseguiu vê o a ele , de pé , quieto junto de a porta , olhando para o corredor . Pareceu a Harry que ficaram ali quase uma hora . Tudo_o_que via era a silhueta de Riddle junto de a porta , olhando fixamente através de a greta , a a espera . Como_se fosse uma estátua . E quando Harry tinha abandonado todas_as expectativas e começava a desejar voltar a o presente , ouviu alguma coisa que se movia atrás de a porta . Alguém avançava lentamente por o corredor . Ouviu a pessoa , quem quer que fosse , passar por o calabouço onde ele e Riddle estavam escondidos . Riddle , silencioso como uma sombra , esgueirou se por a porta e seguiu o com Harry em bicos de pés atrás de ele , esquecido de que podia fazer barulho a a vontade porque ninguém o ouvia . Durante cerca de cinco minutos seguiram lhe os passos até que Riddle parou repentinamente com a cabeça inclinada em a direcção de novos ruídos . Harry ouviu uma porta a abrir se e em seguida alguém falou em um murmúrio rouco . - Vá lá , temos que sair de aqui ... vá lá , dentro de a caixa ... Havia algo de familiar em aquela voz . Riddle deu subitamente uma volta e Harry seguiu o . Podia ver a silhueta escura de um rapaz enorme que estava inclinado em frente de a porta aberta , com uma grande caixa a o lado . - Boa noite , Rubeus - disse Riddle secamente . O rapaz fechou a porta e pôs se de pé . - O que estás a fazer aqui , Tom ? Riddle aproximou se . - Acabou se - disse . - Vou ter de entregar te , Rubeus . Falam em fechar Hogwarts se os ataques não terminarem . - O que é_que tu ... ? - Eu acho que tu não quiseste matar ninguém , mas os monstros não são os melhores animais domésticos . Tu só quiseste deixá o sair para andar um_pouco e ... - Ele não matou ninguém - disse o rapaz grande , recuando contra a porta fechada . Lá de dentro vinham uns estranhos roncos e rugidos . - Vamos , Rubeus - disse Riddle , aproximando se mais ainda . - Os pais de a rapariga que morreu estarão aqui amanhã . O mínimo que Hogwarts pode fazer é assegurar lhes que aquilo que matou a filha de eles foi abatido ... - Não foi ele - gemeu o rapaz cuja voz ecoou em o corredor escuro . - Ele não faria isso ... ele nunca ... - Afasta te - disse Riddle , pegando em a varinha . O encantamento iluminou o corredor com uma luz brilhante . A porta atrás de o rapaz grande abriu se de par em par com tanta força que o atirou contra a parede . E de lá de dentro saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito que ninguém mais ouviu a não ser ele próprio . Tinha um corpo imenso , magro e peludo e um emaranhado de pernas pretas , a cintilação de muitos olhos e um par de tenazes afiadas . Riddle levantou de_novo a varinha , mas era tarde de mais . A coisa deixara o atarantado e corria apressadamente , precipitando se por o corredor e desaparecendo . Riddle pôs se de pé , olhou a a procura de o monstro , levantou a varinha , mas o rapaz grande saltou sobre ele , tirou lhe a varinha de as mãos e lançou o a o chão , gritando : - Naaaaaão ! A cena rodopiou . A escuridão tornou se total . Harry sentiu se a cair e com um embate aterrou como uma águia de patas e asas abertas em a sua cama de dossel , em o dormitório de os Gryffindor , o diário de Riddle aberto sobre o estômago . Antes de ter tido tempo de normalizar a respiração , a porta de o dormitório abriu se e o Ron entrou . - Aí estás tu - disse . Harry sentou se . Transpirava e tremia . - O que se passa ? - perguntou Ron , olhando aflito para ele . - Foi o Hagrid , Ron . O Hagrid abriu a Câmara_dos_Segredos há cinquenta anos atrás . XIV_Cornelius_Fudge_Harry , Ron e Hermione sabiam há muito_tempo que Hagrid tinha uma triste predilecção por criaturas grandes e monstruosas . Em o primeiro ano que passaram em Hogwarts , ele tentara criar um dragão em a sua pequena cabana de madeira e levaram muito_tempo a esquecer o gigantesco cão de três cabeças que ele baptizara de « fofinho » . E se , em rapaz , Hagrid tinha ouvido dizer que havia um monstro escondido em o castelo , Harry tinha a certeza que ele teria feito os impossíveis por descobri o . Provavelmente achou que era uma injustiça o monstro estar fechado tanto tempo e pensou que ele merecia a oportunidade de esticar as suas muitas pernas . Harry imaginava perfeitamente o Hagrid a os treze anos a tentar pôr uma coleira e uma trela a o monstro . Mas tinha igualmente a certeza de que ele nunca teria querido matar ninguém . De certo modo , Harry desejava não ter descoberto como utilizar o diário de Riddle . Ron e Hermione fizeram o contar repetidas vezes o que vira até ele ficar farto de repetir o mesmo e farto de a conversa circular que se seguia . - O Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse , de essa vez , Hermione . - O monstro que atacava as pessoas podia ser outro .... - Quantos monstros achas tu que pode haver em este lugar ? - perguntou o Ron aborrecido . - Sempre soubemos que o Hagrid tinha sido expulso - disse Harry tristemente - E os ataques devem ter terminado quando ele foi expulso . Se não fosse assim , Riddle não teria recebido um prémio . Ron tentou um caminho diferente . - O Riddle parece o Percy , quem lhe pediu afinal que deitasse abaixo o Hagrid ? - Mas o monstro tinha morto uma pessoa , Ron - insistiu Hermione . - E o Riddle ia ter de voltar para um orfanato Muggle se Hogwarts fosse fechada - disse Harry . - Não posso culpá o por querer ficar aqui ... Ron mordeu o lábio e a seguir sugeriu : - Tu encontraste o Hagrid em a Rua * _ Bativolta * , não foi ? - Ele estava a comprar repelente para lesmas - disse Harry rapidamente . Ficaram os três em silêncio . Depois de uma longa pausa , Hermione , em uma voz hesitante , formulou a pergunta mais complicada de todas : - Não acham que devíamos ir ter com ele e perguntar lhe ? - Essa seria uma visita simpática - disse o Ron . - Olá , Hagrid , diz nos uma coisa , soltaste por acaso alguma coisa louca e peluda por o castelo em estes últimos tempos ? Por fim , decidiram não dizer nada a o Hagrid a_não_ser_que houvesse outro ataque e à_medida_que passava mais tempo sem murmúrios de a voz sem corpo começaram a acreditar , esperançosos , que nunca mais teriam de falar sobre o motivo por_que fora expulso . Tinham passado já quase quatro meses desde o dia em que o Justin e o Nick quase sem cabeça tinham sido petrificados e quase toda_a_gente parecia pensar que o atacante , quem quer que ele fosse , se retirara para sempre . Peeves fartara se de a sua canção * _ Oh_Potter , seu bandido * , Ernie_Mcmillan pediu educadamente a o Harry , em a aula de herbologia , que lhe passasse um balde de cogumelos saltitantes e , em Março , várias mandrágoras deram uma festa ruidosa e roufenha em a estufa número três . A professora Sprout estava muito satisfeita . - Mal elas comecem a tentar mover se para os vasos umas de as outras , saberemos que estão maduras - disse ela a o Harry . - Nessa_altura poderemos reanimar aquelas pobres criaturas que estão em a ala hospitalar . Os alunos de o segundo ano tinham agora uma coisa nova em que pensar durante as férias de a Páscoa . Chegara a altura de escolherem as matérias de o terceiro ano , um assunto que Hermione , pelo_menos , tomou muito a sério . - Pode afectar todo o nosso futuro - disse a o Harry e a o Ron a o vê os ler cuidadosamente as listas de as novas matérias e pôr um V em frente de cada uma . - Eu só quero ver me livre de as poções - disse Harry . - Não podemos - explicou Ron tristemente . - Mantemos todas_as matérias antigas ou eu teria me livrado de a Defesa contra as artes negras . - Mas é muito importante - disse Hermione chocada . - Não de a maneira como Lockhart a dá - insistiu Ron . - Não aprendi nada até agora a não ser a nunca mais libertar duendes . Neville_Longbottom recebera cartas de todas_as bruxas e feiticeiros de a família , cada_um dando um conselho diferente sobre o que ele deveria escolher . Confuso e preocupado , sentou se a ler a lista de matérias , dando estalinhos com a língua e perguntando a as pessoas se achavam que a aritmancia seria mais difícil do_que o estudo de as runas em a Antiguidade . Dean_Thomas que , tal_como Harry , fora criado com Muggles , acabou por fechar os olhos e atirar a varinha contra a lista , escolhendo as matérias onde ela aterrava . Hermione não pediu conselho a ninguém e inscreveu se em todas . Harry sorriu de si para consigo imaginando como seria uma conversa com o tio Vernon e com a tia Petúnia sobre a sua carreira em feitiçaria . Não que não tivesse tido orientação : Percy_Weasley estava ansioso por partilhar a sua experiência . - Tudo depende de o lugar para_onde queres ir , Harry - disse ele . - Nunca é cedo de mais para pensar em o futuro , por isso eu aconselho te a adivinhação . As pessoas dizem que os estudos de Muggles são uma opção leve mas eu , pessoalmente , acho que os feiticeiros deveriam ter uma compreensão profunda de a comunidade não mágica , muito especialmente se pensarem em trabalhar em íntimo contacto com eles . Vê o meu pai que tem de lidar com assuntos de os Muggles a_toda_a hora . O meu irmão Charles foi sempre mais um tipo de o exterior , por isso foi para o Centro_de_Cuidados com as Criaturas_Mágicas . Segue os teus sentimentos , Harry . Mas a única coisa em que Harry sentia que era mesmo bom era o Quidditch . Por fim , acabou por escolher as mesmas matérias que o Ron escolhera , pensando que se fosse péssimo em elas pelo_menos tinha alguém amigo para o ajudar . O próximo jogo de Quidditch_dos_Gryffindor era contra os Hufflepuff . Wood insistia em treinos de equipa todas_as noites depois de jantar , por isso Harry não tinha tempo para mais_nada a não ser para o Quidditch e para os trabalhos de casa . Mas as sessões de treino estavam a melhorar ou pelo_menos estavam mais secas e em a véspera de o jogo de sábado ele foi a o dormitório guardar a vassoura , sentindo que as hipóteses de os Gryffindor ganharem a taça de Quidditch nunca tinham sido tão boas . Mas a sua boa disposição não durou muito . Em o cimo de as escadas que levavam a o dormitório encontrou o Neville_Longbottom nervosíssimo . - Harry , não sei quem fez aquilo , eu fui encontrar ... Olhando receoso para Harry , Neville empurrou a porta . O conteúdo de a mala de Harry fora espalhado por toda_a divisão . O seu manto estava em o chão rasgado . A roupa de cama tinha sido puxada de a cama de dossel e a gaveta de o armário que se encontrava a a cabeceira de a cama fora arrancada , estando o seu conteúdo espalhado sobre o colchão . Harry aproximou se de a cama boquiaberto , pisando algumas páginas soltas de * _ Viagens com Duendes * . Quando ele e Neville estavam a puxar os cobertores para_cima , entraram o Ron e o Dean_Seamas . Dean praguejou alto . - O que é isto , Harry ? - Não faço ideia - disse ele . Mas o Ron estava a examinar as vestes de Harry e todos os bolsos estavam de o avesso . - Alguém andou a a procura de qualquer coisa - disse o Ron . - Dás por falta de alguma coisa ? Harry começou a apanhar o que estava caído , lançando tudo dentro de a mala . Só quando atirou o último livro de Lockhart é_que se apercebeu do_que faltava . - O diário de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a o Ron . - O quê ? Harry fez lhe sinal em direcção a a porta de o dormitório e apressaram se a chegar a a sala comum de os Gryffindor que estava quase vazia e onde foram encontrar Hermione sozinha a ler * _ As_Runas_Antigas a o Alcance_de_Todos * . Hermione ficou aterrada com as notícias . - Mas ... só um Gryffindor podia tê o roubado ... ninguém mais conhece a nossa senha ... - Exactamente - disse Harry . Acordaram em o dia seguinte com um sol brilhante e uma brisa agradável . - Condições ideais para o Quidditch ! - exclamou Wood , cheio de entusiasmo , a a mesa de os Gryffindor , enchendo os pratos de os elementos de a sua equipa de ovos mexidos . - Harry , anima te , precisas de um pequeno-almoço decente . Harry tinha estado a olhar para a mesa cheia de alunos de os Gryffindor , perguntando a si próprio se o novo dono de o diário de Riddle estaria ali mesmo em frente de os seus olhos . Hermione insistira para que ele participasse o roubo mas ele não gostou de a ideia . Teria de contar a um professor tudo sobre o diário , e quantas pessoas saberiam o motivo por_que Hagrid fora expulso há cinquenta anos ? Não queria ser ele a fazer com que relembrassem tudo aquilo . Quando saiu de o salão com o Ron e a Hermione para ir buscar o material de Quidditch , outra preocupação viera juntar se a a sua lista cada_vez maior . Tinha acabado de pisar os degraus de a escadaria de mármore quando ouviu de_novo a voz : - * _ Matar desta_vez ... deixem me rasgar ... romper * ... Deu um grito e Ron e Hermione saltaram alarmados . - A voz - disse Harry , olhando por cima de os ombros de eles . - Acabo de a ouvir de_novo , vocês não ouviram nada ? Ron abanou a cabeça de olhos muito abertos Mas_Hermione bateu com a mão em a testa . - Harry , acho que percebi uma coisa . Tenho que ir a a biblioteca . E disparou a correr por as escadas acima . - O que é_que ela percebeu ? - disse Harry distraidamente , ainda a olhar em volta , tentando determinar de onde vinha a voz . - Mas porque teve ela que ir a a biblioteca ? - Porque a Hermione é assim - disse o Ron , encolhendo os ombros - Quando tem uma dúvida , vai a a biblioteca . Harry manteve se hesitante , tentando captar novamente a voz mas as pessoas começavam a sair de o salão , falando alto , passando por a porta principal e encaminhando se para o estádio de Quidditch . - É melhor ires indo - aconselhou Ron . - São quase onze horas , olha o jogo . Harry deu uma corrida até a a torre de os Gryffindor , pegou em a sua Nimbus dois_mil e juntou se a a vasta multidão que enchia os campos , mas o seu pensamento estava ainda em o castelo , em aquela voz sem corpo e quando pôs as roupas vermelhas , o seu único conforto foi pensar que estavam todos lá fora para assistir a o jogo . As equipas entraram em campo a o som de um tumulto de aplausos . Oliver_Wood fez um voo de aquecimento em volta de os postes , Madam_Hooch soltou as bolas . Os Hufflepuff que tinham fatos amarelo-canário estavam reunidos em grupo em uma discussão de última hora sobre as tácticas . Harry subia para a vassoura quando a professora Mc_Gonagall atravessou o campo , meio a andar , meio a correr , transportando um enorme megafone roxo . O coração de Harry caiu lhe a os pés . - Este jogo foi cancelado - gritou por o megafone a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a o estádio apinhado . Ouviram se Uuuus e assobios . Oliver_Wood , com um ar infelicíssimo , aterrou e correu para a professora McGonagall sem sair de a vassoura . - Mas , professora - gritou - temos de jogar ... a taça ... os Gryffindor ... A professora Mc_Gonagall ignorou o e continuou a gritar por o megafone . - Pede se a os estudantes que regressem a as salas comuns de as respectivas equipas onde os chefes de equipa lhes darão mais informações . O mais depressa possível , se fazem favor ! Em seguida , baixou o megafone e fez sinal a o Harry para que se aproximasse . - Potter , é melhor vires comigo ... Perguntando a si próprio que suspeita poderia ela ter contra ele , desta_vez , Harry viu Ron desligar se de a multidão discordante e vir a correr juntar se lhes , enquanto eles se dirigiam para o castelo . Para sua grande surpresa Mc_Gonagall não pôs qualquer objecção . - Sim , talvez seja melhor vires também , Weasley . Alguns de os estudantes que os rodeavam reclamavam por o jogo ter sido cancelado , outros tinham um ar preocupado . Harry e Ron seguiram a professora Mc_Gonagall de volta a a escola e através de a escadaria de pedra . Mas desta_vez não foram levados a nenhum escritório . - Isto vai chocar vos um_pouco - disse a professora Mc_Gonagall em um tom de voz surpreendentemente suave quando estavam a aproximar se de a ala hospitalar . - Houve outro ataque ... outro ataque duplo . As vísceras de o Harry deram um salto mortal . A professora Mc_Gonagall abriu a porta e ele e Ron entraram . Madam_Pomfrey estava inclinada sobre uma rapariga de o quinto ano de cabelos longos a os caracóis que Harry reconheceu como sendo a colega de os Ravenclaw a quem , por engano , tinham perguntado o caminho para a sala comum de os Slytherin . E , em a cama a o lado de ela , estava ... - Hermione - gemeu o Ron . Hermione jazia totalmente quieta , os olhos abertos e vítreos . - Foram encontradas perto de a biblioteca - disse a professora Mc_Gonagall . - Calculo que nenhum de vocês possa explicar isto ? Estava em o chão , junto de ela . A professora tinha em as mãos um pequeno espelho redondo . Harry e Ron acenaram negativamente com as cabeças , ambos com os olhos fixos em Hermione . - Eu acompanho vos a a torre de os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall pesadamente . - De qualquer modo tenho de falar com os alunos . - Os alunos regressarão a as salas comuns de as respectivas equipas , todos_os_dias , a as seis_horas_da_tarde . Nenhum aluno deverá sair de os dormitórios depois de isso . Serão escoltados até a as aulas por um professor . Nenhum aluno deverá ir a a casa_de_banho sem um professor a acompanhá o . Todos os treinos e jogos de Quidditch estão suspensos a_partir_de agora . Não haverá mais actividades nocturnas . Os Gryffindor , que enchiam a sala comum , ouviram em silêncio a professora Mc_Gonagall . Ela enrolou o pergaminho que acabara de ler e disse em uma voz algo chocada : - Não é preciso acrescentar que nunca me senti tão desolada . É provável que a escola seja encerrada se não for apanhado o culpado de todos estes ataques . Quero pedir que se algum de vocês achar que sabe alguma coisa sobre eles venha imediatamente ter comigo . Mal ela subiu , de forma um_pouco desastrada , por o buraco de o retrato , os Gryffindor começaram logo a falar . - São dois Gryffindor a menos , sem contar com o fantasma de os Gryffindor , um Ravenclaw e um Hufflepuff - disse o amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , contando por os dedos . - Não terá nenhum de os professores reparado que os Slytherin estão a salvo ? Será que não é óbvio que tudo_isto vem de eles ? O herdeiro de Slytherin , o monstro de Slytherin , porque não expulsam todos os Slytherin ? - resmungou , recebendo acenos e aplausos de todos os lados . Percy_Weasley estava sentado em uma cadeira atrás_de Lee , mas por uma_vez não pareceu querer expor os seus pontos de vista . Estava pálido e aturdido . - O Percy está em estado de choque - disse o George baixinho a o Harry . - Aquela rapariga de os Ravenclaw , Penelope_Clearwater , é prefeita . Acho que ele nunca tinha pensado que o monstro pudesse atacar um prefeito . Mas Harry não estava a ouvi o com atenção . Não conseguia esquecer a imagem de Hermione deitada em a cama de o hospital , como_se estivesse esculpida em pedra . E se o culpado não fosse apanhado rapidamente tinha em a frente uma vida inteira com os Dursley . Tom_Riddle entregara o Hagrid porque fora confrontado com a possibilidade de um orfanato Muggle se a escola fechasse . Harry sabia exactamente o que ele sentira . - Que vamos nós fazer ? - disse lhe o Ron baixinho a o ouvido . - Achas que eles suspeitam de o Hagrid ? - Temos de falar com ele - disse Harry , tomando uma decisão . - Não acredito que tenha culpa desta_vez , mas se ele libertou o monstro há cinquenta anos , sabe com certeza como entrar em a Câmara_dos_Segredos , o que já é um princípio . - Mas a Gonagall disse que temos que ficar em a torre a_não_ser_que estejamos em as aulas ... - Eu acho - disse Harry ainda mais baixo - que chegou a altura de tirar outra_vez de a mala o manto de o meu pai . Harry herdara apenas uma coisa de o pai : o enorme manto prateado de a invisibilidade . Era a única maneira de poderem esgueirar se de a escola para fazer uma visita a o Hagrid , sem que ninguém de esse por isso . Deitaram se a a hora de o costume , esperaram que o Neville , o Dean e o Seamas adormecessem para se levantarem , vestirem se de_novo e taparem se com o manto . A viagem por os corredores de o castelo escuro e deserto não era nada agradável . Harry que vagueara por ali muitas_vezes durante a noite nunca vira tanta gente depois de o pôr de o Sol . Professores , prefeitos e fantasmas andavam por os corredores a os pares , olhando em volta , em busca de qualquer actividade fora de o habitual . O manto de a invisibilidade não impedia que fizessem barulho e houve um momento particularmente tenso em que o Ron deu uma topada a menos_de um metro de o lugar onde Snape se encontrava . Felizmente Snape espirrou em o preciso momento em que o Ron praguejava . Foi com grande alívio que chegaram a as portas de carvalho de a entrada principal . Estava uma noite clara e cheia de estrelas . Dirigiram se apressadamente para as janelas iluminadas de a casa de Hagrid e só tiraram o manto mesmo em frente de a porta . Poucos segundos depois de terem batido abriu se a porta . Ficaram frente_a_frente com Hagrid que lhes apontou uma besta enquanto Fang , o cão caçador de javalis , ladrava furiosamente atrás de ele . - Oh ! - disse , baixando a arma quando viu que eram eles . - O que estão vocês a fazer aqui ? - Para que é isso ? - perguntou Harry , apontando para a besta , enquanto entrava . - Nada , não é nada - murmurou Hagrid . - Tenho estado a a espera ... não tem importância , sentem se que eu vou fazer um chá . Dava a impressão de não saber o que fazia . Quase apagou a lareira , vertendo a água de a chaleira em o lume e em seguida esmagou o bule com um gesto de a sua mão maciça . - Estás bem , Hagrid ? - perguntou Harry . - Soubeste de a Hermione ? - Soube , sim - disse ele com um leve tremor em a voz . Continuava a olhar nervosamente para as janelas . Deu lhe os duas grandes canecas de água a ferver ( esquecera se de juntar o chá ) e estava a acabar de pôr em um prato uma fatia grossa de bolo de frutas quando alguém bateu energicamente a a porta . Hagrid deixou cair o bolo . Harry e Ron trocaram entre si olhares de pânico e , em seguida , cobriram se com o manto de a invisibilidade e esconderam se em um canto . Hagrid assegurou se de que eles estavam bem escondidos , pegou em a besta e abriu , mais_uma_vez , a porta . - Boa noite , Hagrid . Era_Dumbledore . Entrou com um ar muito sério , seguido de um homem bizarro . O estranho era um homenzinho pequenino , de porte majestoso com cabelos grisalhos desalinhados e uma expressão de ansiedade em o rosto . Usava uma inesperada mistura de roupas . Um fato a as riscas , uma gravata vermelho escarlate , um longo manto negro e umas botas roxas pontiagudas . Debaixo de o braço trazia um chapéu de coco verde lima . -- É o patrão de o meu pai - murmurou o Ron . Cornelius_Fudge , o ministro de a magia ! Harry deu lhe uma valente cotovelada para o fazer calar se . Hagrid tinha ficado suado e pálido . Deixou se cair em uma de as cadeiras e olhava de Dumbledore_para_Cornelius_Fudge . - Más notícias , Hagrid - disse Fudge em um tom bastante grave . - Muito más notícias . Tive de vir . Quatro ataques a filhos de Muggles , as coisas foram longe_de mais . O ministério tem que tomar uma atitude . - Eu nunca ... - disse Hagrid , parecendo implorar a Dumbledore . - O senhor sabe que eu nunca ... professor Dumbledore , o senhor ... - Quero que fique claro , Cornelius , que Hagrid tem a minha total confiança - afirmou Dumbledore , franzindo as sobrancelhas . - Olha , Albus - disse Fudge pouco a a vontade - a ficha de o Hagrid depõe contra ele . O ministério tem de fazer alguma coisa , o Conselho_Directivo de a escola tem se reunido ... - Mesmo_assim , Cornelius , devo dizer te mais_uma_vez que levar o Hagrid de aqui não vai ajudar em nada - afirmou Dumbledore com os olhos azuis com um fogo que Harry nunca vira antes . - Tenta compreender o meu ponto de vista - insistiu Fudge , brincando com o chapéu . - Estou a ser tremendamente pressionado , tenho de mostrar que faço alguma coisa . Se se provar que não foi o Hagrid , ele voltará e não se fala mais em o assunto . Mas tenho de levá o , tem de ser , não estaria a cumprir a minha obrigação se ... - Levar me ? - perguntou Hagrid a tremer . - Levar me para_onde ? - É uma pena curta - disse Fudge , sem o olhar em os olhos . - Não é um castigo , Hagrid , chamemos lhe antes uma precaução . Se mais alguém for apanhado , tu sais com todas_as nossas desculpas . - Não é para Azkaban ? - balbuciou Hagrid . Mas antes que Fudge tivesse tido tempo de responder , ouviu se bater mais_uma_vez a a porta . Dumbledore abriu . Foi a vez de Harry levar uma cotovelada em as costas : soltara um gemido audível . Mr._Lucius_Malfoy entrou em a cabana de o Hagrid embrulhado em uma longa capa preta de viagem , com um sorriso frio de satisfação . O Fang começou a rosnar . - Já está aqui , Fudge ? - disse de forma aprovadora . - Muito bem , muito bem ... - O que estás a fazer aqui ? - perguntou Hagrid furioso . - Sai imediatamente de a minha casa . - Meu bom homem , acredite que não tenho prazer nenhum em entrar em a sua ... er ... chamou lhe casa ? - disse Lucius_Malfoy , sorrindo sarcasticamente enquanto observava a pequena divisão . - Eu limitei me a ir a a escola e disseram me que o director estava aqui . - E o que queres de mim , Lucius ? - perguntou Dumbledore . O seu tom de voz era educado mas em os olhos azuis brilhava ainda o mesmo fogo . - Uma notícia horrível , Dumbledore - disse Mr._Malfoy de forma arrastada , pegando em um grande rolo de pergaminho . - Mas os membros de o conselho pensam que é altura de tu saíres . Isto_é uma ordem de suspensão , tens aí doze assinaturas . Lamento muito mas em a nossa opinião estás a perder a firmeza . Quantos ataques houve até agora ? Mais dois hoje a a tarde , não foi ? A este ritmo vão acabar todos os filhos de Muggles em Hogwarts e todos sabemos que seria uma terrível perda para a escola . - O que é isso , Lucius ? - protestou Fudge com ar alarmado . - O Dumbledore suspenso não ... não , seria a última coisa que desejaríamos em este momento ... - A nomeação ou suspensão , de o director é de a competência de os membros de o Conselho_Directivo , Fudge - disse suavemente Mr._Malfoy . - E como Dumbledore não foi capaz de pôr cobro a estes ataques ... - Oh ! Lucius , se Dumbledore não conseguiu - disse Fudge com o lábio superior a suar . - Quem irá conseguir ? - Isso está para se ver - disse Mr._Malfoy com um sorriso mesquinho . - Mas como os doze votamos ... Hagrid pôs se de pé em um salto , o cabelo preto hirsuto a roçar em o tecto . - E quantos tiveste de chantajar para concordarem contigo , Malfoy ? - Meu caro Hagrid , sabe que esse seu temperamento ainda acaba por lhe criar problemas um dia de estes - disse Mr._Malfoy . - Não o aconselho a gritar assim com os guardas de Azkaban . Eles não iriam gostar nada . - Não podes levar Dumbledore - gritou Hagrid , fazendo Fang , o cão caçador de javalis , agachar se e ganir em o seu cesto . - Sem ele , os filhos de os Muggles não têm qualquer hipótese . A seguir haverá mortes . - Acalma te , Hagrid - disse Dumbledore de forma cortante , olhando para Lucius_Malfoy . - Se os membros de o conselho querem substituir me , eu sairei , claro . - Mas - interrompeu Fudge . - Não - rosnou Hagrid . Dumbledore não tirara os seus olhos azuis brilhantes de os olhos cinzentos e frios de Lucius_Malfoy . - Contudo - disse , pronunciando cada palavra lenta e claramente para que nenhum de eles perdesse o seu sentido - verás que só deixarei verdadeiramente esta escola quando ninguém aqui me for leal . Descobrirás também que será sempre dada ajuda em Hogwarts a quem a pedir . Por um segundo , Harry teve quase a certeza de que os olhos de Dumbledore tremelaziram em direcção a o canto onde ele e Ron estavam escondidos . - Sentimentos admiráveis - disse Malfoy , fazendo uma vénia . - Todos nós vamos sentir a tua ... forma muito pessoal de fazer as coisas , Albus . Só espero que o teu sucessor consiga evitar qualquer ... crime . Dirigiu se a a porta de a cabana , abriu a e fez sinal a Dumbledore para que passasse a a sua frente . Fudge , mexendo nervosamente em o chapéu de coco , esperou que Hagrid fizesse o mesmo mas ele ficou quieto , respirou fundo e disse prudentemente : - Se alguém quiser descobrir alguma coisa , o que tem a fazer é seguir as aranhas . Elas indicarão o caminho , é tudo_o_que vos digo . Fudge olhou para ele espantado . - Está bem , eu vou - disse Hagrid , pegando em o seu sobretudo de pêlo de toupeira . Mas quando ia seguir o Fudge e sair por a porta , parou e disse em voz alta : - E alguém tem de dar de comer a o Fang enquanto eu não estiver cá . A porta fechou se ruidosamente e Ron tirou o manto de a invisibilidade . -- Estamos outra_vez em uma alhada - disse com voz rouca - Sem o Dumbledore podem fechar a escola já esta noite . Sem ele vai haver um ataque por dia . O Fang começou a ganir , arranhando a porta fechada . XV_Aragog_O_Verão insinuava se em os campos em volta de o castelo . O céu e o lago tinham se tornado de um azul-molusco e as flores , grandes como couves , começavam a florir em as estufas . Mas sem o Hagrid , que ele costumava avistar de o castelo , atravessando os campos com o Fang atrás , parecia a Harry que a paisagem não estava completa . Não era melhor dentro de o castelo onde tudo corria horrivelmente mal . O Harry e o Ron tinham tentado visitar a Hermione , mas as visitas a o hospital estavam proibidas . - Não vamos correr mais riscos - disse lhes Madam_Pomfrey com ar severo , através_de uma fresta de a porta de o hospital . Não , lamento , há muitas hipóteses de o atacante voltar para acabar de vez com estas pessoas ... Com Dumbledore longe , o medo espalhara se como nunca acontecera antes , de_tal_modo_que o sol que aquecia as paredes de o castelo por fora parecia parar junto de as janelas de pinázios . Não se via um único rosto em a escola que não andasse tenso e preocupado e qualquer gargalhada , em os corredores , se tornava incómoda e antinatural e era rapidamente abafada . Harry repetia constantemente , de si para consigo , as últimas palavras que ouvira a Dumbledore : - * _ Só terei verdadeiramente deixado esta escola quando ninguém me for leal ... será sempre dada ajuda , em Hogwarts , a quem a pedir * . Qual seria o significado exacto de aquelas palavras ? A quem deveria pedir ajuda quando todos estavam tão confusos assustados como ele ? A alusão de Hagrid a as aranhas era bastante mais fácil de entender . O problema era que parecia não ter restado uma única aranha em o castelo para eles a poderem seguir . Harry procurou por todo o lado com a ajuda relutante de o Ron . As coisas estavam dificultadas por o facto de não poderem andar sozinhos e terem de se deslocar em grupo dentro de o castelo , juntamente com outros Gryffindor . A maior parte de os alunos gostava de ser conduzida como carneiros de uma aula para a outra por os professores mas Harry achava horrível . Havia , contudo , uma pessoa que parecia apreciar aquela atmosfera de terror e suspeitas . Draco_Malfoy passeava empertigado por a escola como_se tivesse sido nomeado para chefe de turma . Harry só compreendeu o motivo de toda aquela boa disposição cerca de quinze_dias depois de Dumbledore e Hagrid se terem ido embora quando , em uma aula de poções , o ouviu falar com o Crabbe e o Goyle . - Sempre achei que seria o pai quem conseguiria livrar nos de o Dumbledore - disse sem a menor preocupação em baixar a voz . - Já vos disse , segundo ele , Dumbledore foi o pior director que a escola alguma vez teve . Talvez agora venha um director decente que não queira a Câmara_dos_Segredos fechada . A Mc_Gonagall não vai durar muito , está só a ... O Snape passou por Harry , sem fazer comentários a o caldeirão e a a cadeira vazia de Hermione . - Professor - disse Malfoy em voz alta . - Professor , porque não se candidata a o lugar de director ? - Ora , ora , Malfoy - respondeu Snape , sem conseguir esconder um meio sorriso . - O professor Dumbledore foi apenas suspenso por os membros de o conselho de direcção , certamente vai voltar um dia de estes . - Sim , claro - disse Malfoy com o seu sorriso escarninho . - Acho que se o professor quisesse candidatar se a o lugar teria o voto de o pai . Eu vou dizer lhe que o acho o melhor professor de a escola . Snape sorriu enquanto passeava de um lado para o outro em o calabouço , não tendo felizmente visto o Seamus_Finnigan que fingia vomitar para dentro de o caldeirão . - Estou espantado por ver que até agora os sangues de lama ainda não fizeram as malas e não desapareceram - prosseguiu Malfoy . - Aposto cinco galeões em como o próximo morre . Pena que não tenha sido a Granger ... A campainha tocou em esse momento o que foi uma sorte porque a o ouvir as últimas palavras de Malfoy , Ron deu um salto , mas em a barafunda de guardar os livros em os sacos , a sua tentativa de agarrar o Malfoy passou despercebida . - Deixem me - gritava o Ron enquanto o Harry e o Dean lhe agarravam os braços . - Não preciso de varinha , vou dar cabo de ele com as minhas mãos ... - Despachem se , tenho de conduzir vos a a aula de herbologia - praguejava o Snape acima de as cabeças de os alunos . E lá foram como cordeirinhos com Harry , Ron e Dean em a retaguarda , o Ron ainda a tentar libertar se . Só acharam seguro largá o quando Snape os deixou fora de o castelo e iniciaram o percurso por o meio de a horta em direcção a as estufas . A aula de herbologia estava reduzida . Tinha agora dois alunos a menos : Justin e Hermione . A professora Sprout pô os a trabalhar , podando as figueiras-da-abissínia . Harry foi despejar uma braçada de hastes secas em um monte de adubo e deu consigo cara a cara com Ernie_Mcmillan . Ernie respirou fundo . - Só quero dizer te , Harry que lamento ter suspeitado de ti . Sei que nunca atacarias a Hermione_Granger e peço te desculpa por todas_as coisas que disse . Estamos todos em o mesmo barco , agora e , bem ... Estendeu lhe uma mão rechonchuda que o Harry apertou . Ernie e a sua amiga Hannah foram trabalhar em a mesma figueira com o Harry e o Ron . - Aquele tipo , Draco_Malfoy - disse Ernie , partindo pequenos galhos - , parece muito satisfeito com isto tudo , não acham ? É bem possível que ele seja o herdeiro de Slytherin . - Uma observação inteligente de a tua parte - disse o Ron que parecia não ter desculpado Ernie tão facilmente como o Harry . - Acham que é ele ? - perguntou Ernie . - Não - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Hannah ficaram a olhar espantados . Um segundo depois , Harry avistou qualquer coisa que o levou a chamar a atenção de o Ron , batendo lhe em a mão com a tesoura de podar . - Au ... o que é_que tu ... ? Harry apontava para o chão , a poucos centímetros de distância . Várias aranhas grandes corriam precipitadamente por a terra fora . - Ah ! sim - disse o Ron , tentando , sem conseguir , mostrar se entusiasmado . - Mas não podemos seguis as agora ... Ernie e Hannah ouviam nos com curiosidade . Harry viu as aranhas desaparecerem . - Parecem ir em a direcção de a floresta proibida ... E o Ron ficou ainda mais infeliz a o ouvir aquilo . Em o final de a aula , o professor Snape acompanhou os alunos a a « Defesa contra as artes negras » . Harry e Ron foram atrás de os outros para poderem conversar sem serem ouvidos . - Temos de usar outra_vez o manto de a invisibilidade - disse Harry a o Ron . - Podemos levar connosco o Fang , ele está habituado a ir a a floresta com o Hagrid , pode ser uma boa ajuda . - Certo - disse o Ron , que fazia girar nervosamente a varinha em os dedos . - Er ... não costuma haver ... não costuma haver lobisomens em a floresta ? - acrescentou enquanto ocupavam os lugares de o costume em a aula de o Lockhart . Preferindo não responder a a pergunta , Harry disse : - Também há lá coisas boas . Os centauros são fixes e os unicórnios . Ron nunca estivera em a floresta proibida , Harry fora lá só uma_vez e desejara não ter de lá voltar . Lockhart deu um salto para dentro de a sala de aula e os alunos ficaram espantados a olhar para ele . Todos os outros professores andavam mais tristes do_que o habitual mas Lockhart parecia sentir se em as nuvens . - Então , então - exclamou , olhando em volta . - Porquê essas caras deprimidas ? Lançaram lhe olhares exasperados mas ninguém respondeu . - Não compreendem - disse , falando devagar como_se fossem todos um_pouco estúpidos - que o perigo já passou ? O culpado foi se embora . -- Quem disse ? - retorquiu Dean_Thomas em voz alta . -- Meu caro jovem , o ministro de a magia não teria levado Hagrid se não estivesse cem por_cento certo de que ele era o culpado - disse Lockhart como quem explica que um e um são dois . - Teria , sim - disse o Ron , em um tom de voz ainda mais alto do_que o de o Dean . - Eu julgo saber um_pouco mais sobre a prisão de o Hagrid do_que o senhor , Mr._Weasley - disse Lockhart com notória auto-satisfação . Ron começou a dizer que discordava mas foi interrompido por o Harry que lhe deu um forte pontapé por debaixo de a mesa . - Nós não estávamos lá , lembras te ? - murmurou . Mas a alegria revoltante de o Lockhart , as insinuações de que sempre tinha achado que o Hagrid não prestava , a sua certeza de que tudo aquilo estava a chegar a o fim , irritou Harry de tal maneira que teve vontade de lhe atirar as * _ Viagens com Vampiros * e de lhe acertar em aquela cara estúpida . Mas , em vez de isso , limitou se a escrevinhar um bilhete para o Ron : * _ Vamos lá hoje a a noite * . Ron leu a mensagem , engoliu em seco e olhou para o lugar onde Hermione costumava sentar se . A cadeira vazia pareceu ajudá o a decidir se e acenou afirmativamente . A sala comum de os Gryffindor estava agora sempre cheia porque , depois de as seis_da_tarde , os Gryffindor não tinham outro lugar para ir . Por outro lado , tinham imenso para conversar , por isso a sala comum mantinha se cheia de gente até depois de a meia-noite . Logo_a_seguir a o jantar , Harry foi buscar o manto de a invisibilidade a a mala onde estava guardado e passou todo o serão a a espera que a sala esvaziasse . O Fred e o George desafiaram o para alguns jogos de explosão e a Ginny sentou se , muito preocupada , a observá os , em a cadeira habitual de Hermione . Harry e Ron fartaram se de perder de propósito em uma tentativa de pôr rapidamente fim a os jogos mas , mesmo_assim , já passava bastante de a meia-noite quando o Fred , o George e a Ginny se foram , finalmente , deitar . Harry e Ron esperaram até ouvir as portas de os dois dormitórios fecharem se . Em seguida , pegaram em o manto , lançaram o sobre ambos e passaram por o buraco de o retrato . Era mais uma difícil travessia de o castelo , tendo de fintar todos os professores . Finalmente , chegaram a o * hall * de entrada , giraram o fecho de as portas de carvalho , esgueiraram se tentando não fazer barulho e aventuraram se nos campos iluminados por o luar . - É claro que - disse bruscamente o Ron , enquanto atravessavam os relvados negros - podemos perfeitamente chegar a a floresta e descobrir que não há nada para seguir . As aranhas podem não ter ido para lá . É certo que parecia que tomavam essa direcção , mas ... Felizmente a lengalenga não durou muito . Chegaram a a casa de o Hagrid que tinha um ar triste com as suas janelas vazias . Logo_que Harry empurrou a porta e a abriu , o Fang saltou , louco de alegria por os ver . Preocupados , não fosse ele acordar toda_a_gente em o castelo com o seu ladrar forte e agitado , deram lhe rapidamente a comer bombons de melaço que estavam em uma lata sobre a lareira e que lhe colaram os dentes de cima a os de baixo . Harry pousou o manto de a invisibilidade sobre a mesa de o Hagrid . Não iam precisar de ele em a floresta escura como breu . - Anda , Fang , vamos dar um passeio - disse Harry , batendo lhe a o de leve em a pata e Fang saiu feliz , a os saltos , atrás de eles . Precipitou se até a a orla de a floresta e levantou a perna contra uma enorme figueira-do-egipto . Harry pegou em a varinha , murmurou * _ Lumus * ! e uma pequenina luz surgiu em a ponta de a varinha , suficiente para lhes mostrar o caminho e ajudá os a descobrir a pista de as aranhas . - Bem pensado - disse o Ron . - Eu acendia também a minha mas , sabes como ela está , ainda estoirava ou qualquer coisa assim ... Harry tocou em o ombro de o Ron , apontando para as ervas . Duas aranhas solitárias fugiam de a luz de a varinha , aproximando se de a sombra de as árvores . - O. _ K. - disse o Ron , resignando se com o pior . - Estou pronto , vamos . Então , com o Fang a correr atrás de eles , cheirando as raízes de as árvores e as folhas , entraram em a floresta . Seguindo a luz de a varinha de o Harry seguiram a fila disciplinada de aranhas que se movia a o longo de o caminho . Andaram durante cerca de vinte minutos , sem falar , atentos a todos os ruídos que não fossem os de os ramos caídos e de as folhas secas . Então , quando as copas de as árvores se tinham tornado mais cerradas do_que nunca , de_tal_modo_que as estrelas em o céu já não eram visíveis e a varinha de o Harry brilhava isolada em um mar de escuridão , viram as aranhas que eles seguiam a abandonar o caminho . Harry parou , tentando ver para_onde iam mas tudo_o_que ficava longe de a sua pequenina luz era negro de breu . Ele nunca fora tão longe em a floresta . Lembrava se muito bem de Hagrid lhe ter dito , de a última vez que ali tinham estado , que nunca saísse de o caminho de a floresta . Mas Hagrid agora estava a muitos quilómetros de distância e ele também lhes dissera que seguissem as aranhas . Uma coisa húmida tocou em a mão de o Harry e ele deu um salto para trás , pisando o pé a o Ron . Mas afinal era apenas o focinho de o Fang . - O que é_que tu achas ? - perguntou ele a o Ron cujos olhos conseguia vislumbrar , reflectindo a luz de a varinha . - Já_que viemos até aqui - disse ele . Seguiram , portanto as sombras velozes de as aranhas em direcção a as árvores . Não podiam agora andar muito depressa . Tinham em a frente raízes de árvores e troncos cortados que mal se viam em aquela escuridão . Harry sentia o bafo quente de Fang em a mão . Por mais de uma_vez tiveram de parar para o Harry se baixar e descobrir as aranhas a a luz de a varinha . Andaram durante o que lhes pareceu ter sido pelo_menos meia_hora , com os mantos a roçarem em os ramos mais baixos e em as silvas . A o fim de algum tempo repararam que o chão parecia inclinar se para baixo embora as árvores continuassem cerradas . Foi então que o Fang soltou um latido que ecoou em volta , fazendo Harry e Ron darem um salto , ambos com os cabelos em pé . - O que foi ? - gritou o Ron , olhando em volta para a escuridão e agarrando Harry com força , por o cotovelo . - Há qualquer coisa ali a mexer se - murmurou Harry - Ouve ... parece ser grande . Ficaram a ouvir . Um_pouco para a direita algo de grandes dimensões partia os ramos enquanto abria caminho através de as árvores . - Oh ! não - disse o Ron . - Oh ! não , não ... - Cala te - insistiu o Harry , nervoso . - Seja o que for , vai acabar por te ouvir . - Ouvir me ? - disse o Ron , em um tom de voz muito pouco natural . - Já ouviu . Fang ! A escuridão parecia esmagar lhes os globos oculares enquanto ali ficaram apavorados , a a espera . Houve um estranho ruído , surdo e prolongado , e em seguida o silêncio . - O que estará a fazer ? - perguntou Harry . - Talvez esteja a preparar se para atacar - disse o Ron . Esperaram , a tremer , sem ousarem mexer se . - Achas que se foi embora ? - murmurou Harry . - Não sei . Em esse momento , de o lado direito veio um clarão de luz tão forte em o meio de o escuro que os dois levaram as mãos a a cara para proteger os olhos . O Fang ganiu e tentou fugir mas viu se envolvido em um emaranhado de espinhos e ganiu ainda mais alto . - Harry - gritou o Ron com grande alívio em a voz . - Harry , é o nosso carro . - O quê ? - Anda ver . Harry avançou a os tropeções atrás de o Ron , em direcção a a luz e em o momento seguinte estavam em uma clareira . O carro de Mr._Weasley ali estava , vazio , no_meio_de um círculo de árvores grossas , sob um telhado de ramos densos , os faróis de a frente resplandecentes . Quando Ron se aproximou de boca aberta , moveu se lentamente em direcção a ele como_se fosse um grande cão azul turquesa , cumprimentando o dono . - Tem estado aqui todo este tempo - disse o Ron satisfeitíssimo , aproximando se de o carro . - Olha para ele , a floresta tornou o selvagem ... O guarda-lamas estava riscado e cheio de lodo . Parecia que tinha andado a passear sozinho por a floresta . Fang não gostou lá muito de ele . Manteve se a o lado de o Harry que podia senti o a tremer . Com a respiração normalizada , Harry guardou a varinha em o manto . - E nós a pensarmos que ele nos ia atacar - disse o Ron , encostando se a o carro e dando lhe duas palmadinhas - As voltas que eu dei a a cabeça a pensar para_onde ele teria ido ! Harry olhava para todos os lados , em o chão iluminado , em busca de mais aranhas mas todas elas tinham fugido de o brilho de as luzes . - Perdemos as de vista - disse ele . - Anda , vamos procurá as . Ron não disse nada . Não se moveu . Tinha os olhos fixos em um ponto , três metros acima de o chão de a floresta , mesmo atrás de o Harry . O seu rosto estava lívido de terror . Harry nem teve tempo de se voltar . Ouviu se um ruído alto e seco e sentiu que alguma coisa longa e peluda o elevava em o ar com o rosto voltado para baixo . Debatendo se , apavorado , ouviu outro estalido e viu as pernas de o Ron serem também levantadas de o chão . Ouviu o Fang gemer e ganir e , em o momento seguinte , era levado para o meio de as árvores escuras . Com a cabeça a balouçar , Harry viu que a coisa que o transportava tinha seis enormes patas peludas e que as duas de a frente o agarravam com forca sob um par de tenazes pretas e brilhantes . Atrás_de si podia ouvir outra de aquelas criaturas que , sem dúvida , transportava o Ron . Encaminhavam se para o coração de a floresta . Harry ouvia o Fang a ladrar , tentando libertar se de um terceiro monstro mas Harry não podia gritar mesmo_que quisesse , parecia que tinha deixado a voz em a clareira , junto com o carro . Não soube quanto tempo esteve em as patas de a criatura , só se apercebeu que a escuridão se atenuara um_pouco , permitindo lhe ver que o chão coberto de folhas estava agora repleto de aranhas . Voltando a cabeça para o lado , deu se conta de que tinham chegado a a base de uma enorme cova , uma cova que fora limpa de árvores para que as estrelas iluminassem com o seu brilho a cena mais pavorosa que os seus olhos alguma vez tinham visto . Aranhas . Não aranhas pequeninas como aquelas que estavam sobre as folhas . Aranhas de o tamanho de enormes cavalos , com oito olhos , oito pernas pretas , peludas , gigantescas . O espécimen que transportava Harry desceu o terreno íngreme até uma teia brumosa em forma de cúpula que ficava mesmo em o meio de a cova , enquanto os companheiros se juntavam em volta , batendo excitadíssimos com as tenazes e olhando para o que eles traziam a as costas . Harry caiu em o chão de gatas quando a aranha o libertou . Ron e Fang foram cair perto de ele . O Fang já não gania . Estava agachado e muito quieto . Ron e Harry partilhavam o mesmo sentimento . O Ron tinha a boca aberta em uma espécie de grito silencioso e os olhos a saltarem lhe de as órbitas . Harry percebeu de repente que a aranha que o deitara a o chão estava a dizer qualquer coisa . Era difícil entender porque entre cada duas palavras , batia com as tenazes . - Aragog - chamou . - Aragog . E de o meio de a teia brumosa em forma de cúpula saiu muito lentamente uma aranha de o tamanho de um pequeno elefante . As costas e as pernas estavam cobertas de pêlo cinzento e , em a cabeça feia , munida de tenazes , estavam vários olhos , todos eles de um branco leitoso . Era cega . - O que foi ? - disse , batendo rapidamente com as tenazes uma em a outra . - Homens - respondeu a aranha que trouxera o Harry . - É o Hagrid ? - perguntou Aragog , aproximando se mais com os seus oito olhos leitosos a vaguear . - Estranhos - respondeu a aranha que trouxera o Ron . - Matem nos - disse Aragog , irritada . - Eu estava a dormir ... - Nós somos amigos de o Hagrid - gritou Harry . Parecia que o coração lhe saltava por a boca . Clic , clic , clic fizeram as tenazes de a aranha , em volta de a cova . Aragog parou . - O Hagrid nunca mandou homens a a nossa cova - disse lentamente . - O Hagrid está em perigo - explicou Harry , respirando muito depressa . - Foi por isso que eu vim . - Em perigo ? - repetiu a aranha idosa e pareceu a Harry sentir preocupação por detrás de as suas tenazes . - Mas porque vos mandou ele cá ? Harry pensou pôr se de pé mas achou melhor não arriscar . As pernas provavelmente não teriam força para o sustentar . Falou portanto de o chão , o mais calmamente que foi capaz . - Eles lá em a escola pensam que o Hagrid soltou qualquer coisa contra os estudantes . Mandaram o para Azkaban . Aragog bateu furiosamente com as tenazes e , em toda_a cova , o eco foi reproduzido por uma multidão de aranhas . Era uma espécie de aplauso com uma única diferença : os aplausos não costumavam fazer o Harry quase morrer de medo . - Mas isso foi há muitos anos - disse Aragog , maldisposta . - Há anos e anos . Lembro me muito bem . Foi por isso que o expulsaram de a escola . Eles pensaram que eu era o monstro que vive em aquilo a que eles chamam a Câmara_dos_Segredos . Pensaram que o Hagrid a tinha aberto para me libertar . - E tu ... não vieste de a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Harry que sentia a testa cheia de suores frios . - Eu - disse Aragog , batendo irritada com as tenazes - , eu não nasci em o castelo . Venho de uma terra distante . Um viajante ofereceu me a o Hagrid quando eu era ainda um ovo . Hagrid era um rapazinho mas tratou de mim , escondeu me em uma despensa dentro de o castelo e alimentava me com as migalhas que ficavam em as mesas . Hagrid é o meu bom amigo e um bom homem . Quando me encontraram e me culparam por a morte de uma rapariga , ele protegeu me . Desde_então , tenho vivido aqui em a floresta onde o Hagrid ainda vem visitar me . Ele até me arranjou uma esposa , Mosag , e estão a ver como a família cresceu , tudo graças a a bondade de o Hagrid ... Harry reuniu a coragem que lhe restava . - Então tu nunca atacaste ninguém ? - Nunca - resmungou a velha aranha . - Era esse o meu instinto , mas por respeito a Hagrid nunca fiz mal a nenhum humano . O corpo de a rapariga morta foi encontrado em uma casa_de_banho , ora eu nunca conheci mais do_que despensa de o castelo , onde cresci . Nós gostamos de o escuro de o silêncio . - Mas então ... sabes o que matou essa rapariga ? - perguntou Harry . - Porque seja o que for , está a atacar as pessoas outra_vez ... As suas palavras foram abafadas por uma audível explosão de tenazes a bater e por o ruge-ruge de muitas pernas longas , deslocando se iradas . Em volta de Harry começaram a mover se sombras escuras . - O que vive em o castelo - disse Aragog - é uma antiga criatura que nós , aranhas , tememos acima_de todas_as outras . Lembro me bem de o quanto insisti com Hagrid para que me deixasse sair de ali quando senti a criatura a andar por a escola . - O que é ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Mais tenazes a bater , mais pernas a moverem se . As aranhas pareciam estar a aproximar se . - Nós não falamos de isso - exclamou Aragog furiosa . - Não pronunciamos o seu nome . Eu nunca disse a o Hagrid o nome de a horrível criatura , apesar_de ele me ter perguntado vezes sem conta . Harry não quis insistir , principalmente com todas aquelas aranhas a aproximarem se de todos os lados . Aragog parecia ter se cansado de falar . Recuava lentamente para a teia em forma de cúpula , mas as companheiras continuavam a aproximar se ameaçadoramente de Harry e Ron . - Vamos embora , então - gritou Harry , desesperadamente a Aragog , enquanto ouvia as folhas secas a estalarem atrás_de si . - Embora ? - disse Aragog lentamente . - Não me parece ... - Mas , mas ... - Os meus filhos e filhas não fazem mal a o Hagrid por ordem minha . Mas não posso negar lhes carne fresca quando ela veio por vontade própria ter connosco . Adeus , amigo de o Hagrid . Harry deu meia volta . Poucos centímetros acima de ele , uma sólida parede de aranhas batia com as tenazes , os seus muitos olhos a brilharem em as horríveis caras pretas . Mesmo_que se servisse de a varinha , Harry sabia que não ia valer de nada . As aranhas eram demasiadas , mas quando tentava preparar se para morrer a lutar , ouviu se um som prolongado e um clarão de luz iluminou a cova . O carro de Mr._Weasley ribombava , descendo o declive , com os faróis acesos , a buzina a guinchar , afastando as aranhas . Muitas de elas ficaram voltadas ao_contrário com as várias pernas a agitar se em o ar . O carro buzinou com mais força em frente de Harry e Ron e as portas abriram se . - Agarra o Fang - gritou Harry , ajeitando se em o lugar de a frente . Ron agarrou o cão caçador de javalis e lançou o a ganir para o banco de trás . As portas fecharam se com estrondo . Ron não tocou em o acelerador mas o carro não precisou de isso . O motor fez se ouvir e levantaram voo , batendo em mais aranhas . Subiram o declive , saindo de a cova e pouco depois atravessavam a floresta , os ramos a baterem em os vidros enquanto o carro seguia habilmente através de os intervalos maiores , por um caminho que obviamente já conhecia . Harry olhou para o Ron , a o seu lado . Ele tinha ainda a boca aberta em o mesmo grito silencioso mas os olhos já não estavam salientes . - Estás bem ? Ron olhou em frente , incapaz de responder . Começavam a descer para terra firme com o Fang a soltar enormes ganidos em o banco de trás e Harry viu o espelho retrovisor saltar quando passaram rente a um enorme carvalho . Após dez minutos bastante ruidosos , as árvores começaram a ser mais finas e Harry pôde ver de_novo pedaços de o céu . O carro parou tão bruscamente que quase foram projectados por o vidro de a frente . Tinham chegado a a orla de a floresta . O Fang ia agitadíssimo a a janela e quando Harry abriu a porta , disparou a correr através de as árvores até a a casa de o Hagrid , de cauda entre as pernas . Harry saiu também e um minuto depois o Ron pareceu recuperar a força em os membros e seguiu o , ainda com um torcicolo e de olhos esbugalhados . Harry deu uma palmadinha de agradecimento a o carro antes de ele dar a volta e desaparecer em direcção a a floresta . Harry voltou a a cabana de o Hagrid para buscar o manto de a invisibilidade . O Fang tremia em o seu cesto , coberto por um cobertor . Quando saiu de_novo , viu o Ron a vomitar junto de as abóboras . - Sigam as aranhas - disse ele debilmente , limpando a boca a a manga . - Nunca vou perdoar a o Hagrid . É uma sorte ainda estarmos vivos . - Aposto que ele pensou que Aragog nunca faria mal a os seus amigos - justificou Harry . - Esse é justamente o problema de o Hagrid - interrompeu Ron , dando um soco em a parede de a cabana . - Ele acha sempre_que os monstros não são tão maus como os pintam e vê onde isso o levou , a uma cela em Azkaban - tremia agora descontroladamente . - Qual a ideia de ele a o mandar nos ali ? Gostava de saber o que é_que descobrimos . - Que o Hagrid nunca abriu a Câmara_dos_Segredos - disse Harry , lançando o manto sobre Ron e tocando lhe em o braço para o encorajar a andar . - Ele estava inocente . Ron resmungou em voz alta . Para ele , chocar Aragog em uma despensa não era propriamente estar inocente . Quando se aproximaram de o castelo , Harry esticou o manto para garantir que os pés de ambos ficavam cobertos . Em seguida , empurrou as portas de a frente que chiaram . Atravessaram com todo o cuidado o * hall * de entrada e subiram a escadaria de mármore , contendo a respiração em os corredores guardados por sentinelas atentos . Por fim , chegaram a a segurança de a sala de os Gryffindor onde o lume ardera até se transformar em brasas brilhantes . Tiraram o manto e subiram a escada serpenteante que os levava a o dormitório . Ron caiu em a cama sem sequer se despir mas Harry , apesar_de tudo , não tinha sono . Sentou se em a beirinha de a cama , pensando em todas_as coisas que Aragog dissera . A criatura que andava por o castelo , pensou , era uma espécie de monstro Voldemort , nem os outros monstros queriam pronunciar o seu nome . Mas ele e o Ron não estavam agora mais perto_de descobrir o que era nem como petrificava as suas vítimas . Se nem o Hagrid chegara a saber o que estava em a Câmara_dos_Segredos ... Harry balançou as pernas e atirou se para_cima de a cama . Encostado a as almofadas olhou a Lua que brilhava através de a janela de a torre . Não sabia que mais poderiam fazer . Só tinham encontrado portas fechadas . Riddle apanhara a pessoa errada . O herdeiro de Slytherin fugira e ninguém sabia se era a mesma pessoa ou uma outra que abrira , desta_vez , a Câmara_dos_Segredos . Não havia mais ninguém a quem fazer perguntas . Harry deitou se ainda a pensar em as palavras de Aragog . Estava a começar a ficar com sono quando aquilo que parecia ser uma última esperança lhe ocorreu , fazendo o sentar se muito direito em a cama . - Ron - sussurrou em o escuro . - Ron . Ron acordou com um ganido como os de o Fang . Olhou muito assustado em volta e viu o Harry . - Ron , a rapariga que morreu . Aragog contou nos que ela foi encontrada em uma casa_de_banho - disse , ignorando os roncos de o Neville em o outro canto de o quarto . - E se ela nunca tivesse saído de a casa_de_banho ? E se ainda lá estiver ? Ron esfregou os olhos , franzindo as sobrancelhas sob a luz de a Lua . E só então compreendeu . -- Não pensar que ... a Murta_Queixosa ? XVI_A_Câmara_dos_Segredos -- E estivemos nós tantas vezes em aquela casa_de_banho com ela apenas a três cubículos de distância - disse o Ron amargamente em o dia seguinte , a a mesa de o pequeno-almoço . - Podíamos ter lhe perguntado e agora ... Já fora bastante difícil procurar as aranhas . Escapar a os professores o tempo suficiente para ir até a a casa_de_banho de as raparigas , que ficava mesmo em frente de o lugar onde ocorrera o primeiro ataque , ia ser quase impossível . Mas alguma coisa aconteceu que fez com que a Câmara_dos_Segredos desaparecesse de os seus pensamentos pela_primeira_vez em várias semanas . A professora Mc_Gonagall comunicou lhes que os exames começariam a 1_de_Junho , uma semana depois . - Exames ? - gritou Seamus_Finnigan . - Nós mesmo_assim vamos ter exames ? Ouviu se um estrondo atrás de o Harry quando a varinha de o Neville_Longbottom lhe escapou de a mão , fazendo desaparecer uma de as pernas de a secretária . A professora Mc_Gonagall repô a com a sua varinha e voltou se com má cara para o Seamus . - Se temos a escola aberta em uma altura de estas é para vocês receberem instrução - disse com dureza . - Os exames terão lugar , portanto , como é costume e espero que todos vocês façam revisões até lá . Revisões . Não passara por a cabeça de o Harry que houvesse exames com o castelo em aquele estado . Houve uma série de murmúrios revoltados , o que fez com que a professora Mc_Gonagall ficasse ainda mais mal-humorada . - As instruções de o professor Dumbledore foram para manter a escola a funcionar o mais normalmente possível - disse . - E isso , não preciso de vos dizer , passa por uma avaliação de o quanto vocês aprenderam a o longo de este ano . Harry olhou para baixo , para o casal de coelhos brancos que ele deveria transformar em pantufas . Que tinha ele aprendido durante o ano ? Não era capaz de se lembrar de nada que fosse útil em um exame . Ron estava como_se tivessem acabado de lhe dizer que a partir de aquele momento tinha de ir viver para a floresta proibida . - Estás a ver me a ter exames com isto tudo ? - perguntou a o Harry enquanto pegava em a varinha que tinha começado a assobiar bastante alto . Três dias antes de o primeiro exame , a a hora de o pequeno almoço , a professora Mc_Gonagall fez outra comunicação . - Tenho boas notícias - disse , e o salão em_vez_de se calar , explodiu de contentamento . - Dumbledore vai regressar ! - gritaram várias pessoas cheias de alegria . - Apanharam o herdeiro de Slytherin - arriscou uma rapariga em a mesa de os Ravenclaw . - Temos outra_vez os jogos de Quidditch - bradou Wood , excitadíssimo . Quando a agitação passou , Mc_Gonagall disse : - A professora Sprout informou me que as mandrágoras estão finalmente prontas para serem cortadas . Hoje a a noite vamos poder reanimar as pessoas que foram petrificadas . Escusado será dizer que certamente uma de elas poderá revelar nos quem ou o que a atacou . Eu tenho esperança que este ano pavoroso acabe com a prisão de o culpado . Houve uma explosão de aplausos . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e não ficou nada surpreendido a o ver que Draco_Malfoy não aplaudia . O Ron , por outro lado , estava satisfeito como ninguém o via havia dias . - Não faz mal não termos perguntado a a Murta . A Hermione vai , com certeza , ter todas_as respostas quando acordarem . Vai também ficar fula quando souber que temos exames dentro_de três dias . Ela não pôde fazer revisões . Seria melhor deixarem a estar onde está até a o final de os exames . Nessa_altura , Ginny_Weasley veio sentar se junto de o Ron . Parecia nervosa e tensa e Harry reparou que torcia as mãos em o colo . - O que se passa ? - perguntou o Ron , servindo se de mais papa de aveia . Ginny não disse nada mas olhou para um lado e para o outro de a mesa de os Gryffindor , com um olhar assustado que lembrou a Harry alguém que não sabia bem quem era . - Vá lá , vomita - disse o Ron , olhando para ela . Harry percebeu subitamente quem a Ginny lhe lembrara . Ela balançava se ligeiramente para a frente e para trás em a cadeira , exactamente como o Dobby fazia quando estava hesitante , à_beira_de revelar uma informação proibida . - Tenho de te dizer uma coisa - balbuciou a Ginny receosa , sem olhar para Harry . - O que é ? - perguntou ele . Ginny parecia incapaz de encontrar as palavras certas . - O quê ? - insistiu Ron . Ginny abriu a boca mas não saiu nenhum som . Harry inclinou se para a frente e falou devagar para que só ela e Ron pudessem ouvi o . - É alguma coisa relacionada com a Câmara_dos_Segredos ? Viste alguma coisa ou alguém a agir de forma estranha ? Ginny respirou fundo e , em esse preciso momento , apareceu Percy_Weasley com um ar pálido e cansado . - Se já acabaste de comer eu fico com esse lugar , Ginny . Estou cheio de fome . Acabei agora o meu trabalho de patrulhamento . Ginny deu um salto como_se a cadeira tivesse acabado de ser electrificada , lançou a o Percy um olhar assustado e zarpou . Percy sentou se e tirou uma caneca de o meio de a mesa . -- Percy - disse o Ron aborrecido . - Ela ia agora mesmo contar nos uma coisa importante . A meio de um gole de chá , Percy estremeceu . - Que coisa ? - perguntou , tossindo . - Eu quis saber se ela tinha visto alguma coisa estranha e ela ia dizer ... - Ah ! isso ... não tem nada que ver com a Câmara_dos_Segredos - disse o Percy de imediato . - Como sabes ? - indagou o Ron , erguendo as sobrancelhas . - Bem ... er ... já_que perguntam , a Ginny ... er ... passou por mim em outro dia quando eu ... er ... não foi nada , o importante é_que ela viu me fazer uma coisa e eu ... um ... pedi lhe para não comentar com ninguém . Não pensei que ela cumprisse a palavra , verdade se diga . Não é nada importante , eu só ... Harry nunca vira o Percy tão pouco a a vontade . - O que estavas a fazer , Percy ? - riu se o Ron . - Vá lá , conta que nós não nos rimos . Percy ficou sério . - Passa me esses pãezinhos , Harry , estou cheio de fome . Harry sabia que todo o mistério poderia ser desvendado em o dia seguinte sem a ajuda de eles mas não ia deixar de falar com a Murta_Queixosa se a oportunidade surgisse . E , para sua grande satisfação , ela surgiu a meio de a manhã quando eram conduzidos a a aula de História_da_Magia_por_Gilderoy_Lockhart . Lockhart , que tantas vezes lhes assegurara que o perigo tinha passado , estava agora totalmente convencido de que acompanhar os alunos em os corredores era um trabalho inútil . O seu cabelo estava mais liso do_que de costume . Parecia ter passado toda_a noite acordado a vigiar o quarto andar . - Podem escrever o que eu digo - afirmou , acompanhando os até uma esquina . - As primeiras palavras que vão sair de a boca de aquelas pobres pessoas petrificadas serão - * _ Foi_o_Hagrid * . Francamente , estou espantado por a professora Mc_Gonagall considerar ainda necessárias estas medidas de segurança . - Concordo , professor - disse Harry , fazendo com que Ron , surpreendido , deixasse cair os livros a o chão . - Obrigado , Harry - disse Lockhart amavelmente , enquanto deixavam passar uma grande fila de Hufflepuffs . - verdade é_que os professores já têm bastante que fazer para andarem também a acompanhar os alunos a as aulas e a guardar os corredores a a noite ... - É verdade - disse o Ron , percebendo a ideia . - Porque não nos deixa aqui , professor , só falta mais um corredor . - Sabes , Weasley , sou mesmo capaz de fazer isso - disse Lockhart . - Preciso de preparar a minha próxima aula . E apressou se a seguir o seu caminho . - Preparar a aula - zombou o Ron . - Vai encaracolar o cabelo , é o mais certo . Deixaram os restantes Gryffindor passar lhes a a frente e por fim cortaram caminho em um corredor lateral e dirigiram se a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mas quando estavam a congratular se por o seu esquema brilhante ... - Potter , Weasley ! Que estão vocês a fazer aqui ? Era a professora Mc_Gonagall e a boca de ela estava mais fina do_que nunca . - Nós estávamos , estávamos - gaguejou o Ron . - Nós íamos ver , íamos ver ... - Hermione - completou Harry . A professora Mc_Gonagall e Ron olharam para ele . - Não a vemos há séculos , professora - prosseguiu Harry , pisando o pé a o Ron . - E pensamos ir espreitá a a a ala hospitalar e dizer lhe que as mandrágoras estão quase prontas , para ela não se preocupar . A professora Mc_Gonagall estava ainda a olhar para ele e , por um momento , Harry pensou que ela ia explodir mas , quando falou , fê lo em um tom de voz estranhamente rouco . - É claro - disse . E Harry , espantado , viu uma lágrima a brilhar lhe em o canto de um de os olhos . - É claro . Eu compreendo que tudo_isto tem sido muito duro para os amigos de aqueles que foram ... eu compreendo , sim , Potter . Podem ir visitar Miss_Granger . Eu mesma informarei o professor Binns de que vocês estão em o hospital . Digam a Madam_Pomfrey que vos dei autorização . Harry e Ron afastaram se , quase sem acreditar que tinham escapado a um castigo . Quando voltaram em uma esquina ouviram nitidamente a professora Mc_Gonagall a assoar se . - Esta - disse o Ron entusiasmado - foi a melhor história que tu alguma vez inventaste . Não tinham outro remédio senão ir a a ala hospitalar e dizer a Madam_Pomfrey que tinham autorização de a professora Mc_Gonagall para visitar Hermione . Madam_Pomfrey deixou os entrar com alguma relutância . - Não vale a pena falar com uma pessoa petrificada - disse , e ambos tiveram que admitir que ela tinha razão quando se sentaram junto de Hermione e constataram que ela não tinha a menor noção de estar acompanhada . Dizer lhe que não se preocupasse ou falar com o armário que estava a o lado de a cama era exactamente a mesma coisa . - Será que ela viu quem a atacou ? - perguntou o Ron , olhando com tristeza para o rosto rígido de Hermione . - Porque se a coisa saltou sobre eles , ficaremos todos sem saber de nada . Mas Harry não olhava para o rosto de Hermione . Estava mais interessado em a sua mão direita que se encontrava pousada sobre os cobertores e , inclinando se para ela , viu que tinha , fechado entre os dedos , um pedaço de papel . Assegurando se de que Madam_Pomfrey não dava por nada , fez sinal a o Ron . - Tenta tirá o - murmurou ele , colocando a cadeira de_modo_a que Madam_Pomfrey não pudesse ver o Harry . Não foi tarefa fácil . A mão de a Hermione estava fechada com uma força tal que Harry receou parti a . Enquanto Ron vigiava , ele forçou e torceu até que , por fim , depois de vários minutos bastante tensos , conseguiu tirar o papel . Era uma página retirada de um livro muito antigo de a biblioteca . Harry alisou a ansiosamente e Ron inclinou se para poder lês a também . * _ De todos os monstros assustadores que pairam a a face de a Terra , nenhum é tão curioso nem tão fatal como o Basilisk , também conhecido por o rei de as serpentes . Esta cobra que pode atingir proporções gigantescas e viver durante muitas centenas de anos nasce de um ovo de galinha que é chocado por um sapo . As suas formas de matar são pavorosas pois além de os dentes venenosos e mortais , o Basilisk tem um olhar criminoso e todos aqueles que ele fixa com os olhos tem morte instantânea . As aranhas fogem a sete pés de o Basilisk que é seu inimigo mortal , e o Basilisk foge apenas de o canto de o galo que para ele é fatal * . Por debaixo de isto uma única palavra fora escrita , em a letra que Harry reconheceu como sendo de Hermione : Canos . Foi como_se se tivesse acendido uma luz em o seu espírito . - Ron - murmurou - é isso . Está aqui a resposta . O monstro de a Câmara_dos_Segredos é um Basilisk , uma serpente gigante . Por isso , só eu tenho ouvido a sua voz em todos os lugares , porque eu compreendo * serpentês * ... Harry olhou para as camas em volta . - O Basilisk mata as pessoas fixando as com o olhar mas ninguém morreu , o que quer_dizer que ninguém o olhou directamente em os olhos . Colin viu o através de a lente de a máquina fotográfica e o Basilisk queimou o rolo que estava lá dentro mas o Colin ficou apenas petrificado . O Justin ... o Justin deve ter visto o Basilisk através de o Nick quase sem cabeça . O Nick é_que levou com o olhar mas não podia morrer outra_vez ... e perto de a Hermione e de a prefeita de os Ravenclaw foi encontrado um espelho . Hermione acabara de compreender que o monstro era um Basilisk . Aposto que preveniu a primeira pessoa que encontrou de que era melhor olhar por um espelho a o virar de cada esquina . E aquela rapariga puxou de o seu espelho e ... O Ron estava de queixo caído . - E Mrs._Norris ? - perguntou vivamente . Harry pensou um_pouco , tentando imaginar a cena em a noite de o Halloween . - A água . . . - disse lentamente . - A poça de água que saiu de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Aposto que Mrs._Norris só viu o reflexo de o monstro . Examinou a folha de papel que tinha em a mão . Quanto_mais olhava mais sentido faziam as coisas . - * _ O cantar de o galo é fatal para ele * - leu em voz alta . - Os galos de o Hagrid foram mortos . O herdeiro de Slytherin não queria um único galo perto de o castelo , com a câmara aberta . * _ As aranhas são as primeiras a fugir * . Tudo encaixa . - Mas , como tem o Basilisk andado por aí ? - disse o Ron . - Uma serpente horrível e enorme ... alguém a teria visto . Mas Harry apontou para a palavra que Hermione escrevinhara em o final de a página . - Canos - disse . - Canos ... Ron , ele tem usado a canalização . Eu ouvi sempre a voz dentro de as paredes ... Ron agarrou subitamente o braço de o Harry . - A entrada para a Câmara_dos_Segredos - disse em uma voz rouca . - E se for em uma casa_de_banho ? Se for em a ... - Em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa - completou Harry . Sentaram se , tomados de uma excitação enorme , mal querendo acreditar . - Isso significa que - disse o Harry - eu não posso ser o único em a escola a falar * serpentês * . Há também o herdeiro de Slytherin . É de esse modo que tem controlado o Basilisk . - O que vamos fazer ? - perguntou Ron com os olhos a faiscar . - Vamos falar com a Mc_Gonagall ? - Vamos até a a sala de os professores - disse Harry , dando um salto . - Ela estará lá dentro_de dez minutos , está quase em o intervalo . Desceram a escada a correr . Não querendo ser descobertos outra_vez a vaguear por os corredores foram directamente até a a sala de os professores que estava deserta . Era uma divisão ampla , toda forrada , com cadeiras de madeira escura . Harry e Ron passearam de um lado para o outro , demasiado nervosos para se sentarem . Mas a campainha anunciando o intervalo nunca mais tocava . Em vez de isso , ecoando em os corredores , ouviram a voz de a professora Mc_Gonagall incrivelmente ampliada . - * _ Todos os alunos devem regressar de imediato a os seus dormitórios . Todos os professores a a sala de professores . Imediatamente , por favor * . Harry deu meia volta e olhou para o Ron . - Não me digas que houve um novo ataque , não agora ! - Que vamos fazer ? - disse o Ron aterrado . - Voltar para o dormitório ? - Não - disse Harry , olhando e m volta . Havia uma espécie de armário a a sua esquerda cheio com os mantos de os professores . - Ali . Vamos ouvir o que se passa . A seguir poderemos contar lhes o que descobrimos . Esconderam se dentro de o armário , ouvindo a algazarra de centenas de pessoas e a porta de a sala de professores a abrir se . De o meio de a confusão de mantos bafientos , viram os professores encherem a sala . Alguns tinham um ar totalmente confuso , outros pareciam apavorados . Por fim , chegou a professora Mc_Gonagall . - Aconteceu - disse em o silêncio de a sala de professores . - O monstro levou uma aluna . Levou a mesmo para a câmara . O professor Flitwick soltou um grito agudo . A professora Sprout bateu com a mão em a boca . Snape agarrou com força as costas de uma cadeira e perguntou : - Como pode ter tanta certeza ? - O herdeiro de Slytherin - disse a professora Mc_Gonagall , muito pálida . - Deixou outra mensagem . Mesmo por baixo de a primeira : « * _ O esqueleto de ela ficará para sempre em a Câmara_dos_Segredos * . » O professor Flitwick desatou a chorar . - Quem é ela ? - quis saber Madam_Hooch que se afundara em uma cadeira . - Quem é a aluna ? - Ginny_Weasley - disse a professora Mc_Gonagall . Harry viu o Ron , a o seu lado , escorregar silenciosamente até a o chão de o armário . - Vamos ter que mandar todos os alunos embora amanhã - disse a professora Mc_Gonagall . Isto_é o fim de Hogwarts , Dumbledore sempre disse ... A porta de a sala de os professores voltou a abrir se . Por um breve momento , Harry pensou que fosse Dumbledore mas era Lockhart e vinha todo sorridente . - Peço desculpa , adormeci . Perdi alguma coisa ? Não pareceu reparar que os outros professores o olhavam com uma espécie de aversão . Snape deu um passo em frente . - O homem que faltava - disse . - O homem certo . O monstro raptou uma garota , Lockhart levou a para a Câmara_dos_Segredos . O seu momento chegou . - Isso mesmo , Lockhart - acrescentou a professora Sprout . - Não estavas a dizer ontem a a noite que sempre tinhas sabido onde era a entrada para a Câmara_dos_Segredos ? - Eu ... bem ... eu-disse atabalhoadamente Lockhart . - Sim , não me disseste que sabias exactamente o que estava lá dentro ? - disse com voz esganiçada o professor Flitwick . - Eu disse ? Não me lembro ... - Lembro me perfeitamente de o ouvir dizer que lamentava não ter feito uma tentativa com o monstro antes de o Hagrid ser preso - disse Snape . - Não disse que toda_a história tinha sido uma atrapalhação e que deveriam ter lhe dado carta branca desde o princípio ? Lockhart olhou em volta para a cara de espanto de os colegas . - Eu ... nunca ... eu de facto ... deve ter me compreendido mal . - Então vamos deixar te , Gilderoy - disse a professora Mc_Gonagall . - Esta noite será uma excelente oportunidade para actuares . Nós trataremos de assegurar que ninguém te atrapalha . Vais poder enfrentar o monstro sozinho . Finalmente tens carta branca . Lockhart olhou desesperado a a sua volta mas ninguém foi salvá o . Já não estava bem-parecido . O lábio tremia lhe e a ausência de o seu habitual sorriso de dentes brancos dava lhe um ar escanzelado . - M-muito bem - disse . - Vou até a o meu escritório para ... para me preparar . E saiu de a sala . - _ óptimo - exclamou a professora Mc_Gonagall com as narinas dilatadas . - Isto deve afastá o de o nosso caminho . Os chefes de casa devem ir agora comunicar a os respectivos alunos o que se passou e informá os de que o Expresso_de_Hogwarts os levará a casa amanhã de manhã . Os restantes certifiquem se , por favor , de que não há alunos fora de os dormitórios . Os professores levantaram se e saíram um a um . Foi talvez o dia pior de a vida de o Harry . Ele , Ron , Fred e George sentaram se juntos a um canto em a sala comum de os Gryffindor , incapazes de proferir uma palavra . Percy não estava lá . Tinha ido tratar de enviar uma coruja a Mr. e Mrs._Weasley e , em seguida , fechara se em o dormitório . Nunca uma tarde custara tanto a passar e nunca a torre de os Gryfffindor estivera tão cheia de gente e tão silenciosa . Fred e George foram para a cama quase a o pôr de o Sol , incapazes de ficar ali mais tempo . - Ela sabia qualquer coisa , Harry - disse o Ron , falando pela_primeira_vez desde_que tinham saído de o armário de a sala de os professores . - Por isso a levaram . Não era nenhuma parvoíce sobre o Percy , ela tinha descoberto qualquer coisa sobre a Câmara_dos_Segredos . Com certeza por isso é_que a ... - Ron esfregou os olhos , enervadíssimo . - Afinal ela era sangue puro , não pode haver outra explicação . Harry olhava para o sol que mergulhava de um vermelho cor de sangue em a linha de o horizonte . Era a pior coisa que lhe tinha acontecido . Se pelo_menos pudessem fazer alguma coisa . - Harry - disse o Ron . - Achas que há alguma possibilidade de ela não estar ... ? Sabes o que eu quero dizer . Harry não sabia que resposta dar . Não acreditava que a Ginny pudesse ainda estar viva . - Sabes uma coisa ? - disse o Ron . - Acho que devíamos ir ter com o Lockhart , contar lhe o que sabemos . Ele vai tentar entrar em a câmara , podemos dizer lhe onde achamos que fica a entrada e contar lhe que o monstro é um Basilisk . Como Harry não tinha nenhuma ideia melhor e como queria fazer alguma coisa , concordou . Os Gryffindor que os rodeavam estavam tão tristes e com tanta pena de os Weasley que ninguém tentou impedi os quando os viram levantar se , atravessar a sala e sair por o buraco de o retrato . A escuridão começava a instalar se quando chegaram a o escritório de Lockhart onde a actividade era muita . De o corredor ouvia se o ruído de coisas a serem deitadas fora , pancadas surdas e passos apressados . Harry bateu a a porta e houve um silêncio repentino . Em seguida abriu se uma fresta de a porta e viram um de os olhos de Lockhart a espreitar . - Oh ! ... Mr._Potter ... Mr._Weasley - disse entreabrindo a porta . - Estou um_pouco ocupado em este momento , se forem rápidos ... - Professor , nós temos informações para lhe dar - disse o Harry . - Acho que poderão ajudá o . - Er ... bem ... não é - o lado de a cara de Lockhart que conseguiam ver parecia muito pouco a a vontade . - Quer_dizer ... bem ... está bem . Abriu a porta e eles entraram . O escritório estava praticamente vazio . Em o chão estavam duas grandes malas abertas . Mantos verde-jade , lilás , azul-noite tinham sido apressadamente dobrados e guardados dentro_de uma de as malas . Os livros misturavam se todos dentro de a outra . As fotografias que antes cobriam as paredes estavam agora arrumadas em caixas , em cima de a secretária . - Vai a algum lado ? - perguntou Harry . - Er ... bem ... sim - disse Lockhart , arrancando de a porta um poster seu em tamanho natural , enquanto falava , e começando a enrolá o . - Uma chamada urgente ... inevitável ... tenho que ir . - E a minha irmã ? - perguntou o Ron bruscamente . - Bem , quanto_a isso foi uma pena - disse Lockhart , evitando olhá os em os olhos , abrindo uma gaveta e começando a despejar o seu conteúdo dentro_de um saco . - Ninguém lamenta mais do_que eu ... - O senhor é o professor de Defesa contra as artes negras - disse Harry . - Não pode ir se embora agora_que todas estas coisas de magia negra estão a acontecer aqui . - Bem , devo dizer te que ... quando aceitei o lugar ... - resmungou Lockhart , empilhando soquetes sobre os mantos - nada em a descrição de o meu trabalho fazia prever ... - Quer_dizer que vai fugir ? - perguntou Harry , incrédulo . - Depois de todas_as coisas que conta em os seus livros ? - Os livros podem ser enganadores - disse Lockhart delicadamente . - Mas foi o senhor que os escreveu - gritou Harry . - Meu rapaz - disse Lockhart , endireitando se e franzindo as sobrancelhas - usa o senso comum . Os meus livros não teriam vendido metade do_que venderam se as pessoas não acreditassem que eu tinha feito todas aquelas coisas . Ninguém está interessado em ler sobre um velho feiticeiro americano mesmo_que ele tenha salvo uma cidade inteira de os lobisomens , ficaria péssimo em a capa . E a bruxa que correu com a fada carpideira tinha um lábio leporino . Como vês . - Quer_dizer que ficou com os louros por tudo_o_que uma série de outras pessoas fizeram ? - perguntou Harry , sem querer acreditar . - Harry , Harry - disse Lockhart , abanando impacientemente a cabeça . - Não é tão simples assim . Envolveu muito trabalho . Tive de localizar todas essas pessoas , perguntar lhes em pormenor como tinham feito as coisas . Depois tive de lhes fazer um feitiço antimemória para que não voltassem a lembrar se do_que tinham feito . Se há uma coisa de que me orgulho é de os meus feitiços antimemória . Não , tive muito trabalho , Harry . Não foram só as sessões de autógrafos e as fotografias , sabes ? Quem quer ser famoso tem de estar preparado para um trabalho longo e fatigante . Fechou as malas a a chave . - Vejamos - disse . - Acho que está tudo . Sim , só falta uma coisa . - Empunhou a varinha e voltou se para eles . - Lamento muito , rapazes , mas vou ter de vos fazer um feitiço antimemória . Não posso deixar que vão por aí repetir os meus segredos . Não venderia nem mais um livro . Harry pegou em a varinha mesmo a tempo e Lockhart mal tinha levantado a de ele a o ar quando Harry gritou * _ Expelliarmus ! * Lockhart foi projectado de costas , indo cair em cima de a mala . A varinha voou por os ares . Ron agarrou a e atirou a por a janela aberta . - Não devia ter deixado o professor Snape ensinar nos esta - disse Harry furioso , dando um pontapé a uma de as malas . Lockhart olhava para ele , de_novo escanzelado . Harry apontava lhe a varinha . - O que queres que eu faça ? - perguntou debilmente . - Eu não sei onde fica a Câmara_dos_Segredos . Não posso fazer nada . - Está com sorte - disse Harry , forçando o com a varinha a pôr se de pé . - Nós julgamos saber onde é e o que está lá dentro . Vamos . Conduziram Lockhart para fora de o seu escritório , desceram com ele as escadas e seguiram por o corredor escuro em cuja parede brilhavam as mensagens , até a a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mandaram Lockhart a a frente . Harry gostou de ver que todo ele tremia . A Murta_Queixosa estava sentada em a cisterna de o cubículo de o fundo . - Ah ! são vocês - disse a o ver o Harry . - O que querem agora ? - Perguntar te como morreste - disse Harry . O aspecto de a Murta mudou por completo . Parecia que nunca lhe tinham feito uma pergunta tão lisonjeira . - Ooooh ! Foi horrível - disse satisfeita . - Aconteceu aqui mesmo . Morri em este cubículo . Lembro me tão bem . Estava escondida porque a Olive_Hornby andava a implicar comigo por causa de os meus óculos . A porta estava fechada e eu estava a chorar e , então , ouvi alguém entrar . Disseram qualquer coisa estranha em uma língua diferente , acho eu . Mas o que mais me espantou foi o ser um rapaz a falar . Por isso , abri a porta para lhe dizer que fosse a a casa_de_banho de eles e em esse momento - a Murta inchou com ar importante , o rosto a brilhar - morri . - Como ? - perguntou Harry . - Não faço ideia - disse a Murta em um tom de voz abafado . - Só me lembro de ver dois grandes olhos amarelos , de o meu corpo ficar preso e em seguida , sentir me a flutuar ... - olhou sonhadoramente para Harry . - E depois voltei . Estava disposta a vingar me de a Olive_Hornby , percebes ? Ela ia arrepender se de ter gozado com os meus óculos . - Onde foi exactamente que viste os tais olhos ? - perguntou Harry . - Algures por aí - disse a Murta , apontando vagamente para o lavatório em frente de o seu cubículo . Harry e Ron apressaram se . Lockhart estava de pé , mais atrás , com uma expressão de pavor em o rosto . O lavatório parecia perfeitamente vulgar . Examinaram o centímetro a centímetro , dentro e fora , incluindo os canos por baixo . E foi então que Harry reparou : de lado , rabiscada em uma de as torneiras de cobre , estava uma cobra pequenina . - Essa torneira nunca funcionou - disse vivamente a Murta enquanto ele tentava abri a . - Harry - sugeriu o Ron . - Diz qualquer coisa em * serpentês * . Mas , pensou Harry , as únicas vezes que conseguira falar * serpentês * tinham ocorrido quando confrontado com uma verdadeira serpente . Olhou , concentrado para a pequena cobra gravada em o cobre , tentando imaginá a como verdadeira . - Abre te - disse . Olhou para o Ron que abanou a cabeça . - Inglês - disse ele . Harry voltou a olhar para a cobra , forçando se a acreditar que estava viva . A luz de a vela fez parecer que se movia . - Abre te - repetiu . Mas desta_vez as palavras não foram o que ele ouviu . Um estranho sibilar escapou lhe de a boca e a torneira ganhou uma luz branca e brilhante e começou a rodar . Logo_a_seguir o lavatório mexeu se . Afastou se , melhor dizendo , saiu de o caminho , deixando um grande cano a a vista , um cano onde cabia um homem . Harry ouviu a respiração arquejante de o Ron e olhou de_novo para ele . Já decidira o que queria fazer . - Vou descer - disse . Não podia deixar de ir , agora_que acabavam de descobrir a entrada para a câmara , existindo uma possibilidade , por mais remota que fosse , de a Ginny ainda estar viva . - Eu também - disse o Ron . Houve uma pausa . - Bem , parece que não precisam mais de mim - apressou se Lockhart a dizer com uma réstia de sorriso . - Eu vou . . . Pôs a mão em o puxador de a porta mas Ron e Harry apontaram lhe ambos as varinhas . -- O senhor pode ir a a frente - disse rispidamente o Ron . Pálido e sem varinha , Lockhart aproximou se de a entrada . - Meus rapazes - disse em uma voz débil . - Meus rapazes , para quê tudo_isto ? Harry tocou lhe em as costas com a varinha e ele meteu as pernas em o cano . - Eu não me parece que ... - começou a dizer , mas o Ron deu lhe um empurrão e ele desapareceu por o cano abaixo . Harry foi rapidamente atrás . Introduziu se lentamente e deixou se cair . Era como escorregar em uma pista escura e interminável . Ele via outros canos , estendendo se em todas_as direcções mas nenhum tão largo como o de eles que se torcia e virava , inclinando se abruptamente . Harry sabia que estavam a chegar a um ponto muito abaixo de a escola e de os calabouços . Atrás_de si , ouvia o Ron gemendo em cada curva . E então , quando começava a preocupar se com o que iria acontecer quando tocassem em o chão , o cano tornou se horizontal e ele foi projectado com um ruído surdo , indo aterrar em o chão húmido de um túnel de pedra com altura suficiente para ele se pôr de pé . Lockhart estava a levantar se a alguma distancia , todo enlameado e pálido como um fantasma . Harry afastou se para deixar o Ron sair também de o cano . - Devemos estar quilómetros e quilómetros abaixo de a escola - disse o Harry cuja voz ecoou em o túnel negro . - Talvez até debaixo de o lago - arriscou o Ron , olhando em volta para as paredes escuras e viscosas . Voltaram se os três para olhar para a escuridão lá a o fundo . - * _ Lumus ! * - murmurou Harry a a varinha e ela voltou a acender se . - Vamos - disse a o Ron e a o Lockhart e avançaram , os passos a chapinharem ruidosamente em o chão molhado . O túnel era tão escuro que só conseguiam ver alguns centímetros a a frente . As suas sombras em as paredes molhadas pareciam monstruosas a a luz de a varinha . - Lembrem se - disse Harry baixinho enquanto caminhavam . - A o menor movimento fechem logo os olhos ... Mas o túnel era silencioso como um túmulo e o primeiro som inesperado que ouviram foi um grito de o Ron que escorregou em uma coisa que era afinal a cauda de um rato . Harry baixou a varinha para olhar para o chão e viu que estava cheio de pequenos ossos de animais . Fazendo um enorme esforço para evitar pensar em que estado iriam encontrar a Ginny , avançou até uma curva escura de o túnel . - Harry , está aqui qualquer coisa - disse o Ron com voz rouca , agarrando Harry por o ombro . Ficaram estáticos a olhar . Harry só conseguia ver a silhueta de algo enorme e curvo deitado em o túnel . Fosse o que fosse não se movia . - Talvez esteja a dormir - murmurou , olhando para os outros dois . Lockhart tapava os olhos com as mãos . Harry voltou se para olhar para a criatura com o coração a bater tanto que lhe doía em o peito . Lentamente , com os olhos quase fechados mas ainda conseguindo ver , Harry avançou com a varinha levantada . A luz deslizou sobre uma gigantesca pele de serpente , de um verde vivo e venenoso que estava vazia e enrolada em o chão de o túnel . A criatura que a abandonara devia ter , pelo_menos , seis metros e meio de comprimento . - Bolas - disse o Ron , perdendo as forças . Houve um movimento súbito atrás de eles . As pernas de Gilderoy_Lockhart cederam . - Levante se - disse o Ron de uma forma cortante , apontando lhe a varinha . Lockhart pôs se de pé . Em seguida empurrou o Ron , atirando o a o chão . Harry deu um salto , mas ... tarde de mais . Lockhart endireitava se com a varinha de o Ron em as mãos e um sorriso em o rosto . - A aventura acaba aqui , rapazes - disse . - Vou levar um bocado de esta pele de cobra para a escola , contar lhes que foi demasiado tarde para salvar a garota e que vocês os dois perderam tragicamente a memória com a visão de o seu corpinho mutilado . Digam adeus a as vossas recordações . Levantou a o ar a varinha avariada de o Ron e gritou * _ Obliviate ! * A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba . Harry pôs os braços sobre a cabeça e correu , escorregou em os anéis de a pele de cobra , afastando se de os grandes pedaços de tecto de o túnel que caíam em o chão com o ruído de trovões . Pouco depois estava sozinho , olhando para uma sólida parede de rocha partida . - Ron - gritou ele . - Estás bem , Ron ? - Estou aqui - respondeu a voz abafada de o Ron por detrás de a avalancha de rochas . - Eu estou bem mas este sujeito não . A varinha avariou o todo . Ouviu se um ruído surdo e um Oh ! gritado . Parecia que o Ron tinha acabado de dar a o Lockhart um pontapé em as canelas . - E agora ? - disse a voz de o Ron que parecia desesperada . - Não podemos passar , vai demorar séculos . Harry olhou para o tecto de o túnel onde tinham aparecido grandes fendas . Ele nunca tentara partir , através de a magia , nada tão grande como aquelas rochas e agora não lhe parecia ser o melhor momento para fazer experiências . E se o túnel abatesse ? Houve um ruído surdo e outro Oh ! atrás de as rochas . Estavam a perder tempo . A Ginny já estava havia duas horas em a Câmara_dos_Segredos . Harry sabia que só havia uma coisa a fazer . - Espera aqui - gritou a o Ron . - Fica com o Lockhart , eu vou lá . Se não voltar dentro_de uma hora ... Houve um silêncio cheio . - Eu vou ver se desloco um_pouco esta rocha - disse o Ron , tentando manter a voz firme . - Para tu poderes passar . E , Harry ... - Até já - disse o Harry , procurando injectar confiança em a sua voz trémula . E passou sozinho para lá de a imensa pele de serpente . Em_breve , o ruído de o Ron , tentando deslocar a rocha , deixou de se ouvir . O túnel virou uma e outra_vez . Os nervos de o corpo de o Harry tangiam de forma desagradável . Ele só queria que o túnel chegasse a o fim , fosse o que fosse que o aguardasse . E então , finalmente , quando atingiu a última curva , viu em a sua frente uma parede sólida que tinha gravadas duas serpentes enroladas uma em a outra , cujos olhos eram quatro esmeraldas , enormes e brilhantes . Harry aproximou se com a garganta seca . Não foi preciso imaginar que as serpentes eram autênticas . Os seus olhos pareciam estranhamente vivos . Foi fácil descobrir o que tinha de fazer . Pigarreou e os olhos de esmeraldas pareceram mexer se . - Abre te - disse Harry em um sibilar baixo . As serpentes desapareceram enquanto a parede se abria a o meio e , a tremer de os pés a a cabeça , Harry entrou . XVII_Herdeiro_de_Slytherin_Estava de pé em o fundo de uma divisão enorme , fracamente iluminada . Altíssimos pilares de pedra , cheios de serpentes gravadas que os enlaçavam , erguiam se , suportando um tecto que se perdia em a escuridão e que lançava sombras negras imensas através de a estranha luz esverdeada que enchia o local . Com o coração a bater descompassadamente , Harry ficou parado a ouvir aquele silêncio arrepiante . Estaria o Basilisk escondido em um canto cheio de sombras , atrás_de algum pilar ? E onde estaria Ginny ? Pegou em a varinha e avançou a o longo de as colunas serpenteantes . Cada_um de os seus passos provocava um enorme eco em as paredes sombrias . Harry tinha os olhos semicerrados e estava pronto para os fechar a o mais pequeno movimento . As órbitas de olhos fundos de as serpentes de pedra pareciam segui o . Por mais de uma_vez , com o estômago a dar um salto , Harry julgou vê os moverem se . Por fim , chegado a o nível de os dois últimos pilares , avistou uma estátua de a altura de a própria câmara que estava encostada a a parede de o fundo . Harry tinha de esticar o pescoço para olhar para_cima , para a cara de o gigante : era velho e com um ar simiesco , tinha uma barba enorme que lhe caía quase onde acabava a longa túnica de pedra . Os dois pés imensos e cinzentos pousavam em o chão de a câmara . E entre eles , voltada para baixo , estava uma figura pequenina vestida de preto com um cabelo flamejante . - Ginny - murmurou Harry , chegando perto de ela e ajoelhando se . - Ginny , por favor não estejas morta , não estejas morta ! Atirou a varinha para o lado , agarrou Ginny por os ombros e voltou a . O rosto de ela estava branco e frio como o mármore , contudo os olhos encontravam se fechados , portanto não estava petrificada . Mas então devia estar ... - Ginny , acorda por favor - repetiu Harry desesperado , sacudindo a . A cabeça de ela andava de um lado para o outro . - Ela não vai acordar - disse secamente uma voz . Harry deu um salto e girou sobre os joelhos . Um rapaz alto , de cabelo preto , estava encostado a o pilar mais próximo , a observá o . As sombras desfocavam o como_se Harry o visse através_de uma janela embaciada . Mas não havia como confundis o . - Tom , Tom_Riddle ? Riddle acenou , sem tirar os olhos de o rosto de Harry . - O que queres dizer com isso de ela não acordar ? - perguntou Harry desesperado . - Ela não está ... não está ? - Está viva - disse Riddle . - Mas , por um fio . Harry olhou fixamente para ele . Tom_Riddle estivera em Hogwarts há cinquenta anos atrás . Contudo , ali estava com uma luz estranha e desfocada a iluminá o , sem um dia a mais do_que os seus dezasseis anos . - És um fantasma ? - perguntou Harry . - Uma memória - disse Riddle . - Preservada em um diário durante cinquenta anos . Apontou para os pés de a estátua gigantesca . Ali , aberto em o chão , estava o pequeno diário de capa preta que Harry tinha encontrado em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Durante um segundo , Harry perguntou a si próprio como teria ido ali parar , mas havia coisas mais importantes a fazer . Preciso de a tua ajuda , Tom - disse Harry , levantando de_novo a cabeça de a Ginny . - Temos de sair de aqui . Há_um_Basilisk ... não sei onde está mas pode aparecer a qualquer momento . Por favor , ajuda me . Riddle não se mexeu . Harry , a transpirar , conseguiu levantar ligeiramente a Ginny de o solo e inclinou se para pegar em a varinha mas ela tinha desaparecido . - Viste a ... ? Olhou para_cima . Riddle continuava a olhá o , fazendo girar a varinha entre os dedos longos . - Obrigado - disse Harry , esticando o braço para a agarrar . Um sorriso surgiu então em os cantos de a boca de Riddle que continuou a olhar para ele , girando indolentemente a varinha . - Ouve , pá - disse Harry sem querer perder mais tempo , os joelhos a vergarem sob o peso morto de Ginny - temos de ir . Se o Basilisk aparece ... - Ele não vem enquanto não for chamado - disse Riddle com toda_a calma . Harry voltou a pousar Ginny em o chão , incapaz de a segurar por mais tempo . - Que queres dizer com isso ? - perguntou . - Dá me a minha varinha , posso precisar de ela . O sorriso de Riddle ampliou se . - Não vais precisar de ela - disse . Harry olhou o espantado . - O que queres dizer , não vou ? - Esperei muito_tempo por isto , Harry - disse Riddle . - Pela possibilidade de te ver , de falar contigo . - Olha , eu acho que tu não estás a perceber - disse Harry , perdendo a paciência . - Estamos em a Câmara_dos_Segredos , podemos conversar mais tarde . - Vamos conversar agora - disse Riddle , sorrindo de orelha a orelha e guardando a varinha de Harry em o bolso . Harry voltou a olhar para ele . Havia qualquer coisa de muito estranho em tudo aquilo . - Como é_que a Ginny ficou assim ? - perguntou pausadamente . - Bem , essa é uma pergunta interessante - disse Riddle , divertido . - E uma longa história , também . Julgo que o verdadeiro motivo que levou Ginny_Weasley a ficar assim foi o ter aberto o seu coração e revelado todos os seus segredos a um estranho ser invisível . - De quem estás a falar ? - perguntou Harry . - De o diário - disse Riddle . - De o meu diário . A Ginny escreve nele há meses e meses , contando me todas_as suas lamentáveis desgraças e atribulações : como os irmãos a arreliam , que teve de vir para a escola com manto , túnica e livros em segunda mão - os olhos de Riddle brilharam -- , que acha que o maravilhoso , o grande , o famoso Harry_Potter nunca vai gostar de ela ... Enquanto falava , nunca os olhos de Riddle se afastaram de a cara de o Harry . Havia em eles um olhar ávido . - É muito chato ter de ouvir as preocupações idiotas de uma garotinha de onze anos - prosseguiu . - Mas eu fui paciente . Respondi lhe , mostrei me simpático e amável . A Ginny pura e simplesmente adorou me . - * _ Nunca ninguém me compreendeu como tu , Tom ... estou tão feliz por ter este diário a quem me confiar ... é como ter um amigo que pode andar em o meu bolso * ... Riddle riu se . Um riso alto , frio , que não lhe ficava bem . Fez com que os cabelos de o pescoço de Harry se arrepiassem todos . - Verdade se diga que sempre consegui encantar as pessoas necessárias . Portanto a Ginny verteu em mim a sua alma e a alma de ela era precisamente o que eu queria . Fortaleceu me . Alimentei me de os seus medos mais profundos , de os seus mais obscuros segredos . Fui ficando cada_vez_mais forte e poderoso . Muito mais poderoso do_que a pequena Miss_Weasley até que comecei a transmitir lhe alguns de os meus segredos , a passar um_pouco de a minha alma para ela ... - O que queres dizer ? - perguntou Harry cuja boca ficara totalmente seca . - Ainda não descobriste , Harry_Potter ? - disse Riddle muito baixo . - Giony_Weasley abriu a Câmara_dos_Segredos , estrangulou os galos de a escola e escreveu mensagens assustadoras em as paredes . Atiçou a serpente de Slytherin contra quatro sangues de lama e contra o gato de o busca-pé . - Não - murmurou Harry . - Sim - disse calmamente Riddle . - É claro que a princípio não sabia o que estava a fazer . Era muito divertido . Gostava que visses as coisas que escreveu em o diário , começaram a ficar muito mais interessantes . * _ Querido_Tom * - recitou ele , olhando para a expressão horrorizada de o Harry . - * _ Acho que estou a perder a memória . Há penas de galo em todas_as minhas roupas e eu não sei como foram lá parar . Querido_Tom , não me lembro do_que fiz em a noite de o Hallowe'en mas foi atacada uma gata e eu estou cheia de tinta em a cara . Querido_Tom , o Percy não pára de me dizer que ando pálida e não pareço eu . Acho que ele suspeita de mim ... Houve outro ataque hoje e eu não sei onde estava . Tom , que vou eu fazer ? Acho que estou a ficar maluca ... acho que ando a atacar toda_a_gente , Tom ! * Harry tinha os punhos fechados , as unhas cravadas contra a palma de as mãos . - Levou muito_tempo até a pequenina estúpida deixar de confiar em o diário - disse Riddle . - Mas acabou por ficar desconfiada e tentou livrar se de ele . E é aí que tu entras , Harry . Tu encontraste o . E eu não poderia ter ficado mais satisfeito . De todas_as pessoas que poderiam ter ficado com ele , foste tu , aquele que eu ambicionava conhecer ... - E porque querias conhecer me ? - perguntou Harry . Começava a ser tomado por a raiva e fez um esforço para manter o tom de voz controlado . - Bem , a Ginny contou me tudo a teu respeito - disse Riddle . - A tua fascinante história . - Os seus olhos pousaram em a cicatriz em a testa de Harry e a sua expressão ganhou maior avidez . - Sabia que devia descobrir mais a teu respeito , falar te , encontrar me contigo se fosse possível . Por isso , para ganhar a tua confiança , resolvi mostrar te a famosa captura que fiz de aquele demente de o Hagrid . - O Hagrid é meu amigo - disse Harry já com a voz a tremer . - E tu tramaste o , não foi ? Pensei que tinha sido um engano , mas ... Ele riu se . O mesmo riso de antes . - Era a minha palavra contra a palavra de ele . Imagina a cara de o velho Armando_Dippet . De um lado Tom_Riddle , pobre mas brilhante , sem pais mas corajoso , prefeito de a escola , um modelo de aluno . De o outro lado , o Hagrid , grande e disparatado , arranjando problemas semana sim , semana não , tentando criar filhotes de lobisomens debaixo de a cama , escapando se para a floresta proibida para lutar com gigantes . Mas , devo admitir que até eu próprio fiquei admirado com os excelentes resultados de o meu plano . Pensei que alguém perceberia que o Hagrid nunca poderia ser o herdeiro de Slytherin . Demorei cinco anos inteirinhos até descobrir tudo_o_que me foi possível sobre a Câmara_dos_Segredos e a sua entrada secreta ... como_se o Hagrid tivesse cabeça ou poder ! - Só o professor de Transfiguração , Dumbledore , parecia achar que ele estava inocente . Convenceu Dippet a mantê o aqui e a treiná o como guarda de os campos . Sim , é natural que Dumbledore tenha adivinhado , nunca gostou de mim como os outros professores . - Aposto que Dumbledore viu através_de ti - disse Harry , de dentes cerrados . - Pelo_menos passou a vigiar me de perto , a partir de o momento em que o Hagrid foi expulso - disse Riddle descuidadamente . - Eu sabia que não era seguro voltar a abrir a câmara enquanto ainda estava em a escola mas não ia desperdiçar os longos anos que passara a pesquisar . Decidi , por isso , deixar um diário preservando em as suas páginas o meu ego de dezasseis anos para que um dia , com um_pouco de sorte , pudesse levar outro a seguir os meus passos e acabar o nobre trabalho de Salazar_Slytherin . - Bem , não o acabaste - disse Harry triunfante . - Ninguém morreu até agora , nem mesmo a gata . Dentro_de poucas horas a poção de mandrágoras estará pronta e todos os que foram petrificados voltarão de_novo a si . - Não acabei de te dizer que matar sangues de lama já não me interessa ? Há muitos meses que o meu alvo és tu . Harry olhou para ele . - Podes imaginar como fiquei furioso quando em outro dia o diário foi aberto e vi que era a Ginny quem estava a escrever e não tu . Ela viu te com o diário e entrou em pânico . E se tu descobrisses como trabalhar com ele e eu te repetisse todos os seus segredos ? Ainda pior , e se eu te contasse quem tinha andado a estrangular os galos ? Por isso , a grande palerma esperou que o teu dormitório estivesse deserto e foi lá roubá o . Mas eu sabia o que tinha de fazer . Estava muito claro para mim que a tua meta era o herdeiro de Slytherin . Por tudo_o_que a Ginny me contara a teu respeito , sabia que irias até onde fosse preciso para desvendar o mistério , principalmente se um de os teus melhores amigos tivesse sido atacado . E a Ginny disse me que a escola toda bichanava por tu falares * serpentês * ... Por isso , obriguei a Ginny a escrever a sua própria despedida em a parede , a vir até aqui e esperar . Ela debateu se e gritou e ficou muito chatinha . Mas , já não tem muita vida : pôs grande parte de ela em o diário , deu me a . O suficiente para eu abandonar , por fim , as suas páginas . Desde_que aqui cheguei que estou a a tua espera . Sabia que virias . Tenho muitas perguntas a fazer te , Harry_Potter . - Que perguntas ? - disse Harry com os punhos fechados . - Bem - prosseguiu Riddle , sorrindo de satisfação : - Como é_que um bebé sem especiais talentos de magia foi capaz de derrotar o maior feiticeiro de sempre ? Como conseguiste escapar só com uma cicatriz quando os poderes de Lord_Voldemort foram destruídos ? Havia agora em os seus olhos um brilho vermelho e irado . - O que é_que te interessa saber como eu escapei ? - disse Harry lentamente . - Voldemort veio depois de ti . - Voldemort - disse Riddle - é o meu passado , o meu presente e o meu futuro , Harry_Potter ... Tirou a varinha de o Harry de o bolso e começou a escrever em o ar três palavras brilhantes : TOM_MARVOLO_RIDDLE_Em seguida , fez um gesto com a varinha e as letras de o seu nome reagruparam se de outro modo . : __ eu sou lord __ voldemort ( I am Lord_Voldemort ) . - Vês ? - murmurou . - Era um nome que eu já usava em Hogwarts , para os meus amigos mais íntimos apenas , como é óbvio . Achas que ia usar para sempre o nome nojento de o meu pai Muggle ? Eu , em cujas veias , por o lado materno , corre o sangue de Salazar_Slytherin ? Eu , manter o nome de um Muggle tolo que me abandonou ainda antes de eu nascer só porque descobriu que a mulher com quem casara era uma bruxa ? Não , Harry , arranjei um novo nome , um nome que eu sabia que os feiticeiros de todo_o_mundo viriam um dia a ter medo de pronunciar , quando eu me tivesse tornado o maior feiticeiro de o mundo . A cabeça de Harry parecia bloqueada . Olhou como_que paralisado para Riddle , para o rapaz de o orfanato que depois de crescer iria matar os seus pais e tantos outros . Por fim , com algum esforço conseguiu falar . - Não és - disse em uma voz calma e cheia de ódio . - Não sou o quê ? - perguntou Riddle irritado . - Não és o maior feiticeiro de o mundo - disse Harry com a respiração acelerada . - Lamento desiludir te mas o maior feiticeiro de o mundo é Albus_Dumbledore . Toda_a_gente sabe . Mesmo tu , quando tinhas força , não ousavas tentar aproximar te de Hogwarts . Dumbledore viu através_de ti quando andavas em a escola e ainda agora te assusta onde quer que te escondas . O sorriso desaparecera de o rosto de Riddle , fora substituído por um olhar furioso . - Dumbledore foi afastado de este castelo por a minha simples memória - sibilou . - Ele não está tão longe como pensas - retorquiu Harry . Falava por falar , tentando assustar Riddle , desejando mais que assim fosse do_que acreditando em as suas palavras como uma verdade . Riddle abriu a boca mas não chegou a falar . Tinha começado a ouvir se uma música . Riddle deu uma volta , olhando para a câmara vazia . A música estava a ficar mais alta . Era misteriosa , arrepiante , sobrenatural . Fez_Harry ficar com os cabelos em pé e o coração aumentar lhe em o peito . Por fim , quando atingiu um ponto tão alto que Harry a sentiu vibrar dentro de as suas costelas , começaram a sair chamas de o topo de o pilar mais próximo . Uma ave carmesim de o tamanho de um cisne surgiu , assobiando a sua estranha melodia para o tecto em forma de abóbada . Tinha uma cauda dourada tão longa como a de um pavão e garras douradas e brilhantes que seguravam uma trouxa andrajosa . Segundos depois , a ave voava em direcção a Harry . Deixou cair a coisa andrajosa a os seus pés e pousou lhe pesadamente em o ombro . Quando abriu as enormes asas , Harry olhou para_cima e viu que tinha um longo bico afiado e olhos escuros pequenos e brilhantes . A ave parou de cantar . Ficou quieta junto de a cara de Harry , olhando fixamente para Riddle . - É uma fénix , disse Riddle , olhando sagazmente para ela . - Fawkes ? - murmurou Harry e sentiu as garras douradas apertarem lhe devagarinho o ombro . - E aquilo - disse Riddle , olhando para a coisa velha que Fawkes deixara em o chão - é o velho chapéu seleccionador , de a escola . Era , de facto . Amachucado , puído e sujo , o chapéu jazia imóvel a os pés de Harry . Riddle começou a rir . Riu se tanto que a câmara escura se lhe juntou em um eco tal que parecia que dez Riddles se riam ao_mesmo_tempo . - Eis o que Dumbledore envia a o seu defensor . Um pássaro que canta e um chapéu velho . Estás cheio de coragem , Harry_Potter ? Sentes te agora mais seguro ? Harry não respondeu . Podia não estar a ver a vantagem de a Fawkes ou de o chapéu seleccionador mas já não se sentia só , e esperou corajosamente que Riddle parasse de rir . - Vamos a o que importa , Harry - disse ele , ainda com um enorme sorriso . - Encontrámo nos duas vezes em o teu passado , em o meu futuro . E duas vezes falhei a o tentar matar te . Como foi que sobreviveste ? Conta me tudo . Quanto_mais falares , mais tempo tens de vida . Harry pensava rapidamente , medindo as suas possibilidades . Riddle tinha a varinha . Ele , Harry , tinha a Fawkes e o chapéu seleccionador que não lhe serviriam de muito em o combate . As coisas pareciam más , é certo . Mas quanto_mais tempo Riddle ali estivesse , mais vida retirava a a Ginny ... e , entretanto , Harry reparou que a silhueta de Riddle se tornava mais nítida , mais sólida . Se tinha de haver uma luta entre os dois , quanto_mais depressa melhor . - Ninguém sabe porque perdeste os poderes quando me atacaste - disse bruscamente . - Eu próprio não sei . Mas sei porque não conseguiste matar me . A minha mãe morreu para me salvar . A minha mãe , uma vulgar filha de Muggles - acrescentou , a tremer de raiva . - Ela impediu que tu me matasses . E eu vi te como tu és , em o ano passado . És um destroço , quase não existes . Foi onde o teu poder te levou . Estás sob um disfarce , és horrível e és louco . O rosto de Riddle contorceu se . Em seguida , forçou um sorriso pavoroso . - Quer_dizer , então , que a tua mãe morreu para te salvar . Sim , é um antifeitiço poderoso . Compreendo agora , afinal não há em ti nada de especial . Eu tinha curiosidade , sabes , porque há uma estranha semelhança entre nós , Harry_Potter . Até tu deves ter reparado . Somos ambos meio sangue , órfãos , educados com Muggles , provavelmente os dois únicos que falam * serpentês * desde o grande Slytherin , até nos parecemos um_pouco fisicamente ... mas afinal foi apenas uma questão de sorte que te salvou de mim . Era o que eu queria saber . Harry ficou parado , tenso , a a espera que Riddle levantasse a varinha mas o seu sorriso cínico ampliou se de_novo . - Agora , Harry , vou dar te uma pequena lição . Vamos confrontar os poderes de Lord_Voldemort , herdeiro de Salazar_Slytherin e de o famoso Harry_Potter , munido com as melhores armas que Dumbledore lhe deu . Lançou um olhar divertido a a Fawkes e a o chapéu seleccionador e , em seguida , afastou se . Harry com as pernas entorpecidas por o medo viu o parar entre dois pilares altos e olhar para a cara de pedra de Slytherin , lá em cima em a semi-obscuridade . Riddle abriu a boca e sibilou mas Harry compreendeu o que ele dizia . - * _ Responde-me , Slytherin , o maior de os quatro de Hogwarts * . Harry voltou se para olhar melhor para a estátua com Fawkes pousada em o ombro . A gigantesca cara de pedra de Slytherin movia se . Horrorizado , Harry viu a boca abrir se mais e mais até se transformar em um buraco negro . E algo se agitava dentro de a boca de a estátua . Algo se arrastava para fora de as suas entranhas . Harry recuou até a a parede escura de a câmara e enquanto fechava os olhos com força sentiu a asa de a Fawkes roçar lhe o rosto e levantar voo . Harry quis gritar : - Não me abandones ! - mas que possibilidades tinha uma fénix contra o rei de as serpentes ? Uma coisa enorme bateu em o chão de pedra que Harry sentiu estremecer . Sabia o que estava a acontecer , podia sentis o , quase podia ver a serpente gigantesca a sair de a boca de Slytherin . Foi então que ouviu a voz de Riddle sibilar : * _ Mata-o * . O Basilisk avançava em direcção a Harry . Ele ouvia o seu corpo enorme escorregar pesadamente por o chão cheio de pó . Com os olhos sempre fechados , Harry começou a correr para o lado , a as cegas , com as mãos abertas a tactear o caminho . Riddle ria se a as gargalhadas . Harry escorregou e caiu em o chão de pedra e a boca soube lhe a sangue . A serpente estava a poucos centímetros de ele . Podia ouvi a a aproximar se . Ouviu se um crepitar explosivo por cima de ele e alguma coisa pesada bateu lhe com tanta força que ele ficou encostado a a parede . Esperando que os dentes de a serpente lhe perfurassem o corpo , ouviu mais ruídos e qualquer coisa que se agitava com força contra os pilares . Não conseguiu evitar . Abriu bem os olhos para ver o que se passava . A enorme serpente , brilhante , de um verde veneno , espessa como o tronco de um carvalho , erguera se em o ar e a sua imensa cabeça agitava se de um lado para o outro , entre os dois pilares . Quando Harry , a tremer , se preparava para fechar de_novo os olhos , percebeu o que distraíra a cobra . Fawkes esvoaçava em volta de a sua cabeça e o Basilisk , furioso , tentava agarrá a com os dentes longos e afiados como sabres . Fawkes mergulhava . Harry deixou de ver o bico fino e dourado e uma brusca chuva de sangue escuro inundou o chão . A cauda de a serpente agitou se , não batendo em o Harry por_pouco e antes que ele pudesse fechar os olhos voltou se . Harry olhou lhe para a cara e viu que os seus olhos , os dois olhos amarelos e bolbosos tinham sido perfurados por a fénix . O sangue escorria por o chão e a serpente cuspia cheia de dores . - * _ Não * - Harry ouviu o grito de Riddle . - * _ Deixa a ave , deixa a ave , o rapaz está atrás_de ti , ainda podes cheirá o . Mata o ! * A serpente cega oscilou confusa , ainda em fúria . Fawkes andava a a volta de a cabeça de ela soprando a sua misteriosa cantilena , picando lhe aqui_e_ali o nariz cheio de escamas , enquanto o sangue jorrava de os seus olhos destruídos . - Ajudem me . Ajudem me - murmurava Harry aflito . - Alguém , ajude me . A cauda de a serpente chicoteou de_novo o chão . Harry baixou se . Algo macio tocou lhe em o rosto . O Basilisk lançara o chapéu seleccionador para os braços de o Harry que o agarrou . Era tudo_o_que tinha , a sua única esperança . Enfiou o em a cabeça e começou a ficar achatado contra o chão , enquanto a cauda de o Basilisk se lançava de_novo sobre ele . - Ajudem me , ajudem me - pensou Harry , os olhos comprimidos debaixo de o chapéu . - Por favor , ajudem me . Nenhuma voz lhe respondeu . Em vez de isso , o chapéu contraiu se como_se uma mão invisível o tivesse espalmado devagarinho . Alguma coisa muito dura e pesada caíra sobre a cabeça de Harry , conseguindo quase derrubá o . A ver estrelas em frente de os olhos , agarrou o chapéu para o puxar para baixo e sentiu lá dentro uma coisa longa e dura . Uma espada brilhante tinha surgido dentro de o chapéu . Tinha um cabo cravejado de rubis de o tamanho de pequenos ovos . - Mata o rapaz , deixa a ave . O rapaz está atrás_de ti . Cheira o ! Harry estava de pé , preparado . A cabeça de o Basilisk caía , o corpo serpenteava , batendo nos pilares quando se torcia para ficar de frente para ele . Harry podia ver as enormes órbitas ensanguentadas , a boca toda aberta , suficientemente grande para o engolir inteiro , munida de dentes tão longos como a sua espada , finos , brilhantes , venenosos ... Começou a atacar a as cegas . Harry baixou se e a serpente bateu em a parede de a câmara . Atacou de_novo e a sua língua bifurcada lambeu a parede ao_lado_de Harry que levantou a espada com ambas as mãos . O Basilisk investiu mais_uma_vez e agora a pontaria foi certa . Harry pôs todo o seu peso contra a espada e enterrou a até a os copos em o céu de a boca de a serpente . Mas quando o sangue quente lhe encheu os braços , sentiu uma dor aguda mesmo acima de o cotovelo . Um longo dente venenoso penetrava cada_vez_mais fundo em o seu braço , partindo se quando o Basilisk tombou para o lado , perdendo os sentidos . Harry escorregou a o longo de a parede , apertou com força o dente que estava a derramar veneno por todo o seu corpo e arrancou o de o braço . Mas sabia que era demasiado tarde . Uma dor quente emanava lenta e perseverantemente de a ferida . Quando deixou cair o dente e viu o seu próprio sangue manchando lhe as vestes , a vista começou a ficar turva e a câmara a diluir se em uma rotação ardente e colorida . Mas algo escarlate passou por ele e Harry ouviu a o seu lado um suave ruído de garras . - Fawkes - disse com a voz empastada . - Foste sensacional , Fawkes . - Sentiu o pássaro encostar a sua elegante cabeça a o sítio onde o dente de a serpente o tinha ferido . Ouviu passos ecoarem em o vazio e em seguida uma sombra escura moveu se em a sua frente . - Estás morto , Harry_Potter - disse a voz de Riddle , acima de ele . - Morto . Até o pássaro de Dumbledore sabe de isso . Vês o que ele está a fazer ? A chorar . Harry piscou os olhos . A cabeça de Fawkes ora estava focada , ora desfocada . Lágrimas grossas como pérolas escorriam de as suas penas . - Vou sentar me aqui a ver te morrer , Harry_Potter . Leva o teu tempo , eu não tenho pressa . Harry sentiu se sonolento . Tudo parecia girar a a sua volta . - E assim acaba o famoso Harry_Potter - disse a voz distante de Riddle . - Sozinho em a Câmara_dos_Segredos , esquecido por os amigos , finalmente derrotado por o Senhor de o mal que ele tão imprudentemente desafiou . Vais reunir te a a tua querida mãe sangue de lama , Harry ... Ela deu te doze anos de tempo emprestado ... Mas Lord_Voldemort apanhou te em o fim , como sabias que teria de acontecer . Se morrer é isto , pensou Harry , não é assim tão mau . Até a dor estava a desaparecer . Mas , estaria a morrer ? Em_vez_de ficar mais escura a câmara parecia voltar a estar nítida . Harry fez um pequeno gesto com a cabeça e viu a Fawkes ainda repousando a cabeça em o seu ombro . Uma fiada de pérolas brilhava em volta de a ferida , só que já não havia ferida . - Sai de aqui , pássaro - disse subitamente a voz de Riddle . - Afasta te de ele . Já te disse , sai de aqui ! Harry levantou a cabeça . Riddle apontava a sua varinha a Fawkes . Ouviu se um tiro que parecia de carabina e Fawkes levantou novamente voo em um rodopio de ouro e escarlate . - Lágrimas de fénix - disse Riddle em voz baixa , olhando para o braço de o Harry . - É claro ... poderes curativos ... esqueci me ... Olhou para a cara de Harry . - Mas não faz mal . Pensando bem , eu até prefiro assim . Tu e eu , Harry_Potter ... Tu e eu ... Levantou a varinha . Então , em um golpe de asa , Fawkes voou sobre as cabeças de ambos , deixando cair uma coisa em o colo de Harry : o diário . Durante uma fracção de segundo , tanto Harry como Riddle , ainda com a varinha levantada , ficaram a olhar para aquilo . Em seguida , sem pensar , sem ponderar , como_se pensasse fazê o desde o princípio , Harry agarrou o dente de o Basilisk que estava em o chão , junto de ele , e espetou o em o coração de o caderno . Ouviu se um grito longo e terrível . A tinta esguichou em torrentes de dentro de o diário , derramando se sobre as mãos de o Harry e inundando o chão . Riddle torcia se e contorcia se , agitando se a os gritos . E , por fim . Desapareceu . A varinha de Harry caiu a o chão com um ruído e fez se silêncio . Um silêncio apenas cortado por o ping ping de a tinta que ainda escorria de o diário . Com um leve crepitar , o veneno de o Basilisk abrira um buraco mesmo em o meio de o caderno . A tremer de os pés a a cabeça , Harry pôs se de pé . Sentia tudo a andar a a roda como_se tivesse viajado quilómetros e quilómetros com o pó de * _ Floo * . Lentamente apanhou a varinha e o chapéu seleccionador e com um grande estrondo retirou a espada de o céu de a boca de a serpente . Ouviu se então um gemido fraco a o fundo de a câmara . Ginny estava a mexer se . Quando Harry chegou junto de ela , sentou se . Os seus olhos abismados saltaram de o Basilisk morto para Harry em a sua roupa cheia de sangue e , em seguida , para o diário que ele tinha em as mãos . Soltou um enorme soluço e os seus olhos encheram se de lágrimas . - Harry , oh ! Harry , eu tentei dizer te a o pequeno-almoço mas não fui capaz em frente de o Percy . Era eu , Harry , mas eu ... eu ... juro que não queria ... o Riddle obrigou me , levou me e ... como é_que mataste esse bicho ? Onde está o Riddle ? A última coisa de que me lembro foi de o ver a sair de o diário ... - Está tudo bem - disse Harry , mostrando lhe o diário com o buraco de o dente . - O Riddle acabou , olha . Ele e o Basilisk . Anda , Ginny , vamos embora de aqui . - Vou com certeza ser expulsa - disse Ginny a chorar enquanto Harry a ajudava a pôr se de pé . - Desde_que o Bill veio para Hogwarts que eu sonhava vir também para cá e agora vou ter de me ir embora e ... O que vão a minha mãe e o meu pai dizer ? Fawkes esperava por eles , suspensa em o ar , a a entrada de a câmara . Harry fez a Ginny avançar , passaram sobre os anéis parados de o Basilisk , por a escuridão cheia de ecos e voltaram a o túnel . Harry ouviu as portas de pedra fecharem se atrás de eles com um leve sibilar . Depois de alguns minutos a caminhar por o túnel escuro , chegou a os ouvidos de Harry o som distante de o deslocar de uma rocha . - Ron - gritou ele , apressando se . - A Ginny está bem . Está aqui comigo ! Ouviu o Ron gritar de alegria e , voltando em a curva logo_a_seguir , viram a sua cara ansiosa a espreitar por a fresta que conseguira abrir durante a avalancha . - Ginny ! - Ron estendeu o braço por a fresta para a puxar primeiro . - Estás viva . Não posso acreditar . O que aconteceu ? Tentou abraçá a mas a Ginny afastou o , soluçando . - Mas estás bem , Ginny - disse o Ron , sorrindo para ela . - Já passou tudo ... De onde veio esse pássaro ? Fawkes passara por a abertura , atrás_de Ginny . - É de o Dumbledore - explicou Harry , espremendo se para caber também . - E como arranjaste uma espada ? - perguntou o Ron , olhando para a arma brilhante que Harry tinha em a mão . - Eu explico te tudo quando sairmos de aqui - disse Harry , lançando um olhar de esguelha a a Ginny . - Mas ... - Mais tarde - disse Harry rapidamente . Não lhe parecia uma boa ideia contar a o Ron quem tinha aberto a câmara , ali , em frente de a Ginny . - Onde está o Lockhart ? - Ali atrás - disse o Ron , a rir e a abanar a cabeça em direcção a o cano . - Está em muito mau estado . Anda ver . Conduzidos_pela_Fawkes , cujas grandes asas escarlates emitiam um suave dourado que brilhava em a escuridão , voltaram a o lugar onde o cano começava . Gilderoy_Lockhart estava sentado a falar sozinho . - Perdeu a memória - disse o Ron . - O feitiço de a memória fez ricochete . Não sabe quem é nem onde está , nem_sequer sabe quem nós somos . Eu disse lhe que viesse para aqui e esperasse . É um perigo para ele próprio . Lockhart olhou os bem-disposto . - Olá - disse . - Que lugar estranho , este . É aqui que vocês moram ? -- Não - respondeu o Ron , levantando as sobrancelhas para o Harry . Harry baixou se e observou o túnel escuro e longo . - Já pensaste como é_que vamos sair de aqui ? - perguntou a o Ron . O amigo abanou a cabeça mas Fawkes , a fénix , tinha passado por o Harry e estava agora em o ar , em frente de ele , os olhos como pérolas a brilharem em o escuro . Abanava as longas penas douradas de a cauda . Harry olhou para ela , inseguro . - Ela parece querer que a agarres - disse o Ron , perplexo . - Mas tu és muito pesado para um pássaro . - A Fawkes - disse Harry - não é um pássaro qualquer . Voltou se rapidamente para os companheiros . - Temos de nos agarrar uns a os outros . Ginny , agarra a mão de o Ron . O professor Lockhart ... - Ele está a falar consigo - disse o Ron secamente . - Agarre a outra mão de a Ginny . Harry guardou a espada e o chapéu seleccionador em o cinto . Ron deitou a mão a a roupa de Harry e Harry agarrou as penas de a cauda , estranhamente quentes , de a Fawkes . Sentiu uma extraordinária leveza apoderar se de todo o seu corpo e em seguida estavam todos a voar por o cano acima . Harry conseguia ouvir Lockhart , lá atrás , comentando : - Espantoso , isto parece mágico ! Ar frio batia em os cabelos de Harry e antes que ele deixasse de gostar de a viagem já ela acabara . Os quatro tinham chegado a o chão molhado de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa e , enquanto Lockhart endireitava o chapéu , o lavatório voltara a o seu lugar , tapando o cano . A Murta arregalou os olhos . - Vocês estão vivos - disse inexpressivamente a o Harry . - Não é preciso mostrares te tão desiludida - respondeu ele , muito sério , limpando as nódoas de sangue e lodo de os óculos . - Bem ... é_que eu pensei que se vocês morressem seriam bem-vindos a a minha casa_de_banho - disse a Murta com um rubor prateado . - Urgh ! - fez o Ron , quando saíram de ali para o corredor deserto . - Harry , acho que a Murta está a gostar de ti . Tens concorrência , Ginny ! A Ginny continuava a chorar silenciosamente . - Onde vamos agora ? - perguntou o Ron , olhando ansiosamente para ela . Harry apontou . Fawkes indicava o caminho , com o seu tom dourado que brilhava em o corredor . Seguiram a e pouco depois estavam em o escritório de a professora Mc_Gonagall . Harry bateu e empurrou a porta que estava encostada . XVIII_A recompensa de Dobby_Durante alguns momentos reinou o silêncio enquanto Harry , Ron , Ginny e Lockhart estavam em a entrada de a porta . Cobertos de pó e de lama e ( em o caso de o Harry ) sangue . Em seguida , ouviu se um grito . - Ginny ! Era_Mrs._Weasley que tinha estado a chorar , sentada em frente de o lume . Pôs se de pé em um salto , seguida de Mr._Weasley e precipitaram se ambos para a filha . Harry olhava para trás de eles . Dumbledore rejubilava junto de a lareira , a o lado de a professora Mc_Gonagall que , agarrada a o queixo , respirava com dificuldade . Fawkes rasou as orelhas de o Harry e foi instalar se em o ombro de Dumbledore , ao_mesmo_tempo que Harry dava por si em os braços de Mrs._Weasley . - Tu salvaste a ! Salvaste a ! : __ como foi que __ conseguiste ? - Acho que todos nós gostaríamos de saber - disse , sem energia , a professora Mc_Gonagall . Mrs._Weasley soltou o Harry , que hesitou um momento . Depois , foi até a a secretária e colocou sobre o tampo o chapéu seleccionador , a espada cravejada de rubis e o que restava de o diário de Riddle . Em seguida , contou lhes tudo . Falou durante quase um quarto de hora em o silêncio extasiado : contou lhes de a voz sem corpo que ouvia , como a Hermione acabara por descobrir que se tratava de um Basilisk que circulava em os canos , como ele e o Ron tinham seguido as aranhas até a a floresta , que Aragog lhes dissera que a última vítima de o Basilisk morrera , como tinham chegado a a conclusão que se tratava de a Murta_Queixosa e que a entrada para a Câmara_dos_Segredos devia ser em aquela casa_de_banho ... - Muito bem - elogiou a professora Mc_Gonagall quando ele se calou . - Então tu descobriste onde era a entrada , infringindo uma centena de regras de a escola por o caminho , devo dizer , mas como diabo saíram vocês vivos de lá de dentro ? Harry , com a voz já um_pouco rouca de falar tanto , contou lhes de a chegada de a Fawkes e de o chapéu seleccionador que lhe tinha dado a espada . Mas , chegando aí , hesitou . Até a o momento evitara referir se a o diário de Riddle ou a a Ginny . Ela tinha a cabeça encostada a o ombro de Mrs._Weasley e as lágrimas corriam lhe ainda por o rosto . E se a expulsassem ? - pensou Harry , tomado de pânico . O diário de Riddle já não funcionava ... quem poderia provar que fora ele que a obrigara a fazer tudo aquilo ? Olhou instintivamente para Dumbledore que sorria , o fogo iluminando lhe os óculos de meia-lua . - O que mais me interessa saber - disse Dumbledore amavelmente - é como conseguiu Lord_Voldemort enfeitiçar a Ginny quando as minhas fontes me dizem que ele se esconde habitualmente em as florestas de a Albânia . Um alívio , quente e glorioso percorreu Harry de a cabeça a os pés . - O quê ? - disse Mr._Weasley , em uma voz estupefacta . - O Quem nós sabemos enfeitiçou a Ginny ? Mas a Ginny não ... a Ginny não morr ... ? - Foi este diário - esclareceu Harry rapidamente . E mostrando o a Dumbledore . - O Riddle escreveu o quando tinha dezasseis anos . Dumbledore pegou em o diário e olhou atentamente por cima de o seu nariz longo e adunco para as páginas queimadas e húmidas . - Fantástico - disse em voz baixa . - É claro que ele deve ter sido o aluno mais brilhante que alguma vez passou por Hogwarts . - Olhou em volta para os Weasley que o observavam com um ar totalmente confuso . - Muito poucas pessoas sabem que Lord_Voldemort se chamou em tempos Tom_Riddle . Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos , em Hogwarts . Ele desapareceu depois de deixar a escola , viajou muito , mergulhou tão fundo em as artes de a magia negra , associado a os piores feiticeiros , realizou transformações mágicas tão perigosas que quando reapareceu como Lord_Voldemort estava totalmente irreconhecível . Ninguém o relacionou com o rapazinho inteligente e bonito que aqui foi , em tempos , chefe de turma . - Mas a Ginny - insistiu Mrs._Weasley . - O que tem a nossa Ginny que ver com ele ? - O diário - soluçou Ginny . - Eu andei todo o ano a escrever em o diário e ele respondia me ... - Ginny ! - repreendeu Mr._Weasley . - Não aprendeste nada do_que te ensinei ? Não me cansei de dizer te que nunca confiasses em nada que não pensasse por si próprio * se não conseguisses ver onde tinha o cérebro ? * Porque não me mostraste o diário , a mim ou a a tua mãe ? Um objecto suspeito como esse tinha de estar cheio de magia negra ! - Eu não sabia - soluçou Ginny . - Estava junto de os livros que a mãe me comprou . Pensei que alguém se tinha esquecido de ele ali . - É melhor Miss_Weasley ir imediatamente para a ala hospitalar - interrompeu Dumbledore com voz firme . - Foi sujeita a uma prova terrível . Não será castigada . Outros feiticeiros mais velhos do_que ela têm sido ludibriados por Lord_Voldemort . - Dirigiu se a a porta e abriu a . - Repouso , cama e talvez uma caneca de chocolate quente . A mim , anima me sempre - acrescentou , piscando lhe simpaticamente o olho . - Vais ver que Madam_Pomfrey ainda está acordada . Ela tem estado a dar o sumo de Mandrágora , julgo que as vítimas de o Basilisk estarão a acordar dentro_de momentos . de alegria . - Então a Hermione está bem ! - disse o Ron , cheio de alegria . - Não houve danos irreversíveis - disse Dumbledore . Mrs._Weasley saiu com a Ginny e Mr._Weasley seguiu as ainda bastante abalado . - Sabes , Minerva - disse pensativo o professor Dumbledore - acho que tudo_isto merece um banquete . Posso pedir te que previnas os cozinheiros ? - Certamente - disse animada a professora Mc_Gonagall , dirigindo se também a a porta . - Deixo te a tratar de as coisas com o Potter e o Weasley , está bem ? - Claro - disse Dumbledore . Saiu e os dois olharam inseguros para Dumbledore . Que quereria ela dizer com tratar de as coisas ? Certamente não iriam ser castigados ? - Lembro me de vos ter dito a ambos que teria de vos expulsar se voltassem a quebrar as regras de a escola - disse Dumbledore . Ron abriu a boca horrorizado . - O que vem mostrar nos que as melhores pessoas , às_vezes , têm de engolir as suas próprias palavras . - Dumbledore sorriu e continuou : - Vocês vão receber ambos uma recompensa especial por serviços prestados a a escola e ... deixem me ver , sim , acho que duzentos pontos cada_um para os Gryffindor . Ron ficou tão corado que parecia as flores de S._Valentim_do_Lockhart e voltou a fechar a boca . - Mas um de vós parece demasiado calado sobre a sua participação em esta perigosa aventura - acrescentou Dumbledore . - Porquê tanta modéstia , Gilderoy ? Harry estremeceu . Esquecera se por completo de Lockhart . Voltou se e viu o a um canto de a sala ainda com o mesmo sorriso vago . Quando Dumbledore se lhe dirigiu , olhou por cima de o ombro para ver com quem ele estava a falar . - Professor_Dumbledore - disse o Ron rapidamente - Houve um acidente lá em baixo , em a Câmara_dos_Segredos . O professor Lockhart - Eu sou um professor ? - perguntou Lockhart surpreendido . - E eu que pensei que era um inútil ! - Tentou fazer um feitiço antimemória e a varinha fez ricochete - explicou Ron_a_Dumbledore . - Incrível - disse Dumbledore , abanando a cabeça , o bigode prateado a tremer . - Trespassado por a tua própria espada , Gilderoy ! - Espada ? - disse Lockhart de forma imprecisa . - Eu não tenho espada . Esse rapaz é_que tem - apontou para Harry . - Ele empresta lhe uma . - Importas te de levar também o professor Lockhart até a a ala hospitalar , Ron ? - disse Dumbledore . - Eu gostava de falar um_pouco mais com o Harry . Lockhart saiu sem pressa . Antes de fechar a porta , Ron lançou um olhar curioso a Dumbledore e Harry . Dumbledore passou para uma de as cadeiras junto de o lume . - Senta te , Harry - disse . E Harry sentou se , sentindo se indescritivelmente nervoso . - Antes de mais , Harry , quero agradecer te - disse Dumbledore com os olhos a brilharem de_novo . - Deves ter demonstrado uma grande lealdade para comigo . Só isso poderia atrair a Fawkes para ir ajudar te . Deu uma palmadinha a a fénix que voara , entretanto , para_cima de os seus joelhos . Harry sorria acanhadamente sob o olhar observador de Dumbledore . - Encontraste , portanto , Tom_Riddle - disse o director amavelmente . - Calculo que ele estaria particularmente interessado em ti ... De repente , algo que Harry tinha engasgado saiu lhe descontroladamente de a boca para fora . - Professor_Dumbledore ... o Riddle disse que eu sou como ele , que há entre nós estranhas semelhanças ... - Ah ! sim ? - Dumbledore olhou pensativamente para ele , por debaixo de as espessas sobrancelhas prateadas . - E o que achas tu de isso ? - Eu não me considero parecido com ele - disse Harry mais alto do_que desejaria . - Isto_é , eu sou um Gryffindor , eu sou ... Mas calou se com uma dúvida a rondar lhe o espírito . - Professor - arriscou passado alguns momentos . - O chapéu seleccionador disse que eu ... teria ficado bem em os Slytherin ; durante algum tempo toda_a_gente pensou que eu era o herdeiro de Slytherin por falar * serpentês * ... - Tu falas * serpentês * , Harry - disse Dumbledore calmamente - porque Lord_Voldemort que é o mais recente antepassado de Salazar_Slytherin , fala * serpentês * . Ou eu me engano muito , ou ele transferiu para ti alguns de os seus poderes em a noite em que te fez essa cicatriz . Não que quisesse fazê o , claro , mas aconteceu . - Voldemort pôs um_pouco de si próprio em mim ? - disse Harry assombrado . - É o que parece ter acontecido . - Então eu deveria estar em os Slytherin - disse Harry , olhando desesperado para o rosto de Dumbledore . - O chapéu seleccionador viu em mim os poderes de Slytherin e ... -- Pôs te em os Gryffindor - concluiu tranquilamente Dumbledore . - Ouve , Harry , tu tens por acaso muitas de as capacidades que Salazar_Slytherin apreciava em os seus estudantes cuidadosamente seleccionados . O seu raro dom de falar * serpentês * , desenvoltura , determinação , um certo desprezo por as regras estabelecidas - acrescentou com o bigode a tremer de_novo . - Mas ainda_assim , o chapéu seleccionador pôs te em os Gryffindor . E sabes porquê ? Pensa um_pouco . - Só me pôs em os Gryffindor - disse Harry em uma voz débil - porque eu pedi para não ir para os Slytherin . - Exacto - disse Dumbledore a sorrir . - E isso torna te muito diferente de o Tom_Riddle . São as tuas escolhas , Harry , que mostram quem de facto tu és , mais do_que as tuas capacidades . Harry sentou se , imóvel e espantado , em a cadeira . - Se queres provas de que o teu lugar é em os Gryffindor , sugiro que vejas isto com mais atenção . Dumbledore aproximou se de a secretária de a professora Mc_Gonagall , pegou em a espada de prata ensanguentada e mostrou lhe a . Sem perceber , Harry voltou a ao_contrário . Os rubis brilharam a a luz de a lareira e foi então que ele reparou em o nome gravado mesmo por baixo de o copo de a espada . GODRIC_GRYFFINDOR . - Só um verdadeiro Gryffindor poderia ter tirado a espada de dentro de o chapéu , Harry - disse , com simplicidade , Dumbledore . Durante um minuto , nenhum de os dois falou . Depois , Dumbledore abriu uma de as gavetas de a secretária de a professora Mc_Gonagall e retirou de lá uma pena e um tinteiro . - Tu precisas de comer e ir dormir . Sugiro que desças para o banquete enquanto eu escrevo para Azkaban . Precisamos de recuperar o nosso guarda de os campos . E tenho de esboçar um anúncio para o * _ Profeta_Diário * - acrescentou pensativo . - Vamos precisar de um novo professor de Defesa contra as artes negras . É um problema , estamos sempre a perdê os . Harry levantou se e dirigiu se a a porta . Tinha acabado de estender a mão para o puxador quando ela se abriu tão violentamente que saltou de as dobradiças . Lucius_Malfoy estava de pé , furioso . E , debaixo de o braço , embrulhado em diversas ligaduras , estava Dobby . - Boa tarde , Lucius - disse Dumbledore , de forma amena . Mr._Malfoy quase derrubou Harry enquanto entrava em a sala . Dobby dava passos miudinhos atrás de ele , inclinado até a a bainha de o seu manto com um olhar apavorado em o rosto . - Então - disse Lucius_Malfoy com os olhos fixos em Dumbledore - voltaste . Os membros de o Conselho_Directivo suspenderam te , mas tu mesmo_assim sentiste te capaz de voltar a Hogwarts . - Bem vês , Lucius - disse Dumbledore , sorrindo serenamente . - Os outros membros de o Conselho contactaram me hoje . Fui envolvido em um redemoinho de corujas , todos queriam contar me a verdade . Ouviram dizer que a filha de Arthur_Weasley tinha sido morta e queriam me novamente aqui . Parece que me consideravam o melhor homem para o lugar . Contaram me algumas histórias muito estranhas . Alguns de eles tinham a impressão que tu tinhas ameaçado amaldiçoar lhes as famílias se não concordassem com a minha suspensão . Mr._Malfoy ficou ainda mais pálido do_que de costume , mas os olhos continuavam cheios de fúria . - Então já acabaste com os ataques ? - rosnou . - Apanhaste o culpado ? - Já , sim - disse Dumbledore com um sorriso . - E quem é ? - perguntou Malfoy secamente . - A mesma pessoa de a última vez , Lucius - disse Dumbledore . Mas desta_vez , Lord_Voldemort agiu através_de outra pessoa , por_meio_de um diário . Pegou em o pequeno caderno com o buraco em o meio , observando Mr._Malfoy de perto . Mas Harry olhava para Dobby . O elfo fazia um sinal muito estranho . Com os seus grandes olhos fixos em Harry , não parava de apontar para ó diário e , em seguida , para Mr._Malfoy , batendo logo_a_seguir com o punho em a cabeça . - Estou a ver ... - disse Mr._Malfoy lentamente a Dumbledore . - Um plano inteligente - afirmou o director em um tom de voz suave , continuando a olhar Mr._Malfoy directamente em os olhos . - Porque se não fosse aqui o Harry e o seu amigo Ron a descobrirem o diário , sem dúvida Ginny_Weasley teria ficado com todas_as culpas . Ninguém teria conseguido provar que ela agira contra a sua própria vontade . Mr._Malfoy não se pronunciou . O seu rosto parecia agora uma máscara . - E vê bem - continuou Dumbledore - o que poderia ter acontecido ... os Weasley são uma de as mais proeminentes famílias de feiticeiros de sangue puro , imagina o efeito em a imagem de Arthur_Weasley e em a sua acção de protecção a os Muggles , se a sua própria filha fosse acusada de atacar e matar filhos de Muggles . Foi uma sorte o diário ter sido descoberto e as memórias de Riddle apagadas . Quem sabe que consequências poderia ter tido ? Mr._Malfoy falou contra vontade . - Sim , foi uma sorte - disse secamente . E , em as suas costas , Dobby continuava a apontar para o diário e para Lucius_Malfoy , batendo depois com o punho em a cabeça . E Harry finalmente percebeu . Fez um sinal a Dobby que correu a esconder se em um canto , torcendo desta_vez as orelhas para se castigar . - Não quer saber como a Ginny obteve esse diário , Mr._Malfoy ? - perguntou Harry . Lucius_Malfoy voltou se para ele . - Como queres que eu saiba onde é_que a estúpida de a garota o arranjou ? - Porque foi o senhor quem lhe o deu - disse Harry . - Em a Flourish and Blotts . O senhor pegou em o livro velho de ela de Transfiguração e meteu o diário lá dentro , não foi ? Viu as mãos brancas de Mr._Malfoy abrirem se e fecharem se . - Prova isso - sibilou . - Oh ! ninguém vai poder prová o - disse Dumbledore sorrindo a o Harry . - Não agora_que o Riddle desapareceu de o caderno . Por outro lado , aconselharia te , Lucius , a não dares mais nenhuma de as coisas velhas de Lord_Voldemort . Se mais alguma for parar a as mãos de crianças inocentes , acho que o Arthur_Weasley fará com que se voltem com toda_a sua carga negativa contra ti . Lucius_Malfoy ficou calado um momento e Harry viu claramente a sua mão direita torcer se como_se desejasse chegar a a varinha . Em vez de isso , voltou se para o seu elfo doméstico . - Vamos , Dobby . Abriu a porta e quando o elfo se aproximou deu lhe um pontapé que o projectou para longe . Ouviram se em o escritório os gritos de dor de Dobby em o corredor . Harry pensou durante um momento e depois decidiu se . - Professor_Dumbledore - disse apressadamente . - Posso dar o diário outra_vez a Mr._Malfoy ? - Certamente , Harry - disse Dumbledore com toda_a calma . - Mas não demores , olha o banquete . Harry agarrou em o diário e saiu de o escritório . Os gritos de dor de Dobby afastavam se ao_longe . Sem perder tempo , perguntando a si próprio se o plano poderia resultar , Harry tirou um de os sapatos , puxou uma de as peúgas enlameadas e viscosas e meteu o diário lá dentro . Em seguida correu até a o fundo de o corredor escuro . Apanhou os em o topo de as escadas . - Mr._Malfoy - disse ofegante , parando . - Tenho uma coisa para si . E meteu a peúga mal cheirosa em a mão de Lucius_Malfoy . - O que é ... ? Mr._Malfoy tirou o diário de dentro de a peúga , deitou a fora e olhou furioso para o caderno estragado e para Harry - Ainda vais acabar por ter um fim igual a o de os teus pais um dia de estes , Harry_Potter - disse em voz baixa . - Eles também eram uns idiotas metediços . Voltou se para se ir embora . - Anda , Dobby , vem ! Mas Dobby não se mexeu . Tinha em as mãos a peúga nojenta de o Harry e olhava para ela como_se fosse um tesouro de valor incalculável . - O senhor deu uma peúga a o Dobby - disse o elfo maravilhado . - Deu a a o Dobby . - O que é isso ? - cuspiu Mr._Malfoy . - Que estás para aí a dizer ? - Dobby tem uma peúga - repetiu incrédulo . - O senhor deitou a fora e Dobby apanhou a e Dobby agora é livre ... Lucius_Malfoy ficou paralisado a olhar para o elfo . Em seguida precipitou se para Harry . - Fizeste me perder o meu servo , rapaz . Mas Dobby gritou : - Não pense que vai fazer mal a o Harry_Potter ! Ouviu se um enorme estrondo e Mr._Malfoy foi empurrado de costas , galgando os degraus de as escadas a três_e_três e indo aterrar lá em baixo todo embrulhado e amarrotado . Levantou se , o rosto lívido e pegou em a varinha , mas Dobby estendeu lhe um dedo ameaçador . - Vá se embora já - disse furioso , apontando para Mr._Malfoy . - Não tocará em o Harry_Potter . Vá se embora , já . Lucius_Malfoy não teve escolha . Lançando a os dois um último olhar de cólera , embrulhou se em o manto e desapareceu . - Harry_Potter libertou Dobby ! - disse o elfo com voz esganiçada , olhando para Harry , a luz de o luar reflectida em os seus grandes olhos em forma de globos . - Harry_Potter libertou Dobby . - Era o mínimo que eu podia fazer , Dobby - disse Harry a sorrir -- , mas promete me que não vais voltar a tentar salvar me a vida . A cara feia e escura de o elfo abriu se , mostrando os dentes , em um enorme sorriso . - Tenho uma pergunta a fazer te , Dobby - disse Harry enquanto o elfo pegava em a peúga de ele com as mãos a tremer . - Disseste me que tudo_isto não tinha nada que ver com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Lembras te ? - Era uma pista , senhor - disse Dobby com os olhos muito abertos como_se fosse absolutamente óbvio . - Dobby estava a dar lhe uma pista . Antes de o senhor de o mal mudar de nome , o seu nome podia ser pronunciado , está a ver ? - Certo - disse Harry sem grande convicção . - Bem , é melhor eu ir indo embora . Há um banquete e a minha amiga Hermione já deve ter acordado ... Dobby lançou os braços a a cintura de Harry e abraçou o . - Harry_Potter é muito maior do_que Dobby imaginava ! - soluçou . - Adeus , Harry_Potter . E com um estalido final , Dobby desapareceu . Harry assistira a diversos banquetes , mas nenhum que se parecesse com aquele . Estavam todos de pijama e a festa durou a noite inteira . Harry não sabia se o melhor tinha sido a Hermione a correr para ele e a gritar : - Tu conseguiste . Tu conseguiste ! , ou o Justin saindo disparado de a mesa de os Hufflepuff para lhe estender a mão , desfazendo se em desculpas por ter suspeitado de ele , ou o Hagrid que apareceu a as três_e_meia e que lhes deu palmadas com tanta força em os ombros que eles foram parar dentro de os pratos de bolo de creme , ou os quatrocentos pontos que ele e o Ron obtiveram para os Gryffindor , ganhando a taça de a equipa por a segunda vez consecutiva , ou a professora Mc_Gonagall de pé , a comunicar lhes que os exames tinham sido cancelados como medida de a escola ( Oh ! não ! exclamou Hermione ) , ou Dumbledore a anunciar que , infelizmente , o professor Lockhart não poderia voltar em o ano seguinte por ter de se ausentar a_fim_de recuperar a memória . Alguns de os professores juntaram se a os alunos que aplaudiram entusiasmados esta notícia . - Que pena - disse Ron , servindo se de um * dounut * de presunto . - E eu que começava a gostar de ele ... O resto de o período de Verão decorreu sob um sol escaldante . Hogwarts voltara a a normalidade , apenas com algumas pequenas diferenças : as aulas de Defesa contra as artes negras foram canceladas ( Mas nós tivemos imensa prática - disse o Ron vendo o descontentamento de Hermione ) e Lucius_Malfoy foi demitido de o Conselho_Directivo . Draco já não passeava por ali como_se fosse o dono de a escola . Pelo_contrário , tinha um ar melindrado e carrancudo . Por outro lado , Ginny_Weasley andava de_novo feliz de a vida . Em_breve chegou o dia de regressarem a casa em o Expresso_de_Hogwarts . Harry , Ron , Hermione , Fred , George e Ginny encheram um compartimento . Tiraram o_máximo partido de aquelas últimas horas em que lhes era permitido usar a magia antes de as férias . Brincaram a as explosões , gastaram o último fogo-de-artíficio Filibuster , de o Fred e de o George e treinaram o mútuo desarmamento através de a magia . Harry começava a ficar muito bom em aquilo . Já estavam perto de a estação de King's_Cross quando Harry se lembrou de uma coisa . - Ginny , o que foi que viste o Percy fazer que ele não queria que nos contasses ? - Ah ! isso - disse a Ginny a rir . - Bem , é_que o Percy tem uma namorada . Fred deixou cair uma pilha de livros em a cabeça de o George . - O quê ? - É aquela prefeita de os Ravenclaw ' Penelope_Clearwater - disse a Ginny . - Foi para ela que ele escreveu durante todo o Verão . Encontravam se em a escola em grande segredo . Eu apanhei os a beijarem se em uma sala de aula vazia e ele ficou tão aflito quando ela foi ... sabes ... atacada . Não vais aborrecê o , pois não ? - perguntou cheia de ansiedade . - Que ideia - respondeu Fred com uma tal satisfação em o rosto que parecia que o seu aniversário chegara mais cedo . - Claro que não - disse o George a rir se a a socapa . O Expresso_de_Hogwarts abrandou e finalmente parou . Harry tirou a pena e um_pouco de pergaminho e voltou se para Ron e Hermione . - Isto_é um número de telefone - disse ele a o Ron , escrevinhando o duas vezes , cortando o pergaminho a o meio e dando lhes os números . - Eu expliquei a o teu pai como usar um telefone em o Verão passado . Ele sabe fazer a chamada . Liga me para_casa de os Dursley , O. _ K. ? Não consigo suportar outros dois meses sem ter mais ninguém com quem falar ... - Mas a tua tia e o teu tio vão ficar orgulhosos de ti , não vão ? - perguntou Hermione quando saíram de o comboio e se misturaram em a multidão que se encontrava junto de a barreira encantada . - Quando souberem o que fizeste este ano . - Orgulhosos ? - disse Harry . - Estás doida ! Podendo eu ter morrido tantas vezes e tendo escapado ? Vão ficar é furiosos ... E juntos avançaram até a a entrada para o mundo de os Muggles . ----------------- J._K._Rowling_Harry_Potter e a Câmara_dos_Segredos_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Chamber of Secrets_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling 1998 Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 2000 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 2.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 Depósito legal : 143.569/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , a a Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Para_Séan_P._F._Harris , condutor imparável e um amigo de os diabos . I_O pior aniversário Não era a primeira vez que uma discussão estoirava a a mesa de o pequeno-almoço , em o número 4 de a Privet_Drive . Mr._Vernon_Dursley fora acordado de manhã cedo por o piar ruidoso que vinha de o quarto de o seu sobrinho Harry . - É a terceira vez esta semana ! - resmungou , a a mesa . - Se não consegues controlar essa coruja , ela não pode ficar aqui . Harry tentou , mais_uma_vez , explicar . - Ela está aborrecida . Estava habituada a voar livremente lá fora . Se eu pudesse , ao_menos , soltá a a a noite ... - Achas me com cara de idiota ? - perguntou rispidamente o tio Vernon , com um fio de ovo preso em o bigode farfalhudo . - Sei muito bem o que aconteceria se essa coruja fosse lá para fora . Trocou um olhar soturno com a mulher , a tia Petúnia . Harry tentou contra-argumentar , mas as suas palavras foram abafadas por um enorme arroto de o filho de os Dursleys , Dudley . - Quero mais bacon . - Há mais em a frigideira , fofinho - disse a tia Petúnia , lançando um olhar vago a o seu filho maciço . - Tens que te alimentar bem enquanto aqui estás , aquela comida de a tua escola não me cheira . - Disparate , Petúnia , eu nunca passei fome enquanto andei em Smeltings - afirmou com sinceridade o tio Vernon . - O Dudley tem que chegue . Não é verdade , filho ? Dudley , que era tão gordo que o rabo saía de os dois lados de a cadeira de a cozinha , sorriu laconicamente e voltou se para Harry . - Passa me a frigideira . -- Esqueceste te de a palavra mágica - disse Harry , irritado . O efeito que esta simples frase teve em o resto de a família foi inacreditável : Dudley começou a arfar e caiu de a cadeira com um estrondo que abalou a cozinha , Mrs._Dursley deu um gritinho e bateu com a mão em a boca , Mr._Dursley pôs se de pé com as veias de as têmporas dilatadas . - Eu queria dizer « por favor » - explicou Harry rapidamente . - Não me referia a ... - : __ o que é_que eu te __ disse - vociferou o tio , espalhando perdigotos sobre a mesa - : __ sobre pronunciar a palavra m . em esta __ casa ? - Mas eu ... - : __ como te atreves a ameaçar o __ dudley ! - rosnou o tio Vernon , batendo com o punho em a mesa . - Eu só ... - : __ estás avisado . não vou admitir referências a tua anormalidade debaixo de o tecto de a minha __ casa ! Harry olhou alternadamente para o rosto congestionado de o tio e para a palidez de a tia que tentava pôr o Dudley de pé . - Está bem - disse Harry . - Está bem ... O tio Vernon voltou a sentar se , respirando como um rinoceronte exausto e observando Harry de perto por o canto de os seus olhos pequeninos e penetrantes . Desde_que Harry regressara para as férias de Verão que o tio Vernon o tratava como_se ele fosse uma bomba , capaz de explodir a qualquer momento , porque Harry não era um rapazinho normal . Em a verdade , ele era o menos normal que é possível imaginar . Harry_Potter era um feiticeiro , um feiticeiro que acabara de concluir o primeiro ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts e a infelicidade que os Dursleys sentiam por ele estar lá em casa não era nada comparada com a de Harry . As saudades de Hogwarts eram tão intensas que se assemelhavam a uma constante dor em o estômago . Sentia a falta de o castelo com as suas passagens secretas e os seus fantasmas , de as aulas ( com excepção talvez de as de Snape , o professor de as poções ) , de o correio a chegar trazido por as corujas , de os banquetes em o salão nobre , de as noites em as camas de dossel em a camarata de a torre , de as visitas a Hagrid , o guarda de os campos em a sua casinha em o bosque , junto de a floresta proibida e , principalmente , sentia a falta de o Quidditch , o desporto mais popular de o mundo de os feiticeiros ( seis postes altos de golo , quatro bolas esvoaçantes e catorze jogadores em_cima_de vassoura ) . Todos os livros de feitiços de Harry , assim_como a varinha , os mantos , o caldeirão e a vassoura topo de gama Nimbus dois_mil tinham sido encerrados por o tio Vernon em a despensa que ficava debaixo de as escadas , em o momento em que Harry regressara a casa . O que é_que lhes interessava se ele perdia ou não o seu lugar em a equipa de Quidditch por não ter praticado durante todo o Verão ? Que importância tinha para eles que o Harry voltasse a a escola sem ter podido fazer os trabalhos de casa ? Os Dursleys eram aquilo que os feiticeiros chamam « Muggles » ( nem uma gota de sangue mágico em as veias ) e , para eles , ter um feiticeiro em a família era motivo de grande vergonha . O tio Vernon tinha , inclusivamente , fechado a cadeado a coruja de Harry , Hedwig , dentro de a gaiola , para evitar que ela transportasse mensagens para a gente de o mundo de a feitiçaria . Harry não se parecia em nada com o resto de a família . O tio Vernon era atarracado e sem pescoço , dotado de um enorme bigode preto ; a tia Petúnia tinha um rosto cavalar e era esquelética ; Dudley era loiro e rosado como um porquinho . Harry , pelo_contrário , era baixo e franzino , com os olhos verdes brilhantes e cabelo negro sempre desalinhado . Usava uns óculos redondos e tinha em a testa uma cicatriz em forma de relâmpago . Era essa cicatriz que o tornava tão invulgar , mesmo para um feiticeiro . Era a única alusão a o seu passado misterioso , a o motivo por o qual , onze anos antes , tinha sido deixado em o degrau de a porta de os Dursleys . Com um ano de idade , Harry sobrevivera a uma maldição de o maior feiticeiro negro de todos os tempos , Lord_Voldemort , cujo nome a maior parte de os feiticeiros e feiticeiras ainda receia pronunciar . Os pais de Harry tinham morrido em um ataque de Voldemort , mas ele escapara com a sua cicatriz em forma de relâmpago e estranhamente , ninguém compreendeu porquê , os poderes de Voldemort tinham sido destruídos em o momento em que não fora capaz de matar o Harry . Por isso , ele foi criado por a irmã de a sua falecida mãe e respectivo marido . Passou dez anos com os Dursleys , sem nunca compreender porque fazia com que acontecessem coisas estranhas , alheias a a sua vontade , acreditando em a história de os Dursleys de que aquela cicatriz fora resultado de um acidente de automóvel em que os pais tinham morrido . E um dia , precisamente um ano antes , Hogwarts escrevera lhe e fora então que tudo começara . Harry fora ocupar o seu lugar em a escola de feitiçaria , onde ele e a sua cicatriz eram famosas ... mas agora o ano escolar chegara a o fim e estava de_novo com os Dursleys . Durante o Verão , voltara a ser tratado como um cão malcheiroso . Os Dursleys nem se tinham lembrado que aquele era o dia de o seu décimo segundo aniversário . É claro que não tivera grandes expectativas : eles nunca lhe tinham dado um presente a sério , muito menos um bolo , mas ignorarem o por completo ... Em esse momento , o tio Vernon pigarreou com um ar importante e disse : - Como todos sabem , hoje é um dia muito importante . Harry olhou para ele , mal conseguindo acreditar . - Pode bem ser que eu faça hoje o maior negócio de toda_a minha vida - afirmou . Harry voltou novamente a atenção para a torrada . É claro , pensou amargamente , o tio Vernon referia se a a estúpida dinner-party . Havia quinze_dias que não falava de outra coisa . Um consultor qualquer cheio de massa e a mulher vinham jantar lá a casa e o tio Vernon tinha esperança de conseguir uma grande encomenda ( a empresa de o tio Vernon fabricava brocas ) . - Acho que devíamos recapitular mais_uma_vez - disse o tio Vernon . - Devemos estar todos a postos a as oito_horas_em_ponto . Petúnia , tu vais estar ... ? - Em o salão - respondeu a tia Petúnia prontamente - a a espera para lhes dar as boas-vindas a nossa casa . - Bom , bom . E o Dudley ? - Eu vou estar a a espera para abrir a porta . - Dudley esboçou um sorriso falso e afectado . - Dão me licença que vos guarde os casacos , Mr. e Mrs._Mason ? - Eles vão adorá o - exclamou arrebatadamente a tia Petúnia . - Excelente , Dudley - disse o tio Vernon . - A seguir voltou se para o Harry . - E tu ? - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - repetiu o Harry , de forma inexpressiva . - Exactamente - confirmou o tio Vernon , de um modo desagradável . - Eu conduzo os até a o salão , apresento te , Petúnia , e sirvo lhes as bebidas . _ a as oito_e_um_quarto . - Eu chamo para a mesa - disse a tia Petúnia . - E tu , Dudley , vais dizer ... - Dá me licença que lhe indique a casa de jantar , Mrs._Mason ? - repetiu o Dudley , oferecendo o seu braço gordo a uma mulher invisível . - O meu pequenino cavalheiro - fungou a tia Petúnia . - E tu ? - perguntou o tio Vernon a o Harry , em o mesmo tom desagradável . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho , fingindo que não estou lá - respondeu Harry aborrecido . - Isso mesmo . Agora , devíamos ter preparadas algumas frases amáveis para o jantar . Petúnia , alguma ideia ? - O Vernon disse me que o senhor é um excelente jogador de golfe , Mr._Mason ... Tem de me dizer onde comprou esse vestido , Mrs._Mason ... - Perfeito . Dudley ? - Que tal : Tivemos de fazer um trabalho para a escola sobre o nosso herói e eu escrevi sobre o senhor ... Foi de mais , tanto para a tia Petúnia como para o Harry . A tia debulhou se em lágrimas e abraçou o filho , enquanto Harry se esgueirava para debaixo de a mesa para ninguém o ver rir . - E tu , rapaz ? Harry fez um esforço para se mostrar inexpressivo quando emergiu . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - disse . - Vais sim senhor - afirmou o tio Vernon energicamente . - Os Mason não sabem nada a teu respeito e é assim que as coisas vão continuar . Quando o jantar terminar , tu trazes Mrs._Mason para o salão , onde vamos tomar café , Petúnia , e eu puxo o assunto de as brocas . Com um_pouco de sorte , tenho o contrato assinado antes de o noticiário de as dez . Amanhã por esta hora , vamos estar a fazer compras para umas férias em Maiorca . Harry não conseguia sentir o menor entusiasmo com aquilo . Não lhe parecia que os Dursleys gostassem mais de ele em Maiorca do_que em Privet_Drive . - Certo , eu vou a a cidade buscar os casacos para mim e para o Dudley . E tu - resmungou , apontando para Harry - não atrapalhes a tua tia enquanto ela estiver a limpar . Harry saiu por a porta de as traseiras . Estava um dia de sol lindo . Atravessou o relvado , deixou se cair em o banco de o jardim e cantarolou baixinho : - Parabéns para mim ... parabéns para mim ... Nem cartas nem presentes e tinha de passar a noite a fingir que não existia . Olhou infeliz para a sebe . Nunca se sentira tão só . Mais do_que tudo em o mundo , mais do_que de Hogwarts , mais até do_que de o jogo de Quidditch , Harry sentia a falta de os amigos Ron_Weasley e Hermione_Granger . Mas eles não pareciam sentir a falta de ele . Nenhum de os dois lhe escrevera durante todo o Verão apesar_de o Ron ter dito que ia convidá o para passar uns dias lá em casa . Inúmeras vezes Harry estivera quase a libertar magicamente Hedwig de a sua gaiola e mandá a levar uma carta a o Ron e a a Hermione mas não valia a pena correr o risco . Os feiticeiros menores de idade não tinham autorização para usar a magia fora de a escola . Harry não contara isto a os Dursleys . Ele sabia que era o medo de que ele os transformasse a todos em baratas que os impedia de o fecharem a a chave em a despensa debaixo de as escadas , juntamente com a varinha e a vassoura . Em as primeiras semanas Harry divertira se a murmurar baixinho palavras sem sentido e a ver o Dudley sair disparado de o quarto , tão rápido quanto as suas pernas gordas lhe permitiam . Mas o silêncio prolongado de Ron e Hermione tinham o feito sentir se tão longe de o mundo de a magia que até divertir se à_custa_de Dudley perdera o interesse . E agora o Ron e a Hermione tinham se esquecido de o seu aniversário . Quanto não daria ele por uma mensagem de Hogwarts ? De qualquer feiticeiro ou feiticeira ? Quase ficaria satisfeito com um sinal de o seu inimigo feroz , Draco_Malfoy , só para ter a certeza de que tudo aquilo não fora apenas um sonho ... Não que tudo durante o ano em Hogwarts tivesse sido divertido . Mesmo em o fim de o último período , Harry confrontara se nem mais nem menos do_que com o próprio Lord_Voldemort . Voldemort podia ter arruinado o seu ego inicial mas continuava a espalhar o terror , ainda astuto , ainda determinado a recuperar o poder . Harry escapara uma segunda vez a as suas garras mas fora por um triz e mesmo agora , algumas semanas decorridas , acordava de noite encharcado em suores frios , perguntando se onde estaria Voldemort , relembrando o seu rosto lívido , os seus olhos completamente loucos ... Harry sentou se subitamente , direito como um fuso , em o banco de o jardim . Tinha estado a olhar distraído para a sebe e a sebe estava a olhar para ele . Dois enormes olhos verdes surgiram por_entre a folhagem . Harry pôs se de pé ao_mesmo_tempo que uma voz sobrevoava a relva . - Eu sei que dia é hoje - cantarolava Dudley , bamboleando se enquanto se aproximava . Os olhos enormes piscaram e desapareceram . - O quê ? - perguntou Harry sem retirar os olhos de o lugar para_onde estava a olhar . - Eu sei que dia é hoje - repetiu , chegando junto de ele . - Ainda_bem - disse Harry . - Aprendeste finalmente os dias de a semana . - Hoje é o dia de os teus anos - troçou o Dudley . - Por_que é_que não recebeste nenhuma carta ? Não tens amigos em esse lugar esquisito ? - É melhor não deixares a tua mãe ouvir te falar de a minha escola - disse Harry calmamente . Dudley puxou para_cima as calças que estavam a escorregar lhe por o rabo gordo abaixo . - Porque estás a olhar para a sebe . ; - perguntou curioso . - Estou a pensar em as palavras que deverei pronunciar para lhe pegar fogo - disse Harry . Dudley recuou de imediato com um olhar de pânico em a cara rechonchuda . - Tu não p-p-odes , o pai disse que não podias fazer magia ou corria contigo aqui de casa e não tens mais nenhum lugar para_onde ir , não tens amigos que te convidem ... - * _ Jiggery pokery * ! - disse Harry com voz firme . - * _ Hocus pocus ... squiggly wiggly * ... - Maaaaaãe - gritou Dudley , tropeçando em os pés , enquanto se precipitava para dentro_de casa . Maaaãe , ele vai fazer aquela coisa ! Harry deu graças a os céus por aquele momento de gozo . Como não aconteceu nada de mal nem a o Dudley nem a a sebe , a tia Petúnia percebeu que ele não fizera magia nenhuma mas , mesmo_assim , Harry teve de se afastar quando ela lhe deu uma forte pancada em a cabeça com a frigideira cheia de detergente . A seguir distribuiu lhe trabalho e o castigo de só voltar a comer quando tivesse acabado tudo . Enquanto Dudley andava a flanar , olhando para o ar e comendo gelados , Harry limpou as janelas , lavou o carro , aparou a relva , adubou os canteiros , podou e regou as rosas e pintou de_novo o banco de o jardim . O sol ardia lá em cima , queimando lhe a parte de trás de o pescoço . Harry sabia que não devia ter provocado Dudley mas ele dissera precisamente aquilo que ele próprio pensava ... talvez não tivesse amigos em Hogwarts . Deviam ver agora o famoso Harry_Potter , pensou amargamente enquanto espalhava adubo em os canteiros , as costas a doerem lhe e o suor a escorrer lhe por o rosto . Eram sete_e_meia_da_tarde quando , por fim , exausto , ouviu a tia Petúnia a chamá o . - Anda para dentro e passa por cima de os jornais . Harry entrou satisfeito em a sombra de a cozinha que rebrilhava . Sobre o frigorífico estava o bolo de a noite : um enorme monte de crome batido coberto de violetas de açúcar . A carne de porco assava em o forno . - Come depressa , os Mason devem estar a chegar ! - exclamou bruscamente a tia Petúnia , apontando para duas fatias de pão e uma de queijo que estavam em cima de a mesa de a cozinha . Ela já tinha posto um vestido de * cocktail * cor de salmão . Harry lavou as mãos e comeu aquele triste jantar . Mal tinha terminado , a tia Petúnia tirou lhe o prato . - Lá para_cima , rápido ! A o passar por a porta de a sala , Harry vislumbrou o tio Vernon e Dudley de casaco e gravata . Tinha acabado de chegar a o cimo de as escadas quando a campainha de a porta tocou e a cara de o tio Vernon apareceu em o patamar . - Lembra te , rapaz , um ruído que seja ... Harry entrou em o quarto em bicos de pés , fechou a porta e preparou se para se meter em a cama . O problema é_que estava lá alguém sentado . II_O aviso de Dobby_Harry conseguiu não gritar , mas foi por_pouco . A pequena criatura que estava em a cama tinha umas orelhas grandes e largas e uns olhos verdes protuberantes de o tamanho de bolas de ténis . Harry percebeu imediatamente que fora para ele que tinha estado a olhar de manhã . Enquanto olhavam um para o outro , Harry ouviu a voz de Dudley em o * hall * . - Posso guardar os vossos casacos , Mr. e Mrs._Mason ? A criatura escorregou por a cama e curvou se tanto que a ponta de o seu enorme nariz tocou em o tapete . Harry reparou que ele tinha vestido uma espécie de fronha de almofada com buracos para os braços e pernas . - Er ... Olá - disse Harry , um_pouco nervoso . - Harry_Potter ! - exclamou a criatura em uma voz tão estridente que Harry calculou que poderia ouvir se lá em baixo . - Há tanto tempo que Dobby queria conhecê o , senhor . É uma enorme honra ... - Ob-obrigado - disse Harry , deslocando se a o longo de a parede e sentando se em a cadeira de a secretária , junto de Hedwig que dormia em a sua grande gaiola . Queria perguntar lhe « O que és tu ? » , mas pensou que seria má educação , por isso perguntou : - Quem és tu ? - Dobby , senhor . Apenas Dobby , o elfo de casa - afirmou a criatura . - Oh ! A sério ? - perguntou Harry . - Não quero ser mal-educado , mas esta não é a melhor altura para ter um elfo em o meu quarto . O riso falso de a tia Petúnia ouvia se em a sala de jantar . O elfo deixou cair a cabeça . - Não que eu não me sinta feliz por te conhecer - disse Harry rapidamente - mas , er ... estás aqui por algum motivo em especial ? - Oh , sim senhor - disse Dobby muito a sério . - Dobby veio dizer lhe que ... é difícil ... Dobby não sabe por_onde começar ... - Senta te - disse Harry educadamente , apontando lhe a cama . Para seu horror , o elfo debulhou se em lágrimas bastante ruidosas . -- S-senta-te ! - repetiu . - Nunca em toda_a minha vida ... Harry pareceu lhe ouvir as vozes lá em baixo vacilarem . - Desculpa - murmurou . - Eu não queria ofender te ... - Ofender Dobby ! - exclamou o elfo em um sufoco . - Nunca nenhum feiticeiro disse a o Dobby que se sentasse como um seu igual , senhor . Harry , tentando dizer lhe « Sch ... » e confortá o ao_mesmo_tempo , conduziu Dobby de_novo até a a cama onde ele se sentou a soluçar , parecendo uma grande boneca muito feia . Por fim , conseguiu controlar se e ficou quieto , com os seus grandes olhos fixos em Harry em uma expressão de absoluta adoração . - Não deves ter conhecido muitos feiticeiros sérios - disse lhe , tentando animá o . Dobby abanou a cabeça . Em seguida , sem qualquer aviso , saltou e começou a bater furiosamente com a cabeça em a janela , gritando : - Dobby é mau ! Dobby é mau ! - Pára , o que é_que estás a fazer ? - perguntou Harry em um murmúrio sibilante , dando um salto e puxando Dobby de_novo para a cama . Hedwig acordara com um pio particularmente agudo e batia agressivamente com as asas contra as grades de a gaiola . - Dobby tinha que se castigar , meu senhor - afirmou o elfo , que ficara ligeiramente estrábico . - Dobby quase falou mal de a família de ele ... - De a tua família ? - De a família de feiticeiros que Dobby serve , meu senhor ... O Dobby é um elfo de casa , obrigado a servir uma casa e uma família para sempre . - Eles sabem que estás aqui ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Dobby estremeceu . - Oh , não senhor , não ... Dobby vai ter que se castigar muito por ter vindo vê o . Dobby vai ter que entalar as orelhas em a porta de o forno por isto . Se eles soubessem , senhor ... - Mas achas que eles não vão reparar se tu entalares as orelhas em a porta de o forno ? - Dobby duvida , senhor . Dobby está sempre a ter de se castigar por qualquer coisa . Eles deixam que o Dobby se castigue . _ às_vezes até sugerem alguns castigos extra . - Mas por_que é_que não te vais embora , não foges ? - Um elfo de casa tem de ser libertado , senhor . E a família nunca libertará Dobby . Dobby servirá a família até morrer . Harry olhou para ele . - E eu que pensava que era infeliz por ter de ficar aqui mais quatro semanas - declarou . - Isto faz os Dursleys parecerem quase humanos . Será que ninguém te pode ajudar ? Poderei eu ? Em o mesmo momento , Harry desejou não ter aberto a boca . Dobby desfez se em ruidosos soluços de gratidão . - Por favor - murmurou Harry , inquieto . - Por favor , está calado . Se os Dursleys ouvem barulho , se eles sabem que estás aqui ... - Harry_Potter pergunta se pode ajudar Dobby . Dobby ouviu falar de a sua grandeza , mas de a sua bondade , Dobby nada sabia . Harry , que se sentia corar , disse : - Seja o que for que tenhas ouvido sobre a minha grandeza , é um disparate . Nem_sequer sou o melhor de o meu ano em Hogwarts . É a Hermione . Ela ... Mas calou se rapidamente porque pensar em Hermione era lhe doloroso . - Harry_Potter é humilde e modesto - disse Dobby reverentemente , com os seus olhos de globo avermelhados . - Harry_Potter não fala de a sua vitória sobre « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . - Voldemort ? - perguntou Harry . Dobby bateu com as mãos em as enormes orelhas e gemeu : - Ai não diga o nome , senhor . Não diga o nome ! - Desculpa - disse Harry muito depressa . - Eu sei que muita gente não gosta . O meu amigo Ron ... Calou se de_novo . Pensar em o Ron era igualmente doloroso . Dobby voltou para Harry os seus dois olhos grandes como candeeiros . - Dobby ouviu dizer - balbuciou com voz rouca - que Harry_Potter encontrou o Senhor_do_Mal uma segunda vez há poucas semanas atrás ... que Harry_Potter lhe escapou de_novo . Harry acenou e os olhos de Dobby encheram se de lágrimas . - Ah , senhor - disse em um sobressalto , limpando o rosto com a ponta de a fronha de almofada que tinha vestida . - Harry_Potter é valente e arrojado . Enfrentou tantos perigos ! Mas Dobby veio protegê o , avisar Harry_Potter , mesmo_que para isso tenha de entalar as orelhas em a porta de o forno , que Harry_Potter não deve voltar para Hogwarts . Houve um silêncio apenas quebrado por o ruído de os garfos e de as facas lá em baixo e por a voz distante de o tio Vernon . - O q-q-uê ? - gaguejou Harry . - Mas eu tenho de voltar , o ano começa em o dia um de Setembro . É a minha razão de viver . Tu não sabes como são as coisas aqui . Eu não pertenço a este lugar , o meu lugar é em Hogwarts . - Não , não , não - guinchou Dobby , sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas andavam de um lado para o outro . - Harry_Potter deve ficar aqui , onde se encontra a salvo . É demasiado grande , demasiado bom para se perder . Se Harry_Potter regressar a Hogwarts correrá perigo de vida . - Porquê ? - inquiriu Harry , surpreendido . - Há uma conspiração , Harry_Potter . Uma conspiração para fazer acontecer coisas terríveis este ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts - murmurou Dobby que começara a tremer de a cabeça a os pés . - Dobby sabe de isto há meses , senhor . Harry_Potter não deve expor se a o perigo . É demasiado importante . - Que coisas terríveis são essas ? - perguntou Harry sem perder tempo . - Quem está por detrás ? Dobby fez um ruído esquisito e começou a bater com a cabeça contra a parede como um louco . - Está bem - gritou Harry , agarrando o braço de o elfo para o fazer parar . - Não podes dizer , eu compreendo . Mas porque vieste avisar me ? - Um pensamento súbito e desagradável surgiu lhe . - Espera aí , isto tem alguma coisa que ver com o Vol , desculpa com o Quem nós sabemos ? Basta que faças sim ou não com a cabeça - acrescentou com vivacidade enquanto a cabeça de Dobby se inclinava de_novo a uma velocidade preocupante para a parede . Lentamente , Dobby abanou a cabeça . - Não , não é « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . Os olhos de Dobby estavam abertos como_se estivesse a tentar dar a Harry uma pista , mas Harry estava completamente a a nora . - Ele não tem nenhum irmão , ou tem ? Dobby abanou a cabeça , os olhos mais abertos do_que nunca . - Bem , em esse caso não estou a ver quem mais poderia ter a possibilidade de fazer acontecer coisas horríveis em Hogwarts - disse Harry . - Quero dizer , para já está lá o Dumbledore . Sabes quem é Dumbledore , não sabes ? Dobby baixou a cabeça . - Albus_Dumbledore é o melhor director que Hogwarts alguma vez teve . Dobby sabe , senhor . Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore rivalizam com os d'aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Mas , senhor - a voz de Dobby desceu a um urgente murmúrio - há poderes que Dumbledore não ... poderes que nenhum feiticeiro sério ... E antes que Harry conseguisse impedi o Dobby saltou de a cama , agarrou o candeeiro de secretária de Harry e começou a bater com a cabeça , dando uivos ensurdecedores . Fez se silêncio lá em baixo . Dois segundos mais tarde , Harry com o coração a bater como um louco , ouviu o tio Vernon chegar a o * hall * e dizer . - O Dudley deve ter deixado outra_vez a televisão ligada , o maroto ! - Depressa , para dentro de o guarda-fatos - gritou Harry , empurrando Dobby bem para o fundo , fechando a porta e metendo se a correr em a cama mesmo a_tempo_de ver a maçaneta de a porta a girar . - Que diabo estás tu a fazer ? - disse o tio Vernon entre dentes , o rosto assustadoramente próximo de o de Harry . - Acabas de estragar o ponto alto de a minha anedota de o golfista japonês . Eu que oiça mais um som e vais desejar nunca ter nascido , rapaz ! Abandonou o quarto com grandes passadas . A tremer , Harry deixou Dobby sair de o guarda-fatos . - Estás a ver como são as coisas por aqui ? - disse . - Vês porque tenho de voltar para Hogwarts ? É o único sítio onde eu tenho ... bem , onde eu acho que tenho amigos . - Amigos que nem_sequer escrevem a Harry_Potter ? - disse Dobby com ar manhoso . - Calculo que devem ter estado ... espera aí - disse Harry , franzindo a testa . - Como é_que tu sabes que os meus amigos não me têm escrito ? Dobby arrastou os pés . - Harry_Potter não deve zangar se com Dobby . Dobby fez o que achou melhor ... - Tu tens estado a interceptar me as cartas ? - Dobby tem as aqui , senhor - disse o elfo . Saltando para longe de o alcance de Harry , retirou de dentro de a fronha que usava um espesso saco cheio de envelopes . Harry reconheceu de imediato a caligrafia certinha de Hermione , a escrita desordenada de Ron e até uns gatafunhos que pareciam ser de o guarda de os campos de Hogwarts , Hagrid . Dobby piscava ansiosamente os olhos . - Harry_Potter não deve ficar zangado ... Dobby esperava que ... se Harry_Potter pensasse que os amigos o tinham esquecido ... Harry_Potter talvez não quisesse voltar a a escola , senhor . Harry não o ouvia . Fez um gesto para agarrar as cartas , mas Dobby deu um salto , afastando se . - Harry_Potter terá as cartas , senhor , se der a Dobby a sua palavra de não voltar a Hogwarts . Ah , senhor , é um risco que não deve correr . Diga que não volta , senhor ! - Não - afirmou Harry zangado . - Dá me as cartas de os meus amigos ! - Em esse caso , Harry_Potter deixa Dobby sem escolha - disse o elfo tristemente . Antes que Harry pudesse fazer um movimento , Dobby tinha aberto a porta de o quarto e descido a correr por as escadas abaixo . Com a boca seca e um aperto em o estômago , Harry correu atrás de ele , tentando não fazer barulho . Saltou os últimos seis degraus , aterrando como um gato em a carpete de o * hall * , olhando em volta a a procura de Dobby . De a sala de jantar , ouviu a voz de o tio Vernon : - Conte a a Petúnia aquela história engraçadíssima de os funileiros americanos , ela tem estado louca por ouvi a , Mr._Mason . Harry correu de o * hall * para a cozinha e sentiu o estômago ficar pequenino . O pudim , que era a a obra-prima de a tia Petúnia , a montanha de creme batido coberto de violetas de açúcar flutuava junto de o tecto . Em cima de o guarda-louça de o canto , Dobby inclinava se servilmente . - Não - suplicou Harry . - Por favor , eles matam me . - Harry_Potter deve dizer que não vai voltar a a escola ... - Dobby , por favor . - Diga , senhor . - Não posso . Dobby lançou lhe um olhar trágico . - Então , Dobby deve fazê o , senhor , para o bem de Harry_Potter . O pudim foi direito a o chão em uma queda que parecia um coração a parar . O crome esguichou para as janelas e para as paredes , enquanto o prato se despedaçava . Com o ruído de uma chicotada , Dobby desapareceu . Ouviram se gritos em a casa de jantar e o tio Vernon irrompeu por a cozinha onde foi dar com Harry coberto , de a cabeça a os pés , por o pudim de a tia Petúnia . A princípio parecia que o tio Vernon ia conseguir arranjar uma desculpa para aquilo tudo . ( É só o nosso sobrinho , muito perturbado ; conhecer pessoas estranhas deixa o muito nervoso , por isso deixamos o lá em cima ... ) Conduziu_os_Mason , bastante chocados , para a sala de jantar , garantindo a Harry que o esfolava vivo quando os Mason se fossem embora e pôs lhe em as mãos um esfregão . A tia Petúnia descobriu um resto de gelado em o frigorífico e Harry , ainda a tremer , começou a limpar a cozinha . O tio Vernon poderia ainda ter feito o negócio , se não fosse a coruja . Estava a tia Petúnia a circular com uma caixa de After-Eight , quando uma enorme coruja de celeiro fez a sua entrada vertiginosa através de a janela de a casa de jantar , deixando cair uma carta em a cabeça de Mr._Mason e desaparecendo logo_a_seguir . Mrs._Mason gritava como uma carpideira e corria por a casa praguejando contra os lunáticos . Mr._Mason ficou o tempo estritamente necessário para dizer a os Dursleys que a mulher tinha um medo pânico de pássaros de todas_as formas e tamanhos e perguntar lhes se aquela era alguma brincadeira de mau gosto . Harry não saiu de a cozinha , agarrando o esfregão como defesa , enquanto o tio Vernon avançava para ele com um brilho demoníaco em os olhos pequeninos . - Lê isso - ordenou maldosamente . Harry pegou em a carta . Não era a desejar lhe um bom aniversário . * _ Caro_Mr._Potter , * _ Recebermos hoje informações de que um feitiço de suspensão em o ar foi efectuado em sua casa esta noite , a as nove_horas_e_doze_minutos . * _ Como sabe , os feiticeiros menores não estão autorizados a praticar magia fora de a escola e , se efectuar mais um trabalho mágico , será expulso de a nossa escola . ( Decreto_de_Restrições_Razoáveis_para_Feitiçaria_de_Menores , 1875 , parágrafo C. ) * _ Pedimos-lhe também que se lembre que qualquer actividade que possa ser notada por membros alheios a a nossa comunidade ( Muggles ) constitui uma ofensa grave , segundo a secção 13 de a Confederação_Internacional_do_Estatuto_da_Magia_Secreta . * _ Tenha umas boas férias . * Atenciosamente_Mafalda_Hopkirk_Gabinete_da_Utilização_Imprópria_da_Magia_Ministério_da_Magia * . Harry olhou para a carta e engoliu em seco . - Tu não nos contaste que estavas proibido de usar magia fora de a escola - disse o tio Vernon com um brilho maldoso a dançar lhe em os olhos . - Esqueceste te de o mencionar , passou te , não foi ? Tinha se aproximado de Harry como um grande * bulldog * , com todos os dentes a a mostra . - Tenho boas notícias para ti , rapaz , vou fechar te a a chave e , se tentares sair através_de magia , nunca mais voltas a aquela escola , eles expulsam te . E rindo como um louco , arrastou Harry até a o andar de cima . O tio Vernon era mau como as cobras . Em a manhã seguinte pagou a um homem para colocar grades em a janela de o quarto de Harry . Ele próprio abriu um pequeno buraco em a porta de o quarto para que a comida pudesse ser introduzida três vezes por dia . Deixavam o Harry sair para ir a a casa_de_banho de manhã e a o final de a tarde . O resto de o tempo estava fechado em o quarto , a a espera que o tempo passasse . Três dias mais tarde , os Dursleys não mostravam qualquer intenção de abrandar o castigo e Harry não sabia como sair de aquela situação . Estava deitado em a cama , vendo o sol brilhar por_entre as grades de a janela e perguntando se tristemente o que viria a acontecer lhe . Qual era a vantagem de sair de ali por artes mágicas , se Hogwarts o expulsaria em seguida ? Contudo , a vida em Privet_Drive tinha atingido o seu nível mais baixo . Agora_que os Dursleys tinham a certeza que não iam acordar transformados em morcegos , ele perdera a única arma que tinha . O Dobby podia tê o salvo de acontecimentos terríveis em Hogwarts , mas de a maneira que as coisas estavam , ele morreria muito provavelmente a a fome . A portinhola rangeu e a mão de a tia Petúnia apareceu empurrando uma tigela de sopa de pacote para dentro de o quarto . Harry , que estava cheio de fome , saltou de a cama e agarrou a . A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um único trago . A seguir , atravessou o quarto até a a gaiola de Hedwig e pôs os legumes ensopados dentro de o seu pratinho vazio . Ela agitou as penas e olhou o com profunda repugnância . - Não vale de nada virares lhe as costas . É tudo_o_que temos - disse Harry , de modo severo . Colocou a tigela vazia em o chão junto de a portinhola e voltou para_cima de a cama , de certo modo com mais fome do_que antes de ter comido a sopa . Admitindo que estaria ainda vivo dentro_de quatro semanas o que aconteceria se ele não se apresentasse em Hogwarts ? Será que mandariam alguém obrigar os Dursleys a deixá o ir ? O quarto começava a escurecer . Exausto e com o estômago a dar horas , o cérebro a as voltas com as mesmas questões sem resposta , Harry caiu em um sono intranquilo . Sonhou que fazia parte de um espectáculo de o jardim zoológico . Preso a a jaula onde se encontrava estava um cartaz onde podia ler se « feiticeiro menor de idade « . As pessoas olhavam o com olhos protuberantes , enquanto ele jazia fraco e esfomeado em um leito de palha . Viu a cara de o Dobby em o meio de a multidão e gritou lhe , pedindo ajuda , mas o Dobby respondeu : - Harry_Potter está em segurança aí , senhor - e desapareceu . Em seguida vieram os Dursleys e Dudley bateu em as grades de a jaula , rindo se de ele . - Pára com isso - murmurou Harry como_se aquele ruído martelasse em a sua cabeça dorida . - Deixa me em paz , pára com isso , estou a tentar dormir . Abriu os olhos . O luar brilhava através de as grades de a janela . E lá fora alguém olhava de olhos arregalados para ele : alguém de rosto sardento , cabelo ruivo e nariz grande . Ron_Weasley estava de o lado de_fora de a janela . III « A toca » Ron ! - exclamou Harry , arrastando se até a a janela e empurrando a para poderem falar através de as grades . - Ron , como é_que tu , foi o ... ? Harry ficou de boca aberta , espantado com o que viu . Ron estava debruçado de a janela de trás de um velho automóvel azul-turquesa que se encontrava estacionado em o ar . Em os lugares de a frente , rindo se para Harry , estavam os irmãos mais velhos , os gémeos Fred e George . - Tudo bem , Harry ? - O que é_que se tem passado ? - perguntou o Ron . - Porque não respondeste a as minhas cartas ? Convidei te para vires ter comigo umas doze vezes e um dia o pai chegou a casa e comunicou nos que tu tinhas recebido um aviso oficial por usares magia diante de os Muggles ... - Não fui eu . E como é_que ele soube ? - Ele trabalha em o Ministério - disse o Ron . - Tu sabes que nós não podemos fazer feitiços fora de a escola . - Bem , isso vindo de ti ... - exclamou Harry , olhando para o carro flutuante . - Oh , isto não conta - disse Ron . - Foi o meu pai que o emprestou . Não o fizemos aparecer por magia . Mas usar magia em a frente de esses Muggles com quem tu vives ... - Já te disse que não fui eu , mas vai demorar muito_tempo a explicar te isso agora . És capaz de avisar em Hogwarts que os Dursleys me fecharam a a chave e que não querem deixar me voltar e obviamente eu não posso sair de aqui magicamente senão o Ministério vai achar que é a segunda vez em três dias e ... - Pára com essa conversa tola - disse o Ron . - Viemos para te levar connosco . - Mas tu também não podes tirar me de aqui utilizando processos mágicos ... - Não precisamos de isso - afirmou Ron , fazendo um sinal de cabeça para os lugares de a frente . - Esqueces te de quem está aqui comigo . - Amarra isso em volta de as grades - disse o Fred , lançando a Harry a ponta de uma corda . - Se os Dursleys acordam estou feito - lamentou se Harry enquanto dava um nó bem apertado com a corda em uma de as grades e o Fred arrancava com o carro . - Não te preocupes e chega te para trás . Harry recuou para a sombra , para junto de Hedwig que parecia ter se apercebido de a importância de tudo aquilo , mantendo se quieta e em silêncio . O carro puxou mais e mais e , subitamente , com um ruído de ferro a ceder , as grades foram arrancadas de a janela , enquanto Fred conduzia com o céu como estrada . Harry correu de_novo para a janela para ver as grades a balouçarem a poucos metros de o chão . Ofegante , Ron içou as para dentro de o carro . Harry escutou ansiosamente mas não vinha qualquer som de o quarto de os Dursleys . Quando as grades estavam em segurança em os lugares de trás junto de Ron , Fred aproximou se o_máximo que lhe foi possível de a janela . - Anda de aí - disse . - Mas , todas_as minhas coisas de Hogwarts , a minha varinha , a minha vassoura ... - Onde estão ? - Fechadas em a despensa debaixo de as escadas e eu não posso sair de este quarto . . - Não há azar - disse o George . - Sai de a frente , Harry . Fred e George treparam cautelosamente e entraram por a janela em o quarto de Harry . Tinhas que ter aberto a boca , pensou Harry enquanto George tirava de o bolso um vulgar gancho de cabelo e começava a tentar abrir a fechadura . - Muitos feiticeiros acham que é uma perda de tempo aprender os truques de os Muggles - disse o Fred . - Mas nós pensamos que há habilidades que é sempre útil conhecer apesar_de serem um_pouco lentas . Ouviu se um pequeno clique e a porta abriu se . - Pronto , vamos buscar as tuas coisas . Tu vai dando a o Ron aquilo que precisas de aí de o teu quarto - murmurou George . - Cuidado com o degrau de cima que range - sussurrou Harry enquanto os gémeos desapareciam em o escuro . Harry deu a volta a o quarto , recolhendo as suas coisas e passando as por a janela a o Ron . Em seguida , foi ajudar o Fred e o George a trazerem o resto por as escadas acima . Ouviu o tio Vernon tossir . Por fim , de língua de_fora , chegaram a o quarto , junto de a janela aberta . Fred trepou para o carro para puxar os volumes com o Ron enquanto Harry e George os empurravam de dentro de o quarto . Centímetro a centímetro o malão foi passando por a janela . O tio Vernon tossiu de_novo . - Mais um_pouco - disse o Fred que estava a puxar de dentro de o carro . Um bom empurrão , vá . Harry e George encostaram os ombros contra a mala e ela escorregou para a parte de trás de o carro . - O. _ K. , vamos embora - murmurou o George . Mas quando Harry trepava para o parapeito de a janela ouviu se um forte pio atrás de ele , imediatamente seguido de o vociferar de o tio Vernon . - Aquela maldita coruja ! - Esqueci me de a Hedwig ! Harry precipitou se de_novo para o quarto , enquanto a luz de o patamar se acendia . Agarrou a gaiola de Hedwig , correu para a janela e passou a a o Ron . Estava a subir para_cima de a cómoda quando o tio Vernon bateu em a porta , que não estava fechada , e esta se abriu completamente . Por uma fracção de segundo , o tio Vernon ficou estático junto de a porta . Em seguida , soltou um mugido como um boi zangado e avançou para Harry , agarrando o por o tornozelo . Ron , Fred e George seguraram o por os braços e puxaram o com toda_a força . - Petúnia - rosnou o tio Vernon . - Ele está a fugir ! : __ ele está a __ fugir ! Os Weasleys deram um puxão gigantesco e a perna de o Harry escapou a as garras de o tio Vernon . Logo_que Harry entrou em o carro e a porta se fechou , Ron gritou : - Acelera Fred ! - E o carro partiu subitamente em direcção a a lua . Harry mal podia acreditar que estava livre . Esticou se a a janela , o ar de a noite a fustigar lhe os cabelos e olhou para baixo , para os telhados apertados de Privet_Drive . O tio Vernon , a tia Petúnia e o Dudley estavam todos debruçados com cara de parvos , a a janela de o quarto de ele . - Até a o próximo Verão - gritou . Os Weasleys riam se a as gargalhadas e Harry esticou se para trás em o assento e pediu a o ouvido de Ron : - Deixa sair a Hedwig . Ela pode voar atrás_de nós . Há séculos que não tem uma oportunidade de esticar as asas . George passou a o Ron o gancho de cabelo e , um momento depois , a Hedwig saíra feliz por a janela , planando atrás de eles como um fantasma . - Então , qual é a história ? - perguntou Ron , impaciente . - O que é_que tem estado a acontecer ? Harry contou lhes tudo sobre o Dobby , o aviso de este e o fracasso de o pudim de violetas . Houve um longo silêncio quando ele se calou . - Isso cheira me a esturro - disse , por fim , o Fred . - Definitivamente misterioso - concordou George . - Então ele nem te disse quem está supostamente por detrás dessa trama toda ? - Acho que não podia - explicou Harry . - Já te disse , de cada_vez que estava quase a deixar escapar qualquer coisa , começava a bater com a cabeça em a parede . Viu Fred e George olharem um para o outro . - O quê ? Acham que ele estava a mentir me ? - perguntou Harry . - Bem - começou o Fred -- , coloquemos as coisas de o seguinte modo , os elfos de casa têm poderes mágicos próprios , mas geralmente não podem usá os sem a autorização de os seus donos . Eu acho que o bom de o Dobby foi enviado para evitar que voltasses para Hogwarts . Uma ideia de um engraçadinho . Haverá alguém em a escola com má vontade contra ti ? - Sim - responderam Harry e Ron , precisamente ao_mesmo_tempo . - Draco_Malfoy - explicou Harry . - Ele detesta me . - Draco_Malfoy ? - perguntou George , voltando se para trás . - O filho de o Lucius_Malfoy ? - Deve ser . Não é um nome muito vulgar , pois não ? - disse Harry . - Mas porquê ? - Ouvi o pai falar acerca de ele - confidenciou George . - Ele era um grande apoiante de o « Quem nós sabemos » . - E quando o « Quem nós sabemos » desapareceu - continuou o Fred , voltando a cara para olhar para Harry - o Lucius_Malfoy voltou , dizendo que não foi por vontade própria que fez o que fez . Monte de lixo . O pai acha que ele fazia parte de um círculo de amigos íntimos de o « Quem nós sabemos » . Harry já tinha ouvido esses boatos sobre a família de Malfoy e não o surpreenderam em absoluto . Malfoy fizera Dudley_Dursley parecer um rapazinho simpático , amável e sensível . - Não sei se os Malfoy têm um elfo de casa ... - afirmou Harry . - Bem , quem quer que o possua é sem dúvida uma antiga família de feiticeiros e deve ser rica - explicou Fred . - Sim . A mãe está sempre a desejar que pudéssemos ter um elfo de casa para passar a roupa a ferro - disse o George . - Mas só temos um velho vampiro piolhoso em o sótão e gnomos espalhados por o jardim . Os elfos de casa pertencem a as grandes casas senhoriais , a os castelos e lugares assim , não encontrarias um em a nossa casa ... Harry estava calado . Considerando que Draco_Malfoy tinha sempre as melhores coisas , que a sua família nadava em ouro de feiticeiros , era fácil imaginá o passeando se por uma enorme casa senhorial . Mandar o servo de a família evitar que Harry voltasse para Hogwarts também parecia exactamente o tipo de coisa que Malfoy poderia fazer . Teria Harry sido estúpido a o tomar Dobby a sério ? - De qualquer modo , ainda_bem que viemos buscar te - declarou Ron . - Eu começava a ficar seriamente preocupado por não responderes a nenhuma de as minhas cartas . A princípio pensei que a culpa fosse de a Errol ... - Quem é a Errol ? - A nossa coruja . Já é velhota . Não seria a primeira vez que adoecia durante uma entrega . Por isso , tentei pedir a Hermes emprestada ... - Quem ? - A coruja que os meus pais compraram a o Percy quando ele foi nomeado prefeito - respondeu Fred . - Mas o Percy não me a emprestou . Disse que precisava de ela . - O Percy tem andado com atitudes muito estranhas este Verão - comentou George franzindo a testa . - E tem mandado imensas cartas e passado um tempo infinito fechado em o quarto ... enfim , pode limpar se e polir um distintivo de prefeito todas_as vezes que se quiser ... Estás a conduzir demasiado para ocidente , Fred - acrescentou apontando para uma bússola em o painel de o automóvel . Fred girou o volante . - Então , o vosso pai sabe que têm o carro ? - perguntou Harry , quase adivinhando a resposta . - Er ... não - disse o Ron . - Ele tinha trabalho esta noite . Felizmente vamos poder pô o de_novo em a garagem , sem a mãe perceber que andámos a voar nele . - A propósito , o que faz o vosso pai em o Ministério_da_Magia ? - Trabalha em o Departamento mais chato - respondeu Ron . - A Divisão de utilização incorrecta de artefactos de os Muggles . - O quê ? - Relaciona se com objectos de feitiçaria que foram feitos por os Muggles ; sabes como é , se forem parar de_novo a uma loja de os Muggles , ou a uma casa , como em o ano passado , quando morreu uma bruxa velha e o bule de ela foi vendido a uma loja de antiguidades . Uma mulher Muggle comprou o , tentou servir chá a os amigos . Foi um pesadelo , o pai teve de fazer horas extraordinárias durante semanas . - O que é_que aconteceu ? - O bule parecia louco , esguichou chá a ferver para todos os lados e um de os homens foi parar a o hospital com a pinça de o açúcar presa em o nariz . O pai ficou nervosíssimo . É só ele e o velho feiticeiro Perkings em o gabinete e tiveram de localizar e descobrir todo o tipo de encantamentos para resolver o assunto . - Mas o teu pai ... este carro ... Fred riu se . - Sim , o pai é louco por tudo_o_que tem que ver com os Muggles . A nossa arrecadação está cheia de coisas de os Muggles . Ele separa as , lança lhes feitiços e volta a pô as em o lugar . Se ele fizesse uma busca a nossa casa teria de se prender a si mesmo . A minha mãe fica louca com tudo aquilo . - É a estrada principal - gritou o George , apontando para baixo através de a janela . - Dentro_de poucos minutos estamos lá , mesmo a tempo , está a começar a clarear . Um leve brilho rosado tingia o horizonte para leste . Fred trouxe o carro para baixo e Harry pôde ver uma manta de retalhos de campos escuros e matas de arbustos . - Estamos um_pouco longe de a vila - disse George . - Em Ottery_St . Catchpole ... O carro voador foi descendo a os poucos . A luz avermelhada brilhava agora por_entre as árvores . - Terra - disse o Fred , em o momento em que tocaram em o chão com um ligeiro solavanco . Tinham aterrado perto_de uma garagem em ruínas em um pequeno pátio e Harry viu pela_primeira_vez a casa de o Ron . Parecia ter sido em tempos uma pocilga de pedra . Mas os quartos que posteriormente lhe tinham sido acrescentados haviam a tornado bastante mais alta e o seu aspecto era tão curvado que parecia ter sido construída por artes mágicas ( o que , pensou Harry , era , muito provavelmente , verdade ) . De o telhado vermelho saíam quatro ou cinco chaminés . Junto de a entrada , fixa em o chão , podia ver se uma inscrição assimétrica que dizia « A toca » . A o lado de a porta principal estava uma contusão de botas de * _ Wellington * e um caldeirão completamente enferrujado . Por o pátio passeavam se várias galinhas castanhas e gordas . - Não é grande coisa - desculpou se o Ron . - É óptima - exclamou Harry , feliz , pensando em Privet_Drive . Saíram de o carro . - Agora vamos lá para_cima sem fazer barulho - disse o Fred . - E esperamos que a mãe nos chame para o pequeno-almoço . Depois tu , Ron , desces a escada entusiasmadíssimo . - Mãe , olha quem apareceu cá durante a noite ! - E ela vai sentir se felicíssima quando vir o Harry . Assim ninguém fica a saber que levámos o carro voador . - Certo - disse o Ron . - Vamos , Harry , eu durmo em o ... Ron ganhou uma cor de um pálido esverdeado , os olhos fixos em a casa . Os outros três fizeram meia volta . Mrs._Weasley avançava por o pátio , afugentando as galinhas e , para uma mulher baixa , roliça e simpática , era fantástico como conseguia parecer se com um tigre dentes-de-sabre . - Ah ! - suspirou o Fred . - Oh , oh ! - exclamou o George . Mrs._Weasley parou em frente de eles . As mãos em as ancas , saltando de um olhar culpado para o outro . Usava um avental a as flores , com uma varinha a sair lhe de o bolso . - Com que então - disse . - Bom dia , mãe - arriscou o George com uma voz que tentou que fosse alegre e bem-disposta . - Vocês têm alguma ideia de como tenho estado preocupada ? - perguntou Mrs._Weasley em um murmúrio fraco . - Desculpe , mãe , mas sabe , nós tivemos que ... Os três filhos de Mrs._Weasley eram mais altos do_que ela , mas tremiam quando a fúria de a mãe se abatia sobre eles . - Camas vazias ! Nem um bilhete ! O carro desaparecido ... Podiam ter tido um acidente , estou fora de mim com tanta preocupação e vocês nem se importam ... nunca , enquanto eu for viva ... esperem só até o vosso pai chegar , nunca tivemos problemas de estes com o Bill , com o Charlie ou com o Percy ... - O perfeito Percy - resmungou Fred . - : __ tu não vales um dedo de a mão de o __ percy ! - gritou Mrs._Weasley , espetando um dedo em o queixo de o Fred . - Podias ter morrido , podias ter sido visto , podias ter feito com que o teu pai perdesse o emprego ... Parecia nunca mais acabar . Mrs._Weasley tinha gritado até ficar ronca , antes de se voltar para o Harry , que recuou . - Estou muito contente por te ver , Harry - disse . - Entra e vem tomar o pequeno-almoço . Ela voltou se e regressou a casa e Harry , depois de trocar um olhar nervoso com o Ron , que lhe acenou , encorajando o , seguiu a . A cozinha era pequena e bastante estreita . A meio havia uma enfezada mesa de madeira e cadeiras em volta e Harry sentou se a a beirinha de o assento , olhando em volta . Era a primeira vez que entrava em uma casa de feiticeiros . O relógio em a parede em frente de ele , tinha apenas um ponteiro e nenhum número . Em volta , estavam escritas frases como « Hora de fazer o chá » , « Hora de dar de comer a as galinhas « e « Estás atrasado » . Empilhados em o rebordo de a lareira estavam livros com títulos como * _ Encanta o teu próprio queijo , Encantamento em a cozedura de o pão e Banquetes em um minuto - é mágico * ! E , a menos que os ouvidos de Harry estivessem a traí o , o velho rádio próximo de o lava-loiças acabara de anunciar que a seguir vinha a Hora de enfeitiçar com a popular feiticeira-cantora Celestina_Warbeck . Mrs._Weasley fazia barulho com os talheres , preparando o pequeno-almoço um bocado a o acaso , lançando olhares furiosos a os filhos , enquanto lançava as salsichas em a frigideira . De vez em quando murmurava coisas como : « Não sei o que vos passou por a cabeça « ou « nunca devia ter confiado em vocês » . - Eu não te culpo , filho - tranquilizou Harry , pondo lhe sete ou oito salsichas em o prato . - Eu e o Arthur temos estado preocupados contigo . Ainda ontem a a noite estivemos a dizer que te iríamos buscar nós próprios se não respondesses a o Ron até sexta-feira . Mas , em a verdade ( estava agora a acrescentar três ovos estrelados a o prato de ele ) , atravessar metade de o país a voar em um carro ilegal , qualquer um vos poderia ter visto ... Agitou maquinalmente a varinha em a direcção de o lava-loiças , onde a loiça começou a lavar se sozinha , tinindo baixinho lá atrás . - Estava enevoado , mãe ! - exclamou o Fred . - Boca fechada enquanto comes ! - interrompeu Mrs._Weasley . - Eles estavam a fazê o passar fome , mãe ! - disse o George . - E tu também ! - disse Mrs._Weasley , mas já foi com uma expressão mais doce que começou a cortar o pão para Harry e a barrá o com manteiga . Em esse momento , as atenções voltaram se para um pequenino volto de cabelos ruivos , em uma camisa de dormir até a os pés , que surgiu em a cozinha , deu um grito agudo e desapareceu de_novo . - É a Ginny - disse Ron baixinho a o Harry -- , a minha irmã . Tem falado de ti todo o Verão . - Sim , ela vai querer o teu autógrafo , Harry - riu se o Fred , mas o seu olhar cruzou se com o de a mãe e inclinou se para o prato , não voltando a abrir a boca . Ninguém falou até os quatro pratos estarem limpos , o que sucedeu a uma velocidade surpreendente . - Bolas , estou cansado - bocejou Fred , pousando a faca e o garfo . Acho que me vou deitar e ... - Não vais , não senhor - interrompeu Mrs._Weasley . - A culpa é tua se ficaste toda_a noite acordado . Vais fazer a des-gnomização de o jardim . Eles estão outra_vez a exagerar . - Oh , mãe ... - E vocês os dois o mesmo - dirigiu se a o Ron e a o Fred . - Tu podes ir para a cama , filho - disse a Harry . - Não lhes pediste que guiassem aquele carro miserável . Mas Harry , que se sentia acordadíssimo , respondeu prontamente : - Eu ajudo o Ron , nunca vi uma des-gnomização ... - É muito simpático de a tua parte , querido , mas é um trabalho chato - explicou Mrs._Weasley . - Vejamos o que o Lockhart tem a dizer acerca disto . E puxou de o rebordo de a lareira um livro pesadíssimo . George resmungou : - Mãe , nós sabemos * des-gnomizar * o jardim . Harry olhou para a capa de o livro de Mrs._Weasley . Em grandes letras douradas , que ocupavam grande parte de a capa , podia ler se Guia_de_Gilderoy_Lockhart para pragas caseiras . Via se também a grande fotografia de um feiticeiro bem-parecido , de cabelos loiros ondulados e olhos azuis brilhantes . Como sempre , em o mundo de os feiticeiros , a fotografia mexia se . O feiticeiro , que Harry calculou ser Gilderoy_Lockhart , não parava de lhes piscar os olhos descaradamente . Mrs._Weasley sorriu lhe . - Oh , ele é fantástico - disse . - Conhece bem as pragas caseiras . É um livro maravilhoso . - A mãe adora o - disse Fred em um murmúrio bastante audível . - Não sejas ridículo , Fred - repreendeu Mrs._Weasley com as bochechas coradas . - É claro que se achas que sabes mais do_que o Lockhart , podes ir fazer o trabalho e ai de ti se houver um único gnomo em o jardim quando eu for fazer a inspecção . A bocejar e a resmungar , os Weasley arrastaram se lá para fora com Harry atrás de eles . O jardim era grande e , em a opinião de Harry , exactamente como deveria ser um jardim . Os Dursleys não teriam gostado . Havia uma enorme quantidade de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada , mas havia árvores nodosas em volta de as paredes , plantas que Harry nunca vira , tombando de todos os canteiros e um grande lago verde cheio de rãs . - Os Muggles também têm gnomos de jardim , sabes - disse o Harry a o Ron , enquanto atravessavam a relva . - Sim , já vi essas coisas que eles pensam que são gnomos - disse o Ron todo dobrado , com a cabeça em uma moita de peónias . - Como os Pais_Natais gordinhos com canas de pesca ... Houve um tumulto ruidoso , a moita de peónias estremeceu e Ron endireitou se . - Isto_é um gnomo - declarou com um ar sério . - Larga eu ! Larga eu ! - guinchou o gnomo . Não se parecia em absoluto com o Pai_Natal . Era pequenino e parecia de couro , com uma grande cabeça protuberante e calva , precisamente como uma batata . Ron agarrou o a a distância de um braço , enquanto ele dava pontapés em o ar com os seus pézinhos que pareciam chifres . Agarrou o por os tornozelos e voltou o de pernas para o ar . - Isto_é o que tens de fazer - disse . Levantou o gnomo acima de a cabeça ( Larga eu ! ) e começou a balouçá o em grandes círculos , como os vaqueiros fazem com os laços . A o ver a expressão chocada de Harry , Ron explicou : - Não os mágoa . Só tens de os deixar bem tontos para que consigam encontrar o caminho de regresso a os buracos de os gnomos . Largou os tornozelos de o gnomo . Ele voou seiscentos metros e aterrou com um ruído surdo em o campo a o lado de a sebe . - Deplorável - afirmou o Fred . - Aposto que consigo lançar o meu para_além de aquele tronco . Harry aprendeu rapidamente a não sentir muita pena de os gnomos . Decidira largar o primeiro que apanhou para_além de a sebe , mas o gnomo , sentindo fraqueza , enfiou os seus dentinhos , aguçados como laminas , em o dedo de o Harry e não foi fácil sacudi o para ele o largar , até que ... - Uau , Harry , esse deve ter sido seiscentos metros ... O ar estava subitamente cheio de gnomos voadores . - Vês , eles não são muito espertos - afirmou o George , agarrando cinco ou seis de uma_vez . - Em o momento em que se apercebem que começou a * des-gnomização * , aparecem todos para espreitar . Era de esperar que já tivessem aprendido a ficar quietinhos . Rapidamente a multidão de gnomos começou a ir se embora , atravessando os campos em uma fila ordenada , com os pequeninos ombros arqueados . - Eles voltam - disse o Ron enquanto os via desaparecer em a sebe de o outro lado de o campo . - Eles adoram estar aqui ... o pai é muito mole com eles , acha lhes piada . Em esse momento , a porta de a frente bateu . - Ele já voltou ! - exclamou o George . - O pai já está em casa ! Apressaram se a entrar . Mr._Weasley tinha se afundado em uma de as cadeiras de a cozinha , sem óculos e com os olhos fechados . Era um homem magro , quase calvo , mas o pouco cabelo que tinha era tão ruivo como o de os filhos . Vestia um longo manto verde cheio de pó e estava cansado de a viagem . - Que noite - murmurou , tacteando em busca de o bule , enquanto todos se sentavam a a volta de ele . - Nove assaltos , nove ! E o velho Mundungs_Fletcher tentou lançar me um feitiço quando eu estava de costas . Mr._Weasley tomou um bom gole de chá e suspirou . - Encontrou alguma coisa , pai ? - perguntou Fred ansiosamente . - Só encontrei algumas chaves encolhidas e uma chaleira que mordia - bocejou Mr._Weasley . - Havia um material bastante mauzinho , mas não era de o meu departamento . O Mortlake foi levado para ser interrogado sobre uns furões extremamente antigos , mas isso pertence a a Comissão_dos_Feitiços_Experimentais , graças_a Deus . - Por_que é_que alguém ia dar se a o trabalho de fazer encolher chaves ? - perguntou George . - Para chatear os Muggles - suspirou Mr._Weasley . - Vende se lhes uma chave que não pára de encolher , até que desaparece , de_modo_a que nunca a encontrem quando precisam ... É claro que é muito difícil condenar alguém , porque nenhum Muggle é capaz de admitir que a sua chave está a encolher , insistem em que estão sempre a perdê a . Benditos sejam , vão até onde for preciso para ignorar a magia , mesmo_que ela esteja em frente de os seus narizes ... mas vocês não acreditariam em as coisas que o nosso grupo tem levado para enfeitiçar ... - : __ como carros , por __ exemplo ? Mrs._Weasley tinha aparecido , segurando um grande atiçador que parecia uma espada . Os olhos de Mr._Weasley abriram se de repente , fitando a mulher com um ar culpado . - C-carros , Molly querida ? - Sim , Artur , carros - afirmou Mrs._Weasley , os olhos a faiscar . - Imagina um feiticeiro a comprar um carro velho e enferrujado e dizer a a mulher que a única coisa que queria fazer com ele era desmontá o para ver como ele funcionava , enquanto em a verdade estava a enfeitiçá o para o fazer voar . Mr._Weasley piscou os olhos . - Bem , querida , acho que poderás constatar que não é ilegal fazer isso , embora , er , talvez ele devesse ter contado a verdade a a mulher ... Existe uma forma de tornear a lei , já_que ela diz que ... desde_que não se tenha a * intenção * de voar em o carro , o facto de ele poder voar , não ... - Arthur_Weasley tu arranjaste essa forma de tornear a lei quando a escreveste ! - gritou Mrs._Weasley . - Para poderes continuar a remexer em todo aquele lixo de os Muggles que tens em a arrecadação ! E , para tua informação , o Harry chegou hoje_de_manhã em o carro que tu não pretendias pôr a voar ! - Harry ? - perguntou Mr._Weasley sem expressão . - Qual Harry ? Olhou em volta , viu Harry e deu um salto . - Santo_Deus , é Harry_Potter ? Muito prazer , o Ron falou nos tanto de si ... - * _ O teu filho conduziu aquele carro até a a casa de o Harry e de volta até aqui em a noite passada ! * - gritou Mrs._Weasley . - O que tens a dizer a esse respeito ? - A sério ! ? - exclamou Mr._Weasley com vivacidade . - Correu tudo bem , quero dizer ... - vacilou a o ver os olhos de Mrs._Weasley que faiscavam . - Er , fizeram mal , rapazes , muito mal , mesmo ... - Vamos deixá os a os dois - murmurou o Ron , enquanto Mrs._Weasley inchava como um sapo gigantesco . - Vamos , vou mostrar te o meu quarto . Esgueiraram se de a cozinha e desceram uma passagem estreita que dava para uma escada desnivelada que ziguezagueava a o longo de a casa . Em o terceiro andar , estava uma porta entreaberta . Harry só teve tempo de ver um par de olhos castanhos brilhantes que o olhavam fixamente , antes de a porta se fechar com um estalido . - A Ginny - disse o Ron . - Não imaginas como é estranho vês a tão tímida , ela que quase nunca se cala ... Subiram mais dois andares , até chegarem a uma porta com a tinta a descascar e uma pequena placa dizendo : « Quarto_do_Ronald » . Harry entrou . A cabeça quase tocava em o tecto inclinado . Piscou os olhos . Era como entrar dentro_de uma fornalha : quase tudo em o quarto de o Ron tinha um violento matiz alaranjado : a colcha de a cama , as paredes , até o tecto . Em seguida , apercebeu se de que o Ron tinha coberto cada centímetro de o velho papel de parede com * posters * de as mesmas sete feiticeiras e feiticeiros , todos vestidos com brilhantes mantos cor de laranja , transportando vassouras e acenando entusiasticamente . - A tua equipa de Quidditch ? - perguntou Harry . - Os Chudley_Cannons - disse Ron , apontando para a colcha cor de laranja que tinha um brasão com dois C's gigantes e uma bala de canhão a_toda_a velocidade . - Nono em a Liga . Os livros de estudo de feitiços de Ron estavam empilhados desordenadamente a um canto , junto de um monte de B. _ D. , todas elas relativas a as * _ Aventuras_de_Martin_Miggs , o Muggle louco * . A varinha mágica de o Ron estava em_cima_de um aquário cheio de ovos de rã sobre o peitoril de a janela , junto de o seu rato gordo e cinzento , Scabbers , que dormia uma soneca a o sol . Harry passou por_cima_de um baralho de cartas de jogar com vontade própria , que estava caído em o chão , e olhou para fora de a janelinha . Em o campo , não muito longe , podia ver um grupo de gnomos a esgueirarem se , um a um , de_novo para a sebe de os Weasley . Em seguida , voltou se para Ron que o observava nervoso , como_se esperasse a opinião de ele . - É um_pouco pequeno - declarou o Ron muito depressa . - Não se parece nada com o quarto que tu tinhas em casa de os Muggles . E estou mesmo debaixo de o vampiro de o sótão . Ele anda sempre a bater nos canos e a gemer ... Mas Harry , com um grande sorriso , disse lhe : - Esta é a melhor casa em que eu já estive . As orelhas de Ron ficaram cor-de-rosa . IV_Na_Flourish and Blotts_A vida em a Toca era o mais diferente que é possível de a vida em Privet_Drive . Os Dursleys gostavam de tudo limpo e arrumado , em casa de os Weasleys explodia o estranho e o inesperado . Harry teve um choque de a primeira vez que olhou para o espelho que estava sobre a lareira de a cozinha e ele gritou : - Mete para dentro a camisa , * desmazelado ! * - O vampiro de o sótão gemia e batia nos canos , sempre_que sentia as coisas demasiado calmas e as pequenas explosões em o quarto de o Fred e de o George , eram consideradas perfeitamente normais . Mas o que o Harry achou mais bizarro em a vida em casa de o Ron , não foi o espelho que falava , nem o vampiro barulhento , foi o facto de todos ali em casa parecerem gostar de ele . Mrs._Weasley preocupava se com o estado de as suas meias e tentava obrigá o a servir se quatro vezes a cada refeição . Mr._Weasley gostava que Harry se sentasse a o lado de ele a a mesa para poder bombardeá o com perguntas sobre a vida com os Muggles , pedindo que lhe explicasse como funcionavam coisas como as canalizações e o serviço de os correios . - Fascinante ! - exclamava , enquanto Harry lhe explicava a utilização de o telefone . - Engenhoso , de facto , todas_as maneiras que os Muggles encontraram para passar sem a magia . Harry teve notícias de Hogwarts em uma manhã de sol , cerca de uma semana depois de ter chegado a a Toca . Quando , ele e o Ron desceram para tomar o pequeno-almoço , encontraram Mr. e Mrs._Weasley e Ginny já sentados a a mesa . Em o momento em que viu o Harry , Ginny entornou a tigela de os cereais , que caiu a o chão com grande espalhafato . Ginny entornava facilmente coisas sempre_que o Harry estava em a sala . Mergulhou debaixo de a mesa para apanhar a tigela e emergiu com o rosto a brilhar como o sol poente . Fingindo não ter dado por nada , Harry sentou se e aceitou a torrada que Mrs._Weasley lhe ofereceu . - Cartas de a escola - disse Mr._Weasley , passando a o Harry e a o Ron envelopes idênticos de pergaminho amarelado , com a morada escrita a tinta verde . - O Dumbledore já sabe que estás aqui , Harry , não perde nada aquele homem . Vocês os dois também - acrescentou , enquanto Fred e George deambulavam em a casa , ainda em pijama . Fez se silêncio durante alguns momentos , enquanto liam as respectivas cartas . A de o Harry dizia para apanhar o Expresso_de_Hogwarts , como sempre em a Estação_de_King's_Cross , em o dia_1_de_Setembro . Havia ainda uma lista de os livros que precisaria para o próximo ano . Os alunos de o segundo ano deverão ter : * _ O_Livro_Padrão_de_Feitiços , Grau 2 , por Miranda_Goshawk . * _ Ensinamentos_de_Uma_Fada_Carpideira , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Férias com Bruxas , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Duendes , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Lobisomens , por Gilderoy_Lockhart . * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves , por Gilderoy_Lockhart * . Fred , que terminara a sua própria lista , espreitou para a de o Harry . - Também te mandam comprar os livros de o Lockhart - disse . - A professora de defesa contra as artes negras deve ser fanática . Aposto que é uma bruxa . Nessa_altura , Fred percebeu o olhar de a mãe e apressou se a comer o doce de laranja . - Esse conjunto não vai ficar barato - disse George , olhando rapidamente para os pais . - Os livros de o Lockhart são de os mais dispendiosos ... - Cá nos havemos de arranjar - declarou Mrs._Weasley , mas parecia preocupada . - Espero que pelo_menos para a Ginny possamos arranjar uma data de coisas em segunda mão . - Ah , vais entrar este ano para Hogwarts ? - perguntou lhe Harry . Ela fez um aceno , corando até a a raiz de os cabelos ruivos e meteu o cotovelo em o pires de a manteiga . Felizmente ninguém deu por nada , a não ser o Harry , porque em esse momento o irmão mais velho de Ron , o Percy , entrou . Já estava vestido , com a placa de prefeito aplicada a a sua camisola de malha . - Bom dia a todos - disse , cheio de vivacidade . - Está um dia lindo . Puxou a única cadeira livre , mas deu um salto quando ia sentar se e , debaixo de ele , saltou um espanador cinzento de penas , pelo_menos , foi o que o Harry pensou até ver que ele respirava . - Errol ! - exclamou Ron , afastando a coruja de o Percy e retirando lhe debaixo de a asa uma carta . - Até que enfim , a resposta de a Hermione . Escrevi lhe a contar que íamos tentar raptar te de casa de os Dursleys . Levou Errol para um poleiro que havia junto a a porta de as traseiras e tentou colocá a lá em cima , mas Errol caiu redonda e Ron teve de a pôr em a pia , murmurando : - Patético . - Em seguida , abriu a carta de a Hermione e leu a em voz alta . * _ Querido_Ron e Harry , se aí estiveres . Espero que tudo tenha corrido bem , que o Harry esteja O. _ K. e que não tenham feito nada ilegal para conseguir trazes o , porque isso podia criar lhe problemas também a ele . Tenho estado muito preocupada e , se o Harry estiver bem , por favor digam me qualquer coisa rapidamente , mas talvez seja melhor usarem uma nova coruja , porque acho que outra entrega pode acabar como esta . * _ Estou muito atarefada com trabalho de a escola , claro * . - Como é possível ? - perguntou Ron , horrorizado . - Estamos em férias ! - * _ E vamos para Londres em a próxima quarta-feira para comprar os meus livros novos . Porque não nos encontramos em a Diagon-al ? * _ Dêem-me notícias vossas o mais depressa possível . * _ Carinhosamente_Hermione * - Bem , parece uma boa solução , podemos ir todos comprar as vossas coisas - disse Mrs._Weasley , começando a limpar a mesa . - O que vão fazer hoje ? Harry , Ron , Fred e George tinham planeado ir a o cimo de o monte a um pequeno cercado de cavalos que os Weasleys possuíam . Estava rodeado de árvores que lhe tapavam a vista de a cidade cá em baixo , o que quer_dizer que podiam praticar Quidditch , desde_que não voassem muito alto . Não podiam usar as verdadeiras bolas de Quidditch pois seria muito difícil explicar se elas escapassem e voassem sobre a cidade . Em vez de elas , lançavam maçãs para os outros apanharem . Faziam turnos para montar a Nimbus dois_mil , que era de longe a melhor vassoura . A velha Shooting_Star_de_Ron fora muitas_vezes ultrapassada por as borboletas que passavam . Cinco minutos mais tarde estavam a marchar por o monte acima , de vassouras a o ombro . Tinham perguntado a o Percy se ele queria juntar se a eles , mas ele alegara muito trabalho . Até esse dia , Harry só tinha visto Percy a a hora de as refeições , ele ficava em silêncio em o quarto o resto de o tempo . - Gostava de saber o que ele anda a fazer - afirmou Fred , de testa franzida . - Não parece o mesmo . O resultado de os exames veio um dia antes de tu chegares : doze N_F_V e ele nem se manifestou satisfeito . - Níveis_de_Feitiçaria_Vulgares - explicou o George , vendo o olhar atarantado de Harry . - Se não temos cuidado , ainda nos calha outro Chefe_de_Turma em a família . Acho que não suportaria a vergonha . Bill era o mais velho de os irmãos Weasley . Ele e o irmão a seguir , Charlie , já tinham saído de Hogwarts . Harry não conhecia nenhum de os dois , mas sabia que o Charlie estava em a Roménia a estudar dragões e o Bill em o Egipto a trabalhar em o banco de os feiticeiros : Gringotts . - Não sei como o pai e a mãe vão arranjar dinheiro para nos pagar o material escolar este ano - disse o George , passado um bocado . - Cinco conjuntos de livros de o Lockhart ! E a Ginny precisa de mantos e de uma varinha e tudo_isso ... Harry não disse nada . Sentiu se um_pouco incomodado . Fechada em um cofre subterrâneo , em o banco de Gringotts_de_Londres , estava uma pequena fortuna que os pais lhe tinham deixado . É claro que só tinha esse dinheiro em o mundo de os feiticeiros , não se podem usar Galeões , Leões e Janotas em as lojas de os Muggles . Ele nunca fizera referência a a sua conta bancária em Gringotts a os Dursleys . Não lhe parecia que o horror que eles sentiam por tudo_o_que se relacionava com a feitiçaria se estendesse a uma enorme pilha de barras de ouro . Mrs._Weasley acordou os a todos bem cedo , em a quarta-feira seguinte . Depois de comerem umas doze sanduíches de * bacon * cada_um , enfiaram os casacos e Mrs._Weasley tirou um vaso de a prateleira de o fogão de a cozinha e espreitou lá para dentro . - Está a acabar se , Arthur - suspirou . - Temos de comprar mais hoje ... Bem , os hóspedes primeiro . Passa , Harry querido ! E ofereceu lhe o vaso de flores . Harry olhou espantado enquanto todos eles o observavam . - O q-que é_que eu devo fazer ? - gaguejou . - Ele nunca viajou com o pó de Floo - disse o Ron subitamente . - Desculpa , Harry , esqueci me . - Nunca ? - perguntou Mrs._Weasley . - Mas então como chegaste a a Diagon - _ Al em o ano passado para comprar as tuas coisas ? -- Fui por o subterrâneo . - A sério ? - disse Mr._Weasley , entusiasmado . - Havia fugitivos ? Como é_que ... - Agora não , Arthur - disse Mrs . Weasley . - O pó de Floo é muito mais rápido , querido , mas , valha me Deus , se ele nunca o usou ... - Vai correr bem , mãe - disse o Fred . - Harry observa nos primeiro . Tirou uma pitada de pó brilhante de dentro de o vaso , aproximou se de o lume e lançou o pó em as chamas . Com um rugido , o fogo ficou verde-esmeralda e elevou se a uma altura superior a a de o Fred que avançou , gritando Diagon - _ Al ! E desapareceu . - Tens de falar claramente , filho - disse Mrs._Weasley a o Harry , ao_mesmo_tempo que George metia a mão em o vaso de as flores . - E vê se sais em o fogão certo . - Em o quê ? - perguntou Harry , nervoso , enquanto o lume crepitava e fazia George desaparecer também . - Bem , há imensos fogos de feiticeiros , mas desde_que te tenhas expressado claramente ... - Ele vai conseguir , Molly , não te preocupes - disse Mr._Weasley , tirando também ele algum pó . - Mas querido se ele se perde como é_que vamos justificar nos perante o tio e a tia de ele ... -- Eles não se importariam - tranquilizou a Harry . - O Dudley ia achar imensa piada se eu me perdesse em uma chaminé , não se preocupe . - Bem , em esse caso ... tu vais a seguir a o Arthur - disse Mrs._Weasley . - Logo_que entres em o fogo diz para_onde queres ir . - E mantém os cotovelos dobrados - preveniu o Ron . - E os olhos fechados - disse Mrs._Weasley . - A fuligem . - Não te enerves - disse o Ron . - Senão podes ir parar a a lareira errada . - Não entres em pânico e não queiras sair cedo de mais . Espera até veres o Fred e o George . Fazendo um enorme esforço por reter toda aquela informação , Harry tirou uma pitada de pó de Floo e avançou para a beirinha de o fogo . Respirou fundo , espalhou o pó em as chamas e entrou . O fogo parecia uma brisa quente . Abriu a boca e engoliu , de imediato , uma grande quantidade de cinzas quentes . D-dia-gon-al - tossiu . Sentiu se como_se estivesse a ser sugado para um buraco gigantesco . Como_se girasse muito depressa ... o ruído era ensurdecedor . Tentou manter os olhos abertos mas o turbilhão de chamas verdes fê lo enjoar ... algo duro bateu lhe em o cotovelo e dobrou o de imediato . Continuava a rodar , a rodar ... sentia se agora como_se várias mãos frias estivessem a bater lhe em a cara ... Espreitando através de os óculos , viu uma torrente imprecisa de fogões e captou lampejos de as salas que estavam por detrás ... as sanduíches de * bacon * davam lhe a volta dentro de o estômago ... fechou os olhos desejando que tudo aquilo parasse e então caiu , de cara em o chão , em a pedra fria e sentiu os óculos partirem se a os bocados . Desorientado e ferido , coberto de fuligem , pôs se cautelosamente de pé , levando a os olhos os óculos partidos . Estava completamente só e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava . Tudo_o_que podia dizer era que a o seu lado via uma lareira que lhe parecia ser a de uma enorme e indistinta loja de feitiçaria . Mas nenhum de os artigos que ali se encontravam tinham aspecto de fazer parte de a lista de a escola de Hogwarts . Em uma caixa de vidro podia ver se uma mão atrofiada que repousava sobre uma almofada , um baralho de cartas ensanguentado e um olho de vidro que o olhava fixamente . Máscaras de expressão maldosa enchiam as paredes , olhando de esguelha , uma enorme quantidade de ossos humanos estendia se sobre o balcão e , de o tecto , pendiam instrumentos aguçados com pontas de ferro e pregos enferrujados . Mas o pior é_que a rua estreita e escura , que Harry conseguia avistar através de a janela poeirenta de a loja , não era de modo algum a Diagon-al . Quanto_mais depressa saísse de ali , melhor . O nariz ainda a doer lhe em o sítio onde batera em o chão a o aterrar , Harry avançou rápida e silenciosamente em direcção a a porta , mas antes de conseguir chegar a meio caminho , duas pessoas apareceram de o lado de_fora de o vidro , e uma de elas era a última pessoa que Harry desejaria encontrar em o momento em que se encontrava perdido , coberto de fuligem e com os óculos partidos , Draco_Malfoy . Harry olhou rapidamente em volta e apercebeu se de a existência de um grande armário escuro a a sua esquerda , saltou lá para dentro e fechou as portas , deixando uma gretazinha para poder espreitar . Segundos depois , uma campainha tocava e Malfoy entrava em a loja . O homem que o acompanhava só podia ser o pai . Tinha o mesmo rosto pálido de feições agudas e os mesmos olhos cinzentos de gelo . Mr._Malfoy atravessou a loja , olhando maquinalmente para os artigos expostos e tocou a campainha de o balcão , antes de se voltar para o filho , dizendo : - Não mexas em nada , Draco . Malfoy , que vira o olho de vidro , disse : - Pensei que ias oferecer me um presente . - Eu prometi que ia comprar te uma vassoura de corrida - declarou o pai , tamborilando com os dedos sobre o balcão . - Para que é_que me serve , se não estou em a equipa de Quidditch ? - perguntou Malfoy , carrancudo e de mau humor . - O Harry_Potter teve uma Nimbus dois_mil o ano passado , com a autorização especial de o Dumbledor é para jogar em os Gryffindor . Ele nem é assim tão bom , é só por ser * famoso * ... famoso por ter uma estúpida cicatriz em a testa . Malfoy baixou se para observar uma prateleira cheia de crânios . - Todos acham que ele é tão esperto , o Potter maravilha , com a sua cicatriz e a sua vassoura ... - Já me disseste isso doze vezes pelo_menos - comentou Mr._Malfoy , olhando repressivamente para o filho . - E devo lembrar te que não é prudente parecer menos do_que amigo de Harry_Potter , quando a maior parte de a nossa gente vê em ele um herói que fez desaparecer o Senhor_do_Mal . Ah , Mr._Borgin . Um homem curvado surgiu por detrás de o balcão , puxando o cabelo gorduroso para trás . - Mr._Malfoy , que prazer vês o de_novo - disse Mr._Borgin , em uma voz tão untuosa como o cabelo . - Encantado , e o nosso jovem Malfoy também , encantado . Em que posso servi os ? Tenho que vos mostrar o que chegou hoje , a um preço muito razoável ... - Hoje não venho comprar , Mr._Borgin , e sim vender - afirmou Mr._Malfoy . - Vender ? - O sorriso apagou se lentamente em o rosto de Mr._Borgin . - Certamente ouviu dizer que o Ministério está a levar a cabo mais buscas - explicou o Mr._Malfoy , retirando de o bolso um rolo de pergaminho e desembrulhando o para Mr._Borgin o ler . - Eu tenho alguns , ah , artigos em casa que poderiam criar me problemas se o Ministério me batesse a porta . Mr._Borgin colocou em o nariz um par de * pince-nez * e olhou para a lista . - O Ministério não se lembraria de o incomodar certamente ... O lábio de Mr._Malfoy dobrou se . - Ainda não me fizeram nenhuma visita . O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito , mas o Ministério está a ficar cada_vez_mais intrometido . Há boatos sobre um novo decreto de protecção de os Muggles , sem dúvida que aquele mordido de as pulgas , adorador de os Muggles , que é o Arthur_Weasley deve estar por detrás de isso . Harry sentiu crescer a raiva . - E , como pode ver , alguns de estes venenos podiam dar a ideia ... - Compreendo perfeitamente , claro - disse Mr._Borgin . - Deixe me ver ... - Posso ter aquilo ? - interrompeu Draco , apontando para a mão raquítica que estava sobre a almofada . - Ah , a mão de a glória ! - exclamou Mr._Borgin , abandonando a lista de Mr._Malfoy e apressando se a responder a Draco . - Põe se lhe uma vela e ela só dá luz a quem a transporta ! A melhor amiga de os gatunos e de os salteadores , o seu filho tem gosto , senhor . - Espero que o meu filho venha a ser mais do_que gatuno ou salteador , Borgin - disse Mr._Malfoy friamente e Mr._Borgin respondeu logo : - Sem ofensa , senhor , sem querer ofender . - Embora , se as notas de a escola não melhorarem - disse Mr._Malfoy ainda mais friamente - esse possa vir a ser o único caminho possível para ele . - Não tenho culpa - retorquiu Draco . - Todos os professores têm os seus preferidos , aquela Hermione_Granger ... - Eu , em o teu lugar , teria vergonha que uma rapariga que nem_sequer pertence a famílias de feiticeiros , me passasse a a frente em todos os exames - interrompeu Mr._Malfoy . Ah - fez Harry baixinho , radiante por ver Draco atrapalhado e furioso . - É o mesmo em todo o lado - comentou Mr._Borgin em a sua voz untuosa . - O sangue de os feiticeiros conta cada_vez menos ... - Não para mim - afirmou Mr._Malfoy , com as longas narinas dilatadas . - Não senhor , nem para mim - concordou Mr._Borgin , inclinando se em uma vénia . - Em esse caso , talvez possamos voltar a a minha lista - disse Mr._Malfoy secamente . - Estou com alguma pressa , Borgin , tenho ainda hoje assuntos importantes a tratar em outro lado . Começaram a discutir os preços . Harry via nervosamente o Draco aproximar se de o seu esconderijo enquanto observava os objectos a a venda . Parou para examinar um enorme rolo de corda de carrasco e para ver , com um sorriso afectado , o cartão preso com um aparatoso laço de opalas onde podia ler se : * _ Cautela , não tocar . Amaldiçoado - reclama as vidas de dezanove donos , todos eles Muggles * . Draco voltou se e viu o armário mesmo em frente . Avançou , estendeu a mão para o puxador ... - Feito - disse Mr._Malfoy , a o balcão . - Vamos , Draco . Harry limpou a testa a a manga quando Draco se afastou . - Muito bom dia , Mr._Borgin . Espero por si amanhã em a mansão para ir buscar a mercadoria . Em o momento em que a porta se fechou , Mr._Borgin abandonou os seus modos subservientes . « Bom dia para o senhor , Mr._Malfoy , e , se as histórias que contam são verdadeiras , não me vendeu nem metade do_que tem escondido em a sua mansão ... » Murmurando de forma taciturna , Mr._Borgin desapareceu em uma sala escura . Harry esperou um minuto não fosse ele voltar e , em seguida , o mais silenciosamente possível , escapou se de o armário , passou por as caixas de vidro e saiu de a loja . Encostando os óculos partidos a o rosto , olhou em volta . Saíra em uma rua estreita e sombria que parecia composta exclusivamente de lojas dedicadas a as artes negras . Aquela de onde acabava de sair parecia ser a maior , mas em frente estava uma montra tétrica de cabeças encolhidas e duas portas abaixo podia ver se uma enorme caixa viva cheia de gigantescas aranhas pretas . Dois feiticeiros com aspecto pobre observavam o de a sombra de uma porta , murmurando entre si . Sentindo se nervoso , Harry pôs se a caminho , tentando agarrar os óculos a direito e não desistindo de a esperança de encontrar maneira de sair de ali . Por um cartaz de madeira , pendurado em a rua , indicando uma loja de venda de velas envenenadas , ficou a saber que se encontrava em a Rua * _ Bativolta * , mas isso não o ajudou pois Harry nunca ouvira falar em tal lugar . Calculou que não tinha pronunciado bem as palavras com a boca cheia de cinzas em a lareira de os Weasley . Tentando manter a calma perguntou a si mesmo o que havia de fazer . - Não estás perdido , pois não , meu menino ? - perguntou uma voz , mesmo junto de o seu ouvido , que o fez dar um salto . Uma bruxa idosa estava em a sua frente , segurando um tabuleiro de uma coisa que se parecia horrivelmente com unhas humanas . A mulher olhou o maldosamente , mostrando os dentes esverdeados . Harry recuou . - Estou bem , obrigado - disse . - Estou só ... - HARRY ! O qu'é que pensas que estás a fazer aqui ? O coração de Harry deu um salto , assim_como o de a bruxa . Um monte de unhas caíram lhe sobre os pés e ela praguejou , enquanto o corpo enorme de Hagrid , o guarda de os campos de Hogwarts , se aproximava de eles a passos largos com os olhos castanhos-escuros a faiscarem sobre a longa barba eriçada . - Hagrid - gritou Harry , aliviado . - Eu estava perdido ... o pó de Floo ... Hagrid agarrou Harry por o cachaço e puxou o para longe de a bruxa , tirando lhe o tabuleiro de as mãos . Os guinchos agudos de a feiticeira seguiram nos até a o fundo de a ruela serpenteante que ia dar a um lagar onde brilhava o sol . Harry avistou a a distância um edifício de mármore branco como a neve que lhe era familiar : o banco de Gringotts . Hagrid conduzira o até a a Diagon - _ Al . - ` _ tás em um péssimo estado ! - disse Hagrid bruscamente , sacudindo lhe a fuligem com tanta força que Harry quase caiu em um barril de estrume de dragão que se encontrava a a porta de um boticário . - A fugir , em a Rua * _ Bativolta * , eu não conheço esse lugar finório , Harry , não quero que ninguém te veja aqui em baixo . - Já percebi - disse Harry , baixando se quando Hagrid fez menção de o escovar melhor . - Já te disse que estava perdido . E o que é_que tu fazes aqui ? - ` _ Tou a a procura d'um repelente para as lesmas comedoras de legumes - resmungou Hagrid . - ` _ tão a destruir as couves todas de a escola . Tu não estás sozinho ? - Estou em casa de os Weasley , mas separámo nos explicou Harry . - Tenho que os encontrar . Desceram juntos a rua . - Por_que é_que nunca respondeste a as minhas cartas ? - perguntou Hagrid , enquanto Harry corria para o acompanhar ( tinha de dar três passos por cada enorme passada de Hagrid ) . Harry explicou lhe tudo sobre Dobby e os Dursleys . - Malditos_Muggles - rugiu Hagrid . - S'eu tivesse sabido ... - Harry ! Harry ! Aqui ! Harry olhou para_cima e viu Hermione_Granger em o topo de a escadaria de Gringotts . Desceu para vir a o encontro de ele , o cabelo castanho de caracóis , a esvoaçar atrás de ela . - O que aconteceu a os teus óculos ? Olá_Hagrid ... Oh , é maravilhoso ver vos outra_vez . Vens a Gringotts , Harry ? - Logo_que encontre os Weasley - respondeu ele . - Não vais ter d'esperar muito - riu se Hagrid . Harry e Hermione olharam em volta . Subindo a rua , em o meio de a multidão , vinham Ron , Fred , George , Percy e Mr._Weasley . - Harry - chamou Mr._Weasley , ofegante . - Tínhamos esperança que só tivesses ido um fogão mais longe ... - passou um pano em a sua calva reluzente . - A Molly está nervosíssima , aí vem ela . - Onde é_que tu saíste ? - perguntou o Ron . - Em a Rua * _ Bativolta * - disse o Hagrid , com um ar sério . - Sensacional ! - exclamaram Fred e George ao_mesmo_tempo . - Nunca nos deram autorização para lá ir - disse o Ron com uma pontinha de inveja . - E fizeram muito bem - grunhiu Hagrid . Mrs._Weasley chegou em aquele momento a correr , a mala a balouçar em uma de as mãos e Ginny quase pendurada em a outra . - Oh Harry , oh meu querido , podias ter ido parar a qualquer lugar ... Tentando recuperar o fôlego , tirou de a mala uma grande escova de roupa e começou a retirar a fuligem que Hagrid não conseguira expulsar . Mr._Weasley pegou em os óculos de Harry , deu lhes um toque de varinha e entregou lhe os como novos . - Bem , tenho de m'ir embora - disse Hagrid cuja mão estava a ser esmagada por Mrs._Weasley ( -- Rua * _ Bativolta * ! Se não o tivesses encontrado , Hagrid ! ) . - Vemo nos em Hogwarts . - E afastou se , os ombros e a cabeça acima de a multidão que enchia completamente a rua . - Adivinham quem eu vi em o Borgin and Burkes ? - perguntou Harry_a_Ron e a Hermione enquanto subiam as escadarias de Gringotts . - Malfoy e o pai . - O Lucius_Malfoy comprou alguma coisa ? - perguntou interessado Mr._Weasley que estava atrás de eles . - Não , estava a vender . - Então está preocupado - comentou Mr._Weasley com visível satisfação . - Ah , eu adorava apanhar o Lucius_Malfoy em alguma . . - Tem cuidado , Arthur - interrompeu Mrs._Weasley enquanto o gnomo porteiro lhes dava reverentemente entrada em o banco . - Isso é um problema de família . Não queiras ter mais olhos que barriga . - Queres dizer com isso que achas que eu não chego para o Malfoy ? - perguntou Mr._Weasley , indignado , mas foi rapidamente afastado de aqueles sentimentos a o avistar os pais de Hermione que estavam de pé , nervosamente encostados a o balcão que acompanhava a grande parede de mármore , a a espera que Hermione os apresentasse . - Mas vocês são Muggles ! - disse Mr._Weasley , encantado . - Temos de tomar uma bebida . O que é isso aí ? Ah , estão a trocar dinheiro de Muggle . Molly , olha - apontou cheio de excitação para as notas de dez libras que Mr._Granger tinha em a mão . - Encontramo nos aqui - disse Ron_a_Hermione , enquanto os Weasley e Harry eram conduzidos a os seus cofres em o subterrâneo de Gringotts . Para chegar a os cofres havia que tomar umas carrinhas conduzidas por gnomos que se deslocavam ao_longo_de carris de comboio de pequenas dimensões através de os túneis subterrâneos de o banco . Harry gostou de a viagem acidentada até a o cofre de os Weasley , mas sentiu se bastante mal , pior do_que em a Rua * _ Bativolta * , quando o cobre foi aberto . Havia lá dentro um pequenino monte de Leões de prata e apenas um Galeão de ouro . Mrs._Weasley foi com a mão a a procura em os cantos antes de , com um gesto rápido , varrer tudo para dentro de o saco . Harry sentiu se ainda pior quando chegaram a o seu cofre . Tentou evitar que vissem o conteúdo enquanto empurrava apressadamente mãos cheias de moedas para dentro_de uma sacola de cabedal . Lá fora , em as escadarias de mármore , separaram se . Percy murmurou vagamente que precisava de uma nova pena de escrever . Fred e George tinham avistado um amigo de Hogwarts , Lee_Jordan . Mrs._Weasley e Ginny iam a uma loja de mantos em segunda mão , Mr._Weasley continuava a insistir em levar os Grangers a o Caldeirão_Escoante para lhes pagar uma bebida . - Encontrarmo nos todos em a Flourish and Blotts dentro_de uma hora para comprar os vossos livros de estudo - disse Mrs._Weasley , afastando se com Ginny . - E nem um passo em direcção a a Rua * _ Bativolta * - gritou a os gémeos que estavam de costas . Harry , Ron e Hermione deambularam por a rua empedrada e sinuosa . O ouro , prata e bronze que tilintavam alegremente em o saco que Harry tinha em o bolso pareciam exigir ser gastos , por isso ele comprou três enormes gelados de morango e manteiga de amendoim que eles devoraram felizes enquanto vagueavam sem destino por a rua fora , observando as montras fantásticas de as lojas . Ron olhou longamente para um conjunto completo de mantos de o Chudley_Cannon , em as montras de o « Equipamento_de_Quidditch_de_Qualidade » até Hermione o arrastar de ali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos . Em a « Jogos_de_Feitiçaria_de_Gambol and Japes » encontraram o Fred , o George e o Lee_Jordan que estavam presos em a fabulosa partida debaixo_de chuva e em os fogos-de-artifício de o Dr._Filibuster . E em uma pequenina loja de velharias cheia de varinhas partidas , balanças instáveis de latão e mantos velhos cobertos de nódoas de poções encontraram Percy profundamente concentrado em um pequenino livro , bastante chato , chamado * _ Prefeitos que conquistam o poder * . - * _ Um estudo sobre os prefeitos de Hogwarts e as suas posteriores carreiras * - leu alto o Ron em a contracapa . - Deve ser fascinante ... - Desaparece - gritou Percy . - Claro , ele é muito ambicioso , já tem tudo planeado . Quer ser ministro de a magia - disse o Ron baixinho a o Harry e a a Hermione , enquanto deixavam Percy entregue a o livro . Uma hora mais tarde dirigiram se a a Flourish and Blotts . Não eram de modo algum os únicos a encaminhar se para a livraria . À_medida_que se aproximavam viram com grande surpresa uma grande multidão a a porta , tentando entrar em a loja . O motivo de tal confusão estava anunciado em um cartaz que se estendia a o longo de a montra superior . GILDEROY_LOCKHART_Assinará exemplares de a sua autobiografia " eu , o mágico " Hoje 12.30 - 16.30 - Vamos poder conhecê o ! - gritou Hermione . - Quero dizer , ele escreveu quase todos os livros de a nossa lista ! A multidão parecia ser maioritariamente composta por bruxas de a idade de Mrs._Weasley . Um feiticeiro bem-parecido estava de pé junto de a porta , dizendo : - Calma , minhas senhoras , não empurrem , cuidado com os livros . Harry , Ron e Hermione conseguiram furar e entrar . Uma longa fila serpenteava para as traseiras de a loja onde Gilderoy_Lockhart estava a assinar os seus livros . Cada_um de eles pegou em um exemplar de * _ ensinamentos de Uma Fada_Carpideira * e escaparam se de a fila indo ter a o lugar onde se encontravam os outros com Mr. e Mrs._Granger . - Ah , aí estão vocês . _ óptimo - disse Mrs._Weasley que parecia estar com falta de ar e não parava de mexer em o cabelo . - Vamos poder vês o dentro_de um minuto . Gilderoy_Lockhart veio lentamente até um lugar onde era visível para todos , sentou se a uma mesa , rodeado de grandes fotografias de o próprio rosto , todo ele sorrisos , mostrando a a multidão o brilho cintilante de os seus dentes . Lockhart usava uma túnica azul-noite que condizia a as mil maravilhas com a cor de os olhos , o chapéu pontiagudo de feiticeiro colocado lateralmente sobre o cabelo ondulado . Um homenzinho pequenino e irritante andava a dançar de um lado para o outro , tirando fotografias com uma grande máquina preta que lançava baforadas de fumo arroxeado em cada * flash * . - Sai de o caminho , tu aí - disse rispidamente a o Ron , mudando de lugar para ter um angulo melhor . - Este é para o * _ Profeta_Diário * . - Grande coisa ! - exclamou o Ron , esfregando os pés em o lugar que o fotógrafo pisara . Gilderoy_Lockhart ouviu o . Olhou , viu o Ron e em seguida Harry . Voltou a olhar , desta_vez com mais atenção . Em seguida , pôs se de pé e gritou : - Não pode ser , o Harry_Potter ? A multidão dividiu se entre murmúrios de excitação . Lockhart aproximou se , agarrou Harry por um braço e levou o para a frente . A multidão rebentou em aplausos . A cara de Harry ardia quando Lockhart lhe apertou a mão para o fotógrafo que disparava como um louco , lançando fumo espesso para_cima de os Weasley . - Belo sorriso , Harry - disse Lockhart através de os seus dentes brilhantes . - Tu e eu juntos merecemos a primeira página . Quando por fim lhe largou a mão , Harry quase não sentia os dedos . Tentou recuar para junto de os Weasley , mas Lockhart lançou lhe um braço por os ombros e prendeu o a o seu lado . - Minhas senhoras e meus senhores - disse bem alto , fazendo sinal para que se acalmassem . - Que momento extraordinário este ! O momento perfeito para eu anunciar algo que tenho vindo a guardar comigo desde_há algum tempo . - Quando o jovem Harry entrou em a Flourish and Blotts hoje , ele queria apenas comprar a minha autobiografia , que tenho agora o maior prazer em oferecer lhe - a multidão aplaudiu de_novo . - Ele não tinha ideia - continuou Lockhart , dando a o Harry um pequeno encontrão que fez com que os óculos lhe escorregassem para a ponta de o nariz - de que ia conseguir em_breve muito mais do_que o meu livro Eu , o mágico . Ele e os seus colegas de a escola vão receber , de facto , o verdadeiro * _ Eu , o mágico * . Sim , minhas senhoras e meus senhores , tenho o maior prazer em anunciar que em o mês_de_Setembro assumirei o lugar de professor de Defesa contra as artes negras em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts ! A multidão aplaudiu e bateu palmas e Harry deu consigo a ser presenteado com a obra completa de Gilderoy_Lockhart . Cambaleando ligeiramente sob o peso de os livros conseguiu abrir caminho para longe de os projectores até a a porta de a sala onde estava Ginny com o seu novo caldeirão . - Podes ficar com estes - murmurou Harry , enfiando os livros em o caldeirão . - Eu vou comprar os meus . - Aposto que adoraste aquilo , não adoraste , Potter ? - disse uma voz que Harry não teve qualquer dificuldade em reconhecer . Endireitou se e deu consigo frente_a_frente com Draco_Malfoy que exibia o seu habitual sorriso escarninho . - O famoso Harry_Potter - disse Malfoy . - Nem_sequer pode entrar em uma livraria sem se tornar primeira página . - Deixa o em paz , ele não queria nada de isso - defendeu a Ginny . Era a primeira vez que falava em frente de Harry . Olhava para Malfoy com um ar feroz . - Potter , arranjaste uma namorada ! - disse arrastadamente Malfoy . Ginny ficou vermelha como um pimentão enquanto Ron e Hermione tentavam abrir caminho , ambos carregando montes de livros de Lockhart . -- Ah és tu ? - disse Ron , olhando para Malfoy como_se ele fosse algo desagradável colado a a sola de o sapato . - Aposto que te surpreendeu ver o Harry aqui ? - Não tanto como a ti em uma loja , Weasley - retorquiu Malfoy . - Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo . Ron ficou tão vermelho quanto Ginny . Deixou também cair os livros em o caldeirão e avançou para Malfoy , mas Harry e Hermione agarraram o por as costas de o casaco . - Ron - disse Mrs._Weasley , aproximando se com Fred e George . - O que estás a fazer ? Isto está uma loucura aqui dentro , vamos lá para fora . - Olha quem ele é , Arthur_Weasley . - Era_Mr._Malfoy . Estava de pé com a mão sobre o ombro de Draco , com o mesmo sorriso escarninho . -- Lucius - disse Mr._Weasley , acenando friamente . -- Muito trabalho em o ministério , segundo me consta - disse Mr._Malfoy . - Todas essas buscas ... espero que te estejam a pagar horas extraordinárias . Meteu a mão em o caldeirão de a Ginny e tirou de o meio de os livros de Lockhart um exemplar muito velho e muito gasto de o * _ Guia_de_Transfiguração_para_Principiantes * . - Parece que não - disse . - Que diabo , qual a vantagem de ser uma nódoa entre os feiticeiros se nem_sequer te pagam bem por isso ? Mr._Weasley corou mais ainda do_que Ron ou Ginny . - Nós temos uma opinião diferente sobre quem são as nódoas entre os feiticeiros - disse . - É claro que ... - disse Mr._Malfoy , os olhos mortiços passando para Mr. e Mrs._Granger apreensivamente . - As companhias com quem tu andas ... e eu que pensava que já não conseguias descer mais baixo ... Ouviu se um tilintar de metal quando o caldeirão de a Ginny foi por os ares . Mr._Weasley lançara se sobre Mr._Malfoy atirando o para dentro_de uma estante . Dezenas_de livros de feitiços saltaram lá de cima , caindo lhes sobre as cabeças . Houve um grito de - Chega lhe , pai ! - de o Fred e de o George . Mrs._Weasley soltava gritos agudos : - Não_Arthur , não . A multidão recuava deitando mais prateleiras a o chão . - Meus senhores , por favor - gritava o encarregado , e então , mais alto do_que todos : - Parem com isso , gente , parem com isso . Hagrid aproximava se através_de um mar de livros . Em um segundo afastou Mr._Weasley e Mr._Malfoy . Mr._Weasley tinha um lábio cortado e Mr._Malfoy fora agredido em um olho por uma * _ Enciclopédia_de_Cogumelos_Venenosos * . Tinha ainda em a mão o livro velho de a Ginny sobre transfiguração . Atirou lhe o , com os olhos a brilhar de malvadez . - Toma o teu livro , garota . É o melhor que o teu pai pode oferecer te . Libertando se de Hagrid , conduziu Draco para fora e abandonaram a livraria . - Devias tê o ignorado , Arthur - disse Hagrid quase a pegar em Mr._Weasley a o colo enquanto lhe endireitava o manto . - São podres até a a raiz , todos eles . Tod'à gente sabe . Nenhum Malfoy vale a pena ser ouvido . Não prestam , ' tá-lhes em o sangue . Vá lá , vamos sair de aqui . O encarregado parecia querer impedis os , mas , olhando bem para Hagrid , pensou melhor . Subiram a rua , os Grangers a tremer de medo e Mrs._Weasley fora de si . - Um belo exemplo para as crianças ... andar a a pancada em público . O que terá pensado Gilderoy_Lockhart ? - Ele gostou - disse o Fred . - Não o ouviram quando ia a sair ? Estava a perguntar a aquele tipo de o Profeta_Diário se conseguia incluir a briga em a reportagem , disse que era boa publicidade . Mas foi um grupo deprimido que regressou a a lareira de o Caldeirão_Escoante onde Harry , os Weasley e todas_as suas compras iriam viajar de volta até a a Toca , usando o pó de Floo . Despediram se de os Grangers que iam sair de o * pub * por a rua de os Muggles , de o outro lado . Mr._Weasley começou a perguntar lhes como funcionavam as paragens de autocarros , mas calou se rapidamente a o ver a expressão de Mrs._Weasley . Harry tirou os óculos e guardou os cautelosamente em o bolso antes de utilizar o pó de Floo . Definitivamente não era a sua forma ideal de viajar . V_O salgueiro zurzidor O fim de as férias de Verão chegou demasiado depressa para o gosto de Harry . Ele desejara muito regressar a Hogwarts , mas aquele mês em a Toca tinha sido o mais feliz de toda_a sua vida . Era difícil não invejar o Ron quando pensava em os Dursleys e em as boas-vindas que ia receber de a próxima vez que pusesse os pés em Privet_Drive . Em a última noite , Mrs._Weasley preparou um jantar magnífico , que incluía os pratos favoritos de Harry e terminava com um pudim de melaço de fazer crescer água em a boca . Fred e George alegraram a noite com uma exibição de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que saltaram de o tecto para as paredes , durante pelo_menos meia_hora . Depois , foi a altura de tomarem uma caneca de chocolate quente e irem para a cama . Em a manhã seguinte , demoraram muito_tempo a preparar se . Levantaram se com o cantar de o galo , mas parecia lhes que ainda tinham muito para fazer . Mrs._Weasley andava de um lado para o outro , mal-humorada , a a procura de meias e penas , chocavam uns com os outros em as escadas , meio vestidos , meio despidos , com pedaços de torrada em as mãos e Mr._Weasley quase partiu o nariz quando tropeçou em uma galinha a o atravessar o pátio , para meter em o carro a mala de Ginny . Harry não percebia lá muito bem_como é_que oito pessoas , seis grandes malas , duas corujas e um rato , iam caber em um pequeno * _ Ford_Anglia * , isso , claro , antes de as artes mágicas que Mr._Weasley acrescentara . - Nem uma palavra a a Molly - murmurou ele a o Harry , enquanto abria a bagageira e lhe mostrava como ela se expandira para que as malas coubessem facilmente . Quando , por fim , se acomodaram todos em o carro , Mrs._Weasley olhou para o banco de trás , onde Harry , Ron , Fred , George e Percy estavam confortavelmente sentados uns a o lado de os outros e disse : - Os Muggles têm mais conhecimentos do_que aqueles que nós lhes atribuímos , não achas ? - Ela e a Ginny entraram para o lugar de a frente , que fora esticado e parecia um banco de jardim . - Quer_dizer , de_fora ninguém diria que este carro era espaçoso , não acham ? Mr._Weasley pôs o motor a funcionar e saíram de o pátio , Harry voltando se para trás para ver por a última vez a casa . Mal teve tempo de se questionar se iria voltar alguma vez e já estavam de volta : George esquecera se de a caixa de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Cinco minutos mais tarde tiveram de interromper de_novo a viagem e voltar a o pátio para o Fred ir a correr buscar a vassoura . Estavam quase a chegar a a auto-estrada , quando Ginny guinchou que se esquecera de o diário . Mas estava a fazer se muito tarde e os ânimos começavam a exaltar se . Mr._Weasley olhou para o relógio e , em seguida , para a mulher . - Molly , querida ... - Não , Arthur . - Ninguém ia ver . Este botãozinho é um transformador de invisibilidade que eu instalei , levava nos por o ar , subíamos acima de as nuvens . Estaríamos lá em dez minutos e ninguém daria por nada ... - Eu disse que não , Arthur . Durante o dia , não . Chegaram a King's_Cross , faltava um quarto para as onze . Mr._Weasley precipitou se em busca de um carrinho de transporte para as malas e correram todos para a estação . Harry apanhara o Expresso_de_Hogwarts em o ano anterior . A parte mais difícil era entrar em a plataforma nove_e_três quartos , que não era visível a os olhos de os Muggles . Era preciso avançar para a barreira sólida que dividia as plataformas nove e dez . Não doía nada , mas tinha de ser feito com cuidado para que nenhum de os Muggles de esse , por o desaparecimento . - O Percy em primeiro lugar - declarou Mrs._Weasley , olhando nervosamente para o relógio lá em cima , que mostrava que tinham apenas cinco minutos para desaparecer através de a barreira . Percy avançou a passos largos e desapareceu . Mr._Weasley foi a seguir e depois de ele Fred e George . - Eu levo a Ginny e vocês vêm atrás_de nós - disse Mrs._Weasley a o Harry e a o Ron , agarrando Ginny pela mão e seguindo em frente . Em um abrir e fechar de olhos , tinham passado . - Vamos passar juntos , só temos um minuto - disse Ron a o Harry . Harry assegurou se de que a gaiola de a Hedwig estava bem fixa em cima de a sua mala e empurrou o carrinho de encontro a a barreira . Estava perfeitamente confiante , aquilo era muito mais fácil do_que usar o pó de Floo . Puseram os dois as mãos em o puxador de os carrinhos e avançaram direitos a a barreira , ganhando velocidade . A um metro e pouco , começaram a correr e ... CRASH . Os dois carros bateram em a barreira e foram impelidos para trás . A mala de o Ron caiu com um enorme estrépito . Harry desequilibrou se e a gaiola de a Hedwig foi parar a o chão brilhante , enquanto ela rolava guinchando , indignada . As pessoas em volta olhavam fixamente e um guarda que estava ali perto gritou : - Que diabo pensam vocês que estão a fazer ? - Perdemos o controlo de o carro de transporte - respondeu o Harry , respirando com dificuldade , agarrando se a as costelas , enquanto se punha de pé . Ron correu a agarrar a Hedwig , que estava a fazer uma cena tal , que já se ouviam murmúrios em a multidão sobre a crueldade para com os animais . - Porque é_que não conseguimos passar ? - perguntou Harry a o Ron em um sussurro . - Não sei . Ron olhou descontroladamente em volta . Uma_dúzia de curiosos estavam ainda a observá os . - Vamos perder o comboio - murmurou o Ron . - Não compreendo porque motivo a cancela se fechou . Harry olhou para o relógio gigantesco com um sentimento de náusea em a boca de o estômago . Dez segundos , nove segundos ... Dirigiu o carrinho de transporte para a frente com toda_a força . O metal manteve se sólido . Três segundos ... dois segundos ... um segundo ... - Partiu - afirmou o Ron , que parecia estonteado . - O comboio foi se embora . E se a mãe e o pai não conseguem voltar para aqui ? Tens algum dinheiro de Muggle ? Harry deu uma gargalhada . - Os Dursleys não me dão um tostão há mais de seis anos ! Ron encostou o ouvido a a barreira . - Não se ouve nada - disse , bastante tenso . - O que vamos nós fazer ? Não sei quanto tempo o pai e a mãe vão demorar . Olharam em volta . As pessoas ainda estavam a observá os , principalmente devido a os contínuos guinchos de a Hedwig . - Acho que o melhor é sairmos de aqui e esperamos por eles junto de o carro - disse Harry . - Aqui estamos a atrair demasiado as aten ... - Harry - disse o Ron , com os olhos a brilhar . - É isso , o carro . - O que é_que tem ? - Podemos voar nele até Hogwarts ! - Mas eu pensei ... - Estamos em apuros , certo ? E temos de chegar a a escola , ou não ? E mesmo os feiticeiros menores de idade estão autorizados a usar a magia em uma emergência real , parágrafo dezanove , ou não sei quê , de a Restrição de ... O sentimento de pânico de Harry transformou se em entusiasmo . - E tu sabes voar nele ? - Não há problema - disse o Ron , andando com o carrinho a a volta e dirigindo se para a saída . - Anda de aí . Se em os apressarmos , conseguiremos sair atrás de o Expresso_de_Hogwarts . E afastaram se de o grupo de Muggles curiosos , abandonando a estação e voltando a a rua , onde o velho * _ Ford_Anglia * se encontrava estacionado . Ron abriu a bagageira com uma série de toques de varinha . Meteram lá dentro as malas , puseram a Hedwig em o assento de trás e entraram para a frente . - Verifica se ninguém está a ver - disse o Ron , ligando a ignição com outro toque de varinha . Harry pôs a cabeça fora de a janela : o trânsito enchia a avenida principal , mas a rua de eles estava vazia . - O. _ K. - disse . Ron carregou em um pequeno botão de o painel . Os carros em volta desapareceram assim_como eles . Harry sentia o assento a vibrar debaixo_de si , ouvia o motor , sentia as mãos sobre os joelhos e os óculos em o nariz , mas , tanto quanto conseguia ver , tornara se um par de olhos redondos flutuando um metro e pouco acima de o chão em uma rua suja , cheia de carros estacionados . - Vamos - disse a voz de o Ron , vinda de o seu lado direito . O chão e os prédios escuros de ambos os lados desapareceram de o seu ângulo de visão , mal o carro se elevou . Em poucos segundos toda_a cidade de Londres , enevoada e resplandecente , estava por baixo de eles . Em seguida , ouviu se um ruído que parecia o saltar de uma rolha e o carro , Harry e Ron , reapareceram . - Oh , oh - disse Ron , batendo em o intensificador de invisibilidade . - Está avariado ... Começaram os dois a bater em o botão . O carro desapareceu . Depois surgiu de forma intermitente . - Aguenta aí - gritou o Ron e carregou com o pé em o acelerador . Saltaram direitinhos para o meio de as nuvens mais baixas e tudo ficou sujo e enevoado . - E agora ? - exclamou Harry , piscando os olhos a a sólida massa de nuvens que os comprimia de todos os lados . - Precisamos de avistar o comboio para sabermos qual a direcção a tomar - explicou o Ron . - Desce rapidamente ... Desceram por o meio de as nuvens e voltaram se em os lugares , espreitando . - Estou a vê o - gritou Harry . - Mesmo em frente , ali . O Expresso_de_Hogwarts deslocava se a grande velocidade lá em baixo , como uma serpente vermelha . - Para Norte - disse o Ron , verificando a bússola de o painel . - O. _ k . , basta que verifiquemos de meia em meia_hora . Aguenta aí ... - e arrancaram por o meio de as nuvens . Em o minuto seguinte , tinham chegado a a luz brilhante de o Sol . Era um mundo diferente . Os pneus de o carro deslizavam sobre o mar de nuvens macias , o céu era de um azul infinito sob a luz , capaz de cegar , que irradiava de o Sol . - Agora só temos de nos preocupar com os aviões - disse o Ron . Olharam um para o outro e desataram a rir . Durante muito_tempo não conseguiram parar . Era como_se tivessem mergulhado em um sonho fabuloso . Aquela , pensou Harry , era certamente a única maneira de viajar : passando por turbilhões e torres de nuvens cor de neve , em um carro cheio de calor , o sol radioso , com um grande pacote de rebuçados em o porta-luvas e antegozando o ar de inveja de o Fred e de o George quando aterrassem suavemente e de forma espectacular em o relvado macio em frente de o castelo de Hogwarts . Espreitaram várias vezes o comboio enquanto voavam cada_vez_mais para norte . Cada descida entre as nuvens dava lhes uma perspectiva diferente . Londres depressa ficou para trás , substituída por campos verdejantes que , por sua vez , deram lugar a grandes pântanos arroxeados , aldeias com pequenas igrejas de brinquedo e uma grande cidade , cheia de vida , com carros que pareciam formigas multicores . Várias horas mais tarde sem acontecer nada de_novo , Harry teve de admitir que uma parte de o entusiasmo se esgotara . Os rebuçados tinham nos deixado cheios de sede e não havia nada para beber . Ele e o Ron tinham tirado as camisolas , mas a * _ T-shirt * de o Harry estava colada a as costas de o assento e os óculos não paravam de lhe escorregar para a ponta de o nariz . Deixara de reparar em as fabulosas formas de as nuvens e pensava com saudade em o comboio , milhas abaixo de eles , onde se podia comprar sumo fresquinho de abóboras em um carro empurrado por uma bruxa gordinha . Porque não teriam conseguido entrar em a plataforma nove_e_três quartos ? - Não pode ser muito mais longe , pois não ? - resmungou o Ron , horas mais tarde quando o Sol começava a enfiar se em o seu chão de nuvens , pintando as de um rosa profundo . - Estás pronto para outra espreitadela a o comboio ? Ainda ia mesmo por baixo de eles , abrindo caminho por_entre uma montanha com o topo coberto de neve . Estava muito mais escuro entre o dossel de nuvens . Ron pôs o pé em o acelerador e levou os de_novo para_cima , mas em esse momento o motor começou a chiar . Harry e Ron trocaram entre si olhares nervosos . - Deve estar só cansado - disse o Ron . - Nunca tinha vindo tão longe ... - E fingiram ambos que não davam por o gemido que se ia tornando maior à_medida_que o céu serenamente escurecia . As estrelas desabrochavam em a escuridão , Harry voltou a enfiar a camisola de lã , tentando ignorar os limpa pára-brisas que acenavam debilmente como_que a protestar . - Não devemos estar longe - disse Ron , dirigindo se mais a o carro do_que a o amigo . - Já não devemos estar longe - deu umas palmadinhas nervosas em o * tablier * . Pouco depois , quando voltaram a voar em o meio de as nuvens , tiveram de olhar de lado em a escuridão , em busca de um ponto de referência que conhecessem . - Ali - gritou Harry , fazendo o Ron e a Hedwig darem um salto . - Mesmo em frente . Recortados em o horizonte negro , sobre o rochedo de o outro lado de o lago , erguiam se as torres e torreões de o castelo de Hogwarts . Mas o carro tinha começado a estremecer e perdia a os poucos velocidade . - Vá lá - disse o Ron , dando a o volante um pequeno abanão bajulador . - Estamos quase a chegar , vá lá ... O motor gemeu . Pequenos jactos de vapor de água brotaram de o capo . Harry deu consigo agarrado com toda_a força a os bordos de o assento enquanto voavam direitos a o lago . O carro deu um solavanco feio . Espreitando por a janela , Harry viu a superfície negra , macia e espelhada de a água cerca de uma milha abaixo de eles . Os dedos de o Ron agarrados a o volante tinham as articulações brancas . O carro deu um novo esticão . - Vá lá - murmurou o Ron . Estavam sobre o lago ... o castelo ficava mesmo em frente . Ron fez força com o pé . Houve um ruído surdo , uma crepitação e o motor morreu por completo . - Oh ! oh ! - gemeu Ron em o silêncio . O nariz de o carro voltou se para baixo . Estavam a cair , ganhando velocidade em direcção a os muros sólidos de o castelo . - Naaaaão ! - gritou o Ron , girando o volante . Escaparam a a muralha de pedra negra por centímetros , quando o carro fez um grande arco , planando primeiro sobre as estufas , depois sobre o rectângulo plantado com vegetais e , por fim , sobre os relvados , perdendo sempre velocidade . Ron largou o volante por completo e tirou a varinha de o bolso de trás . - __ pára ! __ pára ! - gritou , batendo em o * tablier * e em o pára-brisas , mas eles continuavam a mergulhar , o chão a voar em direcção a eles . - : __ cuidado com essa __ árvore ! ! ! - bramiu Harry , deitando a mão a o volante , mas ... tarde de mais ... CRUNCH . Com um ruído ensurdecedor de metal e madeira , bateram em o tronco espesso de a árvore e caíram em o chão com um forte solavanco . O vapor era um mar debaixo de o capo amachucado . A Hedwig tremia apavorada . Em a cabeça de Harry surgira um alto de o tamanho de uma bola de golfe , quando ele batera em o pára-brisas , tombando em seguida para a direita . Ron soltou um gemido longo e desesperado . - Estás O. _ K ? - perguntou Harry , aflito . - A minha varinha - disse o Ron em uma voz trémula . - Olha para a minha varinha . Tinha se partido praticamente em duas , a ponta balouçava mole , presa por meia_dúzia de esquírolas . Harry abriu a boca para dizer que em a escola com certeza conseguiriam consertá a , mas nem chegou a começar a frase . Em esse preciso momento , algo bateu em o seu lado de o carro , com a força de um touro , projectando o para_cima de o Ron , ao_mesmo_tempo que um golpe igualmente forte se sentiu em o capô . - O que está a acontec ... Ron arfou , olhando fixamente por o pára-brisas e Harry olhou em volta , mesmo a_tempo_de ver uma ramada espessa como uma píton vir contra o vidro . A árvore em que tinham batido estava a atacá os . O tronco dobrara se quase a meio e os seus galhos rugosos davam uma tareia a cada centímetro de o carro que conseguiam atingir . - Ah ! - praguejou o Ron , quando outra pernada retorcida esmurrou a sua porta , amolgando a . O pára-brisas tremia agora sob uma saraivada de golpes vindos de galhos que pareciam patas de animais e uma ramada espessa como um aríete esmagava furiosamente o capo , que parecia estar a ceder ... - Corre ! - gritou o Ron , lançando o seu peso contra a porta , mas , em o momento seguinte , tinha sido atirado para trás , para o colo de Harry por um soco maldoso , dado de baixo para_cima , por outro ramo . - Estamos feitos ! - resmungou , enquanto o tecto descaía . Mas , de repente , o chão de o carro estava a vibrar , o motor pegara . - Marcha atrás - gritou o Harry e o carro deu um salto para trás . A árvore tentava ainda agredis os , ouviam as raízes chiar , enquanto quase se partiam esticando se para os alcançar . - Escapámos por_pouco ! - exclamou o Ron . - Muito bem , carro . Mas o carro tinha atingido o limite de as suas forças . Com dois estalidos , as portas abriram se e Harry sentiu o seu assento inclinar se para o lado . Quando deu por si , estava estatelado em o chão húmido . Ruídos surdos avisaram o de que o carro estava a ejectar as malas de a bagageira . A gaiola de a Hedwig voou por os ares e abriu se . Ela saiu a voar com um pio furioso e dirigiu se a o castelo , sem sequer olhar para trás . Em seguida , o carro , amolgado , arranhado e a fumegar , arrancou em o escuro , com os faróis traseiros ardendo de fúria . - Volta aqui ! - gritou o Ron , brandindo a varinha partida . - O meu pai mata me . Mas o carro desapareceu a perder de vista , com um último estoiro de o tubo de escape . - Já viste bem o nosso azar ! ? - exclamou o Ron em o meio de a sua infelicidade , baixando se para apanhar o rato Scabbers . - De todas_as árvores em que podíamos ter batido , tínhamos de ir dar a uma que bate também . Olhou por cima de o ombro para a velha árvore que ainda agitava os ramos ameaçadoramente . - Vamos - disse Harry , fatigado . - É melhor irmos andando para a escola ... Não foi , de modo algum , a chegada triunfal que tinham imaginado . Constrangidos , cheios de frio e magoados , pegaram em as malas e começaram a arrastá as por o relvado acima , em direcção a as grandes portadas de carvalho . - Acho que o banquete já começou - disse o Ron , largando a mala em os degraus de a entrada e atravessando devagarinho para espreitar por uma janela iluminada . - Harry , anda ver , é a distribuição . Harry apressou se e os dois , ele e o Ron , espreitaram para o Salão_Nobre . Um número infindável de velas pairava em o ar , sobre quatro mesas enormes cheias de gente , fazendo brilhar os pratos dourados e as taças . Em cima , o tecto encantado que espelhava o céu lá de_fora , brilhava cheio de estrelas . Por_entre a floresta de chapéus pretos pontiagudos de Hogwarts , Harry viu uma longa fila de alunos de o primeiro ano com olhares assustados que enchia o vestíbulo . Ginny estava entre eles , facilmente reconhecível devido a o seu chamativo cabelo Weasley . Enquanto isso , a professora Mc_Gonagall , uma bruxa de óculos com cabelo castanho apanhado em um carrapito , colocava o famoso chapéu seleccionador em um banco que se encontrava em frente de os novos alunos . Todos os anos , aquele velho chapéu , remendado , puído e cheio de pó , seleccionava alunos para as quatro equipas de Hogwarts ( Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin ) . Harry lembrava se bem de o ter colocado em a cabeça , precisamente um ano antes , e ter esperado petrificado por a sua decisão , enquanto ele lhe murmurava a o ouvido . Durante alguns horríveis segundos receara que o chapéu o mandasse para os Slytherin , a equipa que produzia maior número de feiticeiros e feiticeiras de magia negra , mas acabara por ficar em os Gryffindor , juntamente com Ron e Hermione e o resto de os Weasley . Em o último período , Harry e Ron tinham ajudado os Gryffindor a vencer o campeonato de a equipa , batendo os Slytherin pela_primeira_vez em sete anos . Um rapazito baixinho com cabelo de rato acabava de ser chamado para pôr o chapéu em a cabeça . Os olhos de Harry saltavam de ele para o lugar onde o professor Dumbledore , o director , estava sentado , observando a selecção de a mesa de os professores , com a sua longa barba cor de prata e óculos de meia-lua que brilhavam a a luz de as velas . Alguns lugares a a frente , Harry viu Gilderoy_Lockhart com um manto verde-azulado . E lá bem a o fundo estava Hagrid , enorme e cabeludo , bebendo satisfeito de a sua taça . - Espera aí - murmurou a o Ron . - Há um lugar vazio em a mesa de os professores . Onde estará o Snape ? Severus_Snape era o professor de quem Harry menos gostava . Harry era também o seu aluno menos querido . Cruel , sarcástico e detestado por todos com excepção de os alunos de a sua própria equipa ( Slytherin ) , Snape tinha a seu cargo a cadeira de Poções . - Talvez esteja doente - sugeriu Ron , cheio de esperança . - Talvez se tenha ido embora - lembrou Harry . - Por não lhe terem dado outra_vez a Defesa contra as artes negras . - Ou talvez tenha sido corrido - propôs Ron com entusiasmo . - Afinal , toda_a_gente o detesta ... - Ou talvez - disse uma voz gelada atrás de eles - esteja a a espera que vocês lhe expliquem por_que motivo não vieram em o comboio de a escola . Harry deu uma volta . Em a sua frente , com o manto negro a ondular em uma brisa fria , estava Severus_Snape . O professor era um homem magro , de pele descorada , nariz adunco e um cabelo preto oleoso que lhe caía sobre os ombros . E em aquele momento sorria de um modo tal que Harry sentiu que tanto ele como Ron estavam em sérios apuros . - Sigam me - disse Snape . Sem ousarem sequer olhar um para o outro , Harry e Ron seguiram Snape por as escadas até a o amplo * hall * de entrada que estava iluminado por as chamas de os archotes . De o salão nobre vinha um cheirinho delicioso a comida , mas Snape levou os para longe de a luz e de o calor , em direcção a uma escada estreita de pedra que conduzia a os calabouços . - Entrem - ordenou , abrindo uma porta a meio de o corredor e apontando . Entraram a tremer em o escritório de Snape . As paredes sombrias estavam cobertas de prateleiras cheias de jarros de vidro grosso onde flutuavam as coisas mais diversas e repugnantes , cujo nome Harry não queria de momento conhecer . A lareira estava escura e vazia . Snape fechou a porta e voltou se de frente para eles . - Com que então - disse com falsa suavidade - o comboio não serve para o famoso Harry_Potter e o seu fiel companheiro Weasley . Queriam chegar em grande estilo , não era rapazes ? - Não senhor , foi a barreira em King's_Cross , ela ... - Silêncio - disse Snape friamente . -- _ o que fizeram a o carro ? Ron engoliu em seco . Aquela não era a primeira vez que Snape dava a Harry a impressão de ser capaz de ler pensamentos . Mas , pouco depois , compreendeu tudo quando Snape desenrolou o exemplar de o Profeta_Vespertino . - Vocês foram vistos - afirmou , mostrando lhes o cabeçalho : : __ ford anglia voador confunde __ muggles . Começou a ler alto a notícia . - Dois Muggles em Londres convenceram se de que tinham visto um carro velho a voar sobre a torre de os correios ... a a tardinha em Norfolk , Mrs._Hetty_Bayliss , enquanto pendurava a roupa ... Mr._Angus_Fleet_de_Peebles informou a polícia ... seis ou sete Muggles a o todo . Julgo que o teu pai trabalha em o departamento de mau uso dado a os objectos de os Muggles ? - disse olhando para Ron e sorrindo de uma forma ainda mais sarcástica . - Que peninha , o próprio filho ... Harry sentiu se como_se tivesse levado um soco em o estômago de uma de as maiores pernadas de a árvore louca . E se alguém descobrisse que Mr._Weasley tinha enfeitiçado o carro ? Ele ainda nem tinha pensado em isso . - Reparei durante a minha volta por o jardim que foi feito um estrago considerável em um salgueiro zurzidor extremamente valioso - continuou Snape . - Essa árvore fez nos pior a nós do_que nós ... - deixou escapar Ron . - Silêncio - interrompeu Snape , de_novo . - Infelizmente vocês não fazem parte de a minha equipa e a decisão de vos expulsar não está em as minhas mãos . Vou , por isso , buscar as pessoas que possuem essa feliz possibilidade . Esperem aqui . Harry e Ron olharam , pálidos , um para o outro . Harry perdera a fome . Sentia se agora extremamente agoniado . Tentava não olhar para uma coisa viscosa , suspensa em um líquido verde que estava em uma prateleira por detrás de a secretária de Snape . Se ele fora buscar a professora Mc_Gonagall , chefe de a equipa de os Gryffindor , não estavam muito melhor . Ela era mais justa do_que Snape , mas extremamente severa . Dez minutos mais tarde , Snape voltou e era , de facto , a professora Mc_Gonagall quem o acompanhava . Harry vira a professora Mc_Gonagall zangada , mas , ou se tinha esquecido de como a boca de ela ficava fina , ou nunca a vira tão zangada como em aquele dia . Levantou a varinha em o momento em que entrou . Harry e Ron estremeceram , mas ela limitou se a apontá a para a lareira onde as chamas se elevaram subitamente . - Sentem se - ordenou , e os dois recuaram para as cadeiras junto de o lume . - Expliquem se - disse com os óculos a brilhar de uma forma ameaçadora . Ron enveredou por a história começando por a barreira de a estação que se recusara a deixá os passar . - Por isso não tínhamos escolha , professora , não podíamos chegar a o comboio . - Porque não nos mandaram uma carta por a coruja ? Julgo que tens uma coruja ? - disse friamente a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a Harry . Harry olhou para ela sem saber o que dizer . - Parece me - continuou ela - que seria a coisa mais adequada . - Eu ... não pensei ... - Isso - disse a professora Mc_Gonagall - é bastante óbvio . Ouviu se bater a a porta de o escritório e Snape , que parecia agora mais feliz do_que nunca , foi abrir . Era o director , o professor Dumbledore . Harry ficou totalmente paralisado . Dumbledore tinha uma expressão grave . Olhou para eles de cima de o seu nariz adunco e Harry desejou estar ainda com Ron a levar uma sova de o salgueiro zurzidor . Fez se um longo silêncio . Em seguida , Dumbledore disse lhes : - Por favor , expliquem porque fizeram isto . Teria sido melhor se gritasse . Harry detestou sentir a decepção em a sua voz . Inexplicavelmente era incapaz de olhar Dumbledore em os olhos e falou em direcção a os seus joelhos . Disse lhe tudo excepto que o carro enfeitiçado pertencia a Mr._Weasley , dando a ideia de que ele e o Ron o tinham encontrado estacionado fora de a estação . Sabia que Dumbledore ia ver para_além de isso , mas o director não fez perguntas sobre o carro . Quando Harry terminou continuou a olhar para ele através de os seus óculos . - Nós vamos buscar as nossas coisas - disse Ron em um tom de voz sem esperança . - Que disparate é esse ? - rosnou a professora Mc_Gonagall . -- Então , vão expulsar nos , não vão ? - disse o Ron . Harry olhou rapidamente para Dumbledore . - Ainda não , Mr._Weasley - afirmou Dumbledore . - Mas vou assinalar a gravidade do_que vocês fizeram . Hoje a a noite escreverei a as vossas famílias . Estão também prevenidos que se voltarem a fazer uma coisa como esta não terei outro remédio senão expulsar vos . A expressão de Snape era como_se o Natal tivesse sido cancelado . Pigarreou e disse : - Professor_Dumbledore , estes rapazes infringiram o decreto para a restrição de a feitiçaria de os menores , causaram estragos consideráveis a uma árvore antiga e valiosa ... sem dúvida , actos de esta natureza ... - Cabe a a professora Mc_Gonagall decidir sobre os castigos de os rapazes , Severus - afirmou Dumbledore com toda_a calma . - Pertencem a a equipa de ela e são , portanto , de a sua responsabilidade . - Voltou se para a professora Mc_Gonagall . - Tenho de regressar a o banquete , Minerva , devo dar algumas informações . Venha Severus , há uma tarte de leite e ovos com um aspecto delicioso que quero mostrar lhe . Snape lançou um olhar de puro veneno a o Harry e a o Ron enquanto permitia que o afastassem de o seu escritório , deixando os a sós com a professora Mc_Gonagall que ainda os olhava como uma águia em fúria . - É melhor ires até a a ala hospitalar , Weasley , estás a sangrar . - Não é nada - disse Ron , limpando o corte com a manga para que ela o visse . - Professora , eu gostava de ver a minha irmã ser seleccionada . - A cerimónia de a selecção terminou - disse a professora Mc_Gonagall . - A tua irmã está também em os Gryffindor . - _ óptimo - exclamou Ron . - E por falar em os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall de forma cortante , mas Harry interrompeu a : - Professora , quando tirámos o carro , o ano escolar ainda não tinha começado , por isso os Gryffindor não deveriam perder pontos , pois não ? - terminou olhando a ansiosamente . A professora Mc_Gonagall lançou lhe um olhar penetrante , mas ele era capaz de jurar que ela quase tinha sorrido . Pelo_menos a boca não parecia tão fina . - Não vou tirar pontos a os Gryffindor - tranquilizou o . E o coração de Harry ficou mais leve . - Mas vocês os dois vão ter um castigo . Foi melhor do_que Harry imaginara . O facto de Dumbledore escrever a os Dursley não tinha a menor importância . Harry sabia perfeitamente que eles só lamentariam que o salgueiro zurzidor não o tivesse esmigalhado . A professora Mc_Gonagall ergueu a varinha de_novo apontou a a a secretária de Snape . Um grande prato de sanduíches , duas taças de prata e um jarro com sumo de abóbora gelado apareceram em menos_de um segundo . - Vocês vão comer aqui e , em seguida , vão direitinhos para o vosso dormitório - disse . - Eu também tenho de voltar para a festa . Mal a porta se fechou atrás de ela , Ron soltou baixinho um assobio . - Pensei que estávamos feitos - confessou , agarrando uma sanduíche . - Também eu - disse o Harry , orando também uma . - Mas já viste bem a nossa pouca sorte ? - insistiu o Ron com a boca cheia de frango e fiambre . - O Fred e o George voaram em aquele carro cinco ou seis vezes e nenhum Muggle os viu - engoliu outro pedaço enorme de a sanduíche . - Porque será que não conseguimos passar a barreira ? Harry encolheu os ombros . - Mas temos de ter muito cuidado a_partir_de agora - disse bebendo um grande trago de sumo de abóbora . - Que pena não termos podido ir a o banquete . - Ela não quis que nos exibíssemos - afirmou Ron com prudência . - Não vão as pessoas pensar que é uma boa chegar aqui de carro voador . Quando já tinham comido todas_as sanduíches que queriam ( o prato ia voltando a encher se sozinho ) , levantaram se e saíram de o escritório , seguindo o caminho que lhes era familiar , para a torre de os Gryffindor . O castelo estava em silêncio . Parecia que o banquete tinha acabado . Passaram por retratos murmurantes e armaduras que gemiam e subiram os degraus estreitos de pedra até que , por fim , chegaram a a passagem onde a entrada secreta para a torre de os Gryffindor se encontrava oculta por detrás de o quadro a óleo de uma dama gorda em um vestido cor-de-rosa . - A senha ? - perguntou ela mal os dois se aproximaram . - Er ... Eles ainda não tinham estado com o prefeito de os Gryffindor e por isso ainda não conheciam a senha para o novo ano , mas a ajuda não se fez esperar . Ouviram passos apressados atrás de eles e quando se voltaram viram Hermione que se aproximava . - Aí estão vocês . Onde é_que se meteram ? Correm os boatos mais ridículos , alguém disse que vocês tinham sido expulsos por espatifarem um carro voador . - Bem , expulsos não fomos - tranquilizou a Harry . - Não estás a dizer me que voaram até aqui ? - perguntou Hermione em um tom quase tão severo como a professora Mc_Gonagall . - Dispensa se o sermão - interrompeu Ron impacientemente . - E diz nos a nova senha de passagem . - É crista de pássaro - disse Hermione não contendo a impaciência . - Mas o mais importante não é isso ... Contudo as palavras de ela foram interrompidas ao_mesmo_tempo que o retrato de a dama gorda se abria e se ouvia uma tempestade de aplausos . A o que parecia a equipa de os Gryffindor estava ainda acordada , dentro de a sala comum em forma de círculo , junto de as mesas assimétricas e de os cadeirões moles a a espera que eles chegassem para , de braços estendidos através de o buraco de o retrato , puxarem Harry e Ron para dentro deixando Hermione para o fim . - Sensacional - gritou Lee_Jordan . - Inspirado ! Que entrada ! Voar em um carro e aterrar em o salgueiro zurzidor . Toda_a_gente vai falar de isto durante anos e anos . - Muito bem - disse um aluno de o quinto ano com quem Harry nunca tinha falado . Alguém dava lhe palmadas em as costas como_se ele acabasse de vencer a maratona . Fred e George abriram caminho por_entre a multidão e disseram ao_mesmo_tempo : - Por_que é_que não nos chamaram , hein ? - Ron estava vermelho como um pimentão , sorrindo envergonhado , mas Harry via perfeitamente uma pessoa que não estava nada contente . Percy elevava se acima de as cabeças de os excitados alunos de o primeiro ano e parecia estar a tentar aproximar se para os repreender . Harry deu uma cotovelada a o Ron e apontou em direcção a Percy . Ron percebeu de imediato . - Temos de ir para_cima , um_pouco cansados ! - explicou e os dois começaram a abrir caminho em direcção a a porta que ficava de o outro lado de a sala e que dava para a escada em espiral e para os dormitórios . - ` _ Noite - despediu se Harry_de_Hermione que tinha um ar tão carrancudo como Percy . Conseguiram chegar a o outro lado de a sala comum sempre a levarem palmadas em as costas e alcançaram o sossego de as escadas . Apressaram se a subir e , por fim , chegaram a a porta de o dormitório que tinha agora um letreiro a dizer « Segundos_Anos » . Entraram em o quarto circular , que conheciam tão bem , com as suas cinco camas de dossel adornadas de velado vermelho e as suas janelas altas e estreitas . As malas tinham sido trazidas para_cima e colocadas a os pés de as camas . Ron fez um sorriso culpado . - Sei que não devia ter gostado de aquilo , mas ... A porta de o dormitório abriu se e os outros rapazes de os Gryffindor entraram ; eram eles o Seamus_Finnigan , o Dean_Thomas e o Neville_Loogbottom . - Inacreditável - aplaudiu Seamus . - Incrível - aprovou o Dean . - Espantoso - exclamou o Neville , aterrado . Harry não pôde evitar também um sorriso . VI_Gilderoy_Lockhart_No dia seguinte , contudo , Harry não conseguiu sorrir . As coisas começaram a correr mal logo em o salão durante o pequeno-almoço . Debaixo de o tecto encantado ( em aquele dia triste e cinzento ) estavam as quatro grandes mesas de as equipas e sobre elas , terrinas de papa de aveia , pratos de arenque defumado , montanhas de torradas e pratadas de ovos com * bacon * . Harry e Ron sentaram se em a mesa de os Gryffindor , junto de Hermione que tinha o seu exemplar de * _ Viagens com Vampiros * totalmente aberto , encostado a um jarro de leite . Havia uma certa rigidez em a maneira como ela disse : - ` _ Dia - que mostrou a Harry que continuava a desaprovar o modo como tinham chegado a a escola . Por seu turno , Neville_Longbottom saudou os entusiasticamente . Neville era um rapazinho de cara redonda , muito dado a acidentes , com a pior memória que Harry tinha conhecido . - A entrega de correio deve estar a chegar , acho que a minha avó me vai mandar umas quantas coisas de que me esqueci ... Harry tinha começado a comer as papas de aveia , quando se ouviu um ruído tumultuoso em o ar e umas cem corujas entraram ao_mesmo_tempo , sobrevoando o salão e deixando cair cartas e pacotes em o meio de a multidão faladora . Um embrulho grande e rugoso caiu em a cabeça de Neville e , um segundo depois , uma coisa larga e cinzenta caiu em o jarro de a Hermione , enchendo os a todos de leite e penas . - Errol - gritou o Ron , puxando a coruja esfarrapada por as patas . Errol caíra inconsciente sobre a mesa com as pernas para o ar e um envelope vermelho húmido em o bico . - Oh , não ! - sobressaltou se Ron . - Ela está bem , ainda está viva - tranquilizou o Hermione , tocando suavemente em a Errol com a ponta de o dedo . - Não é isso , é ... aquilo . Ron apontava para o envelope vermelho . Parecera perfeitamente vulgar a Harry , mas Ron e Neville estavam ambos a observá o como_se esperassem que explodisse . - Qual é o problema ? - perguntou Harry . - Ela . Ela mandou me um * gritador * - disse Ron , quase sem voz . - É melhor abrires - aconselhou Neville em um murmúrio tímido - senão é pior . A minha avó uma_vez mandou me um que eu ignorei e ... - engoliu em seco - foi horrível . Harry olhava , ora para as suas caras , ora para o envelope vermelho . - O que é um * gritador * ? - perguntou . - Mas toda_a atenção de o Ron estava fixa em a carta que começara a fumegar por os cantos . - Abre a - intimou o Neville . - De aqui a poucos minutos já passou tudo . Ron estendeu uma mão trémula , retirou o envelope de o bico de a Errol e começou a abri o . Neville pôs os dedos em os ouvidos . Após uma fracção de segundo , Harry compreendeu porquê . Pensou em o primeiro momento que ela explodira . Um ruído ensurdecedor encheu o enorme salão , fazendo cair pó de o tecto . - ... : __ roubar o carro ! não me surpreendia nada se te expulsassem . espera só até te pôr as mãos em cima . será que não paraste para pensar em a nossa aflição quando vimos que o carro tinha __ desaparecido ... Os gritos de Mrs._Weasley , ampliados cem vezes em relação a o seu normal , fizeram os pratos e as colheres chocalhar em a mesa e ecoaram de forma ensurdecedora em as paredes de pedra . Vinha gente de todos os lados espreitar quem tinha recebido o * gritador * e Ron afundou se tanto em a cadeira que só se lhe via a testa carmesim . - ... : __ uma carta de o dumbledore ontem a a noite , o teu pai quase morria de vergonha . não foi esta a educação que te demos , tu e o harry podiam ter __ morrido ... Harry estava a ver quando é_que o seu nome viria a a baila . Tentou o melhor que pôde agir como_se não ouvisse a voz , mas aquilo estava a fazer com que os tímpanos lhe latejassem . - ... : __ profundamente decepcionada , o teu pai vai ter de se confrontar com um inquérito em o trabalho , tudo por tua culpa e , se pisas mais_uma_vez o risco , trago te para __ casa ! Seguiu se um silêncio ressonante . O envelope vermelho , que caíra de as mãos de o Ron , incendiou se e encaracolou se em cinzas . Harry e Ron estavam sentados de boca aberta , como_se uma onda gigante lhes tivesse passado por cima . Algumas pessoas riam e , a os poucos , o ruído de as conversas recomeçou . Hermione fechou o * _ Viagens com Vampiros * e olhou para o topo de a cabeça de Ron . - Bem , não sei o que esperavas , Ron , mas tu ... - Não me venhas dizer que mereci - interrompeu Ron . Harry afastou as papas de aveia . O estômago ardia lhe de culpa . Mr._Weasley tinha um inquérito em o trabalho , depois de tudo_o_que Mr. e Mrs._Weasley tinham feito por ele durante o Verão ... Mas não teve muito_tempo para se demorar em aqueles pensamentos . A professora Mc_Gonagall circulava em volta de as mesas de os Gryffindor distribuindo horários . Harry pegou em o seu e viu que começavam por ter Herbologia , juntamente com os Hufflepuff . Harry , Ron e Hermione saíram juntos de o castelo , atravessaram as hortas e chegaram a as estufas , onde estavam guardadas as plantas mágicas . O * gritador * tivera pelo_menos uma vantagem : Hermione parecia achar que já tinham sido suficientemente castigados e estava de_novo perfeitamente calorosa . Quando estavam a chegar a as estufas viram o resto de a classe de pé , cá fora , a a espera de a professora Sprout . Harry , Ron e Hermione tinham acabado de se lhes juntar quando a viram aproximar se a passos largos por o relvado , acompanhada de Gilderoy_Lockhart . A professora Sprout era uma bruxa pequenina e atarracada que usava um chapéu a os remendos sobre o cabelo solto . As roupas que vestia estavam sempre cheias de terra e as suas unhas fariam a tia Petúnia desmaiar . Gilderoy_Lockhart , pelo_contrário , tinha um ar imaculado em as suas vestes azul-turquesa , o cabelo doirado a brilhar debaixo_de um chapéu azul-turquesa , com uma fita dourada , perfeitamente posicionado sobre a cabeça . - Olá a todos ! - gritou Lockhart , dirigindo se a o grupo de estudantes . - Estive a mostrar a a professora Sprout a maneira correcta de tratar um salgueiro . Mas não quero que fiquem com a ideia de que sou melhor do_que ela em Herbologia . Acontece que encontrei várias de estas plantas exóticas , durante as minhas viagens .... - Estufa número três hoje , meninos ! - disse a professora Sprout que estava visivelmente descontente , bem diferente de a sua habitual natureza bem-disposta . Houve um murmúrio de interesse . Eles só tinham estado uma_vez em a terceira estufa , que era uma estufa que abrigava plantas bem mais interessantes e perigosas . A professora Sprout tirou uma enorme chave de o cinto e abriu a porta . Harry sentiu o bafo de a terra húmida com adubo misturado e o perfume forte de umas flores gigantescas , de o tamanho de guarda-chuvas , que estavam penduradas de o tecto . Ia seguir Ron e Hermione , quando a mão de o Lockhart o travou . -- Harry ! Tenho querido ter uma palavrinha contigo . Não se importa se ele chegar uns minutos atrasado , pois não , professora Sprout ? A julgar por a expressão carregada de a professora Sprout , importava se sim , mas Lockhart disse : - Então até já - e fechou a porta de a estufa em a cara de ela . - Harry ! - disse Lockhart , com os dentes brancos a brilharem a o sol , enquanto abanava a cabeça . - Harry , Harry , Harry ! Harry , totalmente perplexo , não disse uma palavra . - Quando ouvi dizer , bem , é claro que eu tive muita culpa , deviam castigar me também ... Harry não fazia ideia de que estava ele a falar , quando Lockhart prosseguiu : - Nunca me lembro de ficar tão chocado . Fazer voar um automóvel até Hogwarts ! Bem , é claro que eu percebi logo porque o fizeste . Foi um destaque em grande . Harry , Harry , Harry ! Era notável como ele conseguia mostrar todos aqueles dentes brilhantes , mesmo quando não estava a falar . - Criei te o gosto por a publicidade , não foi ? - perguntou Lockhart . - Passei te o bichinho . Apareceste comigo em a primeira página e não podias esperar para aparecer outra_vez ... - Oh , não , professor , sabe é_que ... - Harry , Harry , Harry - disse Lockhart aproximando se e tocando lhe em o ombro . - * _ Eu compreendo * . É natural querer um_pouco mais quando se lhe tomou o gosto , e eu culpo me por te ter dado esse conhecimento , porque era natural que te subisse a a cabeça , mas vê uma coisa , rapazinho , tu não podes começar a fazer voar carros para tentares ser notícia . Tens de acalmar , está bem ? Tens muito_tempo quando fores mais velho . Sim , sim , eu sei o que estás a pensar ! É fácil para ele falar assim , já é um feiticeiro internacionalmente famoso ! Mas quando eu tinha doze anos era tão zé-ninguém como tu és hoje . Em a verdade , era ainda mais . De ti , já meia_dúzia de pessoas ouviram falar , não é ? Toda aquela história com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . - Olhou para a cicatriz luminosa em a testa de Harry . - Eu sei , eu sei , não é o mesmo_que vencer o Prémio de o sorriso de o feiticeiro de a semana cinco vezes seguidas , como eu venci , mas é um começo , Harry , é um começo . Lançou lhe uma piscadela de olhos cordial e foi se embora . Harry ficou atarantado durante alguns segundos . Depois , lembrando se que deveria estar em a estufa , abriu a porta e esgueirou se lá para dentro . A professora Sprout estava de pé , por_detrás_de uma espécie de mesa em o meio de a estufa . Em cima de a mesa estavam cerca de vinte pares de abafo de ouvidos de diferentes cores . Quando Harry estava já em o seu lugar , entre Ron e Hermione , ela disse : - Hoje vamos transplantar Mandrágoras . Muito bem , quem sabe dizer me as propriedades de a Mandrágora ? Não foi surpresa para ninguém que a mão de a Hermione fosse a primeira em o ar . - A Mandrágora tem um efeito reparador muito poderoso - disse Hermione , com o ar mais normal de este mundo , como_se tivesse engolido o livro de texto . - É usada para fazer voltar as pessoas , que foram transfiguradas ou amaldiçoadas , a o seu estado original . - Excelente . Dez pontos para os Gryffindor ! - exclamou a professora Sprout . - A Mandrágora é parte integrante de a maior parte de os antídotos , mas também é perigosa . Quem sabe dizer me porquê ? A mão de Hermione por_pouco não bateu em os óculos de Harry , quando se ergueu de_novo . - O grito de a Mandrágora é fatal para quem o ouve - disse prontamente . - Precisamente . Dou lhe mais dez pontos - disse a professora Sprout . - Agora vejamos , as Mandrágoras que aqui temos são ainda muito jovens . Enquanto falava , apontou para uma fila de tabuleiros com uma certa profundidade e todos se chegaram a a frente para ver melhor . Cerca de uma centena de plantinhas tufosas de um verde arroxeado cresciam em filas . Pareceram perfeitamente vulgares a Harry , que não fazia a menor ideia do_que Hermione queria dizer com o * grito * de a Mandrágora . - Cada_um de vocês pode tirar um par de abafo de ouvidos - disse a professora Sprout . Houve uma competição renhida porque ninguém queria os cor-de-rosa , cheios de penugem . - Quando eu vos disser para os colocar , assegurem se de que os vossos ouvidos estão completamente tapados - disse a professora Sprout . - Logo_que seja seguro retirá os , eu levanto os dedos . Certo , pôr os abafos de os ouvido . Harry pôs imediatamente os abafos em os ouvidos . Eles fecharam completamente o som . A professora Sprout colocou também um par de abafos cor-de-rosa com penugem em os de ela , arregaçou as mangas de a túnica , agarrou uma de as plantas tufosas e puxou com toda_a força . Harry soltou um grito de surpresa que ninguém ouviu . Em_vez_de raízes , um bebé pequenino , enlameado e extremamente feio , saiu de a terra . As folhas cresciam lhe em o alto de a cabeça , tinha uma pele pintalgada de um pálido esverdeado e estava nitidamente a berrar a plenos pulmões . A professora Sprout tirou debaixo de a mesa um grande vaso de plantas e mergulhou lá dentro a Mandrágora , enterrando a em a mistura escura e húmida , até que só as folhas ficassem visíveis . Em seguida , limpou a terra de as mãos , levantou os dedos e todos eles retiraram os abafos de os ouvidos . - Como as nossas Mandrágoras são muito novas , os seus gritos ainda não matam - disse ela com grande calma , como_se tivesse feito algo tão normal como regar uma begónia . - Contudo , podem pôr vos a dormir durante várias horas e , como com certeza nenhum de vocês quer perder o primeiro dia de aulas , vejam se os abafos estão bem colocados enquanto trabalham . Eu chamarei vos a atenção quando for altura de os retirar . - Quatro em cada fila , há aqui uma grande quantidade de vasos , a mistura de terra está em os sacos ali a o fundo e tenham cuidado com a * _ Venomous_Tentacula * , estão a nascer lhe os dentes . Enquanto falava , deu uma pancada seca a uma planta vermelha escura cheia de pontas eriçadas , fazendo a encolher as longas antenas que tinham estado a avançar lenta e dissimuladamente sobre o seu ombro . A Harry , Ron e Hermione veio juntar se em a fila um rapaz de cabelo encaracolado de os Hufflepuff que Harry conhecia de vista , mas com quem nunca tinha falado . - Justin_Finch - _ Fletchey - disse ele com vivacidade , apertando a mão de o Harry . - Conheço te , claro , o famoso Harry_Potter ... e tu és a Hermione_Granger , sempre a primeira em tudo ( Hermione brilhou em um sorriso , como_se ele lhe tivesse apertado a mão ) e Ron_Weasley . Não era teu o carro voador ? Ron não sorriu . Não lhe saía de a cabeça o * gritador * . - Aquele Lockhart é o_máximo , não acham ? - disse Justin satisfeito , enquanto começavam a encher os vasos com composto de adubo de dragão . - Terrivelmente corajoso . Leram os livros de ele ? Eu teria morrido de medo se um lobisomem me tivesse encurralado em uma cabina telefónica , mas ele manteve se calmo e ... zap ... fantástico ! « Eu estava inscrito em Eton , sabem , não imaginam como estou feliz de ter vindo antes para aqui . É claro que a minha mãe ficou um_pouco desiludida , mas depois de lhe ter dado os livros de Lockhart a ler , tenho a impressão de que ela começou a ver a utilidade de ter um feiticeiro bem treinado em a família ... Depois de isso , não tiveram grandes oportunidades para conversar . Voltaram a pôr os abafos de ouvidos e era preciso concentrarem se em as Mandrágoras . A professora Sprout fizera as coisas parecerem extremamente simples , mas não eram . As Mandrágoras não gostavam de sair de a terra mas também não pareciam querer voltar para lá . Elas contorceram se , deram pontapés , agitaram as mãozinhas finas e rangeram os dentes . Harry levou dez minutos inteirinhos a tentar meter uma Mandrágora particularmente gorda dentro_de um vaso . Em o final de a aula , Harry , como todos os outros , estava a suar , cheio de dores e coberto de terra . Regressaram a o castelo a pé para um banho rápido e , em seguida , os Gryffindor apressaram se para assistir a a aula de transfiguração . As aulas de a professora Mc_Gonagall eram sempre complicadas , mas a de aquele dia era particularmente difícil . Tudo_o_que o Harry aprendera em o ano anterior parecia ter se lhe apagado de a memória durante o Verão . Ele deveria ser capaz de transformar uma barata em um botão , mas , tudo_o_que conseguiu foi fazer a barata praticar um imenso exercício , enquanto corria apressadamente por o tampo de a secretária evitando a varinha . Ron estava a debater se com problemas bastante piores . Tinha atado a varinha com uma fita mágica , mas parecia que não havia reparação possível . Não parava de crepitar e lançar faíscas em os momentos mais estranhos e , sempre_que Ron tentava transfigurar a barata , via se envolvido em um fumo cinzento espesso que cheirava a ovos podres . Incapaz de ver o que estava a fazer , o Ron esmagou , por engano , a barata com o cotovelo e teve de ir pedir que lhe dessem outra , o que deixou a professora Mc_Gonagall muito pouco satisfeita . Harry ficou aliviado quando ouviu tocar a campainha para o almoço . Sentia a cabeça como uma esponja espremida . Todos os alunos saíram em fila de a aula excepto ele e Ron que dava furiosas varadas em a secretária . - Coisa estúpida e inútil . - Escreve a os teus pais a pedir outra - sugeriu Harry , enquanto a varinha disparava com estrondo um foguete explosivo . - Ah pois , e receber outro * gritador * em a volta de o correio - respondeu Ron , metendo a varinha que já assobiava , dentro de o saco . - * _ A culpa é toda tua se a varinha está estragada * ... Desceram para o almoço e aí a disposição de o Ron não iria melhorar com Hermione a mostrar lhe uma mão-cheia de botões de casaco , perfeitinhos , que produzira em a transfiguração . - O que temos esta tarde ? - quis saber Harry , mudando rapidamente de assunto . - Defesa contra as artes negras - disse Hermione , sem perder tempo . - Porque é_que tu ... - perguntou Ron , pegando em o horário de ela - desenhaste corações em volta de as aulas de o Lockhart ? Hermione arrancou lhe o horário de as mãos , corando furiosa . Acabaram de almoçar e foram para o pátio carregado de nuvens . Hermione sentou se em um degrau de pedra e enfiou de_novo o nariz em as * _ Viagens com Vampiros * . Harry e Ron ficaram a falar de Quidditch durante alguns minutos antes de Harry se aperceber de que estava a ser observado de perto . Olhando para_cima viu o rapazinho pequenino com cabelo de rato que ele vira experimentar o chapéu seleccionador em a noite anterior , olhando para ele com uma expressão petrificada . Estava agarrado a o que parecia ser uma vulgar máquina fotográfica de os Muggles e , em o momento em que Harry olhou para ele , ficou todo vermelho . - Tudo bem , Harry ? Eu sou Colin_Creevey - disse , faltando lhe o ar e adiantando se a qualquer pergunta . - Estou em os Gryffindor também . Não te importavas que eu tirasse uma fotografia ? - perguntou , levantando a máquina cheio de expectativa . - Uma fotografia ? - repetiu Harry , inexpressivo . - Para eu provar que te conheci - disse Colin_Creevey cheio de ansiedade , continuando : - Eu sei tudo a teu respeito . Toda_a_gente me tem contado como sobreviveste quando O_Quem nós sabemos tentou matar te , como ele desapareceu depois de isso e como ficaste com a cicatriz em forma de relâmpago em a testa ( os seus olhos procuraram a linha de cabelo de Harry ) e um rapaz de o meu dormitório disse que se eu revelasse o filme em a posição certa ele mexia . - Colin respirou fundo , estremecendo de excitação e disse : - Isto_é fantástico , aqui , não achas ? Eu não sabia que todas_as coisas estranhas que fazia eram magia até a o dia em que recebi uma carta de Hogwarts . O meu pai é leiteiro . Também ele não queria acreditar . Por isso estou a tirar montes de fotografias para lhe mandar e era mesmo bom se tivesse uma tua - parecia implorar . - Talvez o teu amigo pudesse tirá a e assim eu ficava a o teu lado . E depois , podias assiná a ? - Assinar fotografias ? Estás a dar fotos autografadas , Potter ? Alta e mordaz , a voz de Draco_Malfoy ecoou em o pátio . Estava parado mesmo atrás_de Colin , ladeado , como sempre andava em Hogwarts , por os seus fortes guarda-costas Crabbe e Goyle . - Ei gente , façam bicha - gritou Malfoy a a multidão . - Harry_Potter está a dar fotos autografadas ! - Não estou coisa nenhuma - disse Harry , zangado , com os punhos em o ar . - Cala a boca , Malfoy . - Tu tens é inveja - começou a dizer Colin , cujo corpo era de o tamanho de o pescoço de Crabbe . - Inveja - repetiu Malfoy que não precisava de gritar mais , metade de o pátio estava a ouvi o . - De quê ? Não preciso de uma cicatriz em a cabeça , muito obrigado . Não acho que ter um corte em a testa torne alguém especial . Crabbe e Goyle riram estupidamente - Vai pastar caracóis , Malfoy - disse o Ron furioso . Crabbe parou de rir e começou a esfregar os nós de os dedos enormes de uma forma ameaçadora . - Tem cuidado , Weasley - escarneceu Malfoy . - Com certeza não queres começar uma rixa ou a tua mãezinha tem de vir cá para te tirar de a escola - e com uma voz aguda e penetrante : - * _ Se voltas a pisar o risco * ... Um grupo de alunos de o quinto ano de os Slytherin que estava ali perto , riu se bastante alto . - O Weasley gostaria de ter uma foto tua autografada , Potter - escarneceu de_novo Malfoy . - Era capaz de valer mais do_que a casa onde ele mora com a família . Ron sacou de a sua varinha amarrada com fita , mas Hermione fechou as * Viagens com Vampiros * com um estrondo e avisou : - Atenção . - O que é isto , o que é isto ? - Gilderoy_Lockhart aproximava se com o seu manto azul-turquesa girando em torvelinho atrás de ele . - Quem está a dar fotos autografadas ? Harry ia começar a explicar , mas foi interrompido quando Lockhart lhe pôs jovialmente o braço em cima de os ombros . - Mas que pergunta a minha ! Cá estamos nós de_novo , Harry ! Preso ao_lado_de Lockhart e a arder de humilhação , Harry viu Malfoy deslizar com o seu sorriso desdenhoso por o meio de a multidão . - Vamos lá então , Mr._Creevey - disse Lockhart , dirigindo se a Colin . - Uma foto dupla , já viu a sua sorte ? E assinamos a os dois para si . Colin ajustou a máquina e tirou a fotografia em o preciso momento em que a campainha tocava para as aulas de a tarde . - Está em a hora , todos para dentro - gritou Lockhart a a multidão e regressou a o castelo levando a o seu lado o Harry que só lamentava não conhecer um feitiço que o fizesse desaparecer . - Uma palavra só , Harry - disse Lockhart paternalmente , enquanto entravam em o edifício por uma porta lateral . - Eu ajudei te há bocado com o jovem Creevey porque se ele estivesse a fotografar me também a mim os teus colegas não reparariam tanto que estavas a exibir te ... Indiferente a a gaguez de Harry , Lockhart arrastou o para um corredor ladeado de alunos que os olhavam espantados e subiram uma escada . - Deixa me só dizer te uma coisa : dar fotografias autografadas em esta fase de a tua carreira , francamente , não é sensato , Harry , parece um_pouco megalómano . Pode ser que um dia mais tarde , tal_como eu , sejas obrigado a assinar para multidões onde quer que vás , mas - fez uma pequena pausa - não me parece que seja o caso , por enquanto . Tinham chegado a a aula de Lockhart e ele largou finalmente o Harry que sacudiu a túnica e foi sentar se em um lugar bem lá atrás onde começou por empilhar os livros de Lockhart a a sua frente para evitar olhar para a criatura . O resto de a aula entrou ruidosamente e Ron e Hermione foram sentar se um de cada lado de Harry . - Tu estavas vermelho como um pimentão - disse o Ron . - Reza para que o Creevey não se torne amigo de a Ginny senão bem podem criar o clube de * fans * de Harry_Potter . - Cala a boca - interrompeu Harry . A última coisa que desejava era que o Lockhart ouvisse a expressão « clube de * fans * de Harry_Potter « . Quando todos estavam em os seus lugares , Lockhart pigarreou alto e fez se silêncio . Ele inclinou se para a frente , pegou em o exemplar de Neville_Longbottom de * _ viagens com Duendes * e levantou o para mostrar a sua fotografia a piscar os olhos em a capa . - Eu - disse apontando para a fotografia e piscando também os olhos - Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , terceiro ano , membro honorário de a Liga_de_Defesa contra as artes negras e cinco vezes vencedor de o prémio de o * _ Feiticeiro de a semana * por o sorriso mais charmoso . Mas não vamos falar de isso , não venci a fada carpideira de Bandon a sorrir para ela ! Esperou que eles se rissem . Alguns alunos sorriram timidamente . - Já vi que todos vocês compraram a minha obra completa . Muito bem . Pensei começar hoje com um pequeno interrogatório escrito . Nada de complicado , só para perceber se leram bem os meus livros e o que apreenderam ... Depois de distribuir as folhas de teste voltou se para os alunos e disse : - Têm trinta minutos . Comecem já . Harry olhou para o papel e leu : *1 . Qual é a cor preferida de Gilderoy_Lockhart ? *2 . Qual é a ambição secreta de Gilderoy_Lockhart ? *3 . Qual é , em a sua opinião , a maior realização de Gilderoy_Lockhart até a o momento ? * E_por_aí adiante , ao_longo_de três páginas , terminando com : *54 . Qual é o dia de aniversário de Gilderoy_Lockhart e qual seria o seu presente preferido ? * Meia_hora mais tarde , Lockhart recolheu os pontos e folhou os rapidamente em frente de os alunos . - Tut , tut , quase ninguém se lembrou que a minha cor preferida é o lilás . Eu digo o em * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves * . Alguns precisam de voltar a ler com mais cuidado * Fim-de - _ Semana com Um Lobisomem * . Eu afirmo claramente em o décimo segundo capítulo que o meu presente de aniversário preferido seria a harmonia entre todos os seres , mágicos e não mágicos , embora não me importasse de receber uma garrafa grande de * whisky * velho de a Ogden's_Old_Firewhisky . Piscou lhes o olho de_novo . Ron olhava para Lockhart com uma expressão de incredulidade em o rosto . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas que estavam sentados a a frente tremiam de tanto conter o riso . Hermione , contudo , ouvia Lockhart com extrema atenção e deu um salto quando ouviu o seu nome . - Mas Miss_Hermione_Granger sabia que a minha ambição secreta era libertar o mundo de o mal e pôr a a venda a minha gama de poções de tratamento de o cabelo . Muito bem - voltou o papel . - Nota máxima ! Onde está Miss_Hermione_Granger ? Hermione ergueu uma mão trémula . - Excelente - bradou Lockhart , exultante . - Leva dez pontos para os Gryffindor . E vamos a o trabalho . Baixou se atrás de a secretária e pegou em uma grande gaiola coberta . - Ficam desde_já a saber , a minha função é preparar vos contra as criaturas mais malignas que a feitiçaria conhece . Vocês podem ter que enfrentar os maiores medos em esta sala . Saibam que nenhum mal vos sucederá comigo aqui . Só vos peço que se mantenham calmos . Ultrapassando os seus sentimentos , Harry espreitou através de a pilha de livros para ver melhor a gaiola . Lockhart colocou uma mão em a tampa . Dean e Seamus tinham deixado de se rir . Neville estava agachado em o seu lugar de a fila de a frente . - Vou pedir vos que não façam barulho - disse Lockhart em voz baixa . - Podem assustá os . Enquanto a aula inteira continha a respiração , Lockhart tirou a cobertura . - Sim - disse em um tom dramático . - Duendes_da_Cornualha recém-capturados . Seamus_Finnigan não conseguiu controlar se . Soltou uma gargalhada que nem Lockhart poderia confundir com um grito de terror . - Sim ? - sorriu a Seamus . - Bem , eles não são , não são perigosos , pois não ? - perguntou a rir . -- Não tenhas tanta certeza de isso - afirmou Lockhart , aborrecido , abanando um dedo , em direcção a Seamus . - Podem ser maçadores e muito traiçoeiros . Os duendes eram de um azul-eléctrico e tinham cerca de vinte centímetros de altura com feições angulosas e umas vozes tão estridentes que era como ouvir uma discussão entre araras . Logo_que o pano foi retirado , começaram a fazer uma enorme algazarra , a andar de um lado para o outro , batendo em as grades e fazendo caretas a as pessoas que estavam mais perto . - Muito bem - disse Lockhart em voz alta . - Vamos então ver o que vocês conseguem fazer de eles - e abriu a gaiola . Foi um pandemónio . Os duendes dispararam em todas_as direcções como foguetes . Dois de eles agarraram o Neville por as orelhas e levantaram o a o ar . Vários outros foram direitos a a janela , fazendo chover vidros partidos até a a fila de trás . Os restantes decidiram destruir a sala com maior eficácia do_que um rinoceronte em fúria . Agarraram em os tinteiros e salpicaram tudo em volta , rasgaram a os bocados livros e papéis , arrancaram os quadros de as paredes , levantaram a o ar a gaiola vazia , agarraram livros e sacos e lançaram nos por a janela de vidros estilhaçados . Em poucos minutos , metade de a aula estava abrigada debaixo de as secretárias e o Neville pendurado em o candelabro de o tecto . - Vamos lá , agarrem nos , agarrem nos , são apenas duendes ... - gritava Lockhart . Arregaçou as mangas , bramiu a varinha e pronunciou * Peshipiksi_Pesternomi ! * As palavras não tiveram o menor efeito . Um de os duendes pegou em a varinha de Lockhart e atirou a também por a janela fora . Lockhart engoliu em seco e mergulhou debaixo de a secretária , não sendo , por um triz , esmagado por o Neville que caiu um segundo depois , quando o candelabro cedeu . A campainha tocou e houve uma louca precipitação para a porta . Em a calma relativa que se seguiu , Lockhart endireitou se , olhou para Harry , Ron e Hermione que estavam quase a chegar a a porta e disse : - Bem , vou pedir vos a os três que prendam o resto de os duendes em a gaiola - passou por eles e fechou rapidamente a porta atrás_de si . - Isto dá para acreditar ? - resmungou o Ron , enquanto um de os duendes lhe mordia com toda_a força uma de as orelhas . - Ele só quer dar nos uma ajuda , permitindo nos ganhar experiência - justificou Hermione , imobilizando dois duendes de uma_vez com um encantamento de paralisação e metendo os de_novo em a gaiola . - Experiência ? - disse Harry , tentando agarrar um duende que dançava com a língua de_fora . - Hermione , ele não sabia nada do_que estava a fazer . - Disparate - retorquiu Hermione . - Leste os livros de ele . Vê só as coisas que ele já fez ! - Que diz que fez - resmungou o Ron . VII_Sangue de lama e murmúrios Harry passou imenso tempo , em os dias que se seguiram , a fugir sempre_que via Gilderoy_Lockhart aproximar se em o corredor . Mais difícil de evitar era Colin_Creevey que parecia ter decorado o horário de Harry . Parecia que nada o emocionava mais do_que dizer : - Tudo bem , Harry ? - seis ou sete vezes por dia e ouvir : - Olá , Colin - por mais exasperado que Harry estivesse quando lhe respondia . A Hedwig ainda estava zangada com Harry por causa de a desastrosa viagem de automóvel e a varinha de o Ron continuava a não funcionar , tendo ultrapassado tudo em a sexta-feira de manhã quando lhe saltou de as mãos em a aula de encantamentos e foi agredir o velho e baixinho professor Flitwick mesmo entre os olhos , deixando uma enorme bolha latejante em o sítio onde tinha batido . Por tudo_isso Harry via chegar , com satisfação , o fim_de_semana Planeava ir em o Sábado de anhã , com Ron e Hermione visitar o Hagrid . Mas foi acordado várias horas mais cedo do_que desejaria por Oliver ood , treinador de a equipa de Quidditch_dos_Gryffindor . - _ o que é_que se passa ? - perguntou Harry , enrolando as palavras . - Treino_de_Quidditch - disse Wood . - Vamos embora . Harry lançou um olhar de esguelha a a janela . Uma neblina fina pairava em o céu rosa e dourado . Agora_que estava acordado não percebia como pudera dormir com a algazarra que os pássaros faziam . - Oliver resmungou Harry . - É de madrugada . - Exacto - respondeu Wood . Era um rapaz alto e corpulento de o sexto ano e em aquele momento os olhos brilhavam lhe loucamente de entusiasmo . - Faz parte de o nosso novo programa de treinos . Anda lá , vai buscar a vassoura e vamos embora - insistiu Wood empenhado . - Nenhuma de as outras equipas começou ainda a treinar . Vamos ser os primeiros este ano ... A bocejar e a tremer um_pouco , Harry saltou de a cama e tentou descobrir as suas túnicas de Quidditch . - Bem , encontramo nos em o campo , dentro_de quinze minutos . Depois de descobrir a sua roupa escarlate de equipa e pôr o manto por cima para se aquecer , Harry escreveu a o Ron um bilhete a explicar onde tinha ido e desceu por a escada de espiral para a sala comum com a sua Nimbos dois inil a o ombro . Tinha acabado de chegar junto de o buraco de o retrato quando ouviu um barulho atrás_de si e viu Colin_Creevey descer a escada de espiral com a máquina fotográfica pendurada a o pescoço a balouçar como louca e uma coisa em a mão . - Ouvi alguém chamar o teu nome em as escadas , Harry olha o que tenho aqui . Revelei a e queria mostrar te . Harry olhou assombrado para a fotografia que Colin lhe espetava em frente de o nariz . Um Lockhart a preto e branco movia se , puxando com toda_a força um braço que Harry reconheceu como sendo o seu . Ficou satisfeito a o constatar que estava a resistir bastante bem , recusando se a ser trazido para a vista de todos . Enquanto Harry observava , Lockhart desistiu e desinteressou se de lutar contra a parte branca de a fotografia . - Assinas para mim ? - pediu Colin entusiasmado . - Não - respondeu secamente Harry , olhando em volta para verificar se o caminho estava livre . - Desculpa_Colin , mas estou cheio de pressa , treino de Quidditch . Passou por o buraco de o retrato . - Oh Uau ! Espera por mim . Eu nunca vi um jogo de Quidditch . Colin trepou por o buraco de o retrato atrás de ele . - Vai ser uma chatice para ti - disse Harry rapidamente , mas Colin ignorou o comentário . Todo o seu rosto brilhava de satisfação . - Tu foste o jogador mais novo de a equipa em cem anos , não foste Harry ? Não foste ? - perguntava Colin , trotando para o acompanhar . - Deve ser fantástico . Eu nunca voei . É fácil ? Essa vassoura é a tua ? É a melhor que há ? Harry não sabia como ver se livre de ele . Era como ter uma sombra que não se calava . - Eu não percebo nada de Quidditch - disse Colin , já sem fôlego . - É verdade que há quatro bolas ? E que duas anda n a voar , tentando fazer os jogadores caírem de as vassouras ? - Sim - disse Harry lentamente , resignado com o ter de lhe explicar as complicadas regras de o Quidditch . - São as * bludgers * . Há dois * beaters * em cada equipa que têm bastões para bater em as * bludgers * e lançá as para o outro lado . O Fred e o George_Weasley são os * beaters * de os Gryffindor . - E para que servem as outras bolas ? - perguntou Colin , saltando uma série de degraus porque ia a olhar para o Harry de boca aberta . - Bem , a * quaffle * , que é a vermelha grandalhona , é a que marca os golos . Três * chasers * em cada equipa lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam fazes a entrar em as balizas que ficam em o extremo de o campo onde há três grandes postes com argolas em as pontas . - E a quarta bola ? - A * snitch * dourada - explicou Harry . - É muito pequenina e veloz e extremamente difícil de agarrar . Mas é isso que o * seeker * tem de fazer , porque o jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * for agarrada . E o * seeker * que conseguir agarrá a ganha para a sua equipa mais cento_e_cinquenta pontos . - E tu és o * seeker * de os Gryffindor , não és ? - perguntou Colin respeitosamente . - Sim - disse Harry enquanto saíam de o castelo e começavam a atravessar o relvado . - E há também o * keeper * que toma conta de os postes . É isto . Mas Colin não parou de fazer perguntas desde os relvados macios até a o campo de Quidditch e Harry só se viu livre de ele quando chegaram a os vestiários . Colin gritou em uma voz aguda : - Eu vou arranjar um lugar , Harry - e apressou se em direcção a as bancadas . O resto de a equipa de os Gryffindor já se encontrava em os vestiários . Wood era o único que tinha aspecto de estar bem acordado . Fred e George_Weasley estavam sentados com olhos de sono e cabelos desgrenhados junto de Alicia_Spinnet de o quarto ano que parecia inclinar se contra a parede que tinha atrás_de si . Os seus companheiros * chasers * , Katie_Bell e Angelina_Johnson bocejavam em frente de ela . - Até que enfim , Harry , porque é_que demoraste tanto ? - perguntou Wood cheio de actividade . - Eu queria ter uma pequena conversa convosco antes de entrarmos propriamente em campo porque passei o Verão a conjecturar um novo programa de treinos que acredito vai estabelecer grandes mudanças . Wood tinha em as mãos um grande mapa de um campo de Quidditch onde estavam desenhadas muitas linhas , setas e cruzes a tinta de várias cores . Pegou em a varinha , bateu com ela em o quadro e as setas começaram a mover se em o mapa como tractores . Enquanto Wood se lançava em um discurso sobre as suas novas técnicas , a cabeça de Fred_Weasley caiu sobre o ombro de Alicia_Spinnet e ele começou a ressonar . O primeiro mapa levou quase vinte minutos a explicar , mas debaixo de esse havia outro e ainda um terceiro . Harry caiu em uma letargia enquanto Wood continuava indefinidamente . - Então - disse por fim o treinador , arrancando Harry de a avidez de uma fantasia sobre o que poderia estar a comer se se encontrasse em aquele momento em o castelo . - Ficou tudo claro ? Alguma pergunta ? - Eu tenho uma pergunta , Oliver - disse George que acordou estremunhado . - Porque não nos explicaste tudo_isso ontem , quando estávamos acordados ? Wood não ficou nada satisfeito . - Ouçam bem , vocês todos - disse , voltando se para eles mal-humorado . - Nós deveríamos ter ganho a taça de Quidditch o ano passado . Somos de longe a melhor equipa , mas , infelizmente , devido_a circunstancias que estão para_além de o nosso controlo ... Harry mudou de posição em a cadeira sentindo se culpado . Estivera inconsciente em o hospital durante o campeonato final de o ano anterior o que fez com que os Gryffindor com um jogador a menos tivessem sofrido a pior derrota de os últimos trezentos anos . Wood levou um momento a controlar se . Era evidente que a última derrota ainda o torturava . - Portanto , este ano vamos fazer um treino mais duro , como nunca se fez . O. _ K. , vamos lá pôr as teorias em prática - gritou , pegando em a vassoura e conduzindo os para fora de o vestiário . Com as pernas trôpegas e ainda a bocejar , a equipa seguiu o . Tinham estado tanto tempo lá dentro que o sol já tinha nascido e brilhava em o céu embora uma réstia de neblina pairasse ainda sobre o relvado de o campo . Quando Harry entrou em campo viu Ron e Hermione sentados em as bancadas . - Ainda não acabaram ? - perguntou Ron em um tom incrédulo . - Ainda nem começamos - explicou Harry , olhando cheio de inveja para a torrada com doce de laranja que Ron e Hermione tinham trazido de o salão . - O Wood tem estado a ensinar nos as jogadas . Subiu para a vassoura e deu um pontapé em o chão , elevando se em o ar . O ar fresco de a manhã bateu lhe em o rosto fazendo o acordar com mais eficácia do_que o longo discurso de Wood . Era maravilhoso voltar a estar em o campo de Quidditch . Voou em volta de o estádio a toda a a velocidade competindo com Fred e George . - Que barulhinho estranho é aquele ? - perguntou o Fred quando deram a volta . Harry olhou para as bancadas . Colin estava sentado em um de os lugares mais altos com a máquina fotográfica em o ar , tirando fotografia sobre fotografia , o som estranhamente ampliado em o estádio deserto . - Olha para ali , Harry , para ali - gritava de forma estridente . - Quem é aquele ? - perguntou Fred . - Não faço ideia - mentiu Harry , disparando a_toda_a velocidade e distanciando se o mais possível de Colin . - O que se passa aí ? - perguntou Wood , franzindo a testa enquanto corria por os ares atrás de eles . - Porque está aquele aluno de o primeiro ano a tirar fotografias ? Não me agrada . Pode ser um espião de os Slytherin a tentar descobrir o nosso novo programa de treinos . - Ele é de os Gryffindor - disse Harry rapidamente . - E os Slytherin não precisam de um espião , Oliver - completou George . - Porque dizes isso ? - perguntou Wood irritado . - Porque estão aqui em peso - disse George , apontando com o dedo . Vários indivíduos com túnicas verdes vinham em aquele momento a entrar em o campo de vassouras em a mão . - Não posso acreditar - reagiu Wood , sentindo se ultrajado . - Eu reservei o estádio para hoje . Já vamos ver como é_que isto fica ! Wood baixou direito a o chão sendo levado por a fúria a aterrar com mais força do_que pretendia e a cambalear um_pouco quando começou a andar seguido de o Harry e de o Ron . - Flint - bradou para o treinador de os Slytherin . - Este é o nosso tempo de treino . Levantámo nos de propósito . Vocês têm de sair de aqui . Marcus_Flint era ainda mais corpulento do_que Wood . Tinha em o rosto uma expressão de duende travesso quando respondeu : - Há espaço para todos , Wood . Angelina , Alicia e Katie tinham vindo também . Em a equipa de os Slytherin não havia raparigas que enfrentassem a o lado de os rapazes os Gryffindor . - Mas eu reservei o estádio - repetiu Wood de modo afirmativo , cuspindo de raiva . - Reservei o . - Ah ! - exclamou Flint . - Mas eu tenho aqui uma licença especial assinada por o professor Snape . * _ Eu , professor Snape , autorizo a equipa de os Slytherin a praticar hoje em o campo de Quidditch devido a a necessidade de treinar o seu novo seeker . * - Têm um novo * seeker * ? - perguntou Wood perturbado . - Onde ? E detrás de as seis figuras corpulentas que tinham em a frente , viram surgir uma sétima : um rapaz mais pequeno com um sorriso afectado espelhado em o rosto pálido e anguloso . Era_Draco_Malfoy . - Não és o filho de o Lucius_Malfoy ? - perguntou Fred , olhando para ele com antipatia . - Curioso que refiras o pai de o Draco - disse Flint enquanto toda_a equipa de os Slytherin sorria de modo grosseiro . - Deixem me mostrar vos a generosa oferta que ele fez a a equipa de os Slytherin . Os sete exibiram as suas vassouras . Sete cabos novos , polidos , com inscrições em letras douradas de as palavras « Nimbus dois_mil_e_um « brilharam a o sol de a manhã , em frente de o nariz de os Gryffindor . - O último modelo . Só chegou em o mês passado - disse Flint , displicentemente , sacudindo a poeira de o cabo de a sua vassoura . - Julgo que ultrapassam de longe as velhas séries de dois_mil . Quanto a as Cleansweeps - sorriu de forma mesquinha para Fred e George que tinham ambos Cleansweep_Fives - essas já só servem para varrer . Nenhum de os Gryffindor foi capaz de abrir a boca em aquele momento . Malfoy sorria tanto que os seus olhos de gelo estavam reduzidos a duas rachas . - Oh vejam - disse Flint . - Uma invasão de o campo . Ron e Hermione atravessavam o relvado para ver o que se passava . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron a o Harry . - Porque não estão a jogar e o que faz ele aqui ? Olhava para Malfoy em as suas vestes de Quidditch . - Sou o novo * seeker * de os Slytherin , Weasley - disse Malfoy com ar presumido . - Têm estado todos a admirar as vassouras que o meu pai comprou para a nossa equipa . Ron olhou de boca aberta para as sete vassouras que tinha em a frente . - São boas , não são ? - disse Malfoy untuosamente . - Mas talvez a equipa de os Gryffindor consiga levantar algum ouro e comprar também vassouras novas . Vocês podiam levar essas Cleansweep_Fives a leilão , talvez algum museu esteja interessado . A equipa de os Slytherin riu se a bandeiras despregadas . - Pelo_menos em os Gryffindor ninguém teve de comprar a sua entrada - disse secamente Hermione . - Entraram todos por mérito próprio . O ar presumido de Malfoy desapareceu . - Ninguém pediu a tua opinião , sangue de lama - cuspiu Malfoy . Harry apercebeu se , de imediato , que Malfoy dissera algo muito grave porque houve uma tremenda algazarra em o seguimento de as suas palavras . Flint teve que se pôr a a frente de o Malfoy para evitar que Fred e George se atirassem a ele . Alicia bradou : - Como te atreves ? - E Ron meteu a mão em as vestes e sacou de a varinha mágica , gritando : - Vais pagar por o que disseste , Malfoy ! - e apontou a , furioso , por debaixo de o braço de Flint , a o rosto de Malfoy . Um enorme estrondo , ecoou em o estádio e um jacto de luz verde saiu por a extremidade errada de a varinha de Ron , atingindo o em o estômago e projectando o para trás em direcção a o relvado . - Ron ! Ron ! Estás bem ? - gritou Hermione . Ron abriu a boca para falar , mas nenhuma palavra saiu . Em vez de isso , teve um vómito imenso e várias lesmas saíram lhe de a boca , indo cair lhe em o colo . A equipa de os Slytherin ficou paralisada de riso . Flint estava dobrado , agarrado a a vassoura nova . Malfoy , a quatro , batia com o punho em a chão . Os Gryffindor rodeavam o Ron , que continuava a vomitar lesmas enormes e reluzentes . Ninguém queria tocar lhe . - É melhor levá o para_casa de o Hagrid . É o mais perto - disse Harry_a_Hermione , que acenou afirmativamente , e os dois arrastaram o Ron por os braços . - O que aconteceu , Harry ? O que aconteceu ? Ele está doente ? Mas tu podes curá o , não podes ? - Colin descera a correr de o lugar onde estava sentado e dançaricava em frente de eles , enquanto abandonavam o campo . Ron teve um novo arremesso e mais lesmas saíram de a sua boca . - Oooh ! - exclamou Colin fascinado , levantando a máquina fotográfica . - Podes mantê o quieto , Harry ? - Sai de a minha frente , Colin - gritou Harry zangado . Ele e a Hermione conseguiram levar o Ron para fora de o estádio , atravessar os campos e chegar a a beira de a floresta . - Está quase , Ron - disse Hermione , mal avistaram o casebre de o guarda de os campos . - Vais ficar bem dentro_de um minuto ... está quase ... Estavam a sessenta metros de a casa de Hagrid , quando a porta de a frente se abriu . Mas não foi Hagrid quem saiu de lá , e sim Gilderoy_Lockhart , em uma túnica cor de malva . - Rápido , vamos esconder nos aqui - sussurrou Harry , arrastando Ron para trás de um arbusto que havia ali perto . Hermione acompanhou o , embora um_pouco relutante . -- É muito simples quando se sabe o que se está fazer ! - gritava Lockhart_para_Hagrid . - Se precisar de ajuda , sabe onde estou . Vou dar lhe um exemplar de o meu livro . Espanta me que ainda não o tenha . Logo a a noite autografo o e envio lhe o . Bem . até a a próxima ! - e afastou se em direcção a o castelo . Harry esperou que Lockhart desaparecesse , antes de puxar o Ron de trás de o arbusto até a a casa de o Hagrid . Bateram ansiosamente . Hagrid apareceu logo com um ar mal-humorado , que se dissipou quando viu quem era . - Já me tinha perguntado quand'é que vocês vinham ver me , entrem , entrem , pensei qu'era outra_vez o professor Lockhart . Harry e Hermione ajudaram Ron a subir o degrau que dava acesso a a cabana de uma divisão com uma cama enorme a um de os cantos e uma lareira a crepitar alegremente em o outro . Hagrid não pareceu perturbado com o problema de as lesmas de o Ron que Harry lhe explicou precipitadamente , logo_que sentou o Ron em uma cadeira . - Melhor saírem de o qu'entrarem - disse , em um tom bem-disposto , colocando uma grande bacia de cobre em frente de ele . - Deita as todas fora , Ron . - Acho que não há mais_nada a fazer , a não ser esperar que isto pare - disse Hermione ansiosamente , vendo Ron inclinar se para a bacia . - É uma maldição muitas_vezes difícil , mas com uma varinha partida ... Hagrid andava de um lado para o outro a preparar o chá . O cão de ele , Fang , babava se em cima de o Harry . - O que é_que o Lockhart queria de ti ? - perguntou o Harry , coçando as orelhas de o Fang . - Ensinar me a tirar espíritos aquáticos com forma de cavalos d'uma nascente d'água - resmungou Hagrid , retirando de a mesa pequena um galo meio depenado e colocando em o seu lugar o bule . - Como s'eu não soubesse . E contar me uma peta qualquer d'uma fada carpideira que ele venceu . Engulo essa chaleira , se uma palavra do_que ele disse for verdade . Não era hábito de Hagrid criticar um professor de Hogwarts e Harry olhou para ele com alguma surpresa . Mas Hermione disse em uma voz mais aguda do_que de costume : - Acho que estás a ser injusto . O professor Dumbledore obviamente achou que era o melhor homem para o lugar ... - Era o único - explicou Hagrid , oferecendo lhes um prato de bombons de melaço enquanto Ron tossia para a bacia . - E não havia mais ninguém . Não é fácil encontrar quem queira dar Artes de magia negra . As pessoas não gostam de essa matéria . Começam a pensar que está amaldiçoada , ninguém ficou muito_tempo a dá a . Mas digam me lá - continuou Hagrid , inclinando a cabeça para Ron - quem é qu'ele estava a tentar amaldiçoar ? - O Malfoy chamou qualquer coisa a a Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si . - Foi grave , sim - disse o Ron com voz rouca , emergindo a a superfície de a mesa , pálido e transpirado . - O Malfoy chamou lhe sangue de lama , Hagrid . - Ron desapareceu outra_vez quando uma nova onda de lesmas fez o seu aparecimento . Hagrid estava indignado . - Não posso crer - exclamou , dirigindo se a Hermione . - Chamou sim - disse ela . - Mas eu não sei o que significa . Percebi que era má educação , claro ... - É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar - explicou Ron novamente . - Sangue de lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles , sabes , filho de pais não mágicos . Há alguns feiticeiros , como a família de o Malfoy que acham que são melhores do_que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro . - Teve um pequeno vómito e uma lesma isolada caiu lhe em a mão aberta . Ele atirou a para a bacia e continuou . -- É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma . Olha_o_Neville_Longbottom , é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito . - E ainda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer - afirmou Hagrid , orgulhoso , fazendo Hermione corar em tons de magenta . - É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém - disse o Ron , limpando o suor de a testa com a mão trémula . - Sangue sujo , sangue vulgar , é um disparate . A maior parte de os feiticeiros hoje_em_dia têm sangue misturado . Se não tivéssemos casado com Muggles tinha sido o nosso fim . Fez um esforço para vomitar e baixou se mais_uma_vez . - Bem , não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá o , Ron - disse Hagrid bem alto enquanto montes de lesmas caíam em a bacia . - Mas , se_calhar , não foi mau de todo teres a varinha a trabalhar ao_contrário . Acho que Lucius_Malfoy teria vindo logo a correr a a escola se tivesses amaldiçoado o filho . Assim , pelo_menos , não estás metido em nenhum sarilho . Harry teria referido que o problema não podia ser pior do_que deitar lesmas por a boca , mas não pôde . Os bombons de melaço tinham lhe colado os maxilares um_ao_outro . - Harry - disse de repente Hagrid como_que movido por um pensamento súbito . - Tens de me explicar uma coisa . Ouvi dizer que tens andado a dar fotografias autografadas . Porque é qu'eu não tenho nenhuma ? A fúria de Harry foi tão grande que os maxilares se libertaram . - Eu não tenho dado fotografias autografadas - disse com vivacidade . Se o Lockhart andou a espalhar isso ... Mas em esse momento viu que Hagrid se estava a rir . - ´ _ tou a brincar - disse , dando uma palmadinha em as costas de Harry e fazendo lhe sinal para se sentar a a mesa . -- Eu sabia que não tinhas . Disse a o Lockhart que tu não precisavas de isso . Es mais famoso do_que ele sem sequer , tentares . - Aposto que ele não gostou de ouvir isso - comentou Harry , sentando se e esfregando o queixo . - Acho que não gostou mesmo - prosseguiu Hagrid com os olhinhos a brilhar . - E disse lhe também que nunca tinha lido nenhum de os livros de ele e ele foi se embora . Um bombom de melaço , Ron ? - perguntou a o vê o reaparecer . - Não , obrigado - disse o Ron com uma voz fraca . - É melhor não arriscar . - Venham ver o qu'eu tenho estado a criar - disse Hagrid quando Harry e Hermione acabaram de tomar o chá . Em a pequena horta atrás de a casa estava uma_dúzia de as maiores abóboras que Harry alguma vez vira . Pareciam enormes blocos de pedra . - Estão a dar se bem , não achas ? - disse Hagrid , feliz . São para a festa de o * _ Hallow'en * . Devem estar bem grandes quando chegar a altura . - O que é_que lhes tens dado como alimento ? - perguntou Harry . Hagrid olhou por cima de o ombro para confirmar se estavam sós . - Bem , tenho estado a dar lhes ... uma pequena ajuda . Harry reparou em o guarda-chuva cor-de-rosa a as florzinhas que estava encostado contra a parede de a cabana . Tivera em o ano anterior motivos para crer que aquele guarda-chuva não era o que parecia . De facto , acreditava que a antiga varinha de escola de Hagrid se encontrava oculta dentro de ele . Hagrid não tinha autorização para usar magia . Fora expulso de Hogwarts em o terceiro ano embora Harry nunca tivesse descoberto o motivo . Qualquer referência a esta questão fazia Hagrid pigarrear bem alto e ficar misteriosamente surdo até mudarem de assunto . -- Um encantamento de absorção , imagino ? - comentou Hermione entre a desaprovação e o divertimento . - Bem , se assim foi , fizeste um bom trabalho . - Foi o que disse a tua irmãzinha - respondeu Hagrid acenando em direcção a Ron . - Encontrei a ontem . - Hagrid olhou de lado para Harry , a barba a contorcer se . - Disse que andava só a ver os campos , mas eu acho qu'ela esperava encontrar alguém em a minha casa - piscou o olho a o Harry . - Se queres que te diga acho qu'ela não recusaria uma fotografia autogr ... - Cala te com isso - disse Harry . Ron desatou a rir e o chão ficou cheio de lesmas . - Cuidado - resmungou Hagrid , afastando Ron de as suas preciosas abóboras . Estava quase em a hora de o almoço e , como o Harry só tinha provado um bombom de melaço desde manhã cedo , estava ansioso por chegar a a escola para ir comer . Despediram se de o Hagrid e regressaram a o castelo . O Ron a vomitar de vez em quando , mas deitando só duas pequenas lesmas . Mal tinham pisado a entrada de o vestíbulo quando ouviram uma voz . - Aí estão vocês , Potter , Weasley . - A professora Mc_Gonagall vinha em direcção a eles com o seu ar severo . - Vocês os dois vão ter as punições hoje a a tarde . - O que é_que vamos fazer , professora ? - perguntou o Ron nervoso , deixando cair uma lesma . - Tu vais limpar as pratas em a sala de os troféus com Mr._Filch - disse a professora Mc_Gonagall . - E nada de mágicas , Weasley , trabalho com esforço . Ron engoliu em seco . Argus_Filch , o encarregado , era odiado por todos os alunos de a escola . - E tu , Potter , vais ajudar o professor Lockhart a responder a as cartas de as suas fãs - ordenou a professora Mc_Gonagall . - Oh , não ! Não posso ir também trabalhar em a sala de os troféus ? - pediu Harry em desespero de causa . - Nem pensar em isso - respondeu a professora Mc_Gonagall , erguendo as sobrancelhas . - O professor Lockhart requisitou te especialmente a ti . _ a as oito_em_ponto , os dois . Harry e Ron entraram em o salão em um estado de profundo desanimo com a Hermione atrás , ostentando uma expressão de * bem-voces-quebraram-as-regras-da-escola * . Harry não saboreou o empadão de carne como teria desejado . Tanto ele como o Ron achavam que tinham tido o pior de os castigos . -- O Filch vai reter me lá toda_a noite - disse Ron , desanimado . - Sem mágica ! Deve haver umas cem taças em aquela sala , eu não sei fazer limpeza de Muggles . - Eu trocava contigo de boa_vontade - confessou Harry em uma voz surda . - Tive montes de prática com os Dursleys . Responder a o correio de fãs de o Lockhart , que pesadelo ... A tarde de sábado pareceu derreter se . Pouco depois eram já cinco para as oito e Harry arrastava se até a o corredor de o segundo andar onde ficava o escritório de o Lockhart . Rangendo os dentes , bateu a a porta . A porta abriu se imediatamente e Lockhart dirigiu se lhe . - Ah , cá está o patifório ! - exclamou . - Entra , Harry , entra . Em as paredes , brilhando à_luz_de muitas velas , podia ver se uma infinidade de fotografias de Lockhart . Algumas de elas até assinadas . Sobre a secretária estava outro monte enorme . - Podes pôr as moradas em os envelopes - disse Lockhart_a_Harry , como_se fosse uma grande ameaça . - O primeiro é para Gladys_Gudgeon , abençoada seja , uma grande fã minha . Os minutos passavam lentos . De vez em quando , Harry ouvia a voz de Lockhart dizendo : - Mmm - e - certo - e - sim . - De vez em quando , apanhava uma frase como : - A fama é versátil , amigo Harry - ou - Só é célebre quem faz por isso , nunca te esqueças . As velas ardiam cada_vez com maior lentidão , fazendo a luz dançar sobre as muitas caras de Lockhart que o olhavam . Harry passava a mão , já dorida , sobre o que devia ser o centésimo envelope , escrevendo a morada de Verónica_Smethley . « Deve estar quase em a hora de me ir embora » , pensou , sentindo se profundamente infeliz , « por favor , faz com que esteja em a hora ... » E então ouviu algo , algo totalmente diferente de o crepitar de as velas e de os ditos de Lockhart sobre as suas fãs . Era uma voz , uma voz de arrepiar os ossos , de cortar a respiração , de veneno frio . - * _ Vem ... vem ter comigo ... deixa me rasgar te ... cortar te ... matar te * ... Harry deu um salto e uma enorme mancha lilás surgiu em a rua de Verónica_Smethley . - O quê ? - disse ele em voz alta . - Eu sei - exclamou Lockhart . - Seis meses inteirinhos em o topo de a lista de * bestsellers * , bati todos os recordes ! - Não - disse Harry nervosíssimo - aquela voz ! - Como ? - perguntou Lockhart , com um ar confuso . - Que voz ? - Aquela , aquela voz que disse ... não ouviu ? Lockhart olhava para Harry com o maior espanto . - De que é_que estás a falar , Harry ? Estás a ficar com sono ? Meu Deus , olha , só estamos aqui há quase quatro horas , quem diria ? O tempo passou a correr , não é verdade ? Harry não respondeu , estava a fazer um esforço para ouvir de_novo a voz , mas o único som que ouviu foi Lockhart a dizer lhe que não esperasse um tratamento igual de as próximas vezes que fosse castigado . Harry saiu , sentindo se atordoado . Era tão tarde que a sala comum de os Gryffindor estava quase vazia . Harry foi directamente para o dormitório . Ron ainda não tinha voltado . Vestiu o pijama , meteu se em a cama e esperou . Meia_hora mais tarde , chegou o Ron agarrado a o braço direito e inundando o quarto escuro de um forte cheiro a limpa-pratas . - Doem me todos os músculos - resmungou , metendo se em a cama . - Ele fez me polir catorze vezes aquela taça de Quidditch até estar satisfeito . E depois tive outro vómito em_cima_de um troféu de Reconhecimento por serviços prestados a a escola . Demorei séculos a limpar o muco de as lesmas . Como correram as coisas com o Lockhart ? Em voz baixa para não acordar o Neville , o Dean e o Seamus , Harry contou lhe , palavra por palavra , o que tinha ouvido . - E Lockhart disse que não ouviu nada ? - perguntou o Ron . Harry viu o franzir a testa , a a luz de o luar . - Achas que estava a mentir ? Mas , não percebo , mesmo um ser invisível teria aberto a porta . - Eu sei - disse Harry , encostando se a a cama e olhando para o dossel . - Também não compreendo . VIII_A festa de o dia de os mortos Outubro chegou , espalhando um frio húmido por os campos e por os cantos de o castelo . Madam_Pomfrey , a enfermeira-chefe , esteve bastante ocupada com uma onda de constipações que afectou professores e alunos . A sua poção de pimentão entrou imediatamente em acção apesar_de deixar quem a tomava com fumo em os ouvidos durante várias horas . Ginny_Weasley , que andava com ar adoentado , foi convencida a tomá a por o Percy . O fumo que saía por debaixo de o seu cabelo ruivo dava a impressão de que toda_a cabeça estava em fogo . Gotas de chuva de o tamanho de balas agrediram as janelas de o castelo durante dias a fio . O lago rosado e os canteiros de flores tornaram se regatos lamacentos e as abóboras de o Hagrid incharam ficando de o tamanho de alpendres de jardim . Contudo , o entusiasmo de Oliver_Wood por as sessões de treino regular não foi abalado , motivo por o qual Harry iria regressar a a torre de os Gryffindor , em um sábado a a tarde de temporal , alguns dias antes de o * _ Hallowe'en * , ensopado até a os ossos e todo enlameado . Além de a chuva e de o vento , não fora um treino feliz . Fred e George que tinham andado a espiar a equipa de os Slytherin tinham visto com os seus próprios olhos a velocidade alucinante de aquelas novas Nimbus dois_mil_e_um e comentaram que a equipa em o ar parecia composta por sete manchas esverdeadas que disparavam a_toda_a velocidade como aviões a jacto . Enquanto Harry chapinhava a o longo de o corredor deserto , cruzou se com alguém que parecia tão preocupado como ele : Nick quase sem cabeça , o fantasma de a torre de os Gryffindor que olhava taciturno , por a janela , murmurando baixinho : - Não preenche os requisitos , um centímetro e meio se ... - Olá , Nick - cumprimentou Harry . - Olá , olá - disse o Nick quase sem cabeça , começando a olhar em volta . Usava um arrebatado chapéu de plumas sobre a longa cabeleira encaracolada e uma túnica com gola de tufos que disfarçava o facto de ter o pescoço quase totalmente separado de o corpo . Era pálido como o fumo e Harry podia ver através de ele o céu negro e a chuva torrencial , lá fora . - Pareces preocupado , jovem Potter - disse Nick , dobrando uma carta transparente , enquanto falava e escondendo a dentro de a jaqueta . - Tu também - retorquiu Harry . - Ah ! - o Nick quase sem cabeça acenou com a mão de forma elegante . - Uma questão sem importância . Não é_que eu quisesse realmente participar apesar_de me ter inscrito , mas , a o que parece , não preencho os requisitos . - Apesar de o seu tom jovial havia em o seu rosto uma grande amargura . - Mas era de esperar , ou não era - exclamou subitamente , tirando a carta de o bolso - que ter levado quarenta_e_cinco golpes em a cabeça com um machado ferrugento me qualificaria para entrar em o grupo de os Sem - _ Cabeça ? - Sim , sim - respondeu Harry que obviamente o outro esperava que concordasse . - Isto_é , ninguém mais do_que eu desejaria que tudo tivesse sido rápido e perfeito , poupava me muitas dores e ridículo . Mas ... O Nick quase sem cabeça abriu , furioso , a carta e leu : * _ Só podemos aceitar em o grupo homens cuja cabeça tenha sido separada de o corpo . Compreenderá que de outro modo seria impossível a os nossos membros participarem em actividades como equitação de malabarismos com a cabeça e pólo de cabeça . Lamentamos profundamente informá o de que não preenche os requisitos . * _ Os nossos melhores cumprimentos , Sir_Patrick_Delaney - _ Podmore * Furioso , o Nick quase sem cabeça atirou fora a carta . - Um centímetro de pele e tendões a segurarem me a cabeça , Harry ! A maior parte de as pessoas acharia que era mais do_que o suficiente , mas não serve para o senhor correctamente decapitado Podmore . Nick quase sem cabeça respirou fundo várias vezes e , por fim , em um tom bastante mais calmo perguntou : - Então o que é_que te preocupa ? Alguma coisa que eu possa fazer por ti ? - Não - respondeu Harry . - A_não_ser_que saibas onde posso arranjar sete Nimbus dois_mil_e_um , de_graça , para o nosso campeonato contra os Sly ... - o resto de a frase foi afogada por um miado agudo vindo de perto de os seus tornozelos . Olhou para baixo e deu consigo a fitar um par de olhos que pareciam duas lâmpadas amarelas . Era_Mrs._Norris , a gata cinzenta e esquelética usada por o encarregado Argus_Filch como uma espécie de polícia em a sua infindável batalha contra os estudantes . - É melhor saíres de aqui , Harry - preveniu Nick com toda_a calma . - O Filch não está nada bem-disposto . Anda engripado e alguns alunos de o terceiro ano , por acidente , encheram o tecto de o calabouço cinco de miolos de rã . Ele tem andado toda_a manhã a limpar e se te vê a encher tudo de lama ... - Certo - disse Harry , recuando e afastando se de o olhar acusador de Mrs._Norris , mas ... tarde de mais . Conduzido até ali por o misterioso poder que parecia ligá o a a gata , Argus_Filch entrou subitamente por uma tapeçaria que se encontrava a a direita de Harry , com a sua respiração asmática , olhando vivamente em volta em busca de o infractor . Tinha um lenço grosso , de xadrez , a a volta de a cabeça e o nariz invulgarmente arroxeado . - Imundície - gritou com os maxilares a tremer e os olhos a saltarem lhe de as órbitas , enquanto apontava para a poça de lama que pingara de a túnica de Quidditch_de_Harry . - Desarrumação e imundície em todo o lado . Estou farto disto , segue me , Potter . Harry despediu se de o Nick quase sem cabeça com um tímido aceno e seguiu Filch até lá abaixo , duplicando o número de pegadas lamacentas em o chão . Nunca entrara em o gabinete de o Filch . Era um lugar que a maior parte de os estudantes evitava . A divisão era sombria e sem janelas , iluminada por uma única lamparina de óleo que pendia de o tecto . Sentia se um vago cheiro a peixe frito . As paredes estavam forradas por ficheiros de madeira . Por as etiquetas Harry percebeu que continham os dados de todos os alunos que Filch tinha punido . Fred e George_Weasley tinham uma gaveta só para eles . Atrás de a secretária estava pendurada uma colecção bem polida de correntes e algemas . Todos sabiam que ele estava sempre a pedir a Dumbledore que o deixasse pendurar os alunos em o tecto por os tornozelos . Filch pegou em uma pena que estava sobre a secretária e começou a procurar o pergaminho . - Bosta - murmurou , furioso . - Bosta de dragão , miolos de rã , intestinos de ratazana ... eu tinha aqui bastante , onde está o form ... sim ... Tirou um enorme rolo de pergaminho de a gaveta de a secretária e estendeu o em a frente , molhando a longa pena em o tinteiro . - Nome : Harry_Potter . Crime ... - Foi só um bocadinho de lama - disse Harry . - É só um bocadinho de lama para ti , rapaz , mas para mim é mais de uma hora a esfregar - gritou Filch com um pingo a tremer de modo desagradável em a extremidade de o nariz bolboso . - Crime : manchar o castelo . Sentença proposta ... Esfregando o nariz que continuava a pingar , Filch olhou com má cara para Harry que esperava com a respiração entrecortada para ouvir a sentença . Mas quando Filch pegou em a pena ouviu se um estrondo enorme em o tecto que fez a lamparina apagar se . - PEEVES - resmungou Filch , pousando a pena , cheio de raiva . - Desta_vez apanho te . Apanho te ! E sem olhar para trás , saiu a correr a_toda_a velocidade de o gabinete , seguido de a gata , Mrs._Norris . Peeves era o * poltergeist * de a escola , uma ameaça de risota esvoaçante que vivia para fazer estragos e criar aflição . Harry não gostava lá muito de ele , mas desta_vez , não podia deixar de lhe estar grato . Na_melhor_das_hipóteses o que Peeves tivesse feito ( e parecia que agora ele destruíra qualquer coisa em grande ) distrairia Filch_de_Harry . Pensando que o melhor seria esperar que ele voltasse , Harry deixou se cair em uma cadeira carcomida por o tempo que se encontrava junto de a secretária . Havia uma coisa sobre o tampo : um grande envelope roxo e lustroso com letras prateadas em a frente . Lançando um olhar rápido a a porta para confirmar que Filch não estava de volta , Harry pegou lhe e leu : __ feitiço __ rápido Um curso por correspondência De iniciação a a magia Cheio de curiosidade , abriu o envelope e retirou o rolo de pergaminho . Uma letra curvilínea e prateada dizia : Sente se pouco a a vontade em o mundo de a magia moderna ? Dá consigo a arranjar desculpas para não fazer feitiços simples ? Tem sido censurado por o deplorável trabalho com a varinha ? Eis a resposta ! Feitiço rápido e um curso totalmente novo , infalível , de resultados rápidos e rápida aprendizagem . Centenas de bruxas e feiticeiros têm beneficiado de o método feitiço rápido ! Madam_Z._Nettles_de_Topsham escreve nos : Eu não conseguia fixar os encantamentos e as minhas poções eram alvo de risota em a família . Agora , depois de o curso feitiço rápido , tornei me o centro de as atenções em todas_as festas e os meus amigos não param de pedir me a receita de a minha brilhante solução ! O mágico D.J._Prod , de Disbury , afirma : A minha mulher costumava rir se de os meus fracos encantamentos , mas bastou um mês com o vosso fabuloso curso feitiço rápido e consegui transformá a em um iaque . Obrigado , feitiço rápido ! Fascinado , Harry folheou o resto de o conteúdo de o envelope . Para que diabo quereria o Filch um curso de feitiço rápido ? Não seria ele um feiticeiro a sério ? Harry estava a ler a lição número um : Pegando em a varinha ( algumas dicas úteis ) quando umas passadas arrastadas , lá fora , o preveniram de que Filch estava de volta . Metendo rapidamente o pergaminho dentro de o envelope , lançou o para_cima de a secretária em o preciso momento em que a porta se abriu . Filch ostentava um ar triunfante . - Aquele armário que desapareceu era extremamente valioso - vinha ele a dizer a a gata , Mrs._Norris . - Desta_vez vamos correr com o Peeves , minha linda . Os seus olhos recaíram sobre Harry e logo_a_seguir sobre o envelope de o feitiço rápido que , Harry apercebeu se tarde de mais , estava meio metro distanciado de o seu lagar inicial . O rosto pálido de Filch tornou se vermelho escarlate . Harry preparou se para uma nova onda de fúria . Filch coxeou até a a secretária , arrebatou o envelope e meteu o em uma gaveta . -- Chegaste a ... lê o ? - perguntou atabalhoadamente . - Não - mentiu Harry , sem perder tempo . As mãos nodosas de o Filch contorciam se ao_mesmo_tempo . - Se eu soubesse que ias ler a minha correspondência priv ... não que seja minha ... é para um amigo ... mesmo_assim ... Harry olhava para ele espantado . Nunca vira o Filch tão louco . Os olhos pareciam querer saltar lhe de as órbitas , com um tique em as bochechas e aquele lenço axadrezado que não ajudava nada ... - Muito bem , vai e não abras a boca sobre isto ... não que ... mesmo_assim ... se tu não leste ... vai te embora , tenho de escrever o relatório sobre o Peeves , vai . Atordoado com a sua sorte , Harry saiu de ali e largou a correr por o corredor fora e por as escadas acima . Sair de o gabinete de o Filch sem um castigo devia ser um recorde em a escola . - Harry , Harry , deu resultado ? O Nick quase sem cabeça saiu a brilhar de uma sala de aula . Atrás de ele , Harry pôde ver os destroços de um grande armário preto e dourado que parecia ter sido atirado de uma grande altura . - Convenci o Peeves a parti o mesmo em cima de o gabinete de o Filch - disse Nick entusiasmado . - Pensei que talvez o distraísse . - Foste tu ? - exclamou Harry , agradecido . - Funcionou sim . Ele não me deu nenhum castigo . Obrigado , Nick . Atravessaram o corredor juntos . O Nick quase sem cabeça , reparou Harry , ainda tinha em a mão a carta de Sir_Patrick . - Gostaria de poder fazer qualquer coisa sobre o grupo de os Sem - _ Cabeça - disse Harry . O Nick quase sem cabeça parou de repente e Harry passou através de ele . Antes não tivesse passado , foi como atravessar um duche gelado . - Mas há uma coisa que tu podes fazer por mim - disse Nick muito agitado . - Harry , seria pedir te de mais ... mas não , tu não ias querer ... - O quê ? - Bem , este ano em o * _ Hallowe'en * vai ser o meu meio milénio de dia de os mortos - disse o Nick quase sem cabeça endireitando se e adquirindo uma postura de grande dignidade . - Oh - respondeu Harry sem saber se deveria lamentar ou dar lhe os parabéns . - Certo . - Vou dar uma festa em um de os calabouços mais amplos . Vêm amigos meus de todo o país . Seria uma honra muito grande se tu aparecesses . Mr._Weasley e Miss_Granger seriam também muito bem-vindos , claro . Mas tu deves preferir o banquete de a escola , não é verdade ? - Olhou para Harry , aflito . - Não - assegurou ele rapidamente . - Eu vou . - Oh rapaz , Harry_Potter em a minha festa de os mortos - hesitou no_meio_de toda aquela excitação . - Achas que poderias referir a Sir_Patrick como me achas assustador e como te impressiono ? - É claro que sim - assegurou Harry . O Nick quase sem cabeça iluminou se em um sorriso . - Uma festa de os mortos ? - exclamou Hermione , entusiasmada , quando Harry , depois de mudar de roupa , se juntou a ela e a o Ron em a sala comum . - Aposto que não há muitas pessoas que possam gabar se de ter estado em uma festa de essas . Vai ser fantástico ! - Por_que é_que alguém se lembraria de festejar o dia em que morreu ? - perguntou o Ron que estava a meio de o seu trabalho de casa de poções e bastante maldisposto . - Parece me bastante mórbido . A chuva continuava a lamber as janelas que apresentavam agora um negro que parecia tinta , mas , lá dentro , era tudo claro e alegre . O fogo em a lareira brilhava sobre as inúmeras cadeiras de braços onde as pessoas estavam sentadas a ler , a conversar , a fazer os trabalhos de casa ou , no_caso_de Fred e George_Weasley , a tentar descobrir o que aconteceria se alimentassem uma salamandra com fogo-de-artíficio de o Filibuster . O Fred tinha « resgatado . o lagarto cor de laranja brilhante , morador de o fogo , de uma aula de tratamento de seres mágicos e ele estava agora a arder em fogo lento sobre uma mesa , rodeado de um grupo de curiosos . Harry ia começar a contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre o Filch e o curso de feitiço rápido quando a salamandra disparou por os ares , lançando faíscas e estoiros . A visão de Percy a gritar com Fred e George até ficar ronco , a fantástica exibição de estrelas cor de tangerina que choviam de a boca de a salamandra e a sua fuga para o lume acompanhada de explosões , fizeram com que Harry se esquecesse , em aquele momento , de Filch e de o curso de feitiço rápido . Quando chegou o * _ Hallowe'en * , Harry já lamentava a sua promessa imprudente de ir a a festa de os mortos . Toda_a escola antecipava , feliz , a sua festa de * _ Hallowe'en * . O salão nobre fora enfeitado com os habituais morcegos , as enormes abóboras de Hagrid tinham sido esculpidas em forma de lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro_de cada uma , e havia boatos de que Dumbledore contratara um grupo de esqueletos bailarinos para animar a festa . - Uma promessa é uma promessa - lembrou Hermione_a_Harry com o seu autoritarismo habitual . - Tu disseste que ias a a festa de os mortos . Portanto , a as sete_da_tarde , Harry , Ron e Hermione saíram , passando por a porta de o salão nobre que brilhava de modo convidativo com pratos dourados e velas e dirigiram os seus passos para os calabouços . O corredor que conduzia a a festa de o Nick quase sem cabeça tinha sido também ladeado de velas , embora o efeito estivesse longe_de ser alegre : estas eram velas muito esguias e estreitas , negras de breu , ardendo em um azul brilhante e lançando uma luz indistinta e espectral também sobre as caras de as pessoas vivas . A temperatura diminuía a cada degrau que desciam . Harry tremia e cingia a túnica a o corpo quando ouviu qualquer coisa que parecia uma centena de unhas a rasparem um enorme quadro preto . - Será que isto_é a música ? - murmurou Ron . Viraram uma esquina e viram o Nick quase sem cabeça junto de uma porta , todo vestido de veludo negro . - Meus queridos amigos - disse com ar de luto . - Bem-vindos , bem-vindos , ainda_bem que puderam vir . Em um gesto largo tirou o chapéu de plumas e fez lhes sinal para que entrassem . Era uma visão incrível . O calabouço estava cheio com centenas de pessoas de um branco pálido e translúcido , a maior parte de as quais era arrastada em uma pista de dança cheia , valsando a o som de trinta serrotes musicais . Os serrotes que compunham a orquestra encontravam se sobre um estrado enfeitado com panos negros . Um lustre lá em cima resplandecia de um azul nocturno com mais um_milhar de velas negras . A respiração de os três subiu em o ar como uma neblina . Parecia que tinham entrado em um congelador . - Vamos dar uma volta - sugeriu Harry em uma tentativa de aquecer os pés . - Cuidado , não atravessem nenhum de eles - avisou o Ron nervosamente e colocaram se em volta de a pista de dança . Passaram por um grupo escuro de freiras , por um homem esfarrapado e cheio de correntes e por o frade gordo , o divertido fantasma de os Hufflepuff que estava a conversar com um cavaleiro com uma seta enfiada em a testa . Harry não ficou nada surpreendido a o ver que o Barão sangrento , o fantasma lúgubre e berrante de os Slytherin , coberto de nódoas de sangue ; estava a ser totalmente evitado por os outros fantasmas . - Oh ! Não -- exclamou Hermione , parando bruscamente . - Voltem se , voltem se , não quero ter de cumprimentar a Murta_Queixosa . - Quem ? - perguntou Harry enquanto davam rapidamente meia volta . - Ela assombra a casa_de_banho de as raparigas de o primeiro andar - explicou Hermione . - Assombra uma casa_de_banho ? - Sim . Está inoperativa durante todo o ano porque ela tem constantes acessos de choro e inunda tudo . Eu só lá fui quando não pode mesmo evitar . É horrível tentar ir a a sanita com ela a gritar connosco . - Olhem , comida - disse o Ron . De o outro lado de o calabouço estava uma mesa igualmente coberta de velado negro . Iam para se aproximar entusiasmados , mas pararam com uma expressão de horror . O cheiro era nauseabundo . Enormes peixes podres enchiam as bonitas travessas de prata , os bolos estorricados como carvões amontoavam se em as salvas , havia uma grande quantidade de miúdos de macaco , uma tábua de queijos cobertos de bolor e , em o lugar de honra , um enorme bolo cinzento em forma de lápide com letras que pareciam alcatrão formando as palavras , * _ Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington_Morto em 31_de_Outubro , 1492 * . Harry olhou espantado quando um fantasma de porte majestoso se aproximou de a mesa inclinando se e passando através de ela com a boca aberta enquanto atravessava um salmão malcheiroso . - Consegue prová o passando através de ele ? - perguntou lhe Harry . - Quase - disse tristemente o fantasma antes de se afastar . - Devem ter deixado apodrecer tudo_isto para ter um sabor mais forte - comentou Hermione com ar de quem está bem informada , tapando o nariz e aproximando se para ver melhor os pútridos miúdos de macaco . - Podemos sair de aqui , estou a sentir me agoniado - disse o Ron . Mas mal tinham dado meia volta quando um homenzinho pequenino saiu inesperadamente de debaixo de a mesa e fez uma paragem em o ar em frente de eles . - Olá , Peeves - disse Harry cautelosamente . Ao_contrário de os outros fantasmas que os rodeavam , Peeves , o * poltergeist * era o oposto de pálido e transparente . Usava um chapéu festivo cor de laranja , um laço rotativo a o pescoço e tinha um sorriso grosseiro de malvadez , em o rosto . - Querem petiscar ? - perguntou delicadamente , oferecendo lhes uma taça de amendoins cobertos de fungos . - Não , obrigada - disse Hermione . - Ouvi te falar sobre a pobre Murta - disse Peeves com os olhos a bailar . - Que insensível que tu foste para com a pobre Murta - respirou fundo e gritou : - Oh Murta . - Oh ! Não , Peeves , não lhe contes o que eu disse , ela vai ficar muito aborrecida - murmurou Hermione bastante nervosa . - Eu não queria dizer que ... eu não me importo que ela , er , olá , Murta . O espectro atarracado de uma rapariga deslizara . Tinha o rosto mais carrancudo que Harry alguma vez vira , meio escondido por o cabelo liso e por os óculos grossos cor de pérola . - O que é ? - perguntou mal-humorada . - Como estás Murta ? - perguntou Hermione , em uma voz falsamente alegre . - É bom ver te fora de a casa_de_banho . Murta fungou . - Miss_Granger estava justamente a falar de ti - disse lhe Peeves baixinho a o ouvido . - A dizer , a dizer ... como estás bonita esta noite -- terminou Hermione , olhando irritada para Peeves . A Murta olhou para Hermione desconfiada . - Estão a divertir se a a minha custa - disse , com lágrimas de prata a encherem lhe rapidamente os olhos pequeninos . - Não , a sério , eu não estava a dizer vos como a Murta estava bonita esta noite ? - disse Hermione , dando uma palmada em as costas de o Harry e de o Ron . - Sim , sim . - Ela ... - Não me venham com mentiras - protestou a Murta , as lágrimas agora a descerem lhe por o rosto , enquanto Peeves ria baixinho por cima de o ombro de ela . - Julgam que eu não sei o que as pessoas me chamam em as minhas costas ? A Murta gorda , a Murta feia , a Murta queixosa , a Murta deprimida ! - Esqueceste te de « a Murta ponto negro » - sussurrou lhe Peeves a o ouvido . A Murta_Queixosa irrompeu em soluços de angústia e fugiu de o calabouço . Peeves disparou atrás de ela , lançando lhe uma chuva de amendoins cheios de bolor e gritando : Ponto negro ! Ponto negro ! - Oh , coitada ! - exclamou Hermione com tristeza . O Nick quase sem cabeça abria agora caminho entre a multidão para se aproximar de eles . - Estão a divertir se ? - Sim , sim - mentiram . - Uma afluência nada má - disse orgulhoso o Nick quase sem cabeça . - A viúva chorosa veio de Kent ... está quase em a hora de o meu discurso . É melhor ir avisar a orquestra . Mas a orquestra parou de tocar em esse preciso momento . Eles , e todos os outros em o calabouço , ficaram em silêncio total , olhando em volta cheios de excitação quando se ouviu uma trompa de a caça . - Lá vêm eles - disse o Nick quase sem cabeça , com alguma amargura em a voz . Por o calabouço irromperam uma_dúzia de , cavalos fantasmas , cada_um montado por um cavaleiro sem cabeça . A assistência aplaudiu vivamente . Harry começou também a bater palmas , mas parou rapidamente quando viu a cara de o Nick . Os cavalos galoparam até a o meio de a pista de dança e pararam , empinando se , dando pequenos passos para a frente e para trás , sobre as patas traseiras . Um fantasma grande em a frente , cuja cabeça barbuda estava debaixo de o braço , soprando a trompa , desmontou , levantou a cabeça bem em o ar para poder ver toda_a assistência ( todos se riam ) e dirigiu se a o Nick quase sem cabeça , comprimindo a cabeça contra o pescoço . - Bem-vindo , Patrick - disse o Nick , mantendo a sua postura rígida . - Gente viva ! - exclamou o Sir_Patrick , avistando Harry , Ron e Hermione e dando um salto de falso espanto , de_tal_modo_que a cabeça lhe caiu de_novo ( a multidão ria a bom rir ) . - Muito engraçado - disse o Nick quase sem cabeça com um ar soturno . - Não ligues a o Nick - gritou a cabeça de Sir_Patrick de o chão . - Ainda está aborrecido por não o deixarmos juntar se a o grupo . Mas olhem bem para ele ... - Eu acho - disse apressadamente Harry , a seguir a um olhar de o Nick - que o Nick é muito assustador e ... eu ... - Bah ! - gritou a cabeça de Sir_Patrick . - Aposto que ele te pediu que dissesses isso . - Gostaria de ter a vossa atenção . Chegou a altura de fazer o meu discurso - disse o Nick quase sem cabeça bem alto , dirigindo se a o pódio , subindo e parando , iluminado por uma luz azul . - Os meus sentimentos , senhores e senhoras , é com profundo pesar ... Mas já ninguém estava a ouvi o . Sir_Patrick e o resto de o grupo de os Sem - _ Cabeça tinham iniciado um jogo de hóquei de cabeça e a multidão voltara se para os observar . Nick quase sem cabeça tentou em vão recuperar a audiência , mas acabou por desistir quando a cabeça de Sir_Patrick passou por ele a_toda_a velocidade gritando vivas . Harry estava cheio de frio para não falar de a fome . - Não aguento mais isto - murmurou Ron a bater o dente enquanto a orquestra voltava a entrar em acção e os fantasmas enchiam de_novo a pista de dança . - Vamos embora - concordou Harry . Recuaram até a a porta , acenando e sorrindo a todos os que olhavam para eles e um minuto depois passavam apressadamente por a entrada cheia de velas negras . - Talvez o pudim ainda não tenha acabado - disse o Ron cheio de esperança , abrindo caminho em direcção a os degraus de o vestíbulo de a entrada . E foi então que Harry ouviu aquilo . - ... * _ Arrancar ... rasgar ... matar * ... Era a mesma voz , a mesma voz fria e assassina que ouvira em o escritório de Lockhart . Parou , agarrando se a a parede de pedra em a expectativa de ouvir melhor , olhando em volta , espreitando para_cima e para baixo de a passagem mal iluminada . - Harry que estás tu a ... ? - E aquela voz outra_vez , calem se um bocadinho . -- ... * _ Tanta fome ... há tanto tempo * ... - Ouçam insistiu Harry e Ron e Hermione ficaram estáticos a olhar para ele . - * _ Matar ... hora de matar * ... A voz ia ficando mais débil . Harry tinha a certeza de que ela estava a afastar se , a subir . Um misto de medo e excitação tomou posse de ele enquanto olhava para o tecto escuro . Como poderia ele subir ? Seria um fantasma para quem os tectos de pedra não contavam ? - Por aqui - gritou , começando a correr por as éscadas acima até a a entrada de o * hall * . Não havia hipótese de ouvir fosse o que fosse ali , o barulho de vozes que vinha de o banquete de o * _ Hallowe'en * ecoava cá fora . Harry subiu a correr a escadaria de mármore até a o primeiro andar com Ron e Hermione ruidosamente atrás . - Harry o que é_que nós ... ? - Sch ... Harry apurou o ouvido . Ao_longe , em o andar de cima , e ainda a enfraquecer , mesmo_assim ouviu a voz : - ... * Cheira-me a sangue ... cheira me a sangue ! * O estômago deu lhe uma volta . - Ele vai matar alguém - gritou e ignorando as caras perplexas de Ron e Hermione , correu , subindo mais um lanço de escadas , a três_e_três , tentando ouvir através de o ruído de os seus próprios passos . Harry correu a_toda_a velocidade pelo segundo andar com Ron e Hermione atrás e só parou quando viraram uma esquina para o último corredor abandonado . - Harry , o que foi aquilo tudo ? - perguntou o Ron , limpando o suor de o rosto . - Eu não ouvi nada ... Mas Hermione , em um sobressalto , apontou para o fundo de o corredor . - Olhem ! Alguma coisa brilhava em a parede em frente . Aproximaram se devagarinho , tentando ver em a escuridão . Alguém escrevera em letras garrafais em a parede entre duas janelas . As palavras brilhavam a a chama fraca de as tochas . : __ a câmara de os segredos foi aberta . inimigos de o herdeiro , __ cuidado . - O que é aquilo pendurado por baixo de as letras ? - perguntou Ron com um tremor em a voz . Quando se aproximaram , Harry quase escorregou . Havia uma grande poça de água em o chão . Ron e Hermione agarraram o e avançaram cautelosamente até a a mensagem , os olhos fixos em uma sombra escura , em baixo . Aperceberam se os três de imediato do_que se tratava e deram um salto para trás , salpicando tudo de água . Mrs._Norris , a gata de o encarregado , estava pendurada por a cauda em o suporte de a tocha . Tinha o corpo rígido como uma tábua e os olhos abertos . Durante alguns segundos ninguém se mexeu . Depois o Ron disse : - Vamos sair de aqui . - Não devíamos tentar ajudar ? - propôs Harry , sem graça . - Acredita - assegurou o Ron . - É melhor que não nos encontrem aqui . Mas era tarde de mais . Um ruído surdo e prolongado , como um trovejar distante , avisou os de que o festim tinha terminado . De ambos os lados de o corredor onde eles estavam , veio o som de centenas de pés a subirem a escadaria e as vozes alegres de gente bem alimentada . Em o momento seguinte os alunos chegavam junto de eles de ambos os lados . O burburinho morreu subitamente mal as pessoas avistaram a gata pendurada . Harry , Ron e Hermione estavam de pé , sozinhos , em o meio de o corredor quando se fez silêncio em a multidão de estudantes que se empurravam para observar aquele quadro macabro . Então alguém gritou , quebrando o silêncio . - Inimigos de o herdeiro , cuidado . Vocês serão os próximos , sangue de lama ! Era_Draco_Malfoy . Estava a a frente de a multidão com os olhos frios a brilhar , a sua cara habitualmente pálida agora afogueada , sorrindo a a vista de a gata pendurada e imóvel . IX_As palavras em a parede -- O que é_que se passa aqui ? O que é_que se passa ? Sem dúvida , atraído por o grito de Malfoy , Argus_Filch apareceu a coxear em o meio de a multidão . Quando viu Mrs._Norris , caiu para trás agarrando o rosto com verdadeiro horror . - A minha gata ! A minha gata ! O que aconteceu a Mrs._Norris ? - gritou . E os seus olhos rápidos caíram sobre Harry . - Tu - guinchou ele . - Mataste a minha gata ! Mataste a , vou dar cabo de ti , eu ... - Argus . Dumbledore tinha chegado a o lugar , seguido de alguns professores . Em poucos segundos tinha passado a a frente de Harry , Ron e Hermione e desatado Mrs._Norris de o suporte de a tocha . - Vem comigo , Argus - disse ele a o Filch . - Vocês também , Mr._Potter , Mr._Weasley e Miss_Granger . Lockhart deu rapidamente um passo em frente . - O meu escritório é o que está mais perto , senhor director , é já aqui em cima , por favor fiquem a a vontade . - Obrigado , Gilderoy - disse Dumbledore . A multidão silenciosa dividiu se para os deixar passar . Lockhart sentindo se excitado e importante , seguia Dumbledore assim_como a professora Mc_Gonagall e o professor Snape . Quando entraram em o escritório escuro de Lockhart houve uma grande agitação em as paredes . Harry viu várias imagens de Lockhart a esconderem se cheias de rolos em o cabelo . O Lockhart em pessoa acendeu as velas e chegou se mais para trás . Dumbledore pôs Mrs._Norris em a superfície polida de a secretária e começou a examiná a . Harry , Ron e Hermione trocaram olhares tensos entre si e deixaram se cair em as cadeiras que se encontravam longe de a luz , a observar . A ponta de o nariz longo e adunco de Dumbledore estava a menos_de dois centímetros de o pêlo de Mrs._Norris . Ele olhava a de perto através de os óculos de meia-lua , os dedos longos a palpar e tactear suavemente . A professora Mc_Gonagall estava quase tão perto como ele , com os olhos contraídos . Snape surgia mais atrás , meio em a sombra , com uma expressão estranha em o rosto , como_se tentasse a_toda_a força sorrir . E Lockhart andava de um lado para o outro a dar sugestões . - Foi sem dúvida uma maldição que a matou , provavelmente a tortura de a metamorfose . Vi a muitas_vezes ser usada , mas infelizmente eu não estava lá quando isto aconteceu . Conheço o antídoto para essa maldição , o que a teria salvo . Os comentários de Lockhart foram interrompidos por os soluços secos e violentos de Filch . Estava afundado em uma cadeira junto de a secretária , incapaz de olhar para Mrs._Norris , com o rosto em as mãos . Por mais que detestasse Filch , Harry não pôde deixar de sentir pena de ele embora não tanta quanto_a que sentia por si próprio . Se Dumbledore acreditasse em o Filch ele seria certamente expulso . O director estava agora a sussurrar umas palavras estranhas e batendo em Mrs._Norris com a varinha , mas não aconteceu nada , ela continuou com o mesmo aspecto , como_se tivesse sido empalhada . - ... Lembro me de uma coisa semelhante que aconteceu em Ouagadogou - disse LockLart . - Uma série de ataques . Conto essa história em a minha autobiografia . Eu dei a a gente de a cidade vários amuletos que resolveram logo a situação ... As fotografias de Lockhart em as paredes iam acenando afirmativamente com a cabeça enquanto ele falava . Uma de elas esquecera se de tirar os rolos de o cabelo . Por fim , Dumbledore endireitou se . - Ela não está morta , Argus - disse suavemente . Lockhart interrompeu bruscamente a contagem de os crimes que conseguira evitar . - Não está morta ? - disse Filch em um sufoco , olhando através de os dedos para Mrs._Norris . - Mas , porque está ela rígida e gelada ? - Foi petrificada - disse Dumbledore ( Ah ! foi o que eu pensei ! - comentou Lockhart ) mas como , não posso afirmar . - Pergunte lhe - gritou Filch , voltando a cara cheia de furúnculos e lágrimas para Harry . - Nenhum aluno de o segundo ano poderia ter feito isto - explicou Dumbledore . - Era preciso um grande conhecimento de magia negra . - Foi ele , foi ele - disse encolerizado o encarregado com a cara a ficar roxa . - O senhor viu o que ele escreveu em a parede . Ele descobriu em o meu gabinete , ele sabe que eu sou um ... - O rosto de Filch estava horrível . - Ele sabe que eu sou um * _ busca-pé * - disse por fim . - Eu não toquei em a Mrs._Norris - gritou Harry com todos os olhares a recaírem sobre ele , incluindo o de todos os Lockharts de a parede . - E eu nem sei o que é um * busca-pé * . - Mentira ! - gritou Filch . - Ele viu a minha carta de o feitiço rápido . - Se me permite que dê a minha opinião , senhor director - disse Snape , saindo de a sombra , e a sensação de mau presságio de Harry aumentou bastante . Certamente nada do_que Snape tinha para de dizer iria ajudá o . - O Potter e os amigos podiam estar simplesmente em o lugar errado em a altura errada - afirmou com um leve sorriso a torcer lhe a boca como_se tivesse as suas dúvidas . - Mas , temos aqui um conjunto de circunstâncias curiosas . Porque estavam eles afinal em o corredor ? Porque não estiveram presentes em a festa de o * _ Hallowe'en * ? Harry , Ron e Hermione começaram uma longa explicação sobre a festa de o dia de os mortos . - Estavam lá centenas de fantasmas , eles poderão confirmar que lá estivemos ... - Mas porque não foram a seguir a o banquete ? - perguntou Snape com os olhos pretos a brilharem a a luz de as velas . - Porquê ir até a aquele corredor ? Ron e Hermione olharam para Harry . - Porque , porque ... - balbuciou Harry , com o coração a querer saltar lhe de o peito , mas algo lhe disse que ia parecer muito rebuscado se lhes contasse que tinha sido levado até ali por uma voz sem corpo que só ele conseguia ouvir . - Porque estávamos cansados e queríamos ir para a cama - disse . - Sem jantar ? - inquiriu Snape com um sorriso triunfante a bailar lhe em o rosto lúgubre . - Não sabia que os fantasmas ofereciam em as suas festas comida para gente viva . - Não estávamos com fome - disse o Ron bem alto , enquanto o estômago se queixava de forma audível . O sorriso mesquinho de a Snape ampliou se . - Acho , senhor director , que Potter não está a dizer toda_a verdade - afirmou . - Talvez fosse boa ideia retirar lhe alguns privilégios , até ele estar disposto a contar nos a história toda . Pessoalmente , sugiro que seja retirado de a equipa de os Gryffindor até decidir ser honesto . - Francamente , Severus - exclamou a professora Mc_Gonagall com uma voz cortante . - Não vejo porquê impedir o rapaz de jogar Quidditch . Esta gata não levou pauladas em a cabeça dadas por nenhum cabo de vassoura . E não há provas de que o Potter tenha feito algo de mal . Dumbledore observava Harry com um olhar perscrutador . A voz tremeluzente de os seus olhos azuis fez Harry sentir que estava a ser passado a raios X. - Inocente até se provar que é culpado , Severus - disse com segurança . Snape estava furioso , assim_como Filch . - A minha gata foi petrificada ! - berrou , com os olhos a saltarem de as órbitas . - Quero ver um castigo ! - Vamos poder curá a , Argus - explicou pacientemente Dumbledore . - Madam_Sprout conseguiu arranjar algumas Mandrágoras . Logo_que tenham atingido o tamanho adulto , terei uma poção de Mandrágoras que reanimará Mrs._Norris . - Eu posso fazê a - interrompeu Lockhart . - Devo ter feito isso uma centena de vezes . Preparo uma golada de Mandrágora reconstituinte de olhos fechados ... - Perdão - disse Snape friamente -- , mas julgo que o professor de poções de esta escola ainda sou eu . Houve um silêncio bastante incómodo . - Vocês podem ir se embora - disse Dumbledore a o Harry , Ron e a Hermione . Eles saíram o mais depressa que puderam , sem ir a correr . Quando chegaram a o andar acima de o escritório de Lockhart , entraram em uma sala de aulas vazia e fecharam a porta devagarinho . Harry lançou um olhar de esguelha a as caras carrancudas de os amigos . - Acham que eu lhes devia ter falado de a voz que ouvi ? - Não - respondeu Ron , sem a mínima hesitação . - Ouvir vozes que mais ninguém ouve , não é bom sinal , nem em o mundo de os feiticeiros . Algo em a voz de Ron levou Harry a fazer a pergunta : - Tu acreditas em mim , não acreditas ? - Claro que sim - respondeu o Ron de imediato . - Mas tens de concordar que é esquisito ... - Eu sei que é esquisito - confirmou Harry . - É tudo esquisito . O que era aquilo escrito em a parede ? * _ A_Câmara foi aberta * , o que é_que significa ? - Sabes , faz me lembrar qualquer coisa - disse Ron lentamente . - Acho que alguém me contou uma história sobre uma câmara secreta em Hogwarts , talvez tenha sido o Bill ... - E que diabos é um * busca-pé * ? - perguntou Harry . Para sua surpresa , Ron abafou o riso . - Bem , em a verdade não tem graça nenhuma , mas como é o Filch ... - disse . - Um * busca-pé * é alguém que nasceu de uma família de feiticeiros , mas não tem poderes mágicos . É uma espécie de o oposto de os que vêm de famílias de Muggles , mas são feiticeiros . Os * busca-pé * são muito raros . Se o Filch está a tentar aprender magia em um curso rápido , acho que ele deve ser mesmo um busca-pé . Isso explicaria tudo , por_exemplo , porque detesta tanto os estudantes . - Ron sorriu satisfeito . - Tem inveja . Um relógio deu as horas , algures . - Meia-noite - disse Harry . - É melhor irmo nos deitar , antes que o Snape apareça e tente acusar nos de qualquer coisa . Durante alguns dias não se falou de outra coisa em a escola a não ser de o ataque a a gata , Mrs._Norris . Filch manteve o sucedido bem fresco em a memória de todos , andando de um lado para o outro em o lugar onde ela fora atacada , como_se esperasse por o responsável . Harry vira o esfregar a mensagem de a parede com a « solução removedora de toda_a porcaria mágica Mrs._Skower » , mas sem qualquer resultado . As palavras continuavam a brilhar tanto como antes sobre a pedra . Quando Filch não estava a patrulhar a cena de o crime , vagueava , de olhos avermelhados , por os corredores , perseguindo alunos insuspeitos e tentando aplicar lhes castigos por coisas como « respirar muito alto » ou « estar alegre » . Ginny_Weasley parecia muito perturbada com o destino de Mrs._Norris . Segundo Ron ela era uma amante de gatos . - Mas tu nem chegaste a conhecer bem Mrs._Norris - disse lhe Ron para a animar . - Com toda_a franqueza , estamos muito melhor sem ela . - O lábio de Ginny tremeu . - Não é costume acontecerem coisas de estas em Hogwarts - tranquilizou a . - Eles vão descobrir o safado que fez aquilo e põem o de aqui para fora em três tempos . - Só espero que tenha tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso . Estou a brincar , claro - acrescentou o Ron apressadamente a o ver a Ginny a empalidecer . O ataque afectara também Hermione . Era costume de ela passar muito_tempo a ler , mas agora parecia não fazer mais_nada . Nem respondia a o Harry e a o Ron quando lhe perguntavam o que estava a fazer e só acabaram por descobrir em a quarta-feira seguinte . Harry tivera de ficar até mais tarde em a sala de poções onde Snape o mandara raspar restos de larvas de as secretárias . Depois de um almoço comido a a pressa , ele foi lá acima encontrar se com Ron em a biblioteca e viu Justin_Finch - _ Fletchley , o rapaz de os Hufflepuff de herbologia que vinha em direcção a ele . Harry tinha acabado de abrir a boca para dizer um « Olá » quando Justin o viu , voltando se bruscamente e mudando de direcção . Harry foi encontrar o Ron em as traseiras de a biblioteca , a medir o trabalho de casa de história de a magia . O professor Binns pedira uma composição sobre a Assembleia_Medieval_de_Feiticeiros_Europeus com 90cm . De extensão . - Não posso crer que ainda me faltem 16cm - disse o Ron furioso , largando o pergaminho que se enrolou em forma de tubo - e que a Hermione fez um metro e trinta em aquela letra pequenina e apertadinha . - Onde está ela ? - perguntou Harry , agarrando em a fita métrica e desembrulhando o seu trabalho de casa . - Algures por aí - disse o Ron , apontando para as estantes . - _ a a procura de outro livro . Acho que ela está a tentar ler a biblioteca toda antes de o Natal . Harry contou a Ron que Justin_Finch - _ Fletchley tinha evitado falar lhe . - Não sei porque te preocupas com isso . Eu achei o um idiota - disse o Ron , escrevinhando e fazendo a letra o maior possível . - Todo aquele disparate sobre o Lockhart ser tão grande ... Hermione surgiu de o meio de as estantes . Parecia irritada e disposta , por fim , a falar com eles . - Todos os exemplares de * _ Hogwarts : Uma História * foram requisitados - disse , sentando se ao_lado_de Harry e Ron . - E há uma lista de espera de duas semanas . Quem me dera não ter deixado o meu exemplar em casa , mas não consegui que coubesse em a mala com todos os livros de o Lockhart . - Para que o queres ? - perguntou Harry . - Pelo mesmo motivo que toda_a_gente o quer - disse Hermione . - Para ler a lenda de a Câmara_dos_Segredos . - O que é isso ? - Precisamente . Não me lembro - disse Hermione , mordendo o lábio . - E não encontro a História em lugar nenhum . - Hermione , deixa me ler o teu trabalho - pediu Ron desesperado , olhando para o relógio . - Não , não deixo - respondeu Hermione com um ar severo . - Tiveste dez dias para o fazer . - Só preciso de mais quatro centímetros , vá lá ... A campainha tocou . Ron e Hermione encaminharam se para a História_da_Magia , discutindo . A História_da_Magia era a matéria mais chata de o programa . O professor Binns , que dava a cadeira , era o único professor fantasma e a coisa mais excitante que aconteceu em as suas aulas foi o dia em que entrou por o quadro preto . Já velho e enrugado , muita gente afirmava a seu respeito que ele não dera por_que tinha morrido . Pura e simplesmente levantara se um dia para ir dar aulas , deixando o corpo atrás , em um cadeirão em frente de a lareira de a sala de os professores . Desde esse dia a sua rotina mantivera se igual . Era hoje tão chato como fora sempre . Abriu as notas e começou a ler em um tom monocórdico como um velho aspirador até quase todos os alunos estarem em um estado de profunda dormência , acordando de vez em quando , para tomar nota de um nome ou de uma data , e voltando a adormecer . Estava a falar havia meia_hora quando aconteceu algo que nunca tinha acontecido . Hermione pôs o braço em o ar . O professor Binns olhou de relance , em o meio de a chatíssima aula sobre a Convenção_Internacional_de_Feiticeiros de 1289 , verdadeiramente espantado . - Miss ... er ... ? - Granger , professor . Poderia dizer nos alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Hermione em uma voz bem audível . O Dean_Thomas , que tinha estado sentado de boca aberta olhando para fora de a janela , saiu de o seu transe com um salto . A cabeça de Lavender_Brown saiu de os braços e o cotovelo de o Neville_Longbottom escorregou para fora de a secretária . O professor Binns piscou os olhos . - A minha matéria é História_da_Magia - disse em a sua voz seca e asmática . - Eu trato de factos , Miss_Granger , não de mitos e lendas - pigarreou produzindo um ruído que parecia o giz sobre o quadro e continuou : - Em Setembro de esse ano , uma subcomissão de feiticeiros de a Sardenha ... Parou de repente . A mão de Hermione estava de_novo em o ar . - Sim , Miss_Grant ? - Por favor , professor , as lendas não têm sempre um facto como base ? O professor Binns olhava para ela com tal espanto que Harry teve a certeza de que ele nunca , em tempo algum , fora interrompido por um aluno . - Bem - disse lentamente o professor Binns . - Sim , é uma afirmação que pode fazer se . - Olhou para Hermione como_se fosse a primeira vez que olhasse a sério para um estudante . - Contudo , a lenda de que me fala é tão extraordinária , mesmo grotesca ... Mas a aula inteira estava agora atenta a as palavras de o professor , que olhou indistintamente para todos eles . Harry poderia assegurar que ele estava absolutamente abismado por uma tão grande demonstração de interesse . - Muito bem - disse lentamente . - Ora vejamos ... a Câmara_dos_Segredos . Todos vocês sabem com certeza que Hogwarts foi fundada há mais de um_milhar de anos , não se conhece ao_certo a data , por os quatro maiores feiticeiros e feiticeiras de a época : Godric_Gryffindor , Helga_Hufflepuff , Rowena_Ravenclaw e Salazar_Slytherin . Construíram juntos este castelo , longe de os olhares curiosos de os Muggles porque em aquele tempo a magia era temida por as pessoas comuns e as bruxas e feiticeiros sofriam terríveis perseguições . Fez uma pausa , olhou indeciso em volta e prosseguiu : - Durante alguns anos , os fundadores trabalharam juntos em harmonia procurando outros mais novos que mostrassem sinais de possuir dotes mágicos e trazendo os para o castelo para aqui serem ensinados . Mas os desentendimentos surgiram entre eles . Começou a notar se uma divisão entre Slytherin e os outros . Salazar_Slytherin queria ser mais selectivo em relação a os alunos a serem admitidos em Hogwarts . Achava que os ensinamentos de magia deviam ficar dentro de as famílias de feiticeiros . Não lhe agradava a entrada em a escola de alunos de famílias Muggles porque os achava pouco dignos de confiança . Depois de algum tempo houve uma séria discussão sobre esse assunto entre Slytherin e Gryffindor e Slytherin abandonou a escola . O professor Binns fez uma nova pausa , fazendo beicinho o que o fazia parecer uma tartaruga enrugada . - Fontes fidedignas referem nos isto - disse . - Mas estes factos foram obscurecidos por a fantasiosa lenda de a Câmara_dos_Segredos . Conta a história que Slytherin construíra uma câmara oculta dentro de o castelo cuja existência os outros fundadores ignoravam . De_acordo com a lenda , Slytherin selou a Câmara_dos_Segredos para que ninguém pudesse abri a até o seu verdadeiro herdeiro chegar a a escola . O herdeiro , e apenas ele , poderia abrir a Câmara_dos_Segredos , libertar o horror que lá se encontrava e utilizá o para expurgar a escola de todos aqueles que eram indignos de aprender magia . Houve um silêncio quando ele se calou que não era o habitual silêncio de sono de as aulas de o professor Binns . Havia um desassossego em o ar enquanto todos continuavam a olhá o a a espera de mais . O professor Binns estava ligeiramente aborrecido . - A história toda é um disparate , claro - disse ele . - A escola foi revistada por várias vezes em busca de provas de a existência de essa câmara , por os feiticeiros e bruxas mais conhecedores . Não existe nada . Uma lenda que serviu apenas para assustar os ingénuos . A mão de Hermione estava novamente em o ar . - Professor , o que quer_dizer , ao_certo com « o horror que estava dentro de a câmara » ? - Acredita se que seja uma espécie de monstro que só o herdeiro de Slytherin pode controlar - disse o professor Binns em a sua voz seca e débil . A aula trocou entre si olhares inquietos . - Como vos digo , a coisa não existe - afirmou o professor Binns , desordenando as suas notas . - Não há câmara e não há monstro . - Mas , professor - disse Seamus_Finnigan . - Se a câmara só podia ser aberta por o herdeiro de Slytherin ninguém mais poderia encontrá a . Não é ? - Um disparate pegado - disse o professor Binns , em um tom de voz exasperado . - Se uma longa sucessão de directores e directoras de Hogwarts não a encontraram ... - Mas , professor - começou a dizer Parvati_Patil . Se_calhar é preciso usar magia negra para a abrir ... - Lá porque um feiticeiro não usa magia negra não quer_dizer que não possa , Miss_Pennyfeather - interrompeu o professor Binns . - Repito , se os antecessores de Dumbledore ... - Mas talvez seja preciso fazer parte de os Slytherin , por isso Dumbledore não podia ... - começou Dean_Thomas , mas o professor Binns já estava farto . - Já chega - disse , de modo cortante . - É um mito . Não existe . Não há uma única prova de que Slytherin tenha construído nem mesmo uma despensa para vassouras . Lamento ter vos contado esta história tola . Vamos voltar , se fazem o favor , a a História , a os factos sólidos , verificáveis , credíveis . E em menos_de cinco minutos toda_a classe mergulhara em a sua sonolência habitual . - Eu sempre ouvi dizer que Salazar_Slytherin era um velho retorcido e meio pateta - disse Ron_a_Harry e Hermione enquanto abriam caminho por os corredores cheios , em o final de a aula , para ir arrumar as malas antes de o jantar . - Mas não sabia que ele tinha começado esta coisa de o sangue puro . Eu não ia para os Slytherin nem que me pagassem . Se o chapéu seleccionador me tivesse posto lá , pegava em as malas e ia me embora ... Hermione acenou vivamente , mas Harry não abriu a boca . O estômago parecia ter dado uma volta . Harry nunca contara a o Ron e a a Hermione que o chapéu seleccionador tinha considerado seriamente a possibilidade de o colocar em os Slytherin . Lembrava se como_se tivesse sido em a véspera do_que a vozinha lhe dissera a o ouvido quando pôs o chapéu em a cabeça , um ano antes . * _ Podias vir a ser grande , sabes ? Está tudo aqui em a tua cabeça e Slytherin ajudaria te em o caminho para a grandeza , sem a menor dúvida * ... Mas Harry , que já ouvira falar de a fama de o grupo de os Slytherin de formar magos negros , pensou desesperadamente . - Em os Slytherin , não ! - E o chapéu tinha dito . - Bem , se tens assim tanta certeza ... será melhor os Gryfffndor . Enquanto eram empurrados por a multidão , Colin_Creevey passou por eles . - Olá , Harry ! - Olá , Colin - disse Harry automaticamente . - Harry , Harry , um rapaz de a minha turma tem andado a dizer que tu és ... Mas Colin era tão baixinho que não conseguiu lutar contra a maré de gente que o arrastou até a o vestíbulo . Ouviram o despedir se : - Adeus , Harry - e desaparecer . - O que é_que o rapaz de a turma de ele disse de ti ? - quis saber Hermione . - Que eu sou o herdeiro de Slytherin , imagino - disse Harry , com o estômago ainda a as voltas e lembrou se de repente de o Justin_Finch - _ Fletchley a fugir para não lhe falar , a a hora de o almoço . - As pessoas aqui acreditam em tudo - disse o Ron com repugnância . A multidão diminuiu e conseguiram subir as escadas sem dificuldade . - Achas mesmo_que existe uma Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Ron_a_Hermione . - Não sei - respondeu ela , franzindo a testa . - Dumbledore não conseguiu curar Mrs._Norris e isso leva me a pensar que o que a atacou pode não ser ... humano . Enquanto falava , voltaram uma esquina e encontraram se em o fim de aquele mesmo corredor onde o ataque tinha ocorrido . Pararam para olhar . Estava tudo igual a aquela outra noite , com excepção de a gata Mrs._Norris e havia uma cadeira vazia encostada a a parede , onde podia ler se a mensagem « : __ a câmara foi __ aberta » . - Foi aqui que o Filch montou a guarda - murmurou Ron . Olharam uns para os outros . O corredor estava deserto . - Não deve fazer mal dar uma olhadela aqui - disse Harry , deixando cair a mala e pondo se de quatro para poder gatinhar em busca de pistas . - Marcas de queimadura - disse - aqui e aqui ... - Venham ver isto ! - chamou Hermione . - Que estranho ... Harry levantou se e foi até a a janela que ficava junto de a mensagem . Hermione apontava para o vidro mais alto , onde cerca de uma vintena de aranhas se debatiam em uma aparente luta por atravessar por uma pequena brecha de vidro . Um longo fio prateado balouçava como uma corda , como_se todas tivessem trepado , em a ânsia de chegar lá fora . - Alguma vez viram aranhas agir assim ? - perguntou Hermione , curiosa . - Não - respondeu Harry . - E tu , Ron ? Ron ? Olhou por cima de o ombro . Ron estava de costas , bem lá atrás e parecia lutar contra o impulso de se virar . - O que é_que se passa ? - perguntou Harry . - Eu não gosto de aranhas - disse Ron , de modo tenso . - Nunca me tinhas dito - comentou Hermione , olhando para ele com surpresa . - Estás farto de usar aranhas em as poções ... - Não me importo quando estão mortas - explicou Ron que olhava cautelosamente para todos os lados , menos para a janela . - Não gosto de a maneira como_se mexem . Hermione riu se baixinho . - Não tem graça nenhuma - disse o Ron , furioso . - Se queres saber , quando eu tinha três anos , o Fred transformou o meu ursinho de pelúcia em uma enorme aranha nojenta , por eu lhe ter partido a vassoura de brinquedo . Tu também não gostarias de aranhas se estivesses agarrada a o teu ursinho e , de repente , ele tivesse uma data de pernas e ... Começou a tremer ... Hermione ainda estava a tentar conter o riso . Sentindo que era melhor mudarem de assunto , Harry perguntou : - Lembram se de a água que havia aqui em o chão ? De onde terá vindo ? Alguém a limpou . - Era por aqui - disse o Ron , já recuperado , avançando alguns passos em direcção a a cadeira de o Filch e apontando . - Junto de esta porta . Estendeu a mão para o puxador de a porta , mas retirou a de imediato , como_se se tivesse queimado . - O que foi ? - perguntou Harry . - Não posso entrar aí - disse o Ron bruscamente . - É a casa_de_banho de as raparigas . - Oh , Ron , não está aí ninguém - sossegou o Hermione enquanto se aproximava . - É o lugar de a Murta_Queixosa . Anda , vamos dar uma espreitadela . E ignorando o grande letreiro que dizia « Fora de serviço » Hermione abriu a porta . Era a casa_de_banho mais sombria e deprimente em que Harry tinha posto os pés durante toda_a sua vida . Debaixo_de um grande espelho partido e sujo podia ver se uma fila de lavatórios de pedra , rachados . O chão estava húmido e reflectia a luz fraca de os pavios de algumas velas que ardiam baixinho em os suportes . As portas de madeira de os cubículos estavam todas lascadas e riscadas e uma de elas balouçava fora de as dobradiças . Hermione levou os dedos a os lábios e foi até a o último cubículo . Quando lá chegou disse : - Olá , Murta , como estás ? Harry e Ron foram ver . A Murta_Queixosa flutuava em a cisterna de a casa_de_banho , tirando um ponto negro de o queixo . - Esta é a casa_de_banho de as raparigas - disse a o ver o Ron e o Harry . - Eles não são raparigas . - Não - concordou Hermione . - Eu só queria mostrar lhes como esta casa_de_banho é ... er ... simpática . Ela fez um aceno vago a o velho espelho sujo e a o chão húmido . - Pergunta lhe se viu alguma coisa - sussurrou o Ron a a Hermione . - Porque estão a dizer segredinhos ? - perguntou a Murta , fitando o . - Não é nada - disse Harry rapidamente . - Queríamos perguntar ... - Gostava que as pessoas parassem de falar em as minhas costas ! - desabafou a Murta em uma voz abafada por as lágrimas . - Eu tenho sentimentos , sabem , apesar_de estar morta . - Murta , ninguém quis aborrecer te - explicou Hermione . - O Harry só ... - A minha vida foi uma infelicidade em este lugar e agora as pessoas vêm estragar a minha morte . - Nós queríamos perguntar te se tinhas visto alguma coisa estranha ultimamente - disse Hermione sem perder tempo . - Porque foi atacada uma gata mesmo aqui a a frente de a tua porta em a noite de o * _ Hallowe'en * . - Viste alguém aqui perto em essa noite ? - insistiu Harry . - Não estava a prestar atenção - disse a Murta com ar dramático . - O Peeves aborreceu me tanto que vim aqui para tentar matar me . Só então me lembrei de que estou ... de que estou ... - Já morta - ajudou o Ron . A Murta soluçou tragicamente , elevou se em o ar , voltou se e mergulhou de cabeça em a sanita , espalhando água por_cima_de todos eles e desaparecendo . Por o som de os seus soluços abafados fora certamente descansar algures em o cano em forma de V._Harry e Ron ficaram de boca aberta , mas Hermione encolheu os ombros de cansaço e disse : - Se querem saber , para a Murta isto até foi alegre ... vá , vamos embora . Harry tinha acabado de fechar a porta deixando atrás os soluços gorgolejantes de a Murta quando uma voz forte o fez dar um salto . - RON ! Percy_Weasley estava parado em o cimo de as escadas com o seu distintivo de prefeito a brilhar e uma expressão chocadíssima em o rosto . - Isso é a casa_de_banho de as raparigas ... o que é_que vocês ... ? - Estávamos só a dar uma vista de olhos - exclamou o Ron - a a procura de pistas ... Percy engoliu em seco , de uma maneira que fez Harry lembrar se de Mrs._Weasley . - Saiam imediatamente de aqui - disse , aproximando se de eles a passos largos e gesticulando agitadamente . - Não se preocupam com as aparências ? Voltar aqui enquanto toda_a_gente está a jantar ... - Porque não havíamos de estar aqui ? - perguntou cheio de vivacidade o Ron , parando de repente e olhando Percy em os olhos . - Ouve lá , nós não tocamos em aquela gata . - Isso foi o que eu tentei explicar a a Ginny - respondeu Percy furioso - mas ela parece continuar a pensar que vocês vão ser expulsos . Nunca a vi tão aflita . Não pára de chorar . Devias pensar em ela . Todos os alunos de o primeiro ano andam superexcitados com esta história . - Tu não estás nada preocupado com a Ginny - disse o Ron já com as orelhas vermelhas . - O que te assusta é_que eu possa estragar as tuas possibilidades de ser chefe de turma . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor ! - bradou Percy , apontando elegantemente para o distintivo de prefeito . - E espero que te sirva de lição . Acabou se o trabalho de detective ou escrevo a a mãe a contar lhe . E voltou lhes as costas , a nuca tão vermelha como as orelhas de o Ron . Harry , Ron e Hermione , em essa noite , sentaram se em a sala comum o mais longe possível de Percy . Ron estava ainda muito maldisposto e não parava de esborratar o trabalho de casa de os encantamentos . Quando pegou distraidamente em a varinha para tirar as manchas incendiou o pergaminho . A deitar quase tanto fumo como o seu trabalho de casa , fechou bruscamente o * _ Livro_Padrão_de_Encantamentos de o 2.o Grau * . Para grande surpresa de Harry , Hermione fez o mesmo . - Mas quem poderia ser - perguntou ela baixinho como_se continuasse uma conversa que tinham acabado de ter . - Quem quereria todos os * busca-pés * e filhos de Muggles fora de Hogwarts ? - Vamos pensar - disse o Ron em a brincadeira , fingindo estar confuso . - Quem poderemos nós conhecer que ache que os familiares de Muggles são escumalha ? Olhou para Hermione . Ela olhou para ele pouco convencida . - Se estás a pensar em o Malfoy ... - Claro que estou - disse o Ron . - Tu ouviste o dizer : - Vocês serão os próximos , sangues de lama ! - Aliás , basta olhar para aquela cara de renegado para saber que ele é ... - Malfoy , o herdeiro de Slytherin ? - repetiu Hermione cepticamente . - Olha para a família de ele - disse Harry , fechando também os livros . - Todos eles estiveram em os Slytherin . O Draco está sempre a vangloriar se de isso . Podiam bem ser descendentes de Slytherin . O pai de ele é suficientemente mau . - Podiam perfeitamente ter tido a chave de a Câmara_dos_Segredos durante séculos - disse Ron - , fazendo a passar de pai para filho . - Bem - acedeu Hermione cautelosamente . - Seria possível ... - Mas como prová o ? - perguntou Harry tristemente . - Talvez haja um meio - sugeriu Hermione lentamente , baixando ainda mais a voz e lançando um olhar , através de a sala , a Percy . - É claro que não é fácil . E é perigoso , muito perigoso . Suponho que iríamos infringir cerca de cinquenta regras de a escola . - Se de aqui a um mês ou dois te decidires a explicar , avisa , está bem ? - disse Ron , que começava a ficar irritado . - Está bem - concordou Hermione friamente . - O que precisaríamos de fazer para entrar em a sala comum de os Slytherin e fazer algumas perguntas a o Malfoy , sem ele perceber que éramos nós ? - Mas isso é impossível - declarou Harry , enquanto Ron se ria . - Não , não é - continuou Hermione . - Só precisamos de um_pouco de poção * polisuco * . - O que é isso ? - perguntaram ao_mesmo_tempo Ron e Harry . - O Snape falou de ela em uma aula , há poucas semanas atrás . - Achas que não temos mais o que fazer do_que ouvir o Snape ? - murmurou o Ron . - Transforma nos em outra pessoa . Pensem em isso : podíamos transformar nos em três de os Slytherin . Ninguém saberia que éramos nós . É provável que o Malfoy nos contasse alguma coisa . Aposto que ele está a gabar se , em este momento , em a sala de os Slytherin , se ao_menos pudéssemos ouvi o . - Essa coisa de o * polisuco * cheira me um bocado mal - disse o Ron , franzindo as sobrancelhas . - E se ficarmos com a forma de os três Slytherin para sempre ? - Desaparece a o fim de algum tempo - disse Hermione , gesticulando impacientemente com a mão - mas conseguir a receita é muito difícil . O Snape disse que vinha em um livro chamado * _ As_Mais_Potentes_Poções * e está com certeza em a parte de os reservados de a biblioteca . Só havia uma maneira de obter o livro de os reservados : era com uma autorização assinada por um professor . - Não estou a ver porque quereríamos o livro - disse o Ron . - Se não para tentar fabricar uma de as poções . - Eu acho - sugeriu Hermione - que se fizéssemos parecer que o nosso interesse era apenas teórico , talvez conseguíssemos ... - Estás a sonhar , nenhum professor ia cair em essa - afirmou o Ron . - Só se fosse muito burro . X_A * bludger * perigosa Depois de o desastroso incidente de os duendes , o professor Lockhart não voltou a levar seres vivos para as aulas . Em vez de isso , lia a os alunos passagens de os seus livros e , por vezes , voltava a desempenhar alguns de os episódios mais dramáticos . Costumava chamar Harry para o ajudar em essas reconstruções . Até ali Harry fora obrigado a desempenhar o papel de um camponês de a Transilvânia que Lockhart curara de uma maldição murmurada , o abominável homem de as neves com dores de cabeça e um vampiro que depois de ter conhecido Lockhart tinha ficado incapaz de comer outra coisa que não fosse alfaces . Harry foi chamado para a frente de a classe durante a aula de Defesa contra as artes negras que se seguiu . Desta_vez para desempenhar o papel de um lobisomem . Se não tivesse um bom motivo para querer ver o Lockhart bem-disposto , teria se recusado . - Um uivo bem alto , excelente , Harry , isso mesmo . E foi então que , acreditem ou não , eu o ataquei de repente , assim . Atirei o a o chão , agarrei o com uma mão e com a outra consegui meter lhe a varinha em a garganta . Então , com a força que me restava pus em prática o complicadíssimo encantamento * _ Homorphus * . Harry soltou um uivo tristíssimo . - Vá lá , Harry , mais alto . Bom ... o pêlo desapareceu , os dentes diminuíram de tamanho e ele transformou se em um homem . Simples , mas eficaz e mais uma cidade ficará a lembrar se de mim para sempre como o herói que os libertou de os ataques mensais de o lobisomem . A campainha tocou e Lockhart pôs se de pé . - Trabalho para_casa : escrever um poema sobre a minha vitória sobre o lobisomem Wagga_Wagga . Há um exemplar autografado de * _ Eu , o Mágico * para o autor de o melhor poema . Os alunos começaram a sair . Harry voltou para trás e foi juntar se a o Ron e a a Hermione que estavam a a espera de ele . - Prontos ? - perguntou . - Espera até saírem todos - disse Hermione bastante nervosa . - Pronto ... Aproximou se de a secretária de Lockhart , apertando em a mão uma folha de papel , com o Ron e o Harry atrás . - Er ... professor Lockhart - gaguejou Hermione . - Eu queria requisitar este livro em a biblioteca , como leitura de apoio - entregou lhe o papel , com a mão ligeiramente trémula . - Só que faz parte de a secção de os reservados , por isso preciso de a assinatura de um professor . Acho que o livro me vai ajudar a compreender o que o senhor diz em * _ Passeios com Vampiros * acerca de os venenos de acção lenta ... - Ah , * _ Passeando com Vampiros * - disse Lockhart , pegando em a folha de papel de Hermione e sorrindo lhe abertamente . - E provavelmente o meu livro preferido . Gostou ? - Oh , muito - disse Hermione avidamente . - Tão inteligente o modo como apanhou o último com o passador de o chá . - Bem , tenho a certeza que ninguém se importará que eu dê uma ajudazinha suplementar a a melhor aluna de o segundo ano - disse Lockhart calorosamente , sacando de uma enorme pena de pavão . - É bonita , não é ? - comentou , adivinhando uma expressão de repulsa em a cara de o Ron . - Costumo guardas a para as minhas assinaturas de autógrafos . Rabiscou uma enorme assinatura cheia de altos e baixos e entregou a a Hermione . - Então , Harry - disse Lockhart enquanto Hermione dobrava a folha e a guardava em o saco . - Amanhã é a primeira partida de Quidditch de este ano , não é ? Gryffindor contra Slytherin . Ouvi dizer que és um jogador indispensável . Eu também fui * seeker * . Convidaram me inclusivamente para fazer parte de a Equipa_Nacional , mas eu preferi dedicar a minha vida a a erradicação de as forças de o mal . Mesmo_assim , se alguma vez precisares de um treino particular , não hesites em falar comigo , estou sempre disponível para partilhar a minha perícia com os jogadores menos dotados do_que eu . Harry fez um som indistinto com a garganta e saiu atrás_de Ron e Hermione . - Não acredito - disse quando os três examinavam a assinatura de Lockhart . - Ele nem viu que livro nós queríamos . - É porque é um idiota sem miolos - explicou o Ron . - Mas , quem se rala , temos o que queríamos . - Ele não é um idiota sem miolos - gritou Hermione com voz esganiçada enquanto se aproximavam quase a correr de a biblioteca . - Só porque ele disse que eras a melhor aluna de o segundo ano ... Baixaram as vozes a o entrar em a quietude abafada de a biblioteca . Madam_Prince , a bibliotecária , era uma mulher magra e irritável que parecia um abutre mal nutrido . - * _ Moste_Potente_Potions * ? - repetiu intrigada , tentando ficar com a folha de papel que Hermione se recusava a entregar lhe . - Gostava de a guardar para mim - disse sem fôlego . - Vá lá - intercedeu Ron , arrancando lhe a de as mãos e entregando a a Madam_Prince . - Nós arranjamos te outro autógrafo . O Lockhart assina tudo se aqui ficar muito_tempo . Madam_Prince pegou em o papel e voltou o em a direcção de a luz , decidida a descobrir uma falsificação , mas a assinatura passou em o teste . Desapareceu entre as estantes e voltou alguns minutos mais tarde , transportando um livro grande e de aspecto antiquado . Hermione meteu o com todo o cuidado em o saco e saíram , tentando não andar depressa de mais nem aparentar um ar culpado . Cinco minutos depois , estavam de_novo barricados em a casa_de_banho fora de serviço de a Murta_Queixosa . Hermione destruíra as objecções de Ron argumentando que aquele era o último lugar onde alguém em o seu juízo perfeito se lembraria de ir e que poderia assegurar lhes alguma privacidade . A Murta_Queixosa chorava ruidosamente em o seu cubículo , mas eles conseguiram ignorá a assim_como ela a eles . Hermione abriu * _ Moste_Potente_Potions * com todo o cuidado e inclinaram se os três sobre as páginas manchadas de humidade . Era fácil de perceber , logo à_primeira_vista de olhos , porque pertencia a a secção de os reservados . Algumas de as poções tinham efeitos quase impensáveis de tão macabros e havia ilustrações bastante desagradáveis , como , por_exemplo , aquela em que um homem parecia ter sido virado de o avesso e a de a bruxa com vários pares de braços suplementares a nascerem lhe em a cabeça . - Aqui está - disse Hermione excitadíssima a o encontrar a página intitulada « A poção * polisuco * « . Estava ilustrada com imagens de pessoas a meio de o processo de se transformarem em outras pessoas e Harry desejou ardentemente que a expressão de dor intensa que se lhes espelhava em o rosto fosse apenas produto de a imaginação de o artista desenhador . - Esta é a poção mais complicada que vi até hoje - disse Hermione enquanto examinava a receita . - Moscas asas de renda , sanguessugas , fluxo de cizânias e verdezelha - murmurou , acompanhando com o dedo a lista de ingredientes . - Bem , esses são relativamente simples , há os em a despensa de material de os estudantes , podemos tirar a a nossa vontade . Oh ! Vê só , pó de chifre de bicórneo ... não sei onde vamos arranjar isto ... e , é claro , um pedacinho de a pessoa em quem queremos transformar nos . - Como ? - perguntou Ron de forma cortante . - O que é_que queres dizer com um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos ? Eu não bebo nada que tenha lá dentro as unhas de os pés de o Crabbe ... Hermione continuou como_se não o tivesse ouvido . - Mas não temos que nos preocupar com isso por enquanto . Fica para o fim . Ron voltou se sem palavras para o Harry que tinha uma preocupação de outro tipo . - Já viste bem tudo_o_que vamos ter que roubar , Hermione ? Algumas coisas , não estão de certeza em a despensa de material de os alunos . O que é_que vamos fazer , arrombar os armários pessoais de o Snape ? Não sei se será uma boa ideia ... Hermione fechou o livro com um estrondo . - Bem , se vocês os dois se vão acagaçar , então está lindo - disse ela . Tinha as bochechas rosadas e os olhos mais brilhantes do_que era habitual . - Eu não gosto de quebrar regras , vocês sabem , mas acho que ameaçar os filhos de os Muggles é muito pior do_que construir uma poção difícil . Mas se vocês não querem descobrir se é o Malfoy , eu posso voltar já a a biblioteca e entregar o livro a Madam_Prince ... - Nunca pensei que chegaria o dia em que serias tu a convencer nos a quebrar regras - disse o Ron . - Está bem , vamos em essa , mas sem unhas de os pés , O. _ K. ? - Quanto tempo vai isso demorar a fazer , afinal ? - perguntou Harry quando Hermione , já com um ar mais satisfeito , voltou a abrir o livro . - Bem , como o fluxo de cizânias tem de ser recolhido durante a lua cheia e as asas de renda têm de ser abafadas durante vinte_e_um dias ... eu diria que se conseguirmos arranjar todos os ingredientes estará pronta dentro_de um mês . - Um mês ? - exclamou o Ron . - Nessa_altura já o Malfoy terá atacado metade de os filhos de Muggles ! - mas os olhos de Hermione contraíram se de_novo assustadoramente e ele acrescentou rapidamente . - Mas é o melhor plano que temos , por isso é melhor não olharmos para trás . Apesar_de tudo , enquanto Hermione verificava que não havia ninguém em os corredores e podiam sair de a casa_de_banho , Ron murmurou a Harry : - Seria muito mais simples se conseguisses , amanhã , atirar o Malfoy de a vassoura abaixo . Harry acordou cedo em o sábado de manhã e ficou um bocado a pensar em a partida de Quidditch que vinha a seguir . Estava nervoso , principalmente pelo que Wood diria se os Gryffindor perdessem , mas também com a ideia de enfrentar uma equipa apetrechada com as vassouras mais velozes que existiam . Nunca desejara tanto vencer os Slytherin como em aquele dia . Depois de meia_hora deitado com a barriga a dar horas , resolveu levantar se , vestir se e descer para tomar o pequeno-almoço . Lá em baixo , encontrou o resto de a equipa de os Gryffindor amontoada a o longo de a mesa comprida e vazia , todos eles com ar preocupado e sem vontade de conversar . Como_se aproximavam as onze horas , todos os alunos de a escola começaram a dirigir se para o estádio de Quidditch . O dia estava quente e húmido , com uma ameaça de trovoada em o ar . Ron e Hermione vieram apressadamente desejar a Harry boa sorte mal ele entrou em os vestiários . A equipa de os Gryffindor pôs os seus mantos vermelhos e sentou se para ouvir o discurso que Wood lhes fazia sempre antes de o jogo . - Os Slytherin têm vassouras melhores do_que nós - começou . - Não há como negá o . Mas nós temos gente melhor em cima de as vassouras . Treinámos mais do_que eles , voamos com todas_as condições climatéricas ( É bem verdade - murmurou George_Weasley - desde Agosto que não sei o que é estar seco ) . - E vamos fazê os engolir o dia em que deixaram aquele nojento de o Malfoy comprar a entrada em a equipa de eles . Com o peito agitado por a comoção , Wood voltou se par Harry . -- Cabe te a ti , Harry , mostrar lhes que um * seeker * tem de ter mais do_que um pai rico . Agarra a * snitch * antes d Malfoy ou morre a tentar porque temos absolutamente que vencer , hoje , Harry , temos que vencer . - Sem ansiedade , Harry - disse o Fred , piscando lhe o olho . Quando saíram em direcção a o campo , foram saudado por uma grande ovação principalmente de a parte de os Ravenclaw e de os Hufflepuff que estavam ansiosos por ver os Slytherin serem derrotados , mas os Slytherin que estavam entre a multidão também fizeram ouvir as suas vaias e pateadas . Madam_Hooch , a professora de Quidditch , pediu a Flin e Wood que apertassem as mãos o que eles fizeram , lançando um_ao_outro olhares ameaçadores , cada_um apertando a mão de o outro com mais força do_que aquela que seria necessário . - Atenção a o apito - disse Madam_Hooch . - Três , dois , um ... Com um bramido de a multidão para que subissem rapidamente , os catorze jogadores elevaram se em o céu cor de chumbo . Harry , mais alto do_que qualquer de os outros olhando para todos os lados em busca de a * snitch * . - Tudo bem , testa de cicatriz ? - gritou Malfoy , disparando por baixo de ele para lhe mostrar a velocidade de a sua vassoura . Harry não teve tempo de responder . Em esse preciso momento uma * bludger * preta e bem pesada veio direitinha a ele . Evitou a tão por um triz que ainda sentiu em os cabelos o ar que ela deslocara . - Foi por_pouco , Harry ! - exclamou o George , passando com grande rapidez , de bastão em a mão , pronto para lançar a * bludger * contra um Slytherin . Harry viu o dar a a * bludger * uma fortíssima pancada em direcção a Adrian_Pucey , mas a bola mudou de rumo em o meio de o ar e dirigiu se de_novo a Harry . Harry desceu rapidamente para se esquivar e George conseguiu lançá a contra Malfoy . Mais_uma_vez a * bludger * actuou como um * boomerang * e apontou a a cabeça de Harry . Harry ganhou velocidade e disparou contra o outro extremo de o campo . Ouvia o assobio de a * bludger * que o perseguia . O que era aquilo ? As * bludgers * nunca se concentravam assim em um único jogador , a sua função era tentar desmontar o maior número possível de intervenientes . Fred_Weasley esperava por a * bludger * em o extremo oposto . Harry baixou se quando o viu balançar se em frente de ela com toda_a garra . A * bludger * foi lançada para_fora_de campo . - Pronto , já está tudo resolvido - gritou Fred satisfeito , mas estava bastante enganado . Como_se fosse magneticamente atraída para Harry , a * bludger * lançou se de_novo contra ele e Harry teve de voar a_toda_a velocidade . Começara a chover . Harry sentia as gotas pesadas caírem lhe em o rosto , turvando lhe as lentes de os óculos . Não fazia ideia do_que se passava em o resto de o jogo , até ouvir Lee_Jordan que fazia o comentário dizer : - Os Slytherin vão a a frente com seis contra zero . As vassouras de qualidade superior de os Slytherin estavam obviamente a cumprir a sua função e enquanto isso , a * bludger * maluca fazia todos os possíveis para deitar abaixo o Harry . Fred e George voavam agora tão perto de ele , um de cada lado , que Harry não via senão os seus braços a balouçar e , se não conseguia ver a * snitch * , muito menos agarrá a . - Alguém enfeitiçou esta * bludger * - resmungou Fred , preparando o bastão com toda_a força quando ela se lançava de_novo contra Harry . - Precisamos de tempo - disse George , tentando fazer sinal a Wood enquanto evitava que a bola partisse o nariz a o Harry . Wood captou obviamente a mensagem . O apito de Madam_Hooch fez se ouvir e Harry , Fred e George desceram , tentando ainda evitar a * bludger * maluca . - O que é_que se passa ? - perguntou Wood enquanto a equipa de os Gryffindor se amontoava desordenadamente e os Slytherin , em o meio de a multidão , lançavam piadas . - Estamos a ser esmagados . Fred , George , onde estavam vocês quando aquela * bludger * impediu a Angelina de marcar ? - Estávamos seis metros acima , evitando que a outra * bludger * matasse o Harry , Oliver - gritou George furioso . - Alguém preparou isto , a bola não deixa o Harry em paz , ainda não perseguiu mais ninguém desde_que o jogo começou . Os Slytherin fizeram aqui qualquer coisa . - Mas as * bludgers * têm estado fechadas em o escritório de Madam_Hooch desde o último treino , e nessa_altura estava tudo bem ... - disse Wood ansiosamente . Madam_Hooch aproximava se . Por cima de o ombro de ela , Harry pôde ver a equipa de os Slytherin a escarnecer e apontar em a sua direcção . - Ouçam - disse o Harry , enquanto ela se aproximava . - Com vocês os dois a voarem sempre colados a mim , só vou apanhar a * snitch * se ela voar até a a minha manga . Voltem se para o resto de a equipa e deixem a tratante comigo . - Não sejas bronco - disse o Fred . - Ela arranca te a cabeça . Os olhos de Wood saltavam de Harry_para_os_Weasley . - Oliver , isto_é uma loucura - disse Alicia_Spinet , zangada . - Não podes deixar o Harry sozinho entregue a aquela coisa . Vamos pedir uma investigação . - Se pararmos agora , teremos de dar a partida como perdida e não vamos deixar os Slytherin ganhar , só por_causa_de uma * bludger * maluca . Vá lá , Oliver , diz lhes que me deixem sozinho . - A culpa é toda tua . * _ Agarra a snitch ou morre a tentar * , se isso é lá coisa que se diga . Madam_Hooch tinha se lhes juntado . - Prontos para retomar a partida ? - perguntou a Wood . Wood olhou para o ar determinado de Harry . - Deixem o sozinho , ele é capaz de lidar com a * bludger * . A chuva era agora mais pesada . A o apito de Madam_Hooch , Harry elevou se em os ares e ouviu o barulhinho de a * bludger * atrás_de si . Subiu cada_vez_mais alto . Fez acrobacias em espiral , descidas rápidas , ziguezagueou e rolou . Apesar_de ligeiramente estonteado , não deixou nunca de ter os olhos bem abertos . A chuva salpicava lhe os óculos e entrava lhe por as narinas , quando ele se voltou de cabeça para baixo , evitando outra forte investida de a * bludger * . Ouviu os risos de a multidão . Sabia que devia parecer ridículo , mas a * bludger * maluca era pesada e não podia mudar de direcção tão rapidamente quanto ele . Iniciou uma corrida que parecia de feira de diversões em volta de os extremos de o estádio , olhando de soslaio , através de os lençóis prateados de chuva , para os postes de os Gryffindor , onde Adrian_Pucey tentava passar por Wood . Um assobio junto de os ouvidos disse a Harry que a * bludger * falhara uma_vez_mais . Voltou se e voou rapidamente em a direcção oposta . - Estás a ensaiar * ballet * , Potter - gritou Malfoy quando Harry foi obrigado a fazer uma reviravolta estúpida em o ar para se esquivar mais_uma_vez de a * bludger * . Lá foi ele , com a * bludger * atrás a alguns metros de distância . E foi então que , olhando para Malfoy , furioso , a viu , a * snitch * de ouro . Flutuava alguns centímetros acima de os ouvidos de Malfoy que , de tão preocupado a escarnecer de Harry , nem dera por ela . Durante um momento angustiante , Harry ficou quieto em o ar , não ousando dirigir se a Malfoy , não fosse ele olhar para_cima e ver a * snitch * . PUM ! Tinha ficado parado tempo de mais . A * bludger * batera lhe , por fim , apanhando lhe o cotovelo e Harry sentiu o braço a partir se . Debilmente , desorientado por a dor cauterizante em o braço , Harry deslizou para um de os lados em a sua vassoura encharcada , um joelho ainda dobrado , o braço direito a balouçar , inútil , a o seu lado . A * bludger * veio de_novo , preparada para mais um ataque , desta_vez apontada a o seu rosto . Harry desviou se com uma intenção : chegar a Malfoy . Através_de uma nuvem de chuva e dor desceu até a o rosto tremeluzente e trocista e viu os olhos de ele dilatarem se de medo : Malfoy pensou que Harry ia atacá o . - Que diabo ... - resmungou , afastando se de o caminho . Harry tirou a outra mão de a vassoura e fez uma tentativa para agarrar qualquer coisa . Sentiu os dedos fecharem se em volta de a * snitch * dourada , mas conduzia agora a vassoura apenas com as pernas e ouviu se um grito de a multidão cá em baixo , quando ele fez a descida , tentando não desmaiar . Com um ruído seco caiu em a terra enlameada e rolou para fora de a vassoura . O braço tinha um ângulo um_pouco estranho . Torcendo se com dores , ouviu a a distância os assobios e os gritos . Concentrou se em a * snitch * que tinha fechada em a outra mão . - Ai - disse vagamente . - Ganhámos o jogo . E desmaiou . Voltou a si com a chuva a cair lhe em o rosto , ainda deitado em o campo , com alguém inclinado sobre ele . Viu um brilho de dentes brancos . - Oh , não , você não - gemeu . - Não sabe o que diz - afirmou Lockhart bem alto a a ansiosa multidão de Gryffindor que o comprimiam . - Não te preocupes , Harry , eu vou tratar de o teu braço . - Não - gritou Harry . - Eu fico com ele assim , obrigado . Tentou sentar se , mas a dor era enorme . Ouviu um « clique » familiar . - Não quero fotografias de isto , Colin - disse em voz alta . - Deita te para trás , Harry - insistiu Lockhart com toda_a calma . - É um encantamento muito simples que eu fiz imensas vezes . - Porque não me levam só para a ala hospitalar ? - perguntou Harry entredentes . - Seria o melhor , professor - disse a voz rouca de o Wood que não conseguia deixar de sorrir , apesar_de o seu * seeker * estar ferido . - Grande captura , Harry , verdadeiramente espectacular , a tua melhor jogada , em a minha opinião . Em o meio de a floresta de pernas que o rodeava , Harry avistou Fred e George_Weasley , metendo a * budger * perigosa em uma caixa . Continuava a dar uma luta enorme . - Para trás - ordenou Lockhart , que tinha arregaçado as mangas verde jade . - Não , eu não ... - protestou debilmente Harry , mas Lockhart tinha a varinha em a mão e , um segundo depois , apontava a para o braço de Harry . Uma sensação estranha e desagradável começou em o ombro e espalhou se , chegando a as pontas de os dedos . Parecia que o braço inteiro tinha sido esvaziado . Não foi capaz de olhar para o que estava a suceder . Tinha fechado os olhos , voltado o rosto para o outro lado , mas os seus maiores receios concretizaram se quando as pessoas lá em cima se sobressaltaram e Colin_Creevey começou a tirar fotografias como um louco . O braço deixara de lhe doer , mas parecia tudo menos um braço . - Ah ! - disse Lockhart . - Sim , bem isto às_vezes acontece . Mas o importante é_que os ossos já não estão partidos . Isso é o mais importante . Portanto , Harry , vai até a a ala hospitalar ... ah ! Mr._Weasley , Miss_Granger , poderiam levá o lá ? E Madam_Pomfrey poderá ... er ... arranjar um_pouco isso . Quando Harry se pôs de pé sentiu se estranhamente desequilibrado . Depois de respirar fundo , olhou para o lado direito e o que viu quase o fez desmaiar de_novo . Pendurado em a extremidade de a sua túnica estava o que parecia ser uma espessa e colorida luva de borracha . Tentou mexer os dedos mas ... em vão . Lockhart não consertara os ossos de Harry . Retirara os . M. dam Pomfrey não ficou nada satisfeita . - Devias ter vindo logo ter comigo - ralhou , segurando os restos tristes e moles de aquilo que antes fora um braço activo . - Eu conserto ossos em um segundo , mas fazê os crescer de_novo ... - Vai conseguir , não vai ? - perguntou Harry desesperado . - Sim , com certeza , mas vai ser doloroso - disse Madam_Pomfrey de modo severo , entregando lhe um pijama . - Vais ter que ficar cá esta noite ... Hermione esperou de o lado de_fora de a cortina que rodeava outra cama enquanto Ron ajudava Harry a vestir se . Levou algum tempo a enfiar o braço que parecia borracha dentro_de uma manga de o pijama . - Como é_que podes continuar a defender o Lockhart depois disto , Hermione ? - perguntou Ron através de as cortinas , enquanto puxava os dedos moles de o Harry por uma manga . - Se o Harry quisesse ser desossado , teria pedido . - Todos podem enganar se - disse Hermione . - E deixou de doer , não deixou , Harry ? - Sim - disse ele - mas também ficou incapaz de fazer seja o que for . Quando se meteu em a cama , o braço agitou se despropositadamente . Hermione e Madam_Pomfrey entraram . Madam_Pomfrey segurava uma grande garrafa com o rótulo * Skele - _ Gro * . - Vais ter uma noite difícil - preveniu , enchendo um pequeno copo fumegante e dando lhe a beber . - Fazer crescer ossos é uma coisa difícil . Tomar o * _ Skele - _ Gro * também . Queimou a boca e a garganta de o Harry a o descer , fazendo o tossir e cuspir . Resmungando sobre os desportos perigosos e os professores incapazes , Madam_Pomfrey retirou se , deixando Ron e Hermione a ajudar Harry a engolir um_pouco de água . - Mas ganhámos o jogo - disse o Ron com um sorriso em o rosto . - A tua jogada foi em grande . A cara de o Malfoy ... parecia que queria matar alguém . - Eu vou descobrir como é_que enfeitiçaram aquela * bludger * - disse Hermione com ar sombrio . - Podemos juntar essa pergunta a a lista de todas_as que queremos fazer a o Malfoy quando tomarmos a poção * _ Polisuco * - disse Harry , afundando se de_novo em as almofadas . - Espero que tenha um sabor melhor do_que esta coisa ... - Com um bocado de os Slytherin lá dentro , deves estar a brincar - disse o Ron . A porta de a ala hospitalar abriu se em esse momento e , completamente encharcados , entraram os restantes membros de a equipa de os Gryffindor , para ver o Harry . - Um voo inacreditável - disse George . - Acabei de ver Marcus_Flint a gritar com o Malfoy . Qualquer coisa sobre ter a * snitch * mesmo em cima de a cabeça e não ter dado por nada . O Malfoy não parecia nem um_pouco satisfeito . Tinham trazido bolos , rebuçados e garrafas de sumo de abóbora . Juntaram se em volta de a cama de Harry e estavam a dar início a o que prometia ser uma grande festa quando Madam_Pomfrey entrou a vociferar : - Este rapaz precisa de repouso . Tem trinta_e_três ossos a crescer . Fora de aqui . FORA ! E Harry ficou sozinho , sem nada que o distraísse de as dores agudas em o seu braço mole . Muitas horas mais tarde , Harry acordou subitamente em a escuridão total e soltou um pequeno grito de dor : sentia agora o braço cheio de estilhaços . Durante alguns segundos pensou que tinha sido a dor a acordá o . Depois , com um arrepio de horror , apercebeu se de que alguém estava a passar lhe uma esponja em a testa . - Sai de aqui - gritou , e em seguida : - Dobby ! Os olhos de o tamanho de bolas de ténis de o elfo doméstico estavam a olhá o em o escuro , uma lágrima grossa rolava por o seu enorme nariz . - Harry_Potter voltou a a escola - murmurou , infeliz . - Dobby avisou e voltou a avisar Harry_Potter . Ah ! senhor , porque não deu ouvidos a Dobby ? Porque não voltou Harry_Potter para_casa quando perdeu o comboio ? Harry ergueu se um_pouco , encostando se a as almofadas e afastou a esponja de o elfo . - O que estás a fazer aqui ? - perguntou . - E como sabes que eu perdi o comboio ? O lábio de Dobby tremeu e Harry foi assaltado por uma dúvida . - Foste tu . Tu impediste que a barreira nos deixasse passar . - Em a verdade fui eu , senhor - disse Dobby , acenando com a cabeça e com as orelhas a abanar . - Dobby escondeu se , esperou por Harry_Potter e selou a barreira . A seguir , Dobby teve de pôr as mãos em o ferro de engomar - mostrou a o Harry dez dedos longos embrulhados em ligaduras . - Mas Dobby não se importou , senhor , porque pensou que Harry_Potter estava a salvo e nunca Dobby sonhou que mesmo_assim ele viria para a escola ! Balançava se para a frente e para trás , sacudindo a cabeça feia . - Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry_Potter tinha voltado a a escola que deixou queimar o jantar de os seus donos . Dobby nunca tivera um castigo tão grande , senhor . Harry afundou se de_novo em as almofadas . - Quase conseguiste que nos expulsassem , a mim e a o Ron - disse furioso . - É melhor desapareceres de aqui antes que os meus ossos voltem a estar bem , Dobby , ou ainda te estrangulo . O elfo sorriu . - Dobby está habituado a ameaças de morte , senhor . Dobby recebe as cinco vezes por dia em a casa onde mora . Encostou o nariz a um canto de a fronha que usava , ficando tão ridículo que Harry sentiu a raiva desvanecer se , apesar_de tudo . - Porque usas essa coisa , Dobby ? - perguntou com curiosidade . - Isto , senhor ? - disse Dobby apontando para a fronha de almofada . - É uma prova de escravatura de o elfo doméstico , senhor . Dobby só pode ser libertado se os donos lhe derem roupa , senhor . A família tem o cuidado de não dar a o Dobby nem uma peúga , senhor , porque ele poderia ficar livre e deixar a casa para sempre . Dobby limpou os olhos protuberantes e disse subitamente : - Harry_Potter deve ir para_casa . Dobby achou que a sua * bludger * seria o suficiente para o fazer ... - A tua * bludger * ? - disse Harry com a raiva a crescer novamente dentro de ele . - Que queres tu dizer com a tua bludger * ? Foste tu quem fez com que aquela bola tentasse matar me ? - Matar não , senhor . Matar , nunca ! - disse o elho chocado . - Dobby quer salvar a vida de Harry_Potter . É melhor ir para_casa ferido do_que ficar aqui , senhor . Dobby só queria Harry_Potter suficientemente ferido para voltar para_casa . - Só isso ? - disse Harry furioso . - Imagino que não vais dizer me porque querias mandar me para_casa a os bocados ? - Ah ! se Harry_Potter soubesse ! - gemeu Dobby , com mais lágrimas a escorrerem lhe por a fronha esfarrapada . - Se pudesse saber o que significa para nós , para os humildes , os escravizados , nós , a escória social de o mundo mágico ! Dobby lembra se de como eram as coisas quando Aquele cujo nome não deve ser pronunciado estava em o auge de o poder , senhor ! Nós , os elfos domésticos éramos tratados como animais , senhor ! É claro que Dobby ainda é tratado assim - admitiu , secando o rosto em a fronha de almofada . - Mas , em a sua maioria , a vida melhorou bastante para os de a minha espécie desde_que Harry_Potter triunfou sobre Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Harry_Potter sobreviveu e o poder de os senhores de o Mal foi quebrado e veio uma nova alvorada , senhor , e Harry_Potter brilhou como um farol de esperança para aqueles de entre nós que já pensavam que a longa noite nunca mais teria fim , senhor ... e agora em Hogwarts vão acontecer coisas terríveis , talvez já esteiam a acontecer e Dobby não pode deixar Harry_Potter ficar aqui , agora_que a história vai repetir se , agora_que a Câmara_dos_Segredos está de_novo aberta . Dobby calou se horrorizado . Em seguida agarrou em o jarro de a água que Harry tinha a a cabeceira e bateu com ele em a própria cabeça , deixando se cair . Um segundo mais tarde voltou até junto de a cama , repetindo : - Mau , Dobby , muito mau , Dobby . - Quer_dizer , então , que existe mesmo a Câmara_dos_Segredos ? - murmurou Harry . - E dizes tu que já antes foi aberta ? Conta me , Dobby . Agarrou o pulso ossudo de o elfo quando a mão de ele se estendia para o jarro de a água . - Mas eu não sou filho de Muggles . Como posso estar em perigo por causa de a Câmara_dos_Segredos ? - Ah ! senhor , não pergunte a o pobre Dobby - lamentou se o elfo com os olhos enormes a brilharem em o escuro . - As forças de as trevas estão projectadas em este lugar , mas Harry_Potter não deve estar aqui quando as coisas acontecerem . Vá para_casa , Harry_Potter , vá para_casa . Harry_Potter não deve envolver se em isto , senhor , é demasiado perigoso ... - Quem é , Dobby ? - perguntou Harry , continuando a agarrar lhe o pulso com forca , impedindo que batesse de_novo em si próprio com o jarro . - Quem abriu a amara ? Quem a abriu de a última vez ? - Dobby não pode , senhor . Dobby não pode . Dobby não deve dizer - guinchou o elfo . - Vá se embora , Harry_Potter , vá se embora ! - Eu não vou para lugar nenhum - disse Harry , furioso . - Uma de as minhas melhores amigas é filha de Muggles , está em perigo se a câmara foi , de facto , aberta ... - Harry_Potter arrisca a própria vida por os amigos - gemeu Dobby em uma espécie de êxtase infeliz . - Tão nobre , tão corajoso , mas deve salvar se , Harry_Potter não deve ... Dobby calou se de repente com as orelhas de morcego a estremecerem . Harry também ouviu os passos que vinham lá fora , de o corredor . - Dobby tem de ir - balbuciou o elfo apavorado . Ouviu se um ruído e o pulso de Harry ficou subitamente fechado em o ar . Meteu se de_novo para baixo , em a cama , com os olhos fixos em a porta escura que dava entrada em a ala hospitalar enquanto os passos se aproximavam . Em o momento seguinte , Dumbledore estava a entrar , de costas , em o dormitório , vestindo uma longa túnica de lã e uma capa de noite . Transportava um extremo de aquilo que parecia ser uma estátua . A professora Mc_Gonagall surgiu um segundo mais tarde , pegando lhe em os pés . Os dois colocaram a em uma cama . - Chame Madam_Pomfrey - murmurou Dumbledore e a professora Mc_Gonagall passou por a cama de Harry , apressadamente , e desapareceu . Harry deixou se ficar muito quieto como_se estivesse a dormir . Ouviu vozes ansiosas e por fim a professora Mc_Gonagall apareceu de_novo , seguida de Madam_Pomfrey que vestia um casaco curto de lã sobre a camisa de dormir . Ouviu uma inspiração aguda . - O que aconteceu ? - murmurou Madam_Pomfrey_a_Dumbledore , inclinando se sobre a estátua que estava em a cama . - Outro ataque - disse Dumbledore . - A Minerva encontrou o em as escadas . Havia um cacho de uvas junto de ele . Acho que estava a tentar esgueirar se até aqui para vir visitar o Potter . O estômago de Harry deu uma reviravolta . Lenta e cuidadosamente ergueu se alguns centímetros para poder ver a estátua que estava sobre a cama . Um raio de luar iluminou lhe o rosto estático . Era_Colin_Creevey . Tinha os olhos abertos , e as mãos , em frente de a cara , seguravam a máquina fotográfica . -- Petrificado ? - murmurou Madam_Pomfrey . - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - Mas estou tentada a acreditar que ... se Albus não tivesse vindo cá abaixo tomar um chocolate quente ... quem sabe o que teria ... Os três olharam para Colin . Dumbledore inclinou se e retirou lhe a máquina de as mãos rígidas . - Será que ele conseguiu tirar a fotografia de o agressor ? - perguntou ansiosa a professora Mc_Gonagall . Dumbledore não respondeu . Abriu a parte detrás de a máquina . - Cruzes canhoto - disse Madam_Pomfrey . Um jacto de vapor tinha feito fervilhar a máquina . Harry , a três metros de distância , sentiu o cheiro tóxico de o plástico queimado . - Derretido - disse Madam_Pomfrey com grande espanto . - Tudo derretido . - O que significa isto , Albus ? - perguntou cada_vez_mais nervosa a professora Mc_Gonagall . - Significa - disse Dumbledore - que a Câmara_dos_Segredos está mesmo aberta outra_vez . Madam_Pomfrey levou uma mão a a boca . A professora Mc_Gonagall olhou assustada para Dumbledore . - Mas , Albus ... com certeza ... quem ? - A questão não é quem - disse Dumbledore com os olhos fixos em Colin . - A questão é como ... E pelo que Harry conseguiu ver de o rosto indistinto de a professora Mc_Gonagall , ela não compreendeu muito mais do_que ele . XI_O clube de os duelos Quando_Harry acordou , em o domingo de manhã , a enfermaria estava iluminada por um resplandecente sol de inverno e o seu braço tinha de_novo todos os ossos , apesar_de o sentir muito rígido . Sentou se rapidamente e olhou para a cama de Colin , mas ela fora isolada com as cortinas atrás de as quais se despira em a véspera . Vendo que ele tinha acordado , Madam_Pomfrey apareceu com um tabuleiro de pequeno-almoço e a seguir começou a apalpar lhe o braço e os dedos . - Tudo em ordem - disse , enquanto ele , com a mão esquerda , comia avidamente as papas de aveia . - Quando acabares de comer podes ir te embora . Harry vestiu se o mais depressa que pôde e dirigiu se a a pressa para a torre de os Gryffindor , ansioso por contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre Colin e Dobby , mas não os encontrou lá . Foi a a procura de eles , perguntando a si próprio onde teriam ido e sentindo se um_pouco magoado por o pouco interesse que demonstravam em saber se ele tinha recuperado os ossos . Quando passou por a biblioteca , Percy_Weasley vinha a sair com bastante melhor cara do_que de a última vez que se tinham encontrado . - Olá , olá , Harry - disse . - Excelente voo o de ontem , verdadeiramente sensacional . Os Gryffindor estão a a frente para a taça de a equipa . Ganhaste cinquenta pontos . - Não viste o Ron e a Hermione por aí ? - perguntou Harry . - Não , não vi - disse Percy com o sorriso a desaparecer . - Espero que o Ron não esteja outra_vez em a casa_de_banho de as raparigas ... Harry forçou um sorriso , viu Percy desaparecer e a seguir foi direitinho até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Não via lá muito bem por_que motivo o Ron e a Hermione lá estariam de_novo , mas , depois de se assegurar de que nem Filch nem nenhum de os prefeitos estavam por perto , abriu a porta e ouviu as vozes de eles que vinham de um cubículo fechado . - Sou eu - disse , fechando a porta atrás_de si . Ouviu se dentro de o cubículo um estrondo , um chapinhar e um sobressalto e ele viu o olho de a Hermione a espreitar por o buraco de a fechadura . - Harry - disse ela . - Pregaste nos um susto de morte . Entra . Como está o teu braço ? - _ óptimo - respondeu , apertando se dentro de o cubículo . Em cima de a sanita estava encarrapitado um velho caldeirão , e um crepitar a a superfície de a água disse a Harry que eles tinham acendido um fogo lá em baixo . Fazer aparecer fogos portáteis a a prova de água era uma de as especialidades de Hermione . - _ íamos visitar te , mas resolvemos começar a preparar a poção * _ Polisuco * - explicou Ron enquanto Harry fechava outra_vez a porta de o cubículo com alguma dificuldade . - Achámos que este era o lugar mais seguro para a esconder . Harry começou a contar lhes de o Colin , mas Hermione interrompeu o . - Nós já sabemos , ouvimos a professora Mc_Gonagall contar a o professor Flitwick hoje_de_manhã . Por isso resolvemos começar a ... - Quanto_mais depressa arrancarmos uma confissão a o Malfoy , melhor - rosnou o Ron . - Sabem o que eu penso ? Ele estava tão mal-humorado depois de o jogo de Quidditch que se vingou em o Colin . - Há outra coisa - disse Harry , vendo Hermione cortar molhos de verdezelha e lançá os dentro de a poção . - O Dobby foi visitar me a meio de a noite . Ron e Hermione olharam o espantados . Harry contou lhes tudo_o_que Dobby lhe dissera ... ou não dissera . Ron e Hermione ouviram o de boca aberta . - A Câmara_dos_Segredos já tinha sido aberta antes ? - repetiu Hermione . - Encaixa perfeitamente - disse Ron , em uma voz triunfante . - O Lucius_Malfoy deve ter aberto a Câmara_dos_Segredos quando andava em a escola e agora ensinou a o querido filhinho Draco como abris a . É óbvio , que pena o Dobby não te ter dito que tipo de monstro lá se encontra . Gostava de saber como é_que ninguém o viu andar por ai em a escola . - Talvez tenha a capacidade de se tornar invisível - sugeriu Hermione , picando sanguessugas para dentro de o caldeirão . - Ou talvez se disfarce , passando por uma armadura ou outra coisa de o género . Eu li umas coisas sobre vampiros camaleões ... - Tu lês de mais , Hermione - disse o Ron , deitando moscas asas de renda mortas por cima de as sanguessugas . Amarrotou o saco vazio de as asas de renda e olhou para Harry . - Então foi o Dobby que nos impediu de apanhar o comboio e te partiu o braço ... - abanou a cabeça . - Sabes o que eu acho ? Se ele não parar de tentar salvar te a vida ainda acaba por te matar . A notícia de que Colin_Creevey tinha sido atacado e estava agora em a ala hospitalar , como morto , espalhou se por toda_a escola em a segunda-feira de manhã . O ar ficou pesado e cheio de boatos e suspeitas . Os alunos de o primeiro ano começavam a andar por a escola em pequenos grupos , receando ser atacados se se aventurassem a andar isoladamente por os corredores . Ginny_Weasley , que era colega de carteira de o Colin em os encantamentos , estava perturbadíssima , mas Harry achou que Fred e George estavam a tentar animá a de a maneira errada . Revezavam se , mascarados com peles de animais e apareciam lhe subitamente detrás de as estátuas . Só pararam quando Percy , apopléctico de raiva , lhes disse que ia escrever a Mrs._Weasley a contar lhe que a Ginny andava a ter pesadelos . Enquanto isso , às_escondidas de os professores , uma panóplia de talismãs , amuletos e outros objectos de protecção ia enchendo a escola . Neville_Longbottom comprou uma enorme cebola verde que cheirava mal , um cristal pontiagudo cor de púrpura e uma cauda de tritão apodrecida antes de os outros rapazes de os Gryffindor lhe explicarem que ele não corria perigo : era um sangue puro e , portanto , muito pouco passível de ser atacado . - Eles foram a o Filch em primeiro lugar - disse Neville com o medo estampado em a cara redonda . - E toda_a_gente sabe que eu sou quase um * busca-pé * . Em a segunda semana de Dezembro , a professora Mc_Gonagall veio , como de costume , recolher os nomes de os alunos que ficavam em a escola durante o Natal . Harry , Ron e Hermione assinaram a lista . Tinham ouvido dizer que Malfoy ficava , o que lhes parecera muito suspeito . As férias seriam a altura ideal para usar a poção * _ Polisuco * e tentar arrancar lhe uma confissão . Infelizmente a poção estava a meio . Precisavam ainda de o chifre de bicórneo e o único lugar onde podiam arranjá o era em os depósitos privados de Snape . Harry , pessoalmente , preferia enfrentar o lendário monstro de os Slytherin do_que ser apanhado por o Snape a assaltar lhe o escritório . - O que precisamos - disse Hermione cheia de vivacidade quando se aproximava a aula conjunta de poções de quinta-feira a a tarde - para podermos entrar a a vontade em o escritório de o Snape , é de uma diversão . Harry e Ron olharam para ela , nervosos . - Acho que o melhor é ser eu a praticar o roubo - prosseguiu ela , em um tom perfeitamente casual . - Vocês os dois podem ser expulsos se forem apanhados e eu tenho uma folha limpa . Portanto , a única coisa que têm de fazer é distrair o Snape durante cerca de cinco minutos . Harry esboçou um meio sorriso . Provocar deliberadamente um estrago em a aula de poções de o Snape era tão seguro como ferir em um olho um dragão adormecido . As aulas de poções tinham lugar em um de os mais amplos calabouços . A de quinta-feira a a tarde não foi diferente de as outras . Vinte caldeirões fumegavam entre as secretárias de madeira , sobre as quais podia ver se laminas de latão e jarras com ingredientes . Snape deambulava por o meio de os fumos , fazendo reparos petulantes a o trabalho de os Gryffindor , enquanto os Slytherin riam a a socapa . Draco_Malfoy , que era o aluno preferido de Snape , não parava de lançar olhos de carneiro mal morto a o Ron e a o Harry , que sabiam que se retaliassem teriam um castigo , antes de poderem abrir a boca para dizer : - É injusto ! A solução de inchar de o Harry estava demasiado líquida , mas ele estava preocupado com coisas mais importantes . Esperava por o sinal de Hermione e mal deu por Snape se calar para ir espreitar a sua poção aguada . Quando o professor se voltou e foi implicar com o Neville , Hermione trocou um olhar com Harry e fez um aceno . Harry baixou se discretamente por detrás de o seu caldeirão , tirou de o bolso de trás um de os paus de fogo-de-artíficio Filibuster e deu lhe um toque de varinha . O fogo-de-artíficio começou a sibilar e a crepitar . Sabendo que tinha apenas alguns segundos , Harry endireitou se , ganhou coragem e lançou o a o ar . Aterrou certeiro em o caldeirão de o Goyle . A poção de o Goyle explodiu , salpicando toda_a aula . As pessoas gritavam , à_medida_que eram vítimas de os salpicos . Malfoy foi apanhado em a cara e o nariz começou a inchar como um balão . O Goyle tropeçava a as cegas , com as mãos em os olhos , que tinham ficado de o tamanho de pratos de sopa , enquanto o Snape tentava repor a calma e tentar perceber o que sucedera . Em o meio de a confusão , Harry viu Hermione esgueirar se a a socapa por a porta . - Silêncio ! silêncio ! - vociferou Snape . - Todos os que foram salpicados cheguem aqui para uma drenagem . Quando eu descobrir quem fez isto ... Harry fez um enorme esforço para não se rir a o ver Malfoy chegar apressadamente lá a a frente , a cabeça a tombar com o peso de o nariz , que parecia um pequeno melão . Quando metade de a aula se amontoava junto de a secretária de o Snape , alguns alunos vergados por o peso de os braços que pareciam mocas , outros incapazes de falar devido a o gigantesco inchaço de os lábios , Harry viu Hermione reentrar em o calabouço , a túnica mostrando a barriga protuberante . Quando todos os alunos tinham já tomado um gole de o antídoto e os vários inchaços tinham desaparecido , Snape precipitou se para o caldeirão de o Goyle e pescou os restos retorcidos de o fogo-de-artíficio . Houve um súbito silêncio . - Se eu descubro quem lançou isto - murmurou Snape - garanto que é expulsão por a certa . Harry compôs uma expressão de espanto . Snape olhava directamente para ele e a campainha , que tocou dez minutos mais tarde , não podia ser mais bem-vinda . - Ele soube que fui eu - disse Harry_a_Ron e a a Hermione , enquanto se dirigiam apressadamente para a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Tenho a certeza . Hermione lançou o novo ingrediente em o caldeirão e começou a mexer furiosamente . - Isto vai estar pronto dentro_de quinze_dias - afirmou , satisfeita . - O Snape não pode provar que foste tu - assegurou Ron , tranquilizando Harry . - Que pode ele fazer ? - Conhecendo o Snape , qualquer coisa louca - respondeu Harry , enquanto a poção borbulhava e espumava . Uma semana mais tarde , Harry , Ron e Hermione passavam por o vestíbulo de entrada , quando viram um pequeno grupo de pessoas reunidas em volta de o jornal de parede a lerem um pedaço de pergaminho que tinha acabado de ser afixado . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas acenaram lhes , entusiasmados . - Vão lançar um clube de duelos ! - exclamou Seamus . - Hoje a a noite é a primeira reunião . Eu não me importaria nada de ter aulas de duelo , podem vir a ser úteis um dia de estes ... - Porquê ? Achas que o monstro de os Slytherin sabe esgrimir ? - perguntou o Ron , mas , também ele , leu a notícia com interesse . - Pode ser útil - disse a o Harry e a a Hermione , quando foram jantar . - Vamos lá ? Harry e Hermione acharam óptimo , por isso , a as oito_da_noite voltaram a o salão . As longas mesas de refeição tinham desaparecido e um estrado dourado surgira , encostado a a parede . Sobre ele flutuavam milhares de velas . O tecto era , mais_uma_vez , de veludo negro e parecia que quase todos os alunos de a escola se encontravam ali , com as suas varinhas em a mão e com um ar entusiasmado . - Quem será que vai ensinar nos ? - perguntou Hermione , enquanto se misturavam em a multidão barulhenta . - Ouvi dizer que o Filitwick foi campeão de duelo em a juventude , talvez seja ele . - Desde_que não seja ... - começou Harry , mas terminou em um gemido : Gilderoy_Lockhart estava a subir a o estrado , resplandecente em as suas vestes cor de ameixa , acompanhado , nem mais nem menos , do_que de Snape que trajava , como sempre , de negro . Lockhart levantou um braço , pedindo silêncio , bradando : - Aproximem se , aproximem se , conseguem todos ver me e ouvir me ? Excelente ! - O professor Dumbledore deu me autorização para iniciar este pequeno curso de duelo para vos treinar a todos , caso algum dia precisem de se defender , como eu tenho feito em inúmeras ocasiões ; para mais detalhes , leiam os livros que tenho publicados . - Permitam que vos apresente o meu assistente , o professor Snape - disse Lockhart , abrindo um sorriso de orelha a orelha . - Ele diz me que sabe alguma coisa sobre duelos e aceitou desportivamente ajudar me em uma exibição de demonstração , antes de começarmos . Atenção , não quero que os mais novos fiquem preocupados , vão continuar a ter o vosso professor de poções depois de eu o vencer . Não tenham medo . - Não era óptimo se se liquidassem um_ao_outro ? - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . O lábio inferior de Snape estava curvo . Harry interrogou se sobre o motivo por_que Lockhart continuava a sorrir . Se o Snape olhasse de aquela maneira para ele , Harry estaria a correr a_toda_a velocidade para o mais longe possível . Lockhart e Snape voltaram se um para o outro e fizeram uma vénia , pelo_menos Lockhart fê la com muitas reviravoltas de mãos , enquanto Snape acenava , irritado , com a cabeça . Em seguida , ergueram as varinhas , como_se fossem espadas , em a frente . - Como podem ver , estamos a pegar em as varinhas em a posição de aceitação de combate - explicou Lockhart a a multidão silenciosa . - Quando contarmos até três , lançaremos os primeiros feitiços . Nenhum de nós tentará matar o outro , claro . - Eu não poria as mãos em o fogo - murmurou Harry , observando como Snape cerrava os dentes . -- Um , dois , três ... Os dois balançaram as varinhas acima de os ombros . Snape gritou : * _ Expelliarmus * ! Houve um clarão ofuscante de luz escarlate e Lockhart voou para trás , caindo de o estrado batendo contra a parede , escorregando e indo estatelar se em o chão . Malfoy e alguns de os outros Slytherin aplaudiram . Hermione estava em bicos de os pés . - Acham que ele está bem ? - gritou entredentes . - Quem se rala ? - disseram ao_mesmo_tempo o Ron e o Harry . Lockhart estava a pôr se , hesitante , de pé . O chapéu caíra lhe e o cabelo ondulado estava em um desalinho . - Bem , cá está ! - disse , cambaleando até a o estrado . - Este foi um encantamento para desarmar . Como podem ver , perdi a minha varinha . Ah , obrigado Miss_Brown . Sim , foi uma excelente ideia mostrar lhes isto , professor Snape , mas , se me permite que lhe diga , foi muito óbvio o que ia fazer . Se eu tivesse querido impedis o , teria o feito com a maior de as facilidades . Mas achei que seria educativo deixá os ver ... Snape tinha um ar assassino . Provavelmente Lockhart deu por isso , porque declarou : - Chega de demonstrações . Eu vou passar agora por o meio de vocês e criar duplas . Professor_Snape , se quiser ajudar me ... Entraram por o meio de a multidão , agrupando alunos . Lockhart pôs o Neville com Justin_Finch - _ Fletchley , mas Snape chegou primeiro junto de Harry e de Ron . - Tempo de separar a dupla ideal , parece me - rosnou . - Weasley , tu podes ficar com o Finnigan . Potter ... Harry voltou se automaticamente para Hermione . - Não me parece - disse Snape com o seu sorriso frio . - Mr._Malfoy , venha até aqui . Vamos ver o que faz com o famoso Potter . E a menina , Miss_Granger , pode emparceirar com Miss_Bulstrode . Malfoy aproximou se com o seu passo empertigado e o seu sorriso escarninho . Atrás de ele vinha uma rapariga de os Slytherin , que lembrou a Harry uma imagem que tinha visto em as * _ Férias com Bruxas_Velhas * . Era corpulenta e quadrada e os maxilares avançavam agressivamente . Hermione esboçou um meio sorriso , que ela não retribuiu . - Voltem se para os vossos parceiros - gritou Lockhart - e façam a vénia . Harry e Malfoy mal inclinaram as cabeças , não afastando os olhos um de o outro . - Varinhas preparadas ! - gritou Lockhart . - Quando eu disser três preparem os feitiços para desarmar o vosso opositor . Um ... dois ... três ... Harry levantou a varinha acima de o ombro , mas Malfoy começara logo em o « dois » : o seu feitiço apanhou Harry com tanta força que ele se sentiu como_se tivesse levado com uma frigideira em a cabeça . Tropeçou , mas ainda não estava fora de combate e , sem perder tempo , Harry apontou a varinha a Malfoy e gritou : - * _ Rictusempra ! * Um jacto de luz prateada atingiu Malfoy em o estômago , obrigando o a dobrar se , arfando . - Eu disse desarmar ! - gritava Lockhart sobre as cabeças de a multidão em lata , enquanto Malfoy caía de joelhos . Harry atingira o com o feitiço de as cócegas e ele mal conseguia mexer se para se rir . Harry hesitou com o vago sentimento de que seria pouco desportivo enfeitiçar Malfoy enquanto ele estava caído em o chão , mas ... foi um erro . Tentando respirar , Malfoy apontou a varinha a os joelhos de Harry , balbuciando : « * _ Tarantallegra ! * » e , um segundo depois , as pernas de o Harry tinham começado a mexer se , sem que ele pudesse controlá as , executando uma espécie de dança frenética . - Parem , parem - gritava Lockhart , quando Snape resolveu tomar controlo de a situação . - * _ Finite_Incantatem ! * - bradou . Os pés de o Harry pararam de dançar , Malfoy parou de rir e puderam olhar para_cima . Uma onda de fumo esverdeado pairava sobre todos eles . Neville e Justin estavam caídos em o chão , a arfar . Ron tentava fazer parar um Seamus com cara cor de cinza , pedindo lhe mil desculpas por o que a sua varinha partida eventualmente tivesse feito . Mas Hermione e Millicent_Bulstrode ainda não tinham acabado . Millicent tinha feito a Hermione uma prisão de cabeça e Hermione gritava de dor . As duas varinhas jaziam esquecidas em o chão . Harry deu um salto em frente e afastou Millicent . Não foi fácil , ela era bastante maior do_que ele . - Oh , gente ! - exclamou Lockhart , arrastando se por o meio de a multidão e olhando para os resultados de os duelos . - Vamos pôr de pé , Mcmillan ... cuidado , Miss_Fawcett ... belisque com força que pára logo de sangrar ... - Acho que o melhor é ensinar vos como bloquear feitiços pouco amigáveis - afirmou Lockhart que estava nervosíssimo em o meio de o salão . Olhou para Snape , cujos olhos pretos brilhavam e desviou rapidamente o olhar . - Vamos arranjar um par de voluntários . Longbottom e Finch - _ Fletchley , que tal serem vocês ? - Uma má ideia , professor Lockhart - disse Snape , deslizando como um morcego enorme e cruel . - Longbottom provoca devastação com o feitiço mais simples . Ainda temos de mandar o que restar de o Finch - _ Fletchley para a ala hospitalar dentro_de uma caixa de fósforos . - A cara redonda e rosada de Neville ficou ainda mais rosada . - Que tal o Malfoy e o Potter ? - sugeriu Snape com um sorriso retorcido . - Excelente ideia - disse Lockhart , fazendo sinal a os dois para que se aproximassem de o meio de o salão , enquanto a multidão recuava para lhes dar passagem . - Ouve bem , Harry - disse Lockhart . - Quando o Draco te apontar a varinha , tu fazes assim . Levantou a sua varinha , executando uma tentativa complicada de malabarismo e deixou a cair . Snape sorriu pretensiosamente , enquanto Lockhart a apanhava de o chão , dizendo : - Ups , a minha varinha está demasiado excitada . Snape aproximou se de Malfoy , inclinou se e disse lhe qualquer coisa a o ouvido . Malfoy sorriu também de forma afectada . Harry olhou , nervoso , para Lockhart e pediu : - Professor , podia mostrar me outra_vez aquela coisa para bloquear ? - Estás com medo ? - murmurou Malfoy baixinho , para que Lockhart não pudesse ouvir . - Querias ! - exclamou Harry por o canto de a boca . Lockhart deu um soco em o ombro de o Harry , em a brincadeira . - Basta que faças como eu fiz ! - O quê , deixar cair a varinha ? Mas Lockhart não estava a ouvir - Três , dois , um , zero ! - gritou . Malfoy levantou rapidamente a varinha a o ar e gritou : - * _ Serpensortia ! * A extremidade de a varinha explodiu . Harry viu , horrorizado , uma enorme serpente negra sair de ela , cair pesadamente em o chão a meio de os dois e erguer se disposta a atacar . Ouviram se gritos , enquanto a multidão se afastava , deixando o chão vazio . - Não te mexas , Potter - disse Snape vagarosamente , divertindo se claramente a ver Harry , parado , a olhar em os olhos a serpente . - Eu trato de ela ... - Permita me -- gritou Lockhart . Bramiu a varinha em direcção a a serpente e ouviu se um estoiro . A cobra , em_vez_de desaparecer , voou três metros acima de eles e voltou a cair em o chão com um estrondo enorme . Enraivecida , a sibilar de fúria , rastejou em direcção a Finch - _ Fletchley e pôs se de pé com os dentes a a mostra , pronta a atacar . Harry não soube ao_certo o que o levou a fazer aquilo . Não se lembrava sequer de ter tomado aquela decisão . Só soube que as pernas o fizeram avançar como_se tivesse rodas e que gritou a a serpente : - Larga o ! - E , milagrosa e inexplicavelmente , a serpente voltou a o chão , dócil como uma grande mangueira de jardim , preta e grossa , os olhos agora fixos em os olhos de Harry . Harry sentiu o medo a escoar se . Sabia que a cobra não atacaria mais ninguém , embora não pudesse explicar como sabia . Olhou para Justin a sorrir , esperando vê o aliviado , espantado , ou mesmo agradecido , mas nunca zangado ou assustado . - Que brincadeira é essa ? - gritou o outro e , antes que Harry tivesse tempo de dizer fosse o que fosse , voltou as costas e saiu de o salão . Snape deu um passo em frente , fez um gesto com a varinha e a serpente desapareceu em uma onda de fumo preto . Também ele , Snape , olhava para Harry de uma forma inesperada . Era um olhar arguto e calculista , de que Harry não gostou . Apercebeu se também vagamente de um murmúrio ameaçador que vinha de as paredes em volta . Depois , sentiu um puxão em a túnica . - Vamos - disse a voz de o Ron em o seu ouvido . - Mexe te , vá lá ... Ron arrastou o para fora de o salão . Hermione acompanhava os em a passada rápida . Quando cruzaram a porta , as pessoas que a rodeavam afastaram se , como_se tivessem medo de ser contagiadas . Harry não fazia a mais pequena ideia do_que estava a passar se e , nem Ron , nem Hermione lhe deram qualquer explicação , antes de o terem levado até a a sala comum de os Gryffindor , que se encontrava vazia . Aí , Ron empurrou Harry para uma cadeira de braços e disse : - Tu és um * serpentês * . Porque não nos disseste ? - Eu sou um quê ? - perguntou Harry . - Um * serpentês * ! - exclamou o Ron . - Falas com as cobras . - Eu sei - declarou Harry . - Quer_dizer , esta foi a segunda vez que o fiz . A outra foi há muito_tempo em o jardim zoológico , quando soltei uma Boa_Constrictor a o meu primo Dudley . É uma longa história , mas ela estava a dizer me que nunca tinha estado em o Brasil e eu acho que a libertei sem querer . Foi antes de saber que era feiticeiro . . . - Uma Boa_Constrictor disse te que nunca tinha estado em o Brasil ? - repetiu Ron , quase sem voz . - E então ? - disse o Harry . - Aposto que montes de pessoas aqui fazem o mesmo . - Não fazem , não - afirmou Ron . - Não é um dom muito frequente . Harry , isso é mau . - O que é_que é mau ? - perguntou Harry , que começava a ficar chateado . - O que é_que se passa com todos os outros ? Ouve bem , se eu não tivesse dito a aquela cobra para não atacar o Justin ... - Ah , foi isso que tu disseste ? - Que queres dizer ? Tu estavas lá , ouviste perfeitamente o que eu disse . - Eu ouvi te falar em serpentês - disse o Ron . - Língua de cobra . Podias estar a dizer lhe qualquer coisa . Não admira que o Justin tivesse entrado em pânico . Parecia que estavas a incitar a serpente . Foi assustador , sabes ? Harry olhou para ele espantado . - Eu falei uma língua diferente ? Mas não me apercebi , como posso falar uma língua , sem saber que a conheço ? Ron abanou a cabeça . Tanto ele como Hermione tinham um ar fúnebre . Harry não percebia o que havia em aquilo de tão trágico . - Será que me querem explicar o que há de mal em ter impedido que uma serpente enorme arrancasse a cabeça a o Justin ? - perguntou . - Porque é tão importante como o fiz , se evitei que o Justin fosse juntar se a grupo de os SEM_CABEÇA ? - Importa - disse por fim Hermione , em uma voz abafada . - Porque falar com serpentes era a arte por a qual Salazar_Slytherin ficou famoso . Por isso , o símbolo de os Slytherin é uma serpente . Harry ficou de boca aberta . - Exacto - disse o Ron . - E agora todos em a escola vão pensar que tu és descendente de ele . - Mas não sou - contrapôs Harry com um pânico que não conseguia explicar . - Não vai ser fácil prová o - disse Hermione . - Ele viveu há quase mil anos . Pelo que vimos , podias ser . Em essa noite , Harry ficou acordado durante horas . Por uma fresta de os cortinados de a cama de dossel , olhou para a neve que começava a cair de o lado de_fora de a janela de a torre e perguntou se se poderia ser descendente de Salazar_Slytherin . Afinal , não sabia nada de a família de o pai , os Dursley tinham sempre proibido qualquer pergunta sobre os seus familiares feiticeiros . Calmamente , tentou dizer qualquer coisa em * serpentês * , mas as palavras não saíam . Parecia que era necessário estar frente_a_frente com uma cobra para poder fazê o . Mas eu sou um Gryffindor , pensou Harry , o chapéu seleccionador não me poria aqui se eu tivesse sangue de Slytherin ... - Ah ! - disse uma vozinha dentro de o seu cérebro . - Mas o chapéu seleccionador queria pôr te em os Slytherin , não te lembras ? Harry deu voltas e voltas a a cabeça . Em o dia seguinte , quando visse Justin em a aula de herbologia explicaria lhe que estava a afastar a serpente , não a atiçá a o que , aliás , pensou zangado , dando vários socos em a almofada , qualquer idiota teria percebido . Contudo , em a manhã seguinte , a neve que começara a cair durante a noite , transformara se em uma tempestade tão espessa que a última aula de herbologia de o período foi cancelada : a professora Sprout queria tapar as mandrágoras com peúgas e cachecóis , uma operação arriscada que ela não confiava a ninguém agora_que era tão importante que as mandrágoras crescessem depressa e reabilitassem Mrs._Norris e Colin_Creevey . Junto de a lareira de a sala comum de os Gryffindor , Harry matutava sobre o que se passara enquanto Ron e Hermione aproveitavam o foro para jogar xadrez de feitiçaria . - Com os diabos , Harry - disse Hermione exasperada quando um bispo derrubou um de os cavaleiros de o cavalo , arrastando o para fora de o tabuleiro . - Vai falar com o Justin , se isso é assim tão importante para ti . Harry levantou se e saiu por o buraco de o retrato , perguntando a si próprio onde poderia estar o Justin . O castelo estava mais escuro do_que era habitual durante o dia por causa de a neve espessa e cinzenta que cobria as janelas . A tremer , Harry passou por as salas onde estava a haver aulas , captando lampejos do_que sucedia lá dentro . A professora Mc_Gonagall gritava com alguém que , segundo lhe parecia por o som , transformara o parceiro em um texugo . Resistindo a a tentação de dar uma espreitadela , Harry afastou se pensando que Justin poderia estar a utilizar o tempo de o furo para fazer algum trabalho e resolveu , por isso , ir até a a biblioteca . Um grupo de alunos de os Hufflepuff , que deveriam ter estado em Herbologia , encontrava se , de facto , sentado em as traseiras de a biblioteca , mas não parecia estar a trabalhar . Entre as fileiras de as estantes altas , Harry pôde ver as suas cabeças muito juntas em aquilo que deveria ser uma conversa absorvente . Não conseguia perceber se Justin estaria em o meio de eles . Ia para se aproximar quando apanhou em o ar uma frase e parou para ouvir melhor , escondido em a secção de a invisibilidade . - Portanto - dizia um rapaz corpulento - eu disse a o Justin para se esconder em o nosso dormitório . Isto_é , se o Potter o escolheu como próxima vítima é melhor que ele tenha um * low profile * durante algum tempo . É claro que o Justin já estava a a espera que alguma coisa de o género acontecesse desde_que lhe escapou em uma conversa com o Potter que era filho de Muggles . O Justin disse lhe , inclusivamente , que tinha estado inscrito em Eton . Não é o tipo de coisa que se ande a dizer com o herdeiro de Slytherin a a solta por aí . - Achas mesmo_que é o Potter , Ernie ? - perguntou uma rapariga de tranças loiras , ansiosamente . - Hannah - disse com solenidade o rapaz corpulento . - Ele é um serpentês . Todos sabem que essa é a marca de um feiticeiro negro . Alguma vez ouviste falar de um feiticeiro decente que falasse com as cobras ? O Slytherin era conhecido por « Língua de serpente . . Houve alguns murmúrios antes de Ernie prosseguir : - Lembram se do_que estava escrito em a parede ? * _ Inimigos de o herdeiro , cuidado ! * . O Potter teve que ir a o gabinete de o Filch . E o que é_que acontece a seguir ? A gata de o Filch é atacada . O aluno de o primeiro ano , Creevey , estava a aborrecê o em a partida de Quidditch , a tirar lhe fotografias quando ele estava caído em a lama . E o que é_que acontece a seguir ? Creevey é atacado . - Mas ele parece sempre ser tão simpático - disse Hannah , cheia de dúvidas . - E , bem , foi ele que fez com que o Quem nós sabemos desaparecesse . Não pode ser assim tão mau , pois não ? Ernie baixou misteriosamente a voz . Os Hufflepuff inclinaram se mais uns para os outros e Harry aproximou se para conseguir apanhar as palavras de o Ernie . - Ninguém sabe como ele sobreviveu a aquele ataque de o Quem nós sabemos e , afinal , ainda era um bebé quando aquilo aconteceu . Era para ter explodido feito em estilhaços . Só um feiticeiro negro verdadeiramente poderoso teria sobrevivido a uma maldição de aquelas . - Baixou ainda mais a voz até esta ficar reduzida a um leve murmúrio e disse : - Talvez fosse por isso que o Quem nós sabemos o queria matar , para não ter outro feiticeiro negro a competir com ele . Gostava de saber que outros poderes ocultos terá o Potter . Harry não aguentou mais . Pigarreou alto e saiu detrás de as estantes . Se não estivesse tão zangado teria conseguido ver o lado cómico de a situação : cada_um de os Hufflepuff olhava para ele como_se tivesse sido petrificado , e a cor desaparecera de a cara de o Ernie . - Olá - disse Harry . - Estou a a procura de o Justin_Finch - _ Fletchley . Os piores receios de os Hufflepuff tinham se concretizado . Olharam apavorados para o Ernie . - O que queres de ele ? - perguntou Ernie em uma voz sumida . - Explicar lhe o que aconteceu com aquela cobra em o clube de os duelos - disse Harry . Ernie mordeu os lábios brancos e , em seguida , respirando fundo , respondeu : - Estávamos lá todos . Vimos o que aconteceu . - Então viram que depois de eu falar a serpente recuou - disse Harry . - O que eu vi - insistiu teimosamente Ernie , apesar_de tremer a cada palavra que proferia - foi tu a falares serpentês e a atiçares a cobra conta o Justin . - Eu não a aticei - gritou Harry enraivecido . - Ela nem lhe tocou . - Falhou por_pouco - disse Ernie . - E , para o caso de estares com ideias - acrescentou com má cara - posso dizer te que a minha família provem de nove gerações de bruxas e feiticeiros e que o meu sangue é tão puro como o de qualquer feiticeiro , portanto ... - Quero lá saber qual é o teu sangue - disse Harry furioso . - Porque iria eu atacar os filhos de os Muggles ? - Ouvi dizer que detestas os Muggles com quem vives - disse Ernie rapidamente . - Não é possível viver com os Dursley sem os detestar - explicou Harry . - Gostava de te ver lá em casa . Girou sobre os calcanhares e saiu furioso de a biblioteca sob o olhar reprovador de Madam_Prince que limpava a capa dourada de um enorme livro de encantamentos . Harry avançou a as cegas por os corredores , quase sem ver por_onde ia de tão furioso que estava . O resultado foi chocar com algo enorme e sólido que o fez recuar e cair a o chão . - Ah ! Olá , Hagrid - disse , olhando para_cima . Hagrid tinha o rosto completamente tapado com um lenço coberto de neve , mas não podia ser mais ninguém , enchendo assim o corredor dentro de o seu sobretudo de pele de toupeira . De uma de as enormes mãos enluvadas , pendia um galo morto . - Tudo bem , Harry ? - perguntou , afastando o lenço para poder falar . - Porque não estás em a aula ? - Foi cancelada - disse Harry , pondo se de pé . - O que estás a fazer aqui ? Hagrid mostrou lhe o galo inerte . - É o segundo qu'aparece morto este período - explicou . - Ou são raposas ou um vampiro chato e eu preciso d'autorização de o director p'ra fazer um feitiço em volta de a capoeira . Aproximou se e olhou mais de perto para o Harry , por debaixo de as suas sobrancelhas espessas e cheias de neve . - Tens a certeza que estás bem ? Pareces exaltado e preocupado . Harry não foi capaz de repetir o que Ernie e os outros Hufflepuff lhe tinham dito . - Não é nada , tenho de ir , Hagrid . A próxima aula é Transfiguração e preciso de ir buscar os meus livros . Afastou se , a cabeça cheia com tudo_o_que Ernie dissera a seu respeito . « * _ O_Justin já estava d espera que uma coisa de o género acontecesse desde_que deixou escapar , falando com o Potter , que era filho de Muggles * ... » Harry subiu as escadas a correr e entrou por um corredor que estava particularmente escuro . As tochas tinham sido apagadas por uma ventania gelada que entrava por uma janela de fecho estragado . Estava a meio de o corredor quando tropeçou em uma coisa que se encontrava em o chão . Olhou para ver o que era e sentiu como_se o estômago se tivesse dissolvido . Justin_Finch - _ Fletchley estava em o chão , rígido e frio com uma expressão de horror em o rosto e os olhos abertos voltados para o tecto . E não era tudo . Junto de ele estava mais alguém , a visão mais estranha que Harry tivera em toda_a sua vida . Era_o_Nick quase sem cabeça que não estava cor de pérola nem transparente e sim escuro como fumo . Flutuava imóvel , em a horizontal , 12 centímetros acima de o chão , a cabeça meio tombada e em o rosto uma expressão de choque idêntica a a de o Justin . Harry pôs se de pé com a respiração acelerada e o coração a bater como um tambor contra as costelas . Olhou desvairado para ambos os lados de o corredor deserto e viu uma fila de aranhas que corriam a_toda_a velocidade em a direcção oposta a a de os corpos . Os únicos sons eram as vozes abafadas de os professores em as aulas que decorriam de ambos os lados . Podia fugir e ninguém saberia que ali tinha estado , mas não era capaz de os abandonar assim . Tinha de ir procurar ajuda . Será que alguém acreditaria que ele não tivera nada que ver com aquilo ? Enquanto ali estava , em pânico , uma porta a o seu lado abriu se com grande estrondo . Peeves , o * poltergeist * , saiu a os gritos . - Oh ! É o Potter , olá , Potter - alardeou Peeves , lançando por o ar os óculos de o Harry quando passou por ele . - O que está o Potter a fazer ? Porque está o Potter escondido ? Peeves passou de cabeça para baixo , a meio de uma cambalhota em o ar , quando viu Justin e Nick quase sem cabeça . Com um movimento súbito endireitou se , encheu os pulmões de ar e , antes que Harry pudesse impedi o , gritou : __ ataque ! ataque ! outro ataque ! nenhum mortal ou fantasma está em segurança . corram , fujam , __ ataaaque ! Crac , Crac , Crac . Uma atrás de a outra , foram se abrindo todas_as portas a o longo de o corredor e as pessoas saíram para fora de as salas de aula . Durante alguns longos minutos houve uma tal confusão que Justin esteve em perigo de ser esmagado e as pessoas não paravam de chocar com o Nick quase sem cabeça . Harry deu por si colado a a parede enquanto os professores exigiam a os gritos que se fizesse silêncio . A professora Mc_Gonagall veio a correr , seguida por todos os alunos , um de os quais ainda trazia o cabelo a as riscas pretas e brancas . Usou a varinha para produzir um ruído que repôs o silêncio e mandou os alunos todos para dentro de as salas de aula . Mal lugar ficou desimpedido surgiu Ernie , o jovem Hufflepuff . - * _ Apanhado em flagrante ! * - gritou , com o rosto totalmente branco , apontando dramaticamente o dedo par Harry . - Basta_Mcmillan - disse , de forma cortante , a professora Mc_Gonagall . Peeves andava para_cima e para baixo , observando a cena com um sorriso maldoso . Sempre adorara o caos . Quando os professores se inclinaram sobre Justin e sobre o Nick quase sem cabeça para os examinar , iniciou uma cantilena : * _ Oh ! Potter , que fizeste , seu grande bandido * _ Tu matas os estudantes porque achas divertido . * - Basta , Peeves - rosnou a professora Mc_Gonagall e Peeves afastou se , deitando a língua de_fora a o Harry . Justin foi levado para a ala hospitalar por o professor Flitwick e por o professor Sinistra_do_Departamento_de_Astronomia , mas ninguém parecia saber o que fazer em relação a o Nick quase sem cabeça . Por fim , a professora Mc_Gonagall fez aparecer em o ar um enorme leque que entregou a Ernie com o encargo de conduzir , escadas acima , por os ares o Nick quase sem cabeça . Ernie assim fez , soprando Nick como_se fosse um aerodeslizador e deixando , de este modo , o Harry e a professora Mc_Gonagall a sós . - Por aqui , Potter - disse ela . - Professora , eu juro que não ... - Isso não é comigo , Potter - afirmou a professora Mc_Gonagall sinteticamente . Caminharam em silêncio até uma esquina e ela parou perante uma gárgula de pedra extremamente feia . - Refresco de limão - disse . Era obviamente uma senha porque a gárgula animou se subitamente e saltou para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes . Apesar_de estar apavorado com o que ia acontecer a seguir , Harry não conseguiu evitar um sentimento de fascínio . Por detrás de a parede estava uma escada em espiral que se movia lentamente para_cima como um elevador . E quando ele e a professora Mc_Gonagall puseram os pés em o primeiro degrau , Harry ouviu a parede fechar se atrás de eles . Subiram em círculos , cada_vez_mais alto até que , por fim , um_pouco tonto , Harry pôde ver uma porta de carvalho reluzente com um puxador de bronze em forma de abutre . Harry calculava onde estava a ser levado . Devia ser ali que morava Dumbledore . XII_A poção * polisuco * Saltaram de a escada de pedra lá mesmo em cima e a professora Mc_Gonagall bateu a a porta . Ela abriu se silenciosamente dando lhes entrada . A professora Mc_Gonagall disse lhe que esperasse e deixou o sozinho . Harry olhou em volta . Uma coisa era certa : de todos o escritórios de professores que conhecia , o de Dumbledor era , de longe , o mais interessante . Se não estivesse com um medo de morte de ser expulso teria adorado explorá o . Era uma sala grande e bonita em forma de círculo que estava cheia de barulhinhos estranhos . Havia um grande número de instrumentos prateados sobre várias mesas de pernas finas que zumbiam emitindo pequenas baforadas de fumo . As paredes estavam cobertas de fotografias de antigos directores e directoras , todos eles a dormir tranquilamente em as suas molduras . Havia ainda uma enorme secretária pés de garra . E , sobre uma prateleira atrás de ela , um chapéu de feiticeiro andrajoso e puído : * o chapéu seleccionador * . Harry hesitou . Lançou um olhar cauteloso a as bruxas e feiticeiros adormecidos a o longo de as paredes . Com certeza não fazia mal se lhe pegasse e o experimentasse só para ver ... só para ter a certeza de que ele o pusera em a equipa certa . Deu a volta a a secretária , retirou o chapéu de a prateleira e baixou o lentamente sobre a cabeça . Era demasiado grande e escorregou lhe para os olhos como de a outra_vez que o tinha posto . Harry olhou para o forro preto , enquanto esperava . Por fim , uma vozinha disse lhe a o ouvido : - Estás com macaquinhos em o sótão , Harry_Potter ? - Er ... sim - balbuciou Harry . - Er ... desculpa incomodar te , queria saber ... - Querias saber se te pus em a equipa certa - disse prontamente o chapéu . - Sim ... tu és particularmente difícil de seleccionar , mas eu mantenho o que disse antes . - O coração de Harry deu um salto . - Terias ficado bem em os Slytherin . Harry sentiu o estômago contorcer se . Agarrou o chapéu por a aba e tirou o de a cabeça . O chapéu seleccionador ficou pendurado em a mão de ele , inerte , desbotado e sujo . Harry voltou a pô o em a prateleira , sentindo se enjoado . - Estás enganado ! - disse em voz alta a o chapéu parado e silencioso , mas ele não se mexeu . Harry recuou para o observar melhor e foi então que ouviu um ruído estranho e grasnado atrás_de si que o fez dar uma volta . Não estava só , afinal_de_contas . Em um poleiro dourado atrás de a porta estava um pássaro de aspecto decrépito que parecia um peru meio depenado . Harry olhou para ele espantado e o pássaro olhou o também , grasnando de_novo . Harry achou que ele devia estar muito doente porque tinha os olhos parados e , enquanto olhava para ele , caíram lhe mais algumas penas de a cauda . Estava justamente a pensar que a única coisa que lhe faltava era que o pássaro de estimação de Dumbledore morresse quando ele estava ali sozinho com ele , em o escritório , quando a ave se incendiou . Harry gritou , em estado de choque , e recuou até a a secretária . Olhava nervosamente em volta , em busca de um jarro de água , mas não viu nenhum . O pássaro , entretanto , transformara se em uma bola de fogo , dera um guincho e , em seguida , desaparecera , deixando apenas um monte de cinzas em o chão . A porta de o escritório abriu se . Dumbledore entrou com ar taciturno . - Professor - gaguejou Harry . - O seu pássaro ... eu não pode fazer nada ... ele incendiou se . Para seu grande espanto , Dumbledore sorriu . - Já não era sem tempo . Estava com um aspecto horrível em os últimos dias . Fartei me de lhe dizer que fizesse qualquer coisa . Riu se entre dentes com a expressão em o rosto de Harry . - A Fawkes é uma fénix , Harry . As fénix ardem quando é altura de morrer e renascem de as cinzas , repara ... Harry olhou mesmo a_tempo_de ver um passarinho recém-nascido , todo enrugado , espetar a cabeça fora de as cinzas . Era quase tão feio como o antigo . - É uma pena que a tenhas conhecido em dia de arder - disse Dumbledore , passando para trás de a secretária . - É muito bonita a maior parte de o tempo , com uma plumagem vermelha e dourada . São criaturas fascinantes , as fénix . Podem transportar cargas pesadíssimas , as suas lágrimas têm propriedades curativas e são animais de estimação extremamente fiéis . Com o choque de a fénix a pegar fogo , Harry esquecera se de o motivo porque ali estava , mas tudo voltou rapidamente quando Dumbledore se instalou em a cadeira de espaldar alto e o fixou com os seus olhos azuis e penetrantes . Contudo , antes que ele tivesse tido tempo de falar , a porta de o escritório abriu se de par em par com um enorme estrondo e Hagrid entrou com um olhar tresloucado , o lenço todo torcido em volta de a cabeça hirsuta e o galo morto ainda pendurado em a mão . - Não foi Harry , professor Dumbledore - disse , aflito . - Eu tinha estado a falar com ele poucos segundos antes de o rapazinho ser encontrado , ele não teve tempo professor ... Dumbledore tentou dizer qualquer coisa , mas Hagrid continuou , abanando o galo em o meio de a sua agitação e espalhando penas por todo o lado . - Não pode ter sido ele . Eu juro em a frente de o ministro de a magia , se for preciso ... - Hagrid , eu ... -- Tem o rapaz errado , professor . Eu sei qu'o Harry nunca ... - Hagrid - disse Dumbledore , elevando a voz . - Eu não penso que o Harry tenha atacado aquelas pessoas . - Oh ! - disse Hagrid , com o galo pendendo inerte a o seu lado . - Certo , ' tão eu espero lá fora , director . E saiu com ar envergonhado . - O senhor não acha que tenha sido eu ? - repetiu Harry cheio de esperança , enquanto Dumbledore sacudia penas de galo de cima de a secretária . - Não , Harry , não acho - afirmou Dumbledore , apesar de a sua expressão ser de_novo sombria . - Mas mesmo_assim quero falar contigo . Harry esperou ansiosamente enquanto o director o observava com as pontas de os dedos longos unidas . - Tenho de saber uma coisa . Harry , há alguma pergunta que queiras fazer me , qualquer que ela seja ? Harry não soube o que dizer . Lembrou se de Malfoy a gritar * _ Vocês serão os próximos , sangues de lama * e de a poção * _ Polisuco * em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Depois pensou em a voz sem corpo que ouvira duas vezes e em o que o Ron dissera * _ Ouvir vozes que ninguém mais ouve não é bom sinal , nem mesmo em o mundo de a feitiçaria * . Pensou também em o que toda_a_gente dizia de ele e em o receio cada_vez maior de ter uma relação qualquer com Salazar_Slytherin ... - Não - disse por fim . - Não há nada , professor . O ataque duplo a Justin e a o Nick quase sem cabeça transformou o que até_então era nervosismo em verdadeiro pânico . Curiosamente fora o destino de o Nick quase sem cabeça o que mais preocupara as pessoas . Quem poderia ter feito aquilo a um fantasma ? - perguntavam uns a os outros . - Que poder terrível era aquele , capaz de afectar alguém que já tinha morrido ? Houve uma precipitação enorme em a marcação de os bilhetes em o Expresso_de_Hogwarts , pois todos os alunos quiseram ir passar o Natal a casa . - Por este caminho , vamos ser os únicos a ficar - disse o Ron a o Harry e a a Hermione . - Nós , o Malfoy , o Goyle e o Crabbe , que férias lindas que vão ser ! Crabbe e Goyle que faziam sempre o que Malfoy fazia , tinham se inscrito para ficar também durante as férias . Mas Harry estava contente por a maior parte se ir embora . Estava farto de ver gente a afastar se em os corredores como_se ele fosse mostrar os dentes ou cuspir veneno . Estava cansado de tantos segredinhos , de os ver apontar e segredar quando passava . O Fred e o George , esses achavam muito divertido . Vinham , de propósito , pôr se a a frente de ele e atravessavam os corredores a gritar : - Abram alas para o herdeiro de Slytherin , vai passar um feiticeiro verdadeiramente cruel . Percy discordava totalmente de este comportamento . - Não é um assunto para se brincar - dizia com frieza . - Sai mas é de o caminho , Percy - dizia o Fred . - O Harry está com pressa . - Sim , ele vai a a Câmara_dos_Segredos tomar uma chávena de chá com o seu servidor dentes de serpente - completava Fred com uma gargalhada . Ginny também não lhes achava graça . - Cala te - gritava ela sempre_que o Fred perguntava em voz alta a o Harry quem estava a pensar atacar a seguir , ou quando George fingia afastá o com um enorme dente de alho . Harry não se importava . Fazia o sentir se melhor o facto de constatar que , pelo_menos para o Fred e para o George , a ideia de ele ser o herdeiro de Slytherin era absolutamente ridícula . Mas as palhaçadas de eles pareciam ofender Draco_Malfoy que , de cada_vez que os via , ficava mais irritado . - É porque está ansioso por dizer que é mesmo ele - disse o Ron com ar conhecedor . - Sabes como ele detesta que alguém o ultrapasse e tu estás a receber todo o crédito por o seu trabalho sujo . - Não vai ser por muito_tempo - disse Hermione com uma voz satisfeita . - A poção * polisuco * está quase pronta . Um de estes dias arrancamos lhe a verdade . Finalmente , o período chegou a o seu termo e um silêncio profundo como a neve em os campos desceu sobre o castelo . Harry adorou a tranquilidade e apreciou o facto de ele , Hermione e os Weasley terem a torre de os Gryffindor por sua conta , poderem jogar a as explosões bem alto , sem incomodar ninguém e praticar duelos entre si . O Fred , o George e a Ginny tinham preferido ficar em a escola a ir com Mr. e Mrs._Weasley a o Egipto visitar o Bill . Percy que reprovava e considerava infantil a conduta de eles , não passava muito_tempo em a sala comum de os Gryffindor . Já lhes dissera pomposamente que só ficara ali em o Natal , por ser sua obrigação como prefeito apoiar os professores em aquela época agitada . A manhã de o dia de Natal clareou branca e fria . Harry e Ron , os únicos que estavam em o dormitório , foram acordados muito cedo por Hermione que entrou , toda vestida , transportando presentes para ambos . - Acordem - disse em voz alta , abrindo os cortinados . - Hermione , tu não devias estar aqui - exclamou o Ron , protegendo os olhos de a luz . - Feliz_Natal para ti também - disse Hermione , atirando lhe o presente que tinha para ele . - Estou acordada há quase uma hora , acrescentando mais asas de renda a a poção . Está pronta . Harry sentou se , subitamente acordado . - Tens a certeza ? - Absoluta - disse ela , afastando o rato Scrabbers para se sentar a os pés de a cama de dossel . - Se vamos mesmo tomá a , acho que devia ser logo a a noite . Em esse momentzo , a Hedwig entrou em o quarto , transportando em o bico um embrulho pequenino . - Olá - disse Harry , feliz a o vê a aterrar em a sua cama . - Já me falas outra_vez ? Ela mordiscou lhe a orelha de uma forma afectuosa que foi , de longe , um presente melhor do_que aquele que transportava e que era afinal de os Dursley . Tinham mandado a Harry um palito para os dentes com um cartão pedindo lhe que se informasse se não poderia ficar , também em o Verão , em Hogwarts . Os outros presentes que Harry recebeu foram bastante melhores . Hagrid mandara lhe uma lata grande de bombons de melaço que ele decidiu amolecer a o lume antes de comer , o Ron deu lhe um livro chamado * _ Voando com Canhões * , que narrava factos interessantes sobre a sua equipa favorita de Quidditch e Hermione trouxera lhe uma luxuosa pena de águia . Harry abriu o último presente onde vinha uma camisola novinha , feita a a mão por Mrs._Weasley e um grande bolo de passas . Pegou em o cartão com uma nova sensação de culpa , pensando em o carro de Mr._Weasley que não voltara a ser visto desde_que chocara contra o salgueiro zurzidor e em a quantidade de infracções que ele e o Ron tinham em mente . Ninguém , nem mesmo os que estavam cheios de medo por terem de tomar a poção * polisuco * a seguir , deixou de adorar o jantar de Natal em Hogwarts . O salão nobre estava magnífico . Não_só havia uma_dúzia de árvores de Natal , cobertas de geada e espessas serpentinas de azevinho e visco bravo cruzando se junto de o tecto como caia uma neve encantada quente e seca . Dumbledore conduziu os em uma de as suas canções de Natal preferidas enquanto Hagrid se agitava , falando cada_vez_mais alto , a cada gole de gemada que tomava . O Percy que não dera por_que Fred enfeitiçara o seu distintivo de prefeito , onde agora podia ler se « cabeça de alfinetes « , continuava a perguntar a todos para_onde estavam a olhar . Harry nem_sequer se importou com os comentários que Draco_Malfoy fazia bem alto , de a mesa de os Slytherin acerca de a sua camisola nova . Com alguma sorte , Malfoy iria ser desmascarado dentro_de algumas horas . Harry e Ron mal tinham acabado a terceira dose de pudim de Natal quando Hermione os fez sair de o salão a a pressa para acabarem de tratar de os planos para essa noite . - Ainda precisamos de um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos - disse com o ar mais natural de este mundo como_se estivesse a mandá os a o supermercado comprar detergente . - E , é claro que o ideal será conseguirmos alguma coisa de o Crabbe e de o Goyle , são os melhores amigos de o Malfoy , ele conta lhes tudo . E precisamos também de ter a certeza de que eles não vão entrar em a sala quando vocês estiverem a interrogar o Malfoy . - Eu tenho tudo pensado - prosseguiu ela , ignorando a expressão estupefacta de Harry e Ron . Pegou em dois apetitosos bolos de chocolate . - Pus lhes um encantamento de sono . Vocês só têm de fazer com que o Crabbe e o Goyle os encontrem . Sabem como eles são gulosos , vão logo comê os . Quando estiverem a dormir , tirem lhes alguns cabelos e escondam nos em uma despensa de vassouras . Harry e Ron olharam , incrédulos , um para o outro . -- Hermione , eu não creio que ... -- Isto pode correr muito mal ... Mas Hermione tinha um brilho inflexível em os olhos que não era muito diferente do_que costumavam ver em o olhar de a professora Mc_Gonagall . - A poção não nos serve de nada sem os cabelos de o Crabbe e de o Goyle - disse com firmeza . - Vocês querem mesmo descobrir coisas sobre o Malfoy , não querem ? - Pronto , está bem - disse Harry . - Mas , e tu , vais arranjar cabelos de quem ? - Eu já tenho esse assunto resolvido - disse Hermione sorridente , tirando um frasquinho de o bolso e mostrando lhes um cabelo que lá estava dentro . - Lembram se de a Millicent_Bulstrode que lutou comigo em o clube de os duelos ? Ela deixou isto em o meu manto quando tentava estrangular me . E foi passar o Natal a casa , portanto , basta me dizer a os Slytherins que decidi voltar . Quando Hermione saiu para verificar de_novo a poção polisuco , Ron voltou se para Harry com uma expressão lúgubre . - Alguma vez viste um plano onde tantas coisas pudessem correr mal ? Mas para grande espanto de ambos , a primeira fase de a operação decorreu tão naturalmente como Hermione previra . Eles esconderam se em o * hall * de entrada , depois de o lanche de Natal , a a espera de o Crabbe e de o Goyle que tinham ficado sozinhos a a mesa de os Slytherin , deitando abaixo a quarta dose de bolo inglês . Harry colocou os bolos de chocolate em o fim de o corrimão . Quando avistaram Crabbe e Goyle a sair de o salão , Harry e Ron esconderam se rapidamente atrás_de uma armadura que estava junto de a porta de entrada . - Como_se pode ser tão estúpido ? - murmurou Ron sem se mexer enquanto Crabbe apontava satisfeitíssimo , mostrando a Goyle os bolos e agarrando os . Com um riso estúpido , enfiaram nos inteiros em as bocas enormes . Durante um momento , ambos mastigaram avidamente com olhares vitoriosos em o rosto . Depois , sem que a expressão se alterasse , caíram para trás e estatelaram se em o chão . Mais difícil foi transportá os para a despensa de o outro lado de o * hall * . Uma_vez armazenados em o meio de os baldes e esfregões , Harry arrancou alguns de os pêlos que cobriam a cabeça de o Goyle e Ron tirou alguns cabelos a o Crabbe . Roubaram lhes também os sapatos porque os de eles eram demasiado pequenos para os enormes pés de o Crabbe e de o Goyle . Em seguida , ainda atordoados com o que tinham acabado de fazer , correram até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mal conseguiam ver com o fumo preto e espesso que saía de o cubículo onde Hermione mexia o caldeirão . Tapando o rosto com os mantos , Harry e Ron bateram a o de leve em a porta . - Hermione ? Ouviram o ruído de o trinco e Hermione apareceu com a cara lustrosa e um ar ansioso . Por trás de ela ouviam o gloop gloop de a poção espessa e gorgolejante . Em o banco de a casa_de_banho estavam três copos de vidro . - Conseguiram ? - perguntou Hermione quase sem fôlego . Harry mostrou lhe o cabelo de o Goyle . - _ óptimo . Eu tirei estes mantos suplementares de a lavandaria - disse ela , pegando em uma pequena saca . - Vocês vão precisar de tamanhos maiores se vão ser o Crabbe e o Goyle . Olharam os três para o caldeirão . Vista de perto , a poção parecia uma lama espessa e escura a borbulhar indolentemente . - Tenho a certeza que fiz tudo certo - disse Hermione nervosa , relendo a página manchada de * _ Moste_Potente_Potions * . - Tem o aspecto que o livro diz que deveria ter ... depois de a tomar temos precisamente uma hora antes de nos transformarmos de_novo em as pessoas que somos . - E agora ? - murmurou o Ron . - Separamos a em três copos e adicionamos os cabelos . Hermione encheu cada_um de os copos com uma concha de sopa . Em seguida , retirou com a mão a tremer o cabelo de Millicent_Bulstrode de dentro de o frasquinho e pô o em o primeiro copo . A poção chiou fortemente como uma chaleira a ferver e espumou como louca . Um segundo depois ganhara um tom de amarelo doentio . - Urgh ! Essência_de_Millicent_Bulstrode - disse Ron , olhando com repugnância . - Aposto que o sabor é nojento . - Deitem os vossos - disse Hermione . Harry deixou cair o cabelo de o Goyle em o copo de o meio e Ron lançou o de o Crabbe em o último . Ambos chiaram e espumaram : o de o Goyle ficou de um tom caqui , o de o Crabbe de um castanho-escuro algo tenebroso . - Esperem - pediu Harry quando Ron e Hermione pegaram em os copos . - Será melhor não os tomarmos aqui todos juntos em um cubículo ; quando em os transformarmos não vamos cá caber e Millicent_Bulstrode não é nenhum duende . - Bem pensado - admitiu o Ron , abrindo a porta . - Cada_um em seu cubículo . Com todo o cuidado , para não entornar nem uma gota de a poção polisuco , Harry esgueirou se para o cubículo de o meio . - Prontos ? - perguntou . - Prontos - responderam as vozes de o Ron e de a Hermione . - Um , dois , três . Tapando o nariz , Harry bebeu a poção em dois grandes tragos . Tinha o sabor de a couve demasiado cozida . Os seus interiores começaram imediatamente a contorcer se como_se tivesse engolido serpentes vivas . Dobrado , Harry perguntava a si próprio se iria vomitar . Depois , uma sensação de ardor espalhou se rapidamente de o estômago até a as pontas de os dedos de as mãos e de os pés . Em seguida , fazendo o sobressaltar se , sobreveio o sentimento horrível de estar a derreter enquanto a pele de todo o seu corpo borbulhava como cera quente e , perante os seus olhos , as mãos começaram a crescer , os dedos a engrossar , as unhas a alargar e as articulações a tornarem se protuberantes como ferrolhos . Os ombros retesaram se dolorosamente e uma comichão em a testa preveniu o de que o cabelo estava a rastejar em direcção a as sobrancelhas . As túnicas rasgaram se enquanto o tórax se expandia como um barril , rebentando com os seus anéis . Os pés estavam em grande sofrimento dentro_de sapatos quatro números abaixo . Tão depressa como começara , tudo parou . Harry estava caído em o chão de pedra fria , ouvindo a Murta_Queixosa gorgolejando taciturna em o cubículo de o fundo . Com alguma dificuldade tirou os sapatos e levantou se . Era então assim que o Goyle se sentia ! Com a mão enorme a tremer , despiu a sua túnica que lhe ficava 30 centímetros acima de os tornozelos , pegou em as túnicas suplementares e amarrou os atacadores de os sapatos abotinados de o Goyle . Quis escovar o cabelo para o afastar um_pouco de os olhos e deu apenas com os pêlos hirsutos que lhe cresciam em a testa . Apercebeu se então de que os óculos lhe toldavam a visão porque o Goyle , obviamente , não precisava de eles . Tirou os e gritou . - Vocês estão bem ? - De a sua boca saiu a voz baixa e grossa de o Goyle . - Sim - respondeu lhe o grunhido de o Crabbe , a a sua direita . Harry abriu a porta de o cubículo e dirigiu se a o espelho partido . O Goyle olhava o de o outro lado com os seus olhos parados . Harry coçou a orelha e Goyle fez o mesmo . A porta de o Ron abriu se . Olharam um para o outro . Harry estava pálido e chocado . O amigo não se distinguia de o Crabbe , desde o corte de cabelo em forma de tigela até a os longos braços de gorila . - É inacreditável - disse o Ron , aproximando se de o espelho e beliscando o nariz achatado de o Crabbe . - Inacreditável ! - É melhor irmos indo - disse Harry , alargando a pulseira de o relógio que lhe cortava o pulso . - Ainda temos de descobrir onde fica a sala comum de Slytherin . Só espero que encontremos alguém que vá para lá e que nós possamos seguir . Ron que tinha estado a olhar espantado para ele , comentou : - Não imaginas como é bizarro ver o Goyle a pensar - bateu em a porta de Hermione . - Vamos , temos que ir ... Respondeu lhe uma voz aguda : - Eu ... eu acho que afinal não vou . Vão vocês sem mim . - Hermione , nós sabemos que a Millicent_Bulstrode é feia , ninguém vai pensar que és tu . - Não , a sério , acho que não vou . Despachem se vocês os dois , estão a perder tempo . Harry olhou para Ron , baralhado . - Aquilo parece mais de o Goyle , é como ele fica sempre_que algum professor lhe faz uma pergunta . - Estás bem , Hermione ? - perguntou Harry , através de a porta . - _ óptima , estou óptima , vão se embora . Harry olhou para o relógio . Cinco preciosos minutos tinham já passado . - Encontramo nos aqui , está bem ? - disse . Os dois abriram a porta de a casa_de_banho com todo o cuidado , viram se o caminho estava livre e saíram . - Não balances assim os braços - disse o Harry a o Ron . - Hein ? - O Crabbe anda sempre com eles esticados . - Assim ? - Isso , assim está melhor . Desceram a escadaria de mármore . Só precisavam agora de um Slytherin que pudessem seguir até a a sala comum , mas não havia ninguém por perto . - Tens alguma ideia ? - perguntou Harry em um murmúrio . - Os Slytherin vêm sempre de ali para o pequeno-almoço - disse o Ron , apontando para a entrada de os calabouços . Mal tinha pronunciado estas palavras quando uma rapariga de cabelo comprido a os caracóis , apareceu . - Desculpa - disse o Ron , sem perder tempo . - Esquecemo nos de o caminho para a nossa sala comum . - Como ? - disse a rapariga com a maior frieza . - A * nossa * sala comum ? Eu sou uma Ravenclaw . Afastou se , olhando para eles , desconfiada . Harry e Ron desceram apressadamente os degraus de pedra até a a escuridão . Os passos ecoavam em o silêncio , à_medida_que os pés enormes de Crabbe e Goyle tocavam em o chão , fazendo os sentir que as coisas não iam ser tão fáceis como eles desejavam . Os corredores labirínticos estavam desertos . Andaram e tornaram a andar por os subterrâneos , olhando constantemente para os relógios para ver quanto tempo ainda lhes restava . Depois de um quarto de hora , quando começavam a ficar desesperados , ouviram um movimento súbito . - Olha - disse o Ron , agitadamente . - Agora é um de eles . A silhueta saía de uma sala , mas quando se aproximaram o coração de ambos esmoreceu . Não era um Slytherin , era Percy . - O que estás a fazer aqui em baixo ? - perguntou o Ron surpreendido . - Isso - disse ele friamente - não é de a tua conta . És o Crabbe , não és ? - Er ... sim , sim - respondeu o Ron . - Então vão para o vosso dormitório - ordenou Percy com firmeza . - Não é seguro andar a passear por os corredores escuros em os dias que correm . - Tu andas -- fez notar o Ron . - Eu - disse o Percy endireitando se - sou um prefeito . Nada vai atacar me . Ouviu se , de repente , uma voz por_detrás_de Harry e Ron . Era_Draco_Malfoy e , pela_primeira_vez em a vida , Harry ficou satisfeito a o vê o . - Aí estão vocês - disse de modo arrastado , olhando para eles . - Têm estado a chafurdar em o salão este tempo todo ? Tenho andado a a vossa procura , quero mostrar vos uma coisa muito divertida . Malfoy olhou misteriosamente para Percy . - E o que fazes tu aqui , Weasley ? - perguntou com ar de desprezo . Percy olhou , sentindo se ultrajado . - Fazes favor de mostrar um_pouco mais de respeito por um prefeito de a escola - disse . - Não gosto de o teu ar . Malfoy riu se e fez sinal a o Harry e a o Ron para que o seguissem . Harry quase ia pedindo desculpa a o Percy , mas deu se conta a tempo . Apressaram se a seguir o Malfoy que disse , mal viraram em o corredor seguinte : - Aquele Peter_Weasley ... - O Percy - corrigiu Ron automaticamente . - Ou isso - continuou Malfoy . - Ultimamente tenho o visto muitas_vezes a andar por aí sorrateiramente e aposto que sei o que ele quer . Pensa que vai apanhar o herdeiro de Slytherin sozinho . Deu uma pequena gargalhada ridícula . Harry e Ron trocaram olhares nervosos . Malfoy parou junto de uma parede de pedra húmida . - Qual é a senha ? - perguntou a o Harry . - Er ... - Ah ! sim , sangue puro - disse Malfoy sem ouvir e uma porta de pedra , oculta em a parede , abriu se . Malfoy entrou e Harry e Ron seguiram o . A sala comum de os Slytherin era uma ampla divisão subterrânea com espessas paredes de pedra e um tecto de o qual estavam pendurados por correntes vários candeeiros redondos que davam uma luz esverdeada . O fogo crepitava em uma lareira elaboradamente esculpida em frente de a qual se viam as silhuetas de vários Slytherins sentados em cadeiras igualmente esculpidas . - Esperem aí - disse Malfoy a o Harry e a o Ron , encaminhando os para um par de cadeiras vazias , longe de o lume . - Eu vou buscar o que o meu pai acaba de me mandar . Sem saber o que Malfoy iria mostrar lhes , Harry e Ron sentaram se , fazendo todos os possíveis por parecer a a vontade . Malfoy voltou um minuto depois , trazendo em a mão o que parecia ser um recorte de jornal . Pô o debaixo de o nariz de o Ron . - Vais te rir - disse . Harry viu os olhos de o Ron abrirem se como_se estivesse em estado de choque . Viu o ler o recorte rapidamente , dar uma gargalhada forçada e estender lhe o em seguida . Tinha sido retirado de o * _ Profeta_Diário * e dizia : inquérito em o ministério de a magia * _ Arthur_Weasley , chefe de o Gabinete_de_Mau_Uso_dos_Utensílios_dos_Muggles foi hoje multado em cinquenta galeões por ter enfeitiçado um carro de os Muggles . * _ O senhor Lucius_Malfoy , Membro_do_Conselho_Directivo_da_Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts , onde o carro enfeitiçado foi chocar em o princípio de este ano , exigiu hoje a demissão de Mr._Weasley . « * _ O_Weasley trouxe o descrédito a o Ministério « - declarou Mr._Malfoy a o nosso repórter . - « É claramente incompetente para fazer cumprir as leis e a sua protecção ridícula de os Muggles deveria ir imediatamente para a sucata . » * _ Mr._Weasley recusou se a fazer comentários , mas a sua mulher disse a os repórteres que desaparecessem de ali ou lançaria contra eles o vampiro de a família * . - Então - disse Malfoy impaciente quando Harry voltou a entregar lhe o recorte . - Não achas o_máximo ? - Ha , ha - fez Harry tristemente . - O Arthur_Weasley gosta tanto de os Muggles que era capaz de partir a sua varinha a o meio para se juntar a eles - disse Malfoy com desprezo . - Ninguém diria que os Weasley eram sangue puro a avaliar por o modo como_se comportam . A cara de o Ron , ou melhor , de o Crabbe , contorceu se de raiva . - O que é_que se passa ? - perguntou Malfoy . - Dores de estômago - gemeu o Ron . - Então vai a a ala hospitalar e dá a todos aqueles sangues de lama um pontapé de a minha parte - disse Malfoy com o seu riso escarninho . - Sabes que estou espantado por o * _ Profeta_Diário * ainda não se ter referido a todos estes ataques - continuou pensativamente . - Calculo que o Dumbledore deve estar a tentar abafar as coisas . Ele ainda é posto em a rua se isto não acaba depressa . O pai sempre disse que Dumbledore foi a pior coisa que aqui veio parar . Ele adora os filhos de os Muggles , um director decente nunca deixaria um lodo como o Creevey entrar em esta escola . Malfoy começou a fingir que tirava fotografias com uma máquina imaginária e fez uma imitação maldosa , mas bastante fiel de o Colin : - Potter , posso tirar te a fotografia ? Dás me um autógrafo ? Posso lamber te os sapatos , por favor , Potter ? Baixou as mãos e olhou para Harry e Ron . - O que é_que se passa com vocês os dois ? Um_pouco atrasados , Harry e Ron forçaram o riso e Malfoy pareceu satisfeito . Talvez Crabbe e Goyle fossem sempre de reacção lenta . - O santo Potter , amigo de os sangues de lama - disse Malfoy . - É outro que não tem os sentimentos de um feiticeiro a sério ou não andaria por aí com aquela empertigada sangue de lama Granger . E as pessoas a pensarem que ele é o herdeiro de Slytherin . Harry e Ron esperaram com a respiração entrecortada : o Malfoy ia certamente dizer lhes , dentro_de segundos , que era ele , mas então ... - Quem me dera saber quem ele é - disse o Malfoy , de forma petulante . - Podia ajudá o . O queixo de o Ron caiu de tal maneira que a cara de o Crabbe ficou ainda mais desajeitada do_que era habitual . Felizmente Malfoy não deu por nada e Harry , em um pensamento rápido , disse : - Deves ter alguma ideia de quem está por_detrás_de tudo ... - Sabes perfeitamente que não tenho , Goyle , quantas vezes é preciso dizer te ? - cortou Malfoy . - E o pai também não me diz nada sobre a última vez que a câmara foi aberta . É claro que foi há cinquenta anos , antes de ele cá andar , mas o pai sabe tudo a esse respeito e diz que as coisas foram mantidas em grande segredo e que pareceria suspeito se eu soubesse demasiado . Mas há uma coisa que eu sei : de a última vez que a câmara foi aberta , morreu um sangue de lama . Por isso , aposto que é uma questão de tempo até que um de eles seja morto . Só espero que seja a Granger - disse satisfeito . Ron fechara os punhos gigantescos de o Crabbe . Sentindo que deitaria tudo a perder se ele desse um soco a o Malfoy , Harry lançou lhe um olhar de aviso e disse : - Sabes se a pessoa que abriu a câmara de a última vez foi apanhada ? - Ah ! sim , essa pessoa foi expulsa - disse Malfoy . - Ainda deve estar em Azkaban . - Azkaban ? - repetiu Harry confuso . - Azkaban , a prisão de os feiticeiros , Goyle - disse Malfoy , olhando para ele incrédulo . - Francamente , se fosses mais lento andavas para trás . Esticou se intranquilo , em a cadeira e disse : - O pai diz para eu esfriar a cabeça e deixar que o herdeiro de Slytherin faça o seu trabalho . Acha que a escola precisa de se livrar de a escória de os sangues de lama , mas não quer que eu me envolva em nada . Claro que ele agora tem um prato cheio . Sabes que o Ministério de a magia fez uma busca a a nossa mansão em a semana passada ? Harry tentou forçar a cara de bronco de o Goyle a uma expressão preocupada . - Sim - continuou Malfoy . - É claro que não encontraram grande coisa . O pai guarda uns materiais de magia negra muito valiosos , mas , felizmente , temos a nossa câmara secreta debaixo de o soalho de a sala de visitas ... - Ah ! - disse o Ron . Malfoy olhou para ele . Harry também . Ron corou e até o cabelo começou a ficar vermelho . O nariz estava também a diminuir lentamente ... a hora tinha acabado . Ron estava a voltar a a sua forma habitual e por o olhar de horror que lançou a Harry certamente ele também estava . Puseram se rapidamente de pé . - Tenho de tomar o remédio para o estômago - grunhiu o Ron e sem mais explicações saíram ambos a correr de a sala comum de os Slytherin , precipitaram se para a parede de pedra e galgaram a passagem , pedindo a todos os santos que Malfoy não tivesse dado por nada . Harry sentia os pés a nadarem em os sapatos enormes de o Goyle e tinha de levantar o manto visto_que diminuíra de tamanho . Subiram os degraus a correr até a o * hall * escuro de entrada onde se ouvia um som abafado que vinha de a despensa onde tinham fechado o Crabbe e o Goyle . Deixando os sapatorros de os dois de o lado de_fora , subiram já com os respectivos sapatos a escadaria de mármore até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Bem , não foi uma total perda de tempo - disse o Ron ofegante , fechando atrás_de si a porta de a casa_de_banho . - É certo que ainda não descobrimos de quem vêm os ataques , mas vou escrever a o meu pai amanhã a dizer lhe que procure debaixo de o soalho de a sala de visitas de o Malfoy . Harry olhou para o espelho partido . Tinha voltado a o normal . Pôs os óculos enquanto Ron batia em a porta de o cubículo de Hermione . - Hermione , sai de aí , temos um monte de coisas para te contar ... - Vão se embora - guinchou Hermione . Harry e Ron olharam um para o outro . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron . - Tu já deves ter voltado a o normal como nós ... Mas a Murta_Queixosa saiu subitamente através de a porta de o cubículo com um ar divertido como nunca a tinham visto . - Oh ! Esperem até ver - disse ela . - É horrível ! Ouviram o trinco de a porta a abrir se e Hermione apareceu a soluçar , a túnica levantada a cobrir lhe o rosto . - O que foi ? - perguntou o Ron indistintamente . - Ainda tens o nariz de a Millicent ou alguma coisa assim ? Hermione deixou cair a roupa e Ron recuou rapidamente . O rosto de ela estava coberto de pêlo preto , os olhos tinham ganho uma cor amarela e as orelhas eram pontiagudas , saindo espetadas para fora de os cabelos . - Era um pêlo de g-gato - disse a chorar . - A Millicent_Bulstrode d-deve ter um gato e a poção não está preparada para transformação em animais . - Oh-oh - disse o Ron . - Vão te gozar horrivelmente - disse a Murta , felicíssima . - Não te preocupes , Hermione - tranquilizou a rapidamente o Harry . - Vamos levar te para a ala hospitalar , a Madam_Pomfrey nunca faz muitas perguntas ... Não foi fácil convencer Hermione a sair de a casa_de_banho . A Murta_Queixosa despediu se com uma gargalhadavigorosa e grosseira . - Espera até todos descobrirem que tens uma cauda ! XIII_O diário muito secreto Hermione ficou em a ala hospitalar durante várias semanas . Houve uma onda de boatos sobre o seu desaparecimento quando o resto de os alunos voltou de as férias de Natal porque , é claro , todos pensam que ela tinha sido atacada . Foram tantos os estudantes a rondar a ala hospitalar para espreitar a ver se a viam que Madam_Pomfrey desceu de_novo as cortinas de a cama de ela para a poupar a a vergonha de ser vista com pêlo em a cara . Harry e Ron iam visitá a todas_as tardes . Quando o segundo período começou passaram a levar lhe diariamente os trabalhos de casa . - Se eu tivesse o bigode a crescer , tinha uma folga de o trabalho - disse uma tarde o Ron enquanto colocava uma pilha de livros a a cabeceira de a cama de Hermione . - Não sejas parvo , Ron , eu tenho de me manter a par de as coisas - disse Hermione com vivacidade . O humor de ela melhorara bastante com o facto de lhe ter desaparecido todo o pêlo de o rosto e de os olhos estarem lentamente a retomar a cor castanha . - Calculo que não tenham novas pistas ? - disse em um murmúrio para evitar que Madam_Pomfrey os ouvisse . - Nada - disse Harry tristemente . - Eu tinha tanta certeza de que era o Malfoy - repetiu o Ron por a centésima vez . - O que é isso ? - perguntou Harry , apontando para uma coisa com brilho dourado que estava debaixo de a almofada de Hermione . - É só um cartão a desejar boas melhoras - disse ela precipitadamente , tentando escondê o , mas o Ron foi mais rápido . Pegou lhe , abriu o e leu em voz alta : * _ Para_Miss_Granger , desejando lhe uma rápida recuperação , com o interesse e estima de o professor Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , Terceiro grau , Membro_Honorário_da_Liga_de_Defesa contra as Artes_Negras e vencedor por cinco vezes de o prémio O sorriso mais charmoso de a semana de o Semanário_das_Bruxas * . Ron olhou desconsolado para Hermione . - Tu dormes com isto debaixo de a almofada ? Mas Hermione foi poupada a ter de responder por a entrada de Madam_Pomfrey que lhe trazia a dose de medicamento de a tarde . - Achas que o Lockhart é o tipo mais esperto que conheceste ? - perguntou o Ron a o Harry quando saíram de a enfermaria e começavam a subir as escadas para a torre de os Gryffindor . O Snape tinha lhes passado tanto trabalho para_casa que Harry pensou que ia chegar a o sexto ano antes de o ter acabado . Ron vinha a dizer que devia ter perguntado a a Hermione quantas caudas de rato deveria juntar se a uma poção para o crescimento de o cabelo quando um grito de raiva vindo de o andar de cima lhes chegou a os ouvidos . - É o Filch - murmurou Harry enquanto subiam apressadamente as escadas e paravam para ouvir melhor . - Terá mais alguém sido atacado ? - disse nervosamente o Ron . Ficaram parados com as cabeças inclinadas para a voz de o Filch que parecia quase histérica . -- ... * _ Ainda mais trabalho para mim . Toda_a noite a esfregar como_se não tivesse já trabalho de sobra . Não , isto foi a gota de água que fez transbordar o copo , vou falar com Dumbledore * ... Os passos afastaram se e ouviram uma porta fechar se com grande estrondo . Puseram as cabeças fora de a esquina . O Filch tinha obviamente estado a patrulhar o seu habitual posto de vigia : estavam novamente em o lugar onde Mrs._Norris fora atacada . Perceberam imediatamente qual o motivo de os gritos . Uma enorme poça de água enchia metade de o corredor e parecia escorrer de a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Agora_que o Filch se calara podiam ouvir os uivos de a Murta que faziam eco em as paredes de a casa_de_banho . - Mas o que se passará com ela ? - disse o Ron . - Vamos lá ver - sugeriu Harry e arregaçando as túnicas até a os tornozelos entraram , atravessando a enorme poça de água , em a casa_de_banho que tinha o letreiro a dizer « Fora de serviço » e que eles , como sempre , ignoraram . A Murta_Queixosa chorava , se possível , mais alto do_que nunca . Parecia estar escondida em o cubículo de o costume . Lá dentro estava escuro pois as velas tinham se apagado com a enchente de água que deixara as paredes e o chão ensopado . - O que se passa , Murta ? - quis saber o Harry . - Quem é ? - perguntou ela infelicíssima . - Vieste atirar me mais alguma coisa acima ? Harry caminhou com dificuldade por causa de a água até a o cubículo de ela e disse : - Porque te faríamos nós uma coisa de essas ? - Não me perguntem - gritou a Murta , emergindo em uma onda de água que molhou ainda mais o chão já ensopado . - Eu estou aqui metida em a minha morte e alguém acha muito engraçado atirar me com um caderno acima ... - Mas , não pode magoar te se alguém te atirar alguma coisa acima - disse Harry , tentando ser prático . - Isto_é , seja o que for passa através_de ti , não é assim ? Tinha dito a frase errada . A Murta encheu o peito de ar e gritou a plenos pulmões : - Vamos todos atirar cadernos a a Murta já_que ela não sente nada ! Dez pontos se lhe acertarem em o estômago , cinquenta se lhe atravessar a cabeça ! Hah hah hah , que jogo lindo , não acham ? - Quem te atirou um caderno , afinal ? - perguntou o Harry . - Não sei ... eu estava sentada em a sanita a pensar em a morte e caiu me em cima de a cabeça - disse a Murta , olhando para eles . - Está ali , ficou todo molhado . Harry e Ron olharam para o ponto que a Murta lhes apontava debaixo de o lavatório . Um caderno pequenino e fino estava caído em o chão . Tinha uma capa preta muito gasta e estava encharcado como tudo em aquela casa_de_banho . Harry deu um passo em frente para o apanhar , mas o Ron agarrou lhe precipitadamente o braço . - O que foi ? - perguntou Harry . - Estás doido - disse ele . - Pode ser perigoso . - Perigoso ? - riu se Harry . - Essa agora Ron , como é_que pode ser perigoso ? - Ficarias surpreendido ... - explicou ele , olhando com ar apreensivo para o caderno . - Entre os livros que o Ministério confiscou , contou me o meu pai , havia um que queimava os olhos a as pessoas . E todos os que leram os * _ Sonetos_de_Um_Feiticeiro * ficaram a falar em verso para o resto de a vida . Havia também uma bruxa em Bath que tinha um livro que quem o lesse nunca mais conseguia parar , tinha de andar por aí com o nariz enfiado em as folhas , a fazer todas_as coisas só com uma mão e ... - Já chega , já chega , já percebi a tua ideia - disse O_Harry . O caderninho continuava caído e ensopado . - Bem , nunca saberemos a_não_ser_que tenhamos a coragem de dar uma vista de olhos - disse e mergulhou apanhando o de o chão . Harry viu imediatamente que se tratava de um diário e a data meio apagada , em a capa , disse lhe que tinha cinquenta anos de idade . Abriu o ansiosamente . Em a primeira página podia ler se apenas o nome T._M._Riddle em tinta esborratada . - Espera aí - disse o Ron que se aproximara prudentemente e olhava por cima de o ombro de Harry . - Eu conheço esse nome ... T._M._Riddle recebeu um prémio por serviços especiais prestados a a escola há cinquenta anos atrás . - Como diabo sabes tu isso ? - perguntou Harry com grande espanto . - Porque o Filch mandou me limpar a taça de ele umas cinquenta vezes quando estive de castigo - disse o Ron ressentido . - Foi a taça em cima de a qual eu vomitei lesmas . Se tivesses tido que limpar o muco de um nome durante uma hora também te lembrarias . Harry separou umas de as outras as páginas molhadas . Estavam completamente em branco . Não havia o mais leve sinal de escrita em nenhuma , nem coisas como « Aniversário de a tia Mabel « ou « Dentista a as três_e_meia » . - Ele nunca escreveu nada aqui - disse Harry desapontado . - Porque quereria alguém atirá o fora ? - perguntou se o Ron com curiosidade . Harry voltou o caderno e viu , inscrito em a contra capa , o nome de uma tabacaria em Vauxhall_Road , Londres . - Ele devia ser filho de Muggle - disse Harry pensativo - para ter comprado um diário em Vauxhall_Road ... - Bem , não te serve de muito - Ron baixou a voz . - Cinquenta pontos se acertares em o nariz de a Murta . Harry , mesmo_assim , guardou o diário . Hermione saiu de a ala hospitalar desbigodada , sem cauda e sem pêlo em os primeiros dias de Fevereiro . Em a primeira noite em a torre de os Gryffindor , Harry mostrou lhe o diário de T._M._Riddle e contou lhe como o tinham encontrado . - Ooooh ! Deve ter poderes ocultos - disse ela entusiasticamente , pegando em o diário e examinando o de perto . - Se tem , esconde os muito bem - disse Ron . - Talvez fosse tímido . Não sei porque não deitas isso fora , Harry . - Gostava de perceber porque motivo alguém se quis livrar de ele - explicou Harry . - E também não me importava de saber como foi que o Riddle obteve esse prémio de serviços especiais prestados a Hogwarts . - Pode ter sido qualquer coisa - lançou o Ron . - Talvez tenha recebido 30 de nota final ou salvo um professor de a lula gigante . Se_calhar assassinou a Murta , isso teria sido um favor prestado a todos ... Mas Harry quase podia jurar , por o olhar suspenso em a cara de Hermione , que ela pensava o mesmo_que ele . - O que foi ? - perguntou Ron , olhando para um e para o outro . - Bem , a Câmara_dos_Segredos foi aberta há cinquenta anos , não foi isso que disse o Malfoy ? - Sim - respondeu Ron , lentamente . - E este diário tem cinquenta anos de idade - completou Hermione , dando lhe palmadinhas nervosas . - E de aí ? - Oh Ron , acorda - insistiu Hermione . - Sabemos que a pessoa que abriu a câmara de a outra_vez foi expulsa há cinquenta anos . E se o Riddle tivesse tido o prémio especial por apanhar o herdeiro de Slytherin ? O seu diário diria nos provavelmente tudo : onde é a Câmara_dos_Segredos , como abris a e que tipo de criatura vive lá . Achas que a pessoa que está por trás de os ataques desta_vez quereria o diário por aí ? - É uma teoria interessante , Hermione - disse o Ron . - Apenas com uma pequenina falha : o diário não tem nada Mas_Hermione já estava a tirar a varinha de o saco . - Pode ser tinta invisível - murmurou . Bateu três vezes em o diário e repetiu * _ Aparecium ! * Nada aconteceu . Intrépida , Hermione meteu a mão de_novo em o saco e tirou o que parecia ser uma borracha vermelha e brilhante . - É um * revelador * , comprei o em a Diagon - _ Al - disse . Apagou com força em 1_de_Janeiro . Não sucedeu nada . - Já vos disse , não há nada aí - repetiu o Ron . - O Riddle deve ter recebido um diário como prenda de Natal e nem se deu a o trabalho de escrever fosse o que fosse . Harry não conseguia explicar , nem a si próprio , porque motivo não deitara fora o diário de Riddle . A verdade é_que , mesmo depois de saber que ele estava em branco , continuou distraidamente a pegar lhe e a virar as páginas como_se quisesse chegar a o fim de uma história . E , apesar_de saber que nunca tinha ouvido o nome T._M._Riddle , continuava a ter a sensação de que lhe dizia alguma coisa , como_se Riddle fosse um amigo que ele tinha tido quando era muito pequeno e que estivesse meio esquecido . Mas era um absurdo . Nunca tivera amigos antes de Hogwarts , Dudley tivera esse cuidado . Ainda_assim , Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle , por isso em o dia seguinte foi até a a sala de os troféus para examinar a taça , acompanhado de Hermione que estava interessadíssima e de Ron que se mostrava profundamente incrédulo , dizendo que tinha ficado farto de aquela sala até a o fim de a vida . A taça dourada de Riddle estava arrecadada em um armário de canto . Não fornecia detalhes sobre o motivo por_que lhe fora dada ( felizmente , se fosse maior ainda hoje estava a limpá a , disse o Ron ) . Mas encontraram o nome de Riddle em uma antiga medalha de Mérito_Mágico e em uma lista de antigos chefes de turma . - Parece o Percy - comentou Ron , torcendo o nariz com aversão . - Prefeito , chefe de turma , provavelmente o melhor em todas_as disciplinas . - Dizes isso como_se fosse uma coisa má - fez lhe notar Hermione , em um tom de voz ressentido . Um sol fraco brilhava agora de_novo em Hogwarts . Dentro de o castelo , o ambiente estava bastante melhor . Não tinha havido novos ataques desde Justin e Nick quase sem cabeça e Madam_Pomfrey teve a satisfação de informar que as Mandrágoras começavam a ficar instáveis e dissimuladas , sinal de que estavam a abandonar rapidamente a infância . - Logo_que o acne desapareça estarão prontas para novo transplante - ouviu a Harry dizer amavelmente a o Filch . - E depois de isso , não demorará muito até podermos cortá as e estufá as . - Vai ter Mrs._Norris de volta , muito em_breve . Talvez o herdeiro ou herdeira de Slytherin tenha perdido a coragem , pensou Harry . Deve ser cada_vez_mais arriscado abrir a Câmara_dos_Segredos com a escola tão alerta e desconfiada . Talvez o monstro , qualquer_que_fosse , estivesse a preparar se para hibernar durante outros cinquenta anos . Ernie_Mcmillan_dos_Hufilepuff não aceitou esta visão optimista . Continuava convencido de que Harry era o culpado , que se tinha traído em o clube de os duelos . Peeves não ajudava nada : continuava a cantar por os corredores Potter , * seu bandido * ... agora acompanhado de um esquema de dança . Gilderoy_Lockhart parecia pensar que fora ele quem pusera fim a os ataques . Harry fartou se de o ouvir dizer isso a a professora Mc_Gonagall enquanto os Gryffindor formavam bicha para a aula de Transfiguração . - Não creio que volte a haver problemas , Minerva - disse , tocando em o nariz com ar conhecedor e piscando o olho . - Acho que desta_vez a câmara foi definitivamente selada . O culpado deve ter sabido que era uma questão de tempo até eu o apanhar e que era mais sensato parar agora antes que eu lhe tratasse de a saúde . Sabe , a escola está a precisar de um intensificador de animo para apagar as lembranças de o último período . Não vou dizer lhe mais_nada , por enquanto , mas julgo que sei o que ... Voltou a tocar em o nariz e afastou se a passos largos . A ideia de Lockhart de um intensificador de ânimo ficou bastante clara em o dia_14_de_Fevereiro , a o pequeno-almoço . Harry não dormira grande coisa devido a o treino de Quidditch em a noite anterior e chegou a o salão um_pouco atrasado . Pensou , por momentos , que se tinha enganado em a porta . As paredes estavam todas cobertas com enormes e medonhas flores cor-de-rosa . Pior ainda , * confettis * em forma de corações caíam de o tecto azul pálido . Harry dirigiu se a a mesa de os Gryffindor onde o Ron estava sentado com um ar enjoado junto de Hermione que parecia particularmente risonha . - O que se passa ? - perguntou lhes , sentando se e sacudindo os * confettis * de o seu bacon . Ron apontou para a mesa de os professores , com um ar demasiado repugnado para falar . Lockhart , em as suas vestes rosa vivo , a condizer com a decoração de o salão , fazia sinal para que se calassem . Os professores que o ladeavam tinham um ar estupefacto . De o seu lugar , Harry podia ver um músculo mover se em a bochecha de a professora Mc_Gonagall . Snape estava com ar de quem tomou uma imensa dose de xarope * skele-gro * . - Feliz dia de S._Valentim - gritou Lockhart . - E permitam me que agradeça a as quarenta_e_seis pessoas que até agora me enviaram cartões . Sim , fui eu quem tomou a liberdade de vos fazer esta pequena surpresa , e ela não acaba aqui ! Lockhart bateu as palmas e por as portas de o * hall * entraram a marchar cerca de uma_dúzia de duendes de aspecto carrancudo . Não eram uns duendes quaisquer , diga se de passagem . Lockhart fizera os usar asas douradas e transportar harpas . - Os meus amigos cupidos , portadores de os cartões ! gritou Lockhart . - Eles vão andar por a escola durante o dia de hoje , entregando os vossos cartões de S._Valentim . E o divertimento não acaba aqui . Tenho a certeza de que os meus colegas vão querer participar em este espírito de festa . Porque não pedir a o professor Snape que vos mostre como preparar rapidamente uma poção de amor . E , enquanto ele a prepara , está aqui o professor Flitwick que é de todos os feiticeiros que conheci aquele que mais sabe de encantamentos de sedução , o grande safado ! O professor Flitwick enterrou o rosto em as mãos . Snape olhava como_se quisesse dar veneno a a primeira pessoa que fosse pedir lhe a poção de o amor . - Por favor , Hermione , diz me que não foste uma de as quarenta_e_seis - pediu Ron quando saíram de o salão para a primeira aula . Mas Hermione ficou subitamente muito interessada em procurar o horário dentro de a mala e não lhe respondeu . Durante todo o dia os duendes não pararam de se intrometer em as aulas para entregar cartões , para grande aborrecimento de os professores e , ao_fim_da_tarde , quando os Gryffindor subiam as escadas para a aula de encantamentos , um de eles avistou o Harry . - Hei , tu , Harry_Potter ! - gritou um duende de aspecto particularmente lúgubre , dando cotoveladas a_toda_a gente para se aproximar de o Harry . Coradíssimo com a ideia de receber um cartão de S._Valentim diante_de uma fila de alunos de o primeiro ano que , por acaso , incluía Ginny_Weasley , Harry tentou escapar se . Mas o duende cortou lhe o caminho através de a multidão e agarrou o em três tempos . - Tenho uma mensagem musical para entregar a Harry_Potter em pessoa - disse , tangendo a harpa de forma ameaçadora . - Aqui não - disse baixinho o Harry , tentando escapar . - Fica quieto - grunhiu o duende , agarrando o saco de o Harry e puxando com força . - Larga me - disse ele rispidamente , dando um puxão . Com um ruído de tecido a rasgar se , o saco dividiu se em dois . Os livros de Harry , varinha , pergaminho e pena espalharam se por o chão enquanto o tinteiro se partia em cima de as outras coisas . Harry pôs se de gatas , tentando apanhar tudo antes que o duende começasse a cantar , provocando um engarrafamento em o corredor . - O que se passa aqui ? - perguntou a voz fria e afectada de Draco_Malfoy . Harry , nervosíssimo , começou a guardar tudo dentro de o saco rasgado , desesperado para sair de ali antes que Malfoy pudesse ouvir o seu S._Valentim musical . - Que confusão é esta ? - disse outra voz familiar . Percy_Weasley tinha chegado . De cabeça perdida , Harry tentou fugir , mas o duende agarrou o por os joelhos e fê lo cair a o chão . - Certo - disse , sentando se em os tornozelos de Harry . Eis o teu cartão musical : * _ Os olhos de ele são verdes como o sapo de o quintal * _ O seu cabelo é escuro como um temporal * _ É um desatino , oh ! ele é divino ! * _ O herói que venceu o Senhor_do_Mal * . Harry teria dado todo o ouro de Gringotts para se evaporar em aquele momento . Tentando corajosamente rir se com todos os outros , levantou se . Sentia os pés dormentes de o peso de o duende . Enquanto isso , Percy_Weasley fazia todos os possíveis por dispersar a multidão onde havia gente que chorava de hilaridade . - Vamos embora , vamos embora , a campainha tocou há cinco minutos para as aulas - dizia , enxotando alguns de os alunos mais novos . - E tu , Malfoy . Harry olhou e viu Malfoy inclinar se , apanhar qualquer coisa e com um olhar maldoso mostrá a a Crabbe e Goyle . Percebeu que era o diário de Riddle . - Dá cá isso - exigiu com toda_a calma . - O que será que o Potter escreveu aqui ? - disse Malfoy que obviamente não reparara em a data e pensou que tinha em as mãos o diário de o Harry . Houve uma agitação em os presentes . Ginny olhava apavorada para o diário e para Harry . - Dá lhe isso , Malfoy - disse Percy com firmeza . - Depois de dar uma vista de olhos - retorquiu Malfoy , acenando a Harry com o diário de forma provocatória . Percy disse : - Como Prefeito de a escola ... - mas Harry perdera a paciência . Pegou em a varinha e gritou * _ Expelliarmus * e assim_como Snape desarmara Lockhart , MalLoy viu o diário saltar lhe de as mãos e elevar se em o ar enquanto Ron o apanhava sorridente . - Harry - disse Percy levantando a voz . - Não quero magia em os corredores . Vou ter de participar isto , sabes perfeitamente . Mas Harry não se importou . Tinha ganho uma_vez a Malfoy e isso valia bem cinco pontos a menos para os Gryffindor . Malfoy estava furioso e quando a Ginny passou por ele a caminho de a sala de aula , gritou lhe com desprezo : - Não creio que o Potter tenha gostado lá muito de o teu cartão de S._Valentim . Ginny tapou a cara e correu para a aula . Aborrecido , Ron pegou também em a varinha , mas Harry afastou o . Era melhor que ele não passasse a aula de encantamentos a vomitar lesmas . Só quando entraram em a sala de aula de o professor Flitwick é_que Harry reparou em uma coisa bastante estranha em o diário de Riddle . Todos os outros livros estavam cheios de tinta vermelha , mas o diário mantinha se tão limpo como antes de o tinteiro se ter entornado em cima de ele . Tentou chamar a atenção de Ron para este facto , mas ele estava novamente a ter um problema com a varinha : de a extremidade saíam grandes bolhas roxas e ele não parecia interessado em mais_nada . Em essa noite , Harry foi deitar se antes de os outros companheiros de dormitório , em parte porque já não conseguia suportar o Fred e o George a cantarem * _ Os seus olhos são verdes como o sapo de o quintal * e em parte porque queria voltar a examinar o diário de Riddle e sabia que em a opinião de o Ron era uma pura perda de tempo . Sentou se em a cama de dossel e folheou as páginas em branco em as quais não se via uma única mancha de tinta escarlate . Tirou então outro tinteiro de o armário a o lado de a cama , molhou a pena e deixou cair um borrão em a primeira página de o diário . A tinta brilhou em o papel durante um segundo e , em seguida , como_se a página a tivesse sugado , desapareceu sem deixar rasto . Depois , finalmente , algo aconteceu . Deslizando sobre a página em a cor de a sua tinta , surgiram palavras que Harry não escrevera . - * _ Olá_Harry_Potter . O meu nome é Tom_Riddle . Como é_que encontraste o meu diário ? * Também estas palavras desapareceram , mas não sem que Harry tivesse respondido . - Alguém tentou lançá o em uma sanita . Esperou ansiosamente por a resposta de Riddle . - * _ Felizmente guardei as minhas memórias de uma forma mais duradoura do_que a tinta . Mas sempre soube que haveria quem não iria querer que o diário fosse lido . * - O que queres dizer com isso ? - escrevinhou Harry , borrando a página com o nervosismo . - * _ Quero dizer que este diário contém memórias de coisas terríveis . Coisas que foram abafadas . Coisas que aconteceram em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . * - É onde eu estou agora - escreveu Harry rapidamente . - Estou em Hogwarts e estão a acontecer coisas horríveis . Sabes alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? O coração parecia querer saltar lhe de o peito . A resposta de Riddle não se fez esperar , a letra tornara se mais desordenada como_se tivesse pressa em contar lhe tudo_o_que sabia . - * _ É claro que sei de a Câmara_dos_Segredos . Em o meu tempo diziam nos que era uma lenda , que não existia , mas era mentira . Quando eu estava em o quinto ano a Câmara_dos_Segredos foi aberta e o monstro atacou vários estudantes , acabando matar um . Eu apanhei a pessoa que abriu a câmara e ele foi expulso . Mas o director , o professor Dippet , envergonhado por uma coisa de aquelas ter acontecido em Hogwarts , proibiu me de contar a verdade . Foi divulgada uma história dizendo que a rapariga morrera de um acidente extravagante . Deram me um troféu brilhante com o meu nome gravado e avisaram me para ficar calado . Mas eu sabia que ia voltar a acontecer . O monstro sobreviveu e aquele que tinha o poder para o libertar não foi para a prisão . * Harry quase entornou o tinteiro em a pressa de responder . - Está a acontecer outra_vez . Houve três ataques e ninguém parece saber quem está por_detrás_de tudo_isto . Quem foi de a última vez ? - * _ Posso mostrar te , se quiseres * - foi a resposta de o Riddle . - * _ Não tens de acreditar só em a minha palavra . Posso levar te a o fundo de a minha memória de a noite em que o apanhei . * Harry hesitou com a pena em o ar sobre o diário . O que quereria ele dizer ? Como poderia entrar em a memória de outra pessoa ? Olhou inquieto para a porta de o dormitório que começava a ficar escuro . Quando pôs de_novo os olhos em o diário viu as palavras que se formavam . - * _ Deixa-me mostrar te . * Harry parou durante uma fracção de segundo e depois escreveu duas letras . - O. _ K._As páginas de o diário começaram a esvoaçar como_se tivessem sido apanhadas em uma ventania , parando a meio de o mês_de_Junho . Boquiaberto , Harry viu que o quadradinho de 13_de_Junho se transformara em um pequeno ecrã de televisão . Com as mãos ligeiramente trémulas levantou o livro para encostar os olhos a a janelinha e antes de perceber o que estava a passar se , deu consigo inclinado para a frente com a janela a abrir se . O corpo abandonava a cama e era lançado de cabeça , por a abertura de a página , em um turbilhão de cor e sombras . Sentiu os pés tocarem em terra firme e pôs se de pé a tremer enquanto as formas desfocadas se tornavam subitamente nítidas . Soube imediatamente onde estava . Aquela sala circular com os retratos adormecidos era o escritório de Dumbledore , mas não era Dumbledore quem estava atrás de a secretária . Um feiticeiro mirrado , de aspecto débil e quase careca lia uma carta a a luz de as velas . Harry nunca vira aquele homem antes . - Desculpe - disse com a voz a tremer . - Eu não queria intrometer me ... Mas o feiticeiro não olhou . Continuou a ler , franzindo levemente as sobrancelhas . Harry aproximou se de a secretária e gaguejou : - Er ... eu vou me embora , está bem ? E o feiticeiro continuou a ignorá o . Parecia nem_sequer ter ouvido . Pensando que talvez ele fosse surdo , Harry falou mais alto . - Desculpe tê o incomodado - disse quase a gritar . O feiticeiro dobrou a carta com um suspiro . Pôs se de pé , passou por Harry sem olhar para ele e foi abrir os cortinados de a janela . O céu , lá fora , estava vermelho-rubi . Devia ser o pôr de o Sol . O feiticeiro voltou para a secretária , sentou se e girou os polegares , olhando para a porta . Harry olhou em volta . Não viu Fawkes , a fénix , nem as engenhocas prateadas que sibilavam . Aquela Hogwarts era a que Riddle conhecera e , portanto , aquele feiticeiro desconhecido era o director de então , não Dumbledore e ele , Harry , era pouco mais que um fantasma , totalmente invisível a as pessoas de há cinquenta anos atrás . Alguém bateu a a porta . - Entre - disse o velho feiticeiro , em uma voz fraca . Um rapazinho de dezasseis anos entrou , tirando o chapéu pontiagudo . Em o seu peito brilhava um distintivo prateado de prefeito . Era muito mais alto do_que Harry , mas tinha , tal_como ele , cabelo preto asa de corvo . - Ah ! Riddle - disse o director . - Queria falar comigo , professor Dippet ? - perguntou ele com ar nervoso . - Senta te - disse Dippet . - Tenho estado a ler a carta que me mandaste . - Oh ! - exclamou Riddle , sentando se e apertando as mãos uma contra a outra . - Meu rapaz - disse Dippet amavelmente . - Eu não posso deixar te ficar em a escola durante o Verão . Com certeza queres ir para_casa em as férias ? - Não - respondeu Riddle , sem perder tempo . - Prefiro mil vezes ficar em Hogwarts a ter de voltar a aquela ... aquela ... - Tu vives em um orfanato de Muggles durante as férias , não é assim ? - perguntou Dippet com curiosidade . - Sim senhor - disse Riddle , corando um_pouco . - És filho de Muggles ? - Meio sangue , professor - explicou Riddle . - Pai_Muggle , mãe bruxa . - E o teu pai e a tua mãe ... - A minha mãe morreu pouco depois de eu nascer , professor , contaram me em o orfanato que só teve tempo de me dar o nome : Tom , como o meu pai , Marvolo como o meu avô . Dippet estalou a língua solidariamente . - O que acontece , Tom - suspirou - é_que ... podia ter se arranjado uma situação especial para ti , mas em as circunstâncias actuais ... - Refere se a os ataques , professor ? - perguntou Riddle e o coração de Harry deu um salto , aproximando se com medo de perder alguma coisa . - Precisamente - disse o director . - Meu rapaz , compreendes que seria uma imprudência de a minha parte deixar te ficar em o castelo quando o período acabar , principalmente a a luz de a recente tragédia ... a morte de aquela pobre moça ... estarás sem dúvida em maior segurança em o orfanato . Em a verdade , o ministro de a magia até fala em fechar a escola . Não estamos nada perto_de localizar ... er ... a fonte de toda esta história desagradável . Os olhos de Riddle tinham se aberto mais . - Professor , se essa pessoa fosse apanhada ... se tudo acabasse . . . - Que queres dizer com isso ? - perguntou Dippet com voz aguda , endireitando se em a cadeira . - Riddle , tu sabes alguma coisa sobre estes ataques ? - Não senhor - respondeu ele de imediato . Mas Harry sabia que era o mesmo tipo de « não » que ele dissera a Dumbledore . Dippet afundou se de_novo com um ar de profundo desapontamento . - Podes ir , Tom . Riddle esgueirou se de a cadeira e saiu de a sala . Harry seguiu o . Desceram por a escada em espiral , saindo junto de a gárgula em o corredor que escurecia . Riddle parou e Harry fez o mesmo , olhando para ele . Quase podia apostar que ele pensava seriamente em alguma coisa . Mordia o lábio e tinha as sobrancelhas franzidas . A certa altura , como_se tivesse acabado de tomar uma decisão , começou a andar mais depressa com Harry a segui o ruidosamente . Não viram mais ninguém , a não ser quando chegaram a o * hall * de entrada onde um feiticeiro alto de longos cabelos ruivos e barba chamou Riddle de a escadaria de mármore . - O que andas a fazer por aqui tão tarde , Tom ? Harry olhou para o feiticeiro . Não era outro senão Dumbledore com cinquenta anos a menos . - Tive de ir falar com o director - justificou se Riddle . - Bem , agora vai depressa para a cama - disse Dumbledore , olhando Riddle com aquele olhar penetrante que Harry conhecia tão bem . - É melhor não andar a passear por os corredores em os dias que correm , pelo_menos até ... Suspirou profundamente , deu as boas-noites a o Riddle e foi se embora . Riddle viu o desaparecer e , sem perder tempo , desceu os degraus de pedra até a os calabouços com Harry em a peugada . Mas para seu grande desconsolo , Riddle não o conduziu a nenhum corredor ou túnel secreto e sim a o calabouço onde ele costumava ter aulas de poções com o Snape . As tochas não tinham sido acesas e quando Riddle empurrou a porta quase fechada , Harry só conseguiu vê o a ele , de pé , quieto junto de a porta , olhando para o corredor . Pareceu a Harry que ficaram ali quase uma hora . Tudo_o_que via era a silhueta de Riddle junto de a porta , olhando fixamente através de a greta , a a espera . Como_se fosse uma estátua . E quando Harry tinha abandonado todas_as expectativas e começava a desejar voltar a o presente , ouviu alguma coisa que se movia atrás de a porta . Alguém avançava lentamente por o corredor . Ouviu a pessoa , quem quer que fosse , passar por o calabouço onde ele e Riddle estavam escondidos . Riddle , silencioso como uma sombra , esgueirou se por a porta e seguiu o com Harry em bicos de pés atrás de ele , esquecido de que podia fazer barulho a a vontade porque ninguém o ouvia . Durante cerca de cinco minutos seguiram lhe os passos até que Riddle parou repentinamente com a cabeça inclinada em a direcção de novos ruídos . Harry ouviu uma porta a abrir se e em seguida alguém falou em um murmúrio rouco . - Vá lá , temos que sair de aqui ... vá lá , dentro de a caixa ... Havia algo de familiar em aquela voz . Riddle deu subitamente uma volta e Harry seguiu o . Podia ver a silhueta escura de um rapaz enorme que estava inclinado em frente de a porta aberta , com uma grande caixa a o lado . - Boa noite , Rubeus - disse Riddle secamente . O rapaz fechou a porta e pôs se de pé . - O que estás a fazer aqui , Tom ? Riddle aproximou se . - Acabou se - disse . - Vou ter de entregar te , Rubeus . Falam em fechar Hogwarts se os ataques não terminarem . - O que é_que tu ... ? - Eu acho que tu não quiseste matar ninguém , mas os monstros não são os melhores animais domésticos . Tu só quiseste deixá o sair para andar um_pouco e ... - Ele não matou ninguém - disse o rapaz grande , recuando contra a porta fechada . Lá de dentro vinham uns estranhos roncos e rugidos . - Vamos , Rubeus - disse Riddle , aproximando se mais ainda . - Os pais de a rapariga que morreu estarão aqui amanhã . O mínimo que Hogwarts pode fazer é assegurar lhes que aquilo que matou a filha de eles foi abatido ... - Não foi ele - gemeu o rapaz cuja voz ecoou em o corredor escuro . - Ele não faria isso ... ele nunca ... - Afasta te - disse Riddle , pegando em a varinha . O encantamento iluminou o corredor com uma luz brilhante . A porta atrás de o rapaz grande abriu se de par em par com tanta força que o atirou contra a parede . E de lá de dentro saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito que ninguém mais ouviu a não ser ele próprio . Tinha um corpo imenso , magro e peludo e um emaranhado de pernas pretas , a cintilação de muitos olhos e um par de tenazes afiadas . Riddle levantou de_novo a varinha , mas era tarde de mais . A coisa deixara o atarantado e corria apressadamente , precipitando se por o corredor e desaparecendo . Riddle pôs se de pé , olhou a a procura de o monstro , levantou a varinha , mas o rapaz grande saltou sobre ele , tirou lhe a varinha de as mãos e lançou o a o chão , gritando : - Naaaaaão ! A cena rodopiou . A escuridão tornou se total . Harry sentiu se a cair e com um embate aterrou como uma águia de patas e asas abertas em a sua cama de dossel , em o dormitório de os Gryffindor , o diário de Riddle aberto sobre o estômago . Antes de ter tido tempo de normalizar a respiração , a porta de o dormitório abriu se e o Ron entrou . - Aí estás tu - disse . Harry sentou se . Transpirava e tremia . - O que se passa ? - perguntou Ron , olhando aflito para ele . - Foi o Hagrid , Ron . O Hagrid abriu a Câmara_dos_Segredos há cinquenta anos atrás . XIV_Cornelius_Fudge_Harry , Ron e Hermione sabiam há muito_tempo que Hagrid tinha uma triste predilecção por criaturas grandes e monstruosas . Em o primeiro ano que passaram em Hogwarts , ele tentara criar um dragão em a sua pequena cabana de madeira e levaram muito_tempo a esquecer o gigantesco cão de três cabeças que ele baptizara de « fofinho » . E se , em rapaz , Hagrid tinha ouvido dizer que havia um monstro escondido em o castelo , Harry tinha a certeza que ele teria feito os impossíveis por descobri o . Provavelmente achou que era uma injustiça o monstro estar fechado tanto tempo e pensou que ele merecia a oportunidade de esticar as suas muitas pernas . Harry imaginava perfeitamente o Hagrid a os treze anos a tentar pôr uma coleira e uma trela a o monstro . Mas tinha igualmente a certeza de que ele nunca teria querido matar ninguém . De certo modo , Harry desejava não ter descoberto como utilizar o diário de Riddle . Ron e Hermione fizeram o contar repetidas vezes o que vira até ele ficar farto de repetir o mesmo e farto de a conversa circular que se seguia . - O Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse , de essa vez , Hermione . - O monstro que atacava as pessoas podia ser outro .... - Quantos monstros achas tu que pode haver em este lugar ? - perguntou o Ron aborrecido . - Sempre soubemos que o Hagrid tinha sido expulso - disse Harry tristemente - E os ataques devem ter terminado quando ele foi expulso . Se não fosse assim , Riddle não teria recebido um prémio . Ron tentou um caminho diferente . - O Riddle parece o Percy , quem lhe pediu afinal que deitasse abaixo o Hagrid ? - Mas o monstro tinha morto uma pessoa , Ron - insistiu Hermione . - E o Riddle ia ter de voltar para um orfanato Muggle se Hogwarts fosse fechada - disse Harry . - Não posso culpá o por querer ficar aqui ... Ron mordeu o lábio e a seguir sugeriu : - Tu encontraste o Hagrid em a Rua * _ Bativolta * , não foi ? - Ele estava a comprar repelente para lesmas - disse Harry rapidamente . Ficaram os três em silêncio . Depois de uma longa pausa , Hermione , em uma voz hesitante , formulou a pergunta mais complicada de todas : - Não acham que devíamos ir ter com ele e perguntar lhe ? - Essa seria uma visita simpática - disse o Ron . - Olá , Hagrid , diz nos uma coisa , soltaste por acaso alguma coisa louca e peluda por o castelo em estes últimos tempos ? Por fim , decidiram não dizer nada a o Hagrid a_não_ser_que houvesse outro ataque e à_medida_que passava mais tempo sem murmúrios de a voz sem corpo começaram a acreditar , esperançosos , que nunca mais teriam de falar sobre o motivo por_que fora expulso . Tinham passado já quase quatro meses desde o dia em que o Justin e o Nick quase sem cabeça tinham sido petrificados e quase toda_a_gente parecia pensar que o atacante , quem quer que ele fosse , se retirara para sempre . Peeves fartara se de a sua canção * _ Oh_Potter , seu bandido * , Ernie_Mcmillan pediu educadamente a o Harry , em a aula de herbologia , que lhe passasse um balde de cogumelos saltitantes e , em Março , várias mandrágoras deram uma festa ruidosa e roufenha em a estufa número três . A professora Sprout estava muito satisfeita . - Mal elas comecem a tentar mover se para os vasos umas de as outras , saberemos que estão maduras - disse ela a o Harry . - Nessa_altura poderemos reanimar aquelas pobres criaturas que estão em a ala hospitalar . Os alunos de o segundo ano tinham agora uma coisa nova em que pensar durante as férias de a Páscoa . Chegara a altura de escolherem as matérias de o terceiro ano , um assunto que Hermione , pelo_menos , tomou muito a sério . - Pode afectar todo o nosso futuro - disse a o Harry e a o Ron a o vê os ler cuidadosamente as listas de as novas matérias e pôr um V em frente de cada uma . - Eu só quero ver me livre de as poções - disse Harry . - Não podemos - explicou Ron tristemente . - Mantemos todas_as matérias antigas ou eu teria me livrado de a Defesa contra as artes negras . - Mas é muito importante - disse Hermione chocada . - Não de a maneira como Lockhart a dá - insistiu Ron . - Não aprendi nada até agora a não ser a nunca mais libertar duendes . Neville_Longbottom recebera cartas de todas_as bruxas e feiticeiros de a família , cada_um dando um conselho diferente sobre o que ele deveria escolher . Confuso e preocupado , sentou se a ler a lista de matérias , dando estalinhos com a língua e perguntando a as pessoas se achavam que a aritmancia seria mais difícil do_que o estudo de as runas em a Antiguidade . Dean_Thomas que , tal_como Harry , fora criado com Muggles , acabou por fechar os olhos e atirar a varinha contra a lista , escolhendo as matérias onde ela aterrava . Hermione não pediu conselho a ninguém e inscreveu se em todas . Harry sorriu de si para consigo imaginando como seria uma conversa com o tio Vernon e com a tia Petúnia sobre a sua carreira em feitiçaria . Não que não tivesse tido orientação : Percy_Weasley estava ansioso por partilhar a sua experiência . - Tudo depende de o lugar para_onde queres ir , Harry - disse ele . - Nunca é cedo de mais para pensar em o futuro , por isso eu aconselho te a adivinhação . As pessoas dizem que os estudos de Muggles são uma opção leve mas eu , pessoalmente , acho que os feiticeiros deveriam ter uma compreensão profunda de a comunidade não mágica , muito especialmente se pensarem em trabalhar em íntimo contacto com eles . Vê o meu pai que tem de lidar com assuntos de os Muggles a_toda_a hora . O meu irmão Charles foi sempre mais um tipo de o exterior , por isso foi para o Centro_de_Cuidados com as Criaturas_Mágicas . Segue os teus sentimentos , Harry . Mas a única coisa em que Harry sentia que era mesmo bom era o Quidditch . Por fim , acabou por escolher as mesmas matérias que o Ron escolhera , pensando que se fosse péssimo em elas pelo_menos tinha alguém amigo para o ajudar . O próximo jogo de Quidditch_dos_Gryffindor era contra os Hufflepuff . Wood insistia em treinos de equipa todas_as noites depois de jantar , por isso Harry não tinha tempo para mais_nada a não ser para o Quidditch e para os trabalhos de casa . Mas as sessões de treino estavam a melhorar ou pelo_menos estavam mais secas e em a véspera de o jogo de sábado ele foi a o dormitório guardar a vassoura , sentindo que as hipóteses de os Gryffindor ganharem a taça de Quidditch nunca tinham sido tão boas . Mas a sua boa disposição não durou muito . Em o cimo de as escadas que levavam a o dormitório encontrou o Neville_Longbottom nervosíssimo . - Harry , não sei quem fez aquilo , eu fui encontrar ... Olhando receoso para Harry , Neville empurrou a porta . O conteúdo de a mala de Harry fora espalhado por toda_a divisão . O seu manto estava em o chão rasgado . A roupa de cama tinha sido puxada de a cama de dossel e a gaveta de o armário que se encontrava a a cabeceira de a cama fora arrancada , estando o seu conteúdo espalhado sobre o colchão . Harry aproximou se de a cama boquiaberto , pisando algumas páginas soltas de * _ Viagens com Duendes * . Quando ele e Neville estavam a puxar os cobertores para_cima , entraram o Ron e o Dean_Seamas . Dean praguejou alto . - O que é isto , Harry ? - Não faço ideia - disse ele . Mas o Ron estava a examinar as vestes de Harry e todos os bolsos estavam de o avesso . - Alguém andou a a procura de qualquer coisa - disse o Ron . - Dás por falta de alguma coisa ? Harry começou a apanhar o que estava caído , lançando tudo dentro de a mala . Só quando atirou o último livro de Lockhart é_que se apercebeu do_que faltava . - O diário de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a o Ron . - O quê ? Harry fez lhe sinal em direcção a a porta de o dormitório e apressaram se a chegar a a sala comum de os Gryffindor que estava quase vazia e onde foram encontrar Hermione sozinha a ler * _ As_Runas_Antigas a o Alcance_de_Todos * . Hermione ficou aterrada com as notícias . - Mas ... só um Gryffindor podia tê o roubado ... ninguém mais conhece a nossa senha ... - Exactamente - disse Harry . Acordaram em o dia seguinte com um sol brilhante e uma brisa agradável . - Condições ideais para o Quidditch ! - exclamou Wood , cheio de entusiasmo , a a mesa de os Gryffindor , enchendo os pratos de os elementos de a sua equipa de ovos mexidos . - Harry , anima te , precisas de um pequeno-almoço decente . Harry tinha estado a olhar para a mesa cheia de alunos de os Gryffindor , perguntando a si próprio se o novo dono de o diário de Riddle estaria ali mesmo em frente de os seus olhos . Hermione insistira para que ele participasse o roubo mas ele não gostou de a ideia . Teria de contar a um professor tudo sobre o diário , e quantas pessoas saberiam o motivo por_que Hagrid fora expulso há cinquenta anos ? Não queria ser ele a fazer com que relembrassem tudo aquilo . Quando saiu de o salão com o Ron e a Hermione para ir buscar o material de Quidditch , outra preocupação viera juntar se a a sua lista cada_vez maior . Tinha acabado de pisar os degraus de a escadaria de mármore quando ouviu de_novo a voz : - * _ Matar desta_vez ... deixem me rasgar ... romper * ... Deu um grito e Ron e Hermione saltaram alarmados . - A voz - disse Harry , olhando por cima de os ombros de eles . - Acabo de a ouvir de_novo , vocês não ouviram nada ? Ron abanou a cabeça de olhos muito abertos Mas_Hermione bateu com a mão em a testa . - Harry , acho que percebi uma coisa . Tenho que ir a a biblioteca . E disparou a correr por as escadas acima . - O que é_que ela percebeu ? - disse Harry distraidamente , ainda a olhar em volta , tentando determinar de onde vinha a voz . - Mas porque teve ela que ir a a biblioteca ? - Porque a Hermione é assim - disse o Ron , encolhendo os ombros - Quando tem uma dúvida , vai a a biblioteca . Harry manteve se hesitante , tentando captar novamente a voz mas as pessoas começavam a sair de o salão , falando alto , passando por a porta principal e encaminhando se para o estádio de Quidditch . - É melhor ires indo - aconselhou Ron . - São quase onze horas , olha o jogo . Harry deu uma corrida até a a torre de os Gryffindor , pegou em a sua Nimbus dois_mil e juntou se a a vasta multidão que enchia os campos , mas o seu pensamento estava ainda em o castelo , em aquela voz sem corpo e quando pôs as roupas vermelhas , o seu único conforto foi pensar que estavam todos lá fora para assistir a o jogo . As equipas entraram em campo a o som de um tumulto de aplausos . Oliver_Wood fez um voo de aquecimento em volta de os postes , Madam_Hooch soltou as bolas . Os Hufflepuff que tinham fatos amarelo-canário estavam reunidos em grupo em uma discussão de última hora sobre as tácticas . Harry subia para a vassoura quando a professora Mc_Gonagall atravessou o campo , meio a andar , meio a correr , transportando um enorme megafone roxo . O coração de Harry caiu lhe a os pés . - Este jogo foi cancelado - gritou por o megafone a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a o estádio apinhado . Ouviram se Uuuus e assobios . Oliver_Wood , com um ar infelicíssimo , aterrou e correu para a professora McGonagall sem sair de a vassoura . - Mas , professora - gritou - temos de jogar ... a taça ... os Gryffindor ... A professora Mc_Gonagall ignorou o e continuou a gritar por o megafone . - Pede se a os estudantes que regressem a as salas comuns de as respectivas equipas onde os chefes de equipa lhes darão mais informações . O mais depressa possível , se fazem favor ! Em seguida , baixou o megafone e fez sinal a o Harry para que se aproximasse . - Potter , é melhor vires comigo ... Perguntando a si próprio que suspeita poderia ela ter contra ele , desta_vez , Harry viu Ron desligar se de a multidão discordante e vir a correr juntar se lhes , enquanto eles se dirigiam para o castelo . Para sua grande surpresa Mc_Gonagall não pôs qualquer objecção . - Sim , talvez seja melhor vires também , Weasley . Alguns de os estudantes que os rodeavam reclamavam por o jogo ter sido cancelado , outros tinham um ar preocupado . Harry e Ron seguiram a professora Mc_Gonagall de volta a a escola e através de a escadaria de pedra . Mas desta_vez não foram levados a nenhum escritório . - Isto vai chocar vos um_pouco - disse a professora Mc_Gonagall em um tom de voz surpreendentemente suave quando estavam a aproximar se de a ala hospitalar . - Houve outro ataque ... outro ataque duplo . As vísceras de o Harry deram um salto mortal . A professora Mc_Gonagall abriu a porta e ele e Ron entraram . Madam_Pomfrey estava inclinada sobre uma rapariga de o quinto ano de cabelos longos a os caracóis que Harry reconheceu como sendo a colega de os Ravenclaw a quem , por engano , tinham perguntado o caminho para a sala comum de os Slytherin . E , em a cama a o lado de ela , estava ... - Hermione - gemeu o Ron . Hermione jazia totalmente quieta , os olhos abertos e vítreos . - Foram encontradas perto de a biblioteca - disse a professora Mc_Gonagall . - Calculo que nenhum de vocês possa explicar isto ? Estava em o chão , junto de ela . A professora tinha em as mãos um pequeno espelho redondo . Harry e Ron acenaram negativamente com as cabeças , ambos com os olhos fixos em Hermione . - Eu acompanho vos a a torre de os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall pesadamente . - De qualquer modo tenho de falar com os alunos . - Os alunos regressarão a as salas comuns de as respectivas equipas , todos_os_dias , a as seis_horas_da_tarde . Nenhum aluno deverá sair de os dormitórios depois de isso . Serão escoltados até a as aulas por um professor . Nenhum aluno deverá ir a a casa_de_banho sem um professor a acompanhá o . Todos os treinos e jogos de Quidditch estão suspensos a_partir_de agora . Não haverá mais actividades nocturnas . Os Gryffindor , que enchiam a sala comum , ouviram em silêncio a professora Mc_Gonagall . Ela enrolou o pergaminho que acabara de ler e disse em uma voz algo chocada : - Não é preciso acrescentar que nunca me senti tão desolada . É provável que a escola seja encerrada se não for apanhado o culpado de todos estes ataques . Quero pedir que se algum de vocês achar que sabe alguma coisa sobre eles venha imediatamente ter comigo . Mal ela subiu , de forma um_pouco desastrada , por o buraco de o retrato , os Gryffindor começaram logo a falar . - São dois Gryffindor a menos , sem contar com o fantasma de os Gryffindor , um Ravenclaw e um Hufflepuff - disse o amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , contando por os dedos . - Não terá nenhum de os professores reparado que os Slytherin estão a salvo ? Será que não é óbvio que tudo_isto vem de eles ? O herdeiro de Slytherin , o monstro de Slytherin , porque não expulsam todos os Slytherin ? - resmungou , recebendo acenos e aplausos de todos os lados . Percy_Weasley estava sentado em uma cadeira atrás_de Lee , mas por uma_vez não pareceu querer expor os seus pontos de vista . Estava pálido e aturdido . - O Percy está em estado de choque - disse o George baixinho a o Harry . - Aquela rapariga de os Ravenclaw , Penelope_Clearwater , é prefeita . Acho que ele nunca tinha pensado que o monstro pudesse atacar um prefeito . Mas Harry não estava a ouvi o com atenção . Não conseguia esquecer a imagem de Hermione deitada em a cama de o hospital , como_se estivesse esculpida em pedra . E se o culpado não fosse apanhado rapidamente tinha em a frente uma vida inteira com os Dursley . Tom_Riddle entregara o Hagrid porque fora confrontado com a possibilidade de um orfanato Muggle se a escola fechasse . Harry sabia exactamente o que ele sentira . - Que vamos nós fazer ? - disse lhe o Ron baixinho a o ouvido . - Achas que eles suspeitam de o Hagrid ? - Temos de falar com ele - disse Harry , tomando uma decisão . - Não acredito que tenha culpa desta_vez , mas se ele libertou o monstro há cinquenta anos , sabe com certeza como entrar em a Câmara_dos_Segredos , o que já é um princípio . - Mas a Gonagall disse que temos que ficar em a torre a_não_ser_que estejamos em as aulas ... - Eu acho - disse Harry ainda mais baixo - que chegou a altura de tirar outra_vez de a mala o manto de o meu pai . Harry herdara apenas uma coisa de o pai : o enorme manto prateado de a invisibilidade . Era a única maneira de poderem esgueirar se de a escola para fazer uma visita a o Hagrid , sem que ninguém de esse por isso . Deitaram se a a hora de o costume , esperaram que o Neville , o Dean e o Seamas adormecessem para se levantarem , vestirem se de_novo e taparem se com o manto . A viagem por os corredores de o castelo escuro e deserto não era nada agradável . Harry que vagueara por ali muitas_vezes durante a noite nunca vira tanta gente depois de o pôr de o Sol . Professores , prefeitos e fantasmas andavam por os corredores a os pares , olhando em volta , em busca de qualquer actividade fora de o habitual . O manto de a invisibilidade não impedia que fizessem barulho e houve um momento particularmente tenso em que o Ron deu uma topada a menos_de um metro de o lugar onde Snape se encontrava . Felizmente Snape espirrou em o preciso momento em que o Ron praguejava . Foi com grande alívio que chegaram a as portas de carvalho de a entrada principal . Estava uma noite clara e cheia de estrelas . Dirigiram se apressadamente para as janelas iluminadas de a casa de Hagrid e só tiraram o manto mesmo em frente de a porta . Poucos segundos depois de terem batido abriu se a porta . Ficaram frente_a_frente com Hagrid que lhes apontou uma besta enquanto Fang , o cão caçador de javalis , ladrava furiosamente atrás de ele . - Oh ! - disse , baixando a arma quando viu que eram eles . - O que estão vocês a fazer aqui ? - Para que é isso ? - perguntou Harry , apontando para a besta , enquanto entrava . - Nada , não é nada - murmurou Hagrid . - Tenho estado a a espera ... não tem importância , sentem se que eu vou fazer um chá . Dava a impressão de não saber o que fazia . Quase apagou a lareira , vertendo a água de a chaleira em o lume e em seguida esmagou o bule com um gesto de a sua mão maciça . - Estás bem , Hagrid ? - perguntou Harry . - Soubeste de a Hermione ? - Soube , sim - disse ele com um leve tremor em a voz . Continuava a olhar nervosamente para as janelas . Deu lhe os duas grandes canecas de água a ferver ( esquecera se de juntar o chá ) e estava a acabar de pôr em um prato uma fatia grossa de bolo de frutas quando alguém bateu energicamente a a porta . Hagrid deixou cair o bolo . Harry e Ron trocaram entre si olhares de pânico e , em seguida , cobriram se com o manto de a invisibilidade e esconderam se em um canto . Hagrid assegurou se de que eles estavam bem escondidos , pegou em a besta e abriu , mais_uma_vez , a porta . - Boa noite , Hagrid . Era_Dumbledore . Entrou com um ar muito sério , seguido de um homem bizarro . O estranho era um homenzinho pequenino , de porte majestoso com cabelos grisalhos desalinhados e uma expressão de ansiedade em o rosto . Usava uma inesperada mistura de roupas . Um fato a as riscas , uma gravata vermelho escarlate , um longo manto negro e umas botas roxas pontiagudas . Debaixo de o braço trazia um chapéu de coco verde lima . -- É o patrão de o meu pai - murmurou o Ron . Cornelius_Fudge , o ministro de a magia ! Harry deu lhe uma valente cotovelada para o fazer calar se . Hagrid tinha ficado suado e pálido . Deixou se cair em uma de as cadeiras e olhava de Dumbledore_para_Cornelius_Fudge . - Más notícias , Hagrid - disse Fudge em um tom bastante grave . - Muito más notícias . Tive de vir . Quatro ataques a filhos de Muggles , as coisas foram longe_de mais . O ministério tem que tomar uma atitude . - Eu nunca ... - disse Hagrid , parecendo implorar a Dumbledore . - O senhor sabe que eu nunca ... professor Dumbledore , o senhor ... - Quero que fique claro , Cornelius , que Hagrid tem a minha total confiança - afirmou Dumbledore , franzindo as sobrancelhas . - Olha , Albus - disse Fudge pouco a a vontade - a ficha de o Hagrid depõe contra ele . O ministério tem de fazer alguma coisa , o Conselho_Directivo de a escola tem se reunido ... - Mesmo_assim , Cornelius , devo dizer te mais_uma_vez que levar o Hagrid de aqui não vai ajudar em nada - afirmou Dumbledore com os olhos azuis com um fogo que Harry nunca vira antes . - Tenta compreender o meu ponto de vista - insistiu Fudge , brincando com o chapéu . - Estou a ser tremendamente pressionado , tenho de mostrar que faço alguma coisa . Se se provar que não foi o Hagrid , ele voltará e não se fala mais em o assunto . Mas tenho de levá o , tem de ser , não estaria a cumprir a minha obrigação se ... - Levar me ? - perguntou Hagrid a tremer . - Levar me para_onde ? - É uma pena curta - disse Fudge , sem o olhar em os olhos . - Não é um castigo , Hagrid , chamemos lhe antes uma precaução . Se mais alguém for apanhado , tu sais com todas_as nossas desculpas . - Não é para Azkaban ? - balbuciou Hagrid . Mas antes que Fudge tivesse tido tempo de responder , ouviu se bater mais_uma_vez a a porta . Dumbledore abriu . Foi a vez de Harry levar uma cotovelada em as costas : soltara um gemido audível . Mr._Lucius_Malfoy entrou em a cabana de o Hagrid embrulhado em uma longa capa preta de viagem , com um sorriso frio de satisfação . O Fang começou a rosnar . - Já está aqui , Fudge ? - disse de forma aprovadora . - Muito bem , muito bem ... - O que estás a fazer aqui ? - perguntou Hagrid furioso . - Sai imediatamente de a minha casa . - Meu bom homem , acredite que não tenho prazer nenhum em entrar em a sua ... er ... chamou lhe casa ? - disse Lucius_Malfoy , sorrindo sarcasticamente enquanto observava a pequena divisão . - Eu limitei me a ir a a escola e disseram me que o director estava aqui . - E o que queres de mim , Lucius ? - perguntou Dumbledore . O seu tom de voz era educado mas em os olhos azuis brilhava ainda o mesmo fogo . - Uma notícia horrível , Dumbledore - disse Mr._Malfoy de forma arrastada , pegando em um grande rolo de pergaminho . - Mas os membros de o conselho pensam que é altura de tu saíres . Isto_é uma ordem de suspensão , tens aí doze assinaturas . Lamento muito mas em a nossa opinião estás a perder a firmeza . Quantos ataques houve até agora ? Mais dois hoje a a tarde , não foi ? A este ritmo vão acabar todos os filhos de Muggles em Hogwarts e todos sabemos que seria uma terrível perda para a escola . - O que é isso , Lucius ? - protestou Fudge com ar alarmado . - O Dumbledore suspenso não ... não , seria a última coisa que desejaríamos em este momento ... - A nomeação ou suspensão , de o director é de a competência de os membros de o Conselho_Directivo , Fudge - disse suavemente Mr._Malfoy . - E como Dumbledore não foi capaz de pôr cobro a estes ataques ... - Oh ! Lucius , se Dumbledore não conseguiu - disse Fudge com o lábio superior a suar . - Quem irá conseguir ? - Isso está para se ver - disse Mr._Malfoy com um sorriso mesquinho . - Mas como os doze votamos ... Hagrid pôs se de pé em um salto , o cabelo preto hirsuto a roçar em o tecto . - E quantos tiveste de chantajar para concordarem contigo , Malfoy ? - Meu caro Hagrid , sabe que esse seu temperamento ainda acaba por lhe criar problemas um dia de estes - disse Mr._Malfoy . - Não o aconselho a gritar assim com os guardas de Azkaban . Eles não iriam gostar nada . - Não podes levar Dumbledore - gritou Hagrid , fazendo Fang , o cão caçador de javalis , agachar se e ganir em o seu cesto . - Sem ele , os filhos de os Muggles não têm qualquer hipótese . A seguir haverá mortes . - Acalma te , Hagrid - disse Dumbledore de forma cortante , olhando para Lucius_Malfoy . - Se os membros de o conselho querem substituir me , eu sairei , claro . - Mas - interrompeu Fudge . - Não - rosnou Hagrid . Dumbledore não tirara os seus olhos azuis brilhantes de os olhos cinzentos e frios de Lucius_Malfoy . - Contudo - disse , pronunciando cada palavra lenta e claramente para que nenhum de eles perdesse o seu sentido - verás que só deixarei verdadeiramente esta escola quando ninguém aqui me for leal . Descobrirás também que será sempre dada ajuda em Hogwarts a quem a pedir . Por um segundo , Harry teve quase a certeza de que os olhos de Dumbledore tremelaziram em direcção a o canto onde ele e Ron estavam escondidos . - Sentimentos admiráveis - disse Malfoy , fazendo uma vénia . - Todos nós vamos sentir a tua ... forma muito pessoal de fazer as coisas , Albus . Só espero que o teu sucessor consiga evitar qualquer ... crime . Dirigiu se a a porta de a cabana , abriu a e fez sinal a Dumbledore para que passasse a a sua frente . Fudge , mexendo nervosamente em o chapéu de coco , esperou que Hagrid fizesse o mesmo mas ele ficou quieto , respirou fundo e disse prudentemente : - Se alguém quiser descobrir alguma coisa , o que tem a fazer é seguir as aranhas . Elas indicarão o caminho , é tudo_o_que vos digo . Fudge olhou para ele espantado . - Está bem , eu vou - disse Hagrid , pegando em o seu sobretudo de pêlo de toupeira . Mas quando ia seguir o Fudge e sair por a porta , parou e disse em voz alta : - E alguém tem de dar de comer a o Fang enquanto eu não estiver cá . A porta fechou se ruidosamente e Ron tirou o manto de a invisibilidade . -- Estamos outra_vez em uma alhada - disse com voz rouca - Sem o Dumbledore podem fechar a escola já esta noite . Sem ele vai haver um ataque por dia . O Fang começou a ganir , arranhando a porta fechada . XV_Aragog_O_Verão insinuava se em os campos em volta de o castelo . O céu e o lago tinham se tornado de um azul-molusco e as flores , grandes como couves , começavam a florir em as estufas . Mas sem o Hagrid , que ele costumava avistar de o castelo , atravessando os campos com o Fang atrás , parecia a Harry que a paisagem não estava completa . Não era melhor dentro de o castelo onde tudo corria horrivelmente mal . O Harry e o Ron tinham tentado visitar a Hermione , mas as visitas a o hospital estavam proibidas . - Não vamos correr mais riscos - disse lhes Madam_Pomfrey com ar severo , através_de uma fresta de a porta de o hospital . Não , lamento , há muitas hipóteses de o atacante voltar para acabar de vez com estas pessoas ... Com Dumbledore longe , o medo espalhara se como nunca acontecera antes , de_tal_modo_que o sol que aquecia as paredes de o castelo por fora parecia parar junto de as janelas de pinázios . Não se via um único rosto em a escola que não andasse tenso e preocupado e qualquer gargalhada , em os corredores , se tornava incómoda e antinatural e era rapidamente abafada . Harry repetia constantemente , de si para consigo , as últimas palavras que ouvira a Dumbledore : - * _ Só terei verdadeiramente deixado esta escola quando ninguém me for leal ... será sempre dada ajuda , em Hogwarts , a quem a pedir * . Qual seria o significado exacto de aquelas palavras ? A quem deveria pedir ajuda quando todos estavam tão confusos assustados como ele ? A alusão de Hagrid a as aranhas era bastante mais fácil de entender . O problema era que parecia não ter restado uma única aranha em o castelo para eles a poderem seguir . Harry procurou por todo o lado com a ajuda relutante de o Ron . As coisas estavam dificultadas por o facto de não poderem andar sozinhos e terem de se deslocar em grupo dentro de o castelo , juntamente com outros Gryffindor . A maior parte de os alunos gostava de ser conduzida como carneiros de uma aula para a outra por os professores mas Harry achava horrível . Havia , contudo , uma pessoa que parecia apreciar aquela atmosfera de terror e suspeitas . Draco_Malfoy passeava empertigado por a escola como_se tivesse sido nomeado para chefe de turma . Harry só compreendeu o motivo de toda aquela boa disposição cerca de quinze_dias depois de Dumbledore e Hagrid se terem ido embora quando , em uma aula de poções , o ouviu falar com o Crabbe e o Goyle . - Sempre achei que seria o pai quem conseguiria livrar nos de o Dumbledore - disse sem a menor preocupação em baixar a voz . - Já vos disse , segundo ele , Dumbledore foi o pior director que a escola alguma vez teve . Talvez agora venha um director decente que não queira a Câmara_dos_Segredos fechada . A Mc_Gonagall não vai durar muito , está só a ... O Snape passou por Harry , sem fazer comentários a o caldeirão e a a cadeira vazia de Hermione . - Professor - disse Malfoy em voz alta . - Professor , porque não se candidata a o lugar de director ? - Ora , ora , Malfoy - respondeu Snape , sem conseguir esconder um meio sorriso . - O professor Dumbledore foi apenas suspenso por os membros de o conselho de direcção , certamente vai voltar um dia de estes . - Sim , claro - disse Malfoy com o seu sorriso escarninho . - Acho que se o professor quisesse candidatar se a o lugar teria o voto de o pai . Eu vou dizer lhe que o acho o melhor professor de a escola . Snape sorriu enquanto passeava de um lado para o outro em o calabouço , não tendo felizmente visto o Seamus_Finnigan que fingia vomitar para dentro de o caldeirão . - Estou espantado por ver que até agora os sangues de lama ainda não fizeram as malas e não desapareceram - prosseguiu Malfoy . - Aposto cinco galeões em como o próximo morre . Pena que não tenha sido a Granger ... A campainha tocou em esse momento o que foi uma sorte porque a o ouvir as últimas palavras de Malfoy , Ron deu um salto , mas em a barafunda de guardar os livros em os sacos , a sua tentativa de agarrar o Malfoy passou despercebida . - Deixem me - gritava o Ron enquanto o Harry e o Dean lhe agarravam os braços . - Não preciso de varinha , vou dar cabo de ele com as minhas mãos ... - Despachem se , tenho de conduzir vos a a aula de herbologia - praguejava o Snape acima de as cabeças de os alunos . E lá foram como cordeirinhos com Harry , Ron e Dean em a retaguarda , o Ron ainda a tentar libertar se . Só acharam seguro largá o quando Snape os deixou fora de o castelo e iniciaram o percurso por o meio de a horta em direcção a as estufas . A aula de herbologia estava reduzida . Tinha agora dois alunos a menos : Justin e Hermione . A professora Sprout pô os a trabalhar , podando as figueiras-da-abissínia . Harry foi despejar uma braçada de hastes secas em um monte de adubo e deu consigo cara a cara com Ernie_Mcmillan . Ernie respirou fundo . - Só quero dizer te , Harry que lamento ter suspeitado de ti . Sei que nunca atacarias a Hermione_Granger e peço te desculpa por todas_as coisas que disse . Estamos todos em o mesmo barco , agora e , bem ... Estendeu lhe uma mão rechonchuda que o Harry apertou . Ernie e a sua amiga Hannah foram trabalhar em a mesma figueira com o Harry e o Ron . - Aquele tipo , Draco_Malfoy - disse Ernie , partindo pequenos galhos - , parece muito satisfeito com isto tudo , não acham ? É bem possível que ele seja o herdeiro de Slytherin . - Uma observação inteligente de a tua parte - disse o Ron que parecia não ter desculpado Ernie tão facilmente como o Harry . - Acham que é ele ? - perguntou Ernie . - Não - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Hannah ficaram a olhar espantados . Um segundo depois , Harry avistou qualquer coisa que o levou a chamar a atenção de o Ron , batendo lhe em a mão com a tesoura de podar . - Au ... o que é_que tu ... ? Harry apontava para o chão , a poucos centímetros de distância . Várias aranhas grandes corriam precipitadamente por a terra fora . - Ah ! sim - disse o Ron , tentando , sem conseguir , mostrar se entusiasmado . - Mas não podemos seguis as agora ... Ernie e Hannah ouviam nos com curiosidade . Harry viu as aranhas desaparecerem . - Parecem ir em a direcção de a floresta proibida ... E o Ron ficou ainda mais infeliz a o ouvir aquilo . Em o final de a aula , o professor Snape acompanhou os alunos a a « Defesa contra as artes negras » . Harry e Ron foram atrás de os outros para poderem conversar sem serem ouvidos . - Temos de usar outra_vez o manto de a invisibilidade - disse Harry a o Ron . - Podemos levar connosco o Fang , ele está habituado a ir a a floresta com o Hagrid , pode ser uma boa ajuda . - Certo - disse o Ron , que fazia girar nervosamente a varinha em os dedos . - Er ... não costuma haver ... não costuma haver lobisomens em a floresta ? - acrescentou enquanto ocupavam os lugares de o costume em a aula de o Lockhart . Preferindo não responder a a pergunta , Harry disse : - Também há lá coisas boas . Os centauros são fixes e os unicórnios . Ron nunca estivera em a floresta proibida , Harry fora lá só uma_vez e desejara não ter de lá voltar . Lockhart deu um salto para dentro de a sala de aula e os alunos ficaram espantados a olhar para ele . Todos os outros professores andavam mais tristes do_que o habitual mas Lockhart parecia sentir se em as nuvens . - Então , então - exclamou , olhando em volta . - Porquê essas caras deprimidas ? Lançaram lhe olhares exasperados mas ninguém respondeu . - Não compreendem - disse , falando devagar como_se fossem todos um_pouco estúpidos - que o perigo já passou ? O culpado foi se embora . -- Quem disse ? - retorquiu Dean_Thomas em voz alta . -- Meu caro jovem , o ministro de a magia não teria levado Hagrid se não estivesse cem por_cento certo de que ele era o culpado - disse Lockhart como quem explica que um e um são dois . - Teria , sim - disse o Ron , em um tom de voz ainda mais alto do_que o de o Dean . - Eu julgo saber um_pouco mais sobre a prisão de o Hagrid do_que o senhor , Mr._Weasley - disse Lockhart com notória auto-satisfação . Ron começou a dizer que discordava mas foi interrompido por o Harry que lhe deu um forte pontapé por debaixo de a mesa . - Nós não estávamos lá , lembras te ? - murmurou . Mas a alegria revoltante de o Lockhart , as insinuações de que sempre tinha achado que o Hagrid não prestava , a sua certeza de que tudo aquilo estava a chegar a o fim , irritou Harry de tal maneira que teve vontade de lhe atirar as * _ Viagens com Vampiros * e de lhe acertar em aquela cara estúpida . Mas , em vez de isso , limitou se a escrevinhar um bilhete para o Ron : * _ Vamos lá hoje a a noite * . Ron leu a mensagem , engoliu em seco e olhou para o lugar onde Hermione costumava sentar se . A cadeira vazia pareceu ajudá o a decidir se e acenou afirmativamente . A sala comum de os Gryffindor estava agora sempre cheia porque , depois de as seis_da_tarde , os Gryffindor não tinham outro lugar para ir . Por outro lado , tinham imenso para conversar , por isso a sala comum mantinha se cheia de gente até depois de a meia-noite . Logo_a_seguir a o jantar , Harry foi buscar o manto de a invisibilidade a a mala onde estava guardado e passou todo o serão a a espera que a sala esvaziasse . O Fred e o George desafiaram o para alguns jogos de explosão e a Ginny sentou se , muito preocupada , a observá os , em a cadeira habitual de Hermione . Harry e Ron fartaram se de perder de propósito em uma tentativa de pôr rapidamente fim a os jogos mas , mesmo_assim , já passava bastante de a meia-noite quando o Fred , o George e a Ginny se foram , finalmente , deitar . Harry e Ron esperaram até ouvir as portas de os dois dormitórios fecharem se . Em seguida , pegaram em o manto , lançaram o sobre ambos e passaram por o buraco de o retrato . Era mais uma difícil travessia de o castelo , tendo de fintar todos os professores . Finalmente , chegaram a o * hall * de entrada , giraram o fecho de as portas de carvalho , esgueiraram se tentando não fazer barulho e aventuraram se nos campos iluminados por o luar . - É claro que - disse bruscamente o Ron , enquanto atravessavam os relvados negros - podemos perfeitamente chegar a a floresta e descobrir que não há nada para seguir . As aranhas podem não ter ido para lá . É certo que parecia que tomavam essa direcção , mas ... Felizmente a lengalenga não durou muito . Chegaram a a casa de o Hagrid que tinha um ar triste com as suas janelas vazias . Logo_que Harry empurrou a porta e a abriu , o Fang saltou , louco de alegria por os ver . Preocupados , não fosse ele acordar toda_a_gente em o castelo com o seu ladrar forte e agitado , deram lhe rapidamente a comer bombons de melaço que estavam em uma lata sobre a lareira e que lhe colaram os dentes de cima a os de baixo . Harry pousou o manto de a invisibilidade sobre a mesa de o Hagrid . Não iam precisar de ele em a floresta escura como breu . - Anda , Fang , vamos dar um passeio - disse Harry , batendo lhe a o de leve em a pata e Fang saiu feliz , a os saltos , atrás de eles . Precipitou se até a a orla de a floresta e levantou a perna contra uma enorme figueira-do-egipto . Harry pegou em a varinha , murmurou * _ Lumus * ! e uma pequenina luz surgiu em a ponta de a varinha , suficiente para lhes mostrar o caminho e ajudá os a descobrir a pista de as aranhas . - Bem pensado - disse o Ron . - Eu acendia também a minha mas , sabes como ela está , ainda estoirava ou qualquer coisa assim ... Harry tocou em o ombro de o Ron , apontando para as ervas . Duas aranhas solitárias fugiam de a luz de a varinha , aproximando se de a sombra de as árvores . - O. _ K. - disse o Ron , resignando se com o pior . - Estou pronto , vamos . Então , com o Fang a correr atrás de eles , cheirando as raízes de as árvores e as folhas , entraram em a floresta . Seguindo a luz de a varinha de o Harry seguiram a fila disciplinada de aranhas que se movia a o longo de o caminho . Andaram durante cerca de vinte minutos , sem falar , atentos a todos os ruídos que não fossem os de os ramos caídos e de as folhas secas . Então , quando as copas de as árvores se tinham tornado mais cerradas do_que nunca , de_tal_modo_que as estrelas em o céu já não eram visíveis e a varinha de o Harry brilhava isolada em um mar de escuridão , viram as aranhas que eles seguiam a abandonar o caminho . Harry parou , tentando ver para_onde iam mas tudo_o_que ficava longe de a sua pequenina luz era negro de breu . Ele nunca fora tão longe em a floresta . Lembrava se muito bem de Hagrid lhe ter dito , de a última vez que ali tinham estado , que nunca saísse de o caminho de a floresta . Mas Hagrid agora estava a muitos quilómetros de distância e ele também lhes dissera que seguissem as aranhas . Uma coisa húmida tocou em a mão de o Harry e ele deu um salto para trás , pisando o pé a o Ron . Mas afinal era apenas o focinho de o Fang . - O que é_que tu achas ? - perguntou ele a o Ron cujos olhos conseguia vislumbrar , reflectindo a luz de a varinha . - Já_que viemos até aqui - disse ele . Seguiram , portanto as sombras velozes de as aranhas em direcção a as árvores . Não podiam agora andar muito depressa . Tinham em a frente raízes de árvores e troncos cortados que mal se viam em aquela escuridão . Harry sentia o bafo quente de Fang em a mão . Por mais de uma_vez tiveram de parar para o Harry se baixar e descobrir as aranhas a a luz de a varinha . Andaram durante o que lhes pareceu ter sido pelo_menos meia_hora , com os mantos a roçarem em os ramos mais baixos e em as silvas . A o fim de algum tempo repararam que o chão parecia inclinar se para baixo embora as árvores continuassem cerradas . Foi então que o Fang soltou um latido que ecoou em volta , fazendo Harry e Ron darem um salto , ambos com os cabelos em pé . - O que foi ? - gritou o Ron , olhando em volta para a escuridão e agarrando Harry com força , por o cotovelo . - Há qualquer coisa ali a mexer se - murmurou Harry - Ouve ... parece ser grande . Ficaram a ouvir . Um_pouco para a direita algo de grandes dimensões partia os ramos enquanto abria caminho através de as árvores . - Oh ! não - disse o Ron . - Oh ! não , não ... - Cala te - insistiu o Harry , nervoso . - Seja o que for , vai acabar por te ouvir . - Ouvir me ? - disse o Ron , em um tom de voz muito pouco natural . - Já ouviu . Fang ! A escuridão parecia esmagar lhes os globos oculares enquanto ali ficaram apavorados , a a espera . Houve um estranho ruído , surdo e prolongado , e em seguida o silêncio . - O que estará a fazer ? - perguntou Harry . - Talvez esteja a preparar se para atacar - disse o Ron . Esperaram , a tremer , sem ousarem mexer se . - Achas que se foi embora ? - murmurou Harry . - Não sei . Em esse momento , de o lado direito veio um clarão de luz tão forte em o meio de o escuro que os dois levaram as mãos a a cara para proteger os olhos . O Fang ganiu e tentou fugir mas viu se envolvido em um emaranhado de espinhos e ganiu ainda mais alto . - Harry - gritou o Ron com grande alívio em a voz . - Harry , é o nosso carro . - O quê ? - Anda ver . Harry avançou a os tropeções atrás de o Ron , em direcção a a luz e em o momento seguinte estavam em uma clareira . O carro de Mr._Weasley ali estava , vazio , no_meio_de um círculo de árvores grossas , sob um telhado de ramos densos , os faróis de a frente resplandecentes . Quando Ron se aproximou de boca aberta , moveu se lentamente em direcção a ele como_se fosse um grande cão azul turquesa , cumprimentando o dono . - Tem estado aqui todo este tempo - disse o Ron satisfeitíssimo , aproximando se de o carro . - Olha para ele , a floresta tornou o selvagem ... O guarda-lamas estava riscado e cheio de lodo . Parecia que tinha andado a passear sozinho por a floresta . Fang não gostou lá muito de ele . Manteve se a o lado de o Harry que podia senti o a tremer . Com a respiração normalizada , Harry guardou a varinha em o manto . - E nós a pensarmos que ele nos ia atacar - disse o Ron , encostando se a o carro e dando lhe duas palmadinhas - As voltas que eu dei a a cabeça a pensar para_onde ele teria ido ! Harry olhava para todos os lados , em o chão iluminado , em busca de mais aranhas mas todas elas tinham fugido de o brilho de as luzes . - Perdemos as de vista - disse ele . - Anda , vamos procurá as . Ron não disse nada . Não se moveu . Tinha os olhos fixos em um ponto , três metros acima de o chão de a floresta , mesmo atrás de o Harry . O seu rosto estava lívido de terror . Harry nem teve tempo de se voltar . Ouviu se um ruído alto e seco e sentiu que alguma coisa longa e peluda o elevava em o ar com o rosto voltado para baixo . Debatendo se , apavorado , ouviu outro estalido e viu as pernas de o Ron serem também levantadas de o chão . Ouviu o Fang gemer e ganir e , em o momento seguinte , era levado para o meio de as árvores escuras . Com a cabeça a balouçar , Harry viu que a coisa que o transportava tinha seis enormes patas peludas e que as duas de a frente o agarravam com forca sob um par de tenazes pretas e brilhantes . Atrás_de si podia ouvir outra de aquelas criaturas que , sem dúvida , transportava o Ron . Encaminhavam se para o coração de a floresta . Harry ouvia o Fang a ladrar , tentando libertar se de um terceiro monstro mas Harry não podia gritar mesmo_que quisesse , parecia que tinha deixado a voz em a clareira , junto com o carro . Não soube quanto tempo esteve em as patas de a criatura , só se apercebeu que a escuridão se atenuara um_pouco , permitindo lhe ver que o chão coberto de folhas estava agora repleto de aranhas . Voltando a cabeça para o lado , deu se conta de que tinham chegado a a base de uma enorme cova , uma cova que fora limpa de árvores para que as estrelas iluminassem com o seu brilho a cena mais pavorosa que os seus olhos alguma vez tinham visto . Aranhas . Não aranhas pequeninas como aquelas que estavam sobre as folhas . Aranhas de o tamanho de enormes cavalos , com oito olhos , oito pernas pretas , peludas , gigantescas . O espécimen que transportava Harry desceu o terreno íngreme até uma teia brumosa em forma de cúpula que ficava mesmo em o meio de a cova , enquanto os companheiros se juntavam em volta , batendo excitadíssimos com as tenazes e olhando para o que eles traziam a as costas . Harry caiu em o chão de gatas quando a aranha o libertou . Ron e Fang foram cair perto de ele . O Fang já não gania . Estava agachado e muito quieto . Ron e Harry partilhavam o mesmo sentimento . O Ron tinha a boca aberta em uma espécie de grito silencioso e os olhos a saltarem lhe de as órbitas . Harry percebeu de repente que a aranha que o deitara a o chão estava a dizer qualquer coisa . Era difícil entender porque entre cada duas palavras , batia com as tenazes . - Aragog - chamou . - Aragog . E de o meio de a teia brumosa em forma de cúpula saiu muito lentamente uma aranha de o tamanho de um pequeno elefante . As costas e as pernas estavam cobertas de pêlo cinzento e , em a cabeça feia , munida de tenazes , estavam vários olhos , todos eles de um branco leitoso . Era cega . - O que foi ? - disse , batendo rapidamente com as tenazes uma em a outra . - Homens - respondeu a aranha que trouxera o Harry . - É o Hagrid ? - perguntou Aragog , aproximando se mais com os seus oito olhos leitosos a vaguear . - Estranhos - respondeu a aranha que trouxera o Ron . - Matem nos - disse Aragog , irritada . - Eu estava a dormir ... - Nós somos amigos de o Hagrid - gritou Harry . Parecia que o coração lhe saltava por a boca . Clic , clic , clic fizeram as tenazes de a aranha , em volta de a cova . Aragog parou . - O Hagrid nunca mandou homens a a nossa cova - disse lentamente . - O Hagrid está em perigo - explicou Harry , respirando muito depressa . - Foi por isso que eu vim . - Em perigo ? - repetiu a aranha idosa e pareceu a Harry sentir preocupação por detrás de as suas tenazes . - Mas porque vos mandou ele cá ? Harry pensou pôr se de pé mas achou melhor não arriscar . As pernas provavelmente não teriam força para o sustentar . Falou portanto de o chão , o mais calmamente que foi capaz . - Eles lá em a escola pensam que o Hagrid soltou qualquer coisa contra os estudantes . Mandaram o para Azkaban . Aragog bateu furiosamente com as tenazes e , em toda_a cova , o eco foi reproduzido por uma multidão de aranhas . Era uma espécie de aplauso com uma única diferença : os aplausos não costumavam fazer o Harry quase morrer de medo . - Mas isso foi há muitos anos - disse Aragog , maldisposta . - Há anos e anos . Lembro me muito bem . Foi por isso que o expulsaram de a escola . Eles pensaram que eu era o monstro que vive em aquilo a que eles chamam a Câmara_dos_Segredos . Pensaram que o Hagrid a tinha aberto para me libertar . - E tu ... não vieste de a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Harry que sentia a testa cheia de suores frios . - Eu - disse Aragog , batendo irritada com as tenazes - , eu não nasci em o castelo . Venho de uma terra distante . Um viajante ofereceu me a o Hagrid quando eu era ainda um ovo . Hagrid era um rapazinho mas tratou de mim , escondeu me em uma despensa dentro de o castelo e alimentava me com as migalhas que ficavam em as mesas . Hagrid é o meu bom amigo e um bom homem . Quando me encontraram e me culparam por a morte de uma rapariga , ele protegeu me . Desde_então , tenho vivido aqui em a floresta onde o Hagrid ainda vem visitar me . Ele até me arranjou uma esposa , Mosag , e estão a ver como a família cresceu , tudo graças a a bondade de o Hagrid ... Harry reuniu a coragem que lhe restava . - Então tu nunca atacaste ninguém ? - Nunca - resmungou a velha aranha . - Era esse o meu instinto , mas por respeito a Hagrid nunca fiz mal a nenhum humano . O corpo de a rapariga morta foi encontrado em uma casa_de_banho , ora eu nunca conheci mais do_que despensa de o castelo , onde cresci . Nós gostamos de o escuro de o silêncio . - Mas então ... sabes o que matou essa rapariga ? - perguntou Harry . - Porque seja o que for , está a atacar as pessoas outra_vez ... As suas palavras foram abafadas por uma audível explosão de tenazes a bater e por o ruge-ruge de muitas pernas longas , deslocando se iradas . Em volta de Harry começaram a mover se sombras escuras . - O que vive em o castelo - disse Aragog - é uma antiga criatura que nós , aranhas , tememos acima_de todas_as outras . Lembro me bem de o quanto insisti com Hagrid para que me deixasse sair de ali quando senti a criatura a andar por a escola . - O que é ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Mais tenazes a bater , mais pernas a moverem se . As aranhas pareciam estar a aproximar se . - Nós não falamos de isso - exclamou Aragog furiosa . - Não pronunciamos o seu nome . Eu nunca disse a o Hagrid o nome de a horrível criatura , apesar_de ele me ter perguntado vezes sem conta . Harry não quis insistir , principalmente com todas aquelas aranhas a aproximarem se de todos os lados . Aragog parecia ter se cansado de falar . Recuava lentamente para a teia em forma de cúpula , mas as companheiras continuavam a aproximar se ameaçadoramente de Harry e Ron . - Vamos embora , então - gritou Harry , desesperadamente a Aragog , enquanto ouvia as folhas secas a estalarem atrás_de si . - Embora ? - disse Aragog lentamente . - Não me parece ... - Mas , mas ... - Os meus filhos e filhas não fazem mal a o Hagrid por ordem minha . Mas não posso negar lhes carne fresca quando ela veio por vontade própria ter connosco . Adeus , amigo de o Hagrid . Harry deu meia volta . Poucos centímetros acima de ele , uma sólida parede de aranhas batia com as tenazes , os seus muitos olhos a brilharem em as horríveis caras pretas . Mesmo_que se servisse de a varinha , Harry sabia que não ia valer de nada . As aranhas eram demasiadas , mas quando tentava preparar se para morrer a lutar , ouviu se um som prolongado e um clarão de luz iluminou a cova . O carro de Mr._Weasley ribombava , descendo o declive , com os faróis acesos , a buzina a guinchar , afastando as aranhas . Muitas de elas ficaram voltadas ao_contrário com as várias pernas a agitar se em o ar . O carro buzinou com mais força em frente de Harry e Ron e as portas abriram se . - Agarra o Fang - gritou Harry , ajeitando se em o lugar de a frente . Ron agarrou o cão caçador de javalis e lançou o a ganir para o banco de trás . As portas fecharam se com estrondo . Ron não tocou em o acelerador mas o carro não precisou de isso . O motor fez se ouvir e levantaram voo , batendo em mais aranhas . Subiram o declive , saindo de a cova e pouco depois atravessavam a floresta , os ramos a baterem em os vidros enquanto o carro seguia habilmente através de os intervalos maiores , por um caminho que obviamente já conhecia . Harry olhou para o Ron , a o seu lado . Ele tinha ainda a boca aberta em o mesmo grito silencioso mas os olhos já não estavam salientes . - Estás bem ? Ron olhou em frente , incapaz de responder . Começavam a descer para terra firme com o Fang a soltar enormes ganidos em o banco de trás e Harry viu o espelho retrovisor saltar quando passaram rente a um enorme carvalho . Após dez minutos bastante ruidosos , as árvores começaram a ser mais finas e Harry pôde ver de_novo pedaços de o céu . O carro parou tão bruscamente que quase foram projectados por o vidro de a frente . Tinham chegado a a orla de a floresta . O Fang ia agitadíssimo a a janela e quando Harry abriu a porta , disparou a correr através de as árvores até a a casa de o Hagrid , de cauda entre as pernas . Harry saiu também e um minuto depois o Ron pareceu recuperar a força em os membros e seguiu o , ainda com um torcicolo e de olhos esbugalhados . Harry deu uma palmadinha de agradecimento a o carro antes de ele dar a volta e desaparecer em direcção a a floresta . Harry voltou a a cabana de o Hagrid para buscar o manto de a invisibilidade . O Fang tremia em o seu cesto , coberto por um cobertor . Quando saiu de_novo , viu o Ron a vomitar junto de as abóboras . - Sigam as aranhas - disse ele debilmente , limpando a boca a a manga . - Nunca vou perdoar a o Hagrid . É uma sorte ainda estarmos vivos . - Aposto que ele pensou que Aragog nunca faria mal a os seus amigos - justificou Harry . - Esse é justamente o problema de o Hagrid - interrompeu Ron , dando um soco em a parede de a cabana . - Ele acha sempre_que os monstros não são tão maus como os pintam e vê onde isso o levou , a uma cela em Azkaban - tremia agora descontroladamente . - Qual a ideia de ele a o mandar nos ali ? Gostava de saber o que é_que descobrimos . - Que o Hagrid nunca abriu a Câmara_dos_Segredos - disse Harry , lançando o manto sobre Ron e tocando lhe em o braço para o encorajar a andar . - Ele estava inocente . Ron resmungou em voz alta . Para ele , chocar Aragog em uma despensa não era propriamente estar inocente . Quando se aproximaram de o castelo , Harry esticou o manto para garantir que os pés de ambos ficavam cobertos . Em seguida , empurrou as portas de a frente que chiaram . Atravessaram com todo o cuidado o * hall * de entrada e subiram a escadaria de mármore , contendo a respiração em os corredores guardados por sentinelas atentos . Por fim , chegaram a a segurança de a sala de os Gryffindor onde o lume ardera até se transformar em brasas brilhantes . Tiraram o manto e subiram a escada serpenteante que os levava a o dormitório . Ron caiu em a cama sem sequer se despir mas Harry , apesar_de tudo , não tinha sono . Sentou se em a beirinha de a cama , pensando em todas_as coisas que Aragog dissera . A criatura que andava por o castelo , pensou , era uma espécie de monstro Voldemort , nem os outros monstros queriam pronunciar o seu nome . Mas ele e o Ron não estavam agora mais perto_de descobrir o que era nem como petrificava as suas vítimas . Se nem o Hagrid chegara a saber o que estava em a Câmara_dos_Segredos ... Harry balançou as pernas e atirou se para_cima de a cama . Encostado a as almofadas olhou a Lua que brilhava através de a janela de a torre . Não sabia que mais poderiam fazer . Só tinham encontrado portas fechadas . Riddle apanhara a pessoa errada . O herdeiro de Slytherin fugira e ninguém sabia se era a mesma pessoa ou uma outra que abrira , desta_vez , a Câmara_dos_Segredos . Não havia mais ninguém a quem fazer perguntas . Harry deitou se ainda a pensar em as palavras de Aragog . Estava a começar a ficar com sono quando aquilo que parecia ser uma última esperança lhe ocorreu , fazendo o sentar se muito direito em a cama . - Ron - sussurrou em o escuro . - Ron . Ron acordou com um ganido como os de o Fang . Olhou muito assustado em volta e viu o Harry . - Ron , a rapariga que morreu . Aragog contou nos que ela foi encontrada em uma casa_de_banho - disse , ignorando os roncos de o Neville em o outro canto de o quarto . - E se ela nunca tivesse saído de a casa_de_banho ? E se ainda lá estiver ? Ron esfregou os olhos , franzindo as sobrancelhas sob a luz de a Lua . E só então compreendeu . -- Não pensar que ... a Murta_Queixosa ? XVI_A_Câmara_dos_Segredos -- E estivemos nós tantas vezes em aquela casa_de_banho com ela apenas a três cubículos de distância - disse o Ron amargamente em o dia seguinte , a a mesa de o pequeno-almoço . - Podíamos ter lhe perguntado e agora ... Já fora bastante difícil procurar as aranhas . Escapar a os professores o tempo suficiente para ir até a a casa_de_banho de as raparigas , que ficava mesmo em frente de o lugar onde ocorrera o primeiro ataque , ia ser quase impossível . Mas alguma coisa aconteceu que fez com que a Câmara_dos_Segredos desaparecesse de os seus pensamentos pela_primeira_vez em várias semanas . A professora Mc_Gonagall comunicou lhes que os exames começariam a 1_de_Junho , uma semana depois . - Exames ? - gritou Seamus_Finnigan . - Nós mesmo_assim vamos ter exames ? Ouviu se um estrondo atrás de o Harry quando a varinha de o Neville_Longbottom lhe escapou de a mão , fazendo desaparecer uma de as pernas de a secretária . A professora Mc_Gonagall repô a com a sua varinha e voltou se com má cara para o Seamus . - Se temos a escola aberta em uma altura de estas é para vocês receberem instrução - disse com dureza . - Os exames terão lugar , portanto , como é costume e espero que todos vocês façam revisões até lá . Revisões . Não passara por a cabeça de o Harry que houvesse exames com o castelo em aquele estado . Houve uma série de murmúrios revoltados , o que fez com que a professora Mc_Gonagall ficasse ainda mais mal-humorada . - As instruções de o professor Dumbledore foram para manter a escola a funcionar o mais normalmente possível - disse . - E isso , não preciso de vos dizer , passa por uma avaliação de o quanto vocês aprenderam a o longo de este ano . Harry olhou para baixo , para o casal de coelhos brancos que ele deveria transformar em pantufas . Que tinha ele aprendido durante o ano ? Não era capaz de se lembrar de nada que fosse útil em um exame . Ron estava como_se tivessem acabado de lhe dizer que a partir de aquele momento tinha de ir viver para a floresta proibida . - Estás a ver me a ter exames com isto tudo ? - perguntou a o Harry enquanto pegava em a varinha que tinha começado a assobiar bastante alto . Três dias antes de o primeiro exame , a a hora de o pequeno almoço , a professora Mc_Gonagall fez outra comunicação . - Tenho boas notícias - disse , e o salão em_vez_de se calar , explodiu de contentamento . - Dumbledore vai regressar ! - gritaram várias pessoas cheias de alegria . - Apanharam o herdeiro de Slytherin - arriscou uma rapariga em a mesa de os Ravenclaw . - Temos outra_vez os jogos de Quidditch - bradou Wood , excitadíssimo . Quando a agitação passou , Mc_Gonagall disse : - A professora Sprout informou me que as mandrágoras estão finalmente prontas para serem cortadas . Hoje a a noite vamos poder reanimar as pessoas que foram petrificadas . Escusado será dizer que certamente uma de elas poderá revelar nos quem ou o que a atacou . Eu tenho esperança que este ano pavoroso acabe com a prisão de o culpado . Houve uma explosão de aplausos . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e não ficou nada surpreendido a o ver que Draco_Malfoy não aplaudia . O Ron , por outro lado , estava satisfeito como ninguém o via havia dias . - Não faz mal não termos perguntado a a Murta . A Hermione vai , com certeza , ter todas_as respostas quando acordarem . Vai também ficar fula quando souber que temos exames dentro_de três dias . Ela não pôde fazer revisões . Seria melhor deixarem a estar onde está até a o final de os exames . Nessa_altura , Ginny_Weasley veio sentar se junto de o Ron . Parecia nervosa e tensa e Harry reparou que torcia as mãos em o colo . - O que se passa ? - perguntou o Ron , servindo se de mais papa de aveia . Ginny não disse nada mas olhou para um lado e para o outro de a mesa de os Gryffindor , com um olhar assustado que lembrou a Harry alguém que não sabia bem quem era . - Vá lá , vomita - disse o Ron , olhando para ela . Harry percebeu subitamente quem a Ginny lhe lembrara . Ela balançava se ligeiramente para a frente e para trás em a cadeira , exactamente como o Dobby fazia quando estava hesitante , à_beira_de revelar uma informação proibida . - Tenho de te dizer uma coisa - balbuciou a Ginny receosa , sem olhar para Harry . - O que é ? - perguntou ele . Ginny parecia incapaz de encontrar as palavras certas . - O quê ? - insistiu Ron . Ginny abriu a boca mas não saiu nenhum som . Harry inclinou se para a frente e falou devagar para que só ela e Ron pudessem ouvi o . - É alguma coisa relacionada com a Câmara_dos_Segredos ? Viste alguma coisa ou alguém a agir de forma estranha ? Ginny respirou fundo e , em esse preciso momento , apareceu Percy_Weasley com um ar pálido e cansado . - Se já acabaste de comer eu fico com esse lugar , Ginny . Estou cheio de fome . Acabei agora o meu trabalho de patrulhamento . Ginny deu um salto como_se a cadeira tivesse acabado de ser electrificada , lançou a o Percy um olhar assustado e zarpou . Percy sentou se e tirou uma caneca de o meio de a mesa . -- Percy - disse o Ron aborrecido . - Ela ia agora mesmo contar nos uma coisa importante . A meio de um gole de chá , Percy estremeceu . - Que coisa ? - perguntou , tossindo . - Eu quis saber se ela tinha visto alguma coisa estranha e ela ia dizer ... - Ah ! isso ... não tem nada que ver com a Câmara_dos_Segredos - disse o Percy de imediato . - Como sabes ? - indagou o Ron , erguendo as sobrancelhas . - Bem ... er ... já_que perguntam , a Ginny ... er ... passou por mim em outro dia quando eu ... er ... não foi nada , o importante é_que ela viu me fazer uma coisa e eu ... um ... pedi lhe para não comentar com ninguém . Não pensei que ela cumprisse a palavra , verdade se diga . Não é nada importante , eu só ... Harry nunca vira o Percy tão pouco a a vontade . - O que estavas a fazer , Percy ? - riu se o Ron . - Vá lá , conta que nós não nos rimos . Percy ficou sério . - Passa me esses pãezinhos , Harry , estou cheio de fome . Harry sabia que todo o mistério poderia ser desvendado em o dia seguinte sem a ajuda de eles mas não ia deixar de falar com a Murta_Queixosa se a oportunidade surgisse . E , para sua grande satisfação , ela surgiu a meio de a manhã quando eram conduzidos a a aula de História_da_Magia_por_Gilderoy_Lockhart . Lockhart , que tantas vezes lhes assegurara que o perigo tinha passado , estava agora totalmente convencido de que acompanhar os alunos em os corredores era um trabalho inútil . O seu cabelo estava mais liso do_que de costume . Parecia ter passado toda_a noite acordado a vigiar o quarto andar . - Podem escrever o que eu digo - afirmou , acompanhando os até uma esquina . - As primeiras palavras que vão sair de a boca de aquelas pobres pessoas petrificadas serão - * _ Foi_o_Hagrid * . Francamente , estou espantado por a professora Mc_Gonagall considerar ainda necessárias estas medidas de segurança . - Concordo , professor - disse Harry , fazendo com que Ron , surpreendido , deixasse cair os livros a o chão . - Obrigado , Harry - disse Lockhart amavelmente , enquanto deixavam passar uma grande fila de Hufflepuffs . - verdade é_que os professores já têm bastante que fazer para andarem também a acompanhar os alunos a as aulas e a guardar os corredores a a noite ... - É verdade - disse o Ron , percebendo a ideia . - Porque não nos deixa aqui , professor , só falta mais um corredor . - Sabes , Weasley , sou mesmo capaz de fazer isso - disse Lockhart . - Preciso de preparar a minha próxima aula . E apressou se a seguir o seu caminho . - Preparar a aula - zombou o Ron . - Vai encaracolar o cabelo , é o mais certo . Deixaram os restantes Gryffindor passar lhes a a frente e por fim cortaram caminho em um corredor lateral e dirigiram se a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mas quando estavam a congratular se por o seu esquema brilhante ... - Potter , Weasley ! Que estão vocês a fazer aqui ? Era a professora Mc_Gonagall e a boca de ela estava mais fina do_que nunca . - Nós estávamos , estávamos - gaguejou o Ron . - Nós íamos ver , íamos ver ... - Hermione - completou Harry . A professora Mc_Gonagall e Ron olharam para ele . - Não a vemos há séculos , professora - prosseguiu Harry , pisando o pé a o Ron . - E pensamos ir espreitá a a a ala hospitalar e dizer lhe que as mandrágoras estão quase prontas , para ela não se preocupar . A professora Mc_Gonagall estava ainda a olhar para ele e , por um momento , Harry pensou que ela ia explodir mas , quando falou , fê lo em um tom de voz estranhamente rouco . - É claro - disse . E Harry , espantado , viu uma lágrima a brilhar lhe em o canto de um de os olhos . - É claro . Eu compreendo que tudo_isto tem sido muito duro para os amigos de aqueles que foram ... eu compreendo , sim , Potter . Podem ir visitar Miss_Granger . Eu mesma informarei o professor Binns de que vocês estão em o hospital . Digam a Madam_Pomfrey que vos dei autorização . Harry e Ron afastaram se , quase sem acreditar que tinham escapado a um castigo . Quando voltaram em uma esquina ouviram nitidamente a professora Mc_Gonagall a assoar se . - Esta - disse o Ron entusiasmado - foi a melhor história que tu alguma vez inventaste . Não tinham outro remédio senão ir a a ala hospitalar e dizer a Madam_Pomfrey que tinham autorização de a professora Mc_Gonagall para visitar Hermione . Madam_Pomfrey deixou os entrar com alguma relutância . - Não vale a pena falar com uma pessoa petrificada - disse , e ambos tiveram que admitir que ela tinha razão quando se sentaram junto de Hermione e constataram que ela não tinha a menor noção de estar acompanhada . Dizer lhe que não se preocupasse ou falar com o armário que estava a o lado de a cama era exactamente a mesma coisa . - Será que ela viu quem a atacou ? - perguntou o Ron , olhando com tristeza para o rosto rígido de Hermione . - Porque se a coisa saltou sobre eles , ficaremos todos sem saber de nada . Mas Harry não olhava para o rosto de Hermione . Estava mais interessado em a sua mão direita que se encontrava pousada sobre os cobertores e , inclinando se para ela , viu que tinha , fechado entre os dedos , um pedaço de papel . Assegurando se de que Madam_Pomfrey não dava por nada , fez sinal a o Ron . - Tenta tirá o - murmurou ele , colocando a cadeira de_modo_a que Madam_Pomfrey não pudesse ver o Harry . Não foi tarefa fácil . A mão de a Hermione estava fechada com uma força tal que Harry receou parti a . Enquanto Ron vigiava , ele forçou e torceu até que , por fim , depois de vários minutos bastante tensos , conseguiu tirar o papel . Era uma página retirada de um livro muito antigo de a biblioteca . Harry alisou a ansiosamente e Ron inclinou se para poder lês a também . * _ De todos os monstros assustadores que pairam a a face de a Terra , nenhum é tão curioso nem tão fatal como o Basilisk , também conhecido por o rei de as serpentes . Esta cobra que pode atingir proporções gigantescas e viver durante muitas centenas de anos nasce de um ovo de galinha que é chocado por um sapo . As suas formas de matar são pavorosas pois além de os dentes venenosos e mortais , o Basilisk tem um olhar criminoso e todos aqueles que ele fixa com os olhos tem morte instantânea . As aranhas fogem a sete pés de o Basilisk que é seu inimigo mortal , e o Basilisk foge apenas de o canto de o galo que para ele é fatal * . Por debaixo de isto uma única palavra fora escrita , em a letra que Harry reconheceu como sendo de Hermione : Canos . Foi como_se se tivesse acendido uma luz em o seu espírito . - Ron - murmurou - é isso . Está aqui a resposta . O monstro de a Câmara_dos_Segredos é um Basilisk , uma serpente gigante . Por isso , só eu tenho ouvido a sua voz em todos os lugares , porque eu compreendo * serpentês * ... Harry olhou para as camas em volta . - O Basilisk mata as pessoas fixando as com o olhar mas ninguém morreu , o que quer_dizer que ninguém o olhou directamente em os olhos . Colin viu o através de a lente de a máquina fotográfica e o Basilisk queimou o rolo que estava lá dentro mas o Colin ficou apenas petrificado . O Justin ... o Justin deve ter visto o Basilisk através de o Nick quase sem cabeça . O Nick é_que levou com o olhar mas não podia morrer outra_vez ... e perto de a Hermione e de a prefeita de os Ravenclaw foi encontrado um espelho . Hermione acabara de compreender que o monstro era um Basilisk . Aposto que preveniu a primeira pessoa que encontrou de que era melhor olhar por um espelho a o virar de cada esquina . E aquela rapariga puxou de o seu espelho e ... O Ron estava de queixo caído . - E Mrs._Norris ? - perguntou vivamente . Harry pensou um_pouco , tentando imaginar a cena em a noite de o Halloween . - A água . . . - disse lentamente . - A poça de água que saiu de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Aposto que Mrs._Norris só viu o reflexo de o monstro . Examinou a folha de papel que tinha em a mão . Quanto_mais olhava mais sentido faziam as coisas . - * _ O cantar de o galo é fatal para ele * - leu em voz alta . - Os galos de o Hagrid foram mortos . O herdeiro de Slytherin não queria um único galo perto de o castelo , com a câmara aberta . * _ As aranhas são as primeiras a fugir * . Tudo encaixa . - Mas , como tem o Basilisk andado por aí ? - disse o Ron . - Uma serpente horrível e enorme ... alguém a teria visto . Mas Harry apontou para a palavra que Hermione escrevinhara em o final de a página . - Canos - disse . - Canos ... Ron , ele tem usado a canalização . Eu ouvi sempre a voz dentro de as paredes ... Ron agarrou subitamente o braço de o Harry . - A entrada para a Câmara_dos_Segredos - disse em uma voz rouca . - E se for em uma casa_de_banho ? Se for em a ... - Em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa - completou Harry . Sentaram se , tomados de uma excitação enorme , mal querendo acreditar . - Isso significa que - disse o Harry - eu não posso ser o único em a escola a falar * serpentês * . Há também o herdeiro de Slytherin . É de esse modo que tem controlado o Basilisk . - O que vamos fazer ? - perguntou Ron com os olhos a faiscar . - Vamos falar com a Mc_Gonagall ? - Vamos até a a sala de os professores - disse Harry , dando um salto . - Ela estará lá dentro_de dez minutos , está quase em o intervalo . Desceram a escada a correr . Não querendo ser descobertos outra_vez a vaguear por os corredores foram directamente até a a sala de os professores que estava deserta . Era uma divisão ampla , toda forrada , com cadeiras de madeira escura . Harry e Ron passearam de um lado para o outro , demasiado nervosos para se sentarem . Mas a campainha anunciando o intervalo nunca mais tocava . Em vez de isso , ecoando em os corredores , ouviram a voz de a professora Mc_Gonagall incrivelmente ampliada . - * _ Todos os alunos devem regressar de imediato a os seus dormitórios . Todos os professores a a sala de professores . Imediatamente , por favor * . Harry deu meia volta e olhou para o Ron . - Não me digas que houve um novo ataque , não agora ! - Que vamos fazer ? - disse o Ron aterrado . - Voltar para o dormitório ? - Não - disse Harry , olhando e m volta . Havia uma espécie de armário a a sua esquerda cheio com os mantos de os professores . - Ali . Vamos ouvir o que se passa . A seguir poderemos contar lhes o que descobrimos . Esconderam se dentro de o armário , ouvindo a algazarra de centenas de pessoas e a porta de a sala de professores a abrir se . De o meio de a confusão de mantos bafientos , viram os professores encherem a sala . Alguns tinham um ar totalmente confuso , outros pareciam apavorados . Por fim , chegou a professora Mc_Gonagall . - Aconteceu - disse em o silêncio de a sala de professores . - O monstro levou uma aluna . Levou a mesmo para a câmara . O professor Flitwick soltou um grito agudo . A professora Sprout bateu com a mão em a boca . Snape agarrou com força as costas de uma cadeira e perguntou : - Como pode ter tanta certeza ? - O herdeiro de Slytherin - disse a professora Mc_Gonagall , muito pálida . - Deixou outra mensagem . Mesmo por baixo de a primeira : « * _ O esqueleto de ela ficará para sempre em a Câmara_dos_Segredos * . » O professor Flitwick desatou a chorar . - Quem é ela ? - quis saber Madam_Hooch que se afundara em uma cadeira . - Quem é a aluna ? - Ginny_Weasley - disse a professora Mc_Gonagall . Harry viu o Ron , a o seu lado , escorregar silenciosamente até a o chão de o armário . - Vamos ter que mandar todos os alunos embora amanhã - disse a professora Mc_Gonagall . Isto_é o fim de Hogwarts , Dumbledore sempre disse ... A porta de a sala de os professores voltou a abrir se . Por um breve momento , Harry pensou que fosse Dumbledore mas era Lockhart e vinha todo sorridente . - Peço desculpa , adormeci . Perdi alguma coisa ? Não pareceu reparar que os outros professores o olhavam com uma espécie de aversão . Snape deu um passo em frente . - O homem que faltava - disse . - O homem certo . O monstro raptou uma garota , Lockhart levou a para a Câmara_dos_Segredos . O seu momento chegou . - Isso mesmo , Lockhart - acrescentou a professora Sprout . - Não estavas a dizer ontem a a noite que sempre tinhas sabido onde era a entrada para a Câmara_dos_Segredos ? - Eu ... bem ... eu-disse atabalhoadamente Lockhart . - Sim , não me disseste que sabias exactamente o que estava lá dentro ? - disse com voz esganiçada o professor Flitwick . - Eu disse ? Não me lembro ... - Lembro me perfeitamente de o ouvir dizer que lamentava não ter feito uma tentativa com o monstro antes de o Hagrid ser preso - disse Snape . - Não disse que toda_a história tinha sido uma atrapalhação e que deveriam ter lhe dado carta branca desde o princípio ? Lockhart olhou em volta para a cara de espanto de os colegas . - Eu ... nunca ... eu de facto ... deve ter me compreendido mal . - Então vamos deixar te , Gilderoy - disse a professora Mc_Gonagall . - Esta noite será uma excelente oportunidade para actuares . Nós trataremos de assegurar que ninguém te atrapalha . Vais poder enfrentar o monstro sozinho . Finalmente tens carta branca . Lockhart olhou desesperado a a sua volta mas ninguém foi salvá o . Já não estava bem-parecido . O lábio tremia lhe e a ausência de o seu habitual sorriso de dentes brancos dava lhe um ar escanzelado . - M-muito bem - disse . - Vou até a o meu escritório para ... para me preparar . E saiu de a sala . - _ óptimo - exclamou a professora Mc_Gonagall com as narinas dilatadas . - Isto deve afastá o de o nosso caminho . Os chefes de casa devem ir agora comunicar a os respectivos alunos o que se passou e informá os de que o Expresso_de_Hogwarts os levará a casa amanhã de manhã . Os restantes certifiquem se , por favor , de que não há alunos fora de os dormitórios . Os professores levantaram se e saíram um a um . Foi talvez o dia pior de a vida de o Harry . Ele , Ron , Fred e George sentaram se juntos a um canto em a sala comum de os Gryffindor , incapazes de proferir uma palavra . Percy não estava lá . Tinha ido tratar de enviar uma coruja a Mr. e Mrs._Weasley e , em seguida , fechara se em o dormitório . Nunca uma tarde custara tanto a passar e nunca a torre de os Gryfffindor estivera tão cheia de gente e tão silenciosa . Fred e George foram para a cama quase a o pôr de o Sol , incapazes de ficar ali mais tempo . - Ela sabia qualquer coisa , Harry - disse o Ron , falando pela_primeira_vez desde_que tinham saído de o armário de a sala de os professores . - Por isso a levaram . Não era nenhuma parvoíce sobre o Percy , ela tinha descoberto qualquer coisa sobre a Câmara_dos_Segredos . Com certeza por isso é_que a ... - Ron esfregou os olhos , enervadíssimo . - Afinal ela era sangue puro , não pode haver outra explicação . Harry olhava para o sol que mergulhava de um vermelho cor de sangue em a linha de o horizonte . Era a pior coisa que lhe tinha acontecido . Se pelo_menos pudessem fazer alguma coisa . - Harry - disse o Ron . - Achas que há alguma possibilidade de ela não estar ... ? Sabes o que eu quero dizer . Harry não sabia que resposta dar . Não acreditava que a Ginny pudesse ainda estar viva . - Sabes uma coisa ? - disse o Ron . - Acho que devíamos ir ter com o Lockhart , contar lhe o que sabemos . Ele vai tentar entrar em a câmara , podemos dizer lhe onde achamos que fica a entrada e contar lhe que o monstro é um Basilisk . Como Harry não tinha nenhuma ideia melhor e como queria fazer alguma coisa , concordou . Os Gryffindor que os rodeavam estavam tão tristes e com tanta pena de os Weasley que ninguém tentou impedi os quando os viram levantar se , atravessar a sala e sair por o buraco de o retrato . A escuridão começava a instalar se quando chegaram a o escritório de Lockhart onde a actividade era muita . De o corredor ouvia se o ruído de coisas a serem deitadas fora , pancadas surdas e passos apressados . Harry bateu a a porta e houve um silêncio repentino . Em seguida abriu se uma fresta de a porta e viram um de os olhos de Lockhart a espreitar . - Oh ! ... Mr._Potter ... Mr._Weasley - disse entreabrindo a porta . - Estou um_pouco ocupado em este momento , se forem rápidos ... - Professor , nós temos informações para lhe dar - disse o Harry . - Acho que poderão ajudá o . - Er ... bem ... não é - o lado de a cara de Lockhart que conseguiam ver parecia muito pouco a a vontade . - Quer_dizer ... bem ... está bem . Abriu a porta e eles entraram . O escritório estava praticamente vazio . Em o chão estavam duas grandes malas abertas . Mantos verde-jade , lilás , azul-noite tinham sido apressadamente dobrados e guardados dentro_de uma de as malas . Os livros misturavam se todos dentro de a outra . As fotografias que antes cobriam as paredes estavam agora arrumadas em caixas , em cima de a secretária . - Vai a algum lado ? - perguntou Harry . - Er ... bem ... sim - disse Lockhart , arrancando de a porta um poster seu em tamanho natural , enquanto falava , e começando a enrolá o . - Uma chamada urgente ... inevitável ... tenho que ir . - E a minha irmã ? - perguntou o Ron bruscamente . - Bem , quanto_a isso foi uma pena - disse Lockhart , evitando olhá os em os olhos , abrindo uma gaveta e começando a despejar o seu conteúdo dentro_de um saco . - Ninguém lamenta mais do_que eu ... - O senhor é o professor de Defesa contra as artes negras - disse Harry . - Não pode ir se embora agora_que todas estas coisas de magia negra estão a acontecer aqui . - Bem , devo dizer te que ... quando aceitei o lugar ... - resmungou Lockhart , empilhando soquetes sobre os mantos - nada em a descrição de o meu trabalho fazia prever ... - Quer_dizer que vai fugir ? - perguntou Harry , incrédulo . - Depois de todas_as coisas que conta em os seus livros ? - Os livros podem ser enganadores - disse Lockhart delicadamente . - Mas foi o senhor que os escreveu - gritou Harry . - Meu rapaz - disse Lockhart , endireitando se e franzindo as sobrancelhas - usa o senso comum . Os meus livros não teriam vendido metade do_que venderam se as pessoas não acreditassem que eu tinha feito todas aquelas coisas . Ninguém está interessado em ler sobre um velho feiticeiro americano mesmo_que ele tenha salvo uma cidade inteira de os lobisomens , ficaria péssimo em a capa . E a bruxa que correu com a fada carpideira tinha um lábio leporino . Como vês . - Quer_dizer que ficou com os louros por tudo_o_que uma série de outras pessoas fizeram ? - perguntou Harry , sem querer acreditar . - Harry , Harry - disse Lockhart , abanando impacientemente a cabeça . - Não é tão simples assim . Envolveu muito trabalho . Tive de localizar todas essas pessoas , perguntar lhes em pormenor como tinham feito as coisas . Depois tive de lhes fazer um feitiço antimemória para que não voltassem a lembrar se do_que tinham feito . Se há uma coisa de que me orgulho é de os meus feitiços antimemória . Não , tive muito trabalho , Harry . Não foram só as sessões de autógrafos e as fotografias , sabes ? Quem quer ser famoso tem de estar preparado para um trabalho longo e fatigante . Fechou as malas a a chave . - Vejamos - disse . - Acho que está tudo . Sim , só falta uma coisa . - Empunhou a varinha e voltou se para eles . - Lamento muito , rapazes , mas vou ter de vos fazer um feitiço antimemória . Não posso deixar que vão por aí repetir os meus segredos . Não venderia nem mais um livro . Harry pegou em a varinha mesmo a tempo e Lockhart mal tinha levantado a de ele a o ar quando Harry gritou * _ Expelliarmus ! * Lockhart foi projectado de costas , indo cair em cima de a mala . A varinha voou por os ares . Ron agarrou a e atirou a por a janela aberta . - Não devia ter deixado o professor Snape ensinar nos esta - disse Harry furioso , dando um pontapé a uma de as malas . Lockhart olhava para ele , de_novo escanzelado . Harry apontava lhe a varinha . - O que queres que eu faça ? - perguntou debilmente . - Eu não sei onde fica a Câmara_dos_Segredos . Não posso fazer nada . - Está com sorte - disse Harry , forçando o com a varinha a pôr se de pé . - Nós julgamos saber onde é e o que está lá dentro . Vamos . Conduziram Lockhart para fora de o seu escritório , desceram com ele as escadas e seguiram por o corredor escuro em cuja parede brilhavam as mensagens , até a a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mandaram Lockhart a a frente . Harry gostou de ver que todo ele tremia . A Murta_Queixosa estava sentada em a cisterna de o cubículo de o fundo . - Ah ! são vocês - disse a o ver o Harry . - O que querem agora ? - Perguntar te como morreste - disse Harry . O aspecto de a Murta mudou por completo . Parecia que nunca lhe tinham feito uma pergunta tão lisonjeira . - Ooooh ! Foi horrível - disse satisfeita . - Aconteceu aqui mesmo . Morri em este cubículo . Lembro me tão bem . Estava escondida porque a Olive_Hornby andava a implicar comigo por causa de os meus óculos . A porta estava fechada e eu estava a chorar e , então , ouvi alguém entrar . Disseram qualquer coisa estranha em uma língua diferente , acho eu . Mas o que mais me espantou foi o ser um rapaz a falar . Por isso , abri a porta para lhe dizer que fosse a a casa_de_banho de eles e em esse momento - a Murta inchou com ar importante , o rosto a brilhar - morri . - Como ? - perguntou Harry . - Não faço ideia - disse a Murta em um tom de voz abafado . - Só me lembro de ver dois grandes olhos amarelos , de o meu corpo ficar preso e em seguida , sentir me a flutuar ... - olhou sonhadoramente para Harry . - E depois voltei . Estava disposta a vingar me de a Olive_Hornby , percebes ? Ela ia arrepender se de ter gozado com os meus óculos . - Onde foi exactamente que viste os tais olhos ? - perguntou Harry . - Algures por aí - disse a Murta , apontando vagamente para o lavatório em frente de o seu cubículo . Harry e Ron apressaram se . Lockhart estava de pé , mais atrás , com uma expressão de pavor em o rosto . O lavatório parecia perfeitamente vulgar . Examinaram o centímetro a centímetro , dentro e fora , incluindo os canos por baixo . E foi então que Harry reparou : de lado , rabiscada em uma de as torneiras de cobre , estava uma cobra pequenina . - Essa torneira nunca funcionou - disse vivamente a Murta enquanto ele tentava abri a . - Harry - sugeriu o Ron . - Diz qualquer coisa em * serpentês * . Mas , pensou Harry , as únicas vezes que conseguira falar * serpentês * tinham ocorrido quando confrontado com uma verdadeira serpente . Olhou , concentrado para a pequena cobra gravada em o cobre , tentando imaginá a como verdadeira . - Abre te - disse . Olhou para o Ron que abanou a cabeça . - Inglês - disse ele . Harry voltou a olhar para a cobra , forçando se a acreditar que estava viva . A luz de a vela fez parecer que se movia . - Abre te - repetiu . Mas desta_vez as palavras não foram o que ele ouviu . Um estranho sibilar escapou lhe de a boca e a torneira ganhou uma luz branca e brilhante e começou a rodar . Logo_a_seguir o lavatório mexeu se . Afastou se , melhor dizendo , saiu de o caminho , deixando um grande cano a a vista , um cano onde cabia um homem . Harry ouviu a respiração arquejante de o Ron e olhou de_novo para ele . Já decidira o que queria fazer . - Vou descer - disse . Não podia deixar de ir , agora_que acabavam de descobrir a entrada para a câmara , existindo uma possibilidade , por mais remota que fosse , de a Ginny ainda estar viva . - Eu também - disse o Ron . Houve uma pausa . - Bem , parece que não precisam mais de mim - apressou se Lockhart a dizer com uma réstia de sorriso . - Eu vou . . . Pôs a mão em o puxador de a porta mas Ron e Harry apontaram lhe ambos as varinhas . -- O senhor pode ir a a frente - disse rispidamente o Ron . Pálido e sem varinha , Lockhart aproximou se de a entrada . - Meus rapazes - disse em uma voz débil . - Meus rapazes , para quê tudo_isto ? Harry tocou lhe em as costas com a varinha e ele meteu as pernas em o cano . - Eu não me parece que ... - começou a dizer , mas o Ron deu lhe um empurrão e ele desapareceu por o cano abaixo . Harry foi rapidamente atrás . Introduziu se lentamente e deixou se cair . Era como escorregar em uma pista escura e interminável . Ele via outros canos , estendendo se em todas_as direcções mas nenhum tão largo como o de eles que se torcia e virava , inclinando se abruptamente . Harry sabia que estavam a chegar a um ponto muito abaixo de a escola e de os calabouços . Atrás_de si , ouvia o Ron gemendo em cada curva . E então , quando começava a preocupar se com o que iria acontecer quando tocassem em o chão , o cano tornou se horizontal e ele foi projectado com um ruído surdo , indo aterrar em o chão húmido de um túnel de pedra com altura suficiente para ele se pôr de pé . Lockhart estava a levantar se a alguma distancia , todo enlameado e pálido como um fantasma . Harry afastou se para deixar o Ron sair também de o cano . - Devemos estar quilómetros e quilómetros abaixo de a escola - disse o Harry cuja voz ecoou em o túnel negro . - Talvez até debaixo de o lago - arriscou o Ron , olhando em volta para as paredes escuras e viscosas . Voltaram se os três para olhar para a escuridão lá a o fundo . - * _ Lumus ! * - murmurou Harry a a varinha e ela voltou a acender se . - Vamos - disse a o Ron e a o Lockhart e avançaram , os passos a chapinharem ruidosamente em o chão molhado . O túnel era tão escuro que só conseguiam ver alguns centímetros a a frente . As suas sombras em as paredes molhadas pareciam monstruosas a a luz de a varinha . - Lembrem se - disse Harry baixinho enquanto caminhavam . - A o menor movimento fechem logo os olhos ... Mas o túnel era silencioso como um túmulo e o primeiro som inesperado que ouviram foi um grito de o Ron que escorregou em uma coisa que era afinal a cauda de um rato . Harry baixou a varinha para olhar para o chão e viu que estava cheio de pequenos ossos de animais . Fazendo um enorme esforço para evitar pensar em que estado iriam encontrar a Ginny , avançou até uma curva escura de o túnel . - Harry , está aqui qualquer coisa - disse o Ron com voz rouca , agarrando Harry por o ombro . Ficaram estáticos a olhar . Harry só conseguia ver a silhueta de algo enorme e curvo deitado em o túnel . Fosse o que fosse não se movia . - Talvez esteja a dormir - murmurou , olhando para os outros dois . Lockhart tapava os olhos com as mãos . Harry voltou se para olhar para a criatura com o coração a bater tanto que lhe doía em o peito . Lentamente , com os olhos quase fechados mas ainda conseguindo ver , Harry avançou com a varinha levantada . A luz deslizou sobre uma gigantesca pele de serpente , de um verde vivo e venenoso que estava vazia e enrolada em o chão de o túnel . A criatura que a abandonara devia ter , pelo_menos , seis metros e meio de comprimento . - Bolas - disse o Ron , perdendo as forças . Houve um movimento súbito atrás de eles . As pernas de Gilderoy_Lockhart cederam . - Levante se - disse o Ron de uma forma cortante , apontando lhe a varinha . Lockhart pôs se de pé . Em seguida empurrou o Ron , atirando o a o chão . Harry deu um salto , mas ... tarde de mais . Lockhart endireitava se com a varinha de o Ron em as mãos e um sorriso em o rosto . - A aventura acaba aqui , rapazes - disse . - Vou levar um bocado de esta pele de cobra para a escola , contar lhes que foi demasiado tarde para salvar a garota e que vocês os dois perderam tragicamente a memória com a visão de o seu corpinho mutilado . Digam adeus a as vossas recordações . Levantou a o ar a varinha avariada de o Ron e gritou * _ Obliviate ! * A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba . Harry pôs os braços sobre a cabeça e correu , escorregou em os anéis de a pele de cobra , afastando se de os grandes pedaços de tecto de o túnel que caíam em o chão com o ruído de trovões . Pouco depois estava sozinho , olhando para uma sólida parede de rocha partida . - Ron - gritou ele . - Estás bem , Ron ? - Estou aqui - respondeu a voz abafada de o Ron por detrás de a avalancha de rochas . - Eu estou bem mas este sujeito não . A varinha avariou o todo . Ouviu se um ruído surdo e um Oh ! gritado . Parecia que o Ron tinha acabado de dar a o Lockhart um pontapé em as canelas . - E agora ? - disse a voz de o Ron que parecia desesperada . - Não podemos passar , vai demorar séculos . Harry olhou para o tecto de o túnel onde tinham aparecido grandes fendas . Ele nunca tentara partir , através de a magia , nada tão grande como aquelas rochas e agora não lhe parecia ser o melhor momento para fazer experiências . E se o túnel abatesse ? Houve um ruído surdo e outro Oh ! atrás de as rochas . Estavam a perder tempo . A Ginny já estava havia duas horas em a Câmara_dos_Segredos . Harry sabia que só havia uma coisa a fazer . - Espera aqui - gritou a o Ron . - Fica com o Lockhart , eu vou lá . Se não voltar dentro_de uma hora ... Houve um silêncio cheio . - Eu vou ver se desloco um_pouco esta rocha - disse o Ron , tentando manter a voz firme . - Para tu poderes passar . E , Harry ... - Até já - disse o Harry , procurando injectar confiança em a sua voz trémula . E passou sozinho para lá de a imensa pele de serpente . Em_breve , o ruído de o Ron , tentando deslocar a rocha , deixou de se ouvir . O túnel virou uma e outra_vez . Os nervos de o corpo de o Harry tangiam de forma desagradável . Ele só queria que o túnel chegasse a o fim , fosse o que fosse que o aguardasse . E então , finalmente , quando atingiu a última curva , viu em a sua frente uma parede sólida que tinha gravadas duas serpentes enroladas uma em a outra , cujos olhos eram quatro esmeraldas , enormes e brilhantes . Harry aproximou se com a garganta seca . Não foi preciso imaginar que as serpentes eram autênticas . Os seus olhos pareciam estranhamente vivos . Foi fácil descobrir o que tinha de fazer . Pigarreou e os olhos de esmeraldas pareceram mexer se . - Abre te - disse Harry em um sibilar baixo . As serpentes desapareceram enquanto a parede se abria a o meio e , a tremer de os pés a a cabeça , Harry entrou . XVII_Herdeiro_de_Slytherin_Estava de pé em o fundo de uma divisão enorme , fracamente iluminada . Altíssimos pilares de pedra , cheios de serpentes gravadas que os enlaçavam , erguiam se , suportando um tecto que se perdia em a escuridão e que lançava sombras negras imensas através de a estranha luz esverdeada que enchia o local . Com o coração a bater descompassadamente , Harry ficou parado a ouvir aquele silêncio arrepiante . Estaria o Basilisk escondido em um canto cheio de sombras , atrás_de algum pilar ? E onde estaria Ginny ? Pegou em a varinha e avançou a o longo de as colunas serpenteantes . Cada_um de os seus passos provocava um enorme eco em as paredes sombrias . Harry tinha os olhos semicerrados e estava pronto para os fechar a o mais pequeno movimento . As órbitas de olhos fundos de as serpentes de pedra pareciam segui o . Por mais de uma_vez , com o estômago a dar um salto , Harry julgou vê os moverem se . Por fim , chegado a o nível de os dois últimos pilares , avistou uma estátua de a altura de a própria câmara que estava encostada a a parede de o fundo . Harry tinha de esticar o pescoço para olhar para_cima , para a cara de o gigante : era velho e com um ar simiesco , tinha uma barba enorme que lhe caía quase onde acabava a longa túnica de pedra . Os dois pés imensos e cinzentos pousavam em o chão de a câmara . E entre eles , voltada para baixo , estava uma figura pequenina vestida de preto com um cabelo flamejante . - Ginny - murmurou Harry , chegando perto de ela e ajoelhando se . - Ginny , por favor não estejas morta , não estejas morta ! Atirou a varinha para o lado , agarrou Ginny por os ombros e voltou a . O rosto de ela estava branco e frio como o mármore , contudo os olhos encontravam se fechados , portanto não estava petrificada . Mas então devia estar ... - Ginny , acorda por favor - repetiu Harry desesperado , sacudindo a . A cabeça de ela andava de um lado para o outro . - Ela não vai acordar - disse secamente uma voz . Harry deu um salto e girou sobre os joelhos . Um rapaz alto , de cabelo preto , estava encostado a o pilar mais próximo , a observá o . As sombras desfocavam o como_se Harry o visse através_de uma janela embaciada . Mas não havia como confundis o . - Tom , Tom_Riddle ? Riddle acenou , sem tirar os olhos de o rosto de Harry . - O que queres dizer com isso de ela não acordar ? - perguntou Harry desesperado . - Ela não está ... não está ? - Está viva - disse Riddle . - Mas , por um fio . Harry olhou fixamente para ele . Tom_Riddle estivera em Hogwarts há cinquenta anos atrás . Contudo , ali estava com uma luz estranha e desfocada a iluminá o , sem um dia a mais do_que os seus dezasseis anos . - És um fantasma ? - perguntou Harry . - Uma memória - disse Riddle . - Preservada em um diário durante cinquenta anos . Apontou para os pés de a estátua gigantesca . Ali , aberto em o chão , estava o pequeno diário de capa preta que Harry tinha encontrado em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Durante um segundo , Harry perguntou a si próprio como teria ido ali parar , mas havia coisas mais importantes a fazer . Preciso de a tua ajuda , Tom - disse Harry , levantando de_novo a cabeça de a Ginny . - Temos de sair de aqui . Há_um_Basilisk ... não sei onde está mas pode aparecer a qualquer momento . Por favor , ajuda me . Riddle não se mexeu . Harry , a transpirar , conseguiu levantar ligeiramente a Ginny de o solo e inclinou se para pegar em a varinha mas ela tinha desaparecido . - Viste a ... ? Olhou para_cima . Riddle continuava a olhá o , fazendo girar a varinha entre os dedos longos . - Obrigado - disse Harry , esticando o braço para a agarrar . Um sorriso surgiu então em os cantos de a boca de Riddle que continuou a olhar para ele , girando indolentemente a varinha . - Ouve , pá - disse Harry sem querer perder mais tempo , os joelhos a vergarem sob o peso morto de Ginny - temos de ir . Se o Basilisk aparece ... - Ele não vem enquanto não for chamado - disse Riddle com toda_a calma . Harry voltou a pousar Ginny em o chão , incapaz de a segurar por mais tempo . - Que queres dizer com isso ? - perguntou . - Dá me a minha varinha , posso precisar de ela . O sorriso de Riddle ampliou se . - Não vais precisar de ela - disse . Harry olhou o espantado . - O que queres dizer , não vou ? - Esperei muito_tempo por isto , Harry - disse Riddle . - Pela possibilidade de te ver , de falar contigo . - Olha , eu acho que tu não estás a perceber - disse Harry , perdendo a paciência . - Estamos em a Câmara_dos_Segredos , podemos conversar mais tarde . - Vamos conversar agora - disse Riddle , sorrindo de orelha a orelha e guardando a varinha de Harry em o bolso . Harry voltou a olhar para ele . Havia qualquer coisa de muito estranho em tudo aquilo . - Como é_que a Ginny ficou assim ? - perguntou pausadamente . - Bem , essa é uma pergunta interessante - disse Riddle , divertido . - E uma longa história , também . Julgo que o verdadeiro motivo que levou Ginny_Weasley a ficar assim foi o ter aberto o seu coração e revelado todos os seus segredos a um estranho ser invisível . - De quem estás a falar ? - perguntou Harry . - De o diário - disse Riddle . - De o meu diário . A Ginny escreve nele há meses e meses , contando me todas_as suas lamentáveis desgraças e atribulações : como os irmãos a arreliam , que teve de vir para a escola com manto , túnica e livros em segunda mão - os olhos de Riddle brilharam -- , que acha que o maravilhoso , o grande , o famoso Harry_Potter nunca vai gostar de ela ... Enquanto falava , nunca os olhos de Riddle se afastaram de a cara de o Harry . Havia em eles um olhar ávido . - É muito chato ter de ouvir as preocupações idiotas de uma garotinha de onze anos - prosseguiu . - Mas eu fui paciente . Respondi lhe , mostrei me simpático e amável . A Ginny pura e simplesmente adorou me . - * _ Nunca ninguém me compreendeu como tu , Tom ... estou tão feliz por ter este diário a quem me confiar ... é como ter um amigo que pode andar em o meu bolso * ... Riddle riu se . Um riso alto , frio , que não lhe ficava bem . Fez com que os cabelos de o pescoço de Harry se arrepiassem todos . - Verdade se diga que sempre consegui encantar as pessoas necessárias . Portanto a Ginny verteu em mim a sua alma e a alma de ela era precisamente o que eu queria . Fortaleceu me . Alimentei me de os seus medos mais profundos , de os seus mais obscuros segredos . Fui ficando cada_vez_mais forte e poderoso . Muito mais poderoso do_que a pequena Miss_Weasley até que comecei a transmitir lhe alguns de os meus segredos , a passar um_pouco de a minha alma para ela ... - O que queres dizer ? - perguntou Harry cuja boca ficara totalmente seca . - Ainda não descobriste , Harry_Potter ? - disse Riddle muito baixo . - Giony_Weasley abriu a Câmara_dos_Segredos , estrangulou os galos de a escola e escreveu mensagens assustadoras em as paredes . Atiçou a serpente de Slytherin contra quatro sangues de lama e contra o gato de o busca-pé . - Não - murmurou Harry . - Sim - disse calmamente Riddle . - É claro que a princípio não sabia o que estava a fazer . Era muito divertido . Gostava que visses as coisas que escreveu em o diário , começaram a ficar muito mais interessantes . * _ Querido_Tom * - recitou ele , olhando para a expressão horrorizada de o Harry . - * _ Acho que estou a perder a memória . Há penas de galo em todas_as minhas roupas e eu não sei como foram lá parar . Querido_Tom , não me lembro do_que fiz em a noite de o Hallowe'en mas foi atacada uma gata e eu estou cheia de tinta em a cara . Querido_Tom , o Percy não pára de me dizer que ando pálida e não pareço eu . Acho que ele suspeita de mim ... Houve outro ataque hoje e eu não sei onde estava . Tom , que vou eu fazer ? Acho que estou a ficar maluca ... acho que ando a atacar toda_a_gente , Tom ! * Harry tinha os punhos fechados , as unhas cravadas contra a palma de as mãos . - Levou muito_tempo até a pequenina estúpida deixar de confiar em o diário - disse Riddle . - Mas acabou por ficar desconfiada e tentou livrar se de ele . E é aí que tu entras , Harry . Tu encontraste o . E eu não poderia ter ficado mais satisfeito . De todas_as pessoas que poderiam ter ficado com ele , foste tu , aquele que eu ambicionava conhecer ... - E porque querias conhecer me ? - perguntou Harry . Começava a ser tomado por a raiva e fez um esforço para manter o tom de voz controlado . - Bem , a Ginny contou me tudo a teu respeito - disse Riddle . - A tua fascinante história . - Os seus olhos pousaram em a cicatriz em a testa de Harry e a sua expressão ganhou maior avidez . - Sabia que devia descobrir mais a teu respeito , falar te , encontrar me contigo se fosse possível . Por isso , para ganhar a tua confiança , resolvi mostrar te a famosa captura que fiz de aquele demente de o Hagrid . - O Hagrid é meu amigo - disse Harry já com a voz a tremer . - E tu tramaste o , não foi ? Pensei que tinha sido um engano , mas ... Ele riu se . O mesmo riso de antes . - Era a minha palavra contra a palavra de ele . Imagina a cara de o velho Armando_Dippet . De um lado Tom_Riddle , pobre mas brilhante , sem pais mas corajoso , prefeito de a escola , um modelo de aluno . De o outro lado , o Hagrid , grande e disparatado , arranjando problemas semana sim , semana não , tentando criar filhotes de lobisomens debaixo de a cama , escapando se para a floresta proibida para lutar com gigantes . Mas , devo admitir que até eu próprio fiquei admirado com os excelentes resultados de o meu plano . Pensei que alguém perceberia que o Hagrid nunca poderia ser o herdeiro de Slytherin . Demorei cinco anos inteirinhos até descobrir tudo_o_que me foi possível sobre a Câmara_dos_Segredos e a sua entrada secreta ... como_se o Hagrid tivesse cabeça ou poder ! - Só o professor de Transfiguração , Dumbledore , parecia achar que ele estava inocente . Convenceu Dippet a mantê o aqui e a treiná o como guarda de os campos . Sim , é natural que Dumbledore tenha adivinhado , nunca gostou de mim como os outros professores . - Aposto que Dumbledore viu através_de ti - disse Harry , de dentes cerrados . - Pelo_menos passou a vigiar me de perto , a partir de o momento em que o Hagrid foi expulso - disse Riddle descuidadamente . - Eu sabia que não era seguro voltar a abrir a câmara enquanto ainda estava em a escola mas não ia desperdiçar os longos anos que passara a pesquisar . Decidi , por isso , deixar um diário preservando em as suas páginas o meu ego de dezasseis anos para que um dia , com um_pouco de sorte , pudesse levar outro a seguir os meus passos e acabar o nobre trabalho de Salazar_Slytherin . - Bem , não o acabaste - disse Harry triunfante . - Ninguém morreu até agora , nem mesmo a gata . Dentro_de poucas horas a poção de mandrágoras estará pronta e todos os que foram petrificados voltarão de_novo a si . - Não acabei de te dizer que matar sangues de lama já não me interessa ? Há muitos meses que o meu alvo és tu . Harry olhou para ele . - Podes imaginar como fiquei furioso quando em outro dia o diário foi aberto e vi que era a Ginny quem estava a escrever e não tu . Ela viu te com o diário e entrou em pânico . E se tu descobrisses como trabalhar com ele e eu te repetisse todos os seus segredos ? Ainda pior , e se eu te contasse quem tinha andado a estrangular os galos ? Por isso , a grande palerma esperou que o teu dormitório estivesse deserto e foi lá roubá o . Mas eu sabia o que tinha de fazer . Estava muito claro para mim que a tua meta era o herdeiro de Slytherin . Por tudo_o_que a Ginny me contara a teu respeito , sabia que irias até onde fosse preciso para desvendar o mistério , principalmente se um de os teus melhores amigos tivesse sido atacado . E a Ginny disse me que a escola toda bichanava por tu falares * serpentês * ... Por isso , obriguei a Ginny a escrever a sua própria despedida em a parede , a vir até aqui e esperar . Ela debateu se e gritou e ficou muito chatinha . Mas , já não tem muita vida : pôs grande parte de ela em o diário , deu me a . O suficiente para eu abandonar , por fim , as suas páginas . Desde_que aqui cheguei que estou a a tua espera . Sabia que virias . Tenho muitas perguntas a fazer te , Harry_Potter . - Que perguntas ? - disse Harry com os punhos fechados . - Bem - prosseguiu Riddle , sorrindo de satisfação : - Como é_que um bebé sem especiais talentos de magia foi capaz de derrotar o maior feiticeiro de sempre ? Como conseguiste escapar só com uma cicatriz quando os poderes de Lord_Voldemort foram destruídos ? Havia agora em os seus olhos um brilho vermelho e irado . - O que é_que te interessa saber como eu escapei ? - disse Harry lentamente . - Voldemort veio depois de ti . - Voldemort - disse Riddle - é o meu passado , o meu presente e o meu futuro , Harry_Potter ... Tirou a varinha de o Harry de o bolso e começou a escrever em o ar três palavras brilhantes : TOM_MARVOLO_RIDDLE_Em seguida , fez um gesto com a varinha e as letras de o seu nome reagruparam se de outro modo . : __ eu sou lord __ voldemort ( I am Lord_Voldemort ) . - Vês ? - murmurou . - Era um nome que eu já usava em Hogwarts , para os meus amigos mais íntimos apenas , como é óbvio . Achas que ia usar para sempre o nome nojento de o meu pai Muggle ? Eu , em cujas veias , por o lado materno , corre o sangue de Salazar_Slytherin ? Eu , manter o nome de um Muggle tolo que me abandonou ainda antes de eu nascer só porque descobriu que a mulher com quem casara era uma bruxa ? Não , Harry , arranjei um novo nome , um nome que eu sabia que os feiticeiros de todo_o_mundo viriam um dia a ter medo de pronunciar , quando eu me tivesse tornado o maior feiticeiro de o mundo . A cabeça de Harry parecia bloqueada . Olhou como_que paralisado para Riddle , para o rapaz de o orfanato que depois de crescer iria matar os seus pais e tantos outros . Por fim , com algum esforço conseguiu falar . - Não és - disse em uma voz calma e cheia de ódio . - Não sou o quê ? - perguntou Riddle irritado . - Não és o maior feiticeiro de o mundo - disse Harry com a respiração acelerada . - Lamento desiludir te mas o maior feiticeiro de o mundo é Albus_Dumbledore . Toda_a_gente sabe . Mesmo tu , quando tinhas força , não ousavas tentar aproximar te de Hogwarts . Dumbledore viu através_de ti quando andavas em a escola e ainda agora te assusta onde quer que te escondas . O sorriso desaparecera de o rosto de Riddle , fora substituído por um olhar furioso . - Dumbledore foi afastado de este castelo por a minha simples memória - sibilou . - Ele não está tão longe como pensas - retorquiu Harry . Falava por falar , tentando assustar Riddle , desejando mais que assim fosse do_que acreditando em as suas palavras como uma verdade . Riddle abriu a boca mas não chegou a falar . Tinha começado a ouvir se uma música . Riddle deu uma volta , olhando para a câmara vazia . A música estava a ficar mais alta . Era misteriosa , arrepiante , sobrenatural . Fez_Harry ficar com os cabelos em pé e o coração aumentar lhe em o peito . Por fim , quando atingiu um ponto tão alto que Harry a sentiu vibrar dentro de as suas costelas , começaram a sair chamas de o topo de o pilar mais próximo . Uma ave carmesim de o tamanho de um cisne surgiu , assobiando a sua estranha melodia para o tecto em forma de abóbada . Tinha uma cauda dourada tão longa como a de um pavão e garras douradas e brilhantes que seguravam uma trouxa andrajosa . Segundos depois , a ave voava em direcção a Harry . Deixou cair a coisa andrajosa a os seus pés e pousou lhe pesadamente em o ombro . Quando abriu as enormes asas , Harry olhou para_cima e viu que tinha um longo bico afiado e olhos escuros pequenos e brilhantes . A ave parou de cantar . Ficou quieta junto de a cara de Harry , olhando fixamente para Riddle . - É uma fénix , disse Riddle , olhando sagazmente para ela . - Fawkes ? - murmurou Harry e sentiu as garras douradas apertarem lhe devagarinho o ombro . - E aquilo - disse Riddle , olhando para a coisa velha que Fawkes deixara em o chão - é o velho chapéu seleccionador , de a escola . Era , de facto . Amachucado , puído e sujo , o chapéu jazia imóvel a os pés de Harry . Riddle começou a rir . Riu se tanto que a câmara escura se lhe juntou em um eco tal que parecia que dez Riddles se riam ao_mesmo_tempo . - Eis o que Dumbledore envia a o seu defensor . Um pássaro que canta e um chapéu velho . Estás cheio de coragem , Harry_Potter ? Sentes te agora mais seguro ? Harry não respondeu . Podia não estar a ver a vantagem de a Fawkes ou de o chapéu seleccionador mas já não se sentia só , e esperou corajosamente que Riddle parasse de rir . - Vamos a o que importa , Harry - disse ele , ainda com um enorme sorriso . - Encontrámo nos duas vezes em o teu passado , em o meu futuro . E duas vezes falhei a o tentar matar te . Como foi que sobreviveste ? Conta me tudo . Quanto_mais falares , mais tempo tens de vida . Harry pensava rapidamente , medindo as suas possibilidades . Riddle tinha a varinha . Ele , Harry , tinha a Fawkes e o chapéu seleccionador que não lhe serviriam de muito em o combate . As coisas pareciam más , é certo . Mas quanto_mais tempo Riddle ali estivesse , mais vida retirava a a Ginny ... e , entretanto , Harry reparou que a silhueta de Riddle se tornava mais nítida , mais sólida . Se tinha de haver uma luta entre os dois , quanto_mais depressa melhor . - Ninguém sabe porque perdeste os poderes quando me atacaste - disse bruscamente . - Eu próprio não sei . Mas sei porque não conseguiste matar me . A minha mãe morreu para me salvar . A minha mãe , uma vulgar filha de Muggles - acrescentou , a tremer de raiva . - Ela impediu que tu me matasses . E eu vi te como tu és , em o ano passado . És um destroço , quase não existes . Foi onde o teu poder te levou . Estás sob um disfarce , és horrível e és louco . O rosto de Riddle contorceu se . Em seguida , forçou um sorriso pavoroso . - Quer_dizer , então , que a tua mãe morreu para te salvar . Sim , é um antifeitiço poderoso . Compreendo agora , afinal não há em ti nada de especial . Eu tinha curiosidade , sabes , porque há uma estranha semelhança entre nós , Harry_Potter . Até tu deves ter reparado . Somos ambos meio sangue , órfãos , educados com Muggles , provavelmente os dois únicos que falam * serpentês * desde o grande Slytherin , até nos parecemos um_pouco fisicamente ... mas afinal foi apenas uma questão de sorte que te salvou de mim . Era o que eu queria saber . Harry ficou parado , tenso , a a espera que Riddle levantasse a varinha mas o seu sorriso cínico ampliou se de_novo . - Agora , Harry , vou dar te uma pequena lição . Vamos confrontar os poderes de Lord_Voldemort , herdeiro de Salazar_Slytherin e de o famoso Harry_Potter , munido com as melhores armas que Dumbledore lhe deu . Lançou um olhar divertido a a Fawkes e a o chapéu seleccionador e , em seguida , afastou se . Harry com as pernas entorpecidas por o medo viu o parar entre dois pilares altos e olhar para a cara de pedra de Slytherin , lá em cima em a semi-obscuridade . Riddle abriu a boca e sibilou mas Harry compreendeu o que ele dizia . - * _ Responde-me , Slytherin , o maior de os quatro de Hogwarts * . Harry voltou se para olhar melhor para a estátua com Fawkes pousada em o ombro . A gigantesca cara de pedra de Slytherin movia se . Horrorizado , Harry viu a boca abrir se mais e mais até se transformar em um buraco negro . E algo se agitava dentro de a boca de a estátua . Algo se arrastava para fora de as suas entranhas . Harry recuou até a a parede escura de a câmara e enquanto fechava os olhos com força sentiu a asa de a Fawkes roçar lhe o rosto e levantar voo . Harry quis gritar : - Não me abandones ! - mas que possibilidades tinha uma fénix contra o rei de as serpentes ? Uma coisa enorme bateu em o chão de pedra que Harry sentiu estremecer . Sabia o que estava a acontecer , podia sentis o , quase podia ver a serpente gigantesca a sair de a boca de Slytherin . Foi então que ouviu a voz de Riddle sibilar : * _ Mata-o * . O Basilisk avançava em direcção a Harry . Ele ouvia o seu corpo enorme escorregar pesadamente por o chão cheio de pó . Com os olhos sempre fechados , Harry começou a correr para o lado , a as cegas , com as mãos abertas a tactear o caminho . Riddle ria se a as gargalhadas . Harry escorregou e caiu em o chão de pedra e a boca soube lhe a sangue . A serpente estava a poucos centímetros de ele . Podia ouvi a a aproximar se . Ouviu se um crepitar explosivo por cima de ele e alguma coisa pesada bateu lhe com tanta força que ele ficou encostado a a parede . Esperando que os dentes de a serpente lhe perfurassem o corpo , ouviu mais ruídos e qualquer coisa que se agitava com força contra os pilares . Não conseguiu evitar . Abriu bem os olhos para ver o que se passava . A enorme serpente , brilhante , de um verde veneno , espessa como o tronco de um carvalho , erguera se em o ar e a sua imensa cabeça agitava se de um lado para o outro , entre os dois pilares . Quando Harry , a tremer , se preparava para fechar de_novo os olhos , percebeu o que distraíra a cobra . Fawkes esvoaçava em volta de a sua cabeça e o Basilisk , furioso , tentava agarrá a com os dentes longos e afiados como sabres . Fawkes mergulhava . Harry deixou de ver o bico fino e dourado e uma brusca chuva de sangue escuro inundou o chão . A cauda de a serpente agitou se , não batendo em o Harry por_pouco e antes que ele pudesse fechar os olhos voltou se . Harry olhou lhe para a cara e viu que os seus olhos , os dois olhos amarelos e bolbosos tinham sido perfurados por a fénix . O sangue escorria por o chão e a serpente cuspia cheia de dores . - * _ Não * - Harry ouviu o grito de Riddle . - * _ Deixa a ave , deixa a ave , o rapaz está atrás_de ti , ainda podes cheirá o . Mata o ! * A serpente cega oscilou confusa , ainda em fúria . Fawkes andava a a volta de a cabeça de ela soprando a sua misteriosa cantilena , picando lhe aqui_e_ali o nariz cheio de escamas , enquanto o sangue jorrava de os seus olhos destruídos . - Ajudem me . Ajudem me - murmurava Harry aflito . - Alguém , ajude me . A cauda de a serpente chicoteou de_novo o chão . Harry baixou se . Algo macio tocou lhe em o rosto . O Basilisk lançara o chapéu seleccionador para os braços de o Harry que o agarrou . Era tudo_o_que tinha , a sua única esperança . Enfiou o em a cabeça e começou a ficar achatado contra o chão , enquanto a cauda de o Basilisk se lançava de_novo sobre ele . - Ajudem me , ajudem me - pensou Harry , os olhos comprimidos debaixo de o chapéu . - Por favor , ajudem me . Nenhuma voz lhe respondeu . Em vez de isso , o chapéu contraiu se como_se uma mão invisível o tivesse espalmado devagarinho . Alguma coisa muito dura e pesada caíra sobre a cabeça de Harry , conseguindo quase derrubá o . A ver estrelas em frente de os olhos , agarrou o chapéu para o puxar para baixo e sentiu lá dentro uma coisa longa e dura . Uma espada brilhante tinha surgido dentro de o chapéu . Tinha um cabo cravejado de rubis de o tamanho de pequenos ovos . - Mata o rapaz , deixa a ave . O rapaz está atrás_de ti . Cheira o ! Harry estava de pé , preparado . A cabeça de o Basilisk caía , o corpo serpenteava , batendo nos pilares quando se torcia para ficar de frente para ele . Harry podia ver as enormes órbitas ensanguentadas , a boca toda aberta , suficientemente grande para o engolir inteiro , munida de dentes tão longos como a sua espada , finos , brilhantes , venenosos ... Começou a atacar a as cegas . Harry baixou se e a serpente bateu em a parede de a câmara . Atacou de_novo e a sua língua bifurcada lambeu a parede ao_lado_de Harry que levantou a espada com ambas as mãos . O Basilisk investiu mais_uma_vez e agora a pontaria foi certa . Harry pôs todo o seu peso contra a espada e enterrou a até a os copos em o céu de a boca de a serpente . Mas quando o sangue quente lhe encheu os braços , sentiu uma dor aguda mesmo acima de o cotovelo . Um longo dente venenoso penetrava cada_vez_mais fundo em o seu braço , partindo se quando o Basilisk tombou para o lado , perdendo os sentidos . Harry escorregou a o longo de a parede , apertou com força o dente que estava a derramar veneno por todo o seu corpo e arrancou o de o braço . Mas sabia que era demasiado tarde . Uma dor quente emanava lenta e perseverantemente de a ferida . Quando deixou cair o dente e viu o seu próprio sangue manchando lhe as vestes , a vista começou a ficar turva e a câmara a diluir se em uma rotação ardente e colorida . Mas algo escarlate passou por ele e Harry ouviu a o seu lado um suave ruído de garras . - Fawkes - disse com a voz empastada . - Foste sensacional , Fawkes . - Sentiu o pássaro encostar a sua elegante cabeça a o sítio onde o dente de a serpente o tinha ferido . Ouviu passos ecoarem em o vazio e em seguida uma sombra escura moveu se em a sua frente . - Estás morto , Harry_Potter - disse a voz de Riddle , acima de ele . - Morto . Até o pássaro de Dumbledore sabe de isso . Vês o que ele está a fazer ? A chorar . Harry piscou os olhos . A cabeça de Fawkes ora estava focada , ora desfocada . Lágrimas grossas como pérolas escorriam de as suas penas . - Vou sentar me aqui a ver te morrer , Harry_Potter . Leva o teu tempo , eu não tenho pressa . Harry sentiu se sonolento . Tudo parecia girar a a sua volta . - E assim acaba o famoso Harry_Potter - disse a voz distante de Riddle . - Sozinho em a Câmara_dos_Segredos , esquecido por os amigos , finalmente derrotado por o Senhor de o mal que ele tão imprudentemente desafiou . Vais reunir te a a tua querida mãe sangue de lama , Harry ... Ela deu te doze anos de tempo emprestado ... Mas Lord_Voldemort apanhou te em o fim , como sabias que teria de acontecer . Se morrer é isto , pensou Harry , não é assim tão mau . Até a dor estava a desaparecer . Mas , estaria a morrer ? Em_vez_de ficar mais escura a câmara parecia voltar a estar nítida . Harry fez um pequeno gesto com a cabeça e viu a Fawkes ainda repousando a cabeça em o seu ombro . Uma fiada de pérolas brilhava em volta de a ferida , só que já não havia ferida . - Sai de aqui , pássaro - disse subitamente a voz de Riddle . - Afasta te de ele . Já te disse , sai de aqui ! Harry levantou a cabeça . Riddle apontava a sua varinha a Fawkes . Ouviu se um tiro que parecia de carabina e Fawkes levantou novamente voo em um rodopio de ouro e escarlate . - Lágrimas de fénix - disse Riddle em voz baixa , olhando para o braço de o Harry . - É claro ... poderes curativos ... esqueci me ... Olhou para a cara de Harry . - Mas não faz mal . Pensando bem , eu até prefiro assim . Tu e eu , Harry_Potter ... Tu e eu ... Levantou a varinha . Então , em um golpe de asa , Fawkes voou sobre as cabeças de ambos , deixando cair uma coisa em o colo de Harry : o diário . Durante uma fracção de segundo , tanto Harry como Riddle , ainda com a varinha levantada , ficaram a olhar para aquilo . Em seguida , sem pensar , sem ponderar , como_se pensasse fazê o desde o princípio , Harry agarrou o dente de o Basilisk que estava em o chão , junto de ele , e espetou o em o coração de o caderno . Ouviu se um grito longo e terrível . A tinta esguichou em torrentes de dentro de o diário , derramando se sobre as mãos de o Harry e inundando o chão . Riddle torcia se e contorcia se , agitando se a os gritos . E , por fim . Desapareceu . A varinha de Harry caiu a o chão com um ruído e fez se silêncio . Um silêncio apenas cortado por o ping ping de a tinta que ainda escorria de o diário . Com um leve crepitar , o veneno de o Basilisk abrira um buraco mesmo em o meio de o caderno . A tremer de os pés a a cabeça , Harry pôs se de pé . Sentia tudo a andar a a roda como_se tivesse viajado quilómetros e quilómetros com o pó de * _ Floo * . Lentamente apanhou a varinha e o chapéu seleccionador e com um grande estrondo retirou a espada de o céu de a boca de a serpente . Ouviu se então um gemido fraco a o fundo de a câmara . Ginny estava a mexer se . Quando Harry chegou junto de ela , sentou se . Os seus olhos abismados saltaram de o Basilisk morto para Harry em a sua roupa cheia de sangue e , em seguida , para o diário que ele tinha em as mãos . Soltou um enorme soluço e os seus olhos encheram se de lágrimas . - Harry , oh ! Harry , eu tentei dizer te a o pequeno-almoço mas não fui capaz em frente de o Percy . Era eu , Harry , mas eu ... eu ... juro que não queria ... o Riddle obrigou me , levou me e ... como é_que mataste esse bicho ? Onde está o Riddle ? A última coisa de que me lembro foi de o ver a sair de o diário ... - Está tudo bem - disse Harry , mostrando lhe o diário com o buraco de o dente . - O Riddle acabou , olha . Ele e o Basilisk . Anda , Ginny , vamos embora de aqui . - Vou com certeza ser expulsa - disse Ginny a chorar enquanto Harry a ajudava a pôr se de pé . - Desde_que o Bill veio para Hogwarts que eu sonhava vir também para cá e agora vou ter de me ir embora e ... O que vão a minha mãe e o meu pai dizer ? Fawkes esperava por eles , suspensa em o ar , a a entrada de a câmara . Harry fez a Ginny avançar , passaram sobre os anéis parados de o Basilisk , por a escuridão cheia de ecos e voltaram a o túnel . Harry ouviu as portas de pedra fecharem se atrás de eles com um leve sibilar . Depois de alguns minutos a caminhar por o túnel escuro , chegou a os ouvidos de Harry o som distante de o deslocar de uma rocha . - Ron - gritou ele , apressando se . - A Ginny está bem . Está aqui comigo ! Ouviu o Ron gritar de alegria e , voltando em a curva logo_a_seguir , viram a sua cara ansiosa a espreitar por a fresta que conseguira abrir durante a avalancha . - Ginny ! - Ron estendeu o braço por a fresta para a puxar primeiro . - Estás viva . Não posso acreditar . O que aconteceu ? Tentou abraçá a mas a Ginny afastou o , soluçando . - Mas estás bem , Ginny - disse o Ron , sorrindo para ela . - Já passou tudo ... De onde veio esse pássaro ? Fawkes passara por a abertura , atrás_de Ginny . - É de o Dumbledore - explicou Harry , espremendo se para caber também . - E como arranjaste uma espada ? - perguntou o Ron , olhando para a arma brilhante que Harry tinha em a mão . - Eu explico te tudo quando sairmos de aqui - disse Harry , lançando um olhar de esguelha a a Ginny . - Mas ... - Mais tarde - disse Harry rapidamente . Não lhe parecia uma boa ideia contar a o Ron quem tinha aberto a câmara , ali , em frente de a Ginny . - Onde está o Lockhart ? - Ali atrás - disse o Ron , a rir e a abanar a cabeça em direcção a o cano . - Está em muito mau estado . Anda ver . Conduzidos_pela_Fawkes , cujas grandes asas escarlates emitiam um suave dourado que brilhava em a escuridão , voltaram a o lugar onde o cano começava . Gilderoy_Lockhart estava sentado a falar sozinho . - Perdeu a memória - disse o Ron . - O feitiço de a memória fez ricochete . Não sabe quem é nem onde está , nem_sequer sabe quem nós somos . Eu disse lhe que viesse para aqui e esperasse . É um perigo para ele próprio . Lockhart olhou os bem-disposto . - Olá - disse . - Que lugar estranho , este . É aqui que vocês moram ? -- Não - respondeu o Ron , levantando as sobrancelhas para o Harry . Harry baixou se e observou o túnel escuro e longo . - Já pensaste como é_que vamos sair de aqui ? - perguntou a o Ron . O amigo abanou a cabeça mas Fawkes , a fénix , tinha passado por o Harry e estava agora em o ar , em frente de ele , os olhos como pérolas a brilharem em o escuro . Abanava as longas penas douradas de a cauda . Harry olhou para ela , inseguro . - Ela parece querer que a agarres - disse o Ron , perplexo . - Mas tu és muito pesado para um pássaro . - A Fawkes - disse Harry - não é um pássaro qualquer . Voltou se rapidamente para os companheiros . - Temos de nos agarrar uns a os outros . Ginny , agarra a mão de o Ron . O professor Lockhart ... - Ele está a falar consigo - disse o Ron secamente . - Agarre a outra mão de a Ginny . Harry guardou a espada e o chapéu seleccionador em o cinto . Ron deitou a mão a a roupa de Harry e Harry agarrou as penas de a cauda , estranhamente quentes , de a Fawkes . Sentiu uma extraordinária leveza apoderar se de todo o seu corpo e em seguida estavam todos a voar por o cano acima . Harry conseguia ouvir Lockhart , lá atrás , comentando : - Espantoso , isto parece mágico ! Ar frio batia em os cabelos de Harry e antes que ele deixasse de gostar de a viagem já ela acabara . Os quatro tinham chegado a o chão molhado de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa e , enquanto Lockhart endireitava o chapéu , o lavatório voltara a o seu lugar , tapando o cano . A Murta arregalou os olhos . - Vocês estão vivos - disse inexpressivamente a o Harry . - Não é preciso mostrares te tão desiludida - respondeu ele , muito sério , limpando as nódoas de sangue e lodo de os óculos . - Bem ... é_que eu pensei que se vocês morressem seriam bem-vindos a a minha casa_de_banho - disse a Murta com um rubor prateado . - Urgh ! - fez o Ron , quando saíram de ali para o corredor deserto . - Harry , acho que a Murta está a gostar de ti . Tens concorrência , Ginny ! A Ginny continuava a chorar silenciosamente . - Onde vamos agora ? - perguntou o Ron , olhando ansiosamente para ela . Harry apontou . Fawkes indicava o caminho , com o seu tom dourado que brilhava em o corredor . Seguiram a e pouco depois estavam em o escritório de a professora Mc_Gonagall . Harry bateu e empurrou a porta que estava encostada . XVIII_A recompensa de Dobby_Durante alguns momentos reinou o silêncio enquanto Harry , Ron , Ginny e Lockhart estavam em a entrada de a porta . Cobertos de pó e de lama e ( em o caso de o Harry ) sangue . Em seguida , ouviu se um grito . - Ginny ! Era_Mrs._Weasley que tinha estado a chorar , sentada em frente de o lume . Pôs se de pé em um salto , seguida de Mr._Weasley e precipitaram se ambos para a filha . Harry olhava para trás de eles . Dumbledore rejubilava junto de a lareira , a o lado de a professora Mc_Gonagall que , agarrada a o queixo , respirava com dificuldade . Fawkes rasou as orelhas de o Harry e foi instalar se em o ombro de Dumbledore , ao_mesmo_tempo que Harry dava por si em os braços de Mrs._Weasley . - Tu salvaste a ! Salvaste a ! : __ como foi que __ conseguiste ? - Acho que todos nós gostaríamos de saber - disse , sem energia , a professora Mc_Gonagall . Mrs._Weasley soltou o Harry , que hesitou um momento . Depois , foi até a a secretária e colocou sobre o tampo o chapéu seleccionador , a espada cravejada de rubis e o que restava de o diário de Riddle . Em seguida , contou lhes tudo . Falou durante quase um quarto de hora em o silêncio extasiado : contou lhes de a voz sem corpo que ouvia , como a Hermione acabara por descobrir que se tratava de um Basilisk que circulava em os canos , como ele e o Ron tinham seguido as aranhas até a a floresta , que Aragog lhes dissera que a última vítima de o Basilisk morrera , como tinham chegado a a conclusão que se tratava de a Murta_Queixosa e que a entrada para a Câmara_dos_Segredos devia ser em aquela casa_de_banho ... - Muito bem - elogiou a professora Mc_Gonagall quando ele se calou . - Então tu descobriste onde era a entrada , infringindo uma centena de regras de a escola por o caminho , devo dizer , mas como diabo saíram vocês vivos de lá de dentro ? Harry , com a voz já um_pouco rouca de falar tanto , contou lhes de a chegada de a Fawkes e de o chapéu seleccionador que lhe tinha dado a espada . Mas , chegando aí , hesitou . Até a o momento evitara referir se a o diário de Riddle ou a a Ginny . Ela tinha a cabeça encostada a o ombro de Mrs._Weasley e as lágrimas corriam lhe ainda por o rosto . E se a expulsassem ? - pensou Harry , tomado de pânico . O diário de Riddle já não funcionava ... quem poderia provar que fora ele que a obrigara a fazer tudo aquilo ? Olhou instintivamente para Dumbledore que sorria , o fogo iluminando lhe os óculos de meia-lua . - O que mais me interessa saber - disse Dumbledore amavelmente - é como conseguiu Lord_Voldemort enfeitiçar a Ginny quando as minhas fontes me dizem que ele se esconde habitualmente em as florestas de a Albânia . Um alívio , quente e glorioso percorreu Harry de a cabeça a os pés . - O quê ? - disse Mr._Weasley , em uma voz estupefacta . - O Quem nós sabemos enfeitiçou a Ginny ? Mas a Ginny não ... a Ginny não morr ... ? - Foi este diário - esclareceu Harry rapidamente . E mostrando o a Dumbledore . - O Riddle escreveu o quando tinha dezasseis anos . Dumbledore pegou em o diário e olhou atentamente por cima de o seu nariz longo e adunco para as páginas queimadas e húmidas . - Fantástico - disse em voz baixa . - É claro que ele deve ter sido o aluno mais brilhante que alguma vez passou por Hogwarts . - Olhou em volta para os Weasley que o observavam com um ar totalmente confuso . - Muito poucas pessoas sabem que Lord_Voldemort se chamou em tempos Tom_Riddle . Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos , em Hogwarts . Ele desapareceu depois de deixar a escola , viajou muito , mergulhou tão fundo em as artes de a magia negra , associado a os piores feiticeiros , realizou transformações mágicas tão perigosas que quando reapareceu como Lord_Voldemort estava totalmente irreconhecível . Ninguém o relacionou com o rapazinho inteligente e bonito que aqui foi , em tempos , chefe de turma . - Mas a Ginny - insistiu Mrs._Weasley . - O que tem a nossa Ginny que ver com ele ? - O diário - soluçou Ginny . - Eu andei todo o ano a escrever em o diário e ele respondia me ... - Ginny ! - repreendeu Mr._Weasley . - Não aprendeste nada do_que te ensinei ? Não me cansei de dizer te que nunca confiasses em nada que não pensasse por si próprio * se não conseguisses ver onde tinha o cérebro ? * Porque não me mostraste o diário , a mim ou a a tua mãe ? Um objecto suspeito como esse tinha de estar cheio de magia negra ! - Eu não sabia - soluçou Ginny . - Estava junto de os livros que a mãe me comprou . Pensei que alguém se tinha esquecido de ele ali . - É melhor Miss_Weasley ir imediatamente para a ala hospitalar - interrompeu Dumbledore com voz firme . - Foi sujeita a uma prova terrível . Não será castigada . Outros feiticeiros mais velhos do_que ela têm sido ludibriados por Lord_Voldemort . - Dirigiu se a a porta e abriu a . - Repouso , cama e talvez uma caneca de chocolate quente . A mim , anima me sempre - acrescentou , piscando lhe simpaticamente o olho . - Vais ver que Madam_Pomfrey ainda está acordada . Ela tem estado a dar o sumo de Mandrágora , julgo que as vítimas de o Basilisk estarão a acordar dentro_de momentos . de alegria . - Então a Hermione está bem ! - disse o Ron , cheio de alegria . - Não houve danos irreversíveis - disse Dumbledore . Mrs._Weasley saiu com a Ginny e Mr._Weasley seguiu as ainda bastante abalado . - Sabes , Minerva - disse pensativo o professor Dumbledore - acho que tudo_isto merece um banquete . Posso pedir te que previnas os cozinheiros ? - Certamente - disse animada a professora Mc_Gonagall , dirigindo se também a a porta . - Deixo te a tratar de as coisas com o Potter e o Weasley , está bem ? - Claro - disse Dumbledore . Saiu e os dois olharam inseguros para Dumbledore . Que quereria ela dizer com tratar de as coisas ? Certamente não iriam ser castigados ? - Lembro me de vos ter dito a ambos que teria de vos expulsar se voltassem a quebrar as regras de a escola - disse Dumbledore . Ron abriu a boca horrorizado . - O que vem mostrar nos que as melhores pessoas , às_vezes , têm de engolir as suas próprias palavras . - Dumbledore sorriu e continuou : - Vocês vão receber ambos uma recompensa especial por serviços prestados a a escola e ... deixem me ver , sim , acho que duzentos pontos cada_um para os Gryffindor . Ron ficou tão corado que parecia as flores de S._Valentim_do_Lockhart e voltou a fechar a boca . - Mas um de vós parece demasiado calado sobre a sua participação em esta perigosa aventura - acrescentou Dumbledore . - Porquê tanta modéstia , Gilderoy ? Harry estremeceu . Esquecera se por completo de Lockhart . Voltou se e viu o a um canto de a sala ainda com o mesmo sorriso vago . Quando Dumbledore se lhe dirigiu , olhou por cima de o ombro para ver com quem ele estava a falar . - Professor_Dumbledore - disse o Ron rapidamente - Houve um acidente lá em baixo , em a Câmara_dos_Segredos . O professor Lockhart - Eu sou um professor ? - perguntou Lockhart surpreendido . - E eu que pensei que era um inútil ! - Tentou fazer um feitiço antimemória e a varinha fez ricochete - explicou Ron_a_Dumbledore . - Incrível - disse Dumbledore , abanando a cabeça , o bigode prateado a tremer . - Trespassado por a tua própria espada , Gilderoy ! - Espada ? - disse Lockhart de forma imprecisa . - Eu não tenho espada . Esse rapaz é_que tem - apontou para Harry . - Ele empresta lhe uma . - Importas te de levar também o professor Lockhart até a a ala hospitalar , Ron ? - disse Dumbledore . - Eu gostava de falar um_pouco mais com o Harry . Lockhart saiu sem pressa . Antes de fechar a porta , Ron lançou um olhar curioso a Dumbledore e Harry . Dumbledore passou para uma de as cadeiras junto de o lume . - Senta te , Harry - disse . E Harry sentou se , sentindo se indescritivelmente nervoso . - Antes de mais , Harry , quero agradecer te - disse Dumbledore com os olhos a brilharem de_novo . - Deves ter demonstrado uma grande lealdade para comigo . Só isso poderia atrair a Fawkes para ir ajudar te . Deu uma palmadinha a a fénix que voara , entretanto , para_cima de os seus joelhos . Harry sorria acanhadamente sob o olhar observador de Dumbledore . - Encontraste , portanto , Tom_Riddle - disse o director amavelmente . - Calculo que ele estaria particularmente interessado em ti ... De repente , algo que Harry tinha engasgado saiu lhe descontroladamente de a boca para fora . - Professor_Dumbledore ... o Riddle disse que eu sou como ele , que há entre nós estranhas semelhanças ... - Ah ! sim ? - Dumbledore olhou pensativamente para ele , por debaixo de as espessas sobrancelhas prateadas . - E o que achas tu de isso ? - Eu não me considero parecido com ele - disse Harry mais alto do_que desejaria . - Isto_é , eu sou um Gryffindor , eu sou ... Mas calou se com uma dúvida a rondar lhe o espírito . - Professor - arriscou passado alguns momentos . - O chapéu seleccionador disse que eu ... teria ficado bem em os Slytherin ; durante algum tempo toda_a_gente pensou que eu era o herdeiro de Slytherin por falar * serpentês * ... - Tu falas * serpentês * , Harry - disse Dumbledore calmamente - porque Lord_Voldemort que é o mais recente antepassado de Salazar_Slytherin , fala * serpentês * . Ou eu me engano muito , ou ele transferiu para ti alguns de os seus poderes em a noite em que te fez essa cicatriz . Não que quisesse fazê o , claro , mas aconteceu . - Voldemort pôs um_pouco de si próprio em mim ? - disse Harry assombrado . - É o que parece ter acontecido . - Então eu deveria estar em os Slytherin - disse Harry , olhando desesperado para o rosto de Dumbledore . - O chapéu seleccionador viu em mim os poderes de Slytherin e ... -- Pôs te em os Gryffindor - concluiu tranquilamente Dumbledore . - Ouve , Harry , tu tens por acaso muitas de as capacidades que Salazar_Slytherin apreciava em os seus estudantes cuidadosamente seleccionados . O seu raro dom de falar * serpentês * , desenvoltura , determinação , um certo desprezo por as regras estabelecidas - acrescentou com o bigode a tremer de_novo . - Mas ainda_assim , o chapéu seleccionador pôs te em os Gryffindor . E sabes porquê ? Pensa um_pouco . - Só me pôs em os Gryffindor - disse Harry em uma voz débil - porque eu pedi para não ir para os Slytherin . - Exacto - disse Dumbledore a sorrir . - E isso torna te muito diferente de o Tom_Riddle . São as tuas escolhas , Harry , que mostram quem de facto tu és , mais do_que as tuas capacidades . Harry sentou se , imóvel e espantado , em a cadeira . - Se queres provas de que o teu lugar é em os Gryffindor , sugiro que vejas isto com mais atenção . Dumbledore aproximou se de a secretária de a professora Mc_Gonagall , pegou em a espada de prata ensanguentada e mostrou lhe a . Sem perceber , Harry voltou a ao_contrário . Os rubis brilharam a a luz de a lareira e foi então que ele reparou em o nome gravado mesmo por baixo de o copo de a espada . GODRIC_GRYFFINDOR . - Só um verdadeiro Gryffindor poderia ter tirado a espada de dentro de o chapéu , Harry - disse , com simplicidade , Dumbledore . Durante um minuto , nenhum de os dois falou . Depois , Dumbledore abriu uma de as gavetas de a secretária de a professora Mc_Gonagall e retirou de lá uma pena e um tinteiro . - Tu precisas de comer e ir dormir . Sugiro que desças para o banquete enquanto eu escrevo para Azkaban . Precisamos de recuperar o nosso guarda de os campos . E tenho de esboçar um anúncio para o * _ Profeta_Diário * - acrescentou pensativo . - Vamos precisar de um novo professor de Defesa contra as artes negras . É um problema , estamos sempre a perdê os . Harry levantou se e dirigiu se a a porta . Tinha acabado de estender a mão para o puxador quando ela se abriu tão violentamente que saltou de as dobradiças . Lucius_Malfoy estava de pé , furioso . E , debaixo de o braço , embrulhado em diversas ligaduras , estava Dobby . - Boa tarde , Lucius - disse Dumbledore , de forma amena . Mr._Malfoy quase derrubou Harry enquanto entrava em a sala . Dobby dava passos miudinhos atrás de ele , inclinado até a a bainha de o seu manto com um olhar apavorado em o rosto . - Então - disse Lucius_Malfoy com os olhos fixos em Dumbledore - voltaste . Os membros de o Conselho_Directivo suspenderam te , mas tu mesmo_assim sentiste te capaz de voltar a Hogwarts . - Bem vês , Lucius - disse Dumbledore , sorrindo serenamente . - Os outros membros de o Conselho contactaram me hoje . Fui envolvido em um redemoinho de corujas , todos queriam contar me a verdade . Ouviram dizer que a filha de Arthur_Weasley tinha sido morta e queriam me novamente aqui . Parece que me consideravam o melhor homem para o lugar . Contaram me algumas histórias muito estranhas . Alguns de eles tinham a impressão que tu tinhas ameaçado amaldiçoar lhes as famílias se não concordassem com a minha suspensão . Mr._Malfoy ficou ainda mais pálido do_que de costume , mas os olhos continuavam cheios de fúria . - Então já acabaste com os ataques ? - rosnou . - Apanhaste o culpado ? - Já , sim - disse Dumbledore com um sorriso . - E quem é ? - perguntou Malfoy secamente . - A mesma pessoa de a última vez , Lucius - disse Dumbledore . Mas desta_vez , Lord_Voldemort agiu através_de outra pessoa , por_meio_de um diário . Pegou em o pequeno caderno com o buraco em o meio , observando Mr._Malfoy de perto . Mas Harry olhava para Dobby . O elfo fazia um sinal muito estranho . Com os seus grandes olhos fixos em Harry , não parava de apontar para ó diário e , em seguida , para Mr._Malfoy , batendo logo_a_seguir com o punho em a cabeça . - Estou a ver ... - disse Mr._Malfoy lentamente a Dumbledore . - Um plano inteligente - afirmou o director em um tom de voz suave , continuando a olhar Mr._Malfoy directamente em os olhos . - Porque se não fosse aqui o Harry e o seu amigo Ron a descobrirem o diário , sem dúvida Ginny_Weasley teria ficado com todas_as culpas . Ninguém teria conseguido provar que ela agira contra a sua própria vontade . Mr._Malfoy não se pronunciou . O seu rosto parecia agora uma máscara . - E vê bem - continuou Dumbledore - o que poderia ter acontecido ... os Weasley são uma de as mais proeminentes famílias de feiticeiros de sangue puro , imagina o efeito em a imagem de Arthur_Weasley e em a sua acção de protecção a os Muggles , se a sua própria filha fosse acusada de atacar e matar filhos de Muggles . Foi uma sorte o diário ter sido descoberto e as memórias de Riddle apagadas . Quem sabe que consequências poderia ter tido ? Mr._Malfoy falou contra vontade . - Sim , foi uma sorte - disse secamente . E , em as suas costas , Dobby continuava a apontar para o diário e para Lucius_Malfoy , batendo depois com o punho em a cabeça . E Harry finalmente percebeu . Fez um sinal a Dobby que correu a esconder se em um canto , torcendo desta_vez as orelhas para se castigar . - Não quer saber como a Ginny obteve esse diário , Mr._Malfoy ? - perguntou Harry . Lucius_Malfoy voltou se para ele . - Como queres que eu saiba onde é_que a estúpida de a garota o arranjou ? - Porque foi o senhor quem lhe o deu - disse Harry . - Em a Flourish and Blotts . O senhor pegou em o livro velho de ela de Transfiguração e meteu o diário lá dentro , não foi ? Viu as mãos brancas de Mr._Malfoy abrirem se e fecharem se . - Prova isso - sibilou . - Oh ! ninguém vai poder prová o - disse Dumbledore sorrindo a o Harry . - Não agora_que o Riddle desapareceu de o caderno . Por outro lado , aconselharia te , Lucius , a não dares mais nenhuma de as coisas velhas de Lord_Voldemort . Se mais alguma for parar a as mãos de crianças inocentes , acho que o Arthur_Weasley fará com que se voltem com toda_a sua carga negativa contra ti . Lucius_Malfoy ficou calado um momento e Harry viu claramente a sua mão direita torcer se como_se desejasse chegar a a varinha . Em vez de isso , voltou se para o seu elfo doméstico . - Vamos , Dobby . Abriu a porta e quando o elfo se aproximou deu lhe um pontapé que o projectou para longe . Ouviram se em o escritório os gritos de dor de Dobby em o corredor . Harry pensou durante um momento e depois decidiu se . - Professor_Dumbledore - disse apressadamente . - Posso dar o diário outra_vez a Mr._Malfoy ? - Certamente , Harry - disse Dumbledore com toda_a calma . - Mas não demores , olha o banquete . Harry agarrou em o diário e saiu de o escritório . Os gritos de dor de Dobby afastavam se ao_longe . Sem perder tempo , perguntando a si próprio se o plano poderia resultar , Harry tirou um de os sapatos , puxou uma de as peúgas enlameadas e viscosas e meteu o diário lá dentro . Em seguida correu até a o fundo de o corredor escuro . Apanhou os em o topo de as escadas . - Mr._Malfoy - disse ofegante , parando . - Tenho uma coisa para si . E meteu a peúga mal cheirosa em a mão de Lucius_Malfoy . - O que é ... ? Mr._Malfoy tirou o diário de dentro de a peúga , deitou a fora e olhou furioso para o caderno estragado e para Harry - Ainda vais acabar por ter um fim igual a o de os teus pais um dia de estes , Harry_Potter - disse em voz baixa . - Eles também eram uns idiotas metediços . Voltou se para se ir embora . - Anda , Dobby , vem ! Mas Dobby não se mexeu . Tinha em as mãos a peúga nojenta de o Harry e olhava para ela como_se fosse um tesouro de valor incalculável . - O senhor deu uma peúga a o Dobby - disse o elfo maravilhado . - Deu a a o Dobby . - O que é isso ? - cuspiu Mr._Malfoy . - Que estás para aí a dizer ? - Dobby tem uma peúga - repetiu incrédulo . - O senhor deitou a fora e Dobby apanhou a e Dobby agora é livre ... Lucius_Malfoy ficou paralisado a olhar para o elfo . Em seguida precipitou se para Harry . - Fizeste me perder o meu servo , rapaz . Mas Dobby gritou : - Não pense que vai fazer mal a o Harry_Potter ! Ouviu se um enorme estrondo e Mr._Malfoy foi empurrado de costas , galgando os degraus de as escadas a três_e_três e indo aterrar lá em baixo todo embrulhado e amarrotado . Levantou se , o rosto lívido e pegou em a varinha , mas Dobby estendeu lhe um dedo ameaçador . - Vá se embora já - disse furioso , apontando para Mr._Malfoy . - Não tocará em o Harry_Potter . Vá se embora , já . Lucius_Malfoy não teve escolha . Lançando a os dois um último olhar de cólera , embrulhou se em o manto e desapareceu . - Harry_Potter libertou Dobby ! - disse o elfo com voz esganiçada , olhando para Harry , a luz de o luar reflectida em os seus grandes olhos em forma de globos . - Harry_Potter libertou Dobby . - Era o mínimo que eu podia fazer , Dobby - disse Harry a sorrir -- , mas promete me que não vais voltar a tentar salvar me a vida . A cara feia e escura de o elfo abriu se , mostrando os dentes , em um enorme sorriso . - Tenho uma pergunta a fazer te , Dobby - disse Harry enquanto o elfo pegava em a peúga de ele com as mãos a tremer . - Disseste me que tudo_isto não tinha nada que ver com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Lembras te ? - Era uma pista , senhor - disse Dobby com os olhos muito abertos como_se fosse absolutamente óbvio . - Dobby estava a dar lhe uma pista . Antes de o senhor de o mal mudar de nome , o seu nome podia ser pronunciado , está a ver ? - Certo - disse Harry sem grande convicção . - Bem , é melhor eu ir indo embora . Há um banquete e a minha amiga Hermione já deve ter acordado ... Dobby lançou os braços a a cintura de Harry e abraçou o . - Harry_Potter é muito maior do_que Dobby imaginava ! - soluçou . - Adeus , Harry_Potter . E com um estalido final , Dobby desapareceu . Harry assistira a diversos banquetes , mas nenhum que se parecesse com aquele . Estavam todos de pijama e a festa durou a noite inteira . Harry não sabia se o melhor tinha sido a Hermione a correr para ele e a gritar : - Tu conseguiste . Tu conseguiste ! , ou o Justin saindo disparado de a mesa de os Hufflepuff para lhe estender a mão , desfazendo se em desculpas por ter suspeitado de ele , ou o Hagrid que apareceu a as três_e_meia e que lhes deu palmadas com tanta força em os ombros que eles foram parar dentro de os pratos de bolo de creme , ou os quatrocentos pontos que ele e o Ron obtiveram para os Gryffindor , ganhando a taça de a equipa por a segunda vez consecutiva , ou a professora Mc_Gonagall de pé , a comunicar lhes que os exames tinham sido cancelados como medida de a escola ( Oh ! não ! exclamou Hermione ) , ou Dumbledore a anunciar que , infelizmente , o professor Lockhart não poderia voltar em o ano seguinte por ter de se ausentar a_fim_de recuperar a memória . Alguns de os professores juntaram se a os alunos que aplaudiram entusiasmados esta notícia . - Que pena - disse Ron , servindo se de um * dounut * de presunto . - E eu que começava a gostar de ele ... O resto de o período de Verão decorreu sob um sol escaldante . Hogwarts voltara a a normalidade , apenas com algumas pequenas diferenças : as aulas de Defesa contra as artes negras foram canceladas ( Mas nós tivemos imensa prática - disse o Ron vendo o descontentamento de Hermione ) e Lucius_Malfoy foi demitido de o Conselho_Directivo . Draco já não passeava por ali como_se fosse o dono de a escola . Pelo_contrário , tinha um ar melindrado e carrancudo . Por outro lado , Ginny_Weasley andava de_novo feliz de a vida . Em_breve chegou o dia de regressarem a casa em o Expresso_de_Hogwarts . Harry , Ron , Hermione , Fred , George e Ginny encheram um compartimento . Tiraram o_máximo partido de aquelas últimas horas em que lhes era permitido usar a magia antes de as férias . Brincaram a as explosões , gastaram o último fogo-de-artíficio Filibuster , de o Fred e de o George e treinaram o mútuo desarmamento através de a magia . Harry começava a ficar muito bom em aquilo . Já estavam perto de a estação de King's_Cross quando Harry se lembrou de uma coisa . - Ginny , o que foi que viste o Percy fazer que ele não queria que nos contasses ? - Ah ! isso - disse a Ginny a rir . - Bem , é_que o Percy tem uma namorada . Fred deixou cair uma pilha de livros em a cabeça de o George . - O quê ? - É aquela prefeita de os Ravenclaw ' Penelope_Clearwater - disse a Ginny . - Foi para ela que ele escreveu durante todo o Verão . Encontravam se em a escola em grande segredo . Eu apanhei os a beijarem se em uma sala de aula vazia e ele ficou tão aflito quando ela foi ... sabes ... atacada . Não vais aborrecê o , pois não ? - perguntou cheia de ansiedade . - Que ideia - respondeu Fred com uma tal satisfação em o rosto que parecia que o seu aniversário chegara mais cedo . - Claro que não - disse o George a rir se a a socapa . O Expresso_de_Hogwarts abrandou e finalmente parou . Harry tirou a pena e um_pouco de pergaminho e voltou se para Ron e Hermione . - Isto_é um número de telefone - disse ele a o Ron , escrevinhando o duas vezes , cortando o pergaminho a o meio e dando lhes os números . - Eu expliquei a o teu pai como usar um telefone em o Verão passado . Ele sabe fazer a chamada . Liga me para_casa de os Dursley , O. _ K. ? Não consigo suportar outros dois meses sem ter mais ninguém com quem falar ... - Mas a tua tia e o teu tio vão ficar orgulhosos de ti , não vão ? - perguntou Hermione quando saíram de o comboio e se misturaram em a multidão que se encontrava junto de a barreira encantada . - Quando souberem o que fizeste este ano . - Orgulhosos ? - disse Harry . - Estás doida ! Podendo eu ter morrido tantas vezes e tendo escapado ? Vão ficar é furiosos ... E juntos avançaram até a a entrada para o mundo de os Muggles . ----------------- J._K._Rowling_Harry_Potter e a Câmara_dos_Segredos_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Chamber of Secrets_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling 1998 Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 2000 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 2.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 Depósito legal : 143.569/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , a a Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Para_Séan_P._F._Harris , condutor imparável e um amigo de os diabos . I_O pior aniversário Não era a primeira vez que uma discussão estoirava a a mesa de o pequeno-almoço , em o número 4 de a Privet_Drive . Mr._Vernon_Dursley fora acordado de manhã cedo por o piar ruidoso que vinha de o quarto de o seu sobrinho Harry . - É a terceira vez esta semana ! - resmungou , a a mesa . - Se não consegues controlar essa coruja , ela não pode ficar aqui . Harry tentou , mais_uma_vez , explicar . - Ela está aborrecida . Estava habituada a voar livremente lá fora . Se eu pudesse , ao_menos , soltá a a a noite ... - Achas me com cara de idiota ? - perguntou rispidamente o tio Vernon , com um fio de ovo preso em o bigode farfalhudo . - Sei muito bem o que aconteceria se essa coruja fosse lá para fora . Trocou um olhar soturno com a mulher , a tia Petúnia . Harry tentou contra-argumentar , mas as suas palavras foram abafadas por um enorme arroto de o filho de os Dursleys , Dudley . - Quero mais bacon . - Há mais em a frigideira , fofinho - disse a tia Petúnia , lançando um olhar vago a o seu filho maciço . - Tens que te alimentar bem enquanto aqui estás , aquela comida de a tua escola não me cheira . - Disparate , Petúnia , eu nunca passei fome enquanto andei em Smeltings - afirmou com sinceridade o tio Vernon . - O Dudley tem que chegue . Não é verdade , filho ? Dudley , que era tão gordo que o rabo saía de os dois lados de a cadeira de a cozinha , sorriu laconicamente e voltou se para Harry . - Passa me a frigideira . -- Esqueceste te de a palavra mágica - disse Harry , irritado . O efeito que esta simples frase teve em o resto de a família foi inacreditável : Dudley começou a arfar e caiu de a cadeira com um estrondo que abalou a cozinha , Mrs._Dursley deu um gritinho e bateu com a mão em a boca , Mr._Dursley pôs se de pé com as veias de as têmporas dilatadas . - Eu queria dizer « por favor » - explicou Harry rapidamente . - Não me referia a ... - : __ o que é_que eu te __ disse - vociferou o tio , espalhando perdigotos sobre a mesa - : __ sobre pronunciar a palavra m . em esta __ casa ? - Mas eu ... - : __ como te atreves a ameaçar o __ dudley ! - rosnou o tio Vernon , batendo com o punho em a mesa . - Eu só ... - : __ estás avisado . não vou admitir referências a tua anormalidade debaixo de o tecto de a minha __ casa ! Harry olhou alternadamente para o rosto congestionado de o tio e para a palidez de a tia que tentava pôr o Dudley de pé . - Está bem - disse Harry . - Está bem ... O tio Vernon voltou a sentar se , respirando como um rinoceronte exausto e observando Harry de perto por o canto de os seus olhos pequeninos e penetrantes . Desde_que Harry regressara para as férias de Verão que o tio Vernon o tratava como_se ele fosse uma bomba , capaz de explodir a qualquer momento , porque Harry não era um rapazinho normal . Em a verdade , ele era o menos normal que é possível imaginar . Harry_Potter era um feiticeiro , um feiticeiro que acabara de concluir o primeiro ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts e a infelicidade que os Dursleys sentiam por ele estar lá em casa não era nada comparada com a de Harry . As saudades de Hogwarts eram tão intensas que se assemelhavam a uma constante dor em o estômago . Sentia a falta de o castelo com as suas passagens secretas e os seus fantasmas , de as aulas ( com excepção talvez de as de Snape , o professor de as poções ) , de o correio a chegar trazido por as corujas , de os banquetes em o salão nobre , de as noites em as camas de dossel em a camarata de a torre , de as visitas a Hagrid , o guarda de os campos em a sua casinha em o bosque , junto de a floresta proibida e , principalmente , sentia a falta de o Quidditch , o desporto mais popular de o mundo de os feiticeiros ( seis postes altos de golo , quatro bolas esvoaçantes e catorze jogadores em_cima_de vassoura ) . Todos os livros de feitiços de Harry , assim_como a varinha , os mantos , o caldeirão e a vassoura topo de gama Nimbus dois_mil tinham sido encerrados por o tio Vernon em a despensa que ficava debaixo de as escadas , em o momento em que Harry regressara a casa . O que é_que lhes interessava se ele perdia ou não o seu lugar em a equipa de Quidditch por não ter praticado durante todo o Verão ? Que importância tinha para eles que o Harry voltasse a a escola sem ter podido fazer os trabalhos de casa ? Os Dursleys eram aquilo que os feiticeiros chamam « Muggles » ( nem uma gota de sangue mágico em as veias ) e , para eles , ter um feiticeiro em a família era motivo de grande vergonha . O tio Vernon tinha , inclusivamente , fechado a cadeado a coruja de Harry , Hedwig , dentro de a gaiola , para evitar que ela transportasse mensagens para a gente de o mundo de a feitiçaria . Harry não se parecia em nada com o resto de a família . O tio Vernon era atarracado e sem pescoço , dotado de um enorme bigode preto ; a tia Petúnia tinha um rosto cavalar e era esquelética ; Dudley era loiro e rosado como um porquinho . Harry , pelo_contrário , era baixo e franzino , com os olhos verdes brilhantes e cabelo negro sempre desalinhado . Usava uns óculos redondos e tinha em a testa uma cicatriz em forma de relâmpago . Era essa cicatriz que o tornava tão invulgar , mesmo para um feiticeiro . Era a única alusão a o seu passado misterioso , a o motivo por o qual , onze anos antes , tinha sido deixado em o degrau de a porta de os Dursleys . Com um ano de idade , Harry sobrevivera a uma maldição de o maior feiticeiro negro de todos os tempos , Lord_Voldemort , cujo nome a maior parte de os feiticeiros e feiticeiras ainda receia pronunciar . Os pais de Harry tinham morrido em um ataque de Voldemort , mas ele escapara com a sua cicatriz em forma de relâmpago e estranhamente , ninguém compreendeu porquê , os poderes de Voldemort tinham sido destruídos em o momento em que não fora capaz de matar o Harry . Por isso , ele foi criado por a irmã de a sua falecida mãe e respectivo marido . Passou dez anos com os Dursleys , sem nunca compreender porque fazia com que acontecessem coisas estranhas , alheias a a sua vontade , acreditando em a história de os Dursleys de que aquela cicatriz fora resultado de um acidente de automóvel em que os pais tinham morrido . E um dia , precisamente um ano antes , Hogwarts escrevera lhe e fora então que tudo começara . Harry fora ocupar o seu lugar em a escola de feitiçaria , onde ele e a sua cicatriz eram famosas ... mas agora o ano escolar chegara a o fim e estava de_novo com os Dursleys . Durante o Verão , voltara a ser tratado como um cão malcheiroso . Os Dursleys nem se tinham lembrado que aquele era o dia de o seu décimo segundo aniversário . É claro que não tivera grandes expectativas : eles nunca lhe tinham dado um presente a sério , muito menos um bolo , mas ignorarem o por completo ... Em esse momento , o tio Vernon pigarreou com um ar importante e disse : - Como todos sabem , hoje é um dia muito importante . Harry olhou para ele , mal conseguindo acreditar . - Pode bem ser que eu faça hoje o maior negócio de toda_a minha vida - afirmou . Harry voltou novamente a atenção para a torrada . É claro , pensou amargamente , o tio Vernon referia se a a estúpida dinner-party . Havia quinze_dias que não falava de outra coisa . Um consultor qualquer cheio de massa e a mulher vinham jantar lá a casa e o tio Vernon tinha esperança de conseguir uma grande encomenda ( a empresa de o tio Vernon fabricava brocas ) . - Acho que devíamos recapitular mais_uma_vez - disse o tio Vernon . - Devemos estar todos a postos a as oito_horas_em_ponto . Petúnia , tu vais estar ... ? - Em o salão - respondeu a tia Petúnia prontamente - a a espera para lhes dar as boas-vindas a nossa casa . - Bom , bom . E o Dudley ? - Eu vou estar a a espera para abrir a porta . - Dudley esboçou um sorriso falso e afectado . - Dão me licença que vos guarde os casacos , Mr. e Mrs._Mason ? - Eles vão adorá o - exclamou arrebatadamente a tia Petúnia . - Excelente , Dudley - disse o tio Vernon . - A seguir voltou se para o Harry . - E tu ? - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - repetiu o Harry , de forma inexpressiva . - Exactamente - confirmou o tio Vernon , de um modo desagradável . - Eu conduzo os até a o salão , apresento te , Petúnia , e sirvo lhes as bebidas . _ a as oito_e_um_quarto . - Eu chamo para a mesa - disse a tia Petúnia . - E tu , Dudley , vais dizer ... - Dá me licença que lhe indique a casa de jantar , Mrs._Mason ? - repetiu o Dudley , oferecendo o seu braço gordo a uma mulher invisível . - O meu pequenino cavalheiro - fungou a tia Petúnia . - E tu ? - perguntou o tio Vernon a o Harry , em o mesmo tom desagradável . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho , fingindo que não estou lá - respondeu Harry aborrecido . - Isso mesmo . Agora , devíamos ter preparadas algumas frases amáveis para o jantar . Petúnia , alguma ideia ? - O Vernon disse me que o senhor é um excelente jogador de golfe , Mr._Mason ... Tem de me dizer onde comprou esse vestido , Mrs._Mason ... - Perfeito . Dudley ? - Que tal : Tivemos de fazer um trabalho para a escola sobre o nosso herói e eu escrevi sobre o senhor ... Foi de mais , tanto para a tia Petúnia como para o Harry . A tia debulhou se em lágrimas e abraçou o filho , enquanto Harry se esgueirava para debaixo de a mesa para ninguém o ver rir . - E tu , rapaz ? Harry fez um esforço para se mostrar inexpressivo quando emergiu . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - disse . - Vais sim senhor - afirmou o tio Vernon energicamente . - Os Mason não sabem nada a teu respeito e é assim que as coisas vão continuar . Quando o jantar terminar , tu trazes Mrs._Mason para o salão , onde vamos tomar café , Petúnia , e eu puxo o assunto de as brocas . Com um_pouco de sorte , tenho o contrato assinado antes de o noticiário de as dez . Amanhã por esta hora , vamos estar a fazer compras para umas férias em Maiorca . Harry não conseguia sentir o menor entusiasmo com aquilo . Não lhe parecia que os Dursleys gostassem mais de ele em Maiorca do_que em Privet_Drive . - Certo , eu vou a a cidade buscar os casacos para mim e para o Dudley . E tu - resmungou , apontando para Harry - não atrapalhes a tua tia enquanto ela estiver a limpar . Harry saiu por a porta de as traseiras . Estava um dia de sol lindo . Atravessou o relvado , deixou se cair em o banco de o jardim e cantarolou baixinho : - Parabéns para mim ... parabéns para mim ... Nem cartas nem presentes e tinha de passar a noite a fingir que não existia . Olhou infeliz para a sebe . Nunca se sentira tão só . Mais do_que tudo em o mundo , mais do_que de Hogwarts , mais até do_que de o jogo de Quidditch , Harry sentia a falta de os amigos Ron_Weasley e Hermione_Granger . Mas eles não pareciam sentir a falta de ele . Nenhum de os dois lhe escrevera durante todo o Verão apesar_de o Ron ter dito que ia convidá o para passar uns dias lá em casa . Inúmeras vezes Harry estivera quase a libertar magicamente Hedwig de a sua gaiola e mandá a levar uma carta a o Ron e a a Hermione mas não valia a pena correr o risco . Os feiticeiros menores de idade não tinham autorização para usar a magia fora de a escola . Harry não contara isto a os Dursleys . Ele sabia que era o medo de que ele os transformasse a todos em baratas que os impedia de o fecharem a a chave em a despensa debaixo de as escadas , juntamente com a varinha e a vassoura . Em as primeiras semanas Harry divertira se a murmurar baixinho palavras sem sentido e a ver o Dudley sair disparado de o quarto , tão rápido quanto as suas pernas gordas lhe permitiam . Mas o silêncio prolongado de Ron e Hermione tinham o feito sentir se tão longe de o mundo de a magia que até divertir se à_custa_de Dudley perdera o interesse . E agora o Ron e a Hermione tinham se esquecido de o seu aniversário . Quanto não daria ele por uma mensagem de Hogwarts ? De qualquer feiticeiro ou feiticeira ? Quase ficaria satisfeito com um sinal de o seu inimigo feroz , Draco_Malfoy , só para ter a certeza de que tudo aquilo não fora apenas um sonho ... Não que tudo durante o ano em Hogwarts tivesse sido divertido . Mesmo em o fim de o último período , Harry confrontara se nem mais nem menos do_que com o próprio Lord_Voldemort . Voldemort podia ter arruinado o seu ego inicial mas continuava a espalhar o terror , ainda astuto , ainda determinado a recuperar o poder . Harry escapara uma segunda vez a as suas garras mas fora por um triz e mesmo agora , algumas semanas decorridas , acordava de noite encharcado em suores frios , perguntando se onde estaria Voldemort , relembrando o seu rosto lívido , os seus olhos completamente loucos ... Harry sentou se subitamente , direito como um fuso , em o banco de o jardim . Tinha estado a olhar distraído para a sebe e a sebe estava a olhar para ele . Dois enormes olhos verdes surgiram por_entre a folhagem . Harry pôs se de pé ao_mesmo_tempo que uma voz sobrevoava a relva . - Eu sei que dia é hoje - cantarolava Dudley , bamboleando se enquanto se aproximava . Os olhos enormes piscaram e desapareceram . - O quê ? - perguntou Harry sem retirar os olhos de o lugar para_onde estava a olhar . - Eu sei que dia é hoje - repetiu , chegando junto de ele . - Ainda_bem - disse Harry . - Aprendeste finalmente os dias de a semana . - Hoje é o dia de os teus anos - troçou o Dudley . - Por_que é_que não recebeste nenhuma carta ? Não tens amigos em esse lugar esquisito ? - É melhor não deixares a tua mãe ouvir te falar de a minha escola - disse Harry calmamente . Dudley puxou para_cima as calças que estavam a escorregar lhe por o rabo gordo abaixo . - Porque estás a olhar para a sebe . ; - perguntou curioso . - Estou a pensar em as palavras que deverei pronunciar para lhe pegar fogo - disse Harry . Dudley recuou de imediato com um olhar de pânico em a cara rechonchuda . - Tu não p-p-odes , o pai disse que não podias fazer magia ou corria contigo aqui de casa e não tens mais nenhum lugar para_onde ir , não tens amigos que te convidem ... - * _ Jiggery pokery * ! - disse Harry com voz firme . - * _ Hocus pocus ... squiggly wiggly * ... - Maaaaaãe - gritou Dudley , tropeçando em os pés , enquanto se precipitava para dentro_de casa . Maaaãe , ele vai fazer aquela coisa ! Harry deu graças a os céus por aquele momento de gozo . Como não aconteceu nada de mal nem a o Dudley nem a a sebe , a tia Petúnia percebeu que ele não fizera magia nenhuma mas , mesmo_assim , Harry teve de se afastar quando ela lhe deu uma forte pancada em a cabeça com a frigideira cheia de detergente . A seguir distribuiu lhe trabalho e o castigo de só voltar a comer quando tivesse acabado tudo . Enquanto Dudley andava a flanar , olhando para o ar e comendo gelados , Harry limpou as janelas , lavou o carro , aparou a relva , adubou os canteiros , podou e regou as rosas e pintou de_novo o banco de o jardim . O sol ardia lá em cima , queimando lhe a parte de trás de o pescoço . Harry sabia que não devia ter provocado Dudley mas ele dissera precisamente aquilo que ele próprio pensava ... talvez não tivesse amigos em Hogwarts . Deviam ver agora o famoso Harry_Potter , pensou amargamente enquanto espalhava adubo em os canteiros , as costas a doerem lhe e o suor a escorrer lhe por o rosto . Eram sete_e_meia_da_tarde quando , por fim , exausto , ouviu a tia Petúnia a chamá o . - Anda para dentro e passa por cima de os jornais . Harry entrou satisfeito em a sombra de a cozinha que rebrilhava . Sobre o frigorífico estava o bolo de a noite : um enorme monte de crome batido coberto de violetas de açúcar . A carne de porco assava em o forno . - Come depressa , os Mason devem estar a chegar ! - exclamou bruscamente a tia Petúnia , apontando para duas fatias de pão e uma de queijo que estavam em cima de a mesa de a cozinha . Ela já tinha posto um vestido de * cocktail * cor de salmão . Harry lavou as mãos e comeu aquele triste jantar . Mal tinha terminado , a tia Petúnia tirou lhe o prato . - Lá para_cima , rápido ! A o passar por a porta de a sala , Harry vislumbrou o tio Vernon e Dudley de casaco e gravata . Tinha acabado de chegar a o cimo de as escadas quando a campainha de a porta tocou e a cara de o tio Vernon apareceu em o patamar . - Lembra te , rapaz , um ruído que seja ... Harry entrou em o quarto em bicos de pés , fechou a porta e preparou se para se meter em a cama . O problema é_que estava lá alguém sentado . II_O aviso de Dobby_Harry conseguiu não gritar , mas foi por_pouco . A pequena criatura que estava em a cama tinha umas orelhas grandes e largas e uns olhos verdes protuberantes de o tamanho de bolas de ténis . Harry percebeu imediatamente que fora para ele que tinha estado a olhar de manhã . Enquanto olhavam um para o outro , Harry ouviu a voz de Dudley em o * hall * . - Posso guardar os vossos casacos , Mr. e Mrs._Mason ? A criatura escorregou por a cama e curvou se tanto que a ponta de o seu enorme nariz tocou em o tapete . Harry reparou que ele tinha vestido uma espécie de fronha de almofada com buracos para os braços e pernas . - Er ... Olá - disse Harry , um_pouco nervoso . - Harry_Potter ! - exclamou a criatura em uma voz tão estridente que Harry calculou que poderia ouvir se lá em baixo . - Há tanto tempo que Dobby queria conhecê o , senhor . É uma enorme honra ... - Ob-obrigado - disse Harry , deslocando se a o longo de a parede e sentando se em a cadeira de a secretária , junto de Hedwig que dormia em a sua grande gaiola . Queria perguntar lhe « O que és tu ? » , mas pensou que seria má educação , por isso perguntou : - Quem és tu ? - Dobby , senhor . Apenas Dobby , o elfo de casa - afirmou a criatura . - Oh ! A sério ? - perguntou Harry . - Não quero ser mal-educado , mas esta não é a melhor altura para ter um elfo em o meu quarto . O riso falso de a tia Petúnia ouvia se em a sala de jantar . O elfo deixou cair a cabeça . - Não que eu não me sinta feliz por te conhecer - disse Harry rapidamente - mas , er ... estás aqui por algum motivo em especial ? - Oh , sim senhor - disse Dobby muito a sério . - Dobby veio dizer lhe que ... é difícil ... Dobby não sabe por_onde começar ... - Senta te - disse Harry educadamente , apontando lhe a cama . Para seu horror , o elfo debulhou se em lágrimas bastante ruidosas . -- S-senta-te ! - repetiu . - Nunca em toda_a minha vida ... Harry pareceu lhe ouvir as vozes lá em baixo vacilarem . - Desculpa - murmurou . - Eu não queria ofender te ... - Ofender Dobby ! - exclamou o elfo em um sufoco . - Nunca nenhum feiticeiro disse a o Dobby que se sentasse como um seu igual , senhor . Harry , tentando dizer lhe « Sch ... » e confortá o ao_mesmo_tempo , conduziu Dobby de_novo até a a cama onde ele se sentou a soluçar , parecendo uma grande boneca muito feia . Por fim , conseguiu controlar se e ficou quieto , com os seus grandes olhos fixos em Harry em uma expressão de absoluta adoração . - Não deves ter conhecido muitos feiticeiros sérios - disse lhe , tentando animá o . Dobby abanou a cabeça . Em seguida , sem qualquer aviso , saltou e começou a bater furiosamente com a cabeça em a janela , gritando : - Dobby é mau ! Dobby é mau ! - Pára , o que é_que estás a fazer ? - perguntou Harry em um murmúrio sibilante , dando um salto e puxando Dobby de_novo para a cama . Hedwig acordara com um pio particularmente agudo e batia agressivamente com as asas contra as grades de a gaiola . - Dobby tinha que se castigar , meu senhor - afirmou o elfo , que ficara ligeiramente estrábico . - Dobby quase falou mal de a família de ele ... - De a tua família ? - De a família de feiticeiros que Dobby serve , meu senhor ... O Dobby é um elfo de casa , obrigado a servir uma casa e uma família para sempre . - Eles sabem que estás aqui ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Dobby estremeceu . - Oh , não senhor , não ... Dobby vai ter que se castigar muito por ter vindo vê o . Dobby vai ter que entalar as orelhas em a porta de o forno por isto . Se eles soubessem , senhor ... - Mas achas que eles não vão reparar se tu entalares as orelhas em a porta de o forno ? - Dobby duvida , senhor . Dobby está sempre a ter de se castigar por qualquer coisa . Eles deixam que o Dobby se castigue . _ às_vezes até sugerem alguns castigos extra . - Mas por_que é_que não te vais embora , não foges ? - Um elfo de casa tem de ser libertado , senhor . E a família nunca libertará Dobby . Dobby servirá a família até morrer . Harry olhou para ele . - E eu que pensava que era infeliz por ter de ficar aqui mais quatro semanas - declarou . - Isto faz os Dursleys parecerem quase humanos . Será que ninguém te pode ajudar ? Poderei eu ? Em o mesmo momento , Harry desejou não ter aberto a boca . Dobby desfez se em ruidosos soluços de gratidão . - Por favor - murmurou Harry , inquieto . - Por favor , está calado . Se os Dursleys ouvem barulho , se eles sabem que estás aqui ... - Harry_Potter pergunta se pode ajudar Dobby . Dobby ouviu falar de a sua grandeza , mas de a sua bondade , Dobby nada sabia . Harry , que se sentia corar , disse : - Seja o que for que tenhas ouvido sobre a minha grandeza , é um disparate . Nem_sequer sou o melhor de o meu ano em Hogwarts . É a Hermione . Ela ... Mas calou se rapidamente porque pensar em Hermione era lhe doloroso . - Harry_Potter é humilde e modesto - disse Dobby reverentemente , com os seus olhos de globo avermelhados . - Harry_Potter não fala de a sua vitória sobre « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . - Voldemort ? - perguntou Harry . Dobby bateu com as mãos em as enormes orelhas e gemeu : - Ai não diga o nome , senhor . Não diga o nome ! - Desculpa - disse Harry muito depressa . - Eu sei que muita gente não gosta . O meu amigo Ron ... Calou se de_novo . Pensar em o Ron era igualmente doloroso . Dobby voltou para Harry os seus dois olhos grandes como candeeiros . - Dobby ouviu dizer - balbuciou com voz rouca - que Harry_Potter encontrou o Senhor_do_Mal uma segunda vez há poucas semanas atrás ... que Harry_Potter lhe escapou de_novo . Harry acenou e os olhos de Dobby encheram se de lágrimas . - Ah , senhor - disse em um sobressalto , limpando o rosto com a ponta de a fronha de almofada que tinha vestida . - Harry_Potter é valente e arrojado . Enfrentou tantos perigos ! Mas Dobby veio protegê o , avisar Harry_Potter , mesmo_que para isso tenha de entalar as orelhas em a porta de o forno , que Harry_Potter não deve voltar para Hogwarts . Houve um silêncio apenas quebrado por o ruído de os garfos e de as facas lá em baixo e por a voz distante de o tio Vernon . - O q-q-uê ? - gaguejou Harry . - Mas eu tenho de voltar , o ano começa em o dia um de Setembro . É a minha razão de viver . Tu não sabes como são as coisas aqui . Eu não pertenço a este lugar , o meu lugar é em Hogwarts . - Não , não , não - guinchou Dobby , sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas andavam de um lado para o outro . - Harry_Potter deve ficar aqui , onde se encontra a salvo . É demasiado grande , demasiado bom para se perder . Se Harry_Potter regressar a Hogwarts correrá perigo de vida . - Porquê ? - inquiriu Harry , surpreendido . - Há uma conspiração , Harry_Potter . Uma conspiração para fazer acontecer coisas terríveis este ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts - murmurou Dobby que começara a tremer de a cabeça a os pés . - Dobby sabe de isto há meses , senhor . Harry_Potter não deve expor se a o perigo . É demasiado importante . - Que coisas terríveis são essas ? - perguntou Harry sem perder tempo . - Quem está por detrás ? Dobby fez um ruído esquisito e começou a bater com a cabeça contra a parede como um louco . - Está bem - gritou Harry , agarrando o braço de o elfo para o fazer parar . - Não podes dizer , eu compreendo . Mas porque vieste avisar me ? - Um pensamento súbito e desagradável surgiu lhe . - Espera aí , isto tem alguma coisa que ver com o Vol , desculpa com o Quem nós sabemos ? Basta que faças sim ou não com a cabeça - acrescentou com vivacidade enquanto a cabeça de Dobby se inclinava de_novo a uma velocidade preocupante para a parede . Lentamente , Dobby abanou a cabeça . - Não , não é « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . Os olhos de Dobby estavam abertos como_se estivesse a tentar dar a Harry uma pista , mas Harry estava completamente a a nora . - Ele não tem nenhum irmão , ou tem ? Dobby abanou a cabeça , os olhos mais abertos do_que nunca . - Bem , em esse caso não estou a ver quem mais poderia ter a possibilidade de fazer acontecer coisas horríveis em Hogwarts - disse Harry . - Quero dizer , para já está lá o Dumbledore . Sabes quem é Dumbledore , não sabes ? Dobby baixou a cabeça . - Albus_Dumbledore é o melhor director que Hogwarts alguma vez teve . Dobby sabe , senhor . Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore rivalizam com os d'aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Mas , senhor - a voz de Dobby desceu a um urgente murmúrio - há poderes que Dumbledore não ... poderes que nenhum feiticeiro sério ... E antes que Harry conseguisse impedi o Dobby saltou de a cama , agarrou o candeeiro de secretária de Harry e começou a bater com a cabeça , dando uivos ensurdecedores . Fez se silêncio lá em baixo . Dois segundos mais tarde , Harry com o coração a bater como um louco , ouviu o tio Vernon chegar a o * hall * e dizer . - O Dudley deve ter deixado outra_vez a televisão ligada , o maroto ! - Depressa , para dentro de o guarda-fatos - gritou Harry , empurrando Dobby bem para o fundo , fechando a porta e metendo se a correr em a cama mesmo a_tempo_de ver a maçaneta de a porta a girar . - Que diabo estás tu a fazer ? - disse o tio Vernon entre dentes , o rosto assustadoramente próximo de o de Harry . - Acabas de estragar o ponto alto de a minha anedota de o golfista japonês . Eu que oiça mais um som e vais desejar nunca ter nascido , rapaz ! Abandonou o quarto com grandes passadas . A tremer , Harry deixou Dobby sair de o guarda-fatos . - Estás a ver como são as coisas por aqui ? - disse . - Vês porque tenho de voltar para Hogwarts ? É o único sítio onde eu tenho ... bem , onde eu acho que tenho amigos . - Amigos que nem_sequer escrevem a Harry_Potter ? - disse Dobby com ar manhoso . - Calculo que devem ter estado ... espera aí - disse Harry , franzindo a testa . - Como é_que tu sabes que os meus amigos não me têm escrito ? Dobby arrastou os pés . - Harry_Potter não deve zangar se com Dobby . Dobby fez o que achou melhor ... - Tu tens estado a interceptar me as cartas ? - Dobby tem as aqui , senhor - disse o elfo . Saltando para longe de o alcance de Harry , retirou de dentro de a fronha que usava um espesso saco cheio de envelopes . Harry reconheceu de imediato a caligrafia certinha de Hermione , a escrita desordenada de Ron e até uns gatafunhos que pareciam ser de o guarda de os campos de Hogwarts , Hagrid . Dobby piscava ansiosamente os olhos . - Harry_Potter não deve ficar zangado ... Dobby esperava que ... se Harry_Potter pensasse que os amigos o tinham esquecido ... Harry_Potter talvez não quisesse voltar a a escola , senhor . Harry não o ouvia . Fez um gesto para agarrar as cartas , mas Dobby deu um salto , afastando se . - Harry_Potter terá as cartas , senhor , se der a Dobby a sua palavra de não voltar a Hogwarts . Ah , senhor , é um risco que não deve correr . Diga que não volta , senhor ! - Não - afirmou Harry zangado . - Dá me as cartas de os meus amigos ! - Em esse caso , Harry_Potter deixa Dobby sem escolha - disse o elfo tristemente . Antes que Harry pudesse fazer um movimento , Dobby tinha aberto a porta de o quarto e descido a correr por as escadas abaixo . Com a boca seca e um aperto em o estômago , Harry correu atrás de ele , tentando não fazer barulho . Saltou os últimos seis degraus , aterrando como um gato em a carpete de o * hall * , olhando em volta a a procura de Dobby . De a sala de jantar , ouviu a voz de o tio Vernon : - Conte a a Petúnia aquela história engraçadíssima de os funileiros americanos , ela tem estado louca por ouvi a , Mr._Mason . Harry correu de o * hall * para a cozinha e sentiu o estômago ficar pequenino . O pudim , que era a a obra-prima de a tia Petúnia , a montanha de creme batido coberto de violetas de açúcar flutuava junto de o tecto . Em cima de o guarda-louça de o canto , Dobby inclinava se servilmente . - Não - suplicou Harry . - Por favor , eles matam me . - Harry_Potter deve dizer que não vai voltar a a escola ... - Dobby , por favor . - Diga , senhor . - Não posso . Dobby lançou lhe um olhar trágico . - Então , Dobby deve fazê o , senhor , para o bem de Harry_Potter . O pudim foi direito a o chão em uma queda que parecia um coração a parar . O crome esguichou para as janelas e para as paredes , enquanto o prato se despedaçava . Com o ruído de uma chicotada , Dobby desapareceu . Ouviram se gritos em a casa de jantar e o tio Vernon irrompeu por a cozinha onde foi dar com Harry coberto , de a cabeça a os pés , por o pudim de a tia Petúnia . A princípio parecia que o tio Vernon ia conseguir arranjar uma desculpa para aquilo tudo . ( É só o nosso sobrinho , muito perturbado ; conhecer pessoas estranhas deixa o muito nervoso , por isso deixamos o lá em cima ... ) Conduziu_os_Mason , bastante chocados , para a sala de jantar , garantindo a Harry que o esfolava vivo quando os Mason se fossem embora e pôs lhe em as mãos um esfregão . A tia Petúnia descobriu um resto de gelado em o frigorífico e Harry , ainda a tremer , começou a limpar a cozinha . O tio Vernon poderia ainda ter feito o negócio , se não fosse a coruja . Estava a tia Petúnia a circular com uma caixa de After-Eight , quando uma enorme coruja de celeiro fez a sua entrada vertiginosa através de a janela de a casa de jantar , deixando cair uma carta em a cabeça de Mr._Mason e desaparecendo logo_a_seguir . Mrs._Mason gritava como uma carpideira e corria por a casa praguejando contra os lunáticos . Mr._Mason ficou o tempo estritamente necessário para dizer a os Dursleys que a mulher tinha um medo pânico de pássaros de todas_as formas e tamanhos e perguntar lhes se aquela era alguma brincadeira de mau gosto . Harry não saiu de a cozinha , agarrando o esfregão como defesa , enquanto o tio Vernon avançava para ele com um brilho demoníaco em os olhos pequeninos . - Lê isso - ordenou maldosamente . Harry pegou em a carta . Não era a desejar lhe um bom aniversário . * _ Caro_Mr._Potter , * _ Recebermos hoje informações de que um feitiço de suspensão em o ar foi efectuado em sua casa esta noite , a as nove_horas_e_doze_minutos . * _ Como sabe , os feiticeiros menores não estão autorizados a praticar magia fora de a escola e , se efectuar mais um trabalho mágico , será expulso de a nossa escola . ( Decreto_de_Restrições_Razoáveis_para_Feitiçaria_de_Menores , 1875 , parágrafo C. ) * _ Pedimos-lhe também que se lembre que qualquer actividade que possa ser notada por membros alheios a a nossa comunidade ( Muggles ) constitui uma ofensa grave , segundo a secção 13 de a Confederação_Internacional_do_Estatuto_da_Magia_Secreta . * _ Tenha umas boas férias . * Atenciosamente_Mafalda_Hopkirk_Gabinete_da_Utilização_Imprópria_da_Magia_Ministério_da_Magia * . Harry olhou para a carta e engoliu em seco . - Tu não nos contaste que estavas proibido de usar magia fora de a escola - disse o tio Vernon com um brilho maldoso a dançar lhe em os olhos . - Esqueceste te de o mencionar , passou te , não foi ? Tinha se aproximado de Harry como um grande * bulldog * , com todos os dentes a a mostra . - Tenho boas notícias para ti , rapaz , vou fechar te a a chave e , se tentares sair através_de magia , nunca mais voltas a aquela escola , eles expulsam te . E rindo como um louco , arrastou Harry até a o andar de cima . O tio Vernon era mau como as cobras . Em a manhã seguinte pagou a um homem para colocar grades em a janela de o quarto de Harry . Ele próprio abriu um pequeno buraco em a porta de o quarto para que a comida pudesse ser introduzida três vezes por dia . Deixavam o Harry sair para ir a a casa_de_banho de manhã e a o final de a tarde . O resto de o tempo estava fechado em o quarto , a a espera que o tempo passasse . Três dias mais tarde , os Dursleys não mostravam qualquer intenção de abrandar o castigo e Harry não sabia como sair de aquela situação . Estava deitado em a cama , vendo o sol brilhar por_entre as grades de a janela e perguntando se tristemente o que viria a acontecer lhe . Qual era a vantagem de sair de ali por artes mágicas , se Hogwarts o expulsaria em seguida ? Contudo , a vida em Privet_Drive tinha atingido o seu nível mais baixo . Agora_que os Dursleys tinham a certeza que não iam acordar transformados em morcegos , ele perdera a única arma que tinha . O Dobby podia tê o salvo de acontecimentos terríveis em Hogwarts , mas de a maneira que as coisas estavam , ele morreria muito provavelmente a a fome . A portinhola rangeu e a mão de a tia Petúnia apareceu empurrando uma tigela de sopa de pacote para dentro de o quarto . Harry , que estava cheio de fome , saltou de a cama e agarrou a . A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um único trago . A seguir , atravessou o quarto até a a gaiola de Hedwig e pôs os legumes ensopados dentro de o seu pratinho vazio . Ela agitou as penas e olhou o com profunda repugnância . - Não vale de nada virares lhe as costas . É tudo_o_que temos - disse Harry , de modo severo . Colocou a tigela vazia em o chão junto de a portinhola e voltou para_cima de a cama , de certo modo com mais fome do_que antes de ter comido a sopa . Admitindo que estaria ainda vivo dentro_de quatro semanas o que aconteceria se ele não se apresentasse em Hogwarts ? Será que mandariam alguém obrigar os Dursleys a deixá o ir ? O quarto começava a escurecer . Exausto e com o estômago a dar horas , o cérebro a as voltas com as mesmas questões sem resposta , Harry caiu em um sono intranquilo . Sonhou que fazia parte de um espectáculo de o jardim zoológico . Preso a a jaula onde se encontrava estava um cartaz onde podia ler se « feiticeiro menor de idade « . As pessoas olhavam o com olhos protuberantes , enquanto ele jazia fraco e esfomeado em um leito de palha . Viu a cara de o Dobby em o meio de a multidão e gritou lhe , pedindo ajuda , mas o Dobby respondeu : - Harry_Potter está em segurança aí , senhor - e desapareceu . Em seguida vieram os Dursleys e Dudley bateu em as grades de a jaula , rindo se de ele . - Pára com isso - murmurou Harry como_se aquele ruído martelasse em a sua cabeça dorida . - Deixa me em paz , pára com isso , estou a tentar dormir . Abriu os olhos . O luar brilhava através de as grades de a janela . E lá fora alguém olhava de olhos arregalados para ele : alguém de rosto sardento , cabelo ruivo e nariz grande . Ron_Weasley estava de o lado de_fora de a janela . III « A toca » Ron ! - exclamou Harry , arrastando se até a a janela e empurrando a para poderem falar através de as grades . - Ron , como é_que tu , foi o ... ? Harry ficou de boca aberta , espantado com o que viu . Ron estava debruçado de a janela de trás de um velho automóvel azul-turquesa que se encontrava estacionado em o ar . Em os lugares de a frente , rindo se para Harry , estavam os irmãos mais velhos , os gémeos Fred e George . - Tudo bem , Harry ? - O que é_que se tem passado ? - perguntou o Ron . - Porque não respondeste a as minhas cartas ? Convidei te para vires ter comigo umas doze vezes e um dia o pai chegou a casa e comunicou nos que tu tinhas recebido um aviso oficial por usares magia diante de os Muggles ... - Não fui eu . E como é_que ele soube ? - Ele trabalha em o Ministério - disse o Ron . - Tu sabes que nós não podemos fazer feitiços fora de a escola . - Bem , isso vindo de ti ... - exclamou Harry , olhando para o carro flutuante . - Oh , isto não conta - disse Ron . - Foi o meu pai que o emprestou . Não o fizemos aparecer por magia . Mas usar magia em a frente de esses Muggles com quem tu vives ... - Já te disse que não fui eu , mas vai demorar muito_tempo a explicar te isso agora . És capaz de avisar em Hogwarts que os Dursleys me fecharam a a chave e que não querem deixar me voltar e obviamente eu não posso sair de aqui magicamente senão o Ministério vai achar que é a segunda vez em três dias e ... - Pára com essa conversa tola - disse o Ron . - Viemos para te levar connosco . - Mas tu também não podes tirar me de aqui utilizando processos mágicos ... - Não precisamos de isso - afirmou Ron , fazendo um sinal de cabeça para os lugares de a frente . - Esqueces te de quem está aqui comigo . - Amarra isso em volta de as grades - disse o Fred , lançando a Harry a ponta de uma corda . - Se os Dursleys acordam estou feito - lamentou se Harry enquanto dava um nó bem apertado com a corda em uma de as grades e o Fred arrancava com o carro . - Não te preocupes e chega te para trás . Harry recuou para a sombra , para junto de Hedwig que parecia ter se apercebido de a importância de tudo aquilo , mantendo se quieta e em silêncio . O carro puxou mais e mais e , subitamente , com um ruído de ferro a ceder , as grades foram arrancadas de a janela , enquanto Fred conduzia com o céu como estrada . Harry correu de_novo para a janela para ver as grades a balouçarem a poucos metros de o chão . Ofegante , Ron içou as para dentro de o carro . Harry escutou ansiosamente mas não vinha qualquer som de o quarto de os Dursleys . Quando as grades estavam em segurança em os lugares de trás junto de Ron , Fred aproximou se o_máximo que lhe foi possível de a janela . - Anda de aí - disse . - Mas , todas_as minhas coisas de Hogwarts , a minha varinha , a minha vassoura ... - Onde estão ? - Fechadas em a despensa debaixo de as escadas e eu não posso sair de este quarto . . - Não há azar - disse o George . - Sai de a frente , Harry . Fred e George treparam cautelosamente e entraram por a janela em o quarto de Harry . Tinhas que ter aberto a boca , pensou Harry enquanto George tirava de o bolso um vulgar gancho de cabelo e começava a tentar abrir a fechadura . - Muitos feiticeiros acham que é uma perda de tempo aprender os truques de os Muggles - disse o Fred . - Mas nós pensamos que há habilidades que é sempre útil conhecer apesar_de serem um_pouco lentas . Ouviu se um pequeno clique e a porta abriu se . - Pronto , vamos buscar as tuas coisas . Tu vai dando a o Ron aquilo que precisas de aí de o teu quarto - murmurou George . - Cuidado com o degrau de cima que range - sussurrou Harry enquanto os gémeos desapareciam em o escuro . Harry deu a volta a o quarto , recolhendo as suas coisas e passando as por a janela a o Ron . Em seguida , foi ajudar o Fred e o George a trazerem o resto por as escadas acima . Ouviu o tio Vernon tossir . Por fim , de língua de_fora , chegaram a o quarto , junto de a janela aberta . Fred trepou para o carro para puxar os volumes com o Ron enquanto Harry e George os empurravam de dentro de o quarto . Centímetro a centímetro o malão foi passando por a janela . O tio Vernon tossiu de_novo . - Mais um_pouco - disse o Fred que estava a puxar de dentro de o carro . Um bom empurrão , vá . Harry e George encostaram os ombros contra a mala e ela escorregou para a parte de trás de o carro . - O. _ K. , vamos embora - murmurou o George . Mas quando Harry trepava para o parapeito de a janela ouviu se um forte pio atrás de ele , imediatamente seguido de o vociferar de o tio Vernon . - Aquela maldita coruja ! - Esqueci me de a Hedwig ! Harry precipitou se de_novo para o quarto , enquanto a luz de o patamar se acendia . Agarrou a gaiola de Hedwig , correu para a janela e passou a a o Ron . Estava a subir para_cima de a cómoda quando o tio Vernon bateu em a porta , que não estava fechada , e esta se abriu completamente . Por uma fracção de segundo , o tio Vernon ficou estático junto de a porta . Em seguida , soltou um mugido como um boi zangado e avançou para Harry , agarrando o por o tornozelo . Ron , Fred e George seguraram o por os braços e puxaram o com toda_a força . - Petúnia - rosnou o tio Vernon . - Ele está a fugir ! : __ ele está a __ fugir ! Os Weasleys deram um puxão gigantesco e a perna de o Harry escapou a as garras de o tio Vernon . Logo_que Harry entrou em o carro e a porta se fechou , Ron gritou : - Acelera Fred ! - E o carro partiu subitamente em direcção a a lua . Harry mal podia acreditar que estava livre . Esticou se a a janela , o ar de a noite a fustigar lhe os cabelos e olhou para baixo , para os telhados apertados de Privet_Drive . O tio Vernon , a tia Petúnia e o Dudley estavam todos debruçados com cara de parvos , a a janela de o quarto de ele . - Até a o próximo Verão - gritou . Os Weasleys riam se a as gargalhadas e Harry esticou se para trás em o assento e pediu a o ouvido de Ron : - Deixa sair a Hedwig . Ela pode voar atrás_de nós . Há séculos que não tem uma oportunidade de esticar as asas . George passou a o Ron o gancho de cabelo e , um momento depois , a Hedwig saíra feliz por a janela , planando atrás de eles como um fantasma . - Então , qual é a história ? - perguntou Ron , impaciente . - O que é_que tem estado a acontecer ? Harry contou lhes tudo sobre o Dobby , o aviso de este e o fracasso de o pudim de violetas . Houve um longo silêncio quando ele se calou . - Isso cheira me a esturro - disse , por fim , o Fred . - Definitivamente misterioso - concordou George . - Então ele nem te disse quem está supostamente por detrás dessa trama toda ? - Acho que não podia - explicou Harry . - Já te disse , de cada_vez que estava quase a deixar escapar qualquer coisa , começava a bater com a cabeça em a parede . Viu Fred e George olharem um para o outro . - O quê ? Acham que ele estava a mentir me ? - perguntou Harry . - Bem - começou o Fred -- , coloquemos as coisas de o seguinte modo , os elfos de casa têm poderes mágicos próprios , mas geralmente não podem usá os sem a autorização de os seus donos . Eu acho que o bom de o Dobby foi enviado para evitar que voltasses para Hogwarts . Uma ideia de um engraçadinho . Haverá alguém em a escola com má vontade contra ti ? - Sim - responderam Harry e Ron , precisamente ao_mesmo_tempo . - Draco_Malfoy - explicou Harry . - Ele detesta me . - Draco_Malfoy ? - perguntou George , voltando se para trás . - O filho de o Lucius_Malfoy ? - Deve ser . Não é um nome muito vulgar , pois não ? - disse Harry . - Mas porquê ? - Ouvi o pai falar acerca de ele - confidenciou George . - Ele era um grande apoiante de o « Quem nós sabemos » . - E quando o « Quem nós sabemos » desapareceu - continuou o Fred , voltando a cara para olhar para Harry - o Lucius_Malfoy voltou , dizendo que não foi por vontade própria que fez o que fez . Monte de lixo . O pai acha que ele fazia parte de um círculo de amigos íntimos de o « Quem nós sabemos » . Harry já tinha ouvido esses boatos sobre a família de Malfoy e não o surpreenderam em absoluto . Malfoy fizera Dudley_Dursley parecer um rapazinho simpático , amável e sensível . - Não sei se os Malfoy têm um elfo de casa ... - afirmou Harry . - Bem , quem quer que o possua é sem dúvida uma antiga família de feiticeiros e deve ser rica - explicou Fred . - Sim . A mãe está sempre a desejar que pudéssemos ter um elfo de casa para passar a roupa a ferro - disse o George . - Mas só temos um velho vampiro piolhoso em o sótão e gnomos espalhados por o jardim . Os elfos de casa pertencem a as grandes casas senhoriais , a os castelos e lugares assim , não encontrarias um em a nossa casa ... Harry estava calado . Considerando que Draco_Malfoy tinha sempre as melhores coisas , que a sua família nadava em ouro de feiticeiros , era fácil imaginá o passeando se por uma enorme casa senhorial . Mandar o servo de a família evitar que Harry voltasse para Hogwarts também parecia exactamente o tipo de coisa que Malfoy poderia fazer . Teria Harry sido estúpido a o tomar Dobby a sério ? - De qualquer modo , ainda_bem que viemos buscar te - declarou Ron . - Eu começava a ficar seriamente preocupado por não responderes a nenhuma de as minhas cartas . A princípio pensei que a culpa fosse de a Errol ... - Quem é a Errol ? - A nossa coruja . Já é velhota . Não seria a primeira vez que adoecia durante uma entrega . Por isso , tentei pedir a Hermes emprestada ... - Quem ? - A coruja que os meus pais compraram a o Percy quando ele foi nomeado prefeito - respondeu Fred . - Mas o Percy não me a emprestou . Disse que precisava de ela . - O Percy tem andado com atitudes muito estranhas este Verão - comentou George franzindo a testa . - E tem mandado imensas cartas e passado um tempo infinito fechado em o quarto ... enfim , pode limpar se e polir um distintivo de prefeito todas_as vezes que se quiser ... Estás a conduzir demasiado para ocidente , Fred - acrescentou apontando para uma bússola em o painel de o automóvel . Fred girou o volante . - Então , o vosso pai sabe que têm o carro ? - perguntou Harry , quase adivinhando a resposta . - Er ... não - disse o Ron . - Ele tinha trabalho esta noite . Felizmente vamos poder pô o de_novo em a garagem , sem a mãe perceber que andámos a voar nele . - A propósito , o que faz o vosso pai em o Ministério_da_Magia ? - Trabalha em o Departamento mais chato - respondeu Ron . - A Divisão de utilização incorrecta de artefactos de os Muggles . - O quê ? - Relaciona se com objectos de feitiçaria que foram feitos por os Muggles ; sabes como é , se forem parar de_novo a uma loja de os Muggles , ou a uma casa , como em o ano passado , quando morreu uma bruxa velha e o bule de ela foi vendido a uma loja de antiguidades . Uma mulher Muggle comprou o , tentou servir chá a os amigos . Foi um pesadelo , o pai teve de fazer horas extraordinárias durante semanas . - O que é_que aconteceu ? - O bule parecia louco , esguichou chá a ferver para todos os lados e um de os homens foi parar a o hospital com a pinça de o açúcar presa em o nariz . O pai ficou nervosíssimo . É só ele e o velho feiticeiro Perkings em o gabinete e tiveram de localizar e descobrir todo o tipo de encantamentos para resolver o assunto . - Mas o teu pai ... este carro ... Fred riu se . - Sim , o pai é louco por tudo_o_que tem que ver com os Muggles . A nossa arrecadação está cheia de coisas de os Muggles . Ele separa as , lança lhes feitiços e volta a pô as em o lugar . Se ele fizesse uma busca a nossa casa teria de se prender a si mesmo . A minha mãe fica louca com tudo aquilo . - É a estrada principal - gritou o George , apontando para baixo através de a janela . - Dentro_de poucos minutos estamos lá , mesmo a tempo , está a começar a clarear . Um leve brilho rosado tingia o horizonte para leste . Fred trouxe o carro para baixo e Harry pôde ver uma manta de retalhos de campos escuros e matas de arbustos . - Estamos um_pouco longe de a vila - disse George . - Em Ottery_St . Catchpole ... O carro voador foi descendo a os poucos . A luz avermelhada brilhava agora por_entre as árvores . - Terra - disse o Fred , em o momento em que tocaram em o chão com um ligeiro solavanco . Tinham aterrado perto_de uma garagem em ruínas em um pequeno pátio e Harry viu pela_primeira_vez a casa de o Ron . Parecia ter sido em tempos uma pocilga de pedra . Mas os quartos que posteriormente lhe tinham sido acrescentados haviam a tornado bastante mais alta e o seu aspecto era tão curvado que parecia ter sido construída por artes mágicas ( o que , pensou Harry , era , muito provavelmente , verdade ) . De o telhado vermelho saíam quatro ou cinco chaminés . Junto de a entrada , fixa em o chão , podia ver se uma inscrição assimétrica que dizia « A toca » . A o lado de a porta principal estava uma contusão de botas de * _ Wellington * e um caldeirão completamente enferrujado . Por o pátio passeavam se várias galinhas castanhas e gordas . - Não é grande coisa - desculpou se o Ron . - É óptima - exclamou Harry , feliz , pensando em Privet_Drive . Saíram de o carro . - Agora vamos lá para_cima sem fazer barulho - disse o Fred . - E esperamos que a mãe nos chame para o pequeno-almoço . Depois tu , Ron , desces a escada entusiasmadíssimo . - Mãe , olha quem apareceu cá durante a noite ! - E ela vai sentir se felicíssima quando vir o Harry . Assim ninguém fica a saber que levámos o carro voador . - Certo - disse o Ron . - Vamos , Harry , eu durmo em o ... Ron ganhou uma cor de um pálido esverdeado , os olhos fixos em a casa . Os outros três fizeram meia volta . Mrs._Weasley avançava por o pátio , afugentando as galinhas e , para uma mulher baixa , roliça e simpática , era fantástico como conseguia parecer se com um tigre dentes-de-sabre . - Ah ! - suspirou o Fred . - Oh , oh ! - exclamou o George . Mrs._Weasley parou em frente de eles . As mãos em as ancas , saltando de um olhar culpado para o outro . Usava um avental a as flores , com uma varinha a sair lhe de o bolso . - Com que então - disse . - Bom dia , mãe - arriscou o George com uma voz que tentou que fosse alegre e bem-disposta . - Vocês têm alguma ideia de como tenho estado preocupada ? - perguntou Mrs._Weasley em um murmúrio fraco . - Desculpe , mãe , mas sabe , nós tivemos que ... Os três filhos de Mrs._Weasley eram mais altos do_que ela , mas tremiam quando a fúria de a mãe se abatia sobre eles . - Camas vazias ! Nem um bilhete ! O carro desaparecido ... Podiam ter tido um acidente , estou fora de mim com tanta preocupação e vocês nem se importam ... nunca , enquanto eu for viva ... esperem só até o vosso pai chegar , nunca tivemos problemas de estes com o Bill , com o Charlie ou com o Percy ... - O perfeito Percy - resmungou Fred . - : __ tu não vales um dedo de a mão de o __ percy ! - gritou Mrs._Weasley , espetando um dedo em o queixo de o Fred . - Podias ter morrido , podias ter sido visto , podias ter feito com que o teu pai perdesse o emprego ... Parecia nunca mais acabar . Mrs._Weasley tinha gritado até ficar ronca , antes de se voltar para o Harry , que recuou . - Estou muito contente por te ver , Harry - disse . - Entra e vem tomar o pequeno-almoço . Ela voltou se e regressou a casa e Harry , depois de trocar um olhar nervoso com o Ron , que lhe acenou , encorajando o , seguiu a . A cozinha era pequena e bastante estreita . A meio havia uma enfezada mesa de madeira e cadeiras em volta e Harry sentou se a a beirinha de o assento , olhando em volta . Era a primeira vez que entrava em uma casa de feiticeiros . O relógio em a parede em frente de ele , tinha apenas um ponteiro e nenhum número . Em volta , estavam escritas frases como « Hora de fazer o chá » , « Hora de dar de comer a as galinhas « e « Estás atrasado » . Empilhados em o rebordo de a lareira estavam livros com títulos como * _ Encanta o teu próprio queijo , Encantamento em a cozedura de o pão e Banquetes em um minuto - é mágico * ! E , a menos que os ouvidos de Harry estivessem a traí o , o velho rádio próximo de o lava-loiças acabara de anunciar que a seguir vinha a Hora de enfeitiçar com a popular feiticeira-cantora Celestina_Warbeck . Mrs._Weasley fazia barulho com os talheres , preparando o pequeno-almoço um bocado a o acaso , lançando olhares furiosos a os filhos , enquanto lançava as salsichas em a frigideira . De vez em quando murmurava coisas como : « Não sei o que vos passou por a cabeça « ou « nunca devia ter confiado em vocês » . - Eu não te culpo , filho - tranquilizou Harry , pondo lhe sete ou oito salsichas em o prato . - Eu e o Arthur temos estado preocupados contigo . Ainda ontem a a noite estivemos a dizer que te iríamos buscar nós próprios se não respondesses a o Ron até sexta-feira . Mas , em a verdade ( estava agora a acrescentar três ovos estrelados a o prato de ele ) , atravessar metade de o país a voar em um carro ilegal , qualquer um vos poderia ter visto ... Agitou maquinalmente a varinha em a direcção de o lava-loiças , onde a loiça começou a lavar se sozinha , tinindo baixinho lá atrás . - Estava enevoado , mãe ! - exclamou o Fred . - Boca fechada enquanto comes ! - interrompeu Mrs._Weasley . - Eles estavam a fazê o passar fome , mãe ! - disse o George . - E tu também ! - disse Mrs._Weasley , mas já foi com uma expressão mais doce que começou a cortar o pão para Harry e a barrá o com manteiga . Em esse momento , as atenções voltaram se para um pequenino volto de cabelos ruivos , em uma camisa de dormir até a os pés , que surgiu em a cozinha , deu um grito agudo e desapareceu de_novo . - É a Ginny - disse Ron baixinho a o Harry -- , a minha irmã . Tem falado de ti todo o Verão . - Sim , ela vai querer o teu autógrafo , Harry - riu se o Fred , mas o seu olhar cruzou se com o de a mãe e inclinou se para o prato , não voltando a abrir a boca . Ninguém falou até os quatro pratos estarem limpos , o que sucedeu a uma velocidade surpreendente . - Bolas , estou cansado - bocejou Fred , pousando a faca e o garfo . Acho que me vou deitar e ... - Não vais , não senhor - interrompeu Mrs._Weasley . - A culpa é tua se ficaste toda_a noite acordado . Vais fazer a des-gnomização de o jardim . Eles estão outra_vez a exagerar . - Oh , mãe ... - E vocês os dois o mesmo - dirigiu se a o Ron e a o Fred . - Tu podes ir para a cama , filho - disse a Harry . - Não lhes pediste que guiassem aquele carro miserável . Mas Harry , que se sentia acordadíssimo , respondeu prontamente : - Eu ajudo o Ron , nunca vi uma des-gnomização ... - É muito simpático de a tua parte , querido , mas é um trabalho chato - explicou Mrs._Weasley . - Vejamos o que o Lockhart tem a dizer acerca disto . E puxou de o rebordo de a lareira um livro pesadíssimo . George resmungou : - Mãe , nós sabemos * des-gnomizar * o jardim . Harry olhou para a capa de o livro de Mrs._Weasley . Em grandes letras douradas , que ocupavam grande parte de a capa , podia ler se Guia_de_Gilderoy_Lockhart para pragas caseiras . Via se também a grande fotografia de um feiticeiro bem-parecido , de cabelos loiros ondulados e olhos azuis brilhantes . Como sempre , em o mundo de os feiticeiros , a fotografia mexia se . O feiticeiro , que Harry calculou ser Gilderoy_Lockhart , não parava de lhes piscar os olhos descaradamente . Mrs._Weasley sorriu lhe . - Oh , ele é fantástico - disse . - Conhece bem as pragas caseiras . É um livro maravilhoso . - A mãe adora o - disse Fred em um murmúrio bastante audível . - Não sejas ridículo , Fred - repreendeu Mrs._Weasley com as bochechas coradas . - É claro que se achas que sabes mais do_que o Lockhart , podes ir fazer o trabalho e ai de ti se houver um único gnomo em o jardim quando eu for fazer a inspecção . A bocejar e a resmungar , os Weasley arrastaram se lá para fora com Harry atrás de eles . O jardim era grande e , em a opinião de Harry , exactamente como deveria ser um jardim . Os Dursleys não teriam gostado . Havia uma enorme quantidade de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada , mas havia árvores nodosas em volta de as paredes , plantas que Harry nunca vira , tombando de todos os canteiros e um grande lago verde cheio de rãs . - Os Muggles também têm gnomos de jardim , sabes - disse o Harry a o Ron , enquanto atravessavam a relva . - Sim , já vi essas coisas que eles pensam que são gnomos - disse o Ron todo dobrado , com a cabeça em uma moita de peónias . - Como os Pais_Natais gordinhos com canas de pesca ... Houve um tumulto ruidoso , a moita de peónias estremeceu e Ron endireitou se . - Isto_é um gnomo - declarou com um ar sério . - Larga eu ! Larga eu ! - guinchou o gnomo . Não se parecia em absoluto com o Pai_Natal . Era pequenino e parecia de couro , com uma grande cabeça protuberante e calva , precisamente como uma batata . Ron agarrou o a a distância de um braço , enquanto ele dava pontapés em o ar com os seus pézinhos que pareciam chifres . Agarrou o por os tornozelos e voltou o de pernas para o ar . - Isto_é o que tens de fazer - disse . Levantou o gnomo acima de a cabeça ( Larga eu ! ) e começou a balouçá o em grandes círculos , como os vaqueiros fazem com os laços . A o ver a expressão chocada de Harry , Ron explicou : - Não os mágoa . Só tens de os deixar bem tontos para que consigam encontrar o caminho de regresso a os buracos de os gnomos . Largou os tornozelos de o gnomo . Ele voou seiscentos metros e aterrou com um ruído surdo em o campo a o lado de a sebe . - Deplorável - afirmou o Fred . - Aposto que consigo lançar o meu para_além de aquele tronco . Harry aprendeu rapidamente a não sentir muita pena de os gnomos . Decidira largar o primeiro que apanhou para_além de a sebe , mas o gnomo , sentindo fraqueza , enfiou os seus dentinhos , aguçados como laminas , em o dedo de o Harry e não foi fácil sacudi o para ele o largar , até que ... - Uau , Harry , esse deve ter sido seiscentos metros ... O ar estava subitamente cheio de gnomos voadores . - Vês , eles não são muito espertos - afirmou o George , agarrando cinco ou seis de uma_vez . - Em o momento em que se apercebem que começou a * des-gnomização * , aparecem todos para espreitar . Era de esperar que já tivessem aprendido a ficar quietinhos . Rapidamente a multidão de gnomos começou a ir se embora , atravessando os campos em uma fila ordenada , com os pequeninos ombros arqueados . - Eles voltam - disse o Ron enquanto os via desaparecer em a sebe de o outro lado de o campo . - Eles adoram estar aqui ... o pai é muito mole com eles , acha lhes piada . Em esse momento , a porta de a frente bateu . - Ele já voltou ! - exclamou o George . - O pai já está em casa ! Apressaram se a entrar . Mr._Weasley tinha se afundado em uma de as cadeiras de a cozinha , sem óculos e com os olhos fechados . Era um homem magro , quase calvo , mas o pouco cabelo que tinha era tão ruivo como o de os filhos . Vestia um longo manto verde cheio de pó e estava cansado de a viagem . - Que noite - murmurou , tacteando em busca de o bule , enquanto todos se sentavam a a volta de ele . - Nove assaltos , nove ! E o velho Mundungs_Fletcher tentou lançar me um feitiço quando eu estava de costas . Mr._Weasley tomou um bom gole de chá e suspirou . - Encontrou alguma coisa , pai ? - perguntou Fred ansiosamente . - Só encontrei algumas chaves encolhidas e uma chaleira que mordia - bocejou Mr._Weasley . - Havia um material bastante mauzinho , mas não era de o meu departamento . O Mortlake foi levado para ser interrogado sobre uns furões extremamente antigos , mas isso pertence a a Comissão_dos_Feitiços_Experimentais , graças_a Deus . - Por_que é_que alguém ia dar se a o trabalho de fazer encolher chaves ? - perguntou George . - Para chatear os Muggles - suspirou Mr._Weasley . - Vende se lhes uma chave que não pára de encolher , até que desaparece , de_modo_a que nunca a encontrem quando precisam ... É claro que é muito difícil condenar alguém , porque nenhum Muggle é capaz de admitir que a sua chave está a encolher , insistem em que estão sempre a perdê a . Benditos sejam , vão até onde for preciso para ignorar a magia , mesmo_que ela esteja em frente de os seus narizes ... mas vocês não acreditariam em as coisas que o nosso grupo tem levado para enfeitiçar ... - : __ como carros , por __ exemplo ? Mrs._Weasley tinha aparecido , segurando um grande atiçador que parecia uma espada . Os olhos de Mr._Weasley abriram se de repente , fitando a mulher com um ar culpado . - C-carros , Molly querida ? - Sim , Artur , carros - afirmou Mrs._Weasley , os olhos a faiscar . - Imagina um feiticeiro a comprar um carro velho e enferrujado e dizer a a mulher que a única coisa que queria fazer com ele era desmontá o para ver como ele funcionava , enquanto em a verdade estava a enfeitiçá o para o fazer voar . Mr._Weasley piscou os olhos . - Bem , querida , acho que poderás constatar que não é ilegal fazer isso , embora , er , talvez ele devesse ter contado a verdade a a mulher ... Existe uma forma de tornear a lei , já_que ela diz que ... desde_que não se tenha a * intenção * de voar em o carro , o facto de ele poder voar , não ... - Arthur_Weasley tu arranjaste essa forma de tornear a lei quando a escreveste ! - gritou Mrs._Weasley . - Para poderes continuar a remexer em todo aquele lixo de os Muggles que tens em a arrecadação ! E , para tua informação , o Harry chegou hoje_de_manhã em o carro que tu não pretendias pôr a voar ! - Harry ? - perguntou Mr._Weasley sem expressão . - Qual Harry ? Olhou em volta , viu Harry e deu um salto . - Santo_Deus , é Harry_Potter ? Muito prazer , o Ron falou nos tanto de si ... - * _ O teu filho conduziu aquele carro até a a casa de o Harry e de volta até aqui em a noite passada ! * - gritou Mrs._Weasley . - O que tens a dizer a esse respeito ? - A sério ! ? - exclamou Mr._Weasley com vivacidade . - Correu tudo bem , quero dizer ... - vacilou a o ver os olhos de Mrs._Weasley que faiscavam . - Er , fizeram mal , rapazes , muito mal , mesmo ... - Vamos deixá os a os dois - murmurou o Ron , enquanto Mrs._Weasley inchava como um sapo gigantesco . - Vamos , vou mostrar te o meu quarto . Esgueiraram se de a cozinha e desceram uma passagem estreita que dava para uma escada desnivelada que ziguezagueava a o longo de a casa . Em o terceiro andar , estava uma porta entreaberta . Harry só teve tempo de ver um par de olhos castanhos brilhantes que o olhavam fixamente , antes de a porta se fechar com um estalido . - A Ginny - disse o Ron . - Não imaginas como é estranho vês a tão tímida , ela que quase nunca se cala ... Subiram mais dois andares , até chegarem a uma porta com a tinta a descascar e uma pequena placa dizendo : « Quarto_do_Ronald » . Harry entrou . A cabeça quase tocava em o tecto inclinado . Piscou os olhos . Era como entrar dentro_de uma fornalha : quase tudo em o quarto de o Ron tinha um violento matiz alaranjado : a colcha de a cama , as paredes , até o tecto . Em seguida , apercebeu se de que o Ron tinha coberto cada centímetro de o velho papel de parede com * posters * de as mesmas sete feiticeiras e feiticeiros , todos vestidos com brilhantes mantos cor de laranja , transportando vassouras e acenando entusiasticamente . - A tua equipa de Quidditch ? - perguntou Harry . - Os Chudley_Cannons - disse Ron , apontando para a colcha cor de laranja que tinha um brasão com dois C's gigantes e uma bala de canhão a_toda_a velocidade . - Nono em a Liga . Os livros de estudo de feitiços de Ron estavam empilhados desordenadamente a um canto , junto de um monte de B. _ D. , todas elas relativas a as * _ Aventuras_de_Martin_Miggs , o Muggle louco * . A varinha mágica de o Ron estava em_cima_de um aquário cheio de ovos de rã sobre o peitoril de a janela , junto de o seu rato gordo e cinzento , Scabbers , que dormia uma soneca a o sol . Harry passou por_cima_de um baralho de cartas de jogar com vontade própria , que estava caído em o chão , e olhou para fora de a janelinha . Em o campo , não muito longe , podia ver um grupo de gnomos a esgueirarem se , um a um , de_novo para a sebe de os Weasley . Em seguida , voltou se para Ron que o observava nervoso , como_se esperasse a opinião de ele . - É um_pouco pequeno - declarou o Ron muito depressa . - Não se parece nada com o quarto que tu tinhas em casa de os Muggles . E estou mesmo debaixo de o vampiro de o sótão . Ele anda sempre a bater nos canos e a gemer ... Mas Harry , com um grande sorriso , disse lhe : - Esta é a melhor casa em que eu já estive . As orelhas de Ron ficaram cor-de-rosa . IV_Na_Flourish and Blotts_A vida em a Toca era o mais diferente que é possível de a vida em Privet_Drive . Os Dursleys gostavam de tudo limpo e arrumado , em casa de os Weasleys explodia o estranho e o inesperado . Harry teve um choque de a primeira vez que olhou para o espelho que estava sobre a lareira de a cozinha e ele gritou : - Mete para dentro a camisa , * desmazelado ! * - O vampiro de o sótão gemia e batia nos canos , sempre_que sentia as coisas demasiado calmas e as pequenas explosões em o quarto de o Fred e de o George , eram consideradas perfeitamente normais . Mas o que o Harry achou mais bizarro em a vida em casa de o Ron , não foi o espelho que falava , nem o vampiro barulhento , foi o facto de todos ali em casa parecerem gostar de ele . Mrs._Weasley preocupava se com o estado de as suas meias e tentava obrigá o a servir se quatro vezes a cada refeição . Mr._Weasley gostava que Harry se sentasse a o lado de ele a a mesa para poder bombardeá o com perguntas sobre a vida com os Muggles , pedindo que lhe explicasse como funcionavam coisas como as canalizações e o serviço de os correios . - Fascinante ! - exclamava , enquanto Harry lhe explicava a utilização de o telefone . - Engenhoso , de facto , todas_as maneiras que os Muggles encontraram para passar sem a magia . Harry teve notícias de Hogwarts em uma manhã de sol , cerca de uma semana depois de ter chegado a a Toca . Quando , ele e o Ron desceram para tomar o pequeno-almoço , encontraram Mr. e Mrs._Weasley e Ginny já sentados a a mesa . Em o momento em que viu o Harry , Ginny entornou a tigela de os cereais , que caiu a o chão com grande espalhafato . Ginny entornava facilmente coisas sempre_que o Harry estava em a sala . Mergulhou debaixo de a mesa para apanhar a tigela e emergiu com o rosto a brilhar como o sol poente . Fingindo não ter dado por nada , Harry sentou se e aceitou a torrada que Mrs._Weasley lhe ofereceu . - Cartas de a escola - disse Mr._Weasley , passando a o Harry e a o Ron envelopes idênticos de pergaminho amarelado , com a morada escrita a tinta verde . - O Dumbledore já sabe que estás aqui , Harry , não perde nada aquele homem . Vocês os dois também - acrescentou , enquanto Fred e George deambulavam em a casa , ainda em pijama . Fez se silêncio durante alguns momentos , enquanto liam as respectivas cartas . A de o Harry dizia para apanhar o Expresso_de_Hogwarts , como sempre em a Estação_de_King's_Cross , em o dia_1_de_Setembro . Havia ainda uma lista de os livros que precisaria para o próximo ano . Os alunos de o segundo ano deverão ter : * _ O_Livro_Padrão_de_Feitiços , Grau 2 , por Miranda_Goshawk . * _ Ensinamentos_de_Uma_Fada_Carpideira , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Férias com Bruxas , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Duendes , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Lobisomens , por Gilderoy_Lockhart . * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves , por Gilderoy_Lockhart * . Fred , que terminara a sua própria lista , espreitou para a de o Harry . - Também te mandam comprar os livros de o Lockhart - disse . - A professora de defesa contra as artes negras deve ser fanática . Aposto que é uma bruxa . Nessa_altura , Fred percebeu o olhar de a mãe e apressou se a comer o doce de laranja . - Esse conjunto não vai ficar barato - disse George , olhando rapidamente para os pais . - Os livros de o Lockhart são de os mais dispendiosos ... - Cá nos havemos de arranjar - declarou Mrs._Weasley , mas parecia preocupada . - Espero que pelo_menos para a Ginny possamos arranjar uma data de coisas em segunda mão . - Ah , vais entrar este ano para Hogwarts ? - perguntou lhe Harry . Ela fez um aceno , corando até a a raiz de os cabelos ruivos e meteu o cotovelo em o pires de a manteiga . Felizmente ninguém deu por nada , a não ser o Harry , porque em esse momento o irmão mais velho de Ron , o Percy , entrou . Já estava vestido , com a placa de prefeito aplicada a a sua camisola de malha . - Bom dia a todos - disse , cheio de vivacidade . - Está um dia lindo . Puxou a única cadeira livre , mas deu um salto quando ia sentar se e , debaixo de ele , saltou um espanador cinzento de penas , pelo_menos , foi o que o Harry pensou até ver que ele respirava . - Errol ! - exclamou Ron , afastando a coruja de o Percy e retirando lhe debaixo de a asa uma carta . - Até que enfim , a resposta de a Hermione . Escrevi lhe a contar que íamos tentar raptar te de casa de os Dursleys . Levou Errol para um poleiro que havia junto a a porta de as traseiras e tentou colocá a lá em cima , mas Errol caiu redonda e Ron teve de a pôr em a pia , murmurando : - Patético . - Em seguida , abriu a carta de a Hermione e leu a em voz alta . * _ Querido_Ron e Harry , se aí estiveres . Espero que tudo tenha corrido bem , que o Harry esteja O. _ K. e que não tenham feito nada ilegal para conseguir trazes o , porque isso podia criar lhe problemas também a ele . Tenho estado muito preocupada e , se o Harry estiver bem , por favor digam me qualquer coisa rapidamente , mas talvez seja melhor usarem uma nova coruja , porque acho que outra entrega pode acabar como esta . * _ Estou muito atarefada com trabalho de a escola , claro * . - Como é possível ? - perguntou Ron , horrorizado . - Estamos em férias ! - * _ E vamos para Londres em a próxima quarta-feira para comprar os meus livros novos . Porque não nos encontramos em a Diagon-al ? * _ Dêem-me notícias vossas o mais depressa possível . * _ Carinhosamente_Hermione * - Bem , parece uma boa solução , podemos ir todos comprar as vossas coisas - disse Mrs._Weasley , começando a limpar a mesa . - O que vão fazer hoje ? Harry , Ron , Fred e George tinham planeado ir a o cimo de o monte a um pequeno cercado de cavalos que os Weasleys possuíam . Estava rodeado de árvores que lhe tapavam a vista de a cidade cá em baixo , o que quer_dizer que podiam praticar Quidditch , desde_que não voassem muito alto . Não podiam usar as verdadeiras bolas de Quidditch pois seria muito difícil explicar se elas escapassem e voassem sobre a cidade . Em vez de elas , lançavam maçãs para os outros apanharem . Faziam turnos para montar a Nimbus dois_mil , que era de longe a melhor vassoura . A velha Shooting_Star_de_Ron fora muitas_vezes ultrapassada por as borboletas que passavam . Cinco minutos mais tarde estavam a marchar por o monte acima , de vassouras a o ombro . Tinham perguntado a o Percy se ele queria juntar se a eles , mas ele alegara muito trabalho . Até esse dia , Harry só tinha visto Percy a a hora de as refeições , ele ficava em silêncio em o quarto o resto de o tempo . - Gostava de saber o que ele anda a fazer - afirmou Fred , de testa franzida . - Não parece o mesmo . O resultado de os exames veio um dia antes de tu chegares : doze N_F_V e ele nem se manifestou satisfeito . - Níveis_de_Feitiçaria_Vulgares - explicou o George , vendo o olhar atarantado de Harry . - Se não temos cuidado , ainda nos calha outro Chefe_de_Turma em a família . Acho que não suportaria a vergonha . Bill era o mais velho de os irmãos Weasley . Ele e o irmão a seguir , Charlie , já tinham saído de Hogwarts . Harry não conhecia nenhum de os dois , mas sabia que o Charlie estava em a Roménia a estudar dragões e o Bill em o Egipto a trabalhar em o banco de os feiticeiros : Gringotts . - Não sei como o pai e a mãe vão arranjar dinheiro para nos pagar o material escolar este ano - disse o George , passado um bocado . - Cinco conjuntos de livros de o Lockhart ! E a Ginny precisa de mantos e de uma varinha e tudo_isso ... Harry não disse nada . Sentiu se um_pouco incomodado . Fechada em um cofre subterrâneo , em o banco de Gringotts_de_Londres , estava uma pequena fortuna que os pais lhe tinham deixado . É claro que só tinha esse dinheiro em o mundo de os feiticeiros , não se podem usar Galeões , Leões e Janotas em as lojas de os Muggles . Ele nunca fizera referência a a sua conta bancária em Gringotts a os Dursleys . Não lhe parecia que o horror que eles sentiam por tudo_o_que se relacionava com a feitiçaria se estendesse a uma enorme pilha de barras de ouro . Mrs._Weasley acordou os a todos bem cedo , em a quarta-feira seguinte . Depois de comerem umas doze sanduíches de * bacon * cada_um , enfiaram os casacos e Mrs._Weasley tirou um vaso de a prateleira de o fogão de a cozinha e espreitou lá para dentro . - Está a acabar se , Arthur - suspirou . - Temos de comprar mais hoje ... Bem , os hóspedes primeiro . Passa , Harry querido ! E ofereceu lhe o vaso de flores . Harry olhou espantado enquanto todos eles o observavam . - O q-que é_que eu devo fazer ? - gaguejou . - Ele nunca viajou com o pó de Floo - disse o Ron subitamente . - Desculpa , Harry , esqueci me . - Nunca ? - perguntou Mrs._Weasley . - Mas então como chegaste a a Diagon - _ Al em o ano passado para comprar as tuas coisas ? -- Fui por o subterrâneo . - A sério ? - disse Mr._Weasley , entusiasmado . - Havia fugitivos ? Como é_que ... - Agora não , Arthur - disse Mrs . Weasley . - O pó de Floo é muito mais rápido , querido , mas , valha me Deus , se ele nunca o usou ... - Vai correr bem , mãe - disse o Fred . - Harry observa nos primeiro . Tirou uma pitada de pó brilhante de dentro de o vaso , aproximou se de o lume e lançou o pó em as chamas . Com um rugido , o fogo ficou verde-esmeralda e elevou se a uma altura superior a a de o Fred que avançou , gritando Diagon - _ Al ! E desapareceu . - Tens de falar claramente , filho - disse Mrs._Weasley a o Harry , ao_mesmo_tempo que George metia a mão em o vaso de as flores . - E vê se sais em o fogão certo . - Em o quê ? - perguntou Harry , nervoso , enquanto o lume crepitava e fazia George desaparecer também . - Bem , há imensos fogos de feiticeiros , mas desde_que te tenhas expressado claramente ... - Ele vai conseguir , Molly , não te preocupes - disse Mr._Weasley , tirando também ele algum pó . - Mas querido se ele se perde como é_que vamos justificar nos perante o tio e a tia de ele ... -- Eles não se importariam - tranquilizou a Harry . - O Dudley ia achar imensa piada se eu me perdesse em uma chaminé , não se preocupe . - Bem , em esse caso ... tu vais a seguir a o Arthur - disse Mrs._Weasley . - Logo_que entres em o fogo diz para_onde queres ir . - E mantém os cotovelos dobrados - preveniu o Ron . - E os olhos fechados - disse Mrs._Weasley . - A fuligem . - Não te enerves - disse o Ron . - Senão podes ir parar a a lareira errada . - Não entres em pânico e não queiras sair cedo de mais . Espera até veres o Fred e o George . Fazendo um enorme esforço por reter toda aquela informação , Harry tirou uma pitada de pó de Floo e avançou para a beirinha de o fogo . Respirou fundo , espalhou o pó em as chamas e entrou . O fogo parecia uma brisa quente . Abriu a boca e engoliu , de imediato , uma grande quantidade de cinzas quentes . D-dia-gon-al - tossiu . Sentiu se como_se estivesse a ser sugado para um buraco gigantesco . Como_se girasse muito depressa ... o ruído era ensurdecedor . Tentou manter os olhos abertos mas o turbilhão de chamas verdes fê lo enjoar ... algo duro bateu lhe em o cotovelo e dobrou o de imediato . Continuava a rodar , a rodar ... sentia se agora como_se várias mãos frias estivessem a bater lhe em a cara ... Espreitando através de os óculos , viu uma torrente imprecisa de fogões e captou lampejos de as salas que estavam por detrás ... as sanduíches de * bacon * davam lhe a volta dentro de o estômago ... fechou os olhos desejando que tudo aquilo parasse e então caiu , de cara em o chão , em a pedra fria e sentiu os óculos partirem se a os bocados . Desorientado e ferido , coberto de fuligem , pôs se cautelosamente de pé , levando a os olhos os óculos partidos . Estava completamente só e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava . Tudo_o_que podia dizer era que a o seu lado via uma lareira que lhe parecia ser a de uma enorme e indistinta loja de feitiçaria . Mas nenhum de os artigos que ali se encontravam tinham aspecto de fazer parte de a lista de a escola de Hogwarts . Em uma caixa de vidro podia ver se uma mão atrofiada que repousava sobre uma almofada , um baralho de cartas ensanguentado e um olho de vidro que o olhava fixamente . Máscaras de expressão maldosa enchiam as paredes , olhando de esguelha , uma enorme quantidade de ossos humanos estendia se sobre o balcão e , de o tecto , pendiam instrumentos aguçados com pontas de ferro e pregos enferrujados . Mas o pior é_que a rua estreita e escura , que Harry conseguia avistar através de a janela poeirenta de a loja , não era de modo algum a Diagon-al . Quanto_mais depressa saísse de ali , melhor . O nariz ainda a doer lhe em o sítio onde batera em o chão a o aterrar , Harry avançou rápida e silenciosamente em direcção a a porta , mas antes de conseguir chegar a meio caminho , duas pessoas apareceram de o lado de_fora de o vidro , e uma de elas era a última pessoa que Harry desejaria encontrar em o momento em que se encontrava perdido , coberto de fuligem e com os óculos partidos , Draco_Malfoy . Harry olhou rapidamente em volta e apercebeu se de a existência de um grande armário escuro a a sua esquerda , saltou lá para dentro e fechou as portas , deixando uma gretazinha para poder espreitar . Segundos depois , uma campainha tocava e Malfoy entrava em a loja . O homem que o acompanhava só podia ser o pai . Tinha o mesmo rosto pálido de feições agudas e os mesmos olhos cinzentos de gelo . Mr._Malfoy atravessou a loja , olhando maquinalmente para os artigos expostos e tocou a campainha de o balcão , antes de se voltar para o filho , dizendo : - Não mexas em nada , Draco . Malfoy , que vira o olho de vidro , disse : - Pensei que ias oferecer me um presente . - Eu prometi que ia comprar te uma vassoura de corrida - declarou o pai , tamborilando com os dedos sobre o balcão . - Para que é_que me serve , se não estou em a equipa de Quidditch ? - perguntou Malfoy , carrancudo e de mau humor . - O Harry_Potter teve uma Nimbus dois_mil o ano passado , com a autorização especial de o Dumbledor é para jogar em os Gryffindor . Ele nem é assim tão bom , é só por ser * famoso * ... famoso por ter uma estúpida cicatriz em a testa . Malfoy baixou se para observar uma prateleira cheia de crânios . - Todos acham que ele é tão esperto , o Potter maravilha , com a sua cicatriz e a sua vassoura ... - Já me disseste isso doze vezes pelo_menos - comentou Mr._Malfoy , olhando repressivamente para o filho . - E devo lembrar te que não é prudente parecer menos do_que amigo de Harry_Potter , quando a maior parte de a nossa gente vê em ele um herói que fez desaparecer o Senhor_do_Mal . Ah , Mr._Borgin . Um homem curvado surgiu por detrás de o balcão , puxando o cabelo gorduroso para trás . - Mr._Malfoy , que prazer vês o de_novo - disse Mr._Borgin , em uma voz tão untuosa como o cabelo . - Encantado , e o nosso jovem Malfoy também , encantado . Em que posso servi os ? Tenho que vos mostrar o que chegou hoje , a um preço muito razoável ... - Hoje não venho comprar , Mr._Borgin , e sim vender - afirmou Mr._Malfoy . - Vender ? - O sorriso apagou se lentamente em o rosto de Mr._Borgin . - Certamente ouviu dizer que o Ministério está a levar a cabo mais buscas - explicou o Mr._Malfoy , retirando de o bolso um rolo de pergaminho e desembrulhando o para Mr._Borgin o ler . - Eu tenho alguns , ah , artigos em casa que poderiam criar me problemas se o Ministério me batesse a porta . Mr._Borgin colocou em o nariz um par de * pince-nez * e olhou para a lista . - O Ministério não se lembraria de o incomodar certamente ... O lábio de Mr._Malfoy dobrou se . - Ainda não me fizeram nenhuma visita . O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito , mas o Ministério está a ficar cada_vez_mais intrometido . Há boatos sobre um novo decreto de protecção de os Muggles , sem dúvida que aquele mordido de as pulgas , adorador de os Muggles , que é o Arthur_Weasley deve estar por detrás de isso . Harry sentiu crescer a raiva . - E , como pode ver , alguns de estes venenos podiam dar a ideia ... - Compreendo perfeitamente , claro - disse Mr._Borgin . - Deixe me ver ... - Posso ter aquilo ? - interrompeu Draco , apontando para a mão raquítica que estava sobre a almofada . - Ah , a mão de a glória ! - exclamou Mr._Borgin , abandonando a lista de Mr._Malfoy e apressando se a responder a Draco . - Põe se lhe uma vela e ela só dá luz a quem a transporta ! A melhor amiga de os gatunos e de os salteadores , o seu filho tem gosto , senhor . - Espero que o meu filho venha a ser mais do_que gatuno ou salteador , Borgin - disse Mr._Malfoy friamente e Mr._Borgin respondeu logo : - Sem ofensa , senhor , sem querer ofender . - Embora , se as notas de a escola não melhorarem - disse Mr._Malfoy ainda mais friamente - esse possa vir a ser o único caminho possível para ele . - Não tenho culpa - retorquiu Draco . - Todos os professores têm os seus preferidos , aquela Hermione_Granger ... - Eu , em o teu lugar , teria vergonha que uma rapariga que nem_sequer pertence a famílias de feiticeiros , me passasse a a frente em todos os exames - interrompeu Mr._Malfoy . Ah - fez Harry baixinho , radiante por ver Draco atrapalhado e furioso . - É o mesmo em todo o lado - comentou Mr._Borgin em a sua voz untuosa . - O sangue de os feiticeiros conta cada_vez menos ... - Não para mim - afirmou Mr._Malfoy , com as longas narinas dilatadas . - Não senhor , nem para mim - concordou Mr._Borgin , inclinando se em uma vénia . - Em esse caso , talvez possamos voltar a a minha lista - disse Mr._Malfoy secamente . - Estou com alguma pressa , Borgin , tenho ainda hoje assuntos importantes a tratar em outro lado . Começaram a discutir os preços . Harry via nervosamente o Draco aproximar se de o seu esconderijo enquanto observava os objectos a a venda . Parou para examinar um enorme rolo de corda de carrasco e para ver , com um sorriso afectado , o cartão preso com um aparatoso laço de opalas onde podia ler se : * _ Cautela , não tocar . Amaldiçoado - reclama as vidas de dezanove donos , todos eles Muggles * . Draco voltou se e viu o armário mesmo em frente . Avançou , estendeu a mão para o puxador ... - Feito - disse Mr._Malfoy , a o balcão . - Vamos , Draco . Harry limpou a testa a a manga quando Draco se afastou . - Muito bom dia , Mr._Borgin . Espero por si amanhã em a mansão para ir buscar a mercadoria . Em o momento em que a porta se fechou , Mr._Borgin abandonou os seus modos subservientes . « Bom dia para o senhor , Mr._Malfoy , e , se as histórias que contam são verdadeiras , não me vendeu nem metade do_que tem escondido em a sua mansão ... » Murmurando de forma taciturna , Mr._Borgin desapareceu em uma sala escura . Harry esperou um minuto não fosse ele voltar e , em seguida , o mais silenciosamente possível , escapou se de o armário , passou por as caixas de vidro e saiu de a loja . Encostando os óculos partidos a o rosto , olhou em volta . Saíra em uma rua estreita e sombria que parecia composta exclusivamente de lojas dedicadas a as artes negras . Aquela de onde acabava de sair parecia ser a maior , mas em frente estava uma montra tétrica de cabeças encolhidas e duas portas abaixo podia ver se uma enorme caixa viva cheia de gigantescas aranhas pretas . Dois feiticeiros com aspecto pobre observavam o de a sombra de uma porta , murmurando entre si . Sentindo se nervoso , Harry pôs se a caminho , tentando agarrar os óculos a direito e não desistindo de a esperança de encontrar maneira de sair de ali . Por um cartaz de madeira , pendurado em a rua , indicando uma loja de venda de velas envenenadas , ficou a saber que se encontrava em a Rua * _ Bativolta * , mas isso não o ajudou pois Harry nunca ouvira falar em tal lugar . Calculou que não tinha pronunciado bem as palavras com a boca cheia de cinzas em a lareira de os Weasley . Tentando manter a calma perguntou a si mesmo o que havia de fazer . - Não estás perdido , pois não , meu menino ? - perguntou uma voz , mesmo junto de o seu ouvido , que o fez dar um salto . Uma bruxa idosa estava em a sua frente , segurando um tabuleiro de uma coisa que se parecia horrivelmente com unhas humanas . A mulher olhou o maldosamente , mostrando os dentes esverdeados . Harry recuou . - Estou bem , obrigado - disse . - Estou só ... - HARRY ! O qu'é que pensas que estás a fazer aqui ? O coração de Harry deu um salto , assim_como o de a bruxa . Um monte de unhas caíram lhe sobre os pés e ela praguejou , enquanto o corpo enorme de Hagrid , o guarda de os campos de Hogwarts , se aproximava de eles a passos largos com os olhos castanhos-escuros a faiscarem sobre a longa barba eriçada . - Hagrid - gritou Harry , aliviado . - Eu estava perdido ... o pó de Floo ... Hagrid agarrou Harry por o cachaço e puxou o para longe de a bruxa , tirando lhe o tabuleiro de as mãos . Os guinchos agudos de a feiticeira seguiram nos até a o fundo de a ruela serpenteante que ia dar a um lagar onde brilhava o sol . Harry avistou a a distância um edifício de mármore branco como a neve que lhe era familiar : o banco de Gringotts . Hagrid conduzira o até a a Diagon - _ Al . - ` _ tás em um péssimo estado ! - disse Hagrid bruscamente , sacudindo lhe a fuligem com tanta força que Harry quase caiu em um barril de estrume de dragão que se encontrava a a porta de um boticário . - A fugir , em a Rua * _ Bativolta * , eu não conheço esse lugar finório , Harry , não quero que ninguém te veja aqui em baixo . - Já percebi - disse Harry , baixando se quando Hagrid fez menção de o escovar melhor . - Já te disse que estava perdido . E o que é_que tu fazes aqui ? - ` _ Tou a a procura d'um repelente para as lesmas comedoras de legumes - resmungou Hagrid . - ` _ tão a destruir as couves todas de a escola . Tu não estás sozinho ? - Estou em casa de os Weasley , mas separámo nos explicou Harry . - Tenho que os encontrar . Desceram juntos a rua . - Por_que é_que nunca respondeste a as minhas cartas ? - perguntou Hagrid , enquanto Harry corria para o acompanhar ( tinha de dar três passos por cada enorme passada de Hagrid ) . Harry explicou lhe tudo sobre Dobby e os Dursleys . - Malditos_Muggles - rugiu Hagrid . - S'eu tivesse sabido ... - Harry ! Harry ! Aqui ! Harry olhou para_cima e viu Hermione_Granger em o topo de a escadaria de Gringotts . Desceu para vir a o encontro de ele , o cabelo castanho de caracóis , a esvoaçar atrás de ela . - O que aconteceu a os teus óculos ? Olá_Hagrid ... Oh , é maravilhoso ver vos outra_vez . Vens a Gringotts , Harry ? - Logo_que encontre os Weasley - respondeu ele . - Não vais ter d'esperar muito - riu se Hagrid . Harry e Hermione olharam em volta . Subindo a rua , em o meio de a multidão , vinham Ron , Fred , George , Percy e Mr._Weasley . - Harry - chamou Mr._Weasley , ofegante . - Tínhamos esperança que só tivesses ido um fogão mais longe ... - passou um pano em a sua calva reluzente . - A Molly está nervosíssima , aí vem ela . - Onde é_que tu saíste ? - perguntou o Ron . - Em a Rua * _ Bativolta * - disse o Hagrid , com um ar sério . - Sensacional ! - exclamaram Fred e George ao_mesmo_tempo . - Nunca nos deram autorização para lá ir - disse o Ron com uma pontinha de inveja . - E fizeram muito bem - grunhiu Hagrid . Mrs._Weasley chegou em aquele momento a correr , a mala a balouçar em uma de as mãos e Ginny quase pendurada em a outra . - Oh Harry , oh meu querido , podias ter ido parar a qualquer lugar ... Tentando recuperar o fôlego , tirou de a mala uma grande escova de roupa e começou a retirar a fuligem que Hagrid não conseguira expulsar . Mr._Weasley pegou em os óculos de Harry , deu lhes um toque de varinha e entregou lhe os como novos . - Bem , tenho de m'ir embora - disse Hagrid cuja mão estava a ser esmagada por Mrs._Weasley ( -- Rua * _ Bativolta * ! Se não o tivesses encontrado , Hagrid ! ) . - Vemo nos em Hogwarts . - E afastou se , os ombros e a cabeça acima de a multidão que enchia completamente a rua . - Adivinham quem eu vi em o Borgin and Burkes ? - perguntou Harry_a_Ron e a Hermione enquanto subiam as escadarias de Gringotts . - Malfoy e o pai . - O Lucius_Malfoy comprou alguma coisa ? - perguntou interessado Mr._Weasley que estava atrás de eles . - Não , estava a vender . - Então está preocupado - comentou Mr._Weasley com visível satisfação . - Ah , eu adorava apanhar o Lucius_Malfoy em alguma . . - Tem cuidado , Arthur - interrompeu Mrs._Weasley enquanto o gnomo porteiro lhes dava reverentemente entrada em o banco . - Isso é um problema de família . Não queiras ter mais olhos que barriga . - Queres dizer com isso que achas que eu não chego para o Malfoy ? - perguntou Mr._Weasley , indignado , mas foi rapidamente afastado de aqueles sentimentos a o avistar os pais de Hermione que estavam de pé , nervosamente encostados a o balcão que acompanhava a grande parede de mármore , a a espera que Hermione os apresentasse . - Mas vocês são Muggles ! - disse Mr._Weasley , encantado . - Temos de tomar uma bebida . O que é isso aí ? Ah , estão a trocar dinheiro de Muggle . Molly , olha - apontou cheio de excitação para as notas de dez libras que Mr._Granger tinha em a mão . - Encontramo nos aqui - disse Ron_a_Hermione , enquanto os Weasley e Harry eram conduzidos a os seus cofres em o subterrâneo de Gringotts . Para chegar a os cofres havia que tomar umas carrinhas conduzidas por gnomos que se deslocavam ao_longo_de carris de comboio de pequenas dimensões através de os túneis subterrâneos de o banco . Harry gostou de a viagem acidentada até a o cofre de os Weasley , mas sentiu se bastante mal , pior do_que em a Rua * _ Bativolta * , quando o cobre foi aberto . Havia lá dentro um pequenino monte de Leões de prata e apenas um Galeão de ouro . Mrs._Weasley foi com a mão a a procura em os cantos antes de , com um gesto rápido , varrer tudo para dentro de o saco . Harry sentiu se ainda pior quando chegaram a o seu cofre . Tentou evitar que vissem o conteúdo enquanto empurrava apressadamente mãos cheias de moedas para dentro_de uma sacola de cabedal . Lá fora , em as escadarias de mármore , separaram se . Percy murmurou vagamente que precisava de uma nova pena de escrever . Fred e George tinham avistado um amigo de Hogwarts , Lee_Jordan . Mrs._Weasley e Ginny iam a uma loja de mantos em segunda mão , Mr._Weasley continuava a insistir em levar os Grangers a o Caldeirão_Escoante para lhes pagar uma bebida . - Encontrarmo nos todos em a Flourish and Blotts dentro_de uma hora para comprar os vossos livros de estudo - disse Mrs._Weasley , afastando se com Ginny . - E nem um passo em direcção a a Rua * _ Bativolta * - gritou a os gémeos que estavam de costas . Harry , Ron e Hermione deambularam por a rua empedrada e sinuosa . O ouro , prata e bronze que tilintavam alegremente em o saco que Harry tinha em o bolso pareciam exigir ser gastos , por isso ele comprou três enormes gelados de morango e manteiga de amendoim que eles devoraram felizes enquanto vagueavam sem destino por a rua fora , observando as montras fantásticas de as lojas . Ron olhou longamente para um conjunto completo de mantos de o Chudley_Cannon , em as montras de o « Equipamento_de_Quidditch_de_Qualidade » até Hermione o arrastar de ali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos . Em a « Jogos_de_Feitiçaria_de_Gambol and Japes » encontraram o Fred , o George e o Lee_Jordan que estavam presos em a fabulosa partida debaixo_de chuva e em os fogos-de-artifício de o Dr._Filibuster . E em uma pequenina loja de velharias cheia de varinhas partidas , balanças instáveis de latão e mantos velhos cobertos de nódoas de poções encontraram Percy profundamente concentrado em um pequenino livro , bastante chato , chamado * _ Prefeitos que conquistam o poder * . - * _ Um estudo sobre os prefeitos de Hogwarts e as suas posteriores carreiras * - leu alto o Ron em a contracapa . - Deve ser fascinante ... - Desaparece - gritou Percy . - Claro , ele é muito ambicioso , já tem tudo planeado . Quer ser ministro de a magia - disse o Ron baixinho a o Harry e a a Hermione , enquanto deixavam Percy entregue a o livro . Uma hora mais tarde dirigiram se a a Flourish and Blotts . Não eram de modo algum os únicos a encaminhar se para a livraria . À_medida_que se aproximavam viram com grande surpresa uma grande multidão a a porta , tentando entrar em a loja . O motivo de tal confusão estava anunciado em um cartaz que se estendia a o longo de a montra superior . GILDEROY_LOCKHART_Assinará exemplares de a sua autobiografia " eu , o mágico " Hoje 12.30 - 16.30 - Vamos poder conhecê o ! - gritou Hermione . - Quero dizer , ele escreveu quase todos os livros de a nossa lista ! A multidão parecia ser maioritariamente composta por bruxas de a idade de Mrs._Weasley . Um feiticeiro bem-parecido estava de pé junto de a porta , dizendo : - Calma , minhas senhoras , não empurrem , cuidado com os livros . Harry , Ron e Hermione conseguiram furar e entrar . Uma longa fila serpenteava para as traseiras de a loja onde Gilderoy_Lockhart estava a assinar os seus livros . Cada_um de eles pegou em um exemplar de * _ ensinamentos de Uma Fada_Carpideira * e escaparam se de a fila indo ter a o lugar onde se encontravam os outros com Mr. e Mrs._Granger . - Ah , aí estão vocês . _ óptimo - disse Mrs._Weasley que parecia estar com falta de ar e não parava de mexer em o cabelo . - Vamos poder vês o dentro_de um minuto . Gilderoy_Lockhart veio lentamente até um lugar onde era visível para todos , sentou se a uma mesa , rodeado de grandes fotografias de o próprio rosto , todo ele sorrisos , mostrando a a multidão o brilho cintilante de os seus dentes . Lockhart usava uma túnica azul-noite que condizia a as mil maravilhas com a cor de os olhos , o chapéu pontiagudo de feiticeiro colocado lateralmente sobre o cabelo ondulado . Um homenzinho pequenino e irritante andava a dançar de um lado para o outro , tirando fotografias com uma grande máquina preta que lançava baforadas de fumo arroxeado em cada * flash * . - Sai de o caminho , tu aí - disse rispidamente a o Ron , mudando de lugar para ter um angulo melhor . - Este é para o * _ Profeta_Diário * . - Grande coisa ! - exclamou o Ron , esfregando os pés em o lugar que o fotógrafo pisara . Gilderoy_Lockhart ouviu o . Olhou , viu o Ron e em seguida Harry . Voltou a olhar , desta_vez com mais atenção . Em seguida , pôs se de pé e gritou : - Não pode ser , o Harry_Potter ? A multidão dividiu se entre murmúrios de excitação . Lockhart aproximou se , agarrou Harry por um braço e levou o para a frente . A multidão rebentou em aplausos . A cara de Harry ardia quando Lockhart lhe apertou a mão para o fotógrafo que disparava como um louco , lançando fumo espesso para_cima de os Weasley . - Belo sorriso , Harry - disse Lockhart através de os seus dentes brilhantes . - Tu e eu juntos merecemos a primeira página . Quando por fim lhe largou a mão , Harry quase não sentia os dedos . Tentou recuar para junto de os Weasley , mas Lockhart lançou lhe um braço por os ombros e prendeu o a o seu lado . - Minhas senhoras e meus senhores - disse bem alto , fazendo sinal para que se acalmassem . - Que momento extraordinário este ! O momento perfeito para eu anunciar algo que tenho vindo a guardar comigo desde_há algum tempo . - Quando o jovem Harry entrou em a Flourish and Blotts hoje , ele queria apenas comprar a minha autobiografia , que tenho agora o maior prazer em oferecer lhe - a multidão aplaudiu de_novo . - Ele não tinha ideia - continuou Lockhart , dando a o Harry um pequeno encontrão que fez com que os óculos lhe escorregassem para a ponta de o nariz - de que ia conseguir em_breve muito mais do_que o meu livro Eu , o mágico . Ele e os seus colegas de a escola vão receber , de facto , o verdadeiro * _ Eu , o mágico * . Sim , minhas senhoras e meus senhores , tenho o maior prazer em anunciar que em o mês_de_Setembro assumirei o lugar de professor de Defesa contra as artes negras em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts ! A multidão aplaudiu e bateu palmas e Harry deu consigo a ser presenteado com a obra completa de Gilderoy_Lockhart . Cambaleando ligeiramente sob o peso de os livros conseguiu abrir caminho para longe de os projectores até a a porta de a sala onde estava Ginny com o seu novo caldeirão . - Podes ficar com estes - murmurou Harry , enfiando os livros em o caldeirão . - Eu vou comprar os meus . - Aposto que adoraste aquilo , não adoraste , Potter ? - disse uma voz que Harry não teve qualquer dificuldade em reconhecer . Endireitou se e deu consigo frente_a_frente com Draco_Malfoy que exibia o seu habitual sorriso escarninho . - O famoso Harry_Potter - disse Malfoy . - Nem_sequer pode entrar em uma livraria sem se tornar primeira página . - Deixa o em paz , ele não queria nada de isso - defendeu a Ginny . Era a primeira vez que falava em frente de Harry . Olhava para Malfoy com um ar feroz . - Potter , arranjaste uma namorada ! - disse arrastadamente Malfoy . Ginny ficou vermelha como um pimentão enquanto Ron e Hermione tentavam abrir caminho , ambos carregando montes de livros de Lockhart . -- Ah és tu ? - disse Ron , olhando para Malfoy como_se ele fosse algo desagradável colado a a sola de o sapato . - Aposto que te surpreendeu ver o Harry aqui ? - Não tanto como a ti em uma loja , Weasley - retorquiu Malfoy . - Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo . Ron ficou tão vermelho quanto Ginny . Deixou também cair os livros em o caldeirão e avançou para Malfoy , mas Harry e Hermione agarraram o por as costas de o casaco . - Ron - disse Mrs._Weasley , aproximando se com Fred e George . - O que estás a fazer ? Isto está uma loucura aqui dentro , vamos lá para fora . - Olha quem ele é , Arthur_Weasley . - Era_Mr._Malfoy . Estava de pé com a mão sobre o ombro de Draco , com o mesmo sorriso escarninho . -- Lucius - disse Mr._Weasley , acenando friamente . -- Muito trabalho em o ministério , segundo me consta - disse Mr._Malfoy . - Todas essas buscas ... espero que te estejam a pagar horas extraordinárias . Meteu a mão em o caldeirão de a Ginny e tirou de o meio de os livros de Lockhart um exemplar muito velho e muito gasto de o * _ Guia_de_Transfiguração_para_Principiantes * . - Parece que não - disse . - Que diabo , qual a vantagem de ser uma nódoa entre os feiticeiros se nem_sequer te pagam bem por isso ? Mr._Weasley corou mais ainda do_que Ron ou Ginny . - Nós temos uma opinião diferente sobre quem são as nódoas entre os feiticeiros - disse . - É claro que ... - disse Mr._Malfoy , os olhos mortiços passando para Mr. e Mrs._Granger apreensivamente . - As companhias com quem tu andas ... e eu que pensava que já não conseguias descer mais baixo ... Ouviu se um tilintar de metal quando o caldeirão de a Ginny foi por os ares . Mr._Weasley lançara se sobre Mr._Malfoy atirando o para dentro_de uma estante . Dezenas_de livros de feitiços saltaram lá de cima , caindo lhes sobre as cabeças . Houve um grito de - Chega lhe , pai ! - de o Fred e de o George . Mrs._Weasley soltava gritos agudos : - Não_Arthur , não . A multidão recuava deitando mais prateleiras a o chão . - Meus senhores , por favor - gritava o encarregado , e então , mais alto do_que todos : - Parem com isso , gente , parem com isso . Hagrid aproximava se através_de um mar de livros . Em um segundo afastou Mr._Weasley e Mr._Malfoy . Mr._Weasley tinha um lábio cortado e Mr._Malfoy fora agredido em um olho por uma * _ Enciclopédia_de_Cogumelos_Venenosos * . Tinha ainda em a mão o livro velho de a Ginny sobre transfiguração . Atirou lhe o , com os olhos a brilhar de malvadez . - Toma o teu livro , garota . É o melhor que o teu pai pode oferecer te . Libertando se de Hagrid , conduziu Draco para fora e abandonaram a livraria . - Devias tê o ignorado , Arthur - disse Hagrid quase a pegar em Mr._Weasley a o colo enquanto lhe endireitava o manto . - São podres até a a raiz , todos eles . Tod'à gente sabe . Nenhum Malfoy vale a pena ser ouvido . Não prestam , ' tá-lhes em o sangue . Vá lá , vamos sair de aqui . O encarregado parecia querer impedis os , mas , olhando bem para Hagrid , pensou melhor . Subiram a rua , os Grangers a tremer de medo e Mrs._Weasley fora de si . - Um belo exemplo para as crianças ... andar a a pancada em público . O que terá pensado Gilderoy_Lockhart ? - Ele gostou - disse o Fred . - Não o ouviram quando ia a sair ? Estava a perguntar a aquele tipo de o Profeta_Diário se conseguia incluir a briga em a reportagem , disse que era boa publicidade . Mas foi um grupo deprimido que regressou a a lareira de o Caldeirão_Escoante onde Harry , os Weasley e todas_as suas compras iriam viajar de volta até a a Toca , usando o pó de Floo . Despediram se de os Grangers que iam sair de o * pub * por a rua de os Muggles , de o outro lado . Mr._Weasley começou a perguntar lhes como funcionavam as paragens de autocarros , mas calou se rapidamente a o ver a expressão de Mrs._Weasley . Harry tirou os óculos e guardou os cautelosamente em o bolso antes de utilizar o pó de Floo . Definitivamente não era a sua forma ideal de viajar . V_O salgueiro zurzidor O fim de as férias de Verão chegou demasiado depressa para o gosto de Harry . Ele desejara muito regressar a Hogwarts , mas aquele mês em a Toca tinha sido o mais feliz de toda_a sua vida . Era difícil não invejar o Ron quando pensava em os Dursleys e em as boas-vindas que ia receber de a próxima vez que pusesse os pés em Privet_Drive . Em a última noite , Mrs._Weasley preparou um jantar magnífico , que incluía os pratos favoritos de Harry e terminava com um pudim de melaço de fazer crescer água em a boca . Fred e George alegraram a noite com uma exibição de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que saltaram de o tecto para as paredes , durante pelo_menos meia_hora . Depois , foi a altura de tomarem uma caneca de chocolate quente e irem para a cama . Em a manhã seguinte , demoraram muito_tempo a preparar se . Levantaram se com o cantar de o galo , mas parecia lhes que ainda tinham muito para fazer . Mrs._Weasley andava de um lado para o outro , mal-humorada , a a procura de meias e penas , chocavam uns com os outros em as escadas , meio vestidos , meio despidos , com pedaços de torrada em as mãos e Mr._Weasley quase partiu o nariz quando tropeçou em uma galinha a o atravessar o pátio , para meter em o carro a mala de Ginny . Harry não percebia lá muito bem_como é_que oito pessoas , seis grandes malas , duas corujas e um rato , iam caber em um pequeno * _ Ford_Anglia * , isso , claro , antes de as artes mágicas que Mr._Weasley acrescentara . - Nem uma palavra a a Molly - murmurou ele a o Harry , enquanto abria a bagageira e lhe mostrava como ela se expandira para que as malas coubessem facilmente . Quando , por fim , se acomodaram todos em o carro , Mrs._Weasley olhou para o banco de trás , onde Harry , Ron , Fred , George e Percy estavam confortavelmente sentados uns a o lado de os outros e disse : - Os Muggles têm mais conhecimentos do_que aqueles que nós lhes atribuímos , não achas ? - Ela e a Ginny entraram para o lugar de a frente , que fora esticado e parecia um banco de jardim . - Quer_dizer , de_fora ninguém diria que este carro era espaçoso , não acham ? Mr._Weasley pôs o motor a funcionar e saíram de o pátio , Harry voltando se para trás para ver por a última vez a casa . Mal teve tempo de se questionar se iria voltar alguma vez e já estavam de volta : George esquecera se de a caixa de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Cinco minutos mais tarde tiveram de interromper de_novo a viagem e voltar a o pátio para o Fred ir a correr buscar a vassoura . Estavam quase a chegar a a auto-estrada , quando Ginny guinchou que se esquecera de o diário . Mas estava a fazer se muito tarde e os ânimos começavam a exaltar se . Mr._Weasley olhou para o relógio e , em seguida , para a mulher . - Molly , querida ... - Não , Arthur . - Ninguém ia ver . Este botãozinho é um transformador de invisibilidade que eu instalei , levava nos por o ar , subíamos acima de as nuvens . Estaríamos lá em dez minutos e ninguém daria por nada ... - Eu disse que não , Arthur . Durante o dia , não . Chegaram a King's_Cross , faltava um quarto para as onze . Mr._Weasley precipitou se em busca de um carrinho de transporte para as malas e correram todos para a estação . Harry apanhara o Expresso_de_Hogwarts em o ano anterior . A parte mais difícil era entrar em a plataforma nove_e_três quartos , que não era visível a os olhos de os Muggles . Era preciso avançar para a barreira sólida que dividia as plataformas nove e dez . Não doía nada , mas tinha de ser feito com cuidado para que nenhum de os Muggles de esse , por o desaparecimento . - O Percy em primeiro lugar - declarou Mrs._Weasley , olhando nervosamente para o relógio lá em cima , que mostrava que tinham apenas cinco minutos para desaparecer através de a barreira . Percy avançou a passos largos e desapareceu . Mr._Weasley foi a seguir e depois de ele Fred e George . - Eu levo a Ginny e vocês vêm atrás_de nós - disse Mrs._Weasley a o Harry e a o Ron , agarrando Ginny pela mão e seguindo em frente . Em um abrir e fechar de olhos , tinham passado . - Vamos passar juntos , só temos um minuto - disse Ron a o Harry . Harry assegurou se de que a gaiola de a Hedwig estava bem fixa em cima de a sua mala e empurrou o carrinho de encontro a a barreira . Estava perfeitamente confiante , aquilo era muito mais fácil do_que usar o pó de Floo . Puseram os dois as mãos em o puxador de os carrinhos e avançaram direitos a a barreira , ganhando velocidade . A um metro e pouco , começaram a correr e ... CRASH . Os dois carros bateram em a barreira e foram impelidos para trás . A mala de o Ron caiu com um enorme estrépito . Harry desequilibrou se e a gaiola de a Hedwig foi parar a o chão brilhante , enquanto ela rolava guinchando , indignada . As pessoas em volta olhavam fixamente e um guarda que estava ali perto gritou : - Que diabo pensam vocês que estão a fazer ? - Perdemos o controlo de o carro de transporte - respondeu o Harry , respirando com dificuldade , agarrando se a as costelas , enquanto se punha de pé . Ron correu a agarrar a Hedwig , que estava a fazer uma cena tal , que já se ouviam murmúrios em a multidão sobre a crueldade para com os animais . - Porque é_que não conseguimos passar ? - perguntou Harry a o Ron em um sussurro . - Não sei . Ron olhou descontroladamente em volta . Uma_dúzia de curiosos estavam ainda a observá os . - Vamos perder o comboio - murmurou o Ron . - Não compreendo porque motivo a cancela se fechou . Harry olhou para o relógio gigantesco com um sentimento de náusea em a boca de o estômago . Dez segundos , nove segundos ... Dirigiu o carrinho de transporte para a frente com toda_a força . O metal manteve se sólido . Três segundos ... dois segundos ... um segundo ... - Partiu - afirmou o Ron , que parecia estonteado . - O comboio foi se embora . E se a mãe e o pai não conseguem voltar para aqui ? Tens algum dinheiro de Muggle ? Harry deu uma gargalhada . - Os Dursleys não me dão um tostão há mais de seis anos ! Ron encostou o ouvido a a barreira . - Não se ouve nada - disse , bastante tenso . - O que vamos nós fazer ? Não sei quanto tempo o pai e a mãe vão demorar . Olharam em volta . As pessoas ainda estavam a observá os , principalmente devido a os contínuos guinchos de a Hedwig . - Acho que o melhor é sairmos de aqui e esperamos por eles junto de o carro - disse Harry . - Aqui estamos a atrair demasiado as aten ... - Harry - disse o Ron , com os olhos a brilhar . - É isso , o carro . - O que é_que tem ? - Podemos voar nele até Hogwarts ! - Mas eu pensei ... - Estamos em apuros , certo ? E temos de chegar a a escola , ou não ? E mesmo os feiticeiros menores de idade estão autorizados a usar a magia em uma emergência real , parágrafo dezanove , ou não sei quê , de a Restrição de ... O sentimento de pânico de Harry transformou se em entusiasmo . - E tu sabes voar nele ? - Não há problema - disse o Ron , andando com o carrinho a a volta e dirigindo se para a saída . - Anda de aí . Se em os apressarmos , conseguiremos sair atrás de o Expresso_de_Hogwarts . E afastaram se de o grupo de Muggles curiosos , abandonando a estação e voltando a a rua , onde o velho * _ Ford_Anglia * se encontrava estacionado . Ron abriu a bagageira com uma série de toques de varinha . Meteram lá dentro as malas , puseram a Hedwig em o assento de trás e entraram para a frente . - Verifica se ninguém está a ver - disse o Ron , ligando a ignição com outro toque de varinha . Harry pôs a cabeça fora de a janela : o trânsito enchia a avenida principal , mas a rua de eles estava vazia . - O. _ K. - disse . Ron carregou em um pequeno botão de o painel . Os carros em volta desapareceram assim_como eles . Harry sentia o assento a vibrar debaixo_de si , ouvia o motor , sentia as mãos sobre os joelhos e os óculos em o nariz , mas , tanto quanto conseguia ver , tornara se um par de olhos redondos flutuando um metro e pouco acima de o chão em uma rua suja , cheia de carros estacionados . - Vamos - disse a voz de o Ron , vinda de o seu lado direito . O chão e os prédios escuros de ambos os lados desapareceram de o seu ângulo de visão , mal o carro se elevou . Em poucos segundos toda_a cidade de Londres , enevoada e resplandecente , estava por baixo de eles . Em seguida , ouviu se um ruído que parecia o saltar de uma rolha e o carro , Harry e Ron , reapareceram . - Oh , oh - disse Ron , batendo em o intensificador de invisibilidade . - Está avariado ... Começaram os dois a bater em o botão . O carro desapareceu . Depois surgiu de forma intermitente . - Aguenta aí - gritou o Ron e carregou com o pé em o acelerador . Saltaram direitinhos para o meio de as nuvens mais baixas e tudo ficou sujo e enevoado . - E agora ? - exclamou Harry , piscando os olhos a a sólida massa de nuvens que os comprimia de todos os lados . - Precisamos de avistar o comboio para sabermos qual a direcção a tomar - explicou o Ron . - Desce rapidamente ... Desceram por o meio de as nuvens e voltaram se em os lugares , espreitando . - Estou a vê o - gritou Harry . - Mesmo em frente , ali . O Expresso_de_Hogwarts deslocava se a grande velocidade lá em baixo , como uma serpente vermelha . - Para Norte - disse o Ron , verificando a bússola de o painel . - O. _ k . , basta que verifiquemos de meia em meia_hora . Aguenta aí ... - e arrancaram por o meio de as nuvens . Em o minuto seguinte , tinham chegado a a luz brilhante de o Sol . Era um mundo diferente . Os pneus de o carro deslizavam sobre o mar de nuvens macias , o céu era de um azul infinito sob a luz , capaz de cegar , que irradiava de o Sol . - Agora só temos de nos preocupar com os aviões - disse o Ron . Olharam um para o outro e desataram a rir . Durante muito_tempo não conseguiram parar . Era como_se tivessem mergulhado em um sonho fabuloso . Aquela , pensou Harry , era certamente a única maneira de viajar : passando por turbilhões e torres de nuvens cor de neve , em um carro cheio de calor , o sol radioso , com um grande pacote de rebuçados em o porta-luvas e antegozando o ar de inveja de o Fred e de o George quando aterrassem suavemente e de forma espectacular em o relvado macio em frente de o castelo de Hogwarts . Espreitaram várias vezes o comboio enquanto voavam cada_vez_mais para norte . Cada descida entre as nuvens dava lhes uma perspectiva diferente . Londres depressa ficou para trás , substituída por campos verdejantes que , por sua vez , deram lugar a grandes pântanos arroxeados , aldeias com pequenas igrejas de brinquedo e uma grande cidade , cheia de vida , com carros que pareciam formigas multicores . Várias horas mais tarde sem acontecer nada de_novo , Harry teve de admitir que uma parte de o entusiasmo se esgotara . Os rebuçados tinham nos deixado cheios de sede e não havia nada para beber . Ele e o Ron tinham tirado as camisolas , mas a * _ T-shirt * de o Harry estava colada a as costas de o assento e os óculos não paravam de lhe escorregar para a ponta de o nariz . Deixara de reparar em as fabulosas formas de as nuvens e pensava com saudade em o comboio , milhas abaixo de eles , onde se podia comprar sumo fresquinho de abóboras em um carro empurrado por uma bruxa gordinha . Porque não teriam conseguido entrar em a plataforma nove_e_três quartos ? - Não pode ser muito mais longe , pois não ? - resmungou o Ron , horas mais tarde quando o Sol começava a enfiar se em o seu chão de nuvens , pintando as de um rosa profundo . - Estás pronto para outra espreitadela a o comboio ? Ainda ia mesmo por baixo de eles , abrindo caminho por_entre uma montanha com o topo coberto de neve . Estava muito mais escuro entre o dossel de nuvens . Ron pôs o pé em o acelerador e levou os de_novo para_cima , mas em esse momento o motor começou a chiar . Harry e Ron trocaram entre si olhares nervosos . - Deve estar só cansado - disse o Ron . - Nunca tinha vindo tão longe ... - E fingiram ambos que não davam por o gemido que se ia tornando maior à_medida_que o céu serenamente escurecia . As estrelas desabrochavam em a escuridão , Harry voltou a enfiar a camisola de lã , tentando ignorar os limpa pára-brisas que acenavam debilmente como_que a protestar . - Não devemos estar longe - disse Ron , dirigindo se mais a o carro do_que a o amigo . - Já não devemos estar longe - deu umas palmadinhas nervosas em o * tablier * . Pouco depois , quando voltaram a voar em o meio de as nuvens , tiveram de olhar de lado em a escuridão , em busca de um ponto de referência que conhecessem . - Ali - gritou Harry , fazendo o Ron e a Hedwig darem um salto . - Mesmo em frente . Recortados em o horizonte negro , sobre o rochedo de o outro lado de o lago , erguiam se as torres e torreões de o castelo de Hogwarts . Mas o carro tinha começado a estremecer e perdia a os poucos velocidade . - Vá lá - disse o Ron , dando a o volante um pequeno abanão bajulador . - Estamos quase a chegar , vá lá ... O motor gemeu . Pequenos jactos de vapor de água brotaram de o capo . Harry deu consigo agarrado com toda_a força a os bordos de o assento enquanto voavam direitos a o lago . O carro deu um solavanco feio . Espreitando por a janela , Harry viu a superfície negra , macia e espelhada de a água cerca de uma milha abaixo de eles . Os dedos de o Ron agarrados a o volante tinham as articulações brancas . O carro deu um novo esticão . - Vá lá - murmurou o Ron . Estavam sobre o lago ... o castelo ficava mesmo em frente . Ron fez força com o pé . Houve um ruído surdo , uma crepitação e o motor morreu por completo . - Oh ! oh ! - gemeu Ron em o silêncio . O nariz de o carro voltou se para baixo . Estavam a cair , ganhando velocidade em direcção a os muros sólidos de o castelo . - Naaaaão ! - gritou o Ron , girando o volante . Escaparam a a muralha de pedra negra por centímetros , quando o carro fez um grande arco , planando primeiro sobre as estufas , depois sobre o rectângulo plantado com vegetais e , por fim , sobre os relvados , perdendo sempre velocidade . Ron largou o volante por completo e tirou a varinha de o bolso de trás . - __ pára ! __ pára ! - gritou , batendo em o * tablier * e em o pára-brisas , mas eles continuavam a mergulhar , o chão a voar em direcção a eles . - : __ cuidado com essa __ árvore ! ! ! - bramiu Harry , deitando a mão a o volante , mas ... tarde de mais ... CRUNCH . Com um ruído ensurdecedor de metal e madeira , bateram em o tronco espesso de a árvore e caíram em o chão com um forte solavanco . O vapor era um mar debaixo de o capo amachucado . A Hedwig tremia apavorada . Em a cabeça de Harry surgira um alto de o tamanho de uma bola de golfe , quando ele batera em o pára-brisas , tombando em seguida para a direita . Ron soltou um gemido longo e desesperado . - Estás O. _ K ? - perguntou Harry , aflito . - A minha varinha - disse o Ron em uma voz trémula . - Olha para a minha varinha . Tinha se partido praticamente em duas , a ponta balouçava mole , presa por meia_dúzia de esquírolas . Harry abriu a boca para dizer que em a escola com certeza conseguiriam consertá a , mas nem chegou a começar a frase . Em esse preciso momento , algo bateu em o seu lado de o carro , com a força de um touro , projectando o para_cima de o Ron , ao_mesmo_tempo que um golpe igualmente forte se sentiu em o capô . - O que está a acontec ... Ron arfou , olhando fixamente por o pára-brisas e Harry olhou em volta , mesmo a_tempo_de ver uma ramada espessa como uma píton vir contra o vidro . A árvore em que tinham batido estava a atacá os . O tronco dobrara se quase a meio e os seus galhos rugosos davam uma tareia a cada centímetro de o carro que conseguiam atingir . - Ah ! - praguejou o Ron , quando outra pernada retorcida esmurrou a sua porta , amolgando a . O pára-brisas tremia agora sob uma saraivada de golpes vindos de galhos que pareciam patas de animais e uma ramada espessa como um aríete esmagava furiosamente o capo , que parecia estar a ceder ... - Corre ! - gritou o Ron , lançando o seu peso contra a porta , mas , em o momento seguinte , tinha sido atirado para trás , para o colo de Harry por um soco maldoso , dado de baixo para_cima , por outro ramo . - Estamos feitos ! - resmungou , enquanto o tecto descaía . Mas , de repente , o chão de o carro estava a vibrar , o motor pegara . - Marcha atrás - gritou o Harry e o carro deu um salto para trás . A árvore tentava ainda agredis os , ouviam as raízes chiar , enquanto quase se partiam esticando se para os alcançar . - Escapámos por_pouco ! - exclamou o Ron . - Muito bem , carro . Mas o carro tinha atingido o limite de as suas forças . Com dois estalidos , as portas abriram se e Harry sentiu o seu assento inclinar se para o lado . Quando deu por si , estava estatelado em o chão húmido . Ruídos surdos avisaram o de que o carro estava a ejectar as malas de a bagageira . A gaiola de a Hedwig voou por os ares e abriu se . Ela saiu a voar com um pio furioso e dirigiu se a o castelo , sem sequer olhar para trás . Em seguida , o carro , amolgado , arranhado e a fumegar , arrancou em o escuro , com os faróis traseiros ardendo de fúria . - Volta aqui ! - gritou o Ron , brandindo a varinha partida . - O meu pai mata me . Mas o carro desapareceu a perder de vista , com um último estoiro de o tubo de escape . - Já viste bem o nosso azar ! ? - exclamou o Ron em o meio de a sua infelicidade , baixando se para apanhar o rato Scabbers . - De todas_as árvores em que podíamos ter batido , tínhamos de ir dar a uma que bate também . Olhou por cima de o ombro para a velha árvore que ainda agitava os ramos ameaçadoramente . - Vamos - disse Harry , fatigado . - É melhor irmos andando para a escola ... Não foi , de modo algum , a chegada triunfal que tinham imaginado . Constrangidos , cheios de frio e magoados , pegaram em as malas e começaram a arrastá as por o relvado acima , em direcção a as grandes portadas de carvalho . - Acho que o banquete já começou - disse o Ron , largando a mala em os degraus de a entrada e atravessando devagarinho para espreitar por uma janela iluminada . - Harry , anda ver , é a distribuição . Harry apressou se e os dois , ele e o Ron , espreitaram para o Salão_Nobre . Um número infindável de velas pairava em o ar , sobre quatro mesas enormes cheias de gente , fazendo brilhar os pratos dourados e as taças . Em cima , o tecto encantado que espelhava o céu lá de_fora , brilhava cheio de estrelas . Por_entre a floresta de chapéus pretos pontiagudos de Hogwarts , Harry viu uma longa fila de alunos de o primeiro ano com olhares assustados que enchia o vestíbulo . Ginny estava entre eles , facilmente reconhecível devido a o seu chamativo cabelo Weasley . Enquanto isso , a professora Mc_Gonagall , uma bruxa de óculos com cabelo castanho apanhado em um carrapito , colocava o famoso chapéu seleccionador em um banco que se encontrava em frente de os novos alunos . Todos os anos , aquele velho chapéu , remendado , puído e cheio de pó , seleccionava alunos para as quatro equipas de Hogwarts ( Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin ) . Harry lembrava se bem de o ter colocado em a cabeça , precisamente um ano antes , e ter esperado petrificado por a sua decisão , enquanto ele lhe murmurava a o ouvido . Durante alguns horríveis segundos receara que o chapéu o mandasse para os Slytherin , a equipa que produzia maior número de feiticeiros e feiticeiras de magia negra , mas acabara por ficar em os Gryffindor , juntamente com Ron e Hermione e o resto de os Weasley . Em o último período , Harry e Ron tinham ajudado os Gryffindor a vencer o campeonato de a equipa , batendo os Slytherin pela_primeira_vez em sete anos . Um rapazito baixinho com cabelo de rato acabava de ser chamado para pôr o chapéu em a cabeça . Os olhos de Harry saltavam de ele para o lugar onde o professor Dumbledore , o director , estava sentado , observando a selecção de a mesa de os professores , com a sua longa barba cor de prata e óculos de meia-lua que brilhavam a a luz de as velas . Alguns lugares a a frente , Harry viu Gilderoy_Lockhart com um manto verde-azulado . E lá bem a o fundo estava Hagrid , enorme e cabeludo , bebendo satisfeito de a sua taça . - Espera aí - murmurou a o Ron . - Há um lugar vazio em a mesa de os professores . Onde estará o Snape ? Severus_Snape era o professor de quem Harry menos gostava . Harry era também o seu aluno menos querido . Cruel , sarcástico e detestado por todos com excepção de os alunos de a sua própria equipa ( Slytherin ) , Snape tinha a seu cargo a cadeira de Poções . - Talvez esteja doente - sugeriu Ron , cheio de esperança . - Talvez se tenha ido embora - lembrou Harry . - Por não lhe terem dado outra_vez a Defesa contra as artes negras . - Ou talvez tenha sido corrido - propôs Ron com entusiasmo . - Afinal , toda_a_gente o detesta ... - Ou talvez - disse uma voz gelada atrás de eles - esteja a a espera que vocês lhe expliquem por_que motivo não vieram em o comboio de a escola . Harry deu uma volta . Em a sua frente , com o manto negro a ondular em uma brisa fria , estava Severus_Snape . O professor era um homem magro , de pele descorada , nariz adunco e um cabelo preto oleoso que lhe caía sobre os ombros . E em aquele momento sorria de um modo tal que Harry sentiu que tanto ele como Ron estavam em sérios apuros . - Sigam me - disse Snape . Sem ousarem sequer olhar um para o outro , Harry e Ron seguiram Snape por as escadas até a o amplo * hall * de entrada que estava iluminado por as chamas de os archotes . De o salão nobre vinha um cheirinho delicioso a comida , mas Snape levou os para longe de a luz e de o calor , em direcção a uma escada estreita de pedra que conduzia a os calabouços . - Entrem - ordenou , abrindo uma porta a meio de o corredor e apontando . Entraram a tremer em o escritório de Snape . As paredes sombrias estavam cobertas de prateleiras cheias de jarros de vidro grosso onde flutuavam as coisas mais diversas e repugnantes , cujo nome Harry não queria de momento conhecer . A lareira estava escura e vazia . Snape fechou a porta e voltou se de frente para eles . - Com que então - disse com falsa suavidade - o comboio não serve para o famoso Harry_Potter e o seu fiel companheiro Weasley . Queriam chegar em grande estilo , não era rapazes ? - Não senhor , foi a barreira em King's_Cross , ela ... - Silêncio - disse Snape friamente . -- _ o que fizeram a o carro ? Ron engoliu em seco . Aquela não era a primeira vez que Snape dava a Harry a impressão de ser capaz de ler pensamentos . Mas , pouco depois , compreendeu tudo quando Snape desenrolou o exemplar de o Profeta_Vespertino . - Vocês foram vistos - afirmou , mostrando lhes o cabeçalho : : __ ford anglia voador confunde __ muggles . Começou a ler alto a notícia . - Dois Muggles em Londres convenceram se de que tinham visto um carro velho a voar sobre a torre de os correios ... a a tardinha em Norfolk , Mrs._Hetty_Bayliss , enquanto pendurava a roupa ... Mr._Angus_Fleet_de_Peebles informou a polícia ... seis ou sete Muggles a o todo . Julgo que o teu pai trabalha em o departamento de mau uso dado a os objectos de os Muggles ? - disse olhando para Ron e sorrindo de uma forma ainda mais sarcástica . - Que peninha , o próprio filho ... Harry sentiu se como_se tivesse levado um soco em o estômago de uma de as maiores pernadas de a árvore louca . E se alguém descobrisse que Mr._Weasley tinha enfeitiçado o carro ? Ele ainda nem tinha pensado em isso . - Reparei durante a minha volta por o jardim que foi feito um estrago considerável em um salgueiro zurzidor extremamente valioso - continuou Snape . - Essa árvore fez nos pior a nós do_que nós ... - deixou escapar Ron . - Silêncio - interrompeu Snape , de_novo . - Infelizmente vocês não fazem parte de a minha equipa e a decisão de vos expulsar não está em as minhas mãos . Vou , por isso , buscar as pessoas que possuem essa feliz possibilidade . Esperem aqui . Harry e Ron olharam , pálidos , um para o outro . Harry perdera a fome . Sentia se agora extremamente agoniado . Tentava não olhar para uma coisa viscosa , suspensa em um líquido verde que estava em uma prateleira por detrás de a secretária de Snape . Se ele fora buscar a professora Mc_Gonagall , chefe de a equipa de os Gryffindor , não estavam muito melhor . Ela era mais justa do_que Snape , mas extremamente severa . Dez minutos mais tarde , Snape voltou e era , de facto , a professora Mc_Gonagall quem o acompanhava . Harry vira a professora Mc_Gonagall zangada , mas , ou se tinha esquecido de como a boca de ela ficava fina , ou nunca a vira tão zangada como em aquele dia . Levantou a varinha em o momento em que entrou . Harry e Ron estremeceram , mas ela limitou se a apontá a para a lareira onde as chamas se elevaram subitamente . - Sentem se - ordenou , e os dois recuaram para as cadeiras junto de o lume . - Expliquem se - disse com os óculos a brilhar de uma forma ameaçadora . Ron enveredou por a história começando por a barreira de a estação que se recusara a deixá os passar . - Por isso não tínhamos escolha , professora , não podíamos chegar a o comboio . - Porque não nos mandaram uma carta por a coruja ? Julgo que tens uma coruja ? - disse friamente a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a Harry . Harry olhou para ela sem saber o que dizer . - Parece me - continuou ela - que seria a coisa mais adequada . - Eu ... não pensei ... - Isso - disse a professora Mc_Gonagall - é bastante óbvio . Ouviu se bater a a porta de o escritório e Snape , que parecia agora mais feliz do_que nunca , foi abrir . Era o director , o professor Dumbledore . Harry ficou totalmente paralisado . Dumbledore tinha uma expressão grave . Olhou para eles de cima de o seu nariz adunco e Harry desejou estar ainda com Ron a levar uma sova de o salgueiro zurzidor . Fez se um longo silêncio . Em seguida , Dumbledore disse lhes : - Por favor , expliquem porque fizeram isto . Teria sido melhor se gritasse . Harry detestou sentir a decepção em a sua voz . Inexplicavelmente era incapaz de olhar Dumbledore em os olhos e falou em direcção a os seus joelhos . Disse lhe tudo excepto que o carro enfeitiçado pertencia a Mr._Weasley , dando a ideia de que ele e o Ron o tinham encontrado estacionado fora de a estação . Sabia que Dumbledore ia ver para_além de isso , mas o director não fez perguntas sobre o carro . Quando Harry terminou continuou a olhar para ele através de os seus óculos . - Nós vamos buscar as nossas coisas - disse Ron em um tom de voz sem esperança . - Que disparate é esse ? - rosnou a professora Mc_Gonagall . -- Então , vão expulsar nos , não vão ? - disse o Ron . Harry olhou rapidamente para Dumbledore . - Ainda não , Mr._Weasley - afirmou Dumbledore . - Mas vou assinalar a gravidade do_que vocês fizeram . Hoje a a noite escreverei a as vossas famílias . Estão também prevenidos que se voltarem a fazer uma coisa como esta não terei outro remédio senão expulsar vos . A expressão de Snape era como_se o Natal tivesse sido cancelado . Pigarreou e disse : - Professor_Dumbledore , estes rapazes infringiram o decreto para a restrição de a feitiçaria de os menores , causaram estragos consideráveis a uma árvore antiga e valiosa ... sem dúvida , actos de esta natureza ... - Cabe a a professora Mc_Gonagall decidir sobre os castigos de os rapazes , Severus - afirmou Dumbledore com toda_a calma . - Pertencem a a equipa de ela e são , portanto , de a sua responsabilidade . - Voltou se para a professora Mc_Gonagall . - Tenho de regressar a o banquete , Minerva , devo dar algumas informações . Venha Severus , há uma tarte de leite e ovos com um aspecto delicioso que quero mostrar lhe . Snape lançou um olhar de puro veneno a o Harry e a o Ron enquanto permitia que o afastassem de o seu escritório , deixando os a sós com a professora Mc_Gonagall que ainda os olhava como uma águia em fúria . - É melhor ires até a a ala hospitalar , Weasley , estás a sangrar . - Não é nada - disse Ron , limpando o corte com a manga para que ela o visse . - Professora , eu gostava de ver a minha irmã ser seleccionada . - A cerimónia de a selecção terminou - disse a professora Mc_Gonagall . - A tua irmã está também em os Gryffindor . - _ óptimo - exclamou Ron . - E por falar em os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall de forma cortante , mas Harry interrompeu a : - Professora , quando tirámos o carro , o ano escolar ainda não tinha começado , por isso os Gryffindor não deveriam perder pontos , pois não ? - terminou olhando a ansiosamente . A professora Mc_Gonagall lançou lhe um olhar penetrante , mas ele era capaz de jurar que ela quase tinha sorrido . Pelo_menos a boca não parecia tão fina . - Não vou tirar pontos a os Gryffindor - tranquilizou o . E o coração de Harry ficou mais leve . - Mas vocês os dois vão ter um castigo . Foi melhor do_que Harry imaginara . O facto de Dumbledore escrever a os Dursley não tinha a menor importância . Harry sabia perfeitamente que eles só lamentariam que o salgueiro zurzidor não o tivesse esmigalhado . A professora Mc_Gonagall ergueu a varinha de_novo apontou a a a secretária de Snape . Um grande prato de sanduíches , duas taças de prata e um jarro com sumo de abóbora gelado apareceram em menos_de um segundo . - Vocês vão comer aqui e , em seguida , vão direitinhos para o vosso dormitório - disse . - Eu também tenho de voltar para a festa . Mal a porta se fechou atrás de ela , Ron soltou baixinho um assobio . - Pensei que estávamos feitos - confessou , agarrando uma sanduíche . - Também eu - disse o Harry , orando também uma . - Mas já viste bem a nossa pouca sorte ? - insistiu o Ron com a boca cheia de frango e fiambre . - O Fred e o George voaram em aquele carro cinco ou seis vezes e nenhum Muggle os viu - engoliu outro pedaço enorme de a sanduíche . - Porque será que não conseguimos passar a barreira ? Harry encolheu os ombros . - Mas temos de ter muito cuidado a_partir_de agora - disse bebendo um grande trago de sumo de abóbora . - Que pena não termos podido ir a o banquete . - Ela não quis que nos exibíssemos - afirmou Ron com prudência . - Não vão as pessoas pensar que é uma boa chegar aqui de carro voador . Quando já tinham comido todas_as sanduíches que queriam ( o prato ia voltando a encher se sozinho ) , levantaram se e saíram de o escritório , seguindo o caminho que lhes era familiar , para a torre de os Gryffindor . O castelo estava em silêncio . Parecia que o banquete tinha acabado . Passaram por retratos murmurantes e armaduras que gemiam e subiram os degraus estreitos de pedra até que , por fim , chegaram a a passagem onde a entrada secreta para a torre de os Gryffindor se encontrava oculta por detrás de o quadro a óleo de uma dama gorda em um vestido cor-de-rosa . - A senha ? - perguntou ela mal os dois se aproximaram . - Er ... Eles ainda não tinham estado com o prefeito de os Gryffindor e por isso ainda não conheciam a senha para o novo ano , mas a ajuda não se fez esperar . Ouviram passos apressados atrás de eles e quando se voltaram viram Hermione que se aproximava . - Aí estão vocês . Onde é_que se meteram ? Correm os boatos mais ridículos , alguém disse que vocês tinham sido expulsos por espatifarem um carro voador . - Bem , expulsos não fomos - tranquilizou a Harry . - Não estás a dizer me que voaram até aqui ? - perguntou Hermione em um tom quase tão severo como a professora Mc_Gonagall . - Dispensa se o sermão - interrompeu Ron impacientemente . - E diz nos a nova senha de passagem . - É crista de pássaro - disse Hermione não contendo a impaciência . - Mas o mais importante não é isso ... Contudo as palavras de ela foram interrompidas ao_mesmo_tempo que o retrato de a dama gorda se abria e se ouvia uma tempestade de aplausos . A o que parecia a equipa de os Gryffindor estava ainda acordada , dentro de a sala comum em forma de círculo , junto de as mesas assimétricas e de os cadeirões moles a a espera que eles chegassem para , de braços estendidos através de o buraco de o retrato , puxarem Harry e Ron para dentro deixando Hermione para o fim . - Sensacional - gritou Lee_Jordan . - Inspirado ! Que entrada ! Voar em um carro e aterrar em o salgueiro zurzidor . Toda_a_gente vai falar de isto durante anos e anos . - Muito bem - disse um aluno de o quinto ano com quem Harry nunca tinha falado . Alguém dava lhe palmadas em as costas como_se ele acabasse de vencer a maratona . Fred e George abriram caminho por_entre a multidão e disseram ao_mesmo_tempo : - Por_que é_que não nos chamaram , hein ? - Ron estava vermelho como um pimentão , sorrindo envergonhado , mas Harry via perfeitamente uma pessoa que não estava nada contente . Percy elevava se acima de as cabeças de os excitados alunos de o primeiro ano e parecia estar a tentar aproximar se para os repreender . Harry deu uma cotovelada a o Ron e apontou em direcção a Percy . Ron percebeu de imediato . - Temos de ir para_cima , um_pouco cansados ! - explicou e os dois começaram a abrir caminho em direcção a a porta que ficava de o outro lado de a sala e que dava para a escada em espiral e para os dormitórios . - ` _ Noite - despediu se Harry_de_Hermione que tinha um ar tão carrancudo como Percy . Conseguiram chegar a o outro lado de a sala comum sempre a levarem palmadas em as costas e alcançaram o sossego de as escadas . Apressaram se a subir e , por fim , chegaram a a porta de o dormitório que tinha agora um letreiro a dizer « Segundos_Anos » . Entraram em o quarto circular , que conheciam tão bem , com as suas cinco camas de dossel adornadas de velado vermelho e as suas janelas altas e estreitas . As malas tinham sido trazidas para_cima e colocadas a os pés de as camas . Ron fez um sorriso culpado . - Sei que não devia ter gostado de aquilo , mas ... A porta de o dormitório abriu se e os outros rapazes de os Gryffindor entraram ; eram eles o Seamus_Finnigan , o Dean_Thomas e o Neville_Loogbottom . - Inacreditável - aplaudiu Seamus . - Incrível - aprovou o Dean . - Espantoso - exclamou o Neville , aterrado . Harry não pôde evitar também um sorriso . VI_Gilderoy_Lockhart_No dia seguinte , contudo , Harry não conseguiu sorrir . As coisas começaram a correr mal logo em o salão durante o pequeno-almoço . Debaixo de o tecto encantado ( em aquele dia triste e cinzento ) estavam as quatro grandes mesas de as equipas e sobre elas , terrinas de papa de aveia , pratos de arenque defumado , montanhas de torradas e pratadas de ovos com * bacon * . Harry e Ron sentaram se em a mesa de os Gryffindor , junto de Hermione que tinha o seu exemplar de * _ Viagens com Vampiros * totalmente aberto , encostado a um jarro de leite . Havia uma certa rigidez em a maneira como ela disse : - ` _ Dia - que mostrou a Harry que continuava a desaprovar o modo como tinham chegado a a escola . Por seu turno , Neville_Longbottom saudou os entusiasticamente . Neville era um rapazinho de cara redonda , muito dado a acidentes , com a pior memória que Harry tinha conhecido . - A entrega de correio deve estar a chegar , acho que a minha avó me vai mandar umas quantas coisas de que me esqueci ... Harry tinha começado a comer as papas de aveia , quando se ouviu um ruído tumultuoso em o ar e umas cem corujas entraram ao_mesmo_tempo , sobrevoando o salão e deixando cair cartas e pacotes em o meio de a multidão faladora . Um embrulho grande e rugoso caiu em a cabeça de Neville e , um segundo depois , uma coisa larga e cinzenta caiu em o jarro de a Hermione , enchendo os a todos de leite e penas . - Errol - gritou o Ron , puxando a coruja esfarrapada por as patas . Errol caíra inconsciente sobre a mesa com as pernas para o ar e um envelope vermelho húmido em o bico . - Oh , não ! - sobressaltou se Ron . - Ela está bem , ainda está viva - tranquilizou o Hermione , tocando suavemente em a Errol com a ponta de o dedo . - Não é isso , é ... aquilo . Ron apontava para o envelope vermelho . Parecera perfeitamente vulgar a Harry , mas Ron e Neville estavam ambos a observá o como_se esperassem que explodisse . - Qual é o problema ? - perguntou Harry . - Ela . Ela mandou me um * gritador * - disse Ron , quase sem voz . - É melhor abrires - aconselhou Neville em um murmúrio tímido - senão é pior . A minha avó uma_vez mandou me um que eu ignorei e ... - engoliu em seco - foi horrível . Harry olhava , ora para as suas caras , ora para o envelope vermelho . - O que é um * gritador * ? - perguntou . - Mas toda_a atenção de o Ron estava fixa em a carta que começara a fumegar por os cantos . - Abre a - intimou o Neville . - De aqui a poucos minutos já passou tudo . Ron estendeu uma mão trémula , retirou o envelope de o bico de a Errol e começou a abri o . Neville pôs os dedos em os ouvidos . Após uma fracção de segundo , Harry compreendeu porquê . Pensou em o primeiro momento que ela explodira . Um ruído ensurdecedor encheu o enorme salão , fazendo cair pó de o tecto . - ... : __ roubar o carro ! não me surpreendia nada se te expulsassem . espera só até te pôr as mãos em cima . será que não paraste para pensar em a nossa aflição quando vimos que o carro tinha __ desaparecido ... Os gritos de Mrs._Weasley , ampliados cem vezes em relação a o seu normal , fizeram os pratos e as colheres chocalhar em a mesa e ecoaram de forma ensurdecedora em as paredes de pedra . Vinha gente de todos os lados espreitar quem tinha recebido o * gritador * e Ron afundou se tanto em a cadeira que só se lhe via a testa carmesim . - ... : __ uma carta de o dumbledore ontem a a noite , o teu pai quase morria de vergonha . não foi esta a educação que te demos , tu e o harry podiam ter __ morrido ... Harry estava a ver quando é_que o seu nome viria a a baila . Tentou o melhor que pôde agir como_se não ouvisse a voz , mas aquilo estava a fazer com que os tímpanos lhe latejassem . - ... : __ profundamente decepcionada , o teu pai vai ter de se confrontar com um inquérito em o trabalho , tudo por tua culpa e , se pisas mais_uma_vez o risco , trago te para __ casa ! Seguiu se um silêncio ressonante . O envelope vermelho , que caíra de as mãos de o Ron , incendiou se e encaracolou se em cinzas . Harry e Ron estavam sentados de boca aberta , como_se uma onda gigante lhes tivesse passado por cima . Algumas pessoas riam e , a os poucos , o ruído de as conversas recomeçou . Hermione fechou o * _ Viagens com Vampiros * e olhou para o topo de a cabeça de Ron . - Bem , não sei o que esperavas , Ron , mas tu ... - Não me venhas dizer que mereci - interrompeu Ron . Harry afastou as papas de aveia . O estômago ardia lhe de culpa . Mr._Weasley tinha um inquérito em o trabalho , depois de tudo_o_que Mr. e Mrs._Weasley tinham feito por ele durante o Verão ... Mas não teve muito_tempo para se demorar em aqueles pensamentos . A professora Mc_Gonagall circulava em volta de as mesas de os Gryffindor distribuindo horários . Harry pegou em o seu e viu que começavam por ter Herbologia , juntamente com os Hufflepuff . Harry , Ron e Hermione saíram juntos de o castelo , atravessaram as hortas e chegaram a as estufas , onde estavam guardadas as plantas mágicas . O * gritador * tivera pelo_menos uma vantagem : Hermione parecia achar que já tinham sido suficientemente castigados e estava de_novo perfeitamente calorosa . Quando estavam a chegar a as estufas viram o resto de a classe de pé , cá fora , a a espera de a professora Sprout . Harry , Ron e Hermione tinham acabado de se lhes juntar quando a viram aproximar se a passos largos por o relvado , acompanhada de Gilderoy_Lockhart . A professora Sprout era uma bruxa pequenina e atarracada que usava um chapéu a os remendos sobre o cabelo solto . As roupas que vestia estavam sempre cheias de terra e as suas unhas fariam a tia Petúnia desmaiar . Gilderoy_Lockhart , pelo_contrário , tinha um ar imaculado em as suas vestes azul-turquesa , o cabelo doirado a brilhar debaixo_de um chapéu azul-turquesa , com uma fita dourada , perfeitamente posicionado sobre a cabeça . - Olá a todos ! - gritou Lockhart , dirigindo se a o grupo de estudantes . - Estive a mostrar a a professora Sprout a maneira correcta de tratar um salgueiro . Mas não quero que fiquem com a ideia de que sou melhor do_que ela em Herbologia . Acontece que encontrei várias de estas plantas exóticas , durante as minhas viagens .... - Estufa número três hoje , meninos ! - disse a professora Sprout que estava visivelmente descontente , bem diferente de a sua habitual natureza bem-disposta . Houve um murmúrio de interesse . Eles só tinham estado uma_vez em a terceira estufa , que era uma estufa que abrigava plantas bem mais interessantes e perigosas . A professora Sprout tirou uma enorme chave de o cinto e abriu a porta . Harry sentiu o bafo de a terra húmida com adubo misturado e o perfume forte de umas flores gigantescas , de o tamanho de guarda-chuvas , que estavam penduradas de o tecto . Ia seguir Ron e Hermione , quando a mão de o Lockhart o travou . -- Harry ! Tenho querido ter uma palavrinha contigo . Não se importa se ele chegar uns minutos atrasado , pois não , professora Sprout ? A julgar por a expressão carregada de a professora Sprout , importava se sim , mas Lockhart disse : - Então até já - e fechou a porta de a estufa em a cara de ela . - Harry ! - disse Lockhart , com os dentes brancos a brilharem a o sol , enquanto abanava a cabeça . - Harry , Harry , Harry ! Harry , totalmente perplexo , não disse uma palavra . - Quando ouvi dizer , bem , é claro que eu tive muita culpa , deviam castigar me também ... Harry não fazia ideia de que estava ele a falar , quando Lockhart prosseguiu : - Nunca me lembro de ficar tão chocado . Fazer voar um automóvel até Hogwarts ! Bem , é claro que eu percebi logo porque o fizeste . Foi um destaque em grande . Harry , Harry , Harry ! Era notável como ele conseguia mostrar todos aqueles dentes brilhantes , mesmo quando não estava a falar . - Criei te o gosto por a publicidade , não foi ? - perguntou Lockhart . - Passei te o bichinho . Apareceste comigo em a primeira página e não podias esperar para aparecer outra_vez ... - Oh , não , professor , sabe é_que ... - Harry , Harry , Harry - disse Lockhart aproximando se e tocando lhe em o ombro . - * _ Eu compreendo * . É natural querer um_pouco mais quando se lhe tomou o gosto , e eu culpo me por te ter dado esse conhecimento , porque era natural que te subisse a a cabeça , mas vê uma coisa , rapazinho , tu não podes começar a fazer voar carros para tentares ser notícia . Tens de acalmar , está bem ? Tens muito_tempo quando fores mais velho . Sim , sim , eu sei o que estás a pensar ! É fácil para ele falar assim , já é um feiticeiro internacionalmente famoso ! Mas quando eu tinha doze anos era tão zé-ninguém como tu és hoje . Em a verdade , era ainda mais . De ti , já meia_dúzia de pessoas ouviram falar , não é ? Toda aquela história com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . - Olhou para a cicatriz luminosa em a testa de Harry . - Eu sei , eu sei , não é o mesmo_que vencer o Prémio de o sorriso de o feiticeiro de a semana cinco vezes seguidas , como eu venci , mas é um começo , Harry , é um começo . Lançou lhe uma piscadela de olhos cordial e foi se embora . Harry ficou atarantado durante alguns segundos . Depois , lembrando se que deveria estar em a estufa , abriu a porta e esgueirou se lá para dentro . A professora Sprout estava de pé , por_detrás_de uma espécie de mesa em o meio de a estufa . Em cima de a mesa estavam cerca de vinte pares de abafo de ouvidos de diferentes cores . Quando Harry estava já em o seu lugar , entre Ron e Hermione , ela disse : - Hoje vamos transplantar Mandrágoras . Muito bem , quem sabe dizer me as propriedades de a Mandrágora ? Não foi surpresa para ninguém que a mão de a Hermione fosse a primeira em o ar . - A Mandrágora tem um efeito reparador muito poderoso - disse Hermione , com o ar mais normal de este mundo , como_se tivesse engolido o livro de texto . - É usada para fazer voltar as pessoas , que foram transfiguradas ou amaldiçoadas , a o seu estado original . - Excelente . Dez pontos para os Gryffindor ! - exclamou a professora Sprout . - A Mandrágora é parte integrante de a maior parte de os antídotos , mas também é perigosa . Quem sabe dizer me porquê ? A mão de Hermione por_pouco não bateu em os óculos de Harry , quando se ergueu de_novo . - O grito de a Mandrágora é fatal para quem o ouve - disse prontamente . - Precisamente . Dou lhe mais dez pontos - disse a professora Sprout . - Agora vejamos , as Mandrágoras que aqui temos são ainda muito jovens . Enquanto falava , apontou para uma fila de tabuleiros com uma certa profundidade e todos se chegaram a a frente para ver melhor . Cerca de uma centena de plantinhas tufosas de um verde arroxeado cresciam em filas . Pareceram perfeitamente vulgares a Harry , que não fazia a menor ideia do_que Hermione queria dizer com o * grito * de a Mandrágora . - Cada_um de vocês pode tirar um par de abafo de ouvidos - disse a professora Sprout . Houve uma competição renhida porque ninguém queria os cor-de-rosa , cheios de penugem . - Quando eu vos disser para os colocar , assegurem se de que os vossos ouvidos estão completamente tapados - disse a professora Sprout . - Logo_que seja seguro retirá os , eu levanto os dedos . Certo , pôr os abafos de os ouvido . Harry pôs imediatamente os abafos em os ouvidos . Eles fecharam completamente o som . A professora Sprout colocou também um par de abafos cor-de-rosa com penugem em os de ela , arregaçou as mangas de a túnica , agarrou uma de as plantas tufosas e puxou com toda_a força . Harry soltou um grito de surpresa que ninguém ouviu . Em_vez_de raízes , um bebé pequenino , enlameado e extremamente feio , saiu de a terra . As folhas cresciam lhe em o alto de a cabeça , tinha uma pele pintalgada de um pálido esverdeado e estava nitidamente a berrar a plenos pulmões . A professora Sprout tirou debaixo de a mesa um grande vaso de plantas e mergulhou lá dentro a Mandrágora , enterrando a em a mistura escura e húmida , até que só as folhas ficassem visíveis . Em seguida , limpou a terra de as mãos , levantou os dedos e todos eles retiraram os abafos de os ouvidos . - Como as nossas Mandrágoras são muito novas , os seus gritos ainda não matam - disse ela com grande calma , como_se tivesse feito algo tão normal como regar uma begónia . - Contudo , podem pôr vos a dormir durante várias horas e , como com certeza nenhum de vocês quer perder o primeiro dia de aulas , vejam se os abafos estão bem colocados enquanto trabalham . Eu chamarei vos a atenção quando for altura de os retirar . - Quatro em cada fila , há aqui uma grande quantidade de vasos , a mistura de terra está em os sacos ali a o fundo e tenham cuidado com a * _ Venomous_Tentacula * , estão a nascer lhe os dentes . Enquanto falava , deu uma pancada seca a uma planta vermelha escura cheia de pontas eriçadas , fazendo a encolher as longas antenas que tinham estado a avançar lenta e dissimuladamente sobre o seu ombro . A Harry , Ron e Hermione veio juntar se em a fila um rapaz de cabelo encaracolado de os Hufflepuff que Harry conhecia de vista , mas com quem nunca tinha falado . - Justin_Finch - _ Fletchey - disse ele com vivacidade , apertando a mão de o Harry . - Conheço te , claro , o famoso Harry_Potter ... e tu és a Hermione_Granger , sempre a primeira em tudo ( Hermione brilhou em um sorriso , como_se ele lhe tivesse apertado a mão ) e Ron_Weasley . Não era teu o carro voador ? Ron não sorriu . Não lhe saía de a cabeça o * gritador * . - Aquele Lockhart é o_máximo , não acham ? - disse Justin satisfeito , enquanto começavam a encher os vasos com composto de adubo de dragão . - Terrivelmente corajoso . Leram os livros de ele ? Eu teria morrido de medo se um lobisomem me tivesse encurralado em uma cabina telefónica , mas ele manteve se calmo e ... zap ... fantástico ! « Eu estava inscrito em Eton , sabem , não imaginam como estou feliz de ter vindo antes para aqui . É claro que a minha mãe ficou um_pouco desiludida , mas depois de lhe ter dado os livros de Lockhart a ler , tenho a impressão de que ela começou a ver a utilidade de ter um feiticeiro bem treinado em a família ... Depois de isso , não tiveram grandes oportunidades para conversar . Voltaram a pôr os abafos de ouvidos e era preciso concentrarem se em as Mandrágoras . A professora Sprout fizera as coisas parecerem extremamente simples , mas não eram . As Mandrágoras não gostavam de sair de a terra mas também não pareciam querer voltar para lá . Elas contorceram se , deram pontapés , agitaram as mãozinhas finas e rangeram os dentes . Harry levou dez minutos inteirinhos a tentar meter uma Mandrágora particularmente gorda dentro_de um vaso . Em o final de a aula , Harry , como todos os outros , estava a suar , cheio de dores e coberto de terra . Regressaram a o castelo a pé para um banho rápido e , em seguida , os Gryffindor apressaram se para assistir a a aula de transfiguração . As aulas de a professora Mc_Gonagall eram sempre complicadas , mas a de aquele dia era particularmente difícil . Tudo_o_que o Harry aprendera em o ano anterior parecia ter se lhe apagado de a memória durante o Verão . Ele deveria ser capaz de transformar uma barata em um botão , mas , tudo_o_que conseguiu foi fazer a barata praticar um imenso exercício , enquanto corria apressadamente por o tampo de a secretária evitando a varinha . Ron estava a debater se com problemas bastante piores . Tinha atado a varinha com uma fita mágica , mas parecia que não havia reparação possível . Não parava de crepitar e lançar faíscas em os momentos mais estranhos e , sempre_que Ron tentava transfigurar a barata , via se envolvido em um fumo cinzento espesso que cheirava a ovos podres . Incapaz de ver o que estava a fazer , o Ron esmagou , por engano , a barata com o cotovelo e teve de ir pedir que lhe dessem outra , o que deixou a professora Mc_Gonagall muito pouco satisfeita . Harry ficou aliviado quando ouviu tocar a campainha para o almoço . Sentia a cabeça como uma esponja espremida . Todos os alunos saíram em fila de a aula excepto ele e Ron que dava furiosas varadas em a secretária . - Coisa estúpida e inútil . - Escreve a os teus pais a pedir outra - sugeriu Harry , enquanto a varinha disparava com estrondo um foguete explosivo . - Ah pois , e receber outro * gritador * em a volta de o correio - respondeu Ron , metendo a varinha que já assobiava , dentro de o saco . - * _ A culpa é toda tua se a varinha está estragada * ... Desceram para o almoço e aí a disposição de o Ron não iria melhorar com Hermione a mostrar lhe uma mão-cheia de botões de casaco , perfeitinhos , que produzira em a transfiguração . - O que temos esta tarde ? - quis saber Harry , mudando rapidamente de assunto . - Defesa contra as artes negras - disse Hermione , sem perder tempo . - Porque é_que tu ... - perguntou Ron , pegando em o horário de ela - desenhaste corações em volta de as aulas de o Lockhart ? Hermione arrancou lhe o horário de as mãos , corando furiosa . Acabaram de almoçar e foram para o pátio carregado de nuvens . Hermione sentou se em um degrau de pedra e enfiou de_novo o nariz em as * _ Viagens com Vampiros * . Harry e Ron ficaram a falar de Quidditch durante alguns minutos antes de Harry se aperceber de que estava a ser observado de perto . Olhando para_cima viu o rapazinho pequenino com cabelo de rato que ele vira experimentar o chapéu seleccionador em a noite anterior , olhando para ele com uma expressão petrificada . Estava agarrado a o que parecia ser uma vulgar máquina fotográfica de os Muggles e , em o momento em que Harry olhou para ele , ficou todo vermelho . - Tudo bem , Harry ? Eu sou Colin_Creevey - disse , faltando lhe o ar e adiantando se a qualquer pergunta . - Estou em os Gryffindor também . Não te importavas que eu tirasse uma fotografia ? - perguntou , levantando a máquina cheio de expectativa . - Uma fotografia ? - repetiu Harry , inexpressivo . - Para eu provar que te conheci - disse Colin_Creevey cheio de ansiedade , continuando : - Eu sei tudo a teu respeito . Toda_a_gente me tem contado como sobreviveste quando O_Quem nós sabemos tentou matar te , como ele desapareceu depois de isso e como ficaste com a cicatriz em forma de relâmpago em a testa ( os seus olhos procuraram a linha de cabelo de Harry ) e um rapaz de o meu dormitório disse que se eu revelasse o filme em a posição certa ele mexia . - Colin respirou fundo , estremecendo de excitação e disse : - Isto_é fantástico , aqui , não achas ? Eu não sabia que todas_as coisas estranhas que fazia eram magia até a o dia em que recebi uma carta de Hogwarts . O meu pai é leiteiro . Também ele não queria acreditar . Por isso estou a tirar montes de fotografias para lhe mandar e era mesmo bom se tivesse uma tua - parecia implorar . - Talvez o teu amigo pudesse tirá a e assim eu ficava a o teu lado . E depois , podias assiná a ? - Assinar fotografias ? Estás a dar fotos autografadas , Potter ? Alta e mordaz , a voz de Draco_Malfoy ecoou em o pátio . Estava parado mesmo atrás_de Colin , ladeado , como sempre andava em Hogwarts , por os seus fortes guarda-costas Crabbe e Goyle . - Ei gente , façam bicha - gritou Malfoy a a multidão . - Harry_Potter está a dar fotos autografadas ! - Não estou coisa nenhuma - disse Harry , zangado , com os punhos em o ar . - Cala a boca , Malfoy . - Tu tens é inveja - começou a dizer Colin , cujo corpo era de o tamanho de o pescoço de Crabbe . - Inveja - repetiu Malfoy que não precisava de gritar mais , metade de o pátio estava a ouvi o . - De quê ? Não preciso de uma cicatriz em a cabeça , muito obrigado . Não acho que ter um corte em a testa torne alguém especial . Crabbe e Goyle riram estupidamente - Vai pastar caracóis , Malfoy - disse o Ron furioso . Crabbe parou de rir e começou a esfregar os nós de os dedos enormes de uma forma ameaçadora . - Tem cuidado , Weasley - escarneceu Malfoy . - Com certeza não queres começar uma rixa ou a tua mãezinha tem de vir cá para te tirar de a escola - e com uma voz aguda e penetrante : - * _ Se voltas a pisar o risco * ... Um grupo de alunos de o quinto ano de os Slytherin que estava ali perto , riu se bastante alto . - O Weasley gostaria de ter uma foto tua autografada , Potter - escarneceu de_novo Malfoy . - Era capaz de valer mais do_que a casa onde ele mora com a família . Ron sacou de a sua varinha amarrada com fita , mas Hermione fechou as * Viagens com Vampiros * com um estrondo e avisou : - Atenção . - O que é isto , o que é isto ? - Gilderoy_Lockhart aproximava se com o seu manto azul-turquesa girando em torvelinho atrás de ele . - Quem está a dar fotos autografadas ? Harry ia começar a explicar , mas foi interrompido quando Lockhart lhe pôs jovialmente o braço em cima de os ombros . - Mas que pergunta a minha ! Cá estamos nós de_novo , Harry ! Preso ao_lado_de Lockhart e a arder de humilhação , Harry viu Malfoy deslizar com o seu sorriso desdenhoso por o meio de a multidão . - Vamos lá então , Mr._Creevey - disse Lockhart , dirigindo se a Colin . - Uma foto dupla , já viu a sua sorte ? E assinamos a os dois para si . Colin ajustou a máquina e tirou a fotografia em o preciso momento em que a campainha tocava para as aulas de a tarde . - Está em a hora , todos para dentro - gritou Lockhart a a multidão e regressou a o castelo levando a o seu lado o Harry que só lamentava não conhecer um feitiço que o fizesse desaparecer . - Uma palavra só , Harry - disse Lockhart paternalmente , enquanto entravam em o edifício por uma porta lateral . - Eu ajudei te há bocado com o jovem Creevey porque se ele estivesse a fotografar me também a mim os teus colegas não reparariam tanto que estavas a exibir te ... Indiferente a a gaguez de Harry , Lockhart arrastou o para um corredor ladeado de alunos que os olhavam espantados e subiram uma escada . - Deixa me só dizer te uma coisa : dar fotografias autografadas em esta fase de a tua carreira , francamente , não é sensato , Harry , parece um_pouco megalómano . Pode ser que um dia mais tarde , tal_como eu , sejas obrigado a assinar para multidões onde quer que vás , mas - fez uma pequena pausa - não me parece que seja o caso , por enquanto . Tinham chegado a a aula de Lockhart e ele largou finalmente o Harry que sacudiu a túnica e foi sentar se em um lugar bem lá atrás onde começou por empilhar os livros de Lockhart a a sua frente para evitar olhar para a criatura . O resto de a aula entrou ruidosamente e Ron e Hermione foram sentar se um de cada lado de Harry . - Tu estavas vermelho como um pimentão - disse o Ron . - Reza para que o Creevey não se torne amigo de a Ginny senão bem podem criar o clube de * fans * de Harry_Potter . - Cala a boca - interrompeu Harry . A última coisa que desejava era que o Lockhart ouvisse a expressão « clube de * fans * de Harry_Potter « . Quando todos estavam em os seus lugares , Lockhart pigarreou alto e fez se silêncio . Ele inclinou se para a frente , pegou em o exemplar de Neville_Longbottom de * _ viagens com Duendes * e levantou o para mostrar a sua fotografia a piscar os olhos em a capa . - Eu - disse apontando para a fotografia e piscando também os olhos - Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , terceiro ano , membro honorário de a Liga_de_Defesa contra as artes negras e cinco vezes vencedor de o prémio de o * _ Feiticeiro de a semana * por o sorriso mais charmoso . Mas não vamos falar de isso , não venci a fada carpideira de Bandon a sorrir para ela ! Esperou que eles se rissem . Alguns alunos sorriram timidamente . - Já vi que todos vocês compraram a minha obra completa . Muito bem . Pensei começar hoje com um pequeno interrogatório escrito . Nada de complicado , só para perceber se leram bem os meus livros e o que apreenderam ... Depois de distribuir as folhas de teste voltou se para os alunos e disse : - Têm trinta minutos . Comecem já . Harry olhou para o papel e leu : *1 . Qual é a cor preferida de Gilderoy_Lockhart ? *2 . Qual é a ambição secreta de Gilderoy_Lockhart ? *3 . Qual é , em a sua opinião , a maior realização de Gilderoy_Lockhart até a o momento ? * E_por_aí adiante , ao_longo_de três páginas , terminando com : *54 . Qual é o dia de aniversário de Gilderoy_Lockhart e qual seria o seu presente preferido ? * Meia_hora mais tarde , Lockhart recolheu os pontos e folhou os rapidamente em frente de os alunos . - Tut , tut , quase ninguém se lembrou que a minha cor preferida é o lilás . Eu digo o em * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves * . Alguns precisam de voltar a ler com mais cuidado * Fim-de - _ Semana com Um Lobisomem * . Eu afirmo claramente em o décimo segundo capítulo que o meu presente de aniversário preferido seria a harmonia entre todos os seres , mágicos e não mágicos , embora não me importasse de receber uma garrafa grande de * whisky * velho de a Ogden's_Old_Firewhisky . Piscou lhes o olho de_novo . Ron olhava para Lockhart com uma expressão de incredulidade em o rosto . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas que estavam sentados a a frente tremiam de tanto conter o riso . Hermione , contudo , ouvia Lockhart com extrema atenção e deu um salto quando ouviu o seu nome . - Mas Miss_Hermione_Granger sabia que a minha ambição secreta era libertar o mundo de o mal e pôr a a venda a minha gama de poções de tratamento de o cabelo . Muito bem - voltou o papel . - Nota máxima ! Onde está Miss_Hermione_Granger ? Hermione ergueu uma mão trémula . - Excelente - bradou Lockhart , exultante . - Leva dez pontos para os Gryffindor . E vamos a o trabalho . Baixou se atrás de a secretária e pegou em uma grande gaiola coberta . - Ficam desde_já a saber , a minha função é preparar vos contra as criaturas mais malignas que a feitiçaria conhece . Vocês podem ter que enfrentar os maiores medos em esta sala . Saibam que nenhum mal vos sucederá comigo aqui . Só vos peço que se mantenham calmos . Ultrapassando os seus sentimentos , Harry espreitou através de a pilha de livros para ver melhor a gaiola . Lockhart colocou uma mão em a tampa . Dean e Seamus tinham deixado de se rir . Neville estava agachado em o seu lugar de a fila de a frente . - Vou pedir vos que não façam barulho - disse Lockhart em voz baixa . - Podem assustá os . Enquanto a aula inteira continha a respiração , Lockhart tirou a cobertura . - Sim - disse em um tom dramático . - Duendes_da_Cornualha recém-capturados . Seamus_Finnigan não conseguiu controlar se . Soltou uma gargalhada que nem Lockhart poderia confundir com um grito de terror . - Sim ? - sorriu a Seamus . - Bem , eles não são , não são perigosos , pois não ? - perguntou a rir . -- Não tenhas tanta certeza de isso - afirmou Lockhart , aborrecido , abanando um dedo , em direcção a Seamus . - Podem ser maçadores e muito traiçoeiros . Os duendes eram de um azul-eléctrico e tinham cerca de vinte centímetros de altura com feições angulosas e umas vozes tão estridentes que era como ouvir uma discussão entre araras . Logo_que o pano foi retirado , começaram a fazer uma enorme algazarra , a andar de um lado para o outro , batendo em as grades e fazendo caretas a as pessoas que estavam mais perto . - Muito bem - disse Lockhart em voz alta . - Vamos então ver o que vocês conseguem fazer de eles - e abriu a gaiola . Foi um pandemónio . Os duendes dispararam em todas_as direcções como foguetes . Dois de eles agarraram o Neville por as orelhas e levantaram o a o ar . Vários outros foram direitos a a janela , fazendo chover vidros partidos até a a fila de trás . Os restantes decidiram destruir a sala com maior eficácia do_que um rinoceronte em fúria . Agarraram em os tinteiros e salpicaram tudo em volta , rasgaram a os bocados livros e papéis , arrancaram os quadros de as paredes , levantaram a o ar a gaiola vazia , agarraram livros e sacos e lançaram nos por a janela de vidros estilhaçados . Em poucos minutos , metade de a aula estava abrigada debaixo de as secretárias e o Neville pendurado em o candelabro de o tecto . - Vamos lá , agarrem nos , agarrem nos , são apenas duendes ... - gritava Lockhart . Arregaçou as mangas , bramiu a varinha e pronunciou * Peshipiksi_Pesternomi ! * As palavras não tiveram o menor efeito . Um de os duendes pegou em a varinha de Lockhart e atirou a também por a janela fora . Lockhart engoliu em seco e mergulhou debaixo de a secretária , não sendo , por um triz , esmagado por o Neville que caiu um segundo depois , quando o candelabro cedeu . A campainha tocou e houve uma louca precipitação para a porta . Em a calma relativa que se seguiu , Lockhart endireitou se , olhou para Harry , Ron e Hermione que estavam quase a chegar a a porta e disse : - Bem , vou pedir vos a os três que prendam o resto de os duendes em a gaiola - passou por eles e fechou rapidamente a porta atrás_de si . - Isto dá para acreditar ? - resmungou o Ron , enquanto um de os duendes lhe mordia com toda_a força uma de as orelhas . - Ele só quer dar nos uma ajuda , permitindo nos ganhar experiência - justificou Hermione , imobilizando dois duendes de uma_vez com um encantamento de paralisação e metendo os de_novo em a gaiola . - Experiência ? - disse Harry , tentando agarrar um duende que dançava com a língua de_fora . - Hermione , ele não sabia nada do_que estava a fazer . - Disparate - retorquiu Hermione . - Leste os livros de ele . Vê só as coisas que ele já fez ! - Que diz que fez - resmungou o Ron . VII_Sangue de lama e murmúrios Harry passou imenso tempo , em os dias que se seguiram , a fugir sempre_que via Gilderoy_Lockhart aproximar se em o corredor . Mais difícil de evitar era Colin_Creevey que parecia ter decorado o horário de Harry . Parecia que nada o emocionava mais do_que dizer : - Tudo bem , Harry ? - seis ou sete vezes por dia e ouvir : - Olá , Colin - por mais exasperado que Harry estivesse quando lhe respondia . A Hedwig ainda estava zangada com Harry por causa de a desastrosa viagem de automóvel e a varinha de o Ron continuava a não funcionar , tendo ultrapassado tudo em a sexta-feira de manhã quando lhe saltou de as mãos em a aula de encantamentos e foi agredir o velho e baixinho professor Flitwick mesmo entre os olhos , deixando uma enorme bolha latejante em o sítio onde tinha batido . Por tudo_isso Harry via chegar , com satisfação , o fim_de_semana Planeava ir em o Sábado de anhã , com Ron e Hermione visitar o Hagrid . Mas foi acordado várias horas mais cedo do_que desejaria por Oliver ood , treinador de a equipa de Quidditch_dos_Gryffindor . - _ o que é_que se passa ? - perguntou Harry , enrolando as palavras . - Treino_de_Quidditch - disse Wood . - Vamos embora . Harry lançou um olhar de esguelha a a janela . Uma neblina fina pairava em o céu rosa e dourado . Agora_que estava acordado não percebia como pudera dormir com a algazarra que os pássaros faziam . - Oliver resmungou Harry . - É de madrugada . - Exacto - respondeu Wood . Era um rapaz alto e corpulento de o sexto ano e em aquele momento os olhos brilhavam lhe loucamente de entusiasmo . - Faz parte de o nosso novo programa de treinos . Anda lá , vai buscar a vassoura e vamos embora - insistiu Wood empenhado . - Nenhuma de as outras equipas começou ainda a treinar . Vamos ser os primeiros este ano ... A bocejar e a tremer um_pouco , Harry saltou de a cama e tentou descobrir as suas túnicas de Quidditch . - Bem , encontramo nos em o campo , dentro_de quinze minutos . Depois de descobrir a sua roupa escarlate de equipa e pôr o manto por cima para se aquecer , Harry escreveu a o Ron um bilhete a explicar onde tinha ido e desceu por a escada de espiral para a sala comum com a sua Nimbos dois inil a o ombro . Tinha acabado de chegar junto de o buraco de o retrato quando ouviu um barulho atrás_de si e viu Colin_Creevey descer a escada de espiral com a máquina fotográfica pendurada a o pescoço a balouçar como louca e uma coisa em a mão . - Ouvi alguém chamar o teu nome em as escadas , Harry olha o que tenho aqui . Revelei a e queria mostrar te . Harry olhou assombrado para a fotografia que Colin lhe espetava em frente de o nariz . Um Lockhart a preto e branco movia se , puxando com toda_a força um braço que Harry reconheceu como sendo o seu . Ficou satisfeito a o constatar que estava a resistir bastante bem , recusando se a ser trazido para a vista de todos . Enquanto Harry observava , Lockhart desistiu e desinteressou se de lutar contra a parte branca de a fotografia . - Assinas para mim ? - pediu Colin entusiasmado . - Não - respondeu secamente Harry , olhando em volta para verificar se o caminho estava livre . - Desculpa_Colin , mas estou cheio de pressa , treino de Quidditch . Passou por o buraco de o retrato . - Oh Uau ! Espera por mim . Eu nunca vi um jogo de Quidditch . Colin trepou por o buraco de o retrato atrás de ele . - Vai ser uma chatice para ti - disse Harry rapidamente , mas Colin ignorou o comentário . Todo o seu rosto brilhava de satisfação . - Tu foste o jogador mais novo de a equipa em cem anos , não foste Harry ? Não foste ? - perguntava Colin , trotando para o acompanhar . - Deve ser fantástico . Eu nunca voei . É fácil ? Essa vassoura é a tua ? É a melhor que há ? Harry não sabia como ver se livre de ele . Era como ter uma sombra que não se calava . - Eu não percebo nada de Quidditch - disse Colin , já sem fôlego . - É verdade que há quatro bolas ? E que duas anda n a voar , tentando fazer os jogadores caírem de as vassouras ? - Sim - disse Harry lentamente , resignado com o ter de lhe explicar as complicadas regras de o Quidditch . - São as * bludgers * . Há dois * beaters * em cada equipa que têm bastões para bater em as * bludgers * e lançá as para o outro lado . O Fred e o George_Weasley são os * beaters * de os Gryffindor . - E para que servem as outras bolas ? - perguntou Colin , saltando uma série de degraus porque ia a olhar para o Harry de boca aberta . - Bem , a * quaffle * , que é a vermelha grandalhona , é a que marca os golos . Três * chasers * em cada equipa lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam fazes a entrar em as balizas que ficam em o extremo de o campo onde há três grandes postes com argolas em as pontas . - E a quarta bola ? - A * snitch * dourada - explicou Harry . - É muito pequenina e veloz e extremamente difícil de agarrar . Mas é isso que o * seeker * tem de fazer , porque o jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * for agarrada . E o * seeker * que conseguir agarrá a ganha para a sua equipa mais cento_e_cinquenta pontos . - E tu és o * seeker * de os Gryffindor , não és ? - perguntou Colin respeitosamente . - Sim - disse Harry enquanto saíam de o castelo e começavam a atravessar o relvado . - E há também o * keeper * que toma conta de os postes . É isto . Mas Colin não parou de fazer perguntas desde os relvados macios até a o campo de Quidditch e Harry só se viu livre de ele quando chegaram a os vestiários . Colin gritou em uma voz aguda : - Eu vou arranjar um lugar , Harry - e apressou se em direcção a as bancadas . O resto de a equipa de os Gryffindor já se encontrava em os vestiários . Wood era o único que tinha aspecto de estar bem acordado . Fred e George_Weasley estavam sentados com olhos de sono e cabelos desgrenhados junto de Alicia_Spinnet de o quarto ano que parecia inclinar se contra a parede que tinha atrás_de si . Os seus companheiros * chasers * , Katie_Bell e Angelina_Johnson bocejavam em frente de ela . - Até que enfim , Harry , porque é_que demoraste tanto ? - perguntou Wood cheio de actividade . - Eu queria ter uma pequena conversa convosco antes de entrarmos propriamente em campo porque passei o Verão a conjecturar um novo programa de treinos que acredito vai estabelecer grandes mudanças . Wood tinha em as mãos um grande mapa de um campo de Quidditch onde estavam desenhadas muitas linhas , setas e cruzes a tinta de várias cores . Pegou em a varinha , bateu com ela em o quadro e as setas começaram a mover se em o mapa como tractores . Enquanto Wood se lançava em um discurso sobre as suas novas técnicas , a cabeça de Fred_Weasley caiu sobre o ombro de Alicia_Spinnet e ele começou a ressonar . O primeiro mapa levou quase vinte minutos a explicar , mas debaixo de esse havia outro e ainda um terceiro . Harry caiu em uma letargia enquanto Wood continuava indefinidamente . - Então - disse por fim o treinador , arrancando Harry de a avidez de uma fantasia sobre o que poderia estar a comer se se encontrasse em aquele momento em o castelo . - Ficou tudo claro ? Alguma pergunta ? - Eu tenho uma pergunta , Oliver - disse George que acordou estremunhado . - Porque não nos explicaste tudo_isso ontem , quando estávamos acordados ? Wood não ficou nada satisfeito . - Ouçam bem , vocês todos - disse , voltando se para eles mal-humorado . - Nós deveríamos ter ganho a taça de Quidditch o ano passado . Somos de longe a melhor equipa , mas , infelizmente , devido_a circunstancias que estão para_além de o nosso controlo ... Harry mudou de posição em a cadeira sentindo se culpado . Estivera inconsciente em o hospital durante o campeonato final de o ano anterior o que fez com que os Gryffindor com um jogador a menos tivessem sofrido a pior derrota de os últimos trezentos anos . Wood levou um momento a controlar se . Era evidente que a última derrota ainda o torturava . - Portanto , este ano vamos fazer um treino mais duro , como nunca se fez . O. _ K. , vamos lá pôr as teorias em prática - gritou , pegando em a vassoura e conduzindo os para fora de o vestiário . Com as pernas trôpegas e ainda a bocejar , a equipa seguiu o . Tinham estado tanto tempo lá dentro que o sol já tinha nascido e brilhava em o céu embora uma réstia de neblina pairasse ainda sobre o relvado de o campo . Quando Harry entrou em campo viu Ron e Hermione sentados em as bancadas . - Ainda não acabaram ? - perguntou Ron em um tom incrédulo . - Ainda nem começamos - explicou Harry , olhando cheio de inveja para a torrada com doce de laranja que Ron e Hermione tinham trazido de o salão . - O Wood tem estado a ensinar nos as jogadas . Subiu para a vassoura e deu um pontapé em o chão , elevando se em o ar . O ar fresco de a manhã bateu lhe em o rosto fazendo o acordar com mais eficácia do_que o longo discurso de Wood . Era maravilhoso voltar a estar em o campo de Quidditch . Voou em volta de o estádio a toda a a velocidade competindo com Fred e George . - Que barulhinho estranho é aquele ? - perguntou o Fred quando deram a volta . Harry olhou para as bancadas . Colin estava sentado em um de os lugares mais altos com a máquina fotográfica em o ar , tirando fotografia sobre fotografia , o som estranhamente ampliado em o estádio deserto . - Olha para ali , Harry , para ali - gritava de forma estridente . - Quem é aquele ? - perguntou Fred . - Não faço ideia - mentiu Harry , disparando a_toda_a velocidade e distanciando se o mais possível de Colin . - O que se passa aí ? - perguntou Wood , franzindo a testa enquanto corria por os ares atrás de eles . - Porque está aquele aluno de o primeiro ano a tirar fotografias ? Não me agrada . Pode ser um espião de os Slytherin a tentar descobrir o nosso novo programa de treinos . - Ele é de os Gryffindor - disse Harry rapidamente . - E os Slytherin não precisam de um espião , Oliver - completou George . - Porque dizes isso ? - perguntou Wood irritado . - Porque estão aqui em peso - disse George , apontando com o dedo . Vários indivíduos com túnicas verdes vinham em aquele momento a entrar em o campo de vassouras em a mão . - Não posso acreditar - reagiu Wood , sentindo se ultrajado . - Eu reservei o estádio para hoje . Já vamos ver como é_que isto fica ! Wood baixou direito a o chão sendo levado por a fúria a aterrar com mais força do_que pretendia e a cambalear um_pouco quando começou a andar seguido de o Harry e de o Ron . - Flint - bradou para o treinador de os Slytherin . - Este é o nosso tempo de treino . Levantámo nos de propósito . Vocês têm de sair de aqui . Marcus_Flint era ainda mais corpulento do_que Wood . Tinha em o rosto uma expressão de duende travesso quando respondeu : - Há espaço para todos , Wood . Angelina , Alicia e Katie tinham vindo também . Em a equipa de os Slytherin não havia raparigas que enfrentassem a o lado de os rapazes os Gryffindor . - Mas eu reservei o estádio - repetiu Wood de modo afirmativo , cuspindo de raiva . - Reservei o . - Ah ! - exclamou Flint . - Mas eu tenho aqui uma licença especial assinada por o professor Snape . * _ Eu , professor Snape , autorizo a equipa de os Slytherin a praticar hoje em o campo de Quidditch devido a a necessidade de treinar o seu novo seeker . * - Têm um novo * seeker * ? - perguntou Wood perturbado . - Onde ? E detrás de as seis figuras corpulentas que tinham em a frente , viram surgir uma sétima : um rapaz mais pequeno com um sorriso afectado espelhado em o rosto pálido e anguloso . Era_Draco_Malfoy . - Não és o filho de o Lucius_Malfoy ? - perguntou Fred , olhando para ele com antipatia . - Curioso que refiras o pai de o Draco - disse Flint enquanto toda_a equipa de os Slytherin sorria de modo grosseiro . - Deixem me mostrar vos a generosa oferta que ele fez a a equipa de os Slytherin . Os sete exibiram as suas vassouras . Sete cabos novos , polidos , com inscrições em letras douradas de as palavras « Nimbus dois_mil_e_um « brilharam a o sol de a manhã , em frente de o nariz de os Gryffindor . - O último modelo . Só chegou em o mês passado - disse Flint , displicentemente , sacudindo a poeira de o cabo de a sua vassoura . - Julgo que ultrapassam de longe as velhas séries de dois_mil . Quanto a as Cleansweeps - sorriu de forma mesquinha para Fred e George que tinham ambos Cleansweep_Fives - essas já só servem para varrer . Nenhum de os Gryffindor foi capaz de abrir a boca em aquele momento . Malfoy sorria tanto que os seus olhos de gelo estavam reduzidos a duas rachas . - Oh vejam - disse Flint . - Uma invasão de o campo . Ron e Hermione atravessavam o relvado para ver o que se passava . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron a o Harry . - Porque não estão a jogar e o que faz ele aqui ? Olhava para Malfoy em as suas vestes de Quidditch . - Sou o novo * seeker * de os Slytherin , Weasley - disse Malfoy com ar presumido . - Têm estado todos a admirar as vassouras que o meu pai comprou para a nossa equipa . Ron olhou de boca aberta para as sete vassouras que tinha em a frente . - São boas , não são ? - disse Malfoy untuosamente . - Mas talvez a equipa de os Gryffindor consiga levantar algum ouro e comprar também vassouras novas . Vocês podiam levar essas Cleansweep_Fives a leilão , talvez algum museu esteja interessado . A equipa de os Slytherin riu se a bandeiras despregadas . - Pelo_menos em os Gryffindor ninguém teve de comprar a sua entrada - disse secamente Hermione . - Entraram todos por mérito próprio . O ar presumido de Malfoy desapareceu . - Ninguém pediu a tua opinião , sangue de lama - cuspiu Malfoy . Harry apercebeu se , de imediato , que Malfoy dissera algo muito grave porque houve uma tremenda algazarra em o seguimento de as suas palavras . Flint teve que se pôr a a frente de o Malfoy para evitar que Fred e George se atirassem a ele . Alicia bradou : - Como te atreves ? - E Ron meteu a mão em as vestes e sacou de a varinha mágica , gritando : - Vais pagar por o que disseste , Malfoy ! - e apontou a , furioso , por debaixo de o braço de Flint , a o rosto de Malfoy . Um enorme estrondo , ecoou em o estádio e um jacto de luz verde saiu por a extremidade errada de a varinha de Ron , atingindo o em o estômago e projectando o para trás em direcção a o relvado . - Ron ! Ron ! Estás bem ? - gritou Hermione . Ron abriu a boca para falar , mas nenhuma palavra saiu . Em vez de isso , teve um vómito imenso e várias lesmas saíram lhe de a boca , indo cair lhe em o colo . A equipa de os Slytherin ficou paralisada de riso . Flint estava dobrado , agarrado a a vassoura nova . Malfoy , a quatro , batia com o punho em a chão . Os Gryffindor rodeavam o Ron , que continuava a vomitar lesmas enormes e reluzentes . Ninguém queria tocar lhe . - É melhor levá o para_casa de o Hagrid . É o mais perto - disse Harry_a_Hermione , que acenou afirmativamente , e os dois arrastaram o Ron por os braços . - O que aconteceu , Harry ? O que aconteceu ? Ele está doente ? Mas tu podes curá o , não podes ? - Colin descera a correr de o lugar onde estava sentado e dançaricava em frente de eles , enquanto abandonavam o campo . Ron teve um novo arremesso e mais lesmas saíram de a sua boca . - Oooh ! - exclamou Colin fascinado , levantando a máquina fotográfica . - Podes mantê o quieto , Harry ? - Sai de a minha frente , Colin - gritou Harry zangado . Ele e a Hermione conseguiram levar o Ron para fora de o estádio , atravessar os campos e chegar a a beira de a floresta . - Está quase , Ron - disse Hermione , mal avistaram o casebre de o guarda de os campos . - Vais ficar bem dentro_de um minuto ... está quase ... Estavam a sessenta metros de a casa de Hagrid , quando a porta de a frente se abriu . Mas não foi Hagrid quem saiu de lá , e sim Gilderoy_Lockhart , em uma túnica cor de malva . - Rápido , vamos esconder nos aqui - sussurrou Harry , arrastando Ron para trás de um arbusto que havia ali perto . Hermione acompanhou o , embora um_pouco relutante . -- É muito simples quando se sabe o que se está fazer ! - gritava Lockhart_para_Hagrid . - Se precisar de ajuda , sabe onde estou . Vou dar lhe um exemplar de o meu livro . Espanta me que ainda não o tenha . Logo a a noite autografo o e envio lhe o . Bem . até a a próxima ! - e afastou se em direcção a o castelo . Harry esperou que Lockhart desaparecesse , antes de puxar o Ron de trás de o arbusto até a a casa de o Hagrid . Bateram ansiosamente . Hagrid apareceu logo com um ar mal-humorado , que se dissipou quando viu quem era . - Já me tinha perguntado quand'é que vocês vinham ver me , entrem , entrem , pensei qu'era outra_vez o professor Lockhart . Harry e Hermione ajudaram Ron a subir o degrau que dava acesso a a cabana de uma divisão com uma cama enorme a um de os cantos e uma lareira a crepitar alegremente em o outro . Hagrid não pareceu perturbado com o problema de as lesmas de o Ron que Harry lhe explicou precipitadamente , logo_que sentou o Ron em uma cadeira . - Melhor saírem de o qu'entrarem - disse , em um tom bem-disposto , colocando uma grande bacia de cobre em frente de ele . - Deita as todas fora , Ron . - Acho que não há mais_nada a fazer , a não ser esperar que isto pare - disse Hermione ansiosamente , vendo Ron inclinar se para a bacia . - É uma maldição muitas_vezes difícil , mas com uma varinha partida ... Hagrid andava de um lado para o outro a preparar o chá . O cão de ele , Fang , babava se em cima de o Harry . - O que é_que o Lockhart queria de ti ? - perguntou o Harry , coçando as orelhas de o Fang . - Ensinar me a tirar espíritos aquáticos com forma de cavalos d'uma nascente d'água - resmungou Hagrid , retirando de a mesa pequena um galo meio depenado e colocando em o seu lugar o bule . - Como s'eu não soubesse . E contar me uma peta qualquer d'uma fada carpideira que ele venceu . Engulo essa chaleira , se uma palavra do_que ele disse for verdade . Não era hábito de Hagrid criticar um professor de Hogwarts e Harry olhou para ele com alguma surpresa . Mas Hermione disse em uma voz mais aguda do_que de costume : - Acho que estás a ser injusto . O professor Dumbledore obviamente achou que era o melhor homem para o lugar ... - Era o único - explicou Hagrid , oferecendo lhes um prato de bombons de melaço enquanto Ron tossia para a bacia . - E não havia mais ninguém . Não é fácil encontrar quem queira dar Artes de magia negra . As pessoas não gostam de essa matéria . Começam a pensar que está amaldiçoada , ninguém ficou muito_tempo a dá a . Mas digam me lá - continuou Hagrid , inclinando a cabeça para Ron - quem é qu'ele estava a tentar amaldiçoar ? - O Malfoy chamou qualquer coisa a a Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si . - Foi grave , sim - disse o Ron com voz rouca , emergindo a a superfície de a mesa , pálido e transpirado . - O Malfoy chamou lhe sangue de lama , Hagrid . - Ron desapareceu outra_vez quando uma nova onda de lesmas fez o seu aparecimento . Hagrid estava indignado . - Não posso crer - exclamou , dirigindo se a Hermione . - Chamou sim - disse ela . - Mas eu não sei o que significa . Percebi que era má educação , claro ... - É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar - explicou Ron novamente . - Sangue de lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles , sabes , filho de pais não mágicos . Há alguns feiticeiros , como a família de o Malfoy que acham que são melhores do_que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro . - Teve um pequeno vómito e uma lesma isolada caiu lhe em a mão aberta . Ele atirou a para a bacia e continuou . -- É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma . Olha_o_Neville_Longbottom , é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito . - E ainda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer - afirmou Hagrid , orgulhoso , fazendo Hermione corar em tons de magenta . - É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém - disse o Ron , limpando o suor de a testa com a mão trémula . - Sangue sujo , sangue vulgar , é um disparate . A maior parte de os feiticeiros hoje_em_dia têm sangue misturado . Se não tivéssemos casado com Muggles tinha sido o nosso fim . Fez um esforço para vomitar e baixou se mais_uma_vez . - Bem , não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá o , Ron - disse Hagrid bem alto enquanto montes de lesmas caíam em a bacia . - Mas , se_calhar , não foi mau de todo teres a varinha a trabalhar ao_contrário . Acho que Lucius_Malfoy teria vindo logo a correr a a escola se tivesses amaldiçoado o filho . Assim , pelo_menos , não estás metido em nenhum sarilho . Harry teria referido que o problema não podia ser pior do_que deitar lesmas por a boca , mas não pôde . Os bombons de melaço tinham lhe colado os maxilares um_ao_outro . - Harry - disse de repente Hagrid como_que movido por um pensamento súbito . - Tens de me explicar uma coisa . Ouvi dizer que tens andado a dar fotografias autografadas . Porque é qu'eu não tenho nenhuma ? A fúria de Harry foi tão grande que os maxilares se libertaram . - Eu não tenho dado fotografias autografadas - disse com vivacidade . Se o Lockhart andou a espalhar isso ... Mas em esse momento viu que Hagrid se estava a rir . - ´ _ tou a brincar - disse , dando uma palmadinha em as costas de Harry e fazendo lhe sinal para se sentar a a mesa . -- Eu sabia que não tinhas . Disse a o Lockhart que tu não precisavas de isso . Es mais famoso do_que ele sem sequer , tentares . - Aposto que ele não gostou de ouvir isso - comentou Harry , sentando se e esfregando o queixo . - Acho que não gostou mesmo - prosseguiu Hagrid com os olhinhos a brilhar . - E disse lhe também que nunca tinha lido nenhum de os livros de ele e ele foi se embora . Um bombom de melaço , Ron ? - perguntou a o vê o reaparecer . - Não , obrigado - disse o Ron com uma voz fraca . - É melhor não arriscar . - Venham ver o qu'eu tenho estado a criar - disse Hagrid quando Harry e Hermione acabaram de tomar o chá . Em a pequena horta atrás de a casa estava uma_dúzia de as maiores abóboras que Harry alguma vez vira . Pareciam enormes blocos de pedra . - Estão a dar se bem , não achas ? - disse Hagrid , feliz . São para a festa de o * _ Hallow'en * . Devem estar bem grandes quando chegar a altura . - O que é_que lhes tens dado como alimento ? - perguntou Harry . Hagrid olhou por cima de o ombro para confirmar se estavam sós . - Bem , tenho estado a dar lhes ... uma pequena ajuda . Harry reparou em o guarda-chuva cor-de-rosa a as florzinhas que estava encostado contra a parede de a cabana . Tivera em o ano anterior motivos para crer que aquele guarda-chuva não era o que parecia . De facto , acreditava que a antiga varinha de escola de Hagrid se encontrava oculta dentro de ele . Hagrid não tinha autorização para usar magia . Fora expulso de Hogwarts em o terceiro ano embora Harry nunca tivesse descoberto o motivo . Qualquer referência a esta questão fazia Hagrid pigarrear bem alto e ficar misteriosamente surdo até mudarem de assunto . -- Um encantamento de absorção , imagino ? - comentou Hermione entre a desaprovação e o divertimento . - Bem , se assim foi , fizeste um bom trabalho . - Foi o que disse a tua irmãzinha - respondeu Hagrid acenando em direcção a Ron . - Encontrei a ontem . - Hagrid olhou de lado para Harry , a barba a contorcer se . - Disse que andava só a ver os campos , mas eu acho qu'ela esperava encontrar alguém em a minha casa - piscou o olho a o Harry . - Se queres que te diga acho qu'ela não recusaria uma fotografia autogr ... - Cala te com isso - disse Harry . Ron desatou a rir e o chão ficou cheio de lesmas . - Cuidado - resmungou Hagrid , afastando Ron de as suas preciosas abóboras . Estava quase em a hora de o almoço e , como o Harry só tinha provado um bombom de melaço desde manhã cedo , estava ansioso por chegar a a escola para ir comer . Despediram se de o Hagrid e regressaram a o castelo . O Ron a vomitar de vez em quando , mas deitando só duas pequenas lesmas . Mal tinham pisado a entrada de o vestíbulo quando ouviram uma voz . - Aí estão vocês , Potter , Weasley . - A professora Mc_Gonagall vinha em direcção a eles com o seu ar severo . - Vocês os dois vão ter as punições hoje a a tarde . - O que é_que vamos fazer , professora ? - perguntou o Ron nervoso , deixando cair uma lesma . - Tu vais limpar as pratas em a sala de os troféus com Mr._Filch - disse a professora Mc_Gonagall . - E nada de mágicas , Weasley , trabalho com esforço . Ron engoliu em seco . Argus_Filch , o encarregado , era odiado por todos os alunos de a escola . - E tu , Potter , vais ajudar o professor Lockhart a responder a as cartas de as suas fãs - ordenou a professora Mc_Gonagall . - Oh , não ! Não posso ir também trabalhar em a sala de os troféus ? - pediu Harry em desespero de causa . - Nem pensar em isso - respondeu a professora Mc_Gonagall , erguendo as sobrancelhas . - O professor Lockhart requisitou te especialmente a ti . _ a as oito_em_ponto , os dois . Harry e Ron entraram em o salão em um estado de profundo desanimo com a Hermione atrás , ostentando uma expressão de * bem-voces-quebraram-as-regras-da-escola * . Harry não saboreou o empadão de carne como teria desejado . Tanto ele como o Ron achavam que tinham tido o pior de os castigos . -- O Filch vai reter me lá toda_a noite - disse Ron , desanimado . - Sem mágica ! Deve haver umas cem taças em aquela sala , eu não sei fazer limpeza de Muggles . - Eu trocava contigo de boa_vontade - confessou Harry em uma voz surda . - Tive montes de prática com os Dursleys . Responder a o correio de fãs de o Lockhart , que pesadelo ... A tarde de sábado pareceu derreter se . Pouco depois eram já cinco para as oito e Harry arrastava se até a o corredor de o segundo andar onde ficava o escritório de o Lockhart . Rangendo os dentes , bateu a a porta . A porta abriu se imediatamente e Lockhart dirigiu se lhe . - Ah , cá está o patifório ! - exclamou . - Entra , Harry , entra . Em as paredes , brilhando à_luz_de muitas velas , podia ver se uma infinidade de fotografias de Lockhart . Algumas de elas até assinadas . Sobre a secretária estava outro monte enorme . - Podes pôr as moradas em os envelopes - disse Lockhart_a_Harry , como_se fosse uma grande ameaça . - O primeiro é para Gladys_Gudgeon , abençoada seja , uma grande fã minha . Os minutos passavam lentos . De vez em quando , Harry ouvia a voz de Lockhart dizendo : - Mmm - e - certo - e - sim . - De vez em quando , apanhava uma frase como : - A fama é versátil , amigo Harry - ou - Só é célebre quem faz por isso , nunca te esqueças . As velas ardiam cada_vez com maior lentidão , fazendo a luz dançar sobre as muitas caras de Lockhart que o olhavam . Harry passava a mão , já dorida , sobre o que devia ser o centésimo envelope , escrevendo a morada de Verónica_Smethley . « Deve estar quase em a hora de me ir embora » , pensou , sentindo se profundamente infeliz , « por favor , faz com que esteja em a hora ... » E então ouviu algo , algo totalmente diferente de o crepitar de as velas e de os ditos de Lockhart sobre as suas fãs . Era uma voz , uma voz de arrepiar os ossos , de cortar a respiração , de veneno frio . - * _ Vem ... vem ter comigo ... deixa me rasgar te ... cortar te ... matar te * ... Harry deu um salto e uma enorme mancha lilás surgiu em a rua de Verónica_Smethley . - O quê ? - disse ele em voz alta . - Eu sei - exclamou Lockhart . - Seis meses inteirinhos em o topo de a lista de * bestsellers * , bati todos os recordes ! - Não - disse Harry nervosíssimo - aquela voz ! - Como ? - perguntou Lockhart , com um ar confuso . - Que voz ? - Aquela , aquela voz que disse ... não ouviu ? Lockhart olhava para Harry com o maior espanto . - De que é_que estás a falar , Harry ? Estás a ficar com sono ? Meu Deus , olha , só estamos aqui há quase quatro horas , quem diria ? O tempo passou a correr , não é verdade ? Harry não respondeu , estava a fazer um esforço para ouvir de_novo a voz , mas o único som que ouviu foi Lockhart a dizer lhe que não esperasse um tratamento igual de as próximas vezes que fosse castigado . Harry saiu , sentindo se atordoado . Era tão tarde que a sala comum de os Gryffindor estava quase vazia . Harry foi directamente para o dormitório . Ron ainda não tinha voltado . Vestiu o pijama , meteu se em a cama e esperou . Meia_hora mais tarde , chegou o Ron agarrado a o braço direito e inundando o quarto escuro de um forte cheiro a limpa-pratas . - Doem me todos os músculos - resmungou , metendo se em a cama . - Ele fez me polir catorze vezes aquela taça de Quidditch até estar satisfeito . E depois tive outro vómito em_cima_de um troféu de Reconhecimento por serviços prestados a a escola . Demorei séculos a limpar o muco de as lesmas . Como correram as coisas com o Lockhart ? Em voz baixa para não acordar o Neville , o Dean e o Seamus , Harry contou lhe , palavra por palavra , o que tinha ouvido . - E Lockhart disse que não ouviu nada ? - perguntou o Ron . Harry viu o franzir a testa , a a luz de o luar . - Achas que estava a mentir ? Mas , não percebo , mesmo um ser invisível teria aberto a porta . - Eu sei - disse Harry , encostando se a a cama e olhando para o dossel . - Também não compreendo . VIII_A festa de o dia de os mortos Outubro chegou , espalhando um frio húmido por os campos e por os cantos de o castelo . Madam_Pomfrey , a enfermeira-chefe , esteve bastante ocupada com uma onda de constipações que afectou professores e alunos . A sua poção de pimentão entrou imediatamente em acção apesar_de deixar quem a tomava com fumo em os ouvidos durante várias horas . Ginny_Weasley , que andava com ar adoentado , foi convencida a tomá a por o Percy . O fumo que saía por debaixo de o seu cabelo ruivo dava a impressão de que toda_a cabeça estava em fogo . Gotas de chuva de o tamanho de balas agrediram as janelas de o castelo durante dias a fio . O lago rosado e os canteiros de flores tornaram se regatos lamacentos e as abóboras de o Hagrid incharam ficando de o tamanho de alpendres de jardim . Contudo , o entusiasmo de Oliver_Wood por as sessões de treino regular não foi abalado , motivo por o qual Harry iria regressar a a torre de os Gryffindor , em um sábado a a tarde de temporal , alguns dias antes de o * _ Hallowe'en * , ensopado até a os ossos e todo enlameado . Além de a chuva e de o vento , não fora um treino feliz . Fred e George que tinham andado a espiar a equipa de os Slytherin tinham visto com os seus próprios olhos a velocidade alucinante de aquelas novas Nimbus dois_mil_e_um e comentaram que a equipa em o ar parecia composta por sete manchas esverdeadas que disparavam a_toda_a velocidade como aviões a jacto . Enquanto Harry chapinhava a o longo de o corredor deserto , cruzou se com alguém que parecia tão preocupado como ele : Nick quase sem cabeça , o fantasma de a torre de os Gryffindor que olhava taciturno , por a janela , murmurando baixinho : - Não preenche os requisitos , um centímetro e meio se ... - Olá , Nick - cumprimentou Harry . - Olá , olá - disse o Nick quase sem cabeça , começando a olhar em volta . Usava um arrebatado chapéu de plumas sobre a longa cabeleira encaracolada e uma túnica com gola de tufos que disfarçava o facto de ter o pescoço quase totalmente separado de o corpo . Era pálido como o fumo e Harry podia ver através de ele o céu negro e a chuva torrencial , lá fora . - Pareces preocupado , jovem Potter - disse Nick , dobrando uma carta transparente , enquanto falava e escondendo a dentro de a jaqueta . - Tu também - retorquiu Harry . - Ah ! - o Nick quase sem cabeça acenou com a mão de forma elegante . - Uma questão sem importância . Não é_que eu quisesse realmente participar apesar_de me ter inscrito , mas , a o que parece , não preencho os requisitos . - Apesar de o seu tom jovial havia em o seu rosto uma grande amargura . - Mas era de esperar , ou não era - exclamou subitamente , tirando a carta de o bolso - que ter levado quarenta_e_cinco golpes em a cabeça com um machado ferrugento me qualificaria para entrar em o grupo de os Sem - _ Cabeça ? - Sim , sim - respondeu Harry que obviamente o outro esperava que concordasse . - Isto_é , ninguém mais do_que eu desejaria que tudo tivesse sido rápido e perfeito , poupava me muitas dores e ridículo . Mas ... O Nick quase sem cabeça abriu , furioso , a carta e leu : * _ Só podemos aceitar em o grupo homens cuja cabeça tenha sido separada de o corpo . Compreenderá que de outro modo seria impossível a os nossos membros participarem em actividades como equitação de malabarismos com a cabeça e pólo de cabeça . Lamentamos profundamente informá o de que não preenche os requisitos . * _ Os nossos melhores cumprimentos , Sir_Patrick_Delaney - _ Podmore * Furioso , o Nick quase sem cabeça atirou fora a carta . - Um centímetro de pele e tendões a segurarem me a cabeça , Harry ! A maior parte de as pessoas acharia que era mais do_que o suficiente , mas não serve para o senhor correctamente decapitado Podmore . Nick quase sem cabeça respirou fundo várias vezes e , por fim , em um tom bastante mais calmo perguntou : - Então o que é_que te preocupa ? Alguma coisa que eu possa fazer por ti ? - Não - respondeu Harry . - A_não_ser_que saibas onde posso arranjar sete Nimbus dois_mil_e_um , de_graça , para o nosso campeonato contra os Sly ... - o resto de a frase foi afogada por um miado agudo vindo de perto de os seus tornozelos . Olhou para baixo e deu consigo a fitar um par de olhos que pareciam duas lâmpadas amarelas . Era_Mrs._Norris , a gata cinzenta e esquelética usada por o encarregado Argus_Filch como uma espécie de polícia em a sua infindável batalha contra os estudantes . - É melhor saíres de aqui , Harry - preveniu Nick com toda_a calma . - O Filch não está nada bem-disposto . Anda engripado e alguns alunos de o terceiro ano , por acidente , encheram o tecto de o calabouço cinco de miolos de rã . Ele tem andado toda_a manhã a limpar e se te vê a encher tudo de lama ... - Certo - disse Harry , recuando e afastando se de o olhar acusador de Mrs._Norris , mas ... tarde de mais . Conduzido até ali por o misterioso poder que parecia ligá o a a gata , Argus_Filch entrou subitamente por uma tapeçaria que se encontrava a a direita de Harry , com a sua respiração asmática , olhando vivamente em volta em busca de o infractor . Tinha um lenço grosso , de xadrez , a a volta de a cabeça e o nariz invulgarmente arroxeado . - Imundície - gritou com os maxilares a tremer e os olhos a saltarem lhe de as órbitas , enquanto apontava para a poça de lama que pingara de a túnica de Quidditch_de_Harry . - Desarrumação e imundície em todo o lado . Estou farto disto , segue me , Potter . Harry despediu se de o Nick quase sem cabeça com um tímido aceno e seguiu Filch até lá abaixo , duplicando o número de pegadas lamacentas em o chão . Nunca entrara em o gabinete de o Filch . Era um lugar que a maior parte de os estudantes evitava . A divisão era sombria e sem janelas , iluminada por uma única lamparina de óleo que pendia de o tecto . Sentia se um vago cheiro a peixe frito . As paredes estavam forradas por ficheiros de madeira . Por as etiquetas Harry percebeu que continham os dados de todos os alunos que Filch tinha punido . Fred e George_Weasley tinham uma gaveta só para eles . Atrás de a secretária estava pendurada uma colecção bem polida de correntes e algemas . Todos sabiam que ele estava sempre a pedir a Dumbledore que o deixasse pendurar os alunos em o tecto por os tornozelos . Filch pegou em uma pena que estava sobre a secretária e começou a procurar o pergaminho . - Bosta - murmurou , furioso . - Bosta de dragão , miolos de rã , intestinos de ratazana ... eu tinha aqui bastante , onde está o form ... sim ... Tirou um enorme rolo de pergaminho de a gaveta de a secretária e estendeu o em a frente , molhando a longa pena em o tinteiro . - Nome : Harry_Potter . Crime ... - Foi só um bocadinho de lama - disse Harry . - É só um bocadinho de lama para ti , rapaz , mas para mim é mais de uma hora a esfregar - gritou Filch com um pingo a tremer de modo desagradável em a extremidade de o nariz bolboso . - Crime : manchar o castelo . Sentença proposta ... Esfregando o nariz que continuava a pingar , Filch olhou com má cara para Harry que esperava com a respiração entrecortada para ouvir a sentença . Mas quando Filch pegou em a pena ouviu se um estrondo enorme em o tecto que fez a lamparina apagar se . - PEEVES - resmungou Filch , pousando a pena , cheio de raiva . - Desta_vez apanho te . Apanho te ! E sem olhar para trás , saiu a correr a_toda_a velocidade de o gabinete , seguido de a gata , Mrs._Norris . Peeves era o * poltergeist * de a escola , uma ameaça de risota esvoaçante que vivia para fazer estragos e criar aflição . Harry não gostava lá muito de ele , mas desta_vez , não podia deixar de lhe estar grato . Na_melhor_das_hipóteses o que Peeves tivesse feito ( e parecia que agora ele destruíra qualquer coisa em grande ) distrairia Filch_de_Harry . Pensando que o melhor seria esperar que ele voltasse , Harry deixou se cair em uma cadeira carcomida por o tempo que se encontrava junto de a secretária . Havia uma coisa sobre o tampo : um grande envelope roxo e lustroso com letras prateadas em a frente . Lançando um olhar rápido a a porta para confirmar que Filch não estava de volta , Harry pegou lhe e leu : __ feitiço __ rápido Um curso por correspondência De iniciação a a magia Cheio de curiosidade , abriu o envelope e retirou o rolo de pergaminho . Uma letra curvilínea e prateada dizia : Sente se pouco a a vontade em o mundo de a magia moderna ? Dá consigo a arranjar desculpas para não fazer feitiços simples ? Tem sido censurado por o deplorável trabalho com a varinha ? Eis a resposta ! Feitiço rápido e um curso totalmente novo , infalível , de resultados rápidos e rápida aprendizagem . Centenas de bruxas e feiticeiros têm beneficiado de o método feitiço rápido ! Madam_Z._Nettles_de_Topsham escreve nos : Eu não conseguia fixar os encantamentos e as minhas poções eram alvo de risota em a família . Agora , depois de o curso feitiço rápido , tornei me o centro de as atenções em todas_as festas e os meus amigos não param de pedir me a receita de a minha brilhante solução ! O mágico D.J._Prod , de Disbury , afirma : A minha mulher costumava rir se de os meus fracos encantamentos , mas bastou um mês com o vosso fabuloso curso feitiço rápido e consegui transformá a em um iaque . Obrigado , feitiço rápido ! Fascinado , Harry folheou o resto de o conteúdo de o envelope . Para que diabo quereria o Filch um curso de feitiço rápido ? Não seria ele um feiticeiro a sério ? Harry estava a ler a lição número um : Pegando em a varinha ( algumas dicas úteis ) quando umas passadas arrastadas , lá fora , o preveniram de que Filch estava de volta . Metendo rapidamente o pergaminho dentro de o envelope , lançou o para_cima de a secretária em o preciso momento em que a porta se abriu . Filch ostentava um ar triunfante . - Aquele armário que desapareceu era extremamente valioso - vinha ele a dizer a a gata , Mrs._Norris . - Desta_vez vamos correr com o Peeves , minha linda . Os seus olhos recaíram sobre Harry e logo_a_seguir sobre o envelope de o feitiço rápido que , Harry apercebeu se tarde de mais , estava meio metro distanciado de o seu lagar inicial . O rosto pálido de Filch tornou se vermelho escarlate . Harry preparou se para uma nova onda de fúria . Filch coxeou até a a secretária , arrebatou o envelope e meteu o em uma gaveta . -- Chegaste a ... lê o ? - perguntou atabalhoadamente . - Não - mentiu Harry , sem perder tempo . As mãos nodosas de o Filch contorciam se ao_mesmo_tempo . - Se eu soubesse que ias ler a minha correspondência priv ... não que seja minha ... é para um amigo ... mesmo_assim ... Harry olhava para ele espantado . Nunca vira o Filch tão louco . Os olhos pareciam querer saltar lhe de as órbitas , com um tique em as bochechas e aquele lenço axadrezado que não ajudava nada ... - Muito bem , vai e não abras a boca sobre isto ... não que ... mesmo_assim ... se tu não leste ... vai te embora , tenho de escrever o relatório sobre o Peeves , vai . Atordoado com a sua sorte , Harry saiu de ali e largou a correr por o corredor fora e por as escadas acima . Sair de o gabinete de o Filch sem um castigo devia ser um recorde em a escola . - Harry , Harry , deu resultado ? O Nick quase sem cabeça saiu a brilhar de uma sala de aula . Atrás de ele , Harry pôde ver os destroços de um grande armário preto e dourado que parecia ter sido atirado de uma grande altura . - Convenci o Peeves a parti o mesmo em cima de o gabinete de o Filch - disse Nick entusiasmado . - Pensei que talvez o distraísse . - Foste tu ? - exclamou Harry , agradecido . - Funcionou sim . Ele não me deu nenhum castigo . Obrigado , Nick . Atravessaram o corredor juntos . O Nick quase sem cabeça , reparou Harry , ainda tinha em a mão a carta de Sir_Patrick . - Gostaria de poder fazer qualquer coisa sobre o grupo de os Sem - _ Cabeça - disse Harry . O Nick quase sem cabeça parou de repente e Harry passou através de ele . Antes não tivesse passado , foi como atravessar um duche gelado . - Mas há uma coisa que tu podes fazer por mim - disse Nick muito agitado . - Harry , seria pedir te de mais ... mas não , tu não ias querer ... - O quê ? - Bem , este ano em o * _ Hallowe'en * vai ser o meu meio milénio de dia de os mortos - disse o Nick quase sem cabeça endireitando se e adquirindo uma postura de grande dignidade . - Oh - respondeu Harry sem saber se deveria lamentar ou dar lhe os parabéns . - Certo . - Vou dar uma festa em um de os calabouços mais amplos . Vêm amigos meus de todo o país . Seria uma honra muito grande se tu aparecesses . Mr._Weasley e Miss_Granger seriam também muito bem-vindos , claro . Mas tu deves preferir o banquete de a escola , não é verdade ? - Olhou para Harry , aflito . - Não - assegurou ele rapidamente . - Eu vou . - Oh rapaz , Harry_Potter em a minha festa de os mortos - hesitou no_meio_de toda aquela excitação . - Achas que poderias referir a Sir_Patrick como me achas assustador e como te impressiono ? - É claro que sim - assegurou Harry . O Nick quase sem cabeça iluminou se em um sorriso . - Uma festa de os mortos ? - exclamou Hermione , entusiasmada , quando Harry , depois de mudar de roupa , se juntou a ela e a o Ron em a sala comum . - Aposto que não há muitas pessoas que possam gabar se de ter estado em uma festa de essas . Vai ser fantástico ! - Por_que é_que alguém se lembraria de festejar o dia em que morreu ? - perguntou o Ron que estava a meio de o seu trabalho de casa de poções e bastante maldisposto . - Parece me bastante mórbido . A chuva continuava a lamber as janelas que apresentavam agora um negro que parecia tinta , mas , lá dentro , era tudo claro e alegre . O fogo em a lareira brilhava sobre as inúmeras cadeiras de braços onde as pessoas estavam sentadas a ler , a conversar , a fazer os trabalhos de casa ou , no_caso_de Fred e George_Weasley , a tentar descobrir o que aconteceria se alimentassem uma salamandra com fogo-de-artíficio de o Filibuster . O Fred tinha « resgatado . o lagarto cor de laranja brilhante , morador de o fogo , de uma aula de tratamento de seres mágicos e ele estava agora a arder em fogo lento sobre uma mesa , rodeado de um grupo de curiosos . Harry ia começar a contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre o Filch e o curso de feitiço rápido quando a salamandra disparou por os ares , lançando faíscas e estoiros . A visão de Percy a gritar com Fred e George até ficar ronco , a fantástica exibição de estrelas cor de tangerina que choviam de a boca de a salamandra e a sua fuga para o lume acompanhada de explosões , fizeram com que Harry se esquecesse , em aquele momento , de Filch e de o curso de feitiço rápido . Quando chegou o * _ Hallowe'en * , Harry já lamentava a sua promessa imprudente de ir a a festa de os mortos . Toda_a escola antecipava , feliz , a sua festa de * _ Hallowe'en * . O salão nobre fora enfeitado com os habituais morcegos , as enormes abóboras de Hagrid tinham sido esculpidas em forma de lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro_de cada uma , e havia boatos de que Dumbledore contratara um grupo de esqueletos bailarinos para animar a festa . - Uma promessa é uma promessa - lembrou Hermione_a_Harry com o seu autoritarismo habitual . - Tu disseste que ias a a festa de os mortos . Portanto , a as sete_da_tarde , Harry , Ron e Hermione saíram , passando por a porta de o salão nobre que brilhava de modo convidativo com pratos dourados e velas e dirigiram os seus passos para os calabouços . O corredor que conduzia a a festa de o Nick quase sem cabeça tinha sido também ladeado de velas , embora o efeito estivesse longe_de ser alegre : estas eram velas muito esguias e estreitas , negras de breu , ardendo em um azul brilhante e lançando uma luz indistinta e espectral também sobre as caras de as pessoas vivas . A temperatura diminuía a cada degrau que desciam . Harry tremia e cingia a túnica a o corpo quando ouviu qualquer coisa que parecia uma centena de unhas a rasparem um enorme quadro preto . - Será que isto_é a música ? - murmurou Ron . Viraram uma esquina e viram o Nick quase sem cabeça junto de uma porta , todo vestido de veludo negro . - Meus queridos amigos - disse com ar de luto . - Bem-vindos , bem-vindos , ainda_bem que puderam vir . Em um gesto largo tirou o chapéu de plumas e fez lhes sinal para que entrassem . Era uma visão incrível . O calabouço estava cheio com centenas de pessoas de um branco pálido e translúcido , a maior parte de as quais era arrastada em uma pista de dança cheia , valsando a o som de trinta serrotes musicais . Os serrotes que compunham a orquestra encontravam se sobre um estrado enfeitado com panos negros . Um lustre lá em cima resplandecia de um azul nocturno com mais um_milhar de velas negras . A respiração de os três subiu em o ar como uma neblina . Parecia que tinham entrado em um congelador . - Vamos dar uma volta - sugeriu Harry em uma tentativa de aquecer os pés . - Cuidado , não atravessem nenhum de eles - avisou o Ron nervosamente e colocaram se em volta de a pista de dança . Passaram por um grupo escuro de freiras , por um homem esfarrapado e cheio de correntes e por o frade gordo , o divertido fantasma de os Hufflepuff que estava a conversar com um cavaleiro com uma seta enfiada em a testa . Harry não ficou nada surpreendido a o ver que o Barão sangrento , o fantasma lúgubre e berrante de os Slytherin , coberto de nódoas de sangue ; estava a ser totalmente evitado por os outros fantasmas . - Oh ! Não -- exclamou Hermione , parando bruscamente . - Voltem se , voltem se , não quero ter de cumprimentar a Murta_Queixosa . - Quem ? - perguntou Harry enquanto davam rapidamente meia volta . - Ela assombra a casa_de_banho de as raparigas de o primeiro andar - explicou Hermione . - Assombra uma casa_de_banho ? - Sim . Está inoperativa durante todo o ano porque ela tem constantes acessos de choro e inunda tudo . Eu só lá fui quando não pode mesmo evitar . É horrível tentar ir a a sanita com ela a gritar connosco . - Olhem , comida - disse o Ron . De o outro lado de o calabouço estava uma mesa igualmente coberta de velado negro . Iam para se aproximar entusiasmados , mas pararam com uma expressão de horror . O cheiro era nauseabundo . Enormes peixes podres enchiam as bonitas travessas de prata , os bolos estorricados como carvões amontoavam se em as salvas , havia uma grande quantidade de miúdos de macaco , uma tábua de queijos cobertos de bolor e , em o lugar de honra , um enorme bolo cinzento em forma de lápide com letras que pareciam alcatrão formando as palavras , * _ Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington_Morto em 31_de_Outubro , 1492 * . Harry olhou espantado quando um fantasma de porte majestoso se aproximou de a mesa inclinando se e passando através de ela com a boca aberta enquanto atravessava um salmão malcheiroso . - Consegue prová o passando através de ele ? - perguntou lhe Harry . - Quase - disse tristemente o fantasma antes de se afastar . - Devem ter deixado apodrecer tudo_isto para ter um sabor mais forte - comentou Hermione com ar de quem está bem informada , tapando o nariz e aproximando se para ver melhor os pútridos miúdos de macaco . - Podemos sair de aqui , estou a sentir me agoniado - disse o Ron . Mas mal tinham dado meia volta quando um homenzinho pequenino saiu inesperadamente de debaixo de a mesa e fez uma paragem em o ar em frente de eles . - Olá , Peeves - disse Harry cautelosamente . Ao_contrário de os outros fantasmas que os rodeavam , Peeves , o * poltergeist * era o oposto de pálido e transparente . Usava um chapéu festivo cor de laranja , um laço rotativo a o pescoço e tinha um sorriso grosseiro de malvadez , em o rosto . - Querem petiscar ? - perguntou delicadamente , oferecendo lhes uma taça de amendoins cobertos de fungos . - Não , obrigada - disse Hermione . - Ouvi te falar sobre a pobre Murta - disse Peeves com os olhos a bailar . - Que insensível que tu foste para com a pobre Murta - respirou fundo e gritou : - Oh Murta . - Oh ! Não , Peeves , não lhe contes o que eu disse , ela vai ficar muito aborrecida - murmurou Hermione bastante nervosa . - Eu não queria dizer que ... eu não me importo que ela , er , olá , Murta . O espectro atarracado de uma rapariga deslizara . Tinha o rosto mais carrancudo que Harry alguma vez vira , meio escondido por o cabelo liso e por os óculos grossos cor de pérola . - O que é ? - perguntou mal-humorada . - Como estás Murta ? - perguntou Hermione , em uma voz falsamente alegre . - É bom ver te fora de a casa_de_banho . Murta fungou . - Miss_Granger estava justamente a falar de ti - disse lhe Peeves baixinho a o ouvido . - A dizer , a dizer ... como estás bonita esta noite -- terminou Hermione , olhando irritada para Peeves . A Murta olhou para Hermione desconfiada . - Estão a divertir se a a minha custa - disse , com lágrimas de prata a encherem lhe rapidamente os olhos pequeninos . - Não , a sério , eu não estava a dizer vos como a Murta estava bonita esta noite ? - disse Hermione , dando uma palmada em as costas de o Harry e de o Ron . - Sim , sim . - Ela ... - Não me venham com mentiras - protestou a Murta , as lágrimas agora a descerem lhe por o rosto , enquanto Peeves ria baixinho por cima de o ombro de ela . - Julgam que eu não sei o que as pessoas me chamam em as minhas costas ? A Murta gorda , a Murta feia , a Murta queixosa , a Murta deprimida ! - Esqueceste te de « a Murta ponto negro » - sussurrou lhe Peeves a o ouvido . A Murta_Queixosa irrompeu em soluços de angústia e fugiu de o calabouço . Peeves disparou atrás de ela , lançando lhe uma chuva de amendoins cheios de bolor e gritando : Ponto negro ! Ponto negro ! - Oh , coitada ! - exclamou Hermione com tristeza . O Nick quase sem cabeça abria agora caminho entre a multidão para se aproximar de eles . - Estão a divertir se ? - Sim , sim - mentiram . - Uma afluência nada má - disse orgulhoso o Nick quase sem cabeça . - A viúva chorosa veio de Kent ... está quase em a hora de o meu discurso . É melhor ir avisar a orquestra . Mas a orquestra parou de tocar em esse preciso momento . Eles , e todos os outros em o calabouço , ficaram em silêncio total , olhando em volta cheios de excitação quando se ouviu uma trompa de a caça . - Lá vêm eles - disse o Nick quase sem cabeça , com alguma amargura em a voz . Por o calabouço irromperam uma_dúzia de , cavalos fantasmas , cada_um montado por um cavaleiro sem cabeça . A assistência aplaudiu vivamente . Harry começou também a bater palmas , mas parou rapidamente quando viu a cara de o Nick . Os cavalos galoparam até a o meio de a pista de dança e pararam , empinando se , dando pequenos passos para a frente e para trás , sobre as patas traseiras . Um fantasma grande em a frente , cuja cabeça barbuda estava debaixo de o braço , soprando a trompa , desmontou , levantou a cabeça bem em o ar para poder ver toda_a assistência ( todos se riam ) e dirigiu se a o Nick quase sem cabeça , comprimindo a cabeça contra o pescoço . - Bem-vindo , Patrick - disse o Nick , mantendo a sua postura rígida . - Gente viva ! - exclamou o Sir_Patrick , avistando Harry , Ron e Hermione e dando um salto de falso espanto , de_tal_modo_que a cabeça lhe caiu de_novo ( a multidão ria a bom rir ) . - Muito engraçado - disse o Nick quase sem cabeça com um ar soturno . - Não ligues a o Nick - gritou a cabeça de Sir_Patrick de o chão . - Ainda está aborrecido por não o deixarmos juntar se a o grupo . Mas olhem bem para ele ... - Eu acho - disse apressadamente Harry , a seguir a um olhar de o Nick - que o Nick é muito assustador e ... eu ... - Bah ! - gritou a cabeça de Sir_Patrick . - Aposto que ele te pediu que dissesses isso . - Gostaria de ter a vossa atenção . Chegou a altura de fazer o meu discurso - disse o Nick quase sem cabeça bem alto , dirigindo se a o pódio , subindo e parando , iluminado por uma luz azul . - Os meus sentimentos , senhores e senhoras , é com profundo pesar ... Mas já ninguém estava a ouvi o . Sir_Patrick e o resto de o grupo de os Sem - _ Cabeça tinham iniciado um jogo de hóquei de cabeça e a multidão voltara se para os observar . Nick quase sem cabeça tentou em vão recuperar a audiência , mas acabou por desistir quando a cabeça de Sir_Patrick passou por ele a_toda_a velocidade gritando vivas . Harry estava cheio de frio para não falar de a fome . - Não aguento mais isto - murmurou Ron a bater o dente enquanto a orquestra voltava a entrar em acção e os fantasmas enchiam de_novo a pista de dança . - Vamos embora - concordou Harry . Recuaram até a a porta , acenando e sorrindo a todos os que olhavam para eles e um minuto depois passavam apressadamente por a entrada cheia de velas negras . - Talvez o pudim ainda não tenha acabado - disse o Ron cheio de esperança , abrindo caminho em direcção a os degraus de o vestíbulo de a entrada . E foi então que Harry ouviu aquilo . - ... * _ Arrancar ... rasgar ... matar * ... Era a mesma voz , a mesma voz fria e assassina que ouvira em o escritório de Lockhart . Parou , agarrando se a a parede de pedra em a expectativa de ouvir melhor , olhando em volta , espreitando para_cima e para baixo de a passagem mal iluminada . - Harry que estás tu a ... ? - E aquela voz outra_vez , calem se um bocadinho . -- ... * _ Tanta fome ... há tanto tempo * ... - Ouçam insistiu Harry e Ron e Hermione ficaram estáticos a olhar para ele . - * _ Matar ... hora de matar * ... A voz ia ficando mais débil . Harry tinha a certeza de que ela estava a afastar se , a subir . Um misto de medo e excitação tomou posse de ele enquanto olhava para o tecto escuro . Como poderia ele subir ? Seria um fantasma para quem os tectos de pedra não contavam ? - Por aqui - gritou , começando a correr por as éscadas acima até a a entrada de o * hall * . Não havia hipótese de ouvir fosse o que fosse ali , o barulho de vozes que vinha de o banquete de o * _ Hallowe'en * ecoava cá fora . Harry subiu a correr a escadaria de mármore até a o primeiro andar com Ron e Hermione ruidosamente atrás . - Harry o que é_que nós ... ? - Sch ... Harry apurou o ouvido . Ao_longe , em o andar de cima , e ainda a enfraquecer , mesmo_assim ouviu a voz : - ... * Cheira-me a sangue ... cheira me a sangue ! * O estômago deu lhe uma volta . - Ele vai matar alguém - gritou e ignorando as caras perplexas de Ron e Hermione , correu , subindo mais um lanço de escadas , a três_e_três , tentando ouvir através de o ruído de os seus próprios passos . Harry correu a_toda_a velocidade pelo segundo andar com Ron e Hermione atrás e só parou quando viraram uma esquina para o último corredor abandonado . - Harry , o que foi aquilo tudo ? - perguntou o Ron , limpando o suor de o rosto . - Eu não ouvi nada ... Mas Hermione , em um sobressalto , apontou para o fundo de o corredor . - Olhem ! Alguma coisa brilhava em a parede em frente . Aproximaram se devagarinho , tentando ver em a escuridão . Alguém escrevera em letras garrafais em a parede entre duas janelas . As palavras brilhavam a a chama fraca de as tochas . : __ a câmara de os segredos foi aberta . inimigos de o herdeiro , __ cuidado . - O que é aquilo pendurado por baixo de as letras ? - perguntou Ron com um tremor em a voz . Quando se aproximaram , Harry quase escorregou . Havia uma grande poça de água em o chão . Ron e Hermione agarraram o e avançaram cautelosamente até a a mensagem , os olhos fixos em uma sombra escura , em baixo . Aperceberam se os três de imediato do_que se tratava e deram um salto para trás , salpicando tudo de água . Mrs._Norris , a gata de o encarregado , estava pendurada por a cauda em o suporte de a tocha . Tinha o corpo rígido como uma tábua e os olhos abertos . Durante alguns segundos ninguém se mexeu . Depois o Ron disse : - Vamos sair de aqui . - Não devíamos tentar ajudar ? - propôs Harry , sem graça . - Acredita - assegurou o Ron . - É melhor que não nos encontrem aqui . Mas era tarde de mais . Um ruído surdo e prolongado , como um trovejar distante , avisou os de que o festim tinha terminado . De ambos os lados de o corredor onde eles estavam , veio o som de centenas de pés a subirem a escadaria e as vozes alegres de gente bem alimentada . Em o momento seguinte os alunos chegavam junto de eles de ambos os lados . O burburinho morreu subitamente mal as pessoas avistaram a gata pendurada . Harry , Ron e Hermione estavam de pé , sozinhos , em o meio de o corredor quando se fez silêncio em a multidão de estudantes que se empurravam para observar aquele quadro macabro . Então alguém gritou , quebrando o silêncio . - Inimigos de o herdeiro , cuidado . Vocês serão os próximos , sangue de lama ! Era_Draco_Malfoy . Estava a a frente de a multidão com os olhos frios a brilhar , a sua cara habitualmente pálida agora afogueada , sorrindo a a vista de a gata pendurada e imóvel . IX_As palavras em a parede -- O que é_que se passa aqui ? O que é_que se passa ? Sem dúvida , atraído por o grito de Malfoy , Argus_Filch apareceu a coxear em o meio de a multidão . Quando viu Mrs._Norris , caiu para trás agarrando o rosto com verdadeiro horror . - A minha gata ! A minha gata ! O que aconteceu a Mrs._Norris ? - gritou . E os seus olhos rápidos caíram sobre Harry . - Tu - guinchou ele . - Mataste a minha gata ! Mataste a , vou dar cabo de ti , eu ... - Argus . Dumbledore tinha chegado a o lugar , seguido de alguns professores . Em poucos segundos tinha passado a a frente de Harry , Ron e Hermione e desatado Mrs._Norris de o suporte de a tocha . - Vem comigo , Argus - disse ele a o Filch . - Vocês também , Mr._Potter , Mr._Weasley e Miss_Granger . Lockhart deu rapidamente um passo em frente . - O meu escritório é o que está mais perto , senhor director , é já aqui em cima , por favor fiquem a a vontade . - Obrigado , Gilderoy - disse Dumbledore . A multidão silenciosa dividiu se para os deixar passar . Lockhart sentindo se excitado e importante , seguia Dumbledore assim_como a professora Mc_Gonagall e o professor Snape . Quando entraram em o escritório escuro de Lockhart houve uma grande agitação em as paredes . Harry viu várias imagens de Lockhart a esconderem se cheias de rolos em o cabelo . O Lockhart em pessoa acendeu as velas e chegou se mais para trás . Dumbledore pôs Mrs._Norris em a superfície polida de a secretária e começou a examiná a . Harry , Ron e Hermione trocaram olhares tensos entre si e deixaram se cair em as cadeiras que se encontravam longe de a luz , a observar . A ponta de o nariz longo e adunco de Dumbledore estava a menos_de dois centímetros de o pêlo de Mrs._Norris . Ele olhava a de perto através de os óculos de meia-lua , os dedos longos a palpar e tactear suavemente . A professora Mc_Gonagall estava quase tão perto como ele , com os olhos contraídos . Snape surgia mais atrás , meio em a sombra , com uma expressão estranha em o rosto , como_se tentasse a_toda_a força sorrir . E Lockhart andava de um lado para o outro a dar sugestões . - Foi sem dúvida uma maldição que a matou , provavelmente a tortura de a metamorfose . Vi a muitas_vezes ser usada , mas infelizmente eu não estava lá quando isto aconteceu . Conheço o antídoto para essa maldição , o que a teria salvo . Os comentários de Lockhart foram interrompidos por os soluços secos e violentos de Filch . Estava afundado em uma cadeira junto de a secretária , incapaz de olhar para Mrs._Norris , com o rosto em as mãos . Por mais que detestasse Filch , Harry não pôde deixar de sentir pena de ele embora não tanta quanto_a que sentia por si próprio . Se Dumbledore acreditasse em o Filch ele seria certamente expulso . O director estava agora a sussurrar umas palavras estranhas e batendo em Mrs._Norris com a varinha , mas não aconteceu nada , ela continuou com o mesmo aspecto , como_se tivesse sido empalhada . - ... Lembro me de uma coisa semelhante que aconteceu em Ouagadogou - disse LockLart . - Uma série de ataques . Conto essa história em a minha autobiografia . Eu dei a a gente de a cidade vários amuletos que resolveram logo a situação ... As fotografias de Lockhart em as paredes iam acenando afirmativamente com a cabeça enquanto ele falava . Uma de elas esquecera se de tirar os rolos de o cabelo . Por fim , Dumbledore endireitou se . - Ela não está morta , Argus - disse suavemente . Lockhart interrompeu bruscamente a contagem de os crimes que conseguira evitar . - Não está morta ? - disse Filch em um sufoco , olhando através de os dedos para Mrs._Norris . - Mas , porque está ela rígida e gelada ? - Foi petrificada - disse Dumbledore ( Ah ! foi o que eu pensei ! - comentou Lockhart ) mas como , não posso afirmar . - Pergunte lhe - gritou Filch , voltando a cara cheia de furúnculos e lágrimas para Harry . - Nenhum aluno de o segundo ano poderia ter feito isto - explicou Dumbledore . - Era preciso um grande conhecimento de magia negra . - Foi ele , foi ele - disse encolerizado o encarregado com a cara a ficar roxa . - O senhor viu o que ele escreveu em a parede . Ele descobriu em o meu gabinete , ele sabe que eu sou um ... - O rosto de Filch estava horrível . - Ele sabe que eu sou um * _ busca-pé * - disse por fim . - Eu não toquei em a Mrs._Norris - gritou Harry com todos os olhares a recaírem sobre ele , incluindo o de todos os Lockharts de a parede . - E eu nem sei o que é um * busca-pé * . - Mentira ! - gritou Filch . - Ele viu a minha carta de o feitiço rápido . - Se me permite que dê a minha opinião , senhor director - disse Snape , saindo de a sombra , e a sensação de mau presságio de Harry aumentou bastante . Certamente nada do_que Snape tinha para de dizer iria ajudá o . - O Potter e os amigos podiam estar simplesmente em o lugar errado em a altura errada - afirmou com um leve sorriso a torcer lhe a boca como_se tivesse as suas dúvidas . - Mas , temos aqui um conjunto de circunstâncias curiosas . Porque estavam eles afinal em o corredor ? Porque não estiveram presentes em a festa de o * _ Hallowe'en * ? Harry , Ron e Hermione começaram uma longa explicação sobre a festa de o dia de os mortos . - Estavam lá centenas de fantasmas , eles poderão confirmar que lá estivemos ... - Mas porque não foram a seguir a o banquete ? - perguntou Snape com os olhos pretos a brilharem a a luz de as velas . - Porquê ir até a aquele corredor ? Ron e Hermione olharam para Harry . - Porque , porque ... - balbuciou Harry , com o coração a querer saltar lhe de o peito , mas algo lhe disse que ia parecer muito rebuscado se lhes contasse que tinha sido levado até ali por uma voz sem corpo que só ele conseguia ouvir . - Porque estávamos cansados e queríamos ir para a cama - disse . - Sem jantar ? - inquiriu Snape com um sorriso triunfante a bailar lhe em o rosto lúgubre . - Não sabia que os fantasmas ofereciam em as suas festas comida para gente viva . - Não estávamos com fome - disse o Ron bem alto , enquanto o estômago se queixava de forma audível . O sorriso mesquinho de a Snape ampliou se . - Acho , senhor director , que Potter não está a dizer toda_a verdade - afirmou . - Talvez fosse boa ideia retirar lhe alguns privilégios , até ele estar disposto a contar nos a história toda . Pessoalmente , sugiro que seja retirado de a equipa de os Gryffindor até decidir ser honesto . - Francamente , Severus - exclamou a professora Mc_Gonagall com uma voz cortante . - Não vejo porquê impedir o rapaz de jogar Quidditch . Esta gata não levou pauladas em a cabeça dadas por nenhum cabo de vassoura . E não há provas de que o Potter tenha feito algo de mal . Dumbledore observava Harry com um olhar perscrutador . A voz tremeluzente de os seus olhos azuis fez Harry sentir que estava a ser passado a raios X. - Inocente até se provar que é culpado , Severus - disse com segurança . Snape estava furioso , assim_como Filch . - A minha gata foi petrificada ! - berrou , com os olhos a saltarem de as órbitas . - Quero ver um castigo ! - Vamos poder curá a , Argus - explicou pacientemente Dumbledore . - Madam_Sprout conseguiu arranjar algumas Mandrágoras . Logo_que tenham atingido o tamanho adulto , terei uma poção de Mandrágoras que reanimará Mrs._Norris . - Eu posso fazê a - interrompeu Lockhart . - Devo ter feito isso uma centena de vezes . Preparo uma golada de Mandrágora reconstituinte de olhos fechados ... - Perdão - disse Snape friamente -- , mas julgo que o professor de poções de esta escola ainda sou eu . Houve um silêncio bastante incómodo . - Vocês podem ir se embora - disse Dumbledore a o Harry , Ron e a Hermione . Eles saíram o mais depressa que puderam , sem ir a correr . Quando chegaram a o andar acima de o escritório de Lockhart , entraram em uma sala de aulas vazia e fecharam a porta devagarinho . Harry lançou um olhar de esguelha a as caras carrancudas de os amigos . - Acham que eu lhes devia ter falado de a voz que ouvi ? - Não - respondeu Ron , sem a mínima hesitação . - Ouvir vozes que mais ninguém ouve , não é bom sinal , nem em o mundo de os feiticeiros . Algo em a voz de Ron levou Harry a fazer a pergunta : - Tu acreditas em mim , não acreditas ? - Claro que sim - respondeu o Ron de imediato . - Mas tens de concordar que é esquisito ... - Eu sei que é esquisito - confirmou Harry . - É tudo esquisito . O que era aquilo escrito em a parede ? * _ A_Câmara foi aberta * , o que é_que significa ? - Sabes , faz me lembrar qualquer coisa - disse Ron lentamente . - Acho que alguém me contou uma história sobre uma câmara secreta em Hogwarts , talvez tenha sido o Bill ... - E que diabos é um * busca-pé * ? - perguntou Harry . Para sua surpresa , Ron abafou o riso . - Bem , em a verdade não tem graça nenhuma , mas como é o Filch ... - disse . - Um * busca-pé * é alguém que nasceu de uma família de feiticeiros , mas não tem poderes mágicos . É uma espécie de o oposto de os que vêm de famílias de Muggles , mas são feiticeiros . Os * busca-pé * são muito raros . Se o Filch está a tentar aprender magia em um curso rápido , acho que ele deve ser mesmo um busca-pé . Isso explicaria tudo , por_exemplo , porque detesta tanto os estudantes . - Ron sorriu satisfeito . - Tem inveja . Um relógio deu as horas , algures . - Meia-noite - disse Harry . - É melhor irmo nos deitar , antes que o Snape apareça e tente acusar nos de qualquer coisa . Durante alguns dias não se falou de outra coisa em a escola a não ser de o ataque a a gata , Mrs._Norris . Filch manteve o sucedido bem fresco em a memória de todos , andando de um lado para o outro em o lugar onde ela fora atacada , como_se esperasse por o responsável . Harry vira o esfregar a mensagem de a parede com a « solução removedora de toda_a porcaria mágica Mrs._Skower » , mas sem qualquer resultado . As palavras continuavam a brilhar tanto como antes sobre a pedra . Quando Filch não estava a patrulhar a cena de o crime , vagueava , de olhos avermelhados , por os corredores , perseguindo alunos insuspeitos e tentando aplicar lhes castigos por coisas como « respirar muito alto » ou « estar alegre » . Ginny_Weasley parecia muito perturbada com o destino de Mrs._Norris . Segundo Ron ela era uma amante de gatos . - Mas tu nem chegaste a conhecer bem Mrs._Norris - disse lhe Ron para a animar . - Com toda_a franqueza , estamos muito melhor sem ela . - O lábio de Ginny tremeu . - Não é costume acontecerem coisas de estas em Hogwarts - tranquilizou a . - Eles vão descobrir o safado que fez aquilo e põem o de aqui para fora em três tempos . - Só espero que tenha tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso . Estou a brincar , claro - acrescentou o Ron apressadamente a o ver a Ginny a empalidecer . O ataque afectara também Hermione . Era costume de ela passar muito_tempo a ler , mas agora parecia não fazer mais_nada . Nem respondia a o Harry e a o Ron quando lhe perguntavam o que estava a fazer e só acabaram por descobrir em a quarta-feira seguinte . Harry tivera de ficar até mais tarde em a sala de poções onde Snape o mandara raspar restos de larvas de as secretárias . Depois de um almoço comido a a pressa , ele foi lá acima encontrar se com Ron em a biblioteca e viu Justin_Finch - _ Fletchley , o rapaz de os Hufflepuff de herbologia que vinha em direcção a ele . Harry tinha acabado de abrir a boca para dizer um « Olá » quando Justin o viu , voltando se bruscamente e mudando de direcção . Harry foi encontrar o Ron em as traseiras de a biblioteca , a medir o trabalho de casa de história de a magia . O professor Binns pedira uma composição sobre a Assembleia_Medieval_de_Feiticeiros_Europeus com 90cm . De extensão . - Não posso crer que ainda me faltem 16cm - disse o Ron furioso , largando o pergaminho que se enrolou em forma de tubo - e que a Hermione fez um metro e trinta em aquela letra pequenina e apertadinha . - Onde está ela ? - perguntou Harry , agarrando em a fita métrica e desembrulhando o seu trabalho de casa . - Algures por aí - disse o Ron , apontando para as estantes . - _ a a procura de outro livro . Acho que ela está a tentar ler a biblioteca toda antes de o Natal . Harry contou a Ron que Justin_Finch - _ Fletchley tinha evitado falar lhe . - Não sei porque te preocupas com isso . Eu achei o um idiota - disse o Ron , escrevinhando e fazendo a letra o maior possível . - Todo aquele disparate sobre o Lockhart ser tão grande ... Hermione surgiu de o meio de as estantes . Parecia irritada e disposta , por fim , a falar com eles . - Todos os exemplares de * _ Hogwarts : Uma História * foram requisitados - disse , sentando se ao_lado_de Harry e Ron . - E há uma lista de espera de duas semanas . Quem me dera não ter deixado o meu exemplar em casa , mas não consegui que coubesse em a mala com todos os livros de o Lockhart . - Para que o queres ? - perguntou Harry . - Pelo mesmo motivo que toda_a_gente o quer - disse Hermione . - Para ler a lenda de a Câmara_dos_Segredos . - O que é isso ? - Precisamente . Não me lembro - disse Hermione , mordendo o lábio . - E não encontro a História em lugar nenhum . - Hermione , deixa me ler o teu trabalho - pediu Ron desesperado , olhando para o relógio . - Não , não deixo - respondeu Hermione com um ar severo . - Tiveste dez dias para o fazer . - Só preciso de mais quatro centímetros , vá lá ... A campainha tocou . Ron e Hermione encaminharam se para a História_da_Magia , discutindo . A História_da_Magia era a matéria mais chata de o programa . O professor Binns , que dava a cadeira , era o único professor fantasma e a coisa mais excitante que aconteceu em as suas aulas foi o dia em que entrou por o quadro preto . Já velho e enrugado , muita gente afirmava a seu respeito que ele não dera por_que tinha morrido . Pura e simplesmente levantara se um dia para ir dar aulas , deixando o corpo atrás , em um cadeirão em frente de a lareira de a sala de os professores . Desde esse dia a sua rotina mantivera se igual . Era hoje tão chato como fora sempre . Abriu as notas e começou a ler em um tom monocórdico como um velho aspirador até quase todos os alunos estarem em um estado de profunda dormência , acordando de vez em quando , para tomar nota de um nome ou de uma data , e voltando a adormecer . Estava a falar havia meia_hora quando aconteceu algo que nunca tinha acontecido . Hermione pôs o braço em o ar . O professor Binns olhou de relance , em o meio de a chatíssima aula sobre a Convenção_Internacional_de_Feiticeiros de 1289 , verdadeiramente espantado . - Miss ... er ... ? - Granger , professor . Poderia dizer nos alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Hermione em uma voz bem audível . O Dean_Thomas , que tinha estado sentado de boca aberta olhando para fora de a janela , saiu de o seu transe com um salto . A cabeça de Lavender_Brown saiu de os braços e o cotovelo de o Neville_Longbottom escorregou para fora de a secretária . O professor Binns piscou os olhos . - A minha matéria é História_da_Magia - disse em a sua voz seca e asmática . - Eu trato de factos , Miss_Granger , não de mitos e lendas - pigarreou produzindo um ruído que parecia o giz sobre o quadro e continuou : - Em Setembro de esse ano , uma subcomissão de feiticeiros de a Sardenha ... Parou de repente . A mão de Hermione estava de_novo em o ar . - Sim , Miss_Grant ? - Por favor , professor , as lendas não têm sempre um facto como base ? O professor Binns olhava para ela com tal espanto que Harry teve a certeza de que ele nunca , em tempo algum , fora interrompido por um aluno . - Bem - disse lentamente o professor Binns . - Sim , é uma afirmação que pode fazer se . - Olhou para Hermione como_se fosse a primeira vez que olhasse a sério para um estudante . - Contudo , a lenda de que me fala é tão extraordinária , mesmo grotesca ... Mas a aula inteira estava agora atenta a as palavras de o professor , que olhou indistintamente para todos eles . Harry poderia assegurar que ele estava absolutamente abismado por uma tão grande demonstração de interesse . - Muito bem - disse lentamente . - Ora vejamos ... a Câmara_dos_Segredos . Todos vocês sabem com certeza que Hogwarts foi fundada há mais de um_milhar de anos , não se conhece ao_certo a data , por os quatro maiores feiticeiros e feiticeiras de a época : Godric_Gryffindor , Helga_Hufflepuff , Rowena_Ravenclaw e Salazar_Slytherin . Construíram juntos este castelo , longe de os olhares curiosos de os Muggles porque em aquele tempo a magia era temida por as pessoas comuns e as bruxas e feiticeiros sofriam terríveis perseguições . Fez uma pausa , olhou indeciso em volta e prosseguiu : - Durante alguns anos , os fundadores trabalharam juntos em harmonia procurando outros mais novos que mostrassem sinais de possuir dotes mágicos e trazendo os para o castelo para aqui serem ensinados . Mas os desentendimentos surgiram entre eles . Começou a notar se uma divisão entre Slytherin e os outros . Salazar_Slytherin queria ser mais selectivo em relação a os alunos a serem admitidos em Hogwarts . Achava que os ensinamentos de magia deviam ficar dentro de as famílias de feiticeiros . Não lhe agradava a entrada em a escola de alunos de famílias Muggles porque os achava pouco dignos de confiança . Depois de algum tempo houve uma séria discussão sobre esse assunto entre Slytherin e Gryffindor e Slytherin abandonou a escola . O professor Binns fez uma nova pausa , fazendo beicinho o que o fazia parecer uma tartaruga enrugada . - Fontes fidedignas referem nos isto - disse . - Mas estes factos foram obscurecidos por a fantasiosa lenda de a Câmara_dos_Segredos . Conta a história que Slytherin construíra uma câmara oculta dentro de o castelo cuja existência os outros fundadores ignoravam . De_acordo com a lenda , Slytherin selou a Câmara_dos_Segredos para que ninguém pudesse abri a até o seu verdadeiro herdeiro chegar a a escola . O herdeiro , e apenas ele , poderia abrir a Câmara_dos_Segredos , libertar o horror que lá se encontrava e utilizá o para expurgar a escola de todos aqueles que eram indignos de aprender magia . Houve um silêncio quando ele se calou que não era o habitual silêncio de sono de as aulas de o professor Binns . Havia um desassossego em o ar enquanto todos continuavam a olhá o a a espera de mais . O professor Binns estava ligeiramente aborrecido . - A história toda é um disparate , claro - disse ele . - A escola foi revistada por várias vezes em busca de provas de a existência de essa câmara , por os feiticeiros e bruxas mais conhecedores . Não existe nada . Uma lenda que serviu apenas para assustar os ingénuos . A mão de Hermione estava novamente em o ar . - Professor , o que quer_dizer , ao_certo com « o horror que estava dentro de a câmara » ? - Acredita se que seja uma espécie de monstro que só o herdeiro de Slytherin pode controlar - disse o professor Binns em a sua voz seca e débil . A aula trocou entre si olhares inquietos . - Como vos digo , a coisa não existe - afirmou o professor Binns , desordenando as suas notas . - Não há câmara e não há monstro . - Mas , professor - disse Seamus_Finnigan . - Se a câmara só podia ser aberta por o herdeiro de Slytherin ninguém mais poderia encontrá a . Não é ? - Um disparate pegado - disse o professor Binns , em um tom de voz exasperado . - Se uma longa sucessão de directores e directoras de Hogwarts não a encontraram ... - Mas , professor - começou a dizer Parvati_Patil . Se_calhar é preciso usar magia negra para a abrir ... - Lá porque um feiticeiro não usa magia negra não quer_dizer que não possa , Miss_Pennyfeather - interrompeu o professor Binns . - Repito , se os antecessores de Dumbledore ... - Mas talvez seja preciso fazer parte de os Slytherin , por isso Dumbledore não podia ... - começou Dean_Thomas , mas o professor Binns já estava farto . - Já chega - disse , de modo cortante . - É um mito . Não existe . Não há uma única prova de que Slytherin tenha construído nem mesmo uma despensa para vassouras . Lamento ter vos contado esta história tola . Vamos voltar , se fazem o favor , a a História , a os factos sólidos , verificáveis , credíveis . E em menos_de cinco minutos toda_a classe mergulhara em a sua sonolência habitual . - Eu sempre ouvi dizer que Salazar_Slytherin era um velho retorcido e meio pateta - disse Ron_a_Harry e Hermione enquanto abriam caminho por os corredores cheios , em o final de a aula , para ir arrumar as malas antes de o jantar . - Mas não sabia que ele tinha começado esta coisa de o sangue puro . Eu não ia para os Slytherin nem que me pagassem . Se o chapéu seleccionador me tivesse posto lá , pegava em as malas e ia me embora ... Hermione acenou vivamente , mas Harry não abriu a boca . O estômago parecia ter dado uma volta . Harry nunca contara a o Ron e a a Hermione que o chapéu seleccionador tinha considerado seriamente a possibilidade de o colocar em os Slytherin . Lembrava se como_se tivesse sido em a véspera do_que a vozinha lhe dissera a o ouvido quando pôs o chapéu em a cabeça , um ano antes . * _ Podias vir a ser grande , sabes ? Está tudo aqui em a tua cabeça e Slytherin ajudaria te em o caminho para a grandeza , sem a menor dúvida * ... Mas Harry , que já ouvira falar de a fama de o grupo de os Slytherin de formar magos negros , pensou desesperadamente . - Em os Slytherin , não ! - E o chapéu tinha dito . - Bem , se tens assim tanta certeza ... será melhor os Gryfffndor . Enquanto eram empurrados por a multidão , Colin_Creevey passou por eles . - Olá , Harry ! - Olá , Colin - disse Harry automaticamente . - Harry , Harry , um rapaz de a minha turma tem andado a dizer que tu és ... Mas Colin era tão baixinho que não conseguiu lutar contra a maré de gente que o arrastou até a o vestíbulo . Ouviram o despedir se : - Adeus , Harry - e desaparecer . - O que é_que o rapaz de a turma de ele disse de ti ? - quis saber Hermione . - Que eu sou o herdeiro de Slytherin , imagino - disse Harry , com o estômago ainda a as voltas e lembrou se de repente de o Justin_Finch - _ Fletchley a fugir para não lhe falar , a a hora de o almoço . - As pessoas aqui acreditam em tudo - disse o Ron com repugnância . A multidão diminuiu e conseguiram subir as escadas sem dificuldade . - Achas mesmo_que existe uma Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Ron_a_Hermione . - Não sei - respondeu ela , franzindo a testa . - Dumbledore não conseguiu curar Mrs._Norris e isso leva me a pensar que o que a atacou pode não ser ... humano . Enquanto falava , voltaram uma esquina e encontraram se em o fim de aquele mesmo corredor onde o ataque tinha ocorrido . Pararam para olhar . Estava tudo igual a aquela outra noite , com excepção de a gata Mrs._Norris e havia uma cadeira vazia encostada a a parede , onde podia ler se a mensagem « : __ a câmara foi __ aberta » . - Foi aqui que o Filch montou a guarda - murmurou Ron . Olharam uns para os outros . O corredor estava deserto . - Não deve fazer mal dar uma olhadela aqui - disse Harry , deixando cair a mala e pondo se de quatro para poder gatinhar em busca de pistas . - Marcas de queimadura - disse - aqui e aqui ... - Venham ver isto ! - chamou Hermione . - Que estranho ... Harry levantou se e foi até a a janela que ficava junto de a mensagem . Hermione apontava para o vidro mais alto , onde cerca de uma vintena de aranhas se debatiam em uma aparente luta por atravessar por uma pequena brecha de vidro . Um longo fio prateado balouçava como uma corda , como_se todas tivessem trepado , em a ânsia de chegar lá fora . - Alguma vez viram aranhas agir assim ? - perguntou Hermione , curiosa . - Não - respondeu Harry . - E tu , Ron ? Ron ? Olhou por cima de o ombro . Ron estava de costas , bem lá atrás e parecia lutar contra o impulso de se virar . - O que é_que se passa ? - perguntou Harry . - Eu não gosto de aranhas - disse Ron , de modo tenso . - Nunca me tinhas dito - comentou Hermione , olhando para ele com surpresa . - Estás farto de usar aranhas em as poções ... - Não me importo quando estão mortas - explicou Ron que olhava cautelosamente para todos os lados , menos para a janela . - Não gosto de a maneira como_se mexem . Hermione riu se baixinho . - Não tem graça nenhuma - disse o Ron , furioso . - Se queres saber , quando eu tinha três anos , o Fred transformou o meu ursinho de pelúcia em uma enorme aranha nojenta , por eu lhe ter partido a vassoura de brinquedo . Tu também não gostarias de aranhas se estivesses agarrada a o teu ursinho e , de repente , ele tivesse uma data de pernas e ... Começou a tremer ... Hermione ainda estava a tentar conter o riso . Sentindo que era melhor mudarem de assunto , Harry perguntou : - Lembram se de a água que havia aqui em o chão ? De onde terá vindo ? Alguém a limpou . - Era por aqui - disse o Ron , já recuperado , avançando alguns passos em direcção a a cadeira de o Filch e apontando . - Junto de esta porta . Estendeu a mão para o puxador de a porta , mas retirou a de imediato , como_se se tivesse queimado . - O que foi ? - perguntou Harry . - Não posso entrar aí - disse o Ron bruscamente . - É a casa_de_banho de as raparigas . - Oh , Ron , não está aí ninguém - sossegou o Hermione enquanto se aproximava . - É o lugar de a Murta_Queixosa . Anda , vamos dar uma espreitadela . E ignorando o grande letreiro que dizia « Fora de serviço » Hermione abriu a porta . Era a casa_de_banho mais sombria e deprimente em que Harry tinha posto os pés durante toda_a sua vida . Debaixo_de um grande espelho partido e sujo podia ver se uma fila de lavatórios de pedra , rachados . O chão estava húmido e reflectia a luz fraca de os pavios de algumas velas que ardiam baixinho em os suportes . As portas de madeira de os cubículos estavam todas lascadas e riscadas e uma de elas balouçava fora de as dobradiças . Hermione levou os dedos a os lábios e foi até a o último cubículo . Quando lá chegou disse : - Olá , Murta , como estás ? Harry e Ron foram ver . A Murta_Queixosa flutuava em a cisterna de a casa_de_banho , tirando um ponto negro de o queixo . - Esta é a casa_de_banho de as raparigas - disse a o ver o Ron e o Harry . - Eles não são raparigas . - Não - concordou Hermione . - Eu só queria mostrar lhes como esta casa_de_banho é ... er ... simpática . Ela fez um aceno vago a o velho espelho sujo e a o chão húmido . - Pergunta lhe se viu alguma coisa - sussurrou o Ron a a Hermione . - Porque estão a dizer segredinhos ? - perguntou a Murta , fitando o . - Não é nada - disse Harry rapidamente . - Queríamos perguntar ... - Gostava que as pessoas parassem de falar em as minhas costas ! - desabafou a Murta em uma voz abafada por as lágrimas . - Eu tenho sentimentos , sabem , apesar_de estar morta . - Murta , ninguém quis aborrecer te - explicou Hermione . - O Harry só ... - A minha vida foi uma infelicidade em este lugar e agora as pessoas vêm estragar a minha morte . - Nós queríamos perguntar te se tinhas visto alguma coisa estranha ultimamente - disse Hermione sem perder tempo . - Porque foi atacada uma gata mesmo aqui a a frente de a tua porta em a noite de o * _ Hallowe'en * . - Viste alguém aqui perto em essa noite ? - insistiu Harry . - Não estava a prestar atenção - disse a Murta com ar dramático . - O Peeves aborreceu me tanto que vim aqui para tentar matar me . Só então me lembrei de que estou ... de que estou ... - Já morta - ajudou o Ron . A Murta soluçou tragicamente , elevou se em o ar , voltou se e mergulhou de cabeça em a sanita , espalhando água por_cima_de todos eles e desaparecendo . Por o som de os seus soluços abafados fora certamente descansar algures em o cano em forma de V._Harry e Ron ficaram de boca aberta , mas Hermione encolheu os ombros de cansaço e disse : - Se querem saber , para a Murta isto até foi alegre ... vá , vamos embora . Harry tinha acabado de fechar a porta deixando atrás os soluços gorgolejantes de a Murta quando uma voz forte o fez dar um salto . - RON ! Percy_Weasley estava parado em o cimo de as escadas com o seu distintivo de prefeito a brilhar e uma expressão chocadíssima em o rosto . - Isso é a casa_de_banho de as raparigas ... o que é_que vocês ... ? - Estávamos só a dar uma vista de olhos - exclamou o Ron - a a procura de pistas ... Percy engoliu em seco , de uma maneira que fez Harry lembrar se de Mrs._Weasley . - Saiam imediatamente de aqui - disse , aproximando se de eles a passos largos e gesticulando agitadamente . - Não se preocupam com as aparências ? Voltar aqui enquanto toda_a_gente está a jantar ... - Porque não havíamos de estar aqui ? - perguntou cheio de vivacidade o Ron , parando de repente e olhando Percy em os olhos . - Ouve lá , nós não tocamos em aquela gata . - Isso foi o que eu tentei explicar a a Ginny - respondeu Percy furioso - mas ela parece continuar a pensar que vocês vão ser expulsos . Nunca a vi tão aflita . Não pára de chorar . Devias pensar em ela . Todos os alunos de o primeiro ano andam superexcitados com esta história . - Tu não estás nada preocupado com a Ginny - disse o Ron já com as orelhas vermelhas . - O que te assusta é_que eu possa estragar as tuas possibilidades de ser chefe de turma . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor ! - bradou Percy , apontando elegantemente para o distintivo de prefeito . - E espero que te sirva de lição . Acabou se o trabalho de detective ou escrevo a a mãe a contar lhe . E voltou lhes as costas , a nuca tão vermelha como as orelhas de o Ron . Harry , Ron e Hermione , em essa noite , sentaram se em a sala comum o mais longe possível de Percy . Ron estava ainda muito maldisposto e não parava de esborratar o trabalho de casa de os encantamentos . Quando pegou distraidamente em a varinha para tirar as manchas incendiou o pergaminho . A deitar quase tanto fumo como o seu trabalho de casa , fechou bruscamente o * _ Livro_Padrão_de_Encantamentos de o 2.o Grau * . Para grande surpresa de Harry , Hermione fez o mesmo . - Mas quem poderia ser - perguntou ela baixinho como_se continuasse uma conversa que tinham acabado de ter . - Quem quereria todos os * busca-pés * e filhos de Muggles fora de Hogwarts ? - Vamos pensar - disse o Ron em a brincadeira , fingindo estar confuso . - Quem poderemos nós conhecer que ache que os familiares de Muggles são escumalha ? Olhou para Hermione . Ela olhou para ele pouco convencida . - Se estás a pensar em o Malfoy ... - Claro que estou - disse o Ron . - Tu ouviste o dizer : - Vocês serão os próximos , sangues de lama ! - Aliás , basta olhar para aquela cara de renegado para saber que ele é ... - Malfoy , o herdeiro de Slytherin ? - repetiu Hermione cepticamente . - Olha para a família de ele - disse Harry , fechando também os livros . - Todos eles estiveram em os Slytherin . O Draco está sempre a vangloriar se de isso . Podiam bem ser descendentes de Slytherin . O pai de ele é suficientemente mau . - Podiam perfeitamente ter tido a chave de a Câmara_dos_Segredos durante séculos - disse Ron - , fazendo a passar de pai para filho . - Bem - acedeu Hermione cautelosamente . - Seria possível ... - Mas como prová o ? - perguntou Harry tristemente . - Talvez haja um meio - sugeriu Hermione lentamente , baixando ainda mais a voz e lançando um olhar , através de a sala , a Percy . - É claro que não é fácil . E é perigoso , muito perigoso . Suponho que iríamos infringir cerca de cinquenta regras de a escola . - Se de aqui a um mês ou dois te decidires a explicar , avisa , está bem ? - disse Ron , que começava a ficar irritado . - Está bem - concordou Hermione friamente . - O que precisaríamos de fazer para entrar em a sala comum de os Slytherin e fazer algumas perguntas a o Malfoy , sem ele perceber que éramos nós ? - Mas isso é impossível - declarou Harry , enquanto Ron se ria . - Não , não é - continuou Hermione . - Só precisamos de um_pouco de poção * polisuco * . - O que é isso ? - perguntaram ao_mesmo_tempo Ron e Harry . - O Snape falou de ela em uma aula , há poucas semanas atrás . - Achas que não temos mais o que fazer do_que ouvir o Snape ? - murmurou o Ron . - Transforma nos em outra pessoa . Pensem em isso : podíamos transformar nos em três de os Slytherin . Ninguém saberia que éramos nós . É provável que o Malfoy nos contasse alguma coisa . Aposto que ele está a gabar se , em este momento , em a sala de os Slytherin , se ao_menos pudéssemos ouvi o . - Essa coisa de o * polisuco * cheira me um bocado mal - disse o Ron , franzindo as sobrancelhas . - E se ficarmos com a forma de os três Slytherin para sempre ? - Desaparece a o fim de algum tempo - disse Hermione , gesticulando impacientemente com a mão - mas conseguir a receita é muito difícil . O Snape disse que vinha em um livro chamado * _ As_Mais_Potentes_Poções * e está com certeza em a parte de os reservados de a biblioteca . Só havia uma maneira de obter o livro de os reservados : era com uma autorização assinada por um professor . - Não estou a ver porque quereríamos o livro - disse o Ron . - Se não para tentar fabricar uma de as poções . - Eu acho - sugeriu Hermione - que se fizéssemos parecer que o nosso interesse era apenas teórico , talvez conseguíssemos ... - Estás a sonhar , nenhum professor ia cair em essa - afirmou o Ron . - Só se fosse muito burro . X_A * bludger * perigosa Depois de o desastroso incidente de os duendes , o professor Lockhart não voltou a levar seres vivos para as aulas . Em vez de isso , lia a os alunos passagens de os seus livros e , por vezes , voltava a desempenhar alguns de os episódios mais dramáticos . Costumava chamar Harry para o ajudar em essas reconstruções . Até ali Harry fora obrigado a desempenhar o papel de um camponês de a Transilvânia que Lockhart curara de uma maldição murmurada , o abominável homem de as neves com dores de cabeça e um vampiro que depois de ter conhecido Lockhart tinha ficado incapaz de comer outra coisa que não fosse alfaces . Harry foi chamado para a frente de a classe durante a aula de Defesa contra as artes negras que se seguiu . Desta_vez para desempenhar o papel de um lobisomem . Se não tivesse um bom motivo para querer ver o Lockhart bem-disposto , teria se recusado . - Um uivo bem alto , excelente , Harry , isso mesmo . E foi então que , acreditem ou não , eu o ataquei de repente , assim . Atirei o a o chão , agarrei o com uma mão e com a outra consegui meter lhe a varinha em a garganta . Então , com a força que me restava pus em prática o complicadíssimo encantamento * _ Homorphus * . Harry soltou um uivo tristíssimo . - Vá lá , Harry , mais alto . Bom ... o pêlo desapareceu , os dentes diminuíram de tamanho e ele transformou se em um homem . Simples , mas eficaz e mais uma cidade ficará a lembrar se de mim para sempre como o herói que os libertou de os ataques mensais de o lobisomem . A campainha tocou e Lockhart pôs se de pé . - Trabalho para_casa : escrever um poema sobre a minha vitória sobre o lobisomem Wagga_Wagga . Há um exemplar autografado de * _ Eu , o Mágico * para o autor de o melhor poema . Os alunos começaram a sair . Harry voltou para trás e foi juntar se a o Ron e a a Hermione que estavam a a espera de ele . - Prontos ? - perguntou . - Espera até saírem todos - disse Hermione bastante nervosa . - Pronto ... Aproximou se de a secretária de Lockhart , apertando em a mão uma folha de papel , com o Ron e o Harry atrás . - Er ... professor Lockhart - gaguejou Hermione . - Eu queria requisitar este livro em a biblioteca , como leitura de apoio - entregou lhe o papel , com a mão ligeiramente trémula . - Só que faz parte de a secção de os reservados , por isso preciso de a assinatura de um professor . Acho que o livro me vai ajudar a compreender o que o senhor diz em * _ Passeios com Vampiros * acerca de os venenos de acção lenta ... - Ah , * _ Passeando com Vampiros * - disse Lockhart , pegando em a folha de papel de Hermione e sorrindo lhe abertamente . - E provavelmente o meu livro preferido . Gostou ? - Oh , muito - disse Hermione avidamente . - Tão inteligente o modo como apanhou o último com o passador de o chá . - Bem , tenho a certeza que ninguém se importará que eu dê uma ajudazinha suplementar a a melhor aluna de o segundo ano - disse Lockhart calorosamente , sacando de uma enorme pena de pavão . - É bonita , não é ? - comentou , adivinhando uma expressão de repulsa em a cara de o Ron . - Costumo guardas a para as minhas assinaturas de autógrafos . Rabiscou uma enorme assinatura cheia de altos e baixos e entregou a a Hermione . - Então , Harry - disse Lockhart enquanto Hermione dobrava a folha e a guardava em o saco . - Amanhã é a primeira partida de Quidditch de este ano , não é ? Gryffindor contra Slytherin . Ouvi dizer que és um jogador indispensável . Eu também fui * seeker * . Convidaram me inclusivamente para fazer parte de a Equipa_Nacional , mas eu preferi dedicar a minha vida a a erradicação de as forças de o mal . Mesmo_assim , se alguma vez precisares de um treino particular , não hesites em falar comigo , estou sempre disponível para partilhar a minha perícia com os jogadores menos dotados do_que eu . Harry fez um som indistinto com a garganta e saiu atrás_de Ron e Hermione . - Não acredito - disse quando os três examinavam a assinatura de Lockhart . - Ele nem viu que livro nós queríamos . - É porque é um idiota sem miolos - explicou o Ron . - Mas , quem se rala , temos o que queríamos . - Ele não é um idiota sem miolos - gritou Hermione com voz esganiçada enquanto se aproximavam quase a correr de a biblioteca . - Só porque ele disse que eras a melhor aluna de o segundo ano ... Baixaram as vozes a o entrar em a quietude abafada de a biblioteca . Madam_Prince , a bibliotecária , era uma mulher magra e irritável que parecia um abutre mal nutrido . - * _ Moste_Potente_Potions * ? - repetiu intrigada , tentando ficar com a folha de papel que Hermione se recusava a entregar lhe . - Gostava de a guardar para mim - disse sem fôlego . - Vá lá - intercedeu Ron , arrancando lhe a de as mãos e entregando a a Madam_Prince . - Nós arranjamos te outro autógrafo . O Lockhart assina tudo se aqui ficar muito_tempo . Madam_Prince pegou em o papel e voltou o em a direcção de a luz , decidida a descobrir uma falsificação , mas a assinatura passou em o teste . Desapareceu entre as estantes e voltou alguns minutos mais tarde , transportando um livro grande e de aspecto antiquado . Hermione meteu o com todo o cuidado em o saco e saíram , tentando não andar depressa de mais nem aparentar um ar culpado . Cinco minutos depois , estavam de_novo barricados em a casa_de_banho fora de serviço de a Murta_Queixosa . Hermione destruíra as objecções de Ron argumentando que aquele era o último lugar onde alguém em o seu juízo perfeito se lembraria de ir e que poderia assegurar lhes alguma privacidade . A Murta_Queixosa chorava ruidosamente em o seu cubículo , mas eles conseguiram ignorá a assim_como ela a eles . Hermione abriu * _ Moste_Potente_Potions * com todo o cuidado e inclinaram se os três sobre as páginas manchadas de humidade . Era fácil de perceber , logo à_primeira_vista de olhos , porque pertencia a a secção de os reservados . Algumas de as poções tinham efeitos quase impensáveis de tão macabros e havia ilustrações bastante desagradáveis , como , por_exemplo , aquela em que um homem parecia ter sido virado de o avesso e a de a bruxa com vários pares de braços suplementares a nascerem lhe em a cabeça . - Aqui está - disse Hermione excitadíssima a o encontrar a página intitulada « A poção * polisuco * « . Estava ilustrada com imagens de pessoas a meio de o processo de se transformarem em outras pessoas e Harry desejou ardentemente que a expressão de dor intensa que se lhes espelhava em o rosto fosse apenas produto de a imaginação de o artista desenhador . - Esta é a poção mais complicada que vi até hoje - disse Hermione enquanto examinava a receita . - Moscas asas de renda , sanguessugas , fluxo de cizânias e verdezelha - murmurou , acompanhando com o dedo a lista de ingredientes . - Bem , esses são relativamente simples , há os em a despensa de material de os estudantes , podemos tirar a a nossa vontade . Oh ! Vê só , pó de chifre de bicórneo ... não sei onde vamos arranjar isto ... e , é claro , um pedacinho de a pessoa em quem queremos transformar nos . - Como ? - perguntou Ron de forma cortante . - O que é_que queres dizer com um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos ? Eu não bebo nada que tenha lá dentro as unhas de os pés de o Crabbe ... Hermione continuou como_se não o tivesse ouvido . - Mas não temos que nos preocupar com isso por enquanto . Fica para o fim . Ron voltou se sem palavras para o Harry que tinha uma preocupação de outro tipo . - Já viste bem tudo_o_que vamos ter que roubar , Hermione ? Algumas coisas , não estão de certeza em a despensa de material de os alunos . O que é_que vamos fazer , arrombar os armários pessoais de o Snape ? Não sei se será uma boa ideia ... Hermione fechou o livro com um estrondo . - Bem , se vocês os dois se vão acagaçar , então está lindo - disse ela . Tinha as bochechas rosadas e os olhos mais brilhantes do_que era habitual . - Eu não gosto de quebrar regras , vocês sabem , mas acho que ameaçar os filhos de os Muggles é muito pior do_que construir uma poção difícil . Mas se vocês não querem descobrir se é o Malfoy , eu posso voltar já a a biblioteca e entregar o livro a Madam_Prince ... - Nunca pensei que chegaria o dia em que serias tu a convencer nos a quebrar regras - disse o Ron . - Está bem , vamos em essa , mas sem unhas de os pés , O. _ K. ? - Quanto tempo vai isso demorar a fazer , afinal ? - perguntou Harry quando Hermione , já com um ar mais satisfeito , voltou a abrir o livro . - Bem , como o fluxo de cizânias tem de ser recolhido durante a lua cheia e as asas de renda têm de ser abafadas durante vinte_e_um dias ... eu diria que se conseguirmos arranjar todos os ingredientes estará pronta dentro_de um mês . - Um mês ? - exclamou o Ron . - Nessa_altura já o Malfoy terá atacado metade de os filhos de Muggles ! - mas os olhos de Hermione contraíram se de_novo assustadoramente e ele acrescentou rapidamente . - Mas é o melhor plano que temos , por isso é melhor não olharmos para trás . Apesar_de tudo , enquanto Hermione verificava que não havia ninguém em os corredores e podiam sair de a casa_de_banho , Ron murmurou a Harry : - Seria muito mais simples se conseguisses , amanhã , atirar o Malfoy de a vassoura abaixo . Harry acordou cedo em o sábado de manhã e ficou um bocado a pensar em a partida de Quidditch que vinha a seguir . Estava nervoso , principalmente pelo que Wood diria se os Gryffindor perdessem , mas também com a ideia de enfrentar uma equipa apetrechada com as vassouras mais velozes que existiam . Nunca desejara tanto vencer os Slytherin como em aquele dia . Depois de meia_hora deitado com a barriga a dar horas , resolveu levantar se , vestir se e descer para tomar o pequeno-almoço . Lá em baixo , encontrou o resto de a equipa de os Gryffindor amontoada a o longo de a mesa comprida e vazia , todos eles com ar preocupado e sem vontade de conversar . Como_se aproximavam as onze horas , todos os alunos de a escola começaram a dirigir se para o estádio de Quidditch . O dia estava quente e húmido , com uma ameaça de trovoada em o ar . Ron e Hermione vieram apressadamente desejar a Harry boa sorte mal ele entrou em os vestiários . A equipa de os Gryffindor pôs os seus mantos vermelhos e sentou se para ouvir o discurso que Wood lhes fazia sempre antes de o jogo . - Os Slytherin têm vassouras melhores do_que nós - começou . - Não há como negá o . Mas nós temos gente melhor em cima de as vassouras . Treinámos mais do_que eles , voamos com todas_as condições climatéricas ( É bem verdade - murmurou George_Weasley - desde Agosto que não sei o que é estar seco ) . - E vamos fazê os engolir o dia em que deixaram aquele nojento de o Malfoy comprar a entrada em a equipa de eles . Com o peito agitado por a comoção , Wood voltou se par Harry . -- Cabe te a ti , Harry , mostrar lhes que um * seeker * tem de ter mais do_que um pai rico . Agarra a * snitch * antes d Malfoy ou morre a tentar porque temos absolutamente que vencer , hoje , Harry , temos que vencer . - Sem ansiedade , Harry - disse o Fred , piscando lhe o olho . Quando saíram em direcção a o campo , foram saudado por uma grande ovação principalmente de a parte de os Ravenclaw e de os Hufflepuff que estavam ansiosos por ver os Slytherin serem derrotados , mas os Slytherin que estavam entre a multidão também fizeram ouvir as suas vaias e pateadas . Madam_Hooch , a professora de Quidditch , pediu a Flin e Wood que apertassem as mãos o que eles fizeram , lançando um_ao_outro olhares ameaçadores , cada_um apertando a mão de o outro com mais força do_que aquela que seria necessário . - Atenção a o apito - disse Madam_Hooch . - Três , dois , um ... Com um bramido de a multidão para que subissem rapidamente , os catorze jogadores elevaram se em o céu cor de chumbo . Harry , mais alto do_que qualquer de os outros olhando para todos os lados em busca de a * snitch * . - Tudo bem , testa de cicatriz ? - gritou Malfoy , disparando por baixo de ele para lhe mostrar a velocidade de a sua vassoura . Harry não teve tempo de responder . Em esse preciso momento uma * bludger * preta e bem pesada veio direitinha a ele . Evitou a tão por um triz que ainda sentiu em os cabelos o ar que ela deslocara . - Foi por_pouco , Harry ! - exclamou o George , passando com grande rapidez , de bastão em a mão , pronto para lançar a * bludger * contra um Slytherin . Harry viu o dar a a * bludger * uma fortíssima pancada em direcção a Adrian_Pucey , mas a bola mudou de rumo em o meio de o ar e dirigiu se de_novo a Harry . Harry desceu rapidamente para se esquivar e George conseguiu lançá a contra Malfoy . Mais_uma_vez a * bludger * actuou como um * boomerang * e apontou a a cabeça de Harry . Harry ganhou velocidade e disparou contra o outro extremo de o campo . Ouvia o assobio de a * bludger * que o perseguia . O que era aquilo ? As * bludgers * nunca se concentravam assim em um único jogador , a sua função era tentar desmontar o maior número possível de intervenientes . Fred_Weasley esperava por a * bludger * em o extremo oposto . Harry baixou se quando o viu balançar se em frente de ela com toda_a garra . A * bludger * foi lançada para_fora_de campo . - Pronto , já está tudo resolvido - gritou Fred satisfeito , mas estava bastante enganado . Como_se fosse magneticamente atraída para Harry , a * bludger * lançou se de_novo contra ele e Harry teve de voar a_toda_a velocidade . Começara a chover . Harry sentia as gotas pesadas caírem lhe em o rosto , turvando lhe as lentes de os óculos . Não fazia ideia do_que se passava em o resto de o jogo , até ouvir Lee_Jordan que fazia o comentário dizer : - Os Slytherin vão a a frente com seis contra zero . As vassouras de qualidade superior de os Slytherin estavam obviamente a cumprir a sua função e enquanto isso , a * bludger * maluca fazia todos os possíveis para deitar abaixo o Harry . Fred e George voavam agora tão perto de ele , um de cada lado , que Harry não via senão os seus braços a balouçar e , se não conseguia ver a * snitch * , muito menos agarrá a . - Alguém enfeitiçou esta * bludger * - resmungou Fred , preparando o bastão com toda_a força quando ela se lançava de_novo contra Harry . - Precisamos de tempo - disse George , tentando fazer sinal a Wood enquanto evitava que a bola partisse o nariz a o Harry . Wood captou obviamente a mensagem . O apito de Madam_Hooch fez se ouvir e Harry , Fred e George desceram , tentando ainda evitar a * bludger * maluca . - O que é_que se passa ? - perguntou Wood enquanto a equipa de os Gryffindor se amontoava desordenadamente e os Slytherin , em o meio de a multidão , lançavam piadas . - Estamos a ser esmagados . Fred , George , onde estavam vocês quando aquela * bludger * impediu a Angelina de marcar ? - Estávamos seis metros acima , evitando que a outra * bludger * matasse o Harry , Oliver - gritou George furioso . - Alguém preparou isto , a bola não deixa o Harry em paz , ainda não perseguiu mais ninguém desde_que o jogo começou . Os Slytherin fizeram aqui qualquer coisa . - Mas as * bludgers * têm estado fechadas em o escritório de Madam_Hooch desde o último treino , e nessa_altura estava tudo bem ... - disse Wood ansiosamente . Madam_Hooch aproximava se . Por cima de o ombro de ela , Harry pôde ver a equipa de os Slytherin a escarnecer e apontar em a sua direcção . - Ouçam - disse o Harry , enquanto ela se aproximava . - Com vocês os dois a voarem sempre colados a mim , só vou apanhar a * snitch * se ela voar até a a minha manga . Voltem se para o resto de a equipa e deixem a tratante comigo . - Não sejas bronco - disse o Fred . - Ela arranca te a cabeça . Os olhos de Wood saltavam de Harry_para_os_Weasley . - Oliver , isto_é uma loucura - disse Alicia_Spinet , zangada . - Não podes deixar o Harry sozinho entregue a aquela coisa . Vamos pedir uma investigação . - Se pararmos agora , teremos de dar a partida como perdida e não vamos deixar os Slytherin ganhar , só por_causa_de uma * bludger * maluca . Vá lá , Oliver , diz lhes que me deixem sozinho . - A culpa é toda tua . * _ Agarra a snitch ou morre a tentar * , se isso é lá coisa que se diga . Madam_Hooch tinha se lhes juntado . - Prontos para retomar a partida ? - perguntou a Wood . Wood olhou para o ar determinado de Harry . - Deixem o sozinho , ele é capaz de lidar com a * bludger * . A chuva era agora mais pesada . A o apito de Madam_Hooch , Harry elevou se em os ares e ouviu o barulhinho de a * bludger * atrás_de si . Subiu cada_vez_mais alto . Fez acrobacias em espiral , descidas rápidas , ziguezagueou e rolou . Apesar_de ligeiramente estonteado , não deixou nunca de ter os olhos bem abertos . A chuva salpicava lhe os óculos e entrava lhe por as narinas , quando ele se voltou de cabeça para baixo , evitando outra forte investida de a * bludger * . Ouviu os risos de a multidão . Sabia que devia parecer ridículo , mas a * bludger * maluca era pesada e não podia mudar de direcção tão rapidamente quanto ele . Iniciou uma corrida que parecia de feira de diversões em volta de os extremos de o estádio , olhando de soslaio , através de os lençóis prateados de chuva , para os postes de os Gryffindor , onde Adrian_Pucey tentava passar por Wood . Um assobio junto de os ouvidos disse a Harry que a * bludger * falhara uma_vez_mais . Voltou se e voou rapidamente em a direcção oposta . - Estás a ensaiar * ballet * , Potter - gritou Malfoy quando Harry foi obrigado a fazer uma reviravolta estúpida em o ar para se esquivar mais_uma_vez de a * bludger * . Lá foi ele , com a * bludger * atrás a alguns metros de distância . E foi então que , olhando para Malfoy , furioso , a viu , a * snitch * de ouro . Flutuava alguns centímetros acima de os ouvidos de Malfoy que , de tão preocupado a escarnecer de Harry , nem dera por ela . Durante um momento angustiante , Harry ficou quieto em o ar , não ousando dirigir se a Malfoy , não fosse ele olhar para_cima e ver a * snitch * . PUM ! Tinha ficado parado tempo de mais . A * bludger * batera lhe , por fim , apanhando lhe o cotovelo e Harry sentiu o braço a partir se . Debilmente , desorientado por a dor cauterizante em o braço , Harry deslizou para um de os lados em a sua vassoura encharcada , um joelho ainda dobrado , o braço direito a balouçar , inútil , a o seu lado . A * bludger * veio de_novo , preparada para mais um ataque , desta_vez apontada a o seu rosto . Harry desviou se com uma intenção : chegar a Malfoy . Através_de uma nuvem de chuva e dor desceu até a o rosto tremeluzente e trocista e viu os olhos de ele dilatarem se de medo : Malfoy pensou que Harry ia atacá o . - Que diabo ... - resmungou , afastando se de o caminho . Harry tirou a outra mão de a vassoura e fez uma tentativa para agarrar qualquer coisa . Sentiu os dedos fecharem se em volta de a * snitch * dourada , mas conduzia agora a vassoura apenas com as pernas e ouviu se um grito de a multidão cá em baixo , quando ele fez a descida , tentando não desmaiar . Com um ruído seco caiu em a terra enlameada e rolou para fora de a vassoura . O braço tinha um ângulo um_pouco estranho . Torcendo se com dores , ouviu a a distância os assobios e os gritos . Concentrou se em a * snitch * que tinha fechada em a outra mão . - Ai - disse vagamente . - Ganhámos o jogo . E desmaiou . Voltou a si com a chuva a cair lhe em o rosto , ainda deitado em o campo , com alguém inclinado sobre ele . Viu um brilho de dentes brancos . - Oh , não , você não - gemeu . - Não sabe o que diz - afirmou Lockhart bem alto a a ansiosa multidão de Gryffindor que o comprimiam . - Não te preocupes , Harry , eu vou tratar de o teu braço . - Não - gritou Harry . - Eu fico com ele assim , obrigado . Tentou sentar se , mas a dor era enorme . Ouviu um « clique » familiar . - Não quero fotografias de isto , Colin - disse em voz alta . - Deita te para trás , Harry - insistiu Lockhart com toda_a calma . - É um encantamento muito simples que eu fiz imensas vezes . - Porque não me levam só para a ala hospitalar ? - perguntou Harry entredentes . - Seria o melhor , professor - disse a voz rouca de o Wood que não conseguia deixar de sorrir , apesar_de o seu * seeker * estar ferido . - Grande captura , Harry , verdadeiramente espectacular , a tua melhor jogada , em a minha opinião . Em o meio de a floresta de pernas que o rodeava , Harry avistou Fred e George_Weasley , metendo a * budger * perigosa em uma caixa . Continuava a dar uma luta enorme . - Para trás - ordenou Lockhart , que tinha arregaçado as mangas verde jade . - Não , eu não ... - protestou debilmente Harry , mas Lockhart tinha a varinha em a mão e , um segundo depois , apontava a para o braço de Harry . Uma sensação estranha e desagradável começou em o ombro e espalhou se , chegando a as pontas de os dedos . Parecia que o braço inteiro tinha sido esvaziado . Não foi capaz de olhar para o que estava a suceder . Tinha fechado os olhos , voltado o rosto para o outro lado , mas os seus maiores receios concretizaram se quando as pessoas lá em cima se sobressaltaram e Colin_Creevey começou a tirar fotografias como um louco . O braço deixara de lhe doer , mas parecia tudo menos um braço . - Ah ! - disse Lockhart . - Sim , bem isto às_vezes acontece . Mas o importante é_que os ossos já não estão partidos . Isso é o mais importante . Portanto , Harry , vai até a a ala hospitalar ... ah ! Mr._Weasley , Miss_Granger , poderiam levá o lá ? E Madam_Pomfrey poderá ... er ... arranjar um_pouco isso . Quando Harry se pôs de pé sentiu se estranhamente desequilibrado . Depois de respirar fundo , olhou para o lado direito e o que viu quase o fez desmaiar de_novo . Pendurado em a extremidade de a sua túnica estava o que parecia ser uma espessa e colorida luva de borracha . Tentou mexer os dedos mas ... em vão . Lockhart não consertara os ossos de Harry . Retirara os . M. dam Pomfrey não ficou nada satisfeita . - Devias ter vindo logo ter comigo - ralhou , segurando os restos tristes e moles de aquilo que antes fora um braço activo . - Eu conserto ossos em um segundo , mas fazê os crescer de_novo ... - Vai conseguir , não vai ? - perguntou Harry desesperado . - Sim , com certeza , mas vai ser doloroso - disse Madam_Pomfrey de modo severo , entregando lhe um pijama . - Vais ter que ficar cá esta noite ... Hermione esperou de o lado de_fora de a cortina que rodeava outra cama enquanto Ron ajudava Harry a vestir se . Levou algum tempo a enfiar o braço que parecia borracha dentro_de uma manga de o pijama . - Como é_que podes continuar a defender o Lockhart depois disto , Hermione ? - perguntou Ron através de as cortinas , enquanto puxava os dedos moles de o Harry por uma manga . - Se o Harry quisesse ser desossado , teria pedido . - Todos podem enganar se - disse Hermione . - E deixou de doer , não deixou , Harry ? - Sim - disse ele - mas também ficou incapaz de fazer seja o que for . Quando se meteu em a cama , o braço agitou se despropositadamente . Hermione e Madam_Pomfrey entraram . Madam_Pomfrey segurava uma grande garrafa com o rótulo * Skele - _ Gro * . - Vais ter uma noite difícil - preveniu , enchendo um pequeno copo fumegante e dando lhe a beber . - Fazer crescer ossos é uma coisa difícil . Tomar o * _ Skele - _ Gro * também . Queimou a boca e a garganta de o Harry a o descer , fazendo o tossir e cuspir . Resmungando sobre os desportos perigosos e os professores incapazes , Madam_Pomfrey retirou se , deixando Ron e Hermione a ajudar Harry a engolir um_pouco de água . - Mas ganhámos o jogo - disse o Ron com um sorriso em o rosto . - A tua jogada foi em grande . A cara de o Malfoy ... parecia que queria matar alguém . - Eu vou descobrir como é_que enfeitiçaram aquela * bludger * - disse Hermione com ar sombrio . - Podemos juntar essa pergunta a a lista de todas_as que queremos fazer a o Malfoy quando tomarmos a poção * _ Polisuco * - disse Harry , afundando se de_novo em as almofadas . - Espero que tenha um sabor melhor do_que esta coisa ... - Com um bocado de os Slytherin lá dentro , deves estar a brincar - disse o Ron . A porta de a ala hospitalar abriu se em esse momento e , completamente encharcados , entraram os restantes membros de a equipa de os Gryffindor , para ver o Harry . - Um voo inacreditável - disse George . - Acabei de ver Marcus_Flint a gritar com o Malfoy . Qualquer coisa sobre ter a * snitch * mesmo em cima de a cabeça e não ter dado por nada . O Malfoy não parecia nem um_pouco satisfeito . Tinham trazido bolos , rebuçados e garrafas de sumo de abóbora . Juntaram se em volta de a cama de Harry e estavam a dar início a o que prometia ser uma grande festa quando Madam_Pomfrey entrou a vociferar : - Este rapaz precisa de repouso . Tem trinta_e_três ossos a crescer . Fora de aqui . FORA ! E Harry ficou sozinho , sem nada que o distraísse de as dores agudas em o seu braço mole . Muitas horas mais tarde , Harry acordou subitamente em a escuridão total e soltou um pequeno grito de dor : sentia agora o braço cheio de estilhaços . Durante alguns segundos pensou que tinha sido a dor a acordá o . Depois , com um arrepio de horror , apercebeu se de que alguém estava a passar lhe uma esponja em a testa . - Sai de aqui - gritou , e em seguida : - Dobby ! Os olhos de o tamanho de bolas de ténis de o elfo doméstico estavam a olhá o em o escuro , uma lágrima grossa rolava por o seu enorme nariz . - Harry_Potter voltou a a escola - murmurou , infeliz . - Dobby avisou e voltou a avisar Harry_Potter . Ah ! senhor , porque não deu ouvidos a Dobby ? Porque não voltou Harry_Potter para_casa quando perdeu o comboio ? Harry ergueu se um_pouco , encostando se a as almofadas e afastou a esponja de o elfo . - O que estás a fazer aqui ? - perguntou . - E como sabes que eu perdi o comboio ? O lábio de Dobby tremeu e Harry foi assaltado por uma dúvida . - Foste tu . Tu impediste que a barreira nos deixasse passar . - Em a verdade fui eu , senhor - disse Dobby , acenando com a cabeça e com as orelhas a abanar . - Dobby escondeu se , esperou por Harry_Potter e selou a barreira . A seguir , Dobby teve de pôr as mãos em o ferro de engomar - mostrou a o Harry dez dedos longos embrulhados em ligaduras . - Mas Dobby não se importou , senhor , porque pensou que Harry_Potter estava a salvo e nunca Dobby sonhou que mesmo_assim ele viria para a escola ! Balançava se para a frente e para trás , sacudindo a cabeça feia . - Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry_Potter tinha voltado a a escola que deixou queimar o jantar de os seus donos . Dobby nunca tivera um castigo tão grande , senhor . Harry afundou se de_novo em as almofadas . - Quase conseguiste que nos expulsassem , a mim e a o Ron - disse furioso . - É melhor desapareceres de aqui antes que os meus ossos voltem a estar bem , Dobby , ou ainda te estrangulo . O elfo sorriu . - Dobby está habituado a ameaças de morte , senhor . Dobby recebe as cinco vezes por dia em a casa onde mora . Encostou o nariz a um canto de a fronha que usava , ficando tão ridículo que Harry sentiu a raiva desvanecer se , apesar_de tudo . - Porque usas essa coisa , Dobby ? - perguntou com curiosidade . - Isto , senhor ? - disse Dobby apontando para a fronha de almofada . - É uma prova de escravatura de o elfo doméstico , senhor . Dobby só pode ser libertado se os donos lhe derem roupa , senhor . A família tem o cuidado de não dar a o Dobby nem uma peúga , senhor , porque ele poderia ficar livre e deixar a casa para sempre . Dobby limpou os olhos protuberantes e disse subitamente : - Harry_Potter deve ir para_casa . Dobby achou que a sua * bludger * seria o suficiente para o fazer ... - A tua * bludger * ? - disse Harry com a raiva a crescer novamente dentro de ele . - Que queres tu dizer com a tua bludger * ? Foste tu quem fez com que aquela bola tentasse matar me ? - Matar não , senhor . Matar , nunca ! - disse o elho chocado . - Dobby quer salvar a vida de Harry_Potter . É melhor ir para_casa ferido do_que ficar aqui , senhor . Dobby só queria Harry_Potter suficientemente ferido para voltar para_casa . - Só isso ? - disse Harry furioso . - Imagino que não vais dizer me porque querias mandar me para_casa a os bocados ? - Ah ! se Harry_Potter soubesse ! - gemeu Dobby , com mais lágrimas a escorrerem lhe por a fronha esfarrapada . - Se pudesse saber o que significa para nós , para os humildes , os escravizados , nós , a escória social de o mundo mágico ! Dobby lembra se de como eram as coisas quando Aquele cujo nome não deve ser pronunciado estava em o auge de o poder , senhor ! Nós , os elfos domésticos éramos tratados como animais , senhor ! É claro que Dobby ainda é tratado assim - admitiu , secando o rosto em a fronha de almofada . - Mas , em a sua maioria , a vida melhorou bastante para os de a minha espécie desde_que Harry_Potter triunfou sobre Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Harry_Potter sobreviveu e o poder de os senhores de o Mal foi quebrado e veio uma nova alvorada , senhor , e Harry_Potter brilhou como um farol de esperança para aqueles de entre nós que já pensavam que a longa noite nunca mais teria fim , senhor ... e agora em Hogwarts vão acontecer coisas terríveis , talvez já esteiam a acontecer e Dobby não pode deixar Harry_Potter ficar aqui , agora_que a história vai repetir se , agora_que a Câmara_dos_Segredos está de_novo aberta . Dobby calou se horrorizado . Em seguida agarrou em o jarro de a água que Harry tinha a a cabeceira e bateu com ele em a própria cabeça , deixando se cair . Um segundo mais tarde voltou até junto de a cama , repetindo : - Mau , Dobby , muito mau , Dobby . - Quer_dizer , então , que existe mesmo a Câmara_dos_Segredos ? - murmurou Harry . - E dizes tu que já antes foi aberta ? Conta me , Dobby . Agarrou o pulso ossudo de o elfo quando a mão de ele se estendia para o jarro de a água . - Mas eu não sou filho de Muggles . Como posso estar em perigo por causa de a Câmara_dos_Segredos ? - Ah ! senhor , não pergunte a o pobre Dobby - lamentou se o elfo com os olhos enormes a brilharem em o escuro . - As forças de as trevas estão projectadas em este lugar , mas Harry_Potter não deve estar aqui quando as coisas acontecerem . Vá para_casa , Harry_Potter , vá para_casa . Harry_Potter não deve envolver se em isto , senhor , é demasiado perigoso ... - Quem é , Dobby ? - perguntou Harry , continuando a agarrar lhe o pulso com forca , impedindo que batesse de_novo em si próprio com o jarro . - Quem abriu a amara ? Quem a abriu de a última vez ? - Dobby não pode , senhor . Dobby não pode . Dobby não deve dizer - guinchou o elfo . - Vá se embora , Harry_Potter , vá se embora ! - Eu não vou para lugar nenhum - disse Harry , furioso . - Uma de as minhas melhores amigas é filha de Muggles , está em perigo se a câmara foi , de facto , aberta ... - Harry_Potter arrisca a própria vida por os amigos - gemeu Dobby em uma espécie de êxtase infeliz . - Tão nobre , tão corajoso , mas deve salvar se , Harry_Potter não deve ... Dobby calou se de repente com as orelhas de morcego a estremecerem . Harry também ouviu os passos que vinham lá fora , de o corredor . - Dobby tem de ir - balbuciou o elfo apavorado . Ouviu se um ruído e o pulso de Harry ficou subitamente fechado em o ar . Meteu se de_novo para baixo , em a cama , com os olhos fixos em a porta escura que dava entrada em a ala hospitalar enquanto os passos se aproximavam . Em o momento seguinte , Dumbledore estava a entrar , de costas , em o dormitório , vestindo uma longa túnica de lã e uma capa de noite . Transportava um extremo de aquilo que parecia ser uma estátua . A professora Mc_Gonagall surgiu um segundo mais tarde , pegando lhe em os pés . Os dois colocaram a em uma cama . - Chame Madam_Pomfrey - murmurou Dumbledore e a professora Mc_Gonagall passou por a cama de Harry , apressadamente , e desapareceu . Harry deixou se ficar muito quieto como_se estivesse a dormir . Ouviu vozes ansiosas e por fim a professora Mc_Gonagall apareceu de_novo , seguida de Madam_Pomfrey que vestia um casaco curto de lã sobre a camisa de dormir . Ouviu uma inspiração aguda . - O que aconteceu ? - murmurou Madam_Pomfrey_a_Dumbledore , inclinando se sobre a estátua que estava em a cama . - Outro ataque - disse Dumbledore . - A Minerva encontrou o em as escadas . Havia um cacho de uvas junto de ele . Acho que estava a tentar esgueirar se até aqui para vir visitar o Potter . O estômago de Harry deu uma reviravolta . Lenta e cuidadosamente ergueu se alguns centímetros para poder ver a estátua que estava sobre a cama . Um raio de luar iluminou lhe o rosto estático . Era_Colin_Creevey . Tinha os olhos abertos , e as mãos , em frente de a cara , seguravam a máquina fotográfica . -- Petrificado ? - murmurou Madam_Pomfrey . - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - Mas estou tentada a acreditar que ... se Albus não tivesse vindo cá abaixo tomar um chocolate quente ... quem sabe o que teria ... Os três olharam para Colin . Dumbledore inclinou se e retirou lhe a máquina de as mãos rígidas . - Será que ele conseguiu tirar a fotografia de o agressor ? - perguntou ansiosa a professora Mc_Gonagall . Dumbledore não respondeu . Abriu a parte detrás de a máquina . - Cruzes canhoto - disse Madam_Pomfrey . Um jacto de vapor tinha feito fervilhar a máquina . Harry , a três metros de distância , sentiu o cheiro tóxico de o plástico queimado . - Derretido - disse Madam_Pomfrey com grande espanto . - Tudo derretido . - O que significa isto , Albus ? - perguntou cada_vez_mais nervosa a professora Mc_Gonagall . - Significa - disse Dumbledore - que a Câmara_dos_Segredos está mesmo aberta outra_vez . Madam_Pomfrey levou uma mão a a boca . A professora Mc_Gonagall olhou assustada para Dumbledore . - Mas , Albus ... com certeza ... quem ? - A questão não é quem - disse Dumbledore com os olhos fixos em Colin . - A questão é como ... E pelo que Harry conseguiu ver de o rosto indistinto de a professora Mc_Gonagall , ela não compreendeu muito mais do_que ele . XI_O clube de os duelos Quando_Harry acordou , em o domingo de manhã , a enfermaria estava iluminada por um resplandecente sol de inverno e o seu braço tinha de_novo todos os ossos , apesar_de o sentir muito rígido . Sentou se rapidamente e olhou para a cama de Colin , mas ela fora isolada com as cortinas atrás de as quais se despira em a véspera . Vendo que ele tinha acordado , Madam_Pomfrey apareceu com um tabuleiro de pequeno-almoço e a seguir começou a apalpar lhe o braço e os dedos . - Tudo em ordem - disse , enquanto ele , com a mão esquerda , comia avidamente as papas de aveia . - Quando acabares de comer podes ir te embora . Harry vestiu se o mais depressa que pôde e dirigiu se a a pressa para a torre de os Gryffindor , ansioso por contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre Colin e Dobby , mas não os encontrou lá . Foi a a procura de eles , perguntando a si próprio onde teriam ido e sentindo se um_pouco magoado por o pouco interesse que demonstravam em saber se ele tinha recuperado os ossos . Quando passou por a biblioteca , Percy_Weasley vinha a sair com bastante melhor cara do_que de a última vez que se tinham encontrado . - Olá , olá , Harry - disse . - Excelente voo o de ontem , verdadeiramente sensacional . Os Gryffindor estão a a frente para a taça de a equipa . Ganhaste cinquenta pontos . - Não viste o Ron e a Hermione por aí ? - perguntou Harry . - Não , não vi - disse Percy com o sorriso a desaparecer . - Espero que o Ron não esteja outra_vez em a casa_de_banho de as raparigas ... Harry forçou um sorriso , viu Percy desaparecer e a seguir foi direitinho até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Não via lá muito bem por_que motivo o Ron e a Hermione lá estariam de_novo , mas , depois de se assegurar de que nem Filch nem nenhum de os prefeitos estavam por perto , abriu a porta e ouviu as vozes de eles que vinham de um cubículo fechado . - Sou eu - disse , fechando a porta atrás_de si . Ouviu se dentro de o cubículo um estrondo , um chapinhar e um sobressalto e ele viu o olho de a Hermione a espreitar por o buraco de a fechadura . - Harry - disse ela . - Pregaste nos um susto de morte . Entra . Como está o teu braço ? - _ óptimo - respondeu , apertando se dentro de o cubículo . Em cima de a sanita estava encarrapitado um velho caldeirão , e um crepitar a a superfície de a água disse a Harry que eles tinham acendido um fogo lá em baixo . Fazer aparecer fogos portáteis a a prova de água era uma de as especialidades de Hermione . - _ íamos visitar te , mas resolvemos começar a preparar a poção * _ Polisuco * - explicou Ron enquanto Harry fechava outra_vez a porta de o cubículo com alguma dificuldade . - Achámos que este era o lugar mais seguro para a esconder . Harry começou a contar lhes de o Colin , mas Hermione interrompeu o . - Nós já sabemos , ouvimos a professora Mc_Gonagall contar a o professor Flitwick hoje_de_manhã . Por isso resolvemos começar a ... - Quanto_mais depressa arrancarmos uma confissão a o Malfoy , melhor - rosnou o Ron . - Sabem o que eu penso ? Ele estava tão mal-humorado depois de o jogo de Quidditch que se vingou em o Colin . - Há outra coisa - disse Harry , vendo Hermione cortar molhos de verdezelha e lançá os dentro de a poção . - O Dobby foi visitar me a meio de a noite . Ron e Hermione olharam o espantados . Harry contou lhes tudo_o_que Dobby lhe dissera ... ou não dissera . Ron e Hermione ouviram o de boca aberta . - A Câmara_dos_Segredos já tinha sido aberta antes ? - repetiu Hermione . - Encaixa perfeitamente - disse Ron , em uma voz triunfante . - O Lucius_Malfoy deve ter aberto a Câmara_dos_Segredos quando andava em a escola e agora ensinou a o querido filhinho Draco como abris a . É óbvio , que pena o Dobby não te ter dito que tipo de monstro lá se encontra . Gostava de saber como é_que ninguém o viu andar por ai em a escola . - Talvez tenha a capacidade de se tornar invisível - sugeriu Hermione , picando sanguessugas para dentro de o caldeirão . - Ou talvez se disfarce , passando por uma armadura ou outra coisa de o género . Eu li umas coisas sobre vampiros camaleões ... - Tu lês de mais , Hermione - disse o Ron , deitando moscas asas de renda mortas por cima de as sanguessugas . Amarrotou o saco vazio de as asas de renda e olhou para Harry . - Então foi o Dobby que nos impediu de apanhar o comboio e te partiu o braço ... - abanou a cabeça . - Sabes o que eu acho ? Se ele não parar de tentar salvar te a vida ainda acaba por te matar . A notícia de que Colin_Creevey tinha sido atacado e estava agora em a ala hospitalar , como morto , espalhou se por toda_a escola em a segunda-feira de manhã . O ar ficou pesado e cheio de boatos e suspeitas . Os alunos de o primeiro ano começavam a andar por a escola em pequenos grupos , receando ser atacados se se aventurassem a andar isoladamente por os corredores . Ginny_Weasley , que era colega de carteira de o Colin em os encantamentos , estava perturbadíssima , mas Harry achou que Fred e George estavam a tentar animá a de a maneira errada . Revezavam se , mascarados com peles de animais e apareciam lhe subitamente detrás de as estátuas . Só pararam quando Percy , apopléctico de raiva , lhes disse que ia escrever a Mrs._Weasley a contar lhe que a Ginny andava a ter pesadelos . Enquanto isso , às_escondidas de os professores , uma panóplia de talismãs , amuletos e outros objectos de protecção ia enchendo a escola . Neville_Longbottom comprou uma enorme cebola verde que cheirava mal , um cristal pontiagudo cor de púrpura e uma cauda de tritão apodrecida antes de os outros rapazes de os Gryffindor lhe explicarem que ele não corria perigo : era um sangue puro e , portanto , muito pouco passível de ser atacado . - Eles foram a o Filch em primeiro lugar - disse Neville com o medo estampado em a cara redonda . - E toda_a_gente sabe que eu sou quase um * busca-pé * . Em a segunda semana de Dezembro , a professora Mc_Gonagall veio , como de costume , recolher os nomes de os alunos que ficavam em a escola durante o Natal . Harry , Ron e Hermione assinaram a lista . Tinham ouvido dizer que Malfoy ficava , o que lhes parecera muito suspeito . As férias seriam a altura ideal para usar a poção * _ Polisuco * e tentar arrancar lhe uma confissão . Infelizmente a poção estava a meio . Precisavam ainda de o chifre de bicórneo e o único lugar onde podiam arranjá o era em os depósitos privados de Snape . Harry , pessoalmente , preferia enfrentar o lendário monstro de os Slytherin do_que ser apanhado por o Snape a assaltar lhe o escritório . - O que precisamos - disse Hermione cheia de vivacidade quando se aproximava a aula conjunta de poções de quinta-feira a a tarde - para podermos entrar a a vontade em o escritório de o Snape , é de uma diversão . Harry e Ron olharam para ela , nervosos . - Acho que o melhor é ser eu a praticar o roubo - prosseguiu ela , em um tom perfeitamente casual . - Vocês os dois podem ser expulsos se forem apanhados e eu tenho uma folha limpa . Portanto , a única coisa que têm de fazer é distrair o Snape durante cerca de cinco minutos . Harry esboçou um meio sorriso . Provocar deliberadamente um estrago em a aula de poções de o Snape era tão seguro como ferir em um olho um dragão adormecido . As aulas de poções tinham lugar em um de os mais amplos calabouços . A de quinta-feira a a tarde não foi diferente de as outras . Vinte caldeirões fumegavam entre as secretárias de madeira , sobre as quais podia ver se laminas de latão e jarras com ingredientes . Snape deambulava por o meio de os fumos , fazendo reparos petulantes a o trabalho de os Gryffindor , enquanto os Slytherin riam a a socapa . Draco_Malfoy , que era o aluno preferido de Snape , não parava de lançar olhos de carneiro mal morto a o Ron e a o Harry , que sabiam que se retaliassem teriam um castigo , antes de poderem abrir a boca para dizer : - É injusto ! A solução de inchar de o Harry estava demasiado líquida , mas ele estava preocupado com coisas mais importantes . Esperava por o sinal de Hermione e mal deu por Snape se calar para ir espreitar a sua poção aguada . Quando o professor se voltou e foi implicar com o Neville , Hermione trocou um olhar com Harry e fez um aceno . Harry baixou se discretamente por detrás de o seu caldeirão , tirou de o bolso de trás um de os paus de fogo-de-artíficio Filibuster e deu lhe um toque de varinha . O fogo-de-artíficio começou a sibilar e a crepitar . Sabendo que tinha apenas alguns segundos , Harry endireitou se , ganhou coragem e lançou o a o ar . Aterrou certeiro em o caldeirão de o Goyle . A poção de o Goyle explodiu , salpicando toda_a aula . As pessoas gritavam , à_medida_que eram vítimas de os salpicos . Malfoy foi apanhado em a cara e o nariz começou a inchar como um balão . O Goyle tropeçava a as cegas , com as mãos em os olhos , que tinham ficado de o tamanho de pratos de sopa , enquanto o Snape tentava repor a calma e tentar perceber o que sucedera . Em o meio de a confusão , Harry viu Hermione esgueirar se a a socapa por a porta . - Silêncio ! silêncio ! - vociferou Snape . - Todos os que foram salpicados cheguem aqui para uma drenagem . Quando eu descobrir quem fez isto ... Harry fez um enorme esforço para não se rir a o ver Malfoy chegar apressadamente lá a a frente , a cabeça a tombar com o peso de o nariz , que parecia um pequeno melão . Quando metade de a aula se amontoava junto de a secretária de o Snape , alguns alunos vergados por o peso de os braços que pareciam mocas , outros incapazes de falar devido a o gigantesco inchaço de os lábios , Harry viu Hermione reentrar em o calabouço , a túnica mostrando a barriga protuberante . Quando todos os alunos tinham já tomado um gole de o antídoto e os vários inchaços tinham desaparecido , Snape precipitou se para o caldeirão de o Goyle e pescou os restos retorcidos de o fogo-de-artíficio . Houve um súbito silêncio . - Se eu descubro quem lançou isto - murmurou Snape - garanto que é expulsão por a certa . Harry compôs uma expressão de espanto . Snape olhava directamente para ele e a campainha , que tocou dez minutos mais tarde , não podia ser mais bem-vinda . - Ele soube que fui eu - disse Harry_a_Ron e a a Hermione , enquanto se dirigiam apressadamente para a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Tenho a certeza . Hermione lançou o novo ingrediente em o caldeirão e começou a mexer furiosamente . - Isto vai estar pronto dentro_de quinze_dias - afirmou , satisfeita . - O Snape não pode provar que foste tu - assegurou Ron , tranquilizando Harry . - Que pode ele fazer ? - Conhecendo o Snape , qualquer coisa louca - respondeu Harry , enquanto a poção borbulhava e espumava . Uma semana mais tarde , Harry , Ron e Hermione passavam por o vestíbulo de entrada , quando viram um pequeno grupo de pessoas reunidas em volta de o jornal de parede a lerem um pedaço de pergaminho que tinha acabado de ser afixado . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas acenaram lhes , entusiasmados . - Vão lançar um clube de duelos ! - exclamou Seamus . - Hoje a a noite é a primeira reunião . Eu não me importaria nada de ter aulas de duelo , podem vir a ser úteis um dia de estes ... - Porquê ? Achas que o monstro de os Slytherin sabe esgrimir ? - perguntou o Ron , mas , também ele , leu a notícia com interesse . - Pode ser útil - disse a o Harry e a a Hermione , quando foram jantar . - Vamos lá ? Harry e Hermione acharam óptimo , por isso , a as oito_da_noite voltaram a o salão . As longas mesas de refeição tinham desaparecido e um estrado dourado surgira , encostado a a parede . Sobre ele flutuavam milhares de velas . O tecto era , mais_uma_vez , de veludo negro e parecia que quase todos os alunos de a escola se encontravam ali , com as suas varinhas em a mão e com um ar entusiasmado . - Quem será que vai ensinar nos ? - perguntou Hermione , enquanto se misturavam em a multidão barulhenta . - Ouvi dizer que o Filitwick foi campeão de duelo em a juventude , talvez seja ele . - Desde_que não seja ... - começou Harry , mas terminou em um gemido : Gilderoy_Lockhart estava a subir a o estrado , resplandecente em as suas vestes cor de ameixa , acompanhado , nem mais nem menos , do_que de Snape que trajava , como sempre , de negro . Lockhart levantou um braço , pedindo silêncio , bradando : - Aproximem se , aproximem se , conseguem todos ver me e ouvir me ? Excelente ! - O professor Dumbledore deu me autorização para iniciar este pequeno curso de duelo para vos treinar a todos , caso algum dia precisem de se defender , como eu tenho feito em inúmeras ocasiões ; para mais detalhes , leiam os livros que tenho publicados . - Permitam que vos apresente o meu assistente , o professor Snape - disse Lockhart , abrindo um sorriso de orelha a orelha . - Ele diz me que sabe alguma coisa sobre duelos e aceitou desportivamente ajudar me em uma exibição de demonstração , antes de começarmos . Atenção , não quero que os mais novos fiquem preocupados , vão continuar a ter o vosso professor de poções depois de eu o vencer . Não tenham medo . - Não era óptimo se se liquidassem um_ao_outro ? - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . O lábio inferior de Snape estava curvo . Harry interrogou se sobre o motivo por_que Lockhart continuava a sorrir . Se o Snape olhasse de aquela maneira para ele , Harry estaria a correr a_toda_a velocidade para o mais longe possível . Lockhart e Snape voltaram se um para o outro e fizeram uma vénia , pelo_menos Lockhart fê la com muitas reviravoltas de mãos , enquanto Snape acenava , irritado , com a cabeça . Em seguida , ergueram as varinhas , como_se fossem espadas , em a frente . - Como podem ver , estamos a pegar em as varinhas em a posição de aceitação de combate - explicou Lockhart a a multidão silenciosa . - Quando contarmos até três , lançaremos os primeiros feitiços . Nenhum de nós tentará matar o outro , claro . - Eu não poria as mãos em o fogo - murmurou Harry , observando como Snape cerrava os dentes . -- Um , dois , três ... Os dois balançaram as varinhas acima de os ombros . Snape gritou : * _ Expelliarmus * ! Houve um clarão ofuscante de luz escarlate e Lockhart voou para trás , caindo de o estrado batendo contra a parede , escorregando e indo estatelar se em o chão . Malfoy e alguns de os outros Slytherin aplaudiram . Hermione estava em bicos de os pés . - Acham que ele está bem ? - gritou entredentes . - Quem se rala ? - disseram ao_mesmo_tempo o Ron e o Harry . Lockhart estava a pôr se , hesitante , de pé . O chapéu caíra lhe e o cabelo ondulado estava em um desalinho . - Bem , cá está ! - disse , cambaleando até a o estrado . - Este foi um encantamento para desarmar . Como podem ver , perdi a minha varinha . Ah , obrigado Miss_Brown . Sim , foi uma excelente ideia mostrar lhes isto , professor Snape , mas , se me permite que lhe diga , foi muito óbvio o que ia fazer . Se eu tivesse querido impedis o , teria o feito com a maior de as facilidades . Mas achei que seria educativo deixá os ver ... Snape tinha um ar assassino . Provavelmente Lockhart deu por isso , porque declarou : - Chega de demonstrações . Eu vou passar agora por o meio de vocês e criar duplas . Professor_Snape , se quiser ajudar me ... Entraram por o meio de a multidão , agrupando alunos . Lockhart pôs o Neville com Justin_Finch - _ Fletchley , mas Snape chegou primeiro junto de Harry e de Ron . - Tempo de separar a dupla ideal , parece me - rosnou . - Weasley , tu podes ficar com o Finnigan . Potter ... Harry voltou se automaticamente para Hermione . - Não me parece - disse Snape com o seu sorriso frio . - Mr._Malfoy , venha até aqui . Vamos ver o que faz com o famoso Potter . E a menina , Miss_Granger , pode emparceirar com Miss_Bulstrode . Malfoy aproximou se com o seu passo empertigado e o seu sorriso escarninho . Atrás de ele vinha uma rapariga de os Slytherin , que lembrou a Harry uma imagem que tinha visto em as * _ Férias com Bruxas_Velhas * . Era corpulenta e quadrada e os maxilares avançavam agressivamente . Hermione esboçou um meio sorriso , que ela não retribuiu . - Voltem se para os vossos parceiros - gritou Lockhart - e façam a vénia . Harry e Malfoy mal inclinaram as cabeças , não afastando os olhos um de o outro . - Varinhas preparadas ! - gritou Lockhart . - Quando eu disser três preparem os feitiços para desarmar o vosso opositor . Um ... dois ... três ... Harry levantou a varinha acima de o ombro , mas Malfoy começara logo em o « dois » : o seu feitiço apanhou Harry com tanta força que ele se sentiu como_se tivesse levado com uma frigideira em a cabeça . Tropeçou , mas ainda não estava fora de combate e , sem perder tempo , Harry apontou a varinha a Malfoy e gritou : - * _ Rictusempra ! * Um jacto de luz prateada atingiu Malfoy em o estômago , obrigando o a dobrar se , arfando . - Eu disse desarmar ! - gritava Lockhart sobre as cabeças de a multidão em lata , enquanto Malfoy caía de joelhos . Harry atingira o com o feitiço de as cócegas e ele mal conseguia mexer se para se rir . Harry hesitou com o vago sentimento de que seria pouco desportivo enfeitiçar Malfoy enquanto ele estava caído em o chão , mas ... foi um erro . Tentando respirar , Malfoy apontou a varinha a os joelhos de Harry , balbuciando : « * _ Tarantallegra ! * » e , um segundo depois , as pernas de o Harry tinham começado a mexer se , sem que ele pudesse controlá as , executando uma espécie de dança frenética . - Parem , parem - gritava Lockhart , quando Snape resolveu tomar controlo de a situação . - * _ Finite_Incantatem ! * - bradou . Os pés de o Harry pararam de dançar , Malfoy parou de rir e puderam olhar para_cima . Uma onda de fumo esverdeado pairava sobre todos eles . Neville e Justin estavam caídos em o chão , a arfar . Ron tentava fazer parar um Seamus com cara cor de cinza , pedindo lhe mil desculpas por o que a sua varinha partida eventualmente tivesse feito . Mas Hermione e Millicent_Bulstrode ainda não tinham acabado . Millicent tinha feito a Hermione uma prisão de cabeça e Hermione gritava de dor . As duas varinhas jaziam esquecidas em o chão . Harry deu um salto em frente e afastou Millicent . Não foi fácil , ela era bastante maior do_que ele . - Oh , gente ! - exclamou Lockhart , arrastando se por o meio de a multidão e olhando para os resultados de os duelos . - Vamos pôr de pé , Mcmillan ... cuidado , Miss_Fawcett ... belisque com força que pára logo de sangrar ... - Acho que o melhor é ensinar vos como bloquear feitiços pouco amigáveis - afirmou Lockhart que estava nervosíssimo em o meio de o salão . Olhou para Snape , cujos olhos pretos brilhavam e desviou rapidamente o olhar . - Vamos arranjar um par de voluntários . Longbottom e Finch - _ Fletchley , que tal serem vocês ? - Uma má ideia , professor Lockhart - disse Snape , deslizando como um morcego enorme e cruel . - Longbottom provoca devastação com o feitiço mais simples . Ainda temos de mandar o que restar de o Finch - _ Fletchley para a ala hospitalar dentro_de uma caixa de fósforos . - A cara redonda e rosada de Neville ficou ainda mais rosada . - Que tal o Malfoy e o Potter ? - sugeriu Snape com um sorriso retorcido . - Excelente ideia - disse Lockhart , fazendo sinal a os dois para que se aproximassem de o meio de o salão , enquanto a multidão recuava para lhes dar passagem . - Ouve bem , Harry - disse Lockhart . - Quando o Draco te apontar a varinha , tu fazes assim . Levantou a sua varinha , executando uma tentativa complicada de malabarismo e deixou a cair . Snape sorriu pretensiosamente , enquanto Lockhart a apanhava de o chão , dizendo : - Ups , a minha varinha está demasiado excitada . Snape aproximou se de Malfoy , inclinou se e disse lhe qualquer coisa a o ouvido . Malfoy sorriu também de forma afectada . Harry olhou , nervoso , para Lockhart e pediu : - Professor , podia mostrar me outra_vez aquela coisa para bloquear ? - Estás com medo ? - murmurou Malfoy baixinho , para que Lockhart não pudesse ouvir . - Querias ! - exclamou Harry por o canto de a boca . Lockhart deu um soco em o ombro de o Harry , em a brincadeira . - Basta que faças como eu fiz ! - O quê , deixar cair a varinha ? Mas Lockhart não estava a ouvir - Três , dois , um , zero ! - gritou . Malfoy levantou rapidamente a varinha a o ar e gritou : - * _ Serpensortia ! * A extremidade de a varinha explodiu . Harry viu , horrorizado , uma enorme serpente negra sair de ela , cair pesadamente em o chão a meio de os dois e erguer se disposta a atacar . Ouviram se gritos , enquanto a multidão se afastava , deixando o chão vazio . - Não te mexas , Potter - disse Snape vagarosamente , divertindo se claramente a ver Harry , parado , a olhar em os olhos a serpente . - Eu trato de ela ... - Permita me -- gritou Lockhart . Bramiu a varinha em direcção a a serpente e ouviu se um estoiro . A cobra , em_vez_de desaparecer , voou três metros acima de eles e voltou a cair em o chão com um estrondo enorme . Enraivecida , a sibilar de fúria , rastejou em direcção a Finch - _ Fletchley e pôs se de pé com os dentes a a mostra , pronta a atacar . Harry não soube ao_certo o que o levou a fazer aquilo . Não se lembrava sequer de ter tomado aquela decisão . Só soube que as pernas o fizeram avançar como_se tivesse rodas e que gritou a a serpente : - Larga o ! - E , milagrosa e inexplicavelmente , a serpente voltou a o chão , dócil como uma grande mangueira de jardim , preta e grossa , os olhos agora fixos em os olhos de Harry . Harry sentiu o medo a escoar se . Sabia que a cobra não atacaria mais ninguém , embora não pudesse explicar como sabia . Olhou para Justin a sorrir , esperando vê o aliviado , espantado , ou mesmo agradecido , mas nunca zangado ou assustado . - Que brincadeira é essa ? - gritou o outro e , antes que Harry tivesse tempo de dizer fosse o que fosse , voltou as costas e saiu de o salão . Snape deu um passo em frente , fez um gesto com a varinha e a serpente desapareceu em uma onda de fumo preto . Também ele , Snape , olhava para Harry de uma forma inesperada . Era um olhar arguto e calculista , de que Harry não gostou . Apercebeu se também vagamente de um murmúrio ameaçador que vinha de as paredes em volta . Depois , sentiu um puxão em a túnica . - Vamos - disse a voz de o Ron em o seu ouvido . - Mexe te , vá lá ... Ron arrastou o para fora de o salão . Hermione acompanhava os em a passada rápida . Quando cruzaram a porta , as pessoas que a rodeavam afastaram se , como_se tivessem medo de ser contagiadas . Harry não fazia a mais pequena ideia do_que estava a passar se e , nem Ron , nem Hermione lhe deram qualquer explicação , antes de o terem levado até a a sala comum de os Gryffindor , que se encontrava vazia . Aí , Ron empurrou Harry para uma cadeira de braços e disse : - Tu és um * serpentês * . Porque não nos disseste ? - Eu sou um quê ? - perguntou Harry . - Um * serpentês * ! - exclamou o Ron . - Falas com as cobras . - Eu sei - declarou Harry . - Quer_dizer , esta foi a segunda vez que o fiz . A outra foi há muito_tempo em o jardim zoológico , quando soltei uma Boa_Constrictor a o meu primo Dudley . É uma longa história , mas ela estava a dizer me que nunca tinha estado em o Brasil e eu acho que a libertei sem querer . Foi antes de saber que era feiticeiro . . . - Uma Boa_Constrictor disse te que nunca tinha estado em o Brasil ? - repetiu Ron , quase sem voz . - E então ? - disse o Harry . - Aposto que montes de pessoas aqui fazem o mesmo . - Não fazem , não - afirmou Ron . - Não é um dom muito frequente . Harry , isso é mau . - O que é_que é mau ? - perguntou Harry , que começava a ficar chateado . - O que é_que se passa com todos os outros ? Ouve bem , se eu não tivesse dito a aquela cobra para não atacar o Justin ... - Ah , foi isso que tu disseste ? - Que queres dizer ? Tu estavas lá , ouviste perfeitamente o que eu disse . - Eu ouvi te falar em serpentês - disse o Ron . - Língua de cobra . Podias estar a dizer lhe qualquer coisa . Não admira que o Justin tivesse entrado em pânico . Parecia que estavas a incitar a serpente . Foi assustador , sabes ? Harry olhou para ele espantado . - Eu falei uma língua diferente ? Mas não me apercebi , como posso falar uma língua , sem saber que a conheço ? Ron abanou a cabeça . Tanto ele como Hermione tinham um ar fúnebre . Harry não percebia o que havia em aquilo de tão trágico . - Será que me querem explicar o que há de mal em ter impedido que uma serpente enorme arrancasse a cabeça a o Justin ? - perguntou . - Porque é tão importante como o fiz , se evitei que o Justin fosse juntar se a grupo de os SEM_CABEÇA ? - Importa - disse por fim Hermione , em uma voz abafada . - Porque falar com serpentes era a arte por a qual Salazar_Slytherin ficou famoso . Por isso , o símbolo de os Slytherin é uma serpente . Harry ficou de boca aberta . - Exacto - disse o Ron . - E agora todos em a escola vão pensar que tu és descendente de ele . - Mas não sou - contrapôs Harry com um pânico que não conseguia explicar . - Não vai ser fácil prová o - disse Hermione . - Ele viveu há quase mil anos . Pelo que vimos , podias ser . Em essa noite , Harry ficou acordado durante horas . Por uma fresta de os cortinados de a cama de dossel , olhou para a neve que começava a cair de o lado de_fora de a janela de a torre e perguntou se se poderia ser descendente de Salazar_Slytherin . Afinal , não sabia nada de a família de o pai , os Dursley tinham sempre proibido qualquer pergunta sobre os seus familiares feiticeiros . Calmamente , tentou dizer qualquer coisa em * serpentês * , mas as palavras não saíam . Parecia que era necessário estar frente_a_frente com uma cobra para poder fazê o . Mas eu sou um Gryffindor , pensou Harry , o chapéu seleccionador não me poria aqui se eu tivesse sangue de Slytherin ... - Ah ! - disse uma vozinha dentro de o seu cérebro . - Mas o chapéu seleccionador queria pôr te em os Slytherin , não te lembras ? Harry deu voltas e voltas a a cabeça . Em o dia seguinte , quando visse Justin em a aula de herbologia explicaria lhe que estava a afastar a serpente , não a atiçá a o que , aliás , pensou zangado , dando vários socos em a almofada , qualquer idiota teria percebido . Contudo , em a manhã seguinte , a neve que começara a cair durante a noite , transformara se em uma tempestade tão espessa que a última aula de herbologia de o período foi cancelada : a professora Sprout queria tapar as mandrágoras com peúgas e cachecóis , uma operação arriscada que ela não confiava a ninguém agora_que era tão importante que as mandrágoras crescessem depressa e reabilitassem Mrs._Norris e Colin_Creevey . Junto de a lareira de a sala comum de os Gryffindor , Harry matutava sobre o que se passara enquanto Ron e Hermione aproveitavam o foro para jogar xadrez de feitiçaria . - Com os diabos , Harry - disse Hermione exasperada quando um bispo derrubou um de os cavaleiros de o cavalo , arrastando o para fora de o tabuleiro . - Vai falar com o Justin , se isso é assim tão importante para ti . Harry levantou se e saiu por o buraco de o retrato , perguntando a si próprio onde poderia estar o Justin . O castelo estava mais escuro do_que era habitual durante o dia por causa de a neve espessa e cinzenta que cobria as janelas . A tremer , Harry passou por as salas onde estava a haver aulas , captando lampejos do_que sucedia lá dentro . A professora Mc_Gonagall gritava com alguém que , segundo lhe parecia por o som , transformara o parceiro em um texugo . Resistindo a a tentação de dar uma espreitadela , Harry afastou se pensando que Justin poderia estar a utilizar o tempo de o furo para fazer algum trabalho e resolveu , por isso , ir até a a biblioteca . Um grupo de alunos de os Hufflepuff , que deveriam ter estado em Herbologia , encontrava se , de facto , sentado em as traseiras de a biblioteca , mas não parecia estar a trabalhar . Entre as fileiras de as estantes altas , Harry pôde ver as suas cabeças muito juntas em aquilo que deveria ser uma conversa absorvente . Não conseguia perceber se Justin estaria em o meio de eles . Ia para se aproximar quando apanhou em o ar uma frase e parou para ouvir melhor , escondido em a secção de a invisibilidade . - Portanto - dizia um rapaz corpulento - eu disse a o Justin para se esconder em o nosso dormitório . Isto_é , se o Potter o escolheu como próxima vítima é melhor que ele tenha um * low profile * durante algum tempo . É claro que o Justin já estava a a espera que alguma coisa de o género acontecesse desde_que lhe escapou em uma conversa com o Potter que era filho de Muggles . O Justin disse lhe , inclusivamente , que tinha estado inscrito em Eton . Não é o tipo de coisa que se ande a dizer com o herdeiro de Slytherin a a solta por aí . - Achas mesmo_que é o Potter , Ernie ? - perguntou uma rapariga de tranças loiras , ansiosamente . - Hannah - disse com solenidade o rapaz corpulento . - Ele é um serpentês . Todos sabem que essa é a marca de um feiticeiro negro . Alguma vez ouviste falar de um feiticeiro decente que falasse com as cobras ? O Slytherin era conhecido por « Língua de serpente . . Houve alguns murmúrios antes de Ernie prosseguir : - Lembram se do_que estava escrito em a parede ? * _ Inimigos de o herdeiro , cuidado ! * . O Potter teve que ir a o gabinete de o Filch . E o que é_que acontece a seguir ? A gata de o Filch é atacada . O aluno de o primeiro ano , Creevey , estava a aborrecê o em a partida de Quidditch , a tirar lhe fotografias quando ele estava caído em a lama . E o que é_que acontece a seguir ? Creevey é atacado . - Mas ele parece sempre ser tão simpático - disse Hannah , cheia de dúvidas . - E , bem , foi ele que fez com que o Quem nós sabemos desaparecesse . Não pode ser assim tão mau , pois não ? Ernie baixou misteriosamente a voz . Os Hufflepuff inclinaram se mais uns para os outros e Harry aproximou se para conseguir apanhar as palavras de o Ernie . - Ninguém sabe como ele sobreviveu a aquele ataque de o Quem nós sabemos e , afinal , ainda era um bebé quando aquilo aconteceu . Era para ter explodido feito em estilhaços . Só um feiticeiro negro verdadeiramente poderoso teria sobrevivido a uma maldição de aquelas . - Baixou ainda mais a voz até esta ficar reduzida a um leve murmúrio e disse : - Talvez fosse por isso que o Quem nós sabemos o queria matar , para não ter outro feiticeiro negro a competir com ele . Gostava de saber que outros poderes ocultos terá o Potter . Harry não aguentou mais . Pigarreou alto e saiu detrás de as estantes . Se não estivesse tão zangado teria conseguido ver o lado cómico de a situação : cada_um de os Hufflepuff olhava para ele como_se tivesse sido petrificado , e a cor desaparecera de a cara de o Ernie . - Olá - disse Harry . - Estou a a procura de o Justin_Finch - _ Fletchley . Os piores receios de os Hufflepuff tinham se concretizado . Olharam apavorados para o Ernie . - O que queres de ele ? - perguntou Ernie em uma voz sumida . - Explicar lhe o que aconteceu com aquela cobra em o clube de os duelos - disse Harry . Ernie mordeu os lábios brancos e , em seguida , respirando fundo , respondeu : - Estávamos lá todos . Vimos o que aconteceu . - Então viram que depois de eu falar a serpente recuou - disse Harry . - O que eu vi - insistiu teimosamente Ernie , apesar_de tremer a cada palavra que proferia - foi tu a falares serpentês e a atiçares a cobra conta o Justin . - Eu não a aticei - gritou Harry enraivecido . - Ela nem lhe tocou . - Falhou por_pouco - disse Ernie . - E , para o caso de estares com ideias - acrescentou com má cara - posso dizer te que a minha família provem de nove gerações de bruxas e feiticeiros e que o meu sangue é tão puro como o de qualquer feiticeiro , portanto ... - Quero lá saber qual é o teu sangue - disse Harry furioso . - Porque iria eu atacar os filhos de os Muggles ? - Ouvi dizer que detestas os Muggles com quem vives - disse Ernie rapidamente . - Não é possível viver com os Dursley sem os detestar - explicou Harry . - Gostava de te ver lá em casa . Girou sobre os calcanhares e saiu furioso de a biblioteca sob o olhar reprovador de Madam_Prince que limpava a capa dourada de um enorme livro de encantamentos . Harry avançou a as cegas por os corredores , quase sem ver por_onde ia de tão furioso que estava . O resultado foi chocar com algo enorme e sólido que o fez recuar e cair a o chão . - Ah ! Olá , Hagrid - disse , olhando para_cima . Hagrid tinha o rosto completamente tapado com um lenço coberto de neve , mas não podia ser mais ninguém , enchendo assim o corredor dentro de o seu sobretudo de pele de toupeira . De uma de as enormes mãos enluvadas , pendia um galo morto . - Tudo bem , Harry ? - perguntou , afastando o lenço para poder falar . - Porque não estás em a aula ? - Foi cancelada - disse Harry , pondo se de pé . - O que estás a fazer aqui ? Hagrid mostrou lhe o galo inerte . - É o segundo qu'aparece morto este período - explicou . - Ou são raposas ou um vampiro chato e eu preciso d'autorização de o director p'ra fazer um feitiço em volta de a capoeira . Aproximou se e olhou mais de perto para o Harry , por debaixo de as suas sobrancelhas espessas e cheias de neve . - Tens a certeza que estás bem ? Pareces exaltado e preocupado . Harry não foi capaz de repetir o que Ernie e os outros Hufflepuff lhe tinham dito . - Não é nada , tenho de ir , Hagrid . A próxima aula é Transfiguração e preciso de ir buscar os meus livros . Afastou se , a cabeça cheia com tudo_o_que Ernie dissera a seu respeito . « * _ O_Justin já estava d espera que uma coisa de o género acontecesse desde_que deixou escapar , falando com o Potter , que era filho de Muggles * ... » Harry subiu as escadas a correr e entrou por um corredor que estava particularmente escuro . As tochas tinham sido apagadas por uma ventania gelada que entrava por uma janela de fecho estragado . Estava a meio de o corredor quando tropeçou em uma coisa que se encontrava em o chão . Olhou para ver o que era e sentiu como_se o estômago se tivesse dissolvido . Justin_Finch - _ Fletchley estava em o chão , rígido e frio com uma expressão de horror em o rosto e os olhos abertos voltados para o tecto . E não era tudo . Junto de ele estava mais alguém , a visão mais estranha que Harry tivera em toda_a sua vida . Era_o_Nick quase sem cabeça que não estava cor de pérola nem transparente e sim escuro como fumo . Flutuava imóvel , em a horizontal , 12 centímetros acima de o chão , a cabeça meio tombada e em o rosto uma expressão de choque idêntica a a de o Justin . Harry pôs se de pé com a respiração acelerada e o coração a bater como um tambor contra as costelas . Olhou desvairado para ambos os lados de o corredor deserto e viu uma fila de aranhas que corriam a_toda_a velocidade em a direcção oposta a a de os corpos . Os únicos sons eram as vozes abafadas de os professores em as aulas que decorriam de ambos os lados . Podia fugir e ninguém saberia que ali tinha estado , mas não era capaz de os abandonar assim . Tinha de ir procurar ajuda . Será que alguém acreditaria que ele não tivera nada que ver com aquilo ? Enquanto ali estava , em pânico , uma porta a o seu lado abriu se com grande estrondo . Peeves , o * poltergeist * , saiu a os gritos . - Oh ! É o Potter , olá , Potter - alardeou Peeves , lançando por o ar os óculos de o Harry quando passou por ele . - O que está o Potter a fazer ? Porque está o Potter escondido ? Peeves passou de cabeça para baixo , a meio de uma cambalhota em o ar , quando viu Justin e Nick quase sem cabeça . Com um movimento súbito endireitou se , encheu os pulmões de ar e , antes que Harry pudesse impedi o , gritou : __ ataque ! ataque ! outro ataque ! nenhum mortal ou fantasma está em segurança . corram , fujam , __ ataaaque ! Crac , Crac , Crac . Uma atrás de a outra , foram se abrindo todas_as portas a o longo de o corredor e as pessoas saíram para fora de as salas de aula . Durante alguns longos minutos houve uma tal confusão que Justin esteve em perigo de ser esmagado e as pessoas não paravam de chocar com o Nick quase sem cabeça . Harry deu por si colado a a parede enquanto os professores exigiam a os gritos que se fizesse silêncio . A professora Mc_Gonagall veio a correr , seguida por todos os alunos , um de os quais ainda trazia o cabelo a as riscas pretas e brancas . Usou a varinha para produzir um ruído que repôs o silêncio e mandou os alunos todos para dentro de as salas de aula . Mal lugar ficou desimpedido surgiu Ernie , o jovem Hufflepuff . - * _ Apanhado em flagrante ! * - gritou , com o rosto totalmente branco , apontando dramaticamente o dedo par Harry . - Basta_Mcmillan - disse , de forma cortante , a professora Mc_Gonagall . Peeves andava para_cima e para baixo , observando a cena com um sorriso maldoso . Sempre adorara o caos . Quando os professores se inclinaram sobre Justin e sobre o Nick quase sem cabeça para os examinar , iniciou uma cantilena : * _ Oh ! Potter , que fizeste , seu grande bandido * _ Tu matas os estudantes porque achas divertido . * - Basta , Peeves - rosnou a professora Mc_Gonagall e Peeves afastou se , deitando a língua de_fora a o Harry . Justin foi levado para a ala hospitalar por o professor Flitwick e por o professor Sinistra_do_Departamento_de_Astronomia , mas ninguém parecia saber o que fazer em relação a o Nick quase sem cabeça . Por fim , a professora Mc_Gonagall fez aparecer em o ar um enorme leque que entregou a Ernie com o encargo de conduzir , escadas acima , por os ares o Nick quase sem cabeça . Ernie assim fez , soprando Nick como_se fosse um aerodeslizador e deixando , de este modo , o Harry e a professora Mc_Gonagall a sós . - Por aqui , Potter - disse ela . - Professora , eu juro que não ... - Isso não é comigo , Potter - afirmou a professora Mc_Gonagall sinteticamente . Caminharam em silêncio até uma esquina e ela parou perante uma gárgula de pedra extremamente feia . - Refresco de limão - disse . Era obviamente uma senha porque a gárgula animou se subitamente e saltou para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes . Apesar_de estar apavorado com o que ia acontecer a seguir , Harry não conseguiu evitar um sentimento de fascínio . Por detrás de a parede estava uma escada em espiral que se movia lentamente para_cima como um elevador . E quando ele e a professora Mc_Gonagall puseram os pés em o primeiro degrau , Harry ouviu a parede fechar se atrás de eles . Subiram em círculos , cada_vez_mais alto até que , por fim , um_pouco tonto , Harry pôde ver uma porta de carvalho reluzente com um puxador de bronze em forma de abutre . Harry calculava onde estava a ser levado . Devia ser ali que morava Dumbledore . XII_A poção * polisuco * Saltaram de a escada de pedra lá mesmo em cima e a professora Mc_Gonagall bateu a a porta . Ela abriu se silenciosamente dando lhes entrada . A professora Mc_Gonagall disse lhe que esperasse e deixou o sozinho . Harry olhou em volta . Uma coisa era certa : de todos o escritórios de professores que conhecia , o de Dumbledor era , de longe , o mais interessante . Se não estivesse com um medo de morte de ser expulso teria adorado explorá o . Era uma sala grande e bonita em forma de círculo que estava cheia de barulhinhos estranhos . Havia um grande número de instrumentos prateados sobre várias mesas de pernas finas que zumbiam emitindo pequenas baforadas de fumo . As paredes estavam cobertas de fotografias de antigos directores e directoras , todos eles a dormir tranquilamente em as suas molduras . Havia ainda uma enorme secretária pés de garra . E , sobre uma prateleira atrás de ela , um chapéu de feiticeiro andrajoso e puído : * o chapéu seleccionador * . Harry hesitou . Lançou um olhar cauteloso a as bruxas e feiticeiros adormecidos a o longo de as paredes . Com certeza não fazia mal se lhe pegasse e o experimentasse só para ver ... só para ter a certeza de que ele o pusera em a equipa certa . Deu a volta a a secretária , retirou o chapéu de a prateleira e baixou o lentamente sobre a cabeça . Era demasiado grande e escorregou lhe para os olhos como de a outra_vez que o tinha posto . Harry olhou para o forro preto , enquanto esperava . Por fim , uma vozinha disse lhe a o ouvido : - Estás com macaquinhos em o sótão , Harry_Potter ? - Er ... sim - balbuciou Harry . - Er ... desculpa incomodar te , queria saber ... - Querias saber se te pus em a equipa certa - disse prontamente o chapéu . - Sim ... tu és particularmente difícil de seleccionar , mas eu mantenho o que disse antes . - O coração de Harry deu um salto . - Terias ficado bem em os Slytherin . Harry sentiu o estômago contorcer se . Agarrou o chapéu por a aba e tirou o de a cabeça . O chapéu seleccionador ficou pendurado em a mão de ele , inerte , desbotado e sujo . Harry voltou a pô o em a prateleira , sentindo se enjoado . - Estás enganado ! - disse em voz alta a o chapéu parado e silencioso , mas ele não se mexeu . Harry recuou para o observar melhor e foi então que ouviu um ruído estranho e grasnado atrás_de si que o fez dar uma volta . Não estava só , afinal_de_contas . Em um poleiro dourado atrás de a porta estava um pássaro de aspecto decrépito que parecia um peru meio depenado . Harry olhou para ele espantado e o pássaro olhou o também , grasnando de_novo . Harry achou que ele devia estar muito doente porque tinha os olhos parados e , enquanto olhava para ele , caíram lhe mais algumas penas de a cauda . Estava justamente a pensar que a única coisa que lhe faltava era que o pássaro de estimação de Dumbledore morresse quando ele estava ali sozinho com ele , em o escritório , quando a ave se incendiou . Harry gritou , em estado de choque , e recuou até a a secretária . Olhava nervosamente em volta , em busca de um jarro de água , mas não viu nenhum . O pássaro , entretanto , transformara se em uma bola de fogo , dera um guincho e , em seguida , desaparecera , deixando apenas um monte de cinzas em o chão . A porta de o escritório abriu se . Dumbledore entrou com ar taciturno . - Professor - gaguejou Harry . - O seu pássaro ... eu não pode fazer nada ... ele incendiou se . Para seu grande espanto , Dumbledore sorriu . - Já não era sem tempo . Estava com um aspecto horrível em os últimos dias . Fartei me de lhe dizer que fizesse qualquer coisa . Riu se entre dentes com a expressão em o rosto de Harry . - A Fawkes é uma fénix , Harry . As fénix ardem quando é altura de morrer e renascem de as cinzas , repara ... Harry olhou mesmo a_tempo_de ver um passarinho recém-nascido , todo enrugado , espetar a cabeça fora de as cinzas . Era quase tão feio como o antigo . - É uma pena que a tenhas conhecido em dia de arder - disse Dumbledore , passando para trás de a secretária . - É muito bonita a maior parte de o tempo , com uma plumagem vermelha e dourada . São criaturas fascinantes , as fénix . Podem transportar cargas pesadíssimas , as suas lágrimas têm propriedades curativas e são animais de estimação extremamente fiéis . Com o choque de a fénix a pegar fogo , Harry esquecera se de o motivo porque ali estava , mas tudo voltou rapidamente quando Dumbledore se instalou em a cadeira de espaldar alto e o fixou com os seus olhos azuis e penetrantes . Contudo , antes que ele tivesse tido tempo de falar , a porta de o escritório abriu se de par em par com um enorme estrondo e Hagrid entrou com um olhar tresloucado , o lenço todo torcido em volta de a cabeça hirsuta e o galo morto ainda pendurado em a mão . - Não foi Harry , professor Dumbledore - disse , aflito . - Eu tinha estado a falar com ele poucos segundos antes de o rapazinho ser encontrado , ele não teve tempo professor ... Dumbledore tentou dizer qualquer coisa , mas Hagrid continuou , abanando o galo em o meio de a sua agitação e espalhando penas por todo o lado . - Não pode ter sido ele . Eu juro em a frente de o ministro de a magia , se for preciso ... - Hagrid , eu ... -- Tem o rapaz errado , professor . Eu sei qu'o Harry nunca ... - Hagrid - disse Dumbledore , elevando a voz . - Eu não penso que o Harry tenha atacado aquelas pessoas . - Oh ! - disse Hagrid , com o galo pendendo inerte a o seu lado . - Certo , ' tão eu espero lá fora , director . E saiu com ar envergonhado . - O senhor não acha que tenha sido eu ? - repetiu Harry cheio de esperança , enquanto Dumbledore sacudia penas de galo de cima de a secretária . - Não , Harry , não acho - afirmou Dumbledore , apesar de a sua expressão ser de_novo sombria . - Mas mesmo_assim quero falar contigo . Harry esperou ansiosamente enquanto o director o observava com as pontas de os dedos longos unidas . - Tenho de saber uma coisa . Harry , há alguma pergunta que queiras fazer me , qualquer que ela seja ? Harry não soube o que dizer . Lembrou se de Malfoy a gritar * _ Vocês serão os próximos , sangues de lama * e de a poção * _ Polisuco * em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Depois pensou em a voz sem corpo que ouvira duas vezes e em o que o Ron dissera * _ Ouvir vozes que ninguém mais ouve não é bom sinal , nem mesmo em o mundo de a feitiçaria * . Pensou também em o que toda_a_gente dizia de ele e em o receio cada_vez maior de ter uma relação qualquer com Salazar_Slytherin ... - Não - disse por fim . - Não há nada , professor . O ataque duplo a Justin e a o Nick quase sem cabeça transformou o que até_então era nervosismo em verdadeiro pânico . Curiosamente fora o destino de o Nick quase sem cabeça o que mais preocupara as pessoas . Quem poderia ter feito aquilo a um fantasma ? - perguntavam uns a os outros . - Que poder terrível era aquele , capaz de afectar alguém que já tinha morrido ? Houve uma precipitação enorme em a marcação de os bilhetes em o Expresso_de_Hogwarts , pois todos os alunos quiseram ir passar o Natal a casa . - Por este caminho , vamos ser os únicos a ficar - disse o Ron a o Harry e a a Hermione . - Nós , o Malfoy , o Goyle e o Crabbe , que férias lindas que vão ser ! Crabbe e Goyle que faziam sempre o que Malfoy fazia , tinham se inscrito para ficar também durante as férias . Mas Harry estava contente por a maior parte se ir embora . Estava farto de ver gente a afastar se em os corredores como_se ele fosse mostrar os dentes ou cuspir veneno . Estava cansado de tantos segredinhos , de os ver apontar e segredar quando passava . O Fred e o George , esses achavam muito divertido . Vinham , de propósito , pôr se a a frente de ele e atravessavam os corredores a gritar : - Abram alas para o herdeiro de Slytherin , vai passar um feiticeiro verdadeiramente cruel . Percy discordava totalmente de este comportamento . - Não é um assunto para se brincar - dizia com frieza . - Sai mas é de o caminho , Percy - dizia o Fred . - O Harry está com pressa . - Sim , ele vai a a Câmara_dos_Segredos tomar uma chávena de chá com o seu servidor dentes de serpente - completava Fred com uma gargalhada . Ginny também não lhes achava graça . - Cala te - gritava ela sempre_que o Fred perguntava em voz alta a o Harry quem estava a pensar atacar a seguir , ou quando George fingia afastá o com um enorme dente de alho . Harry não se importava . Fazia o sentir se melhor o facto de constatar que , pelo_menos para o Fred e para o George , a ideia de ele ser o herdeiro de Slytherin era absolutamente ridícula . Mas as palhaçadas de eles pareciam ofender Draco_Malfoy que , de cada_vez que os via , ficava mais irritado . - É porque está ansioso por dizer que é mesmo ele - disse o Ron com ar conhecedor . - Sabes como ele detesta que alguém o ultrapasse e tu estás a receber todo o crédito por o seu trabalho sujo . - Não vai ser por muito_tempo - disse Hermione com uma voz satisfeita . - A poção * polisuco * está quase pronta . Um de estes dias arrancamos lhe a verdade . Finalmente , o período chegou a o seu termo e um silêncio profundo como a neve em os campos desceu sobre o castelo . Harry adorou a tranquilidade e apreciou o facto de ele , Hermione e os Weasley terem a torre de os Gryffindor por sua conta , poderem jogar a as explosões bem alto , sem incomodar ninguém e praticar duelos entre si . O Fred , o George e a Ginny tinham preferido ficar em a escola a ir com Mr. e Mrs._Weasley a o Egipto visitar o Bill . Percy que reprovava e considerava infantil a conduta de eles , não passava muito_tempo em a sala comum de os Gryffindor . Já lhes dissera pomposamente que só ficara ali em o Natal , por ser sua obrigação como prefeito apoiar os professores em aquela época agitada . A manhã de o dia de Natal clareou branca e fria . Harry e Ron , os únicos que estavam em o dormitório , foram acordados muito cedo por Hermione que entrou , toda vestida , transportando presentes para ambos . - Acordem - disse em voz alta , abrindo os cortinados . - Hermione , tu não devias estar aqui - exclamou o Ron , protegendo os olhos de a luz . - Feliz_Natal para ti também - disse Hermione , atirando lhe o presente que tinha para ele . - Estou acordada há quase uma hora , acrescentando mais asas de renda a a poção . Está pronta . Harry sentou se , subitamente acordado . - Tens a certeza ? - Absoluta - disse ela , afastando o rato Scrabbers para se sentar a os pés de a cama de dossel . - Se vamos mesmo tomá a , acho que devia ser logo a a noite . Em esse momentzo , a Hedwig entrou em o quarto , transportando em o bico um embrulho pequenino . - Olá - disse Harry , feliz a o vê a aterrar em a sua cama . - Já me falas outra_vez ? Ela mordiscou lhe a orelha de uma forma afectuosa que foi , de longe , um presente melhor do_que aquele que transportava e que era afinal de os Dursley . Tinham mandado a Harry um palito para os dentes com um cartão pedindo lhe que se informasse se não poderia ficar , também em o Verão , em Hogwarts . Os outros presentes que Harry recebeu foram bastante melhores . Hagrid mandara lhe uma lata grande de bombons de melaço que ele decidiu amolecer a o lume antes de comer , o Ron deu lhe um livro chamado * _ Voando com Canhões * , que narrava factos interessantes sobre a sua equipa favorita de Quidditch e Hermione trouxera lhe uma luxuosa pena de águia . Harry abriu o último presente onde vinha uma camisola novinha , feita a a mão por Mrs._Weasley e um grande bolo de passas . Pegou em o cartão com uma nova sensação de culpa , pensando em o carro de Mr._Weasley que não voltara a ser visto desde_que chocara contra o salgueiro zurzidor e em a quantidade de infracções que ele e o Ron tinham em mente . Ninguém , nem mesmo os que estavam cheios de medo por terem de tomar a poção * polisuco * a seguir , deixou de adorar o jantar de Natal em Hogwarts . O salão nobre estava magnífico . Não_só havia uma_dúzia de árvores de Natal , cobertas de geada e espessas serpentinas de azevinho e visco bravo cruzando se junto de o tecto como caia uma neve encantada quente e seca . Dumbledore conduziu os em uma de as suas canções de Natal preferidas enquanto Hagrid se agitava , falando cada_vez_mais alto , a cada gole de gemada que tomava . O Percy que não dera por_que Fred enfeitiçara o seu distintivo de prefeito , onde agora podia ler se « cabeça de alfinetes « , continuava a perguntar a todos para_onde estavam a olhar . Harry nem_sequer se importou com os comentários que Draco_Malfoy fazia bem alto , de a mesa de os Slytherin acerca de a sua camisola nova . Com alguma sorte , Malfoy iria ser desmascarado dentro_de algumas horas . Harry e Ron mal tinham acabado a terceira dose de pudim de Natal quando Hermione os fez sair de o salão a a pressa para acabarem de tratar de os planos para essa noite . - Ainda precisamos de um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos - disse com o ar mais natural de este mundo como_se estivesse a mandá os a o supermercado comprar detergente . - E , é claro que o ideal será conseguirmos alguma coisa de o Crabbe e de o Goyle , são os melhores amigos de o Malfoy , ele conta lhes tudo . E precisamos também de ter a certeza de que eles não vão entrar em a sala quando vocês estiverem a interrogar o Malfoy . - Eu tenho tudo pensado - prosseguiu ela , ignorando a expressão estupefacta de Harry e Ron . Pegou em dois apetitosos bolos de chocolate . - Pus lhes um encantamento de sono . Vocês só têm de fazer com que o Crabbe e o Goyle os encontrem . Sabem como eles são gulosos , vão logo comê os . Quando estiverem a dormir , tirem lhes alguns cabelos e escondam nos em uma despensa de vassouras . Harry e Ron olharam , incrédulos , um para o outro . -- Hermione , eu não creio que ... -- Isto pode correr muito mal ... Mas Hermione tinha um brilho inflexível em os olhos que não era muito diferente do_que costumavam ver em o olhar de a professora Mc_Gonagall . - A poção não nos serve de nada sem os cabelos de o Crabbe e de o Goyle - disse com firmeza . - Vocês querem mesmo descobrir coisas sobre o Malfoy , não querem ? - Pronto , está bem - disse Harry . - Mas , e tu , vais arranjar cabelos de quem ? - Eu já tenho esse assunto resolvido - disse Hermione sorridente , tirando um frasquinho de o bolso e mostrando lhes um cabelo que lá estava dentro . - Lembram se de a Millicent_Bulstrode que lutou comigo em o clube de os duelos ? Ela deixou isto em o meu manto quando tentava estrangular me . E foi passar o Natal a casa , portanto , basta me dizer a os Slytherins que decidi voltar . Quando Hermione saiu para verificar de_novo a poção polisuco , Ron voltou se para Harry com uma expressão lúgubre . - Alguma vez viste um plano onde tantas coisas pudessem correr mal ? Mas para grande espanto de ambos , a primeira fase de a operação decorreu tão naturalmente como Hermione previra . Eles esconderam se em o * hall * de entrada , depois de o lanche de Natal , a a espera de o Crabbe e de o Goyle que tinham ficado sozinhos a a mesa de os Slytherin , deitando abaixo a quarta dose de bolo inglês . Harry colocou os bolos de chocolate em o fim de o corrimão . Quando avistaram Crabbe e Goyle a sair de o salão , Harry e Ron esconderam se rapidamente atrás_de uma armadura que estava junto de a porta de entrada . - Como_se pode ser tão estúpido ? - murmurou Ron sem se mexer enquanto Crabbe apontava satisfeitíssimo , mostrando a Goyle os bolos e agarrando os . Com um riso estúpido , enfiaram nos inteiros em as bocas enormes . Durante um momento , ambos mastigaram avidamente com olhares vitoriosos em o rosto . Depois , sem que a expressão se alterasse , caíram para trás e estatelaram se em o chão . Mais difícil foi transportá os para a despensa de o outro lado de o * hall * . Uma_vez armazenados em o meio de os baldes e esfregões , Harry arrancou alguns de os pêlos que cobriam a cabeça de o Goyle e Ron tirou alguns cabelos a o Crabbe . Roubaram lhes também os sapatos porque os de eles eram demasiado pequenos para os enormes pés de o Crabbe e de o Goyle . Em seguida , ainda atordoados com o que tinham acabado de fazer , correram até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mal conseguiam ver com o fumo preto e espesso que saía de o cubículo onde Hermione mexia o caldeirão . Tapando o rosto com os mantos , Harry e Ron bateram a o de leve em a porta . - Hermione ? Ouviram o ruído de o trinco e Hermione apareceu com a cara lustrosa e um ar ansioso . Por trás de ela ouviam o gloop gloop de a poção espessa e gorgolejante . Em o banco de a casa_de_banho estavam três copos de vidro . - Conseguiram ? - perguntou Hermione quase sem fôlego . Harry mostrou lhe o cabelo de o Goyle . - _ óptimo . Eu tirei estes mantos suplementares de a lavandaria - disse ela , pegando em uma pequena saca . - Vocês vão precisar de tamanhos maiores se vão ser o Crabbe e o Goyle . Olharam os três para o caldeirão . Vista de perto , a poção parecia uma lama espessa e escura a borbulhar indolentemente . - Tenho a certeza que fiz tudo certo - disse Hermione nervosa , relendo a página manchada de * _ Moste_Potente_Potions * . - Tem o aspecto que o livro diz que deveria ter ... depois de a tomar temos precisamente uma hora antes de nos transformarmos de_novo em as pessoas que somos . - E agora ? - murmurou o Ron . - Separamos a em três copos e adicionamos os cabelos . Hermione encheu cada_um de os copos com uma concha de sopa . Em seguida , retirou com a mão a tremer o cabelo de Millicent_Bulstrode de dentro de o frasquinho e pô o em o primeiro copo . A poção chiou fortemente como uma chaleira a ferver e espumou como louca . Um segundo depois ganhara um tom de amarelo doentio . - Urgh ! Essência_de_Millicent_Bulstrode - disse Ron , olhando com repugnância . - Aposto que o sabor é nojento . - Deitem os vossos - disse Hermione . Harry deixou cair o cabelo de o Goyle em o copo de o meio e Ron lançou o de o Crabbe em o último . Ambos chiaram e espumaram : o de o Goyle ficou de um tom caqui , o de o Crabbe de um castanho-escuro algo tenebroso . - Esperem - pediu Harry quando Ron e Hermione pegaram em os copos . - Será melhor não os tomarmos aqui todos juntos em um cubículo ; quando em os transformarmos não vamos cá caber e Millicent_Bulstrode não é nenhum duende . - Bem pensado - admitiu o Ron , abrindo a porta . - Cada_um em seu cubículo . Com todo o cuidado , para não entornar nem uma gota de a poção polisuco , Harry esgueirou se para o cubículo de o meio . - Prontos ? - perguntou . - Prontos - responderam as vozes de o Ron e de a Hermione . - Um , dois , três . Tapando o nariz , Harry bebeu a poção em dois grandes tragos . Tinha o sabor de a couve demasiado cozida . Os seus interiores começaram imediatamente a contorcer se como_se tivesse engolido serpentes vivas . Dobrado , Harry perguntava a si próprio se iria vomitar . Depois , uma sensação de ardor espalhou se rapidamente de o estômago até a as pontas de os dedos de as mãos e de os pés . Em seguida , fazendo o sobressaltar se , sobreveio o sentimento horrível de estar a derreter enquanto a pele de todo o seu corpo borbulhava como cera quente e , perante os seus olhos , as mãos começaram a crescer , os dedos a engrossar , as unhas a alargar e as articulações a tornarem se protuberantes como ferrolhos . Os ombros retesaram se dolorosamente e uma comichão em a testa preveniu o de que o cabelo estava a rastejar em direcção a as sobrancelhas . As túnicas rasgaram se enquanto o tórax se expandia como um barril , rebentando com os seus anéis . Os pés estavam em grande sofrimento dentro_de sapatos quatro números abaixo . Tão depressa como começara , tudo parou . Harry estava caído em o chão de pedra fria , ouvindo a Murta_Queixosa gorgolejando taciturna em o cubículo de o fundo . Com alguma dificuldade tirou os sapatos e levantou se . Era então assim que o Goyle se sentia ! Com a mão enorme a tremer , despiu a sua túnica que lhe ficava 30 centímetros acima de os tornozelos , pegou em as túnicas suplementares e amarrou os atacadores de os sapatos abotinados de o Goyle . Quis escovar o cabelo para o afastar um_pouco de os olhos e deu apenas com os pêlos hirsutos que lhe cresciam em a testa . Apercebeu se então de que os óculos lhe toldavam a visão porque o Goyle , obviamente , não precisava de eles . Tirou os e gritou . - Vocês estão bem ? - De a sua boca saiu a voz baixa e grossa de o Goyle . - Sim - respondeu lhe o grunhido de o Crabbe , a a sua direita . Harry abriu a porta de o cubículo e dirigiu se a o espelho partido . O Goyle olhava o de o outro lado com os seus olhos parados . Harry coçou a orelha e Goyle fez o mesmo . A porta de o Ron abriu se . Olharam um para o outro . Harry estava pálido e chocado . O amigo não se distinguia de o Crabbe , desde o corte de cabelo em forma de tigela até a os longos braços de gorila . - É inacreditável - disse o Ron , aproximando se de o espelho e beliscando o nariz achatado de o Crabbe . - Inacreditável ! - É melhor irmos indo - disse Harry , alargando a pulseira de o relógio que lhe cortava o pulso . - Ainda temos de descobrir onde fica a sala comum de Slytherin . Só espero que encontremos alguém que vá para lá e que nós possamos seguir . Ron que tinha estado a olhar espantado para ele , comentou : - Não imaginas como é bizarro ver o Goyle a pensar - bateu em a porta de Hermione . - Vamos , temos que ir ... Respondeu lhe uma voz aguda : - Eu ... eu acho que afinal não vou . Vão vocês sem mim . - Hermione , nós sabemos que a Millicent_Bulstrode é feia , ninguém vai pensar que és tu . - Não , a sério , acho que não vou . Despachem se vocês os dois , estão a perder tempo . Harry olhou para Ron , baralhado . - Aquilo parece mais de o Goyle , é como ele fica sempre_que algum professor lhe faz uma pergunta . - Estás bem , Hermione ? - perguntou Harry , através de a porta . - _ óptima , estou óptima , vão se embora . Harry olhou para o relógio . Cinco preciosos minutos tinham já passado . - Encontramo nos aqui , está bem ? - disse . Os dois abriram a porta de a casa_de_banho com todo o cuidado , viram se o caminho estava livre e saíram . - Não balances assim os braços - disse o Harry a o Ron . - Hein ? - O Crabbe anda sempre com eles esticados . - Assim ? - Isso , assim está melhor . Desceram a escadaria de mármore . Só precisavam agora de um Slytherin que pudessem seguir até a a sala comum , mas não havia ninguém por perto . - Tens alguma ideia ? - perguntou Harry em um murmúrio . - Os Slytherin vêm sempre de ali para o pequeno-almoço - disse o Ron , apontando para a entrada de os calabouços . Mal tinha pronunciado estas palavras quando uma rapariga de cabelo comprido a os caracóis , apareceu . - Desculpa - disse o Ron , sem perder tempo . - Esquecemo nos de o caminho para a nossa sala comum . - Como ? - disse a rapariga com a maior frieza . - A * nossa * sala comum ? Eu sou uma Ravenclaw . Afastou se , olhando para eles , desconfiada . Harry e Ron desceram apressadamente os degraus de pedra até a a escuridão . Os passos ecoavam em o silêncio , à_medida_que os pés enormes de Crabbe e Goyle tocavam em o chão , fazendo os sentir que as coisas não iam ser tão fáceis como eles desejavam . Os corredores labirínticos estavam desertos . Andaram e tornaram a andar por os subterrâneos , olhando constantemente para os relógios para ver quanto tempo ainda lhes restava . Depois de um quarto de hora , quando começavam a ficar desesperados , ouviram um movimento súbito . - Olha - disse o Ron , agitadamente . - Agora é um de eles . A silhueta saía de uma sala , mas quando se aproximaram o coração de ambos esmoreceu . Não era um Slytherin , era Percy . - O que estás a fazer aqui em baixo ? - perguntou o Ron surpreendido . - Isso - disse ele friamente - não é de a tua conta . És o Crabbe , não és ? - Er ... sim , sim - respondeu o Ron . - Então vão para o vosso dormitório - ordenou Percy com firmeza . - Não é seguro andar a passear por os corredores escuros em os dias que correm . - Tu andas -- fez notar o Ron . - Eu - disse o Percy endireitando se - sou um prefeito . Nada vai atacar me . Ouviu se , de repente , uma voz por_detrás_de Harry e Ron . Era_Draco_Malfoy e , pela_primeira_vez em a vida , Harry ficou satisfeito a o vê o . - Aí estão vocês - disse de modo arrastado , olhando para eles . - Têm estado a chafurdar em o salão este tempo todo ? Tenho andado a a vossa procura , quero mostrar vos uma coisa muito divertida . Malfoy olhou misteriosamente para Percy . - E o que fazes tu aqui , Weasley ? - perguntou com ar de desprezo . Percy olhou , sentindo se ultrajado . - Fazes favor de mostrar um_pouco mais de respeito por um prefeito de a escola - disse . - Não gosto de o teu ar . Malfoy riu se e fez sinal a o Harry e a o Ron para que o seguissem . Harry quase ia pedindo desculpa a o Percy , mas deu se conta a tempo . Apressaram se a seguir o Malfoy que disse , mal viraram em o corredor seguinte : - Aquele Peter_Weasley ... - O Percy - corrigiu Ron automaticamente . - Ou isso - continuou Malfoy . - Ultimamente tenho o visto muitas_vezes a andar por aí sorrateiramente e aposto que sei o que ele quer . Pensa que vai apanhar o herdeiro de Slytherin sozinho . Deu uma pequena gargalhada ridícula . Harry e Ron trocaram olhares nervosos . Malfoy parou junto de uma parede de pedra húmida . - Qual é a senha ? - perguntou a o Harry . - Er ... - Ah ! sim , sangue puro - disse Malfoy sem ouvir e uma porta de pedra , oculta em a parede , abriu se . Malfoy entrou e Harry e Ron seguiram o . A sala comum de os Slytherin era uma ampla divisão subterrânea com espessas paredes de pedra e um tecto de o qual estavam pendurados por correntes vários candeeiros redondos que davam uma luz esverdeada . O fogo crepitava em uma lareira elaboradamente esculpida em frente de a qual se viam as silhuetas de vários Slytherins sentados em cadeiras igualmente esculpidas . - Esperem aí - disse Malfoy a o Harry e a o Ron , encaminhando os para um par de cadeiras vazias , longe de o lume . - Eu vou buscar o que o meu pai acaba de me mandar . Sem saber o que Malfoy iria mostrar lhes , Harry e Ron sentaram se , fazendo todos os possíveis por parecer a a vontade . Malfoy voltou um minuto depois , trazendo em a mão o que parecia ser um recorte de jornal . Pô o debaixo de o nariz de o Ron . - Vais te rir - disse . Harry viu os olhos de o Ron abrirem se como_se estivesse em estado de choque . Viu o ler o recorte rapidamente , dar uma gargalhada forçada e estender lhe o em seguida . Tinha sido retirado de o * _ Profeta_Diário * e dizia : inquérito em o ministério de a magia * _ Arthur_Weasley , chefe de o Gabinete_de_Mau_Uso_dos_Utensílios_dos_Muggles foi hoje multado em cinquenta galeões por ter enfeitiçado um carro de os Muggles . * _ O senhor Lucius_Malfoy , Membro_do_Conselho_Directivo_da_Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts , onde o carro enfeitiçado foi chocar em o princípio de este ano , exigiu hoje a demissão de Mr._Weasley . « * _ O_Weasley trouxe o descrédito a o Ministério « - declarou Mr._Malfoy a o nosso repórter . - « É claramente incompetente para fazer cumprir as leis e a sua protecção ridícula de os Muggles deveria ir imediatamente para a sucata . » * _ Mr._Weasley recusou se a fazer comentários , mas a sua mulher disse a os repórteres que desaparecessem de ali ou lançaria contra eles o vampiro de a família * . - Então - disse Malfoy impaciente quando Harry voltou a entregar lhe o recorte . - Não achas o_máximo ? - Ha , ha - fez Harry tristemente . - O Arthur_Weasley gosta tanto de os Muggles que era capaz de partir a sua varinha a o meio para se juntar a eles - disse Malfoy com desprezo . - Ninguém diria que os Weasley eram sangue puro a avaliar por o modo como_se comportam . A cara de o Ron , ou melhor , de o Crabbe , contorceu se de raiva . - O que é_que se passa ? - perguntou Malfoy . - Dores de estômago - gemeu o Ron . - Então vai a a ala hospitalar e dá a todos aqueles sangues de lama um pontapé de a minha parte - disse Malfoy com o seu riso escarninho . - Sabes que estou espantado por o * _ Profeta_Diário * ainda não se ter referido a todos estes ataques - continuou pensativamente . - Calculo que o Dumbledore deve estar a tentar abafar as coisas . Ele ainda é posto em a rua se isto não acaba depressa . O pai sempre disse que Dumbledore foi a pior coisa que aqui veio parar . Ele adora os filhos de os Muggles , um director decente nunca deixaria um lodo como o Creevey entrar em esta escola . Malfoy começou a fingir que tirava fotografias com uma máquina imaginária e fez uma imitação maldosa , mas bastante fiel de o Colin : - Potter , posso tirar te a fotografia ? Dás me um autógrafo ? Posso lamber te os sapatos , por favor , Potter ? Baixou as mãos e olhou para Harry e Ron . - O que é_que se passa com vocês os dois ? Um_pouco atrasados , Harry e Ron forçaram o riso e Malfoy pareceu satisfeito . Talvez Crabbe e Goyle fossem sempre de reacção lenta . - O santo Potter , amigo de os sangues de lama - disse Malfoy . - É outro que não tem os sentimentos de um feiticeiro a sério ou não andaria por aí com aquela empertigada sangue de lama Granger . E as pessoas a pensarem que ele é o herdeiro de Slytherin . Harry e Ron esperaram com a respiração entrecortada : o Malfoy ia certamente dizer lhes , dentro_de segundos , que era ele , mas então ... - Quem me dera saber quem ele é - disse o Malfoy , de forma petulante . - Podia ajudá o . O queixo de o Ron caiu de tal maneira que a cara de o Crabbe ficou ainda mais desajeitada do_que era habitual . Felizmente Malfoy não deu por nada e Harry , em um pensamento rápido , disse : - Deves ter alguma ideia de quem está por_detrás_de tudo ... - Sabes perfeitamente que não tenho , Goyle , quantas vezes é preciso dizer te ? - cortou Malfoy . - E o pai também não me diz nada sobre a última vez que a câmara foi aberta . É claro que foi há cinquenta anos , antes de ele cá andar , mas o pai sabe tudo a esse respeito e diz que as coisas foram mantidas em grande segredo e que pareceria suspeito se eu soubesse demasiado . Mas há uma coisa que eu sei : de a última vez que a câmara foi aberta , morreu um sangue de lama . Por isso , aposto que é uma questão de tempo até que um de eles seja morto . Só espero que seja a Granger - disse satisfeito . Ron fechara os punhos gigantescos de o Crabbe . Sentindo que deitaria tudo a perder se ele desse um soco a o Malfoy , Harry lançou lhe um olhar de aviso e disse : - Sabes se a pessoa que abriu a câmara de a última vez foi apanhada ? - Ah ! sim , essa pessoa foi expulsa - disse Malfoy . - Ainda deve estar em Azkaban . - Azkaban ? - repetiu Harry confuso . - Azkaban , a prisão de os feiticeiros , Goyle - disse Malfoy , olhando para ele incrédulo . - Francamente , se fosses mais lento andavas para trás . Esticou se intranquilo , em a cadeira e disse : - O pai diz para eu esfriar a cabeça e deixar que o herdeiro de Slytherin faça o seu trabalho . Acha que a escola precisa de se livrar de a escória de os sangues de lama , mas não quer que eu me envolva em nada . Claro que ele agora tem um prato cheio . Sabes que o Ministério de a magia fez uma busca a a nossa mansão em a semana passada ? Harry tentou forçar a cara de bronco de o Goyle a uma expressão preocupada . - Sim - continuou Malfoy . - É claro que não encontraram grande coisa . O pai guarda uns materiais de magia negra muito valiosos , mas , felizmente , temos a nossa câmara secreta debaixo de o soalho de a sala de visitas ... - Ah ! - disse o Ron . Malfoy olhou para ele . Harry também . Ron corou e até o cabelo começou a ficar vermelho . O nariz estava também a diminuir lentamente ... a hora tinha acabado . Ron estava a voltar a a sua forma habitual e por o olhar de horror que lançou a Harry certamente ele também estava . Puseram se rapidamente de pé . - Tenho de tomar o remédio para o estômago - grunhiu o Ron e sem mais explicações saíram ambos a correr de a sala comum de os Slytherin , precipitaram se para a parede de pedra e galgaram a passagem , pedindo a todos os santos que Malfoy não tivesse dado por nada . Harry sentia os pés a nadarem em os sapatos enormes de o Goyle e tinha de levantar o manto visto_que diminuíra de tamanho . Subiram os degraus a correr até a o * hall * escuro de entrada onde se ouvia um som abafado que vinha de a despensa onde tinham fechado o Crabbe e o Goyle . Deixando os sapatorros de os dois de o lado de_fora , subiram já com os respectivos sapatos a escadaria de mármore até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Bem , não foi uma total perda de tempo - disse o Ron ofegante , fechando atrás_de si a porta de a casa_de_banho . - É certo que ainda não descobrimos de quem vêm os ataques , mas vou escrever a o meu pai amanhã a dizer lhe que procure debaixo de o soalho de a sala de visitas de o Malfoy . Harry olhou para o espelho partido . Tinha voltado a o normal . Pôs os óculos enquanto Ron batia em a porta de o cubículo de Hermione . - Hermione , sai de aí , temos um monte de coisas para te contar ... - Vão se embora - guinchou Hermione . Harry e Ron olharam um para o outro . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron . - Tu já deves ter voltado a o normal como nós ... Mas a Murta_Queixosa saiu subitamente através de a porta de o cubículo com um ar divertido como nunca a tinham visto . - Oh ! Esperem até ver - disse ela . - É horrível ! Ouviram o trinco de a porta a abrir se e Hermione apareceu a soluçar , a túnica levantada a cobrir lhe o rosto . - O que foi ? - perguntou o Ron indistintamente . - Ainda tens o nariz de a Millicent ou alguma coisa assim ? Hermione deixou cair a roupa e Ron recuou rapidamente . O rosto de ela estava coberto de pêlo preto , os olhos tinham ganho uma cor amarela e as orelhas eram pontiagudas , saindo espetadas para fora de os cabelos . - Era um pêlo de g-gato - disse a chorar . - A Millicent_Bulstrode d-deve ter um gato e a poção não está preparada para transformação em animais . - Oh-oh - disse o Ron . - Vão te gozar horrivelmente - disse a Murta , felicíssima . - Não te preocupes , Hermione - tranquilizou a rapidamente o Harry . - Vamos levar te para a ala hospitalar , a Madam_Pomfrey nunca faz muitas perguntas ... Não foi fácil convencer Hermione a sair de a casa_de_banho . A Murta_Queixosa despediu se com uma gargalhadavigorosa e grosseira . - Espera até todos descobrirem que tens uma cauda ! XIII_O diário muito secreto Hermione ficou em a ala hospitalar durante várias semanas . Houve uma onda de boatos sobre o seu desaparecimento quando o resto de os alunos voltou de as férias de Natal porque , é claro , todos pensam que ela tinha sido atacada . Foram tantos os estudantes a rondar a ala hospitalar para espreitar a ver se a viam que Madam_Pomfrey desceu de_novo as cortinas de a cama de ela para a poupar a a vergonha de ser vista com pêlo em a cara . Harry e Ron iam visitá a todas_as tardes . Quando o segundo período começou passaram a levar lhe diariamente os trabalhos de casa . - Se eu tivesse o bigode a crescer , tinha uma folga de o trabalho - disse uma tarde o Ron enquanto colocava uma pilha de livros a a cabeceira de a cama de Hermione . - Não sejas parvo , Ron , eu tenho de me manter a par de as coisas - disse Hermione com vivacidade . O humor de ela melhorara bastante com o facto de lhe ter desaparecido todo o pêlo de o rosto e de os olhos estarem lentamente a retomar a cor castanha . - Calculo que não tenham novas pistas ? - disse em um murmúrio para evitar que Madam_Pomfrey os ouvisse . - Nada - disse Harry tristemente . - Eu tinha tanta certeza de que era o Malfoy - repetiu o Ron por a centésima vez . - O que é isso ? - perguntou Harry , apontando para uma coisa com brilho dourado que estava debaixo de a almofada de Hermione . - É só um cartão a desejar boas melhoras - disse ela precipitadamente , tentando escondê o , mas o Ron foi mais rápido . Pegou lhe , abriu o e leu em voz alta : * _ Para_Miss_Granger , desejando lhe uma rápida recuperação , com o interesse e estima de o professor Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , Terceiro grau , Membro_Honorário_da_Liga_de_Defesa contra as Artes_Negras e vencedor por cinco vezes de o prémio O sorriso mais charmoso de a semana de o Semanário_das_Bruxas * . Ron olhou desconsolado para Hermione . - Tu dormes com isto debaixo de a almofada ? Mas Hermione foi poupada a ter de responder por a entrada de Madam_Pomfrey que lhe trazia a dose de medicamento de a tarde . - Achas que o Lockhart é o tipo mais esperto que conheceste ? - perguntou o Ron a o Harry quando saíram de a enfermaria e começavam a subir as escadas para a torre de os Gryffindor . O Snape tinha lhes passado tanto trabalho para_casa que Harry pensou que ia chegar a o sexto ano antes de o ter acabado . Ron vinha a dizer que devia ter perguntado a a Hermione quantas caudas de rato deveria juntar se a uma poção para o crescimento de o cabelo quando um grito de raiva vindo de o andar de cima lhes chegou a os ouvidos . - É o Filch - murmurou Harry enquanto subiam apressadamente as escadas e paravam para ouvir melhor . - Terá mais alguém sido atacado ? - disse nervosamente o Ron . Ficaram parados com as cabeças inclinadas para a voz de o Filch que parecia quase histérica . -- ... * _ Ainda mais trabalho para mim . Toda_a noite a esfregar como_se não tivesse já trabalho de sobra . Não , isto foi a gota de água que fez transbordar o copo , vou falar com Dumbledore * ... Os passos afastaram se e ouviram uma porta fechar se com grande estrondo . Puseram as cabeças fora de a esquina . O Filch tinha obviamente estado a patrulhar o seu habitual posto de vigia : estavam novamente em o lugar onde Mrs._Norris fora atacada . Perceberam imediatamente qual o motivo de os gritos . Uma enorme poça de água enchia metade de o corredor e parecia escorrer de a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Agora_que o Filch se calara podiam ouvir os uivos de a Murta que faziam eco em as paredes de a casa_de_banho . - Mas o que se passará com ela ? - disse o Ron . - Vamos lá ver - sugeriu Harry e arregaçando as túnicas até a os tornozelos entraram , atravessando a enorme poça de água , em a casa_de_banho que tinha o letreiro a dizer « Fora de serviço » e que eles , como sempre , ignoraram . A Murta_Queixosa chorava , se possível , mais alto do_que nunca . Parecia estar escondida em o cubículo de o costume . Lá dentro estava escuro pois as velas tinham se apagado com a enchente de água que deixara as paredes e o chão ensopado . - O que se passa , Murta ? - quis saber o Harry . - Quem é ? - perguntou ela infelicíssima . - Vieste atirar me mais alguma coisa acima ? Harry caminhou com dificuldade por causa de a água até a o cubículo de ela e disse : - Porque te faríamos nós uma coisa de essas ? - Não me perguntem - gritou a Murta , emergindo em uma onda de água que molhou ainda mais o chão já ensopado . - Eu estou aqui metida em a minha morte e alguém acha muito engraçado atirar me com um caderno acima ... - Mas , não pode magoar te se alguém te atirar alguma coisa acima - disse Harry , tentando ser prático . - Isto_é , seja o que for passa através_de ti , não é assim ? Tinha dito a frase errada . A Murta encheu o peito de ar e gritou a plenos pulmões : - Vamos todos atirar cadernos a a Murta já_que ela não sente nada ! Dez pontos se lhe acertarem em o estômago , cinquenta se lhe atravessar a cabeça ! Hah hah hah , que jogo lindo , não acham ? - Quem te atirou um caderno , afinal ? - perguntou o Harry . - Não sei ... eu estava sentada em a sanita a pensar em a morte e caiu me em cima de a cabeça - disse a Murta , olhando para eles . - Está ali , ficou todo molhado . Harry e Ron olharam para o ponto que a Murta lhes apontava debaixo de o lavatório . Um caderno pequenino e fino estava caído em o chão . Tinha uma capa preta muito gasta e estava encharcado como tudo em aquela casa_de_banho . Harry deu um passo em frente para o apanhar , mas o Ron agarrou lhe precipitadamente o braço . - O que foi ? - perguntou Harry . - Estás doido - disse ele . - Pode ser perigoso . - Perigoso ? - riu se Harry . - Essa agora Ron , como é_que pode ser perigoso ? - Ficarias surpreendido ... - explicou ele , olhando com ar apreensivo para o caderno . - Entre os livros que o Ministério confiscou , contou me o meu pai , havia um que queimava os olhos a as pessoas . E todos os que leram os * _ Sonetos_de_Um_Feiticeiro * ficaram a falar em verso para o resto de a vida . Havia também uma bruxa em Bath que tinha um livro que quem o lesse nunca mais conseguia parar , tinha de andar por aí com o nariz enfiado em as folhas , a fazer todas_as coisas só com uma mão e ... - Já chega , já chega , já percebi a tua ideia - disse O_Harry . O caderninho continuava caído e ensopado . - Bem , nunca saberemos a_não_ser_que tenhamos a coragem de dar uma vista de olhos - disse e mergulhou apanhando o de o chão . Harry viu imediatamente que se tratava de um diário e a data meio apagada , em a capa , disse lhe que tinha cinquenta anos de idade . Abriu o ansiosamente . Em a primeira página podia ler se apenas o nome T._M._Riddle em tinta esborratada . - Espera aí - disse o Ron que se aproximara prudentemente e olhava por cima de o ombro de Harry . - Eu conheço esse nome ... T._M._Riddle recebeu um prémio por serviços especiais prestados a a escola há cinquenta anos atrás . - Como diabo sabes tu isso ? - perguntou Harry com grande espanto . - Porque o Filch mandou me limpar a taça de ele umas cinquenta vezes quando estive de castigo - disse o Ron ressentido . - Foi a taça em cima de a qual eu vomitei lesmas . Se tivesses tido que limpar o muco de um nome durante uma hora também te lembrarias . Harry separou umas de as outras as páginas molhadas . Estavam completamente em branco . Não havia o mais leve sinal de escrita em nenhuma , nem coisas como « Aniversário de a tia Mabel « ou « Dentista a as três_e_meia » . - Ele nunca escreveu nada aqui - disse Harry desapontado . - Porque quereria alguém atirá o fora ? - perguntou se o Ron com curiosidade . Harry voltou o caderno e viu , inscrito em a contra capa , o nome de uma tabacaria em Vauxhall_Road , Londres . - Ele devia ser filho de Muggle - disse Harry pensativo - para ter comprado um diário em Vauxhall_Road ... - Bem , não te serve de muito - Ron baixou a voz . - Cinquenta pontos se acertares em o nariz de a Murta . Harry , mesmo_assim , guardou o diário . Hermione saiu de a ala hospitalar desbigodada , sem cauda e sem pêlo em os primeiros dias de Fevereiro . Em a primeira noite em a torre de os Gryffindor , Harry mostrou lhe o diário de T._M._Riddle e contou lhe como o tinham encontrado . - Ooooh ! Deve ter poderes ocultos - disse ela entusiasticamente , pegando em o diário e examinando o de perto . - Se tem , esconde os muito bem - disse Ron . - Talvez fosse tímido . Não sei porque não deitas isso fora , Harry . - Gostava de perceber porque motivo alguém se quis livrar de ele - explicou Harry . - E também não me importava de saber como foi que o Riddle obteve esse prémio de serviços especiais prestados a Hogwarts . - Pode ter sido qualquer coisa - lançou o Ron . - Talvez tenha recebido 30 de nota final ou salvo um professor de a lula gigante . Se_calhar assassinou a Murta , isso teria sido um favor prestado a todos ... Mas Harry quase podia jurar , por o olhar suspenso em a cara de Hermione , que ela pensava o mesmo_que ele . - O que foi ? - perguntou Ron , olhando para um e para o outro . - Bem , a Câmara_dos_Segredos foi aberta há cinquenta anos , não foi isso que disse o Malfoy ? - Sim - respondeu Ron , lentamente . - E este diário tem cinquenta anos de idade - completou Hermione , dando lhe palmadinhas nervosas . - E de aí ? - Oh Ron , acorda - insistiu Hermione . - Sabemos que a pessoa que abriu a câmara de a outra_vez foi expulsa há cinquenta anos . E se o Riddle tivesse tido o prémio especial por apanhar o herdeiro de Slytherin ? O seu diário diria nos provavelmente tudo : onde é a Câmara_dos_Segredos , como abris a e que tipo de criatura vive lá . Achas que a pessoa que está por trás de os ataques desta_vez quereria o diário por aí ? - É uma teoria interessante , Hermione - disse o Ron . - Apenas com uma pequenina falha : o diário não tem nada Mas_Hermione já estava a tirar a varinha de o saco . - Pode ser tinta invisível - murmurou . Bateu três vezes em o diário e repetiu * _ Aparecium ! * Nada aconteceu . Intrépida , Hermione meteu a mão de_novo em o saco e tirou o que parecia ser uma borracha vermelha e brilhante . - É um * revelador * , comprei o em a Diagon - _ Al - disse . Apagou com força em 1_de_Janeiro . Não sucedeu nada . - Já vos disse , não há nada aí - repetiu o Ron . - O Riddle deve ter recebido um diário como prenda de Natal e nem se deu a o trabalho de escrever fosse o que fosse . Harry não conseguia explicar , nem a si próprio , porque motivo não deitara fora o diário de Riddle . A verdade é_que , mesmo depois de saber que ele estava em branco , continuou distraidamente a pegar lhe e a virar as páginas como_se quisesse chegar a o fim de uma história . E , apesar_de saber que nunca tinha ouvido o nome T._M._Riddle , continuava a ter a sensação de que lhe dizia alguma coisa , como_se Riddle fosse um amigo que ele tinha tido quando era muito pequeno e que estivesse meio esquecido . Mas era um absurdo . Nunca tivera amigos antes de Hogwarts , Dudley tivera esse cuidado . Ainda_assim , Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle , por isso em o dia seguinte foi até a a sala de os troféus para examinar a taça , acompanhado de Hermione que estava interessadíssima e de Ron que se mostrava profundamente incrédulo , dizendo que tinha ficado farto de aquela sala até a o fim de a vida . A taça dourada de Riddle estava arrecadada em um armário de canto . Não fornecia detalhes sobre o motivo por_que lhe fora dada ( felizmente , se fosse maior ainda hoje estava a limpá a , disse o Ron ) . Mas encontraram o nome de Riddle em uma antiga medalha de Mérito_Mágico e em uma lista de antigos chefes de turma . - Parece o Percy - comentou Ron , torcendo o nariz com aversão . - Prefeito , chefe de turma , provavelmente o melhor em todas_as disciplinas . - Dizes isso como_se fosse uma coisa má - fez lhe notar Hermione , em um tom de voz ressentido . Um sol fraco brilhava agora de_novo em Hogwarts . Dentro de o castelo , o ambiente estava bastante melhor . Não tinha havido novos ataques desde Justin e Nick quase sem cabeça e Madam_Pomfrey teve a satisfação de informar que as Mandrágoras começavam a ficar instáveis e dissimuladas , sinal de que estavam a abandonar rapidamente a infância . - Logo_que o acne desapareça estarão prontas para novo transplante - ouviu a Harry dizer amavelmente a o Filch . - E depois de isso , não demorará muito até podermos cortá as e estufá as . - Vai ter Mrs._Norris de volta , muito em_breve . Talvez o herdeiro ou herdeira de Slytherin tenha perdido a coragem , pensou Harry . Deve ser cada_vez_mais arriscado abrir a Câmara_dos_Segredos com a escola tão alerta e desconfiada . Talvez o monstro , qualquer_que_fosse , estivesse a preparar se para hibernar durante outros cinquenta anos . Ernie_Mcmillan_dos_Hufilepuff não aceitou esta visão optimista . Continuava convencido de que Harry era o culpado , que se tinha traído em o clube de os duelos . Peeves não ajudava nada : continuava a cantar por os corredores Potter , * seu bandido * ... agora acompanhado de um esquema de dança . Gilderoy_Lockhart parecia pensar que fora ele quem pusera fim a os ataques . Harry fartou se de o ouvir dizer isso a a professora Mc_Gonagall enquanto os Gryffindor formavam bicha para a aula de Transfiguração . - Não creio que volte a haver problemas , Minerva - disse , tocando em o nariz com ar conhecedor e piscando o olho . - Acho que desta_vez a câmara foi definitivamente selada . O culpado deve ter sabido que era uma questão de tempo até eu o apanhar e que era mais sensato parar agora antes que eu lhe tratasse de a saúde . Sabe , a escola está a precisar de um intensificador de animo para apagar as lembranças de o último período . Não vou dizer lhe mais_nada , por enquanto , mas julgo que sei o que ... Voltou a tocar em o nariz e afastou se a passos largos . A ideia de Lockhart de um intensificador de ânimo ficou bastante clara em o dia_14_de_Fevereiro , a o pequeno-almoço . Harry não dormira grande coisa devido a o treino de Quidditch em a noite anterior e chegou a o salão um_pouco atrasado . Pensou , por momentos , que se tinha enganado em a porta . As paredes estavam todas cobertas com enormes e medonhas flores cor-de-rosa . Pior ainda , * confettis * em forma de corações caíam de o tecto azul pálido . Harry dirigiu se a a mesa de os Gryffindor onde o Ron estava sentado com um ar enjoado junto de Hermione que parecia particularmente risonha . - O que se passa ? - perguntou lhes , sentando se e sacudindo os * confettis * de o seu bacon . Ron apontou para a mesa de os professores , com um ar demasiado repugnado para falar . Lockhart , em as suas vestes rosa vivo , a condizer com a decoração de o salão , fazia sinal para que se calassem . Os professores que o ladeavam tinham um ar estupefacto . De o seu lugar , Harry podia ver um músculo mover se em a bochecha de a professora Mc_Gonagall . Snape estava com ar de quem tomou uma imensa dose de xarope * skele-gro * . - Feliz dia de S._Valentim - gritou Lockhart . - E permitam me que agradeça a as quarenta_e_seis pessoas que até agora me enviaram cartões . Sim , fui eu quem tomou a liberdade de vos fazer esta pequena surpresa , e ela não acaba aqui ! Lockhart bateu as palmas e por as portas de o * hall * entraram a marchar cerca de uma_dúzia de duendes de aspecto carrancudo . Não eram uns duendes quaisquer , diga se de passagem . Lockhart fizera os usar asas douradas e transportar harpas . - Os meus amigos cupidos , portadores de os cartões ! gritou Lockhart . - Eles vão andar por a escola durante o dia de hoje , entregando os vossos cartões de S._Valentim . E o divertimento não acaba aqui . Tenho a certeza de que os meus colegas vão querer participar em este espírito de festa . Porque não pedir a o professor Snape que vos mostre como preparar rapidamente uma poção de amor . E , enquanto ele a prepara , está aqui o professor Flitwick que é de todos os feiticeiros que conheci aquele que mais sabe de encantamentos de sedução , o grande safado ! O professor Flitwick enterrou o rosto em as mãos . Snape olhava como_se quisesse dar veneno a a primeira pessoa que fosse pedir lhe a poção de o amor . - Por favor , Hermione , diz me que não foste uma de as quarenta_e_seis - pediu Ron quando saíram de o salão para a primeira aula . Mas Hermione ficou subitamente muito interessada em procurar o horário dentro de a mala e não lhe respondeu . Durante todo o dia os duendes não pararam de se intrometer em as aulas para entregar cartões , para grande aborrecimento de os professores e , ao_fim_da_tarde , quando os Gryffindor subiam as escadas para a aula de encantamentos , um de eles avistou o Harry . - Hei , tu , Harry_Potter ! - gritou um duende de aspecto particularmente lúgubre , dando cotoveladas a_toda_a gente para se aproximar de o Harry . Coradíssimo com a ideia de receber um cartão de S._Valentim diante_de uma fila de alunos de o primeiro ano que , por acaso , incluía Ginny_Weasley , Harry tentou escapar se . Mas o duende cortou lhe o caminho através de a multidão e agarrou o em três tempos . - Tenho uma mensagem musical para entregar a Harry_Potter em pessoa - disse , tangendo a harpa de forma ameaçadora . - Aqui não - disse baixinho o Harry , tentando escapar . - Fica quieto - grunhiu o duende , agarrando o saco de o Harry e puxando com força . - Larga me - disse ele rispidamente , dando um puxão . Com um ruído de tecido a rasgar se , o saco dividiu se em dois . Os livros de Harry , varinha , pergaminho e pena espalharam se por o chão enquanto o tinteiro se partia em cima de as outras coisas . Harry pôs se de gatas , tentando apanhar tudo antes que o duende começasse a cantar , provocando um engarrafamento em o corredor . - O que se passa aqui ? - perguntou a voz fria e afectada de Draco_Malfoy . Harry , nervosíssimo , começou a guardar tudo dentro de o saco rasgado , desesperado para sair de ali antes que Malfoy pudesse ouvir o seu S._Valentim musical . - Que confusão é esta ? - disse outra voz familiar . Percy_Weasley tinha chegado . De cabeça perdida , Harry tentou fugir , mas o duende agarrou o por os joelhos e fê lo cair a o chão . - Certo - disse , sentando se em os tornozelos de Harry . Eis o teu cartão musical : * _ Os olhos de ele são verdes como o sapo de o quintal * _ O seu cabelo é escuro como um temporal * _ É um desatino , oh ! ele é divino ! * _ O herói que venceu o Senhor_do_Mal * . Harry teria dado todo o ouro de Gringotts para se evaporar em aquele momento . Tentando corajosamente rir se com todos os outros , levantou se . Sentia os pés dormentes de o peso de o duende . Enquanto isso , Percy_Weasley fazia todos os possíveis por dispersar a multidão onde havia gente que chorava de hilaridade . - Vamos embora , vamos embora , a campainha tocou há cinco minutos para as aulas - dizia , enxotando alguns de os alunos mais novos . - E tu , Malfoy . Harry olhou e viu Malfoy inclinar se , apanhar qualquer coisa e com um olhar maldoso mostrá a a Crabbe e Goyle . Percebeu que era o diário de Riddle . - Dá cá isso - exigiu com toda_a calma . - O que será que o Potter escreveu aqui ? - disse Malfoy que obviamente não reparara em a data e pensou que tinha em as mãos o diário de o Harry . Houve uma agitação em os presentes . Ginny olhava apavorada para o diário e para Harry . - Dá lhe isso , Malfoy - disse Percy com firmeza . - Depois de dar uma vista de olhos - retorquiu Malfoy , acenando a Harry com o diário de forma provocatória . Percy disse : - Como Prefeito de a escola ... - mas Harry perdera a paciência . Pegou em a varinha e gritou * _ Expelliarmus * e assim_como Snape desarmara Lockhart , MalLoy viu o diário saltar lhe de as mãos e elevar se em o ar enquanto Ron o apanhava sorridente . - Harry - disse Percy levantando a voz . - Não quero magia em os corredores . Vou ter de participar isto , sabes perfeitamente . Mas Harry não se importou . Tinha ganho uma_vez a Malfoy e isso valia bem cinco pontos a menos para os Gryffindor . Malfoy estava furioso e quando a Ginny passou por ele a caminho de a sala de aula , gritou lhe com desprezo : - Não creio que o Potter tenha gostado lá muito de o teu cartão de S._Valentim . Ginny tapou a cara e correu para a aula . Aborrecido , Ron pegou também em a varinha , mas Harry afastou o . Era melhor que ele não passasse a aula de encantamentos a vomitar lesmas . Só quando entraram em a sala de aula de o professor Flitwick é_que Harry reparou em uma coisa bastante estranha em o diário de Riddle . Todos os outros livros estavam cheios de tinta vermelha , mas o diário mantinha se tão limpo como antes de o tinteiro se ter entornado em cima de ele . Tentou chamar a atenção de Ron para este facto , mas ele estava novamente a ter um problema com a varinha : de a extremidade saíam grandes bolhas roxas e ele não parecia interessado em mais_nada . Em essa noite , Harry foi deitar se antes de os outros companheiros de dormitório , em parte porque já não conseguia suportar o Fred e o George a cantarem * _ Os seus olhos são verdes como o sapo de o quintal * e em parte porque queria voltar a examinar o diário de Riddle e sabia que em a opinião de o Ron era uma pura perda de tempo . Sentou se em a cama de dossel e folheou as páginas em branco em as quais não se via uma única mancha de tinta escarlate . Tirou então outro tinteiro de o armário a o lado de a cama , molhou a pena e deixou cair um borrão em a primeira página de o diário . A tinta brilhou em o papel durante um segundo e , em seguida , como_se a página a tivesse sugado , desapareceu sem deixar rasto . Depois , finalmente , algo aconteceu . Deslizando sobre a página em a cor de a sua tinta , surgiram palavras que Harry não escrevera . - * _ Olá_Harry_Potter . O meu nome é Tom_Riddle . Como é_que encontraste o meu diário ? * Também estas palavras desapareceram , mas não sem que Harry tivesse respondido . - Alguém tentou lançá o em uma sanita . Esperou ansiosamente por a resposta de Riddle . - * _ Felizmente guardei as minhas memórias de uma forma mais duradoura do_que a tinta . Mas sempre soube que haveria quem não iria querer que o diário fosse lido . * - O que queres dizer com isso ? - escrevinhou Harry , borrando a página com o nervosismo . - * _ Quero dizer que este diário contém memórias de coisas terríveis . Coisas que foram abafadas . Coisas que aconteceram em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . * - É onde eu estou agora - escreveu Harry rapidamente . - Estou em Hogwarts e estão a acontecer coisas horríveis . Sabes alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? O coração parecia querer saltar lhe de o peito . A resposta de Riddle não se fez esperar , a letra tornara se mais desordenada como_se tivesse pressa em contar lhe tudo_o_que sabia . - * _ É claro que sei de a Câmara_dos_Segredos . Em o meu tempo diziam nos que era uma lenda , que não existia , mas era mentira . Quando eu estava em o quinto ano a Câmara_dos_Segredos foi aberta e o monstro atacou vários estudantes , acabando matar um . Eu apanhei a pessoa que abriu a câmara e ele foi expulso . Mas o director , o professor Dippet , envergonhado por uma coisa de aquelas ter acontecido em Hogwarts , proibiu me de contar a verdade . Foi divulgada uma história dizendo que a rapariga morrera de um acidente extravagante . Deram me um troféu brilhante com o meu nome gravado e avisaram me para ficar calado . Mas eu sabia que ia voltar a acontecer . O monstro sobreviveu e aquele que tinha o poder para o libertar não foi para a prisão . * Harry quase entornou o tinteiro em a pressa de responder . - Está a acontecer outra_vez . Houve três ataques e ninguém parece saber quem está por_detrás_de tudo_isto . Quem foi de a última vez ? - * _ Posso mostrar te , se quiseres * - foi a resposta de o Riddle . - * _ Não tens de acreditar só em a minha palavra . Posso levar te a o fundo de a minha memória de a noite em que o apanhei . * Harry hesitou com a pena em o ar sobre o diário . O que quereria ele dizer ? Como poderia entrar em a memória de outra pessoa ? Olhou inquieto para a porta de o dormitório que começava a ficar escuro . Quando pôs de_novo os olhos em o diário viu as palavras que se formavam . - * _ Deixa-me mostrar te . * Harry parou durante uma fracção de segundo e depois escreveu duas letras . - O. _ K._As páginas de o diário começaram a esvoaçar como_se tivessem sido apanhadas em uma ventania , parando a meio de o mês_de_Junho . Boquiaberto , Harry viu que o quadradinho de 13_de_Junho se transformara em um pequeno ecrã de televisão . Com as mãos ligeiramente trémulas levantou o livro para encostar os olhos a a janelinha e antes de perceber o que estava a passar se , deu consigo inclinado para a frente com a janela a abrir se . O corpo abandonava a cama e era lançado de cabeça , por a abertura de a página , em um turbilhão de cor e sombras . Sentiu os pés tocarem em terra firme e pôs se de pé a tremer enquanto as formas desfocadas se tornavam subitamente nítidas . Soube imediatamente onde estava . Aquela sala circular com os retratos adormecidos era o escritório de Dumbledore , mas não era Dumbledore quem estava atrás de a secretária . Um feiticeiro mirrado , de aspecto débil e quase careca lia uma carta a a luz de as velas . Harry nunca vira aquele homem antes . - Desculpe - disse com a voz a tremer . - Eu não queria intrometer me ... Mas o feiticeiro não olhou . Continuou a ler , franzindo levemente as sobrancelhas . Harry aproximou se de a secretária e gaguejou : - Er ... eu vou me embora , está bem ? E o feiticeiro continuou a ignorá o . Parecia nem_sequer ter ouvido . Pensando que talvez ele fosse surdo , Harry falou mais alto . - Desculpe tê o incomodado - disse quase a gritar . O feiticeiro dobrou a carta com um suspiro . Pôs se de pé , passou por Harry sem olhar para ele e foi abrir os cortinados de a janela . O céu , lá fora , estava vermelho-rubi . Devia ser o pôr de o Sol . O feiticeiro voltou para a secretária , sentou se e girou os polegares , olhando para a porta . Harry olhou em volta . Não viu Fawkes , a fénix , nem as engenhocas prateadas que sibilavam . Aquela Hogwarts era a que Riddle conhecera e , portanto , aquele feiticeiro desconhecido era o director de então , não Dumbledore e ele , Harry , era pouco mais que um fantasma , totalmente invisível a as pessoas de há cinquenta anos atrás . Alguém bateu a a porta . - Entre - disse o velho feiticeiro , em uma voz fraca . Um rapazinho de dezasseis anos entrou , tirando o chapéu pontiagudo . Em o seu peito brilhava um distintivo prateado de prefeito . Era muito mais alto do_que Harry , mas tinha , tal_como ele , cabelo preto asa de corvo . - Ah ! Riddle - disse o director . - Queria falar comigo , professor Dippet ? - perguntou ele com ar nervoso . - Senta te - disse Dippet . - Tenho estado a ler a carta que me mandaste . - Oh ! - exclamou Riddle , sentando se e apertando as mãos uma contra a outra . - Meu rapaz - disse Dippet amavelmente . - Eu não posso deixar te ficar em a escola durante o Verão . Com certeza queres ir para_casa em as férias ? - Não - respondeu Riddle , sem perder tempo . - Prefiro mil vezes ficar em Hogwarts a ter de voltar a aquela ... aquela ... - Tu vives em um orfanato de Muggles durante as férias , não é assim ? - perguntou Dippet com curiosidade . - Sim senhor - disse Riddle , corando um_pouco . - És filho de Muggles ? - Meio sangue , professor - explicou Riddle . - Pai_Muggle , mãe bruxa . - E o teu pai e a tua mãe ... - A minha mãe morreu pouco depois de eu nascer , professor , contaram me em o orfanato que só teve tempo de me dar o nome : Tom , como o meu pai , Marvolo como o meu avô . Dippet estalou a língua solidariamente . - O que acontece , Tom - suspirou - é_que ... podia ter se arranjado uma situação especial para ti , mas em as circunstâncias actuais ... - Refere se a os ataques , professor ? - perguntou Riddle e o coração de Harry deu um salto , aproximando se com medo de perder alguma coisa . - Precisamente - disse o director . - Meu rapaz , compreendes que seria uma imprudência de a minha parte deixar te ficar em o castelo quando o período acabar , principalmente a a luz de a recente tragédia ... a morte de aquela pobre moça ... estarás sem dúvida em maior segurança em o orfanato . Em a verdade , o ministro de a magia até fala em fechar a escola . Não estamos nada perto_de localizar ... er ... a fonte de toda esta história desagradável . Os olhos de Riddle tinham se aberto mais . - Professor , se essa pessoa fosse apanhada ... se tudo acabasse . . . - Que queres dizer com isso ? - perguntou Dippet com voz aguda , endireitando se em a cadeira . - Riddle , tu sabes alguma coisa sobre estes ataques ? - Não senhor - respondeu ele de imediato . Mas Harry sabia que era o mesmo tipo de « não » que ele dissera a Dumbledore . Dippet afundou se de_novo com um ar de profundo desapontamento . - Podes ir , Tom . Riddle esgueirou se de a cadeira e saiu de a sala . Harry seguiu o . Desceram por a escada em espiral , saindo junto de a gárgula em o corredor que escurecia . Riddle parou e Harry fez o mesmo , olhando para ele . Quase podia apostar que ele pensava seriamente em alguma coisa . Mordia o lábio e tinha as sobrancelhas franzidas . A certa altura , como_se tivesse acabado de tomar uma decisão , começou a andar mais depressa com Harry a segui o ruidosamente . Não viram mais ninguém , a não ser quando chegaram a o * hall * de entrada onde um feiticeiro alto de longos cabelos ruivos e barba chamou Riddle de a escadaria de mármore . - O que andas a fazer por aqui tão tarde , Tom ? Harry olhou para o feiticeiro . Não era outro senão Dumbledore com cinquenta anos a menos . - Tive de ir falar com o director - justificou se Riddle . - Bem , agora vai depressa para a cama - disse Dumbledore , olhando Riddle com aquele olhar penetrante que Harry conhecia tão bem . - É melhor não andar a passear por os corredores em os dias que correm , pelo_menos até ... Suspirou profundamente , deu as boas-noites a o Riddle e foi se embora . Riddle viu o desaparecer e , sem perder tempo , desceu os degraus de pedra até a os calabouços com Harry em a peugada . Mas para seu grande desconsolo , Riddle não o conduziu a nenhum corredor ou túnel secreto e sim a o calabouço onde ele costumava ter aulas de poções com o Snape . As tochas não tinham sido acesas e quando Riddle empurrou a porta quase fechada , Harry só conseguiu vê o a ele , de pé , quieto junto de a porta , olhando para o corredor . Pareceu a Harry que ficaram ali quase uma hora . Tudo_o_que via era a silhueta de Riddle junto de a porta , olhando fixamente através de a greta , a a espera . Como_se fosse uma estátua . E quando Harry tinha abandonado todas_as expectativas e começava a desejar voltar a o presente , ouviu alguma coisa que se movia atrás de a porta . Alguém avançava lentamente por o corredor . Ouviu a pessoa , quem quer que fosse , passar por o calabouço onde ele e Riddle estavam escondidos . Riddle , silencioso como uma sombra , esgueirou se por a porta e seguiu o com Harry em bicos de pés atrás de ele , esquecido de que podia fazer barulho a a vontade porque ninguém o ouvia . Durante cerca de cinco minutos seguiram lhe os passos até que Riddle parou repentinamente com a cabeça inclinada em a direcção de novos ruídos . Harry ouviu uma porta a abrir se e em seguida alguém falou em um murmúrio rouco . - Vá lá , temos que sair de aqui ... vá lá , dentro de a caixa ... Havia algo de familiar em aquela voz . Riddle deu subitamente uma volta e Harry seguiu o . Podia ver a silhueta escura de um rapaz enorme que estava inclinado em frente de a porta aberta , com uma grande caixa a o lado . - Boa noite , Rubeus - disse Riddle secamente . O rapaz fechou a porta e pôs se de pé . - O que estás a fazer aqui , Tom ? Riddle aproximou se . - Acabou se - disse . - Vou ter de entregar te , Rubeus . Falam em fechar Hogwarts se os ataques não terminarem . - O que é_que tu ... ? - Eu acho que tu não quiseste matar ninguém , mas os monstros não são os melhores animais domésticos . Tu só quiseste deixá o sair para andar um_pouco e ... - Ele não matou ninguém - disse o rapaz grande , recuando contra a porta fechada . Lá de dentro vinham uns estranhos roncos e rugidos . - Vamos , Rubeus - disse Riddle , aproximando se mais ainda . - Os pais de a rapariga que morreu estarão aqui amanhã . O mínimo que Hogwarts pode fazer é assegurar lhes que aquilo que matou a filha de eles foi abatido ... - Não foi ele - gemeu o rapaz cuja voz ecoou em o corredor escuro . - Ele não faria isso ... ele nunca ... - Afasta te - disse Riddle , pegando em a varinha . O encantamento iluminou o corredor com uma luz brilhante . A porta atrás de o rapaz grande abriu se de par em par com tanta força que o atirou contra a parede . E de lá de dentro saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito que ninguém mais ouviu a não ser ele próprio . Tinha um corpo imenso , magro e peludo e um emaranhado de pernas pretas , a cintilação de muitos olhos e um par de tenazes afiadas . Riddle levantou de_novo a varinha , mas era tarde de mais . A coisa deixara o atarantado e corria apressadamente , precipitando se por o corredor e desaparecendo . Riddle pôs se de pé , olhou a a procura de o monstro , levantou a varinha , mas o rapaz grande saltou sobre ele , tirou lhe a varinha de as mãos e lançou o a o chão , gritando : - Naaaaaão ! A cena rodopiou . A escuridão tornou se total . Harry sentiu se a cair e com um embate aterrou como uma águia de patas e asas abertas em a sua cama de dossel , em o dormitório de os Gryffindor , o diário de Riddle aberto sobre o estômago . Antes de ter tido tempo de normalizar a respiração , a porta de o dormitório abriu se e o Ron entrou . - Aí estás tu - disse . Harry sentou se . Transpirava e tremia . - O que se passa ? - perguntou Ron , olhando aflito para ele . - Foi o Hagrid , Ron . O Hagrid abriu a Câmara_dos_Segredos há cinquenta anos atrás . XIV_Cornelius_Fudge_Harry , Ron e Hermione sabiam há muito_tempo que Hagrid tinha uma triste predilecção por criaturas grandes e monstruosas . Em o primeiro ano que passaram em Hogwarts , ele tentara criar um dragão em a sua pequena cabana de madeira e levaram muito_tempo a esquecer o gigantesco cão de três cabeças que ele baptizara de « fofinho » . E se , em rapaz , Hagrid tinha ouvido dizer que havia um monstro escondido em o castelo , Harry tinha a certeza que ele teria feito os impossíveis por descobri o . Provavelmente achou que era uma injustiça o monstro estar fechado tanto tempo e pensou que ele merecia a oportunidade de esticar as suas muitas pernas . Harry imaginava perfeitamente o Hagrid a os treze anos a tentar pôr uma coleira e uma trela a o monstro . Mas tinha igualmente a certeza de que ele nunca teria querido matar ninguém . De certo modo , Harry desejava não ter descoberto como utilizar o diário de Riddle . Ron e Hermione fizeram o contar repetidas vezes o que vira até ele ficar farto de repetir o mesmo e farto de a conversa circular que se seguia . - O Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse , de essa vez , Hermione . - O monstro que atacava as pessoas podia ser outro .... - Quantos monstros achas tu que pode haver em este lugar ? - perguntou o Ron aborrecido . - Sempre soubemos que o Hagrid tinha sido expulso - disse Harry tristemente - E os ataques devem ter terminado quando ele foi expulso . Se não fosse assim , Riddle não teria recebido um prémio . Ron tentou um caminho diferente . - O Riddle parece o Percy , quem lhe pediu afinal que deitasse abaixo o Hagrid ? - Mas o monstro tinha morto uma pessoa , Ron - insistiu Hermione . - E o Riddle ia ter de voltar para um orfanato Muggle se Hogwarts fosse fechada - disse Harry . - Não posso culpá o por querer ficar aqui ... Ron mordeu o lábio e a seguir sugeriu : - Tu encontraste o Hagrid em a Rua * _ Bativolta * , não foi ? - Ele estava a comprar repelente para lesmas - disse Harry rapidamente . Ficaram os três em silêncio . Depois de uma longa pausa , Hermione , em uma voz hesitante , formulou a pergunta mais complicada de todas : - Não acham que devíamos ir ter com ele e perguntar lhe ? - Essa seria uma visita simpática - disse o Ron . - Olá , Hagrid , diz nos uma coisa , soltaste por acaso alguma coisa louca e peluda por o castelo em estes últimos tempos ? Por fim , decidiram não dizer nada a o Hagrid a_não_ser_que houvesse outro ataque e à_medida_que passava mais tempo sem murmúrios de a voz sem corpo começaram a acreditar , esperançosos , que nunca mais teriam de falar sobre o motivo por_que fora expulso . Tinham passado já quase quatro meses desde o dia em que o Justin e o Nick quase sem cabeça tinham sido petrificados e quase toda_a_gente parecia pensar que o atacante , quem quer que ele fosse , se retirara para sempre . Peeves fartara se de a sua canção * _ Oh_Potter , seu bandido * , Ernie_Mcmillan pediu educadamente a o Harry , em a aula de herbologia , que lhe passasse um balde de cogumelos saltitantes e , em Março , várias mandrágoras deram uma festa ruidosa e roufenha em a estufa número três . A professora Sprout estava muito satisfeita . - Mal elas comecem a tentar mover se para os vasos umas de as outras , saberemos que estão maduras - disse ela a o Harry . - Nessa_altura poderemos reanimar aquelas pobres criaturas que estão em a ala hospitalar . Os alunos de o segundo ano tinham agora uma coisa nova em que pensar durante as férias de a Páscoa . Chegara a altura de escolherem as matérias de o terceiro ano , um assunto que Hermione , pelo_menos , tomou muito a sério . - Pode afectar todo o nosso futuro - disse a o Harry e a o Ron a o vê os ler cuidadosamente as listas de as novas matérias e pôr um V em frente de cada uma . - Eu só quero ver me livre de as poções - disse Harry . - Não podemos - explicou Ron tristemente . - Mantemos todas_as matérias antigas ou eu teria me livrado de a Defesa contra as artes negras . - Mas é muito importante - disse Hermione chocada . - Não de a maneira como Lockhart a dá - insistiu Ron . - Não aprendi nada até agora a não ser a nunca mais libertar duendes . Neville_Longbottom recebera cartas de todas_as bruxas e feiticeiros de a família , cada_um dando um conselho diferente sobre o que ele deveria escolher . Confuso e preocupado , sentou se a ler a lista de matérias , dando estalinhos com a língua e perguntando a as pessoas se achavam que a aritmancia seria mais difícil do_que o estudo de as runas em a Antiguidade . Dean_Thomas que , tal_como Harry , fora criado com Muggles , acabou por fechar os olhos e atirar a varinha contra a lista , escolhendo as matérias onde ela aterrava . Hermione não pediu conselho a ninguém e inscreveu se em todas . Harry sorriu de si para consigo imaginando como seria uma conversa com o tio Vernon e com a tia Petúnia sobre a sua carreira em feitiçaria . Não que não tivesse tido orientação : Percy_Weasley estava ansioso por partilhar a sua experiência . - Tudo depende de o lugar para_onde queres ir , Harry - disse ele . - Nunca é cedo de mais para pensar em o futuro , por isso eu aconselho te a adivinhação . As pessoas dizem que os estudos de Muggles são uma opção leve mas eu , pessoalmente , acho que os feiticeiros deveriam ter uma compreensão profunda de a comunidade não mágica , muito especialmente se pensarem em trabalhar em íntimo contacto com eles . Vê o meu pai que tem de lidar com assuntos de os Muggles a_toda_a hora . O meu irmão Charles foi sempre mais um tipo de o exterior , por isso foi para o Centro_de_Cuidados com as Criaturas_Mágicas . Segue os teus sentimentos , Harry . Mas a única coisa em que Harry sentia que era mesmo bom era o Quidditch . Por fim , acabou por escolher as mesmas matérias que o Ron escolhera , pensando que se fosse péssimo em elas pelo_menos tinha alguém amigo para o ajudar . O próximo jogo de Quidditch_dos_Gryffindor era contra os Hufflepuff . Wood insistia em treinos de equipa todas_as noites depois de jantar , por isso Harry não tinha tempo para mais_nada a não ser para o Quidditch e para os trabalhos de casa . Mas as sessões de treino estavam a melhorar ou pelo_menos estavam mais secas e em a véspera de o jogo de sábado ele foi a o dormitório guardar a vassoura , sentindo que as hipóteses de os Gryffindor ganharem a taça de Quidditch nunca tinham sido tão boas . Mas a sua boa disposição não durou muito . Em o cimo de as escadas que levavam a o dormitório encontrou o Neville_Longbottom nervosíssimo . - Harry , não sei quem fez aquilo , eu fui encontrar ... Olhando receoso para Harry , Neville empurrou a porta . O conteúdo de a mala de Harry fora espalhado por toda_a divisão . O seu manto estava em o chão rasgado . A roupa de cama tinha sido puxada de a cama de dossel e a gaveta de o armário que se encontrava a a cabeceira de a cama fora arrancada , estando o seu conteúdo espalhado sobre o colchão . Harry aproximou se de a cama boquiaberto , pisando algumas páginas soltas de * _ Viagens com Duendes * . Quando ele e Neville estavam a puxar os cobertores para_cima , entraram o Ron e o Dean_Seamas . Dean praguejou alto . - O que é isto , Harry ? - Não faço ideia - disse ele . Mas o Ron estava a examinar as vestes de Harry e todos os bolsos estavam de o avesso . - Alguém andou a a procura de qualquer coisa - disse o Ron . - Dás por falta de alguma coisa ? Harry começou a apanhar o que estava caído , lançando tudo dentro de a mala . Só quando atirou o último livro de Lockhart é_que se apercebeu do_que faltava . - O diário de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a o Ron . - O quê ? Harry fez lhe sinal em direcção a a porta de o dormitório e apressaram se a chegar a a sala comum de os Gryffindor que estava quase vazia e onde foram encontrar Hermione sozinha a ler * _ As_Runas_Antigas a o Alcance_de_Todos * . Hermione ficou aterrada com as notícias . - Mas ... só um Gryffindor podia tê o roubado ... ninguém mais conhece a nossa senha ... - Exactamente - disse Harry . Acordaram em o dia seguinte com um sol brilhante e uma brisa agradável . - Condições ideais para o Quidditch ! - exclamou Wood , cheio de entusiasmo , a a mesa de os Gryffindor , enchendo os pratos de os elementos de a sua equipa de ovos mexidos . - Harry , anima te , precisas de um pequeno-almoço decente . Harry tinha estado a olhar para a mesa cheia de alunos de os Gryffindor , perguntando a si próprio se o novo dono de o diário de Riddle estaria ali mesmo em frente de os seus olhos . Hermione insistira para que ele participasse o roubo mas ele não gostou de a ideia . Teria de contar a um professor tudo sobre o diário , e quantas pessoas saberiam o motivo por_que Hagrid fora expulso há cinquenta anos ? Não queria ser ele a fazer com que relembrassem tudo aquilo . Quando saiu de o salão com o Ron e a Hermione para ir buscar o material de Quidditch , outra preocupação viera juntar se a a sua lista cada_vez maior . Tinha acabado de pisar os degraus de a escadaria de mármore quando ouviu de_novo a voz : - * _ Matar desta_vez ... deixem me rasgar ... romper * ... Deu um grito e Ron e Hermione saltaram alarmados . - A voz - disse Harry , olhando por cima de os ombros de eles . - Acabo de a ouvir de_novo , vocês não ouviram nada ? Ron abanou a cabeça de olhos muito abertos Mas_Hermione bateu com a mão em a testa . - Harry , acho que percebi uma coisa . Tenho que ir a a biblioteca . E disparou a correr por as escadas acima . - O que é_que ela percebeu ? - disse Harry distraidamente , ainda a olhar em volta , tentando determinar de onde vinha a voz . - Mas porque teve ela que ir a a biblioteca ? - Porque a Hermione é assim - disse o Ron , encolhendo os ombros - Quando tem uma dúvida , vai a a biblioteca . Harry manteve se hesitante , tentando captar novamente a voz mas as pessoas começavam a sair de o salão , falando alto , passando por a porta principal e encaminhando se para o estádio de Quidditch . - É melhor ires indo - aconselhou Ron . - São quase onze horas , olha o jogo . Harry deu uma corrida até a a torre de os Gryffindor , pegou em a sua Nimbus dois_mil e juntou se a a vasta multidão que enchia os campos , mas o seu pensamento estava ainda em o castelo , em aquela voz sem corpo e quando pôs as roupas vermelhas , o seu único conforto foi pensar que estavam todos lá fora para assistir a o jogo . As equipas entraram em campo a o som de um tumulto de aplausos . Oliver_Wood fez um voo de aquecimento em volta de os postes , Madam_Hooch soltou as bolas . Os Hufflepuff que tinham fatos amarelo-canário estavam reunidos em grupo em uma discussão de última hora sobre as tácticas . Harry subia para a vassoura quando a professora Mc_Gonagall atravessou o campo , meio a andar , meio a correr , transportando um enorme megafone roxo . O coração de Harry caiu lhe a os pés . - Este jogo foi cancelado - gritou por o megafone a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a o estádio apinhado . Ouviram se Uuuus e assobios . Oliver_Wood , com um ar infelicíssimo , aterrou e correu para a professora McGonagall sem sair de a vassoura . - Mas , professora - gritou - temos de jogar ... a taça ... os Gryffindor ... A professora Mc_Gonagall ignorou o e continuou a gritar por o megafone . - Pede se a os estudantes que regressem a as salas comuns de as respectivas equipas onde os chefes de equipa lhes darão mais informações . O mais depressa possível , se fazem favor ! Em seguida , baixou o megafone e fez sinal a o Harry para que se aproximasse . - Potter , é melhor vires comigo ... Perguntando a si próprio que suspeita poderia ela ter contra ele , desta_vez , Harry viu Ron desligar se de a multidão discordante e vir a correr juntar se lhes , enquanto eles se dirigiam para o castelo . Para sua grande surpresa Mc_Gonagall não pôs qualquer objecção . - Sim , talvez seja melhor vires também , Weasley . Alguns de os estudantes que os rodeavam reclamavam por o jogo ter sido cancelado , outros tinham um ar preocupado . Harry e Ron seguiram a professora Mc_Gonagall de volta a a escola e através de a escadaria de pedra . Mas desta_vez não foram levados a nenhum escritório . - Isto vai chocar vos um_pouco - disse a professora Mc_Gonagall em um tom de voz surpreendentemente suave quando estavam a aproximar se de a ala hospitalar . - Houve outro ataque ... outro ataque duplo . As vísceras de o Harry deram um salto mortal . A professora Mc_Gonagall abriu a porta e ele e Ron entraram . Madam_Pomfrey estava inclinada sobre uma rapariga de o quinto ano de cabelos longos a os caracóis que Harry reconheceu como sendo a colega de os Ravenclaw a quem , por engano , tinham perguntado o caminho para a sala comum de os Slytherin . E , em a cama a o lado de ela , estava ... - Hermione - gemeu o Ron . Hermione jazia totalmente quieta , os olhos abertos e vítreos . - Foram encontradas perto de a biblioteca - disse a professora Mc_Gonagall . - Calculo que nenhum de vocês possa explicar isto ? Estava em o chão , junto de ela . A professora tinha em as mãos um pequeno espelho redondo . Harry e Ron acenaram negativamente com as cabeças , ambos com os olhos fixos em Hermione . - Eu acompanho vos a a torre de os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall pesadamente . - De qualquer modo tenho de falar com os alunos . - Os alunos regressarão a as salas comuns de as respectivas equipas , todos_os_dias , a as seis_horas_da_tarde . Nenhum aluno deverá sair de os dormitórios depois de isso . Serão escoltados até a as aulas por um professor . Nenhum aluno deverá ir a a casa_de_banho sem um professor a acompanhá o . Todos os treinos e jogos de Quidditch estão suspensos a_partir_de agora . Não haverá mais actividades nocturnas . Os Gryffindor , que enchiam a sala comum , ouviram em silêncio a professora Mc_Gonagall . Ela enrolou o pergaminho que acabara de ler e disse em uma voz algo chocada : - Não é preciso acrescentar que nunca me senti tão desolada . É provável que a escola seja encerrada se não for apanhado o culpado de todos estes ataques . Quero pedir que se algum de vocês achar que sabe alguma coisa sobre eles venha imediatamente ter comigo . Mal ela subiu , de forma um_pouco desastrada , por o buraco de o retrato , os Gryffindor começaram logo a falar . - São dois Gryffindor a menos , sem contar com o fantasma de os Gryffindor , um Ravenclaw e um Hufflepuff - disse o amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , contando por os dedos . - Não terá nenhum de os professores reparado que os Slytherin estão a salvo ? Será que não é óbvio que tudo_isto vem de eles ? O herdeiro de Slytherin , o monstro de Slytherin , porque não expulsam todos os Slytherin ? - resmungou , recebendo acenos e aplausos de todos os lados . Percy_Weasley estava sentado em uma cadeira atrás_de Lee , mas por uma_vez não pareceu querer expor os seus pontos de vista . Estava pálido e aturdido . - O Percy está em estado de choque - disse o George baixinho a o Harry . - Aquela rapariga de os Ravenclaw , Penelope_Clearwater , é prefeita . Acho que ele nunca tinha pensado que o monstro pudesse atacar um prefeito . Mas Harry não estava a ouvi o com atenção . Não conseguia esquecer a imagem de Hermione deitada em a cama de o hospital , como_se estivesse esculpida em pedra . E se o culpado não fosse apanhado rapidamente tinha em a frente uma vida inteira com os Dursley . Tom_Riddle entregara o Hagrid porque fora confrontado com a possibilidade de um orfanato Muggle se a escola fechasse . Harry sabia exactamente o que ele sentira . - Que vamos nós fazer ? - disse lhe o Ron baixinho a o ouvido . - Achas que eles suspeitam de o Hagrid ? - Temos de falar com ele - disse Harry , tomando uma decisão . - Não acredito que tenha culpa desta_vez , mas se ele libertou o monstro há cinquenta anos , sabe com certeza como entrar em a Câmara_dos_Segredos , o que já é um princípio . - Mas a Gonagall disse que temos que ficar em a torre a_não_ser_que estejamos em as aulas ... - Eu acho - disse Harry ainda mais baixo - que chegou a altura de tirar outra_vez de a mala o manto de o meu pai . Harry herdara apenas uma coisa de o pai : o enorme manto prateado de a invisibilidade . Era a única maneira de poderem esgueirar se de a escola para fazer uma visita a o Hagrid , sem que ninguém de esse por isso . Deitaram se a a hora de o costume , esperaram que o Neville , o Dean e o Seamas adormecessem para se levantarem , vestirem se de_novo e taparem se com o manto . A viagem por os corredores de o castelo escuro e deserto não era nada agradável . Harry que vagueara por ali muitas_vezes durante a noite nunca vira tanta gente depois de o pôr de o Sol . Professores , prefeitos e fantasmas andavam por os corredores a os pares , olhando em volta , em busca de qualquer actividade fora de o habitual . O manto de a invisibilidade não impedia que fizessem barulho e houve um momento particularmente tenso em que o Ron deu uma topada a menos_de um metro de o lugar onde Snape se encontrava . Felizmente Snape espirrou em o preciso momento em que o Ron praguejava . Foi com grande alívio que chegaram a as portas de carvalho de a entrada principal . Estava uma noite clara e cheia de estrelas . Dirigiram se apressadamente para as janelas iluminadas de a casa de Hagrid e só tiraram o manto mesmo em frente de a porta . Poucos segundos depois de terem batido abriu se a porta . Ficaram frente_a_frente com Hagrid que lhes apontou uma besta enquanto Fang , o cão caçador de javalis , ladrava furiosamente atrás de ele . - Oh ! - disse , baixando a arma quando viu que eram eles . - O que estão vocês a fazer aqui ? - Para que é isso ? - perguntou Harry , apontando para a besta , enquanto entrava . - Nada , não é nada - murmurou Hagrid . - Tenho estado a a espera ... não tem importância , sentem se que eu vou fazer um chá . Dava a impressão de não saber o que fazia . Quase apagou a lareira , vertendo a água de a chaleira em o lume e em seguida esmagou o bule com um gesto de a sua mão maciça . - Estás bem , Hagrid ? - perguntou Harry . - Soubeste de a Hermione ? - Soube , sim - disse ele com um leve tremor em a voz . Continuava a olhar nervosamente para as janelas . Deu lhe os duas grandes canecas de água a ferver ( esquecera se de juntar o chá ) e estava a acabar de pôr em um prato uma fatia grossa de bolo de frutas quando alguém bateu energicamente a a porta . Hagrid deixou cair o bolo . Harry e Ron trocaram entre si olhares de pânico e , em seguida , cobriram se com o manto de a invisibilidade e esconderam se em um canto . Hagrid assegurou se de que eles estavam bem escondidos , pegou em a besta e abriu , mais_uma_vez , a porta . - Boa noite , Hagrid . Era_Dumbledore . Entrou com um ar muito sério , seguido de um homem bizarro . O estranho era um homenzinho pequenino , de porte majestoso com cabelos grisalhos desalinhados e uma expressão de ansiedade em o rosto . Usava uma inesperada mistura de roupas . Um fato a as riscas , uma gravata vermelho escarlate , um longo manto negro e umas botas roxas pontiagudas . Debaixo de o braço trazia um chapéu de coco verde lima . -- É o patrão de o meu pai - murmurou o Ron . Cornelius_Fudge , o ministro de a magia ! Harry deu lhe uma valente cotovelada para o fazer calar se . Hagrid tinha ficado suado e pálido . Deixou se cair em uma de as cadeiras e olhava de Dumbledore_para_Cornelius_Fudge . - Más notícias , Hagrid - disse Fudge em um tom bastante grave . - Muito más notícias . Tive de vir . Quatro ataques a filhos de Muggles , as coisas foram longe_de mais . O ministério tem que tomar uma atitude . - Eu nunca ... - disse Hagrid , parecendo implorar a Dumbledore . - O senhor sabe que eu nunca ... professor Dumbledore , o senhor ... - Quero que fique claro , Cornelius , que Hagrid tem a minha total confiança - afirmou Dumbledore , franzindo as sobrancelhas . - Olha , Albus - disse Fudge pouco a a vontade - a ficha de o Hagrid depõe contra ele . O ministério tem de fazer alguma coisa , o Conselho_Directivo de a escola tem se reunido ... - Mesmo_assim , Cornelius , devo dizer te mais_uma_vez que levar o Hagrid de aqui não vai ajudar em nada - afirmou Dumbledore com os olhos azuis com um fogo que Harry nunca vira antes . - Tenta compreender o meu ponto de vista - insistiu Fudge , brincando com o chapéu . - Estou a ser tremendamente pressionado , tenho de mostrar que faço alguma coisa . Se se provar que não foi o Hagrid , ele voltará e não se fala mais em o assunto . Mas tenho de levá o , tem de ser , não estaria a cumprir a minha obrigação se ... - Levar me ? - perguntou Hagrid a tremer . - Levar me para_onde ? - É uma pena curta - disse Fudge , sem o olhar em os olhos . - Não é um castigo , Hagrid , chamemos lhe antes uma precaução . Se mais alguém for apanhado , tu sais com todas_as nossas desculpas . - Não é para Azkaban ? - balbuciou Hagrid . Mas antes que Fudge tivesse tido tempo de responder , ouviu se bater mais_uma_vez a a porta . Dumbledore abriu . Foi a vez de Harry levar uma cotovelada em as costas : soltara um gemido audível . Mr._Lucius_Malfoy entrou em a cabana de o Hagrid embrulhado em uma longa capa preta de viagem , com um sorriso frio de satisfação . O Fang começou a rosnar . - Já está aqui , Fudge ? - disse de forma aprovadora . - Muito bem , muito bem ... - O que estás a fazer aqui ? - perguntou Hagrid furioso . - Sai imediatamente de a minha casa . - Meu bom homem , acredite que não tenho prazer nenhum em entrar em a sua ... er ... chamou lhe casa ? - disse Lucius_Malfoy , sorrindo sarcasticamente enquanto observava a pequena divisão . - Eu limitei me a ir a a escola e disseram me que o director estava aqui . - E o que queres de mim , Lucius ? - perguntou Dumbledore . O seu tom de voz era educado mas em os olhos azuis brilhava ainda o mesmo fogo . - Uma notícia horrível , Dumbledore - disse Mr._Malfoy de forma arrastada , pegando em um grande rolo de pergaminho . - Mas os membros de o conselho pensam que é altura de tu saíres . Isto_é uma ordem de suspensão , tens aí doze assinaturas . Lamento muito mas em a nossa opinião estás a perder a firmeza . Quantos ataques houve até agora ? Mais dois hoje a a tarde , não foi ? A este ritmo vão acabar todos os filhos de Muggles em Hogwarts e todos sabemos que seria uma terrível perda para a escola . - O que é isso , Lucius ? - protestou Fudge com ar alarmado . - O Dumbledore suspenso não ... não , seria a última coisa que desejaríamos em este momento ... - A nomeação ou suspensão , de o director é de a competência de os membros de o Conselho_Directivo , Fudge - disse suavemente Mr._Malfoy . - E como Dumbledore não foi capaz de pôr cobro a estes ataques ... - Oh ! Lucius , se Dumbledore não conseguiu - disse Fudge com o lábio superior a suar . - Quem irá conseguir ? - Isso está para se ver - disse Mr._Malfoy com um sorriso mesquinho . - Mas como os doze votamos ... Hagrid pôs se de pé em um salto , o cabelo preto hirsuto a roçar em o tecto . - E quantos tiveste de chantajar para concordarem contigo , Malfoy ? - Meu caro Hagrid , sabe que esse seu temperamento ainda acaba por lhe criar problemas um dia de estes - disse Mr._Malfoy . - Não o aconselho a gritar assim com os guardas de Azkaban . Eles não iriam gostar nada . - Não podes levar Dumbledore - gritou Hagrid , fazendo Fang , o cão caçador de javalis , agachar se e ganir em o seu cesto . - Sem ele , os filhos de os Muggles não têm qualquer hipótese . A seguir haverá mortes . - Acalma te , Hagrid - disse Dumbledore de forma cortante , olhando para Lucius_Malfoy . - Se os membros de o conselho querem substituir me , eu sairei , claro . - Mas - interrompeu Fudge . - Não - rosnou Hagrid . Dumbledore não tirara os seus olhos azuis brilhantes de os olhos cinzentos e frios de Lucius_Malfoy . - Contudo - disse , pronunciando cada palavra lenta e claramente para que nenhum de eles perdesse o seu sentido - verás que só deixarei verdadeiramente esta escola quando ninguém aqui me for leal . Descobrirás também que será sempre dada ajuda em Hogwarts a quem a pedir . Por um segundo , Harry teve quase a certeza de que os olhos de Dumbledore tremelaziram em direcção a o canto onde ele e Ron estavam escondidos . - Sentimentos admiráveis - disse Malfoy , fazendo uma vénia . - Todos nós vamos sentir a tua ... forma muito pessoal de fazer as coisas , Albus . Só espero que o teu sucessor consiga evitar qualquer ... crime . Dirigiu se a a porta de a cabana , abriu a e fez sinal a Dumbledore para que passasse a a sua frente . Fudge , mexendo nervosamente em o chapéu de coco , esperou que Hagrid fizesse o mesmo mas ele ficou quieto , respirou fundo e disse prudentemente : - Se alguém quiser descobrir alguma coisa , o que tem a fazer é seguir as aranhas . Elas indicarão o caminho , é tudo_o_que vos digo . Fudge olhou para ele espantado . - Está bem , eu vou - disse Hagrid , pegando em o seu sobretudo de pêlo de toupeira . Mas quando ia seguir o Fudge e sair por a porta , parou e disse em voz alta : - E alguém tem de dar de comer a o Fang enquanto eu não estiver cá . A porta fechou se ruidosamente e Ron tirou o manto de a invisibilidade . -- Estamos outra_vez em uma alhada - disse com voz rouca - Sem o Dumbledore podem fechar a escola já esta noite . Sem ele vai haver um ataque por dia . O Fang começou a ganir , arranhando a porta fechada . XV_Aragog_O_Verão insinuava se em os campos em volta de o castelo . O céu e o lago tinham se tornado de um azul-molusco e as flores , grandes como couves , começavam a florir em as estufas . Mas sem o Hagrid , que ele costumava avistar de o castelo , atravessando os campos com o Fang atrás , parecia a Harry que a paisagem não estava completa . Não era melhor dentro de o castelo onde tudo corria horrivelmente mal . O Harry e o Ron tinham tentado visitar a Hermione , mas as visitas a o hospital estavam proibidas . - Não vamos correr mais riscos - disse lhes Madam_Pomfrey com ar severo , através_de uma fresta de a porta de o hospital . Não , lamento , há muitas hipóteses de o atacante voltar para acabar de vez com estas pessoas ... Com Dumbledore longe , o medo espalhara se como nunca acontecera antes , de_tal_modo_que o sol que aquecia as paredes de o castelo por fora parecia parar junto de as janelas de pinázios . Não se via um único rosto em a escola que não andasse tenso e preocupado e qualquer gargalhada , em os corredores , se tornava incómoda e antinatural e era rapidamente abafada . Harry repetia constantemente , de si para consigo , as últimas palavras que ouvira a Dumbledore : - * _ Só terei verdadeiramente deixado esta escola quando ninguém me for leal ... será sempre dada ajuda , em Hogwarts , a quem a pedir * . Qual seria o significado exacto de aquelas palavras ? A quem deveria pedir ajuda quando todos estavam tão confusos assustados como ele ? A alusão de Hagrid a as aranhas era bastante mais fácil de entender . O problema era que parecia não ter restado uma única aranha em o castelo para eles a poderem seguir . Harry procurou por todo o lado com a ajuda relutante de o Ron . As coisas estavam dificultadas por o facto de não poderem andar sozinhos e terem de se deslocar em grupo dentro de o castelo , juntamente com outros Gryffindor . A maior parte de os alunos gostava de ser conduzida como carneiros de uma aula para a outra por os professores mas Harry achava horrível . Havia , contudo , uma pessoa que parecia apreciar aquela atmosfera de terror e suspeitas . Draco_Malfoy passeava empertigado por a escola como_se tivesse sido nomeado para chefe de turma . Harry só compreendeu o motivo de toda aquela boa disposição cerca de quinze_dias depois de Dumbledore e Hagrid se terem ido embora quando , em uma aula de poções , o ouviu falar com o Crabbe e o Goyle . - Sempre achei que seria o pai quem conseguiria livrar nos de o Dumbledore - disse sem a menor preocupação em baixar a voz . - Já vos disse , segundo ele , Dumbledore foi o pior director que a escola alguma vez teve . Talvez agora venha um director decente que não queira a Câmara_dos_Segredos fechada . A Mc_Gonagall não vai durar muito , está só a ... O Snape passou por Harry , sem fazer comentários a o caldeirão e a a cadeira vazia de Hermione . - Professor - disse Malfoy em voz alta . - Professor , porque não se candidata a o lugar de director ? - Ora , ora , Malfoy - respondeu Snape , sem conseguir esconder um meio sorriso . - O professor Dumbledore foi apenas suspenso por os membros de o conselho de direcção , certamente vai voltar um dia de estes . - Sim , claro - disse Malfoy com o seu sorriso escarninho . - Acho que se o professor quisesse candidatar se a o lugar teria o voto de o pai . Eu vou dizer lhe que o acho o melhor professor de a escola . Snape sorriu enquanto passeava de um lado para o outro em o calabouço , não tendo felizmente visto o Seamus_Finnigan que fingia vomitar para dentro de o caldeirão . - Estou espantado por ver que até agora os sangues de lama ainda não fizeram as malas e não desapareceram - prosseguiu Malfoy . - Aposto cinco galeões em como o próximo morre . Pena que não tenha sido a Granger ... A campainha tocou em esse momento o que foi uma sorte porque a o ouvir as últimas palavras de Malfoy , Ron deu um salto , mas em a barafunda de guardar os livros em os sacos , a sua tentativa de agarrar o Malfoy passou despercebida . - Deixem me - gritava o Ron enquanto o Harry e o Dean lhe agarravam os braços . - Não preciso de varinha , vou dar cabo de ele com as minhas mãos ... - Despachem se , tenho de conduzir vos a a aula de herbologia - praguejava o Snape acima de as cabeças de os alunos . E lá foram como cordeirinhos com Harry , Ron e Dean em a retaguarda , o Ron ainda a tentar libertar se . Só acharam seguro largá o quando Snape os deixou fora de o castelo e iniciaram o percurso por o meio de a horta em direcção a as estufas . A aula de herbologia estava reduzida . Tinha agora dois alunos a menos : Justin e Hermione . A professora Sprout pô os a trabalhar , podando as figueiras-da-abissínia . Harry foi despejar uma braçada de hastes secas em um monte de adubo e deu consigo cara a cara com Ernie_Mcmillan . Ernie respirou fundo . - Só quero dizer te , Harry que lamento ter suspeitado de ti . Sei que nunca atacarias a Hermione_Granger e peço te desculpa por todas_as coisas que disse . Estamos todos em o mesmo barco , agora e , bem ... Estendeu lhe uma mão rechonchuda que o Harry apertou . Ernie e a sua amiga Hannah foram trabalhar em a mesma figueira com o Harry e o Ron . - Aquele tipo , Draco_Malfoy - disse Ernie , partindo pequenos galhos - , parece muito satisfeito com isto tudo , não acham ? É bem possível que ele seja o herdeiro de Slytherin . - Uma observação inteligente de a tua parte - disse o Ron que parecia não ter desculpado Ernie tão facilmente como o Harry . - Acham que é ele ? - perguntou Ernie . - Não - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Hannah ficaram a olhar espantados . Um segundo depois , Harry avistou qualquer coisa que o levou a chamar a atenção de o Ron , batendo lhe em a mão com a tesoura de podar . - Au ... o que é_que tu ... ? Harry apontava para o chão , a poucos centímetros de distância . Várias aranhas grandes corriam precipitadamente por a terra fora . - Ah ! sim - disse o Ron , tentando , sem conseguir , mostrar se entusiasmado . - Mas não podemos seguis as agora ... Ernie e Hannah ouviam nos com curiosidade . Harry viu as aranhas desaparecerem . - Parecem ir em a direcção de a floresta proibida ... E o Ron ficou ainda mais infeliz a o ouvir aquilo . Em o final de a aula , o professor Snape acompanhou os alunos a a « Defesa contra as artes negras » . Harry e Ron foram atrás de os outros para poderem conversar sem serem ouvidos . - Temos de usar outra_vez o manto de a invisibilidade - disse Harry a o Ron . - Podemos levar connosco o Fang , ele está habituado a ir a a floresta com o Hagrid , pode ser uma boa ajuda . - Certo - disse o Ron , que fazia girar nervosamente a varinha em os dedos . - Er ... não costuma haver ... não costuma haver lobisomens em a floresta ? - acrescentou enquanto ocupavam os lugares de o costume em a aula de o Lockhart . Preferindo não responder a a pergunta , Harry disse : - Também há lá coisas boas . Os centauros são fixes e os unicórnios . Ron nunca estivera em a floresta proibida , Harry fora lá só uma_vez e desejara não ter de lá voltar . Lockhart deu um salto para dentro de a sala de aula e os alunos ficaram espantados a olhar para ele . Todos os outros professores andavam mais tristes do_que o habitual mas Lockhart parecia sentir se em as nuvens . - Então , então - exclamou , olhando em volta . - Porquê essas caras deprimidas ? Lançaram lhe olhares exasperados mas ninguém respondeu . - Não compreendem - disse , falando devagar como_se fossem todos um_pouco estúpidos - que o perigo já passou ? O culpado foi se embora . -- Quem disse ? - retorquiu Dean_Thomas em voz alta . -- Meu caro jovem , o ministro de a magia não teria levado Hagrid se não estivesse cem por_cento certo de que ele era o culpado - disse Lockhart como quem explica que um e um são dois . - Teria , sim - disse o Ron , em um tom de voz ainda mais alto do_que o de o Dean . - Eu julgo saber um_pouco mais sobre a prisão de o Hagrid do_que o senhor , Mr._Weasley - disse Lockhart com notória auto-satisfação . Ron começou a dizer que discordava mas foi interrompido por o Harry que lhe deu um forte pontapé por debaixo de a mesa . - Nós não estávamos lá , lembras te ? - murmurou . Mas a alegria revoltante de o Lockhart , as insinuações de que sempre tinha achado que o Hagrid não prestava , a sua certeza de que tudo aquilo estava a chegar a o fim , irritou Harry de tal maneira que teve vontade de lhe atirar as * _ Viagens com Vampiros * e de lhe acertar em aquela cara estúpida . Mas , em vez de isso , limitou se a escrevinhar um bilhete para o Ron : * _ Vamos lá hoje a a noite * . Ron leu a mensagem , engoliu em seco e olhou para o lugar onde Hermione costumava sentar se . A cadeira vazia pareceu ajudá o a decidir se e acenou afirmativamente . A sala comum de os Gryffindor estava agora sempre cheia porque , depois de as seis_da_tarde , os Gryffindor não tinham outro lugar para ir . Por outro lado , tinham imenso para conversar , por isso a sala comum mantinha se cheia de gente até depois de a meia-noite . Logo_a_seguir a o jantar , Harry foi buscar o manto de a invisibilidade a a mala onde estava guardado e passou todo o serão a a espera que a sala esvaziasse . O Fred e o George desafiaram o para alguns jogos de explosão e a Ginny sentou se , muito preocupada , a observá os , em a cadeira habitual de Hermione . Harry e Ron fartaram se de perder de propósito em uma tentativa de pôr rapidamente fim a os jogos mas , mesmo_assim , já passava bastante de a meia-noite quando o Fred , o George e a Ginny se foram , finalmente , deitar . Harry e Ron esperaram até ouvir as portas de os dois dormitórios fecharem se . Em seguida , pegaram em o manto , lançaram o sobre ambos e passaram por o buraco de o retrato . Era mais uma difícil travessia de o castelo , tendo de fintar todos os professores . Finalmente , chegaram a o * hall * de entrada , giraram o fecho de as portas de carvalho , esgueiraram se tentando não fazer barulho e aventuraram se nos campos iluminados por o luar . - É claro que - disse bruscamente o Ron , enquanto atravessavam os relvados negros - podemos perfeitamente chegar a a floresta e descobrir que não há nada para seguir . As aranhas podem não ter ido para lá . É certo que parecia que tomavam essa direcção , mas ... Felizmente a lengalenga não durou muito . Chegaram a a casa de o Hagrid que tinha um ar triste com as suas janelas vazias . Logo_que Harry empurrou a porta e a abriu , o Fang saltou , louco de alegria por os ver . Preocupados , não fosse ele acordar toda_a_gente em o castelo com o seu ladrar forte e agitado , deram lhe rapidamente a comer bombons de melaço que estavam em uma lata sobre a lareira e que lhe colaram os dentes de cima a os de baixo . Harry pousou o manto de a invisibilidade sobre a mesa de o Hagrid . Não iam precisar de ele em a floresta escura como breu . - Anda , Fang , vamos dar um passeio - disse Harry , batendo lhe a o de leve em a pata e Fang saiu feliz , a os saltos , atrás de eles . Precipitou se até a a orla de a floresta e levantou a perna contra uma enorme figueira-do-egipto . Harry pegou em a varinha , murmurou * _ Lumus * ! e uma pequenina luz surgiu em a ponta de a varinha , suficiente para lhes mostrar o caminho e ajudá os a descobrir a pista de as aranhas . - Bem pensado - disse o Ron . - Eu acendia também a minha mas , sabes como ela está , ainda estoirava ou qualquer coisa assim ... Harry tocou em o ombro de o Ron , apontando para as ervas . Duas aranhas solitárias fugiam de a luz de a varinha , aproximando se de a sombra de as árvores . - O. _ K. - disse o Ron , resignando se com o pior . - Estou pronto , vamos . Então , com o Fang a correr atrás de eles , cheirando as raízes de as árvores e as folhas , entraram em a floresta . Seguindo a luz de a varinha de o Harry seguiram a fila disciplinada de aranhas que se movia a o longo de o caminho . Andaram durante cerca de vinte minutos , sem falar , atentos a todos os ruídos que não fossem os de os ramos caídos e de as folhas secas . Então , quando as copas de as árvores se tinham tornado mais cerradas do_que nunca , de_tal_modo_que as estrelas em o céu já não eram visíveis e a varinha de o Harry brilhava isolada em um mar de escuridão , viram as aranhas que eles seguiam a abandonar o caminho . Harry parou , tentando ver para_onde iam mas tudo_o_que ficava longe de a sua pequenina luz era negro de breu . Ele nunca fora tão longe em a floresta . Lembrava se muito bem de Hagrid lhe ter dito , de a última vez que ali tinham estado , que nunca saísse de o caminho de a floresta . Mas Hagrid agora estava a muitos quilómetros de distância e ele também lhes dissera que seguissem as aranhas . Uma coisa húmida tocou em a mão de o Harry e ele deu um salto para trás , pisando o pé a o Ron . Mas afinal era apenas o focinho de o Fang . - O que é_que tu achas ? - perguntou ele a o Ron cujos olhos conseguia vislumbrar , reflectindo a luz de a varinha . - Já_que viemos até aqui - disse ele . Seguiram , portanto as sombras velozes de as aranhas em direcção a as árvores . Não podiam agora andar muito depressa . Tinham em a frente raízes de árvores e troncos cortados que mal se viam em aquela escuridão . Harry sentia o bafo quente de Fang em a mão . Por mais de uma_vez tiveram de parar para o Harry se baixar e descobrir as aranhas a a luz de a varinha . Andaram durante o que lhes pareceu ter sido pelo_menos meia_hora , com os mantos a roçarem em os ramos mais baixos e em as silvas . A o fim de algum tempo repararam que o chão parecia inclinar se para baixo embora as árvores continuassem cerradas . Foi então que o Fang soltou um latido que ecoou em volta , fazendo Harry e Ron darem um salto , ambos com os cabelos em pé . - O que foi ? - gritou o Ron , olhando em volta para a escuridão e agarrando Harry com força , por o cotovelo . - Há qualquer coisa ali a mexer se - murmurou Harry - Ouve ... parece ser grande . Ficaram a ouvir . Um_pouco para a direita algo de grandes dimensões partia os ramos enquanto abria caminho através de as árvores . - Oh ! não - disse o Ron . - Oh ! não , não ... - Cala te - insistiu o Harry , nervoso . - Seja o que for , vai acabar por te ouvir . - Ouvir me ? - disse o Ron , em um tom de voz muito pouco natural . - Já ouviu . Fang ! A escuridão parecia esmagar lhes os globos oculares enquanto ali ficaram apavorados , a a espera . Houve um estranho ruído , surdo e prolongado , e em seguida o silêncio . - O que estará a fazer ? - perguntou Harry . - Talvez esteja a preparar se para atacar - disse o Ron . Esperaram , a tremer , sem ousarem mexer se . - Achas que se foi embora ? - murmurou Harry . - Não sei . Em esse momento , de o lado direito veio um clarão de luz tão forte em o meio de o escuro que os dois levaram as mãos a a cara para proteger os olhos . O Fang ganiu e tentou fugir mas viu se envolvido em um emaranhado de espinhos e ganiu ainda mais alto . - Harry - gritou o Ron com grande alívio em a voz . - Harry , é o nosso carro . - O quê ? - Anda ver . Harry avançou a os tropeções atrás de o Ron , em direcção a a luz e em o momento seguinte estavam em uma clareira . O carro de Mr._Weasley ali estava , vazio , no_meio_de um círculo de árvores grossas , sob um telhado de ramos densos , os faróis de a frente resplandecentes . Quando Ron se aproximou de boca aberta , moveu se lentamente em direcção a ele como_se fosse um grande cão azul turquesa , cumprimentando o dono . - Tem estado aqui todo este tempo - disse o Ron satisfeitíssimo , aproximando se de o carro . - Olha para ele , a floresta tornou o selvagem ... O guarda-lamas estava riscado e cheio de lodo . Parecia que tinha andado a passear sozinho por a floresta . Fang não gostou lá muito de ele . Manteve se a o lado de o Harry que podia senti o a tremer . Com a respiração normalizada , Harry guardou a varinha em o manto . - E nós a pensarmos que ele nos ia atacar - disse o Ron , encostando se a o carro e dando lhe duas palmadinhas - As voltas que eu dei a a cabeça a pensar para_onde ele teria ido ! Harry olhava para todos os lados , em o chão iluminado , em busca de mais aranhas mas todas elas tinham fugido de o brilho de as luzes . - Perdemos as de vista - disse ele . - Anda , vamos procurá as . Ron não disse nada . Não se moveu . Tinha os olhos fixos em um ponto , três metros acima de o chão de a floresta , mesmo atrás de o Harry . O seu rosto estava lívido de terror . Harry nem teve tempo de se voltar . Ouviu se um ruído alto e seco e sentiu que alguma coisa longa e peluda o elevava em o ar com o rosto voltado para baixo . Debatendo se , apavorado , ouviu outro estalido e viu as pernas de o Ron serem também levantadas de o chão . Ouviu o Fang gemer e ganir e , em o momento seguinte , era levado para o meio de as árvores escuras . Com a cabeça a balouçar , Harry viu que a coisa que o transportava tinha seis enormes patas peludas e que as duas de a frente o agarravam com forca sob um par de tenazes pretas e brilhantes . Atrás_de si podia ouvir outra de aquelas criaturas que , sem dúvida , transportava o Ron . Encaminhavam se para o coração de a floresta . Harry ouvia o Fang a ladrar , tentando libertar se de um terceiro monstro mas Harry não podia gritar mesmo_que quisesse , parecia que tinha deixado a voz em a clareira , junto com o carro . Não soube quanto tempo esteve em as patas de a criatura , só se apercebeu que a escuridão se atenuara um_pouco , permitindo lhe ver que o chão coberto de folhas estava agora repleto de aranhas . Voltando a cabeça para o lado , deu se conta de que tinham chegado a a base de uma enorme cova , uma cova que fora limpa de árvores para que as estrelas iluminassem com o seu brilho a cena mais pavorosa que os seus olhos alguma vez tinham visto . Aranhas . Não aranhas pequeninas como aquelas que estavam sobre as folhas . Aranhas de o tamanho de enormes cavalos , com oito olhos , oito pernas pretas , peludas , gigantescas . O espécimen que transportava Harry desceu o terreno íngreme até uma teia brumosa em forma de cúpula que ficava mesmo em o meio de a cova , enquanto os companheiros se juntavam em volta , batendo excitadíssimos com as tenazes e olhando para o que eles traziam a as costas . Harry caiu em o chão de gatas quando a aranha o libertou . Ron e Fang foram cair perto de ele . O Fang já não gania . Estava agachado e muito quieto . Ron e Harry partilhavam o mesmo sentimento . O Ron tinha a boca aberta em uma espécie de grito silencioso e os olhos a saltarem lhe de as órbitas . Harry percebeu de repente que a aranha que o deitara a o chão estava a dizer qualquer coisa . Era difícil entender porque entre cada duas palavras , batia com as tenazes . - Aragog - chamou . - Aragog . E de o meio de a teia brumosa em forma de cúpula saiu muito lentamente uma aranha de o tamanho de um pequeno elefante . As costas e as pernas estavam cobertas de pêlo cinzento e , em a cabeça feia , munida de tenazes , estavam vários olhos , todos eles de um branco leitoso . Era cega . - O que foi ? - disse , batendo rapidamente com as tenazes uma em a outra . - Homens - respondeu a aranha que trouxera o Harry . - É o Hagrid ? - perguntou Aragog , aproximando se mais com os seus oito olhos leitosos a vaguear . - Estranhos - respondeu a aranha que trouxera o Ron . - Matem nos - disse Aragog , irritada . - Eu estava a dormir ... - Nós somos amigos de o Hagrid - gritou Harry . Parecia que o coração lhe saltava por a boca . Clic , clic , clic fizeram as tenazes de a aranha , em volta de a cova . Aragog parou . - O Hagrid nunca mandou homens a a nossa cova - disse lentamente . - O Hagrid está em perigo - explicou Harry , respirando muito depressa . - Foi por isso que eu vim . - Em perigo ? - repetiu a aranha idosa e pareceu a Harry sentir preocupação por detrás de as suas tenazes . - Mas porque vos mandou ele cá ? Harry pensou pôr se de pé mas achou melhor não arriscar . As pernas provavelmente não teriam força para o sustentar . Falou portanto de o chão , o mais calmamente que foi capaz . - Eles lá em a escola pensam que o Hagrid soltou qualquer coisa contra os estudantes . Mandaram o para Azkaban . Aragog bateu furiosamente com as tenazes e , em toda_a cova , o eco foi reproduzido por uma multidão de aranhas . Era uma espécie de aplauso com uma única diferença : os aplausos não costumavam fazer o Harry quase morrer de medo . - Mas isso foi há muitos anos - disse Aragog , maldisposta . - Há anos e anos . Lembro me muito bem . Foi por isso que o expulsaram de a escola . Eles pensaram que eu era o monstro que vive em aquilo a que eles chamam a Câmara_dos_Segredos . Pensaram que o Hagrid a tinha aberto para me libertar . - E tu ... não vieste de a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Harry que sentia a testa cheia de suores frios . - Eu - disse Aragog , batendo irritada com as tenazes - , eu não nasci em o castelo . Venho de uma terra distante . Um viajante ofereceu me a o Hagrid quando eu era ainda um ovo . Hagrid era um rapazinho mas tratou de mim , escondeu me em uma despensa dentro de o castelo e alimentava me com as migalhas que ficavam em as mesas . Hagrid é o meu bom amigo e um bom homem . Quando me encontraram e me culparam por a morte de uma rapariga , ele protegeu me . Desde_então , tenho vivido aqui em a floresta onde o Hagrid ainda vem visitar me . Ele até me arranjou uma esposa , Mosag , e estão a ver como a família cresceu , tudo graças a a bondade de o Hagrid ... Harry reuniu a coragem que lhe restava . - Então tu nunca atacaste ninguém ? - Nunca - resmungou a velha aranha . - Era esse o meu instinto , mas por respeito a Hagrid nunca fiz mal a nenhum humano . O corpo de a rapariga morta foi encontrado em uma casa_de_banho , ora eu nunca conheci mais do_que despensa de o castelo , onde cresci . Nós gostamos de o escuro de o silêncio . - Mas então ... sabes o que matou essa rapariga ? - perguntou Harry . - Porque seja o que for , está a atacar as pessoas outra_vez ... As suas palavras foram abafadas por uma audível explosão de tenazes a bater e por o ruge-ruge de muitas pernas longas , deslocando se iradas . Em volta de Harry começaram a mover se sombras escuras . - O que vive em o castelo - disse Aragog - é uma antiga criatura que nós , aranhas , tememos acima_de todas_as outras . Lembro me bem de o quanto insisti com Hagrid para que me deixasse sair de ali quando senti a criatura a andar por a escola . - O que é ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Mais tenazes a bater , mais pernas a moverem se . As aranhas pareciam estar a aproximar se . - Nós não falamos de isso - exclamou Aragog furiosa . - Não pronunciamos o seu nome . Eu nunca disse a o Hagrid o nome de a horrível criatura , apesar_de ele me ter perguntado vezes sem conta . Harry não quis insistir , principalmente com todas aquelas aranhas a aproximarem se de todos os lados . Aragog parecia ter se cansado de falar . Recuava lentamente para a teia em forma de cúpula , mas as companheiras continuavam a aproximar se ameaçadoramente de Harry e Ron . - Vamos embora , então - gritou Harry , desesperadamente a Aragog , enquanto ouvia as folhas secas a estalarem atrás_de si . - Embora ? - disse Aragog lentamente . - Não me parece ... - Mas , mas ... - Os meus filhos e filhas não fazem mal a o Hagrid por ordem minha . Mas não posso negar lhes carne fresca quando ela veio por vontade própria ter connosco . Adeus , amigo de o Hagrid . Harry deu meia volta . Poucos centímetros acima de ele , uma sólida parede de aranhas batia com as tenazes , os seus muitos olhos a brilharem em as horríveis caras pretas . Mesmo_que se servisse de a varinha , Harry sabia que não ia valer de nada . As aranhas eram demasiadas , mas quando tentava preparar se para morrer a lutar , ouviu se um som prolongado e um clarão de luz iluminou a cova . O carro de Mr._Weasley ribombava , descendo o declive , com os faróis acesos , a buzina a guinchar , afastando as aranhas . Muitas de elas ficaram voltadas ao_contrário com as várias pernas a agitar se em o ar . O carro buzinou com mais força em frente de Harry e Ron e as portas abriram se . - Agarra o Fang - gritou Harry , ajeitando se em o lugar de a frente . Ron agarrou o cão caçador de javalis e lançou o a ganir para o banco de trás . As portas fecharam se com estrondo . Ron não tocou em o acelerador mas o carro não precisou de isso . O motor fez se ouvir e levantaram voo , batendo em mais aranhas . Subiram o declive , saindo de a cova e pouco depois atravessavam a floresta , os ramos a baterem em os vidros enquanto o carro seguia habilmente através de os intervalos maiores , por um caminho que obviamente já conhecia . Harry olhou para o Ron , a o seu lado . Ele tinha ainda a boca aberta em o mesmo grito silencioso mas os olhos já não estavam salientes . - Estás bem ? Ron olhou em frente , incapaz de responder . Começavam a descer para terra firme com o Fang a soltar enormes ganidos em o banco de trás e Harry viu o espelho retrovisor saltar quando passaram rente a um enorme carvalho . Após dez minutos bastante ruidosos , as árvores começaram a ser mais finas e Harry pôde ver de_novo pedaços de o céu . O carro parou tão bruscamente que quase foram projectados por o vidro de a frente . Tinham chegado a a orla de a floresta . O Fang ia agitadíssimo a a janela e quando Harry abriu a porta , disparou a correr através de as árvores até a a casa de o Hagrid , de cauda entre as pernas . Harry saiu também e um minuto depois o Ron pareceu recuperar a força em os membros e seguiu o , ainda com um torcicolo e de olhos esbugalhados . Harry deu uma palmadinha de agradecimento a o carro antes de ele dar a volta e desaparecer em direcção a a floresta . Harry voltou a a cabana de o Hagrid para buscar o manto de a invisibilidade . O Fang tremia em o seu cesto , coberto por um cobertor . Quando saiu de_novo , viu o Ron a vomitar junto de as abóboras . - Sigam as aranhas - disse ele debilmente , limpando a boca a a manga . - Nunca vou perdoar a o Hagrid . É uma sorte ainda estarmos vivos . - Aposto que ele pensou que Aragog nunca faria mal a os seus amigos - justificou Harry . - Esse é justamente o problema de o Hagrid - interrompeu Ron , dando um soco em a parede de a cabana . - Ele acha sempre_que os monstros não são tão maus como os pintam e vê onde isso o levou , a uma cela em Azkaban - tremia agora descontroladamente . - Qual a ideia de ele a o mandar nos ali ? Gostava de saber o que é_que descobrimos . - Que o Hagrid nunca abriu a Câmara_dos_Segredos - disse Harry , lançando o manto sobre Ron e tocando lhe em o braço para o encorajar a andar . - Ele estava inocente . Ron resmungou em voz alta . Para ele , chocar Aragog em uma despensa não era propriamente estar inocente . Quando se aproximaram de o castelo , Harry esticou o manto para garantir que os pés de ambos ficavam cobertos . Em seguida , empurrou as portas de a frente que chiaram . Atravessaram com todo o cuidado o * hall * de entrada e subiram a escadaria de mármore , contendo a respiração em os corredores guardados por sentinelas atentos . Por fim , chegaram a a segurança de a sala de os Gryffindor onde o lume ardera até se transformar em brasas brilhantes . Tiraram o manto e subiram a escada serpenteante que os levava a o dormitório . Ron caiu em a cama sem sequer se despir mas Harry , apesar_de tudo , não tinha sono . Sentou se em a beirinha de a cama , pensando em todas_as coisas que Aragog dissera . A criatura que andava por o castelo , pensou , era uma espécie de monstro Voldemort , nem os outros monstros queriam pronunciar o seu nome . Mas ele e o Ron não estavam agora mais perto_de descobrir o que era nem como petrificava as suas vítimas . Se nem o Hagrid chegara a saber o que estava em a Câmara_dos_Segredos ... Harry balançou as pernas e atirou se para_cima de a cama . Encostado a as almofadas olhou a Lua que brilhava através de a janela de a torre . Não sabia que mais poderiam fazer . Só tinham encontrado portas fechadas . Riddle apanhara a pessoa errada . O herdeiro de Slytherin fugira e ninguém sabia se era a mesma pessoa ou uma outra que abrira , desta_vez , a Câmara_dos_Segredos . Não havia mais ninguém a quem fazer perguntas . Harry deitou se ainda a pensar em as palavras de Aragog . Estava a começar a ficar com sono quando aquilo que parecia ser uma última esperança lhe ocorreu , fazendo o sentar se muito direito em a cama . - Ron - sussurrou em o escuro . - Ron . Ron acordou com um ganido como os de o Fang . Olhou muito assustado em volta e viu o Harry . - Ron , a rapariga que morreu . Aragog contou nos que ela foi encontrada em uma casa_de_banho - disse , ignorando os roncos de o Neville em o outro canto de o quarto . - E se ela nunca tivesse saído de a casa_de_banho ? E se ainda lá estiver ? Ron esfregou os olhos , franzindo as sobrancelhas sob a luz de a Lua . E só então compreendeu . -- Não pensar que ... a Murta_Queixosa ? XVI_A_Câmara_dos_Segredos -- E estivemos nós tantas vezes em aquela casa_de_banho com ela apenas a três cubículos de distância - disse o Ron amargamente em o dia seguinte , a a mesa de o pequeno-almoço . - Podíamos ter lhe perguntado e agora ... Já fora bastante difícil procurar as aranhas . Escapar a os professores o tempo suficiente para ir até a a casa_de_banho de as raparigas , que ficava mesmo em frente de o lugar onde ocorrera o primeiro ataque , ia ser quase impossível . Mas alguma coisa aconteceu que fez com que a Câmara_dos_Segredos desaparecesse de os seus pensamentos pela_primeira_vez em várias semanas . A professora Mc_Gonagall comunicou lhes que os exames começariam a 1_de_Junho , uma semana depois . - Exames ? - gritou Seamus_Finnigan . - Nós mesmo_assim vamos ter exames ? Ouviu se um estrondo atrás de o Harry quando a varinha de o Neville_Longbottom lhe escapou de a mão , fazendo desaparecer uma de as pernas de a secretária . A professora Mc_Gonagall repô a com a sua varinha e voltou se com má cara para o Seamus . - Se temos a escola aberta em uma altura de estas é para vocês receberem instrução - disse com dureza . - Os exames terão lugar , portanto , como é costume e espero que todos vocês façam revisões até lá . Revisões . Não passara por a cabeça de o Harry que houvesse exames com o castelo em aquele estado . Houve uma série de murmúrios revoltados , o que fez com que a professora Mc_Gonagall ficasse ainda mais mal-humorada . - As instruções de o professor Dumbledore foram para manter a escola a funcionar o mais normalmente possível - disse . - E isso , não preciso de vos dizer , passa por uma avaliação de o quanto vocês aprenderam a o longo de este ano . Harry olhou para baixo , para o casal de coelhos brancos que ele deveria transformar em pantufas . Que tinha ele aprendido durante o ano ? Não era capaz de se lembrar de nada que fosse útil em um exame . Ron estava como_se tivessem acabado de lhe dizer que a partir de aquele momento tinha de ir viver para a floresta proibida . - Estás a ver me a ter exames com isto tudo ? - perguntou a o Harry enquanto pegava em a varinha que tinha começado a assobiar bastante alto . Três dias antes de o primeiro exame , a a hora de o pequeno almoço , a professora Mc_Gonagall fez outra comunicação . - Tenho boas notícias - disse , e o salão em_vez_de se calar , explodiu de contentamento . - Dumbledore vai regressar ! - gritaram várias pessoas cheias de alegria . - Apanharam o herdeiro de Slytherin - arriscou uma rapariga em a mesa de os Ravenclaw . - Temos outra_vez os jogos de Quidditch - bradou Wood , excitadíssimo . Quando a agitação passou , Mc_Gonagall disse : - A professora Sprout informou me que as mandrágoras estão finalmente prontas para serem cortadas . Hoje a a noite vamos poder reanimar as pessoas que foram petrificadas . Escusado será dizer que certamente uma de elas poderá revelar nos quem ou o que a atacou . Eu tenho esperança que este ano pavoroso acabe com a prisão de o culpado . Houve uma explosão de aplausos . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e não ficou nada surpreendido a o ver que Draco_Malfoy não aplaudia . O Ron , por outro lado , estava satisfeito como ninguém o via havia dias . - Não faz mal não termos perguntado a a Murta . A Hermione vai , com certeza , ter todas_as respostas quando acordarem . Vai também ficar fula quando souber que temos exames dentro_de três dias . Ela não pôde fazer revisões . Seria melhor deixarem a estar onde está até a o final de os exames . Nessa_altura , Ginny_Weasley veio sentar se junto de o Ron . Parecia nervosa e tensa e Harry reparou que torcia as mãos em o colo . - O que se passa ? - perguntou o Ron , servindo se de mais papa de aveia . Ginny não disse nada mas olhou para um lado e para o outro de a mesa de os Gryffindor , com um olhar assustado que lembrou a Harry alguém que não sabia bem quem era . - Vá lá , vomita - disse o Ron , olhando para ela . Harry percebeu subitamente quem a Ginny lhe lembrara . Ela balançava se ligeiramente para a frente e para trás em a cadeira , exactamente como o Dobby fazia quando estava hesitante , à_beira_de revelar uma informação proibida . - Tenho de te dizer uma coisa - balbuciou a Ginny receosa , sem olhar para Harry . - O que é ? - perguntou ele . Ginny parecia incapaz de encontrar as palavras certas . - O quê ? - insistiu Ron . Ginny abriu a boca mas não saiu nenhum som . Harry inclinou se para a frente e falou devagar para que só ela e Ron pudessem ouvi o . - É alguma coisa relacionada com a Câmara_dos_Segredos ? Viste alguma coisa ou alguém a agir de forma estranha ? Ginny respirou fundo e , em esse preciso momento , apareceu Percy_Weasley com um ar pálido e cansado . - Se já acabaste de comer eu fico com esse lugar , Ginny . Estou cheio de fome . Acabei agora o meu trabalho de patrulhamento . Ginny deu um salto como_se a cadeira tivesse acabado de ser electrificada , lançou a o Percy um olhar assustado e zarpou . Percy sentou se e tirou uma caneca de o meio de a mesa . -- Percy - disse o Ron aborrecido . - Ela ia agora mesmo contar nos uma coisa importante . A meio de um gole de chá , Percy estremeceu . - Que coisa ? - perguntou , tossindo . - Eu quis saber se ela tinha visto alguma coisa estranha e ela ia dizer ... - Ah ! isso ... não tem nada que ver com a Câmara_dos_Segredos - disse o Percy de imediato . - Como sabes ? - indagou o Ron , erguendo as sobrancelhas . - Bem ... er ... já_que perguntam , a Ginny ... er ... passou por mim em outro dia quando eu ... er ... não foi nada , o importante é_que ela viu me fazer uma coisa e eu ... um ... pedi lhe para não comentar com ninguém . Não pensei que ela cumprisse a palavra , verdade se diga . Não é nada importante , eu só ... Harry nunca vira o Percy tão pouco a a vontade . - O que estavas a fazer , Percy ? - riu se o Ron . - Vá lá , conta que nós não nos rimos . Percy ficou sério . - Passa me esses pãezinhos , Harry , estou cheio de fome . Harry sabia que todo o mistério poderia ser desvendado em o dia seguinte sem a ajuda de eles mas não ia deixar de falar com a Murta_Queixosa se a oportunidade surgisse . E , para sua grande satisfação , ela surgiu a meio de a manhã quando eram conduzidos a a aula de História_da_Magia_por_Gilderoy_Lockhart . Lockhart , que tantas vezes lhes assegurara que o perigo tinha passado , estava agora totalmente convencido de que acompanhar os alunos em os corredores era um trabalho inútil . O seu cabelo estava mais liso do_que de costume . Parecia ter passado toda_a noite acordado a vigiar o quarto andar . - Podem escrever o que eu digo - afirmou , acompanhando os até uma esquina . - As primeiras palavras que vão sair de a boca de aquelas pobres pessoas petrificadas serão - * _ Foi_o_Hagrid * . Francamente , estou espantado por a professora Mc_Gonagall considerar ainda necessárias estas medidas de segurança . - Concordo , professor - disse Harry , fazendo com que Ron , surpreendido , deixasse cair os livros a o chão . - Obrigado , Harry - disse Lockhart amavelmente , enquanto deixavam passar uma grande fila de Hufflepuffs . - verdade é_que os professores já têm bastante que fazer para andarem também a acompanhar os alunos a as aulas e a guardar os corredores a a noite ... - É verdade - disse o Ron , percebendo a ideia . - Porque não nos deixa aqui , professor , só falta mais um corredor . - Sabes , Weasley , sou mesmo capaz de fazer isso - disse Lockhart . - Preciso de preparar a minha próxima aula . E apressou se a seguir o seu caminho . - Preparar a aula - zombou o Ron . - Vai encaracolar o cabelo , é o mais certo . Deixaram os restantes Gryffindor passar lhes a a frente e por fim cortaram caminho em um corredor lateral e dirigiram se a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mas quando estavam a congratular se por o seu esquema brilhante ... - Potter , Weasley ! Que estão vocês a fazer aqui ? Era a professora Mc_Gonagall e a boca de ela estava mais fina do_que nunca . - Nós estávamos , estávamos - gaguejou o Ron . - Nós íamos ver , íamos ver ... - Hermione - completou Harry . A professora Mc_Gonagall e Ron olharam para ele . - Não a vemos há séculos , professora - prosseguiu Harry , pisando o pé a o Ron . - E pensamos ir espreitá a a a ala hospitalar e dizer lhe que as mandrágoras estão quase prontas , para ela não se preocupar . A professora Mc_Gonagall estava ainda a olhar para ele e , por um momento , Harry pensou que ela ia explodir mas , quando falou , fê lo em um tom de voz estranhamente rouco . - É claro - disse . E Harry , espantado , viu uma lágrima a brilhar lhe em o canto de um de os olhos . - É claro . Eu compreendo que tudo_isto tem sido muito duro para os amigos de aqueles que foram ... eu compreendo , sim , Potter . Podem ir visitar Miss_Granger . Eu mesma informarei o professor Binns de que vocês estão em o hospital . Digam a Madam_Pomfrey que vos dei autorização . Harry e Ron afastaram se , quase sem acreditar que tinham escapado a um castigo . Quando voltaram em uma esquina ouviram nitidamente a professora Mc_Gonagall a assoar se . - Esta - disse o Ron entusiasmado - foi a melhor história que tu alguma vez inventaste . Não tinham outro remédio senão ir a a ala hospitalar e dizer a Madam_Pomfrey que tinham autorização de a professora Mc_Gonagall para visitar Hermione . Madam_Pomfrey deixou os entrar com alguma relutância . - Não vale a pena falar com uma pessoa petrificada - disse , e ambos tiveram que admitir que ela tinha razão quando se sentaram junto de Hermione e constataram que ela não tinha a menor noção de estar acompanhada . Dizer lhe que não se preocupasse ou falar com o armário que estava a o lado de a cama era exactamente a mesma coisa . - Será que ela viu quem a atacou ? - perguntou o Ron , olhando com tristeza para o rosto rígido de Hermione . - Porque se a coisa saltou sobre eles , ficaremos todos sem saber de nada . Mas Harry não olhava para o rosto de Hermione . Estava mais interessado em a sua mão direita que se encontrava pousada sobre os cobertores e , inclinando se para ela , viu que tinha , fechado entre os dedos , um pedaço de papel . Assegurando se de que Madam_Pomfrey não dava por nada , fez sinal a o Ron . - Tenta tirá o - murmurou ele , colocando a cadeira de_modo_a que Madam_Pomfrey não pudesse ver o Harry . Não foi tarefa fácil . A mão de a Hermione estava fechada com uma força tal que Harry receou parti a . Enquanto Ron vigiava , ele forçou e torceu até que , por fim , depois de vários minutos bastante tensos , conseguiu tirar o papel . Era uma página retirada de um livro muito antigo de a biblioteca . Harry alisou a ansiosamente e Ron inclinou se para poder lês a também . * _ De todos os monstros assustadores que pairam a a face de a Terra , nenhum é tão curioso nem tão fatal como o Basilisk , também conhecido por o rei de as serpentes . Esta cobra que pode atingir proporções gigantescas e viver durante muitas centenas de anos nasce de um ovo de galinha que é chocado por um sapo . As suas formas de matar são pavorosas pois além de os dentes venenosos e mortais , o Basilisk tem um olhar criminoso e todos aqueles que ele fixa com os olhos tem morte instantânea . As aranhas fogem a sete pés de o Basilisk que é seu inimigo mortal , e o Basilisk foge apenas de o canto de o galo que para ele é fatal * . Por debaixo de isto uma única palavra fora escrita , em a letra que Harry reconheceu como sendo de Hermione : Canos . Foi como_se se tivesse acendido uma luz em o seu espírito . - Ron - murmurou - é isso . Está aqui a resposta . O monstro de a Câmara_dos_Segredos é um Basilisk , uma serpente gigante . Por isso , só eu tenho ouvido a sua voz em todos os lugares , porque eu compreendo * serpentês * ... Harry olhou para as camas em volta . - O Basilisk mata as pessoas fixando as com o olhar mas ninguém morreu , o que quer_dizer que ninguém o olhou directamente em os olhos . Colin viu o através de a lente de a máquina fotográfica e o Basilisk queimou o rolo que estava lá dentro mas o Colin ficou apenas petrificado . O Justin ... o Justin deve ter visto o Basilisk através de o Nick quase sem cabeça . O Nick é_que levou com o olhar mas não podia morrer outra_vez ... e perto de a Hermione e de a prefeita de os Ravenclaw foi encontrado um espelho . Hermione acabara de compreender que o monstro era um Basilisk . Aposto que preveniu a primeira pessoa que encontrou de que era melhor olhar por um espelho a o virar de cada esquina . E aquela rapariga puxou de o seu espelho e ... O Ron estava de queixo caído . - E Mrs._Norris ? - perguntou vivamente . Harry pensou um_pouco , tentando imaginar a cena em a noite de o Halloween . - A água . . . - disse lentamente . - A poça de água que saiu de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Aposto que Mrs._Norris só viu o reflexo de o monstro . Examinou a folha de papel que tinha em a mão . Quanto_mais olhava mais sentido faziam as coisas . - * _ O cantar de o galo é fatal para ele * - leu em voz alta . - Os galos de o Hagrid foram mortos . O herdeiro de Slytherin não queria um único galo perto de o castelo , com a câmara aberta . * _ As aranhas são as primeiras a fugir * . Tudo encaixa . - Mas , como tem o Basilisk andado por aí ? - disse o Ron . - Uma serpente horrível e enorme ... alguém a teria visto . Mas Harry apontou para a palavra que Hermione escrevinhara em o final de a página . - Canos - disse . - Canos ... Ron , ele tem usado a canalização . Eu ouvi sempre a voz dentro de as paredes ... Ron agarrou subitamente o braço de o Harry . - A entrada para a Câmara_dos_Segredos - disse em uma voz rouca . - E se for em uma casa_de_banho ? Se for em a ... - Em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa - completou Harry . Sentaram se , tomados de uma excitação enorme , mal querendo acreditar . - Isso significa que - disse o Harry - eu não posso ser o único em a escola a falar * serpentês * . Há também o herdeiro de Slytherin . É de esse modo que tem controlado o Basilisk . - O que vamos fazer ? - perguntou Ron com os olhos a faiscar . - Vamos falar com a Mc_Gonagall ? - Vamos até a a sala de os professores - disse Harry , dando um salto . - Ela estará lá dentro_de dez minutos , está quase em o intervalo . Desceram a escada a correr . Não querendo ser descobertos outra_vez a vaguear por os corredores foram directamente até a a sala de os professores que estava deserta . Era uma divisão ampla , toda forrada , com cadeiras de madeira escura . Harry e Ron passearam de um lado para o outro , demasiado nervosos para se sentarem . Mas a campainha anunciando o intervalo nunca mais tocava . Em vez de isso , ecoando em os corredores , ouviram a voz de a professora Mc_Gonagall incrivelmente ampliada . - * _ Todos os alunos devem regressar de imediato a os seus dormitórios . Todos os professores a a sala de professores . Imediatamente , por favor * . Harry deu meia volta e olhou para o Ron . - Não me digas que houve um novo ataque , não agora ! - Que vamos fazer ? - disse o Ron aterrado . - Voltar para o dormitório ? - Não - disse Harry , olhando e m volta . Havia uma espécie de armário a a sua esquerda cheio com os mantos de os professores . - Ali . Vamos ouvir o que se passa . A seguir poderemos contar lhes o que descobrimos . Esconderam se dentro de o armário , ouvindo a algazarra de centenas de pessoas e a porta de a sala de professores a abrir se . De o meio de a confusão de mantos bafientos , viram os professores encherem a sala . Alguns tinham um ar totalmente confuso , outros pareciam apavorados . Por fim , chegou a professora Mc_Gonagall . - Aconteceu - disse em o silêncio de a sala de professores . - O monstro levou uma aluna . Levou a mesmo para a câmara . O professor Flitwick soltou um grito agudo . A professora Sprout bateu com a mão em a boca . Snape agarrou com força as costas de uma cadeira e perguntou : - Como pode ter tanta certeza ? - O herdeiro de Slytherin - disse a professora Mc_Gonagall , muito pálida . - Deixou outra mensagem . Mesmo por baixo de a primeira : « * _ O esqueleto de ela ficará para sempre em a Câmara_dos_Segredos * . » O professor Flitwick desatou a chorar . - Quem é ela ? - quis saber Madam_Hooch que se afundara em uma cadeira . - Quem é a aluna ? - Ginny_Weasley - disse a professora Mc_Gonagall . Harry viu o Ron , a o seu lado , escorregar silenciosamente até a o chão de o armário . - Vamos ter que mandar todos os alunos embora amanhã - disse a professora Mc_Gonagall . Isto_é o fim de Hogwarts , Dumbledore sempre disse ... A porta de a sala de os professores voltou a abrir se . Por um breve momento , Harry pensou que fosse Dumbledore mas era Lockhart e vinha todo sorridente . - Peço desculpa , adormeci . Perdi alguma coisa ? Não pareceu reparar que os outros professores o olhavam com uma espécie de aversão . Snape deu um passo em frente . - O homem que faltava - disse . - O homem certo . O monstro raptou uma garota , Lockhart levou a para a Câmara_dos_Segredos . O seu momento chegou . - Isso mesmo , Lockhart - acrescentou a professora Sprout . - Não estavas a dizer ontem a a noite que sempre tinhas sabido onde era a entrada para a Câmara_dos_Segredos ? - Eu ... bem ... eu-disse atabalhoadamente Lockhart . - Sim , não me disseste que sabias exactamente o que estava lá dentro ? - disse com voz esganiçada o professor Flitwick . - Eu disse ? Não me lembro ... - Lembro me perfeitamente de o ouvir dizer que lamentava não ter feito uma tentativa com o monstro antes de o Hagrid ser preso - disse Snape . - Não disse que toda_a história tinha sido uma atrapalhação e que deveriam ter lhe dado carta branca desde o princípio ? Lockhart olhou em volta para a cara de espanto de os colegas . - Eu ... nunca ... eu de facto ... deve ter me compreendido mal . - Então vamos deixar te , Gilderoy - disse a professora Mc_Gonagall . - Esta noite será uma excelente oportunidade para actuares . Nós trataremos de assegurar que ninguém te atrapalha . Vais poder enfrentar o monstro sozinho . Finalmente tens carta branca . Lockhart olhou desesperado a a sua volta mas ninguém foi salvá o . Já não estava bem-parecido . O lábio tremia lhe e a ausência de o seu habitual sorriso de dentes brancos dava lhe um ar escanzelado . - M-muito bem - disse . - Vou até a o meu escritório para ... para me preparar . E saiu de a sala . - _ óptimo - exclamou a professora Mc_Gonagall com as narinas dilatadas . - Isto deve afastá o de o nosso caminho . Os chefes de casa devem ir agora comunicar a os respectivos alunos o que se passou e informá os de que o Expresso_de_Hogwarts os levará a casa amanhã de manhã . Os restantes certifiquem se , por favor , de que não há alunos fora de os dormitórios . Os professores levantaram se e saíram um a um . Foi talvez o dia pior de a vida de o Harry . Ele , Ron , Fred e George sentaram se juntos a um canto em a sala comum de os Gryffindor , incapazes de proferir uma palavra . Percy não estava lá . Tinha ido tratar de enviar uma coruja a Mr. e Mrs._Weasley e , em seguida , fechara se em o dormitório . Nunca uma tarde custara tanto a passar e nunca a torre de os Gryfffindor estivera tão cheia de gente e tão silenciosa . Fred e George foram para a cama quase a o pôr de o Sol , incapazes de ficar ali mais tempo . - Ela sabia qualquer coisa , Harry - disse o Ron , falando pela_primeira_vez desde_que tinham saído de o armário de a sala de os professores . - Por isso a levaram . Não era nenhuma parvoíce sobre o Percy , ela tinha descoberto qualquer coisa sobre a Câmara_dos_Segredos . Com certeza por isso é_que a ... - Ron esfregou os olhos , enervadíssimo . - Afinal ela era sangue puro , não pode haver outra explicação . Harry olhava para o sol que mergulhava de um vermelho cor de sangue em a linha de o horizonte . Era a pior coisa que lhe tinha acontecido . Se pelo_menos pudessem fazer alguma coisa . - Harry - disse o Ron . - Achas que há alguma possibilidade de ela não estar ... ? Sabes o que eu quero dizer . Harry não sabia que resposta dar . Não acreditava que a Ginny pudesse ainda estar viva . - Sabes uma coisa ? - disse o Ron . - Acho que devíamos ir ter com o Lockhart , contar lhe o que sabemos . Ele vai tentar entrar em a câmara , podemos dizer lhe onde achamos que fica a entrada e contar lhe que o monstro é um Basilisk . Como Harry não tinha nenhuma ideia melhor e como queria fazer alguma coisa , concordou . Os Gryffindor que os rodeavam estavam tão tristes e com tanta pena de os Weasley que ninguém tentou impedi os quando os viram levantar se , atravessar a sala e sair por o buraco de o retrato . A escuridão começava a instalar se quando chegaram a o escritório de Lockhart onde a actividade era muita . De o corredor ouvia se o ruído de coisas a serem deitadas fora , pancadas surdas e passos apressados . Harry bateu a a porta e houve um silêncio repentino . Em seguida abriu se uma fresta de a porta e viram um de os olhos de Lockhart a espreitar . - Oh ! ... Mr._Potter ... Mr._Weasley - disse entreabrindo a porta . - Estou um_pouco ocupado em este momento , se forem rápidos ... - Professor , nós temos informações para lhe dar - disse o Harry . - Acho que poderão ajudá o . - Er ... bem ... não é - o lado de a cara de Lockhart que conseguiam ver parecia muito pouco a a vontade . - Quer_dizer ... bem ... está bem . Abriu a porta e eles entraram . O escritório estava praticamente vazio . Em o chão estavam duas grandes malas abertas . Mantos verde-jade , lilás , azul-noite tinham sido apressadamente dobrados e guardados dentro_de uma de as malas . Os livros misturavam se todos dentro de a outra . As fotografias que antes cobriam as paredes estavam agora arrumadas em caixas , em cima de a secretária . - Vai a algum lado ? - perguntou Harry . - Er ... bem ... sim - disse Lockhart , arrancando de a porta um poster seu em tamanho natural , enquanto falava , e começando a enrolá o . - Uma chamada urgente ... inevitável ... tenho que ir . - E a minha irmã ? - perguntou o Ron bruscamente . - Bem , quanto_a isso foi uma pena - disse Lockhart , evitando olhá os em os olhos , abrindo uma gaveta e começando a despejar o seu conteúdo dentro_de um saco . - Ninguém lamenta mais do_que eu ... - O senhor é o professor de Defesa contra as artes negras - disse Harry . - Não pode ir se embora agora_que todas estas coisas de magia negra estão a acontecer aqui . - Bem , devo dizer te que ... quando aceitei o lugar ... - resmungou Lockhart , empilhando soquetes sobre os mantos - nada em a descrição de o meu trabalho fazia prever ... - Quer_dizer que vai fugir ? - perguntou Harry , incrédulo . - Depois de todas_as coisas que conta em os seus livros ? - Os livros podem ser enganadores - disse Lockhart delicadamente . - Mas foi o senhor que os escreveu - gritou Harry . - Meu rapaz - disse Lockhart , endireitando se e franzindo as sobrancelhas - usa o senso comum . Os meus livros não teriam vendido metade do_que venderam se as pessoas não acreditassem que eu tinha feito todas aquelas coisas . Ninguém está interessado em ler sobre um velho feiticeiro americano mesmo_que ele tenha salvo uma cidade inteira de os lobisomens , ficaria péssimo em a capa . E a bruxa que correu com a fada carpideira tinha um lábio leporino . Como vês . - Quer_dizer que ficou com os louros por tudo_o_que uma série de outras pessoas fizeram ? - perguntou Harry , sem querer acreditar . - Harry , Harry - disse Lockhart , abanando impacientemente a cabeça . - Não é tão simples assim . Envolveu muito trabalho . Tive de localizar todas essas pessoas , perguntar lhes em pormenor como tinham feito as coisas . Depois tive de lhes fazer um feitiço antimemória para que não voltassem a lembrar se do_que tinham feito . Se há uma coisa de que me orgulho é de os meus feitiços antimemória . Não , tive muito trabalho , Harry . Não foram só as sessões de autógrafos e as fotografias , sabes ? Quem quer ser famoso tem de estar preparado para um trabalho longo e fatigante . Fechou as malas a a chave . - Vejamos - disse . - Acho que está tudo . Sim , só falta uma coisa . - Empunhou a varinha e voltou se para eles . - Lamento muito , rapazes , mas vou ter de vos fazer um feitiço antimemória . Não posso deixar que vão por aí repetir os meus segredos . Não venderia nem mais um livro . Harry pegou em a varinha mesmo a tempo e Lockhart mal tinha levantado a de ele a o ar quando Harry gritou * _ Expelliarmus ! * Lockhart foi projectado de costas , indo cair em cima de a mala . A varinha voou por os ares . Ron agarrou a e atirou a por a janela aberta . - Não devia ter deixado o professor Snape ensinar nos esta - disse Harry furioso , dando um pontapé a uma de as malas . Lockhart olhava para ele , de_novo escanzelado . Harry apontava lhe a varinha . - O que queres que eu faça ? - perguntou debilmente . - Eu não sei onde fica a Câmara_dos_Segredos . Não posso fazer nada . - Está com sorte - disse Harry , forçando o com a varinha a pôr se de pé . - Nós julgamos saber onde é e o que está lá dentro . Vamos . Conduziram Lockhart para fora de o seu escritório , desceram com ele as escadas e seguiram por o corredor escuro em cuja parede brilhavam as mensagens , até a a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mandaram Lockhart a a frente . Harry gostou de ver que todo ele tremia . A Murta_Queixosa estava sentada em a cisterna de o cubículo de o fundo . - Ah ! são vocês - disse a o ver o Harry . - O que querem agora ? - Perguntar te como morreste - disse Harry . O aspecto de a Murta mudou por completo . Parecia que nunca lhe tinham feito uma pergunta tão lisonjeira . - Ooooh ! Foi horrível - disse satisfeita . - Aconteceu aqui mesmo . Morri em este cubículo . Lembro me tão bem . Estava escondida porque a Olive_Hornby andava a implicar comigo por causa de os meus óculos . A porta estava fechada e eu estava a chorar e , então , ouvi alguém entrar . Disseram qualquer coisa estranha em uma língua diferente , acho eu . Mas o que mais me espantou foi o ser um rapaz a falar . Por isso , abri a porta para lhe dizer que fosse a a casa_de_banho de eles e em esse momento - a Murta inchou com ar importante , o rosto a brilhar - morri . - Como ? - perguntou Harry . - Não faço ideia - disse a Murta em um tom de voz abafado . - Só me lembro de ver dois grandes olhos amarelos , de o meu corpo ficar preso e em seguida , sentir me a flutuar ... - olhou sonhadoramente para Harry . - E depois voltei . Estava disposta a vingar me de a Olive_Hornby , percebes ? Ela ia arrepender se de ter gozado com os meus óculos . - Onde foi exactamente que viste os tais olhos ? - perguntou Harry . - Algures por aí - disse a Murta , apontando vagamente para o lavatório em frente de o seu cubículo . Harry e Ron apressaram se . Lockhart estava de pé , mais atrás , com uma expressão de pavor em o rosto . O lavatório parecia perfeitamente vulgar . Examinaram o centímetro a centímetro , dentro e fora , incluindo os canos por baixo . E foi então que Harry reparou : de lado , rabiscada em uma de as torneiras de cobre , estava uma cobra pequenina . - Essa torneira nunca funcionou - disse vivamente a Murta enquanto ele tentava abri a . - Harry - sugeriu o Ron . - Diz qualquer coisa em * serpentês * . Mas , pensou Harry , as únicas vezes que conseguira falar * serpentês * tinham ocorrido quando confrontado com uma verdadeira serpente . Olhou , concentrado para a pequena cobra gravada em o cobre , tentando imaginá a como verdadeira . - Abre te - disse . Olhou para o Ron que abanou a cabeça . - Inglês - disse ele . Harry voltou a olhar para a cobra , forçando se a acreditar que estava viva . A luz de a vela fez parecer que se movia . - Abre te - repetiu . Mas desta_vez as palavras não foram o que ele ouviu . Um estranho sibilar escapou lhe de a boca e a torneira ganhou uma luz branca e brilhante e começou a rodar . Logo_a_seguir o lavatório mexeu se . Afastou se , melhor dizendo , saiu de o caminho , deixando um grande cano a a vista , um cano onde cabia um homem . Harry ouviu a respiração arquejante de o Ron e olhou de_novo para ele . Já decidira o que queria fazer . - Vou descer - disse . Não podia deixar de ir , agora_que acabavam de descobrir a entrada para a câmara , existindo uma possibilidade , por mais remota que fosse , de a Ginny ainda estar viva . - Eu também - disse o Ron . Houve uma pausa . - Bem , parece que não precisam mais de mim - apressou se Lockhart a dizer com uma réstia de sorriso . - Eu vou . . . Pôs a mão em o puxador de a porta mas Ron e Harry apontaram lhe ambos as varinhas . -- O senhor pode ir a a frente - disse rispidamente o Ron . Pálido e sem varinha , Lockhart aproximou se de a entrada . - Meus rapazes - disse em uma voz débil . - Meus rapazes , para quê tudo_isto ? Harry tocou lhe em as costas com a varinha e ele meteu as pernas em o cano . - Eu não me parece que ... - começou a dizer , mas o Ron deu lhe um empurrão e ele desapareceu por o cano abaixo . Harry foi rapidamente atrás . Introduziu se lentamente e deixou se cair . Era como escorregar em uma pista escura e interminável . Ele via outros canos , estendendo se em todas_as direcções mas nenhum tão largo como o de eles que se torcia e virava , inclinando se abruptamente . Harry sabia que estavam a chegar a um ponto muito abaixo de a escola e de os calabouços . Atrás_de si , ouvia o Ron gemendo em cada curva . E então , quando começava a preocupar se com o que iria acontecer quando tocassem em o chão , o cano tornou se horizontal e ele foi projectado com um ruído surdo , indo aterrar em o chão húmido de um túnel de pedra com altura suficiente para ele se pôr de pé . Lockhart estava a levantar se a alguma distancia , todo enlameado e pálido como um fantasma . Harry afastou se para deixar o Ron sair também de o cano . - Devemos estar quilómetros e quilómetros abaixo de a escola - disse o Harry cuja voz ecoou em o túnel negro . - Talvez até debaixo de o lago - arriscou o Ron , olhando em volta para as paredes escuras e viscosas . Voltaram se os três para olhar para a escuridão lá a o fundo . - * _ Lumus ! * - murmurou Harry a a varinha e ela voltou a acender se . - Vamos - disse a o Ron e a o Lockhart e avançaram , os passos a chapinharem ruidosamente em o chão molhado . O túnel era tão escuro que só conseguiam ver alguns centímetros a a frente . As suas sombras em as paredes molhadas pareciam monstruosas a a luz de a varinha . - Lembrem se - disse Harry baixinho enquanto caminhavam . - A o menor movimento fechem logo os olhos ... Mas o túnel era silencioso como um túmulo e o primeiro som inesperado que ouviram foi um grito de o Ron que escorregou em uma coisa que era afinal a cauda de um rato . Harry baixou a varinha para olhar para o chão e viu que estava cheio de pequenos ossos de animais . Fazendo um enorme esforço para evitar pensar em que estado iriam encontrar a Ginny , avançou até uma curva escura de o túnel . - Harry , está aqui qualquer coisa - disse o Ron com voz rouca , agarrando Harry por o ombro . Ficaram estáticos a olhar . Harry só conseguia ver a silhueta de algo enorme e curvo deitado em o túnel . Fosse o que fosse não se movia . - Talvez esteja a dormir - murmurou , olhando para os outros dois . Lockhart tapava os olhos com as mãos . Harry voltou se para olhar para a criatura com o coração a bater tanto que lhe doía em o peito . Lentamente , com os olhos quase fechados mas ainda conseguindo ver , Harry avançou com a varinha levantada . A luz deslizou sobre uma gigantesca pele de serpente , de um verde vivo e venenoso que estava vazia e enrolada em o chão de o túnel . A criatura que a abandonara devia ter , pelo_menos , seis metros e meio de comprimento . - Bolas - disse o Ron , perdendo as forças . Houve um movimento súbito atrás de eles . As pernas de Gilderoy_Lockhart cederam . - Levante se - disse o Ron de uma forma cortante , apontando lhe a varinha . Lockhart pôs se de pé . Em seguida empurrou o Ron , atirando o a o chão . Harry deu um salto , mas ... tarde de mais . Lockhart endireitava se com a varinha de o Ron em as mãos e um sorriso em o rosto . - A aventura acaba aqui , rapazes - disse . - Vou levar um bocado de esta pele de cobra para a escola , contar lhes que foi demasiado tarde para salvar a garota e que vocês os dois perderam tragicamente a memória com a visão de o seu corpinho mutilado . Digam adeus a as vossas recordações . Levantou a o ar a varinha avariada de o Ron e gritou * _ Obliviate ! * A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba . Harry pôs os braços sobre a cabeça e correu , escorregou em os anéis de a pele de cobra , afastando se de os grandes pedaços de tecto de o túnel que caíam em o chão com o ruído de trovões . Pouco depois estava sozinho , olhando para uma sólida parede de rocha partida . - Ron - gritou ele . - Estás bem , Ron ? - Estou aqui - respondeu a voz abafada de o Ron por detrás de a avalancha de rochas . - Eu estou bem mas este sujeito não . A varinha avariou o todo . Ouviu se um ruído surdo e um Oh ! gritado . Parecia que o Ron tinha acabado de dar a o Lockhart um pontapé em as canelas . - E agora ? - disse a voz de o Ron que parecia desesperada . - Não podemos passar , vai demorar séculos . Harry olhou para o tecto de o túnel onde tinham aparecido grandes fendas . Ele nunca tentara partir , através de a magia , nada tão grande como aquelas rochas e agora não lhe parecia ser o melhor momento para fazer experiências . E se o túnel abatesse ? Houve um ruído surdo e outro Oh ! atrás de as rochas . Estavam a perder tempo . A Ginny já estava havia duas horas em a Câmara_dos_Segredos . Harry sabia que só havia uma coisa a fazer . - Espera aqui - gritou a o Ron . - Fica com o Lockhart , eu vou lá . Se não voltar dentro_de uma hora ... Houve um silêncio cheio . - Eu vou ver se desloco um_pouco esta rocha - disse o Ron , tentando manter a voz firme . - Para tu poderes passar . E , Harry ... - Até já - disse o Harry , procurando injectar confiança em a sua voz trémula . E passou sozinho para lá de a imensa pele de serpente . Em_breve , o ruído de o Ron , tentando deslocar a rocha , deixou de se ouvir . O túnel virou uma e outra_vez . Os nervos de o corpo de o Harry tangiam de forma desagradável . Ele só queria que o túnel chegasse a o fim , fosse o que fosse que o aguardasse . E então , finalmente , quando atingiu a última curva , viu em a sua frente uma parede sólida que tinha gravadas duas serpentes enroladas uma em a outra , cujos olhos eram quatro esmeraldas , enormes e brilhantes . Harry aproximou se com a garganta seca . Não foi preciso imaginar que as serpentes eram autênticas . Os seus olhos pareciam estranhamente vivos . Foi fácil descobrir o que tinha de fazer . Pigarreou e os olhos de esmeraldas pareceram mexer se . - Abre te - disse Harry em um sibilar baixo . As serpentes desapareceram enquanto a parede se abria a o meio e , a tremer de os pés a a cabeça , Harry entrou . XVII_Herdeiro_de_Slytherin_Estava de pé em o fundo de uma divisão enorme , fracamente iluminada . Altíssimos pilares de pedra , cheios de serpentes gravadas que os enlaçavam , erguiam se , suportando um tecto que se perdia em a escuridão e que lançava sombras negras imensas através de a estranha luz esverdeada que enchia o local . Com o coração a bater descompassadamente , Harry ficou parado a ouvir aquele silêncio arrepiante . Estaria o Basilisk escondido em um canto cheio de sombras , atrás_de algum pilar ? E onde estaria Ginny ? Pegou em a varinha e avançou a o longo de as colunas serpenteantes . Cada_um de os seus passos provocava um enorme eco em as paredes sombrias . Harry tinha os olhos semicerrados e estava pronto para os fechar a o mais pequeno movimento . As órbitas de olhos fundos de as serpentes de pedra pareciam segui o . Por mais de uma_vez , com o estômago a dar um salto , Harry julgou vê os moverem se . Por fim , chegado a o nível de os dois últimos pilares , avistou uma estátua de a altura de a própria câmara que estava encostada a a parede de o fundo . Harry tinha de esticar o pescoço para olhar para_cima , para a cara de o gigante : era velho e com um ar simiesco , tinha uma barba enorme que lhe caía quase onde acabava a longa túnica de pedra . Os dois pés imensos e cinzentos pousavam em o chão de a câmara . E entre eles , voltada para baixo , estava uma figura pequenina vestida de preto com um cabelo flamejante . - Ginny - murmurou Harry , chegando perto de ela e ajoelhando se . - Ginny , por favor não estejas morta , não estejas morta ! Atirou a varinha para o lado , agarrou Ginny por os ombros e voltou a . O rosto de ela estava branco e frio como o mármore , contudo os olhos encontravam se fechados , portanto não estava petrificada . Mas então devia estar ... - Ginny , acorda por favor - repetiu Harry desesperado , sacudindo a . A cabeça de ela andava de um lado para o outro . - Ela não vai acordar - disse secamente uma voz . Harry deu um salto e girou sobre os joelhos . Um rapaz alto , de cabelo preto , estava encostado a o pilar mais próximo , a observá o . As sombras desfocavam o como_se Harry o visse através_de uma janela embaciada . Mas não havia como confundis o . - Tom , Tom_Riddle ? Riddle acenou , sem tirar os olhos de o rosto de Harry . - O que queres dizer com isso de ela não acordar ? - perguntou Harry desesperado . - Ela não está ... não está ? - Está viva - disse Riddle . - Mas , por um fio . Harry olhou fixamente para ele . Tom_Riddle estivera em Hogwarts há cinquenta anos atrás . Contudo , ali estava com uma luz estranha e desfocada a iluminá o , sem um dia a mais do_que os seus dezasseis anos . - És um fantasma ? - perguntou Harry . - Uma memória - disse Riddle . - Preservada em um diário durante cinquenta anos . Apontou para os pés de a estátua gigantesca . Ali , aberto em o chão , estava o pequeno diário de capa preta que Harry tinha encontrado em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Durante um segundo , Harry perguntou a si próprio como teria ido ali parar , mas havia coisas mais importantes a fazer . Preciso de a tua ajuda , Tom - disse Harry , levantando de_novo a cabeça de a Ginny . - Temos de sair de aqui . Há_um_Basilisk ... não sei onde está mas pode aparecer a qualquer momento . Por favor , ajuda me . Riddle não se mexeu . Harry , a transpirar , conseguiu levantar ligeiramente a Ginny de o solo e inclinou se para pegar em a varinha mas ela tinha desaparecido . - Viste a ... ? Olhou para_cima . Riddle continuava a olhá o , fazendo girar a varinha entre os dedos longos . - Obrigado - disse Harry , esticando o braço para a agarrar . Um sorriso surgiu então em os cantos de a boca de Riddle que continuou a olhar para ele , girando indolentemente a varinha . - Ouve , pá - disse Harry sem querer perder mais tempo , os joelhos a vergarem sob o peso morto de Ginny - temos de ir . Se o Basilisk aparece ... - Ele não vem enquanto não for chamado - disse Riddle com toda_a calma . Harry voltou a pousar Ginny em o chão , incapaz de a segurar por mais tempo . - Que queres dizer com isso ? - perguntou . - Dá me a minha varinha , posso precisar de ela . O sorriso de Riddle ampliou se . - Não vais precisar de ela - disse . Harry olhou o espantado . - O que queres dizer , não vou ? - Esperei muito_tempo por isto , Harry - disse Riddle . - Pela possibilidade de te ver , de falar contigo . - Olha , eu acho que tu não estás a perceber - disse Harry , perdendo a paciência . - Estamos em a Câmara_dos_Segredos , podemos conversar mais tarde . - Vamos conversar agora - disse Riddle , sorrindo de orelha a orelha e guardando a varinha de Harry em o bolso . Harry voltou a olhar para ele . Havia qualquer coisa de muito estranho em tudo aquilo . - Como é_que a Ginny ficou assim ? - perguntou pausadamente . - Bem , essa é uma pergunta interessante - disse Riddle , divertido . - E uma longa história , também . Julgo que o verdadeiro motivo que levou Ginny_Weasley a ficar assim foi o ter aberto o seu coração e revelado todos os seus segredos a um estranho ser invisível . - De quem estás a falar ? - perguntou Harry . - De o diário - disse Riddle . - De o meu diário . A Ginny escreve nele há meses e meses , contando me todas_as suas lamentáveis desgraças e atribulações : como os irmãos a arreliam , que teve de vir para a escola com manto , túnica e livros em segunda mão - os olhos de Riddle brilharam -- , que acha que o maravilhoso , o grande , o famoso Harry_Potter nunca vai gostar de ela ... Enquanto falava , nunca os olhos de Riddle se afastaram de a cara de o Harry . Havia em eles um olhar ávido . - É muito chato ter de ouvir as preocupações idiotas de uma garotinha de onze anos - prosseguiu . - Mas eu fui paciente . Respondi lhe , mostrei me simpático e amável . A Ginny pura e simplesmente adorou me . - * _ Nunca ninguém me compreendeu como tu , Tom ... estou tão feliz por ter este diário a quem me confiar ... é como ter um amigo que pode andar em o meu bolso * ... Riddle riu se . Um riso alto , frio , que não lhe ficava bem . Fez com que os cabelos de o pescoço de Harry se arrepiassem todos . - Verdade se diga que sempre consegui encantar as pessoas necessárias . Portanto a Ginny verteu em mim a sua alma e a alma de ela era precisamente o que eu queria . Fortaleceu me . Alimentei me de os seus medos mais profundos , de os seus mais obscuros segredos . Fui ficando cada_vez_mais forte e poderoso . Muito mais poderoso do_que a pequena Miss_Weasley até que comecei a transmitir lhe alguns de os meus segredos , a passar um_pouco de a minha alma para ela ... - O que queres dizer ? - perguntou Harry cuja boca ficara totalmente seca . - Ainda não descobriste , Harry_Potter ? - disse Riddle muito baixo . - Giony_Weasley abriu a Câmara_dos_Segredos , estrangulou os galos de a escola e escreveu mensagens assustadoras em as paredes . Atiçou a serpente de Slytherin contra quatro sangues de lama e contra o gato de o busca-pé . - Não - murmurou Harry . - Sim - disse calmamente Riddle . - É claro que a princípio não sabia o que estava a fazer . Era muito divertido . Gostava que visses as coisas que escreveu em o diário , começaram a ficar muito mais interessantes . * _ Querido_Tom * - recitou ele , olhando para a expressão horrorizada de o Harry . - * _ Acho que estou a perder a memória . Há penas de galo em todas_as minhas roupas e eu não sei como foram lá parar . Querido_Tom , não me lembro do_que fiz em a noite de o Hallowe'en mas foi atacada uma gata e eu estou cheia de tinta em a cara . Querido_Tom , o Percy não pára de me dizer que ando pálida e não pareço eu . Acho que ele suspeita de mim ... Houve outro ataque hoje e eu não sei onde estava . Tom , que vou eu fazer ? Acho que estou a ficar maluca ... acho que ando a atacar toda_a_gente , Tom ! * Harry tinha os punhos fechados , as unhas cravadas contra a palma de as mãos . - Levou muito_tempo até a pequenina estúpida deixar de confiar em o diário - disse Riddle . - Mas acabou por ficar desconfiada e tentou livrar se de ele . E é aí que tu entras , Harry . Tu encontraste o . E eu não poderia ter ficado mais satisfeito . De todas_as pessoas que poderiam ter ficado com ele , foste tu , aquele que eu ambicionava conhecer ... - E porque querias conhecer me ? - perguntou Harry . Começava a ser tomado por a raiva e fez um esforço para manter o tom de voz controlado . - Bem , a Ginny contou me tudo a teu respeito - disse Riddle . - A tua fascinante história . - Os seus olhos pousaram em a cicatriz em a testa de Harry e a sua expressão ganhou maior avidez . - Sabia que devia descobrir mais a teu respeito , falar te , encontrar me contigo se fosse possível . Por isso , para ganhar a tua confiança , resolvi mostrar te a famosa captura que fiz de aquele demente de o Hagrid . - O Hagrid é meu amigo - disse Harry já com a voz a tremer . - E tu tramaste o , não foi ? Pensei que tinha sido um engano , mas ... Ele riu se . O mesmo riso de antes . - Era a minha palavra contra a palavra de ele . Imagina a cara de o velho Armando_Dippet . De um lado Tom_Riddle , pobre mas brilhante , sem pais mas corajoso , prefeito de a escola , um modelo de aluno . De o outro lado , o Hagrid , grande e disparatado , arranjando problemas semana sim , semana não , tentando criar filhotes de lobisomens debaixo de a cama , escapando se para a floresta proibida para lutar com gigantes . Mas , devo admitir que até eu próprio fiquei admirado com os excelentes resultados de o meu plano . Pensei que alguém perceberia que o Hagrid nunca poderia ser o herdeiro de Slytherin . Demorei cinco anos inteirinhos até descobrir tudo_o_que me foi possível sobre a Câmara_dos_Segredos e a sua entrada secreta ... como_se o Hagrid tivesse cabeça ou poder ! - Só o professor de Transfiguração , Dumbledore , parecia achar que ele estava inocente . Convenceu Dippet a mantê o aqui e a treiná o como guarda de os campos . Sim , é natural que Dumbledore tenha adivinhado , nunca gostou de mim como os outros professores . - Aposto que Dumbledore viu através_de ti - disse Harry , de dentes cerrados . - Pelo_menos passou a vigiar me de perto , a partir de o momento em que o Hagrid foi expulso - disse Riddle descuidadamente . - Eu sabia que não era seguro voltar a abrir a câmara enquanto ainda estava em a escola mas não ia desperdiçar os longos anos que passara a pesquisar . Decidi , por isso , deixar um diário preservando em as suas páginas o meu ego de dezasseis anos para que um dia , com um_pouco de sorte , pudesse levar outro a seguir os meus passos e acabar o nobre trabalho de Salazar_Slytherin . - Bem , não o acabaste - disse Harry triunfante . - Ninguém morreu até agora , nem mesmo a gata . Dentro_de poucas horas a poção de mandrágoras estará pronta e todos os que foram petrificados voltarão de_novo a si . - Não acabei de te dizer que matar sangues de lama já não me interessa ? Há muitos meses que o meu alvo és tu . Harry olhou para ele . - Podes imaginar como fiquei furioso quando em outro dia o diário foi aberto e vi que era a Ginny quem estava a escrever e não tu . Ela viu te com o diário e entrou em pânico . E se tu descobrisses como trabalhar com ele e eu te repetisse todos os seus segredos ? Ainda pior , e se eu te contasse quem tinha andado a estrangular os galos ? Por isso , a grande palerma esperou que o teu dormitório estivesse deserto e foi lá roubá o . Mas eu sabia o que tinha de fazer . Estava muito claro para mim que a tua meta era o herdeiro de Slytherin . Por tudo_o_que a Ginny me contara a teu respeito , sabia que irias até onde fosse preciso para desvendar o mistério , principalmente se um de os teus melhores amigos tivesse sido atacado . E a Ginny disse me que a escola toda bichanava por tu falares * serpentês * ... Por isso , obriguei a Ginny a escrever a sua própria despedida em a parede , a vir até aqui e esperar . Ela debateu se e gritou e ficou muito chatinha . Mas , já não tem muita vida : pôs grande parte de ela em o diário , deu me a . O suficiente para eu abandonar , por fim , as suas páginas . Desde_que aqui cheguei que estou a a tua espera . Sabia que virias . Tenho muitas perguntas a fazer te , Harry_Potter . - Que perguntas ? - disse Harry com os punhos fechados . - Bem - prosseguiu Riddle , sorrindo de satisfação : - Como é_que um bebé sem especiais talentos de magia foi capaz de derrotar o maior feiticeiro de sempre ? Como conseguiste escapar só com uma cicatriz quando os poderes de Lord_Voldemort foram destruídos ? Havia agora em os seus olhos um brilho vermelho e irado . - O que é_que te interessa saber como eu escapei ? - disse Harry lentamente . - Voldemort veio depois de ti . - Voldemort - disse Riddle - é o meu passado , o meu presente e o meu futuro , Harry_Potter ... Tirou a varinha de o Harry de o bolso e começou a escrever em o ar três palavras brilhantes : TOM_MARVOLO_RIDDLE_Em seguida , fez um gesto com a varinha e as letras de o seu nome reagruparam se de outro modo . : __ eu sou lord __ voldemort ( I am Lord_Voldemort ) . - Vês ? - murmurou . - Era um nome que eu já usava em Hogwarts , para os meus amigos mais íntimos apenas , como é óbvio . Achas que ia usar para sempre o nome nojento de o meu pai Muggle ? Eu , em cujas veias , por o lado materno , corre o sangue de Salazar_Slytherin ? Eu , manter o nome de um Muggle tolo que me abandonou ainda antes de eu nascer só porque descobriu que a mulher com quem casara era uma bruxa ? Não , Harry , arranjei um novo nome , um nome que eu sabia que os feiticeiros de todo_o_mundo viriam um dia a ter medo de pronunciar , quando eu me tivesse tornado o maior feiticeiro de o mundo . A cabeça de Harry parecia bloqueada . Olhou como_que paralisado para Riddle , para o rapaz de o orfanato que depois de crescer iria matar os seus pais e tantos outros . Por fim , com algum esforço conseguiu falar . - Não és - disse em uma voz calma e cheia de ódio . - Não sou o quê ? - perguntou Riddle irritado . - Não és o maior feiticeiro de o mundo - disse Harry com a respiração acelerada . - Lamento desiludir te mas o maior feiticeiro de o mundo é Albus_Dumbledore . Toda_a_gente sabe . Mesmo tu , quando tinhas força , não ousavas tentar aproximar te de Hogwarts . Dumbledore viu através_de ti quando andavas em a escola e ainda agora te assusta onde quer que te escondas . O sorriso desaparecera de o rosto de Riddle , fora substituído por um olhar furioso . - Dumbledore foi afastado de este castelo por a minha simples memória - sibilou . - Ele não está tão longe como pensas - retorquiu Harry . Falava por falar , tentando assustar Riddle , desejando mais que assim fosse do_que acreditando em as suas palavras como uma verdade . Riddle abriu a boca mas não chegou a falar . Tinha começado a ouvir se uma música . Riddle deu uma volta , olhando para a câmara vazia . A música estava a ficar mais alta . Era misteriosa , arrepiante , sobrenatural . Fez_Harry ficar com os cabelos em pé e o coração aumentar lhe em o peito . Por fim , quando atingiu um ponto tão alto que Harry a sentiu vibrar dentro de as suas costelas , começaram a sair chamas de o topo de o pilar mais próximo . Uma ave carmesim de o tamanho de um cisne surgiu , assobiando a sua estranha melodia para o tecto em forma de abóbada . Tinha uma cauda dourada tão longa como a de um pavão e garras douradas e brilhantes que seguravam uma trouxa andrajosa . Segundos depois , a ave voava em direcção a Harry . Deixou cair a coisa andrajosa a os seus pés e pousou lhe pesadamente em o ombro . Quando abriu as enormes asas , Harry olhou para_cima e viu que tinha um longo bico afiado e olhos escuros pequenos e brilhantes . A ave parou de cantar . Ficou quieta junto de a cara de Harry , olhando fixamente para Riddle . - É uma fénix , disse Riddle , olhando sagazmente para ela . - Fawkes ? - murmurou Harry e sentiu as garras douradas apertarem lhe devagarinho o ombro . - E aquilo - disse Riddle , olhando para a coisa velha que Fawkes deixara em o chão - é o velho chapéu seleccionador , de a escola . Era , de facto . Amachucado , puído e sujo , o chapéu jazia imóvel a os pés de Harry . Riddle começou a rir . Riu se tanto que a câmara escura se lhe juntou em um eco tal que parecia que dez Riddles se riam ao_mesmo_tempo . - Eis o que Dumbledore envia a o seu defensor . Um pássaro que canta e um chapéu velho . Estás cheio de coragem , Harry_Potter ? Sentes te agora mais seguro ? Harry não respondeu . Podia não estar a ver a vantagem de a Fawkes ou de o chapéu seleccionador mas já não se sentia só , e esperou corajosamente que Riddle parasse de rir . - Vamos a o que importa , Harry - disse ele , ainda com um enorme sorriso . - Encontrámo nos duas vezes em o teu passado , em o meu futuro . E duas vezes falhei a o tentar matar te . Como foi que sobreviveste ? Conta me tudo . Quanto_mais falares , mais tempo tens de vida . Harry pensava rapidamente , medindo as suas possibilidades . Riddle tinha a varinha . Ele , Harry , tinha a Fawkes e o chapéu seleccionador que não lhe serviriam de muito em o combate . As coisas pareciam más , é certo . Mas quanto_mais tempo Riddle ali estivesse , mais vida retirava a a Ginny ... e , entretanto , Harry reparou que a silhueta de Riddle se tornava mais nítida , mais sólida . Se tinha de haver uma luta entre os dois , quanto_mais depressa melhor . - Ninguém sabe porque perdeste os poderes quando me atacaste - disse bruscamente . - Eu próprio não sei . Mas sei porque não conseguiste matar me . A minha mãe morreu para me salvar . A minha mãe , uma vulgar filha de Muggles - acrescentou , a tremer de raiva . - Ela impediu que tu me matasses . E eu vi te como tu és , em o ano passado . És um destroço , quase não existes . Foi onde o teu poder te levou . Estás sob um disfarce , és horrível e és louco . O rosto de Riddle contorceu se . Em seguida , forçou um sorriso pavoroso . - Quer_dizer , então , que a tua mãe morreu para te salvar . Sim , é um antifeitiço poderoso . Compreendo agora , afinal não há em ti nada de especial . Eu tinha curiosidade , sabes , porque há uma estranha semelhança entre nós , Harry_Potter . Até tu deves ter reparado . Somos ambos meio sangue , órfãos , educados com Muggles , provavelmente os dois únicos que falam * serpentês * desde o grande Slytherin , até nos parecemos um_pouco fisicamente ... mas afinal foi apenas uma questão de sorte que te salvou de mim . Era o que eu queria saber . Harry ficou parado , tenso , a a espera que Riddle levantasse a varinha mas o seu sorriso cínico ampliou se de_novo . - Agora , Harry , vou dar te uma pequena lição . Vamos confrontar os poderes de Lord_Voldemort , herdeiro de Salazar_Slytherin e de o famoso Harry_Potter , munido com as melhores armas que Dumbledore lhe deu . Lançou um olhar divertido a a Fawkes e a o chapéu seleccionador e , em seguida , afastou se . Harry com as pernas entorpecidas por o medo viu o parar entre dois pilares altos e olhar para a cara de pedra de Slytherin , lá em cima em a semi-obscuridade . Riddle abriu a boca e sibilou mas Harry compreendeu o que ele dizia . - * _ Responde-me , Slytherin , o maior de os quatro de Hogwarts * . Harry voltou se para olhar melhor para a estátua com Fawkes pousada em o ombro . A gigantesca cara de pedra de Slytherin movia se . Horrorizado , Harry viu a boca abrir se mais e mais até se transformar em um buraco negro . E algo se agitava dentro de a boca de a estátua . Algo se arrastava para fora de as suas entranhas . Harry recuou até a a parede escura de a câmara e enquanto fechava os olhos com força sentiu a asa de a Fawkes roçar lhe o rosto e levantar voo . Harry quis gritar : - Não me abandones ! - mas que possibilidades tinha uma fénix contra o rei de as serpentes ? Uma coisa enorme bateu em o chão de pedra que Harry sentiu estremecer . Sabia o que estava a acontecer , podia sentis o , quase podia ver a serpente gigantesca a sair de a boca de Slytherin . Foi então que ouviu a voz de Riddle sibilar : * _ Mata-o * . O Basilisk avançava em direcção a Harry . Ele ouvia o seu corpo enorme escorregar pesadamente por o chão cheio de pó . Com os olhos sempre fechados , Harry começou a correr para o lado , a as cegas , com as mãos abertas a tactear o caminho . Riddle ria se a as gargalhadas . Harry escorregou e caiu em o chão de pedra e a boca soube lhe a sangue . A serpente estava a poucos centímetros de ele . Podia ouvi a a aproximar se . Ouviu se um crepitar explosivo por cima de ele e alguma coisa pesada bateu lhe com tanta força que ele ficou encostado a a parede . Esperando que os dentes de a serpente lhe perfurassem o corpo , ouviu mais ruídos e qualquer coisa que se agitava com força contra os pilares . Não conseguiu evitar . Abriu bem os olhos para ver o que se passava . A enorme serpente , brilhante , de um verde veneno , espessa como o tronco de um carvalho , erguera se em o ar e a sua imensa cabeça agitava se de um lado para o outro , entre os dois pilares . Quando Harry , a tremer , se preparava para fechar de_novo os olhos , percebeu o que distraíra a cobra . Fawkes esvoaçava em volta de a sua cabeça e o Basilisk , furioso , tentava agarrá a com os dentes longos e afiados como sabres . Fawkes mergulhava . Harry deixou de ver o bico fino e dourado e uma brusca chuva de sangue escuro inundou o chão . A cauda de a serpente agitou se , não batendo em o Harry por_pouco e antes que ele pudesse fechar os olhos voltou se . Harry olhou lhe para a cara e viu que os seus olhos , os dois olhos amarelos e bolbosos tinham sido perfurados por a fénix . O sangue escorria por o chão e a serpente cuspia cheia de dores . - * _ Não * - Harry ouviu o grito de Riddle . - * _ Deixa a ave , deixa a ave , o rapaz está atrás_de ti , ainda podes cheirá o . Mata o ! * A serpente cega oscilou confusa , ainda em fúria . Fawkes andava a a volta de a cabeça de ela soprando a sua misteriosa cantilena , picando lhe aqui_e_ali o nariz cheio de escamas , enquanto o sangue jorrava de os seus olhos destruídos . - Ajudem me . Ajudem me - murmurava Harry aflito . - Alguém , ajude me . A cauda de a serpente chicoteou de_novo o chão . Harry baixou se . Algo macio tocou lhe em o rosto . O Basilisk lançara o chapéu seleccionador para os braços de o Harry que o agarrou . Era tudo_o_que tinha , a sua única esperança . Enfiou o em a cabeça e começou a ficar achatado contra o chão , enquanto a cauda de o Basilisk se lançava de_novo sobre ele . - Ajudem me , ajudem me - pensou Harry , os olhos comprimidos debaixo de o chapéu . - Por favor , ajudem me . Nenhuma voz lhe respondeu . Em vez de isso , o chapéu contraiu se como_se uma mão invisível o tivesse espalmado devagarinho . Alguma coisa muito dura e pesada caíra sobre a cabeça de Harry , conseguindo quase derrubá o . A ver estrelas em frente de os olhos , agarrou o chapéu para o puxar para baixo e sentiu lá dentro uma coisa longa e dura . Uma espada brilhante tinha surgido dentro de o chapéu . Tinha um cabo cravejado de rubis de o tamanho de pequenos ovos . - Mata o rapaz , deixa a ave . O rapaz está atrás_de ti . Cheira o ! Harry estava de pé , preparado . A cabeça de o Basilisk caía , o corpo serpenteava , batendo nos pilares quando se torcia para ficar de frente para ele . Harry podia ver as enormes órbitas ensanguentadas , a boca toda aberta , suficientemente grande para o engolir inteiro , munida de dentes tão longos como a sua espada , finos , brilhantes , venenosos ... Começou a atacar a as cegas . Harry baixou se e a serpente bateu em a parede de a câmara . Atacou de_novo e a sua língua bifurcada lambeu a parede ao_lado_de Harry que levantou a espada com ambas as mãos . O Basilisk investiu mais_uma_vez e agora a pontaria foi certa . Harry pôs todo o seu peso contra a espada e enterrou a até a os copos em o céu de a boca de a serpente . Mas quando o sangue quente lhe encheu os braços , sentiu uma dor aguda mesmo acima de o cotovelo . Um longo dente venenoso penetrava cada_vez_mais fundo em o seu braço , partindo se quando o Basilisk tombou para o lado , perdendo os sentidos . Harry escorregou a o longo de a parede , apertou com força o dente que estava a derramar veneno por todo o seu corpo e arrancou o de o braço . Mas sabia que era demasiado tarde . Uma dor quente emanava lenta e perseverantemente de a ferida . Quando deixou cair o dente e viu o seu próprio sangue manchando lhe as vestes , a vista começou a ficar turva e a câmara a diluir se em uma rotação ardente e colorida . Mas algo escarlate passou por ele e Harry ouviu a o seu lado um suave ruído de garras . - Fawkes - disse com a voz empastada . - Foste sensacional , Fawkes . - Sentiu o pássaro encostar a sua elegante cabeça a o sítio onde o dente de a serpente o tinha ferido . Ouviu passos ecoarem em o vazio e em seguida uma sombra escura moveu se em a sua frente . - Estás morto , Harry_Potter - disse a voz de Riddle , acima de ele . - Morto . Até o pássaro de Dumbledore sabe de isso . Vês o que ele está a fazer ? A chorar . Harry piscou os olhos . A cabeça de Fawkes ora estava focada , ora desfocada . Lágrimas grossas como pérolas escorriam de as suas penas . - Vou sentar me aqui a ver te morrer , Harry_Potter . Leva o teu tempo , eu não tenho pressa . Harry sentiu se sonolento . Tudo parecia girar a a sua volta . - E assim acaba o famoso Harry_Potter - disse a voz distante de Riddle . - Sozinho em a Câmara_dos_Segredos , esquecido por os amigos , finalmente derrotado por o Senhor de o mal que ele tão imprudentemente desafiou . Vais reunir te a a tua querida mãe sangue de lama , Harry ... Ela deu te doze anos de tempo emprestado ... Mas Lord_Voldemort apanhou te em o fim , como sabias que teria de acontecer . Se morrer é isto , pensou Harry , não é assim tão mau . Até a dor estava a desaparecer . Mas , estaria a morrer ? Em_vez_de ficar mais escura a câmara parecia voltar a estar nítida . Harry fez um pequeno gesto com a cabeça e viu a Fawkes ainda repousando a cabeça em o seu ombro . Uma fiada de pérolas brilhava em volta de a ferida , só que já não havia ferida . - Sai de aqui , pássaro - disse subitamente a voz de Riddle . - Afasta te de ele . Já te disse , sai de aqui ! Harry levantou a cabeça . Riddle apontava a sua varinha a Fawkes . Ouviu se um tiro que parecia de carabina e Fawkes levantou novamente voo em um rodopio de ouro e escarlate . - Lágrimas de fénix - disse Riddle em voz baixa , olhando para o braço de o Harry . - É claro ... poderes curativos ... esqueci me ... Olhou para a cara de Harry . - Mas não faz mal . Pensando bem , eu até prefiro assim . Tu e eu , Harry_Potter ... Tu e eu ... Levantou a varinha . Então , em um golpe de asa , Fawkes voou sobre as cabeças de ambos , deixando cair uma coisa em o colo de Harry : o diário . Durante uma fracção de segundo , tanto Harry como Riddle , ainda com a varinha levantada , ficaram a olhar para aquilo . Em seguida , sem pensar , sem ponderar , como_se pensasse fazê o desde o princípio , Harry agarrou o dente de o Basilisk que estava em o chão , junto de ele , e espetou o em o coração de o caderno . Ouviu se um grito longo e terrível . A tinta esguichou em torrentes de dentro de o diário , derramando se sobre as mãos de o Harry e inundando o chão . Riddle torcia se e contorcia se , agitando se a os gritos . E , por fim . Desapareceu . A varinha de Harry caiu a o chão com um ruído e fez se silêncio . Um silêncio apenas cortado por o ping ping de a tinta que ainda escorria de o diário . Com um leve crepitar , o veneno de o Basilisk abrira um buraco mesmo em o meio de o caderno . A tremer de os pés a a cabeça , Harry pôs se de pé . Sentia tudo a andar a a roda como_se tivesse viajado quilómetros e quilómetros com o pó de * _ Floo * . Lentamente apanhou a varinha e o chapéu seleccionador e com um grande estrondo retirou a espada de o céu de a boca de a serpente . Ouviu se então um gemido fraco a o fundo de a câmara . Ginny estava a mexer se . Quando Harry chegou junto de ela , sentou se . Os seus olhos abismados saltaram de o Basilisk morto para Harry em a sua roupa cheia de sangue e , em seguida , para o diário que ele tinha em as mãos . Soltou um enorme soluço e os seus olhos encheram se de lágrimas . - Harry , oh ! Harry , eu tentei dizer te a o pequeno-almoço mas não fui capaz em frente de o Percy . Era eu , Harry , mas eu ... eu ... juro que não queria ... o Riddle obrigou me , levou me e ... como é_que mataste esse bicho ? Onde está o Riddle ? A última coisa de que me lembro foi de o ver a sair de o diário ... - Está tudo bem - disse Harry , mostrando lhe o diário com o buraco de o dente . - O Riddle acabou , olha . Ele e o Basilisk . Anda , Ginny , vamos embora de aqui . - Vou com certeza ser expulsa - disse Ginny a chorar enquanto Harry a ajudava a pôr se de pé . - Desde_que o Bill veio para Hogwarts que eu sonhava vir também para cá e agora vou ter de me ir embora e ... O que vão a minha mãe e o meu pai dizer ? Fawkes esperava por eles , suspensa em o ar , a a entrada de a câmara . Harry fez a Ginny avançar , passaram sobre os anéis parados de o Basilisk , por a escuridão cheia de ecos e voltaram a o túnel . Harry ouviu as portas de pedra fecharem se atrás de eles com um leve sibilar . Depois de alguns minutos a caminhar por o túnel escuro , chegou a os ouvidos de Harry o som distante de o deslocar de uma rocha . - Ron - gritou ele , apressando se . - A Ginny está bem . Está aqui comigo ! Ouviu o Ron gritar de alegria e , voltando em a curva logo_a_seguir , viram a sua cara ansiosa a espreitar por a fresta que conseguira abrir durante a avalancha . - Ginny ! - Ron estendeu o braço por a fresta para a puxar primeiro . - Estás viva . Não posso acreditar . O que aconteceu ? Tentou abraçá a mas a Ginny afastou o , soluçando . - Mas estás bem , Ginny - disse o Ron , sorrindo para ela . - Já passou tudo ... De onde veio esse pássaro ? Fawkes passara por a abertura , atrás_de Ginny . - É de o Dumbledore - explicou Harry , espremendo se para caber também . - E como arranjaste uma espada ? - perguntou o Ron , olhando para a arma brilhante que Harry tinha em a mão . - Eu explico te tudo quando sairmos de aqui - disse Harry , lançando um olhar de esguelha a a Ginny . - Mas ... - Mais tarde - disse Harry rapidamente . Não lhe parecia uma boa ideia contar a o Ron quem tinha aberto a câmara , ali , em frente de a Ginny . - Onde está o Lockhart ? - Ali atrás - disse o Ron , a rir e a abanar a cabeça em direcção a o cano . - Está em muito mau estado . Anda ver . Conduzidos_pela_Fawkes , cujas grandes asas escarlates emitiam um suave dourado que brilhava em a escuridão , voltaram a o lugar onde o cano começava . Gilderoy_Lockhart estava sentado a falar sozinho . - Perdeu a memória - disse o Ron . - O feitiço de a memória fez ricochete . Não sabe quem é nem onde está , nem_sequer sabe quem nós somos . Eu disse lhe que viesse para aqui e esperasse . É um perigo para ele próprio . Lockhart olhou os bem-disposto . - Olá - disse . - Que lugar estranho , este . É aqui que vocês moram ? -- Não - respondeu o Ron , levantando as sobrancelhas para o Harry . Harry baixou se e observou o túnel escuro e longo . - Já pensaste como é_que vamos sair de aqui ? - perguntou a o Ron . O amigo abanou a cabeça mas Fawkes , a fénix , tinha passado por o Harry e estava agora em o ar , em frente de ele , os olhos como pérolas a brilharem em o escuro . Abanava as longas penas douradas de a cauda . Harry olhou para ela , inseguro . - Ela parece querer que a agarres - disse o Ron , perplexo . - Mas tu és muito pesado para um pássaro . - A Fawkes - disse Harry - não é um pássaro qualquer . Voltou se rapidamente para os companheiros . - Temos de nos agarrar uns a os outros . Ginny , agarra a mão de o Ron . O professor Lockhart ... - Ele está a falar consigo - disse o Ron secamente . - Agarre a outra mão de a Ginny . Harry guardou a espada e o chapéu seleccionador em o cinto . Ron deitou a mão a a roupa de Harry e Harry agarrou as penas de a cauda , estranhamente quentes , de a Fawkes . Sentiu uma extraordinária leveza apoderar se de todo o seu corpo e em seguida estavam todos a voar por o cano acima . Harry conseguia ouvir Lockhart , lá atrás , comentando : - Espantoso , isto parece mágico ! Ar frio batia em os cabelos de Harry e antes que ele deixasse de gostar de a viagem já ela acabara . Os quatro tinham chegado a o chão molhado de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa e , enquanto Lockhart endireitava o chapéu , o lavatório voltara a o seu lugar , tapando o cano . A Murta arregalou os olhos . - Vocês estão vivos - disse inexpressivamente a o Harry . - Não é preciso mostrares te tão desiludida - respondeu ele , muito sério , limpando as nódoas de sangue e lodo de os óculos . - Bem ... é_que eu pensei que se vocês morressem seriam bem-vindos a a minha casa_de_banho - disse a Murta com um rubor prateado . - Urgh ! - fez o Ron , quando saíram de ali para o corredor deserto . - Harry , acho que a Murta está a gostar de ti . Tens concorrência , Ginny ! A Ginny continuava a chorar silenciosamente . - Onde vamos agora ? - perguntou o Ron , olhando ansiosamente para ela . Harry apontou . Fawkes indicava o caminho , com o seu tom dourado que brilhava em o corredor . Seguiram a e pouco depois estavam em o escritório de a professora Mc_Gonagall . Harry bateu e empurrou a porta que estava encostada . XVIII_A recompensa de Dobby_Durante alguns momentos reinou o silêncio enquanto Harry , Ron , Ginny e Lockhart estavam em a entrada de a porta . Cobertos de pó e de lama e ( em o caso de o Harry ) sangue . Em seguida , ouviu se um grito . - Ginny ! Era_Mrs._Weasley que tinha estado a chorar , sentada em frente de o lume . Pôs se de pé em um salto , seguida de Mr._Weasley e precipitaram se ambos para a filha . Harry olhava para trás de eles . Dumbledore rejubilava junto de a lareira , a o lado de a professora Mc_Gonagall que , agarrada a o queixo , respirava com dificuldade . Fawkes rasou as orelhas de o Harry e foi instalar se em o ombro de Dumbledore , ao_mesmo_tempo que Harry dava por si em os braços de Mrs._Weasley . - Tu salvaste a ! Salvaste a ! : __ como foi que __ conseguiste ? - Acho que todos nós gostaríamos de saber - disse , sem energia , a professora Mc_Gonagall . Mrs._Weasley soltou o Harry , que hesitou um momento . Depois , foi até a a secretária e colocou sobre o tampo o chapéu seleccionador , a espada cravejada de rubis e o que restava de o diário de Riddle . Em seguida , contou lhes tudo . Falou durante quase um quarto de hora em o silêncio extasiado : contou lhes de a voz sem corpo que ouvia , como a Hermione acabara por descobrir que se tratava de um Basilisk que circulava em os canos , como ele e o Ron tinham seguido as aranhas até a a floresta , que Aragog lhes dissera que a última vítima de o Basilisk morrera , como tinham chegado a a conclusão que se tratava de a Murta_Queixosa e que a entrada para a Câmara_dos_Segredos devia ser em aquela casa_de_banho ... - Muito bem - elogiou a professora Mc_Gonagall quando ele se calou . - Então tu descobriste onde era a entrada , infringindo uma centena de regras de a escola por o caminho , devo dizer , mas como diabo saíram vocês vivos de lá de dentro ? Harry , com a voz já um_pouco rouca de falar tanto , contou lhes de a chegada de a Fawkes e de o chapéu seleccionador que lhe tinha dado a espada . Mas , chegando aí , hesitou . Até a o momento evitara referir se a o diário de Riddle ou a a Ginny . Ela tinha a cabeça encostada a o ombro de Mrs._Weasley e as lágrimas corriam lhe ainda por o rosto . E se a expulsassem ? - pensou Harry , tomado de pânico . O diário de Riddle já não funcionava ... quem poderia provar que fora ele que a obrigara a fazer tudo aquilo ? Olhou instintivamente para Dumbledore que sorria , o fogo iluminando lhe os óculos de meia-lua . - O que mais me interessa saber - disse Dumbledore amavelmente - é como conseguiu Lord_Voldemort enfeitiçar a Ginny quando as minhas fontes me dizem que ele se esconde habitualmente em as florestas de a Albânia . Um alívio , quente e glorioso percorreu Harry de a cabeça a os pés . - O quê ? - disse Mr._Weasley , em uma voz estupefacta . - O Quem nós sabemos enfeitiçou a Ginny ? Mas a Ginny não ... a Ginny não morr ... ? - Foi este diário - esclareceu Harry rapidamente . E mostrando o a Dumbledore . - O Riddle escreveu o quando tinha dezasseis anos . Dumbledore pegou em o diário e olhou atentamente por cima de o seu nariz longo e adunco para as páginas queimadas e húmidas . - Fantástico - disse em voz baixa . - É claro que ele deve ter sido o aluno mais brilhante que alguma vez passou por Hogwarts . - Olhou em volta para os Weasley que o observavam com um ar totalmente confuso . - Muito poucas pessoas sabem que Lord_Voldemort se chamou em tempos Tom_Riddle . Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos , em Hogwarts . Ele desapareceu depois de deixar a escola , viajou muito , mergulhou tão fundo em as artes de a magia negra , associado a os piores feiticeiros , realizou transformações mágicas tão perigosas que quando reapareceu como Lord_Voldemort estava totalmente irreconhecível . Ninguém o relacionou com o rapazinho inteligente e bonito que aqui foi , em tempos , chefe de turma . - Mas a Ginny - insistiu Mrs._Weasley . - O que tem a nossa Ginny que ver com ele ? - O diário - soluçou Ginny . - Eu andei todo o ano a escrever em o diário e ele respondia me ... - Ginny ! - repreendeu Mr._Weasley . - Não aprendeste nada do_que te ensinei ? Não me cansei de dizer te que nunca confiasses em nada que não pensasse por si próprio * se não conseguisses ver onde tinha o cérebro ? * Porque não me mostraste o diário , a mim ou a a tua mãe ? Um objecto suspeito como esse tinha de estar cheio de magia negra ! - Eu não sabia - soluçou Ginny . - Estava junto de os livros que a mãe me comprou . Pensei que alguém se tinha esquecido de ele ali . - É melhor Miss_Weasley ir imediatamente para a ala hospitalar - interrompeu Dumbledore com voz firme . - Foi sujeita a uma prova terrível . Não será castigada . Outros feiticeiros mais velhos do_que ela têm sido ludibriados por Lord_Voldemort . - Dirigiu se a a porta e abriu a . - Repouso , cama e talvez uma caneca de chocolate quente . A mim , anima me sempre - acrescentou , piscando lhe simpaticamente o olho . - Vais ver que Madam_Pomfrey ainda está acordada . Ela tem estado a dar o sumo de Mandrágora , julgo que as vítimas de o Basilisk estarão a acordar dentro_de momentos . de alegria . - Então a Hermione está bem ! - disse o Ron , cheio de alegria . - Não houve danos irreversíveis - disse Dumbledore . Mrs._Weasley saiu com a Ginny e Mr._Weasley seguiu as ainda bastante abalado . - Sabes , Minerva - disse pensativo o professor Dumbledore - acho que tudo_isto merece um banquete . Posso pedir te que previnas os cozinheiros ? - Certamente - disse animada a professora Mc_Gonagall , dirigindo se também a a porta . - Deixo te a tratar de as coisas com o Potter e o Weasley , está bem ? - Claro - disse Dumbledore . Saiu e os dois olharam inseguros para Dumbledore . Que quereria ela dizer com tratar de as coisas ? Certamente não iriam ser castigados ? - Lembro me de vos ter dito a ambos que teria de vos expulsar se voltassem a quebrar as regras de a escola - disse Dumbledore . Ron abriu a boca horrorizado . - O que vem mostrar nos que as melhores pessoas , às_vezes , têm de engolir as suas próprias palavras . - Dumbledore sorriu e continuou : - Vocês vão receber ambos uma recompensa especial por serviços prestados a a escola e ... deixem me ver , sim , acho que duzentos pontos cada_um para os Gryffindor . Ron ficou tão corado que parecia as flores de S._Valentim_do_Lockhart e voltou a fechar a boca . - Mas um de vós parece demasiado calado sobre a sua participação em esta perigosa aventura - acrescentou Dumbledore . - Porquê tanta modéstia , Gilderoy ? Harry estremeceu . Esquecera se por completo de Lockhart . Voltou se e viu o a um canto de a sala ainda com o mesmo sorriso vago . Quando Dumbledore se lhe dirigiu , olhou por cima de o ombro para ver com quem ele estava a falar . - Professor_Dumbledore - disse o Ron rapidamente - Houve um acidente lá em baixo , em a Câmara_dos_Segredos . O professor Lockhart - Eu sou um professor ? - perguntou Lockhart surpreendido . - E eu que pensei que era um inútil ! - Tentou fazer um feitiço antimemória e a varinha fez ricochete - explicou Ron_a_Dumbledore . - Incrível - disse Dumbledore , abanando a cabeça , o bigode prateado a tremer . - Trespassado por a tua própria espada , Gilderoy ! - Espada ? - disse Lockhart de forma imprecisa . - Eu não tenho espada . Esse rapaz é_que tem - apontou para Harry . - Ele empresta lhe uma . - Importas te de levar também o professor Lockhart até a a ala hospitalar , Ron ? - disse Dumbledore . - Eu gostava de falar um_pouco mais com o Harry . Lockhart saiu sem pressa . Antes de fechar a porta , Ron lançou um olhar curioso a Dumbledore e Harry . Dumbledore passou para uma de as cadeiras junto de o lume . - Senta te , Harry - disse . E Harry sentou se , sentindo se indescritivelmente nervoso . - Antes de mais , Harry , quero agradecer te - disse Dumbledore com os olhos a brilharem de_novo . - Deves ter demonstrado uma grande lealdade para comigo . Só isso poderia atrair a Fawkes para ir ajudar te . Deu uma palmadinha a a fénix que voara , entretanto , para_cima de os seus joelhos . Harry sorria acanhadamente sob o olhar observador de Dumbledore . - Encontraste , portanto , Tom_Riddle - disse o director amavelmente . - Calculo que ele estaria particularmente interessado em ti ... De repente , algo que Harry tinha engasgado saiu lhe descontroladamente de a boca para fora . - Professor_Dumbledore ... o Riddle disse que eu sou como ele , que há entre nós estranhas semelhanças ... - Ah ! sim ? - Dumbledore olhou pensativamente para ele , por debaixo de as espessas sobrancelhas prateadas . - E o que achas tu de isso ? - Eu não me considero parecido com ele - disse Harry mais alto do_que desejaria . - Isto_é , eu sou um Gryffindor , eu sou ... Mas calou se com uma dúvida a rondar lhe o espírito . - Professor - arriscou passado alguns momentos . - O chapéu seleccionador disse que eu ... teria ficado bem em os Slytherin ; durante algum tempo toda_a_gente pensou que eu era o herdeiro de Slytherin por falar * serpentês * ... - Tu falas * serpentês * , Harry - disse Dumbledore calmamente - porque Lord_Voldemort que é o mais recente antepassado de Salazar_Slytherin , fala * serpentês * . Ou eu me engano muito , ou ele transferiu para ti alguns de os seus poderes em a noite em que te fez essa cicatriz . Não que quisesse fazê o , claro , mas aconteceu . - Voldemort pôs um_pouco de si próprio em mim ? - disse Harry assombrado . - É o que parece ter acontecido . - Então eu deveria estar em os Slytherin - disse Harry , olhando desesperado para o rosto de Dumbledore . - O chapéu seleccionador viu em mim os poderes de Slytherin e ... -- Pôs te em os Gryffindor - concluiu tranquilamente Dumbledore . - Ouve , Harry , tu tens por acaso muitas de as capacidades que Salazar_Slytherin apreciava em os seus estudantes cuidadosamente seleccionados . O seu raro dom de falar * serpentês * , desenvoltura , determinação , um certo desprezo por as regras estabelecidas - acrescentou com o bigode a tremer de_novo . - Mas ainda_assim , o chapéu seleccionador pôs te em os Gryffindor . E sabes porquê ? Pensa um_pouco . - Só me pôs em os Gryffindor - disse Harry em uma voz débil - porque eu pedi para não ir para os Slytherin . - Exacto - disse Dumbledore a sorrir . - E isso torna te muito diferente de o Tom_Riddle . São as tuas escolhas , Harry , que mostram quem de facto tu és , mais do_que as tuas capacidades . Harry sentou se , imóvel e espantado , em a cadeira . - Se queres provas de que o teu lugar é em os Gryffindor , sugiro que vejas isto com mais atenção . Dumbledore aproximou se de a secretária de a professora Mc_Gonagall , pegou em a espada de prata ensanguentada e mostrou lhe a . Sem perceber , Harry voltou a ao_contrário . Os rubis brilharam a a luz de a lareira e foi então que ele reparou em o nome gravado mesmo por baixo de o copo de a espada . GODRIC_GRYFFINDOR . - Só um verdadeiro Gryffindor poderia ter tirado a espada de dentro de o chapéu , Harry - disse , com simplicidade , Dumbledore . Durante um minuto , nenhum de os dois falou . Depois , Dumbledore abriu uma de as gavetas de a secretária de a professora Mc_Gonagall e retirou de lá uma pena e um tinteiro . - Tu precisas de comer e ir dormir . Sugiro que desças para o banquete enquanto eu escrevo para Azkaban . Precisamos de recuperar o nosso guarda de os campos . E tenho de esboçar um anúncio para o * _ Profeta_Diário * - acrescentou pensativo . - Vamos precisar de um novo professor de Defesa contra as artes negras . É um problema , estamos sempre a perdê os . Harry levantou se e dirigiu se a a porta . Tinha acabado de estender a mão para o puxador quando ela se abriu tão violentamente que saltou de as dobradiças . Lucius_Malfoy estava de pé , furioso . E , debaixo de o braço , embrulhado em diversas ligaduras , estava Dobby . - Boa tarde , Lucius - disse Dumbledore , de forma amena . Mr._Malfoy quase derrubou Harry enquanto entrava em a sala . Dobby dava passos miudinhos atrás de ele , inclinado até a a bainha de o seu manto com um olhar apavorado em o rosto . - Então - disse Lucius_Malfoy com os olhos fixos em Dumbledore - voltaste . Os membros de o Conselho_Directivo suspenderam te , mas tu mesmo_assim sentiste te capaz de voltar a Hogwarts . - Bem vês , Lucius - disse Dumbledore , sorrindo serenamente . - Os outros membros de o Conselho contactaram me hoje . Fui envolvido em um redemoinho de corujas , todos queriam contar me a verdade . Ouviram dizer que a filha de Arthur_Weasley tinha sido morta e queriam me novamente aqui . Parece que me consideravam o melhor homem para o lugar . Contaram me algumas histórias muito estranhas . Alguns de eles tinham a impressão que tu tinhas ameaçado amaldiçoar lhes as famílias se não concordassem com a minha suspensão . Mr._Malfoy ficou ainda mais pálido do_que de costume , mas os olhos continuavam cheios de fúria . - Então já acabaste com os ataques ? - rosnou . - Apanhaste o culpado ? - Já , sim - disse Dumbledore com um sorriso . - E quem é ? - perguntou Malfoy secamente . - A mesma pessoa de a última vez , Lucius - disse Dumbledore . Mas desta_vez , Lord_Voldemort agiu através_de outra pessoa , por_meio_de um diário . Pegou em o pequeno caderno com o buraco em o meio , observando Mr._Malfoy de perto . Mas Harry olhava para Dobby . O elfo fazia um sinal muito estranho . Com os seus grandes olhos fixos em Harry , não parava de apontar para ó diário e , em seguida , para Mr._Malfoy , batendo logo_a_seguir com o punho em a cabeça . - Estou a ver ... - disse Mr._Malfoy lentamente a Dumbledore . - Um plano inteligente - afirmou o director em um tom de voz suave , continuando a olhar Mr._Malfoy directamente em os olhos . - Porque se não fosse aqui o Harry e o seu amigo Ron a descobrirem o diário , sem dúvida Ginny_Weasley teria ficado com todas_as culpas . Ninguém teria conseguido provar que ela agira contra a sua própria vontade . Mr._Malfoy não se pronunciou . O seu rosto parecia agora uma máscara . - E vê bem - continuou Dumbledore - o que poderia ter acontecido ... os Weasley são uma de as mais proeminentes famílias de feiticeiros de sangue puro , imagina o efeito em a imagem de Arthur_Weasley e em a sua acção de protecção a os Muggles , se a sua própria filha fosse acusada de atacar e matar filhos de Muggles . Foi uma sorte o diário ter sido descoberto e as memórias de Riddle apagadas . Quem sabe que consequências poderia ter tido ? Mr._Malfoy falou contra vontade . - Sim , foi uma sorte - disse secamente . E , em as suas costas , Dobby continuava a apontar para o diário e para Lucius_Malfoy , batendo depois com o punho em a cabeça . E Harry finalmente percebeu . Fez um sinal a Dobby que correu a esconder se em um canto , torcendo desta_vez as orelhas para se castigar . - Não quer saber como a Ginny obteve esse diário , Mr._Malfoy ? - perguntou Harry . Lucius_Malfoy voltou se para ele . - Como queres que eu saiba onde é_que a estúpida de a garota o arranjou ? - Porque foi o senhor quem lhe o deu - disse Harry . - Em a Flourish and Blotts . O senhor pegou em o livro velho de ela de Transfiguração e meteu o diário lá dentro , não foi ? Viu as mãos brancas de Mr._Malfoy abrirem se e fecharem se . - Prova isso - sibilou . - Oh ! ninguém vai poder prová o - disse Dumbledore sorrindo a o Harry . - Não agora_que o Riddle desapareceu de o caderno . Por outro lado , aconselharia te , Lucius , a não dares mais nenhuma de as coisas velhas de Lord_Voldemort . Se mais alguma for parar a as mãos de crianças inocentes , acho que o Arthur_Weasley fará com que se voltem com toda_a sua carga negativa contra ti . Lucius_Malfoy ficou calado um momento e Harry viu claramente a sua mão direita torcer se como_se desejasse chegar a a varinha . Em vez de isso , voltou se para o seu elfo doméstico . - Vamos , Dobby . Abriu a porta e quando o elfo se aproximou deu lhe um pontapé que o projectou para longe . Ouviram se em o escritório os gritos de dor de Dobby em o corredor . Harry pensou durante um momento e depois decidiu se . - Professor_Dumbledore - disse apressadamente . - Posso dar o diário outra_vez a Mr._Malfoy ? - Certamente , Harry - disse Dumbledore com toda_a calma . - Mas não demores , olha o banquete . Harry agarrou em o diário e saiu de o escritório . Os gritos de dor de Dobby afastavam se ao_longe . Sem perder tempo , perguntando a si próprio se o plano poderia resultar , Harry tirou um de os sapatos , puxou uma de as peúgas enlameadas e viscosas e meteu o diário lá dentro . Em seguida correu até a o fundo de o corredor escuro . Apanhou os em o topo de as escadas . - Mr._Malfoy - disse ofegante , parando . - Tenho uma coisa para si . E meteu a peúga mal cheirosa em a mão de Lucius_Malfoy . - O que é ... ? Mr._Malfoy tirou o diário de dentro de a peúga , deitou a fora e olhou furioso para o caderno estragado e para Harry - Ainda vais acabar por ter um fim igual a o de os teus pais um dia de estes , Harry_Potter - disse em voz baixa . - Eles também eram uns idiotas metediços . Voltou se para se ir embora . - Anda , Dobby , vem ! Mas Dobby não se mexeu . Tinha em as mãos a peúga nojenta de o Harry e olhava para ela como_se fosse um tesouro de valor incalculável . - O senhor deu uma peúga a o Dobby - disse o elfo maravilhado . - Deu a a o Dobby . - O que é isso ? - cuspiu Mr._Malfoy . - Que estás para aí a dizer ? - Dobby tem uma peúga - repetiu incrédulo . - O senhor deitou a fora e Dobby apanhou a e Dobby agora é livre ... Lucius_Malfoy ficou paralisado a olhar para o elfo . Em seguida precipitou se para Harry . - Fizeste me perder o meu servo , rapaz . Mas Dobby gritou : - Não pense que vai fazer mal a o Harry_Potter ! Ouviu se um enorme estrondo e Mr._Malfoy foi empurrado de costas , galgando os degraus de as escadas a três_e_três e indo aterrar lá em baixo todo embrulhado e amarrotado . Levantou se , o rosto lívido e pegou em a varinha , mas Dobby estendeu lhe um dedo ameaçador . - Vá se embora já - disse furioso , apontando para Mr._Malfoy . - Não tocará em o Harry_Potter . Vá se embora , já . Lucius_Malfoy não teve escolha . Lançando a os dois um último olhar de cólera , embrulhou se em o manto e desapareceu . - Harry_Potter libertou Dobby ! - disse o elfo com voz esganiçada , olhando para Harry , a luz de o luar reflectida em os seus grandes olhos em forma de globos . - Harry_Potter libertou Dobby . - Era o mínimo que eu podia fazer , Dobby - disse Harry a sorrir -- , mas promete me que não vais voltar a tentar salvar me a vida . A cara feia e escura de o elfo abriu se , mostrando os dentes , em um enorme sorriso . - Tenho uma pergunta a fazer te , Dobby - disse Harry enquanto o elfo pegava em a peúga de ele com as mãos a tremer . - Disseste me que tudo_isto não tinha nada que ver com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Lembras te ? - Era uma pista , senhor - disse Dobby com os olhos muito abertos como_se fosse absolutamente óbvio . - Dobby estava a dar lhe uma pista . Antes de o senhor de o mal mudar de nome , o seu nome podia ser pronunciado , está a ver ? - Certo - disse Harry sem grande convicção . - Bem , é melhor eu ir indo embora . Há um banquete e a minha amiga Hermione já deve ter acordado ... Dobby lançou os braços a a cintura de Harry e abraçou o . - Harry_Potter é muito maior do_que Dobby imaginava ! - soluçou . - Adeus , Harry_Potter . E com um estalido final , Dobby desapareceu . Harry assistira a diversos banquetes , mas nenhum que se parecesse com aquele . Estavam todos de pijama e a festa durou a noite inteira . Harry não sabia se o melhor tinha sido a Hermione a correr para ele e a gritar : - Tu conseguiste . Tu conseguiste ! , ou o Justin saindo disparado de a mesa de os Hufflepuff para lhe estender a mão , desfazendo se em desculpas por ter suspeitado de ele , ou o Hagrid que apareceu a as três_e_meia e que lhes deu palmadas com tanta força em os ombros que eles foram parar dentro de os pratos de bolo de creme , ou os quatrocentos pontos que ele e o Ron obtiveram para os Gryffindor , ganhando a taça de a equipa por a segunda vez consecutiva , ou a professora Mc_Gonagall de pé , a comunicar lhes que os exames tinham sido cancelados como medida de a escola ( Oh ! não ! exclamou Hermione ) , ou Dumbledore a anunciar que , infelizmente , o professor Lockhart não poderia voltar em o ano seguinte por ter de se ausentar a_fim_de recuperar a memória . Alguns de os professores juntaram se a os alunos que aplaudiram entusiasmados esta notícia . - Que pena - disse Ron , servindo se de um * dounut * de presunto . - E eu que começava a gostar de ele ... O resto de o período de Verão decorreu sob um sol escaldante . Hogwarts voltara a a normalidade , apenas com algumas pequenas diferenças : as aulas de Defesa contra as artes negras foram canceladas ( Mas nós tivemos imensa prática - disse o Ron vendo o descontentamento de Hermione ) e Lucius_Malfoy foi demitido de o Conselho_Directivo . Draco já não passeava por ali como_se fosse o dono de a escola . Pelo_contrário , tinha um ar melindrado e carrancudo . Por outro lado , Ginny_Weasley andava de_novo feliz de a vida . Em_breve chegou o dia de regressarem a casa em o Expresso_de_Hogwarts . Harry , Ron , Hermione , Fred , George e Ginny encheram um compartimento . Tiraram o_máximo partido de aquelas últimas horas em que lhes era permitido usar a magia antes de as férias . Brincaram a as explosões , gastaram o último fogo-de-artíficio Filibuster , de o Fred e de o George e treinaram o mútuo desarmamento através de a magia . Harry começava a ficar muito bom em aquilo . Já estavam perto de a estação de King's_Cross quando Harry se lembrou de uma coisa . - Ginny , o que foi que viste o Percy fazer que ele não queria que nos contasses ? - Ah ! isso - disse a Ginny a rir . - Bem , é_que o Percy tem uma namorada . Fred deixou cair uma pilha de livros em a cabeça de o George . - O quê ? - É aquela prefeita de os Ravenclaw ' Penelope_Clearwater - disse a Ginny . - Foi para ela que ele escreveu durante todo o Verão . Encontravam se em a escola em grande segredo . Eu apanhei os a beijarem se em uma sala de aula vazia e ele ficou tão aflito quando ela foi ... sabes ... atacada . Não vais aborrecê o , pois não ? - perguntou cheia de ansiedade . - Que ideia - respondeu Fred com uma tal satisfação em o rosto que parecia que o seu aniversário chegara mais cedo . - Claro que não - disse o George a rir se a a socapa . O Expresso_de_Hogwarts abrandou e finalmente parou . Harry tirou a pena e um_pouco de pergaminho e voltou se para Ron e Hermione . - Isto_é um número de telefone - disse ele a o Ron , escrevinhando o duas vezes , cortando o pergaminho a o meio e dando lhes os números . - Eu expliquei a o teu pai como usar um telefone em o Verão passado . Ele sabe fazer a chamada . Liga me para_casa de os Dursley , O. _ K. ? Não consigo suportar outros dois meses sem ter mais ninguém com quem falar ... - Mas a tua tia e o teu tio vão ficar orgulhosos de ti , não vão ? - perguntou Hermione quando saíram de o comboio e se misturaram em a multidão que se encontrava junto de a barreira encantada . - Quando souberem o que fizeste este ano . - Orgulhosos ? - disse Harry . - Estás doida ! Podendo eu ter morrido tantas vezes e tendo escapado ? Vão ficar é furiosos ... E juntos avançaram até a a entrada para o mundo de os Muggles . ----------------- J._K._Rowling_Harry_Potter e a Câmara_dos_Segredos_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Chamber of Secrets_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling 1998 Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 2000 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 2.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 Depósito legal : 143.569/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , a a Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Para_Séan_P._F._Harris , condutor imparável e um amigo de os diabos . I_O pior aniversário Não era a primeira vez que uma discussão estoirava a a mesa de o pequeno-almoço , em o número 4 de a Privet_Drive . Mr._Vernon_Dursley fora acordado de manhã cedo por o piar ruidoso que vinha de o quarto de o seu sobrinho Harry . - É a terceira vez esta semana ! - resmungou , a a mesa . - Se não consegues controlar essa coruja , ela não pode ficar aqui . Harry tentou , mais_uma_vez , explicar . - Ela está aborrecida . Estava habituada a voar livremente lá fora . Se eu pudesse , ao_menos , soltá a a a noite ... - Achas me com cara de idiota ? - perguntou rispidamente o tio Vernon , com um fio de ovo preso em o bigode farfalhudo . - Sei muito bem o que aconteceria se essa coruja fosse lá para fora . Trocou um olhar soturno com a mulher , a tia Petúnia . Harry tentou contra-argumentar , mas as suas palavras foram abafadas por um enorme arroto de o filho de os Dursleys , Dudley . - Quero mais bacon . - Há mais em a frigideira , fofinho - disse a tia Petúnia , lançando um olhar vago a o seu filho maciço . - Tens que te alimentar bem enquanto aqui estás , aquela comida de a tua escola não me cheira . - Disparate , Petúnia , eu nunca passei fome enquanto andei em Smeltings - afirmou com sinceridade o tio Vernon . - O Dudley tem que chegue . Não é verdade , filho ? Dudley , que era tão gordo que o rabo saía de os dois lados de a cadeira de a cozinha , sorriu laconicamente e voltou se para Harry . - Passa me a frigideira . -- Esqueceste te de a palavra mágica - disse Harry , irritado . O efeito que esta simples frase teve em o resto de a família foi inacreditável : Dudley começou a arfar e caiu de a cadeira com um estrondo que abalou a cozinha , Mrs._Dursley deu um gritinho e bateu com a mão em a boca , Mr._Dursley pôs se de pé com as veias de as têmporas dilatadas . - Eu queria dizer « por favor » - explicou Harry rapidamente . - Não me referia a ... - : __ o que é_que eu te __ disse - vociferou o tio , espalhando perdigotos sobre a mesa - : __ sobre pronunciar a palavra m . em esta __ casa ? - Mas eu ... - : __ como te atreves a ameaçar o __ dudley ! - rosnou o tio Vernon , batendo com o punho em a mesa . - Eu só ... - : __ estás avisado . não vou admitir referências a tua anormalidade debaixo de o tecto de a minha __ casa ! Harry olhou alternadamente para o rosto congestionado de o tio e para a palidez de a tia que tentava pôr o Dudley de pé . - Está bem - disse Harry . - Está bem ... O tio Vernon voltou a sentar se , respirando como um rinoceronte exausto e observando Harry de perto por o canto de os seus olhos pequeninos e penetrantes . Desde_que Harry regressara para as férias de Verão que o tio Vernon o tratava como_se ele fosse uma bomba , capaz de explodir a qualquer momento , porque Harry não era um rapazinho normal . Em a verdade , ele era o menos normal que é possível imaginar . Harry_Potter era um feiticeiro , um feiticeiro que acabara de concluir o primeiro ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts e a infelicidade que os Dursleys sentiam por ele estar lá em casa não era nada comparada com a de Harry . As saudades de Hogwarts eram tão intensas que se assemelhavam a uma constante dor em o estômago . Sentia a falta de o castelo com as suas passagens secretas e os seus fantasmas , de as aulas ( com excepção talvez de as de Snape , o professor de as poções ) , de o correio a chegar trazido por as corujas , de os banquetes em o salão nobre , de as noites em as camas de dossel em a camarata de a torre , de as visitas a Hagrid , o guarda de os campos em a sua casinha em o bosque , junto de a floresta proibida e , principalmente , sentia a falta de o Quidditch , o desporto mais popular de o mundo de os feiticeiros ( seis postes altos de golo , quatro bolas esvoaçantes e catorze jogadores em_cima_de vassoura ) . Todos os livros de feitiços de Harry , assim_como a varinha , os mantos , o caldeirão e a vassoura topo de gama Nimbus dois_mil tinham sido encerrados por o tio Vernon em a despensa que ficava debaixo de as escadas , em o momento em que Harry regressara a casa . O que é_que lhes interessava se ele perdia ou não o seu lugar em a equipa de Quidditch por não ter praticado durante todo o Verão ? Que importância tinha para eles que o Harry voltasse a a escola sem ter podido fazer os trabalhos de casa ? Os Dursleys eram aquilo que os feiticeiros chamam « Muggles » ( nem uma gota de sangue mágico em as veias ) e , para eles , ter um feiticeiro em a família era motivo de grande vergonha . O tio Vernon tinha , inclusivamente , fechado a cadeado a coruja de Harry , Hedwig , dentro de a gaiola , para evitar que ela transportasse mensagens para a gente de o mundo de a feitiçaria . Harry não se parecia em nada com o resto de a família . O tio Vernon era atarracado e sem pescoço , dotado de um enorme bigode preto ; a tia Petúnia tinha um rosto cavalar e era esquelética ; Dudley era loiro e rosado como um porquinho . Harry , pelo_contrário , era baixo e franzino , com os olhos verdes brilhantes e cabelo negro sempre desalinhado . Usava uns óculos redondos e tinha em a testa uma cicatriz em forma de relâmpago . Era essa cicatriz que o tornava tão invulgar , mesmo para um feiticeiro . Era a única alusão a o seu passado misterioso , a o motivo por o qual , onze anos antes , tinha sido deixado em o degrau de a porta de os Dursleys . Com um ano de idade , Harry sobrevivera a uma maldição de o maior feiticeiro negro de todos os tempos , Lord_Voldemort , cujo nome a maior parte de os feiticeiros e feiticeiras ainda receia pronunciar . Os pais de Harry tinham morrido em um ataque de Voldemort , mas ele escapara com a sua cicatriz em forma de relâmpago e estranhamente , ninguém compreendeu porquê , os poderes de Voldemort tinham sido destruídos em o momento em que não fora capaz de matar o Harry . Por isso , ele foi criado por a irmã de a sua falecida mãe e respectivo marido . Passou dez anos com os Dursleys , sem nunca compreender porque fazia com que acontecessem coisas estranhas , alheias a a sua vontade , acreditando em a história de os Dursleys de que aquela cicatriz fora resultado de um acidente de automóvel em que os pais tinham morrido . E um dia , precisamente um ano antes , Hogwarts escrevera lhe e fora então que tudo começara . Harry fora ocupar o seu lugar em a escola de feitiçaria , onde ele e a sua cicatriz eram famosas ... mas agora o ano escolar chegara a o fim e estava de_novo com os Dursleys . Durante o Verão , voltara a ser tratado como um cão malcheiroso . Os Dursleys nem se tinham lembrado que aquele era o dia de o seu décimo segundo aniversário . É claro que não tivera grandes expectativas : eles nunca lhe tinham dado um presente a sério , muito menos um bolo , mas ignorarem o por completo ... Em esse momento , o tio Vernon pigarreou com um ar importante e disse : - Como todos sabem , hoje é um dia muito importante . Harry olhou para ele , mal conseguindo acreditar . - Pode bem ser que eu faça hoje o maior negócio de toda_a minha vida - afirmou . Harry voltou novamente a atenção para a torrada . É claro , pensou amargamente , o tio Vernon referia se a a estúpida dinner-party . Havia quinze_dias que não falava de outra coisa . Um consultor qualquer cheio de massa e a mulher vinham jantar lá a casa e o tio Vernon tinha esperança de conseguir uma grande encomenda ( a empresa de o tio Vernon fabricava brocas ) . - Acho que devíamos recapitular mais_uma_vez - disse o tio Vernon . - Devemos estar todos a postos a as oito_horas_em_ponto . Petúnia , tu vais estar ... ? - Em o salão - respondeu a tia Petúnia prontamente - a a espera para lhes dar as boas-vindas a nossa casa . - Bom , bom . E o Dudley ? - Eu vou estar a a espera para abrir a porta . - Dudley esboçou um sorriso falso e afectado . - Dão me licença que vos guarde os casacos , Mr. e Mrs._Mason ? - Eles vão adorá o - exclamou arrebatadamente a tia Petúnia . - Excelente , Dudley - disse o tio Vernon . - A seguir voltou se para o Harry . - E tu ? - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - repetiu o Harry , de forma inexpressiva . - Exactamente - confirmou o tio Vernon , de um modo desagradável . - Eu conduzo os até a o salão , apresento te , Petúnia , e sirvo lhes as bebidas . _ a as oito_e_um_quarto . - Eu chamo para a mesa - disse a tia Petúnia . - E tu , Dudley , vais dizer ... - Dá me licença que lhe indique a casa de jantar , Mrs._Mason ? - repetiu o Dudley , oferecendo o seu braço gordo a uma mulher invisível . - O meu pequenino cavalheiro - fungou a tia Petúnia . - E tu ? - perguntou o tio Vernon a o Harry , em o mesmo tom desagradável . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho , fingindo que não estou lá - respondeu Harry aborrecido . - Isso mesmo . Agora , devíamos ter preparadas algumas frases amáveis para o jantar . Petúnia , alguma ideia ? - O Vernon disse me que o senhor é um excelente jogador de golfe , Mr._Mason ... Tem de me dizer onde comprou esse vestido , Mrs._Mason ... - Perfeito . Dudley ? - Que tal : Tivemos de fazer um trabalho para a escola sobre o nosso herói e eu escrevi sobre o senhor ... Foi de mais , tanto para a tia Petúnia como para o Harry . A tia debulhou se em lágrimas e abraçou o filho , enquanto Harry se esgueirava para debaixo de a mesa para ninguém o ver rir . - E tu , rapaz ? Harry fez um esforço para se mostrar inexpressivo quando emergiu . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - disse . - Vais sim senhor - afirmou o tio Vernon energicamente . - Os Mason não sabem nada a teu respeito e é assim que as coisas vão continuar . Quando o jantar terminar , tu trazes Mrs._Mason para o salão , onde vamos tomar café , Petúnia , e eu puxo o assunto de as brocas . Com um_pouco de sorte , tenho o contrato assinado antes de o noticiário de as dez . Amanhã por esta hora , vamos estar a fazer compras para umas férias em Maiorca . Harry não conseguia sentir o menor entusiasmo com aquilo . Não lhe parecia que os Dursleys gostassem mais de ele em Maiorca do_que em Privet_Drive . - Certo , eu vou a a cidade buscar os casacos para mim e para o Dudley . E tu - resmungou , apontando para Harry - não atrapalhes a tua tia enquanto ela estiver a limpar . Harry saiu por a porta de as traseiras . Estava um dia de sol lindo . Atravessou o relvado , deixou se cair em o banco de o jardim e cantarolou baixinho : - Parabéns para mim ... parabéns para mim ... Nem cartas nem presentes e tinha de passar a noite a fingir que não existia . Olhou infeliz para a sebe . Nunca se sentira tão só . Mais do_que tudo em o mundo , mais do_que de Hogwarts , mais até do_que de o jogo de Quidditch , Harry sentia a falta de os amigos Ron_Weasley e Hermione_Granger . Mas eles não pareciam sentir a falta de ele . Nenhum de os dois lhe escrevera durante todo o Verão apesar_de o Ron ter dito que ia convidá o para passar uns dias lá em casa . Inúmeras vezes Harry estivera quase a libertar magicamente Hedwig de a sua gaiola e mandá a levar uma carta a o Ron e a a Hermione mas não valia a pena correr o risco . Os feiticeiros menores de idade não tinham autorização para usar a magia fora de a escola . Harry não contara isto a os Dursleys . Ele sabia que era o medo de que ele os transformasse a todos em baratas que os impedia de o fecharem a a chave em a despensa debaixo de as escadas , juntamente com a varinha e a vassoura . Em as primeiras semanas Harry divertira se a murmurar baixinho palavras sem sentido e a ver o Dudley sair disparado de o quarto , tão rápido quanto as suas pernas gordas lhe permitiam . Mas o silêncio prolongado de Ron e Hermione tinham o feito sentir se tão longe de o mundo de a magia que até divertir se à_custa_de Dudley perdera o interesse . E agora o Ron e a Hermione tinham se esquecido de o seu aniversário . Quanto não daria ele por uma mensagem de Hogwarts ? De qualquer feiticeiro ou feiticeira ? Quase ficaria satisfeito com um sinal de o seu inimigo feroz , Draco_Malfoy , só para ter a certeza de que tudo aquilo não fora apenas um sonho ... Não que tudo durante o ano em Hogwarts tivesse sido divertido . Mesmo em o fim de o último período , Harry confrontara se nem mais nem menos do_que com o próprio Lord_Voldemort . Voldemort podia ter arruinado o seu ego inicial mas continuava a espalhar o terror , ainda astuto , ainda determinado a recuperar o poder . Harry escapara uma segunda vez a as suas garras mas fora por um triz e mesmo agora , algumas semanas decorridas , acordava de noite encharcado em suores frios , perguntando se onde estaria Voldemort , relembrando o seu rosto lívido , os seus olhos completamente loucos ... Harry sentou se subitamente , direito como um fuso , em o banco de o jardim . Tinha estado a olhar distraído para a sebe e a sebe estava a olhar para ele . Dois enormes olhos verdes surgiram por_entre a folhagem . Harry pôs se de pé ao_mesmo_tempo que uma voz sobrevoava a relva . - Eu sei que dia é hoje - cantarolava Dudley , bamboleando se enquanto se aproximava . Os olhos enormes piscaram e desapareceram . - O quê ? - perguntou Harry sem retirar os olhos de o lugar para_onde estava a olhar . - Eu sei que dia é hoje - repetiu , chegando junto de ele . - Ainda_bem - disse Harry . - Aprendeste finalmente os dias de a semana . - Hoje é o dia de os teus anos - troçou o Dudley . - Por_que é_que não recebeste nenhuma carta ? Não tens amigos em esse lugar esquisito ? - É melhor não deixares a tua mãe ouvir te falar de a minha escola - disse Harry calmamente . Dudley puxou para_cima as calças que estavam a escorregar lhe por o rabo gordo abaixo . - Porque estás a olhar para a sebe . ; - perguntou curioso . - Estou a pensar em as palavras que deverei pronunciar para lhe pegar fogo - disse Harry . Dudley recuou de imediato com um olhar de pânico em a cara rechonchuda . - Tu não p-p-odes , o pai disse que não podias fazer magia ou corria contigo aqui de casa e não tens mais nenhum lugar para_onde ir , não tens amigos que te convidem ... - * _ Jiggery pokery * ! - disse Harry com voz firme . - * _ Hocus pocus ... squiggly wiggly * ... - Maaaaaãe - gritou Dudley , tropeçando em os pés , enquanto se precipitava para dentro_de casa . Maaaãe , ele vai fazer aquela coisa ! Harry deu graças a os céus por aquele momento de gozo . Como não aconteceu nada de mal nem a o Dudley nem a a sebe , a tia Petúnia percebeu que ele não fizera magia nenhuma mas , mesmo_assim , Harry teve de se afastar quando ela lhe deu uma forte pancada em a cabeça com a frigideira cheia de detergente . A seguir distribuiu lhe trabalho e o castigo de só voltar a comer quando tivesse acabado tudo . Enquanto Dudley andava a flanar , olhando para o ar e comendo gelados , Harry limpou as janelas , lavou o carro , aparou a relva , adubou os canteiros , podou e regou as rosas e pintou de_novo o banco de o jardim . O sol ardia lá em cima , queimando lhe a parte de trás de o pescoço . Harry sabia que não devia ter provocado Dudley mas ele dissera precisamente aquilo que ele próprio pensava ... talvez não tivesse amigos em Hogwarts . Deviam ver agora o famoso Harry_Potter , pensou amargamente enquanto espalhava adubo em os canteiros , as costas a doerem lhe e o suor a escorrer lhe por o rosto . Eram sete_e_meia_da_tarde quando , por fim , exausto , ouviu a tia Petúnia a chamá o . - Anda para dentro e passa por cima de os jornais . Harry entrou satisfeito em a sombra de a cozinha que rebrilhava . Sobre o frigorífico estava o bolo de a noite : um enorme monte de crome batido coberto de violetas de açúcar . A carne de porco assava em o forno . - Come depressa , os Mason devem estar a chegar ! - exclamou bruscamente a tia Petúnia , apontando para duas fatias de pão e uma de queijo que estavam em cima de a mesa de a cozinha . Ela já tinha posto um vestido de * cocktail * cor de salmão . Harry lavou as mãos e comeu aquele triste jantar . Mal tinha terminado , a tia Petúnia tirou lhe o prato . - Lá para_cima , rápido ! A o passar por a porta de a sala , Harry vislumbrou o tio Vernon e Dudley de casaco e gravata . Tinha acabado de chegar a o cimo de as escadas quando a campainha de a porta tocou e a cara de o tio Vernon apareceu em o patamar . - Lembra te , rapaz , um ruído que seja ... Harry entrou em o quarto em bicos de pés , fechou a porta e preparou se para se meter em a cama . O problema é_que estava lá alguém sentado . II_O aviso de Dobby_Harry conseguiu não gritar , mas foi por_pouco . A pequena criatura que estava em a cama tinha umas orelhas grandes e largas e uns olhos verdes protuberantes de o tamanho de bolas de ténis . Harry percebeu imediatamente que fora para ele que tinha estado a olhar de manhã . Enquanto olhavam um para o outro , Harry ouviu a voz de Dudley em o * hall * . - Posso guardar os vossos casacos , Mr. e Mrs._Mason ? A criatura escorregou por a cama e curvou se tanto que a ponta de o seu enorme nariz tocou em o tapete . Harry reparou que ele tinha vestido uma espécie de fronha de almofada com buracos para os braços e pernas . - Er ... Olá - disse Harry , um_pouco nervoso . - Harry_Potter ! - exclamou a criatura em uma voz tão estridente que Harry calculou que poderia ouvir se lá em baixo . - Há tanto tempo que Dobby queria conhecê o , senhor . É uma enorme honra ... - Ob-obrigado - disse Harry , deslocando se a o longo de a parede e sentando se em a cadeira de a secretária , junto de Hedwig que dormia em a sua grande gaiola . Queria perguntar lhe « O que és tu ? » , mas pensou que seria má educação , por isso perguntou : - Quem és tu ? - Dobby , senhor . Apenas Dobby , o elfo de casa - afirmou a criatura . - Oh ! A sério ? - perguntou Harry . - Não quero ser mal-educado , mas esta não é a melhor altura para ter um elfo em o meu quarto . O riso falso de a tia Petúnia ouvia se em a sala de jantar . O elfo deixou cair a cabeça . - Não que eu não me sinta feliz por te conhecer - disse Harry rapidamente - mas , er ... estás aqui por algum motivo em especial ? - Oh , sim senhor - disse Dobby muito a sério . - Dobby veio dizer lhe que ... é difícil ... Dobby não sabe por_onde começar ... - Senta te - disse Harry educadamente , apontando lhe a cama . Para seu horror , o elfo debulhou se em lágrimas bastante ruidosas . -- S-senta-te ! - repetiu . - Nunca em toda_a minha vida ... Harry pareceu lhe ouvir as vozes lá em baixo vacilarem . - Desculpa - murmurou . - Eu não queria ofender te ... - Ofender Dobby ! - exclamou o elfo em um sufoco . - Nunca nenhum feiticeiro disse a o Dobby que se sentasse como um seu igual , senhor . Harry , tentando dizer lhe « Sch ... » e confortá o ao_mesmo_tempo , conduziu Dobby de_novo até a a cama onde ele se sentou a soluçar , parecendo uma grande boneca muito feia . Por fim , conseguiu controlar se e ficou quieto , com os seus grandes olhos fixos em Harry em uma expressão de absoluta adoração . - Não deves ter conhecido muitos feiticeiros sérios - disse lhe , tentando animá o . Dobby abanou a cabeça . Em seguida , sem qualquer aviso , saltou e começou a bater furiosamente com a cabeça em a janela , gritando : - Dobby é mau ! Dobby é mau ! - Pára , o que é_que estás a fazer ? - perguntou Harry em um murmúrio sibilante , dando um salto e puxando Dobby de_novo para a cama . Hedwig acordara com um pio particularmente agudo e batia agressivamente com as asas contra as grades de a gaiola . - Dobby tinha que se castigar , meu senhor - afirmou o elfo , que ficara ligeiramente estrábico . - Dobby quase falou mal de a família de ele ... - De a tua família ? - De a família de feiticeiros que Dobby serve , meu senhor ... O Dobby é um elfo de casa , obrigado a servir uma casa e uma família para sempre . - Eles sabem que estás aqui ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Dobby estremeceu . - Oh , não senhor , não ... Dobby vai ter que se castigar muito por ter vindo vê o . Dobby vai ter que entalar as orelhas em a porta de o forno por isto . Se eles soubessem , senhor ... - Mas achas que eles não vão reparar se tu entalares as orelhas em a porta de o forno ? - Dobby duvida , senhor . Dobby está sempre a ter de se castigar por qualquer coisa . Eles deixam que o Dobby se castigue . _ às_vezes até sugerem alguns castigos extra . - Mas por_que é_que não te vais embora , não foges ? - Um elfo de casa tem de ser libertado , senhor . E a família nunca libertará Dobby . Dobby servirá a família até morrer . Harry olhou para ele . - E eu que pensava que era infeliz por ter de ficar aqui mais quatro semanas - declarou . - Isto faz os Dursleys parecerem quase humanos . Será que ninguém te pode ajudar ? Poderei eu ? Em o mesmo momento , Harry desejou não ter aberto a boca . Dobby desfez se em ruidosos soluços de gratidão . - Por favor - murmurou Harry , inquieto . - Por favor , está calado . Se os Dursleys ouvem barulho , se eles sabem que estás aqui ... - Harry_Potter pergunta se pode ajudar Dobby . Dobby ouviu falar de a sua grandeza , mas de a sua bondade , Dobby nada sabia . Harry , que se sentia corar , disse : - Seja o que for que tenhas ouvido sobre a minha grandeza , é um disparate . Nem_sequer sou o melhor de o meu ano em Hogwarts . É a Hermione . Ela ... Mas calou se rapidamente porque pensar em Hermione era lhe doloroso . - Harry_Potter é humilde e modesto - disse Dobby reverentemente , com os seus olhos de globo avermelhados . - Harry_Potter não fala de a sua vitória sobre « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . - Voldemort ? - perguntou Harry . Dobby bateu com as mãos em as enormes orelhas e gemeu : - Ai não diga o nome , senhor . Não diga o nome ! - Desculpa - disse Harry muito depressa . - Eu sei que muita gente não gosta . O meu amigo Ron ... Calou se de_novo . Pensar em o Ron era igualmente doloroso . Dobby voltou para Harry os seus dois olhos grandes como candeeiros . - Dobby ouviu dizer - balbuciou com voz rouca - que Harry_Potter encontrou o Senhor_do_Mal uma segunda vez há poucas semanas atrás ... que Harry_Potter lhe escapou de_novo . Harry acenou e os olhos de Dobby encheram se de lágrimas . - Ah , senhor - disse em um sobressalto , limpando o rosto com a ponta de a fronha de almofada que tinha vestida . - Harry_Potter é valente e arrojado . Enfrentou tantos perigos ! Mas Dobby veio protegê o , avisar Harry_Potter , mesmo_que para isso tenha de entalar as orelhas em a porta de o forno , que Harry_Potter não deve voltar para Hogwarts . Houve um silêncio apenas quebrado por o ruído de os garfos e de as facas lá em baixo e por a voz distante de o tio Vernon . - O q-q-uê ? - gaguejou Harry . - Mas eu tenho de voltar , o ano começa em o dia um de Setembro . É a minha razão de viver . Tu não sabes como são as coisas aqui . Eu não pertenço a este lugar , o meu lugar é em Hogwarts . - Não , não , não - guinchou Dobby , sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas andavam de um lado para o outro . - Harry_Potter deve ficar aqui , onde se encontra a salvo . É demasiado grande , demasiado bom para se perder . Se Harry_Potter regressar a Hogwarts correrá perigo de vida . - Porquê ? - inquiriu Harry , surpreendido . - Há uma conspiração , Harry_Potter . Uma conspiração para fazer acontecer coisas terríveis este ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts - murmurou Dobby que começara a tremer de a cabeça a os pés . - Dobby sabe de isto há meses , senhor . Harry_Potter não deve expor se a o perigo . É demasiado importante . - Que coisas terríveis são essas ? - perguntou Harry sem perder tempo . - Quem está por detrás ? Dobby fez um ruído esquisito e começou a bater com a cabeça contra a parede como um louco . - Está bem - gritou Harry , agarrando o braço de o elfo para o fazer parar . - Não podes dizer , eu compreendo . Mas porque vieste avisar me ? - Um pensamento súbito e desagradável surgiu lhe . - Espera aí , isto tem alguma coisa que ver com o Vol , desculpa com o Quem nós sabemos ? Basta que faças sim ou não com a cabeça - acrescentou com vivacidade enquanto a cabeça de Dobby se inclinava de_novo a uma velocidade preocupante para a parede . Lentamente , Dobby abanou a cabeça . - Não , não é « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . Os olhos de Dobby estavam abertos como_se estivesse a tentar dar a Harry uma pista , mas Harry estava completamente a a nora . - Ele não tem nenhum irmão , ou tem ? Dobby abanou a cabeça , os olhos mais abertos do_que nunca . - Bem , em esse caso não estou a ver quem mais poderia ter a possibilidade de fazer acontecer coisas horríveis em Hogwarts - disse Harry . - Quero dizer , para já está lá o Dumbledore . Sabes quem é Dumbledore , não sabes ? Dobby baixou a cabeça . - Albus_Dumbledore é o melhor director que Hogwarts alguma vez teve . Dobby sabe , senhor . Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore rivalizam com os d'aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Mas , senhor - a voz de Dobby desceu a um urgente murmúrio - há poderes que Dumbledore não ... poderes que nenhum feiticeiro sério ... E antes que Harry conseguisse impedi o Dobby saltou de a cama , agarrou o candeeiro de secretária de Harry e começou a bater com a cabeça , dando uivos ensurdecedores . Fez se silêncio lá em baixo . Dois segundos mais tarde , Harry com o coração a bater como um louco , ouviu o tio Vernon chegar a o * hall * e dizer . - O Dudley deve ter deixado outra_vez a televisão ligada , o maroto ! - Depressa , para dentro de o guarda-fatos - gritou Harry , empurrando Dobby bem para o fundo , fechando a porta e metendo se a correr em a cama mesmo a_tempo_de ver a maçaneta de a porta a girar . - Que diabo estás tu a fazer ? - disse o tio Vernon entre dentes , o rosto assustadoramente próximo de o de Harry . - Acabas de estragar o ponto alto de a minha anedota de o golfista japonês . Eu que oiça mais um som e vais desejar nunca ter nascido , rapaz ! Abandonou o quarto com grandes passadas . A tremer , Harry deixou Dobby sair de o guarda-fatos . - Estás a ver como são as coisas por aqui ? - disse . - Vês porque tenho de voltar para Hogwarts ? É o único sítio onde eu tenho ... bem , onde eu acho que tenho amigos . - Amigos que nem_sequer escrevem a Harry_Potter ? - disse Dobby com ar manhoso . - Calculo que devem ter estado ... espera aí - disse Harry , franzindo a testa . - Como é_que tu sabes que os meus amigos não me têm escrito ? Dobby arrastou os pés . - Harry_Potter não deve zangar se com Dobby . Dobby fez o que achou melhor ... - Tu tens estado a interceptar me as cartas ? - Dobby tem as aqui , senhor - disse o elfo . Saltando para longe de o alcance de Harry , retirou de dentro de a fronha que usava um espesso saco cheio de envelopes . Harry reconheceu de imediato a caligrafia certinha de Hermione , a escrita desordenada de Ron e até uns gatafunhos que pareciam ser de o guarda de os campos de Hogwarts , Hagrid . Dobby piscava ansiosamente os olhos . - Harry_Potter não deve ficar zangado ... Dobby esperava que ... se Harry_Potter pensasse que os amigos o tinham esquecido ... Harry_Potter talvez não quisesse voltar a a escola , senhor . Harry não o ouvia . Fez um gesto para agarrar as cartas , mas Dobby deu um salto , afastando se . - Harry_Potter terá as cartas , senhor , se der a Dobby a sua palavra de não voltar a Hogwarts . Ah , senhor , é um risco que não deve correr . Diga que não volta , senhor ! - Não - afirmou Harry zangado . - Dá me as cartas de os meus amigos ! - Em esse caso , Harry_Potter deixa Dobby sem escolha - disse o elfo tristemente . Antes que Harry pudesse fazer um movimento , Dobby tinha aberto a porta de o quarto e descido a correr por as escadas abaixo . Com a boca seca e um aperto em o estômago , Harry correu atrás de ele , tentando não fazer barulho . Saltou os últimos seis degraus , aterrando como um gato em a carpete de o * hall * , olhando em volta a a procura de Dobby . De a sala de jantar , ouviu a voz de o tio Vernon : - Conte a a Petúnia aquela história engraçadíssima de os funileiros americanos , ela tem estado louca por ouvi a , Mr._Mason . Harry correu de o * hall * para a cozinha e sentiu o estômago ficar pequenino . O pudim , que era a a obra-prima de a tia Petúnia , a montanha de creme batido coberto de violetas de açúcar flutuava junto de o tecto . Em cima de o guarda-louça de o canto , Dobby inclinava se servilmente . - Não - suplicou Harry . - Por favor , eles matam me . - Harry_Potter deve dizer que não vai voltar a a escola ... - Dobby , por favor . - Diga , senhor . - Não posso . Dobby lançou lhe um olhar trágico . - Então , Dobby deve fazê o , senhor , para o bem de Harry_Potter . O pudim foi direito a o chão em uma queda que parecia um coração a parar . O crome esguichou para as janelas e para as paredes , enquanto o prato se despedaçava . Com o ruído de uma chicotada , Dobby desapareceu . Ouviram se gritos em a casa de jantar e o tio Vernon irrompeu por a cozinha onde foi dar com Harry coberto , de a cabeça a os pés , por o pudim de a tia Petúnia . A princípio parecia que o tio Vernon ia conseguir arranjar uma desculpa para aquilo tudo . ( É só o nosso sobrinho , muito perturbado ; conhecer pessoas estranhas deixa o muito nervoso , por isso deixamos o lá em cima ... ) Conduziu_os_Mason , bastante chocados , para a sala de jantar , garantindo a Harry que o esfolava vivo quando os Mason se fossem embora e pôs lhe em as mãos um esfregão . A tia Petúnia descobriu um resto de gelado em o frigorífico e Harry , ainda a tremer , começou a limpar a cozinha . O tio Vernon poderia ainda ter feito o negócio , se não fosse a coruja . Estava a tia Petúnia a circular com uma caixa de After-Eight , quando uma enorme coruja de celeiro fez a sua entrada vertiginosa através de a janela de a casa de jantar , deixando cair uma carta em a cabeça de Mr._Mason e desaparecendo logo_a_seguir . Mrs._Mason gritava como uma carpideira e corria por a casa praguejando contra os lunáticos . Mr._Mason ficou o tempo estritamente necessário para dizer a os Dursleys que a mulher tinha um medo pânico de pássaros de todas_as formas e tamanhos e perguntar lhes se aquela era alguma brincadeira de mau gosto . Harry não saiu de a cozinha , agarrando o esfregão como defesa , enquanto o tio Vernon avançava para ele com um brilho demoníaco em os olhos pequeninos . - Lê isso - ordenou maldosamente . Harry pegou em a carta . Não era a desejar lhe um bom aniversário . * _ Caro_Mr._Potter , * _ Recebermos hoje informações de que um feitiço de suspensão em o ar foi efectuado em sua casa esta noite , a as nove_horas_e_doze_minutos . * _ Como sabe , os feiticeiros menores não estão autorizados a praticar magia fora de a escola e , se efectuar mais um trabalho mágico , será expulso de a nossa escola . ( Decreto_de_Restrições_Razoáveis_para_Feitiçaria_de_Menores , 1875 , parágrafo C. ) * _ Pedimos-lhe também que se lembre que qualquer actividade que possa ser notada por membros alheios a a nossa comunidade ( Muggles ) constitui uma ofensa grave , segundo a secção 13 de a Confederação_Internacional_do_Estatuto_da_Magia_Secreta . * _ Tenha umas boas férias . * Atenciosamente_Mafalda_Hopkirk_Gabinete_da_Utilização_Imprópria_da_Magia_Ministério_da_Magia * . Harry olhou para a carta e engoliu em seco . - Tu não nos contaste que estavas proibido de usar magia fora de a escola - disse o tio Vernon com um brilho maldoso a dançar lhe em os olhos . - Esqueceste te de o mencionar , passou te , não foi ? Tinha se aproximado de Harry como um grande * bulldog * , com todos os dentes a a mostra . - Tenho boas notícias para ti , rapaz , vou fechar te a a chave e , se tentares sair através_de magia , nunca mais voltas a aquela escola , eles expulsam te . E rindo como um louco , arrastou Harry até a o andar de cima . O tio Vernon era mau como as cobras . Em a manhã seguinte pagou a um homem para colocar grades em a janela de o quarto de Harry . Ele próprio abriu um pequeno buraco em a porta de o quarto para que a comida pudesse ser introduzida três vezes por dia . Deixavam o Harry sair para ir a a casa_de_banho de manhã e a o final de a tarde . O resto de o tempo estava fechado em o quarto , a a espera que o tempo passasse . Três dias mais tarde , os Dursleys não mostravam qualquer intenção de abrandar o castigo e Harry não sabia como sair de aquela situação . Estava deitado em a cama , vendo o sol brilhar por_entre as grades de a janela e perguntando se tristemente o que viria a acontecer lhe . Qual era a vantagem de sair de ali por artes mágicas , se Hogwarts o expulsaria em seguida ? Contudo , a vida em Privet_Drive tinha atingido o seu nível mais baixo . Agora_que os Dursleys tinham a certeza que não iam acordar transformados em morcegos , ele perdera a única arma que tinha . O Dobby podia tê o salvo de acontecimentos terríveis em Hogwarts , mas de a maneira que as coisas estavam , ele morreria muito provavelmente a a fome . A portinhola rangeu e a mão de a tia Petúnia apareceu empurrando uma tigela de sopa de pacote para dentro de o quarto . Harry , que estava cheio de fome , saltou de a cama e agarrou a . A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um único trago . A seguir , atravessou o quarto até a a gaiola de Hedwig e pôs os legumes ensopados dentro de o seu pratinho vazio . Ela agitou as penas e olhou o com profunda repugnância . - Não vale de nada virares lhe as costas . É tudo_o_que temos - disse Harry , de modo severo . Colocou a tigela vazia em o chão junto de a portinhola e voltou para_cima de a cama , de certo modo com mais fome do_que antes de ter comido a sopa . Admitindo que estaria ainda vivo dentro_de quatro semanas o que aconteceria se ele não se apresentasse em Hogwarts ? Será que mandariam alguém obrigar os Dursleys a deixá o ir ? O quarto começava a escurecer . Exausto e com o estômago a dar horas , o cérebro a as voltas com as mesmas questões sem resposta , Harry caiu em um sono intranquilo . Sonhou que fazia parte de um espectáculo de o jardim zoológico . Preso a a jaula onde se encontrava estava um cartaz onde podia ler se « feiticeiro menor de idade « . As pessoas olhavam o com olhos protuberantes , enquanto ele jazia fraco e esfomeado em um leito de palha . Viu a cara de o Dobby em o meio de a multidão e gritou lhe , pedindo ajuda , mas o Dobby respondeu : - Harry_Potter está em segurança aí , senhor - e desapareceu . Em seguida vieram os Dursleys e Dudley bateu em as grades de a jaula , rindo se de ele . - Pára com isso - murmurou Harry como_se aquele ruído martelasse em a sua cabeça dorida . - Deixa me em paz , pára com isso , estou a tentar dormir . Abriu os olhos . O luar brilhava através de as grades de a janela . E lá fora alguém olhava de olhos arregalados para ele : alguém de rosto sardento , cabelo ruivo e nariz grande . Ron_Weasley estava de o lado de_fora de a janela . III « A toca » Ron ! - exclamou Harry , arrastando se até a a janela e empurrando a para poderem falar através de as grades . - Ron , como é_que tu , foi o ... ? Harry ficou de boca aberta , espantado com o que viu . Ron estava debruçado de a janela de trás de um velho automóvel azul-turquesa que se encontrava estacionado em o ar . Em os lugares de a frente , rindo se para Harry , estavam os irmãos mais velhos , os gémeos Fred e George . - Tudo bem , Harry ? - O que é_que se tem passado ? - perguntou o Ron . - Porque não respondeste a as minhas cartas ? Convidei te para vires ter comigo umas doze vezes e um dia o pai chegou a casa e comunicou nos que tu tinhas recebido um aviso oficial por usares magia diante de os Muggles ... - Não fui eu . E como é_que ele soube ? - Ele trabalha em o Ministério - disse o Ron . - Tu sabes que nós não podemos fazer feitiços fora de a escola . - Bem , isso vindo de ti ... - exclamou Harry , olhando para o carro flutuante . - Oh , isto não conta - disse Ron . - Foi o meu pai que o emprestou . Não o fizemos aparecer por magia . Mas usar magia em a frente de esses Muggles com quem tu vives ... - Já te disse que não fui eu , mas vai demorar muito_tempo a explicar te isso agora . És capaz de avisar em Hogwarts que os Dursleys me fecharam a a chave e que não querem deixar me voltar e obviamente eu não posso sair de aqui magicamente senão o Ministério vai achar que é a segunda vez em três dias e ... - Pára com essa conversa tola - disse o Ron . - Viemos para te levar connosco . - Mas tu também não podes tirar me de aqui utilizando processos mágicos ... - Não precisamos de isso - afirmou Ron , fazendo um sinal de cabeça para os lugares de a frente . - Esqueces te de quem está aqui comigo . - Amarra isso em volta de as grades - disse o Fred , lançando a Harry a ponta de uma corda . - Se os Dursleys acordam estou feito - lamentou se Harry enquanto dava um nó bem apertado com a corda em uma de as grades e o Fred arrancava com o carro . - Não te preocupes e chega te para trás . Harry recuou para a sombra , para junto de Hedwig que parecia ter se apercebido de a importância de tudo aquilo , mantendo se quieta e em silêncio . O carro puxou mais e mais e , subitamente , com um ruído de ferro a ceder , as grades foram arrancadas de a janela , enquanto Fred conduzia com o céu como estrada . Harry correu de_novo para a janela para ver as grades a balouçarem a poucos metros de o chão . Ofegante , Ron içou as para dentro de o carro . Harry escutou ansiosamente mas não vinha qualquer som de o quarto de os Dursleys . Quando as grades estavam em segurança em os lugares de trás junto de Ron , Fred aproximou se o_máximo que lhe foi possível de a janela . - Anda de aí - disse . - Mas , todas_as minhas coisas de Hogwarts , a minha varinha , a minha vassoura ... - Onde estão ? - Fechadas em a despensa debaixo de as escadas e eu não posso sair de este quarto . . - Não há azar - disse o George . - Sai de a frente , Harry . Fred e George treparam cautelosamente e entraram por a janela em o quarto de Harry . Tinhas que ter aberto a boca , pensou Harry enquanto George tirava de o bolso um vulgar gancho de cabelo e começava a tentar abrir a fechadura . - Muitos feiticeiros acham que é uma perda de tempo aprender os truques de os Muggles - disse o Fred . - Mas nós pensamos que há habilidades que é sempre útil conhecer apesar_de serem um_pouco lentas . Ouviu se um pequeno clique e a porta abriu se . - Pronto , vamos buscar as tuas coisas . Tu vai dando a o Ron aquilo que precisas de aí de o teu quarto - murmurou George . - Cuidado com o degrau de cima que range - sussurrou Harry enquanto os gémeos desapareciam em o escuro . Harry deu a volta a o quarto , recolhendo as suas coisas e passando as por a janela a o Ron . Em seguida , foi ajudar o Fred e o George a trazerem o resto por as escadas acima . Ouviu o tio Vernon tossir . Por fim , de língua de_fora , chegaram a o quarto , junto de a janela aberta . Fred trepou para o carro para puxar os volumes com o Ron enquanto Harry e George os empurravam de dentro de o quarto . Centímetro a centímetro o malão foi passando por a janela . O tio Vernon tossiu de_novo . - Mais um_pouco - disse o Fred que estava a puxar de dentro de o carro . Um bom empurrão , vá . Harry e George encostaram os ombros contra a mala e ela escorregou para a parte de trás de o carro . - O. _ K. , vamos embora - murmurou o George . Mas quando Harry trepava para o parapeito de a janela ouviu se um forte pio atrás de ele , imediatamente seguido de o vociferar de o tio Vernon . - Aquela maldita coruja ! - Esqueci me de a Hedwig ! Harry precipitou se de_novo para o quarto , enquanto a luz de o patamar se acendia . Agarrou a gaiola de Hedwig , correu para a janela e passou a a o Ron . Estava a subir para_cima de a cómoda quando o tio Vernon bateu em a porta , que não estava fechada , e esta se abriu completamente . Por uma fracção de segundo , o tio Vernon ficou estático junto de a porta . Em seguida , soltou um mugido como um boi zangado e avançou para Harry , agarrando o por o tornozelo . Ron , Fred e George seguraram o por os braços e puxaram o com toda_a força . - Petúnia - rosnou o tio Vernon . - Ele está a fugir ! : __ ele está a __ fugir ! Os Weasleys deram um puxão gigantesco e a perna de o Harry escapou a as garras de o tio Vernon . Logo_que Harry entrou em o carro e a porta se fechou , Ron gritou : - Acelera Fred ! - E o carro partiu subitamente em direcção a a lua . Harry mal podia acreditar que estava livre . Esticou se a a janela , o ar de a noite a fustigar lhe os cabelos e olhou para baixo , para os telhados apertados de Privet_Drive . O tio Vernon , a tia Petúnia e o Dudley estavam todos debruçados com cara de parvos , a a janela de o quarto de ele . - Até a o próximo Verão - gritou . Os Weasleys riam se a as gargalhadas e Harry esticou se para trás em o assento e pediu a o ouvido de Ron : - Deixa sair a Hedwig . Ela pode voar atrás_de nós . Há séculos que não tem uma oportunidade de esticar as asas . George passou a o Ron o gancho de cabelo e , um momento depois , a Hedwig saíra feliz por a janela , planando atrás de eles como um fantasma . - Então , qual é a história ? - perguntou Ron , impaciente . - O que é_que tem estado a acontecer ? Harry contou lhes tudo sobre o Dobby , o aviso de este e o fracasso de o pudim de violetas . Houve um longo silêncio quando ele se calou . - Isso cheira me a esturro - disse , por fim , o Fred . - Definitivamente misterioso - concordou George . - Então ele nem te disse quem está supostamente por detrás dessa trama toda ? - Acho que não podia - explicou Harry . - Já te disse , de cada_vez que estava quase a deixar escapar qualquer coisa , começava a bater com a cabeça em a parede . Viu Fred e George olharem um para o outro . - O quê ? Acham que ele estava a mentir me ? - perguntou Harry . - Bem - começou o Fred -- , coloquemos as coisas de o seguinte modo , os elfos de casa têm poderes mágicos próprios , mas geralmente não podem usá os sem a autorização de os seus donos . Eu acho que o bom de o Dobby foi enviado para evitar que voltasses para Hogwarts . Uma ideia de um engraçadinho . Haverá alguém em a escola com má vontade contra ti ? - Sim - responderam Harry e Ron , precisamente ao_mesmo_tempo . - Draco_Malfoy - explicou Harry . - Ele detesta me . - Draco_Malfoy ? - perguntou George , voltando se para trás . - O filho de o Lucius_Malfoy ? - Deve ser . Não é um nome muito vulgar , pois não ? - disse Harry . - Mas porquê ? - Ouvi o pai falar acerca de ele - confidenciou George . - Ele era um grande apoiante de o « Quem nós sabemos » . - E quando o « Quem nós sabemos » desapareceu - continuou o Fred , voltando a cara para olhar para Harry - o Lucius_Malfoy voltou , dizendo que não foi por vontade própria que fez o que fez . Monte de lixo . O pai acha que ele fazia parte de um círculo de amigos íntimos de o « Quem nós sabemos » . Harry já tinha ouvido esses boatos sobre a família de Malfoy e não o surpreenderam em absoluto . Malfoy fizera Dudley_Dursley parecer um rapazinho simpático , amável e sensível . - Não sei se os Malfoy têm um elfo de casa ... - afirmou Harry . - Bem , quem quer que o possua é sem dúvida uma antiga família de feiticeiros e deve ser rica - explicou Fred . - Sim . A mãe está sempre a desejar que pudéssemos ter um elfo de casa para passar a roupa a ferro - disse o George . - Mas só temos um velho vampiro piolhoso em o sótão e gnomos espalhados por o jardim . Os elfos de casa pertencem a as grandes casas senhoriais , a os castelos e lugares assim , não encontrarias um em a nossa casa ... Harry estava calado . Considerando que Draco_Malfoy tinha sempre as melhores coisas , que a sua família nadava em ouro de feiticeiros , era fácil imaginá o passeando se por uma enorme casa senhorial . Mandar o servo de a família evitar que Harry voltasse para Hogwarts também parecia exactamente o tipo de coisa que Malfoy poderia fazer . Teria Harry sido estúpido a o tomar Dobby a sério ? - De qualquer modo , ainda_bem que viemos buscar te - declarou Ron . - Eu começava a ficar seriamente preocupado por não responderes a nenhuma de as minhas cartas . A princípio pensei que a culpa fosse de a Errol ... - Quem é a Errol ? - A nossa coruja . Já é velhota . Não seria a primeira vez que adoecia durante uma entrega . Por isso , tentei pedir a Hermes emprestada ... - Quem ? - A coruja que os meus pais compraram a o Percy quando ele foi nomeado prefeito - respondeu Fred . - Mas o Percy não me a emprestou . Disse que precisava de ela . - O Percy tem andado com atitudes muito estranhas este Verão - comentou George franzindo a testa . - E tem mandado imensas cartas e passado um tempo infinito fechado em o quarto ... enfim , pode limpar se e polir um distintivo de prefeito todas_as vezes que se quiser ... Estás a conduzir demasiado para ocidente , Fred - acrescentou apontando para uma bússola em o painel de o automóvel . Fred girou o volante . - Então , o vosso pai sabe que têm o carro ? - perguntou Harry , quase adivinhando a resposta . - Er ... não - disse o Ron . - Ele tinha trabalho esta noite . Felizmente vamos poder pô o de_novo em a garagem , sem a mãe perceber que andámos a voar nele . - A propósito , o que faz o vosso pai em o Ministério_da_Magia ? - Trabalha em o Departamento mais chato - respondeu Ron . - A Divisão de utilização incorrecta de artefactos de os Muggles . - O quê ? - Relaciona se com objectos de feitiçaria que foram feitos por os Muggles ; sabes como é , se forem parar de_novo a uma loja de os Muggles , ou a uma casa , como em o ano passado , quando morreu uma bruxa velha e o bule de ela foi vendido a uma loja de antiguidades . Uma mulher Muggle comprou o , tentou servir chá a os amigos . Foi um pesadelo , o pai teve de fazer horas extraordinárias durante semanas . - O que é_que aconteceu ? - O bule parecia louco , esguichou chá a ferver para todos os lados e um de os homens foi parar a o hospital com a pinça de o açúcar presa em o nariz . O pai ficou nervosíssimo . É só ele e o velho feiticeiro Perkings em o gabinete e tiveram de localizar e descobrir todo o tipo de encantamentos para resolver o assunto . - Mas o teu pai ... este carro ... Fred riu se . - Sim , o pai é louco por tudo_o_que tem que ver com os Muggles . A nossa arrecadação está cheia de coisas de os Muggles . Ele separa as , lança lhes feitiços e volta a pô as em o lugar . Se ele fizesse uma busca a nossa casa teria de se prender a si mesmo . A minha mãe fica louca com tudo aquilo . - É a estrada principal - gritou o George , apontando para baixo através de a janela . - Dentro_de poucos minutos estamos lá , mesmo a tempo , está a começar a clarear . Um leve brilho rosado tingia o horizonte para leste . Fred trouxe o carro para baixo e Harry pôde ver uma manta de retalhos de campos escuros e matas de arbustos . - Estamos um_pouco longe de a vila - disse George . - Em Ottery_St . Catchpole ... O carro voador foi descendo a os poucos . A luz avermelhada brilhava agora por_entre as árvores . - Terra - disse o Fred , em o momento em que tocaram em o chão com um ligeiro solavanco . Tinham aterrado perto_de uma garagem em ruínas em um pequeno pátio e Harry viu pela_primeira_vez a casa de o Ron . Parecia ter sido em tempos uma pocilga de pedra . Mas os quartos que posteriormente lhe tinham sido acrescentados haviam a tornado bastante mais alta e o seu aspecto era tão curvado que parecia ter sido construída por artes mágicas ( o que , pensou Harry , era , muito provavelmente , verdade ) . De o telhado vermelho saíam quatro ou cinco chaminés . Junto de a entrada , fixa em o chão , podia ver se uma inscrição assimétrica que dizia « A toca » . A o lado de a porta principal estava uma contusão de botas de * _ Wellington * e um caldeirão completamente enferrujado . Por o pátio passeavam se várias galinhas castanhas e gordas . - Não é grande coisa - desculpou se o Ron . - É óptima - exclamou Harry , feliz , pensando em Privet_Drive . Saíram de o carro . - Agora vamos lá para_cima sem fazer barulho - disse o Fred . - E esperamos que a mãe nos chame para o pequeno-almoço . Depois tu , Ron , desces a escada entusiasmadíssimo . - Mãe , olha quem apareceu cá durante a noite ! - E ela vai sentir se felicíssima quando vir o Harry . Assim ninguém fica a saber que levámos o carro voador . - Certo - disse o Ron . - Vamos , Harry , eu durmo em o ... Ron ganhou uma cor de um pálido esverdeado , os olhos fixos em a casa . Os outros três fizeram meia volta . Mrs._Weasley avançava por o pátio , afugentando as galinhas e , para uma mulher baixa , roliça e simpática , era fantástico como conseguia parecer se com um tigre dentes-de-sabre . - Ah ! - suspirou o Fred . - Oh , oh ! - exclamou o George . Mrs._Weasley parou em frente de eles . As mãos em as ancas , saltando de um olhar culpado para o outro . Usava um avental a as flores , com uma varinha a sair lhe de o bolso . - Com que então - disse . - Bom dia , mãe - arriscou o George com uma voz que tentou que fosse alegre e bem-disposta . - Vocês têm alguma ideia de como tenho estado preocupada ? - perguntou Mrs._Weasley em um murmúrio fraco . - Desculpe , mãe , mas sabe , nós tivemos que ... Os três filhos de Mrs._Weasley eram mais altos do_que ela , mas tremiam quando a fúria de a mãe se abatia sobre eles . - Camas vazias ! Nem um bilhete ! O carro desaparecido ... Podiam ter tido um acidente , estou fora de mim com tanta preocupação e vocês nem se importam ... nunca , enquanto eu for viva ... esperem só até o vosso pai chegar , nunca tivemos problemas de estes com o Bill , com o Charlie ou com o Percy ... - O perfeito Percy - resmungou Fred . - : __ tu não vales um dedo de a mão de o __ percy ! - gritou Mrs._Weasley , espetando um dedo em o queixo de o Fred . - Podias ter morrido , podias ter sido visto , podias ter feito com que o teu pai perdesse o emprego ... Parecia nunca mais acabar . Mrs._Weasley tinha gritado até ficar ronca , antes de se voltar para o Harry , que recuou . - Estou muito contente por te ver , Harry - disse . - Entra e vem tomar o pequeno-almoço . Ela voltou se e regressou a casa e Harry , depois de trocar um olhar nervoso com o Ron , que lhe acenou , encorajando o , seguiu a . A cozinha era pequena e bastante estreita . A meio havia uma enfezada mesa de madeira e cadeiras em volta e Harry sentou se a a beirinha de o assento , olhando em volta . Era a primeira vez que entrava em uma casa de feiticeiros . O relógio em a parede em frente de ele , tinha apenas um ponteiro e nenhum número . Em volta , estavam escritas frases como « Hora de fazer o chá » , « Hora de dar de comer a as galinhas « e « Estás atrasado » . Empilhados em o rebordo de a lareira estavam livros com títulos como * _ Encanta o teu próprio queijo , Encantamento em a cozedura de o pão e Banquetes em um minuto - é mágico * ! E , a menos que os ouvidos de Harry estivessem a traí o , o velho rádio próximo de o lava-loiças acabara de anunciar que a seguir vinha a Hora de enfeitiçar com a popular feiticeira-cantora Celestina_Warbeck . Mrs._Weasley fazia barulho com os talheres , preparando o pequeno-almoço um bocado a o acaso , lançando olhares furiosos a os filhos , enquanto lançava as salsichas em a frigideira . De vez em quando murmurava coisas como : « Não sei o que vos passou por a cabeça « ou « nunca devia ter confiado em vocês » . - Eu não te culpo , filho - tranquilizou Harry , pondo lhe sete ou oito salsichas em o prato . - Eu e o Arthur temos estado preocupados contigo . Ainda ontem a a noite estivemos a dizer que te iríamos buscar nós próprios se não respondesses a o Ron até sexta-feira . Mas , em a verdade ( estava agora a acrescentar três ovos estrelados a o prato de ele ) , atravessar metade de o país a voar em um carro ilegal , qualquer um vos poderia ter visto ... Agitou maquinalmente a varinha em a direcção de o lava-loiças , onde a loiça começou a lavar se sozinha , tinindo baixinho lá atrás . - Estava enevoado , mãe ! - exclamou o Fred . - Boca fechada enquanto comes ! - interrompeu Mrs._Weasley . - Eles estavam a fazê o passar fome , mãe ! - disse o George . - E tu também ! - disse Mrs._Weasley , mas já foi com uma expressão mais doce que começou a cortar o pão para Harry e a barrá o com manteiga . Em esse momento , as atenções voltaram se para um pequenino volto de cabelos ruivos , em uma camisa de dormir até a os pés , que surgiu em a cozinha , deu um grito agudo e desapareceu de_novo . - É a Ginny - disse Ron baixinho a o Harry -- , a minha irmã . Tem falado de ti todo o Verão . - Sim , ela vai querer o teu autógrafo , Harry - riu se o Fred , mas o seu olhar cruzou se com o de a mãe e inclinou se para o prato , não voltando a abrir a boca . Ninguém falou até os quatro pratos estarem limpos , o que sucedeu a uma velocidade surpreendente . - Bolas , estou cansado - bocejou Fred , pousando a faca e o garfo . Acho que me vou deitar e ... - Não vais , não senhor - interrompeu Mrs._Weasley . - A culpa é tua se ficaste toda_a noite acordado . Vais fazer a des-gnomização de o jardim . Eles estão outra_vez a exagerar . - Oh , mãe ... - E vocês os dois o mesmo - dirigiu se a o Ron e a o Fred . - Tu podes ir para a cama , filho - disse a Harry . - Não lhes pediste que guiassem aquele carro miserável . Mas Harry , que se sentia acordadíssimo , respondeu prontamente : - Eu ajudo o Ron , nunca vi uma des-gnomização ... - É muito simpático de a tua parte , querido , mas é um trabalho chato - explicou Mrs._Weasley . - Vejamos o que o Lockhart tem a dizer acerca disto . E puxou de o rebordo de a lareira um livro pesadíssimo . George resmungou : - Mãe , nós sabemos * des-gnomizar * o jardim . Harry olhou para a capa de o livro de Mrs._Weasley . Em grandes letras douradas , que ocupavam grande parte de a capa , podia ler se Guia_de_Gilderoy_Lockhart para pragas caseiras . Via se também a grande fotografia de um feiticeiro bem-parecido , de cabelos loiros ondulados e olhos azuis brilhantes . Como sempre , em o mundo de os feiticeiros , a fotografia mexia se . O feiticeiro , que Harry calculou ser Gilderoy_Lockhart , não parava de lhes piscar os olhos descaradamente . Mrs._Weasley sorriu lhe . - Oh , ele é fantástico - disse . - Conhece bem as pragas caseiras . É um livro maravilhoso . - A mãe adora o - disse Fred em um murmúrio bastante audível . - Não sejas ridículo , Fred - repreendeu Mrs._Weasley com as bochechas coradas . - É claro que se achas que sabes mais do_que o Lockhart , podes ir fazer o trabalho e ai de ti se houver um único gnomo em o jardim quando eu for fazer a inspecção . A bocejar e a resmungar , os Weasley arrastaram se lá para fora com Harry atrás de eles . O jardim era grande e , em a opinião de Harry , exactamente como deveria ser um jardim . Os Dursleys não teriam gostado . Havia uma enorme quantidade de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada , mas havia árvores nodosas em volta de as paredes , plantas que Harry nunca vira , tombando de todos os canteiros e um grande lago verde cheio de rãs . - Os Muggles também têm gnomos de jardim , sabes - disse o Harry a o Ron , enquanto atravessavam a relva . - Sim , já vi essas coisas que eles pensam que são gnomos - disse o Ron todo dobrado , com a cabeça em uma moita de peónias . - Como os Pais_Natais gordinhos com canas de pesca ... Houve um tumulto ruidoso , a moita de peónias estremeceu e Ron endireitou se . - Isto_é um gnomo - declarou com um ar sério . - Larga eu ! Larga eu ! - guinchou o gnomo . Não se parecia em absoluto com o Pai_Natal . Era pequenino e parecia de couro , com uma grande cabeça protuberante e calva , precisamente como uma batata . Ron agarrou o a a distância de um braço , enquanto ele dava pontapés em o ar com os seus pézinhos que pareciam chifres . Agarrou o por os tornozelos e voltou o de pernas para o ar . - Isto_é o que tens de fazer - disse . Levantou o gnomo acima de a cabeça ( Larga eu ! ) e começou a balouçá o em grandes círculos , como os vaqueiros fazem com os laços . A o ver a expressão chocada de Harry , Ron explicou : - Não os mágoa . Só tens de os deixar bem tontos para que consigam encontrar o caminho de regresso a os buracos de os gnomos . Largou os tornozelos de o gnomo . Ele voou seiscentos metros e aterrou com um ruído surdo em o campo a o lado de a sebe . - Deplorável - afirmou o Fred . - Aposto que consigo lançar o meu para_além de aquele tronco . Harry aprendeu rapidamente a não sentir muita pena de os gnomos . Decidira largar o primeiro que apanhou para_além de a sebe , mas o gnomo , sentindo fraqueza , enfiou os seus dentinhos , aguçados como laminas , em o dedo de o Harry e não foi fácil sacudi o para ele o largar , até que ... - Uau , Harry , esse deve ter sido seiscentos metros ... O ar estava subitamente cheio de gnomos voadores . - Vês , eles não são muito espertos - afirmou o George , agarrando cinco ou seis de uma_vez . - Em o momento em que se apercebem que começou a * des-gnomização * , aparecem todos para espreitar . Era de esperar que já tivessem aprendido a ficar quietinhos . Rapidamente a multidão de gnomos começou a ir se embora , atravessando os campos em uma fila ordenada , com os pequeninos ombros arqueados . - Eles voltam - disse o Ron enquanto os via desaparecer em a sebe de o outro lado de o campo . - Eles adoram estar aqui ... o pai é muito mole com eles , acha lhes piada . Em esse momento , a porta de a frente bateu . - Ele já voltou ! - exclamou o George . - O pai já está em casa ! Apressaram se a entrar . Mr._Weasley tinha se afundado em uma de as cadeiras de a cozinha , sem óculos e com os olhos fechados . Era um homem magro , quase calvo , mas o pouco cabelo que tinha era tão ruivo como o de os filhos . Vestia um longo manto verde cheio de pó e estava cansado de a viagem . - Que noite - murmurou , tacteando em busca de o bule , enquanto todos se sentavam a a volta de ele . - Nove assaltos , nove ! E o velho Mundungs_Fletcher tentou lançar me um feitiço quando eu estava de costas . Mr._Weasley tomou um bom gole de chá e suspirou . - Encontrou alguma coisa , pai ? - perguntou Fred ansiosamente . - Só encontrei algumas chaves encolhidas e uma chaleira que mordia - bocejou Mr._Weasley . - Havia um material bastante mauzinho , mas não era de o meu departamento . O Mortlake foi levado para ser interrogado sobre uns furões extremamente antigos , mas isso pertence a a Comissão_dos_Feitiços_Experimentais , graças_a Deus . - Por_que é_que alguém ia dar se a o trabalho de fazer encolher chaves ? - perguntou George . - Para chatear os Muggles - suspirou Mr._Weasley . - Vende se lhes uma chave que não pára de encolher , até que desaparece , de_modo_a que nunca a encontrem quando precisam ... É claro que é muito difícil condenar alguém , porque nenhum Muggle é capaz de admitir que a sua chave está a encolher , insistem em que estão sempre a perdê a . Benditos sejam , vão até onde for preciso para ignorar a magia , mesmo_que ela esteja em frente de os seus narizes ... mas vocês não acreditariam em as coisas que o nosso grupo tem levado para enfeitiçar ... - : __ como carros , por __ exemplo ? Mrs._Weasley tinha aparecido , segurando um grande atiçador que parecia uma espada . Os olhos de Mr._Weasley abriram se de repente , fitando a mulher com um ar culpado . - C-carros , Molly querida ? - Sim , Artur , carros - afirmou Mrs._Weasley , os olhos a faiscar . - Imagina um feiticeiro a comprar um carro velho e enferrujado e dizer a a mulher que a única coisa que queria fazer com ele era desmontá o para ver como ele funcionava , enquanto em a verdade estava a enfeitiçá o para o fazer voar . Mr._Weasley piscou os olhos . - Bem , querida , acho que poderás constatar que não é ilegal fazer isso , embora , er , talvez ele devesse ter contado a verdade a a mulher ... Existe uma forma de tornear a lei , já_que ela diz que ... desde_que não se tenha a * intenção * de voar em o carro , o facto de ele poder voar , não ... - Arthur_Weasley tu arranjaste essa forma de tornear a lei quando a escreveste ! - gritou Mrs._Weasley . - Para poderes continuar a remexer em todo aquele lixo de os Muggles que tens em a arrecadação ! E , para tua informação , o Harry chegou hoje_de_manhã em o carro que tu não pretendias pôr a voar ! - Harry ? - perguntou Mr._Weasley sem expressão . - Qual Harry ? Olhou em volta , viu Harry e deu um salto . - Santo_Deus , é Harry_Potter ? Muito prazer , o Ron falou nos tanto de si ... - * _ O teu filho conduziu aquele carro até a a casa de o Harry e de volta até aqui em a noite passada ! * - gritou Mrs._Weasley . - O que tens a dizer a esse respeito ? - A sério ! ? - exclamou Mr._Weasley com vivacidade . - Correu tudo bem , quero dizer ... - vacilou a o ver os olhos de Mrs._Weasley que faiscavam . - Er , fizeram mal , rapazes , muito mal , mesmo ... - Vamos deixá os a os dois - murmurou o Ron , enquanto Mrs._Weasley inchava como um sapo gigantesco . - Vamos , vou mostrar te o meu quarto . Esgueiraram se de a cozinha e desceram uma passagem estreita que dava para uma escada desnivelada que ziguezagueava a o longo de a casa . Em o terceiro andar , estava uma porta entreaberta . Harry só teve tempo de ver um par de olhos castanhos brilhantes que o olhavam fixamente , antes de a porta se fechar com um estalido . - A Ginny - disse o Ron . - Não imaginas como é estranho vês a tão tímida , ela que quase nunca se cala ... Subiram mais dois andares , até chegarem a uma porta com a tinta a descascar e uma pequena placa dizendo : « Quarto_do_Ronald » . Harry entrou . A cabeça quase tocava em o tecto inclinado . Piscou os olhos . Era como entrar dentro_de uma fornalha : quase tudo em o quarto de o Ron tinha um violento matiz alaranjado : a colcha de a cama , as paredes , até o tecto . Em seguida , apercebeu se de que o Ron tinha coberto cada centímetro de o velho papel de parede com * posters * de as mesmas sete feiticeiras e feiticeiros , todos vestidos com brilhantes mantos cor de laranja , transportando vassouras e acenando entusiasticamente . - A tua equipa de Quidditch ? - perguntou Harry . - Os Chudley_Cannons - disse Ron , apontando para a colcha cor de laranja que tinha um brasão com dois C's gigantes e uma bala de canhão a_toda_a velocidade . - Nono em a Liga . Os livros de estudo de feitiços de Ron estavam empilhados desordenadamente a um canto , junto de um monte de B. _ D. , todas elas relativas a as * _ Aventuras_de_Martin_Miggs , o Muggle louco * . A varinha mágica de o Ron estava em_cima_de um aquário cheio de ovos de rã sobre o peitoril de a janela , junto de o seu rato gordo e cinzento , Scabbers , que dormia uma soneca a o sol . Harry passou por_cima_de um baralho de cartas de jogar com vontade própria , que estava caído em o chão , e olhou para fora de a janelinha . Em o campo , não muito longe , podia ver um grupo de gnomos a esgueirarem se , um a um , de_novo para a sebe de os Weasley . Em seguida , voltou se para Ron que o observava nervoso , como_se esperasse a opinião de ele . - É um_pouco pequeno - declarou o Ron muito depressa . - Não se parece nada com o quarto que tu tinhas em casa de os Muggles . E estou mesmo debaixo de o vampiro de o sótão . Ele anda sempre a bater nos canos e a gemer ... Mas Harry , com um grande sorriso , disse lhe : - Esta é a melhor casa em que eu já estive . As orelhas de Ron ficaram cor-de-rosa . IV_Na_Flourish and Blotts_A vida em a Toca era o mais diferente que é possível de a vida em Privet_Drive . Os Dursleys gostavam de tudo limpo e arrumado , em casa de os Weasleys explodia o estranho e o inesperado . Harry teve um choque de a primeira vez que olhou para o espelho que estava sobre a lareira de a cozinha e ele gritou : - Mete para dentro a camisa , * desmazelado ! * - O vampiro de o sótão gemia e batia nos canos , sempre_que sentia as coisas demasiado calmas e as pequenas explosões em o quarto de o Fred e de o George , eram consideradas perfeitamente normais . Mas o que o Harry achou mais bizarro em a vida em casa de o Ron , não foi o espelho que falava , nem o vampiro barulhento , foi o facto de todos ali em casa parecerem gostar de ele . Mrs._Weasley preocupava se com o estado de as suas meias e tentava obrigá o a servir se quatro vezes a cada refeição . Mr._Weasley gostava que Harry se sentasse a o lado de ele a a mesa para poder bombardeá o com perguntas sobre a vida com os Muggles , pedindo que lhe explicasse como funcionavam coisas como as canalizações e o serviço de os correios . - Fascinante ! - exclamava , enquanto Harry lhe explicava a utilização de o telefone . - Engenhoso , de facto , todas_as maneiras que os Muggles encontraram para passar sem a magia . Harry teve notícias de Hogwarts em uma manhã de sol , cerca de uma semana depois de ter chegado a a Toca . Quando , ele e o Ron desceram para tomar o pequeno-almoço , encontraram Mr. e Mrs._Weasley e Ginny já sentados a a mesa . Em o momento em que viu o Harry , Ginny entornou a tigela de os cereais , que caiu a o chão com grande espalhafato . Ginny entornava facilmente coisas sempre_que o Harry estava em a sala . Mergulhou debaixo de a mesa para apanhar a tigela e emergiu com o rosto a brilhar como o sol poente . Fingindo não ter dado por nada , Harry sentou se e aceitou a torrada que Mrs._Weasley lhe ofereceu . - Cartas de a escola - disse Mr._Weasley , passando a o Harry e a o Ron envelopes idênticos de pergaminho amarelado , com a morada escrita a tinta verde . - O Dumbledore já sabe que estás aqui , Harry , não perde nada aquele homem . Vocês os dois também - acrescentou , enquanto Fred e George deambulavam em a casa , ainda em pijama . Fez se silêncio durante alguns momentos , enquanto liam as respectivas cartas . A de o Harry dizia para apanhar o Expresso_de_Hogwarts , como sempre em a Estação_de_King's_Cross , em o dia_1_de_Setembro . Havia ainda uma lista de os livros que precisaria para o próximo ano . Os alunos de o segundo ano deverão ter : * _ O_Livro_Padrão_de_Feitiços , Grau 2 , por Miranda_Goshawk . * _ Ensinamentos_de_Uma_Fada_Carpideira , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Férias com Bruxas , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Duendes , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Lobisomens , por Gilderoy_Lockhart . * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves , por Gilderoy_Lockhart * . Fred , que terminara a sua própria lista , espreitou para a de o Harry . - Também te mandam comprar os livros de o Lockhart - disse . - A professora de defesa contra as artes negras deve ser fanática . Aposto que é uma bruxa . Nessa_altura , Fred percebeu o olhar de a mãe e apressou se a comer o doce de laranja . - Esse conjunto não vai ficar barato - disse George , olhando rapidamente para os pais . - Os livros de o Lockhart são de os mais dispendiosos ... - Cá nos havemos de arranjar - declarou Mrs._Weasley , mas parecia preocupada . - Espero que pelo_menos para a Ginny possamos arranjar uma data de coisas em segunda mão . - Ah , vais entrar este ano para Hogwarts ? - perguntou lhe Harry . Ela fez um aceno , corando até a a raiz de os cabelos ruivos e meteu o cotovelo em o pires de a manteiga . Felizmente ninguém deu por nada , a não ser o Harry , porque em esse momento o irmão mais velho de Ron , o Percy , entrou . Já estava vestido , com a placa de prefeito aplicada a a sua camisola de malha . - Bom dia a todos - disse , cheio de vivacidade . - Está um dia lindo . Puxou a única cadeira livre , mas deu um salto quando ia sentar se e , debaixo de ele , saltou um espanador cinzento de penas , pelo_menos , foi o que o Harry pensou até ver que ele respirava . - Errol ! - exclamou Ron , afastando a coruja de o Percy e retirando lhe debaixo de a asa uma carta . - Até que enfim , a resposta de a Hermione . Escrevi lhe a contar que íamos tentar raptar te de casa de os Dursleys . Levou Errol para um poleiro que havia junto a a porta de as traseiras e tentou colocá a lá em cima , mas Errol caiu redonda e Ron teve de a pôr em a pia , murmurando : - Patético . - Em seguida , abriu a carta de a Hermione e leu a em voz alta . * _ Querido_Ron e Harry , se aí estiveres . Espero que tudo tenha corrido bem , que o Harry esteja O. _ K. e que não tenham feito nada ilegal para conseguir trazes o , porque isso podia criar lhe problemas também a ele . Tenho estado muito preocupada e , se o Harry estiver bem , por favor digam me qualquer coisa rapidamente , mas talvez seja melhor usarem uma nova coruja , porque acho que outra entrega pode acabar como esta . * _ Estou muito atarefada com trabalho de a escola , claro * . - Como é possível ? - perguntou Ron , horrorizado . - Estamos em férias ! - * _ E vamos para Londres em a próxima quarta-feira para comprar os meus livros novos . Porque não nos encontramos em a Diagon-al ? * _ Dêem-me notícias vossas o mais depressa possível . * _ Carinhosamente_Hermione * - Bem , parece uma boa solução , podemos ir todos comprar as vossas coisas - disse Mrs._Weasley , começando a limpar a mesa . - O que vão fazer hoje ? Harry , Ron , Fred e George tinham planeado ir a o cimo de o monte a um pequeno cercado de cavalos que os Weasleys possuíam . Estava rodeado de árvores que lhe tapavam a vista de a cidade cá em baixo , o que quer_dizer que podiam praticar Quidditch , desde_que não voassem muito alto . Não podiam usar as verdadeiras bolas de Quidditch pois seria muito difícil explicar se elas escapassem e voassem sobre a cidade . Em vez de elas , lançavam maçãs para os outros apanharem . Faziam turnos para montar a Nimbus dois_mil , que era de longe a melhor vassoura . A velha Shooting_Star_de_Ron fora muitas_vezes ultrapassada por as borboletas que passavam . Cinco minutos mais tarde estavam a marchar por o monte acima , de vassouras a o ombro . Tinham perguntado a o Percy se ele queria juntar se a eles , mas ele alegara muito trabalho . Até esse dia , Harry só tinha visto Percy a a hora de as refeições , ele ficava em silêncio em o quarto o resto de o tempo . - Gostava de saber o que ele anda a fazer - afirmou Fred , de testa franzida . - Não parece o mesmo . O resultado de os exames veio um dia antes de tu chegares : doze N_F_V e ele nem se manifestou satisfeito . - Níveis_de_Feitiçaria_Vulgares - explicou o George , vendo o olhar atarantado de Harry . - Se não temos cuidado , ainda nos calha outro Chefe_de_Turma em a família . Acho que não suportaria a vergonha . Bill era o mais velho de os irmãos Weasley . Ele e o irmão a seguir , Charlie , já tinham saído de Hogwarts . Harry não conhecia nenhum de os dois , mas sabia que o Charlie estava em a Roménia a estudar dragões e o Bill em o Egipto a trabalhar em o banco de os feiticeiros : Gringotts . - Não sei como o pai e a mãe vão arranjar dinheiro para nos pagar o material escolar este ano - disse o George , passado um bocado . - Cinco conjuntos de livros de o Lockhart ! E a Ginny precisa de mantos e de uma varinha e tudo_isso ... Harry não disse nada . Sentiu se um_pouco incomodado . Fechada em um cofre subterrâneo , em o banco de Gringotts_de_Londres , estava uma pequena fortuna que os pais lhe tinham deixado . É claro que só tinha esse dinheiro em o mundo de os feiticeiros , não se podem usar Galeões , Leões e Janotas em as lojas de os Muggles . Ele nunca fizera referência a a sua conta bancária em Gringotts a os Dursleys . Não lhe parecia que o horror que eles sentiam por tudo_o_que se relacionava com a feitiçaria se estendesse a uma enorme pilha de barras de ouro . Mrs._Weasley acordou os a todos bem cedo , em a quarta-feira seguinte . Depois de comerem umas doze sanduíches de * bacon * cada_um , enfiaram os casacos e Mrs._Weasley tirou um vaso de a prateleira de o fogão de a cozinha e espreitou lá para dentro . - Está a acabar se , Arthur - suspirou . - Temos de comprar mais hoje ... Bem , os hóspedes primeiro . Passa , Harry querido ! E ofereceu lhe o vaso de flores . Harry olhou espantado enquanto todos eles o observavam . - O q-que é_que eu devo fazer ? - gaguejou . - Ele nunca viajou com o pó de Floo - disse o Ron subitamente . - Desculpa , Harry , esqueci me . - Nunca ? - perguntou Mrs._Weasley . - Mas então como chegaste a a Diagon - _ Al em o ano passado para comprar as tuas coisas ? -- Fui por o subterrâneo . - A sério ? - disse Mr._Weasley , entusiasmado . - Havia fugitivos ? Como é_que ... - Agora não , Arthur - disse Mrs . Weasley . - O pó de Floo é muito mais rápido , querido , mas , valha me Deus , se ele nunca o usou ... - Vai correr bem , mãe - disse o Fred . - Harry observa nos primeiro . Tirou uma pitada de pó brilhante de dentro de o vaso , aproximou se de o lume e lançou o pó em as chamas . Com um rugido , o fogo ficou verde-esmeralda e elevou se a uma altura superior a a de o Fred que avançou , gritando Diagon - _ Al ! E desapareceu . - Tens de falar claramente , filho - disse Mrs._Weasley a o Harry , ao_mesmo_tempo que George metia a mão em o vaso de as flores . - E vê se sais em o fogão certo . - Em o quê ? - perguntou Harry , nervoso , enquanto o lume crepitava e fazia George desaparecer também . - Bem , há imensos fogos de feiticeiros , mas desde_que te tenhas expressado claramente ... - Ele vai conseguir , Molly , não te preocupes - disse Mr._Weasley , tirando também ele algum pó . - Mas querido se ele se perde como é_que vamos justificar nos perante o tio e a tia de ele ... -- Eles não se importariam - tranquilizou a Harry . - O Dudley ia achar imensa piada se eu me perdesse em uma chaminé , não se preocupe . - Bem , em esse caso ... tu vais a seguir a o Arthur - disse Mrs._Weasley . - Logo_que entres em o fogo diz para_onde queres ir . - E mantém os cotovelos dobrados - preveniu o Ron . - E os olhos fechados - disse Mrs._Weasley . - A fuligem . - Não te enerves - disse o Ron . - Senão podes ir parar a a lareira errada . - Não entres em pânico e não queiras sair cedo de mais . Espera até veres o Fred e o George . Fazendo um enorme esforço por reter toda aquela informação , Harry tirou uma pitada de pó de Floo e avançou para a beirinha de o fogo . Respirou fundo , espalhou o pó em as chamas e entrou . O fogo parecia uma brisa quente . Abriu a boca e engoliu , de imediato , uma grande quantidade de cinzas quentes . D-dia-gon-al - tossiu . Sentiu se como_se estivesse a ser sugado para um buraco gigantesco . Como_se girasse muito depressa ... o ruído era ensurdecedor . Tentou manter os olhos abertos mas o turbilhão de chamas verdes fê lo enjoar ... algo duro bateu lhe em o cotovelo e dobrou o de imediato . Continuava a rodar , a rodar ... sentia se agora como_se várias mãos frias estivessem a bater lhe em a cara ... Espreitando através de os óculos , viu uma torrente imprecisa de fogões e captou lampejos de as salas que estavam por detrás ... as sanduíches de * bacon * davam lhe a volta dentro de o estômago ... fechou os olhos desejando que tudo aquilo parasse e então caiu , de cara em o chão , em a pedra fria e sentiu os óculos partirem se a os bocados . Desorientado e ferido , coberto de fuligem , pôs se cautelosamente de pé , levando a os olhos os óculos partidos . Estava completamente só e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava . Tudo_o_que podia dizer era que a o seu lado via uma lareira que lhe parecia ser a de uma enorme e indistinta loja de feitiçaria . Mas nenhum de os artigos que ali se encontravam tinham aspecto de fazer parte de a lista de a escola de Hogwarts . Em uma caixa de vidro podia ver se uma mão atrofiada que repousava sobre uma almofada , um baralho de cartas ensanguentado e um olho de vidro que o olhava fixamente . Máscaras de expressão maldosa enchiam as paredes , olhando de esguelha , uma enorme quantidade de ossos humanos estendia se sobre o balcão e , de o tecto , pendiam instrumentos aguçados com pontas de ferro e pregos enferrujados . Mas o pior é_que a rua estreita e escura , que Harry conseguia avistar através de a janela poeirenta de a loja , não era de modo algum a Diagon-al . Quanto_mais depressa saísse de ali , melhor . O nariz ainda a doer lhe em o sítio onde batera em o chão a o aterrar , Harry avançou rápida e silenciosamente em direcção a a porta , mas antes de conseguir chegar a meio caminho , duas pessoas apareceram de o lado de_fora de o vidro , e uma de elas era a última pessoa que Harry desejaria encontrar em o momento em que se encontrava perdido , coberto de fuligem e com os óculos partidos , Draco_Malfoy . Harry olhou rapidamente em volta e apercebeu se de a existência de um grande armário escuro a a sua esquerda , saltou lá para dentro e fechou as portas , deixando uma gretazinha para poder espreitar . Segundos depois , uma campainha tocava e Malfoy entrava em a loja . O homem que o acompanhava só podia ser o pai . Tinha o mesmo rosto pálido de feições agudas e os mesmos olhos cinzentos de gelo . Mr._Malfoy atravessou a loja , olhando maquinalmente para os artigos expostos e tocou a campainha de o balcão , antes de se voltar para o filho , dizendo : - Não mexas em nada , Draco . Malfoy , que vira o olho de vidro , disse : - Pensei que ias oferecer me um presente . - Eu prometi que ia comprar te uma vassoura de corrida - declarou o pai , tamborilando com os dedos sobre o balcão . - Para que é_que me serve , se não estou em a equipa de Quidditch ? - perguntou Malfoy , carrancudo e de mau humor . - O Harry_Potter teve uma Nimbus dois_mil o ano passado , com a autorização especial de o Dumbledor é para jogar em os Gryffindor . Ele nem é assim tão bom , é só por ser * famoso * ... famoso por ter uma estúpida cicatriz em a testa . Malfoy baixou se para observar uma prateleira cheia de crânios . - Todos acham que ele é tão esperto , o Potter maravilha , com a sua cicatriz e a sua vassoura ... - Já me disseste isso doze vezes pelo_menos - comentou Mr._Malfoy , olhando repressivamente para o filho . - E devo lembrar te que não é prudente parecer menos do_que amigo de Harry_Potter , quando a maior parte de a nossa gente vê em ele um herói que fez desaparecer o Senhor_do_Mal . Ah , Mr._Borgin . Um homem curvado surgiu por detrás de o balcão , puxando o cabelo gorduroso para trás . - Mr._Malfoy , que prazer vês o de_novo - disse Mr._Borgin , em uma voz tão untuosa como o cabelo . - Encantado , e o nosso jovem Malfoy também , encantado . Em que posso servi os ? Tenho que vos mostrar o que chegou hoje , a um preço muito razoável ... - Hoje não venho comprar , Mr._Borgin , e sim vender - afirmou Mr._Malfoy . - Vender ? - O sorriso apagou se lentamente em o rosto de Mr._Borgin . - Certamente ouviu dizer que o Ministério está a levar a cabo mais buscas - explicou o Mr._Malfoy , retirando de o bolso um rolo de pergaminho e desembrulhando o para Mr._Borgin o ler . - Eu tenho alguns , ah , artigos em casa que poderiam criar me problemas se o Ministério me batesse a porta . Mr._Borgin colocou em o nariz um par de * pince-nez * e olhou para a lista . - O Ministério não se lembraria de o incomodar certamente ... O lábio de Mr._Malfoy dobrou se . - Ainda não me fizeram nenhuma visita . O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito , mas o Ministério está a ficar cada_vez_mais intrometido . Há boatos sobre um novo decreto de protecção de os Muggles , sem dúvida que aquele mordido de as pulgas , adorador de os Muggles , que é o Arthur_Weasley deve estar por detrás de isso . Harry sentiu crescer a raiva . - E , como pode ver , alguns de estes venenos podiam dar a ideia ... - Compreendo perfeitamente , claro - disse Mr._Borgin . - Deixe me ver ... - Posso ter aquilo ? - interrompeu Draco , apontando para a mão raquítica que estava sobre a almofada . - Ah , a mão de a glória ! - exclamou Mr._Borgin , abandonando a lista de Mr._Malfoy e apressando se a responder a Draco . - Põe se lhe uma vela e ela só dá luz a quem a transporta ! A melhor amiga de os gatunos e de os salteadores , o seu filho tem gosto , senhor . - Espero que o meu filho venha a ser mais do_que gatuno ou salteador , Borgin - disse Mr._Malfoy friamente e Mr._Borgin respondeu logo : - Sem ofensa , senhor , sem querer ofender . - Embora , se as notas de a escola não melhorarem - disse Mr._Malfoy ainda mais friamente - esse possa vir a ser o único caminho possível para ele . - Não tenho culpa - retorquiu Draco . - Todos os professores têm os seus preferidos , aquela Hermione_Granger ... - Eu , em o teu lugar , teria vergonha que uma rapariga que nem_sequer pertence a famílias de feiticeiros , me passasse a a frente em todos os exames - interrompeu Mr._Malfoy . Ah - fez Harry baixinho , radiante por ver Draco atrapalhado e furioso . - É o mesmo em todo o lado - comentou Mr._Borgin em a sua voz untuosa . - O sangue de os feiticeiros conta cada_vez menos ... - Não para mim - afirmou Mr._Malfoy , com as longas narinas dilatadas . - Não senhor , nem para mim - concordou Mr._Borgin , inclinando se em uma vénia . - Em esse caso , talvez possamos voltar a a minha lista - disse Mr._Malfoy secamente . - Estou com alguma pressa , Borgin , tenho ainda hoje assuntos importantes a tratar em outro lado . Começaram a discutir os preços . Harry via nervosamente o Draco aproximar se de o seu esconderijo enquanto observava os objectos a a venda . Parou para examinar um enorme rolo de corda de carrasco e para ver , com um sorriso afectado , o cartão preso com um aparatoso laço de opalas onde podia ler se : * _ Cautela , não tocar . Amaldiçoado - reclama as vidas de dezanove donos , todos eles Muggles * . Draco voltou se e viu o armário mesmo em frente . Avançou , estendeu a mão para o puxador ... - Feito - disse Mr._Malfoy , a o balcão . - Vamos , Draco . Harry limpou a testa a a manga quando Draco se afastou . - Muito bom dia , Mr._Borgin . Espero por si amanhã em a mansão para ir buscar a mercadoria . Em o momento em que a porta se fechou , Mr._Borgin abandonou os seus modos subservientes . « Bom dia para o senhor , Mr._Malfoy , e , se as histórias que contam são verdadeiras , não me vendeu nem metade do_que tem escondido em a sua mansão ... » Murmurando de forma taciturna , Mr._Borgin desapareceu em uma sala escura . Harry esperou um minuto não fosse ele voltar e , em seguida , o mais silenciosamente possível , escapou se de o armário , passou por as caixas de vidro e saiu de a loja . Encostando os óculos partidos a o rosto , olhou em volta . Saíra em uma rua estreita e sombria que parecia composta exclusivamente de lojas dedicadas a as artes negras . Aquela de onde acabava de sair parecia ser a maior , mas em frente estava uma montra tétrica de cabeças encolhidas e duas portas abaixo podia ver se uma enorme caixa viva cheia de gigantescas aranhas pretas . Dois feiticeiros com aspecto pobre observavam o de a sombra de uma porta , murmurando entre si . Sentindo se nervoso , Harry pôs se a caminho , tentando agarrar os óculos a direito e não desistindo de a esperança de encontrar maneira de sair de ali . Por um cartaz de madeira , pendurado em a rua , indicando uma loja de venda de velas envenenadas , ficou a saber que se encontrava em a Rua * _ Bativolta * , mas isso não o ajudou pois Harry nunca ouvira falar em tal lugar . Calculou que não tinha pronunciado bem as palavras com a boca cheia de cinzas em a lareira de os Weasley . Tentando manter a calma perguntou a si mesmo o que havia de fazer . - Não estás perdido , pois não , meu menino ? - perguntou uma voz , mesmo junto de o seu ouvido , que o fez dar um salto . Uma bruxa idosa estava em a sua frente , segurando um tabuleiro de uma coisa que se parecia horrivelmente com unhas humanas . A mulher olhou o maldosamente , mostrando os dentes esverdeados . Harry recuou . - Estou bem , obrigado - disse . - Estou só ... - HARRY ! O qu'é que pensas que estás a fazer aqui ? O coração de Harry deu um salto , assim_como o de a bruxa . Um monte de unhas caíram lhe sobre os pés e ela praguejou , enquanto o corpo enorme de Hagrid , o guarda de os campos de Hogwarts , se aproximava de eles a passos largos com os olhos castanhos-escuros a faiscarem sobre a longa barba eriçada . - Hagrid - gritou Harry , aliviado . - Eu estava perdido ... o pó de Floo ... Hagrid agarrou Harry por o cachaço e puxou o para longe de a bruxa , tirando lhe o tabuleiro de as mãos . Os guinchos agudos de a feiticeira seguiram nos até a o fundo de a ruela serpenteante que ia dar a um lagar onde brilhava o sol . Harry avistou a a distância um edifício de mármore branco como a neve que lhe era familiar : o banco de Gringotts . Hagrid conduzira o até a a Diagon - _ Al . - ` _ tás em um péssimo estado ! - disse Hagrid bruscamente , sacudindo lhe a fuligem com tanta força que Harry quase caiu em um barril de estrume de dragão que se encontrava a a porta de um boticário . - A fugir , em a Rua * _ Bativolta * , eu não conheço esse lugar finório , Harry , não quero que ninguém te veja aqui em baixo . - Já percebi - disse Harry , baixando se quando Hagrid fez menção de o escovar melhor . - Já te disse que estava perdido . E o que é_que tu fazes aqui ? - ` _ Tou a a procura d'um repelente para as lesmas comedoras de legumes - resmungou Hagrid . - ` _ tão a destruir as couves todas de a escola . Tu não estás sozinho ? - Estou em casa de os Weasley , mas separámo nos explicou Harry . - Tenho que os encontrar . Desceram juntos a rua . - Por_que é_que nunca respondeste a as minhas cartas ? - perguntou Hagrid , enquanto Harry corria para o acompanhar ( tinha de dar três passos por cada enorme passada de Hagrid ) . Harry explicou lhe tudo sobre Dobby e os Dursleys . - Malditos_Muggles - rugiu Hagrid . - S'eu tivesse sabido ... - Harry ! Harry ! Aqui ! Harry olhou para_cima e viu Hermione_Granger em o topo de a escadaria de Gringotts . Desceu para vir a o encontro de ele , o cabelo castanho de caracóis , a esvoaçar atrás de ela . - O que aconteceu a os teus óculos ? Olá_Hagrid ... Oh , é maravilhoso ver vos outra_vez . Vens a Gringotts , Harry ? - Logo_que encontre os Weasley - respondeu ele . - Não vais ter d'esperar muito - riu se Hagrid . Harry e Hermione olharam em volta . Subindo a rua , em o meio de a multidão , vinham Ron , Fred , George , Percy e Mr._Weasley . - Harry - chamou Mr._Weasley , ofegante . - Tínhamos esperança que só tivesses ido um fogão mais longe ... - passou um pano em a sua calva reluzente . - A Molly está nervosíssima , aí vem ela . - Onde é_que tu saíste ? - perguntou o Ron . - Em a Rua * _ Bativolta * - disse o Hagrid , com um ar sério . - Sensacional ! - exclamaram Fred e George ao_mesmo_tempo . - Nunca nos deram autorização para lá ir - disse o Ron com uma pontinha de inveja . - E fizeram muito bem - grunhiu Hagrid . Mrs._Weasley chegou em aquele momento a correr , a mala a balouçar em uma de as mãos e Ginny quase pendurada em a outra . - Oh Harry , oh meu querido , podias ter ido parar a qualquer lugar ... Tentando recuperar o fôlego , tirou de a mala uma grande escova de roupa e começou a retirar a fuligem que Hagrid não conseguira expulsar . Mr._Weasley pegou em os óculos de Harry , deu lhes um toque de varinha e entregou lhe os como novos . - Bem , tenho de m'ir embora - disse Hagrid cuja mão estava a ser esmagada por Mrs._Weasley ( -- Rua * _ Bativolta * ! Se não o tivesses encontrado , Hagrid ! ) . - Vemo nos em Hogwarts . - E afastou se , os ombros e a cabeça acima de a multidão que enchia completamente a rua . - Adivinham quem eu vi em o Borgin and Burkes ? - perguntou Harry_a_Ron e a Hermione enquanto subiam as escadarias de Gringotts . - Malfoy e o pai . - O Lucius_Malfoy comprou alguma coisa ? - perguntou interessado Mr._Weasley que estava atrás de eles . - Não , estava a vender . - Então está preocupado - comentou Mr._Weasley com visível satisfação . - Ah , eu adorava apanhar o Lucius_Malfoy em alguma . . - Tem cuidado , Arthur - interrompeu Mrs._Weasley enquanto o gnomo porteiro lhes dava reverentemente entrada em o banco . - Isso é um problema de família . Não queiras ter mais olhos que barriga . - Queres dizer com isso que achas que eu não chego para o Malfoy ? - perguntou Mr._Weasley , indignado , mas foi rapidamente afastado de aqueles sentimentos a o avistar os pais de Hermione que estavam de pé , nervosamente encostados a o balcão que acompanhava a grande parede de mármore , a a espera que Hermione os apresentasse . - Mas vocês são Muggles ! - disse Mr._Weasley , encantado . - Temos de tomar uma bebida . O que é isso aí ? Ah , estão a trocar dinheiro de Muggle . Molly , olha - apontou cheio de excitação para as notas de dez libras que Mr._Granger tinha em a mão . - Encontramo nos aqui - disse Ron_a_Hermione , enquanto os Weasley e Harry eram conduzidos a os seus cofres em o subterrâneo de Gringotts . Para chegar a os cofres havia que tomar umas carrinhas conduzidas por gnomos que se deslocavam ao_longo_de carris de comboio de pequenas dimensões através de os túneis subterrâneos de o banco . Harry gostou de a viagem acidentada até a o cofre de os Weasley , mas sentiu se bastante mal , pior do_que em a Rua * _ Bativolta * , quando o cobre foi aberto . Havia lá dentro um pequenino monte de Leões de prata e apenas um Galeão de ouro . Mrs._Weasley foi com a mão a a procura em os cantos antes de , com um gesto rápido , varrer tudo para dentro de o saco . Harry sentiu se ainda pior quando chegaram a o seu cofre . Tentou evitar que vissem o conteúdo enquanto empurrava apressadamente mãos cheias de moedas para dentro_de uma sacola de cabedal . Lá fora , em as escadarias de mármore , separaram se . Percy murmurou vagamente que precisava de uma nova pena de escrever . Fred e George tinham avistado um amigo de Hogwarts , Lee_Jordan . Mrs._Weasley e Ginny iam a uma loja de mantos em segunda mão , Mr._Weasley continuava a insistir em levar os Grangers a o Caldeirão_Escoante para lhes pagar uma bebida . - Encontrarmo nos todos em a Flourish and Blotts dentro_de uma hora para comprar os vossos livros de estudo - disse Mrs._Weasley , afastando se com Ginny . - E nem um passo em direcção a a Rua * _ Bativolta * - gritou a os gémeos que estavam de costas . Harry , Ron e Hermione deambularam por a rua empedrada e sinuosa . O ouro , prata e bronze que tilintavam alegremente em o saco que Harry tinha em o bolso pareciam exigir ser gastos , por isso ele comprou três enormes gelados de morango e manteiga de amendoim que eles devoraram felizes enquanto vagueavam sem destino por a rua fora , observando as montras fantásticas de as lojas . Ron olhou longamente para um conjunto completo de mantos de o Chudley_Cannon , em as montras de o « Equipamento_de_Quidditch_de_Qualidade » até Hermione o arrastar de ali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos . Em a « Jogos_de_Feitiçaria_de_Gambol and Japes » encontraram o Fred , o George e o Lee_Jordan que estavam presos em a fabulosa partida debaixo_de chuva e em os fogos-de-artifício de o Dr._Filibuster . E em uma pequenina loja de velharias cheia de varinhas partidas , balanças instáveis de latão e mantos velhos cobertos de nódoas de poções encontraram Percy profundamente concentrado em um pequenino livro , bastante chato , chamado * _ Prefeitos que conquistam o poder * . - * _ Um estudo sobre os prefeitos de Hogwarts e as suas posteriores carreiras * - leu alto o Ron em a contracapa . - Deve ser fascinante ... - Desaparece - gritou Percy . - Claro , ele é muito ambicioso , já tem tudo planeado . Quer ser ministro de a magia - disse o Ron baixinho a o Harry e a a Hermione , enquanto deixavam Percy entregue a o livro . Uma hora mais tarde dirigiram se a a Flourish and Blotts . Não eram de modo algum os únicos a encaminhar se para a livraria . À_medida_que se aproximavam viram com grande surpresa uma grande multidão a a porta , tentando entrar em a loja . O motivo de tal confusão estava anunciado em um cartaz que se estendia a o longo de a montra superior . GILDEROY_LOCKHART_Assinará exemplares de a sua autobiografia " eu , o mágico " Hoje 12.30 - 16.30 - Vamos poder conhecê o ! - gritou Hermione . - Quero dizer , ele escreveu quase todos os livros de a nossa lista ! A multidão parecia ser maioritariamente composta por bruxas de a idade de Mrs._Weasley . Um feiticeiro bem-parecido estava de pé junto de a porta , dizendo : - Calma , minhas senhoras , não empurrem , cuidado com os livros . Harry , Ron e Hermione conseguiram furar e entrar . Uma longa fila serpenteava para as traseiras de a loja onde Gilderoy_Lockhart estava a assinar os seus livros . Cada_um de eles pegou em um exemplar de * _ ensinamentos de Uma Fada_Carpideira * e escaparam se de a fila indo ter a o lugar onde se encontravam os outros com Mr. e Mrs._Granger . - Ah , aí estão vocês . _ óptimo - disse Mrs._Weasley que parecia estar com falta de ar e não parava de mexer em o cabelo . - Vamos poder vês o dentro_de um minuto . Gilderoy_Lockhart veio lentamente até um lugar onde era visível para todos , sentou se a uma mesa , rodeado de grandes fotografias de o próprio rosto , todo ele sorrisos , mostrando a a multidão o brilho cintilante de os seus dentes . Lockhart usava uma túnica azul-noite que condizia a as mil maravilhas com a cor de os olhos , o chapéu pontiagudo de feiticeiro colocado lateralmente sobre o cabelo ondulado . Um homenzinho pequenino e irritante andava a dançar de um lado para o outro , tirando fotografias com uma grande máquina preta que lançava baforadas de fumo arroxeado em cada * flash * . - Sai de o caminho , tu aí - disse rispidamente a o Ron , mudando de lugar para ter um angulo melhor . - Este é para o * _ Profeta_Diário * . - Grande coisa ! - exclamou o Ron , esfregando os pés em o lugar que o fotógrafo pisara . Gilderoy_Lockhart ouviu o . Olhou , viu o Ron e em seguida Harry . Voltou a olhar , desta_vez com mais atenção . Em seguida , pôs se de pé e gritou : - Não pode ser , o Harry_Potter ? A multidão dividiu se entre murmúrios de excitação . Lockhart aproximou se , agarrou Harry por um braço e levou o para a frente . A multidão rebentou em aplausos . A cara de Harry ardia quando Lockhart lhe apertou a mão para o fotógrafo que disparava como um louco , lançando fumo espesso para_cima de os Weasley . - Belo sorriso , Harry - disse Lockhart através de os seus dentes brilhantes . - Tu e eu juntos merecemos a primeira página . Quando por fim lhe largou a mão , Harry quase não sentia os dedos . Tentou recuar para junto de os Weasley , mas Lockhart lançou lhe um braço por os ombros e prendeu o a o seu lado . - Minhas senhoras e meus senhores - disse bem alto , fazendo sinal para que se acalmassem . - Que momento extraordinário este ! O momento perfeito para eu anunciar algo que tenho vindo a guardar comigo desde_há algum tempo . - Quando o jovem Harry entrou em a Flourish and Blotts hoje , ele queria apenas comprar a minha autobiografia , que tenho agora o maior prazer em oferecer lhe - a multidão aplaudiu de_novo . - Ele não tinha ideia - continuou Lockhart , dando a o Harry um pequeno encontrão que fez com que os óculos lhe escorregassem para a ponta de o nariz - de que ia conseguir em_breve muito mais do_que o meu livro Eu , o mágico . Ele e os seus colegas de a escola vão receber , de facto , o verdadeiro * _ Eu , o mágico * . Sim , minhas senhoras e meus senhores , tenho o maior prazer em anunciar que em o mês_de_Setembro assumirei o lugar de professor de Defesa contra as artes negras em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts ! A multidão aplaudiu e bateu palmas e Harry deu consigo a ser presenteado com a obra completa de Gilderoy_Lockhart . Cambaleando ligeiramente sob o peso de os livros conseguiu abrir caminho para longe de os projectores até a a porta de a sala onde estava Ginny com o seu novo caldeirão . - Podes ficar com estes - murmurou Harry , enfiando os livros em o caldeirão . - Eu vou comprar os meus . - Aposto que adoraste aquilo , não adoraste , Potter ? - disse uma voz que Harry não teve qualquer dificuldade em reconhecer . Endireitou se e deu consigo frente_a_frente com Draco_Malfoy que exibia o seu habitual sorriso escarninho . - O famoso Harry_Potter - disse Malfoy . - Nem_sequer pode entrar em uma livraria sem se tornar primeira página . - Deixa o em paz , ele não queria nada de isso - defendeu a Ginny . Era a primeira vez que falava em frente de Harry . Olhava para Malfoy com um ar feroz . - Potter , arranjaste uma namorada ! - disse arrastadamente Malfoy . Ginny ficou vermelha como um pimentão enquanto Ron e Hermione tentavam abrir caminho , ambos carregando montes de livros de Lockhart . -- Ah és tu ? - disse Ron , olhando para Malfoy como_se ele fosse algo desagradável colado a a sola de o sapato . - Aposto que te surpreendeu ver o Harry aqui ? - Não tanto como a ti em uma loja , Weasley - retorquiu Malfoy . - Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo . Ron ficou tão vermelho quanto Ginny . Deixou também cair os livros em o caldeirão e avançou para Malfoy , mas Harry e Hermione agarraram o por as costas de o casaco . - Ron - disse Mrs._Weasley , aproximando se com Fred e George . - O que estás a fazer ? Isto está uma loucura aqui dentro , vamos lá para fora . - Olha quem ele é , Arthur_Weasley . - Era_Mr._Malfoy . Estava de pé com a mão sobre o ombro de Draco , com o mesmo sorriso escarninho . -- Lucius - disse Mr._Weasley , acenando friamente . -- Muito trabalho em o ministério , segundo me consta - disse Mr._Malfoy . - Todas essas buscas ... espero que te estejam a pagar horas extraordinárias . Meteu a mão em o caldeirão de a Ginny e tirou de o meio de os livros de Lockhart um exemplar muito velho e muito gasto de o * _ Guia_de_Transfiguração_para_Principiantes * . - Parece que não - disse . - Que diabo , qual a vantagem de ser uma nódoa entre os feiticeiros se nem_sequer te pagam bem por isso ? Mr._Weasley corou mais ainda do_que Ron ou Ginny . - Nós temos uma opinião diferente sobre quem são as nódoas entre os feiticeiros - disse . - É claro que ... - disse Mr._Malfoy , os olhos mortiços passando para Mr. e Mrs._Granger apreensivamente . - As companhias com quem tu andas ... e eu que pensava que já não conseguias descer mais baixo ... Ouviu se um tilintar de metal quando o caldeirão de a Ginny foi por os ares . Mr._Weasley lançara se sobre Mr._Malfoy atirando o para dentro_de uma estante . Dezenas_de livros de feitiços saltaram lá de cima , caindo lhes sobre as cabeças . Houve um grito de - Chega lhe , pai ! - de o Fred e de o George . Mrs._Weasley soltava gritos agudos : - Não_Arthur , não . A multidão recuava deitando mais prateleiras a o chão . - Meus senhores , por favor - gritava o encarregado , e então , mais alto do_que todos : - Parem com isso , gente , parem com isso . Hagrid aproximava se através_de um mar de livros . Em um segundo afastou Mr._Weasley e Mr._Malfoy . Mr._Weasley tinha um lábio cortado e Mr._Malfoy fora agredido em um olho por uma * _ Enciclopédia_de_Cogumelos_Venenosos * . Tinha ainda em a mão o livro velho de a Ginny sobre transfiguração . Atirou lhe o , com os olhos a brilhar de malvadez . - Toma o teu livro , garota . É o melhor que o teu pai pode oferecer te . Libertando se de Hagrid , conduziu Draco para fora e abandonaram a livraria . - Devias tê o ignorado , Arthur - disse Hagrid quase a pegar em Mr._Weasley a o colo enquanto lhe endireitava o manto . - São podres até a a raiz , todos eles . Tod'à gente sabe . Nenhum Malfoy vale a pena ser ouvido . Não prestam , ' tá-lhes em o sangue . Vá lá , vamos sair de aqui . O encarregado parecia querer impedis os , mas , olhando bem para Hagrid , pensou melhor . Subiram a rua , os Grangers a tremer de medo e Mrs._Weasley fora de si . - Um belo exemplo para as crianças ... andar a a pancada em público . O que terá pensado Gilderoy_Lockhart ? - Ele gostou - disse o Fred . - Não o ouviram quando ia a sair ? Estava a perguntar a aquele tipo de o Profeta_Diário se conseguia incluir a briga em a reportagem , disse que era boa publicidade . Mas foi um grupo deprimido que regressou a a lareira de o Caldeirão_Escoante onde Harry , os Weasley e todas_as suas compras iriam viajar de volta até a a Toca , usando o pó de Floo . Despediram se de os Grangers que iam sair de o * pub * por a rua de os Muggles , de o outro lado . Mr._Weasley começou a perguntar lhes como funcionavam as paragens de autocarros , mas calou se rapidamente a o ver a expressão de Mrs._Weasley . Harry tirou os óculos e guardou os cautelosamente em o bolso antes de utilizar o pó de Floo . Definitivamente não era a sua forma ideal de viajar . V_O salgueiro zurzidor O fim de as férias de Verão chegou demasiado depressa para o gosto de Harry . Ele desejara muito regressar a Hogwarts , mas aquele mês em a Toca tinha sido o mais feliz de toda_a sua vida . Era difícil não invejar o Ron quando pensava em os Dursleys e em as boas-vindas que ia receber de a próxima vez que pusesse os pés em Privet_Drive . Em a última noite , Mrs._Weasley preparou um jantar magnífico , que incluía os pratos favoritos de Harry e terminava com um pudim de melaço de fazer crescer água em a boca . Fred e George alegraram a noite com uma exibição de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que saltaram de o tecto para as paredes , durante pelo_menos meia_hora . Depois , foi a altura de tomarem uma caneca de chocolate quente e irem para a cama . Em a manhã seguinte , demoraram muito_tempo a preparar se . Levantaram se com o cantar de o galo , mas parecia lhes que ainda tinham muito para fazer . Mrs._Weasley andava de um lado para o outro , mal-humorada , a a procura de meias e penas , chocavam uns com os outros em as escadas , meio vestidos , meio despidos , com pedaços de torrada em as mãos e Mr._Weasley quase partiu o nariz quando tropeçou em uma galinha a o atravessar o pátio , para meter em o carro a mala de Ginny . Harry não percebia lá muito bem_como é_que oito pessoas , seis grandes malas , duas corujas e um rato , iam caber em um pequeno * _ Ford_Anglia * , isso , claro , antes de as artes mágicas que Mr._Weasley acrescentara . - Nem uma palavra a a Molly - murmurou ele a o Harry , enquanto abria a bagageira e lhe mostrava como ela se expandira para que as malas coubessem facilmente . Quando , por fim , se acomodaram todos em o carro , Mrs._Weasley olhou para o banco de trás , onde Harry , Ron , Fred , George e Percy estavam confortavelmente sentados uns a o lado de os outros e disse : - Os Muggles têm mais conhecimentos do_que aqueles que nós lhes atribuímos , não achas ? - Ela e a Ginny entraram para o lugar de a frente , que fora esticado e parecia um banco de jardim . - Quer_dizer , de_fora ninguém diria que este carro era espaçoso , não acham ? Mr._Weasley pôs o motor a funcionar e saíram de o pátio , Harry voltando se para trás para ver por a última vez a casa . Mal teve tempo de se questionar se iria voltar alguma vez e já estavam de volta : George esquecera se de a caixa de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Cinco minutos mais tarde tiveram de interromper de_novo a viagem e voltar a o pátio para o Fred ir a correr buscar a vassoura . Estavam quase a chegar a a auto-estrada , quando Ginny guinchou que se esquecera de o diário . Mas estava a fazer se muito tarde e os ânimos começavam a exaltar se . Mr._Weasley olhou para o relógio e , em seguida , para a mulher . - Molly , querida ... - Não , Arthur . - Ninguém ia ver . Este botãozinho é um transformador de invisibilidade que eu instalei , levava nos por o ar , subíamos acima de as nuvens . Estaríamos lá em dez minutos e ninguém daria por nada ... - Eu disse que não , Arthur . Durante o dia , não . Chegaram a King's_Cross , faltava um quarto para as onze . Mr._Weasley precipitou se em busca de um carrinho de transporte para as malas e correram todos para a estação . Harry apanhara o Expresso_de_Hogwarts em o ano anterior . A parte mais difícil era entrar em a plataforma nove_e_três quartos , que não era visível a os olhos de os Muggles . Era preciso avançar para a barreira sólida que dividia as plataformas nove e dez . Não doía nada , mas tinha de ser feito com cuidado para que nenhum de os Muggles de esse , por o desaparecimento . - O Percy em primeiro lugar - declarou Mrs._Weasley , olhando nervosamente para o relógio lá em cima , que mostrava que tinham apenas cinco minutos para desaparecer através de a barreira . Percy avançou a passos largos e desapareceu . Mr._Weasley foi a seguir e depois de ele Fred e George . - Eu levo a Ginny e vocês vêm atrás_de nós - disse Mrs._Weasley a o Harry e a o Ron , agarrando Ginny pela mão e seguindo em frente . Em um abrir e fechar de olhos , tinham passado . - Vamos passar juntos , só temos um minuto - disse Ron a o Harry . Harry assegurou se de que a gaiola de a Hedwig estava bem fixa em cima de a sua mala e empurrou o carrinho de encontro a a barreira . Estava perfeitamente confiante , aquilo era muito mais fácil do_que usar o pó de Floo . Puseram os dois as mãos em o puxador de os carrinhos e avançaram direitos a a barreira , ganhando velocidade . A um metro e pouco , começaram a correr e ... CRASH . Os dois carros bateram em a barreira e foram impelidos para trás . A mala de o Ron caiu com um enorme estrépito . Harry desequilibrou se e a gaiola de a Hedwig foi parar a o chão brilhante , enquanto ela rolava guinchando , indignada . As pessoas em volta olhavam fixamente e um guarda que estava ali perto gritou : - Que diabo pensam vocês que estão a fazer ? - Perdemos o controlo de o carro de transporte - respondeu o Harry , respirando com dificuldade , agarrando se a as costelas , enquanto se punha de pé . Ron correu a agarrar a Hedwig , que estava a fazer uma cena tal , que já se ouviam murmúrios em a multidão sobre a crueldade para com os animais . - Porque é_que não conseguimos passar ? - perguntou Harry a o Ron em um sussurro . - Não sei . Ron olhou descontroladamente em volta . Uma_dúzia de curiosos estavam ainda a observá os . - Vamos perder o comboio - murmurou o Ron . - Não compreendo porque motivo a cancela se fechou . Harry olhou para o relógio gigantesco com um sentimento de náusea em a boca de o estômago . Dez segundos , nove segundos ... Dirigiu o carrinho de transporte para a frente com toda_a força . O metal manteve se sólido . Três segundos ... dois segundos ... um segundo ... - Partiu - afirmou o Ron , que parecia estonteado . - O comboio foi se embora . E se a mãe e o pai não conseguem voltar para aqui ? Tens algum dinheiro de Muggle ? Harry deu uma gargalhada . - Os Dursleys não me dão um tostão há mais de seis anos ! Ron encostou o ouvido a a barreira . - Não se ouve nada - disse , bastante tenso . - O que vamos nós fazer ? Não sei quanto tempo o pai e a mãe vão demorar . Olharam em volta . As pessoas ainda estavam a observá os , principalmente devido a os contínuos guinchos de a Hedwig . - Acho que o melhor é sairmos de aqui e esperamos por eles junto de o carro - disse Harry . - Aqui estamos a atrair demasiado as aten ... - Harry - disse o Ron , com os olhos a brilhar . - É isso , o carro . - O que é_que tem ? - Podemos voar nele até Hogwarts ! - Mas eu pensei ... - Estamos em apuros , certo ? E temos de chegar a a escola , ou não ? E mesmo os feiticeiros menores de idade estão autorizados a usar a magia em uma emergência real , parágrafo dezanove , ou não sei quê , de a Restrição de ... O sentimento de pânico de Harry transformou se em entusiasmo . - E tu sabes voar nele ? - Não há problema - disse o Ron , andando com o carrinho a a volta e dirigindo se para a saída . - Anda de aí . Se em os apressarmos , conseguiremos sair atrás de o Expresso_de_Hogwarts . E afastaram se de o grupo de Muggles curiosos , abandonando a estação e voltando a a rua , onde o velho * _ Ford_Anglia * se encontrava estacionado . Ron abriu a bagageira com uma série de toques de varinha . Meteram lá dentro as malas , puseram a Hedwig em o assento de trás e entraram para a frente . - Verifica se ninguém está a ver - disse o Ron , ligando a ignição com outro toque de varinha . Harry pôs a cabeça fora de a janela : o trânsito enchia a avenida principal , mas a rua de eles estava vazia . - O. _ K. - disse . Ron carregou em um pequeno botão de o painel . Os carros em volta desapareceram assim_como eles . Harry sentia o assento a vibrar debaixo_de si , ouvia o motor , sentia as mãos sobre os joelhos e os óculos em o nariz , mas , tanto quanto conseguia ver , tornara se um par de olhos redondos flutuando um metro e pouco acima de o chão em uma rua suja , cheia de carros estacionados . - Vamos - disse a voz de o Ron , vinda de o seu lado direito . O chão e os prédios escuros de ambos os lados desapareceram de o seu ângulo de visão , mal o carro se elevou . Em poucos segundos toda_a cidade de Londres , enevoada e resplandecente , estava por baixo de eles . Em seguida , ouviu se um ruído que parecia o saltar de uma rolha e o carro , Harry e Ron , reapareceram . - Oh , oh - disse Ron , batendo em o intensificador de invisibilidade . - Está avariado ... Começaram os dois a bater em o botão . O carro desapareceu . Depois surgiu de forma intermitente . - Aguenta aí - gritou o Ron e carregou com o pé em o acelerador . Saltaram direitinhos para o meio de as nuvens mais baixas e tudo ficou sujo e enevoado . - E agora ? - exclamou Harry , piscando os olhos a a sólida massa de nuvens que os comprimia de todos os lados . - Precisamos de avistar o comboio para sabermos qual a direcção a tomar - explicou o Ron . - Desce rapidamente ... Desceram por o meio de as nuvens e voltaram se em os lugares , espreitando . - Estou a vê o - gritou Harry . - Mesmo em frente , ali . O Expresso_de_Hogwarts deslocava se a grande velocidade lá em baixo , como uma serpente vermelha . - Para Norte - disse o Ron , verificando a bússola de o painel . - O. _ k . , basta que verifiquemos de meia em meia_hora . Aguenta aí ... - e arrancaram por o meio de as nuvens . Em o minuto seguinte , tinham chegado a a luz brilhante de o Sol . Era um mundo diferente . Os pneus de o carro deslizavam sobre o mar de nuvens macias , o céu era de um azul infinito sob a luz , capaz de cegar , que irradiava de o Sol . - Agora só temos de nos preocupar com os aviões - disse o Ron . Olharam um para o outro e desataram a rir . Durante muito_tempo não conseguiram parar . Era como_se tivessem mergulhado em um sonho fabuloso . Aquela , pensou Harry , era certamente a única maneira de viajar : passando por turbilhões e torres de nuvens cor de neve , em um carro cheio de calor , o sol radioso , com um grande pacote de rebuçados em o porta-luvas e antegozando o ar de inveja de o Fred e de o George quando aterrassem suavemente e de forma espectacular em o relvado macio em frente de o castelo de Hogwarts . Espreitaram várias vezes o comboio enquanto voavam cada_vez_mais para norte . Cada descida entre as nuvens dava lhes uma perspectiva diferente . Londres depressa ficou para trás , substituída por campos verdejantes que , por sua vez , deram lugar a grandes pântanos arroxeados , aldeias com pequenas igrejas de brinquedo e uma grande cidade , cheia de vida , com carros que pareciam formigas multicores . Várias horas mais tarde sem acontecer nada de_novo , Harry teve de admitir que uma parte de o entusiasmo se esgotara . Os rebuçados tinham nos deixado cheios de sede e não havia nada para beber . Ele e o Ron tinham tirado as camisolas , mas a * _ T-shirt * de o Harry estava colada a as costas de o assento e os óculos não paravam de lhe escorregar para a ponta de o nariz . Deixara de reparar em as fabulosas formas de as nuvens e pensava com saudade em o comboio , milhas abaixo de eles , onde se podia comprar sumo fresquinho de abóboras em um carro empurrado por uma bruxa gordinha . Porque não teriam conseguido entrar em a plataforma nove_e_três quartos ? - Não pode ser muito mais longe , pois não ? - resmungou o Ron , horas mais tarde quando o Sol começava a enfiar se em o seu chão de nuvens , pintando as de um rosa profundo . - Estás pronto para outra espreitadela a o comboio ? Ainda ia mesmo por baixo de eles , abrindo caminho por_entre uma montanha com o topo coberto de neve . Estava muito mais escuro entre o dossel de nuvens . Ron pôs o pé em o acelerador e levou os de_novo para_cima , mas em esse momento o motor começou a chiar . Harry e Ron trocaram entre si olhares nervosos . - Deve estar só cansado - disse o Ron . - Nunca tinha vindo tão longe ... - E fingiram ambos que não davam por o gemido que se ia tornando maior à_medida_que o céu serenamente escurecia . As estrelas desabrochavam em a escuridão , Harry voltou a enfiar a camisola de lã , tentando ignorar os limpa pára-brisas que acenavam debilmente como_que a protestar . - Não devemos estar longe - disse Ron , dirigindo se mais a o carro do_que a o amigo . - Já não devemos estar longe - deu umas palmadinhas nervosas em o * tablier * . Pouco depois , quando voltaram a voar em o meio de as nuvens , tiveram de olhar de lado em a escuridão , em busca de um ponto de referência que conhecessem . - Ali - gritou Harry , fazendo o Ron e a Hedwig darem um salto . - Mesmo em frente . Recortados em o horizonte negro , sobre o rochedo de o outro lado de o lago , erguiam se as torres e torreões de o castelo de Hogwarts . Mas o carro tinha começado a estremecer e perdia a os poucos velocidade . - Vá lá - disse o Ron , dando a o volante um pequeno abanão bajulador . - Estamos quase a chegar , vá lá ... O motor gemeu . Pequenos jactos de vapor de água brotaram de o capo . Harry deu consigo agarrado com toda_a força a os bordos de o assento enquanto voavam direitos a o lago . O carro deu um solavanco feio . Espreitando por a janela , Harry viu a superfície negra , macia e espelhada de a água cerca de uma milha abaixo de eles . Os dedos de o Ron agarrados a o volante tinham as articulações brancas . O carro deu um novo esticão . - Vá lá - murmurou o Ron . Estavam sobre o lago ... o castelo ficava mesmo em frente . Ron fez força com o pé . Houve um ruído surdo , uma crepitação e o motor morreu por completo . - Oh ! oh ! - gemeu Ron em o silêncio . O nariz de o carro voltou se para baixo . Estavam a cair , ganhando velocidade em direcção a os muros sólidos de o castelo . - Naaaaão ! - gritou o Ron , girando o volante . Escaparam a a muralha de pedra negra por centímetros , quando o carro fez um grande arco , planando primeiro sobre as estufas , depois sobre o rectângulo plantado com vegetais e , por fim , sobre os relvados , perdendo sempre velocidade . Ron largou o volante por completo e tirou a varinha de o bolso de trás . - __ pára ! __ pára ! - gritou , batendo em o * tablier * e em o pára-brisas , mas eles continuavam a mergulhar , o chão a voar em direcção a eles . - : __ cuidado com essa __ árvore ! ! ! - bramiu Harry , deitando a mão a o volante , mas ... tarde de mais ... CRUNCH . Com um ruído ensurdecedor de metal e madeira , bateram em o tronco espesso de a árvore e caíram em o chão com um forte solavanco . O vapor era um mar debaixo de o capo amachucado . A Hedwig tremia apavorada . Em a cabeça de Harry surgira um alto de o tamanho de uma bola de golfe , quando ele batera em o pára-brisas , tombando em seguida para a direita . Ron soltou um gemido longo e desesperado . - Estás O. _ K ? - perguntou Harry , aflito . - A minha varinha - disse o Ron em uma voz trémula . - Olha para a minha varinha . Tinha se partido praticamente em duas , a ponta balouçava mole , presa por meia_dúzia de esquírolas . Harry abriu a boca para dizer que em a escola com certeza conseguiriam consertá a , mas nem chegou a começar a frase . Em esse preciso momento , algo bateu em o seu lado de o carro , com a força de um touro , projectando o para_cima de o Ron , ao_mesmo_tempo que um golpe igualmente forte se sentiu em o capô . - O que está a acontec ... Ron arfou , olhando fixamente por o pára-brisas e Harry olhou em volta , mesmo a_tempo_de ver uma ramada espessa como uma píton vir contra o vidro . A árvore em que tinham batido estava a atacá os . O tronco dobrara se quase a meio e os seus galhos rugosos davam uma tareia a cada centímetro de o carro que conseguiam atingir . - Ah ! - praguejou o Ron , quando outra pernada retorcida esmurrou a sua porta , amolgando a . O pára-brisas tremia agora sob uma saraivada de golpes vindos de galhos que pareciam patas de animais e uma ramada espessa como um aríete esmagava furiosamente o capo , que parecia estar a ceder ... - Corre ! - gritou o Ron , lançando o seu peso contra a porta , mas , em o momento seguinte , tinha sido atirado para trás , para o colo de Harry por um soco maldoso , dado de baixo para_cima , por outro ramo . - Estamos feitos ! - resmungou , enquanto o tecto descaía . Mas , de repente , o chão de o carro estava a vibrar , o motor pegara . - Marcha atrás - gritou o Harry e o carro deu um salto para trás . A árvore tentava ainda agredis os , ouviam as raízes chiar , enquanto quase se partiam esticando se para os alcançar . - Escapámos por_pouco ! - exclamou o Ron . - Muito bem , carro . Mas o carro tinha atingido o limite de as suas forças . Com dois estalidos , as portas abriram se e Harry sentiu o seu assento inclinar se para o lado . Quando deu por si , estava estatelado em o chão húmido . Ruídos surdos avisaram o de que o carro estava a ejectar as malas de a bagageira . A gaiola de a Hedwig voou por os ares e abriu se . Ela saiu a voar com um pio furioso e dirigiu se a o castelo , sem sequer olhar para trás . Em seguida , o carro , amolgado , arranhado e a fumegar , arrancou em o escuro , com os faróis traseiros ardendo de fúria . - Volta aqui ! - gritou o Ron , brandindo a varinha partida . - O meu pai mata me . Mas o carro desapareceu a perder de vista , com um último estoiro de o tubo de escape . - Já viste bem o nosso azar ! ? - exclamou o Ron em o meio de a sua infelicidade , baixando se para apanhar o rato Scabbers . - De todas_as árvores em que podíamos ter batido , tínhamos de ir dar a uma que bate também . Olhou por cima de o ombro para a velha árvore que ainda agitava os ramos ameaçadoramente . - Vamos - disse Harry , fatigado . - É melhor irmos andando para a escola ... Não foi , de modo algum , a chegada triunfal que tinham imaginado . Constrangidos , cheios de frio e magoados , pegaram em as malas e começaram a arrastá as por o relvado acima , em direcção a as grandes portadas de carvalho . - Acho que o banquete já começou - disse o Ron , largando a mala em os degraus de a entrada e atravessando devagarinho para espreitar por uma janela iluminada . - Harry , anda ver , é a distribuição . Harry apressou se e os dois , ele e o Ron , espreitaram para o Salão_Nobre . Um número infindável de velas pairava em o ar , sobre quatro mesas enormes cheias de gente , fazendo brilhar os pratos dourados e as taças . Em cima , o tecto encantado que espelhava o céu lá de_fora , brilhava cheio de estrelas . Por_entre a floresta de chapéus pretos pontiagudos de Hogwarts , Harry viu uma longa fila de alunos de o primeiro ano com olhares assustados que enchia o vestíbulo . Ginny estava entre eles , facilmente reconhecível devido a o seu chamativo cabelo Weasley . Enquanto isso , a professora Mc_Gonagall , uma bruxa de óculos com cabelo castanho apanhado em um carrapito , colocava o famoso chapéu seleccionador em um banco que se encontrava em frente de os novos alunos . Todos os anos , aquele velho chapéu , remendado , puído e cheio de pó , seleccionava alunos para as quatro equipas de Hogwarts ( Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin ) . Harry lembrava se bem de o ter colocado em a cabeça , precisamente um ano antes , e ter esperado petrificado por a sua decisão , enquanto ele lhe murmurava a o ouvido . Durante alguns horríveis segundos receara que o chapéu o mandasse para os Slytherin , a equipa que produzia maior número de feiticeiros e feiticeiras de magia negra , mas acabara por ficar em os Gryffindor , juntamente com Ron e Hermione e o resto de os Weasley . Em o último período , Harry e Ron tinham ajudado os Gryffindor a vencer o campeonato de a equipa , batendo os Slytherin pela_primeira_vez em sete anos . Um rapazito baixinho com cabelo de rato acabava de ser chamado para pôr o chapéu em a cabeça . Os olhos de Harry saltavam de ele para o lugar onde o professor Dumbledore , o director , estava sentado , observando a selecção de a mesa de os professores , com a sua longa barba cor de prata e óculos de meia-lua que brilhavam a a luz de as velas . Alguns lugares a a frente , Harry viu Gilderoy_Lockhart com um manto verde-azulado . E lá bem a o fundo estava Hagrid , enorme e cabeludo , bebendo satisfeito de a sua taça . - Espera aí - murmurou a o Ron . - Há um lugar vazio em a mesa de os professores . Onde estará o Snape ? Severus_Snape era o professor de quem Harry menos gostava . Harry era também o seu aluno menos querido . Cruel , sarcástico e detestado por todos com excepção de os alunos de a sua própria equipa ( Slytherin ) , Snape tinha a seu cargo a cadeira de Poções . - Talvez esteja doente - sugeriu Ron , cheio de esperança . - Talvez se tenha ido embora - lembrou Harry . - Por não lhe terem dado outra_vez a Defesa contra as artes negras . - Ou talvez tenha sido corrido - propôs Ron com entusiasmo . - Afinal , toda_a_gente o detesta ... - Ou talvez - disse uma voz gelada atrás de eles - esteja a a espera que vocês lhe expliquem por_que motivo não vieram em o comboio de a escola . Harry deu uma volta . Em a sua frente , com o manto negro a ondular em uma brisa fria , estava Severus_Snape . O professor era um homem magro , de pele descorada , nariz adunco e um cabelo preto oleoso que lhe caía sobre os ombros . E em aquele momento sorria de um modo tal que Harry sentiu que tanto ele como Ron estavam em sérios apuros . - Sigam me - disse Snape . Sem ousarem sequer olhar um para o outro , Harry e Ron seguiram Snape por as escadas até a o amplo * hall * de entrada que estava iluminado por as chamas de os archotes . De o salão nobre vinha um cheirinho delicioso a comida , mas Snape levou os para longe de a luz e de o calor , em direcção a uma escada estreita de pedra que conduzia a os calabouços . - Entrem - ordenou , abrindo uma porta a meio de o corredor e apontando . Entraram a tremer em o escritório de Snape . As paredes sombrias estavam cobertas de prateleiras cheias de jarros de vidro grosso onde flutuavam as coisas mais diversas e repugnantes , cujo nome Harry não queria de momento conhecer . A lareira estava escura e vazia . Snape fechou a porta e voltou se de frente para eles . - Com que então - disse com falsa suavidade - o comboio não serve para o famoso Harry_Potter e o seu fiel companheiro Weasley . Queriam chegar em grande estilo , não era rapazes ? - Não senhor , foi a barreira em King's_Cross , ela ... - Silêncio - disse Snape friamente . -- _ o que fizeram a o carro ? Ron engoliu em seco . Aquela não era a primeira vez que Snape dava a Harry a impressão de ser capaz de ler pensamentos . Mas , pouco depois , compreendeu tudo quando Snape desenrolou o exemplar de o Profeta_Vespertino . - Vocês foram vistos - afirmou , mostrando lhes o cabeçalho : : __ ford anglia voador confunde __ muggles . Começou a ler alto a notícia . - Dois Muggles em Londres convenceram se de que tinham visto um carro velho a voar sobre a torre de os correios ... a a tardinha em Norfolk , Mrs._Hetty_Bayliss , enquanto pendurava a roupa ... Mr._Angus_Fleet_de_Peebles informou a polícia ... seis ou sete Muggles a o todo . Julgo que o teu pai trabalha em o departamento de mau uso dado a os objectos de os Muggles ? - disse olhando para Ron e sorrindo de uma forma ainda mais sarcástica . - Que peninha , o próprio filho ... Harry sentiu se como_se tivesse levado um soco em o estômago de uma de as maiores pernadas de a árvore louca . E se alguém descobrisse que Mr._Weasley tinha enfeitiçado o carro ? Ele ainda nem tinha pensado em isso . - Reparei durante a minha volta por o jardim que foi feito um estrago considerável em um salgueiro zurzidor extremamente valioso - continuou Snape . - Essa árvore fez nos pior a nós do_que nós ... - deixou escapar Ron . - Silêncio - interrompeu Snape , de_novo . - Infelizmente vocês não fazem parte de a minha equipa e a decisão de vos expulsar não está em as minhas mãos . Vou , por isso , buscar as pessoas que possuem essa feliz possibilidade . Esperem aqui . Harry e Ron olharam , pálidos , um para o outro . Harry perdera a fome . Sentia se agora extremamente agoniado . Tentava não olhar para uma coisa viscosa , suspensa em um líquido verde que estava em uma prateleira por detrás de a secretária de Snape . Se ele fora buscar a professora Mc_Gonagall , chefe de a equipa de os Gryffindor , não estavam muito melhor . Ela era mais justa do_que Snape , mas extremamente severa . Dez minutos mais tarde , Snape voltou e era , de facto , a professora Mc_Gonagall quem o acompanhava . Harry vira a professora Mc_Gonagall zangada , mas , ou se tinha esquecido de como a boca de ela ficava fina , ou nunca a vira tão zangada como em aquele dia . Levantou a varinha em o momento em que entrou . Harry e Ron estremeceram , mas ela limitou se a apontá a para a lareira onde as chamas se elevaram subitamente . - Sentem se - ordenou , e os dois recuaram para as cadeiras junto de o lume . - Expliquem se - disse com os óculos a brilhar de uma forma ameaçadora . Ron enveredou por a história começando por a barreira de a estação que se recusara a deixá os passar . - Por isso não tínhamos escolha , professora , não podíamos chegar a o comboio . - Porque não nos mandaram uma carta por a coruja ? Julgo que tens uma coruja ? - disse friamente a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a Harry . Harry olhou para ela sem saber o que dizer . - Parece me - continuou ela - que seria a coisa mais adequada . - Eu ... não pensei ... - Isso - disse a professora Mc_Gonagall - é bastante óbvio . Ouviu se bater a a porta de o escritório e Snape , que parecia agora mais feliz do_que nunca , foi abrir . Era o director , o professor Dumbledore . Harry ficou totalmente paralisado . Dumbledore tinha uma expressão grave . Olhou para eles de cima de o seu nariz adunco e Harry desejou estar ainda com Ron a levar uma sova de o salgueiro zurzidor . Fez se um longo silêncio . Em seguida , Dumbledore disse lhes : - Por favor , expliquem porque fizeram isto . Teria sido melhor se gritasse . Harry detestou sentir a decepção em a sua voz . Inexplicavelmente era incapaz de olhar Dumbledore em os olhos e falou em direcção a os seus joelhos . Disse lhe tudo excepto que o carro enfeitiçado pertencia a Mr._Weasley , dando a ideia de que ele e o Ron o tinham encontrado estacionado fora de a estação . Sabia que Dumbledore ia ver para_além de isso , mas o director não fez perguntas sobre o carro . Quando Harry terminou continuou a olhar para ele através de os seus óculos . - Nós vamos buscar as nossas coisas - disse Ron em um tom de voz sem esperança . - Que disparate é esse ? - rosnou a professora Mc_Gonagall . -- Então , vão expulsar nos , não vão ? - disse o Ron . Harry olhou rapidamente para Dumbledore . - Ainda não , Mr._Weasley - afirmou Dumbledore . - Mas vou assinalar a gravidade do_que vocês fizeram . Hoje a a noite escreverei a as vossas famílias . Estão também prevenidos que se voltarem a fazer uma coisa como esta não terei outro remédio senão expulsar vos . A expressão de Snape era como_se o Natal tivesse sido cancelado . Pigarreou e disse : - Professor_Dumbledore , estes rapazes infringiram o decreto para a restrição de a feitiçaria de os menores , causaram estragos consideráveis a uma árvore antiga e valiosa ... sem dúvida , actos de esta natureza ... - Cabe a a professora Mc_Gonagall decidir sobre os castigos de os rapazes , Severus - afirmou Dumbledore com toda_a calma . - Pertencem a a equipa de ela e são , portanto , de a sua responsabilidade . - Voltou se para a professora Mc_Gonagall . - Tenho de regressar a o banquete , Minerva , devo dar algumas informações . Venha Severus , há uma tarte de leite e ovos com um aspecto delicioso que quero mostrar lhe . Snape lançou um olhar de puro veneno a o Harry e a o Ron enquanto permitia que o afastassem de o seu escritório , deixando os a sós com a professora Mc_Gonagall que ainda os olhava como uma águia em fúria . - É melhor ires até a a ala hospitalar , Weasley , estás a sangrar . - Não é nada - disse Ron , limpando o corte com a manga para que ela o visse . - Professora , eu gostava de ver a minha irmã ser seleccionada . - A cerimónia de a selecção terminou - disse a professora Mc_Gonagall . - A tua irmã está também em os Gryffindor . - _ óptimo - exclamou Ron . - E por falar em os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall de forma cortante , mas Harry interrompeu a : - Professora , quando tirámos o carro , o ano escolar ainda não tinha começado , por isso os Gryffindor não deveriam perder pontos , pois não ? - terminou olhando a ansiosamente . A professora Mc_Gonagall lançou lhe um olhar penetrante , mas ele era capaz de jurar que ela quase tinha sorrido . Pelo_menos a boca não parecia tão fina . - Não vou tirar pontos a os Gryffindor - tranquilizou o . E o coração de Harry ficou mais leve . - Mas vocês os dois vão ter um castigo . Foi melhor do_que Harry imaginara . O facto de Dumbledore escrever a os Dursley não tinha a menor importância . Harry sabia perfeitamente que eles só lamentariam que o salgueiro zurzidor não o tivesse esmigalhado . A professora Mc_Gonagall ergueu a varinha de_novo apontou a a a secretária de Snape . Um grande prato de sanduíches , duas taças de prata e um jarro com sumo de abóbora gelado apareceram em menos_de um segundo . - Vocês vão comer aqui e , em seguida , vão direitinhos para o vosso dormitório - disse . - Eu também tenho de voltar para a festa . Mal a porta se fechou atrás de ela , Ron soltou baixinho um assobio . - Pensei que estávamos feitos - confessou , agarrando uma sanduíche . - Também eu - disse o Harry , orando também uma . - Mas já viste bem a nossa pouca sorte ? - insistiu o Ron com a boca cheia de frango e fiambre . - O Fred e o George voaram em aquele carro cinco ou seis vezes e nenhum Muggle os viu - engoliu outro pedaço enorme de a sanduíche . - Porque será que não conseguimos passar a barreira ? Harry encolheu os ombros . - Mas temos de ter muito cuidado a_partir_de agora - disse bebendo um grande trago de sumo de abóbora . - Que pena não termos podido ir a o banquete . - Ela não quis que nos exibíssemos - afirmou Ron com prudência . - Não vão as pessoas pensar que é uma boa chegar aqui de carro voador . Quando já tinham comido todas_as sanduíches que queriam ( o prato ia voltando a encher se sozinho ) , levantaram se e saíram de o escritório , seguindo o caminho que lhes era familiar , para a torre de os Gryffindor . O castelo estava em silêncio . Parecia que o banquete tinha acabado . Passaram por retratos murmurantes e armaduras que gemiam e subiram os degraus estreitos de pedra até que , por fim , chegaram a a passagem onde a entrada secreta para a torre de os Gryffindor se encontrava oculta por detrás de o quadro a óleo de uma dama gorda em um vestido cor-de-rosa . - A senha ? - perguntou ela mal os dois se aproximaram . - Er ... Eles ainda não tinham estado com o prefeito de os Gryffindor e por isso ainda não conheciam a senha para o novo ano , mas a ajuda não se fez esperar . Ouviram passos apressados atrás de eles e quando se voltaram viram Hermione que se aproximava . - Aí estão vocês . Onde é_que se meteram ? Correm os boatos mais ridículos , alguém disse que vocês tinham sido expulsos por espatifarem um carro voador . - Bem , expulsos não fomos - tranquilizou a Harry . - Não estás a dizer me que voaram até aqui ? - perguntou Hermione em um tom quase tão severo como a professora Mc_Gonagall . - Dispensa se o sermão - interrompeu Ron impacientemente . - E diz nos a nova senha de passagem . - É crista de pássaro - disse Hermione não contendo a impaciência . - Mas o mais importante não é isso ... Contudo as palavras de ela foram interrompidas ao_mesmo_tempo que o retrato de a dama gorda se abria e se ouvia uma tempestade de aplausos . A o que parecia a equipa de os Gryffindor estava ainda acordada , dentro de a sala comum em forma de círculo , junto de as mesas assimétricas e de os cadeirões moles a a espera que eles chegassem para , de braços estendidos através de o buraco de o retrato , puxarem Harry e Ron para dentro deixando Hermione para o fim . - Sensacional - gritou Lee_Jordan . - Inspirado ! Que entrada ! Voar em um carro e aterrar em o salgueiro zurzidor . Toda_a_gente vai falar de isto durante anos e anos . - Muito bem - disse um aluno de o quinto ano com quem Harry nunca tinha falado . Alguém dava lhe palmadas em as costas como_se ele acabasse de vencer a maratona . Fred e George abriram caminho por_entre a multidão e disseram ao_mesmo_tempo : - Por_que é_que não nos chamaram , hein ? - Ron estava vermelho como um pimentão , sorrindo envergonhado , mas Harry via perfeitamente uma pessoa que não estava nada contente . Percy elevava se acima de as cabeças de os excitados alunos de o primeiro ano e parecia estar a tentar aproximar se para os repreender . Harry deu uma cotovelada a o Ron e apontou em direcção a Percy . Ron percebeu de imediato . - Temos de ir para_cima , um_pouco cansados ! - explicou e os dois começaram a abrir caminho em direcção a a porta que ficava de o outro lado de a sala e que dava para a escada em espiral e para os dormitórios . - ` _ Noite - despediu se Harry_de_Hermione que tinha um ar tão carrancudo como Percy . Conseguiram chegar a o outro lado de a sala comum sempre a levarem palmadas em as costas e alcançaram o sossego de as escadas . Apressaram se a subir e , por fim , chegaram a a porta de o dormitório que tinha agora um letreiro a dizer « Segundos_Anos » . Entraram em o quarto circular , que conheciam tão bem , com as suas cinco camas de dossel adornadas de velado vermelho e as suas janelas altas e estreitas . As malas tinham sido trazidas para_cima e colocadas a os pés de as camas . Ron fez um sorriso culpado . - Sei que não devia ter gostado de aquilo , mas ... A porta de o dormitório abriu se e os outros rapazes de os Gryffindor entraram ; eram eles o Seamus_Finnigan , o Dean_Thomas e o Neville_Loogbottom . - Inacreditável - aplaudiu Seamus . - Incrível - aprovou o Dean . - Espantoso - exclamou o Neville , aterrado . Harry não pôde evitar também um sorriso . VI_Gilderoy_Lockhart_No dia seguinte , contudo , Harry não conseguiu sorrir . As coisas começaram a correr mal logo em o salão durante o pequeno-almoço . Debaixo de o tecto encantado ( em aquele dia triste e cinzento ) estavam as quatro grandes mesas de as equipas e sobre elas , terrinas de papa de aveia , pratos de arenque defumado , montanhas de torradas e pratadas de ovos com * bacon * . Harry e Ron sentaram se em a mesa de os Gryffindor , junto de Hermione que tinha o seu exemplar de * _ Viagens com Vampiros * totalmente aberto , encostado a um jarro de leite . Havia uma certa rigidez em a maneira como ela disse : - ` _ Dia - que mostrou a Harry que continuava a desaprovar o modo como tinham chegado a a escola . Por seu turno , Neville_Longbottom saudou os entusiasticamente . Neville era um rapazinho de cara redonda , muito dado a acidentes , com a pior memória que Harry tinha conhecido . - A entrega de correio deve estar a chegar , acho que a minha avó me vai mandar umas quantas coisas de que me esqueci ... Harry tinha começado a comer as papas de aveia , quando se ouviu um ruído tumultuoso em o ar e umas cem corujas entraram ao_mesmo_tempo , sobrevoando o salão e deixando cair cartas e pacotes em o meio de a multidão faladora . Um embrulho grande e rugoso caiu em a cabeça de Neville e , um segundo depois , uma coisa larga e cinzenta caiu em o jarro de a Hermione , enchendo os a todos de leite e penas . - Errol - gritou o Ron , puxando a coruja esfarrapada por as patas . Errol caíra inconsciente sobre a mesa com as pernas para o ar e um envelope vermelho húmido em o bico . - Oh , não ! - sobressaltou se Ron . - Ela está bem , ainda está viva - tranquilizou o Hermione , tocando suavemente em a Errol com a ponta de o dedo . - Não é isso , é ... aquilo . Ron apontava para o envelope vermelho . Parecera perfeitamente vulgar a Harry , mas Ron e Neville estavam ambos a observá o como_se esperassem que explodisse . - Qual é o problema ? - perguntou Harry . - Ela . Ela mandou me um * gritador * - disse Ron , quase sem voz . - É melhor abrires - aconselhou Neville em um murmúrio tímido - senão é pior . A minha avó uma_vez mandou me um que eu ignorei e ... - engoliu em seco - foi horrível . Harry olhava , ora para as suas caras , ora para o envelope vermelho . - O que é um * gritador * ? - perguntou . - Mas toda_a atenção de o Ron estava fixa em a carta que começara a fumegar por os cantos . - Abre a - intimou o Neville . - De aqui a poucos minutos já passou tudo . Ron estendeu uma mão trémula , retirou o envelope de o bico de a Errol e começou a abri o . Neville pôs os dedos em os ouvidos . Após uma fracção de segundo , Harry compreendeu porquê . Pensou em o primeiro momento que ela explodira . Um ruído ensurdecedor encheu o enorme salão , fazendo cair pó de o tecto . - ... : __ roubar o carro ! não me surpreendia nada se te expulsassem . espera só até te pôr as mãos em cima . será que não paraste para pensar em a nossa aflição quando vimos que o carro tinha __ desaparecido ... Os gritos de Mrs._Weasley , ampliados cem vezes em relação a o seu normal , fizeram os pratos e as colheres chocalhar em a mesa e ecoaram de forma ensurdecedora em as paredes de pedra . Vinha gente de todos os lados espreitar quem tinha recebido o * gritador * e Ron afundou se tanto em a cadeira que só se lhe via a testa carmesim . - ... : __ uma carta de o dumbledore ontem a a noite , o teu pai quase morria de vergonha . não foi esta a educação que te demos , tu e o harry podiam ter __ morrido ... Harry estava a ver quando é_que o seu nome viria a a baila . Tentou o melhor que pôde agir como_se não ouvisse a voz , mas aquilo estava a fazer com que os tímpanos lhe latejassem . - ... : __ profundamente decepcionada , o teu pai vai ter de se confrontar com um inquérito em o trabalho , tudo por tua culpa e , se pisas mais_uma_vez o risco , trago te para __ casa ! Seguiu se um silêncio ressonante . O envelope vermelho , que caíra de as mãos de o Ron , incendiou se e encaracolou se em cinzas . Harry e Ron estavam sentados de boca aberta , como_se uma onda gigante lhes tivesse passado por cima . Algumas pessoas riam e , a os poucos , o ruído de as conversas recomeçou . Hermione fechou o * _ Viagens com Vampiros * e olhou para o topo de a cabeça de Ron . - Bem , não sei o que esperavas , Ron , mas tu ... - Não me venhas dizer que mereci - interrompeu Ron . Harry afastou as papas de aveia . O estômago ardia lhe de culpa . Mr._Weasley tinha um inquérito em o trabalho , depois de tudo_o_que Mr. e Mrs._Weasley tinham feito por ele durante o Verão ... Mas não teve muito_tempo para se demorar em aqueles pensamentos . A professora Mc_Gonagall circulava em volta de as mesas de os Gryffindor distribuindo horários . Harry pegou em o seu e viu que começavam por ter Herbologia , juntamente com os Hufflepuff . Harry , Ron e Hermione saíram juntos de o castelo , atravessaram as hortas e chegaram a as estufas , onde estavam guardadas as plantas mágicas . O * gritador * tivera pelo_menos uma vantagem : Hermione parecia achar que já tinham sido suficientemente castigados e estava de_novo perfeitamente calorosa . Quando estavam a chegar a as estufas viram o resto de a classe de pé , cá fora , a a espera de a professora Sprout . Harry , Ron e Hermione tinham acabado de se lhes juntar quando a viram aproximar se a passos largos por o relvado , acompanhada de Gilderoy_Lockhart . A professora Sprout era uma bruxa pequenina e atarracada que usava um chapéu a os remendos sobre o cabelo solto . As roupas que vestia estavam sempre cheias de terra e as suas unhas fariam a tia Petúnia desmaiar . Gilderoy_Lockhart , pelo_contrário , tinha um ar imaculado em as suas vestes azul-turquesa , o cabelo doirado a brilhar debaixo_de um chapéu azul-turquesa , com uma fita dourada , perfeitamente posicionado sobre a cabeça . - Olá a todos ! - gritou Lockhart , dirigindo se a o grupo de estudantes . - Estive a mostrar a a professora Sprout a maneira correcta de tratar um salgueiro . Mas não quero que fiquem com a ideia de que sou melhor do_que ela em Herbologia . Acontece que encontrei várias de estas plantas exóticas , durante as minhas viagens .... - Estufa número três hoje , meninos ! - disse a professora Sprout que estava visivelmente descontente , bem diferente de a sua habitual natureza bem-disposta . Houve um murmúrio de interesse . Eles só tinham estado uma_vez em a terceira estufa , que era uma estufa que abrigava plantas bem mais interessantes e perigosas . A professora Sprout tirou uma enorme chave de o cinto e abriu a porta . Harry sentiu o bafo de a terra húmida com adubo misturado e o perfume forte de umas flores gigantescas , de o tamanho de guarda-chuvas , que estavam penduradas de o tecto . Ia seguir Ron e Hermione , quando a mão de o Lockhart o travou . -- Harry ! Tenho querido ter uma palavrinha contigo . Não se importa se ele chegar uns minutos atrasado , pois não , professora Sprout ? A julgar por a expressão carregada de a professora Sprout , importava se sim , mas Lockhart disse : - Então até já - e fechou a porta de a estufa em a cara de ela . - Harry ! - disse Lockhart , com os dentes brancos a brilharem a o sol , enquanto abanava a cabeça . - Harry , Harry , Harry ! Harry , totalmente perplexo , não disse uma palavra . - Quando ouvi dizer , bem , é claro que eu tive muita culpa , deviam castigar me também ... Harry não fazia ideia de que estava ele a falar , quando Lockhart prosseguiu : - Nunca me lembro de ficar tão chocado . Fazer voar um automóvel até Hogwarts ! Bem , é claro que eu percebi logo porque o fizeste . Foi um destaque em grande . Harry , Harry , Harry ! Era notável como ele conseguia mostrar todos aqueles dentes brilhantes , mesmo quando não estava a falar . - Criei te o gosto por a publicidade , não foi ? - perguntou Lockhart . - Passei te o bichinho . Apareceste comigo em a primeira página e não podias esperar para aparecer outra_vez ... - Oh , não , professor , sabe é_que ... - Harry , Harry , Harry - disse Lockhart aproximando se e tocando lhe em o ombro . - * _ Eu compreendo * . É natural querer um_pouco mais quando se lhe tomou o gosto , e eu culpo me por te ter dado esse conhecimento , porque era natural que te subisse a a cabeça , mas vê uma coisa , rapazinho , tu não podes começar a fazer voar carros para tentares ser notícia . Tens de acalmar , está bem ? Tens muito_tempo quando fores mais velho . Sim , sim , eu sei o que estás a pensar ! É fácil para ele falar assim , já é um feiticeiro internacionalmente famoso ! Mas quando eu tinha doze anos era tão zé-ninguém como tu és hoje . Em a verdade , era ainda mais . De ti , já meia_dúzia de pessoas ouviram falar , não é ? Toda aquela história com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . - Olhou para a cicatriz luminosa em a testa de Harry . - Eu sei , eu sei , não é o mesmo_que vencer o Prémio de o sorriso de o feiticeiro de a semana cinco vezes seguidas , como eu venci , mas é um começo , Harry , é um começo . Lançou lhe uma piscadela de olhos cordial e foi se embora . Harry ficou atarantado durante alguns segundos . Depois , lembrando se que deveria estar em a estufa , abriu a porta e esgueirou se lá para dentro . A professora Sprout estava de pé , por_detrás_de uma espécie de mesa em o meio de a estufa . Em cima de a mesa estavam cerca de vinte pares de abafo de ouvidos de diferentes cores . Quando Harry estava já em o seu lugar , entre Ron e Hermione , ela disse : - Hoje vamos transplantar Mandrágoras . Muito bem , quem sabe dizer me as propriedades de a Mandrágora ? Não foi surpresa para ninguém que a mão de a Hermione fosse a primeira em o ar . - A Mandrágora tem um efeito reparador muito poderoso - disse Hermione , com o ar mais normal de este mundo , como_se tivesse engolido o livro de texto . - É usada para fazer voltar as pessoas , que foram transfiguradas ou amaldiçoadas , a o seu estado original . - Excelente . Dez pontos para os Gryffindor ! - exclamou a professora Sprout . - A Mandrágora é parte integrante de a maior parte de os antídotos , mas também é perigosa . Quem sabe dizer me porquê ? A mão de Hermione por_pouco não bateu em os óculos de Harry , quando se ergueu de_novo . - O grito de a Mandrágora é fatal para quem o ouve - disse prontamente . - Precisamente . Dou lhe mais dez pontos - disse a professora Sprout . - Agora vejamos , as Mandrágoras que aqui temos são ainda muito jovens . Enquanto falava , apontou para uma fila de tabuleiros com uma certa profundidade e todos se chegaram a a frente para ver melhor . Cerca de uma centena de plantinhas tufosas de um verde arroxeado cresciam em filas . Pareceram perfeitamente vulgares a Harry , que não fazia a menor ideia do_que Hermione queria dizer com o * grito * de a Mandrágora . - Cada_um de vocês pode tirar um par de abafo de ouvidos - disse a professora Sprout . Houve uma competição renhida porque ninguém queria os cor-de-rosa , cheios de penugem . - Quando eu vos disser para os colocar , assegurem se de que os vossos ouvidos estão completamente tapados - disse a professora Sprout . - Logo_que seja seguro retirá os , eu levanto os dedos . Certo , pôr os abafos de os ouvido . Harry pôs imediatamente os abafos em os ouvidos . Eles fecharam completamente o som . A professora Sprout colocou também um par de abafos cor-de-rosa com penugem em os de ela , arregaçou as mangas de a túnica , agarrou uma de as plantas tufosas e puxou com toda_a força . Harry soltou um grito de surpresa que ninguém ouviu . Em_vez_de raízes , um bebé pequenino , enlameado e extremamente feio , saiu de a terra . As folhas cresciam lhe em o alto de a cabeça , tinha uma pele pintalgada de um pálido esverdeado e estava nitidamente a berrar a plenos pulmões . A professora Sprout tirou debaixo de a mesa um grande vaso de plantas e mergulhou lá dentro a Mandrágora , enterrando a em a mistura escura e húmida , até que só as folhas ficassem visíveis . Em seguida , limpou a terra de as mãos , levantou os dedos e todos eles retiraram os abafos de os ouvidos . - Como as nossas Mandrágoras são muito novas , os seus gritos ainda não matam - disse ela com grande calma , como_se tivesse feito algo tão normal como regar uma begónia . - Contudo , podem pôr vos a dormir durante várias horas e , como com certeza nenhum de vocês quer perder o primeiro dia de aulas , vejam se os abafos estão bem colocados enquanto trabalham . Eu chamarei vos a atenção quando for altura de os retirar . - Quatro em cada fila , há aqui uma grande quantidade de vasos , a mistura de terra está em os sacos ali a o fundo e tenham cuidado com a * _ Venomous_Tentacula * , estão a nascer lhe os dentes . Enquanto falava , deu uma pancada seca a uma planta vermelha escura cheia de pontas eriçadas , fazendo a encolher as longas antenas que tinham estado a avançar lenta e dissimuladamente sobre o seu ombro . A Harry , Ron e Hermione veio juntar se em a fila um rapaz de cabelo encaracolado de os Hufflepuff que Harry conhecia de vista , mas com quem nunca tinha falado . - Justin_Finch - _ Fletchey - disse ele com vivacidade , apertando a mão de o Harry . - Conheço te , claro , o famoso Harry_Potter ... e tu és a Hermione_Granger , sempre a primeira em tudo ( Hermione brilhou em um sorriso , como_se ele lhe tivesse apertado a mão ) e Ron_Weasley . Não era teu o carro voador ? Ron não sorriu . Não lhe saía de a cabeça o * gritador * . - Aquele Lockhart é o_máximo , não acham ? - disse Justin satisfeito , enquanto começavam a encher os vasos com composto de adubo de dragão . - Terrivelmente corajoso . Leram os livros de ele ? Eu teria morrido de medo se um lobisomem me tivesse encurralado em uma cabina telefónica , mas ele manteve se calmo e ... zap ... fantástico ! « Eu estava inscrito em Eton , sabem , não imaginam como estou feliz de ter vindo antes para aqui . É claro que a minha mãe ficou um_pouco desiludida , mas depois de lhe ter dado os livros de Lockhart a ler , tenho a impressão de que ela começou a ver a utilidade de ter um feiticeiro bem treinado em a família ... Depois de isso , não tiveram grandes oportunidades para conversar . Voltaram a pôr os abafos de ouvidos e era preciso concentrarem se em as Mandrágoras . A professora Sprout fizera as coisas parecerem extremamente simples , mas não eram . As Mandrágoras não gostavam de sair de a terra mas também não pareciam querer voltar para lá . Elas contorceram se , deram pontapés , agitaram as mãozinhas finas e rangeram os dentes . Harry levou dez minutos inteirinhos a tentar meter uma Mandrágora particularmente gorda dentro_de um vaso . Em o final de a aula , Harry , como todos os outros , estava a suar , cheio de dores e coberto de terra . Regressaram a o castelo a pé para um banho rápido e , em seguida , os Gryffindor apressaram se para assistir a a aula de transfiguração . As aulas de a professora Mc_Gonagall eram sempre complicadas , mas a de aquele dia era particularmente difícil . Tudo_o_que o Harry aprendera em o ano anterior parecia ter se lhe apagado de a memória durante o Verão . Ele deveria ser capaz de transformar uma barata em um botão , mas , tudo_o_que conseguiu foi fazer a barata praticar um imenso exercício , enquanto corria apressadamente por o tampo de a secretária evitando a varinha . Ron estava a debater se com problemas bastante piores . Tinha atado a varinha com uma fita mágica , mas parecia que não havia reparação possível . Não parava de crepitar e lançar faíscas em os momentos mais estranhos e , sempre_que Ron tentava transfigurar a barata , via se envolvido em um fumo cinzento espesso que cheirava a ovos podres . Incapaz de ver o que estava a fazer , o Ron esmagou , por engano , a barata com o cotovelo e teve de ir pedir que lhe dessem outra , o que deixou a professora Mc_Gonagall muito pouco satisfeita . Harry ficou aliviado quando ouviu tocar a campainha para o almoço . Sentia a cabeça como uma esponja espremida . Todos os alunos saíram em fila de a aula excepto ele e Ron que dava furiosas varadas em a secretária . - Coisa estúpida e inútil . - Escreve a os teus pais a pedir outra - sugeriu Harry , enquanto a varinha disparava com estrondo um foguete explosivo . - Ah pois , e receber outro * gritador * em a volta de o correio - respondeu Ron , metendo a varinha que já assobiava , dentro de o saco . - * _ A culpa é toda tua se a varinha está estragada * ... Desceram para o almoço e aí a disposição de o Ron não iria melhorar com Hermione a mostrar lhe uma mão-cheia de botões de casaco , perfeitinhos , que produzira em a transfiguração . - O que temos esta tarde ? - quis saber Harry , mudando rapidamente de assunto . - Defesa contra as artes negras - disse Hermione , sem perder tempo . - Porque é_que tu ... - perguntou Ron , pegando em o horário de ela - desenhaste corações em volta de as aulas de o Lockhart ? Hermione arrancou lhe o horário de as mãos , corando furiosa . Acabaram de almoçar e foram para o pátio carregado de nuvens . Hermione sentou se em um degrau de pedra e enfiou de_novo o nariz em as * _ Viagens com Vampiros * . Harry e Ron ficaram a falar de Quidditch durante alguns minutos antes de Harry se aperceber de que estava a ser observado de perto . Olhando para_cima viu o rapazinho pequenino com cabelo de rato que ele vira experimentar o chapéu seleccionador em a noite anterior , olhando para ele com uma expressão petrificada . Estava agarrado a o que parecia ser uma vulgar máquina fotográfica de os Muggles e , em o momento em que Harry olhou para ele , ficou todo vermelho . - Tudo bem , Harry ? Eu sou Colin_Creevey - disse , faltando lhe o ar e adiantando se a qualquer pergunta . - Estou em os Gryffindor também . Não te importavas que eu tirasse uma fotografia ? - perguntou , levantando a máquina cheio de expectativa . - Uma fotografia ? - repetiu Harry , inexpressivo . - Para eu provar que te conheci - disse Colin_Creevey cheio de ansiedade , continuando : - Eu sei tudo a teu respeito . Toda_a_gente me tem contado como sobreviveste quando O_Quem nós sabemos tentou matar te , como ele desapareceu depois de isso e como ficaste com a cicatriz em forma de relâmpago em a testa ( os seus olhos procuraram a linha de cabelo de Harry ) e um rapaz de o meu dormitório disse que se eu revelasse o filme em a posição certa ele mexia . - Colin respirou fundo , estremecendo de excitação e disse : - Isto_é fantástico , aqui , não achas ? Eu não sabia que todas_as coisas estranhas que fazia eram magia até a o dia em que recebi uma carta de Hogwarts . O meu pai é leiteiro . Também ele não queria acreditar . Por isso estou a tirar montes de fotografias para lhe mandar e era mesmo bom se tivesse uma tua - parecia implorar . - Talvez o teu amigo pudesse tirá a e assim eu ficava a o teu lado . E depois , podias assiná a ? - Assinar fotografias ? Estás a dar fotos autografadas , Potter ? Alta e mordaz , a voz de Draco_Malfoy ecoou em o pátio . Estava parado mesmo atrás_de Colin , ladeado , como sempre andava em Hogwarts , por os seus fortes guarda-costas Crabbe e Goyle . - Ei gente , façam bicha - gritou Malfoy a a multidão . - Harry_Potter está a dar fotos autografadas ! - Não estou coisa nenhuma - disse Harry , zangado , com os punhos em o ar . - Cala a boca , Malfoy . - Tu tens é inveja - começou a dizer Colin , cujo corpo era de o tamanho de o pescoço de Crabbe . - Inveja - repetiu Malfoy que não precisava de gritar mais , metade de o pátio estava a ouvi o . - De quê ? Não preciso de uma cicatriz em a cabeça , muito obrigado . Não acho que ter um corte em a testa torne alguém especial . Crabbe e Goyle riram estupidamente - Vai pastar caracóis , Malfoy - disse o Ron furioso . Crabbe parou de rir e começou a esfregar os nós de os dedos enormes de uma forma ameaçadora . - Tem cuidado , Weasley - escarneceu Malfoy . - Com certeza não queres começar uma rixa ou a tua mãezinha tem de vir cá para te tirar de a escola - e com uma voz aguda e penetrante : - * _ Se voltas a pisar o risco * ... Um grupo de alunos de o quinto ano de os Slytherin que estava ali perto , riu se bastante alto . - O Weasley gostaria de ter uma foto tua autografada , Potter - escarneceu de_novo Malfoy . - Era capaz de valer mais do_que a casa onde ele mora com a família . Ron sacou de a sua varinha amarrada com fita , mas Hermione fechou as * Viagens com Vampiros * com um estrondo e avisou : - Atenção . - O que é isto , o que é isto ? - Gilderoy_Lockhart aproximava se com o seu manto azul-turquesa girando em torvelinho atrás de ele . - Quem está a dar fotos autografadas ? Harry ia começar a explicar , mas foi interrompido quando Lockhart lhe pôs jovialmente o braço em cima de os ombros . - Mas que pergunta a minha ! Cá estamos nós de_novo , Harry ! Preso ao_lado_de Lockhart e a arder de humilhação , Harry viu Malfoy deslizar com o seu sorriso desdenhoso por o meio de a multidão . - Vamos lá então , Mr._Creevey - disse Lockhart , dirigindo se a Colin . - Uma foto dupla , já viu a sua sorte ? E assinamos a os dois para si . Colin ajustou a máquina e tirou a fotografia em o preciso momento em que a campainha tocava para as aulas de a tarde . - Está em a hora , todos para dentro - gritou Lockhart a a multidão e regressou a o castelo levando a o seu lado o Harry que só lamentava não conhecer um feitiço que o fizesse desaparecer . - Uma palavra só , Harry - disse Lockhart paternalmente , enquanto entravam em o edifício por uma porta lateral . - Eu ajudei te há bocado com o jovem Creevey porque se ele estivesse a fotografar me também a mim os teus colegas não reparariam tanto que estavas a exibir te ... Indiferente a a gaguez de Harry , Lockhart arrastou o para um corredor ladeado de alunos que os olhavam espantados e subiram uma escada . - Deixa me só dizer te uma coisa : dar fotografias autografadas em esta fase de a tua carreira , francamente , não é sensato , Harry , parece um_pouco megalómano . Pode ser que um dia mais tarde , tal_como eu , sejas obrigado a assinar para multidões onde quer que vás , mas - fez uma pequena pausa - não me parece que seja o caso , por enquanto . Tinham chegado a a aula de Lockhart e ele largou finalmente o Harry que sacudiu a túnica e foi sentar se em um lugar bem lá atrás onde começou por empilhar os livros de Lockhart a a sua frente para evitar olhar para a criatura . O resto de a aula entrou ruidosamente e Ron e Hermione foram sentar se um de cada lado de Harry . - Tu estavas vermelho como um pimentão - disse o Ron . - Reza para que o Creevey não se torne amigo de a Ginny senão bem podem criar o clube de * fans * de Harry_Potter . - Cala a boca - interrompeu Harry . A última coisa que desejava era que o Lockhart ouvisse a expressão « clube de * fans * de Harry_Potter « . Quando todos estavam em os seus lugares , Lockhart pigarreou alto e fez se silêncio . Ele inclinou se para a frente , pegou em o exemplar de Neville_Longbottom de * _ viagens com Duendes * e levantou o para mostrar a sua fotografia a piscar os olhos em a capa . - Eu - disse apontando para a fotografia e piscando também os olhos - Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , terceiro ano , membro honorário de a Liga_de_Defesa contra as artes negras e cinco vezes vencedor de o prémio de o * _ Feiticeiro de a semana * por o sorriso mais charmoso . Mas não vamos falar de isso , não venci a fada carpideira de Bandon a sorrir para ela ! Esperou que eles se rissem . Alguns alunos sorriram timidamente . - Já vi que todos vocês compraram a minha obra completa . Muito bem . Pensei começar hoje com um pequeno interrogatório escrito . Nada de complicado , só para perceber se leram bem os meus livros e o que apreenderam ... Depois de distribuir as folhas de teste voltou se para os alunos e disse : - Têm trinta minutos . Comecem já . Harry olhou para o papel e leu : *1 . Qual é a cor preferida de Gilderoy_Lockhart ? *2 . Qual é a ambição secreta de Gilderoy_Lockhart ? *3 . Qual é , em a sua opinião , a maior realização de Gilderoy_Lockhart até a o momento ? * E_por_aí adiante , ao_longo_de três páginas , terminando com : *54 . Qual é o dia de aniversário de Gilderoy_Lockhart e qual seria o seu presente preferido ? * Meia_hora mais tarde , Lockhart recolheu os pontos e folhou os rapidamente em frente de os alunos . - Tut , tut , quase ninguém se lembrou que a minha cor preferida é o lilás . Eu digo o em * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves * . Alguns precisam de voltar a ler com mais cuidado * Fim-de - _ Semana com Um Lobisomem * . Eu afirmo claramente em o décimo segundo capítulo que o meu presente de aniversário preferido seria a harmonia entre todos os seres , mágicos e não mágicos , embora não me importasse de receber uma garrafa grande de * whisky * velho de a Ogden's_Old_Firewhisky . Piscou lhes o olho de_novo . Ron olhava para Lockhart com uma expressão de incredulidade em o rosto . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas que estavam sentados a a frente tremiam de tanto conter o riso . Hermione , contudo , ouvia Lockhart com extrema atenção e deu um salto quando ouviu o seu nome . - Mas Miss_Hermione_Granger sabia que a minha ambição secreta era libertar o mundo de o mal e pôr a a venda a minha gama de poções de tratamento de o cabelo . Muito bem - voltou o papel . - Nota máxima ! Onde está Miss_Hermione_Granger ? Hermione ergueu uma mão trémula . - Excelente - bradou Lockhart , exultante . - Leva dez pontos para os Gryffindor . E vamos a o trabalho . Baixou se atrás de a secretária e pegou em uma grande gaiola coberta . - Ficam desde_já a saber , a minha função é preparar vos contra as criaturas mais malignas que a feitiçaria conhece . Vocês podem ter que enfrentar os maiores medos em esta sala . Saibam que nenhum mal vos sucederá comigo aqui . Só vos peço que se mantenham calmos . Ultrapassando os seus sentimentos , Harry espreitou através de a pilha de livros para ver melhor a gaiola . Lockhart colocou uma mão em a tampa . Dean e Seamus tinham deixado de se rir . Neville estava agachado em o seu lugar de a fila de a frente . - Vou pedir vos que não façam barulho - disse Lockhart em voz baixa . - Podem assustá os . Enquanto a aula inteira continha a respiração , Lockhart tirou a cobertura . - Sim - disse em um tom dramático . - Duendes_da_Cornualha recém-capturados . Seamus_Finnigan não conseguiu controlar se . Soltou uma gargalhada que nem Lockhart poderia confundir com um grito de terror . - Sim ? - sorriu a Seamus . - Bem , eles não são , não são perigosos , pois não ? - perguntou a rir . -- Não tenhas tanta certeza de isso - afirmou Lockhart , aborrecido , abanando um dedo , em direcção a Seamus . - Podem ser maçadores e muito traiçoeiros . Os duendes eram de um azul-eléctrico e tinham cerca de vinte centímetros de altura com feições angulosas e umas vozes tão estridentes que era como ouvir uma discussão entre araras . Logo_que o pano foi retirado , começaram a fazer uma enorme algazarra , a andar de um lado para o outro , batendo em as grades e fazendo caretas a as pessoas que estavam mais perto . - Muito bem - disse Lockhart em voz alta . - Vamos então ver o que vocês conseguem fazer de eles - e abriu a gaiola . Foi um pandemónio . Os duendes dispararam em todas_as direcções como foguetes . Dois de eles agarraram o Neville por as orelhas e levantaram o a o ar . Vários outros foram direitos a a janela , fazendo chover vidros partidos até a a fila de trás . Os restantes decidiram destruir a sala com maior eficácia do_que um rinoceronte em fúria . Agarraram em os tinteiros e salpicaram tudo em volta , rasgaram a os bocados livros e papéis , arrancaram os quadros de as paredes , levantaram a o ar a gaiola vazia , agarraram livros e sacos e lançaram nos por a janela de vidros estilhaçados . Em poucos minutos , metade de a aula estava abrigada debaixo de as secretárias e o Neville pendurado em o candelabro de o tecto . - Vamos lá , agarrem nos , agarrem nos , são apenas duendes ... - gritava Lockhart . Arregaçou as mangas , bramiu a varinha e pronunciou * Peshipiksi_Pesternomi ! * As palavras não tiveram o menor efeito . Um de os duendes pegou em a varinha de Lockhart e atirou a também por a janela fora . Lockhart engoliu em seco e mergulhou debaixo de a secretária , não sendo , por um triz , esmagado por o Neville que caiu um segundo depois , quando o candelabro cedeu . A campainha tocou e houve uma louca precipitação para a porta . Em a calma relativa que se seguiu , Lockhart endireitou se , olhou para Harry , Ron e Hermione que estavam quase a chegar a a porta e disse : - Bem , vou pedir vos a os três que prendam o resto de os duendes em a gaiola - passou por eles e fechou rapidamente a porta atrás_de si . - Isto dá para acreditar ? - resmungou o Ron , enquanto um de os duendes lhe mordia com toda_a força uma de as orelhas . - Ele só quer dar nos uma ajuda , permitindo nos ganhar experiência - justificou Hermione , imobilizando dois duendes de uma_vez com um encantamento de paralisação e metendo os de_novo em a gaiola . - Experiência ? - disse Harry , tentando agarrar um duende que dançava com a língua de_fora . - Hermione , ele não sabia nada do_que estava a fazer . - Disparate - retorquiu Hermione . - Leste os livros de ele . Vê só as coisas que ele já fez ! - Que diz que fez - resmungou o Ron . VII_Sangue de lama e murmúrios Harry passou imenso tempo , em os dias que se seguiram , a fugir sempre_que via Gilderoy_Lockhart aproximar se em o corredor . Mais difícil de evitar era Colin_Creevey que parecia ter decorado o horário de Harry . Parecia que nada o emocionava mais do_que dizer : - Tudo bem , Harry ? - seis ou sete vezes por dia e ouvir : - Olá , Colin - por mais exasperado que Harry estivesse quando lhe respondia . A Hedwig ainda estava zangada com Harry por causa de a desastrosa viagem de automóvel e a varinha de o Ron continuava a não funcionar , tendo ultrapassado tudo em a sexta-feira de manhã quando lhe saltou de as mãos em a aula de encantamentos e foi agredir o velho e baixinho professor Flitwick mesmo entre os olhos , deixando uma enorme bolha latejante em o sítio onde tinha batido . Por tudo_isso Harry via chegar , com satisfação , o fim_de_semana Planeava ir em o Sábado de anhã , com Ron e Hermione visitar o Hagrid . Mas foi acordado várias horas mais cedo do_que desejaria por Oliver ood , treinador de a equipa de Quidditch_dos_Gryffindor . - _ o que é_que se passa ? - perguntou Harry , enrolando as palavras . - Treino_de_Quidditch - disse Wood . - Vamos embora . Harry lançou um olhar de esguelha a a janela . Uma neblina fina pairava em o céu rosa e dourado . Agora_que estava acordado não percebia como pudera dormir com a algazarra que os pássaros faziam . - Oliver resmungou Harry . - É de madrugada . - Exacto - respondeu Wood . Era um rapaz alto e corpulento de o sexto ano e em aquele momento os olhos brilhavam lhe loucamente de entusiasmo . - Faz parte de o nosso novo programa de treinos . Anda lá , vai buscar a vassoura e vamos embora - insistiu Wood empenhado . - Nenhuma de as outras equipas começou ainda a treinar . Vamos ser os primeiros este ano ... A bocejar e a tremer um_pouco , Harry saltou de a cama e tentou descobrir as suas túnicas de Quidditch . - Bem , encontramo nos em o campo , dentro_de quinze minutos . Depois de descobrir a sua roupa escarlate de equipa e pôr o manto por cima para se aquecer , Harry escreveu a o Ron um bilhete a explicar onde tinha ido e desceu por a escada de espiral para a sala comum com a sua Nimbos dois inil a o ombro . Tinha acabado de chegar junto de o buraco de o retrato quando ouviu um barulho atrás_de si e viu Colin_Creevey descer a escada de espiral com a máquina fotográfica pendurada a o pescoço a balouçar como louca e uma coisa em a mão . - Ouvi alguém chamar o teu nome em as escadas , Harry olha o que tenho aqui . Revelei a e queria mostrar te . Harry olhou assombrado para a fotografia que Colin lhe espetava em frente de o nariz . Um Lockhart a preto e branco movia se , puxando com toda_a força um braço que Harry reconheceu como sendo o seu . Ficou satisfeito a o constatar que estava a resistir bastante bem , recusando se a ser trazido para a vista de todos . Enquanto Harry observava , Lockhart desistiu e desinteressou se de lutar contra a parte branca de a fotografia . - Assinas para mim ? - pediu Colin entusiasmado . - Não - respondeu secamente Harry , olhando em volta para verificar se o caminho estava livre . - Desculpa_Colin , mas estou cheio de pressa , treino de Quidditch . Passou por o buraco de o retrato . - Oh Uau ! Espera por mim . Eu nunca vi um jogo de Quidditch . Colin trepou por o buraco de o retrato atrás de ele . - Vai ser uma chatice para ti - disse Harry rapidamente , mas Colin ignorou o comentário . Todo o seu rosto brilhava de satisfação . - Tu foste o jogador mais novo de a equipa em cem anos , não foste Harry ? Não foste ? - perguntava Colin , trotando para o acompanhar . - Deve ser fantástico . Eu nunca voei . É fácil ? Essa vassoura é a tua ? É a melhor que há ? Harry não sabia como ver se livre de ele . Era como ter uma sombra que não se calava . - Eu não percebo nada de Quidditch - disse Colin , já sem fôlego . - É verdade que há quatro bolas ? E que duas anda n a voar , tentando fazer os jogadores caírem de as vassouras ? - Sim - disse Harry lentamente , resignado com o ter de lhe explicar as complicadas regras de o Quidditch . - São as * bludgers * . Há dois * beaters * em cada equipa que têm bastões para bater em as * bludgers * e lançá as para o outro lado . O Fred e o George_Weasley são os * beaters * de os Gryffindor . - E para que servem as outras bolas ? - perguntou Colin , saltando uma série de degraus porque ia a olhar para o Harry de boca aberta . - Bem , a * quaffle * , que é a vermelha grandalhona , é a que marca os golos . Três * chasers * em cada equipa lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam fazes a entrar em as balizas que ficam em o extremo de o campo onde há três grandes postes com argolas em as pontas . - E a quarta bola ? - A * snitch * dourada - explicou Harry . - É muito pequenina e veloz e extremamente difícil de agarrar . Mas é isso que o * seeker * tem de fazer , porque o jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * for agarrada . E o * seeker * que conseguir agarrá a ganha para a sua equipa mais cento_e_cinquenta pontos . - E tu és o * seeker * de os Gryffindor , não és ? - perguntou Colin respeitosamente . - Sim - disse Harry enquanto saíam de o castelo e começavam a atravessar o relvado . - E há também o * keeper * que toma conta de os postes . É isto . Mas Colin não parou de fazer perguntas desde os relvados macios até a o campo de Quidditch e Harry só se viu livre de ele quando chegaram a os vestiários . Colin gritou em uma voz aguda : - Eu vou arranjar um lugar , Harry - e apressou se em direcção a as bancadas . O resto de a equipa de os Gryffindor já se encontrava em os vestiários . Wood era o único que tinha aspecto de estar bem acordado . Fred e George_Weasley estavam sentados com olhos de sono e cabelos desgrenhados junto de Alicia_Spinnet de o quarto ano que parecia inclinar se contra a parede que tinha atrás_de si . Os seus companheiros * chasers * , Katie_Bell e Angelina_Johnson bocejavam em frente de ela . - Até que enfim , Harry , porque é_que demoraste tanto ? - perguntou Wood cheio de actividade . - Eu queria ter uma pequena conversa convosco antes de entrarmos propriamente em campo porque passei o Verão a conjecturar um novo programa de treinos que acredito vai estabelecer grandes mudanças . Wood tinha em as mãos um grande mapa de um campo de Quidditch onde estavam desenhadas muitas linhas , setas e cruzes a tinta de várias cores . Pegou em a varinha , bateu com ela em o quadro e as setas começaram a mover se em o mapa como tractores . Enquanto Wood se lançava em um discurso sobre as suas novas técnicas , a cabeça de Fred_Weasley caiu sobre o ombro de Alicia_Spinnet e ele começou a ressonar . O primeiro mapa levou quase vinte minutos a explicar , mas debaixo de esse havia outro e ainda um terceiro . Harry caiu em uma letargia enquanto Wood continuava indefinidamente . - Então - disse por fim o treinador , arrancando Harry de a avidez de uma fantasia sobre o que poderia estar a comer se se encontrasse em aquele momento em o castelo . - Ficou tudo claro ? Alguma pergunta ? - Eu tenho uma pergunta , Oliver - disse George que acordou estremunhado . - Porque não nos explicaste tudo_isso ontem , quando estávamos acordados ? Wood não ficou nada satisfeito . - Ouçam bem , vocês todos - disse , voltando se para eles mal-humorado . - Nós deveríamos ter ganho a taça de Quidditch o ano passado . Somos de longe a melhor equipa , mas , infelizmente , devido_a circunstancias que estão para_além de o nosso controlo ... Harry mudou de posição em a cadeira sentindo se culpado . Estivera inconsciente em o hospital durante o campeonato final de o ano anterior o que fez com que os Gryffindor com um jogador a menos tivessem sofrido a pior derrota de os últimos trezentos anos . Wood levou um momento a controlar se . Era evidente que a última derrota ainda o torturava . - Portanto , este ano vamos fazer um treino mais duro , como nunca se fez . O. _ K. , vamos lá pôr as teorias em prática - gritou , pegando em a vassoura e conduzindo os para fora de o vestiário . Com as pernas trôpegas e ainda a bocejar , a equipa seguiu o . Tinham estado tanto tempo lá dentro que o sol já tinha nascido e brilhava em o céu embora uma réstia de neblina pairasse ainda sobre o relvado de o campo . Quando Harry entrou em campo viu Ron e Hermione sentados em as bancadas . - Ainda não acabaram ? - perguntou Ron em um tom incrédulo . - Ainda nem começamos - explicou Harry , olhando cheio de inveja para a torrada com doce de laranja que Ron e Hermione tinham trazido de o salão . - O Wood tem estado a ensinar nos as jogadas . Subiu para a vassoura e deu um pontapé em o chão , elevando se em o ar . O ar fresco de a manhã bateu lhe em o rosto fazendo o acordar com mais eficácia do_que o longo discurso de Wood . Era maravilhoso voltar a estar em o campo de Quidditch . Voou em volta de o estádio a toda a a velocidade competindo com Fred e George . - Que barulhinho estranho é aquele ? - perguntou o Fred quando deram a volta . Harry olhou para as bancadas . Colin estava sentado em um de os lugares mais altos com a máquina fotográfica em o ar , tirando fotografia sobre fotografia , o som estranhamente ampliado em o estádio deserto . - Olha para ali , Harry , para ali - gritava de forma estridente . - Quem é aquele ? - perguntou Fred . - Não faço ideia - mentiu Harry , disparando a_toda_a velocidade e distanciando se o mais possível de Colin . - O que se passa aí ? - perguntou Wood , franzindo a testa enquanto corria por os ares atrás de eles . - Porque está aquele aluno de o primeiro ano a tirar fotografias ? Não me agrada . Pode ser um espião de os Slytherin a tentar descobrir o nosso novo programa de treinos . - Ele é de os Gryffindor - disse Harry rapidamente . - E os Slytherin não precisam de um espião , Oliver - completou George . - Porque dizes isso ? - perguntou Wood irritado . - Porque estão aqui em peso - disse George , apontando com o dedo . Vários indivíduos com túnicas verdes vinham em aquele momento a entrar em o campo de vassouras em a mão . - Não posso acreditar - reagiu Wood , sentindo se ultrajado . - Eu reservei o estádio para hoje . Já vamos ver como é_que isto fica ! Wood baixou direito a o chão sendo levado por a fúria a aterrar com mais força do_que pretendia e a cambalear um_pouco quando começou a andar seguido de o Harry e de o Ron . - Flint - bradou para o treinador de os Slytherin . - Este é o nosso tempo de treino . Levantámo nos de propósito . Vocês têm de sair de aqui . Marcus_Flint era ainda mais corpulento do_que Wood . Tinha em o rosto uma expressão de duende travesso quando respondeu : - Há espaço para todos , Wood . Angelina , Alicia e Katie tinham vindo também . Em a equipa de os Slytherin não havia raparigas que enfrentassem a o lado de os rapazes os Gryffindor . - Mas eu reservei o estádio - repetiu Wood de modo afirmativo , cuspindo de raiva . - Reservei o . - Ah ! - exclamou Flint . - Mas eu tenho aqui uma licença especial assinada por o professor Snape . * _ Eu , professor Snape , autorizo a equipa de os Slytherin a praticar hoje em o campo de Quidditch devido a a necessidade de treinar o seu novo seeker . * - Têm um novo * seeker * ? - perguntou Wood perturbado . - Onde ? E detrás de as seis figuras corpulentas que tinham em a frente , viram surgir uma sétima : um rapaz mais pequeno com um sorriso afectado espelhado em o rosto pálido e anguloso . Era_Draco_Malfoy . - Não és o filho de o Lucius_Malfoy ? - perguntou Fred , olhando para ele com antipatia . - Curioso que refiras o pai de o Draco - disse Flint enquanto toda_a equipa de os Slytherin sorria de modo grosseiro . - Deixem me mostrar vos a generosa oferta que ele fez a a equipa de os Slytherin . Os sete exibiram as suas vassouras . Sete cabos novos , polidos , com inscrições em letras douradas de as palavras « Nimbus dois_mil_e_um « brilharam a o sol de a manhã , em frente de o nariz de os Gryffindor . - O último modelo . Só chegou em o mês passado - disse Flint , displicentemente , sacudindo a poeira de o cabo de a sua vassoura . - Julgo que ultrapassam de longe as velhas séries de dois_mil . Quanto a as Cleansweeps - sorriu de forma mesquinha para Fred e George que tinham ambos Cleansweep_Fives - essas já só servem para varrer . Nenhum de os Gryffindor foi capaz de abrir a boca em aquele momento . Malfoy sorria tanto que os seus olhos de gelo estavam reduzidos a duas rachas . - Oh vejam - disse Flint . - Uma invasão de o campo . Ron e Hermione atravessavam o relvado para ver o que se passava . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron a o Harry . - Porque não estão a jogar e o que faz ele aqui ? Olhava para Malfoy em as suas vestes de Quidditch . - Sou o novo * seeker * de os Slytherin , Weasley - disse Malfoy com ar presumido . - Têm estado todos a admirar as vassouras que o meu pai comprou para a nossa equipa . Ron olhou de boca aberta para as sete vassouras que tinha em a frente . - São boas , não são ? - disse Malfoy untuosamente . - Mas talvez a equipa de os Gryffindor consiga levantar algum ouro e comprar também vassouras novas . Vocês podiam levar essas Cleansweep_Fives a leilão , talvez algum museu esteja interessado . A equipa de os Slytherin riu se a bandeiras despregadas . - Pelo_menos em os Gryffindor ninguém teve de comprar a sua entrada - disse secamente Hermione . - Entraram todos por mérito próprio . O ar presumido de Malfoy desapareceu . - Ninguém pediu a tua opinião , sangue de lama - cuspiu Malfoy . Harry apercebeu se , de imediato , que Malfoy dissera algo muito grave porque houve uma tremenda algazarra em o seguimento de as suas palavras . Flint teve que se pôr a a frente de o Malfoy para evitar que Fred e George se atirassem a ele . Alicia bradou : - Como te atreves ? - E Ron meteu a mão em as vestes e sacou de a varinha mágica , gritando : - Vais pagar por o que disseste , Malfoy ! - e apontou a , furioso , por debaixo de o braço de Flint , a o rosto de Malfoy . Um enorme estrondo , ecoou em o estádio e um jacto de luz verde saiu por a extremidade errada de a varinha de Ron , atingindo o em o estômago e projectando o para trás em direcção a o relvado . - Ron ! Ron ! Estás bem ? - gritou Hermione . Ron abriu a boca para falar , mas nenhuma palavra saiu . Em vez de isso , teve um vómito imenso e várias lesmas saíram lhe de a boca , indo cair lhe em o colo . A equipa de os Slytherin ficou paralisada de riso . Flint estava dobrado , agarrado a a vassoura nova . Malfoy , a quatro , batia com o punho em a chão . Os Gryffindor rodeavam o Ron , que continuava a vomitar lesmas enormes e reluzentes . Ninguém queria tocar lhe . - É melhor levá o para_casa de o Hagrid . É o mais perto - disse Harry_a_Hermione , que acenou afirmativamente , e os dois arrastaram o Ron por os braços . - O que aconteceu , Harry ? O que aconteceu ? Ele está doente ? Mas tu podes curá o , não podes ? - Colin descera a correr de o lugar onde estava sentado e dançaricava em frente de eles , enquanto abandonavam o campo . Ron teve um novo arremesso e mais lesmas saíram de a sua boca . - Oooh ! - exclamou Colin fascinado , levantando a máquina fotográfica . - Podes mantê o quieto , Harry ? - Sai de a minha frente , Colin - gritou Harry zangado . Ele e a Hermione conseguiram levar o Ron para fora de o estádio , atravessar os campos e chegar a a beira de a floresta . - Está quase , Ron - disse Hermione , mal avistaram o casebre de o guarda de os campos . - Vais ficar bem dentro_de um minuto ... está quase ... Estavam a sessenta metros de a casa de Hagrid , quando a porta de a frente se abriu . Mas não foi Hagrid quem saiu de lá , e sim Gilderoy_Lockhart , em uma túnica cor de malva . - Rápido , vamos esconder nos aqui - sussurrou Harry , arrastando Ron para trás de um arbusto que havia ali perto . Hermione acompanhou o , embora um_pouco relutante . -- É muito simples quando se sabe o que se está fazer ! - gritava Lockhart_para_Hagrid . - Se precisar de ajuda , sabe onde estou . Vou dar lhe um exemplar de o meu livro . Espanta me que ainda não o tenha . Logo a a noite autografo o e envio lhe o . Bem . até a a próxima ! - e afastou se em direcção a o castelo . Harry esperou que Lockhart desaparecesse , antes de puxar o Ron de trás de o arbusto até a a casa de o Hagrid . Bateram ansiosamente . Hagrid apareceu logo com um ar mal-humorado , que se dissipou quando viu quem era . - Já me tinha perguntado quand'é que vocês vinham ver me , entrem , entrem , pensei qu'era outra_vez o professor Lockhart . Harry e Hermione ajudaram Ron a subir o degrau que dava acesso a a cabana de uma divisão com uma cama enorme a um de os cantos e uma lareira a crepitar alegremente em o outro . Hagrid não pareceu perturbado com o problema de as lesmas de o Ron que Harry lhe explicou precipitadamente , logo_que sentou o Ron em uma cadeira . - Melhor saírem de o qu'entrarem - disse , em um tom bem-disposto , colocando uma grande bacia de cobre em frente de ele . - Deita as todas fora , Ron . - Acho que não há mais_nada a fazer , a não ser esperar que isto pare - disse Hermione ansiosamente , vendo Ron inclinar se para a bacia . - É uma maldição muitas_vezes difícil , mas com uma varinha partida ... Hagrid andava de um lado para o outro a preparar o chá . O cão de ele , Fang , babava se em cima de o Harry . - O que é_que o Lockhart queria de ti ? - perguntou o Harry , coçando as orelhas de o Fang . - Ensinar me a tirar espíritos aquáticos com forma de cavalos d'uma nascente d'água - resmungou Hagrid , retirando de a mesa pequena um galo meio depenado e colocando em o seu lugar o bule . - Como s'eu não soubesse . E contar me uma peta qualquer d'uma fada carpideira que ele venceu . Engulo essa chaleira , se uma palavra do_que ele disse for verdade . Não era hábito de Hagrid criticar um professor de Hogwarts e Harry olhou para ele com alguma surpresa . Mas Hermione disse em uma voz mais aguda do_que de costume : - Acho que estás a ser injusto . O professor Dumbledore obviamente achou que era o melhor homem para o lugar ... - Era o único - explicou Hagrid , oferecendo lhes um prato de bombons de melaço enquanto Ron tossia para a bacia . - E não havia mais ninguém . Não é fácil encontrar quem queira dar Artes de magia negra . As pessoas não gostam de essa matéria . Começam a pensar que está amaldiçoada , ninguém ficou muito_tempo a dá a . Mas digam me lá - continuou Hagrid , inclinando a cabeça para Ron - quem é qu'ele estava a tentar amaldiçoar ? - O Malfoy chamou qualquer coisa a a Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si . - Foi grave , sim - disse o Ron com voz rouca , emergindo a a superfície de a mesa , pálido e transpirado . - O Malfoy chamou lhe sangue de lama , Hagrid . - Ron desapareceu outra_vez quando uma nova onda de lesmas fez o seu aparecimento . Hagrid estava indignado . - Não posso crer - exclamou , dirigindo se a Hermione . - Chamou sim - disse ela . - Mas eu não sei o que significa . Percebi que era má educação , claro ... - É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar - explicou Ron novamente . - Sangue de lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles , sabes , filho de pais não mágicos . Há alguns feiticeiros , como a família de o Malfoy que acham que são melhores do_que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro . - Teve um pequeno vómito e uma lesma isolada caiu lhe em a mão aberta . Ele atirou a para a bacia e continuou . -- É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma . Olha_o_Neville_Longbottom , é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito . - E ainda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer - afirmou Hagrid , orgulhoso , fazendo Hermione corar em tons de magenta . - É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém - disse o Ron , limpando o suor de a testa com a mão trémula . - Sangue sujo , sangue vulgar , é um disparate . A maior parte de os feiticeiros hoje_em_dia têm sangue misturado . Se não tivéssemos casado com Muggles tinha sido o nosso fim . Fez um esforço para vomitar e baixou se mais_uma_vez . - Bem , não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá o , Ron - disse Hagrid bem alto enquanto montes de lesmas caíam em a bacia . - Mas , se_calhar , não foi mau de todo teres a varinha a trabalhar ao_contrário . Acho que Lucius_Malfoy teria vindo logo a correr a a escola se tivesses amaldiçoado o filho . Assim , pelo_menos , não estás metido em nenhum sarilho . Harry teria referido que o problema não podia ser pior do_que deitar lesmas por a boca , mas não pôde . Os bombons de melaço tinham lhe colado os maxilares um_ao_outro . - Harry - disse de repente Hagrid como_que movido por um pensamento súbito . - Tens de me explicar uma coisa . Ouvi dizer que tens andado a dar fotografias autografadas . Porque é qu'eu não tenho nenhuma ? A fúria de Harry foi tão grande que os maxilares se libertaram . - Eu não tenho dado fotografias autografadas - disse com vivacidade . Se o Lockhart andou a espalhar isso ... Mas em esse momento viu que Hagrid se estava a rir . - ´ _ tou a brincar - disse , dando uma palmadinha em as costas de Harry e fazendo lhe sinal para se sentar a a mesa . -- Eu sabia que não tinhas . Disse a o Lockhart que tu não precisavas de isso . Es mais famoso do_que ele sem sequer , tentares . - Aposto que ele não gostou de ouvir isso - comentou Harry , sentando se e esfregando o queixo . - Acho que não gostou mesmo - prosseguiu Hagrid com os olhinhos a brilhar . - E disse lhe também que nunca tinha lido nenhum de os livros de ele e ele foi se embora . Um bombom de melaço , Ron ? - perguntou a o vê o reaparecer . - Não , obrigado - disse o Ron com uma voz fraca . - É melhor não arriscar . - Venham ver o qu'eu tenho estado a criar - disse Hagrid quando Harry e Hermione acabaram de tomar o chá . Em a pequena horta atrás de a casa estava uma_dúzia de as maiores abóboras que Harry alguma vez vira . Pareciam enormes blocos de pedra . - Estão a dar se bem , não achas ? - disse Hagrid , feliz . São para a festa de o * _ Hallow'en * . Devem estar bem grandes quando chegar a altura . - O que é_que lhes tens dado como alimento ? - perguntou Harry . Hagrid olhou por cima de o ombro para confirmar se estavam sós . - Bem , tenho estado a dar lhes ... uma pequena ajuda . Harry reparou em o guarda-chuva cor-de-rosa a as florzinhas que estava encostado contra a parede de a cabana . Tivera em o ano anterior motivos para crer que aquele guarda-chuva não era o que parecia . De facto , acreditava que a antiga varinha de escola de Hagrid se encontrava oculta dentro de ele . Hagrid não tinha autorização para usar magia . Fora expulso de Hogwarts em o terceiro ano embora Harry nunca tivesse descoberto o motivo . Qualquer referência a esta questão fazia Hagrid pigarrear bem alto e ficar misteriosamente surdo até mudarem de assunto . -- Um encantamento de absorção , imagino ? - comentou Hermione entre a desaprovação e o divertimento . - Bem , se assim foi , fizeste um bom trabalho . - Foi o que disse a tua irmãzinha - respondeu Hagrid acenando em direcção a Ron . - Encontrei a ontem . - Hagrid olhou de lado para Harry , a barba a contorcer se . - Disse que andava só a ver os campos , mas eu acho qu'ela esperava encontrar alguém em a minha casa - piscou o olho a o Harry . - Se queres que te diga acho qu'ela não recusaria uma fotografia autogr ... - Cala te com isso - disse Harry . Ron desatou a rir e o chão ficou cheio de lesmas . - Cuidado - resmungou Hagrid , afastando Ron de as suas preciosas abóboras . Estava quase em a hora de o almoço e , como o Harry só tinha provado um bombom de melaço desde manhã cedo , estava ansioso por chegar a a escola para ir comer . Despediram se de o Hagrid e regressaram a o castelo . O Ron a vomitar de vez em quando , mas deitando só duas pequenas lesmas . Mal tinham pisado a entrada de o vestíbulo quando ouviram uma voz . - Aí estão vocês , Potter , Weasley . - A professora Mc_Gonagall vinha em direcção a eles com o seu ar severo . - Vocês os dois vão ter as punições hoje a a tarde . - O que é_que vamos fazer , professora ? - perguntou o Ron nervoso , deixando cair uma lesma . - Tu vais limpar as pratas em a sala de os troféus com Mr._Filch - disse a professora Mc_Gonagall . - E nada de mágicas , Weasley , trabalho com esforço . Ron engoliu em seco . Argus_Filch , o encarregado , era odiado por todos os alunos de a escola . - E tu , Potter , vais ajudar o professor Lockhart a responder a as cartas de as suas fãs - ordenou a professora Mc_Gonagall . - Oh , não ! Não posso ir também trabalhar em a sala de os troféus ? - pediu Harry em desespero de causa . - Nem pensar em isso - respondeu a professora Mc_Gonagall , erguendo as sobrancelhas . - O professor Lockhart requisitou te especialmente a ti . _ a as oito_em_ponto , os dois . Harry e Ron entraram em o salão em um estado de profundo desanimo com a Hermione atrás , ostentando uma expressão de * bem-voces-quebraram-as-regras-da-escola * . Harry não saboreou o empadão de carne como teria desejado . Tanto ele como o Ron achavam que tinham tido o pior de os castigos . -- O Filch vai reter me lá toda_a noite - disse Ron , desanimado . - Sem mágica ! Deve haver umas cem taças em aquela sala , eu não sei fazer limpeza de Muggles . - Eu trocava contigo de boa_vontade - confessou Harry em uma voz surda . - Tive montes de prática com os Dursleys . Responder a o correio de fãs de o Lockhart , que pesadelo ... A tarde de sábado pareceu derreter se . Pouco depois eram já cinco para as oito e Harry arrastava se até a o corredor de o segundo andar onde ficava o escritório de o Lockhart . Rangendo os dentes , bateu a a porta . A porta abriu se imediatamente e Lockhart dirigiu se lhe . - Ah , cá está o patifório ! - exclamou . - Entra , Harry , entra . Em as paredes , brilhando à_luz_de muitas velas , podia ver se uma infinidade de fotografias de Lockhart . Algumas de elas até assinadas . Sobre a secretária estava outro monte enorme . - Podes pôr as moradas em os envelopes - disse Lockhart_a_Harry , como_se fosse uma grande ameaça . - O primeiro é para Gladys_Gudgeon , abençoada seja , uma grande fã minha . Os minutos passavam lentos . De vez em quando , Harry ouvia a voz de Lockhart dizendo : - Mmm - e - certo - e - sim . - De vez em quando , apanhava uma frase como : - A fama é versátil , amigo Harry - ou - Só é célebre quem faz por isso , nunca te esqueças . As velas ardiam cada_vez com maior lentidão , fazendo a luz dançar sobre as muitas caras de Lockhart que o olhavam . Harry passava a mão , já dorida , sobre o que devia ser o centésimo envelope , escrevendo a morada de Verónica_Smethley . « Deve estar quase em a hora de me ir embora » , pensou , sentindo se profundamente infeliz , « por favor , faz com que esteja em a hora ... » E então ouviu algo , algo totalmente diferente de o crepitar de as velas e de os ditos de Lockhart sobre as suas fãs . Era uma voz , uma voz de arrepiar os ossos , de cortar a respiração , de veneno frio . - * _ Vem ... vem ter comigo ... deixa me rasgar te ... cortar te ... matar te * ... Harry deu um salto e uma enorme mancha lilás surgiu em a rua de Verónica_Smethley . - O quê ? - disse ele em voz alta . - Eu sei - exclamou Lockhart . - Seis meses inteirinhos em o topo de a lista de * bestsellers * , bati todos os recordes ! - Não - disse Harry nervosíssimo - aquela voz ! - Como ? - perguntou Lockhart , com um ar confuso . - Que voz ? - Aquela , aquela voz que disse ... não ouviu ? Lockhart olhava para Harry com o maior espanto . - De que é_que estás a falar , Harry ? Estás a ficar com sono ? Meu Deus , olha , só estamos aqui há quase quatro horas , quem diria ? O tempo passou a correr , não é verdade ? Harry não respondeu , estava a fazer um esforço para ouvir de_novo a voz , mas o único som que ouviu foi Lockhart a dizer lhe que não esperasse um tratamento igual de as próximas vezes que fosse castigado . Harry saiu , sentindo se atordoado . Era tão tarde que a sala comum de os Gryffindor estava quase vazia . Harry foi directamente para o dormitório . Ron ainda não tinha voltado . Vestiu o pijama , meteu se em a cama e esperou . Meia_hora mais tarde , chegou o Ron agarrado a o braço direito e inundando o quarto escuro de um forte cheiro a limpa-pratas . - Doem me todos os músculos - resmungou , metendo se em a cama . - Ele fez me polir catorze vezes aquela taça de Quidditch até estar satisfeito . E depois tive outro vómito em_cima_de um troféu de Reconhecimento por serviços prestados a a escola . Demorei séculos a limpar o muco de as lesmas . Como correram as coisas com o Lockhart ? Em voz baixa para não acordar o Neville , o Dean e o Seamus , Harry contou lhe , palavra por palavra , o que tinha ouvido . - E Lockhart disse que não ouviu nada ? - perguntou o Ron . Harry viu o franzir a testa , a a luz de o luar . - Achas que estava a mentir ? Mas , não percebo , mesmo um ser invisível teria aberto a porta . - Eu sei - disse Harry , encostando se a a cama e olhando para o dossel . - Também não compreendo . VIII_A festa de o dia de os mortos Outubro chegou , espalhando um frio húmido por os campos e por os cantos de o castelo . Madam_Pomfrey , a enfermeira-chefe , esteve bastante ocupada com uma onda de constipações que afectou professores e alunos . A sua poção de pimentão entrou imediatamente em acção apesar_de deixar quem a tomava com fumo em os ouvidos durante várias horas . Ginny_Weasley , que andava com ar adoentado , foi convencida a tomá a por o Percy . O fumo que saía por debaixo de o seu cabelo ruivo dava a impressão de que toda_a cabeça estava em fogo . Gotas de chuva de o tamanho de balas agrediram as janelas de o castelo durante dias a fio . O lago rosado e os canteiros de flores tornaram se regatos lamacentos e as abóboras de o Hagrid incharam ficando de o tamanho de alpendres de jardim . Contudo , o entusiasmo de Oliver_Wood por as sessões de treino regular não foi abalado , motivo por o qual Harry iria regressar a a torre de os Gryffindor , em um sábado a a tarde de temporal , alguns dias antes de o * _ Hallowe'en * , ensopado até a os ossos e todo enlameado . Além de a chuva e de o vento , não fora um treino feliz . Fred e George que tinham andado a espiar a equipa de os Slytherin tinham visto com os seus próprios olhos a velocidade alucinante de aquelas novas Nimbus dois_mil_e_um e comentaram que a equipa em o ar parecia composta por sete manchas esverdeadas que disparavam a_toda_a velocidade como aviões a jacto . Enquanto Harry chapinhava a o longo de o corredor deserto , cruzou se com alguém que parecia tão preocupado como ele : Nick quase sem cabeça , o fantasma de a torre de os Gryffindor que olhava taciturno , por a janela , murmurando baixinho : - Não preenche os requisitos , um centímetro e meio se ... - Olá , Nick - cumprimentou Harry . - Olá , olá - disse o Nick quase sem cabeça , começando a olhar em volta . Usava um arrebatado chapéu de plumas sobre a longa cabeleira encaracolada e uma túnica com gola de tufos que disfarçava o facto de ter o pescoço quase totalmente separado de o corpo . Era pálido como o fumo e Harry podia ver através de ele o céu negro e a chuva torrencial , lá fora . - Pareces preocupado , jovem Potter - disse Nick , dobrando uma carta transparente , enquanto falava e escondendo a dentro de a jaqueta . - Tu também - retorquiu Harry . - Ah ! - o Nick quase sem cabeça acenou com a mão de forma elegante . - Uma questão sem importância . Não é_que eu quisesse realmente participar apesar_de me ter inscrito , mas , a o que parece , não preencho os requisitos . - Apesar de o seu tom jovial havia em o seu rosto uma grande amargura . - Mas era de esperar , ou não era - exclamou subitamente , tirando a carta de o bolso - que ter levado quarenta_e_cinco golpes em a cabeça com um machado ferrugento me qualificaria para entrar em o grupo de os Sem - _ Cabeça ? - Sim , sim - respondeu Harry que obviamente o outro esperava que concordasse . - Isto_é , ninguém mais do_que eu desejaria que tudo tivesse sido rápido e perfeito , poupava me muitas dores e ridículo . Mas ... O Nick quase sem cabeça abriu , furioso , a carta e leu : * _ Só podemos aceitar em o grupo homens cuja cabeça tenha sido separada de o corpo . Compreenderá que de outro modo seria impossível a os nossos membros participarem em actividades como equitação de malabarismos com a cabeça e pólo de cabeça . Lamentamos profundamente informá o de que não preenche os requisitos . * _ Os nossos melhores cumprimentos , Sir_Patrick_Delaney - _ Podmore * Furioso , o Nick quase sem cabeça atirou fora a carta . - Um centímetro de pele e tendões a segurarem me a cabeça , Harry ! A maior parte de as pessoas acharia que era mais do_que o suficiente , mas não serve para o senhor correctamente decapitado Podmore . Nick quase sem cabeça respirou fundo várias vezes e , por fim , em um tom bastante mais calmo perguntou : - Então o que é_que te preocupa ? Alguma coisa que eu possa fazer por ti ? - Não - respondeu Harry . - A_não_ser_que saibas onde posso arranjar sete Nimbus dois_mil_e_um , de_graça , para o nosso campeonato contra os Sly ... - o resto de a frase foi afogada por um miado agudo vindo de perto de os seus tornozelos . Olhou para baixo e deu consigo a fitar um par de olhos que pareciam duas lâmpadas amarelas . Era_Mrs._Norris , a gata cinzenta e esquelética usada por o encarregado Argus_Filch como uma espécie de polícia em a sua infindável batalha contra os estudantes . - É melhor saíres de aqui , Harry - preveniu Nick com toda_a calma . - O Filch não está nada bem-disposto . Anda engripado e alguns alunos de o terceiro ano , por acidente , encheram o tecto de o calabouço cinco de miolos de rã . Ele tem andado toda_a manhã a limpar e se te vê a encher tudo de lama ... - Certo - disse Harry , recuando e afastando se de o olhar acusador de Mrs._Norris , mas ... tarde de mais . Conduzido até ali por o misterioso poder que parecia ligá o a a gata , Argus_Filch entrou subitamente por uma tapeçaria que se encontrava a a direita de Harry , com a sua respiração asmática , olhando vivamente em volta em busca de o infractor . Tinha um lenço grosso , de xadrez , a a volta de a cabeça e o nariz invulgarmente arroxeado . - Imundície - gritou com os maxilares a tremer e os olhos a saltarem lhe de as órbitas , enquanto apontava para a poça de lama que pingara de a túnica de Quidditch_de_Harry . - Desarrumação e imundície em todo o lado . Estou farto disto , segue me , Potter . Harry despediu se de o Nick quase sem cabeça com um tímido aceno e seguiu Filch até lá abaixo , duplicando o número de pegadas lamacentas em o chão . Nunca entrara em o gabinete de o Filch . Era um lugar que a maior parte de os estudantes evitava . A divisão era sombria e sem janelas , iluminada por uma única lamparina de óleo que pendia de o tecto . Sentia se um vago cheiro a peixe frito . As paredes estavam forradas por ficheiros de madeira . Por as etiquetas Harry percebeu que continham os dados de todos os alunos que Filch tinha punido . Fred e George_Weasley tinham uma gaveta só para eles . Atrás de a secretária estava pendurada uma colecção bem polida de correntes e algemas . Todos sabiam que ele estava sempre a pedir a Dumbledore que o deixasse pendurar os alunos em o tecto por os tornozelos . Filch pegou em uma pena que estava sobre a secretária e começou a procurar o pergaminho . - Bosta - murmurou , furioso . - Bosta de dragão , miolos de rã , intestinos de ratazana ... eu tinha aqui bastante , onde está o form ... sim ... Tirou um enorme rolo de pergaminho de a gaveta de a secretária e estendeu o em a frente , molhando a longa pena em o tinteiro . - Nome : Harry_Potter . Crime ... - Foi só um bocadinho de lama - disse Harry . - É só um bocadinho de lama para ti , rapaz , mas para mim é mais de uma hora a esfregar - gritou Filch com um pingo a tremer de modo desagradável em a extremidade de o nariz bolboso . - Crime : manchar o castelo . Sentença proposta ... Esfregando o nariz que continuava a pingar , Filch olhou com má cara para Harry que esperava com a respiração entrecortada para ouvir a sentença . Mas quando Filch pegou em a pena ouviu se um estrondo enorme em o tecto que fez a lamparina apagar se . - PEEVES - resmungou Filch , pousando a pena , cheio de raiva . - Desta_vez apanho te . Apanho te ! E sem olhar para trás , saiu a correr a_toda_a velocidade de o gabinete , seguido de a gata , Mrs._Norris . Peeves era o * poltergeist * de a escola , uma ameaça de risota esvoaçante que vivia para fazer estragos e criar aflição . Harry não gostava lá muito de ele , mas desta_vez , não podia deixar de lhe estar grato . Na_melhor_das_hipóteses o que Peeves tivesse feito ( e parecia que agora ele destruíra qualquer coisa em grande ) distrairia Filch_de_Harry . Pensando que o melhor seria esperar que ele voltasse , Harry deixou se cair em uma cadeira carcomida por o tempo que se encontrava junto de a secretária . Havia uma coisa sobre o tampo : um grande envelope roxo e lustroso com letras prateadas em a frente . Lançando um olhar rápido a a porta para confirmar que Filch não estava de volta , Harry pegou lhe e leu : __ feitiço __ rápido Um curso por correspondência De iniciação a a magia Cheio de curiosidade , abriu o envelope e retirou o rolo de pergaminho . Uma letra curvilínea e prateada dizia : Sente se pouco a a vontade em o mundo de a magia moderna ? Dá consigo a arranjar desculpas para não fazer feitiços simples ? Tem sido censurado por o deplorável trabalho com a varinha ? Eis a resposta ! Feitiço rápido e um curso totalmente novo , infalível , de resultados rápidos e rápida aprendizagem . Centenas de bruxas e feiticeiros têm beneficiado de o método feitiço rápido ! Madam_Z._Nettles_de_Topsham escreve nos : Eu não conseguia fixar os encantamentos e as minhas poções eram alvo de risota em a família . Agora , depois de o curso feitiço rápido , tornei me o centro de as atenções em todas_as festas e os meus amigos não param de pedir me a receita de a minha brilhante solução ! O mágico D.J._Prod , de Disbury , afirma : A minha mulher costumava rir se de os meus fracos encantamentos , mas bastou um mês com o vosso fabuloso curso feitiço rápido e consegui transformá a em um iaque . Obrigado , feitiço rápido ! Fascinado , Harry folheou o resto de o conteúdo de o envelope . Para que diabo quereria o Filch um curso de feitiço rápido ? Não seria ele um feiticeiro a sério ? Harry estava a ler a lição número um : Pegando em a varinha ( algumas dicas úteis ) quando umas passadas arrastadas , lá fora , o preveniram de que Filch estava de volta . Metendo rapidamente o pergaminho dentro de o envelope , lançou o para_cima de a secretária em o preciso momento em que a porta se abriu . Filch ostentava um ar triunfante . - Aquele armário que desapareceu era extremamente valioso - vinha ele a dizer a a gata , Mrs._Norris . - Desta_vez vamos correr com o Peeves , minha linda . Os seus olhos recaíram sobre Harry e logo_a_seguir sobre o envelope de o feitiço rápido que , Harry apercebeu se tarde de mais , estava meio metro distanciado de o seu lagar inicial . O rosto pálido de Filch tornou se vermelho escarlate . Harry preparou se para uma nova onda de fúria . Filch coxeou até a a secretária , arrebatou o envelope e meteu o em uma gaveta . -- Chegaste a ... lê o ? - perguntou atabalhoadamente . - Não - mentiu Harry , sem perder tempo . As mãos nodosas de o Filch contorciam se ao_mesmo_tempo . - Se eu soubesse que ias ler a minha correspondência priv ... não que seja minha ... é para um amigo ... mesmo_assim ... Harry olhava para ele espantado . Nunca vira o Filch tão louco . Os olhos pareciam querer saltar lhe de as órbitas , com um tique em as bochechas e aquele lenço axadrezado que não ajudava nada ... - Muito bem , vai e não abras a boca sobre isto ... não que ... mesmo_assim ... se tu não leste ... vai te embora , tenho de escrever o relatório sobre o Peeves , vai . Atordoado com a sua sorte , Harry saiu de ali e largou a correr por o corredor fora e por as escadas acima . Sair de o gabinete de o Filch sem um castigo devia ser um recorde em a escola . - Harry , Harry , deu resultado ? O Nick quase sem cabeça saiu a brilhar de uma sala de aula . Atrás de ele , Harry pôde ver os destroços de um grande armário preto e dourado que parecia ter sido atirado de uma grande altura . - Convenci o Peeves a parti o mesmo em cima de o gabinete de o Filch - disse Nick entusiasmado . - Pensei que talvez o distraísse . - Foste tu ? - exclamou Harry , agradecido . - Funcionou sim . Ele não me deu nenhum castigo . Obrigado , Nick . Atravessaram o corredor juntos . O Nick quase sem cabeça , reparou Harry , ainda tinha em a mão a carta de Sir_Patrick . - Gostaria de poder fazer qualquer coisa sobre o grupo de os Sem - _ Cabeça - disse Harry . O Nick quase sem cabeça parou de repente e Harry passou através de ele . Antes não tivesse passado , foi como atravessar um duche gelado . - Mas há uma coisa que tu podes fazer por mim - disse Nick muito agitado . - Harry , seria pedir te de mais ... mas não , tu não ias querer ... - O quê ? - Bem , este ano em o * _ Hallowe'en * vai ser o meu meio milénio de dia de os mortos - disse o Nick quase sem cabeça endireitando se e adquirindo uma postura de grande dignidade . - Oh - respondeu Harry sem saber se deveria lamentar ou dar lhe os parabéns . - Certo . - Vou dar uma festa em um de os calabouços mais amplos . Vêm amigos meus de todo o país . Seria uma honra muito grande se tu aparecesses . Mr._Weasley e Miss_Granger seriam também muito bem-vindos , claro . Mas tu deves preferir o banquete de a escola , não é verdade ? - Olhou para Harry , aflito . - Não - assegurou ele rapidamente . - Eu vou . - Oh rapaz , Harry_Potter em a minha festa de os mortos - hesitou no_meio_de toda aquela excitação . - Achas que poderias referir a Sir_Patrick como me achas assustador e como te impressiono ? - É claro que sim - assegurou Harry . O Nick quase sem cabeça iluminou se em um sorriso . - Uma festa de os mortos ? - exclamou Hermione , entusiasmada , quando Harry , depois de mudar de roupa , se juntou a ela e a o Ron em a sala comum . - Aposto que não há muitas pessoas que possam gabar se de ter estado em uma festa de essas . Vai ser fantástico ! - Por_que é_que alguém se lembraria de festejar o dia em que morreu ? - perguntou o Ron que estava a meio de o seu trabalho de casa de poções e bastante maldisposto . - Parece me bastante mórbido . A chuva continuava a lamber as janelas que apresentavam agora um negro que parecia tinta , mas , lá dentro , era tudo claro e alegre . O fogo em a lareira brilhava sobre as inúmeras cadeiras de braços onde as pessoas estavam sentadas a ler , a conversar , a fazer os trabalhos de casa ou , no_caso_de Fred e George_Weasley , a tentar descobrir o que aconteceria se alimentassem uma salamandra com fogo-de-artíficio de o Filibuster . O Fred tinha « resgatado . o lagarto cor de laranja brilhante , morador de o fogo , de uma aula de tratamento de seres mágicos e ele estava agora a arder em fogo lento sobre uma mesa , rodeado de um grupo de curiosos . Harry ia começar a contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre o Filch e o curso de feitiço rápido quando a salamandra disparou por os ares , lançando faíscas e estoiros . A visão de Percy a gritar com Fred e George até ficar ronco , a fantástica exibição de estrelas cor de tangerina que choviam de a boca de a salamandra e a sua fuga para o lume acompanhada de explosões , fizeram com que Harry se esquecesse , em aquele momento , de Filch e de o curso de feitiço rápido . Quando chegou o * _ Hallowe'en * , Harry já lamentava a sua promessa imprudente de ir a a festa de os mortos . Toda_a escola antecipava , feliz , a sua festa de * _ Hallowe'en * . O salão nobre fora enfeitado com os habituais morcegos , as enormes abóboras de Hagrid tinham sido esculpidas em forma de lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro_de cada uma , e havia boatos de que Dumbledore contratara um grupo de esqueletos bailarinos para animar a festa . - Uma promessa é uma promessa - lembrou Hermione_a_Harry com o seu autoritarismo habitual . - Tu disseste que ias a a festa de os mortos . Portanto , a as sete_da_tarde , Harry , Ron e Hermione saíram , passando por a porta de o salão nobre que brilhava de modo convidativo com pratos dourados e velas e dirigiram os seus passos para os calabouços . O corredor que conduzia a a festa de o Nick quase sem cabeça tinha sido também ladeado de velas , embora o efeito estivesse longe_de ser alegre : estas eram velas muito esguias e estreitas , negras de breu , ardendo em um azul brilhante e lançando uma luz indistinta e espectral também sobre as caras de as pessoas vivas . A temperatura diminuía a cada degrau que desciam . Harry tremia e cingia a túnica a o corpo quando ouviu qualquer coisa que parecia uma centena de unhas a rasparem um enorme quadro preto . - Será que isto_é a música ? - murmurou Ron . Viraram uma esquina e viram o Nick quase sem cabeça junto de uma porta , todo vestido de veludo negro . - Meus queridos amigos - disse com ar de luto . - Bem-vindos , bem-vindos , ainda_bem que puderam vir . Em um gesto largo tirou o chapéu de plumas e fez lhes sinal para que entrassem . Era uma visão incrível . O calabouço estava cheio com centenas de pessoas de um branco pálido e translúcido , a maior parte de as quais era arrastada em uma pista de dança cheia , valsando a o som de trinta serrotes musicais . Os serrotes que compunham a orquestra encontravam se sobre um estrado enfeitado com panos negros . Um lustre lá em cima resplandecia de um azul nocturno com mais um_milhar de velas negras . A respiração de os três subiu em o ar como uma neblina . Parecia que tinham entrado em um congelador . - Vamos dar uma volta - sugeriu Harry em uma tentativa de aquecer os pés . - Cuidado , não atravessem nenhum de eles - avisou o Ron nervosamente e colocaram se em volta de a pista de dança . Passaram por um grupo escuro de freiras , por um homem esfarrapado e cheio de correntes e por o frade gordo , o divertido fantasma de os Hufflepuff que estava a conversar com um cavaleiro com uma seta enfiada em a testa . Harry não ficou nada surpreendido a o ver que o Barão sangrento , o fantasma lúgubre e berrante de os Slytherin , coberto de nódoas de sangue ; estava a ser totalmente evitado por os outros fantasmas . - Oh ! Não -- exclamou Hermione , parando bruscamente . - Voltem se , voltem se , não quero ter de cumprimentar a Murta_Queixosa . - Quem ? - perguntou Harry enquanto davam rapidamente meia volta . - Ela assombra a casa_de_banho de as raparigas de o primeiro andar - explicou Hermione . - Assombra uma casa_de_banho ? - Sim . Está inoperativa durante todo o ano porque ela tem constantes acessos de choro e inunda tudo . Eu só lá fui quando não pode mesmo evitar . É horrível tentar ir a a sanita com ela a gritar connosco . - Olhem , comida - disse o Ron . De o outro lado de o calabouço estava uma mesa igualmente coberta de velado negro . Iam para se aproximar entusiasmados , mas pararam com uma expressão de horror . O cheiro era nauseabundo . Enormes peixes podres enchiam as bonitas travessas de prata , os bolos estorricados como carvões amontoavam se em as salvas , havia uma grande quantidade de miúdos de macaco , uma tábua de queijos cobertos de bolor e , em o lugar de honra , um enorme bolo cinzento em forma de lápide com letras que pareciam alcatrão formando as palavras , * _ Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington_Morto em 31_de_Outubro , 1492 * . Harry olhou espantado quando um fantasma de porte majestoso se aproximou de a mesa inclinando se e passando através de ela com a boca aberta enquanto atravessava um salmão malcheiroso . - Consegue prová o passando através de ele ? - perguntou lhe Harry . - Quase - disse tristemente o fantasma antes de se afastar . - Devem ter deixado apodrecer tudo_isto para ter um sabor mais forte - comentou Hermione com ar de quem está bem informada , tapando o nariz e aproximando se para ver melhor os pútridos miúdos de macaco . - Podemos sair de aqui , estou a sentir me agoniado - disse o Ron . Mas mal tinham dado meia volta quando um homenzinho pequenino saiu inesperadamente de debaixo de a mesa e fez uma paragem em o ar em frente de eles . - Olá , Peeves - disse Harry cautelosamente . Ao_contrário de os outros fantasmas que os rodeavam , Peeves , o * poltergeist * era o oposto de pálido e transparente . Usava um chapéu festivo cor de laranja , um laço rotativo a o pescoço e tinha um sorriso grosseiro de malvadez , em o rosto . - Querem petiscar ? - perguntou delicadamente , oferecendo lhes uma taça de amendoins cobertos de fungos . - Não , obrigada - disse Hermione . - Ouvi te falar sobre a pobre Murta - disse Peeves com os olhos a bailar . - Que insensível que tu foste para com a pobre Murta - respirou fundo e gritou : - Oh Murta . - Oh ! Não , Peeves , não lhe contes o que eu disse , ela vai ficar muito aborrecida - murmurou Hermione bastante nervosa . - Eu não queria dizer que ... eu não me importo que ela , er , olá , Murta . O espectro atarracado de uma rapariga deslizara . Tinha o rosto mais carrancudo que Harry alguma vez vira , meio escondido por o cabelo liso e por os óculos grossos cor de pérola . - O que é ? - perguntou mal-humorada . - Como estás Murta ? - perguntou Hermione , em uma voz falsamente alegre . - É bom ver te fora de a casa_de_banho . Murta fungou . - Miss_Granger estava justamente a falar de ti - disse lhe Peeves baixinho a o ouvido . - A dizer , a dizer ... como estás bonita esta noite -- terminou Hermione , olhando irritada para Peeves . A Murta olhou para Hermione desconfiada . - Estão a divertir se a a minha custa - disse , com lágrimas de prata a encherem lhe rapidamente os olhos pequeninos . - Não , a sério , eu não estava a dizer vos como a Murta estava bonita esta noite ? - disse Hermione , dando uma palmada em as costas de o Harry e de o Ron . - Sim , sim . - Ela ... - Não me venham com mentiras - protestou a Murta , as lágrimas agora a descerem lhe por o rosto , enquanto Peeves ria baixinho por cima de o ombro de ela . - Julgam que eu não sei o que as pessoas me chamam em as minhas costas ? A Murta gorda , a Murta feia , a Murta queixosa , a Murta deprimida ! - Esqueceste te de « a Murta ponto negro » - sussurrou lhe Peeves a o ouvido . A Murta_Queixosa irrompeu em soluços de angústia e fugiu de o calabouço . Peeves disparou atrás de ela , lançando lhe uma chuva de amendoins cheios de bolor e gritando : Ponto negro ! Ponto negro ! - Oh , coitada ! - exclamou Hermione com tristeza . O Nick quase sem cabeça abria agora caminho entre a multidão para se aproximar de eles . - Estão a divertir se ? - Sim , sim - mentiram . - Uma afluência nada má - disse orgulhoso o Nick quase sem cabeça . - A viúva chorosa veio de Kent ... está quase em a hora de o meu discurso . É melhor ir avisar a orquestra . Mas a orquestra parou de tocar em esse preciso momento . Eles , e todos os outros em o calabouço , ficaram em silêncio total , olhando em volta cheios de excitação quando se ouviu uma trompa de a caça . - Lá vêm eles - disse o Nick quase sem cabeça , com alguma amargura em a voz . Por o calabouço irromperam uma_dúzia de , cavalos fantasmas , cada_um montado por um cavaleiro sem cabeça . A assistência aplaudiu vivamente . Harry começou também a bater palmas , mas parou rapidamente quando viu a cara de o Nick . Os cavalos galoparam até a o meio de a pista de dança e pararam , empinando se , dando pequenos passos para a frente e para trás , sobre as patas traseiras . Um fantasma grande em a frente , cuja cabeça barbuda estava debaixo de o braço , soprando a trompa , desmontou , levantou a cabeça bem em o ar para poder ver toda_a assistência ( todos se riam ) e dirigiu se a o Nick quase sem cabeça , comprimindo a cabeça contra o pescoço . - Bem-vindo , Patrick - disse o Nick , mantendo a sua postura rígida . - Gente viva ! - exclamou o Sir_Patrick , avistando Harry , Ron e Hermione e dando um salto de falso espanto , de_tal_modo_que a cabeça lhe caiu de_novo ( a multidão ria a bom rir ) . - Muito engraçado - disse o Nick quase sem cabeça com um ar soturno . - Não ligues a o Nick - gritou a cabeça de Sir_Patrick de o chão . - Ainda está aborrecido por não o deixarmos juntar se a o grupo . Mas olhem bem para ele ... - Eu acho - disse apressadamente Harry , a seguir a um olhar de o Nick - que o Nick é muito assustador e ... eu ... - Bah ! - gritou a cabeça de Sir_Patrick . - Aposto que ele te pediu que dissesses isso . - Gostaria de ter a vossa atenção . Chegou a altura de fazer o meu discurso - disse o Nick quase sem cabeça bem alto , dirigindo se a o pódio , subindo e parando , iluminado por uma luz azul . - Os meus sentimentos , senhores e senhoras , é com profundo pesar ... Mas já ninguém estava a ouvi o . Sir_Patrick e o resto de o grupo de os Sem - _ Cabeça tinham iniciado um jogo de hóquei de cabeça e a multidão voltara se para os observar . Nick quase sem cabeça tentou em vão recuperar a audiência , mas acabou por desistir quando a cabeça de Sir_Patrick passou por ele a_toda_a velocidade gritando vivas . Harry estava cheio de frio para não falar de a fome . - Não aguento mais isto - murmurou Ron a bater o dente enquanto a orquestra voltava a entrar em acção e os fantasmas enchiam de_novo a pista de dança . - Vamos embora - concordou Harry . Recuaram até a a porta , acenando e sorrindo a todos os que olhavam para eles e um minuto depois passavam apressadamente por a entrada cheia de velas negras . - Talvez o pudim ainda não tenha acabado - disse o Ron cheio de esperança , abrindo caminho em direcção a os degraus de o vestíbulo de a entrada . E foi então que Harry ouviu aquilo . - ... * _ Arrancar ... rasgar ... matar * ... Era a mesma voz , a mesma voz fria e assassina que ouvira em o escritório de Lockhart . Parou , agarrando se a a parede de pedra em a expectativa de ouvir melhor , olhando em volta , espreitando para_cima e para baixo de a passagem mal iluminada . - Harry que estás tu a ... ? - E aquela voz outra_vez , calem se um bocadinho . -- ... * _ Tanta fome ... há tanto tempo * ... - Ouçam insistiu Harry e Ron e Hermione ficaram estáticos a olhar para ele . - * _ Matar ... hora de matar * ... A voz ia ficando mais débil . Harry tinha a certeza de que ela estava a afastar se , a subir . Um misto de medo e excitação tomou posse de ele enquanto olhava para o tecto escuro . Como poderia ele subir ? Seria um fantasma para quem os tectos de pedra não contavam ? - Por aqui - gritou , começando a correr por as éscadas acima até a a entrada de o * hall * . Não havia hipótese de ouvir fosse o que fosse ali , o barulho de vozes que vinha de o banquete de o * _ Hallowe'en * ecoava cá fora . Harry subiu a correr a escadaria de mármore até a o primeiro andar com Ron e Hermione ruidosamente atrás . - Harry o que é_que nós ... ? - Sch ... Harry apurou o ouvido . Ao_longe , em o andar de cima , e ainda a enfraquecer , mesmo_assim ouviu a voz : - ... * Cheira-me a sangue ... cheira me a sangue ! * O estômago deu lhe uma volta . - Ele vai matar alguém - gritou e ignorando as caras perplexas de Ron e Hermione , correu , subindo mais um lanço de escadas , a três_e_três , tentando ouvir através de o ruído de os seus próprios passos . Harry correu a_toda_a velocidade pelo segundo andar com Ron e Hermione atrás e só parou quando viraram uma esquina para o último corredor abandonado . - Harry , o que foi aquilo tudo ? - perguntou o Ron , limpando o suor de o rosto . - Eu não ouvi nada ... Mas Hermione , em um sobressalto , apontou para o fundo de o corredor . - Olhem ! Alguma coisa brilhava em a parede em frente . Aproximaram se devagarinho , tentando ver em a escuridão . Alguém escrevera em letras garrafais em a parede entre duas janelas . As palavras brilhavam a a chama fraca de as tochas . : __ a câmara de os segredos foi aberta . inimigos de o herdeiro , __ cuidado . - O que é aquilo pendurado por baixo de as letras ? - perguntou Ron com um tremor em a voz . Quando se aproximaram , Harry quase escorregou . Havia uma grande poça de água em o chão . Ron e Hermione agarraram o e avançaram cautelosamente até a a mensagem , os olhos fixos em uma sombra escura , em baixo . Aperceberam se os três de imediato do_que se tratava e deram um salto para trás , salpicando tudo de água . Mrs._Norris , a gata de o encarregado , estava pendurada por a cauda em o suporte de a tocha . Tinha o corpo rígido como uma tábua e os olhos abertos . Durante alguns segundos ninguém se mexeu . Depois o Ron disse : - Vamos sair de aqui . - Não devíamos tentar ajudar ? - propôs Harry , sem graça . - Acredita - assegurou o Ron . - É melhor que não nos encontrem aqui . Mas era tarde de mais . Um ruído surdo e prolongado , como um trovejar distante , avisou os de que o festim tinha terminado . De ambos os lados de o corredor onde eles estavam , veio o som de centenas de pés a subirem a escadaria e as vozes alegres de gente bem alimentada . Em o momento seguinte os alunos chegavam junto de eles de ambos os lados . O burburinho morreu subitamente mal as pessoas avistaram a gata pendurada . Harry , Ron e Hermione estavam de pé , sozinhos , em o meio de o corredor quando se fez silêncio em a multidão de estudantes que se empurravam para observar aquele quadro macabro . Então alguém gritou , quebrando o silêncio . - Inimigos de o herdeiro , cuidado . Vocês serão os próximos , sangue de lama ! Era_Draco_Malfoy . Estava a a frente de a multidão com os olhos frios a brilhar , a sua cara habitualmente pálida agora afogueada , sorrindo a a vista de a gata pendurada e imóvel . IX_As palavras em a parede -- O que é_que se passa aqui ? O que é_que se passa ? Sem dúvida , atraído por o grito de Malfoy , Argus_Filch apareceu a coxear em o meio de a multidão . Quando viu Mrs._Norris , caiu para trás agarrando o rosto com verdadeiro horror . - A minha gata ! A minha gata ! O que aconteceu a Mrs._Norris ? - gritou . E os seus olhos rápidos caíram sobre Harry . - Tu - guinchou ele . - Mataste a minha gata ! Mataste a , vou dar cabo de ti , eu ... - Argus . Dumbledore tinha chegado a o lugar , seguido de alguns professores . Em poucos segundos tinha passado a a frente de Harry , Ron e Hermione e desatado Mrs._Norris de o suporte de a tocha . - Vem comigo , Argus - disse ele a o Filch . - Vocês também , Mr._Potter , Mr._Weasley e Miss_Granger . Lockhart deu rapidamente um passo em frente . - O meu escritório é o que está mais perto , senhor director , é já aqui em cima , por favor fiquem a a vontade . - Obrigado , Gilderoy - disse Dumbledore . A multidão silenciosa dividiu se para os deixar passar . Lockhart sentindo se excitado e importante , seguia Dumbledore assim_como a professora Mc_Gonagall e o professor Snape . Quando entraram em o escritório escuro de Lockhart houve uma grande agitação em as paredes . Harry viu várias imagens de Lockhart a esconderem se cheias de rolos em o cabelo . O Lockhart em pessoa acendeu as velas e chegou se mais para trás . Dumbledore pôs Mrs._Norris em a superfície polida de a secretária e começou a examiná a . Harry , Ron e Hermione trocaram olhares tensos entre si e deixaram se cair em as cadeiras que se encontravam longe de a luz , a observar . A ponta de o nariz longo e adunco de Dumbledore estava a menos_de dois centímetros de o pêlo de Mrs._Norris . Ele olhava a de perto através de os óculos de meia-lua , os dedos longos a palpar e tactear suavemente . A professora Mc_Gonagall estava quase tão perto como ele , com os olhos contraídos . Snape surgia mais atrás , meio em a sombra , com uma expressão estranha em o rosto , como_se tentasse a_toda_a força sorrir . E Lockhart andava de um lado para o outro a dar sugestões . - Foi sem dúvida uma maldição que a matou , provavelmente a tortura de a metamorfose . Vi a muitas_vezes ser usada , mas infelizmente eu não estava lá quando isto aconteceu . Conheço o antídoto para essa maldição , o que a teria salvo . Os comentários de Lockhart foram interrompidos por os soluços secos e violentos de Filch . Estava afundado em uma cadeira junto de a secretária , incapaz de olhar para Mrs._Norris , com o rosto em as mãos . Por mais que detestasse Filch , Harry não pôde deixar de sentir pena de ele embora não tanta quanto_a que sentia por si próprio . Se Dumbledore acreditasse em o Filch ele seria certamente expulso . O director estava agora a sussurrar umas palavras estranhas e batendo em Mrs._Norris com a varinha , mas não aconteceu nada , ela continuou com o mesmo aspecto , como_se tivesse sido empalhada . - ... Lembro me de uma coisa semelhante que aconteceu em Ouagadogou - disse LockLart . - Uma série de ataques . Conto essa história em a minha autobiografia . Eu dei a a gente de a cidade vários amuletos que resolveram logo a situação ... As fotografias de Lockhart em as paredes iam acenando afirmativamente com a cabeça enquanto ele falava . Uma de elas esquecera se de tirar os rolos de o cabelo . Por fim , Dumbledore endireitou se . - Ela não está morta , Argus - disse suavemente . Lockhart interrompeu bruscamente a contagem de os crimes que conseguira evitar . - Não está morta ? - disse Filch em um sufoco , olhando através de os dedos para Mrs._Norris . - Mas , porque está ela rígida e gelada ? - Foi petrificada - disse Dumbledore ( Ah ! foi o que eu pensei ! - comentou Lockhart ) mas como , não posso afirmar . - Pergunte lhe - gritou Filch , voltando a cara cheia de furúnculos e lágrimas para Harry . - Nenhum aluno de o segundo ano poderia ter feito isto - explicou Dumbledore . - Era preciso um grande conhecimento de magia negra . - Foi ele , foi ele - disse encolerizado o encarregado com a cara a ficar roxa . - O senhor viu o que ele escreveu em a parede . Ele descobriu em o meu gabinete , ele sabe que eu sou um ... - O rosto de Filch estava horrível . - Ele sabe que eu sou um * _ busca-pé * - disse por fim . - Eu não toquei em a Mrs._Norris - gritou Harry com todos os olhares a recaírem sobre ele , incluindo o de todos os Lockharts de a parede . - E eu nem sei o que é um * busca-pé * . - Mentira ! - gritou Filch . - Ele viu a minha carta de o feitiço rápido . - Se me permite que dê a minha opinião , senhor director - disse Snape , saindo de a sombra , e a sensação de mau presságio de Harry aumentou bastante . Certamente nada do_que Snape tinha para de dizer iria ajudá o . - O Potter e os amigos podiam estar simplesmente em o lugar errado em a altura errada - afirmou com um leve sorriso a torcer lhe a boca como_se tivesse as suas dúvidas . - Mas , temos aqui um conjunto de circunstâncias curiosas . Porque estavam eles afinal em o corredor ? Porque não estiveram presentes em a festa de o * _ Hallowe'en * ? Harry , Ron e Hermione começaram uma longa explicação sobre a festa de o dia de os mortos . - Estavam lá centenas de fantasmas , eles poderão confirmar que lá estivemos ... - Mas porque não foram a seguir a o banquete ? - perguntou Snape com os olhos pretos a brilharem a a luz de as velas . - Porquê ir até a aquele corredor ? Ron e Hermione olharam para Harry . - Porque , porque ... - balbuciou Harry , com o coração a querer saltar lhe de o peito , mas algo lhe disse que ia parecer muito rebuscado se lhes contasse que tinha sido levado até ali por uma voz sem corpo que só ele conseguia ouvir . - Porque estávamos cansados e queríamos ir para a cama - disse . - Sem jantar ? - inquiriu Snape com um sorriso triunfante a bailar lhe em o rosto lúgubre . - Não sabia que os fantasmas ofereciam em as suas festas comida para gente viva . - Não estávamos com fome - disse o Ron bem alto , enquanto o estômago se queixava de forma audível . O sorriso mesquinho de a Snape ampliou se . - Acho , senhor director , que Potter não está a dizer toda_a verdade - afirmou . - Talvez fosse boa ideia retirar lhe alguns privilégios , até ele estar disposto a contar nos a história toda . Pessoalmente , sugiro que seja retirado de a equipa de os Gryffindor até decidir ser honesto . - Francamente , Severus - exclamou a professora Mc_Gonagall com uma voz cortante . - Não vejo porquê impedir o rapaz de jogar Quidditch . Esta gata não levou pauladas em a cabeça dadas por nenhum cabo de vassoura . E não há provas de que o Potter tenha feito algo de mal . Dumbledore observava Harry com um olhar perscrutador . A voz tremeluzente de os seus olhos azuis fez Harry sentir que estava a ser passado a raios X. - Inocente até se provar que é culpado , Severus - disse com segurança . Snape estava furioso , assim_como Filch . - A minha gata foi petrificada ! - berrou , com os olhos a saltarem de as órbitas . - Quero ver um castigo ! - Vamos poder curá a , Argus - explicou pacientemente Dumbledore . - Madam_Sprout conseguiu arranjar algumas Mandrágoras . Logo_que tenham atingido o tamanho adulto , terei uma poção de Mandrágoras que reanimará Mrs._Norris . - Eu posso fazê a - interrompeu Lockhart . - Devo ter feito isso uma centena de vezes . Preparo uma golada de Mandrágora reconstituinte de olhos fechados ... - Perdão - disse Snape friamente -- , mas julgo que o professor de poções de esta escola ainda sou eu . Houve um silêncio bastante incómodo . - Vocês podem ir se embora - disse Dumbledore a o Harry , Ron e a Hermione . Eles saíram o mais depressa que puderam , sem ir a correr . Quando chegaram a o andar acima de o escritório de Lockhart , entraram em uma sala de aulas vazia e fecharam a porta devagarinho . Harry lançou um olhar de esguelha a as caras carrancudas de os amigos . - Acham que eu lhes devia ter falado de a voz que ouvi ? - Não - respondeu Ron , sem a mínima hesitação . - Ouvir vozes que mais ninguém ouve , não é bom sinal , nem em o mundo de os feiticeiros . Algo em a voz de Ron levou Harry a fazer a pergunta : - Tu acreditas em mim , não acreditas ? - Claro que sim - respondeu o Ron de imediato . - Mas tens de concordar que é esquisito ... - Eu sei que é esquisito - confirmou Harry . - É tudo esquisito . O que era aquilo escrito em a parede ? * _ A_Câmara foi aberta * , o que é_que significa ? - Sabes , faz me lembrar qualquer coisa - disse Ron lentamente . - Acho que alguém me contou uma história sobre uma câmara secreta em Hogwarts , talvez tenha sido o Bill ... - E que diabos é um * busca-pé * ? - perguntou Harry . Para sua surpresa , Ron abafou o riso . - Bem , em a verdade não tem graça nenhuma , mas como é o Filch ... - disse . - Um * busca-pé * é alguém que nasceu de uma família de feiticeiros , mas não tem poderes mágicos . É uma espécie de o oposto de os que vêm de famílias de Muggles , mas são feiticeiros . Os * busca-pé * são muito raros . Se o Filch está a tentar aprender magia em um curso rápido , acho que ele deve ser mesmo um busca-pé . Isso explicaria tudo , por_exemplo , porque detesta tanto os estudantes . - Ron sorriu satisfeito . - Tem inveja . Um relógio deu as horas , algures . - Meia-noite - disse Harry . - É melhor irmo nos deitar , antes que o Snape apareça e tente acusar nos de qualquer coisa . Durante alguns dias não se falou de outra coisa em a escola a não ser de o ataque a a gata , Mrs._Norris . Filch manteve o sucedido bem fresco em a memória de todos , andando de um lado para o outro em o lugar onde ela fora atacada , como_se esperasse por o responsável . Harry vira o esfregar a mensagem de a parede com a « solução removedora de toda_a porcaria mágica Mrs._Skower » , mas sem qualquer resultado . As palavras continuavam a brilhar tanto como antes sobre a pedra . Quando Filch não estava a patrulhar a cena de o crime , vagueava , de olhos avermelhados , por os corredores , perseguindo alunos insuspeitos e tentando aplicar lhes castigos por coisas como « respirar muito alto » ou « estar alegre » . Ginny_Weasley parecia muito perturbada com o destino de Mrs._Norris . Segundo Ron ela era uma amante de gatos . - Mas tu nem chegaste a conhecer bem Mrs._Norris - disse lhe Ron para a animar . - Com toda_a franqueza , estamos muito melhor sem ela . - O lábio de Ginny tremeu . - Não é costume acontecerem coisas de estas em Hogwarts - tranquilizou a . - Eles vão descobrir o safado que fez aquilo e põem o de aqui para fora em três tempos . - Só espero que tenha tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso . Estou a brincar , claro - acrescentou o Ron apressadamente a o ver a Ginny a empalidecer . O ataque afectara também Hermione . Era costume de ela passar muito_tempo a ler , mas agora parecia não fazer mais_nada . Nem respondia a o Harry e a o Ron quando lhe perguntavam o que estava a fazer e só acabaram por descobrir em a quarta-feira seguinte . Harry tivera de ficar até mais tarde em a sala de poções onde Snape o mandara raspar restos de larvas de as secretárias . Depois de um almoço comido a a pressa , ele foi lá acima encontrar se com Ron em a biblioteca e viu Justin_Finch - _ Fletchley , o rapaz de os Hufflepuff de herbologia que vinha em direcção a ele . Harry tinha acabado de abrir a boca para dizer um « Olá » quando Justin o viu , voltando se bruscamente e mudando de direcção . Harry foi encontrar o Ron em as traseiras de a biblioteca , a medir o trabalho de casa de história de a magia . O professor Binns pedira uma composição sobre a Assembleia_Medieval_de_Feiticeiros_Europeus com 90cm . De extensão . - Não posso crer que ainda me faltem 16cm - disse o Ron furioso , largando o pergaminho que se enrolou em forma de tubo - e que a Hermione fez um metro e trinta em aquela letra pequenina e apertadinha . - Onde está ela ? - perguntou Harry , agarrando em a fita métrica e desembrulhando o seu trabalho de casa . - Algures por aí - disse o Ron , apontando para as estantes . - _ a a procura de outro livro . Acho que ela está a tentar ler a biblioteca toda antes de o Natal . Harry contou a Ron que Justin_Finch - _ Fletchley tinha evitado falar lhe . - Não sei porque te preocupas com isso . Eu achei o um idiota - disse o Ron , escrevinhando e fazendo a letra o maior possível . - Todo aquele disparate sobre o Lockhart ser tão grande ... Hermione surgiu de o meio de as estantes . Parecia irritada e disposta , por fim , a falar com eles . - Todos os exemplares de * _ Hogwarts : Uma História * foram requisitados - disse , sentando se ao_lado_de Harry e Ron . - E há uma lista de espera de duas semanas . Quem me dera não ter deixado o meu exemplar em casa , mas não consegui que coubesse em a mala com todos os livros de o Lockhart . - Para que o queres ? - perguntou Harry . - Pelo mesmo motivo que toda_a_gente o quer - disse Hermione . - Para ler a lenda de a Câmara_dos_Segredos . - O que é isso ? - Precisamente . Não me lembro - disse Hermione , mordendo o lábio . - E não encontro a História em lugar nenhum . - Hermione , deixa me ler o teu trabalho - pediu Ron desesperado , olhando para o relógio . - Não , não deixo - respondeu Hermione com um ar severo . - Tiveste dez dias para o fazer . - Só preciso de mais quatro centímetros , vá lá ... A campainha tocou . Ron e Hermione encaminharam se para a História_da_Magia , discutindo . A História_da_Magia era a matéria mais chata de o programa . O professor Binns , que dava a cadeira , era o único professor fantasma e a coisa mais excitante que aconteceu em as suas aulas foi o dia em que entrou por o quadro preto . Já velho e enrugado , muita gente afirmava a seu respeito que ele não dera por_que tinha morrido . Pura e simplesmente levantara se um dia para ir dar aulas , deixando o corpo atrás , em um cadeirão em frente de a lareira de a sala de os professores . Desde esse dia a sua rotina mantivera se igual . Era hoje tão chato como fora sempre . Abriu as notas e começou a ler em um tom monocórdico como um velho aspirador até quase todos os alunos estarem em um estado de profunda dormência , acordando de vez em quando , para tomar nota de um nome ou de uma data , e voltando a adormecer . Estava a falar havia meia_hora quando aconteceu algo que nunca tinha acontecido . Hermione pôs o braço em o ar . O professor Binns olhou de relance , em o meio de a chatíssima aula sobre a Convenção_Internacional_de_Feiticeiros de 1289 , verdadeiramente espantado . - Miss ... er ... ? - Granger , professor . Poderia dizer nos alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Hermione em uma voz bem audível . O Dean_Thomas , que tinha estado sentado de boca aberta olhando para fora de a janela , saiu de o seu transe com um salto . A cabeça de Lavender_Brown saiu de os braços e o cotovelo de o Neville_Longbottom escorregou para fora de a secretária . O professor Binns piscou os olhos . - A minha matéria é História_da_Magia - disse em a sua voz seca e asmática . - Eu trato de factos , Miss_Granger , não de mitos e lendas - pigarreou produzindo um ruído que parecia o giz sobre o quadro e continuou : - Em Setembro de esse ano , uma subcomissão de feiticeiros de a Sardenha ... Parou de repente . A mão de Hermione estava de_novo em o ar . - Sim , Miss_Grant ? - Por favor , professor , as lendas não têm sempre um facto como base ? O professor Binns olhava para ela com tal espanto que Harry teve a certeza de que ele nunca , em tempo algum , fora interrompido por um aluno . - Bem - disse lentamente o professor Binns . - Sim , é uma afirmação que pode fazer se . - Olhou para Hermione como_se fosse a primeira vez que olhasse a sério para um estudante . - Contudo , a lenda de que me fala é tão extraordinária , mesmo grotesca ... Mas a aula inteira estava agora atenta a as palavras de o professor , que olhou indistintamente para todos eles . Harry poderia assegurar que ele estava absolutamente abismado por uma tão grande demonstração de interesse . - Muito bem - disse lentamente . - Ora vejamos ... a Câmara_dos_Segredos . Todos vocês sabem com certeza que Hogwarts foi fundada há mais de um_milhar de anos , não se conhece ao_certo a data , por os quatro maiores feiticeiros e feiticeiras de a época : Godric_Gryffindor , Helga_Hufflepuff , Rowena_Ravenclaw e Salazar_Slytherin . Construíram juntos este castelo , longe de os olhares curiosos de os Muggles porque em aquele tempo a magia era temida por as pessoas comuns e as bruxas e feiticeiros sofriam terríveis perseguições . Fez uma pausa , olhou indeciso em volta e prosseguiu : - Durante alguns anos , os fundadores trabalharam juntos em harmonia procurando outros mais novos que mostrassem sinais de possuir dotes mágicos e trazendo os para o castelo para aqui serem ensinados . Mas os desentendimentos surgiram entre eles . Começou a notar se uma divisão entre Slytherin e os outros . Salazar_Slytherin queria ser mais selectivo em relação a os alunos a serem admitidos em Hogwarts . Achava que os ensinamentos de magia deviam ficar dentro de as famílias de feiticeiros . Não lhe agradava a entrada em a escola de alunos de famílias Muggles porque os achava pouco dignos de confiança . Depois de algum tempo houve uma séria discussão sobre esse assunto entre Slytherin e Gryffindor e Slytherin abandonou a escola . O professor Binns fez uma nova pausa , fazendo beicinho o que o fazia parecer uma tartaruga enrugada . - Fontes fidedignas referem nos isto - disse . - Mas estes factos foram obscurecidos por a fantasiosa lenda de a Câmara_dos_Segredos . Conta a história que Slytherin construíra uma câmara oculta dentro de o castelo cuja existência os outros fundadores ignoravam . De_acordo com a lenda , Slytherin selou a Câmara_dos_Segredos para que ninguém pudesse abri a até o seu verdadeiro herdeiro chegar a a escola . O herdeiro , e apenas ele , poderia abrir a Câmara_dos_Segredos , libertar o horror que lá se encontrava e utilizá o para expurgar a escola de todos aqueles que eram indignos de aprender magia . Houve um silêncio quando ele se calou que não era o habitual silêncio de sono de as aulas de o professor Binns . Havia um desassossego em o ar enquanto todos continuavam a olhá o a a espera de mais . O professor Binns estava ligeiramente aborrecido . - A história toda é um disparate , claro - disse ele . - A escola foi revistada por várias vezes em busca de provas de a existência de essa câmara , por os feiticeiros e bruxas mais conhecedores . Não existe nada . Uma lenda que serviu apenas para assustar os ingénuos . A mão de Hermione estava novamente em o ar . - Professor , o que quer_dizer , ao_certo com « o horror que estava dentro de a câmara » ? - Acredita se que seja uma espécie de monstro que só o herdeiro de Slytherin pode controlar - disse o professor Binns em a sua voz seca e débil . A aula trocou entre si olhares inquietos . - Como vos digo , a coisa não existe - afirmou o professor Binns , desordenando as suas notas . - Não há câmara e não há monstro . - Mas , professor - disse Seamus_Finnigan . - Se a câmara só podia ser aberta por o herdeiro de Slytherin ninguém mais poderia encontrá a . Não é ? - Um disparate pegado - disse o professor Binns , em um tom de voz exasperado . - Se uma longa sucessão de directores e directoras de Hogwarts não a encontraram ... - Mas , professor - começou a dizer Parvati_Patil . Se_calhar é preciso usar magia negra para a abrir ... - Lá porque um feiticeiro não usa magia negra não quer_dizer que não possa , Miss_Pennyfeather - interrompeu o professor Binns . - Repito , se os antecessores de Dumbledore ... - Mas talvez seja preciso fazer parte de os Slytherin , por isso Dumbledore não podia ... - começou Dean_Thomas , mas o professor Binns já estava farto . - Já chega - disse , de modo cortante . - É um mito . Não existe . Não há uma única prova de que Slytherin tenha construído nem mesmo uma despensa para vassouras . Lamento ter vos contado esta história tola . Vamos voltar , se fazem o favor , a a História , a os factos sólidos , verificáveis , credíveis . E em menos_de cinco minutos toda_a classe mergulhara em a sua sonolência habitual . - Eu sempre ouvi dizer que Salazar_Slytherin era um velho retorcido e meio pateta - disse Ron_a_Harry e Hermione enquanto abriam caminho por os corredores cheios , em o final de a aula , para ir arrumar as malas antes de o jantar . - Mas não sabia que ele tinha começado esta coisa de o sangue puro . Eu não ia para os Slytherin nem que me pagassem . Se o chapéu seleccionador me tivesse posto lá , pegava em as malas e ia me embora ... Hermione acenou vivamente , mas Harry não abriu a boca . O estômago parecia ter dado uma volta . Harry nunca contara a o Ron e a a Hermione que o chapéu seleccionador tinha considerado seriamente a possibilidade de o colocar em os Slytherin . Lembrava se como_se tivesse sido em a véspera do_que a vozinha lhe dissera a o ouvido quando pôs o chapéu em a cabeça , um ano antes . * _ Podias vir a ser grande , sabes ? Está tudo aqui em a tua cabeça e Slytherin ajudaria te em o caminho para a grandeza , sem a menor dúvida * ... Mas Harry , que já ouvira falar de a fama de o grupo de os Slytherin de formar magos negros , pensou desesperadamente . - Em os Slytherin , não ! - E o chapéu tinha dito . - Bem , se tens assim tanta certeza ... será melhor os Gryfffndor . Enquanto eram empurrados por a multidão , Colin_Creevey passou por eles . - Olá , Harry ! - Olá , Colin - disse Harry automaticamente . - Harry , Harry , um rapaz de a minha turma tem andado a dizer que tu és ... Mas Colin era tão baixinho que não conseguiu lutar contra a maré de gente que o arrastou até a o vestíbulo . Ouviram o despedir se : - Adeus , Harry - e desaparecer . - O que é_que o rapaz de a turma de ele disse de ti ? - quis saber Hermione . - Que eu sou o herdeiro de Slytherin , imagino - disse Harry , com o estômago ainda a as voltas e lembrou se de repente de o Justin_Finch - _ Fletchley a fugir para não lhe falar , a a hora de o almoço . - As pessoas aqui acreditam em tudo - disse o Ron com repugnância . A multidão diminuiu e conseguiram subir as escadas sem dificuldade . - Achas mesmo_que existe uma Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Ron_a_Hermione . - Não sei - respondeu ela , franzindo a testa . - Dumbledore não conseguiu curar Mrs._Norris e isso leva me a pensar que o que a atacou pode não ser ... humano . Enquanto falava , voltaram uma esquina e encontraram se em o fim de aquele mesmo corredor onde o ataque tinha ocorrido . Pararam para olhar . Estava tudo igual a aquela outra noite , com excepção de a gata Mrs._Norris e havia uma cadeira vazia encostada a a parede , onde podia ler se a mensagem « : __ a câmara foi __ aberta » . - Foi aqui que o Filch montou a guarda - murmurou Ron . Olharam uns para os outros . O corredor estava deserto . - Não deve fazer mal dar uma olhadela aqui - disse Harry , deixando cair a mala e pondo se de quatro para poder gatinhar em busca de pistas . - Marcas de queimadura - disse - aqui e aqui ... - Venham ver isto ! - chamou Hermione . - Que estranho ... Harry levantou se e foi até a a janela que ficava junto de a mensagem . Hermione apontava para o vidro mais alto , onde cerca de uma vintena de aranhas se debatiam em uma aparente luta por atravessar por uma pequena brecha de vidro . Um longo fio prateado balouçava como uma corda , como_se todas tivessem trepado , em a ânsia de chegar lá fora . - Alguma vez viram aranhas agir assim ? - perguntou Hermione , curiosa . - Não - respondeu Harry . - E tu , Ron ? Ron ? Olhou por cima de o ombro . Ron estava de costas , bem lá atrás e parecia lutar contra o impulso de se virar . - O que é_que se passa ? - perguntou Harry . - Eu não gosto de aranhas - disse Ron , de modo tenso . - Nunca me tinhas dito - comentou Hermione , olhando para ele com surpresa . - Estás farto de usar aranhas em as poções ... - Não me importo quando estão mortas - explicou Ron que olhava cautelosamente para todos os lados , menos para a janela . - Não gosto de a maneira como_se mexem . Hermione riu se baixinho . - Não tem graça nenhuma - disse o Ron , furioso . - Se queres saber , quando eu tinha três anos , o Fred transformou o meu ursinho de pelúcia em uma enorme aranha nojenta , por eu lhe ter partido a vassoura de brinquedo . Tu também não gostarias de aranhas se estivesses agarrada a o teu ursinho e , de repente , ele tivesse uma data de pernas e ... Começou a tremer ... Hermione ainda estava a tentar conter o riso . Sentindo que era melhor mudarem de assunto , Harry perguntou : - Lembram se de a água que havia aqui em o chão ? De onde terá vindo ? Alguém a limpou . - Era por aqui - disse o Ron , já recuperado , avançando alguns passos em direcção a a cadeira de o Filch e apontando . - Junto de esta porta . Estendeu a mão para o puxador de a porta , mas retirou a de imediato , como_se se tivesse queimado . - O que foi ? - perguntou Harry . - Não posso entrar aí - disse o Ron bruscamente . - É a casa_de_banho de as raparigas . - Oh , Ron , não está aí ninguém - sossegou o Hermione enquanto se aproximava . - É o lugar de a Murta_Queixosa . Anda , vamos dar uma espreitadela . E ignorando o grande letreiro que dizia « Fora de serviço » Hermione abriu a porta . Era a casa_de_banho mais sombria e deprimente em que Harry tinha posto os pés durante toda_a sua vida . Debaixo_de um grande espelho partido e sujo podia ver se uma fila de lavatórios de pedra , rachados . O chão estava húmido e reflectia a luz fraca de os pavios de algumas velas que ardiam baixinho em os suportes . As portas de madeira de os cubículos estavam todas lascadas e riscadas e uma de elas balouçava fora de as dobradiças . Hermione levou os dedos a os lábios e foi até a o último cubículo . Quando lá chegou disse : - Olá , Murta , como estás ? Harry e Ron foram ver . A Murta_Queixosa flutuava em a cisterna de a casa_de_banho , tirando um ponto negro de o queixo . - Esta é a casa_de_banho de as raparigas - disse a o ver o Ron e o Harry . - Eles não são raparigas . - Não - concordou Hermione . - Eu só queria mostrar lhes como esta casa_de_banho é ... er ... simpática . Ela fez um aceno vago a o velho espelho sujo e a o chão húmido . - Pergunta lhe se viu alguma coisa - sussurrou o Ron a a Hermione . - Porque estão a dizer segredinhos ? - perguntou a Murta , fitando o . - Não é nada - disse Harry rapidamente . - Queríamos perguntar ... - Gostava que as pessoas parassem de falar em as minhas costas ! - desabafou a Murta em uma voz abafada por as lágrimas . - Eu tenho sentimentos , sabem , apesar_de estar morta . - Murta , ninguém quis aborrecer te - explicou Hermione . - O Harry só ... - A minha vida foi uma infelicidade em este lugar e agora as pessoas vêm estragar a minha morte . - Nós queríamos perguntar te se tinhas visto alguma coisa estranha ultimamente - disse Hermione sem perder tempo . - Porque foi atacada uma gata mesmo aqui a a frente de a tua porta em a noite de o * _ Hallowe'en * . - Viste alguém aqui perto em essa noite ? - insistiu Harry . - Não estava a prestar atenção - disse a Murta com ar dramático . - O Peeves aborreceu me tanto que vim aqui para tentar matar me . Só então me lembrei de que estou ... de que estou ... - Já morta - ajudou o Ron . A Murta soluçou tragicamente , elevou se em o ar , voltou se e mergulhou de cabeça em a sanita , espalhando água por_cima_de todos eles e desaparecendo . Por o som de os seus soluços abafados fora certamente descansar algures em o cano em forma de V._Harry e Ron ficaram de boca aberta , mas Hermione encolheu os ombros de cansaço e disse : - Se querem saber , para a Murta isto até foi alegre ... vá , vamos embora . Harry tinha acabado de fechar a porta deixando atrás os soluços gorgolejantes de a Murta quando uma voz forte o fez dar um salto . - RON ! Percy_Weasley estava parado em o cimo de as escadas com o seu distintivo de prefeito a brilhar e uma expressão chocadíssima em o rosto . - Isso é a casa_de_banho de as raparigas ... o que é_que vocês ... ? - Estávamos só a dar uma vista de olhos - exclamou o Ron - a a procura de pistas ... Percy engoliu em seco , de uma maneira que fez Harry lembrar se de Mrs._Weasley . - Saiam imediatamente de aqui - disse , aproximando se de eles a passos largos e gesticulando agitadamente . - Não se preocupam com as aparências ? Voltar aqui enquanto toda_a_gente está a jantar ... - Porque não havíamos de estar aqui ? - perguntou cheio de vivacidade o Ron , parando de repente e olhando Percy em os olhos . - Ouve lá , nós não tocamos em aquela gata . - Isso foi o que eu tentei explicar a a Ginny - respondeu Percy furioso - mas ela parece continuar a pensar que vocês vão ser expulsos . Nunca a vi tão aflita . Não pára de chorar . Devias pensar em ela . Todos os alunos de o primeiro ano andam superexcitados com esta história . - Tu não estás nada preocupado com a Ginny - disse o Ron já com as orelhas vermelhas . - O que te assusta é_que eu possa estragar as tuas possibilidades de ser chefe de turma . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor ! - bradou Percy , apontando elegantemente para o distintivo de prefeito . - E espero que te sirva de lição . Acabou se o trabalho de detective ou escrevo a a mãe a contar lhe . E voltou lhes as costas , a nuca tão vermelha como as orelhas de o Ron . Harry , Ron e Hermione , em essa noite , sentaram se em a sala comum o mais longe possível de Percy . Ron estava ainda muito maldisposto e não parava de esborratar o trabalho de casa de os encantamentos . Quando pegou distraidamente em a varinha para tirar as manchas incendiou o pergaminho . A deitar quase tanto fumo como o seu trabalho de casa , fechou bruscamente o * _ Livro_Padrão_de_Encantamentos de o 2.o Grau * . Para grande surpresa de Harry , Hermione fez o mesmo . - Mas quem poderia ser - perguntou ela baixinho como_se continuasse uma conversa que tinham acabado de ter . - Quem quereria todos os * busca-pés * e filhos de Muggles fora de Hogwarts ? - Vamos pensar - disse o Ron em a brincadeira , fingindo estar confuso . - Quem poderemos nós conhecer que ache que os familiares de Muggles são escumalha ? Olhou para Hermione . Ela olhou para ele pouco convencida . - Se estás a pensar em o Malfoy ... - Claro que estou - disse o Ron . - Tu ouviste o dizer : - Vocês serão os próximos , sangues de lama ! - Aliás , basta olhar para aquela cara de renegado para saber que ele é ... - Malfoy , o herdeiro de Slytherin ? - repetiu Hermione cepticamente . - Olha para a família de ele - disse Harry , fechando também os livros . - Todos eles estiveram em os Slytherin . O Draco está sempre a vangloriar se de isso . Podiam bem ser descendentes de Slytherin . O pai de ele é suficientemente mau . - Podiam perfeitamente ter tido a chave de a Câmara_dos_Segredos durante séculos - disse Ron - , fazendo a passar de pai para filho . - Bem - acedeu Hermione cautelosamente . - Seria possível ... - Mas como prová o ? - perguntou Harry tristemente . - Talvez haja um meio - sugeriu Hermione lentamente , baixando ainda mais a voz e lançando um olhar , através de a sala , a Percy . - É claro que não é fácil . E é perigoso , muito perigoso . Suponho que iríamos infringir cerca de cinquenta regras de a escola . - Se de aqui a um mês ou dois te decidires a explicar , avisa , está bem ? - disse Ron , que começava a ficar irritado . - Está bem - concordou Hermione friamente . - O que precisaríamos de fazer para entrar em a sala comum de os Slytherin e fazer algumas perguntas a o Malfoy , sem ele perceber que éramos nós ? - Mas isso é impossível - declarou Harry , enquanto Ron se ria . - Não , não é - continuou Hermione . - Só precisamos de um_pouco de poção * polisuco * . - O que é isso ? - perguntaram ao_mesmo_tempo Ron e Harry . - O Snape falou de ela em uma aula , há poucas semanas atrás . - Achas que não temos mais o que fazer do_que ouvir o Snape ? - murmurou o Ron . - Transforma nos em outra pessoa . Pensem em isso : podíamos transformar nos em três de os Slytherin . Ninguém saberia que éramos nós . É provável que o Malfoy nos contasse alguma coisa . Aposto que ele está a gabar se , em este momento , em a sala de os Slytherin , se ao_menos pudéssemos ouvi o . - Essa coisa de o * polisuco * cheira me um bocado mal - disse o Ron , franzindo as sobrancelhas . - E se ficarmos com a forma de os três Slytherin para sempre ? - Desaparece a o fim de algum tempo - disse Hermione , gesticulando impacientemente com a mão - mas conseguir a receita é muito difícil . O Snape disse que vinha em um livro chamado * _ As_Mais_Potentes_Poções * e está com certeza em a parte de os reservados de a biblioteca . Só havia uma maneira de obter o livro de os reservados : era com uma autorização assinada por um professor . - Não estou a ver porque quereríamos o livro - disse o Ron . - Se não para tentar fabricar uma de as poções . - Eu acho - sugeriu Hermione - que se fizéssemos parecer que o nosso interesse era apenas teórico , talvez conseguíssemos ... - Estás a sonhar , nenhum professor ia cair em essa - afirmou o Ron . - Só se fosse muito burro . X_A * bludger * perigosa Depois de o desastroso incidente de os duendes , o professor Lockhart não voltou a levar seres vivos para as aulas . Em vez de isso , lia a os alunos passagens de os seus livros e , por vezes , voltava a desempenhar alguns de os episódios mais dramáticos . Costumava chamar Harry para o ajudar em essas reconstruções . Até ali Harry fora obrigado a desempenhar o papel de um camponês de a Transilvânia que Lockhart curara de uma maldição murmurada , o abominável homem de as neves com dores de cabeça e um vampiro que depois de ter conhecido Lockhart tinha ficado incapaz de comer outra coisa que não fosse alfaces . Harry foi chamado para a frente de a classe durante a aula de Defesa contra as artes negras que se seguiu . Desta_vez para desempenhar o papel de um lobisomem . Se não tivesse um bom motivo para querer ver o Lockhart bem-disposto , teria se recusado . - Um uivo bem alto , excelente , Harry , isso mesmo . E foi então que , acreditem ou não , eu o ataquei de repente , assim . Atirei o a o chão , agarrei o com uma mão e com a outra consegui meter lhe a varinha em a garganta . Então , com a força que me restava pus em prática o complicadíssimo encantamento * _ Homorphus * . Harry soltou um uivo tristíssimo . - Vá lá , Harry , mais alto . Bom ... o pêlo desapareceu , os dentes diminuíram de tamanho e ele transformou se em um homem . Simples , mas eficaz e mais uma cidade ficará a lembrar se de mim para sempre como o herói que os libertou de os ataques mensais de o lobisomem . A campainha tocou e Lockhart pôs se de pé . - Trabalho para_casa : escrever um poema sobre a minha vitória sobre o lobisomem Wagga_Wagga . Há um exemplar autografado de * _ Eu , o Mágico * para o autor de o melhor poema . Os alunos começaram a sair . Harry voltou para trás e foi juntar se a o Ron e a a Hermione que estavam a a espera de ele . - Prontos ? - perguntou . - Espera até saírem todos - disse Hermione bastante nervosa . - Pronto ... Aproximou se de a secretária de Lockhart , apertando em a mão uma folha de papel , com o Ron e o Harry atrás . - Er ... professor Lockhart - gaguejou Hermione . - Eu queria requisitar este livro em a biblioteca , como leitura de apoio - entregou lhe o papel , com a mão ligeiramente trémula . - Só que faz parte de a secção de os reservados , por isso preciso de a assinatura de um professor . Acho que o livro me vai ajudar a compreender o que o senhor diz em * _ Passeios com Vampiros * acerca de os venenos de acção lenta ... - Ah , * _ Passeando com Vampiros * - disse Lockhart , pegando em a folha de papel de Hermione e sorrindo lhe abertamente . - E provavelmente o meu livro preferido . Gostou ? - Oh , muito - disse Hermione avidamente . - Tão inteligente o modo como apanhou o último com o passador de o chá . - Bem , tenho a certeza que ninguém se importará que eu dê uma ajudazinha suplementar a a melhor aluna de o segundo ano - disse Lockhart calorosamente , sacando de uma enorme pena de pavão . - É bonita , não é ? - comentou , adivinhando uma expressão de repulsa em a cara de o Ron . - Costumo guardas a para as minhas assinaturas de autógrafos . Rabiscou uma enorme assinatura cheia de altos e baixos e entregou a a Hermione . - Então , Harry - disse Lockhart enquanto Hermione dobrava a folha e a guardava em o saco . - Amanhã é a primeira partida de Quidditch de este ano , não é ? Gryffindor contra Slytherin . Ouvi dizer que és um jogador indispensável . Eu também fui * seeker * . Convidaram me inclusivamente para fazer parte de a Equipa_Nacional , mas eu preferi dedicar a minha vida a a erradicação de as forças de o mal . Mesmo_assim , se alguma vez precisares de um treino particular , não hesites em falar comigo , estou sempre disponível para partilhar a minha perícia com os jogadores menos dotados do_que eu . Harry fez um som indistinto com a garganta e saiu atrás_de Ron e Hermione . - Não acredito - disse quando os três examinavam a assinatura de Lockhart . - Ele nem viu que livro nós queríamos . - É porque é um idiota sem miolos - explicou o Ron . - Mas , quem se rala , temos o que queríamos . - Ele não é um idiota sem miolos - gritou Hermione com voz esganiçada enquanto se aproximavam quase a correr de a biblioteca . - Só porque ele disse que eras a melhor aluna de o segundo ano ... Baixaram as vozes a o entrar em a quietude abafada de a biblioteca . Madam_Prince , a bibliotecária , era uma mulher magra e irritável que parecia um abutre mal nutrido . - * _ Moste_Potente_Potions * ? - repetiu intrigada , tentando ficar com a folha de papel que Hermione se recusava a entregar lhe . - Gostava de a guardar para mim - disse sem fôlego . - Vá lá - intercedeu Ron , arrancando lhe a de as mãos e entregando a a Madam_Prince . - Nós arranjamos te outro autógrafo . O Lockhart assina tudo se aqui ficar muito_tempo . Madam_Prince pegou em o papel e voltou o em a direcção de a luz , decidida a descobrir uma falsificação , mas a assinatura passou em o teste . Desapareceu entre as estantes e voltou alguns minutos mais tarde , transportando um livro grande e de aspecto antiquado . Hermione meteu o com todo o cuidado em o saco e saíram , tentando não andar depressa de mais nem aparentar um ar culpado . Cinco minutos depois , estavam de_novo barricados em a casa_de_banho fora de serviço de a Murta_Queixosa . Hermione destruíra as objecções de Ron argumentando que aquele era o último lugar onde alguém em o seu juízo perfeito se lembraria de ir e que poderia assegurar lhes alguma privacidade . A Murta_Queixosa chorava ruidosamente em o seu cubículo , mas eles conseguiram ignorá a assim_como ela a eles . Hermione abriu * _ Moste_Potente_Potions * com todo o cuidado e inclinaram se os três sobre as páginas manchadas de humidade . Era fácil de perceber , logo à_primeira_vista de olhos , porque pertencia a a secção de os reservados . Algumas de as poções tinham efeitos quase impensáveis de tão macabros e havia ilustrações bastante desagradáveis , como , por_exemplo , aquela em que um homem parecia ter sido virado de o avesso e a de a bruxa com vários pares de braços suplementares a nascerem lhe em a cabeça . - Aqui está - disse Hermione excitadíssima a o encontrar a página intitulada « A poção * polisuco * « . Estava ilustrada com imagens de pessoas a meio de o processo de se transformarem em outras pessoas e Harry desejou ardentemente que a expressão de dor intensa que se lhes espelhava em o rosto fosse apenas produto de a imaginação de o artista desenhador . - Esta é a poção mais complicada que vi até hoje - disse Hermione enquanto examinava a receita . - Moscas asas de renda , sanguessugas , fluxo de cizânias e verdezelha - murmurou , acompanhando com o dedo a lista de ingredientes . - Bem , esses são relativamente simples , há os em a despensa de material de os estudantes , podemos tirar a a nossa vontade . Oh ! Vê só , pó de chifre de bicórneo ... não sei onde vamos arranjar isto ... e , é claro , um pedacinho de a pessoa em quem queremos transformar nos . - Como ? - perguntou Ron de forma cortante . - O que é_que queres dizer com um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos ? Eu não bebo nada que tenha lá dentro as unhas de os pés de o Crabbe ... Hermione continuou como_se não o tivesse ouvido . - Mas não temos que nos preocupar com isso por enquanto . Fica para o fim . Ron voltou se sem palavras para o Harry que tinha uma preocupação de outro tipo . - Já viste bem tudo_o_que vamos ter que roubar , Hermione ? Algumas coisas , não estão de certeza em a despensa de material de os alunos . O que é_que vamos fazer , arrombar os armários pessoais de o Snape ? Não sei se será uma boa ideia ... Hermione fechou o livro com um estrondo . - Bem , se vocês os dois se vão acagaçar , então está lindo - disse ela . Tinha as bochechas rosadas e os olhos mais brilhantes do_que era habitual . - Eu não gosto de quebrar regras , vocês sabem , mas acho que ameaçar os filhos de os Muggles é muito pior do_que construir uma poção difícil . Mas se vocês não querem descobrir se é o Malfoy , eu posso voltar já a a biblioteca e entregar o livro a Madam_Prince ... - Nunca pensei que chegaria o dia em que serias tu a convencer nos a quebrar regras - disse o Ron . - Está bem , vamos em essa , mas sem unhas de os pés , O. _ K. ? - Quanto tempo vai isso demorar a fazer , afinal ? - perguntou Harry quando Hermione , já com um ar mais satisfeito , voltou a abrir o livro . - Bem , como o fluxo de cizânias tem de ser recolhido durante a lua cheia e as asas de renda têm de ser abafadas durante vinte_e_um dias ... eu diria que se conseguirmos arranjar todos os ingredientes estará pronta dentro_de um mês . - Um mês ? - exclamou o Ron . - Nessa_altura já o Malfoy terá atacado metade de os filhos de Muggles ! - mas os olhos de Hermione contraíram se de_novo assustadoramente e ele acrescentou rapidamente . - Mas é o melhor plano que temos , por isso é melhor não olharmos para trás . Apesar_de tudo , enquanto Hermione verificava que não havia ninguém em os corredores e podiam sair de a casa_de_banho , Ron murmurou a Harry : - Seria muito mais simples se conseguisses , amanhã , atirar o Malfoy de a vassoura abaixo . Harry acordou cedo em o sábado de manhã e ficou um bocado a pensar em a partida de Quidditch que vinha a seguir . Estava nervoso , principalmente pelo que Wood diria se os Gryffindor perdessem , mas também com a ideia de enfrentar uma equipa apetrechada com as vassouras mais velozes que existiam . Nunca desejara tanto vencer os Slytherin como em aquele dia . Depois de meia_hora deitado com a barriga a dar horas , resolveu levantar se , vestir se e descer para tomar o pequeno-almoço . Lá em baixo , encontrou o resto de a equipa de os Gryffindor amontoada a o longo de a mesa comprida e vazia , todos eles com ar preocupado e sem vontade de conversar . Como_se aproximavam as onze horas , todos os alunos de a escola começaram a dirigir se para o estádio de Quidditch . O dia estava quente e húmido , com uma ameaça de trovoada em o ar . Ron e Hermione vieram apressadamente desejar a Harry boa sorte mal ele entrou em os vestiários . A equipa de os Gryffindor pôs os seus mantos vermelhos e sentou se para ouvir o discurso que Wood lhes fazia sempre antes de o jogo . - Os Slytherin têm vassouras melhores do_que nós - começou . - Não há como negá o . Mas nós temos gente melhor em cima de as vassouras . Treinámos mais do_que eles , voamos com todas_as condições climatéricas ( É bem verdade - murmurou George_Weasley - desde Agosto que não sei o que é estar seco ) . - E vamos fazê os engolir o dia em que deixaram aquele nojento de o Malfoy comprar a entrada em a equipa de eles . Com o peito agitado por a comoção , Wood voltou se par Harry . -- Cabe te a ti , Harry , mostrar lhes que um * seeker * tem de ter mais do_que um pai rico . Agarra a * snitch * antes d Malfoy ou morre a tentar porque temos absolutamente que vencer , hoje , Harry , temos que vencer . - Sem ansiedade , Harry - disse o Fred , piscando lhe o olho . Quando saíram em direcção a o campo , foram saudado por uma grande ovação principalmente de a parte de os Ravenclaw e de os Hufflepuff que estavam ansiosos por ver os Slytherin serem derrotados , mas os Slytherin que estavam entre a multidão também fizeram ouvir as suas vaias e pateadas . Madam_Hooch , a professora de Quidditch , pediu a Flin e Wood que apertassem as mãos o que eles fizeram , lançando um_ao_outro olhares ameaçadores , cada_um apertando a mão de o outro com mais força do_que aquela que seria necessário . - Atenção a o apito - disse Madam_Hooch . - Três , dois , um ... Com um bramido de a multidão para que subissem rapidamente , os catorze jogadores elevaram se em o céu cor de chumbo . Harry , mais alto do_que qualquer de os outros olhando para todos os lados em busca de a * snitch * . - Tudo bem , testa de cicatriz ? - gritou Malfoy , disparando por baixo de ele para lhe mostrar a velocidade de a sua vassoura . Harry não teve tempo de responder . Em esse preciso momento uma * bludger * preta e bem pesada veio direitinha a ele . Evitou a tão por um triz que ainda sentiu em os cabelos o ar que ela deslocara . - Foi por_pouco , Harry ! - exclamou o George , passando com grande rapidez , de bastão em a mão , pronto para lançar a * bludger * contra um Slytherin . Harry viu o dar a a * bludger * uma fortíssima pancada em direcção a Adrian_Pucey , mas a bola mudou de rumo em o meio de o ar e dirigiu se de_novo a Harry . Harry desceu rapidamente para se esquivar e George conseguiu lançá a contra Malfoy . Mais_uma_vez a * bludger * actuou como um * boomerang * e apontou a a cabeça de Harry . Harry ganhou velocidade e disparou contra o outro extremo de o campo . Ouvia o assobio de a * bludger * que o perseguia . O que era aquilo ? As * bludgers * nunca se concentravam assim em um único jogador , a sua função era tentar desmontar o maior número possível de intervenientes . Fred_Weasley esperava por a * bludger * em o extremo oposto . Harry baixou se quando o viu balançar se em frente de ela com toda_a garra . A * bludger * foi lançada para_fora_de campo . - Pronto , já está tudo resolvido - gritou Fred satisfeito , mas estava bastante enganado . Como_se fosse magneticamente atraída para Harry , a * bludger * lançou se de_novo contra ele e Harry teve de voar a_toda_a velocidade . Começara a chover . Harry sentia as gotas pesadas caírem lhe em o rosto , turvando lhe as lentes de os óculos . Não fazia ideia do_que se passava em o resto de o jogo , até ouvir Lee_Jordan que fazia o comentário dizer : - Os Slytherin vão a a frente com seis contra zero . As vassouras de qualidade superior de os Slytherin estavam obviamente a cumprir a sua função e enquanto isso , a * bludger * maluca fazia todos os possíveis para deitar abaixo o Harry . Fred e George voavam agora tão perto de ele , um de cada lado , que Harry não via senão os seus braços a balouçar e , se não conseguia ver a * snitch * , muito menos agarrá a . - Alguém enfeitiçou esta * bludger * - resmungou Fred , preparando o bastão com toda_a força quando ela se lançava de_novo contra Harry . - Precisamos de tempo - disse George , tentando fazer sinal a Wood enquanto evitava que a bola partisse o nariz a o Harry . Wood captou obviamente a mensagem . O apito de Madam_Hooch fez se ouvir e Harry , Fred e George desceram , tentando ainda evitar a * bludger * maluca . - O que é_que se passa ? - perguntou Wood enquanto a equipa de os Gryffindor se amontoava desordenadamente e os Slytherin , em o meio de a multidão , lançavam piadas . - Estamos a ser esmagados . Fred , George , onde estavam vocês quando aquela * bludger * impediu a Angelina de marcar ? - Estávamos seis metros acima , evitando que a outra * bludger * matasse o Harry , Oliver - gritou George furioso . - Alguém preparou isto , a bola não deixa o Harry em paz , ainda não perseguiu mais ninguém desde_que o jogo começou . Os Slytherin fizeram aqui qualquer coisa . - Mas as * bludgers * têm estado fechadas em o escritório de Madam_Hooch desde o último treino , e nessa_altura estava tudo bem ... - disse Wood ansiosamente . Madam_Hooch aproximava se . Por cima de o ombro de ela , Harry pôde ver a equipa de os Slytherin a escarnecer e apontar em a sua direcção . - Ouçam - disse o Harry , enquanto ela se aproximava . - Com vocês os dois a voarem sempre colados a mim , só vou apanhar a * snitch * se ela voar até a a minha manga . Voltem se para o resto de a equipa e deixem a tratante comigo . - Não sejas bronco - disse o Fred . - Ela arranca te a cabeça . Os olhos de Wood saltavam de Harry_para_os_Weasley . - Oliver , isto_é uma loucura - disse Alicia_Spinet , zangada . - Não podes deixar o Harry sozinho entregue a aquela coisa . Vamos pedir uma investigação . - Se pararmos agora , teremos de dar a partida como perdida e não vamos deixar os Slytherin ganhar , só por_causa_de uma * bludger * maluca . Vá lá , Oliver , diz lhes que me deixem sozinho . - A culpa é toda tua . * _ Agarra a snitch ou morre a tentar * , se isso é lá coisa que se diga . Madam_Hooch tinha se lhes juntado . - Prontos para retomar a partida ? - perguntou a Wood . Wood olhou para o ar determinado de Harry . - Deixem o sozinho , ele é capaz de lidar com a * bludger * . A chuva era agora mais pesada . A o apito de Madam_Hooch , Harry elevou se em os ares e ouviu o barulhinho de a * bludger * atrás_de si . Subiu cada_vez_mais alto . Fez acrobacias em espiral , descidas rápidas , ziguezagueou e rolou . Apesar_de ligeiramente estonteado , não deixou nunca de ter os olhos bem abertos . A chuva salpicava lhe os óculos e entrava lhe por as narinas , quando ele se voltou de cabeça para baixo , evitando outra forte investida de a * bludger * . Ouviu os risos de a multidão . Sabia que devia parecer ridículo , mas a * bludger * maluca era pesada e não podia mudar de direcção tão rapidamente quanto ele . Iniciou uma corrida que parecia de feira de diversões em volta de os extremos de o estádio , olhando de soslaio , através de os lençóis prateados de chuva , para os postes de os Gryffindor , onde Adrian_Pucey tentava passar por Wood . Um assobio junto de os ouvidos disse a Harry que a * bludger * falhara uma_vez_mais . Voltou se e voou rapidamente em a direcção oposta . - Estás a ensaiar * ballet * , Potter - gritou Malfoy quando Harry foi obrigado a fazer uma reviravolta estúpida em o ar para se esquivar mais_uma_vez de a * bludger * . Lá foi ele , com a * bludger * atrás a alguns metros de distância . E foi então que , olhando para Malfoy , furioso , a viu , a * snitch * de ouro . Flutuava alguns centímetros acima de os ouvidos de Malfoy que , de tão preocupado a escarnecer de Harry , nem dera por ela . Durante um momento angustiante , Harry ficou quieto em o ar , não ousando dirigir se a Malfoy , não fosse ele olhar para_cima e ver a * snitch * . PUM ! Tinha ficado parado tempo de mais . A * bludger * batera lhe , por fim , apanhando lhe o cotovelo e Harry sentiu o braço a partir se . Debilmente , desorientado por a dor cauterizante em o braço , Harry deslizou para um de os lados em a sua vassoura encharcada , um joelho ainda dobrado , o braço direito a balouçar , inútil , a o seu lado . A * bludger * veio de_novo , preparada para mais um ataque , desta_vez apontada a o seu rosto . Harry desviou se com uma intenção : chegar a Malfoy . Através_de uma nuvem de chuva e dor desceu até a o rosto tremeluzente e trocista e viu os olhos de ele dilatarem se de medo : Malfoy pensou que Harry ia atacá o . - Que diabo ... - resmungou , afastando se de o caminho . Harry tirou a outra mão de a vassoura e fez uma tentativa para agarrar qualquer coisa . Sentiu os dedos fecharem se em volta de a * snitch * dourada , mas conduzia agora a vassoura apenas com as pernas e ouviu se um grito de a multidão cá em baixo , quando ele fez a descida , tentando não desmaiar . Com um ruído seco caiu em a terra enlameada e rolou para fora de a vassoura . O braço tinha um ângulo um_pouco estranho . Torcendo se com dores , ouviu a a distância os assobios e os gritos . Concentrou se em a * snitch * que tinha fechada em a outra mão . - Ai - disse vagamente . - Ganhámos o jogo . E desmaiou . Voltou a si com a chuva a cair lhe em o rosto , ainda deitado em o campo , com alguém inclinado sobre ele . Viu um brilho de dentes brancos . - Oh , não , você não - gemeu . - Não sabe o que diz - afirmou Lockhart bem alto a a ansiosa multidão de Gryffindor que o comprimiam . - Não te preocupes , Harry , eu vou tratar de o teu braço . - Não - gritou Harry . - Eu fico com ele assim , obrigado . Tentou sentar se , mas a dor era enorme . Ouviu um « clique » familiar . - Não quero fotografias de isto , Colin - disse em voz alta . - Deita te para trás , Harry - insistiu Lockhart com toda_a calma . - É um encantamento muito simples que eu fiz imensas vezes . - Porque não me levam só para a ala hospitalar ? - perguntou Harry entredentes . - Seria o melhor , professor - disse a voz rouca de o Wood que não conseguia deixar de sorrir , apesar_de o seu * seeker * estar ferido . - Grande captura , Harry , verdadeiramente espectacular , a tua melhor jogada , em a minha opinião . Em o meio de a floresta de pernas que o rodeava , Harry avistou Fred e George_Weasley , metendo a * budger * perigosa em uma caixa . Continuava a dar uma luta enorme . - Para trás - ordenou Lockhart , que tinha arregaçado as mangas verde jade . - Não , eu não ... - protestou debilmente Harry , mas Lockhart tinha a varinha em a mão e , um segundo depois , apontava a para o braço de Harry . Uma sensação estranha e desagradável começou em o ombro e espalhou se , chegando a as pontas de os dedos . Parecia que o braço inteiro tinha sido esvaziado . Não foi capaz de olhar para o que estava a suceder . Tinha fechado os olhos , voltado o rosto para o outro lado , mas os seus maiores receios concretizaram se quando as pessoas lá em cima se sobressaltaram e Colin_Creevey começou a tirar fotografias como um louco . O braço deixara de lhe doer , mas parecia tudo menos um braço . - Ah ! - disse Lockhart . - Sim , bem isto às_vezes acontece . Mas o importante é_que os ossos já não estão partidos . Isso é o mais importante . Portanto , Harry , vai até a a ala hospitalar ... ah ! Mr._Weasley , Miss_Granger , poderiam levá o lá ? E Madam_Pomfrey poderá ... er ... arranjar um_pouco isso . Quando Harry se pôs de pé sentiu se estranhamente desequilibrado . Depois de respirar fundo , olhou para o lado direito e o que viu quase o fez desmaiar de_novo . Pendurado em a extremidade de a sua túnica estava o que parecia ser uma espessa e colorida luva de borracha . Tentou mexer os dedos mas ... em vão . Lockhart não consertara os ossos de Harry . Retirara os . M. dam Pomfrey não ficou nada satisfeita . - Devias ter vindo logo ter comigo - ralhou , segurando os restos tristes e moles de aquilo que antes fora um braço activo . - Eu conserto ossos em um segundo , mas fazê os crescer de_novo ... - Vai conseguir , não vai ? - perguntou Harry desesperado . - Sim , com certeza , mas vai ser doloroso - disse Madam_Pomfrey de modo severo , entregando lhe um pijama . - Vais ter que ficar cá esta noite ... Hermione esperou de o lado de_fora de a cortina que rodeava outra cama enquanto Ron ajudava Harry a vestir se . Levou algum tempo a enfiar o braço que parecia borracha dentro_de uma manga de o pijama . - Como é_que podes continuar a defender o Lockhart depois disto , Hermione ? - perguntou Ron através de as cortinas , enquanto puxava os dedos moles de o Harry por uma manga . - Se o Harry quisesse ser desossado , teria pedido . - Todos podem enganar se - disse Hermione . - E deixou de doer , não deixou , Harry ? - Sim - disse ele - mas também ficou incapaz de fazer seja o que for . Quando se meteu em a cama , o braço agitou se despropositadamente . Hermione e Madam_Pomfrey entraram . Madam_Pomfrey segurava uma grande garrafa com o rótulo * Skele - _ Gro * . - Vais ter uma noite difícil - preveniu , enchendo um pequeno copo fumegante e dando lhe a beber . - Fazer crescer ossos é uma coisa difícil . Tomar o * _ Skele - _ Gro * também . Queimou a boca e a garganta de o Harry a o descer , fazendo o tossir e cuspir . Resmungando sobre os desportos perigosos e os professores incapazes , Madam_Pomfrey retirou se , deixando Ron e Hermione a ajudar Harry a engolir um_pouco de água . - Mas ganhámos o jogo - disse o Ron com um sorriso em o rosto . - A tua jogada foi em grande . A cara de o Malfoy ... parecia que queria matar alguém . - Eu vou descobrir como é_que enfeitiçaram aquela * bludger * - disse Hermione com ar sombrio . - Podemos juntar essa pergunta a a lista de todas_as que queremos fazer a o Malfoy quando tomarmos a poção * _ Polisuco * - disse Harry , afundando se de_novo em as almofadas . - Espero que tenha um sabor melhor do_que esta coisa ... - Com um bocado de os Slytherin lá dentro , deves estar a brincar - disse o Ron . A porta de a ala hospitalar abriu se em esse momento e , completamente encharcados , entraram os restantes membros de a equipa de os Gryffindor , para ver o Harry . - Um voo inacreditável - disse George . - Acabei de ver Marcus_Flint a gritar com o Malfoy . Qualquer coisa sobre ter a * snitch * mesmo em cima de a cabeça e não ter dado por nada . O Malfoy não parecia nem um_pouco satisfeito . Tinham trazido bolos , rebuçados e garrafas de sumo de abóbora . Juntaram se em volta de a cama de Harry e estavam a dar início a o que prometia ser uma grande festa quando Madam_Pomfrey entrou a vociferar : - Este rapaz precisa de repouso . Tem trinta_e_três ossos a crescer . Fora de aqui . FORA ! E Harry ficou sozinho , sem nada que o distraísse de as dores agudas em o seu braço mole . Muitas horas mais tarde , Harry acordou subitamente em a escuridão total e soltou um pequeno grito de dor : sentia agora o braço cheio de estilhaços . Durante alguns segundos pensou que tinha sido a dor a acordá o . Depois , com um arrepio de horror , apercebeu se de que alguém estava a passar lhe uma esponja em a testa . - Sai de aqui - gritou , e em seguida : - Dobby ! Os olhos de o tamanho de bolas de ténis de o elfo doméstico estavam a olhá o em o escuro , uma lágrima grossa rolava por o seu enorme nariz . - Harry_Potter voltou a a escola - murmurou , infeliz . - Dobby avisou e voltou a avisar Harry_Potter . Ah ! senhor , porque não deu ouvidos a Dobby ? Porque não voltou Harry_Potter para_casa quando perdeu o comboio ? Harry ergueu se um_pouco , encostando se a as almofadas e afastou a esponja de o elfo . - O que estás a fazer aqui ? - perguntou . - E como sabes que eu perdi o comboio ? O lábio de Dobby tremeu e Harry foi assaltado por uma dúvida . - Foste tu . Tu impediste que a barreira nos deixasse passar . - Em a verdade fui eu , senhor - disse Dobby , acenando com a cabeça e com as orelhas a abanar . - Dobby escondeu se , esperou por Harry_Potter e selou a barreira . A seguir , Dobby teve de pôr as mãos em o ferro de engomar - mostrou a o Harry dez dedos longos embrulhados em ligaduras . - Mas Dobby não se importou , senhor , porque pensou que Harry_Potter estava a salvo e nunca Dobby sonhou que mesmo_assim ele viria para a escola ! Balançava se para a frente e para trás , sacudindo a cabeça feia . - Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry_Potter tinha voltado a a escola que deixou queimar o jantar de os seus donos . Dobby nunca tivera um castigo tão grande , senhor . Harry afundou se de_novo em as almofadas . - Quase conseguiste que nos expulsassem , a mim e a o Ron - disse furioso . - É melhor desapareceres de aqui antes que os meus ossos voltem a estar bem , Dobby , ou ainda te estrangulo . O elfo sorriu . - Dobby está habituado a ameaças de morte , senhor . Dobby recebe as cinco vezes por dia em a casa onde mora . Encostou o nariz a um canto de a fronha que usava , ficando tão ridículo que Harry sentiu a raiva desvanecer se , apesar_de tudo . - Porque usas essa coisa , Dobby ? - perguntou com curiosidade . - Isto , senhor ? - disse Dobby apontando para a fronha de almofada . - É uma prova de escravatura de o elfo doméstico , senhor . Dobby só pode ser libertado se os donos lhe derem roupa , senhor . A família tem o cuidado de não dar a o Dobby nem uma peúga , senhor , porque ele poderia ficar livre e deixar a casa para sempre . Dobby limpou os olhos protuberantes e disse subitamente : - Harry_Potter deve ir para_casa . Dobby achou que a sua * bludger * seria o suficiente para o fazer ... - A tua * bludger * ? - disse Harry com a raiva a crescer novamente dentro de ele . - Que queres tu dizer com a tua bludger * ? Foste tu quem fez com que aquela bola tentasse matar me ? - Matar não , senhor . Matar , nunca ! - disse o elho chocado . - Dobby quer salvar a vida de Harry_Potter . É melhor ir para_casa ferido do_que ficar aqui , senhor . Dobby só queria Harry_Potter suficientemente ferido para voltar para_casa . - Só isso ? - disse Harry furioso . - Imagino que não vais dizer me porque querias mandar me para_casa a os bocados ? - Ah ! se Harry_Potter soubesse ! - gemeu Dobby , com mais lágrimas a escorrerem lhe por a fronha esfarrapada . - Se pudesse saber o que significa para nós , para os humildes , os escravizados , nós , a escória social de o mundo mágico ! Dobby lembra se de como eram as coisas quando Aquele cujo nome não deve ser pronunciado estava em o auge de o poder , senhor ! Nós , os elfos domésticos éramos tratados como animais , senhor ! É claro que Dobby ainda é tratado assim - admitiu , secando o rosto em a fronha de almofada . - Mas , em a sua maioria , a vida melhorou bastante para os de a minha espécie desde_que Harry_Potter triunfou sobre Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Harry_Potter sobreviveu e o poder de os senhores de o Mal foi quebrado e veio uma nova alvorada , senhor , e Harry_Potter brilhou como um farol de esperança para aqueles de entre nós que já pensavam que a longa noite nunca mais teria fim , senhor ... e agora em Hogwarts vão acontecer coisas terríveis , talvez já esteiam a acontecer e Dobby não pode deixar Harry_Potter ficar aqui , agora_que a história vai repetir se , agora_que a Câmara_dos_Segredos está de_novo aberta . Dobby calou se horrorizado . Em seguida agarrou em o jarro de a água que Harry tinha a a cabeceira e bateu com ele em a própria cabeça , deixando se cair . Um segundo mais tarde voltou até junto de a cama , repetindo : - Mau , Dobby , muito mau , Dobby . - Quer_dizer , então , que existe mesmo a Câmara_dos_Segredos ? - murmurou Harry . - E dizes tu que já antes foi aberta ? Conta me , Dobby . Agarrou o pulso ossudo de o elfo quando a mão de ele se estendia para o jarro de a água . - Mas eu não sou filho de Muggles . Como posso estar em perigo por causa de a Câmara_dos_Segredos ? - Ah ! senhor , não pergunte a o pobre Dobby - lamentou se o elfo com os olhos enormes a brilharem em o escuro . - As forças de as trevas estão projectadas em este lugar , mas Harry_Potter não deve estar aqui quando as coisas acontecerem . Vá para_casa , Harry_Potter , vá para_casa . Harry_Potter não deve envolver se em isto , senhor , é demasiado perigoso ... - Quem é , Dobby ? - perguntou Harry , continuando a agarrar lhe o pulso com forca , impedindo que batesse de_novo em si próprio com o jarro . - Quem abriu a amara ? Quem a abriu de a última vez ? - Dobby não pode , senhor . Dobby não pode . Dobby não deve dizer - guinchou o elfo . - Vá se embora , Harry_Potter , vá se embora ! - Eu não vou para lugar nenhum - disse Harry , furioso . - Uma de as minhas melhores amigas é filha de Muggles , está em perigo se a câmara foi , de facto , aberta ... - Harry_Potter arrisca a própria vida por os amigos - gemeu Dobby em uma espécie de êxtase infeliz . - Tão nobre , tão corajoso , mas deve salvar se , Harry_Potter não deve ... Dobby calou se de repente com as orelhas de morcego a estremecerem . Harry também ouviu os passos que vinham lá fora , de o corredor . - Dobby tem de ir - balbuciou o elfo apavorado . Ouviu se um ruído e o pulso de Harry ficou subitamente fechado em o ar . Meteu se de_novo para baixo , em a cama , com os olhos fixos em a porta escura que dava entrada em a ala hospitalar enquanto os passos se aproximavam . Em o momento seguinte , Dumbledore estava a entrar , de costas , em o dormitório , vestindo uma longa túnica de lã e uma capa de noite . Transportava um extremo de aquilo que parecia ser uma estátua . A professora Mc_Gonagall surgiu um segundo mais tarde , pegando lhe em os pés . Os dois colocaram a em uma cama . - Chame Madam_Pomfrey - murmurou Dumbledore e a professora Mc_Gonagall passou por a cama de Harry , apressadamente , e desapareceu . Harry deixou se ficar muito quieto como_se estivesse a dormir . Ouviu vozes ansiosas e por fim a professora Mc_Gonagall apareceu de_novo , seguida de Madam_Pomfrey que vestia um casaco curto de lã sobre a camisa de dormir . Ouviu uma inspiração aguda . - O que aconteceu ? - murmurou Madam_Pomfrey_a_Dumbledore , inclinando se sobre a estátua que estava em a cama . - Outro ataque - disse Dumbledore . - A Minerva encontrou o em as escadas . Havia um cacho de uvas junto de ele . Acho que estava a tentar esgueirar se até aqui para vir visitar o Potter . O estômago de Harry deu uma reviravolta . Lenta e cuidadosamente ergueu se alguns centímetros para poder ver a estátua que estava sobre a cama . Um raio de luar iluminou lhe o rosto estático . Era_Colin_Creevey . Tinha os olhos abertos , e as mãos , em frente de a cara , seguravam a máquina fotográfica . -- Petrificado ? - murmurou Madam_Pomfrey . - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - Mas estou tentada a acreditar que ... se Albus não tivesse vindo cá abaixo tomar um chocolate quente ... quem sabe o que teria ... Os três olharam para Colin . Dumbledore inclinou se e retirou lhe a máquina de as mãos rígidas . - Será que ele conseguiu tirar a fotografia de o agressor ? - perguntou ansiosa a professora Mc_Gonagall . Dumbledore não respondeu . Abriu a parte detrás de a máquina . - Cruzes canhoto - disse Madam_Pomfrey . Um jacto de vapor tinha feito fervilhar a máquina . Harry , a três metros de distância , sentiu o cheiro tóxico de o plástico queimado . - Derretido - disse Madam_Pomfrey com grande espanto . - Tudo derretido . - O que significa isto , Albus ? - perguntou cada_vez_mais nervosa a professora Mc_Gonagall . - Significa - disse Dumbledore - que a Câmara_dos_Segredos está mesmo aberta outra_vez . Madam_Pomfrey levou uma mão a a boca . A professora Mc_Gonagall olhou assustada para Dumbledore . - Mas , Albus ... com certeza ... quem ? - A questão não é quem - disse Dumbledore com os olhos fixos em Colin . - A questão é como ... E pelo que Harry conseguiu ver de o rosto indistinto de a professora Mc_Gonagall , ela não compreendeu muito mais do_que ele . XI_O clube de os duelos Quando_Harry acordou , em o domingo de manhã , a enfermaria estava iluminada por um resplandecente sol de inverno e o seu braço tinha de_novo todos os ossos , apesar_de o sentir muito rígido . Sentou se rapidamente e olhou para a cama de Colin , mas ela fora isolada com as cortinas atrás de as quais se despira em a véspera . Vendo que ele tinha acordado , Madam_Pomfrey apareceu com um tabuleiro de pequeno-almoço e a seguir começou a apalpar lhe o braço e os dedos . - Tudo em ordem - disse , enquanto ele , com a mão esquerda , comia avidamente as papas de aveia . - Quando acabares de comer podes ir te embora . Harry vestiu se o mais depressa que pôde e dirigiu se a a pressa para a torre de os Gryffindor , ansioso por contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre Colin e Dobby , mas não os encontrou lá . Foi a a procura de eles , perguntando a si próprio onde teriam ido e sentindo se um_pouco magoado por o pouco interesse que demonstravam em saber se ele tinha recuperado os ossos . Quando passou por a biblioteca , Percy_Weasley vinha a sair com bastante melhor cara do_que de a última vez que se tinham encontrado . - Olá , olá , Harry - disse . - Excelente voo o de ontem , verdadeiramente sensacional . Os Gryffindor estão a a frente para a taça de a equipa . Ganhaste cinquenta pontos . - Não viste o Ron e a Hermione por aí ? - perguntou Harry . - Não , não vi - disse Percy com o sorriso a desaparecer . - Espero que o Ron não esteja outra_vez em a casa_de_banho de as raparigas ... Harry forçou um sorriso , viu Percy desaparecer e a seguir foi direitinho até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Não via lá muito bem por_que motivo o Ron e a Hermione lá estariam de_novo , mas , depois de se assegurar de que nem Filch nem nenhum de os prefeitos estavam por perto , abriu a porta e ouviu as vozes de eles que vinham de um cubículo fechado . - Sou eu - disse , fechando a porta atrás_de si . Ouviu se dentro de o cubículo um estrondo , um chapinhar e um sobressalto e ele viu o olho de a Hermione a espreitar por o buraco de a fechadura . - Harry - disse ela . - Pregaste nos um susto de morte . Entra . Como está o teu braço ? - _ óptimo - respondeu , apertando se dentro de o cubículo . Em cima de a sanita estava encarrapitado um velho caldeirão , e um crepitar a a superfície de a água disse a Harry que eles tinham acendido um fogo lá em baixo . Fazer aparecer fogos portáteis a a prova de água era uma de as especialidades de Hermione . - _ íamos visitar te , mas resolvemos começar a preparar a poção * _ Polisuco * - explicou Ron enquanto Harry fechava outra_vez a porta de o cubículo com alguma dificuldade . - Achámos que este era o lugar mais seguro para a esconder . Harry começou a contar lhes de o Colin , mas Hermione interrompeu o . - Nós já sabemos , ouvimos a professora Mc_Gonagall contar a o professor Flitwick hoje_de_manhã . Por isso resolvemos começar a ... - Quanto_mais depressa arrancarmos uma confissão a o Malfoy , melhor - rosnou o Ron . - Sabem o que eu penso ? Ele estava tão mal-humorado depois de o jogo de Quidditch que se vingou em o Colin . - Há outra coisa - disse Harry , vendo Hermione cortar molhos de verdezelha e lançá os dentro de a poção . - O Dobby foi visitar me a meio de a noite . Ron e Hermione olharam o espantados . Harry contou lhes tudo_o_que Dobby lhe dissera ... ou não dissera . Ron e Hermione ouviram o de boca aberta . - A Câmara_dos_Segredos já tinha sido aberta antes ? - repetiu Hermione . - Encaixa perfeitamente - disse Ron , em uma voz triunfante . - O Lucius_Malfoy deve ter aberto a Câmara_dos_Segredos quando andava em a escola e agora ensinou a o querido filhinho Draco como abris a . É óbvio , que pena o Dobby não te ter dito que tipo de monstro lá se encontra . Gostava de saber como é_que ninguém o viu andar por ai em a escola . - Talvez tenha a capacidade de se tornar invisível - sugeriu Hermione , picando sanguessugas para dentro de o caldeirão . - Ou talvez se disfarce , passando por uma armadura ou outra coisa de o género . Eu li umas coisas sobre vampiros camaleões ... - Tu lês de mais , Hermione - disse o Ron , deitando moscas asas de renda mortas por cima de as sanguessugas . Amarrotou o saco vazio de as asas de renda e olhou para Harry . - Então foi o Dobby que nos impediu de apanhar o comboio e te partiu o braço ... - abanou a cabeça . - Sabes o que eu acho ? Se ele não parar de tentar salvar te a vida ainda acaba por te matar . A notícia de que Colin_Creevey tinha sido atacado e estava agora em a ala hospitalar , como morto , espalhou se por toda_a escola em a segunda-feira de manhã . O ar ficou pesado e cheio de boatos e suspeitas . Os alunos de o primeiro ano começavam a andar por a escola em pequenos grupos , receando ser atacados se se aventurassem a andar isoladamente por os corredores . Ginny_Weasley , que era colega de carteira de o Colin em os encantamentos , estava perturbadíssima , mas Harry achou que Fred e George estavam a tentar animá a de a maneira errada . Revezavam se , mascarados com peles de animais e apareciam lhe subitamente detrás de as estátuas . Só pararam quando Percy , apopléctico de raiva , lhes disse que ia escrever a Mrs._Weasley a contar lhe que a Ginny andava a ter pesadelos . Enquanto isso , às_escondidas de os professores , uma panóplia de talismãs , amuletos e outros objectos de protecção ia enchendo a escola . Neville_Longbottom comprou uma enorme cebola verde que cheirava mal , um cristal pontiagudo cor de púrpura e uma cauda de tritão apodrecida antes de os outros rapazes de os Gryffindor lhe explicarem que ele não corria perigo : era um sangue puro e , portanto , muito pouco passível de ser atacado . - Eles foram a o Filch em primeiro lugar - disse Neville com o medo estampado em a cara redonda . - E toda_a_gente sabe que eu sou quase um * busca-pé * . Em a segunda semana de Dezembro , a professora Mc_Gonagall veio , como de costume , recolher os nomes de os alunos que ficavam em a escola durante o Natal . Harry , Ron e Hermione assinaram a lista . Tinham ouvido dizer que Malfoy ficava , o que lhes parecera muito suspeito . As férias seriam a altura ideal para usar a poção * _ Polisuco * e tentar arrancar lhe uma confissão . Infelizmente a poção estava a meio . Precisavam ainda de o chifre de bicórneo e o único lugar onde podiam arranjá o era em os depósitos privados de Snape . Harry , pessoalmente , preferia enfrentar o lendário monstro de os Slytherin do_que ser apanhado por o Snape a assaltar lhe o escritório . - O que precisamos - disse Hermione cheia de vivacidade quando se aproximava a aula conjunta de poções de quinta-feira a a tarde - para podermos entrar a a vontade em o escritório de o Snape , é de uma diversão . Harry e Ron olharam para ela , nervosos . - Acho que o melhor é ser eu a praticar o roubo - prosseguiu ela , em um tom perfeitamente casual . - Vocês os dois podem ser expulsos se forem apanhados e eu tenho uma folha limpa . Portanto , a única coisa que têm de fazer é distrair o Snape durante cerca de cinco minutos . Harry esboçou um meio sorriso . Provocar deliberadamente um estrago em a aula de poções de o Snape era tão seguro como ferir em um olho um dragão adormecido . As aulas de poções tinham lugar em um de os mais amplos calabouços . A de quinta-feira a a tarde não foi diferente de as outras . Vinte caldeirões fumegavam entre as secretárias de madeira , sobre as quais podia ver se laminas de latão e jarras com ingredientes . Snape deambulava por o meio de os fumos , fazendo reparos petulantes a o trabalho de os Gryffindor , enquanto os Slytherin riam a a socapa . Draco_Malfoy , que era o aluno preferido de Snape , não parava de lançar olhos de carneiro mal morto a o Ron e a o Harry , que sabiam que se retaliassem teriam um castigo , antes de poderem abrir a boca para dizer : - É injusto ! A solução de inchar de o Harry estava demasiado líquida , mas ele estava preocupado com coisas mais importantes . Esperava por o sinal de Hermione e mal deu por Snape se calar para ir espreitar a sua poção aguada . Quando o professor se voltou e foi implicar com o Neville , Hermione trocou um olhar com Harry e fez um aceno . Harry baixou se discretamente por detrás de o seu caldeirão , tirou de o bolso de trás um de os paus de fogo-de-artíficio Filibuster e deu lhe um toque de varinha . O fogo-de-artíficio começou a sibilar e a crepitar . Sabendo que tinha apenas alguns segundos , Harry endireitou se , ganhou coragem e lançou o a o ar . Aterrou certeiro em o caldeirão de o Goyle . A poção de o Goyle explodiu , salpicando toda_a aula . As pessoas gritavam , à_medida_que eram vítimas de os salpicos . Malfoy foi apanhado em a cara e o nariz começou a inchar como um balão . O Goyle tropeçava a as cegas , com as mãos em os olhos , que tinham ficado de o tamanho de pratos de sopa , enquanto o Snape tentava repor a calma e tentar perceber o que sucedera . Em o meio de a confusão , Harry viu Hermione esgueirar se a a socapa por a porta . - Silêncio ! silêncio ! - vociferou Snape . - Todos os que foram salpicados cheguem aqui para uma drenagem . Quando eu descobrir quem fez isto ... Harry fez um enorme esforço para não se rir a o ver Malfoy chegar apressadamente lá a a frente , a cabeça a tombar com o peso de o nariz , que parecia um pequeno melão . Quando metade de a aula se amontoava junto de a secretária de o Snape , alguns alunos vergados por o peso de os braços que pareciam mocas , outros incapazes de falar devido a o gigantesco inchaço de os lábios , Harry viu Hermione reentrar em o calabouço , a túnica mostrando a barriga protuberante . Quando todos os alunos tinham já tomado um gole de o antídoto e os vários inchaços tinham desaparecido , Snape precipitou se para o caldeirão de o Goyle e pescou os restos retorcidos de o fogo-de-artíficio . Houve um súbito silêncio . - Se eu descubro quem lançou isto - murmurou Snape - garanto que é expulsão por a certa . Harry compôs uma expressão de espanto . Snape olhava directamente para ele e a campainha , que tocou dez minutos mais tarde , não podia ser mais bem-vinda . - Ele soube que fui eu - disse Harry_a_Ron e a a Hermione , enquanto se dirigiam apressadamente para a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Tenho a certeza . Hermione lançou o novo ingrediente em o caldeirão e começou a mexer furiosamente . - Isto vai estar pronto dentro_de quinze_dias - afirmou , satisfeita . - O Snape não pode provar que foste tu - assegurou Ron , tranquilizando Harry . - Que pode ele fazer ? - Conhecendo o Snape , qualquer coisa louca - respondeu Harry , enquanto a poção borbulhava e espumava . Uma semana mais tarde , Harry , Ron e Hermione passavam por o vestíbulo de entrada , quando viram um pequeno grupo de pessoas reunidas em volta de o jornal de parede a lerem um pedaço de pergaminho que tinha acabado de ser afixado . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas acenaram lhes , entusiasmados . - Vão lançar um clube de duelos ! - exclamou Seamus . - Hoje a a noite é a primeira reunião . Eu não me importaria nada de ter aulas de duelo , podem vir a ser úteis um dia de estes ... - Porquê ? Achas que o monstro de os Slytherin sabe esgrimir ? - perguntou o Ron , mas , também ele , leu a notícia com interesse . - Pode ser útil - disse a o Harry e a a Hermione , quando foram jantar . - Vamos lá ? Harry e Hermione acharam óptimo , por isso , a as oito_da_noite voltaram a o salão . As longas mesas de refeição tinham desaparecido e um estrado dourado surgira , encostado a a parede . Sobre ele flutuavam milhares de velas . O tecto era , mais_uma_vez , de veludo negro e parecia que quase todos os alunos de a escola se encontravam ali , com as suas varinhas em a mão e com um ar entusiasmado . - Quem será que vai ensinar nos ? - perguntou Hermione , enquanto se misturavam em a multidão barulhenta . - Ouvi dizer que o Filitwick foi campeão de duelo em a juventude , talvez seja ele . - Desde_que não seja ... - começou Harry , mas terminou em um gemido : Gilderoy_Lockhart estava a subir a o estrado , resplandecente em as suas vestes cor de ameixa , acompanhado , nem mais nem menos , do_que de Snape que trajava , como sempre , de negro . Lockhart levantou um braço , pedindo silêncio , bradando : - Aproximem se , aproximem se , conseguem todos ver me e ouvir me ? Excelente ! - O professor Dumbledore deu me autorização para iniciar este pequeno curso de duelo para vos treinar a todos , caso algum dia precisem de se defender , como eu tenho feito em inúmeras ocasiões ; para mais detalhes , leiam os livros que tenho publicados . - Permitam que vos apresente o meu assistente , o professor Snape - disse Lockhart , abrindo um sorriso de orelha a orelha . - Ele diz me que sabe alguma coisa sobre duelos e aceitou desportivamente ajudar me em uma exibição de demonstração , antes de começarmos . Atenção , não quero que os mais novos fiquem preocupados , vão continuar a ter o vosso professor de poções depois de eu o vencer . Não tenham medo . - Não era óptimo se se liquidassem um_ao_outro ? - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . O lábio inferior de Snape estava curvo . Harry interrogou se sobre o motivo por_que Lockhart continuava a sorrir . Se o Snape olhasse de aquela maneira para ele , Harry estaria a correr a_toda_a velocidade para o mais longe possível . Lockhart e Snape voltaram se um para o outro e fizeram uma vénia , pelo_menos Lockhart fê la com muitas reviravoltas de mãos , enquanto Snape acenava , irritado , com a cabeça . Em seguida , ergueram as varinhas , como_se fossem espadas , em a frente . - Como podem ver , estamos a pegar em as varinhas em a posição de aceitação de combate - explicou Lockhart a a multidão silenciosa . - Quando contarmos até três , lançaremos os primeiros feitiços . Nenhum de nós tentará matar o outro , claro . - Eu não poria as mãos em o fogo - murmurou Harry , observando como Snape cerrava os dentes . -- Um , dois , três ... Os dois balançaram as varinhas acima de os ombros . Snape gritou : * _ Expelliarmus * ! Houve um clarão ofuscante de luz escarlate e Lockhart voou para trás , caindo de o estrado batendo contra a parede , escorregando e indo estatelar se em o chão . Malfoy e alguns de os outros Slytherin aplaudiram . Hermione estava em bicos de os pés . - Acham que ele está bem ? - gritou entredentes . - Quem se rala ? - disseram ao_mesmo_tempo o Ron e o Harry . Lockhart estava a pôr se , hesitante , de pé . O chapéu caíra lhe e o cabelo ondulado estava em um desalinho . - Bem , cá está ! - disse , cambaleando até a o estrado . - Este foi um encantamento para desarmar . Como podem ver , perdi a minha varinha . Ah , obrigado Miss_Brown . Sim , foi uma excelente ideia mostrar lhes isto , professor Snape , mas , se me permite que lhe diga , foi muito óbvio o que ia fazer . Se eu tivesse querido impedis o , teria o feito com a maior de as facilidades . Mas achei que seria educativo deixá os ver ... Snape tinha um ar assassino . Provavelmente Lockhart deu por isso , porque declarou : - Chega de demonstrações . Eu vou passar agora por o meio de vocês e criar duplas . Professor_Snape , se quiser ajudar me ... Entraram por o meio de a multidão , agrupando alunos . Lockhart pôs o Neville com Justin_Finch - _ Fletchley , mas Snape chegou primeiro junto de Harry e de Ron . - Tempo de separar a dupla ideal , parece me - rosnou . - Weasley , tu podes ficar com o Finnigan . Potter ... Harry voltou se automaticamente para Hermione . - Não me parece - disse Snape com o seu sorriso frio . - Mr._Malfoy , venha até aqui . Vamos ver o que faz com o famoso Potter . E a menina , Miss_Granger , pode emparceirar com Miss_Bulstrode . Malfoy aproximou se com o seu passo empertigado e o seu sorriso escarninho . Atrás de ele vinha uma rapariga de os Slytherin , que lembrou a Harry uma imagem que tinha visto em as * _ Férias com Bruxas_Velhas * . Era corpulenta e quadrada e os maxilares avançavam agressivamente . Hermione esboçou um meio sorriso , que ela não retribuiu . - Voltem se para os vossos parceiros - gritou Lockhart - e façam a vénia . Harry e Malfoy mal inclinaram as cabeças , não afastando os olhos um de o outro . - Varinhas preparadas ! - gritou Lockhart . - Quando eu disser três preparem os feitiços para desarmar o vosso opositor . Um ... dois ... três ... Harry levantou a varinha acima de o ombro , mas Malfoy começara logo em o « dois » : o seu feitiço apanhou Harry com tanta força que ele se sentiu como_se tivesse levado com uma frigideira em a cabeça . Tropeçou , mas ainda não estava fora de combate e , sem perder tempo , Harry apontou a varinha a Malfoy e gritou : - * _ Rictusempra ! * Um jacto de luz prateada atingiu Malfoy em o estômago , obrigando o a dobrar se , arfando . - Eu disse desarmar ! - gritava Lockhart sobre as cabeças de a multidão em lata , enquanto Malfoy caía de joelhos . Harry atingira o com o feitiço de as cócegas e ele mal conseguia mexer se para se rir . Harry hesitou com o vago sentimento de que seria pouco desportivo enfeitiçar Malfoy enquanto ele estava caído em o chão , mas ... foi um erro . Tentando respirar , Malfoy apontou a varinha a os joelhos de Harry , balbuciando : « * _ Tarantallegra ! * » e , um segundo depois , as pernas de o Harry tinham começado a mexer se , sem que ele pudesse controlá as , executando uma espécie de dança frenética . - Parem , parem - gritava Lockhart , quando Snape resolveu tomar controlo de a situação . - * _ Finite_Incantatem ! * - bradou . Os pés de o Harry pararam de dançar , Malfoy parou de rir e puderam olhar para_cima . Uma onda de fumo esverdeado pairava sobre todos eles . Neville e Justin estavam caídos em o chão , a arfar . Ron tentava fazer parar um Seamus com cara cor de cinza , pedindo lhe mil desculpas por o que a sua varinha partida eventualmente tivesse feito . Mas Hermione e Millicent_Bulstrode ainda não tinham acabado . Millicent tinha feito a Hermione uma prisão de cabeça e Hermione gritava de dor . As duas varinhas jaziam esquecidas em o chão . Harry deu um salto em frente e afastou Millicent . Não foi fácil , ela era bastante maior do_que ele . - Oh , gente ! - exclamou Lockhart , arrastando se por o meio de a multidão e olhando para os resultados de os duelos . - Vamos pôr de pé , Mcmillan ... cuidado , Miss_Fawcett ... belisque com força que pára logo de sangrar ... - Acho que o melhor é ensinar vos como bloquear feitiços pouco amigáveis - afirmou Lockhart que estava nervosíssimo em o meio de o salão . Olhou para Snape , cujos olhos pretos brilhavam e desviou rapidamente o olhar . - Vamos arranjar um par de voluntários . Longbottom e Finch - _ Fletchley , que tal serem vocês ? - Uma má ideia , professor Lockhart - disse Snape , deslizando como um morcego enorme e cruel . - Longbottom provoca devastação com o feitiço mais simples . Ainda temos de mandar o que restar de o Finch - _ Fletchley para a ala hospitalar dentro_de uma caixa de fósforos . - A cara redonda e rosada de Neville ficou ainda mais rosada . - Que tal o Malfoy e o Potter ? - sugeriu Snape com um sorriso retorcido . - Excelente ideia - disse Lockhart , fazendo sinal a os dois para que se aproximassem de o meio de o salão , enquanto a multidão recuava para lhes dar passagem . - Ouve bem , Harry - disse Lockhart . - Quando o Draco te apontar a varinha , tu fazes assim . Levantou a sua varinha , executando uma tentativa complicada de malabarismo e deixou a cair . Snape sorriu pretensiosamente , enquanto Lockhart a apanhava de o chão , dizendo : - Ups , a minha varinha está demasiado excitada . Snape aproximou se de Malfoy , inclinou se e disse lhe qualquer coisa a o ouvido . Malfoy sorriu também de forma afectada . Harry olhou , nervoso , para Lockhart e pediu : - Professor , podia mostrar me outra_vez aquela coisa para bloquear ? - Estás com medo ? - murmurou Malfoy baixinho , para que Lockhart não pudesse ouvir . - Querias ! - exclamou Harry por o canto de a boca . Lockhart deu um soco em o ombro de o Harry , em a brincadeira . - Basta que faças como eu fiz ! - O quê , deixar cair a varinha ? Mas Lockhart não estava a ouvir - Três , dois , um , zero ! - gritou . Malfoy levantou rapidamente a varinha a o ar e gritou : - * _ Serpensortia ! * A extremidade de a varinha explodiu . Harry viu , horrorizado , uma enorme serpente negra sair de ela , cair pesadamente em o chão a meio de os dois e erguer se disposta a atacar . Ouviram se gritos , enquanto a multidão se afastava , deixando o chão vazio . - Não te mexas , Potter - disse Snape vagarosamente , divertindo se claramente a ver Harry , parado , a olhar em os olhos a serpente . - Eu trato de ela ... - Permita me -- gritou Lockhart . Bramiu a varinha em direcção a a serpente e ouviu se um estoiro . A cobra , em_vez_de desaparecer , voou três metros acima de eles e voltou a cair em o chão com um estrondo enorme . Enraivecida , a sibilar de fúria , rastejou em direcção a Finch - _ Fletchley e pôs se de pé com os dentes a a mostra , pronta a atacar . Harry não soube ao_certo o que o levou a fazer aquilo . Não se lembrava sequer de ter tomado aquela decisão . Só soube que as pernas o fizeram avançar como_se tivesse rodas e que gritou a a serpente : - Larga o ! - E , milagrosa e inexplicavelmente , a serpente voltou a o chão , dócil como uma grande mangueira de jardim , preta e grossa , os olhos agora fixos em os olhos de Harry . Harry sentiu o medo a escoar se . Sabia que a cobra não atacaria mais ninguém , embora não pudesse explicar como sabia . Olhou para Justin a sorrir , esperando vê o aliviado , espantado , ou mesmo agradecido , mas nunca zangado ou assustado . - Que brincadeira é essa ? - gritou o outro e , antes que Harry tivesse tempo de dizer fosse o que fosse , voltou as costas e saiu de o salão . Snape deu um passo em frente , fez um gesto com a varinha e a serpente desapareceu em uma onda de fumo preto . Também ele , Snape , olhava para Harry de uma forma inesperada . Era um olhar arguto e calculista , de que Harry não gostou . Apercebeu se também vagamente de um murmúrio ameaçador que vinha de as paredes em volta . Depois , sentiu um puxão em a túnica . - Vamos - disse a voz de o Ron em o seu ouvido . - Mexe te , vá lá ... Ron arrastou o para fora de o salão . Hermione acompanhava os em a passada rápida . Quando cruzaram a porta , as pessoas que a rodeavam afastaram se , como_se tivessem medo de ser contagiadas . Harry não fazia a mais pequena ideia do_que estava a passar se e , nem Ron , nem Hermione lhe deram qualquer explicação , antes de o terem levado até a a sala comum de os Gryffindor , que se encontrava vazia . Aí , Ron empurrou Harry para uma cadeira de braços e disse : - Tu és um * serpentês * . Porque não nos disseste ? - Eu sou um quê ? - perguntou Harry . - Um * serpentês * ! - exclamou o Ron . - Falas com as cobras . - Eu sei - declarou Harry . - Quer_dizer , esta foi a segunda vez que o fiz . A outra foi há muito_tempo em o jardim zoológico , quando soltei uma Boa_Constrictor a o meu primo Dudley . É uma longa história , mas ela estava a dizer me que nunca tinha estado em o Brasil e eu acho que a libertei sem querer . Foi antes de saber que era feiticeiro . . . - Uma Boa_Constrictor disse te que nunca tinha estado em o Brasil ? - repetiu Ron , quase sem voz . - E então ? - disse o Harry . - Aposto que montes de pessoas aqui fazem o mesmo . - Não fazem , não - afirmou Ron . - Não é um dom muito frequente . Harry , isso é mau . - O que é_que é mau ? - perguntou Harry , que começava a ficar chateado . - O que é_que se passa com todos os outros ? Ouve bem , se eu não tivesse dito a aquela cobra para não atacar o Justin ... - Ah , foi isso que tu disseste ? - Que queres dizer ? Tu estavas lá , ouviste perfeitamente o que eu disse . - Eu ouvi te falar em serpentês - disse o Ron . - Língua de cobra . Podias estar a dizer lhe qualquer coisa . Não admira que o Justin tivesse entrado em pânico . Parecia que estavas a incitar a serpente . Foi assustador , sabes ? Harry olhou para ele espantado . - Eu falei uma língua diferente ? Mas não me apercebi , como posso falar uma língua , sem saber que a conheço ? Ron abanou a cabeça . Tanto ele como Hermione tinham um ar fúnebre . Harry não percebia o que havia em aquilo de tão trágico . - Será que me querem explicar o que há de mal em ter impedido que uma serpente enorme arrancasse a cabeça a o Justin ? - perguntou . - Porque é tão importante como o fiz , se evitei que o Justin fosse juntar se a grupo de os SEM_CABEÇA ? - Importa - disse por fim Hermione , em uma voz abafada . - Porque falar com serpentes era a arte por a qual Salazar_Slytherin ficou famoso . Por isso , o símbolo de os Slytherin é uma serpente . Harry ficou de boca aberta . - Exacto - disse o Ron . - E agora todos em a escola vão pensar que tu és descendente de ele . - Mas não sou - contrapôs Harry com um pânico que não conseguia explicar . - Não vai ser fácil prová o - disse Hermione . - Ele viveu há quase mil anos . Pelo que vimos , podias ser . Em essa noite , Harry ficou acordado durante horas . Por uma fresta de os cortinados de a cama de dossel , olhou para a neve que começava a cair de o lado de_fora de a janela de a torre e perguntou se se poderia ser descendente de Salazar_Slytherin . Afinal , não sabia nada de a família de o pai , os Dursley tinham sempre proibido qualquer pergunta sobre os seus familiares feiticeiros . Calmamente , tentou dizer qualquer coisa em * serpentês * , mas as palavras não saíam . Parecia que era necessário estar frente_a_frente com uma cobra para poder fazê o . Mas eu sou um Gryffindor , pensou Harry , o chapéu seleccionador não me poria aqui se eu tivesse sangue de Slytherin ... - Ah ! - disse uma vozinha dentro de o seu cérebro . - Mas o chapéu seleccionador queria pôr te em os Slytherin , não te lembras ? Harry deu voltas e voltas a a cabeça . Em o dia seguinte , quando visse Justin em a aula de herbologia explicaria lhe que estava a afastar a serpente , não a atiçá a o que , aliás , pensou zangado , dando vários socos em a almofada , qualquer idiota teria percebido . Contudo , em a manhã seguinte , a neve que começara a cair durante a noite , transformara se em uma tempestade tão espessa que a última aula de herbologia de o período foi cancelada : a professora Sprout queria tapar as mandrágoras com peúgas e cachecóis , uma operação arriscada que ela não confiava a ninguém agora_que era tão importante que as mandrágoras crescessem depressa e reabilitassem Mrs._Norris e Colin_Creevey . Junto de a lareira de a sala comum de os Gryffindor , Harry matutava sobre o que se passara enquanto Ron e Hermione aproveitavam o foro para jogar xadrez de feitiçaria . - Com os diabos , Harry - disse Hermione exasperada quando um bispo derrubou um de os cavaleiros de o cavalo , arrastando o para fora de o tabuleiro . - Vai falar com o Justin , se isso é assim tão importante para ti . Harry levantou se e saiu por o buraco de o retrato , perguntando a si próprio onde poderia estar o Justin . O castelo estava mais escuro do_que era habitual durante o dia por causa de a neve espessa e cinzenta que cobria as janelas . A tremer , Harry passou por as salas onde estava a haver aulas , captando lampejos do_que sucedia lá dentro . A professora Mc_Gonagall gritava com alguém que , segundo lhe parecia por o som , transformara o parceiro em um texugo . Resistindo a a tentação de dar uma espreitadela , Harry afastou se pensando que Justin poderia estar a utilizar o tempo de o furo para fazer algum trabalho e resolveu , por isso , ir até a a biblioteca . Um grupo de alunos de os Hufflepuff , que deveriam ter estado em Herbologia , encontrava se , de facto , sentado em as traseiras de a biblioteca , mas não parecia estar a trabalhar . Entre as fileiras de as estantes altas , Harry pôde ver as suas cabeças muito juntas em aquilo que deveria ser uma conversa absorvente . Não conseguia perceber se Justin estaria em o meio de eles . Ia para se aproximar quando apanhou em o ar uma frase e parou para ouvir melhor , escondido em a secção de a invisibilidade . - Portanto - dizia um rapaz corpulento - eu disse a o Justin para se esconder em o nosso dormitório . Isto_é , se o Potter o escolheu como próxima vítima é melhor que ele tenha um * low profile * durante algum tempo . É claro que o Justin já estava a a espera que alguma coisa de o género acontecesse desde_que lhe escapou em uma conversa com o Potter que era filho de Muggles . O Justin disse lhe , inclusivamente , que tinha estado inscrito em Eton . Não é o tipo de coisa que se ande a dizer com o herdeiro de Slytherin a a solta por aí . - Achas mesmo_que é o Potter , Ernie ? - perguntou uma rapariga de tranças loiras , ansiosamente . - Hannah - disse com solenidade o rapaz corpulento . - Ele é um serpentês . Todos sabem que essa é a marca de um feiticeiro negro . Alguma vez ouviste falar de um feiticeiro decente que falasse com as cobras ? O Slytherin era conhecido por « Língua de serpente . . Houve alguns murmúrios antes de Ernie prosseguir : - Lembram se do_que estava escrito em a parede ? * _ Inimigos de o herdeiro , cuidado ! * . O Potter teve que ir a o gabinete de o Filch . E o que é_que acontece a seguir ? A gata de o Filch é atacada . O aluno de o primeiro ano , Creevey , estava a aborrecê o em a partida de Quidditch , a tirar lhe fotografias quando ele estava caído em a lama . E o que é_que acontece a seguir ? Creevey é atacado . - Mas ele parece sempre ser tão simpático - disse Hannah , cheia de dúvidas . - E , bem , foi ele que fez com que o Quem nós sabemos desaparecesse . Não pode ser assim tão mau , pois não ? Ernie baixou misteriosamente a voz . Os Hufflepuff inclinaram se mais uns para os outros e Harry aproximou se para conseguir apanhar as palavras de o Ernie . - Ninguém sabe como ele sobreviveu a aquele ataque de o Quem nós sabemos e , afinal , ainda era um bebé quando aquilo aconteceu . Era para ter explodido feito em estilhaços . Só um feiticeiro negro verdadeiramente poderoso teria sobrevivido a uma maldição de aquelas . - Baixou ainda mais a voz até esta ficar reduzida a um leve murmúrio e disse : - Talvez fosse por isso que o Quem nós sabemos o queria matar , para não ter outro feiticeiro negro a competir com ele . Gostava de saber que outros poderes ocultos terá o Potter . Harry não aguentou mais . Pigarreou alto e saiu detrás de as estantes . Se não estivesse tão zangado teria conseguido ver o lado cómico de a situação : cada_um de os Hufflepuff olhava para ele como_se tivesse sido petrificado , e a cor desaparecera de a cara de o Ernie . - Olá - disse Harry . - Estou a a procura de o Justin_Finch - _ Fletchley . Os piores receios de os Hufflepuff tinham se concretizado . Olharam apavorados para o Ernie . - O que queres de ele ? - perguntou Ernie em uma voz sumida . - Explicar lhe o que aconteceu com aquela cobra em o clube de os duelos - disse Harry . Ernie mordeu os lábios brancos e , em seguida , respirando fundo , respondeu : - Estávamos lá todos . Vimos o que aconteceu . - Então viram que depois de eu falar a serpente recuou - disse Harry . - O que eu vi - insistiu teimosamente Ernie , apesar_de tremer a cada palavra que proferia - foi tu a falares serpentês e a atiçares a cobra conta o Justin . - Eu não a aticei - gritou Harry enraivecido . - Ela nem lhe tocou . - Falhou por_pouco - disse Ernie . - E , para o caso de estares com ideias - acrescentou com má cara - posso dizer te que a minha família provem de nove gerações de bruxas e feiticeiros e que o meu sangue é tão puro como o de qualquer feiticeiro , portanto ... - Quero lá saber qual é o teu sangue - disse Harry furioso . - Porque iria eu atacar os filhos de os Muggles ? - Ouvi dizer que detestas os Muggles com quem vives - disse Ernie rapidamente . - Não é possível viver com os Dursley sem os detestar - explicou Harry . - Gostava de te ver lá em casa . Girou sobre os calcanhares e saiu furioso de a biblioteca sob o olhar reprovador de Madam_Prince que limpava a capa dourada de um enorme livro de encantamentos . Harry avançou a as cegas por os corredores , quase sem ver por_onde ia de tão furioso que estava . O resultado foi chocar com algo enorme e sólido que o fez recuar e cair a o chão . - Ah ! Olá , Hagrid - disse , olhando para_cima . Hagrid tinha o rosto completamente tapado com um lenço coberto de neve , mas não podia ser mais ninguém , enchendo assim o corredor dentro de o seu sobretudo de pele de toupeira . De uma de as enormes mãos enluvadas , pendia um galo morto . - Tudo bem , Harry ? - perguntou , afastando o lenço para poder falar . - Porque não estás em a aula ? - Foi cancelada - disse Harry , pondo se de pé . - O que estás a fazer aqui ? Hagrid mostrou lhe o galo inerte . - É o segundo qu'aparece morto este período - explicou . - Ou são raposas ou um vampiro chato e eu preciso d'autorização de o director p'ra fazer um feitiço em volta de a capoeira . Aproximou se e olhou mais de perto para o Harry , por debaixo de as suas sobrancelhas espessas e cheias de neve . - Tens a certeza que estás bem ? Pareces exaltado e preocupado . Harry não foi capaz de repetir o que Ernie e os outros Hufflepuff lhe tinham dito . - Não é nada , tenho de ir , Hagrid . A próxima aula é Transfiguração e preciso de ir buscar os meus livros . Afastou se , a cabeça cheia com tudo_o_que Ernie dissera a seu respeito . « * _ O_Justin já estava d espera que uma coisa de o género acontecesse desde_que deixou escapar , falando com o Potter , que era filho de Muggles * ... » Harry subiu as escadas a correr e entrou por um corredor que estava particularmente escuro . As tochas tinham sido apagadas por uma ventania gelada que entrava por uma janela de fecho estragado . Estava a meio de o corredor quando tropeçou em uma coisa que se encontrava em o chão . Olhou para ver o que era e sentiu como_se o estômago se tivesse dissolvido . Justin_Finch - _ Fletchley estava em o chão , rígido e frio com uma expressão de horror em o rosto e os olhos abertos voltados para o tecto . E não era tudo . Junto de ele estava mais alguém , a visão mais estranha que Harry tivera em toda_a sua vida . Era_o_Nick quase sem cabeça que não estava cor de pérola nem transparente e sim escuro como fumo . Flutuava imóvel , em a horizontal , 12 centímetros acima de o chão , a cabeça meio tombada e em o rosto uma expressão de choque idêntica a a de o Justin . Harry pôs se de pé com a respiração acelerada e o coração a bater como um tambor contra as costelas . Olhou desvairado para ambos os lados de o corredor deserto e viu uma fila de aranhas que corriam a_toda_a velocidade em a direcção oposta a a de os corpos . Os únicos sons eram as vozes abafadas de os professores em as aulas que decorriam de ambos os lados . Podia fugir e ninguém saberia que ali tinha estado , mas não era capaz de os abandonar assim . Tinha de ir procurar ajuda . Será que alguém acreditaria que ele não tivera nada que ver com aquilo ? Enquanto ali estava , em pânico , uma porta a o seu lado abriu se com grande estrondo . Peeves , o * poltergeist * , saiu a os gritos . - Oh ! É o Potter , olá , Potter - alardeou Peeves , lançando por o ar os óculos de o Harry quando passou por ele . - O que está o Potter a fazer ? Porque está o Potter escondido ? Peeves passou de cabeça para baixo , a meio de uma cambalhota em o ar , quando viu Justin e Nick quase sem cabeça . Com um movimento súbito endireitou se , encheu os pulmões de ar e , antes que Harry pudesse impedi o , gritou : __ ataque ! ataque ! outro ataque ! nenhum mortal ou fantasma está em segurança . corram , fujam , __ ataaaque ! Crac , Crac , Crac . Uma atrás de a outra , foram se abrindo todas_as portas a o longo de o corredor e as pessoas saíram para fora de as salas de aula . Durante alguns longos minutos houve uma tal confusão que Justin esteve em perigo de ser esmagado e as pessoas não paravam de chocar com o Nick quase sem cabeça . Harry deu por si colado a a parede enquanto os professores exigiam a os gritos que se fizesse silêncio . A professora Mc_Gonagall veio a correr , seguida por todos os alunos , um de os quais ainda trazia o cabelo a as riscas pretas e brancas . Usou a varinha para produzir um ruído que repôs o silêncio e mandou os alunos todos para dentro de as salas de aula . Mal lugar ficou desimpedido surgiu Ernie , o jovem Hufflepuff . - * _ Apanhado em flagrante ! * - gritou , com o rosto totalmente branco , apontando dramaticamente o dedo par Harry . - Basta_Mcmillan - disse , de forma cortante , a professora Mc_Gonagall . Peeves andava para_cima e para baixo , observando a cena com um sorriso maldoso . Sempre adorara o caos . Quando os professores se inclinaram sobre Justin e sobre o Nick quase sem cabeça para os examinar , iniciou uma cantilena : * _ Oh ! Potter , que fizeste , seu grande bandido * _ Tu matas os estudantes porque achas divertido . * - Basta , Peeves - rosnou a professora Mc_Gonagall e Peeves afastou se , deitando a língua de_fora a o Harry . Justin foi levado para a ala hospitalar por o professor Flitwick e por o professor Sinistra_do_Departamento_de_Astronomia , mas ninguém parecia saber o que fazer em relação a o Nick quase sem cabeça . Por fim , a professora Mc_Gonagall fez aparecer em o ar um enorme leque que entregou a Ernie com o encargo de conduzir , escadas acima , por os ares o Nick quase sem cabeça . Ernie assim fez , soprando Nick como_se fosse um aerodeslizador e deixando , de este modo , o Harry e a professora Mc_Gonagall a sós . - Por aqui , Potter - disse ela . - Professora , eu juro que não ... - Isso não é comigo , Potter - afirmou a professora Mc_Gonagall sinteticamente . Caminharam em silêncio até uma esquina e ela parou perante uma gárgula de pedra extremamente feia . - Refresco de limão - disse . Era obviamente uma senha porque a gárgula animou se subitamente e saltou para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes . Apesar_de estar apavorado com o que ia acontecer a seguir , Harry não conseguiu evitar um sentimento de fascínio . Por detrás de a parede estava uma escada em espiral que se movia lentamente para_cima como um elevador . E quando ele e a professora Mc_Gonagall puseram os pés em o primeiro degrau , Harry ouviu a parede fechar se atrás de eles . Subiram em círculos , cada_vez_mais alto até que , por fim , um_pouco tonto , Harry pôde ver uma porta de carvalho reluzente com um puxador de bronze em forma de abutre . Harry calculava onde estava a ser levado . Devia ser ali que morava Dumbledore . XII_A poção * polisuco * Saltaram de a escada de pedra lá mesmo em cima e a professora Mc_Gonagall bateu a a porta . Ela abriu se silenciosamente dando lhes entrada . A professora Mc_Gonagall disse lhe que esperasse e deixou o sozinho . Harry olhou em volta . Uma coisa era certa : de todos o escritórios de professores que conhecia , o de Dumbledor era , de longe , o mais interessante . Se não estivesse com um medo de morte de ser expulso teria adorado explorá o . Era uma sala grande e bonita em forma de círculo que estava cheia de barulhinhos estranhos . Havia um grande número de instrumentos prateados sobre várias mesas de pernas finas que zumbiam emitindo pequenas baforadas de fumo . As paredes estavam cobertas de fotografias de antigos directores e directoras , todos eles a dormir tranquilamente em as suas molduras . Havia ainda uma enorme secretária pés de garra . E , sobre uma prateleira atrás de ela , um chapéu de feiticeiro andrajoso e puído : * o chapéu seleccionador * . Harry hesitou . Lançou um olhar cauteloso a as bruxas e feiticeiros adormecidos a o longo de as paredes . Com certeza não fazia mal se lhe pegasse e o experimentasse só para ver ... só para ter a certeza de que ele o pusera em a equipa certa . Deu a volta a a secretária , retirou o chapéu de a prateleira e baixou o lentamente sobre a cabeça . Era demasiado grande e escorregou lhe para os olhos como de a outra_vez que o tinha posto . Harry olhou para o forro preto , enquanto esperava . Por fim , uma vozinha disse lhe a o ouvido : - Estás com macaquinhos em o sótão , Harry_Potter ? - Er ... sim - balbuciou Harry . - Er ... desculpa incomodar te , queria saber ... - Querias saber se te pus em a equipa certa - disse prontamente o chapéu . - Sim ... tu és particularmente difícil de seleccionar , mas eu mantenho o que disse antes . - O coração de Harry deu um salto . - Terias ficado bem em os Slytherin . Harry sentiu o estômago contorcer se . Agarrou o chapéu por a aba e tirou o de a cabeça . O chapéu seleccionador ficou pendurado em a mão de ele , inerte , desbotado e sujo . Harry voltou a pô o em a prateleira , sentindo se enjoado . - Estás enganado ! - disse em voz alta a o chapéu parado e silencioso , mas ele não se mexeu . Harry recuou para o observar melhor e foi então que ouviu um ruído estranho e grasnado atrás_de si que o fez dar uma volta . Não estava só , afinal_de_contas . Em um poleiro dourado atrás de a porta estava um pássaro de aspecto decrépito que parecia um peru meio depenado . Harry olhou para ele espantado e o pássaro olhou o também , grasnando de_novo . Harry achou que ele devia estar muito doente porque tinha os olhos parados e , enquanto olhava para ele , caíram lhe mais algumas penas de a cauda . Estava justamente a pensar que a única coisa que lhe faltava era que o pássaro de estimação de Dumbledore morresse quando ele estava ali sozinho com ele , em o escritório , quando a ave se incendiou . Harry gritou , em estado de choque , e recuou até a a secretária . Olhava nervosamente em volta , em busca de um jarro de água , mas não viu nenhum . O pássaro , entretanto , transformara se em uma bola de fogo , dera um guincho e , em seguida , desaparecera , deixando apenas um monte de cinzas em o chão . A porta de o escritório abriu se . Dumbledore entrou com ar taciturno . - Professor - gaguejou Harry . - O seu pássaro ... eu não pode fazer nada ... ele incendiou se . Para seu grande espanto , Dumbledore sorriu . - Já não era sem tempo . Estava com um aspecto horrível em os últimos dias . Fartei me de lhe dizer que fizesse qualquer coisa . Riu se entre dentes com a expressão em o rosto de Harry . - A Fawkes é uma fénix , Harry . As fénix ardem quando é altura de morrer e renascem de as cinzas , repara ... Harry olhou mesmo a_tempo_de ver um passarinho recém-nascido , todo enrugado , espetar a cabeça fora de as cinzas . Era quase tão feio como o antigo . - É uma pena que a tenhas conhecido em dia de arder - disse Dumbledore , passando para trás de a secretária . - É muito bonita a maior parte de o tempo , com uma plumagem vermelha e dourada . São criaturas fascinantes , as fénix . Podem transportar cargas pesadíssimas , as suas lágrimas têm propriedades curativas e são animais de estimação extremamente fiéis . Com o choque de a fénix a pegar fogo , Harry esquecera se de o motivo porque ali estava , mas tudo voltou rapidamente quando Dumbledore se instalou em a cadeira de espaldar alto e o fixou com os seus olhos azuis e penetrantes . Contudo , antes que ele tivesse tido tempo de falar , a porta de o escritório abriu se de par em par com um enorme estrondo e Hagrid entrou com um olhar tresloucado , o lenço todo torcido em volta de a cabeça hirsuta e o galo morto ainda pendurado em a mão . - Não foi Harry , professor Dumbledore - disse , aflito . - Eu tinha estado a falar com ele poucos segundos antes de o rapazinho ser encontrado , ele não teve tempo professor ... Dumbledore tentou dizer qualquer coisa , mas Hagrid continuou , abanando o galo em o meio de a sua agitação e espalhando penas por todo o lado . - Não pode ter sido ele . Eu juro em a frente de o ministro de a magia , se for preciso ... - Hagrid , eu ... -- Tem o rapaz errado , professor . Eu sei qu'o Harry nunca ... - Hagrid - disse Dumbledore , elevando a voz . - Eu não penso que o Harry tenha atacado aquelas pessoas . - Oh ! - disse Hagrid , com o galo pendendo inerte a o seu lado . - Certo , ' tão eu espero lá fora , director . E saiu com ar envergonhado . - O senhor não acha que tenha sido eu ? - repetiu Harry cheio de esperança , enquanto Dumbledore sacudia penas de galo de cima de a secretária . - Não , Harry , não acho - afirmou Dumbledore , apesar de a sua expressão ser de_novo sombria . - Mas mesmo_assim quero falar contigo . Harry esperou ansiosamente enquanto o director o observava com as pontas de os dedos longos unidas . - Tenho de saber uma coisa . Harry , há alguma pergunta que queiras fazer me , qualquer que ela seja ? Harry não soube o que dizer . Lembrou se de Malfoy a gritar * _ Vocês serão os próximos , sangues de lama * e de a poção * _ Polisuco * em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Depois pensou em a voz sem corpo que ouvira duas vezes e em o que o Ron dissera * _ Ouvir vozes que ninguém mais ouve não é bom sinal , nem mesmo em o mundo de a feitiçaria * . Pensou também em o que toda_a_gente dizia de ele e em o receio cada_vez maior de ter uma relação qualquer com Salazar_Slytherin ... - Não - disse por fim . - Não há nada , professor . O ataque duplo a Justin e a o Nick quase sem cabeça transformou o que até_então era nervosismo em verdadeiro pânico . Curiosamente fora o destino de o Nick quase sem cabeça o que mais preocupara as pessoas . Quem poderia ter feito aquilo a um fantasma ? - perguntavam uns a os outros . - Que poder terrível era aquele , capaz de afectar alguém que já tinha morrido ? Houve uma precipitação enorme em a marcação de os bilhetes em o Expresso_de_Hogwarts , pois todos os alunos quiseram ir passar o Natal a casa . - Por este caminho , vamos ser os únicos a ficar - disse o Ron a o Harry e a a Hermione . - Nós , o Malfoy , o Goyle e o Crabbe , que férias lindas que vão ser ! Crabbe e Goyle que faziam sempre o que Malfoy fazia , tinham se inscrito para ficar também durante as férias . Mas Harry estava contente por a maior parte se ir embora . Estava farto de ver gente a afastar se em os corredores como_se ele fosse mostrar os dentes ou cuspir veneno . Estava cansado de tantos segredinhos , de os ver apontar e segredar quando passava . O Fred e o George , esses achavam muito divertido . Vinham , de propósito , pôr se a a frente de ele e atravessavam os corredores a gritar : - Abram alas para o herdeiro de Slytherin , vai passar um feiticeiro verdadeiramente cruel . Percy discordava totalmente de este comportamento . - Não é um assunto para se brincar - dizia com frieza . - Sai mas é de o caminho , Percy - dizia o Fred . - O Harry está com pressa . - Sim , ele vai a a Câmara_dos_Segredos tomar uma chávena de chá com o seu servidor dentes de serpente - completava Fred com uma gargalhada . Ginny também não lhes achava graça . - Cala te - gritava ela sempre_que o Fred perguntava em voz alta a o Harry quem estava a pensar atacar a seguir , ou quando George fingia afastá o com um enorme dente de alho . Harry não se importava . Fazia o sentir se melhor o facto de constatar que , pelo_menos para o Fred e para o George , a ideia de ele ser o herdeiro de Slytherin era absolutamente ridícula . Mas as palhaçadas de eles pareciam ofender Draco_Malfoy que , de cada_vez que os via , ficava mais irritado . - É porque está ansioso por dizer que é mesmo ele - disse o Ron com ar conhecedor . - Sabes como ele detesta que alguém o ultrapasse e tu estás a receber todo o crédito por o seu trabalho sujo . - Não vai ser por muito_tempo - disse Hermione com uma voz satisfeita . - A poção * polisuco * está quase pronta . Um de estes dias arrancamos lhe a verdade . Finalmente , o período chegou a o seu termo e um silêncio profundo como a neve em os campos desceu sobre o castelo . Harry adorou a tranquilidade e apreciou o facto de ele , Hermione e os Weasley terem a torre de os Gryffindor por sua conta , poderem jogar a as explosões bem alto , sem incomodar ninguém e praticar duelos entre si . O Fred , o George e a Ginny tinham preferido ficar em a escola a ir com Mr. e Mrs._Weasley a o Egipto visitar o Bill . Percy que reprovava e considerava infantil a conduta de eles , não passava muito_tempo em a sala comum de os Gryffindor . Já lhes dissera pomposamente que só ficara ali em o Natal , por ser sua obrigação como prefeito apoiar os professores em aquela época agitada . A manhã de o dia de Natal clareou branca e fria . Harry e Ron , os únicos que estavam em o dormitório , foram acordados muito cedo por Hermione que entrou , toda vestida , transportando presentes para ambos . - Acordem - disse em voz alta , abrindo os cortinados . - Hermione , tu não devias estar aqui - exclamou o Ron , protegendo os olhos de a luz . - Feliz_Natal para ti também - disse Hermione , atirando lhe o presente que tinha para ele . - Estou acordada há quase uma hora , acrescentando mais asas de renda a a poção . Está pronta . Harry sentou se , subitamente acordado . - Tens a certeza ? - Absoluta - disse ela , afastando o rato Scrabbers para se sentar a os pés de a cama de dossel . - Se vamos mesmo tomá a , acho que devia ser logo a a noite . Em esse momentzo , a Hedwig entrou em o quarto , transportando em o bico um embrulho pequenino . - Olá - disse Harry , feliz a o vê a aterrar em a sua cama . - Já me falas outra_vez ? Ela mordiscou lhe a orelha de uma forma afectuosa que foi , de longe , um presente melhor do_que aquele que transportava e que era afinal de os Dursley . Tinham mandado a Harry um palito para os dentes com um cartão pedindo lhe que se informasse se não poderia ficar , também em o Verão , em Hogwarts . Os outros presentes que Harry recebeu foram bastante melhores . Hagrid mandara lhe uma lata grande de bombons de melaço que ele decidiu amolecer a o lume antes de comer , o Ron deu lhe um livro chamado * _ Voando com Canhões * , que narrava factos interessantes sobre a sua equipa favorita de Quidditch e Hermione trouxera lhe uma luxuosa pena de águia . Harry abriu o último presente onde vinha uma camisola novinha , feita a a mão por Mrs._Weasley e um grande bolo de passas . Pegou em o cartão com uma nova sensação de culpa , pensando em o carro de Mr._Weasley que não voltara a ser visto desde_que chocara contra o salgueiro zurzidor e em a quantidade de infracções que ele e o Ron tinham em mente . Ninguém , nem mesmo os que estavam cheios de medo por terem de tomar a poção * polisuco * a seguir , deixou de adorar o jantar de Natal em Hogwarts . O salão nobre estava magnífico . Não_só havia uma_dúzia de árvores de Natal , cobertas de geada e espessas serpentinas de azevinho e visco bravo cruzando se junto de o tecto como caia uma neve encantada quente e seca . Dumbledore conduziu os em uma de as suas canções de Natal preferidas enquanto Hagrid se agitava , falando cada_vez_mais alto , a cada gole de gemada que tomava . O Percy que não dera por_que Fred enfeitiçara o seu distintivo de prefeito , onde agora podia ler se « cabeça de alfinetes « , continuava a perguntar a todos para_onde estavam a olhar . Harry nem_sequer se importou com os comentários que Draco_Malfoy fazia bem alto , de a mesa de os Slytherin acerca de a sua camisola nova . Com alguma sorte , Malfoy iria ser desmascarado dentro_de algumas horas . Harry e Ron mal tinham acabado a terceira dose de pudim de Natal quando Hermione os fez sair de o salão a a pressa para acabarem de tratar de os planos para essa noite . - Ainda precisamos de um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos - disse com o ar mais natural de este mundo como_se estivesse a mandá os a o supermercado comprar detergente . - E , é claro que o ideal será conseguirmos alguma coisa de o Crabbe e de o Goyle , são os melhores amigos de o Malfoy , ele conta lhes tudo . E precisamos também de ter a certeza de que eles não vão entrar em a sala quando vocês estiverem a interrogar o Malfoy . - Eu tenho tudo pensado - prosseguiu ela , ignorando a expressão estupefacta de Harry e Ron . Pegou em dois apetitosos bolos de chocolate . - Pus lhes um encantamento de sono . Vocês só têm de fazer com que o Crabbe e o Goyle os encontrem . Sabem como eles são gulosos , vão logo comê os . Quando estiverem a dormir , tirem lhes alguns cabelos e escondam nos em uma despensa de vassouras . Harry e Ron olharam , incrédulos , um para o outro . -- Hermione , eu não creio que ... -- Isto pode correr muito mal ... Mas Hermione tinha um brilho inflexível em os olhos que não era muito diferente do_que costumavam ver em o olhar de a professora Mc_Gonagall . - A poção não nos serve de nada sem os cabelos de o Crabbe e de o Goyle - disse com firmeza . - Vocês querem mesmo descobrir coisas sobre o Malfoy , não querem ? - Pronto , está bem - disse Harry . - Mas , e tu , vais arranjar cabelos de quem ? - Eu já tenho esse assunto resolvido - disse Hermione sorridente , tirando um frasquinho de o bolso e mostrando lhes um cabelo que lá estava dentro . - Lembram se de a Millicent_Bulstrode que lutou comigo em o clube de os duelos ? Ela deixou isto em o meu manto quando tentava estrangular me . E foi passar o Natal a casa , portanto , basta me dizer a os Slytherins que decidi voltar . Quando Hermione saiu para verificar de_novo a poção polisuco , Ron voltou se para Harry com uma expressão lúgubre . - Alguma vez viste um plano onde tantas coisas pudessem correr mal ? Mas para grande espanto de ambos , a primeira fase de a operação decorreu tão naturalmente como Hermione previra . Eles esconderam se em o * hall * de entrada , depois de o lanche de Natal , a a espera de o Crabbe e de o Goyle que tinham ficado sozinhos a a mesa de os Slytherin , deitando abaixo a quarta dose de bolo inglês . Harry colocou os bolos de chocolate em o fim de o corrimão . Quando avistaram Crabbe e Goyle a sair de o salão , Harry e Ron esconderam se rapidamente atrás_de uma armadura que estava junto de a porta de entrada . - Como_se pode ser tão estúpido ? - murmurou Ron sem se mexer enquanto Crabbe apontava satisfeitíssimo , mostrando a Goyle os bolos e agarrando os . Com um riso estúpido , enfiaram nos inteiros em as bocas enormes . Durante um momento , ambos mastigaram avidamente com olhares vitoriosos em o rosto . Depois , sem que a expressão se alterasse , caíram para trás e estatelaram se em o chão . Mais difícil foi transportá os para a despensa de o outro lado de o * hall * . Uma_vez armazenados em o meio de os baldes e esfregões , Harry arrancou alguns de os pêlos que cobriam a cabeça de o Goyle e Ron tirou alguns cabelos a o Crabbe . Roubaram lhes também os sapatos porque os de eles eram demasiado pequenos para os enormes pés de o Crabbe e de o Goyle . Em seguida , ainda atordoados com o que tinham acabado de fazer , correram até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mal conseguiam ver com o fumo preto e espesso que saía de o cubículo onde Hermione mexia o caldeirão . Tapando o rosto com os mantos , Harry e Ron bateram a o de leve em a porta . - Hermione ? Ouviram o ruído de o trinco e Hermione apareceu com a cara lustrosa e um ar ansioso . Por trás de ela ouviam o gloop gloop de a poção espessa e gorgolejante . Em o banco de a casa_de_banho estavam três copos de vidro . - Conseguiram ? - perguntou Hermione quase sem fôlego . Harry mostrou lhe o cabelo de o Goyle . - _ óptimo . Eu tirei estes mantos suplementares de a lavandaria - disse ela , pegando em uma pequena saca . - Vocês vão precisar de tamanhos maiores se vão ser o Crabbe e o Goyle . Olharam os três para o caldeirão . Vista de perto , a poção parecia uma lama espessa e escura a borbulhar indolentemente . - Tenho a certeza que fiz tudo certo - disse Hermione nervosa , relendo a página manchada de * _ Moste_Potente_Potions * . - Tem o aspecto que o livro diz que deveria ter ... depois de a tomar temos precisamente uma hora antes de nos transformarmos de_novo em as pessoas que somos . - E agora ? - murmurou o Ron . - Separamos a em três copos e adicionamos os cabelos . Hermione encheu cada_um de os copos com uma concha de sopa . Em seguida , retirou com a mão a tremer o cabelo de Millicent_Bulstrode de dentro de o frasquinho e pô o em o primeiro copo . A poção chiou fortemente como uma chaleira a ferver e espumou como louca . Um segundo depois ganhara um tom de amarelo doentio . - Urgh ! Essência_de_Millicent_Bulstrode - disse Ron , olhando com repugnância . - Aposto que o sabor é nojento . - Deitem os vossos - disse Hermione . Harry deixou cair o cabelo de o Goyle em o copo de o meio e Ron lançou o de o Crabbe em o último . Ambos chiaram e espumaram : o de o Goyle ficou de um tom caqui , o de o Crabbe de um castanho-escuro algo tenebroso . - Esperem - pediu Harry quando Ron e Hermione pegaram em os copos . - Será melhor não os tomarmos aqui todos juntos em um cubículo ; quando em os transformarmos não vamos cá caber e Millicent_Bulstrode não é nenhum duende . - Bem pensado - admitiu o Ron , abrindo a porta . - Cada_um em seu cubículo . Com todo o cuidado , para não entornar nem uma gota de a poção polisuco , Harry esgueirou se para o cubículo de o meio . - Prontos ? - perguntou . - Prontos - responderam as vozes de o Ron e de a Hermione . - Um , dois , três . Tapando o nariz , Harry bebeu a poção em dois grandes tragos . Tinha o sabor de a couve demasiado cozida . Os seus interiores começaram imediatamente a contorcer se como_se tivesse engolido serpentes vivas . Dobrado , Harry perguntava a si próprio se iria vomitar . Depois , uma sensação de ardor espalhou se rapidamente de o estômago até a as pontas de os dedos de as mãos e de os pés . Em seguida , fazendo o sobressaltar se , sobreveio o sentimento horrível de estar a derreter enquanto a pele de todo o seu corpo borbulhava como cera quente e , perante os seus olhos , as mãos começaram a crescer , os dedos a engrossar , as unhas a alargar e as articulações a tornarem se protuberantes como ferrolhos . Os ombros retesaram se dolorosamente e uma comichão em a testa preveniu o de que o cabelo estava a rastejar em direcção a as sobrancelhas . As túnicas rasgaram se enquanto o tórax se expandia como um barril , rebentando com os seus anéis . Os pés estavam em grande sofrimento dentro_de sapatos quatro números abaixo . Tão depressa como começara , tudo parou . Harry estava caído em o chão de pedra fria , ouvindo a Murta_Queixosa gorgolejando taciturna em o cubículo de o fundo . Com alguma dificuldade tirou os sapatos e levantou se . Era então assim que o Goyle se sentia ! Com a mão enorme a tremer , despiu a sua túnica que lhe ficava 30 centímetros acima de os tornozelos , pegou em as túnicas suplementares e amarrou os atacadores de os sapatos abotinados de o Goyle . Quis escovar o cabelo para o afastar um_pouco de os olhos e deu apenas com os pêlos hirsutos que lhe cresciam em a testa . Apercebeu se então de que os óculos lhe toldavam a visão porque o Goyle , obviamente , não precisava de eles . Tirou os e gritou . - Vocês estão bem ? - De a sua boca saiu a voz baixa e grossa de o Goyle . - Sim - respondeu lhe o grunhido de o Crabbe , a a sua direita . Harry abriu a porta de o cubículo e dirigiu se a o espelho partido . O Goyle olhava o de o outro lado com os seus olhos parados . Harry coçou a orelha e Goyle fez o mesmo . A porta de o Ron abriu se . Olharam um para o outro . Harry estava pálido e chocado . O amigo não se distinguia de o Crabbe , desde o corte de cabelo em forma de tigela até a os longos braços de gorila . - É inacreditável - disse o Ron , aproximando se de o espelho e beliscando o nariz achatado de o Crabbe . - Inacreditável ! - É melhor irmos indo - disse Harry , alargando a pulseira de o relógio que lhe cortava o pulso . - Ainda temos de descobrir onde fica a sala comum de Slytherin . Só espero que encontremos alguém que vá para lá e que nós possamos seguir . Ron que tinha estado a olhar espantado para ele , comentou : - Não imaginas como é bizarro ver o Goyle a pensar - bateu em a porta de Hermione . - Vamos , temos que ir ... Respondeu lhe uma voz aguda : - Eu ... eu acho que afinal não vou . Vão vocês sem mim . - Hermione , nós sabemos que a Millicent_Bulstrode é feia , ninguém vai pensar que és tu . - Não , a sério , acho que não vou . Despachem se vocês os dois , estão a perder tempo . Harry olhou para Ron , baralhado . - Aquilo parece mais de o Goyle , é como ele fica sempre_que algum professor lhe faz uma pergunta . - Estás bem , Hermione ? - perguntou Harry , através de a porta . - _ óptima , estou óptima , vão se embora . Harry olhou para o relógio . Cinco preciosos minutos tinham já passado . - Encontramo nos aqui , está bem ? - disse . Os dois abriram a porta de a casa_de_banho com todo o cuidado , viram se o caminho estava livre e saíram . - Não balances assim os braços - disse o Harry a o Ron . - Hein ? - O Crabbe anda sempre com eles esticados . - Assim ? - Isso , assim está melhor . Desceram a escadaria de mármore . Só precisavam agora de um Slytherin que pudessem seguir até a a sala comum , mas não havia ninguém por perto . - Tens alguma ideia ? - perguntou Harry em um murmúrio . - Os Slytherin vêm sempre de ali para o pequeno-almoço - disse o Ron , apontando para a entrada de os calabouços . Mal tinha pronunciado estas palavras quando uma rapariga de cabelo comprido a os caracóis , apareceu . - Desculpa - disse o Ron , sem perder tempo . - Esquecemo nos de o caminho para a nossa sala comum . - Como ? - disse a rapariga com a maior frieza . - A * nossa * sala comum ? Eu sou uma Ravenclaw . Afastou se , olhando para eles , desconfiada . Harry e Ron desceram apressadamente os degraus de pedra até a a escuridão . Os passos ecoavam em o silêncio , à_medida_que os pés enormes de Crabbe e Goyle tocavam em o chão , fazendo os sentir que as coisas não iam ser tão fáceis como eles desejavam . Os corredores labirínticos estavam desertos . Andaram e tornaram a andar por os subterrâneos , olhando constantemente para os relógios para ver quanto tempo ainda lhes restava . Depois de um quarto de hora , quando começavam a ficar desesperados , ouviram um movimento súbito . - Olha - disse o Ron , agitadamente . - Agora é um de eles . A silhueta saía de uma sala , mas quando se aproximaram o coração de ambos esmoreceu . Não era um Slytherin , era Percy . - O que estás a fazer aqui em baixo ? - perguntou o Ron surpreendido . - Isso - disse ele friamente - não é de a tua conta . És o Crabbe , não és ? - Er ... sim , sim - respondeu o Ron . - Então vão para o vosso dormitório - ordenou Percy com firmeza . - Não é seguro andar a passear por os corredores escuros em os dias que correm . - Tu andas -- fez notar o Ron . - Eu - disse o Percy endireitando se - sou um prefeito . Nada vai atacar me . Ouviu se , de repente , uma voz por_detrás_de Harry e Ron . Era_Draco_Malfoy e , pela_primeira_vez em a vida , Harry ficou satisfeito a o vê o . - Aí estão vocês - disse de modo arrastado , olhando para eles . - Têm estado a chafurdar em o salão este tempo todo ? Tenho andado a a vossa procura , quero mostrar vos uma coisa muito divertida . Malfoy olhou misteriosamente para Percy . - E o que fazes tu aqui , Weasley ? - perguntou com ar de desprezo . Percy olhou , sentindo se ultrajado . - Fazes favor de mostrar um_pouco mais de respeito por um prefeito de a escola - disse . - Não gosto de o teu ar . Malfoy riu se e fez sinal a o Harry e a o Ron para que o seguissem . Harry quase ia pedindo desculpa a o Percy , mas deu se conta a tempo . Apressaram se a seguir o Malfoy que disse , mal viraram em o corredor seguinte : - Aquele Peter_Weasley ... - O Percy - corrigiu Ron automaticamente . - Ou isso - continuou Malfoy . - Ultimamente tenho o visto muitas_vezes a andar por aí sorrateiramente e aposto que sei o que ele quer . Pensa que vai apanhar o herdeiro de Slytherin sozinho . Deu uma pequena gargalhada ridícula . Harry e Ron trocaram olhares nervosos . Malfoy parou junto de uma parede de pedra húmida . - Qual é a senha ? - perguntou a o Harry . - Er ... - Ah ! sim , sangue puro - disse Malfoy sem ouvir e uma porta de pedra , oculta em a parede , abriu se . Malfoy entrou e Harry e Ron seguiram o . A sala comum de os Slytherin era uma ampla divisão subterrânea com espessas paredes de pedra e um tecto de o qual estavam pendurados por correntes vários candeeiros redondos que davam uma luz esverdeada . O fogo crepitava em uma lareira elaboradamente esculpida em frente de a qual se viam as silhuetas de vários Slytherins sentados em cadeiras igualmente esculpidas . - Esperem aí - disse Malfoy a o Harry e a o Ron , encaminhando os para um par de cadeiras vazias , longe de o lume . - Eu vou buscar o que o meu pai acaba de me mandar . Sem saber o que Malfoy iria mostrar lhes , Harry e Ron sentaram se , fazendo todos os possíveis por parecer a a vontade . Malfoy voltou um minuto depois , trazendo em a mão o que parecia ser um recorte de jornal . Pô o debaixo de o nariz de o Ron . - Vais te rir - disse . Harry viu os olhos de o Ron abrirem se como_se estivesse em estado de choque . Viu o ler o recorte rapidamente , dar uma gargalhada forçada e estender lhe o em seguida . Tinha sido retirado de o * _ Profeta_Diário * e dizia : inquérito em o ministério de a magia * _ Arthur_Weasley , chefe de o Gabinete_de_Mau_Uso_dos_Utensílios_dos_Muggles foi hoje multado em cinquenta galeões por ter enfeitiçado um carro de os Muggles . * _ O senhor Lucius_Malfoy , Membro_do_Conselho_Directivo_da_Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts , onde o carro enfeitiçado foi chocar em o princípio de este ano , exigiu hoje a demissão de Mr._Weasley . « * _ O_Weasley trouxe o descrédito a o Ministério « - declarou Mr._Malfoy a o nosso repórter . - « É claramente incompetente para fazer cumprir as leis e a sua protecção ridícula de os Muggles deveria ir imediatamente para a sucata . » * _ Mr._Weasley recusou se a fazer comentários , mas a sua mulher disse a os repórteres que desaparecessem de ali ou lançaria contra eles o vampiro de a família * . - Então - disse Malfoy impaciente quando Harry voltou a entregar lhe o recorte . - Não achas o_máximo ? - Ha , ha - fez Harry tristemente . - O Arthur_Weasley gosta tanto de os Muggles que era capaz de partir a sua varinha a o meio para se juntar a eles - disse Malfoy com desprezo . - Ninguém diria que os Weasley eram sangue puro a avaliar por o modo como_se comportam . A cara de o Ron , ou melhor , de o Crabbe , contorceu se de raiva . - O que é_que se passa ? - perguntou Malfoy . - Dores de estômago - gemeu o Ron . - Então vai a a ala hospitalar e dá a todos aqueles sangues de lama um pontapé de a minha parte - disse Malfoy com o seu riso escarninho . - Sabes que estou espantado por o * _ Profeta_Diário * ainda não se ter referido a todos estes ataques - continuou pensativamente . - Calculo que o Dumbledore deve estar a tentar abafar as coisas . Ele ainda é posto em a rua se isto não acaba depressa . O pai sempre disse que Dumbledore foi a pior coisa que aqui veio parar . Ele adora os filhos de os Muggles , um director decente nunca deixaria um lodo como o Creevey entrar em esta escola . Malfoy começou a fingir que tirava fotografias com uma máquina imaginária e fez uma imitação maldosa , mas bastante fiel de o Colin : - Potter , posso tirar te a fotografia ? Dás me um autógrafo ? Posso lamber te os sapatos , por favor , Potter ? Baixou as mãos e olhou para Harry e Ron . - O que é_que se passa com vocês os dois ? Um_pouco atrasados , Harry e Ron forçaram o riso e Malfoy pareceu satisfeito . Talvez Crabbe e Goyle fossem sempre de reacção lenta . - O santo Potter , amigo de os sangues de lama - disse Malfoy . - É outro que não tem os sentimentos de um feiticeiro a sério ou não andaria por aí com aquela empertigada sangue de lama Granger . E as pessoas a pensarem que ele é o herdeiro de Slytherin . Harry e Ron esperaram com a respiração entrecortada : o Malfoy ia certamente dizer lhes , dentro_de segundos , que era ele , mas então ... - Quem me dera saber quem ele é - disse o Malfoy , de forma petulante . - Podia ajudá o . O queixo de o Ron caiu de tal maneira que a cara de o Crabbe ficou ainda mais desajeitada do_que era habitual . Felizmente Malfoy não deu por nada e Harry , em um pensamento rápido , disse : - Deves ter alguma ideia de quem está por_detrás_de tudo ... - Sabes perfeitamente que não tenho , Goyle , quantas vezes é preciso dizer te ? - cortou Malfoy . - E o pai também não me diz nada sobre a última vez que a câmara foi aberta . É claro que foi há cinquenta anos , antes de ele cá andar , mas o pai sabe tudo a esse respeito e diz que as coisas foram mantidas em grande segredo e que pareceria suspeito se eu soubesse demasiado . Mas há uma coisa que eu sei : de a última vez que a câmara foi aberta , morreu um sangue de lama . Por isso , aposto que é uma questão de tempo até que um de eles seja morto . Só espero que seja a Granger - disse satisfeito . Ron fechara os punhos gigantescos de o Crabbe . Sentindo que deitaria tudo a perder se ele desse um soco a o Malfoy , Harry lançou lhe um olhar de aviso e disse : - Sabes se a pessoa que abriu a câmara de a última vez foi apanhada ? - Ah ! sim , essa pessoa foi expulsa - disse Malfoy . - Ainda deve estar em Azkaban . - Azkaban ? - repetiu Harry confuso . - Azkaban , a prisão de os feiticeiros , Goyle - disse Malfoy , olhando para ele incrédulo . - Francamente , se fosses mais lento andavas para trás . Esticou se intranquilo , em a cadeira e disse : - O pai diz para eu esfriar a cabeça e deixar que o herdeiro de Slytherin faça o seu trabalho . Acha que a escola precisa de se livrar de a escória de os sangues de lama , mas não quer que eu me envolva em nada . Claro que ele agora tem um prato cheio . Sabes que o Ministério de a magia fez uma busca a a nossa mansão em a semana passada ? Harry tentou forçar a cara de bronco de o Goyle a uma expressão preocupada . - Sim - continuou Malfoy . - É claro que não encontraram grande coisa . O pai guarda uns materiais de magia negra muito valiosos , mas , felizmente , temos a nossa câmara secreta debaixo de o soalho de a sala de visitas ... - Ah ! - disse o Ron . Malfoy olhou para ele . Harry também . Ron corou e até o cabelo começou a ficar vermelho . O nariz estava também a diminuir lentamente ... a hora tinha acabado . Ron estava a voltar a a sua forma habitual e por o olhar de horror que lançou a Harry certamente ele também estava . Puseram se rapidamente de pé . - Tenho de tomar o remédio para o estômago - grunhiu o Ron e sem mais explicações saíram ambos a correr de a sala comum de os Slytherin , precipitaram se para a parede de pedra e galgaram a passagem , pedindo a todos os santos que Malfoy não tivesse dado por nada . Harry sentia os pés a nadarem em os sapatos enormes de o Goyle e tinha de levantar o manto visto_que diminuíra de tamanho . Subiram os degraus a correr até a o * hall * escuro de entrada onde se ouvia um som abafado que vinha de a despensa onde tinham fechado o Crabbe e o Goyle . Deixando os sapatorros de os dois de o lado de_fora , subiram já com os respectivos sapatos a escadaria de mármore até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Bem , não foi uma total perda de tempo - disse o Ron ofegante , fechando atrás_de si a porta de a casa_de_banho . - É certo que ainda não descobrimos de quem vêm os ataques , mas vou escrever a o meu pai amanhã a dizer lhe que procure debaixo de o soalho de a sala de visitas de o Malfoy . Harry olhou para o espelho partido . Tinha voltado a o normal . Pôs os óculos enquanto Ron batia em a porta de o cubículo de Hermione . - Hermione , sai de aí , temos um monte de coisas para te contar ... - Vão se embora - guinchou Hermione . Harry e Ron olharam um para o outro . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron . - Tu já deves ter voltado a o normal como nós ... Mas a Murta_Queixosa saiu subitamente através de a porta de o cubículo com um ar divertido como nunca a tinham visto . - Oh ! Esperem até ver - disse ela . - É horrível ! Ouviram o trinco de a porta a abrir se e Hermione apareceu a soluçar , a túnica levantada a cobrir lhe o rosto . - O que foi ? - perguntou o Ron indistintamente . - Ainda tens o nariz de a Millicent ou alguma coisa assim ? Hermione deixou cair a roupa e Ron recuou rapidamente . O rosto de ela estava coberto de pêlo preto , os olhos tinham ganho uma cor amarela e as orelhas eram pontiagudas , saindo espetadas para fora de os cabelos . - Era um pêlo de g-gato - disse a chorar . - A Millicent_Bulstrode d-deve ter um gato e a poção não está preparada para transformação em animais . - Oh-oh - disse o Ron . - Vão te gozar horrivelmente - disse a Murta , felicíssima . - Não te preocupes , Hermione - tranquilizou a rapidamente o Harry . - Vamos levar te para a ala hospitalar , a Madam_Pomfrey nunca faz muitas perguntas ... Não foi fácil convencer Hermione a sair de a casa_de_banho . A Murta_Queixosa despediu se com uma gargalhadavigorosa e grosseira . - Espera até todos descobrirem que tens uma cauda ! XIII_O diário muito secreto Hermione ficou em a ala hospitalar durante várias semanas . Houve uma onda de boatos sobre o seu desaparecimento quando o resto de os alunos voltou de as férias de Natal porque , é claro , todos pensam que ela tinha sido atacada . Foram tantos os estudantes a rondar a ala hospitalar para espreitar a ver se a viam que Madam_Pomfrey desceu de_novo as cortinas de a cama de ela para a poupar a a vergonha de ser vista com pêlo em a cara . Harry e Ron iam visitá a todas_as tardes . Quando o segundo período começou passaram a levar lhe diariamente os trabalhos de casa . - Se eu tivesse o bigode a crescer , tinha uma folga de o trabalho - disse uma tarde o Ron enquanto colocava uma pilha de livros a a cabeceira de a cama de Hermione . - Não sejas parvo , Ron , eu tenho de me manter a par de as coisas - disse Hermione com vivacidade . O humor de ela melhorara bastante com o facto de lhe ter desaparecido todo o pêlo de o rosto e de os olhos estarem lentamente a retomar a cor castanha . - Calculo que não tenham novas pistas ? - disse em um murmúrio para evitar que Madam_Pomfrey os ouvisse . - Nada - disse Harry tristemente . - Eu tinha tanta certeza de que era o Malfoy - repetiu o Ron por a centésima vez . - O que é isso ? - perguntou Harry , apontando para uma coisa com brilho dourado que estava debaixo de a almofada de Hermione . - É só um cartão a desejar boas melhoras - disse ela precipitadamente , tentando escondê o , mas o Ron foi mais rápido . Pegou lhe , abriu o e leu em voz alta : * _ Para_Miss_Granger , desejando lhe uma rápida recuperação , com o interesse e estima de o professor Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , Terceiro grau , Membro_Honorário_da_Liga_de_Defesa contra as Artes_Negras e vencedor por cinco vezes de o prémio O sorriso mais charmoso de a semana de o Semanário_das_Bruxas * . Ron olhou desconsolado para Hermione . - Tu dormes com isto debaixo de a almofada ? Mas Hermione foi poupada a ter de responder por a entrada de Madam_Pomfrey que lhe trazia a dose de medicamento de a tarde . - Achas que o Lockhart é o tipo mais esperto que conheceste ? - perguntou o Ron a o Harry quando saíram de a enfermaria e começavam a subir as escadas para a torre de os Gryffindor . O Snape tinha lhes passado tanto trabalho para_casa que Harry pensou que ia chegar a o sexto ano antes de o ter acabado . Ron vinha a dizer que devia ter perguntado a a Hermione quantas caudas de rato deveria juntar se a uma poção para o crescimento de o cabelo quando um grito de raiva vindo de o andar de cima lhes chegou a os ouvidos . - É o Filch - murmurou Harry enquanto subiam apressadamente as escadas e paravam para ouvir melhor . - Terá mais alguém sido atacado ? - disse nervosamente o Ron . Ficaram parados com as cabeças inclinadas para a voz de o Filch que parecia quase histérica . -- ... * _ Ainda mais trabalho para mim . Toda_a noite a esfregar como_se não tivesse já trabalho de sobra . Não , isto foi a gota de água que fez transbordar o copo , vou falar com Dumbledore * ... Os passos afastaram se e ouviram uma porta fechar se com grande estrondo . Puseram as cabeças fora de a esquina . O Filch tinha obviamente estado a patrulhar o seu habitual posto de vigia : estavam novamente em o lugar onde Mrs._Norris fora atacada . Perceberam imediatamente qual o motivo de os gritos . Uma enorme poça de água enchia metade de o corredor e parecia escorrer de a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Agora_que o Filch se calara podiam ouvir os uivos de a Murta que faziam eco em as paredes de a casa_de_banho . - Mas o que se passará com ela ? - disse o Ron . - Vamos lá ver - sugeriu Harry e arregaçando as túnicas até a os tornozelos entraram , atravessando a enorme poça de água , em a casa_de_banho que tinha o letreiro a dizer « Fora de serviço » e que eles , como sempre , ignoraram . A Murta_Queixosa chorava , se possível , mais alto do_que nunca . Parecia estar escondida em o cubículo de o costume . Lá dentro estava escuro pois as velas tinham se apagado com a enchente de água que deixara as paredes e o chão ensopado . - O que se passa , Murta ? - quis saber o Harry . - Quem é ? - perguntou ela infelicíssima . - Vieste atirar me mais alguma coisa acima ? Harry caminhou com dificuldade por causa de a água até a o cubículo de ela e disse : - Porque te faríamos nós uma coisa de essas ? - Não me perguntem - gritou a Murta , emergindo em uma onda de água que molhou ainda mais o chão já ensopado . - Eu estou aqui metida em a minha morte e alguém acha muito engraçado atirar me com um caderno acima ... - Mas , não pode magoar te se alguém te atirar alguma coisa acima - disse Harry , tentando ser prático . - Isto_é , seja o que for passa através_de ti , não é assim ? Tinha dito a frase errada . A Murta encheu o peito de ar e gritou a plenos pulmões : - Vamos todos atirar cadernos a a Murta já_que ela não sente nada ! Dez pontos se lhe acertarem em o estômago , cinquenta se lhe atravessar a cabeça ! Hah hah hah , que jogo lindo , não acham ? - Quem te atirou um caderno , afinal ? - perguntou o Harry . - Não sei ... eu estava sentada em a sanita a pensar em a morte e caiu me em cima de a cabeça - disse a Murta , olhando para eles . - Está ali , ficou todo molhado . Harry e Ron olharam para o ponto que a Murta lhes apontava debaixo de o lavatório . Um caderno pequenino e fino estava caído em o chão . Tinha uma capa preta muito gasta e estava encharcado como tudo em aquela casa_de_banho . Harry deu um passo em frente para o apanhar , mas o Ron agarrou lhe precipitadamente o braço . - O que foi ? - perguntou Harry . - Estás doido - disse ele . - Pode ser perigoso . - Perigoso ? - riu se Harry . - Essa agora Ron , como é_que pode ser perigoso ? - Ficarias surpreendido ... - explicou ele , olhando com ar apreensivo para o caderno . - Entre os livros que o Ministério confiscou , contou me o meu pai , havia um que queimava os olhos a as pessoas . E todos os que leram os * _ Sonetos_de_Um_Feiticeiro * ficaram a falar em verso para o resto de a vida . Havia também uma bruxa em Bath que tinha um livro que quem o lesse nunca mais conseguia parar , tinha de andar por aí com o nariz enfiado em as folhas , a fazer todas_as coisas só com uma mão e ... - Já chega , já chega , já percebi a tua ideia - disse O_Harry . O caderninho continuava caído e ensopado . - Bem , nunca saberemos a_não_ser_que tenhamos a coragem de dar uma vista de olhos - disse e mergulhou apanhando o de o chão . Harry viu imediatamente que se tratava de um diário e a data meio apagada , em a capa , disse lhe que tinha cinquenta anos de idade . Abriu o ansiosamente . Em a primeira página podia ler se apenas o nome T._M._Riddle em tinta esborratada . - Espera aí - disse o Ron que se aproximara prudentemente e olhava por cima de o ombro de Harry . - Eu conheço esse nome ... T._M._Riddle recebeu um prémio por serviços especiais prestados a a escola há cinquenta anos atrás . - Como diabo sabes tu isso ? - perguntou Harry com grande espanto . - Porque o Filch mandou me limpar a taça de ele umas cinquenta vezes quando estive de castigo - disse o Ron ressentido . - Foi a taça em cima de a qual eu vomitei lesmas . Se tivesses tido que limpar o muco de um nome durante uma hora também te lembrarias . Harry separou umas de as outras as páginas molhadas . Estavam completamente em branco . Não havia o mais leve sinal de escrita em nenhuma , nem coisas como « Aniversário de a tia Mabel « ou « Dentista a as três_e_meia » . - Ele nunca escreveu nada aqui - disse Harry desapontado . - Porque quereria alguém atirá o fora ? - perguntou se o Ron com curiosidade . Harry voltou o caderno e viu , inscrito em a contra capa , o nome de uma tabacaria em Vauxhall_Road , Londres . - Ele devia ser filho de Muggle - disse Harry pensativo - para ter comprado um diário em Vauxhall_Road ... - Bem , não te serve de muito - Ron baixou a voz . - Cinquenta pontos se acertares em o nariz de a Murta . Harry , mesmo_assim , guardou o diário . Hermione saiu de a ala hospitalar desbigodada , sem cauda e sem pêlo em os primeiros dias de Fevereiro . Em a primeira noite em a torre de os Gryffindor , Harry mostrou lhe o diário de T._M._Riddle e contou lhe como o tinham encontrado . - Ooooh ! Deve ter poderes ocultos - disse ela entusiasticamente , pegando em o diário e examinando o de perto . - Se tem , esconde os muito bem - disse Ron . - Talvez fosse tímido . Não sei porque não deitas isso fora , Harry . - Gostava de perceber porque motivo alguém se quis livrar de ele - explicou Harry . - E também não me importava de saber como foi que o Riddle obteve esse prémio de serviços especiais prestados a Hogwarts . - Pode ter sido qualquer coisa - lançou o Ron . - Talvez tenha recebido 30 de nota final ou salvo um professor de a lula gigante . Se_calhar assassinou a Murta , isso teria sido um favor prestado a todos ... Mas Harry quase podia jurar , por o olhar suspenso em a cara de Hermione , que ela pensava o mesmo_que ele . - O que foi ? - perguntou Ron , olhando para um e para o outro . - Bem , a Câmara_dos_Segredos foi aberta há cinquenta anos , não foi isso que disse o Malfoy ? - Sim - respondeu Ron , lentamente . - E este diário tem cinquenta anos de idade - completou Hermione , dando lhe palmadinhas nervosas . - E de aí ? - Oh Ron , acorda - insistiu Hermione . - Sabemos que a pessoa que abriu a câmara de a outra_vez foi expulsa há cinquenta anos . E se o Riddle tivesse tido o prémio especial por apanhar o herdeiro de Slytherin ? O seu diário diria nos provavelmente tudo : onde é a Câmara_dos_Segredos , como abris a e que tipo de criatura vive lá . Achas que a pessoa que está por trás de os ataques desta_vez quereria o diário por aí ? - É uma teoria interessante , Hermione - disse o Ron . - Apenas com uma pequenina falha : o diário não tem nada Mas_Hermione já estava a tirar a varinha de o saco . - Pode ser tinta invisível - murmurou . Bateu três vezes em o diário e repetiu * _ Aparecium ! * Nada aconteceu . Intrépida , Hermione meteu a mão de_novo em o saco e tirou o que parecia ser uma borracha vermelha e brilhante . - É um * revelador * , comprei o em a Diagon - _ Al - disse . Apagou com força em 1_de_Janeiro . Não sucedeu nada . - Já vos disse , não há nada aí - repetiu o Ron . - O Riddle deve ter recebido um diário como prenda de Natal e nem se deu a o trabalho de escrever fosse o que fosse . Harry não conseguia explicar , nem a si próprio , porque motivo não deitara fora o diário de Riddle . A verdade é_que , mesmo depois de saber que ele estava em branco , continuou distraidamente a pegar lhe e a virar as páginas como_se quisesse chegar a o fim de uma história . E , apesar_de saber que nunca tinha ouvido o nome T._M._Riddle , continuava a ter a sensação de que lhe dizia alguma coisa , como_se Riddle fosse um amigo que ele tinha tido quando era muito pequeno e que estivesse meio esquecido . Mas era um absurdo . Nunca tivera amigos antes de Hogwarts , Dudley tivera esse cuidado . Ainda_assim , Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle , por isso em o dia seguinte foi até a a sala de os troféus para examinar a taça , acompanhado de Hermione que estava interessadíssima e de Ron que se mostrava profundamente incrédulo , dizendo que tinha ficado farto de aquela sala até a o fim de a vida . A taça dourada de Riddle estava arrecadada em um armário de canto . Não fornecia detalhes sobre o motivo por_que lhe fora dada ( felizmente , se fosse maior ainda hoje estava a limpá a , disse o Ron ) . Mas encontraram o nome de Riddle em uma antiga medalha de Mérito_Mágico e em uma lista de antigos chefes de turma . - Parece o Percy - comentou Ron , torcendo o nariz com aversão . - Prefeito , chefe de turma , provavelmente o melhor em todas_as disciplinas . - Dizes isso como_se fosse uma coisa má - fez lhe notar Hermione , em um tom de voz ressentido . Um sol fraco brilhava agora de_novo em Hogwarts . Dentro de o castelo , o ambiente estava bastante melhor . Não tinha havido novos ataques desde Justin e Nick quase sem cabeça e Madam_Pomfrey teve a satisfação de informar que as Mandrágoras começavam a ficar instáveis e dissimuladas , sinal de que estavam a abandonar rapidamente a infância . - Logo_que o acne desapareça estarão prontas para novo transplante - ouviu a Harry dizer amavelmente a o Filch . - E depois de isso , não demorará muito até podermos cortá as e estufá as . - Vai ter Mrs._Norris de volta , muito em_breve . Talvez o herdeiro ou herdeira de Slytherin tenha perdido a coragem , pensou Harry . Deve ser cada_vez_mais arriscado abrir a Câmara_dos_Segredos com a escola tão alerta e desconfiada . Talvez o monstro , qualquer_que_fosse , estivesse a preparar se para hibernar durante outros cinquenta anos . Ernie_Mcmillan_dos_Hufilepuff não aceitou esta visão optimista . Continuava convencido de que Harry era o culpado , que se tinha traído em o clube de os duelos . Peeves não ajudava nada : continuava a cantar por os corredores Potter , * seu bandido * ... agora acompanhado de um esquema de dança . Gilderoy_Lockhart parecia pensar que fora ele quem pusera fim a os ataques . Harry fartou se de o ouvir dizer isso a a professora Mc_Gonagall enquanto os Gryffindor formavam bicha para a aula de Transfiguração . - Não creio que volte a haver problemas , Minerva - disse , tocando em o nariz com ar conhecedor e piscando o olho . - Acho que desta_vez a câmara foi definitivamente selada . O culpado deve ter sabido que era uma questão de tempo até eu o apanhar e que era mais sensato parar agora antes que eu lhe tratasse de a saúde . Sabe , a escola está a precisar de um intensificador de animo para apagar as lembranças de o último período . Não vou dizer lhe mais_nada , por enquanto , mas julgo que sei o que ... Voltou a tocar em o nariz e afastou se a passos largos . A ideia de Lockhart de um intensificador de ânimo ficou bastante clara em o dia_14_de_Fevereiro , a o pequeno-almoço . Harry não dormira grande coisa devido a o treino de Quidditch em a noite anterior e chegou a o salão um_pouco atrasado . Pensou , por momentos , que se tinha enganado em a porta . As paredes estavam todas cobertas com enormes e medonhas flores cor-de-rosa . Pior ainda , * confettis * em forma de corações caíam de o tecto azul pálido . Harry dirigiu se a a mesa de os Gryffindor onde o Ron estava sentado com um ar enjoado junto de Hermione que parecia particularmente risonha . - O que se passa ? - perguntou lhes , sentando se e sacudindo os * confettis * de o seu bacon . Ron apontou para a mesa de os professores , com um ar demasiado repugnado para falar . Lockhart , em as suas vestes rosa vivo , a condizer com a decoração de o salão , fazia sinal para que se calassem . Os professores que o ladeavam tinham um ar estupefacto . De o seu lugar , Harry podia ver um músculo mover se em a bochecha de a professora Mc_Gonagall . Snape estava com ar de quem tomou uma imensa dose de xarope * skele-gro * . - Feliz dia de S._Valentim - gritou Lockhart . - E permitam me que agradeça a as quarenta_e_seis pessoas que até agora me enviaram cartões . Sim , fui eu quem tomou a liberdade de vos fazer esta pequena surpresa , e ela não acaba aqui ! Lockhart bateu as palmas e por as portas de o * hall * entraram a marchar cerca de uma_dúzia de duendes de aspecto carrancudo . Não eram uns duendes quaisquer , diga se de passagem . Lockhart fizera os usar asas douradas e transportar harpas . - Os meus amigos cupidos , portadores de os cartões ! gritou Lockhart . - Eles vão andar por a escola durante o dia de hoje , entregando os vossos cartões de S._Valentim . E o divertimento não acaba aqui . Tenho a certeza de que os meus colegas vão querer participar em este espírito de festa . Porque não pedir a o professor Snape que vos mostre como preparar rapidamente uma poção de amor . E , enquanto ele a prepara , está aqui o professor Flitwick que é de todos os feiticeiros que conheci aquele que mais sabe de encantamentos de sedução , o grande safado ! O professor Flitwick enterrou o rosto em as mãos . Snape olhava como_se quisesse dar veneno a a primeira pessoa que fosse pedir lhe a poção de o amor . - Por favor , Hermione , diz me que não foste uma de as quarenta_e_seis - pediu Ron quando saíram de o salão para a primeira aula . Mas Hermione ficou subitamente muito interessada em procurar o horário dentro de a mala e não lhe respondeu . Durante todo o dia os duendes não pararam de se intrometer em as aulas para entregar cartões , para grande aborrecimento de os professores e , ao_fim_da_tarde , quando os Gryffindor subiam as escadas para a aula de encantamentos , um de eles avistou o Harry . - Hei , tu , Harry_Potter ! - gritou um duende de aspecto particularmente lúgubre , dando cotoveladas a_toda_a gente para se aproximar de o Harry . Coradíssimo com a ideia de receber um cartão de S._Valentim diante_de uma fila de alunos de o primeiro ano que , por acaso , incluía Ginny_Weasley , Harry tentou escapar se . Mas o duende cortou lhe o caminho através de a multidão e agarrou o em três tempos . - Tenho uma mensagem musical para entregar a Harry_Potter em pessoa - disse , tangendo a harpa de forma ameaçadora . - Aqui não - disse baixinho o Harry , tentando escapar . - Fica quieto - grunhiu o duende , agarrando o saco de o Harry e puxando com força . - Larga me - disse ele rispidamente , dando um puxão . Com um ruído de tecido a rasgar se , o saco dividiu se em dois . Os livros de Harry , varinha , pergaminho e pena espalharam se por o chão enquanto o tinteiro se partia em cima de as outras coisas . Harry pôs se de gatas , tentando apanhar tudo antes que o duende começasse a cantar , provocando um engarrafamento em o corredor . - O que se passa aqui ? - perguntou a voz fria e afectada de Draco_Malfoy . Harry , nervosíssimo , começou a guardar tudo dentro de o saco rasgado , desesperado para sair de ali antes que Malfoy pudesse ouvir o seu S._Valentim musical . - Que confusão é esta ? - disse outra voz familiar . Percy_Weasley tinha chegado . De cabeça perdida , Harry tentou fugir , mas o duende agarrou o por os joelhos e fê lo cair a o chão . - Certo - disse , sentando se em os tornozelos de Harry . Eis o teu cartão musical : * _ Os olhos de ele são verdes como o sapo de o quintal * _ O seu cabelo é escuro como um temporal * _ É um desatino , oh ! ele é divino ! * _ O herói que venceu o Senhor_do_Mal * . Harry teria dado todo o ouro de Gringotts para se evaporar em aquele momento . Tentando corajosamente rir se com todos os outros , levantou se . Sentia os pés dormentes de o peso de o duende . Enquanto isso , Percy_Weasley fazia todos os possíveis por dispersar a multidão onde havia gente que chorava de hilaridade . - Vamos embora , vamos embora , a campainha tocou há cinco minutos para as aulas - dizia , enxotando alguns de os alunos mais novos . - E tu , Malfoy . Harry olhou e viu Malfoy inclinar se , apanhar qualquer coisa e com um olhar maldoso mostrá a a Crabbe e Goyle . Percebeu que era o diário de Riddle . - Dá cá isso - exigiu com toda_a calma . - O que será que o Potter escreveu aqui ? - disse Malfoy que obviamente não reparara em a data e pensou que tinha em as mãos o diário de o Harry . Houve uma agitação em os presentes . Ginny olhava apavorada para o diário e para Harry . - Dá lhe isso , Malfoy - disse Percy com firmeza . - Depois de dar uma vista de olhos - retorquiu Malfoy , acenando a Harry com o diário de forma provocatória . Percy disse : - Como Prefeito de a escola ... - mas Harry perdera a paciência . Pegou em a varinha e gritou * _ Expelliarmus * e assim_como Snape desarmara Lockhart , MalLoy viu o diário saltar lhe de as mãos e elevar se em o ar enquanto Ron o apanhava sorridente . - Harry - disse Percy levantando a voz . - Não quero magia em os corredores . Vou ter de participar isto , sabes perfeitamente . Mas Harry não se importou . Tinha ganho uma_vez a Malfoy e isso valia bem cinco pontos a menos para os Gryffindor . Malfoy estava furioso e quando a Ginny passou por ele a caminho de a sala de aula , gritou lhe com desprezo : - Não creio que o Potter tenha gostado lá muito de o teu cartão de S._Valentim . Ginny tapou a cara e correu para a aula . Aborrecido , Ron pegou também em a varinha , mas Harry afastou o . Era melhor que ele não passasse a aula de encantamentos a vomitar lesmas . Só quando entraram em a sala de aula de o professor Flitwick é_que Harry reparou em uma coisa bastante estranha em o diário de Riddle . Todos os outros livros estavam cheios de tinta vermelha , mas o diário mantinha se tão limpo como antes de o tinteiro se ter entornado em cima de ele . Tentou chamar a atenção de Ron para este facto , mas ele estava novamente a ter um problema com a varinha : de a extremidade saíam grandes bolhas roxas e ele não parecia interessado em mais_nada . Em essa noite , Harry foi deitar se antes de os outros companheiros de dormitório , em parte porque já não conseguia suportar o Fred e o George a cantarem * _ Os seus olhos são verdes como o sapo de o quintal * e em parte porque queria voltar a examinar o diário de Riddle e sabia que em a opinião de o Ron era uma pura perda de tempo . Sentou se em a cama de dossel e folheou as páginas em branco em as quais não se via uma única mancha de tinta escarlate . Tirou então outro tinteiro de o armário a o lado de a cama , molhou a pena e deixou cair um borrão em a primeira página de o diário . A tinta brilhou em o papel durante um segundo e , em seguida , como_se a página a tivesse sugado , desapareceu sem deixar rasto . Depois , finalmente , algo aconteceu . Deslizando sobre a página em a cor de a sua tinta , surgiram palavras que Harry não escrevera . - * _ Olá_Harry_Potter . O meu nome é Tom_Riddle . Como é_que encontraste o meu diário ? * Também estas palavras desapareceram , mas não sem que Harry tivesse respondido . - Alguém tentou lançá o em uma sanita . Esperou ansiosamente por a resposta de Riddle . - * _ Felizmente guardei as minhas memórias de uma forma mais duradoura do_que a tinta . Mas sempre soube que haveria quem não iria querer que o diário fosse lido . * - O que queres dizer com isso ? - escrevinhou Harry , borrando a página com o nervosismo . - * _ Quero dizer que este diário contém memórias de coisas terríveis . Coisas que foram abafadas . Coisas que aconteceram em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . * - É onde eu estou agora - escreveu Harry rapidamente . - Estou em Hogwarts e estão a acontecer coisas horríveis . Sabes alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? O coração parecia querer saltar lhe de o peito . A resposta de Riddle não se fez esperar , a letra tornara se mais desordenada como_se tivesse pressa em contar lhe tudo_o_que sabia . - * _ É claro que sei de a Câmara_dos_Segredos . Em o meu tempo diziam nos que era uma lenda , que não existia , mas era mentira . Quando eu estava em o quinto ano a Câmara_dos_Segredos foi aberta e o monstro atacou vários estudantes , acabando matar um . Eu apanhei a pessoa que abriu a câmara e ele foi expulso . Mas o director , o professor Dippet , envergonhado por uma coisa de aquelas ter acontecido em Hogwarts , proibiu me de contar a verdade . Foi divulgada uma história dizendo que a rapariga morrera de um acidente extravagante . Deram me um troféu brilhante com o meu nome gravado e avisaram me para ficar calado . Mas eu sabia que ia voltar a acontecer . O monstro sobreviveu e aquele que tinha o poder para o libertar não foi para a prisão . * Harry quase entornou o tinteiro em a pressa de responder . - Está a acontecer outra_vez . Houve três ataques e ninguém parece saber quem está por_detrás_de tudo_isto . Quem foi de a última vez ? - * _ Posso mostrar te , se quiseres * - foi a resposta de o Riddle . - * _ Não tens de acreditar só em a minha palavra . Posso levar te a o fundo de a minha memória de a noite em que o apanhei . * Harry hesitou com a pena em o ar sobre o diário . O que quereria ele dizer ? Como poderia entrar em a memória de outra pessoa ? Olhou inquieto para a porta de o dormitório que começava a ficar escuro . Quando pôs de_novo os olhos em o diário viu as palavras que se formavam . - * _ Deixa-me mostrar te . * Harry parou durante uma fracção de segundo e depois escreveu duas letras . - O. _ K._As páginas de o diário começaram a esvoaçar como_se tivessem sido apanhadas em uma ventania , parando a meio de o mês_de_Junho . Boquiaberto , Harry viu que o quadradinho de 13_de_Junho se transformara em um pequeno ecrã de televisão . Com as mãos ligeiramente trémulas levantou o livro para encostar os olhos a a janelinha e antes de perceber o que estava a passar se , deu consigo inclinado para a frente com a janela a abrir se . O corpo abandonava a cama e era lançado de cabeça , por a abertura de a página , em um turbilhão de cor e sombras . Sentiu os pés tocarem em terra firme e pôs se de pé a tremer enquanto as formas desfocadas se tornavam subitamente nítidas . Soube imediatamente onde estava . Aquela sala circular com os retratos adormecidos era o escritório de Dumbledore , mas não era Dumbledore quem estava atrás de a secretária . Um feiticeiro mirrado , de aspecto débil e quase careca lia uma carta a a luz de as velas . Harry nunca vira aquele homem antes . - Desculpe - disse com a voz a tremer . - Eu não queria intrometer me ... Mas o feiticeiro não olhou . Continuou a ler , franzindo levemente as sobrancelhas . Harry aproximou se de a secretária e gaguejou : - Er ... eu vou me embora , está bem ? E o feiticeiro continuou a ignorá o . Parecia nem_sequer ter ouvido . Pensando que talvez ele fosse surdo , Harry falou mais alto . - Desculpe tê o incomodado - disse quase a gritar . O feiticeiro dobrou a carta com um suspiro . Pôs se de pé , passou por Harry sem olhar para ele e foi abrir os cortinados de a janela . O céu , lá fora , estava vermelho-rubi . Devia ser o pôr de o Sol . O feiticeiro voltou para a secretária , sentou se e girou os polegares , olhando para a porta . Harry olhou em volta . Não viu Fawkes , a fénix , nem as engenhocas prateadas que sibilavam . Aquela Hogwarts era a que Riddle conhecera e , portanto , aquele feiticeiro desconhecido era o director de então , não Dumbledore e ele , Harry , era pouco mais que um fantasma , totalmente invisível a as pessoas de há cinquenta anos atrás . Alguém bateu a a porta . - Entre - disse o velho feiticeiro , em uma voz fraca . Um rapazinho de dezasseis anos entrou , tirando o chapéu pontiagudo . Em o seu peito brilhava um distintivo prateado de prefeito . Era muito mais alto do_que Harry , mas tinha , tal_como ele , cabelo preto asa de corvo . - Ah ! Riddle - disse o director . - Queria falar comigo , professor Dippet ? - perguntou ele com ar nervoso . - Senta te - disse Dippet . - Tenho estado a ler a carta que me mandaste . - Oh ! - exclamou Riddle , sentando se e apertando as mãos uma contra a outra . - Meu rapaz - disse Dippet amavelmente . - Eu não posso deixar te ficar em a escola durante o Verão . Com certeza queres ir para_casa em as férias ? - Não - respondeu Riddle , sem perder tempo . - Prefiro mil vezes ficar em Hogwarts a ter de voltar a aquela ... aquela ... - Tu vives em um orfanato de Muggles durante as férias , não é assim ? - perguntou Dippet com curiosidade . - Sim senhor - disse Riddle , corando um_pouco . - És filho de Muggles ? - Meio sangue , professor - explicou Riddle . - Pai_Muggle , mãe bruxa . - E o teu pai e a tua mãe ... - A minha mãe morreu pouco depois de eu nascer , professor , contaram me em o orfanato que só teve tempo de me dar o nome : Tom , como o meu pai , Marvolo como o meu avô . Dippet estalou a língua solidariamente . - O que acontece , Tom - suspirou - é_que ... podia ter se arranjado uma situação especial para ti , mas em as circunstâncias actuais ... - Refere se a os ataques , professor ? - perguntou Riddle e o coração de Harry deu um salto , aproximando se com medo de perder alguma coisa . - Precisamente - disse o director . - Meu rapaz , compreendes que seria uma imprudência de a minha parte deixar te ficar em o castelo quando o período acabar , principalmente a a luz de a recente tragédia ... a morte de aquela pobre moça ... estarás sem dúvida em maior segurança em o orfanato . Em a verdade , o ministro de a magia até fala em fechar a escola . Não estamos nada perto_de localizar ... er ... a fonte de toda esta história desagradável . Os olhos de Riddle tinham se aberto mais . - Professor , se essa pessoa fosse apanhada ... se tudo acabasse . . . - Que queres dizer com isso ? - perguntou Dippet com voz aguda , endireitando se em a cadeira . - Riddle , tu sabes alguma coisa sobre estes ataques ? - Não senhor - respondeu ele de imediato . Mas Harry sabia que era o mesmo tipo de « não » que ele dissera a Dumbledore . Dippet afundou se de_novo com um ar de profundo desapontamento . - Podes ir , Tom . Riddle esgueirou se de a cadeira e saiu de a sala . Harry seguiu o . Desceram por a escada em espiral , saindo junto de a gárgula em o corredor que escurecia . Riddle parou e Harry fez o mesmo , olhando para ele . Quase podia apostar que ele pensava seriamente em alguma coisa . Mordia o lábio e tinha as sobrancelhas franzidas . A certa altura , como_se tivesse acabado de tomar uma decisão , começou a andar mais depressa com Harry a segui o ruidosamente . Não viram mais ninguém , a não ser quando chegaram a o * hall * de entrada onde um feiticeiro alto de longos cabelos ruivos e barba chamou Riddle de a escadaria de mármore . - O que andas a fazer por aqui tão tarde , Tom ? Harry olhou para o feiticeiro . Não era outro senão Dumbledore com cinquenta anos a menos . - Tive de ir falar com o director - justificou se Riddle . - Bem , agora vai depressa para a cama - disse Dumbledore , olhando Riddle com aquele olhar penetrante que Harry conhecia tão bem . - É melhor não andar a passear por os corredores em os dias que correm , pelo_menos até ... Suspirou profundamente , deu as boas-noites a o Riddle e foi se embora . Riddle viu o desaparecer e , sem perder tempo , desceu os degraus de pedra até a os calabouços com Harry em a peugada . Mas para seu grande desconsolo , Riddle não o conduziu a nenhum corredor ou túnel secreto e sim a o calabouço onde ele costumava ter aulas de poções com o Snape . As tochas não tinham sido acesas e quando Riddle empurrou a porta quase fechada , Harry só conseguiu vê o a ele , de pé , quieto junto de a porta , olhando para o corredor . Pareceu a Harry que ficaram ali quase uma hora . Tudo_o_que via era a silhueta de Riddle junto de a porta , olhando fixamente através de a greta , a a espera . Como_se fosse uma estátua . E quando Harry tinha abandonado todas_as expectativas e começava a desejar voltar a o presente , ouviu alguma coisa que se movia atrás de a porta . Alguém avançava lentamente por o corredor . Ouviu a pessoa , quem quer que fosse , passar por o calabouço onde ele e Riddle estavam escondidos . Riddle , silencioso como uma sombra , esgueirou se por a porta e seguiu o com Harry em bicos de pés atrás de ele , esquecido de que podia fazer barulho a a vontade porque ninguém o ouvia . Durante cerca de cinco minutos seguiram lhe os passos até que Riddle parou repentinamente com a cabeça inclinada em a direcção de novos ruídos . Harry ouviu uma porta a abrir se e em seguida alguém falou em um murmúrio rouco . - Vá lá , temos que sair de aqui ... vá lá , dentro de a caixa ... Havia algo de familiar em aquela voz . Riddle deu subitamente uma volta e Harry seguiu o . Podia ver a silhueta escura de um rapaz enorme que estava inclinado em frente de a porta aberta , com uma grande caixa a o lado . - Boa noite , Rubeus - disse Riddle secamente . O rapaz fechou a porta e pôs se de pé . - O que estás a fazer aqui , Tom ? Riddle aproximou se . - Acabou se - disse . - Vou ter de entregar te , Rubeus . Falam em fechar Hogwarts se os ataques não terminarem . - O que é_que tu ... ? - Eu acho que tu não quiseste matar ninguém , mas os monstros não são os melhores animais domésticos . Tu só quiseste deixá o sair para andar um_pouco e ... - Ele não matou ninguém - disse o rapaz grande , recuando contra a porta fechada . Lá de dentro vinham uns estranhos roncos e rugidos . - Vamos , Rubeus - disse Riddle , aproximando se mais ainda . - Os pais de a rapariga que morreu estarão aqui amanhã . O mínimo que Hogwarts pode fazer é assegurar lhes que aquilo que matou a filha de eles foi abatido ... - Não foi ele - gemeu o rapaz cuja voz ecoou em o corredor escuro . - Ele não faria isso ... ele nunca ... - Afasta te - disse Riddle , pegando em a varinha . O encantamento iluminou o corredor com uma luz brilhante . A porta atrás de o rapaz grande abriu se de par em par com tanta força que o atirou contra a parede . E de lá de dentro saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito que ninguém mais ouviu a não ser ele próprio . Tinha um corpo imenso , magro e peludo e um emaranhado de pernas pretas , a cintilação de muitos olhos e um par de tenazes afiadas . Riddle levantou de_novo a varinha , mas era tarde de mais . A coisa deixara o atarantado e corria apressadamente , precipitando se por o corredor e desaparecendo . Riddle pôs se de pé , olhou a a procura de o monstro , levantou a varinha , mas o rapaz grande saltou sobre ele , tirou lhe a varinha de as mãos e lançou o a o chão , gritando : - Naaaaaão ! A cena rodopiou . A escuridão tornou se total . Harry sentiu se a cair e com um embate aterrou como uma águia de patas e asas abertas em a sua cama de dossel , em o dormitório de os Gryffindor , o diário de Riddle aberto sobre o estômago . Antes de ter tido tempo de normalizar a respiração , a porta de o dormitório abriu se e o Ron entrou . - Aí estás tu - disse . Harry sentou se . Transpirava e tremia . - O que se passa ? - perguntou Ron , olhando aflito para ele . - Foi o Hagrid , Ron . O Hagrid abriu a Câmara_dos_Segredos há cinquenta anos atrás . XIV_Cornelius_Fudge_Harry , Ron e Hermione sabiam há muito_tempo que Hagrid tinha uma triste predilecção por criaturas grandes e monstruosas . Em o primeiro ano que passaram em Hogwarts , ele tentara criar um dragão em a sua pequena cabana de madeira e levaram muito_tempo a esquecer o gigantesco cão de três cabeças que ele baptizara de « fofinho » . E se , em rapaz , Hagrid tinha ouvido dizer que havia um monstro escondido em o castelo , Harry tinha a certeza que ele teria feito os impossíveis por descobri o . Provavelmente achou que era uma injustiça o monstro estar fechado tanto tempo e pensou que ele merecia a oportunidade de esticar as suas muitas pernas . Harry imaginava perfeitamente o Hagrid a os treze anos a tentar pôr uma coleira e uma trela a o monstro . Mas tinha igualmente a certeza de que ele nunca teria querido matar ninguém . De certo modo , Harry desejava não ter descoberto como utilizar o diário de Riddle . Ron e Hermione fizeram o contar repetidas vezes o que vira até ele ficar farto de repetir o mesmo e farto de a conversa circular que se seguia . - O Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse , de essa vez , Hermione . - O monstro que atacava as pessoas podia ser outro .... - Quantos monstros achas tu que pode haver em este lugar ? - perguntou o Ron aborrecido . - Sempre soubemos que o Hagrid tinha sido expulso - disse Harry tristemente - E os ataques devem ter terminado quando ele foi expulso . Se não fosse assim , Riddle não teria recebido um prémio . Ron tentou um caminho diferente . - O Riddle parece o Percy , quem lhe pediu afinal que deitasse abaixo o Hagrid ? - Mas o monstro tinha morto uma pessoa , Ron - insistiu Hermione . - E o Riddle ia ter de voltar para um orfanato Muggle se Hogwarts fosse fechada - disse Harry . - Não posso culpá o por querer ficar aqui ... Ron mordeu o lábio e a seguir sugeriu : - Tu encontraste o Hagrid em a Rua * _ Bativolta * , não foi ? - Ele estava a comprar repelente para lesmas - disse Harry rapidamente . Ficaram os três em silêncio . Depois de uma longa pausa , Hermione , em uma voz hesitante , formulou a pergunta mais complicada de todas : - Não acham que devíamos ir ter com ele e perguntar lhe ? - Essa seria uma visita simpática - disse o Ron . - Olá , Hagrid , diz nos uma coisa , soltaste por acaso alguma coisa louca e peluda por o castelo em estes últimos tempos ? Por fim , decidiram não dizer nada a o Hagrid a_não_ser_que houvesse outro ataque e à_medida_que passava mais tempo sem murmúrios de a voz sem corpo começaram a acreditar , esperançosos , que nunca mais teriam de falar sobre o motivo por_que fora expulso . Tinham passado já quase quatro meses desde o dia em que o Justin e o Nick quase sem cabeça tinham sido petrificados e quase toda_a_gente parecia pensar que o atacante , quem quer que ele fosse , se retirara para sempre . Peeves fartara se de a sua canção * _ Oh_Potter , seu bandido * , Ernie_Mcmillan pediu educadamente a o Harry , em a aula de herbologia , que lhe passasse um balde de cogumelos saltitantes e , em Março , várias mandrágoras deram uma festa ruidosa e roufenha em a estufa número três . A professora Sprout estava muito satisfeita . - Mal elas comecem a tentar mover se para os vasos umas de as outras , saberemos que estão maduras - disse ela a o Harry . - Nessa_altura poderemos reanimar aquelas pobres criaturas que estão em a ala hospitalar . Os alunos de o segundo ano tinham agora uma coisa nova em que pensar durante as férias de a Páscoa . Chegara a altura de escolherem as matérias de o terceiro ano , um assunto que Hermione , pelo_menos , tomou muito a sério . - Pode afectar todo o nosso futuro - disse a o Harry e a o Ron a o vê os ler cuidadosamente as listas de as novas matérias e pôr um V em frente de cada uma . - Eu só quero ver me livre de as poções - disse Harry . - Não podemos - explicou Ron tristemente . - Mantemos todas_as matérias antigas ou eu teria me livrado de a Defesa contra as artes negras . - Mas é muito importante - disse Hermione chocada . - Não de a maneira como Lockhart a dá - insistiu Ron . - Não aprendi nada até agora a não ser a nunca mais libertar duendes . Neville_Longbottom recebera cartas de todas_as bruxas e feiticeiros de a família , cada_um dando um conselho diferente sobre o que ele deveria escolher . Confuso e preocupado , sentou se a ler a lista de matérias , dando estalinhos com a língua e perguntando a as pessoas se achavam que a aritmancia seria mais difícil do_que o estudo de as runas em a Antiguidade . Dean_Thomas que , tal_como Harry , fora criado com Muggles , acabou por fechar os olhos e atirar a varinha contra a lista , escolhendo as matérias onde ela aterrava . Hermione não pediu conselho a ninguém e inscreveu se em todas . Harry sorriu de si para consigo imaginando como seria uma conversa com o tio Vernon e com a tia Petúnia sobre a sua carreira em feitiçaria . Não que não tivesse tido orientação : Percy_Weasley estava ansioso por partilhar a sua experiência . - Tudo depende de o lugar para_onde queres ir , Harry - disse ele . - Nunca é cedo de mais para pensar em o futuro , por isso eu aconselho te a adivinhação . As pessoas dizem que os estudos de Muggles são uma opção leve mas eu , pessoalmente , acho que os feiticeiros deveriam ter uma compreensão profunda de a comunidade não mágica , muito especialmente se pensarem em trabalhar em íntimo contacto com eles . Vê o meu pai que tem de lidar com assuntos de os Muggles a_toda_a hora . O meu irmão Charles foi sempre mais um tipo de o exterior , por isso foi para o Centro_de_Cuidados com as Criaturas_Mágicas . Segue os teus sentimentos , Harry . Mas a única coisa em que Harry sentia que era mesmo bom era o Quidditch . Por fim , acabou por escolher as mesmas matérias que o Ron escolhera , pensando que se fosse péssimo em elas pelo_menos tinha alguém amigo para o ajudar . O próximo jogo de Quidditch_dos_Gryffindor era contra os Hufflepuff . Wood insistia em treinos de equipa todas_as noites depois de jantar , por isso Harry não tinha tempo para mais_nada a não ser para o Quidditch e para os trabalhos de casa . Mas as sessões de treino estavam a melhorar ou pelo_menos estavam mais secas e em a véspera de o jogo de sábado ele foi a o dormitório guardar a vassoura , sentindo que as hipóteses de os Gryffindor ganharem a taça de Quidditch nunca tinham sido tão boas . Mas a sua boa disposição não durou muito . Em o cimo de as escadas que levavam a o dormitório encontrou o Neville_Longbottom nervosíssimo . - Harry , não sei quem fez aquilo , eu fui encontrar ... Olhando receoso para Harry , Neville empurrou a porta . O conteúdo de a mala de Harry fora espalhado por toda_a divisão . O seu manto estava em o chão rasgado . A roupa de cama tinha sido puxada de a cama de dossel e a gaveta de o armário que se encontrava a a cabeceira de a cama fora arrancada , estando o seu conteúdo espalhado sobre o colchão . Harry aproximou se de a cama boquiaberto , pisando algumas páginas soltas de * _ Viagens com Duendes * . Quando ele e Neville estavam a puxar os cobertores para_cima , entraram o Ron e o Dean_Seamas . Dean praguejou alto . - O que é isto , Harry ? - Não faço ideia - disse ele . Mas o Ron estava a examinar as vestes de Harry e todos os bolsos estavam de o avesso . - Alguém andou a a procura de qualquer coisa - disse o Ron . - Dás por falta de alguma coisa ? Harry começou a apanhar o que estava caído , lançando tudo dentro de a mala . Só quando atirou o último livro de Lockhart é_que se apercebeu do_que faltava . - O diário de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a o Ron . - O quê ? Harry fez lhe sinal em direcção a a porta de o dormitório e apressaram se a chegar a a sala comum de os Gryffindor que estava quase vazia e onde foram encontrar Hermione sozinha a ler * _ As_Runas_Antigas a o Alcance_de_Todos * . Hermione ficou aterrada com as notícias . - Mas ... só um Gryffindor podia tê o roubado ... ninguém mais conhece a nossa senha ... - Exactamente - disse Harry . Acordaram em o dia seguinte com um sol brilhante e uma brisa agradável . - Condições ideais para o Quidditch ! - exclamou Wood , cheio de entusiasmo , a a mesa de os Gryffindor , enchendo os pratos de os elementos de a sua equipa de ovos mexidos . - Harry , anima te , precisas de um pequeno-almoço decente . Harry tinha estado a olhar para a mesa cheia de alunos de os Gryffindor , perguntando a si próprio se o novo dono de o diário de Riddle estaria ali mesmo em frente de os seus olhos . Hermione insistira para que ele participasse o roubo mas ele não gostou de a ideia . Teria de contar a um professor tudo sobre o diário , e quantas pessoas saberiam o motivo por_que Hagrid fora expulso há cinquenta anos ? Não queria ser ele a fazer com que relembrassem tudo aquilo . Quando saiu de o salão com o Ron e a Hermione para ir buscar o material de Quidditch , outra preocupação viera juntar se a a sua lista cada_vez maior . Tinha acabado de pisar os degraus de a escadaria de mármore quando ouviu de_novo a voz : - * _ Matar desta_vez ... deixem me rasgar ... romper * ... Deu um grito e Ron e Hermione saltaram alarmados . - A voz - disse Harry , olhando por cima de os ombros de eles . - Acabo de a ouvir de_novo , vocês não ouviram nada ? Ron abanou a cabeça de olhos muito abertos Mas_Hermione bateu com a mão em a testa . - Harry , acho que percebi uma coisa . Tenho que ir a a biblioteca . E disparou a correr por as escadas acima . - O que é_que ela percebeu ? - disse Harry distraidamente , ainda a olhar em volta , tentando determinar de onde vinha a voz . - Mas porque teve ela que ir a a biblioteca ? - Porque a Hermione é assim - disse o Ron , encolhendo os ombros - Quando tem uma dúvida , vai a a biblioteca . Harry manteve se hesitante , tentando captar novamente a voz mas as pessoas começavam a sair de o salão , falando alto , passando por a porta principal e encaminhando se para o estádio de Quidditch . - É melhor ires indo - aconselhou Ron . - São quase onze horas , olha o jogo . Harry deu uma corrida até a a torre de os Gryffindor , pegou em a sua Nimbus dois_mil e juntou se a a vasta multidão que enchia os campos , mas o seu pensamento estava ainda em o castelo , em aquela voz sem corpo e quando pôs as roupas vermelhas , o seu único conforto foi pensar que estavam todos lá fora para assistir a o jogo . As equipas entraram em campo a o som de um tumulto de aplausos . Oliver_Wood fez um voo de aquecimento em volta de os postes , Madam_Hooch soltou as bolas . Os Hufflepuff que tinham fatos amarelo-canário estavam reunidos em grupo em uma discussão de última hora sobre as tácticas . Harry subia para a vassoura quando a professora Mc_Gonagall atravessou o campo , meio a andar , meio a correr , transportando um enorme megafone roxo . O coração de Harry caiu lhe a os pés . - Este jogo foi cancelado - gritou por o megafone a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a o estádio apinhado . Ouviram se Uuuus e assobios . Oliver_Wood , com um ar infelicíssimo , aterrou e correu para a professora McGonagall sem sair de a vassoura . - Mas , professora - gritou - temos de jogar ... a taça ... os Gryffindor ... A professora Mc_Gonagall ignorou o e continuou a gritar por o megafone . - Pede se a os estudantes que regressem a as salas comuns de as respectivas equipas onde os chefes de equipa lhes darão mais informações . O mais depressa possível , se fazem favor ! Em seguida , baixou o megafone e fez sinal a o Harry para que se aproximasse . - Potter , é melhor vires comigo ... Perguntando a si próprio que suspeita poderia ela ter contra ele , desta_vez , Harry viu Ron desligar se de a multidão discordante e vir a correr juntar se lhes , enquanto eles se dirigiam para o castelo . Para sua grande surpresa Mc_Gonagall não pôs qualquer objecção . - Sim , talvez seja melhor vires também , Weasley . Alguns de os estudantes que os rodeavam reclamavam por o jogo ter sido cancelado , outros tinham um ar preocupado . Harry e Ron seguiram a professora Mc_Gonagall de volta a a escola e através de a escadaria de pedra . Mas desta_vez não foram levados a nenhum escritório . - Isto vai chocar vos um_pouco - disse a professora Mc_Gonagall em um tom de voz surpreendentemente suave quando estavam a aproximar se de a ala hospitalar . - Houve outro ataque ... outro ataque duplo . As vísceras de o Harry deram um salto mortal . A professora Mc_Gonagall abriu a porta e ele e Ron entraram . Madam_Pomfrey estava inclinada sobre uma rapariga de o quinto ano de cabelos longos a os caracóis que Harry reconheceu como sendo a colega de os Ravenclaw a quem , por engano , tinham perguntado o caminho para a sala comum de os Slytherin . E , em a cama a o lado de ela , estava ... - Hermione - gemeu o Ron . Hermione jazia totalmente quieta , os olhos abertos e vítreos . - Foram encontradas perto de a biblioteca - disse a professora Mc_Gonagall . - Calculo que nenhum de vocês possa explicar isto ? Estava em o chão , junto de ela . A professora tinha em as mãos um pequeno espelho redondo . Harry e Ron acenaram negativamente com as cabeças , ambos com os olhos fixos em Hermione . - Eu acompanho vos a a torre de os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall pesadamente . - De qualquer modo tenho de falar com os alunos . - Os alunos regressarão a as salas comuns de as respectivas equipas , todos_os_dias , a as seis_horas_da_tarde . Nenhum aluno deverá sair de os dormitórios depois de isso . Serão escoltados até a as aulas por um professor . Nenhum aluno deverá ir a a casa_de_banho sem um professor a acompanhá o . Todos os treinos e jogos de Quidditch estão suspensos a_partir_de agora . Não haverá mais actividades nocturnas . Os Gryffindor , que enchiam a sala comum , ouviram em silêncio a professora Mc_Gonagall . Ela enrolou o pergaminho que acabara de ler e disse em uma voz algo chocada : - Não é preciso acrescentar que nunca me senti tão desolada . É provável que a escola seja encerrada se não for apanhado o culpado de todos estes ataques . Quero pedir que se algum de vocês achar que sabe alguma coisa sobre eles venha imediatamente ter comigo . Mal ela subiu , de forma um_pouco desastrada , por o buraco de o retrato , os Gryffindor começaram logo a falar . - São dois Gryffindor a menos , sem contar com o fantasma de os Gryffindor , um Ravenclaw e um Hufflepuff - disse o amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , contando por os dedos . - Não terá nenhum de os professores reparado que os Slytherin estão a salvo ? Será que não é óbvio que tudo_isto vem de eles ? O herdeiro de Slytherin , o monstro de Slytherin , porque não expulsam todos os Slytherin ? - resmungou , recebendo acenos e aplausos de todos os lados . Percy_Weasley estava sentado em uma cadeira atrás_de Lee , mas por uma_vez não pareceu querer expor os seus pontos de vista . Estava pálido e aturdido . - O Percy está em estado de choque - disse o George baixinho a o Harry . - Aquela rapariga de os Ravenclaw , Penelope_Clearwater , é prefeita . Acho que ele nunca tinha pensado que o monstro pudesse atacar um prefeito . Mas Harry não estava a ouvi o com atenção . Não conseguia esquecer a imagem de Hermione deitada em a cama de o hospital , como_se estivesse esculpida em pedra . E se o culpado não fosse apanhado rapidamente tinha em a frente uma vida inteira com os Dursley . Tom_Riddle entregara o Hagrid porque fora confrontado com a possibilidade de um orfanato Muggle se a escola fechasse . Harry sabia exactamente o que ele sentira . - Que vamos nós fazer ? - disse lhe o Ron baixinho a o ouvido . - Achas que eles suspeitam de o Hagrid ? - Temos de falar com ele - disse Harry , tomando uma decisão . - Não acredito que tenha culpa desta_vez , mas se ele libertou o monstro há cinquenta anos , sabe com certeza como entrar em a Câmara_dos_Segredos , o que já é um princípio . - Mas a Gonagall disse que temos que ficar em a torre a_não_ser_que estejamos em as aulas ... - Eu acho - disse Harry ainda mais baixo - que chegou a altura de tirar outra_vez de a mala o manto de o meu pai . Harry herdara apenas uma coisa de o pai : o enorme manto prateado de a invisibilidade . Era a única maneira de poderem esgueirar se de a escola para fazer uma visita a o Hagrid , sem que ninguém de esse por isso . Deitaram se a a hora de o costume , esperaram que o Neville , o Dean e o Seamas adormecessem para se levantarem , vestirem se de_novo e taparem se com o manto . A viagem por os corredores de o castelo escuro e deserto não era nada agradável . Harry que vagueara por ali muitas_vezes durante a noite nunca vira tanta gente depois de o pôr de o Sol . Professores , prefeitos e fantasmas andavam por os corredores a os pares , olhando em volta , em busca de qualquer actividade fora de o habitual . O manto de a invisibilidade não impedia que fizessem barulho e houve um momento particularmente tenso em que o Ron deu uma topada a menos_de um metro de o lugar onde Snape se encontrava . Felizmente Snape espirrou em o preciso momento em que o Ron praguejava . Foi com grande alívio que chegaram a as portas de carvalho de a entrada principal . Estava uma noite clara e cheia de estrelas . Dirigiram se apressadamente para as janelas iluminadas de a casa de Hagrid e só tiraram o manto mesmo em frente de a porta . Poucos segundos depois de terem batido abriu se a porta . Ficaram frente_a_frente com Hagrid que lhes apontou uma besta enquanto Fang , o cão caçador de javalis , ladrava furiosamente atrás de ele . - Oh ! - disse , baixando a arma quando viu que eram eles . - O que estão vocês a fazer aqui ? - Para que é isso ? - perguntou Harry , apontando para a besta , enquanto entrava . - Nada , não é nada - murmurou Hagrid . - Tenho estado a a espera ... não tem importância , sentem se que eu vou fazer um chá . Dava a impressão de não saber o que fazia . Quase apagou a lareira , vertendo a água de a chaleira em o lume e em seguida esmagou o bule com um gesto de a sua mão maciça . - Estás bem , Hagrid ? - perguntou Harry . - Soubeste de a Hermione ? - Soube , sim - disse ele com um leve tremor em a voz . Continuava a olhar nervosamente para as janelas . Deu lhe os duas grandes canecas de água a ferver ( esquecera se de juntar o chá ) e estava a acabar de pôr em um prato uma fatia grossa de bolo de frutas quando alguém bateu energicamente a a porta . Hagrid deixou cair o bolo . Harry e Ron trocaram entre si olhares de pânico e , em seguida , cobriram se com o manto de a invisibilidade e esconderam se em um canto . Hagrid assegurou se de que eles estavam bem escondidos , pegou em a besta e abriu , mais_uma_vez , a porta . - Boa noite , Hagrid . Era_Dumbledore . Entrou com um ar muito sério , seguido de um homem bizarro . O estranho era um homenzinho pequenino , de porte majestoso com cabelos grisalhos desalinhados e uma expressão de ansiedade em o rosto . Usava uma inesperada mistura de roupas . Um fato a as riscas , uma gravata vermelho escarlate , um longo manto negro e umas botas roxas pontiagudas . Debaixo de o braço trazia um chapéu de coco verde lima . -- É o patrão de o meu pai - murmurou o Ron . Cornelius_Fudge , o ministro de a magia ! Harry deu lhe uma valente cotovelada para o fazer calar se . Hagrid tinha ficado suado e pálido . Deixou se cair em uma de as cadeiras e olhava de Dumbledore_para_Cornelius_Fudge . - Más notícias , Hagrid - disse Fudge em um tom bastante grave . - Muito más notícias . Tive de vir . Quatro ataques a filhos de Muggles , as coisas foram longe_de mais . O ministério tem que tomar uma atitude . - Eu nunca ... - disse Hagrid , parecendo implorar a Dumbledore . - O senhor sabe que eu nunca ... professor Dumbledore , o senhor ... - Quero que fique claro , Cornelius , que Hagrid tem a minha total confiança - afirmou Dumbledore , franzindo as sobrancelhas . - Olha , Albus - disse Fudge pouco a a vontade - a ficha de o Hagrid depõe contra ele . O ministério tem de fazer alguma coisa , o Conselho_Directivo de a escola tem se reunido ... - Mesmo_assim , Cornelius , devo dizer te mais_uma_vez que levar o Hagrid de aqui não vai ajudar em nada - afirmou Dumbledore com os olhos azuis com um fogo que Harry nunca vira antes . - Tenta compreender o meu ponto de vista - insistiu Fudge , brincando com o chapéu . - Estou a ser tremendamente pressionado , tenho de mostrar que faço alguma coisa . Se se provar que não foi o Hagrid , ele voltará e não se fala mais em o assunto . Mas tenho de levá o , tem de ser , não estaria a cumprir a minha obrigação se ... - Levar me ? - perguntou Hagrid a tremer . - Levar me para_onde ? - É uma pena curta - disse Fudge , sem o olhar em os olhos . - Não é um castigo , Hagrid , chamemos lhe antes uma precaução . Se mais alguém for apanhado , tu sais com todas_as nossas desculpas . - Não é para Azkaban ? - balbuciou Hagrid . Mas antes que Fudge tivesse tido tempo de responder , ouviu se bater mais_uma_vez a a porta . Dumbledore abriu . Foi a vez de Harry levar uma cotovelada em as costas : soltara um gemido audível . Mr._Lucius_Malfoy entrou em a cabana de o Hagrid embrulhado em uma longa capa preta de viagem , com um sorriso frio de satisfação . O Fang começou a rosnar . - Já está aqui , Fudge ? - disse de forma aprovadora . - Muito bem , muito bem ... - O que estás a fazer aqui ? - perguntou Hagrid furioso . - Sai imediatamente de a minha casa . - Meu bom homem , acredite que não tenho prazer nenhum em entrar em a sua ... er ... chamou lhe casa ? - disse Lucius_Malfoy , sorrindo sarcasticamente enquanto observava a pequena divisão . - Eu limitei me a ir a a escola e disseram me que o director estava aqui . - E o que queres de mim , Lucius ? - perguntou Dumbledore . O seu tom de voz era educado mas em os olhos azuis brilhava ainda o mesmo fogo . - Uma notícia horrível , Dumbledore - disse Mr._Malfoy de forma arrastada , pegando em um grande rolo de pergaminho . - Mas os membros de o conselho pensam que é altura de tu saíres . Isto_é uma ordem de suspensão , tens aí doze assinaturas . Lamento muito mas em a nossa opinião estás a perder a firmeza . Quantos ataques houve até agora ? Mais dois hoje a a tarde , não foi ? A este ritmo vão acabar todos os filhos de Muggles em Hogwarts e todos sabemos que seria uma terrível perda para a escola . - O que é isso , Lucius ? - protestou Fudge com ar alarmado . - O Dumbledore suspenso não ... não , seria a última coisa que desejaríamos em este momento ... - A nomeação ou suspensão , de o director é de a competência de os membros de o Conselho_Directivo , Fudge - disse suavemente Mr._Malfoy . - E como Dumbledore não foi capaz de pôr cobro a estes ataques ... - Oh ! Lucius , se Dumbledore não conseguiu - disse Fudge com o lábio superior a suar . - Quem irá conseguir ? - Isso está para se ver - disse Mr._Malfoy com um sorriso mesquinho . - Mas como os doze votamos ... Hagrid pôs se de pé em um salto , o cabelo preto hirsuto a roçar em o tecto . - E quantos tiveste de chantajar para concordarem contigo , Malfoy ? - Meu caro Hagrid , sabe que esse seu temperamento ainda acaba por lhe criar problemas um dia de estes - disse Mr._Malfoy . - Não o aconselho a gritar assim com os guardas de Azkaban . Eles não iriam gostar nada . - Não podes levar Dumbledore - gritou Hagrid , fazendo Fang , o cão caçador de javalis , agachar se e ganir em o seu cesto . - Sem ele , os filhos de os Muggles não têm qualquer hipótese . A seguir haverá mortes . - Acalma te , Hagrid - disse Dumbledore de forma cortante , olhando para Lucius_Malfoy . - Se os membros de o conselho querem substituir me , eu sairei , claro . - Mas - interrompeu Fudge . - Não - rosnou Hagrid . Dumbledore não tirara os seus olhos azuis brilhantes de os olhos cinzentos e frios de Lucius_Malfoy . - Contudo - disse , pronunciando cada palavra lenta e claramente para que nenhum de eles perdesse o seu sentido - verás que só deixarei verdadeiramente esta escola quando ninguém aqui me for leal . Descobrirás também que será sempre dada ajuda em Hogwarts a quem a pedir . Por um segundo , Harry teve quase a certeza de que os olhos de Dumbledore tremelaziram em direcção a o canto onde ele e Ron estavam escondidos . - Sentimentos admiráveis - disse Malfoy , fazendo uma vénia . - Todos nós vamos sentir a tua ... forma muito pessoal de fazer as coisas , Albus . Só espero que o teu sucessor consiga evitar qualquer ... crime . Dirigiu se a a porta de a cabana , abriu a e fez sinal a Dumbledore para que passasse a a sua frente . Fudge , mexendo nervosamente em o chapéu de coco , esperou que Hagrid fizesse o mesmo mas ele ficou quieto , respirou fundo e disse prudentemente : - Se alguém quiser descobrir alguma coisa , o que tem a fazer é seguir as aranhas . Elas indicarão o caminho , é tudo_o_que vos digo . Fudge olhou para ele espantado . - Está bem , eu vou - disse Hagrid , pegando em o seu sobretudo de pêlo de toupeira . Mas quando ia seguir o Fudge e sair por a porta , parou e disse em voz alta : - E alguém tem de dar de comer a o Fang enquanto eu não estiver cá . A porta fechou se ruidosamente e Ron tirou o manto de a invisibilidade . -- Estamos outra_vez em uma alhada - disse com voz rouca - Sem o Dumbledore podem fechar a escola já esta noite . Sem ele vai haver um ataque por dia . O Fang começou a ganir , arranhando a porta fechada . XV_Aragog_O_Verão insinuava se em os campos em volta de o castelo . O céu e o lago tinham se tornado de um azul-molusco e as flores , grandes como couves , começavam a florir em as estufas . Mas sem o Hagrid , que ele costumava avistar de o castelo , atravessando os campos com o Fang atrás , parecia a Harry que a paisagem não estava completa . Não era melhor dentro de o castelo onde tudo corria horrivelmente mal . O Harry e o Ron tinham tentado visitar a Hermione , mas as visitas a o hospital estavam proibidas . - Não vamos correr mais riscos - disse lhes Madam_Pomfrey com ar severo , através_de uma fresta de a porta de o hospital . Não , lamento , há muitas hipóteses de o atacante voltar para acabar de vez com estas pessoas ... Com Dumbledore longe , o medo espalhara se como nunca acontecera antes , de_tal_modo_que o sol que aquecia as paredes de o castelo por fora parecia parar junto de as janelas de pinázios . Não se via um único rosto em a escola que não andasse tenso e preocupado e qualquer gargalhada , em os corredores , se tornava incómoda e antinatural e era rapidamente abafada . Harry repetia constantemente , de si para consigo , as últimas palavras que ouvira a Dumbledore : - * _ Só terei verdadeiramente deixado esta escola quando ninguém me for leal ... será sempre dada ajuda , em Hogwarts , a quem a pedir * . Qual seria o significado exacto de aquelas palavras ? A quem deveria pedir ajuda quando todos estavam tão confusos assustados como ele ? A alusão de Hagrid a as aranhas era bastante mais fácil de entender . O problema era que parecia não ter restado uma única aranha em o castelo para eles a poderem seguir . Harry procurou por todo o lado com a ajuda relutante de o Ron . As coisas estavam dificultadas por o facto de não poderem andar sozinhos e terem de se deslocar em grupo dentro de o castelo , juntamente com outros Gryffindor . A maior parte de os alunos gostava de ser conduzida como carneiros de uma aula para a outra por os professores mas Harry achava horrível . Havia , contudo , uma pessoa que parecia apreciar aquela atmosfera de terror e suspeitas . Draco_Malfoy passeava empertigado por a escola como_se tivesse sido nomeado para chefe de turma . Harry só compreendeu o motivo de toda aquela boa disposição cerca de quinze_dias depois de Dumbledore e Hagrid se terem ido embora quando , em uma aula de poções , o ouviu falar com o Crabbe e o Goyle . - Sempre achei que seria o pai quem conseguiria livrar nos de o Dumbledore - disse sem a menor preocupação em baixar a voz . - Já vos disse , segundo ele , Dumbledore foi o pior director que a escola alguma vez teve . Talvez agora venha um director decente que não queira a Câmara_dos_Segredos fechada . A Mc_Gonagall não vai durar muito , está só a ... O Snape passou por Harry , sem fazer comentários a o caldeirão e a a cadeira vazia de Hermione . - Professor - disse Malfoy em voz alta . - Professor , porque não se candidata a o lugar de director ? - Ora , ora , Malfoy - respondeu Snape , sem conseguir esconder um meio sorriso . - O professor Dumbledore foi apenas suspenso por os membros de o conselho de direcção , certamente vai voltar um dia de estes . - Sim , claro - disse Malfoy com o seu sorriso escarninho . - Acho que se o professor quisesse candidatar se a o lugar teria o voto de o pai . Eu vou dizer lhe que o acho o melhor professor de a escola . Snape sorriu enquanto passeava de um lado para o outro em o calabouço , não tendo felizmente visto o Seamus_Finnigan que fingia vomitar para dentro de o caldeirão . - Estou espantado por ver que até agora os sangues de lama ainda não fizeram as malas e não desapareceram - prosseguiu Malfoy . - Aposto cinco galeões em como o próximo morre . Pena que não tenha sido a Granger ... A campainha tocou em esse momento o que foi uma sorte porque a o ouvir as últimas palavras de Malfoy , Ron deu um salto , mas em a barafunda de guardar os livros em os sacos , a sua tentativa de agarrar o Malfoy passou despercebida . - Deixem me - gritava o Ron enquanto o Harry e o Dean lhe agarravam os braços . - Não preciso de varinha , vou dar cabo de ele com as minhas mãos ... - Despachem se , tenho de conduzir vos a a aula de herbologia - praguejava o Snape acima de as cabeças de os alunos . E lá foram como cordeirinhos com Harry , Ron e Dean em a retaguarda , o Ron ainda a tentar libertar se . Só acharam seguro largá o quando Snape os deixou fora de o castelo e iniciaram o percurso por o meio de a horta em direcção a as estufas . A aula de herbologia estava reduzida . Tinha agora dois alunos a menos : Justin e Hermione . A professora Sprout pô os a trabalhar , podando as figueiras-da-abissínia . Harry foi despejar uma braçada de hastes secas em um monte de adubo e deu consigo cara a cara com Ernie_Mcmillan . Ernie respirou fundo . - Só quero dizer te , Harry que lamento ter suspeitado de ti . Sei que nunca atacarias a Hermione_Granger e peço te desculpa por todas_as coisas que disse . Estamos todos em o mesmo barco , agora e , bem ... Estendeu lhe uma mão rechonchuda que o Harry apertou . Ernie e a sua amiga Hannah foram trabalhar em a mesma figueira com o Harry e o Ron . - Aquele tipo , Draco_Malfoy - disse Ernie , partindo pequenos galhos - , parece muito satisfeito com isto tudo , não acham ? É bem possível que ele seja o herdeiro de Slytherin . - Uma observação inteligente de a tua parte - disse o Ron que parecia não ter desculpado Ernie tão facilmente como o Harry . - Acham que é ele ? - perguntou Ernie . - Não - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Hannah ficaram a olhar espantados . Um segundo depois , Harry avistou qualquer coisa que o levou a chamar a atenção de o Ron , batendo lhe em a mão com a tesoura de podar . - Au ... o que é_que tu ... ? Harry apontava para o chão , a poucos centímetros de distância . Várias aranhas grandes corriam precipitadamente por a terra fora . - Ah ! sim - disse o Ron , tentando , sem conseguir , mostrar se entusiasmado . - Mas não podemos seguis as agora ... Ernie e Hannah ouviam nos com curiosidade . Harry viu as aranhas desaparecerem . - Parecem ir em a direcção de a floresta proibida ... E o Ron ficou ainda mais infeliz a o ouvir aquilo . Em o final de a aula , o professor Snape acompanhou os alunos a a « Defesa contra as artes negras » . Harry e Ron foram atrás de os outros para poderem conversar sem serem ouvidos . - Temos de usar outra_vez o manto de a invisibilidade - disse Harry a o Ron . - Podemos levar connosco o Fang , ele está habituado a ir a a floresta com o Hagrid , pode ser uma boa ajuda . - Certo - disse o Ron , que fazia girar nervosamente a varinha em os dedos . - Er ... não costuma haver ... não costuma haver lobisomens em a floresta ? - acrescentou enquanto ocupavam os lugares de o costume em a aula de o Lockhart . Preferindo não responder a a pergunta , Harry disse : - Também há lá coisas boas . Os centauros são fixes e os unicórnios . Ron nunca estivera em a floresta proibida , Harry fora lá só uma_vez e desejara não ter de lá voltar . Lockhart deu um salto para dentro de a sala de aula e os alunos ficaram espantados a olhar para ele . Todos os outros professores andavam mais tristes do_que o habitual mas Lockhart parecia sentir se em as nuvens . - Então , então - exclamou , olhando em volta . - Porquê essas caras deprimidas ? Lançaram lhe olhares exasperados mas ninguém respondeu . - Não compreendem - disse , falando devagar como_se fossem todos um_pouco estúpidos - que o perigo já passou ? O culpado foi se embora . -- Quem disse ? - retorquiu Dean_Thomas em voz alta . -- Meu caro jovem , o ministro de a magia não teria levado Hagrid se não estivesse cem por_cento certo de que ele era o culpado - disse Lockhart como quem explica que um e um são dois . - Teria , sim - disse o Ron , em um tom de voz ainda mais alto do_que o de o Dean . - Eu julgo saber um_pouco mais sobre a prisão de o Hagrid do_que o senhor , Mr._Weasley - disse Lockhart com notória auto-satisfação . Ron começou a dizer que discordava mas foi interrompido por o Harry que lhe deu um forte pontapé por debaixo de a mesa . - Nós não estávamos lá , lembras te ? - murmurou . Mas a alegria revoltante de o Lockhart , as insinuações de que sempre tinha achado que o Hagrid não prestava , a sua certeza de que tudo aquilo estava a chegar a o fim , irritou Harry de tal maneira que teve vontade de lhe atirar as * _ Viagens com Vampiros * e de lhe acertar em aquela cara estúpida . Mas , em vez de isso , limitou se a escrevinhar um bilhete para o Ron : * _ Vamos lá hoje a a noite * . Ron leu a mensagem , engoliu em seco e olhou para o lugar onde Hermione costumava sentar se . A cadeira vazia pareceu ajudá o a decidir se e acenou afirmativamente . A sala comum de os Gryffindor estava agora sempre cheia porque , depois de as seis_da_tarde , os Gryffindor não tinham outro lugar para ir . Por outro lado , tinham imenso para conversar , por isso a sala comum mantinha se cheia de gente até depois de a meia-noite . Logo_a_seguir a o jantar , Harry foi buscar o manto de a invisibilidade a a mala onde estava guardado e passou todo o serão a a espera que a sala esvaziasse . O Fred e o George desafiaram o para alguns jogos de explosão e a Ginny sentou se , muito preocupada , a observá os , em a cadeira habitual de Hermione . Harry e Ron fartaram se de perder de propósito em uma tentativa de pôr rapidamente fim a os jogos mas , mesmo_assim , já passava bastante de a meia-noite quando o Fred , o George e a Ginny se foram , finalmente , deitar . Harry e Ron esperaram até ouvir as portas de os dois dormitórios fecharem se . Em seguida , pegaram em o manto , lançaram o sobre ambos e passaram por o buraco de o retrato . Era mais uma difícil travessia de o castelo , tendo de fintar todos os professores . Finalmente , chegaram a o * hall * de entrada , giraram o fecho de as portas de carvalho , esgueiraram se tentando não fazer barulho e aventuraram se nos campos iluminados por o luar . - É claro que - disse bruscamente o Ron , enquanto atravessavam os relvados negros - podemos perfeitamente chegar a a floresta e descobrir que não há nada para seguir . As aranhas podem não ter ido para lá . É certo que parecia que tomavam essa direcção , mas ... Felizmente a lengalenga não durou muito . Chegaram a a casa de o Hagrid que tinha um ar triste com as suas janelas vazias . Logo_que Harry empurrou a porta e a abriu , o Fang saltou , louco de alegria por os ver . Preocupados , não fosse ele acordar toda_a_gente em o castelo com o seu ladrar forte e agitado , deram lhe rapidamente a comer bombons de melaço que estavam em uma lata sobre a lareira e que lhe colaram os dentes de cima a os de baixo . Harry pousou o manto de a invisibilidade sobre a mesa de o Hagrid . Não iam precisar de ele em a floresta escura como breu . - Anda , Fang , vamos dar um passeio - disse Harry , batendo lhe a o de leve em a pata e Fang saiu feliz , a os saltos , atrás de eles . Precipitou se até a a orla de a floresta e levantou a perna contra uma enorme figueira-do-egipto . Harry pegou em a varinha , murmurou * _ Lumus * ! e uma pequenina luz surgiu em a ponta de a varinha , suficiente para lhes mostrar o caminho e ajudá os a descobrir a pista de as aranhas . - Bem pensado - disse o Ron . - Eu acendia também a minha mas , sabes como ela está , ainda estoirava ou qualquer coisa assim ... Harry tocou em o ombro de o Ron , apontando para as ervas . Duas aranhas solitárias fugiam de a luz de a varinha , aproximando se de a sombra de as árvores . - O. _ K. - disse o Ron , resignando se com o pior . - Estou pronto , vamos . Então , com o Fang a correr atrás de eles , cheirando as raízes de as árvores e as folhas , entraram em a floresta . Seguindo a luz de a varinha de o Harry seguiram a fila disciplinada de aranhas que se movia a o longo de o caminho . Andaram durante cerca de vinte minutos , sem falar , atentos a todos os ruídos que não fossem os de os ramos caídos e de as folhas secas . Então , quando as copas de as árvores se tinham tornado mais cerradas do_que nunca , de_tal_modo_que as estrelas em o céu já não eram visíveis e a varinha de o Harry brilhava isolada em um mar de escuridão , viram as aranhas que eles seguiam a abandonar o caminho . Harry parou , tentando ver para_onde iam mas tudo_o_que ficava longe de a sua pequenina luz era negro de breu . Ele nunca fora tão longe em a floresta . Lembrava se muito bem de Hagrid lhe ter dito , de a última vez que ali tinham estado , que nunca saísse de o caminho de a floresta . Mas Hagrid agora estava a muitos quilómetros de distância e ele também lhes dissera que seguissem as aranhas . Uma coisa húmida tocou em a mão de o Harry e ele deu um salto para trás , pisando o pé a o Ron . Mas afinal era apenas o focinho de o Fang . - O que é_que tu achas ? - perguntou ele a o Ron cujos olhos conseguia vislumbrar , reflectindo a luz de a varinha . - Já_que viemos até aqui - disse ele . Seguiram , portanto as sombras velozes de as aranhas em direcção a as árvores . Não podiam agora andar muito depressa . Tinham em a frente raízes de árvores e troncos cortados que mal se viam em aquela escuridão . Harry sentia o bafo quente de Fang em a mão . Por mais de uma_vez tiveram de parar para o Harry se baixar e descobrir as aranhas a a luz de a varinha . Andaram durante o que lhes pareceu ter sido pelo_menos meia_hora , com os mantos a roçarem em os ramos mais baixos e em as silvas . A o fim de algum tempo repararam que o chão parecia inclinar se para baixo embora as árvores continuassem cerradas . Foi então que o Fang soltou um latido que ecoou em volta , fazendo Harry e Ron darem um salto , ambos com os cabelos em pé . - O que foi ? - gritou o Ron , olhando em volta para a escuridão e agarrando Harry com força , por o cotovelo . - Há qualquer coisa ali a mexer se - murmurou Harry - Ouve ... parece ser grande . Ficaram a ouvir . Um_pouco para a direita algo de grandes dimensões partia os ramos enquanto abria caminho através de as árvores . - Oh ! não - disse o Ron . - Oh ! não , não ... - Cala te - insistiu o Harry , nervoso . - Seja o que for , vai acabar por te ouvir . - Ouvir me ? - disse o Ron , em um tom de voz muito pouco natural . - Já ouviu . Fang ! A escuridão parecia esmagar lhes os globos oculares enquanto ali ficaram apavorados , a a espera . Houve um estranho ruído , surdo e prolongado , e em seguida o silêncio . - O que estará a fazer ? - perguntou Harry . - Talvez esteja a preparar se para atacar - disse o Ron . Esperaram , a tremer , sem ousarem mexer se . - Achas que se foi embora ? - murmurou Harry . - Não sei . Em esse momento , de o lado direito veio um clarão de luz tão forte em o meio de o escuro que os dois levaram as mãos a a cara para proteger os olhos . O Fang ganiu e tentou fugir mas viu se envolvido em um emaranhado de espinhos e ganiu ainda mais alto . - Harry - gritou o Ron com grande alívio em a voz . - Harry , é o nosso carro . - O quê ? - Anda ver . Harry avançou a os tropeções atrás de o Ron , em direcção a a luz e em o momento seguinte estavam em uma clareira . O carro de Mr._Weasley ali estava , vazio , no_meio_de um círculo de árvores grossas , sob um telhado de ramos densos , os faróis de a frente resplandecentes . Quando Ron se aproximou de boca aberta , moveu se lentamente em direcção a ele como_se fosse um grande cão azul turquesa , cumprimentando o dono . - Tem estado aqui todo este tempo - disse o Ron satisfeitíssimo , aproximando se de o carro . - Olha para ele , a floresta tornou o selvagem ... O guarda-lamas estava riscado e cheio de lodo . Parecia que tinha andado a passear sozinho por a floresta . Fang não gostou lá muito de ele . Manteve se a o lado de o Harry que podia senti o a tremer . Com a respiração normalizada , Harry guardou a varinha em o manto . - E nós a pensarmos que ele nos ia atacar - disse o Ron , encostando se a o carro e dando lhe duas palmadinhas - As voltas que eu dei a a cabeça a pensar para_onde ele teria ido ! Harry olhava para todos os lados , em o chão iluminado , em busca de mais aranhas mas todas elas tinham fugido de o brilho de as luzes . - Perdemos as de vista - disse ele . - Anda , vamos procurá as . Ron não disse nada . Não se moveu . Tinha os olhos fixos em um ponto , três metros acima de o chão de a floresta , mesmo atrás de o Harry . O seu rosto estava lívido de terror . Harry nem teve tempo de se voltar . Ouviu se um ruído alto e seco e sentiu que alguma coisa longa e peluda o elevava em o ar com o rosto voltado para baixo . Debatendo se , apavorado , ouviu outro estalido e viu as pernas de o Ron serem também levantadas de o chão . Ouviu o Fang gemer e ganir e , em o momento seguinte , era levado para o meio de as árvores escuras . Com a cabeça a balouçar , Harry viu que a coisa que o transportava tinha seis enormes patas peludas e que as duas de a frente o agarravam com forca sob um par de tenazes pretas e brilhantes . Atrás_de si podia ouvir outra de aquelas criaturas que , sem dúvida , transportava o Ron . Encaminhavam se para o coração de a floresta . Harry ouvia o Fang a ladrar , tentando libertar se de um terceiro monstro mas Harry não podia gritar mesmo_que quisesse , parecia que tinha deixado a voz em a clareira , junto com o carro . Não soube quanto tempo esteve em as patas de a criatura , só se apercebeu que a escuridão se atenuara um_pouco , permitindo lhe ver que o chão coberto de folhas estava agora repleto de aranhas . Voltando a cabeça para o lado , deu se conta de que tinham chegado a a base de uma enorme cova , uma cova que fora limpa de árvores para que as estrelas iluminassem com o seu brilho a cena mais pavorosa que os seus olhos alguma vez tinham visto . Aranhas . Não aranhas pequeninas como aquelas que estavam sobre as folhas . Aranhas de o tamanho de enormes cavalos , com oito olhos , oito pernas pretas , peludas , gigantescas . O espécimen que transportava Harry desceu o terreno íngreme até uma teia brumosa em forma de cúpula que ficava mesmo em o meio de a cova , enquanto os companheiros se juntavam em volta , batendo excitadíssimos com as tenazes e olhando para o que eles traziam a as costas . Harry caiu em o chão de gatas quando a aranha o libertou . Ron e Fang foram cair perto de ele . O Fang já não gania . Estava agachado e muito quieto . Ron e Harry partilhavam o mesmo sentimento . O Ron tinha a boca aberta em uma espécie de grito silencioso e os olhos a saltarem lhe de as órbitas . Harry percebeu de repente que a aranha que o deitara a o chão estava a dizer qualquer coisa . Era difícil entender porque entre cada duas palavras , batia com as tenazes . - Aragog - chamou . - Aragog . E de o meio de a teia brumosa em forma de cúpula saiu muito lentamente uma aranha de o tamanho de um pequeno elefante . As costas e as pernas estavam cobertas de pêlo cinzento e , em a cabeça feia , munida de tenazes , estavam vários olhos , todos eles de um branco leitoso . Era cega . - O que foi ? - disse , batendo rapidamente com as tenazes uma em a outra . - Homens - respondeu a aranha que trouxera o Harry . - É o Hagrid ? - perguntou Aragog , aproximando se mais com os seus oito olhos leitosos a vaguear . - Estranhos - respondeu a aranha que trouxera o Ron . - Matem nos - disse Aragog , irritada . - Eu estava a dormir ... - Nós somos amigos de o Hagrid - gritou Harry . Parecia que o coração lhe saltava por a boca . Clic , clic , clic fizeram as tenazes de a aranha , em volta de a cova . Aragog parou . - O Hagrid nunca mandou homens a a nossa cova - disse lentamente . - O Hagrid está em perigo - explicou Harry , respirando muito depressa . - Foi por isso que eu vim . - Em perigo ? - repetiu a aranha idosa e pareceu a Harry sentir preocupação por detrás de as suas tenazes . - Mas porque vos mandou ele cá ? Harry pensou pôr se de pé mas achou melhor não arriscar . As pernas provavelmente não teriam força para o sustentar . Falou portanto de o chão , o mais calmamente que foi capaz . - Eles lá em a escola pensam que o Hagrid soltou qualquer coisa contra os estudantes . Mandaram o para Azkaban . Aragog bateu furiosamente com as tenazes e , em toda_a cova , o eco foi reproduzido por uma multidão de aranhas . Era uma espécie de aplauso com uma única diferença : os aplausos não costumavam fazer o Harry quase morrer de medo . - Mas isso foi há muitos anos - disse Aragog , maldisposta . - Há anos e anos . Lembro me muito bem . Foi por isso que o expulsaram de a escola . Eles pensaram que eu era o monstro que vive em aquilo a que eles chamam a Câmara_dos_Segredos . Pensaram que o Hagrid a tinha aberto para me libertar . - E tu ... não vieste de a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Harry que sentia a testa cheia de suores frios . - Eu - disse Aragog , batendo irritada com as tenazes - , eu não nasci em o castelo . Venho de uma terra distante . Um viajante ofereceu me a o Hagrid quando eu era ainda um ovo . Hagrid era um rapazinho mas tratou de mim , escondeu me em uma despensa dentro de o castelo e alimentava me com as migalhas que ficavam em as mesas . Hagrid é o meu bom amigo e um bom homem . Quando me encontraram e me culparam por a morte de uma rapariga , ele protegeu me . Desde_então , tenho vivido aqui em a floresta onde o Hagrid ainda vem visitar me . Ele até me arranjou uma esposa , Mosag , e estão a ver como a família cresceu , tudo graças a a bondade de o Hagrid ... Harry reuniu a coragem que lhe restava . - Então tu nunca atacaste ninguém ? - Nunca - resmungou a velha aranha . - Era esse o meu instinto , mas por respeito a Hagrid nunca fiz mal a nenhum humano . O corpo de a rapariga morta foi encontrado em uma casa_de_banho , ora eu nunca conheci mais do_que despensa de o castelo , onde cresci . Nós gostamos de o escuro de o silêncio . - Mas então ... sabes o que matou essa rapariga ? - perguntou Harry . - Porque seja o que for , está a atacar as pessoas outra_vez ... As suas palavras foram abafadas por uma audível explosão de tenazes a bater e por o ruge-ruge de muitas pernas longas , deslocando se iradas . Em volta de Harry começaram a mover se sombras escuras . - O que vive em o castelo - disse Aragog - é uma antiga criatura que nós , aranhas , tememos acima_de todas_as outras . Lembro me bem de o quanto insisti com Hagrid para que me deixasse sair de ali quando senti a criatura a andar por a escola . - O que é ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Mais tenazes a bater , mais pernas a moverem se . As aranhas pareciam estar a aproximar se . - Nós não falamos de isso - exclamou Aragog furiosa . - Não pronunciamos o seu nome . Eu nunca disse a o Hagrid o nome de a horrível criatura , apesar_de ele me ter perguntado vezes sem conta . Harry não quis insistir , principalmente com todas aquelas aranhas a aproximarem se de todos os lados . Aragog parecia ter se cansado de falar . Recuava lentamente para a teia em forma de cúpula , mas as companheiras continuavam a aproximar se ameaçadoramente de Harry e Ron . - Vamos embora , então - gritou Harry , desesperadamente a Aragog , enquanto ouvia as folhas secas a estalarem atrás_de si . - Embora ? - disse Aragog lentamente . - Não me parece ... - Mas , mas ... - Os meus filhos e filhas não fazem mal a o Hagrid por ordem minha . Mas não posso negar lhes carne fresca quando ela veio por vontade própria ter connosco . Adeus , amigo de o Hagrid . Harry deu meia volta . Poucos centímetros acima de ele , uma sólida parede de aranhas batia com as tenazes , os seus muitos olhos a brilharem em as horríveis caras pretas . Mesmo_que se servisse de a varinha , Harry sabia que não ia valer de nada . As aranhas eram demasiadas , mas quando tentava preparar se para morrer a lutar , ouviu se um som prolongado e um clarão de luz iluminou a cova . O carro de Mr._Weasley ribombava , descendo o declive , com os faróis acesos , a buzina a guinchar , afastando as aranhas . Muitas de elas ficaram voltadas ao_contrário com as várias pernas a agitar se em o ar . O carro buzinou com mais força em frente de Harry e Ron e as portas abriram se . - Agarra o Fang - gritou Harry , ajeitando se em o lugar de a frente . Ron agarrou o cão caçador de javalis e lançou o a ganir para o banco de trás . As portas fecharam se com estrondo . Ron não tocou em o acelerador mas o carro não precisou de isso . O motor fez se ouvir e levantaram voo , batendo em mais aranhas . Subiram o declive , saindo de a cova e pouco depois atravessavam a floresta , os ramos a baterem em os vidros enquanto o carro seguia habilmente através de os intervalos maiores , por um caminho que obviamente já conhecia . Harry olhou para o Ron , a o seu lado . Ele tinha ainda a boca aberta em o mesmo grito silencioso mas os olhos já não estavam salientes . - Estás bem ? Ron olhou em frente , incapaz de responder . Começavam a descer para terra firme com o Fang a soltar enormes ganidos em o banco de trás e Harry viu o espelho retrovisor saltar quando passaram rente a um enorme carvalho . Após dez minutos bastante ruidosos , as árvores começaram a ser mais finas e Harry pôde ver de_novo pedaços de o céu . O carro parou tão bruscamente que quase foram projectados por o vidro de a frente . Tinham chegado a a orla de a floresta . O Fang ia agitadíssimo a a janela e quando Harry abriu a porta , disparou a correr através de as árvores até a a casa de o Hagrid , de cauda entre as pernas . Harry saiu também e um minuto depois o Ron pareceu recuperar a força em os membros e seguiu o , ainda com um torcicolo e de olhos esbugalhados . Harry deu uma palmadinha de agradecimento a o carro antes de ele dar a volta e desaparecer em direcção a a floresta . Harry voltou a a cabana de o Hagrid para buscar o manto de a invisibilidade . O Fang tremia em o seu cesto , coberto por um cobertor . Quando saiu de_novo , viu o Ron a vomitar junto de as abóboras . - Sigam as aranhas - disse ele debilmente , limpando a boca a a manga . - Nunca vou perdoar a o Hagrid . É uma sorte ainda estarmos vivos . - Aposto que ele pensou que Aragog nunca faria mal a os seus amigos - justificou Harry . - Esse é justamente o problema de o Hagrid - interrompeu Ron , dando um soco em a parede de a cabana . - Ele acha sempre_que os monstros não são tão maus como os pintam e vê onde isso o levou , a uma cela em Azkaban - tremia agora descontroladamente . - Qual a ideia de ele a o mandar nos ali ? Gostava de saber o que é_que descobrimos . - Que o Hagrid nunca abriu a Câmara_dos_Segredos - disse Harry , lançando o manto sobre Ron e tocando lhe em o braço para o encorajar a andar . - Ele estava inocente . Ron resmungou em voz alta . Para ele , chocar Aragog em uma despensa não era propriamente estar inocente . Quando se aproximaram de o castelo , Harry esticou o manto para garantir que os pés de ambos ficavam cobertos . Em seguida , empurrou as portas de a frente que chiaram . Atravessaram com todo o cuidado o * hall * de entrada e subiram a escadaria de mármore , contendo a respiração em os corredores guardados por sentinelas atentos . Por fim , chegaram a a segurança de a sala de os Gryffindor onde o lume ardera até se transformar em brasas brilhantes . Tiraram o manto e subiram a escada serpenteante que os levava a o dormitório . Ron caiu em a cama sem sequer se despir mas Harry , apesar_de tudo , não tinha sono . Sentou se em a beirinha de a cama , pensando em todas_as coisas que Aragog dissera . A criatura que andava por o castelo , pensou , era uma espécie de monstro Voldemort , nem os outros monstros queriam pronunciar o seu nome . Mas ele e o Ron não estavam agora mais perto_de descobrir o que era nem como petrificava as suas vítimas . Se nem o Hagrid chegara a saber o que estava em a Câmara_dos_Segredos ... Harry balançou as pernas e atirou se para_cima de a cama . Encostado a as almofadas olhou a Lua que brilhava através de a janela de a torre . Não sabia que mais poderiam fazer . Só tinham encontrado portas fechadas . Riddle apanhara a pessoa errada . O herdeiro de Slytherin fugira e ninguém sabia se era a mesma pessoa ou uma outra que abrira , desta_vez , a Câmara_dos_Segredos . Não havia mais ninguém a quem fazer perguntas . Harry deitou se ainda a pensar em as palavras de Aragog . Estava a começar a ficar com sono quando aquilo que parecia ser uma última esperança lhe ocorreu , fazendo o sentar se muito direito em a cama . - Ron - sussurrou em o escuro . - Ron . Ron acordou com um ganido como os de o Fang . Olhou muito assustado em volta e viu o Harry . - Ron , a rapariga que morreu . Aragog contou nos que ela foi encontrada em uma casa_de_banho - disse , ignorando os roncos de o Neville em o outro canto de o quarto . - E se ela nunca tivesse saído de a casa_de_banho ? E se ainda lá estiver ? Ron esfregou os olhos , franzindo as sobrancelhas sob a luz de a Lua . E só então compreendeu . -- Não pensar que ... a Murta_Queixosa ? XVI_A_Câmara_dos_Segredos -- E estivemos nós tantas vezes em aquela casa_de_banho com ela apenas a três cubículos de distância - disse o Ron amargamente em o dia seguinte , a a mesa de o pequeno-almoço . - Podíamos ter lhe perguntado e agora ... Já fora bastante difícil procurar as aranhas . Escapar a os professores o tempo suficiente para ir até a a casa_de_banho de as raparigas , que ficava mesmo em frente de o lugar onde ocorrera o primeiro ataque , ia ser quase impossível . Mas alguma coisa aconteceu que fez com que a Câmara_dos_Segredos desaparecesse de os seus pensamentos pela_primeira_vez em várias semanas . A professora Mc_Gonagall comunicou lhes que os exames começariam a 1_de_Junho , uma semana depois . - Exames ? - gritou Seamus_Finnigan . - Nós mesmo_assim vamos ter exames ? Ouviu se um estrondo atrás de o Harry quando a varinha de o Neville_Longbottom lhe escapou de a mão , fazendo desaparecer uma de as pernas de a secretária . A professora Mc_Gonagall repô a com a sua varinha e voltou se com má cara para o Seamus . - Se temos a escola aberta em uma altura de estas é para vocês receberem instrução - disse com dureza . - Os exames terão lugar , portanto , como é costume e espero que todos vocês façam revisões até lá . Revisões . Não passara por a cabeça de o Harry que houvesse exames com o castelo em aquele estado . Houve uma série de murmúrios revoltados , o que fez com que a professora Mc_Gonagall ficasse ainda mais mal-humorada . - As instruções de o professor Dumbledore foram para manter a escola a funcionar o mais normalmente possível - disse . - E isso , não preciso de vos dizer , passa por uma avaliação de o quanto vocês aprenderam a o longo de este ano . Harry olhou para baixo , para o casal de coelhos brancos que ele deveria transformar em pantufas . Que tinha ele aprendido durante o ano ? Não era capaz de se lembrar de nada que fosse útil em um exame . Ron estava como_se tivessem acabado de lhe dizer que a partir de aquele momento tinha de ir viver para a floresta proibida . - Estás a ver me a ter exames com isto tudo ? - perguntou a o Harry enquanto pegava em a varinha que tinha começado a assobiar bastante alto . Três dias antes de o primeiro exame , a a hora de o pequeno almoço , a professora Mc_Gonagall fez outra comunicação . - Tenho boas notícias - disse , e o salão em_vez_de se calar , explodiu de contentamento . - Dumbledore vai regressar ! - gritaram várias pessoas cheias de alegria . - Apanharam o herdeiro de Slytherin - arriscou uma rapariga em a mesa de os Ravenclaw . - Temos outra_vez os jogos de Quidditch - bradou Wood , excitadíssimo . Quando a agitação passou , Mc_Gonagall disse : - A professora Sprout informou me que as mandrágoras estão finalmente prontas para serem cortadas . Hoje a a noite vamos poder reanimar as pessoas que foram petrificadas . Escusado será dizer que certamente uma de elas poderá revelar nos quem ou o que a atacou . Eu tenho esperança que este ano pavoroso acabe com a prisão de o culpado . Houve uma explosão de aplausos . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e não ficou nada surpreendido a o ver que Draco_Malfoy não aplaudia . O Ron , por outro lado , estava satisfeito como ninguém o via havia dias . - Não faz mal não termos perguntado a a Murta . A Hermione vai , com certeza , ter todas_as respostas quando acordarem . Vai também ficar fula quando souber que temos exames dentro_de três dias . Ela não pôde fazer revisões . Seria melhor deixarem a estar onde está até a o final de os exames . Nessa_altura , Ginny_Weasley veio sentar se junto de o Ron . Parecia nervosa e tensa e Harry reparou que torcia as mãos em o colo . - O que se passa ? - perguntou o Ron , servindo se de mais papa de aveia . Ginny não disse nada mas olhou para um lado e para o outro de a mesa de os Gryffindor , com um olhar assustado que lembrou a Harry alguém que não sabia bem quem era . - Vá lá , vomita - disse o Ron , olhando para ela . Harry percebeu subitamente quem a Ginny lhe lembrara . Ela balançava se ligeiramente para a frente e para trás em a cadeira , exactamente como o Dobby fazia quando estava hesitante , à_beira_de revelar uma informação proibida . - Tenho de te dizer uma coisa - balbuciou a Ginny receosa , sem olhar para Harry . - O que é ? - perguntou ele . Ginny parecia incapaz de encontrar as palavras certas . - O quê ? - insistiu Ron . Ginny abriu a boca mas não saiu nenhum som . Harry inclinou se para a frente e falou devagar para que só ela e Ron pudessem ouvi o . - É alguma coisa relacionada com a Câmara_dos_Segredos ? Viste alguma coisa ou alguém a agir de forma estranha ? Ginny respirou fundo e , em esse preciso momento , apareceu Percy_Weasley com um ar pálido e cansado . - Se já acabaste de comer eu fico com esse lugar , Ginny . Estou cheio de fome . Acabei agora o meu trabalho de patrulhamento . Ginny deu um salto como_se a cadeira tivesse acabado de ser electrificada , lançou a o Percy um olhar assustado e zarpou . Percy sentou se e tirou uma caneca de o meio de a mesa . -- Percy - disse o Ron aborrecido . - Ela ia agora mesmo contar nos uma coisa importante . A meio de um gole de chá , Percy estremeceu . - Que coisa ? - perguntou , tossindo . - Eu quis saber se ela tinha visto alguma coisa estranha e ela ia dizer ... - Ah ! isso ... não tem nada que ver com a Câmara_dos_Segredos - disse o Percy de imediato . - Como sabes ? - indagou o Ron , erguendo as sobrancelhas . - Bem ... er ... já_que perguntam , a Ginny ... er ... passou por mim em outro dia quando eu ... er ... não foi nada , o importante é_que ela viu me fazer uma coisa e eu ... um ... pedi lhe para não comentar com ninguém . Não pensei que ela cumprisse a palavra , verdade se diga . Não é nada importante , eu só ... Harry nunca vira o Percy tão pouco a a vontade . - O que estavas a fazer , Percy ? - riu se o Ron . - Vá lá , conta que nós não nos rimos . Percy ficou sério . - Passa me esses pãezinhos , Harry , estou cheio de fome . Harry sabia que todo o mistério poderia ser desvendado em o dia seguinte sem a ajuda de eles mas não ia deixar de falar com a Murta_Queixosa se a oportunidade surgisse . E , para sua grande satisfação , ela surgiu a meio de a manhã quando eram conduzidos a a aula de História_da_Magia_por_Gilderoy_Lockhart . Lockhart , que tantas vezes lhes assegurara que o perigo tinha passado , estava agora totalmente convencido de que acompanhar os alunos em os corredores era um trabalho inútil . O seu cabelo estava mais liso do_que de costume . Parecia ter passado toda_a noite acordado a vigiar o quarto andar . - Podem escrever o que eu digo - afirmou , acompanhando os até uma esquina . - As primeiras palavras que vão sair de a boca de aquelas pobres pessoas petrificadas serão - * _ Foi_o_Hagrid * . Francamente , estou espantado por a professora Mc_Gonagall considerar ainda necessárias estas medidas de segurança . - Concordo , professor - disse Harry , fazendo com que Ron , surpreendido , deixasse cair os livros a o chão . - Obrigado , Harry - disse Lockhart amavelmente , enquanto deixavam passar uma grande fila de Hufflepuffs . - verdade é_que os professores já têm bastante que fazer para andarem também a acompanhar os alunos a as aulas e a guardar os corredores a a noite ... - É verdade - disse o Ron , percebendo a ideia . - Porque não nos deixa aqui , professor , só falta mais um corredor . - Sabes , Weasley , sou mesmo capaz de fazer isso - disse Lockhart . - Preciso de preparar a minha próxima aula . E apressou se a seguir o seu caminho . - Preparar a aula - zombou o Ron . - Vai encaracolar o cabelo , é o mais certo . Deixaram os restantes Gryffindor passar lhes a a frente e por fim cortaram caminho em um corredor lateral e dirigiram se a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mas quando estavam a congratular se por o seu esquema brilhante ... - Potter , Weasley ! Que estão vocês a fazer aqui ? Era a professora Mc_Gonagall e a boca de ela estava mais fina do_que nunca . - Nós estávamos , estávamos - gaguejou o Ron . - Nós íamos ver , íamos ver ... - Hermione - completou Harry . A professora Mc_Gonagall e Ron olharam para ele . - Não a vemos há séculos , professora - prosseguiu Harry , pisando o pé a o Ron . - E pensamos ir espreitá a a a ala hospitalar e dizer lhe que as mandrágoras estão quase prontas , para ela não se preocupar . A professora Mc_Gonagall estava ainda a olhar para ele e , por um momento , Harry pensou que ela ia explodir mas , quando falou , fê lo em um tom de voz estranhamente rouco . - É claro - disse . E Harry , espantado , viu uma lágrima a brilhar lhe em o canto de um de os olhos . - É claro . Eu compreendo que tudo_isto tem sido muito duro para os amigos de aqueles que foram ... eu compreendo , sim , Potter . Podem ir visitar Miss_Granger . Eu mesma informarei o professor Binns de que vocês estão em o hospital . Digam a Madam_Pomfrey que vos dei autorização . Harry e Ron afastaram se , quase sem acreditar que tinham escapado a um castigo . Quando voltaram em uma esquina ouviram nitidamente a professora Mc_Gonagall a assoar se . - Esta - disse o Ron entusiasmado - foi a melhor história que tu alguma vez inventaste . Não tinham outro remédio senão ir a a ala hospitalar e dizer a Madam_Pomfrey que tinham autorização de a professora Mc_Gonagall para visitar Hermione . Madam_Pomfrey deixou os entrar com alguma relutância . - Não vale a pena falar com uma pessoa petrificada - disse , e ambos tiveram que admitir que ela tinha razão quando se sentaram junto de Hermione e constataram que ela não tinha a menor noção de estar acompanhada . Dizer lhe que não se preocupasse ou falar com o armário que estava a o lado de a cama era exactamente a mesma coisa . - Será que ela viu quem a atacou ? - perguntou o Ron , olhando com tristeza para o rosto rígido de Hermione . - Porque se a coisa saltou sobre eles , ficaremos todos sem saber de nada . Mas Harry não olhava para o rosto de Hermione . Estava mais interessado em a sua mão direita que se encontrava pousada sobre os cobertores e , inclinando se para ela , viu que tinha , fechado entre os dedos , um pedaço de papel . Assegurando se de que Madam_Pomfrey não dava por nada , fez sinal a o Ron . - Tenta tirá o - murmurou ele , colocando a cadeira de_modo_a que Madam_Pomfrey não pudesse ver o Harry . Não foi tarefa fácil . A mão de a Hermione estava fechada com uma força tal que Harry receou parti a . Enquanto Ron vigiava , ele forçou e torceu até que , por fim , depois de vários minutos bastante tensos , conseguiu tirar o papel . Era uma página retirada de um livro muito antigo de a biblioteca . Harry alisou a ansiosamente e Ron inclinou se para poder lês a também . * _ De todos os monstros assustadores que pairam a a face de a Terra , nenhum é tão curioso nem tão fatal como o Basilisk , também conhecido por o rei de as serpentes . Esta cobra que pode atingir proporções gigantescas e viver durante muitas centenas de anos nasce de um ovo de galinha que é chocado por um sapo . As suas formas de matar são pavorosas pois além de os dentes venenosos e mortais , o Basilisk tem um olhar criminoso e todos aqueles que ele fixa com os olhos tem morte instantânea . As aranhas fogem a sete pés de o Basilisk que é seu inimigo mortal , e o Basilisk foge apenas de o canto de o galo que para ele é fatal * . Por debaixo de isto uma única palavra fora escrita , em a letra que Harry reconheceu como sendo de Hermione : Canos . Foi como_se se tivesse acendido uma luz em o seu espírito . - Ron - murmurou - é isso . Está aqui a resposta . O monstro de a Câmara_dos_Segredos é um Basilisk , uma serpente gigante . Por isso , só eu tenho ouvido a sua voz em todos os lugares , porque eu compreendo * serpentês * ... Harry olhou para as camas em volta . - O Basilisk mata as pessoas fixando as com o olhar mas ninguém morreu , o que quer_dizer que ninguém o olhou directamente em os olhos . Colin viu o através de a lente de a máquina fotográfica e o Basilisk queimou o rolo que estava lá dentro mas o Colin ficou apenas petrificado . O Justin ... o Justin deve ter visto o Basilisk através de o Nick quase sem cabeça . O Nick é_que levou com o olhar mas não podia morrer outra_vez ... e perto de a Hermione e de a prefeita de os Ravenclaw foi encontrado um espelho . Hermione acabara de compreender que o monstro era um Basilisk . Aposto que preveniu a primeira pessoa que encontrou de que era melhor olhar por um espelho a o virar de cada esquina . E aquela rapariga puxou de o seu espelho e ... O Ron estava de queixo caído . - E Mrs._Norris ? - perguntou vivamente . Harry pensou um_pouco , tentando imaginar a cena em a noite de o Halloween . - A água . . . - disse lentamente . - A poça de água que saiu de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Aposto que Mrs._Norris só viu o reflexo de o monstro . Examinou a folha de papel que tinha em a mão . Quanto_mais olhava mais sentido faziam as coisas . - * _ O cantar de o galo é fatal para ele * - leu em voz alta . - Os galos de o Hagrid foram mortos . O herdeiro de Slytherin não queria um único galo perto de o castelo , com a câmara aberta . * _ As aranhas são as primeiras a fugir * . Tudo encaixa . - Mas , como tem o Basilisk andado por aí ? - disse o Ron . - Uma serpente horrível e enorme ... alguém a teria visto . Mas Harry apontou para a palavra que Hermione escrevinhara em o final de a página . - Canos - disse . - Canos ... Ron , ele tem usado a canalização . Eu ouvi sempre a voz dentro de as paredes ... Ron agarrou subitamente o braço de o Harry . - A entrada para a Câmara_dos_Segredos - disse em uma voz rouca . - E se for em uma casa_de_banho ? Se for em a ... - Em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa - completou Harry . Sentaram se , tomados de uma excitação enorme , mal querendo acreditar . - Isso significa que - disse o Harry - eu não posso ser o único em a escola a falar * serpentês * . Há também o herdeiro de Slytherin . É de esse modo que tem controlado o Basilisk . - O que vamos fazer ? - perguntou Ron com os olhos a faiscar . - Vamos falar com a Mc_Gonagall ? - Vamos até a a sala de os professores - disse Harry , dando um salto . - Ela estará lá dentro_de dez minutos , está quase em o intervalo . Desceram a escada a correr . Não querendo ser descobertos outra_vez a vaguear por os corredores foram directamente até a a sala de os professores que estava deserta . Era uma divisão ampla , toda forrada , com cadeiras de madeira escura . Harry e Ron passearam de um lado para o outro , demasiado nervosos para se sentarem . Mas a campainha anunciando o intervalo nunca mais tocava . Em vez de isso , ecoando em os corredores , ouviram a voz de a professora Mc_Gonagall incrivelmente ampliada . - * _ Todos os alunos devem regressar de imediato a os seus dormitórios . Todos os professores a a sala de professores . Imediatamente , por favor * . Harry deu meia volta e olhou para o Ron . - Não me digas que houve um novo ataque , não agora ! - Que vamos fazer ? - disse o Ron aterrado . - Voltar para o dormitório ? - Não - disse Harry , olhando e m volta . Havia uma espécie de armário a a sua esquerda cheio com os mantos de os professores . - Ali . Vamos ouvir o que se passa . A seguir poderemos contar lhes o que descobrimos . Esconderam se dentro de o armário , ouvindo a algazarra de centenas de pessoas e a porta de a sala de professores a abrir se . De o meio de a confusão de mantos bafientos , viram os professores encherem a sala . Alguns tinham um ar totalmente confuso , outros pareciam apavorados . Por fim , chegou a professora Mc_Gonagall . - Aconteceu - disse em o silêncio de a sala de professores . - O monstro levou uma aluna . Levou a mesmo para a câmara . O professor Flitwick soltou um grito agudo . A professora Sprout bateu com a mão em a boca . Snape agarrou com força as costas de uma cadeira e perguntou : - Como pode ter tanta certeza ? - O herdeiro de Slytherin - disse a professora Mc_Gonagall , muito pálida . - Deixou outra mensagem . Mesmo por baixo de a primeira : « * _ O esqueleto de ela ficará para sempre em a Câmara_dos_Segredos * . » O professor Flitwick desatou a chorar . - Quem é ela ? - quis saber Madam_Hooch que se afundara em uma cadeira . - Quem é a aluna ? - Ginny_Weasley - disse a professora Mc_Gonagall . Harry viu o Ron , a o seu lado , escorregar silenciosamente até a o chão de o armário . - Vamos ter que mandar todos os alunos embora amanhã - disse a professora Mc_Gonagall . Isto_é o fim de Hogwarts , Dumbledore sempre disse ... A porta de a sala de os professores voltou a abrir se . Por um breve momento , Harry pensou que fosse Dumbledore mas era Lockhart e vinha todo sorridente . - Peço desculpa , adormeci . Perdi alguma coisa ? Não pareceu reparar que os outros professores o olhavam com uma espécie de aversão . Snape deu um passo em frente . - O homem que faltava - disse . - O homem certo . O monstro raptou uma garota , Lockhart levou a para a Câmara_dos_Segredos . O seu momento chegou . - Isso mesmo , Lockhart - acrescentou a professora Sprout . - Não estavas a dizer ontem a a noite que sempre tinhas sabido onde era a entrada para a Câmara_dos_Segredos ? - Eu ... bem ... eu-disse atabalhoadamente Lockhart . - Sim , não me disseste que sabias exactamente o que estava lá dentro ? - disse com voz esganiçada o professor Flitwick . - Eu disse ? Não me lembro ... - Lembro me perfeitamente de o ouvir dizer que lamentava não ter feito uma tentativa com o monstro antes de o Hagrid ser preso - disse Snape . - Não disse que toda_a história tinha sido uma atrapalhação e que deveriam ter lhe dado carta branca desde o princípio ? Lockhart olhou em volta para a cara de espanto de os colegas . - Eu ... nunca ... eu de facto ... deve ter me compreendido mal . - Então vamos deixar te , Gilderoy - disse a professora Mc_Gonagall . - Esta noite será uma excelente oportunidade para actuares . Nós trataremos de assegurar que ninguém te atrapalha . Vais poder enfrentar o monstro sozinho . Finalmente tens carta branca . Lockhart olhou desesperado a a sua volta mas ninguém foi salvá o . Já não estava bem-parecido . O lábio tremia lhe e a ausência de o seu habitual sorriso de dentes brancos dava lhe um ar escanzelado . - M-muito bem - disse . - Vou até a o meu escritório para ... para me preparar . E saiu de a sala . - _ óptimo - exclamou a professora Mc_Gonagall com as narinas dilatadas . - Isto deve afastá o de o nosso caminho . Os chefes de casa devem ir agora comunicar a os respectivos alunos o que se passou e informá os de que o Expresso_de_Hogwarts os levará a casa amanhã de manhã . Os restantes certifiquem se , por favor , de que não há alunos fora de os dormitórios . Os professores levantaram se e saíram um a um . Foi talvez o dia pior de a vida de o Harry . Ele , Ron , Fred e George sentaram se juntos a um canto em a sala comum de os Gryffindor , incapazes de proferir uma palavra . Percy não estava lá . Tinha ido tratar de enviar uma coruja a Mr. e Mrs._Weasley e , em seguida , fechara se em o dormitório . Nunca uma tarde custara tanto a passar e nunca a torre de os Gryfffindor estivera tão cheia de gente e tão silenciosa . Fred e George foram para a cama quase a o pôr de o Sol , incapazes de ficar ali mais tempo . - Ela sabia qualquer coisa , Harry - disse o Ron , falando pela_primeira_vez desde_que tinham saído de o armário de a sala de os professores . - Por isso a levaram . Não era nenhuma parvoíce sobre o Percy , ela tinha descoberto qualquer coisa sobre a Câmara_dos_Segredos . Com certeza por isso é_que a ... - Ron esfregou os olhos , enervadíssimo . - Afinal ela era sangue puro , não pode haver outra explicação . Harry olhava para o sol que mergulhava de um vermelho cor de sangue em a linha de o horizonte . Era a pior coisa que lhe tinha acontecido . Se pelo_menos pudessem fazer alguma coisa . - Harry - disse o Ron . - Achas que há alguma possibilidade de ela não estar ... ? Sabes o que eu quero dizer . Harry não sabia que resposta dar . Não acreditava que a Ginny pudesse ainda estar viva . - Sabes uma coisa ? - disse o Ron . - Acho que devíamos ir ter com o Lockhart , contar lhe o que sabemos . Ele vai tentar entrar em a câmara , podemos dizer lhe onde achamos que fica a entrada e contar lhe que o monstro é um Basilisk . Como Harry não tinha nenhuma ideia melhor e como queria fazer alguma coisa , concordou . Os Gryffindor que os rodeavam estavam tão tristes e com tanta pena de os Weasley que ninguém tentou impedi os quando os viram levantar se , atravessar a sala e sair por o buraco de o retrato . A escuridão começava a instalar se quando chegaram a o escritório de Lockhart onde a actividade era muita . De o corredor ouvia se o ruído de coisas a serem deitadas fora , pancadas surdas e passos apressados . Harry bateu a a porta e houve um silêncio repentino . Em seguida abriu se uma fresta de a porta e viram um de os olhos de Lockhart a espreitar . - Oh ! ... Mr._Potter ... Mr._Weasley - disse entreabrindo a porta . - Estou um_pouco ocupado em este momento , se forem rápidos ... - Professor , nós temos informações para lhe dar - disse o Harry . - Acho que poderão ajudá o . - Er ... bem ... não é - o lado de a cara de Lockhart que conseguiam ver parecia muito pouco a a vontade . - Quer_dizer ... bem ... está bem . Abriu a porta e eles entraram . O escritório estava praticamente vazio . Em o chão estavam duas grandes malas abertas . Mantos verde-jade , lilás , azul-noite tinham sido apressadamente dobrados e guardados dentro_de uma de as malas . Os livros misturavam se todos dentro de a outra . As fotografias que antes cobriam as paredes estavam agora arrumadas em caixas , em cima de a secretária . - Vai a algum lado ? - perguntou Harry . - Er ... bem ... sim - disse Lockhart , arrancando de a porta um poster seu em tamanho natural , enquanto falava , e começando a enrolá o . - Uma chamada urgente ... inevitável ... tenho que ir . - E a minha irmã ? - perguntou o Ron bruscamente . - Bem , quanto_a isso foi uma pena - disse Lockhart , evitando olhá os em os olhos , abrindo uma gaveta e começando a despejar o seu conteúdo dentro_de um saco . - Ninguém lamenta mais do_que eu ... - O senhor é o professor de Defesa contra as artes negras - disse Harry . - Não pode ir se embora agora_que todas estas coisas de magia negra estão a acontecer aqui . - Bem , devo dizer te que ... quando aceitei o lugar ... - resmungou Lockhart , empilhando soquetes sobre os mantos - nada em a descrição de o meu trabalho fazia prever ... - Quer_dizer que vai fugir ? - perguntou Harry , incrédulo . - Depois de todas_as coisas que conta em os seus livros ? - Os livros podem ser enganadores - disse Lockhart delicadamente . - Mas foi o senhor que os escreveu - gritou Harry . - Meu rapaz - disse Lockhart , endireitando se e franzindo as sobrancelhas - usa o senso comum . Os meus livros não teriam vendido metade do_que venderam se as pessoas não acreditassem que eu tinha feito todas aquelas coisas . Ninguém está interessado em ler sobre um velho feiticeiro americano mesmo_que ele tenha salvo uma cidade inteira de os lobisomens , ficaria péssimo em a capa . E a bruxa que correu com a fada carpideira tinha um lábio leporino . Como vês . - Quer_dizer que ficou com os louros por tudo_o_que uma série de outras pessoas fizeram ? - perguntou Harry , sem querer acreditar . - Harry , Harry - disse Lockhart , abanando impacientemente a cabeça . - Não é tão simples assim . Envolveu muito trabalho . Tive de localizar todas essas pessoas , perguntar lhes em pormenor como tinham feito as coisas . Depois tive de lhes fazer um feitiço antimemória para que não voltassem a lembrar se do_que tinham feito . Se há uma coisa de que me orgulho é de os meus feitiços antimemória . Não , tive muito trabalho , Harry . Não foram só as sessões de autógrafos e as fotografias , sabes ? Quem quer ser famoso tem de estar preparado para um trabalho longo e fatigante . Fechou as malas a a chave . - Vejamos - disse . - Acho que está tudo . Sim , só falta uma coisa . - Empunhou a varinha e voltou se para eles . - Lamento muito , rapazes , mas vou ter de vos fazer um feitiço antimemória . Não posso deixar que vão por aí repetir os meus segredos . Não venderia nem mais um livro . Harry pegou em a varinha mesmo a tempo e Lockhart mal tinha levantado a de ele a o ar quando Harry gritou * _ Expelliarmus ! * Lockhart foi projectado de costas , indo cair em cima de a mala . A varinha voou por os ares . Ron agarrou a e atirou a por a janela aberta . - Não devia ter deixado o professor Snape ensinar nos esta - disse Harry furioso , dando um pontapé a uma de as malas . Lockhart olhava para ele , de_novo escanzelado . Harry apontava lhe a varinha . - O que queres que eu faça ? - perguntou debilmente . - Eu não sei onde fica a Câmara_dos_Segredos . Não posso fazer nada . - Está com sorte - disse Harry , forçando o com a varinha a pôr se de pé . - Nós julgamos saber onde é e o que está lá dentro . Vamos . Conduziram Lockhart para fora de o seu escritório , desceram com ele as escadas e seguiram por o corredor escuro em cuja parede brilhavam as mensagens , até a a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mandaram Lockhart a a frente . Harry gostou de ver que todo ele tremia . A Murta_Queixosa estava sentada em a cisterna de o cubículo de o fundo . - Ah ! são vocês - disse a o ver o Harry . - O que querem agora ? - Perguntar te como morreste - disse Harry . O aspecto de a Murta mudou por completo . Parecia que nunca lhe tinham feito uma pergunta tão lisonjeira . - Ooooh ! Foi horrível - disse satisfeita . - Aconteceu aqui mesmo . Morri em este cubículo . Lembro me tão bem . Estava escondida porque a Olive_Hornby andava a implicar comigo por causa de os meus óculos . A porta estava fechada e eu estava a chorar e , então , ouvi alguém entrar . Disseram qualquer coisa estranha em uma língua diferente , acho eu . Mas o que mais me espantou foi o ser um rapaz a falar . Por isso , abri a porta para lhe dizer que fosse a a casa_de_banho de eles e em esse momento - a Murta inchou com ar importante , o rosto a brilhar - morri . - Como ? - perguntou Harry . - Não faço ideia - disse a Murta em um tom de voz abafado . - Só me lembro de ver dois grandes olhos amarelos , de o meu corpo ficar preso e em seguida , sentir me a flutuar ... - olhou sonhadoramente para Harry . - E depois voltei . Estava disposta a vingar me de a Olive_Hornby , percebes ? Ela ia arrepender se de ter gozado com os meus óculos . - Onde foi exactamente que viste os tais olhos ? - perguntou Harry . - Algures por aí - disse a Murta , apontando vagamente para o lavatório em frente de o seu cubículo . Harry e Ron apressaram se . Lockhart estava de pé , mais atrás , com uma expressão de pavor em o rosto . O lavatório parecia perfeitamente vulgar . Examinaram o centímetro a centímetro , dentro e fora , incluindo os canos por baixo . E foi então que Harry reparou : de lado , rabiscada em uma de as torneiras de cobre , estava uma cobra pequenina . - Essa torneira nunca funcionou - disse vivamente a Murta enquanto ele tentava abri a . - Harry - sugeriu o Ron . - Diz qualquer coisa em * serpentês * . Mas , pensou Harry , as únicas vezes que conseguira falar * serpentês * tinham ocorrido quando confrontado com uma verdadeira serpente . Olhou , concentrado para a pequena cobra gravada em o cobre , tentando imaginá a como verdadeira . - Abre te - disse . Olhou para o Ron que abanou a cabeça . - Inglês - disse ele . Harry voltou a olhar para a cobra , forçando se a acreditar que estava viva . A luz de a vela fez parecer que se movia . - Abre te - repetiu . Mas desta_vez as palavras não foram o que ele ouviu . Um estranho sibilar escapou lhe de a boca e a torneira ganhou uma luz branca e brilhante e começou a rodar . Logo_a_seguir o lavatório mexeu se . Afastou se , melhor dizendo , saiu de o caminho , deixando um grande cano a a vista , um cano onde cabia um homem . Harry ouviu a respiração arquejante de o Ron e olhou de_novo para ele . Já decidira o que queria fazer . - Vou descer - disse . Não podia deixar de ir , agora_que acabavam de descobrir a entrada para a câmara , existindo uma possibilidade , por mais remota que fosse , de a Ginny ainda estar viva . - Eu também - disse o Ron . Houve uma pausa . - Bem , parece que não precisam mais de mim - apressou se Lockhart a dizer com uma réstia de sorriso . - Eu vou . . . Pôs a mão em o puxador de a porta mas Ron e Harry apontaram lhe ambos as varinhas . -- O senhor pode ir a a frente - disse rispidamente o Ron . Pálido e sem varinha , Lockhart aproximou se de a entrada . - Meus rapazes - disse em uma voz débil . - Meus rapazes , para quê tudo_isto ? Harry tocou lhe em as costas com a varinha e ele meteu as pernas em o cano . - Eu não me parece que ... - começou a dizer , mas o Ron deu lhe um empurrão e ele desapareceu por o cano abaixo . Harry foi rapidamente atrás . Introduziu se lentamente e deixou se cair . Era como escorregar em uma pista escura e interminável . Ele via outros canos , estendendo se em todas_as direcções mas nenhum tão largo como o de eles que se torcia e virava , inclinando se abruptamente . Harry sabia que estavam a chegar a um ponto muito abaixo de a escola e de os calabouços . Atrás_de si , ouvia o Ron gemendo em cada curva . E então , quando começava a preocupar se com o que iria acontecer quando tocassem em o chão , o cano tornou se horizontal e ele foi projectado com um ruído surdo , indo aterrar em o chão húmido de um túnel de pedra com altura suficiente para ele se pôr de pé . Lockhart estava a levantar se a alguma distancia , todo enlameado e pálido como um fantasma . Harry afastou se para deixar o Ron sair também de o cano . - Devemos estar quilómetros e quilómetros abaixo de a escola - disse o Harry cuja voz ecoou em o túnel negro . - Talvez até debaixo de o lago - arriscou o Ron , olhando em volta para as paredes escuras e viscosas . Voltaram se os três para olhar para a escuridão lá a o fundo . - * _ Lumus ! * - murmurou Harry a a varinha e ela voltou a acender se . - Vamos - disse a o Ron e a o Lockhart e avançaram , os passos a chapinharem ruidosamente em o chão molhado . O túnel era tão escuro que só conseguiam ver alguns centímetros a a frente . As suas sombras em as paredes molhadas pareciam monstruosas a a luz de a varinha . - Lembrem se - disse Harry baixinho enquanto caminhavam . - A o menor movimento fechem logo os olhos ... Mas o túnel era silencioso como um túmulo e o primeiro som inesperado que ouviram foi um grito de o Ron que escorregou em uma coisa que era afinal a cauda de um rato . Harry baixou a varinha para olhar para o chão e viu que estava cheio de pequenos ossos de animais . Fazendo um enorme esforço para evitar pensar em que estado iriam encontrar a Ginny , avançou até uma curva escura de o túnel . - Harry , está aqui qualquer coisa - disse o Ron com voz rouca , agarrando Harry por o ombro . Ficaram estáticos a olhar . Harry só conseguia ver a silhueta de algo enorme e curvo deitado em o túnel . Fosse o que fosse não se movia . - Talvez esteja a dormir - murmurou , olhando para os outros dois . Lockhart tapava os olhos com as mãos . Harry voltou se para olhar para a criatura com o coração a bater tanto que lhe doía em o peito . Lentamente , com os olhos quase fechados mas ainda conseguindo ver , Harry avançou com a varinha levantada . A luz deslizou sobre uma gigantesca pele de serpente , de um verde vivo e venenoso que estava vazia e enrolada em o chão de o túnel . A criatura que a abandonara devia ter , pelo_menos , seis metros e meio de comprimento . - Bolas - disse o Ron , perdendo as forças . Houve um movimento súbito atrás de eles . As pernas de Gilderoy_Lockhart cederam . - Levante se - disse o Ron de uma forma cortante , apontando lhe a varinha . Lockhart pôs se de pé . Em seguida empurrou o Ron , atirando o a o chão . Harry deu um salto , mas ... tarde de mais . Lockhart endireitava se com a varinha de o Ron em as mãos e um sorriso em o rosto . - A aventura acaba aqui , rapazes - disse . - Vou levar um bocado de esta pele de cobra para a escola , contar lhes que foi demasiado tarde para salvar a garota e que vocês os dois perderam tragicamente a memória com a visão de o seu corpinho mutilado . Digam adeus a as vossas recordações . Levantou a o ar a varinha avariada de o Ron e gritou * _ Obliviate ! * A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba . Harry pôs os braços sobre a cabeça e correu , escorregou em os anéis de a pele de cobra , afastando se de os grandes pedaços de tecto de o túnel que caíam em o chão com o ruído de trovões . Pouco depois estava sozinho , olhando para uma sólida parede de rocha partida . - Ron - gritou ele . - Estás bem , Ron ? - Estou aqui - respondeu a voz abafada de o Ron por detrás de a avalancha de rochas . - Eu estou bem mas este sujeito não . A varinha avariou o todo . Ouviu se um ruído surdo e um Oh ! gritado . Parecia que o Ron tinha acabado de dar a o Lockhart um pontapé em as canelas . - E agora ? - disse a voz de o Ron que parecia desesperada . - Não podemos passar , vai demorar séculos . Harry olhou para o tecto de o túnel onde tinham aparecido grandes fendas . Ele nunca tentara partir , através de a magia , nada tão grande como aquelas rochas e agora não lhe parecia ser o melhor momento para fazer experiências . E se o túnel abatesse ? Houve um ruído surdo e outro Oh ! atrás de as rochas . Estavam a perder tempo . A Ginny já estava havia duas horas em a Câmara_dos_Segredos . Harry sabia que só havia uma coisa a fazer . - Espera aqui - gritou a o Ron . - Fica com o Lockhart , eu vou lá . Se não voltar dentro_de uma hora ... Houve um silêncio cheio . - Eu vou ver se desloco um_pouco esta rocha - disse o Ron , tentando manter a voz firme . - Para tu poderes passar . E , Harry ... - Até já - disse o Harry , procurando injectar confiança em a sua voz trémula . E passou sozinho para lá de a imensa pele de serpente . Em_breve , o ruído de o Ron , tentando deslocar a rocha , deixou de se ouvir . O túnel virou uma e outra_vez . Os nervos de o corpo de o Harry tangiam de forma desagradável . Ele só queria que o túnel chegasse a o fim , fosse o que fosse que o aguardasse . E então , finalmente , quando atingiu a última curva , viu em a sua frente uma parede sólida que tinha gravadas duas serpentes enroladas uma em a outra , cujos olhos eram quatro esmeraldas , enormes e brilhantes . Harry aproximou se com a garganta seca . Não foi preciso imaginar que as serpentes eram autênticas . Os seus olhos pareciam estranhamente vivos . Foi fácil descobrir o que tinha de fazer . Pigarreou e os olhos de esmeraldas pareceram mexer se . - Abre te - disse Harry em um sibilar baixo . As serpentes desapareceram enquanto a parede se abria a o meio e , a tremer de os pés a a cabeça , Harry entrou . XVII_Herdeiro_de_Slytherin_Estava de pé em o fundo de uma divisão enorme , fracamente iluminada . Altíssimos pilares de pedra , cheios de serpentes gravadas que os enlaçavam , erguiam se , suportando um tecto que se perdia em a escuridão e que lançava sombras negras imensas através de a estranha luz esverdeada que enchia o local . Com o coração a bater descompassadamente , Harry ficou parado a ouvir aquele silêncio arrepiante . Estaria o Basilisk escondido em um canto cheio de sombras , atrás_de algum pilar ? E onde estaria Ginny ? Pegou em a varinha e avançou a o longo de as colunas serpenteantes . Cada_um de os seus passos provocava um enorme eco em as paredes sombrias . Harry tinha os olhos semicerrados e estava pronto para os fechar a o mais pequeno movimento . As órbitas de olhos fundos de as serpentes de pedra pareciam segui o . Por mais de uma_vez , com o estômago a dar um salto , Harry julgou vê os moverem se . Por fim , chegado a o nível de os dois últimos pilares , avistou uma estátua de a altura de a própria câmara que estava encostada a a parede de o fundo . Harry tinha de esticar o pescoço para olhar para_cima , para a cara de o gigante : era velho e com um ar simiesco , tinha uma barba enorme que lhe caía quase onde acabava a longa túnica de pedra . Os dois pés imensos e cinzentos pousavam em o chão de a câmara . E entre eles , voltada para baixo , estava uma figura pequenina vestida de preto com um cabelo flamejante . - Ginny - murmurou Harry , chegando perto de ela e ajoelhando se . - Ginny , por favor não estejas morta , não estejas morta ! Atirou a varinha para o lado , agarrou Ginny por os ombros e voltou a . O rosto de ela estava branco e frio como o mármore , contudo os olhos encontravam se fechados , portanto não estava petrificada . Mas então devia estar ... - Ginny , acorda por favor - repetiu Harry desesperado , sacudindo a . A cabeça de ela andava de um lado para o outro . - Ela não vai acordar - disse secamente uma voz . Harry deu um salto e girou sobre os joelhos . Um rapaz alto , de cabelo preto , estava encostado a o pilar mais próximo , a observá o . As sombras desfocavam o como_se Harry o visse através_de uma janela embaciada . Mas não havia como confundis o . - Tom , Tom_Riddle ? Riddle acenou , sem tirar os olhos de o rosto de Harry . - O que queres dizer com isso de ela não acordar ? - perguntou Harry desesperado . - Ela não está ... não está ? - Está viva - disse Riddle . - Mas , por um fio . Harry olhou fixamente para ele . Tom_Riddle estivera em Hogwarts há cinquenta anos atrás . Contudo , ali estava com uma luz estranha e desfocada a iluminá o , sem um dia a mais do_que os seus dezasseis anos . - És um fantasma ? - perguntou Harry . - Uma memória - disse Riddle . - Preservada em um diário durante cinquenta anos . Apontou para os pés de a estátua gigantesca . Ali , aberto em o chão , estava o pequeno diário de capa preta que Harry tinha encontrado em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Durante um segundo , Harry perguntou a si próprio como teria ido ali parar , mas havia coisas mais importantes a fazer . Preciso de a tua ajuda , Tom - disse Harry , levantando de_novo a cabeça de a Ginny . - Temos de sair de aqui . Há_um_Basilisk ... não sei onde está mas pode aparecer a qualquer momento . Por favor , ajuda me . Riddle não se mexeu . Harry , a transpirar , conseguiu levantar ligeiramente a Ginny de o solo e inclinou se para pegar em a varinha mas ela tinha desaparecido . - Viste a ... ? Olhou para_cima . Riddle continuava a olhá o , fazendo girar a varinha entre os dedos longos . - Obrigado - disse Harry , esticando o braço para a agarrar . Um sorriso surgiu então em os cantos de a boca de Riddle que continuou a olhar para ele , girando indolentemente a varinha . - Ouve , pá - disse Harry sem querer perder mais tempo , os joelhos a vergarem sob o peso morto de Ginny - temos de ir . Se o Basilisk aparece ... - Ele não vem enquanto não for chamado - disse Riddle com toda_a calma . Harry voltou a pousar Ginny em o chão , incapaz de a segurar por mais tempo . - Que queres dizer com isso ? - perguntou . - Dá me a minha varinha , posso precisar de ela . O sorriso de Riddle ampliou se . - Não vais precisar de ela - disse . Harry olhou o espantado . - O que queres dizer , não vou ? - Esperei muito_tempo por isto , Harry - disse Riddle . - Pela possibilidade de te ver , de falar contigo . - Olha , eu acho que tu não estás a perceber - disse Harry , perdendo a paciência . - Estamos em a Câmara_dos_Segredos , podemos conversar mais tarde . - Vamos conversar agora - disse Riddle , sorrindo de orelha a orelha e guardando a varinha de Harry em o bolso . Harry voltou a olhar para ele . Havia qualquer coisa de muito estranho em tudo aquilo . - Como é_que a Ginny ficou assim ? - perguntou pausadamente . - Bem , essa é uma pergunta interessante - disse Riddle , divertido . - E uma longa história , também . Julgo que o verdadeiro motivo que levou Ginny_Weasley a ficar assim foi o ter aberto o seu coração e revelado todos os seus segredos a um estranho ser invisível . - De quem estás a falar ? - perguntou Harry . - De o diário - disse Riddle . - De o meu diário . A Ginny escreve nele há meses e meses , contando me todas_as suas lamentáveis desgraças e atribulações : como os irmãos a arreliam , que teve de vir para a escola com manto , túnica e livros em segunda mão - os olhos de Riddle brilharam -- , que acha que o maravilhoso , o grande , o famoso Harry_Potter nunca vai gostar de ela ... Enquanto falava , nunca os olhos de Riddle se afastaram de a cara de o Harry . Havia em eles um olhar ávido . - É muito chato ter de ouvir as preocupações idiotas de uma garotinha de onze anos - prosseguiu . - Mas eu fui paciente . Respondi lhe , mostrei me simpático e amável . A Ginny pura e simplesmente adorou me . - * _ Nunca ninguém me compreendeu como tu , Tom ... estou tão feliz por ter este diário a quem me confiar ... é como ter um amigo que pode andar em o meu bolso * ... Riddle riu se . Um riso alto , frio , que não lhe ficava bem . Fez com que os cabelos de o pescoço de Harry se arrepiassem todos . - Verdade se diga que sempre consegui encantar as pessoas necessárias . Portanto a Ginny verteu em mim a sua alma e a alma de ela era precisamente o que eu queria . Fortaleceu me . Alimentei me de os seus medos mais profundos , de os seus mais obscuros segredos . Fui ficando cada_vez_mais forte e poderoso . Muito mais poderoso do_que a pequena Miss_Weasley até que comecei a transmitir lhe alguns de os meus segredos , a passar um_pouco de a minha alma para ela ... - O que queres dizer ? - perguntou Harry cuja boca ficara totalmente seca . - Ainda não descobriste , Harry_Potter ? - disse Riddle muito baixo . - Giony_Weasley abriu a Câmara_dos_Segredos , estrangulou os galos de a escola e escreveu mensagens assustadoras em as paredes . Atiçou a serpente de Slytherin contra quatro sangues de lama e contra o gato de o busca-pé . - Não - murmurou Harry . - Sim - disse calmamente Riddle . - É claro que a princípio não sabia o que estava a fazer . Era muito divertido . Gostava que visses as coisas que escreveu em o diário , começaram a ficar muito mais interessantes . * _ Querido_Tom * - recitou ele , olhando para a expressão horrorizada de o Harry . - * _ Acho que estou a perder a memória . Há penas de galo em todas_as minhas roupas e eu não sei como foram lá parar . Querido_Tom , não me lembro do_que fiz em a noite de o Hallowe'en mas foi atacada uma gata e eu estou cheia de tinta em a cara . Querido_Tom , o Percy não pára de me dizer que ando pálida e não pareço eu . Acho que ele suspeita de mim ... Houve outro ataque hoje e eu não sei onde estava . Tom , que vou eu fazer ? Acho que estou a ficar maluca ... acho que ando a atacar toda_a_gente , Tom ! * Harry tinha os punhos fechados , as unhas cravadas contra a palma de as mãos . - Levou muito_tempo até a pequenina estúpida deixar de confiar em o diário - disse Riddle . - Mas acabou por ficar desconfiada e tentou livrar se de ele . E é aí que tu entras , Harry . Tu encontraste o . E eu não poderia ter ficado mais satisfeito . De todas_as pessoas que poderiam ter ficado com ele , foste tu , aquele que eu ambicionava conhecer ... - E porque querias conhecer me ? - perguntou Harry . Começava a ser tomado por a raiva e fez um esforço para manter o tom de voz controlado . - Bem , a Ginny contou me tudo a teu respeito - disse Riddle . - A tua fascinante história . - Os seus olhos pousaram em a cicatriz em a testa de Harry e a sua expressão ganhou maior avidez . - Sabia que devia descobrir mais a teu respeito , falar te , encontrar me contigo se fosse possível . Por isso , para ganhar a tua confiança , resolvi mostrar te a famosa captura que fiz de aquele demente de o Hagrid . - O Hagrid é meu amigo - disse Harry já com a voz a tremer . - E tu tramaste o , não foi ? Pensei que tinha sido um engano , mas ... Ele riu se . O mesmo riso de antes . - Era a minha palavra contra a palavra de ele . Imagina a cara de o velho Armando_Dippet . De um lado Tom_Riddle , pobre mas brilhante , sem pais mas corajoso , prefeito de a escola , um modelo de aluno . De o outro lado , o Hagrid , grande e disparatado , arranjando problemas semana sim , semana não , tentando criar filhotes de lobisomens debaixo de a cama , escapando se para a floresta proibida para lutar com gigantes . Mas , devo admitir que até eu próprio fiquei admirado com os excelentes resultados de o meu plano . Pensei que alguém perceberia que o Hagrid nunca poderia ser o herdeiro de Slytherin . Demorei cinco anos inteirinhos até descobrir tudo_o_que me foi possível sobre a Câmara_dos_Segredos e a sua entrada secreta ... como_se o Hagrid tivesse cabeça ou poder ! - Só o professor de Transfiguração , Dumbledore , parecia achar que ele estava inocente . Convenceu Dippet a mantê o aqui e a treiná o como guarda de os campos . Sim , é natural que Dumbledore tenha adivinhado , nunca gostou de mim como os outros professores . - Aposto que Dumbledore viu através_de ti - disse Harry , de dentes cerrados . - Pelo_menos passou a vigiar me de perto , a partir de o momento em que o Hagrid foi expulso - disse Riddle descuidadamente . - Eu sabia que não era seguro voltar a abrir a câmara enquanto ainda estava em a escola mas não ia desperdiçar os longos anos que passara a pesquisar . Decidi , por isso , deixar um diário preservando em as suas páginas o meu ego de dezasseis anos para que um dia , com um_pouco de sorte , pudesse levar outro a seguir os meus passos e acabar o nobre trabalho de Salazar_Slytherin . - Bem , não o acabaste - disse Harry triunfante . - Ninguém morreu até agora , nem mesmo a gata . Dentro_de poucas horas a poção de mandrágoras estará pronta e todos os que foram petrificados voltarão de_novo a si . - Não acabei de te dizer que matar sangues de lama já não me interessa ? Há muitos meses que o meu alvo és tu . Harry olhou para ele . - Podes imaginar como fiquei furioso quando em outro dia o diário foi aberto e vi que era a Ginny quem estava a escrever e não tu . Ela viu te com o diário e entrou em pânico . E se tu descobrisses como trabalhar com ele e eu te repetisse todos os seus segredos ? Ainda pior , e se eu te contasse quem tinha andado a estrangular os galos ? Por isso , a grande palerma esperou que o teu dormitório estivesse deserto e foi lá roubá o . Mas eu sabia o que tinha de fazer . Estava muito claro para mim que a tua meta era o herdeiro de Slytherin . Por tudo_o_que a Ginny me contara a teu respeito , sabia que irias até onde fosse preciso para desvendar o mistério , principalmente se um de os teus melhores amigos tivesse sido atacado . E a Ginny disse me que a escola toda bichanava por tu falares * serpentês * ... Por isso , obriguei a Ginny a escrever a sua própria despedida em a parede , a vir até aqui e esperar . Ela debateu se e gritou e ficou muito chatinha . Mas , já não tem muita vida : pôs grande parte de ela em o diário , deu me a . O suficiente para eu abandonar , por fim , as suas páginas . Desde_que aqui cheguei que estou a a tua espera . Sabia que virias . Tenho muitas perguntas a fazer te , Harry_Potter . - Que perguntas ? - disse Harry com os punhos fechados . - Bem - prosseguiu Riddle , sorrindo de satisfação : - Como é_que um bebé sem especiais talentos de magia foi capaz de derrotar o maior feiticeiro de sempre ? Como conseguiste escapar só com uma cicatriz quando os poderes de Lord_Voldemort foram destruídos ? Havia agora em os seus olhos um brilho vermelho e irado . - O que é_que te interessa saber como eu escapei ? - disse Harry lentamente . - Voldemort veio depois de ti . - Voldemort - disse Riddle - é o meu passado , o meu presente e o meu futuro , Harry_Potter ... Tirou a varinha de o Harry de o bolso e começou a escrever em o ar três palavras brilhantes : TOM_MARVOLO_RIDDLE_Em seguida , fez um gesto com a varinha e as letras de o seu nome reagruparam se de outro modo . : __ eu sou lord __ voldemort ( I am Lord_Voldemort ) . - Vês ? - murmurou . - Era um nome que eu já usava em Hogwarts , para os meus amigos mais íntimos apenas , como é óbvio . Achas que ia usar para sempre o nome nojento de o meu pai Muggle ? Eu , em cujas veias , por o lado materno , corre o sangue de Salazar_Slytherin ? Eu , manter o nome de um Muggle tolo que me abandonou ainda antes de eu nascer só porque descobriu que a mulher com quem casara era uma bruxa ? Não , Harry , arranjei um novo nome , um nome que eu sabia que os feiticeiros de todo_o_mundo viriam um dia a ter medo de pronunciar , quando eu me tivesse tornado o maior feiticeiro de o mundo . A cabeça de Harry parecia bloqueada . Olhou como_que paralisado para Riddle , para o rapaz de o orfanato que depois de crescer iria matar os seus pais e tantos outros . Por fim , com algum esforço conseguiu falar . - Não és - disse em uma voz calma e cheia de ódio . - Não sou o quê ? - perguntou Riddle irritado . - Não és o maior feiticeiro de o mundo - disse Harry com a respiração acelerada . - Lamento desiludir te mas o maior feiticeiro de o mundo é Albus_Dumbledore . Toda_a_gente sabe . Mesmo tu , quando tinhas força , não ousavas tentar aproximar te de Hogwarts . Dumbledore viu através_de ti quando andavas em a escola e ainda agora te assusta onde quer que te escondas . O sorriso desaparecera de o rosto de Riddle , fora substituído por um olhar furioso . - Dumbledore foi afastado de este castelo por a minha simples memória - sibilou . - Ele não está tão longe como pensas - retorquiu Harry . Falava por falar , tentando assustar Riddle , desejando mais que assim fosse do_que acreditando em as suas palavras como uma verdade . Riddle abriu a boca mas não chegou a falar . Tinha começado a ouvir se uma música . Riddle deu uma volta , olhando para a câmara vazia . A música estava a ficar mais alta . Era misteriosa , arrepiante , sobrenatural . Fez_Harry ficar com os cabelos em pé e o coração aumentar lhe em o peito . Por fim , quando atingiu um ponto tão alto que Harry a sentiu vibrar dentro de as suas costelas , começaram a sair chamas de o topo de o pilar mais próximo . Uma ave carmesim de o tamanho de um cisne surgiu , assobiando a sua estranha melodia para o tecto em forma de abóbada . Tinha uma cauda dourada tão longa como a de um pavão e garras douradas e brilhantes que seguravam uma trouxa andrajosa . Segundos depois , a ave voava em direcção a Harry . Deixou cair a coisa andrajosa a os seus pés e pousou lhe pesadamente em o ombro . Quando abriu as enormes asas , Harry olhou para_cima e viu que tinha um longo bico afiado e olhos escuros pequenos e brilhantes . A ave parou de cantar . Ficou quieta junto de a cara de Harry , olhando fixamente para Riddle . - É uma fénix , disse Riddle , olhando sagazmente para ela . - Fawkes ? - murmurou Harry e sentiu as garras douradas apertarem lhe devagarinho o ombro . - E aquilo - disse Riddle , olhando para a coisa velha que Fawkes deixara em o chão - é o velho chapéu seleccionador , de a escola . Era , de facto . Amachucado , puído e sujo , o chapéu jazia imóvel a os pés de Harry . Riddle começou a rir . Riu se tanto que a câmara escura se lhe juntou em um eco tal que parecia que dez Riddles se riam ao_mesmo_tempo . - Eis o que Dumbledore envia a o seu defensor . Um pássaro que canta e um chapéu velho . Estás cheio de coragem , Harry_Potter ? Sentes te agora mais seguro ? Harry não respondeu . Podia não estar a ver a vantagem de a Fawkes ou de o chapéu seleccionador mas já não se sentia só , e esperou corajosamente que Riddle parasse de rir . - Vamos a o que importa , Harry - disse ele , ainda com um enorme sorriso . - Encontrámo nos duas vezes em o teu passado , em o meu futuro . E duas vezes falhei a o tentar matar te . Como foi que sobreviveste ? Conta me tudo . Quanto_mais falares , mais tempo tens de vida . Harry pensava rapidamente , medindo as suas possibilidades . Riddle tinha a varinha . Ele , Harry , tinha a Fawkes e o chapéu seleccionador que não lhe serviriam de muito em o combate . As coisas pareciam más , é certo . Mas quanto_mais tempo Riddle ali estivesse , mais vida retirava a a Ginny ... e , entretanto , Harry reparou que a silhueta de Riddle se tornava mais nítida , mais sólida . Se tinha de haver uma luta entre os dois , quanto_mais depressa melhor . - Ninguém sabe porque perdeste os poderes quando me atacaste - disse bruscamente . - Eu próprio não sei . Mas sei porque não conseguiste matar me . A minha mãe morreu para me salvar . A minha mãe , uma vulgar filha de Muggles - acrescentou , a tremer de raiva . - Ela impediu que tu me matasses . E eu vi te como tu és , em o ano passado . És um destroço , quase não existes . Foi onde o teu poder te levou . Estás sob um disfarce , és horrível e és louco . O rosto de Riddle contorceu se . Em seguida , forçou um sorriso pavoroso . - Quer_dizer , então , que a tua mãe morreu para te salvar . Sim , é um antifeitiço poderoso . Compreendo agora , afinal não há em ti nada de especial . Eu tinha curiosidade , sabes , porque há uma estranha semelhança entre nós , Harry_Potter . Até tu deves ter reparado . Somos ambos meio sangue , órfãos , educados com Muggles , provavelmente os dois únicos que falam * serpentês * desde o grande Slytherin , até nos parecemos um_pouco fisicamente ... mas afinal foi apenas uma questão de sorte que te salvou de mim . Era o que eu queria saber . Harry ficou parado , tenso , a a espera que Riddle levantasse a varinha mas o seu sorriso cínico ampliou se de_novo . - Agora , Harry , vou dar te uma pequena lição . Vamos confrontar os poderes de Lord_Voldemort , herdeiro de Salazar_Slytherin e de o famoso Harry_Potter , munido com as melhores armas que Dumbledore lhe deu . Lançou um olhar divertido a a Fawkes e a o chapéu seleccionador e , em seguida , afastou se . Harry com as pernas entorpecidas por o medo viu o parar entre dois pilares altos e olhar para a cara de pedra de Slytherin , lá em cima em a semi-obscuridade . Riddle abriu a boca e sibilou mas Harry compreendeu o que ele dizia . - * _ Responde-me , Slytherin , o maior de os quatro de Hogwarts * . Harry voltou se para olhar melhor para a estátua com Fawkes pousada em o ombro . A gigantesca cara de pedra de Slytherin movia se . Horrorizado , Harry viu a boca abrir se mais e mais até se transformar em um buraco negro . E algo se agitava dentro de a boca de a estátua . Algo se arrastava para fora de as suas entranhas . Harry recuou até a a parede escura de a câmara e enquanto fechava os olhos com força sentiu a asa de a Fawkes roçar lhe o rosto e levantar voo . Harry quis gritar : - Não me abandones ! - mas que possibilidades tinha uma fénix contra o rei de as serpentes ? Uma coisa enorme bateu em o chão de pedra que Harry sentiu estremecer . Sabia o que estava a acontecer , podia sentis o , quase podia ver a serpente gigantesca a sair de a boca de Slytherin . Foi então que ouviu a voz de Riddle sibilar : * _ Mata-o * . O Basilisk avançava em direcção a Harry . Ele ouvia o seu corpo enorme escorregar pesadamente por o chão cheio de pó . Com os olhos sempre fechados , Harry começou a correr para o lado , a as cegas , com as mãos abertas a tactear o caminho . Riddle ria se a as gargalhadas . Harry escorregou e caiu em o chão de pedra e a boca soube lhe a sangue . A serpente estava a poucos centímetros de ele . Podia ouvi a a aproximar se . Ouviu se um crepitar explosivo por cima de ele e alguma coisa pesada bateu lhe com tanta força que ele ficou encostado a a parede . Esperando que os dentes de a serpente lhe perfurassem o corpo , ouviu mais ruídos e qualquer coisa que se agitava com força contra os pilares . Não conseguiu evitar . Abriu bem os olhos para ver o que se passava . A enorme serpente , brilhante , de um verde veneno , espessa como o tronco de um carvalho , erguera se em o ar e a sua imensa cabeça agitava se de um lado para o outro , entre os dois pilares . Quando Harry , a tremer , se preparava para fechar de_novo os olhos , percebeu o que distraíra a cobra . Fawkes esvoaçava em volta de a sua cabeça e o Basilisk , furioso , tentava agarrá a com os dentes longos e afiados como sabres . Fawkes mergulhava . Harry deixou de ver o bico fino e dourado e uma brusca chuva de sangue escuro inundou o chão . A cauda de a serpente agitou se , não batendo em o Harry por_pouco e antes que ele pudesse fechar os olhos voltou se . Harry olhou lhe para a cara e viu que os seus olhos , os dois olhos amarelos e bolbosos tinham sido perfurados por a fénix . O sangue escorria por o chão e a serpente cuspia cheia de dores . - * _ Não * - Harry ouviu o grito de Riddle . - * _ Deixa a ave , deixa a ave , o rapaz está atrás_de ti , ainda podes cheirá o . Mata o ! * A serpente cega oscilou confusa , ainda em fúria . Fawkes andava a a volta de a cabeça de ela soprando a sua misteriosa cantilena , picando lhe aqui_e_ali o nariz cheio de escamas , enquanto o sangue jorrava de os seus olhos destruídos . - Ajudem me . Ajudem me - murmurava Harry aflito . - Alguém , ajude me . A cauda de a serpente chicoteou de_novo o chão . Harry baixou se . Algo macio tocou lhe em o rosto . O Basilisk lançara o chapéu seleccionador para os braços de o Harry que o agarrou . Era tudo_o_que tinha , a sua única esperança . Enfiou o em a cabeça e começou a ficar achatado contra o chão , enquanto a cauda de o Basilisk se lançava de_novo sobre ele . - Ajudem me , ajudem me - pensou Harry , os olhos comprimidos debaixo de o chapéu . - Por favor , ajudem me . Nenhuma voz lhe respondeu . Em vez de isso , o chapéu contraiu se como_se uma mão invisível o tivesse espalmado devagarinho . Alguma coisa muito dura e pesada caíra sobre a cabeça de Harry , conseguindo quase derrubá o . A ver estrelas em frente de os olhos , agarrou o chapéu para o puxar para baixo e sentiu lá dentro uma coisa longa e dura . Uma espada brilhante tinha surgido dentro de o chapéu . Tinha um cabo cravejado de rubis de o tamanho de pequenos ovos . - Mata o rapaz , deixa a ave . O rapaz está atrás_de ti . Cheira o ! Harry estava de pé , preparado . A cabeça de o Basilisk caía , o corpo serpenteava , batendo nos pilares quando se torcia para ficar de frente para ele . Harry podia ver as enormes órbitas ensanguentadas , a boca toda aberta , suficientemente grande para o engolir inteiro , munida de dentes tão longos como a sua espada , finos , brilhantes , venenosos ... Começou a atacar a as cegas . Harry baixou se e a serpente bateu em a parede de a câmara . Atacou de_novo e a sua língua bifurcada lambeu a parede ao_lado_de Harry que levantou a espada com ambas as mãos . O Basilisk investiu mais_uma_vez e agora a pontaria foi certa . Harry pôs todo o seu peso contra a espada e enterrou a até a os copos em o céu de a boca de a serpente . Mas quando o sangue quente lhe encheu os braços , sentiu uma dor aguda mesmo acima de o cotovelo . Um longo dente venenoso penetrava cada_vez_mais fundo em o seu braço , partindo se quando o Basilisk tombou para o lado , perdendo os sentidos . Harry escorregou a o longo de a parede , apertou com força o dente que estava a derramar veneno por todo o seu corpo e arrancou o de o braço . Mas sabia que era demasiado tarde . Uma dor quente emanava lenta e perseverantemente de a ferida . Quando deixou cair o dente e viu o seu próprio sangue manchando lhe as vestes , a vista começou a ficar turva e a câmara a diluir se em uma rotação ardente e colorida . Mas algo escarlate passou por ele e Harry ouviu a o seu lado um suave ruído de garras . - Fawkes - disse com a voz empastada . - Foste sensacional , Fawkes . - Sentiu o pássaro encostar a sua elegante cabeça a o sítio onde o dente de a serpente o tinha ferido . Ouviu passos ecoarem em o vazio e em seguida uma sombra escura moveu se em a sua frente . - Estás morto , Harry_Potter - disse a voz de Riddle , acima de ele . - Morto . Até o pássaro de Dumbledore sabe de isso . Vês o que ele está a fazer ? A chorar . Harry piscou os olhos . A cabeça de Fawkes ora estava focada , ora desfocada . Lágrimas grossas como pérolas escorriam de as suas penas . - Vou sentar me aqui a ver te morrer , Harry_Potter . Leva o teu tempo , eu não tenho pressa . Harry sentiu se sonolento . Tudo parecia girar a a sua volta . - E assim acaba o famoso Harry_Potter - disse a voz distante de Riddle . - Sozinho em a Câmara_dos_Segredos , esquecido por os amigos , finalmente derrotado por o Senhor de o mal que ele tão imprudentemente desafiou . Vais reunir te a a tua querida mãe sangue de lama , Harry ... Ela deu te doze anos de tempo emprestado ... Mas Lord_Voldemort apanhou te em o fim , como sabias que teria de acontecer . Se morrer é isto , pensou Harry , não é assim tão mau . Até a dor estava a desaparecer . Mas , estaria a morrer ? Em_vez_de ficar mais escura a câmara parecia voltar a estar nítida . Harry fez um pequeno gesto com a cabeça e viu a Fawkes ainda repousando a cabeça em o seu ombro . Uma fiada de pérolas brilhava em volta de a ferida , só que já não havia ferida . - Sai de aqui , pássaro - disse subitamente a voz de Riddle . - Afasta te de ele . Já te disse , sai de aqui ! Harry levantou a cabeça . Riddle apontava a sua varinha a Fawkes . Ouviu se um tiro que parecia de carabina e Fawkes levantou novamente voo em um rodopio de ouro e escarlate . - Lágrimas de fénix - disse Riddle em voz baixa , olhando para o braço de o Harry . - É claro ... poderes curativos ... esqueci me ... Olhou para a cara de Harry . - Mas não faz mal . Pensando bem , eu até prefiro assim . Tu e eu , Harry_Potter ... Tu e eu ... Levantou a varinha . Então , em um golpe de asa , Fawkes voou sobre as cabeças de ambos , deixando cair uma coisa em o colo de Harry : o diário . Durante uma fracção de segundo , tanto Harry como Riddle , ainda com a varinha levantada , ficaram a olhar para aquilo . Em seguida , sem pensar , sem ponderar , como_se pensasse fazê o desde o princípio , Harry agarrou o dente de o Basilisk que estava em o chão , junto de ele , e espetou o em o coração de o caderno . Ouviu se um grito longo e terrível . A tinta esguichou em torrentes de dentro de o diário , derramando se sobre as mãos de o Harry e inundando o chão . Riddle torcia se e contorcia se , agitando se a os gritos . E , por fim . Desapareceu . A varinha de Harry caiu a o chão com um ruído e fez se silêncio . Um silêncio apenas cortado por o ping ping de a tinta que ainda escorria de o diário . Com um leve crepitar , o veneno de o Basilisk abrira um buraco mesmo em o meio de o caderno . A tremer de os pés a a cabeça , Harry pôs se de pé . Sentia tudo a andar a a roda como_se tivesse viajado quilómetros e quilómetros com o pó de * _ Floo * . Lentamente apanhou a varinha e o chapéu seleccionador e com um grande estrondo retirou a espada de o céu de a boca de a serpente . Ouviu se então um gemido fraco a o fundo de a câmara . Ginny estava a mexer se . Quando Harry chegou junto de ela , sentou se . Os seus olhos abismados saltaram de o Basilisk morto para Harry em a sua roupa cheia de sangue e , em seguida , para o diário que ele tinha em as mãos . Soltou um enorme soluço e os seus olhos encheram se de lágrimas . - Harry , oh ! Harry , eu tentei dizer te a o pequeno-almoço mas não fui capaz em frente de o Percy . Era eu , Harry , mas eu ... eu ... juro que não queria ... o Riddle obrigou me , levou me e ... como é_que mataste esse bicho ? Onde está o Riddle ? A última coisa de que me lembro foi de o ver a sair de o diário ... - Está tudo bem - disse Harry , mostrando lhe o diário com o buraco de o dente . - O Riddle acabou , olha . Ele e o Basilisk . Anda , Ginny , vamos embora de aqui . - Vou com certeza ser expulsa - disse Ginny a chorar enquanto Harry a ajudava a pôr se de pé . - Desde_que o Bill veio para Hogwarts que eu sonhava vir também para cá e agora vou ter de me ir embora e ... O que vão a minha mãe e o meu pai dizer ? Fawkes esperava por eles , suspensa em o ar , a a entrada de a câmara . Harry fez a Ginny avançar , passaram sobre os anéis parados de o Basilisk , por a escuridão cheia de ecos e voltaram a o túnel . Harry ouviu as portas de pedra fecharem se atrás de eles com um leve sibilar . Depois de alguns minutos a caminhar por o túnel escuro , chegou a os ouvidos de Harry o som distante de o deslocar de uma rocha . - Ron - gritou ele , apressando se . - A Ginny está bem . Está aqui comigo ! Ouviu o Ron gritar de alegria e , voltando em a curva logo_a_seguir , viram a sua cara ansiosa a espreitar por a fresta que conseguira abrir durante a avalancha . - Ginny ! - Ron estendeu o braço por a fresta para a puxar primeiro . - Estás viva . Não posso acreditar . O que aconteceu ? Tentou abraçá a mas a Ginny afastou o , soluçando . - Mas estás bem , Ginny - disse o Ron , sorrindo para ela . - Já passou tudo ... De onde veio esse pássaro ? Fawkes passara por a abertura , atrás_de Ginny . - É de o Dumbledore - explicou Harry , espremendo se para caber também . - E como arranjaste uma espada ? - perguntou o Ron , olhando para a arma brilhante que Harry tinha em a mão . - Eu explico te tudo quando sairmos de aqui - disse Harry , lançando um olhar de esguelha a a Ginny . - Mas ... - Mais tarde - disse Harry rapidamente . Não lhe parecia uma boa ideia contar a o Ron quem tinha aberto a câmara , ali , em frente de a Ginny . - Onde está o Lockhart ? - Ali atrás - disse o Ron , a rir e a abanar a cabeça em direcção a o cano . - Está em muito mau estado . Anda ver . Conduzidos_pela_Fawkes , cujas grandes asas escarlates emitiam um suave dourado que brilhava em a escuridão , voltaram a o lugar onde o cano começava . Gilderoy_Lockhart estava sentado a falar sozinho . - Perdeu a memória - disse o Ron . - O feitiço de a memória fez ricochete . Não sabe quem é nem onde está , nem_sequer sabe quem nós somos . Eu disse lhe que viesse para aqui e esperasse . É um perigo para ele próprio . Lockhart olhou os bem-disposto . - Olá - disse . - Que lugar estranho , este . É aqui que vocês moram ? -- Não - respondeu o Ron , levantando as sobrancelhas para o Harry . Harry baixou se e observou o túnel escuro e longo . - Já pensaste como é_que vamos sair de aqui ? - perguntou a o Ron . O amigo abanou a cabeça mas Fawkes , a fénix , tinha passado por o Harry e estava agora em o ar , em frente de ele , os olhos como pérolas a brilharem em o escuro . Abanava as longas penas douradas de a cauda . Harry olhou para ela , inseguro . - Ela parece querer que a agarres - disse o Ron , perplexo . - Mas tu és muito pesado para um pássaro . - A Fawkes - disse Harry - não é um pássaro qualquer . Voltou se rapidamente para os companheiros . - Temos de nos agarrar uns a os outros . Ginny , agarra a mão de o Ron . O professor Lockhart ... - Ele está a falar consigo - disse o Ron secamente . - Agarre a outra mão de a Ginny . Harry guardou a espada e o chapéu seleccionador em o cinto . Ron deitou a mão a a roupa de Harry e Harry agarrou as penas de a cauda , estranhamente quentes , de a Fawkes . Sentiu uma extraordinária leveza apoderar se de todo o seu corpo e em seguida estavam todos a voar por o cano acima . Harry conseguia ouvir Lockhart , lá atrás , comentando : - Espantoso , isto parece mágico ! Ar frio batia em os cabelos de Harry e antes que ele deixasse de gostar de a viagem já ela acabara . Os quatro tinham chegado a o chão molhado de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa e , enquanto Lockhart endireitava o chapéu , o lavatório voltara a o seu lugar , tapando o cano . A Murta arregalou os olhos . - Vocês estão vivos - disse inexpressivamente a o Harry . - Não é preciso mostrares te tão desiludida - respondeu ele , muito sério , limpando as nódoas de sangue e lodo de os óculos . - Bem ... é_que eu pensei que se vocês morressem seriam bem-vindos a a minha casa_de_banho - disse a Murta com um rubor prateado . - Urgh ! - fez o Ron , quando saíram de ali para o corredor deserto . - Harry , acho que a Murta está a gostar de ti . Tens concorrência , Ginny ! A Ginny continuava a chorar silenciosamente . - Onde vamos agora ? - perguntou o Ron , olhando ansiosamente para ela . Harry apontou . Fawkes indicava o caminho , com o seu tom dourado que brilhava em o corredor . Seguiram a e pouco depois estavam em o escritório de a professora Mc_Gonagall . Harry bateu e empurrou a porta que estava encostada . XVIII_A recompensa de Dobby_Durante alguns momentos reinou o silêncio enquanto Harry , Ron , Ginny e Lockhart estavam em a entrada de a porta . Cobertos de pó e de lama e ( em o caso de o Harry ) sangue . Em seguida , ouviu se um grito . - Ginny ! Era_Mrs._Weasley que tinha estado a chorar , sentada em frente de o lume . Pôs se de pé em um salto , seguida de Mr._Weasley e precipitaram se ambos para a filha . Harry olhava para trás de eles . Dumbledore rejubilava junto de a lareira , a o lado de a professora Mc_Gonagall que , agarrada a o queixo , respirava com dificuldade . Fawkes rasou as orelhas de o Harry e foi instalar se em o ombro de Dumbledore , ao_mesmo_tempo que Harry dava por si em os braços de Mrs._Weasley . - Tu salvaste a ! Salvaste a ! : __ como foi que __ conseguiste ? - Acho que todos nós gostaríamos de saber - disse , sem energia , a professora Mc_Gonagall . Mrs._Weasley soltou o Harry , que hesitou um momento . Depois , foi até a a secretária e colocou sobre o tampo o chapéu seleccionador , a espada cravejada de rubis e o que restava de o diário de Riddle . Em seguida , contou lhes tudo . Falou durante quase um quarto de hora em o silêncio extasiado : contou lhes de a voz sem corpo que ouvia , como a Hermione acabara por descobrir que se tratava de um Basilisk que circulava em os canos , como ele e o Ron tinham seguido as aranhas até a a floresta , que Aragog lhes dissera que a última vítima de o Basilisk morrera , como tinham chegado a a conclusão que se tratava de a Murta_Queixosa e que a entrada para a Câmara_dos_Segredos devia ser em aquela casa_de_banho ... - Muito bem - elogiou a professora Mc_Gonagall quando ele se calou . - Então tu descobriste onde era a entrada , infringindo uma centena de regras de a escola por o caminho , devo dizer , mas como diabo saíram vocês vivos de lá de dentro ? Harry , com a voz já um_pouco rouca de falar tanto , contou lhes de a chegada de a Fawkes e de o chapéu seleccionador que lhe tinha dado a espada . Mas , chegando aí , hesitou . Até a o momento evitara referir se a o diário de Riddle ou a a Ginny . Ela tinha a cabeça encostada a o ombro de Mrs._Weasley e as lágrimas corriam lhe ainda por o rosto . E se a expulsassem ? - pensou Harry , tomado de pânico . O diário de Riddle já não funcionava ... quem poderia provar que fora ele que a obrigara a fazer tudo aquilo ? Olhou instintivamente para Dumbledore que sorria , o fogo iluminando lhe os óculos de meia-lua . - O que mais me interessa saber - disse Dumbledore amavelmente - é como conseguiu Lord_Voldemort enfeitiçar a Ginny quando as minhas fontes me dizem que ele se esconde habitualmente em as florestas de a Albânia . Um alívio , quente e glorioso percorreu Harry de a cabeça a os pés . - O quê ? - disse Mr._Weasley , em uma voz estupefacta . - O Quem nós sabemos enfeitiçou a Ginny ? Mas a Ginny não ... a Ginny não morr ... ? - Foi este diário - esclareceu Harry rapidamente . E mostrando o a Dumbledore . - O Riddle escreveu o quando tinha dezasseis anos . Dumbledore pegou em o diário e olhou atentamente por cima de o seu nariz longo e adunco para as páginas queimadas e húmidas . - Fantástico - disse em voz baixa . - É claro que ele deve ter sido o aluno mais brilhante que alguma vez passou por Hogwarts . - Olhou em volta para os Weasley que o observavam com um ar totalmente confuso . - Muito poucas pessoas sabem que Lord_Voldemort se chamou em tempos Tom_Riddle . Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos , em Hogwarts . Ele desapareceu depois de deixar a escola , viajou muito , mergulhou tão fundo em as artes de a magia negra , associado a os piores feiticeiros , realizou transformações mágicas tão perigosas que quando reapareceu como Lord_Voldemort estava totalmente irreconhecível . Ninguém o relacionou com o rapazinho inteligente e bonito que aqui foi , em tempos , chefe de turma . - Mas a Ginny - insistiu Mrs._Weasley . - O que tem a nossa Ginny que ver com ele ? - O diário - soluçou Ginny . - Eu andei todo o ano a escrever em o diário e ele respondia me ... - Ginny ! - repreendeu Mr._Weasley . - Não aprendeste nada do_que te ensinei ? Não me cansei de dizer te que nunca confiasses em nada que não pensasse por si próprio * se não conseguisses ver onde tinha o cérebro ? * Porque não me mostraste o diário , a mim ou a a tua mãe ? Um objecto suspeito como esse tinha de estar cheio de magia negra ! - Eu não sabia - soluçou Ginny . - Estava junto de os livros que a mãe me comprou . Pensei que alguém se tinha esquecido de ele ali . - É melhor Miss_Weasley ir imediatamente para a ala hospitalar - interrompeu Dumbledore com voz firme . - Foi sujeita a uma prova terrível . Não será castigada . Outros feiticeiros mais velhos do_que ela têm sido ludibriados por Lord_Voldemort . - Dirigiu se a a porta e abriu a . - Repouso , cama e talvez uma caneca de chocolate quente . A mim , anima me sempre - acrescentou , piscando lhe simpaticamente o olho . - Vais ver que Madam_Pomfrey ainda está acordada . Ela tem estado a dar o sumo de Mandrágora , julgo que as vítimas de o Basilisk estarão a acordar dentro_de momentos . de alegria . - Então a Hermione está bem ! - disse o Ron , cheio de alegria . - Não houve danos irreversíveis - disse Dumbledore . Mrs._Weasley saiu com a Ginny e Mr._Weasley seguiu as ainda bastante abalado . - Sabes , Minerva - disse pensativo o professor Dumbledore - acho que tudo_isto merece um banquete . Posso pedir te que previnas os cozinheiros ? - Certamente - disse animada a professora Mc_Gonagall , dirigindo se também a a porta . - Deixo te a tratar de as coisas com o Potter e o Weasley , está bem ? - Claro - disse Dumbledore . Saiu e os dois olharam inseguros para Dumbledore . Que quereria ela dizer com tratar de as coisas ? Certamente não iriam ser castigados ? - Lembro me de vos ter dito a ambos que teria de vos expulsar se voltassem a quebrar as regras de a escola - disse Dumbledore . Ron abriu a boca horrorizado . - O que vem mostrar nos que as melhores pessoas , às_vezes , têm de engolir as suas próprias palavras . - Dumbledore sorriu e continuou : - Vocês vão receber ambos uma recompensa especial por serviços prestados a a escola e ... deixem me ver , sim , acho que duzentos pontos cada_um para os Gryffindor . Ron ficou tão corado que parecia as flores de S._Valentim_do_Lockhart e voltou a fechar a boca . - Mas um de vós parece demasiado calado sobre a sua participação em esta perigosa aventura - acrescentou Dumbledore . - Porquê tanta modéstia , Gilderoy ? Harry estremeceu . Esquecera se por completo de Lockhart . Voltou se e viu o a um canto de a sala ainda com o mesmo sorriso vago . Quando Dumbledore se lhe dirigiu , olhou por cima de o ombro para ver com quem ele estava a falar . - Professor_Dumbledore - disse o Ron rapidamente - Houve um acidente lá em baixo , em a Câmara_dos_Segredos . O professor Lockhart - Eu sou um professor ? - perguntou Lockhart surpreendido . - E eu que pensei que era um inútil ! - Tentou fazer um feitiço antimemória e a varinha fez ricochete - explicou Ron_a_Dumbledore . - Incrível - disse Dumbledore , abanando a cabeça , o bigode prateado a tremer . - Trespassado por a tua própria espada , Gilderoy ! - Espada ? - disse Lockhart de forma imprecisa . - Eu não tenho espada . Esse rapaz é_que tem - apontou para Harry . - Ele empresta lhe uma . - Importas te de levar também o professor Lockhart até a a ala hospitalar , Ron ? - disse Dumbledore . - Eu gostava de falar um_pouco mais com o Harry . Lockhart saiu sem pressa . Antes de fechar a porta , Ron lançou um olhar curioso a Dumbledore e Harry . Dumbledore passou para uma de as cadeiras junto de o lume . - Senta te , Harry - disse . E Harry sentou se , sentindo se indescritivelmente nervoso . - Antes de mais , Harry , quero agradecer te - disse Dumbledore com os olhos a brilharem de_novo . - Deves ter demonstrado uma grande lealdade para comigo . Só isso poderia atrair a Fawkes para ir ajudar te . Deu uma palmadinha a a fénix que voara , entretanto , para_cima de os seus joelhos . Harry sorria acanhadamente sob o olhar observador de Dumbledore . - Encontraste , portanto , Tom_Riddle - disse o director amavelmente . - Calculo que ele estaria particularmente interessado em ti ... De repente , algo que Harry tinha engasgado saiu lhe descontroladamente de a boca para fora . - Professor_Dumbledore ... o Riddle disse que eu sou como ele , que há entre nós estranhas semelhanças ... - Ah ! sim ? - Dumbledore olhou pensativamente para ele , por debaixo de as espessas sobrancelhas prateadas . - E o que achas tu de isso ? - Eu não me considero parecido com ele - disse Harry mais alto do_que desejaria . - Isto_é , eu sou um Gryffindor , eu sou ... Mas calou se com uma dúvida a rondar lhe o espírito . - Professor - arriscou passado alguns momentos . - O chapéu seleccionador disse que eu ... teria ficado bem em os Slytherin ; durante algum tempo toda_a_gente pensou que eu era o herdeiro de Slytherin por falar * serpentês * ... - Tu falas * serpentês * , Harry - disse Dumbledore calmamente - porque Lord_Voldemort que é o mais recente antepassado de Salazar_Slytherin , fala * serpentês * . Ou eu me engano muito , ou ele transferiu para ti alguns de os seus poderes em a noite em que te fez essa cicatriz . Não que quisesse fazê o , claro , mas aconteceu . - Voldemort pôs um_pouco de si próprio em mim ? - disse Harry assombrado . - É o que parece ter acontecido . - Então eu deveria estar em os Slytherin - disse Harry , olhando desesperado para o rosto de Dumbledore . - O chapéu seleccionador viu em mim os poderes de Slytherin e ... -- Pôs te em os Gryffindor - concluiu tranquilamente Dumbledore . - Ouve , Harry , tu tens por acaso muitas de as capacidades que Salazar_Slytherin apreciava em os seus estudantes cuidadosamente seleccionados . O seu raro dom de falar * serpentês * , desenvoltura , determinação , um certo desprezo por as regras estabelecidas - acrescentou com o bigode a tremer de_novo . - Mas ainda_assim , o chapéu seleccionador pôs te em os Gryffindor . E sabes porquê ? Pensa um_pouco . - Só me pôs em os Gryffindor - disse Harry em uma voz débil - porque eu pedi para não ir para os Slytherin . - Exacto - disse Dumbledore a sorrir . - E isso torna te muito diferente de o Tom_Riddle . São as tuas escolhas , Harry , que mostram quem de facto tu és , mais do_que as tuas capacidades . Harry sentou se , imóvel e espantado , em a cadeira . - Se queres provas de que o teu lugar é em os Gryffindor , sugiro que vejas isto com mais atenção . Dumbledore aproximou se de a secretária de a professora Mc_Gonagall , pegou em a espada de prata ensanguentada e mostrou lhe a . Sem perceber , Harry voltou a ao_contrário . Os rubis brilharam a a luz de a lareira e foi então que ele reparou em o nome gravado mesmo por baixo de o copo de a espada . GODRIC_GRYFFINDOR . - Só um verdadeiro Gryffindor poderia ter tirado a espada de dentro de o chapéu , Harry - disse , com simplicidade , Dumbledore . Durante um minuto , nenhum de os dois falou . Depois , Dumbledore abriu uma de as gavetas de a secretária de a professora Mc_Gonagall e retirou de lá uma pena e um tinteiro . - Tu precisas de comer e ir dormir . Sugiro que desças para o banquete enquanto eu escrevo para Azkaban . Precisamos de recuperar o nosso guarda de os campos . E tenho de esboçar um anúncio para o * _ Profeta_Diário * - acrescentou pensativo . - Vamos precisar de um novo professor de Defesa contra as artes negras . É um problema , estamos sempre a perdê os . Harry levantou se e dirigiu se a a porta . Tinha acabado de estender a mão para o puxador quando ela se abriu tão violentamente que saltou de as dobradiças . Lucius_Malfoy estava de pé , furioso . E , debaixo de o braço , embrulhado em diversas ligaduras , estava Dobby . - Boa tarde , Lucius - disse Dumbledore , de forma amena . Mr._Malfoy quase derrubou Harry enquanto entrava em a sala . Dobby dava passos miudinhos atrás de ele , inclinado até a a bainha de o seu manto com um olhar apavorado em o rosto . - Então - disse Lucius_Malfoy com os olhos fixos em Dumbledore - voltaste . Os membros de o Conselho_Directivo suspenderam te , mas tu mesmo_assim sentiste te capaz de voltar a Hogwarts . - Bem vês , Lucius - disse Dumbledore , sorrindo serenamente . - Os outros membros de o Conselho contactaram me hoje . Fui envolvido em um redemoinho de corujas , todos queriam contar me a verdade . Ouviram dizer que a filha de Arthur_Weasley tinha sido morta e queriam me novamente aqui . Parece que me consideravam o melhor homem para o lugar . Contaram me algumas histórias muito estranhas . Alguns de eles tinham a impressão que tu tinhas ameaçado amaldiçoar lhes as famílias se não concordassem com a minha suspensão . Mr._Malfoy ficou ainda mais pálido do_que de costume , mas os olhos continuavam cheios de fúria . - Então já acabaste com os ataques ? - rosnou . - Apanhaste o culpado ? - Já , sim - disse Dumbledore com um sorriso . - E quem é ? - perguntou Malfoy secamente . - A mesma pessoa de a última vez , Lucius - disse Dumbledore . Mas desta_vez , Lord_Voldemort agiu através_de outra pessoa , por_meio_de um diário . Pegou em o pequeno caderno com o buraco em o meio , observando Mr._Malfoy de perto . Mas Harry olhava para Dobby . O elfo fazia um sinal muito estranho . Com os seus grandes olhos fixos em Harry , não parava de apontar para ó diário e , em seguida , para Mr._Malfoy , batendo logo_a_seguir com o punho em a cabeça . - Estou a ver ... - disse Mr._Malfoy lentamente a Dumbledore . - Um plano inteligente - afirmou o director em um tom de voz suave , continuando a olhar Mr._Malfoy directamente em os olhos . - Porque se não fosse aqui o Harry e o seu amigo Ron a descobrirem o diário , sem dúvida Ginny_Weasley teria ficado com todas_as culpas . Ninguém teria conseguido provar que ela agira contra a sua própria vontade . Mr._Malfoy não se pronunciou . O seu rosto parecia agora uma máscara . - E vê bem - continuou Dumbledore - o que poderia ter acontecido ... os Weasley são uma de as mais proeminentes famílias de feiticeiros de sangue puro , imagina o efeito em a imagem de Arthur_Weasley e em a sua acção de protecção a os Muggles , se a sua própria filha fosse acusada de atacar e matar filhos de Muggles . Foi uma sorte o diário ter sido descoberto e as memórias de Riddle apagadas . Quem sabe que consequências poderia ter tido ? Mr._Malfoy falou contra vontade . - Sim , foi uma sorte - disse secamente . E , em as suas costas , Dobby continuava a apontar para o diário e para Lucius_Malfoy , batendo depois com o punho em a cabeça . E Harry finalmente percebeu . Fez um sinal a Dobby que correu a esconder se em um canto , torcendo desta_vez as orelhas para se castigar . - Não quer saber como a Ginny obteve esse diário , Mr._Malfoy ? - perguntou Harry . Lucius_Malfoy voltou se para ele . - Como queres que eu saiba onde é_que a estúpida de a garota o arranjou ? - Porque foi o senhor quem lhe o deu - disse Harry . - Em a Flourish and Blotts . O senhor pegou em o livro velho de ela de Transfiguração e meteu o diário lá dentro , não foi ? Viu as mãos brancas de Mr._Malfoy abrirem se e fecharem se . - Prova isso - sibilou . - Oh ! ninguém vai poder prová o - disse Dumbledore sorrindo a o Harry . - Não agora_que o Riddle desapareceu de o caderno . Por outro lado , aconselharia te , Lucius , a não dares mais nenhuma de as coisas velhas de Lord_Voldemort . Se mais alguma for parar a as mãos de crianças inocentes , acho que o Arthur_Weasley fará com que se voltem com toda_a sua carga negativa contra ti . Lucius_Malfoy ficou calado um momento e Harry viu claramente a sua mão direita torcer se como_se desejasse chegar a a varinha . Em vez de isso , voltou se para o seu elfo doméstico . - Vamos , Dobby . Abriu a porta e quando o elfo se aproximou deu lhe um pontapé que o projectou para longe . Ouviram se em o escritório os gritos de dor de Dobby em o corredor . Harry pensou durante um momento e depois decidiu se . - Professor_Dumbledore - disse apressadamente . - Posso dar o diário outra_vez a Mr._Malfoy ? - Certamente , Harry - disse Dumbledore com toda_a calma . - Mas não demores , olha o banquete . Harry agarrou em o diário e saiu de o escritório . Os gritos de dor de Dobby afastavam se ao_longe . Sem perder tempo , perguntando a si próprio se o plano poderia resultar , Harry tirou um de os sapatos , puxou uma de as peúgas enlameadas e viscosas e meteu o diário lá dentro . Em seguida correu até a o fundo de o corredor escuro . Apanhou os em o topo de as escadas . - Mr._Malfoy - disse ofegante , parando . - Tenho uma coisa para si . E meteu a peúga mal cheirosa em a mão de Lucius_Malfoy . - O que é ... ? Mr._Malfoy tirou o diário de dentro de a peúga , deitou a fora e olhou furioso para o caderno estragado e para Harry - Ainda vais acabar por ter um fim igual a o de os teus pais um dia de estes , Harry_Potter - disse em voz baixa . - Eles também eram uns idiotas metediços . Voltou se para se ir embora . - Anda , Dobby , vem ! Mas Dobby não se mexeu . Tinha em as mãos a peúga nojenta de o Harry e olhava para ela como_se fosse um tesouro de valor incalculável . - O senhor deu uma peúga a o Dobby - disse o elfo maravilhado . - Deu a a o Dobby . - O que é isso ? - cuspiu Mr._Malfoy . - Que estás para aí a dizer ? - Dobby tem uma peúga - repetiu incrédulo . - O senhor deitou a fora e Dobby apanhou a e Dobby agora é livre ... Lucius_Malfoy ficou paralisado a olhar para o elfo . Em seguida precipitou se para Harry . - Fizeste me perder o meu servo , rapaz . Mas Dobby gritou : - Não pense que vai fazer mal a o Harry_Potter ! Ouviu se um enorme estrondo e Mr._Malfoy foi empurrado de costas , galgando os degraus de as escadas a três_e_três e indo aterrar lá em baixo todo embrulhado e amarrotado . Levantou se , o rosto lívido e pegou em a varinha , mas Dobby estendeu lhe um dedo ameaçador . - Vá se embora já - disse furioso , apontando para Mr._Malfoy . - Não tocará em o Harry_Potter . Vá se embora , já . Lucius_Malfoy não teve escolha . Lançando a os dois um último olhar de cólera , embrulhou se em o manto e desapareceu . - Harry_Potter libertou Dobby ! - disse o elfo com voz esganiçada , olhando para Harry , a luz de o luar reflectida em os seus grandes olhos em forma de globos . - Harry_Potter libertou Dobby . - Era o mínimo que eu podia fazer , Dobby - disse Harry a sorrir -- , mas promete me que não vais voltar a tentar salvar me a vida . A cara feia e escura de o elfo abriu se , mostrando os dentes , em um enorme sorriso . - Tenho uma pergunta a fazer te , Dobby - disse Harry enquanto o elfo pegava em a peúga de ele com as mãos a tremer . - Disseste me que tudo_isto não tinha nada que ver com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Lembras te ? - Era uma pista , senhor - disse Dobby com os olhos muito abertos como_se fosse absolutamente óbvio . - Dobby estava a dar lhe uma pista . Antes de o senhor de o mal mudar de nome , o seu nome podia ser pronunciado , está a ver ? - Certo - disse Harry sem grande convicção . - Bem , é melhor eu ir indo embora . Há um banquete e a minha amiga Hermione já deve ter acordado ... Dobby lançou os braços a a cintura de Harry e abraçou o . - Harry_Potter é muito maior do_que Dobby imaginava ! - soluçou . - Adeus , Harry_Potter . E com um estalido final , Dobby desapareceu . Harry assistira a diversos banquetes , mas nenhum que se parecesse com aquele . Estavam todos de pijama e a festa durou a noite inteira . Harry não sabia se o melhor tinha sido a Hermione a correr para ele e a gritar : - Tu conseguiste . Tu conseguiste ! , ou o Justin saindo disparado de a mesa de os Hufflepuff para lhe estender a mão , desfazendo se em desculpas por ter suspeitado de ele , ou o Hagrid que apareceu a as três_e_meia e que lhes deu palmadas com tanta força em os ombros que eles foram parar dentro de os pratos de bolo de creme , ou os quatrocentos pontos que ele e o Ron obtiveram para os Gryffindor , ganhando a taça de a equipa por a segunda vez consecutiva , ou a professora Mc_Gonagall de pé , a comunicar lhes que os exames tinham sido cancelados como medida de a escola ( Oh ! não ! exclamou Hermione ) , ou Dumbledore a anunciar que , infelizmente , o professor Lockhart não poderia voltar em o ano seguinte por ter de se ausentar a_fim_de recuperar a memória . Alguns de os professores juntaram se a os alunos que aplaudiram entusiasmados esta notícia . - Que pena - disse Ron , servindo se de um * dounut * de presunto . - E eu que começava a gostar de ele ... O resto de o período de Verão decorreu sob um sol escaldante . Hogwarts voltara a a normalidade , apenas com algumas pequenas diferenças : as aulas de Defesa contra as artes negras foram canceladas ( Mas nós tivemos imensa prática - disse o Ron vendo o descontentamento de Hermione ) e Lucius_Malfoy foi demitido de o Conselho_Directivo . Draco já não passeava por ali como_se fosse o dono de a escola . Pelo_contrário , tinha um ar melindrado e carrancudo . Por outro lado , Ginny_Weasley andava de_novo feliz de a vida . Em_breve chegou o dia de regressarem a casa em o Expresso_de_Hogwarts . Harry , Ron , Hermione , Fred , George e Ginny encheram um compartimento . Tiraram o_máximo partido de aquelas últimas horas em que lhes era permitido usar a magia antes de as férias . Brincaram a as explosões , gastaram o último fogo-de-artíficio Filibuster , de o Fred e de o George e treinaram o mútuo desarmamento através de a magia . Harry começava a ficar muito bom em aquilo . Já estavam perto de a estação de King's_Cross quando Harry se lembrou de uma coisa . - Ginny , o que foi que viste o Percy fazer que ele não queria que nos contasses ? - Ah ! isso - disse a Ginny a rir . - Bem , é_que o Percy tem uma namorada . Fred deixou cair uma pilha de livros em a cabeça de o George . - O quê ? - É aquela prefeita de os Ravenclaw ' Penelope_Clearwater - disse a Ginny . - Foi para ela que ele escreveu durante todo o Verão . Encontravam se em a escola em grande segredo . Eu apanhei os a beijarem se em uma sala de aula vazia e ele ficou tão aflito quando ela foi ... sabes ... atacada . Não vais aborrecê o , pois não ? - perguntou cheia de ansiedade . - Que ideia - respondeu Fred com uma tal satisfação em o rosto que parecia que o seu aniversário chegara mais cedo . - Claro que não - disse o George a rir se a a socapa . O Expresso_de_Hogwarts abrandou e finalmente parou . Harry tirou a pena e um_pouco de pergaminho e voltou se para Ron e Hermione . - Isto_é um número de telefone - disse ele a o Ron , escrevinhando o duas vezes , cortando o pergaminho a o meio e dando lhes os números . - Eu expliquei a o teu pai como usar um telefone em o Verão passado . Ele sabe fazer a chamada . Liga me para_casa de os Dursley , O. _ K. ? Não consigo suportar outros dois meses sem ter mais ninguém com quem falar ... - Mas a tua tia e o teu tio vão ficar orgulhosos de ti , não vão ? - perguntou Hermione quando saíram de o comboio e se misturaram em a multidão que se encontrava junto de a barreira encantada . - Quando souberem o que fizeste este ano . - Orgulhosos ? - disse Harry . - Estás doida ! Podendo eu ter morrido tantas vezes e tendo escapado ? Vão ficar é furiosos ... E juntos avançaram até a a entrada para o mundo de os Muggles . ----------------- J._K._Rowling_Harry_Potter e a Câmara_dos_Segredos_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Chamber of Secrets_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling 1998 Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 2000 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 2.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 Depósito legal : 143.569/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , a a Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Para_Séan_P._F._Harris , condutor imparável e um amigo de os diabos . I_O pior aniversário Não era a primeira vez que uma discussão estoirava a a mesa de o pequeno-almoço , em o número 4 de a Privet_Drive . Mr._Vernon_Dursley fora acordado de manhã cedo por o piar ruidoso que vinha de o quarto de o seu sobrinho Harry . - É a terceira vez esta semana ! - resmungou , a a mesa . - Se não consegues controlar essa coruja , ela não pode ficar aqui . Harry tentou , mais_uma_vez , explicar . - Ela está aborrecida . Estava habituada a voar livremente lá fora . Se eu pudesse , ao_menos , soltá a a a noite ... - Achas me com cara de idiota ? - perguntou rispidamente o tio Vernon , com um fio de ovo preso em o bigode farfalhudo . - Sei muito bem o que aconteceria se essa coruja fosse lá para fora . Trocou um olhar soturno com a mulher , a tia Petúnia . Harry tentou contra-argumentar , mas as suas palavras foram abafadas por um enorme arroto de o filho de os Dursleys , Dudley . - Quero mais bacon . - Há mais em a frigideira , fofinho - disse a tia Petúnia , lançando um olhar vago a o seu filho maciço . - Tens que te alimentar bem enquanto aqui estás , aquela comida de a tua escola não me cheira . - Disparate , Petúnia , eu nunca passei fome enquanto andei em Smeltings - afirmou com sinceridade o tio Vernon . - O Dudley tem que chegue . Não é verdade , filho ? Dudley , que era tão gordo que o rabo saía de os dois lados de a cadeira de a cozinha , sorriu laconicamente e voltou se para Harry . - Passa me a frigideira . -- Esqueceste te de a palavra mágica - disse Harry , irritado . O efeito que esta simples frase teve em o resto de a família foi inacreditável : Dudley começou a arfar e caiu de a cadeira com um estrondo que abalou a cozinha , Mrs._Dursley deu um gritinho e bateu com a mão em a boca , Mr._Dursley pôs se de pé com as veias de as têmporas dilatadas . - Eu queria dizer « por favor » - explicou Harry rapidamente . - Não me referia a ... - : __ o que é_que eu te __ disse - vociferou o tio , espalhando perdigotos sobre a mesa - : __ sobre pronunciar a palavra m . em esta __ casa ? - Mas eu ... - : __ como te atreves a ameaçar o __ dudley ! - rosnou o tio Vernon , batendo com o punho em a mesa . - Eu só ... - : __ estás avisado . não vou admitir referências a tua anormalidade debaixo de o tecto de a minha __ casa ! Harry olhou alternadamente para o rosto congestionado de o tio e para a palidez de a tia que tentava pôr o Dudley de pé . - Está bem - disse Harry . - Está bem ... O tio Vernon voltou a sentar se , respirando como um rinoceronte exausto e observando Harry de perto por o canto de os seus olhos pequeninos e penetrantes . Desde_que Harry regressara para as férias de Verão que o tio Vernon o tratava como_se ele fosse uma bomba , capaz de explodir a qualquer momento , porque Harry não era um rapazinho normal . Em a verdade , ele era o menos normal que é possível imaginar . Harry_Potter era um feiticeiro , um feiticeiro que acabara de concluir o primeiro ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts e a infelicidade que os Dursleys sentiam por ele estar lá em casa não era nada comparada com a de Harry . As saudades de Hogwarts eram tão intensas que se assemelhavam a uma constante dor em o estômago . Sentia a falta de o castelo com as suas passagens secretas e os seus fantasmas , de as aulas ( com excepção talvez de as de Snape , o professor de as poções ) , de o correio a chegar trazido por as corujas , de os banquetes em o salão nobre , de as noites em as camas de dossel em a camarata de a torre , de as visitas a Hagrid , o guarda de os campos em a sua casinha em o bosque , junto de a floresta proibida e , principalmente , sentia a falta de o Quidditch , o desporto mais popular de o mundo de os feiticeiros ( seis postes altos de golo , quatro bolas esvoaçantes e catorze jogadores em_cima_de vassoura ) . Todos os livros de feitiços de Harry , assim_como a varinha , os mantos , o caldeirão e a vassoura topo de gama Nimbus dois_mil tinham sido encerrados por o tio Vernon em a despensa que ficava debaixo de as escadas , em o momento em que Harry regressara a casa . O que é_que lhes interessava se ele perdia ou não o seu lugar em a equipa de Quidditch por não ter praticado durante todo o Verão ? Que importância tinha para eles que o Harry voltasse a a escola sem ter podido fazer os trabalhos de casa ? Os Dursleys eram aquilo que os feiticeiros chamam « Muggles » ( nem uma gota de sangue mágico em as veias ) e , para eles , ter um feiticeiro em a família era motivo de grande vergonha . O tio Vernon tinha , inclusivamente , fechado a cadeado a coruja de Harry , Hedwig , dentro de a gaiola , para evitar que ela transportasse mensagens para a gente de o mundo de a feitiçaria . Harry não se parecia em nada com o resto de a família . O tio Vernon era atarracado e sem pescoço , dotado de um enorme bigode preto ; a tia Petúnia tinha um rosto cavalar e era esquelética ; Dudley era loiro e rosado como um porquinho . Harry , pelo_contrário , era baixo e franzino , com os olhos verdes brilhantes e cabelo negro sempre desalinhado . Usava uns óculos redondos e tinha em a testa uma cicatriz em forma de relâmpago . Era essa cicatriz que o tornava tão invulgar , mesmo para um feiticeiro . Era a única alusão a o seu passado misterioso , a o motivo por o qual , onze anos antes , tinha sido deixado em o degrau de a porta de os Dursleys . Com um ano de idade , Harry sobrevivera a uma maldição de o maior feiticeiro negro de todos os tempos , Lord_Voldemort , cujo nome a maior parte de os feiticeiros e feiticeiras ainda receia pronunciar . Os pais de Harry tinham morrido em um ataque de Voldemort , mas ele escapara com a sua cicatriz em forma de relâmpago e estranhamente , ninguém compreendeu porquê , os poderes de Voldemort tinham sido destruídos em o momento em que não fora capaz de matar o Harry . Por isso , ele foi criado por a irmã de a sua falecida mãe e respectivo marido . Passou dez anos com os Dursleys , sem nunca compreender porque fazia com que acontecessem coisas estranhas , alheias a a sua vontade , acreditando em a história de os Dursleys de que aquela cicatriz fora resultado de um acidente de automóvel em que os pais tinham morrido . E um dia , precisamente um ano antes , Hogwarts escrevera lhe e fora então que tudo começara . Harry fora ocupar o seu lugar em a escola de feitiçaria , onde ele e a sua cicatriz eram famosas ... mas agora o ano escolar chegara a o fim e estava de_novo com os Dursleys . Durante o Verão , voltara a ser tratado como um cão malcheiroso . Os Dursleys nem se tinham lembrado que aquele era o dia de o seu décimo segundo aniversário . É claro que não tivera grandes expectativas : eles nunca lhe tinham dado um presente a sério , muito menos um bolo , mas ignorarem o por completo ... Em esse momento , o tio Vernon pigarreou com um ar importante e disse : - Como todos sabem , hoje é um dia muito importante . Harry olhou para ele , mal conseguindo acreditar . - Pode bem ser que eu faça hoje o maior negócio de toda_a minha vida - afirmou . Harry voltou novamente a atenção para a torrada . É claro , pensou amargamente , o tio Vernon referia se a a estúpida dinner-party . Havia quinze_dias que não falava de outra coisa . Um consultor qualquer cheio de massa e a mulher vinham jantar lá a casa e o tio Vernon tinha esperança de conseguir uma grande encomenda ( a empresa de o tio Vernon fabricava brocas ) . - Acho que devíamos recapitular mais_uma_vez - disse o tio Vernon . - Devemos estar todos a postos a as oito_horas_em_ponto . Petúnia , tu vais estar ... ? - Em o salão - respondeu a tia Petúnia prontamente - a a espera para lhes dar as boas-vindas a nossa casa . - Bom , bom . E o Dudley ? - Eu vou estar a a espera para abrir a porta . - Dudley esboçou um sorriso falso e afectado . - Dão me licença que vos guarde os casacos , Mr. e Mrs._Mason ? - Eles vão adorá o - exclamou arrebatadamente a tia Petúnia . - Excelente , Dudley - disse o tio Vernon . - A seguir voltou se para o Harry . - E tu ? - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - repetiu o Harry , de forma inexpressiva . - Exactamente - confirmou o tio Vernon , de um modo desagradável . - Eu conduzo os até a o salão , apresento te , Petúnia , e sirvo lhes as bebidas . _ a as oito_e_um_quarto . - Eu chamo para a mesa - disse a tia Petúnia . - E tu , Dudley , vais dizer ... - Dá me licença que lhe indique a casa de jantar , Mrs._Mason ? - repetiu o Dudley , oferecendo o seu braço gordo a uma mulher invisível . - O meu pequenino cavalheiro - fungou a tia Petúnia . - E tu ? - perguntou o tio Vernon a o Harry , em o mesmo tom desagradável . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho , fingindo que não estou lá - respondeu Harry aborrecido . - Isso mesmo . Agora , devíamos ter preparadas algumas frases amáveis para o jantar . Petúnia , alguma ideia ? - O Vernon disse me que o senhor é um excelente jogador de golfe , Mr._Mason ... Tem de me dizer onde comprou esse vestido , Mrs._Mason ... - Perfeito . Dudley ? - Que tal : Tivemos de fazer um trabalho para a escola sobre o nosso herói e eu escrevi sobre o senhor ... Foi de mais , tanto para a tia Petúnia como para o Harry . A tia debulhou se em lágrimas e abraçou o filho , enquanto Harry se esgueirava para debaixo de a mesa para ninguém o ver rir . - E tu , rapaz ? Harry fez um esforço para se mostrar inexpressivo quando emergiu . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - disse . - Vais sim senhor - afirmou o tio Vernon energicamente . - Os Mason não sabem nada a teu respeito e é assim que as coisas vão continuar . Quando o jantar terminar , tu trazes Mrs._Mason para o salão , onde vamos tomar café , Petúnia , e eu puxo o assunto de as brocas . Com um_pouco de sorte , tenho o contrato assinado antes de o noticiário de as dez . Amanhã por esta hora , vamos estar a fazer compras para umas férias em Maiorca . Harry não conseguia sentir o menor entusiasmo com aquilo . Não lhe parecia que os Dursleys gostassem mais de ele em Maiorca do_que em Privet_Drive . - Certo , eu vou a a cidade buscar os casacos para mim e para o Dudley . E tu - resmungou , apontando para Harry - não atrapalhes a tua tia enquanto ela estiver a limpar . Harry saiu por a porta de as traseiras . Estava um dia de sol lindo . Atravessou o relvado , deixou se cair em o banco de o jardim e cantarolou baixinho : - Parabéns para mim ... parabéns para mim ... Nem cartas nem presentes e tinha de passar a noite a fingir que não existia . Olhou infeliz para a sebe . Nunca se sentira tão só . Mais do_que tudo em o mundo , mais do_que de Hogwarts , mais até do_que de o jogo de Quidditch , Harry sentia a falta de os amigos Ron_Weasley e Hermione_Granger . Mas eles não pareciam sentir a falta de ele . Nenhum de os dois lhe escrevera durante todo o Verão apesar_de o Ron ter dito que ia convidá o para passar uns dias lá em casa . Inúmeras vezes Harry estivera quase a libertar magicamente Hedwig de a sua gaiola e mandá a levar uma carta a o Ron e a a Hermione mas não valia a pena correr o risco . Os feiticeiros menores de idade não tinham autorização para usar a magia fora de a escola . Harry não contara isto a os Dursleys . Ele sabia que era o medo de que ele os transformasse a todos em baratas que os impedia de o fecharem a a chave em a despensa debaixo de as escadas , juntamente com a varinha e a vassoura . Em as primeiras semanas Harry divertira se a murmurar baixinho palavras sem sentido e a ver o Dudley sair disparado de o quarto , tão rápido quanto as suas pernas gordas lhe permitiam . Mas o silêncio prolongado de Ron e Hermione tinham o feito sentir se tão longe de o mundo de a magia que até divertir se à_custa_de Dudley perdera o interesse . E agora o Ron e a Hermione tinham se esquecido de o seu aniversário . Quanto não daria ele por uma mensagem de Hogwarts ? De qualquer feiticeiro ou feiticeira ? Quase ficaria satisfeito com um sinal de o seu inimigo feroz , Draco_Malfoy , só para ter a certeza de que tudo aquilo não fora apenas um sonho ... Não que tudo durante o ano em Hogwarts tivesse sido divertido . Mesmo em o fim de o último período , Harry confrontara se nem mais nem menos do_que com o próprio Lord_Voldemort . Voldemort podia ter arruinado o seu ego inicial mas continuava a espalhar o terror , ainda astuto , ainda determinado a recuperar o poder . Harry escapara uma segunda vez a as suas garras mas fora por um triz e mesmo agora , algumas semanas decorridas , acordava de noite encharcado em suores frios , perguntando se onde estaria Voldemort , relembrando o seu rosto lívido , os seus olhos completamente loucos ... Harry sentou se subitamente , direito como um fuso , em o banco de o jardim . Tinha estado a olhar distraído para a sebe e a sebe estava a olhar para ele . Dois enormes olhos verdes surgiram por_entre a folhagem . Harry pôs se de pé ao_mesmo_tempo que uma voz sobrevoava a relva . - Eu sei que dia é hoje - cantarolava Dudley , bamboleando se enquanto se aproximava . Os olhos enormes piscaram e desapareceram . - O quê ? - perguntou Harry sem retirar os olhos de o lugar para_onde estava a olhar . - Eu sei que dia é hoje - repetiu , chegando junto de ele . - Ainda_bem - disse Harry . - Aprendeste finalmente os dias de a semana . - Hoje é o dia de os teus anos - troçou o Dudley . - Por_que é_que não recebeste nenhuma carta ? Não tens amigos em esse lugar esquisito ? - É melhor não deixares a tua mãe ouvir te falar de a minha escola - disse Harry calmamente . Dudley puxou para_cima as calças que estavam a escorregar lhe por o rabo gordo abaixo . - Porque estás a olhar para a sebe . ; - perguntou curioso . - Estou a pensar em as palavras que deverei pronunciar para lhe pegar fogo - disse Harry . Dudley recuou de imediato com um olhar de pânico em a cara rechonchuda . - Tu não p-p-odes , o pai disse que não podias fazer magia ou corria contigo aqui de casa e não tens mais nenhum lugar para_onde ir , não tens amigos que te convidem ... - * _ Jiggery pokery * ! - disse Harry com voz firme . - * _ Hocus pocus ... squiggly wiggly * ... - Maaaaaãe - gritou Dudley , tropeçando em os pés , enquanto se precipitava para dentro_de casa . Maaaãe , ele vai fazer aquela coisa ! Harry deu graças a os céus por aquele momento de gozo . Como não aconteceu nada de mal nem a o Dudley nem a a sebe , a tia Petúnia percebeu que ele não fizera magia nenhuma mas , mesmo_assim , Harry teve de se afastar quando ela lhe deu uma forte pancada em a cabeça com a frigideira cheia de detergente . A seguir distribuiu lhe trabalho e o castigo de só voltar a comer quando tivesse acabado tudo . Enquanto Dudley andava a flanar , olhando para o ar e comendo gelados , Harry limpou as janelas , lavou o carro , aparou a relva , adubou os canteiros , podou e regou as rosas e pintou de_novo o banco de o jardim . O sol ardia lá em cima , queimando lhe a parte de trás de o pescoço . Harry sabia que não devia ter provocado Dudley mas ele dissera precisamente aquilo que ele próprio pensava ... talvez não tivesse amigos em Hogwarts . Deviam ver agora o famoso Harry_Potter , pensou amargamente enquanto espalhava adubo em os canteiros , as costas a doerem lhe e o suor a escorrer lhe por o rosto . Eram sete_e_meia_da_tarde quando , por fim , exausto , ouviu a tia Petúnia a chamá o . - Anda para dentro e passa por cima de os jornais . Harry entrou satisfeito em a sombra de a cozinha que rebrilhava . Sobre o frigorífico estava o bolo de a noite : um enorme monte de crome batido coberto de violetas de açúcar . A carne de porco assava em o forno . - Come depressa , os Mason devem estar a chegar ! - exclamou bruscamente a tia Petúnia , apontando para duas fatias de pão e uma de queijo que estavam em cima de a mesa de a cozinha . Ela já tinha posto um vestido de * cocktail * cor de salmão . Harry lavou as mãos e comeu aquele triste jantar . Mal tinha terminado , a tia Petúnia tirou lhe o prato . - Lá para_cima , rápido ! A o passar por a porta de a sala , Harry vislumbrou o tio Vernon e Dudley de casaco e gravata . Tinha acabado de chegar a o cimo de as escadas quando a campainha de a porta tocou e a cara de o tio Vernon apareceu em o patamar . - Lembra te , rapaz , um ruído que seja ... Harry entrou em o quarto em bicos de pés , fechou a porta e preparou se para se meter em a cama . O problema é_que estava lá alguém sentado . II_O aviso de Dobby_Harry conseguiu não gritar , mas foi por_pouco . A pequena criatura que estava em a cama tinha umas orelhas grandes e largas e uns olhos verdes protuberantes de o tamanho de bolas de ténis . Harry percebeu imediatamente que fora para ele que tinha estado a olhar de manhã . Enquanto olhavam um para o outro , Harry ouviu a voz de Dudley em o * hall * . - Posso guardar os vossos casacos , Mr. e Mrs._Mason ? A criatura escorregou por a cama e curvou se tanto que a ponta de o seu enorme nariz tocou em o tapete . Harry reparou que ele tinha vestido uma espécie de fronha de almofada com buracos para os braços e pernas . - Er ... Olá - disse Harry , um_pouco nervoso . - Harry_Potter ! - exclamou a criatura em uma voz tão estridente que Harry calculou que poderia ouvir se lá em baixo . - Há tanto tempo que Dobby queria conhecê o , senhor . É uma enorme honra ... - Ob-obrigado - disse Harry , deslocando se a o longo de a parede e sentando se em a cadeira de a secretária , junto de Hedwig que dormia em a sua grande gaiola . Queria perguntar lhe « O que és tu ? » , mas pensou que seria má educação , por isso perguntou : - Quem és tu ? - Dobby , senhor . Apenas Dobby , o elfo de casa - afirmou a criatura . - Oh ! A sério ? - perguntou Harry . - Não quero ser mal-educado , mas esta não é a melhor altura para ter um elfo em o meu quarto . O riso falso de a tia Petúnia ouvia se em a sala de jantar . O elfo deixou cair a cabeça . - Não que eu não me sinta feliz por te conhecer - disse Harry rapidamente - mas , er ... estás aqui por algum motivo em especial ? - Oh , sim senhor - disse Dobby muito a sério . - Dobby veio dizer lhe que ... é difícil ... Dobby não sabe por_onde começar ... - Senta te - disse Harry educadamente , apontando lhe a cama . Para seu horror , o elfo debulhou se em lágrimas bastante ruidosas . -- S-senta-te ! - repetiu . - Nunca em toda_a minha vida ... Harry pareceu lhe ouvir as vozes lá em baixo vacilarem . - Desculpa - murmurou . - Eu não queria ofender te ... - Ofender Dobby ! - exclamou o elfo em um sufoco . - Nunca nenhum feiticeiro disse a o Dobby que se sentasse como um seu igual , senhor . Harry , tentando dizer lhe « Sch ... » e confortá o ao_mesmo_tempo , conduziu Dobby de_novo até a a cama onde ele se sentou a soluçar , parecendo uma grande boneca muito feia . Por fim , conseguiu controlar se e ficou quieto , com os seus grandes olhos fixos em Harry em uma expressão de absoluta adoração . - Não deves ter conhecido muitos feiticeiros sérios - disse lhe , tentando animá o . Dobby abanou a cabeça . Em seguida , sem qualquer aviso , saltou e começou a bater furiosamente com a cabeça em a janela , gritando : - Dobby é mau ! Dobby é mau ! - Pára , o que é_que estás a fazer ? - perguntou Harry em um murmúrio sibilante , dando um salto e puxando Dobby de_novo para a cama . Hedwig acordara com um pio particularmente agudo e batia agressivamente com as asas contra as grades de a gaiola . - Dobby tinha que se castigar , meu senhor - afirmou o elfo , que ficara ligeiramente estrábico . - Dobby quase falou mal de a família de ele ... - De a tua família ? - De a família de feiticeiros que Dobby serve , meu senhor ... O Dobby é um elfo de casa , obrigado a servir uma casa e uma família para sempre . - Eles sabem que estás aqui ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Dobby estremeceu . - Oh , não senhor , não ... Dobby vai ter que se castigar muito por ter vindo vê o . Dobby vai ter que entalar as orelhas em a porta de o forno por isto . Se eles soubessem , senhor ... - Mas achas que eles não vão reparar se tu entalares as orelhas em a porta de o forno ? - Dobby duvida , senhor . Dobby está sempre a ter de se castigar por qualquer coisa . Eles deixam que o Dobby se castigue . _ às_vezes até sugerem alguns castigos extra . - Mas por_que é_que não te vais embora , não foges ? - Um elfo de casa tem de ser libertado , senhor . E a família nunca libertará Dobby . Dobby servirá a família até morrer . Harry olhou para ele . - E eu que pensava que era infeliz por ter de ficar aqui mais quatro semanas - declarou . - Isto faz os Dursleys parecerem quase humanos . Será que ninguém te pode ajudar ? Poderei eu ? Em o mesmo momento , Harry desejou não ter aberto a boca . Dobby desfez se em ruidosos soluços de gratidão . - Por favor - murmurou Harry , inquieto . - Por favor , está calado . Se os Dursleys ouvem barulho , se eles sabem que estás aqui ... - Harry_Potter pergunta se pode ajudar Dobby . Dobby ouviu falar de a sua grandeza , mas de a sua bondade , Dobby nada sabia . Harry , que se sentia corar , disse : - Seja o que for que tenhas ouvido sobre a minha grandeza , é um disparate . Nem_sequer sou o melhor de o meu ano em Hogwarts . É a Hermione . Ela ... Mas calou se rapidamente porque pensar em Hermione era lhe doloroso . - Harry_Potter é humilde e modesto - disse Dobby reverentemente , com os seus olhos de globo avermelhados . - Harry_Potter não fala de a sua vitória sobre « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . - Voldemort ? - perguntou Harry . Dobby bateu com as mãos em as enormes orelhas e gemeu : - Ai não diga o nome , senhor . Não diga o nome ! - Desculpa - disse Harry muito depressa . - Eu sei que muita gente não gosta . O meu amigo Ron ... Calou se de_novo . Pensar em o Ron era igualmente doloroso . Dobby voltou para Harry os seus dois olhos grandes como candeeiros . - Dobby ouviu dizer - balbuciou com voz rouca - que Harry_Potter encontrou o Senhor_do_Mal uma segunda vez há poucas semanas atrás ... que Harry_Potter lhe escapou de_novo . Harry acenou e os olhos de Dobby encheram se de lágrimas . - Ah , senhor - disse em um sobressalto , limpando o rosto com a ponta de a fronha de almofada que tinha vestida . - Harry_Potter é valente e arrojado . Enfrentou tantos perigos ! Mas Dobby veio protegê o , avisar Harry_Potter , mesmo_que para isso tenha de entalar as orelhas em a porta de o forno , que Harry_Potter não deve voltar para Hogwarts . Houve um silêncio apenas quebrado por o ruído de os garfos e de as facas lá em baixo e por a voz distante de o tio Vernon . - O q-q-uê ? - gaguejou Harry . - Mas eu tenho de voltar , o ano começa em o dia um de Setembro . É a minha razão de viver . Tu não sabes como são as coisas aqui . Eu não pertenço a este lugar , o meu lugar é em Hogwarts . - Não , não , não - guinchou Dobby , sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas andavam de um lado para o outro . - Harry_Potter deve ficar aqui , onde se encontra a salvo . É demasiado grande , demasiado bom para se perder . Se Harry_Potter regressar a Hogwarts correrá perigo de vida . - Porquê ? - inquiriu Harry , surpreendido . - Há uma conspiração , Harry_Potter . Uma conspiração para fazer acontecer coisas terríveis este ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts - murmurou Dobby que começara a tremer de a cabeça a os pés . - Dobby sabe de isto há meses , senhor . Harry_Potter não deve expor se a o perigo . É demasiado importante . - Que coisas terríveis são essas ? - perguntou Harry sem perder tempo . - Quem está por detrás ? Dobby fez um ruído esquisito e começou a bater com a cabeça contra a parede como um louco . - Está bem - gritou Harry , agarrando o braço de o elfo para o fazer parar . - Não podes dizer , eu compreendo . Mas porque vieste avisar me ? - Um pensamento súbito e desagradável surgiu lhe . - Espera aí , isto tem alguma coisa que ver com o Vol , desculpa com o Quem nós sabemos ? Basta que faças sim ou não com a cabeça - acrescentou com vivacidade enquanto a cabeça de Dobby se inclinava de_novo a uma velocidade preocupante para a parede . Lentamente , Dobby abanou a cabeça . - Não , não é « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . Os olhos de Dobby estavam abertos como_se estivesse a tentar dar a Harry uma pista , mas Harry estava completamente a a nora . - Ele não tem nenhum irmão , ou tem ? Dobby abanou a cabeça , os olhos mais abertos do_que nunca . - Bem , em esse caso não estou a ver quem mais poderia ter a possibilidade de fazer acontecer coisas horríveis em Hogwarts - disse Harry . - Quero dizer , para já está lá o Dumbledore . Sabes quem é Dumbledore , não sabes ? Dobby baixou a cabeça . - Albus_Dumbledore é o melhor director que Hogwarts alguma vez teve . Dobby sabe , senhor . Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore rivalizam com os d'aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Mas , senhor - a voz de Dobby desceu a um urgente murmúrio - há poderes que Dumbledore não ... poderes que nenhum feiticeiro sério ... E antes que Harry conseguisse impedi o Dobby saltou de a cama , agarrou o candeeiro de secretária de Harry e começou a bater com a cabeça , dando uivos ensurdecedores . Fez se silêncio lá em baixo . Dois segundos mais tarde , Harry com o coração a bater como um louco , ouviu o tio Vernon chegar a o * hall * e dizer . - O Dudley deve ter deixado outra_vez a televisão ligada , o maroto ! - Depressa , para dentro de o guarda-fatos - gritou Harry , empurrando Dobby bem para o fundo , fechando a porta e metendo se a correr em a cama mesmo a_tempo_de ver a maçaneta de a porta a girar . - Que diabo estás tu a fazer ? - disse o tio Vernon entre dentes , o rosto assustadoramente próximo de o de Harry . - Acabas de estragar o ponto alto de a minha anedota de o golfista japonês . Eu que oiça mais um som e vais desejar nunca ter nascido , rapaz ! Abandonou o quarto com grandes passadas . A tremer , Harry deixou Dobby sair de o guarda-fatos . - Estás a ver como são as coisas por aqui ? - disse . - Vês porque tenho de voltar para Hogwarts ? É o único sítio onde eu tenho ... bem , onde eu acho que tenho amigos . - Amigos que nem_sequer escrevem a Harry_Potter ? - disse Dobby com ar manhoso . - Calculo que devem ter estado ... espera aí - disse Harry , franzindo a testa . - Como é_que tu sabes que os meus amigos não me têm escrito ? Dobby arrastou os pés . - Harry_Potter não deve zangar se com Dobby . Dobby fez o que achou melhor ... - Tu tens estado a interceptar me as cartas ? - Dobby tem as aqui , senhor - disse o elfo . Saltando para longe de o alcance de Harry , retirou de dentro de a fronha que usava um espesso saco cheio de envelopes . Harry reconheceu de imediato a caligrafia certinha de Hermione , a escrita desordenada de Ron e até uns gatafunhos que pareciam ser de o guarda de os campos de Hogwarts , Hagrid . Dobby piscava ansiosamente os olhos . - Harry_Potter não deve ficar zangado ... Dobby esperava que ... se Harry_Potter pensasse que os amigos o tinham esquecido ... Harry_Potter talvez não quisesse voltar a a escola , senhor . Harry não o ouvia . Fez um gesto para agarrar as cartas , mas Dobby deu um salto , afastando se . - Harry_Potter terá as cartas , senhor , se der a Dobby a sua palavra de não voltar a Hogwarts . Ah , senhor , é um risco que não deve correr . Diga que não volta , senhor ! - Não - afirmou Harry zangado . - Dá me as cartas de os meus amigos ! - Em esse caso , Harry_Potter deixa Dobby sem escolha - disse o elfo tristemente . Antes que Harry pudesse fazer um movimento , Dobby tinha aberto a porta de o quarto e descido a correr por as escadas abaixo . Com a boca seca e um aperto em o estômago , Harry correu atrás de ele , tentando não fazer barulho . Saltou os últimos seis degraus , aterrando como um gato em a carpete de o * hall * , olhando em volta a a procura de Dobby . De a sala de jantar , ouviu a voz de o tio Vernon : - Conte a a Petúnia aquela história engraçadíssima de os funileiros americanos , ela tem estado louca por ouvi a , Mr._Mason . Harry correu de o * hall * para a cozinha e sentiu o estômago ficar pequenino . O pudim , que era a a obra-prima de a tia Petúnia , a montanha de creme batido coberto de violetas de açúcar flutuava junto de o tecto . Em cima de o guarda-louça de o canto , Dobby inclinava se servilmente . - Não - suplicou Harry . - Por favor , eles matam me . - Harry_Potter deve dizer que não vai voltar a a escola ... - Dobby , por favor . - Diga , senhor . - Não posso . Dobby lançou lhe um olhar trágico . - Então , Dobby deve fazê o , senhor , para o bem de Harry_Potter . O pudim foi direito a o chão em uma queda que parecia um coração a parar . O crome esguichou para as janelas e para as paredes , enquanto o prato se despedaçava . Com o ruído de uma chicotada , Dobby desapareceu . Ouviram se gritos em a casa de jantar e o tio Vernon irrompeu por a cozinha onde foi dar com Harry coberto , de a cabeça a os pés , por o pudim de a tia Petúnia . A princípio parecia que o tio Vernon ia conseguir arranjar uma desculpa para aquilo tudo . ( É só o nosso sobrinho , muito perturbado ; conhecer pessoas estranhas deixa o muito nervoso , por isso deixamos o lá em cima ... ) Conduziu_os_Mason , bastante chocados , para a sala de jantar , garantindo a Harry que o esfolava vivo quando os Mason se fossem embora e pôs lhe em as mãos um esfregão . A tia Petúnia descobriu um resto de gelado em o frigorífico e Harry , ainda a tremer , começou a limpar a cozinha . O tio Vernon poderia ainda ter feito o negócio , se não fosse a coruja . Estava a tia Petúnia a circular com uma caixa de After-Eight , quando uma enorme coruja de celeiro fez a sua entrada vertiginosa através de a janela de a casa de jantar , deixando cair uma carta em a cabeça de Mr._Mason e desaparecendo logo_a_seguir . Mrs._Mason gritava como uma carpideira e corria por a casa praguejando contra os lunáticos . Mr._Mason ficou o tempo estritamente necessário para dizer a os Dursleys que a mulher tinha um medo pânico de pássaros de todas_as formas e tamanhos e perguntar lhes se aquela era alguma brincadeira de mau gosto . Harry não saiu de a cozinha , agarrando o esfregão como defesa , enquanto o tio Vernon avançava para ele com um brilho demoníaco em os olhos pequeninos . - Lê isso - ordenou maldosamente . Harry pegou em a carta . Não era a desejar lhe um bom aniversário . * _ Caro_Mr._Potter , * _ Recebermos hoje informações de que um feitiço de suspensão em o ar foi efectuado em sua casa esta noite , a as nove_horas_e_doze_minutos . * _ Como sabe , os feiticeiros menores não estão autorizados a praticar magia fora de a escola e , se efectuar mais um trabalho mágico , será expulso de a nossa escola . ( Decreto_de_Restrições_Razoáveis_para_Feitiçaria_de_Menores , 1875 , parágrafo C. ) * _ Pedimos-lhe também que se lembre que qualquer actividade que possa ser notada por membros alheios a a nossa comunidade ( Muggles ) constitui uma ofensa grave , segundo a secção 13 de a Confederação_Internacional_do_Estatuto_da_Magia_Secreta . * _ Tenha umas boas férias . * Atenciosamente_Mafalda_Hopkirk_Gabinete_da_Utilização_Imprópria_da_Magia_Ministério_da_Magia * . Harry olhou para a carta e engoliu em seco . - Tu não nos contaste que estavas proibido de usar magia fora de a escola - disse o tio Vernon com um brilho maldoso a dançar lhe em os olhos . - Esqueceste te de o mencionar , passou te , não foi ? Tinha se aproximado de Harry como um grande * bulldog * , com todos os dentes a a mostra . - Tenho boas notícias para ti , rapaz , vou fechar te a a chave e , se tentares sair através_de magia , nunca mais voltas a aquela escola , eles expulsam te . E rindo como um louco , arrastou Harry até a o andar de cima . O tio Vernon era mau como as cobras . Em a manhã seguinte pagou a um homem para colocar grades em a janela de o quarto de Harry . Ele próprio abriu um pequeno buraco em a porta de o quarto para que a comida pudesse ser introduzida três vezes por dia . Deixavam o Harry sair para ir a a casa_de_banho de manhã e a o final de a tarde . O resto de o tempo estava fechado em o quarto , a a espera que o tempo passasse . Três dias mais tarde , os Dursleys não mostravam qualquer intenção de abrandar o castigo e Harry não sabia como sair de aquela situação . Estava deitado em a cama , vendo o sol brilhar por_entre as grades de a janela e perguntando se tristemente o que viria a acontecer lhe . Qual era a vantagem de sair de ali por artes mágicas , se Hogwarts o expulsaria em seguida ? Contudo , a vida em Privet_Drive tinha atingido o seu nível mais baixo . Agora_que os Dursleys tinham a certeza que não iam acordar transformados em morcegos , ele perdera a única arma que tinha . O Dobby podia tê o salvo de acontecimentos terríveis em Hogwarts , mas de a maneira que as coisas estavam , ele morreria muito provavelmente a a fome . A portinhola rangeu e a mão de a tia Petúnia apareceu empurrando uma tigela de sopa de pacote para dentro de o quarto . Harry , que estava cheio de fome , saltou de a cama e agarrou a . A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um único trago . A seguir , atravessou o quarto até a a gaiola de Hedwig e pôs os legumes ensopados dentro de o seu pratinho vazio . Ela agitou as penas e olhou o com profunda repugnância . - Não vale de nada virares lhe as costas . É tudo_o_que temos - disse Harry , de modo severo . Colocou a tigela vazia em o chão junto de a portinhola e voltou para_cima de a cama , de certo modo com mais fome do_que antes de ter comido a sopa . Admitindo que estaria ainda vivo dentro_de quatro semanas o que aconteceria se ele não se apresentasse em Hogwarts ? Será que mandariam alguém obrigar os Dursleys a deixá o ir ? O quarto começava a escurecer . Exausto e com o estômago a dar horas , o cérebro a as voltas com as mesmas questões sem resposta , Harry caiu em um sono intranquilo . Sonhou que fazia parte de um espectáculo de o jardim zoológico . Preso a a jaula onde se encontrava estava um cartaz onde podia ler se « feiticeiro menor de idade « . As pessoas olhavam o com olhos protuberantes , enquanto ele jazia fraco e esfomeado em um leito de palha . Viu a cara de o Dobby em o meio de a multidão e gritou lhe , pedindo ajuda , mas o Dobby respondeu : - Harry_Potter está em segurança aí , senhor - e desapareceu . Em seguida vieram os Dursleys e Dudley bateu em as grades de a jaula , rindo se de ele . - Pára com isso - murmurou Harry como_se aquele ruído martelasse em a sua cabeça dorida . - Deixa me em paz , pára com isso , estou a tentar dormir . Abriu os olhos . O luar brilhava através de as grades de a janela . E lá fora alguém olhava de olhos arregalados para ele : alguém de rosto sardento , cabelo ruivo e nariz grande . Ron_Weasley estava de o lado de_fora de a janela . III « A toca » Ron ! - exclamou Harry , arrastando se até a a janela e empurrando a para poderem falar através de as grades . - Ron , como é_que tu , foi o ... ? Harry ficou de boca aberta , espantado com o que viu . Ron estava debruçado de a janela de trás de um velho automóvel azul-turquesa que se encontrava estacionado em o ar . Em os lugares de a frente , rindo se para Harry , estavam os irmãos mais velhos , os gémeos Fred e George . - Tudo bem , Harry ? - O que é_que se tem passado ? - perguntou o Ron . - Porque não respondeste a as minhas cartas ? Convidei te para vires ter comigo umas doze vezes e um dia o pai chegou a casa e comunicou nos que tu tinhas recebido um aviso oficial por usares magia diante de os Muggles ... - Não fui eu . E como é_que ele soube ? - Ele trabalha em o Ministério - disse o Ron . - Tu sabes que nós não podemos fazer feitiços fora de a escola . - Bem , isso vindo de ti ... - exclamou Harry , olhando para o carro flutuante . - Oh , isto não conta - disse Ron . - Foi o meu pai que o emprestou . Não o fizemos aparecer por magia . Mas usar magia em a frente de esses Muggles com quem tu vives ... - Já te disse que não fui eu , mas vai demorar muito_tempo a explicar te isso agora . És capaz de avisar em Hogwarts que os Dursleys me fecharam a a chave e que não querem deixar me voltar e obviamente eu não posso sair de aqui magicamente senão o Ministério vai achar que é a segunda vez em três dias e ... - Pára com essa conversa tola - disse o Ron . - Viemos para te levar connosco . - Mas tu também não podes tirar me de aqui utilizando processos mágicos ... - Não precisamos de isso - afirmou Ron , fazendo um sinal de cabeça para os lugares de a frente . - Esqueces te de quem está aqui comigo . - Amarra isso em volta de as grades - disse o Fred , lançando a Harry a ponta de uma corda . - Se os Dursleys acordam estou feito - lamentou se Harry enquanto dava um nó bem apertado com a corda em uma de as grades e o Fred arrancava com o carro . - Não te preocupes e chega te para trás . Harry recuou para a sombra , para junto de Hedwig que parecia ter se apercebido de a importância de tudo aquilo , mantendo se quieta e em silêncio . O carro puxou mais e mais e , subitamente , com um ruído de ferro a ceder , as grades foram arrancadas de a janela , enquanto Fred conduzia com o céu como estrada . Harry correu de_novo para a janela para ver as grades a balouçarem a poucos metros de o chão . Ofegante , Ron içou as para dentro de o carro . Harry escutou ansiosamente mas não vinha qualquer som de o quarto de os Dursleys . Quando as grades estavam em segurança em os lugares de trás junto de Ron , Fred aproximou se o_máximo que lhe foi possível de a janela . - Anda de aí - disse . - Mas , todas_as minhas coisas de Hogwarts , a minha varinha , a minha vassoura ... - Onde estão ? - Fechadas em a despensa debaixo de as escadas e eu não posso sair de este quarto . . - Não há azar - disse o George . - Sai de a frente , Harry . Fred e George treparam cautelosamente e entraram por a janela em o quarto de Harry . Tinhas que ter aberto a boca , pensou Harry enquanto George tirava de o bolso um vulgar gancho de cabelo e começava a tentar abrir a fechadura . - Muitos feiticeiros acham que é uma perda de tempo aprender os truques de os Muggles - disse o Fred . - Mas nós pensamos que há habilidades que é sempre útil conhecer apesar_de serem um_pouco lentas . Ouviu se um pequeno clique e a porta abriu se . - Pronto , vamos buscar as tuas coisas . Tu vai dando a o Ron aquilo que precisas de aí de o teu quarto - murmurou George . - Cuidado com o degrau de cima que range - sussurrou Harry enquanto os gémeos desapareciam em o escuro . Harry deu a volta a o quarto , recolhendo as suas coisas e passando as por a janela a o Ron . Em seguida , foi ajudar o Fred e o George a trazerem o resto por as escadas acima . Ouviu o tio Vernon tossir . Por fim , de língua de_fora , chegaram a o quarto , junto de a janela aberta . Fred trepou para o carro para puxar os volumes com o Ron enquanto Harry e George os empurravam de dentro de o quarto . Centímetro a centímetro o malão foi passando por a janela . O tio Vernon tossiu de_novo . - Mais um_pouco - disse o Fred que estava a puxar de dentro de o carro . Um bom empurrão , vá . Harry e George encostaram os ombros contra a mala e ela escorregou para a parte de trás de o carro . - O. _ K. , vamos embora - murmurou o George . Mas quando Harry trepava para o parapeito de a janela ouviu se um forte pio atrás de ele , imediatamente seguido de o vociferar de o tio Vernon . - Aquela maldita coruja ! - Esqueci me de a Hedwig ! Harry precipitou se de_novo para o quarto , enquanto a luz de o patamar se acendia . Agarrou a gaiola de Hedwig , correu para a janela e passou a a o Ron . Estava a subir para_cima de a cómoda quando o tio Vernon bateu em a porta , que não estava fechada , e esta se abriu completamente . Por uma fracção de segundo , o tio Vernon ficou estático junto de a porta . Em seguida , soltou um mugido como um boi zangado e avançou para Harry , agarrando o por o tornozelo . Ron , Fred e George seguraram o por os braços e puxaram o com toda_a força . - Petúnia - rosnou o tio Vernon . - Ele está a fugir ! : __ ele está a __ fugir ! Os Weasleys deram um puxão gigantesco e a perna de o Harry escapou a as garras de o tio Vernon . Logo_que Harry entrou em o carro e a porta se fechou , Ron gritou : - Acelera Fred ! - E o carro partiu subitamente em direcção a a lua . Harry mal podia acreditar que estava livre . Esticou se a a janela , o ar de a noite a fustigar lhe os cabelos e olhou para baixo , para os telhados apertados de Privet_Drive . O tio Vernon , a tia Petúnia e o Dudley estavam todos debruçados com cara de parvos , a a janela de o quarto de ele . - Até a o próximo Verão - gritou . Os Weasleys riam se a as gargalhadas e Harry esticou se para trás em o assento e pediu a o ouvido de Ron : - Deixa sair a Hedwig . Ela pode voar atrás_de nós . Há séculos que não tem uma oportunidade de esticar as asas . George passou a o Ron o gancho de cabelo e , um momento depois , a Hedwig saíra feliz por a janela , planando atrás de eles como um fantasma . - Então , qual é a história ? - perguntou Ron , impaciente . - O que é_que tem estado a acontecer ? Harry contou lhes tudo sobre o Dobby , o aviso de este e o fracasso de o pudim de violetas . Houve um longo silêncio quando ele se calou . - Isso cheira me a esturro - disse , por fim , o Fred . - Definitivamente misterioso - concordou George . - Então ele nem te disse quem está supostamente por detrás dessa trama toda ? - Acho que não podia - explicou Harry . - Já te disse , de cada_vez que estava quase a deixar escapar qualquer coisa , começava a bater com a cabeça em a parede . Viu Fred e George olharem um para o outro . - O quê ? Acham que ele estava a mentir me ? - perguntou Harry . - Bem - começou o Fred -- , coloquemos as coisas de o seguinte modo , os elfos de casa têm poderes mágicos próprios , mas geralmente não podem usá os sem a autorização de os seus donos . Eu acho que o bom de o Dobby foi enviado para evitar que voltasses para Hogwarts . Uma ideia de um engraçadinho . Haverá alguém em a escola com má vontade contra ti ? - Sim - responderam Harry e Ron , precisamente ao_mesmo_tempo . - Draco_Malfoy - explicou Harry . - Ele detesta me . - Draco_Malfoy ? - perguntou George , voltando se para trás . - O filho de o Lucius_Malfoy ? - Deve ser . Não é um nome muito vulgar , pois não ? - disse Harry . - Mas porquê ? - Ouvi o pai falar acerca de ele - confidenciou George . - Ele era um grande apoiante de o « Quem nós sabemos » . - E quando o « Quem nós sabemos » desapareceu - continuou o Fred , voltando a cara para olhar para Harry - o Lucius_Malfoy voltou , dizendo que não foi por vontade própria que fez o que fez . Monte de lixo . O pai acha que ele fazia parte de um círculo de amigos íntimos de o « Quem nós sabemos » . Harry já tinha ouvido esses boatos sobre a família de Malfoy e não o surpreenderam em absoluto . Malfoy fizera Dudley_Dursley parecer um rapazinho simpático , amável e sensível . - Não sei se os Malfoy têm um elfo de casa ... - afirmou Harry . - Bem , quem quer que o possua é sem dúvida uma antiga família de feiticeiros e deve ser rica - explicou Fred . - Sim . A mãe está sempre a desejar que pudéssemos ter um elfo de casa para passar a roupa a ferro - disse o George . - Mas só temos um velho vampiro piolhoso em o sótão e gnomos espalhados por o jardim . Os elfos de casa pertencem a as grandes casas senhoriais , a os castelos e lugares assim , não encontrarias um em a nossa casa ... Harry estava calado . Considerando que Draco_Malfoy tinha sempre as melhores coisas , que a sua família nadava em ouro de feiticeiros , era fácil imaginá o passeando se por uma enorme casa senhorial . Mandar o servo de a família evitar que Harry voltasse para Hogwarts também parecia exactamente o tipo de coisa que Malfoy poderia fazer . Teria Harry sido estúpido a o tomar Dobby a sério ? - De qualquer modo , ainda_bem que viemos buscar te - declarou Ron . - Eu começava a ficar seriamente preocupado por não responderes a nenhuma de as minhas cartas . A princípio pensei que a culpa fosse de a Errol ... - Quem é a Errol ? - A nossa coruja . Já é velhota . Não seria a primeira vez que adoecia durante uma entrega . Por isso , tentei pedir a Hermes emprestada ... - Quem ? - A coruja que os meus pais compraram a o Percy quando ele foi nomeado prefeito - respondeu Fred . - Mas o Percy não me a emprestou . Disse que precisava de ela . - O Percy tem andado com atitudes muito estranhas este Verão - comentou George franzindo a testa . - E tem mandado imensas cartas e passado um tempo infinito fechado em o quarto ... enfim , pode limpar se e polir um distintivo de prefeito todas_as vezes que se quiser ... Estás a conduzir demasiado para ocidente , Fred - acrescentou apontando para uma bússola em o painel de o automóvel . Fred girou o volante . - Então , o vosso pai sabe que têm o carro ? - perguntou Harry , quase adivinhando a resposta . - Er ... não - disse o Ron . - Ele tinha trabalho esta noite . Felizmente vamos poder pô o de_novo em a garagem , sem a mãe perceber que andámos a voar nele . - A propósito , o que faz o vosso pai em o Ministério_da_Magia ? - Trabalha em o Departamento mais chato - respondeu Ron . - A Divisão de utilização incorrecta de artefactos de os Muggles . - O quê ? - Relaciona se com objectos de feitiçaria que foram feitos por os Muggles ; sabes como é , se forem parar de_novo a uma loja de os Muggles , ou a uma casa , como em o ano passado , quando morreu uma bruxa velha e o bule de ela foi vendido a uma loja de antiguidades . Uma mulher Muggle comprou o , tentou servir chá a os amigos . Foi um pesadelo , o pai teve de fazer horas extraordinárias durante semanas . - O que é_que aconteceu ? - O bule parecia louco , esguichou chá a ferver para todos os lados e um de os homens foi parar a o hospital com a pinça de o açúcar presa em o nariz . O pai ficou nervosíssimo . É só ele e o velho feiticeiro Perkings em o gabinete e tiveram de localizar e descobrir todo o tipo de encantamentos para resolver o assunto . - Mas o teu pai ... este carro ... Fred riu se . - Sim , o pai é louco por tudo_o_que tem que ver com os Muggles . A nossa arrecadação está cheia de coisas de os Muggles . Ele separa as , lança lhes feitiços e volta a pô as em o lugar . Se ele fizesse uma busca a nossa casa teria de se prender a si mesmo . A minha mãe fica louca com tudo aquilo . - É a estrada principal - gritou o George , apontando para baixo através de a janela . - Dentro_de poucos minutos estamos lá , mesmo a tempo , está a começar a clarear . Um leve brilho rosado tingia o horizonte para leste . Fred trouxe o carro para baixo e Harry pôde ver uma manta de retalhos de campos escuros e matas de arbustos . - Estamos um_pouco longe de a vila - disse George . - Em Ottery_St . Catchpole ... O carro voador foi descendo a os poucos . A luz avermelhada brilhava agora por_entre as árvores . - Terra - disse o Fred , em o momento em que tocaram em o chão com um ligeiro solavanco . Tinham aterrado perto_de uma garagem em ruínas em um pequeno pátio e Harry viu pela_primeira_vez a casa de o Ron . Parecia ter sido em tempos uma pocilga de pedra . Mas os quartos que posteriormente lhe tinham sido acrescentados haviam a tornado bastante mais alta e o seu aspecto era tão curvado que parecia ter sido construída por artes mágicas ( o que , pensou Harry , era , muito provavelmente , verdade ) . De o telhado vermelho saíam quatro ou cinco chaminés . Junto de a entrada , fixa em o chão , podia ver se uma inscrição assimétrica que dizia « A toca » . A o lado de a porta principal estava uma contusão de botas de * _ Wellington * e um caldeirão completamente enferrujado . Por o pátio passeavam se várias galinhas castanhas e gordas . - Não é grande coisa - desculpou se o Ron . - É óptima - exclamou Harry , feliz , pensando em Privet_Drive . Saíram de o carro . - Agora vamos lá para_cima sem fazer barulho - disse o Fred . - E esperamos que a mãe nos chame para o pequeno-almoço . Depois tu , Ron , desces a escada entusiasmadíssimo . - Mãe , olha quem apareceu cá durante a noite ! - E ela vai sentir se felicíssima quando vir o Harry . Assim ninguém fica a saber que levámos o carro voador . - Certo - disse o Ron . - Vamos , Harry , eu durmo em o ... Ron ganhou uma cor de um pálido esverdeado , os olhos fixos em a casa . Os outros três fizeram meia volta . Mrs._Weasley avançava por o pátio , afugentando as galinhas e , para uma mulher baixa , roliça e simpática , era fantástico como conseguia parecer se com um tigre dentes-de-sabre . - Ah ! - suspirou o Fred . - Oh , oh ! - exclamou o George . Mrs._Weasley parou em frente de eles . As mãos em as ancas , saltando de um olhar culpado para o outro . Usava um avental a as flores , com uma varinha a sair lhe de o bolso . - Com que então - disse . - Bom dia , mãe - arriscou o George com uma voz que tentou que fosse alegre e bem-disposta . - Vocês têm alguma ideia de como tenho estado preocupada ? - perguntou Mrs._Weasley em um murmúrio fraco . - Desculpe , mãe , mas sabe , nós tivemos que ... Os três filhos de Mrs._Weasley eram mais altos do_que ela , mas tremiam quando a fúria de a mãe se abatia sobre eles . - Camas vazias ! Nem um bilhete ! O carro desaparecido ... Podiam ter tido um acidente , estou fora de mim com tanta preocupação e vocês nem se importam ... nunca , enquanto eu for viva ... esperem só até o vosso pai chegar , nunca tivemos problemas de estes com o Bill , com o Charlie ou com o Percy ... - O perfeito Percy - resmungou Fred . - : __ tu não vales um dedo de a mão de o __ percy ! - gritou Mrs._Weasley , espetando um dedo em o queixo de o Fred . - Podias ter morrido , podias ter sido visto , podias ter feito com que o teu pai perdesse o emprego ... Parecia nunca mais acabar . Mrs._Weasley tinha gritado até ficar ronca , antes de se voltar para o Harry , que recuou . - Estou muito contente por te ver , Harry - disse . - Entra e vem tomar o pequeno-almoço . Ela voltou se e regressou a casa e Harry , depois de trocar um olhar nervoso com o Ron , que lhe acenou , encorajando o , seguiu a . A cozinha era pequena e bastante estreita . A meio havia uma enfezada mesa de madeira e cadeiras em volta e Harry sentou se a a beirinha de o assento , olhando em volta . Era a primeira vez que entrava em uma casa de feiticeiros . O relógio em a parede em frente de ele , tinha apenas um ponteiro e nenhum número . Em volta , estavam escritas frases como « Hora de fazer o chá » , « Hora de dar de comer a as galinhas « e « Estás atrasado » . Empilhados em o rebordo de a lareira estavam livros com títulos como * _ Encanta o teu próprio queijo , Encantamento em a cozedura de o pão e Banquetes em um minuto - é mágico * ! E , a menos que os ouvidos de Harry estivessem a traí o , o velho rádio próximo de o lava-loiças acabara de anunciar que a seguir vinha a Hora de enfeitiçar com a popular feiticeira-cantora Celestina_Warbeck . Mrs._Weasley fazia barulho com os talheres , preparando o pequeno-almoço um bocado a o acaso , lançando olhares furiosos a os filhos , enquanto lançava as salsichas em a frigideira . De vez em quando murmurava coisas como : « Não sei o que vos passou por a cabeça « ou « nunca devia ter confiado em vocês » . - Eu não te culpo , filho - tranquilizou Harry , pondo lhe sete ou oito salsichas em o prato . - Eu e o Arthur temos estado preocupados contigo . Ainda ontem a a noite estivemos a dizer que te iríamos buscar nós próprios se não respondesses a o Ron até sexta-feira . Mas , em a verdade ( estava agora a acrescentar três ovos estrelados a o prato de ele ) , atravessar metade de o país a voar em um carro ilegal , qualquer um vos poderia ter visto ... Agitou maquinalmente a varinha em a direcção de o lava-loiças , onde a loiça começou a lavar se sozinha , tinindo baixinho lá atrás . - Estava enevoado , mãe ! - exclamou o Fred . - Boca fechada enquanto comes ! - interrompeu Mrs._Weasley . - Eles estavam a fazê o passar fome , mãe ! - disse o George . - E tu também ! - disse Mrs._Weasley , mas já foi com uma expressão mais doce que começou a cortar o pão para Harry e a barrá o com manteiga . Em esse momento , as atenções voltaram se para um pequenino volto de cabelos ruivos , em uma camisa de dormir até a os pés , que surgiu em a cozinha , deu um grito agudo e desapareceu de_novo . - É a Ginny - disse Ron baixinho a o Harry -- , a minha irmã . Tem falado de ti todo o Verão . - Sim , ela vai querer o teu autógrafo , Harry - riu se o Fred , mas o seu olhar cruzou se com o de a mãe e inclinou se para o prato , não voltando a abrir a boca . Ninguém falou até os quatro pratos estarem limpos , o que sucedeu a uma velocidade surpreendente . - Bolas , estou cansado - bocejou Fred , pousando a faca e o garfo . Acho que me vou deitar e ... - Não vais , não senhor - interrompeu Mrs._Weasley . - A culpa é tua se ficaste toda_a noite acordado . Vais fazer a des-gnomização de o jardim . Eles estão outra_vez a exagerar . - Oh , mãe ... - E vocês os dois o mesmo - dirigiu se a o Ron e a o Fred . - Tu podes ir para a cama , filho - disse a Harry . - Não lhes pediste que guiassem aquele carro miserável . Mas Harry , que se sentia acordadíssimo , respondeu prontamente : - Eu ajudo o Ron , nunca vi uma des-gnomização ... - É muito simpático de a tua parte , querido , mas é um trabalho chato - explicou Mrs._Weasley . - Vejamos o que o Lockhart tem a dizer acerca disto . E puxou de o rebordo de a lareira um livro pesadíssimo . George resmungou : - Mãe , nós sabemos * des-gnomizar * o jardim . Harry olhou para a capa de o livro de Mrs._Weasley . Em grandes letras douradas , que ocupavam grande parte de a capa , podia ler se Guia_de_Gilderoy_Lockhart para pragas caseiras . Via se também a grande fotografia de um feiticeiro bem-parecido , de cabelos loiros ondulados e olhos azuis brilhantes . Como sempre , em o mundo de os feiticeiros , a fotografia mexia se . O feiticeiro , que Harry calculou ser Gilderoy_Lockhart , não parava de lhes piscar os olhos descaradamente . Mrs._Weasley sorriu lhe . - Oh , ele é fantástico - disse . - Conhece bem as pragas caseiras . É um livro maravilhoso . - A mãe adora o - disse Fred em um murmúrio bastante audível . - Não sejas ridículo , Fred - repreendeu Mrs._Weasley com as bochechas coradas . - É claro que se achas que sabes mais do_que o Lockhart , podes ir fazer o trabalho e ai de ti se houver um único gnomo em o jardim quando eu for fazer a inspecção . A bocejar e a resmungar , os Weasley arrastaram se lá para fora com Harry atrás de eles . O jardim era grande e , em a opinião de Harry , exactamente como deveria ser um jardim . Os Dursleys não teriam gostado . Havia uma enorme quantidade de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada , mas havia árvores nodosas em volta de as paredes , plantas que Harry nunca vira , tombando de todos os canteiros e um grande lago verde cheio de rãs . - Os Muggles também têm gnomos de jardim , sabes - disse o Harry a o Ron , enquanto atravessavam a relva . - Sim , já vi essas coisas que eles pensam que são gnomos - disse o Ron todo dobrado , com a cabeça em uma moita de peónias . - Como os Pais_Natais gordinhos com canas de pesca ... Houve um tumulto ruidoso , a moita de peónias estremeceu e Ron endireitou se . - Isto_é um gnomo - declarou com um ar sério . - Larga eu ! Larga eu ! - guinchou o gnomo . Não se parecia em absoluto com o Pai_Natal . Era pequenino e parecia de couro , com uma grande cabeça protuberante e calva , precisamente como uma batata . Ron agarrou o a a distância de um braço , enquanto ele dava pontapés em o ar com os seus pézinhos que pareciam chifres . Agarrou o por os tornozelos e voltou o de pernas para o ar . - Isto_é o que tens de fazer - disse . Levantou o gnomo acima de a cabeça ( Larga eu ! ) e começou a balouçá o em grandes círculos , como os vaqueiros fazem com os laços . A o ver a expressão chocada de Harry , Ron explicou : - Não os mágoa . Só tens de os deixar bem tontos para que consigam encontrar o caminho de regresso a os buracos de os gnomos . Largou os tornozelos de o gnomo . Ele voou seiscentos metros e aterrou com um ruído surdo em o campo a o lado de a sebe . - Deplorável - afirmou o Fred . - Aposto que consigo lançar o meu para_além de aquele tronco . Harry aprendeu rapidamente a não sentir muita pena de os gnomos . Decidira largar o primeiro que apanhou para_além de a sebe , mas o gnomo , sentindo fraqueza , enfiou os seus dentinhos , aguçados como laminas , em o dedo de o Harry e não foi fácil sacudi o para ele o largar , até que ... - Uau , Harry , esse deve ter sido seiscentos metros ... O ar estava subitamente cheio de gnomos voadores . - Vês , eles não são muito espertos - afirmou o George , agarrando cinco ou seis de uma_vez . - Em o momento em que se apercebem que começou a * des-gnomização * , aparecem todos para espreitar . Era de esperar que já tivessem aprendido a ficar quietinhos . Rapidamente a multidão de gnomos começou a ir se embora , atravessando os campos em uma fila ordenada , com os pequeninos ombros arqueados . - Eles voltam - disse o Ron enquanto os via desaparecer em a sebe de o outro lado de o campo . - Eles adoram estar aqui ... o pai é muito mole com eles , acha lhes piada . Em esse momento , a porta de a frente bateu . - Ele já voltou ! - exclamou o George . - O pai já está em casa ! Apressaram se a entrar . Mr._Weasley tinha se afundado em uma de as cadeiras de a cozinha , sem óculos e com os olhos fechados . Era um homem magro , quase calvo , mas o pouco cabelo que tinha era tão ruivo como o de os filhos . Vestia um longo manto verde cheio de pó e estava cansado de a viagem . - Que noite - murmurou , tacteando em busca de o bule , enquanto todos se sentavam a a volta de ele . - Nove assaltos , nove ! E o velho Mundungs_Fletcher tentou lançar me um feitiço quando eu estava de costas . Mr._Weasley tomou um bom gole de chá e suspirou . - Encontrou alguma coisa , pai ? - perguntou Fred ansiosamente . - Só encontrei algumas chaves encolhidas e uma chaleira que mordia - bocejou Mr._Weasley . - Havia um material bastante mauzinho , mas não era de o meu departamento . O Mortlake foi levado para ser interrogado sobre uns furões extremamente antigos , mas isso pertence a a Comissão_dos_Feitiços_Experimentais , graças_a Deus . - Por_que é_que alguém ia dar se a o trabalho de fazer encolher chaves ? - perguntou George . - Para chatear os Muggles - suspirou Mr._Weasley . - Vende se lhes uma chave que não pára de encolher , até que desaparece , de_modo_a que nunca a encontrem quando precisam ... É claro que é muito difícil condenar alguém , porque nenhum Muggle é capaz de admitir que a sua chave está a encolher , insistem em que estão sempre a perdê a . Benditos sejam , vão até onde for preciso para ignorar a magia , mesmo_que ela esteja em frente de os seus narizes ... mas vocês não acreditariam em as coisas que o nosso grupo tem levado para enfeitiçar ... - : __ como carros , por __ exemplo ? Mrs._Weasley tinha aparecido , segurando um grande atiçador que parecia uma espada . Os olhos de Mr._Weasley abriram se de repente , fitando a mulher com um ar culpado . - C-carros , Molly querida ? - Sim , Artur , carros - afirmou Mrs._Weasley , os olhos a faiscar . - Imagina um feiticeiro a comprar um carro velho e enferrujado e dizer a a mulher que a única coisa que queria fazer com ele era desmontá o para ver como ele funcionava , enquanto em a verdade estava a enfeitiçá o para o fazer voar . Mr._Weasley piscou os olhos . - Bem , querida , acho que poderás constatar que não é ilegal fazer isso , embora , er , talvez ele devesse ter contado a verdade a a mulher ... Existe uma forma de tornear a lei , já_que ela diz que ... desde_que não se tenha a * intenção * de voar em o carro , o facto de ele poder voar , não ... - Arthur_Weasley tu arranjaste essa forma de tornear a lei quando a escreveste ! - gritou Mrs._Weasley . - Para poderes continuar a remexer em todo aquele lixo de os Muggles que tens em a arrecadação ! E , para tua informação , o Harry chegou hoje_de_manhã em o carro que tu não pretendias pôr a voar ! - Harry ? - perguntou Mr._Weasley sem expressão . - Qual Harry ? Olhou em volta , viu Harry e deu um salto . - Santo_Deus , é Harry_Potter ? Muito prazer , o Ron falou nos tanto de si ... - * _ O teu filho conduziu aquele carro até a a casa de o Harry e de volta até aqui em a noite passada ! * - gritou Mrs._Weasley . - O que tens a dizer a esse respeito ? - A sério ! ? - exclamou Mr._Weasley com vivacidade . - Correu tudo bem , quero dizer ... - vacilou a o ver os olhos de Mrs._Weasley que faiscavam . - Er , fizeram mal , rapazes , muito mal , mesmo ... - Vamos deixá os a os dois - murmurou o Ron , enquanto Mrs._Weasley inchava como um sapo gigantesco . - Vamos , vou mostrar te o meu quarto . Esgueiraram se de a cozinha e desceram uma passagem estreita que dava para uma escada desnivelada que ziguezagueava a o longo de a casa . Em o terceiro andar , estava uma porta entreaberta . Harry só teve tempo de ver um par de olhos castanhos brilhantes que o olhavam fixamente , antes de a porta se fechar com um estalido . - A Ginny - disse o Ron . - Não imaginas como é estranho vês a tão tímida , ela que quase nunca se cala ... Subiram mais dois andares , até chegarem a uma porta com a tinta a descascar e uma pequena placa dizendo : « Quarto_do_Ronald » . Harry entrou . A cabeça quase tocava em o tecto inclinado . Piscou os olhos . Era como entrar dentro_de uma fornalha : quase tudo em o quarto de o Ron tinha um violento matiz alaranjado : a colcha de a cama , as paredes , até o tecto . Em seguida , apercebeu se de que o Ron tinha coberto cada centímetro de o velho papel de parede com * posters * de as mesmas sete feiticeiras e feiticeiros , todos vestidos com brilhantes mantos cor de laranja , transportando vassouras e acenando entusiasticamente . - A tua equipa de Quidditch ? - perguntou Harry . - Os Chudley_Cannons - disse Ron , apontando para a colcha cor de laranja que tinha um brasão com dois C's gigantes e uma bala de canhão a_toda_a velocidade . - Nono em a Liga . Os livros de estudo de feitiços de Ron estavam empilhados desordenadamente a um canto , junto de um monte de B. _ D. , todas elas relativas a as * _ Aventuras_de_Martin_Miggs , o Muggle louco * . A varinha mágica de o Ron estava em_cima_de um aquário cheio de ovos de rã sobre o peitoril de a janela , junto de o seu rato gordo e cinzento , Scabbers , que dormia uma soneca a o sol . Harry passou por_cima_de um baralho de cartas de jogar com vontade própria , que estava caído em o chão , e olhou para fora de a janelinha . Em o campo , não muito longe , podia ver um grupo de gnomos a esgueirarem se , um a um , de_novo para a sebe de os Weasley . Em seguida , voltou se para Ron que o observava nervoso , como_se esperasse a opinião de ele . - É um_pouco pequeno - declarou o Ron muito depressa . - Não se parece nada com o quarto que tu tinhas em casa de os Muggles . E estou mesmo debaixo de o vampiro de o sótão . Ele anda sempre a bater nos canos e a gemer ... Mas Harry , com um grande sorriso , disse lhe : - Esta é a melhor casa em que eu já estive . As orelhas de Ron ficaram cor-de-rosa . IV_Na_Flourish and Blotts_A vida em a Toca era o mais diferente que é possível de a vida em Privet_Drive . Os Dursleys gostavam de tudo limpo e arrumado , em casa de os Weasleys explodia o estranho e o inesperado . Harry teve um choque de a primeira vez que olhou para o espelho que estava sobre a lareira de a cozinha e ele gritou : - Mete para dentro a camisa , * desmazelado ! * - O vampiro de o sótão gemia e batia nos canos , sempre_que sentia as coisas demasiado calmas e as pequenas explosões em o quarto de o Fred e de o George , eram consideradas perfeitamente normais . Mas o que o Harry achou mais bizarro em a vida em casa de o Ron , não foi o espelho que falava , nem o vampiro barulhento , foi o facto de todos ali em casa parecerem gostar de ele . Mrs._Weasley preocupava se com o estado de as suas meias e tentava obrigá o a servir se quatro vezes a cada refeição . Mr._Weasley gostava que Harry se sentasse a o lado de ele a a mesa para poder bombardeá o com perguntas sobre a vida com os Muggles , pedindo que lhe explicasse como funcionavam coisas como as canalizações e o serviço de os correios . - Fascinante ! - exclamava , enquanto Harry lhe explicava a utilização de o telefone . - Engenhoso , de facto , todas_as maneiras que os Muggles encontraram para passar sem a magia . Harry teve notícias de Hogwarts em uma manhã de sol , cerca de uma semana depois de ter chegado a a Toca . Quando , ele e o Ron desceram para tomar o pequeno-almoço , encontraram Mr. e Mrs._Weasley e Ginny já sentados a a mesa . Em o momento em que viu o Harry , Ginny entornou a tigela de os cereais , que caiu a o chão com grande espalhafato . Ginny entornava facilmente coisas sempre_que o Harry estava em a sala . Mergulhou debaixo de a mesa para apanhar a tigela e emergiu com o rosto a brilhar como o sol poente . Fingindo não ter dado por nada , Harry sentou se e aceitou a torrada que Mrs._Weasley lhe ofereceu . - Cartas de a escola - disse Mr._Weasley , passando a o Harry e a o Ron envelopes idênticos de pergaminho amarelado , com a morada escrita a tinta verde . - O Dumbledore já sabe que estás aqui , Harry , não perde nada aquele homem . Vocês os dois também - acrescentou , enquanto Fred e George deambulavam em a casa , ainda em pijama . Fez se silêncio durante alguns momentos , enquanto liam as respectivas cartas . A de o Harry dizia para apanhar o Expresso_de_Hogwarts , como sempre em a Estação_de_King's_Cross , em o dia_1_de_Setembro . Havia ainda uma lista de os livros que precisaria para o próximo ano . Os alunos de o segundo ano deverão ter : * _ O_Livro_Padrão_de_Feitiços , Grau 2 , por Miranda_Goshawk . * _ Ensinamentos_de_Uma_Fada_Carpideira , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Férias com Bruxas , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Duendes , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Lobisomens , por Gilderoy_Lockhart . * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves , por Gilderoy_Lockhart * . Fred , que terminara a sua própria lista , espreitou para a de o Harry . - Também te mandam comprar os livros de o Lockhart - disse . - A professora de defesa contra as artes negras deve ser fanática . Aposto que é uma bruxa . Nessa_altura , Fred percebeu o olhar de a mãe e apressou se a comer o doce de laranja . - Esse conjunto não vai ficar barato - disse George , olhando rapidamente para os pais . - Os livros de o Lockhart são de os mais dispendiosos ... - Cá nos havemos de arranjar - declarou Mrs._Weasley , mas parecia preocupada . - Espero que pelo_menos para a Ginny possamos arranjar uma data de coisas em segunda mão . - Ah , vais entrar este ano para Hogwarts ? - perguntou lhe Harry . Ela fez um aceno , corando até a a raiz de os cabelos ruivos e meteu o cotovelo em o pires de a manteiga . Felizmente ninguém deu por nada , a não ser o Harry , porque em esse momento o irmão mais velho de Ron , o Percy , entrou . Já estava vestido , com a placa de prefeito aplicada a a sua camisola de malha . - Bom dia a todos - disse , cheio de vivacidade . - Está um dia lindo . Puxou a única cadeira livre , mas deu um salto quando ia sentar se e , debaixo de ele , saltou um espanador cinzento de penas , pelo_menos , foi o que o Harry pensou até ver que ele respirava . - Errol ! - exclamou Ron , afastando a coruja de o Percy e retirando lhe debaixo de a asa uma carta . - Até que enfim , a resposta de a Hermione . Escrevi lhe a contar que íamos tentar raptar te de casa de os Dursleys . Levou Errol para um poleiro que havia junto a a porta de as traseiras e tentou colocá a lá em cima , mas Errol caiu redonda e Ron teve de a pôr em a pia , murmurando : - Patético . - Em seguida , abriu a carta de a Hermione e leu a em voz alta . * _ Querido_Ron e Harry , se aí estiveres . Espero que tudo tenha corrido bem , que o Harry esteja O. _ K. e que não tenham feito nada ilegal para conseguir trazes o , porque isso podia criar lhe problemas também a ele . Tenho estado muito preocupada e , se o Harry estiver bem , por favor digam me qualquer coisa rapidamente , mas talvez seja melhor usarem uma nova coruja , porque acho que outra entrega pode acabar como esta . * _ Estou muito atarefada com trabalho de a escola , claro * . - Como é possível ? - perguntou Ron , horrorizado . - Estamos em férias ! - * _ E vamos para Londres em a próxima quarta-feira para comprar os meus livros novos . Porque não nos encontramos em a Diagon-al ? * _ Dêem-me notícias vossas o mais depressa possível . * _ Carinhosamente_Hermione * - Bem , parece uma boa solução , podemos ir todos comprar as vossas coisas - disse Mrs._Weasley , começando a limpar a mesa . - O que vão fazer hoje ? Harry , Ron , Fred e George tinham planeado ir a o cimo de o monte a um pequeno cercado de cavalos que os Weasleys possuíam . Estava rodeado de árvores que lhe tapavam a vista de a cidade cá em baixo , o que quer_dizer que podiam praticar Quidditch , desde_que não voassem muito alto . Não podiam usar as verdadeiras bolas de Quidditch pois seria muito difícil explicar se elas escapassem e voassem sobre a cidade . Em vez de elas , lançavam maçãs para os outros apanharem . Faziam turnos para montar a Nimbus dois_mil , que era de longe a melhor vassoura . A velha Shooting_Star_de_Ron fora muitas_vezes ultrapassada por as borboletas que passavam . Cinco minutos mais tarde estavam a marchar por o monte acima , de vassouras a o ombro . Tinham perguntado a o Percy se ele queria juntar se a eles , mas ele alegara muito trabalho . Até esse dia , Harry só tinha visto Percy a a hora de as refeições , ele ficava em silêncio em o quarto o resto de o tempo . - Gostava de saber o que ele anda a fazer - afirmou Fred , de testa franzida . - Não parece o mesmo . O resultado de os exames veio um dia antes de tu chegares : doze N_F_V e ele nem se manifestou satisfeito . - Níveis_de_Feitiçaria_Vulgares - explicou o George , vendo o olhar atarantado de Harry . - Se não temos cuidado , ainda nos calha outro Chefe_de_Turma em a família . Acho que não suportaria a vergonha . Bill era o mais velho de os irmãos Weasley . Ele e o irmão a seguir , Charlie , já tinham saído de Hogwarts . Harry não conhecia nenhum de os dois , mas sabia que o Charlie estava em a Roménia a estudar dragões e o Bill em o Egipto a trabalhar em o banco de os feiticeiros : Gringotts . - Não sei como o pai e a mãe vão arranjar dinheiro para nos pagar o material escolar este ano - disse o George , passado um bocado . - Cinco conjuntos de livros de o Lockhart ! E a Ginny precisa de mantos e de uma varinha e tudo_isso ... Harry não disse nada . Sentiu se um_pouco incomodado . Fechada em um cofre subterrâneo , em o banco de Gringotts_de_Londres , estava uma pequena fortuna que os pais lhe tinham deixado . É claro que só tinha esse dinheiro em o mundo de os feiticeiros , não se podem usar Galeões , Leões e Janotas em as lojas de os Muggles . Ele nunca fizera referência a a sua conta bancária em Gringotts a os Dursleys . Não lhe parecia que o horror que eles sentiam por tudo_o_que se relacionava com a feitiçaria se estendesse a uma enorme pilha de barras de ouro . Mrs._Weasley acordou os a todos bem cedo , em a quarta-feira seguinte . Depois de comerem umas doze sanduíches de * bacon * cada_um , enfiaram os casacos e Mrs._Weasley tirou um vaso de a prateleira de o fogão de a cozinha e espreitou lá para dentro . - Está a acabar se , Arthur - suspirou . - Temos de comprar mais hoje ... Bem , os hóspedes primeiro . Passa , Harry querido ! E ofereceu lhe o vaso de flores . Harry olhou espantado enquanto todos eles o observavam . - O q-que é_que eu devo fazer ? - gaguejou . - Ele nunca viajou com o pó de Floo - disse o Ron subitamente . - Desculpa , Harry , esqueci me . - Nunca ? - perguntou Mrs._Weasley . - Mas então como chegaste a a Diagon - _ Al em o ano passado para comprar as tuas coisas ? -- Fui por o subterrâneo . - A sério ? - disse Mr._Weasley , entusiasmado . - Havia fugitivos ? Como é_que ... - Agora não , Arthur - disse Mrs . Weasley . - O pó de Floo é muito mais rápido , querido , mas , valha me Deus , se ele nunca o usou ... - Vai correr bem , mãe - disse o Fred . - Harry observa nos primeiro . Tirou uma pitada de pó brilhante de dentro de o vaso , aproximou se de o lume e lançou o pó em as chamas . Com um rugido , o fogo ficou verde-esmeralda e elevou se a uma altura superior a a de o Fred que avançou , gritando Diagon - _ Al ! E desapareceu . - Tens de falar claramente , filho - disse Mrs._Weasley a o Harry , ao_mesmo_tempo que George metia a mão em o vaso de as flores . - E vê se sais em o fogão certo . - Em o quê ? - perguntou Harry , nervoso , enquanto o lume crepitava e fazia George desaparecer também . - Bem , há imensos fogos de feiticeiros , mas desde_que te tenhas expressado claramente ... - Ele vai conseguir , Molly , não te preocupes - disse Mr._Weasley , tirando também ele algum pó . - Mas querido se ele se perde como é_que vamos justificar nos perante o tio e a tia de ele ... -- Eles não se importariam - tranquilizou a Harry . - O Dudley ia achar imensa piada se eu me perdesse em uma chaminé , não se preocupe . - Bem , em esse caso ... tu vais a seguir a o Arthur - disse Mrs._Weasley . - Logo_que entres em o fogo diz para_onde queres ir . - E mantém os cotovelos dobrados - preveniu o Ron . - E os olhos fechados - disse Mrs._Weasley . - A fuligem . - Não te enerves - disse o Ron . - Senão podes ir parar a a lareira errada . - Não entres em pânico e não queiras sair cedo de mais . Espera até veres o Fred e o George . Fazendo um enorme esforço por reter toda aquela informação , Harry tirou uma pitada de pó de Floo e avançou para a beirinha de o fogo . Respirou fundo , espalhou o pó em as chamas e entrou . O fogo parecia uma brisa quente . Abriu a boca e engoliu , de imediato , uma grande quantidade de cinzas quentes . D-dia-gon-al - tossiu . Sentiu se como_se estivesse a ser sugado para um buraco gigantesco . Como_se girasse muito depressa ... o ruído era ensurdecedor . Tentou manter os olhos abertos mas o turbilhão de chamas verdes fê lo enjoar ... algo duro bateu lhe em o cotovelo e dobrou o de imediato . Continuava a rodar , a rodar ... sentia se agora como_se várias mãos frias estivessem a bater lhe em a cara ... Espreitando através de os óculos , viu uma torrente imprecisa de fogões e captou lampejos de as salas que estavam por detrás ... as sanduíches de * bacon * davam lhe a volta dentro de o estômago ... fechou os olhos desejando que tudo aquilo parasse e então caiu , de cara em o chão , em a pedra fria e sentiu os óculos partirem se a os bocados . Desorientado e ferido , coberto de fuligem , pôs se cautelosamente de pé , levando a os olhos os óculos partidos . Estava completamente só e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava . Tudo_o_que podia dizer era que a o seu lado via uma lareira que lhe parecia ser a de uma enorme e indistinta loja de feitiçaria . Mas nenhum de os artigos que ali se encontravam tinham aspecto de fazer parte de a lista de a escola de Hogwarts . Em uma caixa de vidro podia ver se uma mão atrofiada que repousava sobre uma almofada , um baralho de cartas ensanguentado e um olho de vidro que o olhava fixamente . Máscaras de expressão maldosa enchiam as paredes , olhando de esguelha , uma enorme quantidade de ossos humanos estendia se sobre o balcão e , de o tecto , pendiam instrumentos aguçados com pontas de ferro e pregos enferrujados . Mas o pior é_que a rua estreita e escura , que Harry conseguia avistar através de a janela poeirenta de a loja , não era de modo algum a Diagon-al . Quanto_mais depressa saísse de ali , melhor . O nariz ainda a doer lhe em o sítio onde batera em o chão a o aterrar , Harry avançou rápida e silenciosamente em direcção a a porta , mas antes de conseguir chegar a meio caminho , duas pessoas apareceram de o lado de_fora de o vidro , e uma de elas era a última pessoa que Harry desejaria encontrar em o momento em que se encontrava perdido , coberto de fuligem e com os óculos partidos , Draco_Malfoy . Harry olhou rapidamente em volta e apercebeu se de a existência de um grande armário escuro a a sua esquerda , saltou lá para dentro e fechou as portas , deixando uma gretazinha para poder espreitar . Segundos depois , uma campainha tocava e Malfoy entrava em a loja . O homem que o acompanhava só podia ser o pai . Tinha o mesmo rosto pálido de feições agudas e os mesmos olhos cinzentos de gelo . Mr._Malfoy atravessou a loja , olhando maquinalmente para os artigos expostos e tocou a campainha de o balcão , antes de se voltar para o filho , dizendo : - Não mexas em nada , Draco . Malfoy , que vira o olho de vidro , disse : - Pensei que ias oferecer me um presente . - Eu prometi que ia comprar te uma vassoura de corrida - declarou o pai , tamborilando com os dedos sobre o balcão . - Para que é_que me serve , se não estou em a equipa de Quidditch ? - perguntou Malfoy , carrancudo e de mau humor . - O Harry_Potter teve uma Nimbus dois_mil o ano passado , com a autorização especial de o Dumbledor é para jogar em os Gryffindor . Ele nem é assim tão bom , é só por ser * famoso * ... famoso por ter uma estúpida cicatriz em a testa . Malfoy baixou se para observar uma prateleira cheia de crânios . - Todos acham que ele é tão esperto , o Potter maravilha , com a sua cicatriz e a sua vassoura ... - Já me disseste isso doze vezes pelo_menos - comentou Mr._Malfoy , olhando repressivamente para o filho . - E devo lembrar te que não é prudente parecer menos do_que amigo de Harry_Potter , quando a maior parte de a nossa gente vê em ele um herói que fez desaparecer o Senhor_do_Mal . Ah , Mr._Borgin . Um homem curvado surgiu por detrás de o balcão , puxando o cabelo gorduroso para trás . - Mr._Malfoy , que prazer vês o de_novo - disse Mr._Borgin , em uma voz tão untuosa como o cabelo . - Encantado , e o nosso jovem Malfoy também , encantado . Em que posso servi os ? Tenho que vos mostrar o que chegou hoje , a um preço muito razoável ... - Hoje não venho comprar , Mr._Borgin , e sim vender - afirmou Mr._Malfoy . - Vender ? - O sorriso apagou se lentamente em o rosto de Mr._Borgin . - Certamente ouviu dizer que o Ministério está a levar a cabo mais buscas - explicou o Mr._Malfoy , retirando de o bolso um rolo de pergaminho e desembrulhando o para Mr._Borgin o ler . - Eu tenho alguns , ah , artigos em casa que poderiam criar me problemas se o Ministério me batesse a porta . Mr._Borgin colocou em o nariz um par de * pince-nez * e olhou para a lista . - O Ministério não se lembraria de o incomodar certamente ... O lábio de Mr._Malfoy dobrou se . - Ainda não me fizeram nenhuma visita . O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito , mas o Ministério está a ficar cada_vez_mais intrometido . Há boatos sobre um novo decreto de protecção de os Muggles , sem dúvida que aquele mordido de as pulgas , adorador de os Muggles , que é o Arthur_Weasley deve estar por detrás de isso . Harry sentiu crescer a raiva . - E , como pode ver , alguns de estes venenos podiam dar a ideia ... - Compreendo perfeitamente , claro - disse Mr._Borgin . - Deixe me ver ... - Posso ter aquilo ? - interrompeu Draco , apontando para a mão raquítica que estava sobre a almofada . - Ah , a mão de a glória ! - exclamou Mr._Borgin , abandonando a lista de Mr._Malfoy e apressando se a responder a Draco . - Põe se lhe uma vela e ela só dá luz a quem a transporta ! A melhor amiga de os gatunos e de os salteadores , o seu filho tem gosto , senhor . - Espero que o meu filho venha a ser mais do_que gatuno ou salteador , Borgin - disse Mr._Malfoy friamente e Mr._Borgin respondeu logo : - Sem ofensa , senhor , sem querer ofender . - Embora , se as notas de a escola não melhorarem - disse Mr._Malfoy ainda mais friamente - esse possa vir a ser o único caminho possível para ele . - Não tenho culpa - retorquiu Draco . - Todos os professores têm os seus preferidos , aquela Hermione_Granger ... - Eu , em o teu lugar , teria vergonha que uma rapariga que nem_sequer pertence a famílias de feiticeiros , me passasse a a frente em todos os exames - interrompeu Mr._Malfoy . Ah - fez Harry baixinho , radiante por ver Draco atrapalhado e furioso . - É o mesmo em todo o lado - comentou Mr._Borgin em a sua voz untuosa . - O sangue de os feiticeiros conta cada_vez menos ... - Não para mim - afirmou Mr._Malfoy , com as longas narinas dilatadas . - Não senhor , nem para mim - concordou Mr._Borgin , inclinando se em uma vénia . - Em esse caso , talvez possamos voltar a a minha lista - disse Mr._Malfoy secamente . - Estou com alguma pressa , Borgin , tenho ainda hoje assuntos importantes a tratar em outro lado . Começaram a discutir os preços . Harry via nervosamente o Draco aproximar se de o seu esconderijo enquanto observava os objectos a a venda . Parou para examinar um enorme rolo de corda de carrasco e para ver , com um sorriso afectado , o cartão preso com um aparatoso laço de opalas onde podia ler se : * _ Cautela , não tocar . Amaldiçoado - reclama as vidas de dezanove donos , todos eles Muggles * . Draco voltou se e viu o armário mesmo em frente . Avançou , estendeu a mão para o puxador ... - Feito - disse Mr._Malfoy , a o balcão . - Vamos , Draco . Harry limpou a testa a a manga quando Draco se afastou . - Muito bom dia , Mr._Borgin . Espero por si amanhã em a mansão para ir buscar a mercadoria . Em o momento em que a porta se fechou , Mr._Borgin abandonou os seus modos subservientes . « Bom dia para o senhor , Mr._Malfoy , e , se as histórias que contam são verdadeiras , não me vendeu nem metade do_que tem escondido em a sua mansão ... » Murmurando de forma taciturna , Mr._Borgin desapareceu em uma sala escura . Harry esperou um minuto não fosse ele voltar e , em seguida , o mais silenciosamente possível , escapou se de o armário , passou por as caixas de vidro e saiu de a loja . Encostando os óculos partidos a o rosto , olhou em volta . Saíra em uma rua estreita e sombria que parecia composta exclusivamente de lojas dedicadas a as artes negras . Aquela de onde acabava de sair parecia ser a maior , mas em frente estava uma montra tétrica de cabeças encolhidas e duas portas abaixo podia ver se uma enorme caixa viva cheia de gigantescas aranhas pretas . Dois feiticeiros com aspecto pobre observavam o de a sombra de uma porta , murmurando entre si . Sentindo se nervoso , Harry pôs se a caminho , tentando agarrar os óculos a direito e não desistindo de a esperança de encontrar maneira de sair de ali . Por um cartaz de madeira , pendurado em a rua , indicando uma loja de venda de velas envenenadas , ficou a saber que se encontrava em a Rua * _ Bativolta * , mas isso não o ajudou pois Harry nunca ouvira falar em tal lugar . Calculou que não tinha pronunciado bem as palavras com a boca cheia de cinzas em a lareira de os Weasley . Tentando manter a calma perguntou a si mesmo o que havia de fazer . - Não estás perdido , pois não , meu menino ? - perguntou uma voz , mesmo junto de o seu ouvido , que o fez dar um salto . Uma bruxa idosa estava em a sua frente , segurando um tabuleiro de uma coisa que se parecia horrivelmente com unhas humanas . A mulher olhou o maldosamente , mostrando os dentes esverdeados . Harry recuou . - Estou bem , obrigado - disse . - Estou só ... - HARRY ! O qu'é que pensas que estás a fazer aqui ? O coração de Harry deu um salto , assim_como o de a bruxa . Um monte de unhas caíram lhe sobre os pés e ela praguejou , enquanto o corpo enorme de Hagrid , o guarda de os campos de Hogwarts , se aproximava de eles a passos largos com os olhos castanhos-escuros a faiscarem sobre a longa barba eriçada . - Hagrid - gritou Harry , aliviado . - Eu estava perdido ... o pó de Floo ... Hagrid agarrou Harry por o cachaço e puxou o para longe de a bruxa , tirando lhe o tabuleiro de as mãos . Os guinchos agudos de a feiticeira seguiram nos até a o fundo de a ruela serpenteante que ia dar a um lagar onde brilhava o sol . Harry avistou a a distância um edifício de mármore branco como a neve que lhe era familiar : o banco de Gringotts . Hagrid conduzira o até a a Diagon - _ Al . - ` _ tás em um péssimo estado ! - disse Hagrid bruscamente , sacudindo lhe a fuligem com tanta força que Harry quase caiu em um barril de estrume de dragão que se encontrava a a porta de um boticário . - A fugir , em a Rua * _ Bativolta * , eu não conheço esse lugar finório , Harry , não quero que ninguém te veja aqui em baixo . - Já percebi - disse Harry , baixando se quando Hagrid fez menção de o escovar melhor . - Já te disse que estava perdido . E o que é_que tu fazes aqui ? - ` _ Tou a a procura d'um repelente para as lesmas comedoras de legumes - resmungou Hagrid . - ` _ tão a destruir as couves todas de a escola . Tu não estás sozinho ? - Estou em casa de os Weasley , mas separámo nos explicou Harry . - Tenho que os encontrar . Desceram juntos a rua . - Por_que é_que nunca respondeste a as minhas cartas ? - perguntou Hagrid , enquanto Harry corria para o acompanhar ( tinha de dar três passos por cada enorme passada de Hagrid ) . Harry explicou lhe tudo sobre Dobby e os Dursleys . - Malditos_Muggles - rugiu Hagrid . - S'eu tivesse sabido ... - Harry ! Harry ! Aqui ! Harry olhou para_cima e viu Hermione_Granger em o topo de a escadaria de Gringotts . Desceu para vir a o encontro de ele , o cabelo castanho de caracóis , a esvoaçar atrás de ela . - O que aconteceu a os teus óculos ? Olá_Hagrid ... Oh , é maravilhoso ver vos outra_vez . Vens a Gringotts , Harry ? - Logo_que encontre os Weasley - respondeu ele . - Não vais ter d'esperar muito - riu se Hagrid . Harry e Hermione olharam em volta . Subindo a rua , em o meio de a multidão , vinham Ron , Fred , George , Percy e Mr._Weasley . - Harry - chamou Mr._Weasley , ofegante . - Tínhamos esperança que só tivesses ido um fogão mais longe ... - passou um pano em a sua calva reluzente . - A Molly está nervosíssima , aí vem ela . - Onde é_que tu saíste ? - perguntou o Ron . - Em a Rua * _ Bativolta * - disse o Hagrid , com um ar sério . - Sensacional ! - exclamaram Fred e George ao_mesmo_tempo . - Nunca nos deram autorização para lá ir - disse o Ron com uma pontinha de inveja . - E fizeram muito bem - grunhiu Hagrid . Mrs._Weasley chegou em aquele momento a correr , a mala a balouçar em uma de as mãos e Ginny quase pendurada em a outra . - Oh Harry , oh meu querido , podias ter ido parar a qualquer lugar ... Tentando recuperar o fôlego , tirou de a mala uma grande escova de roupa e começou a retirar a fuligem que Hagrid não conseguira expulsar . Mr._Weasley pegou em os óculos de Harry , deu lhes um toque de varinha e entregou lhe os como novos . - Bem , tenho de m'ir embora - disse Hagrid cuja mão estava a ser esmagada por Mrs._Weasley ( -- Rua * _ Bativolta * ! Se não o tivesses encontrado , Hagrid ! ) . - Vemo nos em Hogwarts . - E afastou se , os ombros e a cabeça acima de a multidão que enchia completamente a rua . - Adivinham quem eu vi em o Borgin and Burkes ? - perguntou Harry_a_Ron e a Hermione enquanto subiam as escadarias de Gringotts . - Malfoy e o pai . - O Lucius_Malfoy comprou alguma coisa ? - perguntou interessado Mr._Weasley que estava atrás de eles . - Não , estava a vender . - Então está preocupado - comentou Mr._Weasley com visível satisfação . - Ah , eu adorava apanhar o Lucius_Malfoy em alguma . . - Tem cuidado , Arthur - interrompeu Mrs._Weasley enquanto o gnomo porteiro lhes dava reverentemente entrada em o banco . - Isso é um problema de família . Não queiras ter mais olhos que barriga . - Queres dizer com isso que achas que eu não chego para o Malfoy ? - perguntou Mr._Weasley , indignado , mas foi rapidamente afastado de aqueles sentimentos a o avistar os pais de Hermione que estavam de pé , nervosamente encostados a o balcão que acompanhava a grande parede de mármore , a a espera que Hermione os apresentasse . - Mas vocês são Muggles ! - disse Mr._Weasley , encantado . - Temos de tomar uma bebida . O que é isso aí ? Ah , estão a trocar dinheiro de Muggle . Molly , olha - apontou cheio de excitação para as notas de dez libras que Mr._Granger tinha em a mão . - Encontramo nos aqui - disse Ron_a_Hermione , enquanto os Weasley e Harry eram conduzidos a os seus cofres em o subterrâneo de Gringotts . Para chegar a os cofres havia que tomar umas carrinhas conduzidas por gnomos que se deslocavam ao_longo_de carris de comboio de pequenas dimensões através de os túneis subterrâneos de o banco . Harry gostou de a viagem acidentada até a o cofre de os Weasley , mas sentiu se bastante mal , pior do_que em a Rua * _ Bativolta * , quando o cobre foi aberto . Havia lá dentro um pequenino monte de Leões de prata e apenas um Galeão de ouro . Mrs._Weasley foi com a mão a a procura em os cantos antes de , com um gesto rápido , varrer tudo para dentro de o saco . Harry sentiu se ainda pior quando chegaram a o seu cofre . Tentou evitar que vissem o conteúdo enquanto empurrava apressadamente mãos cheias de moedas para dentro_de uma sacola de cabedal . Lá fora , em as escadarias de mármore , separaram se . Percy murmurou vagamente que precisava de uma nova pena de escrever . Fred e George tinham avistado um amigo de Hogwarts , Lee_Jordan . Mrs._Weasley e Ginny iam a uma loja de mantos em segunda mão , Mr._Weasley continuava a insistir em levar os Grangers a o Caldeirão_Escoante para lhes pagar uma bebida . - Encontrarmo nos todos em a Flourish and Blotts dentro_de uma hora para comprar os vossos livros de estudo - disse Mrs._Weasley , afastando se com Ginny . - E nem um passo em direcção a a Rua * _ Bativolta * - gritou a os gémeos que estavam de costas . Harry , Ron e Hermione deambularam por a rua empedrada e sinuosa . O ouro , prata e bronze que tilintavam alegremente em o saco que Harry tinha em o bolso pareciam exigir ser gastos , por isso ele comprou três enormes gelados de morango e manteiga de amendoim que eles devoraram felizes enquanto vagueavam sem destino por a rua fora , observando as montras fantásticas de as lojas . Ron olhou longamente para um conjunto completo de mantos de o Chudley_Cannon , em as montras de o « Equipamento_de_Quidditch_de_Qualidade » até Hermione o arrastar de ali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos . Em a « Jogos_de_Feitiçaria_de_Gambol and Japes » encontraram o Fred , o George e o Lee_Jordan que estavam presos em a fabulosa partida debaixo_de chuva e em os fogos-de-artifício de o Dr._Filibuster . E em uma pequenina loja de velharias cheia de varinhas partidas , balanças instáveis de latão e mantos velhos cobertos de nódoas de poções encontraram Percy profundamente concentrado em um pequenino livro , bastante chato , chamado * _ Prefeitos que conquistam o poder * . - * _ Um estudo sobre os prefeitos de Hogwarts e as suas posteriores carreiras * - leu alto o Ron em a contracapa . - Deve ser fascinante ... - Desaparece - gritou Percy . - Claro , ele é muito ambicioso , já tem tudo planeado . Quer ser ministro de a magia - disse o Ron baixinho a o Harry e a a Hermione , enquanto deixavam Percy entregue a o livro . Uma hora mais tarde dirigiram se a a Flourish and Blotts . Não eram de modo algum os únicos a encaminhar se para a livraria . À_medida_que se aproximavam viram com grande surpresa uma grande multidão a a porta , tentando entrar em a loja . O motivo de tal confusão estava anunciado em um cartaz que se estendia a o longo de a montra superior . GILDEROY_LOCKHART_Assinará exemplares de a sua autobiografia " eu , o mágico " Hoje 12.30 - 16.30 - Vamos poder conhecê o ! - gritou Hermione . - Quero dizer , ele escreveu quase todos os livros de a nossa lista ! A multidão parecia ser maioritariamente composta por bruxas de a idade de Mrs._Weasley . Um feiticeiro bem-parecido estava de pé junto de a porta , dizendo : - Calma , minhas senhoras , não empurrem , cuidado com os livros . Harry , Ron e Hermione conseguiram furar e entrar . Uma longa fila serpenteava para as traseiras de a loja onde Gilderoy_Lockhart estava a assinar os seus livros . Cada_um de eles pegou em um exemplar de * _ ensinamentos de Uma Fada_Carpideira * e escaparam se de a fila indo ter a o lugar onde se encontravam os outros com Mr. e Mrs._Granger . - Ah , aí estão vocês . _ óptimo - disse Mrs._Weasley que parecia estar com falta de ar e não parava de mexer em o cabelo . - Vamos poder vês o dentro_de um minuto . Gilderoy_Lockhart veio lentamente até um lugar onde era visível para todos , sentou se a uma mesa , rodeado de grandes fotografias de o próprio rosto , todo ele sorrisos , mostrando a a multidão o brilho cintilante de os seus dentes . Lockhart usava uma túnica azul-noite que condizia a as mil maravilhas com a cor de os olhos , o chapéu pontiagudo de feiticeiro colocado lateralmente sobre o cabelo ondulado . Um homenzinho pequenino e irritante andava a dançar de um lado para o outro , tirando fotografias com uma grande máquina preta que lançava baforadas de fumo arroxeado em cada * flash * . - Sai de o caminho , tu aí - disse rispidamente a o Ron , mudando de lugar para ter um angulo melhor . - Este é para o * _ Profeta_Diário * . - Grande coisa ! - exclamou o Ron , esfregando os pés em o lugar que o fotógrafo pisara . Gilderoy_Lockhart ouviu o . Olhou , viu o Ron e em seguida Harry . Voltou a olhar , desta_vez com mais atenção . Em seguida , pôs se de pé e gritou : - Não pode ser , o Harry_Potter ? A multidão dividiu se entre murmúrios de excitação . Lockhart aproximou se , agarrou Harry por um braço e levou o para a frente . A multidão rebentou em aplausos . A cara de Harry ardia quando Lockhart lhe apertou a mão para o fotógrafo que disparava como um louco , lançando fumo espesso para_cima de os Weasley . - Belo sorriso , Harry - disse Lockhart através de os seus dentes brilhantes . - Tu e eu juntos merecemos a primeira página . Quando por fim lhe largou a mão , Harry quase não sentia os dedos . Tentou recuar para junto de os Weasley , mas Lockhart lançou lhe um braço por os ombros e prendeu o a o seu lado . - Minhas senhoras e meus senhores - disse bem alto , fazendo sinal para que se acalmassem . - Que momento extraordinário este ! O momento perfeito para eu anunciar algo que tenho vindo a guardar comigo desde_há algum tempo . - Quando o jovem Harry entrou em a Flourish and Blotts hoje , ele queria apenas comprar a minha autobiografia , que tenho agora o maior prazer em oferecer lhe - a multidão aplaudiu de_novo . - Ele não tinha ideia - continuou Lockhart , dando a o Harry um pequeno encontrão que fez com que os óculos lhe escorregassem para a ponta de o nariz - de que ia conseguir em_breve muito mais do_que o meu livro Eu , o mágico . Ele e os seus colegas de a escola vão receber , de facto , o verdadeiro * _ Eu , o mágico * . Sim , minhas senhoras e meus senhores , tenho o maior prazer em anunciar que em o mês_de_Setembro assumirei o lugar de professor de Defesa contra as artes negras em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts ! A multidão aplaudiu e bateu palmas e Harry deu consigo a ser presenteado com a obra completa de Gilderoy_Lockhart . Cambaleando ligeiramente sob o peso de os livros conseguiu abrir caminho para longe de os projectores até a a porta de a sala onde estava Ginny com o seu novo caldeirão . - Podes ficar com estes - murmurou Harry , enfiando os livros em o caldeirão . - Eu vou comprar os meus . - Aposto que adoraste aquilo , não adoraste , Potter ? - disse uma voz que Harry não teve qualquer dificuldade em reconhecer . Endireitou se e deu consigo frente_a_frente com Draco_Malfoy que exibia o seu habitual sorriso escarninho . - O famoso Harry_Potter - disse Malfoy . - Nem_sequer pode entrar em uma livraria sem se tornar primeira página . - Deixa o em paz , ele não queria nada de isso - defendeu a Ginny . Era a primeira vez que falava em frente de Harry . Olhava para Malfoy com um ar feroz . - Potter , arranjaste uma namorada ! - disse arrastadamente Malfoy . Ginny ficou vermelha como um pimentão enquanto Ron e Hermione tentavam abrir caminho , ambos carregando montes de livros de Lockhart . -- Ah és tu ? - disse Ron , olhando para Malfoy como_se ele fosse algo desagradável colado a a sola de o sapato . - Aposto que te surpreendeu ver o Harry aqui ? - Não tanto como a ti em uma loja , Weasley - retorquiu Malfoy . - Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo . Ron ficou tão vermelho quanto Ginny . Deixou também cair os livros em o caldeirão e avançou para Malfoy , mas Harry e Hermione agarraram o por as costas de o casaco . - Ron - disse Mrs._Weasley , aproximando se com Fred e George . - O que estás a fazer ? Isto está uma loucura aqui dentro , vamos lá para fora . - Olha quem ele é , Arthur_Weasley . - Era_Mr._Malfoy . Estava de pé com a mão sobre o ombro de Draco , com o mesmo sorriso escarninho . -- Lucius - disse Mr._Weasley , acenando friamente . -- Muito trabalho em o ministério , segundo me consta - disse Mr._Malfoy . - Todas essas buscas ... espero que te estejam a pagar horas extraordinárias . Meteu a mão em o caldeirão de a Ginny e tirou de o meio de os livros de Lockhart um exemplar muito velho e muito gasto de o * _ Guia_de_Transfiguração_para_Principiantes * . - Parece que não - disse . - Que diabo , qual a vantagem de ser uma nódoa entre os feiticeiros se nem_sequer te pagam bem por isso ? Mr._Weasley corou mais ainda do_que Ron ou Ginny . - Nós temos uma opinião diferente sobre quem são as nódoas entre os feiticeiros - disse . - É claro que ... - disse Mr._Malfoy , os olhos mortiços passando para Mr. e Mrs._Granger apreensivamente . - As companhias com quem tu andas ... e eu que pensava que já não conseguias descer mais baixo ... Ouviu se um tilintar de metal quando o caldeirão de a Ginny foi por os ares . Mr._Weasley lançara se sobre Mr._Malfoy atirando o para dentro_de uma estante . Dezenas_de livros de feitiços saltaram lá de cima , caindo lhes sobre as cabeças . Houve um grito de - Chega lhe , pai ! - de o Fred e de o George . Mrs._Weasley soltava gritos agudos : - Não_Arthur , não . A multidão recuava deitando mais prateleiras a o chão . - Meus senhores , por favor - gritava o encarregado , e então , mais alto do_que todos : - Parem com isso , gente , parem com isso . Hagrid aproximava se através_de um mar de livros . Em um segundo afastou Mr._Weasley e Mr._Malfoy . Mr._Weasley tinha um lábio cortado e Mr._Malfoy fora agredido em um olho por uma * _ Enciclopédia_de_Cogumelos_Venenosos * . Tinha ainda em a mão o livro velho de a Ginny sobre transfiguração . Atirou lhe o , com os olhos a brilhar de malvadez . - Toma o teu livro , garota . É o melhor que o teu pai pode oferecer te . Libertando se de Hagrid , conduziu Draco para fora e abandonaram a livraria . - Devias tê o ignorado , Arthur - disse Hagrid quase a pegar em Mr._Weasley a o colo enquanto lhe endireitava o manto . - São podres até a a raiz , todos eles . Tod'à gente sabe . Nenhum Malfoy vale a pena ser ouvido . Não prestam , ' tá-lhes em o sangue . Vá lá , vamos sair de aqui . O encarregado parecia querer impedis os , mas , olhando bem para Hagrid , pensou melhor . Subiram a rua , os Grangers a tremer de medo e Mrs._Weasley fora de si . - Um belo exemplo para as crianças ... andar a a pancada em público . O que terá pensado Gilderoy_Lockhart ? - Ele gostou - disse o Fred . - Não o ouviram quando ia a sair ? Estava a perguntar a aquele tipo de o Profeta_Diário se conseguia incluir a briga em a reportagem , disse que era boa publicidade . Mas foi um grupo deprimido que regressou a a lareira de o Caldeirão_Escoante onde Harry , os Weasley e todas_as suas compras iriam viajar de volta até a a Toca , usando o pó de Floo . Despediram se de os Grangers que iam sair de o * pub * por a rua de os Muggles , de o outro lado . Mr._Weasley começou a perguntar lhes como funcionavam as paragens de autocarros , mas calou se rapidamente a o ver a expressão de Mrs._Weasley . Harry tirou os óculos e guardou os cautelosamente em o bolso antes de utilizar o pó de Floo . Definitivamente não era a sua forma ideal de viajar . V_O salgueiro zurzidor O fim de as férias de Verão chegou demasiado depressa para o gosto de Harry . Ele desejara muito regressar a Hogwarts , mas aquele mês em a Toca tinha sido o mais feliz de toda_a sua vida . Era difícil não invejar o Ron quando pensava em os Dursleys e em as boas-vindas que ia receber de a próxima vez que pusesse os pés em Privet_Drive . Em a última noite , Mrs._Weasley preparou um jantar magnífico , que incluía os pratos favoritos de Harry e terminava com um pudim de melaço de fazer crescer água em a boca . Fred e George alegraram a noite com uma exibição de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que saltaram de o tecto para as paredes , durante pelo_menos meia_hora . Depois , foi a altura de tomarem uma caneca de chocolate quente e irem para a cama . Em a manhã seguinte , demoraram muito_tempo a preparar se . Levantaram se com o cantar de o galo , mas parecia lhes que ainda tinham muito para fazer . Mrs._Weasley andava de um lado para o outro , mal-humorada , a a procura de meias e penas , chocavam uns com os outros em as escadas , meio vestidos , meio despidos , com pedaços de torrada em as mãos e Mr._Weasley quase partiu o nariz quando tropeçou em uma galinha a o atravessar o pátio , para meter em o carro a mala de Ginny . Harry não percebia lá muito bem_como é_que oito pessoas , seis grandes malas , duas corujas e um rato , iam caber em um pequeno * _ Ford_Anglia * , isso , claro , antes de as artes mágicas que Mr._Weasley acrescentara . - Nem uma palavra a a Molly - murmurou ele a o Harry , enquanto abria a bagageira e lhe mostrava como ela se expandira para que as malas coubessem facilmente . Quando , por fim , se acomodaram todos em o carro , Mrs._Weasley olhou para o banco de trás , onde Harry , Ron , Fred , George e Percy estavam confortavelmente sentados uns a o lado de os outros e disse : - Os Muggles têm mais conhecimentos do_que aqueles que nós lhes atribuímos , não achas ? - Ela e a Ginny entraram para o lugar de a frente , que fora esticado e parecia um banco de jardim . - Quer_dizer , de_fora ninguém diria que este carro era espaçoso , não acham ? Mr._Weasley pôs o motor a funcionar e saíram de o pátio , Harry voltando se para trás para ver por a última vez a casa . Mal teve tempo de se questionar se iria voltar alguma vez e já estavam de volta : George esquecera se de a caixa de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Cinco minutos mais tarde tiveram de interromper de_novo a viagem e voltar a o pátio para o Fred ir a correr buscar a vassoura . Estavam quase a chegar a a auto-estrada , quando Ginny guinchou que se esquecera de o diário . Mas estava a fazer se muito tarde e os ânimos começavam a exaltar se . Mr._Weasley olhou para o relógio e , em seguida , para a mulher . - Molly , querida ... - Não , Arthur . - Ninguém ia ver . Este botãozinho é um transformador de invisibilidade que eu instalei , levava nos por o ar , subíamos acima de as nuvens . Estaríamos lá em dez minutos e ninguém daria por nada ... - Eu disse que não , Arthur . Durante o dia , não . Chegaram a King's_Cross , faltava um quarto para as onze . Mr._Weasley precipitou se em busca de um carrinho de transporte para as malas e correram todos para a estação . Harry apanhara o Expresso_de_Hogwarts em o ano anterior . A parte mais difícil era entrar em a plataforma nove_e_três quartos , que não era visível a os olhos de os Muggles . Era preciso avançar para a barreira sólida que dividia as plataformas nove e dez . Não doía nada , mas tinha de ser feito com cuidado para que nenhum de os Muggles de esse , por o desaparecimento . - O Percy em primeiro lugar - declarou Mrs._Weasley , olhando nervosamente para o relógio lá em cima , que mostrava que tinham apenas cinco minutos para desaparecer através de a barreira . Percy avançou a passos largos e desapareceu . Mr._Weasley foi a seguir e depois de ele Fred e George . - Eu levo a Ginny e vocês vêm atrás_de nós - disse Mrs._Weasley a o Harry e a o Ron , agarrando Ginny pela mão e seguindo em frente . Em um abrir e fechar de olhos , tinham passado . - Vamos passar juntos , só temos um minuto - disse Ron a o Harry . Harry assegurou se de que a gaiola de a Hedwig estava bem fixa em cima de a sua mala e empurrou o carrinho de encontro a a barreira . Estava perfeitamente confiante , aquilo era muito mais fácil do_que usar o pó de Floo . Puseram os dois as mãos em o puxador de os carrinhos e avançaram direitos a a barreira , ganhando velocidade . A um metro e pouco , começaram a correr e ... CRASH . Os dois carros bateram em a barreira e foram impelidos para trás . A mala de o Ron caiu com um enorme estrépito . Harry desequilibrou se e a gaiola de a Hedwig foi parar a o chão brilhante , enquanto ela rolava guinchando , indignada . As pessoas em volta olhavam fixamente e um guarda que estava ali perto gritou : - Que diabo pensam vocês que estão a fazer ? - Perdemos o controlo de o carro de transporte - respondeu o Harry , respirando com dificuldade , agarrando se a as costelas , enquanto se punha de pé . Ron correu a agarrar a Hedwig , que estava a fazer uma cena tal , que já se ouviam murmúrios em a multidão sobre a crueldade para com os animais . - Porque é_que não conseguimos passar ? - perguntou Harry a o Ron em um sussurro . - Não sei . Ron olhou descontroladamente em volta . Uma_dúzia de curiosos estavam ainda a observá os . - Vamos perder o comboio - murmurou o Ron . - Não compreendo porque motivo a cancela se fechou . Harry olhou para o relógio gigantesco com um sentimento de náusea em a boca de o estômago . Dez segundos , nove segundos ... Dirigiu o carrinho de transporte para a frente com toda_a força . O metal manteve se sólido . Três segundos ... dois segundos ... um segundo ... - Partiu - afirmou o Ron , que parecia estonteado . - O comboio foi se embora . E se a mãe e o pai não conseguem voltar para aqui ? Tens algum dinheiro de Muggle ? Harry deu uma gargalhada . - Os Dursleys não me dão um tostão há mais de seis anos ! Ron encostou o ouvido a a barreira . - Não se ouve nada - disse , bastante tenso . - O que vamos nós fazer ? Não sei quanto tempo o pai e a mãe vão demorar . Olharam em volta . As pessoas ainda estavam a observá os , principalmente devido a os contínuos guinchos de a Hedwig . - Acho que o melhor é sairmos de aqui e esperamos por eles junto de o carro - disse Harry . - Aqui estamos a atrair demasiado as aten ... - Harry - disse o Ron , com os olhos a brilhar . - É isso , o carro . - O que é_que tem ? - Podemos voar nele até Hogwarts ! - Mas eu pensei ... - Estamos em apuros , certo ? E temos de chegar a a escola , ou não ? E mesmo os feiticeiros menores de idade estão autorizados a usar a magia em uma emergência real , parágrafo dezanove , ou não sei quê , de a Restrição de ... O sentimento de pânico de Harry transformou se em entusiasmo . - E tu sabes voar nele ? - Não há problema - disse o Ron , andando com o carrinho a a volta e dirigindo se para a saída . - Anda de aí . Se em os apressarmos , conseguiremos sair atrás de o Expresso_de_Hogwarts . E afastaram se de o grupo de Muggles curiosos , abandonando a estação e voltando a a rua , onde o velho * _ Ford_Anglia * se encontrava estacionado . Ron abriu a bagageira com uma série de toques de varinha . Meteram lá dentro as malas , puseram a Hedwig em o assento de trás e entraram para a frente . - Verifica se ninguém está a ver - disse o Ron , ligando a ignição com outro toque de varinha . Harry pôs a cabeça fora de a janela : o trânsito enchia a avenida principal , mas a rua de eles estava vazia . - O. _ K. - disse . Ron carregou em um pequeno botão de o painel . Os carros em volta desapareceram assim_como eles . Harry sentia o assento a vibrar debaixo_de si , ouvia o motor , sentia as mãos sobre os joelhos e os óculos em o nariz , mas , tanto quanto conseguia ver , tornara se um par de olhos redondos flutuando um metro e pouco acima de o chão em uma rua suja , cheia de carros estacionados . - Vamos - disse a voz de o Ron , vinda de o seu lado direito . O chão e os prédios escuros de ambos os lados desapareceram de o seu ângulo de visão , mal o carro se elevou . Em poucos segundos toda_a cidade de Londres , enevoada e resplandecente , estava por baixo de eles . Em seguida , ouviu se um ruído que parecia o saltar de uma rolha e o carro , Harry e Ron , reapareceram . - Oh , oh - disse Ron , batendo em o intensificador de invisibilidade . - Está avariado ... Começaram os dois a bater em o botão . O carro desapareceu . Depois surgiu de forma intermitente . - Aguenta aí - gritou o Ron e carregou com o pé em o acelerador . Saltaram direitinhos para o meio de as nuvens mais baixas e tudo ficou sujo e enevoado . - E agora ? - exclamou Harry , piscando os olhos a a sólida massa de nuvens que os comprimia de todos os lados . - Precisamos de avistar o comboio para sabermos qual a direcção a tomar - explicou o Ron . - Desce rapidamente ... Desceram por o meio de as nuvens e voltaram se em os lugares , espreitando . - Estou a vê o - gritou Harry . - Mesmo em frente , ali . O Expresso_de_Hogwarts deslocava se a grande velocidade lá em baixo , como uma serpente vermelha . - Para Norte - disse o Ron , verificando a bússola de o painel . - O. _ k . , basta que verifiquemos de meia em meia_hora . Aguenta aí ... - e arrancaram por o meio de as nuvens . Em o minuto seguinte , tinham chegado a a luz brilhante de o Sol . Era um mundo diferente . Os pneus de o carro deslizavam sobre o mar de nuvens macias , o céu era de um azul infinito sob a luz , capaz de cegar , que irradiava de o Sol . - Agora só temos de nos preocupar com os aviões - disse o Ron . Olharam um para o outro e desataram a rir . Durante muito_tempo não conseguiram parar . Era como_se tivessem mergulhado em um sonho fabuloso . Aquela , pensou Harry , era certamente a única maneira de viajar : passando por turbilhões e torres de nuvens cor de neve , em um carro cheio de calor , o sol radioso , com um grande pacote de rebuçados em o porta-luvas e antegozando o ar de inveja de o Fred e de o George quando aterrassem suavemente e de forma espectacular em o relvado macio em frente de o castelo de Hogwarts . Espreitaram várias vezes o comboio enquanto voavam cada_vez_mais para norte . Cada descida entre as nuvens dava lhes uma perspectiva diferente . Londres depressa ficou para trás , substituída por campos verdejantes que , por sua vez , deram lugar a grandes pântanos arroxeados , aldeias com pequenas igrejas de brinquedo e uma grande cidade , cheia de vida , com carros que pareciam formigas multicores . Várias horas mais tarde sem acontecer nada de_novo , Harry teve de admitir que uma parte de o entusiasmo se esgotara . Os rebuçados tinham nos deixado cheios de sede e não havia nada para beber . Ele e o Ron tinham tirado as camisolas , mas a * _ T-shirt * de o Harry estava colada a as costas de o assento e os óculos não paravam de lhe escorregar para a ponta de o nariz . Deixara de reparar em as fabulosas formas de as nuvens e pensava com saudade em o comboio , milhas abaixo de eles , onde se podia comprar sumo fresquinho de abóboras em um carro empurrado por uma bruxa gordinha . Porque não teriam conseguido entrar em a plataforma nove_e_três quartos ? - Não pode ser muito mais longe , pois não ? - resmungou o Ron , horas mais tarde quando o Sol começava a enfiar se em o seu chão de nuvens , pintando as de um rosa profundo . - Estás pronto para outra espreitadela a o comboio ? Ainda ia mesmo por baixo de eles , abrindo caminho por_entre uma montanha com o topo coberto de neve . Estava muito mais escuro entre o dossel de nuvens . Ron pôs o pé em o acelerador e levou os de_novo para_cima , mas em esse momento o motor começou a chiar . Harry e Ron trocaram entre si olhares nervosos . - Deve estar só cansado - disse o Ron . - Nunca tinha vindo tão longe ... - E fingiram ambos que não davam por o gemido que se ia tornando maior à_medida_que o céu serenamente escurecia . As estrelas desabrochavam em a escuridão , Harry voltou a enfiar a camisola de lã , tentando ignorar os limpa pára-brisas que acenavam debilmente como_que a protestar . - Não devemos estar longe - disse Ron , dirigindo se mais a o carro do_que a o amigo . - Já não devemos estar longe - deu umas palmadinhas nervosas em o * tablier * . Pouco depois , quando voltaram a voar em o meio de as nuvens , tiveram de olhar de lado em a escuridão , em busca de um ponto de referência que conhecessem . - Ali - gritou Harry , fazendo o Ron e a Hedwig darem um salto . - Mesmo em frente . Recortados em o horizonte negro , sobre o rochedo de o outro lado de o lago , erguiam se as torres e torreões de o castelo de Hogwarts . Mas o carro tinha começado a estremecer e perdia a os poucos velocidade . - Vá lá - disse o Ron , dando a o volante um pequeno abanão bajulador . - Estamos quase a chegar , vá lá ... O motor gemeu . Pequenos jactos de vapor de água brotaram de o capo . Harry deu consigo agarrado com toda_a força a os bordos de o assento enquanto voavam direitos a o lago . O carro deu um solavanco feio . Espreitando por a janela , Harry viu a superfície negra , macia e espelhada de a água cerca de uma milha abaixo de eles . Os dedos de o Ron agarrados a o volante tinham as articulações brancas . O carro deu um novo esticão . - Vá lá - murmurou o Ron . Estavam sobre o lago ... o castelo ficava mesmo em frente . Ron fez força com o pé . Houve um ruído surdo , uma crepitação e o motor morreu por completo . - Oh ! oh ! - gemeu Ron em o silêncio . O nariz de o carro voltou se para baixo . Estavam a cair , ganhando velocidade em direcção a os muros sólidos de o castelo . - Naaaaão ! - gritou o Ron , girando o volante . Escaparam a a muralha de pedra negra por centímetros , quando o carro fez um grande arco , planando primeiro sobre as estufas , depois sobre o rectângulo plantado com vegetais e , por fim , sobre os relvados , perdendo sempre velocidade . Ron largou o volante por completo e tirou a varinha de o bolso de trás . - __ pára ! __ pára ! - gritou , batendo em o * tablier * e em o pára-brisas , mas eles continuavam a mergulhar , o chão a voar em direcção a eles . - : __ cuidado com essa __ árvore ! ! ! - bramiu Harry , deitando a mão a o volante , mas ... tarde de mais ... CRUNCH . Com um ruído ensurdecedor de metal e madeira , bateram em o tronco espesso de a árvore e caíram em o chão com um forte solavanco . O vapor era um mar debaixo de o capo amachucado . A Hedwig tremia apavorada . Em a cabeça de Harry surgira um alto de o tamanho de uma bola de golfe , quando ele batera em o pára-brisas , tombando em seguida para a direita . Ron soltou um gemido longo e desesperado . - Estás O. _ K ? - perguntou Harry , aflito . - A minha varinha - disse o Ron em uma voz trémula . - Olha para a minha varinha . Tinha se partido praticamente em duas , a ponta balouçava mole , presa por meia_dúzia de esquírolas . Harry abriu a boca para dizer que em a escola com certeza conseguiriam consertá a , mas nem chegou a começar a frase . Em esse preciso momento , algo bateu em o seu lado de o carro , com a força de um touro , projectando o para_cima de o Ron , ao_mesmo_tempo que um golpe igualmente forte se sentiu em o capô . - O que está a acontec ... Ron arfou , olhando fixamente por o pára-brisas e Harry olhou em volta , mesmo a_tempo_de ver uma ramada espessa como uma píton vir contra o vidro . A árvore em que tinham batido estava a atacá os . O tronco dobrara se quase a meio e os seus galhos rugosos davam uma tareia a cada centímetro de o carro que conseguiam atingir . - Ah ! - praguejou o Ron , quando outra pernada retorcida esmurrou a sua porta , amolgando a . O pára-brisas tremia agora sob uma saraivada de golpes vindos de galhos que pareciam patas de animais e uma ramada espessa como um aríete esmagava furiosamente o capo , que parecia estar a ceder ... - Corre ! - gritou o Ron , lançando o seu peso contra a porta , mas , em o momento seguinte , tinha sido atirado para trás , para o colo de Harry por um soco maldoso , dado de baixo para_cima , por outro ramo . - Estamos feitos ! - resmungou , enquanto o tecto descaía . Mas , de repente , o chão de o carro estava a vibrar , o motor pegara . - Marcha atrás - gritou o Harry e o carro deu um salto para trás . A árvore tentava ainda agredis os , ouviam as raízes chiar , enquanto quase se partiam esticando se para os alcançar . - Escapámos por_pouco ! - exclamou o Ron . - Muito bem , carro . Mas o carro tinha atingido o limite de as suas forças . Com dois estalidos , as portas abriram se e Harry sentiu o seu assento inclinar se para o lado . Quando deu por si , estava estatelado em o chão húmido . Ruídos surdos avisaram o de que o carro estava a ejectar as malas de a bagageira . A gaiola de a Hedwig voou por os ares e abriu se . Ela saiu a voar com um pio furioso e dirigiu se a o castelo , sem sequer olhar para trás . Em seguida , o carro , amolgado , arranhado e a fumegar , arrancou em o escuro , com os faróis traseiros ardendo de fúria . - Volta aqui ! - gritou o Ron , brandindo a varinha partida . - O meu pai mata me . Mas o carro desapareceu a perder de vista , com um último estoiro de o tubo de escape . - Já viste bem o nosso azar ! ? - exclamou o Ron em o meio de a sua infelicidade , baixando se para apanhar o rato Scabbers . - De todas_as árvores em que podíamos ter batido , tínhamos de ir dar a uma que bate também . Olhou por cima de o ombro para a velha árvore que ainda agitava os ramos ameaçadoramente . - Vamos - disse Harry , fatigado . - É melhor irmos andando para a escola ... Não foi , de modo algum , a chegada triunfal que tinham imaginado . Constrangidos , cheios de frio e magoados , pegaram em as malas e começaram a arrastá as por o relvado acima , em direcção a as grandes portadas de carvalho . - Acho que o banquete já começou - disse o Ron , largando a mala em os degraus de a entrada e atravessando devagarinho para espreitar por uma janela iluminada . - Harry , anda ver , é a distribuição . Harry apressou se e os dois , ele e o Ron , espreitaram para o Salão_Nobre . Um número infindável de velas pairava em o ar , sobre quatro mesas enormes cheias de gente , fazendo brilhar os pratos dourados e as taças . Em cima , o tecto encantado que espelhava o céu lá de_fora , brilhava cheio de estrelas . Por_entre a floresta de chapéus pretos pontiagudos de Hogwarts , Harry viu uma longa fila de alunos de o primeiro ano com olhares assustados que enchia o vestíbulo . Ginny estava entre eles , facilmente reconhecível devido a o seu chamativo cabelo Weasley . Enquanto isso , a professora Mc_Gonagall , uma bruxa de óculos com cabelo castanho apanhado em um carrapito , colocava o famoso chapéu seleccionador em um banco que se encontrava em frente de os novos alunos . Todos os anos , aquele velho chapéu , remendado , puído e cheio de pó , seleccionava alunos para as quatro equipas de Hogwarts ( Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin ) . Harry lembrava se bem de o ter colocado em a cabeça , precisamente um ano antes , e ter esperado petrificado por a sua decisão , enquanto ele lhe murmurava a o ouvido . Durante alguns horríveis segundos receara que o chapéu o mandasse para os Slytherin , a equipa que produzia maior número de feiticeiros e feiticeiras de magia negra , mas acabara por ficar em os Gryffindor , juntamente com Ron e Hermione e o resto de os Weasley . Em o último período , Harry e Ron tinham ajudado os Gryffindor a vencer o campeonato de a equipa , batendo os Slytherin pela_primeira_vez em sete anos . Um rapazito baixinho com cabelo de rato acabava de ser chamado para pôr o chapéu em a cabeça . Os olhos de Harry saltavam de ele para o lugar onde o professor Dumbledore , o director , estava sentado , observando a selecção de a mesa de os professores , com a sua longa barba cor de prata e óculos de meia-lua que brilhavam a a luz de as velas . Alguns lugares a a frente , Harry viu Gilderoy_Lockhart com um manto verde-azulado . E lá bem a o fundo estava Hagrid , enorme e cabeludo , bebendo satisfeito de a sua taça . - Espera aí - murmurou a o Ron . - Há um lugar vazio em a mesa de os professores . Onde estará o Snape ? Severus_Snape era o professor de quem Harry menos gostava . Harry era também o seu aluno menos querido . Cruel , sarcástico e detestado por todos com excepção de os alunos de a sua própria equipa ( Slytherin ) , Snape tinha a seu cargo a cadeira de Poções . - Talvez esteja doente - sugeriu Ron , cheio de esperança . - Talvez se tenha ido embora - lembrou Harry . - Por não lhe terem dado outra_vez a Defesa contra as artes negras . - Ou talvez tenha sido corrido - propôs Ron com entusiasmo . - Afinal , toda_a_gente o detesta ... - Ou talvez - disse uma voz gelada atrás de eles - esteja a a espera que vocês lhe expliquem por_que motivo não vieram em o comboio de a escola . Harry deu uma volta . Em a sua frente , com o manto negro a ondular em uma brisa fria , estava Severus_Snape . O professor era um homem magro , de pele descorada , nariz adunco e um cabelo preto oleoso que lhe caía sobre os ombros . E em aquele momento sorria de um modo tal que Harry sentiu que tanto ele como Ron estavam em sérios apuros . - Sigam me - disse Snape . Sem ousarem sequer olhar um para o outro , Harry e Ron seguiram Snape por as escadas até a o amplo * hall * de entrada que estava iluminado por as chamas de os archotes . De o salão nobre vinha um cheirinho delicioso a comida , mas Snape levou os para longe de a luz e de o calor , em direcção a uma escada estreita de pedra que conduzia a os calabouços . - Entrem - ordenou , abrindo uma porta a meio de o corredor e apontando . Entraram a tremer em o escritório de Snape . As paredes sombrias estavam cobertas de prateleiras cheias de jarros de vidro grosso onde flutuavam as coisas mais diversas e repugnantes , cujo nome Harry não queria de momento conhecer . A lareira estava escura e vazia . Snape fechou a porta e voltou se de frente para eles . - Com que então - disse com falsa suavidade - o comboio não serve para o famoso Harry_Potter e o seu fiel companheiro Weasley . Queriam chegar em grande estilo , não era rapazes ? - Não senhor , foi a barreira em King's_Cross , ela ... - Silêncio - disse Snape friamente . -- _ o que fizeram a o carro ? Ron engoliu em seco . Aquela não era a primeira vez que Snape dava a Harry a impressão de ser capaz de ler pensamentos . Mas , pouco depois , compreendeu tudo quando Snape desenrolou o exemplar de o Profeta_Vespertino . - Vocês foram vistos - afirmou , mostrando lhes o cabeçalho : : __ ford anglia voador confunde __ muggles . Começou a ler alto a notícia . - Dois Muggles em Londres convenceram se de que tinham visto um carro velho a voar sobre a torre de os correios ... a a tardinha em Norfolk , Mrs._Hetty_Bayliss , enquanto pendurava a roupa ... Mr._Angus_Fleet_de_Peebles informou a polícia ... seis ou sete Muggles a o todo . Julgo que o teu pai trabalha em o departamento de mau uso dado a os objectos de os Muggles ? - disse olhando para Ron e sorrindo de uma forma ainda mais sarcástica . - Que peninha , o próprio filho ... Harry sentiu se como_se tivesse levado um soco em o estômago de uma de as maiores pernadas de a árvore louca . E se alguém descobrisse que Mr._Weasley tinha enfeitiçado o carro ? Ele ainda nem tinha pensado em isso . - Reparei durante a minha volta por o jardim que foi feito um estrago considerável em um salgueiro zurzidor extremamente valioso - continuou Snape . - Essa árvore fez nos pior a nós do_que nós ... - deixou escapar Ron . - Silêncio - interrompeu Snape , de_novo . - Infelizmente vocês não fazem parte de a minha equipa e a decisão de vos expulsar não está em as minhas mãos . Vou , por isso , buscar as pessoas que possuem essa feliz possibilidade . Esperem aqui . Harry e Ron olharam , pálidos , um para o outro . Harry perdera a fome . Sentia se agora extremamente agoniado . Tentava não olhar para uma coisa viscosa , suspensa em um líquido verde que estava em uma prateleira por detrás de a secretária de Snape . Se ele fora buscar a professora Mc_Gonagall , chefe de a equipa de os Gryffindor , não estavam muito melhor . Ela era mais justa do_que Snape , mas extremamente severa . Dez minutos mais tarde , Snape voltou e era , de facto , a professora Mc_Gonagall quem o acompanhava . Harry vira a professora Mc_Gonagall zangada , mas , ou se tinha esquecido de como a boca de ela ficava fina , ou nunca a vira tão zangada como em aquele dia . Levantou a varinha em o momento em que entrou . Harry e Ron estremeceram , mas ela limitou se a apontá a para a lareira onde as chamas se elevaram subitamente . - Sentem se - ordenou , e os dois recuaram para as cadeiras junto de o lume . - Expliquem se - disse com os óculos a brilhar de uma forma ameaçadora . Ron enveredou por a história começando por a barreira de a estação que se recusara a deixá os passar . - Por isso não tínhamos escolha , professora , não podíamos chegar a o comboio . - Porque não nos mandaram uma carta por a coruja ? Julgo que tens uma coruja ? - disse friamente a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a Harry . Harry olhou para ela sem saber o que dizer . - Parece me - continuou ela - que seria a coisa mais adequada . - Eu ... não pensei ... - Isso - disse a professora Mc_Gonagall - é bastante óbvio . Ouviu se bater a a porta de o escritório e Snape , que parecia agora mais feliz do_que nunca , foi abrir . Era o director , o professor Dumbledore . Harry ficou totalmente paralisado . Dumbledore tinha uma expressão grave . Olhou para eles de cima de o seu nariz adunco e Harry desejou estar ainda com Ron a levar uma sova de o salgueiro zurzidor . Fez se um longo silêncio . Em seguida , Dumbledore disse lhes : - Por favor , expliquem porque fizeram isto . Teria sido melhor se gritasse . Harry detestou sentir a decepção em a sua voz . Inexplicavelmente era incapaz de olhar Dumbledore em os olhos e falou em direcção a os seus joelhos . Disse lhe tudo excepto que o carro enfeitiçado pertencia a Mr._Weasley , dando a ideia de que ele e o Ron o tinham encontrado estacionado fora de a estação . Sabia que Dumbledore ia ver para_além de isso , mas o director não fez perguntas sobre o carro . Quando Harry terminou continuou a olhar para ele através de os seus óculos . - Nós vamos buscar as nossas coisas - disse Ron em um tom de voz sem esperança . - Que disparate é esse ? - rosnou a professora Mc_Gonagall . -- Então , vão expulsar nos , não vão ? - disse o Ron . Harry olhou rapidamente para Dumbledore . - Ainda não , Mr._Weasley - afirmou Dumbledore . - Mas vou assinalar a gravidade do_que vocês fizeram . Hoje a a noite escreverei a as vossas famílias . Estão também prevenidos que se voltarem a fazer uma coisa como esta não terei outro remédio senão expulsar vos . A expressão de Snape era como_se o Natal tivesse sido cancelado . Pigarreou e disse : - Professor_Dumbledore , estes rapazes infringiram o decreto para a restrição de a feitiçaria de os menores , causaram estragos consideráveis a uma árvore antiga e valiosa ... sem dúvida , actos de esta natureza ... - Cabe a a professora Mc_Gonagall decidir sobre os castigos de os rapazes , Severus - afirmou Dumbledore com toda_a calma . - Pertencem a a equipa de ela e são , portanto , de a sua responsabilidade . - Voltou se para a professora Mc_Gonagall . - Tenho de regressar a o banquete , Minerva , devo dar algumas informações . Venha Severus , há uma tarte de leite e ovos com um aspecto delicioso que quero mostrar lhe . Snape lançou um olhar de puro veneno a o Harry e a o Ron enquanto permitia que o afastassem de o seu escritório , deixando os a sós com a professora Mc_Gonagall que ainda os olhava como uma águia em fúria . - É melhor ires até a a ala hospitalar , Weasley , estás a sangrar . - Não é nada - disse Ron , limpando o corte com a manga para que ela o visse . - Professora , eu gostava de ver a minha irmã ser seleccionada . - A cerimónia de a selecção terminou - disse a professora Mc_Gonagall . - A tua irmã está também em os Gryffindor . - _ óptimo - exclamou Ron . - E por falar em os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall de forma cortante , mas Harry interrompeu a : - Professora , quando tirámos o carro , o ano escolar ainda não tinha começado , por isso os Gryffindor não deveriam perder pontos , pois não ? - terminou olhando a ansiosamente . A professora Mc_Gonagall lançou lhe um olhar penetrante , mas ele era capaz de jurar que ela quase tinha sorrido . Pelo_menos a boca não parecia tão fina . - Não vou tirar pontos a os Gryffindor - tranquilizou o . E o coração de Harry ficou mais leve . - Mas vocês os dois vão ter um castigo . Foi melhor do_que Harry imaginara . O facto de Dumbledore escrever a os Dursley não tinha a menor importância . Harry sabia perfeitamente que eles só lamentariam que o salgueiro zurzidor não o tivesse esmigalhado . A professora Mc_Gonagall ergueu a varinha de_novo apontou a a a secretária de Snape . Um grande prato de sanduíches , duas taças de prata e um jarro com sumo de abóbora gelado apareceram em menos_de um segundo . - Vocês vão comer aqui e , em seguida , vão direitinhos para o vosso dormitório - disse . - Eu também tenho de voltar para a festa . Mal a porta se fechou atrás de ela , Ron soltou baixinho um assobio . - Pensei que estávamos feitos - confessou , agarrando uma sanduíche . - Também eu - disse o Harry , orando também uma . - Mas já viste bem a nossa pouca sorte ? - insistiu o Ron com a boca cheia de frango e fiambre . - O Fred e o George voaram em aquele carro cinco ou seis vezes e nenhum Muggle os viu - engoliu outro pedaço enorme de a sanduíche . - Porque será que não conseguimos passar a barreira ? Harry encolheu os ombros . - Mas temos de ter muito cuidado a_partir_de agora - disse bebendo um grande trago de sumo de abóbora . - Que pena não termos podido ir a o banquete . - Ela não quis que nos exibíssemos - afirmou Ron com prudência . - Não vão as pessoas pensar que é uma boa chegar aqui de carro voador . Quando já tinham comido todas_as sanduíches que queriam ( o prato ia voltando a encher se sozinho ) , levantaram se e saíram de o escritório , seguindo o caminho que lhes era familiar , para a torre de os Gryffindor . O castelo estava em silêncio . Parecia que o banquete tinha acabado . Passaram por retratos murmurantes e armaduras que gemiam e subiram os degraus estreitos de pedra até que , por fim , chegaram a a passagem onde a entrada secreta para a torre de os Gryffindor se encontrava oculta por detrás de o quadro a óleo de uma dama gorda em um vestido cor-de-rosa . - A senha ? - perguntou ela mal os dois se aproximaram . - Er ... Eles ainda não tinham estado com o prefeito de os Gryffindor e por isso ainda não conheciam a senha para o novo ano , mas a ajuda não se fez esperar . Ouviram passos apressados atrás de eles e quando se voltaram viram Hermione que se aproximava . - Aí estão vocês . Onde é_que se meteram ? Correm os boatos mais ridículos , alguém disse que vocês tinham sido expulsos por espatifarem um carro voador . - Bem , expulsos não fomos - tranquilizou a Harry . - Não estás a dizer me que voaram até aqui ? - perguntou Hermione em um tom quase tão severo como a professora Mc_Gonagall . - Dispensa se o sermão - interrompeu Ron impacientemente . - E diz nos a nova senha de passagem . - É crista de pássaro - disse Hermione não contendo a impaciência . - Mas o mais importante não é isso ... Contudo as palavras de ela foram interrompidas ao_mesmo_tempo que o retrato de a dama gorda se abria e se ouvia uma tempestade de aplausos . A o que parecia a equipa de os Gryffindor estava ainda acordada , dentro de a sala comum em forma de círculo , junto de as mesas assimétricas e de os cadeirões moles a a espera que eles chegassem para , de braços estendidos através de o buraco de o retrato , puxarem Harry e Ron para dentro deixando Hermione para o fim . - Sensacional - gritou Lee_Jordan . - Inspirado ! Que entrada ! Voar em um carro e aterrar em o salgueiro zurzidor . Toda_a_gente vai falar de isto durante anos e anos . - Muito bem - disse um aluno de o quinto ano com quem Harry nunca tinha falado . Alguém dava lhe palmadas em as costas como_se ele acabasse de vencer a maratona . Fred e George abriram caminho por_entre a multidão e disseram ao_mesmo_tempo : - Por_que é_que não nos chamaram , hein ? - Ron estava vermelho como um pimentão , sorrindo envergonhado , mas Harry via perfeitamente uma pessoa que não estava nada contente . Percy elevava se acima de as cabeças de os excitados alunos de o primeiro ano e parecia estar a tentar aproximar se para os repreender . Harry deu uma cotovelada a o Ron e apontou em direcção a Percy . Ron percebeu de imediato . - Temos de ir para_cima , um_pouco cansados ! - explicou e os dois começaram a abrir caminho em direcção a a porta que ficava de o outro lado de a sala e que dava para a escada em espiral e para os dormitórios . - ` _ Noite - despediu se Harry_de_Hermione que tinha um ar tão carrancudo como Percy . Conseguiram chegar a o outro lado de a sala comum sempre a levarem palmadas em as costas e alcançaram o sossego de as escadas . Apressaram se a subir e , por fim , chegaram a a porta de o dormitório que tinha agora um letreiro a dizer « Segundos_Anos » . Entraram em o quarto circular , que conheciam tão bem , com as suas cinco camas de dossel adornadas de velado vermelho e as suas janelas altas e estreitas . As malas tinham sido trazidas para_cima e colocadas a os pés de as camas . Ron fez um sorriso culpado . - Sei que não devia ter gostado de aquilo , mas ... A porta de o dormitório abriu se e os outros rapazes de os Gryffindor entraram ; eram eles o Seamus_Finnigan , o Dean_Thomas e o Neville_Loogbottom . - Inacreditável - aplaudiu Seamus . - Incrível - aprovou o Dean . - Espantoso - exclamou o Neville , aterrado . Harry não pôde evitar também um sorriso . VI_Gilderoy_Lockhart_No dia seguinte , contudo , Harry não conseguiu sorrir . As coisas começaram a correr mal logo em o salão durante o pequeno-almoço . Debaixo de o tecto encantado ( em aquele dia triste e cinzento ) estavam as quatro grandes mesas de as equipas e sobre elas , terrinas de papa de aveia , pratos de arenque defumado , montanhas de torradas e pratadas de ovos com * bacon * . Harry e Ron sentaram se em a mesa de os Gryffindor , junto de Hermione que tinha o seu exemplar de * _ Viagens com Vampiros * totalmente aberto , encostado a um jarro de leite . Havia uma certa rigidez em a maneira como ela disse : - ` _ Dia - que mostrou a Harry que continuava a desaprovar o modo como tinham chegado a a escola . Por seu turno , Neville_Longbottom saudou os entusiasticamente . Neville era um rapazinho de cara redonda , muito dado a acidentes , com a pior memória que Harry tinha conhecido . - A entrega de correio deve estar a chegar , acho que a minha avó me vai mandar umas quantas coisas de que me esqueci ... Harry tinha começado a comer as papas de aveia , quando se ouviu um ruído tumultuoso em o ar e umas cem corujas entraram ao_mesmo_tempo , sobrevoando o salão e deixando cair cartas e pacotes em o meio de a multidão faladora . Um embrulho grande e rugoso caiu em a cabeça de Neville e , um segundo depois , uma coisa larga e cinzenta caiu em o jarro de a Hermione , enchendo os a todos de leite e penas . - Errol - gritou o Ron , puxando a coruja esfarrapada por as patas . Errol caíra inconsciente sobre a mesa com as pernas para o ar e um envelope vermelho húmido em o bico . - Oh , não ! - sobressaltou se Ron . - Ela está bem , ainda está viva - tranquilizou o Hermione , tocando suavemente em a Errol com a ponta de o dedo . - Não é isso , é ... aquilo . Ron apontava para o envelope vermelho . Parecera perfeitamente vulgar a Harry , mas Ron e Neville estavam ambos a observá o como_se esperassem que explodisse . - Qual é o problema ? - perguntou Harry . - Ela . Ela mandou me um * gritador * - disse Ron , quase sem voz . - É melhor abrires - aconselhou Neville em um murmúrio tímido - senão é pior . A minha avó uma_vez mandou me um que eu ignorei e ... - engoliu em seco - foi horrível . Harry olhava , ora para as suas caras , ora para o envelope vermelho . - O que é um * gritador * ? - perguntou . - Mas toda_a atenção de o Ron estava fixa em a carta que começara a fumegar por os cantos . - Abre a - intimou o Neville . - De aqui a poucos minutos já passou tudo . Ron estendeu uma mão trémula , retirou o envelope de o bico de a Errol e começou a abri o . Neville pôs os dedos em os ouvidos . Após uma fracção de segundo , Harry compreendeu porquê . Pensou em o primeiro momento que ela explodira . Um ruído ensurdecedor encheu o enorme salão , fazendo cair pó de o tecto . - ... : __ roubar o carro ! não me surpreendia nada se te expulsassem . espera só até te pôr as mãos em cima . será que não paraste para pensar em a nossa aflição quando vimos que o carro tinha __ desaparecido ... Os gritos de Mrs._Weasley , ampliados cem vezes em relação a o seu normal , fizeram os pratos e as colheres chocalhar em a mesa e ecoaram de forma ensurdecedora em as paredes de pedra . Vinha gente de todos os lados espreitar quem tinha recebido o * gritador * e Ron afundou se tanto em a cadeira que só se lhe via a testa carmesim . - ... : __ uma carta de o dumbledore ontem a a noite , o teu pai quase morria de vergonha . não foi esta a educação que te demos , tu e o harry podiam ter __ morrido ... Harry estava a ver quando é_que o seu nome viria a a baila . Tentou o melhor que pôde agir como_se não ouvisse a voz , mas aquilo estava a fazer com que os tímpanos lhe latejassem . - ... : __ profundamente decepcionada , o teu pai vai ter de se confrontar com um inquérito em o trabalho , tudo por tua culpa e , se pisas mais_uma_vez o risco , trago te para __ casa ! Seguiu se um silêncio ressonante . O envelope vermelho , que caíra de as mãos de o Ron , incendiou se e encaracolou se em cinzas . Harry e Ron estavam sentados de boca aberta , como_se uma onda gigante lhes tivesse passado por cima . Algumas pessoas riam e , a os poucos , o ruído de as conversas recomeçou . Hermione fechou o * _ Viagens com Vampiros * e olhou para o topo de a cabeça de Ron . - Bem , não sei o que esperavas , Ron , mas tu ... - Não me venhas dizer que mereci - interrompeu Ron . Harry afastou as papas de aveia . O estômago ardia lhe de culpa . Mr._Weasley tinha um inquérito em o trabalho , depois de tudo_o_que Mr. e Mrs._Weasley tinham feito por ele durante o Verão ... Mas não teve muito_tempo para se demorar em aqueles pensamentos . A professora Mc_Gonagall circulava em volta de as mesas de os Gryffindor distribuindo horários . Harry pegou em o seu e viu que começavam por ter Herbologia , juntamente com os Hufflepuff . Harry , Ron e Hermione saíram juntos de o castelo , atravessaram as hortas e chegaram a as estufas , onde estavam guardadas as plantas mágicas . O * gritador * tivera pelo_menos uma vantagem : Hermione parecia achar que já tinham sido suficientemente castigados e estava de_novo perfeitamente calorosa . Quando estavam a chegar a as estufas viram o resto de a classe de pé , cá fora , a a espera de a professora Sprout . Harry , Ron e Hermione tinham acabado de se lhes juntar quando a viram aproximar se a passos largos por o relvado , acompanhada de Gilderoy_Lockhart . A professora Sprout era uma bruxa pequenina e atarracada que usava um chapéu a os remendos sobre o cabelo solto . As roupas que vestia estavam sempre cheias de terra e as suas unhas fariam a tia Petúnia desmaiar . Gilderoy_Lockhart , pelo_contrário , tinha um ar imaculado em as suas vestes azul-turquesa , o cabelo doirado a brilhar debaixo_de um chapéu azul-turquesa , com uma fita dourada , perfeitamente posicionado sobre a cabeça . - Olá a todos ! - gritou Lockhart , dirigindo se a o grupo de estudantes . - Estive a mostrar a a professora Sprout a maneira correcta de tratar um salgueiro . Mas não quero que fiquem com a ideia de que sou melhor do_que ela em Herbologia . Acontece que encontrei várias de estas plantas exóticas , durante as minhas viagens .... - Estufa número três hoje , meninos ! - disse a professora Sprout que estava visivelmente descontente , bem diferente de a sua habitual natureza bem-disposta . Houve um murmúrio de interesse . Eles só tinham estado uma_vez em a terceira estufa , que era uma estufa que abrigava plantas bem mais interessantes e perigosas . A professora Sprout tirou uma enorme chave de o cinto e abriu a porta . Harry sentiu o bafo de a terra húmida com adubo misturado e o perfume forte de umas flores gigantescas , de o tamanho de guarda-chuvas , que estavam penduradas de o tecto . Ia seguir Ron e Hermione , quando a mão de o Lockhart o travou . -- Harry ! Tenho querido ter uma palavrinha contigo . Não se importa se ele chegar uns minutos atrasado , pois não , professora Sprout ? A julgar por a expressão carregada de a professora Sprout , importava se sim , mas Lockhart disse : - Então até já - e fechou a porta de a estufa em a cara de ela . - Harry ! - disse Lockhart , com os dentes brancos a brilharem a o sol , enquanto abanava a cabeça . - Harry , Harry , Harry ! Harry , totalmente perplexo , não disse uma palavra . - Quando ouvi dizer , bem , é claro que eu tive muita culpa , deviam castigar me também ... Harry não fazia ideia de que estava ele a falar , quando Lockhart prosseguiu : - Nunca me lembro de ficar tão chocado . Fazer voar um automóvel até Hogwarts ! Bem , é claro que eu percebi logo porque o fizeste . Foi um destaque em grande . Harry , Harry , Harry ! Era notável como ele conseguia mostrar todos aqueles dentes brilhantes , mesmo quando não estava a falar . - Criei te o gosto por a publicidade , não foi ? - perguntou Lockhart . - Passei te o bichinho . Apareceste comigo em a primeira página e não podias esperar para aparecer outra_vez ... - Oh , não , professor , sabe é_que ... - Harry , Harry , Harry - disse Lockhart aproximando se e tocando lhe em o ombro . - * _ Eu compreendo * . É natural querer um_pouco mais quando se lhe tomou o gosto , e eu culpo me por te ter dado esse conhecimento , porque era natural que te subisse a a cabeça , mas vê uma coisa , rapazinho , tu não podes começar a fazer voar carros para tentares ser notícia . Tens de acalmar , está bem ? Tens muito_tempo quando fores mais velho . Sim , sim , eu sei o que estás a pensar ! É fácil para ele falar assim , já é um feiticeiro internacionalmente famoso ! Mas quando eu tinha doze anos era tão zé-ninguém como tu és hoje . Em a verdade , era ainda mais . De ti , já meia_dúzia de pessoas ouviram falar , não é ? Toda aquela história com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . - Olhou para a cicatriz luminosa em a testa de Harry . - Eu sei , eu sei , não é o mesmo_que vencer o Prémio de o sorriso de o feiticeiro de a semana cinco vezes seguidas , como eu venci , mas é um começo , Harry , é um começo . Lançou lhe uma piscadela de olhos cordial e foi se embora . Harry ficou atarantado durante alguns segundos . Depois , lembrando se que deveria estar em a estufa , abriu a porta e esgueirou se lá para dentro . A professora Sprout estava de pé , por_detrás_de uma espécie de mesa em o meio de a estufa . Em cima de a mesa estavam cerca de vinte pares de abafo de ouvidos de diferentes cores . Quando Harry estava já em o seu lugar , entre Ron e Hermione , ela disse : - Hoje vamos transplantar Mandrágoras . Muito bem , quem sabe dizer me as propriedades de a Mandrágora ? Não foi surpresa para ninguém que a mão de a Hermione fosse a primeira em o ar . - A Mandrágora tem um efeito reparador muito poderoso - disse Hermione , com o ar mais normal de este mundo , como_se tivesse engolido o livro de texto . - É usada para fazer voltar as pessoas , que foram transfiguradas ou amaldiçoadas , a o seu estado original . - Excelente . Dez pontos para os Gryffindor ! - exclamou a professora Sprout . - A Mandrágora é parte integrante de a maior parte de os antídotos , mas também é perigosa . Quem sabe dizer me porquê ? A mão de Hermione por_pouco não bateu em os óculos de Harry , quando se ergueu de_novo . - O grito de a Mandrágora é fatal para quem o ouve - disse prontamente . - Precisamente . Dou lhe mais dez pontos - disse a professora Sprout . - Agora vejamos , as Mandrágoras que aqui temos são ainda muito jovens . Enquanto falava , apontou para uma fila de tabuleiros com uma certa profundidade e todos se chegaram a a frente para ver melhor . Cerca de uma centena de plantinhas tufosas de um verde arroxeado cresciam em filas . Pareceram perfeitamente vulgares a Harry , que não fazia a menor ideia do_que Hermione queria dizer com o * grito * de a Mandrágora . - Cada_um de vocês pode tirar um par de abafo de ouvidos - disse a professora Sprout . Houve uma competição renhida porque ninguém queria os cor-de-rosa , cheios de penugem . - Quando eu vos disser para os colocar , assegurem se de que os vossos ouvidos estão completamente tapados - disse a professora Sprout . - Logo_que seja seguro retirá os , eu levanto os dedos . Certo , pôr os abafos de os ouvido . Harry pôs imediatamente os abafos em os ouvidos . Eles fecharam completamente o som . A professora Sprout colocou também um par de abafos cor-de-rosa com penugem em os de ela , arregaçou as mangas de a túnica , agarrou uma de as plantas tufosas e puxou com toda_a força . Harry soltou um grito de surpresa que ninguém ouviu . Em_vez_de raízes , um bebé pequenino , enlameado e extremamente feio , saiu de a terra . As folhas cresciam lhe em o alto de a cabeça , tinha uma pele pintalgada de um pálido esverdeado e estava nitidamente a berrar a plenos pulmões . A professora Sprout tirou debaixo de a mesa um grande vaso de plantas e mergulhou lá dentro a Mandrágora , enterrando a em a mistura escura e húmida , até que só as folhas ficassem visíveis . Em seguida , limpou a terra de as mãos , levantou os dedos e todos eles retiraram os abafos de os ouvidos . - Como as nossas Mandrágoras são muito novas , os seus gritos ainda não matam - disse ela com grande calma , como_se tivesse feito algo tão normal como regar uma begónia . - Contudo , podem pôr vos a dormir durante várias horas e , como com certeza nenhum de vocês quer perder o primeiro dia de aulas , vejam se os abafos estão bem colocados enquanto trabalham . Eu chamarei vos a atenção quando for altura de os retirar . - Quatro em cada fila , há aqui uma grande quantidade de vasos , a mistura de terra está em os sacos ali a o fundo e tenham cuidado com a * _ Venomous_Tentacula * , estão a nascer lhe os dentes . Enquanto falava , deu uma pancada seca a uma planta vermelha escura cheia de pontas eriçadas , fazendo a encolher as longas antenas que tinham estado a avançar lenta e dissimuladamente sobre o seu ombro . A Harry , Ron e Hermione veio juntar se em a fila um rapaz de cabelo encaracolado de os Hufflepuff que Harry conhecia de vista , mas com quem nunca tinha falado . - Justin_Finch - _ Fletchey - disse ele com vivacidade , apertando a mão de o Harry . - Conheço te , claro , o famoso Harry_Potter ... e tu és a Hermione_Granger , sempre a primeira em tudo ( Hermione brilhou em um sorriso , como_se ele lhe tivesse apertado a mão ) e Ron_Weasley . Não era teu o carro voador ? Ron não sorriu . Não lhe saía de a cabeça o * gritador * . - Aquele Lockhart é o_máximo , não acham ? - disse Justin satisfeito , enquanto começavam a encher os vasos com composto de adubo de dragão . - Terrivelmente corajoso . Leram os livros de ele ? Eu teria morrido de medo se um lobisomem me tivesse encurralado em uma cabina telefónica , mas ele manteve se calmo e ... zap ... fantástico ! « Eu estava inscrito em Eton , sabem , não imaginam como estou feliz de ter vindo antes para aqui . É claro que a minha mãe ficou um_pouco desiludida , mas depois de lhe ter dado os livros de Lockhart a ler , tenho a impressão de que ela começou a ver a utilidade de ter um feiticeiro bem treinado em a família ... Depois de isso , não tiveram grandes oportunidades para conversar . Voltaram a pôr os abafos de ouvidos e era preciso concentrarem se em as Mandrágoras . A professora Sprout fizera as coisas parecerem extremamente simples , mas não eram . As Mandrágoras não gostavam de sair de a terra mas também não pareciam querer voltar para lá . Elas contorceram se , deram pontapés , agitaram as mãozinhas finas e rangeram os dentes . Harry levou dez minutos inteirinhos a tentar meter uma Mandrágora particularmente gorda dentro_de um vaso . Em o final de a aula , Harry , como todos os outros , estava a suar , cheio de dores e coberto de terra . Regressaram a o castelo a pé para um banho rápido e , em seguida , os Gryffindor apressaram se para assistir a a aula de transfiguração . As aulas de a professora Mc_Gonagall eram sempre complicadas , mas a de aquele dia era particularmente difícil . Tudo_o_que o Harry aprendera em o ano anterior parecia ter se lhe apagado de a memória durante o Verão . Ele deveria ser capaz de transformar uma barata em um botão , mas , tudo_o_que conseguiu foi fazer a barata praticar um imenso exercício , enquanto corria apressadamente por o tampo de a secretária evitando a varinha . Ron estava a debater se com problemas bastante piores . Tinha atado a varinha com uma fita mágica , mas parecia que não havia reparação possível . Não parava de crepitar e lançar faíscas em os momentos mais estranhos e , sempre_que Ron tentava transfigurar a barata , via se envolvido em um fumo cinzento espesso que cheirava a ovos podres . Incapaz de ver o que estava a fazer , o Ron esmagou , por engano , a barata com o cotovelo e teve de ir pedir que lhe dessem outra , o que deixou a professora Mc_Gonagall muito pouco satisfeita . Harry ficou aliviado quando ouviu tocar a campainha para o almoço . Sentia a cabeça como uma esponja espremida . Todos os alunos saíram em fila de a aula excepto ele e Ron que dava furiosas varadas em a secretária . - Coisa estúpida e inútil . - Escreve a os teus pais a pedir outra - sugeriu Harry , enquanto a varinha disparava com estrondo um foguete explosivo . - Ah pois , e receber outro * gritador * em a volta de o correio - respondeu Ron , metendo a varinha que já assobiava , dentro de o saco . - * _ A culpa é toda tua se a varinha está estragada * ... Desceram para o almoço e aí a disposição de o Ron não iria melhorar com Hermione a mostrar lhe uma mão-cheia de botões de casaco , perfeitinhos , que produzira em a transfiguração . - O que temos esta tarde ? - quis saber Harry , mudando rapidamente de assunto . - Defesa contra as artes negras - disse Hermione , sem perder tempo . - Porque é_que tu ... - perguntou Ron , pegando em o horário de ela - desenhaste corações em volta de as aulas de o Lockhart ? Hermione arrancou lhe o horário de as mãos , corando furiosa . Acabaram de almoçar e foram para o pátio carregado de nuvens . Hermione sentou se em um degrau de pedra e enfiou de_novo o nariz em as * _ Viagens com Vampiros * . Harry e Ron ficaram a falar de Quidditch durante alguns minutos antes de Harry se aperceber de que estava a ser observado de perto . Olhando para_cima viu o rapazinho pequenino com cabelo de rato que ele vira experimentar o chapéu seleccionador em a noite anterior , olhando para ele com uma expressão petrificada . Estava agarrado a o que parecia ser uma vulgar máquina fotográfica de os Muggles e , em o momento em que Harry olhou para ele , ficou todo vermelho . - Tudo bem , Harry ? Eu sou Colin_Creevey - disse , faltando lhe o ar e adiantando se a qualquer pergunta . - Estou em os Gryffindor também . Não te importavas que eu tirasse uma fotografia ? - perguntou , levantando a máquina cheio de expectativa . - Uma fotografia ? - repetiu Harry , inexpressivo . - Para eu provar que te conheci - disse Colin_Creevey cheio de ansiedade , continuando : - Eu sei tudo a teu respeito . Toda_a_gente me tem contado como sobreviveste quando O_Quem nós sabemos tentou matar te , como ele desapareceu depois de isso e como ficaste com a cicatriz em forma de relâmpago em a testa ( os seus olhos procuraram a linha de cabelo de Harry ) e um rapaz de o meu dormitório disse que se eu revelasse o filme em a posição certa ele mexia . - Colin respirou fundo , estremecendo de excitação e disse : - Isto_é fantástico , aqui , não achas ? Eu não sabia que todas_as coisas estranhas que fazia eram magia até a o dia em que recebi uma carta de Hogwarts . O meu pai é leiteiro . Também ele não queria acreditar . Por isso estou a tirar montes de fotografias para lhe mandar e era mesmo bom se tivesse uma tua - parecia implorar . - Talvez o teu amigo pudesse tirá a e assim eu ficava a o teu lado . E depois , podias assiná a ? - Assinar fotografias ? Estás a dar fotos autografadas , Potter ? Alta e mordaz , a voz de Draco_Malfoy ecoou em o pátio . Estava parado mesmo atrás_de Colin , ladeado , como sempre andava em Hogwarts , por os seus fortes guarda-costas Crabbe e Goyle . - Ei gente , façam bicha - gritou Malfoy a a multidão . - Harry_Potter está a dar fotos autografadas ! - Não estou coisa nenhuma - disse Harry , zangado , com os punhos em o ar . - Cala a boca , Malfoy . - Tu tens é inveja - começou a dizer Colin , cujo corpo era de o tamanho de o pescoço de Crabbe . - Inveja - repetiu Malfoy que não precisava de gritar mais , metade de o pátio estava a ouvi o . - De quê ? Não preciso de uma cicatriz em a cabeça , muito obrigado . Não acho que ter um corte em a testa torne alguém especial . Crabbe e Goyle riram estupidamente - Vai pastar caracóis , Malfoy - disse o Ron furioso . Crabbe parou de rir e começou a esfregar os nós de os dedos enormes de uma forma ameaçadora . - Tem cuidado , Weasley - escarneceu Malfoy . - Com certeza não queres começar uma rixa ou a tua mãezinha tem de vir cá para te tirar de a escola - e com uma voz aguda e penetrante : - * _ Se voltas a pisar o risco * ... Um grupo de alunos de o quinto ano de os Slytherin que estava ali perto , riu se bastante alto . - O Weasley gostaria de ter uma foto tua autografada , Potter - escarneceu de_novo Malfoy . - Era capaz de valer mais do_que a casa onde ele mora com a família . Ron sacou de a sua varinha amarrada com fita , mas Hermione fechou as * Viagens com Vampiros * com um estrondo e avisou : - Atenção . - O que é isto , o que é isto ? - Gilderoy_Lockhart aproximava se com o seu manto azul-turquesa girando em torvelinho atrás de ele . - Quem está a dar fotos autografadas ? Harry ia começar a explicar , mas foi interrompido quando Lockhart lhe pôs jovialmente o braço em cima de os ombros . - Mas que pergunta a minha ! Cá estamos nós de_novo , Harry ! Preso ao_lado_de Lockhart e a arder de humilhação , Harry viu Malfoy deslizar com o seu sorriso desdenhoso por o meio de a multidão . - Vamos lá então , Mr._Creevey - disse Lockhart , dirigindo se a Colin . - Uma foto dupla , já viu a sua sorte ? E assinamos a os dois para si . Colin ajustou a máquina e tirou a fotografia em o preciso momento em que a campainha tocava para as aulas de a tarde . - Está em a hora , todos para dentro - gritou Lockhart a a multidão e regressou a o castelo levando a o seu lado o Harry que só lamentava não conhecer um feitiço que o fizesse desaparecer . - Uma palavra só , Harry - disse Lockhart paternalmente , enquanto entravam em o edifício por uma porta lateral . - Eu ajudei te há bocado com o jovem Creevey porque se ele estivesse a fotografar me também a mim os teus colegas não reparariam tanto que estavas a exibir te ... Indiferente a a gaguez de Harry , Lockhart arrastou o para um corredor ladeado de alunos que os olhavam espantados e subiram uma escada . - Deixa me só dizer te uma coisa : dar fotografias autografadas em esta fase de a tua carreira , francamente , não é sensato , Harry , parece um_pouco megalómano . Pode ser que um dia mais tarde , tal_como eu , sejas obrigado a assinar para multidões onde quer que vás , mas - fez uma pequena pausa - não me parece que seja o caso , por enquanto . Tinham chegado a a aula de Lockhart e ele largou finalmente o Harry que sacudiu a túnica e foi sentar se em um lugar bem lá atrás onde começou por empilhar os livros de Lockhart a a sua frente para evitar olhar para a criatura . O resto de a aula entrou ruidosamente e Ron e Hermione foram sentar se um de cada lado de Harry . - Tu estavas vermelho como um pimentão - disse o Ron . - Reza para que o Creevey não se torne amigo de a Ginny senão bem podem criar o clube de * fans * de Harry_Potter . - Cala a boca - interrompeu Harry . A última coisa que desejava era que o Lockhart ouvisse a expressão « clube de * fans * de Harry_Potter « . Quando todos estavam em os seus lugares , Lockhart pigarreou alto e fez se silêncio . Ele inclinou se para a frente , pegou em o exemplar de Neville_Longbottom de * _ viagens com Duendes * e levantou o para mostrar a sua fotografia a piscar os olhos em a capa . - Eu - disse apontando para a fotografia e piscando também os olhos - Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , terceiro ano , membro honorário de a Liga_de_Defesa contra as artes negras e cinco vezes vencedor de o prémio de o * _ Feiticeiro de a semana * por o sorriso mais charmoso . Mas não vamos falar de isso , não venci a fada carpideira de Bandon a sorrir para ela ! Esperou que eles se rissem . Alguns alunos sorriram timidamente . - Já vi que todos vocês compraram a minha obra completa . Muito bem . Pensei começar hoje com um pequeno interrogatório escrito . Nada de complicado , só para perceber se leram bem os meus livros e o que apreenderam ... Depois de distribuir as folhas de teste voltou se para os alunos e disse : - Têm trinta minutos . Comecem já . Harry olhou para o papel e leu : *1 . Qual é a cor preferida de Gilderoy_Lockhart ? *2 . Qual é a ambição secreta de Gilderoy_Lockhart ? *3 . Qual é , em a sua opinião , a maior realização de Gilderoy_Lockhart até a o momento ? * E_por_aí adiante , ao_longo_de três páginas , terminando com : *54 . Qual é o dia de aniversário de Gilderoy_Lockhart e qual seria o seu presente preferido ? * Meia_hora mais tarde , Lockhart recolheu os pontos e folhou os rapidamente em frente de os alunos . - Tut , tut , quase ninguém se lembrou que a minha cor preferida é o lilás . Eu digo o em * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves * . Alguns precisam de voltar a ler com mais cuidado * Fim-de - _ Semana com Um Lobisomem * . Eu afirmo claramente em o décimo segundo capítulo que o meu presente de aniversário preferido seria a harmonia entre todos os seres , mágicos e não mágicos , embora não me importasse de receber uma garrafa grande de * whisky * velho de a Ogden's_Old_Firewhisky . Piscou lhes o olho de_novo . Ron olhava para Lockhart com uma expressão de incredulidade em o rosto . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas que estavam sentados a a frente tremiam de tanto conter o riso . Hermione , contudo , ouvia Lockhart com extrema atenção e deu um salto quando ouviu o seu nome . - Mas Miss_Hermione_Granger sabia que a minha ambição secreta era libertar o mundo de o mal e pôr a a venda a minha gama de poções de tratamento de o cabelo . Muito bem - voltou o papel . - Nota máxima ! Onde está Miss_Hermione_Granger ? Hermione ergueu uma mão trémula . - Excelente - bradou Lockhart , exultante . - Leva dez pontos para os Gryffindor . E vamos a o trabalho . Baixou se atrás de a secretária e pegou em uma grande gaiola coberta . - Ficam desde_já a saber , a minha função é preparar vos contra as criaturas mais malignas que a feitiçaria conhece . Vocês podem ter que enfrentar os maiores medos em esta sala . Saibam que nenhum mal vos sucederá comigo aqui . Só vos peço que se mantenham calmos . Ultrapassando os seus sentimentos , Harry espreitou através de a pilha de livros para ver melhor a gaiola . Lockhart colocou uma mão em a tampa . Dean e Seamus tinham deixado de se rir . Neville estava agachado em o seu lugar de a fila de a frente . - Vou pedir vos que não façam barulho - disse Lockhart em voz baixa . - Podem assustá os . Enquanto a aula inteira continha a respiração , Lockhart tirou a cobertura . - Sim - disse em um tom dramático . - Duendes_da_Cornualha recém-capturados . Seamus_Finnigan não conseguiu controlar se . Soltou uma gargalhada que nem Lockhart poderia confundir com um grito de terror . - Sim ? - sorriu a Seamus . - Bem , eles não são , não são perigosos , pois não ? - perguntou a rir . -- Não tenhas tanta certeza de isso - afirmou Lockhart , aborrecido , abanando um dedo , em direcção a Seamus . - Podem ser maçadores e muito traiçoeiros . Os duendes eram de um azul-eléctrico e tinham cerca de vinte centímetros de altura com feições angulosas e umas vozes tão estridentes que era como ouvir uma discussão entre araras . Logo_que o pano foi retirado , começaram a fazer uma enorme algazarra , a andar de um lado para o outro , batendo em as grades e fazendo caretas a as pessoas que estavam mais perto . - Muito bem - disse Lockhart em voz alta . - Vamos então ver o que vocês conseguem fazer de eles - e abriu a gaiola . Foi um pandemónio . Os duendes dispararam em todas_as direcções como foguetes . Dois de eles agarraram o Neville por as orelhas e levantaram o a o ar . Vários outros foram direitos a a janela , fazendo chover vidros partidos até a a fila de trás . Os restantes decidiram destruir a sala com maior eficácia do_que um rinoceronte em fúria . Agarraram em os tinteiros e salpicaram tudo em volta , rasgaram a os bocados livros e papéis , arrancaram os quadros de as paredes , levantaram a o ar a gaiola vazia , agarraram livros e sacos e lançaram nos por a janela de vidros estilhaçados . Em poucos minutos , metade de a aula estava abrigada debaixo de as secretárias e o Neville pendurado em o candelabro de o tecto . - Vamos lá , agarrem nos , agarrem nos , são apenas duendes ... - gritava Lockhart . Arregaçou as mangas , bramiu a varinha e pronunciou * Peshipiksi_Pesternomi ! * As palavras não tiveram o menor efeito . Um de os duendes pegou em a varinha de Lockhart e atirou a também por a janela fora . Lockhart engoliu em seco e mergulhou debaixo de a secretária , não sendo , por um triz , esmagado por o Neville que caiu um segundo depois , quando o candelabro cedeu . A campainha tocou e houve uma louca precipitação para a porta . Em a calma relativa que se seguiu , Lockhart endireitou se , olhou para Harry , Ron e Hermione que estavam quase a chegar a a porta e disse : - Bem , vou pedir vos a os três que prendam o resto de os duendes em a gaiola - passou por eles e fechou rapidamente a porta atrás_de si . - Isto dá para acreditar ? - resmungou o Ron , enquanto um de os duendes lhe mordia com toda_a força uma de as orelhas . - Ele só quer dar nos uma ajuda , permitindo nos ganhar experiência - justificou Hermione , imobilizando dois duendes de uma_vez com um encantamento de paralisação e metendo os de_novo em a gaiola . - Experiência ? - disse Harry , tentando agarrar um duende que dançava com a língua de_fora . - Hermione , ele não sabia nada do_que estava a fazer . - Disparate - retorquiu Hermione . - Leste os livros de ele . Vê só as coisas que ele já fez ! - Que diz que fez - resmungou o Ron . VII_Sangue de lama e murmúrios Harry passou imenso tempo , em os dias que se seguiram , a fugir sempre_que via Gilderoy_Lockhart aproximar se em o corredor . Mais difícil de evitar era Colin_Creevey que parecia ter decorado o horário de Harry . Parecia que nada o emocionava mais do_que dizer : - Tudo bem , Harry ? - seis ou sete vezes por dia e ouvir : - Olá , Colin - por mais exasperado que Harry estivesse quando lhe respondia . A Hedwig ainda estava zangada com Harry por causa de a desastrosa viagem de automóvel e a varinha de o Ron continuava a não funcionar , tendo ultrapassado tudo em a sexta-feira de manhã quando lhe saltou de as mãos em a aula de encantamentos e foi agredir o velho e baixinho professor Flitwick mesmo entre os olhos , deixando uma enorme bolha latejante em o sítio onde tinha batido . Por tudo_isso Harry via chegar , com satisfação , o fim_de_semana Planeava ir em o Sábado de anhã , com Ron e Hermione visitar o Hagrid . Mas foi acordado várias horas mais cedo do_que desejaria por Oliver ood , treinador de a equipa de Quidditch_dos_Gryffindor . - _ o que é_que se passa ? - perguntou Harry , enrolando as palavras . - Treino_de_Quidditch - disse Wood . - Vamos embora . Harry lançou um olhar de esguelha a a janela . Uma neblina fina pairava em o céu rosa e dourado . Agora_que estava acordado não percebia como pudera dormir com a algazarra que os pássaros faziam . - Oliver resmungou Harry . - É de madrugada . - Exacto - respondeu Wood . Era um rapaz alto e corpulento de o sexto ano e em aquele momento os olhos brilhavam lhe loucamente de entusiasmo . - Faz parte de o nosso novo programa de treinos . Anda lá , vai buscar a vassoura e vamos embora - insistiu Wood empenhado . - Nenhuma de as outras equipas começou ainda a treinar . Vamos ser os primeiros este ano ... A bocejar e a tremer um_pouco , Harry saltou de a cama e tentou descobrir as suas túnicas de Quidditch . - Bem , encontramo nos em o campo , dentro_de quinze minutos . Depois de descobrir a sua roupa escarlate de equipa e pôr o manto por cima para se aquecer , Harry escreveu a o Ron um bilhete a explicar onde tinha ido e desceu por a escada de espiral para a sala comum com a sua Nimbos dois inil a o ombro . Tinha acabado de chegar junto de o buraco de o retrato quando ouviu um barulho atrás_de si e viu Colin_Creevey descer a escada de espiral com a máquina fotográfica pendurada a o pescoço a balouçar como louca e uma coisa em a mão . - Ouvi alguém chamar o teu nome em as escadas , Harry olha o que tenho aqui . Revelei a e queria mostrar te . Harry olhou assombrado para a fotografia que Colin lhe espetava em frente de o nariz . Um Lockhart a preto e branco movia se , puxando com toda_a força um braço que Harry reconheceu como sendo o seu . Ficou satisfeito a o constatar que estava a resistir bastante bem , recusando se a ser trazido para a vista de todos . Enquanto Harry observava , Lockhart desistiu e desinteressou se de lutar contra a parte branca de a fotografia . - Assinas para mim ? - pediu Colin entusiasmado . - Não - respondeu secamente Harry , olhando em volta para verificar se o caminho estava livre . - Desculpa_Colin , mas estou cheio de pressa , treino de Quidditch . Passou por o buraco de o retrato . - Oh Uau ! Espera por mim . Eu nunca vi um jogo de Quidditch . Colin trepou por o buraco de o retrato atrás de ele . - Vai ser uma chatice para ti - disse Harry rapidamente , mas Colin ignorou o comentário . Todo o seu rosto brilhava de satisfação . - Tu foste o jogador mais novo de a equipa em cem anos , não foste Harry ? Não foste ? - perguntava Colin , trotando para o acompanhar . - Deve ser fantástico . Eu nunca voei . É fácil ? Essa vassoura é a tua ? É a melhor que há ? Harry não sabia como ver se livre de ele . Era como ter uma sombra que não se calava . - Eu não percebo nada de Quidditch - disse Colin , já sem fôlego . - É verdade que há quatro bolas ? E que duas anda n a voar , tentando fazer os jogadores caírem de as vassouras ? - Sim - disse Harry lentamente , resignado com o ter de lhe explicar as complicadas regras de o Quidditch . - São as * bludgers * . Há dois * beaters * em cada equipa que têm bastões para bater em as * bludgers * e lançá as para o outro lado . O Fred e o George_Weasley são os * beaters * de os Gryffindor . - E para que servem as outras bolas ? - perguntou Colin , saltando uma série de degraus porque ia a olhar para o Harry de boca aberta . - Bem , a * quaffle * , que é a vermelha grandalhona , é a que marca os golos . Três * chasers * em cada equipa lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam fazes a entrar em as balizas que ficam em o extremo de o campo onde há três grandes postes com argolas em as pontas . - E a quarta bola ? - A * snitch * dourada - explicou Harry . - É muito pequenina e veloz e extremamente difícil de agarrar . Mas é isso que o * seeker * tem de fazer , porque o jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * for agarrada . E o * seeker * que conseguir agarrá a ganha para a sua equipa mais cento_e_cinquenta pontos . - E tu és o * seeker * de os Gryffindor , não és ? - perguntou Colin respeitosamente . - Sim - disse Harry enquanto saíam de o castelo e começavam a atravessar o relvado . - E há também o * keeper * que toma conta de os postes . É isto . Mas Colin não parou de fazer perguntas desde os relvados macios até a o campo de Quidditch e Harry só se viu livre de ele quando chegaram a os vestiários . Colin gritou em uma voz aguda : - Eu vou arranjar um lugar , Harry - e apressou se em direcção a as bancadas . O resto de a equipa de os Gryffindor já se encontrava em os vestiários . Wood era o único que tinha aspecto de estar bem acordado . Fred e George_Weasley estavam sentados com olhos de sono e cabelos desgrenhados junto de Alicia_Spinnet de o quarto ano que parecia inclinar se contra a parede que tinha atrás_de si . Os seus companheiros * chasers * , Katie_Bell e Angelina_Johnson bocejavam em frente de ela . - Até que enfim , Harry , porque é_que demoraste tanto ? - perguntou Wood cheio de actividade . - Eu queria ter uma pequena conversa convosco antes de entrarmos propriamente em campo porque passei o Verão a conjecturar um novo programa de treinos que acredito vai estabelecer grandes mudanças . Wood tinha em as mãos um grande mapa de um campo de Quidditch onde estavam desenhadas muitas linhas , setas e cruzes a tinta de várias cores . Pegou em a varinha , bateu com ela em o quadro e as setas começaram a mover se em o mapa como tractores . Enquanto Wood se lançava em um discurso sobre as suas novas técnicas , a cabeça de Fred_Weasley caiu sobre o ombro de Alicia_Spinnet e ele começou a ressonar . O primeiro mapa levou quase vinte minutos a explicar , mas debaixo de esse havia outro e ainda um terceiro . Harry caiu em uma letargia enquanto Wood continuava indefinidamente . - Então - disse por fim o treinador , arrancando Harry de a avidez de uma fantasia sobre o que poderia estar a comer se se encontrasse em aquele momento em o castelo . - Ficou tudo claro ? Alguma pergunta ? - Eu tenho uma pergunta , Oliver - disse George que acordou estremunhado . - Porque não nos explicaste tudo_isso ontem , quando estávamos acordados ? Wood não ficou nada satisfeito . - Ouçam bem , vocês todos - disse , voltando se para eles mal-humorado . - Nós deveríamos ter ganho a taça de Quidditch o ano passado . Somos de longe a melhor equipa , mas , infelizmente , devido_a circunstancias que estão para_além de o nosso controlo ... Harry mudou de posição em a cadeira sentindo se culpado . Estivera inconsciente em o hospital durante o campeonato final de o ano anterior o que fez com que os Gryffindor com um jogador a menos tivessem sofrido a pior derrota de os últimos trezentos anos . Wood levou um momento a controlar se . Era evidente que a última derrota ainda o torturava . - Portanto , este ano vamos fazer um treino mais duro , como nunca se fez . O. _ K. , vamos lá pôr as teorias em prática - gritou , pegando em a vassoura e conduzindo os para fora de o vestiário . Com as pernas trôpegas e ainda a bocejar , a equipa seguiu o . Tinham estado tanto tempo lá dentro que o sol já tinha nascido e brilhava em o céu embora uma réstia de neblina pairasse ainda sobre o relvado de o campo . Quando Harry entrou em campo viu Ron e Hermione sentados em as bancadas . - Ainda não acabaram ? - perguntou Ron em um tom incrédulo . - Ainda nem começamos - explicou Harry , olhando cheio de inveja para a torrada com doce de laranja que Ron e Hermione tinham trazido de o salão . - O Wood tem estado a ensinar nos as jogadas . Subiu para a vassoura e deu um pontapé em o chão , elevando se em o ar . O ar fresco de a manhã bateu lhe em o rosto fazendo o acordar com mais eficácia do_que o longo discurso de Wood . Era maravilhoso voltar a estar em o campo de Quidditch . Voou em volta de o estádio a toda a a velocidade competindo com Fred e George . - Que barulhinho estranho é aquele ? - perguntou o Fred quando deram a volta . Harry olhou para as bancadas . Colin estava sentado em um de os lugares mais altos com a máquina fotográfica em o ar , tirando fotografia sobre fotografia , o som estranhamente ampliado em o estádio deserto . - Olha para ali , Harry , para ali - gritava de forma estridente . - Quem é aquele ? - perguntou Fred . - Não faço ideia - mentiu Harry , disparando a_toda_a velocidade e distanciando se o mais possível de Colin . - O que se passa aí ? - perguntou Wood , franzindo a testa enquanto corria por os ares atrás de eles . - Porque está aquele aluno de o primeiro ano a tirar fotografias ? Não me agrada . Pode ser um espião de os Slytherin a tentar descobrir o nosso novo programa de treinos . - Ele é de os Gryffindor - disse Harry rapidamente . - E os Slytherin não precisam de um espião , Oliver - completou George . - Porque dizes isso ? - perguntou Wood irritado . - Porque estão aqui em peso - disse George , apontando com o dedo . Vários indivíduos com túnicas verdes vinham em aquele momento a entrar em o campo de vassouras em a mão . - Não posso acreditar - reagiu Wood , sentindo se ultrajado . - Eu reservei o estádio para hoje . Já vamos ver como é_que isto fica ! Wood baixou direito a o chão sendo levado por a fúria a aterrar com mais força do_que pretendia e a cambalear um_pouco quando começou a andar seguido de o Harry e de o Ron . - Flint - bradou para o treinador de os Slytherin . - Este é o nosso tempo de treino . Levantámo nos de propósito . Vocês têm de sair de aqui . Marcus_Flint era ainda mais corpulento do_que Wood . Tinha em o rosto uma expressão de duende travesso quando respondeu : - Há espaço para todos , Wood . Angelina , Alicia e Katie tinham vindo também . Em a equipa de os Slytherin não havia raparigas que enfrentassem a o lado de os rapazes os Gryffindor . - Mas eu reservei o estádio - repetiu Wood de modo afirmativo , cuspindo de raiva . - Reservei o . - Ah ! - exclamou Flint . - Mas eu tenho aqui uma licença especial assinada por o professor Snape . * _ Eu , professor Snape , autorizo a equipa de os Slytherin a praticar hoje em o campo de Quidditch devido a a necessidade de treinar o seu novo seeker . * - Têm um novo * seeker * ? - perguntou Wood perturbado . - Onde ? E detrás de as seis figuras corpulentas que tinham em a frente , viram surgir uma sétima : um rapaz mais pequeno com um sorriso afectado espelhado em o rosto pálido e anguloso . Era_Draco_Malfoy . - Não és o filho de o Lucius_Malfoy ? - perguntou Fred , olhando para ele com antipatia . - Curioso que refiras o pai de o Draco - disse Flint enquanto toda_a equipa de os Slytherin sorria de modo grosseiro . - Deixem me mostrar vos a generosa oferta que ele fez a a equipa de os Slytherin . Os sete exibiram as suas vassouras . Sete cabos novos , polidos , com inscrições em letras douradas de as palavras « Nimbus dois_mil_e_um « brilharam a o sol de a manhã , em frente de o nariz de os Gryffindor . - O último modelo . Só chegou em o mês passado - disse Flint , displicentemente , sacudindo a poeira de o cabo de a sua vassoura . - Julgo que ultrapassam de longe as velhas séries de dois_mil . Quanto a as Cleansweeps - sorriu de forma mesquinha para Fred e George que tinham ambos Cleansweep_Fives - essas já só servem para varrer . Nenhum de os Gryffindor foi capaz de abrir a boca em aquele momento . Malfoy sorria tanto que os seus olhos de gelo estavam reduzidos a duas rachas . - Oh vejam - disse Flint . - Uma invasão de o campo . Ron e Hermione atravessavam o relvado para ver o que se passava . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron a o Harry . - Porque não estão a jogar e o que faz ele aqui ? Olhava para Malfoy em as suas vestes de Quidditch . - Sou o novo * seeker * de os Slytherin , Weasley - disse Malfoy com ar presumido . - Têm estado todos a admirar as vassouras que o meu pai comprou para a nossa equipa . Ron olhou de boca aberta para as sete vassouras que tinha em a frente . - São boas , não são ? - disse Malfoy untuosamente . - Mas talvez a equipa de os Gryffindor consiga levantar algum ouro e comprar também vassouras novas . Vocês podiam levar essas Cleansweep_Fives a leilão , talvez algum museu esteja interessado . A equipa de os Slytherin riu se a bandeiras despregadas . - Pelo_menos em os Gryffindor ninguém teve de comprar a sua entrada - disse secamente Hermione . - Entraram todos por mérito próprio . O ar presumido de Malfoy desapareceu . - Ninguém pediu a tua opinião , sangue de lama - cuspiu Malfoy . Harry apercebeu se , de imediato , que Malfoy dissera algo muito grave porque houve uma tremenda algazarra em o seguimento de as suas palavras . Flint teve que se pôr a a frente de o Malfoy para evitar que Fred e George se atirassem a ele . Alicia bradou : - Como te atreves ? - E Ron meteu a mão em as vestes e sacou de a varinha mágica , gritando : - Vais pagar por o que disseste , Malfoy ! - e apontou a , furioso , por debaixo de o braço de Flint , a o rosto de Malfoy . Um enorme estrondo , ecoou em o estádio e um jacto de luz verde saiu por a extremidade errada de a varinha de Ron , atingindo o em o estômago e projectando o para trás em direcção a o relvado . - Ron ! Ron ! Estás bem ? - gritou Hermione . Ron abriu a boca para falar , mas nenhuma palavra saiu . Em vez de isso , teve um vómito imenso e várias lesmas saíram lhe de a boca , indo cair lhe em o colo . A equipa de os Slytherin ficou paralisada de riso . Flint estava dobrado , agarrado a a vassoura nova . Malfoy , a quatro , batia com o punho em a chão . Os Gryffindor rodeavam o Ron , que continuava a vomitar lesmas enormes e reluzentes . Ninguém queria tocar lhe . - É melhor levá o para_casa de o Hagrid . É o mais perto - disse Harry_a_Hermione , que acenou afirmativamente , e os dois arrastaram o Ron por os braços . - O que aconteceu , Harry ? O que aconteceu ? Ele está doente ? Mas tu podes curá o , não podes ? - Colin descera a correr de o lugar onde estava sentado e dançaricava em frente de eles , enquanto abandonavam o campo . Ron teve um novo arremesso e mais lesmas saíram de a sua boca . - Oooh ! - exclamou Colin fascinado , levantando a máquina fotográfica . - Podes mantê o quieto , Harry ? - Sai de a minha frente , Colin - gritou Harry zangado . Ele e a Hermione conseguiram levar o Ron para fora de o estádio , atravessar os campos e chegar a a beira de a floresta . - Está quase , Ron - disse Hermione , mal avistaram o casebre de o guarda de os campos . - Vais ficar bem dentro_de um minuto ... está quase ... Estavam a sessenta metros de a casa de Hagrid , quando a porta de a frente se abriu . Mas não foi Hagrid quem saiu de lá , e sim Gilderoy_Lockhart , em uma túnica cor de malva . - Rápido , vamos esconder nos aqui - sussurrou Harry , arrastando Ron para trás de um arbusto que havia ali perto . Hermione acompanhou o , embora um_pouco relutante . -- É muito simples quando se sabe o que se está fazer ! - gritava Lockhart_para_Hagrid . - Se precisar de ajuda , sabe onde estou . Vou dar lhe um exemplar de o meu livro . Espanta me que ainda não o tenha . Logo a a noite autografo o e envio lhe o . Bem . até a a próxima ! - e afastou se em direcção a o castelo . Harry esperou que Lockhart desaparecesse , antes de puxar o Ron de trás de o arbusto até a a casa de o Hagrid . Bateram ansiosamente . Hagrid apareceu logo com um ar mal-humorado , que se dissipou quando viu quem era . - Já me tinha perguntado quand'é que vocês vinham ver me , entrem , entrem , pensei qu'era outra_vez o professor Lockhart . Harry e Hermione ajudaram Ron a subir o degrau que dava acesso a a cabana de uma divisão com uma cama enorme a um de os cantos e uma lareira a crepitar alegremente em o outro . Hagrid não pareceu perturbado com o problema de as lesmas de o Ron que Harry lhe explicou precipitadamente , logo_que sentou o Ron em uma cadeira . - Melhor saírem de o qu'entrarem - disse , em um tom bem-disposto , colocando uma grande bacia de cobre em frente de ele . - Deita as todas fora , Ron . - Acho que não há mais_nada a fazer , a não ser esperar que isto pare - disse Hermione ansiosamente , vendo Ron inclinar se para a bacia . - É uma maldição muitas_vezes difícil , mas com uma varinha partida ... Hagrid andava de um lado para o outro a preparar o chá . O cão de ele , Fang , babava se em cima de o Harry . - O que é_que o Lockhart queria de ti ? - perguntou o Harry , coçando as orelhas de o Fang . - Ensinar me a tirar espíritos aquáticos com forma de cavalos d'uma nascente d'água - resmungou Hagrid , retirando de a mesa pequena um galo meio depenado e colocando em o seu lugar o bule . - Como s'eu não soubesse . E contar me uma peta qualquer d'uma fada carpideira que ele venceu . Engulo essa chaleira , se uma palavra do_que ele disse for verdade . Não era hábito de Hagrid criticar um professor de Hogwarts e Harry olhou para ele com alguma surpresa . Mas Hermione disse em uma voz mais aguda do_que de costume : - Acho que estás a ser injusto . O professor Dumbledore obviamente achou que era o melhor homem para o lugar ... - Era o único - explicou Hagrid , oferecendo lhes um prato de bombons de melaço enquanto Ron tossia para a bacia . - E não havia mais ninguém . Não é fácil encontrar quem queira dar Artes de magia negra . As pessoas não gostam de essa matéria . Começam a pensar que está amaldiçoada , ninguém ficou muito_tempo a dá a . Mas digam me lá - continuou Hagrid , inclinando a cabeça para Ron - quem é qu'ele estava a tentar amaldiçoar ? - O Malfoy chamou qualquer coisa a a Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si . - Foi grave , sim - disse o Ron com voz rouca , emergindo a a superfície de a mesa , pálido e transpirado . - O Malfoy chamou lhe sangue de lama , Hagrid . - Ron desapareceu outra_vez quando uma nova onda de lesmas fez o seu aparecimento . Hagrid estava indignado . - Não posso crer - exclamou , dirigindo se a Hermione . - Chamou sim - disse ela . - Mas eu não sei o que significa . Percebi que era má educação , claro ... - É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar - explicou Ron novamente . - Sangue de lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles , sabes , filho de pais não mágicos . Há alguns feiticeiros , como a família de o Malfoy que acham que são melhores do_que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro . - Teve um pequeno vómito e uma lesma isolada caiu lhe em a mão aberta . Ele atirou a para a bacia e continuou . -- É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma . Olha_o_Neville_Longbottom , é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito . - E ainda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer - afirmou Hagrid , orgulhoso , fazendo Hermione corar em tons de magenta . - É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém - disse o Ron , limpando o suor de a testa com a mão trémula . - Sangue sujo , sangue vulgar , é um disparate . A maior parte de os feiticeiros hoje_em_dia têm sangue misturado . Se não tivéssemos casado com Muggles tinha sido o nosso fim . Fez um esforço para vomitar e baixou se mais_uma_vez . - Bem , não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá o , Ron - disse Hagrid bem alto enquanto montes de lesmas caíam em a bacia . - Mas , se_calhar , não foi mau de todo teres a varinha a trabalhar ao_contrário . Acho que Lucius_Malfoy teria vindo logo a correr a a escola se tivesses amaldiçoado o filho . Assim , pelo_menos , não estás metido em nenhum sarilho . Harry teria referido que o problema não podia ser pior do_que deitar lesmas por a boca , mas não pôde . Os bombons de melaço tinham lhe colado os maxilares um_ao_outro . - Harry - disse de repente Hagrid como_que movido por um pensamento súbito . - Tens de me explicar uma coisa . Ouvi dizer que tens andado a dar fotografias autografadas . Porque é qu'eu não tenho nenhuma ? A fúria de Harry foi tão grande que os maxilares se libertaram . - Eu não tenho dado fotografias autografadas - disse com vivacidade . Se o Lockhart andou a espalhar isso ... Mas em esse momento viu que Hagrid se estava a rir . - ´ _ tou a brincar - disse , dando uma palmadinha em as costas de Harry e fazendo lhe sinal para se sentar a a mesa . -- Eu sabia que não tinhas . Disse a o Lockhart que tu não precisavas de isso . Es mais famoso do_que ele sem sequer , tentares . - Aposto que ele não gostou de ouvir isso - comentou Harry , sentando se e esfregando o queixo . - Acho que não gostou mesmo - prosseguiu Hagrid com os olhinhos a brilhar . - E disse lhe também que nunca tinha lido nenhum de os livros de ele e ele foi se embora . Um bombom de melaço , Ron ? - perguntou a o vê o reaparecer . - Não , obrigado - disse o Ron com uma voz fraca . - É melhor não arriscar . - Venham ver o qu'eu tenho estado a criar - disse Hagrid quando Harry e Hermione acabaram de tomar o chá . Em a pequena horta atrás de a casa estava uma_dúzia de as maiores abóboras que Harry alguma vez vira . Pareciam enormes blocos de pedra . - Estão a dar se bem , não achas ? - disse Hagrid , feliz . São para a festa de o * _ Hallow'en * . Devem estar bem grandes quando chegar a altura . - O que é_que lhes tens dado como alimento ? - perguntou Harry . Hagrid olhou por cima de o ombro para confirmar se estavam sós . - Bem , tenho estado a dar lhes ... uma pequena ajuda . Harry reparou em o guarda-chuva cor-de-rosa a as florzinhas que estava encostado contra a parede de a cabana . Tivera em o ano anterior motivos para crer que aquele guarda-chuva não era o que parecia . De facto , acreditava que a antiga varinha de escola de Hagrid se encontrava oculta dentro de ele . Hagrid não tinha autorização para usar magia . Fora expulso de Hogwarts em o terceiro ano embora Harry nunca tivesse descoberto o motivo . Qualquer referência a esta questão fazia Hagrid pigarrear bem alto e ficar misteriosamente surdo até mudarem de assunto . -- Um encantamento de absorção , imagino ? - comentou Hermione entre a desaprovação e o divertimento . - Bem , se assim foi , fizeste um bom trabalho . - Foi o que disse a tua irmãzinha - respondeu Hagrid acenando em direcção a Ron . - Encontrei a ontem . - Hagrid olhou de lado para Harry , a barba a contorcer se . - Disse que andava só a ver os campos , mas eu acho qu'ela esperava encontrar alguém em a minha casa - piscou o olho a o Harry . - Se queres que te diga acho qu'ela não recusaria uma fotografia autogr ... - Cala te com isso - disse Harry . Ron desatou a rir e o chão ficou cheio de lesmas . - Cuidado - resmungou Hagrid , afastando Ron de as suas preciosas abóboras . Estava quase em a hora de o almoço e , como o Harry só tinha provado um bombom de melaço desde manhã cedo , estava ansioso por chegar a a escola para ir comer . Despediram se de o Hagrid e regressaram a o castelo . O Ron a vomitar de vez em quando , mas deitando só duas pequenas lesmas . Mal tinham pisado a entrada de o vestíbulo quando ouviram uma voz . - Aí estão vocês , Potter , Weasley . - A professora Mc_Gonagall vinha em direcção a eles com o seu ar severo . - Vocês os dois vão ter as punições hoje a a tarde . - O que é_que vamos fazer , professora ? - perguntou o Ron nervoso , deixando cair uma lesma . - Tu vais limpar as pratas em a sala de os troféus com Mr._Filch - disse a professora Mc_Gonagall . - E nada de mágicas , Weasley , trabalho com esforço . Ron engoliu em seco . Argus_Filch , o encarregado , era odiado por todos os alunos de a escola . - E tu , Potter , vais ajudar o professor Lockhart a responder a as cartas de as suas fãs - ordenou a professora Mc_Gonagall . - Oh , não ! Não posso ir também trabalhar em a sala de os troféus ? - pediu Harry em desespero de causa . - Nem pensar em isso - respondeu a professora Mc_Gonagall , erguendo as sobrancelhas . - O professor Lockhart requisitou te especialmente a ti . _ a as oito_em_ponto , os dois . Harry e Ron entraram em o salão em um estado de profundo desanimo com a Hermione atrás , ostentando uma expressão de * bem-voces-quebraram-as-regras-da-escola * . Harry não saboreou o empadão de carne como teria desejado . Tanto ele como o Ron achavam que tinham tido o pior de os castigos . -- O Filch vai reter me lá toda_a noite - disse Ron , desanimado . - Sem mágica ! Deve haver umas cem taças em aquela sala , eu não sei fazer limpeza de Muggles . - Eu trocava contigo de boa_vontade - confessou Harry em uma voz surda . - Tive montes de prática com os Dursleys . Responder a o correio de fãs de o Lockhart , que pesadelo ... A tarde de sábado pareceu derreter se . Pouco depois eram já cinco para as oito e Harry arrastava se até a o corredor de o segundo andar onde ficava o escritório de o Lockhart . Rangendo os dentes , bateu a a porta . A porta abriu se imediatamente e Lockhart dirigiu se lhe . - Ah , cá está o patifório ! - exclamou . - Entra , Harry , entra . Em as paredes , brilhando à_luz_de muitas velas , podia ver se uma infinidade de fotografias de Lockhart . Algumas de elas até assinadas . Sobre a secretária estava outro monte enorme . - Podes pôr as moradas em os envelopes - disse Lockhart_a_Harry , como_se fosse uma grande ameaça . - O primeiro é para Gladys_Gudgeon , abençoada seja , uma grande fã minha . Os minutos passavam lentos . De vez em quando , Harry ouvia a voz de Lockhart dizendo : - Mmm - e - certo - e - sim . - De vez em quando , apanhava uma frase como : - A fama é versátil , amigo Harry - ou - Só é célebre quem faz por isso , nunca te esqueças . As velas ardiam cada_vez com maior lentidão , fazendo a luz dançar sobre as muitas caras de Lockhart que o olhavam . Harry passava a mão , já dorida , sobre o que devia ser o centésimo envelope , escrevendo a morada de Verónica_Smethley . « Deve estar quase em a hora de me ir embora » , pensou , sentindo se profundamente infeliz , « por favor , faz com que esteja em a hora ... » E então ouviu algo , algo totalmente diferente de o crepitar de as velas e de os ditos de Lockhart sobre as suas fãs . Era uma voz , uma voz de arrepiar os ossos , de cortar a respiração , de veneno frio . - * _ Vem ... vem ter comigo ... deixa me rasgar te ... cortar te ... matar te * ... Harry deu um salto e uma enorme mancha lilás surgiu em a rua de Verónica_Smethley . - O quê ? - disse ele em voz alta . - Eu sei - exclamou Lockhart . - Seis meses inteirinhos em o topo de a lista de * bestsellers * , bati todos os recordes ! - Não - disse Harry nervosíssimo - aquela voz ! - Como ? - perguntou Lockhart , com um ar confuso . - Que voz ? - Aquela , aquela voz que disse ... não ouviu ? Lockhart olhava para Harry com o maior espanto . - De que é_que estás a falar , Harry ? Estás a ficar com sono ? Meu Deus , olha , só estamos aqui há quase quatro horas , quem diria ? O tempo passou a correr , não é verdade ? Harry não respondeu , estava a fazer um esforço para ouvir de_novo a voz , mas o único som que ouviu foi Lockhart a dizer lhe que não esperasse um tratamento igual de as próximas vezes que fosse castigado . Harry saiu , sentindo se atordoado . Era tão tarde que a sala comum de os Gryffindor estava quase vazia . Harry foi directamente para o dormitório . Ron ainda não tinha voltado . Vestiu o pijama , meteu se em a cama e esperou . Meia_hora mais tarde , chegou o Ron agarrado a o braço direito e inundando o quarto escuro de um forte cheiro a limpa-pratas . - Doem me todos os músculos - resmungou , metendo se em a cama . - Ele fez me polir catorze vezes aquela taça de Quidditch até estar satisfeito . E depois tive outro vómito em_cima_de um troféu de Reconhecimento por serviços prestados a a escola . Demorei séculos a limpar o muco de as lesmas . Como correram as coisas com o Lockhart ? Em voz baixa para não acordar o Neville , o Dean e o Seamus , Harry contou lhe , palavra por palavra , o que tinha ouvido . - E Lockhart disse que não ouviu nada ? - perguntou o Ron . Harry viu o franzir a testa , a a luz de o luar . - Achas que estava a mentir ? Mas , não percebo , mesmo um ser invisível teria aberto a porta . - Eu sei - disse Harry , encostando se a a cama e olhando para o dossel . - Também não compreendo . VIII_A festa de o dia de os mortos Outubro chegou , espalhando um frio húmido por os campos e por os cantos de o castelo . Madam_Pomfrey , a enfermeira-chefe , esteve bastante ocupada com uma onda de constipações que afectou professores e alunos . A sua poção de pimentão entrou imediatamente em acção apesar_de deixar quem a tomava com fumo em os ouvidos durante várias horas . Ginny_Weasley , que andava com ar adoentado , foi convencida a tomá a por o Percy . O fumo que saía por debaixo de o seu cabelo ruivo dava a impressão de que toda_a cabeça estava em fogo . Gotas de chuva de o tamanho de balas agrediram as janelas de o castelo durante dias a fio . O lago rosado e os canteiros de flores tornaram se regatos lamacentos e as abóboras de o Hagrid incharam ficando de o tamanho de alpendres de jardim . Contudo , o entusiasmo de Oliver_Wood por as sessões de treino regular não foi abalado , motivo por o qual Harry iria regressar a a torre de os Gryffindor , em um sábado a a tarde de temporal , alguns dias antes de o * _ Hallowe'en * , ensopado até a os ossos e todo enlameado . Além de a chuva e de o vento , não fora um treino feliz . Fred e George que tinham andado a espiar a equipa de os Slytherin tinham visto com os seus próprios olhos a velocidade alucinante de aquelas novas Nimbus dois_mil_e_um e comentaram que a equipa em o ar parecia composta por sete manchas esverdeadas que disparavam a_toda_a velocidade como aviões a jacto . Enquanto Harry chapinhava a o longo de o corredor deserto , cruzou se com alguém que parecia tão preocupado como ele : Nick quase sem cabeça , o fantasma de a torre de os Gryffindor que olhava taciturno , por a janela , murmurando baixinho : - Não preenche os requisitos , um centímetro e meio se ... - Olá , Nick - cumprimentou Harry . - Olá , olá - disse o Nick quase sem cabeça , começando a olhar em volta . Usava um arrebatado chapéu de plumas sobre a longa cabeleira encaracolada e uma túnica com gola de tufos que disfarçava o facto de ter o pescoço quase totalmente separado de o corpo . Era pálido como o fumo e Harry podia ver através de ele o céu negro e a chuva torrencial , lá fora . - Pareces preocupado , jovem Potter - disse Nick , dobrando uma carta transparente , enquanto falava e escondendo a dentro de a jaqueta . - Tu também - retorquiu Harry . - Ah ! - o Nick quase sem cabeça acenou com a mão de forma elegante . - Uma questão sem importância . Não é_que eu quisesse realmente participar apesar_de me ter inscrito , mas , a o que parece , não preencho os requisitos . - Apesar de o seu tom jovial havia em o seu rosto uma grande amargura . - Mas era de esperar , ou não era - exclamou subitamente , tirando a carta de o bolso - que ter levado quarenta_e_cinco golpes em a cabeça com um machado ferrugento me qualificaria para entrar em o grupo de os Sem - _ Cabeça ? - Sim , sim - respondeu Harry que obviamente o outro esperava que concordasse . - Isto_é , ninguém mais do_que eu desejaria que tudo tivesse sido rápido e perfeito , poupava me muitas dores e ridículo . Mas ... O Nick quase sem cabeça abriu , furioso , a carta e leu : * _ Só podemos aceitar em o grupo homens cuja cabeça tenha sido separada de o corpo . Compreenderá que de outro modo seria impossível a os nossos membros participarem em actividades como equitação de malabarismos com a cabeça e pólo de cabeça . Lamentamos profundamente informá o de que não preenche os requisitos . * _ Os nossos melhores cumprimentos , Sir_Patrick_Delaney - _ Podmore * Furioso , o Nick quase sem cabeça atirou fora a carta . - Um centímetro de pele e tendões a segurarem me a cabeça , Harry ! A maior parte de as pessoas acharia que era mais do_que o suficiente , mas não serve para o senhor correctamente decapitado Podmore . Nick quase sem cabeça respirou fundo várias vezes e , por fim , em um tom bastante mais calmo perguntou : - Então o que é_que te preocupa ? Alguma coisa que eu possa fazer por ti ? - Não - respondeu Harry . - A_não_ser_que saibas onde posso arranjar sete Nimbus dois_mil_e_um , de_graça , para o nosso campeonato contra os Sly ... - o resto de a frase foi afogada por um miado agudo vindo de perto de os seus tornozelos . Olhou para baixo e deu consigo a fitar um par de olhos que pareciam duas lâmpadas amarelas . Era_Mrs._Norris , a gata cinzenta e esquelética usada por o encarregado Argus_Filch como uma espécie de polícia em a sua infindável batalha contra os estudantes . - É melhor saíres de aqui , Harry - preveniu Nick com toda_a calma . - O Filch não está nada bem-disposto . Anda engripado e alguns alunos de o terceiro ano , por acidente , encheram o tecto de o calabouço cinco de miolos de rã . Ele tem andado toda_a manhã a limpar e se te vê a encher tudo de lama ... - Certo - disse Harry , recuando e afastando se de o olhar acusador de Mrs._Norris , mas ... tarde de mais . Conduzido até ali por o misterioso poder que parecia ligá o a a gata , Argus_Filch entrou subitamente por uma tapeçaria que se encontrava a a direita de Harry , com a sua respiração asmática , olhando vivamente em volta em busca de o infractor . Tinha um lenço grosso , de xadrez , a a volta de a cabeça e o nariz invulgarmente arroxeado . - Imundície - gritou com os maxilares a tremer e os olhos a saltarem lhe de as órbitas , enquanto apontava para a poça de lama que pingara de a túnica de Quidditch_de_Harry . - Desarrumação e imundície em todo o lado . Estou farto disto , segue me , Potter . Harry despediu se de o Nick quase sem cabeça com um tímido aceno e seguiu Filch até lá abaixo , duplicando o número de pegadas lamacentas em o chão . Nunca entrara em o gabinete de o Filch . Era um lugar que a maior parte de os estudantes evitava . A divisão era sombria e sem janelas , iluminada por uma única lamparina de óleo que pendia de o tecto . Sentia se um vago cheiro a peixe frito . As paredes estavam forradas por ficheiros de madeira . Por as etiquetas Harry percebeu que continham os dados de todos os alunos que Filch tinha punido . Fred e George_Weasley tinham uma gaveta só para eles . Atrás de a secretária estava pendurada uma colecção bem polida de correntes e algemas . Todos sabiam que ele estava sempre a pedir a Dumbledore que o deixasse pendurar os alunos em o tecto por os tornozelos . Filch pegou em uma pena que estava sobre a secretária e começou a procurar o pergaminho . - Bosta - murmurou , furioso . - Bosta de dragão , miolos de rã , intestinos de ratazana ... eu tinha aqui bastante , onde está o form ... sim ... Tirou um enorme rolo de pergaminho de a gaveta de a secretária e estendeu o em a frente , molhando a longa pena em o tinteiro . - Nome : Harry_Potter . Crime ... - Foi só um bocadinho de lama - disse Harry . - É só um bocadinho de lama para ti , rapaz , mas para mim é mais de uma hora a esfregar - gritou Filch com um pingo a tremer de modo desagradável em a extremidade de o nariz bolboso . - Crime : manchar o castelo . Sentença proposta ... Esfregando o nariz que continuava a pingar , Filch olhou com má cara para Harry que esperava com a respiração entrecortada para ouvir a sentença . Mas quando Filch pegou em a pena ouviu se um estrondo enorme em o tecto que fez a lamparina apagar se . - PEEVES - resmungou Filch , pousando a pena , cheio de raiva . - Desta_vez apanho te . Apanho te ! E sem olhar para trás , saiu a correr a_toda_a velocidade de o gabinete , seguido de a gata , Mrs._Norris . Peeves era o * poltergeist * de a escola , uma ameaça de risota esvoaçante que vivia para fazer estragos e criar aflição . Harry não gostava lá muito de ele , mas desta_vez , não podia deixar de lhe estar grato . Na_melhor_das_hipóteses o que Peeves tivesse feito ( e parecia que agora ele destruíra qualquer coisa em grande ) distrairia Filch_de_Harry . Pensando que o melhor seria esperar que ele voltasse , Harry deixou se cair em uma cadeira carcomida por o tempo que se encontrava junto de a secretária . Havia uma coisa sobre o tampo : um grande envelope roxo e lustroso com letras prateadas em a frente . Lançando um olhar rápido a a porta para confirmar que Filch não estava de volta , Harry pegou lhe e leu : __ feitiço __ rápido Um curso por correspondência De iniciação a a magia Cheio de curiosidade , abriu o envelope e retirou o rolo de pergaminho . Uma letra curvilínea e prateada dizia : Sente se pouco a a vontade em o mundo de a magia moderna ? Dá consigo a arranjar desculpas para não fazer feitiços simples ? Tem sido censurado por o deplorável trabalho com a varinha ? Eis a resposta ! Feitiço rápido e um curso totalmente novo , infalível , de resultados rápidos e rápida aprendizagem . Centenas de bruxas e feiticeiros têm beneficiado de o método feitiço rápido ! Madam_Z._Nettles_de_Topsham escreve nos : Eu não conseguia fixar os encantamentos e as minhas poções eram alvo de risota em a família . Agora , depois de o curso feitiço rápido , tornei me o centro de as atenções em todas_as festas e os meus amigos não param de pedir me a receita de a minha brilhante solução ! O mágico D.J._Prod , de Disbury , afirma : A minha mulher costumava rir se de os meus fracos encantamentos , mas bastou um mês com o vosso fabuloso curso feitiço rápido e consegui transformá a em um iaque . Obrigado , feitiço rápido ! Fascinado , Harry folheou o resto de o conteúdo de o envelope . Para que diabo quereria o Filch um curso de feitiço rápido ? Não seria ele um feiticeiro a sério ? Harry estava a ler a lição número um : Pegando em a varinha ( algumas dicas úteis ) quando umas passadas arrastadas , lá fora , o preveniram de que Filch estava de volta . Metendo rapidamente o pergaminho dentro de o envelope , lançou o para_cima de a secretária em o preciso momento em que a porta se abriu . Filch ostentava um ar triunfante . - Aquele armário que desapareceu era extremamente valioso - vinha ele a dizer a a gata , Mrs._Norris . - Desta_vez vamos correr com o Peeves , minha linda . Os seus olhos recaíram sobre Harry e logo_a_seguir sobre o envelope de o feitiço rápido que , Harry apercebeu se tarde de mais , estava meio metro distanciado de o seu lagar inicial . O rosto pálido de Filch tornou se vermelho escarlate . Harry preparou se para uma nova onda de fúria . Filch coxeou até a a secretária , arrebatou o envelope e meteu o em uma gaveta . -- Chegaste a ... lê o ? - perguntou atabalhoadamente . - Não - mentiu Harry , sem perder tempo . As mãos nodosas de o Filch contorciam se ao_mesmo_tempo . - Se eu soubesse que ias ler a minha correspondência priv ... não que seja minha ... é para um amigo ... mesmo_assim ... Harry olhava para ele espantado . Nunca vira o Filch tão louco . Os olhos pareciam querer saltar lhe de as órbitas , com um tique em as bochechas e aquele lenço axadrezado que não ajudava nada ... - Muito bem , vai e não abras a boca sobre isto ... não que ... mesmo_assim ... se tu não leste ... vai te embora , tenho de escrever o relatório sobre o Peeves , vai . Atordoado com a sua sorte , Harry saiu de ali e largou a correr por o corredor fora e por as escadas acima . Sair de o gabinete de o Filch sem um castigo devia ser um recorde em a escola . - Harry , Harry , deu resultado ? O Nick quase sem cabeça saiu a brilhar de uma sala de aula . Atrás de ele , Harry pôde ver os destroços de um grande armário preto e dourado que parecia ter sido atirado de uma grande altura . - Convenci o Peeves a parti o mesmo em cima de o gabinete de o Filch - disse Nick entusiasmado . - Pensei que talvez o distraísse . - Foste tu ? - exclamou Harry , agradecido . - Funcionou sim . Ele não me deu nenhum castigo . Obrigado , Nick . Atravessaram o corredor juntos . O Nick quase sem cabeça , reparou Harry , ainda tinha em a mão a carta de Sir_Patrick . - Gostaria de poder fazer qualquer coisa sobre o grupo de os Sem - _ Cabeça - disse Harry . O Nick quase sem cabeça parou de repente e Harry passou através de ele . Antes não tivesse passado , foi como atravessar um duche gelado . - Mas há uma coisa que tu podes fazer por mim - disse Nick muito agitado . - Harry , seria pedir te de mais ... mas não , tu não ias querer ... - O quê ? - Bem , este ano em o * _ Hallowe'en * vai ser o meu meio milénio de dia de os mortos - disse o Nick quase sem cabeça endireitando se e adquirindo uma postura de grande dignidade . - Oh - respondeu Harry sem saber se deveria lamentar ou dar lhe os parabéns . - Certo . - Vou dar uma festa em um de os calabouços mais amplos . Vêm amigos meus de todo o país . Seria uma honra muito grande se tu aparecesses . Mr._Weasley e Miss_Granger seriam também muito bem-vindos , claro . Mas tu deves preferir o banquete de a escola , não é verdade ? - Olhou para Harry , aflito . - Não - assegurou ele rapidamente . - Eu vou . - Oh rapaz , Harry_Potter em a minha festa de os mortos - hesitou no_meio_de toda aquela excitação . - Achas que poderias referir a Sir_Patrick como me achas assustador e como te impressiono ? - É claro que sim - assegurou Harry . O Nick quase sem cabeça iluminou se em um sorriso . - Uma festa de os mortos ? - exclamou Hermione , entusiasmada , quando Harry , depois de mudar de roupa , se juntou a ela e a o Ron em a sala comum . - Aposto que não há muitas pessoas que possam gabar se de ter estado em uma festa de essas . Vai ser fantástico ! - Por_que é_que alguém se lembraria de festejar o dia em que morreu ? - perguntou o Ron que estava a meio de o seu trabalho de casa de poções e bastante maldisposto . - Parece me bastante mórbido . A chuva continuava a lamber as janelas que apresentavam agora um negro que parecia tinta , mas , lá dentro , era tudo claro e alegre . O fogo em a lareira brilhava sobre as inúmeras cadeiras de braços onde as pessoas estavam sentadas a ler , a conversar , a fazer os trabalhos de casa ou , no_caso_de Fred e George_Weasley , a tentar descobrir o que aconteceria se alimentassem uma salamandra com fogo-de-artíficio de o Filibuster . O Fred tinha « resgatado . o lagarto cor de laranja brilhante , morador de o fogo , de uma aula de tratamento de seres mágicos e ele estava agora a arder em fogo lento sobre uma mesa , rodeado de um grupo de curiosos . Harry ia começar a contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre o Filch e o curso de feitiço rápido quando a salamandra disparou por os ares , lançando faíscas e estoiros . A visão de Percy a gritar com Fred e George até ficar ronco , a fantástica exibição de estrelas cor de tangerina que choviam de a boca de a salamandra e a sua fuga para o lume acompanhada de explosões , fizeram com que Harry se esquecesse , em aquele momento , de Filch e de o curso de feitiço rápido . Quando chegou o * _ Hallowe'en * , Harry já lamentava a sua promessa imprudente de ir a a festa de os mortos . Toda_a escola antecipava , feliz , a sua festa de * _ Hallowe'en * . O salão nobre fora enfeitado com os habituais morcegos , as enormes abóboras de Hagrid tinham sido esculpidas em forma de lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro_de cada uma , e havia boatos de que Dumbledore contratara um grupo de esqueletos bailarinos para animar a festa . - Uma promessa é uma promessa - lembrou Hermione_a_Harry com o seu autoritarismo habitual . - Tu disseste que ias a a festa de os mortos . Portanto , a as sete_da_tarde , Harry , Ron e Hermione saíram , passando por a porta de o salão nobre que brilhava de modo convidativo com pratos dourados e velas e dirigiram os seus passos para os calabouços . O corredor que conduzia a a festa de o Nick quase sem cabeça tinha sido também ladeado de velas , embora o efeito estivesse longe_de ser alegre : estas eram velas muito esguias e estreitas , negras de breu , ardendo em um azul brilhante e lançando uma luz indistinta e espectral também sobre as caras de as pessoas vivas . A temperatura diminuía a cada degrau que desciam . Harry tremia e cingia a túnica a o corpo quando ouviu qualquer coisa que parecia uma centena de unhas a rasparem um enorme quadro preto . - Será que isto_é a música ? - murmurou Ron . Viraram uma esquina e viram o Nick quase sem cabeça junto de uma porta , todo vestido de veludo negro . - Meus queridos amigos - disse com ar de luto . - Bem-vindos , bem-vindos , ainda_bem que puderam vir . Em um gesto largo tirou o chapéu de plumas e fez lhes sinal para que entrassem . Era uma visão incrível . O calabouço estava cheio com centenas de pessoas de um branco pálido e translúcido , a maior parte de as quais era arrastada em uma pista de dança cheia , valsando a o som de trinta serrotes musicais . Os serrotes que compunham a orquestra encontravam se sobre um estrado enfeitado com panos negros . Um lustre lá em cima resplandecia de um azul nocturno com mais um_milhar de velas negras . A respiração de os três subiu em o ar como uma neblina . Parecia que tinham entrado em um congelador . - Vamos dar uma volta - sugeriu Harry em uma tentativa de aquecer os pés . - Cuidado , não atravessem nenhum de eles - avisou o Ron nervosamente e colocaram se em volta de a pista de dança . Passaram por um grupo escuro de freiras , por um homem esfarrapado e cheio de correntes e por o frade gordo , o divertido fantasma de os Hufflepuff que estava a conversar com um cavaleiro com uma seta enfiada em a testa . Harry não ficou nada surpreendido a o ver que o Barão sangrento , o fantasma lúgubre e berrante de os Slytherin , coberto de nódoas de sangue ; estava a ser totalmente evitado por os outros fantasmas . - Oh ! Não -- exclamou Hermione , parando bruscamente . - Voltem se , voltem se , não quero ter de cumprimentar a Murta_Queixosa . - Quem ? - perguntou Harry enquanto davam rapidamente meia volta . - Ela assombra a casa_de_banho de as raparigas de o primeiro andar - explicou Hermione . - Assombra uma casa_de_banho ? - Sim . Está inoperativa durante todo o ano porque ela tem constantes acessos de choro e inunda tudo . Eu só lá fui quando não pode mesmo evitar . É horrível tentar ir a a sanita com ela a gritar connosco . - Olhem , comida - disse o Ron . De o outro lado de o calabouço estava uma mesa igualmente coberta de velado negro . Iam para se aproximar entusiasmados , mas pararam com uma expressão de horror . O cheiro era nauseabundo . Enormes peixes podres enchiam as bonitas travessas de prata , os bolos estorricados como carvões amontoavam se em as salvas , havia uma grande quantidade de miúdos de macaco , uma tábua de queijos cobertos de bolor e , em o lugar de honra , um enorme bolo cinzento em forma de lápide com letras que pareciam alcatrão formando as palavras , * _ Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington_Morto em 31_de_Outubro , 1492 * . Harry olhou espantado quando um fantasma de porte majestoso se aproximou de a mesa inclinando se e passando através de ela com a boca aberta enquanto atravessava um salmão malcheiroso . - Consegue prová o passando através de ele ? - perguntou lhe Harry . - Quase - disse tristemente o fantasma antes de se afastar . - Devem ter deixado apodrecer tudo_isto para ter um sabor mais forte - comentou Hermione com ar de quem está bem informada , tapando o nariz e aproximando se para ver melhor os pútridos miúdos de macaco . - Podemos sair de aqui , estou a sentir me agoniado - disse o Ron . Mas mal tinham dado meia volta quando um homenzinho pequenino saiu inesperadamente de debaixo de a mesa e fez uma paragem em o ar em frente de eles . - Olá , Peeves - disse Harry cautelosamente . Ao_contrário de os outros fantasmas que os rodeavam , Peeves , o * poltergeist * era o oposto de pálido e transparente . Usava um chapéu festivo cor de laranja , um laço rotativo a o pescoço e tinha um sorriso grosseiro de malvadez , em o rosto . - Querem petiscar ? - perguntou delicadamente , oferecendo lhes uma taça de amendoins cobertos de fungos . - Não , obrigada - disse Hermione . - Ouvi te falar sobre a pobre Murta - disse Peeves com os olhos a bailar . - Que insensível que tu foste para com a pobre Murta - respirou fundo e gritou : - Oh Murta . - Oh ! Não , Peeves , não lhe contes o que eu disse , ela vai ficar muito aborrecida - murmurou Hermione bastante nervosa . - Eu não queria dizer que ... eu não me importo que ela , er , olá , Murta . O espectro atarracado de uma rapariga deslizara . Tinha o rosto mais carrancudo que Harry alguma vez vira , meio escondido por o cabelo liso e por os óculos grossos cor de pérola . - O que é ? - perguntou mal-humorada . - Como estás Murta ? - perguntou Hermione , em uma voz falsamente alegre . - É bom ver te fora de a casa_de_banho . Murta fungou . - Miss_Granger estava justamente a falar de ti - disse lhe Peeves baixinho a o ouvido . - A dizer , a dizer ... como estás bonita esta noite -- terminou Hermione , olhando irritada para Peeves . A Murta olhou para Hermione desconfiada . - Estão a divertir se a a minha custa - disse , com lágrimas de prata a encherem lhe rapidamente os olhos pequeninos . - Não , a sério , eu não estava a dizer vos como a Murta estava bonita esta noite ? - disse Hermione , dando uma palmada em as costas de o Harry e de o Ron . - Sim , sim . - Ela ... - Não me venham com mentiras - protestou a Murta , as lágrimas agora a descerem lhe por o rosto , enquanto Peeves ria baixinho por cima de o ombro de ela . - Julgam que eu não sei o que as pessoas me chamam em as minhas costas ? A Murta gorda , a Murta feia , a Murta queixosa , a Murta deprimida ! - Esqueceste te de « a Murta ponto negro » - sussurrou lhe Peeves a o ouvido . A Murta_Queixosa irrompeu em soluços de angústia e fugiu de o calabouço . Peeves disparou atrás de ela , lançando lhe uma chuva de amendoins cheios de bolor e gritando : Ponto negro ! Ponto negro ! - Oh , coitada ! - exclamou Hermione com tristeza . O Nick quase sem cabeça abria agora caminho entre a multidão para se aproximar de eles . - Estão a divertir se ? - Sim , sim - mentiram . - Uma afluência nada má - disse orgulhoso o Nick quase sem cabeça . - A viúva chorosa veio de Kent ... está quase em a hora de o meu discurso . É melhor ir avisar a orquestra . Mas a orquestra parou de tocar em esse preciso momento . Eles , e todos os outros em o calabouço , ficaram em silêncio total , olhando em volta cheios de excitação quando se ouviu uma trompa de a caça . - Lá vêm eles - disse o Nick quase sem cabeça , com alguma amargura em a voz . Por o calabouço irromperam uma_dúzia de , cavalos fantasmas , cada_um montado por um cavaleiro sem cabeça . A assistência aplaudiu vivamente . Harry começou também a bater palmas , mas parou rapidamente quando viu a cara de o Nick . Os cavalos galoparam até a o meio de a pista de dança e pararam , empinando se , dando pequenos passos para a frente e para trás , sobre as patas traseiras . Um fantasma grande em a frente , cuja cabeça barbuda estava debaixo de o braço , soprando a trompa , desmontou , levantou a cabeça bem em o ar para poder ver toda_a assistência ( todos se riam ) e dirigiu se a o Nick quase sem cabeça , comprimindo a cabeça contra o pescoço . - Bem-vindo , Patrick - disse o Nick , mantendo a sua postura rígida . - Gente viva ! - exclamou o Sir_Patrick , avistando Harry , Ron e Hermione e dando um salto de falso espanto , de_tal_modo_que a cabeça lhe caiu de_novo ( a multidão ria a bom rir ) . - Muito engraçado - disse o Nick quase sem cabeça com um ar soturno . - Não ligues a o Nick - gritou a cabeça de Sir_Patrick de o chão . - Ainda está aborrecido por não o deixarmos juntar se a o grupo . Mas olhem bem para ele ... - Eu acho - disse apressadamente Harry , a seguir a um olhar de o Nick - que o Nick é muito assustador e ... eu ... - Bah ! - gritou a cabeça de Sir_Patrick . - Aposto que ele te pediu que dissesses isso . - Gostaria de ter a vossa atenção . Chegou a altura de fazer o meu discurso - disse o Nick quase sem cabeça bem alto , dirigindo se a o pódio , subindo e parando , iluminado por uma luz azul . - Os meus sentimentos , senhores e senhoras , é com profundo pesar ... Mas já ninguém estava a ouvi o . Sir_Patrick e o resto de o grupo de os Sem - _ Cabeça tinham iniciado um jogo de hóquei de cabeça e a multidão voltara se para os observar . Nick quase sem cabeça tentou em vão recuperar a audiência , mas acabou por desistir quando a cabeça de Sir_Patrick passou por ele a_toda_a velocidade gritando vivas . Harry estava cheio de frio para não falar de a fome . - Não aguento mais isto - murmurou Ron a bater o dente enquanto a orquestra voltava a entrar em acção e os fantasmas enchiam de_novo a pista de dança . - Vamos embora - concordou Harry . Recuaram até a a porta , acenando e sorrindo a todos os que olhavam para eles e um minuto depois passavam apressadamente por a entrada cheia de velas negras . - Talvez o pudim ainda não tenha acabado - disse o Ron cheio de esperança , abrindo caminho em direcção a os degraus de o vestíbulo de a entrada . E foi então que Harry ouviu aquilo . - ... * _ Arrancar ... rasgar ... matar * ... Era a mesma voz , a mesma voz fria e assassina que ouvira em o escritório de Lockhart . Parou , agarrando se a a parede de pedra em a expectativa de ouvir melhor , olhando em volta , espreitando para_cima e para baixo de a passagem mal iluminada . - Harry que estás tu a ... ? - E aquela voz outra_vez , calem se um bocadinho . -- ... * _ Tanta fome ... há tanto tempo * ... - Ouçam insistiu Harry e Ron e Hermione ficaram estáticos a olhar para ele . - * _ Matar ... hora de matar * ... A voz ia ficando mais débil . Harry tinha a certeza de que ela estava a afastar se , a subir . Um misto de medo e excitação tomou posse de ele enquanto olhava para o tecto escuro . Como poderia ele subir ? Seria um fantasma para quem os tectos de pedra não contavam ? - Por aqui - gritou , começando a correr por as éscadas acima até a a entrada de o * hall * . Não havia hipótese de ouvir fosse o que fosse ali , o barulho de vozes que vinha de o banquete de o * _ Hallowe'en * ecoava cá fora . Harry subiu a correr a escadaria de mármore até a o primeiro andar com Ron e Hermione ruidosamente atrás . - Harry o que é_que nós ... ? - Sch ... Harry apurou o ouvido . Ao_longe , em o andar de cima , e ainda a enfraquecer , mesmo_assim ouviu a voz : - ... * Cheira-me a sangue ... cheira me a sangue ! * O estômago deu lhe uma volta . - Ele vai matar alguém - gritou e ignorando as caras perplexas de Ron e Hermione , correu , subindo mais um lanço de escadas , a três_e_três , tentando ouvir através de o ruído de os seus próprios passos . Harry correu a_toda_a velocidade pelo segundo andar com Ron e Hermione atrás e só parou quando viraram uma esquina para o último corredor abandonado . - Harry , o que foi aquilo tudo ? - perguntou o Ron , limpando o suor de o rosto . - Eu não ouvi nada ... Mas Hermione , em um sobressalto , apontou para o fundo de o corredor . - Olhem ! Alguma coisa brilhava em a parede em frente . Aproximaram se devagarinho , tentando ver em a escuridão . Alguém escrevera em letras garrafais em a parede entre duas janelas . As palavras brilhavam a a chama fraca de as tochas . : __ a câmara de os segredos foi aberta . inimigos de o herdeiro , __ cuidado . - O que é aquilo pendurado por baixo de as letras ? - perguntou Ron com um tremor em a voz . Quando se aproximaram , Harry quase escorregou . Havia uma grande poça de água em o chão . Ron e Hermione agarraram o e avançaram cautelosamente até a a mensagem , os olhos fixos em uma sombra escura , em baixo . Aperceberam se os três de imediato do_que se tratava e deram um salto para trás , salpicando tudo de água . Mrs._Norris , a gata de o encarregado , estava pendurada por a cauda em o suporte de a tocha . Tinha o corpo rígido como uma tábua e os olhos abertos . Durante alguns segundos ninguém se mexeu . Depois o Ron disse : - Vamos sair de aqui . - Não devíamos tentar ajudar ? - propôs Harry , sem graça . - Acredita - assegurou o Ron . - É melhor que não nos encontrem aqui . Mas era tarde de mais . Um ruído surdo e prolongado , como um trovejar distante , avisou os de que o festim tinha terminado . De ambos os lados de o corredor onde eles estavam , veio o som de centenas de pés a subirem a escadaria e as vozes alegres de gente bem alimentada . Em o momento seguinte os alunos chegavam junto de eles de ambos os lados . O burburinho morreu subitamente mal as pessoas avistaram a gata pendurada . Harry , Ron e Hermione estavam de pé , sozinhos , em o meio de o corredor quando se fez silêncio em a multidão de estudantes que se empurravam para observar aquele quadro macabro . Então alguém gritou , quebrando o silêncio . - Inimigos de o herdeiro , cuidado . Vocês serão os próximos , sangue de lama ! Era_Draco_Malfoy . Estava a a frente de a multidão com os olhos frios a brilhar , a sua cara habitualmente pálida agora afogueada , sorrindo a a vista de a gata pendurada e imóvel . IX_As palavras em a parede -- O que é_que se passa aqui ? O que é_que se passa ? Sem dúvida , atraído por o grito de Malfoy , Argus_Filch apareceu a coxear em o meio de a multidão . Quando viu Mrs._Norris , caiu para trás agarrando o rosto com verdadeiro horror . - A minha gata ! A minha gata ! O que aconteceu a Mrs._Norris ? - gritou . E os seus olhos rápidos caíram sobre Harry . - Tu - guinchou ele . - Mataste a minha gata ! Mataste a , vou dar cabo de ti , eu ... - Argus . Dumbledore tinha chegado a o lugar , seguido de alguns professores . Em poucos segundos tinha passado a a frente de Harry , Ron e Hermione e desatado Mrs._Norris de o suporte de a tocha . - Vem comigo , Argus - disse ele a o Filch . - Vocês também , Mr._Potter , Mr._Weasley e Miss_Granger . Lockhart deu rapidamente um passo em frente . - O meu escritório é o que está mais perto , senhor director , é já aqui em cima , por favor fiquem a a vontade . - Obrigado , Gilderoy - disse Dumbledore . A multidão silenciosa dividiu se para os deixar passar . Lockhart sentindo se excitado e importante , seguia Dumbledore assim_como a professora Mc_Gonagall e o professor Snape . Quando entraram em o escritório escuro de Lockhart houve uma grande agitação em as paredes . Harry viu várias imagens de Lockhart a esconderem se cheias de rolos em o cabelo . O Lockhart em pessoa acendeu as velas e chegou se mais para trás . Dumbledore pôs Mrs._Norris em a superfície polida de a secretária e começou a examiná a . Harry , Ron e Hermione trocaram olhares tensos entre si e deixaram se cair em as cadeiras que se encontravam longe de a luz , a observar . A ponta de o nariz longo e adunco de Dumbledore estava a menos_de dois centímetros de o pêlo de Mrs._Norris . Ele olhava a de perto através de os óculos de meia-lua , os dedos longos a palpar e tactear suavemente . A professora Mc_Gonagall estava quase tão perto como ele , com os olhos contraídos . Snape surgia mais atrás , meio em a sombra , com uma expressão estranha em o rosto , como_se tentasse a_toda_a força sorrir . E Lockhart andava de um lado para o outro a dar sugestões . - Foi sem dúvida uma maldição que a matou , provavelmente a tortura de a metamorfose . Vi a muitas_vezes ser usada , mas infelizmente eu não estava lá quando isto aconteceu . Conheço o antídoto para essa maldição , o que a teria salvo . Os comentários de Lockhart foram interrompidos por os soluços secos e violentos de Filch . Estava afundado em uma cadeira junto de a secretária , incapaz de olhar para Mrs._Norris , com o rosto em as mãos . Por mais que detestasse Filch , Harry não pôde deixar de sentir pena de ele embora não tanta quanto_a que sentia por si próprio . Se Dumbledore acreditasse em o Filch ele seria certamente expulso . O director estava agora a sussurrar umas palavras estranhas e batendo em Mrs._Norris com a varinha , mas não aconteceu nada , ela continuou com o mesmo aspecto , como_se tivesse sido empalhada . - ... Lembro me de uma coisa semelhante que aconteceu em Ouagadogou - disse LockLart . - Uma série de ataques . Conto essa história em a minha autobiografia . Eu dei a a gente de a cidade vários amuletos que resolveram logo a situação ... As fotografias de Lockhart em as paredes iam acenando afirmativamente com a cabeça enquanto ele falava . Uma de elas esquecera se de tirar os rolos de o cabelo . Por fim , Dumbledore endireitou se . - Ela não está morta , Argus - disse suavemente . Lockhart interrompeu bruscamente a contagem de os crimes que conseguira evitar . - Não está morta ? - disse Filch em um sufoco , olhando através de os dedos para Mrs._Norris . - Mas , porque está ela rígida e gelada ? - Foi petrificada - disse Dumbledore ( Ah ! foi o que eu pensei ! - comentou Lockhart ) mas como , não posso afirmar . - Pergunte lhe - gritou Filch , voltando a cara cheia de furúnculos e lágrimas para Harry . - Nenhum aluno de o segundo ano poderia ter feito isto - explicou Dumbledore . - Era preciso um grande conhecimento de magia negra . - Foi ele , foi ele - disse encolerizado o encarregado com a cara a ficar roxa . - O senhor viu o que ele escreveu em a parede . Ele descobriu em o meu gabinete , ele sabe que eu sou um ... - O rosto de Filch estava horrível . - Ele sabe que eu sou um * _ busca-pé * - disse por fim . - Eu não toquei em a Mrs._Norris - gritou Harry com todos os olhares a recaírem sobre ele , incluindo o de todos os Lockharts de a parede . - E eu nem sei o que é um * busca-pé * . - Mentira ! - gritou Filch . - Ele viu a minha carta de o feitiço rápido . - Se me permite que dê a minha opinião , senhor director - disse Snape , saindo de a sombra , e a sensação de mau presságio de Harry aumentou bastante . Certamente nada do_que Snape tinha para de dizer iria ajudá o . - O Potter e os amigos podiam estar simplesmente em o lugar errado em a altura errada - afirmou com um leve sorriso a torcer lhe a boca como_se tivesse as suas dúvidas . - Mas , temos aqui um conjunto de circunstâncias curiosas . Porque estavam eles afinal em o corredor ? Porque não estiveram presentes em a festa de o * _ Hallowe'en * ? Harry , Ron e Hermione começaram uma longa explicação sobre a festa de o dia de os mortos . - Estavam lá centenas de fantasmas , eles poderão confirmar que lá estivemos ... - Mas porque não foram a seguir a o banquete ? - perguntou Snape com os olhos pretos a brilharem a a luz de as velas . - Porquê ir até a aquele corredor ? Ron e Hermione olharam para Harry . - Porque , porque ... - balbuciou Harry , com o coração a querer saltar lhe de o peito , mas algo lhe disse que ia parecer muito rebuscado se lhes contasse que tinha sido levado até ali por uma voz sem corpo que só ele conseguia ouvir . - Porque estávamos cansados e queríamos ir para a cama - disse . - Sem jantar ? - inquiriu Snape com um sorriso triunfante a bailar lhe em o rosto lúgubre . - Não sabia que os fantasmas ofereciam em as suas festas comida para gente viva . - Não estávamos com fome - disse o Ron bem alto , enquanto o estômago se queixava de forma audível . O sorriso mesquinho de a Snape ampliou se . - Acho , senhor director , que Potter não está a dizer toda_a verdade - afirmou . - Talvez fosse boa ideia retirar lhe alguns privilégios , até ele estar disposto a contar nos a história toda . Pessoalmente , sugiro que seja retirado de a equipa de os Gryffindor até decidir ser honesto . - Francamente , Severus - exclamou a professora Mc_Gonagall com uma voz cortante . - Não vejo porquê impedir o rapaz de jogar Quidditch . Esta gata não levou pauladas em a cabeça dadas por nenhum cabo de vassoura . E não há provas de que o Potter tenha feito algo de mal . Dumbledore observava Harry com um olhar perscrutador . A voz tremeluzente de os seus olhos azuis fez Harry sentir que estava a ser passado a raios X. - Inocente até se provar que é culpado , Severus - disse com segurança . Snape estava furioso , assim_como Filch . - A minha gata foi petrificada ! - berrou , com os olhos a saltarem de as órbitas . - Quero ver um castigo ! - Vamos poder curá a , Argus - explicou pacientemente Dumbledore . - Madam_Sprout conseguiu arranjar algumas Mandrágoras . Logo_que tenham atingido o tamanho adulto , terei uma poção de Mandrágoras que reanimará Mrs._Norris . - Eu posso fazê a - interrompeu Lockhart . - Devo ter feito isso uma centena de vezes . Preparo uma golada de Mandrágora reconstituinte de olhos fechados ... - Perdão - disse Snape friamente -- , mas julgo que o professor de poções de esta escola ainda sou eu . Houve um silêncio bastante incómodo . - Vocês podem ir se embora - disse Dumbledore a o Harry , Ron e a Hermione . Eles saíram o mais depressa que puderam , sem ir a correr . Quando chegaram a o andar acima de o escritório de Lockhart , entraram em uma sala de aulas vazia e fecharam a porta devagarinho . Harry lançou um olhar de esguelha a as caras carrancudas de os amigos . - Acham que eu lhes devia ter falado de a voz que ouvi ? - Não - respondeu Ron , sem a mínima hesitação . - Ouvir vozes que mais ninguém ouve , não é bom sinal , nem em o mundo de os feiticeiros . Algo em a voz de Ron levou Harry a fazer a pergunta : - Tu acreditas em mim , não acreditas ? - Claro que sim - respondeu o Ron de imediato . - Mas tens de concordar que é esquisito ... - Eu sei que é esquisito - confirmou Harry . - É tudo esquisito . O que era aquilo escrito em a parede ? * _ A_Câmara foi aberta * , o que é_que significa ? - Sabes , faz me lembrar qualquer coisa - disse Ron lentamente . - Acho que alguém me contou uma história sobre uma câmara secreta em Hogwarts , talvez tenha sido o Bill ... - E que diabos é um * busca-pé * ? - perguntou Harry . Para sua surpresa , Ron abafou o riso . - Bem , em a verdade não tem graça nenhuma , mas como é o Filch ... - disse . - Um * busca-pé * é alguém que nasceu de uma família de feiticeiros , mas não tem poderes mágicos . É uma espécie de o oposto de os que vêm de famílias de Muggles , mas são feiticeiros . Os * busca-pé * são muito raros . Se o Filch está a tentar aprender magia em um curso rápido , acho que ele deve ser mesmo um busca-pé . Isso explicaria tudo , por_exemplo , porque detesta tanto os estudantes . - Ron sorriu satisfeito . - Tem inveja . Um relógio deu as horas , algures . - Meia-noite - disse Harry . - É melhor irmo nos deitar , antes que o Snape apareça e tente acusar nos de qualquer coisa . Durante alguns dias não se falou de outra coisa em a escola a não ser de o ataque a a gata , Mrs._Norris . Filch manteve o sucedido bem fresco em a memória de todos , andando de um lado para o outro em o lugar onde ela fora atacada , como_se esperasse por o responsável . Harry vira o esfregar a mensagem de a parede com a « solução removedora de toda_a porcaria mágica Mrs._Skower » , mas sem qualquer resultado . As palavras continuavam a brilhar tanto como antes sobre a pedra . Quando Filch não estava a patrulhar a cena de o crime , vagueava , de olhos avermelhados , por os corredores , perseguindo alunos insuspeitos e tentando aplicar lhes castigos por coisas como « respirar muito alto » ou « estar alegre » . Ginny_Weasley parecia muito perturbada com o destino de Mrs._Norris . Segundo Ron ela era uma amante de gatos . - Mas tu nem chegaste a conhecer bem Mrs._Norris - disse lhe Ron para a animar . - Com toda_a franqueza , estamos muito melhor sem ela . - O lábio de Ginny tremeu . - Não é costume acontecerem coisas de estas em Hogwarts - tranquilizou a . - Eles vão descobrir o safado que fez aquilo e põem o de aqui para fora em três tempos . - Só espero que tenha tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso . Estou a brincar , claro - acrescentou o Ron apressadamente a o ver a Ginny a empalidecer . O ataque afectara também Hermione . Era costume de ela passar muito_tempo a ler , mas agora parecia não fazer mais_nada . Nem respondia a o Harry e a o Ron quando lhe perguntavam o que estava a fazer e só acabaram por descobrir em a quarta-feira seguinte . Harry tivera de ficar até mais tarde em a sala de poções onde Snape o mandara raspar restos de larvas de as secretárias . Depois de um almoço comido a a pressa , ele foi lá acima encontrar se com Ron em a biblioteca e viu Justin_Finch - _ Fletchley , o rapaz de os Hufflepuff de herbologia que vinha em direcção a ele . Harry tinha acabado de abrir a boca para dizer um « Olá » quando Justin o viu , voltando se bruscamente e mudando de direcção . Harry foi encontrar o Ron em as traseiras de a biblioteca , a medir o trabalho de casa de história de a magia . O professor Binns pedira uma composição sobre a Assembleia_Medieval_de_Feiticeiros_Europeus com 90cm . De extensão . - Não posso crer que ainda me faltem 16cm - disse o Ron furioso , largando o pergaminho que se enrolou em forma de tubo - e que a Hermione fez um metro e trinta em aquela letra pequenina e apertadinha . - Onde está ela ? - perguntou Harry , agarrando em a fita métrica e desembrulhando o seu trabalho de casa . - Algures por aí - disse o Ron , apontando para as estantes . - _ a a procura de outro livro . Acho que ela está a tentar ler a biblioteca toda antes de o Natal . Harry contou a Ron que Justin_Finch - _ Fletchley tinha evitado falar lhe . - Não sei porque te preocupas com isso . Eu achei o um idiota - disse o Ron , escrevinhando e fazendo a letra o maior possível . - Todo aquele disparate sobre o Lockhart ser tão grande ... Hermione surgiu de o meio de as estantes . Parecia irritada e disposta , por fim , a falar com eles . - Todos os exemplares de * _ Hogwarts : Uma História * foram requisitados - disse , sentando se ao_lado_de Harry e Ron . - E há uma lista de espera de duas semanas . Quem me dera não ter deixado o meu exemplar em casa , mas não consegui que coubesse em a mala com todos os livros de o Lockhart . - Para que o queres ? - perguntou Harry . - Pelo mesmo motivo que toda_a_gente o quer - disse Hermione . - Para ler a lenda de a Câmara_dos_Segredos . - O que é isso ? - Precisamente . Não me lembro - disse Hermione , mordendo o lábio . - E não encontro a História em lugar nenhum . - Hermione , deixa me ler o teu trabalho - pediu Ron desesperado , olhando para o relógio . - Não , não deixo - respondeu Hermione com um ar severo . - Tiveste dez dias para o fazer . - Só preciso de mais quatro centímetros , vá lá ... A campainha tocou . Ron e Hermione encaminharam se para a História_da_Magia , discutindo . A História_da_Magia era a matéria mais chata de o programa . O professor Binns , que dava a cadeira , era o único professor fantasma e a coisa mais excitante que aconteceu em as suas aulas foi o dia em que entrou por o quadro preto . Já velho e enrugado , muita gente afirmava a seu respeito que ele não dera por_que tinha morrido . Pura e simplesmente levantara se um dia para ir dar aulas , deixando o corpo atrás , em um cadeirão em frente de a lareira de a sala de os professores . Desde esse dia a sua rotina mantivera se igual . Era hoje tão chato como fora sempre . Abriu as notas e começou a ler em um tom monocórdico como um velho aspirador até quase todos os alunos estarem em um estado de profunda dormência , acordando de vez em quando , para tomar nota de um nome ou de uma data , e voltando a adormecer . Estava a falar havia meia_hora quando aconteceu algo que nunca tinha acontecido . Hermione pôs o braço em o ar . O professor Binns olhou de relance , em o meio de a chatíssima aula sobre a Convenção_Internacional_de_Feiticeiros de 1289 , verdadeiramente espantado . - Miss ... er ... ? - Granger , professor . Poderia dizer nos alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Hermione em uma voz bem audível . O Dean_Thomas , que tinha estado sentado de boca aberta olhando para fora de a janela , saiu de o seu transe com um salto . A cabeça de Lavender_Brown saiu de os braços e o cotovelo de o Neville_Longbottom escorregou para fora de a secretária . O professor Binns piscou os olhos . - A minha matéria é História_da_Magia - disse em a sua voz seca e asmática . - Eu trato de factos , Miss_Granger , não de mitos e lendas - pigarreou produzindo um ruído que parecia o giz sobre o quadro e continuou : - Em Setembro de esse ano , uma subcomissão de feiticeiros de a Sardenha ... Parou de repente . A mão de Hermione estava de_novo em o ar . - Sim , Miss_Grant ? - Por favor , professor , as lendas não têm sempre um facto como base ? O professor Binns olhava para ela com tal espanto que Harry teve a certeza de que ele nunca , em tempo algum , fora interrompido por um aluno . - Bem - disse lentamente o professor Binns . - Sim , é uma afirmação que pode fazer se . - Olhou para Hermione como_se fosse a primeira vez que olhasse a sério para um estudante . - Contudo , a lenda de que me fala é tão extraordinária , mesmo grotesca ... Mas a aula inteira estava agora atenta a as palavras de o professor , que olhou indistintamente para todos eles . Harry poderia assegurar que ele estava absolutamente abismado por uma tão grande demonstração de interesse . - Muito bem - disse lentamente . - Ora vejamos ... a Câmara_dos_Segredos . Todos vocês sabem com certeza que Hogwarts foi fundada há mais de um_milhar de anos , não se conhece ao_certo a data , por os quatro maiores feiticeiros e feiticeiras de a época : Godric_Gryffindor , Helga_Hufflepuff , Rowena_Ravenclaw e Salazar_Slytherin . Construíram juntos este castelo , longe de os olhares curiosos de os Muggles porque em aquele tempo a magia era temida por as pessoas comuns e as bruxas e feiticeiros sofriam terríveis perseguições . Fez uma pausa , olhou indeciso em volta e prosseguiu : - Durante alguns anos , os fundadores trabalharam juntos em harmonia procurando outros mais novos que mostrassem sinais de possuir dotes mágicos e trazendo os para o castelo para aqui serem ensinados . Mas os desentendimentos surgiram entre eles . Começou a notar se uma divisão entre Slytherin e os outros . Salazar_Slytherin queria ser mais selectivo em relação a os alunos a serem admitidos em Hogwarts . Achava que os ensinamentos de magia deviam ficar dentro de as famílias de feiticeiros . Não lhe agradava a entrada em a escola de alunos de famílias Muggles porque os achava pouco dignos de confiança . Depois de algum tempo houve uma séria discussão sobre esse assunto entre Slytherin e Gryffindor e Slytherin abandonou a escola . O professor Binns fez uma nova pausa , fazendo beicinho o que o fazia parecer uma tartaruga enrugada . - Fontes fidedignas referem nos isto - disse . - Mas estes factos foram obscurecidos por a fantasiosa lenda de a Câmara_dos_Segredos . Conta a história que Slytherin construíra uma câmara oculta dentro de o castelo cuja existência os outros fundadores ignoravam . De_acordo com a lenda , Slytherin selou a Câmara_dos_Segredos para que ninguém pudesse abri a até o seu verdadeiro herdeiro chegar a a escola . O herdeiro , e apenas ele , poderia abrir a Câmara_dos_Segredos , libertar o horror que lá se encontrava e utilizá o para expurgar a escola de todos aqueles que eram indignos de aprender magia . Houve um silêncio quando ele se calou que não era o habitual silêncio de sono de as aulas de o professor Binns . Havia um desassossego em o ar enquanto todos continuavam a olhá o a a espera de mais . O professor Binns estava ligeiramente aborrecido . - A história toda é um disparate , claro - disse ele . - A escola foi revistada por várias vezes em busca de provas de a existência de essa câmara , por os feiticeiros e bruxas mais conhecedores . Não existe nada . Uma lenda que serviu apenas para assustar os ingénuos . A mão de Hermione estava novamente em o ar . - Professor , o que quer_dizer , ao_certo com « o horror que estava dentro de a câmara » ? - Acredita se que seja uma espécie de monstro que só o herdeiro de Slytherin pode controlar - disse o professor Binns em a sua voz seca e débil . A aula trocou entre si olhares inquietos . - Como vos digo , a coisa não existe - afirmou o professor Binns , desordenando as suas notas . - Não há câmara e não há monstro . - Mas , professor - disse Seamus_Finnigan . - Se a câmara só podia ser aberta por o herdeiro de Slytherin ninguém mais poderia encontrá a . Não é ? - Um disparate pegado - disse o professor Binns , em um tom de voz exasperado . - Se uma longa sucessão de directores e directoras de Hogwarts não a encontraram ... - Mas , professor - começou a dizer Parvati_Patil . Se_calhar é preciso usar magia negra para a abrir ... - Lá porque um feiticeiro não usa magia negra não quer_dizer que não possa , Miss_Pennyfeather - interrompeu o professor Binns . - Repito , se os antecessores de Dumbledore ... - Mas talvez seja preciso fazer parte de os Slytherin , por isso Dumbledore não podia ... - começou Dean_Thomas , mas o professor Binns já estava farto . - Já chega - disse , de modo cortante . - É um mito . Não existe . Não há uma única prova de que Slytherin tenha construído nem mesmo uma despensa para vassouras . Lamento ter vos contado esta história tola . Vamos voltar , se fazem o favor , a a História , a os factos sólidos , verificáveis , credíveis . E em menos_de cinco minutos toda_a classe mergulhara em a sua sonolência habitual . - Eu sempre ouvi dizer que Salazar_Slytherin era um velho retorcido e meio pateta - disse Ron_a_Harry e Hermione enquanto abriam caminho por os corredores cheios , em o final de a aula , para ir arrumar as malas antes de o jantar . - Mas não sabia que ele tinha começado esta coisa de o sangue puro . Eu não ia para os Slytherin nem que me pagassem . Se o chapéu seleccionador me tivesse posto lá , pegava em as malas e ia me embora ... Hermione acenou vivamente , mas Harry não abriu a boca . O estômago parecia ter dado uma volta . Harry nunca contara a o Ron e a a Hermione que o chapéu seleccionador tinha considerado seriamente a possibilidade de o colocar em os Slytherin . Lembrava se como_se tivesse sido em a véspera do_que a vozinha lhe dissera a o ouvido quando pôs o chapéu em a cabeça , um ano antes . * _ Podias vir a ser grande , sabes ? Está tudo aqui em a tua cabeça e Slytherin ajudaria te em o caminho para a grandeza , sem a menor dúvida * ... Mas Harry , que já ouvira falar de a fama de o grupo de os Slytherin de formar magos negros , pensou desesperadamente . - Em os Slytherin , não ! - E o chapéu tinha dito . - Bem , se tens assim tanta certeza ... será melhor os Gryfffndor . Enquanto eram empurrados por a multidão , Colin_Creevey passou por eles . - Olá , Harry ! - Olá , Colin - disse Harry automaticamente . - Harry , Harry , um rapaz de a minha turma tem andado a dizer que tu és ... Mas Colin era tão baixinho que não conseguiu lutar contra a maré de gente que o arrastou até a o vestíbulo . Ouviram o despedir se : - Adeus , Harry - e desaparecer . - O que é_que o rapaz de a turma de ele disse de ti ? - quis saber Hermione . - Que eu sou o herdeiro de Slytherin , imagino - disse Harry , com o estômago ainda a as voltas e lembrou se de repente de o Justin_Finch - _ Fletchley a fugir para não lhe falar , a a hora de o almoço . - As pessoas aqui acreditam em tudo - disse o Ron com repugnância . A multidão diminuiu e conseguiram subir as escadas sem dificuldade . - Achas mesmo_que existe uma Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Ron_a_Hermione . - Não sei - respondeu ela , franzindo a testa . - Dumbledore não conseguiu curar Mrs._Norris e isso leva me a pensar que o que a atacou pode não ser ... humano . Enquanto falava , voltaram uma esquina e encontraram se em o fim de aquele mesmo corredor onde o ataque tinha ocorrido . Pararam para olhar . Estava tudo igual a aquela outra noite , com excepção de a gata Mrs._Norris e havia uma cadeira vazia encostada a a parede , onde podia ler se a mensagem « : __ a câmara foi __ aberta » . - Foi aqui que o Filch montou a guarda - murmurou Ron . Olharam uns para os outros . O corredor estava deserto . - Não deve fazer mal dar uma olhadela aqui - disse Harry , deixando cair a mala e pondo se de quatro para poder gatinhar em busca de pistas . - Marcas de queimadura - disse - aqui e aqui ... - Venham ver isto ! - chamou Hermione . - Que estranho ... Harry levantou se e foi até a a janela que ficava junto de a mensagem . Hermione apontava para o vidro mais alto , onde cerca de uma vintena de aranhas se debatiam em uma aparente luta por atravessar por uma pequena brecha de vidro . Um longo fio prateado balouçava como uma corda , como_se todas tivessem trepado , em a ânsia de chegar lá fora . - Alguma vez viram aranhas agir assim ? - perguntou Hermione , curiosa . - Não - respondeu Harry . - E tu , Ron ? Ron ? Olhou por cima de o ombro . Ron estava de costas , bem lá atrás e parecia lutar contra o impulso de se virar . - O que é_que se passa ? - perguntou Harry . - Eu não gosto de aranhas - disse Ron , de modo tenso . - Nunca me tinhas dito - comentou Hermione , olhando para ele com surpresa . - Estás farto de usar aranhas em as poções ... - Não me importo quando estão mortas - explicou Ron que olhava cautelosamente para todos os lados , menos para a janela . - Não gosto de a maneira como_se mexem . Hermione riu se baixinho . - Não tem graça nenhuma - disse o Ron , furioso . - Se queres saber , quando eu tinha três anos , o Fred transformou o meu ursinho de pelúcia em uma enorme aranha nojenta , por eu lhe ter partido a vassoura de brinquedo . Tu também não gostarias de aranhas se estivesses agarrada a o teu ursinho e , de repente , ele tivesse uma data de pernas e ... Começou a tremer ... Hermione ainda estava a tentar conter o riso . Sentindo que era melhor mudarem de assunto , Harry perguntou : - Lembram se de a água que havia aqui em o chão ? De onde terá vindo ? Alguém a limpou . - Era por aqui - disse o Ron , já recuperado , avançando alguns passos em direcção a a cadeira de o Filch e apontando . - Junto de esta porta . Estendeu a mão para o puxador de a porta , mas retirou a de imediato , como_se se tivesse queimado . - O que foi ? - perguntou Harry . - Não posso entrar aí - disse o Ron bruscamente . - É a casa_de_banho de as raparigas . - Oh , Ron , não está aí ninguém - sossegou o Hermione enquanto se aproximava . - É o lugar de a Murta_Queixosa . Anda , vamos dar uma espreitadela . E ignorando o grande letreiro que dizia « Fora de serviço » Hermione abriu a porta . Era a casa_de_banho mais sombria e deprimente em que Harry tinha posto os pés durante toda_a sua vida . Debaixo_de um grande espelho partido e sujo podia ver se uma fila de lavatórios de pedra , rachados . O chão estava húmido e reflectia a luz fraca de os pavios de algumas velas que ardiam baixinho em os suportes . As portas de madeira de os cubículos estavam todas lascadas e riscadas e uma de elas balouçava fora de as dobradiças . Hermione levou os dedos a os lábios e foi até a o último cubículo . Quando lá chegou disse : - Olá , Murta , como estás ? Harry e Ron foram ver . A Murta_Queixosa flutuava em a cisterna de a casa_de_banho , tirando um ponto negro de o queixo . - Esta é a casa_de_banho de as raparigas - disse a o ver o Ron e o Harry . - Eles não são raparigas . - Não - concordou Hermione . - Eu só queria mostrar lhes como esta casa_de_banho é ... er ... simpática . Ela fez um aceno vago a o velho espelho sujo e a o chão húmido . - Pergunta lhe se viu alguma coisa - sussurrou o Ron a a Hermione . - Porque estão a dizer segredinhos ? - perguntou a Murta , fitando o . - Não é nada - disse Harry rapidamente . - Queríamos perguntar ... - Gostava que as pessoas parassem de falar em as minhas costas ! - desabafou a Murta em uma voz abafada por as lágrimas . - Eu tenho sentimentos , sabem , apesar_de estar morta . - Murta , ninguém quis aborrecer te - explicou Hermione . - O Harry só ... - A minha vida foi uma infelicidade em este lugar e agora as pessoas vêm estragar a minha morte . - Nós queríamos perguntar te se tinhas visto alguma coisa estranha ultimamente - disse Hermione sem perder tempo . - Porque foi atacada uma gata mesmo aqui a a frente de a tua porta em a noite de o * _ Hallowe'en * . - Viste alguém aqui perto em essa noite ? - insistiu Harry . - Não estava a prestar atenção - disse a Murta com ar dramático . - O Peeves aborreceu me tanto que vim aqui para tentar matar me . Só então me lembrei de que estou ... de que estou ... - Já morta - ajudou o Ron . A Murta soluçou tragicamente , elevou se em o ar , voltou se e mergulhou de cabeça em a sanita , espalhando água por_cima_de todos eles e desaparecendo . Por o som de os seus soluços abafados fora certamente descansar algures em o cano em forma de V._Harry e Ron ficaram de boca aberta , mas Hermione encolheu os ombros de cansaço e disse : - Se querem saber , para a Murta isto até foi alegre ... vá , vamos embora . Harry tinha acabado de fechar a porta deixando atrás os soluços gorgolejantes de a Murta quando uma voz forte o fez dar um salto . - RON ! Percy_Weasley estava parado em o cimo de as escadas com o seu distintivo de prefeito a brilhar e uma expressão chocadíssima em o rosto . - Isso é a casa_de_banho de as raparigas ... o que é_que vocês ... ? - Estávamos só a dar uma vista de olhos - exclamou o Ron - a a procura de pistas ... Percy engoliu em seco , de uma maneira que fez Harry lembrar se de Mrs._Weasley . - Saiam imediatamente de aqui - disse , aproximando se de eles a passos largos e gesticulando agitadamente . - Não se preocupam com as aparências ? Voltar aqui enquanto toda_a_gente está a jantar ... - Porque não havíamos de estar aqui ? - perguntou cheio de vivacidade o Ron , parando de repente e olhando Percy em os olhos . - Ouve lá , nós não tocamos em aquela gata . - Isso foi o que eu tentei explicar a a Ginny - respondeu Percy furioso - mas ela parece continuar a pensar que vocês vão ser expulsos . Nunca a vi tão aflita . Não pára de chorar . Devias pensar em ela . Todos os alunos de o primeiro ano andam superexcitados com esta história . - Tu não estás nada preocupado com a Ginny - disse o Ron já com as orelhas vermelhas . - O que te assusta é_que eu possa estragar as tuas possibilidades de ser chefe de turma . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor ! - bradou Percy , apontando elegantemente para o distintivo de prefeito . - E espero que te sirva de lição . Acabou se o trabalho de detective ou escrevo a a mãe a contar lhe . E voltou lhes as costas , a nuca tão vermelha como as orelhas de o Ron . Harry , Ron e Hermione , em essa noite , sentaram se em a sala comum o mais longe possível de Percy . Ron estava ainda muito maldisposto e não parava de esborratar o trabalho de casa de os encantamentos . Quando pegou distraidamente em a varinha para tirar as manchas incendiou o pergaminho . A deitar quase tanto fumo como o seu trabalho de casa , fechou bruscamente o * _ Livro_Padrão_de_Encantamentos de o 2.o Grau * . Para grande surpresa de Harry , Hermione fez o mesmo . - Mas quem poderia ser - perguntou ela baixinho como_se continuasse uma conversa que tinham acabado de ter . - Quem quereria todos os * busca-pés * e filhos de Muggles fora de Hogwarts ? - Vamos pensar - disse o Ron em a brincadeira , fingindo estar confuso . - Quem poderemos nós conhecer que ache que os familiares de Muggles são escumalha ? Olhou para Hermione . Ela olhou para ele pouco convencida . - Se estás a pensar em o Malfoy ... - Claro que estou - disse o Ron . - Tu ouviste o dizer : - Vocês serão os próximos , sangues de lama ! - Aliás , basta olhar para aquela cara de renegado para saber que ele é ... - Malfoy , o herdeiro de Slytherin ? - repetiu Hermione cepticamente . - Olha para a família de ele - disse Harry , fechando também os livros . - Todos eles estiveram em os Slytherin . O Draco está sempre a vangloriar se de isso . Podiam bem ser descendentes de Slytherin . O pai de ele é suficientemente mau . - Podiam perfeitamente ter tido a chave de a Câmara_dos_Segredos durante séculos - disse Ron - , fazendo a passar de pai para filho . - Bem - acedeu Hermione cautelosamente . - Seria possível ... - Mas como prová o ? - perguntou Harry tristemente . - Talvez haja um meio - sugeriu Hermione lentamente , baixando ainda mais a voz e lançando um olhar , através de a sala , a Percy . - É claro que não é fácil . E é perigoso , muito perigoso . Suponho que iríamos infringir cerca de cinquenta regras de a escola . - Se de aqui a um mês ou dois te decidires a explicar , avisa , está bem ? - disse Ron , que começava a ficar irritado . - Está bem - concordou Hermione friamente . - O que precisaríamos de fazer para entrar em a sala comum de os Slytherin e fazer algumas perguntas a o Malfoy , sem ele perceber que éramos nós ? - Mas isso é impossível - declarou Harry , enquanto Ron se ria . - Não , não é - continuou Hermione . - Só precisamos de um_pouco de poção * polisuco * . - O que é isso ? - perguntaram ao_mesmo_tempo Ron e Harry . - O Snape falou de ela em uma aula , há poucas semanas atrás . - Achas que não temos mais o que fazer do_que ouvir o Snape ? - murmurou o Ron . - Transforma nos em outra pessoa . Pensem em isso : podíamos transformar nos em três de os Slytherin . Ninguém saberia que éramos nós . É provável que o Malfoy nos contasse alguma coisa . Aposto que ele está a gabar se , em este momento , em a sala de os Slytherin , se ao_menos pudéssemos ouvi o . - Essa coisa de o * polisuco * cheira me um bocado mal - disse o Ron , franzindo as sobrancelhas . - E se ficarmos com a forma de os três Slytherin para sempre ? - Desaparece a o fim de algum tempo - disse Hermione , gesticulando impacientemente com a mão - mas conseguir a receita é muito difícil . O Snape disse que vinha em um livro chamado * _ As_Mais_Potentes_Poções * e está com certeza em a parte de os reservados de a biblioteca . Só havia uma maneira de obter o livro de os reservados : era com uma autorização assinada por um professor . - Não estou a ver porque quereríamos o livro - disse o Ron . - Se não para tentar fabricar uma de as poções . - Eu acho - sugeriu Hermione - que se fizéssemos parecer que o nosso interesse era apenas teórico , talvez conseguíssemos ... - Estás a sonhar , nenhum professor ia cair em essa - afirmou o Ron . - Só se fosse muito burro . X_A * bludger * perigosa Depois de o desastroso incidente de os duendes , o professor Lockhart não voltou a levar seres vivos para as aulas . Em vez de isso , lia a os alunos passagens de os seus livros e , por vezes , voltava a desempenhar alguns de os episódios mais dramáticos . Costumava chamar Harry para o ajudar em essas reconstruções . Até ali Harry fora obrigado a desempenhar o papel de um camponês de a Transilvânia que Lockhart curara de uma maldição murmurada , o abominável homem de as neves com dores de cabeça e um vampiro que depois de ter conhecido Lockhart tinha ficado incapaz de comer outra coisa que não fosse alfaces . Harry foi chamado para a frente de a classe durante a aula de Defesa contra as artes negras que se seguiu . Desta_vez para desempenhar o papel de um lobisomem . Se não tivesse um bom motivo para querer ver o Lockhart bem-disposto , teria se recusado . - Um uivo bem alto , excelente , Harry , isso mesmo . E foi então que , acreditem ou não , eu o ataquei de repente , assim . Atirei o a o chão , agarrei o com uma mão e com a outra consegui meter lhe a varinha em a garganta . Então , com a força que me restava pus em prática o complicadíssimo encantamento * _ Homorphus * . Harry soltou um uivo tristíssimo . - Vá lá , Harry , mais alto . Bom ... o pêlo desapareceu , os dentes diminuíram de tamanho e ele transformou se em um homem . Simples , mas eficaz e mais uma cidade ficará a lembrar se de mim para sempre como o herói que os libertou de os ataques mensais de o lobisomem . A campainha tocou e Lockhart pôs se de pé . - Trabalho para_casa : escrever um poema sobre a minha vitória sobre o lobisomem Wagga_Wagga . Há um exemplar autografado de * _ Eu , o Mágico * para o autor de o melhor poema . Os alunos começaram a sair . Harry voltou para trás e foi juntar se a o Ron e a a Hermione que estavam a a espera de ele . - Prontos ? - perguntou . - Espera até saírem todos - disse Hermione bastante nervosa . - Pronto ... Aproximou se de a secretária de Lockhart , apertando em a mão uma folha de papel , com o Ron e o Harry atrás . - Er ... professor Lockhart - gaguejou Hermione . - Eu queria requisitar este livro em a biblioteca , como leitura de apoio - entregou lhe o papel , com a mão ligeiramente trémula . - Só que faz parte de a secção de os reservados , por isso preciso de a assinatura de um professor . Acho que o livro me vai ajudar a compreender o que o senhor diz em * _ Passeios com Vampiros * acerca de os venenos de acção lenta ... - Ah , * _ Passeando com Vampiros * - disse Lockhart , pegando em a folha de papel de Hermione e sorrindo lhe abertamente . - E provavelmente o meu livro preferido . Gostou ? - Oh , muito - disse Hermione avidamente . - Tão inteligente o modo como apanhou o último com o passador de o chá . - Bem , tenho a certeza que ninguém se importará que eu dê uma ajudazinha suplementar a a melhor aluna de o segundo ano - disse Lockhart calorosamente , sacando de uma enorme pena de pavão . - É bonita , não é ? - comentou , adivinhando uma expressão de repulsa em a cara de o Ron . - Costumo guardas a para as minhas assinaturas de autógrafos . Rabiscou uma enorme assinatura cheia de altos e baixos e entregou a a Hermione . - Então , Harry - disse Lockhart enquanto Hermione dobrava a folha e a guardava em o saco . - Amanhã é a primeira partida de Quidditch de este ano , não é ? Gryffindor contra Slytherin . Ouvi dizer que és um jogador indispensável . Eu também fui * seeker * . Convidaram me inclusivamente para fazer parte de a Equipa_Nacional , mas eu preferi dedicar a minha vida a a erradicação de as forças de o mal . Mesmo_assim , se alguma vez precisares de um treino particular , não hesites em falar comigo , estou sempre disponível para partilhar a minha perícia com os jogadores menos dotados do_que eu . Harry fez um som indistinto com a garganta e saiu atrás_de Ron e Hermione . - Não acredito - disse quando os três examinavam a assinatura de Lockhart . - Ele nem viu que livro nós queríamos . - É porque é um idiota sem miolos - explicou o Ron . - Mas , quem se rala , temos o que queríamos . - Ele não é um idiota sem miolos - gritou Hermione com voz esganiçada enquanto se aproximavam quase a correr de a biblioteca . - Só porque ele disse que eras a melhor aluna de o segundo ano ... Baixaram as vozes a o entrar em a quietude abafada de a biblioteca . Madam_Prince , a bibliotecária , era uma mulher magra e irritável que parecia um abutre mal nutrido . - * _ Moste_Potente_Potions * ? - repetiu intrigada , tentando ficar com a folha de papel que Hermione se recusava a entregar lhe . - Gostava de a guardar para mim - disse sem fôlego . - Vá lá - intercedeu Ron , arrancando lhe a de as mãos e entregando a a Madam_Prince . - Nós arranjamos te outro autógrafo . O Lockhart assina tudo se aqui ficar muito_tempo . Madam_Prince pegou em o papel e voltou o em a direcção de a luz , decidida a descobrir uma falsificação , mas a assinatura passou em o teste . Desapareceu entre as estantes e voltou alguns minutos mais tarde , transportando um livro grande e de aspecto antiquado . Hermione meteu o com todo o cuidado em o saco e saíram , tentando não andar depressa de mais nem aparentar um ar culpado . Cinco minutos depois , estavam de_novo barricados em a casa_de_banho fora de serviço de a Murta_Queixosa . Hermione destruíra as objecções de Ron argumentando que aquele era o último lugar onde alguém em o seu juízo perfeito se lembraria de ir e que poderia assegurar lhes alguma privacidade . A Murta_Queixosa chorava ruidosamente em o seu cubículo , mas eles conseguiram ignorá a assim_como ela a eles . Hermione abriu * _ Moste_Potente_Potions * com todo o cuidado e inclinaram se os três sobre as páginas manchadas de humidade . Era fácil de perceber , logo à_primeira_vista de olhos , porque pertencia a a secção de os reservados . Algumas de as poções tinham efeitos quase impensáveis de tão macabros e havia ilustrações bastante desagradáveis , como , por_exemplo , aquela em que um homem parecia ter sido virado de o avesso e a de a bruxa com vários pares de braços suplementares a nascerem lhe em a cabeça . - Aqui está - disse Hermione excitadíssima a o encontrar a página intitulada « A poção * polisuco * « . Estava ilustrada com imagens de pessoas a meio de o processo de se transformarem em outras pessoas e Harry desejou ardentemente que a expressão de dor intensa que se lhes espelhava em o rosto fosse apenas produto de a imaginação de o artista desenhador . - Esta é a poção mais complicada que vi até hoje - disse Hermione enquanto examinava a receita . - Moscas asas de renda , sanguessugas , fluxo de cizânias e verdezelha - murmurou , acompanhando com o dedo a lista de ingredientes . - Bem , esses são relativamente simples , há os em a despensa de material de os estudantes , podemos tirar a a nossa vontade . Oh ! Vê só , pó de chifre de bicórneo ... não sei onde vamos arranjar isto ... e , é claro , um pedacinho de a pessoa em quem queremos transformar nos . - Como ? - perguntou Ron de forma cortante . - O que é_que queres dizer com um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos ? Eu não bebo nada que tenha lá dentro as unhas de os pés de o Crabbe ... Hermione continuou como_se não o tivesse ouvido . - Mas não temos que nos preocupar com isso por enquanto . Fica para o fim . Ron voltou se sem palavras para o Harry que tinha uma preocupação de outro tipo . - Já viste bem tudo_o_que vamos ter que roubar , Hermione ? Algumas coisas , não estão de certeza em a despensa de material de os alunos . O que é_que vamos fazer , arrombar os armários pessoais de o Snape ? Não sei se será uma boa ideia ... Hermione fechou o livro com um estrondo . - Bem , se vocês os dois se vão acagaçar , então está lindo - disse ela . Tinha as bochechas rosadas e os olhos mais brilhantes do_que era habitual . - Eu não gosto de quebrar regras , vocês sabem , mas acho que ameaçar os filhos de os Muggles é muito pior do_que construir uma poção difícil . Mas se vocês não querem descobrir se é o Malfoy , eu posso voltar já a a biblioteca e entregar o livro a Madam_Prince ... - Nunca pensei que chegaria o dia em que serias tu a convencer nos a quebrar regras - disse o Ron . - Está bem , vamos em essa , mas sem unhas de os pés , O. _ K. ? - Quanto tempo vai isso demorar a fazer , afinal ? - perguntou Harry quando Hermione , já com um ar mais satisfeito , voltou a abrir o livro . - Bem , como o fluxo de cizânias tem de ser recolhido durante a lua cheia e as asas de renda têm de ser abafadas durante vinte_e_um dias ... eu diria que se conseguirmos arranjar todos os ingredientes estará pronta dentro_de um mês . - Um mês ? - exclamou o Ron . - Nessa_altura já o Malfoy terá atacado metade de os filhos de Muggles ! - mas os olhos de Hermione contraíram se de_novo assustadoramente e ele acrescentou rapidamente . - Mas é o melhor plano que temos , por isso é melhor não olharmos para trás . Apesar_de tudo , enquanto Hermione verificava que não havia ninguém em os corredores e podiam sair de a casa_de_banho , Ron murmurou a Harry : - Seria muito mais simples se conseguisses , amanhã , atirar o Malfoy de a vassoura abaixo . Harry acordou cedo em o sábado de manhã e ficou um bocado a pensar em a partida de Quidditch que vinha a seguir . Estava nervoso , principalmente pelo que Wood diria se os Gryffindor perdessem , mas também com a ideia de enfrentar uma equipa apetrechada com as vassouras mais velozes que existiam . Nunca desejara tanto vencer os Slytherin como em aquele dia . Depois de meia_hora deitado com a barriga a dar horas , resolveu levantar se , vestir se e descer para tomar o pequeno-almoço . Lá em baixo , encontrou o resto de a equipa de os Gryffindor amontoada a o longo de a mesa comprida e vazia , todos eles com ar preocupado e sem vontade de conversar . Como_se aproximavam as onze horas , todos os alunos de a escola começaram a dirigir se para o estádio de Quidditch . O dia estava quente e húmido , com uma ameaça de trovoada em o ar . Ron e Hermione vieram apressadamente desejar a Harry boa sorte mal ele entrou em os vestiários . A equipa de os Gryffindor pôs os seus mantos vermelhos e sentou se para ouvir o discurso que Wood lhes fazia sempre antes de o jogo . - Os Slytherin têm vassouras melhores do_que nós - começou . - Não há como negá o . Mas nós temos gente melhor em cima de as vassouras . Treinámos mais do_que eles , voamos com todas_as condições climatéricas ( É bem verdade - murmurou George_Weasley - desde Agosto que não sei o que é estar seco ) . - E vamos fazê os engolir o dia em que deixaram aquele nojento de o Malfoy comprar a entrada em a equipa de eles . Com o peito agitado por a comoção , Wood voltou se par Harry . -- Cabe te a ti , Harry , mostrar lhes que um * seeker * tem de ter mais do_que um pai rico . Agarra a * snitch * antes d Malfoy ou morre a tentar porque temos absolutamente que vencer , hoje , Harry , temos que vencer . - Sem ansiedade , Harry - disse o Fred , piscando lhe o olho . Quando saíram em direcção a o campo , foram saudado por uma grande ovação principalmente de a parte de os Ravenclaw e de os Hufflepuff que estavam ansiosos por ver os Slytherin serem derrotados , mas os Slytherin que estavam entre a multidão também fizeram ouvir as suas vaias e pateadas . Madam_Hooch , a professora de Quidditch , pediu a Flin e Wood que apertassem as mãos o que eles fizeram , lançando um_ao_outro olhares ameaçadores , cada_um apertando a mão de o outro com mais força do_que aquela que seria necessário . - Atenção a o apito - disse Madam_Hooch . - Três , dois , um ... Com um bramido de a multidão para que subissem rapidamente , os catorze jogadores elevaram se em o céu cor de chumbo . Harry , mais alto do_que qualquer de os outros olhando para todos os lados em busca de a * snitch * . - Tudo bem , testa de cicatriz ? - gritou Malfoy , disparando por baixo de ele para lhe mostrar a velocidade de a sua vassoura . Harry não teve tempo de responder . Em esse preciso momento uma * bludger * preta e bem pesada veio direitinha a ele . Evitou a tão por um triz que ainda sentiu em os cabelos o ar que ela deslocara . - Foi por_pouco , Harry ! - exclamou o George , passando com grande rapidez , de bastão em a mão , pronto para lançar a * bludger * contra um Slytherin . Harry viu o dar a a * bludger * uma fortíssima pancada em direcção a Adrian_Pucey , mas a bola mudou de rumo em o meio de o ar e dirigiu se de_novo a Harry . Harry desceu rapidamente para se esquivar e George conseguiu lançá a contra Malfoy . Mais_uma_vez a * bludger * actuou como um * boomerang * e apontou a a cabeça de Harry . Harry ganhou velocidade e disparou contra o outro extremo de o campo . Ouvia o assobio de a * bludger * que o perseguia . O que era aquilo ? As * bludgers * nunca se concentravam assim em um único jogador , a sua função era tentar desmontar o maior número possível de intervenientes . Fred_Weasley esperava por a * bludger * em o extremo oposto . Harry baixou se quando o viu balançar se em frente de ela com toda_a garra . A * bludger * foi lançada para_fora_de campo . - Pronto , já está tudo resolvido - gritou Fred satisfeito , mas estava bastante enganado . Como_se fosse magneticamente atraída para Harry , a * bludger * lançou se de_novo contra ele e Harry teve de voar a_toda_a velocidade . Começara a chover . Harry sentia as gotas pesadas caírem lhe em o rosto , turvando lhe as lentes de os óculos . Não fazia ideia do_que se passava em o resto de o jogo , até ouvir Lee_Jordan que fazia o comentário dizer : - Os Slytherin vão a a frente com seis contra zero . As vassouras de qualidade superior de os Slytherin estavam obviamente a cumprir a sua função e enquanto isso , a * bludger * maluca fazia todos os possíveis para deitar abaixo o Harry . Fred e George voavam agora tão perto de ele , um de cada lado , que Harry não via senão os seus braços a balouçar e , se não conseguia ver a * snitch * , muito menos agarrá a . - Alguém enfeitiçou esta * bludger * - resmungou Fred , preparando o bastão com toda_a força quando ela se lançava de_novo contra Harry . - Precisamos de tempo - disse George , tentando fazer sinal a Wood enquanto evitava que a bola partisse o nariz a o Harry . Wood captou obviamente a mensagem . O apito de Madam_Hooch fez se ouvir e Harry , Fred e George desceram , tentando ainda evitar a * bludger * maluca . - O que é_que se passa ? - perguntou Wood enquanto a equipa de os Gryffindor se amontoava desordenadamente e os Slytherin , em o meio de a multidão , lançavam piadas . - Estamos a ser esmagados . Fred , George , onde estavam vocês quando aquela * bludger * impediu a Angelina de marcar ? - Estávamos seis metros acima , evitando que a outra * bludger * matasse o Harry , Oliver - gritou George furioso . - Alguém preparou isto , a bola não deixa o Harry em paz , ainda não perseguiu mais ninguém desde_que o jogo começou . Os Slytherin fizeram aqui qualquer coisa . - Mas as * bludgers * têm estado fechadas em o escritório de Madam_Hooch desde o último treino , e nessa_altura estava tudo bem ... - disse Wood ansiosamente . Madam_Hooch aproximava se . Por cima de o ombro de ela , Harry pôde ver a equipa de os Slytherin a escarnecer e apontar em a sua direcção . - Ouçam - disse o Harry , enquanto ela se aproximava . - Com vocês os dois a voarem sempre colados a mim , só vou apanhar a * snitch * se ela voar até a a minha manga . Voltem se para o resto de a equipa e deixem a tratante comigo . - Não sejas bronco - disse o Fred . - Ela arranca te a cabeça . Os olhos de Wood saltavam de Harry_para_os_Weasley . - Oliver , isto_é uma loucura - disse Alicia_Spinet , zangada . - Não podes deixar o Harry sozinho entregue a aquela coisa . Vamos pedir uma investigação . - Se pararmos agora , teremos de dar a partida como perdida e não vamos deixar os Slytherin ganhar , só por_causa_de uma * bludger * maluca . Vá lá , Oliver , diz lhes que me deixem sozinho . - A culpa é toda tua . * _ Agarra a snitch ou morre a tentar * , se isso é lá coisa que se diga . Madam_Hooch tinha se lhes juntado . - Prontos para retomar a partida ? - perguntou a Wood . Wood olhou para o ar determinado de Harry . - Deixem o sozinho , ele é capaz de lidar com a * bludger * . A chuva era agora mais pesada . A o apito de Madam_Hooch , Harry elevou se em os ares e ouviu o barulhinho de a * bludger * atrás_de si . Subiu cada_vez_mais alto . Fez acrobacias em espiral , descidas rápidas , ziguezagueou e rolou . Apesar_de ligeiramente estonteado , não deixou nunca de ter os olhos bem abertos . A chuva salpicava lhe os óculos e entrava lhe por as narinas , quando ele se voltou de cabeça para baixo , evitando outra forte investida de a * bludger * . Ouviu os risos de a multidão . Sabia que devia parecer ridículo , mas a * bludger * maluca era pesada e não podia mudar de direcção tão rapidamente quanto ele . Iniciou uma corrida que parecia de feira de diversões em volta de os extremos de o estádio , olhando de soslaio , através de os lençóis prateados de chuva , para os postes de os Gryffindor , onde Adrian_Pucey tentava passar por Wood . Um assobio junto de os ouvidos disse a Harry que a * bludger * falhara uma_vez_mais . Voltou se e voou rapidamente em a direcção oposta . - Estás a ensaiar * ballet * , Potter - gritou Malfoy quando Harry foi obrigado a fazer uma reviravolta estúpida em o ar para se esquivar mais_uma_vez de a * bludger * . Lá foi ele , com a * bludger * atrás a alguns metros de distância . E foi então que , olhando para Malfoy , furioso , a viu , a * snitch * de ouro . Flutuava alguns centímetros acima de os ouvidos de Malfoy que , de tão preocupado a escarnecer de Harry , nem dera por ela . Durante um momento angustiante , Harry ficou quieto em o ar , não ousando dirigir se a Malfoy , não fosse ele olhar para_cima e ver a * snitch * . PUM ! Tinha ficado parado tempo de mais . A * bludger * batera lhe , por fim , apanhando lhe o cotovelo e Harry sentiu o braço a partir se . Debilmente , desorientado por a dor cauterizante em o braço , Harry deslizou para um de os lados em a sua vassoura encharcada , um joelho ainda dobrado , o braço direito a balouçar , inútil , a o seu lado . A * bludger * veio de_novo , preparada para mais um ataque , desta_vez apontada a o seu rosto . Harry desviou se com uma intenção : chegar a Malfoy . Através_de uma nuvem de chuva e dor desceu até a o rosto tremeluzente e trocista e viu os olhos de ele dilatarem se de medo : Malfoy pensou que Harry ia atacá o . - Que diabo ... - resmungou , afastando se de o caminho . Harry tirou a outra mão de a vassoura e fez uma tentativa para agarrar qualquer coisa . Sentiu os dedos fecharem se em volta de a * snitch * dourada , mas conduzia agora a vassoura apenas com as pernas e ouviu se um grito de a multidão cá em baixo , quando ele fez a descida , tentando não desmaiar . Com um ruído seco caiu em a terra enlameada e rolou para fora de a vassoura . O braço tinha um ângulo um_pouco estranho . Torcendo se com dores , ouviu a a distância os assobios e os gritos . Concentrou se em a * snitch * que tinha fechada em a outra mão . - Ai - disse vagamente . - Ganhámos o jogo . E desmaiou . Voltou a si com a chuva a cair lhe em o rosto , ainda deitado em o campo , com alguém inclinado sobre ele . Viu um brilho de dentes brancos . - Oh , não , você não - gemeu . - Não sabe o que diz - afirmou Lockhart bem alto a a ansiosa multidão de Gryffindor que o comprimiam . - Não te preocupes , Harry , eu vou tratar de o teu braço . - Não - gritou Harry . - Eu fico com ele assim , obrigado . Tentou sentar se , mas a dor era enorme . Ouviu um « clique » familiar . - Não quero fotografias de isto , Colin - disse em voz alta . - Deita te para trás , Harry - insistiu Lockhart com toda_a calma . - É um encantamento muito simples que eu fiz imensas vezes . - Porque não me levam só para a ala hospitalar ? - perguntou Harry entredentes . - Seria o melhor , professor - disse a voz rouca de o Wood que não conseguia deixar de sorrir , apesar_de o seu * seeker * estar ferido . - Grande captura , Harry , verdadeiramente espectacular , a tua melhor jogada , em a minha opinião . Em o meio de a floresta de pernas que o rodeava , Harry avistou Fred e George_Weasley , metendo a * budger * perigosa em uma caixa . Continuava a dar uma luta enorme . - Para trás - ordenou Lockhart , que tinha arregaçado as mangas verde jade . - Não , eu não ... - protestou debilmente Harry , mas Lockhart tinha a varinha em a mão e , um segundo depois , apontava a para o braço de Harry . Uma sensação estranha e desagradável começou em o ombro e espalhou se , chegando a as pontas de os dedos . Parecia que o braço inteiro tinha sido esvaziado . Não foi capaz de olhar para o que estava a suceder . Tinha fechado os olhos , voltado o rosto para o outro lado , mas os seus maiores receios concretizaram se quando as pessoas lá em cima se sobressaltaram e Colin_Creevey começou a tirar fotografias como um louco . O braço deixara de lhe doer , mas parecia tudo menos um braço . - Ah ! - disse Lockhart . - Sim , bem isto às_vezes acontece . Mas o importante é_que os ossos já não estão partidos . Isso é o mais importante . Portanto , Harry , vai até a a ala hospitalar ... ah ! Mr._Weasley , Miss_Granger , poderiam levá o lá ? E Madam_Pomfrey poderá ... er ... arranjar um_pouco isso . Quando Harry se pôs de pé sentiu se estranhamente desequilibrado . Depois de respirar fundo , olhou para o lado direito e o que viu quase o fez desmaiar de_novo . Pendurado em a extremidade de a sua túnica estava o que parecia ser uma espessa e colorida luva de borracha . Tentou mexer os dedos mas ... em vão . Lockhart não consertara os ossos de Harry . Retirara os . M. dam Pomfrey não ficou nada satisfeita . - Devias ter vindo logo ter comigo - ralhou , segurando os restos tristes e moles de aquilo que antes fora um braço activo . - Eu conserto ossos em um segundo , mas fazê os crescer de_novo ... - Vai conseguir , não vai ? - perguntou Harry desesperado . - Sim , com certeza , mas vai ser doloroso - disse Madam_Pomfrey de modo severo , entregando lhe um pijama . - Vais ter que ficar cá esta noite ... Hermione esperou de o lado de_fora de a cortina que rodeava outra cama enquanto Ron ajudava Harry a vestir se . Levou algum tempo a enfiar o braço que parecia borracha dentro_de uma manga de o pijama . - Como é_que podes continuar a defender o Lockhart depois disto , Hermione ? - perguntou Ron através de as cortinas , enquanto puxava os dedos moles de o Harry por uma manga . - Se o Harry quisesse ser desossado , teria pedido . - Todos podem enganar se - disse Hermione . - E deixou de doer , não deixou , Harry ? - Sim - disse ele - mas também ficou incapaz de fazer seja o que for . Quando se meteu em a cama , o braço agitou se despropositadamente . Hermione e Madam_Pomfrey entraram . Madam_Pomfrey segurava uma grande garrafa com o rótulo * Skele - _ Gro * . - Vais ter uma noite difícil - preveniu , enchendo um pequeno copo fumegante e dando lhe a beber . - Fazer crescer ossos é uma coisa difícil . Tomar o * _ Skele - _ Gro * também . Queimou a boca e a garganta de o Harry a o descer , fazendo o tossir e cuspir . Resmungando sobre os desportos perigosos e os professores incapazes , Madam_Pomfrey retirou se , deixando Ron e Hermione a ajudar Harry a engolir um_pouco de água . - Mas ganhámos o jogo - disse o Ron com um sorriso em o rosto . - A tua jogada foi em grande . A cara de o Malfoy ... parecia que queria matar alguém . - Eu vou descobrir como é_que enfeitiçaram aquela * bludger * - disse Hermione com ar sombrio . - Podemos juntar essa pergunta a a lista de todas_as que queremos fazer a o Malfoy quando tomarmos a poção * _ Polisuco * - disse Harry , afundando se de_novo em as almofadas . - Espero que tenha um sabor melhor do_que esta coisa ... - Com um bocado de os Slytherin lá dentro , deves estar a brincar - disse o Ron . A porta de a ala hospitalar abriu se em esse momento e , completamente encharcados , entraram os restantes membros de a equipa de os Gryffindor , para ver o Harry . - Um voo inacreditável - disse George . - Acabei de ver Marcus_Flint a gritar com o Malfoy . Qualquer coisa sobre ter a * snitch * mesmo em cima de a cabeça e não ter dado por nada . O Malfoy não parecia nem um_pouco satisfeito . Tinham trazido bolos , rebuçados e garrafas de sumo de abóbora . Juntaram se em volta de a cama de Harry e estavam a dar início a o que prometia ser uma grande festa quando Madam_Pomfrey entrou a vociferar : - Este rapaz precisa de repouso . Tem trinta_e_três ossos a crescer . Fora de aqui . FORA ! E Harry ficou sozinho , sem nada que o distraísse de as dores agudas em o seu braço mole . Muitas horas mais tarde , Harry acordou subitamente em a escuridão total e soltou um pequeno grito de dor : sentia agora o braço cheio de estilhaços . Durante alguns segundos pensou que tinha sido a dor a acordá o . Depois , com um arrepio de horror , apercebeu se de que alguém estava a passar lhe uma esponja em a testa . - Sai de aqui - gritou , e em seguida : - Dobby ! Os olhos de o tamanho de bolas de ténis de o elfo doméstico estavam a olhá o em o escuro , uma lágrima grossa rolava por o seu enorme nariz . - Harry_Potter voltou a a escola - murmurou , infeliz . - Dobby avisou e voltou a avisar Harry_Potter . Ah ! senhor , porque não deu ouvidos a Dobby ? Porque não voltou Harry_Potter para_casa quando perdeu o comboio ? Harry ergueu se um_pouco , encostando se a as almofadas e afastou a esponja de o elfo . - O que estás a fazer aqui ? - perguntou . - E como sabes que eu perdi o comboio ? O lábio de Dobby tremeu e Harry foi assaltado por uma dúvida . - Foste tu . Tu impediste que a barreira nos deixasse passar . - Em a verdade fui eu , senhor - disse Dobby , acenando com a cabeça e com as orelhas a abanar . - Dobby escondeu se , esperou por Harry_Potter e selou a barreira . A seguir , Dobby teve de pôr as mãos em o ferro de engomar - mostrou a o Harry dez dedos longos embrulhados em ligaduras . - Mas Dobby não se importou , senhor , porque pensou que Harry_Potter estava a salvo e nunca Dobby sonhou que mesmo_assim ele viria para a escola ! Balançava se para a frente e para trás , sacudindo a cabeça feia . - Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry_Potter tinha voltado a a escola que deixou queimar o jantar de os seus donos . Dobby nunca tivera um castigo tão grande , senhor . Harry afundou se de_novo em as almofadas . - Quase conseguiste que nos expulsassem , a mim e a o Ron - disse furioso . - É melhor desapareceres de aqui antes que os meus ossos voltem a estar bem , Dobby , ou ainda te estrangulo . O elfo sorriu . - Dobby está habituado a ameaças de morte , senhor . Dobby recebe as cinco vezes por dia em a casa onde mora . Encostou o nariz a um canto de a fronha que usava , ficando tão ridículo que Harry sentiu a raiva desvanecer se , apesar_de tudo . - Porque usas essa coisa , Dobby ? - perguntou com curiosidade . - Isto , senhor ? - disse Dobby apontando para a fronha de almofada . - É uma prova de escravatura de o elfo doméstico , senhor . Dobby só pode ser libertado se os donos lhe derem roupa , senhor . A família tem o cuidado de não dar a o Dobby nem uma peúga , senhor , porque ele poderia ficar livre e deixar a casa para sempre . Dobby limpou os olhos protuberantes e disse subitamente : - Harry_Potter deve ir para_casa . Dobby achou que a sua * bludger * seria o suficiente para o fazer ... - A tua * bludger * ? - disse Harry com a raiva a crescer novamente dentro de ele . - Que queres tu dizer com a tua bludger * ? Foste tu quem fez com que aquela bola tentasse matar me ? - Matar não , senhor . Matar , nunca ! - disse o elho chocado . - Dobby quer salvar a vida de Harry_Potter . É melhor ir para_casa ferido do_que ficar aqui , senhor . Dobby só queria Harry_Potter suficientemente ferido para voltar para_casa . - Só isso ? - disse Harry furioso . - Imagino que não vais dizer me porque querias mandar me para_casa a os bocados ? - Ah ! se Harry_Potter soubesse ! - gemeu Dobby , com mais lágrimas a escorrerem lhe por a fronha esfarrapada . - Se pudesse saber o que significa para nós , para os humildes , os escravizados , nós , a escória social de o mundo mágico ! Dobby lembra se de como eram as coisas quando Aquele cujo nome não deve ser pronunciado estava em o auge de o poder , senhor ! Nós , os elfos domésticos éramos tratados como animais , senhor ! É claro que Dobby ainda é tratado assim - admitiu , secando o rosto em a fronha de almofada . - Mas , em a sua maioria , a vida melhorou bastante para os de a minha espécie desde_que Harry_Potter triunfou sobre Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Harry_Potter sobreviveu e o poder de os senhores de o Mal foi quebrado e veio uma nova alvorada , senhor , e Harry_Potter brilhou como um farol de esperança para aqueles de entre nós que já pensavam que a longa noite nunca mais teria fim , senhor ... e agora em Hogwarts vão acontecer coisas terríveis , talvez já esteiam a acontecer e Dobby não pode deixar Harry_Potter ficar aqui , agora_que a história vai repetir se , agora_que a Câmara_dos_Segredos está de_novo aberta . Dobby calou se horrorizado . Em seguida agarrou em o jarro de a água que Harry tinha a a cabeceira e bateu com ele em a própria cabeça , deixando se cair . Um segundo mais tarde voltou até junto de a cama , repetindo : - Mau , Dobby , muito mau , Dobby . - Quer_dizer , então , que existe mesmo a Câmara_dos_Segredos ? - murmurou Harry . - E dizes tu que já antes foi aberta ? Conta me , Dobby . Agarrou o pulso ossudo de o elfo quando a mão de ele se estendia para o jarro de a água . - Mas eu não sou filho de Muggles . Como posso estar em perigo por causa de a Câmara_dos_Segredos ? - Ah ! senhor , não pergunte a o pobre Dobby - lamentou se o elfo com os olhos enormes a brilharem em o escuro . - As forças de as trevas estão projectadas em este lugar , mas Harry_Potter não deve estar aqui quando as coisas acontecerem . Vá para_casa , Harry_Potter , vá para_casa . Harry_Potter não deve envolver se em isto , senhor , é demasiado perigoso ... - Quem é , Dobby ? - perguntou Harry , continuando a agarrar lhe o pulso com forca , impedindo que batesse de_novo em si próprio com o jarro . - Quem abriu a amara ? Quem a abriu de a última vez ? - Dobby não pode , senhor . Dobby não pode . Dobby não deve dizer - guinchou o elfo . - Vá se embora , Harry_Potter , vá se embora ! - Eu não vou para lugar nenhum - disse Harry , furioso . - Uma de as minhas melhores amigas é filha de Muggles , está em perigo se a câmara foi , de facto , aberta ... - Harry_Potter arrisca a própria vida por os amigos - gemeu Dobby em uma espécie de êxtase infeliz . - Tão nobre , tão corajoso , mas deve salvar se , Harry_Potter não deve ... Dobby calou se de repente com as orelhas de morcego a estremecerem . Harry também ouviu os passos que vinham lá fora , de o corredor . - Dobby tem de ir - balbuciou o elfo apavorado . Ouviu se um ruído e o pulso de Harry ficou subitamente fechado em o ar . Meteu se de_novo para baixo , em a cama , com os olhos fixos em a porta escura que dava entrada em a ala hospitalar enquanto os passos se aproximavam . Em o momento seguinte , Dumbledore estava a entrar , de costas , em o dormitório , vestindo uma longa túnica de lã e uma capa de noite . Transportava um extremo de aquilo que parecia ser uma estátua . A professora Mc_Gonagall surgiu um segundo mais tarde , pegando lhe em os pés . Os dois colocaram a em uma cama . - Chame Madam_Pomfrey - murmurou Dumbledore e a professora Mc_Gonagall passou por a cama de Harry , apressadamente , e desapareceu . Harry deixou se ficar muito quieto como_se estivesse a dormir . Ouviu vozes ansiosas e por fim a professora Mc_Gonagall apareceu de_novo , seguida de Madam_Pomfrey que vestia um casaco curto de lã sobre a camisa de dormir . Ouviu uma inspiração aguda . - O que aconteceu ? - murmurou Madam_Pomfrey_a_Dumbledore , inclinando se sobre a estátua que estava em a cama . - Outro ataque - disse Dumbledore . - A Minerva encontrou o em as escadas . Havia um cacho de uvas junto de ele . Acho que estava a tentar esgueirar se até aqui para vir visitar o Potter . O estômago de Harry deu uma reviravolta . Lenta e cuidadosamente ergueu se alguns centímetros para poder ver a estátua que estava sobre a cama . Um raio de luar iluminou lhe o rosto estático . Era_Colin_Creevey . Tinha os olhos abertos , e as mãos , em frente de a cara , seguravam a máquina fotográfica . -- Petrificado ? - murmurou Madam_Pomfrey . - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - Mas estou tentada a acreditar que ... se Albus não tivesse vindo cá abaixo tomar um chocolate quente ... quem sabe o que teria ... Os três olharam para Colin . Dumbledore inclinou se e retirou lhe a máquina de as mãos rígidas . - Será que ele conseguiu tirar a fotografia de o agressor ? - perguntou ansiosa a professora Mc_Gonagall . Dumbledore não respondeu . Abriu a parte detrás de a máquina . - Cruzes canhoto - disse Madam_Pomfrey . Um jacto de vapor tinha feito fervilhar a máquina . Harry , a três metros de distância , sentiu o cheiro tóxico de o plástico queimado . - Derretido - disse Madam_Pomfrey com grande espanto . - Tudo derretido . - O que significa isto , Albus ? - perguntou cada_vez_mais nervosa a professora Mc_Gonagall . - Significa - disse Dumbledore - que a Câmara_dos_Segredos está mesmo aberta outra_vez . Madam_Pomfrey levou uma mão a a boca . A professora Mc_Gonagall olhou assustada para Dumbledore . - Mas , Albus ... com certeza ... quem ? - A questão não é quem - disse Dumbledore com os olhos fixos em Colin . - A questão é como ... E pelo que Harry conseguiu ver de o rosto indistinto de a professora Mc_Gonagall , ela não compreendeu muito mais do_que ele . XI_O clube de os duelos Quando_Harry acordou , em o domingo de manhã , a enfermaria estava iluminada por um resplandecente sol de inverno e o seu braço tinha de_novo todos os ossos , apesar_de o sentir muito rígido . Sentou se rapidamente e olhou para a cama de Colin , mas ela fora isolada com as cortinas atrás de as quais se despira em a véspera . Vendo que ele tinha acordado , Madam_Pomfrey apareceu com um tabuleiro de pequeno-almoço e a seguir começou a apalpar lhe o braço e os dedos . - Tudo em ordem - disse , enquanto ele , com a mão esquerda , comia avidamente as papas de aveia . - Quando acabares de comer podes ir te embora . Harry vestiu se o mais depressa que pôde e dirigiu se a a pressa para a torre de os Gryffindor , ansioso por contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre Colin e Dobby , mas não os encontrou lá . Foi a a procura de eles , perguntando a si próprio onde teriam ido e sentindo se um_pouco magoado por o pouco interesse que demonstravam em saber se ele tinha recuperado os ossos . Quando passou por a biblioteca , Percy_Weasley vinha a sair com bastante melhor cara do_que de a última vez que se tinham encontrado . - Olá , olá , Harry - disse . - Excelente voo o de ontem , verdadeiramente sensacional . Os Gryffindor estão a a frente para a taça de a equipa . Ganhaste cinquenta pontos . - Não viste o Ron e a Hermione por aí ? - perguntou Harry . - Não , não vi - disse Percy com o sorriso a desaparecer . - Espero que o Ron não esteja outra_vez em a casa_de_banho de as raparigas ... Harry forçou um sorriso , viu Percy desaparecer e a seguir foi direitinho até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Não via lá muito bem por_que motivo o Ron e a Hermione lá estariam de_novo , mas , depois de se assegurar de que nem Filch nem nenhum de os prefeitos estavam por perto , abriu a porta e ouviu as vozes de eles que vinham de um cubículo fechado . - Sou eu - disse , fechando a porta atrás_de si . Ouviu se dentro de o cubículo um estrondo , um chapinhar e um sobressalto e ele viu o olho de a Hermione a espreitar por o buraco de a fechadura . - Harry - disse ela . - Pregaste nos um susto de morte . Entra . Como está o teu braço ? - _ óptimo - respondeu , apertando se dentro de o cubículo . Em cima de a sanita estava encarrapitado um velho caldeirão , e um crepitar a a superfície de a água disse a Harry que eles tinham acendido um fogo lá em baixo . Fazer aparecer fogos portáteis a a prova de água era uma de as especialidades de Hermione . - _ íamos visitar te , mas resolvemos começar a preparar a poção * _ Polisuco * - explicou Ron enquanto Harry fechava outra_vez a porta de o cubículo com alguma dificuldade . - Achámos que este era o lugar mais seguro para a esconder . Harry começou a contar lhes de o Colin , mas Hermione interrompeu o . - Nós já sabemos , ouvimos a professora Mc_Gonagall contar a o professor Flitwick hoje_de_manhã . Por isso resolvemos começar a ... - Quanto_mais depressa arrancarmos uma confissão a o Malfoy , melhor - rosnou o Ron . - Sabem o que eu penso ? Ele estava tão mal-humorado depois de o jogo de Quidditch que se vingou em o Colin . - Há outra coisa - disse Harry , vendo Hermione cortar molhos de verdezelha e lançá os dentro de a poção . - O Dobby foi visitar me a meio de a noite . Ron e Hermione olharam o espantados . Harry contou lhes tudo_o_que Dobby lhe dissera ... ou não dissera . Ron e Hermione ouviram o de boca aberta . - A Câmara_dos_Segredos já tinha sido aberta antes ? - repetiu Hermione . - Encaixa perfeitamente - disse Ron , em uma voz triunfante . - O Lucius_Malfoy deve ter aberto a Câmara_dos_Segredos quando andava em a escola e agora ensinou a o querido filhinho Draco como abris a . É óbvio , que pena o Dobby não te ter dito que tipo de monstro lá se encontra . Gostava de saber como é_que ninguém o viu andar por ai em a escola . - Talvez tenha a capacidade de se tornar invisível - sugeriu Hermione , picando sanguessugas para dentro de o caldeirão . - Ou talvez se disfarce , passando por uma armadura ou outra coisa de o género . Eu li umas coisas sobre vampiros camaleões ... - Tu lês de mais , Hermione - disse o Ron , deitando moscas asas de renda mortas por cima de as sanguessugas . Amarrotou o saco vazio de as asas de renda e olhou para Harry . - Então foi o Dobby que nos impediu de apanhar o comboio e te partiu o braço ... - abanou a cabeça . - Sabes o que eu acho ? Se ele não parar de tentar salvar te a vida ainda acaba por te matar . A notícia de que Colin_Creevey tinha sido atacado e estava agora em a ala hospitalar , como morto , espalhou se por toda_a escola em a segunda-feira de manhã . O ar ficou pesado e cheio de boatos e suspeitas . Os alunos de o primeiro ano começavam a andar por a escola em pequenos grupos , receando ser atacados se se aventurassem a andar isoladamente por os corredores . Ginny_Weasley , que era colega de carteira de o Colin em os encantamentos , estava perturbadíssima , mas Harry achou que Fred e George estavam a tentar animá a de a maneira errada . Revezavam se , mascarados com peles de animais e apareciam lhe subitamente detrás de as estátuas . Só pararam quando Percy , apopléctico de raiva , lhes disse que ia escrever a Mrs._Weasley a contar lhe que a Ginny andava a ter pesadelos . Enquanto isso , às_escondidas de os professores , uma panóplia de talismãs , amuletos e outros objectos de protecção ia enchendo a escola . Neville_Longbottom comprou uma enorme cebola verde que cheirava mal , um cristal pontiagudo cor de púrpura e uma cauda de tritão apodrecida antes de os outros rapazes de os Gryffindor lhe explicarem que ele não corria perigo : era um sangue puro e , portanto , muito pouco passível de ser atacado . - Eles foram a o Filch em primeiro lugar - disse Neville com o medo estampado em a cara redonda . - E toda_a_gente sabe que eu sou quase um * busca-pé * . Em a segunda semana de Dezembro , a professora Mc_Gonagall veio , como de costume , recolher os nomes de os alunos que ficavam em a escola durante o Natal . Harry , Ron e Hermione assinaram a lista . Tinham ouvido dizer que Malfoy ficava , o que lhes parecera muito suspeito . As férias seriam a altura ideal para usar a poção * _ Polisuco * e tentar arrancar lhe uma confissão . Infelizmente a poção estava a meio . Precisavam ainda de o chifre de bicórneo e o único lugar onde podiam arranjá o era em os depósitos privados de Snape . Harry , pessoalmente , preferia enfrentar o lendário monstro de os Slytherin do_que ser apanhado por o Snape a assaltar lhe o escritório . - O que precisamos - disse Hermione cheia de vivacidade quando se aproximava a aula conjunta de poções de quinta-feira a a tarde - para podermos entrar a a vontade em o escritório de o Snape , é de uma diversão . Harry e Ron olharam para ela , nervosos . - Acho que o melhor é ser eu a praticar o roubo - prosseguiu ela , em um tom perfeitamente casual . - Vocês os dois podem ser expulsos se forem apanhados e eu tenho uma folha limpa . Portanto , a única coisa que têm de fazer é distrair o Snape durante cerca de cinco minutos . Harry esboçou um meio sorriso . Provocar deliberadamente um estrago em a aula de poções de o Snape era tão seguro como ferir em um olho um dragão adormecido . As aulas de poções tinham lugar em um de os mais amplos calabouços . A de quinta-feira a a tarde não foi diferente de as outras . Vinte caldeirões fumegavam entre as secretárias de madeira , sobre as quais podia ver se laminas de latão e jarras com ingredientes . Snape deambulava por o meio de os fumos , fazendo reparos petulantes a o trabalho de os Gryffindor , enquanto os Slytherin riam a a socapa . Draco_Malfoy , que era o aluno preferido de Snape , não parava de lançar olhos de carneiro mal morto a o Ron e a o Harry , que sabiam que se retaliassem teriam um castigo , antes de poderem abrir a boca para dizer : - É injusto ! A solução de inchar de o Harry estava demasiado líquida , mas ele estava preocupado com coisas mais importantes . Esperava por o sinal de Hermione e mal deu por Snape se calar para ir espreitar a sua poção aguada . Quando o professor se voltou e foi implicar com o Neville , Hermione trocou um olhar com Harry e fez um aceno . Harry baixou se discretamente por detrás de o seu caldeirão , tirou de o bolso de trás um de os paus de fogo-de-artíficio Filibuster e deu lhe um toque de varinha . O fogo-de-artíficio começou a sibilar e a crepitar . Sabendo que tinha apenas alguns segundos , Harry endireitou se , ganhou coragem e lançou o a o ar . Aterrou certeiro em o caldeirão de o Goyle . A poção de o Goyle explodiu , salpicando toda_a aula . As pessoas gritavam , à_medida_que eram vítimas de os salpicos . Malfoy foi apanhado em a cara e o nariz começou a inchar como um balão . O Goyle tropeçava a as cegas , com as mãos em os olhos , que tinham ficado de o tamanho de pratos de sopa , enquanto o Snape tentava repor a calma e tentar perceber o que sucedera . Em o meio de a confusão , Harry viu Hermione esgueirar se a a socapa por a porta . - Silêncio ! silêncio ! - vociferou Snape . - Todos os que foram salpicados cheguem aqui para uma drenagem . Quando eu descobrir quem fez isto ... Harry fez um enorme esforço para não se rir a o ver Malfoy chegar apressadamente lá a a frente , a cabeça a tombar com o peso de o nariz , que parecia um pequeno melão . Quando metade de a aula se amontoava junto de a secretária de o Snape , alguns alunos vergados por o peso de os braços que pareciam mocas , outros incapazes de falar devido a o gigantesco inchaço de os lábios , Harry viu Hermione reentrar em o calabouço , a túnica mostrando a barriga protuberante . Quando todos os alunos tinham já tomado um gole de o antídoto e os vários inchaços tinham desaparecido , Snape precipitou se para o caldeirão de o Goyle e pescou os restos retorcidos de o fogo-de-artíficio . Houve um súbito silêncio . - Se eu descubro quem lançou isto - murmurou Snape - garanto que é expulsão por a certa . Harry compôs uma expressão de espanto . Snape olhava directamente para ele e a campainha , que tocou dez minutos mais tarde , não podia ser mais bem-vinda . - Ele soube que fui eu - disse Harry_a_Ron e a a Hermione , enquanto se dirigiam apressadamente para a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Tenho a certeza . Hermione lançou o novo ingrediente em o caldeirão e começou a mexer furiosamente . - Isto vai estar pronto dentro_de quinze_dias - afirmou , satisfeita . - O Snape não pode provar que foste tu - assegurou Ron , tranquilizando Harry . - Que pode ele fazer ? - Conhecendo o Snape , qualquer coisa louca - respondeu Harry , enquanto a poção borbulhava e espumava . Uma semana mais tarde , Harry , Ron e Hermione passavam por o vestíbulo de entrada , quando viram um pequeno grupo de pessoas reunidas em volta de o jornal de parede a lerem um pedaço de pergaminho que tinha acabado de ser afixado . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas acenaram lhes , entusiasmados . - Vão lançar um clube de duelos ! - exclamou Seamus . - Hoje a a noite é a primeira reunião . Eu não me importaria nada de ter aulas de duelo , podem vir a ser úteis um dia de estes ... - Porquê ? Achas que o monstro de os Slytherin sabe esgrimir ? - perguntou o Ron , mas , também ele , leu a notícia com interesse . - Pode ser útil - disse a o Harry e a a Hermione , quando foram jantar . - Vamos lá ? Harry e Hermione acharam óptimo , por isso , a as oito_da_noite voltaram a o salão . As longas mesas de refeição tinham desaparecido e um estrado dourado surgira , encostado a a parede . Sobre ele flutuavam milhares de velas . O tecto era , mais_uma_vez , de veludo negro e parecia que quase todos os alunos de a escola se encontravam ali , com as suas varinhas em a mão e com um ar entusiasmado . - Quem será que vai ensinar nos ? - perguntou Hermione , enquanto se misturavam em a multidão barulhenta . - Ouvi dizer que o Filitwick foi campeão de duelo em a juventude , talvez seja ele . - Desde_que não seja ... - começou Harry , mas terminou em um gemido : Gilderoy_Lockhart estava a subir a o estrado , resplandecente em as suas vestes cor de ameixa , acompanhado , nem mais nem menos , do_que de Snape que trajava , como sempre , de negro . Lockhart levantou um braço , pedindo silêncio , bradando : - Aproximem se , aproximem se , conseguem todos ver me e ouvir me ? Excelente ! - O professor Dumbledore deu me autorização para iniciar este pequeno curso de duelo para vos treinar a todos , caso algum dia precisem de se defender , como eu tenho feito em inúmeras ocasiões ; para mais detalhes , leiam os livros que tenho publicados . - Permitam que vos apresente o meu assistente , o professor Snape - disse Lockhart , abrindo um sorriso de orelha a orelha . - Ele diz me que sabe alguma coisa sobre duelos e aceitou desportivamente ajudar me em uma exibição de demonstração , antes de começarmos . Atenção , não quero que os mais novos fiquem preocupados , vão continuar a ter o vosso professor de poções depois de eu o vencer . Não tenham medo . - Não era óptimo se se liquidassem um_ao_outro ? - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . O lábio inferior de Snape estava curvo . Harry interrogou se sobre o motivo por_que Lockhart continuava a sorrir . Se o Snape olhasse de aquela maneira para ele , Harry estaria a correr a_toda_a velocidade para o mais longe possível . Lockhart e Snape voltaram se um para o outro e fizeram uma vénia , pelo_menos Lockhart fê la com muitas reviravoltas de mãos , enquanto Snape acenava , irritado , com a cabeça . Em seguida , ergueram as varinhas , como_se fossem espadas , em a frente . - Como podem ver , estamos a pegar em as varinhas em a posição de aceitação de combate - explicou Lockhart a a multidão silenciosa . - Quando contarmos até três , lançaremos os primeiros feitiços . Nenhum de nós tentará matar o outro , claro . - Eu não poria as mãos em o fogo - murmurou Harry , observando como Snape cerrava os dentes . -- Um , dois , três ... Os dois balançaram as varinhas acima de os ombros . Snape gritou : * _ Expelliarmus * ! Houve um clarão ofuscante de luz escarlate e Lockhart voou para trás , caindo de o estrado batendo contra a parede , escorregando e indo estatelar se em o chão . Malfoy e alguns de os outros Slytherin aplaudiram . Hermione estava em bicos de os pés . - Acham que ele está bem ? - gritou entredentes . - Quem se rala ? - disseram ao_mesmo_tempo o Ron e o Harry . Lockhart estava a pôr se , hesitante , de pé . O chapéu caíra lhe e o cabelo ondulado estava em um desalinho . - Bem , cá está ! - disse , cambaleando até a o estrado . - Este foi um encantamento para desarmar . Como podem ver , perdi a minha varinha . Ah , obrigado Miss_Brown . Sim , foi uma excelente ideia mostrar lhes isto , professor Snape , mas , se me permite que lhe diga , foi muito óbvio o que ia fazer . Se eu tivesse querido impedis o , teria o feito com a maior de as facilidades . Mas achei que seria educativo deixá os ver ... Snape tinha um ar assassino . Provavelmente Lockhart deu por isso , porque declarou : - Chega de demonstrações . Eu vou passar agora por o meio de vocês e criar duplas . Professor_Snape , se quiser ajudar me ... Entraram por o meio de a multidão , agrupando alunos . Lockhart pôs o Neville com Justin_Finch - _ Fletchley , mas Snape chegou primeiro junto de Harry e de Ron . - Tempo de separar a dupla ideal , parece me - rosnou . - Weasley , tu podes ficar com o Finnigan . Potter ... Harry voltou se automaticamente para Hermione . - Não me parece - disse Snape com o seu sorriso frio . - Mr._Malfoy , venha até aqui . Vamos ver o que faz com o famoso Potter . E a menina , Miss_Granger , pode emparceirar com Miss_Bulstrode . Malfoy aproximou se com o seu passo empertigado e o seu sorriso escarninho . Atrás de ele vinha uma rapariga de os Slytherin , que lembrou a Harry uma imagem que tinha visto em as * _ Férias com Bruxas_Velhas * . Era corpulenta e quadrada e os maxilares avançavam agressivamente . Hermione esboçou um meio sorriso , que ela não retribuiu . - Voltem se para os vossos parceiros - gritou Lockhart - e façam a vénia . Harry e Malfoy mal inclinaram as cabeças , não afastando os olhos um de o outro . - Varinhas preparadas ! - gritou Lockhart . - Quando eu disser três preparem os feitiços para desarmar o vosso opositor . Um ... dois ... três ... Harry levantou a varinha acima de o ombro , mas Malfoy começara logo em o « dois » : o seu feitiço apanhou Harry com tanta força que ele se sentiu como_se tivesse levado com uma frigideira em a cabeça . Tropeçou , mas ainda não estava fora de combate e , sem perder tempo , Harry apontou a varinha a Malfoy e gritou : - * _ Rictusempra ! * Um jacto de luz prateada atingiu Malfoy em o estômago , obrigando o a dobrar se , arfando . - Eu disse desarmar ! - gritava Lockhart sobre as cabeças de a multidão em lata , enquanto Malfoy caía de joelhos . Harry atingira o com o feitiço de as cócegas e ele mal conseguia mexer se para se rir . Harry hesitou com o vago sentimento de que seria pouco desportivo enfeitiçar Malfoy enquanto ele estava caído em o chão , mas ... foi um erro . Tentando respirar , Malfoy apontou a varinha a os joelhos de Harry , balbuciando : « * _ Tarantallegra ! * » e , um segundo depois , as pernas de o Harry tinham começado a mexer se , sem que ele pudesse controlá as , executando uma espécie de dança frenética . - Parem , parem - gritava Lockhart , quando Snape resolveu tomar controlo de a situação . - * _ Finite_Incantatem ! * - bradou . Os pés de o Harry pararam de dançar , Malfoy parou de rir e puderam olhar para_cima . Uma onda de fumo esverdeado pairava sobre todos eles . Neville e Justin estavam caídos em o chão , a arfar . Ron tentava fazer parar um Seamus com cara cor de cinza , pedindo lhe mil desculpas por o que a sua varinha partida eventualmente tivesse feito . Mas Hermione e Millicent_Bulstrode ainda não tinham acabado . Millicent tinha feito a Hermione uma prisão de cabeça e Hermione gritava de dor . As duas varinhas jaziam esquecidas em o chão . Harry deu um salto em frente e afastou Millicent . Não foi fácil , ela era bastante maior do_que ele . - Oh , gente ! - exclamou Lockhart , arrastando se por o meio de a multidão e olhando para os resultados de os duelos . - Vamos pôr de pé , Mcmillan ... cuidado , Miss_Fawcett ... belisque com força que pára logo de sangrar ... - Acho que o melhor é ensinar vos como bloquear feitiços pouco amigáveis - afirmou Lockhart que estava nervosíssimo em o meio de o salão . Olhou para Snape , cujos olhos pretos brilhavam e desviou rapidamente o olhar . - Vamos arranjar um par de voluntários . Longbottom e Finch - _ Fletchley , que tal serem vocês ? - Uma má ideia , professor Lockhart - disse Snape , deslizando como um morcego enorme e cruel . - Longbottom provoca devastação com o feitiço mais simples . Ainda temos de mandar o que restar de o Finch - _ Fletchley para a ala hospitalar dentro_de uma caixa de fósforos . - A cara redonda e rosada de Neville ficou ainda mais rosada . - Que tal o Malfoy e o Potter ? - sugeriu Snape com um sorriso retorcido . - Excelente ideia - disse Lockhart , fazendo sinal a os dois para que se aproximassem de o meio de o salão , enquanto a multidão recuava para lhes dar passagem . - Ouve bem , Harry - disse Lockhart . - Quando o Draco te apontar a varinha , tu fazes assim . Levantou a sua varinha , executando uma tentativa complicada de malabarismo e deixou a cair . Snape sorriu pretensiosamente , enquanto Lockhart a apanhava de o chão , dizendo : - Ups , a minha varinha está demasiado excitada . Snape aproximou se de Malfoy , inclinou se e disse lhe qualquer coisa a o ouvido . Malfoy sorriu também de forma afectada . Harry olhou , nervoso , para Lockhart e pediu : - Professor , podia mostrar me outra_vez aquela coisa para bloquear ? - Estás com medo ? - murmurou Malfoy baixinho , para que Lockhart não pudesse ouvir . - Querias ! - exclamou Harry por o canto de a boca . Lockhart deu um soco em o ombro de o Harry , em a brincadeira . - Basta que faças como eu fiz ! - O quê , deixar cair a varinha ? Mas Lockhart não estava a ouvir - Três , dois , um , zero ! - gritou . Malfoy levantou rapidamente a varinha a o ar e gritou : - * _ Serpensortia ! * A extremidade de a varinha explodiu . Harry viu , horrorizado , uma enorme serpente negra sair de ela , cair pesadamente em o chão a meio de os dois e erguer se disposta a atacar . Ouviram se gritos , enquanto a multidão se afastava , deixando o chão vazio . - Não te mexas , Potter - disse Snape vagarosamente , divertindo se claramente a ver Harry , parado , a olhar em os olhos a serpente . - Eu trato de ela ... - Permita me -- gritou Lockhart . Bramiu a varinha em direcção a a serpente e ouviu se um estoiro . A cobra , em_vez_de desaparecer , voou três metros acima de eles e voltou a cair em o chão com um estrondo enorme . Enraivecida , a sibilar de fúria , rastejou em direcção a Finch - _ Fletchley e pôs se de pé com os dentes a a mostra , pronta a atacar . Harry não soube ao_certo o que o levou a fazer aquilo . Não se lembrava sequer de ter tomado aquela decisão . Só soube que as pernas o fizeram avançar como_se tivesse rodas e que gritou a a serpente : - Larga o ! - E , milagrosa e inexplicavelmente , a serpente voltou a o chão , dócil como uma grande mangueira de jardim , preta e grossa , os olhos agora fixos em os olhos de Harry . Harry sentiu o medo a escoar se . Sabia que a cobra não atacaria mais ninguém , embora não pudesse explicar como sabia . Olhou para Justin a sorrir , esperando vê o aliviado , espantado , ou mesmo agradecido , mas nunca zangado ou assustado . - Que brincadeira é essa ? - gritou o outro e , antes que Harry tivesse tempo de dizer fosse o que fosse , voltou as costas e saiu de o salão . Snape deu um passo em frente , fez um gesto com a varinha e a serpente desapareceu em uma onda de fumo preto . Também ele , Snape , olhava para Harry de uma forma inesperada . Era um olhar arguto e calculista , de que Harry não gostou . Apercebeu se também vagamente de um murmúrio ameaçador que vinha de as paredes em volta . Depois , sentiu um puxão em a túnica . - Vamos - disse a voz de o Ron em o seu ouvido . - Mexe te , vá lá ... Ron arrastou o para fora de o salão . Hermione acompanhava os em a passada rápida . Quando cruzaram a porta , as pessoas que a rodeavam afastaram se , como_se tivessem medo de ser contagiadas . Harry não fazia a mais pequena ideia do_que estava a passar se e , nem Ron , nem Hermione lhe deram qualquer explicação , antes de o terem levado até a a sala comum de os Gryffindor , que se encontrava vazia . Aí , Ron empurrou Harry para uma cadeira de braços e disse : - Tu és um * serpentês * . Porque não nos disseste ? - Eu sou um quê ? - perguntou Harry . - Um * serpentês * ! - exclamou o Ron . - Falas com as cobras . - Eu sei - declarou Harry . - Quer_dizer , esta foi a segunda vez que o fiz . A outra foi há muito_tempo em o jardim zoológico , quando soltei uma Boa_Constrictor a o meu primo Dudley . É uma longa história , mas ela estava a dizer me que nunca tinha estado em o Brasil e eu acho que a libertei sem querer . Foi antes de saber que era feiticeiro . . . - Uma Boa_Constrictor disse te que nunca tinha estado em o Brasil ? - repetiu Ron , quase sem voz . - E então ? - disse o Harry . - Aposto que montes de pessoas aqui fazem o mesmo . - Não fazem , não - afirmou Ron . - Não é um dom muito frequente . Harry , isso é mau . - O que é_que é mau ? - perguntou Harry , que começava a ficar chateado . - O que é_que se passa com todos os outros ? Ouve bem , se eu não tivesse dito a aquela cobra para não atacar o Justin ... - Ah , foi isso que tu disseste ? - Que queres dizer ? Tu estavas lá , ouviste perfeitamente o que eu disse . - Eu ouvi te falar em serpentês - disse o Ron . - Língua de cobra . Podias estar a dizer lhe qualquer coisa . Não admira que o Justin tivesse entrado em pânico . Parecia que estavas a incitar a serpente . Foi assustador , sabes ? Harry olhou para ele espantado . - Eu falei uma língua diferente ? Mas não me apercebi , como posso falar uma língua , sem saber que a conheço ? Ron abanou a cabeça . Tanto ele como Hermione tinham um ar fúnebre . Harry não percebia o que havia em aquilo de tão trágico . - Será que me querem explicar o que há de mal em ter impedido que uma serpente enorme arrancasse a cabeça a o Justin ? - perguntou . - Porque é tão importante como o fiz , se evitei que o Justin fosse juntar se a grupo de os SEM_CABEÇA ? - Importa - disse por fim Hermione , em uma voz abafada . - Porque falar com serpentes era a arte por a qual Salazar_Slytherin ficou famoso . Por isso , o símbolo de os Slytherin é uma serpente . Harry ficou de boca aberta . - Exacto - disse o Ron . - E agora todos em a escola vão pensar que tu és descendente de ele . - Mas não sou - contrapôs Harry com um pânico que não conseguia explicar . - Não vai ser fácil prová o - disse Hermione . - Ele viveu há quase mil anos . Pelo que vimos , podias ser . Em essa noite , Harry ficou acordado durante horas . Por uma fresta de os cortinados de a cama de dossel , olhou para a neve que começava a cair de o lado de_fora de a janela de a torre e perguntou se se poderia ser descendente de Salazar_Slytherin . Afinal , não sabia nada de a família de o pai , os Dursley tinham sempre proibido qualquer pergunta sobre os seus familiares feiticeiros . Calmamente , tentou dizer qualquer coisa em * serpentês * , mas as palavras não saíam . Parecia que era necessário estar frente_a_frente com uma cobra para poder fazê o . Mas eu sou um Gryffindor , pensou Harry , o chapéu seleccionador não me poria aqui se eu tivesse sangue de Slytherin ... - Ah ! - disse uma vozinha dentro de o seu cérebro . - Mas o chapéu seleccionador queria pôr te em os Slytherin , não te lembras ? Harry deu voltas e voltas a a cabeça . Em o dia seguinte , quando visse Justin em a aula de herbologia explicaria lhe que estava a afastar a serpente , não a atiçá a o que , aliás , pensou zangado , dando vários socos em a almofada , qualquer idiota teria percebido . Contudo , em a manhã seguinte , a neve que começara a cair durante a noite , transformara se em uma tempestade tão espessa que a última aula de herbologia de o período foi cancelada : a professora Sprout queria tapar as mandrágoras com peúgas e cachecóis , uma operação arriscada que ela não confiava a ninguém agora_que era tão importante que as mandrágoras crescessem depressa e reabilitassem Mrs._Norris e Colin_Creevey . Junto de a lareira de a sala comum de os Gryffindor , Harry matutava sobre o que se passara enquanto Ron e Hermione aproveitavam o foro para jogar xadrez de feitiçaria . - Com os diabos , Harry - disse Hermione exasperada quando um bispo derrubou um de os cavaleiros de o cavalo , arrastando o para fora de o tabuleiro . - Vai falar com o Justin , se isso é assim tão importante para ti . Harry levantou se e saiu por o buraco de o retrato , perguntando a si próprio onde poderia estar o Justin . O castelo estava mais escuro do_que era habitual durante o dia por causa de a neve espessa e cinzenta que cobria as janelas . A tremer , Harry passou por as salas onde estava a haver aulas , captando lampejos do_que sucedia lá dentro . A professora Mc_Gonagall gritava com alguém que , segundo lhe parecia por o som , transformara o parceiro em um texugo . Resistindo a a tentação de dar uma espreitadela , Harry afastou se pensando que Justin poderia estar a utilizar o tempo de o furo para fazer algum trabalho e resolveu , por isso , ir até a a biblioteca . Um grupo de alunos de os Hufflepuff , que deveriam ter estado em Herbologia , encontrava se , de facto , sentado em as traseiras de a biblioteca , mas não parecia estar a trabalhar . Entre as fileiras de as estantes altas , Harry pôde ver as suas cabeças muito juntas em aquilo que deveria ser uma conversa absorvente . Não conseguia perceber se Justin estaria em o meio de eles . Ia para se aproximar quando apanhou em o ar uma frase e parou para ouvir melhor , escondido em a secção de a invisibilidade . - Portanto - dizia um rapaz corpulento - eu disse a o Justin para se esconder em o nosso dormitório . Isto_é , se o Potter o escolheu como próxima vítima é melhor que ele tenha um * low profile * durante algum tempo . É claro que o Justin já estava a a espera que alguma coisa de o género acontecesse desde_que lhe escapou em uma conversa com o Potter que era filho de Muggles . O Justin disse lhe , inclusivamente , que tinha estado inscrito em Eton . Não é o tipo de coisa que se ande a dizer com o herdeiro de Slytherin a a solta por aí . - Achas mesmo_que é o Potter , Ernie ? - perguntou uma rapariga de tranças loiras , ansiosamente . - Hannah - disse com solenidade o rapaz corpulento . - Ele é um serpentês . Todos sabem que essa é a marca de um feiticeiro negro . Alguma vez ouviste falar de um feiticeiro decente que falasse com as cobras ? O Slytherin era conhecido por « Língua de serpente . . Houve alguns murmúrios antes de Ernie prosseguir : - Lembram se do_que estava escrito em a parede ? * _ Inimigos de o herdeiro , cuidado ! * . O Potter teve que ir a o gabinete de o Filch . E o que é_que acontece a seguir ? A gata de o Filch é atacada . O aluno de o primeiro ano , Creevey , estava a aborrecê o em a partida de Quidditch , a tirar lhe fotografias quando ele estava caído em a lama . E o que é_que acontece a seguir ? Creevey é atacado . - Mas ele parece sempre ser tão simpático - disse Hannah , cheia de dúvidas . - E , bem , foi ele que fez com que o Quem nós sabemos desaparecesse . Não pode ser assim tão mau , pois não ? Ernie baixou misteriosamente a voz . Os Hufflepuff inclinaram se mais uns para os outros e Harry aproximou se para conseguir apanhar as palavras de o Ernie . - Ninguém sabe como ele sobreviveu a aquele ataque de o Quem nós sabemos e , afinal , ainda era um bebé quando aquilo aconteceu . Era para ter explodido feito em estilhaços . Só um feiticeiro negro verdadeiramente poderoso teria sobrevivido a uma maldição de aquelas . - Baixou ainda mais a voz até esta ficar reduzida a um leve murmúrio e disse : - Talvez fosse por isso que o Quem nós sabemos o queria matar , para não ter outro feiticeiro negro a competir com ele . Gostava de saber que outros poderes ocultos terá o Potter . Harry não aguentou mais . Pigarreou alto e saiu detrás de as estantes . Se não estivesse tão zangado teria conseguido ver o lado cómico de a situação : cada_um de os Hufflepuff olhava para ele como_se tivesse sido petrificado , e a cor desaparecera de a cara de o Ernie . - Olá - disse Harry . - Estou a a procura de o Justin_Finch - _ Fletchley . Os piores receios de os Hufflepuff tinham se concretizado . Olharam apavorados para o Ernie . - O que queres de ele ? - perguntou Ernie em uma voz sumida . - Explicar lhe o que aconteceu com aquela cobra em o clube de os duelos - disse Harry . Ernie mordeu os lábios brancos e , em seguida , respirando fundo , respondeu : - Estávamos lá todos . Vimos o que aconteceu . - Então viram que depois de eu falar a serpente recuou - disse Harry . - O que eu vi - insistiu teimosamente Ernie , apesar_de tremer a cada palavra que proferia - foi tu a falares serpentês e a atiçares a cobra conta o Justin . - Eu não a aticei - gritou Harry enraivecido . - Ela nem lhe tocou . - Falhou por_pouco - disse Ernie . - E , para o caso de estares com ideias - acrescentou com má cara - posso dizer te que a minha família provem de nove gerações de bruxas e feiticeiros e que o meu sangue é tão puro como o de qualquer feiticeiro , portanto ... - Quero lá saber qual é o teu sangue - disse Harry furioso . - Porque iria eu atacar os filhos de os Muggles ? - Ouvi dizer que detestas os Muggles com quem vives - disse Ernie rapidamente . - Não é possível viver com os Dursley sem os detestar - explicou Harry . - Gostava de te ver lá em casa . Girou sobre os calcanhares e saiu furioso de a biblioteca sob o olhar reprovador de Madam_Prince que limpava a capa dourada de um enorme livro de encantamentos . Harry avançou a as cegas por os corredores , quase sem ver por_onde ia de tão furioso que estava . O resultado foi chocar com algo enorme e sólido que o fez recuar e cair a o chão . - Ah ! Olá , Hagrid - disse , olhando para_cima . Hagrid tinha o rosto completamente tapado com um lenço coberto de neve , mas não podia ser mais ninguém , enchendo assim o corredor dentro de o seu sobretudo de pele de toupeira . De uma de as enormes mãos enluvadas , pendia um galo morto . - Tudo bem , Harry ? - perguntou , afastando o lenço para poder falar . - Porque não estás em a aula ? - Foi cancelada - disse Harry , pondo se de pé . - O que estás a fazer aqui ? Hagrid mostrou lhe o galo inerte . - É o segundo qu'aparece morto este período - explicou . - Ou são raposas ou um vampiro chato e eu preciso d'autorização de o director p'ra fazer um feitiço em volta de a capoeira . Aproximou se e olhou mais de perto para o Harry , por debaixo de as suas sobrancelhas espessas e cheias de neve . - Tens a certeza que estás bem ? Pareces exaltado e preocupado . Harry não foi capaz de repetir o que Ernie e os outros Hufflepuff lhe tinham dito . - Não é nada , tenho de ir , Hagrid . A próxima aula é Transfiguração e preciso de ir buscar os meus livros . Afastou se , a cabeça cheia com tudo_o_que Ernie dissera a seu respeito . « * _ O_Justin já estava d espera que uma coisa de o género acontecesse desde_que deixou escapar , falando com o Potter , que era filho de Muggles * ... » Harry subiu as escadas a correr e entrou por um corredor que estava particularmente escuro . As tochas tinham sido apagadas por uma ventania gelada que entrava por uma janela de fecho estragado . Estava a meio de o corredor quando tropeçou em uma coisa que se encontrava em o chão . Olhou para ver o que era e sentiu como_se o estômago se tivesse dissolvido . Justin_Finch - _ Fletchley estava em o chão , rígido e frio com uma expressão de horror em o rosto e os olhos abertos voltados para o tecto . E não era tudo . Junto de ele estava mais alguém , a visão mais estranha que Harry tivera em toda_a sua vida . Era_o_Nick quase sem cabeça que não estava cor de pérola nem transparente e sim escuro como fumo . Flutuava imóvel , em a horizontal , 12 centímetros acima de o chão , a cabeça meio tombada e em o rosto uma expressão de choque idêntica a a de o Justin . Harry pôs se de pé com a respiração acelerada e o coração a bater como um tambor contra as costelas . Olhou desvairado para ambos os lados de o corredor deserto e viu uma fila de aranhas que corriam a_toda_a velocidade em a direcção oposta a a de os corpos . Os únicos sons eram as vozes abafadas de os professores em as aulas que decorriam de ambos os lados . Podia fugir e ninguém saberia que ali tinha estado , mas não era capaz de os abandonar assim . Tinha de ir procurar ajuda . Será que alguém acreditaria que ele não tivera nada que ver com aquilo ? Enquanto ali estava , em pânico , uma porta a o seu lado abriu se com grande estrondo . Peeves , o * poltergeist * , saiu a os gritos . - Oh ! É o Potter , olá , Potter - alardeou Peeves , lançando por o ar os óculos de o Harry quando passou por ele . - O que está o Potter a fazer ? Porque está o Potter escondido ? Peeves passou de cabeça para baixo , a meio de uma cambalhota em o ar , quando viu Justin e Nick quase sem cabeça . Com um movimento súbito endireitou se , encheu os pulmões de ar e , antes que Harry pudesse impedi o , gritou : __ ataque ! ataque ! outro ataque ! nenhum mortal ou fantasma está em segurança . corram , fujam , __ ataaaque ! Crac , Crac , Crac . Uma atrás de a outra , foram se abrindo todas_as portas a o longo de o corredor e as pessoas saíram para fora de as salas de aula . Durante alguns longos minutos houve uma tal confusão que Justin esteve em perigo de ser esmagado e as pessoas não paravam de chocar com o Nick quase sem cabeça . Harry deu por si colado a a parede enquanto os professores exigiam a os gritos que se fizesse silêncio . A professora Mc_Gonagall veio a correr , seguida por todos os alunos , um de os quais ainda trazia o cabelo a as riscas pretas e brancas . Usou a varinha para produzir um ruído que repôs o silêncio e mandou os alunos todos para dentro de as salas de aula . Mal lugar ficou desimpedido surgiu Ernie , o jovem Hufflepuff . - * _ Apanhado em flagrante ! * - gritou , com o rosto totalmente branco , apontando dramaticamente o dedo par Harry . - Basta_Mcmillan - disse , de forma cortante , a professora Mc_Gonagall . Peeves andava para_cima e para baixo , observando a cena com um sorriso maldoso . Sempre adorara o caos . Quando os professores se inclinaram sobre Justin e sobre o Nick quase sem cabeça para os examinar , iniciou uma cantilena : * _ Oh ! Potter , que fizeste , seu grande bandido * _ Tu matas os estudantes porque achas divertido . * - Basta , Peeves - rosnou a professora Mc_Gonagall e Peeves afastou se , deitando a língua de_fora a o Harry . Justin foi levado para a ala hospitalar por o professor Flitwick e por o professor Sinistra_do_Departamento_de_Astronomia , mas ninguém parecia saber o que fazer em relação a o Nick quase sem cabeça . Por fim , a professora Mc_Gonagall fez aparecer em o ar um enorme leque que entregou a Ernie com o encargo de conduzir , escadas acima , por os ares o Nick quase sem cabeça . Ernie assim fez , soprando Nick como_se fosse um aerodeslizador e deixando , de este modo , o Harry e a professora Mc_Gonagall a sós . - Por aqui , Potter - disse ela . - Professora , eu juro que não ... - Isso não é comigo , Potter - afirmou a professora Mc_Gonagall sinteticamente . Caminharam em silêncio até uma esquina e ela parou perante uma gárgula de pedra extremamente feia . - Refresco de limão - disse . Era obviamente uma senha porque a gárgula animou se subitamente e saltou para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes . Apesar_de estar apavorado com o que ia acontecer a seguir , Harry não conseguiu evitar um sentimento de fascínio . Por detrás de a parede estava uma escada em espiral que se movia lentamente para_cima como um elevador . E quando ele e a professora Mc_Gonagall puseram os pés em o primeiro degrau , Harry ouviu a parede fechar se atrás de eles . Subiram em círculos , cada_vez_mais alto até que , por fim , um_pouco tonto , Harry pôde ver uma porta de carvalho reluzente com um puxador de bronze em forma de abutre . Harry calculava onde estava a ser levado . Devia ser ali que morava Dumbledore . XII_A poção * polisuco * Saltaram de a escada de pedra lá mesmo em cima e a professora Mc_Gonagall bateu a a porta . Ela abriu se silenciosamente dando lhes entrada . A professora Mc_Gonagall disse lhe que esperasse e deixou o sozinho . Harry olhou em volta . Uma coisa era certa : de todos o escritórios de professores que conhecia , o de Dumbledor era , de longe , o mais interessante . Se não estivesse com um medo de morte de ser expulso teria adorado explorá o . Era uma sala grande e bonita em forma de círculo que estava cheia de barulhinhos estranhos . Havia um grande número de instrumentos prateados sobre várias mesas de pernas finas que zumbiam emitindo pequenas baforadas de fumo . As paredes estavam cobertas de fotografias de antigos directores e directoras , todos eles a dormir tranquilamente em as suas molduras . Havia ainda uma enorme secretária pés de garra . E , sobre uma prateleira atrás de ela , um chapéu de feiticeiro andrajoso e puído : * o chapéu seleccionador * . Harry hesitou . Lançou um olhar cauteloso a as bruxas e feiticeiros adormecidos a o longo de as paredes . Com certeza não fazia mal se lhe pegasse e o experimentasse só para ver ... só para ter a certeza de que ele o pusera em a equipa certa . Deu a volta a a secretária , retirou o chapéu de a prateleira e baixou o lentamente sobre a cabeça . Era demasiado grande e escorregou lhe para os olhos como de a outra_vez que o tinha posto . Harry olhou para o forro preto , enquanto esperava . Por fim , uma vozinha disse lhe a o ouvido : - Estás com macaquinhos em o sótão , Harry_Potter ? - Er ... sim - balbuciou Harry . - Er ... desculpa incomodar te , queria saber ... - Querias saber se te pus em a equipa certa - disse prontamente o chapéu . - Sim ... tu és particularmente difícil de seleccionar , mas eu mantenho o que disse antes . - O coração de Harry deu um salto . - Terias ficado bem em os Slytherin . Harry sentiu o estômago contorcer se . Agarrou o chapéu por a aba e tirou o de a cabeça . O chapéu seleccionador ficou pendurado em a mão de ele , inerte , desbotado e sujo . Harry voltou a pô o em a prateleira , sentindo se enjoado . - Estás enganado ! - disse em voz alta a o chapéu parado e silencioso , mas ele não se mexeu . Harry recuou para o observar melhor e foi então que ouviu um ruído estranho e grasnado atrás_de si que o fez dar uma volta . Não estava só , afinal_de_contas . Em um poleiro dourado atrás de a porta estava um pássaro de aspecto decrépito que parecia um peru meio depenado . Harry olhou para ele espantado e o pássaro olhou o também , grasnando de_novo . Harry achou que ele devia estar muito doente porque tinha os olhos parados e , enquanto olhava para ele , caíram lhe mais algumas penas de a cauda . Estava justamente a pensar que a única coisa que lhe faltava era que o pássaro de estimação de Dumbledore morresse quando ele estava ali sozinho com ele , em o escritório , quando a ave se incendiou . Harry gritou , em estado de choque , e recuou até a a secretária . Olhava nervosamente em volta , em busca de um jarro de água , mas não viu nenhum . O pássaro , entretanto , transformara se em uma bola de fogo , dera um guincho e , em seguida , desaparecera , deixando apenas um monte de cinzas em o chão . A porta de o escritório abriu se . Dumbledore entrou com ar taciturno . - Professor - gaguejou Harry . - O seu pássaro ... eu não pode fazer nada ... ele incendiou se . Para seu grande espanto , Dumbledore sorriu . - Já não era sem tempo . Estava com um aspecto horrível em os últimos dias . Fartei me de lhe dizer que fizesse qualquer coisa . Riu se entre dentes com a expressão em o rosto de Harry . - A Fawkes é uma fénix , Harry . As fénix ardem quando é altura de morrer e renascem de as cinzas , repara ... Harry olhou mesmo a_tempo_de ver um passarinho recém-nascido , todo enrugado , espetar a cabeça fora de as cinzas . Era quase tão feio como o antigo . - É uma pena que a tenhas conhecido em dia de arder - disse Dumbledore , passando para trás de a secretária . - É muito bonita a maior parte de o tempo , com uma plumagem vermelha e dourada . São criaturas fascinantes , as fénix . Podem transportar cargas pesadíssimas , as suas lágrimas têm propriedades curativas e são animais de estimação extremamente fiéis . Com o choque de a fénix a pegar fogo , Harry esquecera se de o motivo porque ali estava , mas tudo voltou rapidamente quando Dumbledore se instalou em a cadeira de espaldar alto e o fixou com os seus olhos azuis e penetrantes . Contudo , antes que ele tivesse tido tempo de falar , a porta de o escritório abriu se de par em par com um enorme estrondo e Hagrid entrou com um olhar tresloucado , o lenço todo torcido em volta de a cabeça hirsuta e o galo morto ainda pendurado em a mão . - Não foi Harry , professor Dumbledore - disse , aflito . - Eu tinha estado a falar com ele poucos segundos antes de o rapazinho ser encontrado , ele não teve tempo professor ... Dumbledore tentou dizer qualquer coisa , mas Hagrid continuou , abanando o galo em o meio de a sua agitação e espalhando penas por todo o lado . - Não pode ter sido ele . Eu juro em a frente de o ministro de a magia , se for preciso ... - Hagrid , eu ... -- Tem o rapaz errado , professor . Eu sei qu'o Harry nunca ... - Hagrid - disse Dumbledore , elevando a voz . - Eu não penso que o Harry tenha atacado aquelas pessoas . - Oh ! - disse Hagrid , com o galo pendendo inerte a o seu lado . - Certo , ' tão eu espero lá fora , director . E saiu com ar envergonhado . - O senhor não acha que tenha sido eu ? - repetiu Harry cheio de esperança , enquanto Dumbledore sacudia penas de galo de cima de a secretária . - Não , Harry , não acho - afirmou Dumbledore , apesar de a sua expressão ser de_novo sombria . - Mas mesmo_assim quero falar contigo . Harry esperou ansiosamente enquanto o director o observava com as pontas de os dedos longos unidas . - Tenho de saber uma coisa . Harry , há alguma pergunta que queiras fazer me , qualquer que ela seja ? Harry não soube o que dizer . Lembrou se de Malfoy a gritar * _ Vocês serão os próximos , sangues de lama * e de a poção * _ Polisuco * em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Depois pensou em a voz sem corpo que ouvira duas vezes e em o que o Ron dissera * _ Ouvir vozes que ninguém mais ouve não é bom sinal , nem mesmo em o mundo de a feitiçaria * . Pensou também em o que toda_a_gente dizia de ele e em o receio cada_vez maior de ter uma relação qualquer com Salazar_Slytherin ... - Não - disse por fim . - Não há nada , professor . O ataque duplo a Justin e a o Nick quase sem cabeça transformou o que até_então era nervosismo em verdadeiro pânico . Curiosamente fora o destino de o Nick quase sem cabeça o que mais preocupara as pessoas . Quem poderia ter feito aquilo a um fantasma ? - perguntavam uns a os outros . - Que poder terrível era aquele , capaz de afectar alguém que já tinha morrido ? Houve uma precipitação enorme em a marcação de os bilhetes em o Expresso_de_Hogwarts , pois todos os alunos quiseram ir passar o Natal a casa . - Por este caminho , vamos ser os únicos a ficar - disse o Ron a o Harry e a a Hermione . - Nós , o Malfoy , o Goyle e o Crabbe , que férias lindas que vão ser ! Crabbe e Goyle que faziam sempre o que Malfoy fazia , tinham se inscrito para ficar também durante as férias . Mas Harry estava contente por a maior parte se ir embora . Estava farto de ver gente a afastar se em os corredores como_se ele fosse mostrar os dentes ou cuspir veneno . Estava cansado de tantos segredinhos , de os ver apontar e segredar quando passava . O Fred e o George , esses achavam muito divertido . Vinham , de propósito , pôr se a a frente de ele e atravessavam os corredores a gritar : - Abram alas para o herdeiro de Slytherin , vai passar um feiticeiro verdadeiramente cruel . Percy discordava totalmente de este comportamento . - Não é um assunto para se brincar - dizia com frieza . - Sai mas é de o caminho , Percy - dizia o Fred . - O Harry está com pressa . - Sim , ele vai a a Câmara_dos_Segredos tomar uma chávena de chá com o seu servidor dentes de serpente - completava Fred com uma gargalhada . Ginny também não lhes achava graça . - Cala te - gritava ela sempre_que o Fred perguntava em voz alta a o Harry quem estava a pensar atacar a seguir , ou quando George fingia afastá o com um enorme dente de alho . Harry não se importava . Fazia o sentir se melhor o facto de constatar que , pelo_menos para o Fred e para o George , a ideia de ele ser o herdeiro de Slytherin era absolutamente ridícula . Mas as palhaçadas de eles pareciam ofender Draco_Malfoy que , de cada_vez que os via , ficava mais irritado . - É porque está ansioso por dizer que é mesmo ele - disse o Ron com ar conhecedor . - Sabes como ele detesta que alguém o ultrapasse e tu estás a receber todo o crédito por o seu trabalho sujo . - Não vai ser por muito_tempo - disse Hermione com uma voz satisfeita . - A poção * polisuco * está quase pronta . Um de estes dias arrancamos lhe a verdade . Finalmente , o período chegou a o seu termo e um silêncio profundo como a neve em os campos desceu sobre o castelo . Harry adorou a tranquilidade e apreciou o facto de ele , Hermione e os Weasley terem a torre de os Gryffindor por sua conta , poderem jogar a as explosões bem alto , sem incomodar ninguém e praticar duelos entre si . O Fred , o George e a Ginny tinham preferido ficar em a escola a ir com Mr. e Mrs._Weasley a o Egipto visitar o Bill . Percy que reprovava e considerava infantil a conduta de eles , não passava muito_tempo em a sala comum de os Gryffindor . Já lhes dissera pomposamente que só ficara ali em o Natal , por ser sua obrigação como prefeito apoiar os professores em aquela época agitada . A manhã de o dia de Natal clareou branca e fria . Harry e Ron , os únicos que estavam em o dormitório , foram acordados muito cedo por Hermione que entrou , toda vestida , transportando presentes para ambos . - Acordem - disse em voz alta , abrindo os cortinados . - Hermione , tu não devias estar aqui - exclamou o Ron , protegendo os olhos de a luz . - Feliz_Natal para ti também - disse Hermione , atirando lhe o presente que tinha para ele . - Estou acordada há quase uma hora , acrescentando mais asas de renda a a poção . Está pronta . Harry sentou se , subitamente acordado . - Tens a certeza ? - Absoluta - disse ela , afastando o rato Scrabbers para se sentar a os pés de a cama de dossel . - Se vamos mesmo tomá a , acho que devia ser logo a a noite . Em esse momentzo , a Hedwig entrou em o quarto , transportando em o bico um embrulho pequenino . - Olá - disse Harry , feliz a o vê a aterrar em a sua cama . - Já me falas outra_vez ? Ela mordiscou lhe a orelha de uma forma afectuosa que foi , de longe , um presente melhor do_que aquele que transportava e que era afinal de os Dursley . Tinham mandado a Harry um palito para os dentes com um cartão pedindo lhe que se informasse se não poderia ficar , também em o Verão , em Hogwarts . Os outros presentes que Harry recebeu foram bastante melhores . Hagrid mandara lhe uma lata grande de bombons de melaço que ele decidiu amolecer a o lume antes de comer , o Ron deu lhe um livro chamado * _ Voando com Canhões * , que narrava factos interessantes sobre a sua equipa favorita de Quidditch e Hermione trouxera lhe uma luxuosa pena de águia . Harry abriu o último presente onde vinha uma camisola novinha , feita a a mão por Mrs._Weasley e um grande bolo de passas . Pegou em o cartão com uma nova sensação de culpa , pensando em o carro de Mr._Weasley que não voltara a ser visto desde_que chocara contra o salgueiro zurzidor e em a quantidade de infracções que ele e o Ron tinham em mente . Ninguém , nem mesmo os que estavam cheios de medo por terem de tomar a poção * polisuco * a seguir , deixou de adorar o jantar de Natal em Hogwarts . O salão nobre estava magnífico . Não_só havia uma_dúzia de árvores de Natal , cobertas de geada e espessas serpentinas de azevinho e visco bravo cruzando se junto de o tecto como caia uma neve encantada quente e seca . Dumbledore conduziu os em uma de as suas canções de Natal preferidas enquanto Hagrid se agitava , falando cada_vez_mais alto , a cada gole de gemada que tomava . O Percy que não dera por_que Fred enfeitiçara o seu distintivo de prefeito , onde agora podia ler se « cabeça de alfinetes « , continuava a perguntar a todos para_onde estavam a olhar . Harry nem_sequer se importou com os comentários que Draco_Malfoy fazia bem alto , de a mesa de os Slytherin acerca de a sua camisola nova . Com alguma sorte , Malfoy iria ser desmascarado dentro_de algumas horas . Harry e Ron mal tinham acabado a terceira dose de pudim de Natal quando Hermione os fez sair de o salão a a pressa para acabarem de tratar de os planos para essa noite . - Ainda precisamos de um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos - disse com o ar mais natural de este mundo como_se estivesse a mandá os a o supermercado comprar detergente . - E , é claro que o ideal será conseguirmos alguma coisa de o Crabbe e de o Goyle , são os melhores amigos de o Malfoy , ele conta lhes tudo . E precisamos também de ter a certeza de que eles não vão entrar em a sala quando vocês estiverem a interrogar o Malfoy . - Eu tenho tudo pensado - prosseguiu ela , ignorando a expressão estupefacta de Harry e Ron . Pegou em dois apetitosos bolos de chocolate . - Pus lhes um encantamento de sono . Vocês só têm de fazer com que o Crabbe e o Goyle os encontrem . Sabem como eles são gulosos , vão logo comê os . Quando estiverem a dormir , tirem lhes alguns cabelos e escondam nos em uma despensa de vassouras . Harry e Ron olharam , incrédulos , um para o outro . -- Hermione , eu não creio que ... -- Isto pode correr muito mal ... Mas Hermione tinha um brilho inflexível em os olhos que não era muito diferente do_que costumavam ver em o olhar de a professora Mc_Gonagall . - A poção não nos serve de nada sem os cabelos de o Crabbe e de o Goyle - disse com firmeza . - Vocês querem mesmo descobrir coisas sobre o Malfoy , não querem ? - Pronto , está bem - disse Harry . - Mas , e tu , vais arranjar cabelos de quem ? - Eu já tenho esse assunto resolvido - disse Hermione sorridente , tirando um frasquinho de o bolso e mostrando lhes um cabelo que lá estava dentro . - Lembram se de a Millicent_Bulstrode que lutou comigo em o clube de os duelos ? Ela deixou isto em o meu manto quando tentava estrangular me . E foi passar o Natal a casa , portanto , basta me dizer a os Slytherins que decidi voltar . Quando Hermione saiu para verificar de_novo a poção polisuco , Ron voltou se para Harry com uma expressão lúgubre . - Alguma vez viste um plano onde tantas coisas pudessem correr mal ? Mas para grande espanto de ambos , a primeira fase de a operação decorreu tão naturalmente como Hermione previra . Eles esconderam se em o * hall * de entrada , depois de o lanche de Natal , a a espera de o Crabbe e de o Goyle que tinham ficado sozinhos a a mesa de os Slytherin , deitando abaixo a quarta dose de bolo inglês . Harry colocou os bolos de chocolate em o fim de o corrimão . Quando avistaram Crabbe e Goyle a sair de o salão , Harry e Ron esconderam se rapidamente atrás_de uma armadura que estava junto de a porta de entrada . - Como_se pode ser tão estúpido ? - murmurou Ron sem se mexer enquanto Crabbe apontava satisfeitíssimo , mostrando a Goyle os bolos e agarrando os . Com um riso estúpido , enfiaram nos inteiros em as bocas enormes . Durante um momento , ambos mastigaram avidamente com olhares vitoriosos em o rosto . Depois , sem que a expressão se alterasse , caíram para trás e estatelaram se em o chão . Mais difícil foi transportá os para a despensa de o outro lado de o * hall * . Uma_vez armazenados em o meio de os baldes e esfregões , Harry arrancou alguns de os pêlos que cobriam a cabeça de o Goyle e Ron tirou alguns cabelos a o Crabbe . Roubaram lhes também os sapatos porque os de eles eram demasiado pequenos para os enormes pés de o Crabbe e de o Goyle . Em seguida , ainda atordoados com o que tinham acabado de fazer , correram até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mal conseguiam ver com o fumo preto e espesso que saía de o cubículo onde Hermione mexia o caldeirão . Tapando o rosto com os mantos , Harry e Ron bateram a o de leve em a porta . - Hermione ? Ouviram o ruído de o trinco e Hermione apareceu com a cara lustrosa e um ar ansioso . Por trás de ela ouviam o gloop gloop de a poção espessa e gorgolejante . Em o banco de a casa_de_banho estavam três copos de vidro . - Conseguiram ? - perguntou Hermione quase sem fôlego . Harry mostrou lhe o cabelo de o Goyle . - _ óptimo . Eu tirei estes mantos suplementares de a lavandaria - disse ela , pegando em uma pequena saca . - Vocês vão precisar de tamanhos maiores se vão ser o Crabbe e o Goyle . Olharam os três para o caldeirão . Vista de perto , a poção parecia uma lama espessa e escura a borbulhar indolentemente . - Tenho a certeza que fiz tudo certo - disse Hermione nervosa , relendo a página manchada de * _ Moste_Potente_Potions * . - Tem o aspecto que o livro diz que deveria ter ... depois de a tomar temos precisamente uma hora antes de nos transformarmos de_novo em as pessoas que somos . - E agora ? - murmurou o Ron . - Separamos a em três copos e adicionamos os cabelos . Hermione encheu cada_um de os copos com uma concha de sopa . Em seguida , retirou com a mão a tremer o cabelo de Millicent_Bulstrode de dentro de o frasquinho e pô o em o primeiro copo . A poção chiou fortemente como uma chaleira a ferver e espumou como louca . Um segundo depois ganhara um tom de amarelo doentio . - Urgh ! Essência_de_Millicent_Bulstrode - disse Ron , olhando com repugnância . - Aposto que o sabor é nojento . - Deitem os vossos - disse Hermione . Harry deixou cair o cabelo de o Goyle em o copo de o meio e Ron lançou o de o Crabbe em o último . Ambos chiaram e espumaram : o de o Goyle ficou de um tom caqui , o de o Crabbe de um castanho-escuro algo tenebroso . - Esperem - pediu Harry quando Ron e Hermione pegaram em os copos . - Será melhor não os tomarmos aqui todos juntos em um cubículo ; quando em os transformarmos não vamos cá caber e Millicent_Bulstrode não é nenhum duende . - Bem pensado - admitiu o Ron , abrindo a porta . - Cada_um em seu cubículo . Com todo o cuidado , para não entornar nem uma gota de a poção polisuco , Harry esgueirou se para o cubículo de o meio . - Prontos ? - perguntou . - Prontos - responderam as vozes de o Ron e de a Hermione . - Um , dois , três . Tapando o nariz , Harry bebeu a poção em dois grandes tragos . Tinha o sabor de a couve demasiado cozida . Os seus interiores começaram imediatamente a contorcer se como_se tivesse engolido serpentes vivas . Dobrado , Harry perguntava a si próprio se iria vomitar . Depois , uma sensação de ardor espalhou se rapidamente de o estômago até a as pontas de os dedos de as mãos e de os pés . Em seguida , fazendo o sobressaltar se , sobreveio o sentimento horrível de estar a derreter enquanto a pele de todo o seu corpo borbulhava como cera quente e , perante os seus olhos , as mãos começaram a crescer , os dedos a engrossar , as unhas a alargar e as articulações a tornarem se protuberantes como ferrolhos . Os ombros retesaram se dolorosamente e uma comichão em a testa preveniu o de que o cabelo estava a rastejar em direcção a as sobrancelhas . As túnicas rasgaram se enquanto o tórax se expandia como um barril , rebentando com os seus anéis . Os pés estavam em grande sofrimento dentro_de sapatos quatro números abaixo . Tão depressa como começara , tudo parou . Harry estava caído em o chão de pedra fria , ouvindo a Murta_Queixosa gorgolejando taciturna em o cubículo de o fundo . Com alguma dificuldade tirou os sapatos e levantou se . Era então assim que o Goyle se sentia ! Com a mão enorme a tremer , despiu a sua túnica que lhe ficava 30 centímetros acima de os tornozelos , pegou em as túnicas suplementares e amarrou os atacadores de os sapatos abotinados de o Goyle . Quis escovar o cabelo para o afastar um_pouco de os olhos e deu apenas com os pêlos hirsutos que lhe cresciam em a testa . Apercebeu se então de que os óculos lhe toldavam a visão porque o Goyle , obviamente , não precisava de eles . Tirou os e gritou . - Vocês estão bem ? - De a sua boca saiu a voz baixa e grossa de o Goyle . - Sim - respondeu lhe o grunhido de o Crabbe , a a sua direita . Harry abriu a porta de o cubículo e dirigiu se a o espelho partido . O Goyle olhava o de o outro lado com os seus olhos parados . Harry coçou a orelha e Goyle fez o mesmo . A porta de o Ron abriu se . Olharam um para o outro . Harry estava pálido e chocado . O amigo não se distinguia de o Crabbe , desde o corte de cabelo em forma de tigela até a os longos braços de gorila . - É inacreditável - disse o Ron , aproximando se de o espelho e beliscando o nariz achatado de o Crabbe . - Inacreditável ! - É melhor irmos indo - disse Harry , alargando a pulseira de o relógio que lhe cortava o pulso . - Ainda temos de descobrir onde fica a sala comum de Slytherin . Só espero que encontremos alguém que vá para lá e que nós possamos seguir . Ron que tinha estado a olhar espantado para ele , comentou : - Não imaginas como é bizarro ver o Goyle a pensar - bateu em a porta de Hermione . - Vamos , temos que ir ... Respondeu lhe uma voz aguda : - Eu ... eu acho que afinal não vou . Vão vocês sem mim . - Hermione , nós sabemos que a Millicent_Bulstrode é feia , ninguém vai pensar que és tu . - Não , a sério , acho que não vou . Despachem se vocês os dois , estão a perder tempo . Harry olhou para Ron , baralhado . - Aquilo parece mais de o Goyle , é como ele fica sempre_que algum professor lhe faz uma pergunta . - Estás bem , Hermione ? - perguntou Harry , através de a porta . - _ óptima , estou óptima , vão se embora . Harry olhou para o relógio . Cinco preciosos minutos tinham já passado . - Encontramo nos aqui , está bem ? - disse . Os dois abriram a porta de a casa_de_banho com todo o cuidado , viram se o caminho estava livre e saíram . - Não balances assim os braços - disse o Harry a o Ron . - Hein ? - O Crabbe anda sempre com eles esticados . - Assim ? - Isso , assim está melhor . Desceram a escadaria de mármore . Só precisavam agora de um Slytherin que pudessem seguir até a a sala comum , mas não havia ninguém por perto . - Tens alguma ideia ? - perguntou Harry em um murmúrio . - Os Slytherin vêm sempre de ali para o pequeno-almoço - disse o Ron , apontando para a entrada de os calabouços . Mal tinha pronunciado estas palavras quando uma rapariga de cabelo comprido a os caracóis , apareceu . - Desculpa - disse o Ron , sem perder tempo . - Esquecemo nos de o caminho para a nossa sala comum . - Como ? - disse a rapariga com a maior frieza . - A * nossa * sala comum ? Eu sou uma Ravenclaw . Afastou se , olhando para eles , desconfiada . Harry e Ron desceram apressadamente os degraus de pedra até a a escuridão . Os passos ecoavam em o silêncio , à_medida_que os pés enormes de Crabbe e Goyle tocavam em o chão , fazendo os sentir que as coisas não iam ser tão fáceis como eles desejavam . Os corredores labirínticos estavam desertos . Andaram e tornaram a andar por os subterrâneos , olhando constantemente para os relógios para ver quanto tempo ainda lhes restava . Depois de um quarto de hora , quando começavam a ficar desesperados , ouviram um movimento súbito . - Olha - disse o Ron , agitadamente . - Agora é um de eles . A silhueta saía de uma sala , mas quando se aproximaram o coração de ambos esmoreceu . Não era um Slytherin , era Percy . - O que estás a fazer aqui em baixo ? - perguntou o Ron surpreendido . - Isso - disse ele friamente - não é de a tua conta . És o Crabbe , não és ? - Er ... sim , sim - respondeu o Ron . - Então vão para o vosso dormitório - ordenou Percy com firmeza . - Não é seguro andar a passear por os corredores escuros em os dias que correm . - Tu andas -- fez notar o Ron . - Eu - disse o Percy endireitando se - sou um prefeito . Nada vai atacar me . Ouviu se , de repente , uma voz por_detrás_de Harry e Ron . Era_Draco_Malfoy e , pela_primeira_vez em a vida , Harry ficou satisfeito a o vê o . - Aí estão vocês - disse de modo arrastado , olhando para eles . - Têm estado a chafurdar em o salão este tempo todo ? Tenho andado a a vossa procura , quero mostrar vos uma coisa muito divertida . Malfoy olhou misteriosamente para Percy . - E o que fazes tu aqui , Weasley ? - perguntou com ar de desprezo . Percy olhou , sentindo se ultrajado . - Fazes favor de mostrar um_pouco mais de respeito por um prefeito de a escola - disse . - Não gosto de o teu ar . Malfoy riu se e fez sinal a o Harry e a o Ron para que o seguissem . Harry quase ia pedindo desculpa a o Percy , mas deu se conta a tempo . Apressaram se a seguir o Malfoy que disse , mal viraram em o corredor seguinte : - Aquele Peter_Weasley ... - O Percy - corrigiu Ron automaticamente . - Ou isso - continuou Malfoy . - Ultimamente tenho o visto muitas_vezes a andar por aí sorrateiramente e aposto que sei o que ele quer . Pensa que vai apanhar o herdeiro de Slytherin sozinho . Deu uma pequena gargalhada ridícula . Harry e Ron trocaram olhares nervosos . Malfoy parou junto de uma parede de pedra húmida . - Qual é a senha ? - perguntou a o Harry . - Er ... - Ah ! sim , sangue puro - disse Malfoy sem ouvir e uma porta de pedra , oculta em a parede , abriu se . Malfoy entrou e Harry e Ron seguiram o . A sala comum de os Slytherin era uma ampla divisão subterrânea com espessas paredes de pedra e um tecto de o qual estavam pendurados por correntes vários candeeiros redondos que davam uma luz esverdeada . O fogo crepitava em uma lareira elaboradamente esculpida em frente de a qual se viam as silhuetas de vários Slytherins sentados em cadeiras igualmente esculpidas . - Esperem aí - disse Malfoy a o Harry e a o Ron , encaminhando os para um par de cadeiras vazias , longe de o lume . - Eu vou buscar o que o meu pai acaba de me mandar . Sem saber o que Malfoy iria mostrar lhes , Harry e Ron sentaram se , fazendo todos os possíveis por parecer a a vontade . Malfoy voltou um minuto depois , trazendo em a mão o que parecia ser um recorte de jornal . Pô o debaixo de o nariz de o Ron . - Vais te rir - disse . Harry viu os olhos de o Ron abrirem se como_se estivesse em estado de choque . Viu o ler o recorte rapidamente , dar uma gargalhada forçada e estender lhe o em seguida . Tinha sido retirado de o * _ Profeta_Diário * e dizia : inquérito em o ministério de a magia * _ Arthur_Weasley , chefe de o Gabinete_de_Mau_Uso_dos_Utensílios_dos_Muggles foi hoje multado em cinquenta galeões por ter enfeitiçado um carro de os Muggles . * _ O senhor Lucius_Malfoy , Membro_do_Conselho_Directivo_da_Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts , onde o carro enfeitiçado foi chocar em o princípio de este ano , exigiu hoje a demissão de Mr._Weasley . « * _ O_Weasley trouxe o descrédito a o Ministério « - declarou Mr._Malfoy a o nosso repórter . - « É claramente incompetente para fazer cumprir as leis e a sua protecção ridícula de os Muggles deveria ir imediatamente para a sucata . » * _ Mr._Weasley recusou se a fazer comentários , mas a sua mulher disse a os repórteres que desaparecessem de ali ou lançaria contra eles o vampiro de a família * . - Então - disse Malfoy impaciente quando Harry voltou a entregar lhe o recorte . - Não achas o_máximo ? - Ha , ha - fez Harry tristemente . - O Arthur_Weasley gosta tanto de os Muggles que era capaz de partir a sua varinha a o meio para se juntar a eles - disse Malfoy com desprezo . - Ninguém diria que os Weasley eram sangue puro a avaliar por o modo como_se comportam . A cara de o Ron , ou melhor , de o Crabbe , contorceu se de raiva . - O que é_que se passa ? - perguntou Malfoy . - Dores de estômago - gemeu o Ron . - Então vai a a ala hospitalar e dá a todos aqueles sangues de lama um pontapé de a minha parte - disse Malfoy com o seu riso escarninho . - Sabes que estou espantado por o * _ Profeta_Diário * ainda não se ter referido a todos estes ataques - continuou pensativamente . - Calculo que o Dumbledore deve estar a tentar abafar as coisas . Ele ainda é posto em a rua se isto não acaba depressa . O pai sempre disse que Dumbledore foi a pior coisa que aqui veio parar . Ele adora os filhos de os Muggles , um director decente nunca deixaria um lodo como o Creevey entrar em esta escola . Malfoy começou a fingir que tirava fotografias com uma máquina imaginária e fez uma imitação maldosa , mas bastante fiel de o Colin : - Potter , posso tirar te a fotografia ? Dás me um autógrafo ? Posso lamber te os sapatos , por favor , Potter ? Baixou as mãos e olhou para Harry e Ron . - O que é_que se passa com vocês os dois ? Um_pouco atrasados , Harry e Ron forçaram o riso e Malfoy pareceu satisfeito . Talvez Crabbe e Goyle fossem sempre de reacção lenta . - O santo Potter , amigo de os sangues de lama - disse Malfoy . - É outro que não tem os sentimentos de um feiticeiro a sério ou não andaria por aí com aquela empertigada sangue de lama Granger . E as pessoas a pensarem que ele é o herdeiro de Slytherin . Harry e Ron esperaram com a respiração entrecortada : o Malfoy ia certamente dizer lhes , dentro_de segundos , que era ele , mas então ... - Quem me dera saber quem ele é - disse o Malfoy , de forma petulante . - Podia ajudá o . O queixo de o Ron caiu de tal maneira que a cara de o Crabbe ficou ainda mais desajeitada do_que era habitual . Felizmente Malfoy não deu por nada e Harry , em um pensamento rápido , disse : - Deves ter alguma ideia de quem está por_detrás_de tudo ... - Sabes perfeitamente que não tenho , Goyle , quantas vezes é preciso dizer te ? - cortou Malfoy . - E o pai também não me diz nada sobre a última vez que a câmara foi aberta . É claro que foi há cinquenta anos , antes de ele cá andar , mas o pai sabe tudo a esse respeito e diz que as coisas foram mantidas em grande segredo e que pareceria suspeito se eu soubesse demasiado . Mas há uma coisa que eu sei : de a última vez que a câmara foi aberta , morreu um sangue de lama . Por isso , aposto que é uma questão de tempo até que um de eles seja morto . Só espero que seja a Granger - disse satisfeito . Ron fechara os punhos gigantescos de o Crabbe . Sentindo que deitaria tudo a perder se ele desse um soco a o Malfoy , Harry lançou lhe um olhar de aviso e disse : - Sabes se a pessoa que abriu a câmara de a última vez foi apanhada ? - Ah ! sim , essa pessoa foi expulsa - disse Malfoy . - Ainda deve estar em Azkaban . - Azkaban ? - repetiu Harry confuso . - Azkaban , a prisão de os feiticeiros , Goyle - disse Malfoy , olhando para ele incrédulo . - Francamente , se fosses mais lento andavas para trás . Esticou se intranquilo , em a cadeira e disse : - O pai diz para eu esfriar a cabeça e deixar que o herdeiro de Slytherin faça o seu trabalho . Acha que a escola precisa de se livrar de a escória de os sangues de lama , mas não quer que eu me envolva em nada . Claro que ele agora tem um prato cheio . Sabes que o Ministério de a magia fez uma busca a a nossa mansão em a semana passada ? Harry tentou forçar a cara de bronco de o Goyle a uma expressão preocupada . - Sim - continuou Malfoy . - É claro que não encontraram grande coisa . O pai guarda uns materiais de magia negra muito valiosos , mas , felizmente , temos a nossa câmara secreta debaixo de o soalho de a sala de visitas ... - Ah ! - disse o Ron . Malfoy olhou para ele . Harry também . Ron corou e até o cabelo começou a ficar vermelho . O nariz estava também a diminuir lentamente ... a hora tinha acabado . Ron estava a voltar a a sua forma habitual e por o olhar de horror que lançou a Harry certamente ele também estava . Puseram se rapidamente de pé . - Tenho de tomar o remédio para o estômago - grunhiu o Ron e sem mais explicações saíram ambos a correr de a sala comum de os Slytherin , precipitaram se para a parede de pedra e galgaram a passagem , pedindo a todos os santos que Malfoy não tivesse dado por nada . Harry sentia os pés a nadarem em os sapatos enormes de o Goyle e tinha de levantar o manto visto_que diminuíra de tamanho . Subiram os degraus a correr até a o * hall * escuro de entrada onde se ouvia um som abafado que vinha de a despensa onde tinham fechado o Crabbe e o Goyle . Deixando os sapatorros de os dois de o lado de_fora , subiram já com os respectivos sapatos a escadaria de mármore até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Bem , não foi uma total perda de tempo - disse o Ron ofegante , fechando atrás_de si a porta de a casa_de_banho . - É certo que ainda não descobrimos de quem vêm os ataques , mas vou escrever a o meu pai amanhã a dizer lhe que procure debaixo de o soalho de a sala de visitas de o Malfoy . Harry olhou para o espelho partido . Tinha voltado a o normal . Pôs os óculos enquanto Ron batia em a porta de o cubículo de Hermione . - Hermione , sai de aí , temos um monte de coisas para te contar ... - Vão se embora - guinchou Hermione . Harry e Ron olharam um para o outro . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron . - Tu já deves ter voltado a o normal como nós ... Mas a Murta_Queixosa saiu subitamente através de a porta de o cubículo com um ar divertido como nunca a tinham visto . - Oh ! Esperem até ver - disse ela . - É horrível ! Ouviram o trinco de a porta a abrir se e Hermione apareceu a soluçar , a túnica levantada a cobrir lhe o rosto . - O que foi ? - perguntou o Ron indistintamente . - Ainda tens o nariz de a Millicent ou alguma coisa assim ? Hermione deixou cair a roupa e Ron recuou rapidamente . O rosto de ela estava coberto de pêlo preto , os olhos tinham ganho uma cor amarela e as orelhas eram pontiagudas , saindo espetadas para fora de os cabelos . - Era um pêlo de g-gato - disse a chorar . - A Millicent_Bulstrode d-deve ter um gato e a poção não está preparada para transformação em animais . - Oh-oh - disse o Ron . - Vão te gozar horrivelmente - disse a Murta , felicíssima . - Não te preocupes , Hermione - tranquilizou a rapidamente o Harry . - Vamos levar te para a ala hospitalar , a Madam_Pomfrey nunca faz muitas perguntas ... Não foi fácil convencer Hermione a sair de a casa_de_banho . A Murta_Queixosa despediu se com uma gargalhadavigorosa e grosseira . - Espera até todos descobrirem que tens uma cauda ! XIII_O diário muito secreto Hermione ficou em a ala hospitalar durante várias semanas . Houve uma onda de boatos sobre o seu desaparecimento quando o resto de os alunos voltou de as férias de Natal porque , é claro , todos pensam que ela tinha sido atacada . Foram tantos os estudantes a rondar a ala hospitalar para espreitar a ver se a viam que Madam_Pomfrey desceu de_novo as cortinas de a cama de ela para a poupar a a vergonha de ser vista com pêlo em a cara . Harry e Ron iam visitá a todas_as tardes . Quando o segundo período começou passaram a levar lhe diariamente os trabalhos de casa . - Se eu tivesse o bigode a crescer , tinha uma folga de o trabalho - disse uma tarde o Ron enquanto colocava uma pilha de livros a a cabeceira de a cama de Hermione . - Não sejas parvo , Ron , eu tenho de me manter a par de as coisas - disse Hermione com vivacidade . O humor de ela melhorara bastante com o facto de lhe ter desaparecido todo o pêlo de o rosto e de os olhos estarem lentamente a retomar a cor castanha . - Calculo que não tenham novas pistas ? - disse em um murmúrio para evitar que Madam_Pomfrey os ouvisse . - Nada - disse Harry tristemente . - Eu tinha tanta certeza de que era o Malfoy - repetiu o Ron por a centésima vez . - O que é isso ? - perguntou Harry , apontando para uma coisa com brilho dourado que estava debaixo de a almofada de Hermione . - É só um cartão a desejar boas melhoras - disse ela precipitadamente , tentando escondê o , mas o Ron foi mais rápido . Pegou lhe , abriu o e leu em voz alta : * _ Para_Miss_Granger , desejando lhe uma rápida recuperação , com o interesse e estima de o professor Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , Terceiro grau , Membro_Honorário_da_Liga_de_Defesa contra as Artes_Negras e vencedor por cinco vezes de o prémio O sorriso mais charmoso de a semana de o Semanário_das_Bruxas * . Ron olhou desconsolado para Hermione . - Tu dormes com isto debaixo de a almofada ? Mas Hermione foi poupada a ter de responder por a entrada de Madam_Pomfrey que lhe trazia a dose de medicamento de a tarde . - Achas que o Lockhart é o tipo mais esperto que conheceste ? - perguntou o Ron a o Harry quando saíram de a enfermaria e começavam a subir as escadas para a torre de os Gryffindor . O Snape tinha lhes passado tanto trabalho para_casa que Harry pensou que ia chegar a o sexto ano antes de o ter acabado . Ron vinha a dizer que devia ter perguntado a a Hermione quantas caudas de rato deveria juntar se a uma poção para o crescimento de o cabelo quando um grito de raiva vindo de o andar de cima lhes chegou a os ouvidos . - É o Filch - murmurou Harry enquanto subiam apressadamente as escadas e paravam para ouvir melhor . - Terá mais alguém sido atacado ? - disse nervosamente o Ron . Ficaram parados com as cabeças inclinadas para a voz de o Filch que parecia quase histérica . -- ... * _ Ainda mais trabalho para mim . Toda_a noite a esfregar como_se não tivesse já trabalho de sobra . Não , isto foi a gota de água que fez transbordar o copo , vou falar com Dumbledore * ... Os passos afastaram se e ouviram uma porta fechar se com grande estrondo . Puseram as cabeças fora de a esquina . O Filch tinha obviamente estado a patrulhar o seu habitual posto de vigia : estavam novamente em o lugar onde Mrs._Norris fora atacada . Perceberam imediatamente qual o motivo de os gritos . Uma enorme poça de água enchia metade de o corredor e parecia escorrer de a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Agora_que o Filch se calara podiam ouvir os uivos de a Murta que faziam eco em as paredes de a casa_de_banho . - Mas o que se passará com ela ? - disse o Ron . - Vamos lá ver - sugeriu Harry e arregaçando as túnicas até a os tornozelos entraram , atravessando a enorme poça de água , em a casa_de_banho que tinha o letreiro a dizer « Fora de serviço » e que eles , como sempre , ignoraram . A Murta_Queixosa chorava , se possível , mais alto do_que nunca . Parecia estar escondida em o cubículo de o costume . Lá dentro estava escuro pois as velas tinham se apagado com a enchente de água que deixara as paredes e o chão ensopado . - O que se passa , Murta ? - quis saber o Harry . - Quem é ? - perguntou ela infelicíssima . - Vieste atirar me mais alguma coisa acima ? Harry caminhou com dificuldade por causa de a água até a o cubículo de ela e disse : - Porque te faríamos nós uma coisa de essas ? - Não me perguntem - gritou a Murta , emergindo em uma onda de água que molhou ainda mais o chão já ensopado . - Eu estou aqui metida em a minha morte e alguém acha muito engraçado atirar me com um caderno acima ... - Mas , não pode magoar te se alguém te atirar alguma coisa acima - disse Harry , tentando ser prático . - Isto_é , seja o que for passa através_de ti , não é assim ? Tinha dito a frase errada . A Murta encheu o peito de ar e gritou a plenos pulmões : - Vamos todos atirar cadernos a a Murta já_que ela não sente nada ! Dez pontos se lhe acertarem em o estômago , cinquenta se lhe atravessar a cabeça ! Hah hah hah , que jogo lindo , não acham ? - Quem te atirou um caderno , afinal ? - perguntou o Harry . - Não sei ... eu estava sentada em a sanita a pensar em a morte e caiu me em cima de a cabeça - disse a Murta , olhando para eles . - Está ali , ficou todo molhado . Harry e Ron olharam para o ponto que a Murta lhes apontava debaixo de o lavatório . Um caderno pequenino e fino estava caído em o chão . Tinha uma capa preta muito gasta e estava encharcado como tudo em aquela casa_de_banho . Harry deu um passo em frente para o apanhar , mas o Ron agarrou lhe precipitadamente o braço . - O que foi ? - perguntou Harry . - Estás doido - disse ele . - Pode ser perigoso . - Perigoso ? - riu se Harry . - Essa agora Ron , como é_que pode ser perigoso ? - Ficarias surpreendido ... - explicou ele , olhando com ar apreensivo para o caderno . - Entre os livros que o Ministério confiscou , contou me o meu pai , havia um que queimava os olhos a as pessoas . E todos os que leram os * _ Sonetos_de_Um_Feiticeiro * ficaram a falar em verso para o resto de a vida . Havia também uma bruxa em Bath que tinha um livro que quem o lesse nunca mais conseguia parar , tinha de andar por aí com o nariz enfiado em as folhas , a fazer todas_as coisas só com uma mão e ... - Já chega , já chega , já percebi a tua ideia - disse O_Harry . O caderninho continuava caído e ensopado . - Bem , nunca saberemos a_não_ser_que tenhamos a coragem de dar uma vista de olhos - disse e mergulhou apanhando o de o chão . Harry viu imediatamente que se tratava de um diário e a data meio apagada , em a capa , disse lhe que tinha cinquenta anos de idade . Abriu o ansiosamente . Em a primeira página podia ler se apenas o nome T._M._Riddle em tinta esborratada . - Espera aí - disse o Ron que se aproximara prudentemente e olhava por cima de o ombro de Harry . - Eu conheço esse nome ... T._M._Riddle recebeu um prémio por serviços especiais prestados a a escola há cinquenta anos atrás . - Como diabo sabes tu isso ? - perguntou Harry com grande espanto . - Porque o Filch mandou me limpar a taça de ele umas cinquenta vezes quando estive de castigo - disse o Ron ressentido . - Foi a taça em cima de a qual eu vomitei lesmas . Se tivesses tido que limpar o muco de um nome durante uma hora também te lembrarias . Harry separou umas de as outras as páginas molhadas . Estavam completamente em branco . Não havia o mais leve sinal de escrita em nenhuma , nem coisas como « Aniversário de a tia Mabel « ou « Dentista a as três_e_meia » . - Ele nunca escreveu nada aqui - disse Harry desapontado . - Porque quereria alguém atirá o fora ? - perguntou se o Ron com curiosidade . Harry voltou o caderno e viu , inscrito em a contra capa , o nome de uma tabacaria em Vauxhall_Road , Londres . - Ele devia ser filho de Muggle - disse Harry pensativo - para ter comprado um diário em Vauxhall_Road ... - Bem , não te serve de muito - Ron baixou a voz . - Cinquenta pontos se acertares em o nariz de a Murta . Harry , mesmo_assim , guardou o diário . Hermione saiu de a ala hospitalar desbigodada , sem cauda e sem pêlo em os primeiros dias de Fevereiro . Em a primeira noite em a torre de os Gryffindor , Harry mostrou lhe o diário de T._M._Riddle e contou lhe como o tinham encontrado . - Ooooh ! Deve ter poderes ocultos - disse ela entusiasticamente , pegando em o diário e examinando o de perto . - Se tem , esconde os muito bem - disse Ron . - Talvez fosse tímido . Não sei porque não deitas isso fora , Harry . - Gostava de perceber porque motivo alguém se quis livrar de ele - explicou Harry . - E também não me importava de saber como foi que o Riddle obteve esse prémio de serviços especiais prestados a Hogwarts . - Pode ter sido qualquer coisa - lançou o Ron . - Talvez tenha recebido 30 de nota final ou salvo um professor de a lula gigante . Se_calhar assassinou a Murta , isso teria sido um favor prestado a todos ... Mas Harry quase podia jurar , por o olhar suspenso em a cara de Hermione , que ela pensava o mesmo_que ele . - O que foi ? - perguntou Ron , olhando para um e para o outro . - Bem , a Câmara_dos_Segredos foi aberta há cinquenta anos , não foi isso que disse o Malfoy ? - Sim - respondeu Ron , lentamente . - E este diário tem cinquenta anos de idade - completou Hermione , dando lhe palmadinhas nervosas . - E de aí ? - Oh Ron , acorda - insistiu Hermione . - Sabemos que a pessoa que abriu a câmara de a outra_vez foi expulsa há cinquenta anos . E se o Riddle tivesse tido o prémio especial por apanhar o herdeiro de Slytherin ? O seu diário diria nos provavelmente tudo : onde é a Câmara_dos_Segredos , como abris a e que tipo de criatura vive lá . Achas que a pessoa que está por trás de os ataques desta_vez quereria o diário por aí ? - É uma teoria interessante , Hermione - disse o Ron . - Apenas com uma pequenina falha : o diário não tem nada Mas_Hermione já estava a tirar a varinha de o saco . - Pode ser tinta invisível - murmurou . Bateu três vezes em o diário e repetiu * _ Aparecium ! * Nada aconteceu . Intrépida , Hermione meteu a mão de_novo em o saco e tirou o que parecia ser uma borracha vermelha e brilhante . - É um * revelador * , comprei o em a Diagon - _ Al - disse . Apagou com força em 1_de_Janeiro . Não sucedeu nada . - Já vos disse , não há nada aí - repetiu o Ron . - O Riddle deve ter recebido um diário como prenda de Natal e nem se deu a o trabalho de escrever fosse o que fosse . Harry não conseguia explicar , nem a si próprio , porque motivo não deitara fora o diário de Riddle . A verdade é_que , mesmo depois de saber que ele estava em branco , continuou distraidamente a pegar lhe e a virar as páginas como_se quisesse chegar a o fim de uma história . E , apesar_de saber que nunca tinha ouvido o nome T._M._Riddle , continuava a ter a sensação de que lhe dizia alguma coisa , como_se Riddle fosse um amigo que ele tinha tido quando era muito pequeno e que estivesse meio esquecido . Mas era um absurdo . Nunca tivera amigos antes de Hogwarts , Dudley tivera esse cuidado . Ainda_assim , Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle , por isso em o dia seguinte foi até a a sala de os troféus para examinar a taça , acompanhado de Hermione que estava interessadíssima e de Ron que se mostrava profundamente incrédulo , dizendo que tinha ficado farto de aquela sala até a o fim de a vida . A taça dourada de Riddle estava arrecadada em um armário de canto . Não fornecia detalhes sobre o motivo por_que lhe fora dada ( felizmente , se fosse maior ainda hoje estava a limpá a , disse o Ron ) . Mas encontraram o nome de Riddle em uma antiga medalha de Mérito_Mágico e em uma lista de antigos chefes de turma . - Parece o Percy - comentou Ron , torcendo o nariz com aversão . - Prefeito , chefe de turma , provavelmente o melhor em todas_as disciplinas . - Dizes isso como_se fosse uma coisa má - fez lhe notar Hermione , em um tom de voz ressentido . Um sol fraco brilhava agora de_novo em Hogwarts . Dentro de o castelo , o ambiente estava bastante melhor . Não tinha havido novos ataques desde Justin e Nick quase sem cabeça e Madam_Pomfrey teve a satisfação de informar que as Mandrágoras começavam a ficar instáveis e dissimuladas , sinal de que estavam a abandonar rapidamente a infância . - Logo_que o acne desapareça estarão prontas para novo transplante - ouviu a Harry dizer amavelmente a o Filch . - E depois de isso , não demorará muito até podermos cortá as e estufá as . - Vai ter Mrs._Norris de volta , muito em_breve . Talvez o herdeiro ou herdeira de Slytherin tenha perdido a coragem , pensou Harry . Deve ser cada_vez_mais arriscado abrir a Câmara_dos_Segredos com a escola tão alerta e desconfiada . Talvez o monstro , qualquer_que_fosse , estivesse a preparar se para hibernar durante outros cinquenta anos . Ernie_Mcmillan_dos_Hufilepuff não aceitou esta visão optimista . Continuava convencido de que Harry era o culpado , que se tinha traído em o clube de os duelos . Peeves não ajudava nada : continuava a cantar por os corredores Potter , * seu bandido * ... agora acompanhado de um esquema de dança . Gilderoy_Lockhart parecia pensar que fora ele quem pusera fim a os ataques . Harry fartou se de o ouvir dizer isso a a professora Mc_Gonagall enquanto os Gryffindor formavam bicha para a aula de Transfiguração . - Não creio que volte a haver problemas , Minerva - disse , tocando em o nariz com ar conhecedor e piscando o olho . - Acho que desta_vez a câmara foi definitivamente selada . O culpado deve ter sabido que era uma questão de tempo até eu o apanhar e que era mais sensato parar agora antes que eu lhe tratasse de a saúde . Sabe , a escola está a precisar de um intensificador de animo para apagar as lembranças de o último período . Não vou dizer lhe mais_nada , por enquanto , mas julgo que sei o que ... Voltou a tocar em o nariz e afastou se a passos largos . A ideia de Lockhart de um intensificador de ânimo ficou bastante clara em o dia_14_de_Fevereiro , a o pequeno-almoço . Harry não dormira grande coisa devido a o treino de Quidditch em a noite anterior e chegou a o salão um_pouco atrasado . Pensou , por momentos , que se tinha enganado em a porta . As paredes estavam todas cobertas com enormes e medonhas flores cor-de-rosa . Pior ainda , * confettis * em forma de corações caíam de o tecto azul pálido . Harry dirigiu se a a mesa de os Gryffindor onde o Ron estava sentado com um ar enjoado junto de Hermione que parecia particularmente risonha . - O que se passa ? - perguntou lhes , sentando se e sacudindo os * confettis * de o seu bacon . Ron apontou para a mesa de os professores , com um ar demasiado repugnado para falar . Lockhart , em as suas vestes rosa vivo , a condizer com a decoração de o salão , fazia sinal para que se calassem . Os professores que o ladeavam tinham um ar estupefacto . De o seu lugar , Harry podia ver um músculo mover se em a bochecha de a professora Mc_Gonagall . Snape estava com ar de quem tomou uma imensa dose de xarope * skele-gro * . - Feliz dia de S._Valentim - gritou Lockhart . - E permitam me que agradeça a as quarenta_e_seis pessoas que até agora me enviaram cartões . Sim , fui eu quem tomou a liberdade de vos fazer esta pequena surpresa , e ela não acaba aqui ! Lockhart bateu as palmas e por as portas de o * hall * entraram a marchar cerca de uma_dúzia de duendes de aspecto carrancudo . Não eram uns duendes quaisquer , diga se de passagem . Lockhart fizera os usar asas douradas e transportar harpas . - Os meus amigos cupidos , portadores de os cartões ! gritou Lockhart . - Eles vão andar por a escola durante o dia de hoje , entregando os vossos cartões de S._Valentim . E o divertimento não acaba aqui . Tenho a certeza de que os meus colegas vão querer participar em este espírito de festa . Porque não pedir a o professor Snape que vos mostre como preparar rapidamente uma poção de amor . E , enquanto ele a prepara , está aqui o professor Flitwick que é de todos os feiticeiros que conheci aquele que mais sabe de encantamentos de sedução , o grande safado ! O professor Flitwick enterrou o rosto em as mãos . Snape olhava como_se quisesse dar veneno a a primeira pessoa que fosse pedir lhe a poção de o amor . - Por favor , Hermione , diz me que não foste uma de as quarenta_e_seis - pediu Ron quando saíram de o salão para a primeira aula . Mas Hermione ficou subitamente muito interessada em procurar o horário dentro de a mala e não lhe respondeu . Durante todo o dia os duendes não pararam de se intrometer em as aulas para entregar cartões , para grande aborrecimento de os professores e , ao_fim_da_tarde , quando os Gryffindor subiam as escadas para a aula de encantamentos , um de eles avistou o Harry . - Hei , tu , Harry_Potter ! - gritou um duende de aspecto particularmente lúgubre , dando cotoveladas a_toda_a gente para se aproximar de o Harry . Coradíssimo com a ideia de receber um cartão de S._Valentim diante_de uma fila de alunos de o primeiro ano que , por acaso , incluía Ginny_Weasley , Harry tentou escapar se . Mas o duende cortou lhe o caminho através de a multidão e agarrou o em três tempos . - Tenho uma mensagem musical para entregar a Harry_Potter em pessoa - disse , tangendo a harpa de forma ameaçadora . - Aqui não - disse baixinho o Harry , tentando escapar . - Fica quieto - grunhiu o duende , agarrando o saco de o Harry e puxando com força . - Larga me - disse ele rispidamente , dando um puxão . Com um ruído de tecido a rasgar se , o saco dividiu se em dois . Os livros de Harry , varinha , pergaminho e pena espalharam se por o chão enquanto o tinteiro se partia em cima de as outras coisas . Harry pôs se de gatas , tentando apanhar tudo antes que o duende começasse a cantar , provocando um engarrafamento em o corredor . - O que se passa aqui ? - perguntou a voz fria e afectada de Draco_Malfoy . Harry , nervosíssimo , começou a guardar tudo dentro de o saco rasgado , desesperado para sair de ali antes que Malfoy pudesse ouvir o seu S._Valentim musical . - Que confusão é esta ? - disse outra voz familiar . Percy_Weasley tinha chegado . De cabeça perdida , Harry tentou fugir , mas o duende agarrou o por os joelhos e fê lo cair a o chão . - Certo - disse , sentando se em os tornozelos de Harry . Eis o teu cartão musical : * _ Os olhos de ele são verdes como o sapo de o quintal * _ O seu cabelo é escuro como um temporal * _ É um desatino , oh ! ele é divino ! * _ O herói que venceu o Senhor_do_Mal * . Harry teria dado todo o ouro de Gringotts para se evaporar em aquele momento . Tentando corajosamente rir se com todos os outros , levantou se . Sentia os pés dormentes de o peso de o duende . Enquanto isso , Percy_Weasley fazia todos os possíveis por dispersar a multidão onde havia gente que chorava de hilaridade . - Vamos embora , vamos embora , a campainha tocou há cinco minutos para as aulas - dizia , enxotando alguns de os alunos mais novos . - E tu , Malfoy . Harry olhou e viu Malfoy inclinar se , apanhar qualquer coisa e com um olhar maldoso mostrá a a Crabbe e Goyle . Percebeu que era o diário de Riddle . - Dá cá isso - exigiu com toda_a calma . - O que será que o Potter escreveu aqui ? - disse Malfoy que obviamente não reparara em a data e pensou que tinha em as mãos o diário de o Harry . Houve uma agitação em os presentes . Ginny olhava apavorada para o diário e para Harry . - Dá lhe isso , Malfoy - disse Percy com firmeza . - Depois de dar uma vista de olhos - retorquiu Malfoy , acenando a Harry com o diário de forma provocatória . Percy disse : - Como Prefeito de a escola ... - mas Harry perdera a paciência . Pegou em a varinha e gritou * _ Expelliarmus * e assim_como Snape desarmara Lockhart , MalLoy viu o diário saltar lhe de as mãos e elevar se em o ar enquanto Ron o apanhava sorridente . - Harry - disse Percy levantando a voz . - Não quero magia em os corredores . Vou ter de participar isto , sabes perfeitamente . Mas Harry não se importou . Tinha ganho uma_vez a Malfoy e isso valia bem cinco pontos a menos para os Gryffindor . Malfoy estava furioso e quando a Ginny passou por ele a caminho de a sala de aula , gritou lhe com desprezo : - Não creio que o Potter tenha gostado lá muito de o teu cartão de S._Valentim . Ginny tapou a cara e correu para a aula . Aborrecido , Ron pegou também em a varinha , mas Harry afastou o . Era melhor que ele não passasse a aula de encantamentos a vomitar lesmas . Só quando entraram em a sala de aula de o professor Flitwick é_que Harry reparou em uma coisa bastante estranha em o diário de Riddle . Todos os outros livros estavam cheios de tinta vermelha , mas o diário mantinha se tão limpo como antes de o tinteiro se ter entornado em cima de ele . Tentou chamar a atenção de Ron para este facto , mas ele estava novamente a ter um problema com a varinha : de a extremidade saíam grandes bolhas roxas e ele não parecia interessado em mais_nada . Em essa noite , Harry foi deitar se antes de os outros companheiros de dormitório , em parte porque já não conseguia suportar o Fred e o George a cantarem * _ Os seus olhos são verdes como o sapo de o quintal * e em parte porque queria voltar a examinar o diário de Riddle e sabia que em a opinião de o Ron era uma pura perda de tempo . Sentou se em a cama de dossel e folheou as páginas em branco em as quais não se via uma única mancha de tinta escarlate . Tirou então outro tinteiro de o armário a o lado de a cama , molhou a pena e deixou cair um borrão em a primeira página de o diário . A tinta brilhou em o papel durante um segundo e , em seguida , como_se a página a tivesse sugado , desapareceu sem deixar rasto . Depois , finalmente , algo aconteceu . Deslizando sobre a página em a cor de a sua tinta , surgiram palavras que Harry não escrevera . - * _ Olá_Harry_Potter . O meu nome é Tom_Riddle . Como é_que encontraste o meu diário ? * Também estas palavras desapareceram , mas não sem que Harry tivesse respondido . - Alguém tentou lançá o em uma sanita . Esperou ansiosamente por a resposta de Riddle . - * _ Felizmente guardei as minhas memórias de uma forma mais duradoura do_que a tinta . Mas sempre soube que haveria quem não iria querer que o diário fosse lido . * - O que queres dizer com isso ? - escrevinhou Harry , borrando a página com o nervosismo . - * _ Quero dizer que este diário contém memórias de coisas terríveis . Coisas que foram abafadas . Coisas que aconteceram em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . * - É onde eu estou agora - escreveu Harry rapidamente . - Estou em Hogwarts e estão a acontecer coisas horríveis . Sabes alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? O coração parecia querer saltar lhe de o peito . A resposta de Riddle não se fez esperar , a letra tornara se mais desordenada como_se tivesse pressa em contar lhe tudo_o_que sabia . - * _ É claro que sei de a Câmara_dos_Segredos . Em o meu tempo diziam nos que era uma lenda , que não existia , mas era mentira . Quando eu estava em o quinto ano a Câmara_dos_Segredos foi aberta e o monstro atacou vários estudantes , acabando matar um . Eu apanhei a pessoa que abriu a câmara e ele foi expulso . Mas o director , o professor Dippet , envergonhado por uma coisa de aquelas ter acontecido em Hogwarts , proibiu me de contar a verdade . Foi divulgada uma história dizendo que a rapariga morrera de um acidente extravagante . Deram me um troféu brilhante com o meu nome gravado e avisaram me para ficar calado . Mas eu sabia que ia voltar a acontecer . O monstro sobreviveu e aquele que tinha o poder para o libertar não foi para a prisão . * Harry quase entornou o tinteiro em a pressa de responder . - Está a acontecer outra_vez . Houve três ataques e ninguém parece saber quem está por_detrás_de tudo_isto . Quem foi de a última vez ? - * _ Posso mostrar te , se quiseres * - foi a resposta de o Riddle . - * _ Não tens de acreditar só em a minha palavra . Posso levar te a o fundo de a minha memória de a noite em que o apanhei . * Harry hesitou com a pena em o ar sobre o diário . O que quereria ele dizer ? Como poderia entrar em a memória de outra pessoa ? Olhou inquieto para a porta de o dormitório que começava a ficar escuro . Quando pôs de_novo os olhos em o diário viu as palavras que se formavam . - * _ Deixa-me mostrar te . * Harry parou durante uma fracção de segundo e depois escreveu duas letras . - O. _ K._As páginas de o diário começaram a esvoaçar como_se tivessem sido apanhadas em uma ventania , parando a meio de o mês_de_Junho . Boquiaberto , Harry viu que o quadradinho de 13_de_Junho se transformara em um pequeno ecrã de televisão . Com as mãos ligeiramente trémulas levantou o livro para encostar os olhos a a janelinha e antes de perceber o que estava a passar se , deu consigo inclinado para a frente com a janela a abrir se . O corpo abandonava a cama e era lançado de cabeça , por a abertura de a página , em um turbilhão de cor e sombras . Sentiu os pés tocarem em terra firme e pôs se de pé a tremer enquanto as formas desfocadas se tornavam subitamente nítidas . Soube imediatamente onde estava . Aquela sala circular com os retratos adormecidos era o escritório de Dumbledore , mas não era Dumbledore quem estava atrás de a secretária . Um feiticeiro mirrado , de aspecto débil e quase careca lia uma carta a a luz de as velas . Harry nunca vira aquele homem antes . - Desculpe - disse com a voz a tremer . - Eu não queria intrometer me ... Mas o feiticeiro não olhou . Continuou a ler , franzindo levemente as sobrancelhas . Harry aproximou se de a secretária e gaguejou : - Er ... eu vou me embora , está bem ? E o feiticeiro continuou a ignorá o . Parecia nem_sequer ter ouvido . Pensando que talvez ele fosse surdo , Harry falou mais alto . - Desculpe tê o incomodado - disse quase a gritar . O feiticeiro dobrou a carta com um suspiro . Pôs se de pé , passou por Harry sem olhar para ele e foi abrir os cortinados de a janela . O céu , lá fora , estava vermelho-rubi . Devia ser o pôr de o Sol . O feiticeiro voltou para a secretária , sentou se e girou os polegares , olhando para a porta . Harry olhou em volta . Não viu Fawkes , a fénix , nem as engenhocas prateadas que sibilavam . Aquela Hogwarts era a que Riddle conhecera e , portanto , aquele feiticeiro desconhecido era o director de então , não Dumbledore e ele , Harry , era pouco mais que um fantasma , totalmente invisível a as pessoas de há cinquenta anos atrás . Alguém bateu a a porta . - Entre - disse o velho feiticeiro , em uma voz fraca . Um rapazinho de dezasseis anos entrou , tirando o chapéu pontiagudo . Em o seu peito brilhava um distintivo prateado de prefeito . Era muito mais alto do_que Harry , mas tinha , tal_como ele , cabelo preto asa de corvo . - Ah ! Riddle - disse o director . - Queria falar comigo , professor Dippet ? - perguntou ele com ar nervoso . - Senta te - disse Dippet . - Tenho estado a ler a carta que me mandaste . - Oh ! - exclamou Riddle , sentando se e apertando as mãos uma contra a outra . - Meu rapaz - disse Dippet amavelmente . - Eu não posso deixar te ficar em a escola durante o Verão . Com certeza queres ir para_casa em as férias ? - Não - respondeu Riddle , sem perder tempo . - Prefiro mil vezes ficar em Hogwarts a ter de voltar a aquela ... aquela ... - Tu vives em um orfanato de Muggles durante as férias , não é assim ? - perguntou Dippet com curiosidade . - Sim senhor - disse Riddle , corando um_pouco . - És filho de Muggles ? - Meio sangue , professor - explicou Riddle . - Pai_Muggle , mãe bruxa . - E o teu pai e a tua mãe ... - A minha mãe morreu pouco depois de eu nascer , professor , contaram me em o orfanato que só teve tempo de me dar o nome : Tom , como o meu pai , Marvolo como o meu avô . Dippet estalou a língua solidariamente . - O que acontece , Tom - suspirou - é_que ... podia ter se arranjado uma situação especial para ti , mas em as circunstâncias actuais ... - Refere se a os ataques , professor ? - perguntou Riddle e o coração de Harry deu um salto , aproximando se com medo de perder alguma coisa . - Precisamente - disse o director . - Meu rapaz , compreendes que seria uma imprudência de a minha parte deixar te ficar em o castelo quando o período acabar , principalmente a a luz de a recente tragédia ... a morte de aquela pobre moça ... estarás sem dúvida em maior segurança em o orfanato . Em a verdade , o ministro de a magia até fala em fechar a escola . Não estamos nada perto_de localizar ... er ... a fonte de toda esta história desagradável . Os olhos de Riddle tinham se aberto mais . - Professor , se essa pessoa fosse apanhada ... se tudo acabasse . . . - Que queres dizer com isso ? - perguntou Dippet com voz aguda , endireitando se em a cadeira . - Riddle , tu sabes alguma coisa sobre estes ataques ? - Não senhor - respondeu ele de imediato . Mas Harry sabia que era o mesmo tipo de « não » que ele dissera a Dumbledore . Dippet afundou se de_novo com um ar de profundo desapontamento . - Podes ir , Tom . Riddle esgueirou se de a cadeira e saiu de a sala . Harry seguiu o . Desceram por a escada em espiral , saindo junto de a gárgula em o corredor que escurecia . Riddle parou e Harry fez o mesmo , olhando para ele . Quase podia apostar que ele pensava seriamente em alguma coisa . Mordia o lábio e tinha as sobrancelhas franzidas . A certa altura , como_se tivesse acabado de tomar uma decisão , começou a andar mais depressa com Harry a segui o ruidosamente . Não viram mais ninguém , a não ser quando chegaram a o * hall * de entrada onde um feiticeiro alto de longos cabelos ruivos e barba chamou Riddle de a escadaria de mármore . - O que andas a fazer por aqui tão tarde , Tom ? Harry olhou para o feiticeiro . Não era outro senão Dumbledore com cinquenta anos a menos . - Tive de ir falar com o director - justificou se Riddle . - Bem , agora vai depressa para a cama - disse Dumbledore , olhando Riddle com aquele olhar penetrante que Harry conhecia tão bem . - É melhor não andar a passear por os corredores em os dias que correm , pelo_menos até ... Suspirou profundamente , deu as boas-noites a o Riddle e foi se embora . Riddle viu o desaparecer e , sem perder tempo , desceu os degraus de pedra até a os calabouços com Harry em a peugada . Mas para seu grande desconsolo , Riddle não o conduziu a nenhum corredor ou túnel secreto e sim a o calabouço onde ele costumava ter aulas de poções com o Snape . As tochas não tinham sido acesas e quando Riddle empurrou a porta quase fechada , Harry só conseguiu vê o a ele , de pé , quieto junto de a porta , olhando para o corredor . Pareceu a Harry que ficaram ali quase uma hora . Tudo_o_que via era a silhueta de Riddle junto de a porta , olhando fixamente através de a greta , a a espera . Como_se fosse uma estátua . E quando Harry tinha abandonado todas_as expectativas e começava a desejar voltar a o presente , ouviu alguma coisa que se movia atrás de a porta . Alguém avançava lentamente por o corredor . Ouviu a pessoa , quem quer que fosse , passar por o calabouço onde ele e Riddle estavam escondidos . Riddle , silencioso como uma sombra , esgueirou se por a porta e seguiu o com Harry em bicos de pés atrás de ele , esquecido de que podia fazer barulho a a vontade porque ninguém o ouvia . Durante cerca de cinco minutos seguiram lhe os passos até que Riddle parou repentinamente com a cabeça inclinada em a direcção de novos ruídos . Harry ouviu uma porta a abrir se e em seguida alguém falou em um murmúrio rouco . - Vá lá , temos que sair de aqui ... vá lá , dentro de a caixa ... Havia algo de familiar em aquela voz . Riddle deu subitamente uma volta e Harry seguiu o . Podia ver a silhueta escura de um rapaz enorme que estava inclinado em frente de a porta aberta , com uma grande caixa a o lado . - Boa noite , Rubeus - disse Riddle secamente . O rapaz fechou a porta e pôs se de pé . - O que estás a fazer aqui , Tom ? Riddle aproximou se . - Acabou se - disse . - Vou ter de entregar te , Rubeus . Falam em fechar Hogwarts se os ataques não terminarem . - O que é_que tu ... ? - Eu acho que tu não quiseste matar ninguém , mas os monstros não são os melhores animais domésticos . Tu só quiseste deixá o sair para andar um_pouco e ... - Ele não matou ninguém - disse o rapaz grande , recuando contra a porta fechada . Lá de dentro vinham uns estranhos roncos e rugidos . - Vamos , Rubeus - disse Riddle , aproximando se mais ainda . - Os pais de a rapariga que morreu estarão aqui amanhã . O mínimo que Hogwarts pode fazer é assegurar lhes que aquilo que matou a filha de eles foi abatido ... - Não foi ele - gemeu o rapaz cuja voz ecoou em o corredor escuro . - Ele não faria isso ... ele nunca ... - Afasta te - disse Riddle , pegando em a varinha . O encantamento iluminou o corredor com uma luz brilhante . A porta atrás de o rapaz grande abriu se de par em par com tanta força que o atirou contra a parede . E de lá de dentro saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito que ninguém mais ouviu a não ser ele próprio . Tinha um corpo imenso , magro e peludo e um emaranhado de pernas pretas , a cintilação de muitos olhos e um par de tenazes afiadas . Riddle levantou de_novo a varinha , mas era tarde de mais . A coisa deixara o atarantado e corria apressadamente , precipitando se por o corredor e desaparecendo . Riddle pôs se de pé , olhou a a procura de o monstro , levantou a varinha , mas o rapaz grande saltou sobre ele , tirou lhe a varinha de as mãos e lançou o a o chão , gritando : - Naaaaaão ! A cena rodopiou . A escuridão tornou se total . Harry sentiu se a cair e com um embate aterrou como uma águia de patas e asas abertas em a sua cama de dossel , em o dormitório de os Gryffindor , o diário de Riddle aberto sobre o estômago . Antes de ter tido tempo de normalizar a respiração , a porta de o dormitório abriu se e o Ron entrou . - Aí estás tu - disse . Harry sentou se . Transpirava e tremia . - O que se passa ? - perguntou Ron , olhando aflito para ele . - Foi o Hagrid , Ron . O Hagrid abriu a Câmara_dos_Segredos há cinquenta anos atrás . XIV_Cornelius_Fudge_Harry , Ron e Hermione sabiam há muito_tempo que Hagrid tinha uma triste predilecção por criaturas grandes e monstruosas . Em o primeiro ano que passaram em Hogwarts , ele tentara criar um dragão em a sua pequena cabana de madeira e levaram muito_tempo a esquecer o gigantesco cão de três cabeças que ele baptizara de « fofinho » . E se , em rapaz , Hagrid tinha ouvido dizer que havia um monstro escondido em o castelo , Harry tinha a certeza que ele teria feito os impossíveis por descobri o . Provavelmente achou que era uma injustiça o monstro estar fechado tanto tempo e pensou que ele merecia a oportunidade de esticar as suas muitas pernas . Harry imaginava perfeitamente o Hagrid a os treze anos a tentar pôr uma coleira e uma trela a o monstro . Mas tinha igualmente a certeza de que ele nunca teria querido matar ninguém . De certo modo , Harry desejava não ter descoberto como utilizar o diário de Riddle . Ron e Hermione fizeram o contar repetidas vezes o que vira até ele ficar farto de repetir o mesmo e farto de a conversa circular que se seguia . - O Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse , de essa vez , Hermione . - O monstro que atacava as pessoas podia ser outro .... - Quantos monstros achas tu que pode haver em este lugar ? - perguntou o Ron aborrecido . - Sempre soubemos que o Hagrid tinha sido expulso - disse Harry tristemente - E os ataques devem ter terminado quando ele foi expulso . Se não fosse assim , Riddle não teria recebido um prémio . Ron tentou um caminho diferente . - O Riddle parece o Percy , quem lhe pediu afinal que deitasse abaixo o Hagrid ? - Mas o monstro tinha morto uma pessoa , Ron - insistiu Hermione . - E o Riddle ia ter de voltar para um orfanato Muggle se Hogwarts fosse fechada - disse Harry . - Não posso culpá o por querer ficar aqui ... Ron mordeu o lábio e a seguir sugeriu : - Tu encontraste o Hagrid em a Rua * _ Bativolta * , não foi ? - Ele estava a comprar repelente para lesmas - disse Harry rapidamente . Ficaram os três em silêncio . Depois de uma longa pausa , Hermione , em uma voz hesitante , formulou a pergunta mais complicada de todas : - Não acham que devíamos ir ter com ele e perguntar lhe ? - Essa seria uma visita simpática - disse o Ron . - Olá , Hagrid , diz nos uma coisa , soltaste por acaso alguma coisa louca e peluda por o castelo em estes últimos tempos ? Por fim , decidiram não dizer nada a o Hagrid a_não_ser_que houvesse outro ataque e à_medida_que passava mais tempo sem murmúrios de a voz sem corpo começaram a acreditar , esperançosos , que nunca mais teriam de falar sobre o motivo por_que fora expulso . Tinham passado já quase quatro meses desde o dia em que o Justin e o Nick quase sem cabeça tinham sido petrificados e quase toda_a_gente parecia pensar que o atacante , quem quer que ele fosse , se retirara para sempre . Peeves fartara se de a sua canção * _ Oh_Potter , seu bandido * , Ernie_Mcmillan pediu educadamente a o Harry , em a aula de herbologia , que lhe passasse um balde de cogumelos saltitantes e , em Março , várias mandrágoras deram uma festa ruidosa e roufenha em a estufa número três . A professora Sprout estava muito satisfeita . - Mal elas comecem a tentar mover se para os vasos umas de as outras , saberemos que estão maduras - disse ela a o Harry . - Nessa_altura poderemos reanimar aquelas pobres criaturas que estão em a ala hospitalar . Os alunos de o segundo ano tinham agora uma coisa nova em que pensar durante as férias de a Páscoa . Chegara a altura de escolherem as matérias de o terceiro ano , um assunto que Hermione , pelo_menos , tomou muito a sério . - Pode afectar todo o nosso futuro - disse a o Harry e a o Ron a o vê os ler cuidadosamente as listas de as novas matérias e pôr um V em frente de cada uma . - Eu só quero ver me livre de as poções - disse Harry . - Não podemos - explicou Ron tristemente . - Mantemos todas_as matérias antigas ou eu teria me livrado de a Defesa contra as artes negras . - Mas é muito importante - disse Hermione chocada . - Não de a maneira como Lockhart a dá - insistiu Ron . - Não aprendi nada até agora a não ser a nunca mais libertar duendes . Neville_Longbottom recebera cartas de todas_as bruxas e feiticeiros de a família , cada_um dando um conselho diferente sobre o que ele deveria escolher . Confuso e preocupado , sentou se a ler a lista de matérias , dando estalinhos com a língua e perguntando a as pessoas se achavam que a aritmancia seria mais difícil do_que o estudo de as runas em a Antiguidade . Dean_Thomas que , tal_como Harry , fora criado com Muggles , acabou por fechar os olhos e atirar a varinha contra a lista , escolhendo as matérias onde ela aterrava . Hermione não pediu conselho a ninguém e inscreveu se em todas . Harry sorriu de si para consigo imaginando como seria uma conversa com o tio Vernon e com a tia Petúnia sobre a sua carreira em feitiçaria . Não que não tivesse tido orientação : Percy_Weasley estava ansioso por partilhar a sua experiência . - Tudo depende de o lugar para_onde queres ir , Harry - disse ele . - Nunca é cedo de mais para pensar em o futuro , por isso eu aconselho te a adivinhação . As pessoas dizem que os estudos de Muggles são uma opção leve mas eu , pessoalmente , acho que os feiticeiros deveriam ter uma compreensão profunda de a comunidade não mágica , muito especialmente se pensarem em trabalhar em íntimo contacto com eles . Vê o meu pai que tem de lidar com assuntos de os Muggles a_toda_a hora . O meu irmão Charles foi sempre mais um tipo de o exterior , por isso foi para o Centro_de_Cuidados com as Criaturas_Mágicas . Segue os teus sentimentos , Harry . Mas a única coisa em que Harry sentia que era mesmo bom era o Quidditch . Por fim , acabou por escolher as mesmas matérias que o Ron escolhera , pensando que se fosse péssimo em elas pelo_menos tinha alguém amigo para o ajudar . O próximo jogo de Quidditch_dos_Gryffindor era contra os Hufflepuff . Wood insistia em treinos de equipa todas_as noites depois de jantar , por isso Harry não tinha tempo para mais_nada a não ser para o Quidditch e para os trabalhos de casa . Mas as sessões de treino estavam a melhorar ou pelo_menos estavam mais secas e em a véspera de o jogo de sábado ele foi a o dormitório guardar a vassoura , sentindo que as hipóteses de os Gryffindor ganharem a taça de Quidditch nunca tinham sido tão boas . Mas a sua boa disposição não durou muito . Em o cimo de as escadas que levavam a o dormitório encontrou o Neville_Longbottom nervosíssimo . - Harry , não sei quem fez aquilo , eu fui encontrar ... Olhando receoso para Harry , Neville empurrou a porta . O conteúdo de a mala de Harry fora espalhado por toda_a divisão . O seu manto estava em o chão rasgado . A roupa de cama tinha sido puxada de a cama de dossel e a gaveta de o armário que se encontrava a a cabeceira de a cama fora arrancada , estando o seu conteúdo espalhado sobre o colchão . Harry aproximou se de a cama boquiaberto , pisando algumas páginas soltas de * _ Viagens com Duendes * . Quando ele e Neville estavam a puxar os cobertores para_cima , entraram o Ron e o Dean_Seamas . Dean praguejou alto . - O que é isto , Harry ? - Não faço ideia - disse ele . Mas o Ron estava a examinar as vestes de Harry e todos os bolsos estavam de o avesso . - Alguém andou a a procura de qualquer coisa - disse o Ron . - Dás por falta de alguma coisa ? Harry começou a apanhar o que estava caído , lançando tudo dentro de a mala . Só quando atirou o último livro de Lockhart é_que se apercebeu do_que faltava . - O diário de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a o Ron . - O quê ? Harry fez lhe sinal em direcção a a porta de o dormitório e apressaram se a chegar a a sala comum de os Gryffindor que estava quase vazia e onde foram encontrar Hermione sozinha a ler * _ As_Runas_Antigas a o Alcance_de_Todos * . Hermione ficou aterrada com as notícias . - Mas ... só um Gryffindor podia tê o roubado ... ninguém mais conhece a nossa senha ... - Exactamente - disse Harry . Acordaram em o dia seguinte com um sol brilhante e uma brisa agradável . - Condições ideais para o Quidditch ! - exclamou Wood , cheio de entusiasmo , a a mesa de os Gryffindor , enchendo os pratos de os elementos de a sua equipa de ovos mexidos . - Harry , anima te , precisas de um pequeno-almoço decente . Harry tinha estado a olhar para a mesa cheia de alunos de os Gryffindor , perguntando a si próprio se o novo dono de o diário de Riddle estaria ali mesmo em frente de os seus olhos . Hermione insistira para que ele participasse o roubo mas ele não gostou de a ideia . Teria de contar a um professor tudo sobre o diário , e quantas pessoas saberiam o motivo por_que Hagrid fora expulso há cinquenta anos ? Não queria ser ele a fazer com que relembrassem tudo aquilo . Quando saiu de o salão com o Ron e a Hermione para ir buscar o material de Quidditch , outra preocupação viera juntar se a a sua lista cada_vez maior . Tinha acabado de pisar os degraus de a escadaria de mármore quando ouviu de_novo a voz : - * _ Matar desta_vez ... deixem me rasgar ... romper * ... Deu um grito e Ron e Hermione saltaram alarmados . - A voz - disse Harry , olhando por cima de os ombros de eles . - Acabo de a ouvir de_novo , vocês não ouviram nada ? Ron abanou a cabeça de olhos muito abertos Mas_Hermione bateu com a mão em a testa . - Harry , acho que percebi uma coisa . Tenho que ir a a biblioteca . E disparou a correr por as escadas acima . - O que é_que ela percebeu ? - disse Harry distraidamente , ainda a olhar em volta , tentando determinar de onde vinha a voz . - Mas porque teve ela que ir a a biblioteca ? - Porque a Hermione é assim - disse o Ron , encolhendo os ombros - Quando tem uma dúvida , vai a a biblioteca . Harry manteve se hesitante , tentando captar novamente a voz mas as pessoas começavam a sair de o salão , falando alto , passando por a porta principal e encaminhando se para o estádio de Quidditch . - É melhor ires indo - aconselhou Ron . - São quase onze horas , olha o jogo . Harry deu uma corrida até a a torre de os Gryffindor , pegou em a sua Nimbus dois_mil e juntou se a a vasta multidão que enchia os campos , mas o seu pensamento estava ainda em o castelo , em aquela voz sem corpo e quando pôs as roupas vermelhas , o seu único conforto foi pensar que estavam todos lá fora para assistir a o jogo . As equipas entraram em campo a o som de um tumulto de aplausos . Oliver_Wood fez um voo de aquecimento em volta de os postes , Madam_Hooch soltou as bolas . Os Hufflepuff que tinham fatos amarelo-canário estavam reunidos em grupo em uma discussão de última hora sobre as tácticas . Harry subia para a vassoura quando a professora Mc_Gonagall atravessou o campo , meio a andar , meio a correr , transportando um enorme megafone roxo . O coração de Harry caiu lhe a os pés . - Este jogo foi cancelado - gritou por o megafone a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a o estádio apinhado . Ouviram se Uuuus e assobios . Oliver_Wood , com um ar infelicíssimo , aterrou e correu para a professora McGonagall sem sair de a vassoura . - Mas , professora - gritou - temos de jogar ... a taça ... os Gryffindor ... A professora Mc_Gonagall ignorou o e continuou a gritar por o megafone . - Pede se a os estudantes que regressem a as salas comuns de as respectivas equipas onde os chefes de equipa lhes darão mais informações . O mais depressa possível , se fazem favor ! Em seguida , baixou o megafone e fez sinal a o Harry para que se aproximasse . - Potter , é melhor vires comigo ... Perguntando a si próprio que suspeita poderia ela ter contra ele , desta_vez , Harry viu Ron desligar se de a multidão discordante e vir a correr juntar se lhes , enquanto eles se dirigiam para o castelo . Para sua grande surpresa Mc_Gonagall não pôs qualquer objecção . - Sim , talvez seja melhor vires também , Weasley . Alguns de os estudantes que os rodeavam reclamavam por o jogo ter sido cancelado , outros tinham um ar preocupado . Harry e Ron seguiram a professora Mc_Gonagall de volta a a escola e através de a escadaria de pedra . Mas desta_vez não foram levados a nenhum escritório . - Isto vai chocar vos um_pouco - disse a professora Mc_Gonagall em um tom de voz surpreendentemente suave quando estavam a aproximar se de a ala hospitalar . - Houve outro ataque ... outro ataque duplo . As vísceras de o Harry deram um salto mortal . A professora Mc_Gonagall abriu a porta e ele e Ron entraram . Madam_Pomfrey estava inclinada sobre uma rapariga de o quinto ano de cabelos longos a os caracóis que Harry reconheceu como sendo a colega de os Ravenclaw a quem , por engano , tinham perguntado o caminho para a sala comum de os Slytherin . E , em a cama a o lado de ela , estava ... - Hermione - gemeu o Ron . Hermione jazia totalmente quieta , os olhos abertos e vítreos . - Foram encontradas perto de a biblioteca - disse a professora Mc_Gonagall . - Calculo que nenhum de vocês possa explicar isto ? Estava em o chão , junto de ela . A professora tinha em as mãos um pequeno espelho redondo . Harry e Ron acenaram negativamente com as cabeças , ambos com os olhos fixos em Hermione . - Eu acompanho vos a a torre de os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall pesadamente . - De qualquer modo tenho de falar com os alunos . - Os alunos regressarão a as salas comuns de as respectivas equipas , todos_os_dias , a as seis_horas_da_tarde . Nenhum aluno deverá sair de os dormitórios depois de isso . Serão escoltados até a as aulas por um professor . Nenhum aluno deverá ir a a casa_de_banho sem um professor a acompanhá o . Todos os treinos e jogos de Quidditch estão suspensos a_partir_de agora . Não haverá mais actividades nocturnas . Os Gryffindor , que enchiam a sala comum , ouviram em silêncio a professora Mc_Gonagall . Ela enrolou o pergaminho que acabara de ler e disse em uma voz algo chocada : - Não é preciso acrescentar que nunca me senti tão desolada . É provável que a escola seja encerrada se não for apanhado o culpado de todos estes ataques . Quero pedir que se algum de vocês achar que sabe alguma coisa sobre eles venha imediatamente ter comigo . Mal ela subiu , de forma um_pouco desastrada , por o buraco de o retrato , os Gryffindor começaram logo a falar . - São dois Gryffindor a menos , sem contar com o fantasma de os Gryffindor , um Ravenclaw e um Hufflepuff - disse o amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , contando por os dedos . - Não terá nenhum de os professores reparado que os Slytherin estão a salvo ? Será que não é óbvio que tudo_isto vem de eles ? O herdeiro de Slytherin , o monstro de Slytherin , porque não expulsam todos os Slytherin ? - resmungou , recebendo acenos e aplausos de todos os lados . Percy_Weasley estava sentado em uma cadeira atrás_de Lee , mas por uma_vez não pareceu querer expor os seus pontos de vista . Estava pálido e aturdido . - O Percy está em estado de choque - disse o George baixinho a o Harry . - Aquela rapariga de os Ravenclaw , Penelope_Clearwater , é prefeita . Acho que ele nunca tinha pensado que o monstro pudesse atacar um prefeito . Mas Harry não estava a ouvi o com atenção . Não conseguia esquecer a imagem de Hermione deitada em a cama de o hospital , como_se estivesse esculpida em pedra . E se o culpado não fosse apanhado rapidamente tinha em a frente uma vida inteira com os Dursley . Tom_Riddle entregara o Hagrid porque fora confrontado com a possibilidade de um orfanato Muggle se a escola fechasse . Harry sabia exactamente o que ele sentira . - Que vamos nós fazer ? - disse lhe o Ron baixinho a o ouvido . - Achas que eles suspeitam de o Hagrid ? - Temos de falar com ele - disse Harry , tomando uma decisão . - Não acredito que tenha culpa desta_vez , mas se ele libertou o monstro há cinquenta anos , sabe com certeza como entrar em a Câmara_dos_Segredos , o que já é um princípio . - Mas a Gonagall disse que temos que ficar em a torre a_não_ser_que estejamos em as aulas ... - Eu acho - disse Harry ainda mais baixo - que chegou a altura de tirar outra_vez de a mala o manto de o meu pai . Harry herdara apenas uma coisa de o pai : o enorme manto prateado de a invisibilidade . Era a única maneira de poderem esgueirar se de a escola para fazer uma visita a o Hagrid , sem que ninguém de esse por isso . Deitaram se a a hora de o costume , esperaram que o Neville , o Dean e o Seamas adormecessem para se levantarem , vestirem se de_novo e taparem se com o manto . A viagem por os corredores de o castelo escuro e deserto não era nada agradável . Harry que vagueara por ali muitas_vezes durante a noite nunca vira tanta gente depois de o pôr de o Sol . Professores , prefeitos e fantasmas andavam por os corredores a os pares , olhando em volta , em busca de qualquer actividade fora de o habitual . O manto de a invisibilidade não impedia que fizessem barulho e houve um momento particularmente tenso em que o Ron deu uma topada a menos_de um metro de o lugar onde Snape se encontrava . Felizmente Snape espirrou em o preciso momento em que o Ron praguejava . Foi com grande alívio que chegaram a as portas de carvalho de a entrada principal . Estava uma noite clara e cheia de estrelas . Dirigiram se apressadamente para as janelas iluminadas de a casa de Hagrid e só tiraram o manto mesmo em frente de a porta . Poucos segundos depois de terem batido abriu se a porta . Ficaram frente_a_frente com Hagrid que lhes apontou uma besta enquanto Fang , o cão caçador de javalis , ladrava furiosamente atrás de ele . - Oh ! - disse , baixando a arma quando viu que eram eles . - O que estão vocês a fazer aqui ? - Para que é isso ? - perguntou Harry , apontando para a besta , enquanto entrava . - Nada , não é nada - murmurou Hagrid . - Tenho estado a a espera ... não tem importância , sentem se que eu vou fazer um chá . Dava a impressão de não saber o que fazia . Quase apagou a lareira , vertendo a água de a chaleira em o lume e em seguida esmagou o bule com um gesto de a sua mão maciça . - Estás bem , Hagrid ? - perguntou Harry . - Soubeste de a Hermione ? - Soube , sim - disse ele com um leve tremor em a voz . Continuava a olhar nervosamente para as janelas . Deu lhe os duas grandes canecas de água a ferver ( esquecera se de juntar o chá ) e estava a acabar de pôr em um prato uma fatia grossa de bolo de frutas quando alguém bateu energicamente a a porta . Hagrid deixou cair o bolo . Harry e Ron trocaram entre si olhares de pânico e , em seguida , cobriram se com o manto de a invisibilidade e esconderam se em um canto . Hagrid assegurou se de que eles estavam bem escondidos , pegou em a besta e abriu , mais_uma_vez , a porta . - Boa noite , Hagrid . Era_Dumbledore . Entrou com um ar muito sério , seguido de um homem bizarro . O estranho era um homenzinho pequenino , de porte majestoso com cabelos grisalhos desalinhados e uma expressão de ansiedade em o rosto . Usava uma inesperada mistura de roupas . Um fato a as riscas , uma gravata vermelho escarlate , um longo manto negro e umas botas roxas pontiagudas . Debaixo de o braço trazia um chapéu de coco verde lima . -- É o patrão de o meu pai - murmurou o Ron . Cornelius_Fudge , o ministro de a magia ! Harry deu lhe uma valente cotovelada para o fazer calar se . Hagrid tinha ficado suado e pálido . Deixou se cair em uma de as cadeiras e olhava de Dumbledore_para_Cornelius_Fudge . - Más notícias , Hagrid - disse Fudge em um tom bastante grave . - Muito más notícias . Tive de vir . Quatro ataques a filhos de Muggles , as coisas foram longe_de mais . O ministério tem que tomar uma atitude . - Eu nunca ... - disse Hagrid , parecendo implorar a Dumbledore . - O senhor sabe que eu nunca ... professor Dumbledore , o senhor ... - Quero que fique claro , Cornelius , que Hagrid tem a minha total confiança - afirmou Dumbledore , franzindo as sobrancelhas . - Olha , Albus - disse Fudge pouco a a vontade - a ficha de o Hagrid depõe contra ele . O ministério tem de fazer alguma coisa , o Conselho_Directivo de a escola tem se reunido ... - Mesmo_assim , Cornelius , devo dizer te mais_uma_vez que levar o Hagrid de aqui não vai ajudar em nada - afirmou Dumbledore com os olhos azuis com um fogo que Harry nunca vira antes . - Tenta compreender o meu ponto de vista - insistiu Fudge , brincando com o chapéu . - Estou a ser tremendamente pressionado , tenho de mostrar que faço alguma coisa . Se se provar que não foi o Hagrid , ele voltará e não se fala mais em o assunto . Mas tenho de levá o , tem de ser , não estaria a cumprir a minha obrigação se ... - Levar me ? - perguntou Hagrid a tremer . - Levar me para_onde ? - É uma pena curta - disse Fudge , sem o olhar em os olhos . - Não é um castigo , Hagrid , chamemos lhe antes uma precaução . Se mais alguém for apanhado , tu sais com todas_as nossas desculpas . - Não é para Azkaban ? - balbuciou Hagrid . Mas antes que Fudge tivesse tido tempo de responder , ouviu se bater mais_uma_vez a a porta . Dumbledore abriu . Foi a vez de Harry levar uma cotovelada em as costas : soltara um gemido audível . Mr._Lucius_Malfoy entrou em a cabana de o Hagrid embrulhado em uma longa capa preta de viagem , com um sorriso frio de satisfação . O Fang começou a rosnar . - Já está aqui , Fudge ? - disse de forma aprovadora . - Muito bem , muito bem ... - O que estás a fazer aqui ? - perguntou Hagrid furioso . - Sai imediatamente de a minha casa . - Meu bom homem , acredite que não tenho prazer nenhum em entrar em a sua ... er ... chamou lhe casa ? - disse Lucius_Malfoy , sorrindo sarcasticamente enquanto observava a pequena divisão . - Eu limitei me a ir a a escola e disseram me que o director estava aqui . - E o que queres de mim , Lucius ? - perguntou Dumbledore . O seu tom de voz era educado mas em os olhos azuis brilhava ainda o mesmo fogo . - Uma notícia horrível , Dumbledore - disse Mr._Malfoy de forma arrastada , pegando em um grande rolo de pergaminho . - Mas os membros de o conselho pensam que é altura de tu saíres . Isto_é uma ordem de suspensão , tens aí doze assinaturas . Lamento muito mas em a nossa opinião estás a perder a firmeza . Quantos ataques houve até agora ? Mais dois hoje a a tarde , não foi ? A este ritmo vão acabar todos os filhos de Muggles em Hogwarts e todos sabemos que seria uma terrível perda para a escola . - O que é isso , Lucius ? - protestou Fudge com ar alarmado . - O Dumbledore suspenso não ... não , seria a última coisa que desejaríamos em este momento ... - A nomeação ou suspensão , de o director é de a competência de os membros de o Conselho_Directivo , Fudge - disse suavemente Mr._Malfoy . - E como Dumbledore não foi capaz de pôr cobro a estes ataques ... - Oh ! Lucius , se Dumbledore não conseguiu - disse Fudge com o lábio superior a suar . - Quem irá conseguir ? - Isso está para se ver - disse Mr._Malfoy com um sorriso mesquinho . - Mas como os doze votamos ... Hagrid pôs se de pé em um salto , o cabelo preto hirsuto a roçar em o tecto . - E quantos tiveste de chantajar para concordarem contigo , Malfoy ? - Meu caro Hagrid , sabe que esse seu temperamento ainda acaba por lhe criar problemas um dia de estes - disse Mr._Malfoy . - Não o aconselho a gritar assim com os guardas de Azkaban . Eles não iriam gostar nada . - Não podes levar Dumbledore - gritou Hagrid , fazendo Fang , o cão caçador de javalis , agachar se e ganir em o seu cesto . - Sem ele , os filhos de os Muggles não têm qualquer hipótese . A seguir haverá mortes . - Acalma te , Hagrid - disse Dumbledore de forma cortante , olhando para Lucius_Malfoy . - Se os membros de o conselho querem substituir me , eu sairei , claro . - Mas - interrompeu Fudge . - Não - rosnou Hagrid . Dumbledore não tirara os seus olhos azuis brilhantes de os olhos cinzentos e frios de Lucius_Malfoy . - Contudo - disse , pronunciando cada palavra lenta e claramente para que nenhum de eles perdesse o seu sentido - verás que só deixarei verdadeiramente esta escola quando ninguém aqui me for leal . Descobrirás também que será sempre dada ajuda em Hogwarts a quem a pedir . Por um segundo , Harry teve quase a certeza de que os olhos de Dumbledore tremelaziram em direcção a o canto onde ele e Ron estavam escondidos . - Sentimentos admiráveis - disse Malfoy , fazendo uma vénia . - Todos nós vamos sentir a tua ... forma muito pessoal de fazer as coisas , Albus . Só espero que o teu sucessor consiga evitar qualquer ... crime . Dirigiu se a a porta de a cabana , abriu a e fez sinal a Dumbledore para que passasse a a sua frente . Fudge , mexendo nervosamente em o chapéu de coco , esperou que Hagrid fizesse o mesmo mas ele ficou quieto , respirou fundo e disse prudentemente : - Se alguém quiser descobrir alguma coisa , o que tem a fazer é seguir as aranhas . Elas indicarão o caminho , é tudo_o_que vos digo . Fudge olhou para ele espantado . - Está bem , eu vou - disse Hagrid , pegando em o seu sobretudo de pêlo de toupeira . Mas quando ia seguir o Fudge e sair por a porta , parou e disse em voz alta : - E alguém tem de dar de comer a o Fang enquanto eu não estiver cá . A porta fechou se ruidosamente e Ron tirou o manto de a invisibilidade . -- Estamos outra_vez em uma alhada - disse com voz rouca - Sem o Dumbledore podem fechar a escola já esta noite . Sem ele vai haver um ataque por dia . O Fang começou a ganir , arranhando a porta fechada . XV_Aragog_O_Verão insinuava se em os campos em volta de o castelo . O céu e o lago tinham se tornado de um azul-molusco e as flores , grandes como couves , começavam a florir em as estufas . Mas sem o Hagrid , que ele costumava avistar de o castelo , atravessando os campos com o Fang atrás , parecia a Harry que a paisagem não estava completa . Não era melhor dentro de o castelo onde tudo corria horrivelmente mal . O Harry e o Ron tinham tentado visitar a Hermione , mas as visitas a o hospital estavam proibidas . - Não vamos correr mais riscos - disse lhes Madam_Pomfrey com ar severo , através_de uma fresta de a porta de o hospital . Não , lamento , há muitas hipóteses de o atacante voltar para acabar de vez com estas pessoas ... Com Dumbledore longe , o medo espalhara se como nunca acontecera antes , de_tal_modo_que o sol que aquecia as paredes de o castelo por fora parecia parar junto de as janelas de pinázios . Não se via um único rosto em a escola que não andasse tenso e preocupado e qualquer gargalhada , em os corredores , se tornava incómoda e antinatural e era rapidamente abafada . Harry repetia constantemente , de si para consigo , as últimas palavras que ouvira a Dumbledore : - * _ Só terei verdadeiramente deixado esta escola quando ninguém me for leal ... será sempre dada ajuda , em Hogwarts , a quem a pedir * . Qual seria o significado exacto de aquelas palavras ? A quem deveria pedir ajuda quando todos estavam tão confusos assustados como ele ? A alusão de Hagrid a as aranhas era bastante mais fácil de entender . O problema era que parecia não ter restado uma única aranha em o castelo para eles a poderem seguir . Harry procurou por todo o lado com a ajuda relutante de o Ron . As coisas estavam dificultadas por o facto de não poderem andar sozinhos e terem de se deslocar em grupo dentro de o castelo , juntamente com outros Gryffindor . A maior parte de os alunos gostava de ser conduzida como carneiros de uma aula para a outra por os professores mas Harry achava horrível . Havia , contudo , uma pessoa que parecia apreciar aquela atmosfera de terror e suspeitas . Draco_Malfoy passeava empertigado por a escola como_se tivesse sido nomeado para chefe de turma . Harry só compreendeu o motivo de toda aquela boa disposição cerca de quinze_dias depois de Dumbledore e Hagrid se terem ido embora quando , em uma aula de poções , o ouviu falar com o Crabbe e o Goyle . - Sempre achei que seria o pai quem conseguiria livrar nos de o Dumbledore - disse sem a menor preocupação em baixar a voz . - Já vos disse , segundo ele , Dumbledore foi o pior director que a escola alguma vez teve . Talvez agora venha um director decente que não queira a Câmara_dos_Segredos fechada . A Mc_Gonagall não vai durar muito , está só a ... O Snape passou por Harry , sem fazer comentários a o caldeirão e a a cadeira vazia de Hermione . - Professor - disse Malfoy em voz alta . - Professor , porque não se candidata a o lugar de director ? - Ora , ora , Malfoy - respondeu Snape , sem conseguir esconder um meio sorriso . - O professor Dumbledore foi apenas suspenso por os membros de o conselho de direcção , certamente vai voltar um dia de estes . - Sim , claro - disse Malfoy com o seu sorriso escarninho . - Acho que se o professor quisesse candidatar se a o lugar teria o voto de o pai . Eu vou dizer lhe que o acho o melhor professor de a escola . Snape sorriu enquanto passeava de um lado para o outro em o calabouço , não tendo felizmente visto o Seamus_Finnigan que fingia vomitar para dentro de o caldeirão . - Estou espantado por ver que até agora os sangues de lama ainda não fizeram as malas e não desapareceram - prosseguiu Malfoy . - Aposto cinco galeões em como o próximo morre . Pena que não tenha sido a Granger ... A campainha tocou em esse momento o que foi uma sorte porque a o ouvir as últimas palavras de Malfoy , Ron deu um salto , mas em a barafunda de guardar os livros em os sacos , a sua tentativa de agarrar o Malfoy passou despercebida . - Deixem me - gritava o Ron enquanto o Harry e o Dean lhe agarravam os braços . - Não preciso de varinha , vou dar cabo de ele com as minhas mãos ... - Despachem se , tenho de conduzir vos a a aula de herbologia - praguejava o Snape acima de as cabeças de os alunos . E lá foram como cordeirinhos com Harry , Ron e Dean em a retaguarda , o Ron ainda a tentar libertar se . Só acharam seguro largá o quando Snape os deixou fora de o castelo e iniciaram o percurso por o meio de a horta em direcção a as estufas . A aula de herbologia estava reduzida . Tinha agora dois alunos a menos : Justin e Hermione . A professora Sprout pô os a trabalhar , podando as figueiras-da-abissínia . Harry foi despejar uma braçada de hastes secas em um monte de adubo e deu consigo cara a cara com Ernie_Mcmillan . Ernie respirou fundo . - Só quero dizer te , Harry que lamento ter suspeitado de ti . Sei que nunca atacarias a Hermione_Granger e peço te desculpa por todas_as coisas que disse . Estamos todos em o mesmo barco , agora e , bem ... Estendeu lhe uma mão rechonchuda que o Harry apertou . Ernie e a sua amiga Hannah foram trabalhar em a mesma figueira com o Harry e o Ron . - Aquele tipo , Draco_Malfoy - disse Ernie , partindo pequenos galhos - , parece muito satisfeito com isto tudo , não acham ? É bem possível que ele seja o herdeiro de Slytherin . - Uma observação inteligente de a tua parte - disse o Ron que parecia não ter desculpado Ernie tão facilmente como o Harry . - Acham que é ele ? - perguntou Ernie . - Não - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Hannah ficaram a olhar espantados . Um segundo depois , Harry avistou qualquer coisa que o levou a chamar a atenção de o Ron , batendo lhe em a mão com a tesoura de podar . - Au ... o que é_que tu ... ? Harry apontava para o chão , a poucos centímetros de distância . Várias aranhas grandes corriam precipitadamente por a terra fora . - Ah ! sim - disse o Ron , tentando , sem conseguir , mostrar se entusiasmado . - Mas não podemos seguis as agora ... Ernie e Hannah ouviam nos com curiosidade . Harry viu as aranhas desaparecerem . - Parecem ir em a direcção de a floresta proibida ... E o Ron ficou ainda mais infeliz a o ouvir aquilo . Em o final de a aula , o professor Snape acompanhou os alunos a a « Defesa contra as artes negras » . Harry e Ron foram atrás de os outros para poderem conversar sem serem ouvidos . - Temos de usar outra_vez o manto de a invisibilidade - disse Harry a o Ron . - Podemos levar connosco o Fang , ele está habituado a ir a a floresta com o Hagrid , pode ser uma boa ajuda . - Certo - disse o Ron , que fazia girar nervosamente a varinha em os dedos . - Er ... não costuma haver ... não costuma haver lobisomens em a floresta ? - acrescentou enquanto ocupavam os lugares de o costume em a aula de o Lockhart . Preferindo não responder a a pergunta , Harry disse : - Também há lá coisas boas . Os centauros são fixes e os unicórnios . Ron nunca estivera em a floresta proibida , Harry fora lá só uma_vez e desejara não ter de lá voltar . Lockhart deu um salto para dentro de a sala de aula e os alunos ficaram espantados a olhar para ele . Todos os outros professores andavam mais tristes do_que o habitual mas Lockhart parecia sentir se em as nuvens . - Então , então - exclamou , olhando em volta . - Porquê essas caras deprimidas ? Lançaram lhe olhares exasperados mas ninguém respondeu . - Não compreendem - disse , falando devagar como_se fossem todos um_pouco estúpidos - que o perigo já passou ? O culpado foi se embora . -- Quem disse ? - retorquiu Dean_Thomas em voz alta . -- Meu caro jovem , o ministro de a magia não teria levado Hagrid se não estivesse cem por_cento certo de que ele era o culpado - disse Lockhart como quem explica que um e um são dois . - Teria , sim - disse o Ron , em um tom de voz ainda mais alto do_que o de o Dean . - Eu julgo saber um_pouco mais sobre a prisão de o Hagrid do_que o senhor , Mr._Weasley - disse Lockhart com notória auto-satisfação . Ron começou a dizer que discordava mas foi interrompido por o Harry que lhe deu um forte pontapé por debaixo de a mesa . - Nós não estávamos lá , lembras te ? - murmurou . Mas a alegria revoltante de o Lockhart , as insinuações de que sempre tinha achado que o Hagrid não prestava , a sua certeza de que tudo aquilo estava a chegar a o fim , irritou Harry de tal maneira que teve vontade de lhe atirar as * _ Viagens com Vampiros * e de lhe acertar em aquela cara estúpida . Mas , em vez de isso , limitou se a escrevinhar um bilhete para o Ron : * _ Vamos lá hoje a a noite * . Ron leu a mensagem , engoliu em seco e olhou para o lugar onde Hermione costumava sentar se . A cadeira vazia pareceu ajudá o a decidir se e acenou afirmativamente . A sala comum de os Gryffindor estava agora sempre cheia porque , depois de as seis_da_tarde , os Gryffindor não tinham outro lugar para ir . Por outro lado , tinham imenso para conversar , por isso a sala comum mantinha se cheia de gente até depois de a meia-noite . Logo_a_seguir a o jantar , Harry foi buscar o manto de a invisibilidade a a mala onde estava guardado e passou todo o serão a a espera que a sala esvaziasse . O Fred e o George desafiaram o para alguns jogos de explosão e a Ginny sentou se , muito preocupada , a observá os , em a cadeira habitual de Hermione . Harry e Ron fartaram se de perder de propósito em uma tentativa de pôr rapidamente fim a os jogos mas , mesmo_assim , já passava bastante de a meia-noite quando o Fred , o George e a Ginny se foram , finalmente , deitar . Harry e Ron esperaram até ouvir as portas de os dois dormitórios fecharem se . Em seguida , pegaram em o manto , lançaram o sobre ambos e passaram por o buraco de o retrato . Era mais uma difícil travessia de o castelo , tendo de fintar todos os professores . Finalmente , chegaram a o * hall * de entrada , giraram o fecho de as portas de carvalho , esgueiraram se tentando não fazer barulho e aventuraram se nos campos iluminados por o luar . - É claro que - disse bruscamente o Ron , enquanto atravessavam os relvados negros - podemos perfeitamente chegar a a floresta e descobrir que não há nada para seguir . As aranhas podem não ter ido para lá . É certo que parecia que tomavam essa direcção , mas ... Felizmente a lengalenga não durou muito . Chegaram a a casa de o Hagrid que tinha um ar triste com as suas janelas vazias . Logo_que Harry empurrou a porta e a abriu , o Fang saltou , louco de alegria por os ver . Preocupados , não fosse ele acordar toda_a_gente em o castelo com o seu ladrar forte e agitado , deram lhe rapidamente a comer bombons de melaço que estavam em uma lata sobre a lareira e que lhe colaram os dentes de cima a os de baixo . Harry pousou o manto de a invisibilidade sobre a mesa de o Hagrid . Não iam precisar de ele em a floresta escura como breu . - Anda , Fang , vamos dar um passeio - disse Harry , batendo lhe a o de leve em a pata e Fang saiu feliz , a os saltos , atrás de eles . Precipitou se até a a orla de a floresta e levantou a perna contra uma enorme figueira-do-egipto . Harry pegou em a varinha , murmurou * _ Lumus * ! e uma pequenina luz surgiu em a ponta de a varinha , suficiente para lhes mostrar o caminho e ajudá os a descobrir a pista de as aranhas . - Bem pensado - disse o Ron . - Eu acendia também a minha mas , sabes como ela está , ainda estoirava ou qualquer coisa assim ... Harry tocou em o ombro de o Ron , apontando para as ervas . Duas aranhas solitárias fugiam de a luz de a varinha , aproximando se de a sombra de as árvores . - O. _ K. - disse o Ron , resignando se com o pior . - Estou pronto , vamos . Então , com o Fang a correr atrás de eles , cheirando as raízes de as árvores e as folhas , entraram em a floresta . Seguindo a luz de a varinha de o Harry seguiram a fila disciplinada de aranhas que se movia a o longo de o caminho . Andaram durante cerca de vinte minutos , sem falar , atentos a todos os ruídos que não fossem os de os ramos caídos e de as folhas secas . Então , quando as copas de as árvores se tinham tornado mais cerradas do_que nunca , de_tal_modo_que as estrelas em o céu já não eram visíveis e a varinha de o Harry brilhava isolada em um mar de escuridão , viram as aranhas que eles seguiam a abandonar o caminho . Harry parou , tentando ver para_onde iam mas tudo_o_que ficava longe de a sua pequenina luz era negro de breu . Ele nunca fora tão longe em a floresta . Lembrava se muito bem de Hagrid lhe ter dito , de a última vez que ali tinham estado , que nunca saísse de o caminho de a floresta . Mas Hagrid agora estava a muitos quilómetros de distância e ele também lhes dissera que seguissem as aranhas . Uma coisa húmida tocou em a mão de o Harry e ele deu um salto para trás , pisando o pé a o Ron . Mas afinal era apenas o focinho de o Fang . - O que é_que tu achas ? - perguntou ele a o Ron cujos olhos conseguia vislumbrar , reflectindo a luz de a varinha . - Já_que viemos até aqui - disse ele . Seguiram , portanto as sombras velozes de as aranhas em direcção a as árvores . Não podiam agora andar muito depressa . Tinham em a frente raízes de árvores e troncos cortados que mal se viam em aquela escuridão . Harry sentia o bafo quente de Fang em a mão . Por mais de uma_vez tiveram de parar para o Harry se baixar e descobrir as aranhas a a luz de a varinha . Andaram durante o que lhes pareceu ter sido pelo_menos meia_hora , com os mantos a roçarem em os ramos mais baixos e em as silvas . A o fim de algum tempo repararam que o chão parecia inclinar se para baixo embora as árvores continuassem cerradas . Foi então que o Fang soltou um latido que ecoou em volta , fazendo Harry e Ron darem um salto , ambos com os cabelos em pé . - O que foi ? - gritou o Ron , olhando em volta para a escuridão e agarrando Harry com força , por o cotovelo . - Há qualquer coisa ali a mexer se - murmurou Harry - Ouve ... parece ser grande . Ficaram a ouvir . Um_pouco para a direita algo de grandes dimensões partia os ramos enquanto abria caminho através de as árvores . - Oh ! não - disse o Ron . - Oh ! não , não ... - Cala te - insistiu o Harry , nervoso . - Seja o que for , vai acabar por te ouvir . - Ouvir me ? - disse o Ron , em um tom de voz muito pouco natural . - Já ouviu . Fang ! A escuridão parecia esmagar lhes os globos oculares enquanto ali ficaram apavorados , a a espera . Houve um estranho ruído , surdo e prolongado , e em seguida o silêncio . - O que estará a fazer ? - perguntou Harry . - Talvez esteja a preparar se para atacar - disse o Ron . Esperaram , a tremer , sem ousarem mexer se . - Achas que se foi embora ? - murmurou Harry . - Não sei . Em esse momento , de o lado direito veio um clarão de luz tão forte em o meio de o escuro que os dois levaram as mãos a a cara para proteger os olhos . O Fang ganiu e tentou fugir mas viu se envolvido em um emaranhado de espinhos e ganiu ainda mais alto . - Harry - gritou o Ron com grande alívio em a voz . - Harry , é o nosso carro . - O quê ? - Anda ver . Harry avançou a os tropeções atrás de o Ron , em direcção a a luz e em o momento seguinte estavam em uma clareira . O carro de Mr._Weasley ali estava , vazio , no_meio_de um círculo de árvores grossas , sob um telhado de ramos densos , os faróis de a frente resplandecentes . Quando Ron se aproximou de boca aberta , moveu se lentamente em direcção a ele como_se fosse um grande cão azul turquesa , cumprimentando o dono . - Tem estado aqui todo este tempo - disse o Ron satisfeitíssimo , aproximando se de o carro . - Olha para ele , a floresta tornou o selvagem ... O guarda-lamas estava riscado e cheio de lodo . Parecia que tinha andado a passear sozinho por a floresta . Fang não gostou lá muito de ele . Manteve se a o lado de o Harry que podia senti o a tremer . Com a respiração normalizada , Harry guardou a varinha em o manto . - E nós a pensarmos que ele nos ia atacar - disse o Ron , encostando se a o carro e dando lhe duas palmadinhas - As voltas que eu dei a a cabeça a pensar para_onde ele teria ido ! Harry olhava para todos os lados , em o chão iluminado , em busca de mais aranhas mas todas elas tinham fugido de o brilho de as luzes . - Perdemos as de vista - disse ele . - Anda , vamos procurá as . Ron não disse nada . Não se moveu . Tinha os olhos fixos em um ponto , três metros acima de o chão de a floresta , mesmo atrás de o Harry . O seu rosto estava lívido de terror . Harry nem teve tempo de se voltar . Ouviu se um ruído alto e seco e sentiu que alguma coisa longa e peluda o elevava em o ar com o rosto voltado para baixo . Debatendo se , apavorado , ouviu outro estalido e viu as pernas de o Ron serem também levantadas de o chão . Ouviu o Fang gemer e ganir e , em o momento seguinte , era levado para o meio de as árvores escuras . Com a cabeça a balouçar , Harry viu que a coisa que o transportava tinha seis enormes patas peludas e que as duas de a frente o agarravam com forca sob um par de tenazes pretas e brilhantes . Atrás_de si podia ouvir outra de aquelas criaturas que , sem dúvida , transportava o Ron . Encaminhavam se para o coração de a floresta . Harry ouvia o Fang a ladrar , tentando libertar se de um terceiro monstro mas Harry não podia gritar mesmo_que quisesse , parecia que tinha deixado a voz em a clareira , junto com o carro . Não soube quanto tempo esteve em as patas de a criatura , só se apercebeu que a escuridão se atenuara um_pouco , permitindo lhe ver que o chão coberto de folhas estava agora repleto de aranhas . Voltando a cabeça para o lado , deu se conta de que tinham chegado a a base de uma enorme cova , uma cova que fora limpa de árvores para que as estrelas iluminassem com o seu brilho a cena mais pavorosa que os seus olhos alguma vez tinham visto . Aranhas . Não aranhas pequeninas como aquelas que estavam sobre as folhas . Aranhas de o tamanho de enormes cavalos , com oito olhos , oito pernas pretas , peludas , gigantescas . O espécimen que transportava Harry desceu o terreno íngreme até uma teia brumosa em forma de cúpula que ficava mesmo em o meio de a cova , enquanto os companheiros se juntavam em volta , batendo excitadíssimos com as tenazes e olhando para o que eles traziam a as costas . Harry caiu em o chão de gatas quando a aranha o libertou . Ron e Fang foram cair perto de ele . O Fang já não gania . Estava agachado e muito quieto . Ron e Harry partilhavam o mesmo sentimento . O Ron tinha a boca aberta em uma espécie de grito silencioso e os olhos a saltarem lhe de as órbitas . Harry percebeu de repente que a aranha que o deitara a o chão estava a dizer qualquer coisa . Era difícil entender porque entre cada duas palavras , batia com as tenazes . - Aragog - chamou . - Aragog . E de o meio de a teia brumosa em forma de cúpula saiu muito lentamente uma aranha de o tamanho de um pequeno elefante . As costas e as pernas estavam cobertas de pêlo cinzento e , em a cabeça feia , munida de tenazes , estavam vários olhos , todos eles de um branco leitoso . Era cega . - O que foi ? - disse , batendo rapidamente com as tenazes uma em a outra . - Homens - respondeu a aranha que trouxera o Harry . - É o Hagrid ? - perguntou Aragog , aproximando se mais com os seus oito olhos leitosos a vaguear . - Estranhos - respondeu a aranha que trouxera o Ron . - Matem nos - disse Aragog , irritada . - Eu estava a dormir ... - Nós somos amigos de o Hagrid - gritou Harry . Parecia que o coração lhe saltava por a boca . Clic , clic , clic fizeram as tenazes de a aranha , em volta de a cova . Aragog parou . - O Hagrid nunca mandou homens a a nossa cova - disse lentamente . - O Hagrid está em perigo - explicou Harry , respirando muito depressa . - Foi por isso que eu vim . - Em perigo ? - repetiu a aranha idosa e pareceu a Harry sentir preocupação por detrás de as suas tenazes . - Mas porque vos mandou ele cá ? Harry pensou pôr se de pé mas achou melhor não arriscar . As pernas provavelmente não teriam força para o sustentar . Falou portanto de o chão , o mais calmamente que foi capaz . - Eles lá em a escola pensam que o Hagrid soltou qualquer coisa contra os estudantes . Mandaram o para Azkaban . Aragog bateu furiosamente com as tenazes e , em toda_a cova , o eco foi reproduzido por uma multidão de aranhas . Era uma espécie de aplauso com uma única diferença : os aplausos não costumavam fazer o Harry quase morrer de medo . - Mas isso foi há muitos anos - disse Aragog , maldisposta . - Há anos e anos . Lembro me muito bem . Foi por isso que o expulsaram de a escola . Eles pensaram que eu era o monstro que vive em aquilo a que eles chamam a Câmara_dos_Segredos . Pensaram que o Hagrid a tinha aberto para me libertar . - E tu ... não vieste de a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Harry que sentia a testa cheia de suores frios . - Eu - disse Aragog , batendo irritada com as tenazes - , eu não nasci em o castelo . Venho de uma terra distante . Um viajante ofereceu me a o Hagrid quando eu era ainda um ovo . Hagrid era um rapazinho mas tratou de mim , escondeu me em uma despensa dentro de o castelo e alimentava me com as migalhas que ficavam em as mesas . Hagrid é o meu bom amigo e um bom homem . Quando me encontraram e me culparam por a morte de uma rapariga , ele protegeu me . Desde_então , tenho vivido aqui em a floresta onde o Hagrid ainda vem visitar me . Ele até me arranjou uma esposa , Mosag , e estão a ver como a família cresceu , tudo graças a a bondade de o Hagrid ... Harry reuniu a coragem que lhe restava . - Então tu nunca atacaste ninguém ? - Nunca - resmungou a velha aranha . - Era esse o meu instinto , mas por respeito a Hagrid nunca fiz mal a nenhum humano . O corpo de a rapariga morta foi encontrado em uma casa_de_banho , ora eu nunca conheci mais do_que despensa de o castelo , onde cresci . Nós gostamos de o escuro de o silêncio . - Mas então ... sabes o que matou essa rapariga ? - perguntou Harry . - Porque seja o que for , está a atacar as pessoas outra_vez ... As suas palavras foram abafadas por uma audível explosão de tenazes a bater e por o ruge-ruge de muitas pernas longas , deslocando se iradas . Em volta de Harry começaram a mover se sombras escuras . - O que vive em o castelo - disse Aragog - é uma antiga criatura que nós , aranhas , tememos acima_de todas_as outras . Lembro me bem de o quanto insisti com Hagrid para que me deixasse sair de ali quando senti a criatura a andar por a escola . - O que é ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Mais tenazes a bater , mais pernas a moverem se . As aranhas pareciam estar a aproximar se . - Nós não falamos de isso - exclamou Aragog furiosa . - Não pronunciamos o seu nome . Eu nunca disse a o Hagrid o nome de a horrível criatura , apesar_de ele me ter perguntado vezes sem conta . Harry não quis insistir , principalmente com todas aquelas aranhas a aproximarem se de todos os lados . Aragog parecia ter se cansado de falar . Recuava lentamente para a teia em forma de cúpula , mas as companheiras continuavam a aproximar se ameaçadoramente de Harry e Ron . - Vamos embora , então - gritou Harry , desesperadamente a Aragog , enquanto ouvia as folhas secas a estalarem atrás_de si . - Embora ? - disse Aragog lentamente . - Não me parece ... - Mas , mas ... - Os meus filhos e filhas não fazem mal a o Hagrid por ordem minha . Mas não posso negar lhes carne fresca quando ela veio por vontade própria ter connosco . Adeus , amigo de o Hagrid . Harry deu meia volta . Poucos centímetros acima de ele , uma sólida parede de aranhas batia com as tenazes , os seus muitos olhos a brilharem em as horríveis caras pretas . Mesmo_que se servisse de a varinha , Harry sabia que não ia valer de nada . As aranhas eram demasiadas , mas quando tentava preparar se para morrer a lutar , ouviu se um som prolongado e um clarão de luz iluminou a cova . O carro de Mr._Weasley ribombava , descendo o declive , com os faróis acesos , a buzina a guinchar , afastando as aranhas . Muitas de elas ficaram voltadas ao_contrário com as várias pernas a agitar se em o ar . O carro buzinou com mais força em frente de Harry e Ron e as portas abriram se . - Agarra o Fang - gritou Harry , ajeitando se em o lugar de a frente . Ron agarrou o cão caçador de javalis e lançou o a ganir para o banco de trás . As portas fecharam se com estrondo . Ron não tocou em o acelerador mas o carro não precisou de isso . O motor fez se ouvir e levantaram voo , batendo em mais aranhas . Subiram o declive , saindo de a cova e pouco depois atravessavam a floresta , os ramos a baterem em os vidros enquanto o carro seguia habilmente através de os intervalos maiores , por um caminho que obviamente já conhecia . Harry olhou para o Ron , a o seu lado . Ele tinha ainda a boca aberta em o mesmo grito silencioso mas os olhos já não estavam salientes . - Estás bem ? Ron olhou em frente , incapaz de responder . Começavam a descer para terra firme com o Fang a soltar enormes ganidos em o banco de trás e Harry viu o espelho retrovisor saltar quando passaram rente a um enorme carvalho . Após dez minutos bastante ruidosos , as árvores começaram a ser mais finas e Harry pôde ver de_novo pedaços de o céu . O carro parou tão bruscamente que quase foram projectados por o vidro de a frente . Tinham chegado a a orla de a floresta . O Fang ia agitadíssimo a a janela e quando Harry abriu a porta , disparou a correr através de as árvores até a a casa de o Hagrid , de cauda entre as pernas . Harry saiu também e um minuto depois o Ron pareceu recuperar a força em os membros e seguiu o , ainda com um torcicolo e de olhos esbugalhados . Harry deu uma palmadinha de agradecimento a o carro antes de ele dar a volta e desaparecer em direcção a a floresta . Harry voltou a a cabana de o Hagrid para buscar o manto de a invisibilidade . O Fang tremia em o seu cesto , coberto por um cobertor . Quando saiu de_novo , viu o Ron a vomitar junto de as abóboras . - Sigam as aranhas - disse ele debilmente , limpando a boca a a manga . - Nunca vou perdoar a o Hagrid . É uma sorte ainda estarmos vivos . - Aposto que ele pensou que Aragog nunca faria mal a os seus amigos - justificou Harry . - Esse é justamente o problema de o Hagrid - interrompeu Ron , dando um soco em a parede de a cabana . - Ele acha sempre_que os monstros não são tão maus como os pintam e vê onde isso o levou , a uma cela em Azkaban - tremia agora descontroladamente . - Qual a ideia de ele a o mandar nos ali ? Gostava de saber o que é_que descobrimos . - Que o Hagrid nunca abriu a Câmara_dos_Segredos - disse Harry , lançando o manto sobre Ron e tocando lhe em o braço para o encorajar a andar . - Ele estava inocente . Ron resmungou em voz alta . Para ele , chocar Aragog em uma despensa não era propriamente estar inocente . Quando se aproximaram de o castelo , Harry esticou o manto para garantir que os pés de ambos ficavam cobertos . Em seguida , empurrou as portas de a frente que chiaram . Atravessaram com todo o cuidado o * hall * de entrada e subiram a escadaria de mármore , contendo a respiração em os corredores guardados por sentinelas atentos . Por fim , chegaram a a segurança de a sala de os Gryffindor onde o lume ardera até se transformar em brasas brilhantes . Tiraram o manto e subiram a escada serpenteante que os levava a o dormitório . Ron caiu em a cama sem sequer se despir mas Harry , apesar_de tudo , não tinha sono . Sentou se em a beirinha de a cama , pensando em todas_as coisas que Aragog dissera . A criatura que andava por o castelo , pensou , era uma espécie de monstro Voldemort , nem os outros monstros queriam pronunciar o seu nome . Mas ele e o Ron não estavam agora mais perto_de descobrir o que era nem como petrificava as suas vítimas . Se nem o Hagrid chegara a saber o que estava em a Câmara_dos_Segredos ... Harry balançou as pernas e atirou se para_cima de a cama . Encostado a as almofadas olhou a Lua que brilhava através de a janela de a torre . Não sabia que mais poderiam fazer . Só tinham encontrado portas fechadas . Riddle apanhara a pessoa errada . O herdeiro de Slytherin fugira e ninguém sabia se era a mesma pessoa ou uma outra que abrira , desta_vez , a Câmara_dos_Segredos . Não havia mais ninguém a quem fazer perguntas . Harry deitou se ainda a pensar em as palavras de Aragog . Estava a começar a ficar com sono quando aquilo que parecia ser uma última esperança lhe ocorreu , fazendo o sentar se muito direito em a cama . - Ron - sussurrou em o escuro . - Ron . Ron acordou com um ganido como os de o Fang . Olhou muito assustado em volta e viu o Harry . - Ron , a rapariga que morreu . Aragog contou nos que ela foi encontrada em uma casa_de_banho - disse , ignorando os roncos de o Neville em o outro canto de o quarto . - E se ela nunca tivesse saído de a casa_de_banho ? E se ainda lá estiver ? Ron esfregou os olhos , franzindo as sobrancelhas sob a luz de a Lua . E só então compreendeu . -- Não pensar que ... a Murta_Queixosa ? XVI_A_Câmara_dos_Segredos -- E estivemos nós tantas vezes em aquela casa_de_banho com ela apenas a três cubículos de distância - disse o Ron amargamente em o dia seguinte , a a mesa de o pequeno-almoço . - Podíamos ter lhe perguntado e agora ... Já fora bastante difícil procurar as aranhas . Escapar a os professores o tempo suficiente para ir até a a casa_de_banho de as raparigas , que ficava mesmo em frente de o lugar onde ocorrera o primeiro ataque , ia ser quase impossível . Mas alguma coisa aconteceu que fez com que a Câmara_dos_Segredos desaparecesse de os seus pensamentos pela_primeira_vez em várias semanas . A professora Mc_Gonagall comunicou lhes que os exames começariam a 1_de_Junho , uma semana depois . - Exames ? - gritou Seamus_Finnigan . - Nós mesmo_assim vamos ter exames ? Ouviu se um estrondo atrás de o Harry quando a varinha de o Neville_Longbottom lhe escapou de a mão , fazendo desaparecer uma de as pernas de a secretária . A professora Mc_Gonagall repô a com a sua varinha e voltou se com má cara para o Seamus . - Se temos a escola aberta em uma altura de estas é para vocês receberem instrução - disse com dureza . - Os exames terão lugar , portanto , como é costume e espero que todos vocês façam revisões até lá . Revisões . Não passara por a cabeça de o Harry que houvesse exames com o castelo em aquele estado . Houve uma série de murmúrios revoltados , o que fez com que a professora Mc_Gonagall ficasse ainda mais mal-humorada . - As instruções de o professor Dumbledore foram para manter a escola a funcionar o mais normalmente possível - disse . - E isso , não preciso de vos dizer , passa por uma avaliação de o quanto vocês aprenderam a o longo de este ano . Harry olhou para baixo , para o casal de coelhos brancos que ele deveria transformar em pantufas . Que tinha ele aprendido durante o ano ? Não era capaz de se lembrar de nada que fosse útil em um exame . Ron estava como_se tivessem acabado de lhe dizer que a partir de aquele momento tinha de ir viver para a floresta proibida . - Estás a ver me a ter exames com isto tudo ? - perguntou a o Harry enquanto pegava em a varinha que tinha começado a assobiar bastante alto . Três dias antes de o primeiro exame , a a hora de o pequeno almoço , a professora Mc_Gonagall fez outra comunicação . - Tenho boas notícias - disse , e o salão em_vez_de se calar , explodiu de contentamento . - Dumbledore vai regressar ! - gritaram várias pessoas cheias de alegria . - Apanharam o herdeiro de Slytherin - arriscou uma rapariga em a mesa de os Ravenclaw . - Temos outra_vez os jogos de Quidditch - bradou Wood , excitadíssimo . Quando a agitação passou , Mc_Gonagall disse : - A professora Sprout informou me que as mandrágoras estão finalmente prontas para serem cortadas . Hoje a a noite vamos poder reanimar as pessoas que foram petrificadas . Escusado será dizer que certamente uma de elas poderá revelar nos quem ou o que a atacou . Eu tenho esperança que este ano pavoroso acabe com a prisão de o culpado . Houve uma explosão de aplausos . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e não ficou nada surpreendido a o ver que Draco_Malfoy não aplaudia . O Ron , por outro lado , estava satisfeito como ninguém o via havia dias . - Não faz mal não termos perguntado a a Murta . A Hermione vai , com certeza , ter todas_as respostas quando acordarem . Vai também ficar fula quando souber que temos exames dentro_de três dias . Ela não pôde fazer revisões . Seria melhor deixarem a estar onde está até a o final de os exames . Nessa_altura , Ginny_Weasley veio sentar se junto de o Ron . Parecia nervosa e tensa e Harry reparou que torcia as mãos em o colo . - O que se passa ? - perguntou o Ron , servindo se de mais papa de aveia . Ginny não disse nada mas olhou para um lado e para o outro de a mesa de os Gryffindor , com um olhar assustado que lembrou a Harry alguém que não sabia bem quem era . - Vá lá , vomita - disse o Ron , olhando para ela . Harry percebeu subitamente quem a Ginny lhe lembrara . Ela balançava se ligeiramente para a frente e para trás em a cadeira , exactamente como o Dobby fazia quando estava hesitante , à_beira_de revelar uma informação proibida . - Tenho de te dizer uma coisa - balbuciou a Ginny receosa , sem olhar para Harry . - O que é ? - perguntou ele . Ginny parecia incapaz de encontrar as palavras certas . - O quê ? - insistiu Ron . Ginny abriu a boca mas não saiu nenhum som . Harry inclinou se para a frente e falou devagar para que só ela e Ron pudessem ouvi o . - É alguma coisa relacionada com a Câmara_dos_Segredos ? Viste alguma coisa ou alguém a agir de forma estranha ? Ginny respirou fundo e , em esse preciso momento , apareceu Percy_Weasley com um ar pálido e cansado . - Se já acabaste de comer eu fico com esse lugar , Ginny . Estou cheio de fome . Acabei agora o meu trabalho de patrulhamento . Ginny deu um salto como_se a cadeira tivesse acabado de ser electrificada , lançou a o Percy um olhar assustado e zarpou . Percy sentou se e tirou uma caneca de o meio de a mesa . -- Percy - disse o Ron aborrecido . - Ela ia agora mesmo contar nos uma coisa importante . A meio de um gole de chá , Percy estremeceu . - Que coisa ? - perguntou , tossindo . - Eu quis saber se ela tinha visto alguma coisa estranha e ela ia dizer ... - Ah ! isso ... não tem nada que ver com a Câmara_dos_Segredos - disse o Percy de imediato . - Como sabes ? - indagou o Ron , erguendo as sobrancelhas . - Bem ... er ... já_que perguntam , a Ginny ... er ... passou por mim em outro dia quando eu ... er ... não foi nada , o importante é_que ela viu me fazer uma coisa e eu ... um ... pedi lhe para não comentar com ninguém . Não pensei que ela cumprisse a palavra , verdade se diga . Não é nada importante , eu só ... Harry nunca vira o Percy tão pouco a a vontade . - O que estavas a fazer , Percy ? - riu se o Ron . - Vá lá , conta que nós não nos rimos . Percy ficou sério . - Passa me esses pãezinhos , Harry , estou cheio de fome . Harry sabia que todo o mistério poderia ser desvendado em o dia seguinte sem a ajuda de eles mas não ia deixar de falar com a Murta_Queixosa se a oportunidade surgisse . E , para sua grande satisfação , ela surgiu a meio de a manhã quando eram conduzidos a a aula de História_da_Magia_por_Gilderoy_Lockhart . Lockhart , que tantas vezes lhes assegurara que o perigo tinha passado , estava agora totalmente convencido de que acompanhar os alunos em os corredores era um trabalho inútil . O seu cabelo estava mais liso do_que de costume . Parecia ter passado toda_a noite acordado a vigiar o quarto andar . - Podem escrever o que eu digo - afirmou , acompanhando os até uma esquina . - As primeiras palavras que vão sair de a boca de aquelas pobres pessoas petrificadas serão - * _ Foi_o_Hagrid * . Francamente , estou espantado por a professora Mc_Gonagall considerar ainda necessárias estas medidas de segurança . - Concordo , professor - disse Harry , fazendo com que Ron , surpreendido , deixasse cair os livros a o chão . - Obrigado , Harry - disse Lockhart amavelmente , enquanto deixavam passar uma grande fila de Hufflepuffs . - verdade é_que os professores já têm bastante que fazer para andarem também a acompanhar os alunos a as aulas e a guardar os corredores a a noite ... - É verdade - disse o Ron , percebendo a ideia . - Porque não nos deixa aqui , professor , só falta mais um corredor . - Sabes , Weasley , sou mesmo capaz de fazer isso - disse Lockhart . - Preciso de preparar a minha próxima aula . E apressou se a seguir o seu caminho . - Preparar a aula - zombou o Ron . - Vai encaracolar o cabelo , é o mais certo . Deixaram os restantes Gryffindor passar lhes a a frente e por fim cortaram caminho em um corredor lateral e dirigiram se a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mas quando estavam a congratular se por o seu esquema brilhante ... - Potter , Weasley ! Que estão vocês a fazer aqui ? Era a professora Mc_Gonagall e a boca de ela estava mais fina do_que nunca . - Nós estávamos , estávamos - gaguejou o Ron . - Nós íamos ver , íamos ver ... - Hermione - completou Harry . A professora Mc_Gonagall e Ron olharam para ele . - Não a vemos há séculos , professora - prosseguiu Harry , pisando o pé a o Ron . - E pensamos ir espreitá a a a ala hospitalar e dizer lhe que as mandrágoras estão quase prontas , para ela não se preocupar . A professora Mc_Gonagall estava ainda a olhar para ele e , por um momento , Harry pensou que ela ia explodir mas , quando falou , fê lo em um tom de voz estranhamente rouco . - É claro - disse . E Harry , espantado , viu uma lágrima a brilhar lhe em o canto de um de os olhos . - É claro . Eu compreendo que tudo_isto tem sido muito duro para os amigos de aqueles que foram ... eu compreendo , sim , Potter . Podem ir visitar Miss_Granger . Eu mesma informarei o professor Binns de que vocês estão em o hospital . Digam a Madam_Pomfrey que vos dei autorização . Harry e Ron afastaram se , quase sem acreditar que tinham escapado a um castigo . Quando voltaram em uma esquina ouviram nitidamente a professora Mc_Gonagall a assoar se . - Esta - disse o Ron entusiasmado - foi a melhor história que tu alguma vez inventaste . Não tinham outro remédio senão ir a a ala hospitalar e dizer a Madam_Pomfrey que tinham autorização de a professora Mc_Gonagall para visitar Hermione . Madam_Pomfrey deixou os entrar com alguma relutância . - Não vale a pena falar com uma pessoa petrificada - disse , e ambos tiveram que admitir que ela tinha razão quando se sentaram junto de Hermione e constataram que ela não tinha a menor noção de estar acompanhada . Dizer lhe que não se preocupasse ou falar com o armário que estava a o lado de a cama era exactamente a mesma coisa . - Será que ela viu quem a atacou ? - perguntou o Ron , olhando com tristeza para o rosto rígido de Hermione . - Porque se a coisa saltou sobre eles , ficaremos todos sem saber de nada . Mas Harry não olhava para o rosto de Hermione . Estava mais interessado em a sua mão direita que se encontrava pousada sobre os cobertores e , inclinando se para ela , viu que tinha , fechado entre os dedos , um pedaço de papel . Assegurando se de que Madam_Pomfrey não dava por nada , fez sinal a o Ron . - Tenta tirá o - murmurou ele , colocando a cadeira de_modo_a que Madam_Pomfrey não pudesse ver o Harry . Não foi tarefa fácil . A mão de a Hermione estava fechada com uma força tal que Harry receou parti a . Enquanto Ron vigiava , ele forçou e torceu até que , por fim , depois de vários minutos bastante tensos , conseguiu tirar o papel . Era uma página retirada de um livro muito antigo de a biblioteca . Harry alisou a ansiosamente e Ron inclinou se para poder lês a também . * _ De todos os monstros assustadores que pairam a a face de a Terra , nenhum é tão curioso nem tão fatal como o Basilisk , também conhecido por o rei de as serpentes . Esta cobra que pode atingir proporções gigantescas e viver durante muitas centenas de anos nasce de um ovo de galinha que é chocado por um sapo . As suas formas de matar são pavorosas pois além de os dentes venenosos e mortais , o Basilisk tem um olhar criminoso e todos aqueles que ele fixa com os olhos tem morte instantânea . As aranhas fogem a sete pés de o Basilisk que é seu inimigo mortal , e o Basilisk foge apenas de o canto de o galo que para ele é fatal * . Por debaixo de isto uma única palavra fora escrita , em a letra que Harry reconheceu como sendo de Hermione : Canos . Foi como_se se tivesse acendido uma luz em o seu espírito . - Ron - murmurou - é isso . Está aqui a resposta . O monstro de a Câmara_dos_Segredos é um Basilisk , uma serpente gigante . Por isso , só eu tenho ouvido a sua voz em todos os lugares , porque eu compreendo * serpentês * ... Harry olhou para as camas em volta . - O Basilisk mata as pessoas fixando as com o olhar mas ninguém morreu , o que quer_dizer que ninguém o olhou directamente em os olhos . Colin viu o através de a lente de a máquina fotográfica e o Basilisk queimou o rolo que estava lá dentro mas o Colin ficou apenas petrificado . O Justin ... o Justin deve ter visto o Basilisk através de o Nick quase sem cabeça . O Nick é_que levou com o olhar mas não podia morrer outra_vez ... e perto de a Hermione e de a prefeita de os Ravenclaw foi encontrado um espelho . Hermione acabara de compreender que o monstro era um Basilisk . Aposto que preveniu a primeira pessoa que encontrou de que era melhor olhar por um espelho a o virar de cada esquina . E aquela rapariga puxou de o seu espelho e ... O Ron estava de queixo caído . - E Mrs._Norris ? - perguntou vivamente . Harry pensou um_pouco , tentando imaginar a cena em a noite de o Halloween . - A água . . . - disse lentamente . - A poça de água que saiu de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Aposto que Mrs._Norris só viu o reflexo de o monstro . Examinou a folha de papel que tinha em a mão . Quanto_mais olhava mais sentido faziam as coisas . - * _ O cantar de o galo é fatal para ele * - leu em voz alta . - Os galos de o Hagrid foram mortos . O herdeiro de Slytherin não queria um único galo perto de o castelo , com a câmara aberta . * _ As aranhas são as primeiras a fugir * . Tudo encaixa . - Mas , como tem o Basilisk andado por aí ? - disse o Ron . - Uma serpente horrível e enorme ... alguém a teria visto . Mas Harry apontou para a palavra que Hermione escrevinhara em o final de a página . - Canos - disse . - Canos ... Ron , ele tem usado a canalização . Eu ouvi sempre a voz dentro de as paredes ... Ron agarrou subitamente o braço de o Harry . - A entrada para a Câmara_dos_Segredos - disse em uma voz rouca . - E se for em uma casa_de_banho ? Se for em a ... - Em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa - completou Harry . Sentaram se , tomados de uma excitação enorme , mal querendo acreditar . - Isso significa que - disse o Harry - eu não posso ser o único em a escola a falar * serpentês * . Há também o herdeiro de Slytherin . É de esse modo que tem controlado o Basilisk . - O que vamos fazer ? - perguntou Ron com os olhos a faiscar . - Vamos falar com a Mc_Gonagall ? - Vamos até a a sala de os professores - disse Harry , dando um salto . - Ela estará lá dentro_de dez minutos , está quase em o intervalo . Desceram a escada a correr . Não querendo ser descobertos outra_vez a vaguear por os corredores foram directamente até a a sala de os professores que estava deserta . Era uma divisão ampla , toda forrada , com cadeiras de madeira escura . Harry e Ron passearam de um lado para o outro , demasiado nervosos para se sentarem . Mas a campainha anunciando o intervalo nunca mais tocava . Em vez de isso , ecoando em os corredores , ouviram a voz de a professora Mc_Gonagall incrivelmente ampliada . - * _ Todos os alunos devem regressar de imediato a os seus dormitórios . Todos os professores a a sala de professores . Imediatamente , por favor * . Harry deu meia volta e olhou para o Ron . - Não me digas que houve um novo ataque , não agora ! - Que vamos fazer ? - disse o Ron aterrado . - Voltar para o dormitório ? - Não - disse Harry , olhando e m volta . Havia uma espécie de armário a a sua esquerda cheio com os mantos de os professores . - Ali . Vamos ouvir o que se passa . A seguir poderemos contar lhes o que descobrimos . Esconderam se dentro de o armário , ouvindo a algazarra de centenas de pessoas e a porta de a sala de professores a abrir se . De o meio de a confusão de mantos bafientos , viram os professores encherem a sala . Alguns tinham um ar totalmente confuso , outros pareciam apavorados . Por fim , chegou a professora Mc_Gonagall . - Aconteceu - disse em o silêncio de a sala de professores . - O monstro levou uma aluna . Levou a mesmo para a câmara . O professor Flitwick soltou um grito agudo . A professora Sprout bateu com a mão em a boca . Snape agarrou com força as costas de uma cadeira e perguntou : - Como pode ter tanta certeza ? - O herdeiro de Slytherin - disse a professora Mc_Gonagall , muito pálida . - Deixou outra mensagem . Mesmo por baixo de a primeira : « * _ O esqueleto de ela ficará para sempre em a Câmara_dos_Segredos * . » O professor Flitwick desatou a chorar . - Quem é ela ? - quis saber Madam_Hooch que se afundara em uma cadeira . - Quem é a aluna ? - Ginny_Weasley - disse a professora Mc_Gonagall . Harry viu o Ron , a o seu lado , escorregar silenciosamente até a o chão de o armário . - Vamos ter que mandar todos os alunos embora amanhã - disse a professora Mc_Gonagall . Isto_é o fim de Hogwarts , Dumbledore sempre disse ... A porta de a sala de os professores voltou a abrir se . Por um breve momento , Harry pensou que fosse Dumbledore mas era Lockhart e vinha todo sorridente . - Peço desculpa , adormeci . Perdi alguma coisa ? Não pareceu reparar que os outros professores o olhavam com uma espécie de aversão . Snape deu um passo em frente . - O homem que faltava - disse . - O homem certo . O monstro raptou uma garota , Lockhart levou a para a Câmara_dos_Segredos . O seu momento chegou . - Isso mesmo , Lockhart - acrescentou a professora Sprout . - Não estavas a dizer ontem a a noite que sempre tinhas sabido onde era a entrada para a Câmara_dos_Segredos ? - Eu ... bem ... eu-disse atabalhoadamente Lockhart . - Sim , não me disseste que sabias exactamente o que estava lá dentro ? - disse com voz esganiçada o professor Flitwick . - Eu disse ? Não me lembro ... - Lembro me perfeitamente de o ouvir dizer que lamentava não ter feito uma tentativa com o monstro antes de o Hagrid ser preso - disse Snape . - Não disse que toda_a história tinha sido uma atrapalhação e que deveriam ter lhe dado carta branca desde o princípio ? Lockhart olhou em volta para a cara de espanto de os colegas . - Eu ... nunca ... eu de facto ... deve ter me compreendido mal . - Então vamos deixar te , Gilderoy - disse a professora Mc_Gonagall . - Esta noite será uma excelente oportunidade para actuares . Nós trataremos de assegurar que ninguém te atrapalha . Vais poder enfrentar o monstro sozinho . Finalmente tens carta branca . Lockhart olhou desesperado a a sua volta mas ninguém foi salvá o . Já não estava bem-parecido . O lábio tremia lhe e a ausência de o seu habitual sorriso de dentes brancos dava lhe um ar escanzelado . - M-muito bem - disse . - Vou até a o meu escritório para ... para me preparar . E saiu de a sala . - _ óptimo - exclamou a professora Mc_Gonagall com as narinas dilatadas . - Isto deve afastá o de o nosso caminho . Os chefes de casa devem ir agora comunicar a os respectivos alunos o que se passou e informá os de que o Expresso_de_Hogwarts os levará a casa amanhã de manhã . Os restantes certifiquem se , por favor , de que não há alunos fora de os dormitórios . Os professores levantaram se e saíram um a um . Foi talvez o dia pior de a vida de o Harry . Ele , Ron , Fred e George sentaram se juntos a um canto em a sala comum de os Gryffindor , incapazes de proferir uma palavra . Percy não estava lá . Tinha ido tratar de enviar uma coruja a Mr. e Mrs._Weasley e , em seguida , fechara se em o dormitório . Nunca uma tarde custara tanto a passar e nunca a torre de os Gryfffindor estivera tão cheia de gente e tão silenciosa . Fred e George foram para a cama quase a o pôr de o Sol , incapazes de ficar ali mais tempo . - Ela sabia qualquer coisa , Harry - disse o Ron , falando pela_primeira_vez desde_que tinham saído de o armário de a sala de os professores . - Por isso a levaram . Não era nenhuma parvoíce sobre o Percy , ela tinha descoberto qualquer coisa sobre a Câmara_dos_Segredos . Com certeza por isso é_que a ... - Ron esfregou os olhos , enervadíssimo . - Afinal ela era sangue puro , não pode haver outra explicação . Harry olhava para o sol que mergulhava de um vermelho cor de sangue em a linha de o horizonte . Era a pior coisa que lhe tinha acontecido . Se pelo_menos pudessem fazer alguma coisa . - Harry - disse o Ron . - Achas que há alguma possibilidade de ela não estar ... ? Sabes o que eu quero dizer . Harry não sabia que resposta dar . Não acreditava que a Ginny pudesse ainda estar viva . - Sabes uma coisa ? - disse o Ron . - Acho que devíamos ir ter com o Lockhart , contar lhe o que sabemos . Ele vai tentar entrar em a câmara , podemos dizer lhe onde achamos que fica a entrada e contar lhe que o monstro é um Basilisk . Como Harry não tinha nenhuma ideia melhor e como queria fazer alguma coisa , concordou . Os Gryffindor que os rodeavam estavam tão tristes e com tanta pena de os Weasley que ninguém tentou impedi os quando os viram levantar se , atravessar a sala e sair por o buraco de o retrato . A escuridão começava a instalar se quando chegaram a o escritório de Lockhart onde a actividade era muita . De o corredor ouvia se o ruído de coisas a serem deitadas fora , pancadas surdas e passos apressados . Harry bateu a a porta e houve um silêncio repentino . Em seguida abriu se uma fresta de a porta e viram um de os olhos de Lockhart a espreitar . - Oh ! ... Mr._Potter ... Mr._Weasley - disse entreabrindo a porta . - Estou um_pouco ocupado em este momento , se forem rápidos ... - Professor , nós temos informações para lhe dar - disse o Harry . - Acho que poderão ajudá o . - Er ... bem ... não é - o lado de a cara de Lockhart que conseguiam ver parecia muito pouco a a vontade . - Quer_dizer ... bem ... está bem . Abriu a porta e eles entraram . O escritório estava praticamente vazio . Em o chão estavam duas grandes malas abertas . Mantos verde-jade , lilás , azul-noite tinham sido apressadamente dobrados e guardados dentro_de uma de as malas . Os livros misturavam se todos dentro de a outra . As fotografias que antes cobriam as paredes estavam agora arrumadas em caixas , em cima de a secretária . - Vai a algum lado ? - perguntou Harry . - Er ... bem ... sim - disse Lockhart , arrancando de a porta um poster seu em tamanho natural , enquanto falava , e começando a enrolá o . - Uma chamada urgente ... inevitável ... tenho que ir . - E a minha irmã ? - perguntou o Ron bruscamente . - Bem , quanto_a isso foi uma pena - disse Lockhart , evitando olhá os em os olhos , abrindo uma gaveta e começando a despejar o seu conteúdo dentro_de um saco . - Ninguém lamenta mais do_que eu ... - O senhor é o professor de Defesa contra as artes negras - disse Harry . - Não pode ir se embora agora_que todas estas coisas de magia negra estão a acontecer aqui . - Bem , devo dizer te que ... quando aceitei o lugar ... - resmungou Lockhart , empilhando soquetes sobre os mantos - nada em a descrição de o meu trabalho fazia prever ... - Quer_dizer que vai fugir ? - perguntou Harry , incrédulo . - Depois de todas_as coisas que conta em os seus livros ? - Os livros podem ser enganadores - disse Lockhart delicadamente . - Mas foi o senhor que os escreveu - gritou Harry . - Meu rapaz - disse Lockhart , endireitando se e franzindo as sobrancelhas - usa o senso comum . Os meus livros não teriam vendido metade do_que venderam se as pessoas não acreditassem que eu tinha feito todas aquelas coisas . Ninguém está interessado em ler sobre um velho feiticeiro americano mesmo_que ele tenha salvo uma cidade inteira de os lobisomens , ficaria péssimo em a capa . E a bruxa que correu com a fada carpideira tinha um lábio leporino . Como vês . - Quer_dizer que ficou com os louros por tudo_o_que uma série de outras pessoas fizeram ? - perguntou Harry , sem querer acreditar . - Harry , Harry - disse Lockhart , abanando impacientemente a cabeça . - Não é tão simples assim . Envolveu muito trabalho . Tive de localizar todas essas pessoas , perguntar lhes em pormenor como tinham feito as coisas . Depois tive de lhes fazer um feitiço antimemória para que não voltassem a lembrar se do_que tinham feito . Se há uma coisa de que me orgulho é de os meus feitiços antimemória . Não , tive muito trabalho , Harry . Não foram só as sessões de autógrafos e as fotografias , sabes ? Quem quer ser famoso tem de estar preparado para um trabalho longo e fatigante . Fechou as malas a a chave . - Vejamos - disse . - Acho que está tudo . Sim , só falta uma coisa . - Empunhou a varinha e voltou se para eles . - Lamento muito , rapazes , mas vou ter de vos fazer um feitiço antimemória . Não posso deixar que vão por aí repetir os meus segredos . Não venderia nem mais um livro . Harry pegou em a varinha mesmo a tempo e Lockhart mal tinha levantado a de ele a o ar quando Harry gritou * _ Expelliarmus ! * Lockhart foi projectado de costas , indo cair em cima de a mala . A varinha voou por os ares . Ron agarrou a e atirou a por a janela aberta . - Não devia ter deixado o professor Snape ensinar nos esta - disse Harry furioso , dando um pontapé a uma de as malas . Lockhart olhava para ele , de_novo escanzelado . Harry apontava lhe a varinha . - O que queres que eu faça ? - perguntou debilmente . - Eu não sei onde fica a Câmara_dos_Segredos . Não posso fazer nada . - Está com sorte - disse Harry , forçando o com a varinha a pôr se de pé . - Nós julgamos saber onde é e o que está lá dentro . Vamos . Conduziram Lockhart para fora de o seu escritório , desceram com ele as escadas e seguiram por o corredor escuro em cuja parede brilhavam as mensagens , até a a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mandaram Lockhart a a frente . Harry gostou de ver que todo ele tremia . A Murta_Queixosa estava sentada em a cisterna de o cubículo de o fundo . - Ah ! são vocês - disse a o ver o Harry . - O que querem agora ? - Perguntar te como morreste - disse Harry . O aspecto de a Murta mudou por completo . Parecia que nunca lhe tinham feito uma pergunta tão lisonjeira . - Ooooh ! Foi horrível - disse satisfeita . - Aconteceu aqui mesmo . Morri em este cubículo . Lembro me tão bem . Estava escondida porque a Olive_Hornby andava a implicar comigo por causa de os meus óculos . A porta estava fechada e eu estava a chorar e , então , ouvi alguém entrar . Disseram qualquer coisa estranha em uma língua diferente , acho eu . Mas o que mais me espantou foi o ser um rapaz a falar . Por isso , abri a porta para lhe dizer que fosse a a casa_de_banho de eles e em esse momento - a Murta inchou com ar importante , o rosto a brilhar - morri . - Como ? - perguntou Harry . - Não faço ideia - disse a Murta em um tom de voz abafado . - Só me lembro de ver dois grandes olhos amarelos , de o meu corpo ficar preso e em seguida , sentir me a flutuar ... - olhou sonhadoramente para Harry . - E depois voltei . Estava disposta a vingar me de a Olive_Hornby , percebes ? Ela ia arrepender se de ter gozado com os meus óculos . - Onde foi exactamente que viste os tais olhos ? - perguntou Harry . - Algures por aí - disse a Murta , apontando vagamente para o lavatório em frente de o seu cubículo . Harry e Ron apressaram se . Lockhart estava de pé , mais atrás , com uma expressão de pavor em o rosto . O lavatório parecia perfeitamente vulgar . Examinaram o centímetro a centímetro , dentro e fora , incluindo os canos por baixo . E foi então que Harry reparou : de lado , rabiscada em uma de as torneiras de cobre , estava uma cobra pequenina . - Essa torneira nunca funcionou - disse vivamente a Murta enquanto ele tentava abri a . - Harry - sugeriu o Ron . - Diz qualquer coisa em * serpentês * . Mas , pensou Harry , as únicas vezes que conseguira falar * serpentês * tinham ocorrido quando confrontado com uma verdadeira serpente . Olhou , concentrado para a pequena cobra gravada em o cobre , tentando imaginá a como verdadeira . - Abre te - disse . Olhou para o Ron que abanou a cabeça . - Inglês - disse ele . Harry voltou a olhar para a cobra , forçando se a acreditar que estava viva . A luz de a vela fez parecer que se movia . - Abre te - repetiu . Mas desta_vez as palavras não foram o que ele ouviu . Um estranho sibilar escapou lhe de a boca e a torneira ganhou uma luz branca e brilhante e começou a rodar . Logo_a_seguir o lavatório mexeu se . Afastou se , melhor dizendo , saiu de o caminho , deixando um grande cano a a vista , um cano onde cabia um homem . Harry ouviu a respiração arquejante de o Ron e olhou de_novo para ele . Já decidira o que queria fazer . - Vou descer - disse . Não podia deixar de ir , agora_que acabavam de descobrir a entrada para a câmara , existindo uma possibilidade , por mais remota que fosse , de a Ginny ainda estar viva . - Eu também - disse o Ron . Houve uma pausa . - Bem , parece que não precisam mais de mim - apressou se Lockhart a dizer com uma réstia de sorriso . - Eu vou . . . Pôs a mão em o puxador de a porta mas Ron e Harry apontaram lhe ambos as varinhas . -- O senhor pode ir a a frente - disse rispidamente o Ron . Pálido e sem varinha , Lockhart aproximou se de a entrada . - Meus rapazes - disse em uma voz débil . - Meus rapazes , para quê tudo_isto ? Harry tocou lhe em as costas com a varinha e ele meteu as pernas em o cano . - Eu não me parece que ... - começou a dizer , mas o Ron deu lhe um empurrão e ele desapareceu por o cano abaixo . Harry foi rapidamente atrás . Introduziu se lentamente e deixou se cair . Era como escorregar em uma pista escura e interminável . Ele via outros canos , estendendo se em todas_as direcções mas nenhum tão largo como o de eles que se torcia e virava , inclinando se abruptamente . Harry sabia que estavam a chegar a um ponto muito abaixo de a escola e de os calabouços . Atrás_de si , ouvia o Ron gemendo em cada curva . E então , quando começava a preocupar se com o que iria acontecer quando tocassem em o chão , o cano tornou se horizontal e ele foi projectado com um ruído surdo , indo aterrar em o chão húmido de um túnel de pedra com altura suficiente para ele se pôr de pé . Lockhart estava a levantar se a alguma distancia , todo enlameado e pálido como um fantasma . Harry afastou se para deixar o Ron sair também de o cano . - Devemos estar quilómetros e quilómetros abaixo de a escola - disse o Harry cuja voz ecoou em o túnel negro . - Talvez até debaixo de o lago - arriscou o Ron , olhando em volta para as paredes escuras e viscosas . Voltaram se os três para olhar para a escuridão lá a o fundo . - * _ Lumus ! * - murmurou Harry a a varinha e ela voltou a acender se . - Vamos - disse a o Ron e a o Lockhart e avançaram , os passos a chapinharem ruidosamente em o chão molhado . O túnel era tão escuro que só conseguiam ver alguns centímetros a a frente . As suas sombras em as paredes molhadas pareciam monstruosas a a luz de a varinha . - Lembrem se - disse Harry baixinho enquanto caminhavam . - A o menor movimento fechem logo os olhos ... Mas o túnel era silencioso como um túmulo e o primeiro som inesperado que ouviram foi um grito de o Ron que escorregou em uma coisa que era afinal a cauda de um rato . Harry baixou a varinha para olhar para o chão e viu que estava cheio de pequenos ossos de animais . Fazendo um enorme esforço para evitar pensar em que estado iriam encontrar a Ginny , avançou até uma curva escura de o túnel . - Harry , está aqui qualquer coisa - disse o Ron com voz rouca , agarrando Harry por o ombro . Ficaram estáticos a olhar . Harry só conseguia ver a silhueta de algo enorme e curvo deitado em o túnel . Fosse o que fosse não se movia . - Talvez esteja a dormir - murmurou , olhando para os outros dois . Lockhart tapava os olhos com as mãos . Harry voltou se para olhar para a criatura com o coração a bater tanto que lhe doía em o peito . Lentamente , com os olhos quase fechados mas ainda conseguindo ver , Harry avançou com a varinha levantada . A luz deslizou sobre uma gigantesca pele de serpente , de um verde vivo e venenoso que estava vazia e enrolada em o chão de o túnel . A criatura que a abandonara devia ter , pelo_menos , seis metros e meio de comprimento . - Bolas - disse o Ron , perdendo as forças . Houve um movimento súbito atrás de eles . As pernas de Gilderoy_Lockhart cederam . - Levante se - disse o Ron de uma forma cortante , apontando lhe a varinha . Lockhart pôs se de pé . Em seguida empurrou o Ron , atirando o a o chão . Harry deu um salto , mas ... tarde de mais . Lockhart endireitava se com a varinha de o Ron em as mãos e um sorriso em o rosto . - A aventura acaba aqui , rapazes - disse . - Vou levar um bocado de esta pele de cobra para a escola , contar lhes que foi demasiado tarde para salvar a garota e que vocês os dois perderam tragicamente a memória com a visão de o seu corpinho mutilado . Digam adeus a as vossas recordações . Levantou a o ar a varinha avariada de o Ron e gritou * _ Obliviate ! * A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba . Harry pôs os braços sobre a cabeça e correu , escorregou em os anéis de a pele de cobra , afastando se de os grandes pedaços de tecto de o túnel que caíam em o chão com o ruído de trovões . Pouco depois estava sozinho , olhando para uma sólida parede de rocha partida . - Ron - gritou ele . - Estás bem , Ron ? - Estou aqui - respondeu a voz abafada de o Ron por detrás de a avalancha de rochas . - Eu estou bem mas este sujeito não . A varinha avariou o todo . Ouviu se um ruído surdo e um Oh ! gritado . Parecia que o Ron tinha acabado de dar a o Lockhart um pontapé em as canelas . - E agora ? - disse a voz de o Ron que parecia desesperada . - Não podemos passar , vai demorar séculos . Harry olhou para o tecto de o túnel onde tinham aparecido grandes fendas . Ele nunca tentara partir , através de a magia , nada tão grande como aquelas rochas e agora não lhe parecia ser o melhor momento para fazer experiências . E se o túnel abatesse ? Houve um ruído surdo e outro Oh ! atrás de as rochas . Estavam a perder tempo . A Ginny já estava havia duas horas em a Câmara_dos_Segredos . Harry sabia que só havia uma coisa a fazer . - Espera aqui - gritou a o Ron . - Fica com o Lockhart , eu vou lá . Se não voltar dentro_de uma hora ... Houve um silêncio cheio . - Eu vou ver se desloco um_pouco esta rocha - disse o Ron , tentando manter a voz firme . - Para tu poderes passar . E , Harry ... - Até já - disse o Harry , procurando injectar confiança em a sua voz trémula . E passou sozinho para lá de a imensa pele de serpente . Em_breve , o ruído de o Ron , tentando deslocar a rocha , deixou de se ouvir . O túnel virou uma e outra_vez . Os nervos de o corpo de o Harry tangiam de forma desagradável . Ele só queria que o túnel chegasse a o fim , fosse o que fosse que o aguardasse . E então , finalmente , quando atingiu a última curva , viu em a sua frente uma parede sólida que tinha gravadas duas serpentes enroladas uma em a outra , cujos olhos eram quatro esmeraldas , enormes e brilhantes . Harry aproximou se com a garganta seca . Não foi preciso imaginar que as serpentes eram autênticas . Os seus olhos pareciam estranhamente vivos . Foi fácil descobrir o que tinha de fazer . Pigarreou e os olhos de esmeraldas pareceram mexer se . - Abre te - disse Harry em um sibilar baixo . As serpentes desapareceram enquanto a parede se abria a o meio e , a tremer de os pés a a cabeça , Harry entrou . XVII_Herdeiro_de_Slytherin_Estava de pé em o fundo de uma divisão enorme , fracamente iluminada . Altíssimos pilares de pedra , cheios de serpentes gravadas que os enlaçavam , erguiam se , suportando um tecto que se perdia em a escuridão e que lançava sombras negras imensas através de a estranha luz esverdeada que enchia o local . Com o coração a bater descompassadamente , Harry ficou parado a ouvir aquele silêncio arrepiante . Estaria o Basilisk escondido em um canto cheio de sombras , atrás_de algum pilar ? E onde estaria Ginny ? Pegou em a varinha e avançou a o longo de as colunas serpenteantes . Cada_um de os seus passos provocava um enorme eco em as paredes sombrias . Harry tinha os olhos semicerrados e estava pronto para os fechar a o mais pequeno movimento . As órbitas de olhos fundos de as serpentes de pedra pareciam segui o . Por mais de uma_vez , com o estômago a dar um salto , Harry julgou vê os moverem se . Por fim , chegado a o nível de os dois últimos pilares , avistou uma estátua de a altura de a própria câmara que estava encostada a a parede de o fundo . Harry tinha de esticar o pescoço para olhar para_cima , para a cara de o gigante : era velho e com um ar simiesco , tinha uma barba enorme que lhe caía quase onde acabava a longa túnica de pedra . Os dois pés imensos e cinzentos pousavam em o chão de a câmara . E entre eles , voltada para baixo , estava uma figura pequenina vestida de preto com um cabelo flamejante . - Ginny - murmurou Harry , chegando perto de ela e ajoelhando se . - Ginny , por favor não estejas morta , não estejas morta ! Atirou a varinha para o lado , agarrou Ginny por os ombros e voltou a . O rosto de ela estava branco e frio como o mármore , contudo os olhos encontravam se fechados , portanto não estava petrificada . Mas então devia estar ... - Ginny , acorda por favor - repetiu Harry desesperado , sacudindo a . A cabeça de ela andava de um lado para o outro . - Ela não vai acordar - disse secamente uma voz . Harry deu um salto e girou sobre os joelhos . Um rapaz alto , de cabelo preto , estava encostado a o pilar mais próximo , a observá o . As sombras desfocavam o como_se Harry o visse através_de uma janela embaciada . Mas não havia como confundis o . - Tom , Tom_Riddle ? Riddle acenou , sem tirar os olhos de o rosto de Harry . - O que queres dizer com isso de ela não acordar ? - perguntou Harry desesperado . - Ela não está ... não está ? - Está viva - disse Riddle . - Mas , por um fio . Harry olhou fixamente para ele . Tom_Riddle estivera em Hogwarts há cinquenta anos atrás . Contudo , ali estava com uma luz estranha e desfocada a iluminá o , sem um dia a mais do_que os seus dezasseis anos . - És um fantasma ? - perguntou Harry . - Uma memória - disse Riddle . - Preservada em um diário durante cinquenta anos . Apontou para os pés de a estátua gigantesca . Ali , aberto em o chão , estava o pequeno diário de capa preta que Harry tinha encontrado em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Durante um segundo , Harry perguntou a si próprio como teria ido ali parar , mas havia coisas mais importantes a fazer . Preciso de a tua ajuda , Tom - disse Harry , levantando de_novo a cabeça de a Ginny . - Temos de sair de aqui . Há_um_Basilisk ... não sei onde está mas pode aparecer a qualquer momento . Por favor , ajuda me . Riddle não se mexeu . Harry , a transpirar , conseguiu levantar ligeiramente a Ginny de o solo e inclinou se para pegar em a varinha mas ela tinha desaparecido . - Viste a ... ? Olhou para_cima . Riddle continuava a olhá o , fazendo girar a varinha entre os dedos longos . - Obrigado - disse Harry , esticando o braço para a agarrar . Um sorriso surgiu então em os cantos de a boca de Riddle que continuou a olhar para ele , girando indolentemente a varinha . - Ouve , pá - disse Harry sem querer perder mais tempo , os joelhos a vergarem sob o peso morto de Ginny - temos de ir . Se o Basilisk aparece ... - Ele não vem enquanto não for chamado - disse Riddle com toda_a calma . Harry voltou a pousar Ginny em o chão , incapaz de a segurar por mais tempo . - Que queres dizer com isso ? - perguntou . - Dá me a minha varinha , posso precisar de ela . O sorriso de Riddle ampliou se . - Não vais precisar de ela - disse . Harry olhou o espantado . - O que queres dizer , não vou ? - Esperei muito_tempo por isto , Harry - disse Riddle . - Pela possibilidade de te ver , de falar contigo . - Olha , eu acho que tu não estás a perceber - disse Harry , perdendo a paciência . - Estamos em a Câmara_dos_Segredos , podemos conversar mais tarde . - Vamos conversar agora - disse Riddle , sorrindo de orelha a orelha e guardando a varinha de Harry em o bolso . Harry voltou a olhar para ele . Havia qualquer coisa de muito estranho em tudo aquilo . - Como é_que a Ginny ficou assim ? - perguntou pausadamente . - Bem , essa é uma pergunta interessante - disse Riddle , divertido . - E uma longa história , também . Julgo que o verdadeiro motivo que levou Ginny_Weasley a ficar assim foi o ter aberto o seu coração e revelado todos os seus segredos a um estranho ser invisível . - De quem estás a falar ? - perguntou Harry . - De o diário - disse Riddle . - De o meu diário . A Ginny escreve nele há meses e meses , contando me todas_as suas lamentáveis desgraças e atribulações : como os irmãos a arreliam , que teve de vir para a escola com manto , túnica e livros em segunda mão - os olhos de Riddle brilharam -- , que acha que o maravilhoso , o grande , o famoso Harry_Potter nunca vai gostar de ela ... Enquanto falava , nunca os olhos de Riddle se afastaram de a cara de o Harry . Havia em eles um olhar ávido . - É muito chato ter de ouvir as preocupações idiotas de uma garotinha de onze anos - prosseguiu . - Mas eu fui paciente . Respondi lhe , mostrei me simpático e amável . A Ginny pura e simplesmente adorou me . - * _ Nunca ninguém me compreendeu como tu , Tom ... estou tão feliz por ter este diário a quem me confiar ... é como ter um amigo que pode andar em o meu bolso * ... Riddle riu se . Um riso alto , frio , que não lhe ficava bem . Fez com que os cabelos de o pescoço de Harry se arrepiassem todos . - Verdade se diga que sempre consegui encantar as pessoas necessárias . Portanto a Ginny verteu em mim a sua alma e a alma de ela era precisamente o que eu queria . Fortaleceu me . Alimentei me de os seus medos mais profundos , de os seus mais obscuros segredos . Fui ficando cada_vez_mais forte e poderoso . Muito mais poderoso do_que a pequena Miss_Weasley até que comecei a transmitir lhe alguns de os meus segredos , a passar um_pouco de a minha alma para ela ... - O que queres dizer ? - perguntou Harry cuja boca ficara totalmente seca . - Ainda não descobriste , Harry_Potter ? - disse Riddle muito baixo . - Giony_Weasley abriu a Câmara_dos_Segredos , estrangulou os galos de a escola e escreveu mensagens assustadoras em as paredes . Atiçou a serpente de Slytherin contra quatro sangues de lama e contra o gato de o busca-pé . - Não - murmurou Harry . - Sim - disse calmamente Riddle . - É claro que a princípio não sabia o que estava a fazer . Era muito divertido . Gostava que visses as coisas que escreveu em o diário , começaram a ficar muito mais interessantes . * _ Querido_Tom * - recitou ele , olhando para a expressão horrorizada de o Harry . - * _ Acho que estou a perder a memória . Há penas de galo em todas_as minhas roupas e eu não sei como foram lá parar . Querido_Tom , não me lembro do_que fiz em a noite de o Hallowe'en mas foi atacada uma gata e eu estou cheia de tinta em a cara . Querido_Tom , o Percy não pára de me dizer que ando pálida e não pareço eu . Acho que ele suspeita de mim ... Houve outro ataque hoje e eu não sei onde estava . Tom , que vou eu fazer ? Acho que estou a ficar maluca ... acho que ando a atacar toda_a_gente , Tom ! * Harry tinha os punhos fechados , as unhas cravadas contra a palma de as mãos . - Levou muito_tempo até a pequenina estúpida deixar de confiar em o diário - disse Riddle . - Mas acabou por ficar desconfiada e tentou livrar se de ele . E é aí que tu entras , Harry . Tu encontraste o . E eu não poderia ter ficado mais satisfeito . De todas_as pessoas que poderiam ter ficado com ele , foste tu , aquele que eu ambicionava conhecer ... - E porque querias conhecer me ? - perguntou Harry . Começava a ser tomado por a raiva e fez um esforço para manter o tom de voz controlado . - Bem , a Ginny contou me tudo a teu respeito - disse Riddle . - A tua fascinante história . - Os seus olhos pousaram em a cicatriz em a testa de Harry e a sua expressão ganhou maior avidez . - Sabia que devia descobrir mais a teu respeito , falar te , encontrar me contigo se fosse possível . Por isso , para ganhar a tua confiança , resolvi mostrar te a famosa captura que fiz de aquele demente de o Hagrid . - O Hagrid é meu amigo - disse Harry já com a voz a tremer . - E tu tramaste o , não foi ? Pensei que tinha sido um engano , mas ... Ele riu se . O mesmo riso de antes . - Era a minha palavra contra a palavra de ele . Imagina a cara de o velho Armando_Dippet . De um lado Tom_Riddle , pobre mas brilhante , sem pais mas corajoso , prefeito de a escola , um modelo de aluno . De o outro lado , o Hagrid , grande e disparatado , arranjando problemas semana sim , semana não , tentando criar filhotes de lobisomens debaixo de a cama , escapando se para a floresta proibida para lutar com gigantes . Mas , devo admitir que até eu próprio fiquei admirado com os excelentes resultados de o meu plano . Pensei que alguém perceberia que o Hagrid nunca poderia ser o herdeiro de Slytherin . Demorei cinco anos inteirinhos até descobrir tudo_o_que me foi possível sobre a Câmara_dos_Segredos e a sua entrada secreta ... como_se o Hagrid tivesse cabeça ou poder ! - Só o professor de Transfiguração , Dumbledore , parecia achar que ele estava inocente . Convenceu Dippet a mantê o aqui e a treiná o como guarda de os campos . Sim , é natural que Dumbledore tenha adivinhado , nunca gostou de mim como os outros professores . - Aposto que Dumbledore viu através_de ti - disse Harry , de dentes cerrados . - Pelo_menos passou a vigiar me de perto , a partir de o momento em que o Hagrid foi expulso - disse Riddle descuidadamente . - Eu sabia que não era seguro voltar a abrir a câmara enquanto ainda estava em a escola mas não ia desperdiçar os longos anos que passara a pesquisar . Decidi , por isso , deixar um diário preservando em as suas páginas o meu ego de dezasseis anos para que um dia , com um_pouco de sorte , pudesse levar outro a seguir os meus passos e acabar o nobre trabalho de Salazar_Slytherin . - Bem , não o acabaste - disse Harry triunfante . - Ninguém morreu até agora , nem mesmo a gata . Dentro_de poucas horas a poção de mandrágoras estará pronta e todos os que foram petrificados voltarão de_novo a si . - Não acabei de te dizer que matar sangues de lama já não me interessa ? Há muitos meses que o meu alvo és tu . Harry olhou para ele . - Podes imaginar como fiquei furioso quando em outro dia o diário foi aberto e vi que era a Ginny quem estava a escrever e não tu . Ela viu te com o diário e entrou em pânico . E se tu descobrisses como trabalhar com ele e eu te repetisse todos os seus segredos ? Ainda pior , e se eu te contasse quem tinha andado a estrangular os galos ? Por isso , a grande palerma esperou que o teu dormitório estivesse deserto e foi lá roubá o . Mas eu sabia o que tinha de fazer . Estava muito claro para mim que a tua meta era o herdeiro de Slytherin . Por tudo_o_que a Ginny me contara a teu respeito , sabia que irias até onde fosse preciso para desvendar o mistério , principalmente se um de os teus melhores amigos tivesse sido atacado . E a Ginny disse me que a escola toda bichanava por tu falares * serpentês * ... Por isso , obriguei a Ginny a escrever a sua própria despedida em a parede , a vir até aqui e esperar . Ela debateu se e gritou e ficou muito chatinha . Mas , já não tem muita vida : pôs grande parte de ela em o diário , deu me a . O suficiente para eu abandonar , por fim , as suas páginas . Desde_que aqui cheguei que estou a a tua espera . Sabia que virias . Tenho muitas perguntas a fazer te , Harry_Potter . - Que perguntas ? - disse Harry com os punhos fechados . - Bem - prosseguiu Riddle , sorrindo de satisfação : - Como é_que um bebé sem especiais talentos de magia foi capaz de derrotar o maior feiticeiro de sempre ? Como conseguiste escapar só com uma cicatriz quando os poderes de Lord_Voldemort foram destruídos ? Havia agora em os seus olhos um brilho vermelho e irado . - O que é_que te interessa saber como eu escapei ? - disse Harry lentamente . - Voldemort veio depois de ti . - Voldemort - disse Riddle - é o meu passado , o meu presente e o meu futuro , Harry_Potter ... Tirou a varinha de o Harry de o bolso e começou a escrever em o ar três palavras brilhantes : TOM_MARVOLO_RIDDLE_Em seguida , fez um gesto com a varinha e as letras de o seu nome reagruparam se de outro modo . : __ eu sou lord __ voldemort ( I am Lord_Voldemort ) . - Vês ? - murmurou . - Era um nome que eu já usava em Hogwarts , para os meus amigos mais íntimos apenas , como é óbvio . Achas que ia usar para sempre o nome nojento de o meu pai Muggle ? Eu , em cujas veias , por o lado materno , corre o sangue de Salazar_Slytherin ? Eu , manter o nome de um Muggle tolo que me abandonou ainda antes de eu nascer só porque descobriu que a mulher com quem casara era uma bruxa ? Não , Harry , arranjei um novo nome , um nome que eu sabia que os feiticeiros de todo_o_mundo viriam um dia a ter medo de pronunciar , quando eu me tivesse tornado o maior feiticeiro de o mundo . A cabeça de Harry parecia bloqueada . Olhou como_que paralisado para Riddle , para o rapaz de o orfanato que depois de crescer iria matar os seus pais e tantos outros . Por fim , com algum esforço conseguiu falar . - Não és - disse em uma voz calma e cheia de ódio . - Não sou o quê ? - perguntou Riddle irritado . - Não és o maior feiticeiro de o mundo - disse Harry com a respiração acelerada . - Lamento desiludir te mas o maior feiticeiro de o mundo é Albus_Dumbledore . Toda_a_gente sabe . Mesmo tu , quando tinhas força , não ousavas tentar aproximar te de Hogwarts . Dumbledore viu através_de ti quando andavas em a escola e ainda agora te assusta onde quer que te escondas . O sorriso desaparecera de o rosto de Riddle , fora substituído por um olhar furioso . - Dumbledore foi afastado de este castelo por a minha simples memória - sibilou . - Ele não está tão longe como pensas - retorquiu Harry . Falava por falar , tentando assustar Riddle , desejando mais que assim fosse do_que acreditando em as suas palavras como uma verdade . Riddle abriu a boca mas não chegou a falar . Tinha começado a ouvir se uma música . Riddle deu uma volta , olhando para a câmara vazia . A música estava a ficar mais alta . Era misteriosa , arrepiante , sobrenatural . Fez_Harry ficar com os cabelos em pé e o coração aumentar lhe em o peito . Por fim , quando atingiu um ponto tão alto que Harry a sentiu vibrar dentro de as suas costelas , começaram a sair chamas de o topo de o pilar mais próximo . Uma ave carmesim de o tamanho de um cisne surgiu , assobiando a sua estranha melodia para o tecto em forma de abóbada . Tinha uma cauda dourada tão longa como a de um pavão e garras douradas e brilhantes que seguravam uma trouxa andrajosa . Segundos depois , a ave voava em direcção a Harry . Deixou cair a coisa andrajosa a os seus pés e pousou lhe pesadamente em o ombro . Quando abriu as enormes asas , Harry olhou para_cima e viu que tinha um longo bico afiado e olhos escuros pequenos e brilhantes . A ave parou de cantar . Ficou quieta junto de a cara de Harry , olhando fixamente para Riddle . - É uma fénix , disse Riddle , olhando sagazmente para ela . - Fawkes ? - murmurou Harry e sentiu as garras douradas apertarem lhe devagarinho o ombro . - E aquilo - disse Riddle , olhando para a coisa velha que Fawkes deixara em o chão - é o velho chapéu seleccionador , de a escola . Era , de facto . Amachucado , puído e sujo , o chapéu jazia imóvel a os pés de Harry . Riddle começou a rir . Riu se tanto que a câmara escura se lhe juntou em um eco tal que parecia que dez Riddles se riam ao_mesmo_tempo . - Eis o que Dumbledore envia a o seu defensor . Um pássaro que canta e um chapéu velho . Estás cheio de coragem , Harry_Potter ? Sentes te agora mais seguro ? Harry não respondeu . Podia não estar a ver a vantagem de a Fawkes ou de o chapéu seleccionador mas já não se sentia só , e esperou corajosamente que Riddle parasse de rir . - Vamos a o que importa , Harry - disse ele , ainda com um enorme sorriso . - Encontrámo nos duas vezes em o teu passado , em o meu futuro . E duas vezes falhei a o tentar matar te . Como foi que sobreviveste ? Conta me tudo . Quanto_mais falares , mais tempo tens de vida . Harry pensava rapidamente , medindo as suas possibilidades . Riddle tinha a varinha . Ele , Harry , tinha a Fawkes e o chapéu seleccionador que não lhe serviriam de muito em o combate . As coisas pareciam más , é certo . Mas quanto_mais tempo Riddle ali estivesse , mais vida retirava a a Ginny ... e , entretanto , Harry reparou que a silhueta de Riddle se tornava mais nítida , mais sólida . Se tinha de haver uma luta entre os dois , quanto_mais depressa melhor . - Ninguém sabe porque perdeste os poderes quando me atacaste - disse bruscamente . - Eu próprio não sei . Mas sei porque não conseguiste matar me . A minha mãe morreu para me salvar . A minha mãe , uma vulgar filha de Muggles - acrescentou , a tremer de raiva . - Ela impediu que tu me matasses . E eu vi te como tu és , em o ano passado . És um destroço , quase não existes . Foi onde o teu poder te levou . Estás sob um disfarce , és horrível e és louco . O rosto de Riddle contorceu se . Em seguida , forçou um sorriso pavoroso . - Quer_dizer , então , que a tua mãe morreu para te salvar . Sim , é um antifeitiço poderoso . Compreendo agora , afinal não há em ti nada de especial . Eu tinha curiosidade , sabes , porque há uma estranha semelhança entre nós , Harry_Potter . Até tu deves ter reparado . Somos ambos meio sangue , órfãos , educados com Muggles , provavelmente os dois únicos que falam * serpentês * desde o grande Slytherin , até nos parecemos um_pouco fisicamente ... mas afinal foi apenas uma questão de sorte que te salvou de mim . Era o que eu queria saber . Harry ficou parado , tenso , a a espera que Riddle levantasse a varinha mas o seu sorriso cínico ampliou se de_novo . - Agora , Harry , vou dar te uma pequena lição . Vamos confrontar os poderes de Lord_Voldemort , herdeiro de Salazar_Slytherin e de o famoso Harry_Potter , munido com as melhores armas que Dumbledore lhe deu . Lançou um olhar divertido a a Fawkes e a o chapéu seleccionador e , em seguida , afastou se . Harry com as pernas entorpecidas por o medo viu o parar entre dois pilares altos e olhar para a cara de pedra de Slytherin , lá em cima em a semi-obscuridade . Riddle abriu a boca e sibilou mas Harry compreendeu o que ele dizia . - * _ Responde-me , Slytherin , o maior de os quatro de Hogwarts * . Harry voltou se para olhar melhor para a estátua com Fawkes pousada em o ombro . A gigantesca cara de pedra de Slytherin movia se . Horrorizado , Harry viu a boca abrir se mais e mais até se transformar em um buraco negro . E algo se agitava dentro de a boca de a estátua . Algo se arrastava para fora de as suas entranhas . Harry recuou até a a parede escura de a câmara e enquanto fechava os olhos com força sentiu a asa de a Fawkes roçar lhe o rosto e levantar voo . Harry quis gritar : - Não me abandones ! - mas que possibilidades tinha uma fénix contra o rei de as serpentes ? Uma coisa enorme bateu em o chão de pedra que Harry sentiu estremecer . Sabia o que estava a acontecer , podia sentis o , quase podia ver a serpente gigantesca a sair de a boca de Slytherin . Foi então que ouviu a voz de Riddle sibilar : * _ Mata-o * . O Basilisk avançava em direcção a Harry . Ele ouvia o seu corpo enorme escorregar pesadamente por o chão cheio de pó . Com os olhos sempre fechados , Harry começou a correr para o lado , a as cegas , com as mãos abertas a tactear o caminho . Riddle ria se a as gargalhadas . Harry escorregou e caiu em o chão de pedra e a boca soube lhe a sangue . A serpente estava a poucos centímetros de ele . Podia ouvi a a aproximar se . Ouviu se um crepitar explosivo por cima de ele e alguma coisa pesada bateu lhe com tanta força que ele ficou encostado a a parede . Esperando que os dentes de a serpente lhe perfurassem o corpo , ouviu mais ruídos e qualquer coisa que se agitava com força contra os pilares . Não conseguiu evitar . Abriu bem os olhos para ver o que se passava . A enorme serpente , brilhante , de um verde veneno , espessa como o tronco de um carvalho , erguera se em o ar e a sua imensa cabeça agitava se de um lado para o outro , entre os dois pilares . Quando Harry , a tremer , se preparava para fechar de_novo os olhos , percebeu o que distraíra a cobra . Fawkes esvoaçava em volta de a sua cabeça e o Basilisk , furioso , tentava agarrá a com os dentes longos e afiados como sabres . Fawkes mergulhava . Harry deixou de ver o bico fino e dourado e uma brusca chuva de sangue escuro inundou o chão . A cauda de a serpente agitou se , não batendo em o Harry por_pouco e antes que ele pudesse fechar os olhos voltou se . Harry olhou lhe para a cara e viu que os seus olhos , os dois olhos amarelos e bolbosos tinham sido perfurados por a fénix . O sangue escorria por o chão e a serpente cuspia cheia de dores . - * _ Não * - Harry ouviu o grito de Riddle . - * _ Deixa a ave , deixa a ave , o rapaz está atrás_de ti , ainda podes cheirá o . Mata o ! * A serpente cega oscilou confusa , ainda em fúria . Fawkes andava a a volta de a cabeça de ela soprando a sua misteriosa cantilena , picando lhe aqui_e_ali o nariz cheio de escamas , enquanto o sangue jorrava de os seus olhos destruídos . - Ajudem me . Ajudem me - murmurava Harry aflito . - Alguém , ajude me . A cauda de a serpente chicoteou de_novo o chão . Harry baixou se . Algo macio tocou lhe em o rosto . O Basilisk lançara o chapéu seleccionador para os braços de o Harry que o agarrou . Era tudo_o_que tinha , a sua única esperança . Enfiou o em a cabeça e começou a ficar achatado contra o chão , enquanto a cauda de o Basilisk se lançava de_novo sobre ele . - Ajudem me , ajudem me - pensou Harry , os olhos comprimidos debaixo de o chapéu . - Por favor , ajudem me . Nenhuma voz lhe respondeu . Em vez de isso , o chapéu contraiu se como_se uma mão invisível o tivesse espalmado devagarinho . Alguma coisa muito dura e pesada caíra sobre a cabeça de Harry , conseguindo quase derrubá o . A ver estrelas em frente de os olhos , agarrou o chapéu para o puxar para baixo e sentiu lá dentro uma coisa longa e dura . Uma espada brilhante tinha surgido dentro de o chapéu . Tinha um cabo cravejado de rubis de o tamanho de pequenos ovos . - Mata o rapaz , deixa a ave . O rapaz está atrás_de ti . Cheira o ! Harry estava de pé , preparado . A cabeça de o Basilisk caía , o corpo serpenteava , batendo nos pilares quando se torcia para ficar de frente para ele . Harry podia ver as enormes órbitas ensanguentadas , a boca toda aberta , suficientemente grande para o engolir inteiro , munida de dentes tão longos como a sua espada , finos , brilhantes , venenosos ... Começou a atacar a as cegas . Harry baixou se e a serpente bateu em a parede de a câmara . Atacou de_novo e a sua língua bifurcada lambeu a parede ao_lado_de Harry que levantou a espada com ambas as mãos . O Basilisk investiu mais_uma_vez e agora a pontaria foi certa . Harry pôs todo o seu peso contra a espada e enterrou a até a os copos em o céu de a boca de a serpente . Mas quando o sangue quente lhe encheu os braços , sentiu uma dor aguda mesmo acima de o cotovelo . Um longo dente venenoso penetrava cada_vez_mais fundo em o seu braço , partindo se quando o Basilisk tombou para o lado , perdendo os sentidos . Harry escorregou a o longo de a parede , apertou com força o dente que estava a derramar veneno por todo o seu corpo e arrancou o de o braço . Mas sabia que era demasiado tarde . Uma dor quente emanava lenta e perseverantemente de a ferida . Quando deixou cair o dente e viu o seu próprio sangue manchando lhe as vestes , a vista começou a ficar turva e a câmara a diluir se em uma rotação ardente e colorida . Mas algo escarlate passou por ele e Harry ouviu a o seu lado um suave ruído de garras . - Fawkes - disse com a voz empastada . - Foste sensacional , Fawkes . - Sentiu o pássaro encostar a sua elegante cabeça a o sítio onde o dente de a serpente o tinha ferido . Ouviu passos ecoarem em o vazio e em seguida uma sombra escura moveu se em a sua frente . - Estás morto , Harry_Potter - disse a voz de Riddle , acima de ele . - Morto . Até o pássaro de Dumbledore sabe de isso . Vês o que ele está a fazer ? A chorar . Harry piscou os olhos . A cabeça de Fawkes ora estava focada , ora desfocada . Lágrimas grossas como pérolas escorriam de as suas penas . - Vou sentar me aqui a ver te morrer , Harry_Potter . Leva o teu tempo , eu não tenho pressa . Harry sentiu se sonolento . Tudo parecia girar a a sua volta . - E assim acaba o famoso Harry_Potter - disse a voz distante de Riddle . - Sozinho em a Câmara_dos_Segredos , esquecido por os amigos , finalmente derrotado por o Senhor de o mal que ele tão imprudentemente desafiou . Vais reunir te a a tua querida mãe sangue de lama , Harry ... Ela deu te doze anos de tempo emprestado ... Mas Lord_Voldemort apanhou te em o fim , como sabias que teria de acontecer . Se morrer é isto , pensou Harry , não é assim tão mau . Até a dor estava a desaparecer . Mas , estaria a morrer ? Em_vez_de ficar mais escura a câmara parecia voltar a estar nítida . Harry fez um pequeno gesto com a cabeça e viu a Fawkes ainda repousando a cabeça em o seu ombro . Uma fiada de pérolas brilhava em volta de a ferida , só que já não havia ferida . - Sai de aqui , pássaro - disse subitamente a voz de Riddle . - Afasta te de ele . Já te disse , sai de aqui ! Harry levantou a cabeça . Riddle apontava a sua varinha a Fawkes . Ouviu se um tiro que parecia de carabina e Fawkes levantou novamente voo em um rodopio de ouro e escarlate . - Lágrimas de fénix - disse Riddle em voz baixa , olhando para o braço de o Harry . - É claro ... poderes curativos ... esqueci me ... Olhou para a cara de Harry . - Mas não faz mal . Pensando bem , eu até prefiro assim . Tu e eu , Harry_Potter ... Tu e eu ... Levantou a varinha . Então , em um golpe de asa , Fawkes voou sobre as cabeças de ambos , deixando cair uma coisa em o colo de Harry : o diário . Durante uma fracção de segundo , tanto Harry como Riddle , ainda com a varinha levantada , ficaram a olhar para aquilo . Em seguida , sem pensar , sem ponderar , como_se pensasse fazê o desde o princípio , Harry agarrou o dente de o Basilisk que estava em o chão , junto de ele , e espetou o em o coração de o caderno . Ouviu se um grito longo e terrível . A tinta esguichou em torrentes de dentro de o diário , derramando se sobre as mãos de o Harry e inundando o chão . Riddle torcia se e contorcia se , agitando se a os gritos . E , por fim . Desapareceu . A varinha de Harry caiu a o chão com um ruído e fez se silêncio . Um silêncio apenas cortado por o ping ping de a tinta que ainda escorria de o diário . Com um leve crepitar , o veneno de o Basilisk abrira um buraco mesmo em o meio de o caderno . A tremer de os pés a a cabeça , Harry pôs se de pé . Sentia tudo a andar a a roda como_se tivesse viajado quilómetros e quilómetros com o pó de * _ Floo * . Lentamente apanhou a varinha e o chapéu seleccionador e com um grande estrondo retirou a espada de o céu de a boca de a serpente . Ouviu se então um gemido fraco a o fundo de a câmara . Ginny estava a mexer se . Quando Harry chegou junto de ela , sentou se . Os seus olhos abismados saltaram de o Basilisk morto para Harry em a sua roupa cheia de sangue e , em seguida , para o diário que ele tinha em as mãos . Soltou um enorme soluço e os seus olhos encheram se de lágrimas . - Harry , oh ! Harry , eu tentei dizer te a o pequeno-almoço mas não fui capaz em frente de o Percy . Era eu , Harry , mas eu ... eu ... juro que não queria ... o Riddle obrigou me , levou me e ... como é_que mataste esse bicho ? Onde está o Riddle ? A última coisa de que me lembro foi de o ver a sair de o diário ... - Está tudo bem - disse Harry , mostrando lhe o diário com o buraco de o dente . - O Riddle acabou , olha . Ele e o Basilisk . Anda , Ginny , vamos embora de aqui . - Vou com certeza ser expulsa - disse Ginny a chorar enquanto Harry a ajudava a pôr se de pé . - Desde_que o Bill veio para Hogwarts que eu sonhava vir também para cá e agora vou ter de me ir embora e ... O que vão a minha mãe e o meu pai dizer ? Fawkes esperava por eles , suspensa em o ar , a a entrada de a câmara . Harry fez a Ginny avançar , passaram sobre os anéis parados de o Basilisk , por a escuridão cheia de ecos e voltaram a o túnel . Harry ouviu as portas de pedra fecharem se atrás de eles com um leve sibilar . Depois de alguns minutos a caminhar por o túnel escuro , chegou a os ouvidos de Harry o som distante de o deslocar de uma rocha . - Ron - gritou ele , apressando se . - A Ginny está bem . Está aqui comigo ! Ouviu o Ron gritar de alegria e , voltando em a curva logo_a_seguir , viram a sua cara ansiosa a espreitar por a fresta que conseguira abrir durante a avalancha . - Ginny ! - Ron estendeu o braço por a fresta para a puxar primeiro . - Estás viva . Não posso acreditar . O que aconteceu ? Tentou abraçá a mas a Ginny afastou o , soluçando . - Mas estás bem , Ginny - disse o Ron , sorrindo para ela . - Já passou tudo ... De onde veio esse pássaro ? Fawkes passara por a abertura , atrás_de Ginny . - É de o Dumbledore - explicou Harry , espremendo se para caber também . - E como arranjaste uma espada ? - perguntou o Ron , olhando para a arma brilhante que Harry tinha em a mão . - Eu explico te tudo quando sairmos de aqui - disse Harry , lançando um olhar de esguelha a a Ginny . - Mas ... - Mais tarde - disse Harry rapidamente . Não lhe parecia uma boa ideia contar a o Ron quem tinha aberto a câmara , ali , em frente de a Ginny . - Onde está o Lockhart ? - Ali atrás - disse o Ron , a rir e a abanar a cabeça em direcção a o cano . - Está em muito mau estado . Anda ver . Conduzidos_pela_Fawkes , cujas grandes asas escarlates emitiam um suave dourado que brilhava em a escuridão , voltaram a o lugar onde o cano começava . Gilderoy_Lockhart estava sentado a falar sozinho . - Perdeu a memória - disse o Ron . - O feitiço de a memória fez ricochete . Não sabe quem é nem onde está , nem_sequer sabe quem nós somos . Eu disse lhe que viesse para aqui e esperasse . É um perigo para ele próprio . Lockhart olhou os bem-disposto . - Olá - disse . - Que lugar estranho , este . É aqui que vocês moram ? -- Não - respondeu o Ron , levantando as sobrancelhas para o Harry . Harry baixou se e observou o túnel escuro e longo . - Já pensaste como é_que vamos sair de aqui ? - perguntou a o Ron . O amigo abanou a cabeça mas Fawkes , a fénix , tinha passado por o Harry e estava agora em o ar , em frente de ele , os olhos como pérolas a brilharem em o escuro . Abanava as longas penas douradas de a cauda . Harry olhou para ela , inseguro . - Ela parece querer que a agarres - disse o Ron , perplexo . - Mas tu és muito pesado para um pássaro . - A Fawkes - disse Harry - não é um pássaro qualquer . Voltou se rapidamente para os companheiros . - Temos de nos agarrar uns a os outros . Ginny , agarra a mão de o Ron . O professor Lockhart ... - Ele está a falar consigo - disse o Ron secamente . - Agarre a outra mão de a Ginny . Harry guardou a espada e o chapéu seleccionador em o cinto . Ron deitou a mão a a roupa de Harry e Harry agarrou as penas de a cauda , estranhamente quentes , de a Fawkes . Sentiu uma extraordinária leveza apoderar se de todo o seu corpo e em seguida estavam todos a voar por o cano acima . Harry conseguia ouvir Lockhart , lá atrás , comentando : - Espantoso , isto parece mágico ! Ar frio batia em os cabelos de Harry e antes que ele deixasse de gostar de a viagem já ela acabara . Os quatro tinham chegado a o chão molhado de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa e , enquanto Lockhart endireitava o chapéu , o lavatório voltara a o seu lugar , tapando o cano . A Murta arregalou os olhos . - Vocês estão vivos - disse inexpressivamente a o Harry . - Não é preciso mostrares te tão desiludida - respondeu ele , muito sério , limpando as nódoas de sangue e lodo de os óculos . - Bem ... é_que eu pensei que se vocês morressem seriam bem-vindos a a minha casa_de_banho - disse a Murta com um rubor prateado . - Urgh ! - fez o Ron , quando saíram de ali para o corredor deserto . - Harry , acho que a Murta está a gostar de ti . Tens concorrência , Ginny ! A Ginny continuava a chorar silenciosamente . - Onde vamos agora ? - perguntou o Ron , olhando ansiosamente para ela . Harry apontou . Fawkes indicava o caminho , com o seu tom dourado que brilhava em o corredor . Seguiram a e pouco depois estavam em o escritório de a professora Mc_Gonagall . Harry bateu e empurrou a porta que estava encostada . XVIII_A recompensa de Dobby_Durante alguns momentos reinou o silêncio enquanto Harry , Ron , Ginny e Lockhart estavam em a entrada de a porta . Cobertos de pó e de lama e ( em o caso de o Harry ) sangue . Em seguida , ouviu se um grito . - Ginny ! Era_Mrs._Weasley que tinha estado a chorar , sentada em frente de o lume . Pôs se de pé em um salto , seguida de Mr._Weasley e precipitaram se ambos para a filha . Harry olhava para trás de eles . Dumbledore rejubilava junto de a lareira , a o lado de a professora Mc_Gonagall que , agarrada a o queixo , respirava com dificuldade . Fawkes rasou as orelhas de o Harry e foi instalar se em o ombro de Dumbledore , ao_mesmo_tempo que Harry dava por si em os braços de Mrs._Weasley . - Tu salvaste a ! Salvaste a ! : __ como foi que __ conseguiste ? - Acho que todos nós gostaríamos de saber - disse , sem energia , a professora Mc_Gonagall . Mrs._Weasley soltou o Harry , que hesitou um momento . Depois , foi até a a secretária e colocou sobre o tampo o chapéu seleccionador , a espada cravejada de rubis e o que restava de o diário de Riddle . Em seguida , contou lhes tudo . Falou durante quase um quarto de hora em o silêncio extasiado : contou lhes de a voz sem corpo que ouvia , como a Hermione acabara por descobrir que se tratava de um Basilisk que circulava em os canos , como ele e o Ron tinham seguido as aranhas até a a floresta , que Aragog lhes dissera que a última vítima de o Basilisk morrera , como tinham chegado a a conclusão que se tratava de a Murta_Queixosa e que a entrada para a Câmara_dos_Segredos devia ser em aquela casa_de_banho ... - Muito bem - elogiou a professora Mc_Gonagall quando ele se calou . - Então tu descobriste onde era a entrada , infringindo uma centena de regras de a escola por o caminho , devo dizer , mas como diabo saíram vocês vivos de lá de dentro ? Harry , com a voz já um_pouco rouca de falar tanto , contou lhes de a chegada de a Fawkes e de o chapéu seleccionador que lhe tinha dado a espada . Mas , chegando aí , hesitou . Até a o momento evitara referir se a o diário de Riddle ou a a Ginny . Ela tinha a cabeça encostada a o ombro de Mrs._Weasley e as lágrimas corriam lhe ainda por o rosto . E se a expulsassem ? - pensou Harry , tomado de pânico . O diário de Riddle já não funcionava ... quem poderia provar que fora ele que a obrigara a fazer tudo aquilo ? Olhou instintivamente para Dumbledore que sorria , o fogo iluminando lhe os óculos de meia-lua . - O que mais me interessa saber - disse Dumbledore amavelmente - é como conseguiu Lord_Voldemort enfeitiçar a Ginny quando as minhas fontes me dizem que ele se esconde habitualmente em as florestas de a Albânia . Um alívio , quente e glorioso percorreu Harry de a cabeça a os pés . - O quê ? - disse Mr._Weasley , em uma voz estupefacta . - O Quem nós sabemos enfeitiçou a Ginny ? Mas a Ginny não ... a Ginny não morr ... ? - Foi este diário - esclareceu Harry rapidamente . E mostrando o a Dumbledore . - O Riddle escreveu o quando tinha dezasseis anos . Dumbledore pegou em o diário e olhou atentamente por cima de o seu nariz longo e adunco para as páginas queimadas e húmidas . - Fantástico - disse em voz baixa . - É claro que ele deve ter sido o aluno mais brilhante que alguma vez passou por Hogwarts . - Olhou em volta para os Weasley que o observavam com um ar totalmente confuso . - Muito poucas pessoas sabem que Lord_Voldemort se chamou em tempos Tom_Riddle . Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos , em Hogwarts . Ele desapareceu depois de deixar a escola , viajou muito , mergulhou tão fundo em as artes de a magia negra , associado a os piores feiticeiros , realizou transformações mágicas tão perigosas que quando reapareceu como Lord_Voldemort estava totalmente irreconhecível . Ninguém o relacionou com o rapazinho inteligente e bonito que aqui foi , em tempos , chefe de turma . - Mas a Ginny - insistiu Mrs._Weasley . - O que tem a nossa Ginny que ver com ele ? - O diário - soluçou Ginny . - Eu andei todo o ano a escrever em o diário e ele respondia me ... - Ginny ! - repreendeu Mr._Weasley . - Não aprendeste nada do_que te ensinei ? Não me cansei de dizer te que nunca confiasses em nada que não pensasse por si próprio * se não conseguisses ver onde tinha o cérebro ? * Porque não me mostraste o diário , a mim ou a a tua mãe ? Um objecto suspeito como esse tinha de estar cheio de magia negra ! - Eu não sabia - soluçou Ginny . - Estava junto de os livros que a mãe me comprou . Pensei que alguém se tinha esquecido de ele ali . - É melhor Miss_Weasley ir imediatamente para a ala hospitalar - interrompeu Dumbledore com voz firme . - Foi sujeita a uma prova terrível . Não será castigada . Outros feiticeiros mais velhos do_que ela têm sido ludibriados por Lord_Voldemort . - Dirigiu se a a porta e abriu a . - Repouso , cama e talvez uma caneca de chocolate quente . A mim , anima me sempre - acrescentou , piscando lhe simpaticamente o olho . - Vais ver que Madam_Pomfrey ainda está acordada . Ela tem estado a dar o sumo de Mandrágora , julgo que as vítimas de o Basilisk estarão a acordar dentro_de momentos . de alegria . - Então a Hermione está bem ! - disse o Ron , cheio de alegria . - Não houve danos irreversíveis - disse Dumbledore . Mrs._Weasley saiu com a Ginny e Mr._Weasley seguiu as ainda bastante abalado . - Sabes , Minerva - disse pensativo o professor Dumbledore - acho que tudo_isto merece um banquete . Posso pedir te que previnas os cozinheiros ? - Certamente - disse animada a professora Mc_Gonagall , dirigindo se também a a porta . - Deixo te a tratar de as coisas com o Potter e o Weasley , está bem ? - Claro - disse Dumbledore . Saiu e os dois olharam inseguros para Dumbledore . Que quereria ela dizer com tratar de as coisas ? Certamente não iriam ser castigados ? - Lembro me de vos ter dito a ambos que teria de vos expulsar se voltassem a quebrar as regras de a escola - disse Dumbledore . Ron abriu a boca horrorizado . - O que vem mostrar nos que as melhores pessoas , às_vezes , têm de engolir as suas próprias palavras . - Dumbledore sorriu e continuou : - Vocês vão receber ambos uma recompensa especial por serviços prestados a a escola e ... deixem me ver , sim , acho que duzentos pontos cada_um para os Gryffindor . Ron ficou tão corado que parecia as flores de S._Valentim_do_Lockhart e voltou a fechar a boca . - Mas um de vós parece demasiado calado sobre a sua participação em esta perigosa aventura - acrescentou Dumbledore . - Porquê tanta modéstia , Gilderoy ? Harry estremeceu . Esquecera se por completo de Lockhart . Voltou se e viu o a um canto de a sala ainda com o mesmo sorriso vago . Quando Dumbledore se lhe dirigiu , olhou por cima de o ombro para ver com quem ele estava a falar . - Professor_Dumbledore - disse o Ron rapidamente - Houve um acidente lá em baixo , em a Câmara_dos_Segredos . O professor Lockhart - Eu sou um professor ? - perguntou Lockhart surpreendido . - E eu que pensei que era um inútil ! - Tentou fazer um feitiço antimemória e a varinha fez ricochete - explicou Ron_a_Dumbledore . - Incrível - disse Dumbledore , abanando a cabeça , o bigode prateado a tremer . - Trespassado por a tua própria espada , Gilderoy ! - Espada ? - disse Lockhart de forma imprecisa . - Eu não tenho espada . Esse rapaz é_que tem - apontou para Harry . - Ele empresta lhe uma . - Importas te de levar também o professor Lockhart até a a ala hospitalar , Ron ? - disse Dumbledore . - Eu gostava de falar um_pouco mais com o Harry . Lockhart saiu sem pressa . Antes de fechar a porta , Ron lançou um olhar curioso a Dumbledore e Harry . Dumbledore passou para uma de as cadeiras junto de o lume . - Senta te , Harry - disse . E Harry sentou se , sentindo se indescritivelmente nervoso . - Antes de mais , Harry , quero agradecer te - disse Dumbledore com os olhos a brilharem de_novo . - Deves ter demonstrado uma grande lealdade para comigo . Só isso poderia atrair a Fawkes para ir ajudar te . Deu uma palmadinha a a fénix que voara , entretanto , para_cima de os seus joelhos . Harry sorria acanhadamente sob o olhar observador de Dumbledore . - Encontraste , portanto , Tom_Riddle - disse o director amavelmente . - Calculo que ele estaria particularmente interessado em ti ... De repente , algo que Harry tinha engasgado saiu lhe descontroladamente de a boca para fora . - Professor_Dumbledore ... o Riddle disse que eu sou como ele , que há entre nós estranhas semelhanças ... - Ah ! sim ? - Dumbledore olhou pensativamente para ele , por debaixo de as espessas sobrancelhas prateadas . - E o que achas tu de isso ? - Eu não me considero parecido com ele - disse Harry mais alto do_que desejaria . - Isto_é , eu sou um Gryffindor , eu sou ... Mas calou se com uma dúvida a rondar lhe o espírito . - Professor - arriscou passado alguns momentos . - O chapéu seleccionador disse que eu ... teria ficado bem em os Slytherin ; durante algum tempo toda_a_gente pensou que eu era o herdeiro de Slytherin por falar * serpentês * ... - Tu falas * serpentês * , Harry - disse Dumbledore calmamente - porque Lord_Voldemort que é o mais recente antepassado de Salazar_Slytherin , fala * serpentês * . Ou eu me engano muito , ou ele transferiu para ti alguns de os seus poderes em a noite em que te fez essa cicatriz . Não que quisesse fazê o , claro , mas aconteceu . - Voldemort pôs um_pouco de si próprio em mim ? - disse Harry assombrado . - É o que parece ter acontecido . - Então eu deveria estar em os Slytherin - disse Harry , olhando desesperado para o rosto de Dumbledore . - O chapéu seleccionador viu em mim os poderes de Slytherin e ... -- Pôs te em os Gryffindor - concluiu tranquilamente Dumbledore . - Ouve , Harry , tu tens por acaso muitas de as capacidades que Salazar_Slytherin apreciava em os seus estudantes cuidadosamente seleccionados . O seu raro dom de falar * serpentês * , desenvoltura , determinação , um certo desprezo por as regras estabelecidas - acrescentou com o bigode a tremer de_novo . - Mas ainda_assim , o chapéu seleccionador pôs te em os Gryffindor . E sabes porquê ? Pensa um_pouco . - Só me pôs em os Gryffindor - disse Harry em uma voz débil - porque eu pedi para não ir para os Slytherin . - Exacto - disse Dumbledore a sorrir . - E isso torna te muito diferente de o Tom_Riddle . São as tuas escolhas , Harry , que mostram quem de facto tu és , mais do_que as tuas capacidades . Harry sentou se , imóvel e espantado , em a cadeira . - Se queres provas de que o teu lugar é em os Gryffindor , sugiro que vejas isto com mais atenção . Dumbledore aproximou se de a secretária de a professora Mc_Gonagall , pegou em a espada de prata ensanguentada e mostrou lhe a . Sem perceber , Harry voltou a ao_contrário . Os rubis brilharam a a luz de a lareira e foi então que ele reparou em o nome gravado mesmo por baixo de o copo de a espada . GODRIC_GRYFFINDOR . - Só um verdadeiro Gryffindor poderia ter tirado a espada de dentro de o chapéu , Harry - disse , com simplicidade , Dumbledore . Durante um minuto , nenhum de os dois falou . Depois , Dumbledore abriu uma de as gavetas de a secretária de a professora Mc_Gonagall e retirou de lá uma pena e um tinteiro . - Tu precisas de comer e ir dormir . Sugiro que desças para o banquete enquanto eu escrevo para Azkaban . Precisamos de recuperar o nosso guarda de os campos . E tenho de esboçar um anúncio para o * _ Profeta_Diário * - acrescentou pensativo . - Vamos precisar de um novo professor de Defesa contra as artes negras . É um problema , estamos sempre a perdê os . Harry levantou se e dirigiu se a a porta . Tinha acabado de estender a mão para o puxador quando ela se abriu tão violentamente que saltou de as dobradiças . Lucius_Malfoy estava de pé , furioso . E , debaixo de o braço , embrulhado em diversas ligaduras , estava Dobby . - Boa tarde , Lucius - disse Dumbledore , de forma amena . Mr._Malfoy quase derrubou Harry enquanto entrava em a sala . Dobby dava passos miudinhos atrás de ele , inclinado até a a bainha de o seu manto com um olhar apavorado em o rosto . - Então - disse Lucius_Malfoy com os olhos fixos em Dumbledore - voltaste . Os membros de o Conselho_Directivo suspenderam te , mas tu mesmo_assim sentiste te capaz de voltar a Hogwarts . - Bem vês , Lucius - disse Dumbledore , sorrindo serenamente . - Os outros membros de o Conselho contactaram me hoje . Fui envolvido em um redemoinho de corujas , todos queriam contar me a verdade . Ouviram dizer que a filha de Arthur_Weasley tinha sido morta e queriam me novamente aqui . Parece que me consideravam o melhor homem para o lugar . Contaram me algumas histórias muito estranhas . Alguns de eles tinham a impressão que tu tinhas ameaçado amaldiçoar lhes as famílias se não concordassem com a minha suspensão . Mr._Malfoy ficou ainda mais pálido do_que de costume , mas os olhos continuavam cheios de fúria . - Então já acabaste com os ataques ? - rosnou . - Apanhaste o culpado ? - Já , sim - disse Dumbledore com um sorriso . - E quem é ? - perguntou Malfoy secamente . - A mesma pessoa de a última vez , Lucius - disse Dumbledore . Mas desta_vez , Lord_Voldemort agiu através_de outra pessoa , por_meio_de um diário . Pegou em o pequeno caderno com o buraco em o meio , observando Mr._Malfoy de perto . Mas Harry olhava para Dobby . O elfo fazia um sinal muito estranho . Com os seus grandes olhos fixos em Harry , não parava de apontar para ó diário e , em seguida , para Mr._Malfoy , batendo logo_a_seguir com o punho em a cabeça . - Estou a ver ... - disse Mr._Malfoy lentamente a Dumbledore . - Um plano inteligente - afirmou o director em um tom de voz suave , continuando a olhar Mr._Malfoy directamente em os olhos . - Porque se não fosse aqui o Harry e o seu amigo Ron a descobrirem o diário , sem dúvida Ginny_Weasley teria ficado com todas_as culpas . Ninguém teria conseguido provar que ela agira contra a sua própria vontade . Mr._Malfoy não se pronunciou . O seu rosto parecia agora uma máscara . - E vê bem - continuou Dumbledore - o que poderia ter acontecido ... os Weasley são uma de as mais proeminentes famílias de feiticeiros de sangue puro , imagina o efeito em a imagem de Arthur_Weasley e em a sua acção de protecção a os Muggles , se a sua própria filha fosse acusada de atacar e matar filhos de Muggles . Foi uma sorte o diário ter sido descoberto e as memórias de Riddle apagadas . Quem sabe que consequências poderia ter tido ? Mr._Malfoy falou contra vontade . - Sim , foi uma sorte - disse secamente . E , em as suas costas , Dobby continuava a apontar para o diário e para Lucius_Malfoy , batendo depois com o punho em a cabeça . E Harry finalmente percebeu . Fez um sinal a Dobby que correu a esconder se em um canto , torcendo desta_vez as orelhas para se castigar . - Não quer saber como a Ginny obteve esse diário , Mr._Malfoy ? - perguntou Harry . Lucius_Malfoy voltou se para ele . - Como queres que eu saiba onde é_que a estúpida de a garota o arranjou ? - Porque foi o senhor quem lhe o deu - disse Harry . - Em a Flourish and Blotts . O senhor pegou em o livro velho de ela de Transfiguração e meteu o diário lá dentro , não foi ? Viu as mãos brancas de Mr._Malfoy abrirem se e fecharem se . - Prova isso - sibilou . - Oh ! ninguém vai poder prová o - disse Dumbledore sorrindo a o Harry . - Não agora_que o Riddle desapareceu de o caderno . Por outro lado , aconselharia te , Lucius , a não dares mais nenhuma de as coisas velhas de Lord_Voldemort . Se mais alguma for parar a as mãos de crianças inocentes , acho que o Arthur_Weasley fará com que se voltem com toda_a sua carga negativa contra ti . Lucius_Malfoy ficou calado um momento e Harry viu claramente a sua mão direita torcer se como_se desejasse chegar a a varinha . Em vez de isso , voltou se para o seu elfo doméstico . - Vamos , Dobby . Abriu a porta e quando o elfo se aproximou deu lhe um pontapé que o projectou para longe . Ouviram se em o escritório os gritos de dor de Dobby em o corredor . Harry pensou durante um momento e depois decidiu se . - Professor_Dumbledore - disse apressadamente . - Posso dar o diário outra_vez a Mr._Malfoy ? - Certamente , Harry - disse Dumbledore com toda_a calma . - Mas não demores , olha o banquete . Harry agarrou em o diário e saiu de o escritório . Os gritos de dor de Dobby afastavam se ao_longe . Sem perder tempo , perguntando a si próprio se o plano poderia resultar , Harry tirou um de os sapatos , puxou uma de as peúgas enlameadas e viscosas e meteu o diário lá dentro . Em seguida correu até a o fundo de o corredor escuro . Apanhou os em o topo de as escadas . - Mr._Malfoy - disse ofegante , parando . - Tenho uma coisa para si . E meteu a peúga mal cheirosa em a mão de Lucius_Malfoy . - O que é ... ? Mr._Malfoy tirou o diário de dentro de a peúga , deitou a fora e olhou furioso para o caderno estragado e para Harry - Ainda vais acabar por ter um fim igual a o de os teus pais um dia de estes , Harry_Potter - disse em voz baixa . - Eles também eram uns idiotas metediços . Voltou se para se ir embora . - Anda , Dobby , vem ! Mas Dobby não se mexeu . Tinha em as mãos a peúga nojenta de o Harry e olhava para ela como_se fosse um tesouro de valor incalculável . - O senhor deu uma peúga a o Dobby - disse o elfo maravilhado . - Deu a a o Dobby . - O que é isso ? - cuspiu Mr._Malfoy . - Que estás para aí a dizer ? - Dobby tem uma peúga - repetiu incrédulo . - O senhor deitou a fora e Dobby apanhou a e Dobby agora é livre ... Lucius_Malfoy ficou paralisado a olhar para o elfo . Em seguida precipitou se para Harry . - Fizeste me perder o meu servo , rapaz . Mas Dobby gritou : - Não pense que vai fazer mal a o Harry_Potter ! Ouviu se um enorme estrondo e Mr._Malfoy foi empurrado de costas , galgando os degraus de as escadas a três_e_três e indo aterrar lá em baixo todo embrulhado e amarrotado . Levantou se , o rosto lívido e pegou em a varinha , mas Dobby estendeu lhe um dedo ameaçador . - Vá se embora já - disse furioso , apontando para Mr._Malfoy . - Não tocará em o Harry_Potter . Vá se embora , já . Lucius_Malfoy não teve escolha . Lançando a os dois um último olhar de cólera , embrulhou se em o manto e desapareceu . - Harry_Potter libertou Dobby ! - disse o elfo com voz esganiçada , olhando para Harry , a luz de o luar reflectida em os seus grandes olhos em forma de globos . - Harry_Potter libertou Dobby . - Era o mínimo que eu podia fazer , Dobby - disse Harry a sorrir -- , mas promete me que não vais voltar a tentar salvar me a vida . A cara feia e escura de o elfo abriu se , mostrando os dentes , em um enorme sorriso . - Tenho uma pergunta a fazer te , Dobby - disse Harry enquanto o elfo pegava em a peúga de ele com as mãos a tremer . - Disseste me que tudo_isto não tinha nada que ver com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Lembras te ? - Era uma pista , senhor - disse Dobby com os olhos muito abertos como_se fosse absolutamente óbvio . - Dobby estava a dar lhe uma pista . Antes de o senhor de o mal mudar de nome , o seu nome podia ser pronunciado , está a ver ? - Certo - disse Harry sem grande convicção . - Bem , é melhor eu ir indo embora . Há um banquete e a minha amiga Hermione já deve ter acordado ... Dobby lançou os braços a a cintura de Harry e abraçou o . - Harry_Potter é muito maior do_que Dobby imaginava ! - soluçou . - Adeus , Harry_Potter . E com um estalido final , Dobby desapareceu . Harry assistira a diversos banquetes , mas nenhum que se parecesse com aquele . Estavam todos de pijama e a festa durou a noite inteira . Harry não sabia se o melhor tinha sido a Hermione a correr para ele e a gritar : - Tu conseguiste . Tu conseguiste ! , ou o Justin saindo disparado de a mesa de os Hufflepuff para lhe estender a mão , desfazendo se em desculpas por ter suspeitado de ele , ou o Hagrid que apareceu a as três_e_meia e que lhes deu palmadas com tanta força em os ombros que eles foram parar dentro de os pratos de bolo de creme , ou os quatrocentos pontos que ele e o Ron obtiveram para os Gryffindor , ganhando a taça de a equipa por a segunda vez consecutiva , ou a professora Mc_Gonagall de pé , a comunicar lhes que os exames tinham sido cancelados como medida de a escola ( Oh ! não ! exclamou Hermione ) , ou Dumbledore a anunciar que , infelizmente , o professor Lockhart não poderia voltar em o ano seguinte por ter de se ausentar a_fim_de recuperar a memória . Alguns de os professores juntaram se a os alunos que aplaudiram entusiasmados esta notícia . - Que pena - disse Ron , servindo se de um * dounut * de presunto . - E eu que começava a gostar de ele ... O resto de o período de Verão decorreu sob um sol escaldante . Hogwarts voltara a a normalidade , apenas com algumas pequenas diferenças : as aulas de Defesa contra as artes negras foram canceladas ( Mas nós tivemos imensa prática - disse o Ron vendo o descontentamento de Hermione ) e Lucius_Malfoy foi demitido de o Conselho_Directivo . Draco já não passeava por ali como_se fosse o dono de a escola . Pelo_contrário , tinha um ar melindrado e carrancudo . Por outro lado , Ginny_Weasley andava de_novo feliz de a vida . Em_breve chegou o dia de regressarem a casa em o Expresso_de_Hogwarts . Harry , Ron , Hermione , Fred , George e Ginny encheram um compartimento . Tiraram o_máximo partido de aquelas últimas horas em que lhes era permitido usar a magia antes de as férias . Brincaram a as explosões , gastaram o último fogo-de-artíficio Filibuster , de o Fred e de o George e treinaram o mútuo desarmamento através de a magia . Harry começava a ficar muito bom em aquilo . Já estavam perto de a estação de King's_Cross quando Harry se lembrou de uma coisa . - Ginny , o que foi que viste o Percy fazer que ele não queria que nos contasses ? - Ah ! isso - disse a Ginny a rir . - Bem , é_que o Percy tem uma namorada . Fred deixou cair uma pilha de livros em a cabeça de o George . - O quê ? - É aquela prefeita de os Ravenclaw ' Penelope_Clearwater - disse a Ginny . - Foi para ela que ele escreveu durante todo o Verão . Encontravam se em a escola em grande segredo . Eu apanhei os a beijarem se em uma sala de aula vazia e ele ficou tão aflito quando ela foi ... sabes ... atacada . Não vais aborrecê o , pois não ? - perguntou cheia de ansiedade . - Que ideia - respondeu Fred com uma tal satisfação em o rosto que parecia que o seu aniversário chegara mais cedo . - Claro que não - disse o George a rir se a a socapa . O Expresso_de_Hogwarts abrandou e finalmente parou . Harry tirou a pena e um_pouco de pergaminho e voltou se para Ron e Hermione . - Isto_é um número de telefone - disse ele a o Ron , escrevinhando o duas vezes , cortando o pergaminho a o meio e dando lhes os números . - Eu expliquei a o teu pai como usar um telefone em o Verão passado . Ele sabe fazer a chamada . Liga me para_casa de os Dursley , O. _ K. ? Não consigo suportar outros dois meses sem ter mais ninguém com quem falar ... - Mas a tua tia e o teu tio vão ficar orgulhosos de ti , não vão ? - perguntou Hermione quando saíram de o comboio e se misturaram em a multidão que se encontrava junto de a barreira encantada . - Quando souberem o que fizeste este ano . - Orgulhosos ? - disse Harry . - Estás doida ! Podendo eu ter morrido tantas vezes e tendo escapado ? Vão ficar é furiosos ... E juntos avançaram até a a entrada para o mundo de os Muggles . ----------------- J._K._Rowling_Harry_Potter e a Câmara_dos_Segredos_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Chamber of Secrets_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling 1998 Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 2000 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 2.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 Depósito legal : 143.569/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , a a Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Para_Séan_P._F._Harris , condutor imparável e um amigo de os diabos . I_O pior aniversário Não era a primeira vez que uma discussão estoirava a a mesa de o pequeno-almoço , em o número 4 de a Privet_Drive . Mr._Vernon_Dursley fora acordado de manhã cedo por o piar ruidoso que vinha de o quarto de o seu sobrinho Harry . - É a terceira vez esta semana ! - resmungou , a a mesa . - Se não consegues controlar essa coruja , ela não pode ficar aqui . Harry tentou , mais_uma_vez , explicar . - Ela está aborrecida . Estava habituada a voar livremente lá fora . Se eu pudesse , ao_menos , soltá a a a noite ... - Achas me com cara de idiota ? - perguntou rispidamente o tio Vernon , com um fio de ovo preso em o bigode farfalhudo . - Sei muito bem o que aconteceria se essa coruja fosse lá para fora . Trocou um olhar soturno com a mulher , a tia Petúnia . Harry tentou contra-argumentar , mas as suas palavras foram abafadas por um enorme arroto de o filho de os Dursleys , Dudley . - Quero mais bacon . - Há mais em a frigideira , fofinho - disse a tia Petúnia , lançando um olhar vago a o seu filho maciço . - Tens que te alimentar bem enquanto aqui estás , aquela comida de a tua escola não me cheira . - Disparate , Petúnia , eu nunca passei fome enquanto andei em Smeltings - afirmou com sinceridade o tio Vernon . - O Dudley tem que chegue . Não é verdade , filho ? Dudley , que era tão gordo que o rabo saía de os dois lados de a cadeira de a cozinha , sorriu laconicamente e voltou se para Harry . - Passa me a frigideira . -- Esqueceste te de a palavra mágica - disse Harry , irritado . O efeito que esta simples frase teve em o resto de a família foi inacreditável : Dudley começou a arfar e caiu de a cadeira com um estrondo que abalou a cozinha , Mrs._Dursley deu um gritinho e bateu com a mão em a boca , Mr._Dursley pôs se de pé com as veias de as têmporas dilatadas . - Eu queria dizer « por favor » - explicou Harry rapidamente . - Não me referia a ... - : __ o que é_que eu te __ disse - vociferou o tio , espalhando perdigotos sobre a mesa - : __ sobre pronunciar a palavra m . em esta __ casa ? - Mas eu ... - : __ como te atreves a ameaçar o __ dudley ! - rosnou o tio Vernon , batendo com o punho em a mesa . - Eu só ... - : __ estás avisado . não vou admitir referências a tua anormalidade debaixo de o tecto de a minha __ casa ! Harry olhou alternadamente para o rosto congestionado de o tio e para a palidez de a tia que tentava pôr o Dudley de pé . - Está bem - disse Harry . - Está bem ... O tio Vernon voltou a sentar se , respirando como um rinoceronte exausto e observando Harry de perto por o canto de os seus olhos pequeninos e penetrantes . Desde_que Harry regressara para as férias de Verão que o tio Vernon o tratava como_se ele fosse uma bomba , capaz de explodir a qualquer momento , porque Harry não era um rapazinho normal . Em a verdade , ele era o menos normal que é possível imaginar . Harry_Potter era um feiticeiro , um feiticeiro que acabara de concluir o primeiro ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts e a infelicidade que os Dursleys sentiam por ele estar lá em casa não era nada comparada com a de Harry . As saudades de Hogwarts eram tão intensas que se assemelhavam a uma constante dor em o estômago . Sentia a falta de o castelo com as suas passagens secretas e os seus fantasmas , de as aulas ( com excepção talvez de as de Snape , o professor de as poções ) , de o correio a chegar trazido por as corujas , de os banquetes em o salão nobre , de as noites em as camas de dossel em a camarata de a torre , de as visitas a Hagrid , o guarda de os campos em a sua casinha em o bosque , junto de a floresta proibida e , principalmente , sentia a falta de o Quidditch , o desporto mais popular de o mundo de os feiticeiros ( seis postes altos de golo , quatro bolas esvoaçantes e catorze jogadores em_cima_de vassoura ) . Todos os livros de feitiços de Harry , assim_como a varinha , os mantos , o caldeirão e a vassoura topo de gama Nimbus dois_mil tinham sido encerrados por o tio Vernon em a despensa que ficava debaixo de as escadas , em o momento em que Harry regressara a casa . O que é_que lhes interessava se ele perdia ou não o seu lugar em a equipa de Quidditch por não ter praticado durante todo o Verão ? Que importância tinha para eles que o Harry voltasse a a escola sem ter podido fazer os trabalhos de casa ? Os Dursleys eram aquilo que os feiticeiros chamam « Muggles » ( nem uma gota de sangue mágico em as veias ) e , para eles , ter um feiticeiro em a família era motivo de grande vergonha . O tio Vernon tinha , inclusivamente , fechado a cadeado a coruja de Harry , Hedwig , dentro de a gaiola , para evitar que ela transportasse mensagens para a gente de o mundo de a feitiçaria . Harry não se parecia em nada com o resto de a família . O tio Vernon era atarracado e sem pescoço , dotado de um enorme bigode preto ; a tia Petúnia tinha um rosto cavalar e era esquelética ; Dudley era loiro e rosado como um porquinho . Harry , pelo_contrário , era baixo e franzino , com os olhos verdes brilhantes e cabelo negro sempre desalinhado . Usava uns óculos redondos e tinha em a testa uma cicatriz em forma de relâmpago . Era essa cicatriz que o tornava tão invulgar , mesmo para um feiticeiro . Era a única alusão a o seu passado misterioso , a o motivo por o qual , onze anos antes , tinha sido deixado em o degrau de a porta de os Dursleys . Com um ano de idade , Harry sobrevivera a uma maldição de o maior feiticeiro negro de todos os tempos , Lord_Voldemort , cujo nome a maior parte de os feiticeiros e feiticeiras ainda receia pronunciar . Os pais de Harry tinham morrido em um ataque de Voldemort , mas ele escapara com a sua cicatriz em forma de relâmpago e estranhamente , ninguém compreendeu porquê , os poderes de Voldemort tinham sido destruídos em o momento em que não fora capaz de matar o Harry . Por isso , ele foi criado por a irmã de a sua falecida mãe e respectivo marido . Passou dez anos com os Dursleys , sem nunca compreender porque fazia com que acontecessem coisas estranhas , alheias a a sua vontade , acreditando em a história de os Dursleys de que aquela cicatriz fora resultado de um acidente de automóvel em que os pais tinham morrido . E um dia , precisamente um ano antes , Hogwarts escrevera lhe e fora então que tudo começara . Harry fora ocupar o seu lugar em a escola de feitiçaria , onde ele e a sua cicatriz eram famosas ... mas agora o ano escolar chegara a o fim e estava de_novo com os Dursleys . Durante o Verão , voltara a ser tratado como um cão malcheiroso . Os Dursleys nem se tinham lembrado que aquele era o dia de o seu décimo segundo aniversário . É claro que não tivera grandes expectativas : eles nunca lhe tinham dado um presente a sério , muito menos um bolo , mas ignorarem o por completo ... Em esse momento , o tio Vernon pigarreou com um ar importante e disse : - Como todos sabem , hoje é um dia muito importante . Harry olhou para ele , mal conseguindo acreditar . - Pode bem ser que eu faça hoje o maior negócio de toda_a minha vida - afirmou . Harry voltou novamente a atenção para a torrada . É claro , pensou amargamente , o tio Vernon referia se a a estúpida dinner-party . Havia quinze_dias que não falava de outra coisa . Um consultor qualquer cheio de massa e a mulher vinham jantar lá a casa e o tio Vernon tinha esperança de conseguir uma grande encomenda ( a empresa de o tio Vernon fabricava brocas ) . - Acho que devíamos recapitular mais_uma_vez - disse o tio Vernon . - Devemos estar todos a postos a as oito_horas_em_ponto . Petúnia , tu vais estar ... ? - Em o salão - respondeu a tia Petúnia prontamente - a a espera para lhes dar as boas-vindas a nossa casa . - Bom , bom . E o Dudley ? - Eu vou estar a a espera para abrir a porta . - Dudley esboçou um sorriso falso e afectado . - Dão me licença que vos guarde os casacos , Mr. e Mrs._Mason ? - Eles vão adorá o - exclamou arrebatadamente a tia Petúnia . - Excelente , Dudley - disse o tio Vernon . - A seguir voltou se para o Harry . - E tu ? - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - repetiu o Harry , de forma inexpressiva . - Exactamente - confirmou o tio Vernon , de um modo desagradável . - Eu conduzo os até a o salão , apresento te , Petúnia , e sirvo lhes as bebidas . _ a as oito_e_um_quarto . - Eu chamo para a mesa - disse a tia Petúnia . - E tu , Dudley , vais dizer ... - Dá me licença que lhe indique a casa de jantar , Mrs._Mason ? - repetiu o Dudley , oferecendo o seu braço gordo a uma mulher invisível . - O meu pequenino cavalheiro - fungou a tia Petúnia . - E tu ? - perguntou o tio Vernon a o Harry , em o mesmo tom desagradável . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho , fingindo que não estou lá - respondeu Harry aborrecido . - Isso mesmo . Agora , devíamos ter preparadas algumas frases amáveis para o jantar . Petúnia , alguma ideia ? - O Vernon disse me que o senhor é um excelente jogador de golfe , Mr._Mason ... Tem de me dizer onde comprou esse vestido , Mrs._Mason ... - Perfeito . Dudley ? - Que tal : Tivemos de fazer um trabalho para a escola sobre o nosso herói e eu escrevi sobre o senhor ... Foi de mais , tanto para a tia Petúnia como para o Harry . A tia debulhou se em lágrimas e abraçou o filho , enquanto Harry se esgueirava para debaixo de a mesa para ninguém o ver rir . - E tu , rapaz ? Harry fez um esforço para se mostrar inexpressivo quando emergiu . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - disse . - Vais sim senhor - afirmou o tio Vernon energicamente . - Os Mason não sabem nada a teu respeito e é assim que as coisas vão continuar . Quando o jantar terminar , tu trazes Mrs._Mason para o salão , onde vamos tomar café , Petúnia , e eu puxo o assunto de as brocas . Com um_pouco de sorte , tenho o contrato assinado antes de o noticiário de as dez . Amanhã por esta hora , vamos estar a fazer compras para umas férias em Maiorca . Harry não conseguia sentir o menor entusiasmo com aquilo . Não lhe parecia que os Dursleys gostassem mais de ele em Maiorca do_que em Privet_Drive . - Certo , eu vou a a cidade buscar os casacos para mim e para o Dudley . E tu - resmungou , apontando para Harry - não atrapalhes a tua tia enquanto ela estiver a limpar . Harry saiu por a porta de as traseiras . Estava um dia de sol lindo . Atravessou o relvado , deixou se cair em o banco de o jardim e cantarolou baixinho : - Parabéns para mim ... parabéns para mim ... Nem cartas nem presentes e tinha de passar a noite a fingir que não existia . Olhou infeliz para a sebe . Nunca se sentira tão só . Mais do_que tudo em o mundo , mais do_que de Hogwarts , mais até do_que de o jogo de Quidditch , Harry sentia a falta de os amigos Ron_Weasley e Hermione_Granger . Mas eles não pareciam sentir a falta de ele . Nenhum de os dois lhe escrevera durante todo o Verão apesar_de o Ron ter dito que ia convidá o para passar uns dias lá em casa . Inúmeras vezes Harry estivera quase a libertar magicamente Hedwig de a sua gaiola e mandá a levar uma carta a o Ron e a a Hermione mas não valia a pena correr o risco . Os feiticeiros menores de idade não tinham autorização para usar a magia fora de a escola . Harry não contara isto a os Dursleys . Ele sabia que era o medo de que ele os transformasse a todos em baratas que os impedia de o fecharem a a chave em a despensa debaixo de as escadas , juntamente com a varinha e a vassoura . Em as primeiras semanas Harry divertira se a murmurar baixinho palavras sem sentido e a ver o Dudley sair disparado de o quarto , tão rápido quanto as suas pernas gordas lhe permitiam . Mas o silêncio prolongado de Ron e Hermione tinham o feito sentir se tão longe de o mundo de a magia que até divertir se à_custa_de Dudley perdera o interesse . E agora o Ron e a Hermione tinham se esquecido de o seu aniversário . Quanto não daria ele por uma mensagem de Hogwarts ? De qualquer feiticeiro ou feiticeira ? Quase ficaria satisfeito com um sinal de o seu inimigo feroz , Draco_Malfoy , só para ter a certeza de que tudo aquilo não fora apenas um sonho ... Não que tudo durante o ano em Hogwarts tivesse sido divertido . Mesmo em o fim de o último período , Harry confrontara se nem mais nem menos do_que com o próprio Lord_Voldemort . Voldemort podia ter arruinado o seu ego inicial mas continuava a espalhar o terror , ainda astuto , ainda determinado a recuperar o poder . Harry escapara uma segunda vez a as suas garras mas fora por um triz e mesmo agora , algumas semanas decorridas , acordava de noite encharcado em suores frios , perguntando se onde estaria Voldemort , relembrando o seu rosto lívido , os seus olhos completamente loucos ... Harry sentou se subitamente , direito como um fuso , em o banco de o jardim . Tinha estado a olhar distraído para a sebe e a sebe estava a olhar para ele . Dois enormes olhos verdes surgiram por_entre a folhagem . Harry pôs se de pé ao_mesmo_tempo que uma voz sobrevoava a relva . - Eu sei que dia é hoje - cantarolava Dudley , bamboleando se enquanto se aproximava . Os olhos enormes piscaram e desapareceram . - O quê ? - perguntou Harry sem retirar os olhos de o lugar para_onde estava a olhar . - Eu sei que dia é hoje - repetiu , chegando junto de ele . - Ainda_bem - disse Harry . - Aprendeste finalmente os dias de a semana . - Hoje é o dia de os teus anos - troçou o Dudley . - Por_que é_que não recebeste nenhuma carta ? Não tens amigos em esse lugar esquisito ? - É melhor não deixares a tua mãe ouvir te falar de a minha escola - disse Harry calmamente . Dudley puxou para_cima as calças que estavam a escorregar lhe por o rabo gordo abaixo . - Porque estás a olhar para a sebe . ; - perguntou curioso . - Estou a pensar em as palavras que deverei pronunciar para lhe pegar fogo - disse Harry . Dudley recuou de imediato com um olhar de pânico em a cara rechonchuda . - Tu não p-p-odes , o pai disse que não podias fazer magia ou corria contigo aqui de casa e não tens mais nenhum lugar para_onde ir , não tens amigos que te convidem ... - * _ Jiggery pokery * ! - disse Harry com voz firme . - * _ Hocus pocus ... squiggly wiggly * ... - Maaaaaãe - gritou Dudley , tropeçando em os pés , enquanto se precipitava para dentro_de casa . Maaaãe , ele vai fazer aquela coisa ! Harry deu graças a os céus por aquele momento de gozo . Como não aconteceu nada de mal nem a o Dudley nem a a sebe , a tia Petúnia percebeu que ele não fizera magia nenhuma mas , mesmo_assim , Harry teve de se afastar quando ela lhe deu uma forte pancada em a cabeça com a frigideira cheia de detergente . A seguir distribuiu lhe trabalho e o castigo de só voltar a comer quando tivesse acabado tudo . Enquanto Dudley andava a flanar , olhando para o ar e comendo gelados , Harry limpou as janelas , lavou o carro , aparou a relva , adubou os canteiros , podou e regou as rosas e pintou de_novo o banco de o jardim . O sol ardia lá em cima , queimando lhe a parte de trás de o pescoço . Harry sabia que não devia ter provocado Dudley mas ele dissera precisamente aquilo que ele próprio pensava ... talvez não tivesse amigos em Hogwarts . Deviam ver agora o famoso Harry_Potter , pensou amargamente enquanto espalhava adubo em os canteiros , as costas a doerem lhe e o suor a escorrer lhe por o rosto . Eram sete_e_meia_da_tarde quando , por fim , exausto , ouviu a tia Petúnia a chamá o . - Anda para dentro e passa por cima de os jornais . Harry entrou satisfeito em a sombra de a cozinha que rebrilhava . Sobre o frigorífico estava o bolo de a noite : um enorme monte de crome batido coberto de violetas de açúcar . A carne de porco assava em o forno . - Come depressa , os Mason devem estar a chegar ! - exclamou bruscamente a tia Petúnia , apontando para duas fatias de pão e uma de queijo que estavam em cima de a mesa de a cozinha . Ela já tinha posto um vestido de * cocktail * cor de salmão . Harry lavou as mãos e comeu aquele triste jantar . Mal tinha terminado , a tia Petúnia tirou lhe o prato . - Lá para_cima , rápido ! A o passar por a porta de a sala , Harry vislumbrou o tio Vernon e Dudley de casaco e gravata . Tinha acabado de chegar a o cimo de as escadas quando a campainha de a porta tocou e a cara de o tio Vernon apareceu em o patamar . - Lembra te , rapaz , um ruído que seja ... Harry entrou em o quarto em bicos de pés , fechou a porta e preparou se para se meter em a cama . O problema é_que estava lá alguém sentado . II_O aviso de Dobby_Harry conseguiu não gritar , mas foi por_pouco . A pequena criatura que estava em a cama tinha umas orelhas grandes e largas e uns olhos verdes protuberantes de o tamanho de bolas de ténis . Harry percebeu imediatamente que fora para ele que tinha estado a olhar de manhã . Enquanto olhavam um para o outro , Harry ouviu a voz de Dudley em o * hall * . - Posso guardar os vossos casacos , Mr. e Mrs._Mason ? A criatura escorregou por a cama e curvou se tanto que a ponta de o seu enorme nariz tocou em o tapete . Harry reparou que ele tinha vestido uma espécie de fronha de almofada com buracos para os braços e pernas . - Er ... Olá - disse Harry , um_pouco nervoso . - Harry_Potter ! - exclamou a criatura em uma voz tão estridente que Harry calculou que poderia ouvir se lá em baixo . - Há tanto tempo que Dobby queria conhecê o , senhor . É uma enorme honra ... - Ob-obrigado - disse Harry , deslocando se a o longo de a parede e sentando se em a cadeira de a secretária , junto de Hedwig que dormia em a sua grande gaiola . Queria perguntar lhe « O que és tu ? » , mas pensou que seria má educação , por isso perguntou : - Quem és tu ? - Dobby , senhor . Apenas Dobby , o elfo de casa - afirmou a criatura . - Oh ! A sério ? - perguntou Harry . - Não quero ser mal-educado , mas esta não é a melhor altura para ter um elfo em o meu quarto . O riso falso de a tia Petúnia ouvia se em a sala de jantar . O elfo deixou cair a cabeça . - Não que eu não me sinta feliz por te conhecer - disse Harry rapidamente - mas , er ... estás aqui por algum motivo em especial ? - Oh , sim senhor - disse Dobby muito a sério . - Dobby veio dizer lhe que ... é difícil ... Dobby não sabe por_onde começar ... - Senta te - disse Harry educadamente , apontando lhe a cama . Para seu horror , o elfo debulhou se em lágrimas bastante ruidosas . -- S-senta-te ! - repetiu . - Nunca em toda_a minha vida ... Harry pareceu lhe ouvir as vozes lá em baixo vacilarem . - Desculpa - murmurou . - Eu não queria ofender te ... - Ofender Dobby ! - exclamou o elfo em um sufoco . - Nunca nenhum feiticeiro disse a o Dobby que se sentasse como um seu igual , senhor . Harry , tentando dizer lhe « Sch ... » e confortá o ao_mesmo_tempo , conduziu Dobby de_novo até a a cama onde ele se sentou a soluçar , parecendo uma grande boneca muito feia . Por fim , conseguiu controlar se e ficou quieto , com os seus grandes olhos fixos em Harry em uma expressão de absoluta adoração . - Não deves ter conhecido muitos feiticeiros sérios - disse lhe , tentando animá o . Dobby abanou a cabeça . Em seguida , sem qualquer aviso , saltou e começou a bater furiosamente com a cabeça em a janela , gritando : - Dobby é mau ! Dobby é mau ! - Pára , o que é_que estás a fazer ? - perguntou Harry em um murmúrio sibilante , dando um salto e puxando Dobby de_novo para a cama . Hedwig acordara com um pio particularmente agudo e batia agressivamente com as asas contra as grades de a gaiola . - Dobby tinha que se castigar , meu senhor - afirmou o elfo , que ficara ligeiramente estrábico . - Dobby quase falou mal de a família de ele ... - De a tua família ? - De a família de feiticeiros que Dobby serve , meu senhor ... O Dobby é um elfo de casa , obrigado a servir uma casa e uma família para sempre . - Eles sabem que estás aqui ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Dobby estremeceu . - Oh , não senhor , não ... Dobby vai ter que se castigar muito por ter vindo vê o . Dobby vai ter que entalar as orelhas em a porta de o forno por isto . Se eles soubessem , senhor ... - Mas achas que eles não vão reparar se tu entalares as orelhas em a porta de o forno ? - Dobby duvida , senhor . Dobby está sempre a ter de se castigar por qualquer coisa . Eles deixam que o Dobby se castigue . _ às_vezes até sugerem alguns castigos extra . - Mas por_que é_que não te vais embora , não foges ? - Um elfo de casa tem de ser libertado , senhor . E a família nunca libertará Dobby . Dobby servirá a família até morrer . Harry olhou para ele . - E eu que pensava que era infeliz por ter de ficar aqui mais quatro semanas - declarou . - Isto faz os Dursleys parecerem quase humanos . Será que ninguém te pode ajudar ? Poderei eu ? Em o mesmo momento , Harry desejou não ter aberto a boca . Dobby desfez se em ruidosos soluços de gratidão . - Por favor - murmurou Harry , inquieto . - Por favor , está calado . Se os Dursleys ouvem barulho , se eles sabem que estás aqui ... - Harry_Potter pergunta se pode ajudar Dobby . Dobby ouviu falar de a sua grandeza , mas de a sua bondade , Dobby nada sabia . Harry , que se sentia corar , disse : - Seja o que for que tenhas ouvido sobre a minha grandeza , é um disparate . Nem_sequer sou o melhor de o meu ano em Hogwarts . É a Hermione . Ela ... Mas calou se rapidamente porque pensar em Hermione era lhe doloroso . - Harry_Potter é humilde e modesto - disse Dobby reverentemente , com os seus olhos de globo avermelhados . - Harry_Potter não fala de a sua vitória sobre « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . - Voldemort ? - perguntou Harry . Dobby bateu com as mãos em as enormes orelhas e gemeu : - Ai não diga o nome , senhor . Não diga o nome ! - Desculpa - disse Harry muito depressa . - Eu sei que muita gente não gosta . O meu amigo Ron ... Calou se de_novo . Pensar em o Ron era igualmente doloroso . Dobby voltou para Harry os seus dois olhos grandes como candeeiros . - Dobby ouviu dizer - balbuciou com voz rouca - que Harry_Potter encontrou o Senhor_do_Mal uma segunda vez há poucas semanas atrás ... que Harry_Potter lhe escapou de_novo . Harry acenou e os olhos de Dobby encheram se de lágrimas . - Ah , senhor - disse em um sobressalto , limpando o rosto com a ponta de a fronha de almofada que tinha vestida . - Harry_Potter é valente e arrojado . Enfrentou tantos perigos ! Mas Dobby veio protegê o , avisar Harry_Potter , mesmo_que para isso tenha de entalar as orelhas em a porta de o forno , que Harry_Potter não deve voltar para Hogwarts . Houve um silêncio apenas quebrado por o ruído de os garfos e de as facas lá em baixo e por a voz distante de o tio Vernon . - O q-q-uê ? - gaguejou Harry . - Mas eu tenho de voltar , o ano começa em o dia um de Setembro . É a minha razão de viver . Tu não sabes como são as coisas aqui . Eu não pertenço a este lugar , o meu lugar é em Hogwarts . - Não , não , não - guinchou Dobby , sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas andavam de um lado para o outro . - Harry_Potter deve ficar aqui , onde se encontra a salvo . É demasiado grande , demasiado bom para se perder . Se Harry_Potter regressar a Hogwarts correrá perigo de vida . - Porquê ? - inquiriu Harry , surpreendido . - Há uma conspiração , Harry_Potter . Uma conspiração para fazer acontecer coisas terríveis este ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts - murmurou Dobby que começara a tremer de a cabeça a os pés . - Dobby sabe de isto há meses , senhor . Harry_Potter não deve expor se a o perigo . É demasiado importante . - Que coisas terríveis são essas ? - perguntou Harry sem perder tempo . - Quem está por detrás ? Dobby fez um ruído esquisito e começou a bater com a cabeça contra a parede como um louco . - Está bem - gritou Harry , agarrando o braço de o elfo para o fazer parar . - Não podes dizer , eu compreendo . Mas porque vieste avisar me ? - Um pensamento súbito e desagradável surgiu lhe . - Espera aí , isto tem alguma coisa que ver com o Vol , desculpa com o Quem nós sabemos ? Basta que faças sim ou não com a cabeça - acrescentou com vivacidade enquanto a cabeça de Dobby se inclinava de_novo a uma velocidade preocupante para a parede . Lentamente , Dobby abanou a cabeça . - Não , não é « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . Os olhos de Dobby estavam abertos como_se estivesse a tentar dar a Harry uma pista , mas Harry estava completamente a a nora . - Ele não tem nenhum irmão , ou tem ? Dobby abanou a cabeça , os olhos mais abertos do_que nunca . - Bem , em esse caso não estou a ver quem mais poderia ter a possibilidade de fazer acontecer coisas horríveis em Hogwarts - disse Harry . - Quero dizer , para já está lá o Dumbledore . Sabes quem é Dumbledore , não sabes ? Dobby baixou a cabeça . - Albus_Dumbledore é o melhor director que Hogwarts alguma vez teve . Dobby sabe , senhor . Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore rivalizam com os d'aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Mas , senhor - a voz de Dobby desceu a um urgente murmúrio - há poderes que Dumbledore não ... poderes que nenhum feiticeiro sério ... E antes que Harry conseguisse impedi o Dobby saltou de a cama , agarrou o candeeiro de secretária de Harry e começou a bater com a cabeça , dando uivos ensurdecedores . Fez se silêncio lá em baixo . Dois segundos mais tarde , Harry com o coração a bater como um louco , ouviu o tio Vernon chegar a o * hall * e dizer . - O Dudley deve ter deixado outra_vez a televisão ligada , o maroto ! - Depressa , para dentro de o guarda-fatos - gritou Harry , empurrando Dobby bem para o fundo , fechando a porta e metendo se a correr em a cama mesmo a_tempo_de ver a maçaneta de a porta a girar . - Que diabo estás tu a fazer ? - disse o tio Vernon entre dentes , o rosto assustadoramente próximo de o de Harry . - Acabas de estragar o ponto alto de a minha anedota de o golfista japonês . Eu que oiça mais um som e vais desejar nunca ter nascido , rapaz ! Abandonou o quarto com grandes passadas . A tremer , Harry deixou Dobby sair de o guarda-fatos . - Estás a ver como são as coisas por aqui ? - disse . - Vês porque tenho de voltar para Hogwarts ? É o único sítio onde eu tenho ... bem , onde eu acho que tenho amigos . - Amigos que nem_sequer escrevem a Harry_Potter ? - disse Dobby com ar manhoso . - Calculo que devem ter estado ... espera aí - disse Harry , franzindo a testa . - Como é_que tu sabes que os meus amigos não me têm escrito ? Dobby arrastou os pés . - Harry_Potter não deve zangar se com Dobby . Dobby fez o que achou melhor ... - Tu tens estado a interceptar me as cartas ? - Dobby tem as aqui , senhor - disse o elfo . Saltando para longe de o alcance de Harry , retirou de dentro de a fronha que usava um espesso saco cheio de envelopes . Harry reconheceu de imediato a caligrafia certinha de Hermione , a escrita desordenada de Ron e até uns gatafunhos que pareciam ser de o guarda de os campos de Hogwarts , Hagrid . Dobby piscava ansiosamente os olhos . - Harry_Potter não deve ficar zangado ... Dobby esperava que ... se Harry_Potter pensasse que os amigos o tinham esquecido ... Harry_Potter talvez não quisesse voltar a a escola , senhor . Harry não o ouvia . Fez um gesto para agarrar as cartas , mas Dobby deu um salto , afastando se . - Harry_Potter terá as cartas , senhor , se der a Dobby a sua palavra de não voltar a Hogwarts . Ah , senhor , é um risco que não deve correr . Diga que não volta , senhor ! - Não - afirmou Harry zangado . - Dá me as cartas de os meus amigos ! - Em esse caso , Harry_Potter deixa Dobby sem escolha - disse o elfo tristemente . Antes que Harry pudesse fazer um movimento , Dobby tinha aberto a porta de o quarto e descido a correr por as escadas abaixo . Com a boca seca e um aperto em o estômago , Harry correu atrás de ele , tentando não fazer barulho . Saltou os últimos seis degraus , aterrando como um gato em a carpete de o * hall * , olhando em volta a a procura de Dobby . De a sala de jantar , ouviu a voz de o tio Vernon : - Conte a a Petúnia aquela história engraçadíssima de os funileiros americanos , ela tem estado louca por ouvi a , Mr._Mason . Harry correu de o * hall * para a cozinha e sentiu o estômago ficar pequenino . O pudim , que era a a obra-prima de a tia Petúnia , a montanha de creme batido coberto de violetas de açúcar flutuava junto de o tecto . Em cima de o guarda-louça de o canto , Dobby inclinava se servilmente . - Não - suplicou Harry . - Por favor , eles matam me . - Harry_Potter deve dizer que não vai voltar a a escola ... - Dobby , por favor . - Diga , senhor . - Não posso . Dobby lançou lhe um olhar trágico . - Então , Dobby deve fazê o , senhor , para o bem de Harry_Potter . O pudim foi direito a o chão em uma queda que parecia um coração a parar . O crome esguichou para as janelas e para as paredes , enquanto o prato se despedaçava . Com o ruído de uma chicotada , Dobby desapareceu . Ouviram se gritos em a casa de jantar e o tio Vernon irrompeu por a cozinha onde foi dar com Harry coberto , de a cabeça a os pés , por o pudim de a tia Petúnia . A princípio parecia que o tio Vernon ia conseguir arranjar uma desculpa para aquilo tudo . ( É só o nosso sobrinho , muito perturbado ; conhecer pessoas estranhas deixa o muito nervoso , por isso deixamos o lá em cima ... ) Conduziu_os_Mason , bastante chocados , para a sala de jantar , garantindo a Harry que o esfolava vivo quando os Mason se fossem embora e pôs lhe em as mãos um esfregão . A tia Petúnia descobriu um resto de gelado em o frigorífico e Harry , ainda a tremer , começou a limpar a cozinha . O tio Vernon poderia ainda ter feito o negócio , se não fosse a coruja . Estava a tia Petúnia a circular com uma caixa de After-Eight , quando uma enorme coruja de celeiro fez a sua entrada vertiginosa através de a janela de a casa de jantar , deixando cair uma carta em a cabeça de Mr._Mason e desaparecendo logo_a_seguir . Mrs._Mason gritava como uma carpideira e corria por a casa praguejando contra os lunáticos . Mr._Mason ficou o tempo estritamente necessário para dizer a os Dursleys que a mulher tinha um medo pânico de pássaros de todas_as formas e tamanhos e perguntar lhes se aquela era alguma brincadeira de mau gosto . Harry não saiu de a cozinha , agarrando o esfregão como defesa , enquanto o tio Vernon avançava para ele com um brilho demoníaco em os olhos pequeninos . - Lê isso - ordenou maldosamente . Harry pegou em a carta . Não era a desejar lhe um bom aniversário . * _ Caro_Mr._Potter , * _ Recebermos hoje informações de que um feitiço de suspensão em o ar foi efectuado em sua casa esta noite , a as nove_horas_e_doze_minutos . * _ Como sabe , os feiticeiros menores não estão autorizados a praticar magia fora de a escola e , se efectuar mais um trabalho mágico , será expulso de a nossa escola . ( Decreto_de_Restrições_Razoáveis_para_Feitiçaria_de_Menores , 1875 , parágrafo C. ) * _ Pedimos-lhe também que se lembre que qualquer actividade que possa ser notada por membros alheios a a nossa comunidade ( Muggles ) constitui uma ofensa grave , segundo a secção 13 de a Confederação_Internacional_do_Estatuto_da_Magia_Secreta . * _ Tenha umas boas férias . * Atenciosamente_Mafalda_Hopkirk_Gabinete_da_Utilização_Imprópria_da_Magia_Ministério_da_Magia * . Harry olhou para a carta e engoliu em seco . - Tu não nos contaste que estavas proibido de usar magia fora de a escola - disse o tio Vernon com um brilho maldoso a dançar lhe em os olhos . - Esqueceste te de o mencionar , passou te , não foi ? Tinha se aproximado de Harry como um grande * bulldog * , com todos os dentes a a mostra . - Tenho boas notícias para ti , rapaz , vou fechar te a a chave e , se tentares sair através_de magia , nunca mais voltas a aquela escola , eles expulsam te . E rindo como um louco , arrastou Harry até a o andar de cima . O tio Vernon era mau como as cobras . Em a manhã seguinte pagou a um homem para colocar grades em a janela de o quarto de Harry . Ele próprio abriu um pequeno buraco em a porta de o quarto para que a comida pudesse ser introduzida três vezes por dia . Deixavam o Harry sair para ir a a casa_de_banho de manhã e a o final de a tarde . O resto de o tempo estava fechado em o quarto , a a espera que o tempo passasse . Três dias mais tarde , os Dursleys não mostravam qualquer intenção de abrandar o castigo e Harry não sabia como sair de aquela situação . Estava deitado em a cama , vendo o sol brilhar por_entre as grades de a janela e perguntando se tristemente o que viria a acontecer lhe . Qual era a vantagem de sair de ali por artes mágicas , se Hogwarts o expulsaria em seguida ? Contudo , a vida em Privet_Drive tinha atingido o seu nível mais baixo . Agora_que os Dursleys tinham a certeza que não iam acordar transformados em morcegos , ele perdera a única arma que tinha . O Dobby podia tê o salvo de acontecimentos terríveis em Hogwarts , mas de a maneira que as coisas estavam , ele morreria muito provavelmente a a fome . A portinhola rangeu e a mão de a tia Petúnia apareceu empurrando uma tigela de sopa de pacote para dentro de o quarto . Harry , que estava cheio de fome , saltou de a cama e agarrou a . A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um único trago . A seguir , atravessou o quarto até a a gaiola de Hedwig e pôs os legumes ensopados dentro de o seu pratinho vazio . Ela agitou as penas e olhou o com profunda repugnância . - Não vale de nada virares lhe as costas . É tudo_o_que temos - disse Harry , de modo severo . Colocou a tigela vazia em o chão junto de a portinhola e voltou para_cima de a cama , de certo modo com mais fome do_que antes de ter comido a sopa . Admitindo que estaria ainda vivo dentro_de quatro semanas o que aconteceria se ele não se apresentasse em Hogwarts ? Será que mandariam alguém obrigar os Dursleys a deixá o ir ? O quarto começava a escurecer . Exausto e com o estômago a dar horas , o cérebro a as voltas com as mesmas questões sem resposta , Harry caiu em um sono intranquilo . Sonhou que fazia parte de um espectáculo de o jardim zoológico . Preso a a jaula onde se encontrava estava um cartaz onde podia ler se « feiticeiro menor de idade « . As pessoas olhavam o com olhos protuberantes , enquanto ele jazia fraco e esfomeado em um leito de palha . Viu a cara de o Dobby em o meio de a multidão e gritou lhe , pedindo ajuda , mas o Dobby respondeu : - Harry_Potter está em segurança aí , senhor - e desapareceu . Em seguida vieram os Dursleys e Dudley bateu em as grades de a jaula , rindo se de ele . - Pára com isso - murmurou Harry como_se aquele ruído martelasse em a sua cabeça dorida . - Deixa me em paz , pára com isso , estou a tentar dormir . Abriu os olhos . O luar brilhava através de as grades de a janela . E lá fora alguém olhava de olhos arregalados para ele : alguém de rosto sardento , cabelo ruivo e nariz grande . Ron_Weasley estava de o lado de_fora de a janela . III « A toca » Ron ! - exclamou Harry , arrastando se até a a janela e empurrando a para poderem falar através de as grades . - Ron , como é_que tu , foi o ... ? Harry ficou de boca aberta , espantado com o que viu . Ron estava debruçado de a janela de trás de um velho automóvel azul-turquesa que se encontrava estacionado em o ar . Em os lugares de a frente , rindo se para Harry , estavam os irmãos mais velhos , os gémeos Fred e George . - Tudo bem , Harry ? - O que é_que se tem passado ? - perguntou o Ron . - Porque não respondeste a as minhas cartas ? Convidei te para vires ter comigo umas doze vezes e um dia o pai chegou a casa e comunicou nos que tu tinhas recebido um aviso oficial por usares magia diante de os Muggles ... - Não fui eu . E como é_que ele soube ? - Ele trabalha em o Ministério - disse o Ron . - Tu sabes que nós não podemos fazer feitiços fora de a escola . - Bem , isso vindo de ti ... - exclamou Harry , olhando para o carro flutuante . - Oh , isto não conta - disse Ron . - Foi o meu pai que o emprestou . Não o fizemos aparecer por magia . Mas usar magia em a frente de esses Muggles com quem tu vives ... - Já te disse que não fui eu , mas vai demorar muito_tempo a explicar te isso agora . És capaz de avisar em Hogwarts que os Dursleys me fecharam a a chave e que não querem deixar me voltar e obviamente eu não posso sair de aqui magicamente senão o Ministério vai achar que é a segunda vez em três dias e ... - Pára com essa conversa tola - disse o Ron . - Viemos para te levar connosco . - Mas tu também não podes tirar me de aqui utilizando processos mágicos ... - Não precisamos de isso - afirmou Ron , fazendo um sinal de cabeça para os lugares de a frente . - Esqueces te de quem está aqui comigo . - Amarra isso em volta de as grades - disse o Fred , lançando a Harry a ponta de uma corda . - Se os Dursleys acordam estou feito - lamentou se Harry enquanto dava um nó bem apertado com a corda em uma de as grades e o Fred arrancava com o carro . - Não te preocupes e chega te para trás . Harry recuou para a sombra , para junto de Hedwig que parecia ter se apercebido de a importância de tudo aquilo , mantendo se quieta e em silêncio . O carro puxou mais e mais e , subitamente , com um ruído de ferro a ceder , as grades foram arrancadas de a janela , enquanto Fred conduzia com o céu como estrada . Harry correu de_novo para a janela para ver as grades a balouçarem a poucos metros de o chão . Ofegante , Ron içou as para dentro de o carro . Harry escutou ansiosamente mas não vinha qualquer som de o quarto de os Dursleys . Quando as grades estavam em segurança em os lugares de trás junto de Ron , Fred aproximou se o_máximo que lhe foi possível de a janela . - Anda de aí - disse . - Mas , todas_as minhas coisas de Hogwarts , a minha varinha , a minha vassoura ... - Onde estão ? - Fechadas em a despensa debaixo de as escadas e eu não posso sair de este quarto . . - Não há azar - disse o George . - Sai de a frente , Harry . Fred e George treparam cautelosamente e entraram por a janela em o quarto de Harry . Tinhas que ter aberto a boca , pensou Harry enquanto George tirava de o bolso um vulgar gancho de cabelo e começava a tentar abrir a fechadura . - Muitos feiticeiros acham que é uma perda de tempo aprender os truques de os Muggles - disse o Fred . - Mas nós pensamos que há habilidades que é sempre útil conhecer apesar_de serem um_pouco lentas . Ouviu se um pequeno clique e a porta abriu se . - Pronto , vamos buscar as tuas coisas . Tu vai dando a o Ron aquilo que precisas de aí de o teu quarto - murmurou George . - Cuidado com o degrau de cima que range - sussurrou Harry enquanto os gémeos desapareciam em o escuro . Harry deu a volta a o quarto , recolhendo as suas coisas e passando as por a janela a o Ron . Em seguida , foi ajudar o Fred e o George a trazerem o resto por as escadas acima . Ouviu o tio Vernon tossir . Por fim , de língua de_fora , chegaram a o quarto , junto de a janela aberta . Fred trepou para o carro para puxar os volumes com o Ron enquanto Harry e George os empurravam de dentro de o quarto . Centímetro a centímetro o malão foi passando por a janela . O tio Vernon tossiu de_novo . - Mais um_pouco - disse o Fred que estava a puxar de dentro de o carro . Um bom empurrão , vá . Harry e George encostaram os ombros contra a mala e ela escorregou para a parte de trás de o carro . - O. _ K. , vamos embora - murmurou o George . Mas quando Harry trepava para o parapeito de a janela ouviu se um forte pio atrás de ele , imediatamente seguido de o vociferar de o tio Vernon . - Aquela maldita coruja ! - Esqueci me de a Hedwig ! Harry precipitou se de_novo para o quarto , enquanto a luz de o patamar se acendia . Agarrou a gaiola de Hedwig , correu para a janela e passou a a o Ron . Estava a subir para_cima de a cómoda quando o tio Vernon bateu em a porta , que não estava fechada , e esta se abriu completamente . Por uma fracção de segundo , o tio Vernon ficou estático junto de a porta . Em seguida , soltou um mugido como um boi zangado e avançou para Harry , agarrando o por o tornozelo . Ron , Fred e George seguraram o por os braços e puxaram o com toda_a força . - Petúnia - rosnou o tio Vernon . - Ele está a fugir ! : __ ele está a __ fugir ! Os Weasleys deram um puxão gigantesco e a perna de o Harry escapou a as garras de o tio Vernon . Logo_que Harry entrou em o carro e a porta se fechou , Ron gritou : - Acelera Fred ! - E o carro partiu subitamente em direcção a a lua . Harry mal podia acreditar que estava livre . Esticou se a a janela , o ar de a noite a fustigar lhe os cabelos e olhou para baixo , para os telhados apertados de Privet_Drive . O tio Vernon , a tia Petúnia e o Dudley estavam todos debruçados com cara de parvos , a a janela de o quarto de ele . - Até a o próximo Verão - gritou . Os Weasleys riam se a as gargalhadas e Harry esticou se para trás em o assento e pediu a o ouvido de Ron : - Deixa sair a Hedwig . Ela pode voar atrás_de nós . Há séculos que não tem uma oportunidade de esticar as asas . George passou a o Ron o gancho de cabelo e , um momento depois , a Hedwig saíra feliz por a janela , planando atrás de eles como um fantasma . - Então , qual é a história ? - perguntou Ron , impaciente . - O que é_que tem estado a acontecer ? Harry contou lhes tudo sobre o Dobby , o aviso de este e o fracasso de o pudim de violetas . Houve um longo silêncio quando ele se calou . - Isso cheira me a esturro - disse , por fim , o Fred . - Definitivamente misterioso - concordou George . - Então ele nem te disse quem está supostamente por detrás dessa trama toda ? - Acho que não podia - explicou Harry . - Já te disse , de cada_vez que estava quase a deixar escapar qualquer coisa , começava a bater com a cabeça em a parede . Viu Fred e George olharem um para o outro . - O quê ? Acham que ele estava a mentir me ? - perguntou Harry . - Bem - começou o Fred -- , coloquemos as coisas de o seguinte modo , os elfos de casa têm poderes mágicos próprios , mas geralmente não podem usá os sem a autorização de os seus donos . Eu acho que o bom de o Dobby foi enviado para evitar que voltasses para Hogwarts . Uma ideia de um engraçadinho . Haverá alguém em a escola com má vontade contra ti ? - Sim - responderam Harry e Ron , precisamente ao_mesmo_tempo . - Draco_Malfoy - explicou Harry . - Ele detesta me . - Draco_Malfoy ? - perguntou George , voltando se para trás . - O filho de o Lucius_Malfoy ? - Deve ser . Não é um nome muito vulgar , pois não ? - disse Harry . - Mas porquê ? - Ouvi o pai falar acerca de ele - confidenciou George . - Ele era um grande apoiante de o « Quem nós sabemos » . - E quando o « Quem nós sabemos » desapareceu - continuou o Fred , voltando a cara para olhar para Harry - o Lucius_Malfoy voltou , dizendo que não foi por vontade própria que fez o que fez . Monte de lixo . O pai acha que ele fazia parte de um círculo de amigos íntimos de o « Quem nós sabemos » . Harry já tinha ouvido esses boatos sobre a família de Malfoy e não o surpreenderam em absoluto . Malfoy fizera Dudley_Dursley parecer um rapazinho simpático , amável e sensível . - Não sei se os Malfoy têm um elfo de casa ... - afirmou Harry . - Bem , quem quer que o possua é sem dúvida uma antiga família de feiticeiros e deve ser rica - explicou Fred . - Sim . A mãe está sempre a desejar que pudéssemos ter um elfo de casa para passar a roupa a ferro - disse o George . - Mas só temos um velho vampiro piolhoso em o sótão e gnomos espalhados por o jardim . Os elfos de casa pertencem a as grandes casas senhoriais , a os castelos e lugares assim , não encontrarias um em a nossa casa ... Harry estava calado . Considerando que Draco_Malfoy tinha sempre as melhores coisas , que a sua família nadava em ouro de feiticeiros , era fácil imaginá o passeando se por uma enorme casa senhorial . Mandar o servo de a família evitar que Harry voltasse para Hogwarts também parecia exactamente o tipo de coisa que Malfoy poderia fazer . Teria Harry sido estúpido a o tomar Dobby a sério ? - De qualquer modo , ainda_bem que viemos buscar te - declarou Ron . - Eu começava a ficar seriamente preocupado por não responderes a nenhuma de as minhas cartas . A princípio pensei que a culpa fosse de a Errol ... - Quem é a Errol ? - A nossa coruja . Já é velhota . Não seria a primeira vez que adoecia durante uma entrega . Por isso , tentei pedir a Hermes emprestada ... - Quem ? - A coruja que os meus pais compraram a o Percy quando ele foi nomeado prefeito - respondeu Fred . - Mas o Percy não me a emprestou . Disse que precisava de ela . - O Percy tem andado com atitudes muito estranhas este Verão - comentou George franzindo a testa . - E tem mandado imensas cartas e passado um tempo infinito fechado em o quarto ... enfim , pode limpar se e polir um distintivo de prefeito todas_as vezes que se quiser ... Estás a conduzir demasiado para ocidente , Fred - acrescentou apontando para uma bússola em o painel de o automóvel . Fred girou o volante . - Então , o vosso pai sabe que têm o carro ? - perguntou Harry , quase adivinhando a resposta . - Er ... não - disse o Ron . - Ele tinha trabalho esta noite . Felizmente vamos poder pô o de_novo em a garagem , sem a mãe perceber que andámos a voar nele . - A propósito , o que faz o vosso pai em o Ministério_da_Magia ? - Trabalha em o Departamento mais chato - respondeu Ron . - A Divisão de utilização incorrecta de artefactos de os Muggles . - O quê ? - Relaciona se com objectos de feitiçaria que foram feitos por os Muggles ; sabes como é , se forem parar de_novo a uma loja de os Muggles , ou a uma casa , como em o ano passado , quando morreu uma bruxa velha e o bule de ela foi vendido a uma loja de antiguidades . Uma mulher Muggle comprou o , tentou servir chá a os amigos . Foi um pesadelo , o pai teve de fazer horas extraordinárias durante semanas . - O que é_que aconteceu ? - O bule parecia louco , esguichou chá a ferver para todos os lados e um de os homens foi parar a o hospital com a pinça de o açúcar presa em o nariz . O pai ficou nervosíssimo . É só ele e o velho feiticeiro Perkings em o gabinete e tiveram de localizar e descobrir todo o tipo de encantamentos para resolver o assunto . - Mas o teu pai ... este carro ... Fred riu se . - Sim , o pai é louco por tudo_o_que tem que ver com os Muggles . A nossa arrecadação está cheia de coisas de os Muggles . Ele separa as , lança lhes feitiços e volta a pô as em o lugar . Se ele fizesse uma busca a nossa casa teria de se prender a si mesmo . A minha mãe fica louca com tudo aquilo . - É a estrada principal - gritou o George , apontando para baixo através de a janela . - Dentro_de poucos minutos estamos lá , mesmo a tempo , está a começar a clarear . Um leve brilho rosado tingia o horizonte para leste . Fred trouxe o carro para baixo e Harry pôde ver uma manta de retalhos de campos escuros e matas de arbustos . - Estamos um_pouco longe de a vila - disse George . - Em Ottery_St . Catchpole ... O carro voador foi descendo a os poucos . A luz avermelhada brilhava agora por_entre as árvores . - Terra - disse o Fred , em o momento em que tocaram em o chão com um ligeiro solavanco . Tinham aterrado perto_de uma garagem em ruínas em um pequeno pátio e Harry viu pela_primeira_vez a casa de o Ron . Parecia ter sido em tempos uma pocilga de pedra . Mas os quartos que posteriormente lhe tinham sido acrescentados haviam a tornado bastante mais alta e o seu aspecto era tão curvado que parecia ter sido construída por artes mágicas ( o que , pensou Harry , era , muito provavelmente , verdade ) . De o telhado vermelho saíam quatro ou cinco chaminés . Junto de a entrada , fixa em o chão , podia ver se uma inscrição assimétrica que dizia « A toca » . A o lado de a porta principal estava uma contusão de botas de * _ Wellington * e um caldeirão completamente enferrujado . Por o pátio passeavam se várias galinhas castanhas e gordas . - Não é grande coisa - desculpou se o Ron . - É óptima - exclamou Harry , feliz , pensando em Privet_Drive . Saíram de o carro . - Agora vamos lá para_cima sem fazer barulho - disse o Fred . - E esperamos que a mãe nos chame para o pequeno-almoço . Depois tu , Ron , desces a escada entusiasmadíssimo . - Mãe , olha quem apareceu cá durante a noite ! - E ela vai sentir se felicíssima quando vir o Harry . Assim ninguém fica a saber que levámos o carro voador . - Certo - disse o Ron . - Vamos , Harry , eu durmo em o ... Ron ganhou uma cor de um pálido esverdeado , os olhos fixos em a casa . Os outros três fizeram meia volta . Mrs._Weasley avançava por o pátio , afugentando as galinhas e , para uma mulher baixa , roliça e simpática , era fantástico como conseguia parecer se com um tigre dentes-de-sabre . - Ah ! - suspirou o Fred . - Oh , oh ! - exclamou o George . Mrs._Weasley parou em frente de eles . As mãos em as ancas , saltando de um olhar culpado para o outro . Usava um avental a as flores , com uma varinha a sair lhe de o bolso . - Com que então - disse . - Bom dia , mãe - arriscou o George com uma voz que tentou que fosse alegre e bem-disposta . - Vocês têm alguma ideia de como tenho estado preocupada ? - perguntou Mrs._Weasley em um murmúrio fraco . - Desculpe , mãe , mas sabe , nós tivemos que ... Os três filhos de Mrs._Weasley eram mais altos do_que ela , mas tremiam quando a fúria de a mãe se abatia sobre eles . - Camas vazias ! Nem um bilhete ! O carro desaparecido ... Podiam ter tido um acidente , estou fora de mim com tanta preocupação e vocês nem se importam ... nunca , enquanto eu for viva ... esperem só até o vosso pai chegar , nunca tivemos problemas de estes com o Bill , com o Charlie ou com o Percy ... - O perfeito Percy - resmungou Fred . - : __ tu não vales um dedo de a mão de o __ percy ! - gritou Mrs._Weasley , espetando um dedo em o queixo de o Fred . - Podias ter morrido , podias ter sido visto , podias ter feito com que o teu pai perdesse o emprego ... Parecia nunca mais acabar . Mrs._Weasley tinha gritado até ficar ronca , antes de se voltar para o Harry , que recuou . - Estou muito contente por te ver , Harry - disse . - Entra e vem tomar o pequeno-almoço . Ela voltou se e regressou a casa e Harry , depois de trocar um olhar nervoso com o Ron , que lhe acenou , encorajando o , seguiu a . A cozinha era pequena e bastante estreita . A meio havia uma enfezada mesa de madeira e cadeiras em volta e Harry sentou se a a beirinha de o assento , olhando em volta . Era a primeira vez que entrava em uma casa de feiticeiros . O relógio em a parede em frente de ele , tinha apenas um ponteiro e nenhum número . Em volta , estavam escritas frases como « Hora de fazer o chá » , « Hora de dar de comer a as galinhas « e « Estás atrasado » . Empilhados em o rebordo de a lareira estavam livros com títulos como * _ Encanta o teu próprio queijo , Encantamento em a cozedura de o pão e Banquetes em um minuto - é mágico * ! E , a menos que os ouvidos de Harry estivessem a traí o , o velho rádio próximo de o lava-loiças acabara de anunciar que a seguir vinha a Hora de enfeitiçar com a popular feiticeira-cantora Celestina_Warbeck . Mrs._Weasley fazia barulho com os talheres , preparando o pequeno-almoço um bocado a o acaso , lançando olhares furiosos a os filhos , enquanto lançava as salsichas em a frigideira . De vez em quando murmurava coisas como : « Não sei o que vos passou por a cabeça « ou « nunca devia ter confiado em vocês » . - Eu não te culpo , filho - tranquilizou Harry , pondo lhe sete ou oito salsichas em o prato . - Eu e o Arthur temos estado preocupados contigo . Ainda ontem a a noite estivemos a dizer que te iríamos buscar nós próprios se não respondesses a o Ron até sexta-feira . Mas , em a verdade ( estava agora a acrescentar três ovos estrelados a o prato de ele ) , atravessar metade de o país a voar em um carro ilegal , qualquer um vos poderia ter visto ... Agitou maquinalmente a varinha em a direcção de o lava-loiças , onde a loiça começou a lavar se sozinha , tinindo baixinho lá atrás . - Estava enevoado , mãe ! - exclamou o Fred . - Boca fechada enquanto comes ! - interrompeu Mrs._Weasley . - Eles estavam a fazê o passar fome , mãe ! - disse o George . - E tu também ! - disse Mrs._Weasley , mas já foi com uma expressão mais doce que começou a cortar o pão para Harry e a barrá o com manteiga . Em esse momento , as atenções voltaram se para um pequenino volto de cabelos ruivos , em uma camisa de dormir até a os pés , que surgiu em a cozinha , deu um grito agudo e desapareceu de_novo . - É a Ginny - disse Ron baixinho a o Harry -- , a minha irmã . Tem falado de ti todo o Verão . - Sim , ela vai querer o teu autógrafo , Harry - riu se o Fred , mas o seu olhar cruzou se com o de a mãe e inclinou se para o prato , não voltando a abrir a boca . Ninguém falou até os quatro pratos estarem limpos , o que sucedeu a uma velocidade surpreendente . - Bolas , estou cansado - bocejou Fred , pousando a faca e o garfo . Acho que me vou deitar e ... - Não vais , não senhor - interrompeu Mrs._Weasley . - A culpa é tua se ficaste toda_a noite acordado . Vais fazer a des-gnomização de o jardim . Eles estão outra_vez a exagerar . - Oh , mãe ... - E vocês os dois o mesmo - dirigiu se a o Ron e a o Fred . - Tu podes ir para a cama , filho - disse a Harry . - Não lhes pediste que guiassem aquele carro miserável . Mas Harry , que se sentia acordadíssimo , respondeu prontamente : - Eu ajudo o Ron , nunca vi uma des-gnomização ... - É muito simpático de a tua parte , querido , mas é um trabalho chato - explicou Mrs._Weasley . - Vejamos o que o Lockhart tem a dizer acerca disto . E puxou de o rebordo de a lareira um livro pesadíssimo . George resmungou : - Mãe , nós sabemos * des-gnomizar * o jardim . Harry olhou para a capa de o livro de Mrs._Weasley . Em grandes letras douradas , que ocupavam grande parte de a capa , podia ler se Guia_de_Gilderoy_Lockhart para pragas caseiras . Via se também a grande fotografia de um feiticeiro bem-parecido , de cabelos loiros ondulados e olhos azuis brilhantes . Como sempre , em o mundo de os feiticeiros , a fotografia mexia se . O feiticeiro , que Harry calculou ser Gilderoy_Lockhart , não parava de lhes piscar os olhos descaradamente . Mrs._Weasley sorriu lhe . - Oh , ele é fantástico - disse . - Conhece bem as pragas caseiras . É um livro maravilhoso . - A mãe adora o - disse Fred em um murmúrio bastante audível . - Não sejas ridículo , Fred - repreendeu Mrs._Weasley com as bochechas coradas . - É claro que se achas que sabes mais do_que o Lockhart , podes ir fazer o trabalho e ai de ti se houver um único gnomo em o jardim quando eu for fazer a inspecção . A bocejar e a resmungar , os Weasley arrastaram se lá para fora com Harry atrás de eles . O jardim era grande e , em a opinião de Harry , exactamente como deveria ser um jardim . Os Dursleys não teriam gostado . Havia uma enorme quantidade de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada , mas havia árvores nodosas em volta de as paredes , plantas que Harry nunca vira , tombando de todos os canteiros e um grande lago verde cheio de rãs . - Os Muggles também têm gnomos de jardim , sabes - disse o Harry a o Ron , enquanto atravessavam a relva . - Sim , já vi essas coisas que eles pensam que são gnomos - disse o Ron todo dobrado , com a cabeça em uma moita de peónias . - Como os Pais_Natais gordinhos com canas de pesca ... Houve um tumulto ruidoso , a moita de peónias estremeceu e Ron endireitou se . - Isto_é um gnomo - declarou com um ar sério . - Larga eu ! Larga eu ! - guinchou o gnomo . Não se parecia em absoluto com o Pai_Natal . Era pequenino e parecia de couro , com uma grande cabeça protuberante e calva , precisamente como uma batata . Ron agarrou o a a distância de um braço , enquanto ele dava pontapés em o ar com os seus pézinhos que pareciam chifres . Agarrou o por os tornozelos e voltou o de pernas para o ar . - Isto_é o que tens de fazer - disse . Levantou o gnomo acima de a cabeça ( Larga eu ! ) e começou a balouçá o em grandes círculos , como os vaqueiros fazem com os laços . A o ver a expressão chocada de Harry , Ron explicou : - Não os mágoa . Só tens de os deixar bem tontos para que consigam encontrar o caminho de regresso a os buracos de os gnomos . Largou os tornozelos de o gnomo . Ele voou seiscentos metros e aterrou com um ruído surdo em o campo a o lado de a sebe . - Deplorável - afirmou o Fred . - Aposto que consigo lançar o meu para_além de aquele tronco . Harry aprendeu rapidamente a não sentir muita pena de os gnomos . Decidira largar o primeiro que apanhou para_além de a sebe , mas o gnomo , sentindo fraqueza , enfiou os seus dentinhos , aguçados como laminas , em o dedo de o Harry e não foi fácil sacudi o para ele o largar , até que ... - Uau , Harry , esse deve ter sido seiscentos metros ... O ar estava subitamente cheio de gnomos voadores . - Vês , eles não são muito espertos - afirmou o George , agarrando cinco ou seis de uma_vez . - Em o momento em que se apercebem que começou a * des-gnomização * , aparecem todos para espreitar . Era de esperar que já tivessem aprendido a ficar quietinhos . Rapidamente a multidão de gnomos começou a ir se embora , atravessando os campos em uma fila ordenada , com os pequeninos ombros arqueados . - Eles voltam - disse o Ron enquanto os via desaparecer em a sebe de o outro lado de o campo . - Eles adoram estar aqui ... o pai é muito mole com eles , acha lhes piada . Em esse momento , a porta de a frente bateu . - Ele já voltou ! - exclamou o George . - O pai já está em casa ! Apressaram se a entrar . Mr._Weasley tinha se afundado em uma de as cadeiras de a cozinha , sem óculos e com os olhos fechados . Era um homem magro , quase calvo , mas o pouco cabelo que tinha era tão ruivo como o de os filhos . Vestia um longo manto verde cheio de pó e estava cansado de a viagem . - Que noite - murmurou , tacteando em busca de o bule , enquanto todos se sentavam a a volta de ele . - Nove assaltos , nove ! E o velho Mundungs_Fletcher tentou lançar me um feitiço quando eu estava de costas . Mr._Weasley tomou um bom gole de chá e suspirou . - Encontrou alguma coisa , pai ? - perguntou Fred ansiosamente . - Só encontrei algumas chaves encolhidas e uma chaleira que mordia - bocejou Mr._Weasley . - Havia um material bastante mauzinho , mas não era de o meu departamento . O Mortlake foi levado para ser interrogado sobre uns furões extremamente antigos , mas isso pertence a a Comissão_dos_Feitiços_Experimentais , graças_a Deus . - Por_que é_que alguém ia dar se a o trabalho de fazer encolher chaves ? - perguntou George . - Para chatear os Muggles - suspirou Mr._Weasley . - Vende se lhes uma chave que não pára de encolher , até que desaparece , de_modo_a que nunca a encontrem quando precisam ... É claro que é muito difícil condenar alguém , porque nenhum Muggle é capaz de admitir que a sua chave está a encolher , insistem em que estão sempre a perdê a . Benditos sejam , vão até onde for preciso para ignorar a magia , mesmo_que ela esteja em frente de os seus narizes ... mas vocês não acreditariam em as coisas que o nosso grupo tem levado para enfeitiçar ... - : __ como carros , por __ exemplo ? Mrs._Weasley tinha aparecido , segurando um grande atiçador que parecia uma espada . Os olhos de Mr._Weasley abriram se de repente , fitando a mulher com um ar culpado . - C-carros , Molly querida ? - Sim , Artur , carros - afirmou Mrs._Weasley , os olhos a faiscar . - Imagina um feiticeiro a comprar um carro velho e enferrujado e dizer a a mulher que a única coisa que queria fazer com ele era desmontá o para ver como ele funcionava , enquanto em a verdade estava a enfeitiçá o para o fazer voar . Mr._Weasley piscou os olhos . - Bem , querida , acho que poderás constatar que não é ilegal fazer isso , embora , er , talvez ele devesse ter contado a verdade a a mulher ... Existe uma forma de tornear a lei , já_que ela diz que ... desde_que não se tenha a * intenção * de voar em o carro , o facto de ele poder voar , não ... - Arthur_Weasley tu arranjaste essa forma de tornear a lei quando a escreveste ! - gritou Mrs._Weasley . - Para poderes continuar a remexer em todo aquele lixo de os Muggles que tens em a arrecadação ! E , para tua informação , o Harry chegou hoje_de_manhã em o carro que tu não pretendias pôr a voar ! - Harry ? - perguntou Mr._Weasley sem expressão . - Qual Harry ? Olhou em volta , viu Harry e deu um salto . - Santo_Deus , é Harry_Potter ? Muito prazer , o Ron falou nos tanto de si ... - * _ O teu filho conduziu aquele carro até a a casa de o Harry e de volta até aqui em a noite passada ! * - gritou Mrs._Weasley . - O que tens a dizer a esse respeito ? - A sério ! ? - exclamou Mr._Weasley com vivacidade . - Correu tudo bem , quero dizer ... - vacilou a o ver os olhos de Mrs._Weasley que faiscavam . - Er , fizeram mal , rapazes , muito mal , mesmo ... - Vamos deixá os a os dois - murmurou o Ron , enquanto Mrs._Weasley inchava como um sapo gigantesco . - Vamos , vou mostrar te o meu quarto . Esgueiraram se de a cozinha e desceram uma passagem estreita que dava para uma escada desnivelada que ziguezagueava a o longo de a casa . Em o terceiro andar , estava uma porta entreaberta . Harry só teve tempo de ver um par de olhos castanhos brilhantes que o olhavam fixamente , antes de a porta se fechar com um estalido . - A Ginny - disse o Ron . - Não imaginas como é estranho vês a tão tímida , ela que quase nunca se cala ... Subiram mais dois andares , até chegarem a uma porta com a tinta a descascar e uma pequena placa dizendo : « Quarto_do_Ronald » . Harry entrou . A cabeça quase tocava em o tecto inclinado . Piscou os olhos . Era como entrar dentro_de uma fornalha : quase tudo em o quarto de o Ron tinha um violento matiz alaranjado : a colcha de a cama , as paredes , até o tecto . Em seguida , apercebeu se de que o Ron tinha coberto cada centímetro de o velho papel de parede com * posters * de as mesmas sete feiticeiras e feiticeiros , todos vestidos com brilhantes mantos cor de laranja , transportando vassouras e acenando entusiasticamente . - A tua equipa de Quidditch ? - perguntou Harry . - Os Chudley_Cannons - disse Ron , apontando para a colcha cor de laranja que tinha um brasão com dois C's gigantes e uma bala de canhão a_toda_a velocidade . - Nono em a Liga . Os livros de estudo de feitiços de Ron estavam empilhados desordenadamente a um canto , junto de um monte de B. _ D. , todas elas relativas a as * _ Aventuras_de_Martin_Miggs , o Muggle louco * . A varinha mágica de o Ron estava em_cima_de um aquário cheio de ovos de rã sobre o peitoril de a janela , junto de o seu rato gordo e cinzento , Scabbers , que dormia uma soneca a o sol . Harry passou por_cima_de um baralho de cartas de jogar com vontade própria , que estava caído em o chão , e olhou para fora de a janelinha . Em o campo , não muito longe , podia ver um grupo de gnomos a esgueirarem se , um a um , de_novo para a sebe de os Weasley . Em seguida , voltou se para Ron que o observava nervoso , como_se esperasse a opinião de ele . - É um_pouco pequeno - declarou o Ron muito depressa . - Não se parece nada com o quarto que tu tinhas em casa de os Muggles . E estou mesmo debaixo de o vampiro de o sótão . Ele anda sempre a bater nos canos e a gemer ... Mas Harry , com um grande sorriso , disse lhe : - Esta é a melhor casa em que eu já estive . As orelhas de Ron ficaram cor-de-rosa . IV_Na_Flourish and Blotts_A vida em a Toca era o mais diferente que é possível de a vida em Privet_Drive . Os Dursleys gostavam de tudo limpo e arrumado , em casa de os Weasleys explodia o estranho e o inesperado . Harry teve um choque de a primeira vez que olhou para o espelho que estava sobre a lareira de a cozinha e ele gritou : - Mete para dentro a camisa , * desmazelado ! * - O vampiro de o sótão gemia e batia nos canos , sempre_que sentia as coisas demasiado calmas e as pequenas explosões em o quarto de o Fred e de o George , eram consideradas perfeitamente normais . Mas o que o Harry achou mais bizarro em a vida em casa de o Ron , não foi o espelho que falava , nem o vampiro barulhento , foi o facto de todos ali em casa parecerem gostar de ele . Mrs._Weasley preocupava se com o estado de as suas meias e tentava obrigá o a servir se quatro vezes a cada refeição . Mr._Weasley gostava que Harry se sentasse a o lado de ele a a mesa para poder bombardeá o com perguntas sobre a vida com os Muggles , pedindo que lhe explicasse como funcionavam coisas como as canalizações e o serviço de os correios . - Fascinante ! - exclamava , enquanto Harry lhe explicava a utilização de o telefone . - Engenhoso , de facto , todas_as maneiras que os Muggles encontraram para passar sem a magia . Harry teve notícias de Hogwarts em uma manhã de sol , cerca de uma semana depois de ter chegado a a Toca . Quando , ele e o Ron desceram para tomar o pequeno-almoço , encontraram Mr. e Mrs._Weasley e Ginny já sentados a a mesa . Em o momento em que viu o Harry , Ginny entornou a tigela de os cereais , que caiu a o chão com grande espalhafato . Ginny entornava facilmente coisas sempre_que o Harry estava em a sala . Mergulhou debaixo de a mesa para apanhar a tigela e emergiu com o rosto a brilhar como o sol poente . Fingindo não ter dado por nada , Harry sentou se e aceitou a torrada que Mrs._Weasley lhe ofereceu . - Cartas de a escola - disse Mr._Weasley , passando a o Harry e a o Ron envelopes idênticos de pergaminho amarelado , com a morada escrita a tinta verde . - O Dumbledore já sabe que estás aqui , Harry , não perde nada aquele homem . Vocês os dois também - acrescentou , enquanto Fred e George deambulavam em a casa , ainda em pijama . Fez se silêncio durante alguns momentos , enquanto liam as respectivas cartas . A de o Harry dizia para apanhar o Expresso_de_Hogwarts , como sempre em a Estação_de_King's_Cross , em o dia_1_de_Setembro . Havia ainda uma lista de os livros que precisaria para o próximo ano . Os alunos de o segundo ano deverão ter : * _ O_Livro_Padrão_de_Feitiços , Grau 2 , por Miranda_Goshawk . * _ Ensinamentos_de_Uma_Fada_Carpideira , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Férias com Bruxas , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Duendes , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Lobisomens , por Gilderoy_Lockhart . * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves , por Gilderoy_Lockhart * . Fred , que terminara a sua própria lista , espreitou para a de o Harry . - Também te mandam comprar os livros de o Lockhart - disse . - A professora de defesa contra as artes negras deve ser fanática . Aposto que é uma bruxa . Nessa_altura , Fred percebeu o olhar de a mãe e apressou se a comer o doce de laranja . - Esse conjunto não vai ficar barato - disse George , olhando rapidamente para os pais . - Os livros de o Lockhart são de os mais dispendiosos ... - Cá nos havemos de arranjar - declarou Mrs._Weasley , mas parecia preocupada . - Espero que pelo_menos para a Ginny possamos arranjar uma data de coisas em segunda mão . - Ah , vais entrar este ano para Hogwarts ? - perguntou lhe Harry . Ela fez um aceno , corando até a a raiz de os cabelos ruivos e meteu o cotovelo em o pires de a manteiga . Felizmente ninguém deu por nada , a não ser o Harry , porque em esse momento o irmão mais velho de Ron , o Percy , entrou . Já estava vestido , com a placa de prefeito aplicada a a sua camisola de malha . - Bom dia a todos - disse , cheio de vivacidade . - Está um dia lindo . Puxou a única cadeira livre , mas deu um salto quando ia sentar se e , debaixo de ele , saltou um espanador cinzento de penas , pelo_menos , foi o que o Harry pensou até ver que ele respirava . - Errol ! - exclamou Ron , afastando a coruja de o Percy e retirando lhe debaixo de a asa uma carta . - Até que enfim , a resposta de a Hermione . Escrevi lhe a contar que íamos tentar raptar te de casa de os Dursleys . Levou Errol para um poleiro que havia junto a a porta de as traseiras e tentou colocá a lá em cima , mas Errol caiu redonda e Ron teve de a pôr em a pia , murmurando : - Patético . - Em seguida , abriu a carta de a Hermione e leu a em voz alta . * _ Querido_Ron e Harry , se aí estiveres . Espero que tudo tenha corrido bem , que o Harry esteja O. _ K. e que não tenham feito nada ilegal para conseguir trazes o , porque isso podia criar lhe problemas também a ele . Tenho estado muito preocupada e , se o Harry estiver bem , por favor digam me qualquer coisa rapidamente , mas talvez seja melhor usarem uma nova coruja , porque acho que outra entrega pode acabar como esta . * _ Estou muito atarefada com trabalho de a escola , claro * . - Como é possível ? - perguntou Ron , horrorizado . - Estamos em férias ! - * _ E vamos para Londres em a próxima quarta-feira para comprar os meus livros novos . Porque não nos encontramos em a Diagon-al ? * _ Dêem-me notícias vossas o mais depressa possível . * _ Carinhosamente_Hermione * - Bem , parece uma boa solução , podemos ir todos comprar as vossas coisas - disse Mrs._Weasley , começando a limpar a mesa . - O que vão fazer hoje ? Harry , Ron , Fred e George tinham planeado ir a o cimo de o monte a um pequeno cercado de cavalos que os Weasleys possuíam . Estava rodeado de árvores que lhe tapavam a vista de a cidade cá em baixo , o que quer_dizer que podiam praticar Quidditch , desde_que não voassem muito alto . Não podiam usar as verdadeiras bolas de Quidditch pois seria muito difícil explicar se elas escapassem e voassem sobre a cidade . Em vez de elas , lançavam maçãs para os outros apanharem . Faziam turnos para montar a Nimbus dois_mil , que era de longe a melhor vassoura . A velha Shooting_Star_de_Ron fora muitas_vezes ultrapassada por as borboletas que passavam . Cinco minutos mais tarde estavam a marchar por o monte acima , de vassouras a o ombro . Tinham perguntado a o Percy se ele queria juntar se a eles , mas ele alegara muito trabalho . Até esse dia , Harry só tinha visto Percy a a hora de as refeições , ele ficava em silêncio em o quarto o resto de o tempo . - Gostava de saber o que ele anda a fazer - afirmou Fred , de testa franzida . - Não parece o mesmo . O resultado de os exames veio um dia antes de tu chegares : doze N_F_V e ele nem se manifestou satisfeito . - Níveis_de_Feitiçaria_Vulgares - explicou o George , vendo o olhar atarantado de Harry . - Se não temos cuidado , ainda nos calha outro Chefe_de_Turma em a família . Acho que não suportaria a vergonha . Bill era o mais velho de os irmãos Weasley . Ele e o irmão a seguir , Charlie , já tinham saído de Hogwarts . Harry não conhecia nenhum de os dois , mas sabia que o Charlie estava em a Roménia a estudar dragões e o Bill em o Egipto a trabalhar em o banco de os feiticeiros : Gringotts . - Não sei como o pai e a mãe vão arranjar dinheiro para nos pagar o material escolar este ano - disse o George , passado um bocado . - Cinco conjuntos de livros de o Lockhart ! E a Ginny precisa de mantos e de uma varinha e tudo_isso ... Harry não disse nada . Sentiu se um_pouco incomodado . Fechada em um cofre subterrâneo , em o banco de Gringotts_de_Londres , estava uma pequena fortuna que os pais lhe tinham deixado . É claro que só tinha esse dinheiro em o mundo de os feiticeiros , não se podem usar Galeões , Leões e Janotas em as lojas de os Muggles . Ele nunca fizera referência a a sua conta bancária em Gringotts a os Dursleys . Não lhe parecia que o horror que eles sentiam por tudo_o_que se relacionava com a feitiçaria se estendesse a uma enorme pilha de barras de ouro . Mrs._Weasley acordou os a todos bem cedo , em a quarta-feira seguinte . Depois de comerem umas doze sanduíches de * bacon * cada_um , enfiaram os casacos e Mrs._Weasley tirou um vaso de a prateleira de o fogão de a cozinha e espreitou lá para dentro . - Está a acabar se , Arthur - suspirou . - Temos de comprar mais hoje ... Bem , os hóspedes primeiro . Passa , Harry querido ! E ofereceu lhe o vaso de flores . Harry olhou espantado enquanto todos eles o observavam . - O q-que é_que eu devo fazer ? - gaguejou . - Ele nunca viajou com o pó de Floo - disse o Ron subitamente . - Desculpa , Harry , esqueci me . - Nunca ? - perguntou Mrs._Weasley . - Mas então como chegaste a a Diagon - _ Al em o ano passado para comprar as tuas coisas ? -- Fui por o subterrâneo . - A sério ? - disse Mr._Weasley , entusiasmado . - Havia fugitivos ? Como é_que ... - Agora não , Arthur - disse Mrs . Weasley . - O pó de Floo é muito mais rápido , querido , mas , valha me Deus , se ele nunca o usou ... - Vai correr bem , mãe - disse o Fred . - Harry observa nos primeiro . Tirou uma pitada de pó brilhante de dentro de o vaso , aproximou se de o lume e lançou o pó em as chamas . Com um rugido , o fogo ficou verde-esmeralda e elevou se a uma altura superior a a de o Fred que avançou , gritando Diagon - _ Al ! E desapareceu . - Tens de falar claramente , filho - disse Mrs._Weasley a o Harry , ao_mesmo_tempo que George metia a mão em o vaso de as flores . - E vê se sais em o fogão certo . - Em o quê ? - perguntou Harry , nervoso , enquanto o lume crepitava e fazia George desaparecer também . - Bem , há imensos fogos de feiticeiros , mas desde_que te tenhas expressado claramente ... - Ele vai conseguir , Molly , não te preocupes - disse Mr._Weasley , tirando também ele algum pó . - Mas querido se ele se perde como é_que vamos justificar nos perante o tio e a tia de ele ... -- Eles não se importariam - tranquilizou a Harry . - O Dudley ia achar imensa piada se eu me perdesse em uma chaminé , não se preocupe . - Bem , em esse caso ... tu vais a seguir a o Arthur - disse Mrs._Weasley . - Logo_que entres em o fogo diz para_onde queres ir . - E mantém os cotovelos dobrados - preveniu o Ron . - E os olhos fechados - disse Mrs._Weasley . - A fuligem . - Não te enerves - disse o Ron . - Senão podes ir parar a a lareira errada . - Não entres em pânico e não queiras sair cedo de mais . Espera até veres o Fred e o George . Fazendo um enorme esforço por reter toda aquela informação , Harry tirou uma pitada de pó de Floo e avançou para a beirinha de o fogo . Respirou fundo , espalhou o pó em as chamas e entrou . O fogo parecia uma brisa quente . Abriu a boca e engoliu , de imediato , uma grande quantidade de cinzas quentes . D-dia-gon-al - tossiu . Sentiu se como_se estivesse a ser sugado para um buraco gigantesco . Como_se girasse muito depressa ... o ruído era ensurdecedor . Tentou manter os olhos abertos mas o turbilhão de chamas verdes fê lo enjoar ... algo duro bateu lhe em o cotovelo e dobrou o de imediato . Continuava a rodar , a rodar ... sentia se agora como_se várias mãos frias estivessem a bater lhe em a cara ... Espreitando através de os óculos , viu uma torrente imprecisa de fogões e captou lampejos de as salas que estavam por detrás ... as sanduíches de * bacon * davam lhe a volta dentro de o estômago ... fechou os olhos desejando que tudo aquilo parasse e então caiu , de cara em o chão , em a pedra fria e sentiu os óculos partirem se a os bocados . Desorientado e ferido , coberto de fuligem , pôs se cautelosamente de pé , levando a os olhos os óculos partidos . Estava completamente só e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava . Tudo_o_que podia dizer era que a o seu lado via uma lareira que lhe parecia ser a de uma enorme e indistinta loja de feitiçaria . Mas nenhum de os artigos que ali se encontravam tinham aspecto de fazer parte de a lista de a escola de Hogwarts . Em uma caixa de vidro podia ver se uma mão atrofiada que repousava sobre uma almofada , um baralho de cartas ensanguentado e um olho de vidro que o olhava fixamente . Máscaras de expressão maldosa enchiam as paredes , olhando de esguelha , uma enorme quantidade de ossos humanos estendia se sobre o balcão e , de o tecto , pendiam instrumentos aguçados com pontas de ferro e pregos enferrujados . Mas o pior é_que a rua estreita e escura , que Harry conseguia avistar através de a janela poeirenta de a loja , não era de modo algum a Diagon-al . Quanto_mais depressa saísse de ali , melhor . O nariz ainda a doer lhe em o sítio onde batera em o chão a o aterrar , Harry avançou rápida e silenciosamente em direcção a a porta , mas antes de conseguir chegar a meio caminho , duas pessoas apareceram de o lado de_fora de o vidro , e uma de elas era a última pessoa que Harry desejaria encontrar em o momento em que se encontrava perdido , coberto de fuligem e com os óculos partidos , Draco_Malfoy . Harry olhou rapidamente em volta e apercebeu se de a existência de um grande armário escuro a a sua esquerda , saltou lá para dentro e fechou as portas , deixando uma gretazinha para poder espreitar . Segundos depois , uma campainha tocava e Malfoy entrava em a loja . O homem que o acompanhava só podia ser o pai . Tinha o mesmo rosto pálido de feições agudas e os mesmos olhos cinzentos de gelo . Mr._Malfoy atravessou a loja , olhando maquinalmente para os artigos expostos e tocou a campainha de o balcão , antes de se voltar para o filho , dizendo : - Não mexas em nada , Draco . Malfoy , que vira o olho de vidro , disse : - Pensei que ias oferecer me um presente . - Eu prometi que ia comprar te uma vassoura de corrida - declarou o pai , tamborilando com os dedos sobre o balcão . - Para que é_que me serve , se não estou em a equipa de Quidditch ? - perguntou Malfoy , carrancudo e de mau humor . - O Harry_Potter teve uma Nimbus dois_mil o ano passado , com a autorização especial de o Dumbledor é para jogar em os Gryffindor . Ele nem é assim tão bom , é só por ser * famoso * ... famoso por ter uma estúpida cicatriz em a testa . Malfoy baixou se para observar uma prateleira cheia de crânios . - Todos acham que ele é tão esperto , o Potter maravilha , com a sua cicatriz e a sua vassoura ... - Já me disseste isso doze vezes pelo_menos - comentou Mr._Malfoy , olhando repressivamente para o filho . - E devo lembrar te que não é prudente parecer menos do_que amigo de Harry_Potter , quando a maior parte de a nossa gente vê em ele um herói que fez desaparecer o Senhor_do_Mal . Ah , Mr._Borgin . Um homem curvado surgiu por detrás de o balcão , puxando o cabelo gorduroso para trás . - Mr._Malfoy , que prazer vês o de_novo - disse Mr._Borgin , em uma voz tão untuosa como o cabelo . - Encantado , e o nosso jovem Malfoy também , encantado . Em que posso servi os ? Tenho que vos mostrar o que chegou hoje , a um preço muito razoável ... - Hoje não venho comprar , Mr._Borgin , e sim vender - afirmou Mr._Malfoy . - Vender ? - O sorriso apagou se lentamente em o rosto de Mr._Borgin . - Certamente ouviu dizer que o Ministério está a levar a cabo mais buscas - explicou o Mr._Malfoy , retirando de o bolso um rolo de pergaminho e desembrulhando o para Mr._Borgin o ler . - Eu tenho alguns , ah , artigos em casa que poderiam criar me problemas se o Ministério me batesse a porta . Mr._Borgin colocou em o nariz um par de * pince-nez * e olhou para a lista . - O Ministério não se lembraria de o incomodar certamente ... O lábio de Mr._Malfoy dobrou se . - Ainda não me fizeram nenhuma visita . O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito , mas o Ministério está a ficar cada_vez_mais intrometido . Há boatos sobre um novo decreto de protecção de os Muggles , sem dúvida que aquele mordido de as pulgas , adorador de os Muggles , que é o Arthur_Weasley deve estar por detrás de isso . Harry sentiu crescer a raiva . - E , como pode ver , alguns de estes venenos podiam dar a ideia ... - Compreendo perfeitamente , claro - disse Mr._Borgin . - Deixe me ver ... - Posso ter aquilo ? - interrompeu Draco , apontando para a mão raquítica que estava sobre a almofada . - Ah , a mão de a glória ! - exclamou Mr._Borgin , abandonando a lista de Mr._Malfoy e apressando se a responder a Draco . - Põe se lhe uma vela e ela só dá luz a quem a transporta ! A melhor amiga de os gatunos e de os salteadores , o seu filho tem gosto , senhor . - Espero que o meu filho venha a ser mais do_que gatuno ou salteador , Borgin - disse Mr._Malfoy friamente e Mr._Borgin respondeu logo : - Sem ofensa , senhor , sem querer ofender . - Embora , se as notas de a escola não melhorarem - disse Mr._Malfoy ainda mais friamente - esse possa vir a ser o único caminho possível para ele . - Não tenho culpa - retorquiu Draco . - Todos os professores têm os seus preferidos , aquela Hermione_Granger ... - Eu , em o teu lugar , teria vergonha que uma rapariga que nem_sequer pertence a famílias de feiticeiros , me passasse a a frente em todos os exames - interrompeu Mr._Malfoy . Ah - fez Harry baixinho , radiante por ver Draco atrapalhado e furioso . - É o mesmo em todo o lado - comentou Mr._Borgin em a sua voz untuosa . - O sangue de os feiticeiros conta cada_vez menos ... - Não para mim - afirmou Mr._Malfoy , com as longas narinas dilatadas . - Não senhor , nem para mim - concordou Mr._Borgin , inclinando se em uma vénia . - Em esse caso , talvez possamos voltar a a minha lista - disse Mr._Malfoy secamente . - Estou com alguma pressa , Borgin , tenho ainda hoje assuntos importantes a tratar em outro lado . Começaram a discutir os preços . Harry via nervosamente o Draco aproximar se de o seu esconderijo enquanto observava os objectos a a venda . Parou para examinar um enorme rolo de corda de carrasco e para ver , com um sorriso afectado , o cartão preso com um aparatoso laço de opalas onde podia ler se : * _ Cautela , não tocar . Amaldiçoado - reclama as vidas de dezanove donos , todos eles Muggles * . Draco voltou se e viu o armário mesmo em frente . Avançou , estendeu a mão para o puxador ... - Feito - disse Mr._Malfoy , a o balcão . - Vamos , Draco . Harry limpou a testa a a manga quando Draco se afastou . - Muito bom dia , Mr._Borgin . Espero por si amanhã em a mansão para ir buscar a mercadoria . Em o momento em que a porta se fechou , Mr._Borgin abandonou os seus modos subservientes . « Bom dia para o senhor , Mr._Malfoy , e , se as histórias que contam são verdadeiras , não me vendeu nem metade do_que tem escondido em a sua mansão ... » Murmurando de forma taciturna , Mr._Borgin desapareceu em uma sala escura . Harry esperou um minuto não fosse ele voltar e , em seguida , o mais silenciosamente possível , escapou se de o armário , passou por as caixas de vidro e saiu de a loja . Encostando os óculos partidos a o rosto , olhou em volta . Saíra em uma rua estreita e sombria que parecia composta exclusivamente de lojas dedicadas a as artes negras . Aquela de onde acabava de sair parecia ser a maior , mas em frente estava uma montra tétrica de cabeças encolhidas e duas portas abaixo podia ver se uma enorme caixa viva cheia de gigantescas aranhas pretas . Dois feiticeiros com aspecto pobre observavam o de a sombra de uma porta , murmurando entre si . Sentindo se nervoso , Harry pôs se a caminho , tentando agarrar os óculos a direito e não desistindo de a esperança de encontrar maneira de sair de ali . Por um cartaz de madeira , pendurado em a rua , indicando uma loja de venda de velas envenenadas , ficou a saber que se encontrava em a Rua * _ Bativolta * , mas isso não o ajudou pois Harry nunca ouvira falar em tal lugar . Calculou que não tinha pronunciado bem as palavras com a boca cheia de cinzas em a lareira de os Weasley . Tentando manter a calma perguntou a si mesmo o que havia de fazer . - Não estás perdido , pois não , meu menino ? - perguntou uma voz , mesmo junto de o seu ouvido , que o fez dar um salto . Uma bruxa idosa estava em a sua frente , segurando um tabuleiro de uma coisa que se parecia horrivelmente com unhas humanas . A mulher olhou o maldosamente , mostrando os dentes esverdeados . Harry recuou . - Estou bem , obrigado - disse . - Estou só ... - HARRY ! O qu'é que pensas que estás a fazer aqui ? O coração de Harry deu um salto , assim_como o de a bruxa . Um monte de unhas caíram lhe sobre os pés e ela praguejou , enquanto o corpo enorme de Hagrid , o guarda de os campos de Hogwarts , se aproximava de eles a passos largos com os olhos castanhos-escuros a faiscarem sobre a longa barba eriçada . - Hagrid - gritou Harry , aliviado . - Eu estava perdido ... o pó de Floo ... Hagrid agarrou Harry por o cachaço e puxou o para longe de a bruxa , tirando lhe o tabuleiro de as mãos . Os guinchos agudos de a feiticeira seguiram nos até a o fundo de a ruela serpenteante que ia dar a um lagar onde brilhava o sol . Harry avistou a a distância um edifício de mármore branco como a neve que lhe era familiar : o banco de Gringotts . Hagrid conduzira o até a a Diagon - _ Al . - ` _ tás em um péssimo estado ! - disse Hagrid bruscamente , sacudindo lhe a fuligem com tanta força que Harry quase caiu em um barril de estrume de dragão que se encontrava a a porta de um boticário . - A fugir , em a Rua * _ Bativolta * , eu não conheço esse lugar finório , Harry , não quero que ninguém te veja aqui em baixo . - Já percebi - disse Harry , baixando se quando Hagrid fez menção de o escovar melhor . - Já te disse que estava perdido . E o que é_que tu fazes aqui ? - ` _ Tou a a procura d'um repelente para as lesmas comedoras de legumes - resmungou Hagrid . - ` _ tão a destruir as couves todas de a escola . Tu não estás sozinho ? - Estou em casa de os Weasley , mas separámo nos explicou Harry . - Tenho que os encontrar . Desceram juntos a rua . - Por_que é_que nunca respondeste a as minhas cartas ? - perguntou Hagrid , enquanto Harry corria para o acompanhar ( tinha de dar três passos por cada enorme passada de Hagrid ) . Harry explicou lhe tudo sobre Dobby e os Dursleys . - Malditos_Muggles - rugiu Hagrid . - S'eu tivesse sabido ... - Harry ! Harry ! Aqui ! Harry olhou para_cima e viu Hermione_Granger em o topo de a escadaria de Gringotts . Desceu para vir a o encontro de ele , o cabelo castanho de caracóis , a esvoaçar atrás de ela . - O que aconteceu a os teus óculos ? Olá_Hagrid ... Oh , é maravilhoso ver vos outra_vez . Vens a Gringotts , Harry ? - Logo_que encontre os Weasley - respondeu ele . - Não vais ter d'esperar muito - riu se Hagrid . Harry e Hermione olharam em volta . Subindo a rua , em o meio de a multidão , vinham Ron , Fred , George , Percy e Mr._Weasley . - Harry - chamou Mr._Weasley , ofegante . - Tínhamos esperança que só tivesses ido um fogão mais longe ... - passou um pano em a sua calva reluzente . - A Molly está nervosíssima , aí vem ela . - Onde é_que tu saíste ? - perguntou o Ron . - Em a Rua * _ Bativolta * - disse o Hagrid , com um ar sério . - Sensacional ! - exclamaram Fred e George ao_mesmo_tempo . - Nunca nos deram autorização para lá ir - disse o Ron com uma pontinha de inveja . - E fizeram muito bem - grunhiu Hagrid . Mrs._Weasley chegou em aquele momento a correr , a mala a balouçar em uma de as mãos e Ginny quase pendurada em a outra . - Oh Harry , oh meu querido , podias ter ido parar a qualquer lugar ... Tentando recuperar o fôlego , tirou de a mala uma grande escova de roupa e começou a retirar a fuligem que Hagrid não conseguira expulsar . Mr._Weasley pegou em os óculos de Harry , deu lhes um toque de varinha e entregou lhe os como novos . - Bem , tenho de m'ir embora - disse Hagrid cuja mão estava a ser esmagada por Mrs._Weasley ( -- Rua * _ Bativolta * ! Se não o tivesses encontrado , Hagrid ! ) . - Vemo nos em Hogwarts . - E afastou se , os ombros e a cabeça acima de a multidão que enchia completamente a rua . - Adivinham quem eu vi em o Borgin and Burkes ? - perguntou Harry_a_Ron e a Hermione enquanto subiam as escadarias de Gringotts . - Malfoy e o pai . - O Lucius_Malfoy comprou alguma coisa ? - perguntou interessado Mr._Weasley que estava atrás de eles . - Não , estava a vender . - Então está preocupado - comentou Mr._Weasley com visível satisfação . - Ah , eu adorava apanhar o Lucius_Malfoy em alguma . . - Tem cuidado , Arthur - interrompeu Mrs._Weasley enquanto o gnomo porteiro lhes dava reverentemente entrada em o banco . - Isso é um problema de família . Não queiras ter mais olhos que barriga . - Queres dizer com isso que achas que eu não chego para o Malfoy ? - perguntou Mr._Weasley , indignado , mas foi rapidamente afastado de aqueles sentimentos a o avistar os pais de Hermione que estavam de pé , nervosamente encostados a o balcão que acompanhava a grande parede de mármore , a a espera que Hermione os apresentasse . - Mas vocês são Muggles ! - disse Mr._Weasley , encantado . - Temos de tomar uma bebida . O que é isso aí ? Ah , estão a trocar dinheiro de Muggle . Molly , olha - apontou cheio de excitação para as notas de dez libras que Mr._Granger tinha em a mão . - Encontramo nos aqui - disse Ron_a_Hermione , enquanto os Weasley e Harry eram conduzidos a os seus cofres em o subterrâneo de Gringotts . Para chegar a os cofres havia que tomar umas carrinhas conduzidas por gnomos que se deslocavam ao_longo_de carris de comboio de pequenas dimensões através de os túneis subterrâneos de o banco . Harry gostou de a viagem acidentada até a o cofre de os Weasley , mas sentiu se bastante mal , pior do_que em a Rua * _ Bativolta * , quando o cobre foi aberto . Havia lá dentro um pequenino monte de Leões de prata e apenas um Galeão de ouro . Mrs._Weasley foi com a mão a a procura em os cantos antes de , com um gesto rápido , varrer tudo para dentro de o saco . Harry sentiu se ainda pior quando chegaram a o seu cofre . Tentou evitar que vissem o conteúdo enquanto empurrava apressadamente mãos cheias de moedas para dentro_de uma sacola de cabedal . Lá fora , em as escadarias de mármore , separaram se . Percy murmurou vagamente que precisava de uma nova pena de escrever . Fred e George tinham avistado um amigo de Hogwarts , Lee_Jordan . Mrs._Weasley e Ginny iam a uma loja de mantos em segunda mão , Mr._Weasley continuava a insistir em levar os Grangers a o Caldeirão_Escoante para lhes pagar uma bebida . - Encontrarmo nos todos em a Flourish and Blotts dentro_de uma hora para comprar os vossos livros de estudo - disse Mrs._Weasley , afastando se com Ginny . - E nem um passo em direcção a a Rua * _ Bativolta * - gritou a os gémeos que estavam de costas . Harry , Ron e Hermione deambularam por a rua empedrada e sinuosa . O ouro , prata e bronze que tilintavam alegremente em o saco que Harry tinha em o bolso pareciam exigir ser gastos , por isso ele comprou três enormes gelados de morango e manteiga de amendoim que eles devoraram felizes enquanto vagueavam sem destino por a rua fora , observando as montras fantásticas de as lojas . Ron olhou longamente para um conjunto completo de mantos de o Chudley_Cannon , em as montras de o « Equipamento_de_Quidditch_de_Qualidade » até Hermione o arrastar de ali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos . Em a « Jogos_de_Feitiçaria_de_Gambol and Japes » encontraram o Fred , o George e o Lee_Jordan que estavam presos em a fabulosa partida debaixo_de chuva e em os fogos-de-artifício de o Dr._Filibuster . E em uma pequenina loja de velharias cheia de varinhas partidas , balanças instáveis de latão e mantos velhos cobertos de nódoas de poções encontraram Percy profundamente concentrado em um pequenino livro , bastante chato , chamado * _ Prefeitos que conquistam o poder * . - * _ Um estudo sobre os prefeitos de Hogwarts e as suas posteriores carreiras * - leu alto o Ron em a contracapa . - Deve ser fascinante ... - Desaparece - gritou Percy . - Claro , ele é muito ambicioso , já tem tudo planeado . Quer ser ministro de a magia - disse o Ron baixinho a o Harry e a a Hermione , enquanto deixavam Percy entregue a o livro . Uma hora mais tarde dirigiram se a a Flourish and Blotts . Não eram de modo algum os únicos a encaminhar se para a livraria . À_medida_que se aproximavam viram com grande surpresa uma grande multidão a a porta , tentando entrar em a loja . O motivo de tal confusão estava anunciado em um cartaz que se estendia a o longo de a montra superior . GILDEROY_LOCKHART_Assinará exemplares de a sua autobiografia " eu , o mágico " Hoje 12.30 - 16.30 - Vamos poder conhecê o ! - gritou Hermione . - Quero dizer , ele escreveu quase todos os livros de a nossa lista ! A multidão parecia ser maioritariamente composta por bruxas de a idade de Mrs._Weasley . Um feiticeiro bem-parecido estava de pé junto de a porta , dizendo : - Calma , minhas senhoras , não empurrem , cuidado com os livros . Harry , Ron e Hermione conseguiram furar e entrar . Uma longa fila serpenteava para as traseiras de a loja onde Gilderoy_Lockhart estava a assinar os seus livros . Cada_um de eles pegou em um exemplar de * _ ensinamentos de Uma Fada_Carpideira * e escaparam se de a fila indo ter a o lugar onde se encontravam os outros com Mr. e Mrs._Granger . - Ah , aí estão vocês . _ óptimo - disse Mrs._Weasley que parecia estar com falta de ar e não parava de mexer em o cabelo . - Vamos poder vês o dentro_de um minuto . Gilderoy_Lockhart veio lentamente até um lugar onde era visível para todos , sentou se a uma mesa , rodeado de grandes fotografias de o próprio rosto , todo ele sorrisos , mostrando a a multidão o brilho cintilante de os seus dentes . Lockhart usava uma túnica azul-noite que condizia a as mil maravilhas com a cor de os olhos , o chapéu pontiagudo de feiticeiro colocado lateralmente sobre o cabelo ondulado . Um homenzinho pequenino e irritante andava a dançar de um lado para o outro , tirando fotografias com uma grande máquina preta que lançava baforadas de fumo arroxeado em cada * flash * . - Sai de o caminho , tu aí - disse rispidamente a o Ron , mudando de lugar para ter um angulo melhor . - Este é para o * _ Profeta_Diário * . - Grande coisa ! - exclamou o Ron , esfregando os pés em o lugar que o fotógrafo pisara . Gilderoy_Lockhart ouviu o . Olhou , viu o Ron e em seguida Harry . Voltou a olhar , desta_vez com mais atenção . Em seguida , pôs se de pé e gritou : - Não pode ser , o Harry_Potter ? A multidão dividiu se entre murmúrios de excitação . Lockhart aproximou se , agarrou Harry por um braço e levou o para a frente . A multidão rebentou em aplausos . A cara de Harry ardia quando Lockhart lhe apertou a mão para o fotógrafo que disparava como um louco , lançando fumo espesso para_cima de os Weasley . - Belo sorriso , Harry - disse Lockhart através de os seus dentes brilhantes . - Tu e eu juntos merecemos a primeira página . Quando por fim lhe largou a mão , Harry quase não sentia os dedos . Tentou recuar para junto de os Weasley , mas Lockhart lançou lhe um braço por os ombros e prendeu o a o seu lado . - Minhas senhoras e meus senhores - disse bem alto , fazendo sinal para que se acalmassem . - Que momento extraordinário este ! O momento perfeito para eu anunciar algo que tenho vindo a guardar comigo desde_há algum tempo . - Quando o jovem Harry entrou em a Flourish and Blotts hoje , ele queria apenas comprar a minha autobiografia , que tenho agora o maior prazer em oferecer lhe - a multidão aplaudiu de_novo . - Ele não tinha ideia - continuou Lockhart , dando a o Harry um pequeno encontrão que fez com que os óculos lhe escorregassem para a ponta de o nariz - de que ia conseguir em_breve muito mais do_que o meu livro Eu , o mágico . Ele e os seus colegas de a escola vão receber , de facto , o verdadeiro * _ Eu , o mágico * . Sim , minhas senhoras e meus senhores , tenho o maior prazer em anunciar que em o mês_de_Setembro assumirei o lugar de professor de Defesa contra as artes negras em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts ! A multidão aplaudiu e bateu palmas e Harry deu consigo a ser presenteado com a obra completa de Gilderoy_Lockhart . Cambaleando ligeiramente sob o peso de os livros conseguiu abrir caminho para longe de os projectores até a a porta de a sala onde estava Ginny com o seu novo caldeirão . - Podes ficar com estes - murmurou Harry , enfiando os livros em o caldeirão . - Eu vou comprar os meus . - Aposto que adoraste aquilo , não adoraste , Potter ? - disse uma voz que Harry não teve qualquer dificuldade em reconhecer . Endireitou se e deu consigo frente_a_frente com Draco_Malfoy que exibia o seu habitual sorriso escarninho . - O famoso Harry_Potter - disse Malfoy . - Nem_sequer pode entrar em uma livraria sem se tornar primeira página . - Deixa o em paz , ele não queria nada de isso - defendeu a Ginny . Era a primeira vez que falava em frente de Harry . Olhava para Malfoy com um ar feroz . - Potter , arranjaste uma namorada ! - disse arrastadamente Malfoy . Ginny ficou vermelha como um pimentão enquanto Ron e Hermione tentavam abrir caminho , ambos carregando montes de livros de Lockhart . -- Ah és tu ? - disse Ron , olhando para Malfoy como_se ele fosse algo desagradável colado a a sola de o sapato . - Aposto que te surpreendeu ver o Harry aqui ? - Não tanto como a ti em uma loja , Weasley - retorquiu Malfoy . - Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo . Ron ficou tão vermelho quanto Ginny . Deixou também cair os livros em o caldeirão e avançou para Malfoy , mas Harry e Hermione agarraram o por as costas de o casaco . - Ron - disse Mrs._Weasley , aproximando se com Fred e George . - O que estás a fazer ? Isto está uma loucura aqui dentro , vamos lá para fora . - Olha quem ele é , Arthur_Weasley . - Era_Mr._Malfoy . Estava de pé com a mão sobre o ombro de Draco , com o mesmo sorriso escarninho . -- Lucius - disse Mr._Weasley , acenando friamente . -- Muito trabalho em o ministério , segundo me consta - disse Mr._Malfoy . - Todas essas buscas ... espero que te estejam a pagar horas extraordinárias . Meteu a mão em o caldeirão de a Ginny e tirou de o meio de os livros de Lockhart um exemplar muito velho e muito gasto de o * _ Guia_de_Transfiguração_para_Principiantes * . - Parece que não - disse . - Que diabo , qual a vantagem de ser uma nódoa entre os feiticeiros se nem_sequer te pagam bem por isso ? Mr._Weasley corou mais ainda do_que Ron ou Ginny . - Nós temos uma opinião diferente sobre quem são as nódoas entre os feiticeiros - disse . - É claro que ... - disse Mr._Malfoy , os olhos mortiços passando para Mr. e Mrs._Granger apreensivamente . - As companhias com quem tu andas ... e eu que pensava que já não conseguias descer mais baixo ... Ouviu se um tilintar de metal quando o caldeirão de a Ginny foi por os ares . Mr._Weasley lançara se sobre Mr._Malfoy atirando o para dentro_de uma estante . Dezenas_de livros de feitiços saltaram lá de cima , caindo lhes sobre as cabeças . Houve um grito de - Chega lhe , pai ! - de o Fred e de o George . Mrs._Weasley soltava gritos agudos : - Não_Arthur , não . A multidão recuava deitando mais prateleiras a o chão . - Meus senhores , por favor - gritava o encarregado , e então , mais alto do_que todos : - Parem com isso , gente , parem com isso . Hagrid aproximava se através_de um mar de livros . Em um segundo afastou Mr._Weasley e Mr._Malfoy . Mr._Weasley tinha um lábio cortado e Mr._Malfoy fora agredido em um olho por uma * _ Enciclopédia_de_Cogumelos_Venenosos * . Tinha ainda em a mão o livro velho de a Ginny sobre transfiguração . Atirou lhe o , com os olhos a brilhar de malvadez . - Toma o teu livro , garota . É o melhor que o teu pai pode oferecer te . Libertando se de Hagrid , conduziu Draco para fora e abandonaram a livraria . - Devias tê o ignorado , Arthur - disse Hagrid quase a pegar em Mr._Weasley a o colo enquanto lhe endireitava o manto . - São podres até a a raiz , todos eles . Tod'à gente sabe . Nenhum Malfoy vale a pena ser ouvido . Não prestam , ' tá-lhes em o sangue . Vá lá , vamos sair de aqui . O encarregado parecia querer impedis os , mas , olhando bem para Hagrid , pensou melhor . Subiram a rua , os Grangers a tremer de medo e Mrs._Weasley fora de si . - Um belo exemplo para as crianças ... andar a a pancada em público . O que terá pensado Gilderoy_Lockhart ? - Ele gostou - disse o Fred . - Não o ouviram quando ia a sair ? Estava a perguntar a aquele tipo de o Profeta_Diário se conseguia incluir a briga em a reportagem , disse que era boa publicidade . Mas foi um grupo deprimido que regressou a a lareira de o Caldeirão_Escoante onde Harry , os Weasley e todas_as suas compras iriam viajar de volta até a a Toca , usando o pó de Floo . Despediram se de os Grangers que iam sair de o * pub * por a rua de os Muggles , de o outro lado . Mr._Weasley começou a perguntar lhes como funcionavam as paragens de autocarros , mas calou se rapidamente a o ver a expressão de Mrs._Weasley . Harry tirou os óculos e guardou os cautelosamente em o bolso antes de utilizar o pó de Floo . Definitivamente não era a sua forma ideal de viajar . V_O salgueiro zurzidor O fim de as férias de Verão chegou demasiado depressa para o gosto de Harry . Ele desejara muito regressar a Hogwarts , mas aquele mês em a Toca tinha sido o mais feliz de toda_a sua vida . Era difícil não invejar o Ron quando pensava em os Dursleys e em as boas-vindas que ia receber de a próxima vez que pusesse os pés em Privet_Drive . Em a última noite , Mrs._Weasley preparou um jantar magnífico , que incluía os pratos favoritos de Harry e terminava com um pudim de melaço de fazer crescer água em a boca . Fred e George alegraram a noite com uma exibição de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que saltaram de o tecto para as paredes , durante pelo_menos meia_hora . Depois , foi a altura de tomarem uma caneca de chocolate quente e irem para a cama . Em a manhã seguinte , demoraram muito_tempo a preparar se . Levantaram se com o cantar de o galo , mas parecia lhes que ainda tinham muito para fazer . Mrs._Weasley andava de um lado para o outro , mal-humorada , a a procura de meias e penas , chocavam uns com os outros em as escadas , meio vestidos , meio despidos , com pedaços de torrada em as mãos e Mr._Weasley quase partiu o nariz quando tropeçou em uma galinha a o atravessar o pátio , para meter em o carro a mala de Ginny . Harry não percebia lá muito bem_como é_que oito pessoas , seis grandes malas , duas corujas e um rato , iam caber em um pequeno * _ Ford_Anglia * , isso , claro , antes de as artes mágicas que Mr._Weasley acrescentara . - Nem uma palavra a a Molly - murmurou ele a o Harry , enquanto abria a bagageira e lhe mostrava como ela se expandira para que as malas coubessem facilmente . Quando , por fim , se acomodaram todos em o carro , Mrs._Weasley olhou para o banco de trás , onde Harry , Ron , Fred , George e Percy estavam confortavelmente sentados uns a o lado de os outros e disse : - Os Muggles têm mais conhecimentos do_que aqueles que nós lhes atribuímos , não achas ? - Ela e a Ginny entraram para o lugar de a frente , que fora esticado e parecia um banco de jardim . - Quer_dizer , de_fora ninguém diria que este carro era espaçoso , não acham ? Mr._Weasley pôs o motor a funcionar e saíram de o pátio , Harry voltando se para trás para ver por a última vez a casa . Mal teve tempo de se questionar se iria voltar alguma vez e já estavam de volta : George esquecera se de a caixa de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Cinco minutos mais tarde tiveram de interromper de_novo a viagem e voltar a o pátio para o Fred ir a correr buscar a vassoura . Estavam quase a chegar a a auto-estrada , quando Ginny guinchou que se esquecera de o diário . Mas estava a fazer se muito tarde e os ânimos começavam a exaltar se . Mr._Weasley olhou para o relógio e , em seguida , para a mulher . - Molly , querida ... - Não , Arthur . - Ninguém ia ver . Este botãozinho é um transformador de invisibilidade que eu instalei , levava nos por o ar , subíamos acima de as nuvens . Estaríamos lá em dez minutos e ninguém daria por nada ... - Eu disse que não , Arthur . Durante o dia , não . Chegaram a King's_Cross , faltava um quarto para as onze . Mr._Weasley precipitou se em busca de um carrinho de transporte para as malas e correram todos para a estação . Harry apanhara o Expresso_de_Hogwarts em o ano anterior . A parte mais difícil era entrar em a plataforma nove_e_três quartos , que não era visível a os olhos de os Muggles . Era preciso avançar para a barreira sólida que dividia as plataformas nove e dez . Não doía nada , mas tinha de ser feito com cuidado para que nenhum de os Muggles de esse , por o desaparecimento . - O Percy em primeiro lugar - declarou Mrs._Weasley , olhando nervosamente para o relógio lá em cima , que mostrava que tinham apenas cinco minutos para desaparecer através de a barreira . Percy avançou a passos largos e desapareceu . Mr._Weasley foi a seguir e depois de ele Fred e George . - Eu levo a Ginny e vocês vêm atrás_de nós - disse Mrs._Weasley a o Harry e a o Ron , agarrando Ginny pela mão e seguindo em frente . Em um abrir e fechar de olhos , tinham passado . - Vamos passar juntos , só temos um minuto - disse Ron a o Harry . Harry assegurou se de que a gaiola de a Hedwig estava bem fixa em cima de a sua mala e empurrou o carrinho de encontro a a barreira . Estava perfeitamente confiante , aquilo era muito mais fácil do_que usar o pó de Floo . Puseram os dois as mãos em o puxador de os carrinhos e avançaram direitos a a barreira , ganhando velocidade . A um metro e pouco , começaram a correr e ... CRASH . Os dois carros bateram em a barreira e foram impelidos para trás . A mala de o Ron caiu com um enorme estrépito . Harry desequilibrou se e a gaiola de a Hedwig foi parar a o chão brilhante , enquanto ela rolava guinchando , indignada . As pessoas em volta olhavam fixamente e um guarda que estava ali perto gritou : - Que diabo pensam vocês que estão a fazer ? - Perdemos o controlo de o carro de transporte - respondeu o Harry , respirando com dificuldade , agarrando se a as costelas , enquanto se punha de pé . Ron correu a agarrar a Hedwig , que estava a fazer uma cena tal , que já se ouviam murmúrios em a multidão sobre a crueldade para com os animais . - Porque é_que não conseguimos passar ? - perguntou Harry a o Ron em um sussurro . - Não sei . Ron olhou descontroladamente em volta . Uma_dúzia de curiosos estavam ainda a observá os . - Vamos perder o comboio - murmurou o Ron . - Não compreendo porque motivo a cancela se fechou . Harry olhou para o relógio gigantesco com um sentimento de náusea em a boca de o estômago . Dez segundos , nove segundos ... Dirigiu o carrinho de transporte para a frente com toda_a força . O metal manteve se sólido . Três segundos ... dois segundos ... um segundo ... - Partiu - afirmou o Ron , que parecia estonteado . - O comboio foi se embora . E se a mãe e o pai não conseguem voltar para aqui ? Tens algum dinheiro de Muggle ? Harry deu uma gargalhada . - Os Dursleys não me dão um tostão há mais de seis anos ! Ron encostou o ouvido a a barreira . - Não se ouve nada - disse , bastante tenso . - O que vamos nós fazer ? Não sei quanto tempo o pai e a mãe vão demorar . Olharam em volta . As pessoas ainda estavam a observá os , principalmente devido a os contínuos guinchos de a Hedwig . - Acho que o melhor é sairmos de aqui e esperamos por eles junto de o carro - disse Harry . - Aqui estamos a atrair demasiado as aten ... - Harry - disse o Ron , com os olhos a brilhar . - É isso , o carro . - O que é_que tem ? - Podemos voar nele até Hogwarts ! - Mas eu pensei ... - Estamos em apuros , certo ? E temos de chegar a a escola , ou não ? E mesmo os feiticeiros menores de idade estão autorizados a usar a magia em uma emergência real , parágrafo dezanove , ou não sei quê , de a Restrição de ... O sentimento de pânico de Harry transformou se em entusiasmo . - E tu sabes voar nele ? - Não há problema - disse o Ron , andando com o carrinho a a volta e dirigindo se para a saída . - Anda de aí . Se em os apressarmos , conseguiremos sair atrás de o Expresso_de_Hogwarts . E afastaram se de o grupo de Muggles curiosos , abandonando a estação e voltando a a rua , onde o velho * _ Ford_Anglia * se encontrava estacionado . Ron abriu a bagageira com uma série de toques de varinha . Meteram lá dentro as malas , puseram a Hedwig em o assento de trás e entraram para a frente . - Verifica se ninguém está a ver - disse o Ron , ligando a ignição com outro toque de varinha . Harry pôs a cabeça fora de a janela : o trânsito enchia a avenida principal , mas a rua de eles estava vazia . - O. _ K. - disse . Ron carregou em um pequeno botão de o painel . Os carros em volta desapareceram assim_como eles . Harry sentia o assento a vibrar debaixo_de si , ouvia o motor , sentia as mãos sobre os joelhos e os óculos em o nariz , mas , tanto quanto conseguia ver , tornara se um par de olhos redondos flutuando um metro e pouco acima de o chão em uma rua suja , cheia de carros estacionados . - Vamos - disse a voz de o Ron , vinda de o seu lado direito . O chão e os prédios escuros de ambos os lados desapareceram de o seu ângulo de visão , mal o carro se elevou . Em poucos segundos toda_a cidade de Londres , enevoada e resplandecente , estava por baixo de eles . Em seguida , ouviu se um ruído que parecia o saltar de uma rolha e o carro , Harry e Ron , reapareceram . - Oh , oh - disse Ron , batendo em o intensificador de invisibilidade . - Está avariado ... Começaram os dois a bater em o botão . O carro desapareceu . Depois surgiu de forma intermitente . - Aguenta aí - gritou o Ron e carregou com o pé em o acelerador . Saltaram direitinhos para o meio de as nuvens mais baixas e tudo ficou sujo e enevoado . - E agora ? - exclamou Harry , piscando os olhos a a sólida massa de nuvens que os comprimia de todos os lados . - Precisamos de avistar o comboio para sabermos qual a direcção a tomar - explicou o Ron . - Desce rapidamente ... Desceram por o meio de as nuvens e voltaram se em os lugares , espreitando . - Estou a vê o - gritou Harry . - Mesmo em frente , ali . O Expresso_de_Hogwarts deslocava se a grande velocidade lá em baixo , como uma serpente vermelha . - Para Norte - disse o Ron , verificando a bússola de o painel . - O. _ k . , basta que verifiquemos de meia em meia_hora . Aguenta aí ... - e arrancaram por o meio de as nuvens . Em o minuto seguinte , tinham chegado a a luz brilhante de o Sol . Era um mundo diferente . Os pneus de o carro deslizavam sobre o mar de nuvens macias , o céu era de um azul infinito sob a luz , capaz de cegar , que irradiava de o Sol . - Agora só temos de nos preocupar com os aviões - disse o Ron . Olharam um para o outro e desataram a rir . Durante muito_tempo não conseguiram parar . Era como_se tivessem mergulhado em um sonho fabuloso . Aquela , pensou Harry , era certamente a única maneira de viajar : passando por turbilhões e torres de nuvens cor de neve , em um carro cheio de calor , o sol radioso , com um grande pacote de rebuçados em o porta-luvas e antegozando o ar de inveja de o Fred e de o George quando aterrassem suavemente e de forma espectacular em o relvado macio em frente de o castelo de Hogwarts . Espreitaram várias vezes o comboio enquanto voavam cada_vez_mais para norte . Cada descida entre as nuvens dava lhes uma perspectiva diferente . Londres depressa ficou para trás , substituída por campos verdejantes que , por sua vez , deram lugar a grandes pântanos arroxeados , aldeias com pequenas igrejas de brinquedo e uma grande cidade , cheia de vida , com carros que pareciam formigas multicores . Várias horas mais tarde sem acontecer nada de_novo , Harry teve de admitir que uma parte de o entusiasmo se esgotara . Os rebuçados tinham nos deixado cheios de sede e não havia nada para beber . Ele e o Ron tinham tirado as camisolas , mas a * _ T-shirt * de o Harry estava colada a as costas de o assento e os óculos não paravam de lhe escorregar para a ponta de o nariz . Deixara de reparar em as fabulosas formas de as nuvens e pensava com saudade em o comboio , milhas abaixo de eles , onde se podia comprar sumo fresquinho de abóboras em um carro empurrado por uma bruxa gordinha . Porque não teriam conseguido entrar em a plataforma nove_e_três quartos ? - Não pode ser muito mais longe , pois não ? - resmungou o Ron , horas mais tarde quando o Sol começava a enfiar se em o seu chão de nuvens , pintando as de um rosa profundo . - Estás pronto para outra espreitadela a o comboio ? Ainda ia mesmo por baixo de eles , abrindo caminho por_entre uma montanha com o topo coberto de neve . Estava muito mais escuro entre o dossel de nuvens . Ron pôs o pé em o acelerador e levou os de_novo para_cima , mas em esse momento o motor começou a chiar . Harry e Ron trocaram entre si olhares nervosos . - Deve estar só cansado - disse o Ron . - Nunca tinha vindo tão longe ... - E fingiram ambos que não davam por o gemido que se ia tornando maior à_medida_que o céu serenamente escurecia . As estrelas desabrochavam em a escuridão , Harry voltou a enfiar a camisola de lã , tentando ignorar os limpa pára-brisas que acenavam debilmente como_que a protestar . - Não devemos estar longe - disse Ron , dirigindo se mais a o carro do_que a o amigo . - Já não devemos estar longe - deu umas palmadinhas nervosas em o * tablier * . Pouco depois , quando voltaram a voar em o meio de as nuvens , tiveram de olhar de lado em a escuridão , em busca de um ponto de referência que conhecessem . - Ali - gritou Harry , fazendo o Ron e a Hedwig darem um salto . - Mesmo em frente . Recortados em o horizonte negro , sobre o rochedo de o outro lado de o lago , erguiam se as torres e torreões de o castelo de Hogwarts . Mas o carro tinha começado a estremecer e perdia a os poucos velocidade . - Vá lá - disse o Ron , dando a o volante um pequeno abanão bajulador . - Estamos quase a chegar , vá lá ... O motor gemeu . Pequenos jactos de vapor de água brotaram de o capo . Harry deu consigo agarrado com toda_a força a os bordos de o assento enquanto voavam direitos a o lago . O carro deu um solavanco feio . Espreitando por a janela , Harry viu a superfície negra , macia e espelhada de a água cerca de uma milha abaixo de eles . Os dedos de o Ron agarrados a o volante tinham as articulações brancas . O carro deu um novo esticão . - Vá lá - murmurou o Ron . Estavam sobre o lago ... o castelo ficava mesmo em frente . Ron fez força com o pé . Houve um ruído surdo , uma crepitação e o motor morreu por completo . - Oh ! oh ! - gemeu Ron em o silêncio . O nariz de o carro voltou se para baixo . Estavam a cair , ganhando velocidade em direcção a os muros sólidos de o castelo . - Naaaaão ! - gritou o Ron , girando o volante . Escaparam a a muralha de pedra negra por centímetros , quando o carro fez um grande arco , planando primeiro sobre as estufas , depois sobre o rectângulo plantado com vegetais e , por fim , sobre os relvados , perdendo sempre velocidade . Ron largou o volante por completo e tirou a varinha de o bolso de trás . - __ pára ! __ pára ! - gritou , batendo em o * tablier * e em o pára-brisas , mas eles continuavam a mergulhar , o chão a voar em direcção a eles . - : __ cuidado com essa __ árvore ! ! ! - bramiu Harry , deitando a mão a o volante , mas ... tarde de mais ... CRUNCH . Com um ruído ensurdecedor de metal e madeira , bateram em o tronco espesso de a árvore e caíram em o chão com um forte solavanco . O vapor era um mar debaixo de o capo amachucado . A Hedwig tremia apavorada . Em a cabeça de Harry surgira um alto de o tamanho de uma bola de golfe , quando ele batera em o pára-brisas , tombando em seguida para a direita . Ron soltou um gemido longo e desesperado . - Estás O. _ K ? - perguntou Harry , aflito . - A minha varinha - disse o Ron em uma voz trémula . - Olha para a minha varinha . Tinha se partido praticamente em duas , a ponta balouçava mole , presa por meia_dúzia de esquírolas . Harry abriu a boca para dizer que em a escola com certeza conseguiriam consertá a , mas nem chegou a começar a frase . Em esse preciso momento , algo bateu em o seu lado de o carro , com a força de um touro , projectando o para_cima de o Ron , ao_mesmo_tempo que um golpe igualmente forte se sentiu em o capô . - O que está a acontec ... Ron arfou , olhando fixamente por o pára-brisas e Harry olhou em volta , mesmo a_tempo_de ver uma ramada espessa como uma píton vir contra o vidro . A árvore em que tinham batido estava a atacá os . O tronco dobrara se quase a meio e os seus galhos rugosos davam uma tareia a cada centímetro de o carro que conseguiam atingir . - Ah ! - praguejou o Ron , quando outra pernada retorcida esmurrou a sua porta , amolgando a . O pára-brisas tremia agora sob uma saraivada de golpes vindos de galhos que pareciam patas de animais e uma ramada espessa como um aríete esmagava furiosamente o capo , que parecia estar a ceder ... - Corre ! - gritou o Ron , lançando o seu peso contra a porta , mas , em o momento seguinte , tinha sido atirado para trás , para o colo de Harry por um soco maldoso , dado de baixo para_cima , por outro ramo . - Estamos feitos ! - resmungou , enquanto o tecto descaía . Mas , de repente , o chão de o carro estava a vibrar , o motor pegara . - Marcha atrás - gritou o Harry e o carro deu um salto para trás . A árvore tentava ainda agredis os , ouviam as raízes chiar , enquanto quase se partiam esticando se para os alcançar . - Escapámos por_pouco ! - exclamou o Ron . - Muito bem , carro . Mas o carro tinha atingido o limite de as suas forças . Com dois estalidos , as portas abriram se e Harry sentiu o seu assento inclinar se para o lado . Quando deu por si , estava estatelado em o chão húmido . Ruídos surdos avisaram o de que o carro estava a ejectar as malas de a bagageira . A gaiola de a Hedwig voou por os ares e abriu se . Ela saiu a voar com um pio furioso e dirigiu se a o castelo , sem sequer olhar para trás . Em seguida , o carro , amolgado , arranhado e a fumegar , arrancou em o escuro , com os faróis traseiros ardendo de fúria . - Volta aqui ! - gritou o Ron , brandindo a varinha partida . - O meu pai mata me . Mas o carro desapareceu a perder de vista , com um último estoiro de o tubo de escape . - Já viste bem o nosso azar ! ? - exclamou o Ron em o meio de a sua infelicidade , baixando se para apanhar o rato Scabbers . - De todas_as árvores em que podíamos ter batido , tínhamos de ir dar a uma que bate também . Olhou por cima de o ombro para a velha árvore que ainda agitava os ramos ameaçadoramente . - Vamos - disse Harry , fatigado . - É melhor irmos andando para a escola ... Não foi , de modo algum , a chegada triunfal que tinham imaginado . Constrangidos , cheios de frio e magoados , pegaram em as malas e começaram a arrastá as por o relvado acima , em direcção a as grandes portadas de carvalho . - Acho que o banquete já começou - disse o Ron , largando a mala em os degraus de a entrada e atravessando devagarinho para espreitar por uma janela iluminada . - Harry , anda ver , é a distribuição . Harry apressou se e os dois , ele e o Ron , espreitaram para o Salão_Nobre . Um número infindável de velas pairava em o ar , sobre quatro mesas enormes cheias de gente , fazendo brilhar os pratos dourados e as taças . Em cima , o tecto encantado que espelhava o céu lá de_fora , brilhava cheio de estrelas . Por_entre a floresta de chapéus pretos pontiagudos de Hogwarts , Harry viu uma longa fila de alunos de o primeiro ano com olhares assustados que enchia o vestíbulo . Ginny estava entre eles , facilmente reconhecível devido a o seu chamativo cabelo Weasley . Enquanto isso , a professora Mc_Gonagall , uma bruxa de óculos com cabelo castanho apanhado em um carrapito , colocava o famoso chapéu seleccionador em um banco que se encontrava em frente de os novos alunos . Todos os anos , aquele velho chapéu , remendado , puído e cheio de pó , seleccionava alunos para as quatro equipas de Hogwarts ( Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin ) . Harry lembrava se bem de o ter colocado em a cabeça , precisamente um ano antes , e ter esperado petrificado por a sua decisão , enquanto ele lhe murmurava a o ouvido . Durante alguns horríveis segundos receara que o chapéu o mandasse para os Slytherin , a equipa que produzia maior número de feiticeiros e feiticeiras de magia negra , mas acabara por ficar em os Gryffindor , juntamente com Ron e Hermione e o resto de os Weasley . Em o último período , Harry e Ron tinham ajudado os Gryffindor a vencer o campeonato de a equipa , batendo os Slytherin pela_primeira_vez em sete anos . Um rapazito baixinho com cabelo de rato acabava de ser chamado para pôr o chapéu em a cabeça . Os olhos de Harry saltavam de ele para o lugar onde o professor Dumbledore , o director , estava sentado , observando a selecção de a mesa de os professores , com a sua longa barba cor de prata e óculos de meia-lua que brilhavam a a luz de as velas . Alguns lugares a a frente , Harry viu Gilderoy_Lockhart com um manto verde-azulado . E lá bem a o fundo estava Hagrid , enorme e cabeludo , bebendo satisfeito de a sua taça . - Espera aí - murmurou a o Ron . - Há um lugar vazio em a mesa de os professores . Onde estará o Snape ? Severus_Snape era o professor de quem Harry menos gostava . Harry era também o seu aluno menos querido . Cruel , sarcástico e detestado por todos com excepção de os alunos de a sua própria equipa ( Slytherin ) , Snape tinha a seu cargo a cadeira de Poções . - Talvez esteja doente - sugeriu Ron , cheio de esperança . - Talvez se tenha ido embora - lembrou Harry . - Por não lhe terem dado outra_vez a Defesa contra as artes negras . - Ou talvez tenha sido corrido - propôs Ron com entusiasmo . - Afinal , toda_a_gente o detesta ... - Ou talvez - disse uma voz gelada atrás de eles - esteja a a espera que vocês lhe expliquem por_que motivo não vieram em o comboio de a escola . Harry deu uma volta . Em a sua frente , com o manto negro a ondular em uma brisa fria , estava Severus_Snape . O professor era um homem magro , de pele descorada , nariz adunco e um cabelo preto oleoso que lhe caía sobre os ombros . E em aquele momento sorria de um modo tal que Harry sentiu que tanto ele como Ron estavam em sérios apuros . - Sigam me - disse Snape . Sem ousarem sequer olhar um para o outro , Harry e Ron seguiram Snape por as escadas até a o amplo * hall * de entrada que estava iluminado por as chamas de os archotes . De o salão nobre vinha um cheirinho delicioso a comida , mas Snape levou os para longe de a luz e de o calor , em direcção a uma escada estreita de pedra que conduzia a os calabouços . - Entrem - ordenou , abrindo uma porta a meio de o corredor e apontando . Entraram a tremer em o escritório de Snape . As paredes sombrias estavam cobertas de prateleiras cheias de jarros de vidro grosso onde flutuavam as coisas mais diversas e repugnantes , cujo nome Harry não queria de momento conhecer . A lareira estava escura e vazia . Snape fechou a porta e voltou se de frente para eles . - Com que então - disse com falsa suavidade - o comboio não serve para o famoso Harry_Potter e o seu fiel companheiro Weasley . Queriam chegar em grande estilo , não era rapazes ? - Não senhor , foi a barreira em King's_Cross , ela ... - Silêncio - disse Snape friamente . -- _ o que fizeram a o carro ? Ron engoliu em seco . Aquela não era a primeira vez que Snape dava a Harry a impressão de ser capaz de ler pensamentos . Mas , pouco depois , compreendeu tudo quando Snape desenrolou o exemplar de o Profeta_Vespertino . - Vocês foram vistos - afirmou , mostrando lhes o cabeçalho : : __ ford anglia voador confunde __ muggles . Começou a ler alto a notícia . - Dois Muggles em Londres convenceram se de que tinham visto um carro velho a voar sobre a torre de os correios ... a a tardinha em Norfolk , Mrs._Hetty_Bayliss , enquanto pendurava a roupa ... Mr._Angus_Fleet_de_Peebles informou a polícia ... seis ou sete Muggles a o todo . Julgo que o teu pai trabalha em o departamento de mau uso dado a os objectos de os Muggles ? - disse olhando para Ron e sorrindo de uma forma ainda mais sarcástica . - Que peninha , o próprio filho ... Harry sentiu se como_se tivesse levado um soco em o estômago de uma de as maiores pernadas de a árvore louca . E se alguém descobrisse que Mr._Weasley tinha enfeitiçado o carro ? Ele ainda nem tinha pensado em isso . - Reparei durante a minha volta por o jardim que foi feito um estrago considerável em um salgueiro zurzidor extremamente valioso - continuou Snape . - Essa árvore fez nos pior a nós do_que nós ... - deixou escapar Ron . - Silêncio - interrompeu Snape , de_novo . - Infelizmente vocês não fazem parte de a minha equipa e a decisão de vos expulsar não está em as minhas mãos . Vou , por isso , buscar as pessoas que possuem essa feliz possibilidade . Esperem aqui . Harry e Ron olharam , pálidos , um para o outro . Harry perdera a fome . Sentia se agora extremamente agoniado . Tentava não olhar para uma coisa viscosa , suspensa em um líquido verde que estava em uma prateleira por detrás de a secretária de Snape . Se ele fora buscar a professora Mc_Gonagall , chefe de a equipa de os Gryffindor , não estavam muito melhor . Ela era mais justa do_que Snape , mas extremamente severa . Dez minutos mais tarde , Snape voltou e era , de facto , a professora Mc_Gonagall quem o acompanhava . Harry vira a professora Mc_Gonagall zangada , mas , ou se tinha esquecido de como a boca de ela ficava fina , ou nunca a vira tão zangada como em aquele dia . Levantou a varinha em o momento em que entrou . Harry e Ron estremeceram , mas ela limitou se a apontá a para a lareira onde as chamas se elevaram subitamente . - Sentem se - ordenou , e os dois recuaram para as cadeiras junto de o lume . - Expliquem se - disse com os óculos a brilhar de uma forma ameaçadora . Ron enveredou por a história começando por a barreira de a estação que se recusara a deixá os passar . - Por isso não tínhamos escolha , professora , não podíamos chegar a o comboio . - Porque não nos mandaram uma carta por a coruja ? Julgo que tens uma coruja ? - disse friamente a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a Harry . Harry olhou para ela sem saber o que dizer . - Parece me - continuou ela - que seria a coisa mais adequada . - Eu ... não pensei ... - Isso - disse a professora Mc_Gonagall - é bastante óbvio . Ouviu se bater a a porta de o escritório e Snape , que parecia agora mais feliz do_que nunca , foi abrir . Era o director , o professor Dumbledore . Harry ficou totalmente paralisado . Dumbledore tinha uma expressão grave . Olhou para eles de cima de o seu nariz adunco e Harry desejou estar ainda com Ron a levar uma sova de o salgueiro zurzidor . Fez se um longo silêncio . Em seguida , Dumbledore disse lhes : - Por favor , expliquem porque fizeram isto . Teria sido melhor se gritasse . Harry detestou sentir a decepção em a sua voz . Inexplicavelmente era incapaz de olhar Dumbledore em os olhos e falou em direcção a os seus joelhos . Disse lhe tudo excepto que o carro enfeitiçado pertencia a Mr._Weasley , dando a ideia de que ele e o Ron o tinham encontrado estacionado fora de a estação . Sabia que Dumbledore ia ver para_além de isso , mas o director não fez perguntas sobre o carro . Quando Harry terminou continuou a olhar para ele através de os seus óculos . - Nós vamos buscar as nossas coisas - disse Ron em um tom de voz sem esperança . - Que disparate é esse ? - rosnou a professora Mc_Gonagall . -- Então , vão expulsar nos , não vão ? - disse o Ron . Harry olhou rapidamente para Dumbledore . - Ainda não , Mr._Weasley - afirmou Dumbledore . - Mas vou assinalar a gravidade do_que vocês fizeram . Hoje a a noite escreverei a as vossas famílias . Estão também prevenidos que se voltarem a fazer uma coisa como esta não terei outro remédio senão expulsar vos . A expressão de Snape era como_se o Natal tivesse sido cancelado . Pigarreou e disse : - Professor_Dumbledore , estes rapazes infringiram o decreto para a restrição de a feitiçaria de os menores , causaram estragos consideráveis a uma árvore antiga e valiosa ... sem dúvida , actos de esta natureza ... - Cabe a a professora Mc_Gonagall decidir sobre os castigos de os rapazes , Severus - afirmou Dumbledore com toda_a calma . - Pertencem a a equipa de ela e são , portanto , de a sua responsabilidade . - Voltou se para a professora Mc_Gonagall . - Tenho de regressar a o banquete , Minerva , devo dar algumas informações . Venha Severus , há uma tarte de leite e ovos com um aspecto delicioso que quero mostrar lhe . Snape lançou um olhar de puro veneno a o Harry e a o Ron enquanto permitia que o afastassem de o seu escritório , deixando os a sós com a professora Mc_Gonagall que ainda os olhava como uma águia em fúria . - É melhor ires até a a ala hospitalar , Weasley , estás a sangrar . - Não é nada - disse Ron , limpando o corte com a manga para que ela o visse . - Professora , eu gostava de ver a minha irmã ser seleccionada . - A cerimónia de a selecção terminou - disse a professora Mc_Gonagall . - A tua irmã está também em os Gryffindor . - _ óptimo - exclamou Ron . - E por falar em os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall de forma cortante , mas Harry interrompeu a : - Professora , quando tirámos o carro , o ano escolar ainda não tinha começado , por isso os Gryffindor não deveriam perder pontos , pois não ? - terminou olhando a ansiosamente . A professora Mc_Gonagall lançou lhe um olhar penetrante , mas ele era capaz de jurar que ela quase tinha sorrido . Pelo_menos a boca não parecia tão fina . - Não vou tirar pontos a os Gryffindor - tranquilizou o . E o coração de Harry ficou mais leve . - Mas vocês os dois vão ter um castigo . Foi melhor do_que Harry imaginara . O facto de Dumbledore escrever a os Dursley não tinha a menor importância . Harry sabia perfeitamente que eles só lamentariam que o salgueiro zurzidor não o tivesse esmigalhado . A professora Mc_Gonagall ergueu a varinha de_novo apontou a a a secretária de Snape . Um grande prato de sanduíches , duas taças de prata e um jarro com sumo de abóbora gelado apareceram em menos_de um segundo . - Vocês vão comer aqui e , em seguida , vão direitinhos para o vosso dormitório - disse . - Eu também tenho de voltar para a festa . Mal a porta se fechou atrás de ela , Ron soltou baixinho um assobio . - Pensei que estávamos feitos - confessou , agarrando uma sanduíche . - Também eu - disse o Harry , orando também uma . - Mas já viste bem a nossa pouca sorte ? - insistiu o Ron com a boca cheia de frango e fiambre . - O Fred e o George voaram em aquele carro cinco ou seis vezes e nenhum Muggle os viu - engoliu outro pedaço enorme de a sanduíche . - Porque será que não conseguimos passar a barreira ? Harry encolheu os ombros . - Mas temos de ter muito cuidado a_partir_de agora - disse bebendo um grande trago de sumo de abóbora . - Que pena não termos podido ir a o banquete . - Ela não quis que nos exibíssemos - afirmou Ron com prudência . - Não vão as pessoas pensar que é uma boa chegar aqui de carro voador . Quando já tinham comido todas_as sanduíches que queriam ( o prato ia voltando a encher se sozinho ) , levantaram se e saíram de o escritório , seguindo o caminho que lhes era familiar , para a torre de os Gryffindor . O castelo estava em silêncio . Parecia que o banquete tinha acabado . Passaram por retratos murmurantes e armaduras que gemiam e subiram os degraus estreitos de pedra até que , por fim , chegaram a a passagem onde a entrada secreta para a torre de os Gryffindor se encontrava oculta por detrás de o quadro a óleo de uma dama gorda em um vestido cor-de-rosa . - A senha ? - perguntou ela mal os dois se aproximaram . - Er ... Eles ainda não tinham estado com o prefeito de os Gryffindor e por isso ainda não conheciam a senha para o novo ano , mas a ajuda não se fez esperar . Ouviram passos apressados atrás de eles e quando se voltaram viram Hermione que se aproximava . - Aí estão vocês . Onde é_que se meteram ? Correm os boatos mais ridículos , alguém disse que vocês tinham sido expulsos por espatifarem um carro voador . - Bem , expulsos não fomos - tranquilizou a Harry . - Não estás a dizer me que voaram até aqui ? - perguntou Hermione em um tom quase tão severo como a professora Mc_Gonagall . - Dispensa se o sermão - interrompeu Ron impacientemente . - E diz nos a nova senha de passagem . - É crista de pássaro - disse Hermione não contendo a impaciência . - Mas o mais importante não é isso ... Contudo as palavras de ela foram interrompidas ao_mesmo_tempo que o retrato de a dama gorda se abria e se ouvia uma tempestade de aplausos . A o que parecia a equipa de os Gryffindor estava ainda acordada , dentro de a sala comum em forma de círculo , junto de as mesas assimétricas e de os cadeirões moles a a espera que eles chegassem para , de braços estendidos através de o buraco de o retrato , puxarem Harry e Ron para dentro deixando Hermione para o fim . - Sensacional - gritou Lee_Jordan . - Inspirado ! Que entrada ! Voar em um carro e aterrar em o salgueiro zurzidor . Toda_a_gente vai falar de isto durante anos e anos . - Muito bem - disse um aluno de o quinto ano com quem Harry nunca tinha falado . Alguém dava lhe palmadas em as costas como_se ele acabasse de vencer a maratona . Fred e George abriram caminho por_entre a multidão e disseram ao_mesmo_tempo : - Por_que é_que não nos chamaram , hein ? - Ron estava vermelho como um pimentão , sorrindo envergonhado , mas Harry via perfeitamente uma pessoa que não estava nada contente . Percy elevava se acima de as cabeças de os excitados alunos de o primeiro ano e parecia estar a tentar aproximar se para os repreender . Harry deu uma cotovelada a o Ron e apontou em direcção a Percy . Ron percebeu de imediato . - Temos de ir para_cima , um_pouco cansados ! - explicou e os dois começaram a abrir caminho em direcção a a porta que ficava de o outro lado de a sala e que dava para a escada em espiral e para os dormitórios . - ` _ Noite - despediu se Harry_de_Hermione que tinha um ar tão carrancudo como Percy . Conseguiram chegar a o outro lado de a sala comum sempre a levarem palmadas em as costas e alcançaram o sossego de as escadas . Apressaram se a subir e , por fim , chegaram a a porta de o dormitório que tinha agora um letreiro a dizer « Segundos_Anos » . Entraram em o quarto circular , que conheciam tão bem , com as suas cinco camas de dossel adornadas de velado vermelho e as suas janelas altas e estreitas . As malas tinham sido trazidas para_cima e colocadas a os pés de as camas . Ron fez um sorriso culpado . - Sei que não devia ter gostado de aquilo , mas ... A porta de o dormitório abriu se e os outros rapazes de os Gryffindor entraram ; eram eles o Seamus_Finnigan , o Dean_Thomas e o Neville_Loogbottom . - Inacreditável - aplaudiu Seamus . - Incrível - aprovou o Dean . - Espantoso - exclamou o Neville , aterrado . Harry não pôde evitar também um sorriso . VI_Gilderoy_Lockhart_No dia seguinte , contudo , Harry não conseguiu sorrir . As coisas começaram a correr mal logo em o salão durante o pequeno-almoço . Debaixo de o tecto encantado ( em aquele dia triste e cinzento ) estavam as quatro grandes mesas de as equipas e sobre elas , terrinas de papa de aveia , pratos de arenque defumado , montanhas de torradas e pratadas de ovos com * bacon * . Harry e Ron sentaram se em a mesa de os Gryffindor , junto de Hermione que tinha o seu exemplar de * _ Viagens com Vampiros * totalmente aberto , encostado a um jarro de leite . Havia uma certa rigidez em a maneira como ela disse : - ` _ Dia - que mostrou a Harry que continuava a desaprovar o modo como tinham chegado a a escola . Por seu turno , Neville_Longbottom saudou os entusiasticamente . Neville era um rapazinho de cara redonda , muito dado a acidentes , com a pior memória que Harry tinha conhecido . - A entrega de correio deve estar a chegar , acho que a minha avó me vai mandar umas quantas coisas de que me esqueci ... Harry tinha começado a comer as papas de aveia , quando se ouviu um ruído tumultuoso em o ar e umas cem corujas entraram ao_mesmo_tempo , sobrevoando o salão e deixando cair cartas e pacotes em o meio de a multidão faladora . Um embrulho grande e rugoso caiu em a cabeça de Neville e , um segundo depois , uma coisa larga e cinzenta caiu em o jarro de a Hermione , enchendo os a todos de leite e penas . - Errol - gritou o Ron , puxando a coruja esfarrapada por as patas . Errol caíra inconsciente sobre a mesa com as pernas para o ar e um envelope vermelho húmido em o bico . - Oh , não ! - sobressaltou se Ron . - Ela está bem , ainda está viva - tranquilizou o Hermione , tocando suavemente em a Errol com a ponta de o dedo . - Não é isso , é ... aquilo . Ron apontava para o envelope vermelho . Parecera perfeitamente vulgar a Harry , mas Ron e Neville estavam ambos a observá o como_se esperassem que explodisse . - Qual é o problema ? - perguntou Harry . - Ela . Ela mandou me um * gritador * - disse Ron , quase sem voz . - É melhor abrires - aconselhou Neville em um murmúrio tímido - senão é pior . A minha avó uma_vez mandou me um que eu ignorei e ... - engoliu em seco - foi horrível . Harry olhava , ora para as suas caras , ora para o envelope vermelho . - O que é um * gritador * ? - perguntou . - Mas toda_a atenção de o Ron estava fixa em a carta que começara a fumegar por os cantos . - Abre a - intimou o Neville . - De aqui a poucos minutos já passou tudo . Ron estendeu uma mão trémula , retirou o envelope de o bico de a Errol e começou a abri o . Neville pôs os dedos em os ouvidos . Após uma fracção de segundo , Harry compreendeu porquê . Pensou em o primeiro momento que ela explodira . Um ruído ensurdecedor encheu o enorme salão , fazendo cair pó de o tecto . - ... : __ roubar o carro ! não me surpreendia nada se te expulsassem . espera só até te pôr as mãos em cima . será que não paraste para pensar em a nossa aflição quando vimos que o carro tinha __ desaparecido ... Os gritos de Mrs._Weasley , ampliados cem vezes em relação a o seu normal , fizeram os pratos e as colheres chocalhar em a mesa e ecoaram de forma ensurdecedora em as paredes de pedra . Vinha gente de todos os lados espreitar quem tinha recebido o * gritador * e Ron afundou se tanto em a cadeira que só se lhe via a testa carmesim . - ... : __ uma carta de o dumbledore ontem a a noite , o teu pai quase morria de vergonha . não foi esta a educação que te demos , tu e o harry podiam ter __ morrido ... Harry estava a ver quando é_que o seu nome viria a a baila . Tentou o melhor que pôde agir como_se não ouvisse a voz , mas aquilo estava a fazer com que os tímpanos lhe latejassem . - ... : __ profundamente decepcionada , o teu pai vai ter de se confrontar com um inquérito em o trabalho , tudo por tua culpa e , se pisas mais_uma_vez o risco , trago te para __ casa ! Seguiu se um silêncio ressonante . O envelope vermelho , que caíra de as mãos de o Ron , incendiou se e encaracolou se em cinzas . Harry e Ron estavam sentados de boca aberta , como_se uma onda gigante lhes tivesse passado por cima . Algumas pessoas riam e , a os poucos , o ruído de as conversas recomeçou . Hermione fechou o * _ Viagens com Vampiros * e olhou para o topo de a cabeça de Ron . - Bem , não sei o que esperavas , Ron , mas tu ... - Não me venhas dizer que mereci - interrompeu Ron . Harry afastou as papas de aveia . O estômago ardia lhe de culpa . Mr._Weasley tinha um inquérito em o trabalho , depois de tudo_o_que Mr. e Mrs._Weasley tinham feito por ele durante o Verão ... Mas não teve muito_tempo para se demorar em aqueles pensamentos . A professora Mc_Gonagall circulava em volta de as mesas de os Gryffindor distribuindo horários . Harry pegou em o seu e viu que começavam por ter Herbologia , juntamente com os Hufflepuff . Harry , Ron e Hermione saíram juntos de o castelo , atravessaram as hortas e chegaram a as estufas , onde estavam guardadas as plantas mágicas . O * gritador * tivera pelo_menos uma vantagem : Hermione parecia achar que já tinham sido suficientemente castigados e estava de_novo perfeitamente calorosa . Quando estavam a chegar a as estufas viram o resto de a classe de pé , cá fora , a a espera de a professora Sprout . Harry , Ron e Hermione tinham acabado de se lhes juntar quando a viram aproximar se a passos largos por o relvado , acompanhada de Gilderoy_Lockhart . A professora Sprout era uma bruxa pequenina e atarracada que usava um chapéu a os remendos sobre o cabelo solto . As roupas que vestia estavam sempre cheias de terra e as suas unhas fariam a tia Petúnia desmaiar . Gilderoy_Lockhart , pelo_contrário , tinha um ar imaculado em as suas vestes azul-turquesa , o cabelo doirado a brilhar debaixo_de um chapéu azul-turquesa , com uma fita dourada , perfeitamente posicionado sobre a cabeça . - Olá a todos ! - gritou Lockhart , dirigindo se a o grupo de estudantes . - Estive a mostrar a a professora Sprout a maneira correcta de tratar um salgueiro . Mas não quero que fiquem com a ideia de que sou melhor do_que ela em Herbologia . Acontece que encontrei várias de estas plantas exóticas , durante as minhas viagens .... - Estufa número três hoje , meninos ! - disse a professora Sprout que estava visivelmente descontente , bem diferente de a sua habitual natureza bem-disposta . Houve um murmúrio de interesse . Eles só tinham estado uma_vez em a terceira estufa , que era uma estufa que abrigava plantas bem mais interessantes e perigosas . A professora Sprout tirou uma enorme chave de o cinto e abriu a porta . Harry sentiu o bafo de a terra húmida com adubo misturado e o perfume forte de umas flores gigantescas , de o tamanho de guarda-chuvas , que estavam penduradas de o tecto . Ia seguir Ron e Hermione , quando a mão de o Lockhart o travou . -- Harry ! Tenho querido ter uma palavrinha contigo . Não se importa se ele chegar uns minutos atrasado , pois não , professora Sprout ? A julgar por a expressão carregada de a professora Sprout , importava se sim , mas Lockhart disse : - Então até já - e fechou a porta de a estufa em a cara de ela . - Harry ! - disse Lockhart , com os dentes brancos a brilharem a o sol , enquanto abanava a cabeça . - Harry , Harry , Harry ! Harry , totalmente perplexo , não disse uma palavra . - Quando ouvi dizer , bem , é claro que eu tive muita culpa , deviam castigar me também ... Harry não fazia ideia de que estava ele a falar , quando Lockhart prosseguiu : - Nunca me lembro de ficar tão chocado . Fazer voar um automóvel até Hogwarts ! Bem , é claro que eu percebi logo porque o fizeste . Foi um destaque em grande . Harry , Harry , Harry ! Era notável como ele conseguia mostrar todos aqueles dentes brilhantes , mesmo quando não estava a falar . - Criei te o gosto por a publicidade , não foi ? - perguntou Lockhart . - Passei te o bichinho . Apareceste comigo em a primeira página e não podias esperar para aparecer outra_vez ... - Oh , não , professor , sabe é_que ... - Harry , Harry , Harry - disse Lockhart aproximando se e tocando lhe em o ombro . - * _ Eu compreendo * . É natural querer um_pouco mais quando se lhe tomou o gosto , e eu culpo me por te ter dado esse conhecimento , porque era natural que te subisse a a cabeça , mas vê uma coisa , rapazinho , tu não podes começar a fazer voar carros para tentares ser notícia . Tens de acalmar , está bem ? Tens muito_tempo quando fores mais velho . Sim , sim , eu sei o que estás a pensar ! É fácil para ele falar assim , já é um feiticeiro internacionalmente famoso ! Mas quando eu tinha doze anos era tão zé-ninguém como tu és hoje . Em a verdade , era ainda mais . De ti , já meia_dúzia de pessoas ouviram falar , não é ? Toda aquela história com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . - Olhou para a cicatriz luminosa em a testa de Harry . - Eu sei , eu sei , não é o mesmo_que vencer o Prémio de o sorriso de o feiticeiro de a semana cinco vezes seguidas , como eu venci , mas é um começo , Harry , é um começo . Lançou lhe uma piscadela de olhos cordial e foi se embora . Harry ficou atarantado durante alguns segundos . Depois , lembrando se que deveria estar em a estufa , abriu a porta e esgueirou se lá para dentro . A professora Sprout estava de pé , por_detrás_de uma espécie de mesa em o meio de a estufa . Em cima de a mesa estavam cerca de vinte pares de abafo de ouvidos de diferentes cores . Quando Harry estava já em o seu lugar , entre Ron e Hermione , ela disse : - Hoje vamos transplantar Mandrágoras . Muito bem , quem sabe dizer me as propriedades de a Mandrágora ? Não foi surpresa para ninguém que a mão de a Hermione fosse a primeira em o ar . - A Mandrágora tem um efeito reparador muito poderoso - disse Hermione , com o ar mais normal de este mundo , como_se tivesse engolido o livro de texto . - É usada para fazer voltar as pessoas , que foram transfiguradas ou amaldiçoadas , a o seu estado original . - Excelente . Dez pontos para os Gryffindor ! - exclamou a professora Sprout . - A Mandrágora é parte integrante de a maior parte de os antídotos , mas também é perigosa . Quem sabe dizer me porquê ? A mão de Hermione por_pouco não bateu em os óculos de Harry , quando se ergueu de_novo . - O grito de a Mandrágora é fatal para quem o ouve - disse prontamente . - Precisamente . Dou lhe mais dez pontos - disse a professora Sprout . - Agora vejamos , as Mandrágoras que aqui temos são ainda muito jovens . Enquanto falava , apontou para uma fila de tabuleiros com uma certa profundidade e todos se chegaram a a frente para ver melhor . Cerca de uma centena de plantinhas tufosas de um verde arroxeado cresciam em filas . Pareceram perfeitamente vulgares a Harry , que não fazia a menor ideia do_que Hermione queria dizer com o * grito * de a Mandrágora . - Cada_um de vocês pode tirar um par de abafo de ouvidos - disse a professora Sprout . Houve uma competição renhida porque ninguém queria os cor-de-rosa , cheios de penugem . - Quando eu vos disser para os colocar , assegurem se de que os vossos ouvidos estão completamente tapados - disse a professora Sprout . - Logo_que seja seguro retirá os , eu levanto os dedos . Certo , pôr os abafos de os ouvido . Harry pôs imediatamente os abafos em os ouvidos . Eles fecharam completamente o som . A professora Sprout colocou também um par de abafos cor-de-rosa com penugem em os de ela , arregaçou as mangas de a túnica , agarrou uma de as plantas tufosas e puxou com toda_a força . Harry soltou um grito de surpresa que ninguém ouviu . Em_vez_de raízes , um bebé pequenino , enlameado e extremamente feio , saiu de a terra . As folhas cresciam lhe em o alto de a cabeça , tinha uma pele pintalgada de um pálido esverdeado e estava nitidamente a berrar a plenos pulmões . A professora Sprout tirou debaixo de a mesa um grande vaso de plantas e mergulhou lá dentro a Mandrágora , enterrando a em a mistura escura e húmida , até que só as folhas ficassem visíveis . Em seguida , limpou a terra de as mãos , levantou os dedos e todos eles retiraram os abafos de os ouvidos . - Como as nossas Mandrágoras são muito novas , os seus gritos ainda não matam - disse ela com grande calma , como_se tivesse feito algo tão normal como regar uma begónia . - Contudo , podem pôr vos a dormir durante várias horas e , como com certeza nenhum de vocês quer perder o primeiro dia de aulas , vejam se os abafos estão bem colocados enquanto trabalham . Eu chamarei vos a atenção quando for altura de os retirar . - Quatro em cada fila , há aqui uma grande quantidade de vasos , a mistura de terra está em os sacos ali a o fundo e tenham cuidado com a * _ Venomous_Tentacula * , estão a nascer lhe os dentes . Enquanto falava , deu uma pancada seca a uma planta vermelha escura cheia de pontas eriçadas , fazendo a encolher as longas antenas que tinham estado a avançar lenta e dissimuladamente sobre o seu ombro . A Harry , Ron e Hermione veio juntar se em a fila um rapaz de cabelo encaracolado de os Hufflepuff que Harry conhecia de vista , mas com quem nunca tinha falado . - Justin_Finch - _ Fletchey - disse ele com vivacidade , apertando a mão de o Harry . - Conheço te , claro , o famoso Harry_Potter ... e tu és a Hermione_Granger , sempre a primeira em tudo ( Hermione brilhou em um sorriso , como_se ele lhe tivesse apertado a mão ) e Ron_Weasley . Não era teu o carro voador ? Ron não sorriu . Não lhe saía de a cabeça o * gritador * . - Aquele Lockhart é o_máximo , não acham ? - disse Justin satisfeito , enquanto começavam a encher os vasos com composto de adubo de dragão . - Terrivelmente corajoso . Leram os livros de ele ? Eu teria morrido de medo se um lobisomem me tivesse encurralado em uma cabina telefónica , mas ele manteve se calmo e ... zap ... fantástico ! « Eu estava inscrito em Eton , sabem , não imaginam como estou feliz de ter vindo antes para aqui . É claro que a minha mãe ficou um_pouco desiludida , mas depois de lhe ter dado os livros de Lockhart a ler , tenho a impressão de que ela começou a ver a utilidade de ter um feiticeiro bem treinado em a família ... Depois de isso , não tiveram grandes oportunidades para conversar . Voltaram a pôr os abafos de ouvidos e era preciso concentrarem se em as Mandrágoras . A professora Sprout fizera as coisas parecerem extremamente simples , mas não eram . As Mandrágoras não gostavam de sair de a terra mas também não pareciam querer voltar para lá . Elas contorceram se , deram pontapés , agitaram as mãozinhas finas e rangeram os dentes . Harry levou dez minutos inteirinhos a tentar meter uma Mandrágora particularmente gorda dentro_de um vaso . Em o final de a aula , Harry , como todos os outros , estava a suar , cheio de dores e coberto de terra . Regressaram a o castelo a pé para um banho rápido e , em seguida , os Gryffindor apressaram se para assistir a a aula de transfiguração . As aulas de a professora Mc_Gonagall eram sempre complicadas , mas a de aquele dia era particularmente difícil . Tudo_o_que o Harry aprendera em o ano anterior parecia ter se lhe apagado de a memória durante o Verão . Ele deveria ser capaz de transformar uma barata em um botão , mas , tudo_o_que conseguiu foi fazer a barata praticar um imenso exercício , enquanto corria apressadamente por o tampo de a secretária evitando a varinha . Ron estava a debater se com problemas bastante piores . Tinha atado a varinha com uma fita mágica , mas parecia que não havia reparação possível . Não parava de crepitar e lançar faíscas em os momentos mais estranhos e , sempre_que Ron tentava transfigurar a barata , via se envolvido em um fumo cinzento espesso que cheirava a ovos podres . Incapaz de ver o que estava a fazer , o Ron esmagou , por engano , a barata com o cotovelo e teve de ir pedir que lhe dessem outra , o que deixou a professora Mc_Gonagall muito pouco satisfeita . Harry ficou aliviado quando ouviu tocar a campainha para o almoço . Sentia a cabeça como uma esponja espremida . Todos os alunos saíram em fila de a aula excepto ele e Ron que dava furiosas varadas em a secretária . - Coisa estúpida e inútil . - Escreve a os teus pais a pedir outra - sugeriu Harry , enquanto a varinha disparava com estrondo um foguete explosivo . - Ah pois , e receber outro * gritador * em a volta de o correio - respondeu Ron , metendo a varinha que já assobiava , dentro de o saco . - * _ A culpa é toda tua se a varinha está estragada * ... Desceram para o almoço e aí a disposição de o Ron não iria melhorar com Hermione a mostrar lhe uma mão-cheia de botões de casaco , perfeitinhos , que produzira em a transfiguração . - O que temos esta tarde ? - quis saber Harry , mudando rapidamente de assunto . - Defesa contra as artes negras - disse Hermione , sem perder tempo . - Porque é_que tu ... - perguntou Ron , pegando em o horário de ela - desenhaste corações em volta de as aulas de o Lockhart ? Hermione arrancou lhe o horário de as mãos , corando furiosa . Acabaram de almoçar e foram para o pátio carregado de nuvens . Hermione sentou se em um degrau de pedra e enfiou de_novo o nariz em as * _ Viagens com Vampiros * . Harry e Ron ficaram a falar de Quidditch durante alguns minutos antes de Harry se aperceber de que estava a ser observado de perto . Olhando para_cima viu o rapazinho pequenino com cabelo de rato que ele vira experimentar o chapéu seleccionador em a noite anterior , olhando para ele com uma expressão petrificada . Estava agarrado a o que parecia ser uma vulgar máquina fotográfica de os Muggles e , em o momento em que Harry olhou para ele , ficou todo vermelho . - Tudo bem , Harry ? Eu sou Colin_Creevey - disse , faltando lhe o ar e adiantando se a qualquer pergunta . - Estou em os Gryffindor também . Não te importavas que eu tirasse uma fotografia ? - perguntou , levantando a máquina cheio de expectativa . - Uma fotografia ? - repetiu Harry , inexpressivo . - Para eu provar que te conheci - disse Colin_Creevey cheio de ansiedade , continuando : - Eu sei tudo a teu respeito . Toda_a_gente me tem contado como sobreviveste quando O_Quem nós sabemos tentou matar te , como ele desapareceu depois de isso e como ficaste com a cicatriz em forma de relâmpago em a testa ( os seus olhos procuraram a linha de cabelo de Harry ) e um rapaz de o meu dormitório disse que se eu revelasse o filme em a posição certa ele mexia . - Colin respirou fundo , estremecendo de excitação e disse : - Isto_é fantástico , aqui , não achas ? Eu não sabia que todas_as coisas estranhas que fazia eram magia até a o dia em que recebi uma carta de Hogwarts . O meu pai é leiteiro . Também ele não queria acreditar . Por isso estou a tirar montes de fotografias para lhe mandar e era mesmo bom se tivesse uma tua - parecia implorar . - Talvez o teu amigo pudesse tirá a e assim eu ficava a o teu lado . E depois , podias assiná a ? - Assinar fotografias ? Estás a dar fotos autografadas , Potter ? Alta e mordaz , a voz de Draco_Malfoy ecoou em o pátio . Estava parado mesmo atrás_de Colin , ladeado , como sempre andava em Hogwarts , por os seus fortes guarda-costas Crabbe e Goyle . - Ei gente , façam bicha - gritou Malfoy a a multidão . - Harry_Potter está a dar fotos autografadas ! - Não estou coisa nenhuma - disse Harry , zangado , com os punhos em o ar . - Cala a boca , Malfoy . - Tu tens é inveja - começou a dizer Colin , cujo corpo era de o tamanho de o pescoço de Crabbe . - Inveja - repetiu Malfoy que não precisava de gritar mais , metade de o pátio estava a ouvi o . - De quê ? Não preciso de uma cicatriz em a cabeça , muito obrigado . Não acho que ter um corte em a testa torne alguém especial . Crabbe e Goyle riram estupidamente - Vai pastar caracóis , Malfoy - disse o Ron furioso . Crabbe parou de rir e começou a esfregar os nós de os dedos enormes de uma forma ameaçadora . - Tem cuidado , Weasley - escarneceu Malfoy . - Com certeza não queres começar uma rixa ou a tua mãezinha tem de vir cá para te tirar de a escola - e com uma voz aguda e penetrante : - * _ Se voltas a pisar o risco * ... Um grupo de alunos de o quinto ano de os Slytherin que estava ali perto , riu se bastante alto . - O Weasley gostaria de ter uma foto tua autografada , Potter - escarneceu de_novo Malfoy . - Era capaz de valer mais do_que a casa onde ele mora com a família . Ron sacou de a sua varinha amarrada com fita , mas Hermione fechou as * Viagens com Vampiros * com um estrondo e avisou : - Atenção . - O que é isto , o que é isto ? - Gilderoy_Lockhart aproximava se com o seu manto azul-turquesa girando em torvelinho atrás de ele . - Quem está a dar fotos autografadas ? Harry ia começar a explicar , mas foi interrompido quando Lockhart lhe pôs jovialmente o braço em cima de os ombros . - Mas que pergunta a minha ! Cá estamos nós de_novo , Harry ! Preso ao_lado_de Lockhart e a arder de humilhação , Harry viu Malfoy deslizar com o seu sorriso desdenhoso por o meio de a multidão . - Vamos lá então , Mr._Creevey - disse Lockhart , dirigindo se a Colin . - Uma foto dupla , já viu a sua sorte ? E assinamos a os dois para si . Colin ajustou a máquina e tirou a fotografia em o preciso momento em que a campainha tocava para as aulas de a tarde . - Está em a hora , todos para dentro - gritou Lockhart a a multidão e regressou a o castelo levando a o seu lado o Harry que só lamentava não conhecer um feitiço que o fizesse desaparecer . - Uma palavra só , Harry - disse Lockhart paternalmente , enquanto entravam em o edifício por uma porta lateral . - Eu ajudei te há bocado com o jovem Creevey porque se ele estivesse a fotografar me também a mim os teus colegas não reparariam tanto que estavas a exibir te ... Indiferente a a gaguez de Harry , Lockhart arrastou o para um corredor ladeado de alunos que os olhavam espantados e subiram uma escada . - Deixa me só dizer te uma coisa : dar fotografias autografadas em esta fase de a tua carreira , francamente , não é sensato , Harry , parece um_pouco megalómano . Pode ser que um dia mais tarde , tal_como eu , sejas obrigado a assinar para multidões onde quer que vás , mas - fez uma pequena pausa - não me parece que seja o caso , por enquanto . Tinham chegado a a aula de Lockhart e ele largou finalmente o Harry que sacudiu a túnica e foi sentar se em um lugar bem lá atrás onde começou por empilhar os livros de Lockhart a a sua frente para evitar olhar para a criatura . O resto de a aula entrou ruidosamente e Ron e Hermione foram sentar se um de cada lado de Harry . - Tu estavas vermelho como um pimentão - disse o Ron . - Reza para que o Creevey não se torne amigo de a Ginny senão bem podem criar o clube de * fans * de Harry_Potter . - Cala a boca - interrompeu Harry . A última coisa que desejava era que o Lockhart ouvisse a expressão « clube de * fans * de Harry_Potter « . Quando todos estavam em os seus lugares , Lockhart pigarreou alto e fez se silêncio . Ele inclinou se para a frente , pegou em o exemplar de Neville_Longbottom de * _ viagens com Duendes * e levantou o para mostrar a sua fotografia a piscar os olhos em a capa . - Eu - disse apontando para a fotografia e piscando também os olhos - Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , terceiro ano , membro honorário de a Liga_de_Defesa contra as artes negras e cinco vezes vencedor de o prémio de o * _ Feiticeiro de a semana * por o sorriso mais charmoso . Mas não vamos falar de isso , não venci a fada carpideira de Bandon a sorrir para ela ! Esperou que eles se rissem . Alguns alunos sorriram timidamente . - Já vi que todos vocês compraram a minha obra completa . Muito bem . Pensei começar hoje com um pequeno interrogatório escrito . Nada de complicado , só para perceber se leram bem os meus livros e o que apreenderam ... Depois de distribuir as folhas de teste voltou se para os alunos e disse : - Têm trinta minutos . Comecem já . Harry olhou para o papel e leu : *1 . Qual é a cor preferida de Gilderoy_Lockhart ? *2 . Qual é a ambição secreta de Gilderoy_Lockhart ? *3 . Qual é , em a sua opinião , a maior realização de Gilderoy_Lockhart até a o momento ? * E_por_aí adiante , ao_longo_de três páginas , terminando com : *54 . Qual é o dia de aniversário de Gilderoy_Lockhart e qual seria o seu presente preferido ? * Meia_hora mais tarde , Lockhart recolheu os pontos e folhou os rapidamente em frente de os alunos . - Tut , tut , quase ninguém se lembrou que a minha cor preferida é o lilás . Eu digo o em * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves * . Alguns precisam de voltar a ler com mais cuidado * Fim-de - _ Semana com Um Lobisomem * . Eu afirmo claramente em o décimo segundo capítulo que o meu presente de aniversário preferido seria a harmonia entre todos os seres , mágicos e não mágicos , embora não me importasse de receber uma garrafa grande de * whisky * velho de a Ogden's_Old_Firewhisky . Piscou lhes o olho de_novo . Ron olhava para Lockhart com uma expressão de incredulidade em o rosto . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas que estavam sentados a a frente tremiam de tanto conter o riso . Hermione , contudo , ouvia Lockhart com extrema atenção e deu um salto quando ouviu o seu nome . - Mas Miss_Hermione_Granger sabia que a minha ambição secreta era libertar o mundo de o mal e pôr a a venda a minha gama de poções de tratamento de o cabelo . Muito bem - voltou o papel . - Nota máxima ! Onde está Miss_Hermione_Granger ? Hermione ergueu uma mão trémula . - Excelente - bradou Lockhart , exultante . - Leva dez pontos para os Gryffindor . E vamos a o trabalho . Baixou se atrás de a secretária e pegou em uma grande gaiola coberta . - Ficam desde_já a saber , a minha função é preparar vos contra as criaturas mais malignas que a feitiçaria conhece . Vocês podem ter que enfrentar os maiores medos em esta sala . Saibam que nenhum mal vos sucederá comigo aqui . Só vos peço que se mantenham calmos . Ultrapassando os seus sentimentos , Harry espreitou através de a pilha de livros para ver melhor a gaiola . Lockhart colocou uma mão em a tampa . Dean e Seamus tinham deixado de se rir . Neville estava agachado em o seu lugar de a fila de a frente . - Vou pedir vos que não façam barulho - disse Lockhart em voz baixa . - Podem assustá os . Enquanto a aula inteira continha a respiração , Lockhart tirou a cobertura . - Sim - disse em um tom dramático . - Duendes_da_Cornualha recém-capturados . Seamus_Finnigan não conseguiu controlar se . Soltou uma gargalhada que nem Lockhart poderia confundir com um grito de terror . - Sim ? - sorriu a Seamus . - Bem , eles não são , não são perigosos , pois não ? - perguntou a rir . -- Não tenhas tanta certeza de isso - afirmou Lockhart , aborrecido , abanando um dedo , em direcção a Seamus . - Podem ser maçadores e muito traiçoeiros . Os duendes eram de um azul-eléctrico e tinham cerca de vinte centímetros de altura com feições angulosas e umas vozes tão estridentes que era como ouvir uma discussão entre araras . Logo_que o pano foi retirado , começaram a fazer uma enorme algazarra , a andar de um lado para o outro , batendo em as grades e fazendo caretas a as pessoas que estavam mais perto . - Muito bem - disse Lockhart em voz alta . - Vamos então ver o que vocês conseguem fazer de eles - e abriu a gaiola . Foi um pandemónio . Os duendes dispararam em todas_as direcções como foguetes . Dois de eles agarraram o Neville por as orelhas e levantaram o a o ar . Vários outros foram direitos a a janela , fazendo chover vidros partidos até a a fila de trás . Os restantes decidiram destruir a sala com maior eficácia do_que um rinoceronte em fúria . Agarraram em os tinteiros e salpicaram tudo em volta , rasgaram a os bocados livros e papéis , arrancaram os quadros de as paredes , levantaram a o ar a gaiola vazia , agarraram livros e sacos e lançaram nos por a janela de vidros estilhaçados . Em poucos minutos , metade de a aula estava abrigada debaixo de as secretárias e o Neville pendurado em o candelabro de o tecto . - Vamos lá , agarrem nos , agarrem nos , são apenas duendes ... - gritava Lockhart . Arregaçou as mangas , bramiu a varinha e pronunciou * Peshipiksi_Pesternomi ! * As palavras não tiveram o menor efeito . Um de os duendes pegou em a varinha de Lockhart e atirou a também por a janela fora . Lockhart engoliu em seco e mergulhou debaixo de a secretária , não sendo , por um triz , esmagado por o Neville que caiu um segundo depois , quando o candelabro cedeu . A campainha tocou e houve uma louca precipitação para a porta . Em a calma relativa que se seguiu , Lockhart endireitou se , olhou para Harry , Ron e Hermione que estavam quase a chegar a a porta e disse : - Bem , vou pedir vos a os três que prendam o resto de os duendes em a gaiola - passou por eles e fechou rapidamente a porta atrás_de si . - Isto dá para acreditar ? - resmungou o Ron , enquanto um de os duendes lhe mordia com toda_a força uma de as orelhas . - Ele só quer dar nos uma ajuda , permitindo nos ganhar experiência - justificou Hermione , imobilizando dois duendes de uma_vez com um encantamento de paralisação e metendo os de_novo em a gaiola . - Experiência ? - disse Harry , tentando agarrar um duende que dançava com a língua de_fora . - Hermione , ele não sabia nada do_que estava a fazer . - Disparate - retorquiu Hermione . - Leste os livros de ele . Vê só as coisas que ele já fez ! - Que diz que fez - resmungou o Ron . VII_Sangue de lama e murmúrios Harry passou imenso tempo , em os dias que se seguiram , a fugir sempre_que via Gilderoy_Lockhart aproximar se em o corredor . Mais difícil de evitar era Colin_Creevey que parecia ter decorado o horário de Harry . Parecia que nada o emocionava mais do_que dizer : - Tudo bem , Harry ? - seis ou sete vezes por dia e ouvir : - Olá , Colin - por mais exasperado que Harry estivesse quando lhe respondia . A Hedwig ainda estava zangada com Harry por causa de a desastrosa viagem de automóvel e a varinha de o Ron continuava a não funcionar , tendo ultrapassado tudo em a sexta-feira de manhã quando lhe saltou de as mãos em a aula de encantamentos e foi agredir o velho e baixinho professor Flitwick mesmo entre os olhos , deixando uma enorme bolha latejante em o sítio onde tinha batido . Por tudo_isso Harry via chegar , com satisfação , o fim_de_semana Planeava ir em o Sábado de anhã , com Ron e Hermione visitar o Hagrid . Mas foi acordado várias horas mais cedo do_que desejaria por Oliver ood , treinador de a equipa de Quidditch_dos_Gryffindor . - _ o que é_que se passa ? - perguntou Harry , enrolando as palavras . - Treino_de_Quidditch - disse Wood . - Vamos embora . Harry lançou um olhar de esguelha a a janela . Uma neblina fina pairava em o céu rosa e dourado . Agora_que estava acordado não percebia como pudera dormir com a algazarra que os pássaros faziam . - Oliver resmungou Harry . - É de madrugada . - Exacto - respondeu Wood . Era um rapaz alto e corpulento de o sexto ano e em aquele momento os olhos brilhavam lhe loucamente de entusiasmo . - Faz parte de o nosso novo programa de treinos . Anda lá , vai buscar a vassoura e vamos embora - insistiu Wood empenhado . - Nenhuma de as outras equipas começou ainda a treinar . Vamos ser os primeiros este ano ... A bocejar e a tremer um_pouco , Harry saltou de a cama e tentou descobrir as suas túnicas de Quidditch . - Bem , encontramo nos em o campo , dentro_de quinze minutos . Depois de descobrir a sua roupa escarlate de equipa e pôr o manto por cima para se aquecer , Harry escreveu a o Ron um bilhete a explicar onde tinha ido e desceu por a escada de espiral para a sala comum com a sua Nimbos dois inil a o ombro . Tinha acabado de chegar junto de o buraco de o retrato quando ouviu um barulho atrás_de si e viu Colin_Creevey descer a escada de espiral com a máquina fotográfica pendurada a o pescoço a balouçar como louca e uma coisa em a mão . - Ouvi alguém chamar o teu nome em as escadas , Harry olha o que tenho aqui . Revelei a e queria mostrar te . Harry olhou assombrado para a fotografia que Colin lhe espetava em frente de o nariz . Um Lockhart a preto e branco movia se , puxando com toda_a força um braço que Harry reconheceu como sendo o seu . Ficou satisfeito a o constatar que estava a resistir bastante bem , recusando se a ser trazido para a vista de todos . Enquanto Harry observava , Lockhart desistiu e desinteressou se de lutar contra a parte branca de a fotografia . - Assinas para mim ? - pediu Colin entusiasmado . - Não - respondeu secamente Harry , olhando em volta para verificar se o caminho estava livre . - Desculpa_Colin , mas estou cheio de pressa , treino de Quidditch . Passou por o buraco de o retrato . - Oh Uau ! Espera por mim . Eu nunca vi um jogo de Quidditch . Colin trepou por o buraco de o retrato atrás de ele . - Vai ser uma chatice para ti - disse Harry rapidamente , mas Colin ignorou o comentário . Todo o seu rosto brilhava de satisfação . - Tu foste o jogador mais novo de a equipa em cem anos , não foste Harry ? Não foste ? - perguntava Colin , trotando para o acompanhar . - Deve ser fantástico . Eu nunca voei . É fácil ? Essa vassoura é a tua ? É a melhor que há ? Harry não sabia como ver se livre de ele . Era como ter uma sombra que não se calava . - Eu não percebo nada de Quidditch - disse Colin , já sem fôlego . - É verdade que há quatro bolas ? E que duas anda n a voar , tentando fazer os jogadores caírem de as vassouras ? - Sim - disse Harry lentamente , resignado com o ter de lhe explicar as complicadas regras de o Quidditch . - São as * bludgers * . Há dois * beaters * em cada equipa que têm bastões para bater em as * bludgers * e lançá as para o outro lado . O Fred e o George_Weasley são os * beaters * de os Gryffindor . - E para que servem as outras bolas ? - perguntou Colin , saltando uma série de degraus porque ia a olhar para o Harry de boca aberta . - Bem , a * quaffle * , que é a vermelha grandalhona , é a que marca os golos . Três * chasers * em cada equipa lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam fazes a entrar em as balizas que ficam em o extremo de o campo onde há três grandes postes com argolas em as pontas . - E a quarta bola ? - A * snitch * dourada - explicou Harry . - É muito pequenina e veloz e extremamente difícil de agarrar . Mas é isso que o * seeker * tem de fazer , porque o jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * for agarrada . E o * seeker * que conseguir agarrá a ganha para a sua equipa mais cento_e_cinquenta pontos . - E tu és o * seeker * de os Gryffindor , não és ? - perguntou Colin respeitosamente . - Sim - disse Harry enquanto saíam de o castelo e começavam a atravessar o relvado . - E há também o * keeper * que toma conta de os postes . É isto . Mas Colin não parou de fazer perguntas desde os relvados macios até a o campo de Quidditch e Harry só se viu livre de ele quando chegaram a os vestiários . Colin gritou em uma voz aguda : - Eu vou arranjar um lugar , Harry - e apressou se em direcção a as bancadas . O resto de a equipa de os Gryffindor já se encontrava em os vestiários . Wood era o único que tinha aspecto de estar bem acordado . Fred e George_Weasley estavam sentados com olhos de sono e cabelos desgrenhados junto de Alicia_Spinnet de o quarto ano que parecia inclinar se contra a parede que tinha atrás_de si . Os seus companheiros * chasers * , Katie_Bell e Angelina_Johnson bocejavam em frente de ela . - Até que enfim , Harry , porque é_que demoraste tanto ? - perguntou Wood cheio de actividade . - Eu queria ter uma pequena conversa convosco antes de entrarmos propriamente em campo porque passei o Verão a conjecturar um novo programa de treinos que acredito vai estabelecer grandes mudanças . Wood tinha em as mãos um grande mapa de um campo de Quidditch onde estavam desenhadas muitas linhas , setas e cruzes a tinta de várias cores . Pegou em a varinha , bateu com ela em o quadro e as setas começaram a mover se em o mapa como tractores . Enquanto Wood se lançava em um discurso sobre as suas novas técnicas , a cabeça de Fred_Weasley caiu sobre o ombro de Alicia_Spinnet e ele começou a ressonar . O primeiro mapa levou quase vinte minutos a explicar , mas debaixo de esse havia outro e ainda um terceiro . Harry caiu em uma letargia enquanto Wood continuava indefinidamente . - Então - disse por fim o treinador , arrancando Harry de a avidez de uma fantasia sobre o que poderia estar a comer se se encontrasse em aquele momento em o castelo . - Ficou tudo claro ? Alguma pergunta ? - Eu tenho uma pergunta , Oliver - disse George que acordou estremunhado . - Porque não nos explicaste tudo_isso ontem , quando estávamos acordados ? Wood não ficou nada satisfeito . - Ouçam bem , vocês todos - disse , voltando se para eles mal-humorado . - Nós deveríamos ter ganho a taça de Quidditch o ano passado . Somos de longe a melhor equipa , mas , infelizmente , devido_a circunstancias que estão para_além de o nosso controlo ... Harry mudou de posição em a cadeira sentindo se culpado . Estivera inconsciente em o hospital durante o campeonato final de o ano anterior o que fez com que os Gryffindor com um jogador a menos tivessem sofrido a pior derrota de os últimos trezentos anos . Wood levou um momento a controlar se . Era evidente que a última derrota ainda o torturava . - Portanto , este ano vamos fazer um treino mais duro , como nunca se fez . O. _ K. , vamos lá pôr as teorias em prática - gritou , pegando em a vassoura e conduzindo os para fora de o vestiário . Com as pernas trôpegas e ainda a bocejar , a equipa seguiu o . Tinham estado tanto tempo lá dentro que o sol já tinha nascido e brilhava em o céu embora uma réstia de neblina pairasse ainda sobre o relvado de o campo . Quando Harry entrou em campo viu Ron e Hermione sentados em as bancadas . - Ainda não acabaram ? - perguntou Ron em um tom incrédulo . - Ainda nem começamos - explicou Harry , olhando cheio de inveja para a torrada com doce de laranja que Ron e Hermione tinham trazido de o salão . - O Wood tem estado a ensinar nos as jogadas . Subiu para a vassoura e deu um pontapé em o chão , elevando se em o ar . O ar fresco de a manhã bateu lhe em o rosto fazendo o acordar com mais eficácia do_que o longo discurso de Wood . Era maravilhoso voltar a estar em o campo de Quidditch . Voou em volta de o estádio a toda a a velocidade competindo com Fred e George . - Que barulhinho estranho é aquele ? - perguntou o Fred quando deram a volta . Harry olhou para as bancadas . Colin estava sentado em um de os lugares mais altos com a máquina fotográfica em o ar , tirando fotografia sobre fotografia , o som estranhamente ampliado em o estádio deserto . - Olha para ali , Harry , para ali - gritava de forma estridente . - Quem é aquele ? - perguntou Fred . - Não faço ideia - mentiu Harry , disparando a_toda_a velocidade e distanciando se o mais possível de Colin . - O que se passa aí ? - perguntou Wood , franzindo a testa enquanto corria por os ares atrás de eles . - Porque está aquele aluno de o primeiro ano a tirar fotografias ? Não me agrada . Pode ser um espião de os Slytherin a tentar descobrir o nosso novo programa de treinos . - Ele é de os Gryffindor - disse Harry rapidamente . - E os Slytherin não precisam de um espião , Oliver - completou George . - Porque dizes isso ? - perguntou Wood irritado . - Porque estão aqui em peso - disse George , apontando com o dedo . Vários indivíduos com túnicas verdes vinham em aquele momento a entrar em o campo de vassouras em a mão . - Não posso acreditar - reagiu Wood , sentindo se ultrajado . - Eu reservei o estádio para hoje . Já vamos ver como é_que isto fica ! Wood baixou direito a o chão sendo levado por a fúria a aterrar com mais força do_que pretendia e a cambalear um_pouco quando começou a andar seguido de o Harry e de o Ron . - Flint - bradou para o treinador de os Slytherin . - Este é o nosso tempo de treino . Levantámo nos de propósito . Vocês têm de sair de aqui . Marcus_Flint era ainda mais corpulento do_que Wood . Tinha em o rosto uma expressão de duende travesso quando respondeu : - Há espaço para todos , Wood . Angelina , Alicia e Katie tinham vindo também . Em a equipa de os Slytherin não havia raparigas que enfrentassem a o lado de os rapazes os Gryffindor . - Mas eu reservei o estádio - repetiu Wood de modo afirmativo , cuspindo de raiva . - Reservei o . - Ah ! - exclamou Flint . - Mas eu tenho aqui uma licença especial assinada por o professor Snape . * _ Eu , professor Snape , autorizo a equipa de os Slytherin a praticar hoje em o campo de Quidditch devido a a necessidade de treinar o seu novo seeker . * - Têm um novo * seeker * ? - perguntou Wood perturbado . - Onde ? E detrás de as seis figuras corpulentas que tinham em a frente , viram surgir uma sétima : um rapaz mais pequeno com um sorriso afectado espelhado em o rosto pálido e anguloso . Era_Draco_Malfoy . - Não és o filho de o Lucius_Malfoy ? - perguntou Fred , olhando para ele com antipatia . - Curioso que refiras o pai de o Draco - disse Flint enquanto toda_a equipa de os Slytherin sorria de modo grosseiro . - Deixem me mostrar vos a generosa oferta que ele fez a a equipa de os Slytherin . Os sete exibiram as suas vassouras . Sete cabos novos , polidos , com inscrições em letras douradas de as palavras « Nimbus dois_mil_e_um « brilharam a o sol de a manhã , em frente de o nariz de os Gryffindor . - O último modelo . Só chegou em o mês passado - disse Flint , displicentemente , sacudindo a poeira de o cabo de a sua vassoura . - Julgo que ultrapassam de longe as velhas séries de dois_mil . Quanto a as Cleansweeps - sorriu de forma mesquinha para Fred e George que tinham ambos Cleansweep_Fives - essas já só servem para varrer . Nenhum de os Gryffindor foi capaz de abrir a boca em aquele momento . Malfoy sorria tanto que os seus olhos de gelo estavam reduzidos a duas rachas . - Oh vejam - disse Flint . - Uma invasão de o campo . Ron e Hermione atravessavam o relvado para ver o que se passava . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron a o Harry . - Porque não estão a jogar e o que faz ele aqui ? Olhava para Malfoy em as suas vestes de Quidditch . - Sou o novo * seeker * de os Slytherin , Weasley - disse Malfoy com ar presumido . - Têm estado todos a admirar as vassouras que o meu pai comprou para a nossa equipa . Ron olhou de boca aberta para as sete vassouras que tinha em a frente . - São boas , não são ? - disse Malfoy untuosamente . - Mas talvez a equipa de os Gryffindor consiga levantar algum ouro e comprar também vassouras novas . Vocês podiam levar essas Cleansweep_Fives a leilão , talvez algum museu esteja interessado . A equipa de os Slytherin riu se a bandeiras despregadas . - Pelo_menos em os Gryffindor ninguém teve de comprar a sua entrada - disse secamente Hermione . - Entraram todos por mérito próprio . O ar presumido de Malfoy desapareceu . - Ninguém pediu a tua opinião , sangue de lama - cuspiu Malfoy . Harry apercebeu se , de imediato , que Malfoy dissera algo muito grave porque houve uma tremenda algazarra em o seguimento de as suas palavras . Flint teve que se pôr a a frente de o Malfoy para evitar que Fred e George se atirassem a ele . Alicia bradou : - Como te atreves ? - E Ron meteu a mão em as vestes e sacou de a varinha mágica , gritando : - Vais pagar por o que disseste , Malfoy ! - e apontou a , furioso , por debaixo de o braço de Flint , a o rosto de Malfoy . Um enorme estrondo , ecoou em o estádio e um jacto de luz verde saiu por a extremidade errada de a varinha de Ron , atingindo o em o estômago e projectando o para trás em direcção a o relvado . - Ron ! Ron ! Estás bem ? - gritou Hermione . Ron abriu a boca para falar , mas nenhuma palavra saiu . Em vez de isso , teve um vómito imenso e várias lesmas saíram lhe de a boca , indo cair lhe em o colo . A equipa de os Slytherin ficou paralisada de riso . Flint estava dobrado , agarrado a a vassoura nova . Malfoy , a quatro , batia com o punho em a chão . Os Gryffindor rodeavam o Ron , que continuava a vomitar lesmas enormes e reluzentes . Ninguém queria tocar lhe . - É melhor levá o para_casa de o Hagrid . É o mais perto - disse Harry_a_Hermione , que acenou afirmativamente , e os dois arrastaram o Ron por os braços . - O que aconteceu , Harry ? O que aconteceu ? Ele está doente ? Mas tu podes curá o , não podes ? - Colin descera a correr de o lugar onde estava sentado e dançaricava em frente de eles , enquanto abandonavam o campo . Ron teve um novo arremesso e mais lesmas saíram de a sua boca . - Oooh ! - exclamou Colin fascinado , levantando a máquina fotográfica . - Podes mantê o quieto , Harry ? - Sai de a minha frente , Colin - gritou Harry zangado . Ele e a Hermione conseguiram levar o Ron para fora de o estádio , atravessar os campos e chegar a a beira de a floresta . - Está quase , Ron - disse Hermione , mal avistaram o casebre de o guarda de os campos . - Vais ficar bem dentro_de um minuto ... está quase ... Estavam a sessenta metros de a casa de Hagrid , quando a porta de a frente se abriu . Mas não foi Hagrid quem saiu de lá , e sim Gilderoy_Lockhart , em uma túnica cor de malva . - Rápido , vamos esconder nos aqui - sussurrou Harry , arrastando Ron para trás de um arbusto que havia ali perto . Hermione acompanhou o , embora um_pouco relutante . -- É muito simples quando se sabe o que se está fazer ! - gritava Lockhart_para_Hagrid . - Se precisar de ajuda , sabe onde estou . Vou dar lhe um exemplar de o meu livro . Espanta me que ainda não o tenha . Logo a a noite autografo o e envio lhe o . Bem . até a a próxima ! - e afastou se em direcção a o castelo . Harry esperou que Lockhart desaparecesse , antes de puxar o Ron de trás de o arbusto até a a casa de o Hagrid . Bateram ansiosamente . Hagrid apareceu logo com um ar mal-humorado , que se dissipou quando viu quem era . - Já me tinha perguntado quand'é que vocês vinham ver me , entrem , entrem , pensei qu'era outra_vez o professor Lockhart . Harry e Hermione ajudaram Ron a subir o degrau que dava acesso a a cabana de uma divisão com uma cama enorme a um de os cantos e uma lareira a crepitar alegremente em o outro . Hagrid não pareceu perturbado com o problema de as lesmas de o Ron que Harry lhe explicou precipitadamente , logo_que sentou o Ron em uma cadeira . - Melhor saírem de o qu'entrarem - disse , em um tom bem-disposto , colocando uma grande bacia de cobre em frente de ele . - Deita as todas fora , Ron . - Acho que não há mais_nada a fazer , a não ser esperar que isto pare - disse Hermione ansiosamente , vendo Ron inclinar se para a bacia . - É uma maldição muitas_vezes difícil , mas com uma varinha partida ... Hagrid andava de um lado para o outro a preparar o chá . O cão de ele , Fang , babava se em cima de o Harry . - O que é_que o Lockhart queria de ti ? - perguntou o Harry , coçando as orelhas de o Fang . - Ensinar me a tirar espíritos aquáticos com forma de cavalos d'uma nascente d'água - resmungou Hagrid , retirando de a mesa pequena um galo meio depenado e colocando em o seu lugar o bule . - Como s'eu não soubesse . E contar me uma peta qualquer d'uma fada carpideira que ele venceu . Engulo essa chaleira , se uma palavra do_que ele disse for verdade . Não era hábito de Hagrid criticar um professor de Hogwarts e Harry olhou para ele com alguma surpresa . Mas Hermione disse em uma voz mais aguda do_que de costume : - Acho que estás a ser injusto . O professor Dumbledore obviamente achou que era o melhor homem para o lugar ... - Era o único - explicou Hagrid , oferecendo lhes um prato de bombons de melaço enquanto Ron tossia para a bacia . - E não havia mais ninguém . Não é fácil encontrar quem queira dar Artes de magia negra . As pessoas não gostam de essa matéria . Começam a pensar que está amaldiçoada , ninguém ficou muito_tempo a dá a . Mas digam me lá - continuou Hagrid , inclinando a cabeça para Ron - quem é qu'ele estava a tentar amaldiçoar ? - O Malfoy chamou qualquer coisa a a Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si . - Foi grave , sim - disse o Ron com voz rouca , emergindo a a superfície de a mesa , pálido e transpirado . - O Malfoy chamou lhe sangue de lama , Hagrid . - Ron desapareceu outra_vez quando uma nova onda de lesmas fez o seu aparecimento . Hagrid estava indignado . - Não posso crer - exclamou , dirigindo se a Hermione . - Chamou sim - disse ela . - Mas eu não sei o que significa . Percebi que era má educação , claro ... - É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar - explicou Ron novamente . - Sangue de lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles , sabes , filho de pais não mágicos . Há alguns feiticeiros , como a família de o Malfoy que acham que são melhores do_que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro . - Teve um pequeno vómito e uma lesma isolada caiu lhe em a mão aberta . Ele atirou a para a bacia e continuou . -- É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma . Olha_o_Neville_Longbottom , é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito . - E ainda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer - afirmou Hagrid , orgulhoso , fazendo Hermione corar em tons de magenta . - É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém - disse o Ron , limpando o suor de a testa com a mão trémula . - Sangue sujo , sangue vulgar , é um disparate . A maior parte de os feiticeiros hoje_em_dia têm sangue misturado . Se não tivéssemos casado com Muggles tinha sido o nosso fim . Fez um esforço para vomitar e baixou se mais_uma_vez . - Bem , não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá o , Ron - disse Hagrid bem alto enquanto montes de lesmas caíam em a bacia . - Mas , se_calhar , não foi mau de todo teres a varinha a trabalhar ao_contrário . Acho que Lucius_Malfoy teria vindo logo a correr a a escola se tivesses amaldiçoado o filho . Assim , pelo_menos , não estás metido em nenhum sarilho . Harry teria referido que o problema não podia ser pior do_que deitar lesmas por a boca , mas não pôde . Os bombons de melaço tinham lhe colado os maxilares um_ao_outro . - Harry - disse de repente Hagrid como_que movido por um pensamento súbito . - Tens de me explicar uma coisa . Ouvi dizer que tens andado a dar fotografias autografadas . Porque é qu'eu não tenho nenhuma ? A fúria de Harry foi tão grande que os maxilares se libertaram . - Eu não tenho dado fotografias autografadas - disse com vivacidade . Se o Lockhart andou a espalhar isso ... Mas em esse momento viu que Hagrid se estava a rir . - ´ _ tou a brincar - disse , dando uma palmadinha em as costas de Harry e fazendo lhe sinal para se sentar a a mesa . -- Eu sabia que não tinhas . Disse a o Lockhart que tu não precisavas de isso . Es mais famoso do_que ele sem sequer , tentares . - Aposto que ele não gostou de ouvir isso - comentou Harry , sentando se e esfregando o queixo . - Acho que não gostou mesmo - prosseguiu Hagrid com os olhinhos a brilhar . - E disse lhe também que nunca tinha lido nenhum de os livros de ele e ele foi se embora . Um bombom de melaço , Ron ? - perguntou a o vê o reaparecer . - Não , obrigado - disse o Ron com uma voz fraca . - É melhor não arriscar . - Venham ver o qu'eu tenho estado a criar - disse Hagrid quando Harry e Hermione acabaram de tomar o chá . Em a pequena horta atrás de a casa estava uma_dúzia de as maiores abóboras que Harry alguma vez vira . Pareciam enormes blocos de pedra . - Estão a dar se bem , não achas ? - disse Hagrid , feliz . São para a festa de o * _ Hallow'en * . Devem estar bem grandes quando chegar a altura . - O que é_que lhes tens dado como alimento ? - perguntou Harry . Hagrid olhou por cima de o ombro para confirmar se estavam sós . - Bem , tenho estado a dar lhes ... uma pequena ajuda . Harry reparou em o guarda-chuva cor-de-rosa a as florzinhas que estava encostado contra a parede de a cabana . Tivera em o ano anterior motivos para crer que aquele guarda-chuva não era o que parecia . De facto , acreditava que a antiga varinha de escola de Hagrid se encontrava oculta dentro de ele . Hagrid não tinha autorização para usar magia . Fora expulso de Hogwarts em o terceiro ano embora Harry nunca tivesse descoberto o motivo . Qualquer referência a esta questão fazia Hagrid pigarrear bem alto e ficar misteriosamente surdo até mudarem de assunto . -- Um encantamento de absorção , imagino ? - comentou Hermione entre a desaprovação e o divertimento . - Bem , se assim foi , fizeste um bom trabalho . - Foi o que disse a tua irmãzinha - respondeu Hagrid acenando em direcção a Ron . - Encontrei a ontem . - Hagrid olhou de lado para Harry , a barba a contorcer se . - Disse que andava só a ver os campos , mas eu acho qu'ela esperava encontrar alguém em a minha casa - piscou o olho a o Harry . - Se queres que te diga acho qu'ela não recusaria uma fotografia autogr ... - Cala te com isso - disse Harry . Ron desatou a rir e o chão ficou cheio de lesmas . - Cuidado - resmungou Hagrid , afastando Ron de as suas preciosas abóboras . Estava quase em a hora de o almoço e , como o Harry só tinha provado um bombom de melaço desde manhã cedo , estava ansioso por chegar a a escola para ir comer . Despediram se de o Hagrid e regressaram a o castelo . O Ron a vomitar de vez em quando , mas deitando só duas pequenas lesmas . Mal tinham pisado a entrada de o vestíbulo quando ouviram uma voz . - Aí estão vocês , Potter , Weasley . - A professora Mc_Gonagall vinha em direcção a eles com o seu ar severo . - Vocês os dois vão ter as punições hoje a a tarde . - O que é_que vamos fazer , professora ? - perguntou o Ron nervoso , deixando cair uma lesma . - Tu vais limpar as pratas em a sala de os troféus com Mr._Filch - disse a professora Mc_Gonagall . - E nada de mágicas , Weasley , trabalho com esforço . Ron engoliu em seco . Argus_Filch , o encarregado , era odiado por todos os alunos de a escola . - E tu , Potter , vais ajudar o professor Lockhart a responder a as cartas de as suas fãs - ordenou a professora Mc_Gonagall . - Oh , não ! Não posso ir também trabalhar em a sala de os troféus ? - pediu Harry em desespero de causa . - Nem pensar em isso - respondeu a professora Mc_Gonagall , erguendo as sobrancelhas . - O professor Lockhart requisitou te especialmente a ti . _ a as oito_em_ponto , os dois . Harry e Ron entraram em o salão em um estado de profundo desanimo com a Hermione atrás , ostentando uma expressão de * bem-voces-quebraram-as-regras-da-escola * . Harry não saboreou o empadão de carne como teria desejado . Tanto ele como o Ron achavam que tinham tido o pior de os castigos . -- O Filch vai reter me lá toda_a noite - disse Ron , desanimado . - Sem mágica ! Deve haver umas cem taças em aquela sala , eu não sei fazer limpeza de Muggles . - Eu trocava contigo de boa_vontade - confessou Harry em uma voz surda . - Tive montes de prática com os Dursleys . Responder a o correio de fãs de o Lockhart , que pesadelo ... A tarde de sábado pareceu derreter se . Pouco depois eram já cinco para as oito e Harry arrastava se até a o corredor de o segundo andar onde ficava o escritório de o Lockhart . Rangendo os dentes , bateu a a porta . A porta abriu se imediatamente e Lockhart dirigiu se lhe . - Ah , cá está o patifório ! - exclamou . - Entra , Harry , entra . Em as paredes , brilhando à_luz_de muitas velas , podia ver se uma infinidade de fotografias de Lockhart . Algumas de elas até assinadas . Sobre a secretária estava outro monte enorme . - Podes pôr as moradas em os envelopes - disse Lockhart_a_Harry , como_se fosse uma grande ameaça . - O primeiro é para Gladys_Gudgeon , abençoada seja , uma grande fã minha . Os minutos passavam lentos . De vez em quando , Harry ouvia a voz de Lockhart dizendo : - Mmm - e - certo - e - sim . - De vez em quando , apanhava uma frase como : - A fama é versátil , amigo Harry - ou - Só é célebre quem faz por isso , nunca te esqueças . As velas ardiam cada_vez com maior lentidão , fazendo a luz dançar sobre as muitas caras de Lockhart que o olhavam . Harry passava a mão , já dorida , sobre o que devia ser o centésimo envelope , escrevendo a morada de Verónica_Smethley . « Deve estar quase em a hora de me ir embora » , pensou , sentindo se profundamente infeliz , « por favor , faz com que esteja em a hora ... » E então ouviu algo , algo totalmente diferente de o crepitar de as velas e de os ditos de Lockhart sobre as suas fãs . Era uma voz , uma voz de arrepiar os ossos , de cortar a respiração , de veneno frio . - * _ Vem ... vem ter comigo ... deixa me rasgar te ... cortar te ... matar te * ... Harry deu um salto e uma enorme mancha lilás surgiu em a rua de Verónica_Smethley . - O quê ? - disse ele em voz alta . - Eu sei - exclamou Lockhart . - Seis meses inteirinhos em o topo de a lista de * bestsellers * , bati todos os recordes ! - Não - disse Harry nervosíssimo - aquela voz ! - Como ? - perguntou Lockhart , com um ar confuso . - Que voz ? - Aquela , aquela voz que disse ... não ouviu ? Lockhart olhava para Harry com o maior espanto . - De que é_que estás a falar , Harry ? Estás a ficar com sono ? Meu Deus , olha , só estamos aqui há quase quatro horas , quem diria ? O tempo passou a correr , não é verdade ? Harry não respondeu , estava a fazer um esforço para ouvir de_novo a voz , mas o único som que ouviu foi Lockhart a dizer lhe que não esperasse um tratamento igual de as próximas vezes que fosse castigado . Harry saiu , sentindo se atordoado . Era tão tarde que a sala comum de os Gryffindor estava quase vazia . Harry foi directamente para o dormitório . Ron ainda não tinha voltado . Vestiu o pijama , meteu se em a cama e esperou . Meia_hora mais tarde , chegou o Ron agarrado a o braço direito e inundando o quarto escuro de um forte cheiro a limpa-pratas . - Doem me todos os músculos - resmungou , metendo se em a cama . - Ele fez me polir catorze vezes aquela taça de Quidditch até estar satisfeito . E depois tive outro vómito em_cima_de um troféu de Reconhecimento por serviços prestados a a escola . Demorei séculos a limpar o muco de as lesmas . Como correram as coisas com o Lockhart ? Em voz baixa para não acordar o Neville , o Dean e o Seamus , Harry contou lhe , palavra por palavra , o que tinha ouvido . - E Lockhart disse que não ouviu nada ? - perguntou o Ron . Harry viu o franzir a testa , a a luz de o luar . - Achas que estava a mentir ? Mas , não percebo , mesmo um ser invisível teria aberto a porta . - Eu sei - disse Harry , encostando se a a cama e olhando para o dossel . - Também não compreendo . VIII_A festa de o dia de os mortos Outubro chegou , espalhando um frio húmido por os campos e por os cantos de o castelo . Madam_Pomfrey , a enfermeira-chefe , esteve bastante ocupada com uma onda de constipações que afectou professores e alunos . A sua poção de pimentão entrou imediatamente em acção apesar_de deixar quem a tomava com fumo em os ouvidos durante várias horas . Ginny_Weasley , que andava com ar adoentado , foi convencida a tomá a por o Percy . O fumo que saía por debaixo de o seu cabelo ruivo dava a impressão de que toda_a cabeça estava em fogo . Gotas de chuva de o tamanho de balas agrediram as janelas de o castelo durante dias a fio . O lago rosado e os canteiros de flores tornaram se regatos lamacentos e as abóboras de o Hagrid incharam ficando de o tamanho de alpendres de jardim . Contudo , o entusiasmo de Oliver_Wood por as sessões de treino regular não foi abalado , motivo por o qual Harry iria regressar a a torre de os Gryffindor , em um sábado a a tarde de temporal , alguns dias antes de o * _ Hallowe'en * , ensopado até a os ossos e todo enlameado . Além de a chuva e de o vento , não fora um treino feliz . Fred e George que tinham andado a espiar a equipa de os Slytherin tinham visto com os seus próprios olhos a velocidade alucinante de aquelas novas Nimbus dois_mil_e_um e comentaram que a equipa em o ar parecia composta por sete manchas esverdeadas que disparavam a_toda_a velocidade como aviões a jacto . Enquanto Harry chapinhava a o longo de o corredor deserto , cruzou se com alguém que parecia tão preocupado como ele : Nick quase sem cabeça , o fantasma de a torre de os Gryffindor que olhava taciturno , por a janela , murmurando baixinho : - Não preenche os requisitos , um centímetro e meio se ... - Olá , Nick - cumprimentou Harry . - Olá , olá - disse o Nick quase sem cabeça , começando a olhar em volta . Usava um arrebatado chapéu de plumas sobre a longa cabeleira encaracolada e uma túnica com gola de tufos que disfarçava o facto de ter o pescoço quase totalmente separado de o corpo . Era pálido como o fumo e Harry podia ver através de ele o céu negro e a chuva torrencial , lá fora . - Pareces preocupado , jovem Potter - disse Nick , dobrando uma carta transparente , enquanto falava e escondendo a dentro de a jaqueta . - Tu também - retorquiu Harry . - Ah ! - o Nick quase sem cabeça acenou com a mão de forma elegante . - Uma questão sem importância . Não é_que eu quisesse realmente participar apesar_de me ter inscrito , mas , a o que parece , não preencho os requisitos . - Apesar de o seu tom jovial havia em o seu rosto uma grande amargura . - Mas era de esperar , ou não era - exclamou subitamente , tirando a carta de o bolso - que ter levado quarenta_e_cinco golpes em a cabeça com um machado ferrugento me qualificaria para entrar em o grupo de os Sem - _ Cabeça ? - Sim , sim - respondeu Harry que obviamente o outro esperava que concordasse . - Isto_é , ninguém mais do_que eu desejaria que tudo tivesse sido rápido e perfeito , poupava me muitas dores e ridículo . Mas ... O Nick quase sem cabeça abriu , furioso , a carta e leu : * _ Só podemos aceitar em o grupo homens cuja cabeça tenha sido separada de o corpo . Compreenderá que de outro modo seria impossível a os nossos membros participarem em actividades como equitação de malabarismos com a cabeça e pólo de cabeça . Lamentamos profundamente informá o de que não preenche os requisitos . * _ Os nossos melhores cumprimentos , Sir_Patrick_Delaney - _ Podmore * Furioso , o Nick quase sem cabeça atirou fora a carta . - Um centímetro de pele e tendões a segurarem me a cabeça , Harry ! A maior parte de as pessoas acharia que era mais do_que o suficiente , mas não serve para o senhor correctamente decapitado Podmore . Nick quase sem cabeça respirou fundo várias vezes e , por fim , em um tom bastante mais calmo perguntou : - Então o que é_que te preocupa ? Alguma coisa que eu possa fazer por ti ? - Não - respondeu Harry . - A_não_ser_que saibas onde posso arranjar sete Nimbus dois_mil_e_um , de_graça , para o nosso campeonato contra os Sly ... - o resto de a frase foi afogada por um miado agudo vindo de perto de os seus tornozelos . Olhou para baixo e deu consigo a fitar um par de olhos que pareciam duas lâmpadas amarelas . Era_Mrs._Norris , a gata cinzenta e esquelética usada por o encarregado Argus_Filch como uma espécie de polícia em a sua infindável batalha contra os estudantes . - É melhor saíres de aqui , Harry - preveniu Nick com toda_a calma . - O Filch não está nada bem-disposto . Anda engripado e alguns alunos de o terceiro ano , por acidente , encheram o tecto de o calabouço cinco de miolos de rã . Ele tem andado toda_a manhã a limpar e se te vê a encher tudo de lama ... - Certo - disse Harry , recuando e afastando se de o olhar acusador de Mrs._Norris , mas ... tarde de mais . Conduzido até ali por o misterioso poder que parecia ligá o a a gata , Argus_Filch entrou subitamente por uma tapeçaria que se encontrava a a direita de Harry , com a sua respiração asmática , olhando vivamente em volta em busca de o infractor . Tinha um lenço grosso , de xadrez , a a volta de a cabeça e o nariz invulgarmente arroxeado . - Imundície - gritou com os maxilares a tremer e os olhos a saltarem lhe de as órbitas , enquanto apontava para a poça de lama que pingara de a túnica de Quidditch_de_Harry . - Desarrumação e imundície em todo o lado . Estou farto disto , segue me , Potter . Harry despediu se de o Nick quase sem cabeça com um tímido aceno e seguiu Filch até lá abaixo , duplicando o número de pegadas lamacentas em o chão . Nunca entrara em o gabinete de o Filch . Era um lugar que a maior parte de os estudantes evitava . A divisão era sombria e sem janelas , iluminada por uma única lamparina de óleo que pendia de o tecto . Sentia se um vago cheiro a peixe frito . As paredes estavam forradas por ficheiros de madeira . Por as etiquetas Harry percebeu que continham os dados de todos os alunos que Filch tinha punido . Fred e George_Weasley tinham uma gaveta só para eles . Atrás de a secretária estava pendurada uma colecção bem polida de correntes e algemas . Todos sabiam que ele estava sempre a pedir a Dumbledore que o deixasse pendurar os alunos em o tecto por os tornozelos . Filch pegou em uma pena que estava sobre a secretária e começou a procurar o pergaminho . - Bosta - murmurou , furioso . - Bosta de dragão , miolos de rã , intestinos de ratazana ... eu tinha aqui bastante , onde está o form ... sim ... Tirou um enorme rolo de pergaminho de a gaveta de a secretária e estendeu o em a frente , molhando a longa pena em o tinteiro . - Nome : Harry_Potter . Crime ... - Foi só um bocadinho de lama - disse Harry . - É só um bocadinho de lama para ti , rapaz , mas para mim é mais de uma hora a esfregar - gritou Filch com um pingo a tremer de modo desagradável em a extremidade de o nariz bolboso . - Crime : manchar o castelo . Sentença proposta ... Esfregando o nariz que continuava a pingar , Filch olhou com má cara para Harry que esperava com a respiração entrecortada para ouvir a sentença . Mas quando Filch pegou em a pena ouviu se um estrondo enorme em o tecto que fez a lamparina apagar se . - PEEVES - resmungou Filch , pousando a pena , cheio de raiva . - Desta_vez apanho te . Apanho te ! E sem olhar para trás , saiu a correr a_toda_a velocidade de o gabinete , seguido de a gata , Mrs._Norris . Peeves era o * poltergeist * de a escola , uma ameaça de risota esvoaçante que vivia para fazer estragos e criar aflição . Harry não gostava lá muito de ele , mas desta_vez , não podia deixar de lhe estar grato . Na_melhor_das_hipóteses o que Peeves tivesse feito ( e parecia que agora ele destruíra qualquer coisa em grande ) distrairia Filch_de_Harry . Pensando que o melhor seria esperar que ele voltasse , Harry deixou se cair em uma cadeira carcomida por o tempo que se encontrava junto de a secretária . Havia uma coisa sobre o tampo : um grande envelope roxo e lustroso com letras prateadas em a frente . Lançando um olhar rápido a a porta para confirmar que Filch não estava de volta , Harry pegou lhe e leu : __ feitiço __ rápido Um curso por correspondência De iniciação a a magia Cheio de curiosidade , abriu o envelope e retirou o rolo de pergaminho . Uma letra curvilínea e prateada dizia : Sente se pouco a a vontade em o mundo de a magia moderna ? Dá consigo a arranjar desculpas para não fazer feitiços simples ? Tem sido censurado por o deplorável trabalho com a varinha ? Eis a resposta ! Feitiço rápido e um curso totalmente novo , infalível , de resultados rápidos e rápida aprendizagem . Centenas de bruxas e feiticeiros têm beneficiado de o método feitiço rápido ! Madam_Z._Nettles_de_Topsham escreve nos : Eu não conseguia fixar os encantamentos e as minhas poções eram alvo de risota em a família . Agora , depois de o curso feitiço rápido , tornei me o centro de as atenções em todas_as festas e os meus amigos não param de pedir me a receita de a minha brilhante solução ! O mágico D.J._Prod , de Disbury , afirma : A minha mulher costumava rir se de os meus fracos encantamentos , mas bastou um mês com o vosso fabuloso curso feitiço rápido e consegui transformá a em um iaque . Obrigado , feitiço rápido ! Fascinado , Harry folheou o resto de o conteúdo de o envelope . Para que diabo quereria o Filch um curso de feitiço rápido ? Não seria ele um feiticeiro a sério ? Harry estava a ler a lição número um : Pegando em a varinha ( algumas dicas úteis ) quando umas passadas arrastadas , lá fora , o preveniram de que Filch estava de volta . Metendo rapidamente o pergaminho dentro de o envelope , lançou o para_cima de a secretária em o preciso momento em que a porta se abriu . Filch ostentava um ar triunfante . - Aquele armário que desapareceu era extremamente valioso - vinha ele a dizer a a gata , Mrs._Norris . - Desta_vez vamos correr com o Peeves , minha linda . Os seus olhos recaíram sobre Harry e logo_a_seguir sobre o envelope de o feitiço rápido que , Harry apercebeu se tarde de mais , estava meio metro distanciado de o seu lagar inicial . O rosto pálido de Filch tornou se vermelho escarlate . Harry preparou se para uma nova onda de fúria . Filch coxeou até a a secretária , arrebatou o envelope e meteu o em uma gaveta . -- Chegaste a ... lê o ? - perguntou atabalhoadamente . - Não - mentiu Harry , sem perder tempo . As mãos nodosas de o Filch contorciam se ao_mesmo_tempo . - Se eu soubesse que ias ler a minha correspondência priv ... não que seja minha ... é para um amigo ... mesmo_assim ... Harry olhava para ele espantado . Nunca vira o Filch tão louco . Os olhos pareciam querer saltar lhe de as órbitas , com um tique em as bochechas e aquele lenço axadrezado que não ajudava nada ... - Muito bem , vai e não abras a boca sobre isto ... não que ... mesmo_assim ... se tu não leste ... vai te embora , tenho de escrever o relatório sobre o Peeves , vai . Atordoado com a sua sorte , Harry saiu de ali e largou a correr por o corredor fora e por as escadas acima . Sair de o gabinete de o Filch sem um castigo devia ser um recorde em a escola . - Harry , Harry , deu resultado ? O Nick quase sem cabeça saiu a brilhar de uma sala de aula . Atrás de ele , Harry pôde ver os destroços de um grande armário preto e dourado que parecia ter sido atirado de uma grande altura . - Convenci o Peeves a parti o mesmo em cima de o gabinete de o Filch - disse Nick entusiasmado . - Pensei que talvez o distraísse . - Foste tu ? - exclamou Harry , agradecido . - Funcionou sim . Ele não me deu nenhum castigo . Obrigado , Nick . Atravessaram o corredor juntos . O Nick quase sem cabeça , reparou Harry , ainda tinha em a mão a carta de Sir_Patrick . - Gostaria de poder fazer qualquer coisa sobre o grupo de os Sem - _ Cabeça - disse Harry . O Nick quase sem cabeça parou de repente e Harry passou através de ele . Antes não tivesse passado , foi como atravessar um duche gelado . - Mas há uma coisa que tu podes fazer por mim - disse Nick muito agitado . - Harry , seria pedir te de mais ... mas não , tu não ias querer ... - O quê ? - Bem , este ano em o * _ Hallowe'en * vai ser o meu meio milénio de dia de os mortos - disse o Nick quase sem cabeça endireitando se e adquirindo uma postura de grande dignidade . - Oh - respondeu Harry sem saber se deveria lamentar ou dar lhe os parabéns . - Certo . - Vou dar uma festa em um de os calabouços mais amplos . Vêm amigos meus de todo o país . Seria uma honra muito grande se tu aparecesses . Mr._Weasley e Miss_Granger seriam também muito bem-vindos , claro . Mas tu deves preferir o banquete de a escola , não é verdade ? - Olhou para Harry , aflito . - Não - assegurou ele rapidamente . - Eu vou . - Oh rapaz , Harry_Potter em a minha festa de os mortos - hesitou no_meio_de toda aquela excitação . - Achas que poderias referir a Sir_Patrick como me achas assustador e como te impressiono ? - É claro que sim - assegurou Harry . O Nick quase sem cabeça iluminou se em um sorriso . - Uma festa de os mortos ? - exclamou Hermione , entusiasmada , quando Harry , depois de mudar de roupa , se juntou a ela e a o Ron em a sala comum . - Aposto que não há muitas pessoas que possam gabar se de ter estado em uma festa de essas . Vai ser fantástico ! - Por_que é_que alguém se lembraria de festejar o dia em que morreu ? - perguntou o Ron que estava a meio de o seu trabalho de casa de poções e bastante maldisposto . - Parece me bastante mórbido . A chuva continuava a lamber as janelas que apresentavam agora um negro que parecia tinta , mas , lá dentro , era tudo claro e alegre . O fogo em a lareira brilhava sobre as inúmeras cadeiras de braços onde as pessoas estavam sentadas a ler , a conversar , a fazer os trabalhos de casa ou , no_caso_de Fred e George_Weasley , a tentar descobrir o que aconteceria se alimentassem uma salamandra com fogo-de-artíficio de o Filibuster . O Fred tinha « resgatado . o lagarto cor de laranja brilhante , morador de o fogo , de uma aula de tratamento de seres mágicos e ele estava agora a arder em fogo lento sobre uma mesa , rodeado de um grupo de curiosos . Harry ia começar a contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre o Filch e o curso de feitiço rápido quando a salamandra disparou por os ares , lançando faíscas e estoiros . A visão de Percy a gritar com Fred e George até ficar ronco , a fantástica exibição de estrelas cor de tangerina que choviam de a boca de a salamandra e a sua fuga para o lume acompanhada de explosões , fizeram com que Harry se esquecesse , em aquele momento , de Filch e de o curso de feitiço rápido . Quando chegou o * _ Hallowe'en * , Harry já lamentava a sua promessa imprudente de ir a a festa de os mortos . Toda_a escola antecipava , feliz , a sua festa de * _ Hallowe'en * . O salão nobre fora enfeitado com os habituais morcegos , as enormes abóboras de Hagrid tinham sido esculpidas em forma de lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro_de cada uma , e havia boatos de que Dumbledore contratara um grupo de esqueletos bailarinos para animar a festa . - Uma promessa é uma promessa - lembrou Hermione_a_Harry com o seu autoritarismo habitual . - Tu disseste que ias a a festa de os mortos . Portanto , a as sete_da_tarde , Harry , Ron e Hermione saíram , passando por a porta de o salão nobre que brilhava de modo convidativo com pratos dourados e velas e dirigiram os seus passos para os calabouços . O corredor que conduzia a a festa de o Nick quase sem cabeça tinha sido também ladeado de velas , embora o efeito estivesse longe_de ser alegre : estas eram velas muito esguias e estreitas , negras de breu , ardendo em um azul brilhante e lançando uma luz indistinta e espectral também sobre as caras de as pessoas vivas . A temperatura diminuía a cada degrau que desciam . Harry tremia e cingia a túnica a o corpo quando ouviu qualquer coisa que parecia uma centena de unhas a rasparem um enorme quadro preto . - Será que isto_é a música ? - murmurou Ron . Viraram uma esquina e viram o Nick quase sem cabeça junto de uma porta , todo vestido de veludo negro . - Meus queridos amigos - disse com ar de luto . - Bem-vindos , bem-vindos , ainda_bem que puderam vir . Em um gesto largo tirou o chapéu de plumas e fez lhes sinal para que entrassem . Era uma visão incrível . O calabouço estava cheio com centenas de pessoas de um branco pálido e translúcido , a maior parte de as quais era arrastada em uma pista de dança cheia , valsando a o som de trinta serrotes musicais . Os serrotes que compunham a orquestra encontravam se sobre um estrado enfeitado com panos negros . Um lustre lá em cima resplandecia de um azul nocturno com mais um_milhar de velas negras . A respiração de os três subiu em o ar como uma neblina . Parecia que tinham entrado em um congelador . - Vamos dar uma volta - sugeriu Harry em uma tentativa de aquecer os pés . - Cuidado , não atravessem nenhum de eles - avisou o Ron nervosamente e colocaram se em volta de a pista de dança . Passaram por um grupo escuro de freiras , por um homem esfarrapado e cheio de correntes e por o frade gordo , o divertido fantasma de os Hufflepuff que estava a conversar com um cavaleiro com uma seta enfiada em a testa . Harry não ficou nada surpreendido a o ver que o Barão sangrento , o fantasma lúgubre e berrante de os Slytherin , coberto de nódoas de sangue ; estava a ser totalmente evitado por os outros fantasmas . - Oh ! Não -- exclamou Hermione , parando bruscamente . - Voltem se , voltem se , não quero ter de cumprimentar a Murta_Queixosa . - Quem ? - perguntou Harry enquanto davam rapidamente meia volta . - Ela assombra a casa_de_banho de as raparigas de o primeiro andar - explicou Hermione . - Assombra uma casa_de_banho ? - Sim . Está inoperativa durante todo o ano porque ela tem constantes acessos de choro e inunda tudo . Eu só lá fui quando não pode mesmo evitar . É horrível tentar ir a a sanita com ela a gritar connosco . - Olhem , comida - disse o Ron . De o outro lado de o calabouço estava uma mesa igualmente coberta de velado negro . Iam para se aproximar entusiasmados , mas pararam com uma expressão de horror . O cheiro era nauseabundo . Enormes peixes podres enchiam as bonitas travessas de prata , os bolos estorricados como carvões amontoavam se em as salvas , havia uma grande quantidade de miúdos de macaco , uma tábua de queijos cobertos de bolor e , em o lugar de honra , um enorme bolo cinzento em forma de lápide com letras que pareciam alcatrão formando as palavras , * _ Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington_Morto em 31_de_Outubro , 1492 * . Harry olhou espantado quando um fantasma de porte majestoso se aproximou de a mesa inclinando se e passando através de ela com a boca aberta enquanto atravessava um salmão malcheiroso . - Consegue prová o passando através de ele ? - perguntou lhe Harry . - Quase - disse tristemente o fantasma antes de se afastar . - Devem ter deixado apodrecer tudo_isto para ter um sabor mais forte - comentou Hermione com ar de quem está bem informada , tapando o nariz e aproximando se para ver melhor os pútridos miúdos de macaco . - Podemos sair de aqui , estou a sentir me agoniado - disse o Ron . Mas mal tinham dado meia volta quando um homenzinho pequenino saiu inesperadamente de debaixo de a mesa e fez uma paragem em o ar em frente de eles . - Olá , Peeves - disse Harry cautelosamente . Ao_contrário de os outros fantasmas que os rodeavam , Peeves , o * poltergeist * era o oposto de pálido e transparente . Usava um chapéu festivo cor de laranja , um laço rotativo a o pescoço e tinha um sorriso grosseiro de malvadez , em o rosto . - Querem petiscar ? - perguntou delicadamente , oferecendo lhes uma taça de amendoins cobertos de fungos . - Não , obrigada - disse Hermione . - Ouvi te falar sobre a pobre Murta - disse Peeves com os olhos a bailar . - Que insensível que tu foste para com a pobre Murta - respirou fundo e gritou : - Oh Murta . - Oh ! Não , Peeves , não lhe contes o que eu disse , ela vai ficar muito aborrecida - murmurou Hermione bastante nervosa . - Eu não queria dizer que ... eu não me importo que ela , er , olá , Murta . O espectro atarracado de uma rapariga deslizara . Tinha o rosto mais carrancudo que Harry alguma vez vira , meio escondido por o cabelo liso e por os óculos grossos cor de pérola . - O que é ? - perguntou mal-humorada . - Como estás Murta ? - perguntou Hermione , em uma voz falsamente alegre . - É bom ver te fora de a casa_de_banho . Murta fungou . - Miss_Granger estava justamente a falar de ti - disse lhe Peeves baixinho a o ouvido . - A dizer , a dizer ... como estás bonita esta noite -- terminou Hermione , olhando irritada para Peeves . A Murta olhou para Hermione desconfiada . - Estão a divertir se a a minha custa - disse , com lágrimas de prata a encherem lhe rapidamente os olhos pequeninos . - Não , a sério , eu não estava a dizer vos como a Murta estava bonita esta noite ? - disse Hermione , dando uma palmada em as costas de o Harry e de o Ron . - Sim , sim . - Ela ... - Não me venham com mentiras - protestou a Murta , as lágrimas agora a descerem lhe por o rosto , enquanto Peeves ria baixinho por cima de o ombro de ela . - Julgam que eu não sei o que as pessoas me chamam em as minhas costas ? A Murta gorda , a Murta feia , a Murta queixosa , a Murta deprimida ! - Esqueceste te de « a Murta ponto negro » - sussurrou lhe Peeves a o ouvido . A Murta_Queixosa irrompeu em soluços de angústia e fugiu de o calabouço . Peeves disparou atrás de ela , lançando lhe uma chuva de amendoins cheios de bolor e gritando : Ponto negro ! Ponto negro ! - Oh , coitada ! - exclamou Hermione com tristeza . O Nick quase sem cabeça abria agora caminho entre a multidão para se aproximar de eles . - Estão a divertir se ? - Sim , sim - mentiram . - Uma afluência nada má - disse orgulhoso o Nick quase sem cabeça . - A viúva chorosa veio de Kent ... está quase em a hora de o meu discurso . É melhor ir avisar a orquestra . Mas a orquestra parou de tocar em esse preciso momento . Eles , e todos os outros em o calabouço , ficaram em silêncio total , olhando em volta cheios de excitação quando se ouviu uma trompa de a caça . - Lá vêm eles - disse o Nick quase sem cabeça , com alguma amargura em a voz . Por o calabouço irromperam uma_dúzia de , cavalos fantasmas , cada_um montado por um cavaleiro sem cabeça . A assistência aplaudiu vivamente . Harry começou também a bater palmas , mas parou rapidamente quando viu a cara de o Nick . Os cavalos galoparam até a o meio de a pista de dança e pararam , empinando se , dando pequenos passos para a frente e para trás , sobre as patas traseiras . Um fantasma grande em a frente , cuja cabeça barbuda estava debaixo de o braço , soprando a trompa , desmontou , levantou a cabeça bem em o ar para poder ver toda_a assistência ( todos se riam ) e dirigiu se a o Nick quase sem cabeça , comprimindo a cabeça contra o pescoço . - Bem-vindo , Patrick - disse o Nick , mantendo a sua postura rígida . - Gente viva ! - exclamou o Sir_Patrick , avistando Harry , Ron e Hermione e dando um salto de falso espanto , de_tal_modo_que a cabeça lhe caiu de_novo ( a multidão ria a bom rir ) . - Muito engraçado - disse o Nick quase sem cabeça com um ar soturno . - Não ligues a o Nick - gritou a cabeça de Sir_Patrick de o chão . - Ainda está aborrecido por não o deixarmos juntar se a o grupo . Mas olhem bem para ele ... - Eu acho - disse apressadamente Harry , a seguir a um olhar de o Nick - que o Nick é muito assustador e ... eu ... - Bah ! - gritou a cabeça de Sir_Patrick . - Aposto que ele te pediu que dissesses isso . - Gostaria de ter a vossa atenção . Chegou a altura de fazer o meu discurso - disse o Nick quase sem cabeça bem alto , dirigindo se a o pódio , subindo e parando , iluminado por uma luz azul . - Os meus sentimentos , senhores e senhoras , é com profundo pesar ... Mas já ninguém estava a ouvi o . Sir_Patrick e o resto de o grupo de os Sem - _ Cabeça tinham iniciado um jogo de hóquei de cabeça e a multidão voltara se para os observar . Nick quase sem cabeça tentou em vão recuperar a audiência , mas acabou por desistir quando a cabeça de Sir_Patrick passou por ele a_toda_a velocidade gritando vivas . Harry estava cheio de frio para não falar de a fome . - Não aguento mais isto - murmurou Ron a bater o dente enquanto a orquestra voltava a entrar em acção e os fantasmas enchiam de_novo a pista de dança . - Vamos embora - concordou Harry . Recuaram até a a porta , acenando e sorrindo a todos os que olhavam para eles e um minuto depois passavam apressadamente por a entrada cheia de velas negras . - Talvez o pudim ainda não tenha acabado - disse o Ron cheio de esperança , abrindo caminho em direcção a os degraus de o vestíbulo de a entrada . E foi então que Harry ouviu aquilo . - ... * _ Arrancar ... rasgar ... matar * ... Era a mesma voz , a mesma voz fria e assassina que ouvira em o escritório de Lockhart . Parou , agarrando se a a parede de pedra em a expectativa de ouvir melhor , olhando em volta , espreitando para_cima e para baixo de a passagem mal iluminada . - Harry que estás tu a ... ? - E aquela voz outra_vez , calem se um bocadinho . -- ... * _ Tanta fome ... há tanto tempo * ... - Ouçam insistiu Harry e Ron e Hermione ficaram estáticos a olhar para ele . - * _ Matar ... hora de matar * ... A voz ia ficando mais débil . Harry tinha a certeza de que ela estava a afastar se , a subir . Um misto de medo e excitação tomou posse de ele enquanto olhava para o tecto escuro . Como poderia ele subir ? Seria um fantasma para quem os tectos de pedra não contavam ? - Por aqui - gritou , começando a correr por as éscadas acima até a a entrada de o * hall * . Não havia hipótese de ouvir fosse o que fosse ali , o barulho de vozes que vinha de o banquete de o * _ Hallowe'en * ecoava cá fora . Harry subiu a correr a escadaria de mármore até a o primeiro andar com Ron e Hermione ruidosamente atrás . - Harry o que é_que nós ... ? - Sch ... Harry apurou o ouvido . Ao_longe , em o andar de cima , e ainda a enfraquecer , mesmo_assim ouviu a voz : - ... * Cheira-me a sangue ... cheira me a sangue ! * O estômago deu lhe uma volta . - Ele vai matar alguém - gritou e ignorando as caras perplexas de Ron e Hermione , correu , subindo mais um lanço de escadas , a três_e_três , tentando ouvir através de o ruído de os seus próprios passos . Harry correu a_toda_a velocidade pelo segundo andar com Ron e Hermione atrás e só parou quando viraram uma esquina para o último corredor abandonado . - Harry , o que foi aquilo tudo ? - perguntou o Ron , limpando o suor de o rosto . - Eu não ouvi nada ... Mas Hermione , em um sobressalto , apontou para o fundo de o corredor . - Olhem ! Alguma coisa brilhava em a parede em frente . Aproximaram se devagarinho , tentando ver em a escuridão . Alguém escrevera em letras garrafais em a parede entre duas janelas . As palavras brilhavam a a chama fraca de as tochas . : __ a câmara de os segredos foi aberta . inimigos de o herdeiro , __ cuidado . - O que é aquilo pendurado por baixo de as letras ? - perguntou Ron com um tremor em a voz . Quando se aproximaram , Harry quase escorregou . Havia uma grande poça de água em o chão . Ron e Hermione agarraram o e avançaram cautelosamente até a a mensagem , os olhos fixos em uma sombra escura , em baixo . Aperceberam se os três de imediato do_que se tratava e deram um salto para trás , salpicando tudo de água . Mrs._Norris , a gata de o encarregado , estava pendurada por a cauda em o suporte de a tocha . Tinha o corpo rígido como uma tábua e os olhos abertos . Durante alguns segundos ninguém se mexeu . Depois o Ron disse : - Vamos sair de aqui . - Não devíamos tentar ajudar ? - propôs Harry , sem graça . - Acredita - assegurou o Ron . - É melhor que não nos encontrem aqui . Mas era tarde de mais . Um ruído surdo e prolongado , como um trovejar distante , avisou os de que o festim tinha terminado . De ambos os lados de o corredor onde eles estavam , veio o som de centenas de pés a subirem a escadaria e as vozes alegres de gente bem alimentada . Em o momento seguinte os alunos chegavam junto de eles de ambos os lados . O burburinho morreu subitamente mal as pessoas avistaram a gata pendurada . Harry , Ron e Hermione estavam de pé , sozinhos , em o meio de o corredor quando se fez silêncio em a multidão de estudantes que se empurravam para observar aquele quadro macabro . Então alguém gritou , quebrando o silêncio . - Inimigos de o herdeiro , cuidado . Vocês serão os próximos , sangue de lama ! Era_Draco_Malfoy . Estava a a frente de a multidão com os olhos frios a brilhar , a sua cara habitualmente pálida agora afogueada , sorrindo a a vista de a gata pendurada e imóvel . IX_As palavras em a parede -- O que é_que se passa aqui ? O que é_que se passa ? Sem dúvida , atraído por o grito de Malfoy , Argus_Filch apareceu a coxear em o meio de a multidão . Quando viu Mrs._Norris , caiu para trás agarrando o rosto com verdadeiro horror . - A minha gata ! A minha gata ! O que aconteceu a Mrs._Norris ? - gritou . E os seus olhos rápidos caíram sobre Harry . - Tu - guinchou ele . - Mataste a minha gata ! Mataste a , vou dar cabo de ti , eu ... - Argus . Dumbledore tinha chegado a o lugar , seguido de alguns professores . Em poucos segundos tinha passado a a frente de Harry , Ron e Hermione e desatado Mrs._Norris de o suporte de a tocha . - Vem comigo , Argus - disse ele a o Filch . - Vocês também , Mr._Potter , Mr._Weasley e Miss_Granger . Lockhart deu rapidamente um passo em frente . - O meu escritório é o que está mais perto , senhor director , é já aqui em cima , por favor fiquem a a vontade . - Obrigado , Gilderoy - disse Dumbledore . A multidão silenciosa dividiu se para os deixar passar . Lockhart sentindo se excitado e importante , seguia Dumbledore assim_como a professora Mc_Gonagall e o professor Snape . Quando entraram em o escritório escuro de Lockhart houve uma grande agitação em as paredes . Harry viu várias imagens de Lockhart a esconderem se cheias de rolos em o cabelo . O Lockhart em pessoa acendeu as velas e chegou se mais para trás . Dumbledore pôs Mrs._Norris em a superfície polida de a secretária e começou a examiná a . Harry , Ron e Hermione trocaram olhares tensos entre si e deixaram se cair em as cadeiras que se encontravam longe de a luz , a observar . A ponta de o nariz longo e adunco de Dumbledore estava a menos_de dois centímetros de o pêlo de Mrs._Norris . Ele olhava a de perto através de os óculos de meia-lua , os dedos longos a palpar e tactear suavemente . A professora Mc_Gonagall estava quase tão perto como ele , com os olhos contraídos . Snape surgia mais atrás , meio em a sombra , com uma expressão estranha em o rosto , como_se tentasse a_toda_a força sorrir . E Lockhart andava de um lado para o outro a dar sugestões . - Foi sem dúvida uma maldição que a matou , provavelmente a tortura de a metamorfose . Vi a muitas_vezes ser usada , mas infelizmente eu não estava lá quando isto aconteceu . Conheço o antídoto para essa maldição , o que a teria salvo . Os comentários de Lockhart foram interrompidos por os soluços secos e violentos de Filch . Estava afundado em uma cadeira junto de a secretária , incapaz de olhar para Mrs._Norris , com o rosto em as mãos . Por mais que detestasse Filch , Harry não pôde deixar de sentir pena de ele embora não tanta quanto_a que sentia por si próprio . Se Dumbledore acreditasse em o Filch ele seria certamente expulso . O director estava agora a sussurrar umas palavras estranhas e batendo em Mrs._Norris com a varinha , mas não aconteceu nada , ela continuou com o mesmo aspecto , como_se tivesse sido empalhada . - ... Lembro me de uma coisa semelhante que aconteceu em Ouagadogou - disse LockLart . - Uma série de ataques . Conto essa história em a minha autobiografia . Eu dei a a gente de a cidade vários amuletos que resolveram logo a situação ... As fotografias de Lockhart em as paredes iam acenando afirmativamente com a cabeça enquanto ele falava . Uma de elas esquecera se de tirar os rolos de o cabelo . Por fim , Dumbledore endireitou se . - Ela não está morta , Argus - disse suavemente . Lockhart interrompeu bruscamente a contagem de os crimes que conseguira evitar . - Não está morta ? - disse Filch em um sufoco , olhando através de os dedos para Mrs._Norris . - Mas , porque está ela rígida e gelada ? - Foi petrificada - disse Dumbledore ( Ah ! foi o que eu pensei ! - comentou Lockhart ) mas como , não posso afirmar . - Pergunte lhe - gritou Filch , voltando a cara cheia de furúnculos e lágrimas para Harry . - Nenhum aluno de o segundo ano poderia ter feito isto - explicou Dumbledore . - Era preciso um grande conhecimento de magia negra . - Foi ele , foi ele - disse encolerizado o encarregado com a cara a ficar roxa . - O senhor viu o que ele escreveu em a parede . Ele descobriu em o meu gabinete , ele sabe que eu sou um ... - O rosto de Filch estava horrível . - Ele sabe que eu sou um * _ busca-pé * - disse por fim . - Eu não toquei em a Mrs._Norris - gritou Harry com todos os olhares a recaírem sobre ele , incluindo o de todos os Lockharts de a parede . - E eu nem sei o que é um * busca-pé * . - Mentira ! - gritou Filch . - Ele viu a minha carta de o feitiço rápido . - Se me permite que dê a minha opinião , senhor director - disse Snape , saindo de a sombra , e a sensação de mau presságio de Harry aumentou bastante . Certamente nada do_que Snape tinha para de dizer iria ajudá o . - O Potter e os amigos podiam estar simplesmente em o lugar errado em a altura errada - afirmou com um leve sorriso a torcer lhe a boca como_se tivesse as suas dúvidas . - Mas , temos aqui um conjunto de circunstâncias curiosas . Porque estavam eles afinal em o corredor ? Porque não estiveram presentes em a festa de o * _ Hallowe'en * ? Harry , Ron e Hermione começaram uma longa explicação sobre a festa de o dia de os mortos . - Estavam lá centenas de fantasmas , eles poderão confirmar que lá estivemos ... - Mas porque não foram a seguir a o banquete ? - perguntou Snape com os olhos pretos a brilharem a a luz de as velas . - Porquê ir até a aquele corredor ? Ron e Hermione olharam para Harry . - Porque , porque ... - balbuciou Harry , com o coração a querer saltar lhe de o peito , mas algo lhe disse que ia parecer muito rebuscado se lhes contasse que tinha sido levado até ali por uma voz sem corpo que só ele conseguia ouvir . - Porque estávamos cansados e queríamos ir para a cama - disse . - Sem jantar ? - inquiriu Snape com um sorriso triunfante a bailar lhe em o rosto lúgubre . - Não sabia que os fantasmas ofereciam em as suas festas comida para gente viva . - Não estávamos com fome - disse o Ron bem alto , enquanto o estômago se queixava de forma audível . O sorriso mesquinho de a Snape ampliou se . - Acho , senhor director , que Potter não está a dizer toda_a verdade - afirmou . - Talvez fosse boa ideia retirar lhe alguns privilégios , até ele estar disposto a contar nos a história toda . Pessoalmente , sugiro que seja retirado de a equipa de os Gryffindor até decidir ser honesto . - Francamente , Severus - exclamou a professora Mc_Gonagall com uma voz cortante . - Não vejo porquê impedir o rapaz de jogar Quidditch . Esta gata não levou pauladas em a cabeça dadas por nenhum cabo de vassoura . E não há provas de que o Potter tenha feito algo de mal . Dumbledore observava Harry com um olhar perscrutador . A voz tremeluzente de os seus olhos azuis fez Harry sentir que estava a ser passado a raios X. - Inocente até se provar que é culpado , Severus - disse com segurança . Snape estava furioso , assim_como Filch . - A minha gata foi petrificada ! - berrou , com os olhos a saltarem de as órbitas . - Quero ver um castigo ! - Vamos poder curá a , Argus - explicou pacientemente Dumbledore . - Madam_Sprout conseguiu arranjar algumas Mandrágoras . Logo_que tenham atingido o tamanho adulto , terei uma poção de Mandrágoras que reanimará Mrs._Norris . - Eu posso fazê a - interrompeu Lockhart . - Devo ter feito isso uma centena de vezes . Preparo uma golada de Mandrágora reconstituinte de olhos fechados ... - Perdão - disse Snape friamente -- , mas julgo que o professor de poções de esta escola ainda sou eu . Houve um silêncio bastante incómodo . - Vocês podem ir se embora - disse Dumbledore a o Harry , Ron e a Hermione . Eles saíram o mais depressa que puderam , sem ir a correr . Quando chegaram a o andar acima de o escritório de Lockhart , entraram em uma sala de aulas vazia e fecharam a porta devagarinho . Harry lançou um olhar de esguelha a as caras carrancudas de os amigos . - Acham que eu lhes devia ter falado de a voz que ouvi ? - Não - respondeu Ron , sem a mínima hesitação . - Ouvir vozes que mais ninguém ouve , não é bom sinal , nem em o mundo de os feiticeiros . Algo em a voz de Ron levou Harry a fazer a pergunta : - Tu acreditas em mim , não acreditas ? - Claro que sim - respondeu o Ron de imediato . - Mas tens de concordar que é esquisito ... - Eu sei que é esquisito - confirmou Harry . - É tudo esquisito . O que era aquilo escrito em a parede ? * _ A_Câmara foi aberta * , o que é_que significa ? - Sabes , faz me lembrar qualquer coisa - disse Ron lentamente . - Acho que alguém me contou uma história sobre uma câmara secreta em Hogwarts , talvez tenha sido o Bill ... - E que diabos é um * busca-pé * ? - perguntou Harry . Para sua surpresa , Ron abafou o riso . - Bem , em a verdade não tem graça nenhuma , mas como é o Filch ... - disse . - Um * busca-pé * é alguém que nasceu de uma família de feiticeiros , mas não tem poderes mágicos . É uma espécie de o oposto de os que vêm de famílias de Muggles , mas são feiticeiros . Os * busca-pé * são muito raros . Se o Filch está a tentar aprender magia em um curso rápido , acho que ele deve ser mesmo um busca-pé . Isso explicaria tudo , por_exemplo , porque detesta tanto os estudantes . - Ron sorriu satisfeito . - Tem inveja . Um relógio deu as horas , algures . - Meia-noite - disse Harry . - É melhor irmo nos deitar , antes que o Snape apareça e tente acusar nos de qualquer coisa . Durante alguns dias não se falou de outra coisa em a escola a não ser de o ataque a a gata , Mrs._Norris . Filch manteve o sucedido bem fresco em a memória de todos , andando de um lado para o outro em o lugar onde ela fora atacada , como_se esperasse por o responsável . Harry vira o esfregar a mensagem de a parede com a « solução removedora de toda_a porcaria mágica Mrs._Skower » , mas sem qualquer resultado . As palavras continuavam a brilhar tanto como antes sobre a pedra . Quando Filch não estava a patrulhar a cena de o crime , vagueava , de olhos avermelhados , por os corredores , perseguindo alunos insuspeitos e tentando aplicar lhes castigos por coisas como « respirar muito alto » ou « estar alegre » . Ginny_Weasley parecia muito perturbada com o destino de Mrs._Norris . Segundo Ron ela era uma amante de gatos . - Mas tu nem chegaste a conhecer bem Mrs._Norris - disse lhe Ron para a animar . - Com toda_a franqueza , estamos muito melhor sem ela . - O lábio de Ginny tremeu . - Não é costume acontecerem coisas de estas em Hogwarts - tranquilizou a . - Eles vão descobrir o safado que fez aquilo e põem o de aqui para fora em três tempos . - Só espero que tenha tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso . Estou a brincar , claro - acrescentou o Ron apressadamente a o ver a Ginny a empalidecer . O ataque afectara também Hermione . Era costume de ela passar muito_tempo a ler , mas agora parecia não fazer mais_nada . Nem respondia a o Harry e a o Ron quando lhe perguntavam o que estava a fazer e só acabaram por descobrir em a quarta-feira seguinte . Harry tivera de ficar até mais tarde em a sala de poções onde Snape o mandara raspar restos de larvas de as secretárias . Depois de um almoço comido a a pressa , ele foi lá acima encontrar se com Ron em a biblioteca e viu Justin_Finch - _ Fletchley , o rapaz de os Hufflepuff de herbologia que vinha em direcção a ele . Harry tinha acabado de abrir a boca para dizer um « Olá » quando Justin o viu , voltando se bruscamente e mudando de direcção . Harry foi encontrar o Ron em as traseiras de a biblioteca , a medir o trabalho de casa de história de a magia . O professor Binns pedira uma composição sobre a Assembleia_Medieval_de_Feiticeiros_Europeus com 90cm . De extensão . - Não posso crer que ainda me faltem 16cm - disse o Ron furioso , largando o pergaminho que se enrolou em forma de tubo - e que a Hermione fez um metro e trinta em aquela letra pequenina e apertadinha . - Onde está ela ? - perguntou Harry , agarrando em a fita métrica e desembrulhando o seu trabalho de casa . - Algures por aí - disse o Ron , apontando para as estantes . - _ a a procura de outro livro . Acho que ela está a tentar ler a biblioteca toda antes de o Natal . Harry contou a Ron que Justin_Finch - _ Fletchley tinha evitado falar lhe . - Não sei porque te preocupas com isso . Eu achei o um idiota - disse o Ron , escrevinhando e fazendo a letra o maior possível . - Todo aquele disparate sobre o Lockhart ser tão grande ... Hermione surgiu de o meio de as estantes . Parecia irritada e disposta , por fim , a falar com eles . - Todos os exemplares de * _ Hogwarts : Uma História * foram requisitados - disse , sentando se ao_lado_de Harry e Ron . - E há uma lista de espera de duas semanas . Quem me dera não ter deixado o meu exemplar em casa , mas não consegui que coubesse em a mala com todos os livros de o Lockhart . - Para que o queres ? - perguntou Harry . - Pelo mesmo motivo que toda_a_gente o quer - disse Hermione . - Para ler a lenda de a Câmara_dos_Segredos . - O que é isso ? - Precisamente . Não me lembro - disse Hermione , mordendo o lábio . - E não encontro a História em lugar nenhum . - Hermione , deixa me ler o teu trabalho - pediu Ron desesperado , olhando para o relógio . - Não , não deixo - respondeu Hermione com um ar severo . - Tiveste dez dias para o fazer . - Só preciso de mais quatro centímetros , vá lá ... A campainha tocou . Ron e Hermione encaminharam se para a História_da_Magia , discutindo . A História_da_Magia era a matéria mais chata de o programa . O professor Binns , que dava a cadeira , era o único professor fantasma e a coisa mais excitante que aconteceu em as suas aulas foi o dia em que entrou por o quadro preto . Já velho e enrugado , muita gente afirmava a seu respeito que ele não dera por_que tinha morrido . Pura e simplesmente levantara se um dia para ir dar aulas , deixando o corpo atrás , em um cadeirão em frente de a lareira de a sala de os professores . Desde esse dia a sua rotina mantivera se igual . Era hoje tão chato como fora sempre . Abriu as notas e começou a ler em um tom monocórdico como um velho aspirador até quase todos os alunos estarem em um estado de profunda dormência , acordando de vez em quando , para tomar nota de um nome ou de uma data , e voltando a adormecer . Estava a falar havia meia_hora quando aconteceu algo que nunca tinha acontecido . Hermione pôs o braço em o ar . O professor Binns olhou de relance , em o meio de a chatíssima aula sobre a Convenção_Internacional_de_Feiticeiros de 1289 , verdadeiramente espantado . - Miss ... er ... ? - Granger , professor . Poderia dizer nos alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Hermione em uma voz bem audível . O Dean_Thomas , que tinha estado sentado de boca aberta olhando para fora de a janela , saiu de o seu transe com um salto . A cabeça de Lavender_Brown saiu de os braços e o cotovelo de o Neville_Longbottom escorregou para fora de a secretária . O professor Binns piscou os olhos . - A minha matéria é História_da_Magia - disse em a sua voz seca e asmática . - Eu trato de factos , Miss_Granger , não de mitos e lendas - pigarreou produzindo um ruído que parecia o giz sobre o quadro e continuou : - Em Setembro de esse ano , uma subcomissão de feiticeiros de a Sardenha ... Parou de repente . A mão de Hermione estava de_novo em o ar . - Sim , Miss_Grant ? - Por favor , professor , as lendas não têm sempre um facto como base ? O professor Binns olhava para ela com tal espanto que Harry teve a certeza de que ele nunca , em tempo algum , fora interrompido por um aluno . - Bem - disse lentamente o professor Binns . - Sim , é uma afirmação que pode fazer se . - Olhou para Hermione como_se fosse a primeira vez que olhasse a sério para um estudante . - Contudo , a lenda de que me fala é tão extraordinária , mesmo grotesca ... Mas a aula inteira estava agora atenta a as palavras de o professor , que olhou indistintamente para todos eles . Harry poderia assegurar que ele estava absolutamente abismado por uma tão grande demonstração de interesse . - Muito bem - disse lentamente . - Ora vejamos ... a Câmara_dos_Segredos . Todos vocês sabem com certeza que Hogwarts foi fundada há mais de um_milhar de anos , não se conhece ao_certo a data , por os quatro maiores feiticeiros e feiticeiras de a época : Godric_Gryffindor , Helga_Hufflepuff , Rowena_Ravenclaw e Salazar_Slytherin . Construíram juntos este castelo , longe de os olhares curiosos de os Muggles porque em aquele tempo a magia era temida por as pessoas comuns e as bruxas e feiticeiros sofriam terríveis perseguições . Fez uma pausa , olhou indeciso em volta e prosseguiu : - Durante alguns anos , os fundadores trabalharam juntos em harmonia procurando outros mais novos que mostrassem sinais de possuir dotes mágicos e trazendo os para o castelo para aqui serem ensinados . Mas os desentendimentos surgiram entre eles . Começou a notar se uma divisão entre Slytherin e os outros . Salazar_Slytherin queria ser mais selectivo em relação a os alunos a serem admitidos em Hogwarts . Achava que os ensinamentos de magia deviam ficar dentro de as famílias de feiticeiros . Não lhe agradava a entrada em a escola de alunos de famílias Muggles porque os achava pouco dignos de confiança . Depois de algum tempo houve uma séria discussão sobre esse assunto entre Slytherin e Gryffindor e Slytherin abandonou a escola . O professor Binns fez uma nova pausa , fazendo beicinho o que o fazia parecer uma tartaruga enrugada . - Fontes fidedignas referem nos isto - disse . - Mas estes factos foram obscurecidos por a fantasiosa lenda de a Câmara_dos_Segredos . Conta a história que Slytherin construíra uma câmara oculta dentro de o castelo cuja existência os outros fundadores ignoravam . De_acordo com a lenda , Slytherin selou a Câmara_dos_Segredos para que ninguém pudesse abri a até o seu verdadeiro herdeiro chegar a a escola . O herdeiro , e apenas ele , poderia abrir a Câmara_dos_Segredos , libertar o horror que lá se encontrava e utilizá o para expurgar a escola de todos aqueles que eram indignos de aprender magia . Houve um silêncio quando ele se calou que não era o habitual silêncio de sono de as aulas de o professor Binns . Havia um desassossego em o ar enquanto todos continuavam a olhá o a a espera de mais . O professor Binns estava ligeiramente aborrecido . - A história toda é um disparate , claro - disse ele . - A escola foi revistada por várias vezes em busca de provas de a existência de essa câmara , por os feiticeiros e bruxas mais conhecedores . Não existe nada . Uma lenda que serviu apenas para assustar os ingénuos . A mão de Hermione estava novamente em o ar . - Professor , o que quer_dizer , ao_certo com « o horror que estava dentro de a câmara » ? - Acredita se que seja uma espécie de monstro que só o herdeiro de Slytherin pode controlar - disse o professor Binns em a sua voz seca e débil . A aula trocou entre si olhares inquietos . - Como vos digo , a coisa não existe - afirmou o professor Binns , desordenando as suas notas . - Não há câmara e não há monstro . - Mas , professor - disse Seamus_Finnigan . - Se a câmara só podia ser aberta por o herdeiro de Slytherin ninguém mais poderia encontrá a . Não é ? - Um disparate pegado - disse o professor Binns , em um tom de voz exasperado . - Se uma longa sucessão de directores e directoras de Hogwarts não a encontraram ... - Mas , professor - começou a dizer Parvati_Patil . Se_calhar é preciso usar magia negra para a abrir ... - Lá porque um feiticeiro não usa magia negra não quer_dizer que não possa , Miss_Pennyfeather - interrompeu o professor Binns . - Repito , se os antecessores de Dumbledore ... - Mas talvez seja preciso fazer parte de os Slytherin , por isso Dumbledore não podia ... - começou Dean_Thomas , mas o professor Binns já estava farto . - Já chega - disse , de modo cortante . - É um mito . Não existe . Não há uma única prova de que Slytherin tenha construído nem mesmo uma despensa para vassouras . Lamento ter vos contado esta história tola . Vamos voltar , se fazem o favor , a a História , a os factos sólidos , verificáveis , credíveis . E em menos_de cinco minutos toda_a classe mergulhara em a sua sonolência habitual . - Eu sempre ouvi dizer que Salazar_Slytherin era um velho retorcido e meio pateta - disse Ron_a_Harry e Hermione enquanto abriam caminho por os corredores cheios , em o final de a aula , para ir arrumar as malas antes de o jantar . - Mas não sabia que ele tinha começado esta coisa de o sangue puro . Eu não ia para os Slytherin nem que me pagassem . Se o chapéu seleccionador me tivesse posto lá , pegava em as malas e ia me embora ... Hermione acenou vivamente , mas Harry não abriu a boca . O estômago parecia ter dado uma volta . Harry nunca contara a o Ron e a a Hermione que o chapéu seleccionador tinha considerado seriamente a possibilidade de o colocar em os Slytherin . Lembrava se como_se tivesse sido em a véspera do_que a vozinha lhe dissera a o ouvido quando pôs o chapéu em a cabeça , um ano antes . * _ Podias vir a ser grande , sabes ? Está tudo aqui em a tua cabeça e Slytherin ajudaria te em o caminho para a grandeza , sem a menor dúvida * ... Mas Harry , que já ouvira falar de a fama de o grupo de os Slytherin de formar magos negros , pensou desesperadamente . - Em os Slytherin , não ! - E o chapéu tinha dito . - Bem , se tens assim tanta certeza ... será melhor os Gryfffndor . Enquanto eram empurrados por a multidão , Colin_Creevey passou por eles . - Olá , Harry ! - Olá , Colin - disse Harry automaticamente . - Harry , Harry , um rapaz de a minha turma tem andado a dizer que tu és ... Mas Colin era tão baixinho que não conseguiu lutar contra a maré de gente que o arrastou até a o vestíbulo . Ouviram o despedir se : - Adeus , Harry - e desaparecer . - O que é_que o rapaz de a turma de ele disse de ti ? - quis saber Hermione . - Que eu sou o herdeiro de Slytherin , imagino - disse Harry , com o estômago ainda a as voltas e lembrou se de repente de o Justin_Finch - _ Fletchley a fugir para não lhe falar , a a hora de o almoço . - As pessoas aqui acreditam em tudo - disse o Ron com repugnância . A multidão diminuiu e conseguiram subir as escadas sem dificuldade . - Achas mesmo_que existe uma Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Ron_a_Hermione . - Não sei - respondeu ela , franzindo a testa . - Dumbledore não conseguiu curar Mrs._Norris e isso leva me a pensar que o que a atacou pode não ser ... humano . Enquanto falava , voltaram uma esquina e encontraram se em o fim de aquele mesmo corredor onde o ataque tinha ocorrido . Pararam para olhar . Estava tudo igual a aquela outra noite , com excepção de a gata Mrs._Norris e havia uma cadeira vazia encostada a a parede , onde podia ler se a mensagem « : __ a câmara foi __ aberta » . - Foi aqui que o Filch montou a guarda - murmurou Ron . Olharam uns para os outros . O corredor estava deserto . - Não deve fazer mal dar uma olhadela aqui - disse Harry , deixando cair a mala e pondo se de quatro para poder gatinhar em busca de pistas . - Marcas de queimadura - disse - aqui e aqui ... - Venham ver isto ! - chamou Hermione . - Que estranho ... Harry levantou se e foi até a a janela que ficava junto de a mensagem . Hermione apontava para o vidro mais alto , onde cerca de uma vintena de aranhas se debatiam em uma aparente luta por atravessar por uma pequena brecha de vidro . Um longo fio prateado balouçava como uma corda , como_se todas tivessem trepado , em a ânsia de chegar lá fora . - Alguma vez viram aranhas agir assim ? - perguntou Hermione , curiosa . - Não - respondeu Harry . - E tu , Ron ? Ron ? Olhou por cima de o ombro . Ron estava de costas , bem lá atrás e parecia lutar contra o impulso de se virar . - O que é_que se passa ? - perguntou Harry . - Eu não gosto de aranhas - disse Ron , de modo tenso . - Nunca me tinhas dito - comentou Hermione , olhando para ele com surpresa . - Estás farto de usar aranhas em as poções ... - Não me importo quando estão mortas - explicou Ron que olhava cautelosamente para todos os lados , menos para a janela . - Não gosto de a maneira como_se mexem . Hermione riu se baixinho . - Não tem graça nenhuma - disse o Ron , furioso . - Se queres saber , quando eu tinha três anos , o Fred transformou o meu ursinho de pelúcia em uma enorme aranha nojenta , por eu lhe ter partido a vassoura de brinquedo . Tu também não gostarias de aranhas se estivesses agarrada a o teu ursinho e , de repente , ele tivesse uma data de pernas e ... Começou a tremer ... Hermione ainda estava a tentar conter o riso . Sentindo que era melhor mudarem de assunto , Harry perguntou : - Lembram se de a água que havia aqui em o chão ? De onde terá vindo ? Alguém a limpou . - Era por aqui - disse o Ron , já recuperado , avançando alguns passos em direcção a a cadeira de o Filch e apontando . - Junto de esta porta . Estendeu a mão para o puxador de a porta , mas retirou a de imediato , como_se se tivesse queimado . - O que foi ? - perguntou Harry . - Não posso entrar aí - disse o Ron bruscamente . - É a casa_de_banho de as raparigas . - Oh , Ron , não está aí ninguém - sossegou o Hermione enquanto se aproximava . - É o lugar de a Murta_Queixosa . Anda , vamos dar uma espreitadela . E ignorando o grande letreiro que dizia « Fora de serviço » Hermione abriu a porta . Era a casa_de_banho mais sombria e deprimente em que Harry tinha posto os pés durante toda_a sua vida . Debaixo_de um grande espelho partido e sujo podia ver se uma fila de lavatórios de pedra , rachados . O chão estava húmido e reflectia a luz fraca de os pavios de algumas velas que ardiam baixinho em os suportes . As portas de madeira de os cubículos estavam todas lascadas e riscadas e uma de elas balouçava fora de as dobradiças . Hermione levou os dedos a os lábios e foi até a o último cubículo . Quando lá chegou disse : - Olá , Murta , como estás ? Harry e Ron foram ver . A Murta_Queixosa flutuava em a cisterna de a casa_de_banho , tirando um ponto negro de o queixo . - Esta é a casa_de_banho de as raparigas - disse a o ver o Ron e o Harry . - Eles não são raparigas . - Não - concordou Hermione . - Eu só queria mostrar lhes como esta casa_de_banho é ... er ... simpática . Ela fez um aceno vago a o velho espelho sujo e a o chão húmido . - Pergunta lhe se viu alguma coisa - sussurrou o Ron a a Hermione . - Porque estão a dizer segredinhos ? - perguntou a Murta , fitando o . - Não é nada - disse Harry rapidamente . - Queríamos perguntar ... - Gostava que as pessoas parassem de falar em as minhas costas ! - desabafou a Murta em uma voz abafada por as lágrimas . - Eu tenho sentimentos , sabem , apesar_de estar morta . - Murta , ninguém quis aborrecer te - explicou Hermione . - O Harry só ... - A minha vida foi uma infelicidade em este lugar e agora as pessoas vêm estragar a minha morte . - Nós queríamos perguntar te se tinhas visto alguma coisa estranha ultimamente - disse Hermione sem perder tempo . - Porque foi atacada uma gata mesmo aqui a a frente de a tua porta em a noite de o * _ Hallowe'en * . - Viste alguém aqui perto em essa noite ? - insistiu Harry . - Não estava a prestar atenção - disse a Murta com ar dramático . - O Peeves aborreceu me tanto que vim aqui para tentar matar me . Só então me lembrei de que estou ... de que estou ... - Já morta - ajudou o Ron . A Murta soluçou tragicamente , elevou se em o ar , voltou se e mergulhou de cabeça em a sanita , espalhando água por_cima_de todos eles e desaparecendo . Por o som de os seus soluços abafados fora certamente descansar algures em o cano em forma de V._Harry e Ron ficaram de boca aberta , mas Hermione encolheu os ombros de cansaço e disse : - Se querem saber , para a Murta isto até foi alegre ... vá , vamos embora . Harry tinha acabado de fechar a porta deixando atrás os soluços gorgolejantes de a Murta quando uma voz forte o fez dar um salto . - RON ! Percy_Weasley estava parado em o cimo de as escadas com o seu distintivo de prefeito a brilhar e uma expressão chocadíssima em o rosto . - Isso é a casa_de_banho de as raparigas ... o que é_que vocês ... ? - Estávamos só a dar uma vista de olhos - exclamou o Ron - a a procura de pistas ... Percy engoliu em seco , de uma maneira que fez Harry lembrar se de Mrs._Weasley . - Saiam imediatamente de aqui - disse , aproximando se de eles a passos largos e gesticulando agitadamente . - Não se preocupam com as aparências ? Voltar aqui enquanto toda_a_gente está a jantar ... - Porque não havíamos de estar aqui ? - perguntou cheio de vivacidade o Ron , parando de repente e olhando Percy em os olhos . - Ouve lá , nós não tocamos em aquela gata . - Isso foi o que eu tentei explicar a a Ginny - respondeu Percy furioso - mas ela parece continuar a pensar que vocês vão ser expulsos . Nunca a vi tão aflita . Não pára de chorar . Devias pensar em ela . Todos os alunos de o primeiro ano andam superexcitados com esta história . - Tu não estás nada preocupado com a Ginny - disse o Ron já com as orelhas vermelhas . - O que te assusta é_que eu possa estragar as tuas possibilidades de ser chefe de turma . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor ! - bradou Percy , apontando elegantemente para o distintivo de prefeito . - E espero que te sirva de lição . Acabou se o trabalho de detective ou escrevo a a mãe a contar lhe . E voltou lhes as costas , a nuca tão vermelha como as orelhas de o Ron . Harry , Ron e Hermione , em essa noite , sentaram se em a sala comum o mais longe possível de Percy . Ron estava ainda muito maldisposto e não parava de esborratar o trabalho de casa de os encantamentos . Quando pegou distraidamente em a varinha para tirar as manchas incendiou o pergaminho . A deitar quase tanto fumo como o seu trabalho de casa , fechou bruscamente o * _ Livro_Padrão_de_Encantamentos de o 2.o Grau * . Para grande surpresa de Harry , Hermione fez o mesmo . - Mas quem poderia ser - perguntou ela baixinho como_se continuasse uma conversa que tinham acabado de ter . - Quem quereria todos os * busca-pés * e filhos de Muggles fora de Hogwarts ? - Vamos pensar - disse o Ron em a brincadeira , fingindo estar confuso . - Quem poderemos nós conhecer que ache que os familiares de Muggles são escumalha ? Olhou para Hermione . Ela olhou para ele pouco convencida . - Se estás a pensar em o Malfoy ... - Claro que estou - disse o Ron . - Tu ouviste o dizer : - Vocês serão os próximos , sangues de lama ! - Aliás , basta olhar para aquela cara de renegado para saber que ele é ... - Malfoy , o herdeiro de Slytherin ? - repetiu Hermione cepticamente . - Olha para a família de ele - disse Harry , fechando também os livros . - Todos eles estiveram em os Slytherin . O Draco está sempre a vangloriar se de isso . Podiam bem ser descendentes de Slytherin . O pai de ele é suficientemente mau . - Podiam perfeitamente ter tido a chave de a Câmara_dos_Segredos durante séculos - disse Ron - , fazendo a passar de pai para filho . - Bem - acedeu Hermione cautelosamente . - Seria possível ... - Mas como prová o ? - perguntou Harry tristemente . - Talvez haja um meio - sugeriu Hermione lentamente , baixando ainda mais a voz e lançando um olhar , através de a sala , a Percy . - É claro que não é fácil . E é perigoso , muito perigoso . Suponho que iríamos infringir cerca de cinquenta regras de a escola . - Se de aqui a um mês ou dois te decidires a explicar , avisa , está bem ? - disse Ron , que começava a ficar irritado . - Está bem - concordou Hermione friamente . - O que precisaríamos de fazer para entrar em a sala comum de os Slytherin e fazer algumas perguntas a o Malfoy , sem ele perceber que éramos nós ? - Mas isso é impossível - declarou Harry , enquanto Ron se ria . - Não , não é - continuou Hermione . - Só precisamos de um_pouco de poção * polisuco * . - O que é isso ? - perguntaram ao_mesmo_tempo Ron e Harry . - O Snape falou de ela em uma aula , há poucas semanas atrás . - Achas que não temos mais o que fazer do_que ouvir o Snape ? - murmurou o Ron . - Transforma nos em outra pessoa . Pensem em isso : podíamos transformar nos em três de os Slytherin . Ninguém saberia que éramos nós . É provável que o Malfoy nos contasse alguma coisa . Aposto que ele está a gabar se , em este momento , em a sala de os Slytherin , se ao_menos pudéssemos ouvi o . - Essa coisa de o * polisuco * cheira me um bocado mal - disse o Ron , franzindo as sobrancelhas . - E se ficarmos com a forma de os três Slytherin para sempre ? - Desaparece a o fim de algum tempo - disse Hermione , gesticulando impacientemente com a mão - mas conseguir a receita é muito difícil . O Snape disse que vinha em um livro chamado * _ As_Mais_Potentes_Poções * e está com certeza em a parte de os reservados de a biblioteca . Só havia uma maneira de obter o livro de os reservados : era com uma autorização assinada por um professor . - Não estou a ver porque quereríamos o livro - disse o Ron . - Se não para tentar fabricar uma de as poções . - Eu acho - sugeriu Hermione - que se fizéssemos parecer que o nosso interesse era apenas teórico , talvez conseguíssemos ... - Estás a sonhar , nenhum professor ia cair em essa - afirmou o Ron . - Só se fosse muito burro . X_A * bludger * perigosa Depois de o desastroso incidente de os duendes , o professor Lockhart não voltou a levar seres vivos para as aulas . Em vez de isso , lia a os alunos passagens de os seus livros e , por vezes , voltava a desempenhar alguns de os episódios mais dramáticos . Costumava chamar Harry para o ajudar em essas reconstruções . Até ali Harry fora obrigado a desempenhar o papel de um camponês de a Transilvânia que Lockhart curara de uma maldição murmurada , o abominável homem de as neves com dores de cabeça e um vampiro que depois de ter conhecido Lockhart tinha ficado incapaz de comer outra coisa que não fosse alfaces . Harry foi chamado para a frente de a classe durante a aula de Defesa contra as artes negras que se seguiu . Desta_vez para desempenhar o papel de um lobisomem . Se não tivesse um bom motivo para querer ver o Lockhart bem-disposto , teria se recusado . - Um uivo bem alto , excelente , Harry , isso mesmo . E foi então que , acreditem ou não , eu o ataquei de repente , assim . Atirei o a o chão , agarrei o com uma mão e com a outra consegui meter lhe a varinha em a garganta . Então , com a força que me restava pus em prática o complicadíssimo encantamento * _ Homorphus * . Harry soltou um uivo tristíssimo . - Vá lá , Harry , mais alto . Bom ... o pêlo desapareceu , os dentes diminuíram de tamanho e ele transformou se em um homem . Simples , mas eficaz e mais uma cidade ficará a lembrar se de mim para sempre como o herói que os libertou de os ataques mensais de o lobisomem . A campainha tocou e Lockhart pôs se de pé . - Trabalho para_casa : escrever um poema sobre a minha vitória sobre o lobisomem Wagga_Wagga . Há um exemplar autografado de * _ Eu , o Mágico * para o autor de o melhor poema . Os alunos começaram a sair . Harry voltou para trás e foi juntar se a o Ron e a a Hermione que estavam a a espera de ele . - Prontos ? - perguntou . - Espera até saírem todos - disse Hermione bastante nervosa . - Pronto ... Aproximou se de a secretária de Lockhart , apertando em a mão uma folha de papel , com o Ron e o Harry atrás . - Er ... professor Lockhart - gaguejou Hermione . - Eu queria requisitar este livro em a biblioteca , como leitura de apoio - entregou lhe o papel , com a mão ligeiramente trémula . - Só que faz parte de a secção de os reservados , por isso preciso de a assinatura de um professor . Acho que o livro me vai ajudar a compreender o que o senhor diz em * _ Passeios com Vampiros * acerca de os venenos de acção lenta ... - Ah , * _ Passeando com Vampiros * - disse Lockhart , pegando em a folha de papel de Hermione e sorrindo lhe abertamente . - E provavelmente o meu livro preferido . Gostou ? - Oh , muito - disse Hermione avidamente . - Tão inteligente o modo como apanhou o último com o passador de o chá . - Bem , tenho a certeza que ninguém se importará que eu dê uma ajudazinha suplementar a a melhor aluna de o segundo ano - disse Lockhart calorosamente , sacando de uma enorme pena de pavão . - É bonita , não é ? - comentou , adivinhando uma expressão de repulsa em a cara de o Ron . - Costumo guardas a para as minhas assinaturas de autógrafos . Rabiscou uma enorme assinatura cheia de altos e baixos e entregou a a Hermione . - Então , Harry - disse Lockhart enquanto Hermione dobrava a folha e a guardava em o saco . - Amanhã é a primeira partida de Quidditch de este ano , não é ? Gryffindor contra Slytherin . Ouvi dizer que és um jogador indispensável . Eu também fui * seeker * . Convidaram me inclusivamente para fazer parte de a Equipa_Nacional , mas eu preferi dedicar a minha vida a a erradicação de as forças de o mal . Mesmo_assim , se alguma vez precisares de um treino particular , não hesites em falar comigo , estou sempre disponível para partilhar a minha perícia com os jogadores menos dotados do_que eu . Harry fez um som indistinto com a garganta e saiu atrás_de Ron e Hermione . - Não acredito - disse quando os três examinavam a assinatura de Lockhart . - Ele nem viu que livro nós queríamos . - É porque é um idiota sem miolos - explicou o Ron . - Mas , quem se rala , temos o que queríamos . - Ele não é um idiota sem miolos - gritou Hermione com voz esganiçada enquanto se aproximavam quase a correr de a biblioteca . - Só porque ele disse que eras a melhor aluna de o segundo ano ... Baixaram as vozes a o entrar em a quietude abafada de a biblioteca . Madam_Prince , a bibliotecária , era uma mulher magra e irritável que parecia um abutre mal nutrido . - * _ Moste_Potente_Potions * ? - repetiu intrigada , tentando ficar com a folha de papel que Hermione se recusava a entregar lhe . - Gostava de a guardar para mim - disse sem fôlego . - Vá lá - intercedeu Ron , arrancando lhe a de as mãos e entregando a a Madam_Prince . - Nós arranjamos te outro autógrafo . O Lockhart assina tudo se aqui ficar muito_tempo . Madam_Prince pegou em o papel e voltou o em a direcção de a luz , decidida a descobrir uma falsificação , mas a assinatura passou em o teste . Desapareceu entre as estantes e voltou alguns minutos mais tarde , transportando um livro grande e de aspecto antiquado . Hermione meteu o com todo o cuidado em o saco e saíram , tentando não andar depressa de mais nem aparentar um ar culpado . Cinco minutos depois , estavam de_novo barricados em a casa_de_banho fora de serviço de a Murta_Queixosa . Hermione destruíra as objecções de Ron argumentando que aquele era o último lugar onde alguém em o seu juízo perfeito se lembraria de ir e que poderia assegurar lhes alguma privacidade . A Murta_Queixosa chorava ruidosamente em o seu cubículo , mas eles conseguiram ignorá a assim_como ela a eles . Hermione abriu * _ Moste_Potente_Potions * com todo o cuidado e inclinaram se os três sobre as páginas manchadas de humidade . Era fácil de perceber , logo à_primeira_vista de olhos , porque pertencia a a secção de os reservados . Algumas de as poções tinham efeitos quase impensáveis de tão macabros e havia ilustrações bastante desagradáveis , como , por_exemplo , aquela em que um homem parecia ter sido virado de o avesso e a de a bruxa com vários pares de braços suplementares a nascerem lhe em a cabeça . - Aqui está - disse Hermione excitadíssima a o encontrar a página intitulada « A poção * polisuco * « . Estava ilustrada com imagens de pessoas a meio de o processo de se transformarem em outras pessoas e Harry desejou ardentemente que a expressão de dor intensa que se lhes espelhava em o rosto fosse apenas produto de a imaginação de o artista desenhador . - Esta é a poção mais complicada que vi até hoje - disse Hermione enquanto examinava a receita . - Moscas asas de renda , sanguessugas , fluxo de cizânias e verdezelha - murmurou , acompanhando com o dedo a lista de ingredientes . - Bem , esses são relativamente simples , há os em a despensa de material de os estudantes , podemos tirar a a nossa vontade . Oh ! Vê só , pó de chifre de bicórneo ... não sei onde vamos arranjar isto ... e , é claro , um pedacinho de a pessoa em quem queremos transformar nos . - Como ? - perguntou Ron de forma cortante . - O que é_que queres dizer com um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos ? Eu não bebo nada que tenha lá dentro as unhas de os pés de o Crabbe ... Hermione continuou como_se não o tivesse ouvido . - Mas não temos que nos preocupar com isso por enquanto . Fica para o fim . Ron voltou se sem palavras para o Harry que tinha uma preocupação de outro tipo . - Já viste bem tudo_o_que vamos ter que roubar , Hermione ? Algumas coisas , não estão de certeza em a despensa de material de os alunos . O que é_que vamos fazer , arrombar os armários pessoais de o Snape ? Não sei se será uma boa ideia ... Hermione fechou o livro com um estrondo . - Bem , se vocês os dois se vão acagaçar , então está lindo - disse ela . Tinha as bochechas rosadas e os olhos mais brilhantes do_que era habitual . - Eu não gosto de quebrar regras , vocês sabem , mas acho que ameaçar os filhos de os Muggles é muito pior do_que construir uma poção difícil . Mas se vocês não querem descobrir se é o Malfoy , eu posso voltar já a a biblioteca e entregar o livro a Madam_Prince ... - Nunca pensei que chegaria o dia em que serias tu a convencer nos a quebrar regras - disse o Ron . - Está bem , vamos em essa , mas sem unhas de os pés , O. _ K. ? - Quanto tempo vai isso demorar a fazer , afinal ? - perguntou Harry quando Hermione , já com um ar mais satisfeito , voltou a abrir o livro . - Bem , como o fluxo de cizânias tem de ser recolhido durante a lua cheia e as asas de renda têm de ser abafadas durante vinte_e_um dias ... eu diria que se conseguirmos arranjar todos os ingredientes estará pronta dentro_de um mês . - Um mês ? - exclamou o Ron . - Nessa_altura já o Malfoy terá atacado metade de os filhos de Muggles ! - mas os olhos de Hermione contraíram se de_novo assustadoramente e ele acrescentou rapidamente . - Mas é o melhor plano que temos , por isso é melhor não olharmos para trás . Apesar_de tudo , enquanto Hermione verificava que não havia ninguém em os corredores e podiam sair de a casa_de_banho , Ron murmurou a Harry : - Seria muito mais simples se conseguisses , amanhã , atirar o Malfoy de a vassoura abaixo . Harry acordou cedo em o sábado de manhã e ficou um bocado a pensar em a partida de Quidditch que vinha a seguir . Estava nervoso , principalmente pelo que Wood diria se os Gryffindor perdessem , mas também com a ideia de enfrentar uma equipa apetrechada com as vassouras mais velozes que existiam . Nunca desejara tanto vencer os Slytherin como em aquele dia . Depois de meia_hora deitado com a barriga a dar horas , resolveu levantar se , vestir se e descer para tomar o pequeno-almoço . Lá em baixo , encontrou o resto de a equipa de os Gryffindor amontoada a o longo de a mesa comprida e vazia , todos eles com ar preocupado e sem vontade de conversar . Como_se aproximavam as onze horas , todos os alunos de a escola começaram a dirigir se para o estádio de Quidditch . O dia estava quente e húmido , com uma ameaça de trovoada em o ar . Ron e Hermione vieram apressadamente desejar a Harry boa sorte mal ele entrou em os vestiários . A equipa de os Gryffindor pôs os seus mantos vermelhos e sentou se para ouvir o discurso que Wood lhes fazia sempre antes de o jogo . - Os Slytherin têm vassouras melhores do_que nós - começou . - Não há como negá o . Mas nós temos gente melhor em cima de as vassouras . Treinámos mais do_que eles , voamos com todas_as condições climatéricas ( É bem verdade - murmurou George_Weasley - desde Agosto que não sei o que é estar seco ) . - E vamos fazê os engolir o dia em que deixaram aquele nojento de o Malfoy comprar a entrada em a equipa de eles . Com o peito agitado por a comoção , Wood voltou se par Harry . -- Cabe te a ti , Harry , mostrar lhes que um * seeker * tem de ter mais do_que um pai rico . Agarra a * snitch * antes d Malfoy ou morre a tentar porque temos absolutamente que vencer , hoje , Harry , temos que vencer . - Sem ansiedade , Harry - disse o Fred , piscando lhe o olho . Quando saíram em direcção a o campo , foram saudado por uma grande ovação principalmente de a parte de os Ravenclaw e de os Hufflepuff que estavam ansiosos por ver os Slytherin serem derrotados , mas os Slytherin que estavam entre a multidão também fizeram ouvir as suas vaias e pateadas . Madam_Hooch , a professora de Quidditch , pediu a Flin e Wood que apertassem as mãos o que eles fizeram , lançando um_ao_outro olhares ameaçadores , cada_um apertando a mão de o outro com mais força do_que aquela que seria necessário . - Atenção a o apito - disse Madam_Hooch . - Três , dois , um ... Com um bramido de a multidão para que subissem rapidamente , os catorze jogadores elevaram se em o céu cor de chumbo . Harry , mais alto do_que qualquer de os outros olhando para todos os lados em busca de a * snitch * . - Tudo bem , testa de cicatriz ? - gritou Malfoy , disparando por baixo de ele para lhe mostrar a velocidade de a sua vassoura . Harry não teve tempo de responder . Em esse preciso momento uma * bludger * preta e bem pesada veio direitinha a ele . Evitou a tão por um triz que ainda sentiu em os cabelos o ar que ela deslocara . - Foi por_pouco , Harry ! - exclamou o George , passando com grande rapidez , de bastão em a mão , pronto para lançar a * bludger * contra um Slytherin . Harry viu o dar a a * bludger * uma fortíssima pancada em direcção a Adrian_Pucey , mas a bola mudou de rumo em o meio de o ar e dirigiu se de_novo a Harry . Harry desceu rapidamente para se esquivar e George conseguiu lançá a contra Malfoy . Mais_uma_vez a * bludger * actuou como um * boomerang * e apontou a a cabeça de Harry . Harry ganhou velocidade e disparou contra o outro extremo de o campo . Ouvia o assobio de a * bludger * que o perseguia . O que era aquilo ? As * bludgers * nunca se concentravam assim em um único jogador , a sua função era tentar desmontar o maior número possível de intervenientes . Fred_Weasley esperava por a * bludger * em o extremo oposto . Harry baixou se quando o viu balançar se em frente de ela com toda_a garra . A * bludger * foi lançada para_fora_de campo . - Pronto , já está tudo resolvido - gritou Fred satisfeito , mas estava bastante enganado . Como_se fosse magneticamente atraída para Harry , a * bludger * lançou se de_novo contra ele e Harry teve de voar a_toda_a velocidade . Começara a chover . Harry sentia as gotas pesadas caírem lhe em o rosto , turvando lhe as lentes de os óculos . Não fazia ideia do_que se passava em o resto de o jogo , até ouvir Lee_Jordan que fazia o comentário dizer : - Os Slytherin vão a a frente com seis contra zero . As vassouras de qualidade superior de os Slytherin estavam obviamente a cumprir a sua função e enquanto isso , a * bludger * maluca fazia todos os possíveis para deitar abaixo o Harry . Fred e George voavam agora tão perto de ele , um de cada lado , que Harry não via senão os seus braços a balouçar e , se não conseguia ver a * snitch * , muito menos agarrá a . - Alguém enfeitiçou esta * bludger * - resmungou Fred , preparando o bastão com toda_a força quando ela se lançava de_novo contra Harry . - Precisamos de tempo - disse George , tentando fazer sinal a Wood enquanto evitava que a bola partisse o nariz a o Harry . Wood captou obviamente a mensagem . O apito de Madam_Hooch fez se ouvir e Harry , Fred e George desceram , tentando ainda evitar a * bludger * maluca . - O que é_que se passa ? - perguntou Wood enquanto a equipa de os Gryffindor se amontoava desordenadamente e os Slytherin , em o meio de a multidão , lançavam piadas . - Estamos a ser esmagados . Fred , George , onde estavam vocês quando aquela * bludger * impediu a Angelina de marcar ? - Estávamos seis metros acima , evitando que a outra * bludger * matasse o Harry , Oliver - gritou George furioso . - Alguém preparou isto , a bola não deixa o Harry em paz , ainda não perseguiu mais ninguém desde_que o jogo começou . Os Slytherin fizeram aqui qualquer coisa . - Mas as * bludgers * têm estado fechadas em o escritório de Madam_Hooch desde o último treino , e nessa_altura estava tudo bem ... - disse Wood ansiosamente . Madam_Hooch aproximava se . Por cima de o ombro de ela , Harry pôde ver a equipa de os Slytherin a escarnecer e apontar em a sua direcção . - Ouçam - disse o Harry , enquanto ela se aproximava . - Com vocês os dois a voarem sempre colados a mim , só vou apanhar a * snitch * se ela voar até a a minha manga . Voltem se para o resto de a equipa e deixem a tratante comigo . - Não sejas bronco - disse o Fred . - Ela arranca te a cabeça . Os olhos de Wood saltavam de Harry_para_os_Weasley . - Oliver , isto_é uma loucura - disse Alicia_Spinet , zangada . - Não podes deixar o Harry sozinho entregue a aquela coisa . Vamos pedir uma investigação . - Se pararmos agora , teremos de dar a partida como perdida e não vamos deixar os Slytherin ganhar , só por_causa_de uma * bludger * maluca . Vá lá , Oliver , diz lhes que me deixem sozinho . - A culpa é toda tua . * _ Agarra a snitch ou morre a tentar * , se isso é lá coisa que se diga . Madam_Hooch tinha se lhes juntado . - Prontos para retomar a partida ? - perguntou a Wood . Wood olhou para o ar determinado de Harry . - Deixem o sozinho , ele é capaz de lidar com a * bludger * . A chuva era agora mais pesada . A o apito de Madam_Hooch , Harry elevou se em os ares e ouviu o barulhinho de a * bludger * atrás_de si . Subiu cada_vez_mais alto . Fez acrobacias em espiral , descidas rápidas , ziguezagueou e rolou . Apesar_de ligeiramente estonteado , não deixou nunca de ter os olhos bem abertos . A chuva salpicava lhe os óculos e entrava lhe por as narinas , quando ele se voltou de cabeça para baixo , evitando outra forte investida de a * bludger * . Ouviu os risos de a multidão . Sabia que devia parecer ridículo , mas a * bludger * maluca era pesada e não podia mudar de direcção tão rapidamente quanto ele . Iniciou uma corrida que parecia de feira de diversões em volta de os extremos de o estádio , olhando de soslaio , através de os lençóis prateados de chuva , para os postes de os Gryffindor , onde Adrian_Pucey tentava passar por Wood . Um assobio junto de os ouvidos disse a Harry que a * bludger * falhara uma_vez_mais . Voltou se e voou rapidamente em a direcção oposta . - Estás a ensaiar * ballet * , Potter - gritou Malfoy quando Harry foi obrigado a fazer uma reviravolta estúpida em o ar para se esquivar mais_uma_vez de a * bludger * . Lá foi ele , com a * bludger * atrás a alguns metros de distância . E foi então que , olhando para Malfoy , furioso , a viu , a * snitch * de ouro . Flutuava alguns centímetros acima de os ouvidos de Malfoy que , de tão preocupado a escarnecer de Harry , nem dera por ela . Durante um momento angustiante , Harry ficou quieto em o ar , não ousando dirigir se a Malfoy , não fosse ele olhar para_cima e ver a * snitch * . PUM ! Tinha ficado parado tempo de mais . A * bludger * batera lhe , por fim , apanhando lhe o cotovelo e Harry sentiu o braço a partir se . Debilmente , desorientado por a dor cauterizante em o braço , Harry deslizou para um de os lados em a sua vassoura encharcada , um joelho ainda dobrado , o braço direito a balouçar , inútil , a o seu lado . A * bludger * veio de_novo , preparada para mais um ataque , desta_vez apontada a o seu rosto . Harry desviou se com uma intenção : chegar a Malfoy . Através_de uma nuvem de chuva e dor desceu até a o rosto tremeluzente e trocista e viu os olhos de ele dilatarem se de medo : Malfoy pensou que Harry ia atacá o . - Que diabo ... - resmungou , afastando se de o caminho . Harry tirou a outra mão de a vassoura e fez uma tentativa para agarrar qualquer coisa . Sentiu os dedos fecharem se em volta de a * snitch * dourada , mas conduzia agora a vassoura apenas com as pernas e ouviu se um grito de a multidão cá em baixo , quando ele fez a descida , tentando não desmaiar . Com um ruído seco caiu em a terra enlameada e rolou para fora de a vassoura . O braço tinha um ângulo um_pouco estranho . Torcendo se com dores , ouviu a a distância os assobios e os gritos . Concentrou se em a * snitch * que tinha fechada em a outra mão . - Ai - disse vagamente . - Ganhámos o jogo . E desmaiou . Voltou a si com a chuva a cair lhe em o rosto , ainda deitado em o campo , com alguém inclinado sobre ele . Viu um brilho de dentes brancos . - Oh , não , você não - gemeu . - Não sabe o que diz - afirmou Lockhart bem alto a a ansiosa multidão de Gryffindor que o comprimiam . - Não te preocupes , Harry , eu vou tratar de o teu braço . - Não - gritou Harry . - Eu fico com ele assim , obrigado . Tentou sentar se , mas a dor era enorme . Ouviu um « clique » familiar . - Não quero fotografias de isto , Colin - disse em voz alta . - Deita te para trás , Harry - insistiu Lockhart com toda_a calma . - É um encantamento muito simples que eu fiz imensas vezes . - Porque não me levam só para a ala hospitalar ? - perguntou Harry entredentes . - Seria o melhor , professor - disse a voz rouca de o Wood que não conseguia deixar de sorrir , apesar_de o seu * seeker * estar ferido . - Grande captura , Harry , verdadeiramente espectacular , a tua melhor jogada , em a minha opinião . Em o meio de a floresta de pernas que o rodeava , Harry avistou Fred e George_Weasley , metendo a * budger * perigosa em uma caixa . Continuava a dar uma luta enorme . - Para trás - ordenou Lockhart , que tinha arregaçado as mangas verde jade . - Não , eu não ... - protestou debilmente Harry , mas Lockhart tinha a varinha em a mão e , um segundo depois , apontava a para o braço de Harry . Uma sensação estranha e desagradável começou em o ombro e espalhou se , chegando a as pontas de os dedos . Parecia que o braço inteiro tinha sido esvaziado . Não foi capaz de olhar para o que estava a suceder . Tinha fechado os olhos , voltado o rosto para o outro lado , mas os seus maiores receios concretizaram se quando as pessoas lá em cima se sobressaltaram e Colin_Creevey começou a tirar fotografias como um louco . O braço deixara de lhe doer , mas parecia tudo menos um braço . - Ah ! - disse Lockhart . - Sim , bem isto às_vezes acontece . Mas o importante é_que os ossos já não estão partidos . Isso é o mais importante . Portanto , Harry , vai até a a ala hospitalar ... ah ! Mr._Weasley , Miss_Granger , poderiam levá o lá ? E Madam_Pomfrey poderá ... er ... arranjar um_pouco isso . Quando Harry se pôs de pé sentiu se estranhamente desequilibrado . Depois de respirar fundo , olhou para o lado direito e o que viu quase o fez desmaiar de_novo . Pendurado em a extremidade de a sua túnica estava o que parecia ser uma espessa e colorida luva de borracha . Tentou mexer os dedos mas ... em vão . Lockhart não consertara os ossos de Harry . Retirara os . M. dam Pomfrey não ficou nada satisfeita . - Devias ter vindo logo ter comigo - ralhou , segurando os restos tristes e moles de aquilo que antes fora um braço activo . - Eu conserto ossos em um segundo , mas fazê os crescer de_novo ... - Vai conseguir , não vai ? - perguntou Harry desesperado . - Sim , com certeza , mas vai ser doloroso - disse Madam_Pomfrey de modo severo , entregando lhe um pijama . - Vais ter que ficar cá esta noite ... Hermione esperou de o lado de_fora de a cortina que rodeava outra cama enquanto Ron ajudava Harry a vestir se . Levou algum tempo a enfiar o braço que parecia borracha dentro_de uma manga de o pijama . - Como é_que podes continuar a defender o Lockhart depois disto , Hermione ? - perguntou Ron através de as cortinas , enquanto puxava os dedos moles de o Harry por uma manga . - Se o Harry quisesse ser desossado , teria pedido . - Todos podem enganar se - disse Hermione . - E deixou de doer , não deixou , Harry ? - Sim - disse ele - mas também ficou incapaz de fazer seja o que for . Quando se meteu em a cama , o braço agitou se despropositadamente . Hermione e Madam_Pomfrey entraram . Madam_Pomfrey segurava uma grande garrafa com o rótulo * Skele - _ Gro * . - Vais ter uma noite difícil - preveniu , enchendo um pequeno copo fumegante e dando lhe a beber . - Fazer crescer ossos é uma coisa difícil . Tomar o * _ Skele - _ Gro * também . Queimou a boca e a garganta de o Harry a o descer , fazendo o tossir e cuspir . Resmungando sobre os desportos perigosos e os professores incapazes , Madam_Pomfrey retirou se , deixando Ron e Hermione a ajudar Harry a engolir um_pouco de água . - Mas ganhámos o jogo - disse o Ron com um sorriso em o rosto . - A tua jogada foi em grande . A cara de o Malfoy ... parecia que queria matar alguém . - Eu vou descobrir como é_que enfeitiçaram aquela * bludger * - disse Hermione com ar sombrio . - Podemos juntar essa pergunta a a lista de todas_as que queremos fazer a o Malfoy quando tomarmos a poção * _ Polisuco * - disse Harry , afundando se de_novo em as almofadas . - Espero que tenha um sabor melhor do_que esta coisa ... - Com um bocado de os Slytherin lá dentro , deves estar a brincar - disse o Ron . A porta de a ala hospitalar abriu se em esse momento e , completamente encharcados , entraram os restantes membros de a equipa de os Gryffindor , para ver o Harry . - Um voo inacreditável - disse George . - Acabei de ver Marcus_Flint a gritar com o Malfoy . Qualquer coisa sobre ter a * snitch * mesmo em cima de a cabeça e não ter dado por nada . O Malfoy não parecia nem um_pouco satisfeito . Tinham trazido bolos , rebuçados e garrafas de sumo de abóbora . Juntaram se em volta de a cama de Harry e estavam a dar início a o que prometia ser uma grande festa quando Madam_Pomfrey entrou a vociferar : - Este rapaz precisa de repouso . Tem trinta_e_três ossos a crescer . Fora de aqui . FORA ! E Harry ficou sozinho , sem nada que o distraísse de as dores agudas em o seu braço mole . Muitas horas mais tarde , Harry acordou subitamente em a escuridão total e soltou um pequeno grito de dor : sentia agora o braço cheio de estilhaços . Durante alguns segundos pensou que tinha sido a dor a acordá o . Depois , com um arrepio de horror , apercebeu se de que alguém estava a passar lhe uma esponja em a testa . - Sai de aqui - gritou , e em seguida : - Dobby ! Os olhos de o tamanho de bolas de ténis de o elfo doméstico estavam a olhá o em o escuro , uma lágrima grossa rolava por o seu enorme nariz . - Harry_Potter voltou a a escola - murmurou , infeliz . - Dobby avisou e voltou a avisar Harry_Potter . Ah ! senhor , porque não deu ouvidos a Dobby ? Porque não voltou Harry_Potter para_casa quando perdeu o comboio ? Harry ergueu se um_pouco , encostando se a as almofadas e afastou a esponja de o elfo . - O que estás a fazer aqui ? - perguntou . - E como sabes que eu perdi o comboio ? O lábio de Dobby tremeu e Harry foi assaltado por uma dúvida . - Foste tu . Tu impediste que a barreira nos deixasse passar . - Em a verdade fui eu , senhor - disse Dobby , acenando com a cabeça e com as orelhas a abanar . - Dobby escondeu se , esperou por Harry_Potter e selou a barreira . A seguir , Dobby teve de pôr as mãos em o ferro de engomar - mostrou a o Harry dez dedos longos embrulhados em ligaduras . - Mas Dobby não se importou , senhor , porque pensou que Harry_Potter estava a salvo e nunca Dobby sonhou que mesmo_assim ele viria para a escola ! Balançava se para a frente e para trás , sacudindo a cabeça feia . - Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry_Potter tinha voltado a a escola que deixou queimar o jantar de os seus donos . Dobby nunca tivera um castigo tão grande , senhor . Harry afundou se de_novo em as almofadas . - Quase conseguiste que nos expulsassem , a mim e a o Ron - disse furioso . - É melhor desapareceres de aqui antes que os meus ossos voltem a estar bem , Dobby , ou ainda te estrangulo . O elfo sorriu . - Dobby está habituado a ameaças de morte , senhor . Dobby recebe as cinco vezes por dia em a casa onde mora . Encostou o nariz a um canto de a fronha que usava , ficando tão ridículo que Harry sentiu a raiva desvanecer se , apesar_de tudo . - Porque usas essa coisa , Dobby ? - perguntou com curiosidade . - Isto , senhor ? - disse Dobby apontando para a fronha de almofada . - É uma prova de escravatura de o elfo doméstico , senhor . Dobby só pode ser libertado se os donos lhe derem roupa , senhor . A família tem o cuidado de não dar a o Dobby nem uma peúga , senhor , porque ele poderia ficar livre e deixar a casa para sempre . Dobby limpou os olhos protuberantes e disse subitamente : - Harry_Potter deve ir para_casa . Dobby achou que a sua * bludger * seria o suficiente para o fazer ... - A tua * bludger * ? - disse Harry com a raiva a crescer novamente dentro de ele . - Que queres tu dizer com a tua bludger * ? Foste tu quem fez com que aquela bola tentasse matar me ? - Matar não , senhor . Matar , nunca ! - disse o elho chocado . - Dobby quer salvar a vida de Harry_Potter . É melhor ir para_casa ferido do_que ficar aqui , senhor . Dobby só queria Harry_Potter suficientemente ferido para voltar para_casa . - Só isso ? - disse Harry furioso . - Imagino que não vais dizer me porque querias mandar me para_casa a os bocados ? - Ah ! se Harry_Potter soubesse ! - gemeu Dobby , com mais lágrimas a escorrerem lhe por a fronha esfarrapada . - Se pudesse saber o que significa para nós , para os humildes , os escravizados , nós , a escória social de o mundo mágico ! Dobby lembra se de como eram as coisas quando Aquele cujo nome não deve ser pronunciado estava em o auge de o poder , senhor ! Nós , os elfos domésticos éramos tratados como animais , senhor ! É claro que Dobby ainda é tratado assim - admitiu , secando o rosto em a fronha de almofada . - Mas , em a sua maioria , a vida melhorou bastante para os de a minha espécie desde_que Harry_Potter triunfou sobre Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Harry_Potter sobreviveu e o poder de os senhores de o Mal foi quebrado e veio uma nova alvorada , senhor , e Harry_Potter brilhou como um farol de esperança para aqueles de entre nós que já pensavam que a longa noite nunca mais teria fim , senhor ... e agora em Hogwarts vão acontecer coisas terríveis , talvez já esteiam a acontecer e Dobby não pode deixar Harry_Potter ficar aqui , agora_que a história vai repetir se , agora_que a Câmara_dos_Segredos está de_novo aberta . Dobby calou se horrorizado . Em seguida agarrou em o jarro de a água que Harry tinha a a cabeceira e bateu com ele em a própria cabeça , deixando se cair . Um segundo mais tarde voltou até junto de a cama , repetindo : - Mau , Dobby , muito mau , Dobby . - Quer_dizer , então , que existe mesmo a Câmara_dos_Segredos ? - murmurou Harry . - E dizes tu que já antes foi aberta ? Conta me , Dobby . Agarrou o pulso ossudo de o elfo quando a mão de ele se estendia para o jarro de a água . - Mas eu não sou filho de Muggles . Como posso estar em perigo por causa de a Câmara_dos_Segredos ? - Ah ! senhor , não pergunte a o pobre Dobby - lamentou se o elfo com os olhos enormes a brilharem em o escuro . - As forças de as trevas estão projectadas em este lugar , mas Harry_Potter não deve estar aqui quando as coisas acontecerem . Vá para_casa , Harry_Potter , vá para_casa . Harry_Potter não deve envolver se em isto , senhor , é demasiado perigoso ... - Quem é , Dobby ? - perguntou Harry , continuando a agarrar lhe o pulso com forca , impedindo que batesse de_novo em si próprio com o jarro . - Quem abriu a amara ? Quem a abriu de a última vez ? - Dobby não pode , senhor . Dobby não pode . Dobby não deve dizer - guinchou o elfo . - Vá se embora , Harry_Potter , vá se embora ! - Eu não vou para lugar nenhum - disse Harry , furioso . - Uma de as minhas melhores amigas é filha de Muggles , está em perigo se a câmara foi , de facto , aberta ... - Harry_Potter arrisca a própria vida por os amigos - gemeu Dobby em uma espécie de êxtase infeliz . - Tão nobre , tão corajoso , mas deve salvar se , Harry_Potter não deve ... Dobby calou se de repente com as orelhas de morcego a estremecerem . Harry também ouviu os passos que vinham lá fora , de o corredor . - Dobby tem de ir - balbuciou o elfo apavorado . Ouviu se um ruído e o pulso de Harry ficou subitamente fechado em o ar . Meteu se de_novo para baixo , em a cama , com os olhos fixos em a porta escura que dava entrada em a ala hospitalar enquanto os passos se aproximavam . Em o momento seguinte , Dumbledore estava a entrar , de costas , em o dormitório , vestindo uma longa túnica de lã e uma capa de noite . Transportava um extremo de aquilo que parecia ser uma estátua . A professora Mc_Gonagall surgiu um segundo mais tarde , pegando lhe em os pés . Os dois colocaram a em uma cama . - Chame Madam_Pomfrey - murmurou Dumbledore e a professora Mc_Gonagall passou por a cama de Harry , apressadamente , e desapareceu . Harry deixou se ficar muito quieto como_se estivesse a dormir . Ouviu vozes ansiosas e por fim a professora Mc_Gonagall apareceu de_novo , seguida de Madam_Pomfrey que vestia um casaco curto de lã sobre a camisa de dormir . Ouviu uma inspiração aguda . - O que aconteceu ? - murmurou Madam_Pomfrey_a_Dumbledore , inclinando se sobre a estátua que estava em a cama . - Outro ataque - disse Dumbledore . - A Minerva encontrou o em as escadas . Havia um cacho de uvas junto de ele . Acho que estava a tentar esgueirar se até aqui para vir visitar o Potter . O estômago de Harry deu uma reviravolta . Lenta e cuidadosamente ergueu se alguns centímetros para poder ver a estátua que estava sobre a cama . Um raio de luar iluminou lhe o rosto estático . Era_Colin_Creevey . Tinha os olhos abertos , e as mãos , em frente de a cara , seguravam a máquina fotográfica . -- Petrificado ? - murmurou Madam_Pomfrey . - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - Mas estou tentada a acreditar que ... se Albus não tivesse vindo cá abaixo tomar um chocolate quente ... quem sabe o que teria ... Os três olharam para Colin . Dumbledore inclinou se e retirou lhe a máquina de as mãos rígidas . - Será que ele conseguiu tirar a fotografia de o agressor ? - perguntou ansiosa a professora Mc_Gonagall . Dumbledore não respondeu . Abriu a parte detrás de a máquina . - Cruzes canhoto - disse Madam_Pomfrey . Um jacto de vapor tinha feito fervilhar a máquina . Harry , a três metros de distância , sentiu o cheiro tóxico de o plástico queimado . - Derretido - disse Madam_Pomfrey com grande espanto . - Tudo derretido . - O que significa isto , Albus ? - perguntou cada_vez_mais nervosa a professora Mc_Gonagall . - Significa - disse Dumbledore - que a Câmara_dos_Segredos está mesmo aberta outra_vez . Madam_Pomfrey levou uma mão a a boca . A professora Mc_Gonagall olhou assustada para Dumbledore . - Mas , Albus ... com certeza ... quem ? - A questão não é quem - disse Dumbledore com os olhos fixos em Colin . - A questão é como ... E pelo que Harry conseguiu ver de o rosto indistinto de a professora Mc_Gonagall , ela não compreendeu muito mais do_que ele . XI_O clube de os duelos Quando_Harry acordou , em o domingo de manhã , a enfermaria estava iluminada por um resplandecente sol de inverno e o seu braço tinha de_novo todos os ossos , apesar_de o sentir muito rígido . Sentou se rapidamente e olhou para a cama de Colin , mas ela fora isolada com as cortinas atrás de as quais se despira em a véspera . Vendo que ele tinha acordado , Madam_Pomfrey apareceu com um tabuleiro de pequeno-almoço e a seguir começou a apalpar lhe o braço e os dedos . - Tudo em ordem - disse , enquanto ele , com a mão esquerda , comia avidamente as papas de aveia . - Quando acabares de comer podes ir te embora . Harry vestiu se o mais depressa que pôde e dirigiu se a a pressa para a torre de os Gryffindor , ansioso por contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre Colin e Dobby , mas não os encontrou lá . Foi a a procura de eles , perguntando a si próprio onde teriam ido e sentindo se um_pouco magoado por o pouco interesse que demonstravam em saber se ele tinha recuperado os ossos . Quando passou por a biblioteca , Percy_Weasley vinha a sair com bastante melhor cara do_que de a última vez que se tinham encontrado . - Olá , olá , Harry - disse . - Excelente voo o de ontem , verdadeiramente sensacional . Os Gryffindor estão a a frente para a taça de a equipa . Ganhaste cinquenta pontos . - Não viste o Ron e a Hermione por aí ? - perguntou Harry . - Não , não vi - disse Percy com o sorriso a desaparecer . - Espero que o Ron não esteja outra_vez em a casa_de_banho de as raparigas ... Harry forçou um sorriso , viu Percy desaparecer e a seguir foi direitinho até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Não via lá muito bem por_que motivo o Ron e a Hermione lá estariam de_novo , mas , depois de se assegurar de que nem Filch nem nenhum de os prefeitos estavam por perto , abriu a porta e ouviu as vozes de eles que vinham de um cubículo fechado . - Sou eu - disse , fechando a porta atrás_de si . Ouviu se dentro de o cubículo um estrondo , um chapinhar e um sobressalto e ele viu o olho de a Hermione a espreitar por o buraco de a fechadura . - Harry - disse ela . - Pregaste nos um susto de morte . Entra . Como está o teu braço ? - _ óptimo - respondeu , apertando se dentro de o cubículo . Em cima de a sanita estava encarrapitado um velho caldeirão , e um crepitar a a superfície de a água disse a Harry que eles tinham acendido um fogo lá em baixo . Fazer aparecer fogos portáteis a a prova de água era uma de as especialidades de Hermione . - _ íamos visitar te , mas resolvemos começar a preparar a poção * _ Polisuco * - explicou Ron enquanto Harry fechava outra_vez a porta de o cubículo com alguma dificuldade . - Achámos que este era o lugar mais seguro para a esconder . Harry começou a contar lhes de o Colin , mas Hermione interrompeu o . - Nós já sabemos , ouvimos a professora Mc_Gonagall contar a o professor Flitwick hoje_de_manhã . Por isso resolvemos começar a ... - Quanto_mais depressa arrancarmos uma confissão a o Malfoy , melhor - rosnou o Ron . - Sabem o que eu penso ? Ele estava tão mal-humorado depois de o jogo de Quidditch que se vingou em o Colin . - Há outra coisa - disse Harry , vendo Hermione cortar molhos de verdezelha e lançá os dentro de a poção . - O Dobby foi visitar me a meio de a noite . Ron e Hermione olharam o espantados . Harry contou lhes tudo_o_que Dobby lhe dissera ... ou não dissera . Ron e Hermione ouviram o de boca aberta . - A Câmara_dos_Segredos já tinha sido aberta antes ? - repetiu Hermione . - Encaixa perfeitamente - disse Ron , em uma voz triunfante . - O Lucius_Malfoy deve ter aberto a Câmara_dos_Segredos quando andava em a escola e agora ensinou a o querido filhinho Draco como abris a . É óbvio , que pena o Dobby não te ter dito que tipo de monstro lá se encontra . Gostava de saber como é_que ninguém o viu andar por ai em a escola . - Talvez tenha a capacidade de se tornar invisível - sugeriu Hermione , picando sanguessugas para dentro de o caldeirão . - Ou talvez se disfarce , passando por uma armadura ou outra coisa de o género . Eu li umas coisas sobre vampiros camaleões ... - Tu lês de mais , Hermione - disse o Ron , deitando moscas asas de renda mortas por cima de as sanguessugas . Amarrotou o saco vazio de as asas de renda e olhou para Harry . - Então foi o Dobby que nos impediu de apanhar o comboio e te partiu o braço ... - abanou a cabeça . - Sabes o que eu acho ? Se ele não parar de tentar salvar te a vida ainda acaba por te matar . A notícia de que Colin_Creevey tinha sido atacado e estava agora em a ala hospitalar , como morto , espalhou se por toda_a escola em a segunda-feira de manhã . O ar ficou pesado e cheio de boatos e suspeitas . Os alunos de o primeiro ano começavam a andar por a escola em pequenos grupos , receando ser atacados se se aventurassem a andar isoladamente por os corredores . Ginny_Weasley , que era colega de carteira de o Colin em os encantamentos , estava perturbadíssima , mas Harry achou que Fred e George estavam a tentar animá a de a maneira errada . Revezavam se , mascarados com peles de animais e apareciam lhe subitamente detrás de as estátuas . Só pararam quando Percy , apopléctico de raiva , lhes disse que ia escrever a Mrs._Weasley a contar lhe que a Ginny andava a ter pesadelos . Enquanto isso , às_escondidas de os professores , uma panóplia de talismãs , amuletos e outros objectos de protecção ia enchendo a escola . Neville_Longbottom comprou uma enorme cebola verde que cheirava mal , um cristal pontiagudo cor de púrpura e uma cauda de tritão apodrecida antes de os outros rapazes de os Gryffindor lhe explicarem que ele não corria perigo : era um sangue puro e , portanto , muito pouco passível de ser atacado . - Eles foram a o Filch em primeiro lugar - disse Neville com o medo estampado em a cara redonda . - E toda_a_gente sabe que eu sou quase um * busca-pé * . Em a segunda semana de Dezembro , a professora Mc_Gonagall veio , como de costume , recolher os nomes de os alunos que ficavam em a escola durante o Natal . Harry , Ron e Hermione assinaram a lista . Tinham ouvido dizer que Malfoy ficava , o que lhes parecera muito suspeito . As férias seriam a altura ideal para usar a poção * _ Polisuco * e tentar arrancar lhe uma confissão . Infelizmente a poção estava a meio . Precisavam ainda de o chifre de bicórneo e o único lugar onde podiam arranjá o era em os depósitos privados de Snape . Harry , pessoalmente , preferia enfrentar o lendário monstro de os Slytherin do_que ser apanhado por o Snape a assaltar lhe o escritório . - O que precisamos - disse Hermione cheia de vivacidade quando se aproximava a aula conjunta de poções de quinta-feira a a tarde - para podermos entrar a a vontade em o escritório de o Snape , é de uma diversão . Harry e Ron olharam para ela , nervosos . - Acho que o melhor é ser eu a praticar o roubo - prosseguiu ela , em um tom perfeitamente casual . - Vocês os dois podem ser expulsos se forem apanhados e eu tenho uma folha limpa . Portanto , a única coisa que têm de fazer é distrair o Snape durante cerca de cinco minutos . Harry esboçou um meio sorriso . Provocar deliberadamente um estrago em a aula de poções de o Snape era tão seguro como ferir em um olho um dragão adormecido . As aulas de poções tinham lugar em um de os mais amplos calabouços . A de quinta-feira a a tarde não foi diferente de as outras . Vinte caldeirões fumegavam entre as secretárias de madeira , sobre as quais podia ver se laminas de latão e jarras com ingredientes . Snape deambulava por o meio de os fumos , fazendo reparos petulantes a o trabalho de os Gryffindor , enquanto os Slytherin riam a a socapa . Draco_Malfoy , que era o aluno preferido de Snape , não parava de lançar olhos de carneiro mal morto a o Ron e a o Harry , que sabiam que se retaliassem teriam um castigo , antes de poderem abrir a boca para dizer : - É injusto ! A solução de inchar de o Harry estava demasiado líquida , mas ele estava preocupado com coisas mais importantes . Esperava por o sinal de Hermione e mal deu por Snape se calar para ir espreitar a sua poção aguada . Quando o professor se voltou e foi implicar com o Neville , Hermione trocou um olhar com Harry e fez um aceno . Harry baixou se discretamente por detrás de o seu caldeirão , tirou de o bolso de trás um de os paus de fogo-de-artíficio Filibuster e deu lhe um toque de varinha . O fogo-de-artíficio começou a sibilar e a crepitar . Sabendo que tinha apenas alguns segundos , Harry endireitou se , ganhou coragem e lançou o a o ar . Aterrou certeiro em o caldeirão de o Goyle . A poção de o Goyle explodiu , salpicando toda_a aula . As pessoas gritavam , à_medida_que eram vítimas de os salpicos . Malfoy foi apanhado em a cara e o nariz começou a inchar como um balão . O Goyle tropeçava a as cegas , com as mãos em os olhos , que tinham ficado de o tamanho de pratos de sopa , enquanto o Snape tentava repor a calma e tentar perceber o que sucedera . Em o meio de a confusão , Harry viu Hermione esgueirar se a a socapa por a porta . - Silêncio ! silêncio ! - vociferou Snape . - Todos os que foram salpicados cheguem aqui para uma drenagem . Quando eu descobrir quem fez isto ... Harry fez um enorme esforço para não se rir a o ver Malfoy chegar apressadamente lá a a frente , a cabeça a tombar com o peso de o nariz , que parecia um pequeno melão . Quando metade de a aula se amontoava junto de a secretária de o Snape , alguns alunos vergados por o peso de os braços que pareciam mocas , outros incapazes de falar devido a o gigantesco inchaço de os lábios , Harry viu Hermione reentrar em o calabouço , a túnica mostrando a barriga protuberante . Quando todos os alunos tinham já tomado um gole de o antídoto e os vários inchaços tinham desaparecido , Snape precipitou se para o caldeirão de o Goyle e pescou os restos retorcidos de o fogo-de-artíficio . Houve um súbito silêncio . - Se eu descubro quem lançou isto - murmurou Snape - garanto que é expulsão por a certa . Harry compôs uma expressão de espanto . Snape olhava directamente para ele e a campainha , que tocou dez minutos mais tarde , não podia ser mais bem-vinda . - Ele soube que fui eu - disse Harry_a_Ron e a a Hermione , enquanto se dirigiam apressadamente para a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Tenho a certeza . Hermione lançou o novo ingrediente em o caldeirão e começou a mexer furiosamente . - Isto vai estar pronto dentro_de quinze_dias - afirmou , satisfeita . - O Snape não pode provar que foste tu - assegurou Ron , tranquilizando Harry . - Que pode ele fazer ? - Conhecendo o Snape , qualquer coisa louca - respondeu Harry , enquanto a poção borbulhava e espumava . Uma semana mais tarde , Harry , Ron e Hermione passavam por o vestíbulo de entrada , quando viram um pequeno grupo de pessoas reunidas em volta de o jornal de parede a lerem um pedaço de pergaminho que tinha acabado de ser afixado . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas acenaram lhes , entusiasmados . - Vão lançar um clube de duelos ! - exclamou Seamus . - Hoje a a noite é a primeira reunião . Eu não me importaria nada de ter aulas de duelo , podem vir a ser úteis um dia de estes ... - Porquê ? Achas que o monstro de os Slytherin sabe esgrimir ? - perguntou o Ron , mas , também ele , leu a notícia com interesse . - Pode ser útil - disse a o Harry e a a Hermione , quando foram jantar . - Vamos lá ? Harry e Hermione acharam óptimo , por isso , a as oito_da_noite voltaram a o salão . As longas mesas de refeição tinham desaparecido e um estrado dourado surgira , encostado a a parede . Sobre ele flutuavam milhares de velas . O tecto era , mais_uma_vez , de veludo negro e parecia que quase todos os alunos de a escola se encontravam ali , com as suas varinhas em a mão e com um ar entusiasmado . - Quem será que vai ensinar nos ? - perguntou Hermione , enquanto se misturavam em a multidão barulhenta . - Ouvi dizer que o Filitwick foi campeão de duelo em a juventude , talvez seja ele . - Desde_que não seja ... - começou Harry , mas terminou em um gemido : Gilderoy_Lockhart estava a subir a o estrado , resplandecente em as suas vestes cor de ameixa , acompanhado , nem mais nem menos , do_que de Snape que trajava , como sempre , de negro . Lockhart levantou um braço , pedindo silêncio , bradando : - Aproximem se , aproximem se , conseguem todos ver me e ouvir me ? Excelente ! - O professor Dumbledore deu me autorização para iniciar este pequeno curso de duelo para vos treinar a todos , caso algum dia precisem de se defender , como eu tenho feito em inúmeras ocasiões ; para mais detalhes , leiam os livros que tenho publicados . - Permitam que vos apresente o meu assistente , o professor Snape - disse Lockhart , abrindo um sorriso de orelha a orelha . - Ele diz me que sabe alguma coisa sobre duelos e aceitou desportivamente ajudar me em uma exibição de demonstração , antes de começarmos . Atenção , não quero que os mais novos fiquem preocupados , vão continuar a ter o vosso professor de poções depois de eu o vencer . Não tenham medo . - Não era óptimo se se liquidassem um_ao_outro ? - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . O lábio inferior de Snape estava curvo . Harry interrogou se sobre o motivo por_que Lockhart continuava a sorrir . Se o Snape olhasse de aquela maneira para ele , Harry estaria a correr a_toda_a velocidade para o mais longe possível . Lockhart e Snape voltaram se um para o outro e fizeram uma vénia , pelo_menos Lockhart fê la com muitas reviravoltas de mãos , enquanto Snape acenava , irritado , com a cabeça . Em seguida , ergueram as varinhas , como_se fossem espadas , em a frente . - Como podem ver , estamos a pegar em as varinhas em a posição de aceitação de combate - explicou Lockhart a a multidão silenciosa . - Quando contarmos até três , lançaremos os primeiros feitiços . Nenhum de nós tentará matar o outro , claro . - Eu não poria as mãos em o fogo - murmurou Harry , observando como Snape cerrava os dentes . -- Um , dois , três ... Os dois balançaram as varinhas acima de os ombros . Snape gritou : * _ Expelliarmus * ! Houve um clarão ofuscante de luz escarlate e Lockhart voou para trás , caindo de o estrado batendo contra a parede , escorregando e indo estatelar se em o chão . Malfoy e alguns de os outros Slytherin aplaudiram . Hermione estava em bicos de os pés . - Acham que ele está bem ? - gritou entredentes . - Quem se rala ? - disseram ao_mesmo_tempo o Ron e o Harry . Lockhart estava a pôr se , hesitante , de pé . O chapéu caíra lhe e o cabelo ondulado estava em um desalinho . - Bem , cá está ! - disse , cambaleando até a o estrado . - Este foi um encantamento para desarmar . Como podem ver , perdi a minha varinha . Ah , obrigado Miss_Brown . Sim , foi uma excelente ideia mostrar lhes isto , professor Snape , mas , se me permite que lhe diga , foi muito óbvio o que ia fazer . Se eu tivesse querido impedis o , teria o feito com a maior de as facilidades . Mas achei que seria educativo deixá os ver ... Snape tinha um ar assassino . Provavelmente Lockhart deu por isso , porque declarou : - Chega de demonstrações . Eu vou passar agora por o meio de vocês e criar duplas . Professor_Snape , se quiser ajudar me ... Entraram por o meio de a multidão , agrupando alunos . Lockhart pôs o Neville com Justin_Finch - _ Fletchley , mas Snape chegou primeiro junto de Harry e de Ron . - Tempo de separar a dupla ideal , parece me - rosnou . - Weasley , tu podes ficar com o Finnigan . Potter ... Harry voltou se automaticamente para Hermione . - Não me parece - disse Snape com o seu sorriso frio . - Mr._Malfoy , venha até aqui . Vamos ver o que faz com o famoso Potter . E a menina , Miss_Granger , pode emparceirar com Miss_Bulstrode . Malfoy aproximou se com o seu passo empertigado e o seu sorriso escarninho . Atrás de ele vinha uma rapariga de os Slytherin , que lembrou a Harry uma imagem que tinha visto em as * _ Férias com Bruxas_Velhas * . Era corpulenta e quadrada e os maxilares avançavam agressivamente . Hermione esboçou um meio sorriso , que ela não retribuiu . - Voltem se para os vossos parceiros - gritou Lockhart - e façam a vénia . Harry e Malfoy mal inclinaram as cabeças , não afastando os olhos um de o outro . - Varinhas preparadas ! - gritou Lockhart . - Quando eu disser três preparem os feitiços para desarmar o vosso opositor . Um ... dois ... três ... Harry levantou a varinha acima de o ombro , mas Malfoy começara logo em o « dois » : o seu feitiço apanhou Harry com tanta força que ele se sentiu como_se tivesse levado com uma frigideira em a cabeça . Tropeçou , mas ainda não estava fora de combate e , sem perder tempo , Harry apontou a varinha a Malfoy e gritou : - * _ Rictusempra ! * Um jacto de luz prateada atingiu Malfoy em o estômago , obrigando o a dobrar se , arfando . - Eu disse desarmar ! - gritava Lockhart sobre as cabeças de a multidão em lata , enquanto Malfoy caía de joelhos . Harry atingira o com o feitiço de as cócegas e ele mal conseguia mexer se para se rir . Harry hesitou com o vago sentimento de que seria pouco desportivo enfeitiçar Malfoy enquanto ele estava caído em o chão , mas ... foi um erro . Tentando respirar , Malfoy apontou a varinha a os joelhos de Harry , balbuciando : « * _ Tarantallegra ! * » e , um segundo depois , as pernas de o Harry tinham começado a mexer se , sem que ele pudesse controlá as , executando uma espécie de dança frenética . - Parem , parem - gritava Lockhart , quando Snape resolveu tomar controlo de a situação . - * _ Finite_Incantatem ! * - bradou . Os pés de o Harry pararam de dançar , Malfoy parou de rir e puderam olhar para_cima . Uma onda de fumo esverdeado pairava sobre todos eles . Neville e Justin estavam caídos em o chão , a arfar . Ron tentava fazer parar um Seamus com cara cor de cinza , pedindo lhe mil desculpas por o que a sua varinha partida eventualmente tivesse feito . Mas Hermione e Millicent_Bulstrode ainda não tinham acabado . Millicent tinha feito a Hermione uma prisão de cabeça e Hermione gritava de dor . As duas varinhas jaziam esquecidas em o chão . Harry deu um salto em frente e afastou Millicent . Não foi fácil , ela era bastante maior do_que ele . - Oh , gente ! - exclamou Lockhart , arrastando se por o meio de a multidão e olhando para os resultados de os duelos . - Vamos pôr de pé , Mcmillan ... cuidado , Miss_Fawcett ... belisque com força que pára logo de sangrar ... - Acho que o melhor é ensinar vos como bloquear feitiços pouco amigáveis - afirmou Lockhart que estava nervosíssimo em o meio de o salão . Olhou para Snape , cujos olhos pretos brilhavam e desviou rapidamente o olhar . - Vamos arranjar um par de voluntários . Longbottom e Finch - _ Fletchley , que tal serem vocês ? - Uma má ideia , professor Lockhart - disse Snape , deslizando como um morcego enorme e cruel . - Longbottom provoca devastação com o feitiço mais simples . Ainda temos de mandar o que restar de o Finch - _ Fletchley para a ala hospitalar dentro_de uma caixa de fósforos . - A cara redonda e rosada de Neville ficou ainda mais rosada . - Que tal o Malfoy e o Potter ? - sugeriu Snape com um sorriso retorcido . - Excelente ideia - disse Lockhart , fazendo sinal a os dois para que se aproximassem de o meio de o salão , enquanto a multidão recuava para lhes dar passagem . - Ouve bem , Harry - disse Lockhart . - Quando o Draco te apontar a varinha , tu fazes assim . Levantou a sua varinha , executando uma tentativa complicada de malabarismo e deixou a cair . Snape sorriu pretensiosamente , enquanto Lockhart a apanhava de o chão , dizendo : - Ups , a minha varinha está demasiado excitada . Snape aproximou se de Malfoy , inclinou se e disse lhe qualquer coisa a o ouvido . Malfoy sorriu também de forma afectada . Harry olhou , nervoso , para Lockhart e pediu : - Professor , podia mostrar me outra_vez aquela coisa para bloquear ? - Estás com medo ? - murmurou Malfoy baixinho , para que Lockhart não pudesse ouvir . - Querias ! - exclamou Harry por o canto de a boca . Lockhart deu um soco em o ombro de o Harry , em a brincadeira . - Basta que faças como eu fiz ! - O quê , deixar cair a varinha ? Mas Lockhart não estava a ouvir - Três , dois , um , zero ! - gritou . Malfoy levantou rapidamente a varinha a o ar e gritou : - * _ Serpensortia ! * A extremidade de a varinha explodiu . Harry viu , horrorizado , uma enorme serpente negra sair de ela , cair pesadamente em o chão a meio de os dois e erguer se disposta a atacar . Ouviram se gritos , enquanto a multidão se afastava , deixando o chão vazio . - Não te mexas , Potter - disse Snape vagarosamente , divertindo se claramente a ver Harry , parado , a olhar em os olhos a serpente . - Eu trato de ela ... - Permita me -- gritou Lockhart . Bramiu a varinha em direcção a a serpente e ouviu se um estoiro . A cobra , em_vez_de desaparecer , voou três metros acima de eles e voltou a cair em o chão com um estrondo enorme . Enraivecida , a sibilar de fúria , rastejou em direcção a Finch - _ Fletchley e pôs se de pé com os dentes a a mostra , pronta a atacar . Harry não soube ao_certo o que o levou a fazer aquilo . Não se lembrava sequer de ter tomado aquela decisão . Só soube que as pernas o fizeram avançar como_se tivesse rodas e que gritou a a serpente : - Larga o ! - E , milagrosa e inexplicavelmente , a serpente voltou a o chão , dócil como uma grande mangueira de jardim , preta e grossa , os olhos agora fixos em os olhos de Harry . Harry sentiu o medo a escoar se . Sabia que a cobra não atacaria mais ninguém , embora não pudesse explicar como sabia . Olhou para Justin a sorrir , esperando vê o aliviado , espantado , ou mesmo agradecido , mas nunca zangado ou assustado . - Que brincadeira é essa ? - gritou o outro e , antes que Harry tivesse tempo de dizer fosse o que fosse , voltou as costas e saiu de o salão . Snape deu um passo em frente , fez um gesto com a varinha e a serpente desapareceu em uma onda de fumo preto . Também ele , Snape , olhava para Harry de uma forma inesperada . Era um olhar arguto e calculista , de que Harry não gostou . Apercebeu se também vagamente de um murmúrio ameaçador que vinha de as paredes em volta . Depois , sentiu um puxão em a túnica . - Vamos - disse a voz de o Ron em o seu ouvido . - Mexe te , vá lá ... Ron arrastou o para fora de o salão . Hermione acompanhava os em a passada rápida . Quando cruzaram a porta , as pessoas que a rodeavam afastaram se , como_se tivessem medo de ser contagiadas . Harry não fazia a mais pequena ideia do_que estava a passar se e , nem Ron , nem Hermione lhe deram qualquer explicação , antes de o terem levado até a a sala comum de os Gryffindor , que se encontrava vazia . Aí , Ron empurrou Harry para uma cadeira de braços e disse : - Tu és um * serpentês * . Porque não nos disseste ? - Eu sou um quê ? - perguntou Harry . - Um * serpentês * ! - exclamou o Ron . - Falas com as cobras . - Eu sei - declarou Harry . - Quer_dizer , esta foi a segunda vez que o fiz . A outra foi há muito_tempo em o jardim zoológico , quando soltei uma Boa_Constrictor a o meu primo Dudley . É uma longa história , mas ela estava a dizer me que nunca tinha estado em o Brasil e eu acho que a libertei sem querer . Foi antes de saber que era feiticeiro . . . - Uma Boa_Constrictor disse te que nunca tinha estado em o Brasil ? - repetiu Ron , quase sem voz . - E então ? - disse o Harry . - Aposto que montes de pessoas aqui fazem o mesmo . - Não fazem , não - afirmou Ron . - Não é um dom muito frequente . Harry , isso é mau . - O que é_que é mau ? - perguntou Harry , que começava a ficar chateado . - O que é_que se passa com todos os outros ? Ouve bem , se eu não tivesse dito a aquela cobra para não atacar o Justin ... - Ah , foi isso que tu disseste ? - Que queres dizer ? Tu estavas lá , ouviste perfeitamente o que eu disse . - Eu ouvi te falar em serpentês - disse o Ron . - Língua de cobra . Podias estar a dizer lhe qualquer coisa . Não admira que o Justin tivesse entrado em pânico . Parecia que estavas a incitar a serpente . Foi assustador , sabes ? Harry olhou para ele espantado . - Eu falei uma língua diferente ? Mas não me apercebi , como posso falar uma língua , sem saber que a conheço ? Ron abanou a cabeça . Tanto ele como Hermione tinham um ar fúnebre . Harry não percebia o que havia em aquilo de tão trágico . - Será que me querem explicar o que há de mal em ter impedido que uma serpente enorme arrancasse a cabeça a o Justin ? - perguntou . - Porque é tão importante como o fiz , se evitei que o Justin fosse juntar se a grupo de os SEM_CABEÇA ? - Importa - disse por fim Hermione , em uma voz abafada . - Porque falar com serpentes era a arte por a qual Salazar_Slytherin ficou famoso . Por isso , o símbolo de os Slytherin é uma serpente . Harry ficou de boca aberta . - Exacto - disse o Ron . - E agora todos em a escola vão pensar que tu és descendente de ele . - Mas não sou - contrapôs Harry com um pânico que não conseguia explicar . - Não vai ser fácil prová o - disse Hermione . - Ele viveu há quase mil anos . Pelo que vimos , podias ser . Em essa noite , Harry ficou acordado durante horas . Por uma fresta de os cortinados de a cama de dossel , olhou para a neve que começava a cair de o lado de_fora de a janela de a torre e perguntou se se poderia ser descendente de Salazar_Slytherin . Afinal , não sabia nada de a família de o pai , os Dursley tinham sempre proibido qualquer pergunta sobre os seus familiares feiticeiros . Calmamente , tentou dizer qualquer coisa em * serpentês * , mas as palavras não saíam . Parecia que era necessário estar frente_a_frente com uma cobra para poder fazê o . Mas eu sou um Gryffindor , pensou Harry , o chapéu seleccionador não me poria aqui se eu tivesse sangue de Slytherin ... - Ah ! - disse uma vozinha dentro de o seu cérebro . - Mas o chapéu seleccionador queria pôr te em os Slytherin , não te lembras ? Harry deu voltas e voltas a a cabeça . Em o dia seguinte , quando visse Justin em a aula de herbologia explicaria lhe que estava a afastar a serpente , não a atiçá a o que , aliás , pensou zangado , dando vários socos em a almofada , qualquer idiota teria percebido . Contudo , em a manhã seguinte , a neve que começara a cair durante a noite , transformara se em uma tempestade tão espessa que a última aula de herbologia de o período foi cancelada : a professora Sprout queria tapar as mandrágoras com peúgas e cachecóis , uma operação arriscada que ela não confiava a ninguém agora_que era tão importante que as mandrágoras crescessem depressa e reabilitassem Mrs._Norris e Colin_Creevey . Junto de a lareira de a sala comum de os Gryffindor , Harry matutava sobre o que se passara enquanto Ron e Hermione aproveitavam o foro para jogar xadrez de feitiçaria . - Com os diabos , Harry - disse Hermione exasperada quando um bispo derrubou um de os cavaleiros de o cavalo , arrastando o para fora de o tabuleiro . - Vai falar com o Justin , se isso é assim tão importante para ti . Harry levantou se e saiu por o buraco de o retrato , perguntando a si próprio onde poderia estar o Justin . O castelo estava mais escuro do_que era habitual durante o dia por causa de a neve espessa e cinzenta que cobria as janelas . A tremer , Harry passou por as salas onde estava a haver aulas , captando lampejos do_que sucedia lá dentro . A professora Mc_Gonagall gritava com alguém que , segundo lhe parecia por o som , transformara o parceiro em um texugo . Resistindo a a tentação de dar uma espreitadela , Harry afastou se pensando que Justin poderia estar a utilizar o tempo de o furo para fazer algum trabalho e resolveu , por isso , ir até a a biblioteca . Um grupo de alunos de os Hufflepuff , que deveriam ter estado em Herbologia , encontrava se , de facto , sentado em as traseiras de a biblioteca , mas não parecia estar a trabalhar . Entre as fileiras de as estantes altas , Harry pôde ver as suas cabeças muito juntas em aquilo que deveria ser uma conversa absorvente . Não conseguia perceber se Justin estaria em o meio de eles . Ia para se aproximar quando apanhou em o ar uma frase e parou para ouvir melhor , escondido em a secção de a invisibilidade . - Portanto - dizia um rapaz corpulento - eu disse a o Justin para se esconder em o nosso dormitório . Isto_é , se o Potter o escolheu como próxima vítima é melhor que ele tenha um * low profile * durante algum tempo . É claro que o Justin já estava a a espera que alguma coisa de o género acontecesse desde_que lhe escapou em uma conversa com o Potter que era filho de Muggles . O Justin disse lhe , inclusivamente , que tinha estado inscrito em Eton . Não é o tipo de coisa que se ande a dizer com o herdeiro de Slytherin a a solta por aí . - Achas mesmo_que é o Potter , Ernie ? - perguntou uma rapariga de tranças loiras , ansiosamente . - Hannah - disse com solenidade o rapaz corpulento . - Ele é um serpentês . Todos sabem que essa é a marca de um feiticeiro negro . Alguma vez ouviste falar de um feiticeiro decente que falasse com as cobras ? O Slytherin era conhecido por « Língua de serpente . . Houve alguns murmúrios antes de Ernie prosseguir : - Lembram se do_que estava escrito em a parede ? * _ Inimigos de o herdeiro , cuidado ! * . O Potter teve que ir a o gabinete de o Filch . E o que é_que acontece a seguir ? A gata de o Filch é atacada . O aluno de o primeiro ano , Creevey , estava a aborrecê o em a partida de Quidditch , a tirar lhe fotografias quando ele estava caído em a lama . E o que é_que acontece a seguir ? Creevey é atacado . - Mas ele parece sempre ser tão simpático - disse Hannah , cheia de dúvidas . - E , bem , foi ele que fez com que o Quem nós sabemos desaparecesse . Não pode ser assim tão mau , pois não ? Ernie baixou misteriosamente a voz . Os Hufflepuff inclinaram se mais uns para os outros e Harry aproximou se para conseguir apanhar as palavras de o Ernie . - Ninguém sabe como ele sobreviveu a aquele ataque de o Quem nós sabemos e , afinal , ainda era um bebé quando aquilo aconteceu . Era para ter explodido feito em estilhaços . Só um feiticeiro negro verdadeiramente poderoso teria sobrevivido a uma maldição de aquelas . - Baixou ainda mais a voz até esta ficar reduzida a um leve murmúrio e disse : - Talvez fosse por isso que o Quem nós sabemos o queria matar , para não ter outro feiticeiro negro a competir com ele . Gostava de saber que outros poderes ocultos terá o Potter . Harry não aguentou mais . Pigarreou alto e saiu detrás de as estantes . Se não estivesse tão zangado teria conseguido ver o lado cómico de a situação : cada_um de os Hufflepuff olhava para ele como_se tivesse sido petrificado , e a cor desaparecera de a cara de o Ernie . - Olá - disse Harry . - Estou a a procura de o Justin_Finch - _ Fletchley . Os piores receios de os Hufflepuff tinham se concretizado . Olharam apavorados para o Ernie . - O que queres de ele ? - perguntou Ernie em uma voz sumida . - Explicar lhe o que aconteceu com aquela cobra em o clube de os duelos - disse Harry . Ernie mordeu os lábios brancos e , em seguida , respirando fundo , respondeu : - Estávamos lá todos . Vimos o que aconteceu . - Então viram que depois de eu falar a serpente recuou - disse Harry . - O que eu vi - insistiu teimosamente Ernie , apesar_de tremer a cada palavra que proferia - foi tu a falares serpentês e a atiçares a cobra conta o Justin . - Eu não a aticei - gritou Harry enraivecido . - Ela nem lhe tocou . - Falhou por_pouco - disse Ernie . - E , para o caso de estares com ideias - acrescentou com má cara - posso dizer te que a minha família provem de nove gerações de bruxas e feiticeiros e que o meu sangue é tão puro como o de qualquer feiticeiro , portanto ... - Quero lá saber qual é o teu sangue - disse Harry furioso . - Porque iria eu atacar os filhos de os Muggles ? - Ouvi dizer que detestas os Muggles com quem vives - disse Ernie rapidamente . - Não é possível viver com os Dursley sem os detestar - explicou Harry . - Gostava de te ver lá em casa . Girou sobre os calcanhares e saiu furioso de a biblioteca sob o olhar reprovador de Madam_Prince que limpava a capa dourada de um enorme livro de encantamentos . Harry avançou a as cegas por os corredores , quase sem ver por_onde ia de tão furioso que estava . O resultado foi chocar com algo enorme e sólido que o fez recuar e cair a o chão . - Ah ! Olá , Hagrid - disse , olhando para_cima . Hagrid tinha o rosto completamente tapado com um lenço coberto de neve , mas não podia ser mais ninguém , enchendo assim o corredor dentro de o seu sobretudo de pele de toupeira . De uma de as enormes mãos enluvadas , pendia um galo morto . - Tudo bem , Harry ? - perguntou , afastando o lenço para poder falar . - Porque não estás em a aula ? - Foi cancelada - disse Harry , pondo se de pé . - O que estás a fazer aqui ? Hagrid mostrou lhe o galo inerte . - É o segundo qu'aparece morto este período - explicou . - Ou são raposas ou um vampiro chato e eu preciso d'autorização de o director p'ra fazer um feitiço em volta de a capoeira . Aproximou se e olhou mais de perto para o Harry , por debaixo de as suas sobrancelhas espessas e cheias de neve . - Tens a certeza que estás bem ? Pareces exaltado e preocupado . Harry não foi capaz de repetir o que Ernie e os outros Hufflepuff lhe tinham dito . - Não é nada , tenho de ir , Hagrid . A próxima aula é Transfiguração e preciso de ir buscar os meus livros . Afastou se , a cabeça cheia com tudo_o_que Ernie dissera a seu respeito . « * _ O_Justin já estava d espera que uma coisa de o género acontecesse desde_que deixou escapar , falando com o Potter , que era filho de Muggles * ... » Harry subiu as escadas a correr e entrou por um corredor que estava particularmente escuro . As tochas tinham sido apagadas por uma ventania gelada que entrava por uma janela de fecho estragado . Estava a meio de o corredor quando tropeçou em uma coisa que se encontrava em o chão . Olhou para ver o que era e sentiu como_se o estômago se tivesse dissolvido . Justin_Finch - _ Fletchley estava em o chão , rígido e frio com uma expressão de horror em o rosto e os olhos abertos voltados para o tecto . E não era tudo . Junto de ele estava mais alguém , a visão mais estranha que Harry tivera em toda_a sua vida . Era_o_Nick quase sem cabeça que não estava cor de pérola nem transparente e sim escuro como fumo . Flutuava imóvel , em a horizontal , 12 centímetros acima de o chão , a cabeça meio tombada e em o rosto uma expressão de choque idêntica a a de o Justin . Harry pôs se de pé com a respiração acelerada e o coração a bater como um tambor contra as costelas . Olhou desvairado para ambos os lados de o corredor deserto e viu uma fila de aranhas que corriam a_toda_a velocidade em a direcção oposta a a de os corpos . Os únicos sons eram as vozes abafadas de os professores em as aulas que decorriam de ambos os lados . Podia fugir e ninguém saberia que ali tinha estado , mas não era capaz de os abandonar assim . Tinha de ir procurar ajuda . Será que alguém acreditaria que ele não tivera nada que ver com aquilo ? Enquanto ali estava , em pânico , uma porta a o seu lado abriu se com grande estrondo . Peeves , o * poltergeist * , saiu a os gritos . - Oh ! É o Potter , olá , Potter - alardeou Peeves , lançando por o ar os óculos de o Harry quando passou por ele . - O que está o Potter a fazer ? Porque está o Potter escondido ? Peeves passou de cabeça para baixo , a meio de uma cambalhota em o ar , quando viu Justin e Nick quase sem cabeça . Com um movimento súbito endireitou se , encheu os pulmões de ar e , antes que Harry pudesse impedi o , gritou : __ ataque ! ataque ! outro ataque ! nenhum mortal ou fantasma está em segurança . corram , fujam , __ ataaaque ! Crac , Crac , Crac . Uma atrás de a outra , foram se abrindo todas_as portas a o longo de o corredor e as pessoas saíram para fora de as salas de aula . Durante alguns longos minutos houve uma tal confusão que Justin esteve em perigo de ser esmagado e as pessoas não paravam de chocar com o Nick quase sem cabeça . Harry deu por si colado a a parede enquanto os professores exigiam a os gritos que se fizesse silêncio . A professora Mc_Gonagall veio a correr , seguida por todos os alunos , um de os quais ainda trazia o cabelo a as riscas pretas e brancas . Usou a varinha para produzir um ruído que repôs o silêncio e mandou os alunos todos para dentro de as salas de aula . Mal lugar ficou desimpedido surgiu Ernie , o jovem Hufflepuff . - * _ Apanhado em flagrante ! * - gritou , com o rosto totalmente branco , apontando dramaticamente o dedo par Harry . - Basta_Mcmillan - disse , de forma cortante , a professora Mc_Gonagall . Peeves andava para_cima e para baixo , observando a cena com um sorriso maldoso . Sempre adorara o caos . Quando os professores se inclinaram sobre Justin e sobre o Nick quase sem cabeça para os examinar , iniciou uma cantilena : * _ Oh ! Potter , que fizeste , seu grande bandido * _ Tu matas os estudantes porque achas divertido . * - Basta , Peeves - rosnou a professora Mc_Gonagall e Peeves afastou se , deitando a língua de_fora a o Harry . Justin foi levado para a ala hospitalar por o professor Flitwick e por o professor Sinistra_do_Departamento_de_Astronomia , mas ninguém parecia saber o que fazer em relação a o Nick quase sem cabeça . Por fim , a professora Mc_Gonagall fez aparecer em o ar um enorme leque que entregou a Ernie com o encargo de conduzir , escadas acima , por os ares o Nick quase sem cabeça . Ernie assim fez , soprando Nick como_se fosse um aerodeslizador e deixando , de este modo , o Harry e a professora Mc_Gonagall a sós . - Por aqui , Potter - disse ela . - Professora , eu juro que não ... - Isso não é comigo , Potter - afirmou a professora Mc_Gonagall sinteticamente . Caminharam em silêncio até uma esquina e ela parou perante uma gárgula de pedra extremamente feia . - Refresco de limão - disse . Era obviamente uma senha porque a gárgula animou se subitamente e saltou para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes . Apesar_de estar apavorado com o que ia acontecer a seguir , Harry não conseguiu evitar um sentimento de fascínio . Por detrás de a parede estava uma escada em espiral que se movia lentamente para_cima como um elevador . E quando ele e a professora Mc_Gonagall puseram os pés em o primeiro degrau , Harry ouviu a parede fechar se atrás de eles . Subiram em círculos , cada_vez_mais alto até que , por fim , um_pouco tonto , Harry pôde ver uma porta de carvalho reluzente com um puxador de bronze em forma de abutre . Harry calculava onde estava a ser levado . Devia ser ali que morava Dumbledore . XII_A poção * polisuco * Saltaram de a escada de pedra lá mesmo em cima e a professora Mc_Gonagall bateu a a porta . Ela abriu se silenciosamente dando lhes entrada . A professora Mc_Gonagall disse lhe que esperasse e deixou o sozinho . Harry olhou em volta . Uma coisa era certa : de todos o escritórios de professores que conhecia , o de Dumbledor era , de longe , o mais interessante . Se não estivesse com um medo de morte de ser expulso teria adorado explorá o . Era uma sala grande e bonita em forma de círculo que estava cheia de barulhinhos estranhos . Havia um grande número de instrumentos prateados sobre várias mesas de pernas finas que zumbiam emitindo pequenas baforadas de fumo . As paredes estavam cobertas de fotografias de antigos directores e directoras , todos eles a dormir tranquilamente em as suas molduras . Havia ainda uma enorme secretária pés de garra . E , sobre uma prateleira atrás de ela , um chapéu de feiticeiro andrajoso e puído : * o chapéu seleccionador * . Harry hesitou . Lançou um olhar cauteloso a as bruxas e feiticeiros adormecidos a o longo de as paredes . Com certeza não fazia mal se lhe pegasse e o experimentasse só para ver ... só para ter a certeza de que ele o pusera em a equipa certa . Deu a volta a a secretária , retirou o chapéu de a prateleira e baixou o lentamente sobre a cabeça . Era demasiado grande e escorregou lhe para os olhos como de a outra_vez que o tinha posto . Harry olhou para o forro preto , enquanto esperava . Por fim , uma vozinha disse lhe a o ouvido : - Estás com macaquinhos em o sótão , Harry_Potter ? - Er ... sim - balbuciou Harry . - Er ... desculpa incomodar te , queria saber ... - Querias saber se te pus em a equipa certa - disse prontamente o chapéu . - Sim ... tu és particularmente difícil de seleccionar , mas eu mantenho o que disse antes . - O coração de Harry deu um salto . - Terias ficado bem em os Slytherin . Harry sentiu o estômago contorcer se . Agarrou o chapéu por a aba e tirou o de a cabeça . O chapéu seleccionador ficou pendurado em a mão de ele , inerte , desbotado e sujo . Harry voltou a pô o em a prateleira , sentindo se enjoado . - Estás enganado ! - disse em voz alta a o chapéu parado e silencioso , mas ele não se mexeu . Harry recuou para o observar melhor e foi então que ouviu um ruído estranho e grasnado atrás_de si que o fez dar uma volta . Não estava só , afinal_de_contas . Em um poleiro dourado atrás de a porta estava um pássaro de aspecto decrépito que parecia um peru meio depenado . Harry olhou para ele espantado e o pássaro olhou o também , grasnando de_novo . Harry achou que ele devia estar muito doente porque tinha os olhos parados e , enquanto olhava para ele , caíram lhe mais algumas penas de a cauda . Estava justamente a pensar que a única coisa que lhe faltava era que o pássaro de estimação de Dumbledore morresse quando ele estava ali sozinho com ele , em o escritório , quando a ave se incendiou . Harry gritou , em estado de choque , e recuou até a a secretária . Olhava nervosamente em volta , em busca de um jarro de água , mas não viu nenhum . O pássaro , entretanto , transformara se em uma bola de fogo , dera um guincho e , em seguida , desaparecera , deixando apenas um monte de cinzas em o chão . A porta de o escritório abriu se . Dumbledore entrou com ar taciturno . - Professor - gaguejou Harry . - O seu pássaro ... eu não pode fazer nada ... ele incendiou se . Para seu grande espanto , Dumbledore sorriu . - Já não era sem tempo . Estava com um aspecto horrível em os últimos dias . Fartei me de lhe dizer que fizesse qualquer coisa . Riu se entre dentes com a expressão em o rosto de Harry . - A Fawkes é uma fénix , Harry . As fénix ardem quando é altura de morrer e renascem de as cinzas , repara ... Harry olhou mesmo a_tempo_de ver um passarinho recém-nascido , todo enrugado , espetar a cabeça fora de as cinzas . Era quase tão feio como o antigo . - É uma pena que a tenhas conhecido em dia de arder - disse Dumbledore , passando para trás de a secretária . - É muito bonita a maior parte de o tempo , com uma plumagem vermelha e dourada . São criaturas fascinantes , as fénix . Podem transportar cargas pesadíssimas , as suas lágrimas têm propriedades curativas e são animais de estimação extremamente fiéis . Com o choque de a fénix a pegar fogo , Harry esquecera se de o motivo porque ali estava , mas tudo voltou rapidamente quando Dumbledore se instalou em a cadeira de espaldar alto e o fixou com os seus olhos azuis e penetrantes . Contudo , antes que ele tivesse tido tempo de falar , a porta de o escritório abriu se de par em par com um enorme estrondo e Hagrid entrou com um olhar tresloucado , o lenço todo torcido em volta de a cabeça hirsuta e o galo morto ainda pendurado em a mão . - Não foi Harry , professor Dumbledore - disse , aflito . - Eu tinha estado a falar com ele poucos segundos antes de o rapazinho ser encontrado , ele não teve tempo professor ... Dumbledore tentou dizer qualquer coisa , mas Hagrid continuou , abanando o galo em o meio de a sua agitação e espalhando penas por todo o lado . - Não pode ter sido ele . Eu juro em a frente de o ministro de a magia , se for preciso ... - Hagrid , eu ... -- Tem o rapaz errado , professor . Eu sei qu'o Harry nunca ... - Hagrid - disse Dumbledore , elevando a voz . - Eu não penso que o Harry tenha atacado aquelas pessoas . - Oh ! - disse Hagrid , com o galo pendendo inerte a o seu lado . - Certo , ' tão eu espero lá fora , director . E saiu com ar envergonhado . - O senhor não acha que tenha sido eu ? - repetiu Harry cheio de esperança , enquanto Dumbledore sacudia penas de galo de cima de a secretária . - Não , Harry , não acho - afirmou Dumbledore , apesar de a sua expressão ser de_novo sombria . - Mas mesmo_assim quero falar contigo . Harry esperou ansiosamente enquanto o director o observava com as pontas de os dedos longos unidas . - Tenho de saber uma coisa . Harry , há alguma pergunta que queiras fazer me , qualquer que ela seja ? Harry não soube o que dizer . Lembrou se de Malfoy a gritar * _ Vocês serão os próximos , sangues de lama * e de a poção * _ Polisuco * em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Depois pensou em a voz sem corpo que ouvira duas vezes e em o que o Ron dissera * _ Ouvir vozes que ninguém mais ouve não é bom sinal , nem mesmo em o mundo de a feitiçaria * . Pensou também em o que toda_a_gente dizia de ele e em o receio cada_vez maior de ter uma relação qualquer com Salazar_Slytherin ... - Não - disse por fim . - Não há nada , professor . O ataque duplo a Justin e a o Nick quase sem cabeça transformou o que até_então era nervosismo em verdadeiro pânico . Curiosamente fora o destino de o Nick quase sem cabeça o que mais preocupara as pessoas . Quem poderia ter feito aquilo a um fantasma ? - perguntavam uns a os outros . - Que poder terrível era aquele , capaz de afectar alguém que já tinha morrido ? Houve uma precipitação enorme em a marcação de os bilhetes em o Expresso_de_Hogwarts , pois todos os alunos quiseram ir passar o Natal a casa . - Por este caminho , vamos ser os únicos a ficar - disse o Ron a o Harry e a a Hermione . - Nós , o Malfoy , o Goyle e o Crabbe , que férias lindas que vão ser ! Crabbe e Goyle que faziam sempre o que Malfoy fazia , tinham se inscrito para ficar também durante as férias . Mas Harry estava contente por a maior parte se ir embora . Estava farto de ver gente a afastar se em os corredores como_se ele fosse mostrar os dentes ou cuspir veneno . Estava cansado de tantos segredinhos , de os ver apontar e segredar quando passava . O Fred e o George , esses achavam muito divertido . Vinham , de propósito , pôr se a a frente de ele e atravessavam os corredores a gritar : - Abram alas para o herdeiro de Slytherin , vai passar um feiticeiro verdadeiramente cruel . Percy discordava totalmente de este comportamento . - Não é um assunto para se brincar - dizia com frieza . - Sai mas é de o caminho , Percy - dizia o Fred . - O Harry está com pressa . - Sim , ele vai a a Câmara_dos_Segredos tomar uma chávena de chá com o seu servidor dentes de serpente - completava Fred com uma gargalhada . Ginny também não lhes achava graça . - Cala te - gritava ela sempre_que o Fred perguntava em voz alta a o Harry quem estava a pensar atacar a seguir , ou quando George fingia afastá o com um enorme dente de alho . Harry não se importava . Fazia o sentir se melhor o facto de constatar que , pelo_menos para o Fred e para o George , a ideia de ele ser o herdeiro de Slytherin era absolutamente ridícula . Mas as palhaçadas de eles pareciam ofender Draco_Malfoy que , de cada_vez que os via , ficava mais irritado . - É porque está ansioso por dizer que é mesmo ele - disse o Ron com ar conhecedor . - Sabes como ele detesta que alguém o ultrapasse e tu estás a receber todo o crédito por o seu trabalho sujo . - Não vai ser por muito_tempo - disse Hermione com uma voz satisfeita . - A poção * polisuco * está quase pronta . Um de estes dias arrancamos lhe a verdade . Finalmente , o período chegou a o seu termo e um silêncio profundo como a neve em os campos desceu sobre o castelo . Harry adorou a tranquilidade e apreciou o facto de ele , Hermione e os Weasley terem a torre de os Gryffindor por sua conta , poderem jogar a as explosões bem alto , sem incomodar ninguém e praticar duelos entre si . O Fred , o George e a Ginny tinham preferido ficar em a escola a ir com Mr. e Mrs._Weasley a o Egipto visitar o Bill . Percy que reprovava e considerava infantil a conduta de eles , não passava muito_tempo em a sala comum de os Gryffindor . Já lhes dissera pomposamente que só ficara ali em o Natal , por ser sua obrigação como prefeito apoiar os professores em aquela época agitada . A manhã de o dia de Natal clareou branca e fria . Harry e Ron , os únicos que estavam em o dormitório , foram acordados muito cedo por Hermione que entrou , toda vestida , transportando presentes para ambos . - Acordem - disse em voz alta , abrindo os cortinados . - Hermione , tu não devias estar aqui - exclamou o Ron , protegendo os olhos de a luz . - Feliz_Natal para ti também - disse Hermione , atirando lhe o presente que tinha para ele . - Estou acordada há quase uma hora , acrescentando mais asas de renda a a poção . Está pronta . Harry sentou se , subitamente acordado . - Tens a certeza ? - Absoluta - disse ela , afastando o rato Scrabbers para se sentar a os pés de a cama de dossel . - Se vamos mesmo tomá a , acho que devia ser logo a a noite . Em esse momentzo , a Hedwig entrou em o quarto , transportando em o bico um embrulho pequenino . - Olá - disse Harry , feliz a o vê a aterrar em a sua cama . - Já me falas outra_vez ? Ela mordiscou lhe a orelha de uma forma afectuosa que foi , de longe , um presente melhor do_que aquele que transportava e que era afinal de os Dursley . Tinham mandado a Harry um palito para os dentes com um cartão pedindo lhe que se informasse se não poderia ficar , também em o Verão , em Hogwarts . Os outros presentes que Harry recebeu foram bastante melhores . Hagrid mandara lhe uma lata grande de bombons de melaço que ele decidiu amolecer a o lume antes de comer , o Ron deu lhe um livro chamado * _ Voando com Canhões * , que narrava factos interessantes sobre a sua equipa favorita de Quidditch e Hermione trouxera lhe uma luxuosa pena de águia . Harry abriu o último presente onde vinha uma camisola novinha , feita a a mão por Mrs._Weasley e um grande bolo de passas . Pegou em o cartão com uma nova sensação de culpa , pensando em o carro de Mr._Weasley que não voltara a ser visto desde_que chocara contra o salgueiro zurzidor e em a quantidade de infracções que ele e o Ron tinham em mente . Ninguém , nem mesmo os que estavam cheios de medo por terem de tomar a poção * polisuco * a seguir , deixou de adorar o jantar de Natal em Hogwarts . O salão nobre estava magnífico . Não_só havia uma_dúzia de árvores de Natal , cobertas de geada e espessas serpentinas de azevinho e visco bravo cruzando se junto de o tecto como caia uma neve encantada quente e seca . Dumbledore conduziu os em uma de as suas canções de Natal preferidas enquanto Hagrid se agitava , falando cada_vez_mais alto , a cada gole de gemada que tomava . O Percy que não dera por_que Fred enfeitiçara o seu distintivo de prefeito , onde agora podia ler se « cabeça de alfinetes « , continuava a perguntar a todos para_onde estavam a olhar . Harry nem_sequer se importou com os comentários que Draco_Malfoy fazia bem alto , de a mesa de os Slytherin acerca de a sua camisola nova . Com alguma sorte , Malfoy iria ser desmascarado dentro_de algumas horas . Harry e Ron mal tinham acabado a terceira dose de pudim de Natal quando Hermione os fez sair de o salão a a pressa para acabarem de tratar de os planos para essa noite . - Ainda precisamos de um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos - disse com o ar mais natural de este mundo como_se estivesse a mandá os a o supermercado comprar detergente . - E , é claro que o ideal será conseguirmos alguma coisa de o Crabbe e de o Goyle , são os melhores amigos de o Malfoy , ele conta lhes tudo . E precisamos também de ter a certeza de que eles não vão entrar em a sala quando vocês estiverem a interrogar o Malfoy . - Eu tenho tudo pensado - prosseguiu ela , ignorando a expressão estupefacta de Harry e Ron . Pegou em dois apetitosos bolos de chocolate . - Pus lhes um encantamento de sono . Vocês só têm de fazer com que o Crabbe e o Goyle os encontrem . Sabem como eles são gulosos , vão logo comê os . Quando estiverem a dormir , tirem lhes alguns cabelos e escondam nos em uma despensa de vassouras . Harry e Ron olharam , incrédulos , um para o outro . -- Hermione , eu não creio que ... -- Isto pode correr muito mal ... Mas Hermione tinha um brilho inflexível em os olhos que não era muito diferente do_que costumavam ver em o olhar de a professora Mc_Gonagall . - A poção não nos serve de nada sem os cabelos de o Crabbe e de o Goyle - disse com firmeza . - Vocês querem mesmo descobrir coisas sobre o Malfoy , não querem ? - Pronto , está bem - disse Harry . - Mas , e tu , vais arranjar cabelos de quem ? - Eu já tenho esse assunto resolvido - disse Hermione sorridente , tirando um frasquinho de o bolso e mostrando lhes um cabelo que lá estava dentro . - Lembram se de a Millicent_Bulstrode que lutou comigo em o clube de os duelos ? Ela deixou isto em o meu manto quando tentava estrangular me . E foi passar o Natal a casa , portanto , basta me dizer a os Slytherins que decidi voltar . Quando Hermione saiu para verificar de_novo a poção polisuco , Ron voltou se para Harry com uma expressão lúgubre . - Alguma vez viste um plano onde tantas coisas pudessem correr mal ? Mas para grande espanto de ambos , a primeira fase de a operação decorreu tão naturalmente como Hermione previra . Eles esconderam se em o * hall * de entrada , depois de o lanche de Natal , a a espera de o Crabbe e de o Goyle que tinham ficado sozinhos a a mesa de os Slytherin , deitando abaixo a quarta dose de bolo inglês . Harry colocou os bolos de chocolate em o fim de o corrimão . Quando avistaram Crabbe e Goyle a sair de o salão , Harry e Ron esconderam se rapidamente atrás_de uma armadura que estava junto de a porta de entrada . - Como_se pode ser tão estúpido ? - murmurou Ron sem se mexer enquanto Crabbe apontava satisfeitíssimo , mostrando a Goyle os bolos e agarrando os . Com um riso estúpido , enfiaram nos inteiros em as bocas enormes . Durante um momento , ambos mastigaram avidamente com olhares vitoriosos em o rosto . Depois , sem que a expressão se alterasse , caíram para trás e estatelaram se em o chão . Mais difícil foi transportá os para a despensa de o outro lado de o * hall * . Uma_vez armazenados em o meio de os baldes e esfregões , Harry arrancou alguns de os pêlos que cobriam a cabeça de o Goyle e Ron tirou alguns cabelos a o Crabbe . Roubaram lhes também os sapatos porque os de eles eram demasiado pequenos para os enormes pés de o Crabbe e de o Goyle . Em seguida , ainda atordoados com o que tinham acabado de fazer , correram até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mal conseguiam ver com o fumo preto e espesso que saía de o cubículo onde Hermione mexia o caldeirão . Tapando o rosto com os mantos , Harry e Ron bateram a o de leve em a porta . - Hermione ? Ouviram o ruído de o trinco e Hermione apareceu com a cara lustrosa e um ar ansioso . Por trás de ela ouviam o gloop gloop de a poção espessa e gorgolejante . Em o banco de a casa_de_banho estavam três copos de vidro . - Conseguiram ? - perguntou Hermione quase sem fôlego . Harry mostrou lhe o cabelo de o Goyle . - _ óptimo . Eu tirei estes mantos suplementares de a lavandaria - disse ela , pegando em uma pequena saca . - Vocês vão precisar de tamanhos maiores se vão ser o Crabbe e o Goyle . Olharam os três para o caldeirão . Vista de perto , a poção parecia uma lama espessa e escura a borbulhar indolentemente . - Tenho a certeza que fiz tudo certo - disse Hermione nervosa , relendo a página manchada de * _ Moste_Potente_Potions * . - Tem o aspecto que o livro diz que deveria ter ... depois de a tomar temos precisamente uma hora antes de nos transformarmos de_novo em as pessoas que somos . - E agora ? - murmurou o Ron . - Separamos a em três copos e adicionamos os cabelos . Hermione encheu cada_um de os copos com uma concha de sopa . Em seguida , retirou com a mão a tremer o cabelo de Millicent_Bulstrode de dentro de o frasquinho e pô o em o primeiro copo . A poção chiou fortemente como uma chaleira a ferver e espumou como louca . Um segundo depois ganhara um tom de amarelo doentio . - Urgh ! Essência_de_Millicent_Bulstrode - disse Ron , olhando com repugnância . - Aposto que o sabor é nojento . - Deitem os vossos - disse Hermione . Harry deixou cair o cabelo de o Goyle em o copo de o meio e Ron lançou o de o Crabbe em o último . Ambos chiaram e espumaram : o de o Goyle ficou de um tom caqui , o de o Crabbe de um castanho-escuro algo tenebroso . - Esperem - pediu Harry quando Ron e Hermione pegaram em os copos . - Será melhor não os tomarmos aqui todos juntos em um cubículo ; quando em os transformarmos não vamos cá caber e Millicent_Bulstrode não é nenhum duende . - Bem pensado - admitiu o Ron , abrindo a porta . - Cada_um em seu cubículo . Com todo o cuidado , para não entornar nem uma gota de a poção polisuco , Harry esgueirou se para o cubículo de o meio . - Prontos ? - perguntou . - Prontos - responderam as vozes de o Ron e de a Hermione . - Um , dois , três . Tapando o nariz , Harry bebeu a poção em dois grandes tragos . Tinha o sabor de a couve demasiado cozida . Os seus interiores começaram imediatamente a contorcer se como_se tivesse engolido serpentes vivas . Dobrado , Harry perguntava a si próprio se iria vomitar . Depois , uma sensação de ardor espalhou se rapidamente de o estômago até a as pontas de os dedos de as mãos e de os pés . Em seguida , fazendo o sobressaltar se , sobreveio o sentimento horrível de estar a derreter enquanto a pele de todo o seu corpo borbulhava como cera quente e , perante os seus olhos , as mãos começaram a crescer , os dedos a engrossar , as unhas a alargar e as articulações a tornarem se protuberantes como ferrolhos . Os ombros retesaram se dolorosamente e uma comichão em a testa preveniu o de que o cabelo estava a rastejar em direcção a as sobrancelhas . As túnicas rasgaram se enquanto o tórax se expandia como um barril , rebentando com os seus anéis . Os pés estavam em grande sofrimento dentro_de sapatos quatro números abaixo . Tão depressa como começara , tudo parou . Harry estava caído em o chão de pedra fria , ouvindo a Murta_Queixosa gorgolejando taciturna em o cubículo de o fundo . Com alguma dificuldade tirou os sapatos e levantou se . Era então assim que o Goyle se sentia ! Com a mão enorme a tremer , despiu a sua túnica que lhe ficava 30 centímetros acima de os tornozelos , pegou em as túnicas suplementares e amarrou os atacadores de os sapatos abotinados de o Goyle . Quis escovar o cabelo para o afastar um_pouco de os olhos e deu apenas com os pêlos hirsutos que lhe cresciam em a testa . Apercebeu se então de que os óculos lhe toldavam a visão porque o Goyle , obviamente , não precisava de eles . Tirou os e gritou . - Vocês estão bem ? - De a sua boca saiu a voz baixa e grossa de o Goyle . - Sim - respondeu lhe o grunhido de o Crabbe , a a sua direita . Harry abriu a porta de o cubículo e dirigiu se a o espelho partido . O Goyle olhava o de o outro lado com os seus olhos parados . Harry coçou a orelha e Goyle fez o mesmo . A porta de o Ron abriu se . Olharam um para o outro . Harry estava pálido e chocado . O amigo não se distinguia de o Crabbe , desde o corte de cabelo em forma de tigela até a os longos braços de gorila . - É inacreditável - disse o Ron , aproximando se de o espelho e beliscando o nariz achatado de o Crabbe . - Inacreditável ! - É melhor irmos indo - disse Harry , alargando a pulseira de o relógio que lhe cortava o pulso . - Ainda temos de descobrir onde fica a sala comum de Slytherin . Só espero que encontremos alguém que vá para lá e que nós possamos seguir . Ron que tinha estado a olhar espantado para ele , comentou : - Não imaginas como é bizarro ver o Goyle a pensar - bateu em a porta de Hermione . - Vamos , temos que ir ... Respondeu lhe uma voz aguda : - Eu ... eu acho que afinal não vou . Vão vocês sem mim . - Hermione , nós sabemos que a Millicent_Bulstrode é feia , ninguém vai pensar que és tu . - Não , a sério , acho que não vou . Despachem se vocês os dois , estão a perder tempo . Harry olhou para Ron , baralhado . - Aquilo parece mais de o Goyle , é como ele fica sempre_que algum professor lhe faz uma pergunta . - Estás bem , Hermione ? - perguntou Harry , através de a porta . - _ óptima , estou óptima , vão se embora . Harry olhou para o relógio . Cinco preciosos minutos tinham já passado . - Encontramo nos aqui , está bem ? - disse . Os dois abriram a porta de a casa_de_banho com todo o cuidado , viram se o caminho estava livre e saíram . - Não balances assim os braços - disse o Harry a o Ron . - Hein ? - O Crabbe anda sempre com eles esticados . - Assim ? - Isso , assim está melhor . Desceram a escadaria de mármore . Só precisavam agora de um Slytherin que pudessem seguir até a a sala comum , mas não havia ninguém por perto . - Tens alguma ideia ? - perguntou Harry em um murmúrio . - Os Slytherin vêm sempre de ali para o pequeno-almoço - disse o Ron , apontando para a entrada de os calabouços . Mal tinha pronunciado estas palavras quando uma rapariga de cabelo comprido a os caracóis , apareceu . - Desculpa - disse o Ron , sem perder tempo . - Esquecemo nos de o caminho para a nossa sala comum . - Como ? - disse a rapariga com a maior frieza . - A * nossa * sala comum ? Eu sou uma Ravenclaw . Afastou se , olhando para eles , desconfiada . Harry e Ron desceram apressadamente os degraus de pedra até a a escuridão . Os passos ecoavam em o silêncio , à_medida_que os pés enormes de Crabbe e Goyle tocavam em o chão , fazendo os sentir que as coisas não iam ser tão fáceis como eles desejavam . Os corredores labirínticos estavam desertos . Andaram e tornaram a andar por os subterrâneos , olhando constantemente para os relógios para ver quanto tempo ainda lhes restava . Depois de um quarto de hora , quando começavam a ficar desesperados , ouviram um movimento súbito . - Olha - disse o Ron , agitadamente . - Agora é um de eles . A silhueta saía de uma sala , mas quando se aproximaram o coração de ambos esmoreceu . Não era um Slytherin , era Percy . - O que estás a fazer aqui em baixo ? - perguntou o Ron surpreendido . - Isso - disse ele friamente - não é de a tua conta . És o Crabbe , não és ? - Er ... sim , sim - respondeu o Ron . - Então vão para o vosso dormitório - ordenou Percy com firmeza . - Não é seguro andar a passear por os corredores escuros em os dias que correm . - Tu andas -- fez notar o Ron . - Eu - disse o Percy endireitando se - sou um prefeito . Nada vai atacar me . Ouviu se , de repente , uma voz por_detrás_de Harry e Ron . Era_Draco_Malfoy e , pela_primeira_vez em a vida , Harry ficou satisfeito a o vê o . - Aí estão vocês - disse de modo arrastado , olhando para eles . - Têm estado a chafurdar em o salão este tempo todo ? Tenho andado a a vossa procura , quero mostrar vos uma coisa muito divertida . Malfoy olhou misteriosamente para Percy . - E o que fazes tu aqui , Weasley ? - perguntou com ar de desprezo . Percy olhou , sentindo se ultrajado . - Fazes favor de mostrar um_pouco mais de respeito por um prefeito de a escola - disse . - Não gosto de o teu ar . Malfoy riu se e fez sinal a o Harry e a o Ron para que o seguissem . Harry quase ia pedindo desculpa a o Percy , mas deu se conta a tempo . Apressaram se a seguir o Malfoy que disse , mal viraram em o corredor seguinte : - Aquele Peter_Weasley ... - O Percy - corrigiu Ron automaticamente . - Ou isso - continuou Malfoy . - Ultimamente tenho o visto muitas_vezes a andar por aí sorrateiramente e aposto que sei o que ele quer . Pensa que vai apanhar o herdeiro de Slytherin sozinho . Deu uma pequena gargalhada ridícula . Harry e Ron trocaram olhares nervosos . Malfoy parou junto de uma parede de pedra húmida . - Qual é a senha ? - perguntou a o Harry . - Er ... - Ah ! sim , sangue puro - disse Malfoy sem ouvir e uma porta de pedra , oculta em a parede , abriu se . Malfoy entrou e Harry e Ron seguiram o . A sala comum de os Slytherin era uma ampla divisão subterrânea com espessas paredes de pedra e um tecto de o qual estavam pendurados por correntes vários candeeiros redondos que davam uma luz esverdeada . O fogo crepitava em uma lareira elaboradamente esculpida em frente de a qual se viam as silhuetas de vários Slytherins sentados em cadeiras igualmente esculpidas . - Esperem aí - disse Malfoy a o Harry e a o Ron , encaminhando os para um par de cadeiras vazias , longe de o lume . - Eu vou buscar o que o meu pai acaba de me mandar . Sem saber o que Malfoy iria mostrar lhes , Harry e Ron sentaram se , fazendo todos os possíveis por parecer a a vontade . Malfoy voltou um minuto depois , trazendo em a mão o que parecia ser um recorte de jornal . Pô o debaixo de o nariz de o Ron . - Vais te rir - disse . Harry viu os olhos de o Ron abrirem se como_se estivesse em estado de choque . Viu o ler o recorte rapidamente , dar uma gargalhada forçada e estender lhe o em seguida . Tinha sido retirado de o * _ Profeta_Diário * e dizia : inquérito em o ministério de a magia * _ Arthur_Weasley , chefe de o Gabinete_de_Mau_Uso_dos_Utensílios_dos_Muggles foi hoje multado em cinquenta galeões por ter enfeitiçado um carro de os Muggles . * _ O senhor Lucius_Malfoy , Membro_do_Conselho_Directivo_da_Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts , onde o carro enfeitiçado foi chocar em o princípio de este ano , exigiu hoje a demissão de Mr._Weasley . « * _ O_Weasley trouxe o descrédito a o Ministério « - declarou Mr._Malfoy a o nosso repórter . - « É claramente incompetente para fazer cumprir as leis e a sua protecção ridícula de os Muggles deveria ir imediatamente para a sucata . » * _ Mr._Weasley recusou se a fazer comentários , mas a sua mulher disse a os repórteres que desaparecessem de ali ou lançaria contra eles o vampiro de a família * . - Então - disse Malfoy impaciente quando Harry voltou a entregar lhe o recorte . - Não achas o_máximo ? - Ha , ha - fez Harry tristemente . - O Arthur_Weasley gosta tanto de os Muggles que era capaz de partir a sua varinha a o meio para se juntar a eles - disse Malfoy com desprezo . - Ninguém diria que os Weasley eram sangue puro a avaliar por o modo como_se comportam . A cara de o Ron , ou melhor , de o Crabbe , contorceu se de raiva . - O que é_que se passa ? - perguntou Malfoy . - Dores de estômago - gemeu o Ron . - Então vai a a ala hospitalar e dá a todos aqueles sangues de lama um pontapé de a minha parte - disse Malfoy com o seu riso escarninho . - Sabes que estou espantado por o * _ Profeta_Diário * ainda não se ter referido a todos estes ataques - continuou pensativamente . - Calculo que o Dumbledore deve estar a tentar abafar as coisas . Ele ainda é posto em a rua se isto não acaba depressa . O pai sempre disse que Dumbledore foi a pior coisa que aqui veio parar . Ele adora os filhos de os Muggles , um director decente nunca deixaria um lodo como o Creevey entrar em esta escola . Malfoy começou a fingir que tirava fotografias com uma máquina imaginária e fez uma imitação maldosa , mas bastante fiel de o Colin : - Potter , posso tirar te a fotografia ? Dás me um autógrafo ? Posso lamber te os sapatos , por favor , Potter ? Baixou as mãos e olhou para Harry e Ron . - O que é_que se passa com vocês os dois ? Um_pouco atrasados , Harry e Ron forçaram o riso e Malfoy pareceu satisfeito . Talvez Crabbe e Goyle fossem sempre de reacção lenta . - O santo Potter , amigo de os sangues de lama - disse Malfoy . - É outro que não tem os sentimentos de um feiticeiro a sério ou não andaria por aí com aquela empertigada sangue de lama Granger . E as pessoas a pensarem que ele é o herdeiro de Slytherin . Harry e Ron esperaram com a respiração entrecortada : o Malfoy ia certamente dizer lhes , dentro_de segundos , que era ele , mas então ... - Quem me dera saber quem ele é - disse o Malfoy , de forma petulante . - Podia ajudá o . O queixo de o Ron caiu de tal maneira que a cara de o Crabbe ficou ainda mais desajeitada do_que era habitual . Felizmente Malfoy não deu por nada e Harry , em um pensamento rápido , disse : - Deves ter alguma ideia de quem está por_detrás_de tudo ... - Sabes perfeitamente que não tenho , Goyle , quantas vezes é preciso dizer te ? - cortou Malfoy . - E o pai também não me diz nada sobre a última vez que a câmara foi aberta . É claro que foi há cinquenta anos , antes de ele cá andar , mas o pai sabe tudo a esse respeito e diz que as coisas foram mantidas em grande segredo e que pareceria suspeito se eu soubesse demasiado . Mas há uma coisa que eu sei : de a última vez que a câmara foi aberta , morreu um sangue de lama . Por isso , aposto que é uma questão de tempo até que um de eles seja morto . Só espero que seja a Granger - disse satisfeito . Ron fechara os punhos gigantescos de o Crabbe . Sentindo que deitaria tudo a perder se ele desse um soco a o Malfoy , Harry lançou lhe um olhar de aviso e disse : - Sabes se a pessoa que abriu a câmara de a última vez foi apanhada ? - Ah ! sim , essa pessoa foi expulsa - disse Malfoy . - Ainda deve estar em Azkaban . - Azkaban ? - repetiu Harry confuso . - Azkaban , a prisão de os feiticeiros , Goyle - disse Malfoy , olhando para ele incrédulo . - Francamente , se fosses mais lento andavas para trás . Esticou se intranquilo , em a cadeira e disse : - O pai diz para eu esfriar a cabeça e deixar que o herdeiro de Slytherin faça o seu trabalho . Acha que a escola precisa de se livrar de a escória de os sangues de lama , mas não quer que eu me envolva em nada . Claro que ele agora tem um prato cheio . Sabes que o Ministério de a magia fez uma busca a a nossa mansão em a semana passada ? Harry tentou forçar a cara de bronco de o Goyle a uma expressão preocupada . - Sim - continuou Malfoy . - É claro que não encontraram grande coisa . O pai guarda uns materiais de magia negra muito valiosos , mas , felizmente , temos a nossa câmara secreta debaixo de o soalho de a sala de visitas ... - Ah ! - disse o Ron . Malfoy olhou para ele . Harry também . Ron corou e até o cabelo começou a ficar vermelho . O nariz estava também a diminuir lentamente ... a hora tinha acabado . Ron estava a voltar a a sua forma habitual e por o olhar de horror que lançou a Harry certamente ele também estava . Puseram se rapidamente de pé . - Tenho de tomar o remédio para o estômago - grunhiu o Ron e sem mais explicações saíram ambos a correr de a sala comum de os Slytherin , precipitaram se para a parede de pedra e galgaram a passagem , pedindo a todos os santos que Malfoy não tivesse dado por nada . Harry sentia os pés a nadarem em os sapatos enormes de o Goyle e tinha de levantar o manto visto_que diminuíra de tamanho . Subiram os degraus a correr até a o * hall * escuro de entrada onde se ouvia um som abafado que vinha de a despensa onde tinham fechado o Crabbe e o Goyle . Deixando os sapatorros de os dois de o lado de_fora , subiram já com os respectivos sapatos a escadaria de mármore até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Bem , não foi uma total perda de tempo - disse o Ron ofegante , fechando atrás_de si a porta de a casa_de_banho . - É certo que ainda não descobrimos de quem vêm os ataques , mas vou escrever a o meu pai amanhã a dizer lhe que procure debaixo de o soalho de a sala de visitas de o Malfoy . Harry olhou para o espelho partido . Tinha voltado a o normal . Pôs os óculos enquanto Ron batia em a porta de o cubículo de Hermione . - Hermione , sai de aí , temos um monte de coisas para te contar ... - Vão se embora - guinchou Hermione . Harry e Ron olharam um para o outro . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron . - Tu já deves ter voltado a o normal como nós ... Mas a Murta_Queixosa saiu subitamente através de a porta de o cubículo com um ar divertido como nunca a tinham visto . - Oh ! Esperem até ver - disse ela . - É horrível ! Ouviram o trinco de a porta a abrir se e Hermione apareceu a soluçar , a túnica levantada a cobrir lhe o rosto . - O que foi ? - perguntou o Ron indistintamente . - Ainda tens o nariz de a Millicent ou alguma coisa assim ? Hermione deixou cair a roupa e Ron recuou rapidamente . O rosto de ela estava coberto de pêlo preto , os olhos tinham ganho uma cor amarela e as orelhas eram pontiagudas , saindo espetadas para fora de os cabelos . - Era um pêlo de g-gato - disse a chorar . - A Millicent_Bulstrode d-deve ter um gato e a poção não está preparada para transformação em animais . - Oh-oh - disse o Ron . - Vão te gozar horrivelmente - disse a Murta , felicíssima . - Não te preocupes , Hermione - tranquilizou a rapidamente o Harry . - Vamos levar te para a ala hospitalar , a Madam_Pomfrey nunca faz muitas perguntas ... Não foi fácil convencer Hermione a sair de a casa_de_banho . A Murta_Queixosa despediu se com uma gargalhadavigorosa e grosseira . - Espera até todos descobrirem que tens uma cauda ! XIII_O diário muito secreto Hermione ficou em a ala hospitalar durante várias semanas . Houve uma onda de boatos sobre o seu desaparecimento quando o resto de os alunos voltou de as férias de Natal porque , é claro , todos pensam que ela tinha sido atacada . Foram tantos os estudantes a rondar a ala hospitalar para espreitar a ver se a viam que Madam_Pomfrey desceu de_novo as cortinas de a cama de ela para a poupar a a vergonha de ser vista com pêlo em a cara . Harry e Ron iam visitá a todas_as tardes . Quando o segundo período começou passaram a levar lhe diariamente os trabalhos de casa . - Se eu tivesse o bigode a crescer , tinha uma folga de o trabalho - disse uma tarde o Ron enquanto colocava uma pilha de livros a a cabeceira de a cama de Hermione . - Não sejas parvo , Ron , eu tenho de me manter a par de as coisas - disse Hermione com vivacidade . O humor de ela melhorara bastante com o facto de lhe ter desaparecido todo o pêlo de o rosto e de os olhos estarem lentamente a retomar a cor castanha . - Calculo que não tenham novas pistas ? - disse em um murmúrio para evitar que Madam_Pomfrey os ouvisse . - Nada - disse Harry tristemente . - Eu tinha tanta certeza de que era o Malfoy - repetiu o Ron por a centésima vez . - O que é isso ? - perguntou Harry , apontando para uma coisa com brilho dourado que estava debaixo de a almofada de Hermione . - É só um cartão a desejar boas melhoras - disse ela precipitadamente , tentando escondê o , mas o Ron foi mais rápido . Pegou lhe , abriu o e leu em voz alta : * _ Para_Miss_Granger , desejando lhe uma rápida recuperação , com o interesse e estima de o professor Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , Terceiro grau , Membro_Honorário_da_Liga_de_Defesa contra as Artes_Negras e vencedor por cinco vezes de o prémio O sorriso mais charmoso de a semana de o Semanário_das_Bruxas * . Ron olhou desconsolado para Hermione . - Tu dormes com isto debaixo de a almofada ? Mas Hermione foi poupada a ter de responder por a entrada de Madam_Pomfrey que lhe trazia a dose de medicamento de a tarde . - Achas que o Lockhart é o tipo mais esperto que conheceste ? - perguntou o Ron a o Harry quando saíram de a enfermaria e começavam a subir as escadas para a torre de os Gryffindor . O Snape tinha lhes passado tanto trabalho para_casa que Harry pensou que ia chegar a o sexto ano antes de o ter acabado . Ron vinha a dizer que devia ter perguntado a a Hermione quantas caudas de rato deveria juntar se a uma poção para o crescimento de o cabelo quando um grito de raiva vindo de o andar de cima lhes chegou a os ouvidos . - É o Filch - murmurou Harry enquanto subiam apressadamente as escadas e paravam para ouvir melhor . - Terá mais alguém sido atacado ? - disse nervosamente o Ron . Ficaram parados com as cabeças inclinadas para a voz de o Filch que parecia quase histérica . -- ... * _ Ainda mais trabalho para mim . Toda_a noite a esfregar como_se não tivesse já trabalho de sobra . Não , isto foi a gota de água que fez transbordar o copo , vou falar com Dumbledore * ... Os passos afastaram se e ouviram uma porta fechar se com grande estrondo . Puseram as cabeças fora de a esquina . O Filch tinha obviamente estado a patrulhar o seu habitual posto de vigia : estavam novamente em o lugar onde Mrs._Norris fora atacada . Perceberam imediatamente qual o motivo de os gritos . Uma enorme poça de água enchia metade de o corredor e parecia escorrer de a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Agora_que o Filch se calara podiam ouvir os uivos de a Murta que faziam eco em as paredes de a casa_de_banho . - Mas o que se passará com ela ? - disse o Ron . - Vamos lá ver - sugeriu Harry e arregaçando as túnicas até a os tornozelos entraram , atravessando a enorme poça de água , em a casa_de_banho que tinha o letreiro a dizer « Fora de serviço » e que eles , como sempre , ignoraram . A Murta_Queixosa chorava , se possível , mais alto do_que nunca . Parecia estar escondida em o cubículo de o costume . Lá dentro estava escuro pois as velas tinham se apagado com a enchente de água que deixara as paredes e o chão ensopado . - O que se passa , Murta ? - quis saber o Harry . - Quem é ? - perguntou ela infelicíssima . - Vieste atirar me mais alguma coisa acima ? Harry caminhou com dificuldade por causa de a água até a o cubículo de ela e disse : - Porque te faríamos nós uma coisa de essas ? - Não me perguntem - gritou a Murta , emergindo em uma onda de água que molhou ainda mais o chão já ensopado . - Eu estou aqui metida em a minha morte e alguém acha muito engraçado atirar me com um caderno acima ... - Mas , não pode magoar te se alguém te atirar alguma coisa acima - disse Harry , tentando ser prático . - Isto_é , seja o que for passa através_de ti , não é assim ? Tinha dito a frase errada . A Murta encheu o peito de ar e gritou a plenos pulmões : - Vamos todos atirar cadernos a a Murta já_que ela não sente nada ! Dez pontos se lhe acertarem em o estômago , cinquenta se lhe atravessar a cabeça ! Hah hah hah , que jogo lindo , não acham ? - Quem te atirou um caderno , afinal ? - perguntou o Harry . - Não sei ... eu estava sentada em a sanita a pensar em a morte e caiu me em cima de a cabeça - disse a Murta , olhando para eles . - Está ali , ficou todo molhado . Harry e Ron olharam para o ponto que a Murta lhes apontava debaixo de o lavatório . Um caderno pequenino e fino estava caído em o chão . Tinha uma capa preta muito gasta e estava encharcado como tudo em aquela casa_de_banho . Harry deu um passo em frente para o apanhar , mas o Ron agarrou lhe precipitadamente o braço . - O que foi ? - perguntou Harry . - Estás doido - disse ele . - Pode ser perigoso . - Perigoso ? - riu se Harry . - Essa agora Ron , como é_que pode ser perigoso ? - Ficarias surpreendido ... - explicou ele , olhando com ar apreensivo para o caderno . - Entre os livros que o Ministério confiscou , contou me o meu pai , havia um que queimava os olhos a as pessoas . E todos os que leram os * _ Sonetos_de_Um_Feiticeiro * ficaram a falar em verso para o resto de a vida . Havia também uma bruxa em Bath que tinha um livro que quem o lesse nunca mais conseguia parar , tinha de andar por aí com o nariz enfiado em as folhas , a fazer todas_as coisas só com uma mão e ... - Já chega , já chega , já percebi a tua ideia - disse O_Harry . O caderninho continuava caído e ensopado . - Bem , nunca saberemos a_não_ser_que tenhamos a coragem de dar uma vista de olhos - disse e mergulhou apanhando o de o chão . Harry viu imediatamente que se tratava de um diário e a data meio apagada , em a capa , disse lhe que tinha cinquenta anos de idade . Abriu o ansiosamente . Em a primeira página podia ler se apenas o nome T._M._Riddle em tinta esborratada . - Espera aí - disse o Ron que se aproximara prudentemente e olhava por cima de o ombro de Harry . - Eu conheço esse nome ... T._M._Riddle recebeu um prémio por serviços especiais prestados a a escola há cinquenta anos atrás . - Como diabo sabes tu isso ? - perguntou Harry com grande espanto . - Porque o Filch mandou me limpar a taça de ele umas cinquenta vezes quando estive de castigo - disse o Ron ressentido . - Foi a taça em cima de a qual eu vomitei lesmas . Se tivesses tido que limpar o muco de um nome durante uma hora também te lembrarias . Harry separou umas de as outras as páginas molhadas . Estavam completamente em branco . Não havia o mais leve sinal de escrita em nenhuma , nem coisas como « Aniversário de a tia Mabel « ou « Dentista a as três_e_meia » . - Ele nunca escreveu nada aqui - disse Harry desapontado . - Porque quereria alguém atirá o fora ? - perguntou se o Ron com curiosidade . Harry voltou o caderno e viu , inscrito em a contra capa , o nome de uma tabacaria em Vauxhall_Road , Londres . - Ele devia ser filho de Muggle - disse Harry pensativo - para ter comprado um diário em Vauxhall_Road ... - Bem , não te serve de muito - Ron baixou a voz . - Cinquenta pontos se acertares em o nariz de a Murta . Harry , mesmo_assim , guardou o diário . Hermione saiu de a ala hospitalar desbigodada , sem cauda e sem pêlo em os primeiros dias de Fevereiro . Em a primeira noite em a torre de os Gryffindor , Harry mostrou lhe o diário de T._M._Riddle e contou lhe como o tinham encontrado . - Ooooh ! Deve ter poderes ocultos - disse ela entusiasticamente , pegando em o diário e examinando o de perto . - Se tem , esconde os muito bem - disse Ron . - Talvez fosse tímido . Não sei porque não deitas isso fora , Harry . - Gostava de perceber porque motivo alguém se quis livrar de ele - explicou Harry . - E também não me importava de saber como foi que o Riddle obteve esse prémio de serviços especiais prestados a Hogwarts . - Pode ter sido qualquer coisa - lançou o Ron . - Talvez tenha recebido 30 de nota final ou salvo um professor de a lula gigante . Se_calhar assassinou a Murta , isso teria sido um favor prestado a todos ... Mas Harry quase podia jurar , por o olhar suspenso em a cara de Hermione , que ela pensava o mesmo_que ele . - O que foi ? - perguntou Ron , olhando para um e para o outro . - Bem , a Câmara_dos_Segredos foi aberta há cinquenta anos , não foi isso que disse o Malfoy ? - Sim - respondeu Ron , lentamente . - E este diário tem cinquenta anos de idade - completou Hermione , dando lhe palmadinhas nervosas . - E de aí ? - Oh Ron , acorda - insistiu Hermione . - Sabemos que a pessoa que abriu a câmara de a outra_vez foi expulsa há cinquenta anos . E se o Riddle tivesse tido o prémio especial por apanhar o herdeiro de Slytherin ? O seu diário diria nos provavelmente tudo : onde é a Câmara_dos_Segredos , como abris a e que tipo de criatura vive lá . Achas que a pessoa que está por trás de os ataques desta_vez quereria o diário por aí ? - É uma teoria interessante , Hermione - disse o Ron . - Apenas com uma pequenina falha : o diário não tem nada Mas_Hermione já estava a tirar a varinha de o saco . - Pode ser tinta invisível - murmurou . Bateu três vezes em o diário e repetiu * _ Aparecium ! * Nada aconteceu . Intrépida , Hermione meteu a mão de_novo em o saco e tirou o que parecia ser uma borracha vermelha e brilhante . - É um * revelador * , comprei o em a Diagon - _ Al - disse . Apagou com força em 1_de_Janeiro . Não sucedeu nada . - Já vos disse , não há nada aí - repetiu o Ron . - O Riddle deve ter recebido um diário como prenda de Natal e nem se deu a o trabalho de escrever fosse o que fosse . Harry não conseguia explicar , nem a si próprio , porque motivo não deitara fora o diário de Riddle . A verdade é_que , mesmo depois de saber que ele estava em branco , continuou distraidamente a pegar lhe e a virar as páginas como_se quisesse chegar a o fim de uma história . E , apesar_de saber que nunca tinha ouvido o nome T._M._Riddle , continuava a ter a sensação de que lhe dizia alguma coisa , como_se Riddle fosse um amigo que ele tinha tido quando era muito pequeno e que estivesse meio esquecido . Mas era um absurdo . Nunca tivera amigos antes de Hogwarts , Dudley tivera esse cuidado . Ainda_assim , Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle , por isso em o dia seguinte foi até a a sala de os troféus para examinar a taça , acompanhado de Hermione que estava interessadíssima e de Ron que se mostrava profundamente incrédulo , dizendo que tinha ficado farto de aquela sala até a o fim de a vida . A taça dourada de Riddle estava arrecadada em um armário de canto . Não fornecia detalhes sobre o motivo por_que lhe fora dada ( felizmente , se fosse maior ainda hoje estava a limpá a , disse o Ron ) . Mas encontraram o nome de Riddle em uma antiga medalha de Mérito_Mágico e em uma lista de antigos chefes de turma . - Parece o Percy - comentou Ron , torcendo o nariz com aversão . - Prefeito , chefe de turma , provavelmente o melhor em todas_as disciplinas . - Dizes isso como_se fosse uma coisa má - fez lhe notar Hermione , em um tom de voz ressentido . Um sol fraco brilhava agora de_novo em Hogwarts . Dentro de o castelo , o ambiente estava bastante melhor . Não tinha havido novos ataques desde Justin e Nick quase sem cabeça e Madam_Pomfrey teve a satisfação de informar que as Mandrágoras começavam a ficar instáveis e dissimuladas , sinal de que estavam a abandonar rapidamente a infância . - Logo_que o acne desapareça estarão prontas para novo transplante - ouviu a Harry dizer amavelmente a o Filch . - E depois de isso , não demorará muito até podermos cortá as e estufá as . - Vai ter Mrs._Norris de volta , muito em_breve . Talvez o herdeiro ou herdeira de Slytherin tenha perdido a coragem , pensou Harry . Deve ser cada_vez_mais arriscado abrir a Câmara_dos_Segredos com a escola tão alerta e desconfiada . Talvez o monstro , qualquer_que_fosse , estivesse a preparar se para hibernar durante outros cinquenta anos . Ernie_Mcmillan_dos_Hufilepuff não aceitou esta visão optimista . Continuava convencido de que Harry era o culpado , que se tinha traído em o clube de os duelos . Peeves não ajudava nada : continuava a cantar por os corredores Potter , * seu bandido * ... agora acompanhado de um esquema de dança . Gilderoy_Lockhart parecia pensar que fora ele quem pusera fim a os ataques . Harry fartou se de o ouvir dizer isso a a professora Mc_Gonagall enquanto os Gryffindor formavam bicha para a aula de Transfiguração . - Não creio que volte a haver problemas , Minerva - disse , tocando em o nariz com ar conhecedor e piscando o olho . - Acho que desta_vez a câmara foi definitivamente selada . O culpado deve ter sabido que era uma questão de tempo até eu o apanhar e que era mais sensato parar agora antes que eu lhe tratasse de a saúde . Sabe , a escola está a precisar de um intensificador de animo para apagar as lembranças de o último período . Não vou dizer lhe mais_nada , por enquanto , mas julgo que sei o que ... Voltou a tocar em o nariz e afastou se a passos largos . A ideia de Lockhart de um intensificador de ânimo ficou bastante clara em o dia_14_de_Fevereiro , a o pequeno-almoço . Harry não dormira grande coisa devido a o treino de Quidditch em a noite anterior e chegou a o salão um_pouco atrasado . Pensou , por momentos , que se tinha enganado em a porta . As paredes estavam todas cobertas com enormes e medonhas flores cor-de-rosa . Pior ainda , * confettis * em forma de corações caíam de o tecto azul pálido . Harry dirigiu se a a mesa de os Gryffindor onde o Ron estava sentado com um ar enjoado junto de Hermione que parecia particularmente risonha . - O que se passa ? - perguntou lhes , sentando se e sacudindo os * confettis * de o seu bacon . Ron apontou para a mesa de os professores , com um ar demasiado repugnado para falar . Lockhart , em as suas vestes rosa vivo , a condizer com a decoração de o salão , fazia sinal para que se calassem . Os professores que o ladeavam tinham um ar estupefacto . De o seu lugar , Harry podia ver um músculo mover se em a bochecha de a professora Mc_Gonagall . Snape estava com ar de quem tomou uma imensa dose de xarope * skele-gro * . - Feliz dia de S._Valentim - gritou Lockhart . - E permitam me que agradeça a as quarenta_e_seis pessoas que até agora me enviaram cartões . Sim , fui eu quem tomou a liberdade de vos fazer esta pequena surpresa , e ela não acaba aqui ! Lockhart bateu as palmas e por as portas de o * hall * entraram a marchar cerca de uma_dúzia de duendes de aspecto carrancudo . Não eram uns duendes quaisquer , diga se de passagem . Lockhart fizera os usar asas douradas e transportar harpas . - Os meus amigos cupidos , portadores de os cartões ! gritou Lockhart . - Eles vão andar por a escola durante o dia de hoje , entregando os vossos cartões de S._Valentim . E o divertimento não acaba aqui . Tenho a certeza de que os meus colegas vão querer participar em este espírito de festa . Porque não pedir a o professor Snape que vos mostre como preparar rapidamente uma poção de amor . E , enquanto ele a prepara , está aqui o professor Flitwick que é de todos os feiticeiros que conheci aquele que mais sabe de encantamentos de sedução , o grande safado ! O professor Flitwick enterrou o rosto em as mãos . Snape olhava como_se quisesse dar veneno a a primeira pessoa que fosse pedir lhe a poção de o amor . - Por favor , Hermione , diz me que não foste uma de as quarenta_e_seis - pediu Ron quando saíram de o salão para a primeira aula . Mas Hermione ficou subitamente muito interessada em procurar o horário dentro de a mala e não lhe respondeu . Durante todo o dia os duendes não pararam de se intrometer em as aulas para entregar cartões , para grande aborrecimento de os professores e , ao_fim_da_tarde , quando os Gryffindor subiam as escadas para a aula de encantamentos , um de eles avistou o Harry . - Hei , tu , Harry_Potter ! - gritou um duende de aspecto particularmente lúgubre , dando cotoveladas a_toda_a gente para se aproximar de o Harry . Coradíssimo com a ideia de receber um cartão de S._Valentim diante_de uma fila de alunos de o primeiro ano que , por acaso , incluía Ginny_Weasley , Harry tentou escapar se . Mas o duende cortou lhe o caminho através de a multidão e agarrou o em três tempos . - Tenho uma mensagem musical para entregar a Harry_Potter em pessoa - disse , tangendo a harpa de forma ameaçadora . - Aqui não - disse baixinho o Harry , tentando escapar . - Fica quieto - grunhiu o duende , agarrando o saco de o Harry e puxando com força . - Larga me - disse ele rispidamente , dando um puxão . Com um ruído de tecido a rasgar se , o saco dividiu se em dois . Os livros de Harry , varinha , pergaminho e pena espalharam se por o chão enquanto o tinteiro se partia em cima de as outras coisas . Harry pôs se de gatas , tentando apanhar tudo antes que o duende começasse a cantar , provocando um engarrafamento em o corredor . - O que se passa aqui ? - perguntou a voz fria e afectada de Draco_Malfoy . Harry , nervosíssimo , começou a guardar tudo dentro de o saco rasgado , desesperado para sair de ali antes que Malfoy pudesse ouvir o seu S._Valentim musical . - Que confusão é esta ? - disse outra voz familiar . Percy_Weasley tinha chegado . De cabeça perdida , Harry tentou fugir , mas o duende agarrou o por os joelhos e fê lo cair a o chão . - Certo - disse , sentando se em os tornozelos de Harry . Eis o teu cartão musical : * _ Os olhos de ele são verdes como o sapo de o quintal * _ O seu cabelo é escuro como um temporal * _ É um desatino , oh ! ele é divino ! * _ O herói que venceu o Senhor_do_Mal * . Harry teria dado todo o ouro de Gringotts para se evaporar em aquele momento . Tentando corajosamente rir se com todos os outros , levantou se . Sentia os pés dormentes de o peso de o duende . Enquanto isso , Percy_Weasley fazia todos os possíveis por dispersar a multidão onde havia gente que chorava de hilaridade . - Vamos embora , vamos embora , a campainha tocou há cinco minutos para as aulas - dizia , enxotando alguns de os alunos mais novos . - E tu , Malfoy . Harry olhou e viu Malfoy inclinar se , apanhar qualquer coisa e com um olhar maldoso mostrá a a Crabbe e Goyle . Percebeu que era o diário de Riddle . - Dá cá isso - exigiu com toda_a calma . - O que será que o Potter escreveu aqui ? - disse Malfoy que obviamente não reparara em a data e pensou que tinha em as mãos o diário de o Harry . Houve uma agitação em os presentes . Ginny olhava apavorada para o diário e para Harry . - Dá lhe isso , Malfoy - disse Percy com firmeza . - Depois de dar uma vista de olhos - retorquiu Malfoy , acenando a Harry com o diário de forma provocatória . Percy disse : - Como Prefeito de a escola ... - mas Harry perdera a paciência . Pegou em a varinha e gritou * _ Expelliarmus * e assim_como Snape desarmara Lockhart , MalLoy viu o diário saltar lhe de as mãos e elevar se em o ar enquanto Ron o apanhava sorridente . - Harry - disse Percy levantando a voz . - Não quero magia em os corredores . Vou ter de participar isto , sabes perfeitamente . Mas Harry não se importou . Tinha ganho uma_vez a Malfoy e isso valia bem cinco pontos a menos para os Gryffindor . Malfoy estava furioso e quando a Ginny passou por ele a caminho de a sala de aula , gritou lhe com desprezo : - Não creio que o Potter tenha gostado lá muito de o teu cartão de S._Valentim . Ginny tapou a cara e correu para a aula . Aborrecido , Ron pegou também em a varinha , mas Harry afastou o . Era melhor que ele não passasse a aula de encantamentos a vomitar lesmas . Só quando entraram em a sala de aula de o professor Flitwick é_que Harry reparou em uma coisa bastante estranha em o diário de Riddle . Todos os outros livros estavam cheios de tinta vermelha , mas o diário mantinha se tão limpo como antes de o tinteiro se ter entornado em cima de ele . Tentou chamar a atenção de Ron para este facto , mas ele estava novamente a ter um problema com a varinha : de a extremidade saíam grandes bolhas roxas e ele não parecia interessado em mais_nada . Em essa noite , Harry foi deitar se antes de os outros companheiros de dormitório , em parte porque já não conseguia suportar o Fred e o George a cantarem * _ Os seus olhos são verdes como o sapo de o quintal * e em parte porque queria voltar a examinar o diário de Riddle e sabia que em a opinião de o Ron era uma pura perda de tempo . Sentou se em a cama de dossel e folheou as páginas em branco em as quais não se via uma única mancha de tinta escarlate . Tirou então outro tinteiro de o armário a o lado de a cama , molhou a pena e deixou cair um borrão em a primeira página de o diário . A tinta brilhou em o papel durante um segundo e , em seguida , como_se a página a tivesse sugado , desapareceu sem deixar rasto . Depois , finalmente , algo aconteceu . Deslizando sobre a página em a cor de a sua tinta , surgiram palavras que Harry não escrevera . - * _ Olá_Harry_Potter . O meu nome é Tom_Riddle . Como é_que encontraste o meu diário ? * Também estas palavras desapareceram , mas não sem que Harry tivesse respondido . - Alguém tentou lançá o em uma sanita . Esperou ansiosamente por a resposta de Riddle . - * _ Felizmente guardei as minhas memórias de uma forma mais duradoura do_que a tinta . Mas sempre soube que haveria quem não iria querer que o diário fosse lido . * - O que queres dizer com isso ? - escrevinhou Harry , borrando a página com o nervosismo . - * _ Quero dizer que este diário contém memórias de coisas terríveis . Coisas que foram abafadas . Coisas que aconteceram em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . * - É onde eu estou agora - escreveu Harry rapidamente . - Estou em Hogwarts e estão a acontecer coisas horríveis . Sabes alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? O coração parecia querer saltar lhe de o peito . A resposta de Riddle não se fez esperar , a letra tornara se mais desordenada como_se tivesse pressa em contar lhe tudo_o_que sabia . - * _ É claro que sei de a Câmara_dos_Segredos . Em o meu tempo diziam nos que era uma lenda , que não existia , mas era mentira . Quando eu estava em o quinto ano a Câmara_dos_Segredos foi aberta e o monstro atacou vários estudantes , acabando matar um . Eu apanhei a pessoa que abriu a câmara e ele foi expulso . Mas o director , o professor Dippet , envergonhado por uma coisa de aquelas ter acontecido em Hogwarts , proibiu me de contar a verdade . Foi divulgada uma história dizendo que a rapariga morrera de um acidente extravagante . Deram me um troféu brilhante com o meu nome gravado e avisaram me para ficar calado . Mas eu sabia que ia voltar a acontecer . O monstro sobreviveu e aquele que tinha o poder para o libertar não foi para a prisão . * Harry quase entornou o tinteiro em a pressa de responder . - Está a acontecer outra_vez . Houve três ataques e ninguém parece saber quem está por_detrás_de tudo_isto . Quem foi de a última vez ? - * _ Posso mostrar te , se quiseres * - foi a resposta de o Riddle . - * _ Não tens de acreditar só em a minha palavra . Posso levar te a o fundo de a minha memória de a noite em que o apanhei . * Harry hesitou com a pena em o ar sobre o diário . O que quereria ele dizer ? Como poderia entrar em a memória de outra pessoa ? Olhou inquieto para a porta de o dormitório que começava a ficar escuro . Quando pôs de_novo os olhos em o diário viu as palavras que se formavam . - * _ Deixa-me mostrar te . * Harry parou durante uma fracção de segundo e depois escreveu duas letras . - O. _ K._As páginas de o diário começaram a esvoaçar como_se tivessem sido apanhadas em uma ventania , parando a meio de o mês_de_Junho . Boquiaberto , Harry viu que o quadradinho de 13_de_Junho se transformara em um pequeno ecrã de televisão . Com as mãos ligeiramente trémulas levantou o livro para encostar os olhos a a janelinha e antes de perceber o que estava a passar se , deu consigo inclinado para a frente com a janela a abrir se . O corpo abandonava a cama e era lançado de cabeça , por a abertura de a página , em um turbilhão de cor e sombras . Sentiu os pés tocarem em terra firme e pôs se de pé a tremer enquanto as formas desfocadas se tornavam subitamente nítidas . Soube imediatamente onde estava . Aquela sala circular com os retratos adormecidos era o escritório de Dumbledore , mas não era Dumbledore quem estava atrás de a secretária . Um feiticeiro mirrado , de aspecto débil e quase careca lia uma carta a a luz de as velas . Harry nunca vira aquele homem antes . - Desculpe - disse com a voz a tremer . - Eu não queria intrometer me ... Mas o feiticeiro não olhou . Continuou a ler , franzindo levemente as sobrancelhas . Harry aproximou se de a secretária e gaguejou : - Er ... eu vou me embora , está bem ? E o feiticeiro continuou a ignorá o . Parecia nem_sequer ter ouvido . Pensando que talvez ele fosse surdo , Harry falou mais alto . - Desculpe tê o incomodado - disse quase a gritar . O feiticeiro dobrou a carta com um suspiro . Pôs se de pé , passou por Harry sem olhar para ele e foi abrir os cortinados de a janela . O céu , lá fora , estava vermelho-rubi . Devia ser o pôr de o Sol . O feiticeiro voltou para a secretária , sentou se e girou os polegares , olhando para a porta . Harry olhou em volta . Não viu Fawkes , a fénix , nem as engenhocas prateadas que sibilavam . Aquela Hogwarts era a que Riddle conhecera e , portanto , aquele feiticeiro desconhecido era o director de então , não Dumbledore e ele , Harry , era pouco mais que um fantasma , totalmente invisível a as pessoas de há cinquenta anos atrás . Alguém bateu a a porta . - Entre - disse o velho feiticeiro , em uma voz fraca . Um rapazinho de dezasseis anos entrou , tirando o chapéu pontiagudo . Em o seu peito brilhava um distintivo prateado de prefeito . Era muito mais alto do_que Harry , mas tinha , tal_como ele , cabelo preto asa de corvo . - Ah ! Riddle - disse o director . - Queria falar comigo , professor Dippet ? - perguntou ele com ar nervoso . - Senta te - disse Dippet . - Tenho estado a ler a carta que me mandaste . - Oh ! - exclamou Riddle , sentando se e apertando as mãos uma contra a outra . - Meu rapaz - disse Dippet amavelmente . - Eu não posso deixar te ficar em a escola durante o Verão . Com certeza queres ir para_casa em as férias ? - Não - respondeu Riddle , sem perder tempo . - Prefiro mil vezes ficar em Hogwarts a ter de voltar a aquela ... aquela ... - Tu vives em um orfanato de Muggles durante as férias , não é assim ? - perguntou Dippet com curiosidade . - Sim senhor - disse Riddle , corando um_pouco . - És filho de Muggles ? - Meio sangue , professor - explicou Riddle . - Pai_Muggle , mãe bruxa . - E o teu pai e a tua mãe ... - A minha mãe morreu pouco depois de eu nascer , professor , contaram me em o orfanato que só teve tempo de me dar o nome : Tom , como o meu pai , Marvolo como o meu avô . Dippet estalou a língua solidariamente . - O que acontece , Tom - suspirou - é_que ... podia ter se arranjado uma situação especial para ti , mas em as circunstâncias actuais ... - Refere se a os ataques , professor ? - perguntou Riddle e o coração de Harry deu um salto , aproximando se com medo de perder alguma coisa . - Precisamente - disse o director . - Meu rapaz , compreendes que seria uma imprudência de a minha parte deixar te ficar em o castelo quando o período acabar , principalmente a a luz de a recente tragédia ... a morte de aquela pobre moça ... estarás sem dúvida em maior segurança em o orfanato . Em a verdade , o ministro de a magia até fala em fechar a escola . Não estamos nada perto_de localizar ... er ... a fonte de toda esta história desagradável . Os olhos de Riddle tinham se aberto mais . - Professor , se essa pessoa fosse apanhada ... se tudo acabasse . . . - Que queres dizer com isso ? - perguntou Dippet com voz aguda , endireitando se em a cadeira . - Riddle , tu sabes alguma coisa sobre estes ataques ? - Não senhor - respondeu ele de imediato . Mas Harry sabia que era o mesmo tipo de « não » que ele dissera a Dumbledore . Dippet afundou se de_novo com um ar de profundo desapontamento . - Podes ir , Tom . Riddle esgueirou se de a cadeira e saiu de a sala . Harry seguiu o . Desceram por a escada em espiral , saindo junto de a gárgula em o corredor que escurecia . Riddle parou e Harry fez o mesmo , olhando para ele . Quase podia apostar que ele pensava seriamente em alguma coisa . Mordia o lábio e tinha as sobrancelhas franzidas . A certa altura , como_se tivesse acabado de tomar uma decisão , começou a andar mais depressa com Harry a segui o ruidosamente . Não viram mais ninguém , a não ser quando chegaram a o * hall * de entrada onde um feiticeiro alto de longos cabelos ruivos e barba chamou Riddle de a escadaria de mármore . - O que andas a fazer por aqui tão tarde , Tom ? Harry olhou para o feiticeiro . Não era outro senão Dumbledore com cinquenta anos a menos . - Tive de ir falar com o director - justificou se Riddle . - Bem , agora vai depressa para a cama - disse Dumbledore , olhando Riddle com aquele olhar penetrante que Harry conhecia tão bem . - É melhor não andar a passear por os corredores em os dias que correm , pelo_menos até ... Suspirou profundamente , deu as boas-noites a o Riddle e foi se embora . Riddle viu o desaparecer e , sem perder tempo , desceu os degraus de pedra até a os calabouços com Harry em a peugada . Mas para seu grande desconsolo , Riddle não o conduziu a nenhum corredor ou túnel secreto e sim a o calabouço onde ele costumava ter aulas de poções com o Snape . As tochas não tinham sido acesas e quando Riddle empurrou a porta quase fechada , Harry só conseguiu vê o a ele , de pé , quieto junto de a porta , olhando para o corredor . Pareceu a Harry que ficaram ali quase uma hora . Tudo_o_que via era a silhueta de Riddle junto de a porta , olhando fixamente através de a greta , a a espera . Como_se fosse uma estátua . E quando Harry tinha abandonado todas_as expectativas e começava a desejar voltar a o presente , ouviu alguma coisa que se movia atrás de a porta . Alguém avançava lentamente por o corredor . Ouviu a pessoa , quem quer que fosse , passar por o calabouço onde ele e Riddle estavam escondidos . Riddle , silencioso como uma sombra , esgueirou se por a porta e seguiu o com Harry em bicos de pés atrás de ele , esquecido de que podia fazer barulho a a vontade porque ninguém o ouvia . Durante cerca de cinco minutos seguiram lhe os passos até que Riddle parou repentinamente com a cabeça inclinada em a direcção de novos ruídos . Harry ouviu uma porta a abrir se e em seguida alguém falou em um murmúrio rouco . - Vá lá , temos que sair de aqui ... vá lá , dentro de a caixa ... Havia algo de familiar em aquela voz . Riddle deu subitamente uma volta e Harry seguiu o . Podia ver a silhueta escura de um rapaz enorme que estava inclinado em frente de a porta aberta , com uma grande caixa a o lado . - Boa noite , Rubeus - disse Riddle secamente . O rapaz fechou a porta e pôs se de pé . - O que estás a fazer aqui , Tom ? Riddle aproximou se . - Acabou se - disse . - Vou ter de entregar te , Rubeus . Falam em fechar Hogwarts se os ataques não terminarem . - O que é_que tu ... ? - Eu acho que tu não quiseste matar ninguém , mas os monstros não são os melhores animais domésticos . Tu só quiseste deixá o sair para andar um_pouco e ... - Ele não matou ninguém - disse o rapaz grande , recuando contra a porta fechada . Lá de dentro vinham uns estranhos roncos e rugidos . - Vamos , Rubeus - disse Riddle , aproximando se mais ainda . - Os pais de a rapariga que morreu estarão aqui amanhã . O mínimo que Hogwarts pode fazer é assegurar lhes que aquilo que matou a filha de eles foi abatido ... - Não foi ele - gemeu o rapaz cuja voz ecoou em o corredor escuro . - Ele não faria isso ... ele nunca ... - Afasta te - disse Riddle , pegando em a varinha . O encantamento iluminou o corredor com uma luz brilhante . A porta atrás de o rapaz grande abriu se de par em par com tanta força que o atirou contra a parede . E de lá de dentro saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito que ninguém mais ouviu a não ser ele próprio . Tinha um corpo imenso , magro e peludo e um emaranhado de pernas pretas , a cintilação de muitos olhos e um par de tenazes afiadas . Riddle levantou de_novo a varinha , mas era tarde de mais . A coisa deixara o atarantado e corria apressadamente , precipitando se por o corredor e desaparecendo . Riddle pôs se de pé , olhou a a procura de o monstro , levantou a varinha , mas o rapaz grande saltou sobre ele , tirou lhe a varinha de as mãos e lançou o a o chão , gritando : - Naaaaaão ! A cena rodopiou . A escuridão tornou se total . Harry sentiu se a cair e com um embate aterrou como uma águia de patas e asas abertas em a sua cama de dossel , em o dormitório de os Gryffindor , o diário de Riddle aberto sobre o estômago . Antes de ter tido tempo de normalizar a respiração , a porta de o dormitório abriu se e o Ron entrou . - Aí estás tu - disse . Harry sentou se . Transpirava e tremia . - O que se passa ? - perguntou Ron , olhando aflito para ele . - Foi o Hagrid , Ron . O Hagrid abriu a Câmara_dos_Segredos há cinquenta anos atrás . XIV_Cornelius_Fudge_Harry , Ron e Hermione sabiam há muito_tempo que Hagrid tinha uma triste predilecção por criaturas grandes e monstruosas . Em o primeiro ano que passaram em Hogwarts , ele tentara criar um dragão em a sua pequena cabana de madeira e levaram muito_tempo a esquecer o gigantesco cão de três cabeças que ele baptizara de « fofinho » . E se , em rapaz , Hagrid tinha ouvido dizer que havia um monstro escondido em o castelo , Harry tinha a certeza que ele teria feito os impossíveis por descobri o . Provavelmente achou que era uma injustiça o monstro estar fechado tanto tempo e pensou que ele merecia a oportunidade de esticar as suas muitas pernas . Harry imaginava perfeitamente o Hagrid a os treze anos a tentar pôr uma coleira e uma trela a o monstro . Mas tinha igualmente a certeza de que ele nunca teria querido matar ninguém . De certo modo , Harry desejava não ter descoberto como utilizar o diário de Riddle . Ron e Hermione fizeram o contar repetidas vezes o que vira até ele ficar farto de repetir o mesmo e farto de a conversa circular que se seguia . - O Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse , de essa vez , Hermione . - O monstro que atacava as pessoas podia ser outro .... - Quantos monstros achas tu que pode haver em este lugar ? - perguntou o Ron aborrecido . - Sempre soubemos que o Hagrid tinha sido expulso - disse Harry tristemente - E os ataques devem ter terminado quando ele foi expulso . Se não fosse assim , Riddle não teria recebido um prémio . Ron tentou um caminho diferente . - O Riddle parece o Percy , quem lhe pediu afinal que deitasse abaixo o Hagrid ? - Mas o monstro tinha morto uma pessoa , Ron - insistiu Hermione . - E o Riddle ia ter de voltar para um orfanato Muggle se Hogwarts fosse fechada - disse Harry . - Não posso culpá o por querer ficar aqui ... Ron mordeu o lábio e a seguir sugeriu : - Tu encontraste o Hagrid em a Rua * _ Bativolta * , não foi ? - Ele estava a comprar repelente para lesmas - disse Harry rapidamente . Ficaram os três em silêncio . Depois de uma longa pausa , Hermione , em uma voz hesitante , formulou a pergunta mais complicada de todas : - Não acham que devíamos ir ter com ele e perguntar lhe ? - Essa seria uma visita simpática - disse o Ron . - Olá , Hagrid , diz nos uma coisa , soltaste por acaso alguma coisa louca e peluda por o castelo em estes últimos tempos ? Por fim , decidiram não dizer nada a o Hagrid a_não_ser_que houvesse outro ataque e à_medida_que passava mais tempo sem murmúrios de a voz sem corpo começaram a acreditar , esperançosos , que nunca mais teriam de falar sobre o motivo por_que fora expulso . Tinham passado já quase quatro meses desde o dia em que o Justin e o Nick quase sem cabeça tinham sido petrificados e quase toda_a_gente parecia pensar que o atacante , quem quer que ele fosse , se retirara para sempre . Peeves fartara se de a sua canção * _ Oh_Potter , seu bandido * , Ernie_Mcmillan pediu educadamente a o Harry , em a aula de herbologia , que lhe passasse um balde de cogumelos saltitantes e , em Março , várias mandrágoras deram uma festa ruidosa e roufenha em a estufa número três . A professora Sprout estava muito satisfeita . - Mal elas comecem a tentar mover se para os vasos umas de as outras , saberemos que estão maduras - disse ela a o Harry . - Nessa_altura poderemos reanimar aquelas pobres criaturas que estão em a ala hospitalar . Os alunos de o segundo ano tinham agora uma coisa nova em que pensar durante as férias de a Páscoa . Chegara a altura de escolherem as matérias de o terceiro ano , um assunto que Hermione , pelo_menos , tomou muito a sério . - Pode afectar todo o nosso futuro - disse a o Harry e a o Ron a o vê os ler cuidadosamente as listas de as novas matérias e pôr um V em frente de cada uma . - Eu só quero ver me livre de as poções - disse Harry . - Não podemos - explicou Ron tristemente . - Mantemos todas_as matérias antigas ou eu teria me livrado de a Defesa contra as artes negras . - Mas é muito importante - disse Hermione chocada . - Não de a maneira como Lockhart a dá - insistiu Ron . - Não aprendi nada até agora a não ser a nunca mais libertar duendes . Neville_Longbottom recebera cartas de todas_as bruxas e feiticeiros de a família , cada_um dando um conselho diferente sobre o que ele deveria escolher . Confuso e preocupado , sentou se a ler a lista de matérias , dando estalinhos com a língua e perguntando a as pessoas se achavam que a aritmancia seria mais difícil do_que o estudo de as runas em a Antiguidade . Dean_Thomas que , tal_como Harry , fora criado com Muggles , acabou por fechar os olhos e atirar a varinha contra a lista , escolhendo as matérias onde ela aterrava . Hermione não pediu conselho a ninguém e inscreveu se em todas . Harry sorriu de si para consigo imaginando como seria uma conversa com o tio Vernon e com a tia Petúnia sobre a sua carreira em feitiçaria . Não que não tivesse tido orientação : Percy_Weasley estava ansioso por partilhar a sua experiência . - Tudo depende de o lugar para_onde queres ir , Harry - disse ele . - Nunca é cedo de mais para pensar em o futuro , por isso eu aconselho te a adivinhação . As pessoas dizem que os estudos de Muggles são uma opção leve mas eu , pessoalmente , acho que os feiticeiros deveriam ter uma compreensão profunda de a comunidade não mágica , muito especialmente se pensarem em trabalhar em íntimo contacto com eles . Vê o meu pai que tem de lidar com assuntos de os Muggles a_toda_a hora . O meu irmão Charles foi sempre mais um tipo de o exterior , por isso foi para o Centro_de_Cuidados com as Criaturas_Mágicas . Segue os teus sentimentos , Harry . Mas a única coisa em que Harry sentia que era mesmo bom era o Quidditch . Por fim , acabou por escolher as mesmas matérias que o Ron escolhera , pensando que se fosse péssimo em elas pelo_menos tinha alguém amigo para o ajudar . O próximo jogo de Quidditch_dos_Gryffindor era contra os Hufflepuff . Wood insistia em treinos de equipa todas_as noites depois de jantar , por isso Harry não tinha tempo para mais_nada a não ser para o Quidditch e para os trabalhos de casa . Mas as sessões de treino estavam a melhorar ou pelo_menos estavam mais secas e em a véspera de o jogo de sábado ele foi a o dormitório guardar a vassoura , sentindo que as hipóteses de os Gryffindor ganharem a taça de Quidditch nunca tinham sido tão boas . Mas a sua boa disposição não durou muito . Em o cimo de as escadas que levavam a o dormitório encontrou o Neville_Longbottom nervosíssimo . - Harry , não sei quem fez aquilo , eu fui encontrar ... Olhando receoso para Harry , Neville empurrou a porta . O conteúdo de a mala de Harry fora espalhado por toda_a divisão . O seu manto estava em o chão rasgado . A roupa de cama tinha sido puxada de a cama de dossel e a gaveta de o armário que se encontrava a a cabeceira de a cama fora arrancada , estando o seu conteúdo espalhado sobre o colchão . Harry aproximou se de a cama boquiaberto , pisando algumas páginas soltas de * _ Viagens com Duendes * . Quando ele e Neville estavam a puxar os cobertores para_cima , entraram o Ron e o Dean_Seamas . Dean praguejou alto . - O que é isto , Harry ? - Não faço ideia - disse ele . Mas o Ron estava a examinar as vestes de Harry e todos os bolsos estavam de o avesso . - Alguém andou a a procura de qualquer coisa - disse o Ron . - Dás por falta de alguma coisa ? Harry começou a apanhar o que estava caído , lançando tudo dentro de a mala . Só quando atirou o último livro de Lockhart é_que se apercebeu do_que faltava . - O diário de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a o Ron . - O quê ? Harry fez lhe sinal em direcção a a porta de o dormitório e apressaram se a chegar a a sala comum de os Gryffindor que estava quase vazia e onde foram encontrar Hermione sozinha a ler * _ As_Runas_Antigas a o Alcance_de_Todos * . Hermione ficou aterrada com as notícias . - Mas ... só um Gryffindor podia tê o roubado ... ninguém mais conhece a nossa senha ... - Exactamente - disse Harry . Acordaram em o dia seguinte com um sol brilhante e uma brisa agradável . - Condições ideais para o Quidditch ! - exclamou Wood , cheio de entusiasmo , a a mesa de os Gryffindor , enchendo os pratos de os elementos de a sua equipa de ovos mexidos . - Harry , anima te , precisas de um pequeno-almoço decente . Harry tinha estado a olhar para a mesa cheia de alunos de os Gryffindor , perguntando a si próprio se o novo dono de o diário de Riddle estaria ali mesmo em frente de os seus olhos . Hermione insistira para que ele participasse o roubo mas ele não gostou de a ideia . Teria de contar a um professor tudo sobre o diário , e quantas pessoas saberiam o motivo por_que Hagrid fora expulso há cinquenta anos ? Não queria ser ele a fazer com que relembrassem tudo aquilo . Quando saiu de o salão com o Ron e a Hermione para ir buscar o material de Quidditch , outra preocupação viera juntar se a a sua lista cada_vez maior . Tinha acabado de pisar os degraus de a escadaria de mármore quando ouviu de_novo a voz : - * _ Matar desta_vez ... deixem me rasgar ... romper * ... Deu um grito e Ron e Hermione saltaram alarmados . - A voz - disse Harry , olhando por cima de os ombros de eles . - Acabo de a ouvir de_novo , vocês não ouviram nada ? Ron abanou a cabeça de olhos muito abertos Mas_Hermione bateu com a mão em a testa . - Harry , acho que percebi uma coisa . Tenho que ir a a biblioteca . E disparou a correr por as escadas acima . - O que é_que ela percebeu ? - disse Harry distraidamente , ainda a olhar em volta , tentando determinar de onde vinha a voz . - Mas porque teve ela que ir a a biblioteca ? - Porque a Hermione é assim - disse o Ron , encolhendo os ombros - Quando tem uma dúvida , vai a a biblioteca . Harry manteve se hesitante , tentando captar novamente a voz mas as pessoas começavam a sair de o salão , falando alto , passando por a porta principal e encaminhando se para o estádio de Quidditch . - É melhor ires indo - aconselhou Ron . - São quase onze horas , olha o jogo . Harry deu uma corrida até a a torre de os Gryffindor , pegou em a sua Nimbus dois_mil e juntou se a a vasta multidão que enchia os campos , mas o seu pensamento estava ainda em o castelo , em aquela voz sem corpo e quando pôs as roupas vermelhas , o seu único conforto foi pensar que estavam todos lá fora para assistir a o jogo . As equipas entraram em campo a o som de um tumulto de aplausos . Oliver_Wood fez um voo de aquecimento em volta de os postes , Madam_Hooch soltou as bolas . Os Hufflepuff que tinham fatos amarelo-canário estavam reunidos em grupo em uma discussão de última hora sobre as tácticas . Harry subia para a vassoura quando a professora Mc_Gonagall atravessou o campo , meio a andar , meio a correr , transportando um enorme megafone roxo . O coração de Harry caiu lhe a os pés . - Este jogo foi cancelado - gritou por o megafone a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a o estádio apinhado . Ouviram se Uuuus e assobios . Oliver_Wood , com um ar infelicíssimo , aterrou e correu para a professora McGonagall sem sair de a vassoura . - Mas , professora - gritou - temos de jogar ... a taça ... os Gryffindor ... A professora Mc_Gonagall ignorou o e continuou a gritar por o megafone . - Pede se a os estudantes que regressem a as salas comuns de as respectivas equipas onde os chefes de equipa lhes darão mais informações . O mais depressa possível , se fazem favor ! Em seguida , baixou o megafone e fez sinal a o Harry para que se aproximasse . - Potter , é melhor vires comigo ... Perguntando a si próprio que suspeita poderia ela ter contra ele , desta_vez , Harry viu Ron desligar se de a multidão discordante e vir a correr juntar se lhes , enquanto eles se dirigiam para o castelo . Para sua grande surpresa Mc_Gonagall não pôs qualquer objecção . - Sim , talvez seja melhor vires também , Weasley . Alguns de os estudantes que os rodeavam reclamavam por o jogo ter sido cancelado , outros tinham um ar preocupado . Harry e Ron seguiram a professora Mc_Gonagall de volta a a escola e através de a escadaria de pedra . Mas desta_vez não foram levados a nenhum escritório . - Isto vai chocar vos um_pouco - disse a professora Mc_Gonagall em um tom de voz surpreendentemente suave quando estavam a aproximar se de a ala hospitalar . - Houve outro ataque ... outro ataque duplo . As vísceras de o Harry deram um salto mortal . A professora Mc_Gonagall abriu a porta e ele e Ron entraram . Madam_Pomfrey estava inclinada sobre uma rapariga de o quinto ano de cabelos longos a os caracóis que Harry reconheceu como sendo a colega de os Ravenclaw a quem , por engano , tinham perguntado o caminho para a sala comum de os Slytherin . E , em a cama a o lado de ela , estava ... - Hermione - gemeu o Ron . Hermione jazia totalmente quieta , os olhos abertos e vítreos . - Foram encontradas perto de a biblioteca - disse a professora Mc_Gonagall . - Calculo que nenhum de vocês possa explicar isto ? Estava em o chão , junto de ela . A professora tinha em as mãos um pequeno espelho redondo . Harry e Ron acenaram negativamente com as cabeças , ambos com os olhos fixos em Hermione . - Eu acompanho vos a a torre de os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall pesadamente . - De qualquer modo tenho de falar com os alunos . - Os alunos regressarão a as salas comuns de as respectivas equipas , todos_os_dias , a as seis_horas_da_tarde . Nenhum aluno deverá sair de os dormitórios depois de isso . Serão escoltados até a as aulas por um professor . Nenhum aluno deverá ir a a casa_de_banho sem um professor a acompanhá o . Todos os treinos e jogos de Quidditch estão suspensos a_partir_de agora . Não haverá mais actividades nocturnas . Os Gryffindor , que enchiam a sala comum , ouviram em silêncio a professora Mc_Gonagall . Ela enrolou o pergaminho que acabara de ler e disse em uma voz algo chocada : - Não é preciso acrescentar que nunca me senti tão desolada . É provável que a escola seja encerrada se não for apanhado o culpado de todos estes ataques . Quero pedir que se algum de vocês achar que sabe alguma coisa sobre eles venha imediatamente ter comigo . Mal ela subiu , de forma um_pouco desastrada , por o buraco de o retrato , os Gryffindor começaram logo a falar . - São dois Gryffindor a menos , sem contar com o fantasma de os Gryffindor , um Ravenclaw e um Hufflepuff - disse o amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , contando por os dedos . - Não terá nenhum de os professores reparado que os Slytherin estão a salvo ? Será que não é óbvio que tudo_isto vem de eles ? O herdeiro de Slytherin , o monstro de Slytherin , porque não expulsam todos os Slytherin ? - resmungou , recebendo acenos e aplausos de todos os lados . Percy_Weasley estava sentado em uma cadeira atrás_de Lee , mas por uma_vez não pareceu querer expor os seus pontos de vista . Estava pálido e aturdido . - O Percy está em estado de choque - disse o George baixinho a o Harry . - Aquela rapariga de os Ravenclaw , Penelope_Clearwater , é prefeita . Acho que ele nunca tinha pensado que o monstro pudesse atacar um prefeito . Mas Harry não estava a ouvi o com atenção . Não conseguia esquecer a imagem de Hermione deitada em a cama de o hospital , como_se estivesse esculpida em pedra . E se o culpado não fosse apanhado rapidamente tinha em a frente uma vida inteira com os Dursley . Tom_Riddle entregara o Hagrid porque fora confrontado com a possibilidade de um orfanato Muggle se a escola fechasse . Harry sabia exactamente o que ele sentira . - Que vamos nós fazer ? - disse lhe o Ron baixinho a o ouvido . - Achas que eles suspeitam de o Hagrid ? - Temos de falar com ele - disse Harry , tomando uma decisão . - Não acredito que tenha culpa desta_vez , mas se ele libertou o monstro há cinquenta anos , sabe com certeza como entrar em a Câmara_dos_Segredos , o que já é um princípio . - Mas a Gonagall disse que temos que ficar em a torre a_não_ser_que estejamos em as aulas ... - Eu acho - disse Harry ainda mais baixo - que chegou a altura de tirar outra_vez de a mala o manto de o meu pai . Harry herdara apenas uma coisa de o pai : o enorme manto prateado de a invisibilidade . Era a única maneira de poderem esgueirar se de a escola para fazer uma visita a o Hagrid , sem que ninguém de esse por isso . Deitaram se a a hora de o costume , esperaram que o Neville , o Dean e o Seamas adormecessem para se levantarem , vestirem se de_novo e taparem se com o manto . A viagem por os corredores de o castelo escuro e deserto não era nada agradável . Harry que vagueara por ali muitas_vezes durante a noite nunca vira tanta gente depois de o pôr de o Sol . Professores , prefeitos e fantasmas andavam por os corredores a os pares , olhando em volta , em busca de qualquer actividade fora de o habitual . O manto de a invisibilidade não impedia que fizessem barulho e houve um momento particularmente tenso em que o Ron deu uma topada a menos_de um metro de o lugar onde Snape se encontrava . Felizmente Snape espirrou em o preciso momento em que o Ron praguejava . Foi com grande alívio que chegaram a as portas de carvalho de a entrada principal . Estava uma noite clara e cheia de estrelas . Dirigiram se apressadamente para as janelas iluminadas de a casa de Hagrid e só tiraram o manto mesmo em frente de a porta . Poucos segundos depois de terem batido abriu se a porta . Ficaram frente_a_frente com Hagrid que lhes apontou uma besta enquanto Fang , o cão caçador de javalis , ladrava furiosamente atrás de ele . - Oh ! - disse , baixando a arma quando viu que eram eles . - O que estão vocês a fazer aqui ? - Para que é isso ? - perguntou Harry , apontando para a besta , enquanto entrava . - Nada , não é nada - murmurou Hagrid . - Tenho estado a a espera ... não tem importância , sentem se que eu vou fazer um chá . Dava a impressão de não saber o que fazia . Quase apagou a lareira , vertendo a água de a chaleira em o lume e em seguida esmagou o bule com um gesto de a sua mão maciça . - Estás bem , Hagrid ? - perguntou Harry . - Soubeste de a Hermione ? - Soube , sim - disse ele com um leve tremor em a voz . Continuava a olhar nervosamente para as janelas . Deu lhe os duas grandes canecas de água a ferver ( esquecera se de juntar o chá ) e estava a acabar de pôr em um prato uma fatia grossa de bolo de frutas quando alguém bateu energicamente a a porta . Hagrid deixou cair o bolo . Harry e Ron trocaram entre si olhares de pânico e , em seguida , cobriram se com o manto de a invisibilidade e esconderam se em um canto . Hagrid assegurou se de que eles estavam bem escondidos , pegou em a besta e abriu , mais_uma_vez , a porta . - Boa noite , Hagrid . Era_Dumbledore . Entrou com um ar muito sério , seguido de um homem bizarro . O estranho era um homenzinho pequenino , de porte majestoso com cabelos grisalhos desalinhados e uma expressão de ansiedade em o rosto . Usava uma inesperada mistura de roupas . Um fato a as riscas , uma gravata vermelho escarlate , um longo manto negro e umas botas roxas pontiagudas . Debaixo de o braço trazia um chapéu de coco verde lima . -- É o patrão de o meu pai - murmurou o Ron . Cornelius_Fudge , o ministro de a magia ! Harry deu lhe uma valente cotovelada para o fazer calar se . Hagrid tinha ficado suado e pálido . Deixou se cair em uma de as cadeiras e olhava de Dumbledore_para_Cornelius_Fudge . - Más notícias , Hagrid - disse Fudge em um tom bastante grave . - Muito más notícias . Tive de vir . Quatro ataques a filhos de Muggles , as coisas foram longe_de mais . O ministério tem que tomar uma atitude . - Eu nunca ... - disse Hagrid , parecendo implorar a Dumbledore . - O senhor sabe que eu nunca ... professor Dumbledore , o senhor ... - Quero que fique claro , Cornelius , que Hagrid tem a minha total confiança - afirmou Dumbledore , franzindo as sobrancelhas . - Olha , Albus - disse Fudge pouco a a vontade - a ficha de o Hagrid depõe contra ele . O ministério tem de fazer alguma coisa , o Conselho_Directivo de a escola tem se reunido ... - Mesmo_assim , Cornelius , devo dizer te mais_uma_vez que levar o Hagrid de aqui não vai ajudar em nada - afirmou Dumbledore com os olhos azuis com um fogo que Harry nunca vira antes . - Tenta compreender o meu ponto de vista - insistiu Fudge , brincando com o chapéu . - Estou a ser tremendamente pressionado , tenho de mostrar que faço alguma coisa . Se se provar que não foi o Hagrid , ele voltará e não se fala mais em o assunto . Mas tenho de levá o , tem de ser , não estaria a cumprir a minha obrigação se ... - Levar me ? - perguntou Hagrid a tremer . - Levar me para_onde ? - É uma pena curta - disse Fudge , sem o olhar em os olhos . - Não é um castigo , Hagrid , chamemos lhe antes uma precaução . Se mais alguém for apanhado , tu sais com todas_as nossas desculpas . - Não é para Azkaban ? - balbuciou Hagrid . Mas antes que Fudge tivesse tido tempo de responder , ouviu se bater mais_uma_vez a a porta . Dumbledore abriu . Foi a vez de Harry levar uma cotovelada em as costas : soltara um gemido audível . Mr._Lucius_Malfoy entrou em a cabana de o Hagrid embrulhado em uma longa capa preta de viagem , com um sorriso frio de satisfação . O Fang começou a rosnar . - Já está aqui , Fudge ? - disse de forma aprovadora . - Muito bem , muito bem ... - O que estás a fazer aqui ? - perguntou Hagrid furioso . - Sai imediatamente de a minha casa . - Meu bom homem , acredite que não tenho prazer nenhum em entrar em a sua ... er ... chamou lhe casa ? - disse Lucius_Malfoy , sorrindo sarcasticamente enquanto observava a pequena divisão . - Eu limitei me a ir a a escola e disseram me que o director estava aqui . - E o que queres de mim , Lucius ? - perguntou Dumbledore . O seu tom de voz era educado mas em os olhos azuis brilhava ainda o mesmo fogo . - Uma notícia horrível , Dumbledore - disse Mr._Malfoy de forma arrastada , pegando em um grande rolo de pergaminho . - Mas os membros de o conselho pensam que é altura de tu saíres . Isto_é uma ordem de suspensão , tens aí doze assinaturas . Lamento muito mas em a nossa opinião estás a perder a firmeza . Quantos ataques houve até agora ? Mais dois hoje a a tarde , não foi ? A este ritmo vão acabar todos os filhos de Muggles em Hogwarts e todos sabemos que seria uma terrível perda para a escola . - O que é isso , Lucius ? - protestou Fudge com ar alarmado . - O Dumbledore suspenso não ... não , seria a última coisa que desejaríamos em este momento ... - A nomeação ou suspensão , de o director é de a competência de os membros de o Conselho_Directivo , Fudge - disse suavemente Mr._Malfoy . - E como Dumbledore não foi capaz de pôr cobro a estes ataques ... - Oh ! Lucius , se Dumbledore não conseguiu - disse Fudge com o lábio superior a suar . - Quem irá conseguir ? - Isso está para se ver - disse Mr._Malfoy com um sorriso mesquinho . - Mas como os doze votamos ... Hagrid pôs se de pé em um salto , o cabelo preto hirsuto a roçar em o tecto . - E quantos tiveste de chantajar para concordarem contigo , Malfoy ? - Meu caro Hagrid , sabe que esse seu temperamento ainda acaba por lhe criar problemas um dia de estes - disse Mr._Malfoy . - Não o aconselho a gritar assim com os guardas de Azkaban . Eles não iriam gostar nada . - Não podes levar Dumbledore - gritou Hagrid , fazendo Fang , o cão caçador de javalis , agachar se e ganir em o seu cesto . - Sem ele , os filhos de os Muggles não têm qualquer hipótese . A seguir haverá mortes . - Acalma te , Hagrid - disse Dumbledore de forma cortante , olhando para Lucius_Malfoy . - Se os membros de o conselho querem substituir me , eu sairei , claro . - Mas - interrompeu Fudge . - Não - rosnou Hagrid . Dumbledore não tirara os seus olhos azuis brilhantes de os olhos cinzentos e frios de Lucius_Malfoy . - Contudo - disse , pronunciando cada palavra lenta e claramente para que nenhum de eles perdesse o seu sentido - verás que só deixarei verdadeiramente esta escola quando ninguém aqui me for leal . Descobrirás também que será sempre dada ajuda em Hogwarts a quem a pedir . Por um segundo , Harry teve quase a certeza de que os olhos de Dumbledore tremelaziram em direcção a o canto onde ele e Ron estavam escondidos . - Sentimentos admiráveis - disse Malfoy , fazendo uma vénia . - Todos nós vamos sentir a tua ... forma muito pessoal de fazer as coisas , Albus . Só espero que o teu sucessor consiga evitar qualquer ... crime . Dirigiu se a a porta de a cabana , abriu a e fez sinal a Dumbledore para que passasse a a sua frente . Fudge , mexendo nervosamente em o chapéu de coco , esperou que Hagrid fizesse o mesmo mas ele ficou quieto , respirou fundo e disse prudentemente : - Se alguém quiser descobrir alguma coisa , o que tem a fazer é seguir as aranhas . Elas indicarão o caminho , é tudo_o_que vos digo . Fudge olhou para ele espantado . - Está bem , eu vou - disse Hagrid , pegando em o seu sobretudo de pêlo de toupeira . Mas quando ia seguir o Fudge e sair por a porta , parou e disse em voz alta : - E alguém tem de dar de comer a o Fang enquanto eu não estiver cá . A porta fechou se ruidosamente e Ron tirou o manto de a invisibilidade . -- Estamos outra_vez em uma alhada - disse com voz rouca - Sem o Dumbledore podem fechar a escola já esta noite . Sem ele vai haver um ataque por dia . O Fang começou a ganir , arranhando a porta fechada . XV_Aragog_O_Verão insinuava se em os campos em volta de o castelo . O céu e o lago tinham se tornado de um azul-molusco e as flores , grandes como couves , começavam a florir em as estufas . Mas sem o Hagrid , que ele costumava avistar de o castelo , atravessando os campos com o Fang atrás , parecia a Harry que a paisagem não estava completa . Não era melhor dentro de o castelo onde tudo corria horrivelmente mal . O Harry e o Ron tinham tentado visitar a Hermione , mas as visitas a o hospital estavam proibidas . - Não vamos correr mais riscos - disse lhes Madam_Pomfrey com ar severo , através_de uma fresta de a porta de o hospital . Não , lamento , há muitas hipóteses de o atacante voltar para acabar de vez com estas pessoas ... Com Dumbledore longe , o medo espalhara se como nunca acontecera antes , de_tal_modo_que o sol que aquecia as paredes de o castelo por fora parecia parar junto de as janelas de pinázios . Não se via um único rosto em a escola que não andasse tenso e preocupado e qualquer gargalhada , em os corredores , se tornava incómoda e antinatural e era rapidamente abafada . Harry repetia constantemente , de si para consigo , as últimas palavras que ouvira a Dumbledore : - * _ Só terei verdadeiramente deixado esta escola quando ninguém me for leal ... será sempre dada ajuda , em Hogwarts , a quem a pedir * . Qual seria o significado exacto de aquelas palavras ? A quem deveria pedir ajuda quando todos estavam tão confusos assustados como ele ? A alusão de Hagrid a as aranhas era bastante mais fácil de entender . O problema era que parecia não ter restado uma única aranha em o castelo para eles a poderem seguir . Harry procurou por todo o lado com a ajuda relutante de o Ron . As coisas estavam dificultadas por o facto de não poderem andar sozinhos e terem de se deslocar em grupo dentro de o castelo , juntamente com outros Gryffindor . A maior parte de os alunos gostava de ser conduzida como carneiros de uma aula para a outra por os professores mas Harry achava horrível . Havia , contudo , uma pessoa que parecia apreciar aquela atmosfera de terror e suspeitas . Draco_Malfoy passeava empertigado por a escola como_se tivesse sido nomeado para chefe de turma . Harry só compreendeu o motivo de toda aquela boa disposição cerca de quinze_dias depois de Dumbledore e Hagrid se terem ido embora quando , em uma aula de poções , o ouviu falar com o Crabbe e o Goyle . - Sempre achei que seria o pai quem conseguiria livrar nos de o Dumbledore - disse sem a menor preocupação em baixar a voz . - Já vos disse , segundo ele , Dumbledore foi o pior director que a escola alguma vez teve . Talvez agora venha um director decente que não queira a Câmara_dos_Segredos fechada . A Mc_Gonagall não vai durar muito , está só a ... O Snape passou por Harry , sem fazer comentários a o caldeirão e a a cadeira vazia de Hermione . - Professor - disse Malfoy em voz alta . - Professor , porque não se candidata a o lugar de director ? - Ora , ora , Malfoy - respondeu Snape , sem conseguir esconder um meio sorriso . - O professor Dumbledore foi apenas suspenso por os membros de o conselho de direcção , certamente vai voltar um dia de estes . - Sim , claro - disse Malfoy com o seu sorriso escarninho . - Acho que se o professor quisesse candidatar se a o lugar teria o voto de o pai . Eu vou dizer lhe que o acho o melhor professor de a escola . Snape sorriu enquanto passeava de um lado para o outro em o calabouço , não tendo felizmente visto o Seamus_Finnigan que fingia vomitar para dentro de o caldeirão . - Estou espantado por ver que até agora os sangues de lama ainda não fizeram as malas e não desapareceram - prosseguiu Malfoy . - Aposto cinco galeões em como o próximo morre . Pena que não tenha sido a Granger ... A campainha tocou em esse momento o que foi uma sorte porque a o ouvir as últimas palavras de Malfoy , Ron deu um salto , mas em a barafunda de guardar os livros em os sacos , a sua tentativa de agarrar o Malfoy passou despercebida . - Deixem me - gritava o Ron enquanto o Harry e o Dean lhe agarravam os braços . - Não preciso de varinha , vou dar cabo de ele com as minhas mãos ... - Despachem se , tenho de conduzir vos a a aula de herbologia - praguejava o Snape acima de as cabeças de os alunos . E lá foram como cordeirinhos com Harry , Ron e Dean em a retaguarda , o Ron ainda a tentar libertar se . Só acharam seguro largá o quando Snape os deixou fora de o castelo e iniciaram o percurso por o meio de a horta em direcção a as estufas . A aula de herbologia estava reduzida . Tinha agora dois alunos a menos : Justin e Hermione . A professora Sprout pô os a trabalhar , podando as figueiras-da-abissínia . Harry foi despejar uma braçada de hastes secas em um monte de adubo e deu consigo cara a cara com Ernie_Mcmillan . Ernie respirou fundo . - Só quero dizer te , Harry que lamento ter suspeitado de ti . Sei que nunca atacarias a Hermione_Granger e peço te desculpa por todas_as coisas que disse . Estamos todos em o mesmo barco , agora e , bem ... Estendeu lhe uma mão rechonchuda que o Harry apertou . Ernie e a sua amiga Hannah foram trabalhar em a mesma figueira com o Harry e o Ron . - Aquele tipo , Draco_Malfoy - disse Ernie , partindo pequenos galhos - , parece muito satisfeito com isto tudo , não acham ? É bem possível que ele seja o herdeiro de Slytherin . - Uma observação inteligente de a tua parte - disse o Ron que parecia não ter desculpado Ernie tão facilmente como o Harry . - Acham que é ele ? - perguntou Ernie . - Não - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Hannah ficaram a olhar espantados . Um segundo depois , Harry avistou qualquer coisa que o levou a chamar a atenção de o Ron , batendo lhe em a mão com a tesoura de podar . - Au ... o que é_que tu ... ? Harry apontava para o chão , a poucos centímetros de distância . Várias aranhas grandes corriam precipitadamente por a terra fora . - Ah ! sim - disse o Ron , tentando , sem conseguir , mostrar se entusiasmado . - Mas não podemos seguis as agora ... Ernie e Hannah ouviam nos com curiosidade . Harry viu as aranhas desaparecerem . - Parecem ir em a direcção de a floresta proibida ... E o Ron ficou ainda mais infeliz a o ouvir aquilo . Em o final de a aula , o professor Snape acompanhou os alunos a a « Defesa contra as artes negras » . Harry e Ron foram atrás de os outros para poderem conversar sem serem ouvidos . - Temos de usar outra_vez o manto de a invisibilidade - disse Harry a o Ron . - Podemos levar connosco o Fang , ele está habituado a ir a a floresta com o Hagrid , pode ser uma boa ajuda . - Certo - disse o Ron , que fazia girar nervosamente a varinha em os dedos . - Er ... não costuma haver ... não costuma haver lobisomens em a floresta ? - acrescentou enquanto ocupavam os lugares de o costume em a aula de o Lockhart . Preferindo não responder a a pergunta , Harry disse : - Também há lá coisas boas . Os centauros são fixes e os unicórnios . Ron nunca estivera em a floresta proibida , Harry fora lá só uma_vez e desejara não ter de lá voltar . Lockhart deu um salto para dentro de a sala de aula e os alunos ficaram espantados a olhar para ele . Todos os outros professores andavam mais tristes do_que o habitual mas Lockhart parecia sentir se em as nuvens . - Então , então - exclamou , olhando em volta . - Porquê essas caras deprimidas ? Lançaram lhe olhares exasperados mas ninguém respondeu . - Não compreendem - disse , falando devagar como_se fossem todos um_pouco estúpidos - que o perigo já passou ? O culpado foi se embora . -- Quem disse ? - retorquiu Dean_Thomas em voz alta . -- Meu caro jovem , o ministro de a magia não teria levado Hagrid se não estivesse cem por_cento certo de que ele era o culpado - disse Lockhart como quem explica que um e um são dois . - Teria , sim - disse o Ron , em um tom de voz ainda mais alto do_que o de o Dean . - Eu julgo saber um_pouco mais sobre a prisão de o Hagrid do_que o senhor , Mr._Weasley - disse Lockhart com notória auto-satisfação . Ron começou a dizer que discordava mas foi interrompido por o Harry que lhe deu um forte pontapé por debaixo de a mesa . - Nós não estávamos lá , lembras te ? - murmurou . Mas a alegria revoltante de o Lockhart , as insinuações de que sempre tinha achado que o Hagrid não prestava , a sua certeza de que tudo aquilo estava a chegar a o fim , irritou Harry de tal maneira que teve vontade de lhe atirar as * _ Viagens com Vampiros * e de lhe acertar em aquela cara estúpida . Mas , em vez de isso , limitou se a escrevinhar um bilhete para o Ron : * _ Vamos lá hoje a a noite * . Ron leu a mensagem , engoliu em seco e olhou para o lugar onde Hermione costumava sentar se . A cadeira vazia pareceu ajudá o a decidir se e acenou afirmativamente . A sala comum de os Gryffindor estava agora sempre cheia porque , depois de as seis_da_tarde , os Gryffindor não tinham outro lugar para ir . Por outro lado , tinham imenso para conversar , por isso a sala comum mantinha se cheia de gente até depois de a meia-noite . Logo_a_seguir a o jantar , Harry foi buscar o manto de a invisibilidade a a mala onde estava guardado e passou todo o serão a a espera que a sala esvaziasse . O Fred e o George desafiaram o para alguns jogos de explosão e a Ginny sentou se , muito preocupada , a observá os , em a cadeira habitual de Hermione . Harry e Ron fartaram se de perder de propósito em uma tentativa de pôr rapidamente fim a os jogos mas , mesmo_assim , já passava bastante de a meia-noite quando o Fred , o George e a Ginny se foram , finalmente , deitar . Harry e Ron esperaram até ouvir as portas de os dois dormitórios fecharem se . Em seguida , pegaram em o manto , lançaram o sobre ambos e passaram por o buraco de o retrato . Era mais uma difícil travessia de o castelo , tendo de fintar todos os professores . Finalmente , chegaram a o * hall * de entrada , giraram o fecho de as portas de carvalho , esgueiraram se tentando não fazer barulho e aventuraram se nos campos iluminados por o luar . - É claro que - disse bruscamente o Ron , enquanto atravessavam os relvados negros - podemos perfeitamente chegar a a floresta e descobrir que não há nada para seguir . As aranhas podem não ter ido para lá . É certo que parecia que tomavam essa direcção , mas ... Felizmente a lengalenga não durou muito . Chegaram a a casa de o Hagrid que tinha um ar triste com as suas janelas vazias . Logo_que Harry empurrou a porta e a abriu , o Fang saltou , louco de alegria por os ver . Preocupados , não fosse ele acordar toda_a_gente em o castelo com o seu ladrar forte e agitado , deram lhe rapidamente a comer bombons de melaço que estavam em uma lata sobre a lareira e que lhe colaram os dentes de cima a os de baixo . Harry pousou o manto de a invisibilidade sobre a mesa de o Hagrid . Não iam precisar de ele em a floresta escura como breu . - Anda , Fang , vamos dar um passeio - disse Harry , batendo lhe a o de leve em a pata e Fang saiu feliz , a os saltos , atrás de eles . Precipitou se até a a orla de a floresta e levantou a perna contra uma enorme figueira-do-egipto . Harry pegou em a varinha , murmurou * _ Lumus * ! e uma pequenina luz surgiu em a ponta de a varinha , suficiente para lhes mostrar o caminho e ajudá os a descobrir a pista de as aranhas . - Bem pensado - disse o Ron . - Eu acendia também a minha mas , sabes como ela está , ainda estoirava ou qualquer coisa assim ... Harry tocou em o ombro de o Ron , apontando para as ervas . Duas aranhas solitárias fugiam de a luz de a varinha , aproximando se de a sombra de as árvores . - O. _ K. - disse o Ron , resignando se com o pior . - Estou pronto , vamos . Então , com o Fang a correr atrás de eles , cheirando as raízes de as árvores e as folhas , entraram em a floresta . Seguindo a luz de a varinha de o Harry seguiram a fila disciplinada de aranhas que se movia a o longo de o caminho . Andaram durante cerca de vinte minutos , sem falar , atentos a todos os ruídos que não fossem os de os ramos caídos e de as folhas secas . Então , quando as copas de as árvores se tinham tornado mais cerradas do_que nunca , de_tal_modo_que as estrelas em o céu já não eram visíveis e a varinha de o Harry brilhava isolada em um mar de escuridão , viram as aranhas que eles seguiam a abandonar o caminho . Harry parou , tentando ver para_onde iam mas tudo_o_que ficava longe de a sua pequenina luz era negro de breu . Ele nunca fora tão longe em a floresta . Lembrava se muito bem de Hagrid lhe ter dito , de a última vez que ali tinham estado , que nunca saísse de o caminho de a floresta . Mas Hagrid agora estava a muitos quilómetros de distância e ele também lhes dissera que seguissem as aranhas . Uma coisa húmida tocou em a mão de o Harry e ele deu um salto para trás , pisando o pé a o Ron . Mas afinal era apenas o focinho de o Fang . - O que é_que tu achas ? - perguntou ele a o Ron cujos olhos conseguia vislumbrar , reflectindo a luz de a varinha . - Já_que viemos até aqui - disse ele . Seguiram , portanto as sombras velozes de as aranhas em direcção a as árvores . Não podiam agora andar muito depressa . Tinham em a frente raízes de árvores e troncos cortados que mal se viam em aquela escuridão . Harry sentia o bafo quente de Fang em a mão . Por mais de uma_vez tiveram de parar para o Harry se baixar e descobrir as aranhas a a luz de a varinha . Andaram durante o que lhes pareceu ter sido pelo_menos meia_hora , com os mantos a roçarem em os ramos mais baixos e em as silvas . A o fim de algum tempo repararam que o chão parecia inclinar se para baixo embora as árvores continuassem cerradas . Foi então que o Fang soltou um latido que ecoou em volta , fazendo Harry e Ron darem um salto , ambos com os cabelos em pé . - O que foi ? - gritou o Ron , olhando em volta para a escuridão e agarrando Harry com força , por o cotovelo . - Há qualquer coisa ali a mexer se - murmurou Harry - Ouve ... parece ser grande . Ficaram a ouvir . Um_pouco para a direita algo de grandes dimensões partia os ramos enquanto abria caminho através de as árvores . - Oh ! não - disse o Ron . - Oh ! não , não ... - Cala te - insistiu o Harry , nervoso . - Seja o que for , vai acabar por te ouvir . - Ouvir me ? - disse o Ron , em um tom de voz muito pouco natural . - Já ouviu . Fang ! A escuridão parecia esmagar lhes os globos oculares enquanto ali ficaram apavorados , a a espera . Houve um estranho ruído , surdo e prolongado , e em seguida o silêncio . - O que estará a fazer ? - perguntou Harry . - Talvez esteja a preparar se para atacar - disse o Ron . Esperaram , a tremer , sem ousarem mexer se . - Achas que se foi embora ? - murmurou Harry . - Não sei . Em esse momento , de o lado direito veio um clarão de luz tão forte em o meio de o escuro que os dois levaram as mãos a a cara para proteger os olhos . O Fang ganiu e tentou fugir mas viu se envolvido em um emaranhado de espinhos e ganiu ainda mais alto . - Harry - gritou o Ron com grande alívio em a voz . - Harry , é o nosso carro . - O quê ? - Anda ver . Harry avançou a os tropeções atrás de o Ron , em direcção a a luz e em o momento seguinte estavam em uma clareira . O carro de Mr._Weasley ali estava , vazio , no_meio_de um círculo de árvores grossas , sob um telhado de ramos densos , os faróis de a frente resplandecentes . Quando Ron se aproximou de boca aberta , moveu se lentamente em direcção a ele como_se fosse um grande cão azul turquesa , cumprimentando o dono . - Tem estado aqui todo este tempo - disse o Ron satisfeitíssimo , aproximando se de o carro . - Olha para ele , a floresta tornou o selvagem ... O guarda-lamas estava riscado e cheio de lodo . Parecia que tinha andado a passear sozinho por a floresta . Fang não gostou lá muito de ele . Manteve se a o lado de o Harry que podia senti o a tremer . Com a respiração normalizada , Harry guardou a varinha em o manto . - E nós a pensarmos que ele nos ia atacar - disse o Ron , encostando se a o carro e dando lhe duas palmadinhas - As voltas que eu dei a a cabeça a pensar para_onde ele teria ido ! Harry olhava para todos os lados , em o chão iluminado , em busca de mais aranhas mas todas elas tinham fugido de o brilho de as luzes . - Perdemos as de vista - disse ele . - Anda , vamos procurá as . Ron não disse nada . Não se moveu . Tinha os olhos fixos em um ponto , três metros acima de o chão de a floresta , mesmo atrás de o Harry . O seu rosto estava lívido de terror . Harry nem teve tempo de se voltar . Ouviu se um ruído alto e seco e sentiu que alguma coisa longa e peluda o elevava em o ar com o rosto voltado para baixo . Debatendo se , apavorado , ouviu outro estalido e viu as pernas de o Ron serem também levantadas de o chão . Ouviu o Fang gemer e ganir e , em o momento seguinte , era levado para o meio de as árvores escuras . Com a cabeça a balouçar , Harry viu que a coisa que o transportava tinha seis enormes patas peludas e que as duas de a frente o agarravam com forca sob um par de tenazes pretas e brilhantes . Atrás_de si podia ouvir outra de aquelas criaturas que , sem dúvida , transportava o Ron . Encaminhavam se para o coração de a floresta . Harry ouvia o Fang a ladrar , tentando libertar se de um terceiro monstro mas Harry não podia gritar mesmo_que quisesse , parecia que tinha deixado a voz em a clareira , junto com o carro . Não soube quanto tempo esteve em as patas de a criatura , só se apercebeu que a escuridão se atenuara um_pouco , permitindo lhe ver que o chão coberto de folhas estava agora repleto de aranhas . Voltando a cabeça para o lado , deu se conta de que tinham chegado a a base de uma enorme cova , uma cova que fora limpa de árvores para que as estrelas iluminassem com o seu brilho a cena mais pavorosa que os seus olhos alguma vez tinham visto . Aranhas . Não aranhas pequeninas como aquelas que estavam sobre as folhas . Aranhas de o tamanho de enormes cavalos , com oito olhos , oito pernas pretas , peludas , gigantescas . O espécimen que transportava Harry desceu o terreno íngreme até uma teia brumosa em forma de cúpula que ficava mesmo em o meio de a cova , enquanto os companheiros se juntavam em volta , batendo excitadíssimos com as tenazes e olhando para o que eles traziam a as costas . Harry caiu em o chão de gatas quando a aranha o libertou . Ron e Fang foram cair perto de ele . O Fang já não gania . Estava agachado e muito quieto . Ron e Harry partilhavam o mesmo sentimento . O Ron tinha a boca aberta em uma espécie de grito silencioso e os olhos a saltarem lhe de as órbitas . Harry percebeu de repente que a aranha que o deitara a o chão estava a dizer qualquer coisa . Era difícil entender porque entre cada duas palavras , batia com as tenazes . - Aragog - chamou . - Aragog . E de o meio de a teia brumosa em forma de cúpula saiu muito lentamente uma aranha de o tamanho de um pequeno elefante . As costas e as pernas estavam cobertas de pêlo cinzento e , em a cabeça feia , munida de tenazes , estavam vários olhos , todos eles de um branco leitoso . Era cega . - O que foi ? - disse , batendo rapidamente com as tenazes uma em a outra . - Homens - respondeu a aranha que trouxera o Harry . - É o Hagrid ? - perguntou Aragog , aproximando se mais com os seus oito olhos leitosos a vaguear . - Estranhos - respondeu a aranha que trouxera o Ron . - Matem nos - disse Aragog , irritada . - Eu estava a dormir ... - Nós somos amigos de o Hagrid - gritou Harry . Parecia que o coração lhe saltava por a boca . Clic , clic , clic fizeram as tenazes de a aranha , em volta de a cova . Aragog parou . - O Hagrid nunca mandou homens a a nossa cova - disse lentamente . - O Hagrid está em perigo - explicou Harry , respirando muito depressa . - Foi por isso que eu vim . - Em perigo ? - repetiu a aranha idosa e pareceu a Harry sentir preocupação por detrás de as suas tenazes . - Mas porque vos mandou ele cá ? Harry pensou pôr se de pé mas achou melhor não arriscar . As pernas provavelmente não teriam força para o sustentar . Falou portanto de o chão , o mais calmamente que foi capaz . - Eles lá em a escola pensam que o Hagrid soltou qualquer coisa contra os estudantes . Mandaram o para Azkaban . Aragog bateu furiosamente com as tenazes e , em toda_a cova , o eco foi reproduzido por uma multidão de aranhas . Era uma espécie de aplauso com uma única diferença : os aplausos não costumavam fazer o Harry quase morrer de medo . - Mas isso foi há muitos anos - disse Aragog , maldisposta . - Há anos e anos . Lembro me muito bem . Foi por isso que o expulsaram de a escola . Eles pensaram que eu era o monstro que vive em aquilo a que eles chamam a Câmara_dos_Segredos . Pensaram que o Hagrid a tinha aberto para me libertar . - E tu ... não vieste de a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Harry que sentia a testa cheia de suores frios . - Eu - disse Aragog , batendo irritada com as tenazes - , eu não nasci em o castelo . Venho de uma terra distante . Um viajante ofereceu me a o Hagrid quando eu era ainda um ovo . Hagrid era um rapazinho mas tratou de mim , escondeu me em uma despensa dentro de o castelo e alimentava me com as migalhas que ficavam em as mesas . Hagrid é o meu bom amigo e um bom homem . Quando me encontraram e me culparam por a morte de uma rapariga , ele protegeu me . Desde_então , tenho vivido aqui em a floresta onde o Hagrid ainda vem visitar me . Ele até me arranjou uma esposa , Mosag , e estão a ver como a família cresceu , tudo graças a a bondade de o Hagrid ... Harry reuniu a coragem que lhe restava . - Então tu nunca atacaste ninguém ? - Nunca - resmungou a velha aranha . - Era esse o meu instinto , mas por respeito a Hagrid nunca fiz mal a nenhum humano . O corpo de a rapariga morta foi encontrado em uma casa_de_banho , ora eu nunca conheci mais do_que despensa de o castelo , onde cresci . Nós gostamos de o escuro de o silêncio . - Mas então ... sabes o que matou essa rapariga ? - perguntou Harry . - Porque seja o que for , está a atacar as pessoas outra_vez ... As suas palavras foram abafadas por uma audível explosão de tenazes a bater e por o ruge-ruge de muitas pernas longas , deslocando se iradas . Em volta de Harry começaram a mover se sombras escuras . - O que vive em o castelo - disse Aragog - é uma antiga criatura que nós , aranhas , tememos acima_de todas_as outras . Lembro me bem de o quanto insisti com Hagrid para que me deixasse sair de ali quando senti a criatura a andar por a escola . - O que é ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Mais tenazes a bater , mais pernas a moverem se . As aranhas pareciam estar a aproximar se . - Nós não falamos de isso - exclamou Aragog furiosa . - Não pronunciamos o seu nome . Eu nunca disse a o Hagrid o nome de a horrível criatura , apesar_de ele me ter perguntado vezes sem conta . Harry não quis insistir , principalmente com todas aquelas aranhas a aproximarem se de todos os lados . Aragog parecia ter se cansado de falar . Recuava lentamente para a teia em forma de cúpula , mas as companheiras continuavam a aproximar se ameaçadoramente de Harry e Ron . - Vamos embora , então - gritou Harry , desesperadamente a Aragog , enquanto ouvia as folhas secas a estalarem atrás_de si . - Embora ? - disse Aragog lentamente . - Não me parece ... - Mas , mas ... - Os meus filhos e filhas não fazem mal a o Hagrid por ordem minha . Mas não posso negar lhes carne fresca quando ela veio por vontade própria ter connosco . Adeus , amigo de o Hagrid . Harry deu meia volta . Poucos centímetros acima de ele , uma sólida parede de aranhas batia com as tenazes , os seus muitos olhos a brilharem em as horríveis caras pretas . Mesmo_que se servisse de a varinha , Harry sabia que não ia valer de nada . As aranhas eram demasiadas , mas quando tentava preparar se para morrer a lutar , ouviu se um som prolongado e um clarão de luz iluminou a cova . O carro de Mr._Weasley ribombava , descendo o declive , com os faróis acesos , a buzina a guinchar , afastando as aranhas . Muitas de elas ficaram voltadas ao_contrário com as várias pernas a agitar se em o ar . O carro buzinou com mais força em frente de Harry e Ron e as portas abriram se . - Agarra o Fang - gritou Harry , ajeitando se em o lugar de a frente . Ron agarrou o cão caçador de javalis e lançou o a ganir para o banco de trás . As portas fecharam se com estrondo . Ron não tocou em o acelerador mas o carro não precisou de isso . O motor fez se ouvir e levantaram voo , batendo em mais aranhas . Subiram o declive , saindo de a cova e pouco depois atravessavam a floresta , os ramos a baterem em os vidros enquanto o carro seguia habilmente através de os intervalos maiores , por um caminho que obviamente já conhecia . Harry olhou para o Ron , a o seu lado . Ele tinha ainda a boca aberta em o mesmo grito silencioso mas os olhos já não estavam salientes . - Estás bem ? Ron olhou em frente , incapaz de responder . Começavam a descer para terra firme com o Fang a soltar enormes ganidos em o banco de trás e Harry viu o espelho retrovisor saltar quando passaram rente a um enorme carvalho . Após dez minutos bastante ruidosos , as árvores começaram a ser mais finas e Harry pôde ver de_novo pedaços de o céu . O carro parou tão bruscamente que quase foram projectados por o vidro de a frente . Tinham chegado a a orla de a floresta . O Fang ia agitadíssimo a a janela e quando Harry abriu a porta , disparou a correr através de as árvores até a a casa de o Hagrid , de cauda entre as pernas . Harry saiu também e um minuto depois o Ron pareceu recuperar a força em os membros e seguiu o , ainda com um torcicolo e de olhos esbugalhados . Harry deu uma palmadinha de agradecimento a o carro antes de ele dar a volta e desaparecer em direcção a a floresta . Harry voltou a a cabana de o Hagrid para buscar o manto de a invisibilidade . O Fang tremia em o seu cesto , coberto por um cobertor . Quando saiu de_novo , viu o Ron a vomitar junto de as abóboras . - Sigam as aranhas - disse ele debilmente , limpando a boca a a manga . - Nunca vou perdoar a o Hagrid . É uma sorte ainda estarmos vivos . - Aposto que ele pensou que Aragog nunca faria mal a os seus amigos - justificou Harry . - Esse é justamente o problema de o Hagrid - interrompeu Ron , dando um soco em a parede de a cabana . - Ele acha sempre_que os monstros não são tão maus como os pintam e vê onde isso o levou , a uma cela em Azkaban - tremia agora descontroladamente . - Qual a ideia de ele a o mandar nos ali ? Gostava de saber o que é_que descobrimos . - Que o Hagrid nunca abriu a Câmara_dos_Segredos - disse Harry , lançando o manto sobre Ron e tocando lhe em o braço para o encorajar a andar . - Ele estava inocente . Ron resmungou em voz alta . Para ele , chocar Aragog em uma despensa não era propriamente estar inocente . Quando se aproximaram de o castelo , Harry esticou o manto para garantir que os pés de ambos ficavam cobertos . Em seguida , empurrou as portas de a frente que chiaram . Atravessaram com todo o cuidado o * hall * de entrada e subiram a escadaria de mármore , contendo a respiração em os corredores guardados por sentinelas atentos . Por fim , chegaram a a segurança de a sala de os Gryffindor onde o lume ardera até se transformar em brasas brilhantes . Tiraram o manto e subiram a escada serpenteante que os levava a o dormitório . Ron caiu em a cama sem sequer se despir mas Harry , apesar_de tudo , não tinha sono . Sentou se em a beirinha de a cama , pensando em todas_as coisas que Aragog dissera . A criatura que andava por o castelo , pensou , era uma espécie de monstro Voldemort , nem os outros monstros queriam pronunciar o seu nome . Mas ele e o Ron não estavam agora mais perto_de descobrir o que era nem como petrificava as suas vítimas . Se nem o Hagrid chegara a saber o que estava em a Câmara_dos_Segredos ... Harry balançou as pernas e atirou se para_cima de a cama . Encostado a as almofadas olhou a Lua que brilhava através de a janela de a torre . Não sabia que mais poderiam fazer . Só tinham encontrado portas fechadas . Riddle apanhara a pessoa errada . O herdeiro de Slytherin fugira e ninguém sabia se era a mesma pessoa ou uma outra que abrira , desta_vez , a Câmara_dos_Segredos . Não havia mais ninguém a quem fazer perguntas . Harry deitou se ainda a pensar em as palavras de Aragog . Estava a começar a ficar com sono quando aquilo que parecia ser uma última esperança lhe ocorreu , fazendo o sentar se muito direito em a cama . - Ron - sussurrou em o escuro . - Ron . Ron acordou com um ganido como os de o Fang . Olhou muito assustado em volta e viu o Harry . - Ron , a rapariga que morreu . Aragog contou nos que ela foi encontrada em uma casa_de_banho - disse , ignorando os roncos de o Neville em o outro canto de o quarto . - E se ela nunca tivesse saído de a casa_de_banho ? E se ainda lá estiver ? Ron esfregou os olhos , franzindo as sobrancelhas sob a luz de a Lua . E só então compreendeu . -- Não pensar que ... a Murta_Queixosa ? XVI_A_Câmara_dos_Segredos -- E estivemos nós tantas vezes em aquela casa_de_banho com ela apenas a três cubículos de distância - disse o Ron amargamente em o dia seguinte , a a mesa de o pequeno-almoço . - Podíamos ter lhe perguntado e agora ... Já fora bastante difícil procurar as aranhas . Escapar a os professores o tempo suficiente para ir até a a casa_de_banho de as raparigas , que ficava mesmo em frente de o lugar onde ocorrera o primeiro ataque , ia ser quase impossível . Mas alguma coisa aconteceu que fez com que a Câmara_dos_Segredos desaparecesse de os seus pensamentos pela_primeira_vez em várias semanas . A professora Mc_Gonagall comunicou lhes que os exames começariam a 1_de_Junho , uma semana depois . - Exames ? - gritou Seamus_Finnigan . - Nós mesmo_assim vamos ter exames ? Ouviu se um estrondo atrás de o Harry quando a varinha de o Neville_Longbottom lhe escapou de a mão , fazendo desaparecer uma de as pernas de a secretária . A professora Mc_Gonagall repô a com a sua varinha e voltou se com má cara para o Seamus . - Se temos a escola aberta em uma altura de estas é para vocês receberem instrução - disse com dureza . - Os exames terão lugar , portanto , como é costume e espero que todos vocês façam revisões até lá . Revisões . Não passara por a cabeça de o Harry que houvesse exames com o castelo em aquele estado . Houve uma série de murmúrios revoltados , o que fez com que a professora Mc_Gonagall ficasse ainda mais mal-humorada . - As instruções de o professor Dumbledore foram para manter a escola a funcionar o mais normalmente possível - disse . - E isso , não preciso de vos dizer , passa por uma avaliação de o quanto vocês aprenderam a o longo de este ano . Harry olhou para baixo , para o casal de coelhos brancos que ele deveria transformar em pantufas . Que tinha ele aprendido durante o ano ? Não era capaz de se lembrar de nada que fosse útil em um exame . Ron estava como_se tivessem acabado de lhe dizer que a partir de aquele momento tinha de ir viver para a floresta proibida . - Estás a ver me a ter exames com isto tudo ? - perguntou a o Harry enquanto pegava em a varinha que tinha começado a assobiar bastante alto . Três dias antes de o primeiro exame , a a hora de o pequeno almoço , a professora Mc_Gonagall fez outra comunicação . - Tenho boas notícias - disse , e o salão em_vez_de se calar , explodiu de contentamento . - Dumbledore vai regressar ! - gritaram várias pessoas cheias de alegria . - Apanharam o herdeiro de Slytherin - arriscou uma rapariga em a mesa de os Ravenclaw . - Temos outra_vez os jogos de Quidditch - bradou Wood , excitadíssimo . Quando a agitação passou , Mc_Gonagall disse : - A professora Sprout informou me que as mandrágoras estão finalmente prontas para serem cortadas . Hoje a a noite vamos poder reanimar as pessoas que foram petrificadas . Escusado será dizer que certamente uma de elas poderá revelar nos quem ou o que a atacou . Eu tenho esperança que este ano pavoroso acabe com a prisão de o culpado . Houve uma explosão de aplausos . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e não ficou nada surpreendido a o ver que Draco_Malfoy não aplaudia . O Ron , por outro lado , estava satisfeito como ninguém o via havia dias . - Não faz mal não termos perguntado a a Murta . A Hermione vai , com certeza , ter todas_as respostas quando acordarem . Vai também ficar fula quando souber que temos exames dentro_de três dias . Ela não pôde fazer revisões . Seria melhor deixarem a estar onde está até a o final de os exames . Nessa_altura , Ginny_Weasley veio sentar se junto de o Ron . Parecia nervosa e tensa e Harry reparou que torcia as mãos em o colo . - O que se passa ? - perguntou o Ron , servindo se de mais papa de aveia . Ginny não disse nada mas olhou para um lado e para o outro de a mesa de os Gryffindor , com um olhar assustado que lembrou a Harry alguém que não sabia bem quem era . - Vá lá , vomita - disse o Ron , olhando para ela . Harry percebeu subitamente quem a Ginny lhe lembrara . Ela balançava se ligeiramente para a frente e para trás em a cadeira , exactamente como o Dobby fazia quando estava hesitante , à_beira_de revelar uma informação proibida . - Tenho de te dizer uma coisa - balbuciou a Ginny receosa , sem olhar para Harry . - O que é ? - perguntou ele . Ginny parecia incapaz de encontrar as palavras certas . - O quê ? - insistiu Ron . Ginny abriu a boca mas não saiu nenhum som . Harry inclinou se para a frente e falou devagar para que só ela e Ron pudessem ouvi o . - É alguma coisa relacionada com a Câmara_dos_Segredos ? Viste alguma coisa ou alguém a agir de forma estranha ? Ginny respirou fundo e , em esse preciso momento , apareceu Percy_Weasley com um ar pálido e cansado . - Se já acabaste de comer eu fico com esse lugar , Ginny . Estou cheio de fome . Acabei agora o meu trabalho de patrulhamento . Ginny deu um salto como_se a cadeira tivesse acabado de ser electrificada , lançou a o Percy um olhar assustado e zarpou . Percy sentou se e tirou uma caneca de o meio de a mesa . -- Percy - disse o Ron aborrecido . - Ela ia agora mesmo contar nos uma coisa importante . A meio de um gole de chá , Percy estremeceu . - Que coisa ? - perguntou , tossindo . - Eu quis saber se ela tinha visto alguma coisa estranha e ela ia dizer ... - Ah ! isso ... não tem nada que ver com a Câmara_dos_Segredos - disse o Percy de imediato . - Como sabes ? - indagou o Ron , erguendo as sobrancelhas . - Bem ... er ... já_que perguntam , a Ginny ... er ... passou por mim em outro dia quando eu ... er ... não foi nada , o importante é_que ela viu me fazer uma coisa e eu ... um ... pedi lhe para não comentar com ninguém . Não pensei que ela cumprisse a palavra , verdade se diga . Não é nada importante , eu só ... Harry nunca vira o Percy tão pouco a a vontade . - O que estavas a fazer , Percy ? - riu se o Ron . - Vá lá , conta que nós não nos rimos . Percy ficou sério . - Passa me esses pãezinhos , Harry , estou cheio de fome . Harry sabia que todo o mistério poderia ser desvendado em o dia seguinte sem a ajuda de eles mas não ia deixar de falar com a Murta_Queixosa se a oportunidade surgisse . E , para sua grande satisfação , ela surgiu a meio de a manhã quando eram conduzidos a a aula de História_da_Magia_por_Gilderoy_Lockhart . Lockhart , que tantas vezes lhes assegurara que o perigo tinha passado , estava agora totalmente convencido de que acompanhar os alunos em os corredores era um trabalho inútil . O seu cabelo estava mais liso do_que de costume . Parecia ter passado toda_a noite acordado a vigiar o quarto andar . - Podem escrever o que eu digo - afirmou , acompanhando os até uma esquina . - As primeiras palavras que vão sair de a boca de aquelas pobres pessoas petrificadas serão - * _ Foi_o_Hagrid * . Francamente , estou espantado por a professora Mc_Gonagall considerar ainda necessárias estas medidas de segurança . - Concordo , professor - disse Harry , fazendo com que Ron , surpreendido , deixasse cair os livros a o chão . - Obrigado , Harry - disse Lockhart amavelmente , enquanto deixavam passar uma grande fila de Hufflepuffs . - verdade é_que os professores já têm bastante que fazer para andarem também a acompanhar os alunos a as aulas e a guardar os corredores a a noite ... - É verdade - disse o Ron , percebendo a ideia . - Porque não nos deixa aqui , professor , só falta mais um corredor . - Sabes , Weasley , sou mesmo capaz de fazer isso - disse Lockhart . - Preciso de preparar a minha próxima aula . E apressou se a seguir o seu caminho . - Preparar a aula - zombou o Ron . - Vai encaracolar o cabelo , é o mais certo . Deixaram os restantes Gryffindor passar lhes a a frente e por fim cortaram caminho em um corredor lateral e dirigiram se a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mas quando estavam a congratular se por o seu esquema brilhante ... - Potter , Weasley ! Que estão vocês a fazer aqui ? Era a professora Mc_Gonagall e a boca de ela estava mais fina do_que nunca . - Nós estávamos , estávamos - gaguejou o Ron . - Nós íamos ver , íamos ver ... - Hermione - completou Harry . A professora Mc_Gonagall e Ron olharam para ele . - Não a vemos há séculos , professora - prosseguiu Harry , pisando o pé a o Ron . - E pensamos ir espreitá a a a ala hospitalar e dizer lhe que as mandrágoras estão quase prontas , para ela não se preocupar . A professora Mc_Gonagall estava ainda a olhar para ele e , por um momento , Harry pensou que ela ia explodir mas , quando falou , fê lo em um tom de voz estranhamente rouco . - É claro - disse . E Harry , espantado , viu uma lágrima a brilhar lhe em o canto de um de os olhos . - É claro . Eu compreendo que tudo_isto tem sido muito duro para os amigos de aqueles que foram ... eu compreendo , sim , Potter . Podem ir visitar Miss_Granger . Eu mesma informarei o professor Binns de que vocês estão em o hospital . Digam a Madam_Pomfrey que vos dei autorização . Harry e Ron afastaram se , quase sem acreditar que tinham escapado a um castigo . Quando voltaram em uma esquina ouviram nitidamente a professora Mc_Gonagall a assoar se . - Esta - disse o Ron entusiasmado - foi a melhor história que tu alguma vez inventaste . Não tinham outro remédio senão ir a a ala hospitalar e dizer a Madam_Pomfrey que tinham autorização de a professora Mc_Gonagall para visitar Hermione . Madam_Pomfrey deixou os entrar com alguma relutância . - Não vale a pena falar com uma pessoa petrificada - disse , e ambos tiveram que admitir que ela tinha razão quando se sentaram junto de Hermione e constataram que ela não tinha a menor noção de estar acompanhada . Dizer lhe que não se preocupasse ou falar com o armário que estava a o lado de a cama era exactamente a mesma coisa . - Será que ela viu quem a atacou ? - perguntou o Ron , olhando com tristeza para o rosto rígido de Hermione . - Porque se a coisa saltou sobre eles , ficaremos todos sem saber de nada . Mas Harry não olhava para o rosto de Hermione . Estava mais interessado em a sua mão direita que se encontrava pousada sobre os cobertores e , inclinando se para ela , viu que tinha , fechado entre os dedos , um pedaço de papel . Assegurando se de que Madam_Pomfrey não dava por nada , fez sinal a o Ron . - Tenta tirá o - murmurou ele , colocando a cadeira de_modo_a que Madam_Pomfrey não pudesse ver o Harry . Não foi tarefa fácil . A mão de a Hermione estava fechada com uma força tal que Harry receou parti a . Enquanto Ron vigiava , ele forçou e torceu até que , por fim , depois de vários minutos bastante tensos , conseguiu tirar o papel . Era uma página retirada de um livro muito antigo de a biblioteca . Harry alisou a ansiosamente e Ron inclinou se para poder lês a também . * _ De todos os monstros assustadores que pairam a a face de a Terra , nenhum é tão curioso nem tão fatal como o Basilisk , também conhecido por o rei de as serpentes . Esta cobra que pode atingir proporções gigantescas e viver durante muitas centenas de anos nasce de um ovo de galinha que é chocado por um sapo . As suas formas de matar são pavorosas pois além de os dentes venenosos e mortais , o Basilisk tem um olhar criminoso e todos aqueles que ele fixa com os olhos tem morte instantânea . As aranhas fogem a sete pés de o Basilisk que é seu inimigo mortal , e o Basilisk foge apenas de o canto de o galo que para ele é fatal * . Por debaixo de isto uma única palavra fora escrita , em a letra que Harry reconheceu como sendo de Hermione : Canos . Foi como_se se tivesse acendido uma luz em o seu espírito . - Ron - murmurou - é isso . Está aqui a resposta . O monstro de a Câmara_dos_Segredos é um Basilisk , uma serpente gigante . Por isso , só eu tenho ouvido a sua voz em todos os lugares , porque eu compreendo * serpentês * ... Harry olhou para as camas em volta . - O Basilisk mata as pessoas fixando as com o olhar mas ninguém morreu , o que quer_dizer que ninguém o olhou directamente em os olhos . Colin viu o através de a lente de a máquina fotográfica e o Basilisk queimou o rolo que estava lá dentro mas o Colin ficou apenas petrificado . O Justin ... o Justin deve ter visto o Basilisk através de o Nick quase sem cabeça . O Nick é_que levou com o olhar mas não podia morrer outra_vez ... e perto de a Hermione e de a prefeita de os Ravenclaw foi encontrado um espelho . Hermione acabara de compreender que o monstro era um Basilisk . Aposto que preveniu a primeira pessoa que encontrou de que era melhor olhar por um espelho a o virar de cada esquina . E aquela rapariga puxou de o seu espelho e ... O Ron estava de queixo caído . - E Mrs._Norris ? - perguntou vivamente . Harry pensou um_pouco , tentando imaginar a cena em a noite de o Halloween . - A água . . . - disse lentamente . - A poça de água que saiu de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Aposto que Mrs._Norris só viu o reflexo de o monstro . Examinou a folha de papel que tinha em a mão . Quanto_mais olhava mais sentido faziam as coisas . - * _ O cantar de o galo é fatal para ele * - leu em voz alta . - Os galos de o Hagrid foram mortos . O herdeiro de Slytherin não queria um único galo perto de o castelo , com a câmara aberta . * _ As aranhas são as primeiras a fugir * . Tudo encaixa . - Mas , como tem o Basilisk andado por aí ? - disse o Ron . - Uma serpente horrível e enorme ... alguém a teria visto . Mas Harry apontou para a palavra que Hermione escrevinhara em o final de a página . - Canos - disse . - Canos ... Ron , ele tem usado a canalização . Eu ouvi sempre a voz dentro de as paredes ... Ron agarrou subitamente o braço de o Harry . - A entrada para a Câmara_dos_Segredos - disse em uma voz rouca . - E se for em uma casa_de_banho ? Se for em a ... - Em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa - completou Harry . Sentaram se , tomados de uma excitação enorme , mal querendo acreditar . - Isso significa que - disse o Harry - eu não posso ser o único em a escola a falar * serpentês * . Há também o herdeiro de Slytherin . É de esse modo que tem controlado o Basilisk . - O que vamos fazer ? - perguntou Ron com os olhos a faiscar . - Vamos falar com a Mc_Gonagall ? - Vamos até a a sala de os professores - disse Harry , dando um salto . - Ela estará lá dentro_de dez minutos , está quase em o intervalo . Desceram a escada a correr . Não querendo ser descobertos outra_vez a vaguear por os corredores foram directamente até a a sala de os professores que estava deserta . Era uma divisão ampla , toda forrada , com cadeiras de madeira escura . Harry e Ron passearam de um lado para o outro , demasiado nervosos para se sentarem . Mas a campainha anunciando o intervalo nunca mais tocava . Em vez de isso , ecoando em os corredores , ouviram a voz de a professora Mc_Gonagall incrivelmente ampliada . - * _ Todos os alunos devem regressar de imediato a os seus dormitórios . Todos os professores a a sala de professores . Imediatamente , por favor * . Harry deu meia volta e olhou para o Ron . - Não me digas que houve um novo ataque , não agora ! - Que vamos fazer ? - disse o Ron aterrado . - Voltar para o dormitório ? - Não - disse Harry , olhando e m volta . Havia uma espécie de armário a a sua esquerda cheio com os mantos de os professores . - Ali . Vamos ouvir o que se passa . A seguir poderemos contar lhes o que descobrimos . Esconderam se dentro de o armário , ouvindo a algazarra de centenas de pessoas e a porta de a sala de professores a abrir se . De o meio de a confusão de mantos bafientos , viram os professores encherem a sala . Alguns tinham um ar totalmente confuso , outros pareciam apavorados . Por fim , chegou a professora Mc_Gonagall . - Aconteceu - disse em o silêncio de a sala de professores . - O monstro levou uma aluna . Levou a mesmo para a câmara . O professor Flitwick soltou um grito agudo . A professora Sprout bateu com a mão em a boca . Snape agarrou com força as costas de uma cadeira e perguntou : - Como pode ter tanta certeza ? - O herdeiro de Slytherin - disse a professora Mc_Gonagall , muito pálida . - Deixou outra mensagem . Mesmo por baixo de a primeira : « * _ O esqueleto de ela ficará para sempre em a Câmara_dos_Segredos * . » O professor Flitwick desatou a chorar . - Quem é ela ? - quis saber Madam_Hooch que se afundara em uma cadeira . - Quem é a aluna ? - Ginny_Weasley - disse a professora Mc_Gonagall . Harry viu o Ron , a o seu lado , escorregar silenciosamente até a o chão de o armário . - Vamos ter que mandar todos os alunos embora amanhã - disse a professora Mc_Gonagall . Isto_é o fim de Hogwarts , Dumbledore sempre disse ... A porta de a sala de os professores voltou a abrir se . Por um breve momento , Harry pensou que fosse Dumbledore mas era Lockhart e vinha todo sorridente . - Peço desculpa , adormeci . Perdi alguma coisa ? Não pareceu reparar que os outros professores o olhavam com uma espécie de aversão . Snape deu um passo em frente . - O homem que faltava - disse . - O homem certo . O monstro raptou uma garota , Lockhart levou a para a Câmara_dos_Segredos . O seu momento chegou . - Isso mesmo , Lockhart - acrescentou a professora Sprout . - Não estavas a dizer ontem a a noite que sempre tinhas sabido onde era a entrada para a Câmara_dos_Segredos ? - Eu ... bem ... eu-disse atabalhoadamente Lockhart . - Sim , não me disseste que sabias exactamente o que estava lá dentro ? - disse com voz esganiçada o professor Flitwick . - Eu disse ? Não me lembro ... - Lembro me perfeitamente de o ouvir dizer que lamentava não ter feito uma tentativa com o monstro antes de o Hagrid ser preso - disse Snape . - Não disse que toda_a história tinha sido uma atrapalhação e que deveriam ter lhe dado carta branca desde o princípio ? Lockhart olhou em volta para a cara de espanto de os colegas . - Eu ... nunca ... eu de facto ... deve ter me compreendido mal . - Então vamos deixar te , Gilderoy - disse a professora Mc_Gonagall . - Esta noite será uma excelente oportunidade para actuares . Nós trataremos de assegurar que ninguém te atrapalha . Vais poder enfrentar o monstro sozinho . Finalmente tens carta branca . Lockhart olhou desesperado a a sua volta mas ninguém foi salvá o . Já não estava bem-parecido . O lábio tremia lhe e a ausência de o seu habitual sorriso de dentes brancos dava lhe um ar escanzelado . - M-muito bem - disse . - Vou até a o meu escritório para ... para me preparar . E saiu de a sala . - _ óptimo - exclamou a professora Mc_Gonagall com as narinas dilatadas . - Isto deve afastá o de o nosso caminho . Os chefes de casa devem ir agora comunicar a os respectivos alunos o que se passou e informá os de que o Expresso_de_Hogwarts os levará a casa amanhã de manhã . Os restantes certifiquem se , por favor , de que não há alunos fora de os dormitórios . Os professores levantaram se e saíram um a um . Foi talvez o dia pior de a vida de o Harry . Ele , Ron , Fred e George sentaram se juntos a um canto em a sala comum de os Gryffindor , incapazes de proferir uma palavra . Percy não estava lá . Tinha ido tratar de enviar uma coruja a Mr. e Mrs._Weasley e , em seguida , fechara se em o dormitório . Nunca uma tarde custara tanto a passar e nunca a torre de os Gryfffindor estivera tão cheia de gente e tão silenciosa . Fred e George foram para a cama quase a o pôr de o Sol , incapazes de ficar ali mais tempo . - Ela sabia qualquer coisa , Harry - disse o Ron , falando pela_primeira_vez desde_que tinham saído de o armário de a sala de os professores . - Por isso a levaram . Não era nenhuma parvoíce sobre o Percy , ela tinha descoberto qualquer coisa sobre a Câmara_dos_Segredos . Com certeza por isso é_que a ... - Ron esfregou os olhos , enervadíssimo . - Afinal ela era sangue puro , não pode haver outra explicação . Harry olhava para o sol que mergulhava de um vermelho cor de sangue em a linha de o horizonte . Era a pior coisa que lhe tinha acontecido . Se pelo_menos pudessem fazer alguma coisa . - Harry - disse o Ron . - Achas que há alguma possibilidade de ela não estar ... ? Sabes o que eu quero dizer . Harry não sabia que resposta dar . Não acreditava que a Ginny pudesse ainda estar viva . - Sabes uma coisa ? - disse o Ron . - Acho que devíamos ir ter com o Lockhart , contar lhe o que sabemos . Ele vai tentar entrar em a câmara , podemos dizer lhe onde achamos que fica a entrada e contar lhe que o monstro é um Basilisk . Como Harry não tinha nenhuma ideia melhor e como queria fazer alguma coisa , concordou . Os Gryffindor que os rodeavam estavam tão tristes e com tanta pena de os Weasley que ninguém tentou impedi os quando os viram levantar se , atravessar a sala e sair por o buraco de o retrato . A escuridão começava a instalar se quando chegaram a o escritório de Lockhart onde a actividade era muita . De o corredor ouvia se o ruído de coisas a serem deitadas fora , pancadas surdas e passos apressados . Harry bateu a a porta e houve um silêncio repentino . Em seguida abriu se uma fresta de a porta e viram um de os olhos de Lockhart a espreitar . - Oh ! ... Mr._Potter ... Mr._Weasley - disse entreabrindo a porta . - Estou um_pouco ocupado em este momento , se forem rápidos ... - Professor , nós temos informações para lhe dar - disse o Harry . - Acho que poderão ajudá o . - Er ... bem ... não é - o lado de a cara de Lockhart que conseguiam ver parecia muito pouco a a vontade . - Quer_dizer ... bem ... está bem . Abriu a porta e eles entraram . O escritório estava praticamente vazio . Em o chão estavam duas grandes malas abertas . Mantos verde-jade , lilás , azul-noite tinham sido apressadamente dobrados e guardados dentro_de uma de as malas . Os livros misturavam se todos dentro de a outra . As fotografias que antes cobriam as paredes estavam agora arrumadas em caixas , em cima de a secretária . - Vai a algum lado ? - perguntou Harry . - Er ... bem ... sim - disse Lockhart , arrancando de a porta um poster seu em tamanho natural , enquanto falava , e começando a enrolá o . - Uma chamada urgente ... inevitável ... tenho que ir . - E a minha irmã ? - perguntou o Ron bruscamente . - Bem , quanto_a isso foi uma pena - disse Lockhart , evitando olhá os em os olhos , abrindo uma gaveta e começando a despejar o seu conteúdo dentro_de um saco . - Ninguém lamenta mais do_que eu ... - O senhor é o professor de Defesa contra as artes negras - disse Harry . - Não pode ir se embora agora_que todas estas coisas de magia negra estão a acontecer aqui . - Bem , devo dizer te que ... quando aceitei o lugar ... - resmungou Lockhart , empilhando soquetes sobre os mantos - nada em a descrição de o meu trabalho fazia prever ... - Quer_dizer que vai fugir ? - perguntou Harry , incrédulo . - Depois de todas_as coisas que conta em os seus livros ? - Os livros podem ser enganadores - disse Lockhart delicadamente . - Mas foi o senhor que os escreveu - gritou Harry . - Meu rapaz - disse Lockhart , endireitando se e franzindo as sobrancelhas - usa o senso comum . Os meus livros não teriam vendido metade do_que venderam se as pessoas não acreditassem que eu tinha feito todas aquelas coisas . Ninguém está interessado em ler sobre um velho feiticeiro americano mesmo_que ele tenha salvo uma cidade inteira de os lobisomens , ficaria péssimo em a capa . E a bruxa que correu com a fada carpideira tinha um lábio leporino . Como vês . - Quer_dizer que ficou com os louros por tudo_o_que uma série de outras pessoas fizeram ? - perguntou Harry , sem querer acreditar . - Harry , Harry - disse Lockhart , abanando impacientemente a cabeça . - Não é tão simples assim . Envolveu muito trabalho . Tive de localizar todas essas pessoas , perguntar lhes em pormenor como tinham feito as coisas . Depois tive de lhes fazer um feitiço antimemória para que não voltassem a lembrar se do_que tinham feito . Se há uma coisa de que me orgulho é de os meus feitiços antimemória . Não , tive muito trabalho , Harry . Não foram só as sessões de autógrafos e as fotografias , sabes ? Quem quer ser famoso tem de estar preparado para um trabalho longo e fatigante . Fechou as malas a a chave . - Vejamos - disse . - Acho que está tudo . Sim , só falta uma coisa . - Empunhou a varinha e voltou se para eles . - Lamento muito , rapazes , mas vou ter de vos fazer um feitiço antimemória . Não posso deixar que vão por aí repetir os meus segredos . Não venderia nem mais um livro . Harry pegou em a varinha mesmo a tempo e Lockhart mal tinha levantado a de ele a o ar quando Harry gritou * _ Expelliarmus ! * Lockhart foi projectado de costas , indo cair em cima de a mala . A varinha voou por os ares . Ron agarrou a e atirou a por a janela aberta . - Não devia ter deixado o professor Snape ensinar nos esta - disse Harry furioso , dando um pontapé a uma de as malas . Lockhart olhava para ele , de_novo escanzelado . Harry apontava lhe a varinha . - O que queres que eu faça ? - perguntou debilmente . - Eu não sei onde fica a Câmara_dos_Segredos . Não posso fazer nada . - Está com sorte - disse Harry , forçando o com a varinha a pôr se de pé . - Nós julgamos saber onde é e o que está lá dentro . Vamos . Conduziram Lockhart para fora de o seu escritório , desceram com ele as escadas e seguiram por o corredor escuro em cuja parede brilhavam as mensagens , até a a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mandaram Lockhart a a frente . Harry gostou de ver que todo ele tremia . A Murta_Queixosa estava sentada em a cisterna de o cubículo de o fundo . - Ah ! são vocês - disse a o ver o Harry . - O que querem agora ? - Perguntar te como morreste - disse Harry . O aspecto de a Murta mudou por completo . Parecia que nunca lhe tinham feito uma pergunta tão lisonjeira . - Ooooh ! Foi horrível - disse satisfeita . - Aconteceu aqui mesmo . Morri em este cubículo . Lembro me tão bem . Estava escondida porque a Olive_Hornby andava a implicar comigo por causa de os meus óculos . A porta estava fechada e eu estava a chorar e , então , ouvi alguém entrar . Disseram qualquer coisa estranha em uma língua diferente , acho eu . Mas o que mais me espantou foi o ser um rapaz a falar . Por isso , abri a porta para lhe dizer que fosse a a casa_de_banho de eles e em esse momento - a Murta inchou com ar importante , o rosto a brilhar - morri . - Como ? - perguntou Harry . - Não faço ideia - disse a Murta em um tom de voz abafado . - Só me lembro de ver dois grandes olhos amarelos , de o meu corpo ficar preso e em seguida , sentir me a flutuar ... - olhou sonhadoramente para Harry . - E depois voltei . Estava disposta a vingar me de a Olive_Hornby , percebes ? Ela ia arrepender se de ter gozado com os meus óculos . - Onde foi exactamente que viste os tais olhos ? - perguntou Harry . - Algures por aí - disse a Murta , apontando vagamente para o lavatório em frente de o seu cubículo . Harry e Ron apressaram se . Lockhart estava de pé , mais atrás , com uma expressão de pavor em o rosto . O lavatório parecia perfeitamente vulgar . Examinaram o centímetro a centímetro , dentro e fora , incluindo os canos por baixo . E foi então que Harry reparou : de lado , rabiscada em uma de as torneiras de cobre , estava uma cobra pequenina . - Essa torneira nunca funcionou - disse vivamente a Murta enquanto ele tentava abri a . - Harry - sugeriu o Ron . - Diz qualquer coisa em * serpentês * . Mas , pensou Harry , as únicas vezes que conseguira falar * serpentês * tinham ocorrido quando confrontado com uma verdadeira serpente . Olhou , concentrado para a pequena cobra gravada em o cobre , tentando imaginá a como verdadeira . - Abre te - disse . Olhou para o Ron que abanou a cabeça . - Inglês - disse ele . Harry voltou a olhar para a cobra , forçando se a acreditar que estava viva . A luz de a vela fez parecer que se movia . - Abre te - repetiu . Mas desta_vez as palavras não foram o que ele ouviu . Um estranho sibilar escapou lhe de a boca e a torneira ganhou uma luz branca e brilhante e começou a rodar . Logo_a_seguir o lavatório mexeu se . Afastou se , melhor dizendo , saiu de o caminho , deixando um grande cano a a vista , um cano onde cabia um homem . Harry ouviu a respiração arquejante de o Ron e olhou de_novo para ele . Já decidira o que queria fazer . - Vou descer - disse . Não podia deixar de ir , agora_que acabavam de descobrir a entrada para a câmara , existindo uma possibilidade , por mais remota que fosse , de a Ginny ainda estar viva . - Eu também - disse o Ron . Houve uma pausa . - Bem , parece que não precisam mais de mim - apressou se Lockhart a dizer com uma réstia de sorriso . - Eu vou . . . Pôs a mão em o puxador de a porta mas Ron e Harry apontaram lhe ambos as varinhas . -- O senhor pode ir a a frente - disse rispidamente o Ron . Pálido e sem varinha , Lockhart aproximou se de a entrada . - Meus rapazes - disse em uma voz débil . - Meus rapazes , para quê tudo_isto ? Harry tocou lhe em as costas com a varinha e ele meteu as pernas em o cano . - Eu não me parece que ... - começou a dizer , mas o Ron deu lhe um empurrão e ele desapareceu por o cano abaixo . Harry foi rapidamente atrás . Introduziu se lentamente e deixou se cair . Era como escorregar em uma pista escura e interminável . Ele via outros canos , estendendo se em todas_as direcções mas nenhum tão largo como o de eles que se torcia e virava , inclinando se abruptamente . Harry sabia que estavam a chegar a um ponto muito abaixo de a escola e de os calabouços . Atrás_de si , ouvia o Ron gemendo em cada curva . E então , quando começava a preocupar se com o que iria acontecer quando tocassem em o chão , o cano tornou se horizontal e ele foi projectado com um ruído surdo , indo aterrar em o chão húmido de um túnel de pedra com altura suficiente para ele se pôr de pé . Lockhart estava a levantar se a alguma distancia , todo enlameado e pálido como um fantasma . Harry afastou se para deixar o Ron sair também de o cano . - Devemos estar quilómetros e quilómetros abaixo de a escola - disse o Harry cuja voz ecoou em o túnel negro . - Talvez até debaixo de o lago - arriscou o Ron , olhando em volta para as paredes escuras e viscosas . Voltaram se os três para olhar para a escuridão lá a o fundo . - * _ Lumus ! * - murmurou Harry a a varinha e ela voltou a acender se . - Vamos - disse a o Ron e a o Lockhart e avançaram , os passos a chapinharem ruidosamente em o chão molhado . O túnel era tão escuro que só conseguiam ver alguns centímetros a a frente . As suas sombras em as paredes molhadas pareciam monstruosas a a luz de a varinha . - Lembrem se - disse Harry baixinho enquanto caminhavam . - A o menor movimento fechem logo os olhos ... Mas o túnel era silencioso como um túmulo e o primeiro som inesperado que ouviram foi um grito de o Ron que escorregou em uma coisa que era afinal a cauda de um rato . Harry baixou a varinha para olhar para o chão e viu que estava cheio de pequenos ossos de animais . Fazendo um enorme esforço para evitar pensar em que estado iriam encontrar a Ginny , avançou até uma curva escura de o túnel . - Harry , está aqui qualquer coisa - disse o Ron com voz rouca , agarrando Harry por o ombro . Ficaram estáticos a olhar . Harry só conseguia ver a silhueta de algo enorme e curvo deitado em o túnel . Fosse o que fosse não se movia . - Talvez esteja a dormir - murmurou , olhando para os outros dois . Lockhart tapava os olhos com as mãos . Harry voltou se para olhar para a criatura com o coração a bater tanto que lhe doía em o peito . Lentamente , com os olhos quase fechados mas ainda conseguindo ver , Harry avançou com a varinha levantada . A luz deslizou sobre uma gigantesca pele de serpente , de um verde vivo e venenoso que estava vazia e enrolada em o chão de o túnel . A criatura que a abandonara devia ter , pelo_menos , seis metros e meio de comprimento . - Bolas - disse o Ron , perdendo as forças . Houve um movimento súbito atrás de eles . As pernas de Gilderoy_Lockhart cederam . - Levante se - disse o Ron de uma forma cortante , apontando lhe a varinha . Lockhart pôs se de pé . Em seguida empurrou o Ron , atirando o a o chão . Harry deu um salto , mas ... tarde de mais . Lockhart endireitava se com a varinha de o Ron em as mãos e um sorriso em o rosto . - A aventura acaba aqui , rapazes - disse . - Vou levar um bocado de esta pele de cobra para a escola , contar lhes que foi demasiado tarde para salvar a garota e que vocês os dois perderam tragicamente a memória com a visão de o seu corpinho mutilado . Digam adeus a as vossas recordações . Levantou a o ar a varinha avariada de o Ron e gritou * _ Obliviate ! * A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba . Harry pôs os braços sobre a cabeça e correu , escorregou em os anéis de a pele de cobra , afastando se de os grandes pedaços de tecto de o túnel que caíam em o chão com o ruído de trovões . Pouco depois estava sozinho , olhando para uma sólida parede de rocha partida . - Ron - gritou ele . - Estás bem , Ron ? - Estou aqui - respondeu a voz abafada de o Ron por detrás de a avalancha de rochas . - Eu estou bem mas este sujeito não . A varinha avariou o todo . Ouviu se um ruído surdo e um Oh ! gritado . Parecia que o Ron tinha acabado de dar a o Lockhart um pontapé em as canelas . - E agora ? - disse a voz de o Ron que parecia desesperada . - Não podemos passar , vai demorar séculos . Harry olhou para o tecto de o túnel onde tinham aparecido grandes fendas . Ele nunca tentara partir , através de a magia , nada tão grande como aquelas rochas e agora não lhe parecia ser o melhor momento para fazer experiências . E se o túnel abatesse ? Houve um ruído surdo e outro Oh ! atrás de as rochas . Estavam a perder tempo . A Ginny já estava havia duas horas em a Câmara_dos_Segredos . Harry sabia que só havia uma coisa a fazer . - Espera aqui - gritou a o Ron . - Fica com o Lockhart , eu vou lá . Se não voltar dentro_de uma hora ... Houve um silêncio cheio . - Eu vou ver se desloco um_pouco esta rocha - disse o Ron , tentando manter a voz firme . - Para tu poderes passar . E , Harry ... - Até já - disse o Harry , procurando injectar confiança em a sua voz trémula . E passou sozinho para lá de a imensa pele de serpente . Em_breve , o ruído de o Ron , tentando deslocar a rocha , deixou de se ouvir . O túnel virou uma e outra_vez . Os nervos de o corpo de o Harry tangiam de forma desagradável . Ele só queria que o túnel chegasse a o fim , fosse o que fosse que o aguardasse . E então , finalmente , quando atingiu a última curva , viu em a sua frente uma parede sólida que tinha gravadas duas serpentes enroladas uma em a outra , cujos olhos eram quatro esmeraldas , enormes e brilhantes . Harry aproximou se com a garganta seca . Não foi preciso imaginar que as serpentes eram autênticas . Os seus olhos pareciam estranhamente vivos . Foi fácil descobrir o que tinha de fazer . Pigarreou e os olhos de esmeraldas pareceram mexer se . - Abre te - disse Harry em um sibilar baixo . As serpentes desapareceram enquanto a parede se abria a o meio e , a tremer de os pés a a cabeça , Harry entrou . XVII_Herdeiro_de_Slytherin_Estava de pé em o fundo de uma divisão enorme , fracamente iluminada . Altíssimos pilares de pedra , cheios de serpentes gravadas que os enlaçavam , erguiam se , suportando um tecto que se perdia em a escuridão e que lançava sombras negras imensas através de a estranha luz esverdeada que enchia o local . Com o coração a bater descompassadamente , Harry ficou parado a ouvir aquele silêncio arrepiante . Estaria o Basilisk escondido em um canto cheio de sombras , atrás_de algum pilar ? E onde estaria Ginny ? Pegou em a varinha e avançou a o longo de as colunas serpenteantes . Cada_um de os seus passos provocava um enorme eco em as paredes sombrias . Harry tinha os olhos semicerrados e estava pronto para os fechar a o mais pequeno movimento . As órbitas de olhos fundos de as serpentes de pedra pareciam segui o . Por mais de uma_vez , com o estômago a dar um salto , Harry julgou vê os moverem se . Por fim , chegado a o nível de os dois últimos pilares , avistou uma estátua de a altura de a própria câmara que estava encostada a a parede de o fundo . Harry tinha de esticar o pescoço para olhar para_cima , para a cara de o gigante : era velho e com um ar simiesco , tinha uma barba enorme que lhe caía quase onde acabava a longa túnica de pedra . Os dois pés imensos e cinzentos pousavam em o chão de a câmara . E entre eles , voltada para baixo , estava uma figura pequenina vestida de preto com um cabelo flamejante . - Ginny - murmurou Harry , chegando perto de ela e ajoelhando se . - Ginny , por favor não estejas morta , não estejas morta ! Atirou a varinha para o lado , agarrou Ginny por os ombros e voltou a . O rosto de ela estava branco e frio como o mármore , contudo os olhos encontravam se fechados , portanto não estava petrificada . Mas então devia estar ... - Ginny , acorda por favor - repetiu Harry desesperado , sacudindo a . A cabeça de ela andava de um lado para o outro . - Ela não vai acordar - disse secamente uma voz . Harry deu um salto e girou sobre os joelhos . Um rapaz alto , de cabelo preto , estava encostado a o pilar mais próximo , a observá o . As sombras desfocavam o como_se Harry o visse através_de uma janela embaciada . Mas não havia como confundis o . - Tom , Tom_Riddle ? Riddle acenou , sem tirar os olhos de o rosto de Harry . - O que queres dizer com isso de ela não acordar ? - perguntou Harry desesperado . - Ela não está ... não está ? - Está viva - disse Riddle . - Mas , por um fio . Harry olhou fixamente para ele . Tom_Riddle estivera em Hogwarts há cinquenta anos atrás . Contudo , ali estava com uma luz estranha e desfocada a iluminá o , sem um dia a mais do_que os seus dezasseis anos . - És um fantasma ? - perguntou Harry . - Uma memória - disse Riddle . - Preservada em um diário durante cinquenta anos . Apontou para os pés de a estátua gigantesca . Ali , aberto em o chão , estava o pequeno diário de capa preta que Harry tinha encontrado em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Durante um segundo , Harry perguntou a si próprio como teria ido ali parar , mas havia coisas mais importantes a fazer . Preciso de a tua ajuda , Tom - disse Harry , levantando de_novo a cabeça de a Ginny . - Temos de sair de aqui . Há_um_Basilisk ... não sei onde está mas pode aparecer a qualquer momento . Por favor , ajuda me . Riddle não se mexeu . Harry , a transpirar , conseguiu levantar ligeiramente a Ginny de o solo e inclinou se para pegar em a varinha mas ela tinha desaparecido . - Viste a ... ? Olhou para_cima . Riddle continuava a olhá o , fazendo girar a varinha entre os dedos longos . - Obrigado - disse Harry , esticando o braço para a agarrar . Um sorriso surgiu então em os cantos de a boca de Riddle que continuou a olhar para ele , girando indolentemente a varinha . - Ouve , pá - disse Harry sem querer perder mais tempo , os joelhos a vergarem sob o peso morto de Ginny - temos de ir . Se o Basilisk aparece ... - Ele não vem enquanto não for chamado - disse Riddle com toda_a calma . Harry voltou a pousar Ginny em o chão , incapaz de a segurar por mais tempo . - Que queres dizer com isso ? - perguntou . - Dá me a minha varinha , posso precisar de ela . O sorriso de Riddle ampliou se . - Não vais precisar de ela - disse . Harry olhou o espantado . - O que queres dizer , não vou ? - Esperei muito_tempo por isto , Harry - disse Riddle . - Pela possibilidade de te ver , de falar contigo . - Olha , eu acho que tu não estás a perceber - disse Harry , perdendo a paciência . - Estamos em a Câmara_dos_Segredos , podemos conversar mais tarde . - Vamos conversar agora - disse Riddle , sorrindo de orelha a orelha e guardando a varinha de Harry em o bolso . Harry voltou a olhar para ele . Havia qualquer coisa de muito estranho em tudo aquilo . - Como é_que a Ginny ficou assim ? - perguntou pausadamente . - Bem , essa é uma pergunta interessante - disse Riddle , divertido . - E uma longa história , também . Julgo que o verdadeiro motivo que levou Ginny_Weasley a ficar assim foi o ter aberto o seu coração e revelado todos os seus segredos a um estranho ser invisível . - De quem estás a falar ? - perguntou Harry . - De o diário - disse Riddle . - De o meu diário . A Ginny escreve nele há meses e meses , contando me todas_as suas lamentáveis desgraças e atribulações : como os irmãos a arreliam , que teve de vir para a escola com manto , túnica e livros em segunda mão - os olhos de Riddle brilharam -- , que acha que o maravilhoso , o grande , o famoso Harry_Potter nunca vai gostar de ela ... Enquanto falava , nunca os olhos de Riddle se afastaram de a cara de o Harry . Havia em eles um olhar ávido . - É muito chato ter de ouvir as preocupações idiotas de uma garotinha de onze anos - prosseguiu . - Mas eu fui paciente . Respondi lhe , mostrei me simpático e amável . A Ginny pura e simplesmente adorou me . - * _ Nunca ninguém me compreendeu como tu , Tom ... estou tão feliz por ter este diário a quem me confiar ... é como ter um amigo que pode andar em o meu bolso * ... Riddle riu se . Um riso alto , frio , que não lhe ficava bem . Fez com que os cabelos de o pescoço de Harry se arrepiassem todos . - Verdade se diga que sempre consegui encantar as pessoas necessárias . Portanto a Ginny verteu em mim a sua alma e a alma de ela era precisamente o que eu queria . Fortaleceu me . Alimentei me de os seus medos mais profundos , de os seus mais obscuros segredos . Fui ficando cada_vez_mais forte e poderoso . Muito mais poderoso do_que a pequena Miss_Weasley até que comecei a transmitir lhe alguns de os meus segredos , a passar um_pouco de a minha alma para ela ... - O que queres dizer ? - perguntou Harry cuja boca ficara totalmente seca . - Ainda não descobriste , Harry_Potter ? - disse Riddle muito baixo . - Giony_Weasley abriu a Câmara_dos_Segredos , estrangulou os galos de a escola e escreveu mensagens assustadoras em as paredes . Atiçou a serpente de Slytherin contra quatro sangues de lama e contra o gato de o busca-pé . - Não - murmurou Harry . - Sim - disse calmamente Riddle . - É claro que a princípio não sabia o que estava a fazer . Era muito divertido . Gostava que visses as coisas que escreveu em o diário , começaram a ficar muito mais interessantes . * _ Querido_Tom * - recitou ele , olhando para a expressão horrorizada de o Harry . - * _ Acho que estou a perder a memória . Há penas de galo em todas_as minhas roupas e eu não sei como foram lá parar . Querido_Tom , não me lembro do_que fiz em a noite de o Hallowe'en mas foi atacada uma gata e eu estou cheia de tinta em a cara . Querido_Tom , o Percy não pára de me dizer que ando pálida e não pareço eu . Acho que ele suspeita de mim ... Houve outro ataque hoje e eu não sei onde estava . Tom , que vou eu fazer ? Acho que estou a ficar maluca ... acho que ando a atacar toda_a_gente , Tom ! * Harry tinha os punhos fechados , as unhas cravadas contra a palma de as mãos . - Levou muito_tempo até a pequenina estúpida deixar de confiar em o diário - disse Riddle . - Mas acabou por ficar desconfiada e tentou livrar se de ele . E é aí que tu entras , Harry . Tu encontraste o . E eu não poderia ter ficado mais satisfeito . De todas_as pessoas que poderiam ter ficado com ele , foste tu , aquele que eu ambicionava conhecer ... - E porque querias conhecer me ? - perguntou Harry . Começava a ser tomado por a raiva e fez um esforço para manter o tom de voz controlado . - Bem , a Ginny contou me tudo a teu respeito - disse Riddle . - A tua fascinante história . - Os seus olhos pousaram em a cicatriz em a testa de Harry e a sua expressão ganhou maior avidez . - Sabia que devia descobrir mais a teu respeito , falar te , encontrar me contigo se fosse possível . Por isso , para ganhar a tua confiança , resolvi mostrar te a famosa captura que fiz de aquele demente de o Hagrid . - O Hagrid é meu amigo - disse Harry já com a voz a tremer . - E tu tramaste o , não foi ? Pensei que tinha sido um engano , mas ... Ele riu se . O mesmo riso de antes . - Era a minha palavra contra a palavra de ele . Imagina a cara de o velho Armando_Dippet . De um lado Tom_Riddle , pobre mas brilhante , sem pais mas corajoso , prefeito de a escola , um modelo de aluno . De o outro lado , o Hagrid , grande e disparatado , arranjando problemas semana sim , semana não , tentando criar filhotes de lobisomens debaixo de a cama , escapando se para a floresta proibida para lutar com gigantes . Mas , devo admitir que até eu próprio fiquei admirado com os excelentes resultados de o meu plano . Pensei que alguém perceberia que o Hagrid nunca poderia ser o herdeiro de Slytherin . Demorei cinco anos inteirinhos até descobrir tudo_o_que me foi possível sobre a Câmara_dos_Segredos e a sua entrada secreta ... como_se o Hagrid tivesse cabeça ou poder ! - Só o professor de Transfiguração , Dumbledore , parecia achar que ele estava inocente . Convenceu Dippet a mantê o aqui e a treiná o como guarda de os campos . Sim , é natural que Dumbledore tenha adivinhado , nunca gostou de mim como os outros professores . - Aposto que Dumbledore viu através_de ti - disse Harry , de dentes cerrados . - Pelo_menos passou a vigiar me de perto , a partir de o momento em que o Hagrid foi expulso - disse Riddle descuidadamente . - Eu sabia que não era seguro voltar a abrir a câmara enquanto ainda estava em a escola mas não ia desperdiçar os longos anos que passara a pesquisar . Decidi , por isso , deixar um diário preservando em as suas páginas o meu ego de dezasseis anos para que um dia , com um_pouco de sorte , pudesse levar outro a seguir os meus passos e acabar o nobre trabalho de Salazar_Slytherin . - Bem , não o acabaste - disse Harry triunfante . - Ninguém morreu até agora , nem mesmo a gata . Dentro_de poucas horas a poção de mandrágoras estará pronta e todos os que foram petrificados voltarão de_novo a si . - Não acabei de te dizer que matar sangues de lama já não me interessa ? Há muitos meses que o meu alvo és tu . Harry olhou para ele . - Podes imaginar como fiquei furioso quando em outro dia o diário foi aberto e vi que era a Ginny quem estava a escrever e não tu . Ela viu te com o diário e entrou em pânico . E se tu descobrisses como trabalhar com ele e eu te repetisse todos os seus segredos ? Ainda pior , e se eu te contasse quem tinha andado a estrangular os galos ? Por isso , a grande palerma esperou que o teu dormitório estivesse deserto e foi lá roubá o . Mas eu sabia o que tinha de fazer . Estava muito claro para mim que a tua meta era o herdeiro de Slytherin . Por tudo_o_que a Ginny me contara a teu respeito , sabia que irias até onde fosse preciso para desvendar o mistério , principalmente se um de os teus melhores amigos tivesse sido atacado . E a Ginny disse me que a escola toda bichanava por tu falares * serpentês * ... Por isso , obriguei a Ginny a escrever a sua própria despedida em a parede , a vir até aqui e esperar . Ela debateu se e gritou e ficou muito chatinha . Mas , já não tem muita vida : pôs grande parte de ela em o diário , deu me a . O suficiente para eu abandonar , por fim , as suas páginas . Desde_que aqui cheguei que estou a a tua espera . Sabia que virias . Tenho muitas perguntas a fazer te , Harry_Potter . - Que perguntas ? - disse Harry com os punhos fechados . - Bem - prosseguiu Riddle , sorrindo de satisfação : - Como é_que um bebé sem especiais talentos de magia foi capaz de derrotar o maior feiticeiro de sempre ? Como conseguiste escapar só com uma cicatriz quando os poderes de Lord_Voldemort foram destruídos ? Havia agora em os seus olhos um brilho vermelho e irado . - O que é_que te interessa saber como eu escapei ? - disse Harry lentamente . - Voldemort veio depois de ti . - Voldemort - disse Riddle - é o meu passado , o meu presente e o meu futuro , Harry_Potter ... Tirou a varinha de o Harry de o bolso e começou a escrever em o ar três palavras brilhantes : TOM_MARVOLO_RIDDLE_Em seguida , fez um gesto com a varinha e as letras de o seu nome reagruparam se de outro modo . : __ eu sou lord __ voldemort ( I am Lord_Voldemort ) . - Vês ? - murmurou . - Era um nome que eu já usava em Hogwarts , para os meus amigos mais íntimos apenas , como é óbvio . Achas que ia usar para sempre o nome nojento de o meu pai Muggle ? Eu , em cujas veias , por o lado materno , corre o sangue de Salazar_Slytherin ? Eu , manter o nome de um Muggle tolo que me abandonou ainda antes de eu nascer só porque descobriu que a mulher com quem casara era uma bruxa ? Não , Harry , arranjei um novo nome , um nome que eu sabia que os feiticeiros de todo_o_mundo viriam um dia a ter medo de pronunciar , quando eu me tivesse tornado o maior feiticeiro de o mundo . A cabeça de Harry parecia bloqueada . Olhou como_que paralisado para Riddle , para o rapaz de o orfanato que depois de crescer iria matar os seus pais e tantos outros . Por fim , com algum esforço conseguiu falar . - Não és - disse em uma voz calma e cheia de ódio . - Não sou o quê ? - perguntou Riddle irritado . - Não és o maior feiticeiro de o mundo - disse Harry com a respiração acelerada . - Lamento desiludir te mas o maior feiticeiro de o mundo é Albus_Dumbledore . Toda_a_gente sabe . Mesmo tu , quando tinhas força , não ousavas tentar aproximar te de Hogwarts . Dumbledore viu através_de ti quando andavas em a escola e ainda agora te assusta onde quer que te escondas . O sorriso desaparecera de o rosto de Riddle , fora substituído por um olhar furioso . - Dumbledore foi afastado de este castelo por a minha simples memória - sibilou . - Ele não está tão longe como pensas - retorquiu Harry . Falava por falar , tentando assustar Riddle , desejando mais que assim fosse do_que acreditando em as suas palavras como uma verdade . Riddle abriu a boca mas não chegou a falar . Tinha começado a ouvir se uma música . Riddle deu uma volta , olhando para a câmara vazia . A música estava a ficar mais alta . Era misteriosa , arrepiante , sobrenatural . Fez_Harry ficar com os cabelos em pé e o coração aumentar lhe em o peito . Por fim , quando atingiu um ponto tão alto que Harry a sentiu vibrar dentro de as suas costelas , começaram a sair chamas de o topo de o pilar mais próximo . Uma ave carmesim de o tamanho de um cisne surgiu , assobiando a sua estranha melodia para o tecto em forma de abóbada . Tinha uma cauda dourada tão longa como a de um pavão e garras douradas e brilhantes que seguravam uma trouxa andrajosa . Segundos depois , a ave voava em direcção a Harry . Deixou cair a coisa andrajosa a os seus pés e pousou lhe pesadamente em o ombro . Quando abriu as enormes asas , Harry olhou para_cima e viu que tinha um longo bico afiado e olhos escuros pequenos e brilhantes . A ave parou de cantar . Ficou quieta junto de a cara de Harry , olhando fixamente para Riddle . - É uma fénix , disse Riddle , olhando sagazmente para ela . - Fawkes ? - murmurou Harry e sentiu as garras douradas apertarem lhe devagarinho o ombro . - E aquilo - disse Riddle , olhando para a coisa velha que Fawkes deixara em o chão - é o velho chapéu seleccionador , de a escola . Era , de facto . Amachucado , puído e sujo , o chapéu jazia imóvel a os pés de Harry . Riddle começou a rir . Riu se tanto que a câmara escura se lhe juntou em um eco tal que parecia que dez Riddles se riam ao_mesmo_tempo . - Eis o que Dumbledore envia a o seu defensor . Um pássaro que canta e um chapéu velho . Estás cheio de coragem , Harry_Potter ? Sentes te agora mais seguro ? Harry não respondeu . Podia não estar a ver a vantagem de a Fawkes ou de o chapéu seleccionador mas já não se sentia só , e esperou corajosamente que Riddle parasse de rir . - Vamos a o que importa , Harry - disse ele , ainda com um enorme sorriso . - Encontrámo nos duas vezes em o teu passado , em o meu futuro . E duas vezes falhei a o tentar matar te . Como foi que sobreviveste ? Conta me tudo . Quanto_mais falares , mais tempo tens de vida . Harry pensava rapidamente , medindo as suas possibilidades . Riddle tinha a varinha . Ele , Harry , tinha a Fawkes e o chapéu seleccionador que não lhe serviriam de muito em o combate . As coisas pareciam más , é certo . Mas quanto_mais tempo Riddle ali estivesse , mais vida retirava a a Ginny ... e , entretanto , Harry reparou que a silhueta de Riddle se tornava mais nítida , mais sólida . Se tinha de haver uma luta entre os dois , quanto_mais depressa melhor . - Ninguém sabe porque perdeste os poderes quando me atacaste - disse bruscamente . - Eu próprio não sei . Mas sei porque não conseguiste matar me . A minha mãe morreu para me salvar . A minha mãe , uma vulgar filha de Muggles - acrescentou , a tremer de raiva . - Ela impediu que tu me matasses . E eu vi te como tu és , em o ano passado . És um destroço , quase não existes . Foi onde o teu poder te levou . Estás sob um disfarce , és horrível e és louco . O rosto de Riddle contorceu se . Em seguida , forçou um sorriso pavoroso . - Quer_dizer , então , que a tua mãe morreu para te salvar . Sim , é um antifeitiço poderoso . Compreendo agora , afinal não há em ti nada de especial . Eu tinha curiosidade , sabes , porque há uma estranha semelhança entre nós , Harry_Potter . Até tu deves ter reparado . Somos ambos meio sangue , órfãos , educados com Muggles , provavelmente os dois únicos que falam * serpentês * desde o grande Slytherin , até nos parecemos um_pouco fisicamente ... mas afinal foi apenas uma questão de sorte que te salvou de mim . Era o que eu queria saber . Harry ficou parado , tenso , a a espera que Riddle levantasse a varinha mas o seu sorriso cínico ampliou se de_novo . - Agora , Harry , vou dar te uma pequena lição . Vamos confrontar os poderes de Lord_Voldemort , herdeiro de Salazar_Slytherin e de o famoso Harry_Potter , munido com as melhores armas que Dumbledore lhe deu . Lançou um olhar divertido a a Fawkes e a o chapéu seleccionador e , em seguida , afastou se . Harry com as pernas entorpecidas por o medo viu o parar entre dois pilares altos e olhar para a cara de pedra de Slytherin , lá em cima em a semi-obscuridade . Riddle abriu a boca e sibilou mas Harry compreendeu o que ele dizia . - * _ Responde-me , Slytherin , o maior de os quatro de Hogwarts * . Harry voltou se para olhar melhor para a estátua com Fawkes pousada em o ombro . A gigantesca cara de pedra de Slytherin movia se . Horrorizado , Harry viu a boca abrir se mais e mais até se transformar em um buraco negro . E algo se agitava dentro de a boca de a estátua . Algo se arrastava para fora de as suas entranhas . Harry recuou até a a parede escura de a câmara e enquanto fechava os olhos com força sentiu a asa de a Fawkes roçar lhe o rosto e levantar voo . Harry quis gritar : - Não me abandones ! - mas que possibilidades tinha uma fénix contra o rei de as serpentes ? Uma coisa enorme bateu em o chão de pedra que Harry sentiu estremecer . Sabia o que estava a acontecer , podia sentis o , quase podia ver a serpente gigantesca a sair de a boca de Slytherin . Foi então que ouviu a voz de Riddle sibilar : * _ Mata-o * . O Basilisk avançava em direcção a Harry . Ele ouvia o seu corpo enorme escorregar pesadamente por o chão cheio de pó . Com os olhos sempre fechados , Harry começou a correr para o lado , a as cegas , com as mãos abertas a tactear o caminho . Riddle ria se a as gargalhadas . Harry escorregou e caiu em o chão de pedra e a boca soube lhe a sangue . A serpente estava a poucos centímetros de ele . Podia ouvi a a aproximar se . Ouviu se um crepitar explosivo por cima de ele e alguma coisa pesada bateu lhe com tanta força que ele ficou encostado a a parede . Esperando que os dentes de a serpente lhe perfurassem o corpo , ouviu mais ruídos e qualquer coisa que se agitava com força contra os pilares . Não conseguiu evitar . Abriu bem os olhos para ver o que se passava . A enorme serpente , brilhante , de um verde veneno , espessa como o tronco de um carvalho , erguera se em o ar e a sua imensa cabeça agitava se de um lado para o outro , entre os dois pilares . Quando Harry , a tremer , se preparava para fechar de_novo os olhos , percebeu o que distraíra a cobra . Fawkes esvoaçava em volta de a sua cabeça e o Basilisk , furioso , tentava agarrá a com os dentes longos e afiados como sabres . Fawkes mergulhava . Harry deixou de ver o bico fino e dourado e uma brusca chuva de sangue escuro inundou o chão . A cauda de a serpente agitou se , não batendo em o Harry por_pouco e antes que ele pudesse fechar os olhos voltou se . Harry olhou lhe para a cara e viu que os seus olhos , os dois olhos amarelos e bolbosos tinham sido perfurados por a fénix . O sangue escorria por o chão e a serpente cuspia cheia de dores . - * _ Não * - Harry ouviu o grito de Riddle . - * _ Deixa a ave , deixa a ave , o rapaz está atrás_de ti , ainda podes cheirá o . Mata o ! * A serpente cega oscilou confusa , ainda em fúria . Fawkes andava a a volta de a cabeça de ela soprando a sua misteriosa cantilena , picando lhe aqui_e_ali o nariz cheio de escamas , enquanto o sangue jorrava de os seus olhos destruídos . - Ajudem me . Ajudem me - murmurava Harry aflito . - Alguém , ajude me . A cauda de a serpente chicoteou de_novo o chão . Harry baixou se . Algo macio tocou lhe em o rosto . O Basilisk lançara o chapéu seleccionador para os braços de o Harry que o agarrou . Era tudo_o_que tinha , a sua única esperança . Enfiou o em a cabeça e começou a ficar achatado contra o chão , enquanto a cauda de o Basilisk se lançava de_novo sobre ele . - Ajudem me , ajudem me - pensou Harry , os olhos comprimidos debaixo de o chapéu . - Por favor , ajudem me . Nenhuma voz lhe respondeu . Em vez de isso , o chapéu contraiu se como_se uma mão invisível o tivesse espalmado devagarinho . Alguma coisa muito dura e pesada caíra sobre a cabeça de Harry , conseguindo quase derrubá o . A ver estrelas em frente de os olhos , agarrou o chapéu para o puxar para baixo e sentiu lá dentro uma coisa longa e dura . Uma espada brilhante tinha surgido dentro de o chapéu . Tinha um cabo cravejado de rubis de o tamanho de pequenos ovos . - Mata o rapaz , deixa a ave . O rapaz está atrás_de ti . Cheira o ! Harry estava de pé , preparado . A cabeça de o Basilisk caía , o corpo serpenteava , batendo nos pilares quando se torcia para ficar de frente para ele . Harry podia ver as enormes órbitas ensanguentadas , a boca toda aberta , suficientemente grande para o engolir inteiro , munida de dentes tão longos como a sua espada , finos , brilhantes , venenosos ... Começou a atacar a as cegas . Harry baixou se e a serpente bateu em a parede de a câmara . Atacou de_novo e a sua língua bifurcada lambeu a parede ao_lado_de Harry que levantou a espada com ambas as mãos . O Basilisk investiu mais_uma_vez e agora a pontaria foi certa . Harry pôs todo o seu peso contra a espada e enterrou a até a os copos em o céu de a boca de a serpente . Mas quando o sangue quente lhe encheu os braços , sentiu uma dor aguda mesmo acima de o cotovelo . Um longo dente venenoso penetrava cada_vez_mais fundo em o seu braço , partindo se quando o Basilisk tombou para o lado , perdendo os sentidos . Harry escorregou a o longo de a parede , apertou com força o dente que estava a derramar veneno por todo o seu corpo e arrancou o de o braço . Mas sabia que era demasiado tarde . Uma dor quente emanava lenta e perseverantemente de a ferida . Quando deixou cair o dente e viu o seu próprio sangue manchando lhe as vestes , a vista começou a ficar turva e a câmara a diluir se em uma rotação ardente e colorida . Mas algo escarlate passou por ele e Harry ouviu a o seu lado um suave ruído de garras . - Fawkes - disse com a voz empastada . - Foste sensacional , Fawkes . - Sentiu o pássaro encostar a sua elegante cabeça a o sítio onde o dente de a serpente o tinha ferido . Ouviu passos ecoarem em o vazio e em seguida uma sombra escura moveu se em a sua frente . - Estás morto , Harry_Potter - disse a voz de Riddle , acima de ele . - Morto . Até o pássaro de Dumbledore sabe de isso . Vês o que ele está a fazer ? A chorar . Harry piscou os olhos . A cabeça de Fawkes ora estava focada , ora desfocada . Lágrimas grossas como pérolas escorriam de as suas penas . - Vou sentar me aqui a ver te morrer , Harry_Potter . Leva o teu tempo , eu não tenho pressa . Harry sentiu se sonolento . Tudo parecia girar a a sua volta . - E assim acaba o famoso Harry_Potter - disse a voz distante de Riddle . - Sozinho em a Câmara_dos_Segredos , esquecido por os amigos , finalmente derrotado por o Senhor de o mal que ele tão imprudentemente desafiou . Vais reunir te a a tua querida mãe sangue de lama , Harry ... Ela deu te doze anos de tempo emprestado ... Mas Lord_Voldemort apanhou te em o fim , como sabias que teria de acontecer . Se morrer é isto , pensou Harry , não é assim tão mau . Até a dor estava a desaparecer . Mas , estaria a morrer ? Em_vez_de ficar mais escura a câmara parecia voltar a estar nítida . Harry fez um pequeno gesto com a cabeça e viu a Fawkes ainda repousando a cabeça em o seu ombro . Uma fiada de pérolas brilhava em volta de a ferida , só que já não havia ferida . - Sai de aqui , pássaro - disse subitamente a voz de Riddle . - Afasta te de ele . Já te disse , sai de aqui ! Harry levantou a cabeça . Riddle apontava a sua varinha a Fawkes . Ouviu se um tiro que parecia de carabina e Fawkes levantou novamente voo em um rodopio de ouro e escarlate . - Lágrimas de fénix - disse Riddle em voz baixa , olhando para o braço de o Harry . - É claro ... poderes curativos ... esqueci me ... Olhou para a cara de Harry . - Mas não faz mal . Pensando bem , eu até prefiro assim . Tu e eu , Harry_Potter ... Tu e eu ... Levantou a varinha . Então , em um golpe de asa , Fawkes voou sobre as cabeças de ambos , deixando cair uma coisa em o colo de Harry : o diário . Durante uma fracção de segundo , tanto Harry como Riddle , ainda com a varinha levantada , ficaram a olhar para aquilo . Em seguida , sem pensar , sem ponderar , como_se pensasse fazê o desde o princípio , Harry agarrou o dente de o Basilisk que estava em o chão , junto de ele , e espetou o em o coração de o caderno . Ouviu se um grito longo e terrível . A tinta esguichou em torrentes de dentro de o diário , derramando se sobre as mãos de o Harry e inundando o chão . Riddle torcia se e contorcia se , agitando se a os gritos . E , por fim . Desapareceu . A varinha de Harry caiu a o chão com um ruído e fez se silêncio . Um silêncio apenas cortado por o ping ping de a tinta que ainda escorria de o diário . Com um leve crepitar , o veneno de o Basilisk abrira um buraco mesmo em o meio de o caderno . A tremer de os pés a a cabeça , Harry pôs se de pé . Sentia tudo a andar a a roda como_se tivesse viajado quilómetros e quilómetros com o pó de * _ Floo * . Lentamente apanhou a varinha e o chapéu seleccionador e com um grande estrondo retirou a espada de o céu de a boca de a serpente . Ouviu se então um gemido fraco a o fundo de a câmara . Ginny estava a mexer se . Quando Harry chegou junto de ela , sentou se . Os seus olhos abismados saltaram de o Basilisk morto para Harry em a sua roupa cheia de sangue e , em seguida , para o diário que ele tinha em as mãos . Soltou um enorme soluço e os seus olhos encheram se de lágrimas . - Harry , oh ! Harry , eu tentei dizer te a o pequeno-almoço mas não fui capaz em frente de o Percy . Era eu , Harry , mas eu ... eu ... juro que não queria ... o Riddle obrigou me , levou me e ... como é_que mataste esse bicho ? Onde está o Riddle ? A última coisa de que me lembro foi de o ver a sair de o diário ... - Está tudo bem - disse Harry , mostrando lhe o diário com o buraco de o dente . - O Riddle acabou , olha . Ele e o Basilisk . Anda , Ginny , vamos embora de aqui . - Vou com certeza ser expulsa - disse Ginny a chorar enquanto Harry a ajudava a pôr se de pé . - Desde_que o Bill veio para Hogwarts que eu sonhava vir também para cá e agora vou ter de me ir embora e ... O que vão a minha mãe e o meu pai dizer ? Fawkes esperava por eles , suspensa em o ar , a a entrada de a câmara . Harry fez a Ginny avançar , passaram sobre os anéis parados de o Basilisk , por a escuridão cheia de ecos e voltaram a o túnel . Harry ouviu as portas de pedra fecharem se atrás de eles com um leve sibilar . Depois de alguns minutos a caminhar por o túnel escuro , chegou a os ouvidos de Harry o som distante de o deslocar de uma rocha . - Ron - gritou ele , apressando se . - A Ginny está bem . Está aqui comigo ! Ouviu o Ron gritar de alegria e , voltando em a curva logo_a_seguir , viram a sua cara ansiosa a espreitar por a fresta que conseguira abrir durante a avalancha . - Ginny ! - Ron estendeu o braço por a fresta para a puxar primeiro . - Estás viva . Não posso acreditar . O que aconteceu ? Tentou abraçá a mas a Ginny afastou o , soluçando . - Mas estás bem , Ginny - disse o Ron , sorrindo para ela . - Já passou tudo ... De onde veio esse pássaro ? Fawkes passara por a abertura , atrás_de Ginny . - É de o Dumbledore - explicou Harry , espremendo se para caber também . - E como arranjaste uma espada ? - perguntou o Ron , olhando para a arma brilhante que Harry tinha em a mão . - Eu explico te tudo quando sairmos de aqui - disse Harry , lançando um olhar de esguelha a a Ginny . - Mas ... - Mais tarde - disse Harry rapidamente . Não lhe parecia uma boa ideia contar a o Ron quem tinha aberto a câmara , ali , em frente de a Ginny . - Onde está o Lockhart ? - Ali atrás - disse o Ron , a rir e a abanar a cabeça em direcção a o cano . - Está em muito mau estado . Anda ver . Conduzidos_pela_Fawkes , cujas grandes asas escarlates emitiam um suave dourado que brilhava em a escuridão , voltaram a o lugar onde o cano começava . Gilderoy_Lockhart estava sentado a falar sozinho . - Perdeu a memória - disse o Ron . - O feitiço de a memória fez ricochete . Não sabe quem é nem onde está , nem_sequer sabe quem nós somos . Eu disse lhe que viesse para aqui e esperasse . É um perigo para ele próprio . Lockhart olhou os bem-disposto . - Olá - disse . - Que lugar estranho , este . É aqui que vocês moram ? -- Não - respondeu o Ron , levantando as sobrancelhas para o Harry . Harry baixou se e observou o túnel escuro e longo . - Já pensaste como é_que vamos sair de aqui ? - perguntou a o Ron . O amigo abanou a cabeça mas Fawkes , a fénix , tinha passado por o Harry e estava agora em o ar , em frente de ele , os olhos como pérolas a brilharem em o escuro . Abanava as longas penas douradas de a cauda . Harry olhou para ela , inseguro . - Ela parece querer que a agarres - disse o Ron , perplexo . - Mas tu és muito pesado para um pássaro . - A Fawkes - disse Harry - não é um pássaro qualquer . Voltou se rapidamente para os companheiros . - Temos de nos agarrar uns a os outros . Ginny , agarra a mão de o Ron . O professor Lockhart ... - Ele está a falar consigo - disse o Ron secamente . - Agarre a outra mão de a Ginny . Harry guardou a espada e o chapéu seleccionador em o cinto . Ron deitou a mão a a roupa de Harry e Harry agarrou as penas de a cauda , estranhamente quentes , de a Fawkes . Sentiu uma extraordinária leveza apoderar se de todo o seu corpo e em seguida estavam todos a voar por o cano acima . Harry conseguia ouvir Lockhart , lá atrás , comentando : - Espantoso , isto parece mágico ! Ar frio batia em os cabelos de Harry e antes que ele deixasse de gostar de a viagem já ela acabara . Os quatro tinham chegado a o chão molhado de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa e , enquanto Lockhart endireitava o chapéu , o lavatório voltara a o seu lugar , tapando o cano . A Murta arregalou os olhos . - Vocês estão vivos - disse inexpressivamente a o Harry . - Não é preciso mostrares te tão desiludida - respondeu ele , muito sério , limpando as nódoas de sangue e lodo de os óculos . - Bem ... é_que eu pensei que se vocês morressem seriam bem-vindos a a minha casa_de_banho - disse a Murta com um rubor prateado . - Urgh ! - fez o Ron , quando saíram de ali para o corredor deserto . - Harry , acho que a Murta está a gostar de ti . Tens concorrência , Ginny ! A Ginny continuava a chorar silenciosamente . - Onde vamos agora ? - perguntou o Ron , olhando ansiosamente para ela . Harry apontou . Fawkes indicava o caminho , com o seu tom dourado que brilhava em o corredor . Seguiram a e pouco depois estavam em o escritório de a professora Mc_Gonagall . Harry bateu e empurrou a porta que estava encostada . XVIII_A recompensa de Dobby_Durante alguns momentos reinou o silêncio enquanto Harry , Ron , Ginny e Lockhart estavam em a entrada de a porta . Cobertos de pó e de lama e ( em o caso de o Harry ) sangue . Em seguida , ouviu se um grito . - Ginny ! Era_Mrs._Weasley que tinha estado a chorar , sentada em frente de o lume . Pôs se de pé em um salto , seguida de Mr._Weasley e precipitaram se ambos para a filha . Harry olhava para trás de eles . Dumbledore rejubilava junto de a lareira , a o lado de a professora Mc_Gonagall que , agarrada a o queixo , respirava com dificuldade . Fawkes rasou as orelhas de o Harry e foi instalar se em o ombro de Dumbledore , ao_mesmo_tempo que Harry dava por si em os braços de Mrs._Weasley . - Tu salvaste a ! Salvaste a ! : __ como foi que __ conseguiste ? - Acho que todos nós gostaríamos de saber - disse , sem energia , a professora Mc_Gonagall . Mrs._Weasley soltou o Harry , que hesitou um momento . Depois , foi até a a secretária e colocou sobre o tampo o chapéu seleccionador , a espada cravejada de rubis e o que restava de o diário de Riddle . Em seguida , contou lhes tudo . Falou durante quase um quarto de hora em o silêncio extasiado : contou lhes de a voz sem corpo que ouvia , como a Hermione acabara por descobrir que se tratava de um Basilisk que circulava em os canos , como ele e o Ron tinham seguido as aranhas até a a floresta , que Aragog lhes dissera que a última vítima de o Basilisk morrera , como tinham chegado a a conclusão que se tratava de a Murta_Queixosa e que a entrada para a Câmara_dos_Segredos devia ser em aquela casa_de_banho ... - Muito bem - elogiou a professora Mc_Gonagall quando ele se calou . - Então tu descobriste onde era a entrada , infringindo uma centena de regras de a escola por o caminho , devo dizer , mas como diabo saíram vocês vivos de lá de dentro ? Harry , com a voz já um_pouco rouca de falar tanto , contou lhes de a chegada de a Fawkes e de o chapéu seleccionador que lhe tinha dado a espada . Mas , chegando aí , hesitou . Até a o momento evitara referir se a o diário de Riddle ou a a Ginny . Ela tinha a cabeça encostada a o ombro de Mrs._Weasley e as lágrimas corriam lhe ainda por o rosto . E se a expulsassem ? - pensou Harry , tomado de pânico . O diário de Riddle já não funcionava ... quem poderia provar que fora ele que a obrigara a fazer tudo aquilo ? Olhou instintivamente para Dumbledore que sorria , o fogo iluminando lhe os óculos de meia-lua . - O que mais me interessa saber - disse Dumbledore amavelmente - é como conseguiu Lord_Voldemort enfeitiçar a Ginny quando as minhas fontes me dizem que ele se esconde habitualmente em as florestas de a Albânia . Um alívio , quente e glorioso percorreu Harry de a cabeça a os pés . - O quê ? - disse Mr._Weasley , em uma voz estupefacta . - O Quem nós sabemos enfeitiçou a Ginny ? Mas a Ginny não ... a Ginny não morr ... ? - Foi este diário - esclareceu Harry rapidamente . E mostrando o a Dumbledore . - O Riddle escreveu o quando tinha dezasseis anos . Dumbledore pegou em o diário e olhou atentamente por cima de o seu nariz longo e adunco para as páginas queimadas e húmidas . - Fantástico - disse em voz baixa . - É claro que ele deve ter sido o aluno mais brilhante que alguma vez passou por Hogwarts . - Olhou em volta para os Weasley que o observavam com um ar totalmente confuso . - Muito poucas pessoas sabem que Lord_Voldemort se chamou em tempos Tom_Riddle . Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos , em Hogwarts . Ele desapareceu depois de deixar a escola , viajou muito , mergulhou tão fundo em as artes de a magia negra , associado a os piores feiticeiros , realizou transformações mágicas tão perigosas que quando reapareceu como Lord_Voldemort estava totalmente irreconhecível . Ninguém o relacionou com o rapazinho inteligente e bonito que aqui foi , em tempos , chefe de turma . - Mas a Ginny - insistiu Mrs._Weasley . - O que tem a nossa Ginny que ver com ele ? - O diário - soluçou Ginny . - Eu andei todo o ano a escrever em o diário e ele respondia me ... - Ginny ! - repreendeu Mr._Weasley . - Não aprendeste nada do_que te ensinei ? Não me cansei de dizer te que nunca confiasses em nada que não pensasse por si próprio * se não conseguisses ver onde tinha o cérebro ? * Porque não me mostraste o diário , a mim ou a a tua mãe ? Um objecto suspeito como esse tinha de estar cheio de magia negra ! - Eu não sabia - soluçou Ginny . - Estava junto de os livros que a mãe me comprou . Pensei que alguém se tinha esquecido de ele ali . - É melhor Miss_Weasley ir imediatamente para a ala hospitalar - interrompeu Dumbledore com voz firme . - Foi sujeita a uma prova terrível . Não será castigada . Outros feiticeiros mais velhos do_que ela têm sido ludibriados por Lord_Voldemort . - Dirigiu se a a porta e abriu a . - Repouso , cama e talvez uma caneca de chocolate quente . A mim , anima me sempre - acrescentou , piscando lhe simpaticamente o olho . - Vais ver que Madam_Pomfrey ainda está acordada . Ela tem estado a dar o sumo de Mandrágora , julgo que as vítimas de o Basilisk estarão a acordar dentro_de momentos . de alegria . - Então a Hermione está bem ! - disse o Ron , cheio de alegria . - Não houve danos irreversíveis - disse Dumbledore . Mrs._Weasley saiu com a Ginny e Mr._Weasley seguiu as ainda bastante abalado . - Sabes , Minerva - disse pensativo o professor Dumbledore - acho que tudo_isto merece um banquete . Posso pedir te que previnas os cozinheiros ? - Certamente - disse animada a professora Mc_Gonagall , dirigindo se também a a porta . - Deixo te a tratar de as coisas com o Potter e o Weasley , está bem ? - Claro - disse Dumbledore . Saiu e os dois olharam inseguros para Dumbledore . Que quereria ela dizer com tratar de as coisas ? Certamente não iriam ser castigados ? - Lembro me de vos ter dito a ambos que teria de vos expulsar se voltassem a quebrar as regras de a escola - disse Dumbledore . Ron abriu a boca horrorizado . - O que vem mostrar nos que as melhores pessoas , às_vezes , têm de engolir as suas próprias palavras . - Dumbledore sorriu e continuou : - Vocês vão receber ambos uma recompensa especial por serviços prestados a a escola e ... deixem me ver , sim , acho que duzentos pontos cada_um para os Gryffindor . Ron ficou tão corado que parecia as flores de S._Valentim_do_Lockhart e voltou a fechar a boca . - Mas um de vós parece demasiado calado sobre a sua participação em esta perigosa aventura - acrescentou Dumbledore . - Porquê tanta modéstia , Gilderoy ? Harry estremeceu . Esquecera se por completo de Lockhart . Voltou se e viu o a um canto de a sala ainda com o mesmo sorriso vago . Quando Dumbledore se lhe dirigiu , olhou por cima de o ombro para ver com quem ele estava a falar . - Professor_Dumbledore - disse o Ron rapidamente - Houve um acidente lá em baixo , em a Câmara_dos_Segredos . O professor Lockhart - Eu sou um professor ? - perguntou Lockhart surpreendido . - E eu que pensei que era um inútil ! - Tentou fazer um feitiço antimemória e a varinha fez ricochete - explicou Ron_a_Dumbledore . - Incrível - disse Dumbledore , abanando a cabeça , o bigode prateado a tremer . - Trespassado por a tua própria espada , Gilderoy ! - Espada ? - disse Lockhart de forma imprecisa . - Eu não tenho espada . Esse rapaz é_que tem - apontou para Harry . - Ele empresta lhe uma . - Importas te de levar também o professor Lockhart até a a ala hospitalar , Ron ? - disse Dumbledore . - Eu gostava de falar um_pouco mais com o Harry . Lockhart saiu sem pressa . Antes de fechar a porta , Ron lançou um olhar curioso a Dumbledore e Harry . Dumbledore passou para uma de as cadeiras junto de o lume . - Senta te , Harry - disse . E Harry sentou se , sentindo se indescritivelmente nervoso . - Antes de mais , Harry , quero agradecer te - disse Dumbledore com os olhos a brilharem de_novo . - Deves ter demonstrado uma grande lealdade para comigo . Só isso poderia atrair a Fawkes para ir ajudar te . Deu uma palmadinha a a fénix que voara , entretanto , para_cima de os seus joelhos . Harry sorria acanhadamente sob o olhar observador de Dumbledore . - Encontraste , portanto , Tom_Riddle - disse o director amavelmente . - Calculo que ele estaria particularmente interessado em ti ... De repente , algo que Harry tinha engasgado saiu lhe descontroladamente de a boca para fora . - Professor_Dumbledore ... o Riddle disse que eu sou como ele , que há entre nós estranhas semelhanças ... - Ah ! sim ? - Dumbledore olhou pensativamente para ele , por debaixo de as espessas sobrancelhas prateadas . - E o que achas tu de isso ? - Eu não me considero parecido com ele - disse Harry mais alto do_que desejaria . - Isto_é , eu sou um Gryffindor , eu sou ... Mas calou se com uma dúvida a rondar lhe o espírito . - Professor - arriscou passado alguns momentos . - O chapéu seleccionador disse que eu ... teria ficado bem em os Slytherin ; durante algum tempo toda_a_gente pensou que eu era o herdeiro de Slytherin por falar * serpentês * ... - Tu falas * serpentês * , Harry - disse Dumbledore calmamente - porque Lord_Voldemort que é o mais recente antepassado de Salazar_Slytherin , fala * serpentês * . Ou eu me engano muito , ou ele transferiu para ti alguns de os seus poderes em a noite em que te fez essa cicatriz . Não que quisesse fazê o , claro , mas aconteceu . - Voldemort pôs um_pouco de si próprio em mim ? - disse Harry assombrado . - É o que parece ter acontecido . - Então eu deveria estar em os Slytherin - disse Harry , olhando desesperado para o rosto de Dumbledore . - O chapéu seleccionador viu em mim os poderes de Slytherin e ... -- Pôs te em os Gryffindor - concluiu tranquilamente Dumbledore . - Ouve , Harry , tu tens por acaso muitas de as capacidades que Salazar_Slytherin apreciava em os seus estudantes cuidadosamente seleccionados . O seu raro dom de falar * serpentês * , desenvoltura , determinação , um certo desprezo por as regras estabelecidas - acrescentou com o bigode a tremer de_novo . - Mas ainda_assim , o chapéu seleccionador pôs te em os Gryffindor . E sabes porquê ? Pensa um_pouco . - Só me pôs em os Gryffindor - disse Harry em uma voz débil - porque eu pedi para não ir para os Slytherin . - Exacto - disse Dumbledore a sorrir . - E isso torna te muito diferente de o Tom_Riddle . São as tuas escolhas , Harry , que mostram quem de facto tu és , mais do_que as tuas capacidades . Harry sentou se , imóvel e espantado , em a cadeira . - Se queres provas de que o teu lugar é em os Gryffindor , sugiro que vejas isto com mais atenção . Dumbledore aproximou se de a secretária de a professora Mc_Gonagall , pegou em a espada de prata ensanguentada e mostrou lhe a . Sem perceber , Harry voltou a ao_contrário . Os rubis brilharam a a luz de a lareira e foi então que ele reparou em o nome gravado mesmo por baixo de o copo de a espada . GODRIC_GRYFFINDOR . - Só um verdadeiro Gryffindor poderia ter tirado a espada de dentro de o chapéu , Harry - disse , com simplicidade , Dumbledore . Durante um minuto , nenhum de os dois falou . Depois , Dumbledore abriu uma de as gavetas de a secretária de a professora Mc_Gonagall e retirou de lá uma pena e um tinteiro . - Tu precisas de comer e ir dormir . Sugiro que desças para o banquete enquanto eu escrevo para Azkaban . Precisamos de recuperar o nosso guarda de os campos . E tenho de esboçar um anúncio para o * _ Profeta_Diário * - acrescentou pensativo . - Vamos precisar de um novo professor de Defesa contra as artes negras . É um problema , estamos sempre a perdê os . Harry levantou se e dirigiu se a a porta . Tinha acabado de estender a mão para o puxador quando ela se abriu tão violentamente que saltou de as dobradiças . Lucius_Malfoy estava de pé , furioso . E , debaixo de o braço , embrulhado em diversas ligaduras , estava Dobby . - Boa tarde , Lucius - disse Dumbledore , de forma amena . Mr._Malfoy quase derrubou Harry enquanto entrava em a sala . Dobby dava passos miudinhos atrás de ele , inclinado até a a bainha de o seu manto com um olhar apavorado em o rosto . - Então - disse Lucius_Malfoy com os olhos fixos em Dumbledore - voltaste . Os membros de o Conselho_Directivo suspenderam te , mas tu mesmo_assim sentiste te capaz de voltar a Hogwarts . - Bem vês , Lucius - disse Dumbledore , sorrindo serenamente . - Os outros membros de o Conselho contactaram me hoje . Fui envolvido em um redemoinho de corujas , todos queriam contar me a verdade . Ouviram dizer que a filha de Arthur_Weasley tinha sido morta e queriam me novamente aqui . Parece que me consideravam o melhor homem para o lugar . Contaram me algumas histórias muito estranhas . Alguns de eles tinham a impressão que tu tinhas ameaçado amaldiçoar lhes as famílias se não concordassem com a minha suspensão . Mr._Malfoy ficou ainda mais pálido do_que de costume , mas os olhos continuavam cheios de fúria . - Então já acabaste com os ataques ? - rosnou . - Apanhaste o culpado ? - Já , sim - disse Dumbledore com um sorriso . - E quem é ? - perguntou Malfoy secamente . - A mesma pessoa de a última vez , Lucius - disse Dumbledore . Mas desta_vez , Lord_Voldemort agiu através_de outra pessoa , por_meio_de um diário . Pegou em o pequeno caderno com o buraco em o meio , observando Mr._Malfoy de perto . Mas Harry olhava para Dobby . O elfo fazia um sinal muito estranho . Com os seus grandes olhos fixos em Harry , não parava de apontar para ó diário e , em seguida , para Mr._Malfoy , batendo logo_a_seguir com o punho em a cabeça . - Estou a ver ... - disse Mr._Malfoy lentamente a Dumbledore . - Um plano inteligente - afirmou o director em um tom de voz suave , continuando a olhar Mr._Malfoy directamente em os olhos . - Porque se não fosse aqui o Harry e o seu amigo Ron a descobrirem o diário , sem dúvida Ginny_Weasley teria ficado com todas_as culpas . Ninguém teria conseguido provar que ela agira contra a sua própria vontade . Mr._Malfoy não se pronunciou . O seu rosto parecia agora uma máscara . - E vê bem - continuou Dumbledore - o que poderia ter acontecido ... os Weasley são uma de as mais proeminentes famílias de feiticeiros de sangue puro , imagina o efeito em a imagem de Arthur_Weasley e em a sua acção de protecção a os Muggles , se a sua própria filha fosse acusada de atacar e matar filhos de Muggles . Foi uma sorte o diário ter sido descoberto e as memórias de Riddle apagadas . Quem sabe que consequências poderia ter tido ? Mr._Malfoy falou contra vontade . - Sim , foi uma sorte - disse secamente . E , em as suas costas , Dobby continuava a apontar para o diário e para Lucius_Malfoy , batendo depois com o punho em a cabeça . E Harry finalmente percebeu . Fez um sinal a Dobby que correu a esconder se em um canto , torcendo desta_vez as orelhas para se castigar . - Não quer saber como a Ginny obteve esse diário , Mr._Malfoy ? - perguntou Harry . Lucius_Malfoy voltou se para ele . - Como queres que eu saiba onde é_que a estúpida de a garota o arranjou ? - Porque foi o senhor quem lhe o deu - disse Harry . - Em a Flourish and Blotts . O senhor pegou em o livro velho de ela de Transfiguração e meteu o diário lá dentro , não foi ? Viu as mãos brancas de Mr._Malfoy abrirem se e fecharem se . - Prova isso - sibilou . - Oh ! ninguém vai poder prová o - disse Dumbledore sorrindo a o Harry . - Não agora_que o Riddle desapareceu de o caderno . Por outro lado , aconselharia te , Lucius , a não dares mais nenhuma de as coisas velhas de Lord_Voldemort . Se mais alguma for parar a as mãos de crianças inocentes , acho que o Arthur_Weasley fará com que se voltem com toda_a sua carga negativa contra ti . Lucius_Malfoy ficou calado um momento e Harry viu claramente a sua mão direita torcer se como_se desejasse chegar a a varinha . Em vez de isso , voltou se para o seu elfo doméstico . - Vamos , Dobby . Abriu a porta e quando o elfo se aproximou deu lhe um pontapé que o projectou para longe . Ouviram se em o escritório os gritos de dor de Dobby em o corredor . Harry pensou durante um momento e depois decidiu se . - Professor_Dumbledore - disse apressadamente . - Posso dar o diário outra_vez a Mr._Malfoy ? - Certamente , Harry - disse Dumbledore com toda_a calma . - Mas não demores , olha o banquete . Harry agarrou em o diário e saiu de o escritório . Os gritos de dor de Dobby afastavam se ao_longe . Sem perder tempo , perguntando a si próprio se o plano poderia resultar , Harry tirou um de os sapatos , puxou uma de as peúgas enlameadas e viscosas e meteu o diário lá dentro . Em seguida correu até a o fundo de o corredor escuro . Apanhou os em o topo de as escadas . - Mr._Malfoy - disse ofegante , parando . - Tenho uma coisa para si . E meteu a peúga mal cheirosa em a mão de Lucius_Malfoy . - O que é ... ? Mr._Malfoy tirou o diário de dentro de a peúga , deitou a fora e olhou furioso para o caderno estragado e para Harry - Ainda vais acabar por ter um fim igual a o de os teus pais um dia de estes , Harry_Potter - disse em voz baixa . - Eles também eram uns idiotas metediços . Voltou se para se ir embora . - Anda , Dobby , vem ! Mas Dobby não se mexeu . Tinha em as mãos a peúga nojenta de o Harry e olhava para ela como_se fosse um tesouro de valor incalculável . - O senhor deu uma peúga a o Dobby - disse o elfo maravilhado . - Deu a a o Dobby . - O que é isso ? - cuspiu Mr._Malfoy . - Que estás para aí a dizer ? - Dobby tem uma peúga - repetiu incrédulo . - O senhor deitou a fora e Dobby apanhou a e Dobby agora é livre ... Lucius_Malfoy ficou paralisado a olhar para o elfo . Em seguida precipitou se para Harry . - Fizeste me perder o meu servo , rapaz . Mas Dobby gritou : - Não pense que vai fazer mal a o Harry_Potter ! Ouviu se um enorme estrondo e Mr._Malfoy foi empurrado de costas , galgando os degraus de as escadas a três_e_três e indo aterrar lá em baixo todo embrulhado e amarrotado . Levantou se , o rosto lívido e pegou em a varinha , mas Dobby estendeu lhe um dedo ameaçador . - Vá se embora já - disse furioso , apontando para Mr._Malfoy . - Não tocará em o Harry_Potter . Vá se embora , já . Lucius_Malfoy não teve escolha . Lançando a os dois um último olhar de cólera , embrulhou se em o manto e desapareceu . - Harry_Potter libertou Dobby ! - disse o elfo com voz esganiçada , olhando para Harry , a luz de o luar reflectida em os seus grandes olhos em forma de globos . - Harry_Potter libertou Dobby . - Era o mínimo que eu podia fazer , Dobby - disse Harry a sorrir -- , mas promete me que não vais voltar a tentar salvar me a vida . A cara feia e escura de o elfo abriu se , mostrando os dentes , em um enorme sorriso . - Tenho uma pergunta a fazer te , Dobby - disse Harry enquanto o elfo pegava em a peúga de ele com as mãos a tremer . - Disseste me que tudo_isto não tinha nada que ver com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Lembras te ? - Era uma pista , senhor - disse Dobby com os olhos muito abertos como_se fosse absolutamente óbvio . - Dobby estava a dar lhe uma pista . Antes de o senhor de o mal mudar de nome , o seu nome podia ser pronunciado , está a ver ? - Certo - disse Harry sem grande convicção . - Bem , é melhor eu ir indo embora . Há um banquete e a minha amiga Hermione já deve ter acordado ... Dobby lançou os braços a a cintura de Harry e abraçou o . - Harry_Potter é muito maior do_que Dobby imaginava ! - soluçou . - Adeus , Harry_Potter . E com um estalido final , Dobby desapareceu . Harry assistira a diversos banquetes , mas nenhum que se parecesse com aquele . Estavam todos de pijama e a festa durou a noite inteira . Harry não sabia se o melhor tinha sido a Hermione a correr para ele e a gritar : - Tu conseguiste . Tu conseguiste ! , ou o Justin saindo disparado de a mesa de os Hufflepuff para lhe estender a mão , desfazendo se em desculpas por ter suspeitado de ele , ou o Hagrid que apareceu a as três_e_meia e que lhes deu palmadas com tanta força em os ombros que eles foram parar dentro de os pratos de bolo de creme , ou os quatrocentos pontos que ele e o Ron obtiveram para os Gryffindor , ganhando a taça de a equipa por a segunda vez consecutiva , ou a professora Mc_Gonagall de pé , a comunicar lhes que os exames tinham sido cancelados como medida de a escola ( Oh ! não ! exclamou Hermione ) , ou Dumbledore a anunciar que , infelizmente , o professor Lockhart não poderia voltar em o ano seguinte por ter de se ausentar a_fim_de recuperar a memória . Alguns de os professores juntaram se a os alunos que aplaudiram entusiasmados esta notícia . - Que pena - disse Ron , servindo se de um * dounut * de presunto . - E eu que começava a gostar de ele ... O resto de o período de Verão decorreu sob um sol escaldante . Hogwarts voltara a a normalidade , apenas com algumas pequenas diferenças : as aulas de Defesa contra as artes negras foram canceladas ( Mas nós tivemos imensa prática - disse o Ron vendo o descontentamento de Hermione ) e Lucius_Malfoy foi demitido de o Conselho_Directivo . Draco já não passeava por ali como_se fosse o dono de a escola . Pelo_contrário , tinha um ar melindrado e carrancudo . Por outro lado , Ginny_Weasley andava de_novo feliz de a vida . Em_breve chegou o dia de regressarem a casa em o Expresso_de_Hogwarts . Harry , Ron , Hermione , Fred , George e Ginny encheram um compartimento . Tiraram o_máximo partido de aquelas últimas horas em que lhes era permitido usar a magia antes de as férias . Brincaram a as explosões , gastaram o último fogo-de-artíficio Filibuster , de o Fred e de o George e treinaram o mútuo desarmamento através de a magia . Harry começava a ficar muito bom em aquilo . Já estavam perto de a estação de King's_Cross quando Harry se lembrou de uma coisa . - Ginny , o que foi que viste o Percy fazer que ele não queria que nos contasses ? - Ah ! isso - disse a Ginny a rir . - Bem , é_que o Percy tem uma namorada . Fred deixou cair uma pilha de livros em a cabeça de o George . - O quê ? - É aquela prefeita de os Ravenclaw ' Penelope_Clearwater - disse a Ginny . - Foi para ela que ele escreveu durante todo o Verão . Encontravam se em a escola em grande segredo . Eu apanhei os a beijarem se em uma sala de aula vazia e ele ficou tão aflito quando ela foi ... sabes ... atacada . Não vais aborrecê o , pois não ? - perguntou cheia de ansiedade . - Que ideia - respondeu Fred com uma tal satisfação em o rosto que parecia que o seu aniversário chegara mais cedo . - Claro que não - disse o George a rir se a a socapa . O Expresso_de_Hogwarts abrandou e finalmente parou . Harry tirou a pena e um_pouco de pergaminho e voltou se para Ron e Hermione . - Isto_é um número de telefone - disse ele a o Ron , escrevinhando o duas vezes , cortando o pergaminho a o meio e dando lhes os números . - Eu expliquei a o teu pai como usar um telefone em o Verão passado . Ele sabe fazer a chamada . Liga me para_casa de os Dursley , O. _ K. ? Não consigo suportar outros dois meses sem ter mais ninguém com quem falar ... - Mas a tua tia e o teu tio vão ficar orgulhosos de ti , não vão ? - perguntou Hermione quando saíram de o comboio e se misturaram em a multidão que se encontrava junto de a barreira encantada . - Quando souberem o que fizeste este ano . - Orgulhosos ? - disse Harry . - Estás doida ! Podendo eu ter morrido tantas vezes e tendo escapado ? Vão ficar é furiosos ... E juntos avançaram até a a entrada para o mundo de os Muggles . ----------------- J._K._Rowling_Harry_Potter e a Câmara_dos_Segredos_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Chamber of Secrets_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling 1998 Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 2000 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 2.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 Depósito legal : 143.569/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , a a Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Para_Séan_P._F._Harris , condutor imparável e um amigo de os diabos . I_O pior aniversário Não era a primeira vez que uma discussão estoirava a a mesa de o pequeno-almoço , em o número 4 de a Privet_Drive . Mr._Vernon_Dursley fora acordado de manhã cedo por o piar ruidoso que vinha de o quarto de o seu sobrinho Harry . - É a terceira vez esta semana ! - resmungou , a a mesa . - Se não consegues controlar essa coruja , ela não pode ficar aqui . Harry tentou , mais_uma_vez , explicar . - Ela está aborrecida . Estava habituada a voar livremente lá fora . Se eu pudesse , ao_menos , soltá a a a noite ... - Achas me com cara de idiota ? - perguntou rispidamente o tio Vernon , com um fio de ovo preso em o bigode farfalhudo . - Sei muito bem o que aconteceria se essa coruja fosse lá para fora . Trocou um olhar soturno com a mulher , a tia Petúnia . Harry tentou contra-argumentar , mas as suas palavras foram abafadas por um enorme arroto de o filho de os Dursleys , Dudley . - Quero mais bacon . - Há mais em a frigideira , fofinho - disse a tia Petúnia , lançando um olhar vago a o seu filho maciço . - Tens que te alimentar bem enquanto aqui estás , aquela comida de a tua escola não me cheira . - Disparate , Petúnia , eu nunca passei fome enquanto andei em Smeltings - afirmou com sinceridade o tio Vernon . - O Dudley tem que chegue . Não é verdade , filho ? Dudley , que era tão gordo que o rabo saía de os dois lados de a cadeira de a cozinha , sorriu laconicamente e voltou se para Harry . - Passa me a frigideira . -- Esqueceste te de a palavra mágica - disse Harry , irritado . O efeito que esta simples frase teve em o resto de a família foi inacreditável : Dudley começou a arfar e caiu de a cadeira com um estrondo que abalou a cozinha , Mrs._Dursley deu um gritinho e bateu com a mão em a boca , Mr._Dursley pôs se de pé com as veias de as têmporas dilatadas . - Eu queria dizer « por favor » - explicou Harry rapidamente . - Não me referia a ... - : __ o que é_que eu te __ disse - vociferou o tio , espalhando perdigotos sobre a mesa - : __ sobre pronunciar a palavra m . em esta __ casa ? - Mas eu ... - : __ como te atreves a ameaçar o __ dudley ! - rosnou o tio Vernon , batendo com o punho em a mesa . - Eu só ... - : __ estás avisado . não vou admitir referências a tua anormalidade debaixo de o tecto de a minha __ casa ! Harry olhou alternadamente para o rosto congestionado de o tio e para a palidez de a tia que tentava pôr o Dudley de pé . - Está bem - disse Harry . - Está bem ... O tio Vernon voltou a sentar se , respirando como um rinoceronte exausto e observando Harry de perto por o canto de os seus olhos pequeninos e penetrantes . Desde_que Harry regressara para as férias de Verão que o tio Vernon o tratava como_se ele fosse uma bomba , capaz de explodir a qualquer momento , porque Harry não era um rapazinho normal . Em a verdade , ele era o menos normal que é possível imaginar . Harry_Potter era um feiticeiro , um feiticeiro que acabara de concluir o primeiro ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts e a infelicidade que os Dursleys sentiam por ele estar lá em casa não era nada comparada com a de Harry . As saudades de Hogwarts eram tão intensas que se assemelhavam a uma constante dor em o estômago . Sentia a falta de o castelo com as suas passagens secretas e os seus fantasmas , de as aulas ( com excepção talvez de as de Snape , o professor de as poções ) , de o correio a chegar trazido por as corujas , de os banquetes em o salão nobre , de as noites em as camas de dossel em a camarata de a torre , de as visitas a Hagrid , o guarda de os campos em a sua casinha em o bosque , junto de a floresta proibida e , principalmente , sentia a falta de o Quidditch , o desporto mais popular de o mundo de os feiticeiros ( seis postes altos de golo , quatro bolas esvoaçantes e catorze jogadores em_cima_de vassoura ) . Todos os livros de feitiços de Harry , assim_como a varinha , os mantos , o caldeirão e a vassoura topo de gama Nimbus dois_mil tinham sido encerrados por o tio Vernon em a despensa que ficava debaixo de as escadas , em o momento em que Harry regressara a casa . O que é_que lhes interessava se ele perdia ou não o seu lugar em a equipa de Quidditch por não ter praticado durante todo o Verão ? Que importância tinha para eles que o Harry voltasse a a escola sem ter podido fazer os trabalhos de casa ? Os Dursleys eram aquilo que os feiticeiros chamam « Muggles » ( nem uma gota de sangue mágico em as veias ) e , para eles , ter um feiticeiro em a família era motivo de grande vergonha . O tio Vernon tinha , inclusivamente , fechado a cadeado a coruja de Harry , Hedwig , dentro de a gaiola , para evitar que ela transportasse mensagens para a gente de o mundo de a feitiçaria . Harry não se parecia em nada com o resto de a família . O tio Vernon era atarracado e sem pescoço , dotado de um enorme bigode preto ; a tia Petúnia tinha um rosto cavalar e era esquelética ; Dudley era loiro e rosado como um porquinho . Harry , pelo_contrário , era baixo e franzino , com os olhos verdes brilhantes e cabelo negro sempre desalinhado . Usava uns óculos redondos e tinha em a testa uma cicatriz em forma de relâmpago . Era essa cicatriz que o tornava tão invulgar , mesmo para um feiticeiro . Era a única alusão a o seu passado misterioso , a o motivo por o qual , onze anos antes , tinha sido deixado em o degrau de a porta de os Dursleys . Com um ano de idade , Harry sobrevivera a uma maldição de o maior feiticeiro negro de todos os tempos , Lord_Voldemort , cujo nome a maior parte de os feiticeiros e feiticeiras ainda receia pronunciar . Os pais de Harry tinham morrido em um ataque de Voldemort , mas ele escapara com a sua cicatriz em forma de relâmpago e estranhamente , ninguém compreendeu porquê , os poderes de Voldemort tinham sido destruídos em o momento em que não fora capaz de matar o Harry . Por isso , ele foi criado por a irmã de a sua falecida mãe e respectivo marido . Passou dez anos com os Dursleys , sem nunca compreender porque fazia com que acontecessem coisas estranhas , alheias a a sua vontade , acreditando em a história de os Dursleys de que aquela cicatriz fora resultado de um acidente de automóvel em que os pais tinham morrido . E um dia , precisamente um ano antes , Hogwarts escrevera lhe e fora então que tudo começara . Harry fora ocupar o seu lugar em a escola de feitiçaria , onde ele e a sua cicatriz eram famosas ... mas agora o ano escolar chegara a o fim e estava de_novo com os Dursleys . Durante o Verão , voltara a ser tratado como um cão malcheiroso . Os Dursleys nem se tinham lembrado que aquele era o dia de o seu décimo segundo aniversário . É claro que não tivera grandes expectativas : eles nunca lhe tinham dado um presente a sério , muito menos um bolo , mas ignorarem o por completo ... Em esse momento , o tio Vernon pigarreou com um ar importante e disse : - Como todos sabem , hoje é um dia muito importante . Harry olhou para ele , mal conseguindo acreditar . - Pode bem ser que eu faça hoje o maior negócio de toda_a minha vida - afirmou . Harry voltou novamente a atenção para a torrada . É claro , pensou amargamente , o tio Vernon referia se a a estúpida dinner-party . Havia quinze_dias que não falava de outra coisa . Um consultor qualquer cheio de massa e a mulher vinham jantar lá a casa e o tio Vernon tinha esperança de conseguir uma grande encomenda ( a empresa de o tio Vernon fabricava brocas ) . - Acho que devíamos recapitular mais_uma_vez - disse o tio Vernon . - Devemos estar todos a postos a as oito_horas_em_ponto . Petúnia , tu vais estar ... ? - Em o salão - respondeu a tia Petúnia prontamente - a a espera para lhes dar as boas-vindas a nossa casa . - Bom , bom . E o Dudley ? - Eu vou estar a a espera para abrir a porta . - Dudley esboçou um sorriso falso e afectado . - Dão me licença que vos guarde os casacos , Mr. e Mrs._Mason ? - Eles vão adorá o - exclamou arrebatadamente a tia Petúnia . - Excelente , Dudley - disse o tio Vernon . - A seguir voltou se para o Harry . - E tu ? - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - repetiu o Harry , de forma inexpressiva . - Exactamente - confirmou o tio Vernon , de um modo desagradável . - Eu conduzo os até a o salão , apresento te , Petúnia , e sirvo lhes as bebidas . _ a as oito_e_um_quarto . - Eu chamo para a mesa - disse a tia Petúnia . - E tu , Dudley , vais dizer ... - Dá me licença que lhe indique a casa de jantar , Mrs._Mason ? - repetiu o Dudley , oferecendo o seu braço gordo a uma mulher invisível . - O meu pequenino cavalheiro - fungou a tia Petúnia . - E tu ? - perguntou o tio Vernon a o Harry , em o mesmo tom desagradável . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho , fingindo que não estou lá - respondeu Harry aborrecido . - Isso mesmo . Agora , devíamos ter preparadas algumas frases amáveis para o jantar . Petúnia , alguma ideia ? - O Vernon disse me que o senhor é um excelente jogador de golfe , Mr._Mason ... Tem de me dizer onde comprou esse vestido , Mrs._Mason ... - Perfeito . Dudley ? - Que tal : Tivemos de fazer um trabalho para a escola sobre o nosso herói e eu escrevi sobre o senhor ... Foi de mais , tanto para a tia Petúnia como para o Harry . A tia debulhou se em lágrimas e abraçou o filho , enquanto Harry se esgueirava para debaixo de a mesa para ninguém o ver rir . - E tu , rapaz ? Harry fez um esforço para se mostrar inexpressivo quando emergiu . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - disse . - Vais sim senhor - afirmou o tio Vernon energicamente . - Os Mason não sabem nada a teu respeito e é assim que as coisas vão continuar . Quando o jantar terminar , tu trazes Mrs._Mason para o salão , onde vamos tomar café , Petúnia , e eu puxo o assunto de as brocas . Com um_pouco de sorte , tenho o contrato assinado antes de o noticiário de as dez . Amanhã por esta hora , vamos estar a fazer compras para umas férias em Maiorca . Harry não conseguia sentir o menor entusiasmo com aquilo . Não lhe parecia que os Dursleys gostassem mais de ele em Maiorca do_que em Privet_Drive . - Certo , eu vou a a cidade buscar os casacos para mim e para o Dudley . E tu - resmungou , apontando para Harry - não atrapalhes a tua tia enquanto ela estiver a limpar . Harry saiu por a porta de as traseiras . Estava um dia de sol lindo . Atravessou o relvado , deixou se cair em o banco de o jardim e cantarolou baixinho : - Parabéns para mim ... parabéns para mim ... Nem cartas nem presentes e tinha de passar a noite a fingir que não existia . Olhou infeliz para a sebe . Nunca se sentira tão só . Mais do_que tudo em o mundo , mais do_que de Hogwarts , mais até do_que de o jogo de Quidditch , Harry sentia a falta de os amigos Ron_Weasley e Hermione_Granger . Mas eles não pareciam sentir a falta de ele . Nenhum de os dois lhe escrevera durante todo o Verão apesar_de o Ron ter dito que ia convidá o para passar uns dias lá em casa . Inúmeras vezes Harry estivera quase a libertar magicamente Hedwig de a sua gaiola e mandá a levar uma carta a o Ron e a a Hermione mas não valia a pena correr o risco . Os feiticeiros menores de idade não tinham autorização para usar a magia fora de a escola . Harry não contara isto a os Dursleys . Ele sabia que era o medo de que ele os transformasse a todos em baratas que os impedia de o fecharem a a chave em a despensa debaixo de as escadas , juntamente com a varinha e a vassoura . Em as primeiras semanas Harry divertira se a murmurar baixinho palavras sem sentido e a ver o Dudley sair disparado de o quarto , tão rápido quanto as suas pernas gordas lhe permitiam . Mas o silêncio prolongado de Ron e Hermione tinham o feito sentir se tão longe de o mundo de a magia que até divertir se à_custa_de Dudley perdera o interesse . E agora o Ron e a Hermione tinham se esquecido de o seu aniversário . Quanto não daria ele por uma mensagem de Hogwarts ? De qualquer feiticeiro ou feiticeira ? Quase ficaria satisfeito com um sinal de o seu inimigo feroz , Draco_Malfoy , só para ter a certeza de que tudo aquilo não fora apenas um sonho ... Não que tudo durante o ano em Hogwarts tivesse sido divertido . Mesmo em o fim de o último período , Harry confrontara se nem mais nem menos do_que com o próprio Lord_Voldemort . Voldemort podia ter arruinado o seu ego inicial mas continuava a espalhar o terror , ainda astuto , ainda determinado a recuperar o poder . Harry escapara uma segunda vez a as suas garras mas fora por um triz e mesmo agora , algumas semanas decorridas , acordava de noite encharcado em suores frios , perguntando se onde estaria Voldemort , relembrando o seu rosto lívido , os seus olhos completamente loucos ... Harry sentou se subitamente , direito como um fuso , em o banco de o jardim . Tinha estado a olhar distraído para a sebe e a sebe estava a olhar para ele . Dois enormes olhos verdes surgiram por_entre a folhagem . Harry pôs se de pé ao_mesmo_tempo que uma voz sobrevoava a relva . - Eu sei que dia é hoje - cantarolava Dudley , bamboleando se enquanto se aproximava . Os olhos enormes piscaram e desapareceram . - O quê ? - perguntou Harry sem retirar os olhos de o lugar para_onde estava a olhar . - Eu sei que dia é hoje - repetiu , chegando junto de ele . - Ainda_bem - disse Harry . - Aprendeste finalmente os dias de a semana . - Hoje é o dia de os teus anos - troçou o Dudley . - Por_que é_que não recebeste nenhuma carta ? Não tens amigos em esse lugar esquisito ? - É melhor não deixares a tua mãe ouvir te falar de a minha escola - disse Harry calmamente . Dudley puxou para_cima as calças que estavam a escorregar lhe por o rabo gordo abaixo . - Porque estás a olhar para a sebe . ; - perguntou curioso . - Estou a pensar em as palavras que deverei pronunciar para lhe pegar fogo - disse Harry . Dudley recuou de imediato com um olhar de pânico em a cara rechonchuda . - Tu não p-p-odes , o pai disse que não podias fazer magia ou corria contigo aqui de casa e não tens mais nenhum lugar para_onde ir , não tens amigos que te convidem ... - * _ Jiggery pokery * ! - disse Harry com voz firme . - * _ Hocus pocus ... squiggly wiggly * ... - Maaaaaãe - gritou Dudley , tropeçando em os pés , enquanto se precipitava para dentro_de casa . Maaaãe , ele vai fazer aquela coisa ! Harry deu graças a os céus por aquele momento de gozo . Como não aconteceu nada de mal nem a o Dudley nem a a sebe , a tia Petúnia percebeu que ele não fizera magia nenhuma mas , mesmo_assim , Harry teve de se afastar quando ela lhe deu uma forte pancada em a cabeça com a frigideira cheia de detergente . A seguir distribuiu lhe trabalho e o castigo de só voltar a comer quando tivesse acabado tudo . Enquanto Dudley andava a flanar , olhando para o ar e comendo gelados , Harry limpou as janelas , lavou o carro , aparou a relva , adubou os canteiros , podou e regou as rosas e pintou de_novo o banco de o jardim . O sol ardia lá em cima , queimando lhe a parte de trás de o pescoço . Harry sabia que não devia ter provocado Dudley mas ele dissera precisamente aquilo que ele próprio pensava ... talvez não tivesse amigos em Hogwarts . Deviam ver agora o famoso Harry_Potter , pensou amargamente enquanto espalhava adubo em os canteiros , as costas a doerem lhe e o suor a escorrer lhe por o rosto . Eram sete_e_meia_da_tarde quando , por fim , exausto , ouviu a tia Petúnia a chamá o . - Anda para dentro e passa por cima de os jornais . Harry entrou satisfeito em a sombra de a cozinha que rebrilhava . Sobre o frigorífico estava o bolo de a noite : um enorme monte de crome batido coberto de violetas de açúcar . A carne de porco assava em o forno . - Come depressa , os Mason devem estar a chegar ! - exclamou bruscamente a tia Petúnia , apontando para duas fatias de pão e uma de queijo que estavam em cima de a mesa de a cozinha . Ela já tinha posto um vestido de * cocktail * cor de salmão . Harry lavou as mãos e comeu aquele triste jantar . Mal tinha terminado , a tia Petúnia tirou lhe o prato . - Lá para_cima , rápido ! A o passar por a porta de a sala , Harry vislumbrou o tio Vernon e Dudley de casaco e gravata . Tinha acabado de chegar a o cimo de as escadas quando a campainha de a porta tocou e a cara de o tio Vernon apareceu em o patamar . - Lembra te , rapaz , um ruído que seja ... Harry entrou em o quarto em bicos de pés , fechou a porta e preparou se para se meter em a cama . O problema é_que estava lá alguém sentado . II_O aviso de Dobby_Harry conseguiu não gritar , mas foi por_pouco . A pequena criatura que estava em a cama tinha umas orelhas grandes e largas e uns olhos verdes protuberantes de o tamanho de bolas de ténis . Harry percebeu imediatamente que fora para ele que tinha estado a olhar de manhã . Enquanto olhavam um para o outro , Harry ouviu a voz de Dudley em o * hall * . - Posso guardar os vossos casacos , Mr. e Mrs._Mason ? A criatura escorregou por a cama e curvou se tanto que a ponta de o seu enorme nariz tocou em o tapete . Harry reparou que ele tinha vestido uma espécie de fronha de almofada com buracos para os braços e pernas . - Er ... Olá - disse Harry , um_pouco nervoso . - Harry_Potter ! - exclamou a criatura em uma voz tão estridente que Harry calculou que poderia ouvir se lá em baixo . - Há tanto tempo que Dobby queria conhecê o , senhor . É uma enorme honra ... - Ob-obrigado - disse Harry , deslocando se a o longo de a parede e sentando se em a cadeira de a secretária , junto de Hedwig que dormia em a sua grande gaiola . Queria perguntar lhe « O que és tu ? » , mas pensou que seria má educação , por isso perguntou : - Quem és tu ? - Dobby , senhor . Apenas Dobby , o elfo de casa - afirmou a criatura . - Oh ! A sério ? - perguntou Harry . - Não quero ser mal-educado , mas esta não é a melhor altura para ter um elfo em o meu quarto . O riso falso de a tia Petúnia ouvia se em a sala de jantar . O elfo deixou cair a cabeça . - Não que eu não me sinta feliz por te conhecer - disse Harry rapidamente - mas , er ... estás aqui por algum motivo em especial ? - Oh , sim senhor - disse Dobby muito a sério . - Dobby veio dizer lhe que ... é difícil ... Dobby não sabe por_onde começar ... - Senta te - disse Harry educadamente , apontando lhe a cama . Para seu horror , o elfo debulhou se em lágrimas bastante ruidosas . -- S-senta-te ! - repetiu . - Nunca em toda_a minha vida ... Harry pareceu lhe ouvir as vozes lá em baixo vacilarem . - Desculpa - murmurou . - Eu não queria ofender te ... - Ofender Dobby ! - exclamou o elfo em um sufoco . - Nunca nenhum feiticeiro disse a o Dobby que se sentasse como um seu igual , senhor . Harry , tentando dizer lhe « Sch ... » e confortá o ao_mesmo_tempo , conduziu Dobby de_novo até a a cama onde ele se sentou a soluçar , parecendo uma grande boneca muito feia . Por fim , conseguiu controlar se e ficou quieto , com os seus grandes olhos fixos em Harry em uma expressão de absoluta adoração . - Não deves ter conhecido muitos feiticeiros sérios - disse lhe , tentando animá o . Dobby abanou a cabeça . Em seguida , sem qualquer aviso , saltou e começou a bater furiosamente com a cabeça em a janela , gritando : - Dobby é mau ! Dobby é mau ! - Pára , o que é_que estás a fazer ? - perguntou Harry em um murmúrio sibilante , dando um salto e puxando Dobby de_novo para a cama . Hedwig acordara com um pio particularmente agudo e batia agressivamente com as asas contra as grades de a gaiola . - Dobby tinha que se castigar , meu senhor - afirmou o elfo , que ficara ligeiramente estrábico . - Dobby quase falou mal de a família de ele ... - De a tua família ? - De a família de feiticeiros que Dobby serve , meu senhor ... O Dobby é um elfo de casa , obrigado a servir uma casa e uma família para sempre . - Eles sabem que estás aqui ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Dobby estremeceu . - Oh , não senhor , não ... Dobby vai ter que se castigar muito por ter vindo vê o . Dobby vai ter que entalar as orelhas em a porta de o forno por isto . Se eles soubessem , senhor ... - Mas achas que eles não vão reparar se tu entalares as orelhas em a porta de o forno ? - Dobby duvida , senhor . Dobby está sempre a ter de se castigar por qualquer coisa . Eles deixam que o Dobby se castigue . _ às_vezes até sugerem alguns castigos extra . - Mas por_que é_que não te vais embora , não foges ? - Um elfo de casa tem de ser libertado , senhor . E a família nunca libertará Dobby . Dobby servirá a família até morrer . Harry olhou para ele . - E eu que pensava que era infeliz por ter de ficar aqui mais quatro semanas - declarou . - Isto faz os Dursleys parecerem quase humanos . Será que ninguém te pode ajudar ? Poderei eu ? Em o mesmo momento , Harry desejou não ter aberto a boca . Dobby desfez se em ruidosos soluços de gratidão . - Por favor - murmurou Harry , inquieto . - Por favor , está calado . Se os Dursleys ouvem barulho , se eles sabem que estás aqui ... - Harry_Potter pergunta se pode ajudar Dobby . Dobby ouviu falar de a sua grandeza , mas de a sua bondade , Dobby nada sabia . Harry , que se sentia corar , disse : - Seja o que for que tenhas ouvido sobre a minha grandeza , é um disparate . Nem_sequer sou o melhor de o meu ano em Hogwarts . É a Hermione . Ela ... Mas calou se rapidamente porque pensar em Hermione era lhe doloroso . - Harry_Potter é humilde e modesto - disse Dobby reverentemente , com os seus olhos de globo avermelhados . - Harry_Potter não fala de a sua vitória sobre « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . - Voldemort ? - perguntou Harry . Dobby bateu com as mãos em as enormes orelhas e gemeu : - Ai não diga o nome , senhor . Não diga o nome ! - Desculpa - disse Harry muito depressa . - Eu sei que muita gente não gosta . O meu amigo Ron ... Calou se de_novo . Pensar em o Ron era igualmente doloroso . Dobby voltou para Harry os seus dois olhos grandes como candeeiros . - Dobby ouviu dizer - balbuciou com voz rouca - que Harry_Potter encontrou o Senhor_do_Mal uma segunda vez há poucas semanas atrás ... que Harry_Potter lhe escapou de_novo . Harry acenou e os olhos de Dobby encheram se de lágrimas . - Ah , senhor - disse em um sobressalto , limpando o rosto com a ponta de a fronha de almofada que tinha vestida . - Harry_Potter é valente e arrojado . Enfrentou tantos perigos ! Mas Dobby veio protegê o , avisar Harry_Potter , mesmo_que para isso tenha de entalar as orelhas em a porta de o forno , que Harry_Potter não deve voltar para Hogwarts . Houve um silêncio apenas quebrado por o ruído de os garfos e de as facas lá em baixo e por a voz distante de o tio Vernon . - O q-q-uê ? - gaguejou Harry . - Mas eu tenho de voltar , o ano começa em o dia um de Setembro . É a minha razão de viver . Tu não sabes como são as coisas aqui . Eu não pertenço a este lugar , o meu lugar é em Hogwarts . - Não , não , não - guinchou Dobby , sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas andavam de um lado para o outro . - Harry_Potter deve ficar aqui , onde se encontra a salvo . É demasiado grande , demasiado bom para se perder . Se Harry_Potter regressar a Hogwarts correrá perigo de vida . - Porquê ? - inquiriu Harry , surpreendido . - Há uma conspiração , Harry_Potter . Uma conspiração para fazer acontecer coisas terríveis este ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts - murmurou Dobby que começara a tremer de a cabeça a os pés . - Dobby sabe de isto há meses , senhor . Harry_Potter não deve expor se a o perigo . É demasiado importante . - Que coisas terríveis são essas ? - perguntou Harry sem perder tempo . - Quem está por detrás ? Dobby fez um ruído esquisito e começou a bater com a cabeça contra a parede como um louco . - Está bem - gritou Harry , agarrando o braço de o elfo para o fazer parar . - Não podes dizer , eu compreendo . Mas porque vieste avisar me ? - Um pensamento súbito e desagradável surgiu lhe . - Espera aí , isto tem alguma coisa que ver com o Vol , desculpa com o Quem nós sabemos ? Basta que faças sim ou não com a cabeça - acrescentou com vivacidade enquanto a cabeça de Dobby se inclinava de_novo a uma velocidade preocupante para a parede . Lentamente , Dobby abanou a cabeça . - Não , não é « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . Os olhos de Dobby estavam abertos como_se estivesse a tentar dar a Harry uma pista , mas Harry estava completamente a a nora . - Ele não tem nenhum irmão , ou tem ? Dobby abanou a cabeça , os olhos mais abertos do_que nunca . - Bem , em esse caso não estou a ver quem mais poderia ter a possibilidade de fazer acontecer coisas horríveis em Hogwarts - disse Harry . - Quero dizer , para já está lá o Dumbledore . Sabes quem é Dumbledore , não sabes ? Dobby baixou a cabeça . - Albus_Dumbledore é o melhor director que Hogwarts alguma vez teve . Dobby sabe , senhor . Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore rivalizam com os d'aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Mas , senhor - a voz de Dobby desceu a um urgente murmúrio - há poderes que Dumbledore não ... poderes que nenhum feiticeiro sério ... E antes que Harry conseguisse impedi o Dobby saltou de a cama , agarrou o candeeiro de secretária de Harry e começou a bater com a cabeça , dando uivos ensurdecedores . Fez se silêncio lá em baixo . Dois segundos mais tarde , Harry com o coração a bater como um louco , ouviu o tio Vernon chegar a o * hall * e dizer . - O Dudley deve ter deixado outra_vez a televisão ligada , o maroto ! - Depressa , para dentro de o guarda-fatos - gritou Harry , empurrando Dobby bem para o fundo , fechando a porta e metendo se a correr em a cama mesmo a_tempo_de ver a maçaneta de a porta a girar . - Que diabo estás tu a fazer ? - disse o tio Vernon entre dentes , o rosto assustadoramente próximo de o de Harry . - Acabas de estragar o ponto alto de a minha anedota de o golfista japonês . Eu que oiça mais um som e vais desejar nunca ter nascido , rapaz ! Abandonou o quarto com grandes passadas . A tremer , Harry deixou Dobby sair de o guarda-fatos . - Estás a ver como são as coisas por aqui ? - disse . - Vês porque tenho de voltar para Hogwarts ? É o único sítio onde eu tenho ... bem , onde eu acho que tenho amigos . - Amigos que nem_sequer escrevem a Harry_Potter ? - disse Dobby com ar manhoso . - Calculo que devem ter estado ... espera aí - disse Harry , franzindo a testa . - Como é_que tu sabes que os meus amigos não me têm escrito ? Dobby arrastou os pés . - Harry_Potter não deve zangar se com Dobby . Dobby fez o que achou melhor ... - Tu tens estado a interceptar me as cartas ? - Dobby tem as aqui , senhor - disse o elfo . Saltando para longe de o alcance de Harry , retirou de dentro de a fronha que usava um espesso saco cheio de envelopes . Harry reconheceu de imediato a caligrafia certinha de Hermione , a escrita desordenada de Ron e até uns gatafunhos que pareciam ser de o guarda de os campos de Hogwarts , Hagrid . Dobby piscava ansiosamente os olhos . - Harry_Potter não deve ficar zangado ... Dobby esperava que ... se Harry_Potter pensasse que os amigos o tinham esquecido ... Harry_Potter talvez não quisesse voltar a a escola , senhor . Harry não o ouvia . Fez um gesto para agarrar as cartas , mas Dobby deu um salto , afastando se . - Harry_Potter terá as cartas , senhor , se der a Dobby a sua palavra de não voltar a Hogwarts . Ah , senhor , é um risco que não deve correr . Diga que não volta , senhor ! - Não - afirmou Harry zangado . - Dá me as cartas de os meus amigos ! - Em esse caso , Harry_Potter deixa Dobby sem escolha - disse o elfo tristemente . Antes que Harry pudesse fazer um movimento , Dobby tinha aberto a porta de o quarto e descido a correr por as escadas abaixo . Com a boca seca e um aperto em o estômago , Harry correu atrás de ele , tentando não fazer barulho . Saltou os últimos seis degraus , aterrando como um gato em a carpete de o * hall * , olhando em volta a a procura de Dobby . De a sala de jantar , ouviu a voz de o tio Vernon : - Conte a a Petúnia aquela história engraçadíssima de os funileiros americanos , ela tem estado louca por ouvi a , Mr._Mason . Harry correu de o * hall * para a cozinha e sentiu o estômago ficar pequenino . O pudim , que era a a obra-prima de a tia Petúnia , a montanha de creme batido coberto de violetas de açúcar flutuava junto de o tecto . Em cima de o guarda-louça de o canto , Dobby inclinava se servilmente . - Não - suplicou Harry . - Por favor , eles matam me . - Harry_Potter deve dizer que não vai voltar a a escola ... - Dobby , por favor . - Diga , senhor . - Não posso . Dobby lançou lhe um olhar trágico . - Então , Dobby deve fazê o , senhor , para o bem de Harry_Potter . O pudim foi direito a o chão em uma queda que parecia um coração a parar . O crome esguichou para as janelas e para as paredes , enquanto o prato se despedaçava . Com o ruído de uma chicotada , Dobby desapareceu . Ouviram se gritos em a casa de jantar e o tio Vernon irrompeu por a cozinha onde foi dar com Harry coberto , de a cabeça a os pés , por o pudim de a tia Petúnia . A princípio parecia que o tio Vernon ia conseguir arranjar uma desculpa para aquilo tudo . ( É só o nosso sobrinho , muito perturbado ; conhecer pessoas estranhas deixa o muito nervoso , por isso deixamos o lá em cima ... ) Conduziu_os_Mason , bastante chocados , para a sala de jantar , garantindo a Harry que o esfolava vivo quando os Mason se fossem embora e pôs lhe em as mãos um esfregão . A tia Petúnia descobriu um resto de gelado em o frigorífico e Harry , ainda a tremer , começou a limpar a cozinha . O tio Vernon poderia ainda ter feito o negócio , se não fosse a coruja . Estava a tia Petúnia a circular com uma caixa de After-Eight , quando uma enorme coruja de celeiro fez a sua entrada vertiginosa através de a janela de a casa de jantar , deixando cair uma carta em a cabeça de Mr._Mason e desaparecendo logo_a_seguir . Mrs._Mason gritava como uma carpideira e corria por a casa praguejando contra os lunáticos . Mr._Mason ficou o tempo estritamente necessário para dizer a os Dursleys que a mulher tinha um medo pânico de pássaros de todas_as formas e tamanhos e perguntar lhes se aquela era alguma brincadeira de mau gosto . Harry não saiu de a cozinha , agarrando o esfregão como defesa , enquanto o tio Vernon avançava para ele com um brilho demoníaco em os olhos pequeninos . - Lê isso - ordenou maldosamente . Harry pegou em a carta . Não era a desejar lhe um bom aniversário . * _ Caro_Mr._Potter , * _ Recebermos hoje informações de que um feitiço de suspensão em o ar foi efectuado em sua casa esta noite , a as nove_horas_e_doze_minutos . * _ Como sabe , os feiticeiros menores não estão autorizados a praticar magia fora de a escola e , se efectuar mais um trabalho mágico , será expulso de a nossa escola . ( Decreto_de_Restrições_Razoáveis_para_Feitiçaria_de_Menores , 1875 , parágrafo C. ) * _ Pedimos-lhe também que se lembre que qualquer actividade que possa ser notada por membros alheios a a nossa comunidade ( Muggles ) constitui uma ofensa grave , segundo a secção 13 de a Confederação_Internacional_do_Estatuto_da_Magia_Secreta . * _ Tenha umas boas férias . * Atenciosamente_Mafalda_Hopkirk_Gabinete_da_Utilização_Imprópria_da_Magia_Ministério_da_Magia * . Harry olhou para a carta e engoliu em seco . - Tu não nos contaste que estavas proibido de usar magia fora de a escola - disse o tio Vernon com um brilho maldoso a dançar lhe em os olhos . - Esqueceste te de o mencionar , passou te , não foi ? Tinha se aproximado de Harry como um grande * bulldog * , com todos os dentes a a mostra . - Tenho boas notícias para ti , rapaz , vou fechar te a a chave e , se tentares sair através_de magia , nunca mais voltas a aquela escola , eles expulsam te . E rindo como um louco , arrastou Harry até a o andar de cima . O tio Vernon era mau como as cobras . Em a manhã seguinte pagou a um homem para colocar grades em a janela de o quarto de Harry . Ele próprio abriu um pequeno buraco em a porta de o quarto para que a comida pudesse ser introduzida três vezes por dia . Deixavam o Harry sair para ir a a casa_de_banho de manhã e a o final de a tarde . O resto de o tempo estava fechado em o quarto , a a espera que o tempo passasse . Três dias mais tarde , os Dursleys não mostravam qualquer intenção de abrandar o castigo e Harry não sabia como sair de aquela situação . Estava deitado em a cama , vendo o sol brilhar por_entre as grades de a janela e perguntando se tristemente o que viria a acontecer lhe . Qual era a vantagem de sair de ali por artes mágicas , se Hogwarts o expulsaria em seguida ? Contudo , a vida em Privet_Drive tinha atingido o seu nível mais baixo . Agora_que os Dursleys tinham a certeza que não iam acordar transformados em morcegos , ele perdera a única arma que tinha . O Dobby podia tê o salvo de acontecimentos terríveis em Hogwarts , mas de a maneira que as coisas estavam , ele morreria muito provavelmente a a fome . A portinhola rangeu e a mão de a tia Petúnia apareceu empurrando uma tigela de sopa de pacote para dentro de o quarto . Harry , que estava cheio de fome , saltou de a cama e agarrou a . A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um único trago . A seguir , atravessou o quarto até a a gaiola de Hedwig e pôs os legumes ensopados dentro de o seu pratinho vazio . Ela agitou as penas e olhou o com profunda repugnância . - Não vale de nada virares lhe as costas . É tudo_o_que temos - disse Harry , de modo severo . Colocou a tigela vazia em o chão junto de a portinhola e voltou para_cima de a cama , de certo modo com mais fome do_que antes de ter comido a sopa . Admitindo que estaria ainda vivo dentro_de quatro semanas o que aconteceria se ele não se apresentasse em Hogwarts ? Será que mandariam alguém obrigar os Dursleys a deixá o ir ? O quarto começava a escurecer . Exausto e com o estômago a dar horas , o cérebro a as voltas com as mesmas questões sem resposta , Harry caiu em um sono intranquilo . Sonhou que fazia parte de um espectáculo de o jardim zoológico . Preso a a jaula onde se encontrava estava um cartaz onde podia ler se « feiticeiro menor de idade « . As pessoas olhavam o com olhos protuberantes , enquanto ele jazia fraco e esfomeado em um leito de palha . Viu a cara de o Dobby em o meio de a multidão e gritou lhe , pedindo ajuda , mas o Dobby respondeu : - Harry_Potter está em segurança aí , senhor - e desapareceu . Em seguida vieram os Dursleys e Dudley bateu em as grades de a jaula , rindo se de ele . - Pára com isso - murmurou Harry como_se aquele ruído martelasse em a sua cabeça dorida . - Deixa me em paz , pára com isso , estou a tentar dormir . Abriu os olhos . O luar brilhava através de as grades de a janela . E lá fora alguém olhava de olhos arregalados para ele : alguém de rosto sardento , cabelo ruivo e nariz grande . Ron_Weasley estava de o lado de_fora de a janela . III « A toca » Ron ! - exclamou Harry , arrastando se até a a janela e empurrando a para poderem falar através de as grades . - Ron , como é_que tu , foi o ... ? Harry ficou de boca aberta , espantado com o que viu . Ron estava debruçado de a janela de trás de um velho automóvel azul-turquesa que se encontrava estacionado em o ar . Em os lugares de a frente , rindo se para Harry , estavam os irmãos mais velhos , os gémeos Fred e George . - Tudo bem , Harry ? - O que é_que se tem passado ? - perguntou o Ron . - Porque não respondeste a as minhas cartas ? Convidei te para vires ter comigo umas doze vezes e um dia o pai chegou a casa e comunicou nos que tu tinhas recebido um aviso oficial por usares magia diante de os Muggles ... - Não fui eu . E como é_que ele soube ? - Ele trabalha em o Ministério - disse o Ron . - Tu sabes que nós não podemos fazer feitiços fora de a escola . - Bem , isso vindo de ti ... - exclamou Harry , olhando para o carro flutuante . - Oh , isto não conta - disse Ron . - Foi o meu pai que o emprestou . Não o fizemos aparecer por magia . Mas usar magia em a frente de esses Muggles com quem tu vives ... - Já te disse que não fui eu , mas vai demorar muito_tempo a explicar te isso agora . És capaz de avisar em Hogwarts que os Dursleys me fecharam a a chave e que não querem deixar me voltar e obviamente eu não posso sair de aqui magicamente senão o Ministério vai achar que é a segunda vez em três dias e ... - Pára com essa conversa tola - disse o Ron . - Viemos para te levar connosco . - Mas tu também não podes tirar me de aqui utilizando processos mágicos ... - Não precisamos de isso - afirmou Ron , fazendo um sinal de cabeça para os lugares de a frente . - Esqueces te de quem está aqui comigo . - Amarra isso em volta de as grades - disse o Fred , lançando a Harry a ponta de uma corda . - Se os Dursleys acordam estou feito - lamentou se Harry enquanto dava um nó bem apertado com a corda em uma de as grades e o Fred arrancava com o carro . - Não te preocupes e chega te para trás . Harry recuou para a sombra , para junto de Hedwig que parecia ter se apercebido de a importância de tudo aquilo , mantendo se quieta e em silêncio . O carro puxou mais e mais e , subitamente , com um ruído de ferro a ceder , as grades foram arrancadas de a janela , enquanto Fred conduzia com o céu como estrada . Harry correu de_novo para a janela para ver as grades a balouçarem a poucos metros de o chão . Ofegante , Ron içou as para dentro de o carro . Harry escutou ansiosamente mas não vinha qualquer som de o quarto de os Dursleys . Quando as grades estavam em segurança em os lugares de trás junto de Ron , Fred aproximou se o_máximo que lhe foi possível de a janela . - Anda de aí - disse . - Mas , todas_as minhas coisas de Hogwarts , a minha varinha , a minha vassoura ... - Onde estão ? - Fechadas em a despensa debaixo de as escadas e eu não posso sair de este quarto . . - Não há azar - disse o George . - Sai de a frente , Harry . Fred e George treparam cautelosamente e entraram por a janela em o quarto de Harry . Tinhas que ter aberto a boca , pensou Harry enquanto George tirava de o bolso um vulgar gancho de cabelo e começava a tentar abrir a fechadura . - Muitos feiticeiros acham que é uma perda de tempo aprender os truques de os Muggles - disse o Fred . - Mas nós pensamos que há habilidades que é sempre útil conhecer apesar_de serem um_pouco lentas . Ouviu se um pequeno clique e a porta abriu se . - Pronto , vamos buscar as tuas coisas . Tu vai dando a o Ron aquilo que precisas de aí de o teu quarto - murmurou George . - Cuidado com o degrau de cima que range - sussurrou Harry enquanto os gémeos desapareciam em o escuro . Harry deu a volta a o quarto , recolhendo as suas coisas e passando as por a janela a o Ron . Em seguida , foi ajudar o Fred e o George a trazerem o resto por as escadas acima . Ouviu o tio Vernon tossir . Por fim , de língua de_fora , chegaram a o quarto , junto de a janela aberta . Fred trepou para o carro para puxar os volumes com o Ron enquanto Harry e George os empurravam de dentro de o quarto . Centímetro a centímetro o malão foi passando por a janela . O tio Vernon tossiu de_novo . - Mais um_pouco - disse o Fred que estava a puxar de dentro de o carro . Um bom empurrão , vá . Harry e George encostaram os ombros contra a mala e ela escorregou para a parte de trás de o carro . - O. _ K. , vamos embora - murmurou o George . Mas quando Harry trepava para o parapeito de a janela ouviu se um forte pio atrás de ele , imediatamente seguido de o vociferar de o tio Vernon . - Aquela maldita coruja ! - Esqueci me de a Hedwig ! Harry precipitou se de_novo para o quarto , enquanto a luz de o patamar se acendia . Agarrou a gaiola de Hedwig , correu para a janela e passou a a o Ron . Estava a subir para_cima de a cómoda quando o tio Vernon bateu em a porta , que não estava fechada , e esta se abriu completamente . Por uma fracção de segundo , o tio Vernon ficou estático junto de a porta . Em seguida , soltou um mugido como um boi zangado e avançou para Harry , agarrando o por o tornozelo . Ron , Fred e George seguraram o por os braços e puxaram o com toda_a força . - Petúnia - rosnou o tio Vernon . - Ele está a fugir ! : __ ele está a __ fugir ! Os Weasleys deram um puxão gigantesco e a perna de o Harry escapou a as garras de o tio Vernon . Logo_que Harry entrou em o carro e a porta se fechou , Ron gritou : - Acelera Fred ! - E o carro partiu subitamente em direcção a a lua . Harry mal podia acreditar que estava livre . Esticou se a a janela , o ar de a noite a fustigar lhe os cabelos e olhou para baixo , para os telhados apertados de Privet_Drive . O tio Vernon , a tia Petúnia e o Dudley estavam todos debruçados com cara de parvos , a a janela de o quarto de ele . - Até a o próximo Verão - gritou . Os Weasleys riam se a as gargalhadas e Harry esticou se para trás em o assento e pediu a o ouvido de Ron : - Deixa sair a Hedwig . Ela pode voar atrás_de nós . Há séculos que não tem uma oportunidade de esticar as asas . George passou a o Ron o gancho de cabelo e , um momento depois , a Hedwig saíra feliz por a janela , planando atrás de eles como um fantasma . - Então , qual é a história ? - perguntou Ron , impaciente . - O que é_que tem estado a acontecer ? Harry contou lhes tudo sobre o Dobby , o aviso de este e o fracasso de o pudim de violetas . Houve um longo silêncio quando ele se calou . - Isso cheira me a esturro - disse , por fim , o Fred . - Definitivamente misterioso - concordou George . - Então ele nem te disse quem está supostamente por detrás dessa trama toda ? - Acho que não podia - explicou Harry . - Já te disse , de cada_vez que estava quase a deixar escapar qualquer coisa , começava a bater com a cabeça em a parede . Viu Fred e George olharem um para o outro . - O quê ? Acham que ele estava a mentir me ? - perguntou Harry . - Bem - começou o Fred -- , coloquemos as coisas de o seguinte modo , os elfos de casa têm poderes mágicos próprios , mas geralmente não podem usá os sem a autorização de os seus donos . Eu acho que o bom de o Dobby foi enviado para evitar que voltasses para Hogwarts . Uma ideia de um engraçadinho . Haverá alguém em a escola com má vontade contra ti ? - Sim - responderam Harry e Ron , precisamente ao_mesmo_tempo . - Draco_Malfoy - explicou Harry . - Ele detesta me . - Draco_Malfoy ? - perguntou George , voltando se para trás . - O filho de o Lucius_Malfoy ? - Deve ser . Não é um nome muito vulgar , pois não ? - disse Harry . - Mas porquê ? - Ouvi o pai falar acerca de ele - confidenciou George . - Ele era um grande apoiante de o « Quem nós sabemos » . - E quando o « Quem nós sabemos » desapareceu - continuou o Fred , voltando a cara para olhar para Harry - o Lucius_Malfoy voltou , dizendo que não foi por vontade própria que fez o que fez . Monte de lixo . O pai acha que ele fazia parte de um círculo de amigos íntimos de o « Quem nós sabemos » . Harry já tinha ouvido esses boatos sobre a família de Malfoy e não o surpreenderam em absoluto . Malfoy fizera Dudley_Dursley parecer um rapazinho simpático , amável e sensível . - Não sei se os Malfoy têm um elfo de casa ... - afirmou Harry . - Bem , quem quer que o possua é sem dúvida uma antiga família de feiticeiros e deve ser rica - explicou Fred . - Sim . A mãe está sempre a desejar que pudéssemos ter um elfo de casa para passar a roupa a ferro - disse o George . - Mas só temos um velho vampiro piolhoso em o sótão e gnomos espalhados por o jardim . Os elfos de casa pertencem a as grandes casas senhoriais , a os castelos e lugares assim , não encontrarias um em a nossa casa ... Harry estava calado . Considerando que Draco_Malfoy tinha sempre as melhores coisas , que a sua família nadava em ouro de feiticeiros , era fácil imaginá o passeando se por uma enorme casa senhorial . Mandar o servo de a família evitar que Harry voltasse para Hogwarts também parecia exactamente o tipo de coisa que Malfoy poderia fazer . Teria Harry sido estúpido a o tomar Dobby a sério ? - De qualquer modo , ainda_bem que viemos buscar te - declarou Ron . - Eu começava a ficar seriamente preocupado por não responderes a nenhuma de as minhas cartas . A princípio pensei que a culpa fosse de a Errol ... - Quem é a Errol ? - A nossa coruja . Já é velhota . Não seria a primeira vez que adoecia durante uma entrega . Por isso , tentei pedir a Hermes emprestada ... - Quem ? - A coruja que os meus pais compraram a o Percy quando ele foi nomeado prefeito - respondeu Fred . - Mas o Percy não me a emprestou . Disse que precisava de ela . - O Percy tem andado com atitudes muito estranhas este Verão - comentou George franzindo a testa . - E tem mandado imensas cartas e passado um tempo infinito fechado em o quarto ... enfim , pode limpar se e polir um distintivo de prefeito todas_as vezes que se quiser ... Estás a conduzir demasiado para ocidente , Fred - acrescentou apontando para uma bússola em o painel de o automóvel . Fred girou o volante . - Então , o vosso pai sabe que têm o carro ? - perguntou Harry , quase adivinhando a resposta . - Er ... não - disse o Ron . - Ele tinha trabalho esta noite . Felizmente vamos poder pô o de_novo em a garagem , sem a mãe perceber que andámos a voar nele . - A propósito , o que faz o vosso pai em o Ministério_da_Magia ? - Trabalha em o Departamento mais chato - respondeu Ron . - A Divisão de utilização incorrecta de artefactos de os Muggles . - O quê ? - Relaciona se com objectos de feitiçaria que foram feitos por os Muggles ; sabes como é , se forem parar de_novo a uma loja de os Muggles , ou a uma casa , como em o ano passado , quando morreu uma bruxa velha e o bule de ela foi vendido a uma loja de antiguidades . Uma mulher Muggle comprou o , tentou servir chá a os amigos . Foi um pesadelo , o pai teve de fazer horas extraordinárias durante semanas . - O que é_que aconteceu ? - O bule parecia louco , esguichou chá a ferver para todos os lados e um de os homens foi parar a o hospital com a pinça de o açúcar presa em o nariz . O pai ficou nervosíssimo . É só ele e o velho feiticeiro Perkings em o gabinete e tiveram de localizar e descobrir todo o tipo de encantamentos para resolver o assunto . - Mas o teu pai ... este carro ... Fred riu se . - Sim , o pai é louco por tudo_o_que tem que ver com os Muggles . A nossa arrecadação está cheia de coisas de os Muggles . Ele separa as , lança lhes feitiços e volta a pô as em o lugar . Se ele fizesse uma busca a nossa casa teria de se prender a si mesmo . A minha mãe fica louca com tudo aquilo . - É a estrada principal - gritou o George , apontando para baixo através de a janela . - Dentro_de poucos minutos estamos lá , mesmo a tempo , está a começar a clarear . Um leve brilho rosado tingia o horizonte para leste . Fred trouxe o carro para baixo e Harry pôde ver uma manta de retalhos de campos escuros e matas de arbustos . - Estamos um_pouco longe de a vila - disse George . - Em Ottery_St . Catchpole ... O carro voador foi descendo a os poucos . A luz avermelhada brilhava agora por_entre as árvores . - Terra - disse o Fred , em o momento em que tocaram em o chão com um ligeiro solavanco . Tinham aterrado perto_de uma garagem em ruínas em um pequeno pátio e Harry viu pela_primeira_vez a casa de o Ron . Parecia ter sido em tempos uma pocilga de pedra . Mas os quartos que posteriormente lhe tinham sido acrescentados haviam a tornado bastante mais alta e o seu aspecto era tão curvado que parecia ter sido construída por artes mágicas ( o que , pensou Harry , era , muito provavelmente , verdade ) . De o telhado vermelho saíam quatro ou cinco chaminés . Junto de a entrada , fixa em o chão , podia ver se uma inscrição assimétrica que dizia « A toca » . A o lado de a porta principal estava uma contusão de botas de * _ Wellington * e um caldeirão completamente enferrujado . Por o pátio passeavam se várias galinhas castanhas e gordas . - Não é grande coisa - desculpou se o Ron . - É óptima - exclamou Harry , feliz , pensando em Privet_Drive . Saíram de o carro . - Agora vamos lá para_cima sem fazer barulho - disse o Fred . - E esperamos que a mãe nos chame para o pequeno-almoço . Depois tu , Ron , desces a escada entusiasmadíssimo . - Mãe , olha quem apareceu cá durante a noite ! - E ela vai sentir se felicíssima quando vir o Harry . Assim ninguém fica a saber que levámos o carro voador . - Certo - disse o Ron . - Vamos , Harry , eu durmo em o ... Ron ganhou uma cor de um pálido esverdeado , os olhos fixos em a casa . Os outros três fizeram meia volta . Mrs._Weasley avançava por o pátio , afugentando as galinhas e , para uma mulher baixa , roliça e simpática , era fantástico como conseguia parecer se com um tigre dentes-de-sabre . - Ah ! - suspirou o Fred . - Oh , oh ! - exclamou o George . Mrs._Weasley parou em frente de eles . As mãos em as ancas , saltando de um olhar culpado para o outro . Usava um avental a as flores , com uma varinha a sair lhe de o bolso . - Com que então - disse . - Bom dia , mãe - arriscou o George com uma voz que tentou que fosse alegre e bem-disposta . - Vocês têm alguma ideia de como tenho estado preocupada ? - perguntou Mrs._Weasley em um murmúrio fraco . - Desculpe , mãe , mas sabe , nós tivemos que ... Os três filhos de Mrs._Weasley eram mais altos do_que ela , mas tremiam quando a fúria de a mãe se abatia sobre eles . - Camas vazias ! Nem um bilhete ! O carro desaparecido ... Podiam ter tido um acidente , estou fora de mim com tanta preocupação e vocês nem se importam ... nunca , enquanto eu for viva ... esperem só até o vosso pai chegar , nunca tivemos problemas de estes com o Bill , com o Charlie ou com o Percy ... - O perfeito Percy - resmungou Fred . - : __ tu não vales um dedo de a mão de o __ percy ! - gritou Mrs._Weasley , espetando um dedo em o queixo de o Fred . - Podias ter morrido , podias ter sido visto , podias ter feito com que o teu pai perdesse o emprego ... Parecia nunca mais acabar . Mrs._Weasley tinha gritado até ficar ronca , antes de se voltar para o Harry , que recuou . - Estou muito contente por te ver , Harry - disse . - Entra e vem tomar o pequeno-almoço . Ela voltou se e regressou a casa e Harry , depois de trocar um olhar nervoso com o Ron , que lhe acenou , encorajando o , seguiu a . A cozinha era pequena e bastante estreita . A meio havia uma enfezada mesa de madeira e cadeiras em volta e Harry sentou se a a beirinha de o assento , olhando em volta . Era a primeira vez que entrava em uma casa de feiticeiros . O relógio em a parede em frente de ele , tinha apenas um ponteiro e nenhum número . Em volta , estavam escritas frases como « Hora de fazer o chá » , « Hora de dar de comer a as galinhas « e « Estás atrasado » . Empilhados em o rebordo de a lareira estavam livros com títulos como * _ Encanta o teu próprio queijo , Encantamento em a cozedura de o pão e Banquetes em um minuto - é mágico * ! E , a menos que os ouvidos de Harry estivessem a traí o , o velho rádio próximo de o lava-loiças acabara de anunciar que a seguir vinha a Hora de enfeitiçar com a popular feiticeira-cantora Celestina_Warbeck . Mrs._Weasley fazia barulho com os talheres , preparando o pequeno-almoço um bocado a o acaso , lançando olhares furiosos a os filhos , enquanto lançava as salsichas em a frigideira . De vez em quando murmurava coisas como : « Não sei o que vos passou por a cabeça « ou « nunca devia ter confiado em vocês » . - Eu não te culpo , filho - tranquilizou Harry , pondo lhe sete ou oito salsichas em o prato . - Eu e o Arthur temos estado preocupados contigo . Ainda ontem a a noite estivemos a dizer que te iríamos buscar nós próprios se não respondesses a o Ron até sexta-feira . Mas , em a verdade ( estava agora a acrescentar três ovos estrelados a o prato de ele ) , atravessar metade de o país a voar em um carro ilegal , qualquer um vos poderia ter visto ... Agitou maquinalmente a varinha em a direcção de o lava-loiças , onde a loiça começou a lavar se sozinha , tinindo baixinho lá atrás . - Estava enevoado , mãe ! - exclamou o Fred . - Boca fechada enquanto comes ! - interrompeu Mrs._Weasley . - Eles estavam a fazê o passar fome , mãe ! - disse o George . - E tu também ! - disse Mrs._Weasley , mas já foi com uma expressão mais doce que começou a cortar o pão para Harry e a barrá o com manteiga . Em esse momento , as atenções voltaram se para um pequenino volto de cabelos ruivos , em uma camisa de dormir até a os pés , que surgiu em a cozinha , deu um grito agudo e desapareceu de_novo . - É a Ginny - disse Ron baixinho a o Harry -- , a minha irmã . Tem falado de ti todo o Verão . - Sim , ela vai querer o teu autógrafo , Harry - riu se o Fred , mas o seu olhar cruzou se com o de a mãe e inclinou se para o prato , não voltando a abrir a boca . Ninguém falou até os quatro pratos estarem limpos , o que sucedeu a uma velocidade surpreendente . - Bolas , estou cansado - bocejou Fred , pousando a faca e o garfo . Acho que me vou deitar e ... - Não vais , não senhor - interrompeu Mrs._Weasley . - A culpa é tua se ficaste toda_a noite acordado . Vais fazer a des-gnomização de o jardim . Eles estão outra_vez a exagerar . - Oh , mãe ... - E vocês os dois o mesmo - dirigiu se a o Ron e a o Fred . - Tu podes ir para a cama , filho - disse a Harry . - Não lhes pediste que guiassem aquele carro miserável . Mas Harry , que se sentia acordadíssimo , respondeu prontamente : - Eu ajudo o Ron , nunca vi uma des-gnomização ... - É muito simpático de a tua parte , querido , mas é um trabalho chato - explicou Mrs._Weasley . - Vejamos o que o Lockhart tem a dizer acerca disto . E puxou de o rebordo de a lareira um livro pesadíssimo . George resmungou : - Mãe , nós sabemos * des-gnomizar * o jardim . Harry olhou para a capa de o livro de Mrs._Weasley . Em grandes letras douradas , que ocupavam grande parte de a capa , podia ler se Guia_de_Gilderoy_Lockhart para pragas caseiras . Via se também a grande fotografia de um feiticeiro bem-parecido , de cabelos loiros ondulados e olhos azuis brilhantes . Como sempre , em o mundo de os feiticeiros , a fotografia mexia se . O feiticeiro , que Harry calculou ser Gilderoy_Lockhart , não parava de lhes piscar os olhos descaradamente . Mrs._Weasley sorriu lhe . - Oh , ele é fantástico - disse . - Conhece bem as pragas caseiras . É um livro maravilhoso . - A mãe adora o - disse Fred em um murmúrio bastante audível . - Não sejas ridículo , Fred - repreendeu Mrs._Weasley com as bochechas coradas . - É claro que se achas que sabes mais do_que o Lockhart , podes ir fazer o trabalho e ai de ti se houver um único gnomo em o jardim quando eu for fazer a inspecção . A bocejar e a resmungar , os Weasley arrastaram se lá para fora com Harry atrás de eles . O jardim era grande e , em a opinião de Harry , exactamente como deveria ser um jardim . Os Dursleys não teriam gostado . Havia uma enorme quantidade de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada , mas havia árvores nodosas em volta de as paredes , plantas que Harry nunca vira , tombando de todos os canteiros e um grande lago verde cheio de rãs . - Os Muggles também têm gnomos de jardim , sabes - disse o Harry a o Ron , enquanto atravessavam a relva . - Sim , já vi essas coisas que eles pensam que são gnomos - disse o Ron todo dobrado , com a cabeça em uma moita de peónias . - Como os Pais_Natais gordinhos com canas de pesca ... Houve um tumulto ruidoso , a moita de peónias estremeceu e Ron endireitou se . - Isto_é um gnomo - declarou com um ar sério . - Larga eu ! Larga eu ! - guinchou o gnomo . Não se parecia em absoluto com o Pai_Natal . Era pequenino e parecia de couro , com uma grande cabeça protuberante e calva , precisamente como uma batata . Ron agarrou o a a distância de um braço , enquanto ele dava pontapés em o ar com os seus pézinhos que pareciam chifres . Agarrou o por os tornozelos e voltou o de pernas para o ar . - Isto_é o que tens de fazer - disse . Levantou o gnomo acima de a cabeça ( Larga eu ! ) e começou a balouçá o em grandes círculos , como os vaqueiros fazem com os laços . A o ver a expressão chocada de Harry , Ron explicou : - Não os mágoa . Só tens de os deixar bem tontos para que consigam encontrar o caminho de regresso a os buracos de os gnomos . Largou os tornozelos de o gnomo . Ele voou seiscentos metros e aterrou com um ruído surdo em o campo a o lado de a sebe . - Deplorável - afirmou o Fred . - Aposto que consigo lançar o meu para_além de aquele tronco . Harry aprendeu rapidamente a não sentir muita pena de os gnomos . Decidira largar o primeiro que apanhou para_além de a sebe , mas o gnomo , sentindo fraqueza , enfiou os seus dentinhos , aguçados como laminas , em o dedo de o Harry e não foi fácil sacudi o para ele o largar , até que ... - Uau , Harry , esse deve ter sido seiscentos metros ... O ar estava subitamente cheio de gnomos voadores . - Vês , eles não são muito espertos - afirmou o George , agarrando cinco ou seis de uma_vez . - Em o momento em que se apercebem que começou a * des-gnomização * , aparecem todos para espreitar . Era de esperar que já tivessem aprendido a ficar quietinhos . Rapidamente a multidão de gnomos começou a ir se embora , atravessando os campos em uma fila ordenada , com os pequeninos ombros arqueados . - Eles voltam - disse o Ron enquanto os via desaparecer em a sebe de o outro lado de o campo . - Eles adoram estar aqui ... o pai é muito mole com eles , acha lhes piada . Em esse momento , a porta de a frente bateu . - Ele já voltou ! - exclamou o George . - O pai já está em casa ! Apressaram se a entrar . Mr._Weasley tinha se afundado em uma de as cadeiras de a cozinha , sem óculos e com os olhos fechados . Era um homem magro , quase calvo , mas o pouco cabelo que tinha era tão ruivo como o de os filhos . Vestia um longo manto verde cheio de pó e estava cansado de a viagem . - Que noite - murmurou , tacteando em busca de o bule , enquanto todos se sentavam a a volta de ele . - Nove assaltos , nove ! E o velho Mundungs_Fletcher tentou lançar me um feitiço quando eu estava de costas . Mr._Weasley tomou um bom gole de chá e suspirou . - Encontrou alguma coisa , pai ? - perguntou Fred ansiosamente . - Só encontrei algumas chaves encolhidas e uma chaleira que mordia - bocejou Mr._Weasley . - Havia um material bastante mauzinho , mas não era de o meu departamento . O Mortlake foi levado para ser interrogado sobre uns furões extremamente antigos , mas isso pertence a a Comissão_dos_Feitiços_Experimentais , graças_a Deus . - Por_que é_que alguém ia dar se a o trabalho de fazer encolher chaves ? - perguntou George . - Para chatear os Muggles - suspirou Mr._Weasley . - Vende se lhes uma chave que não pára de encolher , até que desaparece , de_modo_a que nunca a encontrem quando precisam ... É claro que é muito difícil condenar alguém , porque nenhum Muggle é capaz de admitir que a sua chave está a encolher , insistem em que estão sempre a perdê a . Benditos sejam , vão até onde for preciso para ignorar a magia , mesmo_que ela esteja em frente de os seus narizes ... mas vocês não acreditariam em as coisas que o nosso grupo tem levado para enfeitiçar ... - : __ como carros , por __ exemplo ? Mrs._Weasley tinha aparecido , segurando um grande atiçador que parecia uma espada . Os olhos de Mr._Weasley abriram se de repente , fitando a mulher com um ar culpado . - C-carros , Molly querida ? - Sim , Artur , carros - afirmou Mrs._Weasley , os olhos a faiscar . - Imagina um feiticeiro a comprar um carro velho e enferrujado e dizer a a mulher que a única coisa que queria fazer com ele era desmontá o para ver como ele funcionava , enquanto em a verdade estava a enfeitiçá o para o fazer voar . Mr._Weasley piscou os olhos . - Bem , querida , acho que poderás constatar que não é ilegal fazer isso , embora , er , talvez ele devesse ter contado a verdade a a mulher ... Existe uma forma de tornear a lei , já_que ela diz que ... desde_que não se tenha a * intenção * de voar em o carro , o facto de ele poder voar , não ... - Arthur_Weasley tu arranjaste essa forma de tornear a lei quando a escreveste ! - gritou Mrs._Weasley . - Para poderes continuar a remexer em todo aquele lixo de os Muggles que tens em a arrecadação ! E , para tua informação , o Harry chegou hoje_de_manhã em o carro que tu não pretendias pôr a voar ! - Harry ? - perguntou Mr._Weasley sem expressão . - Qual Harry ? Olhou em volta , viu Harry e deu um salto . - Santo_Deus , é Harry_Potter ? Muito prazer , o Ron falou nos tanto de si ... - * _ O teu filho conduziu aquele carro até a a casa de o Harry e de volta até aqui em a noite passada ! * - gritou Mrs._Weasley . - O que tens a dizer a esse respeito ? - A sério ! ? - exclamou Mr._Weasley com vivacidade . - Correu tudo bem , quero dizer ... - vacilou a o ver os olhos de Mrs._Weasley que faiscavam . - Er , fizeram mal , rapazes , muito mal , mesmo ... - Vamos deixá os a os dois - murmurou o Ron , enquanto Mrs._Weasley inchava como um sapo gigantesco . - Vamos , vou mostrar te o meu quarto . Esgueiraram se de a cozinha e desceram uma passagem estreita que dava para uma escada desnivelada que ziguezagueava a o longo de a casa . Em o terceiro andar , estava uma porta entreaberta . Harry só teve tempo de ver um par de olhos castanhos brilhantes que o olhavam fixamente , antes de a porta se fechar com um estalido . - A Ginny - disse o Ron . - Não imaginas como é estranho vês a tão tímida , ela que quase nunca se cala ... Subiram mais dois andares , até chegarem a uma porta com a tinta a descascar e uma pequena placa dizendo : « Quarto_do_Ronald » . Harry entrou . A cabeça quase tocava em o tecto inclinado . Piscou os olhos . Era como entrar dentro_de uma fornalha : quase tudo em o quarto de o Ron tinha um violento matiz alaranjado : a colcha de a cama , as paredes , até o tecto . Em seguida , apercebeu se de que o Ron tinha coberto cada centímetro de o velho papel de parede com * posters * de as mesmas sete feiticeiras e feiticeiros , todos vestidos com brilhantes mantos cor de laranja , transportando vassouras e acenando entusiasticamente . - A tua equipa de Quidditch ? - perguntou Harry . - Os Chudley_Cannons - disse Ron , apontando para a colcha cor de laranja que tinha um brasão com dois C's gigantes e uma bala de canhão a_toda_a velocidade . - Nono em a Liga . Os livros de estudo de feitiços de Ron estavam empilhados desordenadamente a um canto , junto de um monte de B. _ D. , todas elas relativas a as * _ Aventuras_de_Martin_Miggs , o Muggle louco * . A varinha mágica de o Ron estava em_cima_de um aquário cheio de ovos de rã sobre o peitoril de a janela , junto de o seu rato gordo e cinzento , Scabbers , que dormia uma soneca a o sol . Harry passou por_cima_de um baralho de cartas de jogar com vontade própria , que estava caído em o chão , e olhou para fora de a janelinha . Em o campo , não muito longe , podia ver um grupo de gnomos a esgueirarem se , um a um , de_novo para a sebe de os Weasley . Em seguida , voltou se para Ron que o observava nervoso , como_se esperasse a opinião de ele . - É um_pouco pequeno - declarou o Ron muito depressa . - Não se parece nada com o quarto que tu tinhas em casa de os Muggles . E estou mesmo debaixo de o vampiro de o sótão . Ele anda sempre a bater nos canos e a gemer ... Mas Harry , com um grande sorriso , disse lhe : - Esta é a melhor casa em que eu já estive . As orelhas de Ron ficaram cor-de-rosa . IV_Na_Flourish and Blotts_A vida em a Toca era o mais diferente que é possível de a vida em Privet_Drive . Os Dursleys gostavam de tudo limpo e arrumado , em casa de os Weasleys explodia o estranho e o inesperado . Harry teve um choque de a primeira vez que olhou para o espelho que estava sobre a lareira de a cozinha e ele gritou : - Mete para dentro a camisa , * desmazelado ! * - O vampiro de o sótão gemia e batia nos canos , sempre_que sentia as coisas demasiado calmas e as pequenas explosões em o quarto de o Fred e de o George , eram consideradas perfeitamente normais . Mas o que o Harry achou mais bizarro em a vida em casa de o Ron , não foi o espelho que falava , nem o vampiro barulhento , foi o facto de todos ali em casa parecerem gostar de ele . Mrs._Weasley preocupava se com o estado de as suas meias e tentava obrigá o a servir se quatro vezes a cada refeição . Mr._Weasley gostava que Harry se sentasse a o lado de ele a a mesa para poder bombardeá o com perguntas sobre a vida com os Muggles , pedindo que lhe explicasse como funcionavam coisas como as canalizações e o serviço de os correios . - Fascinante ! - exclamava , enquanto Harry lhe explicava a utilização de o telefone . - Engenhoso , de facto , todas_as maneiras que os Muggles encontraram para passar sem a magia . Harry teve notícias de Hogwarts em uma manhã de sol , cerca de uma semana depois de ter chegado a a Toca . Quando , ele e o Ron desceram para tomar o pequeno-almoço , encontraram Mr. e Mrs._Weasley e Ginny já sentados a a mesa . Em o momento em que viu o Harry , Ginny entornou a tigela de os cereais , que caiu a o chão com grande espalhafato . Ginny entornava facilmente coisas sempre_que o Harry estava em a sala . Mergulhou debaixo de a mesa para apanhar a tigela e emergiu com o rosto a brilhar como o sol poente . Fingindo não ter dado por nada , Harry sentou se e aceitou a torrada que Mrs._Weasley lhe ofereceu . - Cartas de a escola - disse Mr._Weasley , passando a o Harry e a o Ron envelopes idênticos de pergaminho amarelado , com a morada escrita a tinta verde . - O Dumbledore já sabe que estás aqui , Harry , não perde nada aquele homem . Vocês os dois também - acrescentou , enquanto Fred e George deambulavam em a casa , ainda em pijama . Fez se silêncio durante alguns momentos , enquanto liam as respectivas cartas . A de o Harry dizia para apanhar o Expresso_de_Hogwarts , como sempre em a Estação_de_King's_Cross , em o dia_1_de_Setembro . Havia ainda uma lista de os livros que precisaria para o próximo ano . Os alunos de o segundo ano deverão ter : * _ O_Livro_Padrão_de_Feitiços , Grau 2 , por Miranda_Goshawk . * _ Ensinamentos_de_Uma_Fada_Carpideira , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Férias com Bruxas , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Duendes , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Lobisomens , por Gilderoy_Lockhart . * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves , por Gilderoy_Lockhart * . Fred , que terminara a sua própria lista , espreitou para a de o Harry . - Também te mandam comprar os livros de o Lockhart - disse . - A professora de defesa contra as artes negras deve ser fanática . Aposto que é uma bruxa . Nessa_altura , Fred percebeu o olhar de a mãe e apressou se a comer o doce de laranja . - Esse conjunto não vai ficar barato - disse George , olhando rapidamente para os pais . - Os livros de o Lockhart são de os mais dispendiosos ... - Cá nos havemos de arranjar - declarou Mrs._Weasley , mas parecia preocupada . - Espero que pelo_menos para a Ginny possamos arranjar uma data de coisas em segunda mão . - Ah , vais entrar este ano para Hogwarts ? - perguntou lhe Harry . Ela fez um aceno , corando até a a raiz de os cabelos ruivos e meteu o cotovelo em o pires de a manteiga . Felizmente ninguém deu por nada , a não ser o Harry , porque em esse momento o irmão mais velho de Ron , o Percy , entrou . Já estava vestido , com a placa de prefeito aplicada a a sua camisola de malha . - Bom dia a todos - disse , cheio de vivacidade . - Está um dia lindo . Puxou a única cadeira livre , mas deu um salto quando ia sentar se e , debaixo de ele , saltou um espanador cinzento de penas , pelo_menos , foi o que o Harry pensou até ver que ele respirava . - Errol ! - exclamou Ron , afastando a coruja de o Percy e retirando lhe debaixo de a asa uma carta . - Até que enfim , a resposta de a Hermione . Escrevi lhe a contar que íamos tentar raptar te de casa de os Dursleys . Levou Errol para um poleiro que havia junto a a porta de as traseiras e tentou colocá a lá em cima , mas Errol caiu redonda e Ron teve de a pôr em a pia , murmurando : - Patético . - Em seguida , abriu a carta de a Hermione e leu a em voz alta . * _ Querido_Ron e Harry , se aí estiveres . Espero que tudo tenha corrido bem , que o Harry esteja O. _ K. e que não tenham feito nada ilegal para conseguir trazes o , porque isso podia criar lhe problemas também a ele . Tenho estado muito preocupada e , se o Harry estiver bem , por favor digam me qualquer coisa rapidamente , mas talvez seja melhor usarem uma nova coruja , porque acho que outra entrega pode acabar como esta . * _ Estou muito atarefada com trabalho de a escola , claro * . - Como é possível ? - perguntou Ron , horrorizado . - Estamos em férias ! - * _ E vamos para Londres em a próxima quarta-feira para comprar os meus livros novos . Porque não nos encontramos em a Diagon-al ? * _ Dêem-me notícias vossas o mais depressa possível . * _ Carinhosamente_Hermione * - Bem , parece uma boa solução , podemos ir todos comprar as vossas coisas - disse Mrs._Weasley , começando a limpar a mesa . - O que vão fazer hoje ? Harry , Ron , Fred e George tinham planeado ir a o cimo de o monte a um pequeno cercado de cavalos que os Weasleys possuíam . Estava rodeado de árvores que lhe tapavam a vista de a cidade cá em baixo , o que quer_dizer que podiam praticar Quidditch , desde_que não voassem muito alto . Não podiam usar as verdadeiras bolas de Quidditch pois seria muito difícil explicar se elas escapassem e voassem sobre a cidade . Em vez de elas , lançavam maçãs para os outros apanharem . Faziam turnos para montar a Nimbus dois_mil , que era de longe a melhor vassoura . A velha Shooting_Star_de_Ron fora muitas_vezes ultrapassada por as borboletas que passavam . Cinco minutos mais tarde estavam a marchar por o monte acima , de vassouras a o ombro . Tinham perguntado a o Percy se ele queria juntar se a eles , mas ele alegara muito trabalho . Até esse dia , Harry só tinha visto Percy a a hora de as refeições , ele ficava em silêncio em o quarto o resto de o tempo . - Gostava de saber o que ele anda a fazer - afirmou Fred , de testa franzida . - Não parece o mesmo . O resultado de os exames veio um dia antes de tu chegares : doze N_F_V e ele nem se manifestou satisfeito . - Níveis_de_Feitiçaria_Vulgares - explicou o George , vendo o olhar atarantado de Harry . - Se não temos cuidado , ainda nos calha outro Chefe_de_Turma em a família . Acho que não suportaria a vergonha . Bill era o mais velho de os irmãos Weasley . Ele e o irmão a seguir , Charlie , já tinham saído de Hogwarts . Harry não conhecia nenhum de os dois , mas sabia que o Charlie estava em a Roménia a estudar dragões e o Bill em o Egipto a trabalhar em o banco de os feiticeiros : Gringotts . - Não sei como o pai e a mãe vão arranjar dinheiro para nos pagar o material escolar este ano - disse o George , passado um bocado . - Cinco conjuntos de livros de o Lockhart ! E a Ginny precisa de mantos e de uma varinha e tudo_isso ... Harry não disse nada . Sentiu se um_pouco incomodado . Fechada em um cofre subterrâneo , em o banco de Gringotts_de_Londres , estava uma pequena fortuna que os pais lhe tinham deixado . É claro que só tinha esse dinheiro em o mundo de os feiticeiros , não se podem usar Galeões , Leões e Janotas em as lojas de os Muggles . Ele nunca fizera referência a a sua conta bancária em Gringotts a os Dursleys . Não lhe parecia que o horror que eles sentiam por tudo_o_que se relacionava com a feitiçaria se estendesse a uma enorme pilha de barras de ouro . Mrs._Weasley acordou os a todos bem cedo , em a quarta-feira seguinte . Depois de comerem umas doze sanduíches de * bacon * cada_um , enfiaram os casacos e Mrs._Weasley tirou um vaso de a prateleira de o fogão de a cozinha e espreitou lá para dentro . - Está a acabar se , Arthur - suspirou . - Temos de comprar mais hoje ... Bem , os hóspedes primeiro . Passa , Harry querido ! E ofereceu lhe o vaso de flores . Harry olhou espantado enquanto todos eles o observavam . - O q-que é_que eu devo fazer ? - gaguejou . - Ele nunca viajou com o pó de Floo - disse o Ron subitamente . - Desculpa , Harry , esqueci me . - Nunca ? - perguntou Mrs._Weasley . - Mas então como chegaste a a Diagon - _ Al em o ano passado para comprar as tuas coisas ? -- Fui por o subterrâneo . - A sério ? - disse Mr._Weasley , entusiasmado . - Havia fugitivos ? Como é_que ... - Agora não , Arthur - disse Mrs . Weasley . - O pó de Floo é muito mais rápido , querido , mas , valha me Deus , se ele nunca o usou ... - Vai correr bem , mãe - disse o Fred . - Harry observa nos primeiro . Tirou uma pitada de pó brilhante de dentro de o vaso , aproximou se de o lume e lançou o pó em as chamas . Com um rugido , o fogo ficou verde-esmeralda e elevou se a uma altura superior a a de o Fred que avançou , gritando Diagon - _ Al ! E desapareceu . - Tens de falar claramente , filho - disse Mrs._Weasley a o Harry , ao_mesmo_tempo que George metia a mão em o vaso de as flores . - E vê se sais em o fogão certo . - Em o quê ? - perguntou Harry , nervoso , enquanto o lume crepitava e fazia George desaparecer também . - Bem , há imensos fogos de feiticeiros , mas desde_que te tenhas expressado claramente ... - Ele vai conseguir , Molly , não te preocupes - disse Mr._Weasley , tirando também ele algum pó . - Mas querido se ele se perde como é_que vamos justificar nos perante o tio e a tia de ele ... -- Eles não se importariam - tranquilizou a Harry . - O Dudley ia achar imensa piada se eu me perdesse em uma chaminé , não se preocupe . - Bem , em esse caso ... tu vais a seguir a o Arthur - disse Mrs._Weasley . - Logo_que entres em o fogo diz para_onde queres ir . - E mantém os cotovelos dobrados - preveniu o Ron . - E os olhos fechados - disse Mrs._Weasley . - A fuligem . - Não te enerves - disse o Ron . - Senão podes ir parar a a lareira errada . - Não entres em pânico e não queiras sair cedo de mais . Espera até veres o Fred e o George . Fazendo um enorme esforço por reter toda aquela informação , Harry tirou uma pitada de pó de Floo e avançou para a beirinha de o fogo . Respirou fundo , espalhou o pó em as chamas e entrou . O fogo parecia uma brisa quente . Abriu a boca e engoliu , de imediato , uma grande quantidade de cinzas quentes . D-dia-gon-al - tossiu . Sentiu se como_se estivesse a ser sugado para um buraco gigantesco . Como_se girasse muito depressa ... o ruído era ensurdecedor . Tentou manter os olhos abertos mas o turbilhão de chamas verdes fê lo enjoar ... algo duro bateu lhe em o cotovelo e dobrou o de imediato . Continuava a rodar , a rodar ... sentia se agora como_se várias mãos frias estivessem a bater lhe em a cara ... Espreitando através de os óculos , viu uma torrente imprecisa de fogões e captou lampejos de as salas que estavam por detrás ... as sanduíches de * bacon * davam lhe a volta dentro de o estômago ... fechou os olhos desejando que tudo aquilo parasse e então caiu , de cara em o chão , em a pedra fria e sentiu os óculos partirem se a os bocados . Desorientado e ferido , coberto de fuligem , pôs se cautelosamente de pé , levando a os olhos os óculos partidos . Estava completamente só e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava . Tudo_o_que podia dizer era que a o seu lado via uma lareira que lhe parecia ser a de uma enorme e indistinta loja de feitiçaria . Mas nenhum de os artigos que ali se encontravam tinham aspecto de fazer parte de a lista de a escola de Hogwarts . Em uma caixa de vidro podia ver se uma mão atrofiada que repousava sobre uma almofada , um baralho de cartas ensanguentado e um olho de vidro que o olhava fixamente . Máscaras de expressão maldosa enchiam as paredes , olhando de esguelha , uma enorme quantidade de ossos humanos estendia se sobre o balcão e , de o tecto , pendiam instrumentos aguçados com pontas de ferro e pregos enferrujados . Mas o pior é_que a rua estreita e escura , que Harry conseguia avistar através de a janela poeirenta de a loja , não era de modo algum a Diagon-al . Quanto_mais depressa saísse de ali , melhor . O nariz ainda a doer lhe em o sítio onde batera em o chão a o aterrar , Harry avançou rápida e silenciosamente em direcção a a porta , mas antes de conseguir chegar a meio caminho , duas pessoas apareceram de o lado de_fora de o vidro , e uma de elas era a última pessoa que Harry desejaria encontrar em o momento em que se encontrava perdido , coberto de fuligem e com os óculos partidos , Draco_Malfoy . Harry olhou rapidamente em volta e apercebeu se de a existência de um grande armário escuro a a sua esquerda , saltou lá para dentro e fechou as portas , deixando uma gretazinha para poder espreitar . Segundos depois , uma campainha tocava e Malfoy entrava em a loja . O homem que o acompanhava só podia ser o pai . Tinha o mesmo rosto pálido de feições agudas e os mesmos olhos cinzentos de gelo . Mr._Malfoy atravessou a loja , olhando maquinalmente para os artigos expostos e tocou a campainha de o balcão , antes de se voltar para o filho , dizendo : - Não mexas em nada , Draco . Malfoy , que vira o olho de vidro , disse : - Pensei que ias oferecer me um presente . - Eu prometi que ia comprar te uma vassoura de corrida - declarou o pai , tamborilando com os dedos sobre o balcão . - Para que é_que me serve , se não estou em a equipa de Quidditch ? - perguntou Malfoy , carrancudo e de mau humor . - O Harry_Potter teve uma Nimbus dois_mil o ano passado , com a autorização especial de o Dumbledor é para jogar em os Gryffindor . Ele nem é assim tão bom , é só por ser * famoso * ... famoso por ter uma estúpida cicatriz em a testa . Malfoy baixou se para observar uma prateleira cheia de crânios . - Todos acham que ele é tão esperto , o Potter maravilha , com a sua cicatriz e a sua vassoura ... - Já me disseste isso doze vezes pelo_menos - comentou Mr._Malfoy , olhando repressivamente para o filho . - E devo lembrar te que não é prudente parecer menos do_que amigo de Harry_Potter , quando a maior parte de a nossa gente vê em ele um herói que fez desaparecer o Senhor_do_Mal . Ah , Mr._Borgin . Um homem curvado surgiu por detrás de o balcão , puxando o cabelo gorduroso para trás . - Mr._Malfoy , que prazer vês o de_novo - disse Mr._Borgin , em uma voz tão untuosa como o cabelo . - Encantado , e o nosso jovem Malfoy também , encantado . Em que posso servi os ? Tenho que vos mostrar o que chegou hoje , a um preço muito razoável ... - Hoje não venho comprar , Mr._Borgin , e sim vender - afirmou Mr._Malfoy . - Vender ? - O sorriso apagou se lentamente em o rosto de Mr._Borgin . - Certamente ouviu dizer que o Ministério está a levar a cabo mais buscas - explicou o Mr._Malfoy , retirando de o bolso um rolo de pergaminho e desembrulhando o para Mr._Borgin o ler . - Eu tenho alguns , ah , artigos em casa que poderiam criar me problemas se o Ministério me batesse a porta . Mr._Borgin colocou em o nariz um par de * pince-nez * e olhou para a lista . - O Ministério não se lembraria de o incomodar certamente ... O lábio de Mr._Malfoy dobrou se . - Ainda não me fizeram nenhuma visita . O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito , mas o Ministério está a ficar cada_vez_mais intrometido . Há boatos sobre um novo decreto de protecção de os Muggles , sem dúvida que aquele mordido de as pulgas , adorador de os Muggles , que é o Arthur_Weasley deve estar por detrás de isso . Harry sentiu crescer a raiva . - E , como pode ver , alguns de estes venenos podiam dar a ideia ... - Compreendo perfeitamente , claro - disse Mr._Borgin . - Deixe me ver ... - Posso ter aquilo ? - interrompeu Draco , apontando para a mão raquítica que estava sobre a almofada . - Ah , a mão de a glória ! - exclamou Mr._Borgin , abandonando a lista de Mr._Malfoy e apressando se a responder a Draco . - Põe se lhe uma vela e ela só dá luz a quem a transporta ! A melhor amiga de os gatunos e de os salteadores , o seu filho tem gosto , senhor . - Espero que o meu filho venha a ser mais do_que gatuno ou salteador , Borgin - disse Mr._Malfoy friamente e Mr._Borgin respondeu logo : - Sem ofensa , senhor , sem querer ofender . - Embora , se as notas de a escola não melhorarem - disse Mr._Malfoy ainda mais friamente - esse possa vir a ser o único caminho possível para ele . - Não tenho culpa - retorquiu Draco . - Todos os professores têm os seus preferidos , aquela Hermione_Granger ... - Eu , em o teu lugar , teria vergonha que uma rapariga que nem_sequer pertence a famílias de feiticeiros , me passasse a a frente em todos os exames - interrompeu Mr._Malfoy . Ah - fez Harry baixinho , radiante por ver Draco atrapalhado e furioso . - É o mesmo em todo o lado - comentou Mr._Borgin em a sua voz untuosa . - O sangue de os feiticeiros conta cada_vez menos ... - Não para mim - afirmou Mr._Malfoy , com as longas narinas dilatadas . - Não senhor , nem para mim - concordou Mr._Borgin , inclinando se em uma vénia . - Em esse caso , talvez possamos voltar a a minha lista - disse Mr._Malfoy secamente . - Estou com alguma pressa , Borgin , tenho ainda hoje assuntos importantes a tratar em outro lado . Começaram a discutir os preços . Harry via nervosamente o Draco aproximar se de o seu esconderijo enquanto observava os objectos a a venda . Parou para examinar um enorme rolo de corda de carrasco e para ver , com um sorriso afectado , o cartão preso com um aparatoso laço de opalas onde podia ler se : * _ Cautela , não tocar . Amaldiçoado - reclama as vidas de dezanove donos , todos eles Muggles * . Draco voltou se e viu o armário mesmo em frente . Avançou , estendeu a mão para o puxador ... - Feito - disse Mr._Malfoy , a o balcão . - Vamos , Draco . Harry limpou a testa a a manga quando Draco se afastou . - Muito bom dia , Mr._Borgin . Espero por si amanhã em a mansão para ir buscar a mercadoria . Em o momento em que a porta se fechou , Mr._Borgin abandonou os seus modos subservientes . « Bom dia para o senhor , Mr._Malfoy , e , se as histórias que contam são verdadeiras , não me vendeu nem metade do_que tem escondido em a sua mansão ... » Murmurando de forma taciturna , Mr._Borgin desapareceu em uma sala escura . Harry esperou um minuto não fosse ele voltar e , em seguida , o mais silenciosamente possível , escapou se de o armário , passou por as caixas de vidro e saiu de a loja . Encostando os óculos partidos a o rosto , olhou em volta . Saíra em uma rua estreita e sombria que parecia composta exclusivamente de lojas dedicadas a as artes negras . Aquela de onde acabava de sair parecia ser a maior , mas em frente estava uma montra tétrica de cabeças encolhidas e duas portas abaixo podia ver se uma enorme caixa viva cheia de gigantescas aranhas pretas . Dois feiticeiros com aspecto pobre observavam o de a sombra de uma porta , murmurando entre si . Sentindo se nervoso , Harry pôs se a caminho , tentando agarrar os óculos a direito e não desistindo de a esperança de encontrar maneira de sair de ali . Por um cartaz de madeira , pendurado em a rua , indicando uma loja de venda de velas envenenadas , ficou a saber que se encontrava em a Rua * _ Bativolta * , mas isso não o ajudou pois Harry nunca ouvira falar em tal lugar . Calculou que não tinha pronunciado bem as palavras com a boca cheia de cinzas em a lareira de os Weasley . Tentando manter a calma perguntou a si mesmo o que havia de fazer . - Não estás perdido , pois não , meu menino ? - perguntou uma voz , mesmo junto de o seu ouvido , que o fez dar um salto . Uma bruxa idosa estava em a sua frente , segurando um tabuleiro de uma coisa que se parecia horrivelmente com unhas humanas . A mulher olhou o maldosamente , mostrando os dentes esverdeados . Harry recuou . - Estou bem , obrigado - disse . - Estou só ... - HARRY ! O qu'é que pensas que estás a fazer aqui ? O coração de Harry deu um salto , assim_como o de a bruxa . Um monte de unhas caíram lhe sobre os pés e ela praguejou , enquanto o corpo enorme de Hagrid , o guarda de os campos de Hogwarts , se aproximava de eles a passos largos com os olhos castanhos-escuros a faiscarem sobre a longa barba eriçada . - Hagrid - gritou Harry , aliviado . - Eu estava perdido ... o pó de Floo ... Hagrid agarrou Harry por o cachaço e puxou o para longe de a bruxa , tirando lhe o tabuleiro de as mãos . Os guinchos agudos de a feiticeira seguiram nos até a o fundo de a ruela serpenteante que ia dar a um lagar onde brilhava o sol . Harry avistou a a distância um edifício de mármore branco como a neve que lhe era familiar : o banco de Gringotts . Hagrid conduzira o até a a Diagon - _ Al . - ` _ tás em um péssimo estado ! - disse Hagrid bruscamente , sacudindo lhe a fuligem com tanta força que Harry quase caiu em um barril de estrume de dragão que se encontrava a a porta de um boticário . - A fugir , em a Rua * _ Bativolta * , eu não conheço esse lugar finório , Harry , não quero que ninguém te veja aqui em baixo . - Já percebi - disse Harry , baixando se quando Hagrid fez menção de o escovar melhor . - Já te disse que estava perdido . E o que é_que tu fazes aqui ? - ` _ Tou a a procura d'um repelente para as lesmas comedoras de legumes - resmungou Hagrid . - ` _ tão a destruir as couves todas de a escola . Tu não estás sozinho ? - Estou em casa de os Weasley , mas separámo nos explicou Harry . - Tenho que os encontrar . Desceram juntos a rua . - Por_que é_que nunca respondeste a as minhas cartas ? - perguntou Hagrid , enquanto Harry corria para o acompanhar ( tinha de dar três passos por cada enorme passada de Hagrid ) . Harry explicou lhe tudo sobre Dobby e os Dursleys . - Malditos_Muggles - rugiu Hagrid . - S'eu tivesse sabido ... - Harry ! Harry ! Aqui ! Harry olhou para_cima e viu Hermione_Granger em o topo de a escadaria de Gringotts . Desceu para vir a o encontro de ele , o cabelo castanho de caracóis , a esvoaçar atrás de ela . - O que aconteceu a os teus óculos ? Olá_Hagrid ... Oh , é maravilhoso ver vos outra_vez . Vens a Gringotts , Harry ? - Logo_que encontre os Weasley - respondeu ele . - Não vais ter d'esperar muito - riu se Hagrid . Harry e Hermione olharam em volta . Subindo a rua , em o meio de a multidão , vinham Ron , Fred , George , Percy e Mr._Weasley . - Harry - chamou Mr._Weasley , ofegante . - Tínhamos esperança que só tivesses ido um fogão mais longe ... - passou um pano em a sua calva reluzente . - A Molly está nervosíssima , aí vem ela . - Onde é_que tu saíste ? - perguntou o Ron . - Em a Rua * _ Bativolta * - disse o Hagrid , com um ar sério . - Sensacional ! - exclamaram Fred e George ao_mesmo_tempo . - Nunca nos deram autorização para lá ir - disse o Ron com uma pontinha de inveja . - E fizeram muito bem - grunhiu Hagrid . Mrs._Weasley chegou em aquele momento a correr , a mala a balouçar em uma de as mãos e Ginny quase pendurada em a outra . - Oh Harry , oh meu querido , podias ter ido parar a qualquer lugar ... Tentando recuperar o fôlego , tirou de a mala uma grande escova de roupa e começou a retirar a fuligem que Hagrid não conseguira expulsar . Mr._Weasley pegou em os óculos de Harry , deu lhes um toque de varinha e entregou lhe os como novos . - Bem , tenho de m'ir embora - disse Hagrid cuja mão estava a ser esmagada por Mrs._Weasley ( -- Rua * _ Bativolta * ! Se não o tivesses encontrado , Hagrid ! ) . - Vemo nos em Hogwarts . - E afastou se , os ombros e a cabeça acima de a multidão que enchia completamente a rua . - Adivinham quem eu vi em o Borgin and Burkes ? - perguntou Harry_a_Ron e a Hermione enquanto subiam as escadarias de Gringotts . - Malfoy e o pai . - O Lucius_Malfoy comprou alguma coisa ? - perguntou interessado Mr._Weasley que estava atrás de eles . - Não , estava a vender . - Então está preocupado - comentou Mr._Weasley com visível satisfação . - Ah , eu adorava apanhar o Lucius_Malfoy em alguma . . - Tem cuidado , Arthur - interrompeu Mrs._Weasley enquanto o gnomo porteiro lhes dava reverentemente entrada em o banco . - Isso é um problema de família . Não queiras ter mais olhos que barriga . - Queres dizer com isso que achas que eu não chego para o Malfoy ? - perguntou Mr._Weasley , indignado , mas foi rapidamente afastado de aqueles sentimentos a o avistar os pais de Hermione que estavam de pé , nervosamente encostados a o balcão que acompanhava a grande parede de mármore , a a espera que Hermione os apresentasse . - Mas vocês são Muggles ! - disse Mr._Weasley , encantado . - Temos de tomar uma bebida . O que é isso aí ? Ah , estão a trocar dinheiro de Muggle . Molly , olha - apontou cheio de excitação para as notas de dez libras que Mr._Granger tinha em a mão . - Encontramo nos aqui - disse Ron_a_Hermione , enquanto os Weasley e Harry eram conduzidos a os seus cofres em o subterrâneo de Gringotts . Para chegar a os cofres havia que tomar umas carrinhas conduzidas por gnomos que se deslocavam ao_longo_de carris de comboio de pequenas dimensões através de os túneis subterrâneos de o banco . Harry gostou de a viagem acidentada até a o cofre de os Weasley , mas sentiu se bastante mal , pior do_que em a Rua * _ Bativolta * , quando o cobre foi aberto . Havia lá dentro um pequenino monte de Leões de prata e apenas um Galeão de ouro . Mrs._Weasley foi com a mão a a procura em os cantos antes de , com um gesto rápido , varrer tudo para dentro de o saco . Harry sentiu se ainda pior quando chegaram a o seu cofre . Tentou evitar que vissem o conteúdo enquanto empurrava apressadamente mãos cheias de moedas para dentro_de uma sacola de cabedal . Lá fora , em as escadarias de mármore , separaram se . Percy murmurou vagamente que precisava de uma nova pena de escrever . Fred e George tinham avistado um amigo de Hogwarts , Lee_Jordan . Mrs._Weasley e Ginny iam a uma loja de mantos em segunda mão , Mr._Weasley continuava a insistir em levar os Grangers a o Caldeirão_Escoante para lhes pagar uma bebida . - Encontrarmo nos todos em a Flourish and Blotts dentro_de uma hora para comprar os vossos livros de estudo - disse Mrs._Weasley , afastando se com Ginny . - E nem um passo em direcção a a Rua * _ Bativolta * - gritou a os gémeos que estavam de costas . Harry , Ron e Hermione deambularam por a rua empedrada e sinuosa . O ouro , prata e bronze que tilintavam alegremente em o saco que Harry tinha em o bolso pareciam exigir ser gastos , por isso ele comprou três enormes gelados de morango e manteiga de amendoim que eles devoraram felizes enquanto vagueavam sem destino por a rua fora , observando as montras fantásticas de as lojas . Ron olhou longamente para um conjunto completo de mantos de o Chudley_Cannon , em as montras de o « Equipamento_de_Quidditch_de_Qualidade » até Hermione o arrastar de ali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos . Em a « Jogos_de_Feitiçaria_de_Gambol and Japes » encontraram o Fred , o George e o Lee_Jordan que estavam presos em a fabulosa partida debaixo_de chuva e em os fogos-de-artifício de o Dr._Filibuster . E em uma pequenina loja de velharias cheia de varinhas partidas , balanças instáveis de latão e mantos velhos cobertos de nódoas de poções encontraram Percy profundamente concentrado em um pequenino livro , bastante chato , chamado * _ Prefeitos que conquistam o poder * . - * _ Um estudo sobre os prefeitos de Hogwarts e as suas posteriores carreiras * - leu alto o Ron em a contracapa . - Deve ser fascinante ... - Desaparece - gritou Percy . - Claro , ele é muito ambicioso , já tem tudo planeado . Quer ser ministro de a magia - disse o Ron baixinho a o Harry e a a Hermione , enquanto deixavam Percy entregue a o livro . Uma hora mais tarde dirigiram se a a Flourish and Blotts . Não eram de modo algum os únicos a encaminhar se para a livraria . À_medida_que se aproximavam viram com grande surpresa uma grande multidão a a porta , tentando entrar em a loja . O motivo de tal confusão estava anunciado em um cartaz que se estendia a o longo de a montra superior . GILDEROY_LOCKHART_Assinará exemplares de a sua autobiografia " eu , o mágico " Hoje 12.30 - 16.30 - Vamos poder conhecê o ! - gritou Hermione . - Quero dizer , ele escreveu quase todos os livros de a nossa lista ! A multidão parecia ser maioritariamente composta por bruxas de a idade de Mrs._Weasley . Um feiticeiro bem-parecido estava de pé junto de a porta , dizendo : - Calma , minhas senhoras , não empurrem , cuidado com os livros . Harry , Ron e Hermione conseguiram furar e entrar . Uma longa fila serpenteava para as traseiras de a loja onde Gilderoy_Lockhart estava a assinar os seus livros . Cada_um de eles pegou em um exemplar de * _ ensinamentos de Uma Fada_Carpideira * e escaparam se de a fila indo ter a o lugar onde se encontravam os outros com Mr. e Mrs._Granger . - Ah , aí estão vocês . _ óptimo - disse Mrs._Weasley que parecia estar com falta de ar e não parava de mexer em o cabelo . - Vamos poder vês o dentro_de um minuto . Gilderoy_Lockhart veio lentamente até um lugar onde era visível para todos , sentou se a uma mesa , rodeado de grandes fotografias de o próprio rosto , todo ele sorrisos , mostrando a a multidão o brilho cintilante de os seus dentes . Lockhart usava uma túnica azul-noite que condizia a as mil maravilhas com a cor de os olhos , o chapéu pontiagudo de feiticeiro colocado lateralmente sobre o cabelo ondulado . Um homenzinho pequenino e irritante andava a dançar de um lado para o outro , tirando fotografias com uma grande máquina preta que lançava baforadas de fumo arroxeado em cada * flash * . - Sai de o caminho , tu aí - disse rispidamente a o Ron , mudando de lugar para ter um angulo melhor . - Este é para o * _ Profeta_Diário * . - Grande coisa ! - exclamou o Ron , esfregando os pés em o lugar que o fotógrafo pisara . Gilderoy_Lockhart ouviu o . Olhou , viu o Ron e em seguida Harry . Voltou a olhar , desta_vez com mais atenção . Em seguida , pôs se de pé e gritou : - Não pode ser , o Harry_Potter ? A multidão dividiu se entre murmúrios de excitação . Lockhart aproximou se , agarrou Harry por um braço e levou o para a frente . A multidão rebentou em aplausos . A cara de Harry ardia quando Lockhart lhe apertou a mão para o fotógrafo que disparava como um louco , lançando fumo espesso para_cima de os Weasley . - Belo sorriso , Harry - disse Lockhart através de os seus dentes brilhantes . - Tu e eu juntos merecemos a primeira página . Quando por fim lhe largou a mão , Harry quase não sentia os dedos . Tentou recuar para junto de os Weasley , mas Lockhart lançou lhe um braço por os ombros e prendeu o a o seu lado . - Minhas senhoras e meus senhores - disse bem alto , fazendo sinal para que se acalmassem . - Que momento extraordinário este ! O momento perfeito para eu anunciar algo que tenho vindo a guardar comigo desde_há algum tempo . - Quando o jovem Harry entrou em a Flourish and Blotts hoje , ele queria apenas comprar a minha autobiografia , que tenho agora o maior prazer em oferecer lhe - a multidão aplaudiu de_novo . - Ele não tinha ideia - continuou Lockhart , dando a o Harry um pequeno encontrão que fez com que os óculos lhe escorregassem para a ponta de o nariz - de que ia conseguir em_breve muito mais do_que o meu livro Eu , o mágico . Ele e os seus colegas de a escola vão receber , de facto , o verdadeiro * _ Eu , o mágico * . Sim , minhas senhoras e meus senhores , tenho o maior prazer em anunciar que em o mês_de_Setembro assumirei o lugar de professor de Defesa contra as artes negras em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts ! A multidão aplaudiu e bateu palmas e Harry deu consigo a ser presenteado com a obra completa de Gilderoy_Lockhart . Cambaleando ligeiramente sob o peso de os livros conseguiu abrir caminho para longe de os projectores até a a porta de a sala onde estava Ginny com o seu novo caldeirão . - Podes ficar com estes - murmurou Harry , enfiando os livros em o caldeirão . - Eu vou comprar os meus . - Aposto que adoraste aquilo , não adoraste , Potter ? - disse uma voz que Harry não teve qualquer dificuldade em reconhecer . Endireitou se e deu consigo frente_a_frente com Draco_Malfoy que exibia o seu habitual sorriso escarninho . - O famoso Harry_Potter - disse Malfoy . - Nem_sequer pode entrar em uma livraria sem se tornar primeira página . - Deixa o em paz , ele não queria nada de isso - defendeu a Ginny . Era a primeira vez que falava em frente de Harry . Olhava para Malfoy com um ar feroz . - Potter , arranjaste uma namorada ! - disse arrastadamente Malfoy . Ginny ficou vermelha como um pimentão enquanto Ron e Hermione tentavam abrir caminho , ambos carregando montes de livros de Lockhart . -- Ah és tu ? - disse Ron , olhando para Malfoy como_se ele fosse algo desagradável colado a a sola de o sapato . - Aposto que te surpreendeu ver o Harry aqui ? - Não tanto como a ti em uma loja , Weasley - retorquiu Malfoy . - Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo . Ron ficou tão vermelho quanto Ginny . Deixou também cair os livros em o caldeirão e avançou para Malfoy , mas Harry e Hermione agarraram o por as costas de o casaco . - Ron - disse Mrs._Weasley , aproximando se com Fred e George . - O que estás a fazer ? Isto está uma loucura aqui dentro , vamos lá para fora . - Olha quem ele é , Arthur_Weasley . - Era_Mr._Malfoy . Estava de pé com a mão sobre o ombro de Draco , com o mesmo sorriso escarninho . -- Lucius - disse Mr._Weasley , acenando friamente . -- Muito trabalho em o ministério , segundo me consta - disse Mr._Malfoy . - Todas essas buscas ... espero que te estejam a pagar horas extraordinárias . Meteu a mão em o caldeirão de a Ginny e tirou de o meio de os livros de Lockhart um exemplar muito velho e muito gasto de o * _ Guia_de_Transfiguração_para_Principiantes * . - Parece que não - disse . - Que diabo , qual a vantagem de ser uma nódoa entre os feiticeiros se nem_sequer te pagam bem por isso ? Mr._Weasley corou mais ainda do_que Ron ou Ginny . - Nós temos uma opinião diferente sobre quem são as nódoas entre os feiticeiros - disse . - É claro que ... - disse Mr._Malfoy , os olhos mortiços passando para Mr. e Mrs._Granger apreensivamente . - As companhias com quem tu andas ... e eu que pensava que já não conseguias descer mais baixo ... Ouviu se um tilintar de metal quando o caldeirão de a Ginny foi por os ares . Mr._Weasley lançara se sobre Mr._Malfoy atirando o para dentro_de uma estante . Dezenas_de livros de feitiços saltaram lá de cima , caindo lhes sobre as cabeças . Houve um grito de - Chega lhe , pai ! - de o Fred e de o George . Mrs._Weasley soltava gritos agudos : - Não_Arthur , não . A multidão recuava deitando mais prateleiras a o chão . - Meus senhores , por favor - gritava o encarregado , e então , mais alto do_que todos : - Parem com isso , gente , parem com isso . Hagrid aproximava se através_de um mar de livros . Em um segundo afastou Mr._Weasley e Mr._Malfoy . Mr._Weasley tinha um lábio cortado e Mr._Malfoy fora agredido em um olho por uma * _ Enciclopédia_de_Cogumelos_Venenosos * . Tinha ainda em a mão o livro velho de a Ginny sobre transfiguração . Atirou lhe o , com os olhos a brilhar de malvadez . - Toma o teu livro , garota . É o melhor que o teu pai pode oferecer te . Libertando se de Hagrid , conduziu Draco para fora e abandonaram a livraria . - Devias tê o ignorado , Arthur - disse Hagrid quase a pegar em Mr._Weasley a o colo enquanto lhe endireitava o manto . - São podres até a a raiz , todos eles . Tod'à gente sabe . Nenhum Malfoy vale a pena ser ouvido . Não prestam , ' tá-lhes em o sangue . Vá lá , vamos sair de aqui . O encarregado parecia querer impedis os , mas , olhando bem para Hagrid , pensou melhor . Subiram a rua , os Grangers a tremer de medo e Mrs._Weasley fora de si . - Um belo exemplo para as crianças ... andar a a pancada em público . O que terá pensado Gilderoy_Lockhart ? - Ele gostou - disse o Fred . - Não o ouviram quando ia a sair ? Estava a perguntar a aquele tipo de o Profeta_Diário se conseguia incluir a briga em a reportagem , disse que era boa publicidade . Mas foi um grupo deprimido que regressou a a lareira de o Caldeirão_Escoante onde Harry , os Weasley e todas_as suas compras iriam viajar de volta até a a Toca , usando o pó de Floo . Despediram se de os Grangers que iam sair de o * pub * por a rua de os Muggles , de o outro lado . Mr._Weasley começou a perguntar lhes como funcionavam as paragens de autocarros , mas calou se rapidamente a o ver a expressão de Mrs._Weasley . Harry tirou os óculos e guardou os cautelosamente em o bolso antes de utilizar o pó de Floo . Definitivamente não era a sua forma ideal de viajar . V_O salgueiro zurzidor O fim de as férias de Verão chegou demasiado depressa para o gosto de Harry . Ele desejara muito regressar a Hogwarts , mas aquele mês em a Toca tinha sido o mais feliz de toda_a sua vida . Era difícil não invejar o Ron quando pensava em os Dursleys e em as boas-vindas que ia receber de a próxima vez que pusesse os pés em Privet_Drive . Em a última noite , Mrs._Weasley preparou um jantar magnífico , que incluía os pratos favoritos de Harry e terminava com um pudim de melaço de fazer crescer água em a boca . Fred e George alegraram a noite com uma exibição de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que saltaram de o tecto para as paredes , durante pelo_menos meia_hora . Depois , foi a altura de tomarem uma caneca de chocolate quente e irem para a cama . Em a manhã seguinte , demoraram muito_tempo a preparar se . Levantaram se com o cantar de o galo , mas parecia lhes que ainda tinham muito para fazer . Mrs._Weasley andava de um lado para o outro , mal-humorada , a a procura de meias e penas , chocavam uns com os outros em as escadas , meio vestidos , meio despidos , com pedaços de torrada em as mãos e Mr._Weasley quase partiu o nariz quando tropeçou em uma galinha a o atravessar o pátio , para meter em o carro a mala de Ginny . Harry não percebia lá muito bem_como é_que oito pessoas , seis grandes malas , duas corujas e um rato , iam caber em um pequeno * _ Ford_Anglia * , isso , claro , antes de as artes mágicas que Mr._Weasley acrescentara . - Nem uma palavra a a Molly - murmurou ele a o Harry , enquanto abria a bagageira e lhe mostrava como ela se expandira para que as malas coubessem facilmente . Quando , por fim , se acomodaram todos em o carro , Mrs._Weasley olhou para o banco de trás , onde Harry , Ron , Fred , George e Percy estavam confortavelmente sentados uns a o lado de os outros e disse : - Os Muggles têm mais conhecimentos do_que aqueles que nós lhes atribuímos , não achas ? - Ela e a Ginny entraram para o lugar de a frente , que fora esticado e parecia um banco de jardim . - Quer_dizer , de_fora ninguém diria que este carro era espaçoso , não acham ? Mr._Weasley pôs o motor a funcionar e saíram de o pátio , Harry voltando se para trás para ver por a última vez a casa . Mal teve tempo de se questionar se iria voltar alguma vez e já estavam de volta : George esquecera se de a caixa de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Cinco minutos mais tarde tiveram de interromper de_novo a viagem e voltar a o pátio para o Fred ir a correr buscar a vassoura . Estavam quase a chegar a a auto-estrada , quando Ginny guinchou que se esquecera de o diário . Mas estava a fazer se muito tarde e os ânimos começavam a exaltar se . Mr._Weasley olhou para o relógio e , em seguida , para a mulher . - Molly , querida ... - Não , Arthur . - Ninguém ia ver . Este botãozinho é um transformador de invisibilidade que eu instalei , levava nos por o ar , subíamos acima de as nuvens . Estaríamos lá em dez minutos e ninguém daria por nada ... - Eu disse que não , Arthur . Durante o dia , não . Chegaram a King's_Cross , faltava um quarto para as onze . Mr._Weasley precipitou se em busca de um carrinho de transporte para as malas e correram todos para a estação . Harry apanhara o Expresso_de_Hogwarts em o ano anterior . A parte mais difícil era entrar em a plataforma nove_e_três quartos , que não era visível a os olhos de os Muggles . Era preciso avançar para a barreira sólida que dividia as plataformas nove e dez . Não doía nada , mas tinha de ser feito com cuidado para que nenhum de os Muggles de esse , por o desaparecimento . - O Percy em primeiro lugar - declarou Mrs._Weasley , olhando nervosamente para o relógio lá em cima , que mostrava que tinham apenas cinco minutos para desaparecer através de a barreira . Percy avançou a passos largos e desapareceu . Mr._Weasley foi a seguir e depois de ele Fred e George . - Eu levo a Ginny e vocês vêm atrás_de nós - disse Mrs._Weasley a o Harry e a o Ron , agarrando Ginny pela mão e seguindo em frente . Em um abrir e fechar de olhos , tinham passado . - Vamos passar juntos , só temos um minuto - disse Ron a o Harry . Harry assegurou se de que a gaiola de a Hedwig estava bem fixa em cima de a sua mala e empurrou o carrinho de encontro a a barreira . Estava perfeitamente confiante , aquilo era muito mais fácil do_que usar o pó de Floo . Puseram os dois as mãos em o puxador de os carrinhos e avançaram direitos a a barreira , ganhando velocidade . A um metro e pouco , começaram a correr e ... CRASH . Os dois carros bateram em a barreira e foram impelidos para trás . A mala de o Ron caiu com um enorme estrépito . Harry desequilibrou se e a gaiola de a Hedwig foi parar a o chão brilhante , enquanto ela rolava guinchando , indignada . As pessoas em volta olhavam fixamente e um guarda que estava ali perto gritou : - Que diabo pensam vocês que estão a fazer ? - Perdemos o controlo de o carro de transporte - respondeu o Harry , respirando com dificuldade , agarrando se a as costelas , enquanto se punha de pé . Ron correu a agarrar a Hedwig , que estava a fazer uma cena tal , que já se ouviam murmúrios em a multidão sobre a crueldade para com os animais . - Porque é_que não conseguimos passar ? - perguntou Harry a o Ron em um sussurro . - Não sei . Ron olhou descontroladamente em volta . Uma_dúzia de curiosos estavam ainda a observá os . - Vamos perder o comboio - murmurou o Ron . - Não compreendo porque motivo a cancela se fechou . Harry olhou para o relógio gigantesco com um sentimento de náusea em a boca de o estômago . Dez segundos , nove segundos ... Dirigiu o carrinho de transporte para a frente com toda_a força . O metal manteve se sólido . Três segundos ... dois segundos ... um segundo ... - Partiu - afirmou o Ron , que parecia estonteado . - O comboio foi se embora . E se a mãe e o pai não conseguem voltar para aqui ? Tens algum dinheiro de Muggle ? Harry deu uma gargalhada . - Os Dursleys não me dão um tostão há mais de seis anos ! Ron encostou o ouvido a a barreira . - Não se ouve nada - disse , bastante tenso . - O que vamos nós fazer ? Não sei quanto tempo o pai e a mãe vão demorar . Olharam em volta . As pessoas ainda estavam a observá os , principalmente devido a os contínuos guinchos de a Hedwig . - Acho que o melhor é sairmos de aqui e esperamos por eles junto de o carro - disse Harry . - Aqui estamos a atrair demasiado as aten ... - Harry - disse o Ron , com os olhos a brilhar . - É isso , o carro . - O que é_que tem ? - Podemos voar nele até Hogwarts ! - Mas eu pensei ... - Estamos em apuros , certo ? E temos de chegar a a escola , ou não ? E mesmo os feiticeiros menores de idade estão autorizados a usar a magia em uma emergência real , parágrafo dezanove , ou não sei quê , de a Restrição de ... O sentimento de pânico de Harry transformou se em entusiasmo . - E tu sabes voar nele ? - Não há problema - disse o Ron , andando com o carrinho a a volta e dirigindo se para a saída . - Anda de aí . Se em os apressarmos , conseguiremos sair atrás de o Expresso_de_Hogwarts . E afastaram se de o grupo de Muggles curiosos , abandonando a estação e voltando a a rua , onde o velho * _ Ford_Anglia * se encontrava estacionado . Ron abriu a bagageira com uma série de toques de varinha . Meteram lá dentro as malas , puseram a Hedwig em o assento de trás e entraram para a frente . - Verifica se ninguém está a ver - disse o Ron , ligando a ignição com outro toque de varinha . Harry pôs a cabeça fora de a janela : o trânsito enchia a avenida principal , mas a rua de eles estava vazia . - O. _ K. - disse . Ron carregou em um pequeno botão de o painel . Os carros em volta desapareceram assim_como eles . Harry sentia o assento a vibrar debaixo_de si , ouvia o motor , sentia as mãos sobre os joelhos e os óculos em o nariz , mas , tanto quanto conseguia ver , tornara se um par de olhos redondos flutuando um metro e pouco acima de o chão em uma rua suja , cheia de carros estacionados . - Vamos - disse a voz de o Ron , vinda de o seu lado direito . O chão e os prédios escuros de ambos os lados desapareceram de o seu ângulo de visão , mal o carro se elevou . Em poucos segundos toda_a cidade de Londres , enevoada e resplandecente , estava por baixo de eles . Em seguida , ouviu se um ruído que parecia o saltar de uma rolha e o carro , Harry e Ron , reapareceram . - Oh , oh - disse Ron , batendo em o intensificador de invisibilidade . - Está avariado ... Começaram os dois a bater em o botão . O carro desapareceu . Depois surgiu de forma intermitente . - Aguenta aí - gritou o Ron e carregou com o pé em o acelerador . Saltaram direitinhos para o meio de as nuvens mais baixas e tudo ficou sujo e enevoado . - E agora ? - exclamou Harry , piscando os olhos a a sólida massa de nuvens que os comprimia de todos os lados . - Precisamos de avistar o comboio para sabermos qual a direcção a tomar - explicou o Ron . - Desce rapidamente ... Desceram por o meio de as nuvens e voltaram se em os lugares , espreitando . - Estou a vê o - gritou Harry . - Mesmo em frente , ali . O Expresso_de_Hogwarts deslocava se a grande velocidade lá em baixo , como uma serpente vermelha . - Para Norte - disse o Ron , verificando a bússola de o painel . - O. _ k . , basta que verifiquemos de meia em meia_hora . Aguenta aí ... - e arrancaram por o meio de as nuvens . Em o minuto seguinte , tinham chegado a a luz brilhante de o Sol . Era um mundo diferente . Os pneus de o carro deslizavam sobre o mar de nuvens macias , o céu era de um azul infinito sob a luz , capaz de cegar , que irradiava de o Sol . - Agora só temos de nos preocupar com os aviões - disse o Ron . Olharam um para o outro e desataram a rir . Durante muito_tempo não conseguiram parar . Era como_se tivessem mergulhado em um sonho fabuloso . Aquela , pensou Harry , era certamente a única maneira de viajar : passando por turbilhões e torres de nuvens cor de neve , em um carro cheio de calor , o sol radioso , com um grande pacote de rebuçados em o porta-luvas e antegozando o ar de inveja de o Fred e de o George quando aterrassem suavemente e de forma espectacular em o relvado macio em frente de o castelo de Hogwarts . Espreitaram várias vezes o comboio enquanto voavam cada_vez_mais para norte . Cada descida entre as nuvens dava lhes uma perspectiva diferente . Londres depressa ficou para trás , substituída por campos verdejantes que , por sua vez , deram lugar a grandes pântanos arroxeados , aldeias com pequenas igrejas de brinquedo e uma grande cidade , cheia de vida , com carros que pareciam formigas multicores . Várias horas mais tarde sem acontecer nada de_novo , Harry teve de admitir que uma parte de o entusiasmo se esgotara . Os rebuçados tinham nos deixado cheios de sede e não havia nada para beber . Ele e o Ron tinham tirado as camisolas , mas a * _ T-shirt * de o Harry estava colada a as costas de o assento e os óculos não paravam de lhe escorregar para a ponta de o nariz . Deixara de reparar em as fabulosas formas de as nuvens e pensava com saudade em o comboio , milhas abaixo de eles , onde se podia comprar sumo fresquinho de abóboras em um carro empurrado por uma bruxa gordinha . Porque não teriam conseguido entrar em a plataforma nove_e_três quartos ? - Não pode ser muito mais longe , pois não ? - resmungou o Ron , horas mais tarde quando o Sol começava a enfiar se em o seu chão de nuvens , pintando as de um rosa profundo . - Estás pronto para outra espreitadela a o comboio ? Ainda ia mesmo por baixo de eles , abrindo caminho por_entre uma montanha com o topo coberto de neve . Estava muito mais escuro entre o dossel de nuvens . Ron pôs o pé em o acelerador e levou os de_novo para_cima , mas em esse momento o motor começou a chiar . Harry e Ron trocaram entre si olhares nervosos . - Deve estar só cansado - disse o Ron . - Nunca tinha vindo tão longe ... - E fingiram ambos que não davam por o gemido que se ia tornando maior à_medida_que o céu serenamente escurecia . As estrelas desabrochavam em a escuridão , Harry voltou a enfiar a camisola de lã , tentando ignorar os limpa pára-brisas que acenavam debilmente como_que a protestar . - Não devemos estar longe - disse Ron , dirigindo se mais a o carro do_que a o amigo . - Já não devemos estar longe - deu umas palmadinhas nervosas em o * tablier * . Pouco depois , quando voltaram a voar em o meio de as nuvens , tiveram de olhar de lado em a escuridão , em busca de um ponto de referência que conhecessem . - Ali - gritou Harry , fazendo o Ron e a Hedwig darem um salto . - Mesmo em frente . Recortados em o horizonte negro , sobre o rochedo de o outro lado de o lago , erguiam se as torres e torreões de o castelo de Hogwarts . Mas o carro tinha começado a estremecer e perdia a os poucos velocidade . - Vá lá - disse o Ron , dando a o volante um pequeno abanão bajulador . - Estamos quase a chegar , vá lá ... O motor gemeu . Pequenos jactos de vapor de água brotaram de o capo . Harry deu consigo agarrado com toda_a força a os bordos de o assento enquanto voavam direitos a o lago . O carro deu um solavanco feio . Espreitando por a janela , Harry viu a superfície negra , macia e espelhada de a água cerca de uma milha abaixo de eles . Os dedos de o Ron agarrados a o volante tinham as articulações brancas . O carro deu um novo esticão . - Vá lá - murmurou o Ron . Estavam sobre o lago ... o castelo ficava mesmo em frente . Ron fez força com o pé . Houve um ruído surdo , uma crepitação e o motor morreu por completo . - Oh ! oh ! - gemeu Ron em o silêncio . O nariz de o carro voltou se para baixo . Estavam a cair , ganhando velocidade em direcção a os muros sólidos de o castelo . - Naaaaão ! - gritou o Ron , girando o volante . Escaparam a a muralha de pedra negra por centímetros , quando o carro fez um grande arco , planando primeiro sobre as estufas , depois sobre o rectângulo plantado com vegetais e , por fim , sobre os relvados , perdendo sempre velocidade . Ron largou o volante por completo e tirou a varinha de o bolso de trás . - __ pára ! __ pára ! - gritou , batendo em o * tablier * e em o pára-brisas , mas eles continuavam a mergulhar , o chão a voar em direcção a eles . - : __ cuidado com essa __ árvore ! ! ! - bramiu Harry , deitando a mão a o volante , mas ... tarde de mais ... CRUNCH . Com um ruído ensurdecedor de metal e madeira , bateram em o tronco espesso de a árvore e caíram em o chão com um forte solavanco . O vapor era um mar debaixo de o capo amachucado . A Hedwig tremia apavorada . Em a cabeça de Harry surgira um alto de o tamanho de uma bola de golfe , quando ele batera em o pára-brisas , tombando em seguida para a direita . Ron soltou um gemido longo e desesperado . - Estás O. _ K ? - perguntou Harry , aflito . - A minha varinha - disse o Ron em uma voz trémula . - Olha para a minha varinha . Tinha se partido praticamente em duas , a ponta balouçava mole , presa por meia_dúzia de esquírolas . Harry abriu a boca para dizer que em a escola com certeza conseguiriam consertá a , mas nem chegou a começar a frase . Em esse preciso momento , algo bateu em o seu lado de o carro , com a força de um touro , projectando o para_cima de o Ron , ao_mesmo_tempo que um golpe igualmente forte se sentiu em o capô . - O que está a acontec ... Ron arfou , olhando fixamente por o pára-brisas e Harry olhou em volta , mesmo a_tempo_de ver uma ramada espessa como uma píton vir contra o vidro . A árvore em que tinham batido estava a atacá os . O tronco dobrara se quase a meio e os seus galhos rugosos davam uma tareia a cada centímetro de o carro que conseguiam atingir . - Ah ! - praguejou o Ron , quando outra pernada retorcida esmurrou a sua porta , amolgando a . O pára-brisas tremia agora sob uma saraivada de golpes vindos de galhos que pareciam patas de animais e uma ramada espessa como um aríete esmagava furiosamente o capo , que parecia estar a ceder ... - Corre ! - gritou o Ron , lançando o seu peso contra a porta , mas , em o momento seguinte , tinha sido atirado para trás , para o colo de Harry por um soco maldoso , dado de baixo para_cima , por outro ramo . - Estamos feitos ! - resmungou , enquanto o tecto descaía . Mas , de repente , o chão de o carro estava a vibrar , o motor pegara . - Marcha atrás - gritou o Harry e o carro deu um salto para trás . A árvore tentava ainda agredis os , ouviam as raízes chiar , enquanto quase se partiam esticando se para os alcançar . - Escapámos por_pouco ! - exclamou o Ron . - Muito bem , carro . Mas o carro tinha atingido o limite de as suas forças . Com dois estalidos , as portas abriram se e Harry sentiu o seu assento inclinar se para o lado . Quando deu por si , estava estatelado em o chão húmido . Ruídos surdos avisaram o de que o carro estava a ejectar as malas de a bagageira . A gaiola de a Hedwig voou por os ares e abriu se . Ela saiu a voar com um pio furioso e dirigiu se a o castelo , sem sequer olhar para trás . Em seguida , o carro , amolgado , arranhado e a fumegar , arrancou em o escuro , com os faróis traseiros ardendo de fúria . - Volta aqui ! - gritou o Ron , brandindo a varinha partida . - O meu pai mata me . Mas o carro desapareceu a perder de vista , com um último estoiro de o tubo de escape . - Já viste bem o nosso azar ! ? - exclamou o Ron em o meio de a sua infelicidade , baixando se para apanhar o rato Scabbers . - De todas_as árvores em que podíamos ter batido , tínhamos de ir dar a uma que bate também . Olhou por cima de o ombro para a velha árvore que ainda agitava os ramos ameaçadoramente . - Vamos - disse Harry , fatigado . - É melhor irmos andando para a escola ... Não foi , de modo algum , a chegada triunfal que tinham imaginado . Constrangidos , cheios de frio e magoados , pegaram em as malas e começaram a arrastá as por o relvado acima , em direcção a as grandes portadas de carvalho . - Acho que o banquete já começou - disse o Ron , largando a mala em os degraus de a entrada e atravessando devagarinho para espreitar por uma janela iluminada . - Harry , anda ver , é a distribuição . Harry apressou se e os dois , ele e o Ron , espreitaram para o Salão_Nobre . Um número infindável de velas pairava em o ar , sobre quatro mesas enormes cheias de gente , fazendo brilhar os pratos dourados e as taças . Em cima , o tecto encantado que espelhava o céu lá de_fora , brilhava cheio de estrelas . Por_entre a floresta de chapéus pretos pontiagudos de Hogwarts , Harry viu uma longa fila de alunos de o primeiro ano com olhares assustados que enchia o vestíbulo . Ginny estava entre eles , facilmente reconhecível devido a o seu chamativo cabelo Weasley . Enquanto isso , a professora Mc_Gonagall , uma bruxa de óculos com cabelo castanho apanhado em um carrapito , colocava o famoso chapéu seleccionador em um banco que se encontrava em frente de os novos alunos . Todos os anos , aquele velho chapéu , remendado , puído e cheio de pó , seleccionava alunos para as quatro equipas de Hogwarts ( Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin ) . Harry lembrava se bem de o ter colocado em a cabeça , precisamente um ano antes , e ter esperado petrificado por a sua decisão , enquanto ele lhe murmurava a o ouvido . Durante alguns horríveis segundos receara que o chapéu o mandasse para os Slytherin , a equipa que produzia maior número de feiticeiros e feiticeiras de magia negra , mas acabara por ficar em os Gryffindor , juntamente com Ron e Hermione e o resto de os Weasley . Em o último período , Harry e Ron tinham ajudado os Gryffindor a vencer o campeonato de a equipa , batendo os Slytherin pela_primeira_vez em sete anos . Um rapazito baixinho com cabelo de rato acabava de ser chamado para pôr o chapéu em a cabeça . Os olhos de Harry saltavam de ele para o lugar onde o professor Dumbledore , o director , estava sentado , observando a selecção de a mesa de os professores , com a sua longa barba cor de prata e óculos de meia-lua que brilhavam a a luz de as velas . Alguns lugares a a frente , Harry viu Gilderoy_Lockhart com um manto verde-azulado . E lá bem a o fundo estava Hagrid , enorme e cabeludo , bebendo satisfeito de a sua taça . - Espera aí - murmurou a o Ron . - Há um lugar vazio em a mesa de os professores . Onde estará o Snape ? Severus_Snape era o professor de quem Harry menos gostava . Harry era também o seu aluno menos querido . Cruel , sarcástico e detestado por todos com excepção de os alunos de a sua própria equipa ( Slytherin ) , Snape tinha a seu cargo a cadeira de Poções . - Talvez esteja doente - sugeriu Ron , cheio de esperança . - Talvez se tenha ido embora - lembrou Harry . - Por não lhe terem dado outra_vez a Defesa contra as artes negras . - Ou talvez tenha sido corrido - propôs Ron com entusiasmo . - Afinal , toda_a_gente o detesta ... - Ou talvez - disse uma voz gelada atrás de eles - esteja a a espera que vocês lhe expliquem por_que motivo não vieram em o comboio de a escola . Harry deu uma volta . Em a sua frente , com o manto negro a ondular em uma brisa fria , estava Severus_Snape . O professor era um homem magro , de pele descorada , nariz adunco e um cabelo preto oleoso que lhe caía sobre os ombros . E em aquele momento sorria de um modo tal que Harry sentiu que tanto ele como Ron estavam em sérios apuros . - Sigam me - disse Snape . Sem ousarem sequer olhar um para o outro , Harry e Ron seguiram Snape por as escadas até a o amplo * hall * de entrada que estava iluminado por as chamas de os archotes . De o salão nobre vinha um cheirinho delicioso a comida , mas Snape levou os para longe de a luz e de o calor , em direcção a uma escada estreita de pedra que conduzia a os calabouços . - Entrem - ordenou , abrindo uma porta a meio de o corredor e apontando . Entraram a tremer em o escritório de Snape . As paredes sombrias estavam cobertas de prateleiras cheias de jarros de vidro grosso onde flutuavam as coisas mais diversas e repugnantes , cujo nome Harry não queria de momento conhecer . A lareira estava escura e vazia . Snape fechou a porta e voltou se de frente para eles . - Com que então - disse com falsa suavidade - o comboio não serve para o famoso Harry_Potter e o seu fiel companheiro Weasley . Queriam chegar em grande estilo , não era rapazes ? - Não senhor , foi a barreira em King's_Cross , ela ... - Silêncio - disse Snape friamente . -- _ o que fizeram a o carro ? Ron engoliu em seco . Aquela não era a primeira vez que Snape dava a Harry a impressão de ser capaz de ler pensamentos . Mas , pouco depois , compreendeu tudo quando Snape desenrolou o exemplar de o Profeta_Vespertino . - Vocês foram vistos - afirmou , mostrando lhes o cabeçalho : : __ ford anglia voador confunde __ muggles . Começou a ler alto a notícia . - Dois Muggles em Londres convenceram se de que tinham visto um carro velho a voar sobre a torre de os correios ... a a tardinha em Norfolk , Mrs._Hetty_Bayliss , enquanto pendurava a roupa ... Mr._Angus_Fleet_de_Peebles informou a polícia ... seis ou sete Muggles a o todo . Julgo que o teu pai trabalha em o departamento de mau uso dado a os objectos de os Muggles ? - disse olhando para Ron e sorrindo de uma forma ainda mais sarcástica . - Que peninha , o próprio filho ... Harry sentiu se como_se tivesse levado um soco em o estômago de uma de as maiores pernadas de a árvore louca . E se alguém descobrisse que Mr._Weasley tinha enfeitiçado o carro ? Ele ainda nem tinha pensado em isso . - Reparei durante a minha volta por o jardim que foi feito um estrago considerável em um salgueiro zurzidor extremamente valioso - continuou Snape . - Essa árvore fez nos pior a nós do_que nós ... - deixou escapar Ron . - Silêncio - interrompeu Snape , de_novo . - Infelizmente vocês não fazem parte de a minha equipa e a decisão de vos expulsar não está em as minhas mãos . Vou , por isso , buscar as pessoas que possuem essa feliz possibilidade . Esperem aqui . Harry e Ron olharam , pálidos , um para o outro . Harry perdera a fome . Sentia se agora extremamente agoniado . Tentava não olhar para uma coisa viscosa , suspensa em um líquido verde que estava em uma prateleira por detrás de a secretária de Snape . Se ele fora buscar a professora Mc_Gonagall , chefe de a equipa de os Gryffindor , não estavam muito melhor . Ela era mais justa do_que Snape , mas extremamente severa . Dez minutos mais tarde , Snape voltou e era , de facto , a professora Mc_Gonagall quem o acompanhava . Harry vira a professora Mc_Gonagall zangada , mas , ou se tinha esquecido de como a boca de ela ficava fina , ou nunca a vira tão zangada como em aquele dia . Levantou a varinha em o momento em que entrou . Harry e Ron estremeceram , mas ela limitou se a apontá a para a lareira onde as chamas se elevaram subitamente . - Sentem se - ordenou , e os dois recuaram para as cadeiras junto de o lume . - Expliquem se - disse com os óculos a brilhar de uma forma ameaçadora . Ron enveredou por a história começando por a barreira de a estação que se recusara a deixá os passar . - Por isso não tínhamos escolha , professora , não podíamos chegar a o comboio . - Porque não nos mandaram uma carta por a coruja ? Julgo que tens uma coruja ? - disse friamente a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a Harry . Harry olhou para ela sem saber o que dizer . - Parece me - continuou ela - que seria a coisa mais adequada . - Eu ... não pensei ... - Isso - disse a professora Mc_Gonagall - é bastante óbvio . Ouviu se bater a a porta de o escritório e Snape , que parecia agora mais feliz do_que nunca , foi abrir . Era o director , o professor Dumbledore . Harry ficou totalmente paralisado . Dumbledore tinha uma expressão grave . Olhou para eles de cima de o seu nariz adunco e Harry desejou estar ainda com Ron a levar uma sova de o salgueiro zurzidor . Fez se um longo silêncio . Em seguida , Dumbledore disse lhes : - Por favor , expliquem porque fizeram isto . Teria sido melhor se gritasse . Harry detestou sentir a decepção em a sua voz . Inexplicavelmente era incapaz de olhar Dumbledore em os olhos e falou em direcção a os seus joelhos . Disse lhe tudo excepto que o carro enfeitiçado pertencia a Mr._Weasley , dando a ideia de que ele e o Ron o tinham encontrado estacionado fora de a estação . Sabia que Dumbledore ia ver para_além de isso , mas o director não fez perguntas sobre o carro . Quando Harry terminou continuou a olhar para ele através de os seus óculos . - Nós vamos buscar as nossas coisas - disse Ron em um tom de voz sem esperança . - Que disparate é esse ? - rosnou a professora Mc_Gonagall . -- Então , vão expulsar nos , não vão ? - disse o Ron . Harry olhou rapidamente para Dumbledore . - Ainda não , Mr._Weasley - afirmou Dumbledore . - Mas vou assinalar a gravidade do_que vocês fizeram . Hoje a a noite escreverei a as vossas famílias . Estão também prevenidos que se voltarem a fazer uma coisa como esta não terei outro remédio senão expulsar vos . A expressão de Snape era como_se o Natal tivesse sido cancelado . Pigarreou e disse : - Professor_Dumbledore , estes rapazes infringiram o decreto para a restrição de a feitiçaria de os menores , causaram estragos consideráveis a uma árvore antiga e valiosa ... sem dúvida , actos de esta natureza ... - Cabe a a professora Mc_Gonagall decidir sobre os castigos de os rapazes , Severus - afirmou Dumbledore com toda_a calma . - Pertencem a a equipa de ela e são , portanto , de a sua responsabilidade . - Voltou se para a professora Mc_Gonagall . - Tenho de regressar a o banquete , Minerva , devo dar algumas informações . Venha Severus , há uma tarte de leite e ovos com um aspecto delicioso que quero mostrar lhe . Snape lançou um olhar de puro veneno a o Harry e a o Ron enquanto permitia que o afastassem de o seu escritório , deixando os a sós com a professora Mc_Gonagall que ainda os olhava como uma águia em fúria . - É melhor ires até a a ala hospitalar , Weasley , estás a sangrar . - Não é nada - disse Ron , limpando o corte com a manga para que ela o visse . - Professora , eu gostava de ver a minha irmã ser seleccionada . - A cerimónia de a selecção terminou - disse a professora Mc_Gonagall . - A tua irmã está também em os Gryffindor . - _ óptimo - exclamou Ron . - E por falar em os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall de forma cortante , mas Harry interrompeu a : - Professora , quando tirámos o carro , o ano escolar ainda não tinha começado , por isso os Gryffindor não deveriam perder pontos , pois não ? - terminou olhando a ansiosamente . A professora Mc_Gonagall lançou lhe um olhar penetrante , mas ele era capaz de jurar que ela quase tinha sorrido . Pelo_menos a boca não parecia tão fina . - Não vou tirar pontos a os Gryffindor - tranquilizou o . E o coração de Harry ficou mais leve . - Mas vocês os dois vão ter um castigo . Foi melhor do_que Harry imaginara . O facto de Dumbledore escrever a os Dursley não tinha a menor importância . Harry sabia perfeitamente que eles só lamentariam que o salgueiro zurzidor não o tivesse esmigalhado . A professora Mc_Gonagall ergueu a varinha de_novo apontou a a a secretária de Snape . Um grande prato de sanduíches , duas taças de prata e um jarro com sumo de abóbora gelado apareceram em menos_de um segundo . - Vocês vão comer aqui e , em seguida , vão direitinhos para o vosso dormitório - disse . - Eu também tenho de voltar para a festa . Mal a porta se fechou atrás de ela , Ron soltou baixinho um assobio . - Pensei que estávamos feitos - confessou , agarrando uma sanduíche . - Também eu - disse o Harry , orando também uma . - Mas já viste bem a nossa pouca sorte ? - insistiu o Ron com a boca cheia de frango e fiambre . - O Fred e o George voaram em aquele carro cinco ou seis vezes e nenhum Muggle os viu - engoliu outro pedaço enorme de a sanduíche . - Porque será que não conseguimos passar a barreira ? Harry encolheu os ombros . - Mas temos de ter muito cuidado a_partir_de agora - disse bebendo um grande trago de sumo de abóbora . - Que pena não termos podido ir a o banquete . - Ela não quis que nos exibíssemos - afirmou Ron com prudência . - Não vão as pessoas pensar que é uma boa chegar aqui de carro voador . Quando já tinham comido todas_as sanduíches que queriam ( o prato ia voltando a encher se sozinho ) , levantaram se e saíram de o escritório , seguindo o caminho que lhes era familiar , para a torre de os Gryffindor . O castelo estava em silêncio . Parecia que o banquete tinha acabado . Passaram por retratos murmurantes e armaduras que gemiam e subiram os degraus estreitos de pedra até que , por fim , chegaram a a passagem onde a entrada secreta para a torre de os Gryffindor se encontrava oculta por detrás de o quadro a óleo de uma dama gorda em um vestido cor-de-rosa . - A senha ? - perguntou ela mal os dois se aproximaram . - Er ... Eles ainda não tinham estado com o prefeito de os Gryffindor e por isso ainda não conheciam a senha para o novo ano , mas a ajuda não se fez esperar . Ouviram passos apressados atrás de eles e quando se voltaram viram Hermione que se aproximava . - Aí estão vocês . Onde é_que se meteram ? Correm os boatos mais ridículos , alguém disse que vocês tinham sido expulsos por espatifarem um carro voador . - Bem , expulsos não fomos - tranquilizou a Harry . - Não estás a dizer me que voaram até aqui ? - perguntou Hermione em um tom quase tão severo como a professora Mc_Gonagall . - Dispensa se o sermão - interrompeu Ron impacientemente . - E diz nos a nova senha de passagem . - É crista de pássaro - disse Hermione não contendo a impaciência . - Mas o mais importante não é isso ... Contudo as palavras de ela foram interrompidas ao_mesmo_tempo que o retrato de a dama gorda se abria e se ouvia uma tempestade de aplausos . A o que parecia a equipa de os Gryffindor estava ainda acordada , dentro de a sala comum em forma de círculo , junto de as mesas assimétricas e de os cadeirões moles a a espera que eles chegassem para , de braços estendidos através de o buraco de o retrato , puxarem Harry e Ron para dentro deixando Hermione para o fim . - Sensacional - gritou Lee_Jordan . - Inspirado ! Que entrada ! Voar em um carro e aterrar em o salgueiro zurzidor . Toda_a_gente vai falar de isto durante anos e anos . - Muito bem - disse um aluno de o quinto ano com quem Harry nunca tinha falado . Alguém dava lhe palmadas em as costas como_se ele acabasse de vencer a maratona . Fred e George abriram caminho por_entre a multidão e disseram ao_mesmo_tempo : - Por_que é_que não nos chamaram , hein ? - Ron estava vermelho como um pimentão , sorrindo envergonhado , mas Harry via perfeitamente uma pessoa que não estava nada contente . Percy elevava se acima de as cabeças de os excitados alunos de o primeiro ano e parecia estar a tentar aproximar se para os repreender . Harry deu uma cotovelada a o Ron e apontou em direcção a Percy . Ron percebeu de imediato . - Temos de ir para_cima , um_pouco cansados ! - explicou e os dois começaram a abrir caminho em direcção a a porta que ficava de o outro lado de a sala e que dava para a escada em espiral e para os dormitórios . - ` _ Noite - despediu se Harry_de_Hermione que tinha um ar tão carrancudo como Percy . Conseguiram chegar a o outro lado de a sala comum sempre a levarem palmadas em as costas e alcançaram o sossego de as escadas . Apressaram se a subir e , por fim , chegaram a a porta de o dormitório que tinha agora um letreiro a dizer « Segundos_Anos » . Entraram em o quarto circular , que conheciam tão bem , com as suas cinco camas de dossel adornadas de velado vermelho e as suas janelas altas e estreitas . As malas tinham sido trazidas para_cima e colocadas a os pés de as camas . Ron fez um sorriso culpado . - Sei que não devia ter gostado de aquilo , mas ... A porta de o dormitório abriu se e os outros rapazes de os Gryffindor entraram ; eram eles o Seamus_Finnigan , o Dean_Thomas e o Neville_Loogbottom . - Inacreditável - aplaudiu Seamus . - Incrível - aprovou o Dean . - Espantoso - exclamou o Neville , aterrado . Harry não pôde evitar também um sorriso . VI_Gilderoy_Lockhart_No dia seguinte , contudo , Harry não conseguiu sorrir . As coisas começaram a correr mal logo em o salão durante o pequeno-almoço . Debaixo de o tecto encantado ( em aquele dia triste e cinzento ) estavam as quatro grandes mesas de as equipas e sobre elas , terrinas de papa de aveia , pratos de arenque defumado , montanhas de torradas e pratadas de ovos com * bacon * . Harry e Ron sentaram se em a mesa de os Gryffindor , junto de Hermione que tinha o seu exemplar de * _ Viagens com Vampiros * totalmente aberto , encostado a um jarro de leite . Havia uma certa rigidez em a maneira como ela disse : - ` _ Dia - que mostrou a Harry que continuava a desaprovar o modo como tinham chegado a a escola . Por seu turno , Neville_Longbottom saudou os entusiasticamente . Neville era um rapazinho de cara redonda , muito dado a acidentes , com a pior memória que Harry tinha conhecido . - A entrega de correio deve estar a chegar , acho que a minha avó me vai mandar umas quantas coisas de que me esqueci ... Harry tinha começado a comer as papas de aveia , quando se ouviu um ruído tumultuoso em o ar e umas cem corujas entraram ao_mesmo_tempo , sobrevoando o salão e deixando cair cartas e pacotes em o meio de a multidão faladora . Um embrulho grande e rugoso caiu em a cabeça de Neville e , um segundo depois , uma coisa larga e cinzenta caiu em o jarro de a Hermione , enchendo os a todos de leite e penas . - Errol - gritou o Ron , puxando a coruja esfarrapada por as patas . Errol caíra inconsciente sobre a mesa com as pernas para o ar e um envelope vermelho húmido em o bico . - Oh , não ! - sobressaltou se Ron . - Ela está bem , ainda está viva - tranquilizou o Hermione , tocando suavemente em a Errol com a ponta de o dedo . - Não é isso , é ... aquilo . Ron apontava para o envelope vermelho . Parecera perfeitamente vulgar a Harry , mas Ron e Neville estavam ambos a observá o como_se esperassem que explodisse . - Qual é o problema ? - perguntou Harry . - Ela . Ela mandou me um * gritador * - disse Ron , quase sem voz . - É melhor abrires - aconselhou Neville em um murmúrio tímido - senão é pior . A minha avó uma_vez mandou me um que eu ignorei e ... - engoliu em seco - foi horrível . Harry olhava , ora para as suas caras , ora para o envelope vermelho . - O que é um * gritador * ? - perguntou . - Mas toda_a atenção de o Ron estava fixa em a carta que começara a fumegar por os cantos . - Abre a - intimou o Neville . - De aqui a poucos minutos já passou tudo . Ron estendeu uma mão trémula , retirou o envelope de o bico de a Errol e começou a abri o . Neville pôs os dedos em os ouvidos . Após uma fracção de segundo , Harry compreendeu porquê . Pensou em o primeiro momento que ela explodira . Um ruído ensurdecedor encheu o enorme salão , fazendo cair pó de o tecto . - ... : __ roubar o carro ! não me surpreendia nada se te expulsassem . espera só até te pôr as mãos em cima . será que não paraste para pensar em a nossa aflição quando vimos que o carro tinha __ desaparecido ... Os gritos de Mrs._Weasley , ampliados cem vezes em relação a o seu normal , fizeram os pratos e as colheres chocalhar em a mesa e ecoaram de forma ensurdecedora em as paredes de pedra . Vinha gente de todos os lados espreitar quem tinha recebido o * gritador * e Ron afundou se tanto em a cadeira que só se lhe via a testa carmesim . - ... : __ uma carta de o dumbledore ontem a a noite , o teu pai quase morria de vergonha . não foi esta a educação que te demos , tu e o harry podiam ter __ morrido ... Harry estava a ver quando é_que o seu nome viria a a baila . Tentou o melhor que pôde agir como_se não ouvisse a voz , mas aquilo estava a fazer com que os tímpanos lhe latejassem . - ... : __ profundamente decepcionada , o teu pai vai ter de se confrontar com um inquérito em o trabalho , tudo por tua culpa e , se pisas mais_uma_vez o risco , trago te para __ casa ! Seguiu se um silêncio ressonante . O envelope vermelho , que caíra de as mãos de o Ron , incendiou se e encaracolou se em cinzas . Harry e Ron estavam sentados de boca aberta , como_se uma onda gigante lhes tivesse passado por cima . Algumas pessoas riam e , a os poucos , o ruído de as conversas recomeçou . Hermione fechou o * _ Viagens com Vampiros * e olhou para o topo de a cabeça de Ron . - Bem , não sei o que esperavas , Ron , mas tu ... - Não me venhas dizer que mereci - interrompeu Ron . Harry afastou as papas de aveia . O estômago ardia lhe de culpa . Mr._Weasley tinha um inquérito em o trabalho , depois de tudo_o_que Mr. e Mrs._Weasley tinham feito por ele durante o Verão ... Mas não teve muito_tempo para se demorar em aqueles pensamentos . A professora Mc_Gonagall circulava em volta de as mesas de os Gryffindor distribuindo horários . Harry pegou em o seu e viu que começavam por ter Herbologia , juntamente com os Hufflepuff . Harry , Ron e Hermione saíram juntos de o castelo , atravessaram as hortas e chegaram a as estufas , onde estavam guardadas as plantas mágicas . O * gritador * tivera pelo_menos uma vantagem : Hermione parecia achar que já tinham sido suficientemente castigados e estava de_novo perfeitamente calorosa . Quando estavam a chegar a as estufas viram o resto de a classe de pé , cá fora , a a espera de a professora Sprout . Harry , Ron e Hermione tinham acabado de se lhes juntar quando a viram aproximar se a passos largos por o relvado , acompanhada de Gilderoy_Lockhart . A professora Sprout era uma bruxa pequenina e atarracada que usava um chapéu a os remendos sobre o cabelo solto . As roupas que vestia estavam sempre cheias de terra e as suas unhas fariam a tia Petúnia desmaiar . Gilderoy_Lockhart , pelo_contrário , tinha um ar imaculado em as suas vestes azul-turquesa , o cabelo doirado a brilhar debaixo_de um chapéu azul-turquesa , com uma fita dourada , perfeitamente posicionado sobre a cabeça . - Olá a todos ! - gritou Lockhart , dirigindo se a o grupo de estudantes . - Estive a mostrar a a professora Sprout a maneira correcta de tratar um salgueiro . Mas não quero que fiquem com a ideia de que sou melhor do_que ela em Herbologia . Acontece que encontrei várias de estas plantas exóticas , durante as minhas viagens .... - Estufa número três hoje , meninos ! - disse a professora Sprout que estava visivelmente descontente , bem diferente de a sua habitual natureza bem-disposta . Houve um murmúrio de interesse . Eles só tinham estado uma_vez em a terceira estufa , que era uma estufa que abrigava plantas bem mais interessantes e perigosas . A professora Sprout tirou uma enorme chave de o cinto e abriu a porta . Harry sentiu o bafo de a terra húmida com adubo misturado e o perfume forte de umas flores gigantescas , de o tamanho de guarda-chuvas , que estavam penduradas de o tecto . Ia seguir Ron e Hermione , quando a mão de o Lockhart o travou . -- Harry ! Tenho querido ter uma palavrinha contigo . Não se importa se ele chegar uns minutos atrasado , pois não , professora Sprout ? A julgar por a expressão carregada de a professora Sprout , importava se sim , mas Lockhart disse : - Então até já - e fechou a porta de a estufa em a cara de ela . - Harry ! - disse Lockhart , com os dentes brancos a brilharem a o sol , enquanto abanava a cabeça . - Harry , Harry , Harry ! Harry , totalmente perplexo , não disse uma palavra . - Quando ouvi dizer , bem , é claro que eu tive muita culpa , deviam castigar me também ... Harry não fazia ideia de que estava ele a falar , quando Lockhart prosseguiu : - Nunca me lembro de ficar tão chocado . Fazer voar um automóvel até Hogwarts ! Bem , é claro que eu percebi logo porque o fizeste . Foi um destaque em grande . Harry , Harry , Harry ! Era notável como ele conseguia mostrar todos aqueles dentes brilhantes , mesmo quando não estava a falar . - Criei te o gosto por a publicidade , não foi ? - perguntou Lockhart . - Passei te o bichinho . Apareceste comigo em a primeira página e não podias esperar para aparecer outra_vez ... - Oh , não , professor , sabe é_que ... - Harry , Harry , Harry - disse Lockhart aproximando se e tocando lhe em o ombro . - * _ Eu compreendo * . É natural querer um_pouco mais quando se lhe tomou o gosto , e eu culpo me por te ter dado esse conhecimento , porque era natural que te subisse a a cabeça , mas vê uma coisa , rapazinho , tu não podes começar a fazer voar carros para tentares ser notícia . Tens de acalmar , está bem ? Tens muito_tempo quando fores mais velho . Sim , sim , eu sei o que estás a pensar ! É fácil para ele falar assim , já é um feiticeiro internacionalmente famoso ! Mas quando eu tinha doze anos era tão zé-ninguém como tu és hoje . Em a verdade , era ainda mais . De ti , já meia_dúzia de pessoas ouviram falar , não é ? Toda aquela história com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . - Olhou para a cicatriz luminosa em a testa de Harry . - Eu sei , eu sei , não é o mesmo_que vencer o Prémio de o sorriso de o feiticeiro de a semana cinco vezes seguidas , como eu venci , mas é um começo , Harry , é um começo . Lançou lhe uma piscadela de olhos cordial e foi se embora . Harry ficou atarantado durante alguns segundos . Depois , lembrando se que deveria estar em a estufa , abriu a porta e esgueirou se lá para dentro . A professora Sprout estava de pé , por_detrás_de uma espécie de mesa em o meio de a estufa . Em cima de a mesa estavam cerca de vinte pares de abafo de ouvidos de diferentes cores . Quando Harry estava já em o seu lugar , entre Ron e Hermione , ela disse : - Hoje vamos transplantar Mandrágoras . Muito bem , quem sabe dizer me as propriedades de a Mandrágora ? Não foi surpresa para ninguém que a mão de a Hermione fosse a primeira em o ar . - A Mandrágora tem um efeito reparador muito poderoso - disse Hermione , com o ar mais normal de este mundo , como_se tivesse engolido o livro de texto . - É usada para fazer voltar as pessoas , que foram transfiguradas ou amaldiçoadas , a o seu estado original . - Excelente . Dez pontos para os Gryffindor ! - exclamou a professora Sprout . - A Mandrágora é parte integrante de a maior parte de os antídotos , mas também é perigosa . Quem sabe dizer me porquê ? A mão de Hermione por_pouco não bateu em os óculos de Harry , quando se ergueu de_novo . - O grito de a Mandrágora é fatal para quem o ouve - disse prontamente . - Precisamente . Dou lhe mais dez pontos - disse a professora Sprout . - Agora vejamos , as Mandrágoras que aqui temos são ainda muito jovens . Enquanto falava , apontou para uma fila de tabuleiros com uma certa profundidade e todos se chegaram a a frente para ver melhor . Cerca de uma centena de plantinhas tufosas de um verde arroxeado cresciam em filas . Pareceram perfeitamente vulgares a Harry , que não fazia a menor ideia do_que Hermione queria dizer com o * grito * de a Mandrágora . - Cada_um de vocês pode tirar um par de abafo de ouvidos - disse a professora Sprout . Houve uma competição renhida porque ninguém queria os cor-de-rosa , cheios de penugem . - Quando eu vos disser para os colocar , assegurem se de que os vossos ouvidos estão completamente tapados - disse a professora Sprout . - Logo_que seja seguro retirá os , eu levanto os dedos . Certo , pôr os abafos de os ouvido . Harry pôs imediatamente os abafos em os ouvidos . Eles fecharam completamente o som . A professora Sprout colocou também um par de abafos cor-de-rosa com penugem em os de ela , arregaçou as mangas de a túnica , agarrou uma de as plantas tufosas e puxou com toda_a força . Harry soltou um grito de surpresa que ninguém ouviu . Em_vez_de raízes , um bebé pequenino , enlameado e extremamente feio , saiu de a terra . As folhas cresciam lhe em o alto de a cabeça , tinha uma pele pintalgada de um pálido esverdeado e estava nitidamente a berrar a plenos pulmões . A professora Sprout tirou debaixo de a mesa um grande vaso de plantas e mergulhou lá dentro a Mandrágora , enterrando a em a mistura escura e húmida , até que só as folhas ficassem visíveis . Em seguida , limpou a terra de as mãos , levantou os dedos e todos eles retiraram os abafos de os ouvidos . - Como as nossas Mandrágoras são muito novas , os seus gritos ainda não matam - disse ela com grande calma , como_se tivesse feito algo tão normal como regar uma begónia . - Contudo , podem pôr vos a dormir durante várias horas e , como com certeza nenhum de vocês quer perder o primeiro dia de aulas , vejam se os abafos estão bem colocados enquanto trabalham . Eu chamarei vos a atenção quando for altura de os retirar . - Quatro em cada fila , há aqui uma grande quantidade de vasos , a mistura de terra está em os sacos ali a o fundo e tenham cuidado com a * _ Venomous_Tentacula * , estão a nascer lhe os dentes . Enquanto falava , deu uma pancada seca a uma planta vermelha escura cheia de pontas eriçadas , fazendo a encolher as longas antenas que tinham estado a avançar lenta e dissimuladamente sobre o seu ombro . A Harry , Ron e Hermione veio juntar se em a fila um rapaz de cabelo encaracolado de os Hufflepuff que Harry conhecia de vista , mas com quem nunca tinha falado . - Justin_Finch - _ Fletchey - disse ele com vivacidade , apertando a mão de o Harry . - Conheço te , claro , o famoso Harry_Potter ... e tu és a Hermione_Granger , sempre a primeira em tudo ( Hermione brilhou em um sorriso , como_se ele lhe tivesse apertado a mão ) e Ron_Weasley . Não era teu o carro voador ? Ron não sorriu . Não lhe saía de a cabeça o * gritador * . - Aquele Lockhart é o_máximo , não acham ? - disse Justin satisfeito , enquanto começavam a encher os vasos com composto de adubo de dragão . - Terrivelmente corajoso . Leram os livros de ele ? Eu teria morrido de medo se um lobisomem me tivesse encurralado em uma cabina telefónica , mas ele manteve se calmo e ... zap ... fantástico ! « Eu estava inscrito em Eton , sabem , não imaginam como estou feliz de ter vindo antes para aqui . É claro que a minha mãe ficou um_pouco desiludida , mas depois de lhe ter dado os livros de Lockhart a ler , tenho a impressão de que ela começou a ver a utilidade de ter um feiticeiro bem treinado em a família ... Depois de isso , não tiveram grandes oportunidades para conversar . Voltaram a pôr os abafos de ouvidos e era preciso concentrarem se em as Mandrágoras . A professora Sprout fizera as coisas parecerem extremamente simples , mas não eram . As Mandrágoras não gostavam de sair de a terra mas também não pareciam querer voltar para lá . Elas contorceram se , deram pontapés , agitaram as mãozinhas finas e rangeram os dentes . Harry levou dez minutos inteirinhos a tentar meter uma Mandrágora particularmente gorda dentro_de um vaso . Em o final de a aula , Harry , como todos os outros , estava a suar , cheio de dores e coberto de terra . Regressaram a o castelo a pé para um banho rápido e , em seguida , os Gryffindor apressaram se para assistir a a aula de transfiguração . As aulas de a professora Mc_Gonagall eram sempre complicadas , mas a de aquele dia era particularmente difícil . Tudo_o_que o Harry aprendera em o ano anterior parecia ter se lhe apagado de a memória durante o Verão . Ele deveria ser capaz de transformar uma barata em um botão , mas , tudo_o_que conseguiu foi fazer a barata praticar um imenso exercício , enquanto corria apressadamente por o tampo de a secretária evitando a varinha . Ron estava a debater se com problemas bastante piores . Tinha atado a varinha com uma fita mágica , mas parecia que não havia reparação possível . Não parava de crepitar e lançar faíscas em os momentos mais estranhos e , sempre_que Ron tentava transfigurar a barata , via se envolvido em um fumo cinzento espesso que cheirava a ovos podres . Incapaz de ver o que estava a fazer , o Ron esmagou , por engano , a barata com o cotovelo e teve de ir pedir que lhe dessem outra , o que deixou a professora Mc_Gonagall muito pouco satisfeita . Harry ficou aliviado quando ouviu tocar a campainha para o almoço . Sentia a cabeça como uma esponja espremida . Todos os alunos saíram em fila de a aula excepto ele e Ron que dava furiosas varadas em a secretária . - Coisa estúpida e inútil . - Escreve a os teus pais a pedir outra - sugeriu Harry , enquanto a varinha disparava com estrondo um foguete explosivo . - Ah pois , e receber outro * gritador * em a volta de o correio - respondeu Ron , metendo a varinha que já assobiava , dentro de o saco . - * _ A culpa é toda tua se a varinha está estragada * ... Desceram para o almoço e aí a disposição de o Ron não iria melhorar com Hermione a mostrar lhe uma mão-cheia de botões de casaco , perfeitinhos , que produzira em a transfiguração . - O que temos esta tarde ? - quis saber Harry , mudando rapidamente de assunto . - Defesa contra as artes negras - disse Hermione , sem perder tempo . - Porque é_que tu ... - perguntou Ron , pegando em o horário de ela - desenhaste corações em volta de as aulas de o Lockhart ? Hermione arrancou lhe o horário de as mãos , corando furiosa . Acabaram de almoçar e foram para o pátio carregado de nuvens . Hermione sentou se em um degrau de pedra e enfiou de_novo o nariz em as * _ Viagens com Vampiros * . Harry e Ron ficaram a falar de Quidditch durante alguns minutos antes de Harry se aperceber de que estava a ser observado de perto . Olhando para_cima viu o rapazinho pequenino com cabelo de rato que ele vira experimentar o chapéu seleccionador em a noite anterior , olhando para ele com uma expressão petrificada . Estava agarrado a o que parecia ser uma vulgar máquina fotográfica de os Muggles e , em o momento em que Harry olhou para ele , ficou todo vermelho . - Tudo bem , Harry ? Eu sou Colin_Creevey - disse , faltando lhe o ar e adiantando se a qualquer pergunta . - Estou em os Gryffindor também . Não te importavas que eu tirasse uma fotografia ? - perguntou , levantando a máquina cheio de expectativa . - Uma fotografia ? - repetiu Harry , inexpressivo . - Para eu provar que te conheci - disse Colin_Creevey cheio de ansiedade , continuando : - Eu sei tudo a teu respeito . Toda_a_gente me tem contado como sobreviveste quando O_Quem nós sabemos tentou matar te , como ele desapareceu depois de isso e como ficaste com a cicatriz em forma de relâmpago em a testa ( os seus olhos procuraram a linha de cabelo de Harry ) e um rapaz de o meu dormitório disse que se eu revelasse o filme em a posição certa ele mexia . - Colin respirou fundo , estremecendo de excitação e disse : - Isto_é fantástico , aqui , não achas ? Eu não sabia que todas_as coisas estranhas que fazia eram magia até a o dia em que recebi uma carta de Hogwarts . O meu pai é leiteiro . Também ele não queria acreditar . Por isso estou a tirar montes de fotografias para lhe mandar e era mesmo bom se tivesse uma tua - parecia implorar . - Talvez o teu amigo pudesse tirá a e assim eu ficava a o teu lado . E depois , podias assiná a ? - Assinar fotografias ? Estás a dar fotos autografadas , Potter ? Alta e mordaz , a voz de Draco_Malfoy ecoou em o pátio . Estava parado mesmo atrás_de Colin , ladeado , como sempre andava em Hogwarts , por os seus fortes guarda-costas Crabbe e Goyle . - Ei gente , façam bicha - gritou Malfoy a a multidão . - Harry_Potter está a dar fotos autografadas ! - Não estou coisa nenhuma - disse Harry , zangado , com os punhos em o ar . - Cala a boca , Malfoy . - Tu tens é inveja - começou a dizer Colin , cujo corpo era de o tamanho de o pescoço de Crabbe . - Inveja - repetiu Malfoy que não precisava de gritar mais , metade de o pátio estava a ouvi o . - De quê ? Não preciso de uma cicatriz em a cabeça , muito obrigado . Não acho que ter um corte em a testa torne alguém especial . Crabbe e Goyle riram estupidamente - Vai pastar caracóis , Malfoy - disse o Ron furioso . Crabbe parou de rir e começou a esfregar os nós de os dedos enormes de uma forma ameaçadora . - Tem cuidado , Weasley - escarneceu Malfoy . - Com certeza não queres começar uma rixa ou a tua mãezinha tem de vir cá para te tirar de a escola - e com uma voz aguda e penetrante : - * _ Se voltas a pisar o risco * ... Um grupo de alunos de o quinto ano de os Slytherin que estava ali perto , riu se bastante alto . - O Weasley gostaria de ter uma foto tua autografada , Potter - escarneceu de_novo Malfoy . - Era capaz de valer mais do_que a casa onde ele mora com a família . Ron sacou de a sua varinha amarrada com fita , mas Hermione fechou as * Viagens com Vampiros * com um estrondo e avisou : - Atenção . - O que é isto , o que é isto ? - Gilderoy_Lockhart aproximava se com o seu manto azul-turquesa girando em torvelinho atrás de ele . - Quem está a dar fotos autografadas ? Harry ia começar a explicar , mas foi interrompido quando Lockhart lhe pôs jovialmente o braço em cima de os ombros . - Mas que pergunta a minha ! Cá estamos nós de_novo , Harry ! Preso ao_lado_de Lockhart e a arder de humilhação , Harry viu Malfoy deslizar com o seu sorriso desdenhoso por o meio de a multidão . - Vamos lá então , Mr._Creevey - disse Lockhart , dirigindo se a Colin . - Uma foto dupla , já viu a sua sorte ? E assinamos a os dois para si . Colin ajustou a máquina e tirou a fotografia em o preciso momento em que a campainha tocava para as aulas de a tarde . - Está em a hora , todos para dentro - gritou Lockhart a a multidão e regressou a o castelo levando a o seu lado o Harry que só lamentava não conhecer um feitiço que o fizesse desaparecer . - Uma palavra só , Harry - disse Lockhart paternalmente , enquanto entravam em o edifício por uma porta lateral . - Eu ajudei te há bocado com o jovem Creevey porque se ele estivesse a fotografar me também a mim os teus colegas não reparariam tanto que estavas a exibir te ... Indiferente a a gaguez de Harry , Lockhart arrastou o para um corredor ladeado de alunos que os olhavam espantados e subiram uma escada . - Deixa me só dizer te uma coisa : dar fotografias autografadas em esta fase de a tua carreira , francamente , não é sensato , Harry , parece um_pouco megalómano . Pode ser que um dia mais tarde , tal_como eu , sejas obrigado a assinar para multidões onde quer que vás , mas - fez uma pequena pausa - não me parece que seja o caso , por enquanto . Tinham chegado a a aula de Lockhart e ele largou finalmente o Harry que sacudiu a túnica e foi sentar se em um lugar bem lá atrás onde começou por empilhar os livros de Lockhart a a sua frente para evitar olhar para a criatura . O resto de a aula entrou ruidosamente e Ron e Hermione foram sentar se um de cada lado de Harry . - Tu estavas vermelho como um pimentão - disse o Ron . - Reza para que o Creevey não se torne amigo de a Ginny senão bem podem criar o clube de * fans * de Harry_Potter . - Cala a boca - interrompeu Harry . A última coisa que desejava era que o Lockhart ouvisse a expressão « clube de * fans * de Harry_Potter « . Quando todos estavam em os seus lugares , Lockhart pigarreou alto e fez se silêncio . Ele inclinou se para a frente , pegou em o exemplar de Neville_Longbottom de * _ viagens com Duendes * e levantou o para mostrar a sua fotografia a piscar os olhos em a capa . - Eu - disse apontando para a fotografia e piscando também os olhos - Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , terceiro ano , membro honorário de a Liga_de_Defesa contra as artes negras e cinco vezes vencedor de o prémio de o * _ Feiticeiro de a semana * por o sorriso mais charmoso . Mas não vamos falar de isso , não venci a fada carpideira de Bandon a sorrir para ela ! Esperou que eles se rissem . Alguns alunos sorriram timidamente . - Já vi que todos vocês compraram a minha obra completa . Muito bem . Pensei começar hoje com um pequeno interrogatório escrito . Nada de complicado , só para perceber se leram bem os meus livros e o que apreenderam ... Depois de distribuir as folhas de teste voltou se para os alunos e disse : - Têm trinta minutos . Comecem já . Harry olhou para o papel e leu : *1 . Qual é a cor preferida de Gilderoy_Lockhart ? *2 . Qual é a ambição secreta de Gilderoy_Lockhart ? *3 . Qual é , em a sua opinião , a maior realização de Gilderoy_Lockhart até a o momento ? * E_por_aí adiante , ao_longo_de três páginas , terminando com : *54 . Qual é o dia de aniversário de Gilderoy_Lockhart e qual seria o seu presente preferido ? * Meia_hora mais tarde , Lockhart recolheu os pontos e folhou os rapidamente em frente de os alunos . - Tut , tut , quase ninguém se lembrou que a minha cor preferida é o lilás . Eu digo o em * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves * . Alguns precisam de voltar a ler com mais cuidado * Fim-de - _ Semana com Um Lobisomem * . Eu afirmo claramente em o décimo segundo capítulo que o meu presente de aniversário preferido seria a harmonia entre todos os seres , mágicos e não mágicos , embora não me importasse de receber uma garrafa grande de * whisky * velho de a Ogden's_Old_Firewhisky . Piscou lhes o olho de_novo . Ron olhava para Lockhart com uma expressão de incredulidade em o rosto . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas que estavam sentados a a frente tremiam de tanto conter o riso . Hermione , contudo , ouvia Lockhart com extrema atenção e deu um salto quando ouviu o seu nome . - Mas Miss_Hermione_Granger sabia que a minha ambição secreta era libertar o mundo de o mal e pôr a a venda a minha gama de poções de tratamento de o cabelo . Muito bem - voltou o papel . - Nota máxima ! Onde está Miss_Hermione_Granger ? Hermione ergueu uma mão trémula . - Excelente - bradou Lockhart , exultante . - Leva dez pontos para os Gryffindor . E vamos a o trabalho . Baixou se atrás de a secretária e pegou em uma grande gaiola coberta . - Ficam desde_já a saber , a minha função é preparar vos contra as criaturas mais malignas que a feitiçaria conhece . Vocês podem ter que enfrentar os maiores medos em esta sala . Saibam que nenhum mal vos sucederá comigo aqui . Só vos peço que se mantenham calmos . Ultrapassando os seus sentimentos , Harry espreitou através de a pilha de livros para ver melhor a gaiola . Lockhart colocou uma mão em a tampa . Dean e Seamus tinham deixado de se rir . Neville estava agachado em o seu lugar de a fila de a frente . - Vou pedir vos que não façam barulho - disse Lockhart em voz baixa . - Podem assustá os . Enquanto a aula inteira continha a respiração , Lockhart tirou a cobertura . - Sim - disse em um tom dramático . - Duendes_da_Cornualha recém-capturados . Seamus_Finnigan não conseguiu controlar se . Soltou uma gargalhada que nem Lockhart poderia confundir com um grito de terror . - Sim ? - sorriu a Seamus . - Bem , eles não são , não são perigosos , pois não ? - perguntou a rir . -- Não tenhas tanta certeza de isso - afirmou Lockhart , aborrecido , abanando um dedo , em direcção a Seamus . - Podem ser maçadores e muito traiçoeiros . Os duendes eram de um azul-eléctrico e tinham cerca de vinte centímetros de altura com feições angulosas e umas vozes tão estridentes que era como ouvir uma discussão entre araras . Logo_que o pano foi retirado , começaram a fazer uma enorme algazarra , a andar de um lado para o outro , batendo em as grades e fazendo caretas a as pessoas que estavam mais perto . - Muito bem - disse Lockhart em voz alta . - Vamos então ver o que vocês conseguem fazer de eles - e abriu a gaiola . Foi um pandemónio . Os duendes dispararam em todas_as direcções como foguetes . Dois de eles agarraram o Neville por as orelhas e levantaram o a o ar . Vários outros foram direitos a a janela , fazendo chover vidros partidos até a a fila de trás . Os restantes decidiram destruir a sala com maior eficácia do_que um rinoceronte em fúria . Agarraram em os tinteiros e salpicaram tudo em volta , rasgaram a os bocados livros e papéis , arrancaram os quadros de as paredes , levantaram a o ar a gaiola vazia , agarraram livros e sacos e lançaram nos por a janela de vidros estilhaçados . Em poucos minutos , metade de a aula estava abrigada debaixo de as secretárias e o Neville pendurado em o candelabro de o tecto . - Vamos lá , agarrem nos , agarrem nos , são apenas duendes ... - gritava Lockhart . Arregaçou as mangas , bramiu a varinha e pronunciou * Peshipiksi_Pesternomi ! * As palavras não tiveram o menor efeito . Um de os duendes pegou em a varinha de Lockhart e atirou a também por a janela fora . Lockhart engoliu em seco e mergulhou debaixo de a secretária , não sendo , por um triz , esmagado por o Neville que caiu um segundo depois , quando o candelabro cedeu . A campainha tocou e houve uma louca precipitação para a porta . Em a calma relativa que se seguiu , Lockhart endireitou se , olhou para Harry , Ron e Hermione que estavam quase a chegar a a porta e disse : - Bem , vou pedir vos a os três que prendam o resto de os duendes em a gaiola - passou por eles e fechou rapidamente a porta atrás_de si . - Isto dá para acreditar ? - resmungou o Ron , enquanto um de os duendes lhe mordia com toda_a força uma de as orelhas . - Ele só quer dar nos uma ajuda , permitindo nos ganhar experiência - justificou Hermione , imobilizando dois duendes de uma_vez com um encantamento de paralisação e metendo os de_novo em a gaiola . - Experiência ? - disse Harry , tentando agarrar um duende que dançava com a língua de_fora . - Hermione , ele não sabia nada do_que estava a fazer . - Disparate - retorquiu Hermione . - Leste os livros de ele . Vê só as coisas que ele já fez ! - Que diz que fez - resmungou o Ron . VII_Sangue de lama e murmúrios Harry passou imenso tempo , em os dias que se seguiram , a fugir sempre_que via Gilderoy_Lockhart aproximar se em o corredor . Mais difícil de evitar era Colin_Creevey que parecia ter decorado o horário de Harry . Parecia que nada o emocionava mais do_que dizer : - Tudo bem , Harry ? - seis ou sete vezes por dia e ouvir : - Olá , Colin - por mais exasperado que Harry estivesse quando lhe respondia . A Hedwig ainda estava zangada com Harry por causa de a desastrosa viagem de automóvel e a varinha de o Ron continuava a não funcionar , tendo ultrapassado tudo em a sexta-feira de manhã quando lhe saltou de as mãos em a aula de encantamentos e foi agredir o velho e baixinho professor Flitwick mesmo entre os olhos , deixando uma enorme bolha latejante em o sítio onde tinha batido . Por tudo_isso Harry via chegar , com satisfação , o fim_de_semana Planeava ir em o Sábado de anhã , com Ron e Hermione visitar o Hagrid . Mas foi acordado várias horas mais cedo do_que desejaria por Oliver ood , treinador de a equipa de Quidditch_dos_Gryffindor . - _ o que é_que se passa ? - perguntou Harry , enrolando as palavras . - Treino_de_Quidditch - disse Wood . - Vamos embora . Harry lançou um olhar de esguelha a a janela . Uma neblina fina pairava em o céu rosa e dourado . Agora_que estava acordado não percebia como pudera dormir com a algazarra que os pássaros faziam . - Oliver resmungou Harry . - É de madrugada . - Exacto - respondeu Wood . Era um rapaz alto e corpulento de o sexto ano e em aquele momento os olhos brilhavam lhe loucamente de entusiasmo . - Faz parte de o nosso novo programa de treinos . Anda lá , vai buscar a vassoura e vamos embora - insistiu Wood empenhado . - Nenhuma de as outras equipas começou ainda a treinar . Vamos ser os primeiros este ano ... A bocejar e a tremer um_pouco , Harry saltou de a cama e tentou descobrir as suas túnicas de Quidditch . - Bem , encontramo nos em o campo , dentro_de quinze minutos . Depois de descobrir a sua roupa escarlate de equipa e pôr o manto por cima para se aquecer , Harry escreveu a o Ron um bilhete a explicar onde tinha ido e desceu por a escada de espiral para a sala comum com a sua Nimbos dois inil a o ombro . Tinha acabado de chegar junto de o buraco de o retrato quando ouviu um barulho atrás_de si e viu Colin_Creevey descer a escada de espiral com a máquina fotográfica pendurada a o pescoço a balouçar como louca e uma coisa em a mão . - Ouvi alguém chamar o teu nome em as escadas , Harry olha o que tenho aqui . Revelei a e queria mostrar te . Harry olhou assombrado para a fotografia que Colin lhe espetava em frente de o nariz . Um Lockhart a preto e branco movia se , puxando com toda_a força um braço que Harry reconheceu como sendo o seu . Ficou satisfeito a o constatar que estava a resistir bastante bem , recusando se a ser trazido para a vista de todos . Enquanto Harry observava , Lockhart desistiu e desinteressou se de lutar contra a parte branca de a fotografia . - Assinas para mim ? - pediu Colin entusiasmado . - Não - respondeu secamente Harry , olhando em volta para verificar se o caminho estava livre . - Desculpa_Colin , mas estou cheio de pressa , treino de Quidditch . Passou por o buraco de o retrato . - Oh Uau ! Espera por mim . Eu nunca vi um jogo de Quidditch . Colin trepou por o buraco de o retrato atrás de ele . - Vai ser uma chatice para ti - disse Harry rapidamente , mas Colin ignorou o comentário . Todo o seu rosto brilhava de satisfação . - Tu foste o jogador mais novo de a equipa em cem anos , não foste Harry ? Não foste ? - perguntava Colin , trotando para o acompanhar . - Deve ser fantástico . Eu nunca voei . É fácil ? Essa vassoura é a tua ? É a melhor que há ? Harry não sabia como ver se livre de ele . Era como ter uma sombra que não se calava . - Eu não percebo nada de Quidditch - disse Colin , já sem fôlego . - É verdade que há quatro bolas ? E que duas anda n a voar , tentando fazer os jogadores caírem de as vassouras ? - Sim - disse Harry lentamente , resignado com o ter de lhe explicar as complicadas regras de o Quidditch . - São as * bludgers * . Há dois * beaters * em cada equipa que têm bastões para bater em as * bludgers * e lançá as para o outro lado . O Fred e o George_Weasley são os * beaters * de os Gryffindor . - E para que servem as outras bolas ? - perguntou Colin , saltando uma série de degraus porque ia a olhar para o Harry de boca aberta . - Bem , a * quaffle * , que é a vermelha grandalhona , é a que marca os golos . Três * chasers * em cada equipa lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam fazes a entrar em as balizas que ficam em o extremo de o campo onde há três grandes postes com argolas em as pontas . - E a quarta bola ? - A * snitch * dourada - explicou Harry . - É muito pequenina e veloz e extremamente difícil de agarrar . Mas é isso que o * seeker * tem de fazer , porque o jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * for agarrada . E o * seeker * que conseguir agarrá a ganha para a sua equipa mais cento_e_cinquenta pontos . - E tu és o * seeker * de os Gryffindor , não és ? - perguntou Colin respeitosamente . - Sim - disse Harry enquanto saíam de o castelo e começavam a atravessar o relvado . - E há também o * keeper * que toma conta de os postes . É isto . Mas Colin não parou de fazer perguntas desde os relvados macios até a o campo de Quidditch e Harry só se viu livre de ele quando chegaram a os vestiários . Colin gritou em uma voz aguda : - Eu vou arranjar um lugar , Harry - e apressou se em direcção a as bancadas . O resto de a equipa de os Gryffindor já se encontrava em os vestiários . Wood era o único que tinha aspecto de estar bem acordado . Fred e George_Weasley estavam sentados com olhos de sono e cabelos desgrenhados junto de Alicia_Spinnet de o quarto ano que parecia inclinar se contra a parede que tinha atrás_de si . Os seus companheiros * chasers * , Katie_Bell e Angelina_Johnson bocejavam em frente de ela . - Até que enfim , Harry , porque é_que demoraste tanto ? - perguntou Wood cheio de actividade . - Eu queria ter uma pequena conversa convosco antes de entrarmos propriamente em campo porque passei o Verão a conjecturar um novo programa de treinos que acredito vai estabelecer grandes mudanças . Wood tinha em as mãos um grande mapa de um campo de Quidditch onde estavam desenhadas muitas linhas , setas e cruzes a tinta de várias cores . Pegou em a varinha , bateu com ela em o quadro e as setas começaram a mover se em o mapa como tractores . Enquanto Wood se lançava em um discurso sobre as suas novas técnicas , a cabeça de Fred_Weasley caiu sobre o ombro de Alicia_Spinnet e ele começou a ressonar . O primeiro mapa levou quase vinte minutos a explicar , mas debaixo de esse havia outro e ainda um terceiro . Harry caiu em uma letargia enquanto Wood continuava indefinidamente . - Então - disse por fim o treinador , arrancando Harry de a avidez de uma fantasia sobre o que poderia estar a comer se se encontrasse em aquele momento em o castelo . - Ficou tudo claro ? Alguma pergunta ? - Eu tenho uma pergunta , Oliver - disse George que acordou estremunhado . - Porque não nos explicaste tudo_isso ontem , quando estávamos acordados ? Wood não ficou nada satisfeito . - Ouçam bem , vocês todos - disse , voltando se para eles mal-humorado . - Nós deveríamos ter ganho a taça de Quidditch o ano passado . Somos de longe a melhor equipa , mas , infelizmente , devido_a circunstancias que estão para_além de o nosso controlo ... Harry mudou de posição em a cadeira sentindo se culpado . Estivera inconsciente em o hospital durante o campeonato final de o ano anterior o que fez com que os Gryffindor com um jogador a menos tivessem sofrido a pior derrota de os últimos trezentos anos . Wood levou um momento a controlar se . Era evidente que a última derrota ainda o torturava . - Portanto , este ano vamos fazer um treino mais duro , como nunca se fez . O. _ K. , vamos lá pôr as teorias em prática - gritou , pegando em a vassoura e conduzindo os para fora de o vestiário . Com as pernas trôpegas e ainda a bocejar , a equipa seguiu o . Tinham estado tanto tempo lá dentro que o sol já tinha nascido e brilhava em o céu embora uma réstia de neblina pairasse ainda sobre o relvado de o campo . Quando Harry entrou em campo viu Ron e Hermione sentados em as bancadas . - Ainda não acabaram ? - perguntou Ron em um tom incrédulo . - Ainda nem começamos - explicou Harry , olhando cheio de inveja para a torrada com doce de laranja que Ron e Hermione tinham trazido de o salão . - O Wood tem estado a ensinar nos as jogadas . Subiu para a vassoura e deu um pontapé em o chão , elevando se em o ar . O ar fresco de a manhã bateu lhe em o rosto fazendo o acordar com mais eficácia do_que o longo discurso de Wood . Era maravilhoso voltar a estar em o campo de Quidditch . Voou em volta de o estádio a toda a a velocidade competindo com Fred e George . - Que barulhinho estranho é aquele ? - perguntou o Fred quando deram a volta . Harry olhou para as bancadas . Colin estava sentado em um de os lugares mais altos com a máquina fotográfica em o ar , tirando fotografia sobre fotografia , o som estranhamente ampliado em o estádio deserto . - Olha para ali , Harry , para ali - gritava de forma estridente . - Quem é aquele ? - perguntou Fred . - Não faço ideia - mentiu Harry , disparando a_toda_a velocidade e distanciando se o mais possível de Colin . - O que se passa aí ? - perguntou Wood , franzindo a testa enquanto corria por os ares atrás de eles . - Porque está aquele aluno de o primeiro ano a tirar fotografias ? Não me agrada . Pode ser um espião de os Slytherin a tentar descobrir o nosso novo programa de treinos . - Ele é de os Gryffindor - disse Harry rapidamente . - E os Slytherin não precisam de um espião , Oliver - completou George . - Porque dizes isso ? - perguntou Wood irritado . - Porque estão aqui em peso - disse George , apontando com o dedo . Vários indivíduos com túnicas verdes vinham em aquele momento a entrar em o campo de vassouras em a mão . - Não posso acreditar - reagiu Wood , sentindo se ultrajado . - Eu reservei o estádio para hoje . Já vamos ver como é_que isto fica ! Wood baixou direito a o chão sendo levado por a fúria a aterrar com mais força do_que pretendia e a cambalear um_pouco quando começou a andar seguido de o Harry e de o Ron . - Flint - bradou para o treinador de os Slytherin . - Este é o nosso tempo de treino . Levantámo nos de propósito . Vocês têm de sair de aqui . Marcus_Flint era ainda mais corpulento do_que Wood . Tinha em o rosto uma expressão de duende travesso quando respondeu : - Há espaço para todos , Wood . Angelina , Alicia e Katie tinham vindo também . Em a equipa de os Slytherin não havia raparigas que enfrentassem a o lado de os rapazes os Gryffindor . - Mas eu reservei o estádio - repetiu Wood de modo afirmativo , cuspindo de raiva . - Reservei o . - Ah ! - exclamou Flint . - Mas eu tenho aqui uma licença especial assinada por o professor Snape . * _ Eu , professor Snape , autorizo a equipa de os Slytherin a praticar hoje em o campo de Quidditch devido a a necessidade de treinar o seu novo seeker . * - Têm um novo * seeker * ? - perguntou Wood perturbado . - Onde ? E detrás de as seis figuras corpulentas que tinham em a frente , viram surgir uma sétima : um rapaz mais pequeno com um sorriso afectado espelhado em o rosto pálido e anguloso . Era_Draco_Malfoy . - Não és o filho de o Lucius_Malfoy ? - perguntou Fred , olhando para ele com antipatia . - Curioso que refiras o pai de o Draco - disse Flint enquanto toda_a equipa de os Slytherin sorria de modo grosseiro . - Deixem me mostrar vos a generosa oferta que ele fez a a equipa de os Slytherin . Os sete exibiram as suas vassouras . Sete cabos novos , polidos , com inscrições em letras douradas de as palavras « Nimbus dois_mil_e_um « brilharam a o sol de a manhã , em frente de o nariz de os Gryffindor . - O último modelo . Só chegou em o mês passado - disse Flint , displicentemente , sacudindo a poeira de o cabo de a sua vassoura . - Julgo que ultrapassam de longe as velhas séries de dois_mil . Quanto a as Cleansweeps - sorriu de forma mesquinha para Fred e George que tinham ambos Cleansweep_Fives - essas já só servem para varrer . Nenhum de os Gryffindor foi capaz de abrir a boca em aquele momento . Malfoy sorria tanto que os seus olhos de gelo estavam reduzidos a duas rachas . - Oh vejam - disse Flint . - Uma invasão de o campo . Ron e Hermione atravessavam o relvado para ver o que se passava . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron a o Harry . - Porque não estão a jogar e o que faz ele aqui ? Olhava para Malfoy em as suas vestes de Quidditch . - Sou o novo * seeker * de os Slytherin , Weasley - disse Malfoy com ar presumido . - Têm estado todos a admirar as vassouras que o meu pai comprou para a nossa equipa . Ron olhou de boca aberta para as sete vassouras que tinha em a frente . - São boas , não são ? - disse Malfoy untuosamente . - Mas talvez a equipa de os Gryffindor consiga levantar algum ouro e comprar também vassouras novas . Vocês podiam levar essas Cleansweep_Fives a leilão , talvez algum museu esteja interessado . A equipa de os Slytherin riu se a bandeiras despregadas . - Pelo_menos em os Gryffindor ninguém teve de comprar a sua entrada - disse secamente Hermione . - Entraram todos por mérito próprio . O ar presumido de Malfoy desapareceu . - Ninguém pediu a tua opinião , sangue de lama - cuspiu Malfoy . Harry apercebeu se , de imediato , que Malfoy dissera algo muito grave porque houve uma tremenda algazarra em o seguimento de as suas palavras . Flint teve que se pôr a a frente de o Malfoy para evitar que Fred e George se atirassem a ele . Alicia bradou : - Como te atreves ? - E Ron meteu a mão em as vestes e sacou de a varinha mágica , gritando : - Vais pagar por o que disseste , Malfoy ! - e apontou a , furioso , por debaixo de o braço de Flint , a o rosto de Malfoy . Um enorme estrondo , ecoou em o estádio e um jacto de luz verde saiu por a extremidade errada de a varinha de Ron , atingindo o em o estômago e projectando o para trás em direcção a o relvado . - Ron ! Ron ! Estás bem ? - gritou Hermione . Ron abriu a boca para falar , mas nenhuma palavra saiu . Em vez de isso , teve um vómito imenso e várias lesmas saíram lhe de a boca , indo cair lhe em o colo . A equipa de os Slytherin ficou paralisada de riso . Flint estava dobrado , agarrado a a vassoura nova . Malfoy , a quatro , batia com o punho em a chão . Os Gryffindor rodeavam o Ron , que continuava a vomitar lesmas enormes e reluzentes . Ninguém queria tocar lhe . - É melhor levá o para_casa de o Hagrid . É o mais perto - disse Harry_a_Hermione , que acenou afirmativamente , e os dois arrastaram o Ron por os braços . - O que aconteceu , Harry ? O que aconteceu ? Ele está doente ? Mas tu podes curá o , não podes ? - Colin descera a correr de o lugar onde estava sentado e dançaricava em frente de eles , enquanto abandonavam o campo . Ron teve um novo arremesso e mais lesmas saíram de a sua boca . - Oooh ! - exclamou Colin fascinado , levantando a máquina fotográfica . - Podes mantê o quieto , Harry ? - Sai de a minha frente , Colin - gritou Harry zangado . Ele e a Hermione conseguiram levar o Ron para fora de o estádio , atravessar os campos e chegar a a beira de a floresta . - Está quase , Ron - disse Hermione , mal avistaram o casebre de o guarda de os campos . - Vais ficar bem dentro_de um minuto ... está quase ... Estavam a sessenta metros de a casa de Hagrid , quando a porta de a frente se abriu . Mas não foi Hagrid quem saiu de lá , e sim Gilderoy_Lockhart , em uma túnica cor de malva . - Rápido , vamos esconder nos aqui - sussurrou Harry , arrastando Ron para trás de um arbusto que havia ali perto . Hermione acompanhou o , embora um_pouco relutante . -- É muito simples quando se sabe o que se está fazer ! - gritava Lockhart_para_Hagrid . - Se precisar de ajuda , sabe onde estou . Vou dar lhe um exemplar de o meu livro . Espanta me que ainda não o tenha . Logo a a noite autografo o e envio lhe o . Bem . até a a próxima ! - e afastou se em direcção a o castelo . Harry esperou que Lockhart desaparecesse , antes de puxar o Ron de trás de o arbusto até a a casa de o Hagrid . Bateram ansiosamente . Hagrid apareceu logo com um ar mal-humorado , que se dissipou quando viu quem era . - Já me tinha perguntado quand'é que vocês vinham ver me , entrem , entrem , pensei qu'era outra_vez o professor Lockhart . Harry e Hermione ajudaram Ron a subir o degrau que dava acesso a a cabana de uma divisão com uma cama enorme a um de os cantos e uma lareira a crepitar alegremente em o outro . Hagrid não pareceu perturbado com o problema de as lesmas de o Ron que Harry lhe explicou precipitadamente , logo_que sentou o Ron em uma cadeira . - Melhor saírem de o qu'entrarem - disse , em um tom bem-disposto , colocando uma grande bacia de cobre em frente de ele . - Deita as todas fora , Ron . - Acho que não há mais_nada a fazer , a não ser esperar que isto pare - disse Hermione ansiosamente , vendo Ron inclinar se para a bacia . - É uma maldição muitas_vezes difícil , mas com uma varinha partida ... Hagrid andava de um lado para o outro a preparar o chá . O cão de ele , Fang , babava se em cima de o Harry . - O que é_que o Lockhart queria de ti ? - perguntou o Harry , coçando as orelhas de o Fang . - Ensinar me a tirar espíritos aquáticos com forma de cavalos d'uma nascente d'água - resmungou Hagrid , retirando de a mesa pequena um galo meio depenado e colocando em o seu lugar o bule . - Como s'eu não soubesse . E contar me uma peta qualquer d'uma fada carpideira que ele venceu . Engulo essa chaleira , se uma palavra do_que ele disse for verdade . Não era hábito de Hagrid criticar um professor de Hogwarts e Harry olhou para ele com alguma surpresa . Mas Hermione disse em uma voz mais aguda do_que de costume : - Acho que estás a ser injusto . O professor Dumbledore obviamente achou que era o melhor homem para o lugar ... - Era o único - explicou Hagrid , oferecendo lhes um prato de bombons de melaço enquanto Ron tossia para a bacia . - E não havia mais ninguém . Não é fácil encontrar quem queira dar Artes de magia negra . As pessoas não gostam de essa matéria . Começam a pensar que está amaldiçoada , ninguém ficou muito_tempo a dá a . Mas digam me lá - continuou Hagrid , inclinando a cabeça para Ron - quem é qu'ele estava a tentar amaldiçoar ? - O Malfoy chamou qualquer coisa a a Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si . - Foi grave , sim - disse o Ron com voz rouca , emergindo a a superfície de a mesa , pálido e transpirado . - O Malfoy chamou lhe sangue de lama , Hagrid . - Ron desapareceu outra_vez quando uma nova onda de lesmas fez o seu aparecimento . Hagrid estava indignado . - Não posso crer - exclamou , dirigindo se a Hermione . - Chamou sim - disse ela . - Mas eu não sei o que significa . Percebi que era má educação , claro ... - É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar - explicou Ron novamente . - Sangue de lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles , sabes , filho de pais não mágicos . Há alguns feiticeiros , como a família de o Malfoy que acham que são melhores do_que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro . - Teve um pequeno vómito e uma lesma isolada caiu lhe em a mão aberta . Ele atirou a para a bacia e continuou . -- É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma . Olha_o_Neville_Longbottom , é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito . - E ainda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer - afirmou Hagrid , orgulhoso , fazendo Hermione corar em tons de magenta . - É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém - disse o Ron , limpando o suor de a testa com a mão trémula . - Sangue sujo , sangue vulgar , é um disparate . A maior parte de os feiticeiros hoje_em_dia têm sangue misturado . Se não tivéssemos casado com Muggles tinha sido o nosso fim . Fez um esforço para vomitar e baixou se mais_uma_vez . - Bem , não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá o , Ron - disse Hagrid bem alto enquanto montes de lesmas caíam em a bacia . - Mas , se_calhar , não foi mau de todo teres a varinha a trabalhar ao_contrário . Acho que Lucius_Malfoy teria vindo logo a correr a a escola se tivesses amaldiçoado o filho . Assim , pelo_menos , não estás metido em nenhum sarilho . Harry teria referido que o problema não podia ser pior do_que deitar lesmas por a boca , mas não pôde . Os bombons de melaço tinham lhe colado os maxilares um_ao_outro . - Harry - disse de repente Hagrid como_que movido por um pensamento súbito . - Tens de me explicar uma coisa . Ouvi dizer que tens andado a dar fotografias autografadas . Porque é qu'eu não tenho nenhuma ? A fúria de Harry foi tão grande que os maxilares se libertaram . - Eu não tenho dado fotografias autografadas - disse com vivacidade . Se o Lockhart andou a espalhar isso ... Mas em esse momento viu que Hagrid se estava a rir . - ´ _ tou a brincar - disse , dando uma palmadinha em as costas de Harry e fazendo lhe sinal para se sentar a a mesa . -- Eu sabia que não tinhas . Disse a o Lockhart que tu não precisavas de isso . Es mais famoso do_que ele sem sequer , tentares . - Aposto que ele não gostou de ouvir isso - comentou Harry , sentando se e esfregando o queixo . - Acho que não gostou mesmo - prosseguiu Hagrid com os olhinhos a brilhar . - E disse lhe também que nunca tinha lido nenhum de os livros de ele e ele foi se embora . Um bombom de melaço , Ron ? - perguntou a o vê o reaparecer . - Não , obrigado - disse o Ron com uma voz fraca . - É melhor não arriscar . - Venham ver o qu'eu tenho estado a criar - disse Hagrid quando Harry e Hermione acabaram de tomar o chá . Em a pequena horta atrás de a casa estava uma_dúzia de as maiores abóboras que Harry alguma vez vira . Pareciam enormes blocos de pedra . - Estão a dar se bem , não achas ? - disse Hagrid , feliz . São para a festa de o * _ Hallow'en * . Devem estar bem grandes quando chegar a altura . - O que é_que lhes tens dado como alimento ? - perguntou Harry . Hagrid olhou por cima de o ombro para confirmar se estavam sós . - Bem , tenho estado a dar lhes ... uma pequena ajuda . Harry reparou em o guarda-chuva cor-de-rosa a as florzinhas que estava encostado contra a parede de a cabana . Tivera em o ano anterior motivos para crer que aquele guarda-chuva não era o que parecia . De facto , acreditava que a antiga varinha de escola de Hagrid se encontrava oculta dentro de ele . Hagrid não tinha autorização para usar magia . Fora expulso de Hogwarts em o terceiro ano embora Harry nunca tivesse descoberto o motivo . Qualquer referência a esta questão fazia Hagrid pigarrear bem alto e ficar misteriosamente surdo até mudarem de assunto . -- Um encantamento de absorção , imagino ? - comentou Hermione entre a desaprovação e o divertimento . - Bem , se assim foi , fizeste um bom trabalho . - Foi o que disse a tua irmãzinha - respondeu Hagrid acenando em direcção a Ron . - Encontrei a ontem . - Hagrid olhou de lado para Harry , a barba a contorcer se . - Disse que andava só a ver os campos , mas eu acho qu'ela esperava encontrar alguém em a minha casa - piscou o olho a o Harry . - Se queres que te diga acho qu'ela não recusaria uma fotografia autogr ... - Cala te com isso - disse Harry . Ron desatou a rir e o chão ficou cheio de lesmas . - Cuidado - resmungou Hagrid , afastando Ron de as suas preciosas abóboras . Estava quase em a hora de o almoço e , como o Harry só tinha provado um bombom de melaço desde manhã cedo , estava ansioso por chegar a a escola para ir comer . Despediram se de o Hagrid e regressaram a o castelo . O Ron a vomitar de vez em quando , mas deitando só duas pequenas lesmas . Mal tinham pisado a entrada de o vestíbulo quando ouviram uma voz . - Aí estão vocês , Potter , Weasley . - A professora Mc_Gonagall vinha em direcção a eles com o seu ar severo . - Vocês os dois vão ter as punições hoje a a tarde . - O que é_que vamos fazer , professora ? - perguntou o Ron nervoso , deixando cair uma lesma . - Tu vais limpar as pratas em a sala de os troféus com Mr._Filch - disse a professora Mc_Gonagall . - E nada de mágicas , Weasley , trabalho com esforço . Ron engoliu em seco . Argus_Filch , o encarregado , era odiado por todos os alunos de a escola . - E tu , Potter , vais ajudar o professor Lockhart a responder a as cartas de as suas fãs - ordenou a professora Mc_Gonagall . - Oh , não ! Não posso ir também trabalhar em a sala de os troféus ? - pediu Harry em desespero de causa . - Nem pensar em isso - respondeu a professora Mc_Gonagall , erguendo as sobrancelhas . - O professor Lockhart requisitou te especialmente a ti . _ a as oito_em_ponto , os dois . Harry e Ron entraram em o salão em um estado de profundo desanimo com a Hermione atrás , ostentando uma expressão de * bem-voces-quebraram-as-regras-da-escola * . Harry não saboreou o empadão de carne como teria desejado . Tanto ele como o Ron achavam que tinham tido o pior de os castigos . -- O Filch vai reter me lá toda_a noite - disse Ron , desanimado . - Sem mágica ! Deve haver umas cem taças em aquela sala , eu não sei fazer limpeza de Muggles . - Eu trocava contigo de boa_vontade - confessou Harry em uma voz surda . - Tive montes de prática com os Dursleys . Responder a o correio de fãs de o Lockhart , que pesadelo ... A tarde de sábado pareceu derreter se . Pouco depois eram já cinco para as oito e Harry arrastava se até a o corredor de o segundo andar onde ficava o escritório de o Lockhart . Rangendo os dentes , bateu a a porta . A porta abriu se imediatamente e Lockhart dirigiu se lhe . - Ah , cá está o patifório ! - exclamou . - Entra , Harry , entra . Em as paredes , brilhando à_luz_de muitas velas , podia ver se uma infinidade de fotografias de Lockhart . Algumas de elas até assinadas . Sobre a secretária estava outro monte enorme . - Podes pôr as moradas em os envelopes - disse Lockhart_a_Harry , como_se fosse uma grande ameaça . - O primeiro é para Gladys_Gudgeon , abençoada seja , uma grande fã minha . Os minutos passavam lentos . De vez em quando , Harry ouvia a voz de Lockhart dizendo : - Mmm - e - certo - e - sim . - De vez em quando , apanhava uma frase como : - A fama é versátil , amigo Harry - ou - Só é célebre quem faz por isso , nunca te esqueças . As velas ardiam cada_vez com maior lentidão , fazendo a luz dançar sobre as muitas caras de Lockhart que o olhavam . Harry passava a mão , já dorida , sobre o que devia ser o centésimo envelope , escrevendo a morada de Verónica_Smethley . « Deve estar quase em a hora de me ir embora » , pensou , sentindo se profundamente infeliz , « por favor , faz com que esteja em a hora ... » E então ouviu algo , algo totalmente diferente de o crepitar de as velas e de os ditos de Lockhart sobre as suas fãs . Era uma voz , uma voz de arrepiar os ossos , de cortar a respiração , de veneno frio . - * _ Vem ... vem ter comigo ... deixa me rasgar te ... cortar te ... matar te * ... Harry deu um salto e uma enorme mancha lilás surgiu em a rua de Verónica_Smethley . - O quê ? - disse ele em voz alta . - Eu sei - exclamou Lockhart . - Seis meses inteirinhos em o topo de a lista de * bestsellers * , bati todos os recordes ! - Não - disse Harry nervosíssimo - aquela voz ! - Como ? - perguntou Lockhart , com um ar confuso . - Que voz ? - Aquela , aquela voz que disse ... não ouviu ? Lockhart olhava para Harry com o maior espanto . - De que é_que estás a falar , Harry ? Estás a ficar com sono ? Meu Deus , olha , só estamos aqui há quase quatro horas , quem diria ? O tempo passou a correr , não é verdade ? Harry não respondeu , estava a fazer um esforço para ouvir de_novo a voz , mas o único som que ouviu foi Lockhart a dizer lhe que não esperasse um tratamento igual de as próximas vezes que fosse castigado . Harry saiu , sentindo se atordoado . Era tão tarde que a sala comum de os Gryffindor estava quase vazia . Harry foi directamente para o dormitório . Ron ainda não tinha voltado . Vestiu o pijama , meteu se em a cama e esperou . Meia_hora mais tarde , chegou o Ron agarrado a o braço direito e inundando o quarto escuro de um forte cheiro a limpa-pratas . - Doem me todos os músculos - resmungou , metendo se em a cama . - Ele fez me polir catorze vezes aquela taça de Quidditch até estar satisfeito . E depois tive outro vómito em_cima_de um troféu de Reconhecimento por serviços prestados a a escola . Demorei séculos a limpar o muco de as lesmas . Como correram as coisas com o Lockhart ? Em voz baixa para não acordar o Neville , o Dean e o Seamus , Harry contou lhe , palavra por palavra , o que tinha ouvido . - E Lockhart disse que não ouviu nada ? - perguntou o Ron . Harry viu o franzir a testa , a a luz de o luar . - Achas que estava a mentir ? Mas , não percebo , mesmo um ser invisível teria aberto a porta . - Eu sei - disse Harry , encostando se a a cama e olhando para o dossel . - Também não compreendo . VIII_A festa de o dia de os mortos Outubro chegou , espalhando um frio húmido por os campos e por os cantos de o castelo . Madam_Pomfrey , a enfermeira-chefe , esteve bastante ocupada com uma onda de constipações que afectou professores e alunos . A sua poção de pimentão entrou imediatamente em acção apesar_de deixar quem a tomava com fumo em os ouvidos durante várias horas . Ginny_Weasley , que andava com ar adoentado , foi convencida a tomá a por o Percy . O fumo que saía por debaixo de o seu cabelo ruivo dava a impressão de que toda_a cabeça estava em fogo . Gotas de chuva de o tamanho de balas agrediram as janelas de o castelo durante dias a fio . O lago rosado e os canteiros de flores tornaram se regatos lamacentos e as abóboras de o Hagrid incharam ficando de o tamanho de alpendres de jardim . Contudo , o entusiasmo de Oliver_Wood por as sessões de treino regular não foi abalado , motivo por o qual Harry iria regressar a a torre de os Gryffindor , em um sábado a a tarde de temporal , alguns dias antes de o * _ Hallowe'en * , ensopado até a os ossos e todo enlameado . Além de a chuva e de o vento , não fora um treino feliz . Fred e George que tinham andado a espiar a equipa de os Slytherin tinham visto com os seus próprios olhos a velocidade alucinante de aquelas novas Nimbus dois_mil_e_um e comentaram que a equipa em o ar parecia composta por sete manchas esverdeadas que disparavam a_toda_a velocidade como aviões a jacto . Enquanto Harry chapinhava a o longo de o corredor deserto , cruzou se com alguém que parecia tão preocupado como ele : Nick quase sem cabeça , o fantasma de a torre de os Gryffindor que olhava taciturno , por a janela , murmurando baixinho : - Não preenche os requisitos , um centímetro e meio se ... - Olá , Nick - cumprimentou Harry . - Olá , olá - disse o Nick quase sem cabeça , começando a olhar em volta . Usava um arrebatado chapéu de plumas sobre a longa cabeleira encaracolada e uma túnica com gola de tufos que disfarçava o facto de ter o pescoço quase totalmente separado de o corpo . Era pálido como o fumo e Harry podia ver através de ele o céu negro e a chuva torrencial , lá fora . - Pareces preocupado , jovem Potter - disse Nick , dobrando uma carta transparente , enquanto falava e escondendo a dentro de a jaqueta . - Tu também - retorquiu Harry . - Ah ! - o Nick quase sem cabeça acenou com a mão de forma elegante . - Uma questão sem importância . Não é_que eu quisesse realmente participar apesar_de me ter inscrito , mas , a o que parece , não preencho os requisitos . - Apesar de o seu tom jovial havia em o seu rosto uma grande amargura . - Mas era de esperar , ou não era - exclamou subitamente , tirando a carta de o bolso - que ter levado quarenta_e_cinco golpes em a cabeça com um machado ferrugento me qualificaria para entrar em o grupo de os Sem - _ Cabeça ? - Sim , sim - respondeu Harry que obviamente o outro esperava que concordasse . - Isto_é , ninguém mais do_que eu desejaria que tudo tivesse sido rápido e perfeito , poupava me muitas dores e ridículo . Mas ... O Nick quase sem cabeça abriu , furioso , a carta e leu : * _ Só podemos aceitar em o grupo homens cuja cabeça tenha sido separada de o corpo . Compreenderá que de outro modo seria impossível a os nossos membros participarem em actividades como equitação de malabarismos com a cabeça e pólo de cabeça . Lamentamos profundamente informá o de que não preenche os requisitos . * _ Os nossos melhores cumprimentos , Sir_Patrick_Delaney - _ Podmore * Furioso , o Nick quase sem cabeça atirou fora a carta . - Um centímetro de pele e tendões a segurarem me a cabeça , Harry ! A maior parte de as pessoas acharia que era mais do_que o suficiente , mas não serve para o senhor correctamente decapitado Podmore . Nick quase sem cabeça respirou fundo várias vezes e , por fim , em um tom bastante mais calmo perguntou : - Então o que é_que te preocupa ? Alguma coisa que eu possa fazer por ti ? - Não - respondeu Harry . - A_não_ser_que saibas onde posso arranjar sete Nimbus dois_mil_e_um , de_graça , para o nosso campeonato contra os Sly ... - o resto de a frase foi afogada por um miado agudo vindo de perto de os seus tornozelos . Olhou para baixo e deu consigo a fitar um par de olhos que pareciam duas lâmpadas amarelas . Era_Mrs._Norris , a gata cinzenta e esquelética usada por o encarregado Argus_Filch como uma espécie de polícia em a sua infindável batalha contra os estudantes . - É melhor saíres de aqui , Harry - preveniu Nick com toda_a calma . - O Filch não está nada bem-disposto . Anda engripado e alguns alunos de o terceiro ano , por acidente , encheram o tecto de o calabouço cinco de miolos de rã . Ele tem andado toda_a manhã a limpar e se te vê a encher tudo de lama ... - Certo - disse Harry , recuando e afastando se de o olhar acusador de Mrs._Norris , mas ... tarde de mais . Conduzido até ali por o misterioso poder que parecia ligá o a a gata , Argus_Filch entrou subitamente por uma tapeçaria que se encontrava a a direita de Harry , com a sua respiração asmática , olhando vivamente em volta em busca de o infractor . Tinha um lenço grosso , de xadrez , a a volta de a cabeça e o nariz invulgarmente arroxeado . - Imundície - gritou com os maxilares a tremer e os olhos a saltarem lhe de as órbitas , enquanto apontava para a poça de lama que pingara de a túnica de Quidditch_de_Harry . - Desarrumação e imundície em todo o lado . Estou farto disto , segue me , Potter . Harry despediu se de o Nick quase sem cabeça com um tímido aceno e seguiu Filch até lá abaixo , duplicando o número de pegadas lamacentas em o chão . Nunca entrara em o gabinete de o Filch . Era um lugar que a maior parte de os estudantes evitava . A divisão era sombria e sem janelas , iluminada por uma única lamparina de óleo que pendia de o tecto . Sentia se um vago cheiro a peixe frito . As paredes estavam forradas por ficheiros de madeira . Por as etiquetas Harry percebeu que continham os dados de todos os alunos que Filch tinha punido . Fred e George_Weasley tinham uma gaveta só para eles . Atrás de a secretária estava pendurada uma colecção bem polida de correntes e algemas . Todos sabiam que ele estava sempre a pedir a Dumbledore que o deixasse pendurar os alunos em o tecto por os tornozelos . Filch pegou em uma pena que estava sobre a secretária e começou a procurar o pergaminho . - Bosta - murmurou , furioso . - Bosta de dragão , miolos de rã , intestinos de ratazana ... eu tinha aqui bastante , onde está o form ... sim ... Tirou um enorme rolo de pergaminho de a gaveta de a secretária e estendeu o em a frente , molhando a longa pena em o tinteiro . - Nome : Harry_Potter . Crime ... - Foi só um bocadinho de lama - disse Harry . - É só um bocadinho de lama para ti , rapaz , mas para mim é mais de uma hora a esfregar - gritou Filch com um pingo a tremer de modo desagradável em a extremidade de o nariz bolboso . - Crime : manchar o castelo . Sentença proposta ... Esfregando o nariz que continuava a pingar , Filch olhou com má cara para Harry que esperava com a respiração entrecortada para ouvir a sentença . Mas quando Filch pegou em a pena ouviu se um estrondo enorme em o tecto que fez a lamparina apagar se . - PEEVES - resmungou Filch , pousando a pena , cheio de raiva . - Desta_vez apanho te . Apanho te ! E sem olhar para trás , saiu a correr a_toda_a velocidade de o gabinete , seguido de a gata , Mrs._Norris . Peeves era o * poltergeist * de a escola , uma ameaça de risota esvoaçante que vivia para fazer estragos e criar aflição . Harry não gostava lá muito de ele , mas desta_vez , não podia deixar de lhe estar grato . Na_melhor_das_hipóteses o que Peeves tivesse feito ( e parecia que agora ele destruíra qualquer coisa em grande ) distrairia Filch_de_Harry . Pensando que o melhor seria esperar que ele voltasse , Harry deixou se cair em uma cadeira carcomida por o tempo que se encontrava junto de a secretária . Havia uma coisa sobre o tampo : um grande envelope roxo e lustroso com letras prateadas em a frente . Lançando um olhar rápido a a porta para confirmar que Filch não estava de volta , Harry pegou lhe e leu : __ feitiço __ rápido Um curso por correspondência De iniciação a a magia Cheio de curiosidade , abriu o envelope e retirou o rolo de pergaminho . Uma letra curvilínea e prateada dizia : Sente se pouco a a vontade em o mundo de a magia moderna ? Dá consigo a arranjar desculpas para não fazer feitiços simples ? Tem sido censurado por o deplorável trabalho com a varinha ? Eis a resposta ! Feitiço rápido e um curso totalmente novo , infalível , de resultados rápidos e rápida aprendizagem . Centenas de bruxas e feiticeiros têm beneficiado de o método feitiço rápido ! Madam_Z._Nettles_de_Topsham escreve nos : Eu não conseguia fixar os encantamentos e as minhas poções eram alvo de risota em a família . Agora , depois de o curso feitiço rápido , tornei me o centro de as atenções em todas_as festas e os meus amigos não param de pedir me a receita de a minha brilhante solução ! O mágico D.J._Prod , de Disbury , afirma : A minha mulher costumava rir se de os meus fracos encantamentos , mas bastou um mês com o vosso fabuloso curso feitiço rápido e consegui transformá a em um iaque . Obrigado , feitiço rápido ! Fascinado , Harry folheou o resto de o conteúdo de o envelope . Para que diabo quereria o Filch um curso de feitiço rápido ? Não seria ele um feiticeiro a sério ? Harry estava a ler a lição número um : Pegando em a varinha ( algumas dicas úteis ) quando umas passadas arrastadas , lá fora , o preveniram de que Filch estava de volta . Metendo rapidamente o pergaminho dentro de o envelope , lançou o para_cima de a secretária em o preciso momento em que a porta se abriu . Filch ostentava um ar triunfante . - Aquele armário que desapareceu era extremamente valioso - vinha ele a dizer a a gata , Mrs._Norris . - Desta_vez vamos correr com o Peeves , minha linda . Os seus olhos recaíram sobre Harry e logo_a_seguir sobre o envelope de o feitiço rápido que , Harry apercebeu se tarde de mais , estava meio metro distanciado de o seu lagar inicial . O rosto pálido de Filch tornou se vermelho escarlate . Harry preparou se para uma nova onda de fúria . Filch coxeou até a a secretária , arrebatou o envelope e meteu o em uma gaveta . -- Chegaste a ... lê o ? - perguntou atabalhoadamente . - Não - mentiu Harry , sem perder tempo . As mãos nodosas de o Filch contorciam se ao_mesmo_tempo . - Se eu soubesse que ias ler a minha correspondência priv ... não que seja minha ... é para um amigo ... mesmo_assim ... Harry olhava para ele espantado . Nunca vira o Filch tão louco . Os olhos pareciam querer saltar lhe de as órbitas , com um tique em as bochechas e aquele lenço axadrezado que não ajudava nada ... - Muito bem , vai e não abras a boca sobre isto ... não que ... mesmo_assim ... se tu não leste ... vai te embora , tenho de escrever o relatório sobre o Peeves , vai . Atordoado com a sua sorte , Harry saiu de ali e largou a correr por o corredor fora e por as escadas acima . Sair de o gabinete de o Filch sem um castigo devia ser um recorde em a escola . - Harry , Harry , deu resultado ? O Nick quase sem cabeça saiu a brilhar de uma sala de aula . Atrás de ele , Harry pôde ver os destroços de um grande armário preto e dourado que parecia ter sido atirado de uma grande altura . - Convenci o Peeves a parti o mesmo em cima de o gabinete de o Filch - disse Nick entusiasmado . - Pensei que talvez o distraísse . - Foste tu ? - exclamou Harry , agradecido . - Funcionou sim . Ele não me deu nenhum castigo . Obrigado , Nick . Atravessaram o corredor juntos . O Nick quase sem cabeça , reparou Harry , ainda tinha em a mão a carta de Sir_Patrick . - Gostaria de poder fazer qualquer coisa sobre o grupo de os Sem - _ Cabeça - disse Harry . O Nick quase sem cabeça parou de repente e Harry passou através de ele . Antes não tivesse passado , foi como atravessar um duche gelado . - Mas há uma coisa que tu podes fazer por mim - disse Nick muito agitado . - Harry , seria pedir te de mais ... mas não , tu não ias querer ... - O quê ? - Bem , este ano em o * _ Hallowe'en * vai ser o meu meio milénio de dia de os mortos - disse o Nick quase sem cabeça endireitando se e adquirindo uma postura de grande dignidade . - Oh - respondeu Harry sem saber se deveria lamentar ou dar lhe os parabéns . - Certo . - Vou dar uma festa em um de os calabouços mais amplos . Vêm amigos meus de todo o país . Seria uma honra muito grande se tu aparecesses . Mr._Weasley e Miss_Granger seriam também muito bem-vindos , claro . Mas tu deves preferir o banquete de a escola , não é verdade ? - Olhou para Harry , aflito . - Não - assegurou ele rapidamente . - Eu vou . - Oh rapaz , Harry_Potter em a minha festa de os mortos - hesitou no_meio_de toda aquela excitação . - Achas que poderias referir a Sir_Patrick como me achas assustador e como te impressiono ? - É claro que sim - assegurou Harry . O Nick quase sem cabeça iluminou se em um sorriso . - Uma festa de os mortos ? - exclamou Hermione , entusiasmada , quando Harry , depois de mudar de roupa , se juntou a ela e a o Ron em a sala comum . - Aposto que não há muitas pessoas que possam gabar se de ter estado em uma festa de essas . Vai ser fantástico ! - Por_que é_que alguém se lembraria de festejar o dia em que morreu ? - perguntou o Ron que estava a meio de o seu trabalho de casa de poções e bastante maldisposto . - Parece me bastante mórbido . A chuva continuava a lamber as janelas que apresentavam agora um negro que parecia tinta , mas , lá dentro , era tudo claro e alegre . O fogo em a lareira brilhava sobre as inúmeras cadeiras de braços onde as pessoas estavam sentadas a ler , a conversar , a fazer os trabalhos de casa ou , no_caso_de Fred e George_Weasley , a tentar descobrir o que aconteceria se alimentassem uma salamandra com fogo-de-artíficio de o Filibuster . O Fred tinha « resgatado . o lagarto cor de laranja brilhante , morador de o fogo , de uma aula de tratamento de seres mágicos e ele estava agora a arder em fogo lento sobre uma mesa , rodeado de um grupo de curiosos . Harry ia começar a contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre o Filch e o curso de feitiço rápido quando a salamandra disparou por os ares , lançando faíscas e estoiros . A visão de Percy a gritar com Fred e George até ficar ronco , a fantástica exibição de estrelas cor de tangerina que choviam de a boca de a salamandra e a sua fuga para o lume acompanhada de explosões , fizeram com que Harry se esquecesse , em aquele momento , de Filch e de o curso de feitiço rápido . Quando chegou o * _ Hallowe'en * , Harry já lamentava a sua promessa imprudente de ir a a festa de os mortos . Toda_a escola antecipava , feliz , a sua festa de * _ Hallowe'en * . O salão nobre fora enfeitado com os habituais morcegos , as enormes abóboras de Hagrid tinham sido esculpidas em forma de lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro_de cada uma , e havia boatos de que Dumbledore contratara um grupo de esqueletos bailarinos para animar a festa . - Uma promessa é uma promessa - lembrou Hermione_a_Harry com o seu autoritarismo habitual . - Tu disseste que ias a a festa de os mortos . Portanto , a as sete_da_tarde , Harry , Ron e Hermione saíram , passando por a porta de o salão nobre que brilhava de modo convidativo com pratos dourados e velas e dirigiram os seus passos para os calabouços . O corredor que conduzia a a festa de o Nick quase sem cabeça tinha sido também ladeado de velas , embora o efeito estivesse longe_de ser alegre : estas eram velas muito esguias e estreitas , negras de breu , ardendo em um azul brilhante e lançando uma luz indistinta e espectral também sobre as caras de as pessoas vivas . A temperatura diminuía a cada degrau que desciam . Harry tremia e cingia a túnica a o corpo quando ouviu qualquer coisa que parecia uma centena de unhas a rasparem um enorme quadro preto . - Será que isto_é a música ? - murmurou Ron . Viraram uma esquina e viram o Nick quase sem cabeça junto de uma porta , todo vestido de veludo negro . - Meus queridos amigos - disse com ar de luto . - Bem-vindos , bem-vindos , ainda_bem que puderam vir . Em um gesto largo tirou o chapéu de plumas e fez lhes sinal para que entrassem . Era uma visão incrível . O calabouço estava cheio com centenas de pessoas de um branco pálido e translúcido , a maior parte de as quais era arrastada em uma pista de dança cheia , valsando a o som de trinta serrotes musicais . Os serrotes que compunham a orquestra encontravam se sobre um estrado enfeitado com panos negros . Um lustre lá em cima resplandecia de um azul nocturno com mais um_milhar de velas negras . A respiração de os três subiu em o ar como uma neblina . Parecia que tinham entrado em um congelador . - Vamos dar uma volta - sugeriu Harry em uma tentativa de aquecer os pés . - Cuidado , não atravessem nenhum de eles - avisou o Ron nervosamente e colocaram se em volta de a pista de dança . Passaram por um grupo escuro de freiras , por um homem esfarrapado e cheio de correntes e por o frade gordo , o divertido fantasma de os Hufflepuff que estava a conversar com um cavaleiro com uma seta enfiada em a testa . Harry não ficou nada surpreendido a o ver que o Barão sangrento , o fantasma lúgubre e berrante de os Slytherin , coberto de nódoas de sangue ; estava a ser totalmente evitado por os outros fantasmas . - Oh ! Não -- exclamou Hermione , parando bruscamente . - Voltem se , voltem se , não quero ter de cumprimentar a Murta_Queixosa . - Quem ? - perguntou Harry enquanto davam rapidamente meia volta . - Ela assombra a casa_de_banho de as raparigas de o primeiro andar - explicou Hermione . - Assombra uma casa_de_banho ? - Sim . Está inoperativa durante todo o ano porque ela tem constantes acessos de choro e inunda tudo . Eu só lá fui quando não pode mesmo evitar . É horrível tentar ir a a sanita com ela a gritar connosco . - Olhem , comida - disse o Ron . De o outro lado de o calabouço estava uma mesa igualmente coberta de velado negro . Iam para se aproximar entusiasmados , mas pararam com uma expressão de horror . O cheiro era nauseabundo . Enormes peixes podres enchiam as bonitas travessas de prata , os bolos estorricados como carvões amontoavam se em as salvas , havia uma grande quantidade de miúdos de macaco , uma tábua de queijos cobertos de bolor e , em o lugar de honra , um enorme bolo cinzento em forma de lápide com letras que pareciam alcatrão formando as palavras , * _ Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington_Morto em 31_de_Outubro , 1492 * . Harry olhou espantado quando um fantasma de porte majestoso se aproximou de a mesa inclinando se e passando através de ela com a boca aberta enquanto atravessava um salmão malcheiroso . - Consegue prová o passando através de ele ? - perguntou lhe Harry . - Quase - disse tristemente o fantasma antes de se afastar . - Devem ter deixado apodrecer tudo_isto para ter um sabor mais forte - comentou Hermione com ar de quem está bem informada , tapando o nariz e aproximando se para ver melhor os pútridos miúdos de macaco . - Podemos sair de aqui , estou a sentir me agoniado - disse o Ron . Mas mal tinham dado meia volta quando um homenzinho pequenino saiu inesperadamente de debaixo de a mesa e fez uma paragem em o ar em frente de eles . - Olá , Peeves - disse Harry cautelosamente . Ao_contrário de os outros fantasmas que os rodeavam , Peeves , o * poltergeist * era o oposto de pálido e transparente . Usava um chapéu festivo cor de laranja , um laço rotativo a o pescoço e tinha um sorriso grosseiro de malvadez , em o rosto . - Querem petiscar ? - perguntou delicadamente , oferecendo lhes uma taça de amendoins cobertos de fungos . - Não , obrigada - disse Hermione . - Ouvi te falar sobre a pobre Murta - disse Peeves com os olhos a bailar . - Que insensível que tu foste para com a pobre Murta - respirou fundo e gritou : - Oh Murta . - Oh ! Não , Peeves , não lhe contes o que eu disse , ela vai ficar muito aborrecida - murmurou Hermione bastante nervosa . - Eu não queria dizer que ... eu não me importo que ela , er , olá , Murta . O espectro atarracado de uma rapariga deslizara . Tinha o rosto mais carrancudo que Harry alguma vez vira , meio escondido por o cabelo liso e por os óculos grossos cor de pérola . - O que é ? - perguntou mal-humorada . - Como estás Murta ? - perguntou Hermione , em uma voz falsamente alegre . - É bom ver te fora de a casa_de_banho . Murta fungou . - Miss_Granger estava justamente a falar de ti - disse lhe Peeves baixinho a o ouvido . - A dizer , a dizer ... como estás bonita esta noite -- terminou Hermione , olhando irritada para Peeves . A Murta olhou para Hermione desconfiada . - Estão a divertir se a a minha custa - disse , com lágrimas de prata a encherem lhe rapidamente os olhos pequeninos . - Não , a sério , eu não estava a dizer vos como a Murta estava bonita esta noite ? - disse Hermione , dando uma palmada em as costas de o Harry e de o Ron . - Sim , sim . - Ela ... - Não me venham com mentiras - protestou a Murta , as lágrimas agora a descerem lhe por o rosto , enquanto Peeves ria baixinho por cima de o ombro de ela . - Julgam que eu não sei o que as pessoas me chamam em as minhas costas ? A Murta gorda , a Murta feia , a Murta queixosa , a Murta deprimida ! - Esqueceste te de « a Murta ponto negro » - sussurrou lhe Peeves a o ouvido . A Murta_Queixosa irrompeu em soluços de angústia e fugiu de o calabouço . Peeves disparou atrás de ela , lançando lhe uma chuva de amendoins cheios de bolor e gritando : Ponto negro ! Ponto negro ! - Oh , coitada ! - exclamou Hermione com tristeza . O Nick quase sem cabeça abria agora caminho entre a multidão para se aproximar de eles . - Estão a divertir se ? - Sim , sim - mentiram . - Uma afluência nada má - disse orgulhoso o Nick quase sem cabeça . - A viúva chorosa veio de Kent ... está quase em a hora de o meu discurso . É melhor ir avisar a orquestra . Mas a orquestra parou de tocar em esse preciso momento . Eles , e todos os outros em o calabouço , ficaram em silêncio total , olhando em volta cheios de excitação quando se ouviu uma trompa de a caça . - Lá vêm eles - disse o Nick quase sem cabeça , com alguma amargura em a voz . Por o calabouço irromperam uma_dúzia de , cavalos fantasmas , cada_um montado por um cavaleiro sem cabeça . A assistência aplaudiu vivamente . Harry começou também a bater palmas , mas parou rapidamente quando viu a cara de o Nick . Os cavalos galoparam até a o meio de a pista de dança e pararam , empinando se , dando pequenos passos para a frente e para trás , sobre as patas traseiras . Um fantasma grande em a frente , cuja cabeça barbuda estava debaixo de o braço , soprando a trompa , desmontou , levantou a cabeça bem em o ar para poder ver toda_a assistência ( todos se riam ) e dirigiu se a o Nick quase sem cabeça , comprimindo a cabeça contra o pescoço . - Bem-vindo , Patrick - disse o Nick , mantendo a sua postura rígida . - Gente viva ! - exclamou o Sir_Patrick , avistando Harry , Ron e Hermione e dando um salto de falso espanto , de_tal_modo_que a cabeça lhe caiu de_novo ( a multidão ria a bom rir ) . - Muito engraçado - disse o Nick quase sem cabeça com um ar soturno . - Não ligues a o Nick - gritou a cabeça de Sir_Patrick de o chão . - Ainda está aborrecido por não o deixarmos juntar se a o grupo . Mas olhem bem para ele ... - Eu acho - disse apressadamente Harry , a seguir a um olhar de o Nick - que o Nick é muito assustador e ... eu ... - Bah ! - gritou a cabeça de Sir_Patrick . - Aposto que ele te pediu que dissesses isso . - Gostaria de ter a vossa atenção . Chegou a altura de fazer o meu discurso - disse o Nick quase sem cabeça bem alto , dirigindo se a o pódio , subindo e parando , iluminado por uma luz azul . - Os meus sentimentos , senhores e senhoras , é com profundo pesar ... Mas já ninguém estava a ouvi o . Sir_Patrick e o resto de o grupo de os Sem - _ Cabeça tinham iniciado um jogo de hóquei de cabeça e a multidão voltara se para os observar . Nick quase sem cabeça tentou em vão recuperar a audiência , mas acabou por desistir quando a cabeça de Sir_Patrick passou por ele a_toda_a velocidade gritando vivas . Harry estava cheio de frio para não falar de a fome . - Não aguento mais isto - murmurou Ron a bater o dente enquanto a orquestra voltava a entrar em acção e os fantasmas enchiam de_novo a pista de dança . - Vamos embora - concordou Harry . Recuaram até a a porta , acenando e sorrindo a todos os que olhavam para eles e um minuto depois passavam apressadamente por a entrada cheia de velas negras . - Talvez o pudim ainda não tenha acabado - disse o Ron cheio de esperança , abrindo caminho em direcção a os degraus de o vestíbulo de a entrada . E foi então que Harry ouviu aquilo . - ... * _ Arrancar ... rasgar ... matar * ... Era a mesma voz , a mesma voz fria e assassina que ouvira em o escritório de Lockhart . Parou , agarrando se a a parede de pedra em a expectativa de ouvir melhor , olhando em volta , espreitando para_cima e para baixo de a passagem mal iluminada . - Harry que estás tu a ... ? - E aquela voz outra_vez , calem se um bocadinho . -- ... * _ Tanta fome ... há tanto tempo * ... - Ouçam insistiu Harry e Ron e Hermione ficaram estáticos a olhar para ele . - * _ Matar ... hora de matar * ... A voz ia ficando mais débil . Harry tinha a certeza de que ela estava a afastar se , a subir . Um misto de medo e excitação tomou posse de ele enquanto olhava para o tecto escuro . Como poderia ele subir ? Seria um fantasma para quem os tectos de pedra não contavam ? - Por aqui - gritou , começando a correr por as éscadas acima até a a entrada de o * hall * . Não havia hipótese de ouvir fosse o que fosse ali , o barulho de vozes que vinha de o banquete de o * _ Hallowe'en * ecoava cá fora . Harry subiu a correr a escadaria de mármore até a o primeiro andar com Ron e Hermione ruidosamente atrás . - Harry o que é_que nós ... ? - Sch ... Harry apurou o ouvido . Ao_longe , em o andar de cima , e ainda a enfraquecer , mesmo_assim ouviu a voz : - ... * Cheira-me a sangue ... cheira me a sangue ! * O estômago deu lhe uma volta . - Ele vai matar alguém - gritou e ignorando as caras perplexas de Ron e Hermione , correu , subindo mais um lanço de escadas , a três_e_três , tentando ouvir através de o ruído de os seus próprios passos . Harry correu a_toda_a velocidade pelo segundo andar com Ron e Hermione atrás e só parou quando viraram uma esquina para o último corredor abandonado . - Harry , o que foi aquilo tudo ? - perguntou o Ron , limpando o suor de o rosto . - Eu não ouvi nada ... Mas Hermione , em um sobressalto , apontou para o fundo de o corredor . - Olhem ! Alguma coisa brilhava em a parede em frente . Aproximaram se devagarinho , tentando ver em a escuridão . Alguém escrevera em letras garrafais em a parede entre duas janelas . As palavras brilhavam a a chama fraca de as tochas . : __ a câmara de os segredos foi aberta . inimigos de o herdeiro , __ cuidado . - O que é aquilo pendurado por baixo de as letras ? - perguntou Ron com um tremor em a voz . Quando se aproximaram , Harry quase escorregou . Havia uma grande poça de água em o chão . Ron e Hermione agarraram o e avançaram cautelosamente até a a mensagem , os olhos fixos em uma sombra escura , em baixo . Aperceberam se os três de imediato do_que se tratava e deram um salto para trás , salpicando tudo de água . Mrs._Norris , a gata de o encarregado , estava pendurada por a cauda em o suporte de a tocha . Tinha o corpo rígido como uma tábua e os olhos abertos . Durante alguns segundos ninguém se mexeu . Depois o Ron disse : - Vamos sair de aqui . - Não devíamos tentar ajudar ? - propôs Harry , sem graça . - Acredita - assegurou o Ron . - É melhor que não nos encontrem aqui . Mas era tarde de mais . Um ruído surdo e prolongado , como um trovejar distante , avisou os de que o festim tinha terminado . De ambos os lados de o corredor onde eles estavam , veio o som de centenas de pés a subirem a escadaria e as vozes alegres de gente bem alimentada . Em o momento seguinte os alunos chegavam junto de eles de ambos os lados . O burburinho morreu subitamente mal as pessoas avistaram a gata pendurada . Harry , Ron e Hermione estavam de pé , sozinhos , em o meio de o corredor quando se fez silêncio em a multidão de estudantes que se empurravam para observar aquele quadro macabro . Então alguém gritou , quebrando o silêncio . - Inimigos de o herdeiro , cuidado . Vocês serão os próximos , sangue de lama ! Era_Draco_Malfoy . Estava a a frente de a multidão com os olhos frios a brilhar , a sua cara habitualmente pálida agora afogueada , sorrindo a a vista de a gata pendurada e imóvel . IX_As palavras em a parede -- O que é_que se passa aqui ? O que é_que se passa ? Sem dúvida , atraído por o grito de Malfoy , Argus_Filch apareceu a coxear em o meio de a multidão . Quando viu Mrs._Norris , caiu para trás agarrando o rosto com verdadeiro horror . - A minha gata ! A minha gata ! O que aconteceu a Mrs._Norris ? - gritou . E os seus olhos rápidos caíram sobre Harry . - Tu - guinchou ele . - Mataste a minha gata ! Mataste a , vou dar cabo de ti , eu ... - Argus . Dumbledore tinha chegado a o lugar , seguido de alguns professores . Em poucos segundos tinha passado a a frente de Harry , Ron e Hermione e desatado Mrs._Norris de o suporte de a tocha . - Vem comigo , Argus - disse ele a o Filch . - Vocês também , Mr._Potter , Mr._Weasley e Miss_Granger . Lockhart deu rapidamente um passo em frente . - O meu escritório é o que está mais perto , senhor director , é já aqui em cima , por favor fiquem a a vontade . - Obrigado , Gilderoy - disse Dumbledore . A multidão silenciosa dividiu se para os deixar passar . Lockhart sentindo se excitado e importante , seguia Dumbledore assim_como a professora Mc_Gonagall e o professor Snape . Quando entraram em o escritório escuro de Lockhart houve uma grande agitação em as paredes . Harry viu várias imagens de Lockhart a esconderem se cheias de rolos em o cabelo . O Lockhart em pessoa acendeu as velas e chegou se mais para trás . Dumbledore pôs Mrs._Norris em a superfície polida de a secretária e começou a examiná a . Harry , Ron e Hermione trocaram olhares tensos entre si e deixaram se cair em as cadeiras que se encontravam longe de a luz , a observar . A ponta de o nariz longo e adunco de Dumbledore estava a menos_de dois centímetros de o pêlo de Mrs._Norris . Ele olhava a de perto através de os óculos de meia-lua , os dedos longos a palpar e tactear suavemente . A professora Mc_Gonagall estava quase tão perto como ele , com os olhos contraídos . Snape surgia mais atrás , meio em a sombra , com uma expressão estranha em o rosto , como_se tentasse a_toda_a força sorrir . E Lockhart andava de um lado para o outro a dar sugestões . - Foi sem dúvida uma maldição que a matou , provavelmente a tortura de a metamorfose . Vi a muitas_vezes ser usada , mas infelizmente eu não estava lá quando isto aconteceu . Conheço o antídoto para essa maldição , o que a teria salvo . Os comentários de Lockhart foram interrompidos por os soluços secos e violentos de Filch . Estava afundado em uma cadeira junto de a secretária , incapaz de olhar para Mrs._Norris , com o rosto em as mãos . Por mais que detestasse Filch , Harry não pôde deixar de sentir pena de ele embora não tanta quanto_a que sentia por si próprio . Se Dumbledore acreditasse em o Filch ele seria certamente expulso . O director estava agora a sussurrar umas palavras estranhas e batendo em Mrs._Norris com a varinha , mas não aconteceu nada , ela continuou com o mesmo aspecto , como_se tivesse sido empalhada . - ... Lembro me de uma coisa semelhante que aconteceu em Ouagadogou - disse LockLart . - Uma série de ataques . Conto essa história em a minha autobiografia . Eu dei a a gente de a cidade vários amuletos que resolveram logo a situação ... As fotografias de Lockhart em as paredes iam acenando afirmativamente com a cabeça enquanto ele falava . Uma de elas esquecera se de tirar os rolos de o cabelo . Por fim , Dumbledore endireitou se . - Ela não está morta , Argus - disse suavemente . Lockhart interrompeu bruscamente a contagem de os crimes que conseguira evitar . - Não está morta ? - disse Filch em um sufoco , olhando através de os dedos para Mrs._Norris . - Mas , porque está ela rígida e gelada ? - Foi petrificada - disse Dumbledore ( Ah ! foi o que eu pensei ! - comentou Lockhart ) mas como , não posso afirmar . - Pergunte lhe - gritou Filch , voltando a cara cheia de furúnculos e lágrimas para Harry . - Nenhum aluno de o segundo ano poderia ter feito isto - explicou Dumbledore . - Era preciso um grande conhecimento de magia negra . - Foi ele , foi ele - disse encolerizado o encarregado com a cara a ficar roxa . - O senhor viu o que ele escreveu em a parede . Ele descobriu em o meu gabinete , ele sabe que eu sou um ... - O rosto de Filch estava horrível . - Ele sabe que eu sou um * _ busca-pé * - disse por fim . - Eu não toquei em a Mrs._Norris - gritou Harry com todos os olhares a recaírem sobre ele , incluindo o de todos os Lockharts de a parede . - E eu nem sei o que é um * busca-pé * . - Mentira ! - gritou Filch . - Ele viu a minha carta de o feitiço rápido . - Se me permite que dê a minha opinião , senhor director - disse Snape , saindo de a sombra , e a sensação de mau presságio de Harry aumentou bastante . Certamente nada do_que Snape tinha para de dizer iria ajudá o . - O Potter e os amigos podiam estar simplesmente em o lugar errado em a altura errada - afirmou com um leve sorriso a torcer lhe a boca como_se tivesse as suas dúvidas . - Mas , temos aqui um conjunto de circunstâncias curiosas . Porque estavam eles afinal em o corredor ? Porque não estiveram presentes em a festa de o * _ Hallowe'en * ? Harry , Ron e Hermione começaram uma longa explicação sobre a festa de o dia de os mortos . - Estavam lá centenas de fantasmas , eles poderão confirmar que lá estivemos ... - Mas porque não foram a seguir a o banquete ? - perguntou Snape com os olhos pretos a brilharem a a luz de as velas . - Porquê ir até a aquele corredor ? Ron e Hermione olharam para Harry . - Porque , porque ... - balbuciou Harry , com o coração a querer saltar lhe de o peito , mas algo lhe disse que ia parecer muito rebuscado se lhes contasse que tinha sido levado até ali por uma voz sem corpo que só ele conseguia ouvir . - Porque estávamos cansados e queríamos ir para a cama - disse . - Sem jantar ? - inquiriu Snape com um sorriso triunfante a bailar lhe em o rosto lúgubre . - Não sabia que os fantasmas ofereciam em as suas festas comida para gente viva . - Não estávamos com fome - disse o Ron bem alto , enquanto o estômago se queixava de forma audível . O sorriso mesquinho de a Snape ampliou se . - Acho , senhor director , que Potter não está a dizer toda_a verdade - afirmou . - Talvez fosse boa ideia retirar lhe alguns privilégios , até ele estar disposto a contar nos a história toda . Pessoalmente , sugiro que seja retirado de a equipa de os Gryffindor até decidir ser honesto . - Francamente , Severus - exclamou a professora Mc_Gonagall com uma voz cortante . - Não vejo porquê impedir o rapaz de jogar Quidditch . Esta gata não levou pauladas em a cabeça dadas por nenhum cabo de vassoura . E não há provas de que o Potter tenha feito algo de mal . Dumbledore observava Harry com um olhar perscrutador . A voz tremeluzente de os seus olhos azuis fez Harry sentir que estava a ser passado a raios X. - Inocente até se provar que é culpado , Severus - disse com segurança . Snape estava furioso , assim_como Filch . - A minha gata foi petrificada ! - berrou , com os olhos a saltarem de as órbitas . - Quero ver um castigo ! - Vamos poder curá a , Argus - explicou pacientemente Dumbledore . - Madam_Sprout conseguiu arranjar algumas Mandrágoras . Logo_que tenham atingido o tamanho adulto , terei uma poção de Mandrágoras que reanimará Mrs._Norris . - Eu posso fazê a - interrompeu Lockhart . - Devo ter feito isso uma centena de vezes . Preparo uma golada de Mandrágora reconstituinte de olhos fechados ... - Perdão - disse Snape friamente -- , mas julgo que o professor de poções de esta escola ainda sou eu . Houve um silêncio bastante incómodo . - Vocês podem ir se embora - disse Dumbledore a o Harry , Ron e a Hermione . Eles saíram o mais depressa que puderam , sem ir a correr . Quando chegaram a o andar acima de o escritório de Lockhart , entraram em uma sala de aulas vazia e fecharam a porta devagarinho . Harry lançou um olhar de esguelha a as caras carrancudas de os amigos . - Acham que eu lhes devia ter falado de a voz que ouvi ? - Não - respondeu Ron , sem a mínima hesitação . - Ouvir vozes que mais ninguém ouve , não é bom sinal , nem em o mundo de os feiticeiros . Algo em a voz de Ron levou Harry a fazer a pergunta : - Tu acreditas em mim , não acreditas ? - Claro que sim - respondeu o Ron de imediato . - Mas tens de concordar que é esquisito ... - Eu sei que é esquisito - confirmou Harry . - É tudo esquisito . O que era aquilo escrito em a parede ? * _ A_Câmara foi aberta * , o que é_que significa ? - Sabes , faz me lembrar qualquer coisa - disse Ron lentamente . - Acho que alguém me contou uma história sobre uma câmara secreta em Hogwarts , talvez tenha sido o Bill ... - E que diabos é um * busca-pé * ? - perguntou Harry . Para sua surpresa , Ron abafou o riso . - Bem , em a verdade não tem graça nenhuma , mas como é o Filch ... - disse . - Um * busca-pé * é alguém que nasceu de uma família de feiticeiros , mas não tem poderes mágicos . É uma espécie de o oposto de os que vêm de famílias de Muggles , mas são feiticeiros . Os * busca-pé * são muito raros . Se o Filch está a tentar aprender magia em um curso rápido , acho que ele deve ser mesmo um busca-pé . Isso explicaria tudo , por_exemplo , porque detesta tanto os estudantes . - Ron sorriu satisfeito . - Tem inveja . Um relógio deu as horas , algures . - Meia-noite - disse Harry . - É melhor irmo nos deitar , antes que o Snape apareça e tente acusar nos de qualquer coisa . Durante alguns dias não se falou de outra coisa em a escola a não ser de o ataque a a gata , Mrs._Norris . Filch manteve o sucedido bem fresco em a memória de todos , andando de um lado para o outro em o lugar onde ela fora atacada , como_se esperasse por o responsável . Harry vira o esfregar a mensagem de a parede com a « solução removedora de toda_a porcaria mágica Mrs._Skower » , mas sem qualquer resultado . As palavras continuavam a brilhar tanto como antes sobre a pedra . Quando Filch não estava a patrulhar a cena de o crime , vagueava , de olhos avermelhados , por os corredores , perseguindo alunos insuspeitos e tentando aplicar lhes castigos por coisas como « respirar muito alto » ou « estar alegre » . Ginny_Weasley parecia muito perturbada com o destino de Mrs._Norris . Segundo Ron ela era uma amante de gatos . - Mas tu nem chegaste a conhecer bem Mrs._Norris - disse lhe Ron para a animar . - Com toda_a franqueza , estamos muito melhor sem ela . - O lábio de Ginny tremeu . - Não é costume acontecerem coisas de estas em Hogwarts - tranquilizou a . - Eles vão descobrir o safado que fez aquilo e põem o de aqui para fora em três tempos . - Só espero que tenha tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso . Estou a brincar , claro - acrescentou o Ron apressadamente a o ver a Ginny a empalidecer . O ataque afectara também Hermione . Era costume de ela passar muito_tempo a ler , mas agora parecia não fazer mais_nada . Nem respondia a o Harry e a o Ron quando lhe perguntavam o que estava a fazer e só acabaram por descobrir em a quarta-feira seguinte . Harry tivera de ficar até mais tarde em a sala de poções onde Snape o mandara raspar restos de larvas de as secretárias . Depois de um almoço comido a a pressa , ele foi lá acima encontrar se com Ron em a biblioteca e viu Justin_Finch - _ Fletchley , o rapaz de os Hufflepuff de herbologia que vinha em direcção a ele . Harry tinha acabado de abrir a boca para dizer um « Olá » quando Justin o viu , voltando se bruscamente e mudando de direcção . Harry foi encontrar o Ron em as traseiras de a biblioteca , a medir o trabalho de casa de história de a magia . O professor Binns pedira uma composição sobre a Assembleia_Medieval_de_Feiticeiros_Europeus com 90cm . De extensão . - Não posso crer que ainda me faltem 16cm - disse o Ron furioso , largando o pergaminho que se enrolou em forma de tubo - e que a Hermione fez um metro e trinta em aquela letra pequenina e apertadinha . - Onde está ela ? - perguntou Harry , agarrando em a fita métrica e desembrulhando o seu trabalho de casa . - Algures por aí - disse o Ron , apontando para as estantes . - _ a a procura de outro livro . Acho que ela está a tentar ler a biblioteca toda antes de o Natal . Harry contou a Ron que Justin_Finch - _ Fletchley tinha evitado falar lhe . - Não sei porque te preocupas com isso . Eu achei o um idiota - disse o Ron , escrevinhando e fazendo a letra o maior possível . - Todo aquele disparate sobre o Lockhart ser tão grande ... Hermione surgiu de o meio de as estantes . Parecia irritada e disposta , por fim , a falar com eles . - Todos os exemplares de * _ Hogwarts : Uma História * foram requisitados - disse , sentando se ao_lado_de Harry e Ron . - E há uma lista de espera de duas semanas . Quem me dera não ter deixado o meu exemplar em casa , mas não consegui que coubesse em a mala com todos os livros de o Lockhart . - Para que o queres ? - perguntou Harry . - Pelo mesmo motivo que toda_a_gente o quer - disse Hermione . - Para ler a lenda de a Câmara_dos_Segredos . - O que é isso ? - Precisamente . Não me lembro - disse Hermione , mordendo o lábio . - E não encontro a História em lugar nenhum . - Hermione , deixa me ler o teu trabalho - pediu Ron desesperado , olhando para o relógio . - Não , não deixo - respondeu Hermione com um ar severo . - Tiveste dez dias para o fazer . - Só preciso de mais quatro centímetros , vá lá ... A campainha tocou . Ron e Hermione encaminharam se para a História_da_Magia , discutindo . A História_da_Magia era a matéria mais chata de o programa . O professor Binns , que dava a cadeira , era o único professor fantasma e a coisa mais excitante que aconteceu em as suas aulas foi o dia em que entrou por o quadro preto . Já velho e enrugado , muita gente afirmava a seu respeito que ele não dera por_que tinha morrido . Pura e simplesmente levantara se um dia para ir dar aulas , deixando o corpo atrás , em um cadeirão em frente de a lareira de a sala de os professores . Desde esse dia a sua rotina mantivera se igual . Era hoje tão chato como fora sempre . Abriu as notas e começou a ler em um tom monocórdico como um velho aspirador até quase todos os alunos estarem em um estado de profunda dormência , acordando de vez em quando , para tomar nota de um nome ou de uma data , e voltando a adormecer . Estava a falar havia meia_hora quando aconteceu algo que nunca tinha acontecido . Hermione pôs o braço em o ar . O professor Binns olhou de relance , em o meio de a chatíssima aula sobre a Convenção_Internacional_de_Feiticeiros de 1289 , verdadeiramente espantado . - Miss ... er ... ? - Granger , professor . Poderia dizer nos alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Hermione em uma voz bem audível . O Dean_Thomas , que tinha estado sentado de boca aberta olhando para fora de a janela , saiu de o seu transe com um salto . A cabeça de Lavender_Brown saiu de os braços e o cotovelo de o Neville_Longbottom escorregou para fora de a secretária . O professor Binns piscou os olhos . - A minha matéria é História_da_Magia - disse em a sua voz seca e asmática . - Eu trato de factos , Miss_Granger , não de mitos e lendas - pigarreou produzindo um ruído que parecia o giz sobre o quadro e continuou : - Em Setembro de esse ano , uma subcomissão de feiticeiros de a Sardenha ... Parou de repente . A mão de Hermione estava de_novo em o ar . - Sim , Miss_Grant ? - Por favor , professor , as lendas não têm sempre um facto como base ? O professor Binns olhava para ela com tal espanto que Harry teve a certeza de que ele nunca , em tempo algum , fora interrompido por um aluno . - Bem - disse lentamente o professor Binns . - Sim , é uma afirmação que pode fazer se . - Olhou para Hermione como_se fosse a primeira vez que olhasse a sério para um estudante . - Contudo , a lenda de que me fala é tão extraordinária , mesmo grotesca ... Mas a aula inteira estava agora atenta a as palavras de o professor , que olhou indistintamente para todos eles . Harry poderia assegurar que ele estava absolutamente abismado por uma tão grande demonstração de interesse . - Muito bem - disse lentamente . - Ora vejamos ... a Câmara_dos_Segredos . Todos vocês sabem com certeza que Hogwarts foi fundada há mais de um_milhar de anos , não se conhece ao_certo a data , por os quatro maiores feiticeiros e feiticeiras de a época : Godric_Gryffindor , Helga_Hufflepuff , Rowena_Ravenclaw e Salazar_Slytherin . Construíram juntos este castelo , longe de os olhares curiosos de os Muggles porque em aquele tempo a magia era temida por as pessoas comuns e as bruxas e feiticeiros sofriam terríveis perseguições . Fez uma pausa , olhou indeciso em volta e prosseguiu : - Durante alguns anos , os fundadores trabalharam juntos em harmonia procurando outros mais novos que mostrassem sinais de possuir dotes mágicos e trazendo os para o castelo para aqui serem ensinados . Mas os desentendimentos surgiram entre eles . Começou a notar se uma divisão entre Slytherin e os outros . Salazar_Slytherin queria ser mais selectivo em relação a os alunos a serem admitidos em Hogwarts . Achava que os ensinamentos de magia deviam ficar dentro de as famílias de feiticeiros . Não lhe agradava a entrada em a escola de alunos de famílias Muggles porque os achava pouco dignos de confiança . Depois de algum tempo houve uma séria discussão sobre esse assunto entre Slytherin e Gryffindor e Slytherin abandonou a escola . O professor Binns fez uma nova pausa , fazendo beicinho o que o fazia parecer uma tartaruga enrugada . - Fontes fidedignas referem nos isto - disse . - Mas estes factos foram obscurecidos por a fantasiosa lenda de a Câmara_dos_Segredos . Conta a história que Slytherin construíra uma câmara oculta dentro de o castelo cuja existência os outros fundadores ignoravam . De_acordo com a lenda , Slytherin selou a Câmara_dos_Segredos para que ninguém pudesse abri a até o seu verdadeiro herdeiro chegar a a escola . O herdeiro , e apenas ele , poderia abrir a Câmara_dos_Segredos , libertar o horror que lá se encontrava e utilizá o para expurgar a escola de todos aqueles que eram indignos de aprender magia . Houve um silêncio quando ele se calou que não era o habitual silêncio de sono de as aulas de o professor Binns . Havia um desassossego em o ar enquanto todos continuavam a olhá o a a espera de mais . O professor Binns estava ligeiramente aborrecido . - A história toda é um disparate , claro - disse ele . - A escola foi revistada por várias vezes em busca de provas de a existência de essa câmara , por os feiticeiros e bruxas mais conhecedores . Não existe nada . Uma lenda que serviu apenas para assustar os ingénuos . A mão de Hermione estava novamente em o ar . - Professor , o que quer_dizer , ao_certo com « o horror que estava dentro de a câmara » ? - Acredita se que seja uma espécie de monstro que só o herdeiro de Slytherin pode controlar - disse o professor Binns em a sua voz seca e débil . A aula trocou entre si olhares inquietos . - Como vos digo , a coisa não existe - afirmou o professor Binns , desordenando as suas notas . - Não há câmara e não há monstro . - Mas , professor - disse Seamus_Finnigan . - Se a câmara só podia ser aberta por o herdeiro de Slytherin ninguém mais poderia encontrá a . Não é ? - Um disparate pegado - disse o professor Binns , em um tom de voz exasperado . - Se uma longa sucessão de directores e directoras de Hogwarts não a encontraram ... - Mas , professor - começou a dizer Parvati_Patil . Se_calhar é preciso usar magia negra para a abrir ... - Lá porque um feiticeiro não usa magia negra não quer_dizer que não possa , Miss_Pennyfeather - interrompeu o professor Binns . - Repito , se os antecessores de Dumbledore ... - Mas talvez seja preciso fazer parte de os Slytherin , por isso Dumbledore não podia ... - começou Dean_Thomas , mas o professor Binns já estava farto . - Já chega - disse , de modo cortante . - É um mito . Não existe . Não há uma única prova de que Slytherin tenha construído nem mesmo uma despensa para vassouras . Lamento ter vos contado esta história tola . Vamos voltar , se fazem o favor , a a História , a os factos sólidos , verificáveis , credíveis . E em menos_de cinco minutos toda_a classe mergulhara em a sua sonolência habitual . - Eu sempre ouvi dizer que Salazar_Slytherin era um velho retorcido e meio pateta - disse Ron_a_Harry e Hermione enquanto abriam caminho por os corredores cheios , em o final de a aula , para ir arrumar as malas antes de o jantar . - Mas não sabia que ele tinha começado esta coisa de o sangue puro . Eu não ia para os Slytherin nem que me pagassem . Se o chapéu seleccionador me tivesse posto lá , pegava em as malas e ia me embora ... Hermione acenou vivamente , mas Harry não abriu a boca . O estômago parecia ter dado uma volta . Harry nunca contara a o Ron e a a Hermione que o chapéu seleccionador tinha considerado seriamente a possibilidade de o colocar em os Slytherin . Lembrava se como_se tivesse sido em a véspera do_que a vozinha lhe dissera a o ouvido quando pôs o chapéu em a cabeça , um ano antes . * _ Podias vir a ser grande , sabes ? Está tudo aqui em a tua cabeça e Slytherin ajudaria te em o caminho para a grandeza , sem a menor dúvida * ... Mas Harry , que já ouvira falar de a fama de o grupo de os Slytherin de formar magos negros , pensou desesperadamente . - Em os Slytherin , não ! - E o chapéu tinha dito . - Bem , se tens assim tanta certeza ... será melhor os Gryfffndor . Enquanto eram empurrados por a multidão , Colin_Creevey passou por eles . - Olá , Harry ! - Olá , Colin - disse Harry automaticamente . - Harry , Harry , um rapaz de a minha turma tem andado a dizer que tu és ... Mas Colin era tão baixinho que não conseguiu lutar contra a maré de gente que o arrastou até a o vestíbulo . Ouviram o despedir se : - Adeus , Harry - e desaparecer . - O que é_que o rapaz de a turma de ele disse de ti ? - quis saber Hermione . - Que eu sou o herdeiro de Slytherin , imagino - disse Harry , com o estômago ainda a as voltas e lembrou se de repente de o Justin_Finch - _ Fletchley a fugir para não lhe falar , a a hora de o almoço . - As pessoas aqui acreditam em tudo - disse o Ron com repugnância . A multidão diminuiu e conseguiram subir as escadas sem dificuldade . - Achas mesmo_que existe uma Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Ron_a_Hermione . - Não sei - respondeu ela , franzindo a testa . - Dumbledore não conseguiu curar Mrs._Norris e isso leva me a pensar que o que a atacou pode não ser ... humano . Enquanto falava , voltaram uma esquina e encontraram se em o fim de aquele mesmo corredor onde o ataque tinha ocorrido . Pararam para olhar . Estava tudo igual a aquela outra noite , com excepção de a gata Mrs._Norris e havia uma cadeira vazia encostada a a parede , onde podia ler se a mensagem « : __ a câmara foi __ aberta » . - Foi aqui que o Filch montou a guarda - murmurou Ron . Olharam uns para os outros . O corredor estava deserto . - Não deve fazer mal dar uma olhadela aqui - disse Harry , deixando cair a mala e pondo se de quatro para poder gatinhar em busca de pistas . - Marcas de queimadura - disse - aqui e aqui ... - Venham ver isto ! - chamou Hermione . - Que estranho ... Harry levantou se e foi até a a janela que ficava junto de a mensagem . Hermione apontava para o vidro mais alto , onde cerca de uma vintena de aranhas se debatiam em uma aparente luta por atravessar por uma pequena brecha de vidro . Um longo fio prateado balouçava como uma corda , como_se todas tivessem trepado , em a ânsia de chegar lá fora . - Alguma vez viram aranhas agir assim ? - perguntou Hermione , curiosa . - Não - respondeu Harry . - E tu , Ron ? Ron ? Olhou por cima de o ombro . Ron estava de costas , bem lá atrás e parecia lutar contra o impulso de se virar . - O que é_que se passa ? - perguntou Harry . - Eu não gosto de aranhas - disse Ron , de modo tenso . - Nunca me tinhas dito - comentou Hermione , olhando para ele com surpresa . - Estás farto de usar aranhas em as poções ... - Não me importo quando estão mortas - explicou Ron que olhava cautelosamente para todos os lados , menos para a janela . - Não gosto de a maneira como_se mexem . Hermione riu se baixinho . - Não tem graça nenhuma - disse o Ron , furioso . - Se queres saber , quando eu tinha três anos , o Fred transformou o meu ursinho de pelúcia em uma enorme aranha nojenta , por eu lhe ter partido a vassoura de brinquedo . Tu também não gostarias de aranhas se estivesses agarrada a o teu ursinho e , de repente , ele tivesse uma data de pernas e ... Começou a tremer ... Hermione ainda estava a tentar conter o riso . Sentindo que era melhor mudarem de assunto , Harry perguntou : - Lembram se de a água que havia aqui em o chão ? De onde terá vindo ? Alguém a limpou . - Era por aqui - disse o Ron , já recuperado , avançando alguns passos em direcção a a cadeira de o Filch e apontando . - Junto de esta porta . Estendeu a mão para o puxador de a porta , mas retirou a de imediato , como_se se tivesse queimado . - O que foi ? - perguntou Harry . - Não posso entrar aí - disse o Ron bruscamente . - É a casa_de_banho de as raparigas . - Oh , Ron , não está aí ninguém - sossegou o Hermione enquanto se aproximava . - É o lugar de a Murta_Queixosa . Anda , vamos dar uma espreitadela . E ignorando o grande letreiro que dizia « Fora de serviço » Hermione abriu a porta . Era a casa_de_banho mais sombria e deprimente em que Harry tinha posto os pés durante toda_a sua vida . Debaixo_de um grande espelho partido e sujo podia ver se uma fila de lavatórios de pedra , rachados . O chão estava húmido e reflectia a luz fraca de os pavios de algumas velas que ardiam baixinho em os suportes . As portas de madeira de os cubículos estavam todas lascadas e riscadas e uma de elas balouçava fora de as dobradiças . Hermione levou os dedos a os lábios e foi até a o último cubículo . Quando lá chegou disse : - Olá , Murta , como estás ? Harry e Ron foram ver . A Murta_Queixosa flutuava em a cisterna de a casa_de_banho , tirando um ponto negro de o queixo . - Esta é a casa_de_banho de as raparigas - disse a o ver o Ron e o Harry . - Eles não são raparigas . - Não - concordou Hermione . - Eu só queria mostrar lhes como esta casa_de_banho é ... er ... simpática . Ela fez um aceno vago a o velho espelho sujo e a o chão húmido . - Pergunta lhe se viu alguma coisa - sussurrou o Ron a a Hermione . - Porque estão a dizer segredinhos ? - perguntou a Murta , fitando o . - Não é nada - disse Harry rapidamente . - Queríamos perguntar ... - Gostava que as pessoas parassem de falar em as minhas costas ! - desabafou a Murta em uma voz abafada por as lágrimas . - Eu tenho sentimentos , sabem , apesar_de estar morta . - Murta , ninguém quis aborrecer te - explicou Hermione . - O Harry só ... - A minha vida foi uma infelicidade em este lugar e agora as pessoas vêm estragar a minha morte . - Nós queríamos perguntar te se tinhas visto alguma coisa estranha ultimamente - disse Hermione sem perder tempo . - Porque foi atacada uma gata mesmo aqui a a frente de a tua porta em a noite de o * _ Hallowe'en * . - Viste alguém aqui perto em essa noite ? - insistiu Harry . - Não estava a prestar atenção - disse a Murta com ar dramático . - O Peeves aborreceu me tanto que vim aqui para tentar matar me . Só então me lembrei de que estou ... de que estou ... - Já morta - ajudou o Ron . A Murta soluçou tragicamente , elevou se em o ar , voltou se e mergulhou de cabeça em a sanita , espalhando água por_cima_de todos eles e desaparecendo . Por o som de os seus soluços abafados fora certamente descansar algures em o cano em forma de V._Harry e Ron ficaram de boca aberta , mas Hermione encolheu os ombros de cansaço e disse : - Se querem saber , para a Murta isto até foi alegre ... vá , vamos embora . Harry tinha acabado de fechar a porta deixando atrás os soluços gorgolejantes de a Murta quando uma voz forte o fez dar um salto . - RON ! Percy_Weasley estava parado em o cimo de as escadas com o seu distintivo de prefeito a brilhar e uma expressão chocadíssima em o rosto . - Isso é a casa_de_banho de as raparigas ... o que é_que vocês ... ? - Estávamos só a dar uma vista de olhos - exclamou o Ron - a a procura de pistas ... Percy engoliu em seco , de uma maneira que fez Harry lembrar se de Mrs._Weasley . - Saiam imediatamente de aqui - disse , aproximando se de eles a passos largos e gesticulando agitadamente . - Não se preocupam com as aparências ? Voltar aqui enquanto toda_a_gente está a jantar ... - Porque não havíamos de estar aqui ? - perguntou cheio de vivacidade o Ron , parando de repente e olhando Percy em os olhos . - Ouve lá , nós não tocamos em aquela gata . - Isso foi o que eu tentei explicar a a Ginny - respondeu Percy furioso - mas ela parece continuar a pensar que vocês vão ser expulsos . Nunca a vi tão aflita . Não pára de chorar . Devias pensar em ela . Todos os alunos de o primeiro ano andam superexcitados com esta história . - Tu não estás nada preocupado com a Ginny - disse o Ron já com as orelhas vermelhas . - O que te assusta é_que eu possa estragar as tuas possibilidades de ser chefe de turma . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor ! - bradou Percy , apontando elegantemente para o distintivo de prefeito . - E espero que te sirva de lição . Acabou se o trabalho de detective ou escrevo a a mãe a contar lhe . E voltou lhes as costas , a nuca tão vermelha como as orelhas de o Ron . Harry , Ron e Hermione , em essa noite , sentaram se em a sala comum o mais longe possível de Percy . Ron estava ainda muito maldisposto e não parava de esborratar o trabalho de casa de os encantamentos . Quando pegou distraidamente em a varinha para tirar as manchas incendiou o pergaminho . A deitar quase tanto fumo como o seu trabalho de casa , fechou bruscamente o * _ Livro_Padrão_de_Encantamentos de o 2.o Grau * . Para grande surpresa de Harry , Hermione fez o mesmo . - Mas quem poderia ser - perguntou ela baixinho como_se continuasse uma conversa que tinham acabado de ter . - Quem quereria todos os * busca-pés * e filhos de Muggles fora de Hogwarts ? - Vamos pensar - disse o Ron em a brincadeira , fingindo estar confuso . - Quem poderemos nós conhecer que ache que os familiares de Muggles são escumalha ? Olhou para Hermione . Ela olhou para ele pouco convencida . - Se estás a pensar em o Malfoy ... - Claro que estou - disse o Ron . - Tu ouviste o dizer : - Vocês serão os próximos , sangues de lama ! - Aliás , basta olhar para aquela cara de renegado para saber que ele é ... - Malfoy , o herdeiro de Slytherin ? - repetiu Hermione cepticamente . - Olha para a família de ele - disse Harry , fechando também os livros . - Todos eles estiveram em os Slytherin . O Draco está sempre a vangloriar se de isso . Podiam bem ser descendentes de Slytherin . O pai de ele é suficientemente mau . - Podiam perfeitamente ter tido a chave de a Câmara_dos_Segredos durante séculos - disse Ron - , fazendo a passar de pai para filho . - Bem - acedeu Hermione cautelosamente . - Seria possível ... - Mas como prová o ? - perguntou Harry tristemente . - Talvez haja um meio - sugeriu Hermione lentamente , baixando ainda mais a voz e lançando um olhar , através de a sala , a Percy . - É claro que não é fácil . E é perigoso , muito perigoso . Suponho que iríamos infringir cerca de cinquenta regras de a escola . - Se de aqui a um mês ou dois te decidires a explicar , avisa , está bem ? - disse Ron , que começava a ficar irritado . - Está bem - concordou Hermione friamente . - O que precisaríamos de fazer para entrar em a sala comum de os Slytherin e fazer algumas perguntas a o Malfoy , sem ele perceber que éramos nós ? - Mas isso é impossível - declarou Harry , enquanto Ron se ria . - Não , não é - continuou Hermione . - Só precisamos de um_pouco de poção * polisuco * . - O que é isso ? - perguntaram ao_mesmo_tempo Ron e Harry . - O Snape falou de ela em uma aula , há poucas semanas atrás . - Achas que não temos mais o que fazer do_que ouvir o Snape ? - murmurou o Ron . - Transforma nos em outra pessoa . Pensem em isso : podíamos transformar nos em três de os Slytherin . Ninguém saberia que éramos nós . É provável que o Malfoy nos contasse alguma coisa . Aposto que ele está a gabar se , em este momento , em a sala de os Slytherin , se ao_menos pudéssemos ouvi o . - Essa coisa de o * polisuco * cheira me um bocado mal - disse o Ron , franzindo as sobrancelhas . - E se ficarmos com a forma de os três Slytherin para sempre ? - Desaparece a o fim de algum tempo - disse Hermione , gesticulando impacientemente com a mão - mas conseguir a receita é muito difícil . O Snape disse que vinha em um livro chamado * _ As_Mais_Potentes_Poções * e está com certeza em a parte de os reservados de a biblioteca . Só havia uma maneira de obter o livro de os reservados : era com uma autorização assinada por um professor . - Não estou a ver porque quereríamos o livro - disse o Ron . - Se não para tentar fabricar uma de as poções . - Eu acho - sugeriu Hermione - que se fizéssemos parecer que o nosso interesse era apenas teórico , talvez conseguíssemos ... - Estás a sonhar , nenhum professor ia cair em essa - afirmou o Ron . - Só se fosse muito burro . X_A * bludger * perigosa Depois de o desastroso incidente de os duendes , o professor Lockhart não voltou a levar seres vivos para as aulas . Em vez de isso , lia a os alunos passagens de os seus livros e , por vezes , voltava a desempenhar alguns de os episódios mais dramáticos . Costumava chamar Harry para o ajudar em essas reconstruções . Até ali Harry fora obrigado a desempenhar o papel de um camponês de a Transilvânia que Lockhart curara de uma maldição murmurada , o abominável homem de as neves com dores de cabeça e um vampiro que depois de ter conhecido Lockhart tinha ficado incapaz de comer outra coisa que não fosse alfaces . Harry foi chamado para a frente de a classe durante a aula de Defesa contra as artes negras que se seguiu . Desta_vez para desempenhar o papel de um lobisomem . Se não tivesse um bom motivo para querer ver o Lockhart bem-disposto , teria se recusado . - Um uivo bem alto , excelente , Harry , isso mesmo . E foi então que , acreditem ou não , eu o ataquei de repente , assim . Atirei o a o chão , agarrei o com uma mão e com a outra consegui meter lhe a varinha em a garganta . Então , com a força que me restava pus em prática o complicadíssimo encantamento * _ Homorphus * . Harry soltou um uivo tristíssimo . - Vá lá , Harry , mais alto . Bom ... o pêlo desapareceu , os dentes diminuíram de tamanho e ele transformou se em um homem . Simples , mas eficaz e mais uma cidade ficará a lembrar se de mim para sempre como o herói que os libertou de os ataques mensais de o lobisomem . A campainha tocou e Lockhart pôs se de pé . - Trabalho para_casa : escrever um poema sobre a minha vitória sobre o lobisomem Wagga_Wagga . Há um exemplar autografado de * _ Eu , o Mágico * para o autor de o melhor poema . Os alunos começaram a sair . Harry voltou para trás e foi juntar se a o Ron e a a Hermione que estavam a a espera de ele . - Prontos ? - perguntou . - Espera até saírem todos - disse Hermione bastante nervosa . - Pronto ... Aproximou se de a secretária de Lockhart , apertando em a mão uma folha de papel , com o Ron e o Harry atrás . - Er ... professor Lockhart - gaguejou Hermione . - Eu queria requisitar este livro em a biblioteca , como leitura de apoio - entregou lhe o papel , com a mão ligeiramente trémula . - Só que faz parte de a secção de os reservados , por isso preciso de a assinatura de um professor . Acho que o livro me vai ajudar a compreender o que o senhor diz em * _ Passeios com Vampiros * acerca de os venenos de acção lenta ... - Ah , * _ Passeando com Vampiros * - disse Lockhart , pegando em a folha de papel de Hermione e sorrindo lhe abertamente . - E provavelmente o meu livro preferido . Gostou ? - Oh , muito - disse Hermione avidamente . - Tão inteligente o modo como apanhou o último com o passador de o chá . - Bem , tenho a certeza que ninguém se importará que eu dê uma ajudazinha suplementar a a melhor aluna de o segundo ano - disse Lockhart calorosamente , sacando de uma enorme pena de pavão . - É bonita , não é ? - comentou , adivinhando uma expressão de repulsa em a cara de o Ron . - Costumo guardas a para as minhas assinaturas de autógrafos . Rabiscou uma enorme assinatura cheia de altos e baixos e entregou a a Hermione . - Então , Harry - disse Lockhart enquanto Hermione dobrava a folha e a guardava em o saco . - Amanhã é a primeira partida de Quidditch de este ano , não é ? Gryffindor contra Slytherin . Ouvi dizer que és um jogador indispensável . Eu também fui * seeker * . Convidaram me inclusivamente para fazer parte de a Equipa_Nacional , mas eu preferi dedicar a minha vida a a erradicação de as forças de o mal . Mesmo_assim , se alguma vez precisares de um treino particular , não hesites em falar comigo , estou sempre disponível para partilhar a minha perícia com os jogadores menos dotados do_que eu . Harry fez um som indistinto com a garganta e saiu atrás_de Ron e Hermione . - Não acredito - disse quando os três examinavam a assinatura de Lockhart . - Ele nem viu que livro nós queríamos . - É porque é um idiota sem miolos - explicou o Ron . - Mas , quem se rala , temos o que queríamos . - Ele não é um idiota sem miolos - gritou Hermione com voz esganiçada enquanto se aproximavam quase a correr de a biblioteca . - Só porque ele disse que eras a melhor aluna de o segundo ano ... Baixaram as vozes a o entrar em a quietude abafada de a biblioteca . Madam_Prince , a bibliotecária , era uma mulher magra e irritável que parecia um abutre mal nutrido . - * _ Moste_Potente_Potions * ? - repetiu intrigada , tentando ficar com a folha de papel que Hermione se recusava a entregar lhe . - Gostava de a guardar para mim - disse sem fôlego . - Vá lá - intercedeu Ron , arrancando lhe a de as mãos e entregando a a Madam_Prince . - Nós arranjamos te outro autógrafo . O Lockhart assina tudo se aqui ficar muito_tempo . Madam_Prince pegou em o papel e voltou o em a direcção de a luz , decidida a descobrir uma falsificação , mas a assinatura passou em o teste . Desapareceu entre as estantes e voltou alguns minutos mais tarde , transportando um livro grande e de aspecto antiquado . Hermione meteu o com todo o cuidado em o saco e saíram , tentando não andar depressa de mais nem aparentar um ar culpado . Cinco minutos depois , estavam de_novo barricados em a casa_de_banho fora de serviço de a Murta_Queixosa . Hermione destruíra as objecções de Ron argumentando que aquele era o último lugar onde alguém em o seu juízo perfeito se lembraria de ir e que poderia assegurar lhes alguma privacidade . A Murta_Queixosa chorava ruidosamente em o seu cubículo , mas eles conseguiram ignorá a assim_como ela a eles . Hermione abriu * _ Moste_Potente_Potions * com todo o cuidado e inclinaram se os três sobre as páginas manchadas de humidade . Era fácil de perceber , logo à_primeira_vista de olhos , porque pertencia a a secção de os reservados . Algumas de as poções tinham efeitos quase impensáveis de tão macabros e havia ilustrações bastante desagradáveis , como , por_exemplo , aquela em que um homem parecia ter sido virado de o avesso e a de a bruxa com vários pares de braços suplementares a nascerem lhe em a cabeça . - Aqui está - disse Hermione excitadíssima a o encontrar a página intitulada « A poção * polisuco * « . Estava ilustrada com imagens de pessoas a meio de o processo de se transformarem em outras pessoas e Harry desejou ardentemente que a expressão de dor intensa que se lhes espelhava em o rosto fosse apenas produto de a imaginação de o artista desenhador . - Esta é a poção mais complicada que vi até hoje - disse Hermione enquanto examinava a receita . - Moscas asas de renda , sanguessugas , fluxo de cizânias e verdezelha - murmurou , acompanhando com o dedo a lista de ingredientes . - Bem , esses são relativamente simples , há os em a despensa de material de os estudantes , podemos tirar a a nossa vontade . Oh ! Vê só , pó de chifre de bicórneo ... não sei onde vamos arranjar isto ... e , é claro , um pedacinho de a pessoa em quem queremos transformar nos . - Como ? - perguntou Ron de forma cortante . - O que é_que queres dizer com um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos ? Eu não bebo nada que tenha lá dentro as unhas de os pés de o Crabbe ... Hermione continuou como_se não o tivesse ouvido . - Mas não temos que nos preocupar com isso por enquanto . Fica para o fim . Ron voltou se sem palavras para o Harry que tinha uma preocupação de outro tipo . - Já viste bem tudo_o_que vamos ter que roubar , Hermione ? Algumas coisas , não estão de certeza em a despensa de material de os alunos . O que é_que vamos fazer , arrombar os armários pessoais de o Snape ? Não sei se será uma boa ideia ... Hermione fechou o livro com um estrondo . - Bem , se vocês os dois se vão acagaçar , então está lindo - disse ela . Tinha as bochechas rosadas e os olhos mais brilhantes do_que era habitual . - Eu não gosto de quebrar regras , vocês sabem , mas acho que ameaçar os filhos de os Muggles é muito pior do_que construir uma poção difícil . Mas se vocês não querem descobrir se é o Malfoy , eu posso voltar já a a biblioteca e entregar o livro a Madam_Prince ... - Nunca pensei que chegaria o dia em que serias tu a convencer nos a quebrar regras - disse o Ron . - Está bem , vamos em essa , mas sem unhas de os pés , O. _ K. ? - Quanto tempo vai isso demorar a fazer , afinal ? - perguntou Harry quando Hermione , já com um ar mais satisfeito , voltou a abrir o livro . - Bem , como o fluxo de cizânias tem de ser recolhido durante a lua cheia e as asas de renda têm de ser abafadas durante vinte_e_um dias ... eu diria que se conseguirmos arranjar todos os ingredientes estará pronta dentro_de um mês . - Um mês ? - exclamou o Ron . - Nessa_altura já o Malfoy terá atacado metade de os filhos de Muggles ! - mas os olhos de Hermione contraíram se de_novo assustadoramente e ele acrescentou rapidamente . - Mas é o melhor plano que temos , por isso é melhor não olharmos para trás . Apesar_de tudo , enquanto Hermione verificava que não havia ninguém em os corredores e podiam sair de a casa_de_banho , Ron murmurou a Harry : - Seria muito mais simples se conseguisses , amanhã , atirar o Malfoy de a vassoura abaixo . Harry acordou cedo em o sábado de manhã e ficou um bocado a pensar em a partida de Quidditch que vinha a seguir . Estava nervoso , principalmente pelo que Wood diria se os Gryffindor perdessem , mas também com a ideia de enfrentar uma equipa apetrechada com as vassouras mais velozes que existiam . Nunca desejara tanto vencer os Slytherin como em aquele dia . Depois de meia_hora deitado com a barriga a dar horas , resolveu levantar se , vestir se e descer para tomar o pequeno-almoço . Lá em baixo , encontrou o resto de a equipa de os Gryffindor amontoada a o longo de a mesa comprida e vazia , todos eles com ar preocupado e sem vontade de conversar . Como_se aproximavam as onze horas , todos os alunos de a escola começaram a dirigir se para o estádio de Quidditch . O dia estava quente e húmido , com uma ameaça de trovoada em o ar . Ron e Hermione vieram apressadamente desejar a Harry boa sorte mal ele entrou em os vestiários . A equipa de os Gryffindor pôs os seus mantos vermelhos e sentou se para ouvir o discurso que Wood lhes fazia sempre antes de o jogo . - Os Slytherin têm vassouras melhores do_que nós - começou . - Não há como negá o . Mas nós temos gente melhor em cima de as vassouras . Treinámos mais do_que eles , voamos com todas_as condições climatéricas ( É bem verdade - murmurou George_Weasley - desde Agosto que não sei o que é estar seco ) . - E vamos fazê os engolir o dia em que deixaram aquele nojento de o Malfoy comprar a entrada em a equipa de eles . Com o peito agitado por a comoção , Wood voltou se par Harry . -- Cabe te a ti , Harry , mostrar lhes que um * seeker * tem de ter mais do_que um pai rico . Agarra a * snitch * antes d Malfoy ou morre a tentar porque temos absolutamente que vencer , hoje , Harry , temos que vencer . - Sem ansiedade , Harry - disse o Fred , piscando lhe o olho . Quando saíram em direcção a o campo , foram saudado por uma grande ovação principalmente de a parte de os Ravenclaw e de os Hufflepuff que estavam ansiosos por ver os Slytherin serem derrotados , mas os Slytherin que estavam entre a multidão também fizeram ouvir as suas vaias e pateadas . Madam_Hooch , a professora de Quidditch , pediu a Flin e Wood que apertassem as mãos o que eles fizeram , lançando um_ao_outro olhares ameaçadores , cada_um apertando a mão de o outro com mais força do_que aquela que seria necessário . - Atenção a o apito - disse Madam_Hooch . - Três , dois , um ... Com um bramido de a multidão para que subissem rapidamente , os catorze jogadores elevaram se em o céu cor de chumbo . Harry , mais alto do_que qualquer de os outros olhando para todos os lados em busca de a * snitch * . - Tudo bem , testa de cicatriz ? - gritou Malfoy , disparando por baixo de ele para lhe mostrar a velocidade de a sua vassoura . Harry não teve tempo de responder . Em esse preciso momento uma * bludger * preta e bem pesada veio direitinha a ele . Evitou a tão por um triz que ainda sentiu em os cabelos o ar que ela deslocara . - Foi por_pouco , Harry ! - exclamou o George , passando com grande rapidez , de bastão em a mão , pronto para lançar a * bludger * contra um Slytherin . Harry viu o dar a a * bludger * uma fortíssima pancada em direcção a Adrian_Pucey , mas a bola mudou de rumo em o meio de o ar e dirigiu se de_novo a Harry . Harry desceu rapidamente para se esquivar e George conseguiu lançá a contra Malfoy . Mais_uma_vez a * bludger * actuou como um * boomerang * e apontou a a cabeça de Harry . Harry ganhou velocidade e disparou contra o outro extremo de o campo . Ouvia o assobio de a * bludger * que o perseguia . O que era aquilo ? As * bludgers * nunca se concentravam assim em um único jogador , a sua função era tentar desmontar o maior número possível de intervenientes . Fred_Weasley esperava por a * bludger * em o extremo oposto . Harry baixou se quando o viu balançar se em frente de ela com toda_a garra . A * bludger * foi lançada para_fora_de campo . - Pronto , já está tudo resolvido - gritou Fred satisfeito , mas estava bastante enganado . Como_se fosse magneticamente atraída para Harry , a * bludger * lançou se de_novo contra ele e Harry teve de voar a_toda_a velocidade . Começara a chover . Harry sentia as gotas pesadas caírem lhe em o rosto , turvando lhe as lentes de os óculos . Não fazia ideia do_que se passava em o resto de o jogo , até ouvir Lee_Jordan que fazia o comentário dizer : - Os Slytherin vão a a frente com seis contra zero . As vassouras de qualidade superior de os Slytherin estavam obviamente a cumprir a sua função e enquanto isso , a * bludger * maluca fazia todos os possíveis para deitar abaixo o Harry . Fred e George voavam agora tão perto de ele , um de cada lado , que Harry não via senão os seus braços a balouçar e , se não conseguia ver a * snitch * , muito menos agarrá a . - Alguém enfeitiçou esta * bludger * - resmungou Fred , preparando o bastão com toda_a força quando ela se lançava de_novo contra Harry . - Precisamos de tempo - disse George , tentando fazer sinal a Wood enquanto evitava que a bola partisse o nariz a o Harry . Wood captou obviamente a mensagem . O apito de Madam_Hooch fez se ouvir e Harry , Fred e George desceram , tentando ainda evitar a * bludger * maluca . - O que é_que se passa ? - perguntou Wood enquanto a equipa de os Gryffindor se amontoava desordenadamente e os Slytherin , em o meio de a multidão , lançavam piadas . - Estamos a ser esmagados . Fred , George , onde estavam vocês quando aquela * bludger * impediu a Angelina de marcar ? - Estávamos seis metros acima , evitando que a outra * bludger * matasse o Harry , Oliver - gritou George furioso . - Alguém preparou isto , a bola não deixa o Harry em paz , ainda não perseguiu mais ninguém desde_que o jogo começou . Os Slytherin fizeram aqui qualquer coisa . - Mas as * bludgers * têm estado fechadas em o escritório de Madam_Hooch desde o último treino , e nessa_altura estava tudo bem ... - disse Wood ansiosamente . Madam_Hooch aproximava se . Por cima de o ombro de ela , Harry pôde ver a equipa de os Slytherin a escarnecer e apontar em a sua direcção . - Ouçam - disse o Harry , enquanto ela se aproximava . - Com vocês os dois a voarem sempre colados a mim , só vou apanhar a * snitch * se ela voar até a a minha manga . Voltem se para o resto de a equipa e deixem a tratante comigo . - Não sejas bronco - disse o Fred . - Ela arranca te a cabeça . Os olhos de Wood saltavam de Harry_para_os_Weasley . - Oliver , isto_é uma loucura - disse Alicia_Spinet , zangada . - Não podes deixar o Harry sozinho entregue a aquela coisa . Vamos pedir uma investigação . - Se pararmos agora , teremos de dar a partida como perdida e não vamos deixar os Slytherin ganhar , só por_causa_de uma * bludger * maluca . Vá lá , Oliver , diz lhes que me deixem sozinho . - A culpa é toda tua . * _ Agarra a snitch ou morre a tentar * , se isso é lá coisa que se diga . Madam_Hooch tinha se lhes juntado . - Prontos para retomar a partida ? - perguntou a Wood . Wood olhou para o ar determinado de Harry . - Deixem o sozinho , ele é capaz de lidar com a * bludger * . A chuva era agora mais pesada . A o apito de Madam_Hooch , Harry elevou se em os ares e ouviu o barulhinho de a * bludger * atrás_de si . Subiu cada_vez_mais alto . Fez acrobacias em espiral , descidas rápidas , ziguezagueou e rolou . Apesar_de ligeiramente estonteado , não deixou nunca de ter os olhos bem abertos . A chuva salpicava lhe os óculos e entrava lhe por as narinas , quando ele se voltou de cabeça para baixo , evitando outra forte investida de a * bludger * . Ouviu os risos de a multidão . Sabia que devia parecer ridículo , mas a * bludger * maluca era pesada e não podia mudar de direcção tão rapidamente quanto ele . Iniciou uma corrida que parecia de feira de diversões em volta de os extremos de o estádio , olhando de soslaio , através de os lençóis prateados de chuva , para os postes de os Gryffindor , onde Adrian_Pucey tentava passar por Wood . Um assobio junto de os ouvidos disse a Harry que a * bludger * falhara uma_vez_mais . Voltou se e voou rapidamente em a direcção oposta . - Estás a ensaiar * ballet * , Potter - gritou Malfoy quando Harry foi obrigado a fazer uma reviravolta estúpida em o ar para se esquivar mais_uma_vez de a * bludger * . Lá foi ele , com a * bludger * atrás a alguns metros de distância . E foi então que , olhando para Malfoy , furioso , a viu , a * snitch * de ouro . Flutuava alguns centímetros acima de os ouvidos de Malfoy que , de tão preocupado a escarnecer de Harry , nem dera por ela . Durante um momento angustiante , Harry ficou quieto em o ar , não ousando dirigir se a Malfoy , não fosse ele olhar para_cima e ver a * snitch * . PUM ! Tinha ficado parado tempo de mais . A * bludger * batera lhe , por fim , apanhando lhe o cotovelo e Harry sentiu o braço a partir se . Debilmente , desorientado por a dor cauterizante em o braço , Harry deslizou para um de os lados em a sua vassoura encharcada , um joelho ainda dobrado , o braço direito a balouçar , inútil , a o seu lado . A * bludger * veio de_novo , preparada para mais um ataque , desta_vez apontada a o seu rosto . Harry desviou se com uma intenção : chegar a Malfoy . Através_de uma nuvem de chuva e dor desceu até a o rosto tremeluzente e trocista e viu os olhos de ele dilatarem se de medo : Malfoy pensou que Harry ia atacá o . - Que diabo ... - resmungou , afastando se de o caminho . Harry tirou a outra mão de a vassoura e fez uma tentativa para agarrar qualquer coisa . Sentiu os dedos fecharem se em volta de a * snitch * dourada , mas conduzia agora a vassoura apenas com as pernas e ouviu se um grito de a multidão cá em baixo , quando ele fez a descida , tentando não desmaiar . Com um ruído seco caiu em a terra enlameada e rolou para fora de a vassoura . O braço tinha um ângulo um_pouco estranho . Torcendo se com dores , ouviu a a distância os assobios e os gritos . Concentrou se em a * snitch * que tinha fechada em a outra mão . - Ai - disse vagamente . - Ganhámos o jogo . E desmaiou . Voltou a si com a chuva a cair lhe em o rosto , ainda deitado em o campo , com alguém inclinado sobre ele . Viu um brilho de dentes brancos . - Oh , não , você não - gemeu . - Não sabe o que diz - afirmou Lockhart bem alto a a ansiosa multidão de Gryffindor que o comprimiam . - Não te preocupes , Harry , eu vou tratar de o teu braço . - Não - gritou Harry . - Eu fico com ele assim , obrigado . Tentou sentar se , mas a dor era enorme . Ouviu um « clique » familiar . - Não quero fotografias de isto , Colin - disse em voz alta . - Deita te para trás , Harry - insistiu Lockhart com toda_a calma . - É um encantamento muito simples que eu fiz imensas vezes . - Porque não me levam só para a ala hospitalar ? - perguntou Harry entredentes . - Seria o melhor , professor - disse a voz rouca de o Wood que não conseguia deixar de sorrir , apesar_de o seu * seeker * estar ferido . - Grande captura , Harry , verdadeiramente espectacular , a tua melhor jogada , em a minha opinião . Em o meio de a floresta de pernas que o rodeava , Harry avistou Fred e George_Weasley , metendo a * budger * perigosa em uma caixa . Continuava a dar uma luta enorme . - Para trás - ordenou Lockhart , que tinha arregaçado as mangas verde jade . - Não , eu não ... - protestou debilmente Harry , mas Lockhart tinha a varinha em a mão e , um segundo depois , apontava a para o braço de Harry . Uma sensação estranha e desagradável começou em o ombro e espalhou se , chegando a as pontas de os dedos . Parecia que o braço inteiro tinha sido esvaziado . Não foi capaz de olhar para o que estava a suceder . Tinha fechado os olhos , voltado o rosto para o outro lado , mas os seus maiores receios concretizaram se quando as pessoas lá em cima se sobressaltaram e Colin_Creevey começou a tirar fotografias como um louco . O braço deixara de lhe doer , mas parecia tudo menos um braço . - Ah ! - disse Lockhart . - Sim , bem isto às_vezes acontece . Mas o importante é_que os ossos já não estão partidos . Isso é o mais importante . Portanto , Harry , vai até a a ala hospitalar ... ah ! Mr._Weasley , Miss_Granger , poderiam levá o lá ? E Madam_Pomfrey poderá ... er ... arranjar um_pouco isso . Quando Harry se pôs de pé sentiu se estranhamente desequilibrado . Depois de respirar fundo , olhou para o lado direito e o que viu quase o fez desmaiar de_novo . Pendurado em a extremidade de a sua túnica estava o que parecia ser uma espessa e colorida luva de borracha . Tentou mexer os dedos mas ... em vão . Lockhart não consertara os ossos de Harry . Retirara os . M. dam Pomfrey não ficou nada satisfeita . - Devias ter vindo logo ter comigo - ralhou , segurando os restos tristes e moles de aquilo que antes fora um braço activo . - Eu conserto ossos em um segundo , mas fazê os crescer de_novo ... - Vai conseguir , não vai ? - perguntou Harry desesperado . - Sim , com certeza , mas vai ser doloroso - disse Madam_Pomfrey de modo severo , entregando lhe um pijama . - Vais ter que ficar cá esta noite ... Hermione esperou de o lado de_fora de a cortina que rodeava outra cama enquanto Ron ajudava Harry a vestir se . Levou algum tempo a enfiar o braço que parecia borracha dentro_de uma manga de o pijama . - Como é_que podes continuar a defender o Lockhart depois disto , Hermione ? - perguntou Ron através de as cortinas , enquanto puxava os dedos moles de o Harry por uma manga . - Se o Harry quisesse ser desossado , teria pedido . - Todos podem enganar se - disse Hermione . - E deixou de doer , não deixou , Harry ? - Sim - disse ele - mas também ficou incapaz de fazer seja o que for . Quando se meteu em a cama , o braço agitou se despropositadamente . Hermione e Madam_Pomfrey entraram . Madam_Pomfrey segurava uma grande garrafa com o rótulo * Skele - _ Gro * . - Vais ter uma noite difícil - preveniu , enchendo um pequeno copo fumegante e dando lhe a beber . - Fazer crescer ossos é uma coisa difícil . Tomar o * _ Skele - _ Gro * também . Queimou a boca e a garganta de o Harry a o descer , fazendo o tossir e cuspir . Resmungando sobre os desportos perigosos e os professores incapazes , Madam_Pomfrey retirou se , deixando Ron e Hermione a ajudar Harry a engolir um_pouco de água . - Mas ganhámos o jogo - disse o Ron com um sorriso em o rosto . - A tua jogada foi em grande . A cara de o Malfoy ... parecia que queria matar alguém . - Eu vou descobrir como é_que enfeitiçaram aquela * bludger * - disse Hermione com ar sombrio . - Podemos juntar essa pergunta a a lista de todas_as que queremos fazer a o Malfoy quando tomarmos a poção * _ Polisuco * - disse Harry , afundando se de_novo em as almofadas . - Espero que tenha um sabor melhor do_que esta coisa ... - Com um bocado de os Slytherin lá dentro , deves estar a brincar - disse o Ron . A porta de a ala hospitalar abriu se em esse momento e , completamente encharcados , entraram os restantes membros de a equipa de os Gryffindor , para ver o Harry . - Um voo inacreditável - disse George . - Acabei de ver Marcus_Flint a gritar com o Malfoy . Qualquer coisa sobre ter a * snitch * mesmo em cima de a cabeça e não ter dado por nada . O Malfoy não parecia nem um_pouco satisfeito . Tinham trazido bolos , rebuçados e garrafas de sumo de abóbora . Juntaram se em volta de a cama de Harry e estavam a dar início a o que prometia ser uma grande festa quando Madam_Pomfrey entrou a vociferar : - Este rapaz precisa de repouso . Tem trinta_e_três ossos a crescer . Fora de aqui . FORA ! E Harry ficou sozinho , sem nada que o distraísse de as dores agudas em o seu braço mole . Muitas horas mais tarde , Harry acordou subitamente em a escuridão total e soltou um pequeno grito de dor : sentia agora o braço cheio de estilhaços . Durante alguns segundos pensou que tinha sido a dor a acordá o . Depois , com um arrepio de horror , apercebeu se de que alguém estava a passar lhe uma esponja em a testa . - Sai de aqui - gritou , e em seguida : - Dobby ! Os olhos de o tamanho de bolas de ténis de o elfo doméstico estavam a olhá o em o escuro , uma lágrima grossa rolava por o seu enorme nariz . - Harry_Potter voltou a a escola - murmurou , infeliz . - Dobby avisou e voltou a avisar Harry_Potter . Ah ! senhor , porque não deu ouvidos a Dobby ? Porque não voltou Harry_Potter para_casa quando perdeu o comboio ? Harry ergueu se um_pouco , encostando se a as almofadas e afastou a esponja de o elfo . - O que estás a fazer aqui ? - perguntou . - E como sabes que eu perdi o comboio ? O lábio de Dobby tremeu e Harry foi assaltado por uma dúvida . - Foste tu . Tu impediste que a barreira nos deixasse passar . - Em a verdade fui eu , senhor - disse Dobby , acenando com a cabeça e com as orelhas a abanar . - Dobby escondeu se , esperou por Harry_Potter e selou a barreira . A seguir , Dobby teve de pôr as mãos em o ferro de engomar - mostrou a o Harry dez dedos longos embrulhados em ligaduras . - Mas Dobby não se importou , senhor , porque pensou que Harry_Potter estava a salvo e nunca Dobby sonhou que mesmo_assim ele viria para a escola ! Balançava se para a frente e para trás , sacudindo a cabeça feia . - Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry_Potter tinha voltado a a escola que deixou queimar o jantar de os seus donos . Dobby nunca tivera um castigo tão grande , senhor . Harry afundou se de_novo em as almofadas . - Quase conseguiste que nos expulsassem , a mim e a o Ron - disse furioso . - É melhor desapareceres de aqui antes que os meus ossos voltem a estar bem , Dobby , ou ainda te estrangulo . O elfo sorriu . - Dobby está habituado a ameaças de morte , senhor . Dobby recebe as cinco vezes por dia em a casa onde mora . Encostou o nariz a um canto de a fronha que usava , ficando tão ridículo que Harry sentiu a raiva desvanecer se , apesar_de tudo . - Porque usas essa coisa , Dobby ? - perguntou com curiosidade . - Isto , senhor ? - disse Dobby apontando para a fronha de almofada . - É uma prova de escravatura de o elfo doméstico , senhor . Dobby só pode ser libertado se os donos lhe derem roupa , senhor . A família tem o cuidado de não dar a o Dobby nem uma peúga , senhor , porque ele poderia ficar livre e deixar a casa para sempre . Dobby limpou os olhos protuberantes e disse subitamente : - Harry_Potter deve ir para_casa . Dobby achou que a sua * bludger * seria o suficiente para o fazer ... - A tua * bludger * ? - disse Harry com a raiva a crescer novamente dentro de ele . - Que queres tu dizer com a tua bludger * ? Foste tu quem fez com que aquela bola tentasse matar me ? - Matar não , senhor . Matar , nunca ! - disse o elho chocado . - Dobby quer salvar a vida de Harry_Potter . É melhor ir para_casa ferido do_que ficar aqui , senhor . Dobby só queria Harry_Potter suficientemente ferido para voltar para_casa . - Só isso ? - disse Harry furioso . - Imagino que não vais dizer me porque querias mandar me para_casa a os bocados ? - Ah ! se Harry_Potter soubesse ! - gemeu Dobby , com mais lágrimas a escorrerem lhe por a fronha esfarrapada . - Se pudesse saber o que significa para nós , para os humildes , os escravizados , nós , a escória social de o mundo mágico ! Dobby lembra se de como eram as coisas quando Aquele cujo nome não deve ser pronunciado estava em o auge de o poder , senhor ! Nós , os elfos domésticos éramos tratados como animais , senhor ! É claro que Dobby ainda é tratado assim - admitiu , secando o rosto em a fronha de almofada . - Mas , em a sua maioria , a vida melhorou bastante para os de a minha espécie desde_que Harry_Potter triunfou sobre Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Harry_Potter sobreviveu e o poder de os senhores de o Mal foi quebrado e veio uma nova alvorada , senhor , e Harry_Potter brilhou como um farol de esperança para aqueles de entre nós que já pensavam que a longa noite nunca mais teria fim , senhor ... e agora em Hogwarts vão acontecer coisas terríveis , talvez já esteiam a acontecer e Dobby não pode deixar Harry_Potter ficar aqui , agora_que a história vai repetir se , agora_que a Câmara_dos_Segredos está de_novo aberta . Dobby calou se horrorizado . Em seguida agarrou em o jarro de a água que Harry tinha a a cabeceira e bateu com ele em a própria cabeça , deixando se cair . Um segundo mais tarde voltou até junto de a cama , repetindo : - Mau , Dobby , muito mau , Dobby . - Quer_dizer , então , que existe mesmo a Câmara_dos_Segredos ? - murmurou Harry . - E dizes tu que já antes foi aberta ? Conta me , Dobby . Agarrou o pulso ossudo de o elfo quando a mão de ele se estendia para o jarro de a água . - Mas eu não sou filho de Muggles . Como posso estar em perigo por causa de a Câmara_dos_Segredos ? - Ah ! senhor , não pergunte a o pobre Dobby - lamentou se o elfo com os olhos enormes a brilharem em o escuro . - As forças de as trevas estão projectadas em este lugar , mas Harry_Potter não deve estar aqui quando as coisas acontecerem . Vá para_casa , Harry_Potter , vá para_casa . Harry_Potter não deve envolver se em isto , senhor , é demasiado perigoso ... - Quem é , Dobby ? - perguntou Harry , continuando a agarrar lhe o pulso com forca , impedindo que batesse de_novo em si próprio com o jarro . - Quem abriu a amara ? Quem a abriu de a última vez ? - Dobby não pode , senhor . Dobby não pode . Dobby não deve dizer - guinchou o elfo . - Vá se embora , Harry_Potter , vá se embora ! - Eu não vou para lugar nenhum - disse Harry , furioso . - Uma de as minhas melhores amigas é filha de Muggles , está em perigo se a câmara foi , de facto , aberta ... - Harry_Potter arrisca a própria vida por os amigos - gemeu Dobby em uma espécie de êxtase infeliz . - Tão nobre , tão corajoso , mas deve salvar se , Harry_Potter não deve ... Dobby calou se de repente com as orelhas de morcego a estremecerem . Harry também ouviu os passos que vinham lá fora , de o corredor . - Dobby tem de ir - balbuciou o elfo apavorado . Ouviu se um ruído e o pulso de Harry ficou subitamente fechado em o ar . Meteu se de_novo para baixo , em a cama , com os olhos fixos em a porta escura que dava entrada em a ala hospitalar enquanto os passos se aproximavam . Em o momento seguinte , Dumbledore estava a entrar , de costas , em o dormitório , vestindo uma longa túnica de lã e uma capa de noite . Transportava um extremo de aquilo que parecia ser uma estátua . A professora Mc_Gonagall surgiu um segundo mais tarde , pegando lhe em os pés . Os dois colocaram a em uma cama . - Chame Madam_Pomfrey - murmurou Dumbledore e a professora Mc_Gonagall passou por a cama de Harry , apressadamente , e desapareceu . Harry deixou se ficar muito quieto como_se estivesse a dormir . Ouviu vozes ansiosas e por fim a professora Mc_Gonagall apareceu de_novo , seguida de Madam_Pomfrey que vestia um casaco curto de lã sobre a camisa de dormir . Ouviu uma inspiração aguda . - O que aconteceu ? - murmurou Madam_Pomfrey_a_Dumbledore , inclinando se sobre a estátua que estava em a cama . - Outro ataque - disse Dumbledore . - A Minerva encontrou o em as escadas . Havia um cacho de uvas junto de ele . Acho que estava a tentar esgueirar se até aqui para vir visitar o Potter . O estômago de Harry deu uma reviravolta . Lenta e cuidadosamente ergueu se alguns centímetros para poder ver a estátua que estava sobre a cama . Um raio de luar iluminou lhe o rosto estático . Era_Colin_Creevey . Tinha os olhos abertos , e as mãos , em frente de a cara , seguravam a máquina fotográfica . -- Petrificado ? - murmurou Madam_Pomfrey . - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - Mas estou tentada a acreditar que ... se Albus não tivesse vindo cá abaixo tomar um chocolate quente ... quem sabe o que teria ... Os três olharam para Colin . Dumbledore inclinou se e retirou lhe a máquina de as mãos rígidas . - Será que ele conseguiu tirar a fotografia de o agressor ? - perguntou ansiosa a professora Mc_Gonagall . Dumbledore não respondeu . Abriu a parte detrás de a máquina . - Cruzes canhoto - disse Madam_Pomfrey . Um jacto de vapor tinha feito fervilhar a máquina . Harry , a três metros de distância , sentiu o cheiro tóxico de o plástico queimado . - Derretido - disse Madam_Pomfrey com grande espanto . - Tudo derretido . - O que significa isto , Albus ? - perguntou cada_vez_mais nervosa a professora Mc_Gonagall . - Significa - disse Dumbledore - que a Câmara_dos_Segredos está mesmo aberta outra_vez . Madam_Pomfrey levou uma mão a a boca . A professora Mc_Gonagall olhou assustada para Dumbledore . - Mas , Albus ... com certeza ... quem ? - A questão não é quem - disse Dumbledore com os olhos fixos em Colin . - A questão é como ... E pelo que Harry conseguiu ver de o rosto indistinto de a professora Mc_Gonagall , ela não compreendeu muito mais do_que ele . XI_O clube de os duelos Quando_Harry acordou , em o domingo de manhã , a enfermaria estava iluminada por um resplandecente sol de inverno e o seu braço tinha de_novo todos os ossos , apesar_de o sentir muito rígido . Sentou se rapidamente e olhou para a cama de Colin , mas ela fora isolada com as cortinas atrás de as quais se despira em a véspera . Vendo que ele tinha acordado , Madam_Pomfrey apareceu com um tabuleiro de pequeno-almoço e a seguir começou a apalpar lhe o braço e os dedos . - Tudo em ordem - disse , enquanto ele , com a mão esquerda , comia avidamente as papas de aveia . - Quando acabares de comer podes ir te embora . Harry vestiu se o mais depressa que pôde e dirigiu se a a pressa para a torre de os Gryffindor , ansioso por contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre Colin e Dobby , mas não os encontrou lá . Foi a a procura de eles , perguntando a si próprio onde teriam ido e sentindo se um_pouco magoado por o pouco interesse que demonstravam em saber se ele tinha recuperado os ossos . Quando passou por a biblioteca , Percy_Weasley vinha a sair com bastante melhor cara do_que de a última vez que se tinham encontrado . - Olá , olá , Harry - disse . - Excelente voo o de ontem , verdadeiramente sensacional . Os Gryffindor estão a a frente para a taça de a equipa . Ganhaste cinquenta pontos . - Não viste o Ron e a Hermione por aí ? - perguntou Harry . - Não , não vi - disse Percy com o sorriso a desaparecer . - Espero que o Ron não esteja outra_vez em a casa_de_banho de as raparigas ... Harry forçou um sorriso , viu Percy desaparecer e a seguir foi direitinho até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Não via lá muito bem por_que motivo o Ron e a Hermione lá estariam de_novo , mas , depois de se assegurar de que nem Filch nem nenhum de os prefeitos estavam por perto , abriu a porta e ouviu as vozes de eles que vinham de um cubículo fechado . - Sou eu - disse , fechando a porta atrás_de si . Ouviu se dentro de o cubículo um estrondo , um chapinhar e um sobressalto e ele viu o olho de a Hermione a espreitar por o buraco de a fechadura . - Harry - disse ela . - Pregaste nos um susto de morte . Entra . Como está o teu braço ? - _ óptimo - respondeu , apertando se dentro de o cubículo . Em cima de a sanita estava encarrapitado um velho caldeirão , e um crepitar a a superfície de a água disse a Harry que eles tinham acendido um fogo lá em baixo . Fazer aparecer fogos portáteis a a prova de água era uma de as especialidades de Hermione . - _ íamos visitar te , mas resolvemos começar a preparar a poção * _ Polisuco * - explicou Ron enquanto Harry fechava outra_vez a porta de o cubículo com alguma dificuldade . - Achámos que este era o lugar mais seguro para a esconder . Harry começou a contar lhes de o Colin , mas Hermione interrompeu o . - Nós já sabemos , ouvimos a professora Mc_Gonagall contar a o professor Flitwick hoje_de_manhã . Por isso resolvemos começar a ... - Quanto_mais depressa arrancarmos uma confissão a o Malfoy , melhor - rosnou o Ron . - Sabem o que eu penso ? Ele estava tão mal-humorado depois de o jogo de Quidditch que se vingou em o Colin . - Há outra coisa - disse Harry , vendo Hermione cortar molhos de verdezelha e lançá os dentro de a poção . - O Dobby foi visitar me a meio de a noite . Ron e Hermione olharam o espantados . Harry contou lhes tudo_o_que Dobby lhe dissera ... ou não dissera . Ron e Hermione ouviram o de boca aberta . - A Câmara_dos_Segredos já tinha sido aberta antes ? - repetiu Hermione . - Encaixa perfeitamente - disse Ron , em uma voz triunfante . - O Lucius_Malfoy deve ter aberto a Câmara_dos_Segredos quando andava em a escola e agora ensinou a o querido filhinho Draco como abris a . É óbvio , que pena o Dobby não te ter dito que tipo de monstro lá se encontra . Gostava de saber como é_que ninguém o viu andar por ai em a escola . - Talvez tenha a capacidade de se tornar invisível - sugeriu Hermione , picando sanguessugas para dentro de o caldeirão . - Ou talvez se disfarce , passando por uma armadura ou outra coisa de o género . Eu li umas coisas sobre vampiros camaleões ... - Tu lês de mais , Hermione - disse o Ron , deitando moscas asas de renda mortas por cima de as sanguessugas . Amarrotou o saco vazio de as asas de renda e olhou para Harry . - Então foi o Dobby que nos impediu de apanhar o comboio e te partiu o braço ... - abanou a cabeça . - Sabes o que eu acho ? Se ele não parar de tentar salvar te a vida ainda acaba por te matar . A notícia de que Colin_Creevey tinha sido atacado e estava agora em a ala hospitalar , como morto , espalhou se por toda_a escola em a segunda-feira de manhã . O ar ficou pesado e cheio de boatos e suspeitas . Os alunos de o primeiro ano começavam a andar por a escola em pequenos grupos , receando ser atacados se se aventurassem a andar isoladamente por os corredores . Ginny_Weasley , que era colega de carteira de o Colin em os encantamentos , estava perturbadíssima , mas Harry achou que Fred e George estavam a tentar animá a de a maneira errada . Revezavam se , mascarados com peles de animais e apareciam lhe subitamente detrás de as estátuas . Só pararam quando Percy , apopléctico de raiva , lhes disse que ia escrever a Mrs._Weasley a contar lhe que a Ginny andava a ter pesadelos . Enquanto isso , às_escondidas de os professores , uma panóplia de talismãs , amuletos e outros objectos de protecção ia enchendo a escola . Neville_Longbottom comprou uma enorme cebola verde que cheirava mal , um cristal pontiagudo cor de púrpura e uma cauda de tritão apodrecida antes de os outros rapazes de os Gryffindor lhe explicarem que ele não corria perigo : era um sangue puro e , portanto , muito pouco passível de ser atacado . - Eles foram a o Filch em primeiro lugar - disse Neville com o medo estampado em a cara redonda . - E toda_a_gente sabe que eu sou quase um * busca-pé * . Em a segunda semana de Dezembro , a professora Mc_Gonagall veio , como de costume , recolher os nomes de os alunos que ficavam em a escola durante o Natal . Harry , Ron e Hermione assinaram a lista . Tinham ouvido dizer que Malfoy ficava , o que lhes parecera muito suspeito . As férias seriam a altura ideal para usar a poção * _ Polisuco * e tentar arrancar lhe uma confissão . Infelizmente a poção estava a meio . Precisavam ainda de o chifre de bicórneo e o único lugar onde podiam arranjá o era em os depósitos privados de Snape . Harry , pessoalmente , preferia enfrentar o lendário monstro de os Slytherin do_que ser apanhado por o Snape a assaltar lhe o escritório . - O que precisamos - disse Hermione cheia de vivacidade quando se aproximava a aula conjunta de poções de quinta-feira a a tarde - para podermos entrar a a vontade em o escritório de o Snape , é de uma diversão . Harry e Ron olharam para ela , nervosos . - Acho que o melhor é ser eu a praticar o roubo - prosseguiu ela , em um tom perfeitamente casual . - Vocês os dois podem ser expulsos se forem apanhados e eu tenho uma folha limpa . Portanto , a única coisa que têm de fazer é distrair o Snape durante cerca de cinco minutos . Harry esboçou um meio sorriso . Provocar deliberadamente um estrago em a aula de poções de o Snape era tão seguro como ferir em um olho um dragão adormecido . As aulas de poções tinham lugar em um de os mais amplos calabouços . A de quinta-feira a a tarde não foi diferente de as outras . Vinte caldeirões fumegavam entre as secretárias de madeira , sobre as quais podia ver se laminas de latão e jarras com ingredientes . Snape deambulava por o meio de os fumos , fazendo reparos petulantes a o trabalho de os Gryffindor , enquanto os Slytherin riam a a socapa . Draco_Malfoy , que era o aluno preferido de Snape , não parava de lançar olhos de carneiro mal morto a o Ron e a o Harry , que sabiam que se retaliassem teriam um castigo , antes de poderem abrir a boca para dizer : - É injusto ! A solução de inchar de o Harry estava demasiado líquida , mas ele estava preocupado com coisas mais importantes . Esperava por o sinal de Hermione e mal deu por Snape se calar para ir espreitar a sua poção aguada . Quando o professor se voltou e foi implicar com o Neville , Hermione trocou um olhar com Harry e fez um aceno . Harry baixou se discretamente por detrás de o seu caldeirão , tirou de o bolso de trás um de os paus de fogo-de-artíficio Filibuster e deu lhe um toque de varinha . O fogo-de-artíficio começou a sibilar e a crepitar . Sabendo que tinha apenas alguns segundos , Harry endireitou se , ganhou coragem e lançou o a o ar . Aterrou certeiro em o caldeirão de o Goyle . A poção de o Goyle explodiu , salpicando toda_a aula . As pessoas gritavam , à_medida_que eram vítimas de os salpicos . Malfoy foi apanhado em a cara e o nariz começou a inchar como um balão . O Goyle tropeçava a as cegas , com as mãos em os olhos , que tinham ficado de o tamanho de pratos de sopa , enquanto o Snape tentava repor a calma e tentar perceber o que sucedera . Em o meio de a confusão , Harry viu Hermione esgueirar se a a socapa por a porta . - Silêncio ! silêncio ! - vociferou Snape . - Todos os que foram salpicados cheguem aqui para uma drenagem . Quando eu descobrir quem fez isto ... Harry fez um enorme esforço para não se rir a o ver Malfoy chegar apressadamente lá a a frente , a cabeça a tombar com o peso de o nariz , que parecia um pequeno melão . Quando metade de a aula se amontoava junto de a secretária de o Snape , alguns alunos vergados por o peso de os braços que pareciam mocas , outros incapazes de falar devido a o gigantesco inchaço de os lábios , Harry viu Hermione reentrar em o calabouço , a túnica mostrando a barriga protuberante . Quando todos os alunos tinham já tomado um gole de o antídoto e os vários inchaços tinham desaparecido , Snape precipitou se para o caldeirão de o Goyle e pescou os restos retorcidos de o fogo-de-artíficio . Houve um súbito silêncio . - Se eu descubro quem lançou isto - murmurou Snape - garanto que é expulsão por a certa . Harry compôs uma expressão de espanto . Snape olhava directamente para ele e a campainha , que tocou dez minutos mais tarde , não podia ser mais bem-vinda . - Ele soube que fui eu - disse Harry_a_Ron e a a Hermione , enquanto se dirigiam apressadamente para a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Tenho a certeza . Hermione lançou o novo ingrediente em o caldeirão e começou a mexer furiosamente . - Isto vai estar pronto dentro_de quinze_dias - afirmou , satisfeita . - O Snape não pode provar que foste tu - assegurou Ron , tranquilizando Harry . - Que pode ele fazer ? - Conhecendo o Snape , qualquer coisa louca - respondeu Harry , enquanto a poção borbulhava e espumava . Uma semana mais tarde , Harry , Ron e Hermione passavam por o vestíbulo de entrada , quando viram um pequeno grupo de pessoas reunidas em volta de o jornal de parede a lerem um pedaço de pergaminho que tinha acabado de ser afixado . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas acenaram lhes , entusiasmados . - Vão lançar um clube de duelos ! - exclamou Seamus . - Hoje a a noite é a primeira reunião . Eu não me importaria nada de ter aulas de duelo , podem vir a ser úteis um dia de estes ... - Porquê ? Achas que o monstro de os Slytherin sabe esgrimir ? - perguntou o Ron , mas , também ele , leu a notícia com interesse . - Pode ser útil - disse a o Harry e a a Hermione , quando foram jantar . - Vamos lá ? Harry e Hermione acharam óptimo , por isso , a as oito_da_noite voltaram a o salão . As longas mesas de refeição tinham desaparecido e um estrado dourado surgira , encostado a a parede . Sobre ele flutuavam milhares de velas . O tecto era , mais_uma_vez , de veludo negro e parecia que quase todos os alunos de a escola se encontravam ali , com as suas varinhas em a mão e com um ar entusiasmado . - Quem será que vai ensinar nos ? - perguntou Hermione , enquanto se misturavam em a multidão barulhenta . - Ouvi dizer que o Filitwick foi campeão de duelo em a juventude , talvez seja ele . - Desde_que não seja ... - começou Harry , mas terminou em um gemido : Gilderoy_Lockhart estava a subir a o estrado , resplandecente em as suas vestes cor de ameixa , acompanhado , nem mais nem menos , do_que de Snape que trajava , como sempre , de negro . Lockhart levantou um braço , pedindo silêncio , bradando : - Aproximem se , aproximem se , conseguem todos ver me e ouvir me ? Excelente ! - O professor Dumbledore deu me autorização para iniciar este pequeno curso de duelo para vos treinar a todos , caso algum dia precisem de se defender , como eu tenho feito em inúmeras ocasiões ; para mais detalhes , leiam os livros que tenho publicados . - Permitam que vos apresente o meu assistente , o professor Snape - disse Lockhart , abrindo um sorriso de orelha a orelha . - Ele diz me que sabe alguma coisa sobre duelos e aceitou desportivamente ajudar me em uma exibição de demonstração , antes de começarmos . Atenção , não quero que os mais novos fiquem preocupados , vão continuar a ter o vosso professor de poções depois de eu o vencer . Não tenham medo . - Não era óptimo se se liquidassem um_ao_outro ? - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . O lábio inferior de Snape estava curvo . Harry interrogou se sobre o motivo por_que Lockhart continuava a sorrir . Se o Snape olhasse de aquela maneira para ele , Harry estaria a correr a_toda_a velocidade para o mais longe possível . Lockhart e Snape voltaram se um para o outro e fizeram uma vénia , pelo_menos Lockhart fê la com muitas reviravoltas de mãos , enquanto Snape acenava , irritado , com a cabeça . Em seguida , ergueram as varinhas , como_se fossem espadas , em a frente . - Como podem ver , estamos a pegar em as varinhas em a posição de aceitação de combate - explicou Lockhart a a multidão silenciosa . - Quando contarmos até três , lançaremos os primeiros feitiços . Nenhum de nós tentará matar o outro , claro . - Eu não poria as mãos em o fogo - murmurou Harry , observando como Snape cerrava os dentes . -- Um , dois , três ... Os dois balançaram as varinhas acima de os ombros . Snape gritou : * _ Expelliarmus * ! Houve um clarão ofuscante de luz escarlate e Lockhart voou para trás , caindo de o estrado batendo contra a parede , escorregando e indo estatelar se em o chão . Malfoy e alguns de os outros Slytherin aplaudiram . Hermione estava em bicos de os pés . - Acham que ele está bem ? - gritou entredentes . - Quem se rala ? - disseram ao_mesmo_tempo o Ron e o Harry . Lockhart estava a pôr se , hesitante , de pé . O chapéu caíra lhe e o cabelo ondulado estava em um desalinho . - Bem , cá está ! - disse , cambaleando até a o estrado . - Este foi um encantamento para desarmar . Como podem ver , perdi a minha varinha . Ah , obrigado Miss_Brown . Sim , foi uma excelente ideia mostrar lhes isto , professor Snape , mas , se me permite que lhe diga , foi muito óbvio o que ia fazer . Se eu tivesse querido impedis o , teria o feito com a maior de as facilidades . Mas achei que seria educativo deixá os ver ... Snape tinha um ar assassino . Provavelmente Lockhart deu por isso , porque declarou : - Chega de demonstrações . Eu vou passar agora por o meio de vocês e criar duplas . Professor_Snape , se quiser ajudar me ... Entraram por o meio de a multidão , agrupando alunos . Lockhart pôs o Neville com Justin_Finch - _ Fletchley , mas Snape chegou primeiro junto de Harry e de Ron . - Tempo de separar a dupla ideal , parece me - rosnou . - Weasley , tu podes ficar com o Finnigan . Potter ... Harry voltou se automaticamente para Hermione . - Não me parece - disse Snape com o seu sorriso frio . - Mr._Malfoy , venha até aqui . Vamos ver o que faz com o famoso Potter . E a menina , Miss_Granger , pode emparceirar com Miss_Bulstrode . Malfoy aproximou se com o seu passo empertigado e o seu sorriso escarninho . Atrás de ele vinha uma rapariga de os Slytherin , que lembrou a Harry uma imagem que tinha visto em as * _ Férias com Bruxas_Velhas * . Era corpulenta e quadrada e os maxilares avançavam agressivamente . Hermione esboçou um meio sorriso , que ela não retribuiu . - Voltem se para os vossos parceiros - gritou Lockhart - e façam a vénia . Harry e Malfoy mal inclinaram as cabeças , não afastando os olhos um de o outro . - Varinhas preparadas ! - gritou Lockhart . - Quando eu disser três preparem os feitiços para desarmar o vosso opositor . Um ... dois ... três ... Harry levantou a varinha acima de o ombro , mas Malfoy começara logo em o « dois » : o seu feitiço apanhou Harry com tanta força que ele se sentiu como_se tivesse levado com uma frigideira em a cabeça . Tropeçou , mas ainda não estava fora de combate e , sem perder tempo , Harry apontou a varinha a Malfoy e gritou : - * _ Rictusempra ! * Um jacto de luz prateada atingiu Malfoy em o estômago , obrigando o a dobrar se , arfando . - Eu disse desarmar ! - gritava Lockhart sobre as cabeças de a multidão em lata , enquanto Malfoy caía de joelhos . Harry atingira o com o feitiço de as cócegas e ele mal conseguia mexer se para se rir . Harry hesitou com o vago sentimento de que seria pouco desportivo enfeitiçar Malfoy enquanto ele estava caído em o chão , mas ... foi um erro . Tentando respirar , Malfoy apontou a varinha a os joelhos de Harry , balbuciando : « * _ Tarantallegra ! * » e , um segundo depois , as pernas de o Harry tinham começado a mexer se , sem que ele pudesse controlá as , executando uma espécie de dança frenética . - Parem , parem - gritava Lockhart , quando Snape resolveu tomar controlo de a situação . - * _ Finite_Incantatem ! * - bradou . Os pés de o Harry pararam de dançar , Malfoy parou de rir e puderam olhar para_cima . Uma onda de fumo esverdeado pairava sobre todos eles . Neville e Justin estavam caídos em o chão , a arfar . Ron tentava fazer parar um Seamus com cara cor de cinza , pedindo lhe mil desculpas por o que a sua varinha partida eventualmente tivesse feito . Mas Hermione e Millicent_Bulstrode ainda não tinham acabado . Millicent tinha feito a Hermione uma prisão de cabeça e Hermione gritava de dor . As duas varinhas jaziam esquecidas em o chão . Harry deu um salto em frente e afastou Millicent . Não foi fácil , ela era bastante maior do_que ele . - Oh , gente ! - exclamou Lockhart , arrastando se por o meio de a multidão e olhando para os resultados de os duelos . - Vamos pôr de pé , Mcmillan ... cuidado , Miss_Fawcett ... belisque com força que pára logo de sangrar ... - Acho que o melhor é ensinar vos como bloquear feitiços pouco amigáveis - afirmou Lockhart que estava nervosíssimo em o meio de o salão . Olhou para Snape , cujos olhos pretos brilhavam e desviou rapidamente o olhar . - Vamos arranjar um par de voluntários . Longbottom e Finch - _ Fletchley , que tal serem vocês ? - Uma má ideia , professor Lockhart - disse Snape , deslizando como um morcego enorme e cruel . - Longbottom provoca devastação com o feitiço mais simples . Ainda temos de mandar o que restar de o Finch - _ Fletchley para a ala hospitalar dentro_de uma caixa de fósforos . - A cara redonda e rosada de Neville ficou ainda mais rosada . - Que tal o Malfoy e o Potter ? - sugeriu Snape com um sorriso retorcido . - Excelente ideia - disse Lockhart , fazendo sinal a os dois para que se aproximassem de o meio de o salão , enquanto a multidão recuava para lhes dar passagem . - Ouve bem , Harry - disse Lockhart . - Quando o Draco te apontar a varinha , tu fazes assim . Levantou a sua varinha , executando uma tentativa complicada de malabarismo e deixou a cair . Snape sorriu pretensiosamente , enquanto Lockhart a apanhava de o chão , dizendo : - Ups , a minha varinha está demasiado excitada . Snape aproximou se de Malfoy , inclinou se e disse lhe qualquer coisa a o ouvido . Malfoy sorriu também de forma afectada . Harry olhou , nervoso , para Lockhart e pediu : - Professor , podia mostrar me outra_vez aquela coisa para bloquear ? - Estás com medo ? - murmurou Malfoy baixinho , para que Lockhart não pudesse ouvir . - Querias ! - exclamou Harry por o canto de a boca . Lockhart deu um soco em o ombro de o Harry , em a brincadeira . - Basta que faças como eu fiz ! - O quê , deixar cair a varinha ? Mas Lockhart não estava a ouvir - Três , dois , um , zero ! - gritou . Malfoy levantou rapidamente a varinha a o ar e gritou : - * _ Serpensortia ! * A extremidade de a varinha explodiu . Harry viu , horrorizado , uma enorme serpente negra sair de ela , cair pesadamente em o chão a meio de os dois e erguer se disposta a atacar . Ouviram se gritos , enquanto a multidão se afastava , deixando o chão vazio . - Não te mexas , Potter - disse Snape vagarosamente , divertindo se claramente a ver Harry , parado , a olhar em os olhos a serpente . - Eu trato de ela ... - Permita me -- gritou Lockhart . Bramiu a varinha em direcção a a serpente e ouviu se um estoiro . A cobra , em_vez_de desaparecer , voou três metros acima de eles e voltou a cair em o chão com um estrondo enorme . Enraivecida , a sibilar de fúria , rastejou em direcção a Finch - _ Fletchley e pôs se de pé com os dentes a a mostra , pronta a atacar . Harry não soube ao_certo o que o levou a fazer aquilo . Não se lembrava sequer de ter tomado aquela decisão . Só soube que as pernas o fizeram avançar como_se tivesse rodas e que gritou a a serpente : - Larga o ! - E , milagrosa e inexplicavelmente , a serpente voltou a o chão , dócil como uma grande mangueira de jardim , preta e grossa , os olhos agora fixos em os olhos de Harry . Harry sentiu o medo a escoar se . Sabia que a cobra não atacaria mais ninguém , embora não pudesse explicar como sabia . Olhou para Justin a sorrir , esperando vê o aliviado , espantado , ou mesmo agradecido , mas nunca zangado ou assustado . - Que brincadeira é essa ? - gritou o outro e , antes que Harry tivesse tempo de dizer fosse o que fosse , voltou as costas e saiu de o salão . Snape deu um passo em frente , fez um gesto com a varinha e a serpente desapareceu em uma onda de fumo preto . Também ele , Snape , olhava para Harry de uma forma inesperada . Era um olhar arguto e calculista , de que Harry não gostou . Apercebeu se também vagamente de um murmúrio ameaçador que vinha de as paredes em volta . Depois , sentiu um puxão em a túnica . - Vamos - disse a voz de o Ron em o seu ouvido . - Mexe te , vá lá ... Ron arrastou o para fora de o salão . Hermione acompanhava os em a passada rápida . Quando cruzaram a porta , as pessoas que a rodeavam afastaram se , como_se tivessem medo de ser contagiadas . Harry não fazia a mais pequena ideia do_que estava a passar se e , nem Ron , nem Hermione lhe deram qualquer explicação , antes de o terem levado até a a sala comum de os Gryffindor , que se encontrava vazia . Aí , Ron empurrou Harry para uma cadeira de braços e disse : - Tu és um * serpentês * . Porque não nos disseste ? - Eu sou um quê ? - perguntou Harry . - Um * serpentês * ! - exclamou o Ron . - Falas com as cobras . - Eu sei - declarou Harry . - Quer_dizer , esta foi a segunda vez que o fiz . A outra foi há muito_tempo em o jardim zoológico , quando soltei uma Boa_Constrictor a o meu primo Dudley . É uma longa história , mas ela estava a dizer me que nunca tinha estado em o Brasil e eu acho que a libertei sem querer . Foi antes de saber que era feiticeiro . . . - Uma Boa_Constrictor disse te que nunca tinha estado em o Brasil ? - repetiu Ron , quase sem voz . - E então ? - disse o Harry . - Aposto que montes de pessoas aqui fazem o mesmo . - Não fazem , não - afirmou Ron . - Não é um dom muito frequente . Harry , isso é mau . - O que é_que é mau ? - perguntou Harry , que começava a ficar chateado . - O que é_que se passa com todos os outros ? Ouve bem , se eu não tivesse dito a aquela cobra para não atacar o Justin ... - Ah , foi isso que tu disseste ? - Que queres dizer ? Tu estavas lá , ouviste perfeitamente o que eu disse . - Eu ouvi te falar em serpentês - disse o Ron . - Língua de cobra . Podias estar a dizer lhe qualquer coisa . Não admira que o Justin tivesse entrado em pânico . Parecia que estavas a incitar a serpente . Foi assustador , sabes ? Harry olhou para ele espantado . - Eu falei uma língua diferente ? Mas não me apercebi , como posso falar uma língua , sem saber que a conheço ? Ron abanou a cabeça . Tanto ele como Hermione tinham um ar fúnebre . Harry não percebia o que havia em aquilo de tão trágico . - Será que me querem explicar o que há de mal em ter impedido que uma serpente enorme arrancasse a cabeça a o Justin ? - perguntou . - Porque é tão importante como o fiz , se evitei que o Justin fosse juntar se a grupo de os SEM_CABEÇA ? - Importa - disse por fim Hermione , em uma voz abafada . - Porque falar com serpentes era a arte por a qual Salazar_Slytherin ficou famoso . Por isso , o símbolo de os Slytherin é uma serpente . Harry ficou de boca aberta . - Exacto - disse o Ron . - E agora todos em a escola vão pensar que tu és descendente de ele . - Mas não sou - contrapôs Harry com um pânico que não conseguia explicar . - Não vai ser fácil prová o - disse Hermione . - Ele viveu há quase mil anos . Pelo que vimos , podias ser . Em essa noite , Harry ficou acordado durante horas . Por uma fresta de os cortinados de a cama de dossel , olhou para a neve que começava a cair de o lado de_fora de a janela de a torre e perguntou se se poderia ser descendente de Salazar_Slytherin . Afinal , não sabia nada de a família de o pai , os Dursley tinham sempre proibido qualquer pergunta sobre os seus familiares feiticeiros . Calmamente , tentou dizer qualquer coisa em * serpentês * , mas as palavras não saíam . Parecia que era necessário estar frente_a_frente com uma cobra para poder fazê o . Mas eu sou um Gryffindor , pensou Harry , o chapéu seleccionador não me poria aqui se eu tivesse sangue de Slytherin ... - Ah ! - disse uma vozinha dentro de o seu cérebro . - Mas o chapéu seleccionador queria pôr te em os Slytherin , não te lembras ? Harry deu voltas e voltas a a cabeça . Em o dia seguinte , quando visse Justin em a aula de herbologia explicaria lhe que estava a afastar a serpente , não a atiçá a o que , aliás , pensou zangado , dando vários socos em a almofada , qualquer idiota teria percebido . Contudo , em a manhã seguinte , a neve que começara a cair durante a noite , transformara se em uma tempestade tão espessa que a última aula de herbologia de o período foi cancelada : a professora Sprout queria tapar as mandrágoras com peúgas e cachecóis , uma operação arriscada que ela não confiava a ninguém agora_que era tão importante que as mandrágoras crescessem depressa e reabilitassem Mrs._Norris e Colin_Creevey . Junto de a lareira de a sala comum de os Gryffindor , Harry matutava sobre o que se passara enquanto Ron e Hermione aproveitavam o foro para jogar xadrez de feitiçaria . - Com os diabos , Harry - disse Hermione exasperada quando um bispo derrubou um de os cavaleiros de o cavalo , arrastando o para fora de o tabuleiro . - Vai falar com o Justin , se isso é assim tão importante para ti . Harry levantou se e saiu por o buraco de o retrato , perguntando a si próprio onde poderia estar o Justin . O castelo estava mais escuro do_que era habitual durante o dia por causa de a neve espessa e cinzenta que cobria as janelas . A tremer , Harry passou por as salas onde estava a haver aulas , captando lampejos do_que sucedia lá dentro . A professora Mc_Gonagall gritava com alguém que , segundo lhe parecia por o som , transformara o parceiro em um texugo . Resistindo a a tentação de dar uma espreitadela , Harry afastou se pensando que Justin poderia estar a utilizar o tempo de o furo para fazer algum trabalho e resolveu , por isso , ir até a a biblioteca . Um grupo de alunos de os Hufflepuff , que deveriam ter estado em Herbologia , encontrava se , de facto , sentado em as traseiras de a biblioteca , mas não parecia estar a trabalhar . Entre as fileiras de as estantes altas , Harry pôde ver as suas cabeças muito juntas em aquilo que deveria ser uma conversa absorvente . Não conseguia perceber se Justin estaria em o meio de eles . Ia para se aproximar quando apanhou em o ar uma frase e parou para ouvir melhor , escondido em a secção de a invisibilidade . - Portanto - dizia um rapaz corpulento - eu disse a o Justin para se esconder em o nosso dormitório . Isto_é , se o Potter o escolheu como próxima vítima é melhor que ele tenha um * low profile * durante algum tempo . É claro que o Justin já estava a a espera que alguma coisa de o género acontecesse desde_que lhe escapou em uma conversa com o Potter que era filho de Muggles . O Justin disse lhe , inclusivamente , que tinha estado inscrito em Eton . Não é o tipo de coisa que se ande a dizer com o herdeiro de Slytherin a a solta por aí . - Achas mesmo_que é o Potter , Ernie ? - perguntou uma rapariga de tranças loiras , ansiosamente . - Hannah - disse com solenidade o rapaz corpulento . - Ele é um serpentês . Todos sabem que essa é a marca de um feiticeiro negro . Alguma vez ouviste falar de um feiticeiro decente que falasse com as cobras ? O Slytherin era conhecido por « Língua de serpente . . Houve alguns murmúrios antes de Ernie prosseguir : - Lembram se do_que estava escrito em a parede ? * _ Inimigos de o herdeiro , cuidado ! * . O Potter teve que ir a o gabinete de o Filch . E o que é_que acontece a seguir ? A gata de o Filch é atacada . O aluno de o primeiro ano , Creevey , estava a aborrecê o em a partida de Quidditch , a tirar lhe fotografias quando ele estava caído em a lama . E o que é_que acontece a seguir ? Creevey é atacado . - Mas ele parece sempre ser tão simpático - disse Hannah , cheia de dúvidas . - E , bem , foi ele que fez com que o Quem nós sabemos desaparecesse . Não pode ser assim tão mau , pois não ? Ernie baixou misteriosamente a voz . Os Hufflepuff inclinaram se mais uns para os outros e Harry aproximou se para conseguir apanhar as palavras de o Ernie . - Ninguém sabe como ele sobreviveu a aquele ataque de o Quem nós sabemos e , afinal , ainda era um bebé quando aquilo aconteceu . Era para ter explodido feito em estilhaços . Só um feiticeiro negro verdadeiramente poderoso teria sobrevivido a uma maldição de aquelas . - Baixou ainda mais a voz até esta ficar reduzida a um leve murmúrio e disse : - Talvez fosse por isso que o Quem nós sabemos o queria matar , para não ter outro feiticeiro negro a competir com ele . Gostava de saber que outros poderes ocultos terá o Potter . Harry não aguentou mais . Pigarreou alto e saiu detrás de as estantes . Se não estivesse tão zangado teria conseguido ver o lado cómico de a situação : cada_um de os Hufflepuff olhava para ele como_se tivesse sido petrificado , e a cor desaparecera de a cara de o Ernie . - Olá - disse Harry . - Estou a a procura de o Justin_Finch - _ Fletchley . Os piores receios de os Hufflepuff tinham se concretizado . Olharam apavorados para o Ernie . - O que queres de ele ? - perguntou Ernie em uma voz sumida . - Explicar lhe o que aconteceu com aquela cobra em o clube de os duelos - disse Harry . Ernie mordeu os lábios brancos e , em seguida , respirando fundo , respondeu : - Estávamos lá todos . Vimos o que aconteceu . - Então viram que depois de eu falar a serpente recuou - disse Harry . - O que eu vi - insistiu teimosamente Ernie , apesar_de tremer a cada palavra que proferia - foi tu a falares serpentês e a atiçares a cobra conta o Justin . - Eu não a aticei - gritou Harry enraivecido . - Ela nem lhe tocou . - Falhou por_pouco - disse Ernie . - E , para o caso de estares com ideias - acrescentou com má cara - posso dizer te que a minha família provem de nove gerações de bruxas e feiticeiros e que o meu sangue é tão puro como o de qualquer feiticeiro , portanto ... - Quero lá saber qual é o teu sangue - disse Harry furioso . - Porque iria eu atacar os filhos de os Muggles ? - Ouvi dizer que detestas os Muggles com quem vives - disse Ernie rapidamente . - Não é possível viver com os Dursley sem os detestar - explicou Harry . - Gostava de te ver lá em casa . Girou sobre os calcanhares e saiu furioso de a biblioteca sob o olhar reprovador de Madam_Prince que limpava a capa dourada de um enorme livro de encantamentos . Harry avançou a as cegas por os corredores , quase sem ver por_onde ia de tão furioso que estava . O resultado foi chocar com algo enorme e sólido que o fez recuar e cair a o chão . - Ah ! Olá , Hagrid - disse , olhando para_cima . Hagrid tinha o rosto completamente tapado com um lenço coberto de neve , mas não podia ser mais ninguém , enchendo assim o corredor dentro de o seu sobretudo de pele de toupeira . De uma de as enormes mãos enluvadas , pendia um galo morto . - Tudo bem , Harry ? - perguntou , afastando o lenço para poder falar . - Porque não estás em a aula ? - Foi cancelada - disse Harry , pondo se de pé . - O que estás a fazer aqui ? Hagrid mostrou lhe o galo inerte . - É o segundo qu'aparece morto este período - explicou . - Ou são raposas ou um vampiro chato e eu preciso d'autorização de o director p'ra fazer um feitiço em volta de a capoeira . Aproximou se e olhou mais de perto para o Harry , por debaixo de as suas sobrancelhas espessas e cheias de neve . - Tens a certeza que estás bem ? Pareces exaltado e preocupado . Harry não foi capaz de repetir o que Ernie e os outros Hufflepuff lhe tinham dito . - Não é nada , tenho de ir , Hagrid . A próxima aula é Transfiguração e preciso de ir buscar os meus livros . Afastou se , a cabeça cheia com tudo_o_que Ernie dissera a seu respeito . « * _ O_Justin já estava d espera que uma coisa de o género acontecesse desde_que deixou escapar , falando com o Potter , que era filho de Muggles * ... » Harry subiu as escadas a correr e entrou por um corredor que estava particularmente escuro . As tochas tinham sido apagadas por uma ventania gelada que entrava por uma janela de fecho estragado . Estava a meio de o corredor quando tropeçou em uma coisa que se encontrava em o chão . Olhou para ver o que era e sentiu como_se o estômago se tivesse dissolvido . Justin_Finch - _ Fletchley estava em o chão , rígido e frio com uma expressão de horror em o rosto e os olhos abertos voltados para o tecto . E não era tudo . Junto de ele estava mais alguém , a visão mais estranha que Harry tivera em toda_a sua vida . Era_o_Nick quase sem cabeça que não estava cor de pérola nem transparente e sim escuro como fumo . Flutuava imóvel , em a horizontal , 12 centímetros acima de o chão , a cabeça meio tombada e em o rosto uma expressão de choque idêntica a a de o Justin . Harry pôs se de pé com a respiração acelerada e o coração a bater como um tambor contra as costelas . Olhou desvairado para ambos os lados de o corredor deserto e viu uma fila de aranhas que corriam a_toda_a velocidade em a direcção oposta a a de os corpos . Os únicos sons eram as vozes abafadas de os professores em as aulas que decorriam de ambos os lados . Podia fugir e ninguém saberia que ali tinha estado , mas não era capaz de os abandonar assim . Tinha de ir procurar ajuda . Será que alguém acreditaria que ele não tivera nada que ver com aquilo ? Enquanto ali estava , em pânico , uma porta a o seu lado abriu se com grande estrondo . Peeves , o * poltergeist * , saiu a os gritos . - Oh ! É o Potter , olá , Potter - alardeou Peeves , lançando por o ar os óculos de o Harry quando passou por ele . - O que está o Potter a fazer ? Porque está o Potter escondido ? Peeves passou de cabeça para baixo , a meio de uma cambalhota em o ar , quando viu Justin e Nick quase sem cabeça . Com um movimento súbito endireitou se , encheu os pulmões de ar e , antes que Harry pudesse impedi o , gritou : __ ataque ! ataque ! outro ataque ! nenhum mortal ou fantasma está em segurança . corram , fujam , __ ataaaque ! Crac , Crac , Crac . Uma atrás de a outra , foram se abrindo todas_as portas a o longo de o corredor e as pessoas saíram para fora de as salas de aula . Durante alguns longos minutos houve uma tal confusão que Justin esteve em perigo de ser esmagado e as pessoas não paravam de chocar com o Nick quase sem cabeça . Harry deu por si colado a a parede enquanto os professores exigiam a os gritos que se fizesse silêncio . A professora Mc_Gonagall veio a correr , seguida por todos os alunos , um de os quais ainda trazia o cabelo a as riscas pretas e brancas . Usou a varinha para produzir um ruído que repôs o silêncio e mandou os alunos todos para dentro de as salas de aula . Mal lugar ficou desimpedido surgiu Ernie , o jovem Hufflepuff . - * _ Apanhado em flagrante ! * - gritou , com o rosto totalmente branco , apontando dramaticamente o dedo par Harry . - Basta_Mcmillan - disse , de forma cortante , a professora Mc_Gonagall . Peeves andava para_cima e para baixo , observando a cena com um sorriso maldoso . Sempre adorara o caos . Quando os professores se inclinaram sobre Justin e sobre o Nick quase sem cabeça para os examinar , iniciou uma cantilena : * _ Oh ! Potter , que fizeste , seu grande bandido * _ Tu matas os estudantes porque achas divertido . * - Basta , Peeves - rosnou a professora Mc_Gonagall e Peeves afastou se , deitando a língua de_fora a o Harry . Justin foi levado para a ala hospitalar por o professor Flitwick e por o professor Sinistra_do_Departamento_de_Astronomia , mas ninguém parecia saber o que fazer em relação a o Nick quase sem cabeça . Por fim , a professora Mc_Gonagall fez aparecer em o ar um enorme leque que entregou a Ernie com o encargo de conduzir , escadas acima , por os ares o Nick quase sem cabeça . Ernie assim fez , soprando Nick como_se fosse um aerodeslizador e deixando , de este modo , o Harry e a professora Mc_Gonagall a sós . - Por aqui , Potter - disse ela . - Professora , eu juro que não ... - Isso não é comigo , Potter - afirmou a professora Mc_Gonagall sinteticamente . Caminharam em silêncio até uma esquina e ela parou perante uma gárgula de pedra extremamente feia . - Refresco de limão - disse . Era obviamente uma senha porque a gárgula animou se subitamente e saltou para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes . Apesar_de estar apavorado com o que ia acontecer a seguir , Harry não conseguiu evitar um sentimento de fascínio . Por detrás de a parede estava uma escada em espiral que se movia lentamente para_cima como um elevador . E quando ele e a professora Mc_Gonagall puseram os pés em o primeiro degrau , Harry ouviu a parede fechar se atrás de eles . Subiram em círculos , cada_vez_mais alto até que , por fim , um_pouco tonto , Harry pôde ver uma porta de carvalho reluzente com um puxador de bronze em forma de abutre . Harry calculava onde estava a ser levado . Devia ser ali que morava Dumbledore . XII_A poção * polisuco * Saltaram de a escada de pedra lá mesmo em cima e a professora Mc_Gonagall bateu a a porta . Ela abriu se silenciosamente dando lhes entrada . A professora Mc_Gonagall disse lhe que esperasse e deixou o sozinho . Harry olhou em volta . Uma coisa era certa : de todos o escritórios de professores que conhecia , o de Dumbledor era , de longe , o mais interessante . Se não estivesse com um medo de morte de ser expulso teria adorado explorá o . Era uma sala grande e bonita em forma de círculo que estava cheia de barulhinhos estranhos . Havia um grande número de instrumentos prateados sobre várias mesas de pernas finas que zumbiam emitindo pequenas baforadas de fumo . As paredes estavam cobertas de fotografias de antigos directores e directoras , todos eles a dormir tranquilamente em as suas molduras . Havia ainda uma enorme secretária pés de garra . E , sobre uma prateleira atrás de ela , um chapéu de feiticeiro andrajoso e puído : * o chapéu seleccionador * . Harry hesitou . Lançou um olhar cauteloso a as bruxas e feiticeiros adormecidos a o longo de as paredes . Com certeza não fazia mal se lhe pegasse e o experimentasse só para ver ... só para ter a certeza de que ele o pusera em a equipa certa . Deu a volta a a secretária , retirou o chapéu de a prateleira e baixou o lentamente sobre a cabeça . Era demasiado grande e escorregou lhe para os olhos como de a outra_vez que o tinha posto . Harry olhou para o forro preto , enquanto esperava . Por fim , uma vozinha disse lhe a o ouvido : - Estás com macaquinhos em o sótão , Harry_Potter ? - Er ... sim - balbuciou Harry . - Er ... desculpa incomodar te , queria saber ... - Querias saber se te pus em a equipa certa - disse prontamente o chapéu . - Sim ... tu és particularmente difícil de seleccionar , mas eu mantenho o que disse antes . - O coração de Harry deu um salto . - Terias ficado bem em os Slytherin . Harry sentiu o estômago contorcer se . Agarrou o chapéu por a aba e tirou o de a cabeça . O chapéu seleccionador ficou pendurado em a mão de ele , inerte , desbotado e sujo . Harry voltou a pô o em a prateleira , sentindo se enjoado . - Estás enganado ! - disse em voz alta a o chapéu parado e silencioso , mas ele não se mexeu . Harry recuou para o observar melhor e foi então que ouviu um ruído estranho e grasnado atrás_de si que o fez dar uma volta . Não estava só , afinal_de_contas . Em um poleiro dourado atrás de a porta estava um pássaro de aspecto decrépito que parecia um peru meio depenado . Harry olhou para ele espantado e o pássaro olhou o também , grasnando de_novo . Harry achou que ele devia estar muito doente porque tinha os olhos parados e , enquanto olhava para ele , caíram lhe mais algumas penas de a cauda . Estava justamente a pensar que a única coisa que lhe faltava era que o pássaro de estimação de Dumbledore morresse quando ele estava ali sozinho com ele , em o escritório , quando a ave se incendiou . Harry gritou , em estado de choque , e recuou até a a secretária . Olhava nervosamente em volta , em busca de um jarro de água , mas não viu nenhum . O pássaro , entretanto , transformara se em uma bola de fogo , dera um guincho e , em seguida , desaparecera , deixando apenas um monte de cinzas em o chão . A porta de o escritório abriu se . Dumbledore entrou com ar taciturno . - Professor - gaguejou Harry . - O seu pássaro ... eu não pode fazer nada ... ele incendiou se . Para seu grande espanto , Dumbledore sorriu . - Já não era sem tempo . Estava com um aspecto horrível em os últimos dias . Fartei me de lhe dizer que fizesse qualquer coisa . Riu se entre dentes com a expressão em o rosto de Harry . - A Fawkes é uma fénix , Harry . As fénix ardem quando é altura de morrer e renascem de as cinzas , repara ... Harry olhou mesmo a_tempo_de ver um passarinho recém-nascido , todo enrugado , espetar a cabeça fora de as cinzas . Era quase tão feio como o antigo . - É uma pena que a tenhas conhecido em dia de arder - disse Dumbledore , passando para trás de a secretária . - É muito bonita a maior parte de o tempo , com uma plumagem vermelha e dourada . São criaturas fascinantes , as fénix . Podem transportar cargas pesadíssimas , as suas lágrimas têm propriedades curativas e são animais de estimação extremamente fiéis . Com o choque de a fénix a pegar fogo , Harry esquecera se de o motivo porque ali estava , mas tudo voltou rapidamente quando Dumbledore se instalou em a cadeira de espaldar alto e o fixou com os seus olhos azuis e penetrantes . Contudo , antes que ele tivesse tido tempo de falar , a porta de o escritório abriu se de par em par com um enorme estrondo e Hagrid entrou com um olhar tresloucado , o lenço todo torcido em volta de a cabeça hirsuta e o galo morto ainda pendurado em a mão . - Não foi Harry , professor Dumbledore - disse , aflito . - Eu tinha estado a falar com ele poucos segundos antes de o rapazinho ser encontrado , ele não teve tempo professor ... Dumbledore tentou dizer qualquer coisa , mas Hagrid continuou , abanando o galo em o meio de a sua agitação e espalhando penas por todo o lado . - Não pode ter sido ele . Eu juro em a frente de o ministro de a magia , se for preciso ... - Hagrid , eu ... -- Tem o rapaz errado , professor . Eu sei qu'o Harry nunca ... - Hagrid - disse Dumbledore , elevando a voz . - Eu não penso que o Harry tenha atacado aquelas pessoas . - Oh ! - disse Hagrid , com o galo pendendo inerte a o seu lado . - Certo , ' tão eu espero lá fora , director . E saiu com ar envergonhado . - O senhor não acha que tenha sido eu ? - repetiu Harry cheio de esperança , enquanto Dumbledore sacudia penas de galo de cima de a secretária . - Não , Harry , não acho - afirmou Dumbledore , apesar de a sua expressão ser de_novo sombria . - Mas mesmo_assim quero falar contigo . Harry esperou ansiosamente enquanto o director o observava com as pontas de os dedos longos unidas . - Tenho de saber uma coisa . Harry , há alguma pergunta que queiras fazer me , qualquer que ela seja ? Harry não soube o que dizer . Lembrou se de Malfoy a gritar * _ Vocês serão os próximos , sangues de lama * e de a poção * _ Polisuco * em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Depois pensou em a voz sem corpo que ouvira duas vezes e em o que o Ron dissera * _ Ouvir vozes que ninguém mais ouve não é bom sinal , nem mesmo em o mundo de a feitiçaria * . Pensou também em o que toda_a_gente dizia de ele e em o receio cada_vez maior de ter uma relação qualquer com Salazar_Slytherin ... - Não - disse por fim . - Não há nada , professor . O ataque duplo a Justin e a o Nick quase sem cabeça transformou o que até_então era nervosismo em verdadeiro pânico . Curiosamente fora o destino de o Nick quase sem cabeça o que mais preocupara as pessoas . Quem poderia ter feito aquilo a um fantasma ? - perguntavam uns a os outros . - Que poder terrível era aquele , capaz de afectar alguém que já tinha morrido ? Houve uma precipitação enorme em a marcação de os bilhetes em o Expresso_de_Hogwarts , pois todos os alunos quiseram ir passar o Natal a casa . - Por este caminho , vamos ser os únicos a ficar - disse o Ron a o Harry e a a Hermione . - Nós , o Malfoy , o Goyle e o Crabbe , que férias lindas que vão ser ! Crabbe e Goyle que faziam sempre o que Malfoy fazia , tinham se inscrito para ficar também durante as férias . Mas Harry estava contente por a maior parte se ir embora . Estava farto de ver gente a afastar se em os corredores como_se ele fosse mostrar os dentes ou cuspir veneno . Estava cansado de tantos segredinhos , de os ver apontar e segredar quando passava . O Fred e o George , esses achavam muito divertido . Vinham , de propósito , pôr se a a frente de ele e atravessavam os corredores a gritar : - Abram alas para o herdeiro de Slytherin , vai passar um feiticeiro verdadeiramente cruel . Percy discordava totalmente de este comportamento . - Não é um assunto para se brincar - dizia com frieza . - Sai mas é de o caminho , Percy - dizia o Fred . - O Harry está com pressa . - Sim , ele vai a a Câmara_dos_Segredos tomar uma chávena de chá com o seu servidor dentes de serpente - completava Fred com uma gargalhada . Ginny também não lhes achava graça . - Cala te - gritava ela sempre_que o Fred perguntava em voz alta a o Harry quem estava a pensar atacar a seguir , ou quando George fingia afastá o com um enorme dente de alho . Harry não se importava . Fazia o sentir se melhor o facto de constatar que , pelo_menos para o Fred e para o George , a ideia de ele ser o herdeiro de Slytherin era absolutamente ridícula . Mas as palhaçadas de eles pareciam ofender Draco_Malfoy que , de cada_vez que os via , ficava mais irritado . - É porque está ansioso por dizer que é mesmo ele - disse o Ron com ar conhecedor . - Sabes como ele detesta que alguém o ultrapasse e tu estás a receber todo o crédito por o seu trabalho sujo . - Não vai ser por muito_tempo - disse Hermione com uma voz satisfeita . - A poção * polisuco * está quase pronta . Um de estes dias arrancamos lhe a verdade . Finalmente , o período chegou a o seu termo e um silêncio profundo como a neve em os campos desceu sobre o castelo . Harry adorou a tranquilidade e apreciou o facto de ele , Hermione e os Weasley terem a torre de os Gryffindor por sua conta , poderem jogar a as explosões bem alto , sem incomodar ninguém e praticar duelos entre si . O Fred , o George e a Ginny tinham preferido ficar em a escola a ir com Mr. e Mrs._Weasley a o Egipto visitar o Bill . Percy que reprovava e considerava infantil a conduta de eles , não passava muito_tempo em a sala comum de os Gryffindor . Já lhes dissera pomposamente que só ficara ali em o Natal , por ser sua obrigação como prefeito apoiar os professores em aquela época agitada . A manhã de o dia de Natal clareou branca e fria . Harry e Ron , os únicos que estavam em o dormitório , foram acordados muito cedo por Hermione que entrou , toda vestida , transportando presentes para ambos . - Acordem - disse em voz alta , abrindo os cortinados . - Hermione , tu não devias estar aqui - exclamou o Ron , protegendo os olhos de a luz . - Feliz_Natal para ti também - disse Hermione , atirando lhe o presente que tinha para ele . - Estou acordada há quase uma hora , acrescentando mais asas de renda a a poção . Está pronta . Harry sentou se , subitamente acordado . - Tens a certeza ? - Absoluta - disse ela , afastando o rato Scrabbers para se sentar a os pés de a cama de dossel . - Se vamos mesmo tomá a , acho que devia ser logo a a noite . Em esse momentzo , a Hedwig entrou em o quarto , transportando em o bico um embrulho pequenino . - Olá - disse Harry , feliz a o vê a aterrar em a sua cama . - Já me falas outra_vez ? Ela mordiscou lhe a orelha de uma forma afectuosa que foi , de longe , um presente melhor do_que aquele que transportava e que era afinal de os Dursley . Tinham mandado a Harry um palito para os dentes com um cartão pedindo lhe que se informasse se não poderia ficar , também em o Verão , em Hogwarts . Os outros presentes que Harry recebeu foram bastante melhores . Hagrid mandara lhe uma lata grande de bombons de melaço que ele decidiu amolecer a o lume antes de comer , o Ron deu lhe um livro chamado * _ Voando com Canhões * , que narrava factos interessantes sobre a sua equipa favorita de Quidditch e Hermione trouxera lhe uma luxuosa pena de águia . Harry abriu o último presente onde vinha uma camisola novinha , feita a a mão por Mrs._Weasley e um grande bolo de passas . Pegou em o cartão com uma nova sensação de culpa , pensando em o carro de Mr._Weasley que não voltara a ser visto desde_que chocara contra o salgueiro zurzidor e em a quantidade de infracções que ele e o Ron tinham em mente . Ninguém , nem mesmo os que estavam cheios de medo por terem de tomar a poção * polisuco * a seguir , deixou de adorar o jantar de Natal em Hogwarts . O salão nobre estava magnífico . Não_só havia uma_dúzia de árvores de Natal , cobertas de geada e espessas serpentinas de azevinho e visco bravo cruzando se junto de o tecto como caia uma neve encantada quente e seca . Dumbledore conduziu os em uma de as suas canções de Natal preferidas enquanto Hagrid se agitava , falando cada_vez_mais alto , a cada gole de gemada que tomava . O Percy que não dera por_que Fred enfeitiçara o seu distintivo de prefeito , onde agora podia ler se « cabeça de alfinetes « , continuava a perguntar a todos para_onde estavam a olhar . Harry nem_sequer se importou com os comentários que Draco_Malfoy fazia bem alto , de a mesa de os Slytherin acerca de a sua camisola nova . Com alguma sorte , Malfoy iria ser desmascarado dentro_de algumas horas . Harry e Ron mal tinham acabado a terceira dose de pudim de Natal quando Hermione os fez sair de o salão a a pressa para acabarem de tratar de os planos para essa noite . - Ainda precisamos de um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos - disse com o ar mais natural de este mundo como_se estivesse a mandá os a o supermercado comprar detergente . - E , é claro que o ideal será conseguirmos alguma coisa de o Crabbe e de o Goyle , são os melhores amigos de o Malfoy , ele conta lhes tudo . E precisamos também de ter a certeza de que eles não vão entrar em a sala quando vocês estiverem a interrogar o Malfoy . - Eu tenho tudo pensado - prosseguiu ela , ignorando a expressão estupefacta de Harry e Ron . Pegou em dois apetitosos bolos de chocolate . - Pus lhes um encantamento de sono . Vocês só têm de fazer com que o Crabbe e o Goyle os encontrem . Sabem como eles são gulosos , vão logo comê os . Quando estiverem a dormir , tirem lhes alguns cabelos e escondam nos em uma despensa de vassouras . Harry e Ron olharam , incrédulos , um para o outro . -- Hermione , eu não creio que ... -- Isto pode correr muito mal ... Mas Hermione tinha um brilho inflexível em os olhos que não era muito diferente do_que costumavam ver em o olhar de a professora Mc_Gonagall . - A poção não nos serve de nada sem os cabelos de o Crabbe e de o Goyle - disse com firmeza . - Vocês querem mesmo descobrir coisas sobre o Malfoy , não querem ? - Pronto , está bem - disse Harry . - Mas , e tu , vais arranjar cabelos de quem ? - Eu já tenho esse assunto resolvido - disse Hermione sorridente , tirando um frasquinho de o bolso e mostrando lhes um cabelo que lá estava dentro . - Lembram se de a Millicent_Bulstrode que lutou comigo em o clube de os duelos ? Ela deixou isto em o meu manto quando tentava estrangular me . E foi passar o Natal a casa , portanto , basta me dizer a os Slytherins que decidi voltar . Quando Hermione saiu para verificar de_novo a poção polisuco , Ron voltou se para Harry com uma expressão lúgubre . - Alguma vez viste um plano onde tantas coisas pudessem correr mal ? Mas para grande espanto de ambos , a primeira fase de a operação decorreu tão naturalmente como Hermione previra . Eles esconderam se em o * hall * de entrada , depois de o lanche de Natal , a a espera de o Crabbe e de o Goyle que tinham ficado sozinhos a a mesa de os Slytherin , deitando abaixo a quarta dose de bolo inglês . Harry colocou os bolos de chocolate em o fim de o corrimão . Quando avistaram Crabbe e Goyle a sair de o salão , Harry e Ron esconderam se rapidamente atrás_de uma armadura que estava junto de a porta de entrada . - Como_se pode ser tão estúpido ? - murmurou Ron sem se mexer enquanto Crabbe apontava satisfeitíssimo , mostrando a Goyle os bolos e agarrando os . Com um riso estúpido , enfiaram nos inteiros em as bocas enormes . Durante um momento , ambos mastigaram avidamente com olhares vitoriosos em o rosto . Depois , sem que a expressão se alterasse , caíram para trás e estatelaram se em o chão . Mais difícil foi transportá os para a despensa de o outro lado de o * hall * . Uma_vez armazenados em o meio de os baldes e esfregões , Harry arrancou alguns de os pêlos que cobriam a cabeça de o Goyle e Ron tirou alguns cabelos a o Crabbe . Roubaram lhes também os sapatos porque os de eles eram demasiado pequenos para os enormes pés de o Crabbe e de o Goyle . Em seguida , ainda atordoados com o que tinham acabado de fazer , correram até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mal conseguiam ver com o fumo preto e espesso que saía de o cubículo onde Hermione mexia o caldeirão . Tapando o rosto com os mantos , Harry e Ron bateram a o de leve em a porta . - Hermione ? Ouviram o ruído de o trinco e Hermione apareceu com a cara lustrosa e um ar ansioso . Por trás de ela ouviam o gloop gloop de a poção espessa e gorgolejante . Em o banco de a casa_de_banho estavam três copos de vidro . - Conseguiram ? - perguntou Hermione quase sem fôlego . Harry mostrou lhe o cabelo de o Goyle . - _ óptimo . Eu tirei estes mantos suplementares de a lavandaria - disse ela , pegando em uma pequena saca . - Vocês vão precisar de tamanhos maiores se vão ser o Crabbe e o Goyle . Olharam os três para o caldeirão . Vista de perto , a poção parecia uma lama espessa e escura a borbulhar indolentemente . - Tenho a certeza que fiz tudo certo - disse Hermione nervosa , relendo a página manchada de * _ Moste_Potente_Potions * . - Tem o aspecto que o livro diz que deveria ter ... depois de a tomar temos precisamente uma hora antes de nos transformarmos de_novo em as pessoas que somos . - E agora ? - murmurou o Ron . - Separamos a em três copos e adicionamos os cabelos . Hermione encheu cada_um de os copos com uma concha de sopa . Em seguida , retirou com a mão a tremer o cabelo de Millicent_Bulstrode de dentro de o frasquinho e pô o em o primeiro copo . A poção chiou fortemente como uma chaleira a ferver e espumou como louca . Um segundo depois ganhara um tom de amarelo doentio . - Urgh ! Essência_de_Millicent_Bulstrode - disse Ron , olhando com repugnância . - Aposto que o sabor é nojento . - Deitem os vossos - disse Hermione . Harry deixou cair o cabelo de o Goyle em o copo de o meio e Ron lançou o de o Crabbe em o último . Ambos chiaram e espumaram : o de o Goyle ficou de um tom caqui , o de o Crabbe de um castanho-escuro algo tenebroso . - Esperem - pediu Harry quando Ron e Hermione pegaram em os copos . - Será melhor não os tomarmos aqui todos juntos em um cubículo ; quando em os transformarmos não vamos cá caber e Millicent_Bulstrode não é nenhum duende . - Bem pensado - admitiu o Ron , abrindo a porta . - Cada_um em seu cubículo . Com todo o cuidado , para não entornar nem uma gota de a poção polisuco , Harry esgueirou se para o cubículo de o meio . - Prontos ? - perguntou . - Prontos - responderam as vozes de o Ron e de a Hermione . - Um , dois , três . Tapando o nariz , Harry bebeu a poção em dois grandes tragos . Tinha o sabor de a couve demasiado cozida . Os seus interiores começaram imediatamente a contorcer se como_se tivesse engolido serpentes vivas . Dobrado , Harry perguntava a si próprio se iria vomitar . Depois , uma sensação de ardor espalhou se rapidamente de o estômago até a as pontas de os dedos de as mãos e de os pés . Em seguida , fazendo o sobressaltar se , sobreveio o sentimento horrível de estar a derreter enquanto a pele de todo o seu corpo borbulhava como cera quente e , perante os seus olhos , as mãos começaram a crescer , os dedos a engrossar , as unhas a alargar e as articulações a tornarem se protuberantes como ferrolhos . Os ombros retesaram se dolorosamente e uma comichão em a testa preveniu o de que o cabelo estava a rastejar em direcção a as sobrancelhas . As túnicas rasgaram se enquanto o tórax se expandia como um barril , rebentando com os seus anéis . Os pés estavam em grande sofrimento dentro_de sapatos quatro números abaixo . Tão depressa como começara , tudo parou . Harry estava caído em o chão de pedra fria , ouvindo a Murta_Queixosa gorgolejando taciturna em o cubículo de o fundo . Com alguma dificuldade tirou os sapatos e levantou se . Era então assim que o Goyle se sentia ! Com a mão enorme a tremer , despiu a sua túnica que lhe ficava 30 centímetros acima de os tornozelos , pegou em as túnicas suplementares e amarrou os atacadores de os sapatos abotinados de o Goyle . Quis escovar o cabelo para o afastar um_pouco de os olhos e deu apenas com os pêlos hirsutos que lhe cresciam em a testa . Apercebeu se então de que os óculos lhe toldavam a visão porque o Goyle , obviamente , não precisava de eles . Tirou os e gritou . - Vocês estão bem ? - De a sua boca saiu a voz baixa e grossa de o Goyle . - Sim - respondeu lhe o grunhido de o Crabbe , a a sua direita . Harry abriu a porta de o cubículo e dirigiu se a o espelho partido . O Goyle olhava o de o outro lado com os seus olhos parados . Harry coçou a orelha e Goyle fez o mesmo . A porta de o Ron abriu se . Olharam um para o outro . Harry estava pálido e chocado . O amigo não se distinguia de o Crabbe , desde o corte de cabelo em forma de tigela até a os longos braços de gorila . - É inacreditável - disse o Ron , aproximando se de o espelho e beliscando o nariz achatado de o Crabbe . - Inacreditável ! - É melhor irmos indo - disse Harry , alargando a pulseira de o relógio que lhe cortava o pulso . - Ainda temos de descobrir onde fica a sala comum de Slytherin . Só espero que encontremos alguém que vá para lá e que nós possamos seguir . Ron que tinha estado a olhar espantado para ele , comentou : - Não imaginas como é bizarro ver o Goyle a pensar - bateu em a porta de Hermione . - Vamos , temos que ir ... Respondeu lhe uma voz aguda : - Eu ... eu acho que afinal não vou . Vão vocês sem mim . - Hermione , nós sabemos que a Millicent_Bulstrode é feia , ninguém vai pensar que és tu . - Não , a sério , acho que não vou . Despachem se vocês os dois , estão a perder tempo . Harry olhou para Ron , baralhado . - Aquilo parece mais de o Goyle , é como ele fica sempre_que algum professor lhe faz uma pergunta . - Estás bem , Hermione ? - perguntou Harry , através de a porta . - _ óptima , estou óptima , vão se embora . Harry olhou para o relógio . Cinco preciosos minutos tinham já passado . - Encontramo nos aqui , está bem ? - disse . Os dois abriram a porta de a casa_de_banho com todo o cuidado , viram se o caminho estava livre e saíram . - Não balances assim os braços - disse o Harry a o Ron . - Hein ? - O Crabbe anda sempre com eles esticados . - Assim ? - Isso , assim está melhor . Desceram a escadaria de mármore . Só precisavam agora de um Slytherin que pudessem seguir até a a sala comum , mas não havia ninguém por perto . - Tens alguma ideia ? - perguntou Harry em um murmúrio . - Os Slytherin vêm sempre de ali para o pequeno-almoço - disse o Ron , apontando para a entrada de os calabouços . Mal tinha pronunciado estas palavras quando uma rapariga de cabelo comprido a os caracóis , apareceu . - Desculpa - disse o Ron , sem perder tempo . - Esquecemo nos de o caminho para a nossa sala comum . - Como ? - disse a rapariga com a maior frieza . - A * nossa * sala comum ? Eu sou uma Ravenclaw . Afastou se , olhando para eles , desconfiada . Harry e Ron desceram apressadamente os degraus de pedra até a a escuridão . Os passos ecoavam em o silêncio , à_medida_que os pés enormes de Crabbe e Goyle tocavam em o chão , fazendo os sentir que as coisas não iam ser tão fáceis como eles desejavam . Os corredores labirínticos estavam desertos . Andaram e tornaram a andar por os subterrâneos , olhando constantemente para os relógios para ver quanto tempo ainda lhes restava . Depois de um quarto de hora , quando começavam a ficar desesperados , ouviram um movimento súbito . - Olha - disse o Ron , agitadamente . - Agora é um de eles . A silhueta saía de uma sala , mas quando se aproximaram o coração de ambos esmoreceu . Não era um Slytherin , era Percy . - O que estás a fazer aqui em baixo ? - perguntou o Ron surpreendido . - Isso - disse ele friamente - não é de a tua conta . És o Crabbe , não és ? - Er ... sim , sim - respondeu o Ron . - Então vão para o vosso dormitório - ordenou Percy com firmeza . - Não é seguro andar a passear por os corredores escuros em os dias que correm . - Tu andas -- fez notar o Ron . - Eu - disse o Percy endireitando se - sou um prefeito . Nada vai atacar me . Ouviu se , de repente , uma voz por_detrás_de Harry e Ron . Era_Draco_Malfoy e , pela_primeira_vez em a vida , Harry ficou satisfeito a o vê o . - Aí estão vocês - disse de modo arrastado , olhando para eles . - Têm estado a chafurdar em o salão este tempo todo ? Tenho andado a a vossa procura , quero mostrar vos uma coisa muito divertida . Malfoy olhou misteriosamente para Percy . - E o que fazes tu aqui , Weasley ? - perguntou com ar de desprezo . Percy olhou , sentindo se ultrajado . - Fazes favor de mostrar um_pouco mais de respeito por um prefeito de a escola - disse . - Não gosto de o teu ar . Malfoy riu se e fez sinal a o Harry e a o Ron para que o seguissem . Harry quase ia pedindo desculpa a o Percy , mas deu se conta a tempo . Apressaram se a seguir o Malfoy que disse , mal viraram em o corredor seguinte : - Aquele Peter_Weasley ... - O Percy - corrigiu Ron automaticamente . - Ou isso - continuou Malfoy . - Ultimamente tenho o visto muitas_vezes a andar por aí sorrateiramente e aposto que sei o que ele quer . Pensa que vai apanhar o herdeiro de Slytherin sozinho . Deu uma pequena gargalhada ridícula . Harry e Ron trocaram olhares nervosos . Malfoy parou junto de uma parede de pedra húmida . - Qual é a senha ? - perguntou a o Harry . - Er ... - Ah ! sim , sangue puro - disse Malfoy sem ouvir e uma porta de pedra , oculta em a parede , abriu se . Malfoy entrou e Harry e Ron seguiram o . A sala comum de os Slytherin era uma ampla divisão subterrânea com espessas paredes de pedra e um tecto de o qual estavam pendurados por correntes vários candeeiros redondos que davam uma luz esverdeada . O fogo crepitava em uma lareira elaboradamente esculpida em frente de a qual se viam as silhuetas de vários Slytherins sentados em cadeiras igualmente esculpidas . - Esperem aí - disse Malfoy a o Harry e a o Ron , encaminhando os para um par de cadeiras vazias , longe de o lume . - Eu vou buscar o que o meu pai acaba de me mandar . Sem saber o que Malfoy iria mostrar lhes , Harry e Ron sentaram se , fazendo todos os possíveis por parecer a a vontade . Malfoy voltou um minuto depois , trazendo em a mão o que parecia ser um recorte de jornal . Pô o debaixo de o nariz de o Ron . - Vais te rir - disse . Harry viu os olhos de o Ron abrirem se como_se estivesse em estado de choque . Viu o ler o recorte rapidamente , dar uma gargalhada forçada e estender lhe o em seguida . Tinha sido retirado de o * _ Profeta_Diário * e dizia : inquérito em o ministério de a magia * _ Arthur_Weasley , chefe de o Gabinete_de_Mau_Uso_dos_Utensílios_dos_Muggles foi hoje multado em cinquenta galeões por ter enfeitiçado um carro de os Muggles . * _ O senhor Lucius_Malfoy , Membro_do_Conselho_Directivo_da_Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts , onde o carro enfeitiçado foi chocar em o princípio de este ano , exigiu hoje a demissão de Mr._Weasley . « * _ O_Weasley trouxe o descrédito a o Ministério « - declarou Mr._Malfoy a o nosso repórter . - « É claramente incompetente para fazer cumprir as leis e a sua protecção ridícula de os Muggles deveria ir imediatamente para a sucata . » * _ Mr._Weasley recusou se a fazer comentários , mas a sua mulher disse a os repórteres que desaparecessem de ali ou lançaria contra eles o vampiro de a família * . - Então - disse Malfoy impaciente quando Harry voltou a entregar lhe o recorte . - Não achas o_máximo ? - Ha , ha - fez Harry tristemente . - O Arthur_Weasley gosta tanto de os Muggles que era capaz de partir a sua varinha a o meio para se juntar a eles - disse Malfoy com desprezo . - Ninguém diria que os Weasley eram sangue puro a avaliar por o modo como_se comportam . A cara de o Ron , ou melhor , de o Crabbe , contorceu se de raiva . - O que é_que se passa ? - perguntou Malfoy . - Dores de estômago - gemeu o Ron . - Então vai a a ala hospitalar e dá a todos aqueles sangues de lama um pontapé de a minha parte - disse Malfoy com o seu riso escarninho . - Sabes que estou espantado por o * _ Profeta_Diário * ainda não se ter referido a todos estes ataques - continuou pensativamente . - Calculo que o Dumbledore deve estar a tentar abafar as coisas . Ele ainda é posto em a rua se isto não acaba depressa . O pai sempre disse que Dumbledore foi a pior coisa que aqui veio parar . Ele adora os filhos de os Muggles , um director decente nunca deixaria um lodo como o Creevey entrar em esta escola . Malfoy começou a fingir que tirava fotografias com uma máquina imaginária e fez uma imitação maldosa , mas bastante fiel de o Colin : - Potter , posso tirar te a fotografia ? Dás me um autógrafo ? Posso lamber te os sapatos , por favor , Potter ? Baixou as mãos e olhou para Harry e Ron . - O que é_que se passa com vocês os dois ? Um_pouco atrasados , Harry e Ron forçaram o riso e Malfoy pareceu satisfeito . Talvez Crabbe e Goyle fossem sempre de reacção lenta . - O santo Potter , amigo de os sangues de lama - disse Malfoy . - É outro que não tem os sentimentos de um feiticeiro a sério ou não andaria por aí com aquela empertigada sangue de lama Granger . E as pessoas a pensarem que ele é o herdeiro de Slytherin . Harry e Ron esperaram com a respiração entrecortada : o Malfoy ia certamente dizer lhes , dentro_de segundos , que era ele , mas então ... - Quem me dera saber quem ele é - disse o Malfoy , de forma petulante . - Podia ajudá o . O queixo de o Ron caiu de tal maneira que a cara de o Crabbe ficou ainda mais desajeitada do_que era habitual . Felizmente Malfoy não deu por nada e Harry , em um pensamento rápido , disse : - Deves ter alguma ideia de quem está por_detrás_de tudo ... - Sabes perfeitamente que não tenho , Goyle , quantas vezes é preciso dizer te ? - cortou Malfoy . - E o pai também não me diz nada sobre a última vez que a câmara foi aberta . É claro que foi há cinquenta anos , antes de ele cá andar , mas o pai sabe tudo a esse respeito e diz que as coisas foram mantidas em grande segredo e que pareceria suspeito se eu soubesse demasiado . Mas há uma coisa que eu sei : de a última vez que a câmara foi aberta , morreu um sangue de lama . Por isso , aposto que é uma questão de tempo até que um de eles seja morto . Só espero que seja a Granger - disse satisfeito . Ron fechara os punhos gigantescos de o Crabbe . Sentindo que deitaria tudo a perder se ele desse um soco a o Malfoy , Harry lançou lhe um olhar de aviso e disse : - Sabes se a pessoa que abriu a câmara de a última vez foi apanhada ? - Ah ! sim , essa pessoa foi expulsa - disse Malfoy . - Ainda deve estar em Azkaban . - Azkaban ? - repetiu Harry confuso . - Azkaban , a prisão de os feiticeiros , Goyle - disse Malfoy , olhando para ele incrédulo . - Francamente , se fosses mais lento andavas para trás . Esticou se intranquilo , em a cadeira e disse : - O pai diz para eu esfriar a cabeça e deixar que o herdeiro de Slytherin faça o seu trabalho . Acha que a escola precisa de se livrar de a escória de os sangues de lama , mas não quer que eu me envolva em nada . Claro que ele agora tem um prato cheio . Sabes que o Ministério de a magia fez uma busca a a nossa mansão em a semana passada ? Harry tentou forçar a cara de bronco de o Goyle a uma expressão preocupada . - Sim - continuou Malfoy . - É claro que não encontraram grande coisa . O pai guarda uns materiais de magia negra muito valiosos , mas , felizmente , temos a nossa câmara secreta debaixo de o soalho de a sala de visitas ... - Ah ! - disse o Ron . Malfoy olhou para ele . Harry também . Ron corou e até o cabelo começou a ficar vermelho . O nariz estava também a diminuir lentamente ... a hora tinha acabado . Ron estava a voltar a a sua forma habitual e por o olhar de horror que lançou a Harry certamente ele também estava . Puseram se rapidamente de pé . - Tenho de tomar o remédio para o estômago - grunhiu o Ron e sem mais explicações saíram ambos a correr de a sala comum de os Slytherin , precipitaram se para a parede de pedra e galgaram a passagem , pedindo a todos os santos que Malfoy não tivesse dado por nada . Harry sentia os pés a nadarem em os sapatos enormes de o Goyle e tinha de levantar o manto visto_que diminuíra de tamanho . Subiram os degraus a correr até a o * hall * escuro de entrada onde se ouvia um som abafado que vinha de a despensa onde tinham fechado o Crabbe e o Goyle . Deixando os sapatorros de os dois de o lado de_fora , subiram já com os respectivos sapatos a escadaria de mármore até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Bem , não foi uma total perda de tempo - disse o Ron ofegante , fechando atrás_de si a porta de a casa_de_banho . - É certo que ainda não descobrimos de quem vêm os ataques , mas vou escrever a o meu pai amanhã a dizer lhe que procure debaixo de o soalho de a sala de visitas de o Malfoy . Harry olhou para o espelho partido . Tinha voltado a o normal . Pôs os óculos enquanto Ron batia em a porta de o cubículo de Hermione . - Hermione , sai de aí , temos um monte de coisas para te contar ... - Vão se embora - guinchou Hermione . Harry e Ron olharam um para o outro . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron . - Tu já deves ter voltado a o normal como nós ... Mas a Murta_Queixosa saiu subitamente através de a porta de o cubículo com um ar divertido como nunca a tinham visto . - Oh ! Esperem até ver - disse ela . - É horrível ! Ouviram o trinco de a porta a abrir se e Hermione apareceu a soluçar , a túnica levantada a cobrir lhe o rosto . - O que foi ? - perguntou o Ron indistintamente . - Ainda tens o nariz de a Millicent ou alguma coisa assim ? Hermione deixou cair a roupa e Ron recuou rapidamente . O rosto de ela estava coberto de pêlo preto , os olhos tinham ganho uma cor amarela e as orelhas eram pontiagudas , saindo espetadas para fora de os cabelos . - Era um pêlo de g-gato - disse a chorar . - A Millicent_Bulstrode d-deve ter um gato e a poção não está preparada para transformação em animais . - Oh-oh - disse o Ron . - Vão te gozar horrivelmente - disse a Murta , felicíssima . - Não te preocupes , Hermione - tranquilizou a rapidamente o Harry . - Vamos levar te para a ala hospitalar , a Madam_Pomfrey nunca faz muitas perguntas ... Não foi fácil convencer Hermione a sair de a casa_de_banho . A Murta_Queixosa despediu se com uma gargalhadavigorosa e grosseira . - Espera até todos descobrirem que tens uma cauda ! XIII_O diário muito secreto Hermione ficou em a ala hospitalar durante várias semanas . Houve uma onda de boatos sobre o seu desaparecimento quando o resto de os alunos voltou de as férias de Natal porque , é claro , todos pensam que ela tinha sido atacada . Foram tantos os estudantes a rondar a ala hospitalar para espreitar a ver se a viam que Madam_Pomfrey desceu de_novo as cortinas de a cama de ela para a poupar a a vergonha de ser vista com pêlo em a cara . Harry e Ron iam visitá a todas_as tardes . Quando o segundo período começou passaram a levar lhe diariamente os trabalhos de casa . - Se eu tivesse o bigode a crescer , tinha uma folga de o trabalho - disse uma tarde o Ron enquanto colocava uma pilha de livros a a cabeceira de a cama de Hermione . - Não sejas parvo , Ron , eu tenho de me manter a par de as coisas - disse Hermione com vivacidade . O humor de ela melhorara bastante com o facto de lhe ter desaparecido todo o pêlo de o rosto e de os olhos estarem lentamente a retomar a cor castanha . - Calculo que não tenham novas pistas ? - disse em um murmúrio para evitar que Madam_Pomfrey os ouvisse . - Nada - disse Harry tristemente . - Eu tinha tanta certeza de que era o Malfoy - repetiu o Ron por a centésima vez . - O que é isso ? - perguntou Harry , apontando para uma coisa com brilho dourado que estava debaixo de a almofada de Hermione . - É só um cartão a desejar boas melhoras - disse ela precipitadamente , tentando escondê o , mas o Ron foi mais rápido . Pegou lhe , abriu o e leu em voz alta : * _ Para_Miss_Granger , desejando lhe uma rápida recuperação , com o interesse e estima de o professor Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , Terceiro grau , Membro_Honorário_da_Liga_de_Defesa contra as Artes_Negras e vencedor por cinco vezes de o prémio O sorriso mais charmoso de a semana de o Semanário_das_Bruxas * . Ron olhou desconsolado para Hermione . - Tu dormes com isto debaixo de a almofada ? Mas Hermione foi poupada a ter de responder por a entrada de Madam_Pomfrey que lhe trazia a dose de medicamento de a tarde . - Achas que o Lockhart é o tipo mais esperto que conheceste ? - perguntou o Ron a o Harry quando saíram de a enfermaria e começavam a subir as escadas para a torre de os Gryffindor . O Snape tinha lhes passado tanto trabalho para_casa que Harry pensou que ia chegar a o sexto ano antes de o ter acabado . Ron vinha a dizer que devia ter perguntado a a Hermione quantas caudas de rato deveria juntar se a uma poção para o crescimento de o cabelo quando um grito de raiva vindo de o andar de cima lhes chegou a os ouvidos . - É o Filch - murmurou Harry enquanto subiam apressadamente as escadas e paravam para ouvir melhor . - Terá mais alguém sido atacado ? - disse nervosamente o Ron . Ficaram parados com as cabeças inclinadas para a voz de o Filch que parecia quase histérica . -- ... * _ Ainda mais trabalho para mim . Toda_a noite a esfregar como_se não tivesse já trabalho de sobra . Não , isto foi a gota de água que fez transbordar o copo , vou falar com Dumbledore * ... Os passos afastaram se e ouviram uma porta fechar se com grande estrondo . Puseram as cabeças fora de a esquina . O Filch tinha obviamente estado a patrulhar o seu habitual posto de vigia : estavam novamente em o lugar onde Mrs._Norris fora atacada . Perceberam imediatamente qual o motivo de os gritos . Uma enorme poça de água enchia metade de o corredor e parecia escorrer de a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Agora_que o Filch se calara podiam ouvir os uivos de a Murta que faziam eco em as paredes de a casa_de_banho . - Mas o que se passará com ela ? - disse o Ron . - Vamos lá ver - sugeriu Harry e arregaçando as túnicas até a os tornozelos entraram , atravessando a enorme poça de água , em a casa_de_banho que tinha o letreiro a dizer « Fora de serviço » e que eles , como sempre , ignoraram . A Murta_Queixosa chorava , se possível , mais alto do_que nunca . Parecia estar escondida em o cubículo de o costume . Lá dentro estava escuro pois as velas tinham se apagado com a enchente de água que deixara as paredes e o chão ensopado . - O que se passa , Murta ? - quis saber o Harry . - Quem é ? - perguntou ela infelicíssima . - Vieste atirar me mais alguma coisa acima ? Harry caminhou com dificuldade por causa de a água até a o cubículo de ela e disse : - Porque te faríamos nós uma coisa de essas ? - Não me perguntem - gritou a Murta , emergindo em uma onda de água que molhou ainda mais o chão já ensopado . - Eu estou aqui metida em a minha morte e alguém acha muito engraçado atirar me com um caderno acima ... - Mas , não pode magoar te se alguém te atirar alguma coisa acima - disse Harry , tentando ser prático . - Isto_é , seja o que for passa através_de ti , não é assim ? Tinha dito a frase errada . A Murta encheu o peito de ar e gritou a plenos pulmões : - Vamos todos atirar cadernos a a Murta já_que ela não sente nada ! Dez pontos se lhe acertarem em o estômago , cinquenta se lhe atravessar a cabeça ! Hah hah hah , que jogo lindo , não acham ? - Quem te atirou um caderno , afinal ? - perguntou o Harry . - Não sei ... eu estava sentada em a sanita a pensar em a morte e caiu me em cima de a cabeça - disse a Murta , olhando para eles . - Está ali , ficou todo molhado . Harry e Ron olharam para o ponto que a Murta lhes apontava debaixo de o lavatório . Um caderno pequenino e fino estava caído em o chão . Tinha uma capa preta muito gasta e estava encharcado como tudo em aquela casa_de_banho . Harry deu um passo em frente para o apanhar , mas o Ron agarrou lhe precipitadamente o braço . - O que foi ? - perguntou Harry . - Estás doido - disse ele . - Pode ser perigoso . - Perigoso ? - riu se Harry . - Essa agora Ron , como é_que pode ser perigoso ? - Ficarias surpreendido ... - explicou ele , olhando com ar apreensivo para o caderno . - Entre os livros que o Ministério confiscou , contou me o meu pai , havia um que queimava os olhos a as pessoas . E todos os que leram os * _ Sonetos_de_Um_Feiticeiro * ficaram a falar em verso para o resto de a vida . Havia também uma bruxa em Bath que tinha um livro que quem o lesse nunca mais conseguia parar , tinha de andar por aí com o nariz enfiado em as folhas , a fazer todas_as coisas só com uma mão e ... - Já chega , já chega , já percebi a tua ideia - disse O_Harry . O caderninho continuava caído e ensopado . - Bem , nunca saberemos a_não_ser_que tenhamos a coragem de dar uma vista de olhos - disse e mergulhou apanhando o de o chão . Harry viu imediatamente que se tratava de um diário e a data meio apagada , em a capa , disse lhe que tinha cinquenta anos de idade . Abriu o ansiosamente . Em a primeira página podia ler se apenas o nome T._M._Riddle em tinta esborratada . - Espera aí - disse o Ron que se aproximara prudentemente e olhava por cima de o ombro de Harry . - Eu conheço esse nome ... T._M._Riddle recebeu um prémio por serviços especiais prestados a a escola há cinquenta anos atrás . - Como diabo sabes tu isso ? - perguntou Harry com grande espanto . - Porque o Filch mandou me limpar a taça de ele umas cinquenta vezes quando estive de castigo - disse o Ron ressentido . - Foi a taça em cima de a qual eu vomitei lesmas . Se tivesses tido que limpar o muco de um nome durante uma hora também te lembrarias . Harry separou umas de as outras as páginas molhadas . Estavam completamente em branco . Não havia o mais leve sinal de escrita em nenhuma , nem coisas como « Aniversário de a tia Mabel « ou « Dentista a as três_e_meia » . - Ele nunca escreveu nada aqui - disse Harry desapontado . - Porque quereria alguém atirá o fora ? - perguntou se o Ron com curiosidade . Harry voltou o caderno e viu , inscrito em a contra capa , o nome de uma tabacaria em Vauxhall_Road , Londres . - Ele devia ser filho de Muggle - disse Harry pensativo - para ter comprado um diário em Vauxhall_Road ... - Bem , não te serve de muito - Ron baixou a voz . - Cinquenta pontos se acertares em o nariz de a Murta . Harry , mesmo_assim , guardou o diário . Hermione saiu de a ala hospitalar desbigodada , sem cauda e sem pêlo em os primeiros dias de Fevereiro . Em a primeira noite em a torre de os Gryffindor , Harry mostrou lhe o diário de T._M._Riddle e contou lhe como o tinham encontrado . - Ooooh ! Deve ter poderes ocultos - disse ela entusiasticamente , pegando em o diário e examinando o de perto . - Se tem , esconde os muito bem - disse Ron . - Talvez fosse tímido . Não sei porque não deitas isso fora , Harry . - Gostava de perceber porque motivo alguém se quis livrar de ele - explicou Harry . - E também não me importava de saber como foi que o Riddle obteve esse prémio de serviços especiais prestados a Hogwarts . - Pode ter sido qualquer coisa - lançou o Ron . - Talvez tenha recebido 30 de nota final ou salvo um professor de a lula gigante . Se_calhar assassinou a Murta , isso teria sido um favor prestado a todos ... Mas Harry quase podia jurar , por o olhar suspenso em a cara de Hermione , que ela pensava o mesmo_que ele . - O que foi ? - perguntou Ron , olhando para um e para o outro . - Bem , a Câmara_dos_Segredos foi aberta há cinquenta anos , não foi isso que disse o Malfoy ? - Sim - respondeu Ron , lentamente . - E este diário tem cinquenta anos de idade - completou Hermione , dando lhe palmadinhas nervosas . - E de aí ? - Oh Ron , acorda - insistiu Hermione . - Sabemos que a pessoa que abriu a câmara de a outra_vez foi expulsa há cinquenta anos . E se o Riddle tivesse tido o prémio especial por apanhar o herdeiro de Slytherin ? O seu diário diria nos provavelmente tudo : onde é a Câmara_dos_Segredos , como abris a e que tipo de criatura vive lá . Achas que a pessoa que está por trás de os ataques desta_vez quereria o diário por aí ? - É uma teoria interessante , Hermione - disse o Ron . - Apenas com uma pequenina falha : o diário não tem nada Mas_Hermione já estava a tirar a varinha de o saco . - Pode ser tinta invisível - murmurou . Bateu três vezes em o diário e repetiu * _ Aparecium ! * Nada aconteceu . Intrépida , Hermione meteu a mão de_novo em o saco e tirou o que parecia ser uma borracha vermelha e brilhante . - É um * revelador * , comprei o em a Diagon - _ Al - disse . Apagou com força em 1_de_Janeiro . Não sucedeu nada . - Já vos disse , não há nada aí - repetiu o Ron . - O Riddle deve ter recebido um diário como prenda de Natal e nem se deu a o trabalho de escrever fosse o que fosse . Harry não conseguia explicar , nem a si próprio , porque motivo não deitara fora o diário de Riddle . A verdade é_que , mesmo depois de saber que ele estava em branco , continuou distraidamente a pegar lhe e a virar as páginas como_se quisesse chegar a o fim de uma história . E , apesar_de saber que nunca tinha ouvido o nome T._M._Riddle , continuava a ter a sensação de que lhe dizia alguma coisa , como_se Riddle fosse um amigo que ele tinha tido quando era muito pequeno e que estivesse meio esquecido . Mas era um absurdo . Nunca tivera amigos antes de Hogwarts , Dudley tivera esse cuidado . Ainda_assim , Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle , por isso em o dia seguinte foi até a a sala de os troféus para examinar a taça , acompanhado de Hermione que estava interessadíssima e de Ron que se mostrava profundamente incrédulo , dizendo que tinha ficado farto de aquela sala até a o fim de a vida . A taça dourada de Riddle estava arrecadada em um armário de canto . Não fornecia detalhes sobre o motivo por_que lhe fora dada ( felizmente , se fosse maior ainda hoje estava a limpá a , disse o Ron ) . Mas encontraram o nome de Riddle em uma antiga medalha de Mérito_Mágico e em uma lista de antigos chefes de turma . - Parece o Percy - comentou Ron , torcendo o nariz com aversão . - Prefeito , chefe de turma , provavelmente o melhor em todas_as disciplinas . - Dizes isso como_se fosse uma coisa má - fez lhe notar Hermione , em um tom de voz ressentido . Um sol fraco brilhava agora de_novo em Hogwarts . Dentro de o castelo , o ambiente estava bastante melhor . Não tinha havido novos ataques desde Justin e Nick quase sem cabeça e Madam_Pomfrey teve a satisfação de informar que as Mandrágoras começavam a ficar instáveis e dissimuladas , sinal de que estavam a abandonar rapidamente a infância . - Logo_que o acne desapareça estarão prontas para novo transplante - ouviu a Harry dizer amavelmente a o Filch . - E depois de isso , não demorará muito até podermos cortá as e estufá as . - Vai ter Mrs._Norris de volta , muito em_breve . Talvez o herdeiro ou herdeira de Slytherin tenha perdido a coragem , pensou Harry . Deve ser cada_vez_mais arriscado abrir a Câmara_dos_Segredos com a escola tão alerta e desconfiada . Talvez o monstro , qualquer_que_fosse , estivesse a preparar se para hibernar durante outros cinquenta anos . Ernie_Mcmillan_dos_Hufilepuff não aceitou esta visão optimista . Continuava convencido de que Harry era o culpado , que se tinha traído em o clube de os duelos . Peeves não ajudava nada : continuava a cantar por os corredores Potter , * seu bandido * ... agora acompanhado de um esquema de dança . Gilderoy_Lockhart parecia pensar que fora ele quem pusera fim a os ataques . Harry fartou se de o ouvir dizer isso a a professora Mc_Gonagall enquanto os Gryffindor formavam bicha para a aula de Transfiguração . - Não creio que volte a haver problemas , Minerva - disse , tocando em o nariz com ar conhecedor e piscando o olho . - Acho que desta_vez a câmara foi definitivamente selada . O culpado deve ter sabido que era uma questão de tempo até eu o apanhar e que era mais sensato parar agora antes que eu lhe tratasse de a saúde . Sabe , a escola está a precisar de um intensificador de animo para apagar as lembranças de o último período . Não vou dizer lhe mais_nada , por enquanto , mas julgo que sei o que ... Voltou a tocar em o nariz e afastou se a passos largos . A ideia de Lockhart de um intensificador de ânimo ficou bastante clara em o dia_14_de_Fevereiro , a o pequeno-almoço . Harry não dormira grande coisa devido a o treino de Quidditch em a noite anterior e chegou a o salão um_pouco atrasado . Pensou , por momentos , que se tinha enganado em a porta . As paredes estavam todas cobertas com enormes e medonhas flores cor-de-rosa . Pior ainda , * confettis * em forma de corações caíam de o tecto azul pálido . Harry dirigiu se a a mesa de os Gryffindor onde o Ron estava sentado com um ar enjoado junto de Hermione que parecia particularmente risonha . - O que se passa ? - perguntou lhes , sentando se e sacudindo os * confettis * de o seu bacon . Ron apontou para a mesa de os professores , com um ar demasiado repugnado para falar . Lockhart , em as suas vestes rosa vivo , a condizer com a decoração de o salão , fazia sinal para que se calassem . Os professores que o ladeavam tinham um ar estupefacto . De o seu lugar , Harry podia ver um músculo mover se em a bochecha de a professora Mc_Gonagall . Snape estava com ar de quem tomou uma imensa dose de xarope * skele-gro * . - Feliz dia de S._Valentim - gritou Lockhart . - E permitam me que agradeça a as quarenta_e_seis pessoas que até agora me enviaram cartões . Sim , fui eu quem tomou a liberdade de vos fazer esta pequena surpresa , e ela não acaba aqui ! Lockhart bateu as palmas e por as portas de o * hall * entraram a marchar cerca de uma_dúzia de duendes de aspecto carrancudo . Não eram uns duendes quaisquer , diga se de passagem . Lockhart fizera os usar asas douradas e transportar harpas . - Os meus amigos cupidos , portadores de os cartões ! gritou Lockhart . - Eles vão andar por a escola durante o dia de hoje , entregando os vossos cartões de S._Valentim . E o divertimento não acaba aqui . Tenho a certeza de que os meus colegas vão querer participar em este espírito de festa . Porque não pedir a o professor Snape que vos mostre como preparar rapidamente uma poção de amor . E , enquanto ele a prepara , está aqui o professor Flitwick que é de todos os feiticeiros que conheci aquele que mais sabe de encantamentos de sedução , o grande safado ! O professor Flitwick enterrou o rosto em as mãos . Snape olhava como_se quisesse dar veneno a a primeira pessoa que fosse pedir lhe a poção de o amor . - Por favor , Hermione , diz me que não foste uma de as quarenta_e_seis - pediu Ron quando saíram de o salão para a primeira aula . Mas Hermione ficou subitamente muito interessada em procurar o horário dentro de a mala e não lhe respondeu . Durante todo o dia os duendes não pararam de se intrometer em as aulas para entregar cartões , para grande aborrecimento de os professores e , ao_fim_da_tarde , quando os Gryffindor subiam as escadas para a aula de encantamentos , um de eles avistou o Harry . - Hei , tu , Harry_Potter ! - gritou um duende de aspecto particularmente lúgubre , dando cotoveladas a_toda_a gente para se aproximar de o Harry . Coradíssimo com a ideia de receber um cartão de S._Valentim diante_de uma fila de alunos de o primeiro ano que , por acaso , incluía Ginny_Weasley , Harry tentou escapar se . Mas o duende cortou lhe o caminho através de a multidão e agarrou o em três tempos . - Tenho uma mensagem musical para entregar a Harry_Potter em pessoa - disse , tangendo a harpa de forma ameaçadora . - Aqui não - disse baixinho o Harry , tentando escapar . - Fica quieto - grunhiu o duende , agarrando o saco de o Harry e puxando com força . - Larga me - disse ele rispidamente , dando um puxão . Com um ruído de tecido a rasgar se , o saco dividiu se em dois . Os livros de Harry , varinha , pergaminho e pena espalharam se por o chão enquanto o tinteiro se partia em cima de as outras coisas . Harry pôs se de gatas , tentando apanhar tudo antes que o duende começasse a cantar , provocando um engarrafamento em o corredor . - O que se passa aqui ? - perguntou a voz fria e afectada de Draco_Malfoy . Harry , nervosíssimo , começou a guardar tudo dentro de o saco rasgado , desesperado para sair de ali antes que Malfoy pudesse ouvir o seu S._Valentim musical . - Que confusão é esta ? - disse outra voz familiar . Percy_Weasley tinha chegado . De cabeça perdida , Harry tentou fugir , mas o duende agarrou o por os joelhos e fê lo cair a o chão . - Certo - disse , sentando se em os tornozelos de Harry . Eis o teu cartão musical : * _ Os olhos de ele são verdes como o sapo de o quintal * _ O seu cabelo é escuro como um temporal * _ É um desatino , oh ! ele é divino ! * _ O herói que venceu o Senhor_do_Mal * . Harry teria dado todo o ouro de Gringotts para se evaporar em aquele momento . Tentando corajosamente rir se com todos os outros , levantou se . Sentia os pés dormentes de o peso de o duende . Enquanto isso , Percy_Weasley fazia todos os possíveis por dispersar a multidão onde havia gente que chorava de hilaridade . - Vamos embora , vamos embora , a campainha tocou há cinco minutos para as aulas - dizia , enxotando alguns de os alunos mais novos . - E tu , Malfoy . Harry olhou e viu Malfoy inclinar se , apanhar qualquer coisa e com um olhar maldoso mostrá a a Crabbe e Goyle . Percebeu que era o diário de Riddle . - Dá cá isso - exigiu com toda_a calma . - O que será que o Potter escreveu aqui ? - disse Malfoy que obviamente não reparara em a data e pensou que tinha em as mãos o diário de o Harry . Houve uma agitação em os presentes . Ginny olhava apavorada para o diário e para Harry . - Dá lhe isso , Malfoy - disse Percy com firmeza . - Depois de dar uma vista de olhos - retorquiu Malfoy , acenando a Harry com o diário de forma provocatória . Percy disse : - Como Prefeito de a escola ... - mas Harry perdera a paciência . Pegou em a varinha e gritou * _ Expelliarmus * e assim_como Snape desarmara Lockhart , MalLoy viu o diário saltar lhe de as mãos e elevar se em o ar enquanto Ron o apanhava sorridente . - Harry - disse Percy levantando a voz . - Não quero magia em os corredores . Vou ter de participar isto , sabes perfeitamente . Mas Harry não se importou . Tinha ganho uma_vez a Malfoy e isso valia bem cinco pontos a menos para os Gryffindor . Malfoy estava furioso e quando a Ginny passou por ele a caminho de a sala de aula , gritou lhe com desprezo : - Não creio que o Potter tenha gostado lá muito de o teu cartão de S._Valentim . Ginny tapou a cara e correu para a aula . Aborrecido , Ron pegou também em a varinha , mas Harry afastou o . Era melhor que ele não passasse a aula de encantamentos a vomitar lesmas . Só quando entraram em a sala de aula de o professor Flitwick é_que Harry reparou em uma coisa bastante estranha em o diário de Riddle . Todos os outros livros estavam cheios de tinta vermelha , mas o diário mantinha se tão limpo como antes de o tinteiro se ter entornado em cima de ele . Tentou chamar a atenção de Ron para este facto , mas ele estava novamente a ter um problema com a varinha : de a extremidade saíam grandes bolhas roxas e ele não parecia interessado em mais_nada . Em essa noite , Harry foi deitar se antes de os outros companheiros de dormitório , em parte porque já não conseguia suportar o Fred e o George a cantarem * _ Os seus olhos são verdes como o sapo de o quintal * e em parte porque queria voltar a examinar o diário de Riddle e sabia que em a opinião de o Ron era uma pura perda de tempo . Sentou se em a cama de dossel e folheou as páginas em branco em as quais não se via uma única mancha de tinta escarlate . Tirou então outro tinteiro de o armário a o lado de a cama , molhou a pena e deixou cair um borrão em a primeira página de o diário . A tinta brilhou em o papel durante um segundo e , em seguida , como_se a página a tivesse sugado , desapareceu sem deixar rasto . Depois , finalmente , algo aconteceu . Deslizando sobre a página em a cor de a sua tinta , surgiram palavras que Harry não escrevera . - * _ Olá_Harry_Potter . O meu nome é Tom_Riddle . Como é_que encontraste o meu diário ? * Também estas palavras desapareceram , mas não sem que Harry tivesse respondido . - Alguém tentou lançá o em uma sanita . Esperou ansiosamente por a resposta de Riddle . - * _ Felizmente guardei as minhas memórias de uma forma mais duradoura do_que a tinta . Mas sempre soube que haveria quem não iria querer que o diário fosse lido . * - O que queres dizer com isso ? - escrevinhou Harry , borrando a página com o nervosismo . - * _ Quero dizer que este diário contém memórias de coisas terríveis . Coisas que foram abafadas . Coisas que aconteceram em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . * - É onde eu estou agora - escreveu Harry rapidamente . - Estou em Hogwarts e estão a acontecer coisas horríveis . Sabes alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? O coração parecia querer saltar lhe de o peito . A resposta de Riddle não se fez esperar , a letra tornara se mais desordenada como_se tivesse pressa em contar lhe tudo_o_que sabia . - * _ É claro que sei de a Câmara_dos_Segredos . Em o meu tempo diziam nos que era uma lenda , que não existia , mas era mentira . Quando eu estava em o quinto ano a Câmara_dos_Segredos foi aberta e o monstro atacou vários estudantes , acabando matar um . Eu apanhei a pessoa que abriu a câmara e ele foi expulso . Mas o director , o professor Dippet , envergonhado por uma coisa de aquelas ter acontecido em Hogwarts , proibiu me de contar a verdade . Foi divulgada uma história dizendo que a rapariga morrera de um acidente extravagante . Deram me um troféu brilhante com o meu nome gravado e avisaram me para ficar calado . Mas eu sabia que ia voltar a acontecer . O monstro sobreviveu e aquele que tinha o poder para o libertar não foi para a prisão . * Harry quase entornou o tinteiro em a pressa de responder . - Está a acontecer outra_vez . Houve três ataques e ninguém parece saber quem está por_detrás_de tudo_isto . Quem foi de a última vez ? - * _ Posso mostrar te , se quiseres * - foi a resposta de o Riddle . - * _ Não tens de acreditar só em a minha palavra . Posso levar te a o fundo de a minha memória de a noite em que o apanhei . * Harry hesitou com a pena em o ar sobre o diário . O que quereria ele dizer ? Como poderia entrar em a memória de outra pessoa ? Olhou inquieto para a porta de o dormitório que começava a ficar escuro . Quando pôs de_novo os olhos em o diário viu as palavras que se formavam . - * _ Deixa-me mostrar te . * Harry parou durante uma fracção de segundo e depois escreveu duas letras . - O. _ K._As páginas de o diário começaram a esvoaçar como_se tivessem sido apanhadas em uma ventania , parando a meio de o mês_de_Junho . Boquiaberto , Harry viu que o quadradinho de 13_de_Junho se transformara em um pequeno ecrã de televisão . Com as mãos ligeiramente trémulas levantou o livro para encostar os olhos a a janelinha e antes de perceber o que estava a passar se , deu consigo inclinado para a frente com a janela a abrir se . O corpo abandonava a cama e era lançado de cabeça , por a abertura de a página , em um turbilhão de cor e sombras . Sentiu os pés tocarem em terra firme e pôs se de pé a tremer enquanto as formas desfocadas se tornavam subitamente nítidas . Soube imediatamente onde estava . Aquela sala circular com os retratos adormecidos era o escritório de Dumbledore , mas não era Dumbledore quem estava atrás de a secretária . Um feiticeiro mirrado , de aspecto débil e quase careca lia uma carta a a luz de as velas . Harry nunca vira aquele homem antes . - Desculpe - disse com a voz a tremer . - Eu não queria intrometer me ... Mas o feiticeiro não olhou . Continuou a ler , franzindo levemente as sobrancelhas . Harry aproximou se de a secretária e gaguejou : - Er ... eu vou me embora , está bem ? E o feiticeiro continuou a ignorá o . Parecia nem_sequer ter ouvido . Pensando que talvez ele fosse surdo , Harry falou mais alto . - Desculpe tê o incomodado - disse quase a gritar . O feiticeiro dobrou a carta com um suspiro . Pôs se de pé , passou por Harry sem olhar para ele e foi abrir os cortinados de a janela . O céu , lá fora , estava vermelho-rubi . Devia ser o pôr de o Sol . O feiticeiro voltou para a secretária , sentou se e girou os polegares , olhando para a porta . Harry olhou em volta . Não viu Fawkes , a fénix , nem as engenhocas prateadas que sibilavam . Aquela Hogwarts era a que Riddle conhecera e , portanto , aquele feiticeiro desconhecido era o director de então , não Dumbledore e ele , Harry , era pouco mais que um fantasma , totalmente invisível a as pessoas de há cinquenta anos atrás . Alguém bateu a a porta . - Entre - disse o velho feiticeiro , em uma voz fraca . Um rapazinho de dezasseis anos entrou , tirando o chapéu pontiagudo . Em o seu peito brilhava um distintivo prateado de prefeito . Era muito mais alto do_que Harry , mas tinha , tal_como ele , cabelo preto asa de corvo . - Ah ! Riddle - disse o director . - Queria falar comigo , professor Dippet ? - perguntou ele com ar nervoso . - Senta te - disse Dippet . - Tenho estado a ler a carta que me mandaste . - Oh ! - exclamou Riddle , sentando se e apertando as mãos uma contra a outra . - Meu rapaz - disse Dippet amavelmente . - Eu não posso deixar te ficar em a escola durante o Verão . Com certeza queres ir para_casa em as férias ? - Não - respondeu Riddle , sem perder tempo . - Prefiro mil vezes ficar em Hogwarts a ter de voltar a aquela ... aquela ... - Tu vives em um orfanato de Muggles durante as férias , não é assim ? - perguntou Dippet com curiosidade . - Sim senhor - disse Riddle , corando um_pouco . - És filho de Muggles ? - Meio sangue , professor - explicou Riddle . - Pai_Muggle , mãe bruxa . - E o teu pai e a tua mãe ... - A minha mãe morreu pouco depois de eu nascer , professor , contaram me em o orfanato que só teve tempo de me dar o nome : Tom , como o meu pai , Marvolo como o meu avô . Dippet estalou a língua solidariamente . - O que acontece , Tom - suspirou - é_que ... podia ter se arranjado uma situação especial para ti , mas em as circunstâncias actuais ... - Refere se a os ataques , professor ? - perguntou Riddle e o coração de Harry deu um salto , aproximando se com medo de perder alguma coisa . - Precisamente - disse o director . - Meu rapaz , compreendes que seria uma imprudência de a minha parte deixar te ficar em o castelo quando o período acabar , principalmente a a luz de a recente tragédia ... a morte de aquela pobre moça ... estarás sem dúvida em maior segurança em o orfanato . Em a verdade , o ministro de a magia até fala em fechar a escola . Não estamos nada perto_de localizar ... er ... a fonte de toda esta história desagradável . Os olhos de Riddle tinham se aberto mais . - Professor , se essa pessoa fosse apanhada ... se tudo acabasse . . . - Que queres dizer com isso ? - perguntou Dippet com voz aguda , endireitando se em a cadeira . - Riddle , tu sabes alguma coisa sobre estes ataques ? - Não senhor - respondeu ele de imediato . Mas Harry sabia que era o mesmo tipo de « não » que ele dissera a Dumbledore . Dippet afundou se de_novo com um ar de profundo desapontamento . - Podes ir , Tom . Riddle esgueirou se de a cadeira e saiu de a sala . Harry seguiu o . Desceram por a escada em espiral , saindo junto de a gárgula em o corredor que escurecia . Riddle parou e Harry fez o mesmo , olhando para ele . Quase podia apostar que ele pensava seriamente em alguma coisa . Mordia o lábio e tinha as sobrancelhas franzidas . A certa altura , como_se tivesse acabado de tomar uma decisão , começou a andar mais depressa com Harry a segui o ruidosamente . Não viram mais ninguém , a não ser quando chegaram a o * hall * de entrada onde um feiticeiro alto de longos cabelos ruivos e barba chamou Riddle de a escadaria de mármore . - O que andas a fazer por aqui tão tarde , Tom ? Harry olhou para o feiticeiro . Não era outro senão Dumbledore com cinquenta anos a menos . - Tive de ir falar com o director - justificou se Riddle . - Bem , agora vai depressa para a cama - disse Dumbledore , olhando Riddle com aquele olhar penetrante que Harry conhecia tão bem . - É melhor não andar a passear por os corredores em os dias que correm , pelo_menos até ... Suspirou profundamente , deu as boas-noites a o Riddle e foi se embora . Riddle viu o desaparecer e , sem perder tempo , desceu os degraus de pedra até a os calabouços com Harry em a peugada . Mas para seu grande desconsolo , Riddle não o conduziu a nenhum corredor ou túnel secreto e sim a o calabouço onde ele costumava ter aulas de poções com o Snape . As tochas não tinham sido acesas e quando Riddle empurrou a porta quase fechada , Harry só conseguiu vê o a ele , de pé , quieto junto de a porta , olhando para o corredor . Pareceu a Harry que ficaram ali quase uma hora . Tudo_o_que via era a silhueta de Riddle junto de a porta , olhando fixamente através de a greta , a a espera . Como_se fosse uma estátua . E quando Harry tinha abandonado todas_as expectativas e começava a desejar voltar a o presente , ouviu alguma coisa que se movia atrás de a porta . Alguém avançava lentamente por o corredor . Ouviu a pessoa , quem quer que fosse , passar por o calabouço onde ele e Riddle estavam escondidos . Riddle , silencioso como uma sombra , esgueirou se por a porta e seguiu o com Harry em bicos de pés atrás de ele , esquecido de que podia fazer barulho a a vontade porque ninguém o ouvia . Durante cerca de cinco minutos seguiram lhe os passos até que Riddle parou repentinamente com a cabeça inclinada em a direcção de novos ruídos . Harry ouviu uma porta a abrir se e em seguida alguém falou em um murmúrio rouco . - Vá lá , temos que sair de aqui ... vá lá , dentro de a caixa ... Havia algo de familiar em aquela voz . Riddle deu subitamente uma volta e Harry seguiu o . Podia ver a silhueta escura de um rapaz enorme que estava inclinado em frente de a porta aberta , com uma grande caixa a o lado . - Boa noite , Rubeus - disse Riddle secamente . O rapaz fechou a porta e pôs se de pé . - O que estás a fazer aqui , Tom ? Riddle aproximou se . - Acabou se - disse . - Vou ter de entregar te , Rubeus . Falam em fechar Hogwarts se os ataques não terminarem . - O que é_que tu ... ? - Eu acho que tu não quiseste matar ninguém , mas os monstros não são os melhores animais domésticos . Tu só quiseste deixá o sair para andar um_pouco e ... - Ele não matou ninguém - disse o rapaz grande , recuando contra a porta fechada . Lá de dentro vinham uns estranhos roncos e rugidos . - Vamos , Rubeus - disse Riddle , aproximando se mais ainda . - Os pais de a rapariga que morreu estarão aqui amanhã . O mínimo que Hogwarts pode fazer é assegurar lhes que aquilo que matou a filha de eles foi abatido ... - Não foi ele - gemeu o rapaz cuja voz ecoou em o corredor escuro . - Ele não faria isso ... ele nunca ... - Afasta te - disse Riddle , pegando em a varinha . O encantamento iluminou o corredor com uma luz brilhante . A porta atrás de o rapaz grande abriu se de par em par com tanta força que o atirou contra a parede . E de lá de dentro saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito que ninguém mais ouviu a não ser ele próprio . Tinha um corpo imenso , magro e peludo e um emaranhado de pernas pretas , a cintilação de muitos olhos e um par de tenazes afiadas . Riddle levantou de_novo a varinha , mas era tarde de mais . A coisa deixara o atarantado e corria apressadamente , precipitando se por o corredor e desaparecendo . Riddle pôs se de pé , olhou a a procura de o monstro , levantou a varinha , mas o rapaz grande saltou sobre ele , tirou lhe a varinha de as mãos e lançou o a o chão , gritando : - Naaaaaão ! A cena rodopiou . A escuridão tornou se total . Harry sentiu se a cair e com um embate aterrou como uma águia de patas e asas abertas em a sua cama de dossel , em o dormitório de os Gryffindor , o diário de Riddle aberto sobre o estômago . Antes de ter tido tempo de normalizar a respiração , a porta de o dormitório abriu se e o Ron entrou . - Aí estás tu - disse . Harry sentou se . Transpirava e tremia . - O que se passa ? - perguntou Ron , olhando aflito para ele . - Foi o Hagrid , Ron . O Hagrid abriu a Câmara_dos_Segredos há cinquenta anos atrás . XIV_Cornelius_Fudge_Harry , Ron e Hermione sabiam há muito_tempo que Hagrid tinha uma triste predilecção por criaturas grandes e monstruosas . Em o primeiro ano que passaram em Hogwarts , ele tentara criar um dragão em a sua pequena cabana de madeira e levaram muito_tempo a esquecer o gigantesco cão de três cabeças que ele baptizara de « fofinho » . E se , em rapaz , Hagrid tinha ouvido dizer que havia um monstro escondido em o castelo , Harry tinha a certeza que ele teria feito os impossíveis por descobri o . Provavelmente achou que era uma injustiça o monstro estar fechado tanto tempo e pensou que ele merecia a oportunidade de esticar as suas muitas pernas . Harry imaginava perfeitamente o Hagrid a os treze anos a tentar pôr uma coleira e uma trela a o monstro . Mas tinha igualmente a certeza de que ele nunca teria querido matar ninguém . De certo modo , Harry desejava não ter descoberto como utilizar o diário de Riddle . Ron e Hermione fizeram o contar repetidas vezes o que vira até ele ficar farto de repetir o mesmo e farto de a conversa circular que se seguia . - O Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse , de essa vez , Hermione . - O monstro que atacava as pessoas podia ser outro .... - Quantos monstros achas tu que pode haver em este lugar ? - perguntou o Ron aborrecido . - Sempre soubemos que o Hagrid tinha sido expulso - disse Harry tristemente - E os ataques devem ter terminado quando ele foi expulso . Se não fosse assim , Riddle não teria recebido um prémio . Ron tentou um caminho diferente . - O Riddle parece o Percy , quem lhe pediu afinal que deitasse abaixo o Hagrid ? - Mas o monstro tinha morto uma pessoa , Ron - insistiu Hermione . - E o Riddle ia ter de voltar para um orfanato Muggle se Hogwarts fosse fechada - disse Harry . - Não posso culpá o por querer ficar aqui ... Ron mordeu o lábio e a seguir sugeriu : - Tu encontraste o Hagrid em a Rua * _ Bativolta * , não foi ? - Ele estava a comprar repelente para lesmas - disse Harry rapidamente . Ficaram os três em silêncio . Depois de uma longa pausa , Hermione , em uma voz hesitante , formulou a pergunta mais complicada de todas : - Não acham que devíamos ir ter com ele e perguntar lhe ? - Essa seria uma visita simpática - disse o Ron . - Olá , Hagrid , diz nos uma coisa , soltaste por acaso alguma coisa louca e peluda por o castelo em estes últimos tempos ? Por fim , decidiram não dizer nada a o Hagrid a_não_ser_que houvesse outro ataque e à_medida_que passava mais tempo sem murmúrios de a voz sem corpo começaram a acreditar , esperançosos , que nunca mais teriam de falar sobre o motivo por_que fora expulso . Tinham passado já quase quatro meses desde o dia em que o Justin e o Nick quase sem cabeça tinham sido petrificados e quase toda_a_gente parecia pensar que o atacante , quem quer que ele fosse , se retirara para sempre . Peeves fartara se de a sua canção * _ Oh_Potter , seu bandido * , Ernie_Mcmillan pediu educadamente a o Harry , em a aula de herbologia , que lhe passasse um balde de cogumelos saltitantes e , em Março , várias mandrágoras deram uma festa ruidosa e roufenha em a estufa número três . A professora Sprout estava muito satisfeita . - Mal elas comecem a tentar mover se para os vasos umas de as outras , saberemos que estão maduras - disse ela a o Harry . - Nessa_altura poderemos reanimar aquelas pobres criaturas que estão em a ala hospitalar . Os alunos de o segundo ano tinham agora uma coisa nova em que pensar durante as férias de a Páscoa . Chegara a altura de escolherem as matérias de o terceiro ano , um assunto que Hermione , pelo_menos , tomou muito a sério . - Pode afectar todo o nosso futuro - disse a o Harry e a o Ron a o vê os ler cuidadosamente as listas de as novas matérias e pôr um V em frente de cada uma . - Eu só quero ver me livre de as poções - disse Harry . - Não podemos - explicou Ron tristemente . - Mantemos todas_as matérias antigas ou eu teria me livrado de a Defesa contra as artes negras . - Mas é muito importante - disse Hermione chocada . - Não de a maneira como Lockhart a dá - insistiu Ron . - Não aprendi nada até agora a não ser a nunca mais libertar duendes . Neville_Longbottom recebera cartas de todas_as bruxas e feiticeiros de a família , cada_um dando um conselho diferente sobre o que ele deveria escolher . Confuso e preocupado , sentou se a ler a lista de matérias , dando estalinhos com a língua e perguntando a as pessoas se achavam que a aritmancia seria mais difícil do_que o estudo de as runas em a Antiguidade . Dean_Thomas que , tal_como Harry , fora criado com Muggles , acabou por fechar os olhos e atirar a varinha contra a lista , escolhendo as matérias onde ela aterrava . Hermione não pediu conselho a ninguém e inscreveu se em todas . Harry sorriu de si para consigo imaginando como seria uma conversa com o tio Vernon e com a tia Petúnia sobre a sua carreira em feitiçaria . Não que não tivesse tido orientação : Percy_Weasley estava ansioso por partilhar a sua experiência . - Tudo depende de o lugar para_onde queres ir , Harry - disse ele . - Nunca é cedo de mais para pensar em o futuro , por isso eu aconselho te a adivinhação . As pessoas dizem que os estudos de Muggles são uma opção leve mas eu , pessoalmente , acho que os feiticeiros deveriam ter uma compreensão profunda de a comunidade não mágica , muito especialmente se pensarem em trabalhar em íntimo contacto com eles . Vê o meu pai que tem de lidar com assuntos de os Muggles a_toda_a hora . O meu irmão Charles foi sempre mais um tipo de o exterior , por isso foi para o Centro_de_Cuidados com as Criaturas_Mágicas . Segue os teus sentimentos , Harry . Mas a única coisa em que Harry sentia que era mesmo bom era o Quidditch . Por fim , acabou por escolher as mesmas matérias que o Ron escolhera , pensando que se fosse péssimo em elas pelo_menos tinha alguém amigo para o ajudar . O próximo jogo de Quidditch_dos_Gryffindor era contra os Hufflepuff . Wood insistia em treinos de equipa todas_as noites depois de jantar , por isso Harry não tinha tempo para mais_nada a não ser para o Quidditch e para os trabalhos de casa . Mas as sessões de treino estavam a melhorar ou pelo_menos estavam mais secas e em a véspera de o jogo de sábado ele foi a o dormitório guardar a vassoura , sentindo que as hipóteses de os Gryffindor ganharem a taça de Quidditch nunca tinham sido tão boas . Mas a sua boa disposição não durou muito . Em o cimo de as escadas que levavam a o dormitório encontrou o Neville_Longbottom nervosíssimo . - Harry , não sei quem fez aquilo , eu fui encontrar ... Olhando receoso para Harry , Neville empurrou a porta . O conteúdo de a mala de Harry fora espalhado por toda_a divisão . O seu manto estava em o chão rasgado . A roupa de cama tinha sido puxada de a cama de dossel e a gaveta de o armário que se encontrava a a cabeceira de a cama fora arrancada , estando o seu conteúdo espalhado sobre o colchão . Harry aproximou se de a cama boquiaberto , pisando algumas páginas soltas de * _ Viagens com Duendes * . Quando ele e Neville estavam a puxar os cobertores para_cima , entraram o Ron e o Dean_Seamas . Dean praguejou alto . - O que é isto , Harry ? - Não faço ideia - disse ele . Mas o Ron estava a examinar as vestes de Harry e todos os bolsos estavam de o avesso . - Alguém andou a a procura de qualquer coisa - disse o Ron . - Dás por falta de alguma coisa ? Harry começou a apanhar o que estava caído , lançando tudo dentro de a mala . Só quando atirou o último livro de Lockhart é_que se apercebeu do_que faltava . - O diário de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a o Ron . - O quê ? Harry fez lhe sinal em direcção a a porta de o dormitório e apressaram se a chegar a a sala comum de os Gryffindor que estava quase vazia e onde foram encontrar Hermione sozinha a ler * _ As_Runas_Antigas a o Alcance_de_Todos * . Hermione ficou aterrada com as notícias . - Mas ... só um Gryffindor podia tê o roubado ... ninguém mais conhece a nossa senha ... - Exactamente - disse Harry . Acordaram em o dia seguinte com um sol brilhante e uma brisa agradável . - Condições ideais para o Quidditch ! - exclamou Wood , cheio de entusiasmo , a a mesa de os Gryffindor , enchendo os pratos de os elementos de a sua equipa de ovos mexidos . - Harry , anima te , precisas de um pequeno-almoço decente . Harry tinha estado a olhar para a mesa cheia de alunos de os Gryffindor , perguntando a si próprio se o novo dono de o diário de Riddle estaria ali mesmo em frente de os seus olhos . Hermione insistira para que ele participasse o roubo mas ele não gostou de a ideia . Teria de contar a um professor tudo sobre o diário , e quantas pessoas saberiam o motivo por_que Hagrid fora expulso há cinquenta anos ? Não queria ser ele a fazer com que relembrassem tudo aquilo . Quando saiu de o salão com o Ron e a Hermione para ir buscar o material de Quidditch , outra preocupação viera juntar se a a sua lista cada_vez maior . Tinha acabado de pisar os degraus de a escadaria de mármore quando ouviu de_novo a voz : - * _ Matar desta_vez ... deixem me rasgar ... romper * ... Deu um grito e Ron e Hermione saltaram alarmados . - A voz - disse Harry , olhando por cima de os ombros de eles . - Acabo de a ouvir de_novo , vocês não ouviram nada ? Ron abanou a cabeça de olhos muito abertos Mas_Hermione bateu com a mão em a testa . - Harry , acho que percebi uma coisa . Tenho que ir a a biblioteca . E disparou a correr por as escadas acima . - O que é_que ela percebeu ? - disse Harry distraidamente , ainda a olhar em volta , tentando determinar de onde vinha a voz . - Mas porque teve ela que ir a a biblioteca ? - Porque a Hermione é assim - disse o Ron , encolhendo os ombros - Quando tem uma dúvida , vai a a biblioteca . Harry manteve se hesitante , tentando captar novamente a voz mas as pessoas começavam a sair de o salão , falando alto , passando por a porta principal e encaminhando se para o estádio de Quidditch . - É melhor ires indo - aconselhou Ron . - São quase onze horas , olha o jogo . Harry deu uma corrida até a a torre de os Gryffindor , pegou em a sua Nimbus dois_mil e juntou se a a vasta multidão que enchia os campos , mas o seu pensamento estava ainda em o castelo , em aquela voz sem corpo e quando pôs as roupas vermelhas , o seu único conforto foi pensar que estavam todos lá fora para assistir a o jogo . As equipas entraram em campo a o som de um tumulto de aplausos . Oliver_Wood fez um voo de aquecimento em volta de os postes , Madam_Hooch soltou as bolas . Os Hufflepuff que tinham fatos amarelo-canário estavam reunidos em grupo em uma discussão de última hora sobre as tácticas . Harry subia para a vassoura quando a professora Mc_Gonagall atravessou o campo , meio a andar , meio a correr , transportando um enorme megafone roxo . O coração de Harry caiu lhe a os pés . - Este jogo foi cancelado - gritou por o megafone a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a o estádio apinhado . Ouviram se Uuuus e assobios . Oliver_Wood , com um ar infelicíssimo , aterrou e correu para a professora McGonagall sem sair de a vassoura . - Mas , professora - gritou - temos de jogar ... a taça ... os Gryffindor ... A professora Mc_Gonagall ignorou o e continuou a gritar por o megafone . - Pede se a os estudantes que regressem a as salas comuns de as respectivas equipas onde os chefes de equipa lhes darão mais informações . O mais depressa possível , se fazem favor ! Em seguida , baixou o megafone e fez sinal a o Harry para que se aproximasse . - Potter , é melhor vires comigo ... Perguntando a si próprio que suspeita poderia ela ter contra ele , desta_vez , Harry viu Ron desligar se de a multidão discordante e vir a correr juntar se lhes , enquanto eles se dirigiam para o castelo . Para sua grande surpresa Mc_Gonagall não pôs qualquer objecção . - Sim , talvez seja melhor vires também , Weasley . Alguns de os estudantes que os rodeavam reclamavam por o jogo ter sido cancelado , outros tinham um ar preocupado . Harry e Ron seguiram a professora Mc_Gonagall de volta a a escola e através de a escadaria de pedra . Mas desta_vez não foram levados a nenhum escritório . - Isto vai chocar vos um_pouco - disse a professora Mc_Gonagall em um tom de voz surpreendentemente suave quando estavam a aproximar se de a ala hospitalar . - Houve outro ataque ... outro ataque duplo . As vísceras de o Harry deram um salto mortal . A professora Mc_Gonagall abriu a porta e ele e Ron entraram . Madam_Pomfrey estava inclinada sobre uma rapariga de o quinto ano de cabelos longos a os caracóis que Harry reconheceu como sendo a colega de os Ravenclaw a quem , por engano , tinham perguntado o caminho para a sala comum de os Slytherin . E , em a cama a o lado de ela , estava ... - Hermione - gemeu o Ron . Hermione jazia totalmente quieta , os olhos abertos e vítreos . - Foram encontradas perto de a biblioteca - disse a professora Mc_Gonagall . - Calculo que nenhum de vocês possa explicar isto ? Estava em o chão , junto de ela . A professora tinha em as mãos um pequeno espelho redondo . Harry e Ron acenaram negativamente com as cabeças , ambos com os olhos fixos em Hermione . - Eu acompanho vos a a torre de os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall pesadamente . - De qualquer modo tenho de falar com os alunos . - Os alunos regressarão a as salas comuns de as respectivas equipas , todos_os_dias , a as seis_horas_da_tarde . Nenhum aluno deverá sair de os dormitórios depois de isso . Serão escoltados até a as aulas por um professor . Nenhum aluno deverá ir a a casa_de_banho sem um professor a acompanhá o . Todos os treinos e jogos de Quidditch estão suspensos a_partir_de agora . Não haverá mais actividades nocturnas . Os Gryffindor , que enchiam a sala comum , ouviram em silêncio a professora Mc_Gonagall . Ela enrolou o pergaminho que acabara de ler e disse em uma voz algo chocada : - Não é preciso acrescentar que nunca me senti tão desolada . É provável que a escola seja encerrada se não for apanhado o culpado de todos estes ataques . Quero pedir que se algum de vocês achar que sabe alguma coisa sobre eles venha imediatamente ter comigo . Mal ela subiu , de forma um_pouco desastrada , por o buraco de o retrato , os Gryffindor começaram logo a falar . - São dois Gryffindor a menos , sem contar com o fantasma de os Gryffindor , um Ravenclaw e um Hufflepuff - disse o amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , contando por os dedos . - Não terá nenhum de os professores reparado que os Slytherin estão a salvo ? Será que não é óbvio que tudo_isto vem de eles ? O herdeiro de Slytherin , o monstro de Slytherin , porque não expulsam todos os Slytherin ? - resmungou , recebendo acenos e aplausos de todos os lados . Percy_Weasley estava sentado em uma cadeira atrás_de Lee , mas por uma_vez não pareceu querer expor os seus pontos de vista . Estava pálido e aturdido . - O Percy está em estado de choque - disse o George baixinho a o Harry . - Aquela rapariga de os Ravenclaw , Penelope_Clearwater , é prefeita . Acho que ele nunca tinha pensado que o monstro pudesse atacar um prefeito . Mas Harry não estava a ouvi o com atenção . Não conseguia esquecer a imagem de Hermione deitada em a cama de o hospital , como_se estivesse esculpida em pedra . E se o culpado não fosse apanhado rapidamente tinha em a frente uma vida inteira com os Dursley . Tom_Riddle entregara o Hagrid porque fora confrontado com a possibilidade de um orfanato Muggle se a escola fechasse . Harry sabia exactamente o que ele sentira . - Que vamos nós fazer ? - disse lhe o Ron baixinho a o ouvido . - Achas que eles suspeitam de o Hagrid ? - Temos de falar com ele - disse Harry , tomando uma decisão . - Não acredito que tenha culpa desta_vez , mas se ele libertou o monstro há cinquenta anos , sabe com certeza como entrar em a Câmara_dos_Segredos , o que já é um princípio . - Mas a Gonagall disse que temos que ficar em a torre a_não_ser_que estejamos em as aulas ... - Eu acho - disse Harry ainda mais baixo - que chegou a altura de tirar outra_vez de a mala o manto de o meu pai . Harry herdara apenas uma coisa de o pai : o enorme manto prateado de a invisibilidade . Era a única maneira de poderem esgueirar se de a escola para fazer uma visita a o Hagrid , sem que ninguém de esse por isso . Deitaram se a a hora de o costume , esperaram que o Neville , o Dean e o Seamas adormecessem para se levantarem , vestirem se de_novo e taparem se com o manto . A viagem por os corredores de o castelo escuro e deserto não era nada agradável . Harry que vagueara por ali muitas_vezes durante a noite nunca vira tanta gente depois de o pôr de o Sol . Professores , prefeitos e fantasmas andavam por os corredores a os pares , olhando em volta , em busca de qualquer actividade fora de o habitual . O manto de a invisibilidade não impedia que fizessem barulho e houve um momento particularmente tenso em que o Ron deu uma topada a menos_de um metro de o lugar onde Snape se encontrava . Felizmente Snape espirrou em o preciso momento em que o Ron praguejava . Foi com grande alívio que chegaram a as portas de carvalho de a entrada principal . Estava uma noite clara e cheia de estrelas . Dirigiram se apressadamente para as janelas iluminadas de a casa de Hagrid e só tiraram o manto mesmo em frente de a porta . Poucos segundos depois de terem batido abriu se a porta . Ficaram frente_a_frente com Hagrid que lhes apontou uma besta enquanto Fang , o cão caçador de javalis , ladrava furiosamente atrás de ele . - Oh ! - disse , baixando a arma quando viu que eram eles . - O que estão vocês a fazer aqui ? - Para que é isso ? - perguntou Harry , apontando para a besta , enquanto entrava . - Nada , não é nada - murmurou Hagrid . - Tenho estado a a espera ... não tem importância , sentem se que eu vou fazer um chá . Dava a impressão de não saber o que fazia . Quase apagou a lareira , vertendo a água de a chaleira em o lume e em seguida esmagou o bule com um gesto de a sua mão maciça . - Estás bem , Hagrid ? - perguntou Harry . - Soubeste de a Hermione ? - Soube , sim - disse ele com um leve tremor em a voz . Continuava a olhar nervosamente para as janelas . Deu lhe os duas grandes canecas de água a ferver ( esquecera se de juntar o chá ) e estava a acabar de pôr em um prato uma fatia grossa de bolo de frutas quando alguém bateu energicamente a a porta . Hagrid deixou cair o bolo . Harry e Ron trocaram entre si olhares de pânico e , em seguida , cobriram se com o manto de a invisibilidade e esconderam se em um canto . Hagrid assegurou se de que eles estavam bem escondidos , pegou em a besta e abriu , mais_uma_vez , a porta . - Boa noite , Hagrid . Era_Dumbledore . Entrou com um ar muito sério , seguido de um homem bizarro . O estranho era um homenzinho pequenino , de porte majestoso com cabelos grisalhos desalinhados e uma expressão de ansiedade em o rosto . Usava uma inesperada mistura de roupas . Um fato a as riscas , uma gravata vermelho escarlate , um longo manto negro e umas botas roxas pontiagudas . Debaixo de o braço trazia um chapéu de coco verde lima . -- É o patrão de o meu pai - murmurou o Ron . Cornelius_Fudge , o ministro de a magia ! Harry deu lhe uma valente cotovelada para o fazer calar se . Hagrid tinha ficado suado e pálido . Deixou se cair em uma de as cadeiras e olhava de Dumbledore_para_Cornelius_Fudge . - Más notícias , Hagrid - disse Fudge em um tom bastante grave . - Muito más notícias . Tive de vir . Quatro ataques a filhos de Muggles , as coisas foram longe_de mais . O ministério tem que tomar uma atitude . - Eu nunca ... - disse Hagrid , parecendo implorar a Dumbledore . - O senhor sabe que eu nunca ... professor Dumbledore , o senhor ... - Quero que fique claro , Cornelius , que Hagrid tem a minha total confiança - afirmou Dumbledore , franzindo as sobrancelhas . - Olha , Albus - disse Fudge pouco a a vontade - a ficha de o Hagrid depõe contra ele . O ministério tem de fazer alguma coisa , o Conselho_Directivo de a escola tem se reunido ... - Mesmo_assim , Cornelius , devo dizer te mais_uma_vez que levar o Hagrid de aqui não vai ajudar em nada - afirmou Dumbledore com os olhos azuis com um fogo que Harry nunca vira antes . - Tenta compreender o meu ponto de vista - insistiu Fudge , brincando com o chapéu . - Estou a ser tremendamente pressionado , tenho de mostrar que faço alguma coisa . Se se provar que não foi o Hagrid , ele voltará e não se fala mais em o assunto . Mas tenho de levá o , tem de ser , não estaria a cumprir a minha obrigação se ... - Levar me ? - perguntou Hagrid a tremer . - Levar me para_onde ? - É uma pena curta - disse Fudge , sem o olhar em os olhos . - Não é um castigo , Hagrid , chamemos lhe antes uma precaução . Se mais alguém for apanhado , tu sais com todas_as nossas desculpas . - Não é para Azkaban ? - balbuciou Hagrid . Mas antes que Fudge tivesse tido tempo de responder , ouviu se bater mais_uma_vez a a porta . Dumbledore abriu . Foi a vez de Harry levar uma cotovelada em as costas : soltara um gemido audível . Mr._Lucius_Malfoy entrou em a cabana de o Hagrid embrulhado em uma longa capa preta de viagem , com um sorriso frio de satisfação . O Fang começou a rosnar . - Já está aqui , Fudge ? - disse de forma aprovadora . - Muito bem , muito bem ... - O que estás a fazer aqui ? - perguntou Hagrid furioso . - Sai imediatamente de a minha casa . - Meu bom homem , acredite que não tenho prazer nenhum em entrar em a sua ... er ... chamou lhe casa ? - disse Lucius_Malfoy , sorrindo sarcasticamente enquanto observava a pequena divisão . - Eu limitei me a ir a a escola e disseram me que o director estava aqui . - E o que queres de mim , Lucius ? - perguntou Dumbledore . O seu tom de voz era educado mas em os olhos azuis brilhava ainda o mesmo fogo . - Uma notícia horrível , Dumbledore - disse Mr._Malfoy de forma arrastada , pegando em um grande rolo de pergaminho . - Mas os membros de o conselho pensam que é altura de tu saíres . Isto_é uma ordem de suspensão , tens aí doze assinaturas . Lamento muito mas em a nossa opinião estás a perder a firmeza . Quantos ataques houve até agora ? Mais dois hoje a a tarde , não foi ? A este ritmo vão acabar todos os filhos de Muggles em Hogwarts e todos sabemos que seria uma terrível perda para a escola . - O que é isso , Lucius ? - protestou Fudge com ar alarmado . - O Dumbledore suspenso não ... não , seria a última coisa que desejaríamos em este momento ... - A nomeação ou suspensão , de o director é de a competência de os membros de o Conselho_Directivo , Fudge - disse suavemente Mr._Malfoy . - E como Dumbledore não foi capaz de pôr cobro a estes ataques ... - Oh ! Lucius , se Dumbledore não conseguiu - disse Fudge com o lábio superior a suar . - Quem irá conseguir ? - Isso está para se ver - disse Mr._Malfoy com um sorriso mesquinho . - Mas como os doze votamos ... Hagrid pôs se de pé em um salto , o cabelo preto hirsuto a roçar em o tecto . - E quantos tiveste de chantajar para concordarem contigo , Malfoy ? - Meu caro Hagrid , sabe que esse seu temperamento ainda acaba por lhe criar problemas um dia de estes - disse Mr._Malfoy . - Não o aconselho a gritar assim com os guardas de Azkaban . Eles não iriam gostar nada . - Não podes levar Dumbledore - gritou Hagrid , fazendo Fang , o cão caçador de javalis , agachar se e ganir em o seu cesto . - Sem ele , os filhos de os Muggles não têm qualquer hipótese . A seguir haverá mortes . - Acalma te , Hagrid - disse Dumbledore de forma cortante , olhando para Lucius_Malfoy . - Se os membros de o conselho querem substituir me , eu sairei , claro . - Mas - interrompeu Fudge . - Não - rosnou Hagrid . Dumbledore não tirara os seus olhos azuis brilhantes de os olhos cinzentos e frios de Lucius_Malfoy . - Contudo - disse , pronunciando cada palavra lenta e claramente para que nenhum de eles perdesse o seu sentido - verás que só deixarei verdadeiramente esta escola quando ninguém aqui me for leal . Descobrirás também que será sempre dada ajuda em Hogwarts a quem a pedir . Por um segundo , Harry teve quase a certeza de que os olhos de Dumbledore tremelaziram em direcção a o canto onde ele e Ron estavam escondidos . - Sentimentos admiráveis - disse Malfoy , fazendo uma vénia . - Todos nós vamos sentir a tua ... forma muito pessoal de fazer as coisas , Albus . Só espero que o teu sucessor consiga evitar qualquer ... crime . Dirigiu se a a porta de a cabana , abriu a e fez sinal a Dumbledore para que passasse a a sua frente . Fudge , mexendo nervosamente em o chapéu de coco , esperou que Hagrid fizesse o mesmo mas ele ficou quieto , respirou fundo e disse prudentemente : - Se alguém quiser descobrir alguma coisa , o que tem a fazer é seguir as aranhas . Elas indicarão o caminho , é tudo_o_que vos digo . Fudge olhou para ele espantado . - Está bem , eu vou - disse Hagrid , pegando em o seu sobretudo de pêlo de toupeira . Mas quando ia seguir o Fudge e sair por a porta , parou e disse em voz alta : - E alguém tem de dar de comer a o Fang enquanto eu não estiver cá . A porta fechou se ruidosamente e Ron tirou o manto de a invisibilidade . -- Estamos outra_vez em uma alhada - disse com voz rouca - Sem o Dumbledore podem fechar a escola já esta noite . Sem ele vai haver um ataque por dia . O Fang começou a ganir , arranhando a porta fechada . XV_Aragog_O_Verão insinuava se em os campos em volta de o castelo . O céu e o lago tinham se tornado de um azul-molusco e as flores , grandes como couves , começavam a florir em as estufas . Mas sem o Hagrid , que ele costumava avistar de o castelo , atravessando os campos com o Fang atrás , parecia a Harry que a paisagem não estava completa . Não era melhor dentro de o castelo onde tudo corria horrivelmente mal . O Harry e o Ron tinham tentado visitar a Hermione , mas as visitas a o hospital estavam proibidas . - Não vamos correr mais riscos - disse lhes Madam_Pomfrey com ar severo , através_de uma fresta de a porta de o hospital . Não , lamento , há muitas hipóteses de o atacante voltar para acabar de vez com estas pessoas ... Com Dumbledore longe , o medo espalhara se como nunca acontecera antes , de_tal_modo_que o sol que aquecia as paredes de o castelo por fora parecia parar junto de as janelas de pinázios . Não se via um único rosto em a escola que não andasse tenso e preocupado e qualquer gargalhada , em os corredores , se tornava incómoda e antinatural e era rapidamente abafada . Harry repetia constantemente , de si para consigo , as últimas palavras que ouvira a Dumbledore : - * _ Só terei verdadeiramente deixado esta escola quando ninguém me for leal ... será sempre dada ajuda , em Hogwarts , a quem a pedir * . Qual seria o significado exacto de aquelas palavras ? A quem deveria pedir ajuda quando todos estavam tão confusos assustados como ele ? A alusão de Hagrid a as aranhas era bastante mais fácil de entender . O problema era que parecia não ter restado uma única aranha em o castelo para eles a poderem seguir . Harry procurou por todo o lado com a ajuda relutante de o Ron . As coisas estavam dificultadas por o facto de não poderem andar sozinhos e terem de se deslocar em grupo dentro de o castelo , juntamente com outros Gryffindor . A maior parte de os alunos gostava de ser conduzida como carneiros de uma aula para a outra por os professores mas Harry achava horrível . Havia , contudo , uma pessoa que parecia apreciar aquela atmosfera de terror e suspeitas . Draco_Malfoy passeava empertigado por a escola como_se tivesse sido nomeado para chefe de turma . Harry só compreendeu o motivo de toda aquela boa disposição cerca de quinze_dias depois de Dumbledore e Hagrid se terem ido embora quando , em uma aula de poções , o ouviu falar com o Crabbe e o Goyle . - Sempre achei que seria o pai quem conseguiria livrar nos de o Dumbledore - disse sem a menor preocupação em baixar a voz . - Já vos disse , segundo ele , Dumbledore foi o pior director que a escola alguma vez teve . Talvez agora venha um director decente que não queira a Câmara_dos_Segredos fechada . A Mc_Gonagall não vai durar muito , está só a ... O Snape passou por Harry , sem fazer comentários a o caldeirão e a a cadeira vazia de Hermione . - Professor - disse Malfoy em voz alta . - Professor , porque não se candidata a o lugar de director ? - Ora , ora , Malfoy - respondeu Snape , sem conseguir esconder um meio sorriso . - O professor Dumbledore foi apenas suspenso por os membros de o conselho de direcção , certamente vai voltar um dia de estes . - Sim , claro - disse Malfoy com o seu sorriso escarninho . - Acho que se o professor quisesse candidatar se a o lugar teria o voto de o pai . Eu vou dizer lhe que o acho o melhor professor de a escola . Snape sorriu enquanto passeava de um lado para o outro em o calabouço , não tendo felizmente visto o Seamus_Finnigan que fingia vomitar para dentro de o caldeirão . - Estou espantado por ver que até agora os sangues de lama ainda não fizeram as malas e não desapareceram - prosseguiu Malfoy . - Aposto cinco galeões em como o próximo morre . Pena que não tenha sido a Granger ... A campainha tocou em esse momento o que foi uma sorte porque a o ouvir as últimas palavras de Malfoy , Ron deu um salto , mas em a barafunda de guardar os livros em os sacos , a sua tentativa de agarrar o Malfoy passou despercebida . - Deixem me - gritava o Ron enquanto o Harry e o Dean lhe agarravam os braços . - Não preciso de varinha , vou dar cabo de ele com as minhas mãos ... - Despachem se , tenho de conduzir vos a a aula de herbologia - praguejava o Snape acima de as cabeças de os alunos . E lá foram como cordeirinhos com Harry , Ron e Dean em a retaguarda , o Ron ainda a tentar libertar se . Só acharam seguro largá o quando Snape os deixou fora de o castelo e iniciaram o percurso por o meio de a horta em direcção a as estufas . A aula de herbologia estava reduzida . Tinha agora dois alunos a menos : Justin e Hermione . A professora Sprout pô os a trabalhar , podando as figueiras-da-abissínia . Harry foi despejar uma braçada de hastes secas em um monte de adubo e deu consigo cara a cara com Ernie_Mcmillan . Ernie respirou fundo . - Só quero dizer te , Harry que lamento ter suspeitado de ti . Sei que nunca atacarias a Hermione_Granger e peço te desculpa por todas_as coisas que disse . Estamos todos em o mesmo barco , agora e , bem ... Estendeu lhe uma mão rechonchuda que o Harry apertou . Ernie e a sua amiga Hannah foram trabalhar em a mesma figueira com o Harry e o Ron . - Aquele tipo , Draco_Malfoy - disse Ernie , partindo pequenos galhos - , parece muito satisfeito com isto tudo , não acham ? É bem possível que ele seja o herdeiro de Slytherin . - Uma observação inteligente de a tua parte - disse o Ron que parecia não ter desculpado Ernie tão facilmente como o Harry . - Acham que é ele ? - perguntou Ernie . - Não - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Hannah ficaram a olhar espantados . Um segundo depois , Harry avistou qualquer coisa que o levou a chamar a atenção de o Ron , batendo lhe em a mão com a tesoura de podar . - Au ... o que é_que tu ... ? Harry apontava para o chão , a poucos centímetros de distância . Várias aranhas grandes corriam precipitadamente por a terra fora . - Ah ! sim - disse o Ron , tentando , sem conseguir , mostrar se entusiasmado . - Mas não podemos seguis as agora ... Ernie e Hannah ouviam nos com curiosidade . Harry viu as aranhas desaparecerem . - Parecem ir em a direcção de a floresta proibida ... E o Ron ficou ainda mais infeliz a o ouvir aquilo . Em o final de a aula , o professor Snape acompanhou os alunos a a « Defesa contra as artes negras » . Harry e Ron foram atrás de os outros para poderem conversar sem serem ouvidos . - Temos de usar outra_vez o manto de a invisibilidade - disse Harry a o Ron . - Podemos levar connosco o Fang , ele está habituado a ir a a floresta com o Hagrid , pode ser uma boa ajuda . - Certo - disse o Ron , que fazia girar nervosamente a varinha em os dedos . - Er ... não costuma haver ... não costuma haver lobisomens em a floresta ? - acrescentou enquanto ocupavam os lugares de o costume em a aula de o Lockhart . Preferindo não responder a a pergunta , Harry disse : - Também há lá coisas boas . Os centauros são fixes e os unicórnios . Ron nunca estivera em a floresta proibida , Harry fora lá só uma_vez e desejara não ter de lá voltar . Lockhart deu um salto para dentro de a sala de aula e os alunos ficaram espantados a olhar para ele . Todos os outros professores andavam mais tristes do_que o habitual mas Lockhart parecia sentir se em as nuvens . - Então , então - exclamou , olhando em volta . - Porquê essas caras deprimidas ? Lançaram lhe olhares exasperados mas ninguém respondeu . - Não compreendem - disse , falando devagar como_se fossem todos um_pouco estúpidos - que o perigo já passou ? O culpado foi se embora . -- Quem disse ? - retorquiu Dean_Thomas em voz alta . -- Meu caro jovem , o ministro de a magia não teria levado Hagrid se não estivesse cem por_cento certo de que ele era o culpado - disse Lockhart como quem explica que um e um são dois . - Teria , sim - disse o Ron , em um tom de voz ainda mais alto do_que o de o Dean . - Eu julgo saber um_pouco mais sobre a prisão de o Hagrid do_que o senhor , Mr._Weasley - disse Lockhart com notória auto-satisfação . Ron começou a dizer que discordava mas foi interrompido por o Harry que lhe deu um forte pontapé por debaixo de a mesa . - Nós não estávamos lá , lembras te ? - murmurou . Mas a alegria revoltante de o Lockhart , as insinuações de que sempre tinha achado que o Hagrid não prestava , a sua certeza de que tudo aquilo estava a chegar a o fim , irritou Harry de tal maneira que teve vontade de lhe atirar as * _ Viagens com Vampiros * e de lhe acertar em aquela cara estúpida . Mas , em vez de isso , limitou se a escrevinhar um bilhete para o Ron : * _ Vamos lá hoje a a noite * . Ron leu a mensagem , engoliu em seco e olhou para o lugar onde Hermione costumava sentar se . A cadeira vazia pareceu ajudá o a decidir se e acenou afirmativamente . A sala comum de os Gryffindor estava agora sempre cheia porque , depois de as seis_da_tarde , os Gryffindor não tinham outro lugar para ir . Por outro lado , tinham imenso para conversar , por isso a sala comum mantinha se cheia de gente até depois de a meia-noite . Logo_a_seguir a o jantar , Harry foi buscar o manto de a invisibilidade a a mala onde estava guardado e passou todo o serão a a espera que a sala esvaziasse . O Fred e o George desafiaram o para alguns jogos de explosão e a Ginny sentou se , muito preocupada , a observá os , em a cadeira habitual de Hermione . Harry e Ron fartaram se de perder de propósito em uma tentativa de pôr rapidamente fim a os jogos mas , mesmo_assim , já passava bastante de a meia-noite quando o Fred , o George e a Ginny se foram , finalmente , deitar . Harry e Ron esperaram até ouvir as portas de os dois dormitórios fecharem se . Em seguida , pegaram em o manto , lançaram o sobre ambos e passaram por o buraco de o retrato . Era mais uma difícil travessia de o castelo , tendo de fintar todos os professores . Finalmente , chegaram a o * hall * de entrada , giraram o fecho de as portas de carvalho , esgueiraram se tentando não fazer barulho e aventuraram se nos campos iluminados por o luar . - É claro que - disse bruscamente o Ron , enquanto atravessavam os relvados negros - podemos perfeitamente chegar a a floresta e descobrir que não há nada para seguir . As aranhas podem não ter ido para lá . É certo que parecia que tomavam essa direcção , mas ... Felizmente a lengalenga não durou muito . Chegaram a a casa de o Hagrid que tinha um ar triste com as suas janelas vazias . Logo_que Harry empurrou a porta e a abriu , o Fang saltou , louco de alegria por os ver . Preocupados , não fosse ele acordar toda_a_gente em o castelo com o seu ladrar forte e agitado , deram lhe rapidamente a comer bombons de melaço que estavam em uma lata sobre a lareira e que lhe colaram os dentes de cima a os de baixo . Harry pousou o manto de a invisibilidade sobre a mesa de o Hagrid . Não iam precisar de ele em a floresta escura como breu . - Anda , Fang , vamos dar um passeio - disse Harry , batendo lhe a o de leve em a pata e Fang saiu feliz , a os saltos , atrás de eles . Precipitou se até a a orla de a floresta e levantou a perna contra uma enorme figueira-do-egipto . Harry pegou em a varinha , murmurou * _ Lumus * ! e uma pequenina luz surgiu em a ponta de a varinha , suficiente para lhes mostrar o caminho e ajudá os a descobrir a pista de as aranhas . - Bem pensado - disse o Ron . - Eu acendia também a minha mas , sabes como ela está , ainda estoirava ou qualquer coisa assim ... Harry tocou em o ombro de o Ron , apontando para as ervas . Duas aranhas solitárias fugiam de a luz de a varinha , aproximando se de a sombra de as árvores . - O. _ K. - disse o Ron , resignando se com o pior . - Estou pronto , vamos . Então , com o Fang a correr atrás de eles , cheirando as raízes de as árvores e as folhas , entraram em a floresta . Seguindo a luz de a varinha de o Harry seguiram a fila disciplinada de aranhas que se movia a o longo de o caminho . Andaram durante cerca de vinte minutos , sem falar , atentos a todos os ruídos que não fossem os de os ramos caídos e de as folhas secas . Então , quando as copas de as árvores se tinham tornado mais cerradas do_que nunca , de_tal_modo_que as estrelas em o céu já não eram visíveis e a varinha de o Harry brilhava isolada em um mar de escuridão , viram as aranhas que eles seguiam a abandonar o caminho . Harry parou , tentando ver para_onde iam mas tudo_o_que ficava longe de a sua pequenina luz era negro de breu . Ele nunca fora tão longe em a floresta . Lembrava se muito bem de Hagrid lhe ter dito , de a última vez que ali tinham estado , que nunca saísse de o caminho de a floresta . Mas Hagrid agora estava a muitos quilómetros de distância e ele também lhes dissera que seguissem as aranhas . Uma coisa húmida tocou em a mão de o Harry e ele deu um salto para trás , pisando o pé a o Ron . Mas afinal era apenas o focinho de o Fang . - O que é_que tu achas ? - perguntou ele a o Ron cujos olhos conseguia vislumbrar , reflectindo a luz de a varinha . - Já_que viemos até aqui - disse ele . Seguiram , portanto as sombras velozes de as aranhas em direcção a as árvores . Não podiam agora andar muito depressa . Tinham em a frente raízes de árvores e troncos cortados que mal se viam em aquela escuridão . Harry sentia o bafo quente de Fang em a mão . Por mais de uma_vez tiveram de parar para o Harry se baixar e descobrir as aranhas a a luz de a varinha . Andaram durante o que lhes pareceu ter sido pelo_menos meia_hora , com os mantos a roçarem em os ramos mais baixos e em as silvas . A o fim de algum tempo repararam que o chão parecia inclinar se para baixo embora as árvores continuassem cerradas . Foi então que o Fang soltou um latido que ecoou em volta , fazendo Harry e Ron darem um salto , ambos com os cabelos em pé . - O que foi ? - gritou o Ron , olhando em volta para a escuridão e agarrando Harry com força , por o cotovelo . - Há qualquer coisa ali a mexer se - murmurou Harry - Ouve ... parece ser grande . Ficaram a ouvir . Um_pouco para a direita algo de grandes dimensões partia os ramos enquanto abria caminho através de as árvores . - Oh ! não - disse o Ron . - Oh ! não , não ... - Cala te - insistiu o Harry , nervoso . - Seja o que for , vai acabar por te ouvir . - Ouvir me ? - disse o Ron , em um tom de voz muito pouco natural . - Já ouviu . Fang ! A escuridão parecia esmagar lhes os globos oculares enquanto ali ficaram apavorados , a a espera . Houve um estranho ruído , surdo e prolongado , e em seguida o silêncio . - O que estará a fazer ? - perguntou Harry . - Talvez esteja a preparar se para atacar - disse o Ron . Esperaram , a tremer , sem ousarem mexer se . - Achas que se foi embora ? - murmurou Harry . - Não sei . Em esse momento , de o lado direito veio um clarão de luz tão forte em o meio de o escuro que os dois levaram as mãos a a cara para proteger os olhos . O Fang ganiu e tentou fugir mas viu se envolvido em um emaranhado de espinhos e ganiu ainda mais alto . - Harry - gritou o Ron com grande alívio em a voz . - Harry , é o nosso carro . - O quê ? - Anda ver . Harry avançou a os tropeções atrás de o Ron , em direcção a a luz e em o momento seguinte estavam em uma clareira . O carro de Mr._Weasley ali estava , vazio , no_meio_de um círculo de árvores grossas , sob um telhado de ramos densos , os faróis de a frente resplandecentes . Quando Ron se aproximou de boca aberta , moveu se lentamente em direcção a ele como_se fosse um grande cão azul turquesa , cumprimentando o dono . - Tem estado aqui todo este tempo - disse o Ron satisfeitíssimo , aproximando se de o carro . - Olha para ele , a floresta tornou o selvagem ... O guarda-lamas estava riscado e cheio de lodo . Parecia que tinha andado a passear sozinho por a floresta . Fang não gostou lá muito de ele . Manteve se a o lado de o Harry que podia senti o a tremer . Com a respiração normalizada , Harry guardou a varinha em o manto . - E nós a pensarmos que ele nos ia atacar - disse o Ron , encostando se a o carro e dando lhe duas palmadinhas - As voltas que eu dei a a cabeça a pensar para_onde ele teria ido ! Harry olhava para todos os lados , em o chão iluminado , em busca de mais aranhas mas todas elas tinham fugido de o brilho de as luzes . - Perdemos as de vista - disse ele . - Anda , vamos procurá as . Ron não disse nada . Não se moveu . Tinha os olhos fixos em um ponto , três metros acima de o chão de a floresta , mesmo atrás de o Harry . O seu rosto estava lívido de terror . Harry nem teve tempo de se voltar . Ouviu se um ruído alto e seco e sentiu que alguma coisa longa e peluda o elevava em o ar com o rosto voltado para baixo . Debatendo se , apavorado , ouviu outro estalido e viu as pernas de o Ron serem também levantadas de o chão . Ouviu o Fang gemer e ganir e , em o momento seguinte , era levado para o meio de as árvores escuras . Com a cabeça a balouçar , Harry viu que a coisa que o transportava tinha seis enormes patas peludas e que as duas de a frente o agarravam com forca sob um par de tenazes pretas e brilhantes . Atrás_de si podia ouvir outra de aquelas criaturas que , sem dúvida , transportava o Ron . Encaminhavam se para o coração de a floresta . Harry ouvia o Fang a ladrar , tentando libertar se de um terceiro monstro mas Harry não podia gritar mesmo_que quisesse , parecia que tinha deixado a voz em a clareira , junto com o carro . Não soube quanto tempo esteve em as patas de a criatura , só se apercebeu que a escuridão se atenuara um_pouco , permitindo lhe ver que o chão coberto de folhas estava agora repleto de aranhas . Voltando a cabeça para o lado , deu se conta de que tinham chegado a a base de uma enorme cova , uma cova que fora limpa de árvores para que as estrelas iluminassem com o seu brilho a cena mais pavorosa que os seus olhos alguma vez tinham visto . Aranhas . Não aranhas pequeninas como aquelas que estavam sobre as folhas . Aranhas de o tamanho de enormes cavalos , com oito olhos , oito pernas pretas , peludas , gigantescas . O espécimen que transportava Harry desceu o terreno íngreme até uma teia brumosa em forma de cúpula que ficava mesmo em o meio de a cova , enquanto os companheiros se juntavam em volta , batendo excitadíssimos com as tenazes e olhando para o que eles traziam a as costas . Harry caiu em o chão de gatas quando a aranha o libertou . Ron e Fang foram cair perto de ele . O Fang já não gania . Estava agachado e muito quieto . Ron e Harry partilhavam o mesmo sentimento . O Ron tinha a boca aberta em uma espécie de grito silencioso e os olhos a saltarem lhe de as órbitas . Harry percebeu de repente que a aranha que o deitara a o chão estava a dizer qualquer coisa . Era difícil entender porque entre cada duas palavras , batia com as tenazes . - Aragog - chamou . - Aragog . E de o meio de a teia brumosa em forma de cúpula saiu muito lentamente uma aranha de o tamanho de um pequeno elefante . As costas e as pernas estavam cobertas de pêlo cinzento e , em a cabeça feia , munida de tenazes , estavam vários olhos , todos eles de um branco leitoso . Era cega . - O que foi ? - disse , batendo rapidamente com as tenazes uma em a outra . - Homens - respondeu a aranha que trouxera o Harry . - É o Hagrid ? - perguntou Aragog , aproximando se mais com os seus oito olhos leitosos a vaguear . - Estranhos - respondeu a aranha que trouxera o Ron . - Matem nos - disse Aragog , irritada . - Eu estava a dormir ... - Nós somos amigos de o Hagrid - gritou Harry . Parecia que o coração lhe saltava por a boca . Clic , clic , clic fizeram as tenazes de a aranha , em volta de a cova . Aragog parou . - O Hagrid nunca mandou homens a a nossa cova - disse lentamente . - O Hagrid está em perigo - explicou Harry , respirando muito depressa . - Foi por isso que eu vim . - Em perigo ? - repetiu a aranha idosa e pareceu a Harry sentir preocupação por detrás de as suas tenazes . - Mas porque vos mandou ele cá ? Harry pensou pôr se de pé mas achou melhor não arriscar . As pernas provavelmente não teriam força para o sustentar . Falou portanto de o chão , o mais calmamente que foi capaz . - Eles lá em a escola pensam que o Hagrid soltou qualquer coisa contra os estudantes . Mandaram o para Azkaban . Aragog bateu furiosamente com as tenazes e , em toda_a cova , o eco foi reproduzido por uma multidão de aranhas . Era uma espécie de aplauso com uma única diferença : os aplausos não costumavam fazer o Harry quase morrer de medo . - Mas isso foi há muitos anos - disse Aragog , maldisposta . - Há anos e anos . Lembro me muito bem . Foi por isso que o expulsaram de a escola . Eles pensaram que eu era o monstro que vive em aquilo a que eles chamam a Câmara_dos_Segredos . Pensaram que o Hagrid a tinha aberto para me libertar . - E tu ... não vieste de a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Harry que sentia a testa cheia de suores frios . - Eu - disse Aragog , batendo irritada com as tenazes - , eu não nasci em o castelo . Venho de uma terra distante . Um viajante ofereceu me a o Hagrid quando eu era ainda um ovo . Hagrid era um rapazinho mas tratou de mim , escondeu me em uma despensa dentro de o castelo e alimentava me com as migalhas que ficavam em as mesas . Hagrid é o meu bom amigo e um bom homem . Quando me encontraram e me culparam por a morte de uma rapariga , ele protegeu me . Desde_então , tenho vivido aqui em a floresta onde o Hagrid ainda vem visitar me . Ele até me arranjou uma esposa , Mosag , e estão a ver como a família cresceu , tudo graças a a bondade de o Hagrid ... Harry reuniu a coragem que lhe restava . - Então tu nunca atacaste ninguém ? - Nunca - resmungou a velha aranha . - Era esse o meu instinto , mas por respeito a Hagrid nunca fiz mal a nenhum humano . O corpo de a rapariga morta foi encontrado em uma casa_de_banho , ora eu nunca conheci mais do_que despensa de o castelo , onde cresci . Nós gostamos de o escuro de o silêncio . - Mas então ... sabes o que matou essa rapariga ? - perguntou Harry . - Porque seja o que for , está a atacar as pessoas outra_vez ... As suas palavras foram abafadas por uma audível explosão de tenazes a bater e por o ruge-ruge de muitas pernas longas , deslocando se iradas . Em volta de Harry começaram a mover se sombras escuras . - O que vive em o castelo - disse Aragog - é uma antiga criatura que nós , aranhas , tememos acima_de todas_as outras . Lembro me bem de o quanto insisti com Hagrid para que me deixasse sair de ali quando senti a criatura a andar por a escola . - O que é ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Mais tenazes a bater , mais pernas a moverem se . As aranhas pareciam estar a aproximar se . - Nós não falamos de isso - exclamou Aragog furiosa . - Não pronunciamos o seu nome . Eu nunca disse a o Hagrid o nome de a horrível criatura , apesar_de ele me ter perguntado vezes sem conta . Harry não quis insistir , principalmente com todas aquelas aranhas a aproximarem se de todos os lados . Aragog parecia ter se cansado de falar . Recuava lentamente para a teia em forma de cúpula , mas as companheiras continuavam a aproximar se ameaçadoramente de Harry e Ron . - Vamos embora , então - gritou Harry , desesperadamente a Aragog , enquanto ouvia as folhas secas a estalarem atrás_de si . - Embora ? - disse Aragog lentamente . - Não me parece ... - Mas , mas ... - Os meus filhos e filhas não fazem mal a o Hagrid por ordem minha . Mas não posso negar lhes carne fresca quando ela veio por vontade própria ter connosco . Adeus , amigo de o Hagrid . Harry deu meia volta . Poucos centímetros acima de ele , uma sólida parede de aranhas batia com as tenazes , os seus muitos olhos a brilharem em as horríveis caras pretas . Mesmo_que se servisse de a varinha , Harry sabia que não ia valer de nada . As aranhas eram demasiadas , mas quando tentava preparar se para morrer a lutar , ouviu se um som prolongado e um clarão de luz iluminou a cova . O carro de Mr._Weasley ribombava , descendo o declive , com os faróis acesos , a buzina a guinchar , afastando as aranhas . Muitas de elas ficaram voltadas ao_contrário com as várias pernas a agitar se em o ar . O carro buzinou com mais força em frente de Harry e Ron e as portas abriram se . - Agarra o Fang - gritou Harry , ajeitando se em o lugar de a frente . Ron agarrou o cão caçador de javalis e lançou o a ganir para o banco de trás . As portas fecharam se com estrondo . Ron não tocou em o acelerador mas o carro não precisou de isso . O motor fez se ouvir e levantaram voo , batendo em mais aranhas . Subiram o declive , saindo de a cova e pouco depois atravessavam a floresta , os ramos a baterem em os vidros enquanto o carro seguia habilmente através de os intervalos maiores , por um caminho que obviamente já conhecia . Harry olhou para o Ron , a o seu lado . Ele tinha ainda a boca aberta em o mesmo grito silencioso mas os olhos já não estavam salientes . - Estás bem ? Ron olhou em frente , incapaz de responder . Começavam a descer para terra firme com o Fang a soltar enormes ganidos em o banco de trás e Harry viu o espelho retrovisor saltar quando passaram rente a um enorme carvalho . Após dez minutos bastante ruidosos , as árvores começaram a ser mais finas e Harry pôde ver de_novo pedaços de o céu . O carro parou tão bruscamente que quase foram projectados por o vidro de a frente . Tinham chegado a a orla de a floresta . O Fang ia agitadíssimo a a janela e quando Harry abriu a porta , disparou a correr através de as árvores até a a casa de o Hagrid , de cauda entre as pernas . Harry saiu também e um minuto depois o Ron pareceu recuperar a força em os membros e seguiu o , ainda com um torcicolo e de olhos esbugalhados . Harry deu uma palmadinha de agradecimento a o carro antes de ele dar a volta e desaparecer em direcção a a floresta . Harry voltou a a cabana de o Hagrid para buscar o manto de a invisibilidade . O Fang tremia em o seu cesto , coberto por um cobertor . Quando saiu de_novo , viu o Ron a vomitar junto de as abóboras . - Sigam as aranhas - disse ele debilmente , limpando a boca a a manga . - Nunca vou perdoar a o Hagrid . É uma sorte ainda estarmos vivos . - Aposto que ele pensou que Aragog nunca faria mal a os seus amigos - justificou Harry . - Esse é justamente o problema de o Hagrid - interrompeu Ron , dando um soco em a parede de a cabana . - Ele acha sempre_que os monstros não são tão maus como os pintam e vê onde isso o levou , a uma cela em Azkaban - tremia agora descontroladamente . - Qual a ideia de ele a o mandar nos ali ? Gostava de saber o que é_que descobrimos . - Que o Hagrid nunca abriu a Câmara_dos_Segredos - disse Harry , lançando o manto sobre Ron e tocando lhe em o braço para o encorajar a andar . - Ele estava inocente . Ron resmungou em voz alta . Para ele , chocar Aragog em uma despensa não era propriamente estar inocente . Quando se aproximaram de o castelo , Harry esticou o manto para garantir que os pés de ambos ficavam cobertos . Em seguida , empurrou as portas de a frente que chiaram . Atravessaram com todo o cuidado o * hall * de entrada e subiram a escadaria de mármore , contendo a respiração em os corredores guardados por sentinelas atentos . Por fim , chegaram a a segurança de a sala de os Gryffindor onde o lume ardera até se transformar em brasas brilhantes . Tiraram o manto e subiram a escada serpenteante que os levava a o dormitório . Ron caiu em a cama sem sequer se despir mas Harry , apesar_de tudo , não tinha sono . Sentou se em a beirinha de a cama , pensando em todas_as coisas que Aragog dissera . A criatura que andava por o castelo , pensou , era uma espécie de monstro Voldemort , nem os outros monstros queriam pronunciar o seu nome . Mas ele e o Ron não estavam agora mais perto_de descobrir o que era nem como petrificava as suas vítimas . Se nem o Hagrid chegara a saber o que estava em a Câmara_dos_Segredos ... Harry balançou as pernas e atirou se para_cima de a cama . Encostado a as almofadas olhou a Lua que brilhava através de a janela de a torre . Não sabia que mais poderiam fazer . Só tinham encontrado portas fechadas . Riddle apanhara a pessoa errada . O herdeiro de Slytherin fugira e ninguém sabia se era a mesma pessoa ou uma outra que abrira , desta_vez , a Câmara_dos_Segredos . Não havia mais ninguém a quem fazer perguntas . Harry deitou se ainda a pensar em as palavras de Aragog . Estava a começar a ficar com sono quando aquilo que parecia ser uma última esperança lhe ocorreu , fazendo o sentar se muito direito em a cama . - Ron - sussurrou em o escuro . - Ron . Ron acordou com um ganido como os de o Fang . Olhou muito assustado em volta e viu o Harry . - Ron , a rapariga que morreu . Aragog contou nos que ela foi encontrada em uma casa_de_banho - disse , ignorando os roncos de o Neville em o outro canto de o quarto . - E se ela nunca tivesse saído de a casa_de_banho ? E se ainda lá estiver ? Ron esfregou os olhos , franzindo as sobrancelhas sob a luz de a Lua . E só então compreendeu . -- Não pensar que ... a Murta_Queixosa ? XVI_A_Câmara_dos_Segredos -- E estivemos nós tantas vezes em aquela casa_de_banho com ela apenas a três cubículos de distância - disse o Ron amargamente em o dia seguinte , a a mesa de o pequeno-almoço . - Podíamos ter lhe perguntado e agora ... Já fora bastante difícil procurar as aranhas . Escapar a os professores o tempo suficiente para ir até a a casa_de_banho de as raparigas , que ficava mesmo em frente de o lugar onde ocorrera o primeiro ataque , ia ser quase impossível . Mas alguma coisa aconteceu que fez com que a Câmara_dos_Segredos desaparecesse de os seus pensamentos pela_primeira_vez em várias semanas . A professora Mc_Gonagall comunicou lhes que os exames começariam a 1_de_Junho , uma semana depois . - Exames ? - gritou Seamus_Finnigan . - Nós mesmo_assim vamos ter exames ? Ouviu se um estrondo atrás de o Harry quando a varinha de o Neville_Longbottom lhe escapou de a mão , fazendo desaparecer uma de as pernas de a secretária . A professora Mc_Gonagall repô a com a sua varinha e voltou se com má cara para o Seamus . - Se temos a escola aberta em uma altura de estas é para vocês receberem instrução - disse com dureza . - Os exames terão lugar , portanto , como é costume e espero que todos vocês façam revisões até lá . Revisões . Não passara por a cabeça de o Harry que houvesse exames com o castelo em aquele estado . Houve uma série de murmúrios revoltados , o que fez com que a professora Mc_Gonagall ficasse ainda mais mal-humorada . - As instruções de o professor Dumbledore foram para manter a escola a funcionar o mais normalmente possível - disse . - E isso , não preciso de vos dizer , passa por uma avaliação de o quanto vocês aprenderam a o longo de este ano . Harry olhou para baixo , para o casal de coelhos brancos que ele deveria transformar em pantufas . Que tinha ele aprendido durante o ano ? Não era capaz de se lembrar de nada que fosse útil em um exame . Ron estava como_se tivessem acabado de lhe dizer que a partir de aquele momento tinha de ir viver para a floresta proibida . - Estás a ver me a ter exames com isto tudo ? - perguntou a o Harry enquanto pegava em a varinha que tinha começado a assobiar bastante alto . Três dias antes de o primeiro exame , a a hora de o pequeno almoço , a professora Mc_Gonagall fez outra comunicação . - Tenho boas notícias - disse , e o salão em_vez_de se calar , explodiu de contentamento . - Dumbledore vai regressar ! - gritaram várias pessoas cheias de alegria . - Apanharam o herdeiro de Slytherin - arriscou uma rapariga em a mesa de os Ravenclaw . - Temos outra_vez os jogos de Quidditch - bradou Wood , excitadíssimo . Quando a agitação passou , Mc_Gonagall disse : - A professora Sprout informou me que as mandrágoras estão finalmente prontas para serem cortadas . Hoje a a noite vamos poder reanimar as pessoas que foram petrificadas . Escusado será dizer que certamente uma de elas poderá revelar nos quem ou o que a atacou . Eu tenho esperança que este ano pavoroso acabe com a prisão de o culpado . Houve uma explosão de aplausos . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e não ficou nada surpreendido a o ver que Draco_Malfoy não aplaudia . O Ron , por outro lado , estava satisfeito como ninguém o via havia dias . - Não faz mal não termos perguntado a a Murta . A Hermione vai , com certeza , ter todas_as respostas quando acordarem . Vai também ficar fula quando souber que temos exames dentro_de três dias . Ela não pôde fazer revisões . Seria melhor deixarem a estar onde está até a o final de os exames . Nessa_altura , Ginny_Weasley veio sentar se junto de o Ron . Parecia nervosa e tensa e Harry reparou que torcia as mãos em o colo . - O que se passa ? - perguntou o Ron , servindo se de mais papa de aveia . Ginny não disse nada mas olhou para um lado e para o outro de a mesa de os Gryffindor , com um olhar assustado que lembrou a Harry alguém que não sabia bem quem era . - Vá lá , vomita - disse o Ron , olhando para ela . Harry percebeu subitamente quem a Ginny lhe lembrara . Ela balançava se ligeiramente para a frente e para trás em a cadeira , exactamente como o Dobby fazia quando estava hesitante , à_beira_de revelar uma informação proibida . - Tenho de te dizer uma coisa - balbuciou a Ginny receosa , sem olhar para Harry . - O que é ? - perguntou ele . Ginny parecia incapaz de encontrar as palavras certas . - O quê ? - insistiu Ron . Ginny abriu a boca mas não saiu nenhum som . Harry inclinou se para a frente e falou devagar para que só ela e Ron pudessem ouvi o . - É alguma coisa relacionada com a Câmara_dos_Segredos ? Viste alguma coisa ou alguém a agir de forma estranha ? Ginny respirou fundo e , em esse preciso momento , apareceu Percy_Weasley com um ar pálido e cansado . - Se já acabaste de comer eu fico com esse lugar , Ginny . Estou cheio de fome . Acabei agora o meu trabalho de patrulhamento . Ginny deu um salto como_se a cadeira tivesse acabado de ser electrificada , lançou a o Percy um olhar assustado e zarpou . Percy sentou se e tirou uma caneca de o meio de a mesa . -- Percy - disse o Ron aborrecido . - Ela ia agora mesmo contar nos uma coisa importante . A meio de um gole de chá , Percy estremeceu . - Que coisa ? - perguntou , tossindo . - Eu quis saber se ela tinha visto alguma coisa estranha e ela ia dizer ... - Ah ! isso ... não tem nada que ver com a Câmara_dos_Segredos - disse o Percy de imediato . - Como sabes ? - indagou o Ron , erguendo as sobrancelhas . - Bem ... er ... já_que perguntam , a Ginny ... er ... passou por mim em outro dia quando eu ... er ... não foi nada , o importante é_que ela viu me fazer uma coisa e eu ... um ... pedi lhe para não comentar com ninguém . Não pensei que ela cumprisse a palavra , verdade se diga . Não é nada importante , eu só ... Harry nunca vira o Percy tão pouco a a vontade . - O que estavas a fazer , Percy ? - riu se o Ron . - Vá lá , conta que nós não nos rimos . Percy ficou sério . - Passa me esses pãezinhos , Harry , estou cheio de fome . Harry sabia que todo o mistério poderia ser desvendado em o dia seguinte sem a ajuda de eles mas não ia deixar de falar com a Murta_Queixosa se a oportunidade surgisse . E , para sua grande satisfação , ela surgiu a meio de a manhã quando eram conduzidos a a aula de História_da_Magia_por_Gilderoy_Lockhart . Lockhart , que tantas vezes lhes assegurara que o perigo tinha passado , estava agora totalmente convencido de que acompanhar os alunos em os corredores era um trabalho inútil . O seu cabelo estava mais liso do_que de costume . Parecia ter passado toda_a noite acordado a vigiar o quarto andar . - Podem escrever o que eu digo - afirmou , acompanhando os até uma esquina . - As primeiras palavras que vão sair de a boca de aquelas pobres pessoas petrificadas serão - * _ Foi_o_Hagrid * . Francamente , estou espantado por a professora Mc_Gonagall considerar ainda necessárias estas medidas de segurança . - Concordo , professor - disse Harry , fazendo com que Ron , surpreendido , deixasse cair os livros a o chão . - Obrigado , Harry - disse Lockhart amavelmente , enquanto deixavam passar uma grande fila de Hufflepuffs . - verdade é_que os professores já têm bastante que fazer para andarem também a acompanhar os alunos a as aulas e a guardar os corredores a a noite ... - É verdade - disse o Ron , percebendo a ideia . - Porque não nos deixa aqui , professor , só falta mais um corredor . - Sabes , Weasley , sou mesmo capaz de fazer isso - disse Lockhart . - Preciso de preparar a minha próxima aula . E apressou se a seguir o seu caminho . - Preparar a aula - zombou o Ron . - Vai encaracolar o cabelo , é o mais certo . Deixaram os restantes Gryffindor passar lhes a a frente e por fim cortaram caminho em um corredor lateral e dirigiram se a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mas quando estavam a congratular se por o seu esquema brilhante ... - Potter , Weasley ! Que estão vocês a fazer aqui ? Era a professora Mc_Gonagall e a boca de ela estava mais fina do_que nunca . - Nós estávamos , estávamos - gaguejou o Ron . - Nós íamos ver , íamos ver ... - Hermione - completou Harry . A professora Mc_Gonagall e Ron olharam para ele . - Não a vemos há séculos , professora - prosseguiu Harry , pisando o pé a o Ron . - E pensamos ir espreitá a a a ala hospitalar e dizer lhe que as mandrágoras estão quase prontas , para ela não se preocupar . A professora Mc_Gonagall estava ainda a olhar para ele e , por um momento , Harry pensou que ela ia explodir mas , quando falou , fê lo em um tom de voz estranhamente rouco . - É claro - disse . E Harry , espantado , viu uma lágrima a brilhar lhe em o canto de um de os olhos . - É claro . Eu compreendo que tudo_isto tem sido muito duro para os amigos de aqueles que foram ... eu compreendo , sim , Potter . Podem ir visitar Miss_Granger . Eu mesma informarei o professor Binns de que vocês estão em o hospital . Digam a Madam_Pomfrey que vos dei autorização . Harry e Ron afastaram se , quase sem acreditar que tinham escapado a um castigo . Quando voltaram em uma esquina ouviram nitidamente a professora Mc_Gonagall a assoar se . - Esta - disse o Ron entusiasmado - foi a melhor história que tu alguma vez inventaste . Não tinham outro remédio senão ir a a ala hospitalar e dizer a Madam_Pomfrey que tinham autorização de a professora Mc_Gonagall para visitar Hermione . Madam_Pomfrey deixou os entrar com alguma relutância . - Não vale a pena falar com uma pessoa petrificada - disse , e ambos tiveram que admitir que ela tinha razão quando se sentaram junto de Hermione e constataram que ela não tinha a menor noção de estar acompanhada . Dizer lhe que não se preocupasse ou falar com o armário que estava a o lado de a cama era exactamente a mesma coisa . - Será que ela viu quem a atacou ? - perguntou o Ron , olhando com tristeza para o rosto rígido de Hermione . - Porque se a coisa saltou sobre eles , ficaremos todos sem saber de nada . Mas Harry não olhava para o rosto de Hermione . Estava mais interessado em a sua mão direita que se encontrava pousada sobre os cobertores e , inclinando se para ela , viu que tinha , fechado entre os dedos , um pedaço de papel . Assegurando se de que Madam_Pomfrey não dava por nada , fez sinal a o Ron . - Tenta tirá o - murmurou ele , colocando a cadeira de_modo_a que Madam_Pomfrey não pudesse ver o Harry . Não foi tarefa fácil . A mão de a Hermione estava fechada com uma força tal que Harry receou parti a . Enquanto Ron vigiava , ele forçou e torceu até que , por fim , depois de vários minutos bastante tensos , conseguiu tirar o papel . Era uma página retirada de um livro muito antigo de a biblioteca . Harry alisou a ansiosamente e Ron inclinou se para poder lês a também . * _ De todos os monstros assustadores que pairam a a face de a Terra , nenhum é tão curioso nem tão fatal como o Basilisk , também conhecido por o rei de as serpentes . Esta cobra que pode atingir proporções gigantescas e viver durante muitas centenas de anos nasce de um ovo de galinha que é chocado por um sapo . As suas formas de matar são pavorosas pois além de os dentes venenosos e mortais , o Basilisk tem um olhar criminoso e todos aqueles que ele fixa com os olhos tem morte instantânea . As aranhas fogem a sete pés de o Basilisk que é seu inimigo mortal , e o Basilisk foge apenas de o canto de o galo que para ele é fatal * . Por debaixo de isto uma única palavra fora escrita , em a letra que Harry reconheceu como sendo de Hermione : Canos . Foi como_se se tivesse acendido uma luz em o seu espírito . - Ron - murmurou - é isso . Está aqui a resposta . O monstro de a Câmara_dos_Segredos é um Basilisk , uma serpente gigante . Por isso , só eu tenho ouvido a sua voz em todos os lugares , porque eu compreendo * serpentês * ... Harry olhou para as camas em volta . - O Basilisk mata as pessoas fixando as com o olhar mas ninguém morreu , o que quer_dizer que ninguém o olhou directamente em os olhos . Colin viu o através de a lente de a máquina fotográfica e o Basilisk queimou o rolo que estava lá dentro mas o Colin ficou apenas petrificado . O Justin ... o Justin deve ter visto o Basilisk através de o Nick quase sem cabeça . O Nick é_que levou com o olhar mas não podia morrer outra_vez ... e perto de a Hermione e de a prefeita de os Ravenclaw foi encontrado um espelho . Hermione acabara de compreender que o monstro era um Basilisk . Aposto que preveniu a primeira pessoa que encontrou de que era melhor olhar por um espelho a o virar de cada esquina . E aquela rapariga puxou de o seu espelho e ... O Ron estava de queixo caído . - E Mrs._Norris ? - perguntou vivamente . Harry pensou um_pouco , tentando imaginar a cena em a noite de o Halloween . - A água . . . - disse lentamente . - A poça de água que saiu de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Aposto que Mrs._Norris só viu o reflexo de o monstro . Examinou a folha de papel que tinha em a mão . Quanto_mais olhava mais sentido faziam as coisas . - * _ O cantar de o galo é fatal para ele * - leu em voz alta . - Os galos de o Hagrid foram mortos . O herdeiro de Slytherin não queria um único galo perto de o castelo , com a câmara aberta . * _ As aranhas são as primeiras a fugir * . Tudo encaixa . - Mas , como tem o Basilisk andado por aí ? - disse o Ron . - Uma serpente horrível e enorme ... alguém a teria visto . Mas Harry apontou para a palavra que Hermione escrevinhara em o final de a página . - Canos - disse . - Canos ... Ron , ele tem usado a canalização . Eu ouvi sempre a voz dentro de as paredes ... Ron agarrou subitamente o braço de o Harry . - A entrada para a Câmara_dos_Segredos - disse em uma voz rouca . - E se for em uma casa_de_banho ? Se for em a ... - Em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa - completou Harry . Sentaram se , tomados de uma excitação enorme , mal querendo acreditar . - Isso significa que - disse o Harry - eu não posso ser o único em a escola a falar * serpentês * . Há também o herdeiro de Slytherin . É de esse modo que tem controlado o Basilisk . - O que vamos fazer ? - perguntou Ron com os olhos a faiscar . - Vamos falar com a Mc_Gonagall ? - Vamos até a a sala de os professores - disse Harry , dando um salto . - Ela estará lá dentro_de dez minutos , está quase em o intervalo . Desceram a escada a correr . Não querendo ser descobertos outra_vez a vaguear por os corredores foram directamente até a a sala de os professores que estava deserta . Era uma divisão ampla , toda forrada , com cadeiras de madeira escura . Harry e Ron passearam de um lado para o outro , demasiado nervosos para se sentarem . Mas a campainha anunciando o intervalo nunca mais tocava . Em vez de isso , ecoando em os corredores , ouviram a voz de a professora Mc_Gonagall incrivelmente ampliada . - * _ Todos os alunos devem regressar de imediato a os seus dormitórios . Todos os professores a a sala de professores . Imediatamente , por favor * . Harry deu meia volta e olhou para o Ron . - Não me digas que houve um novo ataque , não agora ! - Que vamos fazer ? - disse o Ron aterrado . - Voltar para o dormitório ? - Não - disse Harry , olhando e m volta . Havia uma espécie de armário a a sua esquerda cheio com os mantos de os professores . - Ali . Vamos ouvir o que se passa . A seguir poderemos contar lhes o que descobrimos . Esconderam se dentro de o armário , ouvindo a algazarra de centenas de pessoas e a porta de a sala de professores a abrir se . De o meio de a confusão de mantos bafientos , viram os professores encherem a sala . Alguns tinham um ar totalmente confuso , outros pareciam apavorados . Por fim , chegou a professora Mc_Gonagall . - Aconteceu - disse em o silêncio de a sala de professores . - O monstro levou uma aluna . Levou a mesmo para a câmara . O professor Flitwick soltou um grito agudo . A professora Sprout bateu com a mão em a boca . Snape agarrou com força as costas de uma cadeira e perguntou : - Como pode ter tanta certeza ? - O herdeiro de Slytherin - disse a professora Mc_Gonagall , muito pálida . - Deixou outra mensagem . Mesmo por baixo de a primeira : « * _ O esqueleto de ela ficará para sempre em a Câmara_dos_Segredos * . » O professor Flitwick desatou a chorar . - Quem é ela ? - quis saber Madam_Hooch que se afundara em uma cadeira . - Quem é a aluna ? - Ginny_Weasley - disse a professora Mc_Gonagall . Harry viu o Ron , a o seu lado , escorregar silenciosamente até a o chão de o armário . - Vamos ter que mandar todos os alunos embora amanhã - disse a professora Mc_Gonagall . Isto_é o fim de Hogwarts , Dumbledore sempre disse ... A porta de a sala de os professores voltou a abrir se . Por um breve momento , Harry pensou que fosse Dumbledore mas era Lockhart e vinha todo sorridente . - Peço desculpa , adormeci . Perdi alguma coisa ? Não pareceu reparar que os outros professores o olhavam com uma espécie de aversão . Snape deu um passo em frente . - O homem que faltava - disse . - O homem certo . O monstro raptou uma garota , Lockhart levou a para a Câmara_dos_Segredos . O seu momento chegou . - Isso mesmo , Lockhart - acrescentou a professora Sprout . - Não estavas a dizer ontem a a noite que sempre tinhas sabido onde era a entrada para a Câmara_dos_Segredos ? - Eu ... bem ... eu-disse atabalhoadamente Lockhart . - Sim , não me disseste que sabias exactamente o que estava lá dentro ? - disse com voz esganiçada o professor Flitwick . - Eu disse ? Não me lembro ... - Lembro me perfeitamente de o ouvir dizer que lamentava não ter feito uma tentativa com o monstro antes de o Hagrid ser preso - disse Snape . - Não disse que toda_a história tinha sido uma atrapalhação e que deveriam ter lhe dado carta branca desde o princípio ? Lockhart olhou em volta para a cara de espanto de os colegas . - Eu ... nunca ... eu de facto ... deve ter me compreendido mal . - Então vamos deixar te , Gilderoy - disse a professora Mc_Gonagall . - Esta noite será uma excelente oportunidade para actuares . Nós trataremos de assegurar que ninguém te atrapalha . Vais poder enfrentar o monstro sozinho . Finalmente tens carta branca . Lockhart olhou desesperado a a sua volta mas ninguém foi salvá o . Já não estava bem-parecido . O lábio tremia lhe e a ausência de o seu habitual sorriso de dentes brancos dava lhe um ar escanzelado . - M-muito bem - disse . - Vou até a o meu escritório para ... para me preparar . E saiu de a sala . - _ óptimo - exclamou a professora Mc_Gonagall com as narinas dilatadas . - Isto deve afastá o de o nosso caminho . Os chefes de casa devem ir agora comunicar a os respectivos alunos o que se passou e informá os de que o Expresso_de_Hogwarts os levará a casa amanhã de manhã . Os restantes certifiquem se , por favor , de que não há alunos fora de os dormitórios . Os professores levantaram se e saíram um a um . Foi talvez o dia pior de a vida de o Harry . Ele , Ron , Fred e George sentaram se juntos a um canto em a sala comum de os Gryffindor , incapazes de proferir uma palavra . Percy não estava lá . Tinha ido tratar de enviar uma coruja a Mr. e Mrs._Weasley e , em seguida , fechara se em o dormitório . Nunca uma tarde custara tanto a passar e nunca a torre de os Gryfffindor estivera tão cheia de gente e tão silenciosa . Fred e George foram para a cama quase a o pôr de o Sol , incapazes de ficar ali mais tempo . - Ela sabia qualquer coisa , Harry - disse o Ron , falando pela_primeira_vez desde_que tinham saído de o armário de a sala de os professores . - Por isso a levaram . Não era nenhuma parvoíce sobre o Percy , ela tinha descoberto qualquer coisa sobre a Câmara_dos_Segredos . Com certeza por isso é_que a ... - Ron esfregou os olhos , enervadíssimo . - Afinal ela era sangue puro , não pode haver outra explicação . Harry olhava para o sol que mergulhava de um vermelho cor de sangue em a linha de o horizonte . Era a pior coisa que lhe tinha acontecido . Se pelo_menos pudessem fazer alguma coisa . - Harry - disse o Ron . - Achas que há alguma possibilidade de ela não estar ... ? Sabes o que eu quero dizer . Harry não sabia que resposta dar . Não acreditava que a Ginny pudesse ainda estar viva . - Sabes uma coisa ? - disse o Ron . - Acho que devíamos ir ter com o Lockhart , contar lhe o que sabemos . Ele vai tentar entrar em a câmara , podemos dizer lhe onde achamos que fica a entrada e contar lhe que o monstro é um Basilisk . Como Harry não tinha nenhuma ideia melhor e como queria fazer alguma coisa , concordou . Os Gryffindor que os rodeavam estavam tão tristes e com tanta pena de os Weasley que ninguém tentou impedi os quando os viram levantar se , atravessar a sala e sair por o buraco de o retrato . A escuridão começava a instalar se quando chegaram a o escritório de Lockhart onde a actividade era muita . De o corredor ouvia se o ruído de coisas a serem deitadas fora , pancadas surdas e passos apressados . Harry bateu a a porta e houve um silêncio repentino . Em seguida abriu se uma fresta de a porta e viram um de os olhos de Lockhart a espreitar . - Oh ! ... Mr._Potter ... Mr._Weasley - disse entreabrindo a porta . - Estou um_pouco ocupado em este momento , se forem rápidos ... - Professor , nós temos informações para lhe dar - disse o Harry . - Acho que poderão ajudá o . - Er ... bem ... não é - o lado de a cara de Lockhart que conseguiam ver parecia muito pouco a a vontade . - Quer_dizer ... bem ... está bem . Abriu a porta e eles entraram . O escritório estava praticamente vazio . Em o chão estavam duas grandes malas abertas . Mantos verde-jade , lilás , azul-noite tinham sido apressadamente dobrados e guardados dentro_de uma de as malas . Os livros misturavam se todos dentro de a outra . As fotografias que antes cobriam as paredes estavam agora arrumadas em caixas , em cima de a secretária . - Vai a algum lado ? - perguntou Harry . - Er ... bem ... sim - disse Lockhart , arrancando de a porta um poster seu em tamanho natural , enquanto falava , e começando a enrolá o . - Uma chamada urgente ... inevitável ... tenho que ir . - E a minha irmã ? - perguntou o Ron bruscamente . - Bem , quanto_a isso foi uma pena - disse Lockhart , evitando olhá os em os olhos , abrindo uma gaveta e começando a despejar o seu conteúdo dentro_de um saco . - Ninguém lamenta mais do_que eu ... - O senhor é o professor de Defesa contra as artes negras - disse Harry . - Não pode ir se embora agora_que todas estas coisas de magia negra estão a acontecer aqui . - Bem , devo dizer te que ... quando aceitei o lugar ... - resmungou Lockhart , empilhando soquetes sobre os mantos - nada em a descrição de o meu trabalho fazia prever ... - Quer_dizer que vai fugir ? - perguntou Harry , incrédulo . - Depois de todas_as coisas que conta em os seus livros ? - Os livros podem ser enganadores - disse Lockhart delicadamente . - Mas foi o senhor que os escreveu - gritou Harry . - Meu rapaz - disse Lockhart , endireitando se e franzindo as sobrancelhas - usa o senso comum . Os meus livros não teriam vendido metade do_que venderam se as pessoas não acreditassem que eu tinha feito todas aquelas coisas . Ninguém está interessado em ler sobre um velho feiticeiro americano mesmo_que ele tenha salvo uma cidade inteira de os lobisomens , ficaria péssimo em a capa . E a bruxa que correu com a fada carpideira tinha um lábio leporino . Como vês . - Quer_dizer que ficou com os louros por tudo_o_que uma série de outras pessoas fizeram ? - perguntou Harry , sem querer acreditar . - Harry , Harry - disse Lockhart , abanando impacientemente a cabeça . - Não é tão simples assim . Envolveu muito trabalho . Tive de localizar todas essas pessoas , perguntar lhes em pormenor como tinham feito as coisas . Depois tive de lhes fazer um feitiço antimemória para que não voltassem a lembrar se do_que tinham feito . Se há uma coisa de que me orgulho é de os meus feitiços antimemória . Não , tive muito trabalho , Harry . Não foram só as sessões de autógrafos e as fotografias , sabes ? Quem quer ser famoso tem de estar preparado para um trabalho longo e fatigante . Fechou as malas a a chave . - Vejamos - disse . - Acho que está tudo . Sim , só falta uma coisa . - Empunhou a varinha e voltou se para eles . - Lamento muito , rapazes , mas vou ter de vos fazer um feitiço antimemória . Não posso deixar que vão por aí repetir os meus segredos . Não venderia nem mais um livro . Harry pegou em a varinha mesmo a tempo e Lockhart mal tinha levantado a de ele a o ar quando Harry gritou * _ Expelliarmus ! * Lockhart foi projectado de costas , indo cair em cima de a mala . A varinha voou por os ares . Ron agarrou a e atirou a por a janela aberta . - Não devia ter deixado o professor Snape ensinar nos esta - disse Harry furioso , dando um pontapé a uma de as malas . Lockhart olhava para ele , de_novo escanzelado . Harry apontava lhe a varinha . - O que queres que eu faça ? - perguntou debilmente . - Eu não sei onde fica a Câmara_dos_Segredos . Não posso fazer nada . - Está com sorte - disse Harry , forçando o com a varinha a pôr se de pé . - Nós julgamos saber onde é e o que está lá dentro . Vamos . Conduziram Lockhart para fora de o seu escritório , desceram com ele as escadas e seguiram por o corredor escuro em cuja parede brilhavam as mensagens , até a a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mandaram Lockhart a a frente . Harry gostou de ver que todo ele tremia . A Murta_Queixosa estava sentada em a cisterna de o cubículo de o fundo . - Ah ! são vocês - disse a o ver o Harry . - O que querem agora ? - Perguntar te como morreste - disse Harry . O aspecto de a Murta mudou por completo . Parecia que nunca lhe tinham feito uma pergunta tão lisonjeira . - Ooooh ! Foi horrível - disse satisfeita . - Aconteceu aqui mesmo . Morri em este cubículo . Lembro me tão bem . Estava escondida porque a Olive_Hornby andava a implicar comigo por causa de os meus óculos . A porta estava fechada e eu estava a chorar e , então , ouvi alguém entrar . Disseram qualquer coisa estranha em uma língua diferente , acho eu . Mas o que mais me espantou foi o ser um rapaz a falar . Por isso , abri a porta para lhe dizer que fosse a a casa_de_banho de eles e em esse momento - a Murta inchou com ar importante , o rosto a brilhar - morri . - Como ? - perguntou Harry . - Não faço ideia - disse a Murta em um tom de voz abafado . - Só me lembro de ver dois grandes olhos amarelos , de o meu corpo ficar preso e em seguida , sentir me a flutuar ... - olhou sonhadoramente para Harry . - E depois voltei . Estava disposta a vingar me de a Olive_Hornby , percebes ? Ela ia arrepender se de ter gozado com os meus óculos . - Onde foi exactamente que viste os tais olhos ? - perguntou Harry . - Algures por aí - disse a Murta , apontando vagamente para o lavatório em frente de o seu cubículo . Harry e Ron apressaram se . Lockhart estava de pé , mais atrás , com uma expressão de pavor em o rosto . O lavatório parecia perfeitamente vulgar . Examinaram o centímetro a centímetro , dentro e fora , incluindo os canos por baixo . E foi então que Harry reparou : de lado , rabiscada em uma de as torneiras de cobre , estava uma cobra pequenina . - Essa torneira nunca funcionou - disse vivamente a Murta enquanto ele tentava abri a . - Harry - sugeriu o Ron . - Diz qualquer coisa em * serpentês * . Mas , pensou Harry , as únicas vezes que conseguira falar * serpentês * tinham ocorrido quando confrontado com uma verdadeira serpente . Olhou , concentrado para a pequena cobra gravada em o cobre , tentando imaginá a como verdadeira . - Abre te - disse . Olhou para o Ron que abanou a cabeça . - Inglês - disse ele . Harry voltou a olhar para a cobra , forçando se a acreditar que estava viva . A luz de a vela fez parecer que se movia . - Abre te - repetiu . Mas desta_vez as palavras não foram o que ele ouviu . Um estranho sibilar escapou lhe de a boca e a torneira ganhou uma luz branca e brilhante e começou a rodar . Logo_a_seguir o lavatório mexeu se . Afastou se , melhor dizendo , saiu de o caminho , deixando um grande cano a a vista , um cano onde cabia um homem . Harry ouviu a respiração arquejante de o Ron e olhou de_novo para ele . Já decidira o que queria fazer . - Vou descer - disse . Não podia deixar de ir , agora_que acabavam de descobrir a entrada para a câmara , existindo uma possibilidade , por mais remota que fosse , de a Ginny ainda estar viva . - Eu também - disse o Ron . Houve uma pausa . - Bem , parece que não precisam mais de mim - apressou se Lockhart a dizer com uma réstia de sorriso . - Eu vou . . . Pôs a mão em o puxador de a porta mas Ron e Harry apontaram lhe ambos as varinhas . -- O senhor pode ir a a frente - disse rispidamente o Ron . Pálido e sem varinha , Lockhart aproximou se de a entrada . - Meus rapazes - disse em uma voz débil . - Meus rapazes , para quê tudo_isto ? Harry tocou lhe em as costas com a varinha e ele meteu as pernas em o cano . - Eu não me parece que ... - começou a dizer , mas o Ron deu lhe um empurrão e ele desapareceu por o cano abaixo . Harry foi rapidamente atrás . Introduziu se lentamente e deixou se cair . Era como escorregar em uma pista escura e interminável . Ele via outros canos , estendendo se em todas_as direcções mas nenhum tão largo como o de eles que se torcia e virava , inclinando se abruptamente . Harry sabia que estavam a chegar a um ponto muito abaixo de a escola e de os calabouços . Atrás_de si , ouvia o Ron gemendo em cada curva . E então , quando começava a preocupar se com o que iria acontecer quando tocassem em o chão , o cano tornou se horizontal e ele foi projectado com um ruído surdo , indo aterrar em o chão húmido de um túnel de pedra com altura suficiente para ele se pôr de pé . Lockhart estava a levantar se a alguma distancia , todo enlameado e pálido como um fantasma . Harry afastou se para deixar o Ron sair também de o cano . - Devemos estar quilómetros e quilómetros abaixo de a escola - disse o Harry cuja voz ecoou em o túnel negro . - Talvez até debaixo de o lago - arriscou o Ron , olhando em volta para as paredes escuras e viscosas . Voltaram se os três para olhar para a escuridão lá a o fundo . - * _ Lumus ! * - murmurou Harry a a varinha e ela voltou a acender se . - Vamos - disse a o Ron e a o Lockhart e avançaram , os passos a chapinharem ruidosamente em o chão molhado . O túnel era tão escuro que só conseguiam ver alguns centímetros a a frente . As suas sombras em as paredes molhadas pareciam monstruosas a a luz de a varinha . - Lembrem se - disse Harry baixinho enquanto caminhavam . - A o menor movimento fechem logo os olhos ... Mas o túnel era silencioso como um túmulo e o primeiro som inesperado que ouviram foi um grito de o Ron que escorregou em uma coisa que era afinal a cauda de um rato . Harry baixou a varinha para olhar para o chão e viu que estava cheio de pequenos ossos de animais . Fazendo um enorme esforço para evitar pensar em que estado iriam encontrar a Ginny , avançou até uma curva escura de o túnel . - Harry , está aqui qualquer coisa - disse o Ron com voz rouca , agarrando Harry por o ombro . Ficaram estáticos a olhar . Harry só conseguia ver a silhueta de algo enorme e curvo deitado em o túnel . Fosse o que fosse não se movia . - Talvez esteja a dormir - murmurou , olhando para os outros dois . Lockhart tapava os olhos com as mãos . Harry voltou se para olhar para a criatura com o coração a bater tanto que lhe doía em o peito . Lentamente , com os olhos quase fechados mas ainda conseguindo ver , Harry avançou com a varinha levantada . A luz deslizou sobre uma gigantesca pele de serpente , de um verde vivo e venenoso que estava vazia e enrolada em o chão de o túnel . A criatura que a abandonara devia ter , pelo_menos , seis metros e meio de comprimento . - Bolas - disse o Ron , perdendo as forças . Houve um movimento súbito atrás de eles . As pernas de Gilderoy_Lockhart cederam . - Levante se - disse o Ron de uma forma cortante , apontando lhe a varinha . Lockhart pôs se de pé . Em seguida empurrou o Ron , atirando o a o chão . Harry deu um salto , mas ... tarde de mais . Lockhart endireitava se com a varinha de o Ron em as mãos e um sorriso em o rosto . - A aventura acaba aqui , rapazes - disse . - Vou levar um bocado de esta pele de cobra para a escola , contar lhes que foi demasiado tarde para salvar a garota e que vocês os dois perderam tragicamente a memória com a visão de o seu corpinho mutilado . Digam adeus a as vossas recordações . Levantou a o ar a varinha avariada de o Ron e gritou * _ Obliviate ! * A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba . Harry pôs os braços sobre a cabeça e correu , escorregou em os anéis de a pele de cobra , afastando se de os grandes pedaços de tecto de o túnel que caíam em o chão com o ruído de trovões . Pouco depois estava sozinho , olhando para uma sólida parede de rocha partida . - Ron - gritou ele . - Estás bem , Ron ? - Estou aqui - respondeu a voz abafada de o Ron por detrás de a avalancha de rochas . - Eu estou bem mas este sujeito não . A varinha avariou o todo . Ouviu se um ruído surdo e um Oh ! gritado . Parecia que o Ron tinha acabado de dar a o Lockhart um pontapé em as canelas . - E agora ? - disse a voz de o Ron que parecia desesperada . - Não podemos passar , vai demorar séculos . Harry olhou para o tecto de o túnel onde tinham aparecido grandes fendas . Ele nunca tentara partir , através de a magia , nada tão grande como aquelas rochas e agora não lhe parecia ser o melhor momento para fazer experiências . E se o túnel abatesse ? Houve um ruído surdo e outro Oh ! atrás de as rochas . Estavam a perder tempo . A Ginny já estava havia duas horas em a Câmara_dos_Segredos . Harry sabia que só havia uma coisa a fazer . - Espera aqui - gritou a o Ron . - Fica com o Lockhart , eu vou lá . Se não voltar dentro_de uma hora ... Houve um silêncio cheio . - Eu vou ver se desloco um_pouco esta rocha - disse o Ron , tentando manter a voz firme . - Para tu poderes passar . E , Harry ... - Até já - disse o Harry , procurando injectar confiança em a sua voz trémula . E passou sozinho para lá de a imensa pele de serpente . Em_breve , o ruído de o Ron , tentando deslocar a rocha , deixou de se ouvir . O túnel virou uma e outra_vez . Os nervos de o corpo de o Harry tangiam de forma desagradável . Ele só queria que o túnel chegasse a o fim , fosse o que fosse que o aguardasse . E então , finalmente , quando atingiu a última curva , viu em a sua frente uma parede sólida que tinha gravadas duas serpentes enroladas uma em a outra , cujos olhos eram quatro esmeraldas , enormes e brilhantes . Harry aproximou se com a garganta seca . Não foi preciso imaginar que as serpentes eram autênticas . Os seus olhos pareciam estranhamente vivos . Foi fácil descobrir o que tinha de fazer . Pigarreou e os olhos de esmeraldas pareceram mexer se . - Abre te - disse Harry em um sibilar baixo . As serpentes desapareceram enquanto a parede se abria a o meio e , a tremer de os pés a a cabeça , Harry entrou . XVII_Herdeiro_de_Slytherin_Estava de pé em o fundo de uma divisão enorme , fracamente iluminada . Altíssimos pilares de pedra , cheios de serpentes gravadas que os enlaçavam , erguiam se , suportando um tecto que se perdia em a escuridão e que lançava sombras negras imensas através de a estranha luz esverdeada que enchia o local . Com o coração a bater descompassadamente , Harry ficou parado a ouvir aquele silêncio arrepiante . Estaria o Basilisk escondido em um canto cheio de sombras , atrás_de algum pilar ? E onde estaria Ginny ? Pegou em a varinha e avançou a o longo de as colunas serpenteantes . Cada_um de os seus passos provocava um enorme eco em as paredes sombrias . Harry tinha os olhos semicerrados e estava pronto para os fechar a o mais pequeno movimento . As órbitas de olhos fundos de as serpentes de pedra pareciam segui o . Por mais de uma_vez , com o estômago a dar um salto , Harry julgou vê os moverem se . Por fim , chegado a o nível de os dois últimos pilares , avistou uma estátua de a altura de a própria câmara que estava encostada a a parede de o fundo . Harry tinha de esticar o pescoço para olhar para_cima , para a cara de o gigante : era velho e com um ar simiesco , tinha uma barba enorme que lhe caía quase onde acabava a longa túnica de pedra . Os dois pés imensos e cinzentos pousavam em o chão de a câmara . E entre eles , voltada para baixo , estava uma figura pequenina vestida de preto com um cabelo flamejante . - Ginny - murmurou Harry , chegando perto de ela e ajoelhando se . - Ginny , por favor não estejas morta , não estejas morta ! Atirou a varinha para o lado , agarrou Ginny por os ombros e voltou a . O rosto de ela estava branco e frio como o mármore , contudo os olhos encontravam se fechados , portanto não estava petrificada . Mas então devia estar ... - Ginny , acorda por favor - repetiu Harry desesperado , sacudindo a . A cabeça de ela andava de um lado para o outro . - Ela não vai acordar - disse secamente uma voz . Harry deu um salto e girou sobre os joelhos . Um rapaz alto , de cabelo preto , estava encostado a o pilar mais próximo , a observá o . As sombras desfocavam o como_se Harry o visse através_de uma janela embaciada . Mas não havia como confundis o . - Tom , Tom_Riddle ? Riddle acenou , sem tirar os olhos de o rosto de Harry . - O que queres dizer com isso de ela não acordar ? - perguntou Harry desesperado . - Ela não está ... não está ? - Está viva - disse Riddle . - Mas , por um fio . Harry olhou fixamente para ele . Tom_Riddle estivera em Hogwarts há cinquenta anos atrás . Contudo , ali estava com uma luz estranha e desfocada a iluminá o , sem um dia a mais do_que os seus dezasseis anos . - És um fantasma ? - perguntou Harry . - Uma memória - disse Riddle . - Preservada em um diário durante cinquenta anos . Apontou para os pés de a estátua gigantesca . Ali , aberto em o chão , estava o pequeno diário de capa preta que Harry tinha encontrado em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Durante um segundo , Harry perguntou a si próprio como teria ido ali parar , mas havia coisas mais importantes a fazer . Preciso de a tua ajuda , Tom - disse Harry , levantando de_novo a cabeça de a Ginny . - Temos de sair de aqui . Há_um_Basilisk ... não sei onde está mas pode aparecer a qualquer momento . Por favor , ajuda me . Riddle não se mexeu . Harry , a transpirar , conseguiu levantar ligeiramente a Ginny de o solo e inclinou se para pegar em a varinha mas ela tinha desaparecido . - Viste a ... ? Olhou para_cima . Riddle continuava a olhá o , fazendo girar a varinha entre os dedos longos . - Obrigado - disse Harry , esticando o braço para a agarrar . Um sorriso surgiu então em os cantos de a boca de Riddle que continuou a olhar para ele , girando indolentemente a varinha . - Ouve , pá - disse Harry sem querer perder mais tempo , os joelhos a vergarem sob o peso morto de Ginny - temos de ir . Se o Basilisk aparece ... - Ele não vem enquanto não for chamado - disse Riddle com toda_a calma . Harry voltou a pousar Ginny em o chão , incapaz de a segurar por mais tempo . - Que queres dizer com isso ? - perguntou . - Dá me a minha varinha , posso precisar de ela . O sorriso de Riddle ampliou se . - Não vais precisar de ela - disse . Harry olhou o espantado . - O que queres dizer , não vou ? - Esperei muito_tempo por isto , Harry - disse Riddle . - Pela possibilidade de te ver , de falar contigo . - Olha , eu acho que tu não estás a perceber - disse Harry , perdendo a paciência . - Estamos em a Câmara_dos_Segredos , podemos conversar mais tarde . - Vamos conversar agora - disse Riddle , sorrindo de orelha a orelha e guardando a varinha de Harry em o bolso . Harry voltou a olhar para ele . Havia qualquer coisa de muito estranho em tudo aquilo . - Como é_que a Ginny ficou assim ? - perguntou pausadamente . - Bem , essa é uma pergunta interessante - disse Riddle , divertido . - E uma longa história , também . Julgo que o verdadeiro motivo que levou Ginny_Weasley a ficar assim foi o ter aberto o seu coração e revelado todos os seus segredos a um estranho ser invisível . - De quem estás a falar ? - perguntou Harry . - De o diário - disse Riddle . - De o meu diário . A Ginny escreve nele há meses e meses , contando me todas_as suas lamentáveis desgraças e atribulações : como os irmãos a arreliam , que teve de vir para a escola com manto , túnica e livros em segunda mão - os olhos de Riddle brilharam -- , que acha que o maravilhoso , o grande , o famoso Harry_Potter nunca vai gostar de ela ... Enquanto falava , nunca os olhos de Riddle se afastaram de a cara de o Harry . Havia em eles um olhar ávido . - É muito chato ter de ouvir as preocupações idiotas de uma garotinha de onze anos - prosseguiu . - Mas eu fui paciente . Respondi lhe , mostrei me simpático e amável . A Ginny pura e simplesmente adorou me . - * _ Nunca ninguém me compreendeu como tu , Tom ... estou tão feliz por ter este diário a quem me confiar ... é como ter um amigo que pode andar em o meu bolso * ... Riddle riu se . Um riso alto , frio , que não lhe ficava bem . Fez com que os cabelos de o pescoço de Harry se arrepiassem todos . - Verdade se diga que sempre consegui encantar as pessoas necessárias . Portanto a Ginny verteu em mim a sua alma e a alma de ela era precisamente o que eu queria . Fortaleceu me . Alimentei me de os seus medos mais profundos , de os seus mais obscuros segredos . Fui ficando cada_vez_mais forte e poderoso . Muito mais poderoso do_que a pequena Miss_Weasley até que comecei a transmitir lhe alguns de os meus segredos , a passar um_pouco de a minha alma para ela ... - O que queres dizer ? - perguntou Harry cuja boca ficara totalmente seca . - Ainda não descobriste , Harry_Potter ? - disse Riddle muito baixo . - Giony_Weasley abriu a Câmara_dos_Segredos , estrangulou os galos de a escola e escreveu mensagens assustadoras em as paredes . Atiçou a serpente de Slytherin contra quatro sangues de lama e contra o gato de o busca-pé . - Não - murmurou Harry . - Sim - disse calmamente Riddle . - É claro que a princípio não sabia o que estava a fazer . Era muito divertido . Gostava que visses as coisas que escreveu em o diário , começaram a ficar muito mais interessantes . * _ Querido_Tom * - recitou ele , olhando para a expressão horrorizada de o Harry . - * _ Acho que estou a perder a memória . Há penas de galo em todas_as minhas roupas e eu não sei como foram lá parar . Querido_Tom , não me lembro do_que fiz em a noite de o Hallowe'en mas foi atacada uma gata e eu estou cheia de tinta em a cara . Querido_Tom , o Percy não pára de me dizer que ando pálida e não pareço eu . Acho que ele suspeita de mim ... Houve outro ataque hoje e eu não sei onde estava . Tom , que vou eu fazer ? Acho que estou a ficar maluca ... acho que ando a atacar toda_a_gente , Tom ! * Harry tinha os punhos fechados , as unhas cravadas contra a palma de as mãos . - Levou muito_tempo até a pequenina estúpida deixar de confiar em o diário - disse Riddle . - Mas acabou por ficar desconfiada e tentou livrar se de ele . E é aí que tu entras , Harry . Tu encontraste o . E eu não poderia ter ficado mais satisfeito . De todas_as pessoas que poderiam ter ficado com ele , foste tu , aquele que eu ambicionava conhecer ... - E porque querias conhecer me ? - perguntou Harry . Começava a ser tomado por a raiva e fez um esforço para manter o tom de voz controlado . - Bem , a Ginny contou me tudo a teu respeito - disse Riddle . - A tua fascinante história . - Os seus olhos pousaram em a cicatriz em a testa de Harry e a sua expressão ganhou maior avidez . - Sabia que devia descobrir mais a teu respeito , falar te , encontrar me contigo se fosse possível . Por isso , para ganhar a tua confiança , resolvi mostrar te a famosa captura que fiz de aquele demente de o Hagrid . - O Hagrid é meu amigo - disse Harry já com a voz a tremer . - E tu tramaste o , não foi ? Pensei que tinha sido um engano , mas ... Ele riu se . O mesmo riso de antes . - Era a minha palavra contra a palavra de ele . Imagina a cara de o velho Armando_Dippet . De um lado Tom_Riddle , pobre mas brilhante , sem pais mas corajoso , prefeito de a escola , um modelo de aluno . De o outro lado , o Hagrid , grande e disparatado , arranjando problemas semana sim , semana não , tentando criar filhotes de lobisomens debaixo de a cama , escapando se para a floresta proibida para lutar com gigantes . Mas , devo admitir que até eu próprio fiquei admirado com os excelentes resultados de o meu plano . Pensei que alguém perceberia que o Hagrid nunca poderia ser o herdeiro de Slytherin . Demorei cinco anos inteirinhos até descobrir tudo_o_que me foi possível sobre a Câmara_dos_Segredos e a sua entrada secreta ... como_se o Hagrid tivesse cabeça ou poder ! - Só o professor de Transfiguração , Dumbledore , parecia achar que ele estava inocente . Convenceu Dippet a mantê o aqui e a treiná o como guarda de os campos . Sim , é natural que Dumbledore tenha adivinhado , nunca gostou de mim como os outros professores . - Aposto que Dumbledore viu através_de ti - disse Harry , de dentes cerrados . - Pelo_menos passou a vigiar me de perto , a partir de o momento em que o Hagrid foi expulso - disse Riddle descuidadamente . - Eu sabia que não era seguro voltar a abrir a câmara enquanto ainda estava em a escola mas não ia desperdiçar os longos anos que passara a pesquisar . Decidi , por isso , deixar um diário preservando em as suas páginas o meu ego de dezasseis anos para que um dia , com um_pouco de sorte , pudesse levar outro a seguir os meus passos e acabar o nobre trabalho de Salazar_Slytherin . - Bem , não o acabaste - disse Harry triunfante . - Ninguém morreu até agora , nem mesmo a gata . Dentro_de poucas horas a poção de mandrágoras estará pronta e todos os que foram petrificados voltarão de_novo a si . - Não acabei de te dizer que matar sangues de lama já não me interessa ? Há muitos meses que o meu alvo és tu . Harry olhou para ele . - Podes imaginar como fiquei furioso quando em outro dia o diário foi aberto e vi que era a Ginny quem estava a escrever e não tu . Ela viu te com o diário e entrou em pânico . E se tu descobrisses como trabalhar com ele e eu te repetisse todos os seus segredos ? Ainda pior , e se eu te contasse quem tinha andado a estrangular os galos ? Por isso , a grande palerma esperou que o teu dormitório estivesse deserto e foi lá roubá o . Mas eu sabia o que tinha de fazer . Estava muito claro para mim que a tua meta era o herdeiro de Slytherin . Por tudo_o_que a Ginny me contara a teu respeito , sabia que irias até onde fosse preciso para desvendar o mistério , principalmente se um de os teus melhores amigos tivesse sido atacado . E a Ginny disse me que a escola toda bichanava por tu falares * serpentês * ... Por isso , obriguei a Ginny a escrever a sua própria despedida em a parede , a vir até aqui e esperar . Ela debateu se e gritou e ficou muito chatinha . Mas , já não tem muita vida : pôs grande parte de ela em o diário , deu me a . O suficiente para eu abandonar , por fim , as suas páginas . Desde_que aqui cheguei que estou a a tua espera . Sabia que virias . Tenho muitas perguntas a fazer te , Harry_Potter . - Que perguntas ? - disse Harry com os punhos fechados . - Bem - prosseguiu Riddle , sorrindo de satisfação : - Como é_que um bebé sem especiais talentos de magia foi capaz de derrotar o maior feiticeiro de sempre ? Como conseguiste escapar só com uma cicatriz quando os poderes de Lord_Voldemort foram destruídos ? Havia agora em os seus olhos um brilho vermelho e irado . - O que é_que te interessa saber como eu escapei ? - disse Harry lentamente . - Voldemort veio depois de ti . - Voldemort - disse Riddle - é o meu passado , o meu presente e o meu futuro , Harry_Potter ... Tirou a varinha de o Harry de o bolso e começou a escrever em o ar três palavras brilhantes : TOM_MARVOLO_RIDDLE_Em seguida , fez um gesto com a varinha e as letras de o seu nome reagruparam se de outro modo . : __ eu sou lord __ voldemort ( I am Lord_Voldemort ) . - Vês ? - murmurou . - Era um nome que eu já usava em Hogwarts , para os meus amigos mais íntimos apenas , como é óbvio . Achas que ia usar para sempre o nome nojento de o meu pai Muggle ? Eu , em cujas veias , por o lado materno , corre o sangue de Salazar_Slytherin ? Eu , manter o nome de um Muggle tolo que me abandonou ainda antes de eu nascer só porque descobriu que a mulher com quem casara era uma bruxa ? Não , Harry , arranjei um novo nome , um nome que eu sabia que os feiticeiros de todo_o_mundo viriam um dia a ter medo de pronunciar , quando eu me tivesse tornado o maior feiticeiro de o mundo . A cabeça de Harry parecia bloqueada . Olhou como_que paralisado para Riddle , para o rapaz de o orfanato que depois de crescer iria matar os seus pais e tantos outros . Por fim , com algum esforço conseguiu falar . - Não és - disse em uma voz calma e cheia de ódio . - Não sou o quê ? - perguntou Riddle irritado . - Não és o maior feiticeiro de o mundo - disse Harry com a respiração acelerada . - Lamento desiludir te mas o maior feiticeiro de o mundo é Albus_Dumbledore . Toda_a_gente sabe . Mesmo tu , quando tinhas força , não ousavas tentar aproximar te de Hogwarts . Dumbledore viu através_de ti quando andavas em a escola e ainda agora te assusta onde quer que te escondas . O sorriso desaparecera de o rosto de Riddle , fora substituído por um olhar furioso . - Dumbledore foi afastado de este castelo por a minha simples memória - sibilou . - Ele não está tão longe como pensas - retorquiu Harry . Falava por falar , tentando assustar Riddle , desejando mais que assim fosse do_que acreditando em as suas palavras como uma verdade . Riddle abriu a boca mas não chegou a falar . Tinha começado a ouvir se uma música . Riddle deu uma volta , olhando para a câmara vazia . A música estava a ficar mais alta . Era misteriosa , arrepiante , sobrenatural . Fez_Harry ficar com os cabelos em pé e o coração aumentar lhe em o peito . Por fim , quando atingiu um ponto tão alto que Harry a sentiu vibrar dentro de as suas costelas , começaram a sair chamas de o topo de o pilar mais próximo . Uma ave carmesim de o tamanho de um cisne surgiu , assobiando a sua estranha melodia para o tecto em forma de abóbada . Tinha uma cauda dourada tão longa como a de um pavão e garras douradas e brilhantes que seguravam uma trouxa andrajosa . Segundos depois , a ave voava em direcção a Harry . Deixou cair a coisa andrajosa a os seus pés e pousou lhe pesadamente em o ombro . Quando abriu as enormes asas , Harry olhou para_cima e viu que tinha um longo bico afiado e olhos escuros pequenos e brilhantes . A ave parou de cantar . Ficou quieta junto de a cara de Harry , olhando fixamente para Riddle . - É uma fénix , disse Riddle , olhando sagazmente para ela . - Fawkes ? - murmurou Harry e sentiu as garras douradas apertarem lhe devagarinho o ombro . - E aquilo - disse Riddle , olhando para a coisa velha que Fawkes deixara em o chão - é o velho chapéu seleccionador , de a escola . Era , de facto . Amachucado , puído e sujo , o chapéu jazia imóvel a os pés de Harry . Riddle começou a rir . Riu se tanto que a câmara escura se lhe juntou em um eco tal que parecia que dez Riddles se riam ao_mesmo_tempo . - Eis o que Dumbledore envia a o seu defensor . Um pássaro que canta e um chapéu velho . Estás cheio de coragem , Harry_Potter ? Sentes te agora mais seguro ? Harry não respondeu . Podia não estar a ver a vantagem de a Fawkes ou de o chapéu seleccionador mas já não se sentia só , e esperou corajosamente que Riddle parasse de rir . - Vamos a o que importa , Harry - disse ele , ainda com um enorme sorriso . - Encontrámo nos duas vezes em o teu passado , em o meu futuro . E duas vezes falhei a o tentar matar te . Como foi que sobreviveste ? Conta me tudo . Quanto_mais falares , mais tempo tens de vida . Harry pensava rapidamente , medindo as suas possibilidades . Riddle tinha a varinha . Ele , Harry , tinha a Fawkes e o chapéu seleccionador que não lhe serviriam de muito em o combate . As coisas pareciam más , é certo . Mas quanto_mais tempo Riddle ali estivesse , mais vida retirava a a Ginny ... e , entretanto , Harry reparou que a silhueta de Riddle se tornava mais nítida , mais sólida . Se tinha de haver uma luta entre os dois , quanto_mais depressa melhor . - Ninguém sabe porque perdeste os poderes quando me atacaste - disse bruscamente . - Eu próprio não sei . Mas sei porque não conseguiste matar me . A minha mãe morreu para me salvar . A minha mãe , uma vulgar filha de Muggles - acrescentou , a tremer de raiva . - Ela impediu que tu me matasses . E eu vi te como tu és , em o ano passado . És um destroço , quase não existes . Foi onde o teu poder te levou . Estás sob um disfarce , és horrível e és louco . O rosto de Riddle contorceu se . Em seguida , forçou um sorriso pavoroso . - Quer_dizer , então , que a tua mãe morreu para te salvar . Sim , é um antifeitiço poderoso . Compreendo agora , afinal não há em ti nada de especial . Eu tinha curiosidade , sabes , porque há uma estranha semelhança entre nós , Harry_Potter . Até tu deves ter reparado . Somos ambos meio sangue , órfãos , educados com Muggles , provavelmente os dois únicos que falam * serpentês * desde o grande Slytherin , até nos parecemos um_pouco fisicamente ... mas afinal foi apenas uma questão de sorte que te salvou de mim . Era o que eu queria saber . Harry ficou parado , tenso , a a espera que Riddle levantasse a varinha mas o seu sorriso cínico ampliou se de_novo . - Agora , Harry , vou dar te uma pequena lição . Vamos confrontar os poderes de Lord_Voldemort , herdeiro de Salazar_Slytherin e de o famoso Harry_Potter , munido com as melhores armas que Dumbledore lhe deu . Lançou um olhar divertido a a Fawkes e a o chapéu seleccionador e , em seguida , afastou se . Harry com as pernas entorpecidas por o medo viu o parar entre dois pilares altos e olhar para a cara de pedra de Slytherin , lá em cima em a semi-obscuridade . Riddle abriu a boca e sibilou mas Harry compreendeu o que ele dizia . - * _ Responde-me , Slytherin , o maior de os quatro de Hogwarts * . Harry voltou se para olhar melhor para a estátua com Fawkes pousada em o ombro . A gigantesca cara de pedra de Slytherin movia se . Horrorizado , Harry viu a boca abrir se mais e mais até se transformar em um buraco negro . E algo se agitava dentro de a boca de a estátua . Algo se arrastava para fora de as suas entranhas . Harry recuou até a a parede escura de a câmara e enquanto fechava os olhos com força sentiu a asa de a Fawkes roçar lhe o rosto e levantar voo . Harry quis gritar : - Não me abandones ! - mas que possibilidades tinha uma fénix contra o rei de as serpentes ? Uma coisa enorme bateu em o chão de pedra que Harry sentiu estremecer . Sabia o que estava a acontecer , podia sentis o , quase podia ver a serpente gigantesca a sair de a boca de Slytherin . Foi então que ouviu a voz de Riddle sibilar : * _ Mata-o * . O Basilisk avançava em direcção a Harry . Ele ouvia o seu corpo enorme escorregar pesadamente por o chão cheio de pó . Com os olhos sempre fechados , Harry começou a correr para o lado , a as cegas , com as mãos abertas a tactear o caminho . Riddle ria se a as gargalhadas . Harry escorregou e caiu em o chão de pedra e a boca soube lhe a sangue . A serpente estava a poucos centímetros de ele . Podia ouvi a a aproximar se . Ouviu se um crepitar explosivo por cima de ele e alguma coisa pesada bateu lhe com tanta força que ele ficou encostado a a parede . Esperando que os dentes de a serpente lhe perfurassem o corpo , ouviu mais ruídos e qualquer coisa que se agitava com força contra os pilares . Não conseguiu evitar . Abriu bem os olhos para ver o que se passava . A enorme serpente , brilhante , de um verde veneno , espessa como o tronco de um carvalho , erguera se em o ar e a sua imensa cabeça agitava se de um lado para o outro , entre os dois pilares . Quando Harry , a tremer , se preparava para fechar de_novo os olhos , percebeu o que distraíra a cobra . Fawkes esvoaçava em volta de a sua cabeça e o Basilisk , furioso , tentava agarrá a com os dentes longos e afiados como sabres . Fawkes mergulhava . Harry deixou de ver o bico fino e dourado e uma brusca chuva de sangue escuro inundou o chão . A cauda de a serpente agitou se , não batendo em o Harry por_pouco e antes que ele pudesse fechar os olhos voltou se . Harry olhou lhe para a cara e viu que os seus olhos , os dois olhos amarelos e bolbosos tinham sido perfurados por a fénix . O sangue escorria por o chão e a serpente cuspia cheia de dores . - * _ Não * - Harry ouviu o grito de Riddle . - * _ Deixa a ave , deixa a ave , o rapaz está atrás_de ti , ainda podes cheirá o . Mata o ! * A serpente cega oscilou confusa , ainda em fúria . Fawkes andava a a volta de a cabeça de ela soprando a sua misteriosa cantilena , picando lhe aqui_e_ali o nariz cheio de escamas , enquanto o sangue jorrava de os seus olhos destruídos . - Ajudem me . Ajudem me - murmurava Harry aflito . - Alguém , ajude me . A cauda de a serpente chicoteou de_novo o chão . Harry baixou se . Algo macio tocou lhe em o rosto . O Basilisk lançara o chapéu seleccionador para os braços de o Harry que o agarrou . Era tudo_o_que tinha , a sua única esperança . Enfiou o em a cabeça e começou a ficar achatado contra o chão , enquanto a cauda de o Basilisk se lançava de_novo sobre ele . - Ajudem me , ajudem me - pensou Harry , os olhos comprimidos debaixo de o chapéu . - Por favor , ajudem me . Nenhuma voz lhe respondeu . Em vez de isso , o chapéu contraiu se como_se uma mão invisível o tivesse espalmado devagarinho . Alguma coisa muito dura e pesada caíra sobre a cabeça de Harry , conseguindo quase derrubá o . A ver estrelas em frente de os olhos , agarrou o chapéu para o puxar para baixo e sentiu lá dentro uma coisa longa e dura . Uma espada brilhante tinha surgido dentro de o chapéu . Tinha um cabo cravejado de rubis de o tamanho de pequenos ovos . - Mata o rapaz , deixa a ave . O rapaz está atrás_de ti . Cheira o ! Harry estava de pé , preparado . A cabeça de o Basilisk caía , o corpo serpenteava , batendo nos pilares quando se torcia para ficar de frente para ele . Harry podia ver as enormes órbitas ensanguentadas , a boca toda aberta , suficientemente grande para o engolir inteiro , munida de dentes tão longos como a sua espada , finos , brilhantes , venenosos ... Começou a atacar a as cegas . Harry baixou se e a serpente bateu em a parede de a câmara . Atacou de_novo e a sua língua bifurcada lambeu a parede ao_lado_de Harry que levantou a espada com ambas as mãos . O Basilisk investiu mais_uma_vez e agora a pontaria foi certa . Harry pôs todo o seu peso contra a espada e enterrou a até a os copos em o céu de a boca de a serpente . Mas quando o sangue quente lhe encheu os braços , sentiu uma dor aguda mesmo acima de o cotovelo . Um longo dente venenoso penetrava cada_vez_mais fundo em o seu braço , partindo se quando o Basilisk tombou para o lado , perdendo os sentidos . Harry escorregou a o longo de a parede , apertou com força o dente que estava a derramar veneno por todo o seu corpo e arrancou o de o braço . Mas sabia que era demasiado tarde . Uma dor quente emanava lenta e perseverantemente de a ferida . Quando deixou cair o dente e viu o seu próprio sangue manchando lhe as vestes , a vista começou a ficar turva e a câmara a diluir se em uma rotação ardente e colorida . Mas algo escarlate passou por ele e Harry ouviu a o seu lado um suave ruído de garras . - Fawkes - disse com a voz empastada . - Foste sensacional , Fawkes . - Sentiu o pássaro encostar a sua elegante cabeça a o sítio onde o dente de a serpente o tinha ferido . Ouviu passos ecoarem em o vazio e em seguida uma sombra escura moveu se em a sua frente . - Estás morto , Harry_Potter - disse a voz de Riddle , acima de ele . - Morto . Até o pássaro de Dumbledore sabe de isso . Vês o que ele está a fazer ? A chorar . Harry piscou os olhos . A cabeça de Fawkes ora estava focada , ora desfocada . Lágrimas grossas como pérolas escorriam de as suas penas . - Vou sentar me aqui a ver te morrer , Harry_Potter . Leva o teu tempo , eu não tenho pressa . Harry sentiu se sonolento . Tudo parecia girar a a sua volta . - E assim acaba o famoso Harry_Potter - disse a voz distante de Riddle . - Sozinho em a Câmara_dos_Segredos , esquecido por os amigos , finalmente derrotado por o Senhor de o mal que ele tão imprudentemente desafiou . Vais reunir te a a tua querida mãe sangue de lama , Harry ... Ela deu te doze anos de tempo emprestado ... Mas Lord_Voldemort apanhou te em o fim , como sabias que teria de acontecer . Se morrer é isto , pensou Harry , não é assim tão mau . Até a dor estava a desaparecer . Mas , estaria a morrer ? Em_vez_de ficar mais escura a câmara parecia voltar a estar nítida . Harry fez um pequeno gesto com a cabeça e viu a Fawkes ainda repousando a cabeça em o seu ombro . Uma fiada de pérolas brilhava em volta de a ferida , só que já não havia ferida . - Sai de aqui , pássaro - disse subitamente a voz de Riddle . - Afasta te de ele . Já te disse , sai de aqui ! Harry levantou a cabeça . Riddle apontava a sua varinha a Fawkes . Ouviu se um tiro que parecia de carabina e Fawkes levantou novamente voo em um rodopio de ouro e escarlate . - Lágrimas de fénix - disse Riddle em voz baixa , olhando para o braço de o Harry . - É claro ... poderes curativos ... esqueci me ... Olhou para a cara de Harry . - Mas não faz mal . Pensando bem , eu até prefiro assim . Tu e eu , Harry_Potter ... Tu e eu ... Levantou a varinha . Então , em um golpe de asa , Fawkes voou sobre as cabeças de ambos , deixando cair uma coisa em o colo de Harry : o diário . Durante uma fracção de segundo , tanto Harry como Riddle , ainda com a varinha levantada , ficaram a olhar para aquilo . Em seguida , sem pensar , sem ponderar , como_se pensasse fazê o desde o princípio , Harry agarrou o dente de o Basilisk que estava em o chão , junto de ele , e espetou o em o coração de o caderno . Ouviu se um grito longo e terrível . A tinta esguichou em torrentes de dentro de o diário , derramando se sobre as mãos de o Harry e inundando o chão . Riddle torcia se e contorcia se , agitando se a os gritos . E , por fim . Desapareceu . A varinha de Harry caiu a o chão com um ruído e fez se silêncio . Um silêncio apenas cortado por o ping ping de a tinta que ainda escorria de o diário . Com um leve crepitar , o veneno de o Basilisk abrira um buraco mesmo em o meio de o caderno . A tremer de os pés a a cabeça , Harry pôs se de pé . Sentia tudo a andar a a roda como_se tivesse viajado quilómetros e quilómetros com o pó de * _ Floo * . Lentamente apanhou a varinha e o chapéu seleccionador e com um grande estrondo retirou a espada de o céu de a boca de a serpente . Ouviu se então um gemido fraco a o fundo de a câmara . Ginny estava a mexer se . Quando Harry chegou junto de ela , sentou se . Os seus olhos abismados saltaram de o Basilisk morto para Harry em a sua roupa cheia de sangue e , em seguida , para o diário que ele tinha em as mãos . Soltou um enorme soluço e os seus olhos encheram se de lágrimas . - Harry , oh ! Harry , eu tentei dizer te a o pequeno-almoço mas não fui capaz em frente de o Percy . Era eu , Harry , mas eu ... eu ... juro que não queria ... o Riddle obrigou me , levou me e ... como é_que mataste esse bicho ? Onde está o Riddle ? A última coisa de que me lembro foi de o ver a sair de o diário ... - Está tudo bem - disse Harry , mostrando lhe o diário com o buraco de o dente . - O Riddle acabou , olha . Ele e o Basilisk . Anda , Ginny , vamos embora de aqui . - Vou com certeza ser expulsa - disse Ginny a chorar enquanto Harry a ajudava a pôr se de pé . - Desde_que o Bill veio para Hogwarts que eu sonhava vir também para cá e agora vou ter de me ir embora e ... O que vão a minha mãe e o meu pai dizer ? Fawkes esperava por eles , suspensa em o ar , a a entrada de a câmara . Harry fez a Ginny avançar , passaram sobre os anéis parados de o Basilisk , por a escuridão cheia de ecos e voltaram a o túnel . Harry ouviu as portas de pedra fecharem se atrás de eles com um leve sibilar . Depois de alguns minutos a caminhar por o túnel escuro , chegou a os ouvidos de Harry o som distante de o deslocar de uma rocha . - Ron - gritou ele , apressando se . - A Ginny está bem . Está aqui comigo ! Ouviu o Ron gritar de alegria e , voltando em a curva logo_a_seguir , viram a sua cara ansiosa a espreitar por a fresta que conseguira abrir durante a avalancha . - Ginny ! - Ron estendeu o braço por a fresta para a puxar primeiro . - Estás viva . Não posso acreditar . O que aconteceu ? Tentou abraçá a mas a Ginny afastou o , soluçando . - Mas estás bem , Ginny - disse o Ron , sorrindo para ela . - Já passou tudo ... De onde veio esse pássaro ? Fawkes passara por a abertura , atrás_de Ginny . - É de o Dumbledore - explicou Harry , espremendo se para caber também . - E como arranjaste uma espada ? - perguntou o Ron , olhando para a arma brilhante que Harry tinha em a mão . - Eu explico te tudo quando sairmos de aqui - disse Harry , lançando um olhar de esguelha a a Ginny . - Mas ... - Mais tarde - disse Harry rapidamente . Não lhe parecia uma boa ideia contar a o Ron quem tinha aberto a câmara , ali , em frente de a Ginny . - Onde está o Lockhart ? - Ali atrás - disse o Ron , a rir e a abanar a cabeça em direcção a o cano . - Está em muito mau estado . Anda ver . Conduzidos_pela_Fawkes , cujas grandes asas escarlates emitiam um suave dourado que brilhava em a escuridão , voltaram a o lugar onde o cano começava . Gilderoy_Lockhart estava sentado a falar sozinho . - Perdeu a memória - disse o Ron . - O feitiço de a memória fez ricochete . Não sabe quem é nem onde está , nem_sequer sabe quem nós somos . Eu disse lhe que viesse para aqui e esperasse . É um perigo para ele próprio . Lockhart olhou os bem-disposto . - Olá - disse . - Que lugar estranho , este . É aqui que vocês moram ? -- Não - respondeu o Ron , levantando as sobrancelhas para o Harry . Harry baixou se e observou o túnel escuro e longo . - Já pensaste como é_que vamos sair de aqui ? - perguntou a o Ron . O amigo abanou a cabeça mas Fawkes , a fénix , tinha passado por o Harry e estava agora em o ar , em frente de ele , os olhos como pérolas a brilharem em o escuro . Abanava as longas penas douradas de a cauda . Harry olhou para ela , inseguro . - Ela parece querer que a agarres - disse o Ron , perplexo . - Mas tu és muito pesado para um pássaro . - A Fawkes - disse Harry - não é um pássaro qualquer . Voltou se rapidamente para os companheiros . - Temos de nos agarrar uns a os outros . Ginny , agarra a mão de o Ron . O professor Lockhart ... - Ele está a falar consigo - disse o Ron secamente . - Agarre a outra mão de a Ginny . Harry guardou a espada e o chapéu seleccionador em o cinto . Ron deitou a mão a a roupa de Harry e Harry agarrou as penas de a cauda , estranhamente quentes , de a Fawkes . Sentiu uma extraordinária leveza apoderar se de todo o seu corpo e em seguida estavam todos a voar por o cano acima . Harry conseguia ouvir Lockhart , lá atrás , comentando : - Espantoso , isto parece mágico ! Ar frio batia em os cabelos de Harry e antes que ele deixasse de gostar de a viagem já ela acabara . Os quatro tinham chegado a o chão molhado de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa e , enquanto Lockhart endireitava o chapéu , o lavatório voltara a o seu lugar , tapando o cano . A Murta arregalou os olhos . - Vocês estão vivos - disse inexpressivamente a o Harry . - Não é preciso mostrares te tão desiludida - respondeu ele , muito sério , limpando as nódoas de sangue e lodo de os óculos . - Bem ... é_que eu pensei que se vocês morressem seriam bem-vindos a a minha casa_de_banho - disse a Murta com um rubor prateado . - Urgh ! - fez o Ron , quando saíram de ali para o corredor deserto . - Harry , acho que a Murta está a gostar de ti . Tens concorrência , Ginny ! A Ginny continuava a chorar silenciosamente . - Onde vamos agora ? - perguntou o Ron , olhando ansiosamente para ela . Harry apontou . Fawkes indicava o caminho , com o seu tom dourado que brilhava em o corredor . Seguiram a e pouco depois estavam em o escritório de a professora Mc_Gonagall . Harry bateu e empurrou a porta que estava encostada . XVIII_A recompensa de Dobby_Durante alguns momentos reinou o silêncio enquanto Harry , Ron , Ginny e Lockhart estavam em a entrada de a porta . Cobertos de pó e de lama e ( em o caso de o Harry ) sangue . Em seguida , ouviu se um grito . - Ginny ! Era_Mrs._Weasley que tinha estado a chorar , sentada em frente de o lume . Pôs se de pé em um salto , seguida de Mr._Weasley e precipitaram se ambos para a filha . Harry olhava para trás de eles . Dumbledore rejubilava junto de a lareira , a o lado de a professora Mc_Gonagall que , agarrada a o queixo , respirava com dificuldade . Fawkes rasou as orelhas de o Harry e foi instalar se em o ombro de Dumbledore , ao_mesmo_tempo que Harry dava por si em os braços de Mrs._Weasley . - Tu salvaste a ! Salvaste a ! : __ como foi que __ conseguiste ? - Acho que todos nós gostaríamos de saber - disse , sem energia , a professora Mc_Gonagall . Mrs._Weasley soltou o Harry , que hesitou um momento . Depois , foi até a a secretária e colocou sobre o tampo o chapéu seleccionador , a espada cravejada de rubis e o que restava de o diário de Riddle . Em seguida , contou lhes tudo . Falou durante quase um quarto de hora em o silêncio extasiado : contou lhes de a voz sem corpo que ouvia , como a Hermione acabara por descobrir que se tratava de um Basilisk que circulava em os canos , como ele e o Ron tinham seguido as aranhas até a a floresta , que Aragog lhes dissera que a última vítima de o Basilisk morrera , como tinham chegado a a conclusão que se tratava de a Murta_Queixosa e que a entrada para a Câmara_dos_Segredos devia ser em aquela casa_de_banho ... - Muito bem - elogiou a professora Mc_Gonagall quando ele se calou . - Então tu descobriste onde era a entrada , infringindo uma centena de regras de a escola por o caminho , devo dizer , mas como diabo saíram vocês vivos de lá de dentro ? Harry , com a voz já um_pouco rouca de falar tanto , contou lhes de a chegada de a Fawkes e de o chapéu seleccionador que lhe tinha dado a espada . Mas , chegando aí , hesitou . Até a o momento evitara referir se a o diário de Riddle ou a a Ginny . Ela tinha a cabeça encostada a o ombro de Mrs._Weasley e as lágrimas corriam lhe ainda por o rosto . E se a expulsassem ? - pensou Harry , tomado de pânico . O diário de Riddle já não funcionava ... quem poderia provar que fora ele que a obrigara a fazer tudo aquilo ? Olhou instintivamente para Dumbledore que sorria , o fogo iluminando lhe os óculos de meia-lua . - O que mais me interessa saber - disse Dumbledore amavelmente - é como conseguiu Lord_Voldemort enfeitiçar a Ginny quando as minhas fontes me dizem que ele se esconde habitualmente em as florestas de a Albânia . Um alívio , quente e glorioso percorreu Harry de a cabeça a os pés . - O quê ? - disse Mr._Weasley , em uma voz estupefacta . - O Quem nós sabemos enfeitiçou a Ginny ? Mas a Ginny não ... a Ginny não morr ... ? - Foi este diário - esclareceu Harry rapidamente . E mostrando o a Dumbledore . - O Riddle escreveu o quando tinha dezasseis anos . Dumbledore pegou em o diário e olhou atentamente por cima de o seu nariz longo e adunco para as páginas queimadas e húmidas . - Fantástico - disse em voz baixa . - É claro que ele deve ter sido o aluno mais brilhante que alguma vez passou por Hogwarts . - Olhou em volta para os Weasley que o observavam com um ar totalmente confuso . - Muito poucas pessoas sabem que Lord_Voldemort se chamou em tempos Tom_Riddle . Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos , em Hogwarts . Ele desapareceu depois de deixar a escola , viajou muito , mergulhou tão fundo em as artes de a magia negra , associado a os piores feiticeiros , realizou transformações mágicas tão perigosas que quando reapareceu como Lord_Voldemort estava totalmente irreconhecível . Ninguém o relacionou com o rapazinho inteligente e bonito que aqui foi , em tempos , chefe de turma . - Mas a Ginny - insistiu Mrs._Weasley . - O que tem a nossa Ginny que ver com ele ? - O diário - soluçou Ginny . - Eu andei todo o ano a escrever em o diário e ele respondia me ... - Ginny ! - repreendeu Mr._Weasley . - Não aprendeste nada do_que te ensinei ? Não me cansei de dizer te que nunca confiasses em nada que não pensasse por si próprio * se não conseguisses ver onde tinha o cérebro ? * Porque não me mostraste o diário , a mim ou a a tua mãe ? Um objecto suspeito como esse tinha de estar cheio de magia negra ! - Eu não sabia - soluçou Ginny . - Estava junto de os livros que a mãe me comprou . Pensei que alguém se tinha esquecido de ele ali . - É melhor Miss_Weasley ir imediatamente para a ala hospitalar - interrompeu Dumbledore com voz firme . - Foi sujeita a uma prova terrível . Não será castigada . Outros feiticeiros mais velhos do_que ela têm sido ludibriados por Lord_Voldemort . - Dirigiu se a a porta e abriu a . - Repouso , cama e talvez uma caneca de chocolate quente . A mim , anima me sempre - acrescentou , piscando lhe simpaticamente o olho . - Vais ver que Madam_Pomfrey ainda está acordada . Ela tem estado a dar o sumo de Mandrágora , julgo que as vítimas de o Basilisk estarão a acordar dentro_de momentos . de alegria . - Então a Hermione está bem ! - disse o Ron , cheio de alegria . - Não houve danos irreversíveis - disse Dumbledore . Mrs._Weasley saiu com a Ginny e Mr._Weasley seguiu as ainda bastante abalado . - Sabes , Minerva - disse pensativo o professor Dumbledore - acho que tudo_isto merece um banquete . Posso pedir te que previnas os cozinheiros ? - Certamente - disse animada a professora Mc_Gonagall , dirigindo se também a a porta . - Deixo te a tratar de as coisas com o Potter e o Weasley , está bem ? - Claro - disse Dumbledore . Saiu e os dois olharam inseguros para Dumbledore . Que quereria ela dizer com tratar de as coisas ? Certamente não iriam ser castigados ? - Lembro me de vos ter dito a ambos que teria de vos expulsar se voltassem a quebrar as regras de a escola - disse Dumbledore . Ron abriu a boca horrorizado . - O que vem mostrar nos que as melhores pessoas , às_vezes , têm de engolir as suas próprias palavras . - Dumbledore sorriu e continuou : - Vocês vão receber ambos uma recompensa especial por serviços prestados a a escola e ... deixem me ver , sim , acho que duzentos pontos cada_um para os Gryffindor . Ron ficou tão corado que parecia as flores de S._Valentim_do_Lockhart e voltou a fechar a boca . - Mas um de vós parece demasiado calado sobre a sua participação em esta perigosa aventura - acrescentou Dumbledore . - Porquê tanta modéstia , Gilderoy ? Harry estremeceu . Esquecera se por completo de Lockhart . Voltou se e viu o a um canto de a sala ainda com o mesmo sorriso vago . Quando Dumbledore se lhe dirigiu , olhou por cima de o ombro para ver com quem ele estava a falar . - Professor_Dumbledore - disse o Ron rapidamente - Houve um acidente lá em baixo , em a Câmara_dos_Segredos . O professor Lockhart - Eu sou um professor ? - perguntou Lockhart surpreendido . - E eu que pensei que era um inútil ! - Tentou fazer um feitiço antimemória e a varinha fez ricochete - explicou Ron_a_Dumbledore . - Incrível - disse Dumbledore , abanando a cabeça , o bigode prateado a tremer . - Trespassado por a tua própria espada , Gilderoy ! - Espada ? - disse Lockhart de forma imprecisa . - Eu não tenho espada . Esse rapaz é_que tem - apontou para Harry . - Ele empresta lhe uma . - Importas te de levar também o professor Lockhart até a a ala hospitalar , Ron ? - disse Dumbledore . - Eu gostava de falar um_pouco mais com o Harry . Lockhart saiu sem pressa . Antes de fechar a porta , Ron lançou um olhar curioso a Dumbledore e Harry . Dumbledore passou para uma de as cadeiras junto de o lume . - Senta te , Harry - disse . E Harry sentou se , sentindo se indescritivelmente nervoso . - Antes de mais , Harry , quero agradecer te - disse Dumbledore com os olhos a brilharem de_novo . - Deves ter demonstrado uma grande lealdade para comigo . Só isso poderia atrair a Fawkes para ir ajudar te . Deu uma palmadinha a a fénix que voara , entretanto , para_cima de os seus joelhos . Harry sorria acanhadamente sob o olhar observador de Dumbledore . - Encontraste , portanto , Tom_Riddle - disse o director amavelmente . - Calculo que ele estaria particularmente interessado em ti ... De repente , algo que Harry tinha engasgado saiu lhe descontroladamente de a boca para fora . - Professor_Dumbledore ... o Riddle disse que eu sou como ele , que há entre nós estranhas semelhanças ... - Ah ! sim ? - Dumbledore olhou pensativamente para ele , por debaixo de as espessas sobrancelhas prateadas . - E o que achas tu de isso ? - Eu não me considero parecido com ele - disse Harry mais alto do_que desejaria . - Isto_é , eu sou um Gryffindor , eu sou ... Mas calou se com uma dúvida a rondar lhe o espírito . - Professor - arriscou passado alguns momentos . - O chapéu seleccionador disse que eu ... teria ficado bem em os Slytherin ; durante algum tempo toda_a_gente pensou que eu era o herdeiro de Slytherin por falar * serpentês * ... - Tu falas * serpentês * , Harry - disse Dumbledore calmamente - porque Lord_Voldemort que é o mais recente antepassado de Salazar_Slytherin , fala * serpentês * . Ou eu me engano muito , ou ele transferiu para ti alguns de os seus poderes em a noite em que te fez essa cicatriz . Não que quisesse fazê o , claro , mas aconteceu . - Voldemort pôs um_pouco de si próprio em mim ? - disse Harry assombrado . - É o que parece ter acontecido . - Então eu deveria estar em os Slytherin - disse Harry , olhando desesperado para o rosto de Dumbledore . - O chapéu seleccionador viu em mim os poderes de Slytherin e ... -- Pôs te em os Gryffindor - concluiu tranquilamente Dumbledore . - Ouve , Harry , tu tens por acaso muitas de as capacidades que Salazar_Slytherin apreciava em os seus estudantes cuidadosamente seleccionados . O seu raro dom de falar * serpentês * , desenvoltura , determinação , um certo desprezo por as regras estabelecidas - acrescentou com o bigode a tremer de_novo . - Mas ainda_assim , o chapéu seleccionador pôs te em os Gryffindor . E sabes porquê ? Pensa um_pouco . - Só me pôs em os Gryffindor - disse Harry em uma voz débil - porque eu pedi para não ir para os Slytherin . - Exacto - disse Dumbledore a sorrir . - E isso torna te muito diferente de o Tom_Riddle . São as tuas escolhas , Harry , que mostram quem de facto tu és , mais do_que as tuas capacidades . Harry sentou se , imóvel e espantado , em a cadeira . - Se queres provas de que o teu lugar é em os Gryffindor , sugiro que vejas isto com mais atenção . Dumbledore aproximou se de a secretária de a professora Mc_Gonagall , pegou em a espada de prata ensanguentada e mostrou lhe a . Sem perceber , Harry voltou a ao_contrário . Os rubis brilharam a a luz de a lareira e foi então que ele reparou em o nome gravado mesmo por baixo de o copo de a espada . GODRIC_GRYFFINDOR . - Só um verdadeiro Gryffindor poderia ter tirado a espada de dentro de o chapéu , Harry - disse , com simplicidade , Dumbledore . Durante um minuto , nenhum de os dois falou . Depois , Dumbledore abriu uma de as gavetas de a secretária de a professora Mc_Gonagall e retirou de lá uma pena e um tinteiro . - Tu precisas de comer e ir dormir . Sugiro que desças para o banquete enquanto eu escrevo para Azkaban . Precisamos de recuperar o nosso guarda de os campos . E tenho de esboçar um anúncio para o * _ Profeta_Diário * - acrescentou pensativo . - Vamos precisar de um novo professor de Defesa contra as artes negras . É um problema , estamos sempre a perdê os . Harry levantou se e dirigiu se a a porta . Tinha acabado de estender a mão para o puxador quando ela se abriu tão violentamente que saltou de as dobradiças . Lucius_Malfoy estava de pé , furioso . E , debaixo de o braço , embrulhado em diversas ligaduras , estava Dobby . - Boa tarde , Lucius - disse Dumbledore , de forma amena . Mr._Malfoy quase derrubou Harry enquanto entrava em a sala . Dobby dava passos miudinhos atrás de ele , inclinado até a a bainha de o seu manto com um olhar apavorado em o rosto . - Então - disse Lucius_Malfoy com os olhos fixos em Dumbledore - voltaste . Os membros de o Conselho_Directivo suspenderam te , mas tu mesmo_assim sentiste te capaz de voltar a Hogwarts . - Bem vês , Lucius - disse Dumbledore , sorrindo serenamente . - Os outros membros de o Conselho contactaram me hoje . Fui envolvido em um redemoinho de corujas , todos queriam contar me a verdade . Ouviram dizer que a filha de Arthur_Weasley tinha sido morta e queriam me novamente aqui . Parece que me consideravam o melhor homem para o lugar . Contaram me algumas histórias muito estranhas . Alguns de eles tinham a impressão que tu tinhas ameaçado amaldiçoar lhes as famílias se não concordassem com a minha suspensão . Mr._Malfoy ficou ainda mais pálido do_que de costume , mas os olhos continuavam cheios de fúria . - Então já acabaste com os ataques ? - rosnou . - Apanhaste o culpado ? - Já , sim - disse Dumbledore com um sorriso . - E quem é ? - perguntou Malfoy secamente . - A mesma pessoa de a última vez , Lucius - disse Dumbledore . Mas desta_vez , Lord_Voldemort agiu através_de outra pessoa , por_meio_de um diário . Pegou em o pequeno caderno com o buraco em o meio , observando Mr._Malfoy de perto . Mas Harry olhava para Dobby . O elfo fazia um sinal muito estranho . Com os seus grandes olhos fixos em Harry , não parava de apontar para ó diário e , em seguida , para Mr._Malfoy , batendo logo_a_seguir com o punho em a cabeça . - Estou a ver ... - disse Mr._Malfoy lentamente a Dumbledore . - Um plano inteligente - afirmou o director em um tom de voz suave , continuando a olhar Mr._Malfoy directamente em os olhos . - Porque se não fosse aqui o Harry e o seu amigo Ron a descobrirem o diário , sem dúvida Ginny_Weasley teria ficado com todas_as culpas . Ninguém teria conseguido provar que ela agira contra a sua própria vontade . Mr._Malfoy não se pronunciou . O seu rosto parecia agora uma máscara . - E vê bem - continuou Dumbledore - o que poderia ter acontecido ... os Weasley são uma de as mais proeminentes famílias de feiticeiros de sangue puro , imagina o efeito em a imagem de Arthur_Weasley e em a sua acção de protecção a os Muggles , se a sua própria filha fosse acusada de atacar e matar filhos de Muggles . Foi uma sorte o diário ter sido descoberto e as memórias de Riddle apagadas . Quem sabe que consequências poderia ter tido ? Mr._Malfoy falou contra vontade . - Sim , foi uma sorte - disse secamente . E , em as suas costas , Dobby continuava a apontar para o diário e para Lucius_Malfoy , batendo depois com o punho em a cabeça . E Harry finalmente percebeu . Fez um sinal a Dobby que correu a esconder se em um canto , torcendo desta_vez as orelhas para se castigar . - Não quer saber como a Ginny obteve esse diário , Mr._Malfoy ? - perguntou Harry . Lucius_Malfoy voltou se para ele . - Como queres que eu saiba onde é_que a estúpida de a garota o arranjou ? - Porque foi o senhor quem lhe o deu - disse Harry . - Em a Flourish and Blotts . O senhor pegou em o livro velho de ela de Transfiguração e meteu o diário lá dentro , não foi ? Viu as mãos brancas de Mr._Malfoy abrirem se e fecharem se . - Prova isso - sibilou . - Oh ! ninguém vai poder prová o - disse Dumbledore sorrindo a o Harry . - Não agora_que o Riddle desapareceu de o caderno . Por outro lado , aconselharia te , Lucius , a não dares mais nenhuma de as coisas velhas de Lord_Voldemort . Se mais alguma for parar a as mãos de crianças inocentes , acho que o Arthur_Weasley fará com que se voltem com toda_a sua carga negativa contra ti . Lucius_Malfoy ficou calado um momento e Harry viu claramente a sua mão direita torcer se como_se desejasse chegar a a varinha . Em vez de isso , voltou se para o seu elfo doméstico . - Vamos , Dobby . Abriu a porta e quando o elfo se aproximou deu lhe um pontapé que o projectou para longe . Ouviram se em o escritório os gritos de dor de Dobby em o corredor . Harry pensou durante um momento e depois decidiu se . - Professor_Dumbledore - disse apressadamente . - Posso dar o diário outra_vez a Mr._Malfoy ? - Certamente , Harry - disse Dumbledore com toda_a calma . - Mas não demores , olha o banquete . Harry agarrou em o diário e saiu de o escritório . Os gritos de dor de Dobby afastavam se ao_longe . Sem perder tempo , perguntando a si próprio se o plano poderia resultar , Harry tirou um de os sapatos , puxou uma de as peúgas enlameadas e viscosas e meteu o diário lá dentro . Em seguida correu até a o fundo de o corredor escuro . Apanhou os em o topo de as escadas . - Mr._Malfoy - disse ofegante , parando . - Tenho uma coisa para si . E meteu a peúga mal cheirosa em a mão de Lucius_Malfoy . - O que é ... ? Mr._Malfoy tirou o diário de dentro de a peúga , deitou a fora e olhou furioso para o caderno estragado e para Harry - Ainda vais acabar por ter um fim igual a o de os teus pais um dia de estes , Harry_Potter - disse em voz baixa . - Eles também eram uns idiotas metediços . Voltou se para se ir embora . - Anda , Dobby , vem ! Mas Dobby não se mexeu . Tinha em as mãos a peúga nojenta de o Harry e olhava para ela como_se fosse um tesouro de valor incalculável . - O senhor deu uma peúga a o Dobby - disse o elfo maravilhado . - Deu a a o Dobby . - O que é isso ? - cuspiu Mr._Malfoy . - Que estás para aí a dizer ? - Dobby tem uma peúga - repetiu incrédulo . - O senhor deitou a fora e Dobby apanhou a e Dobby agora é livre ... Lucius_Malfoy ficou paralisado a olhar para o elfo . Em seguida precipitou se para Harry . - Fizeste me perder o meu servo , rapaz . Mas Dobby gritou : - Não pense que vai fazer mal a o Harry_Potter ! Ouviu se um enorme estrondo e Mr._Malfoy foi empurrado de costas , galgando os degraus de as escadas a três_e_três e indo aterrar lá em baixo todo embrulhado e amarrotado . Levantou se , o rosto lívido e pegou em a varinha , mas Dobby estendeu lhe um dedo ameaçador . - Vá se embora já - disse furioso , apontando para Mr._Malfoy . - Não tocará em o Harry_Potter . Vá se embora , já . Lucius_Malfoy não teve escolha . Lançando a os dois um último olhar de cólera , embrulhou se em o manto e desapareceu . - Harry_Potter libertou Dobby ! - disse o elfo com voz esganiçada , olhando para Harry , a luz de o luar reflectida em os seus grandes olhos em forma de globos . - Harry_Potter libertou Dobby . - Era o mínimo que eu podia fazer , Dobby - disse Harry a sorrir -- , mas promete me que não vais voltar a tentar salvar me a vida . A cara feia e escura de o elfo abriu se , mostrando os dentes , em um enorme sorriso . - Tenho uma pergunta a fazer te , Dobby - disse Harry enquanto o elfo pegava em a peúga de ele com as mãos a tremer . - Disseste me que tudo_isto não tinha nada que ver com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Lembras te ? - Era uma pista , senhor - disse Dobby com os olhos muito abertos como_se fosse absolutamente óbvio . - Dobby estava a dar lhe uma pista . Antes de o senhor de o mal mudar de nome , o seu nome podia ser pronunciado , está a ver ? - Certo - disse Harry sem grande convicção . - Bem , é melhor eu ir indo embora . Há um banquete e a minha amiga Hermione já deve ter acordado ... Dobby lançou os braços a a cintura de Harry e abraçou o . - Harry_Potter é muito maior do_que Dobby imaginava ! - soluçou . - Adeus , Harry_Potter . E com um estalido final , Dobby desapareceu . Harry assistira a diversos banquetes , mas nenhum que se parecesse com aquele . Estavam todos de pijama e a festa durou a noite inteira . Harry não sabia se o melhor tinha sido a Hermione a correr para ele e a gritar : - Tu conseguiste . Tu conseguiste ! , ou o Justin saindo disparado de a mesa de os Hufflepuff para lhe estender a mão , desfazendo se em desculpas por ter suspeitado de ele , ou o Hagrid que apareceu a as três_e_meia e que lhes deu palmadas com tanta força em os ombros que eles foram parar dentro de os pratos de bolo de creme , ou os quatrocentos pontos que ele e o Ron obtiveram para os Gryffindor , ganhando a taça de a equipa por a segunda vez consecutiva , ou a professora Mc_Gonagall de pé , a comunicar lhes que os exames tinham sido cancelados como medida de a escola ( Oh ! não ! exclamou Hermione ) , ou Dumbledore a anunciar que , infelizmente , o professor Lockhart não poderia voltar em o ano seguinte por ter de se ausentar a_fim_de recuperar a memória . Alguns de os professores juntaram se a os alunos que aplaudiram entusiasmados esta notícia . - Que pena - disse Ron , servindo se de um * dounut * de presunto . - E eu que começava a gostar de ele ... O resto de o período de Verão decorreu sob um sol escaldante . Hogwarts voltara a a normalidade , apenas com algumas pequenas diferenças : as aulas de Defesa contra as artes negras foram canceladas ( Mas nós tivemos imensa prática - disse o Ron vendo o descontentamento de Hermione ) e Lucius_Malfoy foi demitido de o Conselho_Directivo . Draco já não passeava por ali como_se fosse o dono de a escola . Pelo_contrário , tinha um ar melindrado e carrancudo . Por outro lado , Ginny_Weasley andava de_novo feliz de a vida . Em_breve chegou o dia de regressarem a casa em o Expresso_de_Hogwarts . Harry , Ron , Hermione , Fred , George e Ginny encheram um compartimento . Tiraram o_máximo partido de aquelas últimas horas em que lhes era permitido usar a magia antes de as férias . Brincaram a as explosões , gastaram o último fogo-de-artíficio Filibuster , de o Fred e de o George e treinaram o mútuo desarmamento através de a magia . Harry começava a ficar muito bom em aquilo . Já estavam perto de a estação de King's_Cross quando Harry se lembrou de uma coisa . - Ginny , o que foi que viste o Percy fazer que ele não queria que nos contasses ? - Ah ! isso - disse a Ginny a rir . - Bem , é_que o Percy tem uma namorada . Fred deixou cair uma pilha de livros em a cabeça de o George . - O quê ? - É aquela prefeita de os Ravenclaw ' Penelope_Clearwater - disse a Ginny . - Foi para ela que ele escreveu durante todo o Verão . Encontravam se em a escola em grande segredo . Eu apanhei os a beijarem se em uma sala de aula vazia e ele ficou tão aflito quando ela foi ... sabes ... atacada . Não vais aborrecê o , pois não ? - perguntou cheia de ansiedade . - Que ideia - respondeu Fred com uma tal satisfação em o rosto que parecia que o seu aniversário chegara mais cedo . - Claro que não - disse o George a rir se a a socapa . O Expresso_de_Hogwarts abrandou e finalmente parou . Harry tirou a pena e um_pouco de pergaminho e voltou se para Ron e Hermione . - Isto_é um número de telefone - disse ele a o Ron , escrevinhando o duas vezes , cortando o pergaminho a o meio e dando lhes os números . - Eu expliquei a o teu pai como usar um telefone em o Verão passado . Ele sabe fazer a chamada . Liga me para_casa de os Dursley , O. _ K. ? Não consigo suportar outros dois meses sem ter mais ninguém com quem falar ... - Mas a tua tia e o teu tio vão ficar orgulhosos de ti , não vão ? - perguntou Hermione quando saíram de o comboio e se misturaram em a multidão que se encontrava junto de a barreira encantada . - Quando souberem o que fizeste este ano . - Orgulhosos ? - disse Harry . - Estás doida ! Podendo eu ter morrido tantas vezes e tendo escapado ? Vão ficar é furiosos ... E juntos avançaram até a a entrada para o mundo de os Muggles . ----------------- J._K._Rowling_Harry_Potter e a Câmara_dos_Segredos_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Chamber of Secrets_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling 1998 Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 2000 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 2.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 Depósito legal : 143.569/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , a a Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Para_Séan_P._F._Harris , condutor imparável e um amigo de os diabos . I_O pior aniversário Não era a primeira vez que uma discussão estoirava a a mesa de o pequeno-almoço , em o número 4 de a Privet_Drive . Mr._Vernon_Dursley fora acordado de manhã cedo por o piar ruidoso que vinha de o quarto de o seu sobrinho Harry . - É a terceira vez esta semana ! - resmungou , a a mesa . - Se não consegues controlar essa coruja , ela não pode ficar aqui . Harry tentou , mais_uma_vez , explicar . - Ela está aborrecida . Estava habituada a voar livremente lá fora . Se eu pudesse , ao_menos , soltá a a a noite ... - Achas me com cara de idiota ? - perguntou rispidamente o tio Vernon , com um fio de ovo preso em o bigode farfalhudo . - Sei muito bem o que aconteceria se essa coruja fosse lá para fora . Trocou um olhar soturno com a mulher , a tia Petúnia . Harry tentou contra-argumentar , mas as suas palavras foram abafadas por um enorme arroto de o filho de os Dursleys , Dudley . - Quero mais bacon . - Há mais em a frigideira , fofinho - disse a tia Petúnia , lançando um olhar vago a o seu filho maciço . - Tens que te alimentar bem enquanto aqui estás , aquela comida de a tua escola não me cheira . - Disparate , Petúnia , eu nunca passei fome enquanto andei em Smeltings - afirmou com sinceridade o tio Vernon . - O Dudley tem que chegue . Não é verdade , filho ? Dudley , que era tão gordo que o rabo saía de os dois lados de a cadeira de a cozinha , sorriu laconicamente e voltou se para Harry . - Passa me a frigideira . -- Esqueceste te de a palavra mágica - disse Harry , irritado . O efeito que esta simples frase teve em o resto de a família foi inacreditável : Dudley começou a arfar e caiu de a cadeira com um estrondo que abalou a cozinha , Mrs._Dursley deu um gritinho e bateu com a mão em a boca , Mr._Dursley pôs se de pé com as veias de as têmporas dilatadas . - Eu queria dizer « por favor » - explicou Harry rapidamente . - Não me referia a ... - : __ o que é_que eu te __ disse - vociferou o tio , espalhando perdigotos sobre a mesa - : __ sobre pronunciar a palavra m . em esta __ casa ? - Mas eu ... - : __ como te atreves a ameaçar o __ dudley ! - rosnou o tio Vernon , batendo com o punho em a mesa . - Eu só ... - : __ estás avisado . não vou admitir referências a tua anormalidade debaixo de o tecto de a minha __ casa ! Harry olhou alternadamente para o rosto congestionado de o tio e para a palidez de a tia que tentava pôr o Dudley de pé . - Está bem - disse Harry . - Está bem ... O tio Vernon voltou a sentar se , respirando como um rinoceronte exausto e observando Harry de perto por o canto de os seus olhos pequeninos e penetrantes . Desde_que Harry regressara para as férias de Verão que o tio Vernon o tratava como_se ele fosse uma bomba , capaz de explodir a qualquer momento , porque Harry não era um rapazinho normal . Em a verdade , ele era o menos normal que é possível imaginar . Harry_Potter era um feiticeiro , um feiticeiro que acabara de concluir o primeiro ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts e a infelicidade que os Dursleys sentiam por ele estar lá em casa não era nada comparada com a de Harry . As saudades de Hogwarts eram tão intensas que se assemelhavam a uma constante dor em o estômago . Sentia a falta de o castelo com as suas passagens secretas e os seus fantasmas , de as aulas ( com excepção talvez de as de Snape , o professor de as poções ) , de o correio a chegar trazido por as corujas , de os banquetes em o salão nobre , de as noites em as camas de dossel em a camarata de a torre , de as visitas a Hagrid , o guarda de os campos em a sua casinha em o bosque , junto de a floresta proibida e , principalmente , sentia a falta de o Quidditch , o desporto mais popular de o mundo de os feiticeiros ( seis postes altos de golo , quatro bolas esvoaçantes e catorze jogadores em_cima_de vassoura ) . Todos os livros de feitiços de Harry , assim_como a varinha , os mantos , o caldeirão e a vassoura topo de gama Nimbus dois_mil tinham sido encerrados por o tio Vernon em a despensa que ficava debaixo de as escadas , em o momento em que Harry regressara a casa . O que é_que lhes interessava se ele perdia ou não o seu lugar em a equipa de Quidditch por não ter praticado durante todo o Verão ? Que importância tinha para eles que o Harry voltasse a a escola sem ter podido fazer os trabalhos de casa ? Os Dursleys eram aquilo que os feiticeiros chamam « Muggles » ( nem uma gota de sangue mágico em as veias ) e , para eles , ter um feiticeiro em a família era motivo de grande vergonha . O tio Vernon tinha , inclusivamente , fechado a cadeado a coruja de Harry , Hedwig , dentro de a gaiola , para evitar que ela transportasse mensagens para a gente de o mundo de a feitiçaria . Harry não se parecia em nada com o resto de a família . O tio Vernon era atarracado e sem pescoço , dotado de um enorme bigode preto ; a tia Petúnia tinha um rosto cavalar e era esquelética ; Dudley era loiro e rosado como um porquinho . Harry , pelo_contrário , era baixo e franzino , com os olhos verdes brilhantes e cabelo negro sempre desalinhado . Usava uns óculos redondos e tinha em a testa uma cicatriz em forma de relâmpago . Era essa cicatriz que o tornava tão invulgar , mesmo para um feiticeiro . Era a única alusão a o seu passado misterioso , a o motivo por o qual , onze anos antes , tinha sido deixado em o degrau de a porta de os Dursleys . Com um ano de idade , Harry sobrevivera a uma maldição de o maior feiticeiro negro de todos os tempos , Lord_Voldemort , cujo nome a maior parte de os feiticeiros e feiticeiras ainda receia pronunciar . Os pais de Harry tinham morrido em um ataque de Voldemort , mas ele escapara com a sua cicatriz em forma de relâmpago e estranhamente , ninguém compreendeu porquê , os poderes de Voldemort tinham sido destruídos em o momento em que não fora capaz de matar o Harry . Por isso , ele foi criado por a irmã de a sua falecida mãe e respectivo marido . Passou dez anos com os Dursleys , sem nunca compreender porque fazia com que acontecessem coisas estranhas , alheias a a sua vontade , acreditando em a história de os Dursleys de que aquela cicatriz fora resultado de um acidente de automóvel em que os pais tinham morrido . E um dia , precisamente um ano antes , Hogwarts escrevera lhe e fora então que tudo começara . Harry fora ocupar o seu lugar em a escola de feitiçaria , onde ele e a sua cicatriz eram famosas ... mas agora o ano escolar chegara a o fim e estava de_novo com os Dursleys . Durante o Verão , voltara a ser tratado como um cão malcheiroso . Os Dursleys nem se tinham lembrado que aquele era o dia de o seu décimo segundo aniversário . É claro que não tivera grandes expectativas : eles nunca lhe tinham dado um presente a sério , muito menos um bolo , mas ignorarem o por completo ... Em esse momento , o tio Vernon pigarreou com um ar importante e disse : - Como todos sabem , hoje é um dia muito importante . Harry olhou para ele , mal conseguindo acreditar . - Pode bem ser que eu faça hoje o maior negócio de toda_a minha vida - afirmou . Harry voltou novamente a atenção para a torrada . É claro , pensou amargamente , o tio Vernon referia se a a estúpida dinner-party . Havia quinze_dias que não falava de outra coisa . Um consultor qualquer cheio de massa e a mulher vinham jantar lá a casa e o tio Vernon tinha esperança de conseguir uma grande encomenda ( a empresa de o tio Vernon fabricava brocas ) . - Acho que devíamos recapitular mais_uma_vez - disse o tio Vernon . - Devemos estar todos a postos a as oito_horas_em_ponto . Petúnia , tu vais estar ... ? - Em o salão - respondeu a tia Petúnia prontamente - a a espera para lhes dar as boas-vindas a nossa casa . - Bom , bom . E o Dudley ? - Eu vou estar a a espera para abrir a porta . - Dudley esboçou um sorriso falso e afectado . - Dão me licença que vos guarde os casacos , Mr. e Mrs._Mason ? - Eles vão adorá o - exclamou arrebatadamente a tia Petúnia . - Excelente , Dudley - disse o tio Vernon . - A seguir voltou se para o Harry . - E tu ? - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - repetiu o Harry , de forma inexpressiva . - Exactamente - confirmou o tio Vernon , de um modo desagradável . - Eu conduzo os até a o salão , apresento te , Petúnia , e sirvo lhes as bebidas . _ a as oito_e_um_quarto . - Eu chamo para a mesa - disse a tia Petúnia . - E tu , Dudley , vais dizer ... - Dá me licença que lhe indique a casa de jantar , Mrs._Mason ? - repetiu o Dudley , oferecendo o seu braço gordo a uma mulher invisível . - O meu pequenino cavalheiro - fungou a tia Petúnia . - E tu ? - perguntou o tio Vernon a o Harry , em o mesmo tom desagradável . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho , fingindo que não estou lá - respondeu Harry aborrecido . - Isso mesmo . Agora , devíamos ter preparadas algumas frases amáveis para o jantar . Petúnia , alguma ideia ? - O Vernon disse me que o senhor é um excelente jogador de golfe , Mr._Mason ... Tem de me dizer onde comprou esse vestido , Mrs._Mason ... - Perfeito . Dudley ? - Que tal : Tivemos de fazer um trabalho para a escola sobre o nosso herói e eu escrevi sobre o senhor ... Foi de mais , tanto para a tia Petúnia como para o Harry . A tia debulhou se em lágrimas e abraçou o filho , enquanto Harry se esgueirava para debaixo de a mesa para ninguém o ver rir . - E tu , rapaz ? Harry fez um esforço para se mostrar inexpressivo quando emergiu . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - disse . - Vais sim senhor - afirmou o tio Vernon energicamente . - Os Mason não sabem nada a teu respeito e é assim que as coisas vão continuar . Quando o jantar terminar , tu trazes Mrs._Mason para o salão , onde vamos tomar café , Petúnia , e eu puxo o assunto de as brocas . Com um_pouco de sorte , tenho o contrato assinado antes de o noticiário de as dez . Amanhã por esta hora , vamos estar a fazer compras para umas férias em Maiorca . Harry não conseguia sentir o menor entusiasmo com aquilo . Não lhe parecia que os Dursleys gostassem mais de ele em Maiorca do_que em Privet_Drive . - Certo , eu vou a a cidade buscar os casacos para mim e para o Dudley . E tu - resmungou , apontando para Harry - não atrapalhes a tua tia enquanto ela estiver a limpar . Harry saiu por a porta de as traseiras . Estava um dia de sol lindo . Atravessou o relvado , deixou se cair em o banco de o jardim e cantarolou baixinho : - Parabéns para mim ... parabéns para mim ... Nem cartas nem presentes e tinha de passar a noite a fingir que não existia . Olhou infeliz para a sebe . Nunca se sentira tão só . Mais do_que tudo em o mundo , mais do_que de Hogwarts , mais até do_que de o jogo de Quidditch , Harry sentia a falta de os amigos Ron_Weasley e Hermione_Granger . Mas eles não pareciam sentir a falta de ele . Nenhum de os dois lhe escrevera durante todo o Verão apesar_de o Ron ter dito que ia convidá o para passar uns dias lá em casa . Inúmeras vezes Harry estivera quase a libertar magicamente Hedwig de a sua gaiola e mandá a levar uma carta a o Ron e a a Hermione mas não valia a pena correr o risco . Os feiticeiros menores de idade não tinham autorização para usar a magia fora de a escola . Harry não contara isto a os Dursleys . Ele sabia que era o medo de que ele os transformasse a todos em baratas que os impedia de o fecharem a a chave em a despensa debaixo de as escadas , juntamente com a varinha e a vassoura . Em as primeiras semanas Harry divertira se a murmurar baixinho palavras sem sentido e a ver o Dudley sair disparado de o quarto , tão rápido quanto as suas pernas gordas lhe permitiam . Mas o silêncio prolongado de Ron e Hermione tinham o feito sentir se tão longe de o mundo de a magia que até divertir se à_custa_de Dudley perdera o interesse . E agora o Ron e a Hermione tinham se esquecido de o seu aniversário . Quanto não daria ele por uma mensagem de Hogwarts ? De qualquer feiticeiro ou feiticeira ? Quase ficaria satisfeito com um sinal de o seu inimigo feroz , Draco_Malfoy , só para ter a certeza de que tudo aquilo não fora apenas um sonho ... Não que tudo durante o ano em Hogwarts tivesse sido divertido . Mesmo em o fim de o último período , Harry confrontara se nem mais nem menos do_que com o próprio Lord_Voldemort . Voldemort podia ter arruinado o seu ego inicial mas continuava a espalhar o terror , ainda astuto , ainda determinado a recuperar o poder . Harry escapara uma segunda vez a as suas garras mas fora por um triz e mesmo agora , algumas semanas decorridas , acordava de noite encharcado em suores frios , perguntando se onde estaria Voldemort , relembrando o seu rosto lívido , os seus olhos completamente loucos ... Harry sentou se subitamente , direito como um fuso , em o banco de o jardim . Tinha estado a olhar distraído para a sebe e a sebe estava a olhar para ele . Dois enormes olhos verdes surgiram por_entre a folhagem . Harry pôs se de pé ao_mesmo_tempo que uma voz sobrevoava a relva . - Eu sei que dia é hoje - cantarolava Dudley , bamboleando se enquanto se aproximava . Os olhos enormes piscaram e desapareceram . - O quê ? - perguntou Harry sem retirar os olhos de o lugar para_onde estava a olhar . - Eu sei que dia é hoje - repetiu , chegando junto de ele . - Ainda_bem - disse Harry . - Aprendeste finalmente os dias de a semana . - Hoje é o dia de os teus anos - troçou o Dudley . - Por_que é_que não recebeste nenhuma carta ? Não tens amigos em esse lugar esquisito ? - É melhor não deixares a tua mãe ouvir te falar de a minha escola - disse Harry calmamente . Dudley puxou para_cima as calças que estavam a escorregar lhe por o rabo gordo abaixo . - Porque estás a olhar para a sebe . ; - perguntou curioso . - Estou a pensar em as palavras que deverei pronunciar para lhe pegar fogo - disse Harry . Dudley recuou de imediato com um olhar de pânico em a cara rechonchuda . - Tu não p-p-odes , o pai disse que não podias fazer magia ou corria contigo aqui de casa e não tens mais nenhum lugar para_onde ir , não tens amigos que te convidem ... - * _ Jiggery pokery * ! - disse Harry com voz firme . - * _ Hocus pocus ... squiggly wiggly * ... - Maaaaaãe - gritou Dudley , tropeçando em os pés , enquanto se precipitava para dentro_de casa . Maaaãe , ele vai fazer aquela coisa ! Harry deu graças a os céus por aquele momento de gozo . Como não aconteceu nada de mal nem a o Dudley nem a a sebe , a tia Petúnia percebeu que ele não fizera magia nenhuma mas , mesmo_assim , Harry teve de se afastar quando ela lhe deu uma forte pancada em a cabeça com a frigideira cheia de detergente . A seguir distribuiu lhe trabalho e o castigo de só voltar a comer quando tivesse acabado tudo . Enquanto Dudley andava a flanar , olhando para o ar e comendo gelados , Harry limpou as janelas , lavou o carro , aparou a relva , adubou os canteiros , podou e regou as rosas e pintou de_novo o banco de o jardim . O sol ardia lá em cima , queimando lhe a parte de trás de o pescoço . Harry sabia que não devia ter provocado Dudley mas ele dissera precisamente aquilo que ele próprio pensava ... talvez não tivesse amigos em Hogwarts . Deviam ver agora o famoso Harry_Potter , pensou amargamente enquanto espalhava adubo em os canteiros , as costas a doerem lhe e o suor a escorrer lhe por o rosto . Eram sete_e_meia_da_tarde quando , por fim , exausto , ouviu a tia Petúnia a chamá o . - Anda para dentro e passa por cima de os jornais . Harry entrou satisfeito em a sombra de a cozinha que rebrilhava . Sobre o frigorífico estava o bolo de a noite : um enorme monte de crome batido coberto de violetas de açúcar . A carne de porco assava em o forno . - Come depressa , os Mason devem estar a chegar ! - exclamou bruscamente a tia Petúnia , apontando para duas fatias de pão e uma de queijo que estavam em cima de a mesa de a cozinha . Ela já tinha posto um vestido de * cocktail * cor de salmão . Harry lavou as mãos e comeu aquele triste jantar . Mal tinha terminado , a tia Petúnia tirou lhe o prato . - Lá para_cima , rápido ! A o passar por a porta de a sala , Harry vislumbrou o tio Vernon e Dudley de casaco e gravata . Tinha acabado de chegar a o cimo de as escadas quando a campainha de a porta tocou e a cara de o tio Vernon apareceu em o patamar . - Lembra te , rapaz , um ruído que seja ... Harry entrou em o quarto em bicos de pés , fechou a porta e preparou se para se meter em a cama . O problema é_que estava lá alguém sentado . II_O aviso de Dobby_Harry conseguiu não gritar , mas foi por_pouco . A pequena criatura que estava em a cama tinha umas orelhas grandes e largas e uns olhos verdes protuberantes de o tamanho de bolas de ténis . Harry percebeu imediatamente que fora para ele que tinha estado a olhar de manhã . Enquanto olhavam um para o outro , Harry ouviu a voz de Dudley em o * hall * . - Posso guardar os vossos casacos , Mr. e Mrs._Mason ? A criatura escorregou por a cama e curvou se tanto que a ponta de o seu enorme nariz tocou em o tapete . Harry reparou que ele tinha vestido uma espécie de fronha de almofada com buracos para os braços e pernas . - Er ... Olá - disse Harry , um_pouco nervoso . - Harry_Potter ! - exclamou a criatura em uma voz tão estridente que Harry calculou que poderia ouvir se lá em baixo . - Há tanto tempo que Dobby queria conhecê o , senhor . É uma enorme honra ... - Ob-obrigado - disse Harry , deslocando se a o longo de a parede e sentando se em a cadeira de a secretária , junto de Hedwig que dormia em a sua grande gaiola . Queria perguntar lhe « O que és tu ? » , mas pensou que seria má educação , por isso perguntou : - Quem és tu ? - Dobby , senhor . Apenas Dobby , o elfo de casa - afirmou a criatura . - Oh ! A sério ? - perguntou Harry . - Não quero ser mal-educado , mas esta não é a melhor altura para ter um elfo em o meu quarto . O riso falso de a tia Petúnia ouvia se em a sala de jantar . O elfo deixou cair a cabeça . - Não que eu não me sinta feliz por te conhecer - disse Harry rapidamente - mas , er ... estás aqui por algum motivo em especial ? - Oh , sim senhor - disse Dobby muito a sério . - Dobby veio dizer lhe que ... é difícil ... Dobby não sabe por_onde começar ... - Senta te - disse Harry educadamente , apontando lhe a cama . Para seu horror , o elfo debulhou se em lágrimas bastante ruidosas . -- S-senta-te ! - repetiu . - Nunca em toda_a minha vida ... Harry pareceu lhe ouvir as vozes lá em baixo vacilarem . - Desculpa - murmurou . - Eu não queria ofender te ... - Ofender Dobby ! - exclamou o elfo em um sufoco . - Nunca nenhum feiticeiro disse a o Dobby que se sentasse como um seu igual , senhor . Harry , tentando dizer lhe « Sch ... » e confortá o ao_mesmo_tempo , conduziu Dobby de_novo até a a cama onde ele se sentou a soluçar , parecendo uma grande boneca muito feia . Por fim , conseguiu controlar se e ficou quieto , com os seus grandes olhos fixos em Harry em uma expressão de absoluta adoração . - Não deves ter conhecido muitos feiticeiros sérios - disse lhe , tentando animá o . Dobby abanou a cabeça . Em seguida , sem qualquer aviso , saltou e começou a bater furiosamente com a cabeça em a janela , gritando : - Dobby é mau ! Dobby é mau ! - Pára , o que é_que estás a fazer ? - perguntou Harry em um murmúrio sibilante , dando um salto e puxando Dobby de_novo para a cama . Hedwig acordara com um pio particularmente agudo e batia agressivamente com as asas contra as grades de a gaiola . - Dobby tinha que se castigar , meu senhor - afirmou o elfo , que ficara ligeiramente estrábico . - Dobby quase falou mal de a família de ele ... - De a tua família ? - De a família de feiticeiros que Dobby serve , meu senhor ... O Dobby é um elfo de casa , obrigado a servir uma casa e uma família para sempre . - Eles sabem que estás aqui ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Dobby estremeceu . - Oh , não senhor , não ... Dobby vai ter que se castigar muito por ter vindo vê o . Dobby vai ter que entalar as orelhas em a porta de o forno por isto . Se eles soubessem , senhor ... - Mas achas que eles não vão reparar se tu entalares as orelhas em a porta de o forno ? - Dobby duvida , senhor . Dobby está sempre a ter de se castigar por qualquer coisa . Eles deixam que o Dobby se castigue . _ às_vezes até sugerem alguns castigos extra . - Mas por_que é_que não te vais embora , não foges ? - Um elfo de casa tem de ser libertado , senhor . E a família nunca libertará Dobby . Dobby servirá a família até morrer . Harry olhou para ele . - E eu que pensava que era infeliz por ter de ficar aqui mais quatro semanas - declarou . - Isto faz os Dursleys parecerem quase humanos . Será que ninguém te pode ajudar ? Poderei eu ? Em o mesmo momento , Harry desejou não ter aberto a boca . Dobby desfez se em ruidosos soluços de gratidão . - Por favor - murmurou Harry , inquieto . - Por favor , está calado . Se os Dursleys ouvem barulho , se eles sabem que estás aqui ... - Harry_Potter pergunta se pode ajudar Dobby . Dobby ouviu falar de a sua grandeza , mas de a sua bondade , Dobby nada sabia . Harry , que se sentia corar , disse : - Seja o que for que tenhas ouvido sobre a minha grandeza , é um disparate . Nem_sequer sou o melhor de o meu ano em Hogwarts . É a Hermione . Ela ... Mas calou se rapidamente porque pensar em Hermione era lhe doloroso . - Harry_Potter é humilde e modesto - disse Dobby reverentemente , com os seus olhos de globo avermelhados . - Harry_Potter não fala de a sua vitória sobre « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . - Voldemort ? - perguntou Harry . Dobby bateu com as mãos em as enormes orelhas e gemeu : - Ai não diga o nome , senhor . Não diga o nome ! - Desculpa - disse Harry muito depressa . - Eu sei que muita gente não gosta . O meu amigo Ron ... Calou se de_novo . Pensar em o Ron era igualmente doloroso . Dobby voltou para Harry os seus dois olhos grandes como candeeiros . - Dobby ouviu dizer - balbuciou com voz rouca - que Harry_Potter encontrou o Senhor_do_Mal uma segunda vez há poucas semanas atrás ... que Harry_Potter lhe escapou de_novo . Harry acenou e os olhos de Dobby encheram se de lágrimas . - Ah , senhor - disse em um sobressalto , limpando o rosto com a ponta de a fronha de almofada que tinha vestida . - Harry_Potter é valente e arrojado . Enfrentou tantos perigos ! Mas Dobby veio protegê o , avisar Harry_Potter , mesmo_que para isso tenha de entalar as orelhas em a porta de o forno , que Harry_Potter não deve voltar para Hogwarts . Houve um silêncio apenas quebrado por o ruído de os garfos e de as facas lá em baixo e por a voz distante de o tio Vernon . - O q-q-uê ? - gaguejou Harry . - Mas eu tenho de voltar , o ano começa em o dia um de Setembro . É a minha razão de viver . Tu não sabes como são as coisas aqui . Eu não pertenço a este lugar , o meu lugar é em Hogwarts . - Não , não , não - guinchou Dobby , sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas andavam de um lado para o outro . - Harry_Potter deve ficar aqui , onde se encontra a salvo . É demasiado grande , demasiado bom para se perder . Se Harry_Potter regressar a Hogwarts correrá perigo de vida . - Porquê ? - inquiriu Harry , surpreendido . - Há uma conspiração , Harry_Potter . Uma conspiração para fazer acontecer coisas terríveis este ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts - murmurou Dobby que começara a tremer de a cabeça a os pés . - Dobby sabe de isto há meses , senhor . Harry_Potter não deve expor se a o perigo . É demasiado importante . - Que coisas terríveis são essas ? - perguntou Harry sem perder tempo . - Quem está por detrás ? Dobby fez um ruído esquisito e começou a bater com a cabeça contra a parede como um louco . - Está bem - gritou Harry , agarrando o braço de o elfo para o fazer parar . - Não podes dizer , eu compreendo . Mas porque vieste avisar me ? - Um pensamento súbito e desagradável surgiu lhe . - Espera aí , isto tem alguma coisa que ver com o Vol , desculpa com o Quem nós sabemos ? Basta que faças sim ou não com a cabeça - acrescentou com vivacidade enquanto a cabeça de Dobby se inclinava de_novo a uma velocidade preocupante para a parede . Lentamente , Dobby abanou a cabeça . - Não , não é « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . Os olhos de Dobby estavam abertos como_se estivesse a tentar dar a Harry uma pista , mas Harry estava completamente a a nora . - Ele não tem nenhum irmão , ou tem ? Dobby abanou a cabeça , os olhos mais abertos do_que nunca . - Bem , em esse caso não estou a ver quem mais poderia ter a possibilidade de fazer acontecer coisas horríveis em Hogwarts - disse Harry . - Quero dizer , para já está lá o Dumbledore . Sabes quem é Dumbledore , não sabes ? Dobby baixou a cabeça . - Albus_Dumbledore é o melhor director que Hogwarts alguma vez teve . Dobby sabe , senhor . Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore rivalizam com os d'aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Mas , senhor - a voz de Dobby desceu a um urgente murmúrio - há poderes que Dumbledore não ... poderes que nenhum feiticeiro sério ... E antes que Harry conseguisse impedi o Dobby saltou de a cama , agarrou o candeeiro de secretária de Harry e começou a bater com a cabeça , dando uivos ensurdecedores . Fez se silêncio lá em baixo . Dois segundos mais tarde , Harry com o coração a bater como um louco , ouviu o tio Vernon chegar a o * hall * e dizer . - O Dudley deve ter deixado outra_vez a televisão ligada , o maroto ! - Depressa , para dentro de o guarda-fatos - gritou Harry , empurrando Dobby bem para o fundo , fechando a porta e metendo se a correr em a cama mesmo a_tempo_de ver a maçaneta de a porta a girar . - Que diabo estás tu a fazer ? - disse o tio Vernon entre dentes , o rosto assustadoramente próximo de o de Harry . - Acabas de estragar o ponto alto de a minha anedota de o golfista japonês . Eu que oiça mais um som e vais desejar nunca ter nascido , rapaz ! Abandonou o quarto com grandes passadas . A tremer , Harry deixou Dobby sair de o guarda-fatos . - Estás a ver como são as coisas por aqui ? - disse . - Vês porque tenho de voltar para Hogwarts ? É o único sítio onde eu tenho ... bem , onde eu acho que tenho amigos . - Amigos que nem_sequer escrevem a Harry_Potter ? - disse Dobby com ar manhoso . - Calculo que devem ter estado ... espera aí - disse Harry , franzindo a testa . - Como é_que tu sabes que os meus amigos não me têm escrito ? Dobby arrastou os pés . - Harry_Potter não deve zangar se com Dobby . Dobby fez o que achou melhor ... - Tu tens estado a interceptar me as cartas ? - Dobby tem as aqui , senhor - disse o elfo . Saltando para longe de o alcance de Harry , retirou de dentro de a fronha que usava um espesso saco cheio de envelopes . Harry reconheceu de imediato a caligrafia certinha de Hermione , a escrita desordenada de Ron e até uns gatafunhos que pareciam ser de o guarda de os campos de Hogwarts , Hagrid . Dobby piscava ansiosamente os olhos . - Harry_Potter não deve ficar zangado ... Dobby esperava que ... se Harry_Potter pensasse que os amigos o tinham esquecido ... Harry_Potter talvez não quisesse voltar a a escola , senhor . Harry não o ouvia . Fez um gesto para agarrar as cartas , mas Dobby deu um salto , afastando se . - Harry_Potter terá as cartas , senhor , se der a Dobby a sua palavra de não voltar a Hogwarts . Ah , senhor , é um risco que não deve correr . Diga que não volta , senhor ! - Não - afirmou Harry zangado . - Dá me as cartas de os meus amigos ! - Em esse caso , Harry_Potter deixa Dobby sem escolha - disse o elfo tristemente . Antes que Harry pudesse fazer um movimento , Dobby tinha aberto a porta de o quarto e descido a correr por as escadas abaixo . Com a boca seca e um aperto em o estômago , Harry correu atrás de ele , tentando não fazer barulho . Saltou os últimos seis degraus , aterrando como um gato em a carpete de o * hall * , olhando em volta a a procura de Dobby . De a sala de jantar , ouviu a voz de o tio Vernon : - Conte a a Petúnia aquela história engraçadíssima de os funileiros americanos , ela tem estado louca por ouvi a , Mr._Mason . Harry correu de o * hall * para a cozinha e sentiu o estômago ficar pequenino . O pudim , que era a a obra-prima de a tia Petúnia , a montanha de creme batido coberto de violetas de açúcar flutuava junto de o tecto . Em cima de o guarda-louça de o canto , Dobby inclinava se servilmente . - Não - suplicou Harry . - Por favor , eles matam me . - Harry_Potter deve dizer que não vai voltar a a escola ... - Dobby , por favor . - Diga , senhor . - Não posso . Dobby lançou lhe um olhar trágico . - Então , Dobby deve fazê o , senhor , para o bem de Harry_Potter . O pudim foi direito a o chão em uma queda que parecia um coração a parar . O crome esguichou para as janelas e para as paredes , enquanto o prato se despedaçava . Com o ruído de uma chicotada , Dobby desapareceu . Ouviram se gritos em a casa de jantar e o tio Vernon irrompeu por a cozinha onde foi dar com Harry coberto , de a cabeça a os pés , por o pudim de a tia Petúnia . A princípio parecia que o tio Vernon ia conseguir arranjar uma desculpa para aquilo tudo . ( É só o nosso sobrinho , muito perturbado ; conhecer pessoas estranhas deixa o muito nervoso , por isso deixamos o lá em cima ... ) Conduziu_os_Mason , bastante chocados , para a sala de jantar , garantindo a Harry que o esfolava vivo quando os Mason se fossem embora e pôs lhe em as mãos um esfregão . A tia Petúnia descobriu um resto de gelado em o frigorífico e Harry , ainda a tremer , começou a limpar a cozinha . O tio Vernon poderia ainda ter feito o negócio , se não fosse a coruja . Estava a tia Petúnia a circular com uma caixa de After-Eight , quando uma enorme coruja de celeiro fez a sua entrada vertiginosa através de a janela de a casa de jantar , deixando cair uma carta em a cabeça de Mr._Mason e desaparecendo logo_a_seguir . Mrs._Mason gritava como uma carpideira e corria por a casa praguejando contra os lunáticos . Mr._Mason ficou o tempo estritamente necessário para dizer a os Dursleys que a mulher tinha um medo pânico de pássaros de todas_as formas e tamanhos e perguntar lhes se aquela era alguma brincadeira de mau gosto . Harry não saiu de a cozinha , agarrando o esfregão como defesa , enquanto o tio Vernon avançava para ele com um brilho demoníaco em os olhos pequeninos . - Lê isso - ordenou maldosamente . Harry pegou em a carta . Não era a desejar lhe um bom aniversário . * _ Caro_Mr._Potter , * _ Recebermos hoje informações de que um feitiço de suspensão em o ar foi efectuado em sua casa esta noite , a as nove_horas_e_doze_minutos . * _ Como sabe , os feiticeiros menores não estão autorizados a praticar magia fora de a escola e , se efectuar mais um trabalho mágico , será expulso de a nossa escola . ( Decreto_de_Restrições_Razoáveis_para_Feitiçaria_de_Menores , 1875 , parágrafo C. ) * _ Pedimos-lhe também que se lembre que qualquer actividade que possa ser notada por membros alheios a a nossa comunidade ( Muggles ) constitui uma ofensa grave , segundo a secção 13 de a Confederação_Internacional_do_Estatuto_da_Magia_Secreta . * _ Tenha umas boas férias . * Atenciosamente_Mafalda_Hopkirk_Gabinete_da_Utilização_Imprópria_da_Magia_Ministério_da_Magia * . Harry olhou para a carta e engoliu em seco . - Tu não nos contaste que estavas proibido de usar magia fora de a escola - disse o tio Vernon com um brilho maldoso a dançar lhe em os olhos . - Esqueceste te de o mencionar , passou te , não foi ? Tinha se aproximado de Harry como um grande * bulldog * , com todos os dentes a a mostra . - Tenho boas notícias para ti , rapaz , vou fechar te a a chave e , se tentares sair através_de magia , nunca mais voltas a aquela escola , eles expulsam te . E rindo como um louco , arrastou Harry até a o andar de cima . O tio Vernon era mau como as cobras . Em a manhã seguinte pagou a um homem para colocar grades em a janela de o quarto de Harry . Ele próprio abriu um pequeno buraco em a porta de o quarto para que a comida pudesse ser introduzida três vezes por dia . Deixavam o Harry sair para ir a a casa_de_banho de manhã e a o final de a tarde . O resto de o tempo estava fechado em o quarto , a a espera que o tempo passasse . Três dias mais tarde , os Dursleys não mostravam qualquer intenção de abrandar o castigo e Harry não sabia como sair de aquela situação . Estava deitado em a cama , vendo o sol brilhar por_entre as grades de a janela e perguntando se tristemente o que viria a acontecer lhe . Qual era a vantagem de sair de ali por artes mágicas , se Hogwarts o expulsaria em seguida ? Contudo , a vida em Privet_Drive tinha atingido o seu nível mais baixo . Agora_que os Dursleys tinham a certeza que não iam acordar transformados em morcegos , ele perdera a única arma que tinha . O Dobby podia tê o salvo de acontecimentos terríveis em Hogwarts , mas de a maneira que as coisas estavam , ele morreria muito provavelmente a a fome . A portinhola rangeu e a mão de a tia Petúnia apareceu empurrando uma tigela de sopa de pacote para dentro de o quarto . Harry , que estava cheio de fome , saltou de a cama e agarrou a . A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um único trago . A seguir , atravessou o quarto até a a gaiola de Hedwig e pôs os legumes ensopados dentro de o seu pratinho vazio . Ela agitou as penas e olhou o com profunda repugnância . - Não vale de nada virares lhe as costas . É tudo_o_que temos - disse Harry , de modo severo . Colocou a tigela vazia em o chão junto de a portinhola e voltou para_cima de a cama , de certo modo com mais fome do_que antes de ter comido a sopa . Admitindo que estaria ainda vivo dentro_de quatro semanas o que aconteceria se ele não se apresentasse em Hogwarts ? Será que mandariam alguém obrigar os Dursleys a deixá o ir ? O quarto começava a escurecer . Exausto e com o estômago a dar horas , o cérebro a as voltas com as mesmas questões sem resposta , Harry caiu em um sono intranquilo . Sonhou que fazia parte de um espectáculo de o jardim zoológico . Preso a a jaula onde se encontrava estava um cartaz onde podia ler se « feiticeiro menor de idade « . As pessoas olhavam o com olhos protuberantes , enquanto ele jazia fraco e esfomeado em um leito de palha . Viu a cara de o Dobby em o meio de a multidão e gritou lhe , pedindo ajuda , mas o Dobby respondeu : - Harry_Potter está em segurança aí , senhor - e desapareceu . Em seguida vieram os Dursleys e Dudley bateu em as grades de a jaula , rindo se de ele . - Pára com isso - murmurou Harry como_se aquele ruído martelasse em a sua cabeça dorida . - Deixa me em paz , pára com isso , estou a tentar dormir . Abriu os olhos . O luar brilhava através de as grades de a janela . E lá fora alguém olhava de olhos arregalados para ele : alguém de rosto sardento , cabelo ruivo e nariz grande . Ron_Weasley estava de o lado de_fora de a janela . III « A toca » Ron ! - exclamou Harry , arrastando se até a a janela e empurrando a para poderem falar através de as grades . - Ron , como é_que tu , foi o ... ? Harry ficou de boca aberta , espantado com o que viu . Ron estava debruçado de a janela de trás de um velho automóvel azul-turquesa que se encontrava estacionado em o ar . Em os lugares de a frente , rindo se para Harry , estavam os irmãos mais velhos , os gémeos Fred e George . - Tudo bem , Harry ? - O que é_que se tem passado ? - perguntou o Ron . - Porque não respondeste a as minhas cartas ? Convidei te para vires ter comigo umas doze vezes e um dia o pai chegou a casa e comunicou nos que tu tinhas recebido um aviso oficial por usares magia diante de os Muggles ... - Não fui eu . E como é_que ele soube ? - Ele trabalha em o Ministério - disse o Ron . - Tu sabes que nós não podemos fazer feitiços fora de a escola . - Bem , isso vindo de ti ... - exclamou Harry , olhando para o carro flutuante . - Oh , isto não conta - disse Ron . - Foi o meu pai que o emprestou . Não o fizemos aparecer por magia . Mas usar magia em a frente de esses Muggles com quem tu vives ... - Já te disse que não fui eu , mas vai demorar muito_tempo a explicar te isso agora . És capaz de avisar em Hogwarts que os Dursleys me fecharam a a chave e que não querem deixar me voltar e obviamente eu não posso sair de aqui magicamente senão o Ministério vai achar que é a segunda vez em três dias e ... - Pára com essa conversa tola - disse o Ron . - Viemos para te levar connosco . - Mas tu também não podes tirar me de aqui utilizando processos mágicos ... - Não precisamos de isso - afirmou Ron , fazendo um sinal de cabeça para os lugares de a frente . - Esqueces te de quem está aqui comigo . - Amarra isso em volta de as grades - disse o Fred , lançando a Harry a ponta de uma corda . - Se os Dursleys acordam estou feito - lamentou se Harry enquanto dava um nó bem apertado com a corda em uma de as grades e o Fred arrancava com o carro . - Não te preocupes e chega te para trás . Harry recuou para a sombra , para junto de Hedwig que parecia ter se apercebido de a importância de tudo aquilo , mantendo se quieta e em silêncio . O carro puxou mais e mais e , subitamente , com um ruído de ferro a ceder , as grades foram arrancadas de a janela , enquanto Fred conduzia com o céu como estrada . Harry correu de_novo para a janela para ver as grades a balouçarem a poucos metros de o chão . Ofegante , Ron içou as para dentro de o carro . Harry escutou ansiosamente mas não vinha qualquer som de o quarto de os Dursleys . Quando as grades estavam em segurança em os lugares de trás junto de Ron , Fred aproximou se o_máximo que lhe foi possível de a janela . - Anda de aí - disse . - Mas , todas_as minhas coisas de Hogwarts , a minha varinha , a minha vassoura ... - Onde estão ? - Fechadas em a despensa debaixo de as escadas e eu não posso sair de este quarto . . - Não há azar - disse o George . - Sai de a frente , Harry . Fred e George treparam cautelosamente e entraram por a janela em o quarto de Harry . Tinhas que ter aberto a boca , pensou Harry enquanto George tirava de o bolso um vulgar gancho de cabelo e começava a tentar abrir a fechadura . - Muitos feiticeiros acham que é uma perda de tempo aprender os truques de os Muggles - disse o Fred . - Mas nós pensamos que há habilidades que é sempre útil conhecer apesar_de serem um_pouco lentas . Ouviu se um pequeno clique e a porta abriu se . - Pronto , vamos buscar as tuas coisas . Tu vai dando a o Ron aquilo que precisas de aí de o teu quarto - murmurou George . - Cuidado com o degrau de cima que range - sussurrou Harry enquanto os gémeos desapareciam em o escuro . Harry deu a volta a o quarto , recolhendo as suas coisas e passando as por a janela a o Ron . Em seguida , foi ajudar o Fred e o George a trazerem o resto por as escadas acima . Ouviu o tio Vernon tossir . Por fim , de língua de_fora , chegaram a o quarto , junto de a janela aberta . Fred trepou para o carro para puxar os volumes com o Ron enquanto Harry e George os empurravam de dentro de o quarto . Centímetro a centímetro o malão foi passando por a janela . O tio Vernon tossiu de_novo . - Mais um_pouco - disse o Fred que estava a puxar de dentro de o carro . Um bom empurrão , vá . Harry e George encostaram os ombros contra a mala e ela escorregou para a parte de trás de o carro . - O. _ K. , vamos embora - murmurou o George . Mas quando Harry trepava para o parapeito de a janela ouviu se um forte pio atrás de ele , imediatamente seguido de o vociferar de o tio Vernon . - Aquela maldita coruja ! - Esqueci me de a Hedwig ! Harry precipitou se de_novo para o quarto , enquanto a luz de o patamar se acendia . Agarrou a gaiola de Hedwig , correu para a janela e passou a a o Ron . Estava a subir para_cima de a cómoda quando o tio Vernon bateu em a porta , que não estava fechada , e esta se abriu completamente . Por uma fracção de segundo , o tio Vernon ficou estático junto de a porta . Em seguida , soltou um mugido como um boi zangado e avançou para Harry , agarrando o por o tornozelo . Ron , Fred e George seguraram o por os braços e puxaram o com toda_a força . - Petúnia - rosnou o tio Vernon . - Ele está a fugir ! : __ ele está a __ fugir ! Os Weasleys deram um puxão gigantesco e a perna de o Harry escapou a as garras de o tio Vernon . Logo_que Harry entrou em o carro e a porta se fechou , Ron gritou : - Acelera Fred ! - E o carro partiu subitamente em direcção a a lua . Harry mal podia acreditar que estava livre . Esticou se a a janela , o ar de a noite a fustigar lhe os cabelos e olhou para baixo , para os telhados apertados de Privet_Drive . O tio Vernon , a tia Petúnia e o Dudley estavam todos debruçados com cara de parvos , a a janela de o quarto de ele . - Até a o próximo Verão - gritou . Os Weasleys riam se a as gargalhadas e Harry esticou se para trás em o assento e pediu a o ouvido de Ron : - Deixa sair a Hedwig . Ela pode voar atrás_de nós . Há séculos que não tem uma oportunidade de esticar as asas . George passou a o Ron o gancho de cabelo e , um momento depois , a Hedwig saíra feliz por a janela , planando atrás de eles como um fantasma . - Então , qual é a história ? - perguntou Ron , impaciente . - O que é_que tem estado a acontecer ? Harry contou lhes tudo sobre o Dobby , o aviso de este e o fracasso de o pudim de violetas . Houve um longo silêncio quando ele se calou . - Isso cheira me a esturro - disse , por fim , o Fred . - Definitivamente misterioso - concordou George . - Então ele nem te disse quem está supostamente por detrás dessa trama toda ? - Acho que não podia - explicou Harry . - Já te disse , de cada_vez que estava quase a deixar escapar qualquer coisa , começava a bater com a cabeça em a parede . Viu Fred e George olharem um para o outro . - O quê ? Acham que ele estava a mentir me ? - perguntou Harry . - Bem - começou o Fred -- , coloquemos as coisas de o seguinte modo , os elfos de casa têm poderes mágicos próprios , mas geralmente não podem usá os sem a autorização de os seus donos . Eu acho que o bom de o Dobby foi enviado para evitar que voltasses para Hogwarts . Uma ideia de um engraçadinho . Haverá alguém em a escola com má vontade contra ti ? - Sim - responderam Harry e Ron , precisamente ao_mesmo_tempo . - Draco_Malfoy - explicou Harry . - Ele detesta me . - Draco_Malfoy ? - perguntou George , voltando se para trás . - O filho de o Lucius_Malfoy ? - Deve ser . Não é um nome muito vulgar , pois não ? - disse Harry . - Mas porquê ? - Ouvi o pai falar acerca de ele - confidenciou George . - Ele era um grande apoiante de o « Quem nós sabemos » . - E quando o « Quem nós sabemos » desapareceu - continuou o Fred , voltando a cara para olhar para Harry - o Lucius_Malfoy voltou , dizendo que não foi por vontade própria que fez o que fez . Monte de lixo . O pai acha que ele fazia parte de um círculo de amigos íntimos de o « Quem nós sabemos » . Harry já tinha ouvido esses boatos sobre a família de Malfoy e não o surpreenderam em absoluto . Malfoy fizera Dudley_Dursley parecer um rapazinho simpático , amável e sensível . - Não sei se os Malfoy têm um elfo de casa ... - afirmou Harry . - Bem , quem quer que o possua é sem dúvida uma antiga família de feiticeiros e deve ser rica - explicou Fred . - Sim . A mãe está sempre a desejar que pudéssemos ter um elfo de casa para passar a roupa a ferro - disse o George . - Mas só temos um velho vampiro piolhoso em o sótão e gnomos espalhados por o jardim . Os elfos de casa pertencem a as grandes casas senhoriais , a os castelos e lugares assim , não encontrarias um em a nossa casa ... Harry estava calado . Considerando que Draco_Malfoy tinha sempre as melhores coisas , que a sua família nadava em ouro de feiticeiros , era fácil imaginá o passeando se por uma enorme casa senhorial . Mandar o servo de a família evitar que Harry voltasse para Hogwarts também parecia exactamente o tipo de coisa que Malfoy poderia fazer . Teria Harry sido estúpido a o tomar Dobby a sério ? - De qualquer modo , ainda_bem que viemos buscar te - declarou Ron . - Eu começava a ficar seriamente preocupado por não responderes a nenhuma de as minhas cartas . A princípio pensei que a culpa fosse de a Errol ... - Quem é a Errol ? - A nossa coruja . Já é velhota . Não seria a primeira vez que adoecia durante uma entrega . Por isso , tentei pedir a Hermes emprestada ... - Quem ? - A coruja que os meus pais compraram a o Percy quando ele foi nomeado prefeito - respondeu Fred . - Mas o Percy não me a emprestou . Disse que precisava de ela . - O Percy tem andado com atitudes muito estranhas este Verão - comentou George franzindo a testa . - E tem mandado imensas cartas e passado um tempo infinito fechado em o quarto ... enfim , pode limpar se e polir um distintivo de prefeito todas_as vezes que se quiser ... Estás a conduzir demasiado para ocidente , Fred - acrescentou apontando para uma bússola em o painel de o automóvel . Fred girou o volante . - Então , o vosso pai sabe que têm o carro ? - perguntou Harry , quase adivinhando a resposta . - Er ... não - disse o Ron . - Ele tinha trabalho esta noite . Felizmente vamos poder pô o de_novo em a garagem , sem a mãe perceber que andámos a voar nele . - A propósito , o que faz o vosso pai em o Ministério_da_Magia ? - Trabalha em o Departamento mais chato - respondeu Ron . - A Divisão de utilização incorrecta de artefactos de os Muggles . - O quê ? - Relaciona se com objectos de feitiçaria que foram feitos por os Muggles ; sabes como é , se forem parar de_novo a uma loja de os Muggles , ou a uma casa , como em o ano passado , quando morreu uma bruxa velha e o bule de ela foi vendido a uma loja de antiguidades . Uma mulher Muggle comprou o , tentou servir chá a os amigos . Foi um pesadelo , o pai teve de fazer horas extraordinárias durante semanas . - O que é_que aconteceu ? - O bule parecia louco , esguichou chá a ferver para todos os lados e um de os homens foi parar a o hospital com a pinça de o açúcar presa em o nariz . O pai ficou nervosíssimo . É só ele e o velho feiticeiro Perkings em o gabinete e tiveram de localizar e descobrir todo o tipo de encantamentos para resolver o assunto . - Mas o teu pai ... este carro ... Fred riu se . - Sim , o pai é louco por tudo_o_que tem que ver com os Muggles . A nossa arrecadação está cheia de coisas de os Muggles . Ele separa as , lança lhes feitiços e volta a pô as em o lugar . Se ele fizesse uma busca a nossa casa teria de se prender a si mesmo . A minha mãe fica louca com tudo aquilo . - É a estrada principal - gritou o George , apontando para baixo através de a janela . - Dentro_de poucos minutos estamos lá , mesmo a tempo , está a começar a clarear . Um leve brilho rosado tingia o horizonte para leste . Fred trouxe o carro para baixo e Harry pôde ver uma manta de retalhos de campos escuros e matas de arbustos . - Estamos um_pouco longe de a vila - disse George . - Em Ottery_St . Catchpole ... O carro voador foi descendo a os poucos . A luz avermelhada brilhava agora por_entre as árvores . - Terra - disse o Fred , em o momento em que tocaram em o chão com um ligeiro solavanco . Tinham aterrado perto_de uma garagem em ruínas em um pequeno pátio e Harry viu pela_primeira_vez a casa de o Ron . Parecia ter sido em tempos uma pocilga de pedra . Mas os quartos que posteriormente lhe tinham sido acrescentados haviam a tornado bastante mais alta e o seu aspecto era tão curvado que parecia ter sido construída por artes mágicas ( o que , pensou Harry , era , muito provavelmente , verdade ) . De o telhado vermelho saíam quatro ou cinco chaminés . Junto de a entrada , fixa em o chão , podia ver se uma inscrição assimétrica que dizia « A toca » . A o lado de a porta principal estava uma contusão de botas de * _ Wellington * e um caldeirão completamente enferrujado . Por o pátio passeavam se várias galinhas castanhas e gordas . - Não é grande coisa - desculpou se o Ron . - É óptima - exclamou Harry , feliz , pensando em Privet_Drive . Saíram de o carro . - Agora vamos lá para_cima sem fazer barulho - disse o Fred . - E esperamos que a mãe nos chame para o pequeno-almoço . Depois tu , Ron , desces a escada entusiasmadíssimo . - Mãe , olha quem apareceu cá durante a noite ! - E ela vai sentir se felicíssima quando vir o Harry . Assim ninguém fica a saber que levámos o carro voador . - Certo - disse o Ron . - Vamos , Harry , eu durmo em o ... Ron ganhou uma cor de um pálido esverdeado , os olhos fixos em a casa . Os outros três fizeram meia volta . Mrs._Weasley avançava por o pátio , afugentando as galinhas e , para uma mulher baixa , roliça e simpática , era fantástico como conseguia parecer se com um tigre dentes-de-sabre . - Ah ! - suspirou o Fred . - Oh , oh ! - exclamou o George . Mrs._Weasley parou em frente de eles . As mãos em as ancas , saltando de um olhar culpado para o outro . Usava um avental a as flores , com uma varinha a sair lhe de o bolso . - Com que então - disse . - Bom dia , mãe - arriscou o George com uma voz que tentou que fosse alegre e bem-disposta . - Vocês têm alguma ideia de como tenho estado preocupada ? - perguntou Mrs._Weasley em um murmúrio fraco . - Desculpe , mãe , mas sabe , nós tivemos que ... Os três filhos de Mrs._Weasley eram mais altos do_que ela , mas tremiam quando a fúria de a mãe se abatia sobre eles . - Camas vazias ! Nem um bilhete ! O carro desaparecido ... Podiam ter tido um acidente , estou fora de mim com tanta preocupação e vocês nem se importam ... nunca , enquanto eu for viva ... esperem só até o vosso pai chegar , nunca tivemos problemas de estes com o Bill , com o Charlie ou com o Percy ... - O perfeito Percy - resmungou Fred . - : __ tu não vales um dedo de a mão de o __ percy ! - gritou Mrs._Weasley , espetando um dedo em o queixo de o Fred . - Podias ter morrido , podias ter sido visto , podias ter feito com que o teu pai perdesse o emprego ... Parecia nunca mais acabar . Mrs._Weasley tinha gritado até ficar ronca , antes de se voltar para o Harry , que recuou . - Estou muito contente por te ver , Harry - disse . - Entra e vem tomar o pequeno-almoço . Ela voltou se e regressou a casa e Harry , depois de trocar um olhar nervoso com o Ron , que lhe acenou , encorajando o , seguiu a . A cozinha era pequena e bastante estreita . A meio havia uma enfezada mesa de madeira e cadeiras em volta e Harry sentou se a a beirinha de o assento , olhando em volta . Era a primeira vez que entrava em uma casa de feiticeiros . O relógio em a parede em frente de ele , tinha apenas um ponteiro e nenhum número . Em volta , estavam escritas frases como « Hora de fazer o chá » , « Hora de dar de comer a as galinhas « e « Estás atrasado » . Empilhados em o rebordo de a lareira estavam livros com títulos como * _ Encanta o teu próprio queijo , Encantamento em a cozedura de o pão e Banquetes em um minuto - é mágico * ! E , a menos que os ouvidos de Harry estivessem a traí o , o velho rádio próximo de o lava-loiças acabara de anunciar que a seguir vinha a Hora de enfeitiçar com a popular feiticeira-cantora Celestina_Warbeck . Mrs._Weasley fazia barulho com os talheres , preparando o pequeno-almoço um bocado a o acaso , lançando olhares furiosos a os filhos , enquanto lançava as salsichas em a frigideira . De vez em quando murmurava coisas como : « Não sei o que vos passou por a cabeça « ou « nunca devia ter confiado em vocês » . - Eu não te culpo , filho - tranquilizou Harry , pondo lhe sete ou oito salsichas em o prato . - Eu e o Arthur temos estado preocupados contigo . Ainda ontem a a noite estivemos a dizer que te iríamos buscar nós próprios se não respondesses a o Ron até sexta-feira . Mas , em a verdade ( estava agora a acrescentar três ovos estrelados a o prato de ele ) , atravessar metade de o país a voar em um carro ilegal , qualquer um vos poderia ter visto ... Agitou maquinalmente a varinha em a direcção de o lava-loiças , onde a loiça começou a lavar se sozinha , tinindo baixinho lá atrás . - Estava enevoado , mãe ! - exclamou o Fred . - Boca fechada enquanto comes ! - interrompeu Mrs._Weasley . - Eles estavam a fazê o passar fome , mãe ! - disse o George . - E tu também ! - disse Mrs._Weasley , mas já foi com uma expressão mais doce que começou a cortar o pão para Harry e a barrá o com manteiga . Em esse momento , as atenções voltaram se para um pequenino volto de cabelos ruivos , em uma camisa de dormir até a os pés , que surgiu em a cozinha , deu um grito agudo e desapareceu de_novo . - É a Ginny - disse Ron baixinho a o Harry -- , a minha irmã . Tem falado de ti todo o Verão . - Sim , ela vai querer o teu autógrafo , Harry - riu se o Fred , mas o seu olhar cruzou se com o de a mãe e inclinou se para o prato , não voltando a abrir a boca . Ninguém falou até os quatro pratos estarem limpos , o que sucedeu a uma velocidade surpreendente . - Bolas , estou cansado - bocejou Fred , pousando a faca e o garfo . Acho que me vou deitar e ... - Não vais , não senhor - interrompeu Mrs._Weasley . - A culpa é tua se ficaste toda_a noite acordado . Vais fazer a des-gnomização de o jardim . Eles estão outra_vez a exagerar . - Oh , mãe ... - E vocês os dois o mesmo - dirigiu se a o Ron e a o Fred . - Tu podes ir para a cama , filho - disse a Harry . - Não lhes pediste que guiassem aquele carro miserável . Mas Harry , que se sentia acordadíssimo , respondeu prontamente : - Eu ajudo o Ron , nunca vi uma des-gnomização ... - É muito simpático de a tua parte , querido , mas é um trabalho chato - explicou Mrs._Weasley . - Vejamos o que o Lockhart tem a dizer acerca disto . E puxou de o rebordo de a lareira um livro pesadíssimo . George resmungou : - Mãe , nós sabemos * des-gnomizar * o jardim . Harry olhou para a capa de o livro de Mrs._Weasley . Em grandes letras douradas , que ocupavam grande parte de a capa , podia ler se Guia_de_Gilderoy_Lockhart para pragas caseiras . Via se também a grande fotografia de um feiticeiro bem-parecido , de cabelos loiros ondulados e olhos azuis brilhantes . Como sempre , em o mundo de os feiticeiros , a fotografia mexia se . O feiticeiro , que Harry calculou ser Gilderoy_Lockhart , não parava de lhes piscar os olhos descaradamente . Mrs._Weasley sorriu lhe . - Oh , ele é fantástico - disse . - Conhece bem as pragas caseiras . É um livro maravilhoso . - A mãe adora o - disse Fred em um murmúrio bastante audível . - Não sejas ridículo , Fred - repreendeu Mrs._Weasley com as bochechas coradas . - É claro que se achas que sabes mais do_que o Lockhart , podes ir fazer o trabalho e ai de ti se houver um único gnomo em o jardim quando eu for fazer a inspecção . A bocejar e a resmungar , os Weasley arrastaram se lá para fora com Harry atrás de eles . O jardim era grande e , em a opinião de Harry , exactamente como deveria ser um jardim . Os Dursleys não teriam gostado . Havia uma enorme quantidade de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada , mas havia árvores nodosas em volta de as paredes , plantas que Harry nunca vira , tombando de todos os canteiros e um grande lago verde cheio de rãs . - Os Muggles também têm gnomos de jardim , sabes - disse o Harry a o Ron , enquanto atravessavam a relva . - Sim , já vi essas coisas que eles pensam que são gnomos - disse o Ron todo dobrado , com a cabeça em uma moita de peónias . - Como os Pais_Natais gordinhos com canas de pesca ... Houve um tumulto ruidoso , a moita de peónias estremeceu e Ron endireitou se . - Isto_é um gnomo - declarou com um ar sério . - Larga eu ! Larga eu ! - guinchou o gnomo . Não se parecia em absoluto com o Pai_Natal . Era pequenino e parecia de couro , com uma grande cabeça protuberante e calva , precisamente como uma batata . Ron agarrou o a a distância de um braço , enquanto ele dava pontapés em o ar com os seus pézinhos que pareciam chifres . Agarrou o por os tornozelos e voltou o de pernas para o ar . - Isto_é o que tens de fazer - disse . Levantou o gnomo acima de a cabeça ( Larga eu ! ) e começou a balouçá o em grandes círculos , como os vaqueiros fazem com os laços . A o ver a expressão chocada de Harry , Ron explicou : - Não os mágoa . Só tens de os deixar bem tontos para que consigam encontrar o caminho de regresso a os buracos de os gnomos . Largou os tornozelos de o gnomo . Ele voou seiscentos metros e aterrou com um ruído surdo em o campo a o lado de a sebe . - Deplorável - afirmou o Fred . - Aposto que consigo lançar o meu para_além de aquele tronco . Harry aprendeu rapidamente a não sentir muita pena de os gnomos . Decidira largar o primeiro que apanhou para_além de a sebe , mas o gnomo , sentindo fraqueza , enfiou os seus dentinhos , aguçados como laminas , em o dedo de o Harry e não foi fácil sacudi o para ele o largar , até que ... - Uau , Harry , esse deve ter sido seiscentos metros ... O ar estava subitamente cheio de gnomos voadores . - Vês , eles não são muito espertos - afirmou o George , agarrando cinco ou seis de uma_vez . - Em o momento em que se apercebem que começou a * des-gnomização * , aparecem todos para espreitar . Era de esperar que já tivessem aprendido a ficar quietinhos . Rapidamente a multidão de gnomos começou a ir se embora , atravessando os campos em uma fila ordenada , com os pequeninos ombros arqueados . - Eles voltam - disse o Ron enquanto os via desaparecer em a sebe de o outro lado de o campo . - Eles adoram estar aqui ... o pai é muito mole com eles , acha lhes piada . Em esse momento , a porta de a frente bateu . - Ele já voltou ! - exclamou o George . - O pai já está em casa ! Apressaram se a entrar . Mr._Weasley tinha se afundado em uma de as cadeiras de a cozinha , sem óculos e com os olhos fechados . Era um homem magro , quase calvo , mas o pouco cabelo que tinha era tão ruivo como o de os filhos . Vestia um longo manto verde cheio de pó e estava cansado de a viagem . - Que noite - murmurou , tacteando em busca de o bule , enquanto todos se sentavam a a volta de ele . - Nove assaltos , nove ! E o velho Mundungs_Fletcher tentou lançar me um feitiço quando eu estava de costas . Mr._Weasley tomou um bom gole de chá e suspirou . - Encontrou alguma coisa , pai ? - perguntou Fred ansiosamente . - Só encontrei algumas chaves encolhidas e uma chaleira que mordia - bocejou Mr._Weasley . - Havia um material bastante mauzinho , mas não era de o meu departamento . O Mortlake foi levado para ser interrogado sobre uns furões extremamente antigos , mas isso pertence a a Comissão_dos_Feitiços_Experimentais , graças_a Deus . - Por_que é_que alguém ia dar se a o trabalho de fazer encolher chaves ? - perguntou George . - Para chatear os Muggles - suspirou Mr._Weasley . - Vende se lhes uma chave que não pára de encolher , até que desaparece , de_modo_a que nunca a encontrem quando precisam ... É claro que é muito difícil condenar alguém , porque nenhum Muggle é capaz de admitir que a sua chave está a encolher , insistem em que estão sempre a perdê a . Benditos sejam , vão até onde for preciso para ignorar a magia , mesmo_que ela esteja em frente de os seus narizes ... mas vocês não acreditariam em as coisas que o nosso grupo tem levado para enfeitiçar ... - : __ como carros , por __ exemplo ? Mrs._Weasley tinha aparecido , segurando um grande atiçador que parecia uma espada . Os olhos de Mr._Weasley abriram se de repente , fitando a mulher com um ar culpado . - C-carros , Molly querida ? - Sim , Artur , carros - afirmou Mrs._Weasley , os olhos a faiscar . - Imagina um feiticeiro a comprar um carro velho e enferrujado e dizer a a mulher que a única coisa que queria fazer com ele era desmontá o para ver como ele funcionava , enquanto em a verdade estava a enfeitiçá o para o fazer voar . Mr._Weasley piscou os olhos . - Bem , querida , acho que poderás constatar que não é ilegal fazer isso , embora , er , talvez ele devesse ter contado a verdade a a mulher ... Existe uma forma de tornear a lei , já_que ela diz que ... desde_que não se tenha a * intenção * de voar em o carro , o facto de ele poder voar , não ... - Arthur_Weasley tu arranjaste essa forma de tornear a lei quando a escreveste ! - gritou Mrs._Weasley . - Para poderes continuar a remexer em todo aquele lixo de os Muggles que tens em a arrecadação ! E , para tua informação , o Harry chegou hoje_de_manhã em o carro que tu não pretendias pôr a voar ! - Harry ? - perguntou Mr._Weasley sem expressão . - Qual Harry ? Olhou em volta , viu Harry e deu um salto . - Santo_Deus , é Harry_Potter ? Muito prazer , o Ron falou nos tanto de si ... - * _ O teu filho conduziu aquele carro até a a casa de o Harry e de volta até aqui em a noite passada ! * - gritou Mrs._Weasley . - O que tens a dizer a esse respeito ? - A sério ! ? - exclamou Mr._Weasley com vivacidade . - Correu tudo bem , quero dizer ... - vacilou a o ver os olhos de Mrs._Weasley que faiscavam . - Er , fizeram mal , rapazes , muito mal , mesmo ... - Vamos deixá os a os dois - murmurou o Ron , enquanto Mrs._Weasley inchava como um sapo gigantesco . - Vamos , vou mostrar te o meu quarto . Esgueiraram se de a cozinha e desceram uma passagem estreita que dava para uma escada desnivelada que ziguezagueava a o longo de a casa . Em o terceiro andar , estava uma porta entreaberta . Harry só teve tempo de ver um par de olhos castanhos brilhantes que o olhavam fixamente , antes de a porta se fechar com um estalido . - A Ginny - disse o Ron . - Não imaginas como é estranho vês a tão tímida , ela que quase nunca se cala ... Subiram mais dois andares , até chegarem a uma porta com a tinta a descascar e uma pequena placa dizendo : « Quarto_do_Ronald » . Harry entrou . A cabeça quase tocava em o tecto inclinado . Piscou os olhos . Era como entrar dentro_de uma fornalha : quase tudo em o quarto de o Ron tinha um violento matiz alaranjado : a colcha de a cama , as paredes , até o tecto . Em seguida , apercebeu se de que o Ron tinha coberto cada centímetro de o velho papel de parede com * posters * de as mesmas sete feiticeiras e feiticeiros , todos vestidos com brilhantes mantos cor de laranja , transportando vassouras e acenando entusiasticamente . - A tua equipa de Quidditch ? - perguntou Harry . - Os Chudley_Cannons - disse Ron , apontando para a colcha cor de laranja que tinha um brasão com dois C's gigantes e uma bala de canhão a_toda_a velocidade . - Nono em a Liga . Os livros de estudo de feitiços de Ron estavam empilhados desordenadamente a um canto , junto de um monte de B. _ D. , todas elas relativas a as * _ Aventuras_de_Martin_Miggs , o Muggle louco * . A varinha mágica de o Ron estava em_cima_de um aquário cheio de ovos de rã sobre o peitoril de a janela , junto de o seu rato gordo e cinzento , Scabbers , que dormia uma soneca a o sol . Harry passou por_cima_de um baralho de cartas de jogar com vontade própria , que estava caído em o chão , e olhou para fora de a janelinha . Em o campo , não muito longe , podia ver um grupo de gnomos a esgueirarem se , um a um , de_novo para a sebe de os Weasley . Em seguida , voltou se para Ron que o observava nervoso , como_se esperasse a opinião de ele . - É um_pouco pequeno - declarou o Ron muito depressa . - Não se parece nada com o quarto que tu tinhas em casa de os Muggles . E estou mesmo debaixo de o vampiro de o sótão . Ele anda sempre a bater nos canos e a gemer ... Mas Harry , com um grande sorriso , disse lhe : - Esta é a melhor casa em que eu já estive . As orelhas de Ron ficaram cor-de-rosa . IV_Na_Flourish and Blotts_A vida em a Toca era o mais diferente que é possível de a vida em Privet_Drive . Os Dursleys gostavam de tudo limpo e arrumado , em casa de os Weasleys explodia o estranho e o inesperado . Harry teve um choque de a primeira vez que olhou para o espelho que estava sobre a lareira de a cozinha e ele gritou : - Mete para dentro a camisa , * desmazelado ! * - O vampiro de o sótão gemia e batia nos canos , sempre_que sentia as coisas demasiado calmas e as pequenas explosões em o quarto de o Fred e de o George , eram consideradas perfeitamente normais . Mas o que o Harry achou mais bizarro em a vida em casa de o Ron , não foi o espelho que falava , nem o vampiro barulhento , foi o facto de todos ali em casa parecerem gostar de ele . Mrs._Weasley preocupava se com o estado de as suas meias e tentava obrigá o a servir se quatro vezes a cada refeição . Mr._Weasley gostava que Harry se sentasse a o lado de ele a a mesa para poder bombardeá o com perguntas sobre a vida com os Muggles , pedindo que lhe explicasse como funcionavam coisas como as canalizações e o serviço de os correios . - Fascinante ! - exclamava , enquanto Harry lhe explicava a utilização de o telefone . - Engenhoso , de facto , todas_as maneiras que os Muggles encontraram para passar sem a magia . Harry teve notícias de Hogwarts em uma manhã de sol , cerca de uma semana depois de ter chegado a a Toca . Quando , ele e o Ron desceram para tomar o pequeno-almoço , encontraram Mr. e Mrs._Weasley e Ginny já sentados a a mesa . Em o momento em que viu o Harry , Ginny entornou a tigela de os cereais , que caiu a o chão com grande espalhafato . Ginny entornava facilmente coisas sempre_que o Harry estava em a sala . Mergulhou debaixo de a mesa para apanhar a tigela e emergiu com o rosto a brilhar como o sol poente . Fingindo não ter dado por nada , Harry sentou se e aceitou a torrada que Mrs._Weasley lhe ofereceu . - Cartas de a escola - disse Mr._Weasley , passando a o Harry e a o Ron envelopes idênticos de pergaminho amarelado , com a morada escrita a tinta verde . - O Dumbledore já sabe que estás aqui , Harry , não perde nada aquele homem . Vocês os dois também - acrescentou , enquanto Fred e George deambulavam em a casa , ainda em pijama . Fez se silêncio durante alguns momentos , enquanto liam as respectivas cartas . A de o Harry dizia para apanhar o Expresso_de_Hogwarts , como sempre em a Estação_de_King's_Cross , em o dia_1_de_Setembro . Havia ainda uma lista de os livros que precisaria para o próximo ano . Os alunos de o segundo ano deverão ter : * _ O_Livro_Padrão_de_Feitiços , Grau 2 , por Miranda_Goshawk . * _ Ensinamentos_de_Uma_Fada_Carpideira , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Férias com Bruxas , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Duendes , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Lobisomens , por Gilderoy_Lockhart . * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves , por Gilderoy_Lockhart * . Fred , que terminara a sua própria lista , espreitou para a de o Harry . - Também te mandam comprar os livros de o Lockhart - disse . - A professora de defesa contra as artes negras deve ser fanática . Aposto que é uma bruxa . Nessa_altura , Fred percebeu o olhar de a mãe e apressou se a comer o doce de laranja . - Esse conjunto não vai ficar barato - disse George , olhando rapidamente para os pais . - Os livros de o Lockhart são de os mais dispendiosos ... - Cá nos havemos de arranjar - declarou Mrs._Weasley , mas parecia preocupada . - Espero que pelo_menos para a Ginny possamos arranjar uma data de coisas em segunda mão . - Ah , vais entrar este ano para Hogwarts ? - perguntou lhe Harry . Ela fez um aceno , corando até a a raiz de os cabelos ruivos e meteu o cotovelo em o pires de a manteiga . Felizmente ninguém deu por nada , a não ser o Harry , porque em esse momento o irmão mais velho de Ron , o Percy , entrou . Já estava vestido , com a placa de prefeito aplicada a a sua camisola de malha . - Bom dia a todos - disse , cheio de vivacidade . - Está um dia lindo . Puxou a única cadeira livre , mas deu um salto quando ia sentar se e , debaixo de ele , saltou um espanador cinzento de penas , pelo_menos , foi o que o Harry pensou até ver que ele respirava . - Errol ! - exclamou Ron , afastando a coruja de o Percy e retirando lhe debaixo de a asa uma carta . - Até que enfim , a resposta de a Hermione . Escrevi lhe a contar que íamos tentar raptar te de casa de os Dursleys . Levou Errol para um poleiro que havia junto a a porta de as traseiras e tentou colocá a lá em cima , mas Errol caiu redonda e Ron teve de a pôr em a pia , murmurando : - Patético . - Em seguida , abriu a carta de a Hermione e leu a em voz alta . * _ Querido_Ron e Harry , se aí estiveres . Espero que tudo tenha corrido bem , que o Harry esteja O. _ K. e que não tenham feito nada ilegal para conseguir trazes o , porque isso podia criar lhe problemas também a ele . Tenho estado muito preocupada e , se o Harry estiver bem , por favor digam me qualquer coisa rapidamente , mas talvez seja melhor usarem uma nova coruja , porque acho que outra entrega pode acabar como esta . * _ Estou muito atarefada com trabalho de a escola , claro * . - Como é possível ? - perguntou Ron , horrorizado . - Estamos em férias ! - * _ E vamos para Londres em a próxima quarta-feira para comprar os meus livros novos . Porque não nos encontramos em a Diagon-al ? * _ Dêem-me notícias vossas o mais depressa possível . * _ Carinhosamente_Hermione * - Bem , parece uma boa solução , podemos ir todos comprar as vossas coisas - disse Mrs._Weasley , começando a limpar a mesa . - O que vão fazer hoje ? Harry , Ron , Fred e George tinham planeado ir a o cimo de o monte a um pequeno cercado de cavalos que os Weasleys possuíam . Estava rodeado de árvores que lhe tapavam a vista de a cidade cá em baixo , o que quer_dizer que podiam praticar Quidditch , desde_que não voassem muito alto . Não podiam usar as verdadeiras bolas de Quidditch pois seria muito difícil explicar se elas escapassem e voassem sobre a cidade . Em vez de elas , lançavam maçãs para os outros apanharem . Faziam turnos para montar a Nimbus dois_mil , que era de longe a melhor vassoura . A velha Shooting_Star_de_Ron fora muitas_vezes ultrapassada por as borboletas que passavam . Cinco minutos mais tarde estavam a marchar por o monte acima , de vassouras a o ombro . Tinham perguntado a o Percy se ele queria juntar se a eles , mas ele alegara muito trabalho . Até esse dia , Harry só tinha visto Percy a a hora de as refeições , ele ficava em silêncio em o quarto o resto de o tempo . - Gostava de saber o que ele anda a fazer - afirmou Fred , de testa franzida . - Não parece o mesmo . O resultado de os exames veio um dia antes de tu chegares : doze N_F_V e ele nem se manifestou satisfeito . - Níveis_de_Feitiçaria_Vulgares - explicou o George , vendo o olhar atarantado de Harry . - Se não temos cuidado , ainda nos calha outro Chefe_de_Turma em a família . Acho que não suportaria a vergonha . Bill era o mais velho de os irmãos Weasley . Ele e o irmão a seguir , Charlie , já tinham saído de Hogwarts . Harry não conhecia nenhum de os dois , mas sabia que o Charlie estava em a Roménia a estudar dragões e o Bill em o Egipto a trabalhar em o banco de os feiticeiros : Gringotts . - Não sei como o pai e a mãe vão arranjar dinheiro para nos pagar o material escolar este ano - disse o George , passado um bocado . - Cinco conjuntos de livros de o Lockhart ! E a Ginny precisa de mantos e de uma varinha e tudo_isso ... Harry não disse nada . Sentiu se um_pouco incomodado . Fechada em um cofre subterrâneo , em o banco de Gringotts_de_Londres , estava uma pequena fortuna que os pais lhe tinham deixado . É claro que só tinha esse dinheiro em o mundo de os feiticeiros , não se podem usar Galeões , Leões e Janotas em as lojas de os Muggles . Ele nunca fizera referência a a sua conta bancária em Gringotts a os Dursleys . Não lhe parecia que o horror que eles sentiam por tudo_o_que se relacionava com a feitiçaria se estendesse a uma enorme pilha de barras de ouro . Mrs._Weasley acordou os a todos bem cedo , em a quarta-feira seguinte . Depois de comerem umas doze sanduíches de * bacon * cada_um , enfiaram os casacos e Mrs._Weasley tirou um vaso de a prateleira de o fogão de a cozinha e espreitou lá para dentro . - Está a acabar se , Arthur - suspirou . - Temos de comprar mais hoje ... Bem , os hóspedes primeiro . Passa , Harry querido ! E ofereceu lhe o vaso de flores . Harry olhou espantado enquanto todos eles o observavam . - O q-que é_que eu devo fazer ? - gaguejou . - Ele nunca viajou com o pó de Floo - disse o Ron subitamente . - Desculpa , Harry , esqueci me . - Nunca ? - perguntou Mrs._Weasley . - Mas então como chegaste a a Diagon - _ Al em o ano passado para comprar as tuas coisas ? -- Fui por o subterrâneo . - A sério ? - disse Mr._Weasley , entusiasmado . - Havia fugitivos ? Como é_que ... - Agora não , Arthur - disse Mrs . Weasley . - O pó de Floo é muito mais rápido , querido , mas , valha me Deus , se ele nunca o usou ... - Vai correr bem , mãe - disse o Fred . - Harry observa nos primeiro . Tirou uma pitada de pó brilhante de dentro de o vaso , aproximou se de o lume e lançou o pó em as chamas . Com um rugido , o fogo ficou verde-esmeralda e elevou se a uma altura superior a a de o Fred que avançou , gritando Diagon - _ Al ! E desapareceu . - Tens de falar claramente , filho - disse Mrs._Weasley a o Harry , ao_mesmo_tempo que George metia a mão em o vaso de as flores . - E vê se sais em o fogão certo . - Em o quê ? - perguntou Harry , nervoso , enquanto o lume crepitava e fazia George desaparecer também . - Bem , há imensos fogos de feiticeiros , mas desde_que te tenhas expressado claramente ... - Ele vai conseguir , Molly , não te preocupes - disse Mr._Weasley , tirando também ele algum pó . - Mas querido se ele se perde como é_que vamos justificar nos perante o tio e a tia de ele ... -- Eles não se importariam - tranquilizou a Harry . - O Dudley ia achar imensa piada se eu me perdesse em uma chaminé , não se preocupe . - Bem , em esse caso ... tu vais a seguir a o Arthur - disse Mrs._Weasley . - Logo_que entres em o fogo diz para_onde queres ir . - E mantém os cotovelos dobrados - preveniu o Ron . - E os olhos fechados - disse Mrs._Weasley . - A fuligem . - Não te enerves - disse o Ron . - Senão podes ir parar a a lareira errada . - Não entres em pânico e não queiras sair cedo de mais . Espera até veres o Fred e o George . Fazendo um enorme esforço por reter toda aquela informação , Harry tirou uma pitada de pó de Floo e avançou para a beirinha de o fogo . Respirou fundo , espalhou o pó em as chamas e entrou . O fogo parecia uma brisa quente . Abriu a boca e engoliu , de imediato , uma grande quantidade de cinzas quentes . D-dia-gon-al - tossiu . Sentiu se como_se estivesse a ser sugado para um buraco gigantesco . Como_se girasse muito depressa ... o ruído era ensurdecedor . Tentou manter os olhos abertos mas o turbilhão de chamas verdes fê lo enjoar ... algo duro bateu lhe em o cotovelo e dobrou o de imediato . Continuava a rodar , a rodar ... sentia se agora como_se várias mãos frias estivessem a bater lhe em a cara ... Espreitando através de os óculos , viu uma torrente imprecisa de fogões e captou lampejos de as salas que estavam por detrás ... as sanduíches de * bacon * davam lhe a volta dentro de o estômago ... fechou os olhos desejando que tudo aquilo parasse e então caiu , de cara em o chão , em a pedra fria e sentiu os óculos partirem se a os bocados . Desorientado e ferido , coberto de fuligem , pôs se cautelosamente de pé , levando a os olhos os óculos partidos . Estava completamente só e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava . Tudo_o_que podia dizer era que a o seu lado via uma lareira que lhe parecia ser a de uma enorme e indistinta loja de feitiçaria . Mas nenhum de os artigos que ali se encontravam tinham aspecto de fazer parte de a lista de a escola de Hogwarts . Em uma caixa de vidro podia ver se uma mão atrofiada que repousava sobre uma almofada , um baralho de cartas ensanguentado e um olho de vidro que o olhava fixamente . Máscaras de expressão maldosa enchiam as paredes , olhando de esguelha , uma enorme quantidade de ossos humanos estendia se sobre o balcão e , de o tecto , pendiam instrumentos aguçados com pontas de ferro e pregos enferrujados . Mas o pior é_que a rua estreita e escura , que Harry conseguia avistar através de a janela poeirenta de a loja , não era de modo algum a Diagon-al . Quanto_mais depressa saísse de ali , melhor . O nariz ainda a doer lhe em o sítio onde batera em o chão a o aterrar , Harry avançou rápida e silenciosamente em direcção a a porta , mas antes de conseguir chegar a meio caminho , duas pessoas apareceram de o lado de_fora de o vidro , e uma de elas era a última pessoa que Harry desejaria encontrar em o momento em que se encontrava perdido , coberto de fuligem e com os óculos partidos , Draco_Malfoy . Harry olhou rapidamente em volta e apercebeu se de a existência de um grande armário escuro a a sua esquerda , saltou lá para dentro e fechou as portas , deixando uma gretazinha para poder espreitar . Segundos depois , uma campainha tocava e Malfoy entrava em a loja . O homem que o acompanhava só podia ser o pai . Tinha o mesmo rosto pálido de feições agudas e os mesmos olhos cinzentos de gelo . Mr._Malfoy atravessou a loja , olhando maquinalmente para os artigos expostos e tocou a campainha de o balcão , antes de se voltar para o filho , dizendo : - Não mexas em nada , Draco . Malfoy , que vira o olho de vidro , disse : - Pensei que ias oferecer me um presente . - Eu prometi que ia comprar te uma vassoura de corrida - declarou o pai , tamborilando com os dedos sobre o balcão . - Para que é_que me serve , se não estou em a equipa de Quidditch ? - perguntou Malfoy , carrancudo e de mau humor . - O Harry_Potter teve uma Nimbus dois_mil o ano passado , com a autorização especial de o Dumbledor é para jogar em os Gryffindor . Ele nem é assim tão bom , é só por ser * famoso * ... famoso por ter uma estúpida cicatriz em a testa . Malfoy baixou se para observar uma prateleira cheia de crânios . - Todos acham que ele é tão esperto , o Potter maravilha , com a sua cicatriz e a sua vassoura ... - Já me disseste isso doze vezes pelo_menos - comentou Mr._Malfoy , olhando repressivamente para o filho . - E devo lembrar te que não é prudente parecer menos do_que amigo de Harry_Potter , quando a maior parte de a nossa gente vê em ele um herói que fez desaparecer o Senhor_do_Mal . Ah , Mr._Borgin . Um homem curvado surgiu por detrás de o balcão , puxando o cabelo gorduroso para trás . - Mr._Malfoy , que prazer vês o de_novo - disse Mr._Borgin , em uma voz tão untuosa como o cabelo . - Encantado , e o nosso jovem Malfoy também , encantado . Em que posso servi os ? Tenho que vos mostrar o que chegou hoje , a um preço muito razoável ... - Hoje não venho comprar , Mr._Borgin , e sim vender - afirmou Mr._Malfoy . - Vender ? - O sorriso apagou se lentamente em o rosto de Mr._Borgin . - Certamente ouviu dizer que o Ministério está a levar a cabo mais buscas - explicou o Mr._Malfoy , retirando de o bolso um rolo de pergaminho e desembrulhando o para Mr._Borgin o ler . - Eu tenho alguns , ah , artigos em casa que poderiam criar me problemas se o Ministério me batesse a porta . Mr._Borgin colocou em o nariz um par de * pince-nez * e olhou para a lista . - O Ministério não se lembraria de o incomodar certamente ... O lábio de Mr._Malfoy dobrou se . - Ainda não me fizeram nenhuma visita . O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito , mas o Ministério está a ficar cada_vez_mais intrometido . Há boatos sobre um novo decreto de protecção de os Muggles , sem dúvida que aquele mordido de as pulgas , adorador de os Muggles , que é o Arthur_Weasley deve estar por detrás de isso . Harry sentiu crescer a raiva . - E , como pode ver , alguns de estes venenos podiam dar a ideia ... - Compreendo perfeitamente , claro - disse Mr._Borgin . - Deixe me ver ... - Posso ter aquilo ? - interrompeu Draco , apontando para a mão raquítica que estava sobre a almofada . - Ah , a mão de a glória ! - exclamou Mr._Borgin , abandonando a lista de Mr._Malfoy e apressando se a responder a Draco . - Põe se lhe uma vela e ela só dá luz a quem a transporta ! A melhor amiga de os gatunos e de os salteadores , o seu filho tem gosto , senhor . - Espero que o meu filho venha a ser mais do_que gatuno ou salteador , Borgin - disse Mr._Malfoy friamente e Mr._Borgin respondeu logo : - Sem ofensa , senhor , sem querer ofender . - Embora , se as notas de a escola não melhorarem - disse Mr._Malfoy ainda mais friamente - esse possa vir a ser o único caminho possível para ele . - Não tenho culpa - retorquiu Draco . - Todos os professores têm os seus preferidos , aquela Hermione_Granger ... - Eu , em o teu lugar , teria vergonha que uma rapariga que nem_sequer pertence a famílias de feiticeiros , me passasse a a frente em todos os exames - interrompeu Mr._Malfoy . Ah - fez Harry baixinho , radiante por ver Draco atrapalhado e furioso . - É o mesmo em todo o lado - comentou Mr._Borgin em a sua voz untuosa . - O sangue de os feiticeiros conta cada_vez menos ... - Não para mim - afirmou Mr._Malfoy , com as longas narinas dilatadas . - Não senhor , nem para mim - concordou Mr._Borgin , inclinando se em uma vénia . - Em esse caso , talvez possamos voltar a a minha lista - disse Mr._Malfoy secamente . - Estou com alguma pressa , Borgin , tenho ainda hoje assuntos importantes a tratar em outro lado . Começaram a discutir os preços . Harry via nervosamente o Draco aproximar se de o seu esconderijo enquanto observava os objectos a a venda . Parou para examinar um enorme rolo de corda de carrasco e para ver , com um sorriso afectado , o cartão preso com um aparatoso laço de opalas onde podia ler se : * _ Cautela , não tocar . Amaldiçoado - reclama as vidas de dezanove donos , todos eles Muggles * . Draco voltou se e viu o armário mesmo em frente . Avançou , estendeu a mão para o puxador ... - Feito - disse Mr._Malfoy , a o balcão . - Vamos , Draco . Harry limpou a testa a a manga quando Draco se afastou . - Muito bom dia , Mr._Borgin . Espero por si amanhã em a mansão para ir buscar a mercadoria . Em o momento em que a porta se fechou , Mr._Borgin abandonou os seus modos subservientes . « Bom dia para o senhor , Mr._Malfoy , e , se as histórias que contam são verdadeiras , não me vendeu nem metade do_que tem escondido em a sua mansão ... » Murmurando de forma taciturna , Mr._Borgin desapareceu em uma sala escura . Harry esperou um minuto não fosse ele voltar e , em seguida , o mais silenciosamente possível , escapou se de o armário , passou por as caixas de vidro e saiu de a loja . Encostando os óculos partidos a o rosto , olhou em volta . Saíra em uma rua estreita e sombria que parecia composta exclusivamente de lojas dedicadas a as artes negras . Aquela de onde acabava de sair parecia ser a maior , mas em frente estava uma montra tétrica de cabeças encolhidas e duas portas abaixo podia ver se uma enorme caixa viva cheia de gigantescas aranhas pretas . Dois feiticeiros com aspecto pobre observavam o de a sombra de uma porta , murmurando entre si . Sentindo se nervoso , Harry pôs se a caminho , tentando agarrar os óculos a direito e não desistindo de a esperança de encontrar maneira de sair de ali . Por um cartaz de madeira , pendurado em a rua , indicando uma loja de venda de velas envenenadas , ficou a saber que se encontrava em a Rua * _ Bativolta * , mas isso não o ajudou pois Harry nunca ouvira falar em tal lugar . Calculou que não tinha pronunciado bem as palavras com a boca cheia de cinzas em a lareira de os Weasley . Tentando manter a calma perguntou a si mesmo o que havia de fazer . - Não estás perdido , pois não , meu menino ? - perguntou uma voz , mesmo junto de o seu ouvido , que o fez dar um salto . Uma bruxa idosa estava em a sua frente , segurando um tabuleiro de uma coisa que se parecia horrivelmente com unhas humanas . A mulher olhou o maldosamente , mostrando os dentes esverdeados . Harry recuou . - Estou bem , obrigado - disse . - Estou só ... - HARRY ! O qu'é que pensas que estás a fazer aqui ? O coração de Harry deu um salto , assim_como o de a bruxa . Um monte de unhas caíram lhe sobre os pés e ela praguejou , enquanto o corpo enorme de Hagrid , o guarda de os campos de Hogwarts , se aproximava de eles a passos largos com os olhos castanhos-escuros a faiscarem sobre a longa barba eriçada . - Hagrid - gritou Harry , aliviado . - Eu estava perdido ... o pó de Floo ... Hagrid agarrou Harry por o cachaço e puxou o para longe de a bruxa , tirando lhe o tabuleiro de as mãos . Os guinchos agudos de a feiticeira seguiram nos até a o fundo de a ruela serpenteante que ia dar a um lagar onde brilhava o sol . Harry avistou a a distância um edifício de mármore branco como a neve que lhe era familiar : o banco de Gringotts . Hagrid conduzira o até a a Diagon - _ Al . - ` _ tás em um péssimo estado ! - disse Hagrid bruscamente , sacudindo lhe a fuligem com tanta força que Harry quase caiu em um barril de estrume de dragão que se encontrava a a porta de um boticário . - A fugir , em a Rua * _ Bativolta * , eu não conheço esse lugar finório , Harry , não quero que ninguém te veja aqui em baixo . - Já percebi - disse Harry , baixando se quando Hagrid fez menção de o escovar melhor . - Já te disse que estava perdido . E o que é_que tu fazes aqui ? - ` _ Tou a a procura d'um repelente para as lesmas comedoras de legumes - resmungou Hagrid . - ` _ tão a destruir as couves todas de a escola . Tu não estás sozinho ? - Estou em casa de os Weasley , mas separámo nos explicou Harry . - Tenho que os encontrar . Desceram juntos a rua . - Por_que é_que nunca respondeste a as minhas cartas ? - perguntou Hagrid , enquanto Harry corria para o acompanhar ( tinha de dar três passos por cada enorme passada de Hagrid ) . Harry explicou lhe tudo sobre Dobby e os Dursleys . - Malditos_Muggles - rugiu Hagrid . - S'eu tivesse sabido ... - Harry ! Harry ! Aqui ! Harry olhou para_cima e viu Hermione_Granger em o topo de a escadaria de Gringotts . Desceu para vir a o encontro de ele , o cabelo castanho de caracóis , a esvoaçar atrás de ela . - O que aconteceu a os teus óculos ? Olá_Hagrid ... Oh , é maravilhoso ver vos outra_vez . Vens a Gringotts , Harry ? - Logo_que encontre os Weasley - respondeu ele . - Não vais ter d'esperar muito - riu se Hagrid . Harry e Hermione olharam em volta . Subindo a rua , em o meio de a multidão , vinham Ron , Fred , George , Percy e Mr._Weasley . - Harry - chamou Mr._Weasley , ofegante . - Tínhamos esperança que só tivesses ido um fogão mais longe ... - passou um pano em a sua calva reluzente . - A Molly está nervosíssima , aí vem ela . - Onde é_que tu saíste ? - perguntou o Ron . - Em a Rua * _ Bativolta * - disse o Hagrid , com um ar sério . - Sensacional ! - exclamaram Fred e George ao_mesmo_tempo . - Nunca nos deram autorização para lá ir - disse o Ron com uma pontinha de inveja . - E fizeram muito bem - grunhiu Hagrid . Mrs._Weasley chegou em aquele momento a correr , a mala a balouçar em uma de as mãos e Ginny quase pendurada em a outra . - Oh Harry , oh meu querido , podias ter ido parar a qualquer lugar ... Tentando recuperar o fôlego , tirou de a mala uma grande escova de roupa e começou a retirar a fuligem que Hagrid não conseguira expulsar . Mr._Weasley pegou em os óculos de Harry , deu lhes um toque de varinha e entregou lhe os como novos . - Bem , tenho de m'ir embora - disse Hagrid cuja mão estava a ser esmagada por Mrs._Weasley ( -- Rua * _ Bativolta * ! Se não o tivesses encontrado , Hagrid ! ) . - Vemo nos em Hogwarts . - E afastou se , os ombros e a cabeça acima de a multidão que enchia completamente a rua . - Adivinham quem eu vi em o Borgin and Burkes ? - perguntou Harry_a_Ron e a Hermione enquanto subiam as escadarias de Gringotts . - Malfoy e o pai . - O Lucius_Malfoy comprou alguma coisa ? - perguntou interessado Mr._Weasley que estava atrás de eles . - Não , estava a vender . - Então está preocupado - comentou Mr._Weasley com visível satisfação . - Ah , eu adorava apanhar o Lucius_Malfoy em alguma . . - Tem cuidado , Arthur - interrompeu Mrs._Weasley enquanto o gnomo porteiro lhes dava reverentemente entrada em o banco . - Isso é um problema de família . Não queiras ter mais olhos que barriga . - Queres dizer com isso que achas que eu não chego para o Malfoy ? - perguntou Mr._Weasley , indignado , mas foi rapidamente afastado de aqueles sentimentos a o avistar os pais de Hermione que estavam de pé , nervosamente encostados a o balcão que acompanhava a grande parede de mármore , a a espera que Hermione os apresentasse . - Mas vocês são Muggles ! - disse Mr._Weasley , encantado . - Temos de tomar uma bebida . O que é isso aí ? Ah , estão a trocar dinheiro de Muggle . Molly , olha - apontou cheio de excitação para as notas de dez libras que Mr._Granger tinha em a mão . - Encontramo nos aqui - disse Ron_a_Hermione , enquanto os Weasley e Harry eram conduzidos a os seus cofres em o subterrâneo de Gringotts . Para chegar a os cofres havia que tomar umas carrinhas conduzidas por gnomos que se deslocavam ao_longo_de carris de comboio de pequenas dimensões através de os túneis subterrâneos de o banco . Harry gostou de a viagem acidentada até a o cofre de os Weasley , mas sentiu se bastante mal , pior do_que em a Rua * _ Bativolta * , quando o cobre foi aberto . Havia lá dentro um pequenino monte de Leões de prata e apenas um Galeão de ouro . Mrs._Weasley foi com a mão a a procura em os cantos antes de , com um gesto rápido , varrer tudo para dentro de o saco . Harry sentiu se ainda pior quando chegaram a o seu cofre . Tentou evitar que vissem o conteúdo enquanto empurrava apressadamente mãos cheias de moedas para dentro_de uma sacola de cabedal . Lá fora , em as escadarias de mármore , separaram se . Percy murmurou vagamente que precisava de uma nova pena de escrever . Fred e George tinham avistado um amigo de Hogwarts , Lee_Jordan . Mrs._Weasley e Ginny iam a uma loja de mantos em segunda mão , Mr._Weasley continuava a insistir em levar os Grangers a o Caldeirão_Escoante para lhes pagar uma bebida . - Encontrarmo nos todos em a Flourish and Blotts dentro_de uma hora para comprar os vossos livros de estudo - disse Mrs._Weasley , afastando se com Ginny . - E nem um passo em direcção a a Rua * _ Bativolta * - gritou a os gémeos que estavam de costas . Harry , Ron e Hermione deambularam por a rua empedrada e sinuosa . O ouro , prata e bronze que tilintavam alegremente em o saco que Harry tinha em o bolso pareciam exigir ser gastos , por isso ele comprou três enormes gelados de morango e manteiga de amendoim que eles devoraram felizes enquanto vagueavam sem destino por a rua fora , observando as montras fantásticas de as lojas . Ron olhou longamente para um conjunto completo de mantos de o Chudley_Cannon , em as montras de o « Equipamento_de_Quidditch_de_Qualidade » até Hermione o arrastar de ali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos . Em a « Jogos_de_Feitiçaria_de_Gambol and Japes » encontraram o Fred , o George e o Lee_Jordan que estavam presos em a fabulosa partida debaixo_de chuva e em os fogos-de-artifício de o Dr._Filibuster . E em uma pequenina loja de velharias cheia de varinhas partidas , balanças instáveis de latão e mantos velhos cobertos de nódoas de poções encontraram Percy profundamente concentrado em um pequenino livro , bastante chato , chamado * _ Prefeitos que conquistam o poder * . - * _ Um estudo sobre os prefeitos de Hogwarts e as suas posteriores carreiras * - leu alto o Ron em a contracapa . - Deve ser fascinante ... - Desaparece - gritou Percy . - Claro , ele é muito ambicioso , já tem tudo planeado . Quer ser ministro de a magia - disse o Ron baixinho a o Harry e a a Hermione , enquanto deixavam Percy entregue a o livro . Uma hora mais tarde dirigiram se a a Flourish and Blotts . Não eram de modo algum os únicos a encaminhar se para a livraria . À_medida_que se aproximavam viram com grande surpresa uma grande multidão a a porta , tentando entrar em a loja . O motivo de tal confusão estava anunciado em um cartaz que se estendia a o longo de a montra superior . GILDEROY_LOCKHART_Assinará exemplares de a sua autobiografia " eu , o mágico " Hoje 12.30 - 16.30 - Vamos poder conhecê o ! - gritou Hermione . - Quero dizer , ele escreveu quase todos os livros de a nossa lista ! A multidão parecia ser maioritariamente composta por bruxas de a idade de Mrs._Weasley . Um feiticeiro bem-parecido estava de pé junto de a porta , dizendo : - Calma , minhas senhoras , não empurrem , cuidado com os livros . Harry , Ron e Hermione conseguiram furar e entrar . Uma longa fila serpenteava para as traseiras de a loja onde Gilderoy_Lockhart estava a assinar os seus livros . Cada_um de eles pegou em um exemplar de * _ ensinamentos de Uma Fada_Carpideira * e escaparam se de a fila indo ter a o lugar onde se encontravam os outros com Mr. e Mrs._Granger . - Ah , aí estão vocês . _ óptimo - disse Mrs._Weasley que parecia estar com falta de ar e não parava de mexer em o cabelo . - Vamos poder vês o dentro_de um minuto . Gilderoy_Lockhart veio lentamente até um lugar onde era visível para todos , sentou se a uma mesa , rodeado de grandes fotografias de o próprio rosto , todo ele sorrisos , mostrando a a multidão o brilho cintilante de os seus dentes . Lockhart usava uma túnica azul-noite que condizia a as mil maravilhas com a cor de os olhos , o chapéu pontiagudo de feiticeiro colocado lateralmente sobre o cabelo ondulado . Um homenzinho pequenino e irritante andava a dançar de um lado para o outro , tirando fotografias com uma grande máquina preta que lançava baforadas de fumo arroxeado em cada * flash * . - Sai de o caminho , tu aí - disse rispidamente a o Ron , mudando de lugar para ter um angulo melhor . - Este é para o * _ Profeta_Diário * . - Grande coisa ! - exclamou o Ron , esfregando os pés em o lugar que o fotógrafo pisara . Gilderoy_Lockhart ouviu o . Olhou , viu o Ron e em seguida Harry . Voltou a olhar , desta_vez com mais atenção . Em seguida , pôs se de pé e gritou : - Não pode ser , o Harry_Potter ? A multidão dividiu se entre murmúrios de excitação . Lockhart aproximou se , agarrou Harry por um braço e levou o para a frente . A multidão rebentou em aplausos . A cara de Harry ardia quando Lockhart lhe apertou a mão para o fotógrafo que disparava como um louco , lançando fumo espesso para_cima de os Weasley . - Belo sorriso , Harry - disse Lockhart através de os seus dentes brilhantes . - Tu e eu juntos merecemos a primeira página . Quando por fim lhe largou a mão , Harry quase não sentia os dedos . Tentou recuar para junto de os Weasley , mas Lockhart lançou lhe um braço por os ombros e prendeu o a o seu lado . - Minhas senhoras e meus senhores - disse bem alto , fazendo sinal para que se acalmassem . - Que momento extraordinário este ! O momento perfeito para eu anunciar algo que tenho vindo a guardar comigo desde_há algum tempo . - Quando o jovem Harry entrou em a Flourish and Blotts hoje , ele queria apenas comprar a minha autobiografia , que tenho agora o maior prazer em oferecer lhe - a multidão aplaudiu de_novo . - Ele não tinha ideia - continuou Lockhart , dando a o Harry um pequeno encontrão que fez com que os óculos lhe escorregassem para a ponta de o nariz - de que ia conseguir em_breve muito mais do_que o meu livro Eu , o mágico . Ele e os seus colegas de a escola vão receber , de facto , o verdadeiro * _ Eu , o mágico * . Sim , minhas senhoras e meus senhores , tenho o maior prazer em anunciar que em o mês_de_Setembro assumirei o lugar de professor de Defesa contra as artes negras em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts ! A multidão aplaudiu e bateu palmas e Harry deu consigo a ser presenteado com a obra completa de Gilderoy_Lockhart . Cambaleando ligeiramente sob o peso de os livros conseguiu abrir caminho para longe de os projectores até a a porta de a sala onde estava Ginny com o seu novo caldeirão . - Podes ficar com estes - murmurou Harry , enfiando os livros em o caldeirão . - Eu vou comprar os meus . - Aposto que adoraste aquilo , não adoraste , Potter ? - disse uma voz que Harry não teve qualquer dificuldade em reconhecer . Endireitou se e deu consigo frente_a_frente com Draco_Malfoy que exibia o seu habitual sorriso escarninho . - O famoso Harry_Potter - disse Malfoy . - Nem_sequer pode entrar em uma livraria sem se tornar primeira página . - Deixa o em paz , ele não queria nada de isso - defendeu a Ginny . Era a primeira vez que falava em frente de Harry . Olhava para Malfoy com um ar feroz . - Potter , arranjaste uma namorada ! - disse arrastadamente Malfoy . Ginny ficou vermelha como um pimentão enquanto Ron e Hermione tentavam abrir caminho , ambos carregando montes de livros de Lockhart . -- Ah és tu ? - disse Ron , olhando para Malfoy como_se ele fosse algo desagradável colado a a sola de o sapato . - Aposto que te surpreendeu ver o Harry aqui ? - Não tanto como a ti em uma loja , Weasley - retorquiu Malfoy . - Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo . Ron ficou tão vermelho quanto Ginny . Deixou também cair os livros em o caldeirão e avançou para Malfoy , mas Harry e Hermione agarraram o por as costas de o casaco . - Ron - disse Mrs._Weasley , aproximando se com Fred e George . - O que estás a fazer ? Isto está uma loucura aqui dentro , vamos lá para fora . - Olha quem ele é , Arthur_Weasley . - Era_Mr._Malfoy . Estava de pé com a mão sobre o ombro de Draco , com o mesmo sorriso escarninho . -- Lucius - disse Mr._Weasley , acenando friamente . -- Muito trabalho em o ministério , segundo me consta - disse Mr._Malfoy . - Todas essas buscas ... espero que te estejam a pagar horas extraordinárias . Meteu a mão em o caldeirão de a Ginny e tirou de o meio de os livros de Lockhart um exemplar muito velho e muito gasto de o * _ Guia_de_Transfiguração_para_Principiantes * . - Parece que não - disse . - Que diabo , qual a vantagem de ser uma nódoa entre os feiticeiros se nem_sequer te pagam bem por isso ? Mr._Weasley corou mais ainda do_que Ron ou Ginny . - Nós temos uma opinião diferente sobre quem são as nódoas entre os feiticeiros - disse . - É claro que ... - disse Mr._Malfoy , os olhos mortiços passando para Mr. e Mrs._Granger apreensivamente . - As companhias com quem tu andas ... e eu que pensava que já não conseguias descer mais baixo ... Ouviu se um tilintar de metal quando o caldeirão de a Ginny foi por os ares . Mr._Weasley lançara se sobre Mr._Malfoy atirando o para dentro_de uma estante . Dezenas_de livros de feitiços saltaram lá de cima , caindo lhes sobre as cabeças . Houve um grito de - Chega lhe , pai ! - de o Fred e de o George . Mrs._Weasley soltava gritos agudos : - Não_Arthur , não . A multidão recuava deitando mais prateleiras a o chão . - Meus senhores , por favor - gritava o encarregado , e então , mais alto do_que todos : - Parem com isso , gente , parem com isso . Hagrid aproximava se através_de um mar de livros . Em um segundo afastou Mr._Weasley e Mr._Malfoy . Mr._Weasley tinha um lábio cortado e Mr._Malfoy fora agredido em um olho por uma * _ Enciclopédia_de_Cogumelos_Venenosos * . Tinha ainda em a mão o livro velho de a Ginny sobre transfiguração . Atirou lhe o , com os olhos a brilhar de malvadez . - Toma o teu livro , garota . É o melhor que o teu pai pode oferecer te . Libertando se de Hagrid , conduziu Draco para fora e abandonaram a livraria . - Devias tê o ignorado , Arthur - disse Hagrid quase a pegar em Mr._Weasley a o colo enquanto lhe endireitava o manto . - São podres até a a raiz , todos eles . Tod'à gente sabe . Nenhum Malfoy vale a pena ser ouvido . Não prestam , ' tá-lhes em o sangue . Vá lá , vamos sair de aqui . O encarregado parecia querer impedis os , mas , olhando bem para Hagrid , pensou melhor . Subiram a rua , os Grangers a tremer de medo e Mrs._Weasley fora de si . - Um belo exemplo para as crianças ... andar a a pancada em público . O que terá pensado Gilderoy_Lockhart ? - Ele gostou - disse o Fred . - Não o ouviram quando ia a sair ? Estava a perguntar a aquele tipo de o Profeta_Diário se conseguia incluir a briga em a reportagem , disse que era boa publicidade . Mas foi um grupo deprimido que regressou a a lareira de o Caldeirão_Escoante onde Harry , os Weasley e todas_as suas compras iriam viajar de volta até a a Toca , usando o pó de Floo . Despediram se de os Grangers que iam sair de o * pub * por a rua de os Muggles , de o outro lado . Mr._Weasley começou a perguntar lhes como funcionavam as paragens de autocarros , mas calou se rapidamente a o ver a expressão de Mrs._Weasley . Harry tirou os óculos e guardou os cautelosamente em o bolso antes de utilizar o pó de Floo . Definitivamente não era a sua forma ideal de viajar . V_O salgueiro zurzidor O fim de as férias de Verão chegou demasiado depressa para o gosto de Harry . Ele desejara muito regressar a Hogwarts , mas aquele mês em a Toca tinha sido o mais feliz de toda_a sua vida . Era difícil não invejar o Ron quando pensava em os Dursleys e em as boas-vindas que ia receber de a próxima vez que pusesse os pés em Privet_Drive . Em a última noite , Mrs._Weasley preparou um jantar magnífico , que incluía os pratos favoritos de Harry e terminava com um pudim de melaço de fazer crescer água em a boca . Fred e George alegraram a noite com uma exibição de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que saltaram de o tecto para as paredes , durante pelo_menos meia_hora . Depois , foi a altura de tomarem uma caneca de chocolate quente e irem para a cama . Em a manhã seguinte , demoraram muito_tempo a preparar se . Levantaram se com o cantar de o galo , mas parecia lhes que ainda tinham muito para fazer . Mrs._Weasley andava de um lado para o outro , mal-humorada , a a procura de meias e penas , chocavam uns com os outros em as escadas , meio vestidos , meio despidos , com pedaços de torrada em as mãos e Mr._Weasley quase partiu o nariz quando tropeçou em uma galinha a o atravessar o pátio , para meter em o carro a mala de Ginny . Harry não percebia lá muito bem_como é_que oito pessoas , seis grandes malas , duas corujas e um rato , iam caber em um pequeno * _ Ford_Anglia * , isso , claro , antes de as artes mágicas que Mr._Weasley acrescentara . - Nem uma palavra a a Molly - murmurou ele a o Harry , enquanto abria a bagageira e lhe mostrava como ela se expandira para que as malas coubessem facilmente . Quando , por fim , se acomodaram todos em o carro , Mrs._Weasley olhou para o banco de trás , onde Harry , Ron , Fred , George e Percy estavam confortavelmente sentados uns a o lado de os outros e disse : - Os Muggles têm mais conhecimentos do_que aqueles que nós lhes atribuímos , não achas ? - Ela e a Ginny entraram para o lugar de a frente , que fora esticado e parecia um banco de jardim . - Quer_dizer , de_fora ninguém diria que este carro era espaçoso , não acham ? Mr._Weasley pôs o motor a funcionar e saíram de o pátio , Harry voltando se para trás para ver por a última vez a casa . Mal teve tempo de se questionar se iria voltar alguma vez e já estavam de volta : George esquecera se de a caixa de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Cinco minutos mais tarde tiveram de interromper de_novo a viagem e voltar a o pátio para o Fred ir a correr buscar a vassoura . Estavam quase a chegar a a auto-estrada , quando Ginny guinchou que se esquecera de o diário . Mas estava a fazer se muito tarde e os ânimos começavam a exaltar se . Mr._Weasley olhou para o relógio e , em seguida , para a mulher . - Molly , querida ... - Não , Arthur . - Ninguém ia ver . Este botãozinho é um transformador de invisibilidade que eu instalei , levava nos por o ar , subíamos acima de as nuvens . Estaríamos lá em dez minutos e ninguém daria por nada ... - Eu disse que não , Arthur . Durante o dia , não . Chegaram a King's_Cross , faltava um quarto para as onze . Mr._Weasley precipitou se em busca de um carrinho de transporte para as malas e correram todos para a estação . Harry apanhara o Expresso_de_Hogwarts em o ano anterior . A parte mais difícil era entrar em a plataforma nove_e_três quartos , que não era visível a os olhos de os Muggles . Era preciso avançar para a barreira sólida que dividia as plataformas nove e dez . Não doía nada , mas tinha de ser feito com cuidado para que nenhum de os Muggles de esse , por o desaparecimento . - O Percy em primeiro lugar - declarou Mrs._Weasley , olhando nervosamente para o relógio lá em cima , que mostrava que tinham apenas cinco minutos para desaparecer através de a barreira . Percy avançou a passos largos e desapareceu . Mr._Weasley foi a seguir e depois de ele Fred e George . - Eu levo a Ginny e vocês vêm atrás_de nós - disse Mrs._Weasley a o Harry e a o Ron , agarrando Ginny pela mão e seguindo em frente . Em um abrir e fechar de olhos , tinham passado . - Vamos passar juntos , só temos um minuto - disse Ron a o Harry . Harry assegurou se de que a gaiola de a Hedwig estava bem fixa em cima de a sua mala e empurrou o carrinho de encontro a a barreira . Estava perfeitamente confiante , aquilo era muito mais fácil do_que usar o pó de Floo . Puseram os dois as mãos em o puxador de os carrinhos e avançaram direitos a a barreira , ganhando velocidade . A um metro e pouco , começaram a correr e ... CRASH . Os dois carros bateram em a barreira e foram impelidos para trás . A mala de o Ron caiu com um enorme estrépito . Harry desequilibrou se e a gaiola de a Hedwig foi parar a o chão brilhante , enquanto ela rolava guinchando , indignada . As pessoas em volta olhavam fixamente e um guarda que estava ali perto gritou : - Que diabo pensam vocês que estão a fazer ? - Perdemos o controlo de o carro de transporte - respondeu o Harry , respirando com dificuldade , agarrando se a as costelas , enquanto se punha de pé . Ron correu a agarrar a Hedwig , que estava a fazer uma cena tal , que já se ouviam murmúrios em a multidão sobre a crueldade para com os animais . - Porque é_que não conseguimos passar ? - perguntou Harry a o Ron em um sussurro . - Não sei . Ron olhou descontroladamente em volta . Uma_dúzia de curiosos estavam ainda a observá os . - Vamos perder o comboio - murmurou o Ron . - Não compreendo porque motivo a cancela se fechou . Harry olhou para o relógio gigantesco com um sentimento de náusea em a boca de o estômago . Dez segundos , nove segundos ... Dirigiu o carrinho de transporte para a frente com toda_a força . O metal manteve se sólido . Três segundos ... dois segundos ... um segundo ... - Partiu - afirmou o Ron , que parecia estonteado . - O comboio foi se embora . E se a mãe e o pai não conseguem voltar para aqui ? Tens algum dinheiro de Muggle ? Harry deu uma gargalhada . - Os Dursleys não me dão um tostão há mais de seis anos ! Ron encostou o ouvido a a barreira . - Não se ouve nada - disse , bastante tenso . - O que vamos nós fazer ? Não sei quanto tempo o pai e a mãe vão demorar . Olharam em volta . As pessoas ainda estavam a observá os , principalmente devido a os contínuos guinchos de a Hedwig . - Acho que o melhor é sairmos de aqui e esperamos por eles junto de o carro - disse Harry . - Aqui estamos a atrair demasiado as aten ... - Harry - disse o Ron , com os olhos a brilhar . - É isso , o carro . - O que é_que tem ? - Podemos voar nele até Hogwarts ! - Mas eu pensei ... - Estamos em apuros , certo ? E temos de chegar a a escola , ou não ? E mesmo os feiticeiros menores de idade estão autorizados a usar a magia em uma emergência real , parágrafo dezanove , ou não sei quê , de a Restrição de ... O sentimento de pânico de Harry transformou se em entusiasmo . - E tu sabes voar nele ? - Não há problema - disse o Ron , andando com o carrinho a a volta e dirigindo se para a saída . - Anda de aí . Se em os apressarmos , conseguiremos sair atrás de o Expresso_de_Hogwarts . E afastaram se de o grupo de Muggles curiosos , abandonando a estação e voltando a a rua , onde o velho * _ Ford_Anglia * se encontrava estacionado . Ron abriu a bagageira com uma série de toques de varinha . Meteram lá dentro as malas , puseram a Hedwig em o assento de trás e entraram para a frente . - Verifica se ninguém está a ver - disse o Ron , ligando a ignição com outro toque de varinha . Harry pôs a cabeça fora de a janela : o trânsito enchia a avenida principal , mas a rua de eles estava vazia . - O. _ K. - disse . Ron carregou em um pequeno botão de o painel . Os carros em volta desapareceram assim_como eles . Harry sentia o assento a vibrar debaixo_de si , ouvia o motor , sentia as mãos sobre os joelhos e os óculos em o nariz , mas , tanto quanto conseguia ver , tornara se um par de olhos redondos flutuando um metro e pouco acima de o chão em uma rua suja , cheia de carros estacionados . - Vamos - disse a voz de o Ron , vinda de o seu lado direito . O chão e os prédios escuros de ambos os lados desapareceram de o seu ângulo de visão , mal o carro se elevou . Em poucos segundos toda_a cidade de Londres , enevoada e resplandecente , estava por baixo de eles . Em seguida , ouviu se um ruído que parecia o saltar de uma rolha e o carro , Harry e Ron , reapareceram . - Oh , oh - disse Ron , batendo em o intensificador de invisibilidade . - Está avariado ... Começaram os dois a bater em o botão . O carro desapareceu . Depois surgiu de forma intermitente . - Aguenta aí - gritou o Ron e carregou com o pé em o acelerador . Saltaram direitinhos para o meio de as nuvens mais baixas e tudo ficou sujo e enevoado . - E agora ? - exclamou Harry , piscando os olhos a a sólida massa de nuvens que os comprimia de todos os lados . - Precisamos de avistar o comboio para sabermos qual a direcção a tomar - explicou o Ron . - Desce rapidamente ... Desceram por o meio de as nuvens e voltaram se em os lugares , espreitando . - Estou a vê o - gritou Harry . - Mesmo em frente , ali . O Expresso_de_Hogwarts deslocava se a grande velocidade lá em baixo , como uma serpente vermelha . - Para Norte - disse o Ron , verificando a bússola de o painel . - O. _ k . , basta que verifiquemos de meia em meia_hora . Aguenta aí ... - e arrancaram por o meio de as nuvens . Em o minuto seguinte , tinham chegado a a luz brilhante de o Sol . Era um mundo diferente . Os pneus de o carro deslizavam sobre o mar de nuvens macias , o céu era de um azul infinito sob a luz , capaz de cegar , que irradiava de o Sol . - Agora só temos de nos preocupar com os aviões - disse o Ron . Olharam um para o outro e desataram a rir . Durante muito_tempo não conseguiram parar . Era como_se tivessem mergulhado em um sonho fabuloso . Aquela , pensou Harry , era certamente a única maneira de viajar : passando por turbilhões e torres de nuvens cor de neve , em um carro cheio de calor , o sol radioso , com um grande pacote de rebuçados em o porta-luvas e antegozando o ar de inveja de o Fred e de o George quando aterrassem suavemente e de forma espectacular em o relvado macio em frente de o castelo de Hogwarts . Espreitaram várias vezes o comboio enquanto voavam cada_vez_mais para norte . Cada descida entre as nuvens dava lhes uma perspectiva diferente . Londres depressa ficou para trás , substituída por campos verdejantes que , por sua vez , deram lugar a grandes pântanos arroxeados , aldeias com pequenas igrejas de brinquedo e uma grande cidade , cheia de vida , com carros que pareciam formigas multicores . Várias horas mais tarde sem acontecer nada de_novo , Harry teve de admitir que uma parte de o entusiasmo se esgotara . Os rebuçados tinham nos deixado cheios de sede e não havia nada para beber . Ele e o Ron tinham tirado as camisolas , mas a * _ T-shirt * de o Harry estava colada a as costas de o assento e os óculos não paravam de lhe escorregar para a ponta de o nariz . Deixara de reparar em as fabulosas formas de as nuvens e pensava com saudade em o comboio , milhas abaixo de eles , onde se podia comprar sumo fresquinho de abóboras em um carro empurrado por uma bruxa gordinha . Porque não teriam conseguido entrar em a plataforma nove_e_três quartos ? - Não pode ser muito mais longe , pois não ? - resmungou o Ron , horas mais tarde quando o Sol começava a enfiar se em o seu chão de nuvens , pintando as de um rosa profundo . - Estás pronto para outra espreitadela a o comboio ? Ainda ia mesmo por baixo de eles , abrindo caminho por_entre uma montanha com o topo coberto de neve . Estava muito mais escuro entre o dossel de nuvens . Ron pôs o pé em o acelerador e levou os de_novo para_cima , mas em esse momento o motor começou a chiar . Harry e Ron trocaram entre si olhares nervosos . - Deve estar só cansado - disse o Ron . - Nunca tinha vindo tão longe ... - E fingiram ambos que não davam por o gemido que se ia tornando maior à_medida_que o céu serenamente escurecia . As estrelas desabrochavam em a escuridão , Harry voltou a enfiar a camisola de lã , tentando ignorar os limpa pára-brisas que acenavam debilmente como_que a protestar . - Não devemos estar longe - disse Ron , dirigindo se mais a o carro do_que a o amigo . - Já não devemos estar longe - deu umas palmadinhas nervosas em o * tablier * . Pouco depois , quando voltaram a voar em o meio de as nuvens , tiveram de olhar de lado em a escuridão , em busca de um ponto de referência que conhecessem . - Ali - gritou Harry , fazendo o Ron e a Hedwig darem um salto . - Mesmo em frente . Recortados em o horizonte negro , sobre o rochedo de o outro lado de o lago , erguiam se as torres e torreões de o castelo de Hogwarts . Mas o carro tinha começado a estremecer e perdia a os poucos velocidade . - Vá lá - disse o Ron , dando a o volante um pequeno abanão bajulador . - Estamos quase a chegar , vá lá ... O motor gemeu . Pequenos jactos de vapor de água brotaram de o capo . Harry deu consigo agarrado com toda_a força a os bordos de o assento enquanto voavam direitos a o lago . O carro deu um solavanco feio . Espreitando por a janela , Harry viu a superfície negra , macia e espelhada de a água cerca de uma milha abaixo de eles . Os dedos de o Ron agarrados a o volante tinham as articulações brancas . O carro deu um novo esticão . - Vá lá - murmurou o Ron . Estavam sobre o lago ... o castelo ficava mesmo em frente . Ron fez força com o pé . Houve um ruído surdo , uma crepitação e o motor morreu por completo . - Oh ! oh ! - gemeu Ron em o silêncio . O nariz de o carro voltou se para baixo . Estavam a cair , ganhando velocidade em direcção a os muros sólidos de o castelo . - Naaaaão ! - gritou o Ron , girando o volante . Escaparam a a muralha de pedra negra por centímetros , quando o carro fez um grande arco , planando primeiro sobre as estufas , depois sobre o rectângulo plantado com vegetais e , por fim , sobre os relvados , perdendo sempre velocidade . Ron largou o volante por completo e tirou a varinha de o bolso de trás . - __ pára ! __ pára ! - gritou , batendo em o * tablier * e em o pára-brisas , mas eles continuavam a mergulhar , o chão a voar em direcção a eles . - : __ cuidado com essa __ árvore ! ! ! - bramiu Harry , deitando a mão a o volante , mas ... tarde de mais ... CRUNCH . Com um ruído ensurdecedor de metal e madeira , bateram em o tronco espesso de a árvore e caíram em o chão com um forte solavanco . O vapor era um mar debaixo de o capo amachucado . A Hedwig tremia apavorada . Em a cabeça de Harry surgira um alto de o tamanho de uma bola de golfe , quando ele batera em o pára-brisas , tombando em seguida para a direita . Ron soltou um gemido longo e desesperado . - Estás O. _ K ? - perguntou Harry , aflito . - A minha varinha - disse o Ron em uma voz trémula . - Olha para a minha varinha . Tinha se partido praticamente em duas , a ponta balouçava mole , presa por meia_dúzia de esquírolas . Harry abriu a boca para dizer que em a escola com certeza conseguiriam consertá a , mas nem chegou a começar a frase . Em esse preciso momento , algo bateu em o seu lado de o carro , com a força de um touro , projectando o para_cima de o Ron , ao_mesmo_tempo que um golpe igualmente forte se sentiu em o capô . - O que está a acontec ... Ron arfou , olhando fixamente por o pára-brisas e Harry olhou em volta , mesmo a_tempo_de ver uma ramada espessa como uma píton vir contra o vidro . A árvore em que tinham batido estava a atacá os . O tronco dobrara se quase a meio e os seus galhos rugosos davam uma tareia a cada centímetro de o carro que conseguiam atingir . - Ah ! - praguejou o Ron , quando outra pernada retorcida esmurrou a sua porta , amolgando a . O pára-brisas tremia agora sob uma saraivada de golpes vindos de galhos que pareciam patas de animais e uma ramada espessa como um aríete esmagava furiosamente o capo , que parecia estar a ceder ... - Corre ! - gritou o Ron , lançando o seu peso contra a porta , mas , em o momento seguinte , tinha sido atirado para trás , para o colo de Harry por um soco maldoso , dado de baixo para_cima , por outro ramo . - Estamos feitos ! - resmungou , enquanto o tecto descaía . Mas , de repente , o chão de o carro estava a vibrar , o motor pegara . - Marcha atrás - gritou o Harry e o carro deu um salto para trás . A árvore tentava ainda agredis os , ouviam as raízes chiar , enquanto quase se partiam esticando se para os alcançar . - Escapámos por_pouco ! - exclamou o Ron . - Muito bem , carro . Mas o carro tinha atingido o limite de as suas forças . Com dois estalidos , as portas abriram se e Harry sentiu o seu assento inclinar se para o lado . Quando deu por si , estava estatelado em o chão húmido . Ruídos surdos avisaram o de que o carro estava a ejectar as malas de a bagageira . A gaiola de a Hedwig voou por os ares e abriu se . Ela saiu a voar com um pio furioso e dirigiu se a o castelo , sem sequer olhar para trás . Em seguida , o carro , amolgado , arranhado e a fumegar , arrancou em o escuro , com os faróis traseiros ardendo de fúria . - Volta aqui ! - gritou o Ron , brandindo a varinha partida . - O meu pai mata me . Mas o carro desapareceu a perder de vista , com um último estoiro de o tubo de escape . - Já viste bem o nosso azar ! ? - exclamou o Ron em o meio de a sua infelicidade , baixando se para apanhar o rato Scabbers . - De todas_as árvores em que podíamos ter batido , tínhamos de ir dar a uma que bate também . Olhou por cima de o ombro para a velha árvore que ainda agitava os ramos ameaçadoramente . - Vamos - disse Harry , fatigado . - É melhor irmos andando para a escola ... Não foi , de modo algum , a chegada triunfal que tinham imaginado . Constrangidos , cheios de frio e magoados , pegaram em as malas e começaram a arrastá as por o relvado acima , em direcção a as grandes portadas de carvalho . - Acho que o banquete já começou - disse o Ron , largando a mala em os degraus de a entrada e atravessando devagarinho para espreitar por uma janela iluminada . - Harry , anda ver , é a distribuição . Harry apressou se e os dois , ele e o Ron , espreitaram para o Salão_Nobre . Um número infindável de velas pairava em o ar , sobre quatro mesas enormes cheias de gente , fazendo brilhar os pratos dourados e as taças . Em cima , o tecto encantado que espelhava o céu lá de_fora , brilhava cheio de estrelas . Por_entre a floresta de chapéus pretos pontiagudos de Hogwarts , Harry viu uma longa fila de alunos de o primeiro ano com olhares assustados que enchia o vestíbulo . Ginny estava entre eles , facilmente reconhecível devido a o seu chamativo cabelo Weasley . Enquanto isso , a professora Mc_Gonagall , uma bruxa de óculos com cabelo castanho apanhado em um carrapito , colocava o famoso chapéu seleccionador em um banco que se encontrava em frente de os novos alunos . Todos os anos , aquele velho chapéu , remendado , puído e cheio de pó , seleccionava alunos para as quatro equipas de Hogwarts ( Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin ) . Harry lembrava se bem de o ter colocado em a cabeça , precisamente um ano antes , e ter esperado petrificado por a sua decisão , enquanto ele lhe murmurava a o ouvido . Durante alguns horríveis segundos receara que o chapéu o mandasse para os Slytherin , a equipa que produzia maior número de feiticeiros e feiticeiras de magia negra , mas acabara por ficar em os Gryffindor , juntamente com Ron e Hermione e o resto de os Weasley . Em o último período , Harry e Ron tinham ajudado os Gryffindor a vencer o campeonato de a equipa , batendo os Slytherin pela_primeira_vez em sete anos . Um rapazito baixinho com cabelo de rato acabava de ser chamado para pôr o chapéu em a cabeça . Os olhos de Harry saltavam de ele para o lugar onde o professor Dumbledore , o director , estava sentado , observando a selecção de a mesa de os professores , com a sua longa barba cor de prata e óculos de meia-lua que brilhavam a a luz de as velas . Alguns lugares a a frente , Harry viu Gilderoy_Lockhart com um manto verde-azulado . E lá bem a o fundo estava Hagrid , enorme e cabeludo , bebendo satisfeito de a sua taça . - Espera aí - murmurou a o Ron . - Há um lugar vazio em a mesa de os professores . Onde estará o Snape ? Severus_Snape era o professor de quem Harry menos gostava . Harry era também o seu aluno menos querido . Cruel , sarcástico e detestado por todos com excepção de os alunos de a sua própria equipa ( Slytherin ) , Snape tinha a seu cargo a cadeira de Poções . - Talvez esteja doente - sugeriu Ron , cheio de esperança . - Talvez se tenha ido embora - lembrou Harry . - Por não lhe terem dado outra_vez a Defesa contra as artes negras . - Ou talvez tenha sido corrido - propôs Ron com entusiasmo . - Afinal , toda_a_gente o detesta ... - Ou talvez - disse uma voz gelada atrás de eles - esteja a a espera que vocês lhe expliquem por_que motivo não vieram em o comboio de a escola . Harry deu uma volta . Em a sua frente , com o manto negro a ondular em uma brisa fria , estava Severus_Snape . O professor era um homem magro , de pele descorada , nariz adunco e um cabelo preto oleoso que lhe caía sobre os ombros . E em aquele momento sorria de um modo tal que Harry sentiu que tanto ele como Ron estavam em sérios apuros . - Sigam me - disse Snape . Sem ousarem sequer olhar um para o outro , Harry e Ron seguiram Snape por as escadas até a o amplo * hall * de entrada que estava iluminado por as chamas de os archotes . De o salão nobre vinha um cheirinho delicioso a comida , mas Snape levou os para longe de a luz e de o calor , em direcção a uma escada estreita de pedra que conduzia a os calabouços . - Entrem - ordenou , abrindo uma porta a meio de o corredor e apontando . Entraram a tremer em o escritório de Snape . As paredes sombrias estavam cobertas de prateleiras cheias de jarros de vidro grosso onde flutuavam as coisas mais diversas e repugnantes , cujo nome Harry não queria de momento conhecer . A lareira estava escura e vazia . Snape fechou a porta e voltou se de frente para eles . - Com que então - disse com falsa suavidade - o comboio não serve para o famoso Harry_Potter e o seu fiel companheiro Weasley . Queriam chegar em grande estilo , não era rapazes ? - Não senhor , foi a barreira em King's_Cross , ela ... - Silêncio - disse Snape friamente . -- _ o que fizeram a o carro ? Ron engoliu em seco . Aquela não era a primeira vez que Snape dava a Harry a impressão de ser capaz de ler pensamentos . Mas , pouco depois , compreendeu tudo quando Snape desenrolou o exemplar de o Profeta_Vespertino . - Vocês foram vistos - afirmou , mostrando lhes o cabeçalho : : __ ford anglia voador confunde __ muggles . Começou a ler alto a notícia . - Dois Muggles em Londres convenceram se de que tinham visto um carro velho a voar sobre a torre de os correios ... a a tardinha em Norfolk , Mrs._Hetty_Bayliss , enquanto pendurava a roupa ... Mr._Angus_Fleet_de_Peebles informou a polícia ... seis ou sete Muggles a o todo . Julgo que o teu pai trabalha em o departamento de mau uso dado a os objectos de os Muggles ? - disse olhando para Ron e sorrindo de uma forma ainda mais sarcástica . - Que peninha , o próprio filho ... Harry sentiu se como_se tivesse levado um soco em o estômago de uma de as maiores pernadas de a árvore louca . E se alguém descobrisse que Mr._Weasley tinha enfeitiçado o carro ? Ele ainda nem tinha pensado em isso . - Reparei durante a minha volta por o jardim que foi feito um estrago considerável em um salgueiro zurzidor extremamente valioso - continuou Snape . - Essa árvore fez nos pior a nós do_que nós ... - deixou escapar Ron . - Silêncio - interrompeu Snape , de_novo . - Infelizmente vocês não fazem parte de a minha equipa e a decisão de vos expulsar não está em as minhas mãos . Vou , por isso , buscar as pessoas que possuem essa feliz possibilidade . Esperem aqui . Harry e Ron olharam , pálidos , um para o outro . Harry perdera a fome . Sentia se agora extremamente agoniado . Tentava não olhar para uma coisa viscosa , suspensa em um líquido verde que estava em uma prateleira por detrás de a secretária de Snape . Se ele fora buscar a professora Mc_Gonagall , chefe de a equipa de os Gryffindor , não estavam muito melhor . Ela era mais justa do_que Snape , mas extremamente severa . Dez minutos mais tarde , Snape voltou e era , de facto , a professora Mc_Gonagall quem o acompanhava . Harry vira a professora Mc_Gonagall zangada , mas , ou se tinha esquecido de como a boca de ela ficava fina , ou nunca a vira tão zangada como em aquele dia . Levantou a varinha em o momento em que entrou . Harry e Ron estremeceram , mas ela limitou se a apontá a para a lareira onde as chamas se elevaram subitamente . - Sentem se - ordenou , e os dois recuaram para as cadeiras junto de o lume . - Expliquem se - disse com os óculos a brilhar de uma forma ameaçadora . Ron enveredou por a história começando por a barreira de a estação que se recusara a deixá os passar . - Por isso não tínhamos escolha , professora , não podíamos chegar a o comboio . - Porque não nos mandaram uma carta por a coruja ? Julgo que tens uma coruja ? - disse friamente a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a Harry . Harry olhou para ela sem saber o que dizer . - Parece me - continuou ela - que seria a coisa mais adequada . - Eu ... não pensei ... - Isso - disse a professora Mc_Gonagall - é bastante óbvio . Ouviu se bater a a porta de o escritório e Snape , que parecia agora mais feliz do_que nunca , foi abrir . Era o director , o professor Dumbledore . Harry ficou totalmente paralisado . Dumbledore tinha uma expressão grave . Olhou para eles de cima de o seu nariz adunco e Harry desejou estar ainda com Ron a levar uma sova de o salgueiro zurzidor . Fez se um longo silêncio . Em seguida , Dumbledore disse lhes : - Por favor , expliquem porque fizeram isto . Teria sido melhor se gritasse . Harry detestou sentir a decepção em a sua voz . Inexplicavelmente era incapaz de olhar Dumbledore em os olhos e falou em direcção a os seus joelhos . Disse lhe tudo excepto que o carro enfeitiçado pertencia a Mr._Weasley , dando a ideia de que ele e o Ron o tinham encontrado estacionado fora de a estação . Sabia que Dumbledore ia ver para_além de isso , mas o director não fez perguntas sobre o carro . Quando Harry terminou continuou a olhar para ele através de os seus óculos . - Nós vamos buscar as nossas coisas - disse Ron em um tom de voz sem esperança . - Que disparate é esse ? - rosnou a professora Mc_Gonagall . -- Então , vão expulsar nos , não vão ? - disse o Ron . Harry olhou rapidamente para Dumbledore . - Ainda não , Mr._Weasley - afirmou Dumbledore . - Mas vou assinalar a gravidade do_que vocês fizeram . Hoje a a noite escreverei a as vossas famílias . Estão também prevenidos que se voltarem a fazer uma coisa como esta não terei outro remédio senão expulsar vos . A expressão de Snape era como_se o Natal tivesse sido cancelado . Pigarreou e disse : - Professor_Dumbledore , estes rapazes infringiram o decreto para a restrição de a feitiçaria de os menores , causaram estragos consideráveis a uma árvore antiga e valiosa ... sem dúvida , actos de esta natureza ... - Cabe a a professora Mc_Gonagall decidir sobre os castigos de os rapazes , Severus - afirmou Dumbledore com toda_a calma . - Pertencem a a equipa de ela e são , portanto , de a sua responsabilidade . - Voltou se para a professora Mc_Gonagall . - Tenho de regressar a o banquete , Minerva , devo dar algumas informações . Venha Severus , há uma tarte de leite e ovos com um aspecto delicioso que quero mostrar lhe . Snape lançou um olhar de puro veneno a o Harry e a o Ron enquanto permitia que o afastassem de o seu escritório , deixando os a sós com a professora Mc_Gonagall que ainda os olhava como uma águia em fúria . - É melhor ires até a a ala hospitalar , Weasley , estás a sangrar . - Não é nada - disse Ron , limpando o corte com a manga para que ela o visse . - Professora , eu gostava de ver a minha irmã ser seleccionada . - A cerimónia de a selecção terminou - disse a professora Mc_Gonagall . - A tua irmã está também em os Gryffindor . - _ óptimo - exclamou Ron . - E por falar em os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall de forma cortante , mas Harry interrompeu a : - Professora , quando tirámos o carro , o ano escolar ainda não tinha começado , por isso os Gryffindor não deveriam perder pontos , pois não ? - terminou olhando a ansiosamente . A professora Mc_Gonagall lançou lhe um olhar penetrante , mas ele era capaz de jurar que ela quase tinha sorrido . Pelo_menos a boca não parecia tão fina . - Não vou tirar pontos a os Gryffindor - tranquilizou o . E o coração de Harry ficou mais leve . - Mas vocês os dois vão ter um castigo . Foi melhor do_que Harry imaginara . O facto de Dumbledore escrever a os Dursley não tinha a menor importância . Harry sabia perfeitamente que eles só lamentariam que o salgueiro zurzidor não o tivesse esmigalhado . A professora Mc_Gonagall ergueu a varinha de_novo apontou a a a secretária de Snape . Um grande prato de sanduíches , duas taças de prata e um jarro com sumo de abóbora gelado apareceram em menos_de um segundo . - Vocês vão comer aqui e , em seguida , vão direitinhos para o vosso dormitório - disse . - Eu também tenho de voltar para a festa . Mal a porta se fechou atrás de ela , Ron soltou baixinho um assobio . - Pensei que estávamos feitos - confessou , agarrando uma sanduíche . - Também eu - disse o Harry , orando também uma . - Mas já viste bem a nossa pouca sorte ? - insistiu o Ron com a boca cheia de frango e fiambre . - O Fred e o George voaram em aquele carro cinco ou seis vezes e nenhum Muggle os viu - engoliu outro pedaço enorme de a sanduíche . - Porque será que não conseguimos passar a barreira ? Harry encolheu os ombros . - Mas temos de ter muito cuidado a_partir_de agora - disse bebendo um grande trago de sumo de abóbora . - Que pena não termos podido ir a o banquete . - Ela não quis que nos exibíssemos - afirmou Ron com prudência . - Não vão as pessoas pensar que é uma boa chegar aqui de carro voador . Quando já tinham comido todas_as sanduíches que queriam ( o prato ia voltando a encher se sozinho ) , levantaram se e saíram de o escritório , seguindo o caminho que lhes era familiar , para a torre de os Gryffindor . O castelo estava em silêncio . Parecia que o banquete tinha acabado . Passaram por retratos murmurantes e armaduras que gemiam e subiram os degraus estreitos de pedra até que , por fim , chegaram a a passagem onde a entrada secreta para a torre de os Gryffindor se encontrava oculta por detrás de o quadro a óleo de uma dama gorda em um vestido cor-de-rosa . - A senha ? - perguntou ela mal os dois se aproximaram . - Er ... Eles ainda não tinham estado com o prefeito de os Gryffindor e por isso ainda não conheciam a senha para o novo ano , mas a ajuda não se fez esperar . Ouviram passos apressados atrás de eles e quando se voltaram viram Hermione que se aproximava . - Aí estão vocês . Onde é_que se meteram ? Correm os boatos mais ridículos , alguém disse que vocês tinham sido expulsos por espatifarem um carro voador . - Bem , expulsos não fomos - tranquilizou a Harry . - Não estás a dizer me que voaram até aqui ? - perguntou Hermione em um tom quase tão severo como a professora Mc_Gonagall . - Dispensa se o sermão - interrompeu Ron impacientemente . - E diz nos a nova senha de passagem . - É crista de pássaro - disse Hermione não contendo a impaciência . - Mas o mais importante não é isso ... Contudo as palavras de ela foram interrompidas ao_mesmo_tempo que o retrato de a dama gorda se abria e se ouvia uma tempestade de aplausos . A o que parecia a equipa de os Gryffindor estava ainda acordada , dentro de a sala comum em forma de círculo , junto de as mesas assimétricas e de os cadeirões moles a a espera que eles chegassem para , de braços estendidos através de o buraco de o retrato , puxarem Harry e Ron para dentro deixando Hermione para o fim . - Sensacional - gritou Lee_Jordan . - Inspirado ! Que entrada ! Voar em um carro e aterrar em o salgueiro zurzidor . Toda_a_gente vai falar de isto durante anos e anos . - Muito bem - disse um aluno de o quinto ano com quem Harry nunca tinha falado . Alguém dava lhe palmadas em as costas como_se ele acabasse de vencer a maratona . Fred e George abriram caminho por_entre a multidão e disseram ao_mesmo_tempo : - Por_que é_que não nos chamaram , hein ? - Ron estava vermelho como um pimentão , sorrindo envergonhado , mas Harry via perfeitamente uma pessoa que não estava nada contente . Percy elevava se acima de as cabeças de os excitados alunos de o primeiro ano e parecia estar a tentar aproximar se para os repreender . Harry deu uma cotovelada a o Ron e apontou em direcção a Percy . Ron percebeu de imediato . - Temos de ir para_cima , um_pouco cansados ! - explicou e os dois começaram a abrir caminho em direcção a a porta que ficava de o outro lado de a sala e que dava para a escada em espiral e para os dormitórios . - ` _ Noite - despediu se Harry_de_Hermione que tinha um ar tão carrancudo como Percy . Conseguiram chegar a o outro lado de a sala comum sempre a levarem palmadas em as costas e alcançaram o sossego de as escadas . Apressaram se a subir e , por fim , chegaram a a porta de o dormitório que tinha agora um letreiro a dizer « Segundos_Anos » . Entraram em o quarto circular , que conheciam tão bem , com as suas cinco camas de dossel adornadas de velado vermelho e as suas janelas altas e estreitas . As malas tinham sido trazidas para_cima e colocadas a os pés de as camas . Ron fez um sorriso culpado . - Sei que não devia ter gostado de aquilo , mas ... A porta de o dormitório abriu se e os outros rapazes de os Gryffindor entraram ; eram eles o Seamus_Finnigan , o Dean_Thomas e o Neville_Loogbottom . - Inacreditável - aplaudiu Seamus . - Incrível - aprovou o Dean . - Espantoso - exclamou o Neville , aterrado . Harry não pôde evitar também um sorriso . VI_Gilderoy_Lockhart_No dia seguinte , contudo , Harry não conseguiu sorrir . As coisas começaram a correr mal logo em o salão durante o pequeno-almoço . Debaixo de o tecto encantado ( em aquele dia triste e cinzento ) estavam as quatro grandes mesas de as equipas e sobre elas , terrinas de papa de aveia , pratos de arenque defumado , montanhas de torradas e pratadas de ovos com * bacon * . Harry e Ron sentaram se em a mesa de os Gryffindor , junto de Hermione que tinha o seu exemplar de * _ Viagens com Vampiros * totalmente aberto , encostado a um jarro de leite . Havia uma certa rigidez em a maneira como ela disse : - ` _ Dia - que mostrou a Harry que continuava a desaprovar o modo como tinham chegado a a escola . Por seu turno , Neville_Longbottom saudou os entusiasticamente . Neville era um rapazinho de cara redonda , muito dado a acidentes , com a pior memória que Harry tinha conhecido . - A entrega de correio deve estar a chegar , acho que a minha avó me vai mandar umas quantas coisas de que me esqueci ... Harry tinha começado a comer as papas de aveia , quando se ouviu um ruído tumultuoso em o ar e umas cem corujas entraram ao_mesmo_tempo , sobrevoando o salão e deixando cair cartas e pacotes em o meio de a multidão faladora . Um embrulho grande e rugoso caiu em a cabeça de Neville e , um segundo depois , uma coisa larga e cinzenta caiu em o jarro de a Hermione , enchendo os a todos de leite e penas . - Errol - gritou o Ron , puxando a coruja esfarrapada por as patas . Errol caíra inconsciente sobre a mesa com as pernas para o ar e um envelope vermelho húmido em o bico . - Oh , não ! - sobressaltou se Ron . - Ela está bem , ainda está viva - tranquilizou o Hermione , tocando suavemente em a Errol com a ponta de o dedo . - Não é isso , é ... aquilo . Ron apontava para o envelope vermelho . Parecera perfeitamente vulgar a Harry , mas Ron e Neville estavam ambos a observá o como_se esperassem que explodisse . - Qual é o problema ? - perguntou Harry . - Ela . Ela mandou me um * gritador * - disse Ron , quase sem voz . - É melhor abrires - aconselhou Neville em um murmúrio tímido - senão é pior . A minha avó uma_vez mandou me um que eu ignorei e ... - engoliu em seco - foi horrível . Harry olhava , ora para as suas caras , ora para o envelope vermelho . - O que é um * gritador * ? - perguntou . - Mas toda_a atenção de o Ron estava fixa em a carta que começara a fumegar por os cantos . - Abre a - intimou o Neville . - De aqui a poucos minutos já passou tudo . Ron estendeu uma mão trémula , retirou o envelope de o bico de a Errol e começou a abri o . Neville pôs os dedos em os ouvidos . Após uma fracção de segundo , Harry compreendeu porquê . Pensou em o primeiro momento que ela explodira . Um ruído ensurdecedor encheu o enorme salão , fazendo cair pó de o tecto . - ... : __ roubar o carro ! não me surpreendia nada se te expulsassem . espera só até te pôr as mãos em cima . será que não paraste para pensar em a nossa aflição quando vimos que o carro tinha __ desaparecido ... Os gritos de Mrs._Weasley , ampliados cem vezes em relação a o seu normal , fizeram os pratos e as colheres chocalhar em a mesa e ecoaram de forma ensurdecedora em as paredes de pedra . Vinha gente de todos os lados espreitar quem tinha recebido o * gritador * e Ron afundou se tanto em a cadeira que só se lhe via a testa carmesim . - ... : __ uma carta de o dumbledore ontem a a noite , o teu pai quase morria de vergonha . não foi esta a educação que te demos , tu e o harry podiam ter __ morrido ... Harry estava a ver quando é_que o seu nome viria a a baila . Tentou o melhor que pôde agir como_se não ouvisse a voz , mas aquilo estava a fazer com que os tímpanos lhe latejassem . - ... : __ profundamente decepcionada , o teu pai vai ter de se confrontar com um inquérito em o trabalho , tudo por tua culpa e , se pisas mais_uma_vez o risco , trago te para __ casa ! Seguiu se um silêncio ressonante . O envelope vermelho , que caíra de as mãos de o Ron , incendiou se e encaracolou se em cinzas . Harry e Ron estavam sentados de boca aberta , como_se uma onda gigante lhes tivesse passado por cima . Algumas pessoas riam e , a os poucos , o ruído de as conversas recomeçou . Hermione fechou o * _ Viagens com Vampiros * e olhou para o topo de a cabeça de Ron . - Bem , não sei o que esperavas , Ron , mas tu ... - Não me venhas dizer que mereci - interrompeu Ron . Harry afastou as papas de aveia . O estômago ardia lhe de culpa . Mr._Weasley tinha um inquérito em o trabalho , depois de tudo_o_que Mr. e Mrs._Weasley tinham feito por ele durante o Verão ... Mas não teve muito_tempo para se demorar em aqueles pensamentos . A professora Mc_Gonagall circulava em volta de as mesas de os Gryffindor distribuindo horários . Harry pegou em o seu e viu que começavam por ter Herbologia , juntamente com os Hufflepuff . Harry , Ron e Hermione saíram juntos de o castelo , atravessaram as hortas e chegaram a as estufas , onde estavam guardadas as plantas mágicas . O * gritador * tivera pelo_menos uma vantagem : Hermione parecia achar que já tinham sido suficientemente castigados e estava de_novo perfeitamente calorosa . Quando estavam a chegar a as estufas viram o resto de a classe de pé , cá fora , a a espera de a professora Sprout . Harry , Ron e Hermione tinham acabado de se lhes juntar quando a viram aproximar se a passos largos por o relvado , acompanhada de Gilderoy_Lockhart . A professora Sprout era uma bruxa pequenina e atarracada que usava um chapéu a os remendos sobre o cabelo solto . As roupas que vestia estavam sempre cheias de terra e as suas unhas fariam a tia Petúnia desmaiar . Gilderoy_Lockhart , pelo_contrário , tinha um ar imaculado em as suas vestes azul-turquesa , o cabelo doirado a brilhar debaixo_de um chapéu azul-turquesa , com uma fita dourada , perfeitamente posicionado sobre a cabeça . - Olá a todos ! - gritou Lockhart , dirigindo se a o grupo de estudantes . - Estive a mostrar a a professora Sprout a maneira correcta de tratar um salgueiro . Mas não quero que fiquem com a ideia de que sou melhor do_que ela em Herbologia . Acontece que encontrei várias de estas plantas exóticas , durante as minhas viagens .... - Estufa número três hoje , meninos ! - disse a professora Sprout que estava visivelmente descontente , bem diferente de a sua habitual natureza bem-disposta . Houve um murmúrio de interesse . Eles só tinham estado uma_vez em a terceira estufa , que era uma estufa que abrigava plantas bem mais interessantes e perigosas . A professora Sprout tirou uma enorme chave de o cinto e abriu a porta . Harry sentiu o bafo de a terra húmida com adubo misturado e o perfume forte de umas flores gigantescas , de o tamanho de guarda-chuvas , que estavam penduradas de o tecto . Ia seguir Ron e Hermione , quando a mão de o Lockhart o travou . -- Harry ! Tenho querido ter uma palavrinha contigo . Não se importa se ele chegar uns minutos atrasado , pois não , professora Sprout ? A julgar por a expressão carregada de a professora Sprout , importava se sim , mas Lockhart disse : - Então até já - e fechou a porta de a estufa em a cara de ela . - Harry ! - disse Lockhart , com os dentes brancos a brilharem a o sol , enquanto abanava a cabeça . - Harry , Harry , Harry ! Harry , totalmente perplexo , não disse uma palavra . - Quando ouvi dizer , bem , é claro que eu tive muita culpa , deviam castigar me também ... Harry não fazia ideia de que estava ele a falar , quando Lockhart prosseguiu : - Nunca me lembro de ficar tão chocado . Fazer voar um automóvel até Hogwarts ! Bem , é claro que eu percebi logo porque o fizeste . Foi um destaque em grande . Harry , Harry , Harry ! Era notável como ele conseguia mostrar todos aqueles dentes brilhantes , mesmo quando não estava a falar . - Criei te o gosto por a publicidade , não foi ? - perguntou Lockhart . - Passei te o bichinho . Apareceste comigo em a primeira página e não podias esperar para aparecer outra_vez ... - Oh , não , professor , sabe é_que ... - Harry , Harry , Harry - disse Lockhart aproximando se e tocando lhe em o ombro . - * _ Eu compreendo * . É natural querer um_pouco mais quando se lhe tomou o gosto , e eu culpo me por te ter dado esse conhecimento , porque era natural que te subisse a a cabeça , mas vê uma coisa , rapazinho , tu não podes começar a fazer voar carros para tentares ser notícia . Tens de acalmar , está bem ? Tens muito_tempo quando fores mais velho . Sim , sim , eu sei o que estás a pensar ! É fácil para ele falar assim , já é um feiticeiro internacionalmente famoso ! Mas quando eu tinha doze anos era tão zé-ninguém como tu és hoje . Em a verdade , era ainda mais . De ti , já meia_dúzia de pessoas ouviram falar , não é ? Toda aquela história com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . - Olhou para a cicatriz luminosa em a testa de Harry . - Eu sei , eu sei , não é o mesmo_que vencer o Prémio de o sorriso de o feiticeiro de a semana cinco vezes seguidas , como eu venci , mas é um começo , Harry , é um começo . Lançou lhe uma piscadela de olhos cordial e foi se embora . Harry ficou atarantado durante alguns segundos . Depois , lembrando se que deveria estar em a estufa , abriu a porta e esgueirou se lá para dentro . A professora Sprout estava de pé , por_detrás_de uma espécie de mesa em o meio de a estufa . Em cima de a mesa estavam cerca de vinte pares de abafo de ouvidos de diferentes cores . Quando Harry estava já em o seu lugar , entre Ron e Hermione , ela disse : - Hoje vamos transplantar Mandrágoras . Muito bem , quem sabe dizer me as propriedades de a Mandrágora ? Não foi surpresa para ninguém que a mão de a Hermione fosse a primeira em o ar . - A Mandrágora tem um efeito reparador muito poderoso - disse Hermione , com o ar mais normal de este mundo , como_se tivesse engolido o livro de texto . - É usada para fazer voltar as pessoas , que foram transfiguradas ou amaldiçoadas , a o seu estado original . - Excelente . Dez pontos para os Gryffindor ! - exclamou a professora Sprout . - A Mandrágora é parte integrante de a maior parte de os antídotos , mas também é perigosa . Quem sabe dizer me porquê ? A mão de Hermione por_pouco não bateu em os óculos de Harry , quando se ergueu de_novo . - O grito de a Mandrágora é fatal para quem o ouve - disse prontamente . - Precisamente . Dou lhe mais dez pontos - disse a professora Sprout . - Agora vejamos , as Mandrágoras que aqui temos são ainda muito jovens . Enquanto falava , apontou para uma fila de tabuleiros com uma certa profundidade e todos se chegaram a a frente para ver melhor . Cerca de uma centena de plantinhas tufosas de um verde arroxeado cresciam em filas . Pareceram perfeitamente vulgares a Harry , que não fazia a menor ideia do_que Hermione queria dizer com o * grito * de a Mandrágora . - Cada_um de vocês pode tirar um par de abafo de ouvidos - disse a professora Sprout . Houve uma competição renhida porque ninguém queria os cor-de-rosa , cheios de penugem . - Quando eu vos disser para os colocar , assegurem se de que os vossos ouvidos estão completamente tapados - disse a professora Sprout . - Logo_que seja seguro retirá os , eu levanto os dedos . Certo , pôr os abafos de os ouvido . Harry pôs imediatamente os abafos em os ouvidos . Eles fecharam completamente o som . A professora Sprout colocou também um par de abafos cor-de-rosa com penugem em os de ela , arregaçou as mangas de a túnica , agarrou uma de as plantas tufosas e puxou com toda_a força . Harry soltou um grito de surpresa que ninguém ouviu . Em_vez_de raízes , um bebé pequenino , enlameado e extremamente feio , saiu de a terra . As folhas cresciam lhe em o alto de a cabeça , tinha uma pele pintalgada de um pálido esverdeado e estava nitidamente a berrar a plenos pulmões . A professora Sprout tirou debaixo de a mesa um grande vaso de plantas e mergulhou lá dentro a Mandrágora , enterrando a em a mistura escura e húmida , até que só as folhas ficassem visíveis . Em seguida , limpou a terra de as mãos , levantou os dedos e todos eles retiraram os abafos de os ouvidos . - Como as nossas Mandrágoras são muito novas , os seus gritos ainda não matam - disse ela com grande calma , como_se tivesse feito algo tão normal como regar uma begónia . - Contudo , podem pôr vos a dormir durante várias horas e , como com certeza nenhum de vocês quer perder o primeiro dia de aulas , vejam se os abafos estão bem colocados enquanto trabalham . Eu chamarei vos a atenção quando for altura de os retirar . - Quatro em cada fila , há aqui uma grande quantidade de vasos , a mistura de terra está em os sacos ali a o fundo e tenham cuidado com a * _ Venomous_Tentacula * , estão a nascer lhe os dentes . Enquanto falava , deu uma pancada seca a uma planta vermelha escura cheia de pontas eriçadas , fazendo a encolher as longas antenas que tinham estado a avançar lenta e dissimuladamente sobre o seu ombro . A Harry , Ron e Hermione veio juntar se em a fila um rapaz de cabelo encaracolado de os Hufflepuff que Harry conhecia de vista , mas com quem nunca tinha falado . - Justin_Finch - _ Fletchey - disse ele com vivacidade , apertando a mão de o Harry . - Conheço te , claro , o famoso Harry_Potter ... e tu és a Hermione_Granger , sempre a primeira em tudo ( Hermione brilhou em um sorriso , como_se ele lhe tivesse apertado a mão ) e Ron_Weasley . Não era teu o carro voador ? Ron não sorriu . Não lhe saía de a cabeça o * gritador * . - Aquele Lockhart é o_máximo , não acham ? - disse Justin satisfeito , enquanto começavam a encher os vasos com composto de adubo de dragão . - Terrivelmente corajoso . Leram os livros de ele ? Eu teria morrido de medo se um lobisomem me tivesse encurralado em uma cabina telefónica , mas ele manteve se calmo e ... zap ... fantástico ! « Eu estava inscrito em Eton , sabem , não imaginam como estou feliz de ter vindo antes para aqui . É claro que a minha mãe ficou um_pouco desiludida , mas depois de lhe ter dado os livros de Lockhart a ler , tenho a impressão de que ela começou a ver a utilidade de ter um feiticeiro bem treinado em a família ... Depois de isso , não tiveram grandes oportunidades para conversar . Voltaram a pôr os abafos de ouvidos e era preciso concentrarem se em as Mandrágoras . A professora Sprout fizera as coisas parecerem extremamente simples , mas não eram . As Mandrágoras não gostavam de sair de a terra mas também não pareciam querer voltar para lá . Elas contorceram se , deram pontapés , agitaram as mãozinhas finas e rangeram os dentes . Harry levou dez minutos inteirinhos a tentar meter uma Mandrágora particularmente gorda dentro_de um vaso . Em o final de a aula , Harry , como todos os outros , estava a suar , cheio de dores e coberto de terra . Regressaram a o castelo a pé para um banho rápido e , em seguida , os Gryffindor apressaram se para assistir a a aula de transfiguração . As aulas de a professora Mc_Gonagall eram sempre complicadas , mas a de aquele dia era particularmente difícil . Tudo_o_que o Harry aprendera em o ano anterior parecia ter se lhe apagado de a memória durante o Verão . Ele deveria ser capaz de transformar uma barata em um botão , mas , tudo_o_que conseguiu foi fazer a barata praticar um imenso exercício , enquanto corria apressadamente por o tampo de a secretária evitando a varinha . Ron estava a debater se com problemas bastante piores . Tinha atado a varinha com uma fita mágica , mas parecia que não havia reparação possível . Não parava de crepitar e lançar faíscas em os momentos mais estranhos e , sempre_que Ron tentava transfigurar a barata , via se envolvido em um fumo cinzento espesso que cheirava a ovos podres . Incapaz de ver o que estava a fazer , o Ron esmagou , por engano , a barata com o cotovelo e teve de ir pedir que lhe dessem outra , o que deixou a professora Mc_Gonagall muito pouco satisfeita . Harry ficou aliviado quando ouviu tocar a campainha para o almoço . Sentia a cabeça como uma esponja espremida . Todos os alunos saíram em fila de a aula excepto ele e Ron que dava furiosas varadas em a secretária . - Coisa estúpida e inútil . - Escreve a os teus pais a pedir outra - sugeriu Harry , enquanto a varinha disparava com estrondo um foguete explosivo . - Ah pois , e receber outro * gritador * em a volta de o correio - respondeu Ron , metendo a varinha que já assobiava , dentro de o saco . - * _ A culpa é toda tua se a varinha está estragada * ... Desceram para o almoço e aí a disposição de o Ron não iria melhorar com Hermione a mostrar lhe uma mão-cheia de botões de casaco , perfeitinhos , que produzira em a transfiguração . - O que temos esta tarde ? - quis saber Harry , mudando rapidamente de assunto . - Defesa contra as artes negras - disse Hermione , sem perder tempo . - Porque é_que tu ... - perguntou Ron , pegando em o horário de ela - desenhaste corações em volta de as aulas de o Lockhart ? Hermione arrancou lhe o horário de as mãos , corando furiosa . Acabaram de almoçar e foram para o pátio carregado de nuvens . Hermione sentou se em um degrau de pedra e enfiou de_novo o nariz em as * _ Viagens com Vampiros * . Harry e Ron ficaram a falar de Quidditch durante alguns minutos antes de Harry se aperceber de que estava a ser observado de perto . Olhando para_cima viu o rapazinho pequenino com cabelo de rato que ele vira experimentar o chapéu seleccionador em a noite anterior , olhando para ele com uma expressão petrificada . Estava agarrado a o que parecia ser uma vulgar máquina fotográfica de os Muggles e , em o momento em que Harry olhou para ele , ficou todo vermelho . - Tudo bem , Harry ? Eu sou Colin_Creevey - disse , faltando lhe o ar e adiantando se a qualquer pergunta . - Estou em os Gryffindor também . Não te importavas que eu tirasse uma fotografia ? - perguntou , levantando a máquina cheio de expectativa . - Uma fotografia ? - repetiu Harry , inexpressivo . - Para eu provar que te conheci - disse Colin_Creevey cheio de ansiedade , continuando : - Eu sei tudo a teu respeito . Toda_a_gente me tem contado como sobreviveste quando O_Quem nós sabemos tentou matar te , como ele desapareceu depois de isso e como ficaste com a cicatriz em forma de relâmpago em a testa ( os seus olhos procuraram a linha de cabelo de Harry ) e um rapaz de o meu dormitório disse que se eu revelasse o filme em a posição certa ele mexia . - Colin respirou fundo , estremecendo de excitação e disse : - Isto_é fantástico , aqui , não achas ? Eu não sabia que todas_as coisas estranhas que fazia eram magia até a o dia em que recebi uma carta de Hogwarts . O meu pai é leiteiro . Também ele não queria acreditar . Por isso estou a tirar montes de fotografias para lhe mandar e era mesmo bom se tivesse uma tua - parecia implorar . - Talvez o teu amigo pudesse tirá a e assim eu ficava a o teu lado . E depois , podias assiná a ? - Assinar fotografias ? Estás a dar fotos autografadas , Potter ? Alta e mordaz , a voz de Draco_Malfoy ecoou em o pátio . Estava parado mesmo atrás_de Colin , ladeado , como sempre andava em Hogwarts , por os seus fortes guarda-costas Crabbe e Goyle . - Ei gente , façam bicha - gritou Malfoy a a multidão . - Harry_Potter está a dar fotos autografadas ! - Não estou coisa nenhuma - disse Harry , zangado , com os punhos em o ar . - Cala a boca , Malfoy . - Tu tens é inveja - começou a dizer Colin , cujo corpo era de o tamanho de o pescoço de Crabbe . - Inveja - repetiu Malfoy que não precisava de gritar mais , metade de o pátio estava a ouvi o . - De quê ? Não preciso de uma cicatriz em a cabeça , muito obrigado . Não acho que ter um corte em a testa torne alguém especial . Crabbe e Goyle riram estupidamente - Vai pastar caracóis , Malfoy - disse o Ron furioso . Crabbe parou de rir e começou a esfregar os nós de os dedos enormes de uma forma ameaçadora . - Tem cuidado , Weasley - escarneceu Malfoy . - Com certeza não queres começar uma rixa ou a tua mãezinha tem de vir cá para te tirar de a escola - e com uma voz aguda e penetrante : - * _ Se voltas a pisar o risco * ... Um grupo de alunos de o quinto ano de os Slytherin que estava ali perto , riu se bastante alto . - O Weasley gostaria de ter uma foto tua autografada , Potter - escarneceu de_novo Malfoy . - Era capaz de valer mais do_que a casa onde ele mora com a família . Ron sacou de a sua varinha amarrada com fita , mas Hermione fechou as * Viagens com Vampiros * com um estrondo e avisou : - Atenção . - O que é isto , o que é isto ? - Gilderoy_Lockhart aproximava se com o seu manto azul-turquesa girando em torvelinho atrás de ele . - Quem está a dar fotos autografadas ? Harry ia começar a explicar , mas foi interrompido quando Lockhart lhe pôs jovialmente o braço em cima de os ombros . - Mas que pergunta a minha ! Cá estamos nós de_novo , Harry ! Preso ao_lado_de Lockhart e a arder de humilhação , Harry viu Malfoy deslizar com o seu sorriso desdenhoso por o meio de a multidão . - Vamos lá então , Mr._Creevey - disse Lockhart , dirigindo se a Colin . - Uma foto dupla , já viu a sua sorte ? E assinamos a os dois para si . Colin ajustou a máquina e tirou a fotografia em o preciso momento em que a campainha tocava para as aulas de a tarde . - Está em a hora , todos para dentro - gritou Lockhart a a multidão e regressou a o castelo levando a o seu lado o Harry que só lamentava não conhecer um feitiço que o fizesse desaparecer . - Uma palavra só , Harry - disse Lockhart paternalmente , enquanto entravam em o edifício por uma porta lateral . - Eu ajudei te há bocado com o jovem Creevey porque se ele estivesse a fotografar me também a mim os teus colegas não reparariam tanto que estavas a exibir te ... Indiferente a a gaguez de Harry , Lockhart arrastou o para um corredor ladeado de alunos que os olhavam espantados e subiram uma escada . - Deixa me só dizer te uma coisa : dar fotografias autografadas em esta fase de a tua carreira , francamente , não é sensato , Harry , parece um_pouco megalómano . Pode ser que um dia mais tarde , tal_como eu , sejas obrigado a assinar para multidões onde quer que vás , mas - fez uma pequena pausa - não me parece que seja o caso , por enquanto . Tinham chegado a a aula de Lockhart e ele largou finalmente o Harry que sacudiu a túnica e foi sentar se em um lugar bem lá atrás onde começou por empilhar os livros de Lockhart a a sua frente para evitar olhar para a criatura . O resto de a aula entrou ruidosamente e Ron e Hermione foram sentar se um de cada lado de Harry . - Tu estavas vermelho como um pimentão - disse o Ron . - Reza para que o Creevey não se torne amigo de a Ginny senão bem podem criar o clube de * fans * de Harry_Potter . - Cala a boca - interrompeu Harry . A última coisa que desejava era que o Lockhart ouvisse a expressão « clube de * fans * de Harry_Potter « . Quando todos estavam em os seus lugares , Lockhart pigarreou alto e fez se silêncio . Ele inclinou se para a frente , pegou em o exemplar de Neville_Longbottom de * _ viagens com Duendes * e levantou o para mostrar a sua fotografia a piscar os olhos em a capa . - Eu - disse apontando para a fotografia e piscando também os olhos - Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , terceiro ano , membro honorário de a Liga_de_Defesa contra as artes negras e cinco vezes vencedor de o prémio de o * _ Feiticeiro de a semana * por o sorriso mais charmoso . Mas não vamos falar de isso , não venci a fada carpideira de Bandon a sorrir para ela ! Esperou que eles se rissem . Alguns alunos sorriram timidamente . - Já vi que todos vocês compraram a minha obra completa . Muito bem . Pensei começar hoje com um pequeno interrogatório escrito . Nada de complicado , só para perceber se leram bem os meus livros e o que apreenderam ... Depois de distribuir as folhas de teste voltou se para os alunos e disse : - Têm trinta minutos . Comecem já . Harry olhou para o papel e leu : *1 . Qual é a cor preferida de Gilderoy_Lockhart ? *2 . Qual é a ambição secreta de Gilderoy_Lockhart ? *3 . Qual é , em a sua opinião , a maior realização de Gilderoy_Lockhart até a o momento ? * E_por_aí adiante , ao_longo_de três páginas , terminando com : *54 . Qual é o dia de aniversário de Gilderoy_Lockhart e qual seria o seu presente preferido ? * Meia_hora mais tarde , Lockhart recolheu os pontos e folhou os rapidamente em frente de os alunos . - Tut , tut , quase ninguém se lembrou que a minha cor preferida é o lilás . Eu digo o em * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves * . Alguns precisam de voltar a ler com mais cuidado * Fim-de - _ Semana com Um Lobisomem * . Eu afirmo claramente em o décimo segundo capítulo que o meu presente de aniversário preferido seria a harmonia entre todos os seres , mágicos e não mágicos , embora não me importasse de receber uma garrafa grande de * whisky * velho de a Ogden's_Old_Firewhisky . Piscou lhes o olho de_novo . Ron olhava para Lockhart com uma expressão de incredulidade em o rosto . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas que estavam sentados a a frente tremiam de tanto conter o riso . Hermione , contudo , ouvia Lockhart com extrema atenção e deu um salto quando ouviu o seu nome . - Mas Miss_Hermione_Granger sabia que a minha ambição secreta era libertar o mundo de o mal e pôr a a venda a minha gama de poções de tratamento de o cabelo . Muito bem - voltou o papel . - Nota máxima ! Onde está Miss_Hermione_Granger ? Hermione ergueu uma mão trémula . - Excelente - bradou Lockhart , exultante . - Leva dez pontos para os Gryffindor . E vamos a o trabalho . Baixou se atrás de a secretária e pegou em uma grande gaiola coberta . - Ficam desde_já a saber , a minha função é preparar vos contra as criaturas mais malignas que a feitiçaria conhece . Vocês podem ter que enfrentar os maiores medos em esta sala . Saibam que nenhum mal vos sucederá comigo aqui . Só vos peço que se mantenham calmos . Ultrapassando os seus sentimentos , Harry espreitou através de a pilha de livros para ver melhor a gaiola . Lockhart colocou uma mão em a tampa . Dean e Seamus tinham deixado de se rir . Neville estava agachado em o seu lugar de a fila de a frente . - Vou pedir vos que não façam barulho - disse Lockhart em voz baixa . - Podem assustá os . Enquanto a aula inteira continha a respiração , Lockhart tirou a cobertura . - Sim - disse em um tom dramático . - Duendes_da_Cornualha recém-capturados . Seamus_Finnigan não conseguiu controlar se . Soltou uma gargalhada que nem Lockhart poderia confundir com um grito de terror . - Sim ? - sorriu a Seamus . - Bem , eles não são , não são perigosos , pois não ? - perguntou a rir . -- Não tenhas tanta certeza de isso - afirmou Lockhart , aborrecido , abanando um dedo , em direcção a Seamus . - Podem ser maçadores e muito traiçoeiros . Os duendes eram de um azul-eléctrico e tinham cerca de vinte centímetros de altura com feições angulosas e umas vozes tão estridentes que era como ouvir uma discussão entre araras . Logo_que o pano foi retirado , começaram a fazer uma enorme algazarra , a andar de um lado para o outro , batendo em as grades e fazendo caretas a as pessoas que estavam mais perto . - Muito bem - disse Lockhart em voz alta . - Vamos então ver o que vocês conseguem fazer de eles - e abriu a gaiola . Foi um pandemónio . Os duendes dispararam em todas_as direcções como foguetes . Dois de eles agarraram o Neville por as orelhas e levantaram o a o ar . Vários outros foram direitos a a janela , fazendo chover vidros partidos até a a fila de trás . Os restantes decidiram destruir a sala com maior eficácia do_que um rinoceronte em fúria . Agarraram em os tinteiros e salpicaram tudo em volta , rasgaram a os bocados livros e papéis , arrancaram os quadros de as paredes , levantaram a o ar a gaiola vazia , agarraram livros e sacos e lançaram nos por a janela de vidros estilhaçados . Em poucos minutos , metade de a aula estava abrigada debaixo de as secretárias e o Neville pendurado em o candelabro de o tecto . - Vamos lá , agarrem nos , agarrem nos , são apenas duendes ... - gritava Lockhart . Arregaçou as mangas , bramiu a varinha e pronunciou * Peshipiksi_Pesternomi ! * As palavras não tiveram o menor efeito . Um de os duendes pegou em a varinha de Lockhart e atirou a também por a janela fora . Lockhart engoliu em seco e mergulhou debaixo de a secretária , não sendo , por um triz , esmagado por o Neville que caiu um segundo depois , quando o candelabro cedeu . A campainha tocou e houve uma louca precipitação para a porta . Em a calma relativa que se seguiu , Lockhart endireitou se , olhou para Harry , Ron e Hermione que estavam quase a chegar a a porta e disse : - Bem , vou pedir vos a os três que prendam o resto de os duendes em a gaiola - passou por eles e fechou rapidamente a porta atrás_de si . - Isto dá para acreditar ? - resmungou o Ron , enquanto um de os duendes lhe mordia com toda_a força uma de as orelhas . - Ele só quer dar nos uma ajuda , permitindo nos ganhar experiência - justificou Hermione , imobilizando dois duendes de uma_vez com um encantamento de paralisação e metendo os de_novo em a gaiola . - Experiência ? - disse Harry , tentando agarrar um duende que dançava com a língua de_fora . - Hermione , ele não sabia nada do_que estava a fazer . - Disparate - retorquiu Hermione . - Leste os livros de ele . Vê só as coisas que ele já fez ! - Que diz que fez - resmungou o Ron . VII_Sangue de lama e murmúrios Harry passou imenso tempo , em os dias que se seguiram , a fugir sempre_que via Gilderoy_Lockhart aproximar se em o corredor . Mais difícil de evitar era Colin_Creevey que parecia ter decorado o horário de Harry . Parecia que nada o emocionava mais do_que dizer : - Tudo bem , Harry ? - seis ou sete vezes por dia e ouvir : - Olá , Colin - por mais exasperado que Harry estivesse quando lhe respondia . A Hedwig ainda estava zangada com Harry por causa de a desastrosa viagem de automóvel e a varinha de o Ron continuava a não funcionar , tendo ultrapassado tudo em a sexta-feira de manhã quando lhe saltou de as mãos em a aula de encantamentos e foi agredir o velho e baixinho professor Flitwick mesmo entre os olhos , deixando uma enorme bolha latejante em o sítio onde tinha batido . Por tudo_isso Harry via chegar , com satisfação , o fim_de_semana Planeava ir em o Sábado de anhã , com Ron e Hermione visitar o Hagrid . Mas foi acordado várias horas mais cedo do_que desejaria por Oliver ood , treinador de a equipa de Quidditch_dos_Gryffindor . - _ o que é_que se passa ? - perguntou Harry , enrolando as palavras . - Treino_de_Quidditch - disse Wood . - Vamos embora . Harry lançou um olhar de esguelha a a janela . Uma neblina fina pairava em o céu rosa e dourado . Agora_que estava acordado não percebia como pudera dormir com a algazarra que os pássaros faziam . - Oliver resmungou Harry . - É de madrugada . - Exacto - respondeu Wood . Era um rapaz alto e corpulento de o sexto ano e em aquele momento os olhos brilhavam lhe loucamente de entusiasmo . - Faz parte de o nosso novo programa de treinos . Anda lá , vai buscar a vassoura e vamos embora - insistiu Wood empenhado . - Nenhuma de as outras equipas começou ainda a treinar . Vamos ser os primeiros este ano ... A bocejar e a tremer um_pouco , Harry saltou de a cama e tentou descobrir as suas túnicas de Quidditch . - Bem , encontramo nos em o campo , dentro_de quinze minutos . Depois de descobrir a sua roupa escarlate de equipa e pôr o manto por cima para se aquecer , Harry escreveu a o Ron um bilhete a explicar onde tinha ido e desceu por a escada de espiral para a sala comum com a sua Nimbos dois inil a o ombro . Tinha acabado de chegar junto de o buraco de o retrato quando ouviu um barulho atrás_de si e viu Colin_Creevey descer a escada de espiral com a máquina fotográfica pendurada a o pescoço a balouçar como louca e uma coisa em a mão . - Ouvi alguém chamar o teu nome em as escadas , Harry olha o que tenho aqui . Revelei a e queria mostrar te . Harry olhou assombrado para a fotografia que Colin lhe espetava em frente de o nariz . Um Lockhart a preto e branco movia se , puxando com toda_a força um braço que Harry reconheceu como sendo o seu . Ficou satisfeito a o constatar que estava a resistir bastante bem , recusando se a ser trazido para a vista de todos . Enquanto Harry observava , Lockhart desistiu e desinteressou se de lutar contra a parte branca de a fotografia . - Assinas para mim ? - pediu Colin entusiasmado . - Não - respondeu secamente Harry , olhando em volta para verificar se o caminho estava livre . - Desculpa_Colin , mas estou cheio de pressa , treino de Quidditch . Passou por o buraco de o retrato . - Oh Uau ! Espera por mim . Eu nunca vi um jogo de Quidditch . Colin trepou por o buraco de o retrato atrás de ele . - Vai ser uma chatice para ti - disse Harry rapidamente , mas Colin ignorou o comentário . Todo o seu rosto brilhava de satisfação . - Tu foste o jogador mais novo de a equipa em cem anos , não foste Harry ? Não foste ? - perguntava Colin , trotando para o acompanhar . - Deve ser fantástico . Eu nunca voei . É fácil ? Essa vassoura é a tua ? É a melhor que há ? Harry não sabia como ver se livre de ele . Era como ter uma sombra que não se calava . - Eu não percebo nada de Quidditch - disse Colin , já sem fôlego . - É verdade que há quatro bolas ? E que duas anda n a voar , tentando fazer os jogadores caírem de as vassouras ? - Sim - disse Harry lentamente , resignado com o ter de lhe explicar as complicadas regras de o Quidditch . - São as * bludgers * . Há dois * beaters * em cada equipa que têm bastões para bater em as * bludgers * e lançá as para o outro lado . O Fred e o George_Weasley são os * beaters * de os Gryffindor . - E para que servem as outras bolas ? - perguntou Colin , saltando uma série de degraus porque ia a olhar para o Harry de boca aberta . - Bem , a * quaffle * , que é a vermelha grandalhona , é a que marca os golos . Três * chasers * em cada equipa lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam fazes a entrar em as balizas que ficam em o extremo de o campo onde há três grandes postes com argolas em as pontas . - E a quarta bola ? - A * snitch * dourada - explicou Harry . - É muito pequenina e veloz e extremamente difícil de agarrar . Mas é isso que o * seeker * tem de fazer , porque o jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * for agarrada . E o * seeker * que conseguir agarrá a ganha para a sua equipa mais cento_e_cinquenta pontos . - E tu és o * seeker * de os Gryffindor , não és ? - perguntou Colin respeitosamente . - Sim - disse Harry enquanto saíam de o castelo e começavam a atravessar o relvado . - E há também o * keeper * que toma conta de os postes . É isto . Mas Colin não parou de fazer perguntas desde os relvados macios até a o campo de Quidditch e Harry só se viu livre de ele quando chegaram a os vestiários . Colin gritou em uma voz aguda : - Eu vou arranjar um lugar , Harry - e apressou se em direcção a as bancadas . O resto de a equipa de os Gryffindor já se encontrava em os vestiários . Wood era o único que tinha aspecto de estar bem acordado . Fred e George_Weasley estavam sentados com olhos de sono e cabelos desgrenhados junto de Alicia_Spinnet de o quarto ano que parecia inclinar se contra a parede que tinha atrás_de si . Os seus companheiros * chasers * , Katie_Bell e Angelina_Johnson bocejavam em frente de ela . - Até que enfim , Harry , porque é_que demoraste tanto ? - perguntou Wood cheio de actividade . - Eu queria ter uma pequena conversa convosco antes de entrarmos propriamente em campo porque passei o Verão a conjecturar um novo programa de treinos que acredito vai estabelecer grandes mudanças . Wood tinha em as mãos um grande mapa de um campo de Quidditch onde estavam desenhadas muitas linhas , setas e cruzes a tinta de várias cores . Pegou em a varinha , bateu com ela em o quadro e as setas começaram a mover se em o mapa como tractores . Enquanto Wood se lançava em um discurso sobre as suas novas técnicas , a cabeça de Fred_Weasley caiu sobre o ombro de Alicia_Spinnet e ele começou a ressonar . O primeiro mapa levou quase vinte minutos a explicar , mas debaixo de esse havia outro e ainda um terceiro . Harry caiu em uma letargia enquanto Wood continuava indefinidamente . - Então - disse por fim o treinador , arrancando Harry de a avidez de uma fantasia sobre o que poderia estar a comer se se encontrasse em aquele momento em o castelo . - Ficou tudo claro ? Alguma pergunta ? - Eu tenho uma pergunta , Oliver - disse George que acordou estremunhado . - Porque não nos explicaste tudo_isso ontem , quando estávamos acordados ? Wood não ficou nada satisfeito . - Ouçam bem , vocês todos - disse , voltando se para eles mal-humorado . - Nós deveríamos ter ganho a taça de Quidditch o ano passado . Somos de longe a melhor equipa , mas , infelizmente , devido_a circunstancias que estão para_além de o nosso controlo ... Harry mudou de posição em a cadeira sentindo se culpado . Estivera inconsciente em o hospital durante o campeonato final de o ano anterior o que fez com que os Gryffindor com um jogador a menos tivessem sofrido a pior derrota de os últimos trezentos anos . Wood levou um momento a controlar se . Era evidente que a última derrota ainda o torturava . - Portanto , este ano vamos fazer um treino mais duro , como nunca se fez . O. _ K. , vamos lá pôr as teorias em prática - gritou , pegando em a vassoura e conduzindo os para fora de o vestiário . Com as pernas trôpegas e ainda a bocejar , a equipa seguiu o . Tinham estado tanto tempo lá dentro que o sol já tinha nascido e brilhava em o céu embora uma réstia de neblina pairasse ainda sobre o relvado de o campo . Quando Harry entrou em campo viu Ron e Hermione sentados em as bancadas . - Ainda não acabaram ? - perguntou Ron em um tom incrédulo . - Ainda nem começamos - explicou Harry , olhando cheio de inveja para a torrada com doce de laranja que Ron e Hermione tinham trazido de o salão . - O Wood tem estado a ensinar nos as jogadas . Subiu para a vassoura e deu um pontapé em o chão , elevando se em o ar . O ar fresco de a manhã bateu lhe em o rosto fazendo o acordar com mais eficácia do_que o longo discurso de Wood . Era maravilhoso voltar a estar em o campo de Quidditch . Voou em volta de o estádio a toda a a velocidade competindo com Fred e George . - Que barulhinho estranho é aquele ? - perguntou o Fred quando deram a volta . Harry olhou para as bancadas . Colin estava sentado em um de os lugares mais altos com a máquina fotográfica em o ar , tirando fotografia sobre fotografia , o som estranhamente ampliado em o estádio deserto . - Olha para ali , Harry , para ali - gritava de forma estridente . - Quem é aquele ? - perguntou Fred . - Não faço ideia - mentiu Harry , disparando a_toda_a velocidade e distanciando se o mais possível de Colin . - O que se passa aí ? - perguntou Wood , franzindo a testa enquanto corria por os ares atrás de eles . - Porque está aquele aluno de o primeiro ano a tirar fotografias ? Não me agrada . Pode ser um espião de os Slytherin a tentar descobrir o nosso novo programa de treinos . - Ele é de os Gryffindor - disse Harry rapidamente . - E os Slytherin não precisam de um espião , Oliver - completou George . - Porque dizes isso ? - perguntou Wood irritado . - Porque estão aqui em peso - disse George , apontando com o dedo . Vários indivíduos com túnicas verdes vinham em aquele momento a entrar em o campo de vassouras em a mão . - Não posso acreditar - reagiu Wood , sentindo se ultrajado . - Eu reservei o estádio para hoje . Já vamos ver como é_que isto fica ! Wood baixou direito a o chão sendo levado por a fúria a aterrar com mais força do_que pretendia e a cambalear um_pouco quando começou a andar seguido de o Harry e de o Ron . - Flint - bradou para o treinador de os Slytherin . - Este é o nosso tempo de treino . Levantámo nos de propósito . Vocês têm de sair de aqui . Marcus_Flint era ainda mais corpulento do_que Wood . Tinha em o rosto uma expressão de duende travesso quando respondeu : - Há espaço para todos , Wood . Angelina , Alicia e Katie tinham vindo também . Em a equipa de os Slytherin não havia raparigas que enfrentassem a o lado de os rapazes os Gryffindor . - Mas eu reservei o estádio - repetiu Wood de modo afirmativo , cuspindo de raiva . - Reservei o . - Ah ! - exclamou Flint . - Mas eu tenho aqui uma licença especial assinada por o professor Snape . * _ Eu , professor Snape , autorizo a equipa de os Slytherin a praticar hoje em o campo de Quidditch devido a a necessidade de treinar o seu novo seeker . * - Têm um novo * seeker * ? - perguntou Wood perturbado . - Onde ? E detrás de as seis figuras corpulentas que tinham em a frente , viram surgir uma sétima : um rapaz mais pequeno com um sorriso afectado espelhado em o rosto pálido e anguloso . Era_Draco_Malfoy . - Não és o filho de o Lucius_Malfoy ? - perguntou Fred , olhando para ele com antipatia . - Curioso que refiras o pai de o Draco - disse Flint enquanto toda_a equipa de os Slytherin sorria de modo grosseiro . - Deixem me mostrar vos a generosa oferta que ele fez a a equipa de os Slytherin . Os sete exibiram as suas vassouras . Sete cabos novos , polidos , com inscrições em letras douradas de as palavras « Nimbus dois_mil_e_um « brilharam a o sol de a manhã , em frente de o nariz de os Gryffindor . - O último modelo . Só chegou em o mês passado - disse Flint , displicentemente , sacudindo a poeira de o cabo de a sua vassoura . - Julgo que ultrapassam de longe as velhas séries de dois_mil . Quanto a as Cleansweeps - sorriu de forma mesquinha para Fred e George que tinham ambos Cleansweep_Fives - essas já só servem para varrer . Nenhum de os Gryffindor foi capaz de abrir a boca em aquele momento . Malfoy sorria tanto que os seus olhos de gelo estavam reduzidos a duas rachas . - Oh vejam - disse Flint . - Uma invasão de o campo . Ron e Hermione atravessavam o relvado para ver o que se passava . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron a o Harry . - Porque não estão a jogar e o que faz ele aqui ? Olhava para Malfoy em as suas vestes de Quidditch . - Sou o novo * seeker * de os Slytherin , Weasley - disse Malfoy com ar presumido . - Têm estado todos a admirar as vassouras que o meu pai comprou para a nossa equipa . Ron olhou de boca aberta para as sete vassouras que tinha em a frente . - São boas , não são ? - disse Malfoy untuosamente . - Mas talvez a equipa de os Gryffindor consiga levantar algum ouro e comprar também vassouras novas . Vocês podiam levar essas Cleansweep_Fives a leilão , talvez algum museu esteja interessado . A equipa de os Slytherin riu se a bandeiras despregadas . - Pelo_menos em os Gryffindor ninguém teve de comprar a sua entrada - disse secamente Hermione . - Entraram todos por mérito próprio . O ar presumido de Malfoy desapareceu . - Ninguém pediu a tua opinião , sangue de lama - cuspiu Malfoy . Harry apercebeu se , de imediato , que Malfoy dissera algo muito grave porque houve uma tremenda algazarra em o seguimento de as suas palavras . Flint teve que se pôr a a frente de o Malfoy para evitar que Fred e George se atirassem a ele . Alicia bradou : - Como te atreves ? - E Ron meteu a mão em as vestes e sacou de a varinha mágica , gritando : - Vais pagar por o que disseste , Malfoy ! - e apontou a , furioso , por debaixo de o braço de Flint , a o rosto de Malfoy . Um enorme estrondo , ecoou em o estádio e um jacto de luz verde saiu por a extremidade errada de a varinha de Ron , atingindo o em o estômago e projectando o para trás em direcção a o relvado . - Ron ! Ron ! Estás bem ? - gritou Hermione . Ron abriu a boca para falar , mas nenhuma palavra saiu . Em vez de isso , teve um vómito imenso e várias lesmas saíram lhe de a boca , indo cair lhe em o colo . A equipa de os Slytherin ficou paralisada de riso . Flint estava dobrado , agarrado a a vassoura nova . Malfoy , a quatro , batia com o punho em a chão . Os Gryffindor rodeavam o Ron , que continuava a vomitar lesmas enormes e reluzentes . Ninguém queria tocar lhe . - É melhor levá o para_casa de o Hagrid . É o mais perto - disse Harry_a_Hermione , que acenou afirmativamente , e os dois arrastaram o Ron por os braços . - O que aconteceu , Harry ? O que aconteceu ? Ele está doente ? Mas tu podes curá o , não podes ? - Colin descera a correr de o lugar onde estava sentado e dançaricava em frente de eles , enquanto abandonavam o campo . Ron teve um novo arremesso e mais lesmas saíram de a sua boca . - Oooh ! - exclamou Colin fascinado , levantando a máquina fotográfica . - Podes mantê o quieto , Harry ? - Sai de a minha frente , Colin - gritou Harry zangado . Ele e a Hermione conseguiram levar o Ron para fora de o estádio , atravessar os campos e chegar a a beira de a floresta . - Está quase , Ron - disse Hermione , mal avistaram o casebre de o guarda de os campos . - Vais ficar bem dentro_de um minuto ... está quase ... Estavam a sessenta metros de a casa de Hagrid , quando a porta de a frente se abriu . Mas não foi Hagrid quem saiu de lá , e sim Gilderoy_Lockhart , em uma túnica cor de malva . - Rápido , vamos esconder nos aqui - sussurrou Harry , arrastando Ron para trás de um arbusto que havia ali perto . Hermione acompanhou o , embora um_pouco relutante . -- É muito simples quando se sabe o que se está fazer ! - gritava Lockhart_para_Hagrid . - Se precisar de ajuda , sabe onde estou . Vou dar lhe um exemplar de o meu livro . Espanta me que ainda não o tenha . Logo a a noite autografo o e envio lhe o . Bem . até a a próxima ! - e afastou se em direcção a o castelo . Harry esperou que Lockhart desaparecesse , antes de puxar o Ron de trás de o arbusto até a a casa de o Hagrid . Bateram ansiosamente . Hagrid apareceu logo com um ar mal-humorado , que se dissipou quando viu quem era . - Já me tinha perguntado quand'é que vocês vinham ver me , entrem , entrem , pensei qu'era outra_vez o professor Lockhart . Harry e Hermione ajudaram Ron a subir o degrau que dava acesso a a cabana de uma divisão com uma cama enorme a um de os cantos e uma lareira a crepitar alegremente em o outro . Hagrid não pareceu perturbado com o problema de as lesmas de o Ron que Harry lhe explicou precipitadamente , logo_que sentou o Ron em uma cadeira . - Melhor saírem de o qu'entrarem - disse , em um tom bem-disposto , colocando uma grande bacia de cobre em frente de ele . - Deita as todas fora , Ron . - Acho que não há mais_nada a fazer , a não ser esperar que isto pare - disse Hermione ansiosamente , vendo Ron inclinar se para a bacia . - É uma maldição muitas_vezes difícil , mas com uma varinha partida ... Hagrid andava de um lado para o outro a preparar o chá . O cão de ele , Fang , babava se em cima de o Harry . - O que é_que o Lockhart queria de ti ? - perguntou o Harry , coçando as orelhas de o Fang . - Ensinar me a tirar espíritos aquáticos com forma de cavalos d'uma nascente d'água - resmungou Hagrid , retirando de a mesa pequena um galo meio depenado e colocando em o seu lugar o bule . - Como s'eu não soubesse . E contar me uma peta qualquer d'uma fada carpideira que ele venceu . Engulo essa chaleira , se uma palavra do_que ele disse for verdade . Não era hábito de Hagrid criticar um professor de Hogwarts e Harry olhou para ele com alguma surpresa . Mas Hermione disse em uma voz mais aguda do_que de costume : - Acho que estás a ser injusto . O professor Dumbledore obviamente achou que era o melhor homem para o lugar ... - Era o único - explicou Hagrid , oferecendo lhes um prato de bombons de melaço enquanto Ron tossia para a bacia . - E não havia mais ninguém . Não é fácil encontrar quem queira dar Artes de magia negra . As pessoas não gostam de essa matéria . Começam a pensar que está amaldiçoada , ninguém ficou muito_tempo a dá a . Mas digam me lá - continuou Hagrid , inclinando a cabeça para Ron - quem é qu'ele estava a tentar amaldiçoar ? - O Malfoy chamou qualquer coisa a a Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si . - Foi grave , sim - disse o Ron com voz rouca , emergindo a a superfície de a mesa , pálido e transpirado . - O Malfoy chamou lhe sangue de lama , Hagrid . - Ron desapareceu outra_vez quando uma nova onda de lesmas fez o seu aparecimento . Hagrid estava indignado . - Não posso crer - exclamou , dirigindo se a Hermione . - Chamou sim - disse ela . - Mas eu não sei o que significa . Percebi que era má educação , claro ... - É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar - explicou Ron novamente . - Sangue de lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles , sabes , filho de pais não mágicos . Há alguns feiticeiros , como a família de o Malfoy que acham que são melhores do_que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro . - Teve um pequeno vómito e uma lesma isolada caiu lhe em a mão aberta . Ele atirou a para a bacia e continuou . -- É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma . Olha_o_Neville_Longbottom , é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito . - E ainda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer - afirmou Hagrid , orgulhoso , fazendo Hermione corar em tons de magenta . - É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém - disse o Ron , limpando o suor de a testa com a mão trémula . - Sangue sujo , sangue vulgar , é um disparate . A maior parte de os feiticeiros hoje_em_dia têm sangue misturado . Se não tivéssemos casado com Muggles tinha sido o nosso fim . Fez um esforço para vomitar e baixou se mais_uma_vez . - Bem , não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá o , Ron - disse Hagrid bem alto enquanto montes de lesmas caíam em a bacia . - Mas , se_calhar , não foi mau de todo teres a varinha a trabalhar ao_contrário . Acho que Lucius_Malfoy teria vindo logo a correr a a escola se tivesses amaldiçoado o filho . Assim , pelo_menos , não estás metido em nenhum sarilho . Harry teria referido que o problema não podia ser pior do_que deitar lesmas por a boca , mas não pôde . Os bombons de melaço tinham lhe colado os maxilares um_ao_outro . - Harry - disse de repente Hagrid como_que movido por um pensamento súbito . - Tens de me explicar uma coisa . Ouvi dizer que tens andado a dar fotografias autografadas . Porque é qu'eu não tenho nenhuma ? A fúria de Harry foi tão grande que os maxilares se libertaram . - Eu não tenho dado fotografias autografadas - disse com vivacidade . Se o Lockhart andou a espalhar isso ... Mas em esse momento viu que Hagrid se estava a rir . - ´ _ tou a brincar - disse , dando uma palmadinha em as costas de Harry e fazendo lhe sinal para se sentar a a mesa . -- Eu sabia que não tinhas . Disse a o Lockhart que tu não precisavas de isso . Es mais famoso do_que ele sem sequer , tentares . - Aposto que ele não gostou de ouvir isso - comentou Harry , sentando se e esfregando o queixo . - Acho que não gostou mesmo - prosseguiu Hagrid com os olhinhos a brilhar . - E disse lhe também que nunca tinha lido nenhum de os livros de ele e ele foi se embora . Um bombom de melaço , Ron ? - perguntou a o vê o reaparecer . - Não , obrigado - disse o Ron com uma voz fraca . - É melhor não arriscar . - Venham ver o qu'eu tenho estado a criar - disse Hagrid quando Harry e Hermione acabaram de tomar o chá . Em a pequena horta atrás de a casa estava uma_dúzia de as maiores abóboras que Harry alguma vez vira . Pareciam enormes blocos de pedra . - Estão a dar se bem , não achas ? - disse Hagrid , feliz . São para a festa de o * _ Hallow'en * . Devem estar bem grandes quando chegar a altura . - O que é_que lhes tens dado como alimento ? - perguntou Harry . Hagrid olhou por cima de o ombro para confirmar se estavam sós . - Bem , tenho estado a dar lhes ... uma pequena ajuda . Harry reparou em o guarda-chuva cor-de-rosa a as florzinhas que estava encostado contra a parede de a cabana . Tivera em o ano anterior motivos para crer que aquele guarda-chuva não era o que parecia . De facto , acreditava que a antiga varinha de escola de Hagrid se encontrava oculta dentro de ele . Hagrid não tinha autorização para usar magia . Fora expulso de Hogwarts em o terceiro ano embora Harry nunca tivesse descoberto o motivo . Qualquer referência a esta questão fazia Hagrid pigarrear bem alto e ficar misteriosamente surdo até mudarem de assunto . -- Um encantamento de absorção , imagino ? - comentou Hermione entre a desaprovação e o divertimento . - Bem , se assim foi , fizeste um bom trabalho . - Foi o que disse a tua irmãzinha - respondeu Hagrid acenando em direcção a Ron . - Encontrei a ontem . - Hagrid olhou de lado para Harry , a barba a contorcer se . - Disse que andava só a ver os campos , mas eu acho qu'ela esperava encontrar alguém em a minha casa - piscou o olho a o Harry . - Se queres que te diga acho qu'ela não recusaria uma fotografia autogr ... - Cala te com isso - disse Harry . Ron desatou a rir e o chão ficou cheio de lesmas . - Cuidado - resmungou Hagrid , afastando Ron de as suas preciosas abóboras . Estava quase em a hora de o almoço e , como o Harry só tinha provado um bombom de melaço desde manhã cedo , estava ansioso por chegar a a escola para ir comer . Despediram se de o Hagrid e regressaram a o castelo . O Ron a vomitar de vez em quando , mas deitando só duas pequenas lesmas . Mal tinham pisado a entrada de o vestíbulo quando ouviram uma voz . - Aí estão vocês , Potter , Weasley . - A professora Mc_Gonagall vinha em direcção a eles com o seu ar severo . - Vocês os dois vão ter as punições hoje a a tarde . - O que é_que vamos fazer , professora ? - perguntou o Ron nervoso , deixando cair uma lesma . - Tu vais limpar as pratas em a sala de os troféus com Mr._Filch - disse a professora Mc_Gonagall . - E nada de mágicas , Weasley , trabalho com esforço . Ron engoliu em seco . Argus_Filch , o encarregado , era odiado por todos os alunos de a escola . - E tu , Potter , vais ajudar o professor Lockhart a responder a as cartas de as suas fãs - ordenou a professora Mc_Gonagall . - Oh , não ! Não posso ir também trabalhar em a sala de os troféus ? - pediu Harry em desespero de causa . - Nem pensar em isso - respondeu a professora Mc_Gonagall , erguendo as sobrancelhas . - O professor Lockhart requisitou te especialmente a ti . _ a as oito_em_ponto , os dois . Harry e Ron entraram em o salão em um estado de profundo desanimo com a Hermione atrás , ostentando uma expressão de * bem-voces-quebraram-as-regras-da-escola * . Harry não saboreou o empadão de carne como teria desejado . Tanto ele como o Ron achavam que tinham tido o pior de os castigos . -- O Filch vai reter me lá toda_a noite - disse Ron , desanimado . - Sem mágica ! Deve haver umas cem taças em aquela sala , eu não sei fazer limpeza de Muggles . - Eu trocava contigo de boa_vontade - confessou Harry em uma voz surda . - Tive montes de prática com os Dursleys . Responder a o correio de fãs de o Lockhart , que pesadelo ... A tarde de sábado pareceu derreter se . Pouco depois eram já cinco para as oito e Harry arrastava se até a o corredor de o segundo andar onde ficava o escritório de o Lockhart . Rangendo os dentes , bateu a a porta . A porta abriu se imediatamente e Lockhart dirigiu se lhe . - Ah , cá está o patifório ! - exclamou . - Entra , Harry , entra . Em as paredes , brilhando à_luz_de muitas velas , podia ver se uma infinidade de fotografias de Lockhart . Algumas de elas até assinadas . Sobre a secretária estava outro monte enorme . - Podes pôr as moradas em os envelopes - disse Lockhart_a_Harry , como_se fosse uma grande ameaça . - O primeiro é para Gladys_Gudgeon , abençoada seja , uma grande fã minha . Os minutos passavam lentos . De vez em quando , Harry ouvia a voz de Lockhart dizendo : - Mmm - e - certo - e - sim . - De vez em quando , apanhava uma frase como : - A fama é versátil , amigo Harry - ou - Só é célebre quem faz por isso , nunca te esqueças . As velas ardiam cada_vez com maior lentidão , fazendo a luz dançar sobre as muitas caras de Lockhart que o olhavam . Harry passava a mão , já dorida , sobre o que devia ser o centésimo envelope , escrevendo a morada de Verónica_Smethley . « Deve estar quase em a hora de me ir embora » , pensou , sentindo se profundamente infeliz , « por favor , faz com que esteja em a hora ... » E então ouviu algo , algo totalmente diferente de o crepitar de as velas e de os ditos de Lockhart sobre as suas fãs . Era uma voz , uma voz de arrepiar os ossos , de cortar a respiração , de veneno frio . - * _ Vem ... vem ter comigo ... deixa me rasgar te ... cortar te ... matar te * ... Harry deu um salto e uma enorme mancha lilás surgiu em a rua de Verónica_Smethley . - O quê ? - disse ele em voz alta . - Eu sei - exclamou Lockhart . - Seis meses inteirinhos em o topo de a lista de * bestsellers * , bati todos os recordes ! - Não - disse Harry nervosíssimo - aquela voz ! - Como ? - perguntou Lockhart , com um ar confuso . - Que voz ? - Aquela , aquela voz que disse ... não ouviu ? Lockhart olhava para Harry com o maior espanto . - De que é_que estás a falar , Harry ? Estás a ficar com sono ? Meu Deus , olha , só estamos aqui há quase quatro horas , quem diria ? O tempo passou a correr , não é verdade ? Harry não respondeu , estava a fazer um esforço para ouvir de_novo a voz , mas o único som que ouviu foi Lockhart a dizer lhe que não esperasse um tratamento igual de as próximas vezes que fosse castigado . Harry saiu , sentindo se atordoado . Era tão tarde que a sala comum de os Gryffindor estava quase vazia . Harry foi directamente para o dormitório . Ron ainda não tinha voltado . Vestiu o pijama , meteu se em a cama e esperou . Meia_hora mais tarde , chegou o Ron agarrado a o braço direito e inundando o quarto escuro de um forte cheiro a limpa-pratas . - Doem me todos os músculos - resmungou , metendo se em a cama . - Ele fez me polir catorze vezes aquela taça de Quidditch até estar satisfeito . E depois tive outro vómito em_cima_de um troféu de Reconhecimento por serviços prestados a a escola . Demorei séculos a limpar o muco de as lesmas . Como correram as coisas com o Lockhart ? Em voz baixa para não acordar o Neville , o Dean e o Seamus , Harry contou lhe , palavra por palavra , o que tinha ouvido . - E Lockhart disse que não ouviu nada ? - perguntou o Ron . Harry viu o franzir a testa , a a luz de o luar . - Achas que estava a mentir ? Mas , não percebo , mesmo um ser invisível teria aberto a porta . - Eu sei - disse Harry , encostando se a a cama e olhando para o dossel . - Também não compreendo . VIII_A festa de o dia de os mortos Outubro chegou , espalhando um frio húmido por os campos e por os cantos de o castelo . Madam_Pomfrey , a enfermeira-chefe , esteve bastante ocupada com uma onda de constipações que afectou professores e alunos . A sua poção de pimentão entrou imediatamente em acção apesar_de deixar quem a tomava com fumo em os ouvidos durante várias horas . Ginny_Weasley , que andava com ar adoentado , foi convencida a tomá a por o Percy . O fumo que saía por debaixo de o seu cabelo ruivo dava a impressão de que toda_a cabeça estava em fogo . Gotas de chuva de o tamanho de balas agrediram as janelas de o castelo durante dias a fio . O lago rosado e os canteiros de flores tornaram se regatos lamacentos e as abóboras de o Hagrid incharam ficando de o tamanho de alpendres de jardim . Contudo , o entusiasmo de Oliver_Wood por as sessões de treino regular não foi abalado , motivo por o qual Harry iria regressar a a torre de os Gryffindor , em um sábado a a tarde de temporal , alguns dias antes de o * _ Hallowe'en * , ensopado até a os ossos e todo enlameado . Além de a chuva e de o vento , não fora um treino feliz . Fred e George que tinham andado a espiar a equipa de os Slytherin tinham visto com os seus próprios olhos a velocidade alucinante de aquelas novas Nimbus dois_mil_e_um e comentaram que a equipa em o ar parecia composta por sete manchas esverdeadas que disparavam a_toda_a velocidade como aviões a jacto . Enquanto Harry chapinhava a o longo de o corredor deserto , cruzou se com alguém que parecia tão preocupado como ele : Nick quase sem cabeça , o fantasma de a torre de os Gryffindor que olhava taciturno , por a janela , murmurando baixinho : - Não preenche os requisitos , um centímetro e meio se ... - Olá , Nick - cumprimentou Harry . - Olá , olá - disse o Nick quase sem cabeça , começando a olhar em volta . Usava um arrebatado chapéu de plumas sobre a longa cabeleira encaracolada e uma túnica com gola de tufos que disfarçava o facto de ter o pescoço quase totalmente separado de o corpo . Era pálido como o fumo e Harry podia ver através de ele o céu negro e a chuva torrencial , lá fora . - Pareces preocupado , jovem Potter - disse Nick , dobrando uma carta transparente , enquanto falava e escondendo a dentro de a jaqueta . - Tu também - retorquiu Harry . - Ah ! - o Nick quase sem cabeça acenou com a mão de forma elegante . - Uma questão sem importância . Não é_que eu quisesse realmente participar apesar_de me ter inscrito , mas , a o que parece , não preencho os requisitos . - Apesar de o seu tom jovial havia em o seu rosto uma grande amargura . - Mas era de esperar , ou não era - exclamou subitamente , tirando a carta de o bolso - que ter levado quarenta_e_cinco golpes em a cabeça com um machado ferrugento me qualificaria para entrar em o grupo de os Sem - _ Cabeça ? - Sim , sim - respondeu Harry que obviamente o outro esperava que concordasse . - Isto_é , ninguém mais do_que eu desejaria que tudo tivesse sido rápido e perfeito , poupava me muitas dores e ridículo . Mas ... O Nick quase sem cabeça abriu , furioso , a carta e leu : * _ Só podemos aceitar em o grupo homens cuja cabeça tenha sido separada de o corpo . Compreenderá que de outro modo seria impossível a os nossos membros participarem em actividades como equitação de malabarismos com a cabeça e pólo de cabeça . Lamentamos profundamente informá o de que não preenche os requisitos . * _ Os nossos melhores cumprimentos , Sir_Patrick_Delaney - _ Podmore * Furioso , o Nick quase sem cabeça atirou fora a carta . - Um centímetro de pele e tendões a segurarem me a cabeça , Harry ! A maior parte de as pessoas acharia que era mais do_que o suficiente , mas não serve para o senhor correctamente decapitado Podmore . Nick quase sem cabeça respirou fundo várias vezes e , por fim , em um tom bastante mais calmo perguntou : - Então o que é_que te preocupa ? Alguma coisa que eu possa fazer por ti ? - Não - respondeu Harry . - A_não_ser_que saibas onde posso arranjar sete Nimbus dois_mil_e_um , de_graça , para o nosso campeonato contra os Sly ... - o resto de a frase foi afogada por um miado agudo vindo de perto de os seus tornozelos . Olhou para baixo e deu consigo a fitar um par de olhos que pareciam duas lâmpadas amarelas . Era_Mrs._Norris , a gata cinzenta e esquelética usada por o encarregado Argus_Filch como uma espécie de polícia em a sua infindável batalha contra os estudantes . - É melhor saíres de aqui , Harry - preveniu Nick com toda_a calma . - O Filch não está nada bem-disposto . Anda engripado e alguns alunos de o terceiro ano , por acidente , encheram o tecto de o calabouço cinco de miolos de rã . Ele tem andado toda_a manhã a limpar e se te vê a encher tudo de lama ... - Certo - disse Harry , recuando e afastando se de o olhar acusador de Mrs._Norris , mas ... tarde de mais . Conduzido até ali por o misterioso poder que parecia ligá o a a gata , Argus_Filch entrou subitamente por uma tapeçaria que se encontrava a a direita de Harry , com a sua respiração asmática , olhando vivamente em volta em busca de o infractor . Tinha um lenço grosso , de xadrez , a a volta de a cabeça e o nariz invulgarmente arroxeado . - Imundície - gritou com os maxilares a tremer e os olhos a saltarem lhe de as órbitas , enquanto apontava para a poça de lama que pingara de a túnica de Quidditch_de_Harry . - Desarrumação e imundície em todo o lado . Estou farto disto , segue me , Potter . Harry despediu se de o Nick quase sem cabeça com um tímido aceno e seguiu Filch até lá abaixo , duplicando o número de pegadas lamacentas em o chão . Nunca entrara em o gabinete de o Filch . Era um lugar que a maior parte de os estudantes evitava . A divisão era sombria e sem janelas , iluminada por uma única lamparina de óleo que pendia de o tecto . Sentia se um vago cheiro a peixe frito . As paredes estavam forradas por ficheiros de madeira . Por as etiquetas Harry percebeu que continham os dados de todos os alunos que Filch tinha punido . Fred e George_Weasley tinham uma gaveta só para eles . Atrás de a secretária estava pendurada uma colecção bem polida de correntes e algemas . Todos sabiam que ele estava sempre a pedir a Dumbledore que o deixasse pendurar os alunos em o tecto por os tornozelos . Filch pegou em uma pena que estava sobre a secretária e começou a procurar o pergaminho . - Bosta - murmurou , furioso . - Bosta de dragão , miolos de rã , intestinos de ratazana ... eu tinha aqui bastante , onde está o form ... sim ... Tirou um enorme rolo de pergaminho de a gaveta de a secretária e estendeu o em a frente , molhando a longa pena em o tinteiro . - Nome : Harry_Potter . Crime ... - Foi só um bocadinho de lama - disse Harry . - É só um bocadinho de lama para ti , rapaz , mas para mim é mais de uma hora a esfregar - gritou Filch com um pingo a tremer de modo desagradável em a extremidade de o nariz bolboso . - Crime : manchar o castelo . Sentença proposta ... Esfregando o nariz que continuava a pingar , Filch olhou com má cara para Harry que esperava com a respiração entrecortada para ouvir a sentença . Mas quando Filch pegou em a pena ouviu se um estrondo enorme em o tecto que fez a lamparina apagar se . - PEEVES - resmungou Filch , pousando a pena , cheio de raiva . - Desta_vez apanho te . Apanho te ! E sem olhar para trás , saiu a correr a_toda_a velocidade de o gabinete , seguido de a gata , Mrs._Norris . Peeves era o * poltergeist * de a escola , uma ameaça de risota esvoaçante que vivia para fazer estragos e criar aflição . Harry não gostava lá muito de ele , mas desta_vez , não podia deixar de lhe estar grato . Na_melhor_das_hipóteses o que Peeves tivesse feito ( e parecia que agora ele destruíra qualquer coisa em grande ) distrairia Filch_de_Harry . Pensando que o melhor seria esperar que ele voltasse , Harry deixou se cair em uma cadeira carcomida por o tempo que se encontrava junto de a secretária . Havia uma coisa sobre o tampo : um grande envelope roxo e lustroso com letras prateadas em a frente . Lançando um olhar rápido a a porta para confirmar que Filch não estava de volta , Harry pegou lhe e leu : __ feitiço __ rápido Um curso por correspondência De iniciação a a magia Cheio de curiosidade , abriu o envelope e retirou o rolo de pergaminho . Uma letra curvilínea e prateada dizia : Sente se pouco a a vontade em o mundo de a magia moderna ? Dá consigo a arranjar desculpas para não fazer feitiços simples ? Tem sido censurado por o deplorável trabalho com a varinha ? Eis a resposta ! Feitiço rápido e um curso totalmente novo , infalível , de resultados rápidos e rápida aprendizagem . Centenas de bruxas e feiticeiros têm beneficiado de o método feitiço rápido ! Madam_Z._Nettles_de_Topsham escreve nos : Eu não conseguia fixar os encantamentos e as minhas poções eram alvo de risota em a família . Agora , depois de o curso feitiço rápido , tornei me o centro de as atenções em todas_as festas e os meus amigos não param de pedir me a receita de a minha brilhante solução ! O mágico D.J._Prod , de Disbury , afirma : A minha mulher costumava rir se de os meus fracos encantamentos , mas bastou um mês com o vosso fabuloso curso feitiço rápido e consegui transformá a em um iaque . Obrigado , feitiço rápido ! Fascinado , Harry folheou o resto de o conteúdo de o envelope . Para que diabo quereria o Filch um curso de feitiço rápido ? Não seria ele um feiticeiro a sério ? Harry estava a ler a lição número um : Pegando em a varinha ( algumas dicas úteis ) quando umas passadas arrastadas , lá fora , o preveniram de que Filch estava de volta . Metendo rapidamente o pergaminho dentro de o envelope , lançou o para_cima de a secretária em o preciso momento em que a porta se abriu . Filch ostentava um ar triunfante . - Aquele armário que desapareceu era extremamente valioso - vinha ele a dizer a a gata , Mrs._Norris . - Desta_vez vamos correr com o Peeves , minha linda . Os seus olhos recaíram sobre Harry e logo_a_seguir sobre o envelope de o feitiço rápido que , Harry apercebeu se tarde de mais , estava meio metro distanciado de o seu lagar inicial . O rosto pálido de Filch tornou se vermelho escarlate . Harry preparou se para uma nova onda de fúria . Filch coxeou até a a secretária , arrebatou o envelope e meteu o em uma gaveta . -- Chegaste a ... lê o ? - perguntou atabalhoadamente . - Não - mentiu Harry , sem perder tempo . As mãos nodosas de o Filch contorciam se ao_mesmo_tempo . - Se eu soubesse que ias ler a minha correspondência priv ... não que seja minha ... é para um amigo ... mesmo_assim ... Harry olhava para ele espantado . Nunca vira o Filch tão louco . Os olhos pareciam querer saltar lhe de as órbitas , com um tique em as bochechas e aquele lenço axadrezado que não ajudava nada ... - Muito bem , vai e não abras a boca sobre isto ... não que ... mesmo_assim ... se tu não leste ... vai te embora , tenho de escrever o relatório sobre o Peeves , vai . Atordoado com a sua sorte , Harry saiu de ali e largou a correr por o corredor fora e por as escadas acima . Sair de o gabinete de o Filch sem um castigo devia ser um recorde em a escola . - Harry , Harry , deu resultado ? O Nick quase sem cabeça saiu a brilhar de uma sala de aula . Atrás de ele , Harry pôde ver os destroços de um grande armário preto e dourado que parecia ter sido atirado de uma grande altura . - Convenci o Peeves a parti o mesmo em cima de o gabinete de o Filch - disse Nick entusiasmado . - Pensei que talvez o distraísse . - Foste tu ? - exclamou Harry , agradecido . - Funcionou sim . Ele não me deu nenhum castigo . Obrigado , Nick . Atravessaram o corredor juntos . O Nick quase sem cabeça , reparou Harry , ainda tinha em a mão a carta de Sir_Patrick . - Gostaria de poder fazer qualquer coisa sobre o grupo de os Sem - _ Cabeça - disse Harry . O Nick quase sem cabeça parou de repente e Harry passou através de ele . Antes não tivesse passado , foi como atravessar um duche gelado . - Mas há uma coisa que tu podes fazer por mim - disse Nick muito agitado . - Harry , seria pedir te de mais ... mas não , tu não ias querer ... - O quê ? - Bem , este ano em o * _ Hallowe'en * vai ser o meu meio milénio de dia de os mortos - disse o Nick quase sem cabeça endireitando se e adquirindo uma postura de grande dignidade . - Oh - respondeu Harry sem saber se deveria lamentar ou dar lhe os parabéns . - Certo . - Vou dar uma festa em um de os calabouços mais amplos . Vêm amigos meus de todo o país . Seria uma honra muito grande se tu aparecesses . Mr._Weasley e Miss_Granger seriam também muito bem-vindos , claro . Mas tu deves preferir o banquete de a escola , não é verdade ? - Olhou para Harry , aflito . - Não - assegurou ele rapidamente . - Eu vou . - Oh rapaz , Harry_Potter em a minha festa de os mortos - hesitou no_meio_de toda aquela excitação . - Achas que poderias referir a Sir_Patrick como me achas assustador e como te impressiono ? - É claro que sim - assegurou Harry . O Nick quase sem cabeça iluminou se em um sorriso . - Uma festa de os mortos ? - exclamou Hermione , entusiasmada , quando Harry , depois de mudar de roupa , se juntou a ela e a o Ron em a sala comum . - Aposto que não há muitas pessoas que possam gabar se de ter estado em uma festa de essas . Vai ser fantástico ! - Por_que é_que alguém se lembraria de festejar o dia em que morreu ? - perguntou o Ron que estava a meio de o seu trabalho de casa de poções e bastante maldisposto . - Parece me bastante mórbido . A chuva continuava a lamber as janelas que apresentavam agora um negro que parecia tinta , mas , lá dentro , era tudo claro e alegre . O fogo em a lareira brilhava sobre as inúmeras cadeiras de braços onde as pessoas estavam sentadas a ler , a conversar , a fazer os trabalhos de casa ou , no_caso_de Fred e George_Weasley , a tentar descobrir o que aconteceria se alimentassem uma salamandra com fogo-de-artíficio de o Filibuster . O Fred tinha « resgatado . o lagarto cor de laranja brilhante , morador de o fogo , de uma aula de tratamento de seres mágicos e ele estava agora a arder em fogo lento sobre uma mesa , rodeado de um grupo de curiosos . Harry ia começar a contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre o Filch e o curso de feitiço rápido quando a salamandra disparou por os ares , lançando faíscas e estoiros . A visão de Percy a gritar com Fred e George até ficar ronco , a fantástica exibição de estrelas cor de tangerina que choviam de a boca de a salamandra e a sua fuga para o lume acompanhada de explosões , fizeram com que Harry se esquecesse , em aquele momento , de Filch e de o curso de feitiço rápido . Quando chegou o * _ Hallowe'en * , Harry já lamentava a sua promessa imprudente de ir a a festa de os mortos . Toda_a escola antecipava , feliz , a sua festa de * _ Hallowe'en * . O salão nobre fora enfeitado com os habituais morcegos , as enormes abóboras de Hagrid tinham sido esculpidas em forma de lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro_de cada uma , e havia boatos de que Dumbledore contratara um grupo de esqueletos bailarinos para animar a festa . - Uma promessa é uma promessa - lembrou Hermione_a_Harry com o seu autoritarismo habitual . - Tu disseste que ias a a festa de os mortos . Portanto , a as sete_da_tarde , Harry , Ron e Hermione saíram , passando por a porta de o salão nobre que brilhava de modo convidativo com pratos dourados e velas e dirigiram os seus passos para os calabouços . O corredor que conduzia a a festa de o Nick quase sem cabeça tinha sido também ladeado de velas , embora o efeito estivesse longe_de ser alegre : estas eram velas muito esguias e estreitas , negras de breu , ardendo em um azul brilhante e lançando uma luz indistinta e espectral também sobre as caras de as pessoas vivas . A temperatura diminuía a cada degrau que desciam . Harry tremia e cingia a túnica a o corpo quando ouviu qualquer coisa que parecia uma centena de unhas a rasparem um enorme quadro preto . - Será que isto_é a música ? - murmurou Ron . Viraram uma esquina e viram o Nick quase sem cabeça junto de uma porta , todo vestido de veludo negro . - Meus queridos amigos - disse com ar de luto . - Bem-vindos , bem-vindos , ainda_bem que puderam vir . Em um gesto largo tirou o chapéu de plumas e fez lhes sinal para que entrassem . Era uma visão incrível . O calabouço estava cheio com centenas de pessoas de um branco pálido e translúcido , a maior parte de as quais era arrastada em uma pista de dança cheia , valsando a o som de trinta serrotes musicais . Os serrotes que compunham a orquestra encontravam se sobre um estrado enfeitado com panos negros . Um lustre lá em cima resplandecia de um azul nocturno com mais um_milhar de velas negras . A respiração de os três subiu em o ar como uma neblina . Parecia que tinham entrado em um congelador . - Vamos dar uma volta - sugeriu Harry em uma tentativa de aquecer os pés . - Cuidado , não atravessem nenhum de eles - avisou o Ron nervosamente e colocaram se em volta de a pista de dança . Passaram por um grupo escuro de freiras , por um homem esfarrapado e cheio de correntes e por o frade gordo , o divertido fantasma de os Hufflepuff que estava a conversar com um cavaleiro com uma seta enfiada em a testa . Harry não ficou nada surpreendido a o ver que o Barão sangrento , o fantasma lúgubre e berrante de os Slytherin , coberto de nódoas de sangue ; estava a ser totalmente evitado por os outros fantasmas . - Oh ! Não -- exclamou Hermione , parando bruscamente . - Voltem se , voltem se , não quero ter de cumprimentar a Murta_Queixosa . - Quem ? - perguntou Harry enquanto davam rapidamente meia volta . - Ela assombra a casa_de_banho de as raparigas de o primeiro andar - explicou Hermione . - Assombra uma casa_de_banho ? - Sim . Está inoperativa durante todo o ano porque ela tem constantes acessos de choro e inunda tudo . Eu só lá fui quando não pode mesmo evitar . É horrível tentar ir a a sanita com ela a gritar connosco . - Olhem , comida - disse o Ron . De o outro lado de o calabouço estava uma mesa igualmente coberta de velado negro . Iam para se aproximar entusiasmados , mas pararam com uma expressão de horror . O cheiro era nauseabundo . Enormes peixes podres enchiam as bonitas travessas de prata , os bolos estorricados como carvões amontoavam se em as salvas , havia uma grande quantidade de miúdos de macaco , uma tábua de queijos cobertos de bolor e , em o lugar de honra , um enorme bolo cinzento em forma de lápide com letras que pareciam alcatrão formando as palavras , * _ Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington_Morto em 31_de_Outubro , 1492 * . Harry olhou espantado quando um fantasma de porte majestoso se aproximou de a mesa inclinando se e passando através de ela com a boca aberta enquanto atravessava um salmão malcheiroso . - Consegue prová o passando através de ele ? - perguntou lhe Harry . - Quase - disse tristemente o fantasma antes de se afastar . - Devem ter deixado apodrecer tudo_isto para ter um sabor mais forte - comentou Hermione com ar de quem está bem informada , tapando o nariz e aproximando se para ver melhor os pútridos miúdos de macaco . - Podemos sair de aqui , estou a sentir me agoniado - disse o Ron . Mas mal tinham dado meia volta quando um homenzinho pequenino saiu inesperadamente de debaixo de a mesa e fez uma paragem em o ar em frente de eles . - Olá , Peeves - disse Harry cautelosamente . Ao_contrário de os outros fantasmas que os rodeavam , Peeves , o * poltergeist * era o oposto de pálido e transparente . Usava um chapéu festivo cor de laranja , um laço rotativo a o pescoço e tinha um sorriso grosseiro de malvadez , em o rosto . - Querem petiscar ? - perguntou delicadamente , oferecendo lhes uma taça de amendoins cobertos de fungos . - Não , obrigada - disse Hermione . - Ouvi te falar sobre a pobre Murta - disse Peeves com os olhos a bailar . - Que insensível que tu foste para com a pobre Murta - respirou fundo e gritou : - Oh Murta . - Oh ! Não , Peeves , não lhe contes o que eu disse , ela vai ficar muito aborrecida - murmurou Hermione bastante nervosa . - Eu não queria dizer que ... eu não me importo que ela , er , olá , Murta . O espectro atarracado de uma rapariga deslizara . Tinha o rosto mais carrancudo que Harry alguma vez vira , meio escondido por o cabelo liso e por os óculos grossos cor de pérola . - O que é ? - perguntou mal-humorada . - Como estás Murta ? - perguntou Hermione , em uma voz falsamente alegre . - É bom ver te fora de a casa_de_banho . Murta fungou . - Miss_Granger estava justamente a falar de ti - disse lhe Peeves baixinho a o ouvido . - A dizer , a dizer ... como estás bonita esta noite -- terminou Hermione , olhando irritada para Peeves . A Murta olhou para Hermione desconfiada . - Estão a divertir se a a minha custa - disse , com lágrimas de prata a encherem lhe rapidamente os olhos pequeninos . - Não , a sério , eu não estava a dizer vos como a Murta estava bonita esta noite ? - disse Hermione , dando uma palmada em as costas de o Harry e de o Ron . - Sim , sim . - Ela ... - Não me venham com mentiras - protestou a Murta , as lágrimas agora a descerem lhe por o rosto , enquanto Peeves ria baixinho por cima de o ombro de ela . - Julgam que eu não sei o que as pessoas me chamam em as minhas costas ? A Murta gorda , a Murta feia , a Murta queixosa , a Murta deprimida ! - Esqueceste te de « a Murta ponto negro » - sussurrou lhe Peeves a o ouvido . A Murta_Queixosa irrompeu em soluços de angústia e fugiu de o calabouço . Peeves disparou atrás de ela , lançando lhe uma chuva de amendoins cheios de bolor e gritando : Ponto negro ! Ponto negro ! - Oh , coitada ! - exclamou Hermione com tristeza . O Nick quase sem cabeça abria agora caminho entre a multidão para se aproximar de eles . - Estão a divertir se ? - Sim , sim - mentiram . - Uma afluência nada má - disse orgulhoso o Nick quase sem cabeça . - A viúva chorosa veio de Kent ... está quase em a hora de o meu discurso . É melhor ir avisar a orquestra . Mas a orquestra parou de tocar em esse preciso momento . Eles , e todos os outros em o calabouço , ficaram em silêncio total , olhando em volta cheios de excitação quando se ouviu uma trompa de a caça . - Lá vêm eles - disse o Nick quase sem cabeça , com alguma amargura em a voz . Por o calabouço irromperam uma_dúzia de , cavalos fantasmas , cada_um montado por um cavaleiro sem cabeça . A assistência aplaudiu vivamente . Harry começou também a bater palmas , mas parou rapidamente quando viu a cara de o Nick . Os cavalos galoparam até a o meio de a pista de dança e pararam , empinando se , dando pequenos passos para a frente e para trás , sobre as patas traseiras . Um fantasma grande em a frente , cuja cabeça barbuda estava debaixo de o braço , soprando a trompa , desmontou , levantou a cabeça bem em o ar para poder ver toda_a assistência ( todos se riam ) e dirigiu se a o Nick quase sem cabeça , comprimindo a cabeça contra o pescoço . - Bem-vindo , Patrick - disse o Nick , mantendo a sua postura rígida . - Gente viva ! - exclamou o Sir_Patrick , avistando Harry , Ron e Hermione e dando um salto de falso espanto , de_tal_modo_que a cabeça lhe caiu de_novo ( a multidão ria a bom rir ) . - Muito engraçado - disse o Nick quase sem cabeça com um ar soturno . - Não ligues a o Nick - gritou a cabeça de Sir_Patrick de o chão . - Ainda está aborrecido por não o deixarmos juntar se a o grupo . Mas olhem bem para ele ... - Eu acho - disse apressadamente Harry , a seguir a um olhar de o Nick - que o Nick é muito assustador e ... eu ... - Bah ! - gritou a cabeça de Sir_Patrick . - Aposto que ele te pediu que dissesses isso . - Gostaria de ter a vossa atenção . Chegou a altura de fazer o meu discurso - disse o Nick quase sem cabeça bem alto , dirigindo se a o pódio , subindo e parando , iluminado por uma luz azul . - Os meus sentimentos , senhores e senhoras , é com profundo pesar ... Mas já ninguém estava a ouvi o . Sir_Patrick e o resto de o grupo de os Sem - _ Cabeça tinham iniciado um jogo de hóquei de cabeça e a multidão voltara se para os observar . Nick quase sem cabeça tentou em vão recuperar a audiência , mas acabou por desistir quando a cabeça de Sir_Patrick passou por ele a_toda_a velocidade gritando vivas . Harry estava cheio de frio para não falar de a fome . - Não aguento mais isto - murmurou Ron a bater o dente enquanto a orquestra voltava a entrar em acção e os fantasmas enchiam de_novo a pista de dança . - Vamos embora - concordou Harry . Recuaram até a a porta , acenando e sorrindo a todos os que olhavam para eles e um minuto depois passavam apressadamente por a entrada cheia de velas negras . - Talvez o pudim ainda não tenha acabado - disse o Ron cheio de esperança , abrindo caminho em direcção a os degraus de o vestíbulo de a entrada . E foi então que Harry ouviu aquilo . - ... * _ Arrancar ... rasgar ... matar * ... Era a mesma voz , a mesma voz fria e assassina que ouvira em o escritório de Lockhart . Parou , agarrando se a a parede de pedra em a expectativa de ouvir melhor , olhando em volta , espreitando para_cima e para baixo de a passagem mal iluminada . - Harry que estás tu a ... ? - E aquela voz outra_vez , calem se um bocadinho . -- ... * _ Tanta fome ... há tanto tempo * ... - Ouçam insistiu Harry e Ron e Hermione ficaram estáticos a olhar para ele . - * _ Matar ... hora de matar * ... A voz ia ficando mais débil . Harry tinha a certeza de que ela estava a afastar se , a subir . Um misto de medo e excitação tomou posse de ele enquanto olhava para o tecto escuro . Como poderia ele subir ? Seria um fantasma para quem os tectos de pedra não contavam ? - Por aqui - gritou , começando a correr por as éscadas acima até a a entrada de o * hall * . Não havia hipótese de ouvir fosse o que fosse ali , o barulho de vozes que vinha de o banquete de o * _ Hallowe'en * ecoava cá fora . Harry subiu a correr a escadaria de mármore até a o primeiro andar com Ron e Hermione ruidosamente atrás . - Harry o que é_que nós ... ? - Sch ... Harry apurou o ouvido . Ao_longe , em o andar de cima , e ainda a enfraquecer , mesmo_assim ouviu a voz : - ... * Cheira-me a sangue ... cheira me a sangue ! * O estômago deu lhe uma volta . - Ele vai matar alguém - gritou e ignorando as caras perplexas de Ron e Hermione , correu , subindo mais um lanço de escadas , a três_e_três , tentando ouvir através de o ruído de os seus próprios passos . Harry correu a_toda_a velocidade pelo segundo andar com Ron e Hermione atrás e só parou quando viraram uma esquina para o último corredor abandonado . - Harry , o que foi aquilo tudo ? - perguntou o Ron , limpando o suor de o rosto . - Eu não ouvi nada ... Mas Hermione , em um sobressalto , apontou para o fundo de o corredor . - Olhem ! Alguma coisa brilhava em a parede em frente . Aproximaram se devagarinho , tentando ver em a escuridão . Alguém escrevera em letras garrafais em a parede entre duas janelas . As palavras brilhavam a a chama fraca de as tochas . : __ a câmara de os segredos foi aberta . inimigos de o herdeiro , __ cuidado . - O que é aquilo pendurado por baixo de as letras ? - perguntou Ron com um tremor em a voz . Quando se aproximaram , Harry quase escorregou . Havia uma grande poça de água em o chão . Ron e Hermione agarraram o e avançaram cautelosamente até a a mensagem , os olhos fixos em uma sombra escura , em baixo . Aperceberam se os três de imediato do_que se tratava e deram um salto para trás , salpicando tudo de água . Mrs._Norris , a gata de o encarregado , estava pendurada por a cauda em o suporte de a tocha . Tinha o corpo rígido como uma tábua e os olhos abertos . Durante alguns segundos ninguém se mexeu . Depois o Ron disse : - Vamos sair de aqui . - Não devíamos tentar ajudar ? - propôs Harry , sem graça . - Acredita - assegurou o Ron . - É melhor que não nos encontrem aqui . Mas era tarde de mais . Um ruído surdo e prolongado , como um trovejar distante , avisou os de que o festim tinha terminado . De ambos os lados de o corredor onde eles estavam , veio o som de centenas de pés a subirem a escadaria e as vozes alegres de gente bem alimentada . Em o momento seguinte os alunos chegavam junto de eles de ambos os lados . O burburinho morreu subitamente mal as pessoas avistaram a gata pendurada . Harry , Ron e Hermione estavam de pé , sozinhos , em o meio de o corredor quando se fez silêncio em a multidão de estudantes que se empurravam para observar aquele quadro macabro . Então alguém gritou , quebrando o silêncio . - Inimigos de o herdeiro , cuidado . Vocês serão os próximos , sangue de lama ! Era_Draco_Malfoy . Estava a a frente de a multidão com os olhos frios a brilhar , a sua cara habitualmente pálida agora afogueada , sorrindo a a vista de a gata pendurada e imóvel . IX_As palavras em a parede -- O que é_que se passa aqui ? O que é_que se passa ? Sem dúvida , atraído por o grito de Malfoy , Argus_Filch apareceu a coxear em o meio de a multidão . Quando viu Mrs._Norris , caiu para trás agarrando o rosto com verdadeiro horror . - A minha gata ! A minha gata ! O que aconteceu a Mrs._Norris ? - gritou . E os seus olhos rápidos caíram sobre Harry . - Tu - guinchou ele . - Mataste a minha gata ! Mataste a , vou dar cabo de ti , eu ... - Argus . Dumbledore tinha chegado a o lugar , seguido de alguns professores . Em poucos segundos tinha passado a a frente de Harry , Ron e Hermione e desatado Mrs._Norris de o suporte de a tocha . - Vem comigo , Argus - disse ele a o Filch . - Vocês também , Mr._Potter , Mr._Weasley e Miss_Granger . Lockhart deu rapidamente um passo em frente . - O meu escritório é o que está mais perto , senhor director , é já aqui em cima , por favor fiquem a a vontade . - Obrigado , Gilderoy - disse Dumbledore . A multidão silenciosa dividiu se para os deixar passar . Lockhart sentindo se excitado e importante , seguia Dumbledore assim_como a professora Mc_Gonagall e o professor Snape . Quando entraram em o escritório escuro de Lockhart houve uma grande agitação em as paredes . Harry viu várias imagens de Lockhart a esconderem se cheias de rolos em o cabelo . O Lockhart em pessoa acendeu as velas e chegou se mais para trás . Dumbledore pôs Mrs._Norris em a superfície polida de a secretária e começou a examiná a . Harry , Ron e Hermione trocaram olhares tensos entre si e deixaram se cair em as cadeiras que se encontravam longe de a luz , a observar . A ponta de o nariz longo e adunco de Dumbledore estava a menos_de dois centímetros de o pêlo de Mrs._Norris . Ele olhava a de perto através de os óculos de meia-lua , os dedos longos a palpar e tactear suavemente . A professora Mc_Gonagall estava quase tão perto como ele , com os olhos contraídos . Snape surgia mais atrás , meio em a sombra , com uma expressão estranha em o rosto , como_se tentasse a_toda_a força sorrir . E Lockhart andava de um lado para o outro a dar sugestões . - Foi sem dúvida uma maldição que a matou , provavelmente a tortura de a metamorfose . Vi a muitas_vezes ser usada , mas infelizmente eu não estava lá quando isto aconteceu . Conheço o antídoto para essa maldição , o que a teria salvo . Os comentários de Lockhart foram interrompidos por os soluços secos e violentos de Filch . Estava afundado em uma cadeira junto de a secretária , incapaz de olhar para Mrs._Norris , com o rosto em as mãos . Por mais que detestasse Filch , Harry não pôde deixar de sentir pena de ele embora não tanta quanto_a que sentia por si próprio . Se Dumbledore acreditasse em o Filch ele seria certamente expulso . O director estava agora a sussurrar umas palavras estranhas e batendo em Mrs._Norris com a varinha , mas não aconteceu nada , ela continuou com o mesmo aspecto , como_se tivesse sido empalhada . - ... Lembro me de uma coisa semelhante que aconteceu em Ouagadogou - disse LockLart . - Uma série de ataques . Conto essa história em a minha autobiografia . Eu dei a a gente de a cidade vários amuletos que resolveram logo a situação ... As fotografias de Lockhart em as paredes iam acenando afirmativamente com a cabeça enquanto ele falava . Uma de elas esquecera se de tirar os rolos de o cabelo . Por fim , Dumbledore endireitou se . - Ela não está morta , Argus - disse suavemente . Lockhart interrompeu bruscamente a contagem de os crimes que conseguira evitar . - Não está morta ? - disse Filch em um sufoco , olhando através de os dedos para Mrs._Norris . - Mas , porque está ela rígida e gelada ? - Foi petrificada - disse Dumbledore ( Ah ! foi o que eu pensei ! - comentou Lockhart ) mas como , não posso afirmar . - Pergunte lhe - gritou Filch , voltando a cara cheia de furúnculos e lágrimas para Harry . - Nenhum aluno de o segundo ano poderia ter feito isto - explicou Dumbledore . - Era preciso um grande conhecimento de magia negra . - Foi ele , foi ele - disse encolerizado o encarregado com a cara a ficar roxa . - O senhor viu o que ele escreveu em a parede . Ele descobriu em o meu gabinete , ele sabe que eu sou um ... - O rosto de Filch estava horrível . - Ele sabe que eu sou um * _ busca-pé * - disse por fim . - Eu não toquei em a Mrs._Norris - gritou Harry com todos os olhares a recaírem sobre ele , incluindo o de todos os Lockharts de a parede . - E eu nem sei o que é um * busca-pé * . - Mentira ! - gritou Filch . - Ele viu a minha carta de o feitiço rápido . - Se me permite que dê a minha opinião , senhor director - disse Snape , saindo de a sombra , e a sensação de mau presságio de Harry aumentou bastante . Certamente nada do_que Snape tinha para de dizer iria ajudá o . - O Potter e os amigos podiam estar simplesmente em o lugar errado em a altura errada - afirmou com um leve sorriso a torcer lhe a boca como_se tivesse as suas dúvidas . - Mas , temos aqui um conjunto de circunstâncias curiosas . Porque estavam eles afinal em o corredor ? Porque não estiveram presentes em a festa de o * _ Hallowe'en * ? Harry , Ron e Hermione começaram uma longa explicação sobre a festa de o dia de os mortos . - Estavam lá centenas de fantasmas , eles poderão confirmar que lá estivemos ... - Mas porque não foram a seguir a o banquete ? - perguntou Snape com os olhos pretos a brilharem a a luz de as velas . - Porquê ir até a aquele corredor ? Ron e Hermione olharam para Harry . - Porque , porque ... - balbuciou Harry , com o coração a querer saltar lhe de o peito , mas algo lhe disse que ia parecer muito rebuscado se lhes contasse que tinha sido levado até ali por uma voz sem corpo que só ele conseguia ouvir . - Porque estávamos cansados e queríamos ir para a cama - disse . - Sem jantar ? - inquiriu Snape com um sorriso triunfante a bailar lhe em o rosto lúgubre . - Não sabia que os fantasmas ofereciam em as suas festas comida para gente viva . - Não estávamos com fome - disse o Ron bem alto , enquanto o estômago se queixava de forma audível . O sorriso mesquinho de a Snape ampliou se . - Acho , senhor director , que Potter não está a dizer toda_a verdade - afirmou . - Talvez fosse boa ideia retirar lhe alguns privilégios , até ele estar disposto a contar nos a história toda . Pessoalmente , sugiro que seja retirado de a equipa de os Gryffindor até decidir ser honesto . - Francamente , Severus - exclamou a professora Mc_Gonagall com uma voz cortante . - Não vejo porquê impedir o rapaz de jogar Quidditch . Esta gata não levou pauladas em a cabeça dadas por nenhum cabo de vassoura . E não há provas de que o Potter tenha feito algo de mal . Dumbledore observava Harry com um olhar perscrutador . A voz tremeluzente de os seus olhos azuis fez Harry sentir que estava a ser passado a raios X. - Inocente até se provar que é culpado , Severus - disse com segurança . Snape estava furioso , assim_como Filch . - A minha gata foi petrificada ! - berrou , com os olhos a saltarem de as órbitas . - Quero ver um castigo ! - Vamos poder curá a , Argus - explicou pacientemente Dumbledore . - Madam_Sprout conseguiu arranjar algumas Mandrágoras . Logo_que tenham atingido o tamanho adulto , terei uma poção de Mandrágoras que reanimará Mrs._Norris . - Eu posso fazê a - interrompeu Lockhart . - Devo ter feito isso uma centena de vezes . Preparo uma golada de Mandrágora reconstituinte de olhos fechados ... - Perdão - disse Snape friamente -- , mas julgo que o professor de poções de esta escola ainda sou eu . Houve um silêncio bastante incómodo . - Vocês podem ir se embora - disse Dumbledore a o Harry , Ron e a Hermione . Eles saíram o mais depressa que puderam , sem ir a correr . Quando chegaram a o andar acima de o escritório de Lockhart , entraram em uma sala de aulas vazia e fecharam a porta devagarinho . Harry lançou um olhar de esguelha a as caras carrancudas de os amigos . - Acham que eu lhes devia ter falado de a voz que ouvi ? - Não - respondeu Ron , sem a mínima hesitação . - Ouvir vozes que mais ninguém ouve , não é bom sinal , nem em o mundo de os feiticeiros . Algo em a voz de Ron levou Harry a fazer a pergunta : - Tu acreditas em mim , não acreditas ? - Claro que sim - respondeu o Ron de imediato . - Mas tens de concordar que é esquisito ... - Eu sei que é esquisito - confirmou Harry . - É tudo esquisito . O que era aquilo escrito em a parede ? * _ A_Câmara foi aberta * , o que é_que significa ? - Sabes , faz me lembrar qualquer coisa - disse Ron lentamente . - Acho que alguém me contou uma história sobre uma câmara secreta em Hogwarts , talvez tenha sido o Bill ... - E que diabos é um * busca-pé * ? - perguntou Harry . Para sua surpresa , Ron abafou o riso . - Bem , em a verdade não tem graça nenhuma , mas como é o Filch ... - disse . - Um * busca-pé * é alguém que nasceu de uma família de feiticeiros , mas não tem poderes mágicos . É uma espécie de o oposto de os que vêm de famílias de Muggles , mas são feiticeiros . Os * busca-pé * são muito raros . Se o Filch está a tentar aprender magia em um curso rápido , acho que ele deve ser mesmo um busca-pé . Isso explicaria tudo , por_exemplo , porque detesta tanto os estudantes . - Ron sorriu satisfeito . - Tem inveja . Um relógio deu as horas , algures . - Meia-noite - disse Harry . - É melhor irmo nos deitar , antes que o Snape apareça e tente acusar nos de qualquer coisa . Durante alguns dias não se falou de outra coisa em a escola a não ser de o ataque a a gata , Mrs._Norris . Filch manteve o sucedido bem fresco em a memória de todos , andando de um lado para o outro em o lugar onde ela fora atacada , como_se esperasse por o responsável . Harry vira o esfregar a mensagem de a parede com a « solução removedora de toda_a porcaria mágica Mrs._Skower » , mas sem qualquer resultado . As palavras continuavam a brilhar tanto como antes sobre a pedra . Quando Filch não estava a patrulhar a cena de o crime , vagueava , de olhos avermelhados , por os corredores , perseguindo alunos insuspeitos e tentando aplicar lhes castigos por coisas como « respirar muito alto » ou « estar alegre » . Ginny_Weasley parecia muito perturbada com o destino de Mrs._Norris . Segundo Ron ela era uma amante de gatos . - Mas tu nem chegaste a conhecer bem Mrs._Norris - disse lhe Ron para a animar . - Com toda_a franqueza , estamos muito melhor sem ela . - O lábio de Ginny tremeu . - Não é costume acontecerem coisas de estas em Hogwarts - tranquilizou a . - Eles vão descobrir o safado que fez aquilo e põem o de aqui para fora em três tempos . - Só espero que tenha tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso . Estou a brincar , claro - acrescentou o Ron apressadamente a o ver a Ginny a empalidecer . O ataque afectara também Hermione . Era costume de ela passar muito_tempo a ler , mas agora parecia não fazer mais_nada . Nem respondia a o Harry e a o Ron quando lhe perguntavam o que estava a fazer e só acabaram por descobrir em a quarta-feira seguinte . Harry tivera de ficar até mais tarde em a sala de poções onde Snape o mandara raspar restos de larvas de as secretárias . Depois de um almoço comido a a pressa , ele foi lá acima encontrar se com Ron em a biblioteca e viu Justin_Finch - _ Fletchley , o rapaz de os Hufflepuff de herbologia que vinha em direcção a ele . Harry tinha acabado de abrir a boca para dizer um « Olá » quando Justin o viu , voltando se bruscamente e mudando de direcção . Harry foi encontrar o Ron em as traseiras de a biblioteca , a medir o trabalho de casa de história de a magia . O professor Binns pedira uma composição sobre a Assembleia_Medieval_de_Feiticeiros_Europeus com 90cm . De extensão . - Não posso crer que ainda me faltem 16cm - disse o Ron furioso , largando o pergaminho que se enrolou em forma de tubo - e que a Hermione fez um metro e trinta em aquela letra pequenina e apertadinha . - Onde está ela ? - perguntou Harry , agarrando em a fita métrica e desembrulhando o seu trabalho de casa . - Algures por aí - disse o Ron , apontando para as estantes . - _ a a procura de outro livro . Acho que ela está a tentar ler a biblioteca toda antes de o Natal . Harry contou a Ron que Justin_Finch - _ Fletchley tinha evitado falar lhe . - Não sei porque te preocupas com isso . Eu achei o um idiota - disse o Ron , escrevinhando e fazendo a letra o maior possível . - Todo aquele disparate sobre o Lockhart ser tão grande ... Hermione surgiu de o meio de as estantes . Parecia irritada e disposta , por fim , a falar com eles . - Todos os exemplares de * _ Hogwarts : Uma História * foram requisitados - disse , sentando se ao_lado_de Harry e Ron . - E há uma lista de espera de duas semanas . Quem me dera não ter deixado o meu exemplar em casa , mas não consegui que coubesse em a mala com todos os livros de o Lockhart . - Para que o queres ? - perguntou Harry . - Pelo mesmo motivo que toda_a_gente o quer - disse Hermione . - Para ler a lenda de a Câmara_dos_Segredos . - O que é isso ? - Precisamente . Não me lembro - disse Hermione , mordendo o lábio . - E não encontro a História em lugar nenhum . - Hermione , deixa me ler o teu trabalho - pediu Ron desesperado , olhando para o relógio . - Não , não deixo - respondeu Hermione com um ar severo . - Tiveste dez dias para o fazer . - Só preciso de mais quatro centímetros , vá lá ... A campainha tocou . Ron e Hermione encaminharam se para a História_da_Magia , discutindo . A História_da_Magia era a matéria mais chata de o programa . O professor Binns , que dava a cadeira , era o único professor fantasma e a coisa mais excitante que aconteceu em as suas aulas foi o dia em que entrou por o quadro preto . Já velho e enrugado , muita gente afirmava a seu respeito que ele não dera por_que tinha morrido . Pura e simplesmente levantara se um dia para ir dar aulas , deixando o corpo atrás , em um cadeirão em frente de a lareira de a sala de os professores . Desde esse dia a sua rotina mantivera se igual . Era hoje tão chato como fora sempre . Abriu as notas e começou a ler em um tom monocórdico como um velho aspirador até quase todos os alunos estarem em um estado de profunda dormência , acordando de vez em quando , para tomar nota de um nome ou de uma data , e voltando a adormecer . Estava a falar havia meia_hora quando aconteceu algo que nunca tinha acontecido . Hermione pôs o braço em o ar . O professor Binns olhou de relance , em o meio de a chatíssima aula sobre a Convenção_Internacional_de_Feiticeiros de 1289 , verdadeiramente espantado . - Miss ... er ... ? - Granger , professor . Poderia dizer nos alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Hermione em uma voz bem audível . O Dean_Thomas , que tinha estado sentado de boca aberta olhando para fora de a janela , saiu de o seu transe com um salto . A cabeça de Lavender_Brown saiu de os braços e o cotovelo de o Neville_Longbottom escorregou para fora de a secretária . O professor Binns piscou os olhos . - A minha matéria é História_da_Magia - disse em a sua voz seca e asmática . - Eu trato de factos , Miss_Granger , não de mitos e lendas - pigarreou produzindo um ruído que parecia o giz sobre o quadro e continuou : - Em Setembro de esse ano , uma subcomissão de feiticeiros de a Sardenha ... Parou de repente . A mão de Hermione estava de_novo em o ar . - Sim , Miss_Grant ? - Por favor , professor , as lendas não têm sempre um facto como base ? O professor Binns olhava para ela com tal espanto que Harry teve a certeza de que ele nunca , em tempo algum , fora interrompido por um aluno . - Bem - disse lentamente o professor Binns . - Sim , é uma afirmação que pode fazer se . - Olhou para Hermione como_se fosse a primeira vez que olhasse a sério para um estudante . - Contudo , a lenda de que me fala é tão extraordinária , mesmo grotesca ... Mas a aula inteira estava agora atenta a as palavras de o professor , que olhou indistintamente para todos eles . Harry poderia assegurar que ele estava absolutamente abismado por uma tão grande demonstração de interesse . - Muito bem - disse lentamente . - Ora vejamos ... a Câmara_dos_Segredos . Todos vocês sabem com certeza que Hogwarts foi fundada há mais de um_milhar de anos , não se conhece ao_certo a data , por os quatro maiores feiticeiros e feiticeiras de a época : Godric_Gryffindor , Helga_Hufflepuff , Rowena_Ravenclaw e Salazar_Slytherin . Construíram juntos este castelo , longe de os olhares curiosos de os Muggles porque em aquele tempo a magia era temida por as pessoas comuns e as bruxas e feiticeiros sofriam terríveis perseguições . Fez uma pausa , olhou indeciso em volta e prosseguiu : - Durante alguns anos , os fundadores trabalharam juntos em harmonia procurando outros mais novos que mostrassem sinais de possuir dotes mágicos e trazendo os para o castelo para aqui serem ensinados . Mas os desentendimentos surgiram entre eles . Começou a notar se uma divisão entre Slytherin e os outros . Salazar_Slytherin queria ser mais selectivo em relação a os alunos a serem admitidos em Hogwarts . Achava que os ensinamentos de magia deviam ficar dentro de as famílias de feiticeiros . Não lhe agradava a entrada em a escola de alunos de famílias Muggles porque os achava pouco dignos de confiança . Depois de algum tempo houve uma séria discussão sobre esse assunto entre Slytherin e Gryffindor e Slytherin abandonou a escola . O professor Binns fez uma nova pausa , fazendo beicinho o que o fazia parecer uma tartaruga enrugada . - Fontes fidedignas referem nos isto - disse . - Mas estes factos foram obscurecidos por a fantasiosa lenda de a Câmara_dos_Segredos . Conta a história que Slytherin construíra uma câmara oculta dentro de o castelo cuja existência os outros fundadores ignoravam . De_acordo com a lenda , Slytherin selou a Câmara_dos_Segredos para que ninguém pudesse abri a até o seu verdadeiro herdeiro chegar a a escola . O herdeiro , e apenas ele , poderia abrir a Câmara_dos_Segredos , libertar o horror que lá se encontrava e utilizá o para expurgar a escola de todos aqueles que eram indignos de aprender magia . Houve um silêncio quando ele se calou que não era o habitual silêncio de sono de as aulas de o professor Binns . Havia um desassossego em o ar enquanto todos continuavam a olhá o a a espera de mais . O professor Binns estava ligeiramente aborrecido . - A história toda é um disparate , claro - disse ele . - A escola foi revistada por várias vezes em busca de provas de a existência de essa câmara , por os feiticeiros e bruxas mais conhecedores . Não existe nada . Uma lenda que serviu apenas para assustar os ingénuos . A mão de Hermione estava novamente em o ar . - Professor , o que quer_dizer , ao_certo com « o horror que estava dentro de a câmara » ? - Acredita se que seja uma espécie de monstro que só o herdeiro de Slytherin pode controlar - disse o professor Binns em a sua voz seca e débil . A aula trocou entre si olhares inquietos . - Como vos digo , a coisa não existe - afirmou o professor Binns , desordenando as suas notas . - Não há câmara e não há monstro . - Mas , professor - disse Seamus_Finnigan . - Se a câmara só podia ser aberta por o herdeiro de Slytherin ninguém mais poderia encontrá a . Não é ? - Um disparate pegado - disse o professor Binns , em um tom de voz exasperado . - Se uma longa sucessão de directores e directoras de Hogwarts não a encontraram ... - Mas , professor - começou a dizer Parvati_Patil . Se_calhar é preciso usar magia negra para a abrir ... - Lá porque um feiticeiro não usa magia negra não quer_dizer que não possa , Miss_Pennyfeather - interrompeu o professor Binns . - Repito , se os antecessores de Dumbledore ... - Mas talvez seja preciso fazer parte de os Slytherin , por isso Dumbledore não podia ... - começou Dean_Thomas , mas o professor Binns já estava farto . - Já chega - disse , de modo cortante . - É um mito . Não existe . Não há uma única prova de que Slytherin tenha construído nem mesmo uma despensa para vassouras . Lamento ter vos contado esta história tola . Vamos voltar , se fazem o favor , a a História , a os factos sólidos , verificáveis , credíveis . E em menos_de cinco minutos toda_a classe mergulhara em a sua sonolência habitual . - Eu sempre ouvi dizer que Salazar_Slytherin era um velho retorcido e meio pateta - disse Ron_a_Harry e Hermione enquanto abriam caminho por os corredores cheios , em o final de a aula , para ir arrumar as malas antes de o jantar . - Mas não sabia que ele tinha começado esta coisa de o sangue puro . Eu não ia para os Slytherin nem que me pagassem . Se o chapéu seleccionador me tivesse posto lá , pegava em as malas e ia me embora ... Hermione acenou vivamente , mas Harry não abriu a boca . O estômago parecia ter dado uma volta . Harry nunca contara a o Ron e a a Hermione que o chapéu seleccionador tinha considerado seriamente a possibilidade de o colocar em os Slytherin . Lembrava se como_se tivesse sido em a véspera do_que a vozinha lhe dissera a o ouvido quando pôs o chapéu em a cabeça , um ano antes . * _ Podias vir a ser grande , sabes ? Está tudo aqui em a tua cabeça e Slytherin ajudaria te em o caminho para a grandeza , sem a menor dúvida * ... Mas Harry , que já ouvira falar de a fama de o grupo de os Slytherin de formar magos negros , pensou desesperadamente . - Em os Slytherin , não ! - E o chapéu tinha dito . - Bem , se tens assim tanta certeza ... será melhor os Gryfffndor . Enquanto eram empurrados por a multidão , Colin_Creevey passou por eles . - Olá , Harry ! - Olá , Colin - disse Harry automaticamente . - Harry , Harry , um rapaz de a minha turma tem andado a dizer que tu és ... Mas Colin era tão baixinho que não conseguiu lutar contra a maré de gente que o arrastou até a o vestíbulo . Ouviram o despedir se : - Adeus , Harry - e desaparecer . - O que é_que o rapaz de a turma de ele disse de ti ? - quis saber Hermione . - Que eu sou o herdeiro de Slytherin , imagino - disse Harry , com o estômago ainda a as voltas e lembrou se de repente de o Justin_Finch - _ Fletchley a fugir para não lhe falar , a a hora de o almoço . - As pessoas aqui acreditam em tudo - disse o Ron com repugnância . A multidão diminuiu e conseguiram subir as escadas sem dificuldade . - Achas mesmo_que existe uma Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Ron_a_Hermione . - Não sei - respondeu ela , franzindo a testa . - Dumbledore não conseguiu curar Mrs._Norris e isso leva me a pensar que o que a atacou pode não ser ... humano . Enquanto falava , voltaram uma esquina e encontraram se em o fim de aquele mesmo corredor onde o ataque tinha ocorrido . Pararam para olhar . Estava tudo igual a aquela outra noite , com excepção de a gata Mrs._Norris e havia uma cadeira vazia encostada a a parede , onde podia ler se a mensagem « : __ a câmara foi __ aberta » . - Foi aqui que o Filch montou a guarda - murmurou Ron . Olharam uns para os outros . O corredor estava deserto . - Não deve fazer mal dar uma olhadela aqui - disse Harry , deixando cair a mala e pondo se de quatro para poder gatinhar em busca de pistas . - Marcas de queimadura - disse - aqui e aqui ... - Venham ver isto ! - chamou Hermione . - Que estranho ... Harry levantou se e foi até a a janela que ficava junto de a mensagem . Hermione apontava para o vidro mais alto , onde cerca de uma vintena de aranhas se debatiam em uma aparente luta por atravessar por uma pequena brecha de vidro . Um longo fio prateado balouçava como uma corda , como_se todas tivessem trepado , em a ânsia de chegar lá fora . - Alguma vez viram aranhas agir assim ? - perguntou Hermione , curiosa . - Não - respondeu Harry . - E tu , Ron ? Ron ? Olhou por cima de o ombro . Ron estava de costas , bem lá atrás e parecia lutar contra o impulso de se virar . - O que é_que se passa ? - perguntou Harry . - Eu não gosto de aranhas - disse Ron , de modo tenso . - Nunca me tinhas dito - comentou Hermione , olhando para ele com surpresa . - Estás farto de usar aranhas em as poções ... - Não me importo quando estão mortas - explicou Ron que olhava cautelosamente para todos os lados , menos para a janela . - Não gosto de a maneira como_se mexem . Hermione riu se baixinho . - Não tem graça nenhuma - disse o Ron , furioso . - Se queres saber , quando eu tinha três anos , o Fred transformou o meu ursinho de pelúcia em uma enorme aranha nojenta , por eu lhe ter partido a vassoura de brinquedo . Tu também não gostarias de aranhas se estivesses agarrada a o teu ursinho e , de repente , ele tivesse uma data de pernas e ... Começou a tremer ... Hermione ainda estava a tentar conter o riso . Sentindo que era melhor mudarem de assunto , Harry perguntou : - Lembram se de a água que havia aqui em o chão ? De onde terá vindo ? Alguém a limpou . - Era por aqui - disse o Ron , já recuperado , avançando alguns passos em direcção a a cadeira de o Filch e apontando . - Junto de esta porta . Estendeu a mão para o puxador de a porta , mas retirou a de imediato , como_se se tivesse queimado . - O que foi ? - perguntou Harry . - Não posso entrar aí - disse o Ron bruscamente . - É a casa_de_banho de as raparigas . - Oh , Ron , não está aí ninguém - sossegou o Hermione enquanto se aproximava . - É o lugar de a Murta_Queixosa . Anda , vamos dar uma espreitadela . E ignorando o grande letreiro que dizia « Fora de serviço » Hermione abriu a porta . Era a casa_de_banho mais sombria e deprimente em que Harry tinha posto os pés durante toda_a sua vida . Debaixo_de um grande espelho partido e sujo podia ver se uma fila de lavatórios de pedra , rachados . O chão estava húmido e reflectia a luz fraca de os pavios de algumas velas que ardiam baixinho em os suportes . As portas de madeira de os cubículos estavam todas lascadas e riscadas e uma de elas balouçava fora de as dobradiças . Hermione levou os dedos a os lábios e foi até a o último cubículo . Quando lá chegou disse : - Olá , Murta , como estás ? Harry e Ron foram ver . A Murta_Queixosa flutuava em a cisterna de a casa_de_banho , tirando um ponto negro de o queixo . - Esta é a casa_de_banho de as raparigas - disse a o ver o Ron e o Harry . - Eles não são raparigas . - Não - concordou Hermione . - Eu só queria mostrar lhes como esta casa_de_banho é ... er ... simpática . Ela fez um aceno vago a o velho espelho sujo e a o chão húmido . - Pergunta lhe se viu alguma coisa - sussurrou o Ron a a Hermione . - Porque estão a dizer segredinhos ? - perguntou a Murta , fitando o . - Não é nada - disse Harry rapidamente . - Queríamos perguntar ... - Gostava que as pessoas parassem de falar em as minhas costas ! - desabafou a Murta em uma voz abafada por as lágrimas . - Eu tenho sentimentos , sabem , apesar_de estar morta . - Murta , ninguém quis aborrecer te - explicou Hermione . - O Harry só ... - A minha vida foi uma infelicidade em este lugar e agora as pessoas vêm estragar a minha morte . - Nós queríamos perguntar te se tinhas visto alguma coisa estranha ultimamente - disse Hermione sem perder tempo . - Porque foi atacada uma gata mesmo aqui a a frente de a tua porta em a noite de o * _ Hallowe'en * . - Viste alguém aqui perto em essa noite ? - insistiu Harry . - Não estava a prestar atenção - disse a Murta com ar dramático . - O Peeves aborreceu me tanto que vim aqui para tentar matar me . Só então me lembrei de que estou ... de que estou ... - Já morta - ajudou o Ron . A Murta soluçou tragicamente , elevou se em o ar , voltou se e mergulhou de cabeça em a sanita , espalhando água por_cima_de todos eles e desaparecendo . Por o som de os seus soluços abafados fora certamente descansar algures em o cano em forma de V._Harry e Ron ficaram de boca aberta , mas Hermione encolheu os ombros de cansaço e disse : - Se querem saber , para a Murta isto até foi alegre ... vá , vamos embora . Harry tinha acabado de fechar a porta deixando atrás os soluços gorgolejantes de a Murta quando uma voz forte o fez dar um salto . - RON ! Percy_Weasley estava parado em o cimo de as escadas com o seu distintivo de prefeito a brilhar e uma expressão chocadíssima em o rosto . - Isso é a casa_de_banho de as raparigas ... o que é_que vocês ... ? - Estávamos só a dar uma vista de olhos - exclamou o Ron - a a procura de pistas ... Percy engoliu em seco , de uma maneira que fez Harry lembrar se de Mrs._Weasley . - Saiam imediatamente de aqui - disse , aproximando se de eles a passos largos e gesticulando agitadamente . - Não se preocupam com as aparências ? Voltar aqui enquanto toda_a_gente está a jantar ... - Porque não havíamos de estar aqui ? - perguntou cheio de vivacidade o Ron , parando de repente e olhando Percy em os olhos . - Ouve lá , nós não tocamos em aquela gata . - Isso foi o que eu tentei explicar a a Ginny - respondeu Percy furioso - mas ela parece continuar a pensar que vocês vão ser expulsos . Nunca a vi tão aflita . Não pára de chorar . Devias pensar em ela . Todos os alunos de o primeiro ano andam superexcitados com esta história . - Tu não estás nada preocupado com a Ginny - disse o Ron já com as orelhas vermelhas . - O que te assusta é_que eu possa estragar as tuas possibilidades de ser chefe de turma . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor ! - bradou Percy , apontando elegantemente para o distintivo de prefeito . - E espero que te sirva de lição . Acabou se o trabalho de detective ou escrevo a a mãe a contar lhe . E voltou lhes as costas , a nuca tão vermelha como as orelhas de o Ron . Harry , Ron e Hermione , em essa noite , sentaram se em a sala comum o mais longe possível de Percy . Ron estava ainda muito maldisposto e não parava de esborratar o trabalho de casa de os encantamentos . Quando pegou distraidamente em a varinha para tirar as manchas incendiou o pergaminho . A deitar quase tanto fumo como o seu trabalho de casa , fechou bruscamente o * _ Livro_Padrão_de_Encantamentos de o 2.o Grau * . Para grande surpresa de Harry , Hermione fez o mesmo . - Mas quem poderia ser - perguntou ela baixinho como_se continuasse uma conversa que tinham acabado de ter . - Quem quereria todos os * busca-pés * e filhos de Muggles fora de Hogwarts ? - Vamos pensar - disse o Ron em a brincadeira , fingindo estar confuso . - Quem poderemos nós conhecer que ache que os familiares de Muggles são escumalha ? Olhou para Hermione . Ela olhou para ele pouco convencida . - Se estás a pensar em o Malfoy ... - Claro que estou - disse o Ron . - Tu ouviste o dizer : - Vocês serão os próximos , sangues de lama ! - Aliás , basta olhar para aquela cara de renegado para saber que ele é ... - Malfoy , o herdeiro de Slytherin ? - repetiu Hermione cepticamente . - Olha para a família de ele - disse Harry , fechando também os livros . - Todos eles estiveram em os Slytherin . O Draco está sempre a vangloriar se de isso . Podiam bem ser descendentes de Slytherin . O pai de ele é suficientemente mau . - Podiam perfeitamente ter tido a chave de a Câmara_dos_Segredos durante séculos - disse Ron - , fazendo a passar de pai para filho . - Bem - acedeu Hermione cautelosamente . - Seria possível ... - Mas como prová o ? - perguntou Harry tristemente . - Talvez haja um meio - sugeriu Hermione lentamente , baixando ainda mais a voz e lançando um olhar , através de a sala , a Percy . - É claro que não é fácil . E é perigoso , muito perigoso . Suponho que iríamos infringir cerca de cinquenta regras de a escola . - Se de aqui a um mês ou dois te decidires a explicar , avisa , está bem ? - disse Ron , que começava a ficar irritado . - Está bem - concordou Hermione friamente . - O que precisaríamos de fazer para entrar em a sala comum de os Slytherin e fazer algumas perguntas a o Malfoy , sem ele perceber que éramos nós ? - Mas isso é impossível - declarou Harry , enquanto Ron se ria . - Não , não é - continuou Hermione . - Só precisamos de um_pouco de poção * polisuco * . - O que é isso ? - perguntaram ao_mesmo_tempo Ron e Harry . - O Snape falou de ela em uma aula , há poucas semanas atrás . - Achas que não temos mais o que fazer do_que ouvir o Snape ? - murmurou o Ron . - Transforma nos em outra pessoa . Pensem em isso : podíamos transformar nos em três de os Slytherin . Ninguém saberia que éramos nós . É provável que o Malfoy nos contasse alguma coisa . Aposto que ele está a gabar se , em este momento , em a sala de os Slytherin , se ao_menos pudéssemos ouvi o . - Essa coisa de o * polisuco * cheira me um bocado mal - disse o Ron , franzindo as sobrancelhas . - E se ficarmos com a forma de os três Slytherin para sempre ? - Desaparece a o fim de algum tempo - disse Hermione , gesticulando impacientemente com a mão - mas conseguir a receita é muito difícil . O Snape disse que vinha em um livro chamado * _ As_Mais_Potentes_Poções * e está com certeza em a parte de os reservados de a biblioteca . Só havia uma maneira de obter o livro de os reservados : era com uma autorização assinada por um professor . - Não estou a ver porque quereríamos o livro - disse o Ron . - Se não para tentar fabricar uma de as poções . - Eu acho - sugeriu Hermione - que se fizéssemos parecer que o nosso interesse era apenas teórico , talvez conseguíssemos ... - Estás a sonhar , nenhum professor ia cair em essa - afirmou o Ron . - Só se fosse muito burro . X_A * bludger * perigosa Depois de o desastroso incidente de os duendes , o professor Lockhart não voltou a levar seres vivos para as aulas . Em vez de isso , lia a os alunos passagens de os seus livros e , por vezes , voltava a desempenhar alguns de os episódios mais dramáticos . Costumava chamar Harry para o ajudar em essas reconstruções . Até ali Harry fora obrigado a desempenhar o papel de um camponês de a Transilvânia que Lockhart curara de uma maldição murmurada , o abominável homem de as neves com dores de cabeça e um vampiro que depois de ter conhecido Lockhart tinha ficado incapaz de comer outra coisa que não fosse alfaces . Harry foi chamado para a frente de a classe durante a aula de Defesa contra as artes negras que se seguiu . Desta_vez para desempenhar o papel de um lobisomem . Se não tivesse um bom motivo para querer ver o Lockhart bem-disposto , teria se recusado . - Um uivo bem alto , excelente , Harry , isso mesmo . E foi então que , acreditem ou não , eu o ataquei de repente , assim . Atirei o a o chão , agarrei o com uma mão e com a outra consegui meter lhe a varinha em a garganta . Então , com a força que me restava pus em prática o complicadíssimo encantamento * _ Homorphus * . Harry soltou um uivo tristíssimo . - Vá lá , Harry , mais alto . Bom ... o pêlo desapareceu , os dentes diminuíram de tamanho e ele transformou se em um homem . Simples , mas eficaz e mais uma cidade ficará a lembrar se de mim para sempre como o herói que os libertou de os ataques mensais de o lobisomem . A campainha tocou e Lockhart pôs se de pé . - Trabalho para_casa : escrever um poema sobre a minha vitória sobre o lobisomem Wagga_Wagga . Há um exemplar autografado de * _ Eu , o Mágico * para o autor de o melhor poema . Os alunos começaram a sair . Harry voltou para trás e foi juntar se a o Ron e a a Hermione que estavam a a espera de ele . - Prontos ? - perguntou . - Espera até saírem todos - disse Hermione bastante nervosa . - Pronto ... Aproximou se de a secretária de Lockhart , apertando em a mão uma folha de papel , com o Ron e o Harry atrás . - Er ... professor Lockhart - gaguejou Hermione . - Eu queria requisitar este livro em a biblioteca , como leitura de apoio - entregou lhe o papel , com a mão ligeiramente trémula . - Só que faz parte de a secção de os reservados , por isso preciso de a assinatura de um professor . Acho que o livro me vai ajudar a compreender o que o senhor diz em * _ Passeios com Vampiros * acerca de os venenos de acção lenta ... - Ah , * _ Passeando com Vampiros * - disse Lockhart , pegando em a folha de papel de Hermione e sorrindo lhe abertamente . - E provavelmente o meu livro preferido . Gostou ? - Oh , muito - disse Hermione avidamente . - Tão inteligente o modo como apanhou o último com o passador de o chá . - Bem , tenho a certeza que ninguém se importará que eu dê uma ajudazinha suplementar a a melhor aluna de o segundo ano - disse Lockhart calorosamente , sacando de uma enorme pena de pavão . - É bonita , não é ? - comentou , adivinhando uma expressão de repulsa em a cara de o Ron . - Costumo guardas a para as minhas assinaturas de autógrafos . Rabiscou uma enorme assinatura cheia de altos e baixos e entregou a a Hermione . - Então , Harry - disse Lockhart enquanto Hermione dobrava a folha e a guardava em o saco . - Amanhã é a primeira partida de Quidditch de este ano , não é ? Gryffindor contra Slytherin . Ouvi dizer que és um jogador indispensável . Eu também fui * seeker * . Convidaram me inclusivamente para fazer parte de a Equipa_Nacional , mas eu preferi dedicar a minha vida a a erradicação de as forças de o mal . Mesmo_assim , se alguma vez precisares de um treino particular , não hesites em falar comigo , estou sempre disponível para partilhar a minha perícia com os jogadores menos dotados do_que eu . Harry fez um som indistinto com a garganta e saiu atrás_de Ron e Hermione . - Não acredito - disse quando os três examinavam a assinatura de Lockhart . - Ele nem viu que livro nós queríamos . - É porque é um idiota sem miolos - explicou o Ron . - Mas , quem se rala , temos o que queríamos . - Ele não é um idiota sem miolos - gritou Hermione com voz esganiçada enquanto se aproximavam quase a correr de a biblioteca . - Só porque ele disse que eras a melhor aluna de o segundo ano ... Baixaram as vozes a o entrar em a quietude abafada de a biblioteca . Madam_Prince , a bibliotecária , era uma mulher magra e irritável que parecia um abutre mal nutrido . - * _ Moste_Potente_Potions * ? - repetiu intrigada , tentando ficar com a folha de papel que Hermione se recusava a entregar lhe . - Gostava de a guardar para mim - disse sem fôlego . - Vá lá - intercedeu Ron , arrancando lhe a de as mãos e entregando a a Madam_Prince . - Nós arranjamos te outro autógrafo . O Lockhart assina tudo se aqui ficar muito_tempo . Madam_Prince pegou em o papel e voltou o em a direcção de a luz , decidida a descobrir uma falsificação , mas a assinatura passou em o teste . Desapareceu entre as estantes e voltou alguns minutos mais tarde , transportando um livro grande e de aspecto antiquado . Hermione meteu o com todo o cuidado em o saco e saíram , tentando não andar depressa de mais nem aparentar um ar culpado . Cinco minutos depois , estavam de_novo barricados em a casa_de_banho fora de serviço de a Murta_Queixosa . Hermione destruíra as objecções de Ron argumentando que aquele era o último lugar onde alguém em o seu juízo perfeito se lembraria de ir e que poderia assegurar lhes alguma privacidade . A Murta_Queixosa chorava ruidosamente em o seu cubículo , mas eles conseguiram ignorá a assim_como ela a eles . Hermione abriu * _ Moste_Potente_Potions * com todo o cuidado e inclinaram se os três sobre as páginas manchadas de humidade . Era fácil de perceber , logo à_primeira_vista de olhos , porque pertencia a a secção de os reservados . Algumas de as poções tinham efeitos quase impensáveis de tão macabros e havia ilustrações bastante desagradáveis , como , por_exemplo , aquela em que um homem parecia ter sido virado de o avesso e a de a bruxa com vários pares de braços suplementares a nascerem lhe em a cabeça . - Aqui está - disse Hermione excitadíssima a o encontrar a página intitulada « A poção * polisuco * « . Estava ilustrada com imagens de pessoas a meio de o processo de se transformarem em outras pessoas e Harry desejou ardentemente que a expressão de dor intensa que se lhes espelhava em o rosto fosse apenas produto de a imaginação de o artista desenhador . - Esta é a poção mais complicada que vi até hoje - disse Hermione enquanto examinava a receita . - Moscas asas de renda , sanguessugas , fluxo de cizânias e verdezelha - murmurou , acompanhando com o dedo a lista de ingredientes . - Bem , esses são relativamente simples , há os em a despensa de material de os estudantes , podemos tirar a a nossa vontade . Oh ! Vê só , pó de chifre de bicórneo ... não sei onde vamos arranjar isto ... e , é claro , um pedacinho de a pessoa em quem queremos transformar nos . - Como ? - perguntou Ron de forma cortante . - O que é_que queres dizer com um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos ? Eu não bebo nada que tenha lá dentro as unhas de os pés de o Crabbe ... Hermione continuou como_se não o tivesse ouvido . - Mas não temos que nos preocupar com isso por enquanto . Fica para o fim . Ron voltou se sem palavras para o Harry que tinha uma preocupação de outro tipo . - Já viste bem tudo_o_que vamos ter que roubar , Hermione ? Algumas coisas , não estão de certeza em a despensa de material de os alunos . O que é_que vamos fazer , arrombar os armários pessoais de o Snape ? Não sei se será uma boa ideia ... Hermione fechou o livro com um estrondo . - Bem , se vocês os dois se vão acagaçar , então está lindo - disse ela . Tinha as bochechas rosadas e os olhos mais brilhantes do_que era habitual . - Eu não gosto de quebrar regras , vocês sabem , mas acho que ameaçar os filhos de os Muggles é muito pior do_que construir uma poção difícil . Mas se vocês não querem descobrir se é o Malfoy , eu posso voltar já a a biblioteca e entregar o livro a Madam_Prince ... - Nunca pensei que chegaria o dia em que serias tu a convencer nos a quebrar regras - disse o Ron . - Está bem , vamos em essa , mas sem unhas de os pés , O. _ K. ? - Quanto tempo vai isso demorar a fazer , afinal ? - perguntou Harry quando Hermione , já com um ar mais satisfeito , voltou a abrir o livro . - Bem , como o fluxo de cizânias tem de ser recolhido durante a lua cheia e as asas de renda têm de ser abafadas durante vinte_e_um dias ... eu diria que se conseguirmos arranjar todos os ingredientes estará pronta dentro_de um mês . - Um mês ? - exclamou o Ron . - Nessa_altura já o Malfoy terá atacado metade de os filhos de Muggles ! - mas os olhos de Hermione contraíram se de_novo assustadoramente e ele acrescentou rapidamente . - Mas é o melhor plano que temos , por isso é melhor não olharmos para trás . Apesar_de tudo , enquanto Hermione verificava que não havia ninguém em os corredores e podiam sair de a casa_de_banho , Ron murmurou a Harry : - Seria muito mais simples se conseguisses , amanhã , atirar o Malfoy de a vassoura abaixo . Harry acordou cedo em o sábado de manhã e ficou um bocado a pensar em a partida de Quidditch que vinha a seguir . Estava nervoso , principalmente pelo que Wood diria se os Gryffindor perdessem , mas também com a ideia de enfrentar uma equipa apetrechada com as vassouras mais velozes que existiam . Nunca desejara tanto vencer os Slytherin como em aquele dia . Depois de meia_hora deitado com a barriga a dar horas , resolveu levantar se , vestir se e descer para tomar o pequeno-almoço . Lá em baixo , encontrou o resto de a equipa de os Gryffindor amontoada a o longo de a mesa comprida e vazia , todos eles com ar preocupado e sem vontade de conversar . Como_se aproximavam as onze horas , todos os alunos de a escola começaram a dirigir se para o estádio de Quidditch . O dia estava quente e húmido , com uma ameaça de trovoada em o ar . Ron e Hermione vieram apressadamente desejar a Harry boa sorte mal ele entrou em os vestiários . A equipa de os Gryffindor pôs os seus mantos vermelhos e sentou se para ouvir o discurso que Wood lhes fazia sempre antes de o jogo . - Os Slytherin têm vassouras melhores do_que nós - começou . - Não há como negá o . Mas nós temos gente melhor em cima de as vassouras . Treinámos mais do_que eles , voamos com todas_as condições climatéricas ( É bem verdade - murmurou George_Weasley - desde Agosto que não sei o que é estar seco ) . - E vamos fazê os engolir o dia em que deixaram aquele nojento de o Malfoy comprar a entrada em a equipa de eles . Com o peito agitado por a comoção , Wood voltou se par Harry . -- Cabe te a ti , Harry , mostrar lhes que um * seeker * tem de ter mais do_que um pai rico . Agarra a * snitch * antes d Malfoy ou morre a tentar porque temos absolutamente que vencer , hoje , Harry , temos que vencer . - Sem ansiedade , Harry - disse o Fred , piscando lhe o olho . Quando saíram em direcção a o campo , foram saudado por uma grande ovação principalmente de a parte de os Ravenclaw e de os Hufflepuff que estavam ansiosos por ver os Slytherin serem derrotados , mas os Slytherin que estavam entre a multidão também fizeram ouvir as suas vaias e pateadas . Madam_Hooch , a professora de Quidditch , pediu a Flin e Wood que apertassem as mãos o que eles fizeram , lançando um_ao_outro olhares ameaçadores , cada_um apertando a mão de o outro com mais força do_que aquela que seria necessário . - Atenção a o apito - disse Madam_Hooch . - Três , dois , um ... Com um bramido de a multidão para que subissem rapidamente , os catorze jogadores elevaram se em o céu cor de chumbo . Harry , mais alto do_que qualquer de os outros olhando para todos os lados em busca de a * snitch * . - Tudo bem , testa de cicatriz ? - gritou Malfoy , disparando por baixo de ele para lhe mostrar a velocidade de a sua vassoura . Harry não teve tempo de responder . Em esse preciso momento uma * bludger * preta e bem pesada veio direitinha a ele . Evitou a tão por um triz que ainda sentiu em os cabelos o ar que ela deslocara . - Foi por_pouco , Harry ! - exclamou o George , passando com grande rapidez , de bastão em a mão , pronto para lançar a * bludger * contra um Slytherin . Harry viu o dar a a * bludger * uma fortíssima pancada em direcção a Adrian_Pucey , mas a bola mudou de rumo em o meio de o ar e dirigiu se de_novo a Harry . Harry desceu rapidamente para se esquivar e George conseguiu lançá a contra Malfoy . Mais_uma_vez a * bludger * actuou como um * boomerang * e apontou a a cabeça de Harry . Harry ganhou velocidade e disparou contra o outro extremo de o campo . Ouvia o assobio de a * bludger * que o perseguia . O que era aquilo ? As * bludgers * nunca se concentravam assim em um único jogador , a sua função era tentar desmontar o maior número possível de intervenientes . Fred_Weasley esperava por a * bludger * em o extremo oposto . Harry baixou se quando o viu balançar se em frente de ela com toda_a garra . A * bludger * foi lançada para_fora_de campo . - Pronto , já está tudo resolvido - gritou Fred satisfeito , mas estava bastante enganado . Como_se fosse magneticamente atraída para Harry , a * bludger * lançou se de_novo contra ele e Harry teve de voar a_toda_a velocidade . Começara a chover . Harry sentia as gotas pesadas caírem lhe em o rosto , turvando lhe as lentes de os óculos . Não fazia ideia do_que se passava em o resto de o jogo , até ouvir Lee_Jordan que fazia o comentário dizer : - Os Slytherin vão a a frente com seis contra zero . As vassouras de qualidade superior de os Slytherin estavam obviamente a cumprir a sua função e enquanto isso , a * bludger * maluca fazia todos os possíveis para deitar abaixo o Harry . Fred e George voavam agora tão perto de ele , um de cada lado , que Harry não via senão os seus braços a balouçar e , se não conseguia ver a * snitch * , muito menos agarrá a . - Alguém enfeitiçou esta * bludger * - resmungou Fred , preparando o bastão com toda_a força quando ela se lançava de_novo contra Harry . - Precisamos de tempo - disse George , tentando fazer sinal a Wood enquanto evitava que a bola partisse o nariz a o Harry . Wood captou obviamente a mensagem . O apito de Madam_Hooch fez se ouvir e Harry , Fred e George desceram , tentando ainda evitar a * bludger * maluca . - O que é_que se passa ? - perguntou Wood enquanto a equipa de os Gryffindor se amontoava desordenadamente e os Slytherin , em o meio de a multidão , lançavam piadas . - Estamos a ser esmagados . Fred , George , onde estavam vocês quando aquela * bludger * impediu a Angelina de marcar ? - Estávamos seis metros acima , evitando que a outra * bludger * matasse o Harry , Oliver - gritou George furioso . - Alguém preparou isto , a bola não deixa o Harry em paz , ainda não perseguiu mais ninguém desde_que o jogo começou . Os Slytherin fizeram aqui qualquer coisa . - Mas as * bludgers * têm estado fechadas em o escritório de Madam_Hooch desde o último treino , e nessa_altura estava tudo bem ... - disse Wood ansiosamente . Madam_Hooch aproximava se . Por cima de o ombro de ela , Harry pôde ver a equipa de os Slytherin a escarnecer e apontar em a sua direcção . - Ouçam - disse o Harry , enquanto ela se aproximava . - Com vocês os dois a voarem sempre colados a mim , só vou apanhar a * snitch * se ela voar até a a minha manga . Voltem se para o resto de a equipa e deixem a tratante comigo . - Não sejas bronco - disse o Fred . - Ela arranca te a cabeça . Os olhos de Wood saltavam de Harry_para_os_Weasley . - Oliver , isto_é uma loucura - disse Alicia_Spinet , zangada . - Não podes deixar o Harry sozinho entregue a aquela coisa . Vamos pedir uma investigação . - Se pararmos agora , teremos de dar a partida como perdida e não vamos deixar os Slytherin ganhar , só por_causa_de uma * bludger * maluca . Vá lá , Oliver , diz lhes que me deixem sozinho . - A culpa é toda tua . * _ Agarra a snitch ou morre a tentar * , se isso é lá coisa que se diga . Madam_Hooch tinha se lhes juntado . - Prontos para retomar a partida ? - perguntou a Wood . Wood olhou para o ar determinado de Harry . - Deixem o sozinho , ele é capaz de lidar com a * bludger * . A chuva era agora mais pesada . A o apito de Madam_Hooch , Harry elevou se em os ares e ouviu o barulhinho de a * bludger * atrás_de si . Subiu cada_vez_mais alto . Fez acrobacias em espiral , descidas rápidas , ziguezagueou e rolou . Apesar_de ligeiramente estonteado , não deixou nunca de ter os olhos bem abertos . A chuva salpicava lhe os óculos e entrava lhe por as narinas , quando ele se voltou de cabeça para baixo , evitando outra forte investida de a * bludger * . Ouviu os risos de a multidão . Sabia que devia parecer ridículo , mas a * bludger * maluca era pesada e não podia mudar de direcção tão rapidamente quanto ele . Iniciou uma corrida que parecia de feira de diversões em volta de os extremos de o estádio , olhando de soslaio , através de os lençóis prateados de chuva , para os postes de os Gryffindor , onde Adrian_Pucey tentava passar por Wood . Um assobio junto de os ouvidos disse a Harry que a * bludger * falhara uma_vez_mais . Voltou se e voou rapidamente em a direcção oposta . - Estás a ensaiar * ballet * , Potter - gritou Malfoy quando Harry foi obrigado a fazer uma reviravolta estúpida em o ar para se esquivar mais_uma_vez de a * bludger * . Lá foi ele , com a * bludger * atrás a alguns metros de distância . E foi então que , olhando para Malfoy , furioso , a viu , a * snitch * de ouro . Flutuava alguns centímetros acima de os ouvidos de Malfoy que , de tão preocupado a escarnecer de Harry , nem dera por ela . Durante um momento angustiante , Harry ficou quieto em o ar , não ousando dirigir se a Malfoy , não fosse ele olhar para_cima e ver a * snitch * . PUM ! Tinha ficado parado tempo de mais . A * bludger * batera lhe , por fim , apanhando lhe o cotovelo e Harry sentiu o braço a partir se . Debilmente , desorientado por a dor cauterizante em o braço , Harry deslizou para um de os lados em a sua vassoura encharcada , um joelho ainda dobrado , o braço direito a balouçar , inútil , a o seu lado . A * bludger * veio de_novo , preparada para mais um ataque , desta_vez apontada a o seu rosto . Harry desviou se com uma intenção : chegar a Malfoy . Através_de uma nuvem de chuva e dor desceu até a o rosto tremeluzente e trocista e viu os olhos de ele dilatarem se de medo : Malfoy pensou que Harry ia atacá o . - Que diabo ... - resmungou , afastando se de o caminho . Harry tirou a outra mão de a vassoura e fez uma tentativa para agarrar qualquer coisa . Sentiu os dedos fecharem se em volta de a * snitch * dourada , mas conduzia agora a vassoura apenas com as pernas e ouviu se um grito de a multidão cá em baixo , quando ele fez a descida , tentando não desmaiar . Com um ruído seco caiu em a terra enlameada e rolou para fora de a vassoura . O braço tinha um ângulo um_pouco estranho . Torcendo se com dores , ouviu a a distância os assobios e os gritos . Concentrou se em a * snitch * que tinha fechada em a outra mão . - Ai - disse vagamente . - Ganhámos o jogo . E desmaiou . Voltou a si com a chuva a cair lhe em o rosto , ainda deitado em o campo , com alguém inclinado sobre ele . Viu um brilho de dentes brancos . - Oh , não , você não - gemeu . - Não sabe o que diz - afirmou Lockhart bem alto a a ansiosa multidão de Gryffindor que o comprimiam . - Não te preocupes , Harry , eu vou tratar de o teu braço . - Não - gritou Harry . - Eu fico com ele assim , obrigado . Tentou sentar se , mas a dor era enorme . Ouviu um « clique » familiar . - Não quero fotografias de isto , Colin - disse em voz alta . - Deita te para trás , Harry - insistiu Lockhart com toda_a calma . - É um encantamento muito simples que eu fiz imensas vezes . - Porque não me levam só para a ala hospitalar ? - perguntou Harry entredentes . - Seria o melhor , professor - disse a voz rouca de o Wood que não conseguia deixar de sorrir , apesar_de o seu * seeker * estar ferido . - Grande captura , Harry , verdadeiramente espectacular , a tua melhor jogada , em a minha opinião . Em o meio de a floresta de pernas que o rodeava , Harry avistou Fred e George_Weasley , metendo a * budger * perigosa em uma caixa . Continuava a dar uma luta enorme . - Para trás - ordenou Lockhart , que tinha arregaçado as mangas verde jade . - Não , eu não ... - protestou debilmente Harry , mas Lockhart tinha a varinha em a mão e , um segundo depois , apontava a para o braço de Harry . Uma sensação estranha e desagradável começou em o ombro e espalhou se , chegando a as pontas de os dedos . Parecia que o braço inteiro tinha sido esvaziado . Não foi capaz de olhar para o que estava a suceder . Tinha fechado os olhos , voltado o rosto para o outro lado , mas os seus maiores receios concretizaram se quando as pessoas lá em cima se sobressaltaram e Colin_Creevey começou a tirar fotografias como um louco . O braço deixara de lhe doer , mas parecia tudo menos um braço . - Ah ! - disse Lockhart . - Sim , bem isto às_vezes acontece . Mas o importante é_que os ossos já não estão partidos . Isso é o mais importante . Portanto , Harry , vai até a a ala hospitalar ... ah ! Mr._Weasley , Miss_Granger , poderiam levá o lá ? E Madam_Pomfrey poderá ... er ... arranjar um_pouco isso . Quando Harry se pôs de pé sentiu se estranhamente desequilibrado . Depois de respirar fundo , olhou para o lado direito e o que viu quase o fez desmaiar de_novo . Pendurado em a extremidade de a sua túnica estava o que parecia ser uma espessa e colorida luva de borracha . Tentou mexer os dedos mas ... em vão . Lockhart não consertara os ossos de Harry . Retirara os . M. dam Pomfrey não ficou nada satisfeita . - Devias ter vindo logo ter comigo - ralhou , segurando os restos tristes e moles de aquilo que antes fora um braço activo . - Eu conserto ossos em um segundo , mas fazê os crescer de_novo ... - Vai conseguir , não vai ? - perguntou Harry desesperado . - Sim , com certeza , mas vai ser doloroso - disse Madam_Pomfrey de modo severo , entregando lhe um pijama . - Vais ter que ficar cá esta noite ... Hermione esperou de o lado de_fora de a cortina que rodeava outra cama enquanto Ron ajudava Harry a vestir se . Levou algum tempo a enfiar o braço que parecia borracha dentro_de uma manga de o pijama . - Como é_que podes continuar a defender o Lockhart depois disto , Hermione ? - perguntou Ron através de as cortinas , enquanto puxava os dedos moles de o Harry por uma manga . - Se o Harry quisesse ser desossado , teria pedido . - Todos podem enganar se - disse Hermione . - E deixou de doer , não deixou , Harry ? - Sim - disse ele - mas também ficou incapaz de fazer seja o que for . Quando se meteu em a cama , o braço agitou se despropositadamente . Hermione e Madam_Pomfrey entraram . Madam_Pomfrey segurava uma grande garrafa com o rótulo * Skele - _ Gro * . - Vais ter uma noite difícil - preveniu , enchendo um pequeno copo fumegante e dando lhe a beber . - Fazer crescer ossos é uma coisa difícil . Tomar o * _ Skele - _ Gro * também . Queimou a boca e a garganta de o Harry a o descer , fazendo o tossir e cuspir . Resmungando sobre os desportos perigosos e os professores incapazes , Madam_Pomfrey retirou se , deixando Ron e Hermione a ajudar Harry a engolir um_pouco de água . - Mas ganhámos o jogo - disse o Ron com um sorriso em o rosto . - A tua jogada foi em grande . A cara de o Malfoy ... parecia que queria matar alguém . - Eu vou descobrir como é_que enfeitiçaram aquela * bludger * - disse Hermione com ar sombrio . - Podemos juntar essa pergunta a a lista de todas_as que queremos fazer a o Malfoy quando tomarmos a poção * _ Polisuco * - disse Harry , afundando se de_novo em as almofadas . - Espero que tenha um sabor melhor do_que esta coisa ... - Com um bocado de os Slytherin lá dentro , deves estar a brincar - disse o Ron . A porta de a ala hospitalar abriu se em esse momento e , completamente encharcados , entraram os restantes membros de a equipa de os Gryffindor , para ver o Harry . - Um voo inacreditável - disse George . - Acabei de ver Marcus_Flint a gritar com o Malfoy . Qualquer coisa sobre ter a * snitch * mesmo em cima de a cabeça e não ter dado por nada . O Malfoy não parecia nem um_pouco satisfeito . Tinham trazido bolos , rebuçados e garrafas de sumo de abóbora . Juntaram se em volta de a cama de Harry e estavam a dar início a o que prometia ser uma grande festa quando Madam_Pomfrey entrou a vociferar : - Este rapaz precisa de repouso . Tem trinta_e_três ossos a crescer . Fora de aqui . FORA ! E Harry ficou sozinho , sem nada que o distraísse de as dores agudas em o seu braço mole . Muitas horas mais tarde , Harry acordou subitamente em a escuridão total e soltou um pequeno grito de dor : sentia agora o braço cheio de estilhaços . Durante alguns segundos pensou que tinha sido a dor a acordá o . Depois , com um arrepio de horror , apercebeu se de que alguém estava a passar lhe uma esponja em a testa . - Sai de aqui - gritou , e em seguida : - Dobby ! Os olhos de o tamanho de bolas de ténis de o elfo doméstico estavam a olhá o em o escuro , uma lágrima grossa rolava por o seu enorme nariz . - Harry_Potter voltou a a escola - murmurou , infeliz . - Dobby avisou e voltou a avisar Harry_Potter . Ah ! senhor , porque não deu ouvidos a Dobby ? Porque não voltou Harry_Potter para_casa quando perdeu o comboio ? Harry ergueu se um_pouco , encostando se a as almofadas e afastou a esponja de o elfo . - O que estás a fazer aqui ? - perguntou . - E como sabes que eu perdi o comboio ? O lábio de Dobby tremeu e Harry foi assaltado por uma dúvida . - Foste tu . Tu impediste que a barreira nos deixasse passar . - Em a verdade fui eu , senhor - disse Dobby , acenando com a cabeça e com as orelhas a abanar . - Dobby escondeu se , esperou por Harry_Potter e selou a barreira . A seguir , Dobby teve de pôr as mãos em o ferro de engomar - mostrou a o Harry dez dedos longos embrulhados em ligaduras . - Mas Dobby não se importou , senhor , porque pensou que Harry_Potter estava a salvo e nunca Dobby sonhou que mesmo_assim ele viria para a escola ! Balançava se para a frente e para trás , sacudindo a cabeça feia . - Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry_Potter tinha voltado a a escola que deixou queimar o jantar de os seus donos . Dobby nunca tivera um castigo tão grande , senhor . Harry afundou se de_novo em as almofadas . - Quase conseguiste que nos expulsassem , a mim e a o Ron - disse furioso . - É melhor desapareceres de aqui antes que os meus ossos voltem a estar bem , Dobby , ou ainda te estrangulo . O elfo sorriu . - Dobby está habituado a ameaças de morte , senhor . Dobby recebe as cinco vezes por dia em a casa onde mora . Encostou o nariz a um canto de a fronha que usava , ficando tão ridículo que Harry sentiu a raiva desvanecer se , apesar_de tudo . - Porque usas essa coisa , Dobby ? - perguntou com curiosidade . - Isto , senhor ? - disse Dobby apontando para a fronha de almofada . - É uma prova de escravatura de o elfo doméstico , senhor . Dobby só pode ser libertado se os donos lhe derem roupa , senhor . A família tem o cuidado de não dar a o Dobby nem uma peúga , senhor , porque ele poderia ficar livre e deixar a casa para sempre . Dobby limpou os olhos protuberantes e disse subitamente : - Harry_Potter deve ir para_casa . Dobby achou que a sua * bludger * seria o suficiente para o fazer ... - A tua * bludger * ? - disse Harry com a raiva a crescer novamente dentro de ele . - Que queres tu dizer com a tua bludger * ? Foste tu quem fez com que aquela bola tentasse matar me ? - Matar não , senhor . Matar , nunca ! - disse o elho chocado . - Dobby quer salvar a vida de Harry_Potter . É melhor ir para_casa ferido do_que ficar aqui , senhor . Dobby só queria Harry_Potter suficientemente ferido para voltar para_casa . - Só isso ? - disse Harry furioso . - Imagino que não vais dizer me porque querias mandar me para_casa a os bocados ? - Ah ! se Harry_Potter soubesse ! - gemeu Dobby , com mais lágrimas a escorrerem lhe por a fronha esfarrapada . - Se pudesse saber o que significa para nós , para os humildes , os escravizados , nós , a escória social de o mundo mágico ! Dobby lembra se de como eram as coisas quando Aquele cujo nome não deve ser pronunciado estava em o auge de o poder , senhor ! Nós , os elfos domésticos éramos tratados como animais , senhor ! É claro que Dobby ainda é tratado assim - admitiu , secando o rosto em a fronha de almofada . - Mas , em a sua maioria , a vida melhorou bastante para os de a minha espécie desde_que Harry_Potter triunfou sobre Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Harry_Potter sobreviveu e o poder de os senhores de o Mal foi quebrado e veio uma nova alvorada , senhor , e Harry_Potter brilhou como um farol de esperança para aqueles de entre nós que já pensavam que a longa noite nunca mais teria fim , senhor ... e agora em Hogwarts vão acontecer coisas terríveis , talvez já esteiam a acontecer e Dobby não pode deixar Harry_Potter ficar aqui , agora_que a história vai repetir se , agora_que a Câmara_dos_Segredos está de_novo aberta . Dobby calou se horrorizado . Em seguida agarrou em o jarro de a água que Harry tinha a a cabeceira e bateu com ele em a própria cabeça , deixando se cair . Um segundo mais tarde voltou até junto de a cama , repetindo : - Mau , Dobby , muito mau , Dobby . - Quer_dizer , então , que existe mesmo a Câmara_dos_Segredos ? - murmurou Harry . - E dizes tu que já antes foi aberta ? Conta me , Dobby . Agarrou o pulso ossudo de o elfo quando a mão de ele se estendia para o jarro de a água . - Mas eu não sou filho de Muggles . Como posso estar em perigo por causa de a Câmara_dos_Segredos ? - Ah ! senhor , não pergunte a o pobre Dobby - lamentou se o elfo com os olhos enormes a brilharem em o escuro . - As forças de as trevas estão projectadas em este lugar , mas Harry_Potter não deve estar aqui quando as coisas acontecerem . Vá para_casa , Harry_Potter , vá para_casa . Harry_Potter não deve envolver se em isto , senhor , é demasiado perigoso ... - Quem é , Dobby ? - perguntou Harry , continuando a agarrar lhe o pulso com forca , impedindo que batesse de_novo em si próprio com o jarro . - Quem abriu a amara ? Quem a abriu de a última vez ? - Dobby não pode , senhor . Dobby não pode . Dobby não deve dizer - guinchou o elfo . - Vá se embora , Harry_Potter , vá se embora ! - Eu não vou para lugar nenhum - disse Harry , furioso . - Uma de as minhas melhores amigas é filha de Muggles , está em perigo se a câmara foi , de facto , aberta ... - Harry_Potter arrisca a própria vida por os amigos - gemeu Dobby em uma espécie de êxtase infeliz . - Tão nobre , tão corajoso , mas deve salvar se , Harry_Potter não deve ... Dobby calou se de repente com as orelhas de morcego a estremecerem . Harry também ouviu os passos que vinham lá fora , de o corredor . - Dobby tem de ir - balbuciou o elfo apavorado . Ouviu se um ruído e o pulso de Harry ficou subitamente fechado em o ar . Meteu se de_novo para baixo , em a cama , com os olhos fixos em a porta escura que dava entrada em a ala hospitalar enquanto os passos se aproximavam . Em o momento seguinte , Dumbledore estava a entrar , de costas , em o dormitório , vestindo uma longa túnica de lã e uma capa de noite . Transportava um extremo de aquilo que parecia ser uma estátua . A professora Mc_Gonagall surgiu um segundo mais tarde , pegando lhe em os pés . Os dois colocaram a em uma cama . - Chame Madam_Pomfrey - murmurou Dumbledore e a professora Mc_Gonagall passou por a cama de Harry , apressadamente , e desapareceu . Harry deixou se ficar muito quieto como_se estivesse a dormir . Ouviu vozes ansiosas e por fim a professora Mc_Gonagall apareceu de_novo , seguida de Madam_Pomfrey que vestia um casaco curto de lã sobre a camisa de dormir . Ouviu uma inspiração aguda . - O que aconteceu ? - murmurou Madam_Pomfrey_a_Dumbledore , inclinando se sobre a estátua que estava em a cama . - Outro ataque - disse Dumbledore . - A Minerva encontrou o em as escadas . Havia um cacho de uvas junto de ele . Acho que estava a tentar esgueirar se até aqui para vir visitar o Potter . O estômago de Harry deu uma reviravolta . Lenta e cuidadosamente ergueu se alguns centímetros para poder ver a estátua que estava sobre a cama . Um raio de luar iluminou lhe o rosto estático . Era_Colin_Creevey . Tinha os olhos abertos , e as mãos , em frente de a cara , seguravam a máquina fotográfica . -- Petrificado ? - murmurou Madam_Pomfrey . - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - Mas estou tentada a acreditar que ... se Albus não tivesse vindo cá abaixo tomar um chocolate quente ... quem sabe o que teria ... Os três olharam para Colin . Dumbledore inclinou se e retirou lhe a máquina de as mãos rígidas . - Será que ele conseguiu tirar a fotografia de o agressor ? - perguntou ansiosa a professora Mc_Gonagall . Dumbledore não respondeu . Abriu a parte detrás de a máquina . - Cruzes canhoto - disse Madam_Pomfrey . Um jacto de vapor tinha feito fervilhar a máquina . Harry , a três metros de distância , sentiu o cheiro tóxico de o plástico queimado . - Derretido - disse Madam_Pomfrey com grande espanto . - Tudo derretido . - O que significa isto , Albus ? - perguntou cada_vez_mais nervosa a professora Mc_Gonagall . - Significa - disse Dumbledore - que a Câmara_dos_Segredos está mesmo aberta outra_vez . Madam_Pomfrey levou uma mão a a boca . A professora Mc_Gonagall olhou assustada para Dumbledore . - Mas , Albus ... com certeza ... quem ? - A questão não é quem - disse Dumbledore com os olhos fixos em Colin . - A questão é como ... E pelo que Harry conseguiu ver de o rosto indistinto de a professora Mc_Gonagall , ela não compreendeu muito mais do_que ele . XI_O clube de os duelos Quando_Harry acordou , em o domingo de manhã , a enfermaria estava iluminada por um resplandecente sol de inverno e o seu braço tinha de_novo todos os ossos , apesar_de o sentir muito rígido . Sentou se rapidamente e olhou para a cama de Colin , mas ela fora isolada com as cortinas atrás de as quais se despira em a véspera . Vendo que ele tinha acordado , Madam_Pomfrey apareceu com um tabuleiro de pequeno-almoço e a seguir começou a apalpar lhe o braço e os dedos . - Tudo em ordem - disse , enquanto ele , com a mão esquerda , comia avidamente as papas de aveia . - Quando acabares de comer podes ir te embora . Harry vestiu se o mais depressa que pôde e dirigiu se a a pressa para a torre de os Gryffindor , ansioso por contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre Colin e Dobby , mas não os encontrou lá . Foi a a procura de eles , perguntando a si próprio onde teriam ido e sentindo se um_pouco magoado por o pouco interesse que demonstravam em saber se ele tinha recuperado os ossos . Quando passou por a biblioteca , Percy_Weasley vinha a sair com bastante melhor cara do_que de a última vez que se tinham encontrado . - Olá , olá , Harry - disse . - Excelente voo o de ontem , verdadeiramente sensacional . Os Gryffindor estão a a frente para a taça de a equipa . Ganhaste cinquenta pontos . - Não viste o Ron e a Hermione por aí ? - perguntou Harry . - Não , não vi - disse Percy com o sorriso a desaparecer . - Espero que o Ron não esteja outra_vez em a casa_de_banho de as raparigas ... Harry forçou um sorriso , viu Percy desaparecer e a seguir foi direitinho até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Não via lá muito bem por_que motivo o Ron e a Hermione lá estariam de_novo , mas , depois de se assegurar de que nem Filch nem nenhum de os prefeitos estavam por perto , abriu a porta e ouviu as vozes de eles que vinham de um cubículo fechado . - Sou eu - disse , fechando a porta atrás_de si . Ouviu se dentro de o cubículo um estrondo , um chapinhar e um sobressalto e ele viu o olho de a Hermione a espreitar por o buraco de a fechadura . - Harry - disse ela . - Pregaste nos um susto de morte . Entra . Como está o teu braço ? - _ óptimo - respondeu , apertando se dentro de o cubículo . Em cima de a sanita estava encarrapitado um velho caldeirão , e um crepitar a a superfície de a água disse a Harry que eles tinham acendido um fogo lá em baixo . Fazer aparecer fogos portáteis a a prova de água era uma de as especialidades de Hermione . - _ íamos visitar te , mas resolvemos começar a preparar a poção * _ Polisuco * - explicou Ron enquanto Harry fechava outra_vez a porta de o cubículo com alguma dificuldade . - Achámos que este era o lugar mais seguro para a esconder . Harry começou a contar lhes de o Colin , mas Hermione interrompeu o . - Nós já sabemos , ouvimos a professora Mc_Gonagall contar a o professor Flitwick hoje_de_manhã . Por isso resolvemos começar a ... - Quanto_mais depressa arrancarmos uma confissão a o Malfoy , melhor - rosnou o Ron . - Sabem o que eu penso ? Ele estava tão mal-humorado depois de o jogo de Quidditch que se vingou em o Colin . - Há outra coisa - disse Harry , vendo Hermione cortar molhos de verdezelha e lançá os dentro de a poção . - O Dobby foi visitar me a meio de a noite . Ron e Hermione olharam o espantados . Harry contou lhes tudo_o_que Dobby lhe dissera ... ou não dissera . Ron e Hermione ouviram o de boca aberta . - A Câmara_dos_Segredos já tinha sido aberta antes ? - repetiu Hermione . - Encaixa perfeitamente - disse Ron , em uma voz triunfante . - O Lucius_Malfoy deve ter aberto a Câmara_dos_Segredos quando andava em a escola e agora ensinou a o querido filhinho Draco como abris a . É óbvio , que pena o Dobby não te ter dito que tipo de monstro lá se encontra . Gostava de saber como é_que ninguém o viu andar por ai em a escola . - Talvez tenha a capacidade de se tornar invisível - sugeriu Hermione , picando sanguessugas para dentro de o caldeirão . - Ou talvez se disfarce , passando por uma armadura ou outra coisa de o género . Eu li umas coisas sobre vampiros camaleões ... - Tu lês de mais , Hermione - disse o Ron , deitando moscas asas de renda mortas por cima de as sanguessugas . Amarrotou o saco vazio de as asas de renda e olhou para Harry . - Então foi o Dobby que nos impediu de apanhar o comboio e te partiu o braço ... - abanou a cabeça . - Sabes o que eu acho ? Se ele não parar de tentar salvar te a vida ainda acaba por te matar . A notícia de que Colin_Creevey tinha sido atacado e estava agora em a ala hospitalar , como morto , espalhou se por toda_a escola em a segunda-feira de manhã . O ar ficou pesado e cheio de boatos e suspeitas . Os alunos de o primeiro ano começavam a andar por a escola em pequenos grupos , receando ser atacados se se aventurassem a andar isoladamente por os corredores . Ginny_Weasley , que era colega de carteira de o Colin em os encantamentos , estava perturbadíssima , mas Harry achou que Fred e George estavam a tentar animá a de a maneira errada . Revezavam se , mascarados com peles de animais e apareciam lhe subitamente detrás de as estátuas . Só pararam quando Percy , apopléctico de raiva , lhes disse que ia escrever a Mrs._Weasley a contar lhe que a Ginny andava a ter pesadelos . Enquanto isso , às_escondidas de os professores , uma panóplia de talismãs , amuletos e outros objectos de protecção ia enchendo a escola . Neville_Longbottom comprou uma enorme cebola verde que cheirava mal , um cristal pontiagudo cor de púrpura e uma cauda de tritão apodrecida antes de os outros rapazes de os Gryffindor lhe explicarem que ele não corria perigo : era um sangue puro e , portanto , muito pouco passível de ser atacado . - Eles foram a o Filch em primeiro lugar - disse Neville com o medo estampado em a cara redonda . - E toda_a_gente sabe que eu sou quase um * busca-pé * . Em a segunda semana de Dezembro , a professora Mc_Gonagall veio , como de costume , recolher os nomes de os alunos que ficavam em a escola durante o Natal . Harry , Ron e Hermione assinaram a lista . Tinham ouvido dizer que Malfoy ficava , o que lhes parecera muito suspeito . As férias seriam a altura ideal para usar a poção * _ Polisuco * e tentar arrancar lhe uma confissão . Infelizmente a poção estava a meio . Precisavam ainda de o chifre de bicórneo e o único lugar onde podiam arranjá o era em os depósitos privados de Snape . Harry , pessoalmente , preferia enfrentar o lendário monstro de os Slytherin do_que ser apanhado por o Snape a assaltar lhe o escritório . - O que precisamos - disse Hermione cheia de vivacidade quando se aproximava a aula conjunta de poções de quinta-feira a a tarde - para podermos entrar a a vontade em o escritório de o Snape , é de uma diversão . Harry e Ron olharam para ela , nervosos . - Acho que o melhor é ser eu a praticar o roubo - prosseguiu ela , em um tom perfeitamente casual . - Vocês os dois podem ser expulsos se forem apanhados e eu tenho uma folha limpa . Portanto , a única coisa que têm de fazer é distrair o Snape durante cerca de cinco minutos . Harry esboçou um meio sorriso . Provocar deliberadamente um estrago em a aula de poções de o Snape era tão seguro como ferir em um olho um dragão adormecido . As aulas de poções tinham lugar em um de os mais amplos calabouços . A de quinta-feira a a tarde não foi diferente de as outras . Vinte caldeirões fumegavam entre as secretárias de madeira , sobre as quais podia ver se laminas de latão e jarras com ingredientes . Snape deambulava por o meio de os fumos , fazendo reparos petulantes a o trabalho de os Gryffindor , enquanto os Slytherin riam a a socapa . Draco_Malfoy , que era o aluno preferido de Snape , não parava de lançar olhos de carneiro mal morto a o Ron e a o Harry , que sabiam que se retaliassem teriam um castigo , antes de poderem abrir a boca para dizer : - É injusto ! A solução de inchar de o Harry estava demasiado líquida , mas ele estava preocupado com coisas mais importantes . Esperava por o sinal de Hermione e mal deu por Snape se calar para ir espreitar a sua poção aguada . Quando o professor se voltou e foi implicar com o Neville , Hermione trocou um olhar com Harry e fez um aceno . Harry baixou se discretamente por detrás de o seu caldeirão , tirou de o bolso de trás um de os paus de fogo-de-artíficio Filibuster e deu lhe um toque de varinha . O fogo-de-artíficio começou a sibilar e a crepitar . Sabendo que tinha apenas alguns segundos , Harry endireitou se , ganhou coragem e lançou o a o ar . Aterrou certeiro em o caldeirão de o Goyle . A poção de o Goyle explodiu , salpicando toda_a aula . As pessoas gritavam , à_medida_que eram vítimas de os salpicos . Malfoy foi apanhado em a cara e o nariz começou a inchar como um balão . O Goyle tropeçava a as cegas , com as mãos em os olhos , que tinham ficado de o tamanho de pratos de sopa , enquanto o Snape tentava repor a calma e tentar perceber o que sucedera . Em o meio de a confusão , Harry viu Hermione esgueirar se a a socapa por a porta . - Silêncio ! silêncio ! - vociferou Snape . - Todos os que foram salpicados cheguem aqui para uma drenagem . Quando eu descobrir quem fez isto ... Harry fez um enorme esforço para não se rir a o ver Malfoy chegar apressadamente lá a a frente , a cabeça a tombar com o peso de o nariz , que parecia um pequeno melão . Quando metade de a aula se amontoava junto de a secretária de o Snape , alguns alunos vergados por o peso de os braços que pareciam mocas , outros incapazes de falar devido a o gigantesco inchaço de os lábios , Harry viu Hermione reentrar em o calabouço , a túnica mostrando a barriga protuberante . Quando todos os alunos tinham já tomado um gole de o antídoto e os vários inchaços tinham desaparecido , Snape precipitou se para o caldeirão de o Goyle e pescou os restos retorcidos de o fogo-de-artíficio . Houve um súbito silêncio . - Se eu descubro quem lançou isto - murmurou Snape - garanto que é expulsão por a certa . Harry compôs uma expressão de espanto . Snape olhava directamente para ele e a campainha , que tocou dez minutos mais tarde , não podia ser mais bem-vinda . - Ele soube que fui eu - disse Harry_a_Ron e a a Hermione , enquanto se dirigiam apressadamente para a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Tenho a certeza . Hermione lançou o novo ingrediente em o caldeirão e começou a mexer furiosamente . - Isto vai estar pronto dentro_de quinze_dias - afirmou , satisfeita . - O Snape não pode provar que foste tu - assegurou Ron , tranquilizando Harry . - Que pode ele fazer ? - Conhecendo o Snape , qualquer coisa louca - respondeu Harry , enquanto a poção borbulhava e espumava . Uma semana mais tarde , Harry , Ron e Hermione passavam por o vestíbulo de entrada , quando viram um pequeno grupo de pessoas reunidas em volta de o jornal de parede a lerem um pedaço de pergaminho que tinha acabado de ser afixado . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas acenaram lhes , entusiasmados . - Vão lançar um clube de duelos ! - exclamou Seamus . - Hoje a a noite é a primeira reunião . Eu não me importaria nada de ter aulas de duelo , podem vir a ser úteis um dia de estes ... - Porquê ? Achas que o monstro de os Slytherin sabe esgrimir ? - perguntou o Ron , mas , também ele , leu a notícia com interesse . - Pode ser útil - disse a o Harry e a a Hermione , quando foram jantar . - Vamos lá ? Harry e Hermione acharam óptimo , por isso , a as oito_da_noite voltaram a o salão . As longas mesas de refeição tinham desaparecido e um estrado dourado surgira , encostado a a parede . Sobre ele flutuavam milhares de velas . O tecto era , mais_uma_vez , de veludo negro e parecia que quase todos os alunos de a escola se encontravam ali , com as suas varinhas em a mão e com um ar entusiasmado . - Quem será que vai ensinar nos ? - perguntou Hermione , enquanto se misturavam em a multidão barulhenta . - Ouvi dizer que o Filitwick foi campeão de duelo em a juventude , talvez seja ele . - Desde_que não seja ... - começou Harry , mas terminou em um gemido : Gilderoy_Lockhart estava a subir a o estrado , resplandecente em as suas vestes cor de ameixa , acompanhado , nem mais nem menos , do_que de Snape que trajava , como sempre , de negro . Lockhart levantou um braço , pedindo silêncio , bradando : - Aproximem se , aproximem se , conseguem todos ver me e ouvir me ? Excelente ! - O professor Dumbledore deu me autorização para iniciar este pequeno curso de duelo para vos treinar a todos , caso algum dia precisem de se defender , como eu tenho feito em inúmeras ocasiões ; para mais detalhes , leiam os livros que tenho publicados . - Permitam que vos apresente o meu assistente , o professor Snape - disse Lockhart , abrindo um sorriso de orelha a orelha . - Ele diz me que sabe alguma coisa sobre duelos e aceitou desportivamente ajudar me em uma exibição de demonstração , antes de começarmos . Atenção , não quero que os mais novos fiquem preocupados , vão continuar a ter o vosso professor de poções depois de eu o vencer . Não tenham medo . - Não era óptimo se se liquidassem um_ao_outro ? - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . O lábio inferior de Snape estava curvo . Harry interrogou se sobre o motivo por_que Lockhart continuava a sorrir . Se o Snape olhasse de aquela maneira para ele , Harry estaria a correr a_toda_a velocidade para o mais longe possível . Lockhart e Snape voltaram se um para o outro e fizeram uma vénia , pelo_menos Lockhart fê la com muitas reviravoltas de mãos , enquanto Snape acenava , irritado , com a cabeça . Em seguida , ergueram as varinhas , como_se fossem espadas , em a frente . - Como podem ver , estamos a pegar em as varinhas em a posição de aceitação de combate - explicou Lockhart a a multidão silenciosa . - Quando contarmos até três , lançaremos os primeiros feitiços . Nenhum de nós tentará matar o outro , claro . - Eu não poria as mãos em o fogo - murmurou Harry , observando como Snape cerrava os dentes . -- Um , dois , três ... Os dois balançaram as varinhas acima de os ombros . Snape gritou : * _ Expelliarmus * ! Houve um clarão ofuscante de luz escarlate e Lockhart voou para trás , caindo de o estrado batendo contra a parede , escorregando e indo estatelar se em o chão . Malfoy e alguns de os outros Slytherin aplaudiram . Hermione estava em bicos de os pés . - Acham que ele está bem ? - gritou entredentes . - Quem se rala ? - disseram ao_mesmo_tempo o Ron e o Harry . Lockhart estava a pôr se , hesitante , de pé . O chapéu caíra lhe e o cabelo ondulado estava em um desalinho . - Bem , cá está ! - disse , cambaleando até a o estrado . - Este foi um encantamento para desarmar . Como podem ver , perdi a minha varinha . Ah , obrigado Miss_Brown . Sim , foi uma excelente ideia mostrar lhes isto , professor Snape , mas , se me permite que lhe diga , foi muito óbvio o que ia fazer . Se eu tivesse querido impedis o , teria o feito com a maior de as facilidades . Mas achei que seria educativo deixá os ver ... Snape tinha um ar assassino . Provavelmente Lockhart deu por isso , porque declarou : - Chega de demonstrações . Eu vou passar agora por o meio de vocês e criar duplas . Professor_Snape , se quiser ajudar me ... Entraram por o meio de a multidão , agrupando alunos . Lockhart pôs o Neville com Justin_Finch - _ Fletchley , mas Snape chegou primeiro junto de Harry e de Ron . - Tempo de separar a dupla ideal , parece me - rosnou . - Weasley , tu podes ficar com o Finnigan . Potter ... Harry voltou se automaticamente para Hermione . - Não me parece - disse Snape com o seu sorriso frio . - Mr._Malfoy , venha até aqui . Vamos ver o que faz com o famoso Potter . E a menina , Miss_Granger , pode emparceirar com Miss_Bulstrode . Malfoy aproximou se com o seu passo empertigado e o seu sorriso escarninho . Atrás de ele vinha uma rapariga de os Slytherin , que lembrou a Harry uma imagem que tinha visto em as * _ Férias com Bruxas_Velhas * . Era corpulenta e quadrada e os maxilares avançavam agressivamente . Hermione esboçou um meio sorriso , que ela não retribuiu . - Voltem se para os vossos parceiros - gritou Lockhart - e façam a vénia . Harry e Malfoy mal inclinaram as cabeças , não afastando os olhos um de o outro . - Varinhas preparadas ! - gritou Lockhart . - Quando eu disser três preparem os feitiços para desarmar o vosso opositor . Um ... dois ... três ... Harry levantou a varinha acima de o ombro , mas Malfoy começara logo em o « dois » : o seu feitiço apanhou Harry com tanta força que ele se sentiu como_se tivesse levado com uma frigideira em a cabeça . Tropeçou , mas ainda não estava fora de combate e , sem perder tempo , Harry apontou a varinha a Malfoy e gritou : - * _ Rictusempra ! * Um jacto de luz prateada atingiu Malfoy em o estômago , obrigando o a dobrar se , arfando . - Eu disse desarmar ! - gritava Lockhart sobre as cabeças de a multidão em lata , enquanto Malfoy caía de joelhos . Harry atingira o com o feitiço de as cócegas e ele mal conseguia mexer se para se rir . Harry hesitou com o vago sentimento de que seria pouco desportivo enfeitiçar Malfoy enquanto ele estava caído em o chão , mas ... foi um erro . Tentando respirar , Malfoy apontou a varinha a os joelhos de Harry , balbuciando : « * _ Tarantallegra ! * » e , um segundo depois , as pernas de o Harry tinham começado a mexer se , sem que ele pudesse controlá as , executando uma espécie de dança frenética . - Parem , parem - gritava Lockhart , quando Snape resolveu tomar controlo de a situação . - * _ Finite_Incantatem ! * - bradou . Os pés de o Harry pararam de dançar , Malfoy parou de rir e puderam olhar para_cima . Uma onda de fumo esverdeado pairava sobre todos eles . Neville e Justin estavam caídos em o chão , a arfar . Ron tentava fazer parar um Seamus com cara cor de cinza , pedindo lhe mil desculpas por o que a sua varinha partida eventualmente tivesse feito . Mas Hermione e Millicent_Bulstrode ainda não tinham acabado . Millicent tinha feito a Hermione uma prisão de cabeça e Hermione gritava de dor . As duas varinhas jaziam esquecidas em o chão . Harry deu um salto em frente e afastou Millicent . Não foi fácil , ela era bastante maior do_que ele . - Oh , gente ! - exclamou Lockhart , arrastando se por o meio de a multidão e olhando para os resultados de os duelos . - Vamos pôr de pé , Mcmillan ... cuidado , Miss_Fawcett ... belisque com força que pára logo de sangrar ... - Acho que o melhor é ensinar vos como bloquear feitiços pouco amigáveis - afirmou Lockhart que estava nervosíssimo em o meio de o salão . Olhou para Snape , cujos olhos pretos brilhavam e desviou rapidamente o olhar . - Vamos arranjar um par de voluntários . Longbottom e Finch - _ Fletchley , que tal serem vocês ? - Uma má ideia , professor Lockhart - disse Snape , deslizando como um morcego enorme e cruel . - Longbottom provoca devastação com o feitiço mais simples . Ainda temos de mandar o que restar de o Finch - _ Fletchley para a ala hospitalar dentro_de uma caixa de fósforos . - A cara redonda e rosada de Neville ficou ainda mais rosada . - Que tal o Malfoy e o Potter ? - sugeriu Snape com um sorriso retorcido . - Excelente ideia - disse Lockhart , fazendo sinal a os dois para que se aproximassem de o meio de o salão , enquanto a multidão recuava para lhes dar passagem . - Ouve bem , Harry - disse Lockhart . - Quando o Draco te apontar a varinha , tu fazes assim . Levantou a sua varinha , executando uma tentativa complicada de malabarismo e deixou a cair . Snape sorriu pretensiosamente , enquanto Lockhart a apanhava de o chão , dizendo : - Ups , a minha varinha está demasiado excitada . Snape aproximou se de Malfoy , inclinou se e disse lhe qualquer coisa a o ouvido . Malfoy sorriu também de forma afectada . Harry olhou , nervoso , para Lockhart e pediu : - Professor , podia mostrar me outra_vez aquela coisa para bloquear ? - Estás com medo ? - murmurou Malfoy baixinho , para que Lockhart não pudesse ouvir . - Querias ! - exclamou Harry por o canto de a boca . Lockhart deu um soco em o ombro de o Harry , em a brincadeira . - Basta que faças como eu fiz ! - O quê , deixar cair a varinha ? Mas Lockhart não estava a ouvir - Três , dois , um , zero ! - gritou . Malfoy levantou rapidamente a varinha a o ar e gritou : - * _ Serpensortia ! * A extremidade de a varinha explodiu . Harry viu , horrorizado , uma enorme serpente negra sair de ela , cair pesadamente em o chão a meio de os dois e erguer se disposta a atacar . Ouviram se gritos , enquanto a multidão se afastava , deixando o chão vazio . - Não te mexas , Potter - disse Snape vagarosamente , divertindo se claramente a ver Harry , parado , a olhar em os olhos a serpente . - Eu trato de ela ... - Permita me -- gritou Lockhart . Bramiu a varinha em direcção a a serpente e ouviu se um estoiro . A cobra , em_vez_de desaparecer , voou três metros acima de eles e voltou a cair em o chão com um estrondo enorme . Enraivecida , a sibilar de fúria , rastejou em direcção a Finch - _ Fletchley e pôs se de pé com os dentes a a mostra , pronta a atacar . Harry não soube ao_certo o que o levou a fazer aquilo . Não se lembrava sequer de ter tomado aquela decisão . Só soube que as pernas o fizeram avançar como_se tivesse rodas e que gritou a a serpente : - Larga o ! - E , milagrosa e inexplicavelmente , a serpente voltou a o chão , dócil como uma grande mangueira de jardim , preta e grossa , os olhos agora fixos em os olhos de Harry . Harry sentiu o medo a escoar se . Sabia que a cobra não atacaria mais ninguém , embora não pudesse explicar como sabia . Olhou para Justin a sorrir , esperando vê o aliviado , espantado , ou mesmo agradecido , mas nunca zangado ou assustado . - Que brincadeira é essa ? - gritou o outro e , antes que Harry tivesse tempo de dizer fosse o que fosse , voltou as costas e saiu de o salão . Snape deu um passo em frente , fez um gesto com a varinha e a serpente desapareceu em uma onda de fumo preto . Também ele , Snape , olhava para Harry de uma forma inesperada . Era um olhar arguto e calculista , de que Harry não gostou . Apercebeu se também vagamente de um murmúrio ameaçador que vinha de as paredes em volta . Depois , sentiu um puxão em a túnica . - Vamos - disse a voz de o Ron em o seu ouvido . - Mexe te , vá lá ... Ron arrastou o para fora de o salão . Hermione acompanhava os em a passada rápida . Quando cruzaram a porta , as pessoas que a rodeavam afastaram se , como_se tivessem medo de ser contagiadas . Harry não fazia a mais pequena ideia do_que estava a passar se e , nem Ron , nem Hermione lhe deram qualquer explicação , antes de o terem levado até a a sala comum de os Gryffindor , que se encontrava vazia . Aí , Ron empurrou Harry para uma cadeira de braços e disse : - Tu és um * serpentês * . Porque não nos disseste ? - Eu sou um quê ? - perguntou Harry . - Um * serpentês * ! - exclamou o Ron . - Falas com as cobras . - Eu sei - declarou Harry . - Quer_dizer , esta foi a segunda vez que o fiz . A outra foi há muito_tempo em o jardim zoológico , quando soltei uma Boa_Constrictor a o meu primo Dudley . É uma longa história , mas ela estava a dizer me que nunca tinha estado em o Brasil e eu acho que a libertei sem querer . Foi antes de saber que era feiticeiro . . . - Uma Boa_Constrictor disse te que nunca tinha estado em o Brasil ? - repetiu Ron , quase sem voz . - E então ? - disse o Harry . - Aposto que montes de pessoas aqui fazem o mesmo . - Não fazem , não - afirmou Ron . - Não é um dom muito frequente . Harry , isso é mau . - O que é_que é mau ? - perguntou Harry , que começava a ficar chateado . - O que é_que se passa com todos os outros ? Ouve bem , se eu não tivesse dito a aquela cobra para não atacar o Justin ... - Ah , foi isso que tu disseste ? - Que queres dizer ? Tu estavas lá , ouviste perfeitamente o que eu disse . - Eu ouvi te falar em serpentês - disse o Ron . - Língua de cobra . Podias estar a dizer lhe qualquer coisa . Não admira que o Justin tivesse entrado em pânico . Parecia que estavas a incitar a serpente . Foi assustador , sabes ? Harry olhou para ele espantado . - Eu falei uma língua diferente ? Mas não me apercebi , como posso falar uma língua , sem saber que a conheço ? Ron abanou a cabeça . Tanto ele como Hermione tinham um ar fúnebre . Harry não percebia o que havia em aquilo de tão trágico . - Será que me querem explicar o que há de mal em ter impedido que uma serpente enorme arrancasse a cabeça a o Justin ? - perguntou . - Porque é tão importante como o fiz , se evitei que o Justin fosse juntar se a grupo de os SEM_CABEÇA ? - Importa - disse por fim Hermione , em uma voz abafada . - Porque falar com serpentes era a arte por a qual Salazar_Slytherin ficou famoso . Por isso , o símbolo de os Slytherin é uma serpente . Harry ficou de boca aberta . - Exacto - disse o Ron . - E agora todos em a escola vão pensar que tu és descendente de ele . - Mas não sou - contrapôs Harry com um pânico que não conseguia explicar . - Não vai ser fácil prová o - disse Hermione . - Ele viveu há quase mil anos . Pelo que vimos , podias ser . Em essa noite , Harry ficou acordado durante horas . Por uma fresta de os cortinados de a cama de dossel , olhou para a neve que começava a cair de o lado de_fora de a janela de a torre e perguntou se se poderia ser descendente de Salazar_Slytherin . Afinal , não sabia nada de a família de o pai , os Dursley tinham sempre proibido qualquer pergunta sobre os seus familiares feiticeiros . Calmamente , tentou dizer qualquer coisa em * serpentês * , mas as palavras não saíam . Parecia que era necessário estar frente_a_frente com uma cobra para poder fazê o . Mas eu sou um Gryffindor , pensou Harry , o chapéu seleccionador não me poria aqui se eu tivesse sangue de Slytherin ... - Ah ! - disse uma vozinha dentro de o seu cérebro . - Mas o chapéu seleccionador queria pôr te em os Slytherin , não te lembras ? Harry deu voltas e voltas a a cabeça . Em o dia seguinte , quando visse Justin em a aula de herbologia explicaria lhe que estava a afastar a serpente , não a atiçá a o que , aliás , pensou zangado , dando vários socos em a almofada , qualquer idiota teria percebido . Contudo , em a manhã seguinte , a neve que começara a cair durante a noite , transformara se em uma tempestade tão espessa que a última aula de herbologia de o período foi cancelada : a professora Sprout queria tapar as mandrágoras com peúgas e cachecóis , uma operação arriscada que ela não confiava a ninguém agora_que era tão importante que as mandrágoras crescessem depressa e reabilitassem Mrs._Norris e Colin_Creevey . Junto de a lareira de a sala comum de os Gryffindor , Harry matutava sobre o que se passara enquanto Ron e Hermione aproveitavam o foro para jogar xadrez de feitiçaria . - Com os diabos , Harry - disse Hermione exasperada quando um bispo derrubou um de os cavaleiros de o cavalo , arrastando o para fora de o tabuleiro . - Vai falar com o Justin , se isso é assim tão importante para ti . Harry levantou se e saiu por o buraco de o retrato , perguntando a si próprio onde poderia estar o Justin . O castelo estava mais escuro do_que era habitual durante o dia por causa de a neve espessa e cinzenta que cobria as janelas . A tremer , Harry passou por as salas onde estava a haver aulas , captando lampejos do_que sucedia lá dentro . A professora Mc_Gonagall gritava com alguém que , segundo lhe parecia por o som , transformara o parceiro em um texugo . Resistindo a a tentação de dar uma espreitadela , Harry afastou se pensando que Justin poderia estar a utilizar o tempo de o furo para fazer algum trabalho e resolveu , por isso , ir até a a biblioteca . Um grupo de alunos de os Hufflepuff , que deveriam ter estado em Herbologia , encontrava se , de facto , sentado em as traseiras de a biblioteca , mas não parecia estar a trabalhar . Entre as fileiras de as estantes altas , Harry pôde ver as suas cabeças muito juntas em aquilo que deveria ser uma conversa absorvente . Não conseguia perceber se Justin estaria em o meio de eles . Ia para se aproximar quando apanhou em o ar uma frase e parou para ouvir melhor , escondido em a secção de a invisibilidade . - Portanto - dizia um rapaz corpulento - eu disse a o Justin para se esconder em o nosso dormitório . Isto_é , se o Potter o escolheu como próxima vítima é melhor que ele tenha um * low profile * durante algum tempo . É claro que o Justin já estava a a espera que alguma coisa de o género acontecesse desde_que lhe escapou em uma conversa com o Potter que era filho de Muggles . O Justin disse lhe , inclusivamente , que tinha estado inscrito em Eton . Não é o tipo de coisa que se ande a dizer com o herdeiro de Slytherin a a solta por aí . - Achas mesmo_que é o Potter , Ernie ? - perguntou uma rapariga de tranças loiras , ansiosamente . - Hannah - disse com solenidade o rapaz corpulento . - Ele é um serpentês . Todos sabem que essa é a marca de um feiticeiro negro . Alguma vez ouviste falar de um feiticeiro decente que falasse com as cobras ? O Slytherin era conhecido por « Língua de serpente . . Houve alguns murmúrios antes de Ernie prosseguir : - Lembram se do_que estava escrito em a parede ? * _ Inimigos de o herdeiro , cuidado ! * . O Potter teve que ir a o gabinete de o Filch . E o que é_que acontece a seguir ? A gata de o Filch é atacada . O aluno de o primeiro ano , Creevey , estava a aborrecê o em a partida de Quidditch , a tirar lhe fotografias quando ele estava caído em a lama . E o que é_que acontece a seguir ? Creevey é atacado . - Mas ele parece sempre ser tão simpático - disse Hannah , cheia de dúvidas . - E , bem , foi ele que fez com que o Quem nós sabemos desaparecesse . Não pode ser assim tão mau , pois não ? Ernie baixou misteriosamente a voz . Os Hufflepuff inclinaram se mais uns para os outros e Harry aproximou se para conseguir apanhar as palavras de o Ernie . - Ninguém sabe como ele sobreviveu a aquele ataque de o Quem nós sabemos e , afinal , ainda era um bebé quando aquilo aconteceu . Era para ter explodido feito em estilhaços . Só um feiticeiro negro verdadeiramente poderoso teria sobrevivido a uma maldição de aquelas . - Baixou ainda mais a voz até esta ficar reduzida a um leve murmúrio e disse : - Talvez fosse por isso que o Quem nós sabemos o queria matar , para não ter outro feiticeiro negro a competir com ele . Gostava de saber que outros poderes ocultos terá o Potter . Harry não aguentou mais . Pigarreou alto e saiu detrás de as estantes . Se não estivesse tão zangado teria conseguido ver o lado cómico de a situação : cada_um de os Hufflepuff olhava para ele como_se tivesse sido petrificado , e a cor desaparecera de a cara de o Ernie . - Olá - disse Harry . - Estou a a procura de o Justin_Finch - _ Fletchley . Os piores receios de os Hufflepuff tinham se concretizado . Olharam apavorados para o Ernie . - O que queres de ele ? - perguntou Ernie em uma voz sumida . - Explicar lhe o que aconteceu com aquela cobra em o clube de os duelos - disse Harry . Ernie mordeu os lábios brancos e , em seguida , respirando fundo , respondeu : - Estávamos lá todos . Vimos o que aconteceu . - Então viram que depois de eu falar a serpente recuou - disse Harry . - O que eu vi - insistiu teimosamente Ernie , apesar_de tremer a cada palavra que proferia - foi tu a falares serpentês e a atiçares a cobra conta o Justin . - Eu não a aticei - gritou Harry enraivecido . - Ela nem lhe tocou . - Falhou por_pouco - disse Ernie . - E , para o caso de estares com ideias - acrescentou com má cara - posso dizer te que a minha família provem de nove gerações de bruxas e feiticeiros e que o meu sangue é tão puro como o de qualquer feiticeiro , portanto ... - Quero lá saber qual é o teu sangue - disse Harry furioso . - Porque iria eu atacar os filhos de os Muggles ? - Ouvi dizer que detestas os Muggles com quem vives - disse Ernie rapidamente . - Não é possível viver com os Dursley sem os detestar - explicou Harry . - Gostava de te ver lá em casa . Girou sobre os calcanhares e saiu furioso de a biblioteca sob o olhar reprovador de Madam_Prince que limpava a capa dourada de um enorme livro de encantamentos . Harry avançou a as cegas por os corredores , quase sem ver por_onde ia de tão furioso que estava . O resultado foi chocar com algo enorme e sólido que o fez recuar e cair a o chão . - Ah ! Olá , Hagrid - disse , olhando para_cima . Hagrid tinha o rosto completamente tapado com um lenço coberto de neve , mas não podia ser mais ninguém , enchendo assim o corredor dentro de o seu sobretudo de pele de toupeira . De uma de as enormes mãos enluvadas , pendia um galo morto . - Tudo bem , Harry ? - perguntou , afastando o lenço para poder falar . - Porque não estás em a aula ? - Foi cancelada - disse Harry , pondo se de pé . - O que estás a fazer aqui ? Hagrid mostrou lhe o galo inerte . - É o segundo qu'aparece morto este período - explicou . - Ou são raposas ou um vampiro chato e eu preciso d'autorização de o director p'ra fazer um feitiço em volta de a capoeira . Aproximou se e olhou mais de perto para o Harry , por debaixo de as suas sobrancelhas espessas e cheias de neve . - Tens a certeza que estás bem ? Pareces exaltado e preocupado . Harry não foi capaz de repetir o que Ernie e os outros Hufflepuff lhe tinham dito . - Não é nada , tenho de ir , Hagrid . A próxima aula é Transfiguração e preciso de ir buscar os meus livros . Afastou se , a cabeça cheia com tudo_o_que Ernie dissera a seu respeito . « * _ O_Justin já estava d espera que uma coisa de o género acontecesse desde_que deixou escapar , falando com o Potter , que era filho de Muggles * ... » Harry subiu as escadas a correr e entrou por um corredor que estava particularmente escuro . As tochas tinham sido apagadas por uma ventania gelada que entrava por uma janela de fecho estragado . Estava a meio de o corredor quando tropeçou em uma coisa que se encontrava em o chão . Olhou para ver o que era e sentiu como_se o estômago se tivesse dissolvido . Justin_Finch - _ Fletchley estava em o chão , rígido e frio com uma expressão de horror em o rosto e os olhos abertos voltados para o tecto . E não era tudo . Junto de ele estava mais alguém , a visão mais estranha que Harry tivera em toda_a sua vida . Era_o_Nick quase sem cabeça que não estava cor de pérola nem transparente e sim escuro como fumo . Flutuava imóvel , em a horizontal , 12 centímetros acima de o chão , a cabeça meio tombada e em o rosto uma expressão de choque idêntica a a de o Justin . Harry pôs se de pé com a respiração acelerada e o coração a bater como um tambor contra as costelas . Olhou desvairado para ambos os lados de o corredor deserto e viu uma fila de aranhas que corriam a_toda_a velocidade em a direcção oposta a a de os corpos . Os únicos sons eram as vozes abafadas de os professores em as aulas que decorriam de ambos os lados . Podia fugir e ninguém saberia que ali tinha estado , mas não era capaz de os abandonar assim . Tinha de ir procurar ajuda . Será que alguém acreditaria que ele não tivera nada que ver com aquilo ? Enquanto ali estava , em pânico , uma porta a o seu lado abriu se com grande estrondo . Peeves , o * poltergeist * , saiu a os gritos . - Oh ! É o Potter , olá , Potter - alardeou Peeves , lançando por o ar os óculos de o Harry quando passou por ele . - O que está o Potter a fazer ? Porque está o Potter escondido ? Peeves passou de cabeça para baixo , a meio de uma cambalhota em o ar , quando viu Justin e Nick quase sem cabeça . Com um movimento súbito endireitou se , encheu os pulmões de ar e , antes que Harry pudesse impedi o , gritou : __ ataque ! ataque ! outro ataque ! nenhum mortal ou fantasma está em segurança . corram , fujam , __ ataaaque ! Crac , Crac , Crac . Uma atrás de a outra , foram se abrindo todas_as portas a o longo de o corredor e as pessoas saíram para fora de as salas de aula . Durante alguns longos minutos houve uma tal confusão que Justin esteve em perigo de ser esmagado e as pessoas não paravam de chocar com o Nick quase sem cabeça . Harry deu por si colado a a parede enquanto os professores exigiam a os gritos que se fizesse silêncio . A professora Mc_Gonagall veio a correr , seguida por todos os alunos , um de os quais ainda trazia o cabelo a as riscas pretas e brancas . Usou a varinha para produzir um ruído que repôs o silêncio e mandou os alunos todos para dentro de as salas de aula . Mal lugar ficou desimpedido surgiu Ernie , o jovem Hufflepuff . - * _ Apanhado em flagrante ! * - gritou , com o rosto totalmente branco , apontando dramaticamente o dedo par Harry . - Basta_Mcmillan - disse , de forma cortante , a professora Mc_Gonagall . Peeves andava para_cima e para baixo , observando a cena com um sorriso maldoso . Sempre adorara o caos . Quando os professores se inclinaram sobre Justin e sobre o Nick quase sem cabeça para os examinar , iniciou uma cantilena : * _ Oh ! Potter , que fizeste , seu grande bandido * _ Tu matas os estudantes porque achas divertido . * - Basta , Peeves - rosnou a professora Mc_Gonagall e Peeves afastou se , deitando a língua de_fora a o Harry . Justin foi levado para a ala hospitalar por o professor Flitwick e por o professor Sinistra_do_Departamento_de_Astronomia , mas ninguém parecia saber o que fazer em relação a o Nick quase sem cabeça . Por fim , a professora Mc_Gonagall fez aparecer em o ar um enorme leque que entregou a Ernie com o encargo de conduzir , escadas acima , por os ares o Nick quase sem cabeça . Ernie assim fez , soprando Nick como_se fosse um aerodeslizador e deixando , de este modo , o Harry e a professora Mc_Gonagall a sós . - Por aqui , Potter - disse ela . - Professora , eu juro que não ... - Isso não é comigo , Potter - afirmou a professora Mc_Gonagall sinteticamente . Caminharam em silêncio até uma esquina e ela parou perante uma gárgula de pedra extremamente feia . - Refresco de limão - disse . Era obviamente uma senha porque a gárgula animou se subitamente e saltou para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes . Apesar_de estar apavorado com o que ia acontecer a seguir , Harry não conseguiu evitar um sentimento de fascínio . Por detrás de a parede estava uma escada em espiral que se movia lentamente para_cima como um elevador . E quando ele e a professora Mc_Gonagall puseram os pés em o primeiro degrau , Harry ouviu a parede fechar se atrás de eles . Subiram em círculos , cada_vez_mais alto até que , por fim , um_pouco tonto , Harry pôde ver uma porta de carvalho reluzente com um puxador de bronze em forma de abutre . Harry calculava onde estava a ser levado . Devia ser ali que morava Dumbledore . XII_A poção * polisuco * Saltaram de a escada de pedra lá mesmo em cima e a professora Mc_Gonagall bateu a a porta . Ela abriu se silenciosamente dando lhes entrada . A professora Mc_Gonagall disse lhe que esperasse e deixou o sozinho . Harry olhou em volta . Uma coisa era certa : de todos o escritórios de professores que conhecia , o de Dumbledor era , de longe , o mais interessante . Se não estivesse com um medo de morte de ser expulso teria adorado explorá o . Era uma sala grande e bonita em forma de círculo que estava cheia de barulhinhos estranhos . Havia um grande número de instrumentos prateados sobre várias mesas de pernas finas que zumbiam emitindo pequenas baforadas de fumo . As paredes estavam cobertas de fotografias de antigos directores e directoras , todos eles a dormir tranquilamente em as suas molduras . Havia ainda uma enorme secretária pés de garra . E , sobre uma prateleira atrás de ela , um chapéu de feiticeiro andrajoso e puído : * o chapéu seleccionador * . Harry hesitou . Lançou um olhar cauteloso a as bruxas e feiticeiros adormecidos a o longo de as paredes . Com certeza não fazia mal se lhe pegasse e o experimentasse só para ver ... só para ter a certeza de que ele o pusera em a equipa certa . Deu a volta a a secretária , retirou o chapéu de a prateleira e baixou o lentamente sobre a cabeça . Era demasiado grande e escorregou lhe para os olhos como de a outra_vez que o tinha posto . Harry olhou para o forro preto , enquanto esperava . Por fim , uma vozinha disse lhe a o ouvido : - Estás com macaquinhos em o sótão , Harry_Potter ? - Er ... sim - balbuciou Harry . - Er ... desculpa incomodar te , queria saber ... - Querias saber se te pus em a equipa certa - disse prontamente o chapéu . - Sim ... tu és particularmente difícil de seleccionar , mas eu mantenho o que disse antes . - O coração de Harry deu um salto . - Terias ficado bem em os Slytherin . Harry sentiu o estômago contorcer se . Agarrou o chapéu por a aba e tirou o de a cabeça . O chapéu seleccionador ficou pendurado em a mão de ele , inerte , desbotado e sujo . Harry voltou a pô o em a prateleira , sentindo se enjoado . - Estás enganado ! - disse em voz alta a o chapéu parado e silencioso , mas ele não se mexeu . Harry recuou para o observar melhor e foi então que ouviu um ruído estranho e grasnado atrás_de si que o fez dar uma volta . Não estava só , afinal_de_contas . Em um poleiro dourado atrás de a porta estava um pássaro de aspecto decrépito que parecia um peru meio depenado . Harry olhou para ele espantado e o pássaro olhou o também , grasnando de_novo . Harry achou que ele devia estar muito doente porque tinha os olhos parados e , enquanto olhava para ele , caíram lhe mais algumas penas de a cauda . Estava justamente a pensar que a única coisa que lhe faltava era que o pássaro de estimação de Dumbledore morresse quando ele estava ali sozinho com ele , em o escritório , quando a ave se incendiou . Harry gritou , em estado de choque , e recuou até a a secretária . Olhava nervosamente em volta , em busca de um jarro de água , mas não viu nenhum . O pássaro , entretanto , transformara se em uma bola de fogo , dera um guincho e , em seguida , desaparecera , deixando apenas um monte de cinzas em o chão . A porta de o escritório abriu se . Dumbledore entrou com ar taciturno . - Professor - gaguejou Harry . - O seu pássaro ... eu não pode fazer nada ... ele incendiou se . Para seu grande espanto , Dumbledore sorriu . - Já não era sem tempo . Estava com um aspecto horrível em os últimos dias . Fartei me de lhe dizer que fizesse qualquer coisa . Riu se entre dentes com a expressão em o rosto de Harry . - A Fawkes é uma fénix , Harry . As fénix ardem quando é altura de morrer e renascem de as cinzas , repara ... Harry olhou mesmo a_tempo_de ver um passarinho recém-nascido , todo enrugado , espetar a cabeça fora de as cinzas . Era quase tão feio como o antigo . - É uma pena que a tenhas conhecido em dia de arder - disse Dumbledore , passando para trás de a secretária . - É muito bonita a maior parte de o tempo , com uma plumagem vermelha e dourada . São criaturas fascinantes , as fénix . Podem transportar cargas pesadíssimas , as suas lágrimas têm propriedades curativas e são animais de estimação extremamente fiéis . Com o choque de a fénix a pegar fogo , Harry esquecera se de o motivo porque ali estava , mas tudo voltou rapidamente quando Dumbledore se instalou em a cadeira de espaldar alto e o fixou com os seus olhos azuis e penetrantes . Contudo , antes que ele tivesse tido tempo de falar , a porta de o escritório abriu se de par em par com um enorme estrondo e Hagrid entrou com um olhar tresloucado , o lenço todo torcido em volta de a cabeça hirsuta e o galo morto ainda pendurado em a mão . - Não foi Harry , professor Dumbledore - disse , aflito . - Eu tinha estado a falar com ele poucos segundos antes de o rapazinho ser encontrado , ele não teve tempo professor ... Dumbledore tentou dizer qualquer coisa , mas Hagrid continuou , abanando o galo em o meio de a sua agitação e espalhando penas por todo o lado . - Não pode ter sido ele . Eu juro em a frente de o ministro de a magia , se for preciso ... - Hagrid , eu ... -- Tem o rapaz errado , professor . Eu sei qu'o Harry nunca ... - Hagrid - disse Dumbledore , elevando a voz . - Eu não penso que o Harry tenha atacado aquelas pessoas . - Oh ! - disse Hagrid , com o galo pendendo inerte a o seu lado . - Certo , ' tão eu espero lá fora , director . E saiu com ar envergonhado . - O senhor não acha que tenha sido eu ? - repetiu Harry cheio de esperança , enquanto Dumbledore sacudia penas de galo de cima de a secretária . - Não , Harry , não acho - afirmou Dumbledore , apesar de a sua expressão ser de_novo sombria . - Mas mesmo_assim quero falar contigo . Harry esperou ansiosamente enquanto o director o observava com as pontas de os dedos longos unidas . - Tenho de saber uma coisa . Harry , há alguma pergunta que queiras fazer me , qualquer que ela seja ? Harry não soube o que dizer . Lembrou se de Malfoy a gritar * _ Vocês serão os próximos , sangues de lama * e de a poção * _ Polisuco * em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Depois pensou em a voz sem corpo que ouvira duas vezes e em o que o Ron dissera * _ Ouvir vozes que ninguém mais ouve não é bom sinal , nem mesmo em o mundo de a feitiçaria * . Pensou também em o que toda_a_gente dizia de ele e em o receio cada_vez maior de ter uma relação qualquer com Salazar_Slytherin ... - Não - disse por fim . - Não há nada , professor . O ataque duplo a Justin e a o Nick quase sem cabeça transformou o que até_então era nervosismo em verdadeiro pânico . Curiosamente fora o destino de o Nick quase sem cabeça o que mais preocupara as pessoas . Quem poderia ter feito aquilo a um fantasma ? - perguntavam uns a os outros . - Que poder terrível era aquele , capaz de afectar alguém que já tinha morrido ? Houve uma precipitação enorme em a marcação de os bilhetes em o Expresso_de_Hogwarts , pois todos os alunos quiseram ir passar o Natal a casa . - Por este caminho , vamos ser os únicos a ficar - disse o Ron a o Harry e a a Hermione . - Nós , o Malfoy , o Goyle e o Crabbe , que férias lindas que vão ser ! Crabbe e Goyle que faziam sempre o que Malfoy fazia , tinham se inscrito para ficar também durante as férias . Mas Harry estava contente por a maior parte se ir embora . Estava farto de ver gente a afastar se em os corredores como_se ele fosse mostrar os dentes ou cuspir veneno . Estava cansado de tantos segredinhos , de os ver apontar e segredar quando passava . O Fred e o George , esses achavam muito divertido . Vinham , de propósito , pôr se a a frente de ele e atravessavam os corredores a gritar : - Abram alas para o herdeiro de Slytherin , vai passar um feiticeiro verdadeiramente cruel . Percy discordava totalmente de este comportamento . - Não é um assunto para se brincar - dizia com frieza . - Sai mas é de o caminho , Percy - dizia o Fred . - O Harry está com pressa . - Sim , ele vai a a Câmara_dos_Segredos tomar uma chávena de chá com o seu servidor dentes de serpente - completava Fred com uma gargalhada . Ginny também não lhes achava graça . - Cala te - gritava ela sempre_que o Fred perguntava em voz alta a o Harry quem estava a pensar atacar a seguir , ou quando George fingia afastá o com um enorme dente de alho . Harry não se importava . Fazia o sentir se melhor o facto de constatar que , pelo_menos para o Fred e para o George , a ideia de ele ser o herdeiro de Slytherin era absolutamente ridícula . Mas as palhaçadas de eles pareciam ofender Draco_Malfoy que , de cada_vez que os via , ficava mais irritado . - É porque está ansioso por dizer que é mesmo ele - disse o Ron com ar conhecedor . - Sabes como ele detesta que alguém o ultrapasse e tu estás a receber todo o crédito por o seu trabalho sujo . - Não vai ser por muito_tempo - disse Hermione com uma voz satisfeita . - A poção * polisuco * está quase pronta . Um de estes dias arrancamos lhe a verdade . Finalmente , o período chegou a o seu termo e um silêncio profundo como a neve em os campos desceu sobre o castelo . Harry adorou a tranquilidade e apreciou o facto de ele , Hermione e os Weasley terem a torre de os Gryffindor por sua conta , poderem jogar a as explosões bem alto , sem incomodar ninguém e praticar duelos entre si . O Fred , o George e a Ginny tinham preferido ficar em a escola a ir com Mr. e Mrs._Weasley a o Egipto visitar o Bill . Percy que reprovava e considerava infantil a conduta de eles , não passava muito_tempo em a sala comum de os Gryffindor . Já lhes dissera pomposamente que só ficara ali em o Natal , por ser sua obrigação como prefeito apoiar os professores em aquela época agitada . A manhã de o dia de Natal clareou branca e fria . Harry e Ron , os únicos que estavam em o dormitório , foram acordados muito cedo por Hermione que entrou , toda vestida , transportando presentes para ambos . - Acordem - disse em voz alta , abrindo os cortinados . - Hermione , tu não devias estar aqui - exclamou o Ron , protegendo os olhos de a luz . - Feliz_Natal para ti também - disse Hermione , atirando lhe o presente que tinha para ele . - Estou acordada há quase uma hora , acrescentando mais asas de renda a a poção . Está pronta . Harry sentou se , subitamente acordado . - Tens a certeza ? - Absoluta - disse ela , afastando o rato Scrabbers para se sentar a os pés de a cama de dossel . - Se vamos mesmo tomá a , acho que devia ser logo a a noite . Em esse momentzo , a Hedwig entrou em o quarto , transportando em o bico um embrulho pequenino . - Olá - disse Harry , feliz a o vê a aterrar em a sua cama . - Já me falas outra_vez ? Ela mordiscou lhe a orelha de uma forma afectuosa que foi , de longe , um presente melhor do_que aquele que transportava e que era afinal de os Dursley . Tinham mandado a Harry um palito para os dentes com um cartão pedindo lhe que se informasse se não poderia ficar , também em o Verão , em Hogwarts . Os outros presentes que Harry recebeu foram bastante melhores . Hagrid mandara lhe uma lata grande de bombons de melaço que ele decidiu amolecer a o lume antes de comer , o Ron deu lhe um livro chamado * _ Voando com Canhões * , que narrava factos interessantes sobre a sua equipa favorita de Quidditch e Hermione trouxera lhe uma luxuosa pena de águia . Harry abriu o último presente onde vinha uma camisola novinha , feita a a mão por Mrs._Weasley e um grande bolo de passas . Pegou em o cartão com uma nova sensação de culpa , pensando em o carro de Mr._Weasley que não voltara a ser visto desde_que chocara contra o salgueiro zurzidor e em a quantidade de infracções que ele e o Ron tinham em mente . Ninguém , nem mesmo os que estavam cheios de medo por terem de tomar a poção * polisuco * a seguir , deixou de adorar o jantar de Natal em Hogwarts . O salão nobre estava magnífico . Não_só havia uma_dúzia de árvores de Natal , cobertas de geada e espessas serpentinas de azevinho e visco bravo cruzando se junto de o tecto como caia uma neve encantada quente e seca . Dumbledore conduziu os em uma de as suas canções de Natal preferidas enquanto Hagrid se agitava , falando cada_vez_mais alto , a cada gole de gemada que tomava . O Percy que não dera por_que Fred enfeitiçara o seu distintivo de prefeito , onde agora podia ler se « cabeça de alfinetes « , continuava a perguntar a todos para_onde estavam a olhar . Harry nem_sequer se importou com os comentários que Draco_Malfoy fazia bem alto , de a mesa de os Slytherin acerca de a sua camisola nova . Com alguma sorte , Malfoy iria ser desmascarado dentro_de algumas horas . Harry e Ron mal tinham acabado a terceira dose de pudim de Natal quando Hermione os fez sair de o salão a a pressa para acabarem de tratar de os planos para essa noite . - Ainda precisamos de um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos - disse com o ar mais natural de este mundo como_se estivesse a mandá os a o supermercado comprar detergente . - E , é claro que o ideal será conseguirmos alguma coisa de o Crabbe e de o Goyle , são os melhores amigos de o Malfoy , ele conta lhes tudo . E precisamos também de ter a certeza de que eles não vão entrar em a sala quando vocês estiverem a interrogar o Malfoy . - Eu tenho tudo pensado - prosseguiu ela , ignorando a expressão estupefacta de Harry e Ron . Pegou em dois apetitosos bolos de chocolate . - Pus lhes um encantamento de sono . Vocês só têm de fazer com que o Crabbe e o Goyle os encontrem . Sabem como eles são gulosos , vão logo comê os . Quando estiverem a dormir , tirem lhes alguns cabelos e escondam nos em uma despensa de vassouras . Harry e Ron olharam , incrédulos , um para o outro . -- Hermione , eu não creio que ... -- Isto pode correr muito mal ... Mas Hermione tinha um brilho inflexível em os olhos que não era muito diferente do_que costumavam ver em o olhar de a professora Mc_Gonagall . - A poção não nos serve de nada sem os cabelos de o Crabbe e de o Goyle - disse com firmeza . - Vocês querem mesmo descobrir coisas sobre o Malfoy , não querem ? - Pronto , está bem - disse Harry . - Mas , e tu , vais arranjar cabelos de quem ? - Eu já tenho esse assunto resolvido - disse Hermione sorridente , tirando um frasquinho de o bolso e mostrando lhes um cabelo que lá estava dentro . - Lembram se de a Millicent_Bulstrode que lutou comigo em o clube de os duelos ? Ela deixou isto em o meu manto quando tentava estrangular me . E foi passar o Natal a casa , portanto , basta me dizer a os Slytherins que decidi voltar . Quando Hermione saiu para verificar de_novo a poção polisuco , Ron voltou se para Harry com uma expressão lúgubre . - Alguma vez viste um plano onde tantas coisas pudessem correr mal ? Mas para grande espanto de ambos , a primeira fase de a operação decorreu tão naturalmente como Hermione previra . Eles esconderam se em o * hall * de entrada , depois de o lanche de Natal , a a espera de o Crabbe e de o Goyle que tinham ficado sozinhos a a mesa de os Slytherin , deitando abaixo a quarta dose de bolo inglês . Harry colocou os bolos de chocolate em o fim de o corrimão . Quando avistaram Crabbe e Goyle a sair de o salão , Harry e Ron esconderam se rapidamente atrás_de uma armadura que estava junto de a porta de entrada . - Como_se pode ser tão estúpido ? - murmurou Ron sem se mexer enquanto Crabbe apontava satisfeitíssimo , mostrando a Goyle os bolos e agarrando os . Com um riso estúpido , enfiaram nos inteiros em as bocas enormes . Durante um momento , ambos mastigaram avidamente com olhares vitoriosos em o rosto . Depois , sem que a expressão se alterasse , caíram para trás e estatelaram se em o chão . Mais difícil foi transportá os para a despensa de o outro lado de o * hall * . Uma_vez armazenados em o meio de os baldes e esfregões , Harry arrancou alguns de os pêlos que cobriam a cabeça de o Goyle e Ron tirou alguns cabelos a o Crabbe . Roubaram lhes também os sapatos porque os de eles eram demasiado pequenos para os enormes pés de o Crabbe e de o Goyle . Em seguida , ainda atordoados com o que tinham acabado de fazer , correram até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mal conseguiam ver com o fumo preto e espesso que saía de o cubículo onde Hermione mexia o caldeirão . Tapando o rosto com os mantos , Harry e Ron bateram a o de leve em a porta . - Hermione ? Ouviram o ruído de o trinco e Hermione apareceu com a cara lustrosa e um ar ansioso . Por trás de ela ouviam o gloop gloop de a poção espessa e gorgolejante . Em o banco de a casa_de_banho estavam três copos de vidro . - Conseguiram ? - perguntou Hermione quase sem fôlego . Harry mostrou lhe o cabelo de o Goyle . - _ óptimo . Eu tirei estes mantos suplementares de a lavandaria - disse ela , pegando em uma pequena saca . - Vocês vão precisar de tamanhos maiores se vão ser o Crabbe e o Goyle . Olharam os três para o caldeirão . Vista de perto , a poção parecia uma lama espessa e escura a borbulhar indolentemente . - Tenho a certeza que fiz tudo certo - disse Hermione nervosa , relendo a página manchada de * _ Moste_Potente_Potions * . - Tem o aspecto que o livro diz que deveria ter ... depois de a tomar temos precisamente uma hora antes de nos transformarmos de_novo em as pessoas que somos . - E agora ? - murmurou o Ron . - Separamos a em três copos e adicionamos os cabelos . Hermione encheu cada_um de os copos com uma concha de sopa . Em seguida , retirou com a mão a tremer o cabelo de Millicent_Bulstrode de dentro de o frasquinho e pô o em o primeiro copo . A poção chiou fortemente como uma chaleira a ferver e espumou como louca . Um segundo depois ganhara um tom de amarelo doentio . - Urgh ! Essência_de_Millicent_Bulstrode - disse Ron , olhando com repugnância . - Aposto que o sabor é nojento . - Deitem os vossos - disse Hermione . Harry deixou cair o cabelo de o Goyle em o copo de o meio e Ron lançou o de o Crabbe em o último . Ambos chiaram e espumaram : o de o Goyle ficou de um tom caqui , o de o Crabbe de um castanho-escuro algo tenebroso . - Esperem - pediu Harry quando Ron e Hermione pegaram em os copos . - Será melhor não os tomarmos aqui todos juntos em um cubículo ; quando em os transformarmos não vamos cá caber e Millicent_Bulstrode não é nenhum duende . - Bem pensado - admitiu o Ron , abrindo a porta . - Cada_um em seu cubículo . Com todo o cuidado , para não entornar nem uma gota de a poção polisuco , Harry esgueirou se para o cubículo de o meio . - Prontos ? - perguntou . - Prontos - responderam as vozes de o Ron e de a Hermione . - Um , dois , três . Tapando o nariz , Harry bebeu a poção em dois grandes tragos . Tinha o sabor de a couve demasiado cozida . Os seus interiores começaram imediatamente a contorcer se como_se tivesse engolido serpentes vivas . Dobrado , Harry perguntava a si próprio se iria vomitar . Depois , uma sensação de ardor espalhou se rapidamente de o estômago até a as pontas de os dedos de as mãos e de os pés . Em seguida , fazendo o sobressaltar se , sobreveio o sentimento horrível de estar a derreter enquanto a pele de todo o seu corpo borbulhava como cera quente e , perante os seus olhos , as mãos começaram a crescer , os dedos a engrossar , as unhas a alargar e as articulações a tornarem se protuberantes como ferrolhos . Os ombros retesaram se dolorosamente e uma comichão em a testa preveniu o de que o cabelo estava a rastejar em direcção a as sobrancelhas . As túnicas rasgaram se enquanto o tórax se expandia como um barril , rebentando com os seus anéis . Os pés estavam em grande sofrimento dentro_de sapatos quatro números abaixo . Tão depressa como começara , tudo parou . Harry estava caído em o chão de pedra fria , ouvindo a Murta_Queixosa gorgolejando taciturna em o cubículo de o fundo . Com alguma dificuldade tirou os sapatos e levantou se . Era então assim que o Goyle se sentia ! Com a mão enorme a tremer , despiu a sua túnica que lhe ficava 30 centímetros acima de os tornozelos , pegou em as túnicas suplementares e amarrou os atacadores de os sapatos abotinados de o Goyle . Quis escovar o cabelo para o afastar um_pouco de os olhos e deu apenas com os pêlos hirsutos que lhe cresciam em a testa . Apercebeu se então de que os óculos lhe toldavam a visão porque o Goyle , obviamente , não precisava de eles . Tirou os e gritou . - Vocês estão bem ? - De a sua boca saiu a voz baixa e grossa de o Goyle . - Sim - respondeu lhe o grunhido de o Crabbe , a a sua direita . Harry abriu a porta de o cubículo e dirigiu se a o espelho partido . O Goyle olhava o de o outro lado com os seus olhos parados . Harry coçou a orelha e Goyle fez o mesmo . A porta de o Ron abriu se . Olharam um para o outro . Harry estava pálido e chocado . O amigo não se distinguia de o Crabbe , desde o corte de cabelo em forma de tigela até a os longos braços de gorila . - É inacreditável - disse o Ron , aproximando se de o espelho e beliscando o nariz achatado de o Crabbe . - Inacreditável ! - É melhor irmos indo - disse Harry , alargando a pulseira de o relógio que lhe cortava o pulso . - Ainda temos de descobrir onde fica a sala comum de Slytherin . Só espero que encontremos alguém que vá para lá e que nós possamos seguir . Ron que tinha estado a olhar espantado para ele , comentou : - Não imaginas como é bizarro ver o Goyle a pensar - bateu em a porta de Hermione . - Vamos , temos que ir ... Respondeu lhe uma voz aguda : - Eu ... eu acho que afinal não vou . Vão vocês sem mim . - Hermione , nós sabemos que a Millicent_Bulstrode é feia , ninguém vai pensar que és tu . - Não , a sério , acho que não vou . Despachem se vocês os dois , estão a perder tempo . Harry olhou para Ron , baralhado . - Aquilo parece mais de o Goyle , é como ele fica sempre_que algum professor lhe faz uma pergunta . - Estás bem , Hermione ? - perguntou Harry , através de a porta . - _ óptima , estou óptima , vão se embora . Harry olhou para o relógio . Cinco preciosos minutos tinham já passado . - Encontramo nos aqui , está bem ? - disse . Os dois abriram a porta de a casa_de_banho com todo o cuidado , viram se o caminho estava livre e saíram . - Não balances assim os braços - disse o Harry a o Ron . - Hein ? - O Crabbe anda sempre com eles esticados . - Assim ? - Isso , assim está melhor . Desceram a escadaria de mármore . Só precisavam agora de um Slytherin que pudessem seguir até a a sala comum , mas não havia ninguém por perto . - Tens alguma ideia ? - perguntou Harry em um murmúrio . - Os Slytherin vêm sempre de ali para o pequeno-almoço - disse o Ron , apontando para a entrada de os calabouços . Mal tinha pronunciado estas palavras quando uma rapariga de cabelo comprido a os caracóis , apareceu . - Desculpa - disse o Ron , sem perder tempo . - Esquecemo nos de o caminho para a nossa sala comum . - Como ? - disse a rapariga com a maior frieza . - A * nossa * sala comum ? Eu sou uma Ravenclaw . Afastou se , olhando para eles , desconfiada . Harry e Ron desceram apressadamente os degraus de pedra até a a escuridão . Os passos ecoavam em o silêncio , à_medida_que os pés enormes de Crabbe e Goyle tocavam em o chão , fazendo os sentir que as coisas não iam ser tão fáceis como eles desejavam . Os corredores labirínticos estavam desertos . Andaram e tornaram a andar por os subterrâneos , olhando constantemente para os relógios para ver quanto tempo ainda lhes restava . Depois de um quarto de hora , quando começavam a ficar desesperados , ouviram um movimento súbito . - Olha - disse o Ron , agitadamente . - Agora é um de eles . A silhueta saía de uma sala , mas quando se aproximaram o coração de ambos esmoreceu . Não era um Slytherin , era Percy . - O que estás a fazer aqui em baixo ? - perguntou o Ron surpreendido . - Isso - disse ele friamente - não é de a tua conta . És o Crabbe , não és ? - Er ... sim , sim - respondeu o Ron . - Então vão para o vosso dormitório - ordenou Percy com firmeza . - Não é seguro andar a passear por os corredores escuros em os dias que correm . - Tu andas -- fez notar o Ron . - Eu - disse o Percy endireitando se - sou um prefeito . Nada vai atacar me . Ouviu se , de repente , uma voz por_detrás_de Harry e Ron . Era_Draco_Malfoy e , pela_primeira_vez em a vida , Harry ficou satisfeito a o vê o . - Aí estão vocês - disse de modo arrastado , olhando para eles . - Têm estado a chafurdar em o salão este tempo todo ? Tenho andado a a vossa procura , quero mostrar vos uma coisa muito divertida . Malfoy olhou misteriosamente para Percy . - E o que fazes tu aqui , Weasley ? - perguntou com ar de desprezo . Percy olhou , sentindo se ultrajado . - Fazes favor de mostrar um_pouco mais de respeito por um prefeito de a escola - disse . - Não gosto de o teu ar . Malfoy riu se e fez sinal a o Harry e a o Ron para que o seguissem . Harry quase ia pedindo desculpa a o Percy , mas deu se conta a tempo . Apressaram se a seguir o Malfoy que disse , mal viraram em o corredor seguinte : - Aquele Peter_Weasley ... - O Percy - corrigiu Ron automaticamente . - Ou isso - continuou Malfoy . - Ultimamente tenho o visto muitas_vezes a andar por aí sorrateiramente e aposto que sei o que ele quer . Pensa que vai apanhar o herdeiro de Slytherin sozinho . Deu uma pequena gargalhada ridícula . Harry e Ron trocaram olhares nervosos . Malfoy parou junto de uma parede de pedra húmida . - Qual é a senha ? - perguntou a o Harry . - Er ... - Ah ! sim , sangue puro - disse Malfoy sem ouvir e uma porta de pedra , oculta em a parede , abriu se . Malfoy entrou e Harry e Ron seguiram o . A sala comum de os Slytherin era uma ampla divisão subterrânea com espessas paredes de pedra e um tecto de o qual estavam pendurados por correntes vários candeeiros redondos que davam uma luz esverdeada . O fogo crepitava em uma lareira elaboradamente esculpida em frente de a qual se viam as silhuetas de vários Slytherins sentados em cadeiras igualmente esculpidas . - Esperem aí - disse Malfoy a o Harry e a o Ron , encaminhando os para um par de cadeiras vazias , longe de o lume . - Eu vou buscar o que o meu pai acaba de me mandar . Sem saber o que Malfoy iria mostrar lhes , Harry e Ron sentaram se , fazendo todos os possíveis por parecer a a vontade . Malfoy voltou um minuto depois , trazendo em a mão o que parecia ser um recorte de jornal . Pô o debaixo de o nariz de o Ron . - Vais te rir - disse . Harry viu os olhos de o Ron abrirem se como_se estivesse em estado de choque . Viu o ler o recorte rapidamente , dar uma gargalhada forçada e estender lhe o em seguida . Tinha sido retirado de o * _ Profeta_Diário * e dizia : inquérito em o ministério de a magia * _ Arthur_Weasley , chefe de o Gabinete_de_Mau_Uso_dos_Utensílios_dos_Muggles foi hoje multado em cinquenta galeões por ter enfeitiçado um carro de os Muggles . * _ O senhor Lucius_Malfoy , Membro_do_Conselho_Directivo_da_Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts , onde o carro enfeitiçado foi chocar em o princípio de este ano , exigiu hoje a demissão de Mr._Weasley . « * _ O_Weasley trouxe o descrédito a o Ministério « - declarou Mr._Malfoy a o nosso repórter . - « É claramente incompetente para fazer cumprir as leis e a sua protecção ridícula de os Muggles deveria ir imediatamente para a sucata . » * _ Mr._Weasley recusou se a fazer comentários , mas a sua mulher disse a os repórteres que desaparecessem de ali ou lançaria contra eles o vampiro de a família * . - Então - disse Malfoy impaciente quando Harry voltou a entregar lhe o recorte . - Não achas o_máximo ? - Ha , ha - fez Harry tristemente . - O Arthur_Weasley gosta tanto de os Muggles que era capaz de partir a sua varinha a o meio para se juntar a eles - disse Malfoy com desprezo . - Ninguém diria que os Weasley eram sangue puro a avaliar por o modo como_se comportam . A cara de o Ron , ou melhor , de o Crabbe , contorceu se de raiva . - O que é_que se passa ? - perguntou Malfoy . - Dores de estômago - gemeu o Ron . - Então vai a a ala hospitalar e dá a todos aqueles sangues de lama um pontapé de a minha parte - disse Malfoy com o seu riso escarninho . - Sabes que estou espantado por o * _ Profeta_Diário * ainda não se ter referido a todos estes ataques - continuou pensativamente . - Calculo que o Dumbledore deve estar a tentar abafar as coisas . Ele ainda é posto em a rua se isto não acaba depressa . O pai sempre disse que Dumbledore foi a pior coisa que aqui veio parar . Ele adora os filhos de os Muggles , um director decente nunca deixaria um lodo como o Creevey entrar em esta escola . Malfoy começou a fingir que tirava fotografias com uma máquina imaginária e fez uma imitação maldosa , mas bastante fiel de o Colin : - Potter , posso tirar te a fotografia ? Dás me um autógrafo ? Posso lamber te os sapatos , por favor , Potter ? Baixou as mãos e olhou para Harry e Ron . - O que é_que se passa com vocês os dois ? Um_pouco atrasados , Harry e Ron forçaram o riso e Malfoy pareceu satisfeito . Talvez Crabbe e Goyle fossem sempre de reacção lenta . - O santo Potter , amigo de os sangues de lama - disse Malfoy . - É outro que não tem os sentimentos de um feiticeiro a sério ou não andaria por aí com aquela empertigada sangue de lama Granger . E as pessoas a pensarem que ele é o herdeiro de Slytherin . Harry e Ron esperaram com a respiração entrecortada : o Malfoy ia certamente dizer lhes , dentro_de segundos , que era ele , mas então ... - Quem me dera saber quem ele é - disse o Malfoy , de forma petulante . - Podia ajudá o . O queixo de o Ron caiu de tal maneira que a cara de o Crabbe ficou ainda mais desajeitada do_que era habitual . Felizmente Malfoy não deu por nada e Harry , em um pensamento rápido , disse : - Deves ter alguma ideia de quem está por_detrás_de tudo ... - Sabes perfeitamente que não tenho , Goyle , quantas vezes é preciso dizer te ? - cortou Malfoy . - E o pai também não me diz nada sobre a última vez que a câmara foi aberta . É claro que foi há cinquenta anos , antes de ele cá andar , mas o pai sabe tudo a esse respeito e diz que as coisas foram mantidas em grande segredo e que pareceria suspeito se eu soubesse demasiado . Mas há uma coisa que eu sei : de a última vez que a câmara foi aberta , morreu um sangue de lama . Por isso , aposto que é uma questão de tempo até que um de eles seja morto . Só espero que seja a Granger - disse satisfeito . Ron fechara os punhos gigantescos de o Crabbe . Sentindo que deitaria tudo a perder se ele desse um soco a o Malfoy , Harry lançou lhe um olhar de aviso e disse : - Sabes se a pessoa que abriu a câmara de a última vez foi apanhada ? - Ah ! sim , essa pessoa foi expulsa - disse Malfoy . - Ainda deve estar em Azkaban . - Azkaban ? - repetiu Harry confuso . - Azkaban , a prisão de os feiticeiros , Goyle - disse Malfoy , olhando para ele incrédulo . - Francamente , se fosses mais lento andavas para trás . Esticou se intranquilo , em a cadeira e disse : - O pai diz para eu esfriar a cabeça e deixar que o herdeiro de Slytherin faça o seu trabalho . Acha que a escola precisa de se livrar de a escória de os sangues de lama , mas não quer que eu me envolva em nada . Claro que ele agora tem um prato cheio . Sabes que o Ministério de a magia fez uma busca a a nossa mansão em a semana passada ? Harry tentou forçar a cara de bronco de o Goyle a uma expressão preocupada . - Sim - continuou Malfoy . - É claro que não encontraram grande coisa . O pai guarda uns materiais de magia negra muito valiosos , mas , felizmente , temos a nossa câmara secreta debaixo de o soalho de a sala de visitas ... - Ah ! - disse o Ron . Malfoy olhou para ele . Harry também . Ron corou e até o cabelo começou a ficar vermelho . O nariz estava também a diminuir lentamente ... a hora tinha acabado . Ron estava a voltar a a sua forma habitual e por o olhar de horror que lançou a Harry certamente ele também estava . Puseram se rapidamente de pé . - Tenho de tomar o remédio para o estômago - grunhiu o Ron e sem mais explicações saíram ambos a correr de a sala comum de os Slytherin , precipitaram se para a parede de pedra e galgaram a passagem , pedindo a todos os santos que Malfoy não tivesse dado por nada . Harry sentia os pés a nadarem em os sapatos enormes de o Goyle e tinha de levantar o manto visto_que diminuíra de tamanho . Subiram os degraus a correr até a o * hall * escuro de entrada onde se ouvia um som abafado que vinha de a despensa onde tinham fechado o Crabbe e o Goyle . Deixando os sapatorros de os dois de o lado de_fora , subiram já com os respectivos sapatos a escadaria de mármore até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Bem , não foi uma total perda de tempo - disse o Ron ofegante , fechando atrás_de si a porta de a casa_de_banho . - É certo que ainda não descobrimos de quem vêm os ataques , mas vou escrever a o meu pai amanhã a dizer lhe que procure debaixo de o soalho de a sala de visitas de o Malfoy . Harry olhou para o espelho partido . Tinha voltado a o normal . Pôs os óculos enquanto Ron batia em a porta de o cubículo de Hermione . - Hermione , sai de aí , temos um monte de coisas para te contar ... - Vão se embora - guinchou Hermione . Harry e Ron olharam um para o outro . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron . - Tu já deves ter voltado a o normal como nós ... Mas a Murta_Queixosa saiu subitamente através de a porta de o cubículo com um ar divertido como nunca a tinham visto . - Oh ! Esperem até ver - disse ela . - É horrível ! Ouviram o trinco de a porta a abrir se e Hermione apareceu a soluçar , a túnica levantada a cobrir lhe o rosto . - O que foi ? - perguntou o Ron indistintamente . - Ainda tens o nariz de a Millicent ou alguma coisa assim ? Hermione deixou cair a roupa e Ron recuou rapidamente . O rosto de ela estava coberto de pêlo preto , os olhos tinham ganho uma cor amarela e as orelhas eram pontiagudas , saindo espetadas para fora de os cabelos . - Era um pêlo de g-gato - disse a chorar . - A Millicent_Bulstrode d-deve ter um gato e a poção não está preparada para transformação em animais . - Oh-oh - disse o Ron . - Vão te gozar horrivelmente - disse a Murta , felicíssima . - Não te preocupes , Hermione - tranquilizou a rapidamente o Harry . - Vamos levar te para a ala hospitalar , a Madam_Pomfrey nunca faz muitas perguntas ... Não foi fácil convencer Hermione a sair de a casa_de_banho . A Murta_Queixosa despediu se com uma gargalhadavigorosa e grosseira . - Espera até todos descobrirem que tens uma cauda ! XIII_O diário muito secreto Hermione ficou em a ala hospitalar durante várias semanas . Houve uma onda de boatos sobre o seu desaparecimento quando o resto de os alunos voltou de as férias de Natal porque , é claro , todos pensam que ela tinha sido atacada . Foram tantos os estudantes a rondar a ala hospitalar para espreitar a ver se a viam que Madam_Pomfrey desceu de_novo as cortinas de a cama de ela para a poupar a a vergonha de ser vista com pêlo em a cara . Harry e Ron iam visitá a todas_as tardes . Quando o segundo período começou passaram a levar lhe diariamente os trabalhos de casa . - Se eu tivesse o bigode a crescer , tinha uma folga de o trabalho - disse uma tarde o Ron enquanto colocava uma pilha de livros a a cabeceira de a cama de Hermione . - Não sejas parvo , Ron , eu tenho de me manter a par de as coisas - disse Hermione com vivacidade . O humor de ela melhorara bastante com o facto de lhe ter desaparecido todo o pêlo de o rosto e de os olhos estarem lentamente a retomar a cor castanha . - Calculo que não tenham novas pistas ? - disse em um murmúrio para evitar que Madam_Pomfrey os ouvisse . - Nada - disse Harry tristemente . - Eu tinha tanta certeza de que era o Malfoy - repetiu o Ron por a centésima vez . - O que é isso ? - perguntou Harry , apontando para uma coisa com brilho dourado que estava debaixo de a almofada de Hermione . - É só um cartão a desejar boas melhoras - disse ela precipitadamente , tentando escondê o , mas o Ron foi mais rápido . Pegou lhe , abriu o e leu em voz alta : * _ Para_Miss_Granger , desejando lhe uma rápida recuperação , com o interesse e estima de o professor Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , Terceiro grau , Membro_Honorário_da_Liga_de_Defesa contra as Artes_Negras e vencedor por cinco vezes de o prémio O sorriso mais charmoso de a semana de o Semanário_das_Bruxas * . Ron olhou desconsolado para Hermione . - Tu dormes com isto debaixo de a almofada ? Mas Hermione foi poupada a ter de responder por a entrada de Madam_Pomfrey que lhe trazia a dose de medicamento de a tarde . - Achas que o Lockhart é o tipo mais esperto que conheceste ? - perguntou o Ron a o Harry quando saíram de a enfermaria e começavam a subir as escadas para a torre de os Gryffindor . O Snape tinha lhes passado tanto trabalho para_casa que Harry pensou que ia chegar a o sexto ano antes de o ter acabado . Ron vinha a dizer que devia ter perguntado a a Hermione quantas caudas de rato deveria juntar se a uma poção para o crescimento de o cabelo quando um grito de raiva vindo de o andar de cima lhes chegou a os ouvidos . - É o Filch - murmurou Harry enquanto subiam apressadamente as escadas e paravam para ouvir melhor . - Terá mais alguém sido atacado ? - disse nervosamente o Ron . Ficaram parados com as cabeças inclinadas para a voz de o Filch que parecia quase histérica . -- ... * _ Ainda mais trabalho para mim . Toda_a noite a esfregar como_se não tivesse já trabalho de sobra . Não , isto foi a gota de água que fez transbordar o copo , vou falar com Dumbledore * ... Os passos afastaram se e ouviram uma porta fechar se com grande estrondo . Puseram as cabeças fora de a esquina . O Filch tinha obviamente estado a patrulhar o seu habitual posto de vigia : estavam novamente em o lugar onde Mrs._Norris fora atacada . Perceberam imediatamente qual o motivo de os gritos . Uma enorme poça de água enchia metade de o corredor e parecia escorrer de a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Agora_que o Filch se calara podiam ouvir os uivos de a Murta que faziam eco em as paredes de a casa_de_banho . - Mas o que se passará com ela ? - disse o Ron . - Vamos lá ver - sugeriu Harry e arregaçando as túnicas até a os tornozelos entraram , atravessando a enorme poça de água , em a casa_de_banho que tinha o letreiro a dizer « Fora de serviço » e que eles , como sempre , ignoraram . A Murta_Queixosa chorava , se possível , mais alto do_que nunca . Parecia estar escondida em o cubículo de o costume . Lá dentro estava escuro pois as velas tinham se apagado com a enchente de água que deixara as paredes e o chão ensopado . - O que se passa , Murta ? - quis saber o Harry . - Quem é ? - perguntou ela infelicíssima . - Vieste atirar me mais alguma coisa acima ? Harry caminhou com dificuldade por causa de a água até a o cubículo de ela e disse : - Porque te faríamos nós uma coisa de essas ? - Não me perguntem - gritou a Murta , emergindo em uma onda de água que molhou ainda mais o chão já ensopado . - Eu estou aqui metida em a minha morte e alguém acha muito engraçado atirar me com um caderno acima ... - Mas , não pode magoar te se alguém te atirar alguma coisa acima - disse Harry , tentando ser prático . - Isto_é , seja o que for passa através_de ti , não é assim ? Tinha dito a frase errada . A Murta encheu o peito de ar e gritou a plenos pulmões : - Vamos todos atirar cadernos a a Murta já_que ela não sente nada ! Dez pontos se lhe acertarem em o estômago , cinquenta se lhe atravessar a cabeça ! Hah hah hah , que jogo lindo , não acham ? - Quem te atirou um caderno , afinal ? - perguntou o Harry . - Não sei ... eu estava sentada em a sanita a pensar em a morte e caiu me em cima de a cabeça - disse a Murta , olhando para eles . - Está ali , ficou todo molhado . Harry e Ron olharam para o ponto que a Murta lhes apontava debaixo de o lavatório . Um caderno pequenino e fino estava caído em o chão . Tinha uma capa preta muito gasta e estava encharcado como tudo em aquela casa_de_banho . Harry deu um passo em frente para o apanhar , mas o Ron agarrou lhe precipitadamente o braço . - O que foi ? - perguntou Harry . - Estás doido - disse ele . - Pode ser perigoso . - Perigoso ? - riu se Harry . - Essa agora Ron , como é_que pode ser perigoso ? - Ficarias surpreendido ... - explicou ele , olhando com ar apreensivo para o caderno . - Entre os livros que o Ministério confiscou , contou me o meu pai , havia um que queimava os olhos a as pessoas . E todos os que leram os * _ Sonetos_de_Um_Feiticeiro * ficaram a falar em verso para o resto de a vida . Havia também uma bruxa em Bath que tinha um livro que quem o lesse nunca mais conseguia parar , tinha de andar por aí com o nariz enfiado em as folhas , a fazer todas_as coisas só com uma mão e ... - Já chega , já chega , já percebi a tua ideia - disse O_Harry . O caderninho continuava caído e ensopado . - Bem , nunca saberemos a_não_ser_que tenhamos a coragem de dar uma vista de olhos - disse e mergulhou apanhando o de o chão . Harry viu imediatamente que se tratava de um diário e a data meio apagada , em a capa , disse lhe que tinha cinquenta anos de idade . Abriu o ansiosamente . Em a primeira página podia ler se apenas o nome T._M._Riddle em tinta esborratada . - Espera aí - disse o Ron que se aproximara prudentemente e olhava por cima de o ombro de Harry . - Eu conheço esse nome ... T._M._Riddle recebeu um prémio por serviços especiais prestados a a escola há cinquenta anos atrás . - Como diabo sabes tu isso ? - perguntou Harry com grande espanto . - Porque o Filch mandou me limpar a taça de ele umas cinquenta vezes quando estive de castigo - disse o Ron ressentido . - Foi a taça em cima de a qual eu vomitei lesmas . Se tivesses tido que limpar o muco de um nome durante uma hora também te lembrarias . Harry separou umas de as outras as páginas molhadas . Estavam completamente em branco . Não havia o mais leve sinal de escrita em nenhuma , nem coisas como « Aniversário de a tia Mabel « ou « Dentista a as três_e_meia » . - Ele nunca escreveu nada aqui - disse Harry desapontado . - Porque quereria alguém atirá o fora ? - perguntou se o Ron com curiosidade . Harry voltou o caderno e viu , inscrito em a contra capa , o nome de uma tabacaria em Vauxhall_Road , Londres . - Ele devia ser filho de Muggle - disse Harry pensativo - para ter comprado um diário em Vauxhall_Road ... - Bem , não te serve de muito - Ron baixou a voz . - Cinquenta pontos se acertares em o nariz de a Murta . Harry , mesmo_assim , guardou o diário . Hermione saiu de a ala hospitalar desbigodada , sem cauda e sem pêlo em os primeiros dias de Fevereiro . Em a primeira noite em a torre de os Gryffindor , Harry mostrou lhe o diário de T._M._Riddle e contou lhe como o tinham encontrado . - Ooooh ! Deve ter poderes ocultos - disse ela entusiasticamente , pegando em o diário e examinando o de perto . - Se tem , esconde os muito bem - disse Ron . - Talvez fosse tímido . Não sei porque não deitas isso fora , Harry . - Gostava de perceber porque motivo alguém se quis livrar de ele - explicou Harry . - E também não me importava de saber como foi que o Riddle obteve esse prémio de serviços especiais prestados a Hogwarts . - Pode ter sido qualquer coisa - lançou o Ron . - Talvez tenha recebido 30 de nota final ou salvo um professor de a lula gigante . Se_calhar assassinou a Murta , isso teria sido um favor prestado a todos ... Mas Harry quase podia jurar , por o olhar suspenso em a cara de Hermione , que ela pensava o mesmo_que ele . - O que foi ? - perguntou Ron , olhando para um e para o outro . - Bem , a Câmara_dos_Segredos foi aberta há cinquenta anos , não foi isso que disse o Malfoy ? - Sim - respondeu Ron , lentamente . - E este diário tem cinquenta anos de idade - completou Hermione , dando lhe palmadinhas nervosas . - E de aí ? - Oh Ron , acorda - insistiu Hermione . - Sabemos que a pessoa que abriu a câmara de a outra_vez foi expulsa há cinquenta anos . E se o Riddle tivesse tido o prémio especial por apanhar o herdeiro de Slytherin ? O seu diário diria nos provavelmente tudo : onde é a Câmara_dos_Segredos , como abris a e que tipo de criatura vive lá . Achas que a pessoa que está por trás de os ataques desta_vez quereria o diário por aí ? - É uma teoria interessante , Hermione - disse o Ron . - Apenas com uma pequenina falha : o diário não tem nada Mas_Hermione já estava a tirar a varinha de o saco . - Pode ser tinta invisível - murmurou . Bateu três vezes em o diário e repetiu * _ Aparecium ! * Nada aconteceu . Intrépida , Hermione meteu a mão de_novo em o saco e tirou o que parecia ser uma borracha vermelha e brilhante . - É um * revelador * , comprei o em a Diagon - _ Al - disse . Apagou com força em 1_de_Janeiro . Não sucedeu nada . - Já vos disse , não há nada aí - repetiu o Ron . - O Riddle deve ter recebido um diário como prenda de Natal e nem se deu a o trabalho de escrever fosse o que fosse . Harry não conseguia explicar , nem a si próprio , porque motivo não deitara fora o diário de Riddle . A verdade é_que , mesmo depois de saber que ele estava em branco , continuou distraidamente a pegar lhe e a virar as páginas como_se quisesse chegar a o fim de uma história . E , apesar_de saber que nunca tinha ouvido o nome T._M._Riddle , continuava a ter a sensação de que lhe dizia alguma coisa , como_se Riddle fosse um amigo que ele tinha tido quando era muito pequeno e que estivesse meio esquecido . Mas era um absurdo . Nunca tivera amigos antes de Hogwarts , Dudley tivera esse cuidado . Ainda_assim , Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle , por isso em o dia seguinte foi até a a sala de os troféus para examinar a taça , acompanhado de Hermione que estava interessadíssima e de Ron que se mostrava profundamente incrédulo , dizendo que tinha ficado farto de aquela sala até a o fim de a vida . A taça dourada de Riddle estava arrecadada em um armário de canto . Não fornecia detalhes sobre o motivo por_que lhe fora dada ( felizmente , se fosse maior ainda hoje estava a limpá a , disse o Ron ) . Mas encontraram o nome de Riddle em uma antiga medalha de Mérito_Mágico e em uma lista de antigos chefes de turma . - Parece o Percy - comentou Ron , torcendo o nariz com aversão . - Prefeito , chefe de turma , provavelmente o melhor em todas_as disciplinas . - Dizes isso como_se fosse uma coisa má - fez lhe notar Hermione , em um tom de voz ressentido . Um sol fraco brilhava agora de_novo em Hogwarts . Dentro de o castelo , o ambiente estava bastante melhor . Não tinha havido novos ataques desde Justin e Nick quase sem cabeça e Madam_Pomfrey teve a satisfação de informar que as Mandrágoras começavam a ficar instáveis e dissimuladas , sinal de que estavam a abandonar rapidamente a infância . - Logo_que o acne desapareça estarão prontas para novo transplante - ouviu a Harry dizer amavelmente a o Filch . - E depois de isso , não demorará muito até podermos cortá as e estufá as . - Vai ter Mrs._Norris de volta , muito em_breve . Talvez o herdeiro ou herdeira de Slytherin tenha perdido a coragem , pensou Harry . Deve ser cada_vez_mais arriscado abrir a Câmara_dos_Segredos com a escola tão alerta e desconfiada . Talvez o monstro , qualquer_que_fosse , estivesse a preparar se para hibernar durante outros cinquenta anos . Ernie_Mcmillan_dos_Hufilepuff não aceitou esta visão optimista . Continuava convencido de que Harry era o culpado , que se tinha traído em o clube de os duelos . Peeves não ajudava nada : continuava a cantar por os corredores Potter , * seu bandido * ... agora acompanhado de um esquema de dança . Gilderoy_Lockhart parecia pensar que fora ele quem pusera fim a os ataques . Harry fartou se de o ouvir dizer isso a a professora Mc_Gonagall enquanto os Gryffindor formavam bicha para a aula de Transfiguração . - Não creio que volte a haver problemas , Minerva - disse , tocando em o nariz com ar conhecedor e piscando o olho . - Acho que desta_vez a câmara foi definitivamente selada . O culpado deve ter sabido que era uma questão de tempo até eu o apanhar e que era mais sensato parar agora antes que eu lhe tratasse de a saúde . Sabe , a escola está a precisar de um intensificador de animo para apagar as lembranças de o último período . Não vou dizer lhe mais_nada , por enquanto , mas julgo que sei o que ... Voltou a tocar em o nariz e afastou se a passos largos . A ideia de Lockhart de um intensificador de ânimo ficou bastante clara em o dia_14_de_Fevereiro , a o pequeno-almoço . Harry não dormira grande coisa devido a o treino de Quidditch em a noite anterior e chegou a o salão um_pouco atrasado . Pensou , por momentos , que se tinha enganado em a porta . As paredes estavam todas cobertas com enormes e medonhas flores cor-de-rosa . Pior ainda , * confettis * em forma de corações caíam de o tecto azul pálido . Harry dirigiu se a a mesa de os Gryffindor onde o Ron estava sentado com um ar enjoado junto de Hermione que parecia particularmente risonha . - O que se passa ? - perguntou lhes , sentando se e sacudindo os * confettis * de o seu bacon . Ron apontou para a mesa de os professores , com um ar demasiado repugnado para falar . Lockhart , em as suas vestes rosa vivo , a condizer com a decoração de o salão , fazia sinal para que se calassem . Os professores que o ladeavam tinham um ar estupefacto . De o seu lugar , Harry podia ver um músculo mover se em a bochecha de a professora Mc_Gonagall . Snape estava com ar de quem tomou uma imensa dose de xarope * skele-gro * . - Feliz dia de S._Valentim - gritou Lockhart . - E permitam me que agradeça a as quarenta_e_seis pessoas que até agora me enviaram cartões . Sim , fui eu quem tomou a liberdade de vos fazer esta pequena surpresa , e ela não acaba aqui ! Lockhart bateu as palmas e por as portas de o * hall * entraram a marchar cerca de uma_dúzia de duendes de aspecto carrancudo . Não eram uns duendes quaisquer , diga se de passagem . Lockhart fizera os usar asas douradas e transportar harpas . - Os meus amigos cupidos , portadores de os cartões ! gritou Lockhart . - Eles vão andar por a escola durante o dia de hoje , entregando os vossos cartões de S._Valentim . E o divertimento não acaba aqui . Tenho a certeza de que os meus colegas vão querer participar em este espírito de festa . Porque não pedir a o professor Snape que vos mostre como preparar rapidamente uma poção de amor . E , enquanto ele a prepara , está aqui o professor Flitwick que é de todos os feiticeiros que conheci aquele que mais sabe de encantamentos de sedução , o grande safado ! O professor Flitwick enterrou o rosto em as mãos . Snape olhava como_se quisesse dar veneno a a primeira pessoa que fosse pedir lhe a poção de o amor . - Por favor , Hermione , diz me que não foste uma de as quarenta_e_seis - pediu Ron quando saíram de o salão para a primeira aula . Mas Hermione ficou subitamente muito interessada em procurar o horário dentro de a mala e não lhe respondeu . Durante todo o dia os duendes não pararam de se intrometer em as aulas para entregar cartões , para grande aborrecimento de os professores e , ao_fim_da_tarde , quando os Gryffindor subiam as escadas para a aula de encantamentos , um de eles avistou o Harry . - Hei , tu , Harry_Potter ! - gritou um duende de aspecto particularmente lúgubre , dando cotoveladas a_toda_a gente para se aproximar de o Harry . Coradíssimo com a ideia de receber um cartão de S._Valentim diante_de uma fila de alunos de o primeiro ano que , por acaso , incluía Ginny_Weasley , Harry tentou escapar se . Mas o duende cortou lhe o caminho através de a multidão e agarrou o em três tempos . - Tenho uma mensagem musical para entregar a Harry_Potter em pessoa - disse , tangendo a harpa de forma ameaçadora . - Aqui não - disse baixinho o Harry , tentando escapar . - Fica quieto - grunhiu o duende , agarrando o saco de o Harry e puxando com força . - Larga me - disse ele rispidamente , dando um puxão . Com um ruído de tecido a rasgar se , o saco dividiu se em dois . Os livros de Harry , varinha , pergaminho e pena espalharam se por o chão enquanto o tinteiro se partia em cima de as outras coisas . Harry pôs se de gatas , tentando apanhar tudo antes que o duende começasse a cantar , provocando um engarrafamento em o corredor . - O que se passa aqui ? - perguntou a voz fria e afectada de Draco_Malfoy . Harry , nervosíssimo , começou a guardar tudo dentro de o saco rasgado , desesperado para sair de ali antes que Malfoy pudesse ouvir o seu S._Valentim musical . - Que confusão é esta ? - disse outra voz familiar . Percy_Weasley tinha chegado . De cabeça perdida , Harry tentou fugir , mas o duende agarrou o por os joelhos e fê lo cair a o chão . - Certo - disse , sentando se em os tornozelos de Harry . Eis o teu cartão musical : * _ Os olhos de ele são verdes como o sapo de o quintal * _ O seu cabelo é escuro como um temporal * _ É um desatino , oh ! ele é divino ! * _ O herói que venceu o Senhor_do_Mal * . Harry teria dado todo o ouro de Gringotts para se evaporar em aquele momento . Tentando corajosamente rir se com todos os outros , levantou se . Sentia os pés dormentes de o peso de o duende . Enquanto isso , Percy_Weasley fazia todos os possíveis por dispersar a multidão onde havia gente que chorava de hilaridade . - Vamos embora , vamos embora , a campainha tocou há cinco minutos para as aulas - dizia , enxotando alguns de os alunos mais novos . - E tu , Malfoy . Harry olhou e viu Malfoy inclinar se , apanhar qualquer coisa e com um olhar maldoso mostrá a a Crabbe e Goyle . Percebeu que era o diário de Riddle . - Dá cá isso - exigiu com toda_a calma . - O que será que o Potter escreveu aqui ? - disse Malfoy que obviamente não reparara em a data e pensou que tinha em as mãos o diário de o Harry . Houve uma agitação em os presentes . Ginny olhava apavorada para o diário e para Harry . - Dá lhe isso , Malfoy - disse Percy com firmeza . - Depois de dar uma vista de olhos - retorquiu Malfoy , acenando a Harry com o diário de forma provocatória . Percy disse : - Como Prefeito de a escola ... - mas Harry perdera a paciência . Pegou em a varinha e gritou * _ Expelliarmus * e assim_como Snape desarmara Lockhart , MalLoy viu o diário saltar lhe de as mãos e elevar se em o ar enquanto Ron o apanhava sorridente . - Harry - disse Percy levantando a voz . - Não quero magia em os corredores . Vou ter de participar isto , sabes perfeitamente . Mas Harry não se importou . Tinha ganho uma_vez a Malfoy e isso valia bem cinco pontos a menos para os Gryffindor . Malfoy estava furioso e quando a Ginny passou por ele a caminho de a sala de aula , gritou lhe com desprezo : - Não creio que o Potter tenha gostado lá muito de o teu cartão de S._Valentim . Ginny tapou a cara e correu para a aula . Aborrecido , Ron pegou também em a varinha , mas Harry afastou o . Era melhor que ele não passasse a aula de encantamentos a vomitar lesmas . Só quando entraram em a sala de aula de o professor Flitwick é_que Harry reparou em uma coisa bastante estranha em o diário de Riddle . Todos os outros livros estavam cheios de tinta vermelha , mas o diário mantinha se tão limpo como antes de o tinteiro se ter entornado em cima de ele . Tentou chamar a atenção de Ron para este facto , mas ele estava novamente a ter um problema com a varinha : de a extremidade saíam grandes bolhas roxas e ele não parecia interessado em mais_nada . Em essa noite , Harry foi deitar se antes de os outros companheiros de dormitório , em parte porque já não conseguia suportar o Fred e o George a cantarem * _ Os seus olhos são verdes como o sapo de o quintal * e em parte porque queria voltar a examinar o diário de Riddle e sabia que em a opinião de o Ron era uma pura perda de tempo . Sentou se em a cama de dossel e folheou as páginas em branco em as quais não se via uma única mancha de tinta escarlate . Tirou então outro tinteiro de o armário a o lado de a cama , molhou a pena e deixou cair um borrão em a primeira página de o diário . A tinta brilhou em o papel durante um segundo e , em seguida , como_se a página a tivesse sugado , desapareceu sem deixar rasto . Depois , finalmente , algo aconteceu . Deslizando sobre a página em a cor de a sua tinta , surgiram palavras que Harry não escrevera . - * _ Olá_Harry_Potter . O meu nome é Tom_Riddle . Como é_que encontraste o meu diário ? * Também estas palavras desapareceram , mas não sem que Harry tivesse respondido . - Alguém tentou lançá o em uma sanita . Esperou ansiosamente por a resposta de Riddle . - * _ Felizmente guardei as minhas memórias de uma forma mais duradoura do_que a tinta . Mas sempre soube que haveria quem não iria querer que o diário fosse lido . * - O que queres dizer com isso ? - escrevinhou Harry , borrando a página com o nervosismo . - * _ Quero dizer que este diário contém memórias de coisas terríveis . Coisas que foram abafadas . Coisas que aconteceram em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . * - É onde eu estou agora - escreveu Harry rapidamente . - Estou em Hogwarts e estão a acontecer coisas horríveis . Sabes alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? O coração parecia querer saltar lhe de o peito . A resposta de Riddle não se fez esperar , a letra tornara se mais desordenada como_se tivesse pressa em contar lhe tudo_o_que sabia . - * _ É claro que sei de a Câmara_dos_Segredos . Em o meu tempo diziam nos que era uma lenda , que não existia , mas era mentira . Quando eu estava em o quinto ano a Câmara_dos_Segredos foi aberta e o monstro atacou vários estudantes , acabando matar um . Eu apanhei a pessoa que abriu a câmara e ele foi expulso . Mas o director , o professor Dippet , envergonhado por uma coisa de aquelas ter acontecido em Hogwarts , proibiu me de contar a verdade . Foi divulgada uma história dizendo que a rapariga morrera de um acidente extravagante . Deram me um troféu brilhante com o meu nome gravado e avisaram me para ficar calado . Mas eu sabia que ia voltar a acontecer . O monstro sobreviveu e aquele que tinha o poder para o libertar não foi para a prisão . * Harry quase entornou o tinteiro em a pressa de responder . - Está a acontecer outra_vez . Houve três ataques e ninguém parece saber quem está por_detrás_de tudo_isto . Quem foi de a última vez ? - * _ Posso mostrar te , se quiseres * - foi a resposta de o Riddle . - * _ Não tens de acreditar só em a minha palavra . Posso levar te a o fundo de a minha memória de a noite em que o apanhei . * Harry hesitou com a pena em o ar sobre o diário . O que quereria ele dizer ? Como poderia entrar em a memória de outra pessoa ? Olhou inquieto para a porta de o dormitório que começava a ficar escuro . Quando pôs de_novo os olhos em o diário viu as palavras que se formavam . - * _ Deixa-me mostrar te . * Harry parou durante uma fracção de segundo e depois escreveu duas letras . - O. _ K._As páginas de o diário começaram a esvoaçar como_se tivessem sido apanhadas em uma ventania , parando a meio de o mês_de_Junho . Boquiaberto , Harry viu que o quadradinho de 13_de_Junho se transformara em um pequeno ecrã de televisão . Com as mãos ligeiramente trémulas levantou o livro para encostar os olhos a a janelinha e antes de perceber o que estava a passar se , deu consigo inclinado para a frente com a janela a abrir se . O corpo abandonava a cama e era lançado de cabeça , por a abertura de a página , em um turbilhão de cor e sombras . Sentiu os pés tocarem em terra firme e pôs se de pé a tremer enquanto as formas desfocadas se tornavam subitamente nítidas . Soube imediatamente onde estava . Aquela sala circular com os retratos adormecidos era o escritório de Dumbledore , mas não era Dumbledore quem estava atrás de a secretária . Um feiticeiro mirrado , de aspecto débil e quase careca lia uma carta a a luz de as velas . Harry nunca vira aquele homem antes . - Desculpe - disse com a voz a tremer . - Eu não queria intrometer me ... Mas o feiticeiro não olhou . Continuou a ler , franzindo levemente as sobrancelhas . Harry aproximou se de a secretária e gaguejou : - Er ... eu vou me embora , está bem ? E o feiticeiro continuou a ignorá o . Parecia nem_sequer ter ouvido . Pensando que talvez ele fosse surdo , Harry falou mais alto . - Desculpe tê o incomodado - disse quase a gritar . O feiticeiro dobrou a carta com um suspiro . Pôs se de pé , passou por Harry sem olhar para ele e foi abrir os cortinados de a janela . O céu , lá fora , estava vermelho-rubi . Devia ser o pôr de o Sol . O feiticeiro voltou para a secretária , sentou se e girou os polegares , olhando para a porta . Harry olhou em volta . Não viu Fawkes , a fénix , nem as engenhocas prateadas que sibilavam . Aquela Hogwarts era a que Riddle conhecera e , portanto , aquele feiticeiro desconhecido era o director de então , não Dumbledore e ele , Harry , era pouco mais que um fantasma , totalmente invisível a as pessoas de há cinquenta anos atrás . Alguém bateu a a porta . - Entre - disse o velho feiticeiro , em uma voz fraca . Um rapazinho de dezasseis anos entrou , tirando o chapéu pontiagudo . Em o seu peito brilhava um distintivo prateado de prefeito . Era muito mais alto do_que Harry , mas tinha , tal_como ele , cabelo preto asa de corvo . - Ah ! Riddle - disse o director . - Queria falar comigo , professor Dippet ? - perguntou ele com ar nervoso . - Senta te - disse Dippet . - Tenho estado a ler a carta que me mandaste . - Oh ! - exclamou Riddle , sentando se e apertando as mãos uma contra a outra . - Meu rapaz - disse Dippet amavelmente . - Eu não posso deixar te ficar em a escola durante o Verão . Com certeza queres ir para_casa em as férias ? - Não - respondeu Riddle , sem perder tempo . - Prefiro mil vezes ficar em Hogwarts a ter de voltar a aquela ... aquela ... - Tu vives em um orfanato de Muggles durante as férias , não é assim ? - perguntou Dippet com curiosidade . - Sim senhor - disse Riddle , corando um_pouco . - És filho de Muggles ? - Meio sangue , professor - explicou Riddle . - Pai_Muggle , mãe bruxa . - E o teu pai e a tua mãe ... - A minha mãe morreu pouco depois de eu nascer , professor , contaram me em o orfanato que só teve tempo de me dar o nome : Tom , como o meu pai , Marvolo como o meu avô . Dippet estalou a língua solidariamente . - O que acontece , Tom - suspirou - é_que ... podia ter se arranjado uma situação especial para ti , mas em as circunstâncias actuais ... - Refere se a os ataques , professor ? - perguntou Riddle e o coração de Harry deu um salto , aproximando se com medo de perder alguma coisa . - Precisamente - disse o director . - Meu rapaz , compreendes que seria uma imprudência de a minha parte deixar te ficar em o castelo quando o período acabar , principalmente a a luz de a recente tragédia ... a morte de aquela pobre moça ... estarás sem dúvida em maior segurança em o orfanato . Em a verdade , o ministro de a magia até fala em fechar a escola . Não estamos nada perto_de localizar ... er ... a fonte de toda esta história desagradável . Os olhos de Riddle tinham se aberto mais . - Professor , se essa pessoa fosse apanhada ... se tudo acabasse . . . - Que queres dizer com isso ? - perguntou Dippet com voz aguda , endireitando se em a cadeira . - Riddle , tu sabes alguma coisa sobre estes ataques ? - Não senhor - respondeu ele de imediato . Mas Harry sabia que era o mesmo tipo de « não » que ele dissera a Dumbledore . Dippet afundou se de_novo com um ar de profundo desapontamento . - Podes ir , Tom . Riddle esgueirou se de a cadeira e saiu de a sala . Harry seguiu o . Desceram por a escada em espiral , saindo junto de a gárgula em o corredor que escurecia . Riddle parou e Harry fez o mesmo , olhando para ele . Quase podia apostar que ele pensava seriamente em alguma coisa . Mordia o lábio e tinha as sobrancelhas franzidas . A certa altura , como_se tivesse acabado de tomar uma decisão , começou a andar mais depressa com Harry a segui o ruidosamente . Não viram mais ninguém , a não ser quando chegaram a o * hall * de entrada onde um feiticeiro alto de longos cabelos ruivos e barba chamou Riddle de a escadaria de mármore . - O que andas a fazer por aqui tão tarde , Tom ? Harry olhou para o feiticeiro . Não era outro senão Dumbledore com cinquenta anos a menos . - Tive de ir falar com o director - justificou se Riddle . - Bem , agora vai depressa para a cama - disse Dumbledore , olhando Riddle com aquele olhar penetrante que Harry conhecia tão bem . - É melhor não andar a passear por os corredores em os dias que correm , pelo_menos até ... Suspirou profundamente , deu as boas-noites a o Riddle e foi se embora . Riddle viu o desaparecer e , sem perder tempo , desceu os degraus de pedra até a os calabouços com Harry em a peugada . Mas para seu grande desconsolo , Riddle não o conduziu a nenhum corredor ou túnel secreto e sim a o calabouço onde ele costumava ter aulas de poções com o Snape . As tochas não tinham sido acesas e quando Riddle empurrou a porta quase fechada , Harry só conseguiu vê o a ele , de pé , quieto junto de a porta , olhando para o corredor . Pareceu a Harry que ficaram ali quase uma hora . Tudo_o_que via era a silhueta de Riddle junto de a porta , olhando fixamente através de a greta , a a espera . Como_se fosse uma estátua . E quando Harry tinha abandonado todas_as expectativas e começava a desejar voltar a o presente , ouviu alguma coisa que se movia atrás de a porta . Alguém avançava lentamente por o corredor . Ouviu a pessoa , quem quer que fosse , passar por o calabouço onde ele e Riddle estavam escondidos . Riddle , silencioso como uma sombra , esgueirou se por a porta e seguiu o com Harry em bicos de pés atrás de ele , esquecido de que podia fazer barulho a a vontade porque ninguém o ouvia . Durante cerca de cinco minutos seguiram lhe os passos até que Riddle parou repentinamente com a cabeça inclinada em a direcção de novos ruídos . Harry ouviu uma porta a abrir se e em seguida alguém falou em um murmúrio rouco . - Vá lá , temos que sair de aqui ... vá lá , dentro de a caixa ... Havia algo de familiar em aquela voz . Riddle deu subitamente uma volta e Harry seguiu o . Podia ver a silhueta escura de um rapaz enorme que estava inclinado em frente de a porta aberta , com uma grande caixa a o lado . - Boa noite , Rubeus - disse Riddle secamente . O rapaz fechou a porta e pôs se de pé . - O que estás a fazer aqui , Tom ? Riddle aproximou se . - Acabou se - disse . - Vou ter de entregar te , Rubeus . Falam em fechar Hogwarts se os ataques não terminarem . - O que é_que tu ... ? - Eu acho que tu não quiseste matar ninguém , mas os monstros não são os melhores animais domésticos . Tu só quiseste deixá o sair para andar um_pouco e ... - Ele não matou ninguém - disse o rapaz grande , recuando contra a porta fechada . Lá de dentro vinham uns estranhos roncos e rugidos . - Vamos , Rubeus - disse Riddle , aproximando se mais ainda . - Os pais de a rapariga que morreu estarão aqui amanhã . O mínimo que Hogwarts pode fazer é assegurar lhes que aquilo que matou a filha de eles foi abatido ... - Não foi ele - gemeu o rapaz cuja voz ecoou em o corredor escuro . - Ele não faria isso ... ele nunca ... - Afasta te - disse Riddle , pegando em a varinha . O encantamento iluminou o corredor com uma luz brilhante . A porta atrás de o rapaz grande abriu se de par em par com tanta força que o atirou contra a parede . E de lá de dentro saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito que ninguém mais ouviu a não ser ele próprio . Tinha um corpo imenso , magro e peludo e um emaranhado de pernas pretas , a cintilação de muitos olhos e um par de tenazes afiadas . Riddle levantou de_novo a varinha , mas era tarde de mais . A coisa deixara o atarantado e corria apressadamente , precipitando se por o corredor e desaparecendo . Riddle pôs se de pé , olhou a a procura de o monstro , levantou a varinha , mas o rapaz grande saltou sobre ele , tirou lhe a varinha de as mãos e lançou o a o chão , gritando : - Naaaaaão ! A cena rodopiou . A escuridão tornou se total . Harry sentiu se a cair e com um embate aterrou como uma águia de patas e asas abertas em a sua cama de dossel , em o dormitório de os Gryffindor , o diário de Riddle aberto sobre o estômago . Antes de ter tido tempo de normalizar a respiração , a porta de o dormitório abriu se e o Ron entrou . - Aí estás tu - disse . Harry sentou se . Transpirava e tremia . - O que se passa ? - perguntou Ron , olhando aflito para ele . - Foi o Hagrid , Ron . O Hagrid abriu a Câmara_dos_Segredos há cinquenta anos atrás . XIV_Cornelius_Fudge_Harry , Ron e Hermione sabiam há muito_tempo que Hagrid tinha uma triste predilecção por criaturas grandes e monstruosas . Em o primeiro ano que passaram em Hogwarts , ele tentara criar um dragão em a sua pequena cabana de madeira e levaram muito_tempo a esquecer o gigantesco cão de três cabeças que ele baptizara de « fofinho » . E se , em rapaz , Hagrid tinha ouvido dizer que havia um monstro escondido em o castelo , Harry tinha a certeza que ele teria feito os impossíveis por descobri o . Provavelmente achou que era uma injustiça o monstro estar fechado tanto tempo e pensou que ele merecia a oportunidade de esticar as suas muitas pernas . Harry imaginava perfeitamente o Hagrid a os treze anos a tentar pôr uma coleira e uma trela a o monstro . Mas tinha igualmente a certeza de que ele nunca teria querido matar ninguém . De certo modo , Harry desejava não ter descoberto como utilizar o diário de Riddle . Ron e Hermione fizeram o contar repetidas vezes o que vira até ele ficar farto de repetir o mesmo e farto de a conversa circular que se seguia . - O Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse , de essa vez , Hermione . - O monstro que atacava as pessoas podia ser outro .... - Quantos monstros achas tu que pode haver em este lugar ? - perguntou o Ron aborrecido . - Sempre soubemos que o Hagrid tinha sido expulso - disse Harry tristemente - E os ataques devem ter terminado quando ele foi expulso . Se não fosse assim , Riddle não teria recebido um prémio . Ron tentou um caminho diferente . - O Riddle parece o Percy , quem lhe pediu afinal que deitasse abaixo o Hagrid ? - Mas o monstro tinha morto uma pessoa , Ron - insistiu Hermione . - E o Riddle ia ter de voltar para um orfanato Muggle se Hogwarts fosse fechada - disse Harry . - Não posso culpá o por querer ficar aqui ... Ron mordeu o lábio e a seguir sugeriu : - Tu encontraste o Hagrid em a Rua * _ Bativolta * , não foi ? - Ele estava a comprar repelente para lesmas - disse Harry rapidamente . Ficaram os três em silêncio . Depois de uma longa pausa , Hermione , em uma voz hesitante , formulou a pergunta mais complicada de todas : - Não acham que devíamos ir ter com ele e perguntar lhe ? - Essa seria uma visita simpática - disse o Ron . - Olá , Hagrid , diz nos uma coisa , soltaste por acaso alguma coisa louca e peluda por o castelo em estes últimos tempos ? Por fim , decidiram não dizer nada a o Hagrid a_não_ser_que houvesse outro ataque e à_medida_que passava mais tempo sem murmúrios de a voz sem corpo começaram a acreditar , esperançosos , que nunca mais teriam de falar sobre o motivo por_que fora expulso . Tinham passado já quase quatro meses desde o dia em que o Justin e o Nick quase sem cabeça tinham sido petrificados e quase toda_a_gente parecia pensar que o atacante , quem quer que ele fosse , se retirara para sempre . Peeves fartara se de a sua canção * _ Oh_Potter , seu bandido * , Ernie_Mcmillan pediu educadamente a o Harry , em a aula de herbologia , que lhe passasse um balde de cogumelos saltitantes e , em Março , várias mandrágoras deram uma festa ruidosa e roufenha em a estufa número três . A professora Sprout estava muito satisfeita . - Mal elas comecem a tentar mover se para os vasos umas de as outras , saberemos que estão maduras - disse ela a o Harry . - Nessa_altura poderemos reanimar aquelas pobres criaturas que estão em a ala hospitalar . Os alunos de o segundo ano tinham agora uma coisa nova em que pensar durante as férias de a Páscoa . Chegara a altura de escolherem as matérias de o terceiro ano , um assunto que Hermione , pelo_menos , tomou muito a sério . - Pode afectar todo o nosso futuro - disse a o Harry e a o Ron a o vê os ler cuidadosamente as listas de as novas matérias e pôr um V em frente de cada uma . - Eu só quero ver me livre de as poções - disse Harry . - Não podemos - explicou Ron tristemente . - Mantemos todas_as matérias antigas ou eu teria me livrado de a Defesa contra as artes negras . - Mas é muito importante - disse Hermione chocada . - Não de a maneira como Lockhart a dá - insistiu Ron . - Não aprendi nada até agora a não ser a nunca mais libertar duendes . Neville_Longbottom recebera cartas de todas_as bruxas e feiticeiros de a família , cada_um dando um conselho diferente sobre o que ele deveria escolher . Confuso e preocupado , sentou se a ler a lista de matérias , dando estalinhos com a língua e perguntando a as pessoas se achavam que a aritmancia seria mais difícil do_que o estudo de as runas em a Antiguidade . Dean_Thomas que , tal_como Harry , fora criado com Muggles , acabou por fechar os olhos e atirar a varinha contra a lista , escolhendo as matérias onde ela aterrava . Hermione não pediu conselho a ninguém e inscreveu se em todas . Harry sorriu de si para consigo imaginando como seria uma conversa com o tio Vernon e com a tia Petúnia sobre a sua carreira em feitiçaria . Não que não tivesse tido orientação : Percy_Weasley estava ansioso por partilhar a sua experiência . - Tudo depende de o lugar para_onde queres ir , Harry - disse ele . - Nunca é cedo de mais para pensar em o futuro , por isso eu aconselho te a adivinhação . As pessoas dizem que os estudos de Muggles são uma opção leve mas eu , pessoalmente , acho que os feiticeiros deveriam ter uma compreensão profunda de a comunidade não mágica , muito especialmente se pensarem em trabalhar em íntimo contacto com eles . Vê o meu pai que tem de lidar com assuntos de os Muggles a_toda_a hora . O meu irmão Charles foi sempre mais um tipo de o exterior , por isso foi para o Centro_de_Cuidados com as Criaturas_Mágicas . Segue os teus sentimentos , Harry . Mas a única coisa em que Harry sentia que era mesmo bom era o Quidditch . Por fim , acabou por escolher as mesmas matérias que o Ron escolhera , pensando que se fosse péssimo em elas pelo_menos tinha alguém amigo para o ajudar . O próximo jogo de Quidditch_dos_Gryffindor era contra os Hufflepuff . Wood insistia em treinos de equipa todas_as noites depois de jantar , por isso Harry não tinha tempo para mais_nada a não ser para o Quidditch e para os trabalhos de casa . Mas as sessões de treino estavam a melhorar ou pelo_menos estavam mais secas e em a véspera de o jogo de sábado ele foi a o dormitório guardar a vassoura , sentindo que as hipóteses de os Gryffindor ganharem a taça de Quidditch nunca tinham sido tão boas . Mas a sua boa disposição não durou muito . Em o cimo de as escadas que levavam a o dormitório encontrou o Neville_Longbottom nervosíssimo . - Harry , não sei quem fez aquilo , eu fui encontrar ... Olhando receoso para Harry , Neville empurrou a porta . O conteúdo de a mala de Harry fora espalhado por toda_a divisão . O seu manto estava em o chão rasgado . A roupa de cama tinha sido puxada de a cama de dossel e a gaveta de o armário que se encontrava a a cabeceira de a cama fora arrancada , estando o seu conteúdo espalhado sobre o colchão . Harry aproximou se de a cama boquiaberto , pisando algumas páginas soltas de * _ Viagens com Duendes * . Quando ele e Neville estavam a puxar os cobertores para_cima , entraram o Ron e o Dean_Seamas . Dean praguejou alto . - O que é isto , Harry ? - Não faço ideia - disse ele . Mas o Ron estava a examinar as vestes de Harry e todos os bolsos estavam de o avesso . - Alguém andou a a procura de qualquer coisa - disse o Ron . - Dás por falta de alguma coisa ? Harry começou a apanhar o que estava caído , lançando tudo dentro de a mala . Só quando atirou o último livro de Lockhart é_que se apercebeu do_que faltava . - O diário de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a o Ron . - O quê ? Harry fez lhe sinal em direcção a a porta de o dormitório e apressaram se a chegar a a sala comum de os Gryffindor que estava quase vazia e onde foram encontrar Hermione sozinha a ler * _ As_Runas_Antigas a o Alcance_de_Todos * . Hermione ficou aterrada com as notícias . - Mas ... só um Gryffindor podia tê o roubado ... ninguém mais conhece a nossa senha ... - Exactamente - disse Harry . Acordaram em o dia seguinte com um sol brilhante e uma brisa agradável . - Condições ideais para o Quidditch ! - exclamou Wood , cheio de entusiasmo , a a mesa de os Gryffindor , enchendo os pratos de os elementos de a sua equipa de ovos mexidos . - Harry , anima te , precisas de um pequeno-almoço decente . Harry tinha estado a olhar para a mesa cheia de alunos de os Gryffindor , perguntando a si próprio se o novo dono de o diário de Riddle estaria ali mesmo em frente de os seus olhos . Hermione insistira para que ele participasse o roubo mas ele não gostou de a ideia . Teria de contar a um professor tudo sobre o diário , e quantas pessoas saberiam o motivo por_que Hagrid fora expulso há cinquenta anos ? Não queria ser ele a fazer com que relembrassem tudo aquilo . Quando saiu de o salão com o Ron e a Hermione para ir buscar o material de Quidditch , outra preocupação viera juntar se a a sua lista cada_vez maior . Tinha acabado de pisar os degraus de a escadaria de mármore quando ouviu de_novo a voz : - * _ Matar desta_vez ... deixem me rasgar ... romper * ... Deu um grito e Ron e Hermione saltaram alarmados . - A voz - disse Harry , olhando por cima de os ombros de eles . - Acabo de a ouvir de_novo , vocês não ouviram nada ? Ron abanou a cabeça de olhos muito abertos Mas_Hermione bateu com a mão em a testa . - Harry , acho que percebi uma coisa . Tenho que ir a a biblioteca . E disparou a correr por as escadas acima . - O que é_que ela percebeu ? - disse Harry distraidamente , ainda a olhar em volta , tentando determinar de onde vinha a voz . - Mas porque teve ela que ir a a biblioteca ? - Porque a Hermione é assim - disse o Ron , encolhendo os ombros - Quando tem uma dúvida , vai a a biblioteca . Harry manteve se hesitante , tentando captar novamente a voz mas as pessoas começavam a sair de o salão , falando alto , passando por a porta principal e encaminhando se para o estádio de Quidditch . - É melhor ires indo - aconselhou Ron . - São quase onze horas , olha o jogo . Harry deu uma corrida até a a torre de os Gryffindor , pegou em a sua Nimbus dois_mil e juntou se a a vasta multidão que enchia os campos , mas o seu pensamento estava ainda em o castelo , em aquela voz sem corpo e quando pôs as roupas vermelhas , o seu único conforto foi pensar que estavam todos lá fora para assistir a o jogo . As equipas entraram em campo a o som de um tumulto de aplausos . Oliver_Wood fez um voo de aquecimento em volta de os postes , Madam_Hooch soltou as bolas . Os Hufflepuff que tinham fatos amarelo-canário estavam reunidos em grupo em uma discussão de última hora sobre as tácticas . Harry subia para a vassoura quando a professora Mc_Gonagall atravessou o campo , meio a andar , meio a correr , transportando um enorme megafone roxo . O coração de Harry caiu lhe a os pés . - Este jogo foi cancelado - gritou por o megafone a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a o estádio apinhado . Ouviram se Uuuus e assobios . Oliver_Wood , com um ar infelicíssimo , aterrou e correu para a professora McGonagall sem sair de a vassoura . - Mas , professora - gritou - temos de jogar ... a taça ... os Gryffindor ... A professora Mc_Gonagall ignorou o e continuou a gritar por o megafone . - Pede se a os estudantes que regressem a as salas comuns de as respectivas equipas onde os chefes de equipa lhes darão mais informações . O mais depressa possível , se fazem favor ! Em seguida , baixou o megafone e fez sinal a o Harry para que se aproximasse . - Potter , é melhor vires comigo ... Perguntando a si próprio que suspeita poderia ela ter contra ele , desta_vez , Harry viu Ron desligar se de a multidão discordante e vir a correr juntar se lhes , enquanto eles se dirigiam para o castelo . Para sua grande surpresa Mc_Gonagall não pôs qualquer objecção . - Sim , talvez seja melhor vires também , Weasley . Alguns de os estudantes que os rodeavam reclamavam por o jogo ter sido cancelado , outros tinham um ar preocupado . Harry e Ron seguiram a professora Mc_Gonagall de volta a a escola e através de a escadaria de pedra . Mas desta_vez não foram levados a nenhum escritório . - Isto vai chocar vos um_pouco - disse a professora Mc_Gonagall em um tom de voz surpreendentemente suave quando estavam a aproximar se de a ala hospitalar . - Houve outro ataque ... outro ataque duplo . As vísceras de o Harry deram um salto mortal . A professora Mc_Gonagall abriu a porta e ele e Ron entraram . Madam_Pomfrey estava inclinada sobre uma rapariga de o quinto ano de cabelos longos a os caracóis que Harry reconheceu como sendo a colega de os Ravenclaw a quem , por engano , tinham perguntado o caminho para a sala comum de os Slytherin . E , em a cama a o lado de ela , estava ... - Hermione - gemeu o Ron . Hermione jazia totalmente quieta , os olhos abertos e vítreos . - Foram encontradas perto de a biblioteca - disse a professora Mc_Gonagall . - Calculo que nenhum de vocês possa explicar isto ? Estava em o chão , junto de ela . A professora tinha em as mãos um pequeno espelho redondo . Harry e Ron acenaram negativamente com as cabeças , ambos com os olhos fixos em Hermione . - Eu acompanho vos a a torre de os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall pesadamente . - De qualquer modo tenho de falar com os alunos . - Os alunos regressarão a as salas comuns de as respectivas equipas , todos_os_dias , a as seis_horas_da_tarde . Nenhum aluno deverá sair de os dormitórios depois de isso . Serão escoltados até a as aulas por um professor . Nenhum aluno deverá ir a a casa_de_banho sem um professor a acompanhá o . Todos os treinos e jogos de Quidditch estão suspensos a_partir_de agora . Não haverá mais actividades nocturnas . Os Gryffindor , que enchiam a sala comum , ouviram em silêncio a professora Mc_Gonagall . Ela enrolou o pergaminho que acabara de ler e disse em uma voz algo chocada : - Não é preciso acrescentar que nunca me senti tão desolada . É provável que a escola seja encerrada se não for apanhado o culpado de todos estes ataques . Quero pedir que se algum de vocês achar que sabe alguma coisa sobre eles venha imediatamente ter comigo . Mal ela subiu , de forma um_pouco desastrada , por o buraco de o retrato , os Gryffindor começaram logo a falar . - São dois Gryffindor a menos , sem contar com o fantasma de os Gryffindor , um Ravenclaw e um Hufflepuff - disse o amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , contando por os dedos . - Não terá nenhum de os professores reparado que os Slytherin estão a salvo ? Será que não é óbvio que tudo_isto vem de eles ? O herdeiro de Slytherin , o monstro de Slytherin , porque não expulsam todos os Slytherin ? - resmungou , recebendo acenos e aplausos de todos os lados . Percy_Weasley estava sentado em uma cadeira atrás_de Lee , mas por uma_vez não pareceu querer expor os seus pontos de vista . Estava pálido e aturdido . - O Percy está em estado de choque - disse o George baixinho a o Harry . - Aquela rapariga de os Ravenclaw , Penelope_Clearwater , é prefeita . Acho que ele nunca tinha pensado que o monstro pudesse atacar um prefeito . Mas Harry não estava a ouvi o com atenção . Não conseguia esquecer a imagem de Hermione deitada em a cama de o hospital , como_se estivesse esculpida em pedra . E se o culpado não fosse apanhado rapidamente tinha em a frente uma vida inteira com os Dursley . Tom_Riddle entregara o Hagrid porque fora confrontado com a possibilidade de um orfanato Muggle se a escola fechasse . Harry sabia exactamente o que ele sentira . - Que vamos nós fazer ? - disse lhe o Ron baixinho a o ouvido . - Achas que eles suspeitam de o Hagrid ? - Temos de falar com ele - disse Harry , tomando uma decisão . - Não acredito que tenha culpa desta_vez , mas se ele libertou o monstro há cinquenta anos , sabe com certeza como entrar em a Câmara_dos_Segredos , o que já é um princípio . - Mas a Gonagall disse que temos que ficar em a torre a_não_ser_que estejamos em as aulas ... - Eu acho - disse Harry ainda mais baixo - que chegou a altura de tirar outra_vez de a mala o manto de o meu pai . Harry herdara apenas uma coisa de o pai : o enorme manto prateado de a invisibilidade . Era a única maneira de poderem esgueirar se de a escola para fazer uma visita a o Hagrid , sem que ninguém de esse por isso . Deitaram se a a hora de o costume , esperaram que o Neville , o Dean e o Seamas adormecessem para se levantarem , vestirem se de_novo e taparem se com o manto . A viagem por os corredores de o castelo escuro e deserto não era nada agradável . Harry que vagueara por ali muitas_vezes durante a noite nunca vira tanta gente depois de o pôr de o Sol . Professores , prefeitos e fantasmas andavam por os corredores a os pares , olhando em volta , em busca de qualquer actividade fora de o habitual . O manto de a invisibilidade não impedia que fizessem barulho e houve um momento particularmente tenso em que o Ron deu uma topada a menos_de um metro de o lugar onde Snape se encontrava . Felizmente Snape espirrou em o preciso momento em que o Ron praguejava . Foi com grande alívio que chegaram a as portas de carvalho de a entrada principal . Estava uma noite clara e cheia de estrelas . Dirigiram se apressadamente para as janelas iluminadas de a casa de Hagrid e só tiraram o manto mesmo em frente de a porta . Poucos segundos depois de terem batido abriu se a porta . Ficaram frente_a_frente com Hagrid que lhes apontou uma besta enquanto Fang , o cão caçador de javalis , ladrava furiosamente atrás de ele . - Oh ! - disse , baixando a arma quando viu que eram eles . - O que estão vocês a fazer aqui ? - Para que é isso ? - perguntou Harry , apontando para a besta , enquanto entrava . - Nada , não é nada - murmurou Hagrid . - Tenho estado a a espera ... não tem importância , sentem se que eu vou fazer um chá . Dava a impressão de não saber o que fazia . Quase apagou a lareira , vertendo a água de a chaleira em o lume e em seguida esmagou o bule com um gesto de a sua mão maciça . - Estás bem , Hagrid ? - perguntou Harry . - Soubeste de a Hermione ? - Soube , sim - disse ele com um leve tremor em a voz . Continuava a olhar nervosamente para as janelas . Deu lhe os duas grandes canecas de água a ferver ( esquecera se de juntar o chá ) e estava a acabar de pôr em um prato uma fatia grossa de bolo de frutas quando alguém bateu energicamente a a porta . Hagrid deixou cair o bolo . Harry e Ron trocaram entre si olhares de pânico e , em seguida , cobriram se com o manto de a invisibilidade e esconderam se em um canto . Hagrid assegurou se de que eles estavam bem escondidos , pegou em a besta e abriu , mais_uma_vez , a porta . - Boa noite , Hagrid . Era_Dumbledore . Entrou com um ar muito sério , seguido de um homem bizarro . O estranho era um homenzinho pequenino , de porte majestoso com cabelos grisalhos desalinhados e uma expressão de ansiedade em o rosto . Usava uma inesperada mistura de roupas . Um fato a as riscas , uma gravata vermelho escarlate , um longo manto negro e umas botas roxas pontiagudas . Debaixo de o braço trazia um chapéu de coco verde lima . -- É o patrão de o meu pai - murmurou o Ron . Cornelius_Fudge , o ministro de a magia ! Harry deu lhe uma valente cotovelada para o fazer calar se . Hagrid tinha ficado suado e pálido . Deixou se cair em uma de as cadeiras e olhava de Dumbledore_para_Cornelius_Fudge . - Más notícias , Hagrid - disse Fudge em um tom bastante grave . - Muito más notícias . Tive de vir . Quatro ataques a filhos de Muggles , as coisas foram longe_de mais . O ministério tem que tomar uma atitude . - Eu nunca ... - disse Hagrid , parecendo implorar a Dumbledore . - O senhor sabe que eu nunca ... professor Dumbledore , o senhor ... - Quero que fique claro , Cornelius , que Hagrid tem a minha total confiança - afirmou Dumbledore , franzindo as sobrancelhas . - Olha , Albus - disse Fudge pouco a a vontade - a ficha de o Hagrid depõe contra ele . O ministério tem de fazer alguma coisa , o Conselho_Directivo de a escola tem se reunido ... - Mesmo_assim , Cornelius , devo dizer te mais_uma_vez que levar o Hagrid de aqui não vai ajudar em nada - afirmou Dumbledore com os olhos azuis com um fogo que Harry nunca vira antes . - Tenta compreender o meu ponto de vista - insistiu Fudge , brincando com o chapéu . - Estou a ser tremendamente pressionado , tenho de mostrar que faço alguma coisa . Se se provar que não foi o Hagrid , ele voltará e não se fala mais em o assunto . Mas tenho de levá o , tem de ser , não estaria a cumprir a minha obrigação se ... - Levar me ? - perguntou Hagrid a tremer . - Levar me para_onde ? - É uma pena curta - disse Fudge , sem o olhar em os olhos . - Não é um castigo , Hagrid , chamemos lhe antes uma precaução . Se mais alguém for apanhado , tu sais com todas_as nossas desculpas . - Não é para Azkaban ? - balbuciou Hagrid . Mas antes que Fudge tivesse tido tempo de responder , ouviu se bater mais_uma_vez a a porta . Dumbledore abriu . Foi a vez de Harry levar uma cotovelada em as costas : soltara um gemido audível . Mr._Lucius_Malfoy entrou em a cabana de o Hagrid embrulhado em uma longa capa preta de viagem , com um sorriso frio de satisfação . O Fang começou a rosnar . - Já está aqui , Fudge ? - disse de forma aprovadora . - Muito bem , muito bem ... - O que estás a fazer aqui ? - perguntou Hagrid furioso . - Sai imediatamente de a minha casa . - Meu bom homem , acredite que não tenho prazer nenhum em entrar em a sua ... er ... chamou lhe casa ? - disse Lucius_Malfoy , sorrindo sarcasticamente enquanto observava a pequena divisão . - Eu limitei me a ir a a escola e disseram me que o director estava aqui . - E o que queres de mim , Lucius ? - perguntou Dumbledore . O seu tom de voz era educado mas em os olhos azuis brilhava ainda o mesmo fogo . - Uma notícia horrível , Dumbledore - disse Mr._Malfoy de forma arrastada , pegando em um grande rolo de pergaminho . - Mas os membros de o conselho pensam que é altura de tu saíres . Isto_é uma ordem de suspensão , tens aí doze assinaturas . Lamento muito mas em a nossa opinião estás a perder a firmeza . Quantos ataques houve até agora ? Mais dois hoje a a tarde , não foi ? A este ritmo vão acabar todos os filhos de Muggles em Hogwarts e todos sabemos que seria uma terrível perda para a escola . - O que é isso , Lucius ? - protestou Fudge com ar alarmado . - O Dumbledore suspenso não ... não , seria a última coisa que desejaríamos em este momento ... - A nomeação ou suspensão , de o director é de a competência de os membros de o Conselho_Directivo , Fudge - disse suavemente Mr._Malfoy . - E como Dumbledore não foi capaz de pôr cobro a estes ataques ... - Oh ! Lucius , se Dumbledore não conseguiu - disse Fudge com o lábio superior a suar . - Quem irá conseguir ? - Isso está para se ver - disse Mr._Malfoy com um sorriso mesquinho . - Mas como os doze votamos ... Hagrid pôs se de pé em um salto , o cabelo preto hirsuto a roçar em o tecto . - E quantos tiveste de chantajar para concordarem contigo , Malfoy ? - Meu caro Hagrid , sabe que esse seu temperamento ainda acaba por lhe criar problemas um dia de estes - disse Mr._Malfoy . - Não o aconselho a gritar assim com os guardas de Azkaban . Eles não iriam gostar nada . - Não podes levar Dumbledore - gritou Hagrid , fazendo Fang , o cão caçador de javalis , agachar se e ganir em o seu cesto . - Sem ele , os filhos de os Muggles não têm qualquer hipótese . A seguir haverá mortes . - Acalma te , Hagrid - disse Dumbledore de forma cortante , olhando para Lucius_Malfoy . - Se os membros de o conselho querem substituir me , eu sairei , claro . - Mas - interrompeu Fudge . - Não - rosnou Hagrid . Dumbledore não tirara os seus olhos azuis brilhantes de os olhos cinzentos e frios de Lucius_Malfoy . - Contudo - disse , pronunciando cada palavra lenta e claramente para que nenhum de eles perdesse o seu sentido - verás que só deixarei verdadeiramente esta escola quando ninguém aqui me for leal . Descobrirás também que será sempre dada ajuda em Hogwarts a quem a pedir . Por um segundo , Harry teve quase a certeza de que os olhos de Dumbledore tremelaziram em direcção a o canto onde ele e Ron estavam escondidos . - Sentimentos admiráveis - disse Malfoy , fazendo uma vénia . - Todos nós vamos sentir a tua ... forma muito pessoal de fazer as coisas , Albus . Só espero que o teu sucessor consiga evitar qualquer ... crime . Dirigiu se a a porta de a cabana , abriu a e fez sinal a Dumbledore para que passasse a a sua frente . Fudge , mexendo nervosamente em o chapéu de coco , esperou que Hagrid fizesse o mesmo mas ele ficou quieto , respirou fundo e disse prudentemente : - Se alguém quiser descobrir alguma coisa , o que tem a fazer é seguir as aranhas . Elas indicarão o caminho , é tudo_o_que vos digo . Fudge olhou para ele espantado . - Está bem , eu vou - disse Hagrid , pegando em o seu sobretudo de pêlo de toupeira . Mas quando ia seguir o Fudge e sair por a porta , parou e disse em voz alta : - E alguém tem de dar de comer a o Fang enquanto eu não estiver cá . A porta fechou se ruidosamente e Ron tirou o manto de a invisibilidade . -- Estamos outra_vez em uma alhada - disse com voz rouca - Sem o Dumbledore podem fechar a escola já esta noite . Sem ele vai haver um ataque por dia . O Fang começou a ganir , arranhando a porta fechada . XV_Aragog_O_Verão insinuava se em os campos em volta de o castelo . O céu e o lago tinham se tornado de um azul-molusco e as flores , grandes como couves , começavam a florir em as estufas . Mas sem o Hagrid , que ele costumava avistar de o castelo , atravessando os campos com o Fang atrás , parecia a Harry que a paisagem não estava completa . Não era melhor dentro de o castelo onde tudo corria horrivelmente mal . O Harry e o Ron tinham tentado visitar a Hermione , mas as visitas a o hospital estavam proibidas . - Não vamos correr mais riscos - disse lhes Madam_Pomfrey com ar severo , através_de uma fresta de a porta de o hospital . Não , lamento , há muitas hipóteses de o atacante voltar para acabar de vez com estas pessoas ... Com Dumbledore longe , o medo espalhara se como nunca acontecera antes , de_tal_modo_que o sol que aquecia as paredes de o castelo por fora parecia parar junto de as janelas de pinázios . Não se via um único rosto em a escola que não andasse tenso e preocupado e qualquer gargalhada , em os corredores , se tornava incómoda e antinatural e era rapidamente abafada . Harry repetia constantemente , de si para consigo , as últimas palavras que ouvira a Dumbledore : - * _ Só terei verdadeiramente deixado esta escola quando ninguém me for leal ... será sempre dada ajuda , em Hogwarts , a quem a pedir * . Qual seria o significado exacto de aquelas palavras ? A quem deveria pedir ajuda quando todos estavam tão confusos assustados como ele ? A alusão de Hagrid a as aranhas era bastante mais fácil de entender . O problema era que parecia não ter restado uma única aranha em o castelo para eles a poderem seguir . Harry procurou por todo o lado com a ajuda relutante de o Ron . As coisas estavam dificultadas por o facto de não poderem andar sozinhos e terem de se deslocar em grupo dentro de o castelo , juntamente com outros Gryffindor . A maior parte de os alunos gostava de ser conduzida como carneiros de uma aula para a outra por os professores mas Harry achava horrível . Havia , contudo , uma pessoa que parecia apreciar aquela atmosfera de terror e suspeitas . Draco_Malfoy passeava empertigado por a escola como_se tivesse sido nomeado para chefe de turma . Harry só compreendeu o motivo de toda aquela boa disposição cerca de quinze_dias depois de Dumbledore e Hagrid se terem ido embora quando , em uma aula de poções , o ouviu falar com o Crabbe e o Goyle . - Sempre achei que seria o pai quem conseguiria livrar nos de o Dumbledore - disse sem a menor preocupação em baixar a voz . - Já vos disse , segundo ele , Dumbledore foi o pior director que a escola alguma vez teve . Talvez agora venha um director decente que não queira a Câmara_dos_Segredos fechada . A Mc_Gonagall não vai durar muito , está só a ... O Snape passou por Harry , sem fazer comentários a o caldeirão e a a cadeira vazia de Hermione . - Professor - disse Malfoy em voz alta . - Professor , porque não se candidata a o lugar de director ? - Ora , ora , Malfoy - respondeu Snape , sem conseguir esconder um meio sorriso . - O professor Dumbledore foi apenas suspenso por os membros de o conselho de direcção , certamente vai voltar um dia de estes . - Sim , claro - disse Malfoy com o seu sorriso escarninho . - Acho que se o professor quisesse candidatar se a o lugar teria o voto de o pai . Eu vou dizer lhe que o acho o melhor professor de a escola . Snape sorriu enquanto passeava de um lado para o outro em o calabouço , não tendo felizmente visto o Seamus_Finnigan que fingia vomitar para dentro de o caldeirão . - Estou espantado por ver que até agora os sangues de lama ainda não fizeram as malas e não desapareceram - prosseguiu Malfoy . - Aposto cinco galeões em como o próximo morre . Pena que não tenha sido a Granger ... A campainha tocou em esse momento o que foi uma sorte porque a o ouvir as últimas palavras de Malfoy , Ron deu um salto , mas em a barafunda de guardar os livros em os sacos , a sua tentativa de agarrar o Malfoy passou despercebida . - Deixem me - gritava o Ron enquanto o Harry e o Dean lhe agarravam os braços . - Não preciso de varinha , vou dar cabo de ele com as minhas mãos ... - Despachem se , tenho de conduzir vos a a aula de herbologia - praguejava o Snape acima de as cabeças de os alunos . E lá foram como cordeirinhos com Harry , Ron e Dean em a retaguarda , o Ron ainda a tentar libertar se . Só acharam seguro largá o quando Snape os deixou fora de o castelo e iniciaram o percurso por o meio de a horta em direcção a as estufas . A aula de herbologia estava reduzida . Tinha agora dois alunos a menos : Justin e Hermione . A professora Sprout pô os a trabalhar , podando as figueiras-da-abissínia . Harry foi despejar uma braçada de hastes secas em um monte de adubo e deu consigo cara a cara com Ernie_Mcmillan . Ernie respirou fundo . - Só quero dizer te , Harry que lamento ter suspeitado de ti . Sei que nunca atacarias a Hermione_Granger e peço te desculpa por todas_as coisas que disse . Estamos todos em o mesmo barco , agora e , bem ... Estendeu lhe uma mão rechonchuda que o Harry apertou . Ernie e a sua amiga Hannah foram trabalhar em a mesma figueira com o Harry e o Ron . - Aquele tipo , Draco_Malfoy - disse Ernie , partindo pequenos galhos - , parece muito satisfeito com isto tudo , não acham ? É bem possível que ele seja o herdeiro de Slytherin . - Uma observação inteligente de a tua parte - disse o Ron que parecia não ter desculpado Ernie tão facilmente como o Harry . - Acham que é ele ? - perguntou Ernie . - Não - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Hannah ficaram a olhar espantados . Um segundo depois , Harry avistou qualquer coisa que o levou a chamar a atenção de o Ron , batendo lhe em a mão com a tesoura de podar . - Au ... o que é_que tu ... ? Harry apontava para o chão , a poucos centímetros de distância . Várias aranhas grandes corriam precipitadamente por a terra fora . - Ah ! sim - disse o Ron , tentando , sem conseguir , mostrar se entusiasmado . - Mas não podemos seguis as agora ... Ernie e Hannah ouviam nos com curiosidade . Harry viu as aranhas desaparecerem . - Parecem ir em a direcção de a floresta proibida ... E o Ron ficou ainda mais infeliz a o ouvir aquilo . Em o final de a aula , o professor Snape acompanhou os alunos a a « Defesa contra as artes negras » . Harry e Ron foram atrás de os outros para poderem conversar sem serem ouvidos . - Temos de usar outra_vez o manto de a invisibilidade - disse Harry a o Ron . - Podemos levar connosco o Fang , ele está habituado a ir a a floresta com o Hagrid , pode ser uma boa ajuda . - Certo - disse o Ron , que fazia girar nervosamente a varinha em os dedos . - Er ... não costuma haver ... não costuma haver lobisomens em a floresta ? - acrescentou enquanto ocupavam os lugares de o costume em a aula de o Lockhart . Preferindo não responder a a pergunta , Harry disse : - Também há lá coisas boas . Os centauros são fixes e os unicórnios . Ron nunca estivera em a floresta proibida , Harry fora lá só uma_vez e desejara não ter de lá voltar . Lockhart deu um salto para dentro de a sala de aula e os alunos ficaram espantados a olhar para ele . Todos os outros professores andavam mais tristes do_que o habitual mas Lockhart parecia sentir se em as nuvens . - Então , então - exclamou , olhando em volta . - Porquê essas caras deprimidas ? Lançaram lhe olhares exasperados mas ninguém respondeu . - Não compreendem - disse , falando devagar como_se fossem todos um_pouco estúpidos - que o perigo já passou ? O culpado foi se embora . -- Quem disse ? - retorquiu Dean_Thomas em voz alta . -- Meu caro jovem , o ministro de a magia não teria levado Hagrid se não estivesse cem por_cento certo de que ele era o culpado - disse Lockhart como quem explica que um e um são dois . - Teria , sim - disse o Ron , em um tom de voz ainda mais alto do_que o de o Dean . - Eu julgo saber um_pouco mais sobre a prisão de o Hagrid do_que o senhor , Mr._Weasley - disse Lockhart com notória auto-satisfação . Ron começou a dizer que discordava mas foi interrompido por o Harry que lhe deu um forte pontapé por debaixo de a mesa . - Nós não estávamos lá , lembras te ? - murmurou . Mas a alegria revoltante de o Lockhart , as insinuações de que sempre tinha achado que o Hagrid não prestava , a sua certeza de que tudo aquilo estava a chegar a o fim , irritou Harry de tal maneira que teve vontade de lhe atirar as * _ Viagens com Vampiros * e de lhe acertar em aquela cara estúpida . Mas , em vez de isso , limitou se a escrevinhar um bilhete para o Ron : * _ Vamos lá hoje a a noite * . Ron leu a mensagem , engoliu em seco e olhou para o lugar onde Hermione costumava sentar se . A cadeira vazia pareceu ajudá o a decidir se e acenou afirmativamente . A sala comum de os Gryffindor estava agora sempre cheia porque , depois de as seis_da_tarde , os Gryffindor não tinham outro lugar para ir . Por outro lado , tinham imenso para conversar , por isso a sala comum mantinha se cheia de gente até depois de a meia-noite . Logo_a_seguir a o jantar , Harry foi buscar o manto de a invisibilidade a a mala onde estava guardado e passou todo o serão a a espera que a sala esvaziasse . O Fred e o George desafiaram o para alguns jogos de explosão e a Ginny sentou se , muito preocupada , a observá os , em a cadeira habitual de Hermione . Harry e Ron fartaram se de perder de propósito em uma tentativa de pôr rapidamente fim a os jogos mas , mesmo_assim , já passava bastante de a meia-noite quando o Fred , o George e a Ginny se foram , finalmente , deitar . Harry e Ron esperaram até ouvir as portas de os dois dormitórios fecharem se . Em seguida , pegaram em o manto , lançaram o sobre ambos e passaram por o buraco de o retrato . Era mais uma difícil travessia de o castelo , tendo de fintar todos os professores . Finalmente , chegaram a o * hall * de entrada , giraram o fecho de as portas de carvalho , esgueiraram se tentando não fazer barulho e aventuraram se nos campos iluminados por o luar . - É claro que - disse bruscamente o Ron , enquanto atravessavam os relvados negros - podemos perfeitamente chegar a a floresta e descobrir que não há nada para seguir . As aranhas podem não ter ido para lá . É certo que parecia que tomavam essa direcção , mas ... Felizmente a lengalenga não durou muito . Chegaram a a casa de o Hagrid que tinha um ar triste com as suas janelas vazias . Logo_que Harry empurrou a porta e a abriu , o Fang saltou , louco de alegria por os ver . Preocupados , não fosse ele acordar toda_a_gente em o castelo com o seu ladrar forte e agitado , deram lhe rapidamente a comer bombons de melaço que estavam em uma lata sobre a lareira e que lhe colaram os dentes de cima a os de baixo . Harry pousou o manto de a invisibilidade sobre a mesa de o Hagrid . Não iam precisar de ele em a floresta escura como breu . - Anda , Fang , vamos dar um passeio - disse Harry , batendo lhe a o de leve em a pata e Fang saiu feliz , a os saltos , atrás de eles . Precipitou se até a a orla de a floresta e levantou a perna contra uma enorme figueira-do-egipto . Harry pegou em a varinha , murmurou * _ Lumus * ! e uma pequenina luz surgiu em a ponta de a varinha , suficiente para lhes mostrar o caminho e ajudá os a descobrir a pista de as aranhas . - Bem pensado - disse o Ron . - Eu acendia também a minha mas , sabes como ela está , ainda estoirava ou qualquer coisa assim ... Harry tocou em o ombro de o Ron , apontando para as ervas . Duas aranhas solitárias fugiam de a luz de a varinha , aproximando se de a sombra de as árvores . - O. _ K. - disse o Ron , resignando se com o pior . - Estou pronto , vamos . Então , com o Fang a correr atrás de eles , cheirando as raízes de as árvores e as folhas , entraram em a floresta . Seguindo a luz de a varinha de o Harry seguiram a fila disciplinada de aranhas que se movia a o longo de o caminho . Andaram durante cerca de vinte minutos , sem falar , atentos a todos os ruídos que não fossem os de os ramos caídos e de as folhas secas . Então , quando as copas de as árvores se tinham tornado mais cerradas do_que nunca , de_tal_modo_que as estrelas em o céu já não eram visíveis e a varinha de o Harry brilhava isolada em um mar de escuridão , viram as aranhas que eles seguiam a abandonar o caminho . Harry parou , tentando ver para_onde iam mas tudo_o_que ficava longe de a sua pequenina luz era negro de breu . Ele nunca fora tão longe em a floresta . Lembrava se muito bem de Hagrid lhe ter dito , de a última vez que ali tinham estado , que nunca saísse de o caminho de a floresta . Mas Hagrid agora estava a muitos quilómetros de distância e ele também lhes dissera que seguissem as aranhas . Uma coisa húmida tocou em a mão de o Harry e ele deu um salto para trás , pisando o pé a o Ron . Mas afinal era apenas o focinho de o Fang . - O que é_que tu achas ? - perguntou ele a o Ron cujos olhos conseguia vislumbrar , reflectindo a luz de a varinha . - Já_que viemos até aqui - disse ele . Seguiram , portanto as sombras velozes de as aranhas em direcção a as árvores . Não podiam agora andar muito depressa . Tinham em a frente raízes de árvores e troncos cortados que mal se viam em aquela escuridão . Harry sentia o bafo quente de Fang em a mão . Por mais de uma_vez tiveram de parar para o Harry se baixar e descobrir as aranhas a a luz de a varinha . Andaram durante o que lhes pareceu ter sido pelo_menos meia_hora , com os mantos a roçarem em os ramos mais baixos e em as silvas . A o fim de algum tempo repararam que o chão parecia inclinar se para baixo embora as árvores continuassem cerradas . Foi então que o Fang soltou um latido que ecoou em volta , fazendo Harry e Ron darem um salto , ambos com os cabelos em pé . - O que foi ? - gritou o Ron , olhando em volta para a escuridão e agarrando Harry com força , por o cotovelo . - Há qualquer coisa ali a mexer se - murmurou Harry - Ouve ... parece ser grande . Ficaram a ouvir . Um_pouco para a direita algo de grandes dimensões partia os ramos enquanto abria caminho através de as árvores . - Oh ! não - disse o Ron . - Oh ! não , não ... - Cala te - insistiu o Harry , nervoso . - Seja o que for , vai acabar por te ouvir . - Ouvir me ? - disse o Ron , em um tom de voz muito pouco natural . - Já ouviu . Fang ! A escuridão parecia esmagar lhes os globos oculares enquanto ali ficaram apavorados , a a espera . Houve um estranho ruído , surdo e prolongado , e em seguida o silêncio . - O que estará a fazer ? - perguntou Harry . - Talvez esteja a preparar se para atacar - disse o Ron . Esperaram , a tremer , sem ousarem mexer se . - Achas que se foi embora ? - murmurou Harry . - Não sei . Em esse momento , de o lado direito veio um clarão de luz tão forte em o meio de o escuro que os dois levaram as mãos a a cara para proteger os olhos . O Fang ganiu e tentou fugir mas viu se envolvido em um emaranhado de espinhos e ganiu ainda mais alto . - Harry - gritou o Ron com grande alívio em a voz . - Harry , é o nosso carro . - O quê ? - Anda ver . Harry avançou a os tropeções atrás de o Ron , em direcção a a luz e em o momento seguinte estavam em uma clareira . O carro de Mr._Weasley ali estava , vazio , no_meio_de um círculo de árvores grossas , sob um telhado de ramos densos , os faróis de a frente resplandecentes . Quando Ron se aproximou de boca aberta , moveu se lentamente em direcção a ele como_se fosse um grande cão azul turquesa , cumprimentando o dono . - Tem estado aqui todo este tempo - disse o Ron satisfeitíssimo , aproximando se de o carro . - Olha para ele , a floresta tornou o selvagem ... O guarda-lamas estava riscado e cheio de lodo . Parecia que tinha andado a passear sozinho por a floresta . Fang não gostou lá muito de ele . Manteve se a o lado de o Harry que podia senti o a tremer . Com a respiração normalizada , Harry guardou a varinha em o manto . - E nós a pensarmos que ele nos ia atacar - disse o Ron , encostando se a o carro e dando lhe duas palmadinhas - As voltas que eu dei a a cabeça a pensar para_onde ele teria ido ! Harry olhava para todos os lados , em o chão iluminado , em busca de mais aranhas mas todas elas tinham fugido de o brilho de as luzes . - Perdemos as de vista - disse ele . - Anda , vamos procurá as . Ron não disse nada . Não se moveu . Tinha os olhos fixos em um ponto , três metros acima de o chão de a floresta , mesmo atrás de o Harry . O seu rosto estava lívido de terror . Harry nem teve tempo de se voltar . Ouviu se um ruído alto e seco e sentiu que alguma coisa longa e peluda o elevava em o ar com o rosto voltado para baixo . Debatendo se , apavorado , ouviu outro estalido e viu as pernas de o Ron serem também levantadas de o chão . Ouviu o Fang gemer e ganir e , em o momento seguinte , era levado para o meio de as árvores escuras . Com a cabeça a balouçar , Harry viu que a coisa que o transportava tinha seis enormes patas peludas e que as duas de a frente o agarravam com forca sob um par de tenazes pretas e brilhantes . Atrás_de si podia ouvir outra de aquelas criaturas que , sem dúvida , transportava o Ron . Encaminhavam se para o coração de a floresta . Harry ouvia o Fang a ladrar , tentando libertar se de um terceiro monstro mas Harry não podia gritar mesmo_que quisesse , parecia que tinha deixado a voz em a clareira , junto com o carro . Não soube quanto tempo esteve em as patas de a criatura , só se apercebeu que a escuridão se atenuara um_pouco , permitindo lhe ver que o chão coberto de folhas estava agora repleto de aranhas . Voltando a cabeça para o lado , deu se conta de que tinham chegado a a base de uma enorme cova , uma cova que fora limpa de árvores para que as estrelas iluminassem com o seu brilho a cena mais pavorosa que os seus olhos alguma vez tinham visto . Aranhas . Não aranhas pequeninas como aquelas que estavam sobre as folhas . Aranhas de o tamanho de enormes cavalos , com oito olhos , oito pernas pretas , peludas , gigantescas . O espécimen que transportava Harry desceu o terreno íngreme até uma teia brumosa em forma de cúpula que ficava mesmo em o meio de a cova , enquanto os companheiros se juntavam em volta , batendo excitadíssimos com as tenazes e olhando para o que eles traziam a as costas . Harry caiu em o chão de gatas quando a aranha o libertou . Ron e Fang foram cair perto de ele . O Fang já não gania . Estava agachado e muito quieto . Ron e Harry partilhavam o mesmo sentimento . O Ron tinha a boca aberta em uma espécie de grito silencioso e os olhos a saltarem lhe de as órbitas . Harry percebeu de repente que a aranha que o deitara a o chão estava a dizer qualquer coisa . Era difícil entender porque entre cada duas palavras , batia com as tenazes . - Aragog - chamou . - Aragog . E de o meio de a teia brumosa em forma de cúpula saiu muito lentamente uma aranha de o tamanho de um pequeno elefante . As costas e as pernas estavam cobertas de pêlo cinzento e , em a cabeça feia , munida de tenazes , estavam vários olhos , todos eles de um branco leitoso . Era cega . - O que foi ? - disse , batendo rapidamente com as tenazes uma em a outra . - Homens - respondeu a aranha que trouxera o Harry . - É o Hagrid ? - perguntou Aragog , aproximando se mais com os seus oito olhos leitosos a vaguear . - Estranhos - respondeu a aranha que trouxera o Ron . - Matem nos - disse Aragog , irritada . - Eu estava a dormir ... - Nós somos amigos de o Hagrid - gritou Harry . Parecia que o coração lhe saltava por a boca . Clic , clic , clic fizeram as tenazes de a aranha , em volta de a cova . Aragog parou . - O Hagrid nunca mandou homens a a nossa cova - disse lentamente . - O Hagrid está em perigo - explicou Harry , respirando muito depressa . - Foi por isso que eu vim . - Em perigo ? - repetiu a aranha idosa e pareceu a Harry sentir preocupação por detrás de as suas tenazes . - Mas porque vos mandou ele cá ? Harry pensou pôr se de pé mas achou melhor não arriscar . As pernas provavelmente não teriam força para o sustentar . Falou portanto de o chão , o mais calmamente que foi capaz . - Eles lá em a escola pensam que o Hagrid soltou qualquer coisa contra os estudantes . Mandaram o para Azkaban . Aragog bateu furiosamente com as tenazes e , em toda_a cova , o eco foi reproduzido por uma multidão de aranhas . Era uma espécie de aplauso com uma única diferença : os aplausos não costumavam fazer o Harry quase morrer de medo . - Mas isso foi há muitos anos - disse Aragog , maldisposta . - Há anos e anos . Lembro me muito bem . Foi por isso que o expulsaram de a escola . Eles pensaram que eu era o monstro que vive em aquilo a que eles chamam a Câmara_dos_Segredos . Pensaram que o Hagrid a tinha aberto para me libertar . - E tu ... não vieste de a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Harry que sentia a testa cheia de suores frios . - Eu - disse Aragog , batendo irritada com as tenazes - , eu não nasci em o castelo . Venho de uma terra distante . Um viajante ofereceu me a o Hagrid quando eu era ainda um ovo . Hagrid era um rapazinho mas tratou de mim , escondeu me em uma despensa dentro de o castelo e alimentava me com as migalhas que ficavam em as mesas . Hagrid é o meu bom amigo e um bom homem . Quando me encontraram e me culparam por a morte de uma rapariga , ele protegeu me . Desde_então , tenho vivido aqui em a floresta onde o Hagrid ainda vem visitar me . Ele até me arranjou uma esposa , Mosag , e estão a ver como a família cresceu , tudo graças a a bondade de o Hagrid ... Harry reuniu a coragem que lhe restava . - Então tu nunca atacaste ninguém ? - Nunca - resmungou a velha aranha . - Era esse o meu instinto , mas por respeito a Hagrid nunca fiz mal a nenhum humano . O corpo de a rapariga morta foi encontrado em uma casa_de_banho , ora eu nunca conheci mais do_que despensa de o castelo , onde cresci . Nós gostamos de o escuro de o silêncio . - Mas então ... sabes o que matou essa rapariga ? - perguntou Harry . - Porque seja o que for , está a atacar as pessoas outra_vez ... As suas palavras foram abafadas por uma audível explosão de tenazes a bater e por o ruge-ruge de muitas pernas longas , deslocando se iradas . Em volta de Harry começaram a mover se sombras escuras . - O que vive em o castelo - disse Aragog - é uma antiga criatura que nós , aranhas , tememos acima_de todas_as outras . Lembro me bem de o quanto insisti com Hagrid para que me deixasse sair de ali quando senti a criatura a andar por a escola . - O que é ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Mais tenazes a bater , mais pernas a moverem se . As aranhas pareciam estar a aproximar se . - Nós não falamos de isso - exclamou Aragog furiosa . - Não pronunciamos o seu nome . Eu nunca disse a o Hagrid o nome de a horrível criatura , apesar_de ele me ter perguntado vezes sem conta . Harry não quis insistir , principalmente com todas aquelas aranhas a aproximarem se de todos os lados . Aragog parecia ter se cansado de falar . Recuava lentamente para a teia em forma de cúpula , mas as companheiras continuavam a aproximar se ameaçadoramente de Harry e Ron . - Vamos embora , então - gritou Harry , desesperadamente a Aragog , enquanto ouvia as folhas secas a estalarem atrás_de si . - Embora ? - disse Aragog lentamente . - Não me parece ... - Mas , mas ... - Os meus filhos e filhas não fazem mal a o Hagrid por ordem minha . Mas não posso negar lhes carne fresca quando ela veio por vontade própria ter connosco . Adeus , amigo de o Hagrid . Harry deu meia volta . Poucos centímetros acima de ele , uma sólida parede de aranhas batia com as tenazes , os seus muitos olhos a brilharem em as horríveis caras pretas . Mesmo_que se servisse de a varinha , Harry sabia que não ia valer de nada . As aranhas eram demasiadas , mas quando tentava preparar se para morrer a lutar , ouviu se um som prolongado e um clarão de luz iluminou a cova . O carro de Mr._Weasley ribombava , descendo o declive , com os faróis acesos , a buzina a guinchar , afastando as aranhas . Muitas de elas ficaram voltadas ao_contrário com as várias pernas a agitar se em o ar . O carro buzinou com mais força em frente de Harry e Ron e as portas abriram se . - Agarra o Fang - gritou Harry , ajeitando se em o lugar de a frente . Ron agarrou o cão caçador de javalis e lançou o a ganir para o banco de trás . As portas fecharam se com estrondo . Ron não tocou em o acelerador mas o carro não precisou de isso . O motor fez se ouvir e levantaram voo , batendo em mais aranhas . Subiram o declive , saindo de a cova e pouco depois atravessavam a floresta , os ramos a baterem em os vidros enquanto o carro seguia habilmente através de os intervalos maiores , por um caminho que obviamente já conhecia . Harry olhou para o Ron , a o seu lado . Ele tinha ainda a boca aberta em o mesmo grito silencioso mas os olhos já não estavam salientes . - Estás bem ? Ron olhou em frente , incapaz de responder . Começavam a descer para terra firme com o Fang a soltar enormes ganidos em o banco de trás e Harry viu o espelho retrovisor saltar quando passaram rente a um enorme carvalho . Após dez minutos bastante ruidosos , as árvores começaram a ser mais finas e Harry pôde ver de_novo pedaços de o céu . O carro parou tão bruscamente que quase foram projectados por o vidro de a frente . Tinham chegado a a orla de a floresta . O Fang ia agitadíssimo a a janela e quando Harry abriu a porta , disparou a correr através de as árvores até a a casa de o Hagrid , de cauda entre as pernas . Harry saiu também e um minuto depois o Ron pareceu recuperar a força em os membros e seguiu o , ainda com um torcicolo e de olhos esbugalhados . Harry deu uma palmadinha de agradecimento a o carro antes de ele dar a volta e desaparecer em direcção a a floresta . Harry voltou a a cabana de o Hagrid para buscar o manto de a invisibilidade . O Fang tremia em o seu cesto , coberto por um cobertor . Quando saiu de_novo , viu o Ron a vomitar junto de as abóboras . - Sigam as aranhas - disse ele debilmente , limpando a boca a a manga . - Nunca vou perdoar a o Hagrid . É uma sorte ainda estarmos vivos . - Aposto que ele pensou que Aragog nunca faria mal a os seus amigos - justificou Harry . - Esse é justamente o problema de o Hagrid - interrompeu Ron , dando um soco em a parede de a cabana . - Ele acha sempre_que os monstros não são tão maus como os pintam e vê onde isso o levou , a uma cela em Azkaban - tremia agora descontroladamente . - Qual a ideia de ele a o mandar nos ali ? Gostava de saber o que é_que descobrimos . - Que o Hagrid nunca abriu a Câmara_dos_Segredos - disse Harry , lançando o manto sobre Ron e tocando lhe em o braço para o encorajar a andar . - Ele estava inocente . Ron resmungou em voz alta . Para ele , chocar Aragog em uma despensa não era propriamente estar inocente . Quando se aproximaram de o castelo , Harry esticou o manto para garantir que os pés de ambos ficavam cobertos . Em seguida , empurrou as portas de a frente que chiaram . Atravessaram com todo o cuidado o * hall * de entrada e subiram a escadaria de mármore , contendo a respiração em os corredores guardados por sentinelas atentos . Por fim , chegaram a a segurança de a sala de os Gryffindor onde o lume ardera até se transformar em brasas brilhantes . Tiraram o manto e subiram a escada serpenteante que os levava a o dormitório . Ron caiu em a cama sem sequer se despir mas Harry , apesar_de tudo , não tinha sono . Sentou se em a beirinha de a cama , pensando em todas_as coisas que Aragog dissera . A criatura que andava por o castelo , pensou , era uma espécie de monstro Voldemort , nem os outros monstros queriam pronunciar o seu nome . Mas ele e o Ron não estavam agora mais perto_de descobrir o que era nem como petrificava as suas vítimas . Se nem o Hagrid chegara a saber o que estava em a Câmara_dos_Segredos ... Harry balançou as pernas e atirou se para_cima de a cama . Encostado a as almofadas olhou a Lua que brilhava através de a janela de a torre . Não sabia que mais poderiam fazer . Só tinham encontrado portas fechadas . Riddle apanhara a pessoa errada . O herdeiro de Slytherin fugira e ninguém sabia se era a mesma pessoa ou uma outra que abrira , desta_vez , a Câmara_dos_Segredos . Não havia mais ninguém a quem fazer perguntas . Harry deitou se ainda a pensar em as palavras de Aragog . Estava a começar a ficar com sono quando aquilo que parecia ser uma última esperança lhe ocorreu , fazendo o sentar se muito direito em a cama . - Ron - sussurrou em o escuro . - Ron . Ron acordou com um ganido como os de o Fang . Olhou muito assustado em volta e viu o Harry . - Ron , a rapariga que morreu . Aragog contou nos que ela foi encontrada em uma casa_de_banho - disse , ignorando os roncos de o Neville em o outro canto de o quarto . - E se ela nunca tivesse saído de a casa_de_banho ? E se ainda lá estiver ? Ron esfregou os olhos , franzindo as sobrancelhas sob a luz de a Lua . E só então compreendeu . -- Não pensar que ... a Murta_Queixosa ? XVI_A_Câmara_dos_Segredos -- E estivemos nós tantas vezes em aquela casa_de_banho com ela apenas a três cubículos de distância - disse o Ron amargamente em o dia seguinte , a a mesa de o pequeno-almoço . - Podíamos ter lhe perguntado e agora ... Já fora bastante difícil procurar as aranhas . Escapar a os professores o tempo suficiente para ir até a a casa_de_banho de as raparigas , que ficava mesmo em frente de o lugar onde ocorrera o primeiro ataque , ia ser quase impossível . Mas alguma coisa aconteceu que fez com que a Câmara_dos_Segredos desaparecesse de os seus pensamentos pela_primeira_vez em várias semanas . A professora Mc_Gonagall comunicou lhes que os exames começariam a 1_de_Junho , uma semana depois . - Exames ? - gritou Seamus_Finnigan . - Nós mesmo_assim vamos ter exames ? Ouviu se um estrondo atrás de o Harry quando a varinha de o Neville_Longbottom lhe escapou de a mão , fazendo desaparecer uma de as pernas de a secretária . A professora Mc_Gonagall repô a com a sua varinha e voltou se com má cara para o Seamus . - Se temos a escola aberta em uma altura de estas é para vocês receberem instrução - disse com dureza . - Os exames terão lugar , portanto , como é costume e espero que todos vocês façam revisões até lá . Revisões . Não passara por a cabeça de o Harry que houvesse exames com o castelo em aquele estado . Houve uma série de murmúrios revoltados , o que fez com que a professora Mc_Gonagall ficasse ainda mais mal-humorada . - As instruções de o professor Dumbledore foram para manter a escola a funcionar o mais normalmente possível - disse . - E isso , não preciso de vos dizer , passa por uma avaliação de o quanto vocês aprenderam a o longo de este ano . Harry olhou para baixo , para o casal de coelhos brancos que ele deveria transformar em pantufas . Que tinha ele aprendido durante o ano ? Não era capaz de se lembrar de nada que fosse útil em um exame . Ron estava como_se tivessem acabado de lhe dizer que a partir de aquele momento tinha de ir viver para a floresta proibida . - Estás a ver me a ter exames com isto tudo ? - perguntou a o Harry enquanto pegava em a varinha que tinha começado a assobiar bastante alto . Três dias antes de o primeiro exame , a a hora de o pequeno almoço , a professora Mc_Gonagall fez outra comunicação . - Tenho boas notícias - disse , e o salão em_vez_de se calar , explodiu de contentamento . - Dumbledore vai regressar ! - gritaram várias pessoas cheias de alegria . - Apanharam o herdeiro de Slytherin - arriscou uma rapariga em a mesa de os Ravenclaw . - Temos outra_vez os jogos de Quidditch - bradou Wood , excitadíssimo . Quando a agitação passou , Mc_Gonagall disse : - A professora Sprout informou me que as mandrágoras estão finalmente prontas para serem cortadas . Hoje a a noite vamos poder reanimar as pessoas que foram petrificadas . Escusado será dizer que certamente uma de elas poderá revelar nos quem ou o que a atacou . Eu tenho esperança que este ano pavoroso acabe com a prisão de o culpado . Houve uma explosão de aplausos . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e não ficou nada surpreendido a o ver que Draco_Malfoy não aplaudia . O Ron , por outro lado , estava satisfeito como ninguém o via havia dias . - Não faz mal não termos perguntado a a Murta . A Hermione vai , com certeza , ter todas_as respostas quando acordarem . Vai também ficar fula quando souber que temos exames dentro_de três dias . Ela não pôde fazer revisões . Seria melhor deixarem a estar onde está até a o final de os exames . Nessa_altura , Ginny_Weasley veio sentar se junto de o Ron . Parecia nervosa e tensa e Harry reparou que torcia as mãos em o colo . - O que se passa ? - perguntou o Ron , servindo se de mais papa de aveia . Ginny não disse nada mas olhou para um lado e para o outro de a mesa de os Gryffindor , com um olhar assustado que lembrou a Harry alguém que não sabia bem quem era . - Vá lá , vomita - disse o Ron , olhando para ela . Harry percebeu subitamente quem a Ginny lhe lembrara . Ela balançava se ligeiramente para a frente e para trás em a cadeira , exactamente como o Dobby fazia quando estava hesitante , à_beira_de revelar uma informação proibida . - Tenho de te dizer uma coisa - balbuciou a Ginny receosa , sem olhar para Harry . - O que é ? - perguntou ele . Ginny parecia incapaz de encontrar as palavras certas . - O quê ? - insistiu Ron . Ginny abriu a boca mas não saiu nenhum som . Harry inclinou se para a frente e falou devagar para que só ela e Ron pudessem ouvi o . - É alguma coisa relacionada com a Câmara_dos_Segredos ? Viste alguma coisa ou alguém a agir de forma estranha ? Ginny respirou fundo e , em esse preciso momento , apareceu Percy_Weasley com um ar pálido e cansado . - Se já acabaste de comer eu fico com esse lugar , Ginny . Estou cheio de fome . Acabei agora o meu trabalho de patrulhamento . Ginny deu um salto como_se a cadeira tivesse acabado de ser electrificada , lançou a o Percy um olhar assustado e zarpou . Percy sentou se e tirou uma caneca de o meio de a mesa . -- Percy - disse o Ron aborrecido . - Ela ia agora mesmo contar nos uma coisa importante . A meio de um gole de chá , Percy estremeceu . - Que coisa ? - perguntou , tossindo . - Eu quis saber se ela tinha visto alguma coisa estranha e ela ia dizer ... - Ah ! isso ... não tem nada que ver com a Câmara_dos_Segredos - disse o Percy de imediato . - Como sabes ? - indagou o Ron , erguendo as sobrancelhas . - Bem ... er ... já_que perguntam , a Ginny ... er ... passou por mim em outro dia quando eu ... er ... não foi nada , o importante é_que ela viu me fazer uma coisa e eu ... um ... pedi lhe para não comentar com ninguém . Não pensei que ela cumprisse a palavra , verdade se diga . Não é nada importante , eu só ... Harry nunca vira o Percy tão pouco a a vontade . - O que estavas a fazer , Percy ? - riu se o Ron . - Vá lá , conta que nós não nos rimos . Percy ficou sério . - Passa me esses pãezinhos , Harry , estou cheio de fome . Harry sabia que todo o mistério poderia ser desvendado em o dia seguinte sem a ajuda de eles mas não ia deixar de falar com a Murta_Queixosa se a oportunidade surgisse . E , para sua grande satisfação , ela surgiu a meio de a manhã quando eram conduzidos a a aula de História_da_Magia_por_Gilderoy_Lockhart . Lockhart , que tantas vezes lhes assegurara que o perigo tinha passado , estava agora totalmente convencido de que acompanhar os alunos em os corredores era um trabalho inútil . O seu cabelo estava mais liso do_que de costume . Parecia ter passado toda_a noite acordado a vigiar o quarto andar . - Podem escrever o que eu digo - afirmou , acompanhando os até uma esquina . - As primeiras palavras que vão sair de a boca de aquelas pobres pessoas petrificadas serão - * _ Foi_o_Hagrid * . Francamente , estou espantado por a professora Mc_Gonagall considerar ainda necessárias estas medidas de segurança . - Concordo , professor - disse Harry , fazendo com que Ron , surpreendido , deixasse cair os livros a o chão . - Obrigado , Harry - disse Lockhart amavelmente , enquanto deixavam passar uma grande fila de Hufflepuffs . - verdade é_que os professores já têm bastante que fazer para andarem também a acompanhar os alunos a as aulas e a guardar os corredores a a noite ... - É verdade - disse o Ron , percebendo a ideia . - Porque não nos deixa aqui , professor , só falta mais um corredor . - Sabes , Weasley , sou mesmo capaz de fazer isso - disse Lockhart . - Preciso de preparar a minha próxima aula . E apressou se a seguir o seu caminho . - Preparar a aula - zombou o Ron . - Vai encaracolar o cabelo , é o mais certo . Deixaram os restantes Gryffindor passar lhes a a frente e por fim cortaram caminho em um corredor lateral e dirigiram se a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mas quando estavam a congratular se por o seu esquema brilhante ... - Potter , Weasley ! Que estão vocês a fazer aqui ? Era a professora Mc_Gonagall e a boca de ela estava mais fina do_que nunca . - Nós estávamos , estávamos - gaguejou o Ron . - Nós íamos ver , íamos ver ... - Hermione - completou Harry . A professora Mc_Gonagall e Ron olharam para ele . - Não a vemos há séculos , professora - prosseguiu Harry , pisando o pé a o Ron . - E pensamos ir espreitá a a a ala hospitalar e dizer lhe que as mandrágoras estão quase prontas , para ela não se preocupar . A professora Mc_Gonagall estava ainda a olhar para ele e , por um momento , Harry pensou que ela ia explodir mas , quando falou , fê lo em um tom de voz estranhamente rouco . - É claro - disse . E Harry , espantado , viu uma lágrima a brilhar lhe em o canto de um de os olhos . - É claro . Eu compreendo que tudo_isto tem sido muito duro para os amigos de aqueles que foram ... eu compreendo , sim , Potter . Podem ir visitar Miss_Granger . Eu mesma informarei o professor Binns de que vocês estão em o hospital . Digam a Madam_Pomfrey que vos dei autorização . Harry e Ron afastaram se , quase sem acreditar que tinham escapado a um castigo . Quando voltaram em uma esquina ouviram nitidamente a professora Mc_Gonagall a assoar se . - Esta - disse o Ron entusiasmado - foi a melhor história que tu alguma vez inventaste . Não tinham outro remédio senão ir a a ala hospitalar e dizer a Madam_Pomfrey que tinham autorização de a professora Mc_Gonagall para visitar Hermione . Madam_Pomfrey deixou os entrar com alguma relutância . - Não vale a pena falar com uma pessoa petrificada - disse , e ambos tiveram que admitir que ela tinha razão quando se sentaram junto de Hermione e constataram que ela não tinha a menor noção de estar acompanhada . Dizer lhe que não se preocupasse ou falar com o armário que estava a o lado de a cama era exactamente a mesma coisa . - Será que ela viu quem a atacou ? - perguntou o Ron , olhando com tristeza para o rosto rígido de Hermione . - Porque se a coisa saltou sobre eles , ficaremos todos sem saber de nada . Mas Harry não olhava para o rosto de Hermione . Estava mais interessado em a sua mão direita que se encontrava pousada sobre os cobertores e , inclinando se para ela , viu que tinha , fechado entre os dedos , um pedaço de papel . Assegurando se de que Madam_Pomfrey não dava por nada , fez sinal a o Ron . - Tenta tirá o - murmurou ele , colocando a cadeira de_modo_a que Madam_Pomfrey não pudesse ver o Harry . Não foi tarefa fácil . A mão de a Hermione estava fechada com uma força tal que Harry receou parti a . Enquanto Ron vigiava , ele forçou e torceu até que , por fim , depois de vários minutos bastante tensos , conseguiu tirar o papel . Era uma página retirada de um livro muito antigo de a biblioteca . Harry alisou a ansiosamente e Ron inclinou se para poder lês a também . * _ De todos os monstros assustadores que pairam a a face de a Terra , nenhum é tão curioso nem tão fatal como o Basilisk , também conhecido por o rei de as serpentes . Esta cobra que pode atingir proporções gigantescas e viver durante muitas centenas de anos nasce de um ovo de galinha que é chocado por um sapo . As suas formas de matar são pavorosas pois além de os dentes venenosos e mortais , o Basilisk tem um olhar criminoso e todos aqueles que ele fixa com os olhos tem morte instantânea . As aranhas fogem a sete pés de o Basilisk que é seu inimigo mortal , e o Basilisk foge apenas de o canto de o galo que para ele é fatal * . Por debaixo de isto uma única palavra fora escrita , em a letra que Harry reconheceu como sendo de Hermione : Canos . Foi como_se se tivesse acendido uma luz em o seu espírito . - Ron - murmurou - é isso . Está aqui a resposta . O monstro de a Câmara_dos_Segredos é um Basilisk , uma serpente gigante . Por isso , só eu tenho ouvido a sua voz em todos os lugares , porque eu compreendo * serpentês * ... Harry olhou para as camas em volta . - O Basilisk mata as pessoas fixando as com o olhar mas ninguém morreu , o que quer_dizer que ninguém o olhou directamente em os olhos . Colin viu o através de a lente de a máquina fotográfica e o Basilisk queimou o rolo que estava lá dentro mas o Colin ficou apenas petrificado . O Justin ... o Justin deve ter visto o Basilisk através de o Nick quase sem cabeça . O Nick é_que levou com o olhar mas não podia morrer outra_vez ... e perto de a Hermione e de a prefeita de os Ravenclaw foi encontrado um espelho . Hermione acabara de compreender que o monstro era um Basilisk . Aposto que preveniu a primeira pessoa que encontrou de que era melhor olhar por um espelho a o virar de cada esquina . E aquela rapariga puxou de o seu espelho e ... O Ron estava de queixo caído . - E Mrs._Norris ? - perguntou vivamente . Harry pensou um_pouco , tentando imaginar a cena em a noite de o Halloween . - A água . . . - disse lentamente . - A poça de água que saiu de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Aposto que Mrs._Norris só viu o reflexo de o monstro . Examinou a folha de papel que tinha em a mão . Quanto_mais olhava mais sentido faziam as coisas . - * _ O cantar de o galo é fatal para ele * - leu em voz alta . - Os galos de o Hagrid foram mortos . O herdeiro de Slytherin não queria um único galo perto de o castelo , com a câmara aberta . * _ As aranhas são as primeiras a fugir * . Tudo encaixa . - Mas , como tem o Basilisk andado por aí ? - disse o Ron . - Uma serpente horrível e enorme ... alguém a teria visto . Mas Harry apontou para a palavra que Hermione escrevinhara em o final de a página . - Canos - disse . - Canos ... Ron , ele tem usado a canalização . Eu ouvi sempre a voz dentro de as paredes ... Ron agarrou subitamente o braço de o Harry . - A entrada para a Câmara_dos_Segredos - disse em uma voz rouca . - E se for em uma casa_de_banho ? Se for em a ... - Em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa - completou Harry . Sentaram se , tomados de uma excitação enorme , mal querendo acreditar . - Isso significa que - disse o Harry - eu não posso ser o único em a escola a falar * serpentês * . Há também o herdeiro de Slytherin . É de esse modo que tem controlado o Basilisk . - O que vamos fazer ? - perguntou Ron com os olhos a faiscar . - Vamos falar com a Mc_Gonagall ? - Vamos até a a sala de os professores - disse Harry , dando um salto . - Ela estará lá dentro_de dez minutos , está quase em o intervalo . Desceram a escada a correr . Não querendo ser descobertos outra_vez a vaguear por os corredores foram directamente até a a sala de os professores que estava deserta . Era uma divisão ampla , toda forrada , com cadeiras de madeira escura . Harry e Ron passearam de um lado para o outro , demasiado nervosos para se sentarem . Mas a campainha anunciando o intervalo nunca mais tocava . Em vez de isso , ecoando em os corredores , ouviram a voz de a professora Mc_Gonagall incrivelmente ampliada . - * _ Todos os alunos devem regressar de imediato a os seus dormitórios . Todos os professores a a sala de professores . Imediatamente , por favor * . Harry deu meia volta e olhou para o Ron . - Não me digas que houve um novo ataque , não agora ! - Que vamos fazer ? - disse o Ron aterrado . - Voltar para o dormitório ? - Não - disse Harry , olhando e m volta . Havia uma espécie de armário a a sua esquerda cheio com os mantos de os professores . - Ali . Vamos ouvir o que se passa . A seguir poderemos contar lhes o que descobrimos . Esconderam se dentro de o armário , ouvindo a algazarra de centenas de pessoas e a porta de a sala de professores a abrir se . De o meio de a confusão de mantos bafientos , viram os professores encherem a sala . Alguns tinham um ar totalmente confuso , outros pareciam apavorados . Por fim , chegou a professora Mc_Gonagall . - Aconteceu - disse em o silêncio de a sala de professores . - O monstro levou uma aluna . Levou a mesmo para a câmara . O professor Flitwick soltou um grito agudo . A professora Sprout bateu com a mão em a boca . Snape agarrou com força as costas de uma cadeira e perguntou : - Como pode ter tanta certeza ? - O herdeiro de Slytherin - disse a professora Mc_Gonagall , muito pálida . - Deixou outra mensagem . Mesmo por baixo de a primeira : « * _ O esqueleto de ela ficará para sempre em a Câmara_dos_Segredos * . » O professor Flitwick desatou a chorar . - Quem é ela ? - quis saber Madam_Hooch que se afundara em uma cadeira . - Quem é a aluna ? - Ginny_Weasley - disse a professora Mc_Gonagall . Harry viu o Ron , a o seu lado , escorregar silenciosamente até a o chão de o armário . - Vamos ter que mandar todos os alunos embora amanhã - disse a professora Mc_Gonagall . Isto_é o fim de Hogwarts , Dumbledore sempre disse ... A porta de a sala de os professores voltou a abrir se . Por um breve momento , Harry pensou que fosse Dumbledore mas era Lockhart e vinha todo sorridente . - Peço desculpa , adormeci . Perdi alguma coisa ? Não pareceu reparar que os outros professores o olhavam com uma espécie de aversão . Snape deu um passo em frente . - O homem que faltava - disse . - O homem certo . O monstro raptou uma garota , Lockhart levou a para a Câmara_dos_Segredos . O seu momento chegou . - Isso mesmo , Lockhart - acrescentou a professora Sprout . - Não estavas a dizer ontem a a noite que sempre tinhas sabido onde era a entrada para a Câmara_dos_Segredos ? - Eu ... bem ... eu-disse atabalhoadamente Lockhart . - Sim , não me disseste que sabias exactamente o que estava lá dentro ? - disse com voz esganiçada o professor Flitwick . - Eu disse ? Não me lembro ... - Lembro me perfeitamente de o ouvir dizer que lamentava não ter feito uma tentativa com o monstro antes de o Hagrid ser preso - disse Snape . - Não disse que toda_a história tinha sido uma atrapalhação e que deveriam ter lhe dado carta branca desde o princípio ? Lockhart olhou em volta para a cara de espanto de os colegas . - Eu ... nunca ... eu de facto ... deve ter me compreendido mal . - Então vamos deixar te , Gilderoy - disse a professora Mc_Gonagall . - Esta noite será uma excelente oportunidade para actuares . Nós trataremos de assegurar que ninguém te atrapalha . Vais poder enfrentar o monstro sozinho . Finalmente tens carta branca . Lockhart olhou desesperado a a sua volta mas ninguém foi salvá o . Já não estava bem-parecido . O lábio tremia lhe e a ausência de o seu habitual sorriso de dentes brancos dava lhe um ar escanzelado . - M-muito bem - disse . - Vou até a o meu escritório para ... para me preparar . E saiu de a sala . - _ óptimo - exclamou a professora Mc_Gonagall com as narinas dilatadas . - Isto deve afastá o de o nosso caminho . Os chefes de casa devem ir agora comunicar a os respectivos alunos o que se passou e informá os de que o Expresso_de_Hogwarts os levará a casa amanhã de manhã . Os restantes certifiquem se , por favor , de que não há alunos fora de os dormitórios . Os professores levantaram se e saíram um a um . Foi talvez o dia pior de a vida de o Harry . Ele , Ron , Fred e George sentaram se juntos a um canto em a sala comum de os Gryffindor , incapazes de proferir uma palavra . Percy não estava lá . Tinha ido tratar de enviar uma coruja a Mr. e Mrs._Weasley e , em seguida , fechara se em o dormitório . Nunca uma tarde custara tanto a passar e nunca a torre de os Gryfffindor estivera tão cheia de gente e tão silenciosa . Fred e George foram para a cama quase a o pôr de o Sol , incapazes de ficar ali mais tempo . - Ela sabia qualquer coisa , Harry - disse o Ron , falando pela_primeira_vez desde_que tinham saído de o armário de a sala de os professores . - Por isso a levaram . Não era nenhuma parvoíce sobre o Percy , ela tinha descoberto qualquer coisa sobre a Câmara_dos_Segredos . Com certeza por isso é_que a ... - Ron esfregou os olhos , enervadíssimo . - Afinal ela era sangue puro , não pode haver outra explicação . Harry olhava para o sol que mergulhava de um vermelho cor de sangue em a linha de o horizonte . Era a pior coisa que lhe tinha acontecido . Se pelo_menos pudessem fazer alguma coisa . - Harry - disse o Ron . - Achas que há alguma possibilidade de ela não estar ... ? Sabes o que eu quero dizer . Harry não sabia que resposta dar . Não acreditava que a Ginny pudesse ainda estar viva . - Sabes uma coisa ? - disse o Ron . - Acho que devíamos ir ter com o Lockhart , contar lhe o que sabemos . Ele vai tentar entrar em a câmara , podemos dizer lhe onde achamos que fica a entrada e contar lhe que o monstro é um Basilisk . Como Harry não tinha nenhuma ideia melhor e como queria fazer alguma coisa , concordou . Os Gryffindor que os rodeavam estavam tão tristes e com tanta pena de os Weasley que ninguém tentou impedi os quando os viram levantar se , atravessar a sala e sair por o buraco de o retrato . A escuridão começava a instalar se quando chegaram a o escritório de Lockhart onde a actividade era muita . De o corredor ouvia se o ruído de coisas a serem deitadas fora , pancadas surdas e passos apressados . Harry bateu a a porta e houve um silêncio repentino . Em seguida abriu se uma fresta de a porta e viram um de os olhos de Lockhart a espreitar . - Oh ! ... Mr._Potter ... Mr._Weasley - disse entreabrindo a porta . - Estou um_pouco ocupado em este momento , se forem rápidos ... - Professor , nós temos informações para lhe dar - disse o Harry . - Acho que poderão ajudá o . - Er ... bem ... não é - o lado de a cara de Lockhart que conseguiam ver parecia muito pouco a a vontade . - Quer_dizer ... bem ... está bem . Abriu a porta e eles entraram . O escritório estava praticamente vazio . Em o chão estavam duas grandes malas abertas . Mantos verde-jade , lilás , azul-noite tinham sido apressadamente dobrados e guardados dentro_de uma de as malas . Os livros misturavam se todos dentro de a outra . As fotografias que antes cobriam as paredes estavam agora arrumadas em caixas , em cima de a secretária . - Vai a algum lado ? - perguntou Harry . - Er ... bem ... sim - disse Lockhart , arrancando de a porta um poster seu em tamanho natural , enquanto falava , e começando a enrolá o . - Uma chamada urgente ... inevitável ... tenho que ir . - E a minha irmã ? - perguntou o Ron bruscamente . - Bem , quanto_a isso foi uma pena - disse Lockhart , evitando olhá os em os olhos , abrindo uma gaveta e começando a despejar o seu conteúdo dentro_de um saco . - Ninguém lamenta mais do_que eu ... - O senhor é o professor de Defesa contra as artes negras - disse Harry . - Não pode ir se embora agora_que todas estas coisas de magia negra estão a acontecer aqui . - Bem , devo dizer te que ... quando aceitei o lugar ... - resmungou Lockhart , empilhando soquetes sobre os mantos - nada em a descrição de o meu trabalho fazia prever ... - Quer_dizer que vai fugir ? - perguntou Harry , incrédulo . - Depois de todas_as coisas que conta em os seus livros ? - Os livros podem ser enganadores - disse Lockhart delicadamente . - Mas foi o senhor que os escreveu - gritou Harry . - Meu rapaz - disse Lockhart , endireitando se e franzindo as sobrancelhas - usa o senso comum . Os meus livros não teriam vendido metade do_que venderam se as pessoas não acreditassem que eu tinha feito todas aquelas coisas . Ninguém está interessado em ler sobre um velho feiticeiro americano mesmo_que ele tenha salvo uma cidade inteira de os lobisomens , ficaria péssimo em a capa . E a bruxa que correu com a fada carpideira tinha um lábio leporino . Como vês . - Quer_dizer que ficou com os louros por tudo_o_que uma série de outras pessoas fizeram ? - perguntou Harry , sem querer acreditar . - Harry , Harry - disse Lockhart , abanando impacientemente a cabeça . - Não é tão simples assim . Envolveu muito trabalho . Tive de localizar todas essas pessoas , perguntar lhes em pormenor como tinham feito as coisas . Depois tive de lhes fazer um feitiço antimemória para que não voltassem a lembrar se do_que tinham feito . Se há uma coisa de que me orgulho é de os meus feitiços antimemória . Não , tive muito trabalho , Harry . Não foram só as sessões de autógrafos e as fotografias , sabes ? Quem quer ser famoso tem de estar preparado para um trabalho longo e fatigante . Fechou as malas a a chave . - Vejamos - disse . - Acho que está tudo . Sim , só falta uma coisa . - Empunhou a varinha e voltou se para eles . - Lamento muito , rapazes , mas vou ter de vos fazer um feitiço antimemória . Não posso deixar que vão por aí repetir os meus segredos . Não venderia nem mais um livro . Harry pegou em a varinha mesmo a tempo e Lockhart mal tinha levantado a de ele a o ar quando Harry gritou * _ Expelliarmus ! * Lockhart foi projectado de costas , indo cair em cima de a mala . A varinha voou por os ares . Ron agarrou a e atirou a por a janela aberta . - Não devia ter deixado o professor Snape ensinar nos esta - disse Harry furioso , dando um pontapé a uma de as malas . Lockhart olhava para ele , de_novo escanzelado . Harry apontava lhe a varinha . - O que queres que eu faça ? - perguntou debilmente . - Eu não sei onde fica a Câmara_dos_Segredos . Não posso fazer nada . - Está com sorte - disse Harry , forçando o com a varinha a pôr se de pé . - Nós julgamos saber onde é e o que está lá dentro . Vamos . Conduziram Lockhart para fora de o seu escritório , desceram com ele as escadas e seguiram por o corredor escuro em cuja parede brilhavam as mensagens , até a a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mandaram Lockhart a a frente . Harry gostou de ver que todo ele tremia . A Murta_Queixosa estava sentada em a cisterna de o cubículo de o fundo . - Ah ! são vocês - disse a o ver o Harry . - O que querem agora ? - Perguntar te como morreste - disse Harry . O aspecto de a Murta mudou por completo . Parecia que nunca lhe tinham feito uma pergunta tão lisonjeira . - Ooooh ! Foi horrível - disse satisfeita . - Aconteceu aqui mesmo . Morri em este cubículo . Lembro me tão bem . Estava escondida porque a Olive_Hornby andava a implicar comigo por causa de os meus óculos . A porta estava fechada e eu estava a chorar e , então , ouvi alguém entrar . Disseram qualquer coisa estranha em uma língua diferente , acho eu . Mas o que mais me espantou foi o ser um rapaz a falar . Por isso , abri a porta para lhe dizer que fosse a a casa_de_banho de eles e em esse momento - a Murta inchou com ar importante , o rosto a brilhar - morri . - Como ? - perguntou Harry . - Não faço ideia - disse a Murta em um tom de voz abafado . - Só me lembro de ver dois grandes olhos amarelos , de o meu corpo ficar preso e em seguida , sentir me a flutuar ... - olhou sonhadoramente para Harry . - E depois voltei . Estava disposta a vingar me de a Olive_Hornby , percebes ? Ela ia arrepender se de ter gozado com os meus óculos . - Onde foi exactamente que viste os tais olhos ? - perguntou Harry . - Algures por aí - disse a Murta , apontando vagamente para o lavatório em frente de o seu cubículo . Harry e Ron apressaram se . Lockhart estava de pé , mais atrás , com uma expressão de pavor em o rosto . O lavatório parecia perfeitamente vulgar . Examinaram o centímetro a centímetro , dentro e fora , incluindo os canos por baixo . E foi então que Harry reparou : de lado , rabiscada em uma de as torneiras de cobre , estava uma cobra pequenina . - Essa torneira nunca funcionou - disse vivamente a Murta enquanto ele tentava abri a . - Harry - sugeriu o Ron . - Diz qualquer coisa em * serpentês * . Mas , pensou Harry , as únicas vezes que conseguira falar * serpentês * tinham ocorrido quando confrontado com uma verdadeira serpente . Olhou , concentrado para a pequena cobra gravada em o cobre , tentando imaginá a como verdadeira . - Abre te - disse . Olhou para o Ron que abanou a cabeça . - Inglês - disse ele . Harry voltou a olhar para a cobra , forçando se a acreditar que estava viva . A luz de a vela fez parecer que se movia . - Abre te - repetiu . Mas desta_vez as palavras não foram o que ele ouviu . Um estranho sibilar escapou lhe de a boca e a torneira ganhou uma luz branca e brilhante e começou a rodar . Logo_a_seguir o lavatório mexeu se . Afastou se , melhor dizendo , saiu de o caminho , deixando um grande cano a a vista , um cano onde cabia um homem . Harry ouviu a respiração arquejante de o Ron e olhou de_novo para ele . Já decidira o que queria fazer . - Vou descer - disse . Não podia deixar de ir , agora_que acabavam de descobrir a entrada para a câmara , existindo uma possibilidade , por mais remota que fosse , de a Ginny ainda estar viva . - Eu também - disse o Ron . Houve uma pausa . - Bem , parece que não precisam mais de mim - apressou se Lockhart a dizer com uma réstia de sorriso . - Eu vou . . . Pôs a mão em o puxador de a porta mas Ron e Harry apontaram lhe ambos as varinhas . -- O senhor pode ir a a frente - disse rispidamente o Ron . Pálido e sem varinha , Lockhart aproximou se de a entrada . - Meus rapazes - disse em uma voz débil . - Meus rapazes , para quê tudo_isto ? Harry tocou lhe em as costas com a varinha e ele meteu as pernas em o cano . - Eu não me parece que ... - começou a dizer , mas o Ron deu lhe um empurrão e ele desapareceu por o cano abaixo . Harry foi rapidamente atrás . Introduziu se lentamente e deixou se cair . Era como escorregar em uma pista escura e interminável . Ele via outros canos , estendendo se em todas_as direcções mas nenhum tão largo como o de eles que se torcia e virava , inclinando se abruptamente . Harry sabia que estavam a chegar a um ponto muito abaixo de a escola e de os calabouços . Atrás_de si , ouvia o Ron gemendo em cada curva . E então , quando começava a preocupar se com o que iria acontecer quando tocassem em o chão , o cano tornou se horizontal e ele foi projectado com um ruído surdo , indo aterrar em o chão húmido de um túnel de pedra com altura suficiente para ele se pôr de pé . Lockhart estava a levantar se a alguma distancia , todo enlameado e pálido como um fantasma . Harry afastou se para deixar o Ron sair também de o cano . - Devemos estar quilómetros e quilómetros abaixo de a escola - disse o Harry cuja voz ecoou em o túnel negro . - Talvez até debaixo de o lago - arriscou o Ron , olhando em volta para as paredes escuras e viscosas . Voltaram se os três para olhar para a escuridão lá a o fundo . - * _ Lumus ! * - murmurou Harry a a varinha e ela voltou a acender se . - Vamos - disse a o Ron e a o Lockhart e avançaram , os passos a chapinharem ruidosamente em o chão molhado . O túnel era tão escuro que só conseguiam ver alguns centímetros a a frente . As suas sombras em as paredes molhadas pareciam monstruosas a a luz de a varinha . - Lembrem se - disse Harry baixinho enquanto caminhavam . - A o menor movimento fechem logo os olhos ... Mas o túnel era silencioso como um túmulo e o primeiro som inesperado que ouviram foi um grito de o Ron que escorregou em uma coisa que era afinal a cauda de um rato . Harry baixou a varinha para olhar para o chão e viu que estava cheio de pequenos ossos de animais . Fazendo um enorme esforço para evitar pensar em que estado iriam encontrar a Ginny , avançou até uma curva escura de o túnel . - Harry , está aqui qualquer coisa - disse o Ron com voz rouca , agarrando Harry por o ombro . Ficaram estáticos a olhar . Harry só conseguia ver a silhueta de algo enorme e curvo deitado em o túnel . Fosse o que fosse não se movia . - Talvez esteja a dormir - murmurou , olhando para os outros dois . Lockhart tapava os olhos com as mãos . Harry voltou se para olhar para a criatura com o coração a bater tanto que lhe doía em o peito . Lentamente , com os olhos quase fechados mas ainda conseguindo ver , Harry avançou com a varinha levantada . A luz deslizou sobre uma gigantesca pele de serpente , de um verde vivo e venenoso que estava vazia e enrolada em o chão de o túnel . A criatura que a abandonara devia ter , pelo_menos , seis metros e meio de comprimento . - Bolas - disse o Ron , perdendo as forças . Houve um movimento súbito atrás de eles . As pernas de Gilderoy_Lockhart cederam . - Levante se - disse o Ron de uma forma cortante , apontando lhe a varinha . Lockhart pôs se de pé . Em seguida empurrou o Ron , atirando o a o chão . Harry deu um salto , mas ... tarde de mais . Lockhart endireitava se com a varinha de o Ron em as mãos e um sorriso em o rosto . - A aventura acaba aqui , rapazes - disse . - Vou levar um bocado de esta pele de cobra para a escola , contar lhes que foi demasiado tarde para salvar a garota e que vocês os dois perderam tragicamente a memória com a visão de o seu corpinho mutilado . Digam adeus a as vossas recordações . Levantou a o ar a varinha avariada de o Ron e gritou * _ Obliviate ! * A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba . Harry pôs os braços sobre a cabeça e correu , escorregou em os anéis de a pele de cobra , afastando se de os grandes pedaços de tecto de o túnel que caíam em o chão com o ruído de trovões . Pouco depois estava sozinho , olhando para uma sólida parede de rocha partida . - Ron - gritou ele . - Estás bem , Ron ? - Estou aqui - respondeu a voz abafada de o Ron por detrás de a avalancha de rochas . - Eu estou bem mas este sujeito não . A varinha avariou o todo . Ouviu se um ruído surdo e um Oh ! gritado . Parecia que o Ron tinha acabado de dar a o Lockhart um pontapé em as canelas . - E agora ? - disse a voz de o Ron que parecia desesperada . - Não podemos passar , vai demorar séculos . Harry olhou para o tecto de o túnel onde tinham aparecido grandes fendas . Ele nunca tentara partir , através de a magia , nada tão grande como aquelas rochas e agora não lhe parecia ser o melhor momento para fazer experiências . E se o túnel abatesse ? Houve um ruído surdo e outro Oh ! atrás de as rochas . Estavam a perder tempo . A Ginny já estava havia duas horas em a Câmara_dos_Segredos . Harry sabia que só havia uma coisa a fazer . - Espera aqui - gritou a o Ron . - Fica com o Lockhart , eu vou lá . Se não voltar dentro_de uma hora ... Houve um silêncio cheio . - Eu vou ver se desloco um_pouco esta rocha - disse o Ron , tentando manter a voz firme . - Para tu poderes passar . E , Harry ... - Até já - disse o Harry , procurando injectar confiança em a sua voz trémula . E passou sozinho para lá de a imensa pele de serpente . Em_breve , o ruído de o Ron , tentando deslocar a rocha , deixou de se ouvir . O túnel virou uma e outra_vez . Os nervos de o corpo de o Harry tangiam de forma desagradável . Ele só queria que o túnel chegasse a o fim , fosse o que fosse que o aguardasse . E então , finalmente , quando atingiu a última curva , viu em a sua frente uma parede sólida que tinha gravadas duas serpentes enroladas uma em a outra , cujos olhos eram quatro esmeraldas , enormes e brilhantes . Harry aproximou se com a garganta seca . Não foi preciso imaginar que as serpentes eram autênticas . Os seus olhos pareciam estranhamente vivos . Foi fácil descobrir o que tinha de fazer . Pigarreou e os olhos de esmeraldas pareceram mexer se . - Abre te - disse Harry em um sibilar baixo . As serpentes desapareceram enquanto a parede se abria a o meio e , a tremer de os pés a a cabeça , Harry entrou . XVII_Herdeiro_de_Slytherin_Estava de pé em o fundo de uma divisão enorme , fracamente iluminada . Altíssimos pilares de pedra , cheios de serpentes gravadas que os enlaçavam , erguiam se , suportando um tecto que se perdia em a escuridão e que lançava sombras negras imensas através de a estranha luz esverdeada que enchia o local . Com o coração a bater descompassadamente , Harry ficou parado a ouvir aquele silêncio arrepiante . Estaria o Basilisk escondido em um canto cheio de sombras , atrás_de algum pilar ? E onde estaria Ginny ? Pegou em a varinha e avançou a o longo de as colunas serpenteantes . Cada_um de os seus passos provocava um enorme eco em as paredes sombrias . Harry tinha os olhos semicerrados e estava pronto para os fechar a o mais pequeno movimento . As órbitas de olhos fundos de as serpentes de pedra pareciam segui o . Por mais de uma_vez , com o estômago a dar um salto , Harry julgou vê os moverem se . Por fim , chegado a o nível de os dois últimos pilares , avistou uma estátua de a altura de a própria câmara que estava encostada a a parede de o fundo . Harry tinha de esticar o pescoço para olhar para_cima , para a cara de o gigante : era velho e com um ar simiesco , tinha uma barba enorme que lhe caía quase onde acabava a longa túnica de pedra . Os dois pés imensos e cinzentos pousavam em o chão de a câmara . E entre eles , voltada para baixo , estava uma figura pequenina vestida de preto com um cabelo flamejante . - Ginny - murmurou Harry , chegando perto de ela e ajoelhando se . - Ginny , por favor não estejas morta , não estejas morta ! Atirou a varinha para o lado , agarrou Ginny por os ombros e voltou a . O rosto de ela estava branco e frio como o mármore , contudo os olhos encontravam se fechados , portanto não estava petrificada . Mas então devia estar ... - Ginny , acorda por favor - repetiu Harry desesperado , sacudindo a . A cabeça de ela andava de um lado para o outro . - Ela não vai acordar - disse secamente uma voz . Harry deu um salto e girou sobre os joelhos . Um rapaz alto , de cabelo preto , estava encostado a o pilar mais próximo , a observá o . As sombras desfocavam o como_se Harry o visse através_de uma janela embaciada . Mas não havia como confundis o . - Tom , Tom_Riddle ? Riddle acenou , sem tirar os olhos de o rosto de Harry . - O que queres dizer com isso de ela não acordar ? - perguntou Harry desesperado . - Ela não está ... não está ? - Está viva - disse Riddle . - Mas , por um fio . Harry olhou fixamente para ele . Tom_Riddle estivera em Hogwarts há cinquenta anos atrás . Contudo , ali estava com uma luz estranha e desfocada a iluminá o , sem um dia a mais do_que os seus dezasseis anos . - És um fantasma ? - perguntou Harry . - Uma memória - disse Riddle . - Preservada em um diário durante cinquenta anos . Apontou para os pés de a estátua gigantesca . Ali , aberto em o chão , estava o pequeno diário de capa preta que Harry tinha encontrado em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Durante um segundo , Harry perguntou a si próprio como teria ido ali parar , mas havia coisas mais importantes a fazer . Preciso de a tua ajuda , Tom - disse Harry , levantando de_novo a cabeça de a Ginny . - Temos de sair de aqui . Há_um_Basilisk ... não sei onde está mas pode aparecer a qualquer momento . Por favor , ajuda me . Riddle não se mexeu . Harry , a transpirar , conseguiu levantar ligeiramente a Ginny de o solo e inclinou se para pegar em a varinha mas ela tinha desaparecido . - Viste a ... ? Olhou para_cima . Riddle continuava a olhá o , fazendo girar a varinha entre os dedos longos . - Obrigado - disse Harry , esticando o braço para a agarrar . Um sorriso surgiu então em os cantos de a boca de Riddle que continuou a olhar para ele , girando indolentemente a varinha . - Ouve , pá - disse Harry sem querer perder mais tempo , os joelhos a vergarem sob o peso morto de Ginny - temos de ir . Se o Basilisk aparece ... - Ele não vem enquanto não for chamado - disse Riddle com toda_a calma . Harry voltou a pousar Ginny em o chão , incapaz de a segurar por mais tempo . - Que queres dizer com isso ? - perguntou . - Dá me a minha varinha , posso precisar de ela . O sorriso de Riddle ampliou se . - Não vais precisar de ela - disse . Harry olhou o espantado . - O que queres dizer , não vou ? - Esperei muito_tempo por isto , Harry - disse Riddle . - Pela possibilidade de te ver , de falar contigo . - Olha , eu acho que tu não estás a perceber - disse Harry , perdendo a paciência . - Estamos em a Câmara_dos_Segredos , podemos conversar mais tarde . - Vamos conversar agora - disse Riddle , sorrindo de orelha a orelha e guardando a varinha de Harry em o bolso . Harry voltou a olhar para ele . Havia qualquer coisa de muito estranho em tudo aquilo . - Como é_que a Ginny ficou assim ? - perguntou pausadamente . - Bem , essa é uma pergunta interessante - disse Riddle , divertido . - E uma longa história , também . Julgo que o verdadeiro motivo que levou Ginny_Weasley a ficar assim foi o ter aberto o seu coração e revelado todos os seus segredos a um estranho ser invisível . - De quem estás a falar ? - perguntou Harry . - De o diário - disse Riddle . - De o meu diário . A Ginny escreve nele há meses e meses , contando me todas_as suas lamentáveis desgraças e atribulações : como os irmãos a arreliam , que teve de vir para a escola com manto , túnica e livros em segunda mão - os olhos de Riddle brilharam -- , que acha que o maravilhoso , o grande , o famoso Harry_Potter nunca vai gostar de ela ... Enquanto falava , nunca os olhos de Riddle se afastaram de a cara de o Harry . Havia em eles um olhar ávido . - É muito chato ter de ouvir as preocupações idiotas de uma garotinha de onze anos - prosseguiu . - Mas eu fui paciente . Respondi lhe , mostrei me simpático e amável . A Ginny pura e simplesmente adorou me . - * _ Nunca ninguém me compreendeu como tu , Tom ... estou tão feliz por ter este diário a quem me confiar ... é como ter um amigo que pode andar em o meu bolso * ... Riddle riu se . Um riso alto , frio , que não lhe ficava bem . Fez com que os cabelos de o pescoço de Harry se arrepiassem todos . - Verdade se diga que sempre consegui encantar as pessoas necessárias . Portanto a Ginny verteu em mim a sua alma e a alma de ela era precisamente o que eu queria . Fortaleceu me . Alimentei me de os seus medos mais profundos , de os seus mais obscuros segredos . Fui ficando cada_vez_mais forte e poderoso . Muito mais poderoso do_que a pequena Miss_Weasley até que comecei a transmitir lhe alguns de os meus segredos , a passar um_pouco de a minha alma para ela ... - O que queres dizer ? - perguntou Harry cuja boca ficara totalmente seca . - Ainda não descobriste , Harry_Potter ? - disse Riddle muito baixo . - Giony_Weasley abriu a Câmara_dos_Segredos , estrangulou os galos de a escola e escreveu mensagens assustadoras em as paredes . Atiçou a serpente de Slytherin contra quatro sangues de lama e contra o gato de o busca-pé . - Não - murmurou Harry . - Sim - disse calmamente Riddle . - É claro que a princípio não sabia o que estava a fazer . Era muito divertido . Gostava que visses as coisas que escreveu em o diário , começaram a ficar muito mais interessantes . * _ Querido_Tom * - recitou ele , olhando para a expressão horrorizada de o Harry . - * _ Acho que estou a perder a memória . Há penas de galo em todas_as minhas roupas e eu não sei como foram lá parar . Querido_Tom , não me lembro do_que fiz em a noite de o Hallowe'en mas foi atacada uma gata e eu estou cheia de tinta em a cara . Querido_Tom , o Percy não pára de me dizer que ando pálida e não pareço eu . Acho que ele suspeita de mim ... Houve outro ataque hoje e eu não sei onde estava . Tom , que vou eu fazer ? Acho que estou a ficar maluca ... acho que ando a atacar toda_a_gente , Tom ! * Harry tinha os punhos fechados , as unhas cravadas contra a palma de as mãos . - Levou muito_tempo até a pequenina estúpida deixar de confiar em o diário - disse Riddle . - Mas acabou por ficar desconfiada e tentou livrar se de ele . E é aí que tu entras , Harry . Tu encontraste o . E eu não poderia ter ficado mais satisfeito . De todas_as pessoas que poderiam ter ficado com ele , foste tu , aquele que eu ambicionava conhecer ... - E porque querias conhecer me ? - perguntou Harry . Começava a ser tomado por a raiva e fez um esforço para manter o tom de voz controlado . - Bem , a Ginny contou me tudo a teu respeito - disse Riddle . - A tua fascinante história . - Os seus olhos pousaram em a cicatriz em a testa de Harry e a sua expressão ganhou maior avidez . - Sabia que devia descobrir mais a teu respeito , falar te , encontrar me contigo se fosse possível . Por isso , para ganhar a tua confiança , resolvi mostrar te a famosa captura que fiz de aquele demente de o Hagrid . - O Hagrid é meu amigo - disse Harry já com a voz a tremer . - E tu tramaste o , não foi ? Pensei que tinha sido um engano , mas ... Ele riu se . O mesmo riso de antes . - Era a minha palavra contra a palavra de ele . Imagina a cara de o velho Armando_Dippet . De um lado Tom_Riddle , pobre mas brilhante , sem pais mas corajoso , prefeito de a escola , um modelo de aluno . De o outro lado , o Hagrid , grande e disparatado , arranjando problemas semana sim , semana não , tentando criar filhotes de lobisomens debaixo de a cama , escapando se para a floresta proibida para lutar com gigantes . Mas , devo admitir que até eu próprio fiquei admirado com os excelentes resultados de o meu plano . Pensei que alguém perceberia que o Hagrid nunca poderia ser o herdeiro de Slytherin . Demorei cinco anos inteirinhos até descobrir tudo_o_que me foi possível sobre a Câmara_dos_Segredos e a sua entrada secreta ... como_se o Hagrid tivesse cabeça ou poder ! - Só o professor de Transfiguração , Dumbledore , parecia achar que ele estava inocente . Convenceu Dippet a mantê o aqui e a treiná o como guarda de os campos . Sim , é natural que Dumbledore tenha adivinhado , nunca gostou de mim como os outros professores . - Aposto que Dumbledore viu através_de ti - disse Harry , de dentes cerrados . - Pelo_menos passou a vigiar me de perto , a partir de o momento em que o Hagrid foi expulso - disse Riddle descuidadamente . - Eu sabia que não era seguro voltar a abrir a câmara enquanto ainda estava em a escola mas não ia desperdiçar os longos anos que passara a pesquisar . Decidi , por isso , deixar um diário preservando em as suas páginas o meu ego de dezasseis anos para que um dia , com um_pouco de sorte , pudesse levar outro a seguir os meus passos e acabar o nobre trabalho de Salazar_Slytherin . - Bem , não o acabaste - disse Harry triunfante . - Ninguém morreu até agora , nem mesmo a gata . Dentro_de poucas horas a poção de mandrágoras estará pronta e todos os que foram petrificados voltarão de_novo a si . - Não acabei de te dizer que matar sangues de lama já não me interessa ? Há muitos meses que o meu alvo és tu . Harry olhou para ele . - Podes imaginar como fiquei furioso quando em outro dia o diário foi aberto e vi que era a Ginny quem estava a escrever e não tu . Ela viu te com o diário e entrou em pânico . E se tu descobrisses como trabalhar com ele e eu te repetisse todos os seus segredos ? Ainda pior , e se eu te contasse quem tinha andado a estrangular os galos ? Por isso , a grande palerma esperou que o teu dormitório estivesse deserto e foi lá roubá o . Mas eu sabia o que tinha de fazer . Estava muito claro para mim que a tua meta era o herdeiro de Slytherin . Por tudo_o_que a Ginny me contara a teu respeito , sabia que irias até onde fosse preciso para desvendar o mistério , principalmente se um de os teus melhores amigos tivesse sido atacado . E a Ginny disse me que a escola toda bichanava por tu falares * serpentês * ... Por isso , obriguei a Ginny a escrever a sua própria despedida em a parede , a vir até aqui e esperar . Ela debateu se e gritou e ficou muito chatinha . Mas , já não tem muita vida : pôs grande parte de ela em o diário , deu me a . O suficiente para eu abandonar , por fim , as suas páginas . Desde_que aqui cheguei que estou a a tua espera . Sabia que virias . Tenho muitas perguntas a fazer te , Harry_Potter . - Que perguntas ? - disse Harry com os punhos fechados . - Bem - prosseguiu Riddle , sorrindo de satisfação : - Como é_que um bebé sem especiais talentos de magia foi capaz de derrotar o maior feiticeiro de sempre ? Como conseguiste escapar só com uma cicatriz quando os poderes de Lord_Voldemort foram destruídos ? Havia agora em os seus olhos um brilho vermelho e irado . - O que é_que te interessa saber como eu escapei ? - disse Harry lentamente . - Voldemort veio depois de ti . - Voldemort - disse Riddle - é o meu passado , o meu presente e o meu futuro , Harry_Potter ... Tirou a varinha de o Harry de o bolso e começou a escrever em o ar três palavras brilhantes : TOM_MARVOLO_RIDDLE_Em seguida , fez um gesto com a varinha e as letras de o seu nome reagruparam se de outro modo . : __ eu sou lord __ voldemort ( I am Lord_Voldemort ) . - Vês ? - murmurou . - Era um nome que eu já usava em Hogwarts , para os meus amigos mais íntimos apenas , como é óbvio . Achas que ia usar para sempre o nome nojento de o meu pai Muggle ? Eu , em cujas veias , por o lado materno , corre o sangue de Salazar_Slytherin ? Eu , manter o nome de um Muggle tolo que me abandonou ainda antes de eu nascer só porque descobriu que a mulher com quem casara era uma bruxa ? Não , Harry , arranjei um novo nome , um nome que eu sabia que os feiticeiros de todo_o_mundo viriam um dia a ter medo de pronunciar , quando eu me tivesse tornado o maior feiticeiro de o mundo . A cabeça de Harry parecia bloqueada . Olhou como_que paralisado para Riddle , para o rapaz de o orfanato que depois de crescer iria matar os seus pais e tantos outros . Por fim , com algum esforço conseguiu falar . - Não és - disse em uma voz calma e cheia de ódio . - Não sou o quê ? - perguntou Riddle irritado . - Não és o maior feiticeiro de o mundo - disse Harry com a respiração acelerada . - Lamento desiludir te mas o maior feiticeiro de o mundo é Albus_Dumbledore . Toda_a_gente sabe . Mesmo tu , quando tinhas força , não ousavas tentar aproximar te de Hogwarts . Dumbledore viu através_de ti quando andavas em a escola e ainda agora te assusta onde quer que te escondas . O sorriso desaparecera de o rosto de Riddle , fora substituído por um olhar furioso . - Dumbledore foi afastado de este castelo por a minha simples memória - sibilou . - Ele não está tão longe como pensas - retorquiu Harry . Falava por falar , tentando assustar Riddle , desejando mais que assim fosse do_que acreditando em as suas palavras como uma verdade . Riddle abriu a boca mas não chegou a falar . Tinha começado a ouvir se uma música . Riddle deu uma volta , olhando para a câmara vazia . A música estava a ficar mais alta . Era misteriosa , arrepiante , sobrenatural . Fez_Harry ficar com os cabelos em pé e o coração aumentar lhe em o peito . Por fim , quando atingiu um ponto tão alto que Harry a sentiu vibrar dentro de as suas costelas , começaram a sair chamas de o topo de o pilar mais próximo . Uma ave carmesim de o tamanho de um cisne surgiu , assobiando a sua estranha melodia para o tecto em forma de abóbada . Tinha uma cauda dourada tão longa como a de um pavão e garras douradas e brilhantes que seguravam uma trouxa andrajosa . Segundos depois , a ave voava em direcção a Harry . Deixou cair a coisa andrajosa a os seus pés e pousou lhe pesadamente em o ombro . Quando abriu as enormes asas , Harry olhou para_cima e viu que tinha um longo bico afiado e olhos escuros pequenos e brilhantes . A ave parou de cantar . Ficou quieta junto de a cara de Harry , olhando fixamente para Riddle . - É uma fénix , disse Riddle , olhando sagazmente para ela . - Fawkes ? - murmurou Harry e sentiu as garras douradas apertarem lhe devagarinho o ombro . - E aquilo - disse Riddle , olhando para a coisa velha que Fawkes deixara em o chão - é o velho chapéu seleccionador , de a escola . Era , de facto . Amachucado , puído e sujo , o chapéu jazia imóvel a os pés de Harry . Riddle começou a rir . Riu se tanto que a câmara escura se lhe juntou em um eco tal que parecia que dez Riddles se riam ao_mesmo_tempo . - Eis o que Dumbledore envia a o seu defensor . Um pássaro que canta e um chapéu velho . Estás cheio de coragem , Harry_Potter ? Sentes te agora mais seguro ? Harry não respondeu . Podia não estar a ver a vantagem de a Fawkes ou de o chapéu seleccionador mas já não se sentia só , e esperou corajosamente que Riddle parasse de rir . - Vamos a o que importa , Harry - disse ele , ainda com um enorme sorriso . - Encontrámo nos duas vezes em o teu passado , em o meu futuro . E duas vezes falhei a o tentar matar te . Como foi que sobreviveste ? Conta me tudo . Quanto_mais falares , mais tempo tens de vida . Harry pensava rapidamente , medindo as suas possibilidades . Riddle tinha a varinha . Ele , Harry , tinha a Fawkes e o chapéu seleccionador que não lhe serviriam de muito em o combate . As coisas pareciam más , é certo . Mas quanto_mais tempo Riddle ali estivesse , mais vida retirava a a Ginny ... e , entretanto , Harry reparou que a silhueta de Riddle se tornava mais nítida , mais sólida . Se tinha de haver uma luta entre os dois , quanto_mais depressa melhor . - Ninguém sabe porque perdeste os poderes quando me atacaste - disse bruscamente . - Eu próprio não sei . Mas sei porque não conseguiste matar me . A minha mãe morreu para me salvar . A minha mãe , uma vulgar filha de Muggles - acrescentou , a tremer de raiva . - Ela impediu que tu me matasses . E eu vi te como tu és , em o ano passado . És um destroço , quase não existes . Foi onde o teu poder te levou . Estás sob um disfarce , és horrível e és louco . O rosto de Riddle contorceu se . Em seguida , forçou um sorriso pavoroso . - Quer_dizer , então , que a tua mãe morreu para te salvar . Sim , é um antifeitiço poderoso . Compreendo agora , afinal não há em ti nada de especial . Eu tinha curiosidade , sabes , porque há uma estranha semelhança entre nós , Harry_Potter . Até tu deves ter reparado . Somos ambos meio sangue , órfãos , educados com Muggles , provavelmente os dois únicos que falam * serpentês * desde o grande Slytherin , até nos parecemos um_pouco fisicamente ... mas afinal foi apenas uma questão de sorte que te salvou de mim . Era o que eu queria saber . Harry ficou parado , tenso , a a espera que Riddle levantasse a varinha mas o seu sorriso cínico ampliou se de_novo . - Agora , Harry , vou dar te uma pequena lição . Vamos confrontar os poderes de Lord_Voldemort , herdeiro de Salazar_Slytherin e de o famoso Harry_Potter , munido com as melhores armas que Dumbledore lhe deu . Lançou um olhar divertido a a Fawkes e a o chapéu seleccionador e , em seguida , afastou se . Harry com as pernas entorpecidas por o medo viu o parar entre dois pilares altos e olhar para a cara de pedra de Slytherin , lá em cima em a semi-obscuridade . Riddle abriu a boca e sibilou mas Harry compreendeu o que ele dizia . - * _ Responde-me , Slytherin , o maior de os quatro de Hogwarts * . Harry voltou se para olhar melhor para a estátua com Fawkes pousada em o ombro . A gigantesca cara de pedra de Slytherin movia se . Horrorizado , Harry viu a boca abrir se mais e mais até se transformar em um buraco negro . E algo se agitava dentro de a boca de a estátua . Algo se arrastava para fora de as suas entranhas . Harry recuou até a a parede escura de a câmara e enquanto fechava os olhos com força sentiu a asa de a Fawkes roçar lhe o rosto e levantar voo . Harry quis gritar : - Não me abandones ! - mas que possibilidades tinha uma fénix contra o rei de as serpentes ? Uma coisa enorme bateu em o chão de pedra que Harry sentiu estremecer . Sabia o que estava a acontecer , podia sentis o , quase podia ver a serpente gigantesca a sair de a boca de Slytherin . Foi então que ouviu a voz de Riddle sibilar : * _ Mata-o * . O Basilisk avançava em direcção a Harry . Ele ouvia o seu corpo enorme escorregar pesadamente por o chão cheio de pó . Com os olhos sempre fechados , Harry começou a correr para o lado , a as cegas , com as mãos abertas a tactear o caminho . Riddle ria se a as gargalhadas . Harry escorregou e caiu em o chão de pedra e a boca soube lhe a sangue . A serpente estava a poucos centímetros de ele . Podia ouvi a a aproximar se . Ouviu se um crepitar explosivo por cima de ele e alguma coisa pesada bateu lhe com tanta força que ele ficou encostado a a parede . Esperando que os dentes de a serpente lhe perfurassem o corpo , ouviu mais ruídos e qualquer coisa que se agitava com força contra os pilares . Não conseguiu evitar . Abriu bem os olhos para ver o que se passava . A enorme serpente , brilhante , de um verde veneno , espessa como o tronco de um carvalho , erguera se em o ar e a sua imensa cabeça agitava se de um lado para o outro , entre os dois pilares . Quando Harry , a tremer , se preparava para fechar de_novo os olhos , percebeu o que distraíra a cobra . Fawkes esvoaçava em volta de a sua cabeça e o Basilisk , furioso , tentava agarrá a com os dentes longos e afiados como sabres . Fawkes mergulhava . Harry deixou de ver o bico fino e dourado e uma brusca chuva de sangue escuro inundou o chão . A cauda de a serpente agitou se , não batendo em o Harry por_pouco e antes que ele pudesse fechar os olhos voltou se . Harry olhou lhe para a cara e viu que os seus olhos , os dois olhos amarelos e bolbosos tinham sido perfurados por a fénix . O sangue escorria por o chão e a serpente cuspia cheia de dores . - * _ Não * - Harry ouviu o grito de Riddle . - * _ Deixa a ave , deixa a ave , o rapaz está atrás_de ti , ainda podes cheirá o . Mata o ! * A serpente cega oscilou confusa , ainda em fúria . Fawkes andava a a volta de a cabeça de ela soprando a sua misteriosa cantilena , picando lhe aqui_e_ali o nariz cheio de escamas , enquanto o sangue jorrava de os seus olhos destruídos . - Ajudem me . Ajudem me - murmurava Harry aflito . - Alguém , ajude me . A cauda de a serpente chicoteou de_novo o chão . Harry baixou se . Algo macio tocou lhe em o rosto . O Basilisk lançara o chapéu seleccionador para os braços de o Harry que o agarrou . Era tudo_o_que tinha , a sua única esperança . Enfiou o em a cabeça e começou a ficar achatado contra o chão , enquanto a cauda de o Basilisk se lançava de_novo sobre ele . - Ajudem me , ajudem me - pensou Harry , os olhos comprimidos debaixo de o chapéu . - Por favor , ajudem me . Nenhuma voz lhe respondeu . Em vez de isso , o chapéu contraiu se como_se uma mão invisível o tivesse espalmado devagarinho . Alguma coisa muito dura e pesada caíra sobre a cabeça de Harry , conseguindo quase derrubá o . A ver estrelas em frente de os olhos , agarrou o chapéu para o puxar para baixo e sentiu lá dentro uma coisa longa e dura . Uma espada brilhante tinha surgido dentro de o chapéu . Tinha um cabo cravejado de rubis de o tamanho de pequenos ovos . - Mata o rapaz , deixa a ave . O rapaz está atrás_de ti . Cheira o ! Harry estava de pé , preparado . A cabeça de o Basilisk caía , o corpo serpenteava , batendo nos pilares quando se torcia para ficar de frente para ele . Harry podia ver as enormes órbitas ensanguentadas , a boca toda aberta , suficientemente grande para o engolir inteiro , munida de dentes tão longos como a sua espada , finos , brilhantes , venenosos ... Começou a atacar a as cegas . Harry baixou se e a serpente bateu em a parede de a câmara . Atacou de_novo e a sua língua bifurcada lambeu a parede ao_lado_de Harry que levantou a espada com ambas as mãos . O Basilisk investiu mais_uma_vez e agora a pontaria foi certa . Harry pôs todo o seu peso contra a espada e enterrou a até a os copos em o céu de a boca de a serpente . Mas quando o sangue quente lhe encheu os braços , sentiu uma dor aguda mesmo acima de o cotovelo . Um longo dente venenoso penetrava cada_vez_mais fundo em o seu braço , partindo se quando o Basilisk tombou para o lado , perdendo os sentidos . Harry escorregou a o longo de a parede , apertou com força o dente que estava a derramar veneno por todo o seu corpo e arrancou o de o braço . Mas sabia que era demasiado tarde . Uma dor quente emanava lenta e perseverantemente de a ferida . Quando deixou cair o dente e viu o seu próprio sangue manchando lhe as vestes , a vista começou a ficar turva e a câmara a diluir se em uma rotação ardente e colorida . Mas algo escarlate passou por ele e Harry ouviu a o seu lado um suave ruído de garras . - Fawkes - disse com a voz empastada . - Foste sensacional , Fawkes . - Sentiu o pássaro encostar a sua elegante cabeça a o sítio onde o dente de a serpente o tinha ferido . Ouviu passos ecoarem em o vazio e em seguida uma sombra escura moveu se em a sua frente . - Estás morto , Harry_Potter - disse a voz de Riddle , acima de ele . - Morto . Até o pássaro de Dumbledore sabe de isso . Vês o que ele está a fazer ? A chorar . Harry piscou os olhos . A cabeça de Fawkes ora estava focada , ora desfocada . Lágrimas grossas como pérolas escorriam de as suas penas . - Vou sentar me aqui a ver te morrer , Harry_Potter . Leva o teu tempo , eu não tenho pressa . Harry sentiu se sonolento . Tudo parecia girar a a sua volta . - E assim acaba o famoso Harry_Potter - disse a voz distante de Riddle . - Sozinho em a Câmara_dos_Segredos , esquecido por os amigos , finalmente derrotado por o Senhor de o mal que ele tão imprudentemente desafiou . Vais reunir te a a tua querida mãe sangue de lama , Harry ... Ela deu te doze anos de tempo emprestado ... Mas Lord_Voldemort apanhou te em o fim , como sabias que teria de acontecer . Se morrer é isto , pensou Harry , não é assim tão mau . Até a dor estava a desaparecer . Mas , estaria a morrer ? Em_vez_de ficar mais escura a câmara parecia voltar a estar nítida . Harry fez um pequeno gesto com a cabeça e viu a Fawkes ainda repousando a cabeça em o seu ombro . Uma fiada de pérolas brilhava em volta de a ferida , só que já não havia ferida . - Sai de aqui , pássaro - disse subitamente a voz de Riddle . - Afasta te de ele . Já te disse , sai de aqui ! Harry levantou a cabeça . Riddle apontava a sua varinha a Fawkes . Ouviu se um tiro que parecia de carabina e Fawkes levantou novamente voo em um rodopio de ouro e escarlate . - Lágrimas de fénix - disse Riddle em voz baixa , olhando para o braço de o Harry . - É claro ... poderes curativos ... esqueci me ... Olhou para a cara de Harry . - Mas não faz mal . Pensando bem , eu até prefiro assim . Tu e eu , Harry_Potter ... Tu e eu ... Levantou a varinha . Então , em um golpe de asa , Fawkes voou sobre as cabeças de ambos , deixando cair uma coisa em o colo de Harry : o diário . Durante uma fracção de segundo , tanto Harry como Riddle , ainda com a varinha levantada , ficaram a olhar para aquilo . Em seguida , sem pensar , sem ponderar , como_se pensasse fazê o desde o princípio , Harry agarrou o dente de o Basilisk que estava em o chão , junto de ele , e espetou o em o coração de o caderno . Ouviu se um grito longo e terrível . A tinta esguichou em torrentes de dentro de o diário , derramando se sobre as mãos de o Harry e inundando o chão . Riddle torcia se e contorcia se , agitando se a os gritos . E , por fim . Desapareceu . A varinha de Harry caiu a o chão com um ruído e fez se silêncio . Um silêncio apenas cortado por o ping ping de a tinta que ainda escorria de o diário . Com um leve crepitar , o veneno de o Basilisk abrira um buraco mesmo em o meio de o caderno . A tremer de os pés a a cabeça , Harry pôs se de pé . Sentia tudo a andar a a roda como_se tivesse viajado quilómetros e quilómetros com o pó de * _ Floo * . Lentamente apanhou a varinha e o chapéu seleccionador e com um grande estrondo retirou a espada de o céu de a boca de a serpente . Ouviu se então um gemido fraco a o fundo de a câmara . Ginny estava a mexer se . Quando Harry chegou junto de ela , sentou se . Os seus olhos abismados saltaram de o Basilisk morto para Harry em a sua roupa cheia de sangue e , em seguida , para o diário que ele tinha em as mãos . Soltou um enorme soluço e os seus olhos encheram se de lágrimas . - Harry , oh ! Harry , eu tentei dizer te a o pequeno-almoço mas não fui capaz em frente de o Percy . Era eu , Harry , mas eu ... eu ... juro que não queria ... o Riddle obrigou me , levou me e ... como é_que mataste esse bicho ? Onde está o Riddle ? A última coisa de que me lembro foi de o ver a sair de o diário ... - Está tudo bem - disse Harry , mostrando lhe o diário com o buraco de o dente . - O Riddle acabou , olha . Ele e o Basilisk . Anda , Ginny , vamos embora de aqui . - Vou com certeza ser expulsa - disse Ginny a chorar enquanto Harry a ajudava a pôr se de pé . - Desde_que o Bill veio para Hogwarts que eu sonhava vir também para cá e agora vou ter de me ir embora e ... O que vão a minha mãe e o meu pai dizer ? Fawkes esperava por eles , suspensa em o ar , a a entrada de a câmara . Harry fez a Ginny avançar , passaram sobre os anéis parados de o Basilisk , por a escuridão cheia de ecos e voltaram a o túnel . Harry ouviu as portas de pedra fecharem se atrás de eles com um leve sibilar . Depois de alguns minutos a caminhar por o túnel escuro , chegou a os ouvidos de Harry o som distante de o deslocar de uma rocha . - Ron - gritou ele , apressando se . - A Ginny está bem . Está aqui comigo ! Ouviu o Ron gritar de alegria e , voltando em a curva logo_a_seguir , viram a sua cara ansiosa a espreitar por a fresta que conseguira abrir durante a avalancha . - Ginny ! - Ron estendeu o braço por a fresta para a puxar primeiro . - Estás viva . Não posso acreditar . O que aconteceu ? Tentou abraçá a mas a Ginny afastou o , soluçando . - Mas estás bem , Ginny - disse o Ron , sorrindo para ela . - Já passou tudo ... De onde veio esse pássaro ? Fawkes passara por a abertura , atrás_de Ginny . - É de o Dumbledore - explicou Harry , espremendo se para caber também . - E como arranjaste uma espada ? - perguntou o Ron , olhando para a arma brilhante que Harry tinha em a mão . - Eu explico te tudo quando sairmos de aqui - disse Harry , lançando um olhar de esguelha a a Ginny . - Mas ... - Mais tarde - disse Harry rapidamente . Não lhe parecia uma boa ideia contar a o Ron quem tinha aberto a câmara , ali , em frente de a Ginny . - Onde está o Lockhart ? - Ali atrás - disse o Ron , a rir e a abanar a cabeça em direcção a o cano . - Está em muito mau estado . Anda ver . Conduzidos_pela_Fawkes , cujas grandes asas escarlates emitiam um suave dourado que brilhava em a escuridão , voltaram a o lugar onde o cano começava . Gilderoy_Lockhart estava sentado a falar sozinho . - Perdeu a memória - disse o Ron . - O feitiço de a memória fez ricochete . Não sabe quem é nem onde está , nem_sequer sabe quem nós somos . Eu disse lhe que viesse para aqui e esperasse . É um perigo para ele próprio . Lockhart olhou os bem-disposto . - Olá - disse . - Que lugar estranho , este . É aqui que vocês moram ? -- Não - respondeu o Ron , levantando as sobrancelhas para o Harry . Harry baixou se e observou o túnel escuro e longo . - Já pensaste como é_que vamos sair de aqui ? - perguntou a o Ron . O amigo abanou a cabeça mas Fawkes , a fénix , tinha passado por o Harry e estava agora em o ar , em frente de ele , os olhos como pérolas a brilharem em o escuro . Abanava as longas penas douradas de a cauda . Harry olhou para ela , inseguro . - Ela parece querer que a agarres - disse o Ron , perplexo . - Mas tu és muito pesado para um pássaro . - A Fawkes - disse Harry - não é um pássaro qualquer . Voltou se rapidamente para os companheiros . - Temos de nos agarrar uns a os outros . Ginny , agarra a mão de o Ron . O professor Lockhart ... - Ele está a falar consigo - disse o Ron secamente . - Agarre a outra mão de a Ginny . Harry guardou a espada e o chapéu seleccionador em o cinto . Ron deitou a mão a a roupa de Harry e Harry agarrou as penas de a cauda , estranhamente quentes , de a Fawkes . Sentiu uma extraordinária leveza apoderar se de todo o seu corpo e em seguida estavam todos a voar por o cano acima . Harry conseguia ouvir Lockhart , lá atrás , comentando : - Espantoso , isto parece mágico ! Ar frio batia em os cabelos de Harry e antes que ele deixasse de gostar de a viagem já ela acabara . Os quatro tinham chegado a o chão molhado de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa e , enquanto Lockhart endireitava o chapéu , o lavatório voltara a o seu lugar , tapando o cano . A Murta arregalou os olhos . - Vocês estão vivos - disse inexpressivamente a o Harry . - Não é preciso mostrares te tão desiludida - respondeu ele , muito sério , limpando as nódoas de sangue e lodo de os óculos . - Bem ... é_que eu pensei que se vocês morressem seriam bem-vindos a a minha casa_de_banho - disse a Murta com um rubor prateado . - Urgh ! - fez o Ron , quando saíram de ali para o corredor deserto . - Harry , acho que a Murta está a gostar de ti . Tens concorrência , Ginny ! A Ginny continuava a chorar silenciosamente . - Onde vamos agora ? - perguntou o Ron , olhando ansiosamente para ela . Harry apontou . Fawkes indicava o caminho , com o seu tom dourado que brilhava em o corredor . Seguiram a e pouco depois estavam em o escritório de a professora Mc_Gonagall . Harry bateu e empurrou a porta que estava encostada . XVIII_A recompensa de Dobby_Durante alguns momentos reinou o silêncio enquanto Harry , Ron , Ginny e Lockhart estavam em a entrada de a porta . Cobertos de pó e de lama e ( em o caso de o Harry ) sangue . Em seguida , ouviu se um grito . - Ginny ! Era_Mrs._Weasley que tinha estado a chorar , sentada em frente de o lume . Pôs se de pé em um salto , seguida de Mr._Weasley e precipitaram se ambos para a filha . Harry olhava para trás de eles . Dumbledore rejubilava junto de a lareira , a o lado de a professora Mc_Gonagall que , agarrada a o queixo , respirava com dificuldade . Fawkes rasou as orelhas de o Harry e foi instalar se em o ombro de Dumbledore , ao_mesmo_tempo que Harry dava por si em os braços de Mrs._Weasley . - Tu salvaste a ! Salvaste a ! : __ como foi que __ conseguiste ? - Acho que todos nós gostaríamos de saber - disse , sem energia , a professora Mc_Gonagall . Mrs._Weasley soltou o Harry , que hesitou um momento . Depois , foi até a a secretária e colocou sobre o tampo o chapéu seleccionador , a espada cravejada de rubis e o que restava de o diário de Riddle . Em seguida , contou lhes tudo . Falou durante quase um quarto de hora em o silêncio extasiado : contou lhes de a voz sem corpo que ouvia , como a Hermione acabara por descobrir que se tratava de um Basilisk que circulava em os canos , como ele e o Ron tinham seguido as aranhas até a a floresta , que Aragog lhes dissera que a última vítima de o Basilisk morrera , como tinham chegado a a conclusão que se tratava de a Murta_Queixosa e que a entrada para a Câmara_dos_Segredos devia ser em aquela casa_de_banho ... - Muito bem - elogiou a professora Mc_Gonagall quando ele se calou . - Então tu descobriste onde era a entrada , infringindo uma centena de regras de a escola por o caminho , devo dizer , mas como diabo saíram vocês vivos de lá de dentro ? Harry , com a voz já um_pouco rouca de falar tanto , contou lhes de a chegada de a Fawkes e de o chapéu seleccionador que lhe tinha dado a espada . Mas , chegando aí , hesitou . Até a o momento evitara referir se a o diário de Riddle ou a a Ginny . Ela tinha a cabeça encostada a o ombro de Mrs._Weasley e as lágrimas corriam lhe ainda por o rosto . E se a expulsassem ? - pensou Harry , tomado de pânico . O diário de Riddle já não funcionava ... quem poderia provar que fora ele que a obrigara a fazer tudo aquilo ? Olhou instintivamente para Dumbledore que sorria , o fogo iluminando lhe os óculos de meia-lua . - O que mais me interessa saber - disse Dumbledore amavelmente - é como conseguiu Lord_Voldemort enfeitiçar a Ginny quando as minhas fontes me dizem que ele se esconde habitualmente em as florestas de a Albânia . Um alívio , quente e glorioso percorreu Harry de a cabeça a os pés . - O quê ? - disse Mr._Weasley , em uma voz estupefacta . - O Quem nós sabemos enfeitiçou a Ginny ? Mas a Ginny não ... a Ginny não morr ... ? - Foi este diário - esclareceu Harry rapidamente . E mostrando o a Dumbledore . - O Riddle escreveu o quando tinha dezasseis anos . Dumbledore pegou em o diário e olhou atentamente por cima de o seu nariz longo e adunco para as páginas queimadas e húmidas . - Fantástico - disse em voz baixa . - É claro que ele deve ter sido o aluno mais brilhante que alguma vez passou por Hogwarts . - Olhou em volta para os Weasley que o observavam com um ar totalmente confuso . - Muito poucas pessoas sabem que Lord_Voldemort se chamou em tempos Tom_Riddle . Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos , em Hogwarts . Ele desapareceu depois de deixar a escola , viajou muito , mergulhou tão fundo em as artes de a magia negra , associado a os piores feiticeiros , realizou transformações mágicas tão perigosas que quando reapareceu como Lord_Voldemort estava totalmente irreconhecível . Ninguém o relacionou com o rapazinho inteligente e bonito que aqui foi , em tempos , chefe de turma . - Mas a Ginny - insistiu Mrs._Weasley . - O que tem a nossa Ginny que ver com ele ? - O diário - soluçou Ginny . - Eu andei todo o ano a escrever em o diário e ele respondia me ... - Ginny ! - repreendeu Mr._Weasley . - Não aprendeste nada do_que te ensinei ? Não me cansei de dizer te que nunca confiasses em nada que não pensasse por si próprio * se não conseguisses ver onde tinha o cérebro ? * Porque não me mostraste o diário , a mim ou a a tua mãe ? Um objecto suspeito como esse tinha de estar cheio de magia negra ! - Eu não sabia - soluçou Ginny . - Estava junto de os livros que a mãe me comprou . Pensei que alguém se tinha esquecido de ele ali . - É melhor Miss_Weasley ir imediatamente para a ala hospitalar - interrompeu Dumbledore com voz firme . - Foi sujeita a uma prova terrível . Não será castigada . Outros feiticeiros mais velhos do_que ela têm sido ludibriados por Lord_Voldemort . - Dirigiu se a a porta e abriu a . - Repouso , cama e talvez uma caneca de chocolate quente . A mim , anima me sempre - acrescentou , piscando lhe simpaticamente o olho . - Vais ver que Madam_Pomfrey ainda está acordada . Ela tem estado a dar o sumo de Mandrágora , julgo que as vítimas de o Basilisk estarão a acordar dentro_de momentos . de alegria . - Então a Hermione está bem ! - disse o Ron , cheio de alegria . - Não houve danos irreversíveis - disse Dumbledore . Mrs._Weasley saiu com a Ginny e Mr._Weasley seguiu as ainda bastante abalado . - Sabes , Minerva - disse pensativo o professor Dumbledore - acho que tudo_isto merece um banquete . Posso pedir te que previnas os cozinheiros ? - Certamente - disse animada a professora Mc_Gonagall , dirigindo se também a a porta . - Deixo te a tratar de as coisas com o Potter e o Weasley , está bem ? - Claro - disse Dumbledore . Saiu e os dois olharam inseguros para Dumbledore . Que quereria ela dizer com tratar de as coisas ? Certamente não iriam ser castigados ? - Lembro me de vos ter dito a ambos que teria de vos expulsar se voltassem a quebrar as regras de a escola - disse Dumbledore . Ron abriu a boca horrorizado . - O que vem mostrar nos que as melhores pessoas , às_vezes , têm de engolir as suas próprias palavras . - Dumbledore sorriu e continuou : - Vocês vão receber ambos uma recompensa especial por serviços prestados a a escola e ... deixem me ver , sim , acho que duzentos pontos cada_um para os Gryffindor . Ron ficou tão corado que parecia as flores de S._Valentim_do_Lockhart e voltou a fechar a boca . - Mas um de vós parece demasiado calado sobre a sua participação em esta perigosa aventura - acrescentou Dumbledore . - Porquê tanta modéstia , Gilderoy ? Harry estremeceu . Esquecera se por completo de Lockhart . Voltou se e viu o a um canto de a sala ainda com o mesmo sorriso vago . Quando Dumbledore se lhe dirigiu , olhou por cima de o ombro para ver com quem ele estava a falar . - Professor_Dumbledore - disse o Ron rapidamente - Houve um acidente lá em baixo , em a Câmara_dos_Segredos . O professor Lockhart - Eu sou um professor ? - perguntou Lockhart surpreendido . - E eu que pensei que era um inútil ! - Tentou fazer um feitiço antimemória e a varinha fez ricochete - explicou Ron_a_Dumbledore . - Incrível - disse Dumbledore , abanando a cabeça , o bigode prateado a tremer . - Trespassado por a tua própria espada , Gilderoy ! - Espada ? - disse Lockhart de forma imprecisa . - Eu não tenho espada . Esse rapaz é_que tem - apontou para Harry . - Ele empresta lhe uma . - Importas te de levar também o professor Lockhart até a a ala hospitalar , Ron ? - disse Dumbledore . - Eu gostava de falar um_pouco mais com o Harry . Lockhart saiu sem pressa . Antes de fechar a porta , Ron lançou um olhar curioso a Dumbledore e Harry . Dumbledore passou para uma de as cadeiras junto de o lume . - Senta te , Harry - disse . E Harry sentou se , sentindo se indescritivelmente nervoso . - Antes de mais , Harry , quero agradecer te - disse Dumbledore com os olhos a brilharem de_novo . - Deves ter demonstrado uma grande lealdade para comigo . Só isso poderia atrair a Fawkes para ir ajudar te . Deu uma palmadinha a a fénix que voara , entretanto , para_cima de os seus joelhos . Harry sorria acanhadamente sob o olhar observador de Dumbledore . - Encontraste , portanto , Tom_Riddle - disse o director amavelmente . - Calculo que ele estaria particularmente interessado em ti ... De repente , algo que Harry tinha engasgado saiu lhe descontroladamente de a boca para fora . - Professor_Dumbledore ... o Riddle disse que eu sou como ele , que há entre nós estranhas semelhanças ... - Ah ! sim ? - Dumbledore olhou pensativamente para ele , por debaixo de as espessas sobrancelhas prateadas . - E o que achas tu de isso ? - Eu não me considero parecido com ele - disse Harry mais alto do_que desejaria . - Isto_é , eu sou um Gryffindor , eu sou ... Mas calou se com uma dúvida a rondar lhe o espírito . - Professor - arriscou passado alguns momentos . - O chapéu seleccionador disse que eu ... teria ficado bem em os Slytherin ; durante algum tempo toda_a_gente pensou que eu era o herdeiro de Slytherin por falar * serpentês * ... - Tu falas * serpentês * , Harry - disse Dumbledore calmamente - porque Lord_Voldemort que é o mais recente antepassado de Salazar_Slytherin , fala * serpentês * . Ou eu me engano muito , ou ele transferiu para ti alguns de os seus poderes em a noite em que te fez essa cicatriz . Não que quisesse fazê o , claro , mas aconteceu . - Voldemort pôs um_pouco de si próprio em mim ? - disse Harry assombrado . - É o que parece ter acontecido . - Então eu deveria estar em os Slytherin - disse Harry , olhando desesperado para o rosto de Dumbledore . - O chapéu seleccionador viu em mim os poderes de Slytherin e ... -- Pôs te em os Gryffindor - concluiu tranquilamente Dumbledore . - Ouve , Harry , tu tens por acaso muitas de as capacidades que Salazar_Slytherin apreciava em os seus estudantes cuidadosamente seleccionados . O seu raro dom de falar * serpentês * , desenvoltura , determinação , um certo desprezo por as regras estabelecidas - acrescentou com o bigode a tremer de_novo . - Mas ainda_assim , o chapéu seleccionador pôs te em os Gryffindor . E sabes porquê ? Pensa um_pouco . - Só me pôs em os Gryffindor - disse Harry em uma voz débil - porque eu pedi para não ir para os Slytherin . - Exacto - disse Dumbledore a sorrir . - E isso torna te muito diferente de o Tom_Riddle . São as tuas escolhas , Harry , que mostram quem de facto tu és , mais do_que as tuas capacidades . Harry sentou se , imóvel e espantado , em a cadeira . - Se queres provas de que o teu lugar é em os Gryffindor , sugiro que vejas isto com mais atenção . Dumbledore aproximou se de a secretária de a professora Mc_Gonagall , pegou em a espada de prata ensanguentada e mostrou lhe a . Sem perceber , Harry voltou a ao_contrário . Os rubis brilharam a a luz de a lareira e foi então que ele reparou em o nome gravado mesmo por baixo de o copo de a espada . GODRIC_GRYFFINDOR . - Só um verdadeiro Gryffindor poderia ter tirado a espada de dentro de o chapéu , Harry - disse , com simplicidade , Dumbledore . Durante um minuto , nenhum de os dois falou . Depois , Dumbledore abriu uma de as gavetas de a secretária de a professora Mc_Gonagall e retirou de lá uma pena e um tinteiro . - Tu precisas de comer e ir dormir . Sugiro que desças para o banquete enquanto eu escrevo para Azkaban . Precisamos de recuperar o nosso guarda de os campos . E tenho de esboçar um anúncio para o * _ Profeta_Diário * - acrescentou pensativo . - Vamos precisar de um novo professor de Defesa contra as artes negras . É um problema , estamos sempre a perdê os . Harry levantou se e dirigiu se a a porta . Tinha acabado de estender a mão para o puxador quando ela se abriu tão violentamente que saltou de as dobradiças . Lucius_Malfoy estava de pé , furioso . E , debaixo de o braço , embrulhado em diversas ligaduras , estava Dobby . - Boa tarde , Lucius - disse Dumbledore , de forma amena . Mr._Malfoy quase derrubou Harry enquanto entrava em a sala . Dobby dava passos miudinhos atrás de ele , inclinado até a a bainha de o seu manto com um olhar apavorado em o rosto . - Então - disse Lucius_Malfoy com os olhos fixos em Dumbledore - voltaste . Os membros de o Conselho_Directivo suspenderam te , mas tu mesmo_assim sentiste te capaz de voltar a Hogwarts . - Bem vês , Lucius - disse Dumbledore , sorrindo serenamente . - Os outros membros de o Conselho contactaram me hoje . Fui envolvido em um redemoinho de corujas , todos queriam contar me a verdade . Ouviram dizer que a filha de Arthur_Weasley tinha sido morta e queriam me novamente aqui . Parece que me consideravam o melhor homem para o lugar . Contaram me algumas histórias muito estranhas . Alguns de eles tinham a impressão que tu tinhas ameaçado amaldiçoar lhes as famílias se não concordassem com a minha suspensão . Mr._Malfoy ficou ainda mais pálido do_que de costume , mas os olhos continuavam cheios de fúria . - Então já acabaste com os ataques ? - rosnou . - Apanhaste o culpado ? - Já , sim - disse Dumbledore com um sorriso . - E quem é ? - perguntou Malfoy secamente . - A mesma pessoa de a última vez , Lucius - disse Dumbledore . Mas desta_vez , Lord_Voldemort agiu através_de outra pessoa , por_meio_de um diário . Pegou em o pequeno caderno com o buraco em o meio , observando Mr._Malfoy de perto . Mas Harry olhava para Dobby . O elfo fazia um sinal muito estranho . Com os seus grandes olhos fixos em Harry , não parava de apontar para ó diário e , em seguida , para Mr._Malfoy , batendo logo_a_seguir com o punho em a cabeça . - Estou a ver ... - disse Mr._Malfoy lentamente a Dumbledore . - Um plano inteligente - afirmou o director em um tom de voz suave , continuando a olhar Mr._Malfoy directamente em os olhos . - Porque se não fosse aqui o Harry e o seu amigo Ron a descobrirem o diário , sem dúvida Ginny_Weasley teria ficado com todas_as culpas . Ninguém teria conseguido provar que ela agira contra a sua própria vontade . Mr._Malfoy não se pronunciou . O seu rosto parecia agora uma máscara . - E vê bem - continuou Dumbledore - o que poderia ter acontecido ... os Weasley são uma de as mais proeminentes famílias de feiticeiros de sangue puro , imagina o efeito em a imagem de Arthur_Weasley e em a sua acção de protecção a os Muggles , se a sua própria filha fosse acusada de atacar e matar filhos de Muggles . Foi uma sorte o diário ter sido descoberto e as memórias de Riddle apagadas . Quem sabe que consequências poderia ter tido ? Mr._Malfoy falou contra vontade . - Sim , foi uma sorte - disse secamente . E , em as suas costas , Dobby continuava a apontar para o diário e para Lucius_Malfoy , batendo depois com o punho em a cabeça . E Harry finalmente percebeu . Fez um sinal a Dobby que correu a esconder se em um canto , torcendo desta_vez as orelhas para se castigar . - Não quer saber como a Ginny obteve esse diário , Mr._Malfoy ? - perguntou Harry . Lucius_Malfoy voltou se para ele . - Como queres que eu saiba onde é_que a estúpida de a garota o arranjou ? - Porque foi o senhor quem lhe o deu - disse Harry . - Em a Flourish and Blotts . O senhor pegou em o livro velho de ela de Transfiguração e meteu o diário lá dentro , não foi ? Viu as mãos brancas de Mr._Malfoy abrirem se e fecharem se . - Prova isso - sibilou . - Oh ! ninguém vai poder prová o - disse Dumbledore sorrindo a o Harry . - Não agora_que o Riddle desapareceu de o caderno . Por outro lado , aconselharia te , Lucius , a não dares mais nenhuma de as coisas velhas de Lord_Voldemort . Se mais alguma for parar a as mãos de crianças inocentes , acho que o Arthur_Weasley fará com que se voltem com toda_a sua carga negativa contra ti . Lucius_Malfoy ficou calado um momento e Harry viu claramente a sua mão direita torcer se como_se desejasse chegar a a varinha . Em vez de isso , voltou se para o seu elfo doméstico . - Vamos , Dobby . Abriu a porta e quando o elfo se aproximou deu lhe um pontapé que o projectou para longe . Ouviram se em o escritório os gritos de dor de Dobby em o corredor . Harry pensou durante um momento e depois decidiu se . - Professor_Dumbledore - disse apressadamente . - Posso dar o diário outra_vez a Mr._Malfoy ? - Certamente , Harry - disse Dumbledore com toda_a calma . - Mas não demores , olha o banquete . Harry agarrou em o diário e saiu de o escritório . Os gritos de dor de Dobby afastavam se ao_longe . Sem perder tempo , perguntando a si próprio se o plano poderia resultar , Harry tirou um de os sapatos , puxou uma de as peúgas enlameadas e viscosas e meteu o diário lá dentro . Em seguida correu até a o fundo de o corredor escuro . Apanhou os em o topo de as escadas . - Mr._Malfoy - disse ofegante , parando . - Tenho uma coisa para si . E meteu a peúga mal cheirosa em a mão de Lucius_Malfoy . - O que é ... ? Mr._Malfoy tirou o diário de dentro de a peúga , deitou a fora e olhou furioso para o caderno estragado e para Harry - Ainda vais acabar por ter um fim igual a o de os teus pais um dia de estes , Harry_Potter - disse em voz baixa . - Eles também eram uns idiotas metediços . Voltou se para se ir embora . - Anda , Dobby , vem ! Mas Dobby não se mexeu . Tinha em as mãos a peúga nojenta de o Harry e olhava para ela como_se fosse um tesouro de valor incalculável . - O senhor deu uma peúga a o Dobby - disse o elfo maravilhado . - Deu a a o Dobby . - O que é isso ? - cuspiu Mr._Malfoy . - Que estás para aí a dizer ? - Dobby tem uma peúga - repetiu incrédulo . - O senhor deitou a fora e Dobby apanhou a e Dobby agora é livre ... Lucius_Malfoy ficou paralisado a olhar para o elfo . Em seguida precipitou se para Harry . - Fizeste me perder o meu servo , rapaz . Mas Dobby gritou : - Não pense que vai fazer mal a o Harry_Potter ! Ouviu se um enorme estrondo e Mr._Malfoy foi empurrado de costas , galgando os degraus de as escadas a três_e_três e indo aterrar lá em baixo todo embrulhado e amarrotado . Levantou se , o rosto lívido e pegou em a varinha , mas Dobby estendeu lhe um dedo ameaçador . - Vá se embora já - disse furioso , apontando para Mr._Malfoy . - Não tocará em o Harry_Potter . Vá se embora , já . Lucius_Malfoy não teve escolha . Lançando a os dois um último olhar de cólera , embrulhou se em o manto e desapareceu . - Harry_Potter libertou Dobby ! - disse o elfo com voz esganiçada , olhando para Harry , a luz de o luar reflectida em os seus grandes olhos em forma de globos . - Harry_Potter libertou Dobby . - Era o mínimo que eu podia fazer , Dobby - disse Harry a sorrir -- , mas promete me que não vais voltar a tentar salvar me a vida . A cara feia e escura de o elfo abriu se , mostrando os dentes , em um enorme sorriso . - Tenho uma pergunta a fazer te , Dobby - disse Harry enquanto o elfo pegava em a peúga de ele com as mãos a tremer . - Disseste me que tudo_isto não tinha nada que ver com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Lembras te ? - Era uma pista , senhor - disse Dobby com os olhos muito abertos como_se fosse absolutamente óbvio . - Dobby estava a dar lhe uma pista . Antes de o senhor de o mal mudar de nome , o seu nome podia ser pronunciado , está a ver ? - Certo - disse Harry sem grande convicção . - Bem , é melhor eu ir indo embora . Há um banquete e a minha amiga Hermione já deve ter acordado ... Dobby lançou os braços a a cintura de Harry e abraçou o . - Harry_Potter é muito maior do_que Dobby imaginava ! - soluçou . - Adeus , Harry_Potter . E com um estalido final , Dobby desapareceu . Harry assistira a diversos banquetes , mas nenhum que se parecesse com aquele . Estavam todos de pijama e a festa durou a noite inteira . Harry não sabia se o melhor tinha sido a Hermione a correr para ele e a gritar : - Tu conseguiste . Tu conseguiste ! , ou o Justin saindo disparado de a mesa de os Hufflepuff para lhe estender a mão , desfazendo se em desculpas por ter suspeitado de ele , ou o Hagrid que apareceu a as três_e_meia e que lhes deu palmadas com tanta força em os ombros que eles foram parar dentro de os pratos de bolo de creme , ou os quatrocentos pontos que ele e o Ron obtiveram para os Gryffindor , ganhando a taça de a equipa por a segunda vez consecutiva , ou a professora Mc_Gonagall de pé , a comunicar lhes que os exames tinham sido cancelados como medida de a escola ( Oh ! não ! exclamou Hermione ) , ou Dumbledore a anunciar que , infelizmente , o professor Lockhart não poderia voltar em o ano seguinte por ter de se ausentar a_fim_de recuperar a memória . Alguns de os professores juntaram se a os alunos que aplaudiram entusiasmados esta notícia . - Que pena - disse Ron , servindo se de um * dounut * de presunto . - E eu que começava a gostar de ele ... O resto de o período de Verão decorreu sob um sol escaldante . Hogwarts voltara a a normalidade , apenas com algumas pequenas diferenças : as aulas de Defesa contra as artes negras foram canceladas ( Mas nós tivemos imensa prática - disse o Ron vendo o descontentamento de Hermione ) e Lucius_Malfoy foi demitido de o Conselho_Directivo . Draco já não passeava por ali como_se fosse o dono de a escola . Pelo_contrário , tinha um ar melindrado e carrancudo . Por outro lado , Ginny_Weasley andava de_novo feliz de a vida . Em_breve chegou o dia de regressarem a casa em o Expresso_de_Hogwarts . Harry , Ron , Hermione , Fred , George e Ginny encheram um compartimento . Tiraram o_máximo partido de aquelas últimas horas em que lhes era permitido usar a magia antes de as férias . Brincaram a as explosões , gastaram o último fogo-de-artíficio Filibuster , de o Fred e de o George e treinaram o mútuo desarmamento através de a magia . Harry começava a ficar muito bom em aquilo . Já estavam perto de a estação de King's_Cross quando Harry se lembrou de uma coisa . - Ginny , o que foi que viste o Percy fazer que ele não queria que nos contasses ? - Ah ! isso - disse a Ginny a rir . - Bem , é_que o Percy tem uma namorada . Fred deixou cair uma pilha de livros em a cabeça de o George . - O quê ? - É aquela prefeita de os Ravenclaw ' Penelope_Clearwater - disse a Ginny . - Foi para ela que ele escreveu durante todo o Verão . Encontravam se em a escola em grande segredo . Eu apanhei os a beijarem se em uma sala de aula vazia e ele ficou tão aflito quando ela foi ... sabes ... atacada . Não vais aborrecê o , pois não ? - perguntou cheia de ansiedade . - Que ideia - respondeu Fred com uma tal satisfação em o rosto que parecia que o seu aniversário chegara mais cedo . - Claro que não - disse o George a rir se a a socapa . O----------------- J._K._Rowling_Harry_Potter e a Câmara_dos_Segredos_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Chamber of Secrets_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling 1998 Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 2000 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 2.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 Depósito legal : 143.569/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , a a Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Para_Séan_P._F._Harris , condutor imparável e um amigo de os diabos . I_O pior aniversário Não era a primeira vez que uma discussão estoirava a a mesa de o pequeno-almoço , em o número 4 de a Privet_Drive . Mr._Vernon_Dursley fora acordado de manhã cedo por o piar ruidoso que vinha de o quarto de o seu sobrinho Harry . - É a terceira vez esta semana ! - resmungou , a a mesa . - Se não consegues controlar essa coruja , ela não pode ficar aqui . Harry tentou , mais_uma_vez , explicar . - Ela está aborrecida . Estava habituada a voar livremente lá fora . Se eu pudesse , ao_menos , soltá a a a noite ... - Achas me com cara de idiota ? - perguntou rispidamente o tio Vernon , com um fio de ovo preso em o bigode farfalhudo . - Sei muito bem o que aconteceria se essa coruja fosse lá para fora . Trocou um olhar soturno com a mulher , a tia Petúnia . Harry tentou contra-argumentar , mas as suas palavras foram abafadas por um enorme arroto de o filho de os Dursleys , Dudley . - Quero mais bacon . - Há mais em a frigideira , fofinho - disse a tia Petúnia , lançando um olhar vago a o seu filho maciço . - Tens que te alimentar bem enquanto aqui estás , aquela comida de a tua escola não me cheira . - Disparate , Petúnia , eu nunca passei fome enquanto andei em Smeltings - afirmou com sinceridade o tio Vernon . - O Dudley tem que chegue . Não é verdade , filho ? Dudley , que era tão gordo que o rabo saía de os dois lados de a cadeira de a cozinha , sorriu laconicamente e voltou se para Harry . - Passa me a frigideira . -- Esqueceste te de a palavra mágica - disse Harry , irritado . O efeito que esta simples frase teve em o resto de a família foi inacreditável : Dudley começou a arfar e caiu de a cadeira com um estrondo que abalou a cozinha , Mrs._Dursley deu um gritinho e bateu com a mão em a boca , Mr._Dursley pôs se de pé com as veias de as têmporas dilatadas . - Eu queria dizer « por favor » - explicou Harry rapidamente . - Não me referia a ... - : __ o que é_que eu te __ disse - vociferou o tio , espalhando perdigotos sobre a mesa - : __ sobre pronunciar a palavra m . em esta __ casa ? - Mas eu ... - : __ como te atreves a ameaçar o __ dudley ! - rosnou o tio Vernon , batendo com o punho em a mesa . - Eu só ... - : __ estás avisado . não vou admitir referências a tua anormalidade debaixo de o tecto de a minha __ casa ! Harry olhou alternadamente para o rosto congestionado de o tio e para a palidez de a tia que tentava pôr o Dudley de pé . - Está bem - disse Harry . - Está bem ... O tio Vernon voltou a sentar se , respirando como um rinoceronte exausto e observando Harry de perto por o canto de os seus olhos pequeninos e penetrantes . Desde_que Harry regressara para as férias de Verão que o tio Vernon o tratava como_se ele fosse uma bomba , capaz de explodir a qualquer momento , porque Harry não era um rapazinho normal . Em a verdade , ele era o menos normal que é possível imaginar . Harry_Potter era um feiticeiro , um feiticeiro que acabara de concluir o primeiro ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts e a infelicidade que os Dursleys sentiam por ele estar lá em casa não era nada comparada com a de Harry . As saudades de Hogwarts eram tão intensas que se assemelhavam a uma constante dor em o estômago . Sentia a falta de o castelo com as suas passagens secretas e os seus fantasmas , de as aulas ( com excepção talvez de as de Snape , o professor de as poções ) , de o correio a chegar trazido por as corujas , de os banquetes em o salão nobre , de as noites em as camas de dossel em a camarata de a torre , de as visitas a Hagrid , o guarda de os campos em a sua casinha em o bosque , junto de a floresta proibida e , principalmente , sentia a falta de o Quidditch , o desporto mais popular de o mundo de os feiticeiros ( seis postes altos de golo , quatro bolas esvoaçantes e catorze jogadores em_cima_de vassoura ) . Todos os livros de feitiços de Harry , assim_como a varinha , os mantos , o caldeirão e a vassoura topo de gama Nimbus dois_mil tinham sido encerrados por o tio Vernon em a despensa que ficava debaixo de as escadas , em o momento em que Harry regressara a casa . O que é_que lhes interessava se ele perdia ou não o seu lugar em a equipa de Quidditch por não ter praticado durante todo o Verão ? Que importância tinha para eles que o Harry voltasse a a escola sem ter podido fazer os trabalhos de casa ? Os Dursleys eram aquilo que os feiticeiros chamam « Muggles » ( nem uma gota de sangue mágico em as veias ) e , para eles , ter um feiticeiro em a família era motivo de grande vergonha . O tio Vernon tinha , inclusivamente , fechado a cadeado a coruja de Harry , Hedwig , dentro de a gaiola , para evitar que ela transportasse mensagens para a gente de o mundo de a feitiçaria . Harry não se parecia em nada com o resto de a família . O tio Vernon era atarracado e sem pescoço , dotado de um enorme bigode preto ; a tia Petúnia tinha um rosto cavalar e era esquelética ; Dudley era loiro e rosado como um porquinho . Harry , pelo_contrário , era baixo e franzino , com os olhos verdes brilhantes e cabelo negro sempre desalinhado . Usava uns óculos redondos e tinha em a testa uma cicatriz em forma de relâmpago . Era essa cicatriz que o tornava tão invulgar , mesmo para um feiticeiro . Era a única alusão a o seu passado misterioso , a o motivo por o qual , onze anos antes , tinha sido deixado em o degrau de a porta de os Dursleys . Com um ano de idade , Harry sobrevivera a uma maldição de o maior feiticeiro negro de todos os tempos , Lord_Voldemort , cujo nome a maior parte de os feiticeiros e feiticeiras ainda receia pronunciar . Os pais de Harry tinham morrido em um ataque de Voldemort , mas ele escapara com a sua cicatriz em forma de relâmpago e estranhamente , ninguém compreendeu porquê , os poderes de Voldemort tinham sido destruídos em o momento em que não fora capaz de matar o Harry . Por isso , ele foi criado por a irmã de a sua falecida mãe e respectivo marido . Passou dez anos com os Dursleys , sem nunca compreender porque fazia com que acontecessem coisas estranhas , alheias a a sua vontade , acreditando em a história de os Dursleys de que aquela cicatriz fora resultado de um acidente de automóvel em que os pais tinham morrido . E um dia , precisamente um ano antes , Hogwarts escrevera lhe e fora então que tudo começara . Harry fora ocupar o seu lugar em a escola de feitiçaria , onde ele e a sua cicatriz eram famosas ... mas agora o ano escolar chegara a o fim e estava de_novo com os Dursleys . Durante o Verão , voltara a ser tratado como um cão malcheiroso . Os Dursleys nem se tinham lembrado que aquele era o dia de o seu décimo segundo aniversário . É claro que não tivera grandes expectativas : eles nunca lhe tinham dado um presente a sério , muito menos um bolo , mas ignorarem o por completo ... Em esse momento , o tio Vernon pigarreou com um ar importante e disse : - Como todos sabem , hoje é um dia muito importante . Harry olhou para ele , mal conseguindo acreditar . - Pode bem ser que eu faça hoje o maior negócio de toda_a minha vida - afirmou . Harry voltou novamente a atenção para a torrada . É claro , pensou amargamente , o tio Vernon referia se a a estúpida dinner-party . Havia quinze_dias que não falava de outra coisa . Um consultor qualquer cheio de massa e a mulher vinham jantar lá a casa e o tio Vernon tinha esperança de conseguir uma grande encomenda ( a empresa de o tio Vernon fabricava brocas ) . - Acho que devíamos recapitular mais_uma_vez - disse o tio Vernon . - Devemos estar todos a postos a as oito_horas_em_ponto . Petúnia , tu vais estar ... ? - Em o salão - respondeu a tia Petúnia prontamente - a a espera para lhes dar as boas-vindas a nossa casa . - Bom , bom . E o Dudley ? - Eu vou estar a a espera para abrir a porta . - Dudley esboçou um sorriso falso e afectado . - Dão me licença que vos guarde os casacos , Mr. e Mrs._Mason ? - Eles vão adorá o - exclamou arrebatadamente a tia Petúnia . - Excelente , Dudley - disse o tio Vernon . - A seguir voltou se para o Harry . - E tu ? - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - repetiu o Harry , de forma inexpressiva . - Exactamente - confirmou o tio Vernon , de um modo desagradável . - Eu conduzo os até a o salão , apresento te , Petúnia , e sirvo lhes as bebidas . _ a as oito_e_um_quarto . - Eu chamo para a mesa - disse a tia Petúnia . - E tu , Dudley , vais dizer ... - Dá me licença que lhe indique a casa de jantar , Mrs._Mason ? - repetiu o Dudley , oferecendo o seu braço gordo a uma mulher invisível . - O meu pequenino cavalheiro - fungou a tia Petúnia . - E tu ? - perguntou o tio Vernon a o Harry , em o mesmo tom desagradável . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho , fingindo que não estou lá - respondeu Harry aborrecido . - Isso mesmo . Agora , devíamos ter preparadas algumas frases amáveis para o jantar . Petúnia , alguma ideia ? - O Vernon disse me que o senhor é um excelente jogador de golfe , Mr._Mason ... Tem de me dizer onde comprou esse vestido , Mrs._Mason ... - Perfeito . Dudley ? - Que tal : Tivemos de fazer um trabalho para a escola sobre o nosso herói e eu escrevi sobre o senhor ... Foi de mais , tanto para a tia Petúnia como para o Harry . A tia debulhou se em lágrimas e abraçou o filho , enquanto Harry se esgueirava para debaixo de a mesa para ninguém o ver rir . - E tu , rapaz ? Harry fez um esforço para se mostrar inexpressivo quando emergiu . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - disse . - Vais sim senhor - afirmou o tio Vernon energicamente . - Os Mason não sabem nada a teu respeito e é assim que as coisas vão continuar . Quando o jantar terminar , tu trazes Mrs._Mason para o salão , onde vamos tomar café , Petúnia , e eu puxo o assunto de as brocas . Com um_pouco de sorte , tenho o contrato assinado antes de o noticiário de as dez . Amanhã por esta hora , vamos estar a fazer compras para umas férias em Maiorca . Harry não conseguia sentir o menor entusiasmo com aquilo . Não lhe parecia que os Dursleys gostassem mais de ele em Maiorca do_que em Privet_Drive . - Certo , eu vou a a cidade buscar os casacos para mim e para o Dudley . E tu - resmungou , apontando para Harry - não atrapalhes a tua tia enquanto ela estiver a limpar . Harry saiu por a porta de as traseiras . Estava um dia de sol lindo . Atravessou o relvado , deixou se cair em o banco de o jardim e cantarolou baixinho : - Parabéns para mim ... parabéns para mim ... Nem cartas nem presentes e tinha de passar a noite a fingir que não existia . Olhou infeliz para a sebe . Nunca se sentira tão só . Mais do_que tudo em o mundo , mais do_que de Hogwarts , mais até do_que de o jogo de Quidditch , Harry sentia a falta de os amigos Ron_Weasley e Hermione_Granger . Mas eles não pareciam sentir a falta de ele . Nenhum de os dois lhe escrevera durante todo o Verão apesar_de o Ron ter dito que ia convidá o para passar uns dias lá em casa . Inúmeras vezes Harry estivera quase a libertar magicamente Hedwig de a sua gaiola e mandá a levar uma carta a o Ron e a a Hermione mas não valia a pena correr o risco . Os feiticeiros menores de idade não tinham autorização para usar a magia fora de a escola . Harry não contara isto a os Dursleys . Ele sabia que era o medo de que ele os transformasse a todos em baratas que os impedia de o fecharem a a chave em a despensa debaixo de as escadas , juntamente com a varinha e a vassoura . Em as primeiras semanas Harry divertira se a murmurar baixinho palavras sem sentido e a ver o Dudley sair disparado de o quarto , tão rápido quanto as suas pernas gordas lhe permitiam . Mas o silêncio prolongado de Ron e Hermione tinham o feito sentir se tão longe de o mundo de a magia que até divertir se à_custa_de Dudley perdera o interesse . E agora o Ron e a Hermione tinham se esquecido de o seu aniversário . Quanto não daria ele por uma mensagem de Hogwarts ? De qualquer feiticeiro ou feiticeira ? Quase ficaria satisfeito com um sinal de o seu inimigo feroz , Draco_Malfoy , só para ter a certeza de que tudo aquilo não fora apenas um sonho ... Não que tudo durante o ano em Hogwarts tivesse sido divertido . Mesmo em o fim de o último período , Harry confrontara se nem mais nem menos do_que com o próprio Lord_Voldemort . Voldemort podia ter arruinado o seu ego inicial mas continuava a espalhar o terror , ainda astuto , ainda determinado a recuperar o poder . Harry escapara uma segunda vez a as suas garras mas fora por um triz e mesmo agora , algumas semanas decorridas , acordava de noite encharcado em suores frios , perguntando se onde estaria Voldemort , relembrando o seu rosto lívido , os seus olhos completamente loucos ... Harry sentou se subitamente , direito como um fuso , em o banco de o jardim . Tinha estado a olhar distraído para a sebe e a sebe estava a olhar para ele . Dois enormes olhos verdes surgiram por_entre a folhagem . Harry pôs se de pé ao_mesmo_tempo que uma voz sobrevoava a relva . - Eu sei que dia é hoje - cantarolava Dudley , bamboleando se enquanto se aproximava . Os olhos enormes piscaram e desapareceram . - O quê ? - perguntou Harry sem retirar os olhos de o lugar para_onde estava a olhar . - Eu sei que dia é hoje - repetiu , chegando junto de ele . - Ainda_bem - disse Harry . - Aprendeste finalmente os dias de a semana . - Hoje é o dia de os teus anos - troçou o Dudley . - Por_que é_que não recebeste nenhuma carta ? Não tens amigos em esse lugar esquisito ? - É melhor não deixares a tua mãe ouvir te falar de a minha escola - disse Harry calmamente . Dudley puxou para_cima as calças que estavam a escorregar lhe por o rabo gordo abaixo . - Porque estás a olhar para a sebe . ; - perguntou curioso . - Estou a pensar em as palavras que deverei pronunciar para lhe pegar fogo - disse Harry . Dudley recuou de imediato com um olhar de pânico em a cara rechonchuda . - Tu não p-p-odes , o pai disse que não podias fazer magia ou corria contigo aqui de casa e não tens mais nenhum lugar para_onde ir , não tens amigos que te convidem ... - * _ Jiggery pokery * ! - disse Harry com voz firme . - * _ Hocus pocus ... squiggly wiggly * ... - Maaaaaãe - gritou Dudley , tropeçando em os pés , enquanto se precipitava para dentro_de casa . Maaaãe , ele vai fazer aquela coisa ! Harry deu graças a os céus por aquele momento de gozo . Como não aconteceu nada de mal nem a o Dudley nem a a sebe , a tia Petúnia percebeu que ele não fizera magia nenhuma mas , mesmo_assim , Harry teve de se afastar quando ela lhe deu uma forte pancada em a cabeça com a frigideira cheia de detergente . A seguir distribuiu lhe trabalho e o castigo de só voltar a comer quando tivesse acabado tudo . Enquanto Dudley andava a flanar , olhando para o ar e comendo gelados , Harry limpou as janelas , lavou o carro , aparou a relva , adubou os canteiros , podou e regou as rosas e pintou de_novo o banco de o jardim . O sol ardia lá em cima , queimando lhe a parte de trás de o pescoço . Harry sabia que não devia ter provocado Dudley mas ele dissera precisamente aquilo que ele próprio pensava ... talvez não tivesse amigos em Hogwarts . Deviam ver agora o famoso Harry_Potter , pensou amargamente enquanto espalhava adubo em os canteiros , as costas a doerem lhe e o suor a escorrer lhe por o rosto . Eram sete_e_meia_da_tarde quando , por fim , exausto , ouviu a tia Petúnia a chamá o . - Anda para dentro e passa por cima de os jornais . Harry entrou satisfeito em a sombra de a cozinha que rebrilhava . Sobre o frigorífico estava o bolo de a noite : um enorme monte de crome batido coberto de violetas de açúcar . A carne de porco assava em o forno . - Come depressa , os Mason devem estar a chegar ! - exclamou bruscamente a tia Petúnia , apontando para duas fatias de pão e uma de queijo que estavam em cima de a mesa de a cozinha . Ela já tinha posto um vestido de * cocktail * cor de salmão . Harry lavou as mãos e comeu aquele triste jantar . Mal tinha terminado , a tia Petúnia tirou lhe o prato . - Lá para_cima , rápido ! A o passar por a porta de a sala , Harry vislumbrou o tio Vernon e Dudley de casaco e gravata . Tinha acabado de chegar a o cimo de as escadas quando a campainha de a porta tocou e a cara de o tio Vernon apareceu em o patamar . - Lembra te , rapaz , um ruído que seja ... Harry entrou em o quarto em bicos de pés , fechou a porta e preparou se para se meter em a cama . O problema é_que estava lá alguém sentado . II_O aviso de Dobby_Harry conseguiu não gritar , mas foi por_pouco . A pequena criatura que estava em a cama tinha umas orelhas grandes e largas e uns olhos verdes protuberantes de o tamanho de bolas de ténis . Harry percebeu imediatamente que fora para ele que tinha estado a olhar de manhã . Enquanto olhavam um para o outro , Harry ouviu a voz de Dudley em o * hall * . - Posso guardar os vossos casacos , Mr. e Mrs._Mason ? A criatura escorregou por a cama e curvou se tanto que a ponta de o seu enorme nariz tocou em o tapete . Harry reparou que ele tinha vestido uma espécie de fronha de almofada com buracos para os braços e pernas . - Er ... Olá - disse Harry , um_pouco nervoso . - Harry_Potter ! - exclamou a criatura em uma voz tão estridente que Harry calculou que poderia ouvir se lá em baixo . - Há tanto tempo que Dobby queria conhecê o , senhor . É uma enorme honra ... - Ob-obrigado - disse Harry , deslocando se a o longo de a parede e sentando se em a cadeira de a secretária , junto de Hedwig que dormia em a sua grande gaiola . Queria perguntar lhe « O que és tu ? » , mas pensou que seria má educação , por isso perguntou : - Quem és tu ? - Dobby , senhor . Apenas Dobby , o elfo de casa - afirmou a criatura . - Oh ! A sério ? - perguntou Harry . - Não quero ser mal-educado , mas esta não é a melhor altura para ter um elfo em o meu quarto . O riso falso de a tia Petúnia ouvia se em a sala de jantar . O elfo deixou cair a cabeça . - Não que eu não me sinta feliz por te conhecer - disse Harry rapidamente - mas , er ... estás aqui por algum motivo em especial ? - Oh , sim senhor - disse Dobby muito a sério . - Dobby veio dizer lhe que ... é difícil ... Dobby não sabe por_onde começar ... - Senta te - disse Harry educadamente , apontando lhe a cama . Para seu horror , o elfo debulhou se em lágrimas bastante ruidosas . -- S-senta-te ! - repetiu . - Nunca em toda_a minha vida ... Harry pareceu lhe ouvir as vozes lá em baixo vacilarem . - Desculpa - murmurou . - Eu não queria ofender te ... - Ofender Dobby ! - exclamou o elfo em um sufoco . - Nunca nenhum feiticeiro disse a o Dobby que se sentasse como um seu igual , senhor . Harry , tentando dizer lhe « Sch ... » e confortá o ao_mesmo_tempo , conduziu Dobby de_novo até a a cama onde ele se sentou a soluçar , parecendo uma grande boneca muito feia . Por fim , conseguiu controlar se e ficou quieto , com os seus grandes olhos fixos em Harry em uma expressão de absoluta adoração . - Não deves ter conhecido muitos feiticeiros sérios - disse lhe , tentando animá o . Dobby abanou a cabeça . Em seguida , sem qualquer aviso , saltou e começou a bater furiosamente com a cabeça em a janela , gritando : - Dobby é mau ! Dobby é mau ! - Pára , o que é_que estás a fazer ? - perguntou Harry em um murmúrio sibilante , dando um salto e puxando Dobby de_novo para a cama . Hedwig acordara com um pio particularmente agudo e batia agressivamente com as asas contra as grades de a gaiola . - Dobby tinha que se castigar , meu senhor - afirmou o elfo , que ficara ligeiramente estrábico . - Dobby quase falou mal de a família de ele ... - De a tua família ? - De a família de feiticeiros que Dobby serve , meu senhor ... O Dobby é um elfo de casa , obrigado a servir uma casa e uma família para sempre . - Eles sabem que estás aqui ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Dobby estremeceu . - Oh , não senhor , não ... Dobby vai ter que se castigar muito por ter vindo vê o . Dobby vai ter que entalar as orelhas em a porta de o forno por isto . Se eles soubessem , senhor ... - Mas achas que eles não vão reparar se tu entalares as orelhas em a porta de o forno ? - Dobby duvida , senhor . Dobby está sempre a ter de se castigar por qualquer coisa . Eles deixam que o Dobby se castigue . _ às_vezes até sugerem alguns castigos extra . - Mas por_que é_que não te vais embora , não foges ? - Um elfo de casa tem de ser libertado , senhor . E a família nunca libertará Dobby . Dobby servirá a família até morrer . Harry olhou para ele . - E eu que pensava que era infeliz por ter de ficar aqui mais quatro semanas - declarou . - Isto faz os Dursleys parecerem quase humanos . Será que ninguém te pode ajudar ? Poderei eu ? Em o mesmo momento , Harry desejou não ter aberto a boca . Dobby desfez se em ruidosos soluços de gratidão . - Por favor - murmurou Harry , inquieto . - Por favor , está calado . Se os Dursleys ouvem barulho , se eles sabem que estás aqui ... - Harry_Potter pergunta se pode ajudar Dobby . Dobby ouviu falar de a sua grandeza , mas de a sua bondade , Dobby nada sabia . Harry , que se sentia corar , disse : - Seja o que for que tenhas ouvido sobre a minha grandeza , é um disparate . Nem_sequer sou o melhor de o meu ano em Hogwarts . É a Hermione . Ela ... Mas calou se rapidamente porque pensar em Hermione era lhe doloroso . - Harry_Potter é humilde e modesto - disse Dobby reverentemente , com os seus olhos de globo avermelhados . - Harry_Potter não fala de a sua vitória sobre « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . - Voldemort ? - perguntou Harry . Dobby bateu com as mãos em as enormes orelhas e gemeu : - Ai não diga o nome , senhor . Não diga o nome ! - Desculpa - disse Harry muito depressa . - Eu sei que muita gente não gosta . O meu amigo Ron ... Calou se de_novo . Pensar em o Ron era igualmente doloroso . Dobby voltou para Harry os seus dois olhos grandes como candeeiros . - Dobby ouviu dizer - balbuciou com voz rouca - que Harry_Potter encontrou o Senhor_do_Mal uma segunda vez há poucas semanas atrás ... que Harry_Potter lhe escapou de_novo . Harry acenou e os olhos de Dobby encheram se de lágrimas . - Ah , senhor - disse em um sobressalto , limpando o rosto com a ponta de a fronha de almofada que tinha vestida . - Harry_Potter é valente e arrojado . Enfrentou tantos perigos ! Mas Dobby veio protegê o , avisar Harry_Potter , mesmo_que para isso tenha de entalar as orelhas em a porta de o forno , que Harry_Potter não deve voltar para Hogwarts . Houve um silêncio apenas quebrado por o ruído de os garfos e de as facas lá em baixo e por a voz distante de o tio Vernon . - O q-q-uê ? - gaguejou Harry . - Mas eu tenho de voltar , o ano começa em o dia um de Setembro . É a minha razão de viver . Tu não sabes como são as coisas aqui . Eu não pertenço a este lugar , o meu lugar é em Hogwarts . - Não , não , não - guinchou Dobby , sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas andavam de um lado para o outro . - Harry_Potter deve ficar aqui , onde se encontra a salvo . É demasiado grande , demasiado bom para se perder . Se Harry_Potter regressar a Hogwarts correrá perigo de vida . - Porquê ? - inquiriu Harry , surpreendido . - Há uma conspiração , Harry_Potter . Uma conspiração para fazer acontecer coisas terríveis este ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts - murmurou Dobby que começara a tremer de a cabeça a os pés . - Dobby sabe de isto há meses , senhor . Harry_Potter não deve expor se a o perigo . É demasiado importante . - Que coisas terríveis são essas ? - perguntou Harry sem perder tempo . - Quem está por detrás ? Dobby fez um ruído esquisito e começou a bater com a cabeça contra a parede como um louco . - Está bem - gritou Harry , agarrando o braço de o elfo para o fazer parar . - Não podes dizer , eu compreendo . Mas porque vieste avisar me ? - Um pensamento súbito e desagradável surgiu lhe . - Espera aí , isto tem alguma coisa que ver com o Vol , desculpa com o Quem nós sabemos ? Basta que faças sim ou não com a cabeça - acrescentou com vivacidade enquanto a cabeça de Dobby se inclinava de_novo a uma velocidade preocupante para a parede . Lentamente , Dobby abanou a cabeça . - Não , não é « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . Os olhos de Dobby estavam abertos como_se estivesse a tentar dar a Harry uma pista , mas Harry estava completamente a a nora . - Ele não tem nenhum irmão , ou tem ? Dobby abanou a cabeça , os olhos mais abertos do_que nunca . - Bem , em esse caso não estou a ver quem mais poderia ter a possibilidade de fazer acontecer coisas horríveis em Hogwarts - disse Harry . - Quero dizer , para já está lá o Dumbledore . Sabes quem é Dumbledore , não sabes ? Dobby baixou a cabeça . - Albus_Dumbledore é o melhor director que Hogwarts alguma vez teve . Dobby sabe , senhor . Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore rivalizam com os d'aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Mas , senhor - a voz de Dobby desceu a um urgente murmúrio - há poderes que Dumbledore não ... poderes que nenhum feiticeiro sério ... E antes que Harry conseguisse impedi o Dobby saltou de a cama , agarrou o candeeiro de secretária de Harry e começou a bater com a cabeça , dando uivos ensurdecedores . Fez se silêncio lá em baixo . Dois segundos mais tarde , Harry com o coração a bater como um louco , ouviu o tio Vernon chegar a o * hall * e dizer . - O Dudley deve ter deixado outra_vez a televisão ligada , o maroto ! - Depressa , para dentro de o guarda-fatos - gritou Harry , empurrando Dobby bem para o fundo , fechando a porta e metendo se a correr em a cama mesmo a_tempo_de ver a maçaneta de a porta a girar . - Que diabo estás tu a fazer ? - disse o tio Vernon entre dentes , o rosto assustadoramente próximo de o de Harry . - Acabas de estragar o ponto alto de a minha anedota de o golfista japonês . Eu que oiça mais um som e vais desejar nunca ter nascido , rapaz ! Abandonou o quarto com grandes passadas . A tremer , Harry deixou Dobby sair de o guarda-fatos . - Estás a ver como são as coisas por aqui ? - disse . - Vês porque tenho de voltar para Hogwarts ? É o único sítio onde eu tenho ... bem , onde eu acho que tenho amigos . - Amigos que nem_sequer escrevem a Harry_Potter ? - disse Dobby com ar manhoso . - Calculo que devem ter estado ... espera aí - disse Harry , franzindo a testa . - Como é_que tu sabes que os meus amigos não me têm escrito ? Dobby arrastou os pés . - Harry_Potter não deve zangar se com Dobby . Dobby fez o que achou melhor ... - Tu tens estado a interceptar me as cartas ? - Dobby tem as aqui , senhor - disse o elfo . Saltando para longe de o alcance de Harry , retirou de dentro de a fronha que usava um espesso saco cheio de envelopes . Harry reconheceu de imediato a caligrafia certinha de Hermione , a escrita desordenada de Ron e até uns gatafunhos que pareciam ser de o guarda de os campos de Hogwarts , Hagrid . Dobby piscava ansiosamente os olhos . - Harry_Potter não deve ficar zangado ... Dobby esperava que ... se Harry_Potter pensasse que os amigos o tinham esquecido ... Harry_Potter talvez não quisesse voltar a a escola , senhor . Harry não o ouvia . Fez um gesto para agarrar as cartas , mas Dobby deu um salto , afastando se . - Harry_Potter terá as cartas , senhor , se der a Dobby a sua palavra de não voltar a Hogwarts . Ah , senhor , é um risco que não deve correr . Diga que não volta , senhor ! - Não - afirmou Harry zangado . - Dá me as cartas de os meus amigos ! - Em esse caso , Harry_Potter deixa Dobby sem escolha - disse o elfo tristemente . Antes que Harry pudesse fazer um movimento , Dobby tinha aberto a porta de o quarto e descido a correr por as escadas abaixo . Com a boca seca e um aperto em o estômago , Harry correu atrás de ele , tentando não fazer barulho . Saltou os últimos seis degraus , aterrando como um gato em a carpete de o * hall * , olhando em volta a a procura de Dobby . De a sala de jantar , ouviu a voz de o tio Vernon : - Conte a a Petúnia aquela história engraçadíssima de os funileiros americanos , ela tem estado louca por ouvi a , Mr._Mason . Harry correu de o * hall * para a cozinha e sentiu o estômago ficar pequenino . O pudim , que era a a obra-prima de a tia Petúnia , a montanha de creme batido coberto de violetas de açúcar flutuava junto de o tecto . Em cima de o guarda-louça de o canto , Dobby inclinava se servilmente . - Não - suplicou Harry . - Por favor , eles matam me . - Harry_Potter deve dizer que não vai voltar a a escola ... - Dobby , por favor . - Diga , senhor . - Não posso . Dobby lançou lhe um olhar trágico . - Então , Dobby deve fazê o , senhor , para o bem de Harry_Potter . O pudim foi direito a o chão em uma queda que parecia um coração a parar . O crome esguichou para as janelas e para as paredes , enquanto o prato se despedaçava . Com o ruído de uma chicotada , Dobby desapareceu . Ouviram se gritos em a casa de jantar e o tio Vernon irrompeu por a cozinha onde foi dar com Harry coberto , de a cabeça a os pés , por o pudim de a tia Petúnia . A princípio parecia que o tio Vernon ia conseguir arranjar uma desculpa para aquilo tudo . ( É só o nosso sobrinho , muito perturbado ; conhecer pessoas estranhas deixa o muito nervoso , por isso deixamos o lá em cima ... ) Conduziu_os_Mason , bastante chocados , para a sala de jantar , garantindo a Harry que o esfolava vivo quando os Mason se fossem embora e pôs lhe em as mãos um esfregão . A tia Petúnia descobriu um resto de gelado em o frigorífico e Harry , ainda a tremer , começou a limpar a cozinha . O tio Vernon poderia ainda ter feito o negócio , se não fosse a coruja . Estava a tia Petúnia a circular com uma caixa de After-Eight , quando uma enorme coruja de celeiro fez a sua entrada vertiginosa através de a janela de a casa de jantar , deixando cair uma carta em a cabeça de Mr._Mason e desaparecendo logo_a_seguir . Mrs._Mason gritava como uma carpideira e corria por a casa praguejando contra os lunáticos . Mr._Mason ficou o tempo estritamente necessário para dizer a os Dursleys que a mulher tinha um medo pânico de pássaros de todas_as formas e tamanhos e perguntar lhes se aquela era alguma brincadeira de mau gosto . Harry não saiu de a cozinha , agarrando o esfregão como defesa , enquanto o tio Vernon avançava para ele com um brilho demoníaco em os olhos pequeninos . - Lê isso - ordenou maldosamente . Harry pegou em a carta . Não era a desejar lhe um bom aniversário . * _ Caro_Mr._Potter , * _ Recebermos hoje informações de que um feitiço de suspensão em o ar foi efectuado em sua casa esta noite , a as nove_horas_e_doze_minutos . * _ Como sabe , os feiticeiros menores não estão autorizados a praticar magia fora de a escola e , se efectuar mais um trabalho mágico , será expulso de a nossa escola . ( Decreto_de_Restrições_Razoáveis_para_Feitiçaria_de_Menores , 1875 , parágrafo C. ) * _ Pedimos-lhe também que se lembre que qualquer actividade que possa ser notada por membros alheios a a nossa comunidade ( Muggles ) constitui uma ofensa grave , segundo a secção 13 de a Confederação_Internacional_do_Estatuto_da_Magia_Secreta . * _ Tenha umas boas férias . * Atenciosamente_Mafalda_Hopkirk_Gabinete_da_Utilização_Imprópria_da_Magia_Ministério_da_Magia * . Harry olhou para a carta e engoliu em seco . - Tu não nos contaste que estavas proibido de usar magia fora de a escola - disse o tio Vernon com um brilho maldoso a dançar lhe em os olhos . - Esqueceste te de o mencionar , passou te , não foi ? Tinha se aproximado de Harry como um grande * bulldog * , com todos os dentes a a mostra . - Tenho boas notícias para ti , rapaz , vou fechar te a a chave e , se tentares sair através_de magia , nunca mais voltas a aquela escola , eles expulsam te . E rindo como um louco , arrastou Harry até a o andar de cima . O tio Vernon era mau como as cobras . Em a manhã seguinte pagou a um homem para colocar grades em a janela de o quarto de Harry . Ele próprio abriu um pequeno buraco em a porta de o quarto para que a comida pudesse ser introduzida três vezes por dia . Deixavam o Harry sair para ir a a casa_de_banho de manhã e a o final de a tarde . O resto de o tempo estava fechado em o quarto , a a espera que o tempo passasse . Três dias mais tarde , os Dursleys não mostravam qualquer intenção de abrandar o castigo e Harry não sabia como sair de aquela situação . Estava deitado em a cama , vendo o sol brilhar por_entre as grades de a janela e perguntando se tristemente o que viria a acontecer lhe . Qual era a vantagem de sair de ali por artes mágicas , se Hogwarts o expulsaria em seguida ? Contudo , a vida em Privet_Drive tinha atingido o seu nível mais baixo . Agora_que os Dursleys tinham a certeza que não iam acordar transformados em morcegos , ele perdera a única arma que tinha . O Dobby podia tê o salvo de acontecimentos terríveis em Hogwarts , mas de a maneira que as coisas estavam , ele morreria muito provavelmente a a fome . A portinhola rangeu e a mão de a tia Petúnia apareceu empurrando uma tigela de sopa de pacote para dentro de o quarto . Harry , que estava cheio de fome , saltou de a cama e agarrou a . A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um único trago . A seguir , atravessou o quarto até a a gaiola de Hedwig e pôs os legumes ensopados dentro de o seu pratinho vazio . Ela agitou as penas e olhou o com profunda repugnância . - Não vale de nada virares lhe as costas . É tudo_o_que temos - disse Harry , de modo severo . Colocou a tigela vazia em o chão junto de a portinhola e voltou para_cima de a cama , de certo modo com mais fome do_que antes de ter comido a sopa . Admitindo que estaria ainda vivo dentro_de quatro semanas o que aconteceria se ele não se apresentasse em Hogwarts ? Será que mandariam alguém obrigar os Dursleys a deixá o ir ? O quarto começava a escurecer . Exausto e com o estômago a dar horas , o cérebro a as voltas com as mesmas questões sem resposta , Harry caiu em um sono intranquilo . Sonhou que fazia parte de um espectáculo de o jardim zoológico . Preso a a jaula onde se encontrava estava um cartaz onde podia ler se « feiticeiro menor de idade « . As pessoas olhavam o com olhos protuberantes , enquanto ele jazia fraco e esfomeado em um leito de palha . Viu a cara de o Dobby em o meio de a multidão e gritou lhe , pedindo ajuda , mas o Dobby respondeu : - Harry_Potter está em segurança aí , senhor - e desapareceu . Em seguida vieram os Dursleys e Dudley bateu em as grades de a jaula , rindo se de ele . - Pára com isso - murmurou Harry como_se aquele ruído martelasse em a sua cabeça dorida . - Deixa me em paz , pára com isso , estou a tentar dormir . Abriu os olhos . O luar brilhava através de as grades de a janela . E lá fora alguém olhava de olhos arregalados para ele : alguém de rosto sardento , cabelo ruivo e nariz grande . Ron_Weasley estava de o lado de_fora de a janela . III « A toca » Ron ! - exclamou Harry , arrastando se até a a janela e empurrando a para poderem falar através de as grades . - Ron , como é_que tu , foi o ... ? Harry ficou de boca aberta , espantado com o que viu . Ron estava debruçado de a janela de trás de um velho automóvel azul-turquesa que se encontrava estacionado em o ar . Em os lugares de a frente , rindo se para Harry , estavam os irmãos mais velhos , os gémeos Fred e George . - Tudo bem , Harry ? - O que é_que se tem passado ? - perguntou o Ron . - Porque não respondeste a as minhas cartas ? Convidei te para vires ter comigo umas doze vezes e um dia o pai chegou a casa e comunicou nos que tu tinhas recebido um aviso oficial por usares magia diante de os Muggles ... - Não fui eu . E como é_que ele soube ? - Ele trabalha em o Ministério - disse o Ron . - Tu sabes que nós não podemos fazer feitiços fora de a escola . - Bem , isso vindo de ti ... - exclamou Harry , olhando para o carro flutuante . - Oh , isto não conta - disse Ron . - Foi o meu pai que o emprestou . Não o fizemos aparecer por magia . Mas usar magia em a frente de esses Muggles com quem tu vives ... - Já te disse que não fui eu , mas vai demorar muito_tempo a explicar te isso agora . És capaz de avisar em Hogwarts que os Dursleys me fecharam a a chave e que não querem deixar me voltar e obviamente eu não posso sair de aqui magicamente senão o Ministério vai achar que é a segunda vez em três dias e ... - Pára com essa conversa tola - disse o Ron . - Viemos para te levar connosco . - Mas tu também não podes tirar me de aqui utilizando processos mágicos ... - Não precisamos de isso - afirmou Ron , fazendo um sinal de cabeça para os lugares de a frente . - Esqueces te de quem está aqui comigo . - Amarra isso em volta de as grades - disse o Fred , lançando a Harry a ponta de uma corda . - Se os Dursleys acordam estou feito - lamentou se Harry enquanto dava um nó bem apertado com a corda em uma de as grades e o Fred arrancava com o carro . - Não te preocupes e chega te para trás . Harry recuou para a sombra , para junto de Hedwig que parecia ter se apercebido de a importância de tudo aquilo , mantendo se quieta e em silêncio . O carro puxou mais e mais e , subitamente , com um ruído de ferro a ceder , as grades foram arrancadas de a janela , enquanto Fred conduzia com o céu como estrada . Harry correu de_novo para a janela para ver as grades a balouçarem a poucos metros de o chão . Ofegante , Ron içou as para dentro de o carro . Harry escutou ansiosamente mas não vinha qualquer som de o quarto de os Dursleys . Quando as grades estavam em segurança em os lugares de trás junto de Ron , Fred aproximou se o_máximo que lhe foi possível de a janela . - Anda de aí - disse . - Mas , todas_as minhas coisas de Hogwarts , a minha varinha , a minha vassoura ... - Onde estão ? - Fechadas em a despensa debaixo de as escadas e eu não posso sair de este quarto . . - Não há azar - disse o George . - Sai de a frente , Harry . Fred e George treparam cautelosamente e entraram por a janela em o quarto de Harry . Tinhas que ter aberto a boca , pensou Harry enquanto George tirava de o bolso um vulgar gancho de cabelo e começava a tentar abrir a fechadura . - Muitos feiticeiros acham que é uma perda de tempo aprender os truques de os Muggles - disse o Fred . - Mas nós pensamos que há habilidades que é sempre útil conhecer apesar_de serem um_pouco lentas . Ouviu se um pequeno clique e a porta abriu se . - Pronto , vamos buscar as tuas coisas . Tu vai dando a o Ron aquilo que precisas de aí de o teu quarto - murmurou George . - Cuidado com o degrau de cima que range - sussurrou Harry enquanto os gémeos desapareciam em o escuro . Harry deu a volta a o quarto , recolhendo as suas coisas e passando as por a janela a o Ron . Em seguida , foi ajudar o Fred e o George a trazerem o resto por as escadas acima . Ouviu o tio Vernon tossir . Por fim , de língua de_fora , chegaram a o quarto , junto de a janela aberta . Fred trepou para o carro para puxar os volumes com o Ron enquanto Harry e George os empurravam de dentro de o quarto . Centímetro a centímetro o malão foi passando por a janela . O tio Vernon tossiu de_novo . - Mais um_pouco - disse o Fred que estava a puxar de dentro de o carro . Um bom empurrão , vá . Harry e George encostaram os ombros contra a mala e ela escorregou para a parte de trás de o carro . - O. _ K. , vamos embora - murmurou o George . Mas quando Harry trepava para o parapeito de a janela ouviu se um forte pio atrás de ele , imediatamente seguido de o vociferar de o tio Vernon . - Aquela maldita coruja ! - Esqueci me de a Hedwig ! Harry precipitou se de_novo para o quarto , enquanto a luz de o patamar se acendia . Agarrou a gaiola de Hedwig , correu para a janela e passou a a o Ron . Estava a subir para_cima de a cómoda quando o tio Vernon bateu em a porta , que não estava fechada , e esta se abriu completamente . Por uma fracção de segundo , o tio Vernon ficou estático junto de a porta . Em seguida , soltou um mugido como um boi zangado e avançou para Harry , agarrando o por o tornozelo . Ron , Fred e George seguraram o por os braços e puxaram o com toda_a força . - Petúnia - rosnou o tio Vernon . - Ele está a fugir ! : __ ele está a __ fugir ! Os Weasleys deram um puxão gigantesco e a perna de o Harry escapou a as garras de o tio Vernon . Logo_que Harry entrou em o carro e a porta se fechou , Ron gritou : - Acelera Fred ! - E o carro partiu subitamente em direcção a a lua . Harry mal podia acreditar que estava livre . Esticou se a a janela , o ar de a noite a fustigar lhe os cabelos e olhou para baixo , para os telhados apertados de Privet_Drive . O tio Vernon , a tia Petúnia e o Dudley estavam todos debruçados com cara de parvos , a a janela de o quarto de ele . - Até a o próximo Verão - gritou . Os Weasleys riam se a as gargalhadas e Harry esticou se para trás em o assento e pediu a o ouvido de Ron : - Deixa sair a Hedwig . Ela pode voar atrás_de nós . Há séculos que não tem uma oportunidade de esticar as asas . George passou a o Ron o gancho de cabelo e , um momento depois , a Hedwig saíra feliz por a janela , planando atrás de eles como um fantasma . - Então , qual é a história ? - perguntou Ron , impaciente . - O que é_que tem estado a acontecer ? Harry contou lhes tudo sobre o Dobby , o aviso de este e o fracasso de o pudim de violetas . Houve um longo silêncio quando ele se calou . - Isso cheira me a esturro - disse , por fim , o Fred . - Definitivamente misterioso - concordou George . - Então ele nem te disse quem está supostamente por detrás dessa trama toda ? - Acho que não podia - explicou Harry . - Já te disse , de cada_vez que estava quase a deixar escapar qualquer coisa , começava a bater com a cabeça em a parede . Viu Fred e George olharem um para o outro . - O quê ? Acham que ele estava a mentir me ? - perguntou Harry . - Bem - começou o Fred -- , coloquemos as coisas de o seguinte modo , os elfos de casa têm poderes mágicos próprios , mas geralmente não podem usá os sem a autorização de os seus donos . Eu acho que o bom de o Dobby foi enviado para evitar que voltasses para Hogwarts . Uma ideia de um engraçadinho . Haverá alguém em a escola com má vontade contra ti ? - Sim - responderam Harry e Ron , precisamente ao_mesmo_tempo . - Draco_Malfoy - explicou Harry . - Ele detesta me . - Draco_Malfoy ? - perguntou George , voltando se para trás . - O filho de o Lucius_Malfoy ? - Deve ser . Não é um nome muito vulgar , pois não ? - disse Harry . - Mas porquê ? - Ouvi o pai falar acerca de ele - confidenciou George . - Ele era um grande apoiante de o « Quem nós sabemos » . - E quando o « Quem nós sabemos » desapareceu - continuou o Fred , voltando a cara para olhar para Harry - o Lucius_Malfoy voltou , dizendo que não foi por vontade própria que fez o que fez . Monte de lixo . O pai acha que ele fazia parte de um círculo de amigos íntimos de o « Quem nós sabemos » . Harry já tinha ouvido esses boatos sobre a família de Malfoy e não o surpreenderam em absoluto . Malfoy fizera Dudley_Dursley parecer um rapazinho simpático , amável e sensível . - Não sei se os Malfoy têm um elfo de casa ... - afirmou Harry . - Bem , quem quer que o possua é sem dúvida uma antiga família de feiticeiros e deve ser rica - explicou Fred . - Sim . A mãe está sempre a desejar que pudéssemos ter um elfo de casa para passar a roupa a ferro - disse o George . - Mas só temos um velho vampiro piolhoso em o sótão e gnomos espalhados por o jardim . Os elfos de casa pertencem a as grandes casas senhoriais , a os castelos e lugares assim , não encontrarias um em a nossa casa ... Harry estava calado . Considerando que Draco_Malfoy tinha sempre as melhores coisas , que a sua família nadava em ouro de feiticeiros , era fácil imaginá o passeando se por uma enorme casa senhorial . Mandar o servo de a família evitar que Harry voltasse para Hogwarts também parecia exactamente o tipo de coisa que Malfoy poderia fazer . Teria Harry sido estúpido a o tomar Dobby a sério ? - De qualquer modo , ainda_bem que viemos buscar te - declarou Ron . - Eu começava a ficar seriamente preocupado por não responderes a nenhuma de as minhas cartas . A princípio pensei que a culpa fosse de a Errol ... - Quem é a Errol ? - A nossa coruja . Já é velhota . Não seria a primeira vez que adoecia durante uma entrega . Por isso , tentei pedir a Hermes emprestada ... - Quem ? - A coruja que os meus pais compraram a o Percy quando ele foi nomeado prefeito - respondeu Fred . - Mas o Percy não me a emprestou . Disse que precisava de ela . - O Percy tem andado com atitudes muito estranhas este Verão - comentou George franzindo a testa . - E tem mandado imensas cartas e passado um tempo infinito fechado em o quarto ... enfim , pode limpar se e polir um distintivo de prefeito todas_as vezes que se quiser ... Estás a conduzir demasiado para ocidente , Fred - acrescentou apontando para uma bússola em o painel de o automóvel . Fred girou o volante . - Então , o vosso pai sabe que têm o carro ? - perguntou Harry , quase adivinhando a resposta . - Er ... não - disse o Ron . - Ele tinha trabalho esta noite . Felizmente vamos poder pô o de_novo em a garagem , sem a mãe perceber que andámos a voar nele . - A propósito , o que faz o vosso pai em o Ministério_da_Magia ? - Trabalha em o Departamento mais chato - respondeu Ron . - A Divisão de utilização incorrecta de artefactos de os Muggles . - O quê ? - Relaciona se com objectos de feitiçaria que foram feitos por os Muggles ; sabes como é , se forem parar de_novo a uma loja de os Muggles , ou a uma casa , como em o ano passado , quando morreu uma bruxa velha e o bule de ela foi vendido a uma loja de antiguidades . Uma mulher Muggle comprou o , tentou servir chá a os amigos . Foi um pesadelo , o pai teve de fazer horas extraordinárias durante semanas . - O que é_que aconteceu ? - O bule parecia louco , esguichou chá a ferver para todos os lados e um de os homens foi parar a o hospital com a pinça de o açúcar presa em o nariz . O pai ficou nervosíssimo . É só ele e o velho feiticeiro Perkings em o gabinete e tiveram de localizar e descobrir todo o tipo de encantamentos para resolver o assunto . - Mas o teu pai ... este carro ... Fred riu se . - Sim , o pai é louco por tudo_o_que tem que ver com os Muggles . A nossa arrecadação está cheia de coisas de os Muggles . Ele separa as , lança lhes feitiços e volta a pô as em o lugar . Se ele fizesse uma busca a nossa casa teria de se prender a si mesmo . A minha mãe fica louca com tudo aquilo . - É a estrada principal - gritou o George , apontando para baixo através de a janela . - Dentro_de poucos minutos estamos lá , mesmo a tempo , está a começar a clarear . Um leve brilho rosado tingia o horizonte para leste . Fred trouxe o carro para baixo e Harry pôde ver uma manta de retalhos de campos escuros e matas de arbustos . - Estamos um_pouco longe de a vila - disse George . - Em Ottery_St . Catchpole ... O carro voador foi descendo a os poucos . A luz avermelhada brilhava agora por_entre as árvores . - Terra - disse o Fred , em o momento em que tocaram em o chão com um ligeiro solavanco . Tinham aterrado perto_de uma garagem em ruínas em um pequeno pátio e Harry viu pela_primeira_vez a casa de o Ron . Parecia ter sido em tempos uma pocilga de pedra . Mas os quartos que posteriormente lhe tinham sido acrescentados haviam a tornado bastante mais alta e o seu aspecto era tão curvado que parecia ter sido construída por artes mágicas ( o que , pensou Harry , era , muito provavelmente , verdade ) . De o telhado vermelho saíam quatro ou cinco chaminés . Junto de a entrada , fixa em o chão , podia ver se uma inscrição assimétrica que dizia « A toca » . A o lado de a porta principal estava uma contusão de botas de * _ Wellington * e um caldeirão completamente enferrujado . Por o pátio passeavam se várias galinhas castanhas e gordas . - Não é grande coisa - desculpou se o Ron . - É óptima - exclamou Harry , feliz , pensando em Privet_Drive . Saíram de o carro . - Agora vamos lá para_cima sem fazer barulho - disse o Fred . - E esperamos que a mãe nos chame para o pequeno-almoço . Depois tu , Ron , desces a escada entusiasmadíssimo . - Mãe , olha quem apareceu cá durante a noite ! - E ela vai sentir se felicíssima quando vir o Harry . Assim ninguém fica a saber que levámos o carro voador . - Certo - disse o Ron . - Vamos , Harry , eu durmo em o ... Ron ganhou uma cor de um pálido esverdeado , os olhos fixos em a casa . Os outros três fizeram meia volta . Mrs._Weasley avançava por o pátio , afugentando as galinhas e , para uma mulher baixa , roliça e simpática , era fantástico como conseguia parecer se com um tigre dentes-de-sabre . - Ah ! - suspirou o Fred . - Oh , oh ! - exclamou o George . Mrs._Weasley parou em frente de eles . As mãos em as ancas , saltando de um olhar culpado para o outro . Usava um avental a as flores , com uma varinha a sair lhe de o bolso . - Com que então - disse . - Bom dia , mãe - arriscou o George com uma voz que tentou que fosse alegre e bem-disposta . - Vocês têm alguma ideia de como tenho estado preocupada ? - perguntou Mrs._Weasley em um murmúrio fraco . - Desculpe , mãe , mas sabe , nós tivemos que ... Os três filhos de Mrs._Weasley eram mais altos do_que ela , mas tremiam quando a fúria de a mãe se abatia sobre eles . - Camas vazias ! Nem um bilhete ! O carro desaparecido ... Podiam ter tido um acidente , estou fora de mim com tanta preocupação e vocês nem se importam ... nunca , enquanto eu for viva ... esperem só até o vosso pai chegar , nunca tivemos problemas de estes com o Bill , com o Charlie ou com o Percy ... - O perfeito Percy - resmungou Fred . - : __ tu não vales um dedo de a mão de o __ percy ! - gritou Mrs._Weasley , espetando um dedo em o queixo de o Fred . - Podias ter morrido , podias ter sido visto , podias ter feito com que o teu pai perdesse o emprego ... Parecia nunca mais acabar . Mrs._Weasley tinha gritado até ficar ronca , antes de se voltar para o Harry , que recuou . - Estou muito contente por te ver , Harry - disse . - Entra e vem tomar o pequeno-almoço . Ela voltou se e regressou a casa e Harry , depois de trocar um olhar nervoso com o Ron , que lhe acenou , encorajando o , seguiu a . A cozinha era pequena e bastante estreita . A meio havia uma enfezada mesa de madeira e cadeiras em volta e Harry sentou se a a beirinha de o assento , olhando em volta . Era a primeira vez que entrava em uma casa de feiticeiros . O relógio em a parede em frente de ele , tinha apenas um ponteiro e nenhum número . Em volta , estavam escritas frases como « Hora de fazer o chá » , « Hora de dar de comer a as galinhas « e « Estás atrasado » . Empilhados em o rebordo de a lareira estavam livros com títulos como * _ Encanta o teu próprio queijo , Encantamento em a cozedura de o pão e Banquetes em um minuto - é mágico * ! E , a menos que os ouvidos de Harry estivessem a traí o , o velho rádio próximo de o lava-loiças acabara de anunciar que a seguir vinha a Hora de enfeitiçar com a popular feiticeira-cantora Celestina_Warbeck . Mrs._Weasley fazia barulho com os talheres , preparando o pequeno-almoço um bocado a o acaso , lançando olhares furiosos a os filhos , enquanto lançava as salsichas em a frigideira . De vez em quando murmurava coisas como : « Não sei o que vos passou por a cabeça « ou « nunca devia ter confiado em vocês » . - Eu não te culpo , filho - tranquilizou Harry , pondo lhe sete ou oito salsichas em o prato . - Eu e o Arthur temos estado preocupados contigo . Ainda ontem a a noite estivemos a dizer que te iríamos buscar nós próprios se não respondesses a o Ron até sexta-feira . Mas , em a verdade ( estava agora a acrescentar três ovos estrelados a o prato de ele ) , atravessar metade de o país a voar em um carro ilegal , qualquer um vos poderia ter visto ... Agitou maquinalmente a varinha em a direcção de o lava-loiças , onde a loiça começou a lavar se sozinha , tinindo baixinho lá atrás . - Estava enevoado , mãe ! - exclamou o Fred . - Boca fechada enquanto comes ! - interrompeu Mrs._Weasley . - Eles estavam a fazê o passar fome , mãe ! - disse o George . - E tu também ! - disse Mrs._Weasley , mas já foi com uma expressão mais doce que começou a cortar o pão para Harry e a barrá o com manteiga . Em esse momento , as atenções voltaram se para um pequenino volto de cabelos ruivos , em uma camisa de dormir até a os pés , que surgiu em a cozinha , deu um grito agudo e desapareceu de_novo . - É a Ginny - disse Ron baixinho a o Harry -- , a minha irmã . Tem falado de ti todo o Verão . - Sim , ela vai querer o teu autógrafo , Harry - riu se o Fred , mas o seu olhar cruzou se com o de a mãe e inclinou se para o prato , não voltando a abrir a boca . Ninguém falou até os quatro pratos estarem limpos , o que sucedeu a uma velocidade surpreendente . - Bolas , estou cansado - bocejou Fred , pousando a faca e o garfo . Acho que me vou deitar e ... - Não vais , não senhor - interrompeu Mrs._Weasley . - A culpa é tua se ficaste toda_a noite acordado . Vais fazer a des-gnomização de o jardim . Eles estão outra_vez a exagerar . - Oh , mãe ... - E vocês os dois o mesmo - dirigiu se a o Ron e a o Fred . - Tu podes ir para a cama , filho - disse a Harry . - Não lhes pediste que guiassem aquele carro miserável . Mas Harry , que se sentia acordadíssimo , respondeu prontamente : - Eu ajudo o Ron , nunca vi uma des-gnomização ... - É muito simpático de a tua parte , querido , mas é um trabalho chato - explicou Mrs._Weasley . - Vejamos o que o Lockhart tem a dizer acerca disto . E puxou de o rebordo de a lareira um livro pesadíssimo . George resmungou : - Mãe , nós sabemos * des-gnomizar * o jardim . Harry olhou para a capa de o livro de Mrs._Weasley . Em grandes letras douradas , que ocupavam grande parte de a capa , podia ler se Guia_de_Gilderoy_Lockhart para pragas caseiras . Via se também a grande fotografia de um feiticeiro bem-parecido , de cabelos loiros ondulados e olhos azuis brilhantes . Como sempre , em o mundo de os feiticeiros , a fotografia mexia se . O feiticeiro , que Harry calculou ser Gilderoy_Lockhart , não parava de lhes piscar os olhos descaradamente . Mrs._Weasley sorriu lhe . - Oh , ele é fantástico - disse . - Conhece bem as pragas caseiras . É um livro maravilhoso . - A mãe adora o - disse Fred em um murmúrio bastante audível . - Não sejas ridículo , Fred - repreendeu Mrs._Weasley com as bochechas coradas . - É claro que se achas que sabes mais do_que o Lockhart , podes ir fazer o trabalho e ai de ti se houver um único gnomo em o jardim quando eu for fazer a inspecção . A bocejar e a resmungar , os Weasley arrastaram se lá para fora com Harry atrás de eles . O jardim era grande e , em a opinião de Harry , exactamente como deveria ser um jardim . Os Dursleys não teriam gostado . Havia uma enorme quantidade de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada , mas havia árvores nodosas em volta de as paredes , plantas que Harry nunca vira , tombando de todos os canteiros e um grande lago verde cheio de rãs . - Os Muggles também têm gnomos de jardim , sabes - disse o Harry a o Ron , enquanto atravessavam a relva . - Sim , já vi essas coisas que eles pensam que são gnomos - disse o Ron todo dobrado , com a cabeça em uma moita de peónias . - Como os Pais_Natais gordinhos com canas de pesca ... Houve um tumulto ruidoso , a moita de peónias estremeceu e Ron endireitou se . - Isto_é um gnomo - declarou com um ar sério . - Larga eu ! Larga eu ! - guinchou o gnomo . Não se parecia em absoluto com o Pai_Natal . Era pequenino e parecia de couro , com uma grande cabeça protuberante e calva , precisamente como uma batata . Ron agarrou o a a distância de um braço , enquanto ele dava pontapés em o ar com os seus pézinhos que pareciam chifres . Agarrou o por os tornozelos e voltou o de pernas para o ar . - Isto_é o que tens de fazer - disse . Levantou o gnomo acima de a cabeça ( Larga eu ! ) e começou a balouçá o em grandes círculos , como os vaqueiros fazem com os laços . A o ver a expressão chocada de Harry , Ron explicou : - Não os mágoa . Só tens de os deixar bem tontos para que consigam encontrar o caminho de regresso a os buracos de os gnomos . Largou os tornozelos de o gnomo . Ele voou seiscentos metros e aterrou com um ruído surdo em o campo a o lado de a sebe . - Deplorável - afirmou o Fred . - Aposto que consigo lançar o meu para_além de aquele tronco . Harry aprendeu rapidamente a não sentir muita pena de os gnomos . Decidira largar o primeiro que apanhou para_além de a sebe , mas o gnomo , sentindo fraqueza , enfiou os seus dentinhos , aguçados como laminas , em o dedo de o Harry e não foi fácil sacudi o para ele o largar , até que ... - Uau , Harry , esse deve ter sido seiscentos metros ... O ar estava subitamente cheio de gnomos voadores . - Vês , eles não são muito espertos - afirmou o George , agarrando cinco ou seis de uma_vez . - Em o momento em que se apercebem que começou a * des-gnomização * , aparecem todos para espreitar . Era de esperar que já tivessem aprendido a ficar quietinhos . Rapidamente a multidão de gnomos começou a ir se embora , atravessando os campos em uma fila ordenada , com os pequeninos ombros arqueados . - Eles voltam - disse o Ron enquanto os via desaparecer em a sebe de o outro lado de o campo . - Eles adoram estar aqui ... o pai é muito mole com eles , acha lhes piada . Em esse momento , a porta de a frente bateu . - Ele já voltou ! - exclamou o George . - O pai já está em casa ! Apressaram se a entrar . Mr._Weasley tinha se afundado em uma de as cadeiras de a cozinha , sem óculos e com os olhos fechados . Era um homem magro , quase calvo , mas o pouco cabelo que tinha era tão ruivo como o de os filhos . Vestia um longo manto verde cheio de pó e estava cansado de a viagem . - Que noite - murmurou , tacteando em busca de o bule , enquanto todos se sentavam a a volta de ele . - Nove assaltos , nove ! E o velho Mundungs_Fletcher tentou lançar me um feitiço quando eu estava de costas . Mr._Weasley tomou um bom gole de chá e suspirou . - Encontrou alguma coisa , pai ? - perguntou Fred ansiosamente . - Só encontrei algumas chaves encolhidas e uma chaleira que mordia - bocejou Mr._Weasley . - Havia um material bastante mauzinho , mas não era de o meu departamento . O Mortlake foi levado para ser interrogado sobre uns furões extremamente antigos , mas isso pertence a a Comissão_dos_Feitiços_Experimentais , graças_a Deus . - Por_que é_que alguém ia dar se a o trabalho de fazer encolher chaves ? - perguntou George . - Para chatear os Muggles - suspirou Mr._Weasley . - Vende se lhes uma chave que não pára de encolher , até que desaparece , de_modo_a que nunca a encontrem quando precisam ... É claro que é muito difícil condenar alguém , porque nenhum Muggle é capaz de admitir que a sua chave está a encolher , insistem em que estão sempre a perdê a . Benditos sejam , vão até onde for preciso para ignorar a magia , mesmo_que ela esteja em frente de os seus narizes ... mas vocês não acreditariam em as coisas que o nosso grupo tem levado para enfeitiçar ... - : __ como carros , por __ exemplo ? Mrs._Weasley tinha aparecido , segurando um grande atiçador que parecia uma espada . Os olhos de Mr._Weasley abriram se de repente , fitando a mulher com um ar culpado . - C-carros , Molly querida ? - Sim , Artur , carros - afirmou Mrs._Weasley , os olhos a faiscar . - Imagina um feiticeiro a comprar um carro velho e enferrujado e dizer a a mulher que a única coisa que queria fazer com ele era desmontá o para ver como ele funcionava , enquanto em a verdade estava a enfeitiçá o para o fazer voar . Mr._Weasley piscou os olhos . - Bem , querida , acho que poderás constatar que não é ilegal fazer isso , embora , er , talvez ele devesse ter contado a verdade a a mulher ... Existe uma forma de tornear a lei , já_que ela diz que ... desde_que não se tenha a * intenção * de voar em o carro , o facto de ele poder voar , não ... - Arthur_Weasley tu arranjaste essa forma de tornear a lei quando a escreveste ! - gritou Mrs._Weasley . - Para poderes continuar a remexer em todo aquele lixo de os Muggles que tens em a arrecadação ! E , para tua informação , o Harry chegou hoje_de_manhã em o carro que tu não pretendias pôr a voar ! - Harry ? - perguntou Mr._Weasley sem expressão . - Qual Harry ? Olhou em volta , viu Harry e deu um salto . - Santo_Deus , é Harry_Potter ? Muito prazer , o Ron falou nos tanto de si ... - * _ O teu filho conduziu aquele carro até a a casa de o Harry e de volta até aqui em a noite passada ! * - gritou Mrs._Weasley . - O que tens a dizer a esse respeito ? - A sério ! ? - exclamou Mr._Weasley com vivacidade . - Correu tudo bem , quero dizer ... - vacilou a o ver os olhos de Mrs._Weasley que faiscavam . - Er , fizeram mal , rapazes , muito mal , mesmo ... - Vamos deixá os a os dois - murmurou o Ron , enquanto Mrs._Weasley inchava como um sapo gigantesco . - Vamos , vou mostrar te o meu quarto . Esgueiraram se de a cozinha e desceram uma passagem estreita que dava para uma escada desnivelada que ziguezagueava a o longo de a casa . Em o terceiro andar , estava uma porta entreaberta . Harry só teve tempo de ver um par de olhos castanhos brilhantes que o olhavam fixamente , antes de a porta se fechar com um estalido . - A Ginny - disse o Ron . - Não imaginas como é estranho vês a tão tímida , ela que quase nunca se cala ... Subiram mais dois andares , até chegarem a uma porta com a tinta a descascar e uma pequena placa dizendo : « Quarto_do_Ronald » . Harry entrou . A cabeça quase tocava em o tecto inclinado . Piscou os olhos . Era como entrar dentro_de uma fornalha : quase tudo em o quarto de o Ron tinha um violento matiz alaranjado : a colcha de a cama , as paredes , até o tecto . Em seguida , apercebeu se de que o Ron tinha coberto cada centímetro de o velho papel de parede com * posters * de as mesmas sete feiticeiras e feiticeiros , todos vestidos com brilhantes mantos cor de laranja , transportando vassouras e acenando entusiasticamente . - A tua equipa de Quidditch ? - perguntou Harry . - Os Chudley_Cannons - disse Ron , apontando para a colcha cor de laranja que tinha um brasão com dois C's gigantes e uma bala de canhão a_toda_a velocidade . - Nono em a Liga . Os livros de estudo de feitiços de Ron estavam empilhados desordenadamente a um canto , junto de um monte de B. _ D. , todas elas relativas a as * _ Aventuras_de_Martin_Miggs , o Muggle louco * . A varinha mágica de o Ron estava em_cima_de um aquário cheio de ovos de rã sobre o peitoril de a janela , junto de o seu rato gordo e cinzento , Scabbers , que dormia uma soneca a o sol . Harry passou por_cima_de um baralho de cartas de jogar com vontade própria , que estava caído em o chão , e olhou para fora de a janelinha . Em o campo , não muito longe , podia ver um grupo de gnomos a esgueirarem se , um a um , de_novo para a sebe de os Weasley . Em seguida , voltou se para Ron que o observava nervoso , como_se esperasse a opinião de ele . - É um_pouco pequeno - declarou o Ron muito depressa . - Não se parece nada com o quarto que tu tinhas em casa de os Muggles . E estou mesmo debaixo de o vampiro de o sótão . Ele anda sempre a bater nos canos e a gemer ... Mas Harry , com um grande sorriso , disse lhe : - Esta é a melhor casa em que eu já estive . As orelhas de Ron ficaram cor-de-rosa . IV_Na_Flourish and Blotts_A vida em a Toca era o mais diferente que é possível de a vida em Privet_Drive . Os Dursleys gostavam de tudo limpo e arrumado , em casa de os Weasleys explodia o estranho e o inesperado . Harry teve um choque de a primeira vez que olhou para o espelho que estava sobre a lareira de a cozinha e ele gritou : - Mete para dentro a camisa , * desmazelado ! * - O vampiro de o sótão gemia e batia nos canos , sempre_que sentia as coisas demasiado calmas e as pequenas explosões em o quarto de o Fred e de o George , eram consideradas perfeitamente normais . Mas o que o Harry achou mais bizarro em a vida em casa de o Ron , não foi o espelho que falava , nem o vampiro barulhento , foi o facto de todos ali em casa parecerem gostar de ele . Mrs._Weasley preocupava se com o estado de as suas meias e tentava obrigá o a servir se quatro vezes a cada refeição . Mr._Weasley gostava que Harry se sentasse a o lado de ele a a mesa para poder bombardeá o com perguntas sobre a vida com os Muggles , pedindo que lhe explicasse como funcionavam coisas como as canalizações e o serviço de os correios . - Fascinante ! - exclamava , enquanto Harry lhe explicava a utilização de o telefone . - Engenhoso , de facto , todas_as maneiras que os Muggles encontraram para passar sem a magia . Harry teve notícias de Hogwarts em uma manhã de sol , cerca de uma semana depois de ter chegado a a Toca . Quando , ele e o Ron desceram para tomar o pequeno-almoço , encontraram Mr. e Mrs._Weasley e Ginny já sentados a a mesa . Em o momento em que viu o Harry , Ginny entornou a tigela de os cereais , que caiu a o chão com grande espalhafato . Ginny entornava facilmente coisas sempre_que o Harry estava em a sala . Mergulhou debaixo de a mesa para apanhar a tigela e emergiu com o rosto a brilhar como o sol poente . Fingindo não ter dado por nada , Harry sentou se e aceitou a torrada que Mrs._Weasley lhe ofereceu . - Cartas de a escola - disse Mr._Weasley , passando a o Harry e a o Ron envelopes idênticos de pergaminho amarelado , com a morada escrita a tinta verde . - O Dumbledore já sabe que estás aqui , Harry , não perde nada aquele homem . Vocês os dois também - acrescentou , enquanto Fred e George deambulavam em a casa , ainda em pijama . Fez se silêncio durante alguns momentos , enquanto liam as respectivas cartas . A de o Harry dizia para apanhar o Expresso_de_Hogwarts , como sempre em a Estação_de_King's_Cross , em o dia_1_de_Setembro . Havia ainda uma lista de os livros que precisaria para o próximo ano . Os alunos de o segundo ano deverão ter : * _ O_Livro_Padrão_de_Feitiços , Grau 2 , por Miranda_Goshawk . * _ Ensinamentos_de_Uma_Fada_Carpideira , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Férias com Bruxas , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Duendes , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Lobisomens , por Gilderoy_Lockhart . * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves , por Gilderoy_Lockhart * . Fred , que terminara a sua própria lista , espreitou para a de o Harry . - Também te mandam comprar os livros de o Lockhart - disse . - A professora de defesa contra as artes negras deve ser fanática . Aposto que é uma bruxa . Nessa_altura , Fred percebeu o olhar de a mãe e apressou se a comer o doce de laranja . - Esse conjunto não vai ficar barato - disse George , olhando rapidamente para os pais . - Os livros de o Lockhart são de os mais dispendiosos ... - Cá nos havemos de arranjar - declarou Mrs._Weasley , mas parecia preocupada . - Espero que pelo_menos para a Ginny possamos arranjar uma data de coisas em segunda mão . - Ah , vais entrar este ano para Hogwarts ? - perguntou lhe Harry . Ela fez um aceno , corando até a a raiz de os cabelos ruivos e meteu o cotovelo em o pires de a manteiga . Felizmente ninguém deu por nada , a não ser o Harry , porque em esse momento o irmão mais velho de Ron , o Percy , entrou . Já estava vestido , com a placa de prefeito aplicada a a sua camisola de malha . - Bom dia a todos - disse , cheio de vivacidade . - Está um dia lindo . Puxou a única cadeira livre , mas deu um salto quando ia sentar se e , debaixo de ele , saltou um espanador cinzento de penas , pelo_menos , foi o que o Harry pensou até ver que ele respirava . - Errol ! - exclamou Ron , afastando a coruja de o Percy e retirando lhe debaixo de a asa uma carta . - Até que enfim , a resposta de a Hermione . Escrevi lhe a contar que íamos tentar raptar te de casa de os Dursleys . Levou Errol para um poleiro que havia junto a a porta de as traseiras e tentou colocá a lá em cima , mas Errol caiu redonda e Ron teve de a pôr em a pia , murmurando : - Patético . - Em seguida , abriu a carta de a Hermione e leu a em voz alta . * _ Querido_Ron e Harry , se aí estiveres . Espero que tudo tenha corrido bem , que o Harry esteja O. _ K. e que não tenham feito nada ilegal para conseguir trazes o , porque isso podia criar lhe problemas também a ele . Tenho estado muito preocupada e , se o Harry estiver bem , por favor digam me qualquer coisa rapidamente , mas talvez seja melhor usarem uma nova coruja , porque acho que outra entrega pode acabar como esta . * _ Estou muito atarefada com trabalho de a escola , claro * . - Como é possível ? - perguntou Ron , horrorizado . - Estamos em férias ! - * _ E vamos para Londres em a próxima quarta-feira para comprar os meus livros novos . Porque não nos encontramos em a Diagon-al ? * _ Dêem-me notícias vossas o mais depressa possível . * _ Carinhosamente_Hermione * - Bem , parece uma boa solução , podemos ir todos comprar as vossas coisas - disse Mrs._Weasley , começando a limpar a mesa . - O que vão fazer hoje ? Harry , Ron , Fred e George tinham planeado ir a o cimo de o monte a um pequeno cercado de cavalos que os Weasleys possuíam . Estava rodeado de árvores que lhe tapavam a vista de a cidade cá em baixo , o que quer_dizer que podiam praticar Quidditch , desde_que não voassem muito alto . Não podiam usar as verdadeiras bolas de Quidditch pois seria muito difícil explicar se elas escapassem e voassem sobre a cidade . Em vez de elas , lançavam maçãs para os outros apanharem . Faziam turnos para montar a Nimbus dois_mil , que era de longe a melhor vassoura . A velha Shooting_Star_de_Ron fora muitas_vezes ultrapassada por as borboletas que passavam . Cinco minutos mais tarde estavam a marchar por o monte acima , de vassouras a o ombro . Tinham perguntado a o Percy se ele queria juntar se a eles , mas ele alegara muito trabalho . Até esse dia , Harry só tinha visto Percy a a hora de as refeições , ele ficava em silêncio em o quarto o resto de o tempo . - Gostava de saber o que ele anda a fazer - afirmou Fred , de testa franzida . - Não parece o mesmo . O resultado de os exames veio um dia antes de tu chegares : doze N_F_V e ele nem se manifestou satisfeito . - Níveis_de_Feitiçaria_Vulgares - explicou o George , vendo o olhar atarantado de Harry . - Se não temos cuidado , ainda nos calha outro Chefe_de_Turma em a família . Acho que não suportaria a vergonha . Bill era o mais velho de os irmãos Weasley . Ele e o irmão a seguir , Charlie , já tinham saído de Hogwarts . Harry não conhecia nenhum de os dois , mas sabia que o Charlie estava em a Roménia a estudar dragões e o Bill em o Egipto a trabalhar em o banco de os feiticeiros : Gringotts . - Não sei como o pai e a mãe vão arranjar dinheiro para nos pagar o material escolar este ano - disse o George , passado um bocado . - Cinco conjuntos de livros de o Lockhart ! E a Ginny precisa de mantos e de uma varinha e tudo_isso ... Harry não disse nada . Sentiu se um_pouco incomodado . Fechada em um cofre subterrâneo , em o banco de Gringotts_de_Londres , estava uma pequena fortuna que os pais lhe tinham deixado . É claro que só tinha esse dinheiro em o mundo de os feiticeiros , não se podem usar Galeões , Leões e Janotas em as lojas de os Muggles . Ele nunca fizera referência a a sua conta bancária em Gringotts a os Dursleys . Não lhe parecia que o horror que eles sentiam por tudo_o_que se relacionava com a feitiçaria se estendesse a uma enorme pilha de barras de ouro . Mrs._Weasley acordou os a todos bem cedo , em a quarta-feira seguinte . Depois de comerem umas doze sanduíches de * bacon * cada_um , enfiaram os casacos e Mrs._Weasley tirou um vaso de a prateleira de o fogão de a cozinha e espreitou lá para dentro . - Está a acabar se , Arthur - suspirou . - Temos de comprar mais hoje ... Bem , os hóspedes primeiro . Passa , Harry querido ! E ofereceu lhe o vaso de flores . Harry olhou espantado enquanto todos eles o observavam . - O q-que é_que eu devo fazer ? - gaguejou . - Ele nunca viajou com o pó de Floo - disse o Ron subitamente . - Desculpa , Harry , esqueci me . - Nunca ? - perguntou Mrs._Weasley . - Mas então como chegaste a a Diagon - _ Al em o ano passado para comprar as tuas coisas ? -- Fui por o subterrâneo . - A sério ? - disse Mr._Weasley , entusiasmado . - Havia fugitivos ? Como é_que ... - Agora não , Arthur - disse Mrs . Weasley . - O pó de Floo é muito mais rápido , querido , mas , valha me Deus , se ele nunca o usou ... - Vai correr bem , mãe - disse o Fred . - Harry observa nos primeiro . Tirou uma pitada de pó brilhante de dentro de o vaso , aproximou se de o lume e lançou o pó em as chamas . Com um rugido , o fogo ficou verde-esmeralda e elevou se a uma altura superior a a de o Fred que avançou , gritando Diagon - _ Al ! E desapareceu . - Tens de falar claramente , filho - disse Mrs._Weasley a o Harry , ao_mesmo_tempo que George metia a mão em o vaso de as flores . - E vê se sais em o fogão certo . - Em o quê ? - perguntou Harry , nervoso , enquanto o lume crepitava e fazia George desaparecer também . - Bem , há imensos fogos de feiticeiros , mas desde_que te tenhas expressado claramente ... - Ele vai conseguir , Molly , não te preocupes - disse Mr._Weasley , tirando também ele algum pó . - Mas querido se ele se perde como é_que vamos justificar nos perante o tio e a tia de ele ... -- Eles não se importariam - tranquilizou a Harry . - O Dudley ia achar imensa piada se eu me perdesse em uma chaminé , não se preocupe . - Bem , em esse caso ... tu vais a seguir a o Arthur - disse Mrs._Weasley . - Logo_que entres em o fogo diz para_onde queres ir . - E mantém os cotovelos dobrados - preveniu o Ron . - E os olhos fechados - disse Mrs._Weasley . - A fuligem . - Não te enerves - disse o Ron . - Senão podes ir parar a a lareira errada . - Não entres em pânico e não queiras sair cedo de mais . Espera até veres o Fred e o George . Fazendo um enorme esforço por reter toda aquela informação , Harry tirou uma pitada de pó de Floo e avançou para a beirinha de o fogo . Respirou fundo , espalhou o pó em as chamas e entrou . O fogo parecia uma brisa quente . Abriu a boca e engoliu , de imediato , uma grande quantidade de cinzas quentes . D-dia-gon-al - tossiu . Sentiu se como_se estivesse a ser sugado para um buraco gigantesco . Como_se girasse muito depressa ... o ruído era ensurdecedor . Tentou manter os olhos abertos mas o turbilhão de chamas verdes fê lo enjoar ... algo duro bateu lhe em o cotovelo e dobrou o de imediato . Continuava a rodar , a rodar ... sentia se agora como_se várias mãos frias estivessem a bater lhe em a cara ... Espreitando através de os óculos , viu uma torrente imprecisa de fogões e captou lampejos de as salas que estavam por detrás ... as sanduíches de * bacon * davam lhe a volta dentro de o estômago ... fechou os olhos desejando que tudo aquilo parasse e então caiu , de cara em o chão , em a pedra fria e sentiu os óculos partirem se a os bocados . Desorientado e ferido , coberto de fuligem , pôs se cautelosamente de pé , levando a os olhos os óculos partidos . Estava completamente só e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava . Tudo_o_que podia dizer era que a o seu lado via uma lareira que lhe parecia ser a de uma enorme e indistinta loja de feitiçaria . Mas nenhum de os artigos que ali se encontravam tinham aspecto de fazer parte de a lista de a escola de Hogwarts . Em uma caixa de vidro podia ver se uma mão atrofiada que repousava sobre uma almofada , um baralho de cartas ensanguentado e um olho de vidro que o olhava fixamente . Máscaras de expressão maldosa enchiam as paredes , olhando de esguelha , uma enorme quantidade de ossos humanos estendia se sobre o balcão e , de o tecto , pendiam instrumentos aguçados com pontas de ferro e pregos enferrujados . Mas o pior é_que a rua estreita e escura , que Harry conseguia avistar através de a janela poeirenta de a loja , não era de modo algum a Diagon-al . Quanto_mais depressa saísse de ali , melhor . O nariz ainda a doer lhe em o sítio onde batera em o chão a o aterrar , Harry avançou rápida e silenciosamente em direcção a a porta , mas antes de conseguir chegar a meio caminho , duas pessoas apareceram de o lado de_fora de o vidro , e uma de elas era a última pessoa que Harry desejaria encontrar em o momento em que se encontrava perdido , coberto de fuligem e com os óculos partidos , Draco_Malfoy . Harry olhou rapidamente em volta e apercebeu se de a existência de um grande armário escuro a a sua esquerda , saltou lá para dentro e fechou as portas , deixando uma gretazinha para poder espreitar . Segundos depois , uma campainha tocava e Malfoy entrava em a loja . O homem que o acompanhava só podia ser o pai . Tinha o mesmo rosto pálido de feições agudas e os mesmos olhos cinzentos de gelo . Mr._Malfoy atravessou a loja , olhando maquinalmente para os artigos expostos e tocou a campainha de o balcão , antes de se voltar para o filho , dizendo : - Não mexas em nada , Draco . Malfoy , que vira o olho de vidro , disse : - Pensei que ias oferecer me um presente . - Eu prometi que ia comprar te uma vassoura de corrida - declarou o pai , tamborilando com os dedos sobre o balcão . - Para que é_que me serve , se não estou em a equipa de Quidditch ? - perguntou Malfoy , carrancudo e de mau humor . - O Harry_Potter teve uma Nimbus dois_mil o ano passado , com a autorização especial de o Dumbledor é para jogar em os Gryffindor . Ele nem é assim tão bom , é só por ser * famoso * ... famoso por ter uma estúpida cicatriz em a testa . Malfoy baixou se para observar uma prateleira cheia de crânios . - Todos acham que ele é tão esperto , o Potter maravilha , com a sua cicatriz e a sua vassoura ... - Já me disseste isso doze vezes pelo_menos - comentou Mr._Malfoy , olhando repressivamente para o filho . - E devo lembrar te que não é prudente parecer menos do_que amigo de Harry_Potter , quando a maior parte de a nossa gente vê em ele um herói que fez desaparecer o Senhor_do_Mal . Ah , Mr._Borgin . Um homem curvado surgiu por detrás de o balcão , puxando o cabelo gorduroso para trás . - Mr._Malfoy , que prazer vês o de_novo - disse Mr._Borgin , em uma voz tão untuosa como o cabelo . - Encantado , e o nosso jovem Malfoy também , encantado . Em que posso servi os ? Tenho que vos mostrar o que chegou hoje , a um preço muito razoável ... - Hoje não venho comprar , Mr._Borgin , e sim vender - afirmou Mr._Malfoy . - Vender ? - O sorriso apagou se lentamente em o rosto de Mr._Borgin . - Certamente ouviu dizer que o Ministério está a levar a cabo mais buscas - explicou o Mr._Malfoy , retirando de o bolso um rolo de pergaminho e desembrulhando o para Mr._Borgin o ler . - Eu tenho alguns , ah , artigos em casa que poderiam criar me problemas se o Ministério me batesse a porta . Mr._Borgin colocou em o nariz um par de * pince-nez * e olhou para a lista . - O Ministério não se lembraria de o incomodar certamente ... O lábio de Mr._Malfoy dobrou se . - Ainda não me fizeram nenhuma visita . O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito , mas o Ministério está a ficar cada_vez_mais intrometido . Há boatos sobre um novo decreto de protecção de os Muggles , sem dúvida que aquele mordido de as pulgas , adorador de os Muggles , que é o Arthur_Weasley deve estar por detrás de isso . Harry sentiu crescer a raiva . - E , como pode ver , alguns de estes venenos podiam dar a ideia ... - Compreendo perfeitamente , claro - disse Mr._Borgin . - Deixe me ver ... - Posso ter aquilo ? - interrompeu Draco , apontando para a mão raquítica que estava sobre a almofada . - Ah , a mão de a glória ! - exclamou Mr._Borgin , abandonando a lista de Mr._Malfoy e apressando se a responder a Draco . - Põe se lhe uma vela e ela só dá luz a quem a transporta ! A melhor amiga de os gatunos e de os salteadores , o seu filho tem gosto , senhor . - Espero que o meu filho venha a ser mais do_que gatuno ou salteador , Borgin - disse Mr._Malfoy friamente e Mr._Borgin respondeu logo : - Sem ofensa , senhor , sem querer ofender . - Embora , se as notas de a escola não melhorarem - disse Mr._Malfoy ainda mais friamente - esse possa vir a ser o único caminho possível para ele . - Não tenho culpa - retorquiu Draco . - Todos os professores têm os seus preferidos , aquela Hermione_Granger ... - Eu , em o teu lugar , teria vergonha que uma rapariga que nem_sequer pertence a famílias de feiticeiros , me passasse a a frente em todos os exames - interrompeu Mr._Malfoy . Ah - fez Harry baixinho , radiante por ver Draco atrapalhado e furioso . - É o mesmo em todo o lado - comentou Mr._Borgin em a sua voz untuosa . - O sangue de os feiticeiros conta cada_vez menos ... - Não para mim - afirmou Mr._Malfoy , com as longas narinas dilatadas . - Não senhor , nem para mim - concordou Mr._Borgin , inclinando se em uma vénia . - Em esse caso , talvez possamos voltar a a minha lista - disse Mr._Malfoy secamente . - Estou com alguma pressa , Borgin , tenho ainda hoje assuntos importantes a tratar em outro lado . Começaram a discutir os preços . Harry via nervosamente o Draco aproximar se de o seu esconderijo enquanto observava os objectos a a venda . Parou para examinar um enorme rolo de corda de carrasco e para ver , com um sorriso afectado , o cartão preso com um aparatoso laço de opalas onde podia ler se : * _ Cautela , não tocar . Amaldiçoado - reclama as vidas de dezanove donos , todos eles Muggles * . Draco voltou se e viu o armário mesmo em frente . Avançou , estendeu a mão para o puxador ... - Feito - disse Mr._Malfoy , a o balcão . - Vamos , Draco . Harry limpou a testa a a manga quando Draco se afastou . - Muito bom dia , Mr._Borgin . Espero por si amanhã em a mansão para ir buscar a mercadoria . Em o momento em que a porta se fechou , Mr._Borgin abandonou os seus modos subservientes . « Bom dia para o senhor , Mr._Malfoy , e , se as histórias que contam são verdadeiras , não me vendeu nem metade do_que tem escondido em a sua mansão ... » Murmurando de forma taciturna , Mr._Borgin desapareceu em uma sala escura . Harry esperou um minuto não fosse ele voltar e , em seguida , o mais silenciosamente possível , escapou se de o armário , passou por as caixas de vidro e saiu de a loja . Encostando os óculos partidos a o rosto , olhou em volta . Saíra em uma rua estreita e sombria que parecia composta exclusivamente de lojas dedicadas a as artes negras . Aquela de onde acabava de sair parecia ser a maior , mas em frente estava uma montra tétrica de cabeças encolhidas e duas portas abaixo podia ver se uma enorme caixa viva cheia de gigantescas aranhas pretas . Dois feiticeiros com aspecto pobre observavam o de a sombra de uma porta , murmurando entre si . Sentindo se nervoso , Harry pôs se a caminho , tentando agarrar os óculos a direito e não desistindo de a esperança de encontrar maneira de sair de ali . Por um cartaz de madeira , pendurado em a rua , indicando uma loja de venda de velas envenenadas , ficou a saber que se encontrava em a Rua * _ Bativolta * , mas isso não o ajudou pois Harry nunca ouvira falar em tal lugar . Calculou que não tinha pronunciado bem as palavras com a boca cheia de cinzas em a lareira de os Weasley . Tentando manter a calma perguntou a si mesmo o que havia de fazer . - Não estás perdido , pois não , meu menino ? - perguntou uma voz , mesmo junto de o seu ouvido , que o fez dar um salto . Uma bruxa idosa estava em a sua frente , segurando um tabuleiro de uma coisa que se parecia horrivelmente com unhas humanas . A mulher olhou o maldosamente , mostrando os dentes esverdeados . Harry recuou . - Estou bem , obrigado - disse . - Estou só ... - HARRY ! O qu'é que pensas que estás a fazer aqui ? O coração de Harry deu um salto , assim_como o de a bruxa . Um monte de unhas caíram lhe sobre os pés e ela praguejou , enquanto o corpo enorme de Hagrid , o guarda de os campos de Hogwarts , se aproximava de eles a passos largos com os olhos castanhos-escuros a faiscarem sobre a longa barba eriçada . - Hagrid - gritou Harry , aliviado . - Eu estava perdido ... o pó de Floo ... Hagrid agarrou Harry por o cachaço e puxou o para longe de a bruxa , tirando lhe o tabuleiro de as mãos . Os guinchos agudos de a feiticeira seguiram nos até a o fundo de a ruela serpenteante que ia dar a um lagar onde brilhava o sol . Harry avistou a a distância um edifício de mármore branco como a neve que lhe era familiar : o banco de Gringotts . Hagrid conduzira o até a a Diagon - _ Al . - ` _ tás em um péssimo estado ! - disse Hagrid bruscamente , sacudindo lhe a fuligem com tanta força que Harry quase caiu em um barril de estrume de dragão que se encontrava a a porta de um boticário . - A fugir , em a Rua * _ Bativolta * , eu não conheço esse lugar finório , Harry , não quero que ninguém te veja aqui em baixo . - Já percebi - disse Harry , baixando se quando Hagrid fez menção de o escovar melhor . - Já te disse que estava perdido . E o que é_que tu fazes aqui ? - ` _ Tou a a procura d'um repelente para as lesmas comedoras de legumes - resmungou Hagrid . - ` _ tão a destruir as couves todas de a escola . Tu não estás sozinho ? - Estou em casa de os Weasley , mas separámo nos explicou Harry . - Tenho que os encontrar . Desceram juntos a rua . - Por_que é_que nunca respondeste a as minhas cartas ? - perguntou Hagrid , enquanto Harry corria para o acompanhar ( tinha de dar três passos por cada enorme passada de Hagrid ) . Harry explicou lhe tudo sobre Dobby e os Dursleys . - Malditos_Muggles - rugiu Hagrid . - S'eu tivesse sabido ... - Harry ! Harry ! Aqui ! Harry olhou para_cima e viu Hermione_Granger em o topo de a escadaria de Gringotts . Desceu para vir a o encontro de ele , o cabelo castanho de caracóis , a esvoaçar atrás de ela . - O que aconteceu a os teus óculos ? Olá_Hagrid ... Oh , é maravilhoso ver vos outra_vez . Vens a Gringotts , Harry ? - Logo_que encontre os Weasley - respondeu ele . - Não vais ter d'esperar muito - riu se Hagrid . Harry e Hermione olharam em volta . Subindo a rua , em o meio de a multidão , vinham Ron , Fred , George , Percy e Mr._Weasley . - Harry - chamou Mr._Weasley , ofegante . - Tínhamos esperança que só tivesses ido um fogão mais longe ... - passou um pano em a sua calva reluzente . - A Molly está nervosíssima , aí vem ela . - Onde é_que tu saíste ? - perguntou o Ron . - Em a Rua * _ Bativolta * - disse o Hagrid , com um ar sério . - Sensacional ! - exclamaram Fred e George ao_mesmo_tempo . - Nunca nos deram autorização para lá ir - disse o Ron com uma pontinha de inveja . - E fizeram muito bem - grunhiu Hagrid . Mrs._Weasley chegou em aquele momento a correr , a mala a balouçar em uma de as mãos e Ginny quase pendurada em a outra . - Oh Harry , oh meu querido , podias ter ido parar a qualquer lugar ... Tentando recuperar o fôlego , tirou de a mala uma grande escova de roupa e começou a retirar a fuligem que Hagrid não conseguira expulsar . Mr._Weasley pegou em os óculos de Harry , deu lhes um toque de varinha e entregou lhe os como novos . - Bem , tenho de m'ir embora - disse Hagrid cuja mão estava a ser esmagada por Mrs._Weasley ( -- Rua * _ Bativolta * ! Se não o tivesses encontrado , Hagrid ! ) . - Vemo nos em Hogwarts . - E afastou se , os ombros e a cabeça acima de a multidão que enchia completamente a rua . - Adivinham quem eu vi em o Borgin and Burkes ? - perguntou Harry_a_Ron e a Hermione enquanto subiam as escadarias de Gringotts . - Malfoy e o pai . - O Lucius_Malfoy comprou alguma coisa ? - perguntou interessado Mr._Weasley que estava atrás de eles . - Não , estava a vender . - Então está preocupado - comentou Mr._Weasley com visível satisfação . - Ah , eu adorava apanhar o Lucius_Malfoy em alguma . . - Tem cuidado , Arthur - interrompeu Mrs._Weasley enquanto o gnomo porteiro lhes dava reverentemente entrada em o banco . - Isso é um problema de família . Não queiras ter mais olhos que barriga . - Queres dizer com isso que achas que eu não chego para o Malfoy ? - perguntou Mr._Weasley , indignado , mas foi rapidamente afastado de aqueles sentimentos a o avistar os pais de Hermione que estavam de pé , nervosamente encostados a o balcão que acompanhava a grande parede de mármore , a a espera que Hermione os apresentasse . - Mas vocês são Muggles ! - disse Mr._Weasley , encantado . - Temos de tomar uma bebida . O que é isso aí ? Ah , estão a trocar dinheiro de Muggle . Molly , olha - apontou cheio de excitação para as notas de dez libras que Mr._Granger tinha em a mão . - Encontramo nos aqui - disse Ron_a_Hermione , enquanto os Weasley e Harry eram conduzidos a os seus cofres em o subterrâneo de Gringotts . Para chegar a os cofres havia que tomar umas carrinhas conduzidas por gnomos que se deslocavam ao_longo_de carris de comboio de pequenas dimensões através de os túneis subterrâneos de o banco . Harry gostou de a viagem acidentada até a o cofre de os Weasley , mas sentiu se bastante mal , pior do_que em a Rua * _ Bativolta * , quando o cobre foi aberto . Havia lá dentro um pequenino monte de Leões de prata e apenas um Galeão de ouro . Mrs._Weasley foi com a mão a a procura em os cantos antes de , com um gesto rápido , varrer tudo para dentro de o saco . Harry sentiu se ainda pior quando chegaram a o seu cofre . Tentou evitar que vissem o conteúdo enquanto empurrava apressadamente mãos cheias de moedas para dentro_de uma sacola de cabedal . Lá fora , em as escadarias de mármore , separaram se . Percy murmurou vagamente que precisava de uma nova pena de escrever . Fred e George tinham avistado um amigo de Hogwarts , Lee_Jordan . Mrs._Weasley e Ginny iam a uma loja de mantos em segunda mão , Mr._Weasley continuava a insistir em levar os Grangers a o Caldeirão_Escoante para lhes pagar uma bebida . - Encontrarmo nos todos em a Flourish and Blotts dentro_de uma hora para comprar os vossos livros de estudo - disse Mrs._Weasley , afastando se com Ginny . - E nem um passo em direcção a a Rua * _ Bativolta * - gritou a os gémeos que estavam de costas . Harry , Ron e Hermione deambularam por a rua empedrada e sinuosa . O ouro , prata e bronze que tilintavam alegremente em o saco que Harry tinha em o bolso pareciam exigir ser gastos , por isso ele comprou três enormes gelados de morango e manteiga de amendoim que eles devoraram felizes enquanto vagueavam sem destino por a rua fora , observando as montras fantásticas de as lojas . Ron olhou longamente para um conjunto completo de mantos de o Chudley_Cannon , em as montras de o « Equipamento_de_Quidditch_de_Qualidade » até Hermione o arrastar de ali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos . Em a « Jogos_de_Feitiçaria_de_Gambol and Japes » encontraram o Fred , o George e o Lee_Jordan que estavam presos em a fabulosa partida debaixo_de chuva e em os fogos-de-artifício de o Dr._Filibuster . E em uma pequenina loja de velharias cheia de varinhas partidas , balanças instáveis de latão e mantos velhos cobertos de nódoas de poções encontraram Percy profundamente concentrado em um pequenino livro , bastante chato , chamado * _ Prefeitos que conquistam o poder * . - * _ Um estudo sobre os prefeitos de Hogwarts e as suas posteriores carreiras * - leu alto o Ron em a contracapa . - Deve ser fascinante ... - Desaparece - gritou Percy . - Claro , ele é muito ambicioso , já tem tudo planeado . Quer ser ministro de a magia - disse o Ron baixinho a o Harry e a a Hermione , enquanto deixavam Percy entregue a o livro . Uma hora mais tarde dirigiram se a a Flourish and Blotts . Não eram de modo algum os únicos a encaminhar se para a livraria . À_medida_que se aproximavam viram com grande surpresa uma grande multidão a a porta , tentando entrar em a loja . O motivo de tal confusão estava anunciado em um cartaz que se estendia a o longo de a montra superior . GILDEROY_LOCKHART_Assinará exemplares de a sua autobiografia " eu , o mágico " Hoje 12.30 - 16.30 - Vamos poder conhecê o ! - gritou Hermione . - Quero dizer , ele escreveu quase todos os livros de a nossa lista ! A multidão parecia ser maioritariamente composta por bruxas de a idade de Mrs._Weasley . Um feiticeiro bem-parecido estava de pé junto de a porta , dizendo : - Calma , minhas senhoras , não empurrem , cuidado com os livros . Harry , Ron e Hermione conseguiram furar e entrar . Uma longa fila serpenteava para as traseiras de a loja onde Gilderoy_Lockhart estava a assinar os seus livros . Cada_um de eles pegou em um exemplar de * _ ensinamentos de Uma Fada_Carpideira * e escaparam se de a fila indo ter a o lugar onde se encontravam os outros com Mr. e Mrs._Granger . - Ah , aí estão vocês . _ óptimo - disse Mrs._Weasley que parecia estar com falta de ar e não parava de mexer em o cabelo . - Vamos poder vês o dentro_de um minuto . Gilderoy_Lockhart veio lentamente até um lugar onde era visível para todos , sentou se a uma mesa , rodeado de grandes fotografias de o próprio rosto , todo ele sorrisos , mostrando a a multidão o brilho cintilante de os seus dentes . Lockhart usava uma túnica azul-noite que condizia a as mil maravilhas com a cor de os olhos , o chapéu pontiagudo de feiticeiro colocado lateralmente sobre o cabelo ondulado . Um homenzinho pequenino e irritante andava a dançar de um lado para o outro , tirando fotografias com uma grande máquina preta que lançava baforadas de fumo arroxeado em cada * flash * . - Sai de o caminho , tu aí - disse rispidamente a o Ron , mudando de lugar para ter um angulo melhor . - Este é para o * _ Profeta_Diário * . - Grande coisa ! - exclamou o Ron , esfregando os pés em o lugar que o fotógrafo pisara . Gilderoy_Lockhart ouviu o . Olhou , viu o Ron e em seguida Harry . Voltou a olhar , desta_vez com mais atenção . Em seguida , pôs se de pé e gritou : - Não pode ser , o Harry_Potter ? A multidão dividiu se entre murmúrios de excitação . Lockhart aproximou se , agarrou Harry por um braço e levou o para a frente . A multidão rebentou em aplausos . A cara de Harry ardia quando Lockhart lhe apertou a mão para o fotógrafo que disparava como um louco , lançando fumo espesso para_cima de os Weasley . - Belo sorriso , Harry - disse Lockhart através de os seus dentes brilhantes . - Tu e eu juntos merecemos a primeira página . Quando por fim lhe largou a mão , Harry quase não sentia os dedos . Tentou recuar para junto de os Weasley , mas Lockhart lançou lhe um braço por os ombros e prendeu o a o seu lado . - Minhas senhoras e meus senhores - disse bem alto , fazendo sinal para que se acalmassem . - Que momento extraordinário este ! O momento perfeito para eu anunciar algo que tenho vindo a guardar comigo desde_há algum tempo . - Quando o jovem Harry entrou em a Flourish and Blotts hoje , ele queria apenas comprar a minha autobiografia , que tenho agora o maior prazer em oferecer lhe - a multidão aplaudiu de_novo . - Ele não tinha ideia - continuou Lockhart , dando a o Harry um pequeno encontrão que fez com que os óculos lhe escorregassem para a ponta de o nariz - de que ia conseguir em_breve muito mais do_que o meu livro Eu , o mágico . Ele e os seus colegas de a escola vão receber , de facto , o verdadeiro * _ Eu , o mágico * . Sim , minhas senhoras e meus senhores , tenho o maior prazer em anunciar que em o mês_de_Setembro assumirei o lugar de professor de Defesa contra as artes negras em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts ! A multidão aplaudiu e bateu palmas e Harry deu consigo a ser presenteado com a obra completa de Gilderoy_Lockhart . Cambaleando ligeiramente sob o peso de os livros conseguiu abrir caminho para longe de os projectores até a a porta de a sala onde estava Ginny com o seu novo caldeirão . - Podes ficar com estes - murmurou Harry , enfiando os livros em o caldeirão . - Eu vou comprar os meus . - Aposto que adoraste aquilo , não adoraste , Potter ? - disse uma voz que Harry não teve qualquer dificuldade em reconhecer . Endireitou se e deu consigo frente_a_frente com Draco_Malfoy que exibia o seu habitual sorriso escarninho . - O famoso Harry_Potter - disse Malfoy . - Nem_sequer pode entrar em uma livraria sem se tornar primeira página . - Deixa o em paz , ele não queria nada de isso - defendeu a Ginny . Era a primeira vez que falava em frente de Harry . Olhava para Malfoy com um ar feroz . - Potter , arranjaste uma namorada ! - disse arrastadamente Malfoy . Ginny ficou vermelha como um pimentão enquanto Ron e Hermione tentavam abrir caminho , ambos carregando montes de livros de Lockhart . -- Ah és tu ? - disse Ron , olhando para Malfoy como_se ele fosse algo desagradável colado a a sola de o sapato . - Aposto que te surpreendeu ver o Harry aqui ? - Não tanto como a ti em uma loja , Weasley - retorquiu Malfoy . - Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo . Ron ficou tão vermelho quanto Ginny . Deixou também cair os livros em o caldeirão e avançou para Malfoy , mas Harry e Hermione agarraram o por as costas de o casaco . - Ron - disse Mrs._Weasley , aproximando se com Fred e George . - O que estás a fazer ? Isto está uma loucura aqui dentro , vamos lá para fora . - Olha quem ele é , Arthur_Weasley . - Era_Mr._Malfoy . Estava de pé com a mão sobre o ombro de Draco , com o mesmo sorriso escarninho . -- Lucius - disse Mr._Weasley , acenando friamente . -- Muito trabalho em o ministério , segundo me consta - disse Mr._Malfoy . - Todas essas buscas ... espero que te estejam a pagar horas extraordinárias . Meteu a mão em o caldeirão de a Ginny e tirou de o meio de os livros de Lockhart um exemplar muito velho e muito gasto de o * _ Guia_de_Transfiguração_para_Principiantes * . - Parece que não - disse . - Que diabo , qual a vantagem de ser uma nódoa entre os feiticeiros se nem_sequer te pagam bem por isso ? Mr._Weasley corou mais ainda do_que Ron ou Ginny . - Nós temos uma opinião diferente sobre quem são as nódoas entre os feiticeiros - disse . - É claro que ... - disse Mr._Malfoy , os olhos mortiços passando para Mr. e Mrs._Granger apreensivamente . - As companhias com quem tu andas ... e eu que pensava que já não conseguias descer mais baixo ... Ouviu se um tilintar de metal quando o caldeirão de a Ginny foi por os ares . Mr._Weasley lançara se sobre Mr._Malfoy atirando o para dentro_de uma estante . Dezenas_de livros de feitiços saltaram lá de cima , caindo lhes sobre as cabeças . Houve um grito de - Chega lhe , pai ! - de o Fred e de o George . Mrs._Weasley soltava gritos agudos : - Não_Arthur , não . A multidão recuava deitando mais prateleiras a o chão . - Meus senhores , por favor - gritava o encarregado , e então , mais alto do_que todos : - Parem com isso , gente , parem com isso . Hagrid aproximava se através_de um mar de livros . Em um segundo afastou Mr._Weasley e Mr._Malfoy . Mr._Weasley tinha um lábio cortado e Mr._Malfoy fora agredido em um olho por uma * _ Enciclopédia_de_Cogumelos_Venenosos * . Tinha ainda em a mão o livro velho de a Ginny sobre transfiguração . Atirou lhe o , com os olhos a brilhar de malvadez . - Toma o teu livro , garota . É o melhor que o teu pai pode oferecer te . Libertando se de Hagrid , conduziu Draco para fora e abandonaram a livraria . - Devias tê o ignorado , Arthur - disse Hagrid quase a pegar em Mr._Weasley a o colo enquanto lhe endireitava o manto . - São podres até a a raiz , todos eles . Tod'à gente sabe . Nenhum Malfoy vale a pena ser ouvido . Não prestam , ' tá-lhes em o sangue . Vá lá , vamos sair de aqui . O encarregado parecia querer impedis os , mas , olhando bem para Hagrid , pensou melhor . Subiram a rua , os Grangers a tremer de medo e Mrs._Weasley fora de si . - Um belo exemplo para as crianças ... andar a a pancada em público . O que terá pensado Gilderoy_Lockhart ? - Ele gostou - disse o Fred . - Não o ouviram quando ia a sair ? Estava a perguntar a aquele tipo de o Profeta_Diário se conseguia incluir a briga em a reportagem , disse que era boa publicidade . Mas foi um grupo deprimido que regressou a a lareira de o Caldeirão_Escoante onde Harry , os Weasley e todas_as suas compras iriam viajar de volta até a a Toca , usando o pó de Floo . Despediram se de os Grangers que iam sair de o * pub * por a rua de os Muggles , de o outro lado . Mr._Weasley começou a perguntar lhes como funcionavam as paragens de autocarros , mas calou se rapidamente a o ver a expressão de Mrs._Weasley . Harry tirou os óculos e guardou os cautelosamente em o bolso antes de utilizar o pó de Floo . Definitivamente não era a sua forma ideal de viajar . V_O salgueiro zurzidor O fim de as férias de Verão chegou demasiado depressa para o gosto de Harry . Ele desejara muito regressar a Hogwarts , mas aquele mês em a Toca tinha sido o mais feliz de toda_a sua vida . Era difícil não invejar o Ron quando pensava em os Dursleys e em as boas-vindas que ia receber de a próxima vez que pusesse os pés em Privet_Drive . Em a última noite , Mrs._Weasley preparou um jantar magnífico , que incluía os pratos favoritos de Harry e terminava com um pudim de melaço de fazer crescer água em a boca . Fred e George alegraram a noite com uma exibição de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que saltaram de o tecto para as paredes , durante pelo_menos meia_hora . Depois , foi a altura de tomarem uma caneca de chocolate quente e irem para a cama . Em a manhã seguinte , demoraram muito_tempo a preparar se . Levantaram se com o cantar de o galo , mas parecia lhes que ainda tinham muito para fazer . Mrs._Weasley andava de um lado para o outro , mal-humorada , a a procura de meias e penas , chocavam uns com os outros em as escadas , meio vestidos , meio despidos , com pedaços de torrada em as mãos e Mr._Weasley quase partiu o nariz quando tropeçou em uma galinha a o atravessar o pátio , para meter em o carro a mala de Ginny . Harry não percebia lá muito bem_como é_que oito pessoas , seis grandes malas , duas corujas e um rato , iam caber em um pequeno * _ Ford_Anglia * , isso , claro , antes de as artes mágicas que Mr._Weasley acrescentara . - Nem uma palavra a a Molly - murmurou ele a o Harry , enquanto abria a bagageira e lhe mostrava como ela se expandira para que as malas coubessem facilmente . Quando , por fim , se acomodaram todos em o carro , Mrs._Weasley olhou para o banco de trás , onde Harry , Ron , Fred , George e Percy estavam confortavelmente sentados uns a o lado de os outros e disse : - Os Muggles têm mais conhecimentos do_que aqueles que nós lhes atribuímos , não achas ? - Ela e a Ginny entraram para o lugar de a frente , que fora esticado e parecia um banco de jardim . - Quer_dizer , de_fora ninguém diria que este carro era espaçoso , não acham ? Mr._Weasley pôs o motor a funcionar e saíram de o pátio , Harry voltando se para trás para ver por a última vez a casa . Mal teve tempo de se questionar se iria voltar alguma vez e já estavam de volta : George esquecera se de a caixa de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Cinco minutos mais tarde tiveram de interromper de_novo a viagem e voltar a o pátio para o Fred ir a correr buscar a vassoura . Estavam quase a chegar a a auto-estrada , quando Ginny guinchou que se esquecera de o diário . Mas estava a fazer se muito tarde e os ânimos começavam a exaltar se . Mr._Weasley olhou para o relógio e , em seguida , para a mulher . - Molly , querida ... - Não , Arthur . - Ninguém ia ver . Este botãozinho é um transformador de invisibilidade que eu instalei , levava nos por o ar , subíamos acima de as nuvens . Estaríamos lá em dez minutos e ninguém daria por nada ... - Eu disse que não , Arthur . Durante o dia , não . Chegaram a King's_Cross , faltava um quarto para as onze . Mr._Weasley precipitou se em busca de um carrinho de transporte para as malas e correram todos para a estação . Harry apanhara o Expresso_de_Hogwarts em o ano anterior . A parte mais difícil era entrar em a plataforma nove_e_três quartos , que não era visível a os olhos de os Muggles . Era preciso avançar para a barreira sólida que dividia as plataformas nove e dez . Não doía nada , mas tinha de ser feito com cuidado para que nenhum de os Muggles de esse , por o desaparecimento . - O Percy em primeiro lugar - declarou Mrs._Weasley , olhando nervosamente para o relógio lá em cima , que mostrava que tinham apenas cinco minutos para desaparecer através de a barreira . Percy avançou a passos largos e desapareceu . Mr._Weasley foi a seguir e depois de ele Fred e George . - Eu levo a Ginny e vocês vêm atrás_de nós - disse Mrs._Weasley a o Harry e a o Ron , agarrando Ginny pela mão e seguindo em frente . Em um abrir e fechar de olhos , tinham passado . - Vamos passar juntos , só temos um minuto - disse Ron a o Harry . Harry assegurou se de que a gaiola de a Hedwig estava bem fixa em cima de a sua mala e empurrou o carrinho de encontro a a barreira . Estava perfeitamente confiante , aquilo era muito mais fácil do_que usar o pó de Floo . Puseram os dois as mãos em o puxador de os carrinhos e avançaram direitos a a barreira , ganhando velocidade . A um metro e pouco , começaram a correr e ... CRASH . Os dois carros bateram em a barreira e foram impelidos para trás . A mala de o Ron caiu com um enorme estrépito . Harry desequilibrou se e a gaiola de a Hedwig foi parar a o chão brilhante , enquanto ela rolava guinchando , indignada . As pessoas em volta olhavam fixamente e um guarda que estava ali perto gritou : - Que diabo pensam vocês que estão a fazer ? - Perdemos o controlo de o carro de transporte - respondeu o Harry , respirando com dificuldade , agarrando se a as costelas , enquanto se punha de pé . Ron correu a agarrar a Hedwig , que estava a fazer uma cena tal , que já se ouviam murmúrios em a multidão sobre a crueldade para com os animais . - Porque é_que não conseguimos passar ? - perguntou Harry a o Ron em um sussurro . - Não sei . Ron olhou descontroladamente em volta . Uma_dúzia de curiosos estavam ainda a observá os . - Vamos perder o comboio - murmurou o Ron . - Não compreendo porque motivo a cancela se fechou . Harry olhou para o relógio gigantesco com um sentimento de náusea em a boca de o estômago . Dez segundos , nove segundos ... Dirigiu o carrinho de transporte para a frente com toda_a força . O metal manteve se sólido . Três segundos ... dois segundos ... um segundo ... - Partiu - afirmou o Ron , que parecia estonteado . - O comboio foi se embora . E se a mãe e o pai não conseguem voltar para aqui ? Tens algum dinheiro de Muggle ? Harry deu uma gargalhada . - Os Dursleys não me dão um tostão há mais de seis anos ! Ron encostou o ouvido a a barreira . - Não se ouve nada - disse , bastante tenso . - O que vamos nós fazer ? Não sei quanto tempo o pai e a mãe vão demorar . Olharam em volta . As pessoas ainda estavam a observá os , principalmente devido a os contínuos guinchos de a Hedwig . - Acho que o melhor é sairmos de aqui e esperamos por eles junto de o carro - disse Harry . - Aqui estamos a atrair demasiado as aten ... - Harry - disse o Ron , com os olhos a brilhar . - É isso , o carro . - O que é_que tem ? - Podemos voar nele até Hogwarts ! - Mas eu pensei ... - Estamos em apuros , certo ? E temos de chegar a a escola , ou não ? E mesmo os feiticeiros menores de idade estão autorizados a usar a magia em uma emergência real , parágrafo dezanove , ou não sei quê , de a Restrição de ... O sentimento de pânico de Harry transformou se em entusiasmo . - E tu sabes voar nele ? - Não há problema - disse o Ron , andando com o carrinho a a volta e dirigindo se para a saída . - Anda de aí . Se em os apressarmos , conseguiremos sair atrás de o Expresso_de_Hogwarts . E afastaram se de o grupo de Muggles curiosos , abandonando a estação e voltando a a rua , onde o velho * _ Ford_Anglia * se encontrava estacionado . Ron abriu a bagageira com uma série de toques de varinha . Meteram lá dentro as malas , puseram a Hedwig em o assento de trás e entraram para a frente . - Verifica se ninguém está a ver - disse o Ron , ligando a ignição com outro toque de varinha . Harry pôs a cabeça fora de a janela : o trânsito enchia a avenida principal , mas a rua de eles estava vazia . - O. _ K. - disse . Ron carregou em um pequeno botão de o painel . Os carros em volta desapareceram assim_como eles . Harry sentia o assento a vibrar debaixo_de si , ouvia o motor , sentia as mãos sobre os joelhos e os óculos em o nariz , mas , tanto quanto conseguia ver , tornara se um par de olhos redondos flutuando um metro e pouco acima de o chão em uma rua suja , cheia de carros estacionados . - Vamos - disse a voz de o Ron , vinda de o seu lado direito . O chão e os prédios escuros de ambos os lados desapareceram de o seu ângulo de visão , mal o carro se elevou . Em poucos segundos toda_a cidade de Londres , enevoada e resplandecente , estava por baixo de eles . Em seguida , ouviu se um ruído que parecia o saltar de uma rolha e o carro , Harry e Ron , reapareceram . - Oh , oh - disse Ron , batendo em o intensificador de invisibilidade . - Está avariado ... Começaram os dois a bater em o botão . O carro desapareceu . Depois surgiu de forma intermitente . - Aguenta aí - gritou o Ron e carregou com o pé em o acelerador . Saltaram direitinhos para o meio de as nuvens mais baixas e tudo ficou sujo e enevoado . - E agora ? - exclamou Harry , piscando os olhos a a sólida massa de nuvens que os comprimia de todos os lados . - Precisamos de avistar o comboio para sabermos qual a direcção a tomar - explicou o Ron . - Desce rapidamente ... Desceram por o meio de as nuvens e voltaram se em os lugares , espreitando . - Estou a vê o - gritou Harry . - Mesmo em frente , ali . O Expresso_de_Hogwarts deslocava se a grande velocidade lá em baixo , como uma serpente vermelha . - Para Norte - disse o Ron , verificando a bússola de o painel . - O. _ k . , basta que verifiquemos de meia em meia_hora . Aguenta aí ... - e arrancaram por o meio de as nuvens . Em o minuto seguinte , tinham chegado a a luz brilhante de o Sol . Era um mundo diferente . Os pneus de o carro deslizavam sobre o mar de nuvens macias , o céu era de um azul infinito sob a luz , capaz de cegar , que irradiava de o Sol . - Agora só temos de nos preocupar com os aviões - disse o Ron . Olharam um para o outro e desataram a rir . Durante muito_tempo não conseguiram parar . Era como_se tivessem mergulhado em um sonho fabuloso . Aquela , pensou Harry , era certamente a única maneira de viajar : passando por turbilhões e torres de nuvens cor de neve , em um carro cheio de calor , o sol radioso , com um grande pacote de rebuçados em o porta-luvas e antegozando o ar de inveja de o Fred e de o George quando aterrassem suavemente e de forma espectacular em o relvado macio em frente de o castelo de Hogwarts . Espreitaram várias vezes o comboio enquanto voavam cada_vez_mais para norte . Cada descida entre as nuvens dava lhes uma perspectiva diferente . Londres depressa ficou para trás , substituída por campos verdejantes que , por sua vez , deram lugar a grandes pântanos arroxeados , aldeias com pequenas igrejas de brinquedo e uma grande cidade , cheia de vida , com carros que pareciam formigas multicores . Várias horas mais tarde sem acontecer nada de_novo , Harry teve de admitir que uma parte de o entusiasmo se esgotara . Os rebuçados tinham nos deixado cheios de sede e não havia nada para beber . Ele e o Ron tinham tirado as camisolas , mas a * _ T-shirt * de o Harry estava colada a as costas de o assento e os óculos não paravam de lhe escorregar para a ponta de o nariz . Deixara de reparar em as fabulosas formas de as nuvens e pensava com saudade em o comboio , milhas abaixo de eles , onde se podia comprar sumo fresquinho de abóboras em um carro empurrado por uma bruxa gordinha . Porque não teriam conseguido entrar em a plataforma nove_e_três quartos ? - Não pode ser muito mais longe , pois não ? - resmungou o Ron , horas mais tarde quando o Sol começava a enfiar se em o seu chão de nuvens , pintando as de um rosa profundo . - Estás pronto para outra espreitadela a o comboio ? Ainda ia mesmo por baixo de eles , abrindo caminho por_entre uma montanha com o topo coberto de neve . Estava muito mais escuro entre o dossel de nuvens . Ron pôs o pé em o acelerador e levou os de_novo para_cima , mas em esse momento o motor começou a chiar . Harry e Ron trocaram entre si olhares nervosos . - Deve estar só cansado - disse o Ron . - Nunca tinha vindo tão longe ... - E fingiram ambos que não davam por o gemido que se ia tornando maior à_medida_que o céu serenamente escurecia . As estrelas desabrochavam em a escuridão , Harry voltou a enfiar a camisola de lã , tentando ignorar os limpa pára-brisas que acenavam debilmente como_que a protestar . - Não devemos estar longe - disse Ron , dirigindo se mais a o carro do_que a o amigo . - Já não devemos estar longe - deu umas palmadinhas nervosas em o * tablier * . Pouco depois , quando voltaram a voar em o meio de as nuvens , tiveram de olhar de lado em a escuridão , em busca de um ponto de referência que conhecessem . - Ali - gritou Harry , fazendo o Ron e a Hedwig darem um salto . - Mesmo em frente . Recortados em o horizonte negro , sobre o rochedo de o outro lado de o lago , erguiam se as torres e torreões de o castelo de Hogwarts . Mas o carro tinha começado a estremecer e perdia a os poucos velocidade . - Vá lá - disse o Ron , dando a o volante um pequeno abanão bajulador . - Estamos quase a chegar , vá lá ... O motor gemeu . Pequenos jactos de vapor de água brotaram de o capo . Harry deu consigo agarrado com toda_a força a os bordos de o assento enquanto voavam direitos a o lago . O carro deu um solavanco feio . Espreitando por a janela , Harry viu a superfície negra , macia e espelhada de a água cerca de uma milha abaixo de eles . Os dedos de o Ron agarrados a o volante tinham as articulações brancas . O carro deu um novo esticão . - Vá lá - murmurou o Ron . Estavam sobre o lago ... o castelo ficava mesmo em frente . Ron fez força com o pé . Houve um ruído surdo , uma crepitação e o motor morreu por completo . - Oh ! oh ! - gemeu Ron em o silêncio . O nariz de o carro voltou se para baixo . Estavam a cair , ganhando velocidade em direcção a os muros sólidos de o castelo . - Naaaaão ! - gritou o Ron , girando o volante . Escaparam a a muralha de pedra negra por centímetros , quando o carro fez um grande arco , planando primeiro sobre as estufas , depois sobre o rectângulo plantado com vegetais e , por fim , sobre os relvados , perdendo sempre velocidade . Ron largou o volante por completo e tirou a varinha de o bolso de trás . - __ pára ! __ pára ! - gritou , batendo em o * tablier * e em o pára-brisas , mas eles continuavam a mergulhar , o chão a voar em direcção a eles . - : __ cuidado com essa __ árvore ! ! ! - bramiu Harry , deitando a mão a o volante , mas ... tarde de mais ... CRUNCH . Com um ruído ensurdecedor de metal e madeira , bateram em o tronco espesso de a árvore e caíram em o chão com um forte solavanco . O vapor era um mar debaixo de o capo amachucado . A Hedwig tremia apavorada . Em a cabeça de Harry surgira um alto de o tamanho de uma bola de golfe , quando ele batera em o pára-brisas , tombando em seguida para a direita . Ron soltou um gemido longo e desesperado . - Estás O. _ K ? - perguntou Harry , aflito . - A minha varinha - disse o Ron em uma voz trémula . - Olha para a minha varinha . Tinha se partido praticamente em duas , a ponta balouçava mole , presa por meia_dúzia de esquírolas . Harry abriu a boca para dizer que em a escola com certeza conseguiriam consertá a , mas nem chegou a começar a frase . Em esse preciso momento , algo bateu em o seu lado de o carro , com a força de um touro , projectando o para_cima de o Ron , ao_mesmo_tempo que um golpe igualmente forte se sentiu em o capô . - O que está a acontec ... Ron arfou , olhando fixamente por o pára-brisas e Harry olhou em volta , mesmo a_tempo_de ver uma ramada espessa como uma píton vir contra o vidro . A árvore em que tinham batido estava a atacá os . O tronco dobrara se quase a meio e os seus galhos rugosos davam uma tareia a cada centímetro de o carro que conseguiam atingir . - Ah ! - praguejou o Ron , quando outra pernada retorcida esmurrou a sua porta , amolgando a . O pára-brisas tremia agora sob uma saraivada de golpes vindos de galhos que pareciam patas de animais e uma ramada espessa como um aríete esmagava furiosamente o capo , que parecia estar a ceder ... - Corre ! - gritou o Ron , lançando o seu peso contra a porta , mas , em o momento seguinte , tinha sido atirado para trás , para o colo de Harry por um soco maldoso , dado de baixo para_cima , por outro ramo . - Estamos feitos ! - resmungou , enquanto o tecto descaía . Mas , de repente , o chão de o carro estava a vibrar , o motor pegara . - Marcha atrás - gritou o Harry e o carro deu um salto para trás . A árvore tentava ainda agredis os , ouviam as raízes chiar , enquanto quase se partiam esticando se para os alcançar . - Escapámos por_pouco ! - exclamou o Ron . - Muito bem , carro . Mas o carro tinha atingido o limite de as suas forças . Com dois estalidos , as portas abriram se e Harry sentiu o seu assento inclinar se para o lado . Quando deu por si , estava estatelado em o chão húmido . Ruídos surdos avisaram o de que o carro estava a ejectar as malas de a bagageira . A gaiola de a Hedwig voou por os ares e abriu se . Ela saiu a voar com um pio furioso e dirigiu se a o castelo , sem sequer olhar para trás . Em seguida , o carro , amolgado , arranhado e a fumegar , arrancou em o escuro , com os faróis traseiros ardendo de fúria . - Volta aqui ! - gritou o Ron , brandindo a varinha partida . - O meu pai mata me . Mas o carro desapareceu a perder de vista , com um último estoiro de o tubo de escape . - Já viste bem o nosso azar ! ? - exclamou o Ron em o meio de a sua infelicidade , baixando se para apanhar o rato Scabbers . - De todas_as árvores em que podíamos ter batido , tínhamos de ir dar a uma que bate também . Olhou por cima de o ombro para a velha árvore que ainda agitava os ramos ameaçadoramente . - Vamos - disse Harry , fatigado . - É melhor irmos andando para a escola ... Não foi , de modo algum , a chegada triunfal que tinham imaginado . Constrangidos , cheios de frio e magoados , pegaram em as malas e começaram a arrastá as por o relvado acima , em direcção a as grandes portadas de carvalho . - Acho que o banquete já começou - disse o Ron , largando a mala em os degraus de a entrada e atravessando devagarinho para espreitar por uma janela iluminada . - Harry , anda ver , é a distribuição . Harry apressou se e os dois , ele e o Ron , espreitaram para o Salão_Nobre . Um número infindável de velas pairava em o ar , sobre quatro mesas enormes cheias de gente , fazendo brilhar os pratos dourados e as taças . Em cima , o tecto encantado que espelhava o céu lá de_fora , brilhava cheio de estrelas . Por_entre a floresta de chapéus pretos pontiagudos de Hogwarts , Harry viu uma longa fila de alunos de o primeiro ano com olhares assustados que enchia o vestíbulo . Ginny estava entre eles , facilmente reconhecível devido a o seu chamativo cabelo Weasley . Enquanto isso , a professora Mc_Gonagall , uma bruxa de óculos com cabelo castanho apanhado em um carrapito , colocava o famoso chapéu seleccionador em um banco que se encontrava em frente de os novos alunos . Todos os anos , aquele velho chapéu , remendado , puído e cheio de pó , seleccionava alunos para as quatro equipas de Hogwarts ( Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin ) . Harry lembrava se bem de o ter colocado em a cabeça , precisamente um ano antes , e ter esperado petrificado por a sua decisão , enquanto ele lhe murmurava a o ouvido . Durante alguns horríveis segundos receara que o chapéu o mandasse para os Slytherin , a equipa que produzia maior número de feiticeiros e feiticeiras de magia negra , mas acabara por ficar em os Gryffindor , juntamente com Ron e Hermione e o resto de os Weasley . Em o último período , Harry e Ron tinham ajudado os Gryffindor a vencer o campeonato de a equipa , batendo os Slytherin pela_primeira_vez em sete anos . Um rapazito baixinho com cabelo de rato acabava de ser chamado para pôr o chapéu em a cabeça . Os olhos de Harry saltavam de ele para o lugar onde o professor Dumbledore , o director , estava sentado , observando a selecção de a mesa de os professores , com a sua longa barba cor de prata e óculos de meia-lua que brilhavam a a luz de as velas . Alguns lugares a a frente , Harry viu Gilderoy_Lockhart com um manto verde-azulado . E lá bem a o fundo estava Hagrid , enorme e cabeludo , bebendo satisfeito de a sua taça . - Espera aí - murmurou a o Ron . - Há um lugar vazio em a mesa de os professores . Onde estará o Snape ? Severus_Snape era o professor de quem Harry menos gostava . Harry era também o seu aluno menos querido . Cruel , sarcástico e detestado por todos com excepção de os alunos de a sua própria equipa ( Slytherin ) , Snape tinha a seu cargo a cadeira de Poções . - Talvez esteja doente - sugeriu Ron , cheio de esperança . - Talvez se tenha ido embora - lembrou Harry . - Por não lhe terem dado outra_vez a Defesa contra as artes negras . - Ou talvez tenha sido corrido - propôs Ron com entusiasmo . - Afinal , toda_a_gente o detesta ... - Ou talvez - disse uma voz gelada atrás de eles - esteja a a espera que vocês lhe expliquem por_que motivo não vieram em o comboio de a escola . Harry deu uma volta . Em a sua frente , com o manto negro a ondular em uma brisa fria , estava Severus_Snape . O professor era um homem magro , de pele descorada , nariz adunco e um cabelo preto oleoso que lhe caía sobre os ombros . E em aquele momento sorria de um modo tal que Harry sentiu que tanto ele como Ron estavam em sérios apuros . - Sigam me - disse Snape . Sem ousarem sequer olhar um para o outro , Harry e Ron seguiram Snape por as escadas até a o amplo * hall * de entrada que estava iluminado por as chamas de os archotes . De o salão nobre vinha um cheirinho delicioso a comida , mas Snape levou os para longe de a luz e de o calor , em direcção a uma escada estreita de pedra que conduzia a os calabouços . - Entrem - ordenou , abrindo uma porta a meio de o corredor e apontando . Entraram a tremer em o escritório de Snape . As paredes sombrias estavam cobertas de prateleiras cheias de jarros de vidro grosso onde flutuavam as coisas mais diversas e repugnantes , cujo nome Harry não queria de momento conhecer . A lareira estava escura e vazia . Snape fechou a porta e voltou se de frente para eles . - Com que então - disse com falsa suavidade - o comboio não serve para o famoso Harry_Potter e o seu fiel companheiro Weasley . Queriam chegar em grande estilo , não era rapazes ? - Não senhor , foi a barreira em King's_Cross , ela ... - Silêncio - disse Snape friamente . -- _ o que fizeram a o carro ? Ron engoliu em seco . Aquela não era a primeira vez que Snape dava a Harry a impressão de ser capaz de ler pensamentos . Mas , pouco depois , compreendeu tudo quando Snape desenrolou o exemplar de o Profeta_Vespertino . - Vocês foram vistos - afirmou , mostrando lhes o cabeçalho : : __ ford anglia voador confunde __ muggles . Começou a ler alto a notícia . - Dois Muggles em Londres convenceram se de que tinham visto um carro velho a voar sobre a torre de os correios ... a a tardinha em Norfolk , Mrs._Hetty_Bayliss , enquanto pendurava a roupa ... Mr._Angus_Fleet_de_Peebles informou a polícia ... seis ou sete Muggles a o todo . Julgo que o teu pai trabalha em o departamento de mau uso dado a os objectos de os Muggles ? - disse olhando para Ron e sorrindo de uma forma ainda mais sarcástica . - Que peninha , o próprio filho ... Harry sentiu se como_se tivesse levado um soco em o estômago de uma de as maiores pernadas de a árvore louca . E se alguém descobrisse que Mr._Weasley tinha enfeitiçado o carro ? Ele ainda nem tinha pensado em isso . - Reparei durante a minha volta por o jardim que foi feito um estrago considerável em um salgueiro zurzidor extremamente valioso - continuou Snape . - Essa árvore fez nos pior a nós do_que nós ... - deixou escapar Ron . - Silêncio - interrompeu Snape , de_novo . - Infelizmente vocês não fazem parte de a minha equipa e a decisão de vos expulsar não está em as minhas mãos . Vou , por isso , buscar as pessoas que possuem essa feliz possibilidade . Esperem aqui . Harry e Ron olharam , pálidos , um para o outro . Harry perdera a fome . Sentia se agora extremamente agoniado . Tentava não olhar para uma coisa viscosa , suspensa em um líquido verde que estava em uma prateleira por detrás de a secretária de Snape . Se ele fora buscar a professora Mc_Gonagall , chefe de a equipa de os Gryffindor , não estavam muito melhor . Ela era mais justa do_que Snape , mas extremamente severa . Dez minutos mais tarde , Snape voltou e era , de facto , a professora Mc_Gonagall quem o acompanhava . Harry vira a professora Mc_Gonagall zangada , mas , ou se tinha esquecido de como a boca de ela ficava fina , ou nunca a vira tão zangada como em aquele dia . Levantou a varinha em o momento em que entrou . Harry e Ron estremeceram , mas ela limitou se a apontá a para a lareira onde as chamas se elevaram subitamente . - Sentem se - ordenou , e os dois recuaram para as cadeiras junto de o lume . - Expliquem se - disse com os óculos a brilhar de uma forma ameaçadora . Ron enveredou por a história começando por a barreira de a estação que se recusara a deixá os passar . - Por isso não tínhamos escolha , professora , não podíamos chegar a o comboio . - Porque não nos mandaram uma carta por a coruja ? Julgo que tens uma coruja ? - disse friamente a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a Harry . Harry olhou para ela sem saber o que dizer . - Parece me - continuou ela - que seria a coisa mais adequada . - Eu ... não pensei ... - Isso - disse a professora Mc_Gonagall - é bastante óbvio . Ouviu se bater a a porta de o escritório e Snape , que parecia agora mais feliz do_que nunca , foi abrir . Era o director , o professor Dumbledore . Harry ficou totalmente paralisado . Dumbledore tinha uma expressão grave . Olhou para eles de cima de o seu nariz adunco e Harry desejou estar ainda com Ron a levar uma sova de o salgueiro zurzidor . Fez se um longo silêncio . Em seguida , Dumbledore disse lhes : - Por favor , expliquem porque fizeram isto . Teria sido melhor se gritasse . Harry detestou sentir a decepção em a sua voz . Inexplicavelmente era incapaz de olhar Dumbledore em os olhos e falou em direcção a os seus joelhos . Disse lhe tudo excepto que o carro enfeitiçado pertencia a Mr._Weasley , dando a ideia de que ele e o Ron o tinham encontrado estacionado fora de a estação . Sabia que Dumbledore ia ver para_além de isso , mas o director não fez perguntas sobre o carro . Quando Harry terminou continuou a olhar para ele através de os seus óculos . - Nós vamos buscar as nossas coisas - disse Ron em um tom de voz sem esperança . - Que disparate é esse ? - rosnou a professora Mc_Gonagall . -- Então , vão expulsar nos , não vão ? - disse o Ron . Harry olhou rapidamente para Dumbledore . - Ainda não , Mr._Weasley - afirmou Dumbledore . - Mas vou assinalar a gravidade do_que vocês fizeram . Hoje a a noite escreverei a as vossas famílias . Estão também prevenidos que se voltarem a fazer uma coisa como esta não terei outro remédio senão expulsar vos . A expressão de Snape era como_se o Natal tivesse sido cancelado . Pigarreou e disse : - Professor_Dumbledore , estes rapazes infringiram o decreto para a restrição de a feitiçaria de os menores , causaram estragos consideráveis a uma árvore antiga e valiosa ... sem dúvida , actos de esta natureza ... - Cabe a a professora Mc_Gonagall decidir sobre os castigos de os rapazes , Severus - afirmou Dumbledore com toda_a calma . - Pertencem a a equipa de ela e são , portanto , de a sua responsabilidade . - Voltou se para a professora Mc_Gonagall . - Tenho de regressar a o banquete , Minerva , devo dar algumas informações . Venha Severus , há uma tarte de leite e ovos com um aspecto delicioso que quero mostrar lhe . Snape lançou um olhar de puro veneno a o Harry e a o Ron enquanto permitia que o afastassem de o seu escritório , deixando os a sós com a professora Mc_Gonagall que ainda os olhava como uma águia em fúria . - É melhor ires até a a ala hospitalar , Weasley , estás a sangrar . - Não é nada - disse Ron , limpando o corte com a manga para que ela o visse . - Professora , eu gostava de ver a minha irmã ser seleccionada . - A cerimónia de a selecção terminou - disse a professora Mc_Gonagall . - A tua irmã está também em os Gryffindor . - _ óptimo - exclamou Ron . - E por falar em os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall de forma cortante , mas Harry interrompeu a : - Professora , quando tirámos o carro , o ano escolar ainda não tinha começado , por isso os Gryffindor não deveriam perder pontos , pois não ? - terminou olhando a ansiosamente . A professora Mc_Gonagall lançou lhe um olhar penetrante , mas ele era capaz de jurar que ela quase tinha sorrido . Pelo_menos a boca não parecia tão fina . - Não vou tirar pontos a os Gryffindor - tranquilizou o . E o coração de Harry ficou mais leve . - Mas vocês os dois vão ter um castigo . Foi melhor do_que Harry imaginara . O facto de Dumbledore escrever a os Dursley não tinha a menor importância . Harry sabia perfeitamente que eles só lamentariam que o salgueiro zurzidor não o tivesse esmigalhado . A professora Mc_Gonagall ergueu a varinha de_novo apontou a a a secretária de Snape . Um grande prato de sanduíches , duas taças de prata e um jarro com sumo de abóbora gelado apareceram em menos_de um segundo . - Vocês vão comer aqui e , em seguida , vão direitinhos para o vosso dormitório - disse . - Eu também tenho de voltar para a festa . Mal a porta se fechou atrás de ela , Ron soltou baixinho um assobio . - Pensei que estávamos feitos - confessou , agarrando uma sanduíche . - Também eu - disse o Harry , orando também uma . - Mas já viste bem a nossa pouca sorte ? - insistiu o Ron com a boca cheia de frango e fiambre . - O Fred e o George voaram em aquele carro cinco ou seis vezes e nenhum Muggle os viu - engoliu outro pedaço enorme de a sanduíche . - Porque será que não conseguimos passar a barreira ? Harry encolheu os ombros . - Mas temos de ter muito cuidado a_partir_de agora - disse bebendo um grande trago de sumo de abóbora . - Que pena não termos podido ir a o banquete . - Ela não quis que nos exibíssemos - afirmou Ron com prudência . - Não vão as pessoas pensar que é uma boa chegar aqui de carro voador . Quando já tinham comido todas_as sanduíches que queriam ( o prato ia voltando a encher se sozinho ) , levantaram se e saíram de o escritório , seguindo o caminho que lhes era familiar , para a torre de os Gryffindor . O castelo estava em silêncio . Parecia que o banquete tinha acabado . Passaram por retratos murmurantes e armaduras que gemiam e subiram os degraus estreitos de pedra até que , por fim , chegaram a a passagem onde a entrada secreta para a torre de os Gryffindor se encontrava oculta por detrás de o quadro a óleo de uma dama gorda em um vestido cor-de-rosa . - A senha ? - perguntou ela mal os dois se aproximaram . - Er ... Eles ainda não tinham estado com o prefeito de os Gryffindor e por isso ainda não conheciam a senha para o novo ano , mas a ajuda não se fez esperar . Ouviram passos apressados atrás de eles e quando se voltaram viram Hermione que se aproximava . - Aí estão vocês . Onde é_que se meteram ? Correm os boatos mais ridículos , alguém disse que vocês tinham sido expulsos por espatifarem um carro voador . - Bem , expulsos não fomos - tranquilizou a Harry . - Não estás a dizer me que voaram até aqui ? - perguntou Hermione em um tom quase tão severo como a professora Mc_Gonagall . - Dispensa se o sermão - interrompeu Ron impacientemente . - E diz nos a nova senha de passagem . - É crista de pássaro - disse Hermione não contendo a impaciência . - Mas o mais importante não é isso ... Contudo as palavras de ela foram interrompidas ao_mesmo_tempo que o retrato de a dama gorda se abria e se ouvia uma tempestade de aplausos . A o que parecia a equipa de os Gryffindor estava ainda acordada , dentro de a sala comum em forma de círculo , junto de as mesas assimétricas e de os cadeirões moles a a espera que eles chegassem para , de braços estendidos através de o buraco de o retrato , puxarem Harry e Ron para dentro deixando Hermione para o fim . - Sensacional - gritou Lee_Jordan . - Inspirado ! Que entrada ! Voar em um carro e aterrar em o salgueiro zurzidor . Toda_a_gente vai falar de isto durante anos e anos . - Muito bem - disse um aluno de o quinto ano com quem Harry nunca tinha falado . Alguém dava lhe palmadas em as costas como_se ele acabasse de vencer a maratona . Fred e George abriram caminho por_entre a multidão e disseram ao_mesmo_tempo : - Por_que é_que não nos chamaram , hein ? - Ron estava vermelho como um pimentão , sorrindo envergonhado , mas Harry via perfeitamente uma pessoa que não estava nada contente . Percy elevava se acima de as cabeças de os excitados alunos de o primeiro ano e parecia estar a tentar aproximar se para os repreender . Harry deu uma cotovelada a o Ron e apontou em direcção a Percy . Ron percebeu de imediato . - Temos de ir para_cima , um_pouco cansados ! - explicou e os dois começaram a abrir caminho em direcção a a porta que ficava de o outro lado de a sala e que dava para a escada em espiral e para os dormitórios . - ` _ Noite - despediu se Harry_de_Hermione que tinha um ar tão carrancudo como Percy . Conseguiram chegar a o outro lado de a sala comum sempre a levarem palmadas em as costas e alcançaram o sossego de as escadas . Apressaram se a subir e , por fim , chegaram a a porta de o dormitório que tinha agora um letreiro a dizer « Segundos_Anos » . Entraram em o quarto circular , que conheciam tão bem , com as suas cinco camas de dossel adornadas de velado vermelho e as suas janelas altas e estreitas . As malas tinham sido trazidas para_cima e colocadas a os pés de as camas . Ron fez um sorriso culpado . - Sei que não devia ter gostado de aquilo , mas ... A porta de o dormitório abriu se e os outros rapazes de os Gryffindor entraram ; eram eles o Seamus_Finnigan , o Dean_Thomas e o Neville_Loogbottom . - Inacreditável - aplaudiu Seamus . - Incrível - aprovou o Dean . - Espantoso - exclamou o Neville , aterrado . Harry não pôde evitar também um sorriso . VI_Gilderoy_Lockhart_No dia seguinte , contudo , Harry não conseguiu sorrir . As coisas começaram a correr mal logo em o salão durante o pequeno-almoço . Debaixo de o tecto encantado ( em aquele dia triste e cinzento ) estavam as quatro grandes mesas de as equipas e sobre elas , terrinas de papa de aveia , pratos de arenque defumado , montanhas de torradas e pratadas de ovos com * bacon * . Harry e Ron sentaram se em a mesa de os Gryffindor , junto de Hermione que tinha o seu exemplar de * _ Viagens com Vampiros * totalmente aberto , encostado a um jarro de leite . Havia uma certa rigidez em a maneira como ela disse : - ` _ Dia - que mostrou a Harry que continuava a desaprovar o modo como tinham chegado a a escola . Por seu turno , Neville_Longbottom saudou os entusiasticamente . Neville era um rapazinho de cara redonda , muito dado a acidentes , com a pior memória que Harry tinha conhecido . - A entrega de correio deve estar a chegar , acho que a minha avó me vai mandar umas quantas coisas de que me esqueci ... Harry tinha começado a comer as papas de aveia , quando se ouviu um ruído tumultuoso em o ar e umas cem corujas entraram ao_mesmo_tempo , sobrevoando o salão e deixando cair cartas e pacotes em o meio de a multidão faladora . Um embrulho grande e rugoso caiu em a cabeça de Neville e , um segundo depois , uma coisa larga e cinzenta caiu em o jarro de a Hermione , enchendo os a todos de leite e penas . - Errol - gritou o Ron , puxando a coruja esfarrapada por as patas . Errol caíra inconsciente sobre a mesa com as pernas para o ar e um envelope vermelho húmido em o bico . - Oh , não ! - sobressaltou se Ron . - Ela está bem , ainda está viva - tranquilizou o Hermione , tocando suavemente em a Errol com a ponta de o dedo . - Não é isso , é ... aquilo . Ron apontava para o envelope vermelho . Parecera perfeitamente vulgar a Harry , mas Ron e Neville estavam ambos a observá o como_se esperassem que explodisse . - Qual é o problema ? - perguntou Harry . - Ela . Ela mandou me um * gritador * - disse Ron , quase sem voz . - É melhor abrires - aconselhou Neville em um murmúrio tímido - senão é pior . A minha avó uma_vez mandou me um que eu ignorei e ... - engoliu em seco - foi horrível . Harry olhava , ora para as suas caras , ora para o envelope vermelho . - O que é um * gritador * ? - perguntou . - Mas toda_a atenção de o Ron estava fixa em a carta que começara a fumegar por os cantos . - Abre a - intimou o Neville . - De aqui a poucos minutos já passou tudo . Ron estendeu uma mão trémula , retirou o envelope de o bico de a Errol e começou a abri o . Neville pôs os dedos em os ouvidos . Após uma fracção de segundo , Harry compreendeu porquê . Pensou em o primeiro momento que ela explodira . Um ruído ensurdecedor encheu o enorme salão , fazendo cair pó de o tecto . - ... : __ roubar o carro ! não me surpreendia nada se te expulsassem . espera só até te pôr as mãos em cima . será que não paraste para pensar em a nossa aflição quando vimos que o carro tinha __ desaparecido ... Os gritos de Mrs._Weasley , ampliados cem vezes em relação a o seu normal , fizeram os pratos e as colheres chocalhar em a mesa e ecoaram de forma ensurdecedora em as paredes de pedra . Vinha gente de todos os lados espreitar quem tinha recebido o * gritador * e Ron afundou se tanto em a cadeira que só se lhe via a testa carmesim . - ... : __ uma carta de o dumbledore ontem a a noite , o teu pai quase morria de vergonha . não foi esta a educação que te demos , tu e o harry podiam ter __ morrido ... Harry estava a ver quando é_que o seu nome viria a a baila . Tentou o melhor que pôde agir como_se não ouvisse a voz , mas aquilo estava a fazer com que os tímpanos lhe latejassem . - ... : __ profundamente decepcionada , o teu pai vai ter de se confrontar com um inquérito em o trabalho , tudo por tua culpa e , se pisas mais_uma_vez o risco , trago te para __ casa ! Seguiu se um silêncio ressonante . O envelope vermelho , que caíra de as mãos de o Ron , incendiou se e encaracolou se em cinzas . Harry e Ron estavam sentados de boca aberta , como_se uma onda gigante lhes tivesse passado por cima . Algumas pessoas riam e , a os poucos , o ruído de as conversas recomeçou . Hermione fechou o * _ Viagens com Vampiros * e olhou para o topo de a cabeça de Ron . - Bem , não sei o que esperavas , Ron , mas tu ... - Não me venhas dizer que mereci - interrompeu Ron . Harry afastou as papas de aveia . O estômago ardia lhe de culpa . Mr._Weasley tinha um inquérito em o trabalho , depois de tudo_o_que Mr. e Mrs._Weasley tinham feito por ele durante o Verão ... Mas não teve muito_tempo para se demorar em aqueles pensamentos . A professora Mc_Gonagall circulava em volta de as mesas de os Gryffindor distribuindo horários . Harry pegou em o seu e viu que começavam por ter Herbologia , juntamente com os Hufflepuff . Harry , Ron e Hermione saíram juntos de o castelo , atravessaram as hortas e chegaram a as estufas , onde estavam guardadas as plantas mágicas . O * gritador * tivera pelo_menos uma vantagem : Hermione parecia achar que já tinham sido suficientemente castigados e estava de_novo perfeitamente calorosa . Quando estavam a chegar a as estufas viram o resto de a classe de pé , cá fora , a a espera de a professora Sprout . Harry , Ron e Hermione tinham acabado de se lhes juntar quando a viram aproximar se a passos largos por o relvado , acompanhada de Gilderoy_Lockhart . A professora Sprout era uma bruxa pequenina e atarracada que usava um chapéu a os remendos sobre o cabelo solto . As roupas que vestia estavam sempre cheias de terra e as suas unhas fariam a tia Petúnia desmaiar . Gilderoy_Lockhart , pelo_contrário , tinha um ar imaculado em as suas vestes azul-turquesa , o cabelo doirado a brilhar debaixo_de um chapéu azul-turquesa , com uma fita dourada , perfeitamente posicionado sobre a cabeça . - Olá a todos ! - gritou Lockhart , dirigindo se a o grupo de estudantes . - Estive a mostrar a a professora Sprout a maneira correcta de tratar um salgueiro . Mas não quero que fiquem com a ideia de que sou melhor do_que ela em Herbologia . Acontece que encontrei várias de estas plantas exóticas , durante as minhas viagens .... - Estufa número três hoje , meninos ! - disse a professora Sprout que estava visivelmente descontente , bem diferente de a sua habitual natureza bem-disposta . Houve um murmúrio de interesse . Eles só tinham estado uma_vez em a terceira estufa , que era uma estufa que abrigava plantas bem mais interessantes e perigosas . A professora Sprout tirou uma enorme chave de o cinto e abriu a porta . Harry sentiu o bafo de a terra húmida com adubo misturado e o perfume forte de umas flores gigantescas , de o tamanho de guarda-chuvas , que estavam penduradas de o tecto . Ia seguir Ron e Hermione , quando a mão de o Lockhart o travou . -- Harry ! Tenho querido ter uma palavrinha contigo . Não se importa se ele chegar uns minutos atrasado , pois não , professora Sprout ? A julgar por a expressão carregada de a professora Sprout , importava se sim , mas Lockhart disse : - Então até já - e fechou a porta de a estufa em a cara de ela . - Harry ! - disse Lockhart , com os dentes brancos a brilharem a o sol , enquanto abanava a cabeça . - Harry , Harry , Harry ! Harry , totalmente perplexo , não disse uma palavra . - Quando ouvi dizer , bem , é claro que eu tive muita culpa , deviam castigar me também ... Harry não fazia ideia de que estava ele a falar , quando Lockhart prosseguiu : - Nunca me lembro de ficar tão chocado . Fazer voar um automóvel até Hogwarts ! Bem , é claro que eu percebi logo porque o fizeste . Foi um destaque em grande . Harry , Harry , Harry ! Era notável como ele conseguia mostrar todos aqueles dentes brilhantes , mesmo quando não estava a falar . - Criei te o gosto por a publicidade , não foi ? - perguntou Lockhart . - Passei te o bichinho . Apareceste comigo em a primeira página e não podias esperar para aparecer outra_vez ... - Oh , não , professor , sabe é_que ... - Harry , Harry , Harry - disse Lockhart aproximando se e tocando lhe em o ombro . - * _ Eu compreendo * . É natural querer um_pouco mais quando se lhe tomou o gosto , e eu culpo me por te ter dado esse conhecimento , porque era natural que te subisse a a cabeça , mas vê uma coisa , rapazinho , tu não podes começar a fazer voar carros para tentares ser notícia . Tens de acalmar , está bem ? Tens muito_tempo quando fores mais velho . Sim , sim , eu sei o que estás a pensar ! É fácil para ele falar assim , já é um feiticeiro internacionalmente famoso ! Mas quando eu tinha doze anos era tão zé-ninguém como tu és hoje . Em a verdade , era ainda mais . De ti , já meia_dúzia de pessoas ouviram falar , não é ? Toda aquela história com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . - Olhou para a cicatriz luminosa em a testa de Harry . - Eu sei , eu sei , não é o mesmo_que vencer o Prémio de o sorriso de o feiticeiro de a semana cinco vezes seguidas , como eu venci , mas é um começo , Harry , é um começo . Lançou lhe uma piscadela de olhos cordial e foi se embora . Harry ficou atarantado durante alguns segundos . Depois , lembrando se que deveria estar em a estufa , abriu a porta e esgueirou se lá para dentro . A professora Sprout estava de pé , por_detrás_de uma espécie de mesa em o meio de a estufa . Em cima de a mesa estavam cerca de vinte pares de abafo de ouvidos de diferentes cores . Quando Harry estava já em o seu lugar , entre Ron e Hermione , ela disse : - Hoje vamos transplantar Mandrágoras . Muito bem , quem sabe dizer me as propriedades de a Mandrágora ? Não foi surpresa para ninguém que a mão de a Hermione fosse a primeira em o ar . - A Mandrágora tem um efeito reparador muito poderoso - disse Hermione , com o ar mais normal de este mundo , como_se tivesse engolido o livro de texto . - É usada para fazer voltar as pessoas , que foram transfiguradas ou amaldiçoadas , a o seu estado original . - Excelente . Dez pontos para os Gryffindor ! - exclamou a professora Sprout . - A Mandrágora é parte integrante de a maior parte de os antídotos , mas também é perigosa . Quem sabe dizer me porquê ? A mão de Hermione por_pouco não bateu em os óculos de Harry , quando se ergueu de_novo . - O grito de a Mandrágora é fatal para quem o ouve - disse prontamente . - Precisamente . Dou lhe mais dez pontos - disse a professora Sprout . - Agora vejamos , as Mandrágoras que aqui temos são ainda muito jovens . Enquanto falava , apontou para uma fila de tabuleiros com uma certa profundidade e todos se chegaram a a frente para ver melhor . Cerca de uma centena de plantinhas tufosas de um verde arroxeado cresciam em filas . Pareceram perfeitamente vulgares a Harry , que não fazia a menor ideia do_que Hermione queria dizer com o * grito * de a Mandrágora . - Cada_um de vocês pode tirar um par de abafo de ouvidos - disse a professora Sprout . Houve uma competição renhida porque ninguém queria os cor-de-rosa , cheios de penugem . - Quando eu vos disser para os colocar , assegurem se de que os vossos ouvidos estão completamente tapados - disse a professora Sprout . - Logo_que seja seguro retirá os , eu levanto os dedos . Certo , pôr os abafos de os ouvido . Harry pôs imediatamente os abafos em os ouvidos . Eles fecharam completamente o som . A professora Sprout colocou também um par de abafos cor-de-rosa com penugem em os de ela , arregaçou as mangas de a túnica , agarrou uma de as plantas tufosas e puxou com toda_a força . Harry soltou um grito de surpresa que ninguém ouviu . Em_vez_de raízes , um bebé pequenino , enlameado e extremamente feio , saiu de a terra . As folhas cresciam lhe em o alto de a cabeça , tinha uma pele pintalgada de um pálido esverdeado e estava nitidamente a berrar a plenos pulmões . A professora Sprout tirou debaixo de a mesa um grande vaso de plantas e mergulhou lá dentro a Mandrágora , enterrando a em a mistura escura e húmida , até que só as folhas ficassem visíveis . Em seguida , limpou a terra de as mãos , levantou os dedos e todos eles retiraram os abafos de os ouvidos . - Como as nossas Mandrágoras são muito novas , os seus gritos ainda não matam - disse ela com grande calma , como_se tivesse feito algo tão normal como regar uma begónia . - Contudo , podem pôr vos a dormir durante várias horas e , como com certeza nenhum de vocês quer perder o primeiro dia de aulas , vejam se os abafos estão bem colocados enquanto trabalham . Eu chamarei vos a atenção quando for altura de os retirar . - Quatro em cada fila , há aqui uma grande quantidade de vasos , a mistura de terra está em os sacos ali a o fundo e tenham cuidado com a * _ Venomous_Tentacula * , estão a nascer lhe os dentes . Enquanto falava , deu uma pancada seca a uma planta vermelha escura cheia de pontas eriçadas , fazendo a encolher as longas antenas que tinham estado a avançar lenta e dissimuladamente sobre o seu ombro . A Harry , Ron e Hermione veio juntar se em a fila um rapaz de cabelo encaracolado de os Hufflepuff que Harry conhecia de vista , mas com quem nunca tinha falado . - Justin_Finch - _ Fletchey - disse ele com vivacidade , apertando a mão de o Harry . - Conheço te , claro , o famoso Harry_Potter ... e tu és a Hermione_Granger , sempre a primeira em tudo ( Hermione brilhou em um sorriso , como_se ele lhe tivesse apertado a mão ) e Ron_Weasley . Não era teu o carro voador ? Ron não sorriu . Não lhe saía de a cabeça o * gritador * . - Aquele Lockhart é o_máximo , não acham ? - disse Justin satisfeito , enquanto começavam a encher os vasos com composto de adubo de dragão . - Terrivelmente corajoso . Leram os livros de ele ? Eu teria morrido de medo se um lobisomem me tivesse encurralado em uma cabina telefónica , mas ele manteve se calmo e ... zap ... fantástico ! « Eu estava inscrito em Eton , sabem , não imaginam como estou feliz de ter vindo antes para aqui . É claro que a minha mãe ficou um_pouco desiludida , mas depois de lhe ter dado os livros de Lockhart a ler , tenho a impressão de que ela começou a ver a utilidade de ter um feiticeiro bem treinado em a família ... Depois de isso , não tiveram grandes oportunidades para conversar . Voltaram a pôr os abafos de ouvidos e era preciso concentrarem se em as Mandrágoras . A professora Sprout fizera as coisas parecerem extremamente simples , mas não eram . As Mandrágoras não gostavam de sair de a terra mas também não pareciam querer voltar para lá . Elas contorceram se , deram pontapés , agitaram as mãozinhas finas e rangeram os dentes . Harry levou dez minutos inteirinhos a tentar meter uma Mandrágora particularmente gorda dentro_de um vaso . Em o final de a aula , Harry , como todos os outros , estava a suar , cheio de dores e coberto de terra . Regressaram a o castelo a pé para um banho rápido e , em seguida , os Gryffindor apressaram se para assistir a a aula de transfiguração . As aulas de a professora Mc_Gonagall eram sempre complicadas , mas a de aquele dia era particularmente difícil . Tudo_o_que o Harry aprendera em o ano anterior parecia ter se lhe apagado de a memória durante o Verão . Ele deveria ser capaz de transformar uma barata em um botão , mas , tudo_o_que conseguiu foi fazer a barata praticar um imenso exercício , enquanto corria apressadamente por o tampo de a secretária evitando a varinha . Ron estava a debater se com problemas bastante piores . Tinha atado a varinha com uma fita mágica , mas parecia que não havia reparação possível . Não parava de crepitar e lançar faíscas em os momentos mais estranhos e , sempre_que Ron tentava transfigurar a barata , via se envolvido em um fumo cinzento espesso que cheirava a ovos podres . Incapaz de ver o que estava a fazer , o Ron esmagou , por engano , a barata com o cotovelo e teve de ir pedir que lhe dessem outra , o que deixou a professora Mc_Gonagall muito pouco satisfeita . Harry ficou aliviado quando ouviu tocar a campainha para o almoço . Sentia a cabeça como uma esponja espremida . Todos os alunos saíram em fila de a aula excepto ele e Ron que dava furiosas varadas em a secretária . - Coisa estúpida e inútil . - Escreve a os teus pais a pedir outra - sugeriu Harry , enquanto a varinha disparava com estrondo um foguete explosivo . - Ah pois , e receber outro * gritador * em a volta de o correio - respondeu Ron , metendo a varinha que já assobiava , dentro de o saco . - * _ A culpa é toda tua se a varinha está estragada * ... Desceram para o almoço e aí a disposição de o Ron não iria melhorar com Hermione a mostrar lhe uma mão-cheia de botões de casaco , perfeitinhos , que produzira em a transfiguração . - O que temos esta tarde ? - quis saber Harry , mudando rapidamente de assunto . - Defesa contra as artes negras - disse Hermione , sem perder tempo . - Porque é_que tu ... - perguntou Ron , pegando em o horário de ela - desenhaste corações em volta de as aulas de o Lockhart ? Hermione arrancou lhe o horário de as mãos , corando furiosa . Acabaram de almoçar e foram para o pátio carregado de nuvens . Hermione sentou se em um degrau de pedra e enfiou de_novo o nariz em as * _ Viagens com Vampiros * . Harry e Ron ficaram a falar de Quidditch durante alguns minutos antes de Harry se aperceber de que estava a ser observado de perto . Olhando para_cima viu o rapazinho pequenino com cabelo de rato que ele vira experimentar o chapéu seleccionador em a noite anterior , olhando para ele com uma expressão petrificada . Estava agarrado a o que parecia ser uma vulgar máquina fotográfica de os Muggles e , em o momento em que Harry olhou para ele , ficou todo vermelho . - Tudo bem , Harry ? Eu sou Colin_Creevey - disse , faltando lhe o ar e adiantando se a qualquer pergunta . - Estou em os Gryffindor também . Não te importavas que eu tirasse uma fotografia ? - perguntou , levantando a máquina cheio de expectativa . - Uma fotografia ? - repetiu Harry , inexpressivo . - Para eu provar que te conheci - disse Colin_Creevey cheio de ansiedade , continuando : - Eu sei tudo a teu respeito . Toda_a_gente me tem contado como sobreviveste quando O_Quem nós sabemos tentou matar te , como ele desapareceu depois de isso e como ficaste com a cicatriz em forma de relâmpago em a testa ( os seus olhos procuraram a linha de cabelo de Harry ) e um rapaz de o meu dormitório disse que se eu revelasse o filme em a posição certa ele mexia . - Colin respirou fundo , estremecendo de excitação e disse : - Isto_é fantástico , aqui , não achas ? Eu não sabia que todas_as coisas estranhas que fazia eram magia até a o dia em que recebi uma carta de Hogwarts . O meu pai é leiteiro . Também ele não queria acreditar . Por isso estou a tirar montes de fotografias para lhe mandar e era mesmo bom se tivesse uma tua - parecia implorar . - Talvez o teu amigo pudesse tirá a e assim eu ficava a o teu lado . E depois , podias assiná a ? - Assinar fotografias ? Estás a dar fotos autografadas , Potter ? Alta e mordaz , a voz de Draco_Malfoy ecoou em o pátio . Estava parado mesmo atrás_de Colin , ladeado , como sempre andava em Hogwarts , por os seus fortes guarda-costas Crabbe e Goyle . - Ei gente , façam bicha - gritou Malfoy a a multidão . - Harry_Potter está a dar fotos autografadas ! - Não estou coisa nenhuma - disse Harry , zangado , com os punhos em o ar . - Cala a boca , Malfoy . - Tu tens é inveja - começou a dizer Colin , cujo corpo era de o tamanho de o pescoço de Crabbe . - Inveja - repetiu Malfoy que não precisava de gritar mais , metade de o pátio estava a ouvi o . - De quê ? Não preciso de uma cicatriz em a cabeça , muito obrigado . Não acho que ter um corte em a testa torne alguém especial . Crabbe e Goyle riram estupidamente - Vai pastar caracóis , Malfoy - disse o Ron furioso . Crabbe parou de rir e começou a esfregar os nós de os dedos enormes de uma forma ameaçadora . - Tem cuidado , Weasley - escarneceu Malfoy . - Com certeza não queres começar uma rixa ou a tua mãezinha tem de vir cá para te tirar de a escola - e com uma voz aguda e penetrante : - * _ Se voltas a pisar o risco * ... Um grupo de alunos de o quinto ano de os Slytherin que estava ali perto , riu se bastante alto . - O Weasley gostaria de ter uma foto tua autografada , Potter - escarneceu de_novo Malfoy . - Era capaz de valer mais do_que a casa onde ele mora com a família . Ron sacou de a sua varinha amarrada com fita , mas Hermione fechou as * Viagens com Vampiros * com um estrondo e avisou : - Atenção . - O que é isto , o que é isto ? - Gilderoy_Lockhart aproximava se com o seu manto azul-turquesa girando em torvelinho atrás de ele . - Quem está a dar fotos autografadas ? Harry ia começar a explicar , mas foi interrompido quando Lockhart lhe pôs jovialmente o braço em cima de os ombros . - Mas que pergunta a minha ! Cá estamos nós de_novo , Harry ! Preso ao_lado_de Lockhart e a arder de humilhação , Harry viu Malfoy deslizar com o seu sorriso desdenhoso por o meio de a multidão . - Vamos lá então , Mr._Creevey - disse Lockhart , dirigindo se a Colin . - Uma foto dupla , já viu a sua sorte ? E assinamos a os dois para si . Colin ajustou a máquina e tirou a fotografia em o preciso momento em que a campainha tocava para as aulas de a tarde . - Está em a hora , todos para dentro - gritou Lockhart a a multidão e regressou a o castelo levando a o seu lado o Harry que só lamentava não conhecer um feitiço que o fizesse desaparecer . - Uma palavra só , Harry - disse Lockhart paternalmente , enquanto entravam em o edifício por uma porta lateral . - Eu ajudei te há bocado com o jovem Creevey porque se ele estivesse a fotografar me também a mim os teus colegas não reparariam tanto que estavas a exibir te ... Indiferente a a gaguez de Harry , Lockhart arrastou o para um corredor ladeado de alunos que os olhavam espantados e subiram uma escada . - Deixa me só dizer te uma coisa : dar fotografias autografadas em esta fase de a tua carreira , francamente , não é sensato , Harry , parece um_pouco megalómano . Pode ser que um dia mais tarde , tal_como eu , sejas obrigado a assinar para multidões onde quer que vás , mas - fez uma pequena pausa - não me parece que seja o caso , por enquanto . Tinham chegado a a aula de Lockhart e ele largou finalmente o Harry que sacudiu a túnica e foi sentar se em um lugar bem lá atrás onde começou por empilhar os livros de Lockhart a a sua frente para evitar olhar para a criatura . O resto de a aula entrou ruidosamente e Ron e Hermione foram sentar se um de cada lado de Harry . - Tu estavas vermelho como um pimentão - disse o Ron . - Reza para que o Creevey não se torne amigo de a Ginny senão bem podem criar o clube de * fans * de Harry_Potter . - Cala a boca - interrompeu Harry . A última coisa que desejava era que o Lockhart ouvisse a expressão « clube de * fans * de Harry_Potter « . Quando todos estavam em os seus lugares , Lockhart pigarreou alto e fez se silêncio . Ele inclinou se para a frente , pegou em o exemplar de Neville_Longbottom de * _ viagens com Duendes * e levantou o para mostrar a sua fotografia a piscar os olhos em a capa . - Eu - disse apontando para a fotografia e piscando também os olhos - Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , terceiro ano , membro honorário de a Liga_de_Defesa contra as artes negras e cinco vezes vencedor de o prémio de o * _ Feiticeiro de a semana * por o sorriso mais charmoso . Mas não vamos falar de isso , não venci a fada carpideira de Bandon a sorrir para ela ! Esperou que eles se rissem . Alguns alunos sorriram timidamente . - Já vi que todos vocês compraram a minha obra completa . Muito bem . Pensei começar hoje com um pequeno interrogatório escrito . Nada de complicado , só para perceber se leram bem os meus livros e o que apreenderam ... Depois de distribuir as folhas de teste voltou se para os alunos e disse : - Têm trinta minutos . Comecem já . Harry olhou para o papel e leu : *1 . Qual é a cor preferida de Gilderoy_Lockhart ? *2 . Qual é a ambição secreta de Gilderoy_Lockhart ? *3 . Qual é , em a sua opinião , a maior realização de Gilderoy_Lockhart até a o momento ? * E_por_aí adiante , ao_longo_de três páginas , terminando com : *54 . Qual é o dia de aniversário de Gilderoy_Lockhart e qual seria o seu presente preferido ? * Meia_hora mais tarde , Lockhart recolheu os pontos e folhou os rapidamente em frente de os alunos . - Tut , tut , quase ninguém se lembrou que a minha cor preferida é o lilás . Eu digo o em * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves * . Alguns precisam de voltar a ler com mais cuidado * Fim-de - _ Semana com Um Lobisomem * . Eu afirmo claramente em o décimo segundo capítulo que o meu presente de aniversário preferido seria a harmonia entre todos os seres , mágicos e não mágicos , embora não me importasse de receber uma garrafa grande de * whisky * velho de a Ogden's_Old_Firewhisky . Piscou lhes o olho de_novo . Ron olhava para Lockhart com uma expressão de incredulidade em o rosto . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas que estavam sentados a a frente tremiam de tanto conter o riso . Hermione , contudo , ouvia Lockhart com extrema atenção e deu um salto quando ouviu o seu nome . - Mas Miss_Hermione_Granger sabia que a minha ambição secreta era libertar o mundo de o mal e pôr a a venda a minha gama de poções de tratamento de o cabelo . Muito bem - voltou o papel . - Nota máxima ! Onde está Miss_Hermione_Granger ? Hermione ergueu uma mão trémula . - Excelente - bradou Lockhart , exultante . - Leva dez pontos para os Gryffindor . E vamos a o trabalho . Baixou se atrás de a secretária e pegou em uma grande gaiola coberta . - Ficam desde_já a saber , a minha função é preparar vos contra as criaturas mais malignas que a feitiçaria conhece . Vocês podem ter que enfrentar os maiores medos em esta sala . Saibam que nenhum mal vos sucederá comigo aqui . Só vos peço que se mantenham calmos . Ultrapassando os seus sentimentos , Harry espreitou através de a pilha de livros para ver melhor a gaiola . Lockhart colocou uma mão em a tampa . Dean e Seamus tinham deixado de se rir . Neville estava agachado em o seu lugar de a fila de a frente . - Vou pedir vos que não façam barulho - disse Lockhart em voz baixa . - Podem assustá os . Enquanto a aula inteira continha a respiração , Lockhart tirou a cobertura . - Sim - disse em um tom dramático . - Duendes_da_Cornualha recém-capturados . Seamus_Finnigan não conseguiu controlar se . Soltou uma gargalhada que nem Lockhart poderia confundir com um grito de terror . - Sim ? - sorriu a Seamus . - Bem , eles não são , não são perigosos , pois não ? - perguntou a rir . -- Não tenhas tanta certeza de isso - afirmou Lockhart , aborrecido , abanando um dedo , em direcção a Seamus . - Podem ser maçadores e muito traiçoeiros . Os duendes eram de um azul-eléctrico e tinham cerca de vinte centímetros de altura com feições angulosas e umas vozes tão estridentes que era como ouvir uma discussão entre araras . Logo_que o pano foi retirado , começaram a fazer uma enorme algazarra , a andar de um lado para o outro , batendo em as grades e fazendo caretas a as pessoas que estavam mais perto . - Muito bem - disse Lockhart em voz alta . - Vamos então ver o que vocês conseguem fazer de eles - e abriu a gaiola . Foi um pandemónio . Os duendes dispararam em todas_as direcções como foguetes . Dois de eles agarraram o Neville por as orelhas e levantaram o a o ar . Vários outros foram direitos a a janela , fazendo chover vidros partidos até a a fila de trás . Os restantes decidiram destruir a sala com maior eficácia do_que um rinoceronte em fúria . Agarraram em os tinteiros e salpicaram tudo em volta , rasgaram a os bocados livros e papéis , arrancaram os quadros de as paredes , levantaram a o ar a gaiola vazia , agarraram livros e sacos e lançaram nos por a janela de vidros estilhaçados . Em poucos minutos , metade de a aula estava abrigada debaixo de as secretárias e o Neville pendurado em o candelabro de o tecto . - Vamos lá , agarrem nos , agarrem nos , são apenas duendes ... - gritava Lockhart . Arregaçou as mangas , bramiu a varinha e pronunciou * Peshipiksi_Pesternomi ! * As palavras não tiveram o menor efeito . Um de os duendes pegou em a varinha de Lockhart e atirou a também por a janela fora . Lockhart engoliu em seco e mergulhou debaixo de a secretária , não sendo , por um triz , esmagado por o Neville que caiu um segundo depois , quando o candelabro cedeu . A campainha tocou e houve uma louca precipitação para a porta . Em a calma relativa que se seguiu , Lockhart endireitou se , olhou para Harry , Ron e Hermione que estavam quase a chegar a a porta e disse : - Bem , vou pedir vos a os três que prendam o resto de os duendes em a gaiola - passou por eles e fechou rapidamente a porta atrás_de si . - Isto dá para acreditar ? - resmungou o Ron , enquanto um de os duendes lhe mordia com toda_a força uma de as orelhas . - Ele só quer dar nos uma ajuda , permitindo nos ganhar experiência - justificou Hermione , imobilizando dois duendes de uma_vez com um encantamento de paralisação e metendo os de_novo em a gaiola . - Experiência ? - disse Harry , tentando agarrar um duende que dançava com a língua de_fora . - Hermione , ele não sabia nada do_que estava a fazer . - Disparate - retorquiu Hermione . - Leste os livros de ele . Vê só as coisas que ele já fez ! - Que diz que fez - resmungou o Ron . VII_Sangue de lama e murmúrios Harry passou imenso tempo , em os dias que se seguiram , a fugir sempre_que via Gilderoy_Lockhart aproximar se em o corredor . Mais difícil de evitar era Colin_Creevey que parecia ter decorado o horário de Harry . Parecia que nada o emocionava mais do_que dizer : - Tudo bem , Harry ? - seis ou sete vezes por dia e ouvir : - Olá , Colin - por mais exasperado que Harry estivesse quando lhe respondia . A Hedwig ainda estava zangada com Harry por causa de a desastrosa viagem de automóvel e a varinha de o Ron continuava a não funcionar , tendo ultrapassado tudo em a sexta-feira de manhã quando lhe saltou de as mãos em a aula de encantamentos e foi agredir o velho e baixinho professor Flitwick mesmo entre os olhos , deixando uma enorme bolha latejante em o sítio onde tinha batido . Por tudo_isso Harry via chegar , com satisfação , o fim_de_semana Planeava ir em o Sábado de anhã , com Ron e Hermione visitar o Hagrid . Mas foi acordado várias horas mais cedo do_que desejaria por Oliver ood , treinador de a equipa de Quidditch_dos_Gryffindor . - _ o que é_que se passa ? - perguntou Harry , enrolando as palavras . - Treino_de_Quidditch - disse Wood . - Vamos embora . Harry lançou um olhar de esguelha a a janela . Uma neblina fina pairava em o céu rosa e dourado . Agora_que estava acordado não percebia como pudera dormir com a algazarra que os pássaros faziam . - Oliver resmungou Harry . - É de madrugada . - Exacto - respondeu Wood . Era um rapaz alto e corpulento de o sexto ano e em aquele momento os olhos brilhavam lhe loucamente de entusiasmo . - Faz parte de o nosso novo programa de treinos . Anda lá , vai buscar a vassoura e vamos embora - insistiu Wood empenhado . - Nenhuma de as outras equipas começou ainda a treinar . Vamos ser os primeiros este ano ... A bocejar e a tremer um_pouco , Harry saltou de a cama e tentou descobrir as suas túnicas de Quidditch . - Bem , encontramo nos em o campo , dentro_de quinze minutos . Depois de descobrir a sua roupa escarlate de equipa e pôr o manto por cima para se aquecer , Harry escreveu a o Ron um bilhete a explicar onde tinha ido e desceu por a escada de espiral para a sala comum com a sua Nimbos dois inil a o ombro . Tinha acabado de chegar junto de o buraco de o retrato quando ouviu um barulho atrás_de si e viu Colin_Creevey descer a escada de espiral com a máquina fotográfica pendurada a o pescoço a balouçar como louca e uma coisa em a mão . - Ouvi alguém chamar o teu nome em as escadas , Harry olha o que tenho aqui . Revelei a e queria mostrar te . Harry olhou assombrado para a fotografia que Colin lhe espetava em frente de o nariz . Um Lockhart a preto e branco movia se , puxando com toda_a força um braço que Harry reconheceu como sendo o seu . Ficou satisfeito a o constatar que estava a resistir bastante bem , recusando se a ser trazido para a vista de todos . Enquanto Harry observava , Lockhart desistiu e desinteressou se de lutar contra a parte branca de a fotografia . - Assinas para mim ? - pediu Colin entusiasmado . - Não - respondeu secamente Harry , olhando em volta para verificar se o caminho estava livre . - Desculpa_Colin , mas estou cheio de pressa , treino de Quidditch . Passou por o buraco de o retrato . - Oh Uau ! Espera por mim . Eu nunca vi um jogo de Quidditch . Colin trepou por o buraco de o retrato atrás de ele . - Vai ser uma chatice para ti - disse Harry rapidamente , mas Colin ignorou o comentário . Todo o seu rosto brilhava de satisfação . - Tu foste o jogador mais novo de a equipa em cem anos , não foste Harry ? Não foste ? - perguntava Colin , trotando para o acompanhar . - Deve ser fantástico . Eu nunca voei . É fácil ? Essa vassoura é a tua ? É a melhor que há ? Harry não sabia como ver se livre de ele . Era como ter uma sombra que não se calava . - Eu não percebo nada de Quidditch - disse Colin , já sem fôlego . - É verdade que há quatro bolas ? E que duas anda n a voar , tentando fazer os jogadores caírem de as vassouras ? - Sim - disse Harry lentamente , resignado com o ter de lhe explicar as complicadas regras de o Quidditch . - São as * bludgers * . Há dois * beaters * em cada equipa que têm bastões para bater em as * bludgers * e lançá as para o outro lado . O Fred e o George_Weasley são os * beaters * de os Gryffindor . - E para que servem as outras bolas ? - perguntou Colin , saltando uma série de degraus porque ia a olhar para o Harry de boca aberta . - Bem , a * quaffle * , que é a vermelha grandalhona , é a que marca os golos . Três * chasers * em cada equipa lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam fazes a entrar em as balizas que ficam em o extremo de o campo onde há três grandes postes com argolas em as pontas . - E a quarta bola ? - A * snitch * dourada - explicou Harry . - É muito pequenina e veloz e extremamente difícil de agarrar . Mas é isso que o * seeker * tem de fazer , porque o jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * for agarrada . E o * seeker * que conseguir agarrá a ganha para a sua equipa mais cento_e_cinquenta pontos . - E tu és o * seeker * de os Gryffindor , não és ? - perguntou Colin respeitosamente . - Sim - disse Harry enquanto saíam de o castelo e começavam a atravessar o relvado . - E há também o * keeper * que toma conta de os postes . É isto . Mas Colin não parou de fazer perguntas desde os relvados macios até a o campo de Quidditch e Harry só se viu livre de ele quando chegaram a os vestiários . Colin gritou em uma voz aguda : - Eu vou arranjar um lugar , Harry - e apressou se em direcção a as bancadas . O resto de a equipa de os Gryffindor já se encontrava em os vestiários . Wood era o único que tinha aspecto de estar bem acordado . Fred e George_Weasley estavam sentados com olhos de sono e cabelos desgrenhados junto de Alicia_Spinnet de o quarto ano que parecia inclinar se contra a parede que tinha atrás_de si . Os seus companheiros * chasers * , Katie_Bell e Angelina_Johnson bocejavam em frente de ela . - Até que enfim , Harry , porque é_que demoraste tanto ? - perguntou Wood cheio de actividade . - Eu queria ter uma pequena conversa convosco antes de entrarmos propriamente em campo porque passei o Verão a conjecturar um novo programa de treinos que acredito vai estabelecer grandes mudanças . Wood tinha em as mãos um grande mapa de um campo de Quidditch onde estavam desenhadas muitas linhas , setas e cruzes a tinta de várias cores . Pegou em a varinha , bateu com ela em o quadro e as setas começaram a mover se em o mapa como tractores . Enquanto Wood se lançava em um discurso sobre as suas novas técnicas , a cabeça de Fred_Weasley caiu sobre o ombro de Alicia_Spinnet e ele começou a ressonar . O primeiro mapa levou quase vinte minutos a explicar , mas debaixo de esse havia outro e ainda um terceiro . Harry caiu em uma letargia enquanto Wood continuava indefinidamente . - Então - disse por fim o treinador , arrancando Harry de a avidez de uma fantasia sobre o que poderia estar a comer se se encontrasse em aquele momento em o castelo . - Ficou tudo claro ? Alguma pergunta ? - Eu tenho uma pergunta , Oliver - disse George que acordou estremunhado . - Porque não nos explicaste tudo_isso ontem , quando estávamos acordados ? Wood não ficou nada satisfeito . - Ouçam bem , vocês todos - disse , voltando se para eles mal-humorado . - Nós deveríamos ter ganho a taça de Quidditch o ano passado . Somos de longe a melhor equipa , mas , infelizmente , devido_a circunstancias que estão para_além de o nosso controlo ... Harry mudou de posição em a cadeira sentindo se culpado . Estivera inconsciente em o hospital durante o campeonato final de o ano anterior o que fez com que os Gryffindor com um jogador a menos tivessem sofrido a pior derrota de os últimos trezentos anos . Wood levou um momento a controlar se . Era evidente que a última derrota ainda o torturava . - Portanto , este ano vamos fazer um treino mais duro , como nunca se fez . O. _ K. , vamos lá pôr as teorias em prática - gritou , pegando em a vassoura e conduzindo os para fora de o vestiário . Com as pernas trôpegas e ainda a bocejar , a equipa seguiu o . Tinham estado tanto tempo lá dentro que o sol já tinha nascido e brilhava em o céu embora uma réstia de neblina pairasse ainda sobre o relvado de o campo . Quando Harry entrou em campo viu Ron e Hermione sentados em as bancadas . - Ainda não acabaram ? - perguntou Ron em um tom incrédulo . - Ainda nem começamos - explicou Harry , olhando cheio de inveja para a torrada com doce de laranja que Ron e Hermione tinham trazido de o salão . - O Wood tem estado a ensinar nos as jogadas . Subiu para a vassoura e deu um pontapé em o chão , elevando se em o ar . O ar fresco de a manhã bateu lhe em o rosto fazendo o acordar com mais eficácia do_que o longo discurso de Wood . Era maravilhoso voltar a estar em o campo de Quidditch . Voou em volta de o estádio a toda a a velocidade competindo com Fred e George . - Que barulhinho estranho é aquele ? - perguntou o Fred quando deram a volta . Harry olhou para as bancadas . Colin estava sentado em um de os lugares mais altos com a máquina fotográfica em o ar , tirando fotografia sobre fotografia , o som estranhamente ampliado em o estádio deserto . - Olha para ali , Harry , para ali - gritava de forma estridente . - Quem é aquele ? - perguntou Fred . - Não faço ideia - mentiu Harry , disparando a_toda_a velocidade e distanciando se o mais possível de Colin . - O que se passa aí ? - perguntou Wood , franzindo a testa enquanto corria por os ares atrás de eles . - Porque está aquele aluno de o primeiro ano a tirar fotografias ? Não me agrada . Pode ser um espião de os Slytherin a tentar descobrir o nosso novo programa de treinos . - Ele é de os Gryffindor - disse Harry rapidamente . - E os Slytherin não precisam de um espião , Oliver - completou George . - Porque dizes isso ? - perguntou Wood irritado . - Porque estão aqui em peso - disse George , apontando com o dedo . Vários indivíduos com túnicas verdes vinham em aquele momento a entrar em o campo de vassouras em a mão . - Não posso acreditar - reagiu Wood , sentindo se ultrajado . - Eu reservei o estádio para hoje . Já vamos ver como é_que isto fica ! Wood baixou direito a o chão sendo levado por a fúria a aterrar com mais força do_que pretendia e a cambalear um_pouco quando começou a andar seguido de o Harry e de o Ron . - Flint - bradou para o treinador de os Slytherin . - Este é o nosso tempo de treino . Levantámo nos de propósito . Vocês têm de sair de aqui . Marcus_Flint era ainda mais corpulento do_que Wood . Tinha em o rosto uma expressão de duende travesso quando respondeu : - Há espaço para todos , Wood . Angelina , Alicia e Katie tinham vindo também . Em a equipa de os Slytherin não havia raparigas que enfrentassem a o lado de os rapazes os Gryffindor . - Mas eu reservei o estádio - repetiu Wood de modo afirmativo , cuspindo de raiva . - Reservei o . - Ah ! - exclamou Flint . - Mas eu tenho aqui uma licença especial assinada por o professor Snape . * _ Eu , professor Snape , autorizo a equipa de os Slytherin a praticar hoje em o campo de Quidditch devido a a necessidade de treinar o seu novo seeker . * - Têm um novo * seeker * ? - perguntou Wood perturbado . - Onde ? E detrás de as seis figuras corpulentas que tinham em a frente , viram surgir uma sétima : um rapaz mais pequeno com um sorriso afectado espelhado em o rosto pálido e anguloso . Era_Draco_Malfoy . - Não és o filho de o Lucius_Malfoy ? - perguntou Fred , olhando para ele com antipatia . - Curioso que refiras o pai de o Draco - disse Flint enquanto toda_a equipa de os Slytherin sorria de modo grosseiro . - Deixem me mostrar vos a generosa oferta que ele fez a a equipa de os Slytherin . Os sete exibiram as suas vassouras . Sete cabos novos , polidos , com inscrições em letras douradas de as palavras « Nimbus dois_mil_e_um « brilharam a o sol de a manhã , em frente de o nariz de os Gryffindor . - O último modelo . Só chegou em o mês passado - disse Flint , displicentemente , sacudindo a poeira de o cabo de a sua vassoura . - Julgo que ultrapassam de longe as velhas séries de dois_mil . Quanto a as Cleansweeps - sorriu de forma mesquinha para Fred e George que tinham ambos Cleansweep_Fives - essas já só servem para varrer . Nenhum de os Gryffindor foi capaz de abrir a boca em aquele momento . Malfoy sorria tanto que os seus olhos de gelo estavam reduzidos a duas rachas . - Oh vejam - disse Flint . - Uma invasão de o campo . Ron e Hermione atravessavam o relvado para ver o que se passava . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron a o Harry . - Porque não estão a jogar e o que faz ele aqui ? Olhava para Malfoy em as suas vestes de Quidditch . - Sou o novo * seeker * de os Slytherin , Weasley - disse Malfoy com ar presumido . - Têm estado todos a admirar as vassouras que o meu pai comprou para a nossa equipa . Ron olhou de boca aberta para as sete vassouras que tinha em a frente . - São boas , não são ? - disse Malfoy untuosamente . - Mas talvez a equipa de os Gryffindor consiga levantar algum ouro e comprar também vassouras novas . Vocês podiam levar essas Cleansweep_Fives a leilão , talvez algum museu esteja interessado . A equipa de os Slytherin riu se a bandeiras despregadas . - Pelo_menos em os Gryffindor ninguém teve de comprar a sua entrada - disse secamente Hermione . - Entraram todos por mérito próprio . O ar presumido de Malfoy desapareceu . - Ninguém pediu a tua opinião , sangue de lama - cuspiu Malfoy . Harry apercebeu se , de imediato , que Malfoy dissera algo muito grave porque houve uma tremenda algazarra em o seguimento de as suas palavras . Flint teve que se pôr a a frente de o Malfoy para evitar que Fred e George se atirassem a ele . Alicia bradou : - Como te atreves ? - E Ron meteu a mão em as vestes e sacou de a varinha mágica , gritando : - Vais pagar por o que disseste , Malfoy ! - e apontou a , furioso , por debaixo de o braço de Flint , a o rosto de Malfoy . Um enorme estrondo , ecoou em o estádio e um jacto de luz verde saiu por a extremidade errada de a varinha de Ron , atingindo o em o estômago e projectando o para trás em direcção a o relvado . - Ron ! Ron ! Estás bem ? - gritou Hermione . Ron abriu a boca para falar , mas nenhuma palavra saiu . Em vez de isso , teve um vómito imenso e várias lesmas saíram lhe de a boca , indo cair lhe em o colo . A equipa de os Slytherin ficou paralisada de riso . Flint estava dobrado , agarrado a a vassoura nova . Malfoy , a quatro , batia com o punho em a chão . Os Gryffindor rodeavam o Ron , que continuava a vomitar lesmas enormes e reluzentes . Ninguém queria tocar lhe . - É melhor levá o para_casa de o Hagrid . É o mais perto - disse Harry_a_Hermione , que acenou afirmativamente , e os dois arrastaram o Ron por os braços . - O que aconteceu , Harry ? O que aconteceu ? Ele está doente ? Mas tu podes curá o , não podes ? - Colin descera a correr de o lugar onde estava sentado e dançaricava em frente de eles , enquanto abandonavam o campo . Ron teve um novo arremesso e mais lesmas saíram de a sua boca . - Oooh ! - exclamou Colin fascinado , levantando a máquina fotográfica . - Podes mantê o quieto , Harry ? - Sai de a minha frente , Colin - gritou Harry zangado . Ele e a Hermione conseguiram levar o Ron para fora de o estádio , atravessar os campos e chegar a a beira de a floresta . - Está quase , Ron - disse Hermione , mal avistaram o casebre de o guarda de os campos . - Vais ficar bem dentro_de um minuto ... está quase ... Estavam a sessenta metros de a casa de Hagrid , quando a porta de a frente se abriu . Mas não foi Hagrid quem saiu de lá , e sim Gilderoy_Lockhart , em uma túnica cor de malva . - Rápido , vamos esconder nos aqui - sussurrou Harry , arrastando Ron para trás de um arbusto que havia ali perto . Hermione acompanhou o , embora um_pouco relutante . -- É muito simples quando se sabe o que se está fazer ! - gritava Lockhart_para_Hagrid . - Se precisar de ajuda , sabe onde estou . Vou dar lhe um exemplar de o meu livro . Espanta me que ainda não o tenha . Logo a a noite autografo o e envio lhe o . Bem . até a a próxima ! - e afastou se em direcção a o castelo . Harry esperou que Lockhart desaparecesse , antes de puxar o Ron de trás de o arbusto até a a casa de o Hagrid . Bateram ansiosamente . Hagrid apareceu logo com um ar mal-humorado , que se dissipou quando viu quem era . - Já me tinha perguntado quand'é que vocês vinham ver me , entrem , entrem , pensei qu'era outra_vez o professor Lockhart . Harry e Hermione ajudaram Ron a subir o degrau que dava acesso a a cabana de uma divisão com uma cama enorme a um de os cantos e uma lareira a crepitar alegremente em o outro . Hagrid não pareceu perturbado com o problema de as lesmas de o Ron que Harry lhe explicou precipitadamente , logo_que sentou o Ron em uma cadeira . - Melhor saírem de o qu'entrarem - disse , em um tom bem-disposto , colocando uma grande bacia de cobre em frente de ele . - Deita as todas fora , Ron . - Acho que não há mais_nada a fazer , a não ser esperar que isto pare - disse Hermione ansiosamente , vendo Ron inclinar se para a bacia . - É uma maldição muitas_vezes difícil , mas com uma varinha partida ... Hagrid andava de um lado para o outro a preparar o chá . O cão de ele , Fang , babava se em cima de o Harry . - O que é_que o Lockhart queria de ti ? - perguntou o Harry , coçando as orelhas de o Fang . - Ensinar me a tirar espíritos aquáticos com forma de cavalos d'uma nascente d'água - resmungou Hagrid , retirando de a mesa pequena um galo meio depenado e colocando em o seu lugar o bule . - Como s'eu não soubesse . E contar me uma peta qualquer d'uma fada carpideira que ele venceu . Engulo essa chaleira , se uma palavra do_que ele disse for verdade . Não era hábito de Hagrid criticar um professor de Hogwarts e Harry olhou para ele com alguma surpresa . Mas Hermione disse em uma voz mais aguda do_que de costume : - Acho que estás a ser injusto . O professor Dumbledore obviamente achou que era o melhor homem para o lugar ... - Era o único - explicou Hagrid , oferecendo lhes um prato de bombons de melaço enquanto Ron tossia para a bacia . - E não havia mais ninguém . Não é fácil encontrar quem queira dar Artes de magia negra . As pessoas não gostam de essa matéria . Começam a pensar que está amaldiçoada , ninguém ficou muito_tempo a dá a . Mas digam me lá - continuou Hagrid , inclinando a cabeça para Ron - quem é qu'ele estava a tentar amaldiçoar ? - O Malfoy chamou qualquer coisa a a Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si . - Foi grave , sim - disse o Ron com voz rouca , emergindo a a superfície de a mesa , pálido e transpirado . - O Malfoy chamou lhe sangue de lama , Hagrid . - Ron desapareceu outra_vez quando uma nova onda de lesmas fez o seu aparecimento . Hagrid estava indignado . - Não posso crer - exclamou , dirigindo se a Hermione . - Chamou sim - disse ela . - Mas eu não sei o que significa . Percebi que era má educação , claro ... - É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar - explicou Ron novamente . - Sangue de lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles , sabes , filho de pais não mágicos . Há alguns feiticeiros , como a família de o Malfoy que acham que são melhores do_que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro . - Teve um pequeno vómito e uma lesma isolada caiu lhe em a mão aberta . Ele atirou a para a bacia e continuou . -- É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma . Olha_o_Neville_Longbottom , é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito . - E ainda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer - afirmou Hagrid , orgulhoso , fazendo Hermione corar em tons de magenta . - É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém - disse o Ron , limpando o suor de a testa com a mão trémula . - Sangue sujo , sangue vulgar , é um disparate . A maior parte de os feiticeiros hoje_em_dia têm sangue misturado . Se não tivéssemos casado com Muggles tinha sido o nosso fim . Fez um esforço para vomitar e baixou se mais_uma_vez . - Bem , não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá o , Ron - disse Hagrid bem alto enquanto montes de lesmas caíam em a bacia . - Mas , se_calhar , não foi mau de todo teres a varinha a trabalhar ao_contrário . Acho que Lucius_Malfoy teria vindo logo a correr a a escola se tivesses amaldiçoado o filho . Assim , pelo_menos , não estás metido em nenhum sarilho . Harry teria referido que o problema não podia ser pior do_que deitar lesmas por a boca , mas não pôde . Os bombons de melaço tinham lhe colado os maxilares um_ao_outro . - Harry - disse de repente Hagrid como_que movido por um pensamento súbito . - Tens de me explicar uma coisa . Ouvi dizer que tens andado a dar fotografias autografadas . Porque é qu'eu não tenho nenhuma ? A fúria de Harry foi tão grande que os maxilares se libertaram . - Eu não tenho dado fotografias autografadas - disse com vivacidade . Se o Lockhart andou a espalhar isso ... Mas em esse momento viu que Hagrid se estava a rir . - ´ _ tou a brincar - disse , dando uma palmadinha em as costas de Harry e fazendo lhe sinal para se sentar a a mesa . -- Eu sabia que não tinhas . Disse a o Lockhart que tu não precisavas de isso . Es mais famoso do_que ele sem sequer , tentares . - Aposto que ele não gostou de ouvir isso - comentou Harry , sentando se e esfregando o queixo . - Acho que não gostou mesmo - prosseguiu Hagrid com os olhinhos a brilhar . - E disse lhe também que nunca tinha lido nenhum de os livros de ele e ele foi se embora . Um bombom de melaço , Ron ? - perguntou a o vê o reaparecer . - Não , obrigado - disse o Ron com uma voz fraca . - É melhor não arriscar . - Venham ver o qu'eu tenho estado a criar - disse Hagrid quando Harry e Hermione acabaram de tomar o chá . Em a pequena horta atrás de a casa estava uma_dúzia de as maiores abóboras que Harry alguma vez vira . Pareciam enormes blocos de pedra . - Estão a dar se bem , não achas ? - disse Hagrid , feliz . São para a festa de o * _ Hallow'en * . Devem estar bem grandes quando chegar a altura . - O que é_que lhes tens dado como alimento ? - perguntou Harry . Hagrid olhou por cima de o ombro para confirmar se estavam sós . - Bem , tenho estado a dar lhes ... uma pequena ajuda . Harry reparou em o guarda-chuva cor-de-rosa a as florzinhas que estava encostado contra a parede de a cabana . Tivera em o ano anterior motivos para crer que aquele guarda-chuva não era o que parecia . De facto , acreditava que a antiga varinha de escola de Hagrid se encontrava oculta dentro de ele . Hagrid não tinha autorização para usar magia . Fora expulso de Hogwarts em o terceiro ano embora Harry nunca tivesse descoberto o motivo . Qualquer referência a esta questão fazia Hagrid pigarrear bem alto e ficar misteriosamente surdo até mudarem de assunto . -- Um encantamento de absorção , imagino ? - comentou Hermione entre a desaprovação e o divertimento . - Bem , se assim foi , fizeste um bom trabalho . - Foi o que disse a tua irmãzinha - respondeu Hagrid acenando em direcção a Ron . - Encontrei a ontem . - Hagrid olhou de lado para Harry , a barba a contorcer se . - Disse que andava só a ver os campos , mas eu acho qu'ela esperava encontrar alguém em a minha casa - piscou o olho a o Harry . - Se queres que te diga acho qu'ela não recusaria uma fotografia autogr ... - Cala te com isso - disse Harry . Ron desatou a rir e o chão ficou cheio de lesmas . - Cuidado - resmungou Hagrid , afastando Ron de as suas preciosas abóboras . Estava quase em a hora de o almoço e , como o Harry só tinha provado um bombom de melaço desde manhã cedo , estava ansioso por chegar a a escola para ir comer . Despediram se de o Hagrid e regressaram a o castelo . O Ron a vomitar de vez em quando , mas deitando só duas pequenas lesmas . Mal tinham pisado a entrada de o vestíbulo quando ouviram uma voz . - Aí estão vocês , Potter , Weasley . - A professora Mc_Gonagall vinha em direcção a eles com o seu ar severo . - Vocês os dois vão ter as punições hoje a a tarde . - O que é_que vamos fazer , professora ? - perguntou o Ron nervoso , deixando cair uma lesma . - Tu vais limpar as pratas em a sala de os troféus com Mr._Filch - disse a professora Mc_Gonagall . - E nada de mágicas , Weasley , trabalho com esforço . Ron engoliu em seco . Argus_Filch , o encarregado , era odiado por todos os alunos de a escola . - E tu , Potter , vais ajudar o professor Lockhart a responder a as cartas de as suas fãs - ordenou a professora Mc_Gonagall . - Oh , não ! Não posso ir também trabalhar em a sala de os troféus ? - pediu Harry em desespero de causa . - Nem pensar em isso - respondeu a professora Mc_Gonagall , erguendo as sobrancelhas . - O professor Lockhart requisitou te especialmente a ti . _ a as oito_em_ponto , os dois . Harry e Ron entraram em o salão em um estado de profundo desanimo com a Hermione atrás , ostentando uma expressão de * bem-voces-quebraram-as-regras-da-escola * . Harry não saboreou o empadão de carne como teria desejado . Tanto ele como o Ron achavam que tinham tido o pior de os castigos . -- O Filch vai reter me lá toda_a noite - disse Ron , desanimado . - Sem mágica ! Deve haver umas cem taças em aquela sala , eu não sei fazer limpeza de Muggles . - Eu trocava contigo de boa_vontade - confessou Harry em uma voz surda . - Tive montes de prática com os Dursleys . Responder a o correio de fãs de o Lockhart , que pesadelo ... A tarde de sábado pareceu derreter se . Pouco depois eram já cinco para as oito e Harry arrastava se até a o corredor de o segundo andar onde ficava o escritório de o Lockhart . Rangendo os dentes , bateu a a porta . A porta abriu se imediatamente e Lockhart dirigiu se lhe . - Ah , cá está o patifório ! - exclamou . - Entra , Harry , entra . Em as paredes , brilhando à_luz_de muitas velas , podia ver se uma infinidade de fotografias de Lockhart . Algumas de elas até assinadas . Sobre a secretária estava outro monte enorme . - Podes pôr as moradas em os envelopes - disse Lockhart_a_Harry , como_se fosse uma grande ameaça . - O primeiro é para Gladys_Gudgeon , abençoada seja , uma grande fã minha . Os minutos passavam lentos . De vez em quando , Harry ouvia a voz de Lockhart dizendo : - Mmm - e - certo - e - sim . - De vez em quando , apanhava uma frase como : - A fama é versátil , amigo Harry - ou - Só é célebre quem faz por isso , nunca te esqueças . As velas ardiam cada_vez com maior lentidão , fazendo a luz dançar sobre as muitas caras de Lockhart que o olhavam . Harry passava a mão , já dorida , sobre o que devia ser o centésimo envelope , escrevendo a morada de Verónica_Smethley . « Deve estar quase em a hora de me ir embora » , pensou , sentindo se profundamente infeliz , « por favor , faz com que esteja em a hora ... » E então ouviu algo , algo totalmente diferente de o crepitar de as velas e de os ditos de Lockhart sobre as suas fãs . Era uma voz , uma voz de arrepiar os ossos , de cortar a respiração , de veneno frio . - * _ Vem ... vem ter comigo ... deixa me rasgar te ... cortar te ... matar te * ... Harry deu um salto e uma enorme mancha lilás surgiu em a rua de Verónica_Smethley . - O quê ? - disse ele em voz alta . - Eu sei - exclamou Lockhart . - Seis meses inteirinhos em o topo de a lista de * bestsellers * , bati todos os recordes ! - Não - disse Harry nervosíssimo - aquela voz ! - Como ? - perguntou Lockhart , com um ar confuso . - Que voz ? - Aquela , aquela voz que disse ... não ouviu ? Lockhart olhava para Harry com o maior espanto . - De que é_que estás a falar , Harry ? Estás a ficar com sono ? Meu Deus , olha , só estamos aqui há quase quatro horas , quem diria ? O tempo passou a correr , não é verdade ? Harry não respondeu , estava a fazer um esforço para ouvir de_novo a voz , mas o único som que ouviu foi Lockhart a dizer lhe que não esperasse um tratamento igual de as próximas vezes que fosse castigado . Harry saiu , sentindo se atordoado . Era tão tarde que a sala comum de os Gryffindor estava quase vazia . Harry foi directamente para o dormitório . Ron ainda não tinha voltado . Vestiu o pijama , meteu se em a cama e esperou . Meia_hora mais tarde , chegou o Ron agarrado a o braço direito e inundando o quarto escuro de um forte cheiro a limpa-pratas . - Doem me todos os músculos - resmungou , metendo se em a cama . - Ele fez me polir catorze vezes aquela taça de Quidditch até estar satisfeito . E depois tive outro vómito em_cima_de um troféu de Reconhecimento por serviços prestados a a escola . Demorei séculos a limpar o muco de as lesmas . Como correram as coisas com o Lockhart ? Em voz baixa para não acordar o Neville , o Dean e o Seamus , Harry contou lhe , palavra por palavra , o que tinha ouvido . - E Lockhart disse que não ouviu nada ? - perguntou o Ron . Harry viu o franzir a testa , a a luz de o luar . - Achas que estava a mentir ? Mas , não percebo , mesmo um ser invisível teria aberto a porta . - Eu sei - disse Harry , encostando se a a cama e olhando para o dossel . - Também não compreendo . VIII_A festa de o dia de os mortos Outubro chegou , espalhando um frio húmido por os campos e por os cantos de o castelo . Madam_Pomfrey , a enfermeira-chefe , esteve bastante ocupada com uma onda de constipações que afectou professores e alunos . A sua poção de pimentão entrou imediatamente em acção apesar_de deixar quem a tomava com fumo em os ouvidos durante várias horas . Ginny_Weasley , que andava com ar adoentado , foi convencida a tomá a por o Percy . O fumo que saía por debaixo de o seu cabelo ruivo dava a impressão de que toda_a cabeça estava em fogo . Gotas de chuva de o tamanho de balas agrediram as janelas de o castelo durante dias a fio . O lago rosado e os canteiros de flores tornaram se regatos lamacentos e as abóboras de o Hagrid incharam ficando de o tamanho de alpendres de jardim . Contudo , o entusiasmo de Oliver_Wood por as sessões de treino regular não foi abalado , motivo por o qual Harry iria regressar a a torre de os Gryffindor , em um sábado a a tarde de temporal , alguns dias antes de o * _ Hallowe'en * , ensopado até a os ossos e todo enlameado . Além de a chuva e de o vento , não fora um treino feliz . Fred e George que tinham andado a espiar a equipa de os Slytherin tinham visto com os seus próprios olhos a velocidade alucinante de aquelas novas Nimbus dois_mil_e_um e comentaram que a equipa em o ar parecia composta por sete manchas esverdeadas que disparavam a_toda_a velocidade como aviões a jacto . Enquanto Harry chapinhava a o longo de o corredor deserto , cruzou se com alguém que parecia tão preocupado como ele : Nick quase sem cabeça , o fantasma de a torre de os Gryffindor que olhava taciturno , por a janela , murmurando baixinho : - Não preenche os requisitos , um centímetro e meio se ... - Olá , Nick - cumprimentou Harry . - Olá , olá - disse o Nick quase sem cabeça , começando a olhar em volta . Usava um arrebatado chapéu de plumas sobre a longa cabeleira encaracolada e uma túnica com gola de tufos que disfarçava o facto de ter o pescoço quase totalmente separado de o corpo . Era pálido como o fumo e Harry podia ver através de ele o céu negro e a chuva torrencial , lá fora . - Pareces preocupado , jovem Potter - disse Nick , dobrando uma carta transparente , enquanto falava e escondendo a dentro de a jaqueta . - Tu também - retorquiu Harry . - Ah ! - o Nick quase sem cabeça acenou com a mão de forma elegante . - Uma questão sem importância . Não é_que eu quisesse realmente participar apesar_de me ter inscrito , mas , a o que parece , não preencho os requisitos . - Apesar de o seu tom jovial havia em o seu rosto uma grande amargura . - Mas era de esperar , ou não era - exclamou subitamente , tirando a carta de o bolso - que ter levado quarenta_e_cinco golpes em a cabeça com um machado ferrugento me qualificaria para entrar em o grupo de os Sem - _ Cabeça ? - Sim , sim - respondeu Harry que obviamente o outro esperava que concordasse . - Isto_é , ninguém mais do_que eu desejaria que tudo tivesse sido rápido e perfeito , poupava me muitas dores e ridículo . Mas ... O Nick quase sem cabeça abriu , furioso , a carta e leu : * _ Só podemos aceitar em o grupo homens cuja cabeça tenha sido separada de o corpo . Compreenderá que de outro modo seria impossível a os nossos membros participarem em actividades como equitação de malabarismos com a cabeça e pólo de cabeça . Lamentamos profundamente informá o de que não preenche os requisitos . * _ Os nossos melhores cumprimentos , Sir_Patrick_Delaney - _ Podmore * Furioso , o Nick quase sem cabeça atirou fora a carta . - Um centímetro de pele e tendões a segurarem me a cabeça , Harry ! A maior parte de as pessoas acharia que era mais do_que o suficiente , mas não serve para o senhor correctamente decapitado Podmore . Nick quase sem cabeça respirou fundo várias vezes e , por fim , em um tom bastante mais calmo perguntou : - Então o que é_que te preocupa ? Alguma coisa que eu possa fazer por ti ? - Não - respondeu Harry . - A_não_ser_que saibas onde posso arranjar sete Nimbus dois_mil_e_um , de_graça , para o nosso campeonato contra os Sly ... - o resto de a frase foi afogada por um miado agudo vindo de perto de os seus tornozelos . Olhou para baixo e deu consigo a fitar um par de olhos que pareciam duas lâmpadas amarelas . Era_Mrs._Norris , a gata cinzenta e esquelética usada por o encarregado Argus_Filch como uma espécie de polícia em a sua infindável batalha contra os estudantes . - É melhor saíres de aqui , Harry - preveniu Nick com toda_a calma . - O Filch não está nada bem-disposto . Anda engripado e alguns alunos de o terceiro ano , por acidente , encheram o tecto de o calabouço cinco de miolos de rã . Ele tem andado toda_a manhã a limpar e se te vê a encher tudo de lama ... - Certo - disse Harry , recuando e afastando se de o olhar acusador de Mrs._Norris , mas ... tarde de mais . Conduzido até ali por o misterioso poder que parecia ligá o a a gata , Argus_Filch entrou subitamente por uma tapeçaria que se encontrava a a direita de Harry , com a sua respiração asmática , olhando vivamente em volta em busca de o infractor . Tinha um lenço grosso , de xadrez , a a volta de a cabeça e o nariz invulgarmente arroxeado . - Imundície - gritou com os maxilares a tremer e os olhos a saltarem lhe de as órbitas , enquanto apontava para a poça de lama que pingara de a túnica de Quidditch_de_Harry . - Desarrumação e imundície em todo o lado . Estou farto disto , segue me , Potter . Harry despediu se de o Nick quase sem cabeça com um tímido aceno e seguiu Filch até lá abaixo , duplicando o número de pegadas lamacentas em o chão . Nunca entrara em o gabinete de o Filch . Era um lugar que a maior parte de os estudantes evitava . A divisão era sombria e sem janelas , iluminada por uma única lamparina de óleo que pendia de o tecto . Sentia se um vago cheiro a peixe frito . As paredes estavam forradas por ficheiros de madeira . Por as etiquetas Harry percebeu que continham os dados de todos os alunos que Filch tinha punido . Fred e George_Weasley tinham uma gaveta só para eles . Atrás de a secretária estava pendurada uma colecção bem polida de correntes e algemas . Todos sabiam que ele estava sempre a pedir a Dumbledore que o deixasse pendurar os alunos em o tecto por os tornozelos . Filch pegou em uma pena que estava sobre a secretária e começou a procurar o pergaminho . - Bosta - murmurou , furioso . - Bosta de dragão , miolos de rã , intestinos de ratazana ... eu tinha aqui bastante , onde está o form ... sim ... Tirou um enorme rolo de pergaminho de a gaveta de a secretária e estendeu o em a frente , molhando a longa pena em o tinteiro . - Nome : Harry_Potter . Crime ... - Foi só um bocadinho de lama - disse Harry . - É só um bocadinho de lama para ti , rapaz , mas para mim é mais de uma hora a esfregar - gritou Filch com um pingo a tremer de modo desagradável em a extremidade de o nariz bolboso . - Crime : manchar o castelo . Sentença proposta ... Esfregando o nariz que continuava a pingar , Filch olhou com má cara para Harry que esperava com a respiração entrecortada para ouvir a sentença . Mas quando Filch pegou em a pena ouviu se um estrondo enorme em o tecto que fez a lamparina apagar se . - PEEVES - resmungou Filch , pousando a pena , cheio de raiva . - Desta_vez apanho te . Apanho te ! E sem olhar para trás , saiu a correr a_toda_a velocidade de o gabinete , seguido de a gata , Mrs._Norris . Peeves era o * poltergeist * de a escola , uma ameaça de risota esvoaçante que vivia para fazer estragos e criar aflição . Harry não gostava lá muito de ele , mas desta_vez , não podia deixar de lhe estar grato . Na_melhor_das_hipóteses o que Peeves tivesse feito ( e parecia que agora ele destruíra qualquer coisa em grande ) distrairia Filch_de_Harry . Pensando que o melhor seria esperar que ele voltasse , Harry deixou se cair em uma cadeira carcomida por o tempo que se encontrava junto de a secretária . Havia uma coisa sobre o tampo : um grande envelope roxo e lustroso com letras prateadas em a frente . Lançando um olhar rápido a a porta para confirmar que Filch não estava de volta , Harry pegou lhe e leu : __ feitiço __ rápido Um curso por correspondência De iniciação a a magia Cheio de curiosidade , abriu o envelope e retirou o rolo de pergaminho . Uma letra curvilínea e prateada dizia : Sente se pouco a a vontade em o mundo de a magia moderna ? Dá consigo a arranjar desculpas para não fazer feitiços simples ? Tem sido censurado por o deplorável trabalho com a varinha ? Eis a resposta ! Feitiço rápido e um curso totalmente novo , infalível , de resultados rápidos e rápida aprendizagem . Centenas de bruxas e feiticeiros têm beneficiado de o método feitiço rápido ! Madam_Z._Nettles_de_Topsham escreve nos : Eu não conseguia fixar os encantamentos e as minhas poções eram alvo de risota em a família . Agora , depois de o curso feitiço rápido , tornei me o centro de as atenções em todas_as festas e os meus amigos não param de pedir me a receita de a minha brilhante solução ! O mágico D.J._Prod , de Disbury , afirma : A minha mulher costumava rir se de os meus fracos encantamentos , mas bastou um mês com o vosso fabuloso curso feitiço rápido e consegui transformá a em um iaque . Obrigado , feitiço rápido ! Fascinado , Harry folheou o resto de o conteúdo de o envelope . Para que diabo quereria o Filch um curso de feitiço rápido ? Não seria ele um feiticeiro a sério ? Harry estava a ler a lição número um : Pegando em a varinha ( algumas dicas úteis ) quando umas passadas arrastadas , lá fora , o preveniram de que Filch estava de volta . Metendo rapidamente o pergaminho dentro de o envelope , lançou o para_cima de a secretária em o preciso momento em que a porta se abriu . Filch ostentava um ar triunfante . - Aquele armário que desapareceu era extremamente valioso - vinha ele a dizer a a gata , Mrs._Norris . - Desta_vez vamos correr com o Peeves , minha linda . Os seus olhos recaíram sobre Harry e logo_a_seguir sobre o envelope de o feitiço rápido que , Harry apercebeu se tarde de mais , estava meio metro distanciado de o seu lagar inicial . O rosto pálido de Filch tornou se vermelho escarlate . Harry preparou se para uma nova onda de fúria . Filch coxeou até a a secretária , arrebatou o envelope e meteu o em uma gaveta . -- Chegaste a ... lê o ? - perguntou atabalhoadamente . - Não - mentiu Harry , sem perder tempo . As mãos nodosas de o Filch contorciam se ao_mesmo_tempo . - Se eu soubesse que ias ler a minha correspondência priv ... não que seja minha ... é para um amigo ... mesmo_assim ... Harry olhava para ele espantado . Nunca vira o Filch tão louco . Os olhos pareciam querer saltar lhe de as órbitas , com um tique em as bochechas e aquele lenço axadrezado que não ajudava nada ... - Muito bem , vai e não abras a boca sobre isto ... não que ... mesmo_assim ... se tu não leste ... vai te embora , tenho de escrever o relatório sobre o Peeves , vai . Atordoado com a sua sorte , Harry saiu de ali e largou a correr por o corredor fora e por as escadas acima . Sair de o gabinete de o Filch sem um castigo devia ser um recorde em a escola . - Harry , Harry , deu resultado ? O Nick quase sem cabeça saiu a brilhar de uma sala de aula . Atrás de ele , Harry pôde ver os destroços de um grande armário preto e dourado que parecia ter sido atirado de uma grande altura . - Convenci o Peeves a parti o mesmo em cima de o gabinete de o Filch - disse Nick entusiasmado . - Pensei que talvez o distraísse . - Foste tu ? - exclamou Harry , agradecido . - Funcionou sim . Ele não me deu nenhum castigo . Obrigado , Nick . Atravessaram o corredor juntos . O Nick quase sem cabeça , reparou Harry , ainda tinha em a mão a carta de Sir_Patrick . - Gostaria de poder fazer qualquer coisa sobre o grupo de os Sem - _ Cabeça - disse Harry . O Nick quase sem cabeça parou de repente e Harry passou através de ele . Antes não tivesse passado , foi como atravessar um duche gelado . - Mas há uma coisa que tu podes fazer por mim - disse Nick muito agitado . - Harry , seria pedir te de mais ... mas não , tu não ias querer ... - O quê ? - Bem , este ano em o * _ Hallowe'en * vai ser o meu meio milénio de dia de os mortos - disse o Nick quase sem cabeça endireitando se e adquirindo uma postura de grande dignidade . - Oh - respondeu Harry sem saber se deveria lamentar ou dar lhe os parabéns . - Certo . - Vou dar uma festa em um de os calabouços mais amplos . Vêm amigos meus de todo o país . Seria uma honra muito grande se tu aparecesses . Mr._Weasley e Miss_Granger seriam também muito bem-vindos , claro . Mas tu deves preferir o banquete de a escola , não é verdade ? - Olhou para Harry , aflito . - Não - assegurou ele rapidamente . - Eu vou . - Oh rapaz , Harry_Potter em a minha festa de os mortos - hesitou no_meio_de toda aquela excitação . - Achas que poderias referir a Sir_Patrick como me achas assustador e como te impressiono ? - É claro que sim - assegurou Harry . O Nick quase sem cabeça iluminou se em um sorriso . - Uma festa de os mortos ? - exclamou Hermione , entusiasmada , quando Harry , depois de mudar de roupa , se juntou a ela e a o Ron em a sala comum . - Aposto que não há muitas pessoas que possam gabar se de ter estado em uma festa de essas . Vai ser fantástico ! - Por_que é_que alguém se lembraria de festejar o dia em que morreu ? - perguntou o Ron que estava a meio de o seu trabalho de casa de poções e bastante maldisposto . - Parece me bastante mórbido . A chuva continuava a lamber as janelas que apresentavam agora um negro que parecia tinta , mas , lá dentro , era tudo claro e alegre . O fogo em a lareira brilhava sobre as inúmeras cadeiras de braços onde as pessoas estavam sentadas a ler , a conversar , a fazer os trabalhos de casa ou , no_caso_de Fred e George_Weasley , a tentar descobrir o que aconteceria se alimentassem uma salamandra com fogo-de-artíficio de o Filibuster . O Fred tinha « resgatado . o lagarto cor de laranja brilhante , morador de o fogo , de uma aula de tratamento de seres mágicos e ele estava agora a arder em fogo lento sobre uma mesa , rodeado de um grupo de curiosos . Harry ia começar a contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre o Filch e o curso de feitiço rápido quando a salamandra disparou por os ares , lançando faíscas e estoiros . A visão de Percy a gritar com Fred e George até ficar ronco , a fantástica exibição de estrelas cor de tangerina que choviam de a boca de a salamandra e a sua fuga para o lume acompanhada de explosões , fizeram com que Harry se esquecesse , em aquele momento , de Filch e de o curso de feitiço rápido . Quando chegou o * _ Hallowe'en * , Harry já lamentava a sua promessa imprudente de ir a a festa de os mortos . Toda_a escola antecipava , feliz , a sua festa de * _ Hallowe'en * . O salão nobre fora enfeitado com os habituais morcegos , as enormes abóboras de Hagrid tinham sido esculpidas em forma de lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro_de cada uma , e havia boatos de que Dumbledore contratara um grupo de esqueletos bailarinos para animar a festa . - Uma promessa é uma promessa - lembrou Hermione_a_Harry com o seu autoritarismo habitual . - Tu disseste que ias a a festa de os mortos . Portanto , a as sete_da_tarde , Harry , Ron e Hermione saíram , passando por a porta de o salão nobre que brilhava de modo convidativo com pratos dourados e velas e dirigiram os seus passos para os calabouços . O corredor que conduzia a a festa de o Nick quase sem cabeça tinha sido também ladeado de velas , embora o efeito estivesse longe_de ser alegre : estas eram velas muito esguias e estreitas , negras de breu , ardendo em um azul brilhante e lançando uma luz indistinta e espectral também sobre as caras de as pessoas vivas . A temperatura diminuía a cada degrau que desciam . Harry tremia e cingia a túnica a o corpo quando ouviu qualquer coisa que parecia uma centena de unhas a rasparem um enorme quadro preto . - Será que isto_é a música ? - murmurou Ron . Viraram uma esquina e viram o Nick quase sem cabeça junto de uma porta , todo vestido de veludo negro . - Meus queridos amigos - disse com ar de luto . - Bem-vindos , bem-vindos , ainda_bem que puderam vir . Em um gesto largo tirou o chapéu de plumas e fez lhes sinal para que entrassem . Era uma visão incrível . O calabouço estava cheio com centenas de pessoas de um branco pálido e translúcido , a maior parte de as quais era arrastada em uma pista de dança cheia , valsando a o som de trinta serrotes musicais . Os serrotes que compunham a orquestra encontravam se sobre um estrado enfeitado com panos negros . Um lustre lá em cima resplandecia de um azul nocturno com mais um_milhar de velas negras . A respiração de os três subiu em o ar como uma neblina . Parecia que tinham entrado em um congelador . - Vamos dar uma volta - sugeriu Harry em uma tentativa de aquecer os pés . - Cuidado , não atravessem nenhum de eles - avisou o Ron nervosamente e colocaram se em volta de a pista de dança . Passaram por um grupo escuro de freiras , por um homem esfarrapado e cheio de correntes e por o frade gordo , o divertido fantasma de os Hufflepuff que estava a conversar com um cavaleiro com uma seta enfiada em a testa . Harry não ficou nada surpreendido a o ver que o Barão sangrento , o fantasma lúgubre e berrante de os Slytherin , coberto de nódoas de sangue ; estava a ser totalmente evitado por os outros fantasmas . - Oh ! Não -- exclamou Hermione , parando bruscamente . - Voltem se , voltem se , não quero ter de cumprimentar a Murta_Queixosa . - Quem ? - perguntou Harry enquanto davam rapidamente meia volta . - Ela assombra a casa_de_banho de as raparigas de o primeiro andar - explicou Hermione . - Assombra uma casa_de_banho ? - Sim . Está inoperativa durante todo o ano porque ela tem constantes acessos de choro e inunda tudo . Eu só lá fui quando não pode mesmo evitar . É horrível tentar ir a a sanita com ela a gritar connosco . - Olhem , comida - disse o Ron . De o outro lado de o calabouço estava uma mesa igualmente coberta de velado negro . Iam para se aproximar entusiasmados , mas pararam com uma expressão de horror . O cheiro era nauseabundo . Enormes peixes podres enchiam as bonitas travessas de prata , os bolos estorricados como carvões amontoavam se em as salvas , havia uma grande quantidade de miúdos de macaco , uma tábua de queijos cobertos de bolor e , em o lugar de honra , um enorme bolo cinzento em forma de lápide com letras que pareciam alcatrão formando as palavras , * _ Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington_Morto em 31_de_Outubro , 1492 * . Harry olhou espantado quando um fantasma de porte majestoso se aproximou de a mesa inclinando se e passando através de ela com a boca aberta enquanto atravessava um salmão malcheiroso . - Consegue prová o passando através de ele ? - perguntou lhe Harry . - Quase - disse tristemente o fantasma antes de se afastar . - Devem ter deixado apodrecer tudo_isto para ter um sabor mais forte - comentou Hermione com ar de quem está bem informada , tapando o nariz e aproximando se para ver melhor os pútridos miúdos de macaco . - Podemos sair de aqui , estou a sentir me agoniado - disse o Ron . Mas mal tinham dado meia volta quando um homenzinho pequenino saiu inesperadamente de debaixo de a mesa e fez uma paragem em o ar em frente de eles . - Olá , Peeves - disse Harry cautelosamente . Ao_contrário de os outros fantasmas que os rodeavam , Peeves , o * poltergeist * era o oposto de pálido e transparente . Usava um chapéu festivo cor de laranja , um laço rotativo a o pescoço e tinha um sorriso grosseiro de malvadez , em o rosto . - Querem petiscar ? - perguntou delicadamente , oferecendo lhes uma taça de amendoins cobertos de fungos . - Não , obrigada - disse Hermione . - Ouvi te falar sobre a pobre Murta - disse Peeves com os olhos a bailar . - Que insensível que tu foste para com a pobre Murta - respirou fundo e gritou : - Oh Murta . - Oh ! Não , Peeves , não lhe contes o que eu disse , ela vai ficar muito aborrecida - murmurou Hermione bastante nervosa . - Eu não queria dizer que ... eu não me importo que ela , er , olá , Murta . O espectro atarracado de uma rapariga deslizara . Tinha o rosto mais carrancudo que Harry alguma vez vira , meio escondido por o cabelo liso e por os óculos grossos cor de pérola . - O que é ? - perguntou mal-humorada . - Como estás Murta ? - perguntou Hermione , em uma voz falsamente alegre . - É bom ver te fora de a casa_de_banho . Murta fungou . - Miss_Granger estava justamente a falar de ti - disse lhe Peeves baixinho a o ouvido . - A dizer , a dizer ... como estás bonita esta noite -- terminou Hermione , olhando irritada para Peeves . A Murta olhou para Hermione desconfiada . - Estão a divertir se a a minha custa - disse , com lágrimas de prata a encherem lhe rapidamente os olhos pequeninos . - Não , a sério , eu não estava a dizer vos como a Murta estava bonita esta noite ? - disse Hermione , dando uma palmada em as costas de o Harry e de o Ron . - Sim , sim . - Ela ... - Não me venham com mentiras - protestou a Murta , as lágrimas agora a descerem lhe por o rosto , enquanto Peeves ria baixinho por cima de o ombro de ela . - Julgam que eu não sei o que as pessoas me chamam em as minhas costas ? A Murta gorda , a Murta feia , a Murta queixosa , a Murta deprimida ! - Esqueceste te de « a Murta ponto negro » - sussurrou lhe Peeves a o ouvido . A Murta_Queixosa irrompeu em soluços de angústia e fugiu de o calabouço . Peeves disparou atrás de ela , lançando lhe uma chuva de amendoins cheios de bolor e gritando : Ponto negro ! Ponto negro ! - Oh , coitada ! - exclamou Hermione com tristeza . O Nick quase sem cabeça abria agora caminho entre a multidão para se aproximar de eles . - Estão a divertir se ? - Sim , sim - mentiram . - Uma afluência nada má - disse orgulhoso o Nick quase sem cabeça . - A viúva chorosa veio de Kent ... está quase em a hora de o meu discurso . É melhor ir avisar a orquestra . Mas a orquestra parou de tocar em esse preciso momento . Eles , e todos os outros em o calabouço , ficaram em silêncio total , olhando em volta cheios de excitação quando se ouviu uma trompa de a caça . - Lá vêm eles - disse o Nick quase sem cabeça , com alguma amargura em a voz . Por o calabouço irromperam uma_dúzia de , cavalos fantasmas , cada_um montado por um cavaleiro sem cabeça . A assistência aplaudiu vivamente . Harry começou também a bater palmas , mas parou rapidamente quando viu a cara de o Nick . Os cavalos galoparam até a o meio de a pista de dança e pararam , empinando se , dando pequenos passos para a frente e para trás , sobre as patas traseiras . Um fantasma grande em a frente , cuja cabeça barbuda estava debaixo de o braço , soprando a trompa , desmontou , levantou a cabeça bem em o ar para poder ver toda_a assistência ( todos se riam ) e dirigiu se a o Nick quase sem cabeça , comprimindo a cabeça contra o pescoço . - Bem-vindo , Patrick - disse o Nick , mantendo a sua postura rígida . - Gente viva ! - exclamou o Sir_Patrick , avistando Harry , Ron e Hermione e dando um salto de falso espanto , de_tal_modo_que a cabeça lhe caiu de_novo ( a multidão ria a bom rir ) . - Muito engraçado - disse o Nick quase sem cabeça com um ar soturno . - Não ligues a o Nick - gritou a cabeça de Sir_Patrick de o chão . - Ainda está aborrecido por não o deixarmos juntar se a o grupo . Mas olhem bem para ele ... - Eu acho - disse apressadamente Harry , a seguir a um olhar de o Nick - que o Nick é muito assustador e ... eu ... - Bah ! - gritou a cabeça de Sir_Patrick . - Aposto que ele te pediu que dissesses isso . - Gostaria de ter a vossa atenção . Chegou a altura de fazer o meu discurso - disse o Nick quase sem cabeça bem alto , dirigindo se a o pódio , subindo e parando , iluminado por uma luz azul . - Os meus sentimentos , senhores e senhoras , é com profundo pesar ... Mas já ninguém estava a ouvi o . Sir_Patrick e o resto de o grupo de os Sem - _ Cabeça tinham iniciado um jogo de hóquei de cabeça e a multidão voltara se para os observar . Nick quase sem cabeça tentou em vão recuperar a audiência , mas acabou por desistir quando a cabeça de Sir_Patrick passou por ele a_toda_a velocidade gritando vivas . Harry estava cheio de frio para não falar de a fome . - Não aguento mais isto - murmurou Ron a bater o dente enquanto a orquestra voltava a entrar em acção e os fantasmas enchiam de_novo a pista de dança . - Vamos embora - concordou Harry . Recuaram até a a porta , acenando e sorrindo a todos os que olhavam para eles e um minuto depois passavam apressadamente por a entrada cheia de velas negras . - Talvez o pudim ainda não tenha acabado - disse o Ron cheio de esperança , abrindo caminho em direcção a os degraus de o vestíbulo de a entrada . E foi então que Harry ouviu aquilo . - ... * _ Arrancar ... rasgar ... matar * ... Era a mesma voz , a mesma voz fria e assassina que ouvira em o escritório de Lockhart . Parou , agarrando se a a parede de pedra em a expectativa de ouvir melhor , olhando em volta , espreitando para_cima e para baixo de a passagem mal iluminada . - Harry que estás tu a ... ? - E aquela voz outra_vez , calem se um bocadinho . -- ... * _ Tanta fome ... há tanto tempo * ... - Ouçam insistiu Harry e Ron e Hermione ficaram estáticos a olhar para ele . - * _ Matar ... hora de matar * ... A voz ia ficando mais débil . Harry tinha a certeza de que ela estava a afastar se , a subir . Um misto de medo e excitação tomou posse de ele enquanto olhava para o tecto escuro . Como poderia ele subir ? Seria um fantasma para quem os tectos de pedra não contavam ? - Por aqui - gritou , começando a correr por as éscadas acima até a a entrada de o * hall * . Não havia hipótese de ouvir fosse o que fosse ali , o barulho de vozes que vinha de o banquete de o * _ Hallowe'en * ecoava cá fora . Harry subiu a correr a escadaria de mármore até a o primeiro andar com Ron e Hermione ruidosamente atrás . - Harry o que é_que nós ... ? - Sch ... Harry apurou o ouvido . Ao_longe , em o andar de cima , e ainda a enfraquecer , mesmo_assim ouviu a voz : - ... * Cheira-me a sangue ... cheira me a sangue ! * O estômago deu lhe uma volta . - Ele vai matar alguém - gritou e ignorando as caras perplexas de Ron e Hermione , correu , subindo mais um lanço de escadas , a três_e_três , tentando ouvir através de o ruído de os seus próprios passos . Harry correu a_toda_a velocidade pelo segundo andar com Ron e Hermione atrás e só parou quando viraram uma esquina para o último corredor abandonado . - Harry , o que foi aquilo tudo ? - perguntou o Ron , limpando o suor de o rosto . - Eu não ouvi nada ... Mas Hermione , em um sobressalto , apontou para o fundo de o corredor . - Olhem ! Alguma coisa brilhava em a parede em frente . Aproximaram se devagarinho , tentando ver em a escuridão . Alguém escrevera em letras garrafais em a parede entre duas janelas . As palavras brilhavam a a chama fraca de as tochas . : __ a câmara de os segredos foi aberta . inimigos de o herdeiro , __ cuidado . - O que é aquilo pendurado por baixo de as letras ? - perguntou Ron com um tremor em a voz . Quando se aproximaram , Harry quase escorregou . Havia uma grande poça de água em o chão . Ron e Hermione agarraram o e avançaram cautelosamente até a a mensagem , os olhos fixos em uma sombra escura , em baixo . Aperceberam se os três de imediato do_que se tratava e deram um salto para trás , salpicando tudo de água . Mrs._Norris , a gata de o encarregado , estava pendurada por a cauda em o suporte de a tocha . Tinha o corpo rígido como uma tábua e os olhos abertos . Durante alguns segundos ninguém se mexeu . Depois o Ron disse : - Vamos sair de aqui . - Não devíamos tentar ajudar ? - propôs Harry , sem graça . - Acredita - assegurou o Ron . - É melhor que não nos encontrem aqui . Mas era tarde de mais . Um ruído surdo e prolongado , como um trovejar distante , avisou os de que o festim tinha terminado . De ambos os lados de o corredor onde eles estavam , veio o som de centenas de pés a subirem a escadaria e as vozes alegres de gente bem alimentada . Em o momento seguinte os alunos chegavam junto de eles de ambos os lados . O burburinho morreu subitamente mal as pessoas avistaram a gata pendurada . Harry , Ron e Hermione estavam de pé , sozinhos , em o meio de o corredor quando se fez silêncio em a multidão de estudantes que se empurravam para observar aquele quadro macabro . Então alguém gritou , quebrando o silêncio . - Inimigos de o herdeiro , cuidado . Vocês serão os próximos , sangue de lama ! Era_Draco_Malfoy . Estava a a frente de a multidão com os olhos frios a brilhar , a sua cara habitualmente pálida agora afogueada , sorrindo a a vista de a gata pendurada e imóvel . IX_As palavras em a parede -- O que é_que se passa aqui ? O que é_que se passa ? Sem dúvida , atraído por o grito de Malfoy , Argus_Filch apareceu a coxear em o meio de a multidão . Quando viu Mrs._Norris , caiu para trás agarrando o rosto com verdadeiro horror . - A minha gata ! A minha gata ! O que aconteceu a Mrs._Norris ? - gritou . E os seus olhos rápidos caíram sobre Harry . - Tu - guinchou ele . - Mataste a minha gata ! Mataste a , vou dar cabo de ti , eu ... - Argus . Dumbledore tinha chegado a o lugar , seguido de alguns professores . Em poucos segundos tinha passado a a frente de Harry , Ron e Hermione e desatado Mrs._Norris de o suporte de a tocha . - Vem comigo , Argus - disse ele a o Filch . - Vocês também , Mr._Potter , Mr._Weasley e Miss_Granger . Lockhart deu rapidamente um passo em frente . - O meu escritório é o que está mais perto , senhor director , é já aqui em cima , por favor fiquem a a vontade . - Obrigado , Gilderoy - disse Dumbledore . A multidão silenciosa dividiu se para os deixar passar . Lockhart sentindo se excitado e importante , seguia Dumbledore assim_como a professora Mc_Gonagall e o professor Snape . Quando entraram em o escritório escuro de Lockhart houve uma grande agitação em as paredes . Harry viu várias imagens de Lockhart a esconderem se cheias de rolos em o cabelo . O Lockhart em pessoa acendeu as velas e chegou se mais para trás . Dumbledore pôs Mrs._Norris em a superfície polida de a secretária e começou a examiná a . Harry , Ron e Hermione trocaram olhares tensos entre si e deixaram se cair em as cadeiras que se encontravam longe de a luz , a observar . A ponta de o nariz longo e adunco de Dumbledore estava a menos_de dois centímetros de o pêlo de Mrs._Norris . Ele olhava a de perto através de os óculos de meia-lua , os dedos longos a palpar e tactear suavemente . A professora Mc_Gonagall estava quase tão perto como ele , com os olhos contraídos . Snape surgia mais atrás , meio em a sombra , com uma expressão estranha em o rosto , como_se tentasse a_toda_a força sorrir . E Lockhart andava de um lado para o outro a dar sugestões . - Foi sem dúvida uma maldição que a matou , provavelmente a tortura de a metamorfose . Vi a muitas_vezes ser usada , mas infelizmente eu não estava lá quando isto aconteceu . Conheço o antídoto para essa maldição , o que a teria salvo . Os comentários de Lockhart foram interrompidos por os soluços secos e violentos de Filch . Estava afundado em uma cadeira junto de a secretária , incapaz de olhar para Mrs._Norris , com o rosto em as mãos . Por mais que detestasse Filch , Harry não pôde deixar de sentir pena de ele embora não tanta quanto_a que sentia por si próprio . Se Dumbledore acreditasse em o Filch ele seria certamente expulso . O director estava agora a sussurrar umas palavras estranhas e batendo em Mrs._Norris com a varinha , mas não aconteceu nada , ela continuou com o mesmo aspecto , como_se tivesse sido empalhada . - ... Lembro me de uma coisa semelhante que aconteceu em Ouagadogou - disse LockLart . - Uma série de ataques . Conto essa história em a minha autobiografia . Eu dei a a gente de a cidade vários amuletos que resolveram logo a situação ... As fotografias de Lockhart em as paredes iam acenando afirmativamente com a cabeça enquanto ele falava . Uma de elas esquecera se de tirar os rolos de o cabelo . Por fim , Dumbledore endireitou se . - Ela não está morta , Argus - disse suavemente . Lockhart interrompeu bruscamente a contagem de os crimes que conseguira evitar . - Não está morta ? - disse Filch em um sufoco , olhando através de os dedos para Mrs._Norris . - Mas , porque está ela rígida e gelada ? - Foi petrificada - disse Dumbledore ( Ah ! foi o que eu pensei ! - comentou Lockhart ) mas como , não posso afirmar . - Pergunte lhe - gritou Filch , voltando a cara cheia de furúnculos e lágrimas para Harry . - Nenhum aluno de o segundo ano poderia ter feito isto - explicou Dumbledore . - Era preciso um grande conhecimento de magia negra . - Foi ele , foi ele - disse encolerizado o encarregado com a cara a ficar roxa . - O senhor viu o que ele escreveu em a parede . Ele descobriu em o meu gabinete , ele sabe que eu sou um ... - O rosto de Filch estava horrível . - Ele sabe que eu sou um * _ busca-pé * - disse por fim . - Eu não toquei em a Mrs._Norris - gritou Harry com todos os olhares a recaírem sobre ele , incluindo o de todos os Lockharts de a parede . - E eu nem sei o que é um * busca-pé * . - Mentira ! - gritou Filch . - Ele viu a minha carta de o feitiço rápido . - Se me permite que dê a minha opinião , senhor director - disse Snape , saindo de a sombra , e a sensação de mau presságio de Harry aumentou bastante . Certamente nada do_que Snape tinha para de dizer iria ajudá o . - O Potter e os amigos podiam estar simplesmente em o lugar errado em a altura errada - afirmou com um leve sorriso a torcer lhe a boca como_se tivesse as suas dúvidas . - Mas , temos aqui um conjunto de circunstâncias curiosas . Porque estavam eles afinal em o corredor ? Porque não estiveram presentes em a festa de o * _ Hallowe'en * ? Harry , Ron e Hermione começaram uma longa explicação sobre a festa de o dia de os mortos . - Estavam lá centenas de fantasmas , eles poderão confirmar que lá estivemos ... - Mas porque não foram a seguir a o banquete ? - perguntou Snape com os olhos pretos a brilharem a a luz de as velas . - Porquê ir até a aquele corredor ? Ron e Hermione olharam para Harry . - Porque , porque ... - balbuciou Harry , com o coração a querer saltar lhe de o peito , mas algo lhe disse que ia parecer muito rebuscado se lhes contasse que tinha sido levado até ali por uma voz sem corpo que só ele conseguia ouvir . - Porque estávamos cansados e queríamos ir para a cama - disse . - Sem jantar ? - inquiriu Snape com um sorriso triunfante a bailar lhe em o rosto lúgubre . - Não sabia que os fantasmas ofereciam em as suas festas comida para gente viva . - Não estávamos com fome - disse o Ron bem alto , enquanto o estômago se queixava de forma audível . O sorriso mesquinho de a Snape ampliou se . - Acho , senhor director , que Potter não está a dizer toda_a verdade - afirmou . - Talvez fosse boa ideia retirar lhe alguns privilégios , até ele estar disposto a contar nos a história toda . Pessoalmente , sugiro que seja retirado de a equipa de os Gryffindor até decidir ser honesto . - Francamente , Severus - exclamou a professora Mc_Gonagall com uma voz cortante . - Não vejo porquê impedir o rapaz de jogar Quidditch . Esta gata não levou pauladas em a cabeça dadas por nenhum cabo de vassoura . E não há provas de que o Potter tenha feito algo de mal . Dumbledore observava Harry com um olhar perscrutador . A voz tremeluzente de os seus olhos azuis fez Harry sentir que estava a ser passado a raios X. - Inocente até se provar que é culpado , Severus - disse com segurança . Snape estava furioso , assim_como Filch . - A minha gata foi petrificada ! - berrou , com os olhos a saltarem de as órbitas . - Quero ver um castigo ! - Vamos poder curá a , Argus - explicou pacientemente Dumbledore . - Madam_Sprout conseguiu arranjar algumas Mandrágoras . Logo_que tenham atingido o tamanho adulto , terei uma poção de Mandrágoras que reanimará Mrs._Norris . - Eu posso fazê a - interrompeu Lockhart . - Devo ter feito isso uma centena de vezes . Preparo uma golada de Mandrágora reconstituinte de olhos fechados ... - Perdão - disse Snape friamente -- , mas julgo que o professor de poções de esta escola ainda sou eu . Houve um silêncio bastante incómodo . - Vocês podem ir se embora - disse Dumbledore a o Harry , Ron e a Hermione . Eles saíram o mais depressa que puderam , sem ir a correr . Quando chegaram a o andar acima de o escritório de Lockhart , entraram em uma sala de aulas vazia e fecharam a porta devagarinho . Harry lançou um olhar de esguelha a as caras carrancudas de os amigos . - Acham que eu lhes devia ter falado de a voz que ouvi ? - Não - respondeu Ron , sem a mínima hesitação . - Ouvir vozes que mais ninguém ouve , não é bom sinal , nem em o mundo de os feiticeiros . Algo em a voz de Ron levou Harry a fazer a pergunta : - Tu acreditas em mim , não acreditas ? - Claro que sim - respondeu o Ron de imediato . - Mas tens de concordar que é esquisito ... - Eu sei que é esquisito - confirmou Harry . - É tudo esquisito . O que era aquilo escrito em a parede ? * _ A_Câmara foi aberta * , o que é_que significa ? - Sabes , faz me lembrar qualquer coisa - disse Ron lentamente . - Acho que alguém me contou uma história sobre uma câmara secreta em Hogwarts , talvez tenha sido o Bill ... - E que diabos é um * busca-pé * ? - perguntou Harry . Para sua surpresa , Ron abafou o riso . - Bem , em a verdade não tem graça nenhuma , mas como é o Filch ... - disse . - Um * busca-pé * é alguém que nasceu de uma família de feiticeiros , mas não tem poderes mágicos . É uma espécie de o oposto de os que vêm de famílias de Muggles , mas são feiticeiros . Os * busca-pé * são muito raros . Se o Filch está a tentar aprender magia em um curso rápido , acho que ele deve ser mesmo um busca-pé . Isso explicaria tudo , por_exemplo , porque detesta tanto os estudantes . - Ron sorriu satisfeito . - Tem inveja . Um relógio deu as horas , algures . - Meia-noite - disse Harry . - É melhor irmo nos deitar , antes que o Snape apareça e tente acusar nos de qualquer coisa . Durante alguns dias não se falou de outra coisa em a escola a não ser de o ataque a a gata , Mrs._Norris . Filch manteve o sucedido bem fresco em a memória de todos , andando de um lado para o outro em o lugar onde ela fora atacada , como_se esperasse por o responsável . Harry vira o esfregar a mensagem de a parede com a « solução removedora de toda_a porcaria mágica Mrs._Skower » , mas sem qualquer resultado . As palavras continuavam a brilhar tanto como antes sobre a pedra . Quando Filch não estava a patrulhar a cena de o crime , vagueava , de olhos avermelhados , por os corredores , perseguindo alunos insuspeitos e tentando aplicar lhes castigos por coisas como « respirar muito alto » ou « estar alegre » . Ginny_Weasley parecia muito perturbada com o destino de Mrs._Norris . Segundo Ron ela era uma amante de gatos . - Mas tu nem chegaste a conhecer bem Mrs._Norris - disse lhe Ron para a animar . - Com toda_a franqueza , estamos muito melhor sem ela . - O lábio de Ginny tremeu . - Não é costume acontecerem coisas de estas em Hogwarts - tranquilizou a . - Eles vão descobrir o safado que fez aquilo e põem o de aqui para fora em três tempos . - Só espero que tenha tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso . Estou a brincar , claro - acrescentou o Ron apressadamente a o ver a Ginny a empalidecer . O ataque afectara também Hermione . Era costume de ela passar muito_tempo a ler , mas agora parecia não fazer mais_nada . Nem respondia a o Harry e a o Ron quando lhe perguntavam o que estava a fazer e só acabaram por descobrir em a quarta-feira seguinte . Harry tivera de ficar até mais tarde em a sala de poções onde Snape o mandara raspar restos de larvas de as secretárias . Depois de um almoço comido a a pressa , ele foi lá acima encontrar se com Ron em a biblioteca e viu Justin_Finch - _ Fletchley , o rapaz de os Hufflepuff de herbologia que vinha em direcção a ele . Harry tinha acabado de abrir a boca para dizer um « Olá » quando Justin o viu , voltando se bruscamente e mudando de direcção . Harry foi encontrar o Ron em as traseiras de a biblioteca , a medir o trabalho de casa de história de a magia . O professor Binns pedira uma composição sobre a Assembleia_Medieval_de_Feiticeiros_Europeus com 90cm . De extensão . - Não posso crer que ainda me faltem 16cm - disse o Ron furioso , largando o pergaminho que se enrolou em forma de tubo - e que a Hermione fez um metro e trinta em aquela letra pequenina e apertadinha . - Onde está ela ? - perguntou Harry , agarrando em a fita métrica e desembrulhando o seu trabalho de casa . - Algures por aí - disse o Ron , apontando para as estantes . - _ a a procura de outro livro . Acho que ela está a tentar ler a biblioteca toda antes de o Natal . Harry contou a Ron que Justin_Finch - _ Fletchley tinha evitado falar lhe . - Não sei porque te preocupas com isso . Eu achei o um idiota - disse o Ron , escrevinhando e fazendo a letra o maior possível . - Todo aquele disparate sobre o Lockhart ser tão grande ... Hermione surgiu de o meio de as estantes . Parecia irritada e disposta , por fim , a falar com eles . - Todos os exemplares de * _ Hogwarts : Uma História * foram requisitados - disse , sentando se ao_lado_de Harry e Ron . - E há uma lista de espera de duas semanas . Quem me dera não ter deixado o meu exemplar em casa , mas não consegui que coubesse em a mala com todos os livros de o Lockhart . - Para que o queres ? - perguntou Harry . - Pelo mesmo motivo que toda_a_gente o quer - disse Hermione . - Para ler a lenda de a Câmara_dos_Segredos . - O que é isso ? - Precisamente . Não me lembro - disse Hermione , mordendo o lábio . - E não encontro a História em lugar nenhum . - Hermione , deixa me ler o teu trabalho - pediu Ron desesperado , olhando para o relógio . - Não , não deixo - respondeu Hermione com um ar severo . - Tiveste dez dias para o fazer . - Só preciso de mais quatro centímetros , vá lá ... A campainha tocou . Ron e Hermione encaminharam se para a História_da_Magia , discutindo . A História_da_Magia era a matéria mais chata de o programa . O professor Binns , que dava a cadeira , era o único professor fantasma e a coisa mais excitante que aconteceu em as suas aulas foi o dia em que entrou por o quadro preto . Já velho e enrugado , muita gente afirmava a seu respeito que ele não dera por_que tinha morrido . Pura e simplesmente levantara se um dia para ir dar aulas , deixando o corpo atrás , em um cadeirão em frente de a lareira de a sala de os professores . Desde esse dia a sua rotina mantivera se igual . Era hoje tão chato como fora sempre . Abriu as notas e começou a ler em um tom monocórdico como um velho aspirador até quase todos os alunos estarem em um estado de profunda dormência , acordando de vez em quando , para tomar nota de um nome ou de uma data , e voltando a adormecer . Estava a falar havia meia_hora quando aconteceu algo que nunca tinha acontecido . Hermione pôs o braço em o ar . O professor Binns olhou de relance , em o meio de a chatíssima aula sobre a Convenção_Internacional_de_Feiticeiros de 1289 , verdadeiramente espantado . - Miss ... er ... ? - Granger , professor . Poderia dizer nos alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Hermione em uma voz bem audível . O Dean_Thomas , que tinha estado sentado de boca aberta olhando para fora de a janela , saiu de o seu transe com um salto . A cabeça de Lavender_Brown saiu de os braços e o cotovelo de o Neville_Longbottom escorregou para fora de a secretária . O professor Binns piscou os olhos . - A minha matéria é História_da_Magia - disse em a sua voz seca e asmática . - Eu trato de factos , Miss_Granger , não de mitos e lendas - pigarreou produzindo um ruído que parecia o giz sobre o quadro e continuou : - Em Setembro de esse ano , uma subcomissão de feiticeiros de a Sardenha ... Parou de repente . A mão de Hermione estava de_novo em o ar . - Sim , Miss_Grant ? - Por favor , professor , as lendas não têm sempre um facto como base ? O professor Binns olhava para ela com tal espanto que Harry teve a certeza de que ele nunca , em tempo algum , fora interrompido por um aluno . - Bem - disse lentamente o professor Binns . - Sim , é uma afirmação que pode fazer se . - Olhou para Hermione como_se fosse a primeira vez que olhasse a sério para um estudante . - Contudo , a lenda de que me fala é tão extraordinária , mesmo grotesca ... Mas a aula inteira estava agora atenta a as palavras de o professor , que olhou indistintamente para todos eles . Harry poderia assegurar que ele estava absolutamente abismado por uma tão grande demonstração de interesse . - Muito bem - disse lentamente . - Ora vejamos ... a Câmara_dos_Segredos . Todos vocês sabem com certeza que Hogwarts foi fundada há mais de um_milhar de anos , não se conhece ao_certo a data , por os quatro maiores feiticeiros e feiticeiras de a época : Godric_Gryffindor , Helga_Hufflepuff , Rowena_Ravenclaw e Salazar_Slytherin . Construíram juntos este castelo , longe de os olhares curiosos de os Muggles porque em aquele tempo a magia era temida por as pessoas comuns e as bruxas e feiticeiros sofriam terríveis perseguições . Fez uma pausa , olhou indeciso em volta e prosseguiu : - Durante alguns anos , os fundadores trabalharam juntos em harmonia procurando outros mais novos que mostrassem sinais de possuir dotes mágicos e trazendo os para o castelo para aqui serem ensinados . Mas os desentendimentos surgiram entre eles . Começou a notar se uma divisão entre Slytherin e os outros . Salazar_Slytherin queria ser mais selectivo em relação a os alunos a serem admitidos em Hogwarts . Achava que os ensinamentos de magia deviam ficar dentro de as famílias de feiticeiros . Não lhe agradava a entrada em a escola de alunos de famílias Muggles porque os achava pouco dignos de confiança . Depois de algum tempo houve uma séria discussão sobre esse assunto entre Slytherin e Gryffindor e Slytherin abandonou a escola . O professor Binns fez uma nova pausa , fazendo beicinho o que o fazia parecer uma tartaruga enrugada . - Fontes fidedignas referem nos isto - disse . - Mas estes factos foram obscurecidos por a fantasiosa lenda de a Câmara_dos_Segredos . Conta a história que Slytherin construíra uma câmara oculta dentro de o castelo cuja existência os outros fundadores ignoravam . De_acordo com a lenda , Slytherin selou a Câmara_dos_Segredos para que ninguém pudesse abri a até o seu verdadeiro herdeiro chegar a a escola . O herdeiro , e apenas ele , poderia abrir a Câmara_dos_Segredos , libertar o horror que lá se encontrava e utilizá o para expurgar a escola de todos aqueles que eram indignos de aprender magia . Houve um silêncio quando ele se calou que não era o habitual silêncio de sono de as aulas de o professor Binns . Havia um desassossego em o ar enquanto todos continuavam a olhá o a a espera de mais . O professor Binns estava ligeiramente aborrecido . - A história toda é um disparate , claro - disse ele . - A escola foi revistada por várias vezes em busca de provas de a existência de essa câmara , por os feiticeiros e bruxas mais conhecedores . Não existe nada . Uma lenda que serviu apenas para assustar os ingénuos . A mão de Hermione estava novamente em o ar . - Professor , o que quer_dizer , ao_certo com « o horror que estava dentro de a câmara » ? - Acredita se que seja uma espécie de monstro que só o herdeiro de Slytherin pode controlar - disse o professor Binns em a sua voz seca e débil . A aula trocou entre si olhares inquietos . - Como vos digo , a coisa não existe - afirmou o professor Binns , desordenando as suas notas . - Não há câmara e não há monstro . - Mas , professor - disse Seamus_Finnigan . - Se a câmara só podia ser aberta por o herdeiro de Slytherin ninguém mais poderia encontrá a . Não é ? - Um disparate pegado - disse o professor Binns , em um tom de voz exasperado . - Se uma longa sucessão de directores e directoras de Hogwarts não a encontraram ... - Mas , professor - começou a dizer Parvati_Patil . Se_calhar é preciso usar magia negra para a abrir ... - Lá porque um feiticeiro não usa magia negra não quer_dizer que não possa , Miss_Pennyfeather - interrompeu o professor Binns . - Repito , se os antecessores de Dumbledore ... - Mas talvez seja preciso fazer parte de os Slytherin , por isso Dumbledore não podia ... - começou Dean_Thomas , mas o professor Binns já estava farto . - Já chega - disse , de modo cortante . - É um mito . Não existe . Não há uma única prova de que Slytherin tenha construído nem mesmo uma despensa para vassouras . Lamento ter vos contado esta história tola . Vamos voltar , se fazem o favor , a a História , a os factos sólidos , verificáveis , credíveis . E em menos_de cinco minutos toda_a classe mergulhara em a sua sonolência habitual . - Eu sempre ouvi dizer que Salazar_Slytherin era um velho retorcido e meio pateta - disse Ron_a_Harry e Hermione enquanto abriam caminho por os corredores cheios , em o final de a aula , para ir arrumar as malas antes de o jantar . - Mas não sabia que ele tinha começado esta coisa de o sangue puro . Eu não ia para os Slytherin nem que me pagassem . Se o chapéu seleccionador me tivesse posto lá , pegava em as malas e ia me embora ... Hermione acenou vivamente , mas Harry não abriu a boca . O estômago parecia ter dado uma volta . Harry nunca contara a o Ron e a a Hermione que o chapéu seleccionador tinha considerado seriamente a possibilidade de o colocar em os Slytherin . Lembrava se como_se tivesse sido em a véspera do_que a vozinha lhe dissera a o ouvido quando pôs o chapéu em a cabeça , um ano antes . * _ Podias vir a ser grande , sabes ? Está tudo aqui em a tua cabeça e Slytherin ajudaria te em o caminho para a grandeza , sem a menor dúvida * ... Mas Harry , que já ouvira falar de a fama de o grupo de os Slytherin de formar magos negros , pensou desesperadamente . - Em os Slytherin , não ! - E o chapéu tinha dito . - Bem , se tens assim tanta certeza ... será melhor os Gryfffndor . Enquanto eram empurrados por a multidão , Colin_Creevey passou por eles . - Olá , Harry ! - Olá , Colin - disse Harry automaticamente . - Harry , Harry , um rapaz de a minha turma tem andado a dizer que tu és ... Mas Colin era tão baixinho que não conseguiu lutar contra a maré de gente que o arrastou até a o vestíbulo . Ouviram o despedir se : - Adeus , Harry - e desaparecer . - O que é_que o rapaz de a turma de ele disse de ti ? - quis saber Hermione . - Que eu sou o herdeiro de Slytherin , imagino - disse Harry , com o estômago ainda a as voltas e lembrou se de repente de o Justin_Finch - _ Fletchley a fugir para não lhe falar , a a hora de o almoço . - As pessoas aqui acreditam em tudo - disse o Ron com repugnância . A multidão diminuiu e conseguiram subir as escadas sem dificuldade . - Achas mesmo_que existe uma Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Ron_a_Hermione . - Não sei - respondeu ela , franzindo a testa . - Dumbledore não conseguiu curar Mrs._Norris e isso leva me a pensar que o que a atacou pode não ser ... humano . Enquanto falava , voltaram uma esquina e encontraram se em o fim de aquele mesmo corredor onde o ataque tinha ocorrido . Pararam para olhar . Estava tudo igual a aquela outra noite , com excepção de a gata Mrs._Norris e havia uma cadeira vazia encostada a a parede , onde podia ler se a mensagem « : __ a câmara foi __ aberta » . - Foi aqui que o Filch montou a guarda - murmurou Ron . Olharam uns para os outros . O corredor estava deserto . - Não deve fazer mal dar uma olhadela aqui - disse Harry , deixando cair a mala e pondo se de quatro para poder gatinhar em busca de pistas . - Marcas de queimadura - disse - aqui e aqui ... - Venham ver isto ! - chamou Hermione . - Que estranho ... Harry levantou se e foi até a a janela que ficava junto de a mensagem . Hermione apontava para o vidro mais alto , onde cerca de uma vintena de aranhas se debatiam em uma aparente luta por atravessar por uma pequena brecha de vidro . Um longo fio prateado balouçava como uma corda , como_se todas tivessem trepado , em a ânsia de chegar lá fora . - Alguma vez viram aranhas agir assim ? - perguntou Hermione , curiosa . - Não - respondeu Harry . - E tu , Ron ? Ron ? Olhou por cima de o ombro . Ron estava de costas , bem lá atrás e parecia lutar contra o impulso de se virar . - O que é_que se passa ? - perguntou Harry . - Eu não gosto de aranhas - disse Ron , de modo tenso . - Nunca me tinhas dito - comentou Hermione , olhando para ele com surpresa . - Estás farto de usar aranhas em as poções ... - Não me importo quando estão mortas - explicou Ron que olhava cautelosamente para todos os lados , menos para a janela . - Não gosto de a maneira como_se mexem . Hermione riu se baixinho . - Não tem graça nenhuma - disse o Ron , furioso . - Se queres saber , quando eu tinha três anos , o Fred transformou o meu ursinho de pelúcia em uma enorme aranha nojenta , por eu lhe ter partido a vassoura de brinquedo . Tu também não gostarias de aranhas se estivesses agarrada a o teu ursinho e , de repente , ele tivesse uma data de pernas e ... Começou a tremer ... Hermione ainda estava a tentar conter o riso . Sentindo que era melhor mudarem de assunto , Harry perguntou : - Lembram se de a água que havia aqui em o chão ? De onde terá vindo ? Alguém a limpou . - Era por aqui - disse o Ron , já recuperado , avançando alguns passos em direcção a a cadeira de o Filch e apontando . - Junto de esta porta . Estendeu a mão para o puxador de a porta , mas retirou a de imediato , como_se se tivesse queimado . - O que foi ? - perguntou Harry . - Não posso entrar aí - disse o Ron bruscamente . - É a casa_de_banho de as raparigas . - Oh , Ron , não está aí ninguém - sossegou o Hermione enquanto se aproximava . - É o lugar de a Murta_Queixosa . Anda , vamos dar uma espreitadela . E ignorando o grande letreiro que dizia « Fora de serviço » Hermione abriu a porta . Era a casa_de_banho mais sombria e deprimente em que Harry tinha posto os pés durante toda_a sua vida . Debaixo_de um grande espelho partido e sujo podia ver se uma fila de lavatórios de pedra , rachados . O chão estava húmido e reflectia a luz fraca de os pavios de algumas velas que ardiam baixinho em os suportes . As portas de madeira de os cubículos estavam todas lascadas e riscadas e uma de elas balouçava fora de as dobradiças . Hermione levou os dedos a os lábios e foi até a o último cubículo . Quando lá chegou disse : - Olá , Murta , como estás ? Harry e Ron foram ver . A Murta_Queixosa flutuava em a cisterna de a casa_de_banho , tirando um ponto negro de o queixo . - Esta é a casa_de_banho de as raparigas - disse a o ver o Ron e o Harry . - Eles não são raparigas . - Não - concordou Hermione . - Eu só queria mostrar lhes como esta casa_de_banho é ... er ... simpática . Ela fez um aceno vago a o velho espelho sujo e a o chão húmido . - Pergunta lhe se viu alguma coisa - sussurrou o Ron a a Hermione . - Porque estão a dizer segredinhos ? - perguntou a Murta , fitando o . - Não é nada - disse Harry rapidamente . - Queríamos perguntar ... - Gostava que as pessoas parassem de falar em as minhas costas ! - desabafou a Murta em uma voz abafada por as lágrimas . - Eu tenho sentimentos , sabem , apesar_de estar morta . - Murta , ninguém quis aborrecer te - explicou Hermione . - O Harry só ... - A minha vida foi uma infelicidade em este lugar e agora as pessoas vêm estragar a minha morte . - Nós queríamos perguntar te se tinhas visto alguma coisa estranha ultimamente - disse Hermione sem perder tempo . - Porque foi atacada uma gata mesmo aqui a a frente de a tua porta em a noite de o * _ Hallowe'en * . - Viste alguém aqui perto em essa noite ? - insistiu Harry . - Não estava a prestar atenção - disse a Murta com ar dramático . - O Peeves aborreceu me tanto que vim aqui para tentar matar me . Só então me lembrei de que estou ... de que estou ... - Já morta - ajudou o Ron . A Murta soluçou tragicamente , elevou se em o ar , voltou se e mergulhou de cabeça em a sanita , espalhando água por_cima_de todos eles e desaparecendo . Por o som de os seus soluços abafados fora certamente descansar algures em o cano em forma de V._Harry e Ron ficaram de boca aberta , mas Hermione encolheu os ombros de cansaço e disse : - Se querem saber , para a Murta isto até foi alegre ... vá , vamos embora . Harry tinha acabado de fechar a porta deixando atrás os soluços gorgolejantes de a Murta quando uma voz forte o fez dar um salto . - RON ! Percy_Weasley estava parado em o cimo de as escadas com o seu distintivo de prefeito a brilhar e uma expressão chocadíssima em o rosto . - Isso é a casa_de_banho de as raparigas ... o que é_que vocês ... ? - Estávamos só a dar uma vista de olhos - exclamou o Ron - a a procura de pistas ... Percy engoliu em seco , de uma maneira que fez Harry lembrar se de Mrs._Weasley . - Saiam imediatamente de aqui - disse , aproximando se de eles a passos largos e gesticulando agitadamente . - Não se preocupam com as aparências ? Voltar aqui enquanto toda_a_gente está a jantar ... - Porque não havíamos de estar aqui ? - perguntou cheio de vivacidade o Ron , parando de repente e olhando Percy em os olhos . - Ouve lá , nós não tocamos em aquela gata . - Isso foi o que eu tentei explicar a a Ginny - respondeu Percy furioso - mas ela parece continuar a pensar que vocês vão ser expulsos . Nunca a vi tão aflita . Não pára de chorar . Devias pensar em ela . Todos os alunos de o primeiro ano andam superexcitados com esta história . - Tu não estás nada preocupado com a Ginny - disse o Ron já com as orelhas vermelhas . - O que te assusta é_que eu possa estragar as tuas possibilidades de ser chefe de turma . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor ! - bradou Percy , apontando elegantemente para o distintivo de prefeito . - E espero que te sirva de lição . Acabou se o trabalho de detective ou escrevo a a mãe a contar lhe . E voltou lhes as costas , a nuca tão vermelha como as orelhas de o Ron . Harry , Ron e Hermione , em essa noite , sentaram se em a sala comum o mais longe possível de Percy . Ron estava ainda muito maldisposto e não parava de esborratar o trabalho de casa de os encantamentos . Quando pegou distraidamente em a varinha para tirar as manchas incendiou o pergaminho . A deitar quase tanto fumo como o seu trabalho de casa , fechou bruscamente o * _ Livro_Padrão_de_Encantamentos de o 2.o Grau * . Para grande surpresa de Harry , Hermione fez o mesmo . - Mas quem poderia ser - perguntou ela baixinho como_se continuasse uma conversa que tinham acabado de ter . - Quem quereria todos os * busca-pés * e filhos de Muggles fora de Hogwarts ? - Vamos pensar - disse o Ron em a brincadeira , fingindo estar confuso . - Quem poderemos nós conhecer que ache que os familiares de Muggles são escumalha ? Olhou para Hermione . Ela olhou para ele pouco convencida . - Se estás a pensar em o Malfoy ... - Claro que estou - disse o Ron . - Tu ouviste o dizer : - Vocês serão os próximos , sangues de lama ! - Aliás , basta olhar para aquela cara de renegado para saber que ele é ... - Malfoy , o herdeiro de Slytherin ? - repetiu Hermione cepticamente . - Olha para a família de ele - disse Harry , fechando também os livros . - Todos eles estiveram em os Slytherin . O Draco está sempre a vangloriar se de isso . Podiam bem ser descendentes de Slytherin . O pai de ele é suficientemente mau . - Podiam perfeitamente ter tido a chave de a Câmara_dos_Segredos durante séculos - disse Ron - , fazendo a passar de pai para filho . - Bem - acedeu Hermione cautelosamente . - Seria possível ... - Mas como prová o ? - perguntou Harry tristemente . - Talvez haja um meio - sugeriu Hermione lentamente , baixando ainda mais a voz e lançando um olhar , através de a sala , a Percy . - É claro que não é fácil . E é perigoso , muito perigoso . Suponho que iríamos infringir cerca de cinquenta regras de a escola . - Se de aqui a um mês ou dois te decidires a explicar , avisa , está bem ? - disse Ron , que começava a ficar irritado . - Está bem - concordou Hermione friamente . - O que precisaríamos de fazer para entrar em a sala comum de os Slytherin e fazer algumas perguntas a o Malfoy , sem ele perceber que éramos nós ? - Mas isso é impossível - declarou Harry , enquanto Ron se ria . - Não , não é - continuou Hermione . - Só precisamos de um_pouco de poção * polisuco * . - O que é isso ? - perguntaram ao_mesmo_tempo Ron e Harry . - O Snape falou de ela em uma aula , há poucas semanas atrás . - Achas que não temos mais o que fazer do_que ouvir o Snape ? - murmurou o Ron . - Transforma nos em outra pessoa . Pensem em isso : podíamos transformar nos em três de os Slytherin . Ninguém saberia que éramos nós . É provável que o Malfoy nos contasse alguma coisa . Aposto que ele está a gabar se , em este momento , em a sala de os Slytherin , se ao_menos pudéssemos ouvi o . - Essa coisa de o * polisuco * cheira me um bocado mal - disse o Ron , franzindo as sobrancelhas . - E se ficarmos com a forma de os três Slytherin para sempre ? - Desaparece a o fim de algum tempo - disse Hermione , gesticulando impacientemente com a mão - mas conseguir a receita é muito difícil . O Snape disse que vinha em um livro chamado * _ As_Mais_Potentes_Poções * e está com certeza em a parte de os reservados de a biblioteca . Só havia uma maneira de obter o livro de os reservados : era com uma autorização assinada por um professor . - Não estou a ver porque quereríamos o livro - disse o Ron . - Se não para tentar fabricar uma de as poções . - Eu acho - sugeriu Hermione - que se fizéssemos parecer que o nosso interesse era apenas teórico , talvez conseguíssemos ... - Estás a sonhar , nenhum professor ia cair em essa - afirmou o Ron . - Só se fosse muito burro . X_A * bludger * perigosa Depois de o desastroso incidente de os duendes , o professor Lockhart não voltou a levar seres vivos para as aulas . Em vez de isso , lia a os alunos passagens de os seus livros e , por vezes , voltava a desempenhar alguns de os episódios mais dramáticos . Costumava chamar Harry para o ajudar em essas reconstruções . Até ali Harry fora obrigado a desempenhar o papel de um camponês de a Transilvânia que Lockhart curara de uma maldição murmurada , o abominável homem de as neves com dores de cabeça e um vampiro que depois de ter conhecido Lockhart tinha ficado incapaz de comer outra coisa que não fosse alfaces . Harry foi chamado para a frente de a classe durante a aula de Defesa contra as artes negras que se seguiu . Desta_vez para desempenhar o papel de um lobisomem . Se não tivesse um bom motivo para querer ver o Lockhart bem-disposto , teria se recusado . - Um uivo bem alto , excelente , Harry , isso mesmo . E foi então que , acreditem ou não , eu o ataquei de repente , assim . Atirei o a o chão , agarrei o com uma mão e com a outra consegui meter lhe a varinha em a garganta . Então , com a força que me restava pus em prática o complicadíssimo encantamento * _ Homorphus * . Harry soltou um uivo tristíssimo . - Vá lá , Harry , mais alto . Bom ... o pêlo desapareceu , os dentes diminuíram de tamanho e ele transformou se em um homem . Simples , mas eficaz e mais uma cidade ficará a lembrar se de mim para sempre como o herói que os libertou de os ataques mensais de o lobisomem . A campainha tocou e Lockhart pôs se de pé . - Trabalho para_casa : escrever um poema sobre a minha vitória sobre o lobisomem Wagga_Wagga . Há um exemplar autografado de * _ Eu , o Mágico * para o autor de o melhor poema . Os alunos começaram a sair . Harry voltou para trás e foi juntar se a o Ron e a a Hermione que estavam a a espera de ele . - Prontos ? - perguntou . - Espera até saírem todos - disse Hermione bastante nervosa . - Pronto ... Aproximou se de a secretária de Lockhart , apertando em a mão uma folha de papel , com o Ron e o Harry atrás . - Er ... professor Lockhart - gaguejou Hermione . - Eu queria requisitar este livro em a biblioteca , como leitura de apoio - entregou lhe o papel , com a mão ligeiramente trémula . - Só que faz parte de a secção de os reservados , por isso preciso de a assinatura de um professor . Acho que o livro me vai ajudar a compreender o que o senhor diz em * _ Passeios com Vampiros * acerca de os venenos de acção lenta ... - Ah , * _ Passeando com Vampiros * - disse Lockhart , pegando em a folha de papel de Hermione e sorrindo lhe abertamente . - E provavelmente o meu livro preferido . Gostou ? - Oh , muito - disse Hermione avidamente . - Tão inteligente o modo como apanhou o último com o passador de o chá . - Bem , tenho a certeza que ninguém se importará que eu dê uma ajudazinha suplementar a a melhor aluna de o segundo ano - disse Lockhart calorosamente , sacando de uma enorme pena de pavão . - É bonita , não é ? - comentou , adivinhando uma expressão de repulsa em a cara de o Ron . - Costumo guardas a para as minhas assinaturas de autógrafos . Rabiscou uma enorme assinatura cheia de altos e baixos e entregou a a Hermione . - Então , Harry - disse Lockhart enquanto Hermione dobrava a folha e a guardava em o saco . - Amanhã é a primeira partida de Quidditch de este ano , não é ? Gryffindor contra Slytherin . Ouvi dizer que és um jogador indispensável . Eu também fui * seeker * . Convidaram me inclusivamente para fazer parte de a Equipa_Nacional , mas eu preferi dedicar a minha vida a a erradicação de as forças de o mal . Mesmo_assim , se alguma vez precisares de um treino particular , não hesites em falar comigo , estou sempre disponível para partilhar a minha perícia com os jogadores menos dotados do_que eu . Harry fez um som indistinto com a garganta e saiu atrás_de Ron e Hermione . - Não acredito - disse quando os três examinavam a assinatura de Lockhart . - Ele nem viu que livro nós queríamos . - É porque é um idiota sem miolos - explicou o Ron . - Mas , quem se rala , temos o que queríamos . - Ele não é um idiota sem miolos - gritou Hermione com voz esganiçada enquanto se aproximavam quase a correr de a biblioteca . - Só porque ele disse que eras a melhor aluna de o segundo ano ... Baixaram as vozes a o entrar em a quietude abafada de a biblioteca . Madam_Prince , a bibliotecária , era uma mulher magra e irritável que parecia um abutre mal nutrido . - * _ Moste_Potente_Potions * ? - repetiu intrigada , tentando ficar com a folha de papel que Hermione se recusava a entregar lhe . - Gostava de a guardar para mim - disse sem fôlego . - Vá lá - intercedeu Ron , arrancando lhe a de as mãos e entregando a a Madam_Prince . - Nós arranjamos te outro autógrafo . O Lockhart assina tudo se aqui ficar muito_tempo . Madam_Prince pegou em o papel e voltou o em a direcção de a luz , decidida a descobrir uma falsificação , mas a assinatura passou em o teste . Desapareceu entre as estantes e voltou alguns minutos mais tarde , transportando um livro grande e de aspecto antiquado . Hermione meteu o com todo o cuidado em o saco e saíram , tentando não andar depressa de mais nem aparentar um ar culpado . Cinco minutos depois , estavam de_novo barricados em a casa_de_banho fora de serviço de a Murta_Queixosa . Hermione destruíra as objecções de Ron argumentando que aquele era o último lugar onde alguém em o seu juízo perfeito se lembraria de ir e que poderia assegurar lhes alguma privacidade . A Murta_Queixosa chorava ruidosamente em o seu cubículo , mas eles conseguiram ignorá a assim_como ela a eles . Hermione abriu * _ Moste_Potente_Potions * com todo o cuidado e inclinaram se os três sobre as páginas manchadas de humidade . Era fácil de perceber , logo à_primeira_vista de olhos , porque pertencia a a secção de os reservados . Algumas de as poções tinham efeitos quase impensáveis de tão macabros e havia ilustrações bastante desagradáveis , como , por_exemplo , aquela em que um homem parecia ter sido virado de o avesso e a de a bruxa com vários pares de braços suplementares a nascerem lhe em a cabeça . - Aqui está - disse Hermione excitadíssima a o encontrar a página intitulada « A poção * polisuco * « . Estava ilustrada com imagens de pessoas a meio de o processo de se transformarem em outras pessoas e Harry desejou ardentemente que a expressão de dor intensa que se lhes espelhava em o rosto fosse apenas produto de a imaginação de o artista desenhador . - Esta é a poção mais complicada que vi até hoje - disse Hermione enquanto examinava a receita . - Moscas asas de renda , sanguessugas , fluxo de cizânias e verdezelha - murmurou , acompanhando com o dedo a lista de ingredientes . - Bem , esses são relativamente simples , há os em a despensa de material de os estudantes , podemos tirar a a nossa vontade . Oh ! Vê só , pó de chifre de bicórneo ... não sei onde vamos arranjar isto ... e , é claro , um pedacinho de a pessoa em quem queremos transformar nos . - Como ? - perguntou Ron de forma cortante . - O que é_que queres dizer com um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos ? Eu não bebo nada que tenha lá dentro as unhas de os pés de o Crabbe ... Hermione continuou como_se não o tivesse ouvido . - Mas não temos que nos preocupar com isso por enquanto . Fica para o fim . Ron voltou se sem palavras para o Harry que tinha uma preocupação de outro tipo . - Já viste bem tudo_o_que vamos ter que roubar , Hermione ? Algumas coisas , não estão de certeza em a despensa de material de os alunos . O que é_que vamos fazer , arrombar os armários pessoais de o Snape ? Não sei se será uma boa ideia ... Hermione fechou o livro com um estrondo . - Bem , se vocês os dois se vão acagaçar , então está lindo - disse ela . Tinha as bochechas rosadas e os olhos mais brilhantes do_que era habitual . - Eu não gosto de quebrar regras , vocês sabem , mas acho que ameaçar os filhos de os Muggles é muito pior do_que construir uma poção difícil . Mas se vocês não querem descobrir se é o Malfoy , eu posso voltar já a a biblioteca e entregar o livro a Madam_Prince ... - Nunca pensei que chegaria o dia em que serias tu a convencer nos a quebrar regras - disse o Ron . - Está bem , vamos em essa , mas sem unhas de os pés , O. _ K. ? - Quanto tempo vai isso demorar a fazer , afinal ? - perguntou Harry quando Hermione , já com um ar mais satisfeito , voltou a abrir o livro . - Bem , como o fluxo de cizânias tem de ser recolhido durante a lua cheia e as asas de renda têm de ser abafadas durante vinte_e_um dias ... eu diria que se conseguirmos arranjar todos os ingredientes estará pronta dentro_de um mês . - Um mês ? - exclamou o Ron . - Nessa_altura já o Malfoy terá atacado metade de os filhos de Muggles ! - mas os olhos de Hermione contraíram se de_novo assustadoramente e ele acrescentou rapidamente . - Mas é o melhor plano que temos , por isso é melhor não olharmos para trás . Apesar_de tudo , enquanto Hermione verificava que não havia ninguém em os corredores e podiam sair de a casa_de_banho , Ron murmurou a Harry : - Seria muito mais simples se conseguisses , amanhã , atirar o Malfoy de a vassoura abaixo . Harry acordou cedo em o sábado de manhã e ficou um bocado a pensar em a partida de Quidditch que vinha a seguir . Estava nervoso , principalmente pelo que Wood diria se os Gryffindor perdessem , mas também com a ideia de enfrentar uma equipa apetrechada com as vassouras mais velozes que existiam . Nunca desejara tanto vencer os Slytherin como em aquele dia . Depois de meia_hora deitado com a barriga a dar horas , resolveu levantar se , vestir se e descer para tomar o pequeno-almoço . Lá em baixo , encontrou o resto de a equipa de os Gryffindor amontoada a o longo de a mesa comprida e vazia , todos eles com ar preocupado e sem vontade de conversar . Como_se aproximavam as onze horas , todos os alunos de a escola começaram a dirigir se para o estádio de Quidditch . O dia estava quente e húmido , com uma ameaça de trovoada em o ar . Ron e Hermione vieram apressadamente desejar a Harry boa sorte mal ele entrou em os vestiários . A equipa de os Gryffindor pôs os seus mantos vermelhos e sentou se para ouvir o discurso que Wood lhes fazia sempre antes de o jogo . - Os Slytherin têm vassouras melhores do_que nós - começou . - Não há como negá o . Mas nós temos gente melhor em cima de as vassouras . Treinámos mais do_que eles , voamos com todas_as condições climatéricas ( É bem verdade - murmurou George_Weasley - desde Agosto que não sei o que é estar seco ) . - E vamos fazê os engolir o dia em que deixaram aquele nojento de o Malfoy comprar a entrada em a equipa de eles . Com o peito agitado por a comoção , Wood voltou se par Harry . -- Cabe te a ti , Harry , mostrar lhes que um * seeker * tem de ter mais do_que um pai rico . Agarra a * snitch * antes d Malfoy ou morre a tentar porque temos absolutamente que vencer , hoje , Harry , temos que vencer . - Sem ansiedade , Harry - disse o Fred , piscando lhe o olho . Quando saíram em direcção a o campo , foram saudado por uma grande ovação principalmente de a parte de os Ravenclaw e de os Hufflepuff que estavam ansiosos por ver os Slytherin serem derrotados , mas os Slytherin que estavam entre a multidão também fizeram ouvir as suas vaias e pateadas . Madam_Hooch , a professora de Quidditch , pediu a Flin e Wood que apertassem as mãos o que eles fizeram , lançando um_ao_outro olhares ameaçadores , cada_um apertando a mão de o outro com mais força do_que aquela que seria necessário . - Atenção a o apito - disse Madam_Hooch . - Três , dois , um ... Com um bramido de a multidão para que subissem rapidamente , os catorze jogadores elevaram se em o céu cor de chumbo . Harry , mais alto do_que qualquer de os outros olhando para todos os lados em busca de a * snitch * . - Tudo bem , testa de cicatriz ? - gritou Malfoy , disparando por baixo de ele para lhe mostrar a velocidade de a sua vassoura . Harry não teve tempo de responder . Em esse preciso momento uma * bludger * preta e bem pesada veio direitinha a ele . Evitou a tão por um triz que ainda sentiu em os cabelos o ar que ela deslocara . - Foi por_pouco , Harry ! - exclamou o George , passando com grande rapidez , de bastão em a mão , pronto para lançar a * bludger * contra um Slytherin . Harry viu o dar a a * bludger * uma fortíssima pancada em direcção a Adrian_Pucey , mas a bola mudou de rumo em o meio de o ar e dirigiu se de_novo a Harry . Harry desceu rapidamente para se esquivar e George conseguiu lançá a contra Malfoy . Mais_uma_vez a * bludger * actuou como um * boomerang * e apontou a a cabeça de Harry . Harry ganhou velocidade e disparou contra o outro extremo de o campo . Ouvia o assobio de a * bludger * que o perseguia . O que era aquilo ? As * bludgers * nunca se concentravam assim em um único jogador , a sua função era tentar desmontar o maior número possível de intervenientes . Fred_Weasley esperava por a * bludger * em o extremo oposto . Harry baixou se quando o viu balançar se em frente de ela com toda_a garra . A * bludger * foi lançada para_fora_de campo . - Pronto , já está tudo resolvido - gritou Fred satisfeito , mas estava bastante enganado . Como_se fosse magneticamente atraída para Harry , a * bludger * lançou se de_novo contra ele e Harry teve de voar a_toda_a velocidade . Começara a chover . Harry sentia as gotas pesadas caírem lhe em o rosto , turvando lhe as lentes de os óculos . Não fazia ideia do_que se passava em o resto de o jogo , até ouvir Lee_Jordan que fazia o comentário dizer : - Os Slytherin vão a a frente com seis contra zero . As vassouras de qualidade superior de os Slytherin estavam obviamente a cumprir a sua função e enquanto isso , a * bludger * maluca fazia todos os possíveis para deitar abaixo o Harry . Fred e George voavam agora tão perto de ele , um de cada lado , que Harry não via senão os seus braços a balouçar e , se não conseguia ver a * snitch * , muito menos agarrá a . - Alguém enfeitiçou esta * bludger * - resmungou Fred , preparando o bastão com toda_a força quando ela se lançava de_novo contra Harry . - Precisamos de tempo - disse George , tentando fazer sinal a Wood enquanto evitava que a bola partisse o nariz a o Harry . Wood captou obviamente a mensagem . O apito de Madam_Hooch fez se ouvir e Harry , Fred e George desceram , tentando ainda evitar a * bludger * maluca . - O que é_que se passa ? - perguntou Wood enquanto a equipa de os Gryffindor se amontoava desordenadamente e os Slytherin , em o meio de a multidão , lançavam piadas . - Estamos a ser esmagados . Fred , George , onde estavam vocês quando aquela * bludger * impediu a Angelina de marcar ? - Estávamos seis metros acima , evitando que a outra * bludger * matasse o Harry , Oliver - gritou George furioso . - Alguém preparou isto , a bola não deixa o Harry em paz , ainda não perseguiu mais ninguém desde_que o jogo começou . Os Slytherin fizeram aqui qualquer coisa . - Mas as * bludgers * têm estado fechadas em o escritório de Madam_Hooch desde o último treino , e nessa_altura estava tudo bem ... - disse Wood ansiosamente . Madam_Hooch aproximava se . Por cima de o ombro de ela , Harry pôde ver a equipa de os Slytherin a escarnecer e apontar em a sua direcção . - Ouçam - disse o Harry , enquanto ela se aproximava . - Com vocês os dois a voarem sempre colados a mim , só vou apanhar a * snitch * se ela voar até a a minha manga . Voltem se para o resto de a equipa e deixem a tratante comigo . - Não sejas bronco - disse o Fred . - Ela arranca te a cabeça . Os olhos de Wood saltavam de Harry_para_os_Weasley . - Oliver , isto_é uma loucura - disse Alicia_Spinet , zangada . - Não podes deixar o Harry sozinho entregue a aquela coisa . Vamos pedir uma investigação . - Se pararmos agora , teremos de dar a partida como perdida e não vamos deixar os Slytherin ganhar , só por_causa_de uma * bludger * maluca . Vá lá , Oliver , diz lhes que me deixem sozinho . - A culpa é toda tua . * _ Agarra a snitch ou morre a tentar * , se isso é lá coisa que se diga . Madam_Hooch tinha se lhes juntado . - Prontos para retomar a partida ? - perguntou a Wood . Wood olhou para o ar determinado de Harry . - Deixem o sozinho , ele é capaz de lidar com a * bludger * . A chuva era agora mais pesada . A o apito de Madam_Hooch , Harry elevou se em os ares e ouviu o barulhinho de a * bludger * atrás_de si . Subiu cada_vez_mais alto . Fez acrobacias em espiral , descidas rápidas , ziguezagueou e rolou . Apesar_de ligeiramente estonteado , não deixou nunca de ter os olhos bem abertos . A chuva salpicava lhe os óculos e entrava lhe por as narinas , quando ele se voltou de cabeça para baixo , evitando outra forte investida de a * bludger * . Ouviu os risos de a multidão . Sabia que devia parecer ridículo , mas a * bludger * maluca era pesada e não podia mudar de direcção tão rapidamente quanto ele . Iniciou uma corrida que parecia de feira de diversões em volta de os extremos de o estádio , olhando de soslaio , através de os lençóis prateados de chuva , para os postes de os Gryffindor , onde Adrian_Pucey tentava passar por Wood . Um assobio junto de os ouvidos disse a Harry que a * bludger * falhara uma_vez_mais . Voltou se e voou rapidamente em a direcção oposta . - Estás a ensaiar * ballet * , Potter - gritou Malfoy quando Harry foi obrigado a fazer uma reviravolta estúpida em o ar para se esquivar mais_uma_vez de a * bludger * . Lá foi ele , com a * bludger * atrás a alguns metros de distância . E foi então que , olhando para Malfoy , furioso , a viu , a * snitch * de ouro . Flutuava alguns centímetros acima de os ouvidos de Malfoy que , de tão preocupado a escarnecer de Harry , nem dera por ela . Durante um momento angustiante , Harry ficou quieto em o ar , não ousando dirigir se a Malfoy , não fosse ele olhar para_cima e ver a * snitch * . PUM ! Tinha ficado parado tempo de mais . A * bludger * batera lhe , por fim , apanhando lhe o cotovelo e Harry sentiu o braço a partir se . Debilmente , desorientado por a dor cauterizante em o braço , Harry deslizou para um de os lados em a sua vassoura encharcada , um joelho ainda dobrado , o braço direito a balouçar , inútil , a o seu lado . A * bludger * veio de_novo , preparada para mais um ataque , desta_vez apontada a o seu rosto . Harry desviou se com uma intenção : chegar a Malfoy . Através_de uma nuvem de chuva e dor desceu até a o rosto tremeluzente e trocista e viu os olhos de ele dilatarem se de medo : Malfoy pensou que Harry ia atacá o . - Que diabo ... - resmungou , afastando se de o caminho . Harry tirou a outra mão de a vassoura e fez uma tentativa para agarrar qualquer coisa . Sentiu os dedos fecharem se em volta de a * snitch * dourada , mas conduzia agora a vassoura apenas com as pernas e ouviu se um grito de a multidão cá em baixo , quando ele fez a descida , tentando não desmaiar . Com um ruído seco caiu em a terra enlameada e rolou para fora de a vassoura . O braço tinha um ângulo um_pouco estranho . Torcendo se com dores , ouviu a a distância os assobios e os gritos . Concentrou se em a * snitch * que tinha fechada em a outra mão . - Ai - disse vagamente . - Ganhámos o jogo . E desmaiou . Voltou a si com a chuva a cair lhe em o rosto , ainda deitado em o campo , com alguém inclinado sobre ele . Viu um brilho de dentes brancos . - Oh , não , você não - gemeu . - Não sabe o que diz - afirmou Lockhart bem alto a a ansiosa multidão de Gryffindor que o comprimiam . - Não te preocupes , Harry , eu vou tratar de o teu braço . - Não - gritou Harry . - Eu fico com ele assim , obrigado . Tentou sentar se , mas a dor era enorme . Ouviu um « clique » familiar . - Não quero fotografias de isto , Colin - disse em voz alta . - Deita te para trás , Harry - insistiu Lockhart com toda_a calma . - É um encantamento muito simples que eu fiz imensas vezes . - Porque não me levam só para a ala hospitalar ? - perguntou Harry entredentes . - Seria o melhor , professor - disse a voz rouca de o Wood que não conseguia deixar de sorrir , apesar_de o seu * seeker * estar ferido . - Grande captura , Harry , verdadeiramente espectacular , a tua melhor jogada , em a minha opinião . Em o meio de a floresta de pernas que o rodeava , Harry avistou Fred e George_Weasley , metendo a * budger * perigosa em uma caixa . Continuava a dar uma luta enorme . - Para trás - ordenou Lockhart , que tinha arregaçado as mangas verde jade . - Não , eu não ... - protestou debilmente Harry , mas Lockhart tinha a varinha em a mão e , um segundo depois , apontava a para o braço de Harry . Uma sensação estranha e desagradável começou em o ombro e espalhou se , chegando a as pontas de os dedos . Parecia que o braço inteiro tinha sido esvaziado . Não foi capaz de olhar para o que estava a suceder . Tinha fechado os olhos , voltado o rosto para o outro lado , mas os seus maiores receios concretizaram se quando as pessoas lá em cima se sobressaltaram e Colin_Creevey começou a tirar fotografias como um louco . O braço deixara de lhe doer , mas parecia tudo menos um braço . - Ah ! - disse Lockhart . - Sim , bem isto às_vezes acontece . Mas o importante é_que os ossos já não estão partidos . Isso é o mais importante . Portanto , Harry , vai até a a ala hospitalar ... ah ! Mr._Weasley , Miss_Granger , poderiam levá o lá ? E Madam_Pomfrey poderá ... er ... arranjar um_pouco isso . Quando Harry se pôs de pé sentiu se estranhamente desequilibrado . Depois de respirar fundo , olhou para o lado direito e o que viu quase o fez desmaiar de_novo . Pendurado em a extremidade de a sua túnica estava o que parecia ser uma espessa e colorida luva de borracha . Tentou mexer os dedos mas ... em vão . Lockhart não consertara os ossos de Harry . Retirara os . M. dam Pomfrey não ficou nada satisfeita . - Devias ter vindo logo ter comigo - ralhou , segurando os restos tristes e moles de aquilo que antes fora um braço activo . - Eu conserto ossos em um segundo , mas fazê os crescer de_novo ... - Vai conseguir , não vai ? - perguntou Harry desesperado . - Sim , com certeza , mas vai ser doloroso - disse Madam_Pomfrey de modo severo , entregando lhe um pijama . - Vais ter que ficar cá esta noite ... Hermione esperou de o lado de_fora de a cortina que rodeava outra cama enquanto Ron ajudava Harry a vestir se . Levou algum tempo a enfiar o braço que parecia borracha dentro_de uma manga de o pijama . - Como é_que podes continuar a defender o Lockhart depois disto , Hermione ? - perguntou Ron através de as cortinas , enquanto puxava os dedos moles de o Harry por uma manga . - Se o Harry quisesse ser desossado , teria pedido . - Todos podem enganar se - disse Hermione . - E deixou de doer , não deixou , Harry ? - Sim - disse ele - mas também ficou incapaz de fazer seja o que for . Quando se meteu em a cama , o braço agitou se despropositadamente . Hermione e Madam_Pomfrey entraram . Madam_Pomfrey segurava uma grande garrafa com o rótulo * Skele - _ Gro * . - Vais ter uma noite difícil - preveniu , enchendo um pequeno copo fumegante e dando lhe a beber . - Fazer crescer ossos é uma coisa difícil . Tomar o * _ Skele - _ Gro * também . Queimou a boca e a garganta de o Harry a o descer , fazendo o tossir e cuspir . Resmungando sobre os desportos perigosos e os professores incapazes , Madam_Pomfrey retirou se , deixando Ron e Hermione a ajudar Harry a engolir um_pouco de água . - Mas ganhámos o jogo - disse o Ron com um sorriso em o rosto . - A tua jogada foi em grande . A cara de o Malfoy ... parecia que queria matar alguém . - Eu vou descobrir como é_que enfeitiçaram aquela * bludger * - disse Hermione com ar sombrio . - Podemos juntar essa pergunta a a lista de todas_as que queremos fazer a o Malfoy quando tomarmos a poção * _ Polisuco * - disse Harry , afundando se de_novo em as almofadas . - Espero que tenha um sabor melhor do_que esta coisa ... - Com um bocado de os Slytherin lá dentro , deves estar a brincar - disse o Ron . A porta de a ala hospitalar abriu se em esse momento e , completamente encharcados , entraram os restantes membros de a equipa de os Gryffindor , para ver o Harry . - Um voo inacreditável - disse George . - Acabei de ver Marcus_Flint a gritar com o Malfoy . Qualquer coisa sobre ter a * snitch * mesmo em cima de a cabeça e não ter dado por nada . O Malfoy não parecia nem um_pouco satisfeito . Tinham trazido bolos , rebuçados e garrafas de sumo de abóbora . Juntaram se em volta de a cama de Harry e estavam a dar início a o que prometia ser uma grande festa quando Madam_Pomfrey entrou a vociferar : - Este rapaz precisa de repouso . Tem trinta_e_três ossos a crescer . Fora de aqui . FORA ! E Harry ficou sozinho , sem nada que o distraísse de as dores agudas em o seu braço mole . Muitas horas mais tarde , Harry acordou subitamente em a escuridão total e soltou um pequeno grito de dor : sentia agora o braço cheio de estilhaços . Durante alguns segundos pensou que tinha sido a dor a acordá o . Depois , com um arrepio de horror , apercebeu se de que alguém estava a passar lhe uma esponja em a testa . - Sai de aqui - gritou , e em seguida : - Dobby ! Os olhos de o tamanho de bolas de ténis de o elfo doméstico estavam a olhá o em o escuro , uma lágrima grossa rolava por o seu enorme nariz . - Harry_Potter voltou a a escola - murmurou , infeliz . - Dobby avisou e voltou a avisar Harry_Potter . Ah ! senhor , porque não deu ouvidos a Dobby ? Porque não voltou Harry_Potter para_casa quando perdeu o comboio ? Harry ergueu se um_pouco , encostando se a as almofadas e afastou a esponja de o elfo . - O que estás a fazer aqui ? - perguntou . - E como sabes que eu perdi o comboio ? O lábio de Dobby tremeu e Harry foi assaltado por uma dúvida . - Foste tu . Tu impediste que a barreira nos deixasse passar . - Em a verdade fui eu , senhor - disse Dobby , acenando com a cabeça e com as orelhas a abanar . - Dobby escondeu se , esperou por Harry_Potter e selou a barreira . A seguir , Dobby teve de pôr as mãos em o ferro de engomar - mostrou a o Harry dez dedos longos embrulhados em ligaduras . - Mas Dobby não se importou , senhor , porque pensou que Harry_Potter estava a salvo e nunca Dobby sonhou que mesmo_assim ele viria para a escola ! Balançava se para a frente e para trás , sacudindo a cabeça feia . - Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry_Potter tinha voltado a a escola que deixou queimar o jantar de os seus donos . Dobby nunca tivera um castigo tão grande , senhor . Harry afundou se de_novo em as almofadas . - Quase conseguiste que nos expulsassem , a mim e a o Ron - disse furioso . - É melhor desapareceres de aqui antes que os meus ossos voltem a estar bem , Dobby , ou ainda te estrangulo . O elfo sorriu . - Dobby está habituado a ameaças de morte , senhor . Dobby recebe as cinco vezes por dia em a casa onde mora . Encostou o nariz a um canto de a fronha que usava , ficando tão ridículo que Harry sentiu a raiva desvanecer se , apesar_de tudo . - Porque usas essa coisa , Dobby ? - perguntou com curiosidade . - Isto , senhor ? - disse Dobby apontando para a fronha de almofada . - É uma prova de escravatura de o elfo doméstico , senhor . Dobby só pode ser libertado se os donos lhe derem roupa , senhor . A família tem o cuidado de não dar a o Dobby nem uma peúga , senhor , porque ele poderia ficar livre e deixar a casa para sempre . Dobby limpou os olhos protuberantes e disse subitamente : - Harry_Potter deve ir para_casa . Dobby achou que a sua * bludger * seria o suficiente para o fazer ... - A tua * bludger * ? - disse Harry com a raiva a crescer novamente dentro de ele . - Que queres tu dizer com a tua bludger * ? Foste tu quem fez com que aquela bola tentasse matar me ? - Matar não , senhor . Matar , nunca ! - disse o elho chocado . - Dobby quer salvar a vida de Harry_Potter . É melhor ir para_casa ferido do_que ficar aqui , senhor . Dobby só queria Harry_Potter suficientemente ferido para voltar para_casa . - Só isso ? - disse Harry furioso . - Imagino que não vais dizer me porque querias mandar me para_casa a os bocados ? - Ah ! se Harry_Potter soubesse ! - gemeu Dobby , com mais lágrimas a escorrerem lhe por a fronha esfarrapada . - Se pudesse saber o que significa para nós , para os humildes , os escravizados , nós , a escória social de o mundo mágico ! Dobby lembra se de como eram as coisas quando Aquele cujo nome não deve ser pronunciado estava em o auge de o poder , senhor ! Nós , os elfos domésticos éramos tratados como animais , senhor ! É claro que Dobby ainda é tratado assim - admitiu , secando o rosto em a fronha de almofada . - Mas , em a sua maioria , a vida melhorou bastante para os de a minha espécie desde_que Harry_Potter triunfou sobre Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Harry_Potter sobreviveu e o poder de os senhores de o Mal foi quebrado e veio uma nova alvorada , senhor , e Harry_Potter brilhou como um farol de esperança para aqueles de entre nós que já pensavam que a longa noite nunca mais teria fim , senhor ... e agora em Hogwarts vão acontecer coisas terríveis , talvez já esteiam a acontecer e Dobby não pode deixar Harry_Potter ficar aqui , agora_que a história vai repetir se , agora_que a Câmara_dos_Segredos está de_novo aberta . Dobby calou se horrorizado . Em seguida agarrou em o jarro de a água que Harry tinha a a cabeceira e bateu com ele em a própria cabeça , deixando se cair . Um segundo mais tarde voltou até junto de a cama , repetindo : - Mau , Dobby , muito mau , Dobby . - Quer_dizer , então , que existe mesmo a Câmara_dos_Segredos ? - murmurou Harry . - E dizes tu que já antes foi aberta ? Conta me , Dobby . Agarrou o pulso ossudo de o elfo quando a mão de ele se estendia para o jarro de a água . - Mas eu não sou filho de Muggles . Como posso estar em perigo por causa de a Câmara_dos_Segredos ? - Ah ! senhor , não pergunte a o pobre Dobby - lamentou se o elfo com os olhos enormes a brilharem em o escuro . - As forças de as trevas estão projectadas em este lugar , mas Harry_Potter não deve estar aqui quando as coisas acontecerem . Vá para_casa , Harry_Potter , vá para_casa . Harry_Potter não deve envolver se em isto , senhor , é demasiado perigoso ... - Quem é , Dobby ? - perguntou Harry , continuando a agarrar lhe o pulso com forca , impedindo que batesse de_novo em si próprio com o jarro . - Quem abriu a amara ? Quem a abriu de a última vez ? - Dobby não pode , senhor . Dobby não pode . Dobby não deve dizer - guinchou o elfo . - Vá se embora , Harry_Potter , vá se embora ! - Eu não vou para lugar nenhum - disse Harry , furioso . - Uma de as minhas melhores amigas é filha de Muggles , está em perigo se a câmara foi , de facto , aberta ... - Harry_Potter arrisca a própria vida por os amigos - gemeu Dobby em uma espécie de êxtase infeliz . - Tão nobre , tão corajoso , mas deve salvar se , Harry_Potter não deve ... Dobby calou se de repente com as orelhas de morcego a estremecerem . Harry também ouviu os passos que vinham lá fora , de o corredor . - Dobby tem de ir - balbuciou o elfo apavorado . Ouviu se um ruído e o pulso de Harry ficou subitamente fechado em o ar . Meteu se de_novo para baixo , em a cama , com os olhos fixos em a porta escura que dava entrada em a ala hospitalar enquanto os passos se aproximavam . Em o momento seguinte , Dumbledore estava a entrar , de costas , em o dormitório , vestindo uma longa túnica de lã e uma capa de noite . Transportava um extremo de aquilo que parecia ser uma estátua . A professora Mc_Gonagall surgiu um segundo mais tarde , pegando lhe em os pés . Os dois colocaram a em uma cama . - Chame Madam_Pomfrey - murmurou Dumbledore e a professora Mc_Gonagall passou por a cama de Harry , apressadamente , e desapareceu . Harry deixou se ficar muito quieto como_se estivesse a dormir . Ouviu vozes ansiosas e por fim a professora Mc_Gonagall apareceu de_novo , seguida de Madam_Pomfrey que vestia um casaco curto de lã sobre a camisa de dormir . Ouviu uma inspiração aguda . - O que aconteceu ? - murmurou Madam_Pomfrey_a_Dumbledore , inclinando se sobre a estátua que estava em a cama . - Outro ataque - disse Dumbledore . - A Minerva encontrou o em as escadas . Havia um cacho de uvas junto de ele . Acho que estava a tentar esgueirar se até aqui para vir visitar o Potter . O estômago de Harry deu uma reviravolta . Lenta e cuidadosamente ergueu se alguns centímetros para poder ver a estátua que estava sobre a cama . Um raio de luar iluminou lhe o rosto estático . Era_Colin_Creevey . Tinha os olhos abertos , e as mãos , em frente de a cara , seguravam a máquina fotográfica . -- Petrificado ? - murmurou Madam_Pomfrey . - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - Mas estou tentada a acreditar que ... se Albus não tivesse vindo cá abaixo tomar um chocolate quente ... quem sabe o que teria ... Os três olharam para Colin . Dumbledore inclinou se e retirou lhe a máquina de as mãos rígidas . - Será que ele conseguiu tirar a fotografia de o agressor ? - perguntou ansiosa a professora Mc_Gonagall . Dumbledore não respondeu . Abriu a parte detrás de a máquina . - Cruzes canhoto - disse Madam_Pomfrey . Um jacto de vapor tinha feito fervilhar a máquina . Harry , a três metros de distância , sentiu o cheiro tóxico de o plástico queimado . - Derretido - disse Madam_Pomfrey com grande espanto . - Tudo derretido . - O que significa isto , Albus ? - perguntou cada_vez_mais nervosa a professora Mc_Gonagall . - Significa - disse Dumbledore - que a Câmara_dos_Segredos está mesmo aberta outra_vez . Madam_Pomfrey levou uma mão a a boca . A professora Mc_Gonagall olhou assustada para Dumbledore . - Mas , Albus ... com certeza ... quem ? - A questão não é quem - disse Dumbledore com os olhos fixos em Colin . - A questão é como ... E pelo que Harry conseguiu ver de o rosto indistinto de a professora Mc_Gonagall , ela não compreendeu muito mais do_que ele . XI_O clube de os duelos Quando_Harry acordou , em o domingo de manhã , a enfermaria estava iluminada por um resplandecente sol de inverno e o seu braço tinha de_novo todos os ossos , apesar_de o sentir muito rígido . Sentou se rapidamente e olhou para a cama de Colin , mas ela fora isolada com as cortinas atrás de as quais se despira em a véspera . Vendo que ele tinha acordado , Madam_Pomfrey apareceu com um tabuleiro de pequeno-almoço e a seguir começou a apalpar lhe o braço e os dedos . - Tudo em ordem - disse , enquanto ele , com a mão esquerda , comia avidamente as papas de aveia . - Quando acabares de comer podes ir te embora . Harry vestiu se o mais depressa que pôde e dirigiu se a a pressa para a torre de os Gryffindor , ansioso por contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre Colin e Dobby , mas não os encontrou lá . Foi a a procura de eles , perguntando a si próprio onde teriam ido e sentindo se um_pouco magoado por o pouco interesse que demonstravam em saber se ele tinha recuperado os ossos . Quando passou por a biblioteca , Percy_Weasley vinha a sair com bastante melhor cara do_que de a última vez que se tinham encontrado . - Olá , olá , Harry - disse . - Excelente voo o de ontem , verdadeiramente sensacional . Os Gryffindor estão a a frente para a taça de a equipa . Ganhaste cinquenta pontos . - Não viste o Ron e a Hermione por aí ? - perguntou Harry . - Não , não vi - disse Percy com o sorriso a desaparecer . - Espero que o Ron não esteja outra_vez em a casa_de_banho de as raparigas ... Harry forçou um sorriso , viu Percy desaparecer e a seguir foi direitinho até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Não via lá muito bem por_que motivo o Ron e a Hermione lá estariam de_novo , mas , depois de se assegurar de que nem Filch nem nenhum de os prefeitos estavam por perto , abriu a porta e ouviu as vozes de eles que vinham de um cubículo fechado . - Sou eu - disse , fechando a porta atrás_de si . Ouviu se dentro de o cubículo um estrondo , um chapinhar e um sobressalto e ele viu o olho de a Hermione a espreitar por o buraco de a fechadura . - Harry - disse ela . - Pregaste nos um susto de morte . Entra . Como está o teu braço ? - _ óptimo - respondeu , apertando se dentro de o cubículo . Em cima de a sanita estava encarrapitado um velho caldeirão , e um crepitar a a superfície de a água disse a Harry que eles tinham acendido um fogo lá em baixo . Fazer aparecer fogos portáteis a a prova de água era uma de as especialidades de Hermione . - _ íamos visitar te , mas resolvemos começar a preparar a poção * _ Polisuco * - explicou Ron enquanto Harry fechava outra_vez a porta de o cubículo com alguma dificuldade . - Achámos que este era o lugar mais seguro para a esconder . Harry começou a contar lhes de o Colin , mas Hermione interrompeu o . - Nós já sabemos , ouvimos a professora Mc_Gonagall contar a o professor Flitwick hoje_de_manhã . Por isso resolvemos começar a ... - Quanto_mais depressa arrancarmos uma confissão a o Malfoy , melhor - rosnou o Ron . - Sabem o que eu penso ? Ele estava tão mal-humorado depois de o jogo de Quidditch que se vingou em o Colin . - Há outra coisa - disse Harry , vendo Hermione cortar molhos de verdezelha e lançá os dentro de a poção . - O Dobby foi visitar me a meio de a noite . Ron e Hermione olharam o espantados . Harry contou lhes tudo_o_que Dobby lhe dissera ... ou não dissera . Ron e Hermione ouviram o de boca aberta . - A Câmara_dos_Segredos já tinha sido aberta antes ? - repetiu Hermione . - Encaixa perfeitamente - disse Ron , em uma voz triunfante . - O Lucius_Malfoy deve ter aberto a Câmara_dos_Segredos quando andava em a escola e agora ensinou a o querido filhinho Draco como abris a . É óbvio , que pena o Dobby não te ter dito que tipo de monstro lá se encontra . Gostava de saber como é_que ninguém o viu andar por ai em a escola . - Talvez tenha a capacidade de se tornar invisível - sugeriu Hermione , picando sanguessugas para dentro de o caldeirão . - Ou talvez se disfarce , passando por uma armadura ou outra coisa de o género . Eu li umas coisas sobre vampiros camaleões ... - Tu lês de mais , Hermione - disse o Ron , deitando moscas asas de renda mortas por cima de as sanguessugas . Amarrotou o saco vazio de as asas de renda e olhou para Harry . - Então foi o Dobby que nos impediu de apanhar o comboio e te partiu o braço ... - abanou a cabeça . - Sabes o que eu acho ? Se ele não parar de tentar salvar te a vida ainda acaba por te matar . A notícia de que Colin_Creevey tinha sido atacado e estava agora em a ala hospitalar , como morto , espalhou se por toda_a escola em a segunda-feira de manhã . O ar ficou pesado e cheio de boatos e suspeitas . Os alunos de o primeiro ano começavam a andar por a escola em pequenos grupos , receando ser atacados se se aventurassem a andar isoladamente por os corredores . Ginny_Weasley , que era colega de carteira de o Colin em os encantamentos , estava perturbadíssima , mas Harry achou que Fred e George estavam a tentar animá a de a maneira errada . Revezavam se , mascarados com peles de animais e apareciam lhe subitamente detrás de as estátuas . Só pararam quando Percy , apopléctico de raiva , lhes disse que ia escrever a Mrs._Weasley a contar lhe que a Ginny andava a ter pesadelos . Enquanto isso , às_escondidas de os professores , uma panóplia de talismãs , amuletos e outros objectos de protecção ia enchendo a escola . Neville_Longbottom comprou uma enorme cebola verde que cheirava mal , um cristal pontiagudo cor de púrpura e uma cauda de tritão apodrecida antes de os outros rapazes de os Gryffindor lhe explicarem que ele não corria perigo : era um sangue puro e , portanto , muito pouco passível de ser atacado . - Eles foram a o Filch em primeiro lugar - disse Neville com o medo estampado em a cara redonda . - E toda_a_gente sabe que eu sou quase um * busca-pé * . Em a segunda semana de Dezembro , a professora Mc_Gonagall veio , como de costume , recolher os nomes de os alunos que ficavam em a escola durante o Natal . Harry , Ron e Hermione assinaram a lista . Tinham ouvido dizer que Malfoy ficava , o que lhes parecera muito suspeito . As férias seriam a altura ideal para usar a poção * _ Polisuco * e tentar arrancar lhe uma confissão . Infelizmente a poção estava a meio . Precisavam ainda de o chifre de bicórneo e o único lugar onde podiam arranjá o era em os depósitos privados de Snape . Harry , pessoalmente , preferia enfrentar o lendário monstro de os Slytherin do_que ser apanhado por o Snape a assaltar lhe o escritório . - O que precisamos - disse Hermione cheia de vivacidade quando se aproximava a aula conjunta de poções de quinta-feira a a tarde - para podermos entrar a a vontade em o escritório de o Snape , é de uma diversão . Harry e Ron olharam para ela , nervosos . - Acho que o melhor é ser eu a praticar o roubo - prosseguiu ela , em um tom perfeitamente casual . - Vocês os dois podem ser expulsos se forem apanhados e eu tenho uma folha limpa . Portanto , a única coisa que têm de fazer é distrair o Snape durante cerca de cinco minutos . Harry esboçou um meio sorriso . Provocar deliberadamente um estrago em a aula de poções de o Snape era tão seguro como ferir em um olho um dragão adormecido . As aulas de poções tinham lugar em um de os mais amplos calabouços . A de quinta-feira a a tarde não foi diferente de as outras . Vinte caldeirões fumegavam entre as secretárias de madeira , sobre as quais podia ver se laminas de latão e jarras com ingredientes . Snape deambulava por o meio de os fumos , fazendo reparos petulantes a o trabalho de os Gryffindor , enquanto os Slytherin riam a a socapa . Draco_Malfoy , que era o aluno preferido de Snape , não parava de lançar olhos de carneiro mal morto a o Ron e a o Harry , que sabiam que se retaliassem teriam um castigo , antes de poderem abrir a boca para dizer : - É injusto ! A solução de inchar de o Harry estava demasiado líquida , mas ele estava preocupado com coisas mais importantes . Esperava por o sinal de Hermione e mal deu por Snape se calar para ir espreitar a sua poção aguada . Quando o professor se voltou e foi implicar com o Neville , Hermione trocou um olhar com Harry e fez um aceno . Harry baixou se discretamente por detrás de o seu caldeirão , tirou de o bolso de trás um de os paus de fogo-de-artíficio Filibuster e deu lhe um toque de varinha . O fogo-de-artíficio começou a sibilar e a crepitar . Sabendo que tinha apenas alguns segundos , Harry endireitou se , ganhou coragem e lançou o a o ar . Aterrou certeiro em o caldeirão de o Goyle . A poção de o Goyle explodiu , salpicando toda_a aula . As pessoas gritavam , à_medida_que eram vítimas de os salpicos . Malfoy foi apanhado em a cara e o nariz começou a inchar como um balão . O Goyle tropeçava a as cegas , com as mãos em os olhos , que tinham ficado de o tamanho de pratos de sopa , enquanto o Snape tentava repor a calma e tentar perceber o que sucedera . Em o meio de a confusão , Harry viu Hermione esgueirar se a a socapa por a porta . - Silêncio ! silêncio ! - vociferou Snape . - Todos os que foram salpicados cheguem aqui para uma drenagem . Quando eu descobrir quem fez isto ... Harry fez um enorme esforço para não se rir a o ver Malfoy chegar apressadamente lá a a frente , a cabeça a tombar com o peso de o nariz , que parecia um pequeno melão . Quando metade de a aula se amontoava junto de a secretária de o Snape , alguns alunos vergados por o peso de os braços que pareciam mocas , outros incapazes de falar devido a o gigantesco inchaço de os lábios , Harry viu Hermione reentrar em o calabouço , a túnica mostrando a barriga protuberante . Quando todos os alunos tinham já tomado um gole de o antídoto e os vários inchaços tinham desaparecido , Snape precipitou se para o caldeirão de o Goyle e pescou os restos retorcidos de o fogo-de-artíficio . Houve um súbito silêncio . - Se eu descubro quem lançou isto - murmurou Snape - garanto que é expulsão por a certa . Harry compôs uma expressão de espanto . Snape olhava directamente para ele e a campainha , que tocou dez minutos mais tarde , não podia ser mais bem-vinda . - Ele soube que fui eu - disse Harry_a_Ron e a a Hermione , enquanto se dirigiam apressadamente para a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Tenho a certeza . Hermione lançou o novo ingrediente em o caldeirão e começou a mexer furiosamente . - Isto vai estar pronto dentro_de quinze_dias - afirmou , satisfeita . - O Snape não pode provar que foste tu - assegurou Ron , tranquilizando Harry . - Que pode ele fazer ? - Conhecendo o Snape , qualquer coisa louca - respondeu Harry , enquanto a poção borbulhava e espumava . Uma semana mais tarde , Harry , Ron e Hermione passavam por o vestíbulo de entrada , quando viram um pequeno grupo de pessoas reunidas em volta de o jornal de parede a lerem um pedaço de pergaminho que tinha acabado de ser afixado . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas acenaram lhes , entusiasmados . - Vão lançar um clube de duelos ! - exclamou Seamus . - Hoje a a noite é a primeira reunião . Eu não me importaria nada de ter aulas de duelo , podem vir a ser úteis um dia de estes ... - Porquê ? Achas que o monstro de os Slytherin sabe esgrimir ? - perguntou o Ron , mas , também ele , leu a notícia com interesse . - Pode ser útil - disse a o Harry e a a Hermione , quando foram jantar . - Vamos lá ? Harry e Hermione acharam óptimo , por isso , a as oito_da_noite voltaram a o salão . As longas mesas de refeição tinham desaparecido e um estrado dourado surgira , encostado a a parede . Sobre ele flutuavam milhares de velas . O tecto era , mais_uma_vez , de veludo negro e parecia que quase todos os alunos de a escola se encontravam ali , com as suas varinhas em a mão e com um ar entusiasmado . - Quem será que vai ensinar nos ? - perguntou Hermione , enquanto se misturavam em a multidão barulhenta . - Ouvi dizer que o Filitwick foi campeão de duelo em a juventude , talvez seja ele . - Desde_que não seja ... - começou Harry , mas terminou em um gemido : Gilderoy_Lockhart estava a subir a o estrado , resplandecente em as suas vestes cor de ameixa , acompanhado , nem mais nem menos , do_que de Snape que trajava , como sempre , de negro . Lockhart levantou um braço , pedindo silêncio , bradando : - Aproximem se , aproximem se , conseguem todos ver me e ouvir me ? Excelente ! - O professor Dumbledore deu me autorização para iniciar este pequeno curso de duelo para vos treinar a todos , caso algum dia precisem de se defender , como eu tenho feito em inúmeras ocasiões ; para mais detalhes , leiam os livros que tenho publicados . - Permitam que vos apresente o meu assistente , o professor Snape - disse Lockhart , abrindo um sorriso de orelha a orelha . - Ele diz me que sabe alguma coisa sobre duelos e aceitou desportivamente ajudar me em uma exibição de demonstração , antes de começarmos . Atenção , não quero que os mais novos fiquem preocupados , vão continuar a ter o vosso professor de poções depois de eu o vencer . Não tenham medo . - Não era óptimo se se liquidassem um_ao_outro ? - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . O lábio inferior de Snape estava curvo . Harry interrogou se sobre o motivo por_que Lockhart continuava a sorrir . Se o Snape olhasse de aquela maneira para ele , Harry estaria a correr a_toda_a velocidade para o mais longe possível . Lockhart e Snape voltaram se um para o outro e fizeram uma vénia , pelo_menos Lockhart fê la com muitas reviravoltas de mãos , enquanto Snape acenava , irritado , com a cabeça . Em seguida , ergueram as varinhas , como_se fossem espadas , em a frente . - Como podem ver , estamos a pegar em as varinhas em a posição de aceitação de combate - explicou Lockhart a a multidão silenciosa . - Quando contarmos até três , lançaremos os primeiros feitiços . Nenhum de nós tentará matar o outro , claro . - Eu não poria as mãos em o fogo - murmurou Harry , observando como Snape cerrava os dentes . -- Um , dois , três ... Os dois balançaram as varinhas acima de os ombros . Snape gritou : * _ Expelliarmus * ! Houve um clarão ofuscante de luz escarlate e Lockhart voou para trás , caindo de o estrado batendo contra a parede , escorregando e indo estatelar se em o chão . Malfoy e alguns de os outros Slytherin aplaudiram . Hermione estava em bicos de os pés . - Acham que ele está bem ? - gritou entredentes . - Quem se rala ? - disseram ao_mesmo_tempo o Ron e o Harry . Lockhart estava a pôr se , hesitante , de pé . O chapéu caíra lhe e o cabelo ondulado estava em um desalinho . - Bem , cá está ! - disse , cambaleando até a o estrado . - Este foi um encantamento para desarmar . Como podem ver , perdi a minha varinha . Ah , obrigado Miss_Brown . Sim , foi uma excelente ideia mostrar lhes isto , professor Snape , mas , se me permite que lhe diga , foi muito óbvio o que ia fazer . Se eu tivesse querido impedis o , teria o feito com a maior de as facilidades . Mas achei que seria educativo deixá os ver ... Snape tinha um ar assassino . Provavelmente Lockhart deu por isso , porque declarou : - Chega de demonstrações . Eu vou passar agora por o meio de vocês e criar duplas . Professor_Snape , se quiser ajudar me ... Entraram por o meio de a multidão , agrupando alunos . Lockhart pôs o Neville com Justin_Finch - _ Fletchley , mas Snape chegou primeiro junto de Harry e de Ron . - Tempo de separar a dupla ideal , parece me - rosnou . - Weasley , tu podes ficar com o Finnigan . Potter ... Harry voltou se automaticamente para Hermione . - Não me parece - disse Snape com o seu sorriso frio . - Mr._Malfoy , venha até aqui . Vamos ver o que faz com o famoso Potter . E a menina , Miss_Granger , pode emparceirar com Miss_Bulstrode . Malfoy aproximou se com o seu passo empertigado e o seu sorriso escarninho . Atrás de ele vinha uma rapariga de os Slytherin , que lembrou a Harry uma imagem que tinha visto em as * _ Férias com Bruxas_Velhas * . Era corpulenta e quadrada e os maxilares avançavam agressivamente . Hermione esboçou um meio sorriso , que ela não retribuiu . - Voltem se para os vossos parceiros - gritou Lockhart - e façam a vénia . Harry e Malfoy mal inclinaram as cabeças , não afastando os olhos um de o outro . - Varinhas preparadas ! - gritou Lockhart . - Quando eu disser três preparem os feitiços para desarmar o vosso opositor . Um ... dois ... três ... Harry levantou a varinha acima de o ombro , mas Malfoy começara logo em o « dois » : o seu feitiço apanhou Harry com tanta força que ele se sentiu como_se tivesse levado com uma frigideira em a cabeça . Tropeçou , mas ainda não estava fora de combate e , sem perder tempo , Harry apontou a varinha a Malfoy e gritou : - * _ Rictusempra ! * Um jacto de luz prateada atingiu Malfoy em o estômago , obrigando o a dobrar se , arfando . - Eu disse desarmar ! - gritava Lockhart sobre as cabeças de a multidão em lata , enquanto Malfoy caía de joelhos . Harry atingira o com o feitiço de as cócegas e ele mal conseguia mexer se para se rir . Harry hesitou com o vago sentimento de que seria pouco desportivo enfeitiçar Malfoy enquanto ele estava caído em o chão , mas ... foi um erro . Tentando respirar , Malfoy apontou a varinha a os joelhos de Harry , balbuciando : « * _ Tarantallegra ! * » e , um segundo depois , as pernas de o Harry tinham começado a mexer se , sem que ele pudesse controlá as , executando uma espécie de dança frenética . - Parem , parem - gritava Lockhart , quando Snape resolveu tomar controlo de a situação . - * _ Finite_Incantatem ! * - bradou . Os pés de o Harry pararam de dançar , Malfoy parou de rir e puderam olhar para_cima . Uma onda de fumo esverdeado pairava sobre todos eles . Neville e Justin estavam caídos em o chão , a arfar . Ron tentava fazer parar um Seamus com cara cor de cinza , pedindo lhe mil desculpas por o que a sua varinha partida eventualmente tivesse feito . Mas Hermione e Millicent_Bulstrode ainda não tinham acabado . Millicent tinha feito a Hermione uma prisão de cabeça e Hermione gritava de dor . As duas varinhas jaziam esquecidas em o chão . Harry deu um salto em frente e afastou Millicent . Não foi fácil , ela era bastante maior do_que ele . - Oh , gente ! - exclamou Lockhart , arrastando se por o meio de a multidão e olhando para os resultados de os duelos . - Vamos pôr de pé , Mcmillan ... cuidado , Miss_Fawcett ... belisque com força que pára logo de sangrar ... - Acho que o melhor é ensinar vos como bloquear feitiços pouco amigáveis - afirmou Lockhart que estava nervosíssimo em o meio de o salão . Olhou para Snape , cujos olhos pretos brilhavam e desviou rapidamente o olhar . - Vamos arranjar um par de voluntários . Longbottom e Finch - _ Fletchley , que tal serem vocês ? - Uma má ideia , professor Lockhart - disse Snape , deslizando como um morcego enorme e cruel . - Longbottom provoca devastação com o feitiço mais simples . Ainda temos de mandar o que restar de o Finch - _ Fletchley para a ala hospitalar dentro_de uma caixa de fósforos . - A cara redonda e rosada de Neville ficou ainda mais rosada . - Que tal o Malfoy e o Potter ? - sugeriu Snape com um sorriso retorcido . - Excelente ideia - disse Lockhart , fazendo sinal a os dois para que se aproximassem de o meio de o salão , enquanto a multidão recuava para lhes dar passagem . - Ouve bem , Harry - disse Lockhart . - Quando o Draco te apontar a varinha , tu fazes assim . Levantou a sua varinha , executando uma tentativa complicada de malabarismo e deixou a cair . Snape sorriu pretensiosamente , enquanto Lockhart a apanhava de o chão , dizendo : - Ups , a minha varinha está demasiado excitada . Snape aproximou se de Malfoy , inclinou se e disse lhe qualquer coisa a o ouvido . Malfoy sorriu também de forma afectada . Harry olhou , nervoso , para Lockhart e pediu : - Professor , podia mostrar me outra_vez aquela coisa para bloquear ? - Estás com medo ? - murmurou Malfoy baixinho , para que Lockhart não pudesse ouvir . - Querias ! - exclamou Harry por o canto de a boca . Lockhart deu um soco em o ombro de o Harry , em a brincadeira . - Basta que faças como eu fiz ! - O quê , deixar cair a varinha ? Mas Lockhart não estava a ouvir - Três , dois , um , zero ! - gritou . Malfoy levantou rapidamente a varinha a o ar e gritou : - * _ Serpensortia ! * A extremidade de a varinha explodiu . Harry viu , horrorizado , uma enorme serpente negra sair de ela , cair pesadamente em o chão a meio de os dois e erguer se disposta a atacar . Ouviram se gritos , enquanto a multidão se afastava , deixando o chão vazio . - Não te mexas , Potter - disse Snape vagarosamente , divertindo se claramente a ver Harry , parado , a olhar em os olhos a serpente . - Eu trato de ela ... - Permita me -- gritou Lockhart . Bramiu a varinha em direcção a a serpente e ouviu se um estoiro . A cobra , em_vez_de desaparecer , voou três metros acima de eles e voltou a cair em o chão com um estrondo enorme . Enraivecida , a sibilar de fúria , rastejou em direcção a Finch - _ Fletchley e pôs se de pé com os dentes a a mostra , pronta a atacar . Harry não soube ao_certo o que o levou a fazer aquilo . Não se lembrava sequer de ter tomado aquela decisão . Só soube que as pernas o fizeram avançar como_se tivesse rodas e que gritou a a serpente : - Larga o ! - E , milagrosa e inexplicavelmente , a serpente voltou a o chão , dócil como uma grande mangueira de jardim , preta e grossa , os olhos agora fixos em os olhos de Harry . Harry sentiu o medo a escoar se . Sabia que a cobra não atacaria mais ninguém , embora não pudesse explicar como sabia . Olhou para Justin a sorrir , esperando vê o aliviado , espantado , ou mesmo agradecido , mas nunca zangado ou assustado . - Que brincadeira é essa ? - gritou o outro e , antes que Harry tivesse tempo de dizer fosse o que fosse , voltou as costas e saiu de o salão . Snape deu um passo em frente , fez um gesto com a varinha e a serpente desapareceu em uma onda de fumo preto . Também ele , Snape , olhava para Harry de uma forma inesperada . Era um olhar arguto e calculista , de que Harry não gostou . Apercebeu se também vagamente de um murmúrio ameaçador que vinha de as paredes em volta . Depois , sentiu um puxão em a túnica . - Vamos - disse a voz de o Ron em o seu ouvido . - Mexe te , vá lá ... Ron arrastou o para fora de o salão . Hermione acompanhava os em a passada rápida . Quando cruzaram a porta , as pessoas que a rodeavam afastaram se , como_se tivessem medo de ser contagiadas . Harry não fazia a mais pequena ideia do_que estava a passar se e , nem Ron , nem Hermione lhe deram qualquer explicação , antes de o terem levado até a a sala comum de os Gryffindor , que se encontrava vazia . Aí , Ron empurrou Harry para uma cadeira de braços e disse : - Tu és um * serpentês * . Porque não nos disseste ? - Eu sou um quê ? - perguntou Harry . - Um * serpentês * ! - exclamou o Ron . - Falas com as cobras . - Eu sei - declarou Harry . - Quer_dizer , esta foi a segunda vez que o fiz . A outra foi há muito_tempo em o jardim zoológico , quando soltei uma Boa_Constrictor a o meu primo Dudley . É uma longa história , mas ela estava a dizer me que nunca tinha estado em o Brasil e eu acho que a libertei sem querer . Foi antes de saber que era feiticeiro . . . - Uma Boa_Constrictor disse te que nunca tinha estado em o Brasil ? - repetiu Ron , quase sem voz . - E então ? - disse o Harry . - Aposto que montes de pessoas aqui fazem o mesmo . - Não fazem , não - afirmou Ron . - Não é um dom muito frequente . Harry , isso é mau . - O que é_que é mau ? - perguntou Harry , que começava a ficar chateado . - O que é_que se passa com todos os outros ? Ouve bem , se eu não tivesse dito a aquela cobra para não atacar o Justin ... - Ah , foi isso que tu disseste ? - Que queres dizer ? Tu estavas lá , ouviste perfeitamente o que eu disse . - Eu ouvi te falar em serpentês - disse o Ron . - Língua de cobra . Podias estar a dizer lhe qualquer coisa . Não admira que o Justin tivesse entrado em pânico . Parecia que estavas a incitar a serpente . Foi assustador , sabes ? Harry olhou para ele espantado . - Eu falei uma língua diferente ? Mas não me apercebi , como posso falar uma língua , sem saber que a conheço ? Ron abanou a cabeça . Tanto ele como Hermione tinham um ar fúnebre . Harry não percebia o que havia em aquilo de tão trágico . - Será que me querem explicar o que há de mal em ter impedido que uma serpente enorme arrancasse a cabeça a o Justin ? - perguntou . - Porque é tão importante como o fiz , se evitei que o Justin fosse juntar se a grupo de os SEM_CABEÇA ? - Importa - disse por fim Hermione , em uma voz abafada . - Porque falar com serpentes era a arte por a qual Salazar_Slytherin ficou famoso . Por isso , o símbolo de os Slytherin é uma serpente . Harry ficou de boca aberta . - Exacto - disse o Ron . - E agora todos em a escola vão pensar que tu és descendente de ele . - Mas não sou - contrapôs Harry com um pânico que não conseguia explicar . - Não vai ser fácil prová o - disse Hermione . - Ele viveu há quase mil anos . Pelo que vimos , podias ser . Em essa noite , Harry ficou acordado durante horas . Por uma fresta de os cortinados de a cama de dossel , olhou para a neve que começava a cair de o lado de_fora de a janela de a torre e perguntou se se poderia ser descendente de Salazar_Slytherin . Afinal , não sabia nada de a família de o pai , os Dursley tinham sempre proibido qualquer pergunta sobre os seus familiares feiticeiros . Calmamente , tentou dizer qualquer coisa em * serpentês * , mas as palavras não saíam . Parecia que era necessário estar frente_a_frente com uma cobra para poder fazê o . Mas eu sou um Gryffindor , pensou Harry , o chapéu seleccionador não me poria aqui se eu tivesse sangue de Slytherin ... - Ah ! - disse uma vozinha dentro de o seu cérebro . - Mas o chapéu seleccionador queria pôr te em os Slytherin , não te lembras ? Harry deu voltas e voltas a a cabeça . Em o dia seguinte , quando visse Justin em a aula de herbologia explicaria lhe que estava a afastar a serpente , não a atiçá a o que , aliás , pensou zangado , dando vários socos em a almofada , qualquer idiota teria percebido . Contudo , em a manhã seguinte , a neve que começara a cair durante a noite , transformara se em uma tempestade tão espessa que a última aula de herbologia de o período foi cancelada : a professora Sprout queria tapar as mandrágoras com peúgas e cachecóis , uma operação arriscada que ela não confiava a ninguém agora_que era tão importante que as mandrágoras crescessem depressa e reabilitassem Mrs._Norris e Colin_Creevey . Junto de a lareira de a sala comum de os Gryffindor , Harry matutava sobre o que se passara enquanto Ron e Hermione aproveitavam o foro para jogar xadrez de feitiçaria . - Com os diabos , Harry - disse Hermione exasperada quando um bispo derrubou um de os cavaleiros de o cavalo , arrastando o para fora de o tabuleiro . - Vai falar com o Justin , se isso é assim tão importante para ti . Harry levantou se e saiu por o buraco de o retrato , perguntando a si próprio onde poderia estar o Justin . O castelo estava mais escuro do_que era habitual durante o dia por causa de a neve espessa e cinzenta que cobria as janelas . A tremer , Harry passou por as salas onde estava a haver aulas , captando lampejos do_que sucedia lá dentro . A professora Mc_Gonagall gritava com alguém que , segundo lhe parecia por o som , transformara o parceiro em um texugo . Resistindo a a tentação de dar uma espreitadela , Harry afastou se pensando que Justin poderia estar a utilizar o tempo de o furo para fazer algum trabalho e resolveu , por isso , ir até a a biblioteca . Um grupo de alunos de os Hufflepuff , que deveriam ter estado em Herbologia , encontrava se , de facto , sentado em as traseiras de a biblioteca , mas não parecia estar a trabalhar . Entre as fileiras de as estantes altas , Harry pôde ver as suas cabeças muito juntas em aquilo que deveria ser uma conversa absorvente . Não conseguia perceber se Justin estaria em o meio de eles . Ia para se aproximar quando apanhou em o ar uma frase e parou para ouvir melhor , escondido em a secção de a invisibilidade . - Portanto - dizia um rapaz corpulento - eu disse a o Justin para se esconder em o nosso dormitório . Isto_é , se o Potter o escolheu como próxima vítima é melhor que ele tenha um * low profile * durante algum tempo . É claro que o Justin já estava a a espera que alguma coisa de o género acontecesse desde_que lhe escapou em uma conversa com o Potter que era filho de Muggles . O Justin disse lhe , inclusivamente , que tinha estado inscrito em Eton . Não é o tipo de coisa que se ande a dizer com o herdeiro de Slytherin a a solta por aí . - Achas mesmo_que é o Potter , Ernie ? - perguntou uma rapariga de tranças loiras , ansiosamente . - Hannah - disse com solenidade o rapaz corpulento . - Ele é um serpentês . Todos sabem que essa é a marca de um feiticeiro negro . Alguma vez ouviste falar de um feiticeiro decente que falasse com as cobras ? O Slytherin era conhecido por « Língua de serpente . . Houve alguns murmúrios antes de Ernie prosseguir : - Lembram se do_que estava escrito em a parede ? * _ Inimigos de o herdeiro , cuidado ! * . O Potter teve que ir a o gabinete de o Filch . E o que é_que acontece a seguir ? A gata de o Filch é atacada . O aluno de o primeiro ano , Creevey , estava a aborrecê o em a partida de Quidditch , a tirar lhe fotografias quando ele estava caído em a lama . E o que é_que acontece a seguir ? Creevey é atacado . - Mas ele parece sempre ser tão simpático - disse Hannah , cheia de dúvidas . - E , bem , foi ele que fez com que o Quem nós sabemos desaparecesse . Não pode ser assim tão mau , pois não ? Ernie baixou misteriosamente a voz . Os Hufflepuff inclinaram se mais uns para os outros e Harry aproximou se para conseguir apanhar as palavras de o Ernie . - Ninguém sabe como ele sobreviveu a aquele ataque de o Quem nós sabemos e , afinal , ainda era um bebé quando aquilo aconteceu . Era para ter explodido feito em estilhaços . Só um feiticeiro negro verdadeiramente poderoso teria sobrevivido a uma maldição de aquelas . - Baixou ainda mais a voz até esta ficar reduzida a um leve murmúrio e disse : - Talvez fosse por isso que o Quem nós sabemos o queria matar , para não ter outro feiticeiro negro a competir com ele . Gostava de saber que outros poderes ocultos terá o Potter . Harry não aguentou mais . Pigarreou alto e saiu detrás de as estantes . Se não estivesse tão zangado teria conseguido ver o lado cómico de a situação : cada_um de os Hufflepuff olhava para ele como_se tivesse sido petrificado , e a cor desaparecera de a cara de o Ernie . - Olá - disse Harry . - Estou a a procura de o Justin_Finch - _ Fletchley . Os piores receios de os Hufflepuff tinham se concretizado . Olharam apavorados para o Ernie . - O que queres de ele ? - perguntou Ernie em uma voz sumida . - Explicar lhe o que aconteceu com aquela cobra em o clube de os duelos - disse Harry . Ernie mordeu os lábios brancos e , em seguida , respirando fundo , respondeu : - Estávamos lá todos . Vimos o que aconteceu . - Então viram que depois de eu falar a serpente recuou - disse Harry . - O que eu vi - insistiu teimosamente Ernie , apesar_de tremer a cada palavra que proferia - foi tu a falares serpentês e a atiçares a cobra conta o Justin . - Eu não a aticei - gritou Harry enraivecido . - Ela nem lhe tocou . - Falhou por_pouco - disse Ernie . - E , para o caso de estares com ideias - acrescentou com má cara - posso dizer te que a minha família provem de nove gerações de bruxas e feiticeiros e que o meu sangue é tão puro como o de qualquer feiticeiro , portanto ... - Quero lá saber qual é o teu sangue - disse Harry furioso . - Porque iria eu atacar os filhos de os Muggles ? - Ouvi dizer que detestas os Muggles com quem vives - disse Ernie rapidamente . - Não é possível viver com os Dursley sem os detestar - explicou Harry . - Gostava de te ver lá em casa . Girou sobre os calcanhares e saiu furioso de a biblioteca sob o olhar reprovador de Madam_Prince que limpava a capa dourada de um enorme livro de encantamentos . Harry avançou a as cegas por os corredores , quase sem ver por_onde ia de tão furioso que estava . O resultado foi chocar com algo enorme e sólido que o fez recuar e cair a o chão . - Ah ! Olá , Hagrid - disse , olhando para_cima . Hagrid tinha o rosto completamente tapado com um lenço coberto de neve , mas não podia ser mais ninguém , enchendo assim o corredor dentro de o seu sobretudo de pele de toupeira . De uma de as enormes mãos enluvadas , pendia um galo morto . - Tudo bem , Harry ? - perguntou , afastando o lenço para poder falar . - Porque não estás em a aula ? - Foi cancelada - disse Harry , pondo se de pé . - O que estás a fazer aqui ? Hagrid mostrou lhe o galo inerte . - É o segundo qu'aparece morto este período - explicou . - Ou são raposas ou um vampiro chato e eu preciso d'autorização de o director p'ra fazer um feitiço em volta de a capoeira . Aproximou se e olhou mais de perto para o Harry , por debaixo de as suas sobrancelhas espessas e cheias de neve . - Tens a certeza que estás bem ? Pareces exaltado e preocupado . Harry não foi capaz de repetir o que Ernie e os outros Hufflepuff lhe tinham dito . - Não é nada , tenho de ir , Hagrid . A próxima aula é Transfiguração e preciso de ir buscar os meus livros . Afastou se , a cabeça cheia com tudo_o_que Ernie dissera a seu respeito . « * _ O_Justin já estava d espera que uma coisa de o género acontecesse desde_que deixou escapar , falando com o Potter , que era filho de Muggles * ... » Harry subiu as escadas a correr e entrou por um corredor que estava particularmente escuro . As tochas tinham sido apagadas por uma ventania gelada que entrava por uma janela de fecho estragado . Estava a meio de o corredor quando tropeçou em uma coisa que se encontrava em o chão . Olhou para ver o que era e sentiu como_se o estômago se tivesse dissolvido . Justin_Finch - _ Fletchley estava em o chão , rígido e frio com uma expressão de horror em o rosto e os olhos abertos voltados para o tecto . E não era tudo . Junto de ele estava mais alguém , a visão mais estranha que Harry tivera em toda_a sua vida . Era_o_Nick quase sem cabeça que não estava cor de pérola nem transparente e sim escuro como fumo . Flutuava imóvel , em a horizontal , 12 centímetros acima de o chão , a cabeça meio tombada e em o rosto uma expressão de choque idêntica a a de o Justin . Harry pôs se de pé com a respiração acelerada e o coração a bater como um tambor contra as costelas . Olhou desvairado para ambos os lados de o corredor deserto e viu uma fila de aranhas que corriam a_toda_a velocidade em a direcção oposta a a de os corpos . Os únicos sons eram as vozes abafadas de os professores em as aulas que decorriam de ambos os lados . Podia fugir e ninguém saberia que ali tinha estado , mas não era capaz de os abandonar assim . Tinha de ir procurar ajuda . Será que alguém acreditaria que ele não tivera nada que ver com aquilo ? Enquanto ali estava , em pânico , uma porta a o seu lado abriu se com grande estrondo . Peeves , o * poltergeist * , saiu a os gritos . - Oh ! É o Potter , olá , Potter - alardeou Peeves , lançando por o ar os óculos de o Harry quando passou por ele . - O que está o Potter a fazer ? Porque está o Potter escondido ? Peeves passou de cabeça para baixo , a meio de uma cambalhota em o ar , quando viu Justin e Nick quase sem cabeça . Com um movimento súbito endireitou se , encheu os pulmões de ar e , antes que Harry pudesse impedi o , gritou : __ ataque ! ataque ! outro ataque ! nenhum mortal ou fantasma está em segurança . corram , fujam , __ ataaaque ! Crac , Crac , Crac . Uma atrás de a outra , foram se abrindo todas_as portas a o longo de o corredor e as pessoas saíram para fora de as salas de aula . Durante alguns longos minutos houve uma tal confusão que Justin esteve em perigo de ser esmagado e as pessoas não paravam de chocar com o Nick quase sem cabeça . Harry deu por si colado a a parede enquanto os professores exigiam a os gritos que se fizesse silêncio . A professora Mc_Gonagall veio a correr , seguida por todos os alunos , um de os quais ainda trazia o cabelo a as riscas pretas e brancas . Usou a varinha para produzir um ruído que repôs o silêncio e mandou os alunos todos para dentro de as salas de aula . Mal lugar ficou desimpedido surgiu Ernie , o jovem Hufflepuff . - * _ Apanhado em flagrante ! * - gritou , com o rosto totalmente branco , apontando dramaticamente o dedo par Harry . - Basta_Mcmillan - disse , de forma cortante , a professora Mc_Gonagall . Peeves andava para_cima e para baixo , observando a cena com um sorriso maldoso . Sempre adorara o caos . Quando os professores se inclinaram sobre Justin e sobre o Nick quase sem cabeça para os examinar , iniciou uma cantilena : * _ Oh ! Potter , que fizeste , seu grande bandido * _ Tu matas os estudantes porque achas divertido . * - Basta , Peeves - rosnou a professora Mc_Gonagall e Peeves afastou se , deitando a língua de_fora a o Harry . Justin foi levado para a ala hospitalar por o professor Flitwick e por o professor Sinistra_do_Departamento_de_Astronomia , mas ninguém parecia saber o que fazer em relação a o Nick quase sem cabeça . Por fim , a professora Mc_Gonagall fez aparecer em o ar um enorme leque que entregou a Ernie com o encargo de conduzir , escadas acima , por os ares o Nick quase sem cabeça . Ernie assim fez , soprando Nick como_se fosse um aerodeslizador e deixando , de este modo , o Harry e a professora Mc_Gonagall a sós . - Por aqui , Potter - disse ela . - Professora , eu juro que não ... - Isso não é comigo , Potter - afirmou a professora Mc_Gonagall sinteticamente . Caminharam em silêncio até uma esquina e ela parou perante uma gárgula de pedra extremamente feia . - Refresco de limão - disse . Era obviamente uma senha porque a gárgula animou se subitamente e saltou para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes . Apesar_de estar apavorado com o que ia acontecer a seguir , Harry não conseguiu evitar um sentimento de fascínio . Por detrás de a parede estava uma escada em espiral que se movia lentamente para_cima como um elevador . E quando ele e a professora Mc_Gonagall puseram os pés em o primeiro degrau , Harry ouviu a parede fechar se atrás de eles . Subiram em círculos , cada_vez_mais alto até que , por fim , um_pouco tonto , Harry pôde ver uma porta de carvalho reluzente com um puxador de bronze em forma de abutre . Harry calculava onde estava a ser levado . Devia ser ali que morava Dumbledore . XII_A poção * polisuco * Saltaram de a escada de pedra lá mesmo em cima e a professora Mc_Gonagall bateu a a porta . Ela abriu se silenciosamente dando lhes entrada . A professora Mc_Gonagall disse lhe que esperasse e deixou o sozinho . Harry olhou em volta . Uma coisa era certa : de todos o escritórios de professores que conhecia , o de Dumbledor era , de longe , o mais interessante . Se não estivesse com um medo de morte de ser expulso teria adorado explorá o . Era uma sala grande e bonita em forma de círculo que estava cheia de barulhinhos estranhos . Havia um grande número de instrumentos prateados sobre várias mesas de pernas finas que zumbiam emitindo pequenas baforadas de fumo . As paredes estavam cobertas de fotografias de antigos directores e directoras , todos eles a dormir tranquilamente em as suas molduras . Havia ainda uma enorme secretária pés de garra . E , sobre uma prateleira atrás de ela , um chapéu de feiticeiro andrajoso e puído : * o chapéu seleccionador * . Harry hesitou . Lançou um olhar cauteloso a as bruxas e feiticeiros adormecidos a o longo de as paredes . Com certeza não fazia mal se lhe pegasse e o experimentasse só para ver ... só para ter a certeza de que ele o pusera em a equipa certa . Deu a volta a a secretária , retirou o chapéu de a prateleira e baixou o lentamente sobre a cabeça . Era demasiado grande e escorregou lhe para os olhos como de a outra_vez que o tinha posto . Harry olhou para o forro preto , enquanto esperava . Por fim , uma vozinha disse lhe a o ouvido : - Estás com macaquinhos em o sótão , Harry_Potter ? - Er ... sim - balbuciou Harry . - Er ... desculpa incomodar te , queria saber ... - Querias saber se te pus em a equipa certa - disse prontamente o chapéu . - Sim ... tu és particularmente difícil de seleccionar , mas eu mantenho o que disse antes . - O coração de Harry deu um salto . - Terias ficado bem em os Slytherin . Harry sentiu o estômago contorcer se . Agarrou o chapéu por a aba e tirou o de a cabeça . O chapéu seleccionador ficou pendurado em a mão de ele , inerte , desbotado e sujo . Harry voltou a pô o em a prateleira , sentindo se enjoado . - Estás enganado ! - disse em voz alta a o chapéu parado e silencioso , mas ele não se mexeu . Harry recuou para o observar melhor e foi então que ouviu um ruído estranho e grasnado atrás_de si que o fez dar uma volta . Não estava só , afinal_de_contas . Em um poleiro dourado atrás de a porta estava um pássaro de aspecto decrépito que parecia um peru meio depenado . Harry olhou para ele espantado e o pássaro olhou o também , grasnando de_novo . Harry achou que ele devia estar muito doente porque tinha os olhos parados e , enquanto olhava para ele , caíram lhe mais algumas penas de a cauda . Estava justamente a pensar que a única coisa que lhe faltava era que o pássaro de estimação de Dumbledore morresse quando ele estava ali sozinho com ele , em o escritório , quando a ave se incendiou . Harry gritou , em estado de choque , e recuou até a a secretária . Olhava nervosamente em volta , em busca de um jarro de água , mas não viu nenhum . O pássaro , entretanto , transformara se em uma bola de fogo , dera um guincho e , em seguida , desaparecera , deixando apenas um monte de cinzas em o chão . A porta de o escritório abriu se . Dumbledore entrou com ar taciturno . - Professor - gaguejou Harry . - O seu pássaro ... eu não pode fazer nada ... ele incendiou se . Para seu grande espanto , Dumbledore sorriu . - Já não era sem tempo . Estava com um aspecto horrível em os últimos dias . Fartei me de lhe dizer que fizesse qualquer coisa . Riu se entre dentes com a expressão em o rosto de Harry . - A Fawkes é uma fénix , Harry . As fénix ardem quando é altura de morrer e renascem de as cinzas , repara ... Harry olhou mesmo a_tempo_de ver um passarinho recém-nascido , todo enrugado , espetar a cabeça fora de as cinzas . Era quase tão feio como o antigo . - É uma pena que a tenhas conhecido em dia de arder - disse Dumbledore , passando para trás de a secretária . - É muito bonita a maior parte de o tempo , com uma plumagem vermelha e dourada . São criaturas fascinantes , as fénix . Podem transportar cargas pesadíssimas , as suas lágrimas têm propriedades curativas e são animais de estimação extremamente fiéis . Com o choque de a fénix a pegar fogo , Harry esquecera se de o motivo porque ali estava , mas tudo voltou rapidamente quando Dumbledore se instalou em a cadeira de espaldar alto e o fixou com os seus olhos azuis e penetrantes . Contudo , antes que ele tivesse tido tempo de falar , a porta de o escritório abriu se de par em par com um enorme estrondo e Hagrid entrou com um olhar tresloucado , o lenço todo torcido em volta de a cabeça hirsuta e o galo morto ainda pendurado em a mão . - Não foi Harry , professor Dumbledore - disse , aflito . - Eu tinha estado a falar com ele poucos segundos antes de o rapazinho ser encontrado , ele não teve tempo professor ... Dumbledore tentou dizer qualquer coisa , mas Hagrid continuou , abanando o galo em o meio de a sua agitação e espalhando penas por todo o lado . - Não pode ter sido ele . Eu juro em a frente de o ministro de a magia , se for preciso ... - Hagrid , eu ... -- Tem o rapaz errado , professor . Eu sei qu'o Harry nunca ... - Hagrid - disse Dumbledore , elevando a voz . - Eu não penso que o Harry tenha atacado aquelas pessoas . - Oh ! - disse Hagrid , com o galo pendendo inerte a o seu lado . - Certo , ' tão eu espero lá fora , director . E saiu com ar envergonhado . - O senhor não acha que tenha sido eu ? - repetiu Harry cheio de esperança , enquanto Dumbledore sacudia penas de galo de cima de a secretária . - Não , Harry , não acho - afirmou Dumbledore , apesar de a sua expressão ser de_novo sombria . - Mas mesmo_assim quero falar contigo . Harry esperou ansiosamente enquanto o director o observava com as pontas de os dedos longos unidas . - Tenho de saber uma coisa . Harry , há alguma pergunta que queiras fazer me , qualquer que ela seja ? Harry não soube o que dizer . Lembrou se de Malfoy a gritar * _ Vocês serão os próximos , sangues de lama * e de a poção * _ Polisuco * em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Depois pensou em a voz sem corpo que ouvira duas vezes e em o que o Ron dissera * _ Ouvir vozes que ninguém mais ouve não é bom sinal , nem mesmo em o mundo de a feitiçaria * . Pensou também em o que toda_a_gente dizia de ele e em o receio cada_vez maior de ter uma relação qualquer com Salazar_Slytherin ... - Não - disse por fim . - Não há nada , professor . O ataque duplo a Justin e a o Nick quase sem cabeça transformou o que até_então era nervosismo em verdadeiro pânico . Curiosamente fora o destino de o Nick quase sem cabeça o que mais preocupara as pessoas . Quem poderia ter feito aquilo a um fantasma ? - perguntavam uns a os outros . - Que poder terrível era aquele , capaz de afectar alguém que já tinha morrido ? Houve uma precipitação enorme em a marcação de os bilhetes em o Expresso_de_Hogwarts , pois todos os alunos quiseram ir passar o Natal a casa . - Por este caminho , vamos ser os únicos a ficar - disse o Ron a o Harry e a a Hermione . - Nós , o Malfoy , o Goyle e o Crabbe , que férias lindas que vão ser ! Crabbe e Goyle que faziam sempre o que Malfoy fazia , tinham se inscrito para ficar também durante as férias . Mas Harry estava contente por a maior parte se ir embora . Estava farto de ver gente a afastar se em os corredores como_se ele fosse mostrar os dentes ou cuspir veneno . Estava cansado de tantos segredinhos , de os ver apontar e segredar quando passava . O Fred e o George , esses achavam muito divertido . Vinham , de propósito , pôr se a a frente de ele e atravessavam os corredores a gritar : - Abram alas para o herdeiro de Slytherin , vai passar um feiticeiro verdadeiramente cruel . Percy discordava totalmente de este comportamento . - Não é um assunto para se brincar - dizia com frieza . - Sai mas é de o caminho , Percy - dizia o Fred . - O Harry está com pressa . - Sim , ele vai a a Câmara_dos_Segredos tomar uma chávena de chá com o seu servidor dentes de serpente - completava Fred com uma gargalhada . Ginny também não lhes achava graça . - Cala te - gritava ela sempre_que o Fred perguntava em voz alta a o Harry quem estava a pensar atacar a seguir , ou quando George fingia afastá o com um enorme dente de alho . Harry não se importava . Fazia o sentir se melhor o facto de constatar que , pelo_menos para o Fred e para o George , a ideia de ele ser o herdeiro de Slytherin era absolutamente ridícula . Mas as palhaçadas de eles pareciam ofender Draco_Malfoy que , de cada_vez que os via , ficava mais irritado . - É porque está ansioso por dizer que é mesmo ele - disse o Ron com ar conhecedor . - Sabes como ele detesta que alguém o ultrapasse e tu estás a receber todo o crédito por o seu trabalho sujo . - Não vai ser por muito_tempo - disse Hermione com uma voz satisfeita . - A poção * polisuco * está quase pronta . Um de estes dias arrancamos lhe a verdade . Finalmente , o período chegou a o seu termo e um silêncio profundo como a neve em os campos desceu sobre o castelo . Harry adorou a tranquilidade e apreciou o facto de ele , Hermione e os Weasley terem a torre de os Gryffindor por sua conta , poderem jogar a as explosões bem alto , sem incomodar ninguém e praticar duelos entre si . O Fred , o George e a Ginny tinham preferido ficar em a escola a ir com Mr. e Mrs._Weasley a o Egipto visitar o Bill . Percy que reprovava e considerava infantil a conduta de eles , não passava muito_tempo em a sala comum de os Gryffindor . Já lhes dissera pomposamente que só ficara ali em o Natal , por ser sua obrigação como prefeito apoiar os professores em aquela época agitada . A manhã de o dia de Natal clareou branca e fria . Harry e Ron , os únicos que estavam em o dormitório , foram acordados muito cedo por Hermione que entrou , toda vestida , transportando presentes para ambos . - Acordem - disse em voz alta , abrindo os cortinados . - Hermione , tu não devias estar aqui - exclamou o Ron , protegendo os olhos de a luz . - Feliz_Natal para ti também - disse Hermione , atirando lhe o presente que tinha para ele . - Estou acordada há quase uma hora , acrescentando mais asas de renda a a poção . Está pronta . Harry sentou se , subitamente acordado . - Tens a certeza ? - Absoluta - disse ela , afastando o rato Scrabbers para se sentar a os pés de a cama de dossel . - Se vamos mesmo tomá a , acho que devia ser logo a a noite . Em esse momentzo , a Hedwig entrou em o quarto , transportando em o bico um embrulho pequenino . - Olá - disse Harry , feliz a o vê a aterrar em a sua cama . - Já me falas outra_vez ? Ela mordiscou lhe a orelha de uma forma afectuosa que foi , de longe , um presente melhor do_que aquele que transportava e que era afinal de os Dursley . Tinham mandado a Harry um palito para os dentes com um cartão pedindo lhe que se informasse se não poderia ficar , também em o Verão , em Hogwarts . Os outros presentes que Harry recebeu foram bastante melhores . Hagrid mandara lhe uma lata grande de bombons de melaço que ele decidiu amolecer a o lume antes de comer , o Ron deu lhe um livro chamado * _ Voando com Canhões * , que narrava factos interessantes sobre a sua equipa favorita de Quidditch e Hermione trouxera lhe uma luxuosa pena de águia . Harry abriu o último presente onde vinha uma camisola novinha , feita a a mão por Mrs._Weasley e um grande bolo de passas . Pegou em o cartão com uma nova sensação de culpa , pensando em o carro de Mr._Weasley que não voltara a ser visto desde_que chocara contra o salgueiro zurzidor e em a quantidade de infracções que ele e o Ron tinham em mente . Ninguém , nem mesmo os que estavam cheios de medo por terem de tomar a poção * polisuco * a seguir , deixou de adorar o jantar de Natal em Hogwarts . O salão nobre estava magnífico . Não_só havia uma_dúzia de árvores de Natal , cobertas de geada e espessas serpentinas de azevinho e visco bravo cruzando se junto de o tecto como caia uma neve encantada quente e seca . Dumbledore conduziu os em uma de as suas canções de Natal preferidas enquanto Hagrid se agitava , falando cada_vez_mais alto , a cada gole de gemada que tomava . O Percy que não dera por_que Fred enfeitiçara o seu distintivo de prefeito , onde agora podia ler se « cabeça de alfinetes « , continuava a perguntar a todos para_onde estavam a olhar . Harry nem_sequer se importou com os comentários que Draco_Malfoy fazia bem alto , de a mesa de os Slytherin acerca de a sua camisola nova . Com alguma sorte , Malfoy iria ser desmascarado dentro_de algumas horas . Harry e Ron mal tinham acabado a terceira dose de pudim de Natal quando Hermione os fez sair de o salão a a pressa para acabarem de tratar de os planos para essa noite . - Ainda precisamos de um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos - disse com o ar mais natural de este mundo como_se estivesse a mandá os a o supermercado comprar detergente . - E , é claro que o ideal será conseguirmos alguma coisa de o Crabbe e de o Goyle , são os melhores amigos de o Malfoy , ele conta lhes tudo . E precisamos também de ter a certeza de que eles não vão entrar em a sala quando vocês estiverem a interrogar o Malfoy . - Eu tenho tudo pensado - prosseguiu ela , ignorando a expressão estupefacta de Harry e Ron . Pegou em dois apetitosos bolos de chocolate . - Pus lhes um encantamento de sono . Vocês só têm de fazer com que o Crabbe e o Goyle os encontrem . Sabem como eles são gulosos , vão logo comê os . Quando estiverem a dormir , tirem lhes alguns cabelos e escondam nos em uma despensa de vassouras . Harry e Ron olharam , incrédulos , um para o outro . -- Hermione , eu não creio que ... -- Isto pode correr muito mal ... Mas Hermione tinha um brilho inflexível em os olhos que não era muito diferente do_que costumavam ver em o olhar de a professora Mc_Gonagall . - A poção não nos serve de nada sem os cabelos de o Crabbe e de o Goyle - disse com firmeza . - Vocês querem mesmo descobrir coisas sobre o Malfoy , não querem ? - Pronto , está bem - disse Harry . - Mas , e tu , vais arranjar cabelos de quem ? - Eu já tenho esse assunto resolvido - disse Hermione sorridente , tirando um frasquinho de o bolso e mostrando lhes um cabelo que lá estava dentro . - Lembram se de a Millicent_Bulstrode que lutou comigo em o clube de os duelos ? Ela deixou isto em o meu manto quando tentava estrangular me . E foi passar o Natal a casa , portanto , basta me dizer a os Slytherins que decidi voltar . Quando Hermione saiu para verificar de_novo a poção polisuco , Ron voltou se para Harry com uma expressão lúgubre . - Alguma vez viste um plano onde tantas coisas pudessem correr mal ? Mas para grande espanto de ambos , a primeira fase de a operação decorreu tão naturalmente como Hermione previra . Eles esconderam se em o * hall * de entrada , depois de o lanche de Natal , a a espera de o Crabbe e de o Goyle que tinham ficado sozinhos a a mesa de os Slytherin , deitando abaixo a quarta dose de bolo inglês . Harry colocou os bolos de chocolate em o fim de o corrimão . Quando avistaram Crabbe e Goyle a sair de o salão , Harry e Ron esconderam se rapidamente atrás_de uma armadura que estava junto de a porta de entrada . - Como_se pode ser tão estúpido ? - murmurou Ron sem se mexer enquanto Crabbe apontava satisfeitíssimo , mostrando a Goyle os bolos e agarrando os . Com um riso estúpido , enfiaram nos inteiros em as bocas enormes . Durante um momento , ambos mastigaram avidamente com olhares vitoriosos em o rosto . Depois , sem que a expressão se alterasse , caíram para trás e estatelaram se em o chão . Mais difícil foi transportá os para a despensa de o outro lado de o * hall * . Uma_vez armazenados em o meio de os baldes e esfregões , Harry arrancou alguns de os pêlos que cobriam a cabeça de o Goyle e Ron tirou alguns cabelos a o Crabbe . Roubaram lhes também os sapatos porque os de eles eram demasiado pequenos para os enormes pés de o Crabbe e de o Goyle . Em seguida , ainda atordoados com o que tinham acabado de fazer , correram até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mal conseguiam ver com o fumo preto e espesso que saía de o cubículo onde Hermione mexia o caldeirão . Tapando o rosto com os mantos , Harry e Ron bateram a o de leve em a porta . - Hermione ? Ouviram o ruído de o trinco e Hermione apareceu com a cara lustrosa e um ar ansioso . Por trás de ela ouviam o gloop gloop de a poção espessa e gorgolejante . Em o banco de a casa_de_banho estavam três copos de vidro . - Conseguiram ? - perguntou Hermione quase sem fôlego . Harry mostrou lhe o cabelo de o Goyle . - _ óptimo . Eu tirei estes mantos suplementares de a lavandaria - disse ela , pegando em uma pequena saca . - Vocês vão precisar de tamanhos maiores se vão ser o Crabbe e o Goyle . Olharam os três para o caldeirão . Vista de perto , a poção parecia uma lama espessa e escura a borbulhar indolentemente . - Tenho a certeza que fiz tudo certo - disse Hermione nervosa , relendo a página manchada de * _ Moste_Potente_Potions * . - Tem o aspecto que o livro diz que deveria ter ... depois de a tomar temos precisamente uma hora antes de nos transformarmos de_novo em as pessoas que somos . - E agora ? - murmurou o Ron . - Separamos a em três copos e adicionamos os cabelos . Hermione encheu cada_um de os copos com uma concha de sopa . Em seguida , retirou com a mão a tremer o cabelo de Millicent_Bulstrode de dentro de o frasquinho e pô o em o primeiro copo . A poção chiou fortemente como uma chaleira a ferver e espumou como louca . Um segundo depois ganhara um tom de amarelo doentio . - Urgh ! Essência_de_Millicent_Bulstrode - disse Ron , olhando com repugnância . - Aposto que o sabor é nojento . - Deitem os vossos - disse Hermione . Harry deixou cair o cabelo de o Goyle em o copo de o meio e Ron lançou o de o Crabbe em o último . Ambos chiaram e espumaram : o de o Goyle ficou de um tom caqui , o de o Crabbe de um castanho-escuro algo tenebroso . - Esperem - pediu Harry quando Ron e Hermione pegaram em os copos . - Será melhor não os tomarmos aqui todos juntos em um cubículo ; quando em os transformarmos não vamos cá caber e Millicent_Bulstrode não é nenhum duende . - Bem pensado - admitiu o Ron , abrindo a porta . - Cada_um em seu cubículo . Com todo o cuidado , para não entornar nem uma gota de a poção polisuco , Harry esgueirou se para o cubículo de o meio . - Prontos ? - perguntou . - Prontos - responderam as vozes de o Ron e de a Hermione . - Um , dois , três . Tapando o nariz , Harry bebeu a poção em dois grandes tragos . Tinha o sabor de a couve demasiado cozida . Os seus interiores começaram imediatamente a contorcer se como_se tivesse engolido serpentes vivas . Dobrado , Harry perguntava a si próprio se iria vomitar . Depois , uma sensação de ardor espalhou se rapidamente de o estômago até a as pontas de os dedos de as mãos e de os pés . Em seguida , fazendo o sobressaltar se , sobreveio o sentimento horrível de estar a derreter enquanto a pele de todo o seu corpo borbulhava como cera quente e , perante os seus olhos , as mãos começaram a crescer , os dedos a engrossar , as unhas a alargar e as articulações a tornarem se protuberantes como ferrolhos . Os ombros retesaram se dolorosamente e uma comichão em a testa preveniu o de que o cabelo estava a rastejar em direcção a as sobrancelhas . As túnicas rasgaram se enquanto o tórax se expandia como um barril , rebentando com os seus anéis . Os pés estavam em grande sofrimento dentro_de sapatos quatro números abaixo . Tão depressa como começara , tudo parou . Harry estava caído em o chão de pedra fria , ouvindo a Murta_Queixosa gorgolejando taciturna em o cubículo de o fundo . Com alguma dificuldade tirou os sapatos e levantou se . Era então assim que o Goyle se sentia ! Com a mão enorme a tremer , despiu a sua túnica que lhe ficava 30 centímetros acima de os tornozelos , pegou em as túnicas suplementares e amarrou os atacadores de os sapatos abotinados de o Goyle . Quis escovar o cabelo para o afastar um_pouco de os olhos e deu apenas com os pêlos hirsutos que lhe cresciam em a testa . Apercebeu se então de que os óculos lhe toldavam a visão porque o Goyle , obviamente , não precisava de eles . Tirou os e gritou . - Vocês estão bem ? - De a sua boca saiu a voz baixa e grossa de o Goyle . - Sim - respondeu lhe o grunhido de o Crabbe , a a sua direita . Harry abriu a porta de o cubículo e dirigiu se a o espelho partido . O Goyle olhava o de o outro lado com os seus olhos parados . Harry coçou a orelha e Goyle fez o mesmo . A porta de o Ron abriu se . Olharam um para o outro . Harry estava pálido e chocado . O amigo não se distinguia de o Crabbe , desde o corte de cabelo em forma de tigela até a os longos braços de gorila . - É inacreditável - disse o Ron , aproximando se de o espelho e beliscando o nariz achatado de o Crabbe . - Inacreditável ! - É melhor irmos indo - disse Harry , alargando a pulseira de o relógio que lhe cortava o pulso . - Ainda temos de descobrir onde fica a sala comum de Slytherin . Só espero que encontremos alguém que vá para lá e que nós possamos seguir . Ron que tinha estado a olhar espantado para ele , comentou : - Não imaginas como é bizarro ver o Goyle a pensar - bateu em a porta de Hermione . - Vamos , temos que ir ... Respondeu lhe uma voz aguda : - Eu ... eu acho que afinal não vou . Vão vocês sem mim . - Hermione , nós sabemos que a Millicent_Bulstrode é feia , ninguém vai pensar que és tu . - Não , a sério , acho que não vou . Despachem se vocês os dois , estão a perder tempo . Harry olhou para Ron , baralhado . - Aquilo parece mais de o Goyle , é como ele fica sempre_que algum professor lhe faz uma pergunta . - Estás bem , Hermione ? - perguntou Harry , através de a porta . - _ óptima , estou óptima , vão se embora . Harry olhou para o relógio . Cinco preciosos minutos tinham já passado . - Encontramo nos aqui , está bem ? - disse . Os dois abriram a porta de a casa_de_banho com todo o cuidado , viram se o caminho estava livre e saíram . - Não balances assim os braços - disse o Harry a o Ron . - Hein ? - O Crabbe anda sempre com eles esticados . - Assim ? - Isso , assim está melhor . Desceram a escadaria de mármore . Só precisavam agora de um Slytherin que pudessem seguir até a a sala comum , mas não havia ninguém por perto . - Tens alguma ideia ? - perguntou Harry em um murmúrio . - Os Slytherin vêm sempre de ali para o pequeno-almoço - disse o Ron , apontando para a entrada de os calabouços . Mal tinha pronunciado estas palavras quando uma rapariga de cabelo comprido a os caracóis , apareceu . - Desculpa - disse o Ron , sem perder tempo . - Esquecemo nos de o caminho para a nossa sala comum . - Como ? - disse a rapariga com a maior frieza . - A * nossa * sala comum ? Eu sou uma Ravenclaw . Afastou se , olhando para eles , desconfiada . Harry e Ron desceram apressadamente os degraus de pedra até a a escuridão . Os passos ecoavam em o silêncio , à_medida_que os pés enormes de Crabbe e Goyle tocavam em o chão , fazendo os sentir que as coisas não iam ser tão fáceis como eles desejavam . Os corredores labirínticos estavam desertos . Andaram e tornaram a andar por os subterrâneos , olhando constantemente para os relógios para ver quanto tempo ainda lhes restava . Depois de um quarto de hora , quando começavam a ficar desesperados , ouviram um movimento súbito . - Olha - disse o Ron , agitadamente . - Agora é um de eles . A silhueta saía de uma sala , mas quando se aproximaram o coração de ambos esmoreceu . Não era um Slytherin , era Percy . - O que estás a fazer aqui em baixo ? - perguntou o Ron surpreendido . - Isso - disse ele friamente - não é de a tua conta . És o Crabbe , não és ? - Er ... sim , sim - respondeu o Ron . - Então vão para o vosso dormitório - ordenou Percy com firmeza . - Não é seguro andar a passear por os corredores escuros em os dias que correm . - Tu andas -- fez notar o Ron . - Eu - disse o Percy endireitando se - sou um prefeito . Nada vai atacar me . Ouviu se , de repente , uma voz por_detrás_de Harry e Ron . Era_Draco_Malfoy e , pela_primeira_vez em a vida , Harry ficou satisfeito a o vê o . - Aí estão vocês - disse de modo arrastado , olhando para eles . - Têm estado a chafurdar em o salão este tempo todo ? Tenho andado a a vossa procura , quero mostrar vos uma coisa muito divertida . Malfoy olhou misteriosamente para Percy . - E o que fazes tu aqui , Weasley ? - perguntou com ar de desprezo . Percy olhou , sentindo se ultrajado . - Fazes favor de mostrar um_pouco mais de respeito por um prefeito de a escola - disse . - Não gosto de o teu ar . Malfoy riu se e fez sinal a o Harry e a o Ron para que o seguissem . Harry quase ia pedindo desculpa a o Percy , mas deu se conta a tempo . Apressaram se a seguir o Malfoy que disse , mal viraram em o corredor seguinte : - Aquele Peter_Weasley ... - O Percy - corrigiu Ron automaticamente . - Ou isso - continuou Malfoy . - Ultimamente tenho o visto muitas_vezes a andar por aí sorrateiramente e aposto que sei o que ele quer . Pensa que vai apanhar o herdeiro de Slytherin sozinho . Deu uma pequena gargalhada ridícula . Harry e Ron trocaram olhares nervosos . Malfoy parou junto de uma parede de pedra húmida . - Qual é a senha ? - perguntou a o Harry . - Er ... - Ah ! sim , sangue puro - disse Malfoy sem ouvir e uma porta de pedra , oculta em a parede , abriu se . Malfoy entrou e Harry e Ron seguiram o . A sala comum de os Slytherin era uma ampla divisão subterrânea com espessas paredes de pedra e um tecto de o qual estavam pendurados por correntes vários candeeiros redondos que davam uma luz esverdeada . O fogo crepitava em uma lareira elaboradamente esculpida em frente de a qual se viam as silhuetas de vários Slytherins sentados em cadeiras igualmente esculpidas . - Esperem aí - disse Malfoy a o Harry e a o Ron , encaminhando os para um par de cadeiras vazias , longe de o lume . - Eu vou buscar o que o meu pai acaba de me mandar . Sem saber o que Malfoy iria mostrar lhes , Harry e Ron sentaram se , fazendo todos os possíveis por parecer a a vontade . Malfoy voltou um minuto depois , trazendo em a mão o que parecia ser um recorte de jornal . Pô o debaixo de o nariz de o Ron . - Vais te rir - disse . Harry viu os olhos de o Ron abrirem se como_se estivesse em estado de choque . Viu o ler o recorte rapidamente , dar uma gargalhada forçada e estender lhe o em seguida . Tinha sido retirado de o * _ Profeta_Diário * e dizia : inquérito em o ministério de a magia * _ Arthur_Weasley , chefe de o Gabinete_de_Mau_Uso_dos_Utensílios_dos_Muggles foi hoje multado em cinquenta galeões por ter enfeitiçado um carro de os Muggles . * _ O senhor Lucius_Malfoy , Membro_do_Conselho_Directivo_da_Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts , onde o carro enfeitiçado foi chocar em o princípio de este ano , exigiu hoje a demissão de Mr._Weasley . « * _ O_Weasley trouxe o descrédito a o Ministério « - declarou Mr._Malfoy a o nosso repórter . - « É claramente incompetente para fazer cumprir as leis e a sua protecção ridícula de os Muggles deveria ir imediatamente para a sucata . » * _ Mr._Weasley recusou se a fazer comentários , mas a sua mulher disse a os repórteres que desaparecessem de ali ou lançaria contra eles o vampiro de a família * . - Então - disse Malfoy impaciente quando Harry voltou a entregar lhe o recorte . - Não achas o_máximo ? - Ha , ha - fez Harry tristemente . - O Arthur_Weasley gosta tanto de os Muggles que era capaz de partir a sua varinha a o meio para se juntar a eles - disse Malfoy com desprezo . - Ninguém diria que os Weasley eram sangue puro a avaliar por o modo como_se comportam . A cara de o Ron , ou melhor , de o Crabbe , contorceu se de raiva . - O que é_que se passa ? - perguntou Malfoy . - Dores de estômago - gemeu o Ron . - Então vai a a ala hospitalar e dá a todos aqueles sangues de lama um pontapé de a minha parte - disse Malfoy com o seu riso escarninho . - Sabes que estou espantado por o * _ Profeta_Diário * ainda não se ter referido a todos estes ataques - continuou pensativamente . - Calculo que o Dumbledore deve estar a tentar abafar as coisas . Ele ainda é posto em a rua se isto não acaba depressa . O pai sempre disse que Dumbledore foi a pior coisa que aqui veio parar . Ele adora os filhos de os Muggles , um director decente nunca deixaria um lodo como o Creevey entrar em esta escola . Malfoy começou a fingir que tirava fotografias com uma máquina imaginária e fez uma imitação maldosa , mas bastante fiel de o Colin : - Potter , posso tirar te a fotografia ? Dás me um autógrafo ? Posso lamber te os sapatos , por favor , Potter ? Baixou as mãos e olhou para Harry e Ron . - O que é_que se passa com vocês os dois ? Um_pouco atrasados , Harry e Ron forçaram o riso e Malfoy pareceu satisfeito . Talvez Crabbe e Goyle fossem sempre de reacção lenta . - O santo Potter , amigo de os sangues de lama - disse Malfoy . - É outro que não tem os sentimentos de um feiticeiro a sério ou não andaria por aí com aquela empertigada sangue de lama Granger . E as pessoas a pensarem que ele é o herdeiro de Slytherin . Harry e Ron esperaram com a respiração entrecortada : o Malfoy ia certamente dizer lhes , dentro_de segundos , que era ele , mas então ... - Quem me dera saber quem ele é - disse o Malfoy , de forma petulante . - Podia ajudá o . O queixo de o Ron caiu de tal maneira que a cara de o Crabbe ficou ainda mais desajeitada do_que era habitual . Felizmente Malfoy não deu por nada e Harry , em um pensamento rápido , disse : - Deves ter alguma ideia de quem está por_detrás_de tudo ... - Sabes perfeitamente que não tenho , Goyle , quantas vezes é preciso dizer te ? - cortou Malfoy . - E o pai também não me diz nada sobre a última vez que a câmara foi aberta . É claro que foi há cinquenta anos , antes de ele cá andar , mas o pai sabe tudo a esse respeito e diz que as coisas foram mantidas em grande segredo e que pareceria suspeito se eu soubesse demasiado . Mas há uma coisa que eu sei : de a última vez que a câmara foi aberta , morreu um sangue de lama . Por isso , aposto que é uma questão de tempo até que um de eles seja morto . Só espero que seja a Granger - disse satisfeito . Ron fechara os punhos gigantescos de o Crabbe . Sentindo que deitaria tudo a perder se ele desse um soco a o Malfoy , Harry lançou lhe um olhar de aviso e disse : - Sabes se a pessoa que abriu a câmara de a última vez foi apanhada ? - Ah ! sim , essa pessoa foi expulsa - disse Malfoy . - Ainda deve estar em Azkaban . - Azkaban ? - repetiu Harry confuso . - Azkaban , a prisão de os feiticeiros , Goyle - disse Malfoy , olhando para ele incrédulo . - Francamente , se fosses mais lento andavas para trás . Esticou se intranquilo , em a cadeira e disse : - O pai diz para eu esfriar a cabeça e deixar que o herdeiro de Slytherin faça o seu trabalho . Acha que a escola precisa de se livrar de a escória de os sangues de lama , mas não quer que eu me envolva em nada . Claro que ele agora tem um prato cheio . Sabes que o Ministério de a magia fez uma busca a a nossa mansão em a semana passada ? Harry tentou forçar a cara de bronco de o Goyle a uma expressão preocupada . - Sim - continuou Malfoy . - É claro que não encontraram grande coisa . O pai guarda uns materiais de magia negra muito valiosos , mas , felizmente , temos a nossa câmara secreta debaixo de o soalho de a sala de visitas ... - Ah ! - disse o Ron . Malfoy olhou para ele . Harry também . Ron corou e até o cabelo começou a ficar vermelho . O nariz estava também a diminuir lentamente ... a hora tinha acabado . Ron estava a voltar a a sua forma habitual e por o olhar de horror que lançou a Harry certamente ele também estava . Puseram se rapidamente de pé . - Tenho de tomar o remédio para o estômago - grunhiu o Ron e sem mais explicações saíram ambos a correr de a sala comum de os Slytherin , precipitaram se para a parede de pedra e galgaram a passagem , pedindo a todos os santos que Malfoy não tivesse dado por nada . Harry sentia os pés a nadarem em os sapatos enormes de o Goyle e tinha de levantar o manto visto_que diminuíra de tamanho . Subiram os degraus a correr até a o * hall * escuro de entrada onde se ouvia um som abafado que vinha de a despensa onde tinham fechado o Crabbe e o Goyle . Deixando os sapatorros de os dois de o lado de_fora , subiram já com os respectivos sapatos a escadaria de mármore até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Bem , não foi uma total perda de tempo - disse o Ron ofegante , fechando atrás_de si a porta de a casa_de_banho . - É certo que ainda não descobrimos de quem vêm os ataques , mas vou escrever a o meu pai amanhã a dizer lhe que procure debaixo de o soalho de a sala de visitas de o Malfoy . Harry olhou para o espelho partido . Tinha voltado a o normal . Pôs os óculos enquanto Ron batia em a porta de o cubículo de Hermione . - Hermione , sai de aí , temos um monte de coisas para te contar ... - Vão se embora - guinchou Hermione . Harry e Ron olharam um para o outro . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron . - Tu já deves ter voltado a o normal como nós ... Mas a Murta_Queixosa saiu subitamente através de a porta de o cubículo com um ar divertido como nunca a tinham visto . - Oh ! Esperem até ver - disse ela . - É horrível ! Ouviram o trinco de a porta a abrir se e Hermione apareceu a soluçar , a túnica levantada a cobrir lhe o rosto . - O que foi ? - perguntou o Ron indistintamente . - Ainda tens o nariz de a Millicent ou alguma coisa assim ? Hermione deixou cair a roupa e Ron recuou rapidamente . O rosto de ela estava coberto de pêlo preto , os olhos tinham ganho uma cor amarela e as orelhas eram pontiagudas , saindo espetadas para fora de os cabelos . - Era um pêlo de g-gato - disse a chorar . - A Millicent_Bulstrode d-deve ter um gato e a poção não está preparada para transformação em animais . - Oh-oh - disse o Ron . - Vão te gozar horrivelmente - disse a Murta , felicíssima . - Não te preocupes , Hermione - tranquilizou a rapidamente o Harry . - Vamos levar te para a ala hospitalar , a Madam_Pomfrey nunca faz muitas perguntas ... Não foi fácil convencer Hermione a sair de a casa_de_banho . A Murta_Queixosa despediu se com uma gargalhadavigorosa e grosseira . - Espera até todos descobrirem que tens uma cauda ! XIII_O diário muito secreto Hermione ficou em a ala hospitalar durante várias semanas . Houve uma onda de boatos sobre o seu desaparecimento quando o resto de os alunos voltou de as férias de Natal porque , é claro , todos pensam que ela tinha sido atacada . Foram tantos os estudantes a rondar a ala hospitalar para espreitar a ver se a viam que Madam_Pomfrey desceu de_novo as cortinas de a cama de ela para a poupar a a vergonha de ser vista com pêlo em a cara . Harry e Ron iam visitá a todas_as tardes . Quando o segundo período começou passaram a levar lhe diariamente os trabalhos de casa . - Se eu tivesse o bigode a crescer , tinha uma folga de o trabalho - disse uma tarde o Ron enquanto colocava uma pilha de livros a a cabeceira de a cama de Hermione . - Não sejas parvo , Ron , eu tenho de me manter a par de as coisas - disse Hermione com vivacidade . O humor de ela melhorara bastante com o facto de lhe ter desaparecido todo o pêlo de o rosto e de os olhos estarem lentamente a retomar a cor castanha . - Calculo que não tenham novas pistas ? - disse em um murmúrio para evitar que Madam_Pomfrey os ouvisse . - Nada - disse Harry tristemente . - Eu tinha tanta certeza de que era o Malfoy - repetiu o Ron por a centésima vez . - O que é isso ? - perguntou Harry , apontando para uma coisa com brilho dourado que estava debaixo de a almofada de Hermione . - É só um cartão a desejar boas melhoras - disse ela precipitadamente , tentando escondê o , mas o Ron foi mais rápido . Pegou lhe , abriu o e leu em voz alta : * _ Para_Miss_Granger , desejando lhe uma rápida recuperação , com o interesse e estima de o professor Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , Terceiro grau , Membro_Honorário_da_Liga_de_Defesa contra as Artes_Negras e vencedor por cinco vezes de o prémio O sorriso mais charmoso de a semana de o Semanário_das_Bruxas * . Ron olhou desconsolado para Hermione . - Tu dormes com isto debaixo de a almofada ? Mas Hermione foi poupada a ter de responder por a entrada de Madam_Pomfrey que lhe trazia a dose de medicamento de a tarde . - Achas que o Lockhart é o tipo mais esperto que conheceste ? - perguntou o Ron a o Harry quando saíram de a enfermaria e começavam a subir as escadas para a torre de os Gryffindor . O Snape tinha lhes passado tanto trabalho para_casa que Harry pensou que ia chegar a o sexto ano antes de o ter acabado . Ron vinha a dizer que devia ter perguntado a a Hermione quantas caudas de rato deveria juntar se a uma poção para o crescimento de o cabelo quando um grito de raiva vindo de o andar de cima lhes chegou a os ouvidos . - É o Filch - murmurou Harry enquanto subiam apressadamente as escadas e paravam para ouvir melhor . - Terá mais alguém sido atacado ? - disse nervosamente o Ron . Ficaram parados com as cabeças inclinadas para a voz de o Filch que parecia quase histérica . -- ... * _ Ainda mais trabalho para mim . Toda_a noite a esfregar como_se não tivesse já trabalho de sobra . Não , isto foi a gota de água que fez transbordar o copo , vou falar com Dumbledore * ... Os passos afastaram se e ouviram uma porta fechar se com grande estrondo . Puseram as cabeças fora de a esquina . O Filch tinha obviamente estado a patrulhar o seu habitual posto de vigia : estavam novamente em o lugar onde Mrs._Norris fora atacada . Perceberam imediatamente qual o motivo de os gritos . Uma enorme poça de água enchia metade de o corredor e parecia escorrer de a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Agora_que o Filch se calara podiam ouvir os uivos de a Murta que faziam eco em as paredes de a casa_de_banho . - Mas o que se passará com ela ? - disse o Ron . - Vamos lá ver - sugeriu Harry e arregaçando as túnicas até a os tornozelos entraram , atravessando a enorme poça de água , em a casa_de_banho que tinha o letreiro a dizer « Fora de serviço » e que eles , como sempre , ignoraram . A Murta_Queixosa chorava , se possível , mais alto do_que nunca . Parecia estar escondida em o cubículo de o costume . Lá dentro estava escuro pois as velas tinham se apagado com a enchente de água que deixara as paredes e o chão ensopado . - O que se passa , Murta ? - quis saber o Harry . - Quem é ? - perguntou ela infelicíssima . - Vieste atirar me mais alguma coisa acima ? Harry caminhou com dificuldade por causa de a água até a o cubículo de ela e disse : - Porque te faríamos nós uma coisa de essas ? - Não me perguntem - gritou a Murta , emergindo em uma onda de água que molhou ainda mais o chão já ensopado . - Eu estou aqui metida em a minha morte e alguém acha muito engraçado atirar me com um caderno acima ... - Mas , não pode magoar te se alguém te atirar alguma coisa acima - disse Harry , tentando ser prático . - Isto_é , seja o que for passa através_de ti , não é assim ? Tinha dito a frase errada . A Murta encheu o peito de ar e gritou a plenos pulmões : - Vamos todos atirar cadernos a a Murta já_que ela não sente nada ! Dez pontos se lhe acertarem em o estômago , cinquenta se lhe atravessar a cabeça ! Hah hah hah , que jogo lindo , não acham ? - Quem te atirou um caderno , afinal ? - perguntou o Harry . - Não sei ... eu estava sentada em a sanita a pensar em a morte e caiu me em cima de a cabeça - disse a Murta , olhando para eles . - Está ali , ficou todo molhado . Harry e Ron olharam para o ponto que a Murta lhes apontava debaixo de o lavatório . Um caderno pequenino e fino estava caído em o chão . Tinha uma capa preta muito gasta e estava encharcado como tudo em aquela casa_de_banho . Harry deu um passo em frente para o apanhar , mas o Ron agarrou lhe precipitadamente o braço . - O que foi ? - perguntou Harry . - Estás doido - disse ele . - Pode ser perigoso . - Perigoso ? - riu se Harry . - Essa agora Ron , como é_que pode ser perigoso ? - Ficarias surpreendido ... - explicou ele , olhando com ar apreensivo para o caderno . - Entre os livros que o Ministério confiscou , contou me o meu pai , havia um que queimava os olhos a as pessoas . E todos os que leram os * _ Sonetos_de_Um_Feiticeiro * ficaram a falar em verso para o resto de a vida . Havia também uma bruxa em Bath que tinha um livro que quem o lesse nunca mais conseguia parar , tinha de andar por aí com o nariz enfiado em as folhas , a fazer todas_as coisas só com uma mão e ... - Já chega , já chega , já percebi a tua ideia - disse O_Harry . O caderninho continuava caído e ensopado . - Bem , nunca saberemos a_não_ser_que tenhamos a coragem de dar uma vista de olhos - disse e mergulhou apanhando o de o chão . Harry viu imediatamente que se tratava de um diário e a data meio apagada , em a capa , disse lhe que tinha cinquenta anos de idade . Abriu o ansiosamente . Em a primeira página podia ler se apenas o nome T._M._Riddle em tinta esborratada . - Espera aí - disse o Ron que se aproximara prudentemente e olhava por cima de o ombro de Harry . - Eu conheço esse nome ... T._M._Riddle recebeu um prémio por serviços especiais prestados a a escola há cinquenta anos atrás . - Como diabo sabes tu isso ? - perguntou Harry com grande espanto . - Porque o Filch mandou me limpar a taça de ele umas cinquenta vezes quando estive de castigo - disse o Ron ressentido . - Foi a taça em cima de a qual eu vomitei lesmas . Se tivesses tido que limpar o muco de um nome durante uma hora também te lembrarias . Harry separou umas de as outras as páginas molhadas . Estavam completamente em branco . Não havia o mais leve sinal de escrita em nenhuma , nem coisas como « Aniversário de a tia Mabel « ou « Dentista a as três_e_meia » . - Ele nunca escreveu nada aqui - disse Harry desapontado . - Porque quereria alguém atirá o fora ? - perguntou se o Ron com curiosidade . Harry voltou o caderno e viu , inscrito em a contra capa , o nome de uma tabacaria em Vauxhall_Road , Londres . - Ele devia ser filho de Muggle - disse Harry pensativo - para ter comprado um diário em Vauxhall_Road ... - Bem , não te serve de muito - Ron baixou a voz . - Cinquenta pontos se acertares em o nariz de a Murta . Harry , mesmo_assim , guardou o diário . Hermione saiu de a ala hospitalar desbigodada , sem cauda e sem pêlo em os primeiros dias de Fevereiro . Em a primeira noite em a torre de os Gryffindor , Harry mostrou lhe o diário de T._M._Riddle e contou lhe como o tinham encontrado . - Ooooh ! Deve ter poderes ocultos - disse ela entusiasticamente , pegando em o diário e examinando o de perto . - Se tem , esconde os muito bem - disse Ron . - Talvez fosse tímido . Não sei porque não deitas isso fora , Harry . - Gostava de perceber porque motivo alguém se quis livrar de ele - explicou Harry . - E também não me importava de saber como foi que o Riddle obteve esse prémio de serviços especiais prestados a Hogwarts . - Pode ter sido qualquer coisa - lançou o Ron . - Talvez tenha recebido 30 de nota final ou salvo um professor de a lula gigante . Se_calhar assassinou a Murta , isso teria sido um favor prestado a todos ... Mas Harry quase podia jurar , por o olhar suspenso em a cara de Hermione , que ela pensava o mesmo_que ele . - O que foi ? - perguntou Ron , olhando para um e para o outro . - Bem , a Câmara_dos_Segredos foi aberta há cinquenta anos , não foi isso que disse o Malfoy ? - Sim - respondeu Ron , lentamente . - E este diário tem cinquenta anos de idade - completou Hermione , dando lhe palmadinhas nervosas . - E de aí ? - Oh Ron , acorda - insistiu Hermione . - Sabemos que a pessoa que abriu a câmara de a outra_vez foi expulsa há cinquenta anos . E se o Riddle tivesse tido o prémio especial por apanhar o herdeiro de Slytherin ? O seu diário diria nos provavelmente tudo : onde é a Câmara_dos_Segredos , como abris a e que tipo de criatura vive lá . Achas que a pessoa que está por trás de os ataques desta_vez quereria o diário por aí ? - É uma teoria interessante , Hermione - disse o Ron . - Apenas com uma pequenina falha : o diário não tem nada Mas_Hermione já estava a tirar a varinha de o saco . - Pode ser tinta invisível - murmurou . Bateu três vezes em o diário e repetiu * _ Aparecium ! * Nada aconteceu . Intrépida , Hermione meteu a mão de_novo em o saco e tirou o que parecia ser uma borracha vermelha e brilhante . - É um * revelador * , comprei o em a Diagon - _ Al - disse . Apagou com força em 1_de_Janeiro . Não sucedeu nada . - Já vos disse , não há nada aí - repetiu o Ron . - O Riddle deve ter recebido um diário como prenda de Natal e nem se deu a o trabalho de escrever fosse o que fosse . Harry não conseguia explicar , nem a si próprio , porque motivo não deitara fora o diário de Riddle . A verdade é_que , mesmo depois de saber que ele estava em branco , continuou distraidamente a pegar lhe e a virar as páginas como_se quisesse chegar a o fim de uma história . E , apesar_de saber que nunca tinha ouvido o nome T._M._Riddle , continuava a ter a sensação de que lhe dizia alguma coisa , como_se Riddle fosse um amigo que ele tinha tido quando era muito pequeno e que estivesse meio esquecido . Mas era um absurdo . Nunca tivera amigos antes de Hogwarts , Dudley tivera esse cuidado . Ainda_assim , Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle , por isso em o dia seguinte foi até a a sala de os troféus para examinar a taça , acompanhado de Hermione que estava interessadíssima e de Ron que se mostrava profundamente incrédulo , dizendo que tinha ficado farto de aquela sala até a o fim de a vida . A taça dourada de Riddle estava arrecadada em um armário de canto . Não fornecia detalhes sobre o motivo por_que lhe fora dada ( felizmente , se fosse maior ainda hoje estava a limpá a , disse o Ron ) . Mas encontraram o nome de Riddle em uma antiga medalha de Mérito_Mágico e em uma lista de antigos chefes de turma . - Parece o Percy - comentou Ron , torcendo o nariz com aversão . - Prefeito , chefe de turma , provavelmente o melhor em todas_as disciplinas . - Dizes isso como_se fosse uma coisa má - fez lhe notar Hermione , em um tom de voz ressentido . Um sol fraco brilhava agora de_novo em Hogwarts . Dentro de o castelo , o ambiente estava bastante melhor . Não tinha havido novos ataques desde Justin e Nick quase sem cabeça e Madam_Pomfrey teve a satisfação de informar que as Mandrágoras começavam a ficar instáveis e dissimuladas , sinal de que estavam a abandonar rapidamente a infância . - Logo_que o acne desapareça estarão prontas para novo transplante - ouviu a Harry dizer amavelmente a o Filch . - E depois de isso , não demorará muito até podermos cortá as e estufá as . - Vai ter Mrs._Norris de volta , muito em_breve . Talvez o herdeiro ou herdeira de Slytherin tenha perdido a coragem , pensou Harry . Deve ser cada_vez_mais arriscado abrir a Câmara_dos_Segredos com a escola tão alerta e desconfiada . Talvez o monstro , qualquer_que_fosse , estivesse a preparar se para hibernar durante outros cinquenta anos . Ernie_Mcmillan_dos_Hufilepuff não aceitou esta visão optimista . Continuava convencido de que Harry era o culpado , que se tinha traído em o clube de os duelos . Peeves não ajudava nada : continuava a cantar por os corredores Potter , * seu bandido * ... agora acompanhado de um esquema de dança . Gilderoy_Lockhart parecia pensar que fora ele quem pusera fim a os ataques . Harry fartou se de o ouvir dizer isso a a professora Mc_Gonagall enquanto os Gryffindor formavam bicha para a aula de Transfiguração . - Não creio que volte a haver problemas , Minerva - disse , tocando em o nariz com ar conhecedor e piscando o olho . - Acho que desta_vez a câmara foi definitivamente selada . O culpado deve ter sabido que era uma questão de tempo até eu o apanhar e que era mais sensato parar agora antes que eu lhe tratasse de a saúde . Sabe , a escola está a precisar de um intensificador de animo para apagar as lembranças de o último período . Não vou dizer lhe mais_nada , por enquanto , mas julgo que sei o que ... Voltou a tocar em o nariz e afastou se a passos largos . A ideia de Lockhart de um intensificador de ânimo ficou bastante clara em o dia_14_de_Fevereiro , a o pequeno-almoço . Harry não dormira grande coisa devido a o treino de Quidditch em a noite anterior e chegou a o salão um_pouco atrasado . Pensou , por momentos , que se tinha enganado em a porta . As paredes estavam todas cobertas com enormes e medonhas flores cor-de-rosa . Pior ainda , * confettis * em forma de corações caíam de o tecto azul pálido . Harry dirigiu se a a mesa de os Gryffindor onde o Ron estava sentado com um ar enjoado junto de Hermione que parecia particularmente risonha . - O que se passa ? - perguntou lhes , sentando se e sacudindo os * confettis * de o seu bacon . Ron apontou para a mesa de os professores , com um ar demasiado repugnado para falar . Lockhart , em as suas vestes rosa vivo , a condizer com a decoração de o salão , fazia sinal para que se calassem . Os professores que o ladeavam tinham um ar estupefacto . De o seu lugar , Harry podia ver um músculo mover se em a bochecha de a professora Mc_Gonagall . Snape estava com ar de quem tomou uma imensa dose de xarope * skele-gro * . - Feliz dia de S._Valentim - gritou Lockhart . - E permitam me que agradeça a as quarenta_e_seis pessoas que até agora me enviaram cartões . Sim , fui eu quem tomou a liberdade de vos fazer esta pequena surpresa , e ela não acaba aqui ! Lockhart bateu as palmas e por as portas de o * hall * entraram a marchar cerca de uma_dúzia de duendes de aspecto carrancudo . Não eram uns duendes quaisquer , diga se de passagem . Lockhart fizera os usar asas douradas e transportar harpas . - Os meus amigos cupidos , portadores de os cartões ! gritou Lockhart . - Eles vão andar por a escola durante o dia de hoje , entregando os vossos cartões de S._Valentim . E o divertimento não acaba aqui . Tenho a certeza de que os meus colegas vão querer participar em este espírito de festa . Porque não pedir a o professor Snape que vos mostre como preparar rapidamente uma poção de amor . E , enquanto ele a prepara , está aqui o professor Flitwick que é de todos os feiticeiros que conheci aquele que mais sabe de encantamentos de sedução , o grande safado ! O professor Flitwick enterrou o rosto em as mãos . Snape olhava como_se quisesse dar veneno a a primeira pessoa que fosse pedir lhe a poção de o amor . - Por favor , Hermione , diz me que não foste uma de as quarenta_e_seis - pediu Ron quando saíram de o salão para a primeira aula . Mas Hermione ficou subitamente muito interessada em procurar o horário dentro de a mala e não lhe respondeu . Durante todo o dia os duendes não pararam de se intrometer em as aulas para entregar cartões , para grande aborrecimento de os professores e , ao_fim_da_tarde , quando os Gryffindor subiam as escadas para a aula de encantamentos , um de eles avistou o Harry . - Hei , tu , Harry_Potter ! - gritou um duende de aspecto particularmente lúgubre , dando cotoveladas a_toda_a gente para se aproximar de o Harry . Coradíssimo com a ideia de receber um cartão de S._Valentim diante_de uma fila de alunos de o primeiro ano que , por acaso , incluía Ginny_Weasley , Harry tentou escapar se . Mas o duende cortou lhe o caminho através de a multidão e agarrou o em três tempos . - Tenho uma mensagem musical para entregar a Harry_Potter em pessoa - disse , tangendo a harpa de forma ameaçadora . - Aqui não - disse baixinho o Harry , tentando escapar . - Fica quieto - grunhiu o duende , agarrando o saco de o Harry e puxando com força . - Larga me - disse ele rispidamente , dando um puxão . Com um ruído de tecido a rasgar se , o saco dividiu se em dois . Os livros de Harry , varinha , pergaminho e pena espalharam se por o chão enquanto o tinteiro se partia em cima de as outras coisas . Harry pôs se de gatas , tentando apanhar tudo antes que o duende começasse a cantar , provocando um engarrafamento em o corredor . - O que se passa aqui ? - perguntou a voz fria e afectada de Draco_Malfoy . Harry , nervosíssimo , começou a guardar tudo dentro de o saco rasgado , desesperado para sair de ali antes que Malfoy pudesse ouvir o seu S._Valentim musical . - Que confusão é esta ? - disse outra voz familiar . Percy_Weasley tinha chegado . De cabeça perdida , Harry tentou fugir , mas o duende agarrou o por os joelhos e fê lo cair a o chão . - Certo - disse , sentando se em os tornozelos de Harry . Eis o teu cartão musical : * _ Os olhos de ele são verdes como o sapo de o quintal * _ O seu cabelo é escuro como um temporal * _ É um desatino , oh ! ele é divino ! * _ O herói que venceu o Senhor_do_Mal * . Harry teria dado todo o ouro de Gringotts para se evaporar em aquele momento . Tentando corajosamente rir se com todos os outros , levantou se . Sentia os pés dormentes de o peso de o duende . Enquanto isso , Percy_Weasley fazia todos os possíveis por dispersar a multidão onde havia gente que chorava de hilaridade . - Vamos embora , vamos embora , a campainha tocou há cinco minutos para as aulas - dizia , enxotando alguns de os alunos mais novos . - E tu , Malfoy . Harry olhou e viu Malfoy inclinar se , apanhar qualquer coisa e com um olhar maldoso mostrá a a Crabbe e Goyle . Percebeu que era o diário de Riddle . - Dá cá isso - exigiu com toda_a calma . - O que será que o Potter escreveu aqui ? - disse Malfoy que obviamente não reparara em a data e pensou que tinha em as mãos o diário de o Harry . Houve uma agitação em os presentes . Ginny olhava apavorada para o diário e para Harry . - Dá lhe isso , Malfoy - disse Percy com firmeza . - Depois de dar uma vista de olhos - retorquiu Malfoy , acenando a Harry com o diário de forma provocatória . Percy disse : - Como Prefeito de a escola ... - mas Harry perdera a paciência . Pegou em a varinha e gritou * _ Expelliarmus * e assim_como Snape desarmara Lockhart , MalLoy viu o diário saltar lhe de as mãos e elevar se em o ar enquanto Ron o apanhava sorridente . - Harry - disse Percy levantando a voz . - Não quero magia em os corredores . Vou ter de participar isto , sabes perfeitamente . Mas Harry não se importou . Tinha ganho uma_vez a Malfoy e isso valia bem cinco pontos a menos para os Gryffindor . Malfoy estava furioso e quando a Ginny passou por ele a caminho de a sala de aula , gritou lhe com desprezo : - Não creio que o Potter tenha gostado lá muito de o teu cartão de S._Valentim . Ginny tapou a cara e correu para a aula . Aborrecido , Ron pegou também em a varinha , mas Harry afastou o . Era melhor que ele não passasse a aula de encantamentos a vomitar lesmas . Só quando entraram em a sala de aula de o professor Flitwick é_que Harry reparou em uma coisa bastante estranha em o diário de Riddle . Todos os outros livros estavam cheios de tinta vermelha , mas o diário mantinha se tão limpo como antes de o tinteiro se ter entornado em cima de ele . Tentou chamar a atenção de Ron para este facto , mas ele estava novamente a ter um problema com a varinha : de a extremidade saíam grandes bolhas roxas e ele não parecia interessado em mais_nada . Em essa noite , Harry foi deitar se antes de os outros companheiros de dormitório , em parte porque já não conseguia suportar o Fred e o George a cantarem * _ Os seus olhos são verdes como o sapo de o quintal * e em parte porque queria voltar a examinar o diário de Riddle e sabia que em a opinião de o Ron era uma pura perda de tempo . Sentou se em a cama de dossel e folheou as páginas em branco em as quais não se via uma única mancha de tinta escarlate . Tirou então outro tinteiro de o armário a o lado de a cama , molhou a pena e deixou cair um borrão em a primeira página de o diário . A tinta brilhou em o papel durante um segundo e , em seguida , como_se a página a tivesse sugado , desapareceu sem deixar rasto . Depois , finalmente , algo aconteceu . Deslizando sobre a página em a cor de a sua tinta , surgiram palavras que Harry não escrevera . - * _ Olá_Harry_Potter . O meu nome é Tom_Riddle . Como é_que encontraste o meu diário ? * Também estas palavras desapareceram , mas não sem que Harry tivesse respondido . - Alguém tentou lançá o em uma sanita . Esperou ansiosamente por a resposta de Riddle . - * _ Felizmente guardei as minhas memórias de uma forma mais duradoura do_que a tinta . Mas sempre soube que haveria quem não iria querer que o diário fosse lido . * - O que queres dizer com isso ? - escrevinhou Harry , borrando a página com o nervosismo . - * _ Quero dizer que este diário contém memórias de coisas terríveis . Coisas que foram abafadas . Coisas que aconteceram em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . * - É onde eu estou agora - escreveu Harry rapidamente . - Estou em Hogwarts e estão a acontecer coisas horríveis . Sabes alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? O coração parecia querer saltar lhe de o peito . A resposta de Riddle não se fez esperar , a letra tornara se mais desordenada como_se tivesse pressa em contar lhe tudo_o_que sabia . - * _ É claro que sei de a Câmara_dos_Segredos . Em o meu tempo diziam nos que era uma lenda , que não existia , mas era mentira . Quando eu estava em o quinto ano a Câmara_dos_Segredos foi aberta e o monstro atacou vários estudantes , acabando matar um . Eu apanhei a pessoa que abriu a câmara e ele foi expulso . Mas o director , o professor Dippet , envergonhado por uma coisa de aquelas ter acontecido em Hogwarts , proibiu me de contar a verdade . Foi divulgada uma história dizendo que a rapariga morrera de um acidente extravagante . Deram me um troféu brilhante com o meu nome gravado e avisaram me para ficar calado . Mas eu sabia que ia voltar a acontecer . O monstro sobreviveu e aquele que tinha o poder para o libertar não foi para a prisão . * Harry quase entornou o tinteiro em a pressa de responder . - Está a acontecer outra_vez . Houve três ataques e ninguém parece saber quem está por_detrás_de tudo_isto . Quem foi de a última vez ? - * _ Posso mostrar te , se quiseres * - foi a resposta de o Riddle . - * _ Não tens de acreditar só em a minha palavra . Posso levar te a o fundo de a minha memória de a noite em que o apanhei . * Harry hesitou com a pena em o ar sobre o diário . O que quereria ele dizer ? Como poderia entrar em a memória de outra pessoa ? Olhou inquieto para a porta de o dormitório que começava a ficar escuro . Quando pôs de_novo os olhos em o diário viu as palavras que se formavam . - * _ Deixa-me mostrar te . * Harry parou durante uma fracção de segundo e depois escreveu duas letras . - O. _ K._As páginas de o diário começaram a esvoaçar como_se tivessem sido apanhadas em uma ventania , parando a meio de o mês_de_Junho . Boquiaberto , Harry viu que o quadradinho de 13_de_Junho se transformara em um pequeno ecrã de televisão . Com as mãos ligeiramente trémulas levantou o livro para encostar os olhos a a janelinha e antes de perceber o que estava a passar se , deu consigo inclinado para a frente com a janela a abrir se . O corpo abandonava a cama e era lançado de cabeça , por a abertura de a página , em um turbilhão de cor e sombras . Sentiu os pés tocarem em terra firme e pôs se de pé a tremer enquanto as formas desfocadas se tornavam subitamente nítidas . Soube imediatamente onde estava . Aquela sala circular com os retratos adormecidos era o escritório de Dumbledore , mas não era Dumbledore quem estava atrás de a secretária . Um feiticeiro mirrado , de aspecto débil e quase careca lia uma carta a a luz de as velas . Harry nunca vira aquele homem antes . - Desculpe - disse com a voz a tremer . - Eu não queria intrometer me ... Mas o feiticeiro não olhou . Continuou a ler , franzindo levemente as sobrancelhas . Harry aproximou se de a secretária e gaguejou : - Er ... eu vou me embora , está bem ? E o feiticeiro continuou a ignorá o . Parecia nem_sequer ter ouvido . Pensando que talvez ele fosse surdo , Harry falou mais alto . - Desculpe tê o incomodado - disse quase a gritar . O feiticeiro dobrou a carta com um suspiro . Pôs se de pé , passou por Harry sem olhar para ele e foi abrir os cortinados de a janela . O céu , lá fora , estava vermelho-rubi . Devia ser o pôr de o Sol . O feiticeiro voltou para a secretária , sentou se e girou os polegares , olhando para a porta . Harry olhou em volta . Não viu Fawkes , a fénix , nem as engenhocas prateadas que sibilavam . Aquela Hogwarts era a que Riddle conhecera e , portanto , aquele feiticeiro desconhecido era o director de então , não Dumbledore e ele , Harry , era pouco mais que um fantasma , totalmente invisível a as pessoas de há cinquenta anos atrás . Alguém bateu a a porta . - Entre - disse o velho feiticeiro , em uma voz fraca . Um rapazinho de dezasseis anos entrou , tirando o chapéu pontiagudo . Em o seu peito brilhava um distintivo prateado de prefeito . Era muito mais alto do_que Harry , mas tinha , tal_como ele , cabelo preto asa de corvo . - Ah ! Riddle - disse o director . - Queria falar comigo , professor Dippet ? - perguntou ele com ar nervoso . - Senta te - disse Dippet . - Tenho estado a ler a carta que me mandaste . - Oh ! - exclamou Riddle , sentando se e apertando as mãos uma contra a outra . - Meu rapaz - disse Dippet amavelmente . - Eu não posso deixar te ficar em a escola durante o Verão . Com certeza queres ir para_casa em as férias ? - Não - respondeu Riddle , sem perder tempo . - Prefiro mil vezes ficar em Hogwarts a ter de voltar a aquela ... aquela ... - Tu vives em um orfanato de Muggles durante as férias , não é assim ? - perguntou Dippet com curiosidade . - Sim senhor - disse Riddle , corando um_pouco . - És filho de Muggles ? - Meio sangue , professor - explicou Riddle . - Pai_Muggle , mãe bruxa . - E o teu pai e a tua mãe ... - A minha mãe morreu pouco depois de eu nascer , professor , contaram me em o orfanato que só teve tempo de me dar o nome : Tom , como o meu pai , Marvolo como o meu avô . Dippet estalou a língua solidariamente . - O que acontece , Tom - suspirou - é_que ... podia ter se arranjado uma situação especial para ti , mas em as circunstâncias actuais ... - Refere se a os ataques , professor ? - perguntou Riddle e o coração de Harry deu um salto , aproximando se com medo de perder alguma coisa . - Precisamente - disse o director . - Meu rapaz , compreendes que seria uma imprudência de a minha parte deixar te ficar em o castelo quando o período acabar , principalmente a a luz de a recente tragédia ... a morte de aquela pobre moça ... estarás sem dúvida em maior segurança em o orfanato . Em a verdade , o ministro de a magia até fala em fechar a escola . Não estamos nada perto_de localizar ... er ... a fonte de toda esta história desagradável . Os olhos de Riddle tinham se aberto mais . - Professor , se essa pessoa fosse apanhada ... se tudo acabasse . . . - Que queres dizer com isso ? - perguntou Dippet com voz aguda , endireitando se em a cadeira . - Riddle , tu sabes alguma coisa sobre estes ataques ? - Não senhor - respondeu ele de imediato . Mas Harry sabia que era o mesmo tipo de « não » que ele dissera a Dumbledore . Dippet afundou se de_novo com um ar de profundo desapontamento . - Podes ir , Tom . Riddle esgueirou se de a cadeira e saiu de a sala . Harry seguiu o . Desceram por a escada em espiral , saindo junto de a gárgula em o corredor que escurecia . Riddle parou e Harry fez o mesmo , olhando para ele . Quase podia apostar que ele pensava seriamente em alguma coisa . Mordia o lábio e tinha as sobrancelhas franzidas . A certa altura , como_se tivesse acabado de tomar uma decisão , começou a andar mais depressa com Harry a segui o ruidosamente . Não viram mais ninguém , a não ser quando chegaram a o * hall * de entrada onde um feiticeiro alto de longos cabelos ruivos e barba chamou Riddle de a escadaria de mármore . - O que andas a fazer por aqui tão tarde , Tom ? Harry olhou para o feiticeiro . Não era outro senão Dumbledore com cinquenta anos a menos . - Tive de ir falar com o director - justificou se Riddle . - Bem , agora vai depressa para a cama - disse Dumbledore , olhando Riddle com aquele olhar penetrante que Harry conhecia tão bem . - É melhor não andar a passear por os corredores em os dias que correm , pelo_menos até ... Suspirou profundamente , deu as boas-noites a o Riddle e foi se embora . Riddle viu o desaparecer e , sem perder tempo , desceu os degraus de pedra até a os calabouços com Harry em a peugada . Mas para seu grande desconsolo , Riddle não o conduziu a nenhum corredor ou túnel secreto e sim a o calabouço onde ele costumava ter aulas de poções com o Snape . As tochas não tinham sido acesas e quando Riddle empurrou a porta quase fechada , Harry só conseguiu vê o a ele , de pé , quieto junto de a porta , olhando para o corredor . Pareceu a Harry que ficaram ali quase uma hora . Tudo_o_que via era a silhueta de Riddle junto de a porta , olhando fixamente através de a greta , a a espera . Como_se fosse uma estátua . E quando Harry tinha abandonado todas_as expectativas e começava a desejar voltar a o presente , ouviu alguma coisa que se movia atrás de a porta . Alguém avançava lentamente por o corredor . Ouviu a pessoa , quem quer que fosse , passar por o calabouço onde ele e Riddle estavam escondidos . Riddle , silencioso como uma sombra , esgueirou se por a porta e seguiu o com Harry em bicos de pés atrás de ele , esquecido de que podia fazer barulho a a vontade porque ninguém o ouvia . Durante cerca de cinco minutos seguiram lhe os passos até que Riddle parou repentinamente com a cabeça inclinada em a direcção de novos ruídos . Harry ouviu uma porta a abrir se e em seguida alguém falou em um murmúrio rouco . - Vá lá , temos que sair de aqui ... vá lá , dentro de a caixa ... Havia algo de familiar em aquela voz . Riddle deu subitamente uma volta e Harry seguiu o . Podia ver a silhueta escura de um rapaz enorme que estava inclinado em frente de a porta aberta , com uma grande caixa a o lado . - Boa noite , Rubeus - disse Riddle secamente . O rapaz fechou a porta e pôs se de pé . - O que estás a fazer aqui , Tom ? Riddle aproximou se . - Acabou se - disse . - Vou ter de entregar te , Rubeus . Falam em fechar Hogwarts se os ataques não terminarem . - O que é_que tu ... ? - Eu acho que tu não quiseste matar ninguém , mas os monstros não são os melhores animais domésticos . Tu só quiseste deixá o sair para andar um_pouco e ... - Ele não matou ninguém - disse o rapaz grande , recuando contra a porta fechada . Lá de dentro vinham uns estranhos roncos e rugidos . - Vamos , Rubeus - disse Riddle , aproximando se mais ainda . - Os pais de a rapariga que morreu estarão aqui amanhã . O mínimo que Hogwarts pode fazer é assegurar lhes que aquilo que matou a filha de eles foi abatido ... - Não foi ele - gemeu o rapaz cuja voz ecoou em o corredor escuro . - Ele não faria isso ... ele nunca ... - Afasta te - disse Riddle , pegando em a varinha . O encantamento iluminou o corredor com uma luz brilhante . A porta atrás de o rapaz grande abriu se de par em par com tanta força que o atirou contra a parede . E de lá de dentro saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito que ninguém mais ouviu a não ser ele próprio . Tinha um corpo imenso , magro e peludo e um emaranhado de pernas pretas , a cintilação de muitos olhos e um par de tenazes afiadas . Riddle levantou de_novo a varinha , mas era tarde de mais . A coisa deixara o atarantado e corria apressadamente , precipitando se por o corredor e desaparecendo . Riddle pôs se de pé , olhou a a procura de o monstro , levantou a varinha , mas o rapaz grande saltou sobre ele , tirou lhe a varinha de as mãos e lançou o a o chão , gritando : - Naaaaaão ! A cena rodopiou . A escuridão tornou se total . Harry sentiu se a cair e com um embate aterrou como uma águia de patas e asas abertas em a sua cama de dossel , em o dormitório de os Gryffindor , o diário de Riddle aberto sobre o estômago . Antes de ter tido tempo de normalizar a respiração , a porta de o dormitório abriu se e o Ron entrou . - Aí estás tu - disse . Harry sentou se . Transpirava e tremia . - O que se passa ? - perguntou Ron , olhando aflito para ele . - Foi o Hagrid , Ron . O Hagrid abriu a Câmara_dos_Segredos há cinquenta anos atrás . XIV_Cornelius_Fudge_Harry , Ron e Hermione sabiam há muito_tempo que Hagrid tinha uma triste predilecção por criaturas grandes e monstruosas . Em o primeiro ano que passaram em Hogwarts , ele tentara criar um dragão em a sua pequena cabana de madeira e levaram muito_tempo a esquecer o gigantesco cão de três cabeças que ele baptizara de « fofinho » . E se , em rapaz , Hagrid tinha ouvido dizer que havia um monstro escondido em o castelo , Harry tinha a certeza que ele teria feito os impossíveis por descobri o . Provavelmente achou que era uma injustiça o monstro estar fechado tanto tempo e pensou que ele merecia a oportunidade de esticar as suas muitas pernas . Harry imaginava perfeitamente o Hagrid a os treze anos a tentar pôr uma coleira e uma trela a o monstro . Mas tinha igualmente a certeza de que ele nunca teria querido matar ninguém . De certo modo , Harry desejava não ter descoberto como utilizar o diário de Riddle . Ron e Hermione fizeram o contar repetidas vezes o que vira até ele ficar farto de repetir o mesmo e farto de a conversa circular que se seguia . - O Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse , de essa vez , Hermione . - O monstro que atacava as pessoas podia ser outro .... - Quantos monstros achas tu que pode haver em este lugar ? - perguntou o Ron aborrecido . - Sempre soubemos que o Hagrid tinha sido expulso - disse Harry tristemente - E os ataques devem ter terminado quando ele foi expulso . Se não fosse assim , Riddle não teria recebido um prémio . Ron tentou um caminho diferente . - O Riddle parece o Percy , quem lhe pediu afinal que deitasse abaixo o Hagrid ? - Mas o monstro tinha morto uma pessoa , Ron - insistiu Hermione . - E o Riddle ia ter de voltar para um orfanato Muggle se Hogwarts fosse fechada - disse Harry . - Não posso culpá o por querer ficar aqui ... Ron mordeu o lábio e a seguir sugeriu : - Tu encontraste o Hagrid em a Rua * _ Bativolta * , não foi ? - Ele estava a comprar repelente para lesmas - disse Harry rapidamente . Ficaram os três em silêncio . Depois de uma longa pausa , Hermione , em uma voz hesitante , formulou a pergunta mais complicada de todas : - Não acham que devíamos ir ter com ele e perguntar lhe ? - Essa seria uma visita simpática - disse o Ron . - Olá , Hagrid , diz nos uma coisa , soltaste por acaso alguma coisa louca e peluda por o castelo em estes últimos tempos ? Por fim , decidiram não dizer nada a o Hagrid a_não_ser_que houvesse outro ataque e à_medida_que passava mais tempo sem murmúrios de a voz sem corpo começaram a acreditar , esperançosos , que nunca mais teriam de falar sobre o motivo por_que fora expulso . Tinham passado já quase quatro meses desde o dia em que o Justin e o Nick quase sem cabeça tinham sido petrificados e quase toda_a_gente parecia pensar que o atacante , quem quer que ele fosse , se retirara para sempre . Peeves fartara se de a sua canção * _ Oh_Potter , seu bandido * , Ernie_Mcmillan pediu educadamente a o Harry , em a aula de herbologia , que lhe passasse um balde de cogumelos saltitantes e , em Março , várias mandrágoras deram uma festa ruidosa e roufenha em a estufa número três . A professora Sprout estava muito satisfeita . - Mal elas comecem a tentar mover se para os vasos umas de as outras , saberemos que estão maduras - disse ela a o Harry . - Nessa_altura poderemos reanimar aquelas pobres criaturas que estão em a ala hospitalar . Os alunos de o segundo ano tinham agora uma coisa nova em que pensar durante as férias de a Páscoa . Chegara a altura de escolherem as matérias de o terceiro ano , um assunto que Hermione , pelo_menos , tomou muito a sério . - Pode afectar todo o nosso futuro - disse a o Harry e a o Ron a o vê os ler cuidadosamente as listas de as novas matérias e pôr um V em frente de cada uma . - Eu só quero ver me livre de as poções - disse Harry . - Não podemos - explicou Ron tristemente . - Mantemos todas_as matérias antigas ou eu teria me livrado de a Defesa contra as artes negras . - Mas é muito importante - disse Hermione chocada . - Não de a maneira como Lockhart a dá - insistiu Ron . - Não aprendi nada até agora a não ser a nunca mais libertar duendes . Neville_Longbottom recebera cartas de todas_as bruxas e feiticeiros de a família , cada_um dando um conselho diferente sobre o que ele deveria escolher . Confuso e preocupado , sentou se a ler a lista de matérias , dando estalinhos com a língua e perguntando a as pessoas se achavam que a aritmancia seria mais difícil do_que o estudo de as runas em a Antiguidade . Dean_Thomas que , tal_como Harry , fora criado com Muggles , acabou por fechar os olhos e atirar a varinha contra a lista , escolhendo as matérias onde ela aterrava . Hermione não pediu conselho a ninguém e inscreveu se em todas . Harry sorriu de si para consigo imaginando como seria uma conversa com o tio Vernon e com a tia Petúnia sobre a sua carreira em feitiçaria . Não que não tivesse tido orientação : Percy_Weasley estava ansioso por partilhar a sua experiência . - Tudo depende de o lugar para_onde queres ir , Harry - disse ele . - Nunca é cedo de mais para pensar em o futuro , por isso eu aconselho te a adivinhação . As pessoas dizem que os estudos de Muggles são uma opção leve mas eu , pessoalmente , acho que os feiticeiros deveriam ter uma compreensão profunda de a comunidade não mágica , muito especialmente se pensarem em trabalhar em íntimo contacto com eles . Vê o meu pai que tem de lidar com assuntos de os Muggles a_toda_a hora . O meu irmão Charles foi sempre mais um tipo de o exterior , por isso foi para o Centro_de_Cuidados com as Criaturas_Mágicas . Segue os teus sentimentos , Harry . Mas a única coisa em que Harry sentia que era mesmo bom era o Quidditch . Por fim , acabou por escolher as mesmas matérias que o Ron escolhera , pensando que se fosse péssimo em elas pelo_menos tinha alguém amigo para o ajudar . O próximo jogo de Quidditch_dos_Gryffindor era contra os Hufflepuff . Wood insistia em treinos de equipa todas_as noites depois de jantar , por isso Harry não tinha tempo para mais_nada a não ser para o Quidditch e para os trabalhos de casa . Mas as sessões de treino estavam a melhorar ou pelo_menos estavam mais secas e em a véspera de o jogo de sábado ele foi a o dormitório guardar a vassoura , sentindo que as hipóteses de os Gryffindor ganharem a taça de Quidditch nunca tinham sido tão boas . Mas a sua boa disposição não durou muito . Em o cimo de as escadas que levavam a o dormitório encontrou o Neville_Longbottom nervosíssimo . - Harry , não sei quem fez aquilo , eu fui encontrar ... Olhando receoso para Harry , Neville empurrou a porta . O conteúdo de a mala de Harry fora espalhado por toda_a divisão . O seu manto estava em o chão rasgado . A roupa de cama tinha sido puxada de a cama de dossel e a gaveta de o armário que se encontrava a a cabeceira de a cama fora arrancada , estando o seu conteúdo espalhado sobre o colchão . Harry aproximou se de a cama boquiaberto , pisando algumas páginas soltas de * _ Viagens com Duendes * . Quando ele e Neville estavam a puxar os cobertores para_cima , entraram o Ron e o Dean_Seamas . Dean praguejou alto . - O que é isto , Harry ? - Não faço ideia - disse ele . Mas o Ron estava a examinar as vestes de Harry e todos os bolsos estavam de o avesso . - Alguém andou a a procura de qualquer coisa - disse o Ron . - Dás por falta de alguma coisa ? Harry começou a apanhar o que estava caído , lançando tudo dentro de a mala . Só quando atirou o último livro de Lockhart é_que se apercebeu do_que faltava . - O diário de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a o Ron . - O quê ? Harry fez lhe sinal em direcção a a porta de o dormitório e apressaram se a chegar a a sala comum de os Gryffindor que estava quase vazia e onde foram encontrar Hermione sozinha a ler * _ As_Runas_Antigas a o Alcance_de_Todos * . Hermione ficou aterrada com as notícias . - Mas ... só um Gryffindor podia tê o roubado ... ninguém mais conhece a nossa senha ... - Exactamente - disse Harry . Acordaram em o dia seguinte com um sol brilhante e uma brisa agradável . - Condições ideais para o Quidditch ! - exclamou Wood , cheio de entusiasmo , a a mesa de os Gryffindor , enchendo os pratos de os elementos de a sua equipa de ovos mexidos . - Harry , anima te , precisas de um pequeno-almoço decente . Harry tinha estado a olhar para a mesa cheia de alunos de os Gryffindor , perguntando a si próprio se o novo dono de o diário de Riddle estaria ali mesmo em frente de os seus olhos . Hermione insistira para que ele participasse o roubo mas ele não gostou de a ideia . Teria de contar a um professor tudo sobre o diário , e quantas pessoas saberiam o motivo por_que Hagrid fora expulso há cinquenta anos ? Não queria ser ele a fazer com que relembrassem tudo aquilo . Quando saiu de o salão com o Ron e a Hermione para ir buscar o material de Quidditch , outra preocupação viera juntar se a a sua lista cada_vez maior . Tinha acabado de pisar os degraus de a escadaria de mármore quando ouviu de_novo a voz : - * _ Matar desta_vez ... deixem me rasgar ... romper * ... Deu um grito e Ron e Hermione saltaram alarmados . - A voz - disse Harry , olhando por cima de os ombros de eles . - Acabo de a ouvir de_novo , vocês não ouviram nada ? Ron abanou a cabeça de olhos muito abertos Mas_Hermione bateu com a mão em a testa . - Harry , acho que percebi uma coisa . Tenho que ir a a biblioteca . E disparou a correr por as escadas acima . - O que é_que ela percebeu ? - disse Harry distraidamente , ainda a olhar em volta , tentando determinar de onde vinha a voz . - Mas porque teve ela que ir a a biblioteca ? - Porque a Hermione é assim - disse o Ron , encolhendo os ombros - Quando tem uma dúvida , vai a a biblioteca . Harry manteve se hesitante , tentando captar novamente a voz mas as pessoas começavam a sair de o salão , falando alto , passando por a porta principal e encaminhando se para o estádio de Quidditch . - É melhor ires indo - aconselhou Ron . - São quase onze horas , olha o jogo . Harry deu uma corrida até a a torre de os Gryffindor , pegou em a sua Nimbus dois_mil e juntou se a a vasta multidão que enchia os campos , mas o seu pensamento estava ainda em o castelo , em aquela voz sem corpo e quando pôs as roupas vermelhas , o seu único conforto foi pensar que estavam todos lá fora para assistir a o jogo . As equipas entraram em campo a o som de um tumulto de aplausos . Oliver_Wood fez um voo de aquecimento em volta de os postes , Madam_Hooch soltou as bolas . Os Hufflepuff que tinham fatos amarelo-canário estavam reunidos em grupo em uma discussão de última hora sobre as tácticas . Harry subia para a vassoura quando a professora Mc_Gonagall atravessou o campo , meio a andar , meio a correr , transportando um enorme megafone roxo . O coração de Harry caiu lhe a os pés . - Este jogo foi cancelado - gritou por o megafone a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a o estádio apinhado . Ouviram se Uuuus e assobios . Oliver_Wood , com um ar infelicíssimo , aterrou e correu para a professora McGonagall sem sair de a vassoura . - Mas , professora - gritou - temos de jogar ... a taça ... os Gryffindor ... A professora Mc_Gonagall ignorou o e continuou a gritar por o megafone . - Pede se a os estudantes que regressem a as salas comuns de as respectivas equipas onde os chefes de equipa lhes darão mais informações . O mais depressa possível , se fazem favor ! Em seguida , baixou o megafone e fez sinal a o Harry para que se aproximasse . - Potter , é melhor vires comigo ... Perguntando a si próprio que suspeita poderia ela ter contra ele , desta_vez , Harry viu Ron desligar se de a multidão discordante e vir a correr juntar se lhes , enquanto eles se dirigiam para o castelo . Para sua grande surpresa Mc_Gonagall não pôs qualquer objecção . - Sim , talvez seja melhor vires também , Weasley . Alguns de os estudantes que os rodeavam reclamavam por o jogo ter sido cancelado , outros tinham um ar preocupado . Harry e Ron seguiram a professora Mc_Gonagall de volta a a escola e através de a escadaria de pedra . Mas desta_vez não foram levados a nenhum escritório . - Isto vai chocar vos um_pouco - disse a professora Mc_Gonagall em um tom de voz surpreendentemente suave quando estavam a aproximar se de a ala hospitalar . - Houve outro ataque ... outro ataque duplo . As vísceras de o Harry deram um salto mortal . A professora Mc_Gonagall abriu a porta e ele e Ron entraram . Madam_Pomfrey estava inclinada sobre uma rapariga de o quinto ano de cabelos longos a os caracóis que Harry reconheceu como sendo a colega de os Ravenclaw a quem , por engano , tinham perguntado o caminho para a sala comum de os Slytherin . E , em a cama a o lado de ela , estava ... - Hermione - gemeu o Ron . Hermione jazia totalmente quieta , os olhos abertos e vítreos . - Foram encontradas perto de a biblioteca - disse a professora Mc_Gonagall . - Calculo que nenhum de vocês possa explicar isto ? Estava em o chão , junto de ela . A professora tinha em as mãos um pequeno espelho redondo . Harry e Ron acenaram negativamente com as cabeças , ambos com os olhos fixos em Hermione . - Eu acompanho vos a a torre de os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall pesadamente . - De qualquer modo tenho de falar com os alunos . - Os alunos regressarão a as salas comuns de as respectivas equipas , todos_os_dias , a as seis_horas_da_tarde . Nenhum aluno deverá sair de os dormitórios depois de isso . Serão escoltados até a as aulas por um professor . Nenhum aluno deverá ir a a casa_de_banho sem um professor a acompanhá o . Todos os treinos e jogos de Quidditch estão suspensos a_partir_de agora . Não haverá mais actividades nocturnas . Os Gryffindor , que enchiam a sala comum , ouviram em silêncio a professora Mc_Gonagall . Ela enrolou o pergaminho que acabara de ler e disse em uma voz algo chocada : - Não é preciso acrescentar que nunca me senti tão desolada . É provável que a escola seja encerrada se não for apanhado o culpado de todos estes ataques . Quero pedir que se algum de vocês achar que sabe alguma coisa sobre eles venha imediatamente ter comigo . Mal ela subiu , de forma um_pouco desastrada , por o buraco de o retrato , os Gryffindor começaram logo a falar . - São dois Gryffindor a menos , sem contar com o fantasma de os Gryffindor , um Ravenclaw e um Hufflepuff - disse o amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , contando por os dedos . - Não terá nenhum de os professores reparado que os Slytherin estão a salvo ? Será que não é óbvio que tudo_isto vem de eles ? O herdeiro de Slytherin , o monstro de Slytherin , porque não expulsam todos os Slytherin ? - resmungou , recebendo acenos e aplausos de todos os lados . Percy_Weasley estava sentado em uma cadeira atrás_de Lee , mas por uma_vez não pareceu querer expor os seus pontos de vista . Estava pálido e aturdido . - O Percy está em estado de choque - disse o George baixinho a o Harry . - Aquela rapariga de os Ravenclaw , Penelope_Clearwater , é prefeita . Acho que ele nunca tinha pensado que o monstro pudesse atacar um prefeito . Mas Harry não estava a ouvi o com atenção . Não conseguia esquecer a imagem de Hermione deitada em a cama de o hospital , como_se estivesse esculpida em pedra . E se o culpado não fosse apanhado rapidamente tinha em a frente uma vida inteira com os Dursley . Tom_Riddle entregara o Hagrid porque fora confrontado com a possibilidade de um orfanato Muggle se a escola fechasse . Harry sabia exactamente o que ele sentira . - Que vamos nós fazer ? - disse lhe o Ron baixinho a o ouvido . - Achas que eles suspeitam de o Hagrid ? - Temos de falar com ele - disse Harry , tomando uma decisão . - Não acredito que tenha culpa desta_vez , mas se ele libertou o monstro há cinquenta anos , sabe com certeza como entrar em a Câmara_dos_Segredos , o que já é um princípio . - Mas a Gonagall disse que temos que ficar em a torre a_não_ser_que estejamos em as aulas ... - Eu acho - disse Harry ainda mais baixo - que chegou a altura de tirar outra_vez de a mala o manto de o meu pai . Harry herdara apenas uma coisa de o pai : o enorme manto prateado de a invisibilidade . Era a única maneira de poderem esgueirar se de a escola para fazer uma visita a o Hagrid , sem que ninguém de esse por isso . Deitaram se a a hora de o costume , esperaram que o Neville , o Dean e o Seamas adormecessem para se levantarem , vestirem se de_novo e taparem se com o manto . A viagem por os corredores de o castelo escuro e deserto não era nada agradável . Harry que vagueara por ali muitas_vezes durante a noite nunca vira tanta gente depois de o pôr de o Sol . Professores , prefeitos e fantasmas andavam por os corredores a os pares , olhando em volta , em busca de qualquer actividade fora de o habitual . O manto de a invisibilidade não impedia que fizessem barulho e houve um momento particularmente tenso em que o Ron deu uma topada a menos_de um metro de o lugar onde Snape se encontrava . Felizmente Snape espirrou em o preciso momento em que o Ron praguejava . Foi com grande alívio que chegaram a as portas de carvalho de a entrada principal . Estava uma noite clara e cheia de estrelas . Dirigiram se apressadamente para as janelas iluminadas de a casa de Hagrid e só tiraram o manto mesmo em frente de a porta . Poucos segundos depois de terem batido abriu se a porta . Ficaram frente_a_frente com Hagrid que lhes apontou uma besta enquanto Fang , o cão caçador de javalis , ladrava furiosamente atrás de ele . - Oh ! - disse , baixando a arma quando viu que eram eles . - O que estão vocês a fazer aqui ? - Para que é isso ? - perguntou Harry , apontando para a besta , enquanto entrava . - Nada , não é nada - murmurou Hagrid . - Tenho estado a a espera ... não tem importância , sentem se que eu vou fazer um chá . Dava a impressão de não saber o que fazia . Quase apagou a lareira , vertendo a água de a chaleira em o lume e em seguida esmagou o bule com um gesto de a sua mão maciça . - Estás bem , Hagrid ? - perguntou Harry . - Soubeste de a Hermione ? - Soube , sim - disse ele com um leve tremor em a voz . Continuava a olhar nervosamente para as janelas . Deu lhe os duas grandes canecas de água a ferver ( esquecera se de juntar o chá ) e estava a acabar de pôr em um prato uma fatia grossa de bolo de frutas quando alguém bateu energicamente a a porta . Hagrid deixou cair o bolo . Harry e Ron trocaram entre si olhares de pânico e , em seguida , cobriram se com o manto de a invisibilidade e esconderam se em um canto . Hagrid assegurou se de que eles estavam bem escondidos , pegou em a besta e abriu , mais_uma_vez , a porta . - Boa noite , Hagrid . Era_Dumbledore . Entrou com um ar muito sério , seguido de um homem bizarro . O estranho era um homenzinho pequenino , de porte majestoso com cabelos grisalhos desalinhados e uma expressão de ansiedade em o rosto . Usava uma inesperada mistura de roupas . Um fato a as riscas , uma gravata vermelho escarlate , um longo manto negro e umas botas roxas pontiagudas . Debaixo de o braço trazia um chapéu de coco verde lima . -- É o patrão de o meu pai - murmurou o Ron . Cornelius_Fudge , o ministro de a magia ! Harry deu lhe uma valente cotovelada para o fazer calar se . Hagrid tinha ficado suado e pálido . Deixou se cair em uma de as cadeiras e olhava de Dumbledore_para_Cornelius_Fudge . - Más notícias , Hagrid - disse Fudge em um tom bastante grave . - Muito más notícias . Tive de vir . Quatro ataques a filhos de Muggles , as coisas foram longe_de mais . O ministério tem que tomar uma atitude . - Eu nunca ... - disse Hagrid , parecendo implorar a Dumbledore . - O senhor sabe que eu nunca ... professor Dumbledore , o senhor ... - Quero que fique claro , Cornelius , que Hagrid tem a minha total confiança - afirmou Dumbledore , franzindo as sobrancelhas . - Olha , Albus - disse Fudge pouco a a vontade - a ficha de o Hagrid depõe contra ele . O ministério tem de fazer alguma coisa , o Conselho_Directivo de a escola tem se reunido ... - Mesmo_assim , Cornelius , devo dizer te mais_uma_vez que levar o Hagrid de aqui não vai ajudar em nada - afirmou Dumbledore com os olhos azuis com um fogo que Harry nunca vira antes . - Tenta compreender o meu ponto de vista - insistiu Fudge , brincando com o chapéu . - Estou a ser tremendamente pressionado , tenho de mostrar que faço alguma coisa . Se se provar que não foi o Hagrid , ele voltará e não se fala mais em o assunto . Mas tenho de levá o , tem de ser , não estaria a cumprir a minha obrigação se ... - Levar me ? - perguntou Hagrid a tremer . - Levar me para_onde ? - É uma pena curta - disse Fudge , sem o olhar em os olhos . - Não é um castigo , Hagrid , chamemos lhe antes uma precaução . Se mais alguém for apanhado , tu sais com todas_as nossas desculpas . - Não é para Azkaban ? - balbuciou Hagrid . Mas antes que Fudge tivesse tido tempo de responder , ouviu se bater mais_uma_vez a a porta . Dumbledore abriu . Foi a vez de Harry levar uma cotovelada em as costas : soltara um gemido audível . Mr._Lucius_Malfoy entrou em a cabana de o Hagrid embrulhado em uma longa capa preta de viagem , com um sorriso frio de satisfação . O Fang começou a rosnar . - Já está aqui , Fudge ? - disse de forma aprovadora . - Muito bem , muito bem ... - O que estás a fazer aqui ? - perguntou Hagrid furioso . - Sai imediatamente de a minha casa . - Meu bom homem , acredite que não tenho prazer nenhum em entrar em a sua ... er ... chamou lhe casa ? - disse Lucius_Malfoy , sorrindo sarcasticamente enquanto observava a pequena divisão . - Eu limitei me a ir a a escola e disseram me que o director estava aqui . - E o que queres de mim , Lucius ? - perguntou Dumbledore . O seu tom de voz era educado mas em os olhos azuis brilhava ainda o mesmo fogo . - Uma notícia horrível , Dumbledore - disse Mr._Malfoy de forma arrastada , pegando em um grande rolo de pergaminho . - Mas os membros de o conselho pensam que é altura de tu saíres . Isto_é uma ordem de suspensão , tens aí doze assinaturas . Lamento muito mas em a nossa opinião estás a perder a firmeza . Quantos ataques houve até agora ? Mais dois hoje a a tarde , não foi ? A este ritmo vão acabar todos os filhos de Muggles em Hogwarts e todos sabemos que seria uma terrível perda para a escola . - O que é isso , Lucius ? - protestou Fudge com ar alarmado . - O Dumbledore suspenso não ... não , seria a última coisa que desejaríamos em este momento ... - A nomeação ou suspensão , de o director é de a competência de os membros de o Conselho_Directivo , Fudge - disse suavemente Mr._Malfoy . - E como Dumbledore não foi capaz de pôr cobro a estes ataques ... - Oh ! Lucius , se Dumbledore não conseguiu - disse Fudge com o lábio superior a suar . - Quem irá conseguir ? - Isso está para se ver - disse Mr._Malfoy com um sorriso mesquinho . - Mas como os doze votamos ... Hagrid pôs se de pé em um salto , o cabelo preto hirsuto a roçar em o tecto . - E quantos tiveste de chantajar para concordarem contigo , Malfoy ? - Meu caro Hagrid , sabe que esse seu temperamento ainda acaba por lhe criar problemas um dia de estes - disse Mr._Malfoy . - Não o aconselho a gritar assim com os guardas de Azkaban . Eles não iriam gostar nada . - Não podes levar Dumbledore - gritou Hagrid , fazendo Fang , o cão caçador de javalis , agachar se e ganir em o seu cesto . - Sem ele , os filhos de os Muggles não têm qualquer hipótese . A seguir haverá mortes . - Acalma te , Hagrid - disse Dumbledore de forma cortante , olhando para Lucius_Malfoy . - Se os membros de o conselho querem substituir me , eu sairei , claro . - Mas - interrompeu Fudge . - Não - rosnou Hagrid . Dumbledore não tirara os seus olhos azuis brilhantes de os olhos cinzentos e frios de Lucius_Malfoy . - Contudo - disse , pronunciando cada palavra lenta e claramente para que nenhum de eles perdesse o seu sentido - verás que só deixarei verdadeiramente esta escola quando ninguém aqui me for leal . Descobrirás também que será sempre dada ajuda em Hogwarts a quem a pedir . Por um segundo , Harry teve quase a certeza de que os olhos de Dumbledore tremelaziram em direcção a o canto onde ele e Ron estavam escondidos . - Sentimentos admiráveis - disse Malfoy , fazendo uma vénia . - Todos nós vamos sentir a tua ... forma muito pessoal de fazer as coisas , Albus . Só espero que o teu sucessor consiga evitar qualquer ... crime . Dirigiu se a a porta de a cabana , abriu a e fez sinal a Dumbledore para que passasse a a sua frente . Fudge , mexendo nervosamente em o chapéu de coco , esperou que Hagrid fizesse o mesmo mas ele ficou quieto , respirou fundo e disse prudentemente : - Se alguém quiser descobrir alguma coisa , o que tem a fazer é seguir as aranhas . Elas indicarão o caminho , é tudo_o_que vos digo . Fudge olhou para ele espantado . - Está bem , eu vou - disse Hagrid , pegando em o seu sobretudo de pêlo de toupeira . Mas quando ia seguir o Fudge e sair por a porta , parou e disse em voz alta : - E alguém tem de dar de comer a o Fang enquanto eu não estiver cá . A porta fechou se ruidosamente e Ron tirou o manto de a invisibilidade . -- Estamos outra_vez em uma alhada - disse com voz rouca - Sem o Dumbledore podem fechar a escola já esta noite . Sem ele vai haver um ataque por dia . O Fang começou a ganir , arranhando a porta fechada . XV_Aragog_O_Verão insinuava se em os campos em volta de o castelo . O céu e o lago tinham se tornado de um azul-molusco e as flores , grandes como couves , começavam a florir em as estufas . Mas sem o Hagrid , que ele costumava avistar de o castelo , atravessando os campos com o Fang atrás , parecia a Harry que a paisagem não estava completa . Não era melhor dentro de o castelo onde tudo corria horrivelmente mal . O Harry e o Ron tinham tentado visitar a Hermione , mas as visitas a o hospital estavam proibidas . - Não vamos correr mais riscos - disse lhes Madam_Pomfrey com ar severo , através_de uma fresta de a porta de o hospital . Não , lamento , há muitas hipóteses de o atacante voltar para acabar de vez com estas pessoas ... Com Dumbledore longe , o medo espalhara se como nunca acontecera antes , de_tal_modo_que o sol que aquecia as paredes de o castelo por fora parecia parar junto de as janelas de pinázios . Não se via um único rosto em a escola que não andasse tenso e preocupado e qualquer gargalhada , em os corredores , se tornava incómoda e antinatural e era rapidamente abafada . Harry repetia constantemente , de si para consigo , as últimas palavras que ouvira a Dumbledore : - * _ Só terei verdadeiramente deixado esta escola quando ninguém me for leal ... será sempre dada ajuda , em Hogwarts , a quem a pedir * . Qual seria o significado exacto de aquelas palavras ? A quem deveria pedir ajuda quando todos estavam tão confusos assustados como ele ? A alusão de Hagrid a as aranhas era bastante mais fácil de entender . O problema era que parecia não ter restado uma única aranha em o castelo para eles a poderem seguir . Harry procurou por todo o lado com a ajuda relutante de o Ron . As coisas estavam dificultadas por o facto de não poderem andar sozinhos e terem de se deslocar em grupo dentro de o castelo , juntamente com outros Gryffindor . A maior parte de os alunos gostava de ser conduzida como carneiros de uma aula para a outra por os professores mas Harry achava horrível . Havia , contudo , uma pessoa que parecia apreciar aquela atmosfera de terror e suspeitas . Draco_Malfoy passeava empertigado por a escola como_se tivesse sido nomeado para chefe de turma . Harry só compreendeu o motivo de toda aquela boa disposição cerca de quinze_dias depois de Dumbledore e Hagrid se terem ido embora quando , em uma aula de poções , o ouviu falar com o Crabbe e o Goyle . - Sempre achei que seria o pai quem conseguiria livrar nos de o Dumbledore - disse sem a menor preocupação em baixar a voz . - Já vos disse , segundo ele , Dumbledore foi o pior director que a escola alguma vez teve . Talvez agora venha um director decente que não queira a Câmara_dos_Segredos fechada . A Mc_Gonagall não vai durar muito , está só a ... O Snape passou por Harry , sem fazer comentários a o caldeirão e a a cadeira vazia de Hermione . - Professor - disse Malfoy em voz alta . - Professor , porque não se candidata a o lugar de director ? - Ora , ora , Malfoy - respondeu Snape , sem conseguir esconder um meio sorriso . - O professor Dumbledore foi apenas suspenso por os membros de o conselho de direcção , certamente vai voltar um dia de estes . - Sim , claro - disse Malfoy com o seu sorriso escarninho . - Acho que se o professor quisesse candidatar se a o lugar teria o voto de o pai . Eu vou dizer lhe que o acho o melhor professor de a escola . Snape sorriu enquanto passeava de um lado para o outro em o calabouço , não tendo felizmente visto o Seamus_Finnigan que fingia vomitar para dentro de o caldeirão . - Estou espantado por ver que até agora os sangues de lama ainda não fizeram as malas e não desapareceram - prosseguiu Malfoy . - Aposto cinco galeões em como o próximo morre . Pena que não tenha sido a Granger ... A campainha tocou em esse momento o que foi uma sorte porque a o ouvir as últimas palavras de Malfoy , Ron deu um salto , mas em a barafunda de guardar os livros em os sacos , a sua tentativa de agarrar o Malfoy passou despercebida . - Deixem me - gritava o Ron enquanto o Harry e o Dean lhe agarravam os braços . - Não preciso de varinha , vou dar cabo de ele com as minhas mãos ... - Despachem se , tenho de conduzir vos a a aula de herbologia - praguejava o Snape acima de as cabeças de os alunos . E lá foram como cordeirinhos com Harry , Ron e Dean em a retaguarda , o Ron ainda a tentar libertar se . Só acharam seguro largá o quando Snape os deixou fora de o castelo e iniciaram o percurso por o meio de a horta em direcção a as estufas . A aula de herbologia estava reduzida . Tinha agora dois alunos a menos : Justin e Hermione . A professora Sprout pô os a trabalhar , podando as figueiras-da-abissínia . Harry foi despejar uma braçada de hastes secas em um monte de adubo e deu consigo cara a cara com Ernie_Mcmillan . Ernie respirou fundo . - Só quero dizer te , Harry que lamento ter suspeitado de ti . Sei que nunca atacarias a Hermione_Granger e peço te desculpa por todas_as coisas que disse . Estamos todos em o mesmo barco , agora e , bem ... Estendeu lhe uma mão rechonchuda que o Harry apertou . Ernie e a sua amiga Hannah foram trabalhar em a mesma figueira com o Harry e o Ron . - Aquele tipo , Draco_Malfoy - disse Ernie , partindo pequenos galhos - , parece muito satisfeito com isto tudo , não acham ? É bem possível que ele seja o herdeiro de Slytherin . - Uma observação inteligente de a tua parte - disse o Ron que parecia não ter desculpado Ernie tão facilmente como o Harry . - Acham que é ele ? - perguntou Ernie . - Não - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Hannah ficaram a olhar espantados . Um segundo depois , Harry avistou qualquer coisa que o levou a chamar a atenção de o Ron , batendo lhe em a mão com a tesoura de podar . - Au ... o que é_que tu ... ? Harry apontava para o chão , a poucos centímetros de distância . Várias aranhas grandes corriam precipitadamente por a terra fora . - Ah ! sim - disse o Ron , tentando , sem conseguir , mostrar se entusiasmado . - Mas não podemos seguis as agora ... Ernie e Hannah ouviam nos com curiosidade . Harry viu as aranhas desaparecerem . - Parecem ir em a direcção de a floresta proibida ... E o Ron ficou ainda mais infeliz a o ouvir aquilo . Em o final de a aula , o professor Snape acompanhou os alunos a a « Defesa contra as artes negras » . Harry e Ron foram atrás de os outros para poderem conversar sem serem ouvidos . - Temos de usar outra_vez o manto de a invisibilidade - disse Harry a o Ron . - Podemos levar connosco o Fang , ele está habituado a ir a a floresta com o Hagrid , pode ser uma boa ajuda . - Certo - disse o Ron , que fazia girar nervosamente a varinha em os dedos . - Er ... não costuma haver ... não costuma haver lobisomens em a floresta ? - acrescentou enquanto ocupavam os lugares de o costume em a aula de o Lockhart . Preferindo não responder a a pergunta , Harry disse : - Também há lá coisas boas . Os centauros são fixes e os unicórnios . Ron nunca estivera em a floresta proibida , Harry fora lá só uma_vez e desejara não ter de lá voltar . Lockhart deu um salto para dentro de a sala de aula e os alunos ficaram espantados a olhar para ele . Todos os outros professores andavam mais tristes do_que o habitual mas Lockhart parecia sentir se em as nuvens . - Então , então - exclamou , olhando em volta . - Porquê essas caras deprimidas ? Lançaram lhe olhares exasperados mas ninguém respondeu . - Não compreendem - disse , falando devagar como_se fossem todos um_pouco estúpidos - que o perigo já passou ? O culpado foi se embora . -- Quem disse ? - retorquiu Dean_Thomas em voz alta . -- Meu caro jovem , o ministro de a magia não teria levado Hagrid se não estivesse cem por_cento certo de que ele era o culpado - disse Lockhart como quem explica que um e um são dois . - Teria , sim - disse o Ron , em um tom de voz ainda mais alto do_que o de o Dean . - Eu julgo saber um_pouco mais sobre a prisão de o Hagrid do_que o senhor , Mr._Weasley - disse Lockhart com notória auto-satisfação . Ron começou a dizer que discordava mas foi interrompido por o Harry que lhe deu um forte pontapé por debaixo de a mesa . - Nós não estávamos lá , lembras te ? - murmurou . Mas a alegria revoltante de o Lockhart , as insinuações de que sempre tinha achado que o Hagrid não prestava , a sua certeza de que tudo aquilo estava a chegar a o fim , irritou Harry de tal maneira que teve vontade de lhe atirar as * _ Viagens com Vampiros * e de lhe acertar em aquela cara estúpida . Mas , em vez de isso , limitou se a escrevinhar um bilhete para o Ron : * _ Vamos lá hoje a a noite * . Ron leu a mensagem , engoliu em seco e olhou para o lugar onde Hermione costumava sentar se . A cadeira vazia pareceu ajudá o a decidir se e acenou afirmativamente . A sala comum de os Gryffindor estava agora sempre cheia porque , depois de as seis_da_tarde , os Gryffindor não tinham outro lugar para ir . Por outro lado , tinham imenso para conversar , por isso a sala comum mantinha se cheia de gente até depois de a meia-noite . Logo_a_seguir a o jantar , Harry foi buscar o manto de a invisibilidade a a mala onde estava guardado e passou todo o serão a a espera que a sala esvaziasse . O Fred e o George desafiaram o para alguns jogos de explosão e a Ginny sentou se , muito preocupada , a observá os , em a cadeira habitual de Hermione . Harry e Ron fartaram se de perder de propósito em uma tentativa de pôr rapidamente fim a os jogos mas , mesmo_assim , já passava bastante de a meia-noite quando o Fred , o George e a Ginny se foram , finalmente , deitar . Harry e Ron esperaram até ouvir as portas de os dois dormitórios fecharem se . Em seguida , pegaram em o manto , lançaram o sobre ambos e passaram por o buraco de o retrato . Era mais uma difícil travessia de o castelo , tendo de fintar todos os professores . Finalmente , chegaram a o * hall * de entrada , giraram o fecho de as portas de carvalho , esgueiraram se tentando não fazer barulho e aventuraram se nos campos iluminados por o luar . - É claro que - disse bruscamente o Ron , enquanto atravessavam os relvados negros - podemos perfeitamente chegar a a floresta e descobrir que não há nada para seguir . As aranhas podem não ter ido para lá . É certo que parecia que tomavam essa direcção , mas ... Felizmente a lengalenga não durou muito . Chegaram a a casa de o Hagrid que tinha um ar triste com as suas janelas vazias . Logo_que Harry empurrou a porta e a abriu , o Fang saltou , louco de alegria por os ver . Preocupados , não fosse ele acordar toda_a_gente em o castelo com o seu ladrar forte e agitado , deram lhe rapidamente a comer bombons de melaço que estavam em uma lata sobre a lareira e que lhe colaram os dentes de cima a os de baixo . Harry pousou o manto de a invisibilidade sobre a mesa de o Hagrid . Não iam precisar de ele em a floresta escura como breu . - Anda , Fang , vamos dar um passeio - disse Harry , batendo lhe a o de leve em a pata e Fang saiu feliz , a os saltos , atrás de eles . Precipitou se até a a orla de a floresta e levantou a perna contra uma enorme figueira-do-egipto . Harry pegou em a varinha , murmurou * _ Lumus * ! e uma pequenina luz surgiu em a ponta de a varinha , suficiente para lhes mostrar o caminho e ajudá os a descobrir a pista de as aranhas . - Bem pensado - disse o Ron . - Eu acendia também a minha mas , sabes como ela está , ainda estoirava ou qualquer coisa assim ... Harry tocou em o ombro de o Ron , apontando para as ervas . Duas aranhas solitárias fugiam de a luz de a varinha , aproximando se de a sombra de as árvores . - O. _ K. - disse o Ron , resignando se com o pior . - Estou pronto , vamos . Então , com o Fang a correr atrás de eles , cheirando as raízes de as árvores e as folhas , entraram em a floresta . Seguindo a luz de a varinha de o Harry seguiram a fila disciplinada de aranhas que se movia a o longo de o caminho . Andaram durante cerca de vinte minutos , sem falar , atentos a todos os ruídos que não fossem os de os ramos caídos e de as folhas secas . Então , quando as copas de as árvores se tinham tornado mais cerradas do_que nunca , de_tal_modo_que as estrelas em o céu já não eram visíveis e a varinha de o Harry brilhava isolada em um mar de escuridão , viram as aranhas que eles seguiam a abandonar o caminho . Harry parou , tentando ver para_onde iam mas tudo_o_que ficava longe de a sua pequenina luz era negro de breu . Ele nunca fora tão longe em a floresta . Lembrava se muito bem de Hagrid lhe ter dito , de a última vez que ali tinham estado , que nunca saísse de o caminho de a floresta . Mas Hagrid agora estava a muitos quilómetros de distância e ele também lhes dissera que seguissem as aranhas . Uma coisa húmida tocou em a mão de o Harry e ele deu um salto para trás , pisando o pé a o Ron . Mas afinal era apenas o focinho de o Fang . - O que é_que tu achas ? - perguntou ele a o Ron cujos olhos conseguia vislumbrar , reflectindo a luz de a varinha . - Já_que viemos até aqui - disse ele . Seguiram , portanto as sombras velozes de as aranhas em direcção a as árvores . Não podiam agora andar muito depressa . Tinham em a frente raízes de árvores e troncos cortados que mal se viam em aquela escuridão . Harry sentia o bafo quente de Fang em a mão . Por mais de uma_vez tiveram de parar para o Harry se baixar e descobrir as aranhas a a luz de a varinha . Andaram durante o que lhes pareceu ter sido pelo_menos meia_hora , com os mantos a roçarem em os ramos mais baixos e em as silvas . A o fim de algum tempo repararam que o chão parecia inclinar se para baixo embora as árvores continuassem cerradas . Foi então que o Fang soltou um latido que ecoou em volta , fazendo Harry e Ron darem um salto , ambos com os cabelos em pé . - O que foi ? - gritou o Ron , olhando em volta para a escuridão e agarrando Harry com força , por o cotovelo . - Há qualquer coisa ali a mexer se - murmurou Harry - Ouve ... parece ser grande . Ficaram a ouvir . Um_pouco para a direita algo de grandes dimensões partia os ramos enquanto abria caminho através de as árvores . - Oh ! não - disse o Ron . - Oh ! não , não ... - Cala te - insistiu o Harry , nervoso . - Seja o que for , vai acabar por te ouvir . - Ouvir me ? - disse o Ron , em um tom de voz muito pouco natural . - Já ouviu . Fang ! A escuridão parecia esmagar lhes os globos oculares enquanto ali ficaram apavorados , a a espera . Houve um estranho ruído , surdo e prolongado , e em seguida o silêncio . - O que estará a fazer ? - perguntou Harry . - Talvez esteja a preparar se para atacar - disse o Ron . Esperaram , a tremer , sem ousarem mexer se . - Achas que se foi embora ? - murmurou Harry . - Não sei . Em esse momento , de o lado direito veio um clarão de luz tão forte em o meio de o escuro que os dois levaram as mãos a a cara para proteger os olhos . O Fang ganiu e tentou fugir mas viu se envolvido em um emaranhado de espinhos e ganiu ainda mais alto . - Harry - gritou o Ron com grande alívio em a voz . - Harry , é o nosso carro . - O quê ? - Anda ver . Harry avançou a os tropeções atrás de o Ron , em direcção a a luz e em o momento seguinte estavam em uma clareira . O carro de Mr._Weasley ali estava , vazio , no_meio_de um círculo de árvores grossas , sob um telhado de ramos densos , os faróis de a frente resplandecentes . Quando Ron se aproximou de boca aberta , moveu se lentamente em direcção a ele como_se fosse um grande cão azul turquesa , cumprimentando o dono . - Tem estado aqui todo este tempo - disse o Ron satisfeitíssimo , aproximando se de o carro . - Olha para ele , a floresta tornou o selvagem ... O guarda-lamas estava riscado e cheio de lodo . Parecia que tinha andado a passear sozinho por a floresta . Fang não gostou lá muito de ele . Manteve se a o lado de o Harry que podia senti o a tremer . Com a respiração normalizada , Harry guardou a varinha em o manto . - E nós a pensarmos que ele nos ia atacar - disse o Ron , encostando se a o carro e dando lhe duas palmadinhas - As voltas que eu dei a a cabeça a pensar para_onde ele teria ido ! Harry olhava para todos os lados , em o chão iluminado , em busca de mais aranhas mas todas elas tinham fugido de o brilho de as luzes . - Perdemos as de vista - disse ele . - Anda , vamos procurá as . Ron não disse nada . Não se moveu . Tinha os olhos fixos em um ponto , três metros acima de o chão de a floresta , mesmo atrás de o Harry . O seu rosto estava lívido de terror . Harry nem teve tempo de se voltar . Ouviu se um ruído alto e seco e sentiu que alguma coisa longa e peluda o elevava em o ar com o rosto voltado para baixo . Debatendo se , apavorado , ouviu outro estalido e viu as pernas de o Ron serem também levantadas de o chão . Ouviu o Fang gemer e ganir e , em o momento seguinte , era levado para o meio de as árvores escuras . Com a cabeça a balouçar , Harry viu que a coisa que o transportava tinha seis enormes patas peludas e que as duas de a frente o agarravam com forca sob um par de tenazes pretas e brilhantes . Atrás_de si podia ouvir outra de aquelas criaturas que , sem dúvida , transportava o Ron . Encaminhavam se para o coração de a floresta . Harry ouvia o Fang a ladrar , tentando libertar se de um terceiro monstro mas Harry não podia gritar mesmo_que quisesse , parecia que tinha deixado a voz em a clareira , junto com o carro . Não soube quanto tempo esteve em as patas de a criatura , só se apercebeu que a escuridão se atenuara um_pouco , permitindo lhe ver que o chão coberto de folhas estava agora repleto de aranhas . Voltando a cabeça para o lado , deu se conta de que tinham chegado a a base de uma enorme cova , uma cova que fora limpa de árvores para que as estrelas iluminassem com o seu brilho a cena mais pavorosa que os seus olhos alguma vez tinham visto . Aranhas . Não aranhas pequeninas como aquelas que estavam sobre as folhas . Aranhas de o tamanho de enormes cavalos , com oito olhos , oito pernas pretas , peludas , gigantescas . O espécimen que transportava Harry desceu o terreno íngreme até uma teia brumosa em forma de cúpula que ficava mesmo em o meio de a cova , enquanto os companheiros se juntavam em volta , batendo excitadíssimos com as tenazes e olhando para o que eles traziam a as costas . Harry caiu em o chão de gatas quando a aranha o libertou . Ron e Fang foram cair perto de ele . O Fang já não gania . Estava agachado e muito quieto . Ron e Harry partilhavam o mesmo sentimento . O Ron tinha a boca aberta em uma espécie de grito silencioso e os olhos a saltarem lhe de as órbitas . Harry percebeu de repente que a aranha que o deitara a o chão estava a dizer qualquer coisa . Era difícil entender porque entre cada duas palavras , batia com as tenazes . - Aragog - chamou . - Aragog . E de o meio de a teia brumosa em forma de cúpula saiu muito lentamente uma aranha de o tamanho de um pequeno elefante . As costas e as pernas estavam cobertas de pêlo cinzento e , em a cabeça feia , munida de tenazes , estavam vários olhos , todos eles de um branco leitoso . Era cega . - O que foi ? - disse , batendo rapidamente com as tenazes uma em a outra . - Homens - respondeu a aranha que trouxera o Harry . - É o Hagrid ? - perguntou Aragog , aproximando se mais com os seus oito olhos leitosos a vaguear . - Estranhos - respondeu a aranha que trouxera o Ron . - Matem nos - disse Aragog , irritada . - Eu estava a dormir ... - Nós somos amigos de o Hagrid - gritou Harry . Parecia que o coração lhe saltava por a boca . Clic , clic , clic fizeram as tenazes de a aranha , em volta de a cova . Aragog parou . - O Hagrid nunca mandou homens a a nossa cova - disse lentamente . - O Hagrid está em perigo - explicou Harry , respirando muito depressa . - Foi por isso que eu vim . - Em perigo ? - repetiu a aranha idosa e pareceu a Harry sentir preocupação por detrás de as suas tenazes . - Mas porque vos mandou ele cá ? Harry pensou pôr se de pé mas achou melhor não arriscar . As pernas provavelmente não teriam força para o sustentar . Falou portanto de o chão , o mais calmamente que foi capaz . - Eles lá em a escola pensam que o Hagrid soltou qualquer coisa contra os estudantes . Mandaram o para Azkaban . Aragog bateu furiosamente com as tenazes e , em toda_a cova , o eco foi reproduzido por uma multidão de aranhas . Era uma espécie de aplauso com uma única diferença : os aplausos não costumavam fazer o Harry quase morrer de medo . - Mas isso foi há muitos anos - disse Aragog , maldisposta . - Há anos e anos . Lembro me muito bem . Foi por isso que o expulsaram de a escola . Eles pensaram que eu era o monstro que vive em aquilo a que eles chamam a Câmara_dos_Segredos . Pensaram que o Hagrid a tinha aberto para me libertar . - E tu ... não vieste de a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Harry que sentia a testa cheia de suores frios . - Eu - disse Aragog , batendo irritada com as tenazes - , eu não nasci em o castelo . Venho de uma terra distante . Um viajante ofereceu me a o Hagrid quando eu era ainda um ovo . Hagrid era um rapazinho mas tratou de mim , escondeu me em uma despensa dentro de o castelo e alimentava me com as migalhas que ficavam em as mesas . Hagrid é o meu bom amigo e um bom homem . Quando me encontraram e me culparam por a morte de uma rapariga , ele protegeu me . Desde_então , tenho vivido aqui em a floresta onde o Hagrid ainda vem visitar me . Ele até me arranjou uma esposa , Mosag , e estão a ver como a família cresceu , tudo graças a a bondade de o Hagrid ... Harry reuniu a coragem que lhe restava . - Então tu nunca atacaste ninguém ? - Nunca - resmungou a velha aranha . - Era esse o meu instinto , mas por respeito a Hagrid nunca fiz mal a nenhum humano . O corpo de a rapariga morta foi encontrado em uma casa_de_banho , ora eu nunca conheci mais do_que despensa de o castelo , onde cresci . Nós gostamos de o escuro de o silêncio . - Mas então ... sabes o que matou essa rapariga ? - perguntou Harry . - Porque seja o que for , está a atacar as pessoas outra_vez ... As suas palavras foram abafadas por uma audível explosão de tenazes a bater e por o ruge-ruge de muitas pernas longas , deslocando se iradas . Em volta de Harry começaram a mover se sombras escuras . - O que vive em o castelo - disse Aragog - é uma antiga criatura que nós , aranhas , tememos acima_de todas_as outras . Lembro me bem de o quanto insisti com Hagrid para que me deixasse sair de ali quando senti a criatura a andar por a escola . - O que é ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Mais tenazes a bater , mais pernas a moverem se . As aranhas pareciam estar a aproximar se . - Nós não falamos de isso - exclamou Aragog furiosa . - Não pronunciamos o seu nome . Eu nunca disse a o Hagrid o nome de a horrível criatura , apesar_de ele me ter perguntado vezes sem conta . Harry não quis insistir , principalmente com todas aquelas aranhas a aproximarem se de todos os lados . Aragog parecia ter se cansado de falar . Recuava lentamente para a teia em forma de cúpula , mas as companheiras continuavam a aproximar se ameaçadoramente de Harry e Ron . - Vamos embora , então - gritou Harry , desesperadamente a Aragog , enquanto ouvia as folhas secas a estalarem atrás_de si . - Embora ? - disse Aragog lentamente . - Não me parece ... - Mas , mas ... - Os meus filhos e filhas não fazem mal a o Hagrid por ordem minha . Mas não posso negar lhes carne fresca quando ela veio por vontade própria ter connosco . Adeus , amigo de o Hagrid . Harry deu meia volta . Poucos centímetros acima de ele , uma sólida parede de aranhas batia com as tenazes , os seus muitos olhos a brilharem em as horríveis caras pretas . Mesmo_que se servisse de a varinha , Harry sabia que não ia valer de nada . As aranhas eram demasiadas , mas quando tentava preparar se para morrer a lutar , ouviu se um som prolongado e um clarão de luz iluminou a cova . O carro de Mr._Weasley ribombava , descendo o declive , com os faróis acesos , a buzina a guinchar , afastando as aranhas . Muitas de elas ficaram voltadas ao_contrário com as várias pernas a agitar se em o ar . O carro buzinou com mais força em frente de Harry e Ron e as portas abriram se . - Agarra o Fang - gritou Harry , ajeitando se em o lugar de a frente . Ron agarrou o cão caçador de javalis e lançou o a ganir para o banco de trás . As portas fecharam se com estrondo . Ron não tocou em o acelerador mas o carro não precisou de isso . O motor fez se ouvir e levantaram voo , batendo em mais aranhas . Subiram o declive , saindo de a cova e pouco depois atravessavam a floresta , os ramos a baterem em os vidros enquanto o carro seguia habilmente através de os intervalos maiores , por um caminho que obviamente já conhecia . Harry olhou para o Ron , a o seu lado . Ele tinha ainda a boca aberta em o mesmo grito silencioso mas os olhos já não estavam salientes . - Estás bem ? Ron olhou em frente , incapaz de responder . Começavam a descer para terra firme com o Fang a soltar enormes ganidos em o banco de trás e Harry viu o espelho retrovisor saltar quando passaram rente a um enorme carvalho . Após dez minutos bastante ruidosos , as árvores começaram a ser mais finas e Harry pôde ver de_novo pedaços de o céu . O carro parou tão bruscamente que quase foram projectados por o vidro de a frente . Tinham chegado a a orla de a floresta . O Fang ia agitadíssimo a a janela e quando Harry abriu a porta , disparou a correr através de as árvores até a a casa de o Hagrid , de cauda entre as pernas . Harry saiu também e um minuto depois o Ron pareceu recuperar a força em os membros e seguiu o , ainda com um torcicolo e de olhos esbugalhados . Harry deu uma palmadinha de agradecimento a o carro antes de ele dar a volta e desaparecer em direcção a a floresta . Harry voltou a a cabana de o Hagrid para buscar o manto de a invisibilidade . O Fang tremia em o seu cesto , coberto por um cobertor . Quando saiu de_novo , viu o Ron a vomitar junto de as abóboras . - Sigam as aranhas - disse ele debilmente , limpando a boca a a manga . - Nunca vou perdoar a o Hagrid . É uma sorte ainda estarmos vivos . - Aposto que ele pensou que Aragog nunca faria mal a os seus amigos - justificou Harry . - Esse é justamente o problema de o Hagrid - interrompeu Ron , dando um soco em a parede de a cabana . - Ele acha sempre_que os monstros não são tão maus como os pintam e vê onde isso o levou , a uma cela em Azkaban - tremia agora descontroladamente . - Qual a ideia de ele a o mandar nos ali ? Gostava de saber o que é_que descobrimos . - Que o Hagrid nunca abriu a Câmara_dos_Segredos - disse Harry , lançando o manto sobre Ron e tocando lhe em o braço para o encorajar a andar . - Ele estava inocente . Ron resmungou em voz alta . Para ele , chocar Aragog em uma despensa não era propriamente estar inocente . Quando se aproximaram de o castelo , Harry esticou o manto para garantir que os pés de ambos ficavam cobertos . Em seguida , empurrou as portas de a frente que chiaram . Atravessaram com todo o cuidado o * hall * de entrada e subiram a escadaria de mármore , contendo a respiração em os corredores guardados por sentinelas atentos . Por fim , chegaram a a segurança de a sala de os Gryffindor onde o lume ardera até se transformar em brasas brilhantes . Tiraram o manto e subiram a escada serpenteante que os levava a o dormitório . Ron caiu em a cama sem sequer se despir mas Harry , apesar_de tudo , não tinha sono . Sentou se em a beirinha de a cama , pensando em todas_as coisas que Aragog dissera . A criatura que andava por o castelo , pensou , era uma espécie de monstro Voldemort , nem os outros monstros queriam pronunciar o seu nome . Mas ele e o Ron não estavam agora mais perto_de descobrir o que era nem como petrificava as suas vítimas . Se nem o Hagrid chegara a saber o que estava em a Câmara_dos_Segredos ... Harry balançou as pernas e atirou se para_cima de a cama . Encostado a as almofadas olhou a Lua que brilhava através de a janela de a torre . Não sabia que mais poderiam fazer . Só tinham encontrado portas fechadas . Riddle apanhara a pessoa errada . O herdeiro de Slytherin fugira e ninguém sabia se era a mesma pessoa ou uma outra que abrira , desta_vez , a Câmara_dos_Segredos . Não havia mais ninguém a quem fazer perguntas . Harry deitou se ainda a pensar em as palavras de Aragog . Estava a começar a ficar com sono quando aquilo que parecia ser uma última esperança lhe ocorreu , fazendo o sentar se muito direito em a cama . - Ron - sussurrou em o escuro . - Ron . Ron acordou com um ganido como os de o Fang . Olhou muito assustado em volta e viu o Harry . - Ron , a rapariga que morreu . Aragog contou nos que ela foi encontrada em uma casa_de_banho - disse , ignorando os roncos de o Neville em o outro canto de o quarto . - E se ela nunca tivesse saído de a casa_de_banho ? E se ainda lá estiver ? Ron esfregou os olhos , franzindo as sobrancelhas sob a luz de a Lua . E só então compreendeu . -- Não pensar que ... a Murta_Queixosa ? XVI_A_Câmara_dos_Segredos -- E estivemos nós tantas vezes em aquela casa_de_banho com ela apenas a três cubículos de distância - disse o Ron amargamente em o dia seguinte , a a mesa de o pequeno-almoço . - Podíamos ter lhe perguntado e agora ... Já fora bastante difícil procurar as aranhas . Escapar a os professores o tempo suficiente para ir até a a casa_de_banho de as raparigas , que ficava mesmo em frente de o lugar onde ocorrera o primeiro ataque , ia ser quase impossível . Mas alguma coisa aconteceu que fez com que a Câmara_dos_Segredos desaparecesse de os seus pensamentos pela_primeira_vez em várias semanas . A professora Mc_Gonagall comunicou lhes que os exames começariam a 1_de_Junho , uma semana depois . - Exames ? - gritou Seamus_Finnigan . - Nós mesmo_assim vamos ter exames ? Ouviu se um estrondo atrás de o Harry quando a varinha de o Neville_Longbottom lhe escapou de a mão , fazendo desaparecer uma de as pernas de a secretária . A professora Mc_Gonagall repô a com a sua varinha e voltou se com má cara para o Seamus . - Se temos a escola aberta em uma altura de estas é para vocês receberem instrução - disse com dureza . - Os exames terão lugar , portanto , como é costume e espero que todos vocês façam revisões até lá . Revisões . Não passara por a cabeça de o Harry que houvesse exames com o castelo em aquele estado . Houve uma série de murmúrios revoltados , o que fez com que a professora Mc_Gonagall ficasse ainda mais mal-humorada . - As instruções de o professor Dumbledore foram para manter a escola a funcionar o mais normalmente possível - disse . - E isso , não preciso de vos dizer , passa por uma avaliação de o quanto vocês aprenderam a o longo de este ano . Harry olhou para baixo , para o casal de coelhos brancos que ele deveria transformar em pantufas . Que tinha ele aprendido durante o ano ? Não era capaz de se lembrar de nada que fosse útil em um exame . Ron estava como_se tivessem acabado de lhe dizer que a partir de aquele momento tinha de ir viver para a floresta proibida . - Estás a ver me a ter exames com isto tudo ? - perguntou a o Harry enquanto pegava em a varinha que tinha começado a assobiar bastante alto . Três dias antes de o primeiro exame , a a hora de o pequeno almoço , a professora Mc_Gonagall fez outra comunicação . - Tenho boas notícias - disse , e o salão em_vez_de se calar , explodiu de contentamento . - Dumbledore vai regressar ! - gritaram várias pessoas cheias de alegria . - Apanharam o herdeiro de Slytherin - arriscou uma rapariga em a mesa de os Ravenclaw . - Temos outra_vez os jogos de Quidditch - bradou Wood , excitadíssimo . Quando a agitação passou , Mc_Gonagall disse : - A professora Sprout informou me que as mandrágoras estão finalmente prontas para serem cortadas . Hoje a a noite vamos poder reanimar as pessoas que foram petrificadas . Escusado será dizer que certamente uma de elas poderá revelar nos quem ou o que a atacou . Eu tenho esperança que este ano pavoroso acabe com a prisão de o culpado . Houve uma explosão de aplausos . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e não ficou nada surpreendido a o ver que Draco_Malfoy não aplaudia . O Ron , por outro lado , estava satisfeito como ninguém o via havia dias . - Não faz mal não termos perguntado a a Murta . A Hermione vai , com certeza , ter todas_as respostas quando acordarem . Vai também ficar fula quando souber que temos exames dentro_de três dias . Ela não pôde fazer revisões . Seria melhor deixarem a estar onde está até a o final de os exames . Nessa_altura , Ginny_Weasley veio sentar se junto de o Ron . Parecia nervosa e tensa e Harry reparou que torcia as mãos em o colo . - O que se passa ? - perguntou o Ron , servindo se de mais papa de aveia . Ginny não disse nada mas olhou para um lado e para o outro de a mesa de os Gryffindor , com um olhar assustado que lembrou a Harry alguém que não sabia bem quem era . - Vá lá , vomita - disse o Ron , olhando para ela . Harry percebeu subitamente quem a Ginny lhe lembrara . Ela balançava se ligeiramente para a frente e para trás em a cadeira , exactamente como o Dobby fazia quando estava hesitante , à_beira_de revelar uma informação proibida . - Tenho de te dizer uma coisa - balbuciou a Ginny receosa , sem olhar para Harry . - O que é ? - perguntou ele . Ginny parecia incapaz de encontrar as palavras certas . - O quê ? - insistiu Ron . Ginny abriu a boca mas não saiu nenhum som . Harry inclinou se para a frente e falou devagar para que só ela e Ron pudessem ouvi o . - É alguma coisa relacionada com a Câmara_dos_Segredos ? Viste alguma coisa ou alguém a agir de forma estranha ? Ginny respirou fundo e , em esse preciso momento , apareceu Percy_Weasley com um ar pálido e cansado . - Se já acabaste de comer eu fico com esse lugar , Ginny . Estou cheio de fome . Acabei agora o meu trabalho de patrulhamento . Ginny deu um salto como_se a cadeira tivesse acabado de ser electrificada , lançou a o Percy um olhar assustado e zarpou . Percy sentou se e tirou uma caneca de o meio de a mesa . -- Percy - disse o Ron aborrecido . - Ela ia agora mesmo contar nos uma coisa importante . A meio de um gole de chá , Percy estremeceu . - Que coisa ? - perguntou , tossindo . - Eu quis saber se ela tinha visto alguma coisa estranha e ela ia dizer ... - Ah ! isso ... não tem nada que ver com a Câmara_dos_Segredos - disse o Percy de imediato . - Como sabes ? - indagou o Ron , erguendo as sobrancelhas . - Bem ... er ... já_que perguntam , a Ginny ... er ... passou por mim em outro dia quando eu ... er ... não foi nada , o importante é_que ela viu me fazer uma coisa e eu ... um ... pedi lhe para não comentar com ninguém . Não pensei que ela cumprisse a palavra , verdade se diga . Não é nada importante , eu só ... Harry nunca vira o Percy tão pouco a a vontade . - O que estavas a fazer , Percy ? - riu se o Ron . - Vá lá , conta que nós não nos rimos . Percy ficou sério . - Passa me esses pãezinhos , Harry , estou cheio de fome . Harry sabia que todo o mistério poderia ser desvendado em o dia seguinte sem a ajuda de eles mas não ia deixar de falar com a Murta_Queixosa se a oportunidade surgisse . E , para sua grande satisfação , ela surgiu a meio de a manhã quando eram conduzidos a a aula de História_da_Magia_por_Gilderoy_Lockhart . Lockhart , que tantas vezes lhes assegurara que o perigo tinha passado , estava agora totalmente convencido de que acompanhar os alunos em os corredores era um trabalho inútil . O seu cabelo estava mais liso do_que de costume . Parecia ter passado toda_a noite acordado a vigiar o quarto andar . - Podem escrever o que eu digo - afirmou , acompanhando os até uma esquina . - As primeiras palavras que vão sair de a boca de aquelas pobres pessoas petrificadas serão - * _ Foi_o_Hagrid * . Francamente , estou espantado por a professora Mc_Gonagall considerar ainda necessárias estas medidas de segurança . - Concordo , professor - disse Harry , fazendo com que Ron , surpreendido , deixasse cair os livros a o chão . - Obrigado , Harry - disse Lockhart amavelmente , enquanto deixavam passar uma grande fila de Hufflepuffs . - verdade é_que os professores já têm bastante que fazer para andarem também a acompanhar os alunos a as aulas e a guardar os corredores a a noite ... - É verdade - disse o Ron , percebendo a ideia . - Porque não nos deixa aqui , professor , só falta mais um corredor . - Sabes , Weasley , sou mesmo capaz de fazer isso - disse Lockhart . - Preciso de preparar a minha próxima aula . E apressou se a seguir o seu caminho . - Preparar a aula - zombou o Ron . - Vai encaracolar o cabelo , é o mais certo . Deixaram os restantes Gryffindor passar lhes a a frente e por fim cortaram caminho em um corredor lateral e dirigiram se a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mas quando estavam a congratular se por o seu esquema brilhante ... - Potter , Weasley ! Que estão vocês a fazer aqui ? Era a professora Mc_Gonagall e a boca de ela estava mais fina do_que nunca . - Nós estávamos , estávamos - gaguejou o Ron . - Nós íamos ver , íamos ver ... - Hermione - completou Harry . A professora Mc_Gonagall e Ron olharam para ele . - Não a vemos há séculos , professora - prosseguiu Harry , pisando o pé a o Ron . - E pensamos ir espreitá a a a ala hospitalar e dizer lhe que as mandrágoras estão quase prontas , para ela não se preocupar . A professora Mc_Gonagall estava ainda a olhar para ele e , por um momento , Harry pensou que ela ia explodir mas , quando falou , fê lo em um tom de voz estranhamente rouco . - É claro - disse . E Harry , espantado , viu uma lágrima a brilhar lhe em o canto de um de os olhos . - É claro . Eu compreendo que tudo_isto tem sido muito duro para os amigos de aqueles que foram ... eu compreendo , sim , Potter . Podem ir visitar Miss_Granger . Eu mesma informarei o professor Binns de que vocês estão em o hospital . Digam a Madam_Pomfrey que vos dei autorização . Harry e Ron afastaram se , quase sem acreditar que tinham escapado a um castigo . Quando voltaram em uma esquina ouviram nitidamente a professora Mc_Gonagall a assoar se . - Esta - disse o Ron entusiasmado - foi a melhor história que tu alguma vez inventaste . Não tinham outro remédio senão ir a a ala hospitalar e dizer a Madam_Pomfrey que tinham autorização de a professora Mc_Gonagall para visitar Hermione . Madam_Pomfrey deixou os entrar com alguma relutância . - Não vale a pena falar com uma pessoa petrificada - disse , e ambos tiveram que admitir que ela tinha razão quando se sentaram junto de Hermione e constataram que ela não tinha a menor noção de estar acompanhada . Dizer lhe que não se preocupasse ou falar com o armário que estava a o lado de a cama era exactamente a mesma coisa . - Será que ela viu quem a atacou ? - perguntou o Ron , olhando com tristeza para o rosto rígido de Hermione . - Porque se a coisa saltou sobre eles , ficaremos todos sem saber de nada . Mas Harry não olhava para o rosto de Hermione . Estava mais interessado em a sua mão direita que se encontrava pousada sobre os cobertores e , inclinando se para ela , viu que tinha , fechado entre os dedos , um pedaço de papel . Assegurando se de que Madam_Pomfrey não dava por nada , fez sinal a o Ron . - Tenta tirá o - murmurou ele , colocando a cadeira de_modo_a que Madam_Pomfrey não pudesse ver o Harry . Não foi tarefa fácil . A mão de a Hermione estava fechada com uma força tal que Harry receou parti a . Enquanto Ron vigiava , ele forçou e torceu até que , por fim , depois de vários minutos bastante tensos , conseguiu tirar o papel . Era uma página retirada de um livro muito antigo de a biblioteca . Harry alisou a ansiosamente e Ron inclinou se para poder lês a também . * _ De todos os monstros assustadores que pairam a a face de a Terra , nenhum é tão curioso nem tão fatal como o Basilisk , também conhecido por o rei de as serpentes . Esta cobra que pode atingir proporções gigantescas e viver durante muitas centenas de anos nasce de um ovo de galinha que é chocado por um sapo . As suas formas de matar são pavorosas pois além de os dentes venenosos e mortais , o Basilisk tem um olhar criminoso e todos aqueles que ele fixa com os olhos tem morte instantânea . As aranhas fogem a sete pés de o Basilisk que é seu inimigo mortal , e o Basilisk foge apenas de o canto de o galo que para ele é fatal * . Por debaixo de isto uma única palavra fora escrita , em a letra que Harry reconheceu como sendo de Hermione : Canos . Foi como_se se tivesse acendido uma luz em o seu espírito . - Ron - murmurou - é isso . Está aqui a resposta . O monstro de a Câmara_dos_Segredos é um Basilisk , uma serpente gigante . Por isso , só eu tenho ouvido a sua voz em todos os lugares , porque eu compreendo * serpentês * ... Harry olhou para as camas em volta . - O Basilisk mata as pessoas fixando as com o olhar mas ninguém morreu , o que quer_dizer que ninguém o olhou directamente em os olhos . Colin viu o através de a lente de a máquina fotográfica e o Basilisk queimou o rolo que estava lá dentro mas o Colin ficou apenas petrificado . O Justin ... o Justin deve ter visto o Basilisk através de o Nick quase sem cabeça . O Nick é_que levou com o olhar mas não podia morrer outra_vez ... e perto de a Hermione e de a prefeita de os Ravenclaw foi encontrado um espelho . Hermione acabara de compreender que o monstro era um Basilisk . Aposto que preveniu a primeira pessoa que encontrou de que era melhor olhar por um espelho a o virar de cada esquina . E aquela rapariga puxou de o seu espelho e ... O Ron estava de queixo caído . - E Mrs._Norris ? - perguntou vivamente . Harry pensou um_pouco , tentando imaginar a cena em a noite de o Halloween . - A água . . . - disse lentamente . - A poça de água que saiu de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Aposto que Mrs._Norris só viu o reflexo de o monstro . Examinou a folha de papel que tinha em a mão . Quanto_mais olhava mais sentido faziam as coisas . - * _ O cantar de o galo é fatal para ele * - leu em voz alta . - Os galos de o Hagrid foram mortos . O herdeiro de Slytherin não queria um único galo perto de o castelo , com a câmara aberta . * _ As aranhas são as primeiras a fugir * . Tudo encaixa . - Mas , como tem o Basilisk andado por aí ? - disse o Ron . - Uma serpente horrível e enorme ... alguém a teria visto . Mas Harry apontou para a palavra que Hermione escrevinhara em o final de a página . - Canos - disse . - Canos ... Ron , ele tem usado a canalização . Eu ouvi sempre a voz dentro de as paredes ... Ron agarrou subitamente o braço de o Harry . - A entrada para a Câmara_dos_Segredos - disse em uma voz rouca . - E se for em uma casa_de_banho ? Se for em a ... - Em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa - completou Harry . Sentaram se , tomados de uma excitação enorme , mal querendo acreditar . - Isso significa que - disse o Harry - eu não posso ser o único em a escola a falar * serpentês * . Há também o herdeiro de Slytherin . É de esse modo que tem controlado o Basilisk . - O que vamos fazer ? - perguntou Ron com os olhos a faiscar . - Vamos falar com a Mc_Gonagall ? - Vamos até a a sala de os professores - disse Harry , dando um salto . - Ela estará lá dentro_de dez minutos , está quase em o intervalo . Desceram a escada a correr . Não querendo ser descobertos outra_vez a vaguear por os corredores foram directamente até a a sala de os professores que estava deserta . Era uma divisão ampla , toda forrada , com cadeiras de madeira escura . Harry e Ron passearam de um lado para o outro , demasiado nervosos para se sentarem . Mas a campainha anunciando o intervalo nunca mais tocava . Em vez de isso , ecoando em os corredores , ouviram a voz de a professora Mc_Gonagall incrivelmente ampliada . - * _ Todos os alunos devem regressar de imediato a os seus dormitórios . Todos os professores a a sala de professores . Imediatamente , por favor * . Harry deu meia volta e olhou para o Ron . - Não me digas que houve um novo ataque , não agora ! - Que vamos fazer ? - disse o Ron aterrado . - Voltar para o dormitório ? - Não - disse Harry , olhando e m volta . Havia uma espécie de armário a a sua esquerda cheio com os mantos de os professores . - Ali . Vamos ouvir o que se passa . A seguir poderemos contar lhes o que descobrimos . Esconderam se dentro de o armário , ouvindo a algazarra de centenas de pessoas e a porta de a sala de professores a abrir se . De o meio de a confusão de mantos bafientos , viram os professores encherem a sala . Alguns tinham um ar totalmente confuso , outros pareciam apavorados . Por fim , chegou a professora Mc_Gonagall . - Aconteceu - disse em o silêncio de a sala de professores . - O monstro levou uma aluna . Levou a mesmo para a câmara . O professor Flitwick soltou um grito agudo . A professora Sprout bateu com a mão em a boca . Snape agarrou com força as costas de uma cadeira e perguntou : - Como pode ter tanta certeza ? - O herdeiro de Slytherin - disse a professora Mc_Gonagall , muito pálida . - Deixou outra mensagem . Mesmo por baixo de a primeira : « * _ O esqueleto de ela ficará para sempre em a Câmara_dos_Segredos * . » O professor Flitwick desatou a chorar . - Quem é ela ? - quis saber Madam_Hooch que se afundara em uma cadeira . - Quem é a aluna ? - Ginny_Weasley - disse a professora Mc_Gonagall . Harry viu o Ron , a o seu lado , escorregar silenciosamente até a o chão de o armário . - Vamos ter que mandar todos os alunos embora amanhã - disse a professora Mc_Gonagall . Isto_é o fim de Hogwarts , Dumbledore sempre disse ... A porta de a sala de os professores voltou a abrir se . Por um breve momento , Harry pensou que fosse Dumbledore mas era Lockhart e vinha todo sorridente . - Peço desculpa , adormeci . Perdi alguma coisa ? Não pareceu reparar que os outros professores o olhavam com uma espécie de aversão . Snape deu um passo em frente . - O homem que faltava - disse . - O homem certo . O monstro raptou uma garota , Lockhart levou a para a Câmara_dos_Segredos . O seu momento chegou . - Isso mesmo , Lockhart - acrescentou a professora Sprout . - Não estavas a dizer ontem a a noite que sempre tinhas sabido onde era a entrada para a Câmara_dos_Segredos ? - Eu ... bem ... eu-disse atabalhoadamente Lockhart . - Sim , não me disseste que sabias exactamente o que estava lá dentro ? - disse com voz esganiçada o professor Flitwick . - Eu disse ? Não me lembro ... - Lembro me perfeitamente de o ouvir dizer que lamentava não ter feito uma tentativa com o monstro antes de o Hagrid ser preso - disse Snape . - Não disse que toda_a história tinha sido uma atrapalhação e que deveriam ter lhe dado carta branca desde o princípio ? Lockhart olhou em volta para a cara de espanto de os colegas . - Eu ... nunca ... eu de facto ... deve ter me compreendido mal . - Então vamos deixar te , Gilderoy - disse a professora Mc_Gonagall . - Esta noite será uma excelente oportunidade para actuares . Nós trataremos de assegurar que ninguém te atrapalha . Vais poder enfrentar o monstro sozinho . Finalmente tens carta branca . Lockhart olhou desesperado a a sua volta mas ninguém foi salvá o . Já não estava bem-parecido . O lábio tremia lhe e a ausência de o seu habitual sorriso de dentes brancos dava lhe um ar escanzelado . - M-muito bem - disse . - Vou até a o meu escritório para ... para me preparar . E saiu de a sala . - _ óptimo - exclamou a professora Mc_Gonagall com as narinas dilatadas . - Isto deve afastá o de o nosso caminho . Os chefes de casa devem ir agora comunicar a os respectivos alunos o que se passou e informá os de que o Expresso_de_Hogwarts os levará a casa amanhã de manhã . Os restantes certifiquem se , por favor , de que não há alunos fora de os dormitórios . Os professores levantaram se e saíram um a um . Foi talvez o dia pior de a vida de o Harry . Ele , Ron , Fred e George sentaram se juntos a um canto em a sala comum de os Gryffindor , incapazes de proferir uma palavra . Percy não estava lá . Tinha ido tratar de enviar uma coruja a Mr. e Mrs._Weasley e , em seguida , fechara se em o dormitório . Nunca uma tarde custara tanto a passar e nunca a torre de os Gryfffindor estivera tão cheia de gente e tão silenciosa . Fred e George foram para a cama quase a o pôr de o Sol , incapazes de ficar ali mais tempo . - Ela sabia qualquer coisa , Harry - disse o Ron , falando pela_primeira_vez desde_que tinham saído de o armário de a sala de os professores . - Por isso a levaram . Não era nenhuma parvoíce sobre o Percy , ela tinha descoberto qualquer coisa sobre a Câmara_dos_Segredos . Com certeza por isso é_que a ... - Ron esfregou os olhos , enervadíssimo . - Afinal ela era sangue puro , não pode haver outra explicação . Harry olhava para o sol que mergulhava de um vermelho cor de sangue em a linha de o horizonte . Era a pior coisa que lhe tinha acontecido . Se pelo_menos pudessem fazer alguma coisa . - Harry - disse o Ron . - Achas que há alguma possibilidade de ela não estar ... ? Sabes o que eu quero dizer . Harry não sabia que resposta dar . Não acreditava que a Ginny pudesse ainda estar viva . - Sabes uma coisa ? - disse o Ron . - Acho que devíamos ir ter com o Lockhart , contar lhe o que sabemos . Ele vai tentar entrar em a câmara , podemos dizer lhe onde achamos que fica a entrada e contar lhe que o monstro é um Basilisk . Como Harry não tinha nenhuma ideia melhor e como queria fazer alguma coisa , concordou . Os Gryffindor que os rodeavam estavam tão tristes e com tanta pena de os Weasley que ninguém tentou impedi os quando os viram levantar se , atravessar a sala e sair por o buraco de o retrato . A escuridão começava a instalar se quando chegaram a o escritório de Lockhart onde a actividade era muita . De o corredor ouvia se o ruído de coisas a serem deitadas fora , pancadas surdas e passos apressados . Harry bateu a a porta e houve um silêncio repentino . Em seguida abriu se uma fresta de a porta e viram um de os olhos de Lockhart a espreitar . - Oh ! ... Mr._Potter ... Mr._Weasley - disse entreabrindo a porta . - Estou um_pouco ocupado em este momento , se forem rápidos ... - Professor , nós temos informações para lhe dar - disse o Harry . - Acho que poderão ajudá o . - Er ... bem ... não é - o lado de a cara de Lockhart que conseguiam ver parecia muito pouco a a vontade . - Quer_dizer ... bem ... está bem . Abriu a porta e eles entraram . O escritório estava praticamente vazio . Em o chão estavam duas grandes malas abertas . Mantos verde-jade , lilás , azul-noite tinham sido apressadamente dobrados e guardados dentro_de uma de as malas . Os livros misturavam se todos dentro de a outra . As fotografias que antes cobriam as paredes estavam agora arrumadas em caixas , em cima de a secretária . - Vai a algum lado ? - perguntou Harry . - Er ... bem ... sim - disse Lockhart , arrancando de a porta um poster seu em tamanho natural , enquanto falava , e começando a enrolá o . - Uma chamada urgente ... inevitável ... tenho que ir . - E a minha irmã ? - perguntou o Ron bruscamente . - Bem , quanto_a isso foi uma pena - disse Lockhart , evitando olhá os em os olhos , abrindo uma gaveta e começando a despejar o seu conteúdo dentro_de um saco . - Ninguém lamenta mais do_que eu ... - O senhor é o professor de Defesa contra as artes negras - disse Harry . - Não pode ir se embora agora_que todas estas coisas de magia negra estão a acontecer aqui . - Bem , devo dizer te que ... quando aceitei o lugar ... - resmungou Lockhart , empilhando soquetes sobre os mantos - nada em a descrição de o meu trabalho fazia prever ... - Quer_dizer que vai fugir ? - perguntou Harry , incrédulo . - Depois de todas_as coisas que conta em os seus livros ? - Os livros podem ser enganadores - disse Lockhart delicadamente . - Mas foi o senhor que os escreveu - gritou Harry . - Meu rapaz - disse Lockhart , endireitando se e franzindo as sobrancelhas - usa o senso comum . Os meus livros não teriam vendido metade do_que venderam se as pessoas não acreditassem que eu tinha feito todas aquelas coisas . Ninguém está interessado em ler sobre um velho feiticeiro americano mesmo_que ele tenha salvo uma cidade inteira de os lobisomens , ficaria péssimo em a capa . E a bruxa que correu com a fada carpideira tinha um lábio leporino . Como vês . - Quer_dizer que ficou com os louros por tudo_o_que uma série de outras pessoas fizeram ? - perguntou Harry , sem querer acreditar . - Harry , Harry - disse Lockhart , abanando impacientemente a cabeça . - Não é tão simples assim . Envolveu muito trabalho . Tive de localizar todas essas pessoas , perguntar lhes em pormenor como tinham feito as coisas . Depois tive de lhes fazer um feitiço antimemória para que não voltassem a lembrar se do_que tinham feito . Se há uma coisa de que me orgulho é de os meus feitiços antimemória . Não , tive muito trabalho , Harry . Não foram só as sessões de autógrafos e as fotografias , sabes ? Quem quer ser famoso tem de estar preparado para um trabalho longo e fatigante . Fechou as malas a a chave . - Vejamos - disse . - Acho que está tudo . Sim , só falta uma coisa . - Empunhou a varinha e voltou se para eles . - Lamento muito , rapazes , mas vou ter de vos fazer um feitiço antimemória . Não posso deixar que vão por aí repetir os meus segredos . Não venderia nem mais um livro . Harry pegou em a varinha mesmo a tempo e Lockhart mal tinha levantado a de ele a o ar quando Harry gritou * _ Expelliarmus ! * Lockhart foi projectado de costas , indo cair em cima de a mala . A varinha voou por os ares . Ron agarrou a e atirou a por a janela aberta . - Não devia ter deixado o professor Snape ensinar nos esta - disse Harry furioso , dando um pontapé a uma de as malas . Lockhart olhava para ele , de_novo escanzelado . Harry apontava lhe a varinha . - O que queres que eu faça ? - perguntou debilmente . - Eu não sei onde fica a Câmara_dos_Segredos . Não posso fazer nada . - Está com sorte - disse Harry , forçando o com a varinha a pôr se de pé . - Nós julgamos saber onde é e o que está lá dentro . Vamos . Conduziram Lockhart para fora de o seu escritório , desceram com ele as escadas e seguiram por o corredor escuro em cuja parede brilhavam as mensagens , até a a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mandaram Lockhart a a frente . Harry gostou de ver que todo ele tremia . A Murta_Queixosa estava sentada em a cisterna de o cubículo de o fundo . - Ah ! são vocês - disse a o ver o Harry . - O que querem agora ? - Perguntar te como morreste - disse Harry . O aspecto de a Murta mudou por completo . Parecia que nunca lhe tinham feito uma pergunta tão lisonjeira . - Ooooh ! Foi horrível - disse satisfeita . - Aconteceu aqui mesmo . Morri em este cubículo . Lembro me tão bem . Estava escondida porque a Olive_Hornby andava a implicar comigo por causa de os meus óculos . A porta estava fechada e eu estava a chorar e , então , ouvi alguém entrar . Disseram qualquer coisa estranha em uma língua diferente , acho eu . Mas o que mais me espantou foi o ser um rapaz a falar . Por isso , abri a porta para lhe dizer que fosse a a casa_de_banho de eles e em esse momento - a Murta inchou com ar importante , o rosto a brilhar - morri . - Como ? - perguntou Harry . - Não faço ideia - disse a Murta em um tom de voz abafado . - Só me lembro de ver dois grandes olhos amarelos , de o meu corpo ficar preso e em seguida , sentir me a flutuar ... - olhou sonhadoramente para Harry . - E depois voltei . Estava disposta a vingar me de a Olive_Hornby , percebes ? Ela ia arrepender se de ter gozado com os meus óculos . - Onde foi exactamente que viste os tais olhos ? - perguntou Harry . - Algures por aí - disse a Murta , apontando vagamente para o lavatório em frente de o seu cubículo . Harry e Ron apressaram se . Lockhart estava de pé , mais atrás , com uma expressão de pavor em o rosto . O lavatório parecia perfeitamente vulgar . Examinaram o centímetro a centímetro , dentro e fora , incluindo os canos por baixo . E foi então que Harry reparou : de lado , rabiscada em uma de as torneiras de cobre , estava uma cobra pequenina . - Essa torneira nunca funcionou - disse vivamente a Murta enquanto ele tentava abri a . - Harry - sugeriu o Ron . - Diz qualquer coisa em * serpentês * . Mas , pensou Harry , as únicas vezes que conseguira falar * serpentês * tinham ocorrido quando confrontado com uma verdadeira serpente . Olhou , concentrado para a pequena cobra gravada em o cobre , tentando imaginá a como verdadeira . - Abre te - disse . Olhou para o Ron que abanou a cabeça . - Inglês - disse ele . Harry voltou a olhar para a cobra , forçando se a acreditar que estava viva . A luz de a vela fez parecer que se movia . - Abre te - repetiu . Mas desta_vez as palavras não foram o que ele ouviu . Um estranho sibilar escapou lhe de a boca e a torneira ganhou uma luz branca e brilhante e começou a rodar . Logo_a_seguir o lavatório mexeu se . Afastou se , melhor dizendo , saiu de o caminho , deixando um grande cano a a vista , um cano onde cabia um homem . Harry ouviu a respiração arquejante de o Ron e olhou de_novo para ele . Já decidira o que queria fazer . - Vou descer - disse . Não podia deixar de ir , agora_que acabavam de descobrir a entrada para a câmara , existindo uma possibilidade , por mais remota que fosse , de a Ginny ainda estar viva . - Eu também - disse o Ron . Houve uma pausa . - Bem , parece que não precisam mais de mim - apressou se Lockhart a dizer com uma réstia de sorriso . - Eu vou . . . Pôs a mão em o puxador de a porta mas Ron e Harry apontaram lhe ambos as varinhas . -- O senhor pode ir a a frente - disse rispidamente o Ron . Pálido e sem varinha , Lockhart aproximou se de a entrada . - Meus rapazes - disse em uma voz débil . - Meus rapazes , para quê tudo_isto ? Harry tocou lhe em as costas com a varinha e ele meteu as pernas em o cano . - Eu não me parece que ... - começou a dizer , mas o Ron deu lhe um empurrão e ele desapareceu por o cano abaixo . Harry foi rapidamente atrás . Introduziu se lentamente e deixou se cair . Era como escorregar em uma pista escura e interminável . Ele via outros canos , estendendo se em todas_as direcções mas nenhum tão largo como o de eles que se torcia e virava , inclinando se abruptamente . Harry sabia que estavam a chegar a um ponto muito abaixo de a escola e de os calabouços . Atrás_de si , ouvia o Ron gemendo em cada curva . E então , quando começava a preocupar se com o que iria acontecer quando tocassem em o chão , o cano tornou se horizontal e ele foi projectado com um ruído surdo , indo aterrar em o chão húmido de um túnel de pedra com altura suficiente para ele se pôr de pé . Lockhart estava a levantar se a alguma distancia , todo enlameado e pálido como um fantasma . Harry afastou se para deixar o Ron sair também de o cano . - Devemos estar quilómetros e quilómetros abaixo de a escola - disse o Harry cuja voz ecoou em o túnel negro . - Talvez até debaixo de o lago - arriscou o Ron , olhando em volta para as paredes escuras e viscosas . Voltaram se os três para olhar para a escuridão lá a o fundo . - * _ Lumus ! * - murmurou Harry a a varinha e ela voltou a acender se . - Vamos - disse a o Ron e a o Lockhart e avançaram , os passos a chapinharem ruidosamente em o chão molhado . O túnel era tão escuro que só conseguiam ver alguns centímetros a a frente . As suas sombras em as paredes molhadas pareciam monstruosas a a luz de a varinha . - Lembrem se - disse Harry baixinho enquanto caminhavam . - A o menor movimento fechem logo os olhos ... Mas o túnel era silencioso como um túmulo e o primeiro som inesperado que ouviram foi um grito de o Ron que escorregou em uma coisa que era afinal a cauda de um rato . Harry baixou a varinha para olhar para o chão e viu que estava cheio de pequenos ossos de animais . Fazendo um enorme esforço para evitar pensar em que estado iriam encontrar a Ginny , avançou até uma curva escura de o túnel . - Harry , está aqui qualquer coisa - disse o Ron com voz rouca , agarrando Harry por o ombro . Ficaram estáticos a olhar . Harry só conseguia ver a silhueta de algo enorme e curvo deitado em o túnel . Fosse o que fosse não se movia . - Talvez esteja a dormir - murmurou , olhando para os outros dois . Lockhart tapava os olhos com as mãos . Harry voltou se para olhar para a criatura com o coração a bater tanto que lhe doía em o peito . Lentamente , com os olhos quase fechados mas ainda conseguindo ver , Harry avançou com a varinha levantada . A luz deslizou sobre uma gigantesca pele de serpente , de um verde vivo e venenoso que estava vazia e enrolada em o chão de o túnel . A criatura que a abandonara devia ter , pelo_menos , seis metros e meio de comprimento . - Bolas - disse o Ron , perdendo as forças . Houve um movimento súbito atrás de eles . As pernas de Gilderoy_Lockhart cederam . - Levante se - disse o Ron de uma forma cortante , apontando lhe a varinha . Lockhart pôs se de pé . Em seguida empurrou o Ron , atirando o a o chão . Harry deu um salto , mas ... tarde de mais . Lockhart endireitava se com a varinha de o Ron em as mãos e um sorriso em o rosto . - A aventura acaba aqui , rapazes - disse . - Vou levar um bocado de esta pele de cobra para a escola , contar lhes que foi demasiado tarde para salvar a garota e que vocês os dois perderam tragicamente a memória com a visão de o seu corpinho mutilado . Digam adeus a as vossas recordações . Levantou a o ar a varinha avariada de o Ron e gritou * _ Obliviate ! * A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba . Harry pôs os braços sobre a cabeça e correu , escorregou em os anéis de a pele de cobra , afastando se de os grandes pedaços de tecto de o túnel que caíam em o chão com o ruído de trovões . Pouco depois estava sozinho , olhando para uma sólida parede de rocha partida . - Ron - gritou ele . - Estás bem , Ron ? - Estou aqui - respondeu a voz abafada de o Ron por detrás de a avalancha de rochas . - Eu estou bem mas este sujeito não . A varinha avariou o todo . Ouviu se um ruído surdo e um Oh ! gritado . Parecia que o Ron tinha acabado de dar a o Lockhart um pontapé em as canelas . - E agora ? - disse a voz de o Ron que parecia desesperada . - Não podemos passar , vai demorar séculos . Harry olhou para o tecto de o túnel onde tinham aparecido grandes fendas . Ele nunca tentara partir , através de a magia , nada tão grande como aquelas rochas e agora não lhe parecia ser o melhor momento para fazer experiências . E se o túnel abatesse ? Houve um ruído surdo e outro Oh ! atrás de as rochas . Estavam a perder tempo . A Ginny já estava havia duas horas em a Câmara_dos_Segredos . Harry sabia que só havia uma coisa a fazer . - Espera aqui - gritou a o Ron . - Fica com o Lockhart , eu vou lá . Se não voltar dentro_de uma hora ... Houve um silêncio cheio . - Eu vou ver se desloco um_pouco esta rocha - disse o Ron , tentando manter a voz firme . - Para tu poderes passar . E , Harry ... - Até já - disse o Harry , procurando injectar confiança em a sua voz trémula . E passou sozinho para lá de a imensa pele de serpente . Em_breve , o ruído de o Ron , tentando deslocar a rocha , deixou de se ouvir . O túnel virou uma e outra_vez . Os nervos de o corpo de o Harry tangiam de forma desagradável . Ele só queria que o túnel chegasse a o fim , fosse o que fosse que o aguardasse . E então , finalmente , quando atingiu a última curva , viu em a sua frente uma parede sólida que tinha gravadas duas serpentes enroladas uma em a outra , cujos olhos eram quatro esmeraldas , enormes e brilhantes . Harry aproximou se com a garganta seca . Não foi preciso imaginar que as serpentes eram autênticas . Os seus olhos pareciam estranhamente vivos . Foi fácil descobrir o que tinha de fazer . Pigarreou e os olhos de esmeraldas pareceram mexer se . - Abre te - disse Harry em um sibilar baixo . As serpentes desapareceram enquanto a parede se abria a o meio e , a tremer de os pés a a cabeça , Harry entrou . XVII_Herdeiro_de_Slytherin_Estava de pé em o fundo de uma divisão enorme , fracamente iluminada . Altíssimos pilares de pedra , cheios de serpentes gravadas que os enlaçavam , erguiam se , suportando um tecto que se perdia em a escuridão e que lançava sombras negras imensas através de a estranha luz esverdeada que enchia o local . Com o coração a bater descompassadamente , Harry ficou parado a ouvir aquele silêncio arrepiante . Estaria o Basilisk escondido em um canto cheio de sombras , atrás_de algum pilar ? E onde estaria Ginny ? Pegou em a varinha e avançou a o longo de as colunas serpenteantes . Cada_um de os seus passos provocava um enorme eco em as paredes sombrias . Harry tinha os olhos semicerrados e estava pronto para os fechar a o mais pequeno movimento . As órbitas de olhos fundos de as serpentes de pedra pareciam segui o . Por mais de uma_vez , com o estômago a dar um salto , Harry julgou vê os moverem se . Por fim , chegado a o nível de os dois últimos pilares , avistou uma estátua de a altura de a própria câmara que estava encostada a a parede de o fundo . Harry tinha de esticar o pescoço para olhar para_cima , para a cara de o gigante : era velho e com um ar simiesco , tinha uma barba enorme que lhe caía quase onde acabava a longa túnica de pedra . Os dois pés imensos e cinzentos pousavam em o chão de a câmara . E entre eles , voltada para baixo , estava uma figura pequenina vestida de preto com um cabelo flamejante . - Ginny - murmurou Harry , chegando perto de ela e ajoelhando se . - Ginny , por favor não estejas morta , não estejas morta ! Atirou a varinha para o lado , agarrou Ginny por os ombros e voltou a . O rosto de ela estava branco e frio como o mármore , contudo os olhos encontravam se fechados , portanto não estava petrificada . Mas então devia estar ... - Ginny , acorda por favor - repetiu Harry desesperado , sacudindo a . A cabeça de ela andava de um lado para o outro . - Ela não vai acordar - disse secamente uma voz . Harry deu um salto e girou sobre os joelhos . Um rapaz alto , de cabelo preto , estava encostado a o pilar mais próximo , a observá o . As sombras desfocavam o como_se Harry o visse através_de uma janela embaciada . Mas não havia como confundis o . - Tom , Tom_Riddle ? Riddle acenou , sem tirar os olhos de o rosto de Harry . - O que queres dizer com isso de ela não acordar ? - perguntou Harry desesperado . - Ela não está ... não está ? - Está viva - disse Riddle . - Mas , por um fio . Harry olhou fixamente para ele . Tom_Riddle estivera em Hogwarts há cinquenta anos atrás . Contudo , ali estava com uma luz estranha e desfocada a iluminá o , sem um dia a mais do_que os seus dezasseis anos . - És um fantasma ? - perguntou Harry . - Uma memória - disse Riddle . - Preservada em um diário durante cinquenta anos . Apontou para os pés de a estátua gigantesca . Ali , aberto em o chão , estava o pequeno diário de capa preta que Harry tinha encontrado em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Durante um segundo , Harry perguntou a si próprio como teria ido ali parar , mas havia coisas mais importantes a fazer . Preciso de a tua ajuda , Tom - disse Harry , levantando de_novo a cabeça de a Ginny . - Temos de sair de aqui . Há_um_Basilisk ... não sei onde está mas pode aparecer a qualquer momento . Por favor , ajuda me . Riddle não se mexeu . Harry , a transpirar , conseguiu levantar ligeiramente a Ginny de o solo e inclinou se para pegar em a varinha mas ela tinha desaparecido . - Viste a ... ? Olhou para_cima . Riddle continuava a olhá o , fazendo girar a varinha entre os dedos longos . - Obrigado - disse Harry , esticando o braço para a agarrar . Um sorriso surgiu então em os cantos de a boca de Riddle que continuou a olhar para ele , girando indolentemente a varinha . - Ouve , pá - disse Harry sem querer perder mais tempo , os joelhos a vergarem sob o peso morto de Ginny - temos de ir . Se o Basilisk aparece ... - Ele não vem enquanto não for chamado - disse Riddle com toda_a calma . Harry voltou a pousar Ginny em o chão , incapaz de a segurar por mais tempo . - Que queres dizer com isso ? - perguntou . - Dá me a minha varinha , posso precisar de ela . O sorriso de Riddle ampliou se . - Não vais precisar de ela - disse . Harry olhou o espantado . - O que queres dizer , não vou ? - Esperei muito_tempo por isto , Harry - disse Riddle . - Pela possibilidade de te ver , de falar contigo . - Olha , eu acho que tu não estás a perceber - disse Harry , perdendo a paciência . - Estamos em a Câmara_dos_Segredos , podemos conversar mais tarde . - Vamos conversar agora - disse Riddle , sorrindo de orelha a orelha e guardando a varinha de Harry em o bolso . Harry voltou a olhar para ele . Havia qualquer coisa de muito estranho em tudo aquilo . - Como é_que a Ginny ficou assim ? - perguntou pausadamente . - Bem , essa é uma pergunta interessante - disse Riddle , divertido . - E uma longa história , também . Julgo que o verdadeiro motivo que levou Ginny_Weasley a ficar assim foi o ter aberto o seu coração e revelado todos os seus segredos a um estranho ser invisível . - De quem estás a falar ? - perguntou Harry . - De o diário - disse Riddle . - De o meu diário . A Ginny escreve nele há meses e meses , contando me todas_as suas lamentáveis desgraças e atribulações : como os irmãos a arreliam , que teve de vir para a escola com manto , túnica e livros em segunda mão - os olhos de Riddle brilharam -- , que acha que o maravilhoso , o grande , o famoso Harry_Potter nunca vai gostar de ela ... Enquanto falava , nunca os olhos de Riddle se afastaram de a cara de o Harry . Havia em eles um olhar ávido . - É muito chato ter de ouvir as preocupações idiotas de uma garotinha de onze anos - prosseguiu . - Mas eu fui paciente . Respondi lhe , mostrei me simpático e amável . A Ginny pura e simplesmente adorou me . - * _ Nunca ninguém me compreendeu como tu , Tom ... estou tão feliz por ter este diário a quem me confiar ... é como ter um amigo que pode andar em o meu bolso * ... Riddle riu se . Um riso alto , frio , que não lhe ficava bem . Fez com que os cabelos de o pescoço de Harry se arrepiassem todos . - Verdade se diga que sempre consegui encantar as pessoas necessárias . Portanto a Ginny verteu em mim a sua alma e a alma de ela era precisamente o que eu queria . Fortaleceu me . Alimentei me de os seus medos mais profundos , de os seus mais obscuros segredos . Fui ficando cada_vez_mais forte e poderoso . Muito mais poderoso do_que a pequena Miss_Weasley até que comecei a transmitir lhe alguns de os meus segredos , a passar um_pouco de a minha alma para ela ... - O que queres dizer ? - perguntou Harry cuja boca ficara totalmente seca . - Ainda não descobriste , Harry_Potter ? - disse Riddle muito baixo . - Giony_Weasley abriu a Câmara_dos_Segredos , estrangulou os galos de a escola e escreveu mensagens assustadoras em as paredes . Atiçou a serpente de Slytherin contra quatro sangues de lama e contra o gato de o busca-pé . - Não - murmurou Harry . - Sim - disse calmamente Riddle . - É claro que a princípio não sabia o que estava a fazer . Era muito divertido . Gostava que visses as coisas que escreveu em o diário , começaram a ficar muito mais interessantes . * _ Querido_Tom * - recitou ele , olhando para a expressão horrorizada de o Harry . - * _ Acho que estou a perder a memória . Há penas de galo em todas_as minhas roupas e eu não sei como foram lá parar . Querido_Tom , não me lembro do_que fiz em a noite de o Hallowe'en mas foi atacada uma gata e eu estou cheia de tinta em a cara . Querido_Tom , o Percy não pára de me dizer que ando pálida e não pareço eu . Acho que ele suspeita de mim ... Houve outro ataque hoje e eu não sei onde estava . Tom , que vou eu fazer ? Acho que estou a ficar maluca ... acho que ando a atacar toda_a_gente , Tom ! * Harry tinha os punhos fechados , as unhas cravadas contra a palma de as mãos . - Levou muito_tempo até a pequenina estúpida deixar de confiar em o diário - disse Riddle . - Mas acabou por ficar desconfiada e tentou livrar se de ele . E é aí que tu entras , Harry . Tu encontraste o . E eu não poderia ter ficado mais satisfeito . De todas_as pessoas que poderiam ter ficado com ele , foste tu , aquele que eu ambicionava conhecer ... - E porque querias conhecer me ? - perguntou Harry . Começava a ser tomado por a raiva e fez um esforço para manter o tom de voz controlado . - Bem , a Ginny contou me tudo a teu respeito - disse Riddle . - A tua fascinante história . - Os seus olhos pousaram em a cicatriz em a testa de Harry e a sua expressão ganhou maior avidez . - Sabia que devia descobrir mais a teu respeito , falar te , encontrar me contigo se fosse possível . Por isso , para ganhar a tua confiança , resolvi mostrar te a famosa captura que fiz de aquele demente de o Hagrid . - O Hagrid é meu amigo - disse Harry já com a voz a tremer . - E tu tramaste o , não foi ? Pensei que tinha sido um engano , mas ... Ele riu se . O mesmo riso de antes . - Era a minha palavra contra a palavra de ele . Imagina a cara de o velho Armando_Dippet . De um lado Tom_Riddle , pobre mas brilhante , sem pais mas corajoso , prefeito de a escola , um modelo de aluno . De o outro lado , o Hagrid , grande e disparatado , arranjando problemas semana sim , semana não , tentando criar filhotes de lobisomens debaixo de a cama , escapando se para a floresta proibida para lutar com gigantes . Mas , devo admitir que até eu próprio fiquei admirado com os excelentes resultados de o meu plano . Pensei que alguém perceberia que o Hagrid nunca poderia ser o herdeiro de Slytherin . Demorei cinco anos inteirinhos até descobrir tudo_o_que me foi possível sobre a Câmara_dos_Segredos e a sua entrada secreta ... como_se o Hagrid tivesse cabeça ou poder ! - Só o professor de Transfiguração , Dumbledore , parecia achar que ele estava inocente . Convenceu Dippet a mantê o aqui e a treiná o como guarda de os campos . Sim , é natural que Dumbledore tenha adivinhado , nunca gostou de mim como os outros professores . - Aposto que Dumbledore viu através_de ti - disse Harry , de dentes cerrados . - Pelo_menos passou a vigiar me de perto , a partir de o momento em que o Hagrid foi expulso - disse Riddle descuidadamente . - Eu sabia que não era seguro voltar a abrir a câmara enquanto ainda estava em a escola mas não ia desperdiçar os longos anos que passara a pesquisar . Decidi , por isso , deixar um diário preservando em as suas páginas o meu ego de dezasseis anos para que um dia , com um_pouco de sorte , pudesse levar outro a seguir os meus passos e acabar o nobre trabalho de Salazar_Slytherin . - Bem , não o acabaste - disse Harry triunfante . - Ninguém morreu até agora , nem mesmo a gata . Dentro_de poucas horas a poção de mandrágoras estará pronta e todos os que foram petrificados voltarão de_novo a si . - Não acabei de te dizer que matar sangues de lama já não me interessa ? Há muitos meses que o meu alvo és tu . Harry olhou para ele . - Podes imaginar como fiquei furioso quando em outro dia o diário foi aberto e vi que era a Ginny quem estava a escrever e não tu . Ela viu te com o diário e entrou em pânico . E se tu descobrisses como trabalhar com ele e eu te repetisse todos os seus segredos ? Ainda pior , e se eu te contasse quem tinha andado a estrangular os galos ? Por isso , a grande palerma esperou que o teu dormitório estivesse deserto e foi lá roubá o . Mas eu sabia o que tinha de fazer . Estava muito claro para mim que a tua meta era o herdeiro de Slytherin . Por tudo_o_que a Ginny me contara a teu respeito , sabia que irias até onde fosse preciso para desvendar o mistério , principalmente se um de os teus melhores amigos tivesse sido atacado . E a Ginny disse me que a escola toda bichanava por tu falares * serpentês * ... Por isso , obriguei a Ginny a escrever a sua própria despedida em a parede , a vir até aqui e esperar . Ela debateu se e gritou e ficou muito chatinha . Mas , já não tem muita vida : pôs grande parte de ela em o diário , deu me a . O suficiente para eu abandonar , por fim , as suas páginas . Desde_que aqui cheguei que estou a a tua espera . Sabia que virias . Tenho muitas perguntas a fazer te , Harry_Potter . - Que perguntas ? - disse Harry com os punhos fechados . - Bem - prosseguiu Riddle , sorrindo de satisfação : - Como é_que um bebé sem especiais talentos de magia foi capaz de derrotar o maior feiticeiro de sempre ? Como conseguiste escapar só com uma cicatriz quando os poderes de Lord_Voldemort foram destruídos ? Havia agora em os seus olhos um brilho vermelho e irado . - O que é_que te interessa saber como eu escapei ? - disse Harry lentamente . - Voldemort veio depois de ti . - Voldemort - disse Riddle - é o meu passado , o meu presente e o meu futuro , Harry_Potter ... Tirou a varinha de o Harry de o bolso e começou a escrever em o ar três palavras brilhantes : TOM_MARVOLO_RIDDLE_Em seguida , fez um gesto com a varinha e as letras de o seu nome reagruparam se de outro modo . : __ eu sou lord __ voldemort ( I am Lord_Voldemort ) . - Vês ? - murmurou . - Era um nome que eu já usava em Hogwarts , para os meus amigos mais íntimos apenas , como é óbvio . Achas que ia usar para sempre o nome nojento de o meu pai Muggle ? Eu , em cujas veias , por o lado materno , corre o sangue de Salazar_Slytherin ? Eu , manter o nome de um Muggle tolo que me abandonou ainda antes de eu nascer só porque descobriu que a mulher com quem casara era uma bruxa ? Não , Harry , arranjei um novo nome , um nome que eu sabia que os feiticeiros de todo_o_mundo viriam um dia a ter medo de pronunciar , quando eu me tivesse tornado o maior feiticeiro de o mundo . A cabeça de Harry parecia bloqueada . Olhou como_que paralisado para Riddle , para o rapaz de o orfanato que depois de crescer iria matar os seus pais e tantos outros . Por fim , com algum esforço conseguiu falar . - Não és - disse em uma voz calma e cheia de ódio . - Não sou o quê ? - perguntou Riddle irritado . - Não és o maior feiticeiro de o mundo - disse Harry com a respiração acelerada . - Lamento desiludir te mas o maior feiticeiro de o mundo é Albus_Dumbledore . Toda_a_gente sabe . Mesmo tu , quando tinhas força , não ousavas tentar aproximar te de Hogwarts . Dumbledore viu através_de ti quando andavas em a escola e ainda agora te assusta onde quer que te escondas . O sorriso desaparecera de o rosto de Riddle , fora substituído por um olhar furioso . - Dumbledore foi afastado de este castelo por a minha simples memória - sibilou . - Ele não está tão longe como pensas - retorquiu Harry . Falava por falar , tentando assustar Riddle , desejando mais que assim fosse do_que acreditando em as suas palavras como uma verdade . Riddle abriu a boca mas não chegou a falar . Tinha começado a ouvir se uma música . Riddle deu uma volta , olhando para a câmara vazia . A música estava a ficar mais alta . Era misteriosa , arrepiante , sobrenatural . Fez_Harry ficar com os cabelos em pé e o coração aumentar lhe em o peito . Por fim , quando atingiu um ponto tão alto que Harry a sentiu vibrar dentro de as suas costelas , começaram a sair chamas de o topo de o pilar mais próximo . Uma ave carmesim de o tamanho de um cisne surgiu , assobiando a sua estranha melodia para o tecto em forma de abóbada . Tinha uma cauda dourada tão longa como a de um pavão e garras douradas e brilhantes que seguravam uma trouxa andrajosa . Segundos depois , a ave voava em direcção a Harry . Deixou cair a coisa andrajosa a os seus pés e pousou lhe pesadamente em o ombro . Quando abriu as enormes asas , Harry olhou para_cima e viu que tinha um longo bico afiado e olhos escuros pequenos e brilhantes . A ave parou de cantar . Ficou quieta junto de a cara de Harry , olhando fixamente para Riddle . - É uma fénix , disse Riddle , olhando sagazmente para ela . - Fawkes ? - murmurou Harry e sentiu as garras douradas apertarem lhe devagarinho o ombro . - E aquilo - disse Riddle , olhando para a coisa velha que Fawkes deixara em o chão - é o velho chapéu seleccionador , de a escola . Era , de facto . Amachucado , puído e sujo , o chapéu jazia imóvel a os pés de Harry . Riddle começou a rir . Riu se tanto que a câmara escura se lhe juntou em um eco tal que parecia que dez Riddles se riam ao_mesmo_tempo . - Eis o que Dumbledore envia a o seu defensor . Um pássaro que canta e um chapéu velho . Estás cheio de coragem , Harry_Potter ? Sentes te agora mais seguro ? Harry não respondeu . Podia não estar a ver a vantagem de a Fawkes ou de o chapéu seleccionador mas já não se sentia só , e esperou corajosamente que Riddle parasse de rir . - Vamos a o que importa , Harry - disse ele , ainda com um enorme sorriso . - Encontrámo nos duas vezes em o teu passado , em o meu futuro . E duas vezes falhei a o tentar matar te . Como foi que sobreviveste ? Conta me tudo . Quanto_mais falares , mais tempo tens de vida . Harry pensava rapidamente , medindo as suas possibilidades . Riddle tinha a varinha . Ele , Harry , tinha a Fawkes e o chapéu seleccionador que não lhe serviriam de muito em o combate . As coisas pareciam más , é certo . Mas quanto_mais tempo Riddle ali estivesse , mais vida retirava a a Ginny ... e , entretanto , Harry reparou que a silhueta de Riddle se tornava mais nítida , mais sólida . Se tinha de haver uma luta entre os dois , quanto_mais depressa melhor . - Ninguém sabe porque perdeste os poderes quando me atacaste - disse bruscamente . - Eu próprio não sei . Mas sei porque não conseguiste matar me . A minha mãe morreu para me salvar . A minha mãe , uma vulgar filha de Muggles - acrescentou , a tremer de raiva . - Ela impediu que tu me matasses . E eu vi te como tu és , em o ano passado . És um destroço , quase não existes . Foi onde o teu poder te levou . Estás sob um disfarce , és horrível e és louco . O rosto de Riddle contorceu se . Em seguida , forçou um sorriso pavoroso . - Quer_dizer , então , que a tua mãe morreu para te salvar . Sim , é um antifeitiço poderoso . Compreendo agora , afinal não há em ti nada de especial . Eu tinha curiosidade , sabes , porque há uma estranha semelhança entre nós , Harry_Potter . Até tu deves ter reparado . Somos ambos meio sangue , órfãos , educados com Muggles , provavelmente os dois únicos que falam * serpentês * desde o grande Slytherin , até nos parecemos um_pouco fisicamente ... mas afinal foi apenas uma questão de sorte que te salvou de mim . Era o que eu queria saber . Harry ficou parado , tenso , a a espera que Riddle levantasse a varinha mas o seu sorriso cínico ampliou se de_novo . - Agora , Harry , vou dar te uma pequena lição . Vamos confrontar os poderes de Lord_Voldemort , herdeiro de Salazar_Slytherin e de o famoso Harry_Potter , munido com as melhores armas que Dumbledore lhe deu . Lançou um olhar divertido a a Fawkes e a o chapéu seleccionador e , em seguida , afastou se . Harry com as pernas entorpecidas por o medo viu o parar entre dois pilares altos e olhar para a cara de pedra de Slytherin , lá em cima em a semi-obscuridade . Riddle abriu a boca e sibilou mas Harry compreendeu o que ele dizia . - * _ Responde-me , Slytherin , o maior de os quatro de Hogwarts * . Harry voltou se para olhar melhor para a estátua com Fawkes pousada em o ombro . A gigantesca cara de pedra de Slytherin movia se . Horrorizado , Harry viu a boca abrir se mais e mais até se transformar em um buraco negro . E algo se agitava dentro de a boca de a estátua . Algo se arrastava para fora de as suas entranhas . Harry recuou até a a parede escura de a câmara e enquanto fechava os olhos com força sentiu a asa de a Fawkes roçar lhe o rosto e levantar voo . Harry quis gritar : - Não me abandones ! - mas que possibilidades tinha uma fénix contra o rei de as serpentes ? Uma coisa enorme bateu em o chão de pedra que Harry sentiu estremecer . Sabia o que estava a acontecer , podia sentis o , quase podia ver a serpente gigantesca a sair de a boca de Slytherin . Foi então que ouviu a voz de Riddle sibilar : * _ Mata-o * . O Basilisk avançava em direcção a Harry . Ele ouvia o seu corpo enorme escorregar pesadamente por o chão cheio de pó . Com os olhos sempre fechados , Harry começou a correr para o lado , a as cegas , com as mãos abertas a tactear o caminho . Riddle ria se a as gargalhadas . Harry escorregou e caiu em o chão de pedra e a boca soube lhe a sangue . A serpente estava a poucos centímetros de ele . Podia ouvi a a aproximar se . Ouviu se um crepitar explosivo por cima de ele e alguma coisa pesada bateu lhe com tanta força que ele ficou encostado a a parede . Esperando que os dentes de a serpente lhe perfurassem o corpo , ouviu mais ruídos e qualquer coisa que se agitava com força contra os pilares . Não conseguiu evitar . Abriu bem os olhos para ver o que se passava . A enorme serpente , brilhante , de um verde veneno , espessa como o tronco de um carvalho , erguera se em o ar e a sua imensa cabeça agitava se de um lado para o outro , entre os dois pilares . Quando Harry , a tremer , se preparava para fechar de_novo os olhos , percebeu o que distraíra a cobra . Fawkes esvoaçava em volta de a sua cabeça e o Basilisk , furioso , tentava agarrá a com os dentes longos e afiados como sabres . Fawkes mergulhava . Harry deixou de ver o bico fino e dourado e uma brusca chuva de sangue escuro inundou o chão . A cauda de a serpente agitou se , não batendo em o Harry por_pouco e antes que ele pudesse fechar os olhos voltou se . Harry olhou lhe para a cara e viu que os seus olhos , os dois olhos amarelos e bolbosos tinham sido perfurados por a fénix . O sangue escorria por o chão e a serpente cuspia cheia de dores . - * _ Não * - Harry ouviu o grito de Riddle . - * _ Deixa a ave , deixa a ave , o rapaz está atrás_de ti , ainda podes cheirá o . Mata o ! * A serpente cega oscilou confusa , ainda em fúria . Fawkes andava a a volta de a cabeça de ela soprando a sua misteriosa cantilena , picando lhe aqui_e_ali o nariz cheio de escamas , enquanto o sangue jorrava de os seus olhos destruídos . - Ajudem me . Ajudem me - murmurava Harry aflito . - Alguém , ajude me . A cauda de a serpente chicoteou de_novo o chão . Harry baixou se . Algo macio tocou lhe em o rosto . O Basilisk lançara o chapéu seleccionador para os braços de o Harry que o agarrou . Era tudo_o_que tinha , a sua única esperança . Enfiou o em a cabeça e começou a ficar achatado contra o chão , enquanto a cauda de o Basilisk se lançava de_novo sobre ele . - Ajudem me , ajudem me - pensou Harry , os olhos comprimidos debaixo de o chapéu . - Por favor , ajudem me . Nenhuma voz lhe respondeu . Em vez de isso , o chapéu contraiu se como_se uma mão invisível o tivesse espalmado devagarinho . Alguma coisa muito dura e pesada caíra sobre a cabeça de Harry , conseguindo quase derrubá o . A ver estrelas em frente de os olhos , agarrou o chapéu para o puxar para baixo e sentiu lá dentro uma coisa longa e dura . Uma espada brilhante tinha surgido dentro de o chapéu . Tinha um cabo cravejado de rubis de o tamanho de pequenos ovos . - Mata o rapaz , deixa a ave . O rapaz está atrás_de ti . Cheira o ! Harry estava de pé , preparado . A cabeça de o Basilisk caía , o corpo serpenteava , batendo nos pilares quando se torcia para ficar de frente para ele . Harry podia ver as enormes órbitas ensanguentadas , a boca toda aberta , suficientemente grande para o engolir inteiro , munida de dentes tão longos como a sua espada , finos , brilhantes , venenosos ... Começou a atacar a as cegas . Harry baixou se e a serpente bateu em a parede de a câmara . Atacou de_novo e a sua língua bifurcada lambeu a parede ao_lado_de Harry que levantou a espada com ambas as mãos . O Basilisk investiu mais_uma_vez e agora a pontaria foi certa . Harry pôs todo o seu peso contra a espada e enterrou a até a os copos em o céu de a boca de a serpente . Mas quando o sangue quente lhe encheu os braços , sentiu uma dor aguda mesmo acima de o cotovelo . Um longo dente venenoso penetrava cada_vez_mais fundo em o seu braço , partindo se quando o Basilisk tombou para o lado , perdendo os sentidos . Harry escorregou a o longo de a parede , apertou com força o dente que estava a derramar veneno por todo o seu corpo e arrancou o de o braço . Mas sabia que era demasiado tarde . Uma dor quente emanava lenta e perseverantemente de a ferida . Quando deixou cair o dente e viu o seu próprio sangue manchando lhe as vestes , a vista começou a ficar turva e a câmara a diluir se em uma rotação ardente e colorida . Mas algo escarlate passou por ele e Harry ouviu a o seu lado um suave ruído de garras . - Fawkes - disse com a voz empastada . - Foste sensacional , Fawkes . - Sentiu o pássaro encostar a sua elegante cabeça a o sítio onde o dente de a serpente o tinha ferido . Ouviu passos ecoarem em o vazio e em seguida uma sombra escura moveu se em a sua frente . - Estás morto , Harry_Potter - disse a voz de Riddle , acima de ele . - Morto . Até o pássaro de Dumbledore sabe de isso . Vês o que ele está a fazer ? A chorar . Harry piscou os olhos . A cabeça de Fawkes ora estava focada , ora desfocada . Lágrimas grossas como pérolas escorriam de as suas penas . - Vou sentar me aqui a ver te morrer , Harry_Potter . Leva o teu tempo , eu não tenho pressa . Harry sentiu se sonolento . Tudo parecia girar a a sua volta . - E assim acaba o famoso Harry_Potter - disse a voz distante de Riddle . - Sozinho em a Câmara_dos_Segredos , esquecido por os amigos , finalmente derrotado por o Senhor de o mal que ele tão imprudentemente desafiou . Vais reunir te a a tua querida mãe sangue de lama , Harry ... Ela deu te doze anos de tempo emprestado ... Mas Lord_Voldemort apanhou te em o fim , como sabias que teria de acontecer . Se morrer é isto , pensou Harry , não é assim tão mau . Até a dor estava a desaparecer . Mas , estaria a morrer ? Em_vez_de ficar mais escura a câmara parecia voltar a estar nítida . Harry fez um pequeno gesto com a cabeça e viu a Fawkes ainda repousando a cabeça em o seu ombro . Uma fiada de pérolas brilhava em volta de a ferida , só que já não havia ferida . - Sai de aqui , pássaro - disse subitamente a voz de Riddle . - Afasta te de ele . Já te disse , sai de aqui ! Harry levantou a cabeça . Riddle apontava a sua varinha a Fawkes . Ouviu se um tiro que parecia de carabina e Fawkes levantou novamente voo em um rodopio de ouro e escarlate . - Lágrimas de fénix - disse Riddle em voz baixa , olhando para o braço de o Harry . - É claro ... poderes curativos ... esqueci me ... Olhou para a cara de Harry . - Mas não faz mal . Pensando bem , eu até prefiro assim . Tu e eu , Harry_Potter ... Tu e eu ... Levantou a varinha . Então , em um golpe de asa , Fawkes voou sobre as cabeças de ambos , deixando cair uma coisa em o colo de Harry : o diário . Durante uma fracção de segundo , tanto Harry como Riddle , ainda com a varinha levantada , ficaram a olhar para aquilo . Em seguida , sem pensar , sem ponderar , como_se pensasse fazê o desde o princípio , Harry agarrou o dente de o Basilisk que estava em o chão , junto de ele , e espetou o em o coração de o caderno . Ouviu se um grito longo e terrível . A tinta esguichou em torrentes de dentro de o diário , derramando se sobre as mãos de o Harry e inundando o chão . Riddle torcia se e contorcia se , agitando se a os gritos . E , por fim . Desapareceu . A varinha de Harry caiu a o chão com um ruído e fez se silêncio . Um silêncio apenas cortado por o ping ping de a tinta que ainda escorria de o diário . Com um leve crepitar , o veneno de o Basilisk abrira um buraco mesmo em o meio de o caderno . A tremer de os pés a a cabeça , Harry pôs se de pé . Sentia tudo a andar a a roda como_se tivesse viajado quilómetros e quilómetros com o pó de * _ Floo * . Lentamente apanhou a varinha e o chapéu seleccionador e com um grande estrondo retirou a espada de o céu de a boca de a serpente . Ouviu se então um gemido fraco a o fundo de a câmara . Ginny estava a mexer se . Quando Harry chegou junto de ela , sentou se . Os seus olhos abismados saltaram de o Basilisk morto para Harry em a sua roupa cheia de sangue e , em seguida , para o diário que ele tinha em as mãos . Soltou um enorme soluço e os seus olhos encheram se de lágrimas . - Harry , oh ! Harry , eu tentei dizer te a o pequeno-almoço mas não fui capaz em frente de o Percy . Era eu , Harry , mas eu ... eu ... juro que não queria ... o Riddle obrigou me , levou me e ... como é_que mataste esse bicho ? Onde está o Riddle ? A última coisa de que me lembro foi de o ver a sair de o diário ... - Está tudo bem - disse Harry , mostrando lhe o diário com o buraco de o dente . - O Riddle acabou , olha . Ele e o Basilisk . Anda , Ginny , vamos embora de aqui . - Vou com certeza ser expulsa - disse Ginny a chorar enquanto Harry a ajudava a pôr se de pé . - Desde_que o Bill veio para Hogwarts que eu sonhava vir também para cá e agora vou ter de me ir embora e ... O que vão a minha mãe e o meu pai dizer ? Fawkes esperava por eles , suspensa em o ar , a a entrada de a câmara . Harry fez a Ginny avançar , passaram sobre os anéis parados de o Basilisk , por a escuridão cheia de ecos e voltaram a o túnel . Harry ouviu as portas de pedra fecharem se atrás de eles com um leve sibilar . Depois de alguns minutos a caminhar por o túnel escuro , chegou a os ouvidos de Harry o som distante de o deslocar de uma rocha . - Ron - gritou ele , apressando se . - A Ginny está bem . Está aqui comigo ! Ouviu o Ron gritar de alegria e , voltando em a curva logo_a_seguir , viram a sua cara ansiosa a espreitar por a fresta que conseguira abrir durante a avalancha . - Ginny ! - Ron estendeu o braço por a fresta para a puxar primeiro . - Estás viva . Não posso acreditar . O que aconteceu ? Tentou abraçá a mas a Ginny afastou o , soluçando . - Mas estás bem , Ginny - disse o Ron , sorrindo para ela . - Já passou tudo ... De onde veio esse pássaro ? Fawkes passara por a abertura , atrás_de Ginny . - É de o Dumbledore - explicou Harry , espremendo se para caber também . - E como arranjaste uma espada ? - perguntou o Ron , olhando para a arma brilhante que Harry tinha em a mão . - Eu explico te tudo quando sairmos de aqui - disse Harry , lançando um olhar de esguelha a a Ginny . - Mas ... - Mais tarde - disse Harry rapidamente . Não lhe parecia uma boa ideia contar a o Ron quem tinha aberto a câmara , ali , em frente de a Ginny . - Onde está o Lockhart ? - Ali atrás - disse o Ron , a rir e a abanar a cabeça em direcção a o cano . - Está em muito mau estado . Anda ver . Conduzidos_pela_Fawkes , cujas grandes asas escarlates emitiam um suave dourado que brilhava em a escuridão , voltaram a o lugar onde o cano começava . Gilderoy_Lockhart estava sentado a falar sozinho . - Perdeu a memória - disse o Ron . - O feitiço de a memória fez ricochete . Não sabe quem é nem onde está , nem_sequer sabe quem nós somos . Eu disse lhe que viesse para aqui e esperasse . É um perigo para ele próprio . Lockhart olhou os bem-disposto . - Olá - disse . - Que lugar estranho , este . É aqui que vocês moram ? -- Não - respondeu o Ron , levantando as sobrancelhas para o Harry . Harry baixou se e observou o túnel escuro e longo . - Já pensaste como é_que vamos sair de aqui ? - perguntou a o Ron . O amigo abanou a cabeça mas Fawkes , a fénix , tinha passado por o Harry e estava agora em o ar , em frente de ele , os olhos como pérolas a brilharem em o escuro . Abanava as longas penas douradas de a cauda . Harry olhou para ela , inseguro . - Ela parece querer que a agarres - disse o Ron , perplexo . - Mas tu és muito pesado para um pássaro . - A Fawkes - disse Harry - não é um pássaro qualquer . Voltou se rapidamente para os companheiros . - Temos de nos agarrar uns a os outros . Ginny , agarra a mão de o Ron . O professor Lockhart ... - Ele está a falar consigo - disse o Ron secamente . - Agarre a outra mão de a Ginny . Harry guardou a espada e o chapéu seleccionador em o cinto . Ron deitou a mão a a roupa de Harry e Harry agarrou as penas de a cauda , estranhamente quentes , de a Fawkes . Sentiu uma extraordinária leveza apoderar se de todo o seu corpo e em seguida estavam todos a voar por o cano acima . Harry conseguia ouvir Lockhart , lá atrás , comentando : - Espantoso , isto parece mágico ! Ar frio batia em os cabelos de Harry e antes que ele deixasse de gostar de a viagem já ela acabara . Os quatro tinham chegado a o chão molhado de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa e , enquanto Lockhart endireitava o chapéu , o lavatório voltara a o seu lugar , tapando o cano . A Murta arregalou os olhos . - Vocês estão vivos - disse inexpressivamente a o Harry . - Não é preciso mostrares te tão desiludida - respondeu ele , muito sério , limpando as nódoas de sangue e lodo de os óculos . - Bem ... é_que eu pensei que se vocês morressem seriam bem-vindos a a minha casa_de_banho - disse a Murta com um rubor prateado . - Urgh ! - fez o Ron , quando saíram de ali para o corredor deserto . - Harry , acho que a Murta está a gostar de ti . Tens concorrência , Ginny ! A Ginny continuava a chorar silenciosamente . - Onde vamos agora ? - perguntou o Ron , olhando ansiosamente para ela . Harry apontou . Fawkes indicava o caminho , com o seu tom dourado que brilhava em o corredor . Seguiram a e pouco depois estavam em o escritório de a professora Mc_Gonagall . Harry bateu e empurrou a porta que estava encostada . XVIII_A recompensa de Dobby_Durante alguns momentos reinou o silêncio enquanto Harry , Ron , Ginny e Lockhart estavam em a entrada de a porta . Cobertos de pó e de lama e ( em o caso de o Harry ) sangue . Em seguida , ouviu se um grito . - Ginny ! Era_Mrs._Weasley que tinha estado a chorar , sentada em frente de o lume . Pôs se de pé em um salto , seguida de Mr._Weasley e precipitaram se ambos para a filha . Harry olhava para trás de eles . Dumbledore rejubilava junto de a lareira , a o lado de a professora Mc_Gonagall que , agarrada a o queixo , respirava com dificuldade . Fawkes rasou as orelhas de o Harry e foi instalar se em o ombro de Dumbledore , ao_mesmo_tempo que Harry dava por si em os braços de Mrs._Weasley . - Tu salvaste a ! Salvaste a ! : __ como foi que __ conseguiste ? - Acho que todos nós gostaríamos de saber - disse , sem energia , a professora Mc_Gonagall . Mrs._Weasley soltou o Harry , que hesitou um momento . Depois , foi até a a secretária e colocou sobre o tampo o chapéu seleccionador , a espada cravejada de rubis e o que restava de o diário de Riddle . Em seguida , contou lhes tudo . Falou durante quase um quarto de hora em o silêncio extasiado : contou lhes de a voz sem corpo que ouvia , como a Hermione acabara por descobrir que se tratava de um Basilisk que circulava em os canos , como ele e o Ron tinham seguido as aranhas até a a floresta , que Aragog lhes dissera que a última vítima de o Basilisk morrera , como tinham chegado a a conclusão que se tratava de a Murta_Queixosa e que a entrada para a Câmara_dos_Segredos devia ser em aquela casa_de_banho ... - Muito bem - elogiou a professora Mc_Gonagall quando ele se calou . - Então tu descobriste onde era a entrada , infringindo uma centena de regras de a escola por o caminho , devo dizer , mas como diabo saíram vocês vivos de lá de dentro ? Harry , com a voz já um_pouco rouca de falar tanto , contou lhes de a chegada de a Fawkes e de o chapéu seleccionador que lhe tinha dado a espada . Mas , chegando aí , hesitou . Até a o momento evitara referir se a o diário de Riddle ou a a Ginny . Ela tinha a cabeça encostada a o ombro de Mrs._Weasley e as lágrimas corriam lhe ainda por o rosto . E se a expulsassem ? - pensou Harry , tomado de pânico . O diário de Riddle já não funcionava ... quem poderia provar que fora ele que a obrigara a fazer tudo aquilo ? Olhou instintivamente para Dumbledore que sorria , o fogo iluminando lhe os óculos de meia-lua . - O que mais me interessa saber - disse Dumbledore amavelmente - é como conseguiu Lord_Voldemort enfeitiçar a Ginny quando as minhas fontes me dizem que ele se esconde habitualmente em as florestas de a Albânia . Um alívio , quente e glorioso percorreu Harry de a cabeça a os pés . - O quê ? - disse Mr._Weasley , em uma voz estupefacta . - O Quem nós sabemos enfeitiçou a Ginny ? Mas a Ginny não ... a Ginny não morr ... ? - Foi este diário - esclareceu Harry rapidamente . E mostrando o a Dumbledore . - O Riddle escreveu o quando tinha dezasseis anos . Dumbledore pegou em o diário e olhou atentamente por cima de o seu nariz longo e adunco para as páginas queimadas e húmidas . - Fantástico - disse em voz baixa . - É claro que ele deve ter sido o aluno mais brilhante que alguma vez passou por Hogwarts . - Olhou em volta para os Weasley que o observavam com um ar totalmente confuso . - Muito poucas pessoas sabem que Lord_Voldemort se chamou em tempos Tom_Riddle . Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos , em Hogwarts . Ele desapareceu depois de deixar a escola , viajou muito , mergulhou tão fundo em as artes de a magia negra , associado a os piores feiticeiros , realizou transformações mágicas tão perigosas que quando reapareceu como Lord_Voldemort estava totalmente irreconhecível . Ninguém o relacionou com o rapazinho inteligente e bonito que aqui foi , em tempos , chefe de turma . - Mas a Ginny - insistiu Mrs._Weasley . - O que tem a nossa Ginny que ver com ele ? - O diário - soluçou Ginny . - Eu andei todo o ano a escrever em o diário e ele respondia me ... - Ginny ! - repreendeu Mr._Weasley . - Não aprendeste nada do_que te ensinei ? Não me cansei de dizer te que nunca confiasses em nada que não pensasse por si próprio * se não conseguisses ver onde tinha o cérebro ? * Porque não me mostraste o diário , a mim ou a a tua mãe ? Um objecto suspeito como esse tinha de estar cheio de magia negra ! - Eu não sabia - soluçou Ginny . - Estava junto de os livros que a mãe me comprou . Pensei que alguém se tinha esquecido de ele ali . - É melhor Miss_Weasley ir imediatamente para a ala hospitalar - interrompeu Dumbledore com voz firme . - Foi sujeita a uma prova terrível . Não será castigada . Outros feiticeiros mais velhos do_que ela têm sido ludibriados por Lord_Voldemort . - Dirigiu se a a porta e abriu a . - Repouso , cama e talvez uma caneca de chocolate quente . A mim , anima me sempre - acrescentou , piscando lhe simpaticamente o olho . - Vais ver que Madam_Pomfrey ainda está acordada . Ela tem estado a dar o sumo de Mandrágora , julgo que as vítimas de o Basilisk estarão a acordar dentro_de momentos . de alegria . - Então a Hermione está bem ! - disse o Ron , cheio de alegria . - Não houve danos irreversíveis - disse Dumbledore . Mrs._Weasley saiu com a Ginny e Mr._Weasley seguiu as ainda bastante abalado . - Sabes , Minerva - disse pensativo o professor Dumbledore - acho que tudo_isto merece um banquete . Posso pedir te que previnas os cozinheiros ? - Certamente - disse animada a professora Mc_Gonagall , dirigindo se também a a porta . - Deixo te a tratar de as coisas com o Potter e o Weasley , está bem ? - Claro - disse Dumbledore . Saiu e os dois olharam inseguros para Dumbledore . Que quereria ela dizer com tratar de as coisas ? Certamente não iriam ser castigados ? - Lembro me de vos ter dito a ambos que teria de vos expulsar se voltassem a quebrar as regras de a escola - disse Dumbledore . Ron abriu a boca horrorizado . - O que vem mostrar nos que as melhores pessoas , às_vezes , têm de engolir as suas próprias palavras . - Dumbledore sorriu e continuou : - Vocês vão receber ambos uma recompensa especial por serviços prestados a a escola e ... deixem me ver , sim , acho que duzentos pontos cada_um para os Gryffindor . Ron ficou tão corado que parecia as flores de S._Valentim_do_Lockhart e voltou a fechar a boca . - Mas um de vós parece demasiado calado sobre a sua participação em esta perigosa aventura - acrescentou Dumbledore . - Porquê tanta modéstia , Gilderoy ? Harry estremeceu . Esquecera se por completo de Lockhart . Voltou se e viu o a um canto de a sala ainda com o mesmo sorriso vago . Quando Dumbledore se lhe dirigiu , olhou por cima de o ombro para ver com quem ele estava a falar . - Professor_Dumbledore - disse o Ron rapidamente - Houve um acidente lá em baixo , em a Câmara_dos_Segredos . O professor Lockhart - Eu sou um professor ? - perguntou Lockhart surpreendido . - E eu que pensei que era um inútil ! - Tentou fazer um feitiço antimemória e a varinha fez ricochete - explicou Ron_a_Dumbledore . - Incrível - disse Dumbledore , abanando a cabeça , o bigode prateado a tremer . - Trespassado por a tua própria espada , Gilderoy ! - Espada ? - disse Lockhart de forma imprecisa . - Eu não tenho espada . Esse rapaz é_que tem - apontou para Harry . - Ele empresta lhe uma . - Importas te de levar também o professor Lockhart até a a ala hospitalar , Ron ? - disse Dumbledore . - Eu gostava de falar um_pouco mais com o Harry . Lockhart saiu sem pressa . Antes de fechar a porta , Ron lançou um olhar curioso a Dumbledore e Harry . Dumbledore passou para uma de as cadeiras junto de o lume . - Senta te , Harry - disse . E Harry sentou se , sentindo se indescritivelmente nervoso . - Antes de mais , Harry , quero agradecer te - disse Dumbledore com os olhos a brilharem de_novo . - Deves ter demonstrado uma grande lealdade para comigo . Só isso poderia atrair a Fawkes para ir ajudar te . Deu uma palmadinha a a fénix que voara , entretanto , para_cima de os seus joelhos . Harry sorria acanhadamente sob o olhar observador de Dumbledore . - Encontraste , portanto , Tom_Riddle - disse o director amavelmente . - Calculo que ele estaria particularmente interessado em ti ... De repente , algo que Harry tinha engasgado saiu lhe descontroladamente de a boca para fora . - Professor_Dumbledore ... o Riddle disse que eu sou como ele , que há entre nós estranhas semelhanças ... - Ah ! sim ? - Dumbledore olhou pensativamente para ele , por debaixo de as espessas sobrancelhas prateadas . - E o que achas tu de isso ? - Eu não me considero parecido com ele - disse Harry mais alto do_que desejaria . - Isto_é , eu sou um Gryffindor , eu sou ... Mas calou se com uma dúvida a rondar lhe o espírito . - Professor - arriscou passado alguns momentos . - O chapéu seleccionador disse que eu ... teria ficado bem em os Slytherin ; durante algum tempo toda_a_gente pensou que eu era o herdeiro de Slytherin por falar * serpentês * ... - Tu falas * serpentês * , Harry - disse Dumbledore calmamente - porque Lord_Voldemort que é o mais recente antepassado de Salazar_Slytherin , fala * serpentês * . Ou eu me engano muito , ou ele transferiu para ti alguns de os seus poderes em a noite em que te fez essa cicatriz . Não que quisesse fazê o , claro , mas aconteceu . - Voldemort pôs um_pouco de si próprio em mim ? - disse Harry assombrado . - É o que parece ter acontecido . - Então eu deveria estar em os Slytherin - disse Harry , olhando desesperado para o rosto de Dumbledore . - O chapéu seleccionador viu em mim os poderes de Slytherin e ... -- Pôs te em os Gryffindor - concluiu tranquilamente Dumbledore . - Ouve , Harry , tu tens por acaso muitas de as capacidades que Salazar_Slytherin apreciava em os seus estudantes cuidadosamente seleccionados . O seu raro dom de falar * serpentês * , desenvoltura , determinação , um certo desprezo por as regras estabelecidas - acrescentou com o bigode a tremer de_novo . - Mas ainda_assim , o chapéu seleccionador pôs te em os Gryffindor . E sabes porquê ? Pensa um_pouco . - Só me pôs em os Gryffindor - disse Harry em uma voz débil - porque eu pedi para não ir para os Slytherin . - Exacto - disse Dumbledore a sorrir . - E isso torna te muito diferente de o Tom_Riddle . São as tuas escolhas , Harry , que mostram quem de facto tu és , mais do_que as tuas capacidades . Harry sentou se , imóvel e espantado , em a cadeira . - Se queres provas de que o teu lugar é em os Gryffindor , sugiro que vejas isto com mais atenção . Dumbledore aproximou se de a secretária de a professora Mc_Gonagall , pegou em a espada de prata ensanguentada e mostrou lhe a . Sem perceber , Harry voltou a ao_contrário . Os rubis brilharam a a luz de a lareira e foi então que ele reparou em o nome gravado mesmo por baixo de o copo de a espada . GODRIC_GRYFFINDOR . - Só um verdadeiro Gryffindor poderia ter tirado a espada de dentro de o chapéu , Harry - disse , com simplicidade , Dumbledore . Durante um minuto , nenhum de os dois falou . Depois , Dumbledore abriu uma de as gavetas de a secretária de a professora Mc_Gonagall e retirou de lá uma pena e um tinteiro . - Tu precisas de comer e ir dormir . Sugiro que desças para o banquete enquanto eu escrevo para Azkaban . Precisamos de recuperar o nosso guarda de os campos . E tenho de esboçar um anúncio para o * _ Profeta_Diário * - acrescentou pensativo . - Vamos precisar de um novo professor de Defesa contra as artes negras . É um problema , estamos sempre a perdê os . Harry levantou se e dirigiu se a a porta . Tinha acabado de estender a mão para o puxador quando ela se abriu tão violentamente que saltou de as dobradiças . Lucius_Malfoy estava de pé , furioso . E , debaixo de o braço , embrulhado em diversas ligaduras , estava Dobby . - Boa tarde , Lucius - disse Dumbledore , de forma amena . Mr._Malfoy quase derrubou Harry enquanto entrava em a sala . Dobby dava passos miudinhos atrás de ele , inclinado até a a bainha de o seu manto com um olhar apavorado em o rosto . - Então - disse Lucius_Malfoy com os olhos fixos em Dumbledore - voltaste . Os membros de o Conselho_Directivo suspenderam te , mas tu mesmo_assim sentiste te capaz de voltar a Hogwarts . - Bem vês , Lucius - disse Dumbledore , sorrindo serenamente . - Os outros membros de o Conselho contactaram me hoje . Fui envolvido em um redemoinho de corujas , todos queriam contar me a verdade . Ouviram dizer que a filha de Arthur_Weasley tinha sido morta e queriam me novamente aqui . Parece que me consideravam o melhor homem para o lugar . Contaram me algumas histórias muito estranhas . Alguns de eles tinham a impressão que tu tinhas ameaçado amaldiçoar lhes as famílias se não concordassem com a minha suspensão . Mr._Malfoy ficou ainda mais pálido do_que de costume , mas os olhos continuavam cheios de fúria . - Então já acabaste com os ataques ? - rosnou . - Apanhaste o culpado ? - Já , sim - disse Dumbledore com um sorriso . - E quem é ? - perguntou Malfoy secamente . - A mesma pessoa de a última vez , Lucius - disse Dumbledore . Mas desta_vez , Lord_Voldemort agiu através_de outra pessoa , por_meio_de um diário . Pegou em o pequeno caderno com o buraco em o meio , observando Mr._Malfoy de perto . Mas Harry olhava para Dobby . O elfo fazia um sinal muito estranho . Com os seus grandes olhos fixos em Harry , não parava de apontar para ó diário e , em seguida , para Mr._Malfoy , batendo logo_a_seguir com o punho em a cabeça . - Estou a ver ... - disse Mr._Malfoy lentamente a Dumbledore . - Um plano inteligente - afirmou o director em um tom de voz suave , continuando a olhar Mr._Malfoy directamente em os olhos . - Porque se não fosse aqui o Harry e o seu amigo Ron a descobrirem o diário , sem dúvida Ginny_Weasley teria ficado com todas_as culpas . Ninguém teria conseguido provar que ela agira contra a sua própria vontade . Mr._Malfoy não se pronunciou . O seu rosto parecia agora uma máscara . - E vê bem - continuou Dumbledore - o que poderia ter acontecido ... os Weasley são uma de as mais proeminentes famílias de feiticeiros de sangue puro , imagina o efeito em a imagem de Arthur_Weasley e em a sua acção de protecção a os Muggles , se a sua própria filha fosse acusada de atacar e matar filhos de Muggles . Foi uma sorte o diário ter sido descoberto e as memórias de Riddle apagadas . Quem sabe que consequências poderia ter tido ? Mr._Malfoy falou contra vontade . - Sim , foi uma sorte - disse secamente . E , em as suas costas , Dobby continuava a apontar para o diário e para Lucius_Malfoy , batendo depois com o punho em a cabeça . E Harry finalmente percebeu . Fez um sinal a Dobby que correu a esconder se em um canto , torcendo desta_vez as orelhas para se castigar . - Não quer saber como a Ginny obteve esse diário , Mr._Malfoy ? - perguntou Harry . Lucius_Malfoy voltou se para ele . - Como queres que eu saiba onde é_que a estúpida de a garota o arranjou ? - Porque foi o senhor quem lhe o deu - disse Harry . - Em a Flourish and Blotts . O senhor pegou em o livro velho de ela de Transfiguração e meteu o diário lá dentro , não foi ? Viu as mãos brancas de Mr._Malfoy abrirem se e fecharem se . - Prova isso - sibilou . - Oh ! ninguém vai poder prová o - disse Dumbledore sorrindo a o Harry . - Não agora_que o Riddle desapareceu de o caderno . Por outro lado , aconselharia te , Lucius , a não dares mais nenhuma de as coisas velhas de Lord_Voldemort . Se mais alguma for parar a as mãos de crianças inocentes , acho que o Arthur_Weasley fará com que se voltem com toda_a sua carga negativa contra ti . Lucius_Malfoy ficou calado um momento e Harry viu claramente a sua mão direita torcer se como_se desejasse chegar a a varinha . Em vez de isso , voltou se para o seu elfo doméstico . - Vamos , Dobby . Abriu a porta e quando o elfo se aproximou deu lhe um pontapé que o projectou para longe . Ouviram se em o escritório os gritos de dor de Dobby em o corredor . Harry pensou durante um momento e depois decidiu se . - Professor_Dumbledore - disse apressadamente . - Posso dar o diário outra_vez a Mr._Malfoy ? - Certamente , Harry - disse Dumbledore com toda_a calma . - Mas não demores , olha o banquete . Harry agarrou em o diário e saiu de o escritório . Os gritos de dor de Dobby afastavam se ao_longe . Sem perder tempo , perguntando a si próprio se o plano poderia resultar , Harry tirou um de os sapatos , puxou uma de as peúgas enlameadas e viscosas e meteu o diário lá dentro . Em seguida correu até a o fundo de o corredor escuro . Apanhou os em o topo de as escadas . - Mr._Malfoy - disse ofegante , parando . - Tenho uma coisa para si . E meteu a peúga mal cheirosa em a mão de Lucius_Malfoy . - O que é ... ? Mr._Malfoy tirou o diário de dentro de a peúga , deitou a fora e olhou furioso para o caderno estragado e para Harry - Ainda vais acabar por ter um fim igual a o de os teus pais um dia de estes , Harry_Potter - disse em voz baixa . - Eles também eram uns idiotas metediços . Voltou se para se ir embora . - Anda , Dobby , vem ! Mas Dobby não se mexeu . Tinha em as mãos a peúga nojenta de o Harry e olhava para ela como_se fosse um tesouro de valor incalculável . - O senhor deu uma peúga a o Dobby - disse o elfo maravilhado . - Deu a a o Dobby . - O que é isso ? - cuspiu Mr._Malfoy . - Que estás para aí a dizer ? - Dobby tem uma peúga - repetiu incrédulo . - O senhor deitou a fora e Dobby apanhou a e Dobby agora é livre ... Lucius_Malfoy ficou paralisado a olhar para o elfo . Em seguida precipitou se para Harry . - Fizeste me perder o meu servo , rapaz . Mas Dobby gritou : - Não pense que vai fazer mal a o Harry_Potter ! Ouviu se um enorme estrondo e Mr._Malfoy foi empurrado de costas , galgando os degraus de as escadas a três_e_três e indo aterrar lá em baixo todo embrulhado e amarrotado . Levantou se , o rosto lívido e pegou em a varinha , mas Dobby estendeu lhe um dedo ameaçador . - Vá se embora já - disse furioso , apontando para Mr._Malfoy . - Não tocará em o Harry_Potter . Vá se embora , já . Lucius_Malfoy não teve escolha . Lançando a os dois um último olhar de cólera , embrulhou se em o manto e desapareceu . - Harry_Potter libertou Dobby ! - disse o elfo com voz esganiçada , olhando para Harry , a luz de o luar reflectida em os seus grandes olhos em forma de globos . - Harry_Potter libertou Dobby . - Era o mínimo que eu podia fazer , Dobby - disse Harry a sorrir -- , mas promete me que não vais voltar a tentar salvar me a vida . A cara feia e escura de o elfo abriu se , mostrando os dentes , em um enorme sorriso . - Tenho uma pergunta a fazer te , Dobby - disse Harry enquanto o elfo pegava em a peúga de ele com as mãos a tremer . - Disseste me que tudo_isto não tinha nada que ver com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Lembras te ? - Era uma pista , senhor - disse Dobby com os olhos muito abertos como_se fosse absolutamente óbvio . - Dobby estava a dar lhe uma pista . Antes de o senhor de o mal mudar de nome , o seu nome podia ser pronunciado , está a ver ? - Certo - disse Harry sem grande convicção . - Bem , é melhor eu ir indo embora . Há um banquete e a minha amiga Hermione já deve ter acordado ... Dobby lançou os braços a a cintura de Harry e abraçou o . - Harry_Potter é muito maior do_que Dobby imaginava ! - soluçou . - Adeus , Harry_Potter . E com um estalido final , Dobby desapareceu . Harry assistira a diversos banquetes , mas nenhum que se parecesse com aquele . Estavam todos de pijama e a festa durou a noite inteira . Harry não sabia se o melhor tinha sido a Hermione a correr para ele e a gritar : - Tu conseguiste . Tu conseguiste ! , ou o Justin saindo disparado de a mesa de os Hufflepuff para lhe estender a mão , desfazendo se em desculpas por ter suspeitado de ele , ou o Hagrid que apareceu a as três_e_meia e que lhes deu palmadas com tanta força em os ombros que eles foram parar dentro de os pratos de bolo de creme , ou os quatrocentos pontos que ele e o Ron obtiveram para os Gryffindor , ganhando a taça de a equipa por a segunda vez consecutiva , ou a professora Mc_Gonagall de pé , a comunicar lhes que os exames tinham sido cancelados como medida de a escola ( Oh ! não ! exclamou Hermione ) , ou Dumbledore a anunciar que , infelizmente , o professor Lockhart não poderia voltar em o ano seguinte por ter de se ausentar a_fim_de recuperar a memória . Alguns de os professores juntaram se a os alunos que aplaudiram entusiasmados esta notícia . - Que pena - disse Ron , servindo se de um * dounut * de presunto . - E eu que começava a gostar de ele ... O resto de o período de Verão decorreu sob um sol escaldante . Hogwarts voltara a a normalidade , apenas com algumas pequenas diferenças : as aulas de Defesa contra as artes negras foram canceladas ( Mas nós tivemos imensa prática - disse o Ron vendo o descontentamento de Hermione ) e Lucius_Malfoy foi demitido de o Conselho_Directivo . Draco já não passeava por ali como_se fosse o dono de a escola . Pelo_contrário , tinha um ar melindrado e carrancudo . Por outro lado , Ginny_Weasley andava de_novo feliz de a vida . Em_breve chegou o dia de regressarem a casa em o Expresso_de_Hogwarts . Harry , Ron , Hermione , Fred , George e Ginny encheram um compartimento . Tiraram o_máximo partido de aquelas últimas horas em que lhes era permitido usar a magia antes de as férias . Brincaram a as explosões , gastaram o último fogo-de-artíficio Filibuster , de o Fred e de o George e treinaram o mútuo desarmamento através de a magia . Harry começava a ficar muito bom em aquilo . Já estavam perto de a estação de King's_Cross quando Harry se lembrou de uma coisa . - Ginny , o que foi que viste o Percy fazer que ele não queria que nos contasses ? - Ah ! isso - disse a Ginny a rir . - Bem , é_que o Percy tem uma namorada . Fred deixou cair uma pilha de livros em a cabeça de o George . - O quê ? - É aquela prefeita de os Ravenclaw ' Penelope_Clearwater - disse a Ginny . - Foi para ela que ele escreveu durante todo o Verão . Encontravam se em a escola em grande segredo . Eu apanhei os a beijarem se em uma sala de aula vazia e ele ficou tão aflito quando ela foi ... sabes ... atacada . Não vais aborrecê o , pois não ? - perguntou cheia de ansiedade . - Que ideia - respondeu Fred com uma tal satisfação em o rosto que parecia que o seu aniversário chegara mais cedo . - Claro que não - disse o George a rir se a a socapa . O----------------- J._K._Rowling_Harry_Potter e a Câmara_dos_Segredos_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Chamber of Secrets_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling 1998 Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 2000 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 2.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 Depósito legal : 143.569/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , a a Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Para_Séan_P._F._Harris , condutor imparável e um amigo de os diabos . I_O pior aniversário Não era a primeira vez que uma discussão estoirava a a mesa de o pequeno-almoço , em o número 4 de a Privet_Drive . Mr._Vernon_Dursley fora acordado de manhã cedo por o piar ruidoso que vinha de o quarto de o seu sobrinho Harry . - É a terceira vez esta semana ! - resmungou , a a mesa . - Se não consegues controlar essa coruja , ela não pode ficar aqui . Harry tentou , mais_uma_vez , explicar . - Ela está aborrecida . Estava habituada a voar livremente lá fora . Se eu pudesse , ao_menos , soltá a a a noite ... - Achas me com cara de idiota ? - perguntou rispidamente o tio Vernon , com um fio de ovo preso em o bigode farfalhudo . - Sei muito bem o que aconteceria se essa coruja fosse lá para fora . Trocou um olhar soturno com a mulher , a tia Petúnia . Harry tentou contra-argumentar , mas as suas palavras foram abafadas por um enorme arroto de o filho de os Dursleys , Dudley . - Quero mais bacon . - Há mais em a frigideira , fofinho - disse a tia Petúnia , lançando um olhar vago a o seu filho maciço . - Tens que te alimentar bem enquanto aqui estás , aquela comida de a tua escola não me cheira . - Disparate , Petúnia , eu nunca passei fome enquanto andei em Smeltings - afirmou com sinceridade o tio Vernon . - O Dudley tem que chegue . Não é verdade , filho ? Dudley , que era tão gordo que o rabo saía de os dois lados de a cadeira de a cozinha , sorriu laconicamente e voltou se para Harry . - Passa me a frigideira . -- Esqueceste te de a palavra mágica - disse Harry , irritado . O efeito que esta simples frase teve em o resto de a família foi inacreditável : Dudley começou a arfar e caiu de a cadeira com um estrondo que abalou a cozinha , Mrs._Dursley deu um gritinho e bateu com a mão em a boca , Mr._Dursley pôs se de pé com as veias de as têmporas dilatadas . - Eu queria dizer « por favor » - explicou Harry rapidamente . - Não me referia a ... - : __ o que é_que eu te __ disse - vociferou o tio , espalhando perdigotos sobre a mesa - : __ sobre pronunciar a palavra m . em esta __ casa ? - Mas eu ... - : __ como te atreves a ameaçar o __ dudley ! - rosnou o tio Vernon , batendo com o punho em a mesa . - Eu só ... - : __ estás avisado . não vou admitir referências a tua anormalidade debaixo de o tecto de a minha __ casa ! Harry olhou alternadamente para o rosto congestionado de o tio e para a palidez de a tia que tentava pôr o Dudley de pé . - Está bem - disse Harry . - Está bem ... O tio Vernon voltou a sentar se , respirando como um rinoceronte exausto e observando Harry de perto por o canto de os seus olhos pequeninos e penetrantes . Desde_que Harry regressara para as férias de Verão que o tio Vernon o tratava como_se ele fosse uma bomba , capaz de explodir a qualquer momento , porque Harry não era um rapazinho normal . Em a verdade , ele era o menos normal que é possível imaginar . Harry_Potter era um feiticeiro , um feiticeiro que acabara de concluir o primeiro ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts e a infelicidade que os Dursleys sentiam por ele estar lá em casa não era nada comparada com a de Harry . As saudades de Hogwarts eram tão intensas que se assemelhavam a uma constante dor em o estômago . Sentia a falta de o castelo com as suas passagens secretas e os seus fantasmas , de as aulas ( com excepção talvez de as de Snape , o professor de as poções ) , de o correio a chegar trazido por as corujas , de os banquetes em o salão nobre , de as noites em as camas de dossel em a camarata de a torre , de as visitas a Hagrid , o guarda de os campos em a sua casinha em o bosque , junto de a floresta proibida e , principalmente , sentia a falta de o Quidditch , o desporto mais popular de o mundo de os feiticeiros ( seis postes altos de golo , quatro bolas esvoaçantes e catorze jogadores em_cima_de vassoura ) . Todos os livros de feitiços de Harry , assim_como a varinha , os mantos , o caldeirão e a vassoura topo de gama Nimbus dois_mil tinham sido encerrados por o tio Vernon em a despensa que ficava debaixo de as escadas , em o momento em que Harry regressara a casa . O que é_que lhes interessava se ele perdia ou não o seu lugar em a equipa de Quidditch por não ter praticado durante todo o Verão ? Que importância tinha para eles que o Harry voltasse a a escola sem ter podido fazer os trabalhos de casa ? Os Dursleys eram aquilo que os feiticeiros chamam « Muggles » ( nem uma gota de sangue mágico em as veias ) e , para eles , ter um feiticeiro em a família era motivo de grande vergonha . O tio Vernon tinha , inclusivamente , fechado a cadeado a coruja de Harry , Hedwig , dentro de a gaiola , para evitar que ela transportasse mensagens para a gente de o mundo de a feitiçaria . Harry não se parecia em nada com o resto de a família . O tio Vernon era atarracado e sem pescoço , dotado de um enorme bigode preto ; a tia Petúnia tinha um rosto cavalar e era esquelética ; Dudley era loiro e rosado como um porquinho . Harry , pelo_contrário , era baixo e franzino , com os olhos verdes brilhantes e cabelo negro sempre desalinhado . Usava uns óculos redondos e tinha em a testa uma cicatriz em forma de relâmpago . Era essa cicatriz que o tornava tão invulgar , mesmo para um feiticeiro . Era a única alusão a o seu passado misterioso , a o motivo por o qual , onze anos antes , tinha sido deixado em o degrau de a porta de os Dursleys . Com um ano de idade , Harry sobrevivera a uma maldição de o maior feiticeiro negro de todos os tempos , Lord_Voldemort , cujo nome a maior parte de os feiticeiros e feiticeiras ainda receia pronunciar . Os pais de Harry tinham morrido em um ataque de Voldemort , mas ele escapara com a sua cicatriz em forma de relâmpago e estranhamente , ninguém compreendeu porquê , os poderes de Voldemort tinham sido destruídos em o momento em que não fora capaz de matar o Harry . Por isso , ele foi criado por a irmã de a sua falecida mãe e respectivo marido . Passou dez anos com os Dursleys , sem nunca compreender porque fazia com que acontecessem coisas estranhas , alheias a a sua vontade , acreditando em a história de os Dursleys de que aquela cicatriz fora resultado de um acidente de automóvel em que os pais tinham morrido . E um dia , precisamente um ano antes , Hogwarts escrevera lhe e fora então que tudo começara . Harry fora ocupar o seu lugar em a escola de feitiçaria , onde ele e a sua cicatriz eram famosas ... mas agora o ano escolar chegara a o fim e estava de_novo com os Dursleys . Durante o Verão , voltara a ser tratado como um cão malcheiroso . Os Dursleys nem se tinham lembrado que aquele era o dia de o seu décimo segundo aniversário . É claro que não tivera grandes expectativas : eles nunca lhe tinham dado um presente a sério , muito menos um bolo , mas ignorarem o por completo ... Em esse momento , o tio Vernon pigarreou com um ar importante e disse : - Como todos sabem , hoje é um dia muito importante . Harry olhou para ele , mal conseguindo acreditar . - Pode bem ser que eu faça hoje o maior negócio de toda_a minha vida - afirmou . Harry voltou novamente a atenção para a torrada . É claro , pensou amargamente , o tio Vernon referia se a a estúpida dinner-party . Havia quinze_dias que não falava de outra coisa . Um consultor qualquer cheio de massa e a mulher vinham jantar lá a casa e o tio Vernon tinha esperança de conseguir uma grande encomenda ( a empresa de o tio Vernon fabricava brocas ) . - Acho que devíamos recapitular mais_uma_vez - disse o tio Vernon . - Devemos estar todos a postos a as oito_horas_em_ponto . Petúnia , tu vais estar ... ? - Em o salão - respondeu a tia Petúnia prontamente - a a espera para lhes dar as boas-vindas a nossa casa . - Bom , bom . E o Dudley ? - Eu vou estar a a espera para abrir a porta . - Dudley esboçou um sorriso falso e afectado . - Dão me licença que vos guarde os casacos , Mr. e Mrs._Mason ? - Eles vão adorá o - exclamou arrebatadamente a tia Petúnia . - Excelente , Dudley - disse o tio Vernon . - A seguir voltou se para o Harry . - E tu ? - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - repetiu o Harry , de forma inexpressiva . - Exactamente - confirmou o tio Vernon , de um modo desagradável . - Eu conduzo os até a o salão , apresento te , Petúnia , e sirvo lhes as bebidas . _ a as oito_e_um_quarto . - Eu chamo para a mesa - disse a tia Petúnia . - E tu , Dudley , vais dizer ... - Dá me licença que lhe indique a casa de jantar , Mrs._Mason ? - repetiu o Dudley , oferecendo o seu braço gordo a uma mulher invisível . - O meu pequenino cavalheiro - fungou a tia Petúnia . - E tu ? - perguntou o tio Vernon a o Harry , em o mesmo tom desagradável . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho , fingindo que não estou lá - respondeu Harry aborrecido . - Isso mesmo . Agora , devíamos ter preparadas algumas frases amáveis para o jantar . Petúnia , alguma ideia ? - O Vernon disse me que o senhor é um excelente jogador de golfe , Mr._Mason ... Tem de me dizer onde comprou esse vestido , Mrs._Mason ... - Perfeito . Dudley ? - Que tal : Tivemos de fazer um trabalho para a escola sobre o nosso herói e eu escrevi sobre o senhor ... Foi de mais , tanto para a tia Petúnia como para o Harry . A tia debulhou se em lágrimas e abraçou o filho , enquanto Harry se esgueirava para debaixo de a mesa para ninguém o ver rir . - E tu , rapaz ? Harry fez um esforço para se mostrar inexpressivo quando emergiu . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - disse . - Vais sim senhor - afirmou o tio Vernon energicamente . - Os Mason não sabem nada a teu respeito e é assim que as coisas vão continuar . Quando o jantar terminar , tu trazes Mrs._Mason para o salão , onde vamos tomar café , Petúnia , e eu puxo o assunto de as brocas . Com um_pouco de sorte , tenho o contrato assinado antes de o noticiário de as dez . Amanhã por esta hora , vamos estar a fazer compras para umas férias em Maiorca . Harry não conseguia sentir o menor entusiasmo com aquilo . Não lhe parecia que os Dursleys gostassem mais de ele em Maiorca do_que em Privet_Drive . - Certo , eu vou a a cidade buscar os casacos para mim e para o Dudley . E tu - resmungou , apontando para Harry - não atrapalhes a tua tia enquanto ela estiver a limpar . Harry saiu por a porta de as traseiras . Estava um dia de sol lindo . Atravessou o relvado , deixou se cair em o banco de o jardim e cantarolou baixinho : - Parabéns para mim ... parabéns para mim ... Nem cartas nem presentes e tinha de passar a noite a fingir que não existia . Olhou infeliz para a sebe . Nunca se sentira tão só . Mais do_que tudo em o mundo , mais do_que de Hogwarts , mais até do_que de o jogo de Quidditch , Harry sentia a falta de os amigos Ron_Weasley e Hermione_Granger . Mas eles não pareciam sentir a falta de ele . Nenhum de os dois lhe escrevera durante todo o Verão apesar_de o Ron ter dito que ia convidá o para passar uns dias lá em casa . Inúmeras vezes Harry estivera quase a libertar magicamente Hedwig de a sua gaiola e mandá a levar uma carta a o Ron e a a Hermione mas não valia a pena correr o risco . Os feiticeiros menores de idade não tinham autorização para usar a magia fora de a escola . Harry não contara isto a os Dursleys . Ele sabia que era o medo de que ele os transformasse a todos em baratas que os impedia de o fecharem a a chave em a despensa debaixo de as escadas , juntamente com a varinha e a vassoura . Em as primeiras semanas Harry divertira se a murmurar baixinho palavras sem sentido e a ver o Dudley sair disparado de o quarto , tão rápido quanto as suas pernas gordas lhe permitiam . Mas o silêncio prolongado de Ron e Hermione tinham o feito sentir se tão longe de o mundo de a magia que até divertir se à_custa_de Dudley perdera o interesse . E agora o Ron e a Hermione tinham se esquecido de o seu aniversário . Quanto não daria ele por uma mensagem de Hogwarts ? De qualquer feiticeiro ou feiticeira ? Quase ficaria satisfeito com um sinal de o seu inimigo feroz , Draco_Malfoy , só para ter a certeza de que tudo aquilo não fora apenas um sonho ... Não que tudo durante o ano em Hogwarts tivesse sido divertido . Mesmo em o fim de o último período , Harry confrontara se nem mais nem menos do_que com o próprio Lord_Voldemort . Voldemort podia ter arruinado o seu ego inicial mas continuava a espalhar o terror , ainda astuto , ainda determinado a recuperar o poder . Harry escapara uma segunda vez a as suas garras mas fora por um triz e mesmo agora , algumas semanas decorridas , acordava de noite encharcado em suores frios , perguntando se onde estaria Voldemort , relembrando o seu rosto lívido , os seus olhos completamente loucos ... Harry sentou se subitamente , direito como um fuso , em o banco de o jardim . Tinha estado a olhar distraído para a sebe e a sebe estava a olhar para ele . Dois enormes olhos verdes surgiram por_entre a folhagem . Harry pôs se de pé ao_mesmo_tempo que uma voz sobrevoava a relva . - Eu sei que dia é hoje - cantarolava Dudley , bamboleando se enquanto se aproximava . Os olhos enormes piscaram e desapareceram . - O quê ? - perguntou Harry sem retirar os olhos de o lugar para_onde estava a olhar . - Eu sei que dia é hoje - repetiu , chegando junto de ele . - Ainda_bem - disse Harry . - Aprendeste finalmente os dias de a semana . - Hoje é o dia de os teus anos - troçou o Dudley . - Por_que é_que não recebeste nenhuma carta ? Não tens amigos em esse lugar esquisito ? - É melhor não deixares a tua mãe ouvir te falar de a minha escola - disse Harry calmamente . Dudley puxou para_cima as calças que estavam a escorregar lhe por o rabo gordo abaixo . - Porque estás a olhar para a sebe . ; - perguntou curioso . - Estou a pensar em as palavras que deverei pronunciar para lhe pegar fogo - disse Harry . Dudley recuou de imediato com um olhar de pânico em a cara rechonchuda . - Tu não p-p-odes , o pai disse que não podias fazer magia ou corria contigo aqui de casa e não tens mais nenhum lugar para_onde ir , não tens amigos que te convidem ... - * _ Jiggery pokery * ! - disse Harry com voz firme . - * _ Hocus pocus ... squiggly wiggly * ... - Maaaaaãe - gritou Dudley , tropeçando em os pés , enquanto se precipitava para dentro_de casa . Maaaãe , ele vai fazer aquela coisa ! Harry deu graças a os céus por aquele momento de gozo . Como não aconteceu nada de mal nem a o Dudley nem a a sebe , a tia Petúnia percebeu que ele não fizera magia nenhuma mas , mesmo_assim , Harry teve de se afastar quando ela lhe deu uma forte pancada em a cabeça com a frigideira cheia de detergente . A seguir distribuiu lhe trabalho e o castigo de só voltar a comer quando tivesse acabado tudo . Enquanto Dudley andava a flanar , olhando para o ar e comendo gelados , Harry limpou as janelas , lavou o carro , aparou a relva , adubou os canteiros , podou e regou as rosas e pintou de_novo o banco de o jardim . O sol ardia lá em cima , queimando lhe a parte de trás de o pescoço . Harry sabia que não devia ter provocado Dudley mas ele dissera precisamente aquilo que ele próprio pensava ... talvez não tivesse amigos em Hogwarts . Deviam ver agora o famoso Harry_Potter , pensou amargamente enquanto espalhava adubo em os canteiros , as costas a doerem lhe e o suor a escorrer lhe por o rosto . Eram sete_e_meia_da_tarde quando , por fim , exausto , ouviu a tia Petúnia a chamá o . - Anda para dentro e passa por cima de os jornais . Harry entrou satisfeito em a sombra de a cozinha que rebrilhava . Sobre o frigorífico estava o bolo de a noite : um enorme monte de crome batido coberto de violetas de açúcar . A carne de porco assava em o forno . - Come depressa , os Mason devem estar a chegar ! - exclamou bruscamente a tia Petúnia , apontando para duas fatias de pão e uma de queijo que estavam em cima de a mesa de a cozinha . Ela já tinha posto um vestido de * cocktail * cor de salmão . Harry lavou as mãos e comeu aquele triste jantar . Mal tinha terminado , a tia Petúnia tirou lhe o prato . - Lá para_cima , rápido ! A o passar por a porta de a sala , Harry vislumbrou o tio Vernon e Dudley de casaco e gravata . Tinha acabado de chegar a o cimo de as escadas quando a campainha de a porta tocou e a cara de o tio Vernon apareceu em o patamar . - Lembra te , rapaz , um ruído que seja ... Harry entrou em o quarto em bicos de pés , fechou a porta e preparou se para se meter em a cama . O problema é_que estava lá alguém sentado . II_O aviso de Dobby_Harry conseguiu não gritar , mas foi por_pouco . A pequena criatura que estava em a cama tinha umas orelhas grandes e largas e uns olhos verdes protuberantes de o tamanho de bolas de ténis . Harry percebeu imediatamente que fora para ele que tinha estado a olhar de manhã . Enquanto olhavam um para o outro , Harry ouviu a voz de Dudley em o * hall * . - Posso guardar os vossos casacos , Mr. e Mrs._Mason ? A criatura escorregou por a cama e curvou se tanto que a ponta de o seu enorme nariz tocou em o tapete . Harry reparou que ele tinha vestido uma espécie de fronha de almofada com buracos para os braços e pernas . - Er ... Olá - disse Harry , um_pouco nervoso . - Harry_Potter ! - exclamou a criatura em uma voz tão estridente que Harry calculou que poderia ouvir se lá em baixo . - Há tanto tempo que Dobby queria conhecê o , senhor . É uma enorme honra ... - Ob-obrigado - disse Harry , deslocando se a o longo de a parede e sentando se em a cadeira de a secretária , junto de Hedwig que dormia em a sua grande gaiola . Queria perguntar lhe « O que és tu ? » , mas pensou que seria má educação , por isso perguntou : - Quem és tu ? - Dobby , senhor . Apenas Dobby , o elfo de casa - afirmou a criatura . - Oh ! A sério ? - perguntou Harry . - Não quero ser mal-educado , mas esta não é a melhor altura para ter um elfo em o meu quarto . O riso falso de a tia Petúnia ouvia se em a sala de jantar . O elfo deixou cair a cabeça . - Não que eu não me sinta feliz por te conhecer - disse Harry rapidamente - mas , er ... estás aqui por algum motivo em especial ? - Oh , sim senhor - disse Dobby muito a sério . - Dobby veio dizer lhe que ... é difícil ... Dobby não sabe por_onde começar ... - Senta te - disse Harry educadamente , apontando lhe a cama . Para seu horror , o elfo debulhou se em lágrimas bastante ruidosas . -- S-senta-te ! - repetiu . - Nunca em toda_a minha vida ... Harry pareceu lhe ouvir as vozes lá em baixo vacilarem . - Desculpa - murmurou . - Eu não queria ofender te ... - Ofender Dobby ! - exclamou o elfo em um sufoco . - Nunca nenhum feiticeiro disse a o Dobby que se sentasse como um seu igual , senhor . Harry , tentando dizer lhe « Sch ... » e confortá o ao_mesmo_tempo , conduziu Dobby de_novo até a a cama onde ele se sentou a soluçar , parecendo uma grande boneca muito feia . Por fim , conseguiu controlar se e ficou quieto , com os seus grandes olhos fixos em Harry em uma expressão de absoluta adoração . - Não deves ter conhecido muitos feiticeiros sérios - disse lhe , tentando animá o . Dobby abanou a cabeça . Em seguida , sem qualquer aviso , saltou e começou a bater furiosamente com a cabeça em a janela , gritando : - Dobby é mau ! Dobby é mau ! - Pára , o que é_que estás a fazer ? - perguntou Harry em um murmúrio sibilante , dando um salto e puxando Dobby de_novo para a cama . Hedwig acordara com um pio particularmente agudo e batia agressivamente com as asas contra as grades de a gaiola . - Dobby tinha que se castigar , meu senhor - afirmou o elfo , que ficara ligeiramente estrábico . - Dobby quase falou mal de a família de ele ... - De a tua família ? - De a família de feiticeiros que Dobby serve , meu senhor ... O Dobby é um elfo de casa , obrigado a servir uma casa e uma família para sempre . - Eles sabem que estás aqui ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Dobby estremeceu . - Oh , não senhor , não ... Dobby vai ter que se castigar muito por ter vindo vê o . Dobby vai ter que entalar as orelhas em a porta de o forno por isto . Se eles soubessem , senhor ... - Mas achas que eles não vão reparar se tu entalares as orelhas em a porta de o forno ? - Dobby duvida , senhor . Dobby está sempre a ter de se castigar por qualquer coisa . Eles deixam que o Dobby se castigue . _ às_vezes até sugerem alguns castigos extra . - Mas por_que é_que não te vais embora , não foges ? - Um elfo de casa tem de ser libertado , senhor . E a família nunca libertará Dobby . Dobby servirá a família até morrer . Harry olhou para ele . - E eu que pensava que era infeliz por ter de ficar aqui mais quatro semanas - declarou . - Isto faz os Dursleys parecerem quase humanos . Será que ninguém te pode ajudar ? Poderei eu ? Em o mesmo momento , Harry desejou não ter aberto a boca . Dobby desfez se em ruidosos soluços de gratidão . - Por favor - murmurou Harry , inquieto . - Por favor , está calado . Se os Dursleys ouvem barulho , se eles sabem que estás aqui ... - Harry_Potter pergunta se pode ajudar Dobby . Dobby ouviu falar de a sua grandeza , mas de a sua bondade , Dobby nada sabia . Harry , que se sentia corar , disse : - Seja o que for que tenhas ouvido sobre a minha grandeza , é um disparate . Nem_sequer sou o melhor de o meu ano em Hogwarts . É a Hermione . Ela ... Mas calou se rapidamente porque pensar em Hermione era lhe doloroso . - Harry_Potter é humilde e modesto - disse Dobby reverentemente , com os seus olhos de globo avermelhados . - Harry_Potter não fala de a sua vitória sobre « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . - Voldemort ? - perguntou Harry . Dobby bateu com as mãos em as enormes orelhas e gemeu : - Ai não diga o nome , senhor . Não diga o nome ! - Desculpa - disse Harry muito depressa . - Eu sei que muita gente não gosta . O meu amigo Ron ... Calou se de_novo . Pensar em o Ron era igualmente doloroso . Dobby voltou para Harry os seus dois olhos grandes como candeeiros . - Dobby ouviu dizer - balbuciou com voz rouca - que Harry_Potter encontrou o Senhor_do_Mal uma segunda vez há poucas semanas atrás ... que Harry_Potter lhe escapou de_novo . Harry acenou e os olhos de Dobby encheram se de lágrimas . - Ah , senhor - disse em um sobressalto , limpando o rosto com a ponta de a fronha de almofada que tinha vestida . - Harry_Potter é valente e arrojado . Enfrentou tantos perigos ! Mas Dobby veio protegê o , avisar Harry_Potter , mesmo_que para isso tenha de entalar as orelhas em a porta de o forno , que Harry_Potter não deve voltar para Hogwarts . Houve um silêncio apenas quebrado por o ruído de os garfos e de as facas lá em baixo e por a voz distante de o tio Vernon . - O q-q-uê ? - gaguejou Harry . - Mas eu tenho de voltar , o ano começa em o dia um de Setembro . É a minha razão de viver . Tu não sabes como são as coisas aqui . Eu não pertenço a este lugar , o meu lugar é em Hogwarts . - Não , não , não - guinchou Dobby , sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas andavam de um lado para o outro . - Harry_Potter deve ficar aqui , onde se encontra a salvo . É demasiado grande , demasiado bom para se perder . Se Harry_Potter regressar a Hogwarts correrá perigo de vida . - Porquê ? - inquiriu Harry , surpreendido . - Há uma conspiração , Harry_Potter . Uma conspiração para fazer acontecer coisas terríveis este ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts - murmurou Dobby que começara a tremer de a cabeça a os pés . - Dobby sabe de isto há meses , senhor . Harry_Potter não deve expor se a o perigo . É demasiado importante . - Que coisas terríveis são essas ? - perguntou Harry sem perder tempo . - Quem está por detrás ? Dobby fez um ruído esquisito e começou a bater com a cabeça contra a parede como um louco . - Está bem - gritou Harry , agarrando o braço de o elfo para o fazer parar . - Não podes dizer , eu compreendo . Mas porque vieste avisar me ? - Um pensamento súbito e desagradável surgiu lhe . - Espera aí , isto tem alguma coisa que ver com o Vol , desculpa com o Quem nós sabemos ? Basta que faças sim ou não com a cabeça - acrescentou com vivacidade enquanto a cabeça de Dobby se inclinava de_novo a uma velocidade preocupante para a parede . Lentamente , Dobby abanou a cabeça . - Não , não é « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . Os olhos de Dobby estavam abertos como_se estivesse a tentar dar a Harry uma pista , mas Harry estava completamente a a nora . - Ele não tem nenhum irmão , ou tem ? Dobby abanou a cabeça , os olhos mais abertos do_que nunca . - Bem , em esse caso não estou a ver quem mais poderia ter a possibilidade de fazer acontecer coisas horríveis em Hogwarts - disse Harry . - Quero dizer , para já está lá o Dumbledore . Sabes quem é Dumbledore , não sabes ? Dobby baixou a cabeça . - Albus_Dumbledore é o melhor director que Hogwarts alguma vez teve . Dobby sabe , senhor . Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore rivalizam com os d'aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Mas , senhor - a voz de Dobby desceu a um urgente murmúrio - há poderes que Dumbledore não ... poderes que nenhum feiticeiro sério ... E antes que Harry conseguisse impedi o Dobby saltou de a cama , agarrou o candeeiro de secretária de Harry e começou a bater com a cabeça , dando uivos ensurdecedores . Fez se silêncio lá em baixo . Dois segundos mais tarde , Harry com o coração a bater como um louco , ouviu o tio Vernon chegar a o * hall * e dizer . - O Dudley deve ter deixado outra_vez a televisão ligada , o maroto ! - Depressa , para dentro de o guarda-fatos - gritou Harry , empurrando Dobby bem para o fundo , fechando a porta e metendo se a correr em a cama mesmo a_tempo_de ver a maçaneta de a porta a girar . - Que diabo estás tu a fazer ? - disse o tio Vernon entre dentes , o rosto assustadoramente próximo de o de Harry . - Acabas de estragar o ponto alto de a minha anedota de o golfista japonês . Eu que oiça mais um som e vais desejar nunca ter nascido , rapaz ! Abandonou o quarto com grandes passadas . A tremer , Harry deixou Dobby sair de o guarda-fatos . - Estás a ver como são as coisas por aqui ? - disse . - Vês porque tenho de voltar para Hogwarts ? É o único sítio onde eu tenho ... bem , onde eu acho que tenho amigos . - Amigos que nem_sequer escrevem a Harry_Potter ? - disse Dobby com ar manhoso . - Calculo que devem ter estado ... espera aí - disse Harry , franzindo a testa . - Como é_que tu sabes que os meus amigos não me têm escrito ? Dobby arrastou os pés . - Harry_Potter não deve zangar se com Dobby . Dobby fez o que achou melhor ... - Tu tens estado a interceptar me as cartas ? - Dobby tem as aqui , senhor - disse o elfo . Saltando para longe de o alcance de Harry , retirou de dentro de a fronha que usava um espesso saco cheio de envelopes . Harry reconheceu de imediato a caligrafia certinha de Hermione , a escrita desordenada de Ron e até uns gatafunhos que pareciam ser de o guarda de os campos de Hogwarts , Hagrid . Dobby piscava ansiosamente os olhos . - Harry_Potter não deve ficar zangado ... Dobby esperava que ... se Harry_Potter pensasse que os amigos o tinham esquecido ... Harry_Potter talvez não quisesse voltar a a escola , senhor . Harry não o ouvia . Fez um gesto para agarrar as cartas , mas Dobby deu um salto , afastando se . - Harry_Potter terá as cartas , senhor , se der a Dobby a sua palavra de não voltar a Hogwarts . Ah , senhor , é um risco que não deve correr . Diga que não volta , senhor ! - Não - afirmou Harry zangado . - Dá me as cartas de os meus amigos ! - Em esse caso , Harry_Potter deixa Dobby sem escolha - disse o elfo tristemente . Antes que Harry pudesse fazer um movimento , Dobby tinha aberto a porta de o quarto e descido a correr por as escadas abaixo . Com a boca seca e um aperto em o estômago , Harry correu atrás de ele , tentando não fazer barulho . Saltou os últimos seis degraus , aterrando como um gato em a carpete de o * hall * , olhando em volta a a procura de Dobby . De a sala de jantar , ouviu a voz de o tio Vernon : - Conte a a Petúnia aquela história engraçadíssima de os funileiros americanos , ela tem estado louca por ouvi a , Mr._Mason . Harry correu de o * hall * para a cozinha e sentiu o estômago ficar pequenino . O pudim , que era a a obra-prima de a tia Petúnia , a montanha de creme batido coberto de violetas de açúcar flutuava junto de o tecto . Em cima de o guarda-louça de o canto , Dobby inclinava se servilmente . - Não - suplicou Harry . - Por favor , eles matam me . - Harry_Potter deve dizer que não vai voltar a a escola ... - Dobby , por favor . - Diga , senhor . - Não posso . Dobby lançou lhe um olhar trágico . - Então , Dobby deve fazê o , senhor , para o bem de Harry_Potter . O pudim foi direito a o chão em uma queda que parecia um coração a parar . O crome esguichou para as janelas e para as paredes , enquanto o prato se despedaçava . Com o ruído de uma chicotada , Dobby desapareceu . Ouviram se gritos em a casa de jantar e o tio Vernon irrompeu por a cozinha onde foi dar com Harry coberto , de a cabeça a os pés , por o pudim de a tia Petúnia . A princípio parecia que o tio Vernon ia conseguir arranjar uma desculpa para aquilo tudo . ( É só o nosso sobrinho , muito perturbado ; conhecer pessoas estranhas deixa o muito nervoso , por isso deixamos o lá em cima ... ) Conduziu_os_Mason , bastante chocados , para a sala de jantar , garantindo a Harry que o esfolava vivo quando os Mason se fossem embora e pôs lhe em as mãos um esfregão . A tia Petúnia descobriu um resto de gelado em o frigorífico e Harry , ainda a tremer , começou a limpar a cozinha . O tio Vernon poderia ainda ter feito o negócio , se não fosse a coruja . Estava a tia Petúnia a circular com uma caixa de After-Eight , quando uma enorme coruja de celeiro fez a sua entrada vertiginosa através de a janela de a casa de jantar , deixando cair uma carta em a cabeça de Mr._Mason e desaparecendo logo_a_seguir . Mrs._Mason gritava como uma carpideira e corria por a casa praguejando contra os lunáticos . Mr._Mason ficou o tempo estritamente necessário para dizer a os Dursleys que a mulher tinha um medo pânico de pássaros de todas_as formas e tamanhos e perguntar lhes se aquela era alguma brincadeira de mau gosto . Harry não saiu de a cozinha , agarrando o esfregão como defesa , enquanto o tio Vernon avançava para ele com um brilho demoníaco em os olhos pequeninos . - Lê isso - ordenou maldosamente . Harry pegou em a carta . Não era a desejar lhe um bom aniversário . * _ Caro_Mr._Potter , * _ Recebermos hoje informações de que um feitiço de suspensão em o ar foi efectuado em sua casa esta noite , a as nove_horas_e_doze_minutos . * _ Como sabe , os feiticeiros menores não estão autorizados a praticar magia fora de a escola e , se efectuar mais um trabalho mágico , será expulso de a nossa escola . ( Decreto_de_Restrições_Razoáveis_para_Feitiçaria_de_Menores , 1875 , parágrafo C. ) * _ Pedimos-lhe também que se lembre que qualquer actividade que possa ser notada por membros alheios a a nossa comunidade ( Muggles ) constitui uma ofensa grave , segundo a secção 13 de a Confederação_Internacional_do_Estatuto_da_Magia_Secreta . * _ Tenha umas boas férias . * Atenciosamente_Mafalda_Hopkirk_Gabinete_da_Utilização_Imprópria_da_Magia_Ministério_da_Magia * . Harry olhou para a carta e engoliu em seco . - Tu não nos contaste que estavas proibido de usar magia fora de a escola - disse o tio Vernon com um brilho maldoso a dançar lhe em os olhos . - Esqueceste te de o mencionar , passou te , não foi ? Tinha se aproximado de Harry como um grande * bulldog * , com todos os dentes a a mostra . - Tenho boas notícias para ti , rapaz , vou fechar te a a chave e , se tentares sair através_de magia , nunca mais voltas a aquela escola , eles expulsam te . E rindo como um louco , arrastou Harry até a o andar de cima . O tio Vernon era mau como as cobras . Em a manhã seguinte pagou a um homem para colocar grades em a janela de o quarto de Harry . Ele próprio abriu um pequeno buraco em a porta de o quarto para que a comida pudesse ser introduzida três vezes por dia . Deixavam o Harry sair para ir a a casa_de_banho de manhã e a o final de a tarde . O resto de o tempo estava fechado em o quarto , a a espera que o tempo passasse . Três dias mais tarde , os Dursleys não mostravam qualquer intenção de abrandar o castigo e Harry não sabia como sair de aquela situação . Estava deitado em a cama , vendo o sol brilhar por_entre as grades de a janela e perguntando se tristemente o que viria a acontecer lhe . Qual era a vantagem de sair de ali por artes mágicas , se Hogwarts o expulsaria em seguida ? Contudo , a vida em Privet_Drive tinha atingido o seu nível mais baixo . Agora_que os Dursleys tinham a certeza que não iam acordar transformados em morcegos , ele perdera a única arma que tinha . O Dobby podia tê o salvo de acontecimentos terríveis em Hogwarts , mas de a maneira que as coisas estavam , ele morreria muito provavelmente a a fome . A portinhola rangeu e a mão de a tia Petúnia apareceu empurrando uma tigela de sopa de pacote para dentro de o quarto . Harry , que estava cheio de fome , saltou de a cama e agarrou a . A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um único trago . A seguir , atravessou o quarto até a a gaiola de Hedwig e pôs os legumes ensopados dentro de o seu pratinho vazio . Ela agitou as penas e olhou o com profunda repugnância . - Não vale de nada virares lhe as costas . É tudo_o_que temos - disse Harry , de modo severo . Colocou a tigela vazia em o chão junto de a portinhola e voltou para_cima de a cama , de certo modo com mais fome do_que antes de ter comido a sopa . Admitindo que estaria ainda vivo dentro_de quatro semanas o que aconteceria se ele não se apresentasse em Hogwarts ? Será que mandariam alguém obrigar os Dursleys a deixá o ir ? O quarto começava a escurecer . Exausto e com o estômago a dar horas , o cérebro a as voltas com as mesmas questões sem resposta , Harry caiu em um sono intranquilo . Sonhou que fazia parte de um espectáculo de o jardim zoológico . Preso a a jaula onde se encontrava estava um cartaz onde podia ler se « feiticeiro menor de idade « . As pessoas olhavam o com olhos protuberantes , enquanto ele jazia fraco e esfomeado em um leito de palha . Viu a cara de o Dobby em o meio de a multidão e gritou lhe , pedindo ajuda , mas o Dobby respondeu : - Harry_Potter está em segurança aí , senhor - e desapareceu . Em seguida vieram os Dursleys e Dudley bateu em as grades de a jaula , rindo se de ele . - Pára com isso - murmurou Harry como_se aquele ruído martelasse em a sua cabeça dorida . - Deixa me em paz , pára com isso , estou a tentar dormir . Abriu os olhos . O luar brilhava através de as grades de a janela . E lá fora alguém olhava de olhos arregalados para ele : alguém de rosto sardento , cabelo ruivo e nariz grande . Ron_Weasley estava de o lado de_fora de a janela . III « A toca » Ron ! - exclamou Harry , arrastando se até a a janela e empurrando a para poderem falar através de as grades . - Ron , como é_que tu , foi o ... ? Harry ficou de boca aberta , espantado com o que viu . Ron estava debruçado de a janela de trás de um velho automóvel azul-turquesa que se encontrava estacionado em o ar . Em os lugares de a frente , rindo se para Harry , estavam os irmãos mais velhos , os gémeos Fred e George . - Tudo bem , Harry ? - O que é_que se tem passado ? - perguntou o Ron . - Porque não respondeste a as minhas cartas ? Convidei te para vires ter comigo umas doze vezes e um dia o pai chegou a casa e comunicou nos que tu tinhas recebido um aviso oficial por usares magia diante de os Muggles ... - Não fui eu . E como é_que ele soube ? - Ele trabalha em o Ministério - disse o Ron . - Tu sabes que nós não podemos fazer feitiços fora de a escola . - Bem , isso vindo de ti ... - exclamou Harry , olhando para o carro flutuante . - Oh , isto não conta - disse Ron . - Foi o meu pai que o emprestou . Não o fizemos aparecer por magia . Mas usar magia em a frente de esses Muggles com quem tu vives ... - Já te disse que não fui eu , mas vai demorar muito_tempo a explicar te isso agora . És capaz de avisar em Hogwarts que os Dursleys me fecharam a a chave e que não querem deixar me voltar e obviamente eu não posso sair de aqui magicamente senão o Ministério vai achar que é a segunda vez em três dias e ... - Pára com essa conversa tola - disse o Ron . - Viemos para te levar connosco . - Mas tu também não podes tirar me de aqui utilizando processos mágicos ... - Não precisamos de isso - afirmou Ron , fazendo um sinal de cabeça para os lugares de a frente . - Esqueces te de quem está aqui comigo . - Amarra isso em volta de as grades - disse o Fred , lançando a Harry a ponta de uma corda . - Se os Dursleys acordam estou feito - lamentou se Harry enquanto dava um nó bem apertado com a corda em uma de as grades e o Fred arrancava com o carro . - Não te preocupes e chega te para trás . Harry recuou para a sombra , para junto de Hedwig que parecia ter se apercebido de a importância de tudo aquilo , mantendo se quieta e em silêncio . O carro puxou mais e mais e , subitamente , com um ruído de ferro a ceder , as grades foram arrancadas de a janela , enquanto Fred conduzia com o céu como estrada . Harry correu de_novo para a janela para ver as grades a balouçarem a poucos metros de o chão . Ofegante , Ron içou as para dentro de o carro . Harry escutou ansiosamente mas não vinha qualquer som de o quarto de os Dursleys . Quando as grades estavam em segurança em os lugares de trás junto de Ron , Fred aproximou se o_máximo que lhe foi possível de a janela . - Anda de aí - disse . - Mas , todas_as minhas coisas de Hogwarts , a minha varinha , a minha vassoura ... - Onde estão ? - Fechadas em a despensa debaixo de as escadas e eu não posso sair de este quarto . . - Não há azar - disse o George . - Sai de a frente , Harry . Fred e George treparam cautelosamente e entraram por a janela em o quarto de Harry . Tinhas que ter aberto a boca , pensou Harry enquanto George tirava de o bolso um vulgar gancho de cabelo e começava a tentar abrir a fechadura . - Muitos feiticeiros acham que é uma perda de tempo aprender os truques de os Muggles - disse o Fred . - Mas nós pensamos que há habilidades que é sempre útil conhecer apesar_de serem um_pouco lentas . Ouviu se um pequeno clique e a porta abriu se . - Pronto , vamos buscar as tuas coisas . Tu vai dando a o Ron aquilo que precisas de aí de o teu quarto - murmurou George . - Cuidado com o degrau de cima que range - sussurrou Harry enquanto os gémeos desapareciam em o escuro . Harry deu a volta a o quarto , recolhendo as suas coisas e passando as por a janela a o Ron . Em seguida , foi ajudar o Fred e o George a trazerem o resto por as escadas acima . Ouviu o tio Vernon tossir . Por fim , de língua de_fora , chegaram a o quarto , junto de a janela aberta . Fred trepou para o carro para puxar os volumes com o Ron enquanto Harry e George os empurravam de dentro de o quarto . Centímetro a centímetro o malão foi passando por a janela . O tio Vernon tossiu de_novo . - Mais um_pouco - disse o Fred que estava a puxar de dentro de o carro . Um bom empurrão , vá . Harry e George encostaram os ombros contra a mala e ela escorregou para a parte de trás de o carro . - O. _ K. , vamos embora - murmurou o George . Mas quando Harry trepava para o parapeito de a janela ouviu se um forte pio atrás de ele , imediatamente seguido de o vociferar de o tio Vernon . - Aquela maldita coruja ! - Esqueci me de a Hedwig ! Harry precipitou se de_novo para o quarto , enquanto a luz de o patamar se acendia . Agarrou a gaiola de Hedwig , correu para a janela e passou a a o Ron . Estava a subir para_cima de a cómoda quando o tio Vernon bateu em a porta , que não estava fechada , e esta se abriu completamente . Por uma fracção de segundo , o tio Vernon ficou estático junto de a porta . Em seguida , soltou um mugido como um boi zangado e avançou para Harry , agarrando o por o tornozelo . Ron , Fred e George seguraram o por os braços e puxaram o com toda_a força . - Petúnia - rosnou o tio Vernon . - Ele está a fugir ! : __ ele está a __ fugir ! Os Weasleys deram um puxão gigantesco e a perna de o Harry escapou a as garras de o tio Vernon . Logo_que Harry entrou em o carro e a porta se fechou , Ron gritou : - Acelera Fred ! - E o carro partiu subitamente em direcção a a lua . Harry mal podia acreditar que estava livre . Esticou se a a janela , o ar de a noite a fustigar lhe os cabelos e olhou para baixo , para os telhados apertados de Privet_Drive . O tio Vernon , a tia Petúnia e o Dudley estavam todos debruçados com cara de parvos , a a janela de o quarto de ele . - Até a o próximo Verão - gritou . Os Weasleys riam se a as gargalhadas e Harry esticou se para trás em o assento e pediu a o ouvido de Ron : - Deixa sair a Hedwig . Ela pode voar atrás_de nós . Há séculos que não tem uma oportunidade de esticar as asas . George passou a o Ron o gancho de cabelo e , um momento depois , a Hedwig saíra feliz por a janela , planando atrás de eles como um fantasma . - Então , qual é a história ? - perguntou Ron , impaciente . - O que é_que tem estado a acontecer ? Harry contou lhes tudo sobre o Dobby , o aviso de este e o fracasso de o pudim de violetas . Houve um longo silêncio quando ele se calou . - Isso cheira me a esturro - disse , por fim , o Fred . - Definitivamente misterioso - concordou George . - Então ele nem te disse quem está supostamente por detrás dessa trama toda ? - Acho que não podia - explicou Harry . - Já te disse , de cada_vez que estava quase a deixar escapar qualquer coisa , começava a bater com a cabeça em a parede . Viu Fred e George olharem um para o outro . - O quê ? Acham que ele estava a mentir me ? - perguntou Harry . - Bem - começou o Fred -- , coloquemos as coisas de o seguinte modo , os elfos de casa têm poderes mágicos próprios , mas geralmente não podem usá os sem a autorização de os seus donos . Eu acho que o bom de o Dobby foi enviado para evitar que voltasses para Hogwarts . Uma ideia de um engraçadinho . Haverá alguém em a escola com má vontade contra ti ? - Sim - responderam Harry e Ron , precisamente ao_mesmo_tempo . - Draco_Malfoy - explicou Harry . - Ele detesta me . - Draco_Malfoy ? - perguntou George , voltando se para trás . - O filho de o Lucius_Malfoy ? - Deve ser . Não é um nome muito vulgar , pois não ? - disse Harry . - Mas porquê ? - Ouvi o pai falar acerca de ele - confidenciou George . - Ele era um grande apoiante de o « Quem nós sabemos » . - E quando o « Quem nós sabemos » desapareceu - continuou o Fred , voltando a cara para olhar para Harry - o Lucius_Malfoy voltou , dizendo que não foi por vontade própria que fez o que fez . Monte de lixo . O pai acha que ele fazia parte de um círculo de amigos íntimos de o « Quem nós sabemos » . Harry já tinha ouvido esses boatos sobre a família de Malfoy e não o surpreenderam em absoluto . Malfoy fizera Dudley_Dursley parecer um rapazinho simpático , amável e sensível . - Não sei se os Malfoy têm um elfo de casa ... - afirmou Harry . - Bem , quem quer que o possua é sem dúvida uma antiga família de feiticeiros e deve ser rica - explicou Fred . - Sim . A mãe está sempre a desejar que pudéssemos ter um elfo de casa para passar a roupa a ferro - disse o George . - Mas só temos um velho vampiro piolhoso em o sótão e gnomos espalhados por o jardim . Os elfos de casa pertencem a as grandes casas senhoriais , a os castelos e lugares assim , não encontrarias um em a nossa casa ... Harry estava calado . Considerando que Draco_Malfoy tinha sempre as melhores coisas , que a sua família nadava em ouro de feiticeiros , era fácil imaginá o passeando se por uma enorme casa senhorial . Mandar o servo de a família evitar que Harry voltasse para Hogwarts também parecia exactamente o tipo de coisa que Malfoy poderia fazer . Teria Harry sido estúpido a o tomar Dobby a sério ? - De qualquer modo , ainda_bem que viemos buscar te - declarou Ron . - Eu começava a ficar seriamente preocupado por não responderes a nenhuma de as minhas cartas . A princípio pensei que a culpa fosse de a Errol ... - Quem é a Errol ? - A nossa coruja . Já é velhota . Não seria a primeira vez que adoecia durante uma entrega . Por isso , tentei pedir a Hermes emprestada ... - Quem ? - A coruja que os meus pais compraram a o Percy quando ele foi nomeado prefeito - respondeu Fred . - Mas o Percy não me a emprestou . Disse que precisava de ela . - O Percy tem andado com atitudes muito estranhas este Verão - comentou George franzindo a testa . - E tem mandado imensas cartas e passado um tempo infinito fechado em o quarto ... enfim , pode limpar se e polir um distintivo de prefeito todas_as vezes que se quiser ... Estás a conduzir demasiado para ocidente , Fred - acrescentou apontando para uma bússola em o painel de o automóvel . Fred girou o volante . - Então , o vosso pai sabe que têm o carro ? - perguntou Harry , quase adivinhando a resposta . - Er ... não - disse o Ron . - Ele tinha trabalho esta noite . Felizmente vamos poder pô o de_novo em a garagem , sem a mãe perceber que andámos a voar nele . - A propósito , o que faz o vosso pai em o Ministério_da_Magia ? - Trabalha em o Departamento mais chato - respondeu Ron . - A Divisão de utilização incorrecta de artefactos de os Muggles . - O quê ? - Relaciona se com objectos de feitiçaria que foram feitos por os Muggles ; sabes como é , se forem parar de_novo a uma loja de os Muggles , ou a uma casa , como em o ano passado , quando morreu uma bruxa velha e o bule de ela foi vendido a uma loja de antiguidades . Uma mulher Muggle comprou o , tentou servir chá a os amigos . Foi um pesadelo , o pai teve de fazer horas extraordinárias durante semanas . - O que é_que aconteceu ? - O bule parecia louco , esguichou chá a ferver para todos os lados e um de os homens foi parar a o hospital com a pinça de o açúcar presa em o nariz . O pai ficou nervosíssimo . É só ele e o velho feiticeiro Perkings em o gabinete e tiveram de localizar e descobrir todo o tipo de encantamentos para resolver o assunto . - Mas o teu pai ... este carro ... Fred riu se . - Sim , o pai é louco por tudo_o_que tem que ver com os Muggles . A nossa arrecadação está cheia de coisas de os Muggles . Ele separa as , lança lhes feitiços e volta a pô as em o lugar . Se ele fizesse uma busca a nossa casa teria de se prender a si mesmo . A minha mãe fica louca com tudo aquilo . - É a estrada principal - gritou o George , apontando para baixo através de a janela . - Dentro_de poucos minutos estamos lá , mesmo a tempo , está a começar a clarear . Um leve brilho rosado tingia o horizonte para leste . Fred trouxe o carro para baixo e Harry pôde ver uma manta de retalhos de campos escuros e matas de arbustos . - Estamos um_pouco longe de a vila - disse George . - Em Ottery_St . Catchpole ... O carro voador foi descendo a os poucos . A luz avermelhada brilhava agora por_entre as árvores . - Terra - disse o Fred , em o momento em que tocaram em o chão com um ligeiro solavanco . Tinham aterrado perto_de uma garagem em ruínas em um pequeno pátio e Harry viu pela_primeira_vez a casa de o Ron . Parecia ter sido em tempos uma pocilga de pedra . Mas os quartos que posteriormente lhe tinham sido acrescentados haviam a tornado bastante mais alta e o seu aspecto era tão curvado que parecia ter sido construída por artes mágicas ( o que , pensou Harry , era , muito provavelmente , verdade ) . De o telhado vermelho saíam quatro ou cinco chaminés . Junto de a entrada , fixa em o chão , podia ver se uma inscrição assimétrica que dizia « A toca » . A o lado de a porta principal estava uma contusão de botas de * _ Wellington * e um caldeirão completamente enferrujado . Por o pátio passeavam se várias galinhas castanhas e gordas . - Não é grande coisa - desculpou se o Ron . - É óptima - exclamou Harry , feliz , pensando em Privet_Drive . Saíram de o carro . - Agora vamos lá para_cima sem fazer barulho - disse o Fred . - E esperamos que a mãe nos chame para o pequeno-almoço . Depois tu , Ron , desces a escada entusiasmadíssimo . - Mãe , olha quem apareceu cá durante a noite ! - E ela vai sentir se felicíssima quando vir o Harry . Assim ninguém fica a saber que levámos o carro voador . - Certo - disse o Ron . - Vamos , Harry , eu durmo em o ... Ron ganhou uma cor de um pálido esverdeado , os olhos fixos em a casa . Os outros três fizeram meia volta . Mrs._Weasley avançava por o pátio , afugentando as galinhas e , para uma mulher baixa , roliça e simpática , era fantástico como conseguia parecer se com um tigre dentes-de-sabre . - Ah ! - suspirou o Fred . - Oh , oh ! - exclamou o George . Mrs._Weasley parou em frente de eles . As mãos em as ancas , saltando de um olhar culpado para o outro . Usava um avental a as flores , com uma varinha a sair lhe de o bolso . - Com que então - disse . - Bom dia , mãe - arriscou o George com uma voz que tentou que fosse alegre e bem-disposta . - Vocês têm alguma ideia de como tenho estado preocupada ? - perguntou Mrs._Weasley em um murmúrio fraco . - Desculpe , mãe , mas sabe , nós tivemos que ... Os três filhos de Mrs._Weasley eram mais altos do_que ela , mas tremiam quando a fúria de a mãe se abatia sobre eles . - Camas vazias ! Nem um bilhete ! O carro desaparecido ... Podiam ter tido um acidente , estou fora de mim com tanta preocupação e vocês nem se importam ... nunca , enquanto eu for viva ... esperem só até o vosso pai chegar , nunca tivemos problemas de estes com o Bill , com o Charlie ou com o Percy ... - O perfeito Percy - resmungou Fred . - : __ tu não vales um dedo de a mão de o __ percy ! - gritou Mrs._Weasley , espetando um dedo em o queixo de o Fred . - Podias ter morrido , podias ter sido visto , podias ter feito com que o teu pai perdesse o emprego ... Parecia nunca mais acabar . Mrs._Weasley tinha gritado até ficar ronca , antes de se voltar para o Harry , que recuou . - Estou muito contente por te ver , Harry - disse . - Entra e vem tomar o pequeno-almoço . Ela voltou se e regressou a casa e Harry , depois de trocar um olhar nervoso com o Ron , que lhe acenou , encorajando o , seguiu a . A cozinha era pequena e bastante estreita . A meio havia uma enfezada mesa de madeira e cadeiras em volta e Harry sentou se a a beirinha de o assento , olhando em volta . Era a primeira vez que entrava em uma casa de feiticeiros . O relógio em a parede em frente de ele , tinha apenas um ponteiro e nenhum número . Em volta , estavam escritas frases como « Hora de fazer o chá » , « Hora de dar de comer a as galinhas « e « Estás atrasado » . Empilhados em o rebordo de a lareira estavam livros com títulos como * _ Encanta o teu próprio queijo , Encantamento em a cozedura de o pão e Banquetes em um minuto - é mágico * ! E , a menos que os ouvidos de Harry estivessem a traí o , o velho rádio próximo de o lava-loiças acabara de anunciar que a seguir vinha a Hora de enfeitiçar com a popular feiticeira-cantora Celestina_Warbeck . Mrs._Weasley fazia barulho com os talheres , preparando o pequeno-almoço um bocado a o acaso , lançando olhares furiosos a os filhos , enquanto lançava as salsichas em a frigideira . De vez em quando murmurava coisas como : « Não sei o que vos passou por a cabeça « ou « nunca devia ter confiado em vocês » . - Eu não te culpo , filho - tranquilizou Harry , pondo lhe sete ou oito salsichas em o prato . - Eu e o Arthur temos estado preocupados contigo . Ainda ontem a a noite estivemos a dizer que te iríamos buscar nós próprios se não respondesses a o Ron até sexta-feira . Mas , em a verdade ( estava agora a acrescentar três ovos estrelados a o prato de ele ) , atravessar metade de o país a voar em um carro ilegal , qualquer um vos poderia ter visto ... Agitou maquinalmente a varinha em a direcção de o lava-loiças , onde a loiça começou a lavar se sozinha , tinindo baixinho lá atrás . - Estava enevoado , mãe ! - exclamou o Fred . - Boca fechada enquanto comes ! - interrompeu Mrs._Weasley . - Eles estavam a fazê o passar fome , mãe ! - disse o George . - E tu também ! - disse Mrs._Weasley , mas já foi com uma expressão mais doce que começou a cortar o pão para Harry e a barrá o com manteiga . Em esse momento , as atenções voltaram se para um pequenino volto de cabelos ruivos , em uma camisa de dormir até a os pés , que surgiu em a cozinha , deu um grito agudo e desapareceu de_novo . - É a Ginny - disse Ron baixinho a o Harry -- , a minha irmã . Tem falado de ti todo o Verão . - Sim , ela vai querer o teu autógrafo , Harry - riu se o Fred , mas o seu olhar cruzou se com o de a mãe e inclinou se para o prato , não voltando a abrir a boca . Ninguém falou até os quatro pratos estarem limpos , o que sucedeu a uma velocidade surpreendente . - Bolas , estou cansado - bocejou Fred , pousando a faca e o garfo . Acho que me vou deitar e ... - Não vais , não senhor - interrompeu Mrs._Weasley . - A culpa é tua se ficaste toda_a noite acordado . Vais fazer a des-gnomização de o jardim . Eles estão outra_vez a exagerar . - Oh , mãe ... - E vocês os dois o mesmo - dirigiu se a o Ron e a o Fred . - Tu podes ir para a cama , filho - disse a Harry . - Não lhes pediste que guiassem aquele carro miserável . Mas Harry , que se sentia acordadíssimo , respondeu prontamente : - Eu ajudo o Ron , nunca vi uma des-gnomização ... - É muito simpático de a tua parte , querido , mas é um trabalho chato - explicou Mrs._Weasley . - Vejamos o que o Lockhart tem a dizer acerca disto . E puxou de o rebordo de a lareira um livro pesadíssimo . George resmungou : - Mãe , nós sabemos * des-gnomizar * o jardim . Harry olhou para a capa de o livro de Mrs._Weasley . Em grandes letras douradas , que ocupavam grande parte de a capa , podia ler se Guia_de_Gilderoy_Lockhart para pragas caseiras . Via se também a grande fotografia de um feiticeiro bem-parecido , de cabelos loiros ondulados e olhos azuis brilhantes . Como sempre , em o mundo de os feiticeiros , a fotografia mexia se . O feiticeiro , que Harry calculou ser Gilderoy_Lockhart , não parava de lhes piscar os olhos descaradamente . Mrs._Weasley sorriu lhe . - Oh , ele é fantástico - disse . - Conhece bem as pragas caseiras . É um livro maravilhoso . - A mãe adora o - disse Fred em um murmúrio bastante audível . - Não sejas ridículo , Fred - repreendeu Mrs._Weasley com as bochechas coradas . - É claro que se achas que sabes mais do_que o Lockhart , podes ir fazer o trabalho e ai de ti se houver um único gnomo em o jardim quando eu for fazer a inspecção . A bocejar e a resmungar , os Weasley arrastaram se lá para fora com Harry atrás de eles . O jardim era grande e , em a opinião de Harry , exactamente como deveria ser um jardim . Os Dursleys não teriam gostado . Havia uma enorme quantidade de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada , mas havia árvores nodosas em volta de as paredes , plantas que Harry nunca vira , tombando de todos os canteiros e um grande lago verde cheio de rãs . - Os Muggles também têm gnomos de jardim , sabes - disse o Harry a o Ron , enquanto atravessavam a relva . - Sim , já vi essas coisas que eles pensam que são gnomos - disse o Ron todo dobrado , com a cabeça em uma moita de peónias . - Como os Pais_Natais gordinhos com canas de pesca ... Houve um tumulto ruidoso , a moita de peónias estremeceu e Ron endireitou se . - Isto_é um gnomo - declarou com um ar sério . - Larga eu ! Larga eu ! - guinchou o gnomo . Não se parecia em absoluto com o Pai_Natal . Era pequenino e parecia de couro , com uma grande cabeça protuberante e calva , precisamente como uma batata . Ron agarrou o a a distância de um braço , enquanto ele dava pontapés em o ar com os seus pézinhos que pareciam chifres . Agarrou o por os tornozelos e voltou o de pernas para o ar . - Isto_é o que tens de fazer - disse . Levantou o gnomo acima de a cabeça ( Larga eu ! ) e começou a balouçá o em grandes círculos , como os vaqueiros fazem com os laços . A o ver a expressão chocada de Harry , Ron explicou : - Não os mágoa . Só tens de os deixar bem tontos para que consigam encontrar o caminho de regresso a os buracos de os gnomos . Largou os tornozelos de o gnomo . Ele voou seiscentos metros e aterrou com um ruído surdo em o campo a o lado de a sebe . - Deplorável - afirmou o Fred . - Aposto que consigo lançar o meu para_além de aquele tronco . Harry aprendeu rapidamente a não sentir muita pena de os gnomos . Decidira largar o primeiro que apanhou para_além de a sebe , mas o gnomo , sentindo fraqueza , enfiou os seus dentinhos , aguçados como laminas , em o dedo de o Harry e não foi fácil sacudi o para ele o largar , até que ... - Uau , Harry , esse deve ter sido seiscentos metros ... O ar estava subitamente cheio de gnomos voadores . - Vês , eles não são muito espertos - afirmou o George , agarrando cinco ou seis de uma_vez . - Em o momento em que se apercebem que começou a * des-gnomização * , aparecem todos para espreitar . Era de esperar que já tivessem aprendido a ficar quietinhos . Rapidamente a multidão de gnomos começou a ir se embora , atravessando os campos em uma fila ordenada , com os pequeninos ombros arqueados . - Eles voltam - disse o Ron enquanto os via desaparecer em a sebe de o outro lado de o campo . - Eles adoram estar aqui ... o pai é muito mole com eles , acha lhes piada . Em esse momento , a porta de a frente bateu . - Ele já voltou ! - exclamou o George . - O pai já está em casa ! Apressaram se a entrar . Mr._Weasley tinha se afundado em uma de as cadeiras de a cozinha , sem óculos e com os olhos fechados . Era um homem magro , quase calvo , mas o pouco cabelo que tinha era tão ruivo como o de os filhos . Vestia um longo manto verde cheio de pó e estava cansado de a viagem . - Que noite - murmurou , tacteando em busca de o bule , enquanto todos se sentavam a a volta de ele . - Nove assaltos , nove ! E o velho Mundungs_Fletcher tentou lançar me um feitiço quando eu estava de costas . Mr._Weasley tomou um bom gole de chá e suspirou . - Encontrou alguma coisa , pai ? - perguntou Fred ansiosamente . - Só encontrei algumas chaves encolhidas e uma chaleira que mordia - bocejou Mr._Weasley . - Havia um material bastante mauzinho , mas não era de o meu departamento . O Mortlake foi levado para ser interrogado sobre uns furões extremamente antigos , mas isso pertence a a Comissão_dos_Feitiços_Experimentais , graças_a Deus . - Por_que é_que alguém ia dar se a o trabalho de fazer encolher chaves ? - perguntou George . - Para chatear os Muggles - suspirou Mr._Weasley . - Vende se lhes uma chave que não pára de encolher , até que desaparece , de_modo_a que nunca a encontrem quando precisam ... É claro que é muito difícil condenar alguém , porque nenhum Muggle é capaz de admitir que a sua chave está a encolher , insistem em que estão sempre a perdê a . Benditos sejam , vão até onde for preciso para ignorar a magia , mesmo_que ela esteja em frente de os seus narizes ... mas vocês não acreditariam em as coisas que o nosso grupo tem levado para enfeitiçar ... - : __ como carros , por __ exemplo ? Mrs._Weasley tinha aparecido , segurando um grande atiçador que parecia uma espada . Os olhos de Mr._Weasley abriram se de repente , fitando a mulher com um ar culpado . - C-carros , Molly querida ? - Sim , Artur , carros - afirmou Mrs._Weasley , os olhos a faiscar . - Imagina um feiticeiro a comprar um carro velho e enferrujado e dizer a a mulher que a única coisa que queria fazer com ele era desmontá o para ver como ele funcionava , enquanto em a verdade estava a enfeitiçá o para o fazer voar . Mr._Weasley piscou os olhos . - Bem , querida , acho que poderás constatar que não é ilegal fazer isso , embora , er , talvez ele devesse ter contado a verdade a a mulher ... Existe uma forma de tornear a lei , já_que ela diz que ... desde_que não se tenha a * intenção * de voar em o carro , o facto de ele poder voar , não ... - Arthur_Weasley tu arranjaste essa forma de tornear a lei quando a escreveste ! - gritou Mrs._Weasley . - Para poderes continuar a remexer em todo aquele lixo de os Muggles que tens em a arrecadação ! E , para tua informação , o Harry chegou hoje_de_manhã em o carro que tu não pretendias pôr a voar ! - Harry ? - perguntou Mr._Weasley sem expressão . - Qual Harry ? Olhou em volta , viu Harry e deu um salto . - Santo_Deus , é Harry_Potter ? Muito prazer , o Ron falou nos tanto de si ... - * _ O teu filho conduziu aquele carro até a a casa de o Harry e de volta até aqui em a noite passada ! * - gritou Mrs._Weasley . - O que tens a dizer a esse respeito ? - A sério ! ? - exclamou Mr._Weasley com vivacidade . - Correu tudo bem , quero dizer ... - vacilou a o ver os olhos de Mrs._Weasley que faiscavam . - Er , fizeram mal , rapazes , muito mal , mesmo ... - Vamos deixá os a os dois - murmurou o Ron , enquanto Mrs._Weasley inchava como um sapo gigantesco . - Vamos , vou mostrar te o meu quarto . Esgueiraram se de a cozinha e desceram uma passagem estreita que dava para uma escada desnivelada que ziguezagueava a o longo de a casa . Em o terceiro andar , estava uma porta entreaberta . Harry só teve tempo de ver um par de olhos castanhos brilhantes que o olhavam fixamente , antes de a porta se fechar com um estalido . - A Ginny - disse o Ron . - Não imaginas como é estranho vês a tão tímida , ela que quase nunca se cala ... Subiram mais dois andares , até chegarem a uma porta com a tinta a descascar e uma pequena placa dizendo : « Quarto_do_Ronald » . Harry entrou . A cabeça quase tocava em o tecto inclinado . Piscou os olhos . Era como entrar dentro_de uma fornalha : quase tudo em o quarto de o Ron tinha um violento matiz alaranjado : a colcha de a cama , as paredes , até o tecto . Em seguida , apercebeu se de que o Ron tinha coberto cada centímetro de o velho papel de parede com * posters * de as mesmas sete feiticeiras e feiticeiros , todos vestidos com brilhantes mantos cor de laranja , transportando vassouras e acenando entusiasticamente . - A tua equipa de Quidditch ? - perguntou Harry . - Os Chudley_Cannons - disse Ron , apontando para a colcha cor de laranja que tinha um brasão com dois C's gigantes e uma bala de canhão a_toda_a velocidade . - Nono em a Liga . Os livros de estudo de feitiços de Ron estavam empilhados desordenadamente a um canto , junto de um monte de B. _ D. , todas elas relativas a as * _ Aventuras_de_Martin_Miggs , o Muggle louco * . A varinha mágica de o Ron estava em_cima_de um aquário cheio de ovos de rã sobre o peitoril de a janela , junto de o seu rato gordo e cinzento , Scabbers , que dormia uma soneca a o sol . Harry passou por_cima_de um baralho de cartas de jogar com vontade própria , que estava caído em o chão , e olhou para fora de a janelinha . Em o campo , não muito longe , podia ver um grupo de gnomos a esgueirarem se , um a um , de_novo para a sebe de os Weasley . Em seguida , voltou se para Ron que o observava nervoso , como_se esperasse a opinião de ele . - É um_pouco pequeno - declarou o Ron muito depressa . - Não se parece nada com o quarto que tu tinhas em casa de os Muggles . E estou mesmo debaixo de o vampiro de o sótão . Ele anda sempre a bater nos canos e a gemer ... Mas Harry , com um grande sorriso , disse lhe : - Esta é a melhor casa em que eu já estive . As orelhas de Ron ficaram cor-de-rosa . IV_Na_Flourish and Blotts_A vida em a Toca era o mais diferente que é possível de a vida em Privet_Drive . Os Dursleys gostavam de tudo limpo e arrumado , em casa de os Weasleys explodia o estranho e o inesperado . Harry teve um choque de a primeira vez que olhou para o espelho que estava sobre a lareira de a cozinha e ele gritou : - Mete para dentro a camisa , * desmazelado ! * - O vampiro de o sótão gemia e batia nos canos , sempre_que sentia as coisas demasiado calmas e as pequenas explosões em o quarto de o Fred e de o George , eram consideradas perfeitamente normais . Mas o que o Harry achou mais bizarro em a vida em casa de o Ron , não foi o espelho que falava , nem o vampiro barulhento , foi o facto de todos ali em casa parecerem gostar de ele . Mrs._Weasley preocupava se com o estado de as suas meias e tentava obrigá o a servir se quatro vezes a cada refeição . Mr._Weasley gostava que Harry se sentasse a o lado de ele a a mesa para poder bombardeá o com perguntas sobre a vida com os Muggles , pedindo que lhe explicasse como funcionavam coisas como as canalizações e o serviço de os correios . - Fascinante ! - exclamava , enquanto Harry lhe explicava a utilização de o telefone . - Engenhoso , de facto , todas_as maneiras que os Muggles encontraram para passar sem a magia . Harry teve notícias de Hogwarts em uma manhã de sol , cerca de uma semana depois de ter chegado a a Toca . Quando , ele e o Ron desceram para tomar o pequeno-almoço , encontraram Mr. e Mrs._Weasley e Ginny já sentados a a mesa . Em o momento em que viu o Harry , Ginny entornou a tigela de os cereais , que caiu a o chão com grande espalhafato . Ginny entornava facilmente coisas sempre_que o Harry estava em a sala . Mergulhou debaixo de a mesa para apanhar a tigela e emergiu com o rosto a brilhar como o sol poente . Fingindo não ter dado por nada , Harry sentou se e aceitou a torrada que Mrs._Weasley lhe ofereceu . - Cartas de a escola - disse Mr._Weasley , passando a o Harry e a o Ron envelopes idênticos de pergaminho amarelado , com a morada escrita a tinta verde . - O Dumbledore já sabe que estás aqui , Harry , não perde nada aquele homem . Vocês os dois também - acrescentou , enquanto Fred e George deambulavam em a casa , ainda em pijama . Fez se silêncio durante alguns momentos , enquanto liam as respectivas cartas . A de o Harry dizia para apanhar o Expresso_de_Hogwarts , como sempre em a Estação_de_King's_Cross , em o dia_1_de_Setembro . Havia ainda uma lista de os livros que precisaria para o próximo ano . Os alunos de o segundo ano deverão ter : * _ O_Livro_Padrão_de_Feitiços , Grau 2 , por Miranda_Goshawk . * _ Ensinamentos_de_Uma_Fada_Carpideira , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Férias com Bruxas , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Duendes , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Lobisomens , por Gilderoy_Lockhart . * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves , por Gilderoy_Lockhart * . Fred , que terminara a sua própria lista , espreitou para a de o Harry . - Também te mandam comprar os livros de o Lockhart - disse . - A professora de defesa contra as artes negras deve ser fanática . Aposto que é uma bruxa . Nessa_altura , Fred percebeu o olhar de a mãe e apressou se a comer o doce de laranja . - Esse conjunto não vai ficar barato - disse George , olhando rapidamente para os pais . - Os livros de o Lockhart são de os mais dispendiosos ... - Cá nos havemos de arranjar - declarou Mrs._Weasley , mas parecia preocupada . - Espero que pelo_menos para a Ginny possamos arranjar uma data de coisas em segunda mão . - Ah , vais entrar este ano para Hogwarts ? - perguntou lhe Harry . Ela fez um aceno , corando até a a raiz de os cabelos ruivos e meteu o cotovelo em o pires de a manteiga . Felizmente ninguém deu por nada , a não ser o Harry , porque em esse momento o irmão mais velho de Ron , o Percy , entrou . Já estava vestido , com a placa de prefeito aplicada a a sua camisola de malha . - Bom dia a todos - disse , cheio de vivacidade . - Está um dia lindo . Puxou a única cadeira livre , mas deu um salto quando ia sentar se e , debaixo de ele , saltou um espanador cinzento de penas , pelo_menos , foi o que o Harry pensou até ver que ele respirava . - Errol ! - exclamou Ron , afastando a coruja de o Percy e retirando lhe debaixo de a asa uma carta . - Até que enfim , a resposta de a Hermione . Escrevi lhe a contar que íamos tentar raptar te de casa de os Dursleys . Levou Errol para um poleiro que havia junto a a porta de as traseiras e tentou colocá a lá em cima , mas Errol caiu redonda e Ron teve de a pôr em a pia , murmurando : - Patético . - Em seguida , abriu a carta de a Hermione e leu a em voz alta . * _ Querido_Ron e Harry , se aí estiveres . Espero que tudo tenha corrido bem , que o Harry esteja O. _ K. e que não tenham feito nada ilegal para conseguir trazes o , porque isso podia criar lhe problemas também a ele . Tenho estado muito preocupada e , se o Harry estiver bem , por favor digam me qualquer coisa rapidamente , mas talvez seja melhor usarem uma nova coruja , porque acho que outra entrega pode acabar como esta . * _ Estou muito atarefada com trabalho de a escola , claro * . - Como é possível ? - perguntou Ron , horrorizado . - Estamos em férias ! - * _ E vamos para Londres em a próxima quarta-feira para comprar os meus livros novos . Porque não nos encontramos em a Diagon-al ? * _ Dêem-me notícias vossas o mais depressa possível . * _ Carinhosamente_Hermione * - Bem , parece uma boa solução , podemos ir todos comprar as vossas coisas - disse Mrs._Weasley , começando a limpar a mesa . - O que vão fazer hoje ? Harry , Ron , Fred e George tinham planeado ir a o cimo de o monte a um pequeno cercado de cavalos que os Weasleys possuíam . Estava rodeado de árvores que lhe tapavam a vista de a cidade cá em baixo , o que quer_dizer que podiam praticar Quidditch , desde_que não voassem muito alto . Não podiam usar as verdadeiras bolas de Quidditch pois seria muito difícil explicar se elas escapassem e voassem sobre a cidade . Em vez de elas , lançavam maçãs para os outros apanharem . Faziam turnos para montar a Nimbus dois_mil , que era de longe a melhor vassoura . A velha Shooting_Star_de_Ron fora muitas_vezes ultrapassada por as borboletas que passavam . Cinco minutos mais tarde estavam a marchar por o monte acima , de vassouras a o ombro . Tinham perguntado a o Percy se ele queria juntar se a eles , mas ele alegara muito trabalho . Até esse dia , Harry só tinha visto Percy a a hora de as refeições , ele ficava em silêncio em o quarto o resto de o tempo . - Gostava de saber o que ele anda a fazer - afirmou Fred , de testa franzida . - Não parece o mesmo . O resultado de os exames veio um dia antes de tu chegares : doze N_F_V e ele nem se manifestou satisfeito . - Níveis_de_Feitiçaria_Vulgares - explicou o George , vendo o olhar atarantado de Harry . - Se não temos cuidado , ainda nos calha outro Chefe_de_Turma em a família . Acho que não suportaria a vergonha . Bill era o mais velho de os irmãos Weasley . Ele e o irmão a seguir , Charlie , já tinham saído de Hogwarts . Harry não conhecia nenhum de os dois , mas sabia que o Charlie estava em a Roménia a estudar dragões e o Bill em o Egipto a trabalhar em o banco de os feiticeiros : Gringotts . - Não sei como o pai e a mãe vão arranjar dinheiro para nos pagar o material escolar este ano - disse o George , passado um bocado . - Cinco conjuntos de livros de o Lockhart ! E a Ginny precisa de mantos e de uma varinha e tudo_isso ... Harry não disse nada . Sentiu se um_pouco incomodado . Fechada em um cofre subterrâneo , em o banco de Gringotts_de_Londres , estava uma pequena fortuna que os pais lhe tinham deixado . É claro que só tinha esse dinheiro em o mundo de os feiticeiros , não se podem usar Galeões , Leões e Janotas em as lojas de os Muggles . Ele nunca fizera referência a a sua conta bancária em Gringotts a os Dursleys . Não lhe parecia que o horror que eles sentiam por tudo_o_que se relacionava com a feitiçaria se estendesse a uma enorme pilha de barras de ouro . Mrs._Weasley acordou os a todos bem cedo , em a quarta-feira seguinte . Depois de comerem umas doze sanduíches de * bacon * cada_um , enfiaram os casacos e Mrs._Weasley tirou um vaso de a prateleira de o fogão de a cozinha e espreitou lá para dentro . - Está a acabar se , Arthur - suspirou . - Temos de comprar mais hoje ... Bem , os hóspedes primeiro . Passa , Harry querido ! E ofereceu lhe o vaso de flores . Harry olhou espantado enquanto todos eles o observavam . - O q-que é_que eu devo fazer ? - gaguejou . - Ele nunca viajou com o pó de Floo - disse o Ron subitamente . - Desculpa , Harry , esqueci me . - Nunca ? - perguntou Mrs._Weasley . - Mas então como chegaste a a Diagon - _ Al em o ano passado para comprar as tuas coisas ? -- Fui por o subterrâneo . - A sério ? - disse Mr._Weasley , entusiasmado . - Havia fugitivos ? Como é_que ... - Agora não , Arthur - disse Mrs . Weasley . - O pó de Floo é muito mais rápido , querido , mas , valha me Deus , se ele nunca o usou ... - Vai correr bem , mãe - disse o Fred . - Harry observa nos primeiro . Tirou uma pitada de pó brilhante de dentro de o vaso , aproximou se de o lume e lançou o pó em as chamas . Com um rugido , o fogo ficou verde-esmeralda e elevou se a uma altura superior a a de o Fred que avançou , gritando Diagon - _ Al ! E desapareceu . - Tens de falar claramente , filho - disse Mrs._Weasley a o Harry , ao_mesmo_tempo que George metia a mão em o vaso de as flores . - E vê se sais em o fogão certo . - Em o quê ? - perguntou Harry , nervoso , enquanto o lume crepitava e fazia George desaparecer também . - Bem , há imensos fogos de feiticeiros , mas desde_que te tenhas expressado claramente ... - Ele vai conseguir , Molly , não te preocupes - disse Mr._Weasley , tirando também ele algum pó . - Mas querido se ele se perde como é_que vamos justificar nos perante o tio e a tia de ele ... -- Eles não se importariam - tranquilizou a Harry . - O Dudley ia achar imensa piada se eu me perdesse em uma chaminé , não se preocupe . - Bem , em esse caso ... tu vais a seguir a o Arthur - disse Mrs._Weasley . - Logo_que entres em o fogo diz para_onde queres ir . - E mantém os cotovelos dobrados - preveniu o Ron . - E os olhos fechados - disse Mrs._Weasley . - A fuligem . - Não te enerves - disse o Ron . - Senão podes ir parar a a lareira errada . - Não entres em pânico e não queiras sair cedo de mais . Espera até veres o Fred e o George . Fazendo um enorme esforço por reter toda aquela informação , Harry tirou uma pitada de pó de Floo e avançou para a beirinha de o fogo . Respirou fundo , espalhou o pó em as chamas e entrou . O fogo parecia uma brisa quente . Abriu a boca e engoliu , de imediato , uma grande quantidade de cinzas quentes . D-dia-gon-al - tossiu . Sentiu se como_se estivesse a ser sugado para um buraco gigantesco . Como_se girasse muito depressa ... o ruído era ensurdecedor . Tentou manter os olhos abertos mas o turbilhão de chamas verdes fê lo enjoar ... algo duro bateu lhe em o cotovelo e dobrou o de imediato . Continuava a rodar , a rodar ... sentia se agora como_se várias mãos frias estivessem a bater lhe em a cara ... Espreitando através de os óculos , viu uma torrente imprecisa de fogões e captou lampejos de as salas que estavam por detrás ... as sanduíches de * bacon * davam lhe a volta dentro de o estômago ... fechou os olhos desejando que tudo aquilo parasse e então caiu , de cara em o chão , em a pedra fria e sentiu os óculos partirem se a os bocados . Desorientado e ferido , coberto de fuligem , pôs se cautelosamente de pé , levando a os olhos os óculos partidos . Estava completamente só e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava . Tudo_o_que podia dizer era que a o seu lado via uma lareira que lhe parecia ser a de uma enorme e indistinta loja de feitiçaria . Mas nenhum de os artigos que ali se encontravam tinham aspecto de fazer parte de a lista de a escola de Hogwarts . Em uma caixa de vidro podia ver se uma mão atrofiada que repousava sobre uma almofada , um baralho de cartas ensanguentado e um olho de vidro que o olhava fixamente . Máscaras de expressão maldosa enchiam as paredes , olhando de esguelha , uma enorme quantidade de ossos humanos estendia se sobre o balcão e , de o tecto , pendiam instrumentos aguçados com pontas de ferro e pregos enferrujados . Mas o pior é_que a rua estreita e escura , que Harry conseguia avistar através de a janela poeirenta de a loja , não era de modo algum a Diagon-al . Quanto_mais depressa saísse de ali , melhor . O nariz ainda a doer lhe em o sítio onde batera em o chão a o aterrar , Harry avançou rápida e silenciosamente em direcção a a porta , mas antes de conseguir chegar a meio caminho , duas pessoas apareceram de o lado de_fora de o vidro , e uma de elas era a última pessoa que Harry desejaria encontrar em o momento em que se encontrava perdido , coberto de fuligem e com os óculos partidos , Draco_Malfoy . Harry olhou rapidamente em volta e apercebeu se de a existência de um grande armário escuro a a sua esquerda , saltou lá para dentro e fechou as portas , deixando uma gretazinha para poder espreitar . Segundos depois , uma campainha tocava e Malfoy entrava em a loja . O homem que o acompanhava só podia ser o pai . Tinha o mesmo rosto pálido de feições agudas e os mesmos olhos cinzentos de gelo . Mr._Malfoy atravessou a loja , olhando maquinalmente para os artigos expostos e tocou a campainha de o balcão , antes de se voltar para o filho , dizendo : - Não mexas em nada , Draco . Malfoy , que vira o olho de vidro , disse : - Pensei que ias oferecer me um presente . - Eu prometi que ia comprar te uma vassoura de corrida - declarou o pai , tamborilando com os dedos sobre o balcão . - Para que é_que me serve , se não estou em a equipa de Quidditch ? - perguntou Malfoy , carrancudo e de mau humor . - O Harry_Potter teve uma Nimbus dois_mil o ano passado , com a autorização especial de o Dumbledor é para jogar em os Gryffindor . Ele nem é assim tão bom , é só por ser * famoso * ... famoso por ter uma estúpida cicatriz em a testa . Malfoy baixou se para observar uma prateleira cheia de crânios . - Todos acham que ele é tão esperto , o Potter maravilha , com a sua cicatriz e a sua vassoura ... - Já me disseste isso doze vezes pelo_menos - comentou Mr._Malfoy , olhando repressivamente para o filho . - E devo lembrar te que não é prudente parecer menos do_que amigo de Harry_Potter , quando a maior parte de a nossa gente vê em ele um herói que fez desaparecer o Senhor_do_Mal . Ah , Mr._Borgin . Um homem curvado surgiu por detrás de o balcão , puxando o cabelo gorduroso para trás . - Mr._Malfoy , que prazer vês o de_novo - disse Mr._Borgin , em uma voz tão untuosa como o cabelo . - Encantado , e o nosso jovem Malfoy também , encantado . Em que posso servi os ? Tenho que vos mostrar o que chegou hoje , a um preço muito razoável ... - Hoje não venho comprar , Mr._Borgin , e sim vender - afirmou Mr._Malfoy . - Vender ? - O sorriso apagou se lentamente em o rosto de Mr._Borgin . - Certamente ouviu dizer que o Ministério está a levar a cabo mais buscas - explicou o Mr._Malfoy , retirando de o bolso um rolo de pergaminho e desembrulhando o para Mr._Borgin o ler . - Eu tenho alguns , ah , artigos em casa que poderiam criar me problemas se o Ministério me batesse a porta . Mr._Borgin colocou em o nariz um par de * pince-nez * e olhou para a lista . - O Ministério não se lembraria de o incomodar certamente ... O lábio de Mr._Malfoy dobrou se . - Ainda não me fizeram nenhuma visita . O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito , mas o Ministério está a ficar cada_vez_mais intrometido . Há boatos sobre um novo decreto de protecção de os Muggles , sem dúvida que aquele mordido de as pulgas , adorador de os Muggles , que é o Arthur_Weasley deve estar por detrás de isso . Harry sentiu crescer a raiva . - E , como pode ver , alguns de estes venenos podiam dar a ideia ... - Compreendo perfeitamente , claro - disse Mr._Borgin . - Deixe me ver ... - Posso ter aquilo ? - interrompeu Draco , apontando para a mão raquítica que estava sobre a almofada . - Ah , a mão de a glória ! - exclamou Mr._Borgin , abandonando a lista de Mr._Malfoy e apressando se a responder a Draco . - Põe se lhe uma vela e ela só dá luz a quem a transporta ! A melhor amiga de os gatunos e de os salteadores , o seu filho tem gosto , senhor . - Espero que o meu filho venha a ser mais do_que gatuno ou salteador , Borgin - disse Mr._Malfoy friamente e Mr._Borgin respondeu logo : - Sem ofensa , senhor , sem querer ofender . - Embora , se as notas de a escola não melhorarem - disse Mr._Malfoy ainda mais friamente - esse possa vir a ser o único caminho possível para ele . - Não tenho culpa - retorquiu Draco . - Todos os professores têm os seus preferidos , aquela Hermione_Granger ... - Eu , em o teu lugar , teria vergonha que uma rapariga que nem_sequer pertence a famílias de feiticeiros , me passasse a a frente em todos os exames - interrompeu Mr._Malfoy . Ah - fez Harry baixinho , radiante por ver Draco atrapalhado e furioso . - É o mesmo em todo o lado - comentou Mr._Borgin em a sua voz untuosa . - O sangue de os feiticeiros conta cada_vez menos ... - Não para mim - afirmou Mr._Malfoy , com as longas narinas dilatadas . - Não senhor , nem para mim - concordou Mr._Borgin , inclinando se em uma vénia . - Em esse caso , talvez possamos voltar a a minha lista - disse Mr._Malfoy secamente . - Estou com alguma pressa , Borgin , tenho ainda hoje assuntos importantes a tratar em outro lado . Começaram a discutir os preços . Harry via nervosamente o Draco aproximar se de o seu esconderijo enquanto observava os objectos a a venda . Parou para examinar um enorme rolo de corda de carrasco e para ver , com um sorriso afectado , o cartão preso com um aparatoso laço de opalas onde podia ler se : * _ Cautela , não tocar . Amaldiçoado - reclama as vidas de dezanove donos , todos eles Muggles * . Draco voltou se e viu o armário mesmo em frente . Avançou , estendeu a mão para o puxador ... - Feito - disse Mr._Malfoy , a o balcão . - Vamos , Draco . Harry limpou a testa a a manga quando Draco se afastou . - Muito bom dia , Mr._Borgin . Espero por si amanhã em a mansão para ir buscar a mercadoria . Em o momento em que a porta se fechou , Mr._Borgin abandonou os seus modos subservientes . « Bom dia para o senhor , Mr._Malfoy , e , se as histórias que contam são verdadeiras , não me vendeu nem metade do_que tem escondido em a sua mansão ... » Murmurando de forma taciturna , Mr._Borgin desapareceu em uma sala escura . Harry esperou um minuto não fosse ele voltar e , em seguida , o mais silenciosamente possível , escapou se de o armário , passou por as caixas de vidro e saiu de a loja . Encostando os óculos partidos a o rosto , olhou em volta . Saíra em uma rua estreita e sombria que parecia composta exclusivamente de lojas dedicadas a as artes negras . Aquela de onde acabava de sair parecia ser a maior , mas em frente estava uma montra tétrica de cabeças encolhidas e duas portas abaixo podia ver se uma enorme caixa viva cheia de gigantescas aranhas pretas . Dois feiticeiros com aspecto pobre observavam o de a sombra de uma porta , murmurando entre si . Sentindo se nervoso , Harry pôs se a caminho , tentando agarrar os óculos a direito e não desistindo de a esperança de encontrar maneira de sair de ali . Por um cartaz de madeira , pendurado em a rua , indicando uma loja de venda de velas envenenadas , ficou a saber que se encontrava em a Rua * _ Bativolta * , mas isso não o ajudou pois Harry nunca ouvira falar em tal lugar . Calculou que não tinha pronunciado bem as palavras com a boca cheia de cinzas em a lareira de os Weasley . Tentando manter a calma perguntou a si mesmo o que havia de fazer . - Não estás perdido , pois não , meu menino ? - perguntou uma voz , mesmo junto de o seu ouvido , que o fez dar um salto . Uma bruxa idosa estava em a sua frente , segurando um tabuleiro de uma coisa que se parecia horrivelmente com unhas humanas . A mulher olhou o maldosamente , mostrando os dentes esverdeados . Harry recuou . - Estou bem , obrigado - disse . - Estou só ... - HARRY ! O qu'é que pensas que estás a fazer aqui ? O coração de Harry deu um salto , assim_como o de a bruxa . Um monte de unhas caíram lhe sobre os pés e ela praguejou , enquanto o corpo enorme de Hagrid , o guarda de os campos de Hogwarts , se aproximava de eles a passos largos com os olhos castanhos-escuros a faiscarem sobre a longa barba eriçada . - Hagrid - gritou Harry , aliviado . - Eu estava perdido ... o pó de Floo ... Hagrid agarrou Harry por o cachaço e puxou o para longe de a bruxa , tirando lhe o tabuleiro de as mãos . Os guinchos agudos de a feiticeira seguiram nos até a o fundo de a ruela serpenteante que ia dar a um lagar onde brilhava o sol . Harry avistou a a distância um edifício de mármore branco como a neve que lhe era familiar : o banco de Gringotts . Hagrid conduzira o até a a Diagon - _ Al . - ` _ tás em um péssimo estado ! - disse Hagrid bruscamente , sacudindo lhe a fuligem com tanta força que Harry quase caiu em um barril de estrume de dragão que se encontrava a a porta de um boticário . - A fugir , em a Rua * _ Bativolta * , eu não conheço esse lugar finório , Harry , não quero que ninguém te veja aqui em baixo . - Já percebi - disse Harry , baixando se quando Hagrid fez menção de o escovar melhor . - Já te disse que estava perdido . E o que é_que tu fazes aqui ? - ` _ Tou a a procura d'um repelente para as lesmas comedoras de legumes - resmungou Hagrid . - ` _ tão a destruir as couves todas de a escola . Tu não estás sozinho ? - Estou em casa de os Weasley , mas separámo nos explicou Harry . - Tenho que os encontrar . Desceram juntos a rua . - Por_que é_que nunca respondeste a as minhas cartas ? - perguntou Hagrid , enquanto Harry corria para o acompanhar ( tinha de dar três passos por cada enorme passada de Hagrid ) . Harry explicou lhe tudo sobre Dobby e os Dursleys . - Malditos_Muggles - rugiu Hagrid . - S'eu tivesse sabido ... - Harry ! Harry ! Aqui ! Harry olhou para_cima e viu Hermione_Granger em o topo de a escadaria de Gringotts . Desceu para vir a o encontro de ele , o cabelo castanho de caracóis , a esvoaçar atrás de ela . - O que aconteceu a os teus óculos ? Olá_Hagrid ... Oh , é maravilhoso ver vos outra_vez . Vens a Gringotts , Harry ? - Logo_que encontre os Weasley - respondeu ele . - Não vais ter d'esperar muito - riu se Hagrid . Harry e Hermione olharam em volta . Subindo a rua , em o meio de a multidão , vinham Ron , Fred , George , Percy e Mr._Weasley . - Harry - chamou Mr._Weasley , ofegante . - Tínhamos esperança que só tivesses ido um fogão mais longe ... - passou um pano em a sua calva reluzente . - A Molly está nervosíssima , aí vem ela . - Onde é_que tu saíste ? - perguntou o Ron . - Em a Rua * _ Bativolta * - disse o Hagrid , com um ar sério . - Sensacional ! - exclamaram Fred e George ao_mesmo_tempo . - Nunca nos deram autorização para lá ir - disse o Ron com uma pontinha de inveja . - E fizeram muito bem - grunhiu Hagrid . Mrs._Weasley chegou em aquele momento a correr , a mala a balouçar em uma de as mãos e Ginny quase pendurada em a outra . - Oh Harry , oh meu querido , podias ter ido parar a qualquer lugar ... Tentando recuperar o fôlego , tirou de a mala uma grande escova de roupa e começou a retirar a fuligem que Hagrid não conseguira expulsar . Mr._Weasley pegou em os óculos de Harry , deu lhes um toque de varinha e entregou lhe os como novos . - Bem , tenho de m'ir embora - disse Hagrid cuja mão estava a ser esmagada por Mrs._Weasley ( -- Rua * _ Bativolta * ! Se não o tivesses encontrado , Hagrid ! ) . - Vemo nos em Hogwarts . - E afastou se , os ombros e a cabeça acima de a multidão que enchia completamente a rua . - Adivinham quem eu vi em o Borgin and Burkes ? - perguntou Harry_a_Ron e a Hermione enquanto subiam as escadarias de Gringotts . - Malfoy e o pai . - O Lucius_Malfoy comprou alguma coisa ? - perguntou interessado Mr._Weasley que estava atrás de eles . - Não , estava a vender . - Então está preocupado - comentou Mr._Weasley com visível satisfação . - Ah , eu adorava apanhar o Lucius_Malfoy em alguma . . - Tem cuidado , Arthur - interrompeu Mrs._Weasley enquanto o gnomo porteiro lhes dava reverentemente entrada em o banco . - Isso é um problema de família . Não queiras ter mais olhos que barriga . - Queres dizer com isso que achas que eu não chego para o Malfoy ? - perguntou Mr._Weasley , indignado , mas foi rapidamente afastado de aqueles sentimentos a o avistar os pais de Hermione que estavam de pé , nervosamente encostados a o balcão que acompanhava a grande parede de mármore , a a espera que Hermione os apresentasse . - Mas vocês são Muggles ! - disse Mr._Weasley , encantado . - Temos de tomar uma bebida . O que é isso aí ? Ah , estão a trocar dinheiro de Muggle . Molly , olha - apontou cheio de excitação para as notas de dez libras que Mr._Granger tinha em a mão . - Encontramo nos aqui - disse Ron_a_Hermione , enquanto os Weasley e Harry eram conduzidos a os seus cofres em o subterrâneo de Gringotts . Para chegar a os cofres havia que tomar umas carrinhas conduzidas por gnomos que se deslocavam ao_longo_de carris de comboio de pequenas dimensões através de os túneis subterrâneos de o banco . Harry gostou de a viagem acidentada até a o cofre de os Weasley , mas sentiu se bastante mal , pior do_que em a Rua * _ Bativolta * , quando o cobre foi aberto . Havia lá dentro um pequenino monte de Leões de prata e apenas um Galeão de ouro . Mrs._Weasley foi com a mão a a procura em os cantos antes de , com um gesto rápido , varrer tudo para dentro de o saco . Harry sentiu se ainda pior quando chegaram a o seu cofre . Tentou evitar que vissem o conteúdo enquanto empurrava apressadamente mãos cheias de moedas para dentro_de uma sacola de cabedal . Lá fora , em as escadarias de mármore , separaram se . Percy murmurou vagamente que precisava de uma nova pena de escrever . Fred e George tinham avistado um amigo de Hogwarts , Lee_Jordan . Mrs._Weasley e Ginny iam a uma loja de mantos em segunda mão , Mr._Weasley continuava a insistir em levar os Grangers a o Caldeirão_Escoante para lhes pagar uma bebida . - Encontrarmo nos todos em a Flourish and Blotts dentro_de uma hora para comprar os vossos livros de estudo - disse Mrs._Weasley , afastando se com Ginny . - E nem um passo em direcção a a Rua * _ Bativolta * - gritou a os gémeos que estavam de costas . Harry , Ron e Hermione deambularam por a rua empedrada e sinuosa . O ouro , prata e bronze que tilintavam alegremente em o saco que Harry tinha em o bolso pareciam exigir ser gastos , por isso ele comprou três enormes gelados de morango e manteiga de amendoim que eles devoraram felizes enquanto vagueavam sem destino por a rua fora , observando as montras fantásticas de as lojas . Ron olhou longamente para um conjunto completo de mantos de o Chudley_Cannon , em as montras de o « Equipamento_de_Quidditch_de_Qualidade » até Hermione o arrastar de ali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos . Em a « Jogos_de_Feitiçaria_de_Gambol and Japes » encontraram o Fred , o George e o Lee_Jordan que estavam presos em a fabulosa partida debaixo_de chuva e em os fogos-de-artifício de o Dr._Filibuster . E em uma pequenina loja de velharias cheia de varinhas partidas , balanças instáveis de latão e mantos velhos cobertos de nódoas de poções encontraram Percy profundamente concentrado em um pequenino livro , bastante chato , chamado * _ Prefeitos que conquistam o poder * . - * _ Um estudo sobre os prefeitos de Hogwarts e as suas posteriores carreiras * - leu alto o Ron em a contracapa . - Deve ser fascinante ... - Desaparece - gritou Percy . - Claro , ele é muito ambicioso , já tem tudo planeado . Quer ser ministro de a magia - disse o Ron baixinho a o Harry e a a Hermione , enquanto deixavam Percy entregue a o livro . Uma hora mais tarde dirigiram se a a Flourish and Blotts . Não eram de modo algum os únicos a encaminhar se para a livraria . À_medida_que se aproximavam viram com grande surpresa uma grande multidão a a porta , tentando entrar em a loja . O motivo de tal confusão estava anunciado em um cartaz que se estendia a o longo de a montra superior . GILDEROY_LOCKHART_Assinará exemplares de a sua autobiografia " eu , o mágico " Hoje 12.30 - 16.30 - Vamos poder conhecê o ! - gritou Hermione . - Quero dizer , ele escreveu quase todos os livros de a nossa lista ! A multidão parecia ser maioritariamente composta por bruxas de a idade de Mrs._Weasley . Um feiticeiro bem-parecido estava de pé junto de a porta , dizendo : - Calma , minhas senhoras , não empurrem , cuidado com os livros . Harry , Ron e Hermione conseguiram furar e entrar . Uma longa fila serpenteava para as traseiras de a loja onde Gilderoy_Lockhart estava a assinar os seus livros . Cada_um de eles pegou em um exemplar de * _ ensinamentos de Uma Fada_Carpideira * e escaparam se de a fila indo ter a o lugar onde se encontravam os outros com Mr. e Mrs._Granger . - Ah , aí estão vocês . _ óptimo - disse Mrs._Weasley que parecia estar com falta de ar e não parava de mexer em o cabelo . - Vamos poder vês o dentro_de um minuto . Gilderoy_Lockhart veio lentamente até um lugar onde era visível para todos , sentou se a uma mesa , rodeado de grandes fotografias de o próprio rosto , todo ele sorrisos , mostrando a a multidão o brilho cintilante de os seus dentes . Lockhart usava uma túnica azul-noite que condizia a as mil maravilhas com a cor de os olhos , o chapéu pontiagudo de feiticeiro colocado lateralmente sobre o cabelo ondulado . Um homenzinho pequenino e irritante andava a dançar de um lado para o outro , tirando fotografias com uma grande máquina preta que lançava baforadas de fumo arroxeado em cada * flash * . - Sai de o caminho , tu aí - disse rispidamente a o Ron , mudando de lugar para ter um angulo melhor . - Este é para o * _ Profeta_Diário * . - Grande coisa ! - exclamou o Ron , esfregando os pés em o lugar que o fotógrafo pisara . Gilderoy_Lockhart ouviu o . Olhou , viu o Ron e em seguida Harry . Voltou a olhar , desta_vez com mais atenção . Em seguida , pôs se de pé e gritou : - Não pode ser , o Harry_Potter ? A multidão dividiu se entre murmúrios de excitação . Lockhart aproximou se , agarrou Harry por um braço e levou o para a frente . A multidão rebentou em aplausos . A cara de Harry ardia quando Lockhart lhe apertou a mão para o fotógrafo que disparava como um louco , lançando fumo espesso para_cima de os Weasley . - Belo sorriso , Harry - disse Lockhart através de os seus dentes brilhantes . - Tu e eu juntos merecemos a primeira página . Quando por fim lhe largou a mão , Harry quase não sentia os dedos . Tentou recuar para junto de os Weasley , mas Lockhart lançou lhe um braço por os ombros e prendeu o a o seu lado . - Minhas senhoras e meus senhores - disse bem alto , fazendo sinal para que se acalmassem . - Que momento extraordinário este ! O momento perfeito para eu anunciar algo que tenho vindo a guardar comigo desde_há algum tempo . - Quando o jovem Harry entrou em a Flourish and Blotts hoje , ele queria apenas comprar a minha autobiografia , que tenho agora o maior prazer em oferecer lhe - a multidão aplaudiu de_novo . - Ele não tinha ideia - continuou Lockhart , dando a o Harry um pequeno encontrão que fez com que os óculos lhe escorregassem para a ponta de o nariz - de que ia conseguir em_breve muito mais do_que o meu livro Eu , o mágico . Ele e os seus colegas de a escola vão receber , de facto , o verdadeiro * _ Eu , o mágico * . Sim , minhas senhoras e meus senhores , tenho o maior prazer em anunciar que em o mês_de_Setembro assumirei o lugar de professor de Defesa contra as artes negras em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts ! A multidão aplaudiu e bateu palmas e Harry deu consigo a ser presenteado com a obra completa de Gilderoy_Lockhart . Cambaleando ligeiramente sob o peso de os livros conseguiu abrir caminho para longe de os projectores até a a porta de a sala onde estava Ginny com o seu novo caldeirão . - Podes ficar com estes - murmurou Harry , enfiando os livros em o caldeirão . - Eu vou comprar os meus . - Aposto que adoraste aquilo , não adoraste , Potter ? - disse uma voz que Harry não teve qualquer dificuldade em reconhecer . Endireitou se e deu consigo frente_a_frente com Draco_Malfoy que exibia o seu habitual sorriso escarninho . - O famoso Harry_Potter - disse Malfoy . - Nem_sequer pode entrar em uma livraria sem se tornar primeira página . - Deixa o em paz , ele não queria nada de isso - defendeu a Ginny . Era a primeira vez que falava em frente de Harry . Olhava para Malfoy com um ar feroz . - Potter , arranjaste uma namorada ! - disse arrastadamente Malfoy . Ginny ficou vermelha como um pimentão enquanto Ron e Hermione tentavam abrir caminho , ambos carregando montes de livros de Lockhart . -- Ah és tu ? - disse Ron , olhando para Malfoy como_se ele fosse algo desagradável colado a a sola de o sapato . - Aposto que te surpreendeu ver o Harry aqui ? - Não tanto como a ti em uma loja , Weasley - retorquiu Malfoy . - Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo . Ron ficou tão vermelho quanto Ginny . Deixou também cair os livros em o caldeirão e avançou para Malfoy , mas Harry e Hermione agarraram o por as costas de o casaco . - Ron - disse Mrs._Weasley , aproximando se com Fred e George . - O que estás a fazer ? Isto está uma loucura aqui dentro , vamos lá para fora . - Olha quem ele é , Arthur_Weasley . - Era_Mr._Malfoy . Estava de pé com a mão sobre o ombro de Draco , com o mesmo sorriso escarninho . -- Lucius - disse Mr._Weasley , acenando friamente . -- Muito trabalho em o ministério , segundo me consta - disse Mr._Malfoy . - Todas essas buscas ... espero que te estejam a pagar horas extraordinárias . Meteu a mão em o caldeirão de a Ginny e tirou de o meio de os livros de Lockhart um exemplar muito velho e muito gasto de o * _ Guia_de_Transfiguração_para_Principiantes * . - Parece que não - disse . - Que diabo , qual a vantagem de ser uma nódoa entre os feiticeiros se nem_sequer te pagam bem por isso ? Mr._Weasley corou mais ainda do_que Ron ou Ginny . - Nós temos uma opinião diferente sobre quem são as nódoas entre os feiticeiros - disse . - É claro que ... - disse Mr._Malfoy , os olhos mortiços passando para Mr. e Mrs._Granger apreensivamente . - As companhias com quem tu andas ... e eu que pensava que já não conseguias descer mais baixo ... Ouviu se um tilintar de metal quando o caldeirão de a Ginny foi por os ares . Mr._Weasley lançara se sobre Mr._Malfoy atirando o para dentro_de uma estante . Dezenas_de livros de feitiços saltaram lá de cima , caindo lhes sobre as cabeças . Houve um grito de - Chega lhe , pai ! - de o Fred e de o George . Mrs._Weasley soltava gritos agudos : - Não_Arthur , não . A multidão recuava deitando mais prateleiras a o chão . - Meus senhores , por favor - gritava o encarregado , e então , mais alto do_que todos : - Parem com isso , gente , parem com isso . Hagrid aproximava se através_de um mar de livros . Em um segundo afastou Mr._Weasley e Mr._Malfoy . Mr._Weasley tinha um lábio cortado e Mr._Malfoy fora agredido em um olho por uma * _ Enciclopédia_de_Cogumelos_Venenosos * . Tinha ainda em a mão o livro velho de a Ginny sobre transfiguração . Atirou lhe o , com os olhos a brilhar de malvadez . - Toma o teu livro , garota . É o melhor que o teu pai pode oferecer te . Libertando se de Hagrid , conduziu Draco para fora e abandonaram a livraria . - Devias tê o ignorado , Arthur - disse Hagrid quase a pegar em Mr._Weasley a o colo enquanto lhe endireitava o manto . - São podres até a a raiz , todos eles . Tod'à gente sabe . Nenhum Malfoy vale a pena ser ouvido . Não prestam , ' tá-lhes em o sangue . Vá lá , vamos sair de aqui . O encarregado parecia querer impedis os , mas , olhando bem para Hagrid , pensou melhor . Subiram a rua , os Grangers a tremer de medo e Mrs._Weasley fora de si . - Um belo exemplo para as crianças ... andar a a pancada em público . O que terá pensado Gilderoy_Lockhart ? - Ele gostou - disse o Fred . - Não o ouviram quando ia a sair ? Estava a perguntar a aquele tipo de o Profeta_Diário se conseguia incluir a briga em a reportagem , disse que era boa publicidade . Mas foi um grupo deprimido que regressou a a lareira de o Caldeirão_Escoante onde Harry , os Weasley e todas_as suas compras iriam viajar de volta até a a Toca , usando o pó de Floo . Despediram se de os Grangers que iam sair de o * pub * por a rua de os Muggles , de o outro lado . Mr._Weasley começou a perguntar lhes como funcionavam as paragens de autocarros , mas calou se rapidamente a o ver a expressão de Mrs._Weasley . Harry tirou os óculos e guardou os cautelosamente em o bolso antes de utilizar o pó de Floo . Definitivamente não era a sua forma ideal de viajar . V_O salgueiro zurzidor O fim de as férias de Verão chegou demasiado depressa para o gosto de Harry . Ele desejara muito regressar a Hogwarts , mas aquele mês em a Toca tinha sido o mais feliz de toda_a sua vida . Era difícil não invejar o Ron quando pensava em os Dursleys e em as boas-vindas que ia receber de a próxima vez que pusesse os pés em Privet_Drive . Em a última noite , Mrs._Weasley preparou um jantar magnífico , que incluía os pratos favoritos de Harry e terminava com um pudim de melaço de fazer crescer água em a boca . Fred e George alegraram a noite com uma exibição de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que saltaram de o tecto para as paredes , durante pelo_menos meia_hora . Depois , foi a altura de tomarem uma caneca de chocolate quente e irem para a cama . Em a manhã seguinte , demoraram muito_tempo a preparar se . Levantaram se com o cantar de o galo , mas parecia lhes que ainda tinham muito para fazer . Mrs._Weasley andava de um lado para o outro , mal-humorada , a a procura de meias e penas , chocavam uns com os outros em as escadas , meio vestidos , meio despidos , com pedaços de torrada em as mãos e Mr._Weasley quase partiu o nariz quando tropeçou em uma galinha a o atravessar o pátio , para meter em o carro a mala de Ginny . Harry não percebia lá muito bem_como é_que oito pessoas , seis grandes malas , duas corujas e um rato , iam caber em um pequeno * _ Ford_Anglia * , isso , claro , antes de as artes mágicas que Mr._Weasley acrescentara . - Nem uma palavra a a Molly - murmurou ele a o Harry , enquanto abria a bagageira e lhe mostrava como ela se expandira para que as malas coubessem facilmente . Quando , por fim , se acomodaram todos em o carro , Mrs._Weasley olhou para o banco de trás , onde Harry , Ron , Fred , George e Percy estavam confortavelmente sentados uns a o lado de os outros e disse : - Os Muggles têm mais conhecimentos do_que aqueles que nós lhes atribuímos , não achas ? - Ela e a Ginny entraram para o lugar de a frente , que fora esticado e parecia um banco de jardim . - Quer_dizer , de_fora ninguém diria que este carro era espaçoso , não acham ? Mr._Weasley pôs o motor a funcionar e saíram de o pátio , Harry voltando se para trás para ver por a última vez a casa . Mal teve tempo de se questionar se iria voltar alguma vez e já estavam de volta : George esquecera se de a caixa de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Cinco minutos mais tarde tiveram de interromper de_novo a viagem e voltar a o pátio para o Fred ir a correr buscar a vassoura . Estavam quase a chegar a a auto-estrada , quando Ginny guinchou que se esquecera de o diário . Mas estava a fazer se muito tarde e os ânimos começavam a exaltar se . Mr._Weasley olhou para o relógio e , em seguida , para a mulher . - Molly , querida ... - Não , Arthur . - Ninguém ia ver . Este botãozinho é um transformador de invisibilidade que eu instalei , levava nos por o ar , subíamos acima de as nuvens . Estaríamos lá em dez minutos e ninguém daria por nada ... - Eu disse que não , Arthur . Durante o dia , não . Chegaram a King's_Cross , faltava um quarto para as onze . Mr._Weasley precipitou se em busca de um carrinho de transporte para as malas e correram todos para a estação . Harry apanhara o Expresso_de_Hogwarts em o ano anterior . A parte mais difícil era entrar em a plataforma nove_e_três quartos , que não era visível a os olhos de os Muggles . Era preciso avançar para a barreira sólida que dividia as plataformas nove e dez . Não doía nada , mas tinha de ser feito com cuidado para que nenhum de os Muggles de esse , por o desaparecimento . - O Percy em primeiro lugar - declarou Mrs._Weasley , olhando nervosamente para o relógio lá em cima , que mostrava que tinham apenas cinco minutos para desaparecer através de a barreira . Percy avançou a passos largos e desapareceu . Mr._Weasley foi a seguir e depois de ele Fred e George . - Eu levo a Ginny e vocês vêm atrás_de nós - disse Mrs._Weasley a o Harry e a o Ron , agarrando Ginny pela mão e seguindo em frente . Em um abrir e fechar de olhos , tinham passado . - Vamos passar juntos , só temos um minuto - disse Ron a o Harry . Harry assegurou se de que a gaiola de a Hedwig estava bem fixa em cima de a sua mala e empurrou o carrinho de encontro a a barreira . Estava perfeitamente confiante , aquilo era muito mais fácil do_que usar o pó de Floo . Puseram os dois as mãos em o puxador de os carrinhos e avançaram direitos a a barreira , ganhando velocidade . A um metro e pouco , começaram a correr e ... CRASH . Os dois carros bateram em a barreira e foram impelidos para trás . A mala de o Ron caiu com um enorme estrépito . Harry desequilibrou se e a gaiola de a Hedwig foi parar a o chão brilhante , enquanto ela rolava guinchando , indignada . As pessoas em volta olhavam fixamente e um guarda que estava ali perto gritou : - Que diabo pensam vocês que estão a fazer ? - Perdemos o controlo de o carro de transporte - respondeu o Harry , respirando com dificuldade , agarrando se a as costelas , enquanto se punha de pé . Ron correu a agarrar a Hedwig , que estava a fazer uma cena tal , que já se ouviam murmúrios em a multidão sobre a crueldade para com os animais . - Porque é_que não conseguimos passar ? - perguntou Harry a o Ron em um sussurro . - Não sei . Ron olhou descontroladamente em volta . Uma_dúzia de curiosos estavam ainda a observá os . - Vamos perder o comboio - murmurou o Ron . - Não compreendo porque motivo a cancela se fechou . Harry olhou para o relógio gigantesco com um sentimento de náusea em a boca de o estômago . Dez segundos , nove segundos ... Dirigiu o carrinho de transporte para a frente com toda_a força . O metal manteve se sólido . Três segundos ... dois segundos ... um segundo ... - Partiu - afirmou o Ron , que parecia estonteado . - O comboio foi se embora . E se a mãe e o pai não conseguem voltar para aqui ? Tens algum dinheiro de Muggle ? Harry deu uma gargalhada . - Os Dursleys não me dão um tostão há mais de seis anos ! Ron encostou o ouvido a a barreira . - Não se ouve nada - disse , bastante tenso . - O que vamos nós fazer ? Não sei quanto tempo o pai e a mãe vão demorar . Olharam em volta . As pessoas ainda estavam a observá os , principalmente devido a os contínuos guinchos de a Hedwig . - Acho que o melhor é sairmos de aqui e esperamos por eles junto de o carro - disse Harry . - Aqui estamos a atrair demasiado as aten ... - Harry - disse o Ron , com os olhos a brilhar . - É isso , o carro . - O que é_que tem ? - Podemos voar nele até Hogwarts ! - Mas eu pensei ... - Estamos em apuros , certo ? E temos de chegar a a escola , ou não ? E mesmo os feiticeiros menores de idade estão autorizados a usar a magia em uma emergência real , parágrafo dezanove , ou não sei quê , de a Restrição de ... O sentimento de pânico de Harry transformou se em entusiasmo . - E tu sabes voar nele ? - Não há problema - disse o Ron , andando com o carrinho a a volta e dirigindo se para a saída . - Anda de aí . Se em os apressarmos , conseguiremos sair atrás de o Expresso_de_Hogwarts . E afastaram se de o grupo de Muggles curiosos , abandonando a estação e voltando a a rua , onde o velho * _ Ford_Anglia * se encontrava estacionado . Ron abriu a bagageira com uma série de toques de varinha . Meteram lá dentro as malas , puseram a Hedwig em o assento de trás e entraram para a frente . - Verifica se ninguém está a ver - disse o Ron , ligando a ignição com outro toque de varinha . Harry pôs a cabeça fora de a janela : o trânsito enchia a avenida principal , mas a rua de eles estava vazia . - O. _ K. - disse . Ron carregou em um pequeno botão de o painel . Os carros em volta desapareceram assim_como eles . Harry sentia o assento a vibrar debaixo_de si , ouvia o motor , sentia as mãos sobre os joelhos e os óculos em o nariz , mas , tanto quanto conseguia ver , tornara se um par de olhos redondos flutuando um metro e pouco acima de o chão em uma rua suja , cheia de carros estacionados . - Vamos - disse a voz de o Ron , vinda de o seu lado direito . O chão e os prédios escuros de ambos os lados desapareceram de o seu ângulo de visão , mal o carro se elevou . Em poucos segundos toda_a cidade de Londres , enevoada e resplandecente , estava por baixo de eles . Em seguida , ouviu se um ruído que parecia o saltar de uma rolha e o carro , Harry e Ron , reapareceram . - Oh , oh - disse Ron , batendo em o intensificador de invisibilidade . - Está avariado ... Começaram os dois a bater em o botão . O carro desapareceu . Depois surgiu de forma intermitente . - Aguenta aí - gritou o Ron e carregou com o pé em o acelerador . Saltaram direitinhos para o meio de as nuvens mais baixas e tudo ficou sujo e enevoado . - E agora ? - exclamou Harry , piscando os olhos a a sólida massa de nuvens que os comprimia de todos os lados . - Precisamos de avistar o comboio para sabermos qual a direcção a tomar - explicou o Ron . - Desce rapidamente ... Desceram por o meio de as nuvens e voltaram se em os lugares , espreitando . - Estou a vê o - gritou Harry . - Mesmo em frente , ali . O Expresso_de_Hogwarts deslocava se a grande velocidade lá em baixo , como uma serpente vermelha . - Para Norte - disse o Ron , verificando a bússola de o painel . - O. _ k . , basta que verifiquemos de meia em meia_hora . Aguenta aí ... - e arrancaram por o meio de as nuvens . Em o minuto seguinte , tinham chegado a a luz brilhante de o Sol . Era um mundo diferente . Os pneus de o carro deslizavam sobre o mar de nuvens macias , o céu era de um azul infinito sob a luz , capaz de cegar , que irradiava de o Sol . - Agora só temos de nos preocupar com os aviões - disse o Ron . Olharam um para o outro e desataram a rir . Durante muito_tempo não conseguiram parar . Era como_se tivessem mergulhado em um sonho fabuloso . Aquela , pensou Harry , era certamente a única maneira de viajar : passando por turbilhões e torres de nuvens cor de neve , em um carro cheio de calor , o sol radioso , com um grande pacote de rebuçados em o porta-luvas e antegozando o ar de inveja de o Fred e de o George quando aterrassem suavemente e de forma espectacular em o relvado macio em frente de o castelo de Hogwarts . Espreitaram várias vezes o comboio enquanto voavam cada_vez_mais para norte . Cada descida entre as nuvens dava lhes uma perspectiva diferente . Londres depressa ficou para trás , substituída por campos verdejantes que , por sua vez , deram lugar a grandes pântanos arroxeados , aldeias com pequenas igrejas de brinquedo e uma grande cidade , cheia de vida , com carros que pareciam formigas multicores . Várias horas mais tarde sem acontecer nada de_novo , Harry teve de admitir que uma parte de o entusiasmo se esgotara . Os rebuçados tinham nos deixado cheios de sede e não havia nada para beber . Ele e o Ron tinham tirado as camisolas , mas a * _ T-shirt * de o Harry estava colada a as costas de o assento e os óculos não paravam de lhe escorregar para a ponta de o nariz . Deixara de reparar em as fabulosas formas de as nuvens e pensava com saudade em o comboio , milhas abaixo de eles , onde se podia comprar sumo fresquinho de abóboras em um carro empurrado por uma bruxa gordinha . Porque não teriam conseguido entrar em a plataforma nove_e_três quartos ? - Não pode ser muito mais longe , pois não ? - resmungou o Ron , horas mais tarde quando o Sol começava a enfiar se em o seu chão de nuvens , pintando as de um rosa profundo . - Estás pronto para outra espreitadela a o comboio ? Ainda ia mesmo por baixo de eles , abrindo caminho por_entre uma montanha com o topo coberto de neve . Estava muito mais escuro entre o dossel de nuvens . Ron pôs o pé em o acelerador e levou os de_novo para_cima , mas em esse momento o motor começou a chiar . Harry e Ron trocaram entre si olhares nervosos . - Deve estar só cansado - disse o Ron . - Nunca tinha vindo tão longe ... - E fingiram ambos que não davam por o gemido que se ia tornando maior à_medida_que o céu serenamente escurecia . As estrelas desabrochavam em a escuridão , Harry voltou a enfiar a camisola de lã , tentando ignorar os limpa pára-brisas que acenavam debilmente como_que a protestar . - Não devemos estar longe - disse Ron , dirigindo se mais a o carro do_que a o amigo . - Já não devemos estar longe - deu umas palmadinhas nervosas em o * tablier * . Pouco depois , quando voltaram a voar em o meio de as nuvens , tiveram de olhar de lado em a escuridão , em busca de um ponto de referência que conhecessem . - Ali - gritou Harry , fazendo o Ron e a Hedwig darem um salto . - Mesmo em frente . Recortados em o horizonte negro , sobre o rochedo de o outro lado de o lago , erguiam se as torres e torreões de o castelo de Hogwarts . Mas o carro tinha começado a estremecer e perdia a os poucos velocidade . - Vá lá - disse o Ron , dando a o volante um pequeno abanão bajulador . - Estamos quase a chegar , vá lá ... O motor gemeu . Pequenos jactos de vapor de água brotaram de o capo . Harry deu consigo agarrado com toda_a força a os bordos de o assento enquanto voavam direitos a o lago . O carro deu um solavanco feio . Espreitando por a janela , Harry viu a superfície negra , macia e espelhada de a água cerca de uma milha abaixo de eles . Os dedos de o Ron agarrados a o volante tinham as articulações brancas . O carro deu um novo esticão . - Vá lá - murmurou o Ron . Estavam sobre o lago ... o castelo ficava mesmo em frente . Ron fez força com o pé . Houve um ruído surdo , uma crepitação e o motor morreu por completo . - Oh ! oh ! - gemeu Ron em o silêncio . O nariz de o carro voltou se para baixo . Estavam a cair , ganhando velocidade em direcção a os muros sólidos de o castelo . - Naaaaão ! - gritou o Ron , girando o volante . Escaparam a a muralha de pedra negra por centímetros , quando o carro fez um grande arco , planando primeiro sobre as estufas , depois sobre o rectângulo plantado com vegetais e , por fim , sobre os relvados , perdendo sempre velocidade . Ron largou o volante por completo e tirou a varinha de o bolso de trás . - __ pára ! __ pára ! - gritou , batendo em o * tablier * e em o pára-brisas , mas eles continuavam a mergulhar , o chão a voar em direcção a eles . - : __ cuidado com essa __ árvore ! ! ! - bramiu Harry , deitando a mão a o volante , mas ... tarde de mais ... CRUNCH . Com um ruído ensurdecedor de metal e madeira , bateram em o tronco espesso de a árvore e caíram em o chão com um forte solavanco . O vapor era um mar debaixo de o capo amachucado . A Hedwig tremia apavorada . Em a cabeça de Harry surgira um alto de o tamanho de uma bola de golfe , quando ele batera em o pára-brisas , tombando em seguida para a direita . Ron soltou um gemido longo e desesperado . - Estás O. _ K ? - perguntou Harry , aflito . - A minha varinha - disse o Ron em uma voz trémula . - Olha para a minha varinha . Tinha se partido praticamente em duas , a ponta balouçava mole , presa por meia_dúzia de esquírolas . Harry abriu a boca para dizer que em a escola com certeza conseguiriam consertá a , mas nem chegou a começar a frase . Em esse preciso momento , algo bateu em o seu lado de o carro , com a força de um touro , projectando o para_cima de o Ron , ao_mesmo_tempo que um golpe igualmente forte se sentiu em o capô . - O que está a acontec ... Ron arfou , olhando fixamente por o pára-brisas e Harry olhou em volta , mesmo a_tempo_de ver uma ramada espessa como uma píton vir contra o vidro . A árvore em que tinham batido estava a atacá os . O tronco dobrara se quase a meio e os seus galhos rugosos davam uma tareia a cada centímetro de o carro que conseguiam atingir . - Ah ! - praguejou o Ron , quando outra pernada retorcida esmurrou a sua porta , amolgando a . O pára-brisas tremia agora sob uma saraivada de golpes vindos de galhos que pareciam patas de animais e uma ramada espessa como um aríete esmagava furiosamente o capo , que parecia estar a ceder ... - Corre ! - gritou o Ron , lançando o seu peso contra a porta , mas , em o momento seguinte , tinha sido atirado para trás , para o colo de Harry por um soco maldoso , dado de baixo para_cima , por outro ramo . - Estamos feitos ! - resmungou , enquanto o tecto descaía . Mas , de repente , o chão de o carro estava a vibrar , o motor pegara . - Marcha atrás - gritou o Harry e o carro deu um salto para trás . A árvore tentava ainda agredis os , ouviam as raízes chiar , enquanto quase se partiam esticando se para os alcançar . - Escapámos por_pouco ! - exclamou o Ron . - Muito bem , carro . Mas o carro tinha atingido o limite de as suas forças . Com dois estalidos , as portas abriram se e Harry sentiu o seu assento inclinar se para o lado . Quando deu por si , estava estatelado em o chão húmido . Ruídos surdos avisaram o de que o carro estava a ejectar as malas de a bagageira . A gaiola de a Hedwig voou por os ares e abriu se . Ela saiu a voar com um pio furioso e dirigiu se a o castelo , sem sequer olhar para trás . Em seguida , o carro , amolgado , arranhado e a fumegar , arrancou em o escuro , com os faróis traseiros ardendo de fúria . - Volta aqui ! - gritou o Ron , brandindo a varinha partida . - O meu pai mata me . Mas o carro desapareceu a perder de vista , com um último estoiro de o tubo de escape . - Já viste bem o nosso azar ! ? - exclamou o Ron em o meio de a sua infelicidade , baixando se para apanhar o rato Scabbers . - De todas_as árvores em que podíamos ter batido , tínhamos de ir dar a uma que bate também . Olhou por cima de o ombro para a velha árvore que ainda agitava os ramos ameaçadoramente . - Vamos - disse Harry , fatigado . - É melhor irmos andando para a escola ... Não foi , de modo algum , a chegada triunfal que tinham imaginado . Constrangidos , cheios de frio e magoados , pegaram em as malas e começaram a arrastá as por o relvado acima , em direcção a as grandes portadas de carvalho . - Acho que o banquete já começou - disse o Ron , largando a mala em os degraus de a entrada e atravessando devagarinho para espreitar por uma janela iluminada . - Harry , anda ver , é a distribuição . Harry apressou se e os dois , ele e o Ron , espreitaram para o Salão_Nobre . Um número infindável de velas pairava em o ar , sobre quatro mesas enormes cheias de gente , fazendo brilhar os pratos dourados e as taças . Em cima , o tecto encantado que espelhava o céu lá de_fora , brilhava cheio de estrelas . Por_entre a floresta de chapéus pretos pontiagudos de Hogwarts , Harry viu uma longa fila de alunos de o primeiro ano com olhares assustados que enchia o vestíbulo . Ginny estava entre eles , facilmente reconhecível devido a o seu chamativo cabelo Weasley . Enquanto isso , a professora Mc_Gonagall , uma bruxa de óculos com cabelo castanho apanhado em um carrapito , colocava o famoso chapéu seleccionador em um banco que se encontrava em frente de os novos alunos . Todos os anos , aquele velho chapéu , remendado , puído e cheio de pó , seleccionava alunos para as quatro equipas de Hogwarts ( Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin ) . Harry lembrava se bem de o ter colocado em a cabeça , precisamente um ano antes , e ter esperado petrificado por a sua decisão , enquanto ele lhe murmurava a o ouvido . Durante alguns horríveis segundos receara que o chapéu o mandasse para os Slytherin , a equipa que produzia maior número de feiticeiros e feiticeiras de magia negra , mas acabara por ficar em os Gryffindor , juntamente com Ron e Hermione e o resto de os Weasley . Em o último período , Harry e Ron tinham ajudado os Gryffindor a vencer o campeonato de a equipa , batendo os Slytherin pela_primeira_vez em sete anos . Um rapazito baixinho com cabelo de rato acabava de ser chamado para pôr o chapéu em a cabeça . Os olhos de Harry saltavam de ele para o lugar onde o professor Dumbledore , o director , estava sentado , observando a selecção de a mesa de os professores , com a sua longa barba cor de prata e óculos de meia-lua que brilhavam a a luz de as velas . Alguns lugares a a frente , Harry viu Gilderoy_Lockhart com um manto verde-azulado . E lá bem a o fundo estava Hagrid , enorme e cabeludo , bebendo satisfeito de a sua taça . - Espera aí - murmurou a o Ron . - Há um lugar vazio em a mesa de os professores . Onde estará o Snape ? Severus_Snape era o professor de quem Harry menos gostava . Harry era também o seu aluno menos querido . Cruel , sarcástico e detestado por todos com excepção de os alunos de a sua própria equipa ( Slytherin ) , Snape tinha a seu cargo a cadeira de Poções . - Talvez esteja doente - sugeriu Ron , cheio de esperança . - Talvez se tenha ido embora - lembrou Harry . - Por não lhe terem dado outra_vez a Defesa contra as artes negras . - Ou talvez tenha sido corrido - propôs Ron com entusiasmo . - Afinal , toda_a_gente o detesta ... - Ou talvez - disse uma voz gelada atrás de eles - esteja a a espera que vocês lhe expliquem por_que motivo não vieram em o comboio de a escola . Harry deu uma volta . Em a sua frente , com o manto negro a ondular em uma brisa fria , estava Severus_Snape . O professor era um homem magro , de pele descorada , nariz adunco e um cabelo preto oleoso que lhe caía sobre os ombros . E em aquele momento sorria de um modo tal que Harry sentiu que tanto ele como Ron estavam em sérios apuros . - Sigam me - disse Snape . Sem ousarem sequer olhar um para o outro , Harry e Ron seguiram Snape por as escadas até a o amplo * hall * de entrada que estava iluminado por as chamas de os archotes . De o salão nobre vinha um cheirinho delicioso a comida , mas Snape levou os para longe de a luz e de o calor , em direcção a uma escada estreita de pedra que conduzia a os calabouços . - Entrem - ordenou , abrindo uma porta a meio de o corredor e apontando . Entraram a tremer em o escritório de Snape . As paredes sombrias estavam cobertas de prateleiras cheias de jarros de vidro grosso onde flutuavam as coisas mais diversas e repugnantes , cujo nome Harry não queria de momento conhecer . A lareira estava escura e vazia . Snape fechou a porta e voltou se de frente para eles . - Com que então - disse com falsa suavidade - o comboio não serve para o famoso Harry_Potter e o seu fiel companheiro Weasley . Queriam chegar em grande estilo , não era rapazes ? - Não senhor , foi a barreira em King's_Cross , ela ... - Silêncio - disse Snape friamente . -- _ o que fizeram a o carro ? Ron engoliu em seco . Aquela não era a primeira vez que Snape dava a Harry a impressão de ser capaz de ler pensamentos . Mas , pouco depois , compreendeu tudo quando Snape desenrolou o exemplar de o Profeta_Vespertino . - Vocês foram vistos - afirmou , mostrando lhes o cabeçalho : : __ ford anglia voador confunde __ muggles . Começou a ler alto a notícia . - Dois Muggles em Londres convenceram se de que tinham visto um carro velho a voar sobre a torre de os correios ... a a tardinha em Norfolk , Mrs._Hetty_Bayliss , enquanto pendurava a roupa ... Mr._Angus_Fleet_de_Peebles informou a polícia ... seis ou sete Muggles a o todo . Julgo que o teu pai trabalha em o departamento de mau uso dado a os objectos de os Muggles ? - disse olhando para Ron e sorrindo de uma forma ainda mais sarcástica . - Que peninha , o próprio filho ... Harry sentiu se como_se tivesse levado um soco em o estômago de uma de as maiores pernadas de a árvore louca . E se alguém descobrisse que Mr._Weasley tinha enfeitiçado o carro ? Ele ainda nem tinha pensado em isso . - Reparei durante a minha volta por o jardim que foi feito um estrago considerável em um salgueiro zurzidor extremamente valioso - continuou Snape . - Essa árvore fez nos pior a nós do_que nós ... - deixou escapar Ron . - Silêncio - interrompeu Snape , de_novo . - Infelizmente vocês não fazem parte de a minha equipa e a decisão de vos expulsar não está em as minhas mãos . Vou , por isso , buscar as pessoas que possuem essa feliz possibilidade . Esperem aqui . Harry e Ron olharam , pálidos , um para o outro . Harry perdera a fome . Sentia se agora extremamente agoniado . Tentava não olhar para uma coisa viscosa , suspensa em um líquido verde que estava em uma prateleira por detrás de a secretária de Snape . Se ele fora buscar a professora Mc_Gonagall , chefe de a equipa de os Gryffindor , não estavam muito melhor . Ela era mais justa do_que Snape , mas extremamente severa . Dez minutos mais tarde , Snape voltou e era , de facto , a professora Mc_Gonagall quem o acompanhava . Harry vira a professora Mc_Gonagall zangada , mas , ou se tinha esquecido de como a boca de ela ficava fina , ou nunca a vira tão zangada como em aquele dia . Levantou a varinha em o momento em que entrou . Harry e Ron estremeceram , mas ela limitou se a apontá a para a lareira onde as chamas se elevaram subitamente . - Sentem se - ordenou , e os dois recuaram para as cadeiras junto de o lume . - Expliquem se - disse com os óculos a brilhar de uma forma ameaçadora . Ron enveredou por a história começando por a barreira de a estação que se recusara a deixá os passar . - Por isso não tínhamos escolha , professora , não podíamos chegar a o comboio . - Porque não nos mandaram uma carta por a coruja ? Julgo que tens uma coruja ? - disse friamente a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a Harry . Harry olhou para ela sem saber o que dizer . - Parece me - continuou ela - que seria a coisa mais adequada . - Eu ... não pensei ... - Isso - disse a professora Mc_Gonagall - é bastante óbvio . Ouviu se bater a a porta de o escritório e Snape , que parecia agora mais feliz do_que nunca , foi abrir . Era o director , o professor Dumbledore . Harry ficou totalmente paralisado . Dumbledore tinha uma expressão grave . Olhou para eles de cima de o seu nariz adunco e Harry desejou estar ainda com Ron a levar uma sova de o salgueiro zurzidor . Fez se um longo silêncio . Em seguida , Dumbledore disse lhes : - Por favor , expliquem porque fizeram isto . Teria sido melhor se gritasse . Harry detestou sentir a decepção em a sua voz . Inexplicavelmente era incapaz de olhar Dumbledore em os olhos e falou em direcção a os seus joelhos . Disse lhe tudo excepto que o carro enfeitiçado pertencia a Mr._Weasley , dando a ideia de que ele e o Ron o tinham encontrado estacionado fora de a estação . Sabia que Dumbledore ia ver para_além de isso , mas o director não fez perguntas sobre o carro . Quando Harry terminou continuou a olhar para ele através de os seus óculos . - Nós vamos buscar as nossas coisas - disse Ron em um tom de voz sem esperança . - Que disparate é esse ? - rosnou a professora Mc_Gonagall . -- Então , vão expulsar nos , não vão ? - disse o Ron . Harry olhou rapidamente para Dumbledore . - Ainda não , Mr._Weasley - afirmou Dumbledore . - Mas vou assinalar a gravidade do_que vocês fizeram . Hoje a a noite escreverei a as vossas famílias . Estão também prevenidos que se voltarem a fazer uma coisa como esta não terei outro remédio senão expulsar vos . A expressão de Snape era como_se o Natal tivesse sido cancelado . Pigarreou e disse : - Professor_Dumbledore , estes rapazes infringiram o decreto para a restrição de a feitiçaria de os menores , causaram estragos consideráveis a uma árvore antiga e valiosa ... sem dúvida , actos de esta natureza ... - Cabe a a professora Mc_Gonagall decidir sobre os castigos de os rapazes , Severus - afirmou Dumbledore com toda_a calma . - Pertencem a a equipa de ela e são , portanto , de a sua responsabilidade . - Voltou se para a professora Mc_Gonagall . - Tenho de regressar a o banquete , Minerva , devo dar algumas informações . Venha Severus , há uma tarte de leite e ovos com um aspecto delicioso que quero mostrar lhe . Snape lançou um olhar de puro veneno a o Harry e a o Ron enquanto permitia que o afastassem de o seu escritório , deixando os a sós com a professora Mc_Gonagall que ainda os olhava como uma águia em fúria . - É melhor ires até a a ala hospitalar , Weasley , estás a sangrar . - Não é nada - disse Ron , limpando o corte com a manga para que ela o visse . - Professora , eu gostava de ver a minha irmã ser seleccionada . - A cerimónia de a selecção terminou - disse a professora Mc_Gonagall . - A tua irmã está também em os Gryffindor . - _ óptimo - exclamou Ron . - E por falar em os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall de forma cortante , mas Harry interrompeu a : - Professora , quando tirámos o carro , o ano escolar ainda não tinha começado , por isso os Gryffindor não deveriam perder pontos , pois não ? - terminou olhando a ansiosamente . A professora Mc_Gonagall lançou lhe um olhar penetrante , mas ele era capaz de jurar que ela quase tinha sorrido . Pelo_menos a boca não parecia tão fina . - Não vou tirar pontos a os Gryffindor - tranquilizou o . E o coração de Harry ficou mais leve . - Mas vocês os dois vão ter um castigo . Foi melhor do_que Harry imaginara . O facto de Dumbledore escrever a os Dursley não tinha a menor importância . Harry sabia perfeitamente que eles só lamentariam que o salgueiro zurzidor não o tivesse esmigalhado . A professora Mc_Gonagall ergueu a varinha de_novo apontou a a a secretária de Snape . Um grande prato de sanduíches , duas taças de prata e um jarro com sumo de abóbora gelado apareceram em menos_de um segundo . - Vocês vão comer aqui e , em seguida , vão direitinhos para o vosso dormitório - disse . - Eu também tenho de voltar para a festa . Mal a porta se fechou atrás de ela , Ron soltou baixinho um assobio . - Pensei que estávamos feitos - confessou , agarrando uma sanduíche . - Também eu - disse o Harry , orando também uma . - Mas já viste bem a nossa pouca sorte ? - insistiu o Ron com a boca cheia de frango e fiambre . - O Fred e o George voaram em aquele carro cinco ou seis vezes e nenhum Muggle os viu - engoliu outro pedaço enorme de a sanduíche . - Porque será que não conseguimos passar a barreira ? Harry encolheu os ombros . - Mas temos de ter muito cuidado a_partir_de agora - disse bebendo um grande trago de sumo de abóbora . - Que pena não termos podido ir a o banquete . - Ela não quis que nos exibíssemos - afirmou Ron com prudência . - Não vão as pessoas pensar que é uma boa chegar aqui de carro voador . Quando já tinham comido todas_as sanduíches que queriam ( o prato ia voltando a encher se sozinho ) , levantaram se e saíram de o escritório , seguindo o caminho que lhes era familiar , para a torre de os Gryffindor . O castelo estava em silêncio . Parecia que o banquete tinha acabado . Passaram por retratos murmurantes e armaduras que gemiam e subiram os degraus estreitos de pedra até que , por fim , chegaram a a passagem onde a entrada secreta para a torre de os Gryffindor se encontrava oculta por detrás de o quadro a óleo de uma dama gorda em um vestido cor-de-rosa . - A senha ? - perguntou ela mal os dois se aproximaram . - Er ... Eles ainda não tinham estado com o prefeito de os Gryffindor e por isso ainda não conheciam a senha para o novo ano , mas a ajuda não se fez esperar . Ouviram passos apressados atrás de eles e quando se voltaram viram Hermione que se aproximava . - Aí estão vocês . Onde é_que se meteram ? Correm os boatos mais ridículos , alguém disse que vocês tinham sido expulsos por espatifarem um carro voador . - Bem , expulsos não fomos - tranquilizou a Harry . - Não estás a dizer me que voaram até aqui ? - perguntou Hermione em um tom quase tão severo como a professora Mc_Gonagall . - Dispensa se o sermão - interrompeu Ron impacientemente . - E diz nos a nova senha de passagem . - É crista de pássaro - disse Hermione não contendo a impaciência . - Mas o mais importante não é isso ... Contudo as palavras de ela foram interrompidas ao_mesmo_tempo que o retrato de a dama gorda se abria e se ouvia uma tempestade de aplausos . A o que parecia a equipa de os Gryffindor estava ainda acordada , dentro de a sala comum em forma de círculo , junto de as mesas assimétricas e de os cadeirões moles a a espera que eles chegassem para , de braços estendidos através de o buraco de o retrato , puxarem Harry e Ron para dentro deixando Hermione para o fim . - Sensacional - gritou Lee_Jordan . - Inspirado ! Que entrada ! Voar em um carro e aterrar em o salgueiro zurzidor . Toda_a_gente vai falar de isto durante anos e anos . - Muito bem - disse um aluno de o quinto ano com quem Harry nunca tinha falado . Alguém dava lhe palmadas em as costas como_se ele acabasse de vencer a maratona . Fred e George abriram caminho por_entre a multidão e disseram ao_mesmo_tempo : - Por_que é_que não nos chamaram , hein ? - Ron estava vermelho como um pimentão , sorrindo envergonhado , mas Harry via perfeitamente uma pessoa que não estava nada contente . Percy elevava se acima de as cabeças de os excitados alunos de o primeiro ano e parecia estar a tentar aproximar se para os repreender . Harry deu uma cotovelada a o Ron e apontou em direcção a Percy . Ron percebeu de imediato . - Temos de ir para_cima , um_pouco cansados ! - explicou e os dois começaram a abrir caminho em direcção a a porta que ficava de o outro lado de a sala e que dava para a escada em espiral e para os dormitórios . - ` _ Noite - despediu se Harry_de_Hermione que tinha um ar tão carrancudo como Percy . Conseguiram chegar a o outro lado de a sala comum sempre a levarem palmadas em as costas e alcançaram o sossego de as escadas . Apressaram se a subir e , por fim , chegaram a a porta de o dormitório que tinha agora um letreiro a dizer « Segundos_Anos » . Entraram em o quarto circular , que conheciam tão bem , com as suas cinco camas de dossel adornadas de velado vermelho e as suas janelas altas e estreitas . As malas tinham sido trazidas para_cima e colocadas a os pés de as camas . Ron fez um sorriso culpado . - Sei que não devia ter gostado de aquilo , mas ... A porta de o dormitório abriu se e os outros rapazes de os Gryffindor entraram ; eram eles o Seamus_Finnigan , o Dean_Thomas e o Neville_Loogbottom . - Inacreditável - aplaudiu Seamus . - Incrível - aprovou o Dean . - Espantoso - exclamou o Neville , aterrado . Harry não pôde evitar também um sorriso . VI_Gilderoy_Lockhart_No dia seguinte , contudo , Harry não conseguiu sorrir . As coisas começaram a correr mal logo em o salão durante o pequeno-almoço . Debaixo de o tecto encantado ( em aquele dia triste e cinzento ) estavam as quatro grandes mesas de as equipas e sobre elas , terrinas de papa de aveia , pratos de arenque defumado , montanhas de torradas e pratadas de ovos com * bacon * . Harry e Ron sentaram se em a mesa de os Gryffindor , junto de Hermione que tinha o seu exemplar de * _ Viagens com Vampiros * totalmente aberto , encostado a um jarro de leite . Havia uma certa rigidez em a maneira como ela disse : - ` _ Dia - que mostrou a Harry que continuava a desaprovar o modo como tinham chegado a a escola . Por seu turno , Neville_Longbottom saudou os entusiasticamente . Neville era um rapazinho de cara redonda , muito dado a acidentes , com a pior memória que Harry tinha conhecido . - A entrega de correio deve estar a chegar , acho que a minha avó me vai mandar umas quantas coisas de que me esqueci ... Harry tinha começado a comer as papas de aveia , quando se ouviu um ruído tumultuoso em o ar e umas cem corujas entraram ao_mesmo_tempo , sobrevoando o salão e deixando cair cartas e pacotes em o meio de a multidão faladora . Um embrulho grande e rugoso caiu em a cabeça de Neville e , um segundo depois , uma coisa larga e cinzenta caiu em o jarro de a Hermione , enchendo os a todos de leite e penas . - Errol - gritou o Ron , puxando a coruja esfarrapada por as patas . Errol caíra inconsciente sobre a mesa com as pernas para o ar e um envelope vermelho húmido em o bico . - Oh , não ! - sobressaltou se Ron . - Ela está bem , ainda está viva - tranquilizou o Hermione , tocando suavemente em a Errol com a ponta de o dedo . - Não é isso , é ... aquilo . Ron apontava para o envelope vermelho . Parecera perfeitamente vulgar a Harry , mas Ron e Neville estavam ambos a observá o como_se esperassem que explodisse . - Qual é o problema ? - perguntou Harry . - Ela . Ela mandou me um * gritador * - disse Ron , quase sem voz . - É melhor abrires - aconselhou Neville em um murmúrio tímido - senão é pior . A minha avó uma_vez mandou me um que eu ignorei e ... - engoliu em seco - foi horrível . Harry olhava , ora para as suas caras , ora para o envelope vermelho . - O que é um * gritador * ? - perguntou . - Mas toda_a atenção de o Ron estava fixa em a carta que começara a fumegar por os cantos . - Abre a - intimou o Neville . - De aqui a poucos minutos já passou tudo . Ron estendeu uma mão trémula , retirou o envelope de o bico de a Errol e começou a abri o . Neville pôs os dedos em os ouvidos . Após uma fracção de segundo , Harry compreendeu porquê . Pensou em o primeiro momento que ela explodira . Um ruído ensurdecedor encheu o enorme salão , fazendo cair pó de o tecto . - ... : __ roubar o carro ! não me surpreendia nada se te expulsassem . espera só até te pôr as mãos em cima . será que não paraste para pensar em a nossa aflição quando vimos que o carro tinha __ desaparecido ... Os gritos de Mrs._Weasley , ampliados cem vezes em relação a o seu normal , fizeram os pratos e as colheres chocalhar em a mesa e ecoaram de forma ensurdecedora em as paredes de pedra . Vinha gente de todos os lados espreitar quem tinha recebido o * gritador * e Ron afundou se tanto em a cadeira que só se lhe via a testa carmesim . - ... : __ uma carta de o dumbledore ontem a a noite , o teu pai quase morria de vergonha . não foi esta a educação que te demos , tu e o harry podiam ter __ morrido ... Harry estava a ver quando é_que o seu nome viria a a baila . Tentou o melhor que pôde agir como_se não ouvisse a voz , mas aquilo estava a fazer com que os tímpanos lhe latejassem . - ... : __ profundamente decepcionada , o teu pai vai ter de se confrontar com um inquérito em o trabalho , tudo por tua culpa e , se pisas mais_uma_vez o risco , trago te para __ casa ! Seguiu se um silêncio ressonante . O envelope vermelho , que caíra de as mãos de o Ron , incendiou se e encaracolou se em cinzas . Harry e Ron estavam sentados de boca aberta , como_se uma onda gigante lhes tivesse passado por cima . Algumas pessoas riam e , a os poucos , o ruído de as conversas recomeçou . Hermione fechou o * _ Viagens com Vampiros * e olhou para o topo de a cabeça de Ron . - Bem , não sei o que esperavas , Ron , mas tu ... - Não me venhas dizer que mereci - interrompeu Ron . Harry afastou as papas de aveia . O estômago ardia lhe de culpa . Mr._Weasley tinha um inquérito em o trabalho , depois de tudo_o_que Mr. e Mrs._Weasley tinham feito por ele durante o Verão ... Mas não teve muito_tempo para se demorar em aqueles pensamentos . A professora Mc_Gonagall circulava em volta de as mesas de os Gryffindor distribuindo horários . Harry pegou em o seu e viu que começavam por ter Herbologia , juntamente com os Hufflepuff . Harry , Ron e Hermione saíram juntos de o castelo , atravessaram as hortas e chegaram a as estufas , onde estavam guardadas as plantas mágicas . O * gritador * tivera pelo_menos uma vantagem : Hermione parecia achar que já tinham sido suficientemente castigados e estava de_novo perfeitamente calorosa . Quando estavam a chegar a as estufas viram o resto de a classe de pé , cá fora , a a espera de a professora Sprout . Harry , Ron e Hermione tinham acabado de se lhes juntar quando a viram aproximar se a passos largos por o relvado , acompanhada de Gilderoy_Lockhart . A professora Sprout era uma bruxa pequenina e atarracada que usava um chapéu a os remendos sobre o cabelo solto . As roupas que vestia estavam sempre cheias de terra e as suas unhas fariam a tia Petúnia desmaiar . Gilderoy_Lockhart , pelo_contrário , tinha um ar imaculado em as suas vestes azul-turquesa , o cabelo doirado a brilhar debaixo_de um chapéu azul-turquesa , com uma fita dourada , perfeitamente posicionado sobre a cabeça . - Olá a todos ! - gritou Lockhart , dirigindo se a o grupo de estudantes . - Estive a mostrar a a professora Sprout a maneira correcta de tratar um salgueiro . Mas não quero que fiquem com a ideia de que sou melhor do_que ela em Herbologia . Acontece que encontrei várias de estas plantas exóticas , durante as minhas viagens .... - Estufa número três hoje , meninos ! - disse a professora Sprout que estava visivelmente descontente , bem diferente de a sua habitual natureza bem-disposta . Houve um murmúrio de interesse . Eles só tinham estado uma_vez em a terceira estufa , que era uma estufa que abrigava plantas bem mais interessantes e perigosas . A professora Sprout tirou uma enorme chave de o cinto e abriu a porta . Harry sentiu o bafo de a terra húmida com adubo misturado e o perfume forte de umas flores gigantescas , de o tamanho de guarda-chuvas , que estavam penduradas de o tecto . Ia seguir Ron e Hermione , quando a mão de o Lockhart o travou . -- Harry ! Tenho querido ter uma palavrinha contigo . Não se importa se ele chegar uns minutos atrasado , pois não , professora Sprout ? A julgar por a expressão carregada de a professora Sprout , importava se sim , mas Lockhart disse : - Então até já - e fechou a porta de a estufa em a cara de ela . - Harry ! - disse Lockhart , com os dentes brancos a brilharem a o sol , enquanto abanava a cabeça . - Harry , Harry , Harry ! Harry , totalmente perplexo , não disse uma palavra . - Quando ouvi dizer , bem , é claro que eu tive muita culpa , deviam castigar me também ... Harry não fazia ideia de que estava ele a falar , quando Lockhart prosseguiu : - Nunca me lembro de ficar tão chocado . Fazer voar um automóvel até Hogwarts ! Bem , é claro que eu percebi logo porque o fizeste . Foi um destaque em grande . Harry , Harry , Harry ! Era notável como ele conseguia mostrar todos aqueles dentes brilhantes , mesmo quando não estava a falar . - Criei te o gosto por a publicidade , não foi ? - perguntou Lockhart . - Passei te o bichinho . Apareceste comigo em a primeira página e não podias esperar para aparecer outra_vez ... - Oh , não , professor , sabe é_que ... - Harry , Harry , Harry - disse Lockhart aproximando se e tocando lhe em o ombro . - * _ Eu compreendo * . É natural querer um_pouco mais quando se lhe tomou o gosto , e eu culpo me por te ter dado esse conhecimento , porque era natural que te subisse a a cabeça , mas vê uma coisa , rapazinho , tu não podes começar a fazer voar carros para tentares ser notícia . Tens de acalmar , está bem ? Tens muito_tempo quando fores mais velho . Sim , sim , eu sei o que estás a pensar ! É fácil para ele falar assim , já é um feiticeiro internacionalmente famoso ! Mas quando eu tinha doze anos era tão zé-ninguém como tu és hoje . Em a verdade , era ainda mais . De ti , já meia_dúzia de pessoas ouviram falar , não é ? Toda aquela história com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . - Olhou para a cicatriz luminosa em a testa de Harry . - Eu sei , eu sei , não é o mesmo_que vencer o Prémio de o sorriso de o feiticeiro de a semana cinco vezes seguidas , como eu venci , mas é um começo , Harry , é um começo . Lançou lhe uma piscadela de olhos cordial e foi se embora . Harry ficou atarantado durante alguns segundos . Depois , lembrando se que deveria estar em a estufa , abriu a porta e esgueirou se lá para dentro . A professora Sprout estava de pé , por_detrás_de uma espécie de mesa em o meio de a estufa . Em cima de a mesa estavam cerca de vinte pares de abafo de ouvidos de diferentes cores . Quando Harry estava já em o seu lugar , entre Ron e Hermione , ela disse : - Hoje vamos transplantar Mandrágoras . Muito bem , quem sabe dizer me as propriedades de a Mandrágora ? Não foi surpresa para ninguém que a mão de a Hermione fosse a primeira em o ar . - A Mandrágora tem um efeito reparador muito poderoso - disse Hermione , com o ar mais normal de este mundo , como_se tivesse engolido o livro de texto . - É usada para fazer voltar as pessoas , que foram transfiguradas ou amaldiçoadas , a o seu estado original . - Excelente . Dez pontos para os Gryffindor ! - exclamou a professora Sprout . - A Mandrágora é parte integrante de a maior parte de os antídotos , mas também é perigosa . Quem sabe dizer me porquê ? A mão de Hermione por_pouco não bateu em os óculos de Harry , quando se ergueu de_novo . - O grito de a Mandrágora é fatal para quem o ouve - disse prontamente . - Precisamente . Dou lhe mais dez pontos - disse a professora Sprout . - Agora vejamos , as Mandrágoras que aqui temos são ainda muito jovens . Enquanto falava , apontou para uma fila de tabuleiros com uma certa profundidade e todos se chegaram a a frente para ver melhor . Cerca de uma centena de plantinhas tufosas de um verde arroxeado cresciam em filas . Pareceram perfeitamente vulgares a Harry , que não fazia a menor ideia do_que Hermione queria dizer com o * grito * de a Mandrágora . - Cada_um de vocês pode tirar um par de abafo de ouvidos - disse a professora Sprout . Houve uma competição renhida porque ninguém queria os cor-de-rosa , cheios de penugem . - Quando eu vos disser para os colocar , assegurem se de que os vossos ouvidos estão completamente tapados - disse a professora Sprout . - Logo_que seja seguro retirá os , eu levanto os dedos . Certo , pôr os abafos de os ouvido . Harry pôs imediatamente os abafos em os ouvidos . Eles fecharam completamente o som . A professora Sprout colocou também um par de abafos cor-de-rosa com penugem em os de ela , arregaçou as mangas de a túnica , agarrou uma de as plantas tufosas e puxou com toda_a força . Harry soltou um grito de surpresa que ninguém ouviu . Em_vez_de raízes , um bebé pequenino , enlameado e extremamente feio , saiu de a terra . As folhas cresciam lhe em o alto de a cabeça , tinha uma pele pintalgada de um pálido esverdeado e estava nitidamente a berrar a plenos pulmões . A professora Sprout tirou debaixo de a mesa um grande vaso de plantas e mergulhou lá dentro a Mandrágora , enterrando a em a mistura escura e húmida , até que só as folhas ficassem visíveis . Em seguida , limpou a terra de as mãos , levantou os dedos e todos eles retiraram os abafos de os ouvidos . - Como as nossas Mandrágoras são muito novas , os seus gritos ainda não matam - disse ela com grande calma , como_se tivesse feito algo tão normal como regar uma begónia . - Contudo , podem pôr vos a dormir durante várias horas e , como com certeza nenhum de vocês quer perder o primeiro dia de aulas , vejam se os abafos estão bem colocados enquanto trabalham . Eu chamarei vos a atenção quando for altura de os retirar . - Quatro em cada fila , há aqui uma grande quantidade de vasos , a mistura de terra está em os sacos ali a o fundo e tenham cuidado com a * _ Venomous_Tentacula * , estão a nascer lhe os dentes . Enquanto falava , deu uma pancada seca a uma planta vermelha escura cheia de pontas eriçadas , fazendo a encolher as longas antenas que tinham estado a avançar lenta e dissimuladamente sobre o seu ombro . A Harry , Ron e Hermione veio juntar se em a fila um rapaz de cabelo encaracolado de os Hufflepuff que Harry conhecia de vista , mas com quem nunca tinha falado . - Justin_Finch - _ Fletchey - disse ele com vivacidade , apertando a mão de o Harry . - Conheço te , claro , o famoso Harry_Potter ... e tu és a Hermione_Granger , sempre a primeira em tudo ( Hermione brilhou em um sorriso , como_se ele lhe tivesse apertado a mão ) e Ron_Weasley . Não era teu o carro voador ? Ron não sorriu . Não lhe saía de a cabeça o * gritador * . - Aquele Lockhart é o_máximo , não acham ? - disse Justin satisfeito , enquanto começavam a encher os vasos com composto de adubo de dragão . - Terrivelmente corajoso . Leram os livros de ele ? Eu teria morrido de medo se um lobisomem me tivesse encurralado em uma cabina telefónica , mas ele manteve se calmo e ... zap ... fantástico ! « Eu estava inscrito em Eton , sabem , não imaginam como estou feliz de ter vindo antes para aqui . É claro que a minha mãe ficou um_pouco desiludida , mas depois de lhe ter dado os livros de Lockhart a ler , tenho a impressão de que ela começou a ver a utilidade de ter um feiticeiro bem treinado em a família ... Depois de isso , não tiveram grandes oportunidades para conversar . Voltaram a pôr os abafos de ouvidos e era preciso concentrarem se em as Mandrágoras . A professora Sprout fizera as coisas parecerem extremamente simples , mas não eram . As Mandrágoras não gostavam de sair de a terra mas também não pareciam querer voltar para lá . Elas contorceram se , deram pontapés , agitaram as mãozinhas finas e rangeram os dentes . Harry levou dez minutos inteirinhos a tentar meter uma Mandrágora particularmente gorda dentro_de um vaso . Em o final de a aula , Harry , como todos os outros , estava a suar , cheio de dores e coberto de terra . Regressaram a o castelo a pé para um banho rápido e , em seguida , os Gryffindor apressaram se para assistir a a aula de transfiguração . As aulas de a professora Mc_Gonagall eram sempre complicadas , mas a de aquele dia era particularmente difícil . Tudo_o_que o Harry aprendera em o ano anterior parecia ter se lhe apagado de a memória durante o Verão . Ele deveria ser capaz de transformar uma barata em um botão , mas , tudo_o_que conseguiu foi fazer a barata praticar um imenso exercício , enquanto corria apressadamente por o tampo de a secretária evitando a varinha . Ron estava a debater se com problemas bastante piores . Tinha atado a varinha com uma fita mágica , mas parecia que não havia reparação possível . Não parava de crepitar e lançar faíscas em os momentos mais estranhos e , sempre_que Ron tentava transfigurar a barata , via se envolvido em um fumo cinzento espesso que cheirava a ovos podres . Incapaz de ver o que estava a fazer , o Ron esmagou , por engano , a barata com o cotovelo e teve de ir pedir que lhe dessem outra , o que deixou a professora Mc_Gonagall muito pouco satisfeita . Harry ficou aliviado quando ouviu tocar a campainha para o almoço . Sentia a cabeça como uma esponja espremida . Todos os alunos saíram em fila de a aula excepto ele e Ron que dava furiosas varadas em a secretária . - Coisa estúpida e inútil . - Escreve a os teus pais a pedir outra - sugeriu Harry , enquanto a varinha disparava com estrondo um foguete explosivo . - Ah pois , e receber outro * gritador * em a volta de o correio - respondeu Ron , metendo a varinha que já assobiava , dentro de o saco . - * _ A culpa é toda tua se a varinha está estragada * ... Desceram para o almoço e aí a disposição de o Ron não iria melhorar com Hermione a mostrar lhe uma mão-cheia de botões de casaco , perfeitinhos , que produzira em a transfiguração . - O que temos esta tarde ? - quis saber Harry , mudando rapidamente de assunto . - Defesa contra as artes negras - disse Hermione , sem perder tempo . - Porque é_que tu ... - perguntou Ron , pegando em o horário de ela - desenhaste corações em volta de as aulas de o Lockhart ? Hermione arrancou lhe o horário de as mãos , corando furiosa . Acabaram de almoçar e foram para o pátio carregado de nuvens . Hermione sentou se em um degrau de pedra e enfiou de_novo o nariz em as * _ Viagens com Vampiros * . Harry e Ron ficaram a falar de Quidditch durante alguns minutos antes de Harry se aperceber de que estava a ser observado de perto . Olhando para_cima viu o rapazinho pequenino com cabelo de rato que ele vira experimentar o chapéu seleccionador em a noite anterior , olhando para ele com uma expressão petrificada . Estava agarrado a o que parecia ser uma vulgar máquina fotográfica de os Muggles e , em o momento em que Harry olhou para ele , ficou todo vermelho . - Tudo bem , Harry ? Eu sou Colin_Creevey - disse , faltando lhe o ar e adiantando se a qualquer pergunta . - Estou em os Gryffindor também . Não te importavas que eu tirasse uma fotografia ? - perguntou , levantando a máquina cheio de expectativa . - Uma fotografia ? - repetiu Harry , inexpressivo . - Para eu provar que te conheci - disse Colin_Creevey cheio de ansiedade , continuando : - Eu sei tudo a teu respeito . Toda_a_gente me tem contado como sobreviveste quando O_Quem nós sabemos tentou matar te , como ele desapareceu depois de isso e como ficaste com a cicatriz em forma de relâmpago em a testa ( os seus olhos procuraram a linha de cabelo de Harry ) e um rapaz de o meu dormitório disse que se eu revelasse o filme em a posição certa ele mexia . - Colin respirou fundo , estremecendo de excitação e disse : - Isto_é fantástico , aqui , não achas ? Eu não sabia que todas_as coisas estranhas que fazia eram magia até a o dia em que recebi uma carta de Hogwarts . O meu pai é leiteiro . Também ele não queria acreditar . Por isso estou a tirar montes de fotografias para lhe mandar e era mesmo bom se tivesse uma tua - parecia implorar . - Talvez o teu amigo pudesse tirá a e assim eu ficava a o teu lado . E depois , podias assiná a ? - Assinar fotografias ? Estás a dar fotos autografadas , Potter ? Alta e mordaz , a voz de Draco_Malfoy ecoou em o pátio . Estava parado mesmo atrás_de Colin , ladeado , como sempre andava em Hogwarts , por os seus fortes guarda-costas Crabbe e Goyle . - Ei gente , façam bicha - gritou Malfoy a a multidão . - Harry_Potter está a dar fotos autografadas ! - Não estou coisa nenhuma - disse Harry , zangado , com os punhos em o ar . - Cala a boca , Malfoy . - Tu tens é inveja - começou a dizer Colin , cujo corpo era de o tamanho de o pescoço de Crabbe . - Inveja - repetiu Malfoy que não precisava de gritar mais , metade de o pátio estava a ouvi o . - De quê ? Não preciso de uma cicatriz em a cabeça , muito obrigado . Não acho que ter um corte em a testa torne alguém especial . Crabbe e Goyle riram estupidamente - Vai pastar caracóis , Malfoy - disse o Ron furioso . Crabbe parou de rir e começou a esfregar os nós de os dedos enormes de uma forma ameaçadora . - Tem cuidado , Weasley - escarneceu Malfoy . - Com certeza não queres começar uma rixa ou a tua mãezinha tem de vir cá para te tirar de a escola - e com uma voz aguda e penetrante : - * _ Se voltas a pisar o risco * ... Um grupo de alunos de o quinto ano de os Slytherin que estava ali perto , riu se bastante alto . - O Weasley gostaria de ter uma foto tua autografada , Potter - escarneceu de_novo Malfoy . - Era capaz de valer mais do_que a casa onde ele mora com a família . Ron sacou de a sua varinha amarrada com fita , mas Hermione fechou as * Viagens com Vampiros * com um estrondo e avisou : - Atenção . - O que é isto , o que é isto ? - Gilderoy_Lockhart aproximava se com o seu manto azul-turquesa girando em torvelinho atrás de ele . - Quem está a dar fotos autografadas ? Harry ia começar a explicar , mas foi interrompido quando Lockhart lhe pôs jovialmente o braço em cima de os ombros . - Mas que pergunta a minha ! Cá estamos nós de_novo , Harry ! Preso ao_lado_de Lockhart e a arder de humilhação , Harry viu Malfoy deslizar com o seu sorriso desdenhoso por o meio de a multidão . - Vamos lá então , Mr._Creevey - disse Lockhart , dirigindo se a Colin . - Uma foto dupla , já viu a sua sorte ? E assinamos a os dois para si . Colin ajustou a máquina e tirou a fotografia em o preciso momento em que a campainha tocava para as aulas de a tarde . - Está em a hora , todos para dentro - gritou Lockhart a a multidão e regressou a o castelo levando a o seu lado o Harry que só lamentava não conhecer um feitiço que o fizesse desaparecer . - Uma palavra só , Harry - disse Lockhart paternalmente , enquanto entravam em o edifício por uma porta lateral . - Eu ajudei te há bocado com o jovem Creevey porque se ele estivesse a fotografar me também a mim os teus colegas não reparariam tanto que estavas a exibir te ... Indiferente a a gaguez de Harry , Lockhart arrastou o para um corredor ladeado de alunos que os olhavam espantados e subiram uma escada . - Deixa me só dizer te uma coisa : dar fotografias autografadas em esta fase de a tua carreira , francamente , não é sensato , Harry , parece um_pouco megalómano . Pode ser que um dia mais tarde , tal_como eu , sejas obrigado a assinar para multidões onde quer que vás , mas - fez uma pequena pausa - não me parece que seja o caso , por enquanto . Tinham chegado a a aula de Lockhart e ele largou finalmente o Harry que sacudiu a túnica e foi sentar se em um lugar bem lá atrás onde começou por empilhar os livros de Lockhart a a sua frente para evitar olhar para a criatura . O resto de a aula entrou ruidosamente e Ron e Hermione foram sentar se um de cada lado de Harry . - Tu estavas vermelho como um pimentão - disse o Ron . - Reza para que o Creevey não se torne amigo de a Ginny senão bem podem criar o clube de * fans * de Harry_Potter . - Cala a boca - interrompeu Harry . A última coisa que desejava era que o Lockhart ouvisse a expressão « clube de * fans * de Harry_Potter « . Quando todos estavam em os seus lugares , Lockhart pigarreou alto e fez se silêncio . Ele inclinou se para a frente , pegou em o exemplar de Neville_Longbottom de * _ viagens com Duendes * e levantou o para mostrar a sua fotografia a piscar os olhos em a capa . - Eu - disse apontando para a fotografia e piscando também os olhos - Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , terceiro ano , membro honorário de a Liga_de_Defesa contra as artes negras e cinco vezes vencedor de o prémio de o * _ Feiticeiro de a semana * por o sorriso mais charmoso . Mas não vamos falar de isso , não venci a fada carpideira de Bandon a sorrir para ela ! Esperou que eles se rissem . Alguns alunos sorriram timidamente . - Já vi que todos vocês compraram a minha obra completa . Muito bem . Pensei começar hoje com um pequeno interrogatório escrito . Nada de complicado , só para perceber se leram bem os meus livros e o que apreenderam ... Depois de distribuir as folhas de teste voltou se para os alunos e disse : - Têm trinta minutos . Comecem já . Harry olhou para o papel e leu : *1 . Qual é a cor preferida de Gilderoy_Lockhart ? *2 . Qual é a ambição secreta de Gilderoy_Lockhart ? *3 . Qual é , em a sua opinião , a maior realização de Gilderoy_Lockhart até a o momento ? * E_por_aí adiante , ao_longo_de três páginas , terminando com : *54 . Qual é o dia de aniversário de Gilderoy_Lockhart e qual seria o seu presente preferido ? * Meia_hora mais tarde , Lockhart recolheu os pontos e folhou os rapidamente em frente de os alunos . - Tut , tut , quase ninguém se lembrou que a minha cor preferida é o lilás . Eu digo o em * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves * . Alguns precisam de voltar a ler com mais cuidado * Fim-de - _ Semana com Um Lobisomem * . Eu afirmo claramente em o décimo segundo capítulo que o meu presente de aniversário preferido seria a harmonia entre todos os seres , mágicos e não mágicos , embora não me importasse de receber uma garrafa grande de * whisky * velho de a Ogden's_Old_Firewhisky . Piscou lhes o olho de_novo . Ron olhava para Lockhart com uma expressão de incredulidade em o rosto . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas que estavam sentados a a frente tremiam de tanto conter o riso . Hermione , contudo , ouvia Lockhart com extrema atenção e deu um salto quando ouviu o seu nome . - Mas Miss_Hermione_Granger sabia que a minha ambição secreta era libertar o mundo de o mal e pôr a a venda a minha gama de poções de tratamento de o cabelo . Muito bem - voltou o papel . - Nota máxima ! Onde está Miss_Hermione_Granger ? Hermione ergueu uma mão trémula . - Excelente - bradou Lockhart , exultante . - Leva dez pontos para os Gryffindor . E vamos a o trabalho . Baixou se atrás de a secretária e pegou em uma grande gaiola coberta . - Ficam desde_já a saber , a minha função é preparar vos contra as criaturas mais malignas que a feitiçaria conhece . Vocês podem ter que enfrentar os maiores medos em esta sala . Saibam que nenhum mal vos sucederá comigo aqui . Só vos peço que se mantenham calmos . Ultrapassando os seus sentimentos , Harry espreitou através de a pilha de livros para ver melhor a gaiola . Lockhart colocou uma mão em a tampa . Dean e Seamus tinham deixado de se rir . Neville estava agachado em o seu lugar de a fila de a frente . - Vou pedir vos que não façam barulho - disse Lockhart em voz baixa . - Podem assustá os . Enquanto a aula inteira continha a respiração , Lockhart tirou a cobertura . - Sim - disse em um tom dramático . - Duendes_da_Cornualha recém-capturados . Seamus_Finnigan não conseguiu controlar se . Soltou uma gargalhada que nem Lockhart poderia confundir com um grito de terror . - Sim ? - sorriu a Seamus . - Bem , eles não são , não são perigosos , pois não ? - perguntou a rir . -- Não tenhas tanta certeza de isso - afirmou Lockhart , aborrecido , abanando um dedo , em direcção a Seamus . - Podem ser maçadores e muito traiçoeiros . Os duendes eram de um azul-eléctrico e tinham cerca de vinte centímetros de altura com feições angulosas e umas vozes tão estridentes que era como ouvir uma discussão entre araras . Logo_que o pano foi retirado , começaram a fazer uma enorme algazarra , a andar de um lado para o outro , batendo em as grades e fazendo caretas a as pessoas que estavam mais perto . - Muito bem - disse Lockhart em voz alta . - Vamos então ver o que vocês conseguem fazer de eles - e abriu a gaiola . Foi um pandemónio . Os duendes dispararam em todas_as direcções como foguetes . Dois de eles agarraram o Neville por as orelhas e levantaram o a o ar . Vários outros foram direitos a a janela , fazendo chover vidros partidos até a a fila de trás . Os restantes decidiram destruir a sala com maior eficácia do_que um rinoceronte em fúria . Agarraram em os tinteiros e salpicaram tudo em volta , rasgaram a os bocados livros e papéis , arrancaram os quadros de as paredes , levantaram a o ar a gaiola vazia , agarraram livros e sacos e lançaram nos por a janela de vidros estilhaçados . Em poucos minutos , metade de a aula estava abrigada debaixo de as secretárias e o Neville pendurado em o candelabro de o tecto . - Vamos lá , agarrem nos , agarrem nos , são apenas duendes ... - gritava Lockhart . Arregaçou as mangas , bramiu a varinha e pronunciou * Peshipiksi_Pesternomi ! * As palavras não tiveram o menor efeito . Um de os duendes pegou em a varinha de Lockhart e atirou a também por a janela fora . Lockhart engoliu em seco e mergulhou debaixo de a secretária , não sendo , por um triz , esmagado por o Neville que caiu um segundo depois , quando o candelabro cedeu . A campainha tocou e houve uma louca precipitação para a porta . Em a calma relativa que se seguiu , Lockhart endireitou se , olhou para Harry , Ron e Hermione que estavam quase a chegar a a porta e disse : - Bem , vou pedir vos a os três que prendam o resto de os duendes em a gaiola - passou por eles e fechou rapidamente a porta atrás_de si . - Isto dá para acreditar ? - resmungou o Ron , enquanto um de os duendes lhe mordia com toda_a força uma de as orelhas . - Ele só quer dar nos uma ajuda , permitindo nos ganhar experiência - justificou Hermione , imobilizando dois duendes de uma_vez com um encantamento de paralisação e metendo os de_novo em a gaiola . - Experiência ? - disse Harry , tentando agarrar um duende que dançava com a língua de_fora . - Hermione , ele não sabia nada do_que estava a fazer . - Disparate - retorquiu Hermione . - Leste os livros de ele . Vê só as coisas que ele já fez ! - Que diz que fez - resmungou o Ron . VII_Sangue de lama e murmúrios Harry passou imenso tempo , em os dias que se seguiram , a fugir sempre_que via Gilderoy_Lockhart aproximar se em o corredor . Mais difícil de evitar era Colin_Creevey que parecia ter decorado o horário de Harry . Parecia que nada o emocionava mais do_que dizer : - Tudo bem , Harry ? - seis ou sete vezes por dia e ouvir : - Olá , Colin - por mais exasperado que Harry estivesse quando lhe respondia . A Hedwig ainda estava zangada com Harry por causa de a desastrosa viagem de automóvel e a varinha de o Ron continuava a não funcionar , tendo ultrapassado tudo em a sexta-feira de manhã quando lhe saltou de as mãos em a aula de encantamentos e foi agredir o velho e baixinho professor Flitwick mesmo entre os olhos , deixando uma enorme bolha latejante em o sítio onde tinha batido . Por tudo_isso Harry via chegar , com satisfação , o fim_de_semana Planeava ir em o Sábado de anhã , com Ron e Hermione visitar o Hagrid . Mas foi acordado várias horas mais cedo do_que desejaria por Oliver ood , treinador de a equipa de Quidditch_dos_Gryffindor . - _ o que é_que se passa ? - perguntou Harry , enrolando as palavras . - Treino_de_Quidditch - disse Wood . - Vamos embora . Harry lançou um olhar de esguelha a a janela . Uma neblina fina pairava em o céu rosa e dourado . Agora_que estava acordado não percebia como pudera dormir com a algazarra que os pássaros faziam . - Oliver resmungou Harry . - É de madrugada . - Exacto - respondeu Wood . Era um rapaz alto e corpulento de o sexto ano e em aquele momento os olhos brilhavam lhe loucamente de entusiasmo . - Faz parte de o nosso novo programa de treinos . Anda lá , vai buscar a vassoura e vamos embora - insistiu Wood empenhado . - Nenhuma de as outras equipas começou ainda a treinar . Vamos ser os primeiros este ano ... A bocejar e a tremer um_pouco , Harry saltou de a cama e tentou descobrir as suas túnicas de Quidditch . - Bem , encontramo nos em o campo , dentro_de quinze minutos . Depois de descobrir a sua roupa escarlate de equipa e pôr o manto por cima para se aquecer , Harry escreveu a o Ron um bilhete a explicar onde tinha ido e desceu por a escada de espiral para a sala comum com a sua Nimbos dois inil a o ombro . Tinha acabado de chegar junto de o buraco de o retrato quando ouviu um barulho atrás_de si e viu Colin_Creevey descer a escada de espiral com a máquina fotográfica pendurada a o pescoço a balouçar como louca e uma coisa em a mão . - Ouvi alguém chamar o teu nome em as escadas , Harry olha o que tenho aqui . Revelei a e queria mostrar te . Harry olhou assombrado para a fotografia que Colin lhe espetava em frente de o nariz . Um Lockhart a preto e branco movia se , puxando com toda_a força um braço que Harry reconheceu como sendo o seu . Ficou satisfeito a o constatar que estava a resistir bastante bem , recusando se a ser trazido para a vista de todos . Enquanto Harry observava , Lockhart desistiu e desinteressou se de lutar contra a parte branca de a fotografia . - Assinas para mim ? - pediu Colin entusiasmado . - Não - respondeu secamente Harry , olhando em volta para verificar se o caminho estava livre . - Desculpa_Colin , mas estou cheio de pressa , treino de Quidditch . Passou por o buraco de o retrato . - Oh Uau ! Espera por mim . Eu nunca vi um jogo de Quidditch . Colin trepou por o buraco de o retrato atrás de ele . - Vai ser uma chatice para ti - disse Harry rapidamente , mas Colin ignorou o comentário . Todo o seu rosto brilhava de satisfação . - Tu foste o jogador mais novo de a equipa em cem anos , não foste Harry ? Não foste ? - perguntava Colin , trotando para o acompanhar . - Deve ser fantástico . Eu nunca voei . É fácil ? Essa vassoura é a tua ? É a melhor que há ? Harry não sabia como ver se livre de ele . Era como ter uma sombra que não se calava . - Eu não percebo nada de Quidditch - disse Colin , já sem fôlego . - É verdade que há quatro bolas ? E que duas anda n a voar , tentando fazer os jogadores caírem de as vassouras ? - Sim - disse Harry lentamente , resignado com o ter de lhe explicar as complicadas regras de o Quidditch . - São as * bludgers * . Há dois * beaters * em cada equipa que têm bastões para bater em as * bludgers * e lançá as para o outro lado . O Fred e o George_Weasley são os * beaters * de os Gryffindor . - E para que servem as outras bolas ? - perguntou Colin , saltando uma série de degraus porque ia a olhar para o Harry de boca aberta . - Bem , a * quaffle * , que é a vermelha grandalhona , é a que marca os golos . Três * chasers * em cada equipa lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam fazes a entrar em as balizas que ficam em o extremo de o campo onde há três grandes postes com argolas em as pontas . - E a quarta bola ? - A * snitch * dourada - explicou Harry . - É muito pequenina e veloz e extremamente difícil de agarrar . Mas é isso que o * seeker * tem de fazer , porque o jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * for agarrada . E o * seeker * que conseguir agarrá a ganha para a sua equipa mais cento_e_cinquenta pontos . - E tu és o * seeker * de os Gryffindor , não és ? - perguntou Colin respeitosamente . - Sim - disse Harry enquanto saíam de o castelo e começavam a atravessar o relvado . - E há também o * keeper * que toma conta de os postes . É isto . Mas Colin não parou de fazer perguntas desde os relvados macios até a o campo de Quidditch e Harry só se viu livre de ele quando chegaram a os vestiários . Colin gritou em uma voz aguda : - Eu vou arranjar um lugar , Harry - e apressou se em direcção a as bancadas . O resto de a equipa de os Gryffindor já se encontrava em os vestiários . Wood era o único que tinha aspecto de estar bem acordado . Fred e George_Weasley estavam sentados com olhos de sono e cabelos desgrenhados junto de Alicia_Spinnet de o quarto ano que parecia inclinar se contra a parede que tinha atrás_de si . Os seus companheiros * chasers * , Katie_Bell e Angelina_Johnson bocejavam em frente de ela . - Até que enfim , Harry , porque é_que demoraste tanto ? - perguntou Wood cheio de actividade . - Eu queria ter uma pequena conversa convosco antes de entrarmos propriamente em campo porque passei o Verão a conjecturar um novo programa de treinos que acredito vai estabelecer grandes mudanças . Wood tinha em as mãos um grande mapa de um campo de Quidditch onde estavam desenhadas muitas linhas , setas e cruzes a tinta de várias cores . Pegou em a varinha , bateu com ela em o quadro e as setas começaram a mover se em o mapa como tractores . Enquanto Wood se lançava em um discurso sobre as suas novas técnicas , a cabeça de Fred_Weasley caiu sobre o ombro de Alicia_Spinnet e ele começou a ressonar . O primeiro mapa levou quase vinte minutos a explicar , mas debaixo de esse havia outro e ainda um terceiro . Harry caiu em uma letargia enquanto Wood continuava indefinidamente . - Então - disse por fim o treinador , arrancando Harry de a avidez de uma fantasia sobre o que poderia estar a comer se se encontrasse em aquele momento em o castelo . - Ficou tudo claro ? Alguma pergunta ? - Eu tenho uma pergunta , Oliver - disse George que acordou estremunhado . - Porque não nos explicaste tudo_isso ontem , quando estávamos acordados ? Wood não ficou nada satisfeito . - Ouçam bem , vocês todos - disse , voltando se para eles mal-humorado . - Nós deveríamos ter ganho a taça de Quidditch o ano passado . Somos de longe a melhor equipa , mas , infelizmente , devido_a circunstancias que estão para_além de o nosso controlo ... Harry mudou de posição em a cadeira sentindo se culpado . Estivera inconsciente em o hospital durante o campeonato final de o ano anterior o que fez com que os Gryffindor com um jogador a menos tivessem sofrido a pior derrota de os últimos trezentos anos . Wood levou um momento a controlar se . Era evidente que a última derrota ainda o torturava . - Portanto , este ano vamos fazer um treino mais duro , como nunca se fez . O. _ K. , vamos lá pôr as teorias em prática - gritou , pegando em a vassoura e conduzindo os para fora de o vestiário . Com as pernas trôpegas e ainda a bocejar , a equipa seguiu o . Tinham estado tanto tempo lá dentro que o sol já tinha nascido e brilhava em o céu embora uma réstia de neblina pairasse ainda sobre o relvado de o campo . Quando Harry entrou em campo viu Ron e Hermione sentados em as bancadas . - Ainda não acabaram ? - perguntou Ron em um tom incrédulo . - Ainda nem começamos - explicou Harry , olhando cheio de inveja para a torrada com doce de laranja que Ron e Hermione tinham trazido de o salão . - O Wood tem estado a ensinar nos as jogadas . Subiu para a vassoura e deu um pontapé em o chão , elevando se em o ar . O ar fresco de a manhã bateu lhe em o rosto fazendo o acordar com mais eficácia do_que o longo discurso de Wood . Era maravilhoso voltar a estar em o campo de Quidditch . Voou em volta de o estádio a toda a a velocidade competindo com Fred e George . - Que barulhinho estranho é aquele ? - perguntou o Fred quando deram a volta . Harry olhou para as bancadas . Colin estava sentado em um de os lugares mais altos com a máquina fotográfica em o ar , tirando fotografia sobre fotografia , o som estranhamente ampliado em o estádio deserto . - Olha para ali , Harry , para ali - gritava de forma estridente . - Quem é aquele ? - perguntou Fred . - Não faço ideia - mentiu Harry , disparando a_toda_a velocidade e distanciando se o mais possível de Colin . - O que se passa aí ? - perguntou Wood , franzindo a testa enquanto corria por os ares atrás de eles . - Porque está aquele aluno de o primeiro ano a tirar fotografias ? Não me agrada . Pode ser um espião de os Slytherin a tentar descobrir o nosso novo programa de treinos . - Ele é de os Gryffindor - disse Harry rapidamente . - E os Slytherin não precisam de um espião , Oliver - completou George . - Porque dizes isso ? - perguntou Wood irritado . - Porque estão aqui em peso - disse George , apontando com o dedo . Vários indivíduos com túnicas verdes vinham em aquele momento a entrar em o campo de vassouras em a mão . - Não posso acreditar - reagiu Wood , sentindo se ultrajado . - Eu reservei o estádio para hoje . Já vamos ver como é_que isto fica ! Wood baixou direito a o chão sendo levado por a fúria a aterrar com mais força do_que pretendia e a cambalear um_pouco quando começou a andar seguido de o Harry e de o Ron . - Flint - bradou para o treinador de os Slytherin . - Este é o nosso tempo de treino . Levantámo nos de propósito . Vocês têm de sair de aqui . Marcus_Flint era ainda mais corpulento do_que Wood . Tinha em o rosto uma expressão de duende travesso quando respondeu : - Há espaço para todos , Wood . Angelina , Alicia e Katie tinham vindo também . Em a equipa de os Slytherin não havia raparigas que enfrentassem a o lado de os rapazes os Gryffindor . - Mas eu reservei o estádio - repetiu Wood de modo afirmativo , cuspindo de raiva . - Reservei o . - Ah ! - exclamou Flint . - Mas eu tenho aqui uma licença especial assinada por o professor Snape . * _ Eu , professor Snape , autorizo a equipa de os Slytherin a praticar hoje em o campo de Quidditch devido a a necessidade de treinar o seu novo seeker . * - Têm um novo * seeker * ? - perguntou Wood perturbado . - Onde ? E detrás de as seis figuras corpulentas que tinham em a frente , viram surgir uma sétima : um rapaz mais pequeno com um sorriso afectado espelhado em o rosto pálido e anguloso . Era_Draco_Malfoy . - Não és o filho de o Lucius_Malfoy ? - perguntou Fred , olhando para ele com antipatia . - Curioso que refiras o pai de o Draco - disse Flint enquanto toda_a equipa de os Slytherin sorria de modo grosseiro . - Deixem me mostrar vos a generosa oferta que ele fez a a equipa de os Slytherin . Os sete exibiram as suas vassouras . Sete cabos novos , polidos , com inscrições em letras douradas de as palavras « Nimbus dois_mil_e_um « brilharam a o sol de a manhã , em frente de o nariz de os Gryffindor . - O último modelo . Só chegou em o mês passado - disse Flint , displicentemente , sacudindo a poeira de o cabo de a sua vassoura . - Julgo que ultrapassam de longe as velhas séries de dois_mil . Quanto a as Cleansweeps - sorriu de forma mesquinha para Fred e George que tinham ambos Cleansweep_Fives - essas já só servem para varrer . Nenhum de os Gryffindor foi capaz de abrir a boca em aquele momento . Malfoy sorria tanto que os seus olhos de gelo estavam reduzidos a duas rachas . - Oh vejam - disse Flint . - Uma invasão de o campo . Ron e Hermione atravessavam o relvado para ver o que se passava . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron a o Harry . - Porque não estão a jogar e o que faz ele aqui ? Olhava para Malfoy em as suas vestes de Quidditch . - Sou o novo * seeker * de os Slytherin , Weasley - disse Malfoy com ar presumido . - Têm estado todos a admirar as vassouras que o meu pai comprou para a nossa equipa . Ron olhou de boca aberta para as sete vassouras que tinha em a frente . - São boas , não são ? - disse Malfoy untuosamente . - Mas talvez a equipa de os Gryffindor consiga levantar algum ouro e comprar também vassouras novas . Vocês podiam levar essas Cleansweep_Fives a leilão , talvez algum museu esteja interessado . A equipa de os Slytherin riu se a bandeiras despregadas . - Pelo_menos em os Gryffindor ninguém teve de comprar a sua entrada - disse secamente Hermione . - Entraram todos por mérito próprio . O ar presumido de Malfoy desapareceu . - Ninguém pediu a tua opinião , sangue de lama - cuspiu Malfoy . Harry apercebeu se , de imediato , que Malfoy dissera algo muito grave porque houve uma tremenda algazarra em o seguimento de as suas palavras . Flint teve que se pôr a a frente de o Malfoy para evitar que Fred e George se atirassem a ele . Alicia bradou : - Como te atreves ? - E Ron meteu a mão em as vestes e sacou de a varinha mágica , gritando : - Vais pagar por o que disseste , Malfoy ! - e apontou a , furioso , por debaixo de o braço de Flint , a o rosto de Malfoy . Um enorme estrondo , ecoou em o estádio e um jacto de luz verde saiu por a extremidade errada de a varinha de Ron , atingindo o em o estômago e projectando o para trás em direcção a o relvado . - Ron ! Ron ! Estás bem ? - gritou Hermione . Ron abriu a boca para falar , mas nenhuma palavra saiu . Em vez de isso , teve um vómito imenso e várias lesmas saíram lhe de a boca , indo cair lhe em o colo . A equipa de os Slytherin ficou paralisada de riso . Flint estava dobrado , agarrado a a vassoura nova . Malfoy , a quatro , batia com o punho em a chão . Os Gryffindor rodeavam o Ron , que continuava a vomitar lesmas enormes e reluzentes . Ninguém queria tocar lhe . - É melhor levá o para_casa de o Hagrid . É o mais perto - disse Harry_a_Hermione , que acenou afirmativamente , e os dois arrastaram o Ron por os braços . - O que aconteceu , Harry ? O que aconteceu ? Ele está doente ? Mas tu podes curá o , não podes ? - Colin descera a correr de o lugar onde estava sentado e dançaricava em frente de eles , enquanto abandonavam o campo . Ron teve um novo arremesso e mais lesmas saíram de a sua boca . - Oooh ! - exclamou Colin fascinado , levantando a máquina fotográfica . - Podes mantê o quieto , Harry ? - Sai de a minha frente , Colin - gritou Harry zangado . Ele e a Hermione conseguiram levar o Ron para fora de o estádio , atravessar os campos e chegar a a beira de a floresta . - Está quase , Ron - disse Hermione , mal avistaram o casebre de o guarda de os campos . - Vais ficar bem dentro_de um minuto ... está quase ... Estavam a sessenta metros de a casa de Hagrid , quando a porta de a frente se abriu . Mas não foi Hagrid quem saiu de lá , e sim Gilderoy_Lockhart , em uma túnica cor de malva . - Rápido , vamos esconder nos aqui - sussurrou Harry , arrastando Ron para trás de um arbusto que havia ali perto . Hermione acompanhou o , embora um_pouco relutante . -- É muito simples quando se sabe o que se está fazer ! - gritava Lockhart_para_Hagrid . - Se precisar de ajuda , sabe onde estou . Vou dar lhe um exemplar de o meu livro . Espanta me que ainda não o tenha . Logo a a noite autografo o e envio lhe o . Bem . até a a próxima ! - e afastou se em direcção a o castelo . Harry esperou que Lockhart desaparecesse , antes de puxar o Ron de trás de o arbusto até a a casa de o Hagrid . Bateram ansiosamente . Hagrid apareceu logo com um ar mal-humorado , que se dissipou quando viu quem era . - Já me tinha perguntado quand'é que vocês vinham ver me , entrem , entrem , pensei qu'era outra_vez o professor Lockhart . Harry e Hermione ajudaram Ron a subir o degrau que dava acesso a a cabana de uma divisão com uma cama enorme a um de os cantos e uma lareira a crepitar alegremente em o outro . Hagrid não pareceu perturbado com o problema de as lesmas de o Ron que Harry lhe explicou precipitadamente , logo_que sentou o Ron em uma cadeira . - Melhor saírem de o qu'entrarem - disse , em um tom bem-disposto , colocando uma grande bacia de cobre em frente de ele . - Deita as todas fora , Ron . - Acho que não há mais_nada a fazer , a não ser esperar que isto pare - disse Hermione ansiosamente , vendo Ron inclinar se para a bacia . - É uma maldição muitas_vezes difícil , mas com uma varinha partida ... Hagrid andava de um lado para o outro a preparar o chá . O cão de ele , Fang , babava se em cima de o Harry . - O que é_que o Lockhart queria de ti ? - perguntou o Harry , coçando as orelhas de o Fang . - Ensinar me a tirar espíritos aquáticos com forma de cavalos d'uma nascente d'água - resmungou Hagrid , retirando de a mesa pequena um galo meio depenado e colocando em o seu lugar o bule . - Como s'eu não soubesse . E contar me uma peta qualquer d'uma fada carpideira que ele venceu . Engulo essa chaleira , se uma palavra do_que ele disse for verdade . Não era hábito de Hagrid criticar um professor de Hogwarts e Harry olhou para ele com alguma surpresa . Mas Hermione disse em uma voz mais aguda do_que de costume : - Acho que estás a ser injusto . O professor Dumbledore obviamente achou que era o melhor homem para o lugar ... - Era o único - explicou Hagrid , oferecendo lhes um prato de bombons de melaço enquanto Ron tossia para a bacia . - E não havia mais ninguém . Não é fácil encontrar quem queira dar Artes de magia negra . As pessoas não gostam de essa matéria . Começam a pensar que está amaldiçoada , ninguém ficou muito_tempo a dá a . Mas digam me lá - continuou Hagrid , inclinando a cabeça para Ron - quem é qu'ele estava a tentar amaldiçoar ? - O Malfoy chamou qualquer coisa a a Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si . - Foi grave , sim - disse o Ron com voz rouca , emergindo a a superfície de a mesa , pálido e transpirado . - O Malfoy chamou lhe sangue de lama , Hagrid . - Ron desapareceu outra_vez quando uma nova onda de lesmas fez o seu aparecimento . Hagrid estava indignado . - Não posso crer - exclamou , dirigindo se a Hermione . - Chamou sim - disse ela . - Mas eu não sei o que significa . Percebi que era má educação , claro ... - É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar - explicou Ron novamente . - Sangue de lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles , sabes , filho de pais não mágicos . Há alguns feiticeiros , como a família de o Malfoy que acham que são melhores do_que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro . - Teve um pequeno vómito e uma lesma isolada caiu lhe em a mão aberta . Ele atirou a para a bacia e continuou . -- É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma . Olha_o_Neville_Longbottom , é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito . - E ainda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer - afirmou Hagrid , orgulhoso , fazendo Hermione corar em tons de magenta . - É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém - disse o Ron , limpando o suor de a testa com a mão trémula . - Sangue sujo , sangue vulgar , é um disparate . A maior parte de os feiticeiros hoje_em_dia têm sangue misturado . Se não tivéssemos casado com Muggles tinha sido o nosso fim . Fez um esforço para vomitar e baixou se mais_uma_vez . - Bem , não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá o , Ron - disse Hagrid bem alto enquanto montes de lesmas caíam em a bacia . - Mas , se_calhar , não foi mau de todo teres a varinha a trabalhar ao_contrário . Acho que Lucius_Malfoy teria vindo logo a correr a a escola se tivesses amaldiçoado o filho . Assim , pelo_menos , não estás metido em nenhum sarilho . Harry teria referido que o problema não podia ser pior do_que deitar lesmas por a boca , mas não pôde . Os bombons de melaço tinham lhe colado os maxilares um_ao_outro . - Harry - disse de repente Hagrid como_que movido por um pensamento súbito . - Tens de me explicar uma coisa . Ouvi dizer que tens andado a dar fotografias autografadas . Porque é qu'eu não tenho nenhuma ? A fúria de Harry foi tão grande que os maxilares se libertaram . - Eu não tenho dado fotografias autografadas - disse com vivacidade . Se o Lockhart andou a espalhar isso ... Mas em esse momento viu que Hagrid se estava a rir . - ´ _ tou a brincar - disse , dando uma palmadinha em as costas de Harry e fazendo lhe sinal para se sentar a a mesa . -- Eu sabia que não tinhas . Disse a o Lockhart que tu não precisavas de isso . Es mais famoso do_que ele sem sequer , tentares . - Aposto que ele não gostou de ouvir isso - comentou Harry , sentando se e esfregando o queixo . - Acho que não gostou mesmo - prosseguiu Hagrid com os olhinhos a brilhar . - E disse lhe também que nunca tinha lido nenhum de os livros de ele e ele foi se embora . Um bombom de melaço , Ron ? - perguntou a o vê o reaparecer . - Não , obrigado - disse o Ron com uma voz fraca . - É melhor não arriscar . - Venham ver o qu'eu tenho estado a criar - disse Hagrid quando Harry e Hermione acabaram de tomar o chá . Em a pequena horta atrás de a casa estava uma_dúzia de as maiores abóboras que Harry alguma vez vira . Pareciam enormes blocos de pedra . - Estão a dar se bem , não achas ? - disse Hagrid , feliz . São para a festa de o * _ Hallow'en * . Devem estar bem grandes quando chegar a altura . - O que é_que lhes tens dado como alimento ? - perguntou Harry . Hagrid olhou por cima de o ombro para confirmar se estavam sós . - Bem , tenho estado a dar lhes ... uma pequena ajuda . Harry reparou em o guarda-chuva cor-de-rosa a as florzinhas que estava encostado contra a parede de a cabana . Tivera em o ano anterior motivos para crer que aquele guarda-chuva não era o que parecia . De facto , acreditava que a antiga varinha de escola de Hagrid se encontrava oculta dentro de ele . Hagrid não tinha autorização para usar magia . Fora expulso de Hogwarts em o terceiro ano embora Harry nunca tivesse descoberto o motivo . Qualquer referência a esta questão fazia Hagrid pigarrear bem alto e ficar misteriosamente surdo até mudarem de assunto . -- Um encantamento de absorção , imagino ? - comentou Hermione entre a desaprovação e o divertimento . - Bem , se assim foi , fizeste um bom trabalho . - Foi o que disse a tua irmãzinha - respondeu Hagrid acenando em direcção a Ron . - Encontrei a ontem . - Hagrid olhou de lado para Harry , a barba a contorcer se . - Disse que andava só a ver os campos , mas eu acho qu'ela esperava encontrar alguém em a minha casa - piscou o olho a o Harry . - Se queres que te diga acho qu'ela não recusaria uma fotografia autogr ... - Cala te com isso - disse Harry . Ron desatou a rir e o chão ficou cheio de lesmas . - Cuidado - resmungou Hagrid , afastando Ron de as suas preciosas abóboras . Estava quase em a hora de o almoço e , como o Harry só tinha provado um bombom de melaço desde manhã cedo , estava ansioso por chegar a a escola para ir comer . Despediram se de o Hagrid e regressaram a o castelo . O Ron a vomitar de vez em quando , mas deitando só duas pequenas lesmas . Mal tinham pisado a entrada de o vestíbulo quando ouviram uma voz . - Aí estão vocês , Potter , Weasley . - A professora Mc_Gonagall vinha em direcção a eles com o seu ar severo . - Vocês os dois vão ter as punições hoje a a tarde . - O que é_que vamos fazer , professora ? - perguntou o Ron nervoso , deixando cair uma lesma . - Tu vais limpar as pratas em a sala de os troféus com Mr._Filch - disse a professora Mc_Gonagall . - E nada de mágicas , Weasley , trabalho com esforço . Ron engoliu em seco . Argus_Filch , o encarregado , era odiado por todos os alunos de a escola . - E tu , Potter , vais ajudar o professor Lockhart a responder a as cartas de as suas fãs - ordenou a professora Mc_Gonagall . - Oh , não ! Não posso ir também trabalhar em a sala de os troféus ? - pediu Harry em desespero de causa . - Nem pensar em isso - respondeu a professora Mc_Gonagall , erguendo as sobrancelhas . - O professor Lockhart requisitou te especialmente a ti . _ a as oito_em_ponto , os dois . Harry e Ron entraram em o salão em um estado de profundo desanimo com a Hermione atrás , ostentando uma expressão de * bem-voces-quebraram-as-regras-da-escola * . Harry não saboreou o empadão de carne como teria desejado . Tanto ele como o Ron achavam que tinham tido o pior de os castigos . -- O Filch vai reter me lá toda_a noite - disse Ron , desanimado . - Sem mágica ! Deve haver umas cem taças em aquela sala , eu não sei fazer limpeza de Muggles . - Eu trocava contigo de boa_vontade - confessou Harry em uma voz surda . - Tive montes de prática com os Dursleys . Responder a o correio de fãs de o Lockhart , que pesadelo ... A tarde de sábado pareceu derreter se . Pouco depois eram já cinco para as oito e Harry arrastava se até a o corredor de o segundo andar onde ficava o escritório de o Lockhart . Rangendo os dentes , bateu a a porta . A porta abriu se imediatamente e Lockhart dirigiu se lhe . - Ah , cá está o patifório ! - exclamou . - Entra , Harry , entra . Em as paredes , brilhando à_luz_de muitas velas , podia ver se uma infinidade de fotografias de Lockhart . Algumas de elas até assinadas . Sobre a secretária estava outro monte enorme . - Podes pôr as moradas em os envelopes - disse Lockhart_a_Harry , como_se fosse uma grande ameaça . - O primeiro é para Gladys_Gudgeon , abençoada seja , uma grande fã minha . Os minutos passavam lentos . De vez em quando , Harry ouvia a voz de Lockhart dizendo : - Mmm - e - certo - e - sim . - De vez em quando , apanhava uma frase como : - A fama é versátil , amigo Harry - ou - Só é célebre quem faz por isso , nunca te esqueças . As velas ardiam cada_vez com maior lentidão , fazendo a luz dançar sobre as muitas caras de Lockhart que o olhavam . Harry passava a mão , já dorida , sobre o que devia ser o centésimo envelope , escrevendo a morada de Verónica_Smethley . « Deve estar quase em a hora de me ir embora » , pensou , sentindo se profundamente infeliz , « por favor , faz com que esteja em a hora ... » E então ouviu algo , algo totalmente diferente de o crepitar de as velas e de os ditos de Lockhart sobre as suas fãs . Era uma voz , uma voz de arrepiar os ossos , de cortar a respiração , de veneno frio . - * _ Vem ... vem ter comigo ... deixa me rasgar te ... cortar te ... matar te * ... Harry deu um salto e uma enorme mancha lilás surgiu em a rua de Verónica_Smethley . - O quê ? - disse ele em voz alta . - Eu sei - exclamou Lockhart . - Seis meses inteirinhos em o topo de a lista de * bestsellers * , bati todos os recordes ! - Não - disse Harry nervosíssimo - aquela voz ! - Como ? - perguntou Lockhart , com um ar confuso . - Que voz ? - Aquela , aquela voz que disse ... não ouviu ? Lockhart olhava para Harry com o maior espanto . - De que é_que estás a falar , Harry ? Estás a ficar com sono ? Meu Deus , olha , só estamos aqui há quase quatro horas , quem diria ? O tempo passou a correr , não é verdade ? Harry não respondeu , estava a fazer um esforço para ouvir de_novo a voz , mas o único som que ouviu foi Lockhart a dizer lhe que não esperasse um tratamento igual de as próximas vezes que fosse castigado . Harry saiu , sentindo se atordoado . Era tão tarde que a sala comum de os Gryffindor estava quase vazia . Harry foi directamente para o dormitório . Ron ainda não tinha voltado . Vestiu o pijama , meteu se em a cama e esperou . Meia_hora mais tarde , chegou o Ron agarrado a o braço direito e inundando o quarto escuro de um forte cheiro a limpa-pratas . - Doem me todos os músculos - resmungou , metendo se em a cama . - Ele fez me polir catorze vezes aquela taça de Quidditch até estar satisfeito . E depois tive outro vómito em_cima_de um troféu de Reconhecimento por serviços prestados a a escola . Demorei séculos a limpar o muco de as lesmas . Como correram as coisas com o Lockhart ? Em voz baixa para não acordar o Neville , o Dean e o Seamus , Harry contou lhe , palavra por palavra , o que tinha ouvido . - E Lockhart disse que não ouviu nada ? - perguntou o Ron . Harry viu o franzir a testa , a a luz de o luar . - Achas que estava a mentir ? Mas , não percebo , mesmo um ser invisível teria aberto a porta . - Eu sei - disse Harry , encostando se a a cama e olhando para o dossel . - Também não compreendo . VIII_A festa de o dia de os mortos Outubro chegou , espalhando um frio húmido por os campos e por os cantos de o castelo . Madam_Pomfrey , a enfermeira-chefe , esteve bastante ocupada com uma onda de constipações que afectou professores e alunos . A sua poção de pimentão entrou imediatamente em acção apesar_de deixar quem a tomava com fumo em os ouvidos durante várias horas . Ginny_Weasley , que andava com ar adoentado , foi convencida a tomá a por o Percy . O fumo que saía por debaixo de o seu cabelo ruivo dava a impressão de que toda_a cabeça estava em fogo . Gotas de chuva de o tamanho de balas agrediram as janelas de o castelo durante dias a fio . O lago rosado e os canteiros de flores tornaram se regatos lamacentos e as abóboras de o Hagrid incharam ficando de o tamanho de alpendres de jardim . Contudo , o entusiasmo de Oliver_Wood por as sessões de treino regular não foi abalado , motivo por o qual Harry iria regressar a a torre de os Gryffindor , em um sábado a a tarde de temporal , alguns dias antes de o * _ Hallowe'en * , ensopado até a os ossos e todo enlameado . Além de a chuva e de o vento , não fora um treino feliz . Fred e George que tinham andado a espiar a equipa de os Slytherin tinham visto com os seus próprios olhos a velocidade alucinante de aquelas novas Nimbus dois_mil_e_um e comentaram que a equipa em o ar parecia composta por sete manchas esverdeadas que disparavam a_toda_a velocidade como aviões a jacto . Enquanto Harry chapinhava a o longo de o corredor deserto , cruzou se com alguém que parecia tão preocupado como ele : Nick quase sem cabeça , o fantasma de a torre de os Gryffindor que olhava taciturno , por a janela , murmurando baixinho : - Não preenche os requisitos , um centímetro e meio se ... - Olá , Nick - cumprimentou Harry . - Olá , olá - disse o Nick quase sem cabeça , começando a olhar em volta . Usava um arrebatado chapéu de plumas sobre a longa cabeleira encaracolada e uma túnica com gola de tufos que disfarçava o facto de ter o pescoço quase totalmente separado de o corpo . Era pálido como o fumo e Harry podia ver através de ele o céu negro e a chuva torrencial , lá fora . - Pareces preocupado , jovem Potter - disse Nick , dobrando uma carta transparente , enquanto falava e escondendo a dentro de a jaqueta . - Tu também - retorquiu Harry . - Ah ! - o Nick quase sem cabeça acenou com a mão de forma elegante . - Uma questão sem importância . Não é_que eu quisesse realmente participar apesar_de me ter inscrito , mas , a o que parece , não preencho os requisitos . - Apesar de o seu tom jovial havia em o seu rosto uma grande amargura . - Mas era de esperar , ou não era - exclamou subitamente , tirando a carta de o bolso - que ter levado quarenta_e_cinco golpes em a cabeça com um machado ferrugento me qualificaria para entrar em o grupo de os Sem - _ Cabeça ? - Sim , sim - respondeu Harry que obviamente o outro esperava que concordasse . - Isto_é , ninguém mais do_que eu desejaria que tudo tivesse sido rápido e perfeito , poupava me muitas dores e ridículo . Mas ... O Nick quase sem cabeça abriu , furioso , a carta e leu : * _ Só podemos aceitar em o grupo homens cuja cabeça tenha sido separada de o corpo . Compreenderá que de outro modo seria impossível a os nossos membros participarem em actividades como equitação de malabarismos com a cabeça e pólo de cabeça . Lamentamos profundamente informá o de que não preenche os requisitos . * _ Os nossos melhores cumprimentos , Sir_Patrick_Delaney - _ Podmore * Furioso , o Nick quase sem cabeça atirou fora a carta . - Um centímetro de pele e tendões a segurarem me a cabeça , Harry ! A maior parte de as pessoas acharia que era mais do_que o suficiente , mas não serve para o senhor correctamente decapitado Podmore . Nick quase sem cabeça respirou fundo várias vezes e , por fim , em um tom bastante mais calmo perguntou : - Então o que é_que te preocupa ? Alguma coisa que eu possa fazer por ti ? - Não - respondeu Harry . - A_não_ser_que saibas onde posso arranjar sete Nimbus dois_mil_e_um , de_graça , para o nosso campeonato contra os Sly ... - o resto de a frase foi afogada por um miado agudo vindo de perto de os seus tornozelos . Olhou para baixo e deu consigo a fitar um par de olhos que pareciam duas lâmpadas amarelas . Era_Mrs._Norris , a gata cinzenta e esquelética usada por o encarregado Argus_Filch como uma espécie de polícia em a sua infindável batalha contra os estudantes . - É melhor saíres de aqui , Harry - preveniu Nick com toda_a calma . - O Filch não está nada bem-disposto . Anda engripado e alguns alunos de o terceiro ano , por acidente , encheram o tecto de o calabouço cinco de miolos de rã . Ele tem andado toda_a manhã a limpar e se te vê a encher tudo de lama ... - Certo - disse Harry , recuando e afastando se de o olhar acusador de Mrs._Norris , mas ... tarde de mais . Conduzido até ali por o misterioso poder que parecia ligá o a a gata , Argus_Filch entrou subitamente por uma tapeçaria que se encontrava a a direita de Harry , com a sua respiração asmática , olhando vivamente em volta em busca de o infractor . Tinha um lenço grosso , de xadrez , a a volta de a cabeça e o nariz invulgarmente arroxeado . - Imundície - gritou com os maxilares a tremer e os olhos a saltarem lhe de as órbitas , enquanto apontava para a poça de lama que pingara de a túnica de Quidditch_de_Harry . - Desarrumação e imundície em todo o lado . Estou farto disto , segue me , Potter . Harry despediu se de o Nick quase sem cabeça com um tímido aceno e seguiu Filch até lá abaixo , duplicando o número de pegadas lamacentas em o chão . Nunca entrara em o gabinete de o Filch . Era um lugar que a maior parte de os estudantes evitava . A divisão era sombria e sem janelas , iluminada por uma única lamparina de óleo que pendia de o tecto . Sentia se um vago cheiro a peixe frito . As paredes estavam forradas por ficheiros de madeira . Por as etiquetas Harry percebeu que continham os dados de todos os alunos que Filch tinha punido . Fred e George_Weasley tinham uma gaveta só para eles . Atrás de a secretária estava pendurada uma colecção bem polida de correntes e algemas . Todos sabiam que ele estava sempre a pedir a Dumbledore que o deixasse pendurar os alunos em o tecto por os tornozelos . Filch pegou em uma pena que estava sobre a secretária e começou a procurar o pergaminho . - Bosta - murmurou , furioso . - Bosta de dragão , miolos de rã , intestinos de ratazana ... eu tinha aqui bastante , onde está o form ... sim ... Tirou um enorme rolo de pergaminho de a gaveta de a secretária e estendeu o em a frente , molhando a longa pena em o tinteiro . - Nome : Harry_Potter . Crime ... - Foi só um bocadinho de lama - disse Harry . - É só um bocadinho de lama para ti , rapaz , mas para mim é mais de uma hora a esfregar - gritou Filch com um pingo a tremer de modo desagradável em a extremidade de o nariz bolboso . - Crime : manchar o castelo . Sentença proposta ... Esfregando o nariz que continuava a pingar , Filch olhou com má cara para Harry que esperava com a respiração entrecortada para ouvir a sentença . Mas quando Filch pegou em a pena ouviu se um estrondo enorme em o tecto que fez a lamparina apagar se . - PEEVES - resmungou Filch , pousando a pena , cheio de raiva . - Desta_vez apanho te . Apanho te ! E sem olhar para trás , saiu a correr a_toda_a velocidade de o gabinete , seguido de a gata , Mrs._Norris . Peeves era o * poltergeist * de a escola , uma ameaça de risota esvoaçante que vivia para fazer estragos e criar aflição . Harry não gostava lá muito de ele , mas desta_vez , não podia deixar de lhe estar grato . Na_melhor_das_hipóteses o que Peeves tivesse feito ( e parecia que agora ele destruíra qualquer coisa em grande ) distrairia Filch_de_Harry . Pensando que o melhor seria esperar que ele voltasse , Harry deixou se cair em uma cadeira carcomida por o tempo que se encontrava junto de a secretária . Havia uma coisa sobre o tampo : um grande envelope roxo e lustroso com letras prateadas em a frente . Lançando um olhar rápido a a porta para confirmar que Filch não estava de volta , Harry pegou lhe e leu : __ feitiço __ rápido Um curso por correspondência De iniciação a a magia Cheio de curiosidade , abriu o envelope e retirou o rolo de pergaminho . Uma letra curvilínea e prateada dizia : Sente se pouco a a vontade em o mundo de a magia moderna ? Dá consigo a arranjar desculpas para não fazer feitiços simples ? Tem sido censurado por o deplorável trabalho com a varinha ? Eis a resposta ! Feitiço rápido e um curso totalmente novo , infalível , de resultados rápidos e rápida aprendizagem . Centenas de bruxas e feiticeiros têm beneficiado de o método feitiço rápido ! Madam_Z._Nettles_de_Topsham escreve nos : Eu não conseguia fixar os encantamentos e as minhas poções eram alvo de risota em a família . Agora , depois de o curso feitiço rápido , tornei me o centro de as atenções em todas_as festas e os meus amigos não param de pedir me a receita de a minha brilhante solução ! O mágico D.J._Prod , de Disbury , afirma : A minha mulher costumava rir se de os meus fracos encantamentos , mas bastou um mês com o vosso fabuloso curso feitiço rápido e consegui transformá a em um iaque . Obrigado , feitiço rápido ! Fascinado , Harry folheou o resto de o conteúdo de o envelope . Para que diabo quereria o Filch um curso de feitiço rápido ? Não seria ele um feiticeiro a sério ? Harry estava a ler a lição número um : Pegando em a varinha ( algumas dicas úteis ) quando umas passadas arrastadas , lá fora , o preveniram de que Filch estava de volta . Metendo rapidamente o pergaminho dentro de o envelope , lançou o para_cima de a secretária em o preciso momento em que a porta se abriu . Filch ostentava um ar triunfante . - Aquele armário que desapareceu era extremamente valioso - vinha ele a dizer a a gata , Mrs._Norris . - Desta_vez vamos correr com o Peeves , minha linda . Os seus olhos recaíram sobre Harry e logo_a_seguir sobre o envelope de o feitiço rápido que , Harry apercebeu se tarde de mais , estava meio metro distanciado de o seu lagar inicial . O rosto pálido de Filch tornou se vermelho escarlate . Harry preparou se para uma nova onda de fúria . Filch coxeou até a a secretária , arrebatou o envelope e meteu o em uma gaveta . -- Chegaste a ... lê o ? - perguntou atabalhoadamente . - Não - mentiu Harry , sem perder tempo . As mãos nodosas de o Filch contorciam se ao_mesmo_tempo . - Se eu soubesse que ias ler a minha correspondência priv ... não que seja minha ... é para um amigo ... mesmo_assim ... Harry olhava para ele espantado . Nunca vira o Filch tão louco . Os olhos pareciam querer saltar lhe de as órbitas , com um tique em as bochechas e aquele lenço axadrezado que não ajudava nada ... - Muito bem , vai e não abras a boca sobre isto ... não que ... mesmo_assim ... se tu não leste ... vai te embora , tenho de escrever o relatório sobre o Peeves , vai . Atordoado com a sua sorte , Harry saiu de ali e largou a correr por o corredor fora e por as escadas acima . Sair de o gabinete de o Filch sem um castigo devia ser um recorde em a escola . - Harry , Harry , deu resultado ? O Nick quase sem cabeça saiu a brilhar de uma sala de aula . Atrás de ele , Harry pôde ver os destroços de um grande armário preto e dourado que parecia ter sido atirado de uma grande altura . - Convenci o Peeves a parti o mesmo em cima de o gabinete de o Filch - disse Nick entusiasmado . - Pensei que talvez o distraísse . - Foste tu ? - exclamou Harry , agradecido . - Funcionou sim . Ele não me deu nenhum castigo . Obrigado , Nick . Atravessaram o corredor juntos . O Nick quase sem cabeça , reparou Harry , ainda tinha em a mão a carta de Sir_Patrick . - Gostaria de poder fazer qualquer coisa sobre o grupo de os Sem - _ Cabeça - disse Harry . O Nick quase sem cabeça parou de repente e Harry passou através de ele . Antes não tivesse passado , foi como atravessar um duche gelado . - Mas há uma coisa que tu podes fazer por mim - disse Nick muito agitado . - Harry , seria pedir te de mais ... mas não , tu não ias querer ... - O quê ? - Bem , este ano em o * _ Hallowe'en * vai ser o meu meio milénio de dia de os mortos - disse o Nick quase sem cabeça endireitando se e adquirindo uma postura de grande dignidade . - Oh - respondeu Harry sem saber se deveria lamentar ou dar lhe os parabéns . - Certo . - Vou dar uma festa em um de os calabouços mais amplos . Vêm amigos meus de todo o país . Seria uma honra muito grande se tu aparecesses . Mr._Weasley e Miss_Granger seriam também muito bem-vindos , claro . Mas tu deves preferir o banquete de a escola , não é verdade ? - Olhou para Harry , aflito . - Não - assegurou ele rapidamente . - Eu vou . - Oh rapaz , Harry_Potter em a minha festa de os mortos - hesitou no_meio_de toda aquela excitação . - Achas que poderias referir a Sir_Patrick como me achas assustador e como te impressiono ? - É claro que sim - assegurou Harry . O Nick quase sem cabeça iluminou se em um sorriso . - Uma festa de os mortos ? - exclamou Hermione , entusiasmada , quando Harry , depois de mudar de roupa , se juntou a ela e a o Ron em a sala comum . - Aposto que não há muitas pessoas que possam gabar se de ter estado em uma festa de essas . Vai ser fantástico ! - Por_que é_que alguém se lembraria de festejar o dia em que morreu ? - perguntou o Ron que estava a meio de o seu trabalho de casa de poções e bastante maldisposto . - Parece me bastante mórbido . A chuva continuava a lamber as janelas que apresentavam agora um negro que parecia tinta , mas , lá dentro , era tudo claro e alegre . O fogo em a lareira brilhava sobre as inúmeras cadeiras de braços onde as pessoas estavam sentadas a ler , a conversar , a fazer os trabalhos de casa ou , no_caso_de Fred e George_Weasley , a tentar descobrir o que aconteceria se alimentassem uma salamandra com fogo-de-artíficio de o Filibuster . O Fred tinha « resgatado . o lagarto cor de laranja brilhante , morador de o fogo , de uma aula de tratamento de seres mágicos e ele estava agora a arder em fogo lento sobre uma mesa , rodeado de um grupo de curiosos . Harry ia começar a contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre o Filch e o curso de feitiço rápido quando a salamandra disparou por os ares , lançando faíscas e estoiros . A visão de Percy a gritar com Fred e George até ficar ronco , a fantástica exibição de estrelas cor de tangerina que choviam de a boca de a salamandra e a sua fuga para o lume acompanhada de explosões , fizeram com que Harry se esquecesse , em aquele momento , de Filch e de o curso de feitiço rápido . Quando chegou o * _ Hallowe'en * , Harry já lamentava a sua promessa imprudente de ir a a festa de os mortos . Toda_a escola antecipava , feliz , a sua festa de * _ Hallowe'en * . O salão nobre fora enfeitado com os habituais morcegos , as enormes abóboras de Hagrid tinham sido esculpidas em forma de lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro_de cada uma , e havia boatos de que Dumbledore contratara um grupo de esqueletos bailarinos para animar a festa . - Uma promessa é uma promessa - lembrou Hermione_a_Harry com o seu autoritarismo habitual . - Tu disseste que ias a a festa de os mortos . Portanto , a as sete_da_tarde , Harry , Ron e Hermione saíram , passando por a porta de o salão nobre que brilhava de modo convidativo com pratos dourados e velas e dirigiram os seus passos para os calabouços . O corredor que conduzia a a festa de o Nick quase sem cabeça tinha sido também ladeado de velas , embora o efeito estivesse longe_de ser alegre : estas eram velas muito esguias e estreitas , negras de breu , ardendo em um azul brilhante e lançando uma luz indistinta e espectral também sobre as caras de as pessoas vivas . A temperatura diminuía a cada degrau que desciam . Harry tremia e cingia a túnica a o corpo quando ouviu qualquer coisa que parecia uma centena de unhas a rasparem um enorme quadro preto . - Será que isto_é a música ? - murmurou Ron . Viraram uma esquina e viram o Nick quase sem cabeça junto de uma porta , todo vestido de veludo negro . - Meus queridos amigos - disse com ar de luto . - Bem-vindos , bem-vindos , ainda_bem que puderam vir . Em um gesto largo tirou o chapéu de plumas e fez lhes sinal para que entrassem . Era uma visão incrível . O calabouço estava cheio com centenas de pessoas de um branco pálido e translúcido , a maior parte de as quais era arrastada em uma pista de dança cheia , valsando a o som de trinta serrotes musicais . Os serrotes que compunham a orquestra encontravam se sobre um estrado enfeitado com panos negros . Um lustre lá em cima resplandecia de um azul nocturno com mais um_milhar de velas negras . A respiração de os três subiu em o ar como uma neblina . Parecia que tinham entrado em um congelador . - Vamos dar uma volta - sugeriu Harry em uma tentativa de aquecer os pés . - Cuidado , não atravessem nenhum de eles - avisou o Ron nervosamente e colocaram se em volta de a pista de dança . Passaram por um grupo escuro de freiras , por um homem esfarrapado e cheio de correntes e por o frade gordo , o divertido fantasma de os Hufflepuff que estava a conversar com um cavaleiro com uma seta enfiada em a testa . Harry não ficou nada surpreendido a o ver que o Barão sangrento , o fantasma lúgubre e berrante de os Slytherin , coberto de nódoas de sangue ; estava a ser totalmente evitado por os outros fantasmas . - Oh ! Não -- exclamou Hermione , parando bruscamente . - Voltem se , voltem se , não quero ter de cumprimentar a Murta_Queixosa . - Quem ? - perguntou Harry enquanto davam rapidamente meia volta . - Ela assombra a casa_de_banho de as raparigas de o primeiro andar - explicou Hermione . - Assombra uma casa_de_banho ? - Sim . Está inoperativa durante todo o ano porque ela tem constantes acessos de choro e inunda tudo . Eu só lá fui quando não pode mesmo evitar . É horrível tentar ir a a sanita com ela a gritar connosco . - Olhem , comida - disse o Ron . De o outro lado de o calabouço estava uma mesa igualmente coberta de velado negro . Iam para se aproximar entusiasmados , mas pararam com uma expressão de horror . O cheiro era nauseabundo . Enormes peixes podres enchiam as bonitas travessas de prata , os bolos estorricados como carvões amontoavam se em as salvas , havia uma grande quantidade de miúdos de macaco , uma tábua de queijos cobertos de bolor e , em o lugar de honra , um enorme bolo cinzento em forma de lápide com letras que pareciam alcatrão formando as palavras , * _ Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington_Morto em 31_de_Outubro , 1492 * . Harry olhou espantado quando um fantasma de porte majestoso se aproximou de a mesa inclinando se e passando através de ela com a boca aberta enquanto atravessava um salmão malcheiroso . - Consegue prová o passando através de ele ? - perguntou lhe Harry . - Quase - disse tristemente o fantasma antes de se afastar . - Devem ter deixado apodrecer tudo_isto para ter um sabor mais forte - comentou Hermione com ar de quem está bem informada , tapando o nariz e aproximando se para ver melhor os pútridos miúdos de macaco . - Podemos sair de aqui , estou a sentir me agoniado - disse o Ron . Mas mal tinham dado meia volta quando um homenzinho pequenino saiu inesperadamente de debaixo de a mesa e fez uma paragem em o ar em frente de eles . - Olá , Peeves - disse Harry cautelosamente . Ao_contrário de os outros fantasmas que os rodeavam , Peeves , o * poltergeist * era o oposto de pálido e transparente . Usava um chapéu festivo cor de laranja , um laço rotativo a o pescoço e tinha um sorriso grosseiro de malvadez , em o rosto . - Querem petiscar ? - perguntou delicadamente , oferecendo lhes uma taça de amendoins cobertos de fungos . - Não , obrigada - disse Hermione . - Ouvi te falar sobre a pobre Murta - disse Peeves com os olhos a bailar . - Que insensível que tu foste para com a pobre Murta - respirou fundo e gritou : - Oh Murta . - Oh ! Não , Peeves , não lhe contes o que eu disse , ela vai ficar muito aborrecida - murmurou Hermione bastante nervosa . - Eu não queria dizer que ... eu não me importo que ela , er , olá , Murta . O espectro atarracado de uma rapariga deslizara . Tinha o rosto mais carrancudo que Harry alguma vez vira , meio escondido por o cabelo liso e por os óculos grossos cor de pérola . - O que é ? - perguntou mal-humorada . - Como estás Murta ? - perguntou Hermione , em uma voz falsamente alegre . - É bom ver te fora de a casa_de_banho . Murta fungou . - Miss_Granger estava justamente a falar de ti - disse lhe Peeves baixinho a o ouvido . - A dizer , a dizer ... como estás bonita esta noite -- terminou Hermione , olhando irritada para Peeves . A Murta olhou para Hermione desconfiada . - Estão a divertir se a a minha custa - disse , com lágrimas de prata a encherem lhe rapidamente os olhos pequeninos . - Não , a sério , eu não estava a dizer vos como a Murta estava bonita esta noite ? - disse Hermione , dando uma palmada em as costas de o Harry e de o Ron . - Sim , sim . - Ela ... - Não me venham com mentiras - protestou a Murta , as lágrimas agora a descerem lhe por o rosto , enquanto Peeves ria baixinho por cima de o ombro de ela . - Julgam que eu não sei o que as pessoas me chamam em as minhas costas ? A Murta gorda , a Murta feia , a Murta queixosa , a Murta deprimida ! - Esqueceste te de « a Murta ponto negro » - sussurrou lhe Peeves a o ouvido . A Murta_Queixosa irrompeu em soluços de angústia e fugiu de o calabouço . Peeves disparou atrás de ela , lançando lhe uma chuva de amendoins cheios de bolor e gritando : Ponto negro ! Ponto negro ! - Oh , coitada ! - exclamou Hermione com tristeza . O Nick quase sem cabeça abria agora caminho entre a multidão para se aproximar de eles . - Estão a divertir se ? - Sim , sim - mentiram . - Uma afluência nada má - disse orgulhoso o Nick quase sem cabeça . - A viúva chorosa veio de Kent ... está quase em a hora de o meu discurso . É melhor ir avisar a orquestra . Mas a orquestra parou de tocar em esse preciso momento . Eles , e todos os outros em o calabouço , ficaram em silêncio total , olhando em volta cheios de excitação quando se ouviu uma trompa de a caça . - Lá vêm eles - disse o Nick quase sem cabeça , com alguma amargura em a voz . Por o calabouço irromperam uma_dúzia de , cavalos fantasmas , cada_um montado por um cavaleiro sem cabeça . A assistência aplaudiu vivamente . Harry começou também a bater palmas , mas parou rapidamente quando viu a cara de o Nick . Os cavalos galoparam até a o meio de a pista de dança e pararam , empinando se , dando pequenos passos para a frente e para trás , sobre as patas traseiras . Um fantasma grande em a frente , cuja cabeça barbuda estava debaixo de o braço , soprando a trompa , desmontou , levantou a cabeça bem em o ar para poder ver toda_a assistência ( todos se riam ) e dirigiu se a o Nick quase sem cabeça , comprimindo a cabeça contra o pescoço . - Bem-vindo , Patrick - disse o Nick , mantendo a sua postura rígida . - Gente viva ! - exclamou o Sir_Patrick , avistando Harry , Ron e Hermione e dando um salto de falso espanto , de_tal_modo_que a cabeça lhe caiu de_novo ( a multidão ria a bom rir ) . - Muito engraçado - disse o Nick quase sem cabeça com um ar soturno . - Não ligues a o Nick - gritou a cabeça de Sir_Patrick de o chão . - Ainda está aborrecido por não o deixarmos juntar se a o grupo . Mas olhem bem para ele ... - Eu acho - disse apressadamente Harry , a seguir a um olhar de o Nick - que o Nick é muito assustador e ... eu ... - Bah ! - gritou a cabeça de Sir_Patrick . - Aposto que ele te pediu que dissesses isso . - Gostaria de ter a vossa atenção . Chegou a altura de fazer o meu discurso - disse o Nick quase sem cabeça bem alto , dirigindo se a o pódio , subindo e parando , iluminado por uma luz azul . - Os meus sentimentos , senhores e senhoras , é com profundo pesar ... Mas já ninguém estava a ouvi o . Sir_Patrick e o resto de o grupo de os Sem - _ Cabeça tinham iniciado um jogo de hóquei de cabeça e a multidão voltara se para os observar . Nick quase sem cabeça tentou em vão recuperar a audiência , mas acabou por desistir quando a cabeça de Sir_Patrick passou por ele a_toda_a velocidade gritando vivas . Harry estava cheio de frio para não falar de a fome . - Não aguento mais isto - murmurou Ron a bater o dente enquanto a orquestra voltava a entrar em acção e os fantasmas enchiam de_novo a pista de dança . - Vamos embora - concordou Harry . Recuaram até a a porta , acenando e sorrindo a todos os que olhavam para eles e um minuto depois passavam apressadamente por a entrada cheia de velas negras . - Talvez o pudim ainda não tenha acabado - disse o Ron cheio de esperança , abrindo caminho em direcção a os degraus de o vestíbulo de a entrada . E foi então que Harry ouviu aquilo . - ... * _ Arrancar ... rasgar ... matar * ... Era a mesma voz , a mesma voz fria e assassina que ouvira em o escritório de Lockhart . Parou , agarrando se a a parede de pedra em a expectativa de ouvir melhor , olhando em volta , espreitando para_cima e para baixo de a passagem mal iluminada . - Harry que estás tu a ... ? - E aquela voz outra_vez , calem se um bocadinho . -- ... * _ Tanta fome ... há tanto tempo * ... - Ouçam insistiu Harry e Ron e Hermione ficaram estáticos a olhar para ele . - * _ Matar ... hora de matar * ... A voz ia ficando mais débil . Harry tinha a certeza de que ela estava a afastar se , a subir . Um misto de medo e excitação tomou posse de ele enquanto olhava para o tecto escuro . Como poderia ele subir ? Seria um fantasma para quem os tectos de pedra não contavam ? - Por aqui - gritou , começando a correr por as éscadas acima até a a entrada de o * hall * . Não havia hipótese de ouvir fosse o que fosse ali , o barulho de vozes que vinha de o banquete de o * _ Hallowe'en * ecoava cá fora . Harry subiu a correr a escadaria de mármore até a o primeiro andar com Ron e Hermione ruidosamente atrás . - Harry o que é_que nós ... ? - Sch ... Harry apurou o ouvido . Ao_longe , em o andar de cima , e ainda a enfraquecer , mesmo_assim ouviu a voz : - ... * Cheira-me a sangue ... cheira me a sangue ! * O estômago deu lhe uma volta . - Ele vai matar alguém - gritou e ignorando as caras perplexas de Ron e Hermione , correu , subindo mais um lanço de escadas , a três_e_três , tentando ouvir através de o ruído de os seus próprios passos . Harry correu a_toda_a velocidade pelo segundo andar com Ron e Hermione atrás e só parou quando viraram uma esquina para o último corredor abandonado . - Harry , o que foi aquilo tudo ? - perguntou o Ron , limpando o suor de o rosto . - Eu não ouvi nada ... Mas Hermione , em um sobressalto , apontou para o fundo de o corredor . - Olhem ! Alguma coisa brilhava em a parede em frente . Aproximaram se devagarinho , tentando ver em a escuridão . Alguém escrevera em letras garrafais em a parede entre duas janelas . As palavras brilhavam a a chama fraca de as tochas . : __ a câmara de os segredos foi aberta . inimigos de o herdeiro , __ cuidado . - O que é aquilo pendurado por baixo de as letras ? - perguntou Ron com um tremor em a voz . Quando se aproximaram , Harry quase escorregou . Havia uma grande poça de água em o chão . Ron e Hermione agarraram o e avançaram cautelosamente até a a mensagem , os olhos fixos em uma sombra escura , em baixo . Aperceberam se os três de imediato do_que se tratava e deram um salto para trás , salpicando tudo de água . Mrs._Norris , a gata de o encarregado , estava pendurada por a cauda em o suporte de a tocha . Tinha o corpo rígido como uma tábua e os olhos abertos . Durante alguns segundos ninguém se mexeu . Depois o Ron disse : - Vamos sair de aqui . - Não devíamos tentar ajudar ? - propôs Harry , sem graça . - Acredita - assegurou o Ron . - É melhor que não nos encontrem aqui . Mas era tarde de mais . Um ruído surdo e prolongado , como um trovejar distante , avisou os de que o festim tinha terminado . De ambos os lados de o corredor onde eles estavam , veio o som de centenas de pés a subirem a escadaria e as vozes alegres de gente bem alimentada . Em o momento seguinte os alunos chegavam junto de eles de ambos os lados . O burburinho morreu subitamente mal as pessoas avistaram a gata pendurada . Harry , Ron e Hermione estavam de pé , sozinhos , em o meio de o corredor quando se fez silêncio em a multidão de estudantes que se empurravam para observar aquele quadro macabro . Então alguém gritou , quebrando o silêncio . - Inimigos de o herdeiro , cuidado . Vocês serão os próximos , sangue de lama ! Era_Draco_Malfoy . Estava a a frente de a multidão com os olhos frios a brilhar , a sua cara habitualmente pálida agora afogueada , sorrindo a a vista de a gata pendurada e imóvel . IX_As palavras em a parede -- O que é_que se passa aqui ? O que é_que se passa ? Sem dúvida , atraído por o grito de Malfoy , Argus_Filch apareceu a coxear em o meio de a multidão . Quando viu Mrs._Norris , caiu para trás agarrando o rosto com verdadeiro horror . - A minha gata ! A minha gata ! O que aconteceu a Mrs._Norris ? - gritou . E os seus olhos rápidos caíram sobre Harry . - Tu - guinchou ele . - Mataste a minha gata ! Mataste a , vou dar cabo de ti , eu ... - Argus . Dumbledore tinha chegado a o lugar , seguido de alguns professores . Em poucos segundos tinha passado a a frente de Harry , Ron e Hermione e desatado Mrs._Norris de o suporte de a tocha . - Vem comigo , Argus - disse ele a o Filch . - Vocês também , Mr._Potter , Mr._Weasley e Miss_Granger . Lockhart deu rapidamente um passo em frente . - O meu escritório é o que está mais perto , senhor director , é já aqui em cima , por favor fiquem a a vontade . - Obrigado , Gilderoy - disse Dumbledore . A multidão silenciosa dividiu se para os deixar passar . Lockhart sentindo se excitado e importante , seguia Dumbledore assim_como a professora Mc_Gonagall e o professor Snape . Quando entraram em o escritório escuro de Lockhart houve uma grande agitação em as paredes . Harry viu várias imagens de Lockhart a esconderem se cheias de rolos em o cabelo . O Lockhart em pessoa acendeu as velas e chegou se mais para trás . Dumbledore pôs Mrs._Norris em a superfície polida de a secretária e começou a examiná a . Harry , Ron e Hermione trocaram olhares tensos entre si e deixaram se cair em as cadeiras que se encontravam longe de a luz , a observar . A ponta de o nariz longo e adunco de Dumbledore estava a menos_de dois centímetros de o pêlo de Mrs._Norris . Ele olhava a de perto através de os óculos de meia-lua , os dedos longos a palpar e tactear suavemente . A professora Mc_Gonagall estava quase tão perto como ele , com os olhos contraídos . Snape surgia mais atrás , meio em a sombra , com uma expressão estranha em o rosto , como_se tentasse a_toda_a força sorrir . E Lockhart andava de um lado para o outro a dar sugestões . - Foi sem dúvida uma maldição que a matou , provavelmente a tortura de a metamorfose . Vi a muitas_vezes ser usada , mas infelizmente eu não estava lá quando isto aconteceu . Conheço o antídoto para essa maldição , o que a teria salvo . Os comentários de Lockhart foram interrompidos por os soluços secos e violentos de Filch . Estava afundado em uma cadeira junto de a secretária , incapaz de olhar para Mrs._Norris , com o rosto em as mãos . Por mais que detestasse Filch , Harry não pôde deixar de sentir pena de ele embora não tanta quanto_a que sentia por si próprio . Se Dumbledore acreditasse em o Filch ele seria certamente expulso . O director estava agora a sussurrar umas palavras estranhas e batendo em Mrs._Norris com a varinha , mas não aconteceu nada , ela continuou com o mesmo aspecto , como_se tivesse sido empalhada . - ... Lembro me de uma coisa semelhante que aconteceu em Ouagadogou - disse LockLart . - Uma série de ataques . Conto essa história em a minha autobiografia . Eu dei a a gente de a cidade vários amuletos que resolveram logo a situação ... As fotografias de Lockhart em as paredes iam acenando afirmativamente com a cabeça enquanto ele falava . Uma de elas esquecera se de tirar os rolos de o cabelo . Por fim , Dumbledore endireitou se . - Ela não está morta , Argus - disse suavemente . Lockhart interrompeu bruscamente a contagem de os crimes que conseguira evitar . - Não está morta ? - disse Filch em um sufoco , olhando através de os dedos para Mrs._Norris . - Mas , porque está ela rígida e gelada ? - Foi petrificada - disse Dumbledore ( Ah ! foi o que eu pensei ! - comentou Lockhart ) mas como , não posso afirmar . - Pergunte lhe - gritou Filch , voltando a cara cheia de furúnculos e lágrimas para Harry . - Nenhum aluno de o segundo ano poderia ter feito isto - explicou Dumbledore . - Era preciso um grande conhecimento de magia negra . - Foi ele , foi ele - disse encolerizado o encarregado com a cara a ficar roxa . - O senhor viu o que ele escreveu em a parede . Ele descobriu em o meu gabinete , ele sabe que eu sou um ... - O rosto de Filch estava horrível . - Ele sabe que eu sou um * _ busca-pé * - disse por fim . - Eu não toquei em a Mrs._Norris - gritou Harry com todos os olhares a recaírem sobre ele , incluindo o de todos os Lockharts de a parede . - E eu nem sei o que é um * busca-pé * . - Mentira ! - gritou Filch . - Ele viu a minha carta de o feitiço rápido . - Se me permite que dê a minha opinião , senhor director - disse Snape , saindo de a sombra , e a sensação de mau presságio de Harry aumentou bastante . Certamente nada do_que Snape tinha para de dizer iria ajudá o . - O Potter e os amigos podiam estar simplesmente em o lugar errado em a altura errada - afirmou com um leve sorriso a torcer lhe a boca como_se tivesse as suas dúvidas . - Mas , temos aqui um conjunto de circunstâncias curiosas . Porque estavam eles afinal em o corredor ? Porque não estiveram presentes em a festa de o * _ Hallowe'en * ? Harry , Ron e Hermione começaram uma longa explicação sobre a festa de o dia de os mortos . - Estavam lá centenas de fantasmas , eles poderão confirmar que lá estivemos ... - Mas porque não foram a seguir a o banquete ? - perguntou Snape com os olhos pretos a brilharem a a luz de as velas . - Porquê ir até a aquele corredor ? Ron e Hermione olharam para Harry . - Porque , porque ... - balbuciou Harry , com o coração a querer saltar lhe de o peito , mas algo lhe disse que ia parecer muito rebuscado se lhes contasse que tinha sido levado até ali por uma voz sem corpo que só ele conseguia ouvir . - Porque estávamos cansados e queríamos ir para a cama - disse . - Sem jantar ? - inquiriu Snape com um sorriso triunfante a bailar lhe em o rosto lúgubre . - Não sabia que os fantasmas ofereciam em as suas festas comida para gente viva . - Não estávamos com fome - disse o Ron bem alto , enquanto o estômago se queixava de forma audível . O sorriso mesquinho de a Snape ampliou se . - Acho , senhor director , que Potter não está a dizer toda_a verdade - afirmou . - Talvez fosse boa ideia retirar lhe alguns privilégios , até ele estar disposto a contar nos a história toda . Pessoalmente , sugiro que seja retirado de a equipa de os Gryffindor até decidir ser honesto . - Francamente , Severus - exclamou a professora Mc_Gonagall com uma voz cortante . - Não vejo porquê impedir o rapaz de jogar Quidditch . Esta gata não levou pauladas em a cabeça dadas por nenhum cabo de vassoura . E não há provas de que o Potter tenha feito algo de mal . Dumbledore observava Harry com um olhar perscrutador . A voz tremeluzente de os seus olhos azuis fez Harry sentir que estava a ser passado a raios X. - Inocente até se provar que é culpado , Severus - disse com segurança . Snape estava furioso , assim_como Filch . - A minha gata foi petrificada ! - berrou , com os olhos a saltarem de as órbitas . - Quero ver um castigo ! - Vamos poder curá a , Argus - explicou pacientemente Dumbledore . - Madam_Sprout conseguiu arranjar algumas Mandrágoras . Logo_que tenham atingido o tamanho adulto , terei uma poção de Mandrágoras que reanimará Mrs._Norris . - Eu posso fazê a - interrompeu Lockhart . - Devo ter feito isso uma centena de vezes . Preparo uma golada de Mandrágora reconstituinte de olhos fechados ... - Perdão - disse Snape friamente -- , mas julgo que o professor de poções de esta escola ainda sou eu . Houve um silêncio bastante incómodo . - Vocês podem ir se embora - disse Dumbledore a o Harry , Ron e a Hermione . Eles saíram o mais depressa que puderam , sem ir a correr . Quando chegaram a o andar acima de o escritório de Lockhart , entraram em uma sala de aulas vazia e fecharam a porta devagarinho . Harry lançou um olhar de esguelha a as caras carrancudas de os amigos . - Acham que eu lhes devia ter falado de a voz que ouvi ? - Não - respondeu Ron , sem a mínima hesitação . - Ouvir vozes que mais ninguém ouve , não é bom sinal , nem em o mundo de os feiticeiros . Algo em a voz de Ron levou Harry a fazer a pergunta : - Tu acreditas em mim , não acreditas ? - Claro que sim - respondeu o Ron de imediato . - Mas tens de concordar que é esquisito ... - Eu sei que é esquisito - confirmou Harry . - É tudo esquisito . O que era aquilo escrito em a parede ? * _ A_Câmara foi aberta * , o que é_que significa ? - Sabes , faz me lembrar qualquer coisa - disse Ron lentamente . - Acho que alguém me contou uma história sobre uma câmara secreta em Hogwarts , talvez tenha sido o Bill ... - E que diabos é um * busca-pé * ? - perguntou Harry . Para sua surpresa , Ron abafou o riso . - Bem , em a verdade não tem graça nenhuma , mas como é o Filch ... - disse . - Um * busca-pé * é alguém que nasceu de uma família de feiticeiros , mas não tem poderes mágicos . É uma espécie de o oposto de os que vêm de famílias de Muggles , mas são feiticeiros . Os * busca-pé * são muito raros . Se o Filch está a tentar aprender magia em um curso rápido , acho que ele deve ser mesmo um busca-pé . Isso explicaria tudo , por_exemplo , porque detesta tanto os estudantes . - Ron sorriu satisfeito . - Tem inveja . Um relógio deu as horas , algures . - Meia-noite - disse Harry . - É melhor irmo nos deitar , antes que o Snape apareça e tente acusar nos de qualquer coisa . Durante alguns dias não se falou de outra coisa em a escola a não ser de o ataque a a gata , Mrs._Norris . Filch manteve o sucedido bem fresco em a memória de todos , andando de um lado para o outro em o lugar onde ela fora atacada , como_se esperasse por o responsável . Harry vira o esfregar a mensagem de a parede com a « solução removedora de toda_a porcaria mágica Mrs._Skower » , mas sem qualquer resultado . As palavras continuavam a brilhar tanto como antes sobre a pedra . Quando Filch não estava a patrulhar a cena de o crime , vagueava , de olhos avermelhados , por os corredores , perseguindo alunos insuspeitos e tentando aplicar lhes castigos por coisas como « respirar muito alto » ou « estar alegre » . Ginny_Weasley parecia muito perturbada com o destino de Mrs._Norris . Segundo Ron ela era uma amante de gatos . - Mas tu nem chegaste a conhecer bem Mrs._Norris - disse lhe Ron para a animar . - Com toda_a franqueza , estamos muito melhor sem ela . - O lábio de Ginny tremeu . - Não é costume acontecerem coisas de estas em Hogwarts - tranquilizou a . - Eles vão descobrir o safado que fez aquilo e põem o de aqui para fora em três tempos . - Só espero que tenha tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso . Estou a brincar , claro - acrescentou o Ron apressadamente a o ver a Ginny a empalidecer . O ataque afectara também Hermione . Era costume de ela passar muito_tempo a ler , mas agora parecia não fazer mais_nada . Nem respondia a o Harry e a o Ron quando lhe perguntavam o que estava a fazer e só acabaram por descobrir em a quarta-feira seguinte . Harry tivera de ficar até mais tarde em a sala de poções onde Snape o mandara raspar restos de larvas de as secretárias . Depois de um almoço comido a a pressa , ele foi lá acima encontrar se com Ron em a biblioteca e viu Justin_Finch - _ Fletchley , o rapaz de os Hufflepuff de herbologia que vinha em direcção a ele . Harry tinha acabado de abrir a boca para dizer um « Olá » quando Justin o viu , voltando se bruscamente e mudando de direcção . Harry foi encontrar o Ron em as traseiras de a biblioteca , a medir o trabalho de casa de história de a magia . O professor Binns pedira uma composição sobre a Assembleia_Medieval_de_Feiticeiros_Europeus com 90cm . De extensão . - Não posso crer que ainda me faltem 16cm - disse o Ron furioso , largando o pergaminho que se enrolou em forma de tubo - e que a Hermione fez um metro e trinta em aquela letra pequenina e apertadinha . - Onde está ela ? - perguntou Harry , agarrando em a fita métrica e desembrulhando o seu trabalho de casa . - Algures por aí - disse o Ron , apontando para as estantes . - _ a a procura de outro livro . Acho que ela está a tentar ler a biblioteca toda antes de o Natal . Harry contou a Ron que Justin_Finch - _ Fletchley tinha evitado falar lhe . - Não sei porque te preocupas com isso . Eu achei o um idiota - disse o Ron , escrevinhando e fazendo a letra o maior possível . - Todo aquele disparate sobre o Lockhart ser tão grande ... Hermione surgiu de o meio de as estantes . Parecia irritada e disposta , por fim , a falar com eles . - Todos os exemplares de * _ Hogwarts : Uma História * foram requisitados - disse , sentando se ao_lado_de Harry e Ron . - E há uma lista de espera de duas semanas . Quem me dera não ter deixado o meu exemplar em casa , mas não consegui que coubesse em a mala com todos os livros de o Lockhart . - Para que o queres ? - perguntou Harry . - Pelo mesmo motivo que toda_a_gente o quer - disse Hermione . - Para ler a lenda de a Câmara_dos_Segredos . - O que é isso ? - Precisamente . Não me lembro - disse Hermione , mordendo o lábio . - E não encontro a História em lugar nenhum . - Hermione , deixa me ler o teu trabalho - pediu Ron desesperado , olhando para o relógio . - Não , não deixo - respondeu Hermione com um ar severo . - Tiveste dez dias para o fazer . - Só preciso de mais quatro centímetros , vá lá ... A campainha tocou . Ron e Hermione encaminharam se para a História_da_Magia , discutindo . A História_da_Magia era a matéria mais chata de o programa . O professor Binns , que dava a cadeira , era o único professor fantasma e a coisa mais excitante que aconteceu em as suas aulas foi o dia em que entrou por o quadro preto . Já velho e enrugado , muita gente afirmava a seu respeito que ele não dera por_que tinha morrido . Pura e simplesmente levantara se um dia para ir dar aulas , deixando o corpo atrás , em um cadeirão em frente de a lareira de a sala de os professores . Desde esse dia a sua rotina mantivera se igual . Era hoje tão chato como fora sempre . Abriu as notas e começou a ler em um tom monocórdico como um velho aspirador até quase todos os alunos estarem em um estado de profunda dormência , acordando de vez em quando , para tomar nota de um nome ou de uma data , e voltando a adormecer . Estava a falar havia meia_hora quando aconteceu algo que nunca tinha acontecido . Hermione pôs o braço em o ar . O professor Binns olhou de relance , em o meio de a chatíssima aula sobre a Convenção_Internacional_de_Feiticeiros de 1289 , verdadeiramente espantado . - Miss ... er ... ? - Granger , professor . Poderia dizer nos alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Hermione em uma voz bem audível . O Dean_Thomas , que tinha estado sentado de boca aberta olhando para fora de a janela , saiu de o seu transe com um salto . A cabeça de Lavender_Brown saiu de os braços e o cotovelo de o Neville_Longbottom escorregou para fora de a secretária . O professor Binns piscou os olhos . - A minha matéria é História_da_Magia - disse em a sua voz seca e asmática . - Eu trato de factos , Miss_Granger , não de mitos e lendas - pigarreou produzindo um ruído que parecia o giz sobre o quadro e continuou : - Em Setembro de esse ano , uma subcomissão de feiticeiros de a Sardenha ... Parou de repente . A mão de Hermione estava de_novo em o ar . - Sim , Miss_Grant ? - Por favor , professor , as lendas não têm sempre um facto como base ? O professor Binns olhava para ela com tal espanto que Harry teve a certeza de que ele nunca , em tempo algum , fora interrompido por um aluno . - Bem - disse lentamente o professor Binns . - Sim , é uma afirmação que pode fazer se . - Olhou para Hermione como_se fosse a primeira vez que olhasse a sério para um estudante . - Contudo , a lenda de que me fala é tão extraordinária , mesmo grotesca ... Mas a aula inteira estava agora atenta a as palavras de o professor , que olhou indistintamente para todos eles . Harry poderia assegurar que ele estava absolutamente abismado por uma tão grande demonstração de interesse . - Muito bem - disse lentamente . - Ora vejamos ... a Câmara_dos_Segredos . Todos vocês sabem com certeza que Hogwarts foi fundada há mais de um_milhar de anos , não se conhece ao_certo a data , por os quatro maiores feiticeiros e feiticeiras de a época : Godric_Gryffindor , Helga_Hufflepuff , Rowena_Ravenclaw e Salazar_Slytherin . Construíram juntos este castelo , longe de os olhares curiosos de os Muggles porque em aquele tempo a magia era temida por as pessoas comuns e as bruxas e feiticeiros sofriam terríveis perseguições . Fez uma pausa , olhou indeciso em volta e prosseguiu : - Durante alguns anos , os fundadores trabalharam juntos em harmonia procurando outros mais novos que mostrassem sinais de possuir dotes mágicos e trazendo os para o castelo para aqui serem ensinados . Mas os desentendimentos surgiram entre eles . Começou a notar se uma divisão entre Slytherin e os outros . Salazar_Slytherin queria ser mais selectivo em relação a os alunos a serem admitidos em Hogwarts . Achava que os ensinamentos de magia deviam ficar dentro de as famílias de feiticeiros . Não lhe agradava a entrada em a escola de alunos de famílias Muggles porque os achava pouco dignos de confiança . Depois de algum tempo houve uma séria discussão sobre esse assunto entre Slytherin e Gryffindor e Slytherin abandonou a escola . O professor Binns fez uma nova pausa , fazendo beicinho o que o fazia parecer uma tartaruga enrugada . - Fontes fidedignas referem nos isto - disse . - Mas estes factos foram obscurecidos por a fantasiosa lenda de a Câmara_dos_Segredos . Conta a história que Slytherin construíra uma câmara oculta dentro de o castelo cuja existência os outros fundadores ignoravam . De_acordo com a lenda , Slytherin selou a Câmara_dos_Segredos para que ninguém pudesse abri a até o seu verdadeiro herdeiro chegar a a escola . O herdeiro , e apenas ele , poderia abrir a Câmara_dos_Segredos , libertar o horror que lá se encontrava e utilizá o para expurgar a escola de todos aqueles que eram indignos de aprender magia . Houve um silêncio quando ele se calou que não era o habitual silêncio de sono de as aulas de o professor Binns . Havia um desassossego em o ar enquanto todos continuavam a olhá o a a espera de mais . O professor Binns estava ligeiramente aborrecido . - A história toda é um disparate , claro - disse ele . - A escola foi revistada por várias vezes em busca de provas de a existência de essa câmara , por os feiticeiros e bruxas mais conhecedores . Não existe nada . Uma lenda que serviu apenas para assustar os ingénuos . A mão de Hermione estava novamente em o ar . - Professor , o que quer_dizer , ao_certo com « o horror que estava dentro de a câmara » ? - Acredita se que seja uma espécie de monstro que só o herdeiro de Slytherin pode controlar - disse o professor Binns em a sua voz seca e débil . A aula trocou entre si olhares inquietos . - Como vos digo , a coisa não existe - afirmou o professor Binns , desordenando as suas notas . - Não há câmara e não há monstro . - Mas , professor - disse Seamus_Finnigan . - Se a câmara só podia ser aberta por o herdeiro de Slytherin ninguém mais poderia encontrá a . Não é ? - Um disparate pegado - disse o professor Binns , em um tom de voz exasperado . - Se uma longa sucessão de directores e directoras de Hogwarts não a encontraram ... - Mas , professor - começou a dizer Parvati_Patil . Se_calhar é preciso usar magia negra para a abrir ... - Lá porque um feiticeiro não usa magia negra não quer_dizer que não possa , Miss_Pennyfeather - interrompeu o professor Binns . - Repito , se os antecessores de Dumbledore ... - Mas talvez seja preciso fazer parte de os Slytherin , por isso Dumbledore não podia ... - começou Dean_Thomas , mas o professor Binns já estava farto . - Já chega - disse , de modo cortante . - É um mito . Não existe . Não há uma única prova de que Slytherin tenha construído nem mesmo uma despensa para vassouras . Lamento ter vos contado esta história tola . Vamos voltar , se fazem o favor , a a História , a os factos sólidos , verificáveis , credíveis . E em menos_de cinco minutos toda_a classe mergulhara em a sua sonolência habitual . - Eu sempre ouvi dizer que Salazar_Slytherin era um velho retorcido e meio pateta - disse Ron_a_Harry e Hermione enquanto abriam caminho por os corredores cheios , em o final de a aula , para ir arrumar as malas antes de o jantar . - Mas não sabia que ele tinha começado esta coisa de o sangue puro . Eu não ia para os Slytherin nem que me pagassem . Se o chapéu seleccionador me tivesse posto lá , pegava em as malas e ia me embora ... Hermione acenou vivamente , mas Harry não abriu a boca . O estômago parecia ter dado uma volta . Harry nunca contara a o Ron e a a Hermione que o chapéu seleccionador tinha considerado seriamente a possibilidade de o colocar em os Slytherin . Lembrava se como_se tivesse sido em a véspera do_que a vozinha lhe dissera a o ouvido quando pôs o chapéu em a cabeça , um ano antes . * _ Podias vir a ser grande , sabes ? Está tudo aqui em a tua cabeça e Slytherin ajudaria te em o caminho para a grandeza , sem a menor dúvida * ... Mas Harry , que já ouvira falar de a fama de o grupo de os Slytherin de formar magos negros , pensou desesperadamente . - Em os Slytherin , não ! - E o chapéu tinha dito . - Bem , se tens assim tanta certeza ... será melhor os Gryfffndor . Enquanto eram empurrados por a multidão , Colin_Creevey passou por eles . - Olá , Harry ! - Olá , Colin - disse Harry automaticamente . - Harry , Harry , um rapaz de a minha turma tem andado a dizer que tu és ... Mas Colin era tão baixinho que não conseguiu lutar contra a maré de gente que o arrastou até a o vestíbulo . Ouviram o despedir se : - Adeus , Harry - e desaparecer . - O que é_que o rapaz de a turma de ele disse de ti ? - quis saber Hermione . - Que eu sou o herdeiro de Slytherin , imagino - disse Harry , com o estômago ainda a as voltas e lembrou se de repente de o Justin_Finch - _ Fletchley a fugir para não lhe falar , a a hora de o almoço . - As pessoas aqui acreditam em tudo - disse o Ron com repugnância . A multidão diminuiu e conseguiram subir as escadas sem dificuldade . - Achas mesmo_que existe uma Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Ron_a_Hermione . - Não sei - respondeu ela , franzindo a testa . - Dumbledore não conseguiu curar Mrs._Norris e isso leva me a pensar que o que a atacou pode não ser ... humano . Enquanto falava , voltaram uma esquina e encontraram se em o fim de aquele mesmo corredor onde o ataque tinha ocorrido . Pararam para olhar . Estava tudo igual a aquela outra noite , com excepção de a gata Mrs._Norris e havia uma cadeira vazia encostada a a parede , onde podia ler se a mensagem « : __ a câmara foi __ aberta » . - Foi aqui que o Filch montou a guarda - murmurou Ron . Olharam uns para os outros . O corredor estava deserto . - Não deve fazer mal dar uma olhadela aqui - disse Harry , deixando cair a mala e pondo se de quatro para poder gatinhar em busca de pistas . - Marcas de queimadura - disse - aqui e aqui ... - Venham ver isto ! - chamou Hermione . - Que estranho ... Harry levantou se e foi até a a janela que ficava junto de a mensagem . Hermione apontava para o vidro mais alto , onde cerca de uma vintena de aranhas se debatiam em uma aparente luta por atravessar por uma pequena brecha de vidro . Um longo fio prateado balouçava como uma corda , como_se todas tivessem trepado , em a ânsia de chegar lá fora . - Alguma vez viram aranhas agir assim ? - perguntou Hermione , curiosa . - Não - respondeu Harry . - E tu , Ron ? Ron ? Olhou por cima de o ombro . Ron estava de costas , bem lá atrás e parecia lutar contra o impulso de se virar . - O que é_que se passa ? - perguntou Harry . - Eu não gosto de aranhas - disse Ron , de modo tenso . - Nunca me tinhas dito - comentou Hermione , olhando para ele com surpresa . - Estás farto de usar aranhas em as poções ... - Não me importo quando estão mortas - explicou Ron que olhava cautelosamente para todos os lados , menos para a janela . - Não gosto de a maneira como_se mexem . Hermione riu se baixinho . - Não tem graça nenhuma - disse o Ron , furioso . - Se queres saber , quando eu tinha três anos , o Fred transformou o meu ursinho de pelúcia em uma enorme aranha nojenta , por eu lhe ter partido a vassoura de brinquedo . Tu também não gostarias de aranhas se estivesses agarrada a o teu ursinho e , de repente , ele tivesse uma data de pernas e ... Começou a tremer ... Hermione ainda estava a tentar conter o riso . Sentindo que era melhor mudarem de assunto , Harry perguntou : - Lembram se de a água que havia aqui em o chão ? De onde terá vindo ? Alguém a limpou . - Era por aqui - disse o Ron , já recuperado , avançando alguns passos em direcção a a cadeira de o Filch e apontando . - Junto de esta porta . Estendeu a mão para o puxador de a porta , mas retirou a de imediato , como_se se tivesse queimado . - O que foi ? - perguntou Harry . - Não posso entrar aí - disse o Ron bruscamente . - É a casa_de_banho de as raparigas . - Oh , Ron , não está aí ninguém - sossegou o Hermione enquanto se aproximava . - É o lugar de a Murta_Queixosa . Anda , vamos dar uma espreitadela . E ignorando o grande letreiro que dizia « Fora de serviço » Hermione abriu a porta . Era a casa_de_banho mais sombria e deprimente em que Harry tinha posto os pés durante toda_a sua vida . Debaixo_de um grande espelho partido e sujo podia ver se uma fila de lavatórios de pedra , rachados . O chão estava húmido e reflectia a luz fraca de os pavios de algumas velas que ardiam baixinho em os suportes . As portas de madeira de os cubículos estavam todas lascadas e riscadas e uma de elas balouçava fora de as dobradiças . Hermione levou os dedos a os lábios e foi até a o último cubículo . Quando lá chegou disse : - Olá , Murta , como estás ? Harry e Ron foram ver . A Murta_Queixosa flutuava em a cisterna de a casa_de_banho , tirando um ponto negro de o queixo . - Esta é a casa_de_banho de as raparigas - disse a o ver o Ron e o Harry . - Eles não são raparigas . - Não - concordou Hermione . - Eu só queria mostrar lhes como esta casa_de_banho é ... er ... simpática . Ela fez um aceno vago a o velho espelho sujo e a o chão húmido . - Pergunta lhe se viu alguma coisa - sussurrou o Ron a a Hermione . - Porque estão a dizer segredinhos ? - perguntou a Murta , fitando o . - Não é nada - disse Harry rapidamente . - Queríamos perguntar ... - Gostava que as pessoas parassem de falar em as minhas costas ! - desabafou a Murta em uma voz abafada por as lágrimas . - Eu tenho sentimentos , sabem , apesar_de estar morta . - Murta , ninguém quis aborrecer te - explicou Hermione . - O Harry só ... - A minha vida foi uma infelicidade em este lugar e agora as pessoas vêm estragar a minha morte . - Nós queríamos perguntar te se tinhas visto alguma coisa estranha ultimamente - disse Hermione sem perder tempo . - Porque foi atacada uma gata mesmo aqui a a frente de a tua porta em a noite de o * _ Hallowe'en * . - Viste alguém aqui perto em essa noite ? - insistiu Harry . - Não estava a prestar atenção - disse a Murta com ar dramático . - O Peeves aborreceu me tanto que vim aqui para tentar matar me . Só então me lembrei de que estou ... de que estou ... - Já morta - ajudou o Ron . A Murta soluçou tragicamente , elevou se em o ar , voltou se e mergulhou de cabeça em a sanita , espalhando água por_cima_de todos eles e desaparecendo . Por o som de os seus soluços abafados fora certamente descansar algures em o cano em forma de V._Harry e Ron ficaram de boca aberta , mas Hermione encolheu os ombros de cansaço e disse : - Se querem saber , para a Murta isto até foi alegre ... vá , vamos embora . Harry tinha acabado de fechar a porta deixando atrás os soluços gorgolejantes de a Murta quando uma voz forte o fez dar um salto . - RON ! Percy_Weasley estava parado em o cimo de as escadas com o seu distintivo de prefeito a brilhar e uma expressão chocadíssima em o rosto . - Isso é a casa_de_banho de as raparigas ... o que é_que vocês ... ? - Estávamos só a dar uma vista de olhos - exclamou o Ron - a a procura de pistas ... Percy engoliu em seco , de uma maneira que fez Harry lembrar se de Mrs._Weasley . - Saiam imediatamente de aqui - disse , aproximando se de eles a passos largos e gesticulando agitadamente . - Não se preocupam com as aparências ? Voltar aqui enquanto toda_a_gente está a jantar ... - Porque não havíamos de estar aqui ? - perguntou cheio de vivacidade o Ron , parando de repente e olhando Percy em os olhos . - Ouve lá , nós não tocamos em aquela gata . - Isso foi o que eu tentei explicar a a Ginny - respondeu Percy furioso - mas ela parece continuar a pensar que vocês vão ser expulsos . Nunca a vi tão aflita . Não pára de chorar . Devias pensar em ela . Todos os alunos de o primeiro ano andam superexcitados com esta história . - Tu não estás nada preocupado com a Ginny - disse o Ron já com as orelhas vermelhas . - O que te assusta é_que eu possa estragar as tuas possibilidades de ser chefe de turma . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor ! - bradou Percy , apontando elegantemente para o distintivo de prefeito . - E espero que te sirva de lição . Acabou se o trabalho de detective ou escrevo a a mãe a contar lhe . E voltou lhes as costas , a nuca tão vermelha como as orelhas de o Ron . Harry , Ron e Hermione , em essa noite , sentaram se em a sala comum o mais longe possível de Percy . Ron estava ainda muito maldisposto e não parava de esborratar o trabalho de casa de os encantamentos . Quando pegou distraidamente em a varinha para tirar as manchas incendiou o pergaminho . A deitar quase tanto fumo como o seu trabalho de casa , fechou bruscamente o * _ Livro_Padrão_de_Encantamentos de o 2.o Grau * . Para grande surpresa de Harry , Hermione fez o mesmo . - Mas quem poderia ser - perguntou ela baixinho como_se continuasse uma conversa que tinham acabado de ter . - Quem quereria todos os * busca-pés * e filhos de Muggles fora de Hogwarts ? - Vamos pensar - disse o Ron em a brincadeira , fingindo estar confuso . - Quem poderemos nós conhecer que ache que os familiares de Muggles são escumalha ? Olhou para Hermione . Ela olhou para ele pouco convencida . - Se estás a pensar em o Malfoy ... - Claro que estou - disse o Ron . - Tu ouviste o dizer : - Vocês serão os próximos , sangues de lama ! - Aliás , basta olhar para aquela cara de renegado para saber que ele é ... - Malfoy , o herdeiro de Slytherin ? - repetiu Hermione cepticamente . - Olha para a família de ele - disse Harry , fechando também os livros . - Todos eles estiveram em os Slytherin . O Draco está sempre a vangloriar se de isso . Podiam bem ser descendentes de Slytherin . O pai de ele é suficientemente mau . - Podiam perfeitamente ter tido a chave de a Câmara_dos_Segredos durante séculos - disse Ron - , fazendo a passar de pai para filho . - Bem - acedeu Hermione cautelosamente . - Seria possível ... - Mas como prová o ? - perguntou Harry tristemente . - Talvez haja um meio - sugeriu Hermione lentamente , baixando ainda mais a voz e lançando um olhar , através de a sala , a Percy . - É claro que não é fácil . E é perigoso , muito perigoso . Suponho que iríamos infringir cerca de cinquenta regras de a escola . - Se de aqui a um mês ou dois te decidires a explicar , avisa , está bem ? - disse Ron , que começava a ficar irritado . - Está bem - concordou Hermione friamente . - O que precisaríamos de fazer para entrar em a sala comum de os Slytherin e fazer algumas perguntas a o Malfoy , sem ele perceber que éramos nós ? - Mas isso é impossível - declarou Harry , enquanto Ron se ria . - Não , não é - continuou Hermione . - Só precisamos de um_pouco de poção * polisuco * . - O que é isso ? - perguntaram ao_mesmo_tempo Ron e Harry . - O Snape falou de ela em uma aula , há poucas semanas atrás . - Achas que não temos mais o que fazer do_que ouvir o Snape ? - murmurou o Ron . - Transforma nos em outra pessoa . Pensem em isso : podíamos transformar nos em três de os Slytherin . Ninguém saberia que éramos nós . É provável que o Malfoy nos contasse alguma coisa . Aposto que ele está a gabar se , em este momento , em a sala de os Slytherin , se ao_menos pudéssemos ouvi o . - Essa coisa de o * polisuco * cheira me um bocado mal - disse o Ron , franzindo as sobrancelhas . - E se ficarmos com a forma de os três Slytherin para sempre ? - Desaparece a o fim de algum tempo - disse Hermione , gesticulando impacientemente com a mão - mas conseguir a receita é muito difícil . O Snape disse que vinha em um livro chamado * _ As_Mais_Potentes_Poções * e está com certeza em a parte de os reservados de a biblioteca . Só havia uma maneira de obter o livro de os reservados : era com uma autorização assinada por um professor . - Não estou a ver porque quereríamos o livro - disse o Ron . - Se não para tentar fabricar uma de as poções . - Eu acho - sugeriu Hermione - que se fizéssemos parecer que o nosso interesse era apenas teórico , talvez conseguíssemos ... - Estás a sonhar , nenhum professor ia cair em essa - afirmou o Ron . - Só se fosse muito burro . X_A * bludger * perigosa Depois de o desastroso incidente de os duendes , o professor Lockhart não voltou a levar seres vivos para as aulas . Em vez de isso , lia a os alunos passagens de os seus livros e , por vezes , voltava a desempenhar alguns de os episódios mais dramáticos . Costumava chamar Harry para o ajudar em essas reconstruções . Até ali Harry fora obrigado a desempenhar o papel de um camponês de a Transilvânia que Lockhart curara de uma maldição murmurada , o abominável homem de as neves com dores de cabeça e um vampiro que depois de ter conhecido Lockhart tinha ficado incapaz de comer outra coisa que não fosse alfaces . Harry foi chamado para a frente de a classe durante a aula de Defesa contra as artes negras que se seguiu . Desta_vez para desempenhar o papel de um lobisomem . Se não tivesse um bom motivo para querer ver o Lockhart bem-disposto , teria se recusado . - Um uivo bem alto , excelente , Harry , isso mesmo . E foi então que , acreditem ou não , eu o ataquei de repente , assim . Atirei o a o chão , agarrei o com uma mão e com a outra consegui meter lhe a varinha em a garganta . Então , com a força que me restava pus em prática o complicadíssimo encantamento * _ Homorphus * . Harry soltou um uivo tristíssimo . - Vá lá , Harry , mais alto . Bom ... o pêlo desapareceu , os dentes diminuíram de tamanho e ele transformou se em um homem . Simples , mas eficaz e mais uma cidade ficará a lembrar se de mim para sempre como o herói que os libertou de os ataques mensais de o lobisomem . A campainha tocou e Lockhart pôs se de pé . - Trabalho para_casa : escrever um poema sobre a minha vitória sobre o lobisomem Wagga_Wagga . Há um exemplar autografado de * _ Eu , o Mágico * para o autor de o melhor poema . Os alunos começaram a sair . Harry voltou para trás e foi juntar se a o Ron e a a Hermione que estavam a a espera de ele . - Prontos ? - perguntou . - Espera até saírem todos - disse Hermione bastante nervosa . - Pronto ... Aproximou se de a secretária de Lockhart , apertando em a mão uma folha de papel , com o Ron e o Harry atrás . - Er ... professor Lockhart - gaguejou Hermione . - Eu queria requisitar este livro em a biblioteca , como leitura de apoio - entregou lhe o papel , com a mão ligeiramente trémula . - Só que faz parte de a secção de os reservados , por isso preciso de a assinatura de um professor . Acho que o livro me vai ajudar a compreender o que o senhor diz em * _ Passeios com Vampiros * acerca de os venenos de acção lenta ... - Ah , * _ Passeando com Vampiros * - disse Lockhart , pegando em a folha de papel de Hermione e sorrindo lhe abertamente . - E provavelmente o meu livro preferido . Gostou ? - Oh , muito - disse Hermione avidamente . - Tão inteligente o modo como apanhou o último com o passador de o chá . - Bem , tenho a certeza que ninguém se importará que eu dê uma ajudazinha suplementar a a melhor aluna de o segundo ano - disse Lockhart calorosamente , sacando de uma enorme pena de pavão . - É bonita , não é ? - comentou , adivinhando uma expressão de repulsa em a cara de o Ron . - Costumo guardas a para as minhas assinaturas de autógrafos . Rabiscou uma enorme assinatura cheia de altos e baixos e entregou a a Hermione . - Então , Harry - disse Lockhart enquanto Hermione dobrava a folha e a guardava em o saco . - Amanhã é a primeira partida de Quidditch de este ano , não é ? Gryffindor contra Slytherin . Ouvi dizer que és um jogador indispensável . Eu também fui * seeker * . Convidaram me inclusivamente para fazer parte de a Equipa_Nacional , mas eu preferi dedicar a minha vida a a erradicação de as forças de o mal . Mesmo_assim , se alguma vez precisares de um treino particular , não hesites em falar comigo , estou sempre disponível para partilhar a minha perícia com os jogadores menos dotados do_que eu . Harry fez um som indistinto com a garganta e saiu atrás_de Ron e Hermione . - Não acredito - disse quando os três examinavam a assinatura de Lockhart . - Ele nem viu que livro nós queríamos . - É porque é um idiota sem miolos - explicou o Ron . - Mas , quem se rala , temos o que queríamos . - Ele não é um idiota sem miolos - gritou Hermione com voz esganiçada enquanto se aproximavam quase a correr de a biblioteca . - Só porque ele disse que eras a melhor aluna de o segundo ano ... Baixaram as vozes a o entrar em a quietude abafada de a biblioteca . Madam_Prince , a bibliotecária , era uma mulher magra e irritável que parecia um abutre mal nutrido . - * _ Moste_Potente_Potions * ? - repetiu intrigada , tentando ficar com a folha de papel que Hermione se recusava a entregar lhe . - Gostava de a guardar para mim - disse sem fôlego . - Vá lá - intercedeu Ron , arrancando lhe a de as mãos e entregando a a Madam_Prince . - Nós arranjamos te outro autógrafo . O Lockhart assina tudo se aqui ficar muito_tempo . Madam_Prince pegou em o papel e voltou o em a direcção de a luz , decidida a descobrir uma falsificação , mas a assinatura passou em o teste . Desapareceu entre as estantes e voltou alguns minutos mais tarde , transportando um livro grande e de aspecto antiquado . Hermione meteu o com todo o cuidado em o saco e saíram , tentando não andar depressa de mais nem aparentar um ar culpado . Cinco minutos depois , estavam de_novo barricados em a casa_de_banho fora de serviço de a Murta_Queixosa . Hermione destruíra as objecções de Ron argumentando que aquele era o último lugar onde alguém em o seu juízo perfeito se lembraria de ir e que poderia assegurar lhes alguma privacidade . A Murta_Queixosa chorava ruidosamente em o seu cubículo , mas eles conseguiram ignorá a assim_como ela a eles . Hermione abriu * _ Moste_Potente_Potions * com todo o cuidado e inclinaram se os três sobre as páginas manchadas de humidade . Era fácil de perceber , logo à_primeira_vista de olhos , porque pertencia a a secção de os reservados . Algumas de as poções tinham efeitos quase impensáveis de tão macabros e havia ilustrações bastante desagradáveis , como , por_exemplo , aquela em que um homem parecia ter sido virado de o avesso e a de a bruxa com vários pares de braços suplementares a nascerem lhe em a cabeça . - Aqui está - disse Hermione excitadíssima a o encontrar a página intitulada « A poção * polisuco * « . Estava ilustrada com imagens de pessoas a meio de o processo de se transformarem em outras pessoas e Harry desejou ardentemente que a expressão de dor intensa que se lhes espelhava em o rosto fosse apenas produto de a imaginação de o artista desenhador . - Esta é a poção mais complicada que vi até hoje - disse Hermione enquanto examinava a receita . - Moscas asas de renda , sanguessugas , fluxo de cizânias e verdezelha - murmurou , acompanhando com o dedo a lista de ingredientes . - Bem , esses são relativamente simples , há os em a despensa de material de os estudantes , podemos tirar a a nossa vontade . Oh ! Vê só , pó de chifre de bicórneo ... não sei onde vamos arranjar isto ... e , é claro , um pedacinho de a pessoa em quem queremos transformar nos . - Como ? - perguntou Ron de forma cortante . - O que é_que queres dizer com um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos ? Eu não bebo nada que tenha lá dentro as unhas de os pés de o Crabbe ... Hermione continuou como_se não o tivesse ouvido . - Mas não temos que nos preocupar com isso por enquanto . Fica para o fim . Ron voltou se sem palavras para o Harry que tinha uma preocupação de outro tipo . - Já viste bem tudo_o_que vamos ter que roubar , Hermione ? Algumas coisas , não estão de certeza em a despensa de material de os alunos . O que é_que vamos fazer , arrombar os armários pessoais de o Snape ? Não sei se será uma boa ideia ... Hermione fechou o livro com um estrondo . - Bem , se vocês os dois se vão acagaçar , então está lindo - disse ela . Tinha as bochechas rosadas e os olhos mais brilhantes do_que era habitual . - Eu não gosto de quebrar regras , vocês sabem , mas acho que ameaçar os filhos de os Muggles é muito pior do_que construir uma poção difícil . Mas se vocês não querem descobrir se é o Malfoy , eu posso voltar já a a biblioteca e entregar o livro a Madam_Prince ... - Nunca pensei que chegaria o dia em que serias tu a convencer nos a quebrar regras - disse o Ron . - Está bem , vamos em essa , mas sem unhas de os pés , O. _ K. ? - Quanto tempo vai isso demorar a fazer , afinal ? - perguntou Harry quando Hermione , já com um ar mais satisfeito , voltou a abrir o livro . - Bem , como o fluxo de cizânias tem de ser recolhido durante a lua cheia e as asas de renda têm de ser abafadas durante vinte_e_um dias ... eu diria que se conseguirmos arranjar todos os ingredientes estará pronta dentro_de um mês . - Um mês ? - exclamou o Ron . - Nessa_altura já o Malfoy terá atacado metade de os filhos de Muggles ! - mas os olhos de Hermione contraíram se de_novo assustadoramente e ele acrescentou rapidamente . - Mas é o melhor plano que temos , por isso é melhor não olharmos para trás . Apesar_de tudo , enquanto Hermione verificava que não havia ninguém em os corredores e podiam sair de a casa_de_banho , Ron murmurou a Harry : - Seria muito mais simples se conseguisses , amanhã , atirar o Malfoy de a vassoura abaixo . Harry acordou cedo em o sábado de manhã e ficou um bocado a pensar em a partida de Quidditch que vinha a seguir . Estava nervoso , principalmente pelo que Wood diria se os Gryffindor perdessem , mas também com a ideia de enfrentar uma equipa apetrechada com as vassouras mais velozes que existiam . Nunca desejara tanto vencer os Slytherin como em aquele dia . Depois de meia_hora deitado com a barriga a dar horas , resolveu levantar se , vestir se e descer para tomar o pequeno-almoço . Lá em baixo , encontrou o resto de a equipa de os Gryffindor amontoada a o longo de a mesa comprida e vazia , todos eles com ar preocupado e sem vontade de conversar . Como_se aproximavam as onze horas , todos os alunos de a escola começaram a dirigir se para o estádio de Quidditch . O dia estava quente e húmido , com uma ameaça de trovoada em o ar . Ron e Hermione vieram apressadamente desejar a Harry boa sorte mal ele entrou em os vestiários . A equipa de os Gryffindor pôs os seus mantos vermelhos e sentou se para ouvir o discurso que Wood lhes fazia sempre antes de o jogo . - Os Slytherin têm vassouras melhores do_que nós - começou . - Não há como negá o . Mas nós temos gente melhor em cima de as vassouras . Treinámos mais do_que eles , voamos com todas_as condições climatéricas ( É bem verdade - murmurou George_Weasley - desde Agosto que não sei o que é estar seco ) . - E vamos fazê os engolir o dia em que deixaram aquele nojento de o Malfoy comprar a entrada em a equipa de eles . Com o peito agitado por a comoção , Wood voltou se par Harry . -- Cabe te a ti , Harry , mostrar lhes que um * seeker * tem de ter mais do_que um pai rico . Agarra a * snitch * antes d Malfoy ou morre a tentar porque temos absolutamente que vencer , hoje , Harry , temos que vencer . - Sem ansiedade , Harry - disse o Fred , piscando lhe o olho . Quando saíram em direcção a o campo , foram saudado por uma grande ovação principalmente de a parte de os Ravenclaw e de os Hufflepuff que estavam ansiosos por ver os Slytherin serem derrotados , mas os Slytherin que estavam entre a multidão também fizeram ouvir as suas vaias e pateadas . Madam_Hooch , a professora de Quidditch , pediu a Flin e Wood que apertassem as mãos o que eles fizeram , lançando um_ao_outro olhares ameaçadores , cada_um apertando a mão de o outro com mais força do_que aquela que seria necessário . - Atenção a o apito - disse Madam_Hooch . - Três , dois , um ... Com um bramido de a multidão para que subissem rapidamente , os catorze jogadores elevaram se em o céu cor de chumbo . Harry , mais alto do_que qualquer de os outros olhando para todos os lados em busca de a * snitch * . - Tudo bem , testa de cicatriz ? - gritou Malfoy , disparando por baixo de ele para lhe mostrar a velocidade de a sua vassoura . Harry não teve tempo de responder . Em esse preciso momento uma * bludger * preta e bem pesada veio direitinha a ele . Evitou a tão por um triz que ainda sentiu em os cabelos o ar que ela deslocara . - Foi por_pouco , Harry ! - exclamou o George , passando com grande rapidez , de bastão em a mão , pronto para lançar a * bludger * contra um Slytherin . Harry viu o dar a a * bludger * uma fortíssima pancada em direcção a Adrian_Pucey , mas a bola mudou de rumo em o meio de o ar e dirigiu se de_novo a Harry . Harry desceu rapidamente para se esquivar e George conseguiu lançá a contra Malfoy . Mais_uma_vez a * bludger * actuou como um * boomerang * e apontou a a cabeça de Harry . Harry ganhou velocidade e disparou contra o outro extremo de o campo . Ouvia o assobio de a * bludger * que o perseguia . O que era aquilo ? As * bludgers * nunca se concentravam assim em um único jogador , a sua função era tentar desmontar o maior número possível de intervenientes . Fred_Weasley esperava por a * bludger * em o extremo oposto . Harry baixou se quando o viu balançar se em frente de ela com toda_a garra . A * bludger * foi lançada para_fora_de campo . - Pronto , já está tudo resolvido - gritou Fred satisfeito , mas estava bastante enganado . Como_se fosse magneticamente atraída para Harry , a * bludger * lançou se de_novo contra ele e Harry teve de voar a_toda_a velocidade . Começara a chover . Harry sentia as gotas pesadas caírem lhe em o rosto , turvando lhe as lentes de os óculos . Não fazia ideia do_que se passava em o resto de o jogo , até ouvir Lee_Jordan que fazia o comentário dizer : - Os Slytherin vão a a frente com seis contra zero . As vassouras de qualidade superior de os Slytherin estavam obviamente a cumprir a sua função e enquanto isso , a * bludger * maluca fazia todos os possíveis para deitar abaixo o Harry . Fred e George voavam agora tão perto de ele , um de cada lado , que Harry não via senão os seus braços a balouçar e , se não conseguia ver a * snitch * , muito menos agarrá a . - Alguém enfeitiçou esta * bludger * - resmungou Fred , preparando o bastão com toda_a força quando ela se lançava de_novo contra Harry . - Precisamos de tempo - disse George , tentando fazer sinal a Wood enquanto evitava que a bola partisse o nariz a o Harry . Wood captou obviamente a mensagem . O apito de Madam_Hooch fez se ouvir e Harry , Fred e George desceram , tentando ainda evitar a * bludger * maluca . - O que é_que se passa ? - perguntou Wood enquanto a equipa de os Gryffindor se amontoava desordenadamente e os Slytherin , em o meio de a multidão , lançavam piadas . - Estamos a ser esmagados . Fred , George , onde estavam vocês quando aquela * bludger * impediu a Angelina de marcar ? - Estávamos seis metros acima , evitando que a outra * bludger * matasse o Harry , Oliver - gritou George furioso . - Alguém preparou isto , a bola não deixa o Harry em paz , ainda não perseguiu mais ninguém desde_que o jogo começou . Os Slytherin fizeram aqui qualquer coisa . - Mas as * bludgers * têm estado fechadas em o escritório de Madam_Hooch desde o último treino , e nessa_altura estava tudo bem ... - disse Wood ansiosamente . Madam_Hooch aproximava se . Por cima de o ombro de ela , Harry pôde ver a equipa de os Slytherin a escarnecer e apontar em a sua direcção . - Ouçam - disse o Harry , enquanto ela se aproximava . - Com vocês os dois a voarem sempre colados a mim , só vou apanhar a * snitch * se ela voar até a a minha manga . Voltem se para o resto de a equipa e deixem a tratante comigo . - Não sejas bronco - disse o Fred . - Ela arranca te a cabeça . Os olhos de Wood saltavam de Harry_para_os_Weasley . - Oliver , isto_é uma loucura - disse Alicia_Spinet , zangada . - Não podes deixar o Harry sozinho entregue a aquela coisa . Vamos pedir uma investigação . - Se pararmos agora , teremos de dar a partida como perdida e não vamos deixar os Slytherin ganhar , só por_causa_de uma * bludger * maluca . Vá lá , Oliver , diz lhes que me deixem sozinho . - A culpa é toda tua . * _ Agarra a snitch ou morre a tentar * , se isso é lá coisa que se diga . Madam_Hooch tinha se lhes juntado . - Prontos para retomar a partida ? - perguntou a Wood . Wood olhou para o ar determinado de Harry . - Deixem o sozinho , ele é capaz de lidar com a * bludger * . A chuva era agora mais pesada . A o apito de Madam_Hooch , Harry elevou se em os ares e ouviu o barulhinho de a * bludger * atrás_de si . Subiu cada_vez_mais alto . Fez acrobacias em espiral , descidas rápidas , ziguezagueou e rolou . Apesar_de ligeiramente estonteado , não deixou nunca de ter os olhos bem abertos . A chuva salpicava lhe os óculos e entrava lhe por as narinas , quando ele se voltou de cabeça para baixo , evitando outra forte investida de a * bludger * . Ouviu os risos de a multidão . Sabia que devia parecer ridículo , mas a * bludger * maluca era pesada e não podia mudar de direcção tão rapidamente quanto ele . Iniciou uma corrida que parecia de feira de diversões em volta de os extremos de o estádio , olhando de soslaio , através de os lençóis prateados de chuva , para os postes de os Gryffindor , onde Adrian_Pucey tentava passar por Wood . Um assobio junto de os ouvidos disse a Harry que a * bludger * falhara uma_vez_mais . Voltou se e voou rapidamente em a direcção oposta . - Estás a ensaiar * ballet * , Potter - gritou Malfoy quando Harry foi obrigado a fazer uma reviravolta estúpida em o ar para se esquivar mais_uma_vez de a * bludger * . Lá foi ele , com a * bludger * atrás a alguns metros de distância . E foi então que , olhando para Malfoy , furioso , a viu , a * snitch * de ouro . Flutuava alguns centímetros acima de os ouvidos de Malfoy que , de tão preocupado a escarnecer de Harry , nem dera por ela . Durante um momento angustiante , Harry ficou quieto em o ar , não ousando dirigir se a Malfoy , não fosse ele olhar para_cima e ver a * snitch * . PUM ! Tinha ficado parado tempo de mais . A * bludger * batera lhe , por fim , apanhando lhe o cotovelo e Harry sentiu o braço a partir se . Debilmente , desorientado por a dor cauterizante em o braço , Harry deslizou para um de os lados em a sua vassoura encharcada , um joelho ainda dobrado , o braço direito a balouçar , inútil , a o seu lado . A * bludger * veio de_novo , preparada para mais um ataque , desta_vez apontada a o seu rosto . Harry desviou se com uma intenção : chegar a Malfoy . Através_de uma nuvem de chuva e dor desceu até a o rosto tremeluzente e trocista e viu os olhos de ele dilatarem se de medo : Malfoy pensou que Harry ia atacá o . - Que diabo ... - resmungou , afastando se de o caminho . Harry tirou a outra mão de a vassoura e fez uma tentativa para agarrar qualquer coisa . Sentiu os dedos fecharem se em volta de a * snitch * dourada , mas conduzia agora a vassoura apenas com as pernas e ouviu se um grito de a multidão cá em baixo , quando ele fez a descida , tentando não desmaiar . Com um ruído seco caiu em a terra enlameada e rolou para fora de a vassoura . O braço tinha um ângulo um_pouco estranho . Torcendo se com dores , ouviu a a distância os assobios e os gritos . Concentrou se em a * snitch * que tinha fechada em a outra mão . - Ai - disse vagamente . - Ganhámos o jogo . E desmaiou . Voltou a si com a chuva a cair lhe em o rosto , ainda deitado em o campo , com alguém inclinado sobre ele . Viu um brilho de dentes brancos . - Oh , não , você não - gemeu . - Não sabe o que diz - afirmou Lockhart bem alto a a ansiosa multidão de Gryffindor que o comprimiam . - Não te preocupes , Harry , eu vou tratar de o teu braço . - Não - gritou Harry . - Eu fico com ele assim , obrigado . Tentou sentar se , mas a dor era enorme . Ouviu um « clique » familiar . - Não quero fotografias de isto , Colin - disse em voz alta . - Deita te para trás , Harry - insistiu Lockhart com toda_a calma . - É um encantamento muito simples que eu fiz imensas vezes . - Porque não me levam só para a ala hospitalar ? - perguntou Harry entredentes . - Seria o melhor , professor - disse a voz rouca de o Wood que não conseguia deixar de sorrir , apesar_de o seu * seeker * estar ferido . - Grande captura , Harry , verdadeiramente espectacular , a tua melhor jogada , em a minha opinião . Em o meio de a floresta de pernas que o rodeava , Harry avistou Fred e George_Weasley , metendo a * budger * perigosa em uma caixa . Continuava a dar uma luta enorme . - Para trás - ordenou Lockhart , que tinha arregaçado as mangas verde jade . - Não , eu não ... - protestou debilmente Harry , mas Lockhart tinha a varinha em a mão e , um segundo depois , apontava a para o braço de Harry . Uma sensação estranha e desagradável começou em o ombro e espalhou se , chegando a as pontas de os dedos . Parecia que o braço inteiro tinha sido esvaziado . Não foi capaz de olhar para o que estava a suceder . Tinha fechado os olhos , voltado o rosto para o outro lado , mas os seus maiores receios concretizaram se quando as pessoas lá em cima se sobressaltaram e Colin_Creevey começou a tirar fotografias como um louco . O braço deixara de lhe doer , mas parecia tudo menos um braço . - Ah ! - disse Lockhart . - Sim , bem isto às_vezes acontece . Mas o importante é_que os ossos já não estão partidos . Isso é o mais importante . Portanto , Harry , vai até a a ala hospitalar ... ah ! Mr._Weasley , Miss_Granger , poderiam levá o lá ? E Madam_Pomfrey poderá ... er ... arranjar um_pouco isso . Quando Harry se pôs de pé sentiu se estranhamente desequilibrado . Depois de respirar fundo , olhou para o lado direito e o que viu quase o fez desmaiar de_novo . Pendurado em a extremidade de a sua túnica estava o que parecia ser uma espessa e colorida luva de borracha . Tentou mexer os dedos mas ... em vão . Lockhart não consertara os ossos de Harry . Retirara os . M. dam Pomfrey não ficou nada satisfeita . - Devias ter vindo logo ter comigo - ralhou , segurando os restos tristes e moles de aquilo que antes fora um braço activo . - Eu conserto ossos em um segundo , mas fazê os crescer de_novo ... - Vai conseguir , não vai ? - perguntou Harry desesperado . - Sim , com certeza , mas vai ser doloroso - disse Madam_Pomfrey de modo severo , entregando lhe um pijama . - Vais ter que ficar cá esta noite ... Hermione esperou de o lado de_fora de a cortina que rodeava outra cama enquanto Ron ajudava Harry a vestir se . Levou algum tempo a enfiar o braço que parecia borracha dentro_de uma manga de o pijama . - Como é_que podes continuar a defender o Lockhart depois disto , Hermione ? - perguntou Ron através de as cortinas , enquanto puxava os dedos moles de o Harry por uma manga . - Se o Harry quisesse ser desossado , teria pedido . - Todos podem enganar se - disse Hermione . - E deixou de doer , não deixou , Harry ? - Sim - disse ele - mas também ficou incapaz de fazer seja o que for . Quando se meteu em a cama , o braço agitou se despropositadamente . Hermione e Madam_Pomfrey entraram . Madam_Pomfrey segurava uma grande garrafa com o rótulo * Skele - _ Gro * . - Vais ter uma noite difícil - preveniu , enchendo um pequeno copo fumegante e dando lhe a beber . - Fazer crescer ossos é uma coisa difícil . Tomar o * _ Skele - _ Gro * também . Queimou a boca e a garganta de o Harry a o descer , fazendo o tossir e cuspir . Resmungando sobre os desportos perigosos e os professores incapazes , Madam_Pomfrey retirou se , deixando Ron e Hermione a ajudar Harry a engolir um_pouco de água . - Mas ganhámos o jogo - disse o Ron com um sorriso em o rosto . - A tua jogada foi em grande . A cara de o Malfoy ... parecia que queria matar alguém . - Eu vou descobrir como é_que enfeitiçaram aquela * bludger * - disse Hermione com ar sombrio . - Podemos juntar essa pergunta a a lista de todas_as que queremos fazer a o Malfoy quando tomarmos a poção * _ Polisuco * - disse Harry , afundando se de_novo em as almofadas . - Espero que tenha um sabor melhor do_que esta coisa ... - Com um bocado de os Slytherin lá dentro , deves estar a brincar - disse o Ron . A porta de a ala hospitalar abriu se em esse momento e , completamente encharcados , entraram os restantes membros de a equipa de os Gryffindor , para ver o Harry . - Um voo inacreditável - disse George . - Acabei de ver Marcus_Flint a gritar com o Malfoy . Qualquer coisa sobre ter a * snitch * mesmo em cima de a cabeça e não ter dado por nada . O Malfoy não parecia nem um_pouco satisfeito . Tinham trazido bolos , rebuçados e garrafas de sumo de abóbora . Juntaram se em volta de a cama de Harry e estavam a dar início a o que prometia ser uma grande festa quando Madam_Pomfrey entrou a vociferar : - Este rapaz precisa de repouso . Tem trinta_e_três ossos a crescer . Fora de aqui . FORA ! E Harry ficou sozinho , sem nada que o distraísse de as dores agudas em o seu braço mole . Muitas horas mais tarde , Harry acordou subitamente em a escuridão total e soltou um pequeno grito de dor : sentia agora o braço cheio de estilhaços . Durante alguns segundos pensou que tinha sido a dor a acordá o . Depois , com um arrepio de horror , apercebeu se de que alguém estava a passar lhe uma esponja em a testa . - Sai de aqui - gritou , e em seguida : - Dobby ! Os olhos de o tamanho de bolas de ténis de o elfo doméstico estavam a olhá o em o escuro , uma lágrima grossa rolava por o seu enorme nariz . - Harry_Potter voltou a a escola - murmurou , infeliz . - Dobby avisou e voltou a avisar Harry_Potter . Ah ! senhor , porque não deu ouvidos a Dobby ? Porque não voltou Harry_Potter para_casa quando perdeu o comboio ? Harry ergueu se um_pouco , encostando se a as almofadas e afastou a esponja de o elfo . - O que estás a fazer aqui ? - perguntou . - E como sabes que eu perdi o comboio ? O lábio de Dobby tremeu e Harry foi assaltado por uma dúvida . - Foste tu . Tu impediste que a barreira nos deixasse passar . - Em a verdade fui eu , senhor - disse Dobby , acenando com a cabeça e com as orelhas a abanar . - Dobby escondeu se , esperou por Harry_Potter e selou a barreira . A seguir , Dobby teve de pôr as mãos em o ferro de engomar - mostrou a o Harry dez dedos longos embrulhados em ligaduras . - Mas Dobby não se importou , senhor , porque pensou que Harry_Potter estava a salvo e nunca Dobby sonhou que mesmo_assim ele viria para a escola ! Balançava se para a frente e para trás , sacudindo a cabeça feia . - Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry_Potter tinha voltado a a escola que deixou queimar o jantar de os seus donos . Dobby nunca tivera um castigo tão grande , senhor . Harry afundou se de_novo em as almofadas . - Quase conseguiste que nos expulsassem , a mim e a o Ron - disse furioso . - É melhor desapareceres de aqui antes que os meus ossos voltem a estar bem , Dobby , ou ainda te estrangulo . O elfo sorriu . - Dobby está habituado a ameaças de morte , senhor . Dobby recebe as cinco vezes por dia em a casa onde mora . Encostou o nariz a um canto de a fronha que usava , ficando tão ridículo que Harry sentiu a raiva desvanecer se , apesar_de tudo . - Porque usas essa coisa , Dobby ? - perguntou com curiosidade . - Isto , senhor ? - disse Dobby apontando para a fronha de almofada . - É uma prova de escravatura de o elfo doméstico , senhor . Dobby só pode ser libertado se os donos lhe derem roupa , senhor . A família tem o cuidado de não dar a o Dobby nem uma peúga , senhor , porque ele poderia ficar livre e deixar a casa para sempre . Dobby limpou os olhos protuberantes e disse subitamente : - Harry_Potter deve ir para_casa . Dobby achou que a sua * bludger * seria o suficiente para o fazer ... - A tua * bludger * ? - disse Harry com a raiva a crescer novamente dentro de ele . - Que queres tu dizer com a tua bludger * ? Foste tu quem fez com que aquela bola tentasse matar me ? - Matar não , senhor . Matar , nunca ! - disse o elho chocado . - Dobby quer salvar a vida de Harry_Potter . É melhor ir para_casa ferido do_que ficar aqui , senhor . Dobby só queria Harry_Potter suficientemente ferido para voltar para_casa . - Só isso ? - disse Harry furioso . - Imagino que não vais dizer me porque querias mandar me para_casa a os bocados ? - Ah ! se Harry_Potter soubesse ! - gemeu Dobby , com mais lágrimas a escorrerem lhe por a fronha esfarrapada . - Se pudesse saber o que significa para nós , para os humildes , os escravizados , nós , a escória social de o mundo mágico ! Dobby lembra se de como eram as coisas quando Aquele cujo nome não deve ser pronunciado estava em o auge de o poder , senhor ! Nós , os elfos domésticos éramos tratados como animais , senhor ! É claro que Dobby ainda é tratado assim - admitiu , secando o rosto em a fronha de almofada . - Mas , em a sua maioria , a vida melhorou bastante para os de a minha espécie desde_que Harry_Potter triunfou sobre Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Harry_Potter sobreviveu e o poder de os senhores de o Mal foi quebrado e veio uma nova alvorada , senhor , e Harry_Potter brilhou como um farol de esperança para aqueles de entre nós que já pensavam que a longa noite nunca mais teria fim , senhor ... e agora em Hogwarts vão acontecer coisas terríveis , talvez já esteiam a acontecer e Dobby não pode deixar Harry_Potter ficar aqui , agora_que a história vai repetir se , agora_que a Câmara_dos_Segredos está de_novo aberta . Dobby calou se horrorizado . Em seguida agarrou em o jarro de a água que Harry tinha a a cabeceira e bateu com ele em a própria cabeça , deixando se cair . Um segundo mais tarde voltou até junto de a cama , repetindo : - Mau , Dobby , muito mau , Dobby . - Quer_dizer , então , que existe mesmo a Câmara_dos_Segredos ? - murmurou Harry . - E dizes tu que já antes foi aberta ? Conta me , Dobby . Agarrou o pulso ossudo de o elfo quando a mão de ele se estendia para o jarro de a água . - Mas eu não sou filho de Muggles . Como posso estar em perigo por causa de a Câmara_dos_Segredos ? - Ah ! senhor , não pergunte a o pobre Dobby - lamentou se o elfo com os olhos enormes a brilharem em o escuro . - As forças de as trevas estão projectadas em este lugar , mas Harry_Potter não deve estar aqui quando as coisas acontecerem . Vá para_casa , Harry_Potter , vá para_casa . Harry_Potter não deve envolver se em isto , senhor , é demasiado perigoso ... - Quem é , Dobby ? - perguntou Harry , continuando a agarrar lhe o pulso com forca , impedindo que batesse de_novo em si próprio com o jarro . - Quem abriu a amara ? Quem a abriu de a última vez ? - Dobby não pode , senhor . Dobby não pode . Dobby não deve dizer - guinchou o elfo . - Vá se embora , Harry_Potter , vá se embora ! - Eu não vou para lugar nenhum - disse Harry , furioso . - Uma de as minhas melhores amigas é filha de Muggles , está em perigo se a câmara foi , de facto , aberta ... - Harry_Potter arrisca a própria vida por os amigos - gemeu Dobby em uma espécie de êxtase infeliz . - Tão nobre , tão corajoso , mas deve salvar se , Harry_Potter não deve ... Dobby calou se de repente com as orelhas de morcego a estremecerem . Harry também ouviu os passos que vinham lá fora , de o corredor . - Dobby tem de ir - balbuciou o elfo apavorado . Ouviu se um ruído e o pulso de Harry ficou subitamente fechado em o ar . Meteu se de_novo para baixo , em a cama , com os olhos fixos em a porta escura que dava entrada em a ala hospitalar enquanto os passos se aproximavam . Em o momento seguinte , Dumbledore estava a entrar , de costas , em o dormitório , vestindo uma longa túnica de lã e uma capa de noite . Transportava um extremo de aquilo que parecia ser uma estátua . A professora Mc_Gonagall surgiu um segundo mais tarde , pegando lhe em os pés . Os dois colocaram a em uma cama . - Chame Madam_Pomfrey - murmurou Dumbledore e a professora Mc_Gonagall passou por a cama de Harry , apressadamente , e desapareceu . Harry deixou se ficar muito quieto como_se estivesse a dormir . Ouviu vozes ansiosas e por fim a professora Mc_Gonagall apareceu de_novo , seguida de Madam_Pomfrey que vestia um casaco curto de lã sobre a camisa de dormir . Ouviu uma inspiração aguda . - O que aconteceu ? - murmurou Madam_Pomfrey_a_Dumbledore , inclinando se sobre a estátua que estava em a cama . - Outro ataque - disse Dumbledore . - A Minerva encontrou o em as escadas . Havia um cacho de uvas junto de ele . Acho que estava a tentar esgueirar se até aqui para vir visitar o Potter . O estômago de Harry deu uma reviravolta . Lenta e cuidadosamente ergueu se alguns centímetros para poder ver a estátua que estava sobre a cama . Um raio de luar iluminou lhe o rosto estático . Era_Colin_Creevey . Tinha os olhos abertos , e as mãos , em frente de a cara , seguravam a máquina fotográfica . -- Petrificado ? - murmurou Madam_Pomfrey . - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - Mas estou tentada a acreditar que ... se Albus não tivesse vindo cá abaixo tomar um chocolate quente ... quem sabe o que teria ... Os três olharam para Colin . Dumbledore inclinou se e retirou lhe a máquina de as mãos rígidas . - Será que ele conseguiu tirar a fotografia de o agressor ? - perguntou ansiosa a professora Mc_Gonagall . Dumbledore não respondeu . Abriu a parte detrás de a máquina . - Cruzes canhoto - disse Madam_Pomfrey . Um jacto de vapor tinha feito fervilhar a máquina . Harry , a três metros de distância , sentiu o cheiro tóxico de o plástico queimado . - Derretido - disse Madam_Pomfrey com grande espanto . - Tudo derretido . - O que significa isto , Albus ? - perguntou cada_vez_mais nervosa a professora Mc_Gonagall . - Significa - disse Dumbledore - que a Câmara_dos_Segredos está mesmo aberta outra_vez . Madam_Pomfrey levou uma mão a a boca . A professora Mc_Gonagall olhou assustada para Dumbledore . - Mas , Albus ... com certeza ... quem ? - A questão não é quem - disse Dumbledore com os olhos fixos em Colin . - A questão é como ... E pelo que Harry conseguiu ver de o rosto indistinto de a professora Mc_Gonagall , ela não compreendeu muito mais do_que ele . XI_O clube de os duelos Quando_Harry acordou , em o domingo de manhã , a enfermaria estava iluminada por um resplandecente sol de inverno e o seu braço tinha de_novo todos os ossos , apesar_de o sentir muito rígido . Sentou se rapidamente e olhou para a cama de Colin , mas ela fora isolada com as cortinas atrás de as quais se despira em a véspera . Vendo que ele tinha acordado , Madam_Pomfrey apareceu com um tabuleiro de pequeno-almoço e a seguir começou a apalpar lhe o braço e os dedos . - Tudo em ordem - disse , enquanto ele , com a mão esquerda , comia avidamente as papas de aveia . - Quando acabares de comer podes ir te embora . Harry vestiu se o mais depressa que pôde e dirigiu se a a pressa para a torre de os Gryffindor , ansioso por contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre Colin e Dobby , mas não os encontrou lá . Foi a a procura de eles , perguntando a si próprio onde teriam ido e sentindo se um_pouco magoado por o pouco interesse que demonstravam em saber se ele tinha recuperado os ossos . Quando passou por a biblioteca , Percy_Weasley vinha a sair com bastante melhor cara do_que de a última vez que se tinham encontrado . - Olá , olá , Harry - disse . - Excelente voo o de ontem , verdadeiramente sensacional . Os Gryffindor estão a a frente para a taça de a equipa . Ganhaste cinquenta pontos . - Não viste o Ron e a Hermione por aí ? - perguntou Harry . - Não , não vi - disse Percy com o sorriso a desaparecer . - Espero que o Ron não esteja outra_vez em a casa_de_banho de as raparigas ... Harry forçou um sorriso , viu Percy desaparecer e a seguir foi direitinho até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Não via lá muito bem por_que motivo o Ron e a Hermione lá estariam de_novo , mas , depois de se assegurar de que nem Filch nem nenhum de os prefeitos estavam por perto , abriu a porta e ouviu as vozes de eles que vinham de um cubículo fechado . - Sou eu - disse , fechando a porta atrás_de si . Ouviu se dentro de o cubículo um estrondo , um chapinhar e um sobressalto e ele viu o olho de a Hermione a espreitar por o buraco de a fechadura . - Harry - disse ela . - Pregaste nos um susto de morte . Entra . Como está o teu braço ? - _ óptimo - respondeu , apertando se dentro de o cubículo . Em cima de a sanita estava encarrapitado um velho caldeirão , e um crepitar a a superfície de a água disse a Harry que eles tinham acendido um fogo lá em baixo . Fazer aparecer fogos portáteis a a prova de água era uma de as especialidades de Hermione . - _ íamos visitar te , mas resolvemos começar a preparar a poção * _ Polisuco * - explicou Ron enquanto Harry fechava outra_vez a porta de o cubículo com alguma dificuldade . - Achámos que este era o lugar mais seguro para a esconder . Harry começou a contar lhes de o Colin , mas Hermione interrompeu o . - Nós já sabemos , ouvimos a professora Mc_Gonagall contar a o professor Flitwick hoje_de_manhã . Por isso resolvemos começar a ... - Quanto_mais depressa arrancarmos uma confissão a o Malfoy , melhor - rosnou o Ron . - Sabem o que eu penso ? Ele estava tão mal-humorado depois de o jogo de Quidditch que se vingou em o Colin . - Há outra coisa - disse Harry , vendo Hermione cortar molhos de verdezelha e lançá os dentro de a poção . - O Dobby foi visitar me a meio de a noite . Ron e Hermione olharam o espantados . Harry contou lhes tudo_o_que Dobby lhe dissera ... ou não dissera . Ron e Hermione ouviram o de boca aberta . - A Câmara_dos_Segredos já tinha sido aberta antes ? - repetiu Hermione . - Encaixa perfeitamente - disse Ron , em uma voz triunfante . - O Lucius_Malfoy deve ter aberto a Câmara_dos_Segredos quando andava em a escola e agora ensinou a o querido filhinho Draco como abris a . É óbvio , que pena o Dobby não te ter dito que tipo de monstro lá se encontra . Gostava de saber como é_que ninguém o viu andar por ai em a escola . - Talvez tenha a capacidade de se tornar invisível - sugeriu Hermione , picando sanguessugas para dentro de o caldeirão . - Ou talvez se disfarce , passando por uma armadura ou outra coisa de o género . Eu li umas coisas sobre vampiros camaleões ... - Tu lês de mais , Hermione - disse o Ron , deitando moscas asas de renda mortas por cima de as sanguessugas . Amarrotou o saco vazio de as asas de renda e olhou para Harry . - Então foi o Dobby que nos impediu de apanhar o comboio e te partiu o braço ... - abanou a cabeça . - Sabes o que eu acho ? Se ele não parar de tentar salvar te a vida ainda acaba por te matar . A notícia de que Colin_Creevey tinha sido atacado e estava agora em a ala hospitalar , como morto , espalhou se por toda_a escola em a segunda-feira de manhã . O ar ficou pesado e cheio de boatos e suspeitas . Os alunos de o primeiro ano começavam a andar por a escola em pequenos grupos , receando ser atacados se se aventurassem a andar isoladamente por os corredores . Ginny_Weasley , que era colega de carteira de o Colin em os encantamentos , estava perturbadíssima , mas Harry achou que Fred e George estavam a tentar animá a de a maneira errada . Revezavam se , mascarados com peles de animais e apareciam lhe subitamente detrás de as estátuas . Só pararam quando Percy , apopléctico de raiva , lhes disse que ia escrever a Mrs._Weasley a contar lhe que a Ginny andava a ter pesadelos . Enquanto isso , às_escondidas de os professores , uma panóplia de talismãs , amuletos e outros objectos de protecção ia enchendo a escola . Neville_Longbottom comprou uma enorme cebola verde que cheirava mal , um cristal pontiagudo cor de púrpura e uma cauda de tritão apodrecida antes de os outros rapazes de os Gryffindor lhe explicarem que ele não corria perigo : era um sangue puro e , portanto , muito pouco passível de ser atacado . - Eles foram a o Filch em primeiro lugar - disse Neville com o medo estampado em a cara redonda . - E toda_a_gente sabe que eu sou quase um * busca-pé * . Em a segunda semana de Dezembro , a professora Mc_Gonagall veio , como de costume , recolher os nomes de os alunos que ficavam em a escola durante o Natal . Harry , Ron e Hermione assinaram a lista . Tinham ouvido dizer que Malfoy ficava , o que lhes parecera muito suspeito . As férias seriam a altura ideal para usar a poção * _ Polisuco * e tentar arrancar lhe uma confissão . Infelizmente a poção estava a meio . Precisavam ainda de o chifre de bicórneo e o único lugar onde podiam arranjá o era em os depósitos privados de Snape . Harry , pessoalmente , preferia enfrentar o lendário monstro de os Slytherin do_que ser apanhado por o Snape a assaltar lhe o escritório . - O que precisamos - disse Hermione cheia de vivacidade quando se aproximava a aula conjunta de poções de quinta-feira a a tarde - para podermos entrar a a vontade em o escritório de o Snape , é de uma diversão . Harry e Ron olharam para ela , nervosos . - Acho que o melhor é ser eu a praticar o roubo - prosseguiu ela , em um tom perfeitamente casual . - Vocês os dois podem ser expulsos se forem apanhados e eu tenho uma folha limpa . Portanto , a única coisa que têm de fazer é distrair o Snape durante cerca de cinco minutos . Harry esboçou um meio sorriso . Provocar deliberadamente um estrago em a aula de poções de o Snape era tão seguro como ferir em um olho um dragão adormecido . As aulas de poções tinham lugar em um de os mais amplos calabouços . A de quinta-feira a a tarde não foi diferente de as outras . Vinte caldeirões fumegavam entre as secretárias de madeira , sobre as quais podia ver se laminas de latão e jarras com ingredientes . Snape deambulava por o meio de os fumos , fazendo reparos petulantes a o trabalho de os Gryffindor , enquanto os Slytherin riam a a socapa . Draco_Malfoy , que era o aluno preferido de Snape , não parava de lançar olhos de carneiro mal morto a o Ron e a o Harry , que sabiam que se retaliassem teriam um castigo , antes de poderem abrir a boca para dizer : - É injusto ! A solução de inchar de o Harry estava demasiado líquida , mas ele estava preocupado com coisas mais importantes . Esperava por o sinal de Hermione e mal deu por Snape se calar para ir espreitar a sua poção aguada . Quando o professor se voltou e foi implicar com o Neville , Hermione trocou um olhar com Harry e fez um aceno . Harry baixou se discretamente por detrás de o seu caldeirão , tirou de o bolso de trás um de os paus de fogo-de-artíficio Filibuster e deu lhe um toque de varinha . O fogo-de-artíficio começou a sibilar e a crepitar . Sabendo que tinha apenas alguns segundos , Harry endireitou se , ganhou coragem e lançou o a o ar . Aterrou certeiro em o caldeirão de o Goyle . A poção de o Goyle explodiu , salpicando toda_a aula . As pessoas gritavam , à_medida_que eram vítimas de os salpicos . Malfoy foi apanhado em a cara e o nariz começou a inchar como um balão . O Goyle tropeçava a as cegas , com as mãos em os olhos , que tinham ficado de o tamanho de pratos de sopa , enquanto o Snape tentava repor a calma e tentar perceber o que sucedera . Em o meio de a confusão , Harry viu Hermione esgueirar se a a socapa por a porta . - Silêncio ! silêncio ! - vociferou Snape . - Todos os que foram salpicados cheguem aqui para uma drenagem . Quando eu descobrir quem fez isto ... Harry fez um enorme esforço para não se rir a o ver Malfoy chegar apressadamente lá a a frente , a cabeça a tombar com o peso de o nariz , que parecia um pequeno melão . Quando metade de a aula se amontoava junto de a secretária de o Snape , alguns alunos vergados por o peso de os braços que pareciam mocas , outros incapazes de falar devido a o gigantesco inchaço de os lábios , Harry viu Hermione reentrar em o calabouço , a túnica mostrando a barriga protuberante . Quando todos os alunos tinham já tomado um gole de o antídoto e os vários inchaços tinham desaparecido , Snape precipitou se para o caldeirão de o Goyle e pescou os restos retorcidos de o fogo-de-artíficio . Houve um súbito silêncio . - Se eu descubro quem lançou isto - murmurou Snape - garanto que é expulsão por a certa . Harry compôs uma expressão de espanto . Snape olhava directamente para ele e a campainha , que tocou dez minutos mais tarde , não podia ser mais bem-vinda . - Ele soube que fui eu - disse Harry_a_Ron e a a Hermione , enquanto se dirigiam apressadamente para a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Tenho a certeza . Hermione lançou o novo ingrediente em o caldeirão e começou a mexer furiosamente . - Isto vai estar pronto dentro_de quinze_dias - afirmou , satisfeita . - O Snape não pode provar que foste tu - assegurou Ron , tranquilizando Harry . - Que pode ele fazer ? - Conhecendo o Snape , qualquer coisa louca - respondeu Harry , enquanto a poção borbulhava e espumava . Uma semana mais tarde , Harry , Ron e Hermione passavam por o vestíbulo de entrada , quando viram um pequeno grupo de pessoas reunidas em volta de o jornal de parede a lerem um pedaço de pergaminho que tinha acabado de ser afixado . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas acenaram lhes , entusiasmados . - Vão lançar um clube de duelos ! - exclamou Seamus . - Hoje a a noite é a primeira reunião . Eu não me importaria nada de ter aulas de duelo , podem vir a ser úteis um dia de estes ... - Porquê ? Achas que o monstro de os Slytherin sabe esgrimir ? - perguntou o Ron , mas , também ele , leu a notícia com interesse . - Pode ser útil - disse a o Harry e a a Hermione , quando foram jantar . - Vamos lá ? Harry e Hermione acharam óptimo , por isso , a as oito_da_noite voltaram a o salão . As longas mesas de refeição tinham desaparecido e um estrado dourado surgira , encostado a a parede . Sobre ele flutuavam milhares de velas . O tecto era , mais_uma_vez , de veludo negro e parecia que quase todos os alunos de a escola se encontravam ali , com as suas varinhas em a mão e com um ar entusiasmado . - Quem será que vai ensinar nos ? - perguntou Hermione , enquanto se misturavam em a multidão barulhenta . - Ouvi dizer que o Filitwick foi campeão de duelo em a juventude , talvez seja ele . - Desde_que não seja ... - começou Harry , mas terminou em um gemido : Gilderoy_Lockhart estava a subir a o estrado , resplandecente em as suas vestes cor de ameixa , acompanhado , nem mais nem menos , do_que de Snape que trajava , como sempre , de negro . Lockhart levantou um braço , pedindo silêncio , bradando : - Aproximem se , aproximem se , conseguem todos ver me e ouvir me ? Excelente ! - O professor Dumbledore deu me autorização para iniciar este pequeno curso de duelo para vos treinar a todos , caso algum dia precisem de se defender , como eu tenho feito em inúmeras ocasiões ; para mais detalhes , leiam os livros que tenho publicados . - Permitam que vos apresente o meu assistente , o professor Snape - disse Lockhart , abrindo um sorriso de orelha a orelha . - Ele diz me que sabe alguma coisa sobre duelos e aceitou desportivamente ajudar me em uma exibição de demonstração , antes de começarmos . Atenção , não quero que os mais novos fiquem preocupados , vão continuar a ter o vosso professor de poções depois de eu o vencer . Não tenham medo . - Não era óptimo se se liquidassem um_ao_outro ? - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . O lábio inferior de Snape estava curvo . Harry interrogou se sobre o motivo por_que Lockhart continuava a sorrir . Se o Snape olhasse de aquela maneira para ele , Harry estaria a correr a_toda_a velocidade para o mais longe possível . Lockhart e Snape voltaram se um para o outro e fizeram uma vénia , pelo_menos Lockhart fê la com muitas reviravoltas de mãos , enquanto Snape acenava , irritado , com a cabeça . Em seguida , ergueram as varinhas , como_se fossem espadas , em a frente . - Como podem ver , estamos a pegar em as varinhas em a posição de aceitação de combate - explicou Lockhart a a multidão silenciosa . - Quando contarmos até três , lançaremos os primeiros feitiços . Nenhum de nós tentará matar o outro , claro . - Eu não poria as mãos em o fogo - murmurou Harry , observando como Snape cerrava os dentes . -- Um , dois , três ... Os dois balançaram as varinhas acima de os ombros . Snape gritou : * _ Expelliarmus * ! Houve um clarão ofuscante de luz escarlate e Lockhart voou para trás , caindo de o estrado batendo contra a parede , escorregando e indo estatelar se em o chão . Malfoy e alguns de os outros Slytherin aplaudiram . Hermione estava em bicos de os pés . - Acham que ele está bem ? - gritou entredentes . - Quem se rala ? - disseram ao_mesmo_tempo o Ron e o Harry . Lockhart estava a pôr se , hesitante , de pé . O chapéu caíra lhe e o cabelo ondulado estava em um desalinho . - Bem , cá está ! - disse , cambaleando até a o estrado . - Este foi um encantamento para desarmar . Como podem ver , perdi a minha varinha . Ah , obrigado Miss_Brown . Sim , foi uma excelente ideia mostrar lhes isto , professor Snape , mas , se me permite que lhe diga , foi muito óbvio o que ia fazer . Se eu tivesse querido impedis o , teria o feito com a maior de as facilidades . Mas achei que seria educativo deixá os ver ... Snape tinha um ar assassino . Provavelmente Lockhart deu por isso , porque declarou : - Chega de demonstrações . Eu vou passar agora por o meio de vocês e criar duplas . Professor_Snape , se quiser ajudar me ... Entraram por o meio de a multidão , agrupando alunos . Lockhart pôs o Neville com Justin_Finch - _ Fletchley , mas Snape chegou primeiro junto de Harry e de Ron . - Tempo de separar a dupla ideal , parece me - rosnou . - Weasley , tu podes ficar com o Finnigan . Potter ... Harry voltou se automaticamente para Hermione . - Não me parece - disse Snape com o seu sorriso frio . - Mr._Malfoy , venha até aqui . Vamos ver o que faz com o famoso Potter . E a menina , Miss_Granger , pode emparceirar com Miss_Bulstrode . Malfoy aproximou se com o seu passo empertigado e o seu sorriso escarninho . Atrás de ele vinha uma rapariga de os Slytherin , que lembrou a Harry uma imagem que tinha visto em as * _ Férias com Bruxas_Velhas * . Era corpulenta e quadrada e os maxilares avançavam agressivamente . Hermione esboçou um meio sorriso , que ela não retribuiu . - Voltem se para os vossos parceiros - gritou Lockhart - e façam a vénia . Harry e Malfoy mal inclinaram as cabeças , não afastando os olhos um de o outro . - Varinhas preparadas ! - gritou Lockhart . - Quando eu disser três preparem os feitiços para desarmar o vosso opositor . Um ... dois ... três ... Harry levantou a varinha acima de o ombro , mas Malfoy começara logo em o « dois » : o seu feitiço apanhou Harry com tanta força que ele se sentiu como_se tivesse levado com uma frigideira em a cabeça . Tropeçou , mas ainda não estava fora de combate e , sem perder tempo , Harry apontou a varinha a Malfoy e gritou : - * _ Rictusempra ! * Um jacto de luz prateada atingiu Malfoy em o estômago , obrigando o a dobrar se , arfando . - Eu disse desarmar ! - gritava Lockhart sobre as cabeças de a multidão em lata , enquanto Malfoy caía de joelhos . Harry atingira o com o feitiço de as cócegas e ele mal conseguia mexer se para se rir . Harry hesitou com o vago sentimento de que seria pouco desportivo enfeitiçar Malfoy enquanto ele estava caído em o chão , mas ... foi um erro . Tentando respirar , Malfoy apontou a varinha a os joelhos de Harry , balbuciando : « * _ Tarantallegra ! * » e , um segundo depois , as pernas de o Harry tinham começado a mexer se , sem que ele pudesse controlá as , executando uma espécie de dança frenética . - Parem , parem - gritava Lockhart , quando Snape resolveu tomar controlo de a situação . - * _ Finite_Incantatem ! * - bradou . Os pés de o Harry pararam de dançar , Malfoy parou de rir e puderam olhar para_cima . Uma onda de fumo esverdeado pairava sobre todos eles . Neville e Justin estavam caídos em o chão , a arfar . Ron tentava fazer parar um Seamus com cara cor de cinza , pedindo lhe mil desculpas por o que a sua varinha partida eventualmente tivesse feito . Mas Hermione e Millicent_Bulstrode ainda não tinham acabado . Millicent tinha feito a Hermione uma prisão de cabeça e Hermione gritava de dor . As duas varinhas jaziam esquecidas em o chão . Harry deu um salto em frente e afastou Millicent . Não foi fácil , ela era bastante maior do_que ele . - Oh , gente ! - exclamou Lockhart , arrastando se por o meio de a multidão e olhando para os resultados de os duelos . - Vamos pôr de pé , Mcmillan ... cuidado , Miss_Fawcett ... belisque com força que pára logo de sangrar ... - Acho que o melhor é ensinar vos como bloquear feitiços pouco amigáveis - afirmou Lockhart que estava nervosíssimo em o meio de o salão . Olhou para Snape , cujos olhos pretos brilhavam e desviou rapidamente o olhar . - Vamos arranjar um par de voluntários . Longbottom e Finch - _ Fletchley , que tal serem vocês ? - Uma má ideia , professor Lockhart - disse Snape , deslizando como um morcego enorme e cruel . - Longbottom provoca devastação com o feitiço mais simples . Ainda temos de mandar o que restar de o Finch - _ Fletchley para a ala hospitalar dentro_de uma caixa de fósforos . - A cara redonda e rosada de Neville ficou ainda mais rosada . - Que tal o Malfoy e o Potter ? - sugeriu Snape com um sorriso retorcido . - Excelente ideia - disse Lockhart , fazendo sinal a os dois para que se aproximassem de o meio de o salão , enquanto a multidão recuava para lhes dar passagem . - Ouve bem , Harry - disse Lockhart . - Quando o Draco te apontar a varinha , tu fazes assim . Levantou a sua varinha , executando uma tentativa complicada de malabarismo e deixou a cair . Snape sorriu pretensiosamente , enquanto Lockhart a apanhava de o chão , dizendo : - Ups , a minha varinha está demasiado excitada . Snape aproximou se de Malfoy , inclinou se e disse lhe qualquer coisa a o ouvido . Malfoy sorriu também de forma afectada . Harry olhou , nervoso , para Lockhart e pediu : - Professor , podia mostrar me outra_vez aquela coisa para bloquear ? - Estás com medo ? - murmurou Malfoy baixinho , para que Lockhart não pudesse ouvir . - Querias ! - exclamou Harry por o canto de a boca . Lockhart deu um soco em o ombro de o Harry , em a brincadeira . - Basta que faças como eu fiz ! - O quê , deixar cair a varinha ? Mas Lockhart não estava a ouvir - Três , dois , um , zero ! - gritou . Malfoy levantou rapidamente a varinha a o ar e gritou : - * _ Serpensortia ! * A extremidade de a varinha explodiu . Harry viu , horrorizado , uma enorme serpente negra sair de ela , cair pesadamente em o chão a meio de os dois e erguer se disposta a atacar . Ouviram se gritos , enquanto a multidão se afastava , deixando o chão vazio . - Não te mexas , Potter - disse Snape vagarosamente , divertindo se claramente a ver Harry , parado , a olhar em os olhos a serpente . - Eu trato de ela ... - Permita me -- gritou Lockhart . Bramiu a varinha em direcção a a serpente e ouviu se um estoiro . A cobra , em_vez_de desaparecer , voou três metros acima de eles e voltou a cair em o chão com um estrondo enorme . Enraivecida , a sibilar de fúria , rastejou em direcção a Finch - _ Fletchley e pôs se de pé com os dentes a a mostra , pronta a atacar . Harry não soube ao_certo o que o levou a fazer aquilo . Não se lembrava sequer de ter tomado aquela decisão . Só soube que as pernas o fizeram avançar como_se tivesse rodas e que gritou a a serpente : - Larga o ! - E , milagrosa e inexplicavelmente , a serpente voltou a o chão , dócil como uma grande mangueira de jardim , preta e grossa , os olhos agora fixos em os olhos de Harry . Harry sentiu o medo a escoar se . Sabia que a cobra não atacaria mais ninguém , embora não pudesse explicar como sabia . Olhou para Justin a sorrir , esperando vê o aliviado , espantado , ou mesmo agradecido , mas nunca zangado ou assustado . - Que brincadeira é essa ? - gritou o outro e , antes que Harry tivesse tempo de dizer fosse o que fosse , voltou as costas e saiu de o salão . Snape deu um passo em frente , fez um gesto com a varinha e a serpente desapareceu em uma onda de fumo preto . Também ele , Snape , olhava para Harry de uma forma inesperada . Era um olhar arguto e calculista , de que Harry não gostou . Apercebeu se também vagamente de um murmúrio ameaçador que vinha de as paredes em volta . Depois , sentiu um puxão em a túnica . - Vamos - disse a voz de o Ron em o seu ouvido . - Mexe te , vá lá ... Ron arrastou o para fora de o salão . Hermione acompanhava os em a passada rápida . Quando cruzaram a porta , as pessoas que a rodeavam afastaram se , como_se tivessem medo de ser contagiadas . Harry não fazia a mais pequena ideia do_que estava a passar se e , nem Ron , nem Hermione lhe deram qualquer explicação , antes de o terem levado até a a sala comum de os Gryffindor , que se encontrava vazia . Aí , Ron empurrou Harry para uma cadeira de braços e disse : - Tu és um * serpentês * . Porque não nos disseste ? - Eu sou um quê ? - perguntou Harry . - Um * serpentês * ! - exclamou o Ron . - Falas com as cobras . - Eu sei - declarou Harry . - Quer_dizer , esta foi a segunda vez que o fiz . A outra foi há muito_tempo em o jardim zoológico , quando soltei uma Boa_Constrictor a o meu primo Dudley . É uma longa história , mas ela estava a dizer me que nunca tinha estado em o Brasil e eu acho que a libertei sem querer . Foi antes de saber que era feiticeiro . . . - Uma Boa_Constrictor disse te que nunca tinha estado em o Brasil ? - repetiu Ron , quase sem voz . - E então ? - disse o Harry . - Aposto que montes de pessoas aqui fazem o mesmo . - Não fazem , não - afirmou Ron . - Não é um dom muito frequente . Harry , isso é mau . - O que é_que é mau ? - perguntou Harry , que começava a ficar chateado . - O que é_que se passa com todos os outros ? Ouve bem , se eu não tivesse dito a aquela cobra para não atacar o Justin ... - Ah , foi isso que tu disseste ? - Que queres dizer ? Tu estavas lá , ouviste perfeitamente o que eu disse . - Eu ouvi te falar em serpentês - disse o Ron . - Língua de cobra . Podias estar a dizer lhe qualquer coisa . Não admira que o Justin tivesse entrado em pânico . Parecia que estavas a incitar a serpente . Foi assustador , sabes ? Harry olhou para ele espantado . - Eu falei uma língua diferente ? Mas não me apercebi , como posso falar uma língua , sem saber que a conheço ? Ron abanou a cabeça . Tanto ele como Hermione tinham um ar fúnebre . Harry não percebia o que havia em aquilo de tão trágico . - Será que me querem explicar o que há de mal em ter impedido que uma serpente enorme arrancasse a cabeça a o Justin ? - perguntou . - Porque é tão importante como o fiz , se evitei que o Justin fosse juntar se a grupo de os SEM_CABEÇA ? - Importa - disse por fim Hermione , em uma voz abafada . - Porque falar com serpentes era a arte por a qual Salazar_Slytherin ficou famoso . Por isso , o símbolo de os Slytherin é uma serpente . Harry ficou de boca aberta . - Exacto - disse o Ron . - E agora todos em a escola vão pensar que tu és descendente de ele . - Mas não sou - contrapôs Harry com um pânico que não conseguia explicar . - Não vai ser fácil prová o - disse Hermione . - Ele viveu há quase mil anos . Pelo que vimos , podias ser . Em essa noite , Harry ficou acordado durante horas . Por uma fresta de os cortinados de a cama de dossel , olhou para a neve que começava a cair de o lado de_fora de a janela de a torre e perguntou se se poderia ser descendente de Salazar_Slytherin . Afinal , não sabia nada de a família de o pai , os Dursley tinham sempre proibido qualquer pergunta sobre os seus familiares feiticeiros . Calmamente , tentou dizer qualquer coisa em * serpentês * , mas as palavras não saíam . Parecia que era necessário estar frente_a_frente com uma cobra para poder fazê o . Mas eu sou um Gryffindor , pensou Harry , o chapéu seleccionador não me poria aqui se eu tivesse sangue de Slytherin ... - Ah ! - disse uma vozinha dentro de o seu cérebro . - Mas o chapéu seleccionador queria pôr te em os Slytherin , não te lembras ? Harry deu voltas e voltas a a cabeça . Em o dia seguinte , quando visse Justin em a aula de herbologia explicaria lhe que estava a afastar a serpente , não a atiçá a o que , aliás , pensou zangado , dando vários socos em a almofada , qualquer idiota teria percebido . Contudo , em a manhã seguinte , a neve que começara a cair durante a noite , transformara se em uma tempestade tão espessa que a última aula de herbologia de o período foi cancelada : a professora Sprout queria tapar as mandrágoras com peúgas e cachecóis , uma operação arriscada que ela não confiava a ninguém agora_que era tão importante que as mandrágoras crescessem depressa e reabilitassem Mrs._Norris e Colin_Creevey . Junto de a lareira de a sala comum de os Gryffindor , Harry matutava sobre o que se passara enquanto Ron e Hermione aproveitavam o foro para jogar xadrez de feitiçaria . - Com os diabos , Harry - disse Hermione exasperada quando um bispo derrubou um de os cavaleiros de o cavalo , arrastando o para fora de o tabuleiro . - Vai falar com o Justin , se isso é assim tão importante para ti . Harry levantou se e saiu por o buraco de o retrato , perguntando a si próprio onde poderia estar o Justin . O castelo estava mais escuro do_que era habitual durante o dia por causa de a neve espessa e cinzenta que cobria as janelas . A tremer , Harry passou por as salas onde estava a haver aulas , captando lampejos do_que sucedia lá dentro . A professora Mc_Gonagall gritava com alguém que , segundo lhe parecia por o som , transformara o parceiro em um texugo . Resistindo a a tentação de dar uma espreitadela , Harry afastou se pensando que Justin poderia estar a utilizar o tempo de o furo para fazer algum trabalho e resolveu , por isso , ir até a a biblioteca . Um grupo de alunos de os Hufflepuff , que deveriam ter estado em Herbologia , encontrava se , de facto , sentado em as traseiras de a biblioteca , mas não parecia estar a trabalhar . Entre as fileiras de as estantes altas , Harry pôde ver as suas cabeças muito juntas em aquilo que deveria ser uma conversa absorvente . Não conseguia perceber se Justin estaria em o meio de eles . Ia para se aproximar quando apanhou em o ar uma frase e parou para ouvir melhor , escondido em a secção de a invisibilidade . - Portanto - dizia um rapaz corpulento - eu disse a o Justin para se esconder em o nosso dormitório . Isto_é , se o Potter o escolheu como próxima vítima é melhor que ele tenha um * low profile * durante algum tempo . É claro que o Justin já estava a a espera que alguma coisa de o género acontecesse desde_que lhe escapou em uma conversa com o Potter que era filho de Muggles . O Justin disse lhe , inclusivamente , que tinha estado inscrito em Eton . Não é o tipo de coisa que se ande a dizer com o herdeiro de Slytherin a a solta por aí . - Achas mesmo_que é o Potter , Ernie ? - perguntou uma rapariga de tranças loiras , ansiosamente . - Hannah - disse com solenidade o rapaz corpulento . - Ele é um serpentês . Todos sabem que essa é a marca de um feiticeiro negro . Alguma vez ouviste falar de um feiticeiro decente que falasse com as cobras ? O Slytherin era conhecido por « Língua de serpente . . Houve alguns murmúrios antes de Ernie prosseguir : - Lembram se do_que estava escrito em a parede ? * _ Inimigos de o herdeiro , cuidado ! * . O Potter teve que ir a o gabinete de o Filch . E o que é_que acontece a seguir ? A gata de o Filch é atacada . O aluno de o primeiro ano , Creevey , estava a aborrecê o em a partida de Quidditch , a tirar lhe fotografias quando ele estava caído em a lama . E o que é_que acontece a seguir ? Creevey é atacado . - Mas ele parece sempre ser tão simpático - disse Hannah , cheia de dúvidas . - E , bem , foi ele que fez com que o Quem nós sabemos desaparecesse . Não pode ser assim tão mau , pois não ? Ernie baixou misteriosamente a voz . Os Hufflepuff inclinaram se mais uns para os outros e Harry aproximou se para conseguir apanhar as palavras de o Ernie . - Ninguém sabe como ele sobreviveu a aquele ataque de o Quem nós sabemos e , afinal , ainda era um bebé quando aquilo aconteceu . Era para ter explodido feito em estilhaços . Só um feiticeiro negro verdadeiramente poderoso teria sobrevivido a uma maldição de aquelas . - Baixou ainda mais a voz até esta ficar reduzida a um leve murmúrio e disse : - Talvez fosse por isso que o Quem nós sabemos o queria matar , para não ter outro feiticeiro negro a competir com ele . Gostava de saber que outros poderes ocultos terá o Potter . Harry não aguentou mais . Pigarreou alto e saiu detrás de as estantes . Se não estivesse tão zangado teria conseguido ver o lado cómico de a situação : cada_um de os Hufflepuff olhava para ele como_se tivesse sido petrificado , e a cor desaparecera de a cara de o Ernie . - Olá - disse Harry . - Estou a a procura de o Justin_Finch - _ Fletchley . Os piores receios de os Hufflepuff tinham se concretizado . Olharam apavorados para o Ernie . - O que queres de ele ? - perguntou Ernie em uma voz sumida . - Explicar lhe o que aconteceu com aquela cobra em o clube de os duelos - disse Harry . Ernie mordeu os lábios brancos e , em seguida , respirando fundo , respondeu : - Estávamos lá todos . Vimos o que aconteceu . - Então viram que depois de eu falar a serpente recuou - disse Harry . - O que eu vi - insistiu teimosamente Ernie , apesar_de tremer a cada palavra que proferia - foi tu a falares serpentês e a atiçares a cobra conta o Justin . - Eu não a aticei - gritou Harry enraivecido . - Ela nem lhe tocou . - Falhou por_pouco - disse Ernie . - E , para o caso de estares com ideias - acrescentou com má cara - posso dizer te que a minha família provem de nove gerações de bruxas e feiticeiros e que o meu sangue é tão puro como o de qualquer feiticeiro , portanto ... - Quero lá saber qual é o teu sangue - disse Harry furioso . - Porque iria eu atacar os filhos de os Muggles ? - Ouvi dizer que detestas os Muggles com quem vives - disse Ernie rapidamente . - Não é possível viver com os Dursley sem os detestar - explicou Harry . - Gostava de te ver lá em casa . Girou sobre os calcanhares e saiu furioso de a biblioteca sob o olhar reprovador de Madam_Prince que limpava a capa dourada de um enorme livro de encantamentos . Harry avançou a as cegas por os corredores , quase sem ver por_onde ia de tão furioso que estava . O resultado foi chocar com algo enorme e sólido que o fez recuar e cair a o chão . - Ah ! Olá , Hagrid - disse , olhando para_cima . Hagrid tinha o rosto completamente tapado com um lenço coberto de neve , mas não podia ser mais ninguém , enchendo assim o corredor dentro de o seu sobretudo de pele de toupeira . De uma de as enormes mãos enluvadas , pendia um galo morto . - Tudo bem , Harry ? - perguntou , afastando o lenço para poder falar . - Porque não estás em a aula ? - Foi cancelada - disse Harry , pondo se de pé . - O que estás a fazer aqui ? Hagrid mostrou lhe o galo inerte . - É o segundo qu'aparece morto este período - explicou . - Ou são raposas ou um vampiro chato e eu preciso d'autorização de o director p'ra fazer um feitiço em volta de a capoeira . Aproximou se e olhou mais de perto para o Harry , por debaixo de as suas sobrancelhas espessas e cheias de neve . - Tens a certeza que estás bem ? Pareces exaltado e preocupado . Harry não foi capaz de repetir o que Ernie e os outros Hufflepuff lhe tinham dito . - Não é nada , tenho de ir , Hagrid . A próxima aula é Transfiguração e preciso de ir buscar os meus livros . Afastou se , a cabeça cheia com tudo_o_que Ernie dissera a seu respeito . « * _ O_Justin já estava d espera que uma coisa de o género acontecesse desde_que deixou escapar , falando com o Potter , que era filho de Muggles * ... » Harry subiu as escadas a correr e entrou por um corredor que estava particularmente escuro . As tochas tinham sido apagadas por uma ventania gelada que entrava por uma janela de fecho estragado . Estava a meio de o corredor quando tropeçou em uma coisa que se encontrava em o chão . Olhou para ver o que era e sentiu como_se o estômago se tivesse dissolvido . Justin_Finch - _ Fletchley estava em o chão , rígido e frio com uma expressão de horror em o rosto e os olhos abertos voltados para o tecto . E não era tudo . Junto de ele estava mais alguém , a visão mais estranha que Harry tivera em toda_a sua vida . Era_o_Nick quase sem cabeça que não estava cor de pérola nem transparente e sim escuro como fumo . Flutuava imóvel , em a horizontal , 12 centímetros acima de o chão , a cabeça meio tombada e em o rosto uma expressão de choque idêntica a a de o Justin . Harry pôs se de pé com a respiração acelerada e o coração a bater como um tambor contra as costelas . Olhou desvairado para ambos os lados de o corredor deserto e viu uma fila de aranhas que corriam a_toda_a velocidade em a direcção oposta a a de os corpos . Os únicos sons eram as vozes abafadas de os professores em as aulas que decorriam de ambos os lados . Podia fugir e ninguém saberia que ali tinha estado , mas não era capaz de os abandonar assim . Tinha de ir procurar ajuda . Será que alguém acreditaria que ele não tivera nada que ver com aquilo ? Enquanto ali estava , em pânico , uma porta a o seu lado abriu se com grande estrondo . Peeves , o * poltergeist * , saiu a os gritos . - Oh ! É o Potter , olá , Potter - alardeou Peeves , lançando por o ar os óculos de o Harry quando passou por ele . - O que está o Potter a fazer ? Porque está o Potter escondido ? Peeves passou de cabeça para baixo , a meio de uma cambalhota em o ar , quando viu Justin e Nick quase sem cabeça . Com um movimento súbito endireitou se , encheu os pulmões de ar e , antes que Harry pudesse impedi o , gritou : __ ataque ! ataque ! outro ataque ! nenhum mortal ou fantasma está em segurança . corram , fujam , __ ataaaque ! Crac , Crac , Crac . Uma atrás de a outra , foram se abrindo todas_as portas a o longo de o corredor e as pessoas saíram para fora de as salas de aula . Durante alguns longos minutos houve uma tal confusão que Justin esteve em perigo de ser esmagado e as pessoas não paravam de chocar com o Nick quase sem cabeça . Harry deu por si colado a a parede enquanto os professores exigiam a os gritos que se fizesse silêncio . A professora Mc_Gonagall veio a correr , seguida por todos os alunos , um de os quais ainda trazia o cabelo a as riscas pretas e brancas . Usou a varinha para produzir um ruído que repôs o silêncio e mandou os alunos todos para dentro de as salas de aula . Mal lugar ficou desimpedido surgiu Ernie , o jovem Hufflepuff . - * _ Apanhado em flagrante ! * - gritou , com o rosto totalmente branco , apontando dramaticamente o dedo par Harry . - Basta_Mcmillan - disse , de forma cortante , a professora Mc_Gonagall . Peeves andava para_cima e para baixo , observando a cena com um sorriso maldoso . Sempre adorara o caos . Quando os professores se inclinaram sobre Justin e sobre o Nick quase sem cabeça para os examinar , iniciou uma cantilena : * _ Oh ! Potter , que fizeste , seu grande bandido * _ Tu matas os estudantes porque achas divertido . * - Basta , Peeves - rosnou a professora Mc_Gonagall e Peeves afastou se , deitando a língua de_fora a o Harry . Justin foi levado para a ala hospitalar por o professor Flitwick e por o professor Sinistra_do_Departamento_de_Astronomia , mas ninguém parecia saber o que fazer em relação a o Nick quase sem cabeça . Por fim , a professora Mc_Gonagall fez aparecer em o ar um enorme leque que entregou a Ernie com o encargo de conduzir , escadas acima , por os ares o Nick quase sem cabeça . Ernie assim fez , soprando Nick como_se fosse um aerodeslizador e deixando , de este modo , o Harry e a professora Mc_Gonagall a sós . - Por aqui , Potter - disse ela . - Professora , eu juro que não ... - Isso não é comigo , Potter - afirmou a professora Mc_Gonagall sinteticamente . Caminharam em silêncio até uma esquina e ela parou perante uma gárgula de pedra extremamente feia . - Refresco de limão - disse . Era obviamente uma senha porque a gárgula animou se subitamente e saltou para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes . Apesar_de estar apavorado com o que ia acontecer a seguir , Harry não conseguiu evitar um sentimento de fascínio . Por detrás de a parede estava uma escada em espiral que se movia lentamente para_cima como um elevador . E quando ele e a professora Mc_Gonagall puseram os pés em o primeiro degrau , Harry ouviu a parede fechar se atrás de eles . Subiram em círculos , cada_vez_mais alto até que , por fim , um_pouco tonto , Harry pôde ver uma porta de carvalho reluzente com um puxador de bronze em forma de abutre . Harry calculava onde estava a ser levado . Devia ser ali que morava Dumbledore . XII_A poção * polisuco * Saltaram de a escada de pedra lá mesmo em cima e a professora Mc_Gonagall bateu a a porta . Ela abriu se silenciosamente dando lhes entrada . A professora Mc_Gonagall disse lhe que esperasse e deixou o sozinho . Harry olhou em volta . Uma coisa era certa : de todos o escritórios de professores que conhecia , o de Dumbledor era , de longe , o mais interessante . Se não estivesse com um medo de morte de ser expulso teria adorado explorá o . Era uma sala grande e bonita em forma de círculo que estava cheia de barulhinhos estranhos . Havia um grande número de instrumentos prateados sobre várias mesas de pernas finas que zumbiam emitindo pequenas baforadas de fumo . As paredes estavam cobertas de fotografias de antigos directores e directoras , todos eles a dormir tranquilamente em as suas molduras . Havia ainda uma enorme secretária pés de garra . E , sobre uma prateleira atrás de ela , um chapéu de feiticeiro andrajoso e puído : * o chapéu seleccionador * . Harry hesitou . Lançou um olhar cauteloso a as bruxas e feiticeiros adormecidos a o longo de as paredes . Com certeza não fazia mal se lhe pegasse e o experimentasse só para ver ... só para ter a certeza de que ele o pusera em a equipa certa . Deu a volta a a secretária , retirou o chapéu de a prateleira e baixou o lentamente sobre a cabeça . Era demasiado grande e escorregou lhe para os olhos como de a outra_vez que o tinha posto . Harry olhou para o forro preto , enquanto esperava . Por fim , uma vozinha disse lhe a o ouvido : - Estás com macaquinhos em o sótão , Harry_Potter ? - Er ... sim - balbuciou Harry . - Er ... desculpa incomodar te , queria saber ... - Querias saber se te pus em a equipa certa - disse prontamente o chapéu . - Sim ... tu és particularmente difícil de seleccionar , mas eu mantenho o que disse antes . - O coração de Harry deu um salto . - Terias ficado bem em os Slytherin . Harry sentiu o estômago contorcer se . Agarrou o chapéu por a aba e tirou o de a cabeça . O chapéu seleccionador ficou pendurado em a mão de ele , inerte , desbotado e sujo . Harry voltou a pô o em a prateleira , sentindo se enjoado . - Estás enganado ! - disse em voz alta a o chapéu parado e silencioso , mas ele não se mexeu . Harry recuou para o observar melhor e foi então que ouviu um ruído estranho e grasnado atrás_de si que o fez dar uma volta . Não estava só , afinal_de_contas . Em um poleiro dourado atrás de a porta estava um pássaro de aspecto decrépito que parecia um peru meio depenado . Harry olhou para ele espantado e o pássaro olhou o também , grasnando de_novo . Harry achou que ele devia estar muito doente porque tinha os olhos parados e , enquanto olhava para ele , caíram lhe mais algumas penas de a cauda . Estava justamente a pensar que a única coisa que lhe faltava era que o pássaro de estimação de Dumbledore morresse quando ele estava ali sozinho com ele , em o escritório , quando a ave se incendiou . Harry gritou , em estado de choque , e recuou até a a secretária . Olhava nervosamente em volta , em busca de um jarro de água , mas não viu nenhum . O pássaro , entretanto , transformara se em uma bola de fogo , dera um guincho e , em seguida , desaparecera , deixando apenas um monte de cinzas em o chão . A porta de o escritório abriu se . Dumbledore entrou com ar taciturno . - Professor - gaguejou Harry . - O seu pássaro ... eu não pode fazer nada ... ele incendiou se . Para seu grande espanto , Dumbledore sorriu . - Já não era sem tempo . Estava com um aspecto horrível em os últimos dias . Fartei me de lhe dizer que fizesse qualquer coisa . Riu se entre dentes com a expressão em o rosto de Harry . - A Fawkes é uma fénix , Harry . As fénix ardem quando é altura de morrer e renascem de as cinzas , repara ... Harry olhou mesmo a_tempo_de ver um passarinho recém-nascido , todo enrugado , espetar a cabeça fora de as cinzas . Era quase tão feio como o antigo . - É uma pena que a tenhas conhecido em dia de arder - disse Dumbledore , passando para trás de a secretária . - É muito bonita a maior parte de o tempo , com uma plumagem vermelha e dourada . São criaturas fascinantes , as fénix . Podem transportar cargas pesadíssimas , as suas lágrimas têm propriedades curativas e são animais de estimação extremamente fiéis . Com o choque de a fénix a pegar fogo , Harry esquecera se de o motivo porque ali estava , mas tudo voltou rapidamente quando Dumbledore se instalou em a cadeira de espaldar alto e o fixou com os seus olhos azuis e penetrantes . Contudo , antes que ele tivesse tido tempo de falar , a porta de o escritório abriu se de par em par com um enorme estrondo e Hagrid entrou com um olhar tresloucado , o lenço todo torcido em volta de a cabeça hirsuta e o galo morto ainda pendurado em a mão . - Não foi Harry , professor Dumbledore - disse , aflito . - Eu tinha estado a falar com ele poucos segundos antes de o rapazinho ser encontrado , ele não teve tempo professor ... Dumbledore tentou dizer qualquer coisa , mas Hagrid continuou , abanando o galo em o meio de a sua agitação e espalhando penas por todo o lado . - Não pode ter sido ele . Eu juro em a frente de o ministro de a magia , se for preciso ... - Hagrid , eu ... -- Tem o rapaz errado , professor . Eu sei qu'o Harry nunca ... - Hagrid - disse Dumbledore , elevando a voz . - Eu não penso que o Harry tenha atacado aquelas pessoas . - Oh ! - disse Hagrid , com o galo pendendo inerte a o seu lado . - Certo , ' tão eu espero lá fora , director . E saiu com ar envergonhado . - O senhor não acha que tenha sido eu ? - repetiu Harry cheio de esperança , enquanto Dumbledore sacudia penas de galo de cima de a secretária . - Não , Harry , não acho - afirmou Dumbledore , apesar de a sua expressão ser de_novo sombria . - Mas mesmo_assim quero falar contigo . Harry esperou ansiosamente enquanto o director o observava com as pontas de os dedos longos unidas . - Tenho de saber uma coisa . Harry , há alguma pergunta que queiras fazer me , qualquer que ela seja ? Harry não soube o que dizer . Lembrou se de Malfoy a gritar * _ Vocês serão os próximos , sangues de lama * e de a poção * _ Polisuco * em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Depois pensou em a voz sem corpo que ouvira duas vezes e em o que o Ron dissera * _ Ouvir vozes que ninguém mais ouve não é bom sinal , nem mesmo em o mundo de a feitiçaria * . Pensou também em o que toda_a_gente dizia de ele e em o receio cada_vez maior de ter uma relação qualquer com Salazar_Slytherin ... - Não - disse por fim . - Não há nada , professor . O ataque duplo a Justin e a o Nick quase sem cabeça transformou o que até_então era nervosismo em verdadeiro pânico . Curiosamente fora o destino de o Nick quase sem cabeça o que mais preocupara as pessoas . Quem poderia ter feito aquilo a um fantasma ? - perguntavam uns a os outros . - Que poder terrível era aquele , capaz de afectar alguém que já tinha morrido ? Houve uma precipitação enorme em a marcação de os bilhetes em o Expresso_de_Hogwarts , pois todos os alunos quiseram ir passar o Natal a casa . - Por este caminho , vamos ser os únicos a ficar - disse o Ron a o Harry e a a Hermione . - Nós , o Malfoy , o Goyle e o Crabbe , que férias lindas que vão ser ! Crabbe e Goyle que faziam sempre o que Malfoy fazia , tinham se inscrito para ficar também durante as férias . Mas Harry estava contente por a maior parte se ir embora . Estava farto de ver gente a afastar se em os corredores como_se ele fosse mostrar os dentes ou cuspir veneno . Estava cansado de tantos segredinhos , de os ver apontar e segredar quando passava . O Fred e o George , esses achavam muito divertido . Vinham , de propósito , pôr se a a frente de ele e atravessavam os corredores a gritar : - Abram alas para o herdeiro de Slytherin , vai passar um feiticeiro verdadeiramente cruel . Percy discordava totalmente de este comportamento . - Não é um assunto para se brincar - dizia com frieza . - Sai mas é de o caminho , Percy - dizia o Fred . - O Harry está com pressa . - Sim , ele vai a a Câmara_dos_Segredos tomar uma chávena de chá com o seu servidor dentes de serpente - completava Fred com uma gargalhada . Ginny também não lhes achava graça . - Cala te - gritava ela sempre_que o Fred perguntava em voz alta a o Harry quem estava a pensar atacar a seguir , ou quando George fingia afastá o com um enorme dente de alho . Harry não se importava . Fazia o sentir se melhor o facto de constatar que , pelo_menos para o Fred e para o George , a ideia de ele ser o herdeiro de Slytherin era absolutamente ridícula . Mas as palhaçadas de eles pareciam ofender Draco_Malfoy que , de cada_vez que os via , ficava mais irritado . - É porque está ansioso por dizer que é mesmo ele - disse o Ron com ar conhecedor . - Sabes como ele detesta que alguém o ultrapasse e tu estás a receber todo o crédito por o seu trabalho sujo . - Não vai ser por muito_tempo - disse Hermione com uma voz satisfeita . - A poção * polisuco * está quase pronta . Um de estes dias arrancamos lhe a verdade . Finalmente , o período chegou a o seu termo e um silêncio profundo como a neve em os campos desceu sobre o castelo . Harry adorou a tranquilidade e apreciou o facto de ele , Hermione e os Weasley terem a torre de os Gryffindor por sua conta , poderem jogar a as explosões bem alto , sem incomodar ninguém e praticar duelos entre si . O Fred , o George e a Ginny tinham preferido ficar em a escola a ir com Mr. e Mrs._Weasley a o Egipto visitar o Bill . Percy que reprovava e considerava infantil a conduta de eles , não passava muito_tempo em a sala comum de os Gryffindor . Já lhes dissera pomposamente que só ficara ali em o Natal , por ser sua obrigação como prefeito apoiar os professores em aquela época agitada . A manhã de o dia de Natal clareou branca e fria . Harry e Ron , os únicos que estavam em o dormitório , foram acordados muito cedo por Hermione que entrou , toda vestida , transportando presentes para ambos . - Acordem - disse em voz alta , abrindo os cortinados . - Hermione , tu não devias estar aqui - exclamou o Ron , protegendo os olhos de a luz . - Feliz_Natal para ti também - disse Hermione , atirando lhe o presente que tinha para ele . - Estou acordada há quase uma hora , acrescentando mais asas de renda a a poção . Está pronta . Harry sentou se , subitamente acordado . - Tens a certeza ? - Absoluta - disse ela , afastando o rato Scrabbers para se sentar a os pés de a cama de dossel . - Se vamos mesmo tomá a , acho que devia ser logo a a noite . Em esse momentzo , a Hedwig entrou em o quarto , transportando em o bico um embrulho pequenino . - Olá - disse Harry , feliz a o vê a aterrar em a sua cama . - Já me falas outra_vez ? Ela mordiscou lhe a orelha de uma forma afectuosa que foi , de longe , um presente melhor do_que aquele que transportava e que era afinal de os Dursley . Tinham mandado a Harry um palito para os dentes com um cartão pedindo lhe que se informasse se não poderia ficar , também em o Verão , em Hogwarts . Os outros presentes que Harry recebeu foram bastante melhores . Hagrid mandara lhe uma lata grande de bombons de melaço que ele decidiu amolecer a o lume antes de comer , o Ron deu lhe um livro chamado * _ Voando com Canhões * , que narrava factos interessantes sobre a sua equipa favorita de Quidditch e Hermione trouxera lhe uma luxuosa pena de águia . Harry abriu o último presente onde vinha uma camisola novinha , feita a a mão por Mrs._Weasley e um grande bolo de passas . Pegou em o cartão com uma nova sensação de culpa , pensando em o carro de Mr._Weasley que não voltara a ser visto desde_que chocara contra o salgueiro zurzidor e em a quantidade de infracções que ele e o Ron tinham em mente . Ninguém , nem mesmo os que estavam cheios de medo por terem de tomar a poção * polisuco * a seguir , deixou de adorar o jantar de Natal em Hogwarts . O salão nobre estava magnífico . Não_só havia uma_dúzia de árvores de Natal , cobertas de geada e espessas serpentinas de azevinho e visco bravo cruzando se junto de o tecto como caia uma neve encantada quente e seca . Dumbledore conduziu os em uma de as suas canções de Natal preferidas enquanto Hagrid se agitava , falando cada_vez_mais alto , a cada gole de gemada que tomava . O Percy que não dera por_que Fred enfeitiçara o seu distintivo de prefeito , onde agora podia ler se « cabeça de alfinetes « , continuava a perguntar a todos para_onde estavam a olhar . Harry nem_sequer se importou com os comentários que Draco_Malfoy fazia bem alto , de a mesa de os Slytherin acerca de a sua camisola nova . Com alguma sorte , Malfoy iria ser desmascarado dentro_de algumas horas . Harry e Ron mal tinham acabado a terceira dose de pudim de Natal quando Hermione os fez sair de o salão a a pressa para acabarem de tratar de os planos para essa noite . - Ainda precisamos de um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos - disse com o ar mais natural de este mundo como_se estivesse a mandá os a o supermercado comprar detergente . - E , é claro que o ideal será conseguirmos alguma coisa de o Crabbe e de o Goyle , são os melhores amigos de o Malfoy , ele conta lhes tudo . E precisamos também de ter a certeza de que eles não vão entrar em a sala quando vocês estiverem a interrogar o Malfoy . - Eu tenho tudo pensado - prosseguiu ela , ignorando a expressão estupefacta de Harry e Ron . Pegou em dois apetitosos bolos de chocolate . - Pus lhes um encantamento de sono . Vocês só têm de fazer com que o Crabbe e o Goyle os encontrem . Sabem como eles são gulosos , vão logo comê os . Quando estiverem a dormir , tirem lhes alguns cabelos e escondam nos em uma despensa de vassouras . Harry e Ron olharam , incrédulos , um para o outro . -- Hermione , eu não creio que ... -- Isto pode correr muito mal ... Mas Hermione tinha um brilho inflexível em os olhos que não era muito diferente do_que costumavam ver em o olhar de a professora Mc_Gonagall . - A poção não nos serve de nada sem os cabelos de o Crabbe e de o Goyle - disse com firmeza . - Vocês querem mesmo descobrir coisas sobre o Malfoy , não querem ? - Pronto , está bem - disse Harry . - Mas , e tu , vais arranjar cabelos de quem ? - Eu já tenho esse assunto resolvido - disse Hermione sorridente , tirando um frasquinho de o bolso e mostrando lhes um cabelo que lá estava dentro . - Lembram se de a Millicent_Bulstrode que lutou comigo em o clube de os duelos ? Ela deixou isto em o meu manto quando tentava estrangular me . E foi passar o Natal a casa , portanto , basta me dizer a os Slytherins que decidi voltar . Quando Hermione saiu para verificar de_novo a poção polisuco , Ron voltou se para Harry com uma expressão lúgubre . - Alguma vez viste um plano onde tantas coisas pudessem correr mal ? Mas para grande espanto de ambos , a primeira fase de a operação decorreu tão naturalmente como Hermione previra . Eles esconderam se em o * hall * de entrada , depois de o lanche de Natal , a a espera de o Crabbe e de o Goyle que tinham ficado sozinhos a a mesa de os Slytherin , deitando abaixo a quarta dose de bolo inglês . Harry colocou os bolos de chocolate em o fim de o corrimão . Quando avistaram Crabbe e Goyle a sair de o salão , Harry e Ron esconderam se rapidamente atrás_de uma armadura que estava junto de a porta de entrada . - Como_se pode ser tão estúpido ? - murmurou Ron sem se mexer enquanto Crabbe apontava satisfeitíssimo , mostrando a Goyle os bolos e agarrando os . Com um riso estúpido , enfiaram nos inteiros em as bocas enormes . Durante um momento , ambos mastigaram avidamente com olhares vitoriosos em o rosto . Depois , sem que a expressão se alterasse , caíram para trás e estatelaram se em o chão . Mais difícil foi transportá os para a despensa de o outro lado de o * hall * . Uma_vez armazenados em o meio de os baldes e esfregões , Harry arrancou alguns de os pêlos que cobriam a cabeça de o Goyle e Ron tirou alguns cabelos a o Crabbe . Roubaram lhes também os sapatos porque os de eles eram demasiado pequenos para os enormes pés de o Crabbe e de o Goyle . Em seguida , ainda atordoados com o que tinham acabado de fazer , correram até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mal conseguiam ver com o fumo preto e espesso que saía de o cubículo onde Hermione mexia o caldeirão . Tapando o rosto com os mantos , Harry e Ron bateram a o de leve em a porta . - Hermione ? Ouviram o ruído de o trinco e Hermione apareceu com a cara lustrosa e um ar ansioso . Por trás de ela ouviam o gloop gloop de a poção espessa e gorgolejante . Em o banco de a casa_de_banho estavam três copos de vidro . - Conseguiram ? - perguntou Hermione quase sem fôlego . Harry mostrou lhe o cabelo de o Goyle . - _ óptimo . Eu tirei estes mantos suplementares de a lavandaria - disse ela , pegando em uma pequena saca . - Vocês vão precisar de tamanhos maiores se vão ser o Crabbe e o Goyle . Olharam os três para o caldeirão . Vista de perto , a poção parecia uma lama espessa e escura a borbulhar indolentemente . - Tenho a certeza que fiz tudo certo - disse Hermione nervosa , relendo a página manchada de * _ Moste_Potente_Potions * . - Tem o aspecto que o livro diz que deveria ter ... depois de a tomar temos precisamente uma hora antes de nos transformarmos de_novo em as pessoas que somos . - E agora ? - murmurou o Ron . - Separamos a em três copos e adicionamos os cabelos . Hermione encheu cada_um de os copos com uma concha de sopa . Em seguida , retirou com a mão a tremer o cabelo de Millicent_Bulstrode de dentro de o frasquinho e pô o em o primeiro copo . A poção chiou fortemente como uma chaleira a ferver e espumou como louca . Um segundo depois ganhara um tom de amarelo doentio . - Urgh ! Essência_de_Millicent_Bulstrode - disse Ron , olhando com repugnância . - Aposto que o sabor é nojento . - Deitem os vossos - disse Hermione . Harry deixou cair o cabelo de o Goyle em o copo de o meio e Ron lançou o de o Crabbe em o último . Ambos chiaram e espumaram : o de o Goyle ficou de um tom caqui , o de o Crabbe de um castanho-escuro algo tenebroso . - Esperem - pediu Harry quando Ron e Hermione pegaram em os copos . - Será melhor não os tomarmos aqui todos juntos em um cubículo ; quando em os transformarmos não vamos cá caber e Millicent_Bulstrode não é nenhum duende . - Bem pensado - admitiu o Ron , abrindo a porta . - Cada_um em seu cubículo . Com todo o cuidado , para não entornar nem uma gota de a poção polisuco , Harry esgueirou se para o cubículo de o meio . - Prontos ? - perguntou . - Prontos - responderam as vozes de o Ron e de a Hermione . - Um , dois , três . Tapando o nariz , Harry bebeu a poção em dois grandes tragos . Tinha o sabor de a couve demasiado cozida . Os seus interiores começaram imediatamente a contorcer se como_se tivesse engolido serpentes vivas . Dobrado , Harry perguntava a si próprio se iria vomitar . Depois , uma sensação de ardor espalhou se rapidamente de o estômago até a as pontas de os dedos de as mãos e de os pés . Em seguida , fazendo o sobressaltar se , sobreveio o sentimento horrível de estar a derreter enquanto a pele de todo o seu corpo borbulhava como cera quente e , perante os seus olhos , as mãos começaram a crescer , os dedos a engrossar , as unhas a alargar e as articulações a tornarem se protuberantes como ferrolhos . Os ombros retesaram se dolorosamente e uma comichão em a testa preveniu o de que o cabelo estava a rastejar em direcção a as sobrancelhas . As túnicas rasgaram se enquanto o tórax se expandia como um barril , rebentando com os seus anéis . Os pés estavam em grande sofrimento dentro_de sapatos quatro números abaixo . Tão depressa como começara , tudo parou . Harry estava caído em o chão de pedra fria , ouvindo a Murta_Queixosa gorgolejando taciturna em o cubículo de o fundo . Com alguma dificuldade tirou os sapatos e levantou se . Era então assim que o Goyle se sentia ! Com a mão enorme a tremer , despiu a sua túnica que lhe ficava 30 centímetros acima de os tornozelos , pegou em as túnicas suplementares e amarrou os atacadores de os sapatos abotinados de o Goyle . Quis escovar o cabelo para o afastar um_pouco de os olhos e deu apenas com os pêlos hirsutos que lhe cresciam em a testa . Apercebeu se então de que os óculos lhe toldavam a visão porque o Goyle , obviamente , não precisava de eles . Tirou os e gritou . - Vocês estão bem ? - De a sua boca saiu a voz baixa e grossa de o Goyle . - Sim - respondeu lhe o grunhido de o Crabbe , a a sua direita . Harry abriu a porta de o cubículo e dirigiu se a o espelho partido . O Goyle olhava o de o outro lado com os seus olhos parados . Harry coçou a orelha e Goyle fez o mesmo . A porta de o Ron abriu se . Olharam um para o outro . Harry estava pálido e chocado . O amigo não se distinguia de o Crabbe , desde o corte de cabelo em forma de tigela até a os longos braços de gorila . - É inacreditável - disse o Ron , aproximando se de o espelho e beliscando o nariz achatado de o Crabbe . - Inacreditável ! - É melhor irmos indo - disse Harry , alargando a pulseira de o relógio que lhe cortava o pulso . - Ainda temos de descobrir onde fica a sala comum de Slytherin . Só espero que encontremos alguém que vá para lá e que nós possamos seguir . Ron que tinha estado a olhar espantado para ele , comentou : - Não imaginas como é bizarro ver o Goyle a pensar - bateu em a porta de Hermione . - Vamos , temos que ir ... Respondeu lhe uma voz aguda : - Eu ... eu acho que afinal não vou . Vão vocês sem mim . - Hermione , nós sabemos que a Millicent_Bulstrode é feia , ninguém vai pensar que és tu . - Não , a sério , acho que não vou . Despachem se vocês os dois , estão a perder tempo . Harry olhou para Ron , baralhado . - Aquilo parece mais de o Goyle , é como ele fica sempre_que algum professor lhe faz uma pergunta . - Estás bem , Hermione ? - perguntou Harry , através de a porta . - _ óptima , estou óptima , vão se embora . Harry olhou para o relógio . Cinco preciosos minutos tinham já passado . - Encontramo nos aqui , está bem ? - disse . Os dois abriram a porta de a casa_de_banho com todo o cuidado , viram se o caminho estava livre e saíram . - Não balances assim os braços - disse o Harry a o Ron . - Hein ? - O Crabbe anda sempre com eles esticados . - Assim ? - Isso , assim está melhor . Desceram a escadaria de mármore . Só precisavam agora de um Slytherin que pudessem seguir até a a sala comum , mas não havia ninguém por perto . - Tens alguma ideia ? - perguntou Harry em um murmúrio . - Os Slytherin vêm sempre de ali para o pequeno-almoço - disse o Ron , apontando para a entrada de os calabouços . Mal tinha pronunciado estas palavras quando uma rapariga de cabelo comprido a os caracóis , apareceu . - Desculpa - disse o Ron , sem perder tempo . - Esquecemo nos de o caminho para a nossa sala comum . - Como ? - disse a rapariga com a maior frieza . - A * nossa * sala comum ? Eu sou uma Ravenclaw . Afastou se , olhando para eles , desconfiada . Harry e Ron desceram apressadamente os degraus de pedra até a a escuridão . Os passos ecoavam em o silêncio , à_medida_que os pés enormes de Crabbe e Goyle tocavam em o chão , fazendo os sentir que as coisas não iam ser tão fáceis como eles desejavam . Os corredores labirínticos estavam desertos . Andaram e tornaram a andar por os subterrâneos , olhando constantemente para os relógios para ver quanto tempo ainda lhes restava . Depois de um quarto de hora , quando começavam a ficar desesperados , ouviram um movimento súbito . - Olha - disse o Ron , agitadamente . - Agora é um de eles . A silhueta saía de uma sala , mas quando se aproximaram o coração de ambos esmoreceu . Não era um Slytherin , era Percy . - O que estás a fazer aqui em baixo ? - perguntou o Ron surpreendido . - Isso - disse ele friamente - não é de a tua conta . És o Crabbe , não és ? - Er ... sim , sim - respondeu o Ron . - Então vão para o vosso dormitório - ordenou Percy com firmeza . - Não é seguro andar a passear por os corredores escuros em os dias que correm . - Tu andas -- fez notar o Ron . - Eu - disse o Percy endireitando se - sou um prefeito . Nada vai atacar me . Ouviu se , de repente , uma voz por_detrás_de Harry e Ron . Era_Draco_Malfoy e , pela_primeira_vez em a vida , Harry ficou satisfeito a o vê o . - Aí estão vocês - disse de modo arrastado , olhando para eles . - Têm estado a chafurdar em o salão este tempo todo ? Tenho andado a a vossa procura , quero mostrar vos uma coisa muito divertida . Malfoy olhou misteriosamente para Percy . - E o que fazes tu aqui , Weasley ? - perguntou com ar de desprezo . Percy olhou , sentindo se ultrajado . - Fazes favor de mostrar um_pouco mais de respeito por um prefeito de a escola - disse . - Não gosto de o teu ar . Malfoy riu se e fez sinal a o Harry e a o Ron para que o seguissem . Harry quase ia pedindo desculpa a o Percy , mas deu se conta a tempo . Apressaram se a seguir o Malfoy que disse , mal viraram em o corredor seguinte : - Aquele Peter_Weasley ... - O Percy - corrigiu Ron automaticamente . - Ou isso - continuou Malfoy . - Ultimamente tenho o visto muitas_vezes a andar por aí sorrateiramente e aposto que sei o que ele quer . Pensa que vai apanhar o herdeiro de Slytherin sozinho . Deu uma pequena gargalhada ridícula . Harry e Ron trocaram olhares nervosos . Malfoy parou junto de uma parede de pedra húmida . - Qual é a senha ? - perguntou a o Harry . - Er ... - Ah ! sim , sangue puro - disse Malfoy sem ouvir e uma porta de pedra , oculta em a parede , abriu se . Malfoy entrou e Harry e Ron seguiram o . A sala comum de os Slytherin era uma ampla divisão subterrânea com espessas paredes de pedra e um tecto de o qual estavam pendurados por correntes vários candeeiros redondos que davam uma luz esverdeada . O fogo crepitava em uma lareira elaboradamente esculpida em frente de a qual se viam as silhuetas de vários Slytherins sentados em cadeiras igualmente esculpidas . - Esperem aí - disse Malfoy a o Harry e a o Ron , encaminhando os para um par de cadeiras vazias , longe de o lume . - Eu vou buscar o que o meu pai acaba de me mandar . Sem saber o que Malfoy iria mostrar lhes , Harry e Ron sentaram se , fazendo todos os possíveis por parecer a a vontade . Malfoy voltou um minuto depois , trazendo em a mão o que parecia ser um recorte de jornal . Pô o debaixo de o nariz de o Ron . - Vais te rir - disse . Harry viu os olhos de o Ron abrirem se como_se estivesse em estado de choque . Viu o ler o recorte rapidamente , dar uma gargalhada forçada e estender lhe o em seguida . Tinha sido retirado de o * _ Profeta_Diário * e dizia : inquérito em o ministério de a magia * _ Arthur_Weasley , chefe de o Gabinete_de_Mau_Uso_dos_Utensílios_dos_Muggles foi hoje multado em cinquenta galeões por ter enfeitiçado um carro de os Muggles . * _ O senhor Lucius_Malfoy , Membro_do_Conselho_Directivo_da_Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts , onde o carro enfeitiçado foi chocar em o princípio de este ano , exigiu hoje a demissão de Mr._Weasley . « * _ O_Weasley trouxe o descrédito a o Ministério « - declarou Mr._Malfoy a o nosso repórter . - « É claramente incompetente para fazer cumprir as leis e a sua protecção ridícula de os Muggles deveria ir imediatamente para a sucata . » * _ Mr._Weasley recusou se a fazer comentários , mas a sua mulher disse a os repórteres que desaparecessem de ali ou lançaria contra eles o vampiro de a família * . - Então - disse Malfoy impaciente quando Harry voltou a entregar lhe o recorte . - Não achas o_máximo ? - Ha , ha - fez Harry tristemente . - O Arthur_Weasley gosta tanto de os Muggles que era capaz de partir a sua varinha a o meio para se juntar a eles - disse Malfoy com desprezo . - Ninguém diria que os Weasley eram sangue puro a avaliar por o modo como_se comportam . A cara de o Ron , ou melhor , de o Crabbe , contorceu se de raiva . - O que é_que se passa ? - perguntou Malfoy . - Dores de estômago - gemeu o Ron . - Então vai a a ala hospitalar e dá a todos aqueles sangues de lama um pontapé de a minha parte - disse Malfoy com o seu riso escarninho . - Sabes que estou espantado por o * _ Profeta_Diário * ainda não se ter referido a todos estes ataques - continuou pensativamente . - Calculo que o Dumbledore deve estar a tentar abafar as coisas . Ele ainda é posto em a rua se isto não acaba depressa . O pai sempre disse que Dumbledore foi a pior coisa que aqui veio parar . Ele adora os filhos de os Muggles , um director decente nunca deixaria um lodo como o Creevey entrar em esta escola . Malfoy começou a fingir que tirava fotografias com uma máquina imaginária e fez uma imitação maldosa , mas bastante fiel de o Colin : - Potter , posso tirar te a fotografia ? Dás me um autógrafo ? Posso lamber te os sapatos , por favor , Potter ? Baixou as mãos e olhou para Harry e Ron . - O que é_que se passa com vocês os dois ? Um_pouco atrasados , Harry e Ron forçaram o riso e Malfoy pareceu satisfeito . Talvez Crabbe e Goyle fossem sempre de reacção lenta . - O santo Potter , amigo de os sangues de lama - disse Malfoy . - É outro que não tem os sentimentos de um feiticeiro a sério ou não andaria por aí com aquela empertigada sangue de lama Granger . E as pessoas a pensarem que ele é o herdeiro de Slytherin . Harry e Ron esperaram com a respiração entrecortada : o Malfoy ia certamente dizer lhes , dentro_de segundos , que era ele , mas então ... - Quem me dera saber quem ele é - disse o Malfoy , de forma petulante . - Podia ajudá o . O queixo de o Ron caiu de tal maneira que a cara de o Crabbe ficou ainda mais desajeitada do_que era habitual . Felizmente Malfoy não deu por nada e Harry , em um pensamento rápido , disse : - Deves ter alguma ideia de quem está por_detrás_de tudo ... - Sabes perfeitamente que não tenho , Goyle , quantas vezes é preciso dizer te ? - cortou Malfoy . - E o pai também não me diz nada sobre a última vez que a câmara foi aberta . É claro que foi há cinquenta anos , antes de ele cá andar , mas o pai sabe tudo a esse respeito e diz que as coisas foram mantidas em grande segredo e que pareceria suspeito se eu soubesse demasiado . Mas há uma coisa que eu sei : de a última vez que a câmara foi aberta , morreu um sangue de lama . Por isso , aposto que é uma questão de tempo até que um de eles seja morto . Só espero que seja a Granger - disse satisfeito . Ron fechara os punhos gigantescos de o Crabbe . Sentindo que deitaria tudo a perder se ele desse um soco a o Malfoy , Harry lançou lhe um olhar de aviso e disse : - Sabes se a pessoa que abriu a câmara de a última vez foi apanhada ? - Ah ! sim , essa pessoa foi expulsa - disse Malfoy . - Ainda deve estar em Azkaban . - Azkaban ? - repetiu Harry confuso . - Azkaban , a prisão de os feiticeiros , Goyle - disse Malfoy , olhando para ele incrédulo . - Francamente , se fosses mais lento andavas para trás . Esticou se intranquilo , em a cadeira e disse : - O pai diz para eu esfriar a cabeça e deixar que o herdeiro de Slytherin faça o seu trabalho . Acha que a escola precisa de se livrar de a escória de os sangues de lama , mas não quer que eu me envolva em nada . Claro que ele agora tem um prato cheio . Sabes que o Ministério de a magia fez uma busca a a nossa mansão em a semana passada ? Harry tentou forçar a cara de bronco de o Goyle a uma expressão preocupada . - Sim - continuou Malfoy . - É claro que não encontraram grande coisa . O pai guarda uns materiais de magia negra muito valiosos , mas , felizmente , temos a nossa câmara secreta debaixo de o soalho de a sala de visitas ... - Ah ! - disse o Ron . Malfoy olhou para ele . Harry também . Ron corou e até o cabelo começou a ficar vermelho . O nariz estava também a diminuir lentamente ... a hora tinha acabado . Ron estava a voltar a a sua forma habitual e por o olhar de horror que lançou a Harry certamente ele também estava . Puseram se rapidamente de pé . - Tenho de tomar o remédio para o estômago - grunhiu o Ron e sem mais explicações saíram ambos a correr de a sala comum de os Slytherin , precipitaram se para a parede de pedra e galgaram a passagem , pedindo a todos os santos que Malfoy não tivesse dado por nada . Harry sentia os pés a nadarem em os sapatos enormes de o Goyle e tinha de levantar o manto visto_que diminuíra de tamanho . Subiram os degraus a correr até a o * hall * escuro de entrada onde se ouvia um som abafado que vinha de a despensa onde tinham fechado o Crabbe e o Goyle . Deixando os sapatorros de os dois de o lado de_fora , subiram já com os respectivos sapatos a escadaria de mármore até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Bem , não foi uma total perda de tempo - disse o Ron ofegante , fechando atrás_de si a porta de a casa_de_banho . - É certo que ainda não descobrimos de quem vêm os ataques , mas vou escrever a o meu pai amanhã a dizer lhe que procure debaixo de o soalho de a sala de visitas de o Malfoy . Harry olhou para o espelho partido . Tinha voltado a o normal . Pôs os óculos enquanto Ron batia em a porta de o cubículo de Hermione . - Hermione , sai de aí , temos um monte de coisas para te contar ... - Vão se embora - guinchou Hermione . Harry e Ron olharam um para o outro . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron . - Tu já deves ter voltado a o normal como nós ... Mas a Murta_Queixosa saiu subitamente através de a porta de o cubículo com um ar divertido como nunca a tinham visto . - Oh ! Esperem até ver - disse ela . - É horrível ! Ouviram o trinco de a porta a abrir se e Hermione apareceu a soluçar , a túnica levantada a cobrir lhe o rosto . - O que foi ? - perguntou o Ron indistintamente . - Ainda tens o nariz de a Millicent ou alguma coisa assim ? Hermione deixou cair a roupa e Ron recuou rapidamente . O rosto de ela estava coberto de pêlo preto , os olhos tinham ganho uma cor amarela e as orelhas eram pontiagudas , saindo espetadas para fora de os cabelos . - Era um pêlo de g-gato - disse a chorar . - A Millicent_Bulstrode d-deve ter um gato e a poção não está preparada para transformação em animais . - Oh-oh - disse o Ron . - Vão te gozar horrivelmente - disse a Murta , felicíssima . - Não te preocupes , Hermione - tranquilizou a rapidamente o Harry . - Vamos levar te para a ala hospitalar , a Madam_Pomfrey nunca faz muitas perguntas ... Não foi fácil convencer Hermione a sair de a casa_de_banho . A Murta_Queixosa despediu se com uma gargalhadavigorosa e grosseira . - Espera até todos descobrirem que tens uma cauda ! XIII_O diário muito secreto Hermione ficou em a ala hospitalar durante várias semanas . Houve uma onda de boatos sobre o seu desaparecimento quando o resto de os alunos voltou de as férias de Natal porque , é claro , todos pensam que ela tinha sido atacada . Foram tantos os estudantes a rondar a ala hospitalar para espreitar a ver se a viam que Madam_Pomfrey desceu de_novo as cortinas de a cama de ela para a poupar a a vergonha de ser vista com pêlo em a cara . Harry e Ron iam visitá a todas_as tardes . Quando o segundo período começou passaram a levar lhe diariamente os trabalhos de casa . - Se eu tivesse o bigode a crescer , tinha uma folga de o trabalho - disse uma tarde o Ron enquanto colocava uma pilha de livros a a cabeceira de a cama de Hermione . - Não sejas parvo , Ron , eu tenho de me manter a par de as coisas - disse Hermione com vivacidade . O humor de ela melhorara bastante com o facto de lhe ter desaparecido todo o pêlo de o rosto e de os olhos estarem lentamente a retomar a cor castanha . - Calculo que não tenham novas pistas ? - disse em um murmúrio para evitar que Madam_Pomfrey os ouvisse . - Nada - disse Harry tristemente . - Eu tinha tanta certeza de que era o Malfoy - repetiu o Ron por a centésima vez . - O que é isso ? - perguntou Harry , apontando para uma coisa com brilho dourado que estava debaixo de a almofada de Hermione . - É só um cartão a desejar boas melhoras - disse ela precipitadamente , tentando escondê o , mas o Ron foi mais rápido . Pegou lhe , abriu o e leu em voz alta : * _ Para_Miss_Granger , desejando lhe uma rápida recuperação , com o interesse e estima de o professor Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , Terceiro grau , Membro_Honorário_da_Liga_de_Defesa contra as Artes_Negras e vencedor por cinco vezes de o prémio O sorriso mais charmoso de a semana de o Semanário_das_Bruxas * . Ron olhou desconsolado para Hermione . - Tu dormes com isto debaixo de a almofada ? Mas Hermione foi poupada a ter de responder por a entrada de Madam_Pomfrey que lhe trazia a dose de medicamento de a tarde . - Achas que o Lockhart é o tipo mais esperto que conheceste ? - perguntou o Ron a o Harry quando saíram de a enfermaria e começavam a subir as escadas para a torre de os Gryffindor . O Snape tinha lhes passado tanto trabalho para_casa que Harry pensou que ia chegar a o sexto ano antes de o ter acabado . Ron vinha a dizer que devia ter perguntado a a Hermione quantas caudas de rato deveria juntar se a uma poção para o crescimento de o cabelo quando um grito de raiva vindo de o andar de cima lhes chegou a os ouvidos . - É o Filch - murmurou Harry enquanto subiam apressadamente as escadas e paravam para ouvir melhor . - Terá mais alguém sido atacado ? - disse nervosamente o Ron . Ficaram parados com as cabeças inclinadas para a voz de o Filch que parecia quase histérica . -- ... * _ Ainda mais trabalho para mim . Toda_a noite a esfregar como_se não tivesse já trabalho de sobra . Não , isto foi a gota de água que fez transbordar o copo , vou falar com Dumbledore * ... Os passos afastaram se e ouviram uma porta fechar se com grande estrondo . Puseram as cabeças fora de a esquina . O Filch tinha obviamente estado a patrulhar o seu habitual posto de vigia : estavam novamente em o lugar onde Mrs._Norris fora atacada . Perceberam imediatamente qual o motivo de os gritos . Uma enorme poça de água enchia metade de o corredor e parecia escorrer de a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Agora_que o Filch se calara podiam ouvir os uivos de a Murta que faziam eco em as paredes de a casa_de_banho . - Mas o que se passará com ela ? - disse o Ron . - Vamos lá ver - sugeriu Harry e arregaçando as túnicas até a os tornozelos entraram , atravessando a enorme poça de água , em a casa_de_banho que tinha o letreiro a dizer « Fora de serviço » e que eles , como sempre , ignoraram . A Murta_Queixosa chorava , se possível , mais alto do_que nunca . Parecia estar escondida em o cubículo de o costume . Lá dentro estava escuro pois as velas tinham se apagado com a enchente de água que deixara as paredes e o chão ensopado . - O que se passa , Murta ? - quis saber o Harry . - Quem é ? - perguntou ela infelicíssima . - Vieste atirar me mais alguma coisa acima ? Harry caminhou com dificuldade por causa de a água até a o cubículo de ela e disse : - Porque te faríamos nós uma coisa de essas ? - Não me perguntem - gritou a Murta , emergindo em uma onda de água que molhou ainda mais o chão já ensopado . - Eu estou aqui metida em a minha morte e alguém acha muito engraçado atirar me com um caderno acima ... - Mas , não pode magoar te se alguém te atirar alguma coisa acima - disse Harry , tentando ser prático . - Isto_é , seja o que for passa através_de ti , não é assim ? Tinha dito a frase errada . A Murta encheu o peito de ar e gritou a plenos pulmões : - Vamos todos atirar cadernos a a Murta já_que ela não sente nada ! Dez pontos se lhe acertarem em o estômago , cinquenta se lhe atravessar a cabeça ! Hah hah hah , que jogo lindo , não acham ? - Quem te atirou um caderno , afinal ? - perguntou o Harry . - Não sei ... eu estava sentada em a sanita a pensar em a morte e caiu me em cima de a cabeça - disse a Murta , olhando para eles . - Está ali , ficou todo molhado . Harry e Ron olharam para o ponto que a Murta lhes apontava debaixo de o lavatório . Um caderno pequenino e fino estava caído em o chão . Tinha uma capa preta muito gasta e estava encharcado como tudo em aquela casa_de_banho . Harry deu um passo em frente para o apanhar , mas o Ron agarrou lhe precipitadamente o braço . - O que foi ? - perguntou Harry . - Estás doido - disse ele . - Pode ser perigoso . - Perigoso ? - riu se Harry . - Essa agora Ron , como é_que pode ser perigoso ? - Ficarias surpreendido ... - explicou ele , olhando com ar apreensivo para o caderno . - Entre os livros que o Ministério confiscou , contou me o meu pai , havia um que queimava os olhos a as pessoas . E todos os que leram os * _ Sonetos_de_Um_Feiticeiro * ficaram a falar em verso para o resto de a vida . Havia também uma bruxa em Bath que tinha um livro que quem o lesse nunca mais conseguia parar , tinha de andar por aí com o nariz enfiado em as folhas , a fazer todas_as coisas só com uma mão e ... - Já chega , já chega , já percebi a tua ideia - disse O_Harry . O caderninho continuava caído e ensopado . - Bem , nunca saberemos a_não_ser_que tenhamos a coragem de dar uma vista de olhos - disse e mergulhou apanhando o de o chão . Harry viu imediatamente que se tratava de um diário e a data meio apagada , em a capa , disse lhe que tinha cinquenta anos de idade . Abriu o ansiosamente . Em a primeira página podia ler se apenas o nome T._M._Riddle em tinta esborratada . - Espera aí - disse o Ron que se aproximara prudentemente e olhava por cima de o ombro de Harry . - Eu conheço esse nome ... T._M._Riddle recebeu um prémio por serviços especiais prestados a a escola há cinquenta anos atrás . - Como diabo sabes tu isso ? - perguntou Harry com grande espanto . - Porque o Filch mandou me limpar a taça de ele umas cinquenta vezes quando estive de castigo - disse o Ron ressentido . - Foi a taça em cima de a qual eu vomitei lesmas . Se tivesses tido que limpar o muco de um nome durante uma hora também te lembrarias . Harry separou umas de as outras as páginas molhadas . Estavam completamente em branco . Não havia o mais leve sinal de escrita em nenhuma , nem coisas como « Aniversário de a tia Mabel « ou « Dentista a as três_e_meia » . - Ele nunca escreveu nada aqui - disse Harry desapontado . - Porque quereria alguém atirá o fora ? - perguntou se o Ron com curiosidade . Harry voltou o caderno e viu , inscrito em a contra capa , o nome de uma tabacaria em Vauxhall_Road , Londres . - Ele devia ser filho de Muggle - disse Harry pensativo - para ter comprado um diário em Vauxhall_Road ... - Bem , não te serve de muito - Ron baixou a voz . - Cinquenta pontos se acertares em o nariz de a Murta . Harry , mesmo_assim , guardou o diário . Hermione saiu de a ala hospitalar desbigodada , sem cauda e sem pêlo em os primeiros dias de Fevereiro . Em a primeira noite em a torre de os Gryffindor , Harry mostrou lhe o diário de T._M._Riddle e contou lhe como o tinham encontrado . - Ooooh ! Deve ter poderes ocultos - disse ela entusiasticamente , pegando em o diário e examinando o de perto . - Se tem , esconde os muito bem - disse Ron . - Talvez fosse tímido . Não sei porque não deitas isso fora , Harry . - Gostava de perceber porque motivo alguém se quis livrar de ele - explicou Harry . - E também não me importava de saber como foi que o Riddle obteve esse prémio de serviços especiais prestados a Hogwarts . - Pode ter sido qualquer coisa - lançou o Ron . - Talvez tenha recebido 30 de nota final ou salvo um professor de a lula gigante . Se_calhar assassinou a Murta , isso teria sido um favor prestado a todos ... Mas Harry quase podia jurar , por o olhar suspenso em a cara de Hermione , que ela pensava o mesmo_que ele . - O que foi ? - perguntou Ron , olhando para um e para o outro . - Bem , a Câmara_dos_Segredos foi aberta há cinquenta anos , não foi isso que disse o Malfoy ? - Sim - respondeu Ron , lentamente . - E este diário tem cinquenta anos de idade - completou Hermione , dando lhe palmadinhas nervosas . - E de aí ? - Oh Ron , acorda - insistiu Hermione . - Sabemos que a pessoa que abriu a câmara de a outra_vez foi expulsa há cinquenta anos . E se o Riddle tivesse tido o prémio especial por apanhar o herdeiro de Slytherin ? O seu diário diria nos provavelmente tudo : onde é a Câmara_dos_Segredos , como abris a e que tipo de criatura vive lá . Achas que a pessoa que está por trás de os ataques desta_vez quereria o diário por aí ? - É uma teoria interessante , Hermione - disse o Ron . - Apenas com uma pequenina falha : o diário não tem nada Mas_Hermione já estava a tirar a varinha de o saco . - Pode ser tinta invisível - murmurou . Bateu três vezes em o diário e repetiu * _ Aparecium ! * Nada aconteceu . Intrépida , Hermione meteu a mão de_novo em o saco e tirou o que parecia ser uma borracha vermelha e brilhante . - É um * revelador * , comprei o em a Diagon - _ Al - disse . Apagou com força em 1_de_Janeiro . Não sucedeu nada . - Já vos disse , não há nada aí - repetiu o Ron . - O Riddle deve ter recebido um diário como prenda de Natal e nem se deu a o trabalho de escrever fosse o que fosse . Harry não conseguia explicar , nem a si próprio , porque motivo não deitara fora o diário de Riddle . A verdade é_que , mesmo depois de saber que ele estava em branco , continuou distraidamente a pegar lhe e a virar as páginas como_se quisesse chegar a o fim de uma história . E , apesar_de saber que nunca tinha ouvido o nome T._M._Riddle , continuava a ter a sensação de que lhe dizia alguma coisa , como_se Riddle fosse um amigo que ele tinha tido quando era muito pequeno e que estivesse meio esquecido . Mas era um absurdo . Nunca tivera amigos antes de Hogwarts , Dudley tivera esse cuidado . Ainda_assim , Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle , por isso em o dia seguinte foi até a a sala de os troféus para examinar a taça , acompanhado de Hermione que estava interessadíssima e de Ron que se mostrava profundamente incrédulo , dizendo que tinha ficado farto de aquela sala até a o fim de a vida . A taça dourada de Riddle estava arrecadada em um armário de canto . Não fornecia detalhes sobre o motivo por_que lhe fora dada ( felizmente , se fosse maior ainda hoje estava a limpá a , disse o Ron ) . Mas encontraram o nome de Riddle em uma antiga medalha de Mérito_Mágico e em uma lista de antigos chefes de turma . - Parece o Percy - comentou Ron , torcendo o nariz com aversão . - Prefeito , chefe de turma , provavelmente o melhor em todas_as disciplinas . - Dizes isso como_se fosse uma coisa má - fez lhe notar Hermione , em um tom de voz ressentido . Um sol fraco brilhava agora de_novo em Hogwarts . Dentro de o castelo , o ambiente estava bastante melhor . Não tinha havido novos ataques desde Justin e Nick quase sem cabeça e Madam_Pomfrey teve a satisfação de informar que as Mandrágoras começavam a ficar instáveis e dissimuladas , sinal de que estavam a abandonar rapidamente a infância . - Logo_que o acne desapareça estarão prontas para novo transplante - ouviu a Harry dizer amavelmente a o Filch . - E depois de isso , não demorará muito até podermos cortá as e estufá as . - Vai ter Mrs._Norris de volta , muito em_breve . Talvez o herdeiro ou herdeira de Slytherin tenha perdido a coragem , pensou Harry . Deve ser cada_vez_mais arriscado abrir a Câmara_dos_Segredos com a escola tão alerta e desconfiada . Talvez o monstro , qualquer_que_fosse , estivesse a preparar se para hibernar durante outros cinquenta anos . Ernie_Mcmillan_dos_Hufilepuff não aceitou esta visão optimista . Continuava convencido de que Harry era o culpado , que se tinha traído em o clube de os duelos . Peeves não ajudava nada : continuava a cantar por os corredores Potter , * seu bandido * ... agora acompanhado de um esquema de dança . Gilderoy_Lockhart parecia pensar que fora ele quem pusera fim a os ataques . Harry fartou se de o ouvir dizer isso a a professora Mc_Gonagall enquanto os Gryffindor formavam bicha para a aula de Transfiguração . - Não creio que volte a haver problemas , Minerva - disse , tocando em o nariz com ar conhecedor e piscando o olho . - Acho que desta_vez a câmara foi definitivamente selada . O culpado deve ter sabido que era uma questão de tempo até eu o apanhar e que era mais sensato parar agora antes que eu lhe tratasse de a saúde . Sabe , a escola está a precisar de um intensificador de animo para apagar as lembranças de o último período . Não vou dizer lhe mais_nada , por enquanto , mas julgo que sei o que ... Voltou a tocar em o nariz e afastou se a passos largos . A ideia de Lockhart de um intensificador de ânimo ficou bastante clara em o dia_14_de_Fevereiro , a o pequeno-almoço . Harry não dormira grande coisa devido a o treino de Quidditch em a noite anterior e chegou a o salão um_pouco atrasado . Pensou , por momentos , que se tinha enganado em a porta . As paredes estavam todas cobertas com enormes e medonhas flores cor-de-rosa . Pior ainda , * confettis * em forma de corações caíam de o tecto azul pálido . Harry dirigiu se a a mesa de os Gryffindor onde o Ron estava sentado com um ar enjoado junto de Hermione que parecia particularmente risonha . - O que se passa ? - perguntou lhes , sentando se e sacudindo os * confettis * de o seu bacon . Ron apontou para a mesa de os professores , com um ar demasiado repugnado para falar . Lockhart , em as suas vestes rosa vivo , a condizer com a decoração de o salão , fazia sinal para que se calassem . Os professores que o ladeavam tinham um ar estupefacto . De o seu lugar , Harry podia ver um músculo mover se em a bochecha de a professora Mc_Gonagall . Snape estava com ar de quem tomou uma imensa dose de xarope * skele-gro * . - Feliz dia de S._Valentim - gritou Lockhart . - E permitam me que agradeça a as quarenta_e_seis pessoas que até agora me enviaram cartões . Sim , fui eu quem tomou a liberdade de vos fazer esta pequena surpresa , e ela não acaba aqui ! Lockhart bateu as palmas e por as portas de o * hall * entraram a marchar cerca de uma_dúzia de duendes de aspecto carrancudo . Não eram uns duendes quaisquer , diga se de passagem . Lockhart fizera os usar asas douradas e transportar harpas . - Os meus amigos cupidos , portadores de os cartões ! gritou Lockhart . - Eles vão andar por a escola durante o dia de hoje , entregando os vossos cartões de S._Valentim . E o divertimento não acaba aqui . Tenho a certeza de que os meus colegas vão querer participar em este espírito de festa . Porque não pedir a o professor Snape que vos mostre como preparar rapidamente uma poção de amor . E , enquanto ele a prepara , está aqui o professor Flitwick que é de todos os feiticeiros que conheci aquele que mais sabe de encantamentos de sedução , o grande safado ! O professor Flitwick enterrou o rosto em as mãos . Snape olhava como_se quisesse dar veneno a a primeira pessoa que fosse pedir lhe a poção de o amor . - Por favor , Hermione , diz me que não foste uma de as quarenta_e_seis - pediu Ron quando saíram de o salão para a primeira aula . Mas Hermione ficou subitamente muito interessada em procurar o horário dentro de a mala e não lhe respondeu . Durante todo o dia os duendes não pararam de se intrometer em as aulas para entregar cartões , para grande aborrecimento de os professores e , ao_fim_da_tarde , quando os Gryffindor subiam as escadas para a aula de encantamentos , um de eles avistou o Harry . - Hei , tu , Harry_Potter ! - gritou um duende de aspecto particularmente lúgubre , dando cotoveladas a_toda_a gente para se aproximar de o Harry . Coradíssimo com a ideia de receber um cartão de S._Valentim diante_de uma fila de alunos de o primeiro ano que , por acaso , incluía Ginny_Weasley , Harry tentou escapar se . Mas o duende cortou lhe o caminho através de a multidão e agarrou o em três tempos . - Tenho uma mensagem musical para entregar a Harry_Potter em pessoa - disse , tangendo a harpa de forma ameaçadora . - Aqui não - disse baixinho o Harry , tentando escapar . - Fica quieto - grunhiu o duende , agarrando o saco de o Harry e puxando com força . - Larga me - disse ele rispidamente , dando um puxão . Com um ruído de tecido a rasgar se , o saco dividiu se em dois . Os livros de Harry , varinha , pergaminho e pena espalharam se por o chão enquanto o tinteiro se partia em cima de as outras coisas . Harry pôs se de gatas , tentando apanhar tudo antes que o duende começasse a cantar , provocando um engarrafamento em o corredor . - O que se passa aqui ? - perguntou a voz fria e afectada de Draco_Malfoy . Harry , nervosíssimo , começou a guardar tudo dentro de o saco rasgado , desesperado para sair de ali antes que Malfoy pudesse ouvir o seu S._Valentim musical . - Que confusão é esta ? - disse outra voz familiar . Percy_Weasley tinha chegado . De cabeça perdida , Harry tentou fugir , mas o duende agarrou o por os joelhos e fê lo cair a o chão . - Certo - disse , sentando se em os tornozelos de Harry . Eis o teu cartão musical : * _ Os olhos de ele são verdes como o sapo de o quintal * _ O seu cabelo é escuro como um temporal * _ É um desatino , oh ! ele é divino ! * _ O herói que venceu o Senhor_do_Mal * . Harry teria dado todo o ouro de Gringotts para se evaporar em aquele momento . Tentando corajosamente rir se com todos os outros , levantou se . Sentia os pés dormentes de o peso de o duende . Enquanto isso , Percy_Weasley fazia todos os possíveis por dispersar a multidão onde havia gente que chorava de hilaridade . - Vamos embora , vamos embora , a campainha tocou há cinco minutos para as aulas - dizia , enxotando alguns de os alunos mais novos . - E tu , Malfoy . Harry olhou e viu Malfoy inclinar se , apanhar qualquer coisa e com um olhar maldoso mostrá a a Crabbe e Goyle . Percebeu que era o diário de Riddle . - Dá cá isso - exigiu com toda_a calma . - O que será que o Potter escreveu aqui ? - disse Malfoy que obviamente não reparara em a data e pensou que tinha em as mãos o diário de o Harry . Houve uma agitação em os presentes . Ginny olhava apavorada para o diário e para Harry . - Dá lhe isso , Malfoy - disse Percy com firmeza . - Depois de dar uma vista de olhos - retorquiu Malfoy , acenando a Harry com o diário de forma provocatória . Percy disse : - Como Prefeito de a escola ... - mas Harry perdera a paciência . Pegou em a varinha e gritou * _ Expelliarmus * e assim_como Snape desarmara Lockhart , MalLoy viu o diário saltar lhe de as mãos e elevar se em o ar enquanto Ron o apanhava sorridente . - Harry - disse Percy levantando a voz . - Não quero magia em os corredores . Vou ter de participar isto , sabes perfeitamente . Mas Harry não se importou . Tinha ganho uma_vez a Malfoy e isso valia bem cinco pontos a menos para os Gryffindor . Malfoy estava furioso e quando a Ginny passou por ele a caminho de a sala de aula , gritou lhe com desprezo : - Não creio que o Potter tenha gostado lá muito de o teu cartão de S._Valentim . Ginny tapou a cara e correu para a aula . Aborrecido , Ron pegou também em a varinha , mas Harry afastou o . Era melhor que ele não passasse a aula de encantamentos a vomitar lesmas . Só quando entraram em a sala de aula de o professor Flitwick é_que Harry reparou em uma coisa bastante estranha em o diário de Riddle . Todos os outros livros estavam cheios de tinta vermelha , mas o diário mantinha se tão limpo como antes de o tinteiro se ter entornado em cima de ele . Tentou chamar a atenção de Ron para este facto , mas ele estava novamente a ter um problema com a varinha : de a extremidade saíam grandes bolhas roxas e ele não parecia interessado em mais_nada . Em essa noite , Harry foi deitar se antes de os outros companheiros de dormitório , em parte porque já não conseguia suportar o Fred e o George a cantarem * _ Os seus olhos são verdes como o sapo de o quintal * e em parte porque queria voltar a examinar o diário de Riddle e sabia que em a opinião de o Ron era uma pura perda de tempo . Sentou se em a cama de dossel e folheou as páginas em branco em as quais não se via uma única mancha de tinta escarlate . Tirou então outro tinteiro de o armário a o lado de a cama , molhou a pena e deixou cair um borrão em a primeira página de o diário . A tinta brilhou em o papel durante um segundo e , em seguida , como_se a página a tivesse sugado , desapareceu sem deixar rasto . Depois , finalmente , algo aconteceu . Deslizando sobre a página em a cor de a sua tinta , surgiram palavras que Harry não escrevera . - * _ Olá_Harry_Potter . O meu nome é Tom_Riddle . Como é_que encontraste o meu diário ? * Também estas palavras desapareceram , mas não sem que Harry tivesse respondido . - Alguém tentou lançá o em uma sanita . Esperou ansiosamente por a resposta de Riddle . - * _ Felizmente guardei as minhas memórias de uma forma mais duradoura do_que a tinta . Mas sempre soube que haveria quem não iria querer que o diário fosse lido . * - O que queres dizer com isso ? - escrevinhou Harry , borrando a página com o nervosismo . - * _ Quero dizer que este diário contém memórias de coisas terríveis . Coisas que foram abafadas . Coisas que aconteceram em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . * - É onde eu estou agora - escreveu Harry rapidamente . - Estou em Hogwarts e estão a acontecer coisas horríveis . Sabes alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? O coração parecia querer saltar lhe de o peito . A resposta de Riddle não se fez esperar , a letra tornara se mais desordenada como_se tivesse pressa em contar lhe tudo_o_que sabia . - * _ É claro que sei de a Câmara_dos_Segredos . Em o meu tempo diziam nos que era uma lenda , que não existia , mas era mentira . Quando eu estava em o quinto ano a Câmara_dos_Segredos foi aberta e o monstro atacou vários estudantes , acabando matar um . Eu apanhei a pessoa que abriu a câmara e ele foi expulso . Mas o director , o professor Dippet , envergonhado por uma coisa de aquelas ter acontecido em Hogwarts , proibiu me de contar a verdade . Foi divulgada uma história dizendo que a rapariga morrera de um acidente extravagante . Deram me um troféu brilhante com o meu nome gravado e avisaram me para ficar calado . Mas eu sabia que ia voltar a acontecer . O monstro sobreviveu e aquele que tinha o poder para o libertar não foi para a prisão . * Harry quase entornou o tinteiro em a pressa de responder . - Está a acontecer outra_vez . Houve três ataques e ninguém parece saber quem está por_detrás_de tudo_isto . Quem foi de a última vez ? - * _ Posso mostrar te , se quiseres * - foi a resposta de o Riddle . - * _ Não tens de acreditar só em a minha palavra . Posso levar te a o fundo de a minha memória de a noite em que o apanhei . * Harry hesitou com a pena em o ar sobre o diário . O que quereria ele dizer ? Como poderia entrar em a memória de outra pessoa ? Olhou inquieto para a porta de o dormitório que começava a ficar escuro . Quando pôs de_novo os olhos em o diário viu as palavras que se formavam . - * _ Deixa-me mostrar te . * Harry parou durante uma fracção de segundo e depois escreveu duas letras . - O. _ K._As páginas de o diário começaram a esvoaçar como_se tivessem sido apanhadas em uma ventania , parando a meio de o mês_de_Junho . Boquiaberto , Harry viu que o quadradinho de 13_de_Junho se transformara em um pequeno ecrã de televisão . Com as mãos ligeiramente trémulas levantou o livro para encostar os olhos a a janelinha e antes de perceber o que estava a passar se , deu consigo inclinado para a frente com a janela a abrir se . O corpo abandonava a cama e era lançado de cabeça , por a abertura de a página , em um turbilhão de cor e sombras . Sentiu os pés tocarem em terra firme e pôs se de pé a tremer enquanto as formas desfocadas se tornavam subitamente nítidas . Soube imediatamente onde estava . Aquela sala circular com os retratos adormecidos era o escritório de Dumbledore , mas não era Dumbledore quem estava atrás de a secretária . Um feiticeiro mirrado , de aspecto débil e quase careca lia uma carta a a luz de as velas . Harry nunca vira aquele homem antes . - Desculpe - disse com a voz a tremer . - Eu não queria intrometer me ... Mas o feiticeiro não olhou . Continuou a ler , franzindo levemente as sobrancelhas . Harry aproximou se de a secretária e gaguejou : - Er ... eu vou me embora , está bem ? E o feiticeiro continuou a ignorá o . Parecia nem_sequer ter ouvido . Pensando que talvez ele fosse surdo , Harry falou mais alto . - Desculpe tê o incomodado - disse quase a gritar . O feiticeiro dobrou a carta com um suspiro . Pôs se de pé , passou por Harry sem olhar para ele e foi abrir os cortinados de a janela . O céu , lá fora , estava vermelho-rubi . Devia ser o pôr de o Sol . O feiticeiro voltou para a secretária , sentou se e girou os polegares , olhando para a porta . Harry olhou em volta . Não viu Fawkes , a fénix , nem as engenhocas prateadas que sibilavam . Aquela Hogwarts era a que Riddle conhecera e , portanto , aquele feiticeiro desconhecido era o director de então , não Dumbledore e ele , Harry , era pouco mais que um fantasma , totalmente invisível a as pessoas de há cinquenta anos atrás . Alguém bateu a a porta . - Entre - disse o velho feiticeiro , em uma voz fraca . Um rapazinho de dezasseis anos entrou , tirando o chapéu pontiagudo . Em o seu peito brilhava um distintivo prateado de prefeito . Era muito mais alto do_que Harry , mas tinha , tal_como ele , cabelo preto asa de corvo . - Ah ! Riddle - disse o director . - Queria falar comigo , professor Dippet ? - perguntou ele com ar nervoso . - Senta te - disse Dippet . - Tenho estado a ler a carta que me mandaste . - Oh ! - exclamou Riddle , sentando se e apertando as mãos uma contra a outra . - Meu rapaz - disse Dippet amavelmente . - Eu não posso deixar te ficar em a escola durante o Verão . Com certeza queres ir para_casa em as férias ? - Não - respondeu Riddle , sem perder tempo . - Prefiro mil vezes ficar em Hogwarts a ter de voltar a aquela ... aquela ... - Tu vives em um orfanato de Muggles durante as férias , não é assim ? - perguntou Dippet com curiosidade . - Sim senhor - disse Riddle , corando um_pouco . - És filho de Muggles ? - Meio sangue , professor - explicou Riddle . - Pai_Muggle , mãe bruxa . - E o teu pai e a tua mãe ... - A minha mãe morreu pouco depois de eu nascer , professor , contaram me em o orfanato que só teve tempo de me dar o nome : Tom , como o meu pai , Marvolo como o meu avô . Dippet estalou a língua solidariamente . - O que acontece , Tom - suspirou - é_que ... podia ter se arranjado uma situação especial para ti , mas em as circunstâncias actuais ... - Refere se a os ataques , professor ? - perguntou Riddle e o coração de Harry deu um salto , aproximando se com medo de perder alguma coisa . - Precisamente - disse o director . - Meu rapaz , compreendes que seria uma imprudência de a minha parte deixar te ficar em o castelo quando o período acabar , principalmente a a luz de a recente tragédia ... a morte de aquela pobre moça ... estarás sem dúvida em maior segurança em o orfanato . Em a verdade , o ministro de a magia até fala em fechar a escola . Não estamos nada perto_de localizar ... er ... a fonte de toda esta história desagradável . Os olhos de Riddle tinham se aberto mais . - Professor , se essa pessoa fosse apanhada ... se tudo acabasse . . . - Que queres dizer com isso ? - perguntou Dippet com voz aguda , endireitando se em a cadeira . - Riddle , tu sabes alguma coisa sobre estes ataques ? - Não senhor - respondeu ele de imediato . Mas Harry sabia que era o mesmo tipo de « não » que ele dissera a Dumbledore . Dippet afundou se de_novo com um ar de profundo desapontamento . - Podes ir , Tom . Riddle esgueirou se de a cadeira e saiu de a sala . Harry seguiu o . Desceram por a escada em espiral , saindo junto de a gárgula em o corredor que escurecia . Riddle parou e Harry fez o mesmo , olhando para ele . Quase podia apostar que ele pensava seriamente em alguma coisa . Mordia o lábio e tinha as sobrancelhas franzidas . A certa altura , como_se tivesse acabado de tomar uma decisão , começou a andar mais depressa com Harry a segui o ruidosamente . Não viram mais ninguém , a não ser quando chegaram a o * hall * de entrada onde um feiticeiro alto de longos cabelos ruivos e barba chamou Riddle de a escadaria de mármore . - O que andas a fazer por aqui tão tarde , Tom ? Harry olhou para o feiticeiro . Não era outro senão Dumbledore com cinquenta anos a menos . - Tive de ir falar com o director - justificou se Riddle . - Bem , agora vai depressa para a cama - disse Dumbledore , olhando Riddle com aquele olhar penetrante que Harry conhecia tão bem . - É melhor não andar a passear por os corredores em os dias que correm , pelo_menos até ... Suspirou profundamente , deu as boas-noites a o Riddle e foi se embora . Riddle viu o desaparecer e , sem perder tempo , desceu os degraus de pedra até a os calabouços com Harry em a peugada . Mas para seu grande desconsolo , Riddle não o conduziu a nenhum corredor ou túnel secreto e sim a o calabouço onde ele costumava ter aulas de poções com o Snape . As tochas não tinham sido acesas e quando Riddle empurrou a porta quase fechada , Harry só conseguiu vê o a ele , de pé , quieto junto de a porta , olhando para o corredor . Pareceu a Harry que ficaram ali quase uma hora . Tudo_o_que via era a silhueta de Riddle junto de a porta , olhando fixamente através de a greta , a a espera . Como_se fosse uma estátua . E quando Harry tinha abandonado todas_as expectativas e começava a desejar voltar a o presente , ouviu alguma coisa que se movia atrás de a porta . Alguém avançava lentamente por o corredor . Ouviu a pessoa , quem quer que fosse , passar por o calabouço onde ele e Riddle estavam escondidos . Riddle , silencioso como uma sombra , esgueirou se por a porta e seguiu o com Harry em bicos de pés atrás de ele , esquecido de que podia fazer barulho a a vontade porque ninguém o ouvia . Durante cerca de cinco minutos seguiram lhe os passos até que Riddle parou repentinamente com a cabeça inclinada em a direcção de novos ruídos . Harry ouviu uma porta a abrir se e em seguida alguém falou em um murmúrio rouco . - Vá lá , temos que sair de aqui ... vá lá , dentro de a caixa ... Havia algo de familiar em aquela voz . Riddle deu subitamente uma volta e Harry seguiu o . Podia ver a silhueta escura de um rapaz enorme que estava inclinado em frente de a porta aberta , com uma grande caixa a o lado . - Boa noite , Rubeus - disse Riddle secamente . O rapaz fechou a porta e pôs se de pé . - O que estás a fazer aqui , Tom ? Riddle aproximou se . - Acabou se - disse . - Vou ter de entregar te , Rubeus . Falam em fechar Hogwarts se os ataques não terminarem . - O que é_que tu ... ? - Eu acho que tu não quiseste matar ninguém , mas os monstros não são os melhores animais domésticos . Tu só quiseste deixá o sair para andar um_pouco e ... - Ele não matou ninguém - disse o rapaz grande , recuando contra a porta fechada . Lá de dentro vinham uns estranhos roncos e rugidos . - Vamos , Rubeus - disse Riddle , aproximando se mais ainda . - Os pais de a rapariga que morreu estarão aqui amanhã . O mínimo que Hogwarts pode fazer é assegurar lhes que aquilo que matou a filha de eles foi abatido ... - Não foi ele - gemeu o rapaz cuja voz ecoou em o corredor escuro . - Ele não faria isso ... ele nunca ... - Afasta te - disse Riddle , pegando em a varinha . O encantamento iluminou o corredor com uma luz brilhante . A porta atrás de o rapaz grande abriu se de par em par com tanta força que o atirou contra a parede . E de lá de dentro saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito que ninguém mais ouviu a não ser ele próprio . Tinha um corpo imenso , magro e peludo e um emaranhado de pernas pretas , a cintilação de muitos olhos e um par de tenazes afiadas . Riddle levantou de_novo a varinha , mas era tarde de mais . A coisa deixara o atarantado e corria apressadamente , precipitando se por o corredor e desaparecendo . Riddle pôs se de pé , olhou a a procura de o monstro , levantou a varinha , mas o rapaz grande saltou sobre ele , tirou lhe a varinha de as mãos e lançou o a o chão , gritando : - Naaaaaão ! A cena rodopiou . A escuridão tornou se total . Harry sentiu se a cair e com um embate aterrou como uma águia de patas e asas abertas em a sua cama de dossel , em o dormitório de os Gryffindor , o diário de Riddle aberto sobre o estômago . Antes de ter tido tempo de normalizar a respiração , a porta de o dormitório abriu se e o Ron entrou . - Aí estás tu - disse . Harry sentou se . Transpirava e tremia . - O que se passa ? - perguntou Ron , olhando aflito para ele . - Foi o Hagrid , Ron . O Hagrid abriu a Câmara_dos_Segredos há cinquenta anos atrás . XIV_Cornelius_Fudge_Harry , Ron e Hermione sabiam há muito_tempo que Hagrid tinha uma triste predilecção por criaturas grandes e monstruosas . Em o primeiro ano que passaram em Hogwarts , ele tentara criar um dragão em a sua pequena cabana de madeira e levaram muito_tempo a esquecer o gigantesco cão de três cabeças que ele baptizara de « fofinho » . E se , em rapaz , Hagrid tinha ouvido dizer que havia um monstro escondido em o castelo , Harry tinha a certeza que ele teria feito os impossíveis por descobri o . Provavelmente achou que era uma injustiça o monstro estar fechado tanto tempo e pensou que ele merecia a oportunidade de esticar as suas muitas pernas . Harry imaginava perfeitamente o Hagrid a os treze anos a tentar pôr uma coleira e uma trela a o monstro . Mas tinha igualmente a certeza de que ele nunca teria querido matar ninguém . De certo modo , Harry desejava não ter descoberto como utilizar o diário de Riddle . Ron e Hermione fizeram o contar repetidas vezes o que vira até ele ficar farto de repetir o mesmo e farto de a conversa circular que se seguia . - O Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse , de essa vez , Hermione . - O monstro que atacava as pessoas podia ser outro .... - Quantos monstros achas tu que pode haver em este lugar ? - perguntou o Ron aborrecido . - Sempre soubemos que o Hagrid tinha sido expulso - disse Harry tristemente - E os ataques devem ter terminado quando ele foi expulso . Se não fosse assim , Riddle não teria recebido um prémio . Ron tentou um caminho diferente . - O Riddle parece o Percy , quem lhe pediu afinal que deitasse abaixo o Hagrid ? - Mas o monstro tinha morto uma pessoa , Ron - insistiu Hermione . - E o Riddle ia ter de voltar para um orfanato Muggle se Hogwarts fosse fechada - disse Harry . - Não posso culpá o por querer ficar aqui ... Ron mordeu o lábio e a seguir sugeriu : - Tu encontraste o Hagrid em a Rua * _ Bativolta * , não foi ? - Ele estava a comprar repelente para lesmas - disse Harry rapidamente . Ficaram os três em silêncio . Depois de uma longa pausa , Hermione , em uma voz hesitante , formulou a pergunta mais complicada de todas : - Não acham que devíamos ir ter com ele e perguntar lhe ? - Essa seria uma visita simpática - disse o Ron . - Olá , Hagrid , diz nos uma coisa , soltaste por acaso alguma coisa louca e peluda por o castelo em estes últimos tempos ? Por fim , decidiram não dizer nada a o Hagrid a_não_ser_que houvesse outro ataque e à_medida_que passava mais tempo sem murmúrios de a voz sem corpo começaram a acreditar , esperançosos , que nunca mais teriam de falar sobre o motivo por_que fora expulso . Tinham passado já quase quatro meses desde o dia em que o Justin e o Nick quase sem cabeça tinham sido petrificados e quase toda_a_gente parecia pensar que o atacante , quem quer que ele fosse , se retirara para sempre . Peeves fartara se de a sua canção * _ Oh_Potter , seu bandido * , Ernie_Mcmillan pediu educadamente a o Harry , em a aula de herbologia , que lhe passasse um balde de cogumelos saltitantes e , em Março , várias mandrágoras deram uma festa ruidosa e roufenha em a estufa número três . A professora Sprout estava muito satisfeita . - Mal elas comecem a tentar mover se para os vasos umas de as outras , saberemos que estão maduras - disse ela a o Harry . - Nessa_altura poderemos reanimar aquelas pobres criaturas que estão em a ala hospitalar . Os alunos de o segundo ano tinham agora uma coisa nova em que pensar durante as férias de a Páscoa . Chegara a altura de escolherem as matérias de o terceiro ano , um assunto que Hermione , pelo_menos , tomou muito a sério . - Pode afectar todo o nosso futuro - disse a o Harry e a o Ron a o vê os ler cuidadosamente as listas de as novas matérias e pôr um V em frente de cada uma . - Eu só quero ver me livre de as poções - disse Harry . - Não podemos - explicou Ron tristemente . - Mantemos todas_as matérias antigas ou eu teria me livrado de a Defesa contra as artes negras . - Mas é muito importante - disse Hermione chocada . - Não de a maneira como Lockhart a dá - insistiu Ron . - Não aprendi nada até agora a não ser a nunca mais libertar duendes . Neville_Longbottom recebera cartas de todas_as bruxas e feiticeiros de a família , cada_um dando um conselho diferente sobre o que ele deveria escolher . Confuso e preocupado , sentou se a ler a lista de matérias , dando estalinhos com a língua e perguntando a as pessoas se achavam que a aritmancia seria mais difícil do_que o estudo de as runas em a Antiguidade . Dean_Thomas que , tal_como Harry , fora criado com Muggles , acabou por fechar os olhos e atirar a varinha contra a lista , escolhendo as matérias onde ela aterrava . Hermione não pediu conselho a ninguém e inscreveu se em todas . Harry sorriu de si para consigo imaginando como seria uma conversa com o tio Vernon e com a tia Petúnia sobre a sua carreira em feitiçaria . Não que não tivesse tido orientação : Percy_Weasley estava ansioso por partilhar a sua experiência . - Tudo depende de o lugar para_onde queres ir , Harry - disse ele . - Nunca é cedo de mais para pensar em o futuro , por isso eu aconselho te a adivinhação . As pessoas dizem que os estudos de Muggles são uma opção leve mas eu , pessoalmente , acho que os feiticeiros deveriam ter uma compreensão profunda de a comunidade não mágica , muito especialmente se pensarem em trabalhar em íntimo contacto com eles . Vê o meu pai que tem de lidar com assuntos de os Muggles a_toda_a hora . O meu irmão Charles foi sempre mais um tipo de o exterior , por isso foi para o Centro_de_Cuidados com as Criaturas_Mágicas . Segue os teus sentimentos , Harry . Mas a única coisa em que Harry sentia que era mesmo bom era o Quidditch . Por fim , acabou por escolher as mesmas matérias que o Ron escolhera , pensando que se fosse péssimo em elas pelo_menos tinha alguém amigo para o ajudar . O próximo jogo de Quidditch_dos_Gryffindor era contra os Hufflepuff . Wood insistia em treinos de equipa todas_as noites depois de jantar , por isso Harry não tinha tempo para mais_nada a não ser para o Quidditch e para os trabalhos de casa . Mas as sessões de treino estavam a melhorar ou pelo_menos estavam mais secas e em a véspera de o jogo de sábado ele foi a o dormitório guardar a vassoura , sentindo que as hipóteses de os Gryffindor ganharem a taça de Quidditch nunca tinham sido tão boas . Mas a sua boa disposição não durou muito . Em o cimo de as escadas que levavam a o dormitório encontrou o Neville_Longbottom nervosíssimo . - Harry , não sei quem fez aquilo , eu fui encontrar ... Olhando receoso para Harry , Neville empurrou a porta . O conteúdo de a mala de Harry fora espalhado por toda_a divisão . O seu manto estava em o chão rasgado . A roupa de cama tinha sido puxada de a cama de dossel e a gaveta de o armário que se encontrava a a cabeceira de a cama fora arrancada , estando o seu conteúdo espalhado sobre o colchão . Harry aproximou se de a cama boquiaberto , pisando algumas páginas soltas de * _ Viagens com Duendes * . Quando ele e Neville estavam a puxar os cobertores para_cima , entraram o Ron e o Dean_Seamas . Dean praguejou alto . - O que é isto , Harry ? - Não faço ideia - disse ele . Mas o Ron estava a examinar as vestes de Harry e todos os bolsos estavam de o avesso . - Alguém andou a a procura de qualquer coisa - disse o Ron . - Dás por falta de alguma coisa ? Harry começou a apanhar o que estava caído , lançando tudo dentro de a mala . Só quando atirou o último livro de Lockhart é_que se apercebeu do_que faltava . - O diário de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a o Ron . - O quê ? Harry fez lhe sinal em direcção a a porta de o dormitório e apressaram se a chegar a a sala comum de os Gryffindor que estava quase vazia e onde foram encontrar Hermione sozinha a ler * _ As_Runas_Antigas a o Alcance_de_Todos * . Hermione ficou aterrada com as notícias . - Mas ... só um Gryffindor podia tê o roubado ... ninguém mais conhece a nossa senha ... - Exactamente - disse Harry . Acordaram em o dia seguinte com um sol brilhante e uma brisa agradável . - Condições ideais para o Quidditch ! - exclamou Wood , cheio de entusiasmo , a a mesa de os Gryffindor , enchendo os pratos de os elementos de a sua equipa de ovos mexidos . - Harry , anima te , precisas de um pequeno-almoço decente . Harry tinha estado a olhar para a mesa cheia de alunos de os Gryffindor , perguntando a si próprio se o novo dono de o diário de Riddle estaria ali mesmo em frente de os seus olhos . Hermione insistira para que ele participasse o roubo mas ele não gostou de a ideia . Teria de contar a um professor tudo sobre o diário , e quantas pessoas saberiam o motivo por_que Hagrid fora expulso há cinquenta anos ? Não queria ser ele a fazer com que relembrassem tudo aquilo . Quando saiu de o salão com o Ron e a Hermione para ir buscar o material de Quidditch , outra preocupação viera juntar se a a sua lista cada_vez maior . Tinha acabado de pisar os degraus de a escadaria de mármore quando ouviu de_novo a voz : - * _ Matar desta_vez ... deixem me rasgar ... romper * ... Deu um grito e Ron e Hermione saltaram alarmados . - A voz - disse Harry , olhando por cima de os ombros de eles . - Acabo de a ouvir de_novo , vocês não ouviram nada ? Ron abanou a cabeça de olhos muito abertos Mas_Hermione bateu com a mão em a testa . - Harry , acho que percebi uma coisa . Tenho que ir a a biblioteca . E disparou a correr por as escadas acima . - O que é_que ela percebeu ? - disse Harry distraidamente , ainda a olhar em volta , tentando determinar de onde vinha a voz . - Mas porque teve ela que ir a a biblioteca ? - Porque a Hermione é assim - disse o Ron , encolhendo os ombros - Quando tem uma dúvida , vai a a biblioteca . Harry manteve se hesitante , tentando captar novamente a voz mas as pessoas começavam a sair de o salão , falando alto , passando por a porta principal e encaminhando se para o estádio de Quidditch . - É melhor ires indo - aconselhou Ron . - São quase onze horas , olha o jogo . Harry deu uma corrida até a a torre de os Gryffindor , pegou em a sua Nimbus dois_mil e juntou se a a vasta multidão que enchia os campos , mas o seu pensamento estava ainda em o castelo , em aquela voz sem corpo e quando pôs as roupas vermelhas , o seu único conforto foi pensar que estavam todos lá fora para assistir a o jogo . As equipas entraram em campo a o som de um tumulto de aplausos . Oliver_Wood fez um voo de aquecimento em volta de os postes , Madam_Hooch soltou as bolas . Os Hufflepuff que tinham fatos amarelo-canário estavam reunidos em grupo em uma discussão de última hora sobre as tácticas . Harry subia para a vassoura quando a professora Mc_Gonagall atravessou o campo , meio a andar , meio a correr , transportando um enorme megafone roxo . O coração de Harry caiu lhe a os pés . - Este jogo foi cancelado - gritou por o megafone a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a o estádio apinhado . Ouviram se Uuuus e assobios . Oliver_Wood , com um ar infelicíssimo , aterrou e correu para a professora McGonagall sem sair de a vassoura . - Mas , professora - gritou - temos de jogar ... a taça ... os Gryffindor ... A professora Mc_Gonagall ignorou o e continuou a gritar por o megafone . - Pede se a os estudantes que regressem a as salas comuns de as respectivas equipas onde os chefes de equipa lhes darão mais informações . O mais depressa possível , se fazem favor ! Em seguida , baixou o megafone e fez sinal a o Harry para que se aproximasse . - Potter , é melhor vires comigo ... Perguntando a si próprio que suspeita poderia ela ter contra ele , desta_vez , Harry viu Ron desligar se de a multidão discordante e vir a correr juntar se lhes , enquanto eles se dirigiam para o castelo . Para sua grande surpresa Mc_Gonagall não pôs qualquer objecção . - Sim , talvez seja melhor vires também , Weasley . Alguns de os estudantes que os rodeavam reclamavam por o jogo ter sido cancelado , outros tinham um ar preocupado . Harry e Ron seguiram a professora Mc_Gonagall de volta a a escola e através de a escadaria de pedra . Mas desta_vez não foram levados a nenhum escritório . - Isto vai chocar vos um_pouco - disse a professora Mc_Gonagall em um tom de voz surpreendentemente suave quando estavam a aproximar se de a ala hospitalar . - Houve outro ataque ... outro ataque duplo . As vísceras de o Harry deram um salto mortal . A professora Mc_Gonagall abriu a porta e ele e Ron entraram . Madam_Pomfrey estava inclinada sobre uma rapariga de o quinto ano de cabelos longos a os caracóis que Harry reconheceu como sendo a colega de os Ravenclaw a quem , por engano , tinham perguntado o caminho para a sala comum de os Slytherin . E , em a cama a o lado de ela , estava ... - Hermione - gemeu o Ron . Hermione jazia totalmente quieta , os olhos abertos e vítreos . - Foram encontradas perto de a biblioteca - disse a professora Mc_Gonagall . - Calculo que nenhum de vocês possa explicar isto ? Estava em o chão , junto de ela . A professora tinha em as mãos um pequeno espelho redondo . Harry e Ron acenaram negativamente com as cabeças , ambos com os olhos fixos em Hermione . - Eu acompanho vos a a torre de os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall pesadamente . - De qualquer modo tenho de falar com os alunos . - Os alunos regressarão a as salas comuns de as respectivas equipas , todos_os_dias , a as seis_horas_da_tarde . Nenhum aluno deverá sair de os dormitórios depois de isso . Serão escoltados até a as aulas por um professor . Nenhum aluno deverá ir a a casa_de_banho sem um professor a acompanhá o . Todos os treinos e jogos de Quidditch estão suspensos a_partir_de agora . Não haverá mais actividades nocturnas . Os Gryffindor , que enchiam a sala comum , ouviram em silêncio a professora Mc_Gonagall . Ela enrolou o pergaminho que acabara de ler e disse em uma voz algo chocada : - Não é preciso acrescentar que nunca me senti tão desolada . É provável que a escola seja encerrada se não for apanhado o culpado de todos estes ataques . Quero pedir que se algum de vocês achar que sabe alguma coisa sobre eles venha imediatamente ter comigo . Mal ela subiu , de forma um_pouco desastrada , por o buraco de o retrato , os Gryffindor começaram logo a falar . - São dois Gryffindor a menos , sem contar com o fantasma de os Gryffindor , um Ravenclaw e um Hufflepuff - disse o amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , contando por os dedos . - Não terá nenhum de os professores reparado que os Slytherin estão a salvo ? Será que não é óbvio que tudo_isto vem de eles ? O herdeiro de Slytherin , o monstro de Slytherin , porque não expulsam todos os Slytherin ? - resmungou , recebendo acenos e aplausos de todos os lados . Percy_Weasley estava sentado em uma cadeira atrás_de Lee , mas por uma_vez não pareceu querer expor os seus pontos de vista . Estava pálido e aturdido . - O Percy está em estado de choque - disse o George baixinho a o Harry . - Aquela rapariga de os Ravenclaw , Penelope_Clearwater , é prefeita . Acho que ele nunca tinha pensado que o monstro pudesse atacar um prefeito . Mas Harry não estava a ouvi o com atenção . Não conseguia esquecer a imagem de Hermione deitada em a cama de o hospital , como_se estivesse esculpida em pedra . E se o culpado não fosse apanhado rapidamente tinha em a frente uma vida inteira com os Dursley . Tom_Riddle entregara o Hagrid porque fora confrontado com a possibilidade de um orfanato Muggle se a escola fechasse . Harry sabia exactamente o que ele sentira . - Que vamos nós fazer ? - disse lhe o Ron baixinho a o ouvido . - Achas que eles suspeitam de o Hagrid ? - Temos de falar com ele - disse Harry , tomando uma decisão . - Não acredito que tenha culpa desta_vez , mas se ele libertou o monstro há cinquenta anos , sabe com certeza como entrar em a Câmara_dos_Segredos , o que já é um princípio . - Mas a Gonagall disse que temos que ficar em a torre a_não_ser_que estejamos em as aulas ... - Eu acho - disse Harry ainda mais baixo - que chegou a altura de tirar outra_vez de a mala o manto de o meu pai . Harry herdara apenas uma coisa de o pai : o enorme manto prateado de a invisibilidade . Era a única maneira de poderem esgueirar se de a escola para fazer uma visita a o Hagrid , sem que ninguém de esse por isso . Deitaram se a a hora de o costume , esperaram que o Neville , o Dean e o Seamas adormecessem para se levantarem , vestirem se de_novo e taparem se com o manto . A viagem por os corredores de o castelo escuro e deserto não era nada agradável . Harry que vagueara por ali muitas_vezes durante a noite nunca vira tanta gente depois de o pôr de o Sol . Professores , prefeitos e fantasmas andavam por os corredores a os pares , olhando em volta , em busca de qualquer actividade fora de o habitual . O manto de a invisibilidade não impedia que fizessem barulho e houve um momento particularmente tenso em que o Ron deu uma topada a menos_de um metro de o lugar onde Snape se encontrava . Felizmente Snape espirrou em o preciso momento em que o Ron praguejava . Foi com grande alívio que chegaram a as portas de carvalho de a entrada principal . Estava uma noite clara e cheia de estrelas . Dirigiram se apressadamente para as janelas iluminadas de a casa de Hagrid e só tiraram o manto mesmo em frente de a porta . Poucos segundos depois de terem batido abriu se a porta . Ficaram frente_a_frente com Hagrid que lhes apontou uma besta enquanto Fang , o cão caçador de javalis , ladrava furiosamente atrás de ele . - Oh ! - disse , baixando a arma quando viu que eram eles . - O que estão vocês a fazer aqui ? - Para que é isso ? - perguntou Harry , apontando para a besta , enquanto entrava . - Nada , não é nada - murmurou Hagrid . - Tenho estado a a espera ... não tem importância , sentem se que eu vou fazer um chá . Dava a impressão de não saber o que fazia . Quase apagou a lareira , vertendo a água de a chaleira em o lume e em seguida esmagou o bule com um gesto de a sua mão maciça . - Estás bem , Hagrid ? - perguntou Harry . - Soubeste de a Hermione ? - Soube , sim - disse ele com um leve tremor em a voz . Continuava a olhar nervosamente para as janelas . Deu lhe os duas grandes canecas de água a ferver ( esquecera se de juntar o chá ) e estava a acabar de pôr em um prato uma fatia grossa de bolo de frutas quando alguém bateu energicamente a a porta . Hagrid deixou cair o bolo . Harry e Ron trocaram entre si olhares de pânico e , em seguida , cobriram se com o manto de a invisibilidade e esconderam se em um canto . Hagrid assegurou se de que eles estavam bem escondidos , pegou em a besta e abriu , mais_uma_vez , a porta . - Boa noite , Hagrid . Era_Dumbledore . Entrou com um ar muito sério , seguido de um homem bizarro . O estranho era um homenzinho pequenino , de porte majestoso com cabelos grisalhos desalinhados e uma expressão de ansiedade em o rosto . Usava uma inesperada mistura de roupas . Um fato a as riscas , uma gravata vermelho escarlate , um longo manto negro e umas botas roxas pontiagudas . Debaixo de o braço trazia um chapéu de coco verde lima . -- É o patrão de o meu pai - murmurou o Ron . Cornelius_Fudge , o ministro de a magia ! Harry deu lhe uma valente cotovelada para o fazer calar se . Hagrid tinha ficado suado e pálido . Deixou se cair em uma de as cadeiras e olhava de Dumbledore_para_Cornelius_Fudge . - Más notícias , Hagrid - disse Fudge em um tom bastante grave . - Muito más notícias . Tive de vir . Quatro ataques a filhos de Muggles , as coisas foram longe_de mais . O ministério tem que tomar uma atitude . - Eu nunca ... - disse Hagrid , parecendo implorar a Dumbledore . - O senhor sabe que eu nunca ... professor Dumbledore , o senhor ... - Quero que fique claro , Cornelius , que Hagrid tem a minha total confiança - afirmou Dumbledore , franzindo as sobrancelhas . - Olha , Albus - disse Fudge pouco a a vontade - a ficha de o Hagrid depõe contra ele . O ministério tem de fazer alguma coisa , o Conselho_Directivo de a escola tem se reunido ... - Mesmo_assim , Cornelius , devo dizer te mais_uma_vez que levar o Hagrid de aqui não vai ajudar em nada - afirmou Dumbledore com os olhos azuis com um fogo que Harry nunca vira antes . - Tenta compreender o meu ponto de vista - insistiu Fudge , brincando com o chapéu . - Estou a ser tremendamente pressionado , tenho de mostrar que faço alguma coisa . Se se provar que não foi o Hagrid , ele voltará e não se fala mais em o assunto . Mas tenho de levá o , tem de ser , não estaria a cumprir a minha obrigação se ... - Levar me ? - perguntou Hagrid a tremer . - Levar me para_onde ? - É uma pena curta - disse Fudge , sem o olhar em os olhos . - Não é um castigo , Hagrid , chamemos lhe antes uma precaução . Se mais alguém for apanhado , tu sais com todas_as nossas desculpas . - Não é para Azkaban ? - balbuciou Hagrid . Mas antes que Fudge tivesse tido tempo de responder , ouviu se bater mais_uma_vez a a porta . Dumbledore abriu . Foi a vez de Harry levar uma cotovelada em as costas : soltara um gemido audível . Mr._Lucius_Malfoy entrou em a cabana de o Hagrid embrulhado em uma longa capa preta de viagem , com um sorriso frio de satisfação . O Fang começou a rosnar . - Já está aqui , Fudge ? - disse de forma aprovadora . - Muito bem , muito bem ... - O que estás a fazer aqui ? - perguntou Hagrid furioso . - Sai imediatamente de a minha casa . - Meu bom homem , acredite que não tenho prazer nenhum em entrar em a sua ... er ... chamou lhe casa ? - disse Lucius_Malfoy , sorrindo sarcasticamente enquanto observava a pequena divisão . - Eu limitei me a ir a a escola e disseram me que o director estava aqui . - E o que queres de mim , Lucius ? - perguntou Dumbledore . O seu tom de voz era educado mas em os olhos azuis brilhava ainda o mesmo fogo . - Uma notícia horrível , Dumbledore - disse Mr._Malfoy de forma arrastada , pegando em um grande rolo de pergaminho . - Mas os membros de o conselho pensam que é altura de tu saíres . Isto_é uma ordem de suspensão , tens aí doze assinaturas . Lamento muito mas em a nossa opinião estás a perder a firmeza . Quantos ataques houve até agora ? Mais dois hoje a a tarde , não foi ? A este ritmo vão acabar todos os filhos de Muggles em Hogwarts e todos sabemos que seria uma terrível perda para a escola . - O que é isso , Lucius ? - protestou Fudge com ar alarmado . - O Dumbledore suspenso não ... não , seria a última coisa que desejaríamos em este momento ... - A nomeação ou suspensão , de o director é de a competência de os membros de o Conselho_Directivo , Fudge - disse suavemente Mr._Malfoy . - E como Dumbledore não foi capaz de pôr cobro a estes ataques ... - Oh ! Lucius , se Dumbledore não conseguiu - disse Fudge com o lábio superior a suar . - Quem irá conseguir ? - Isso está para se ver - disse Mr._Malfoy com um sorriso mesquinho . - Mas como os doze votamos ... Hagrid pôs se de pé em um salto , o cabelo preto hirsuto a roçar em o tecto . - E quantos tiveste de chantajar para concordarem contigo , Malfoy ? - Meu caro Hagrid , sabe que esse seu temperamento ainda acaba por lhe criar problemas um dia de estes - disse Mr._Malfoy . - Não o aconselho a gritar assim com os guardas de Azkaban . Eles não iriam gostar nada . - Não podes levar Dumbledore - gritou Hagrid , fazendo Fang , o cão caçador de javalis , agachar se e ganir em o seu cesto . - Sem ele , os filhos de os Muggles não têm qualquer hipótese . A seguir haverá mortes . - Acalma te , Hagrid - disse Dumbledore de forma cortante , olhando para Lucius_Malfoy . - Se os membros de o conselho querem substituir me , eu sairei , claro . - Mas - interrompeu Fudge . - Não - rosnou Hagrid . Dumbledore não tirara os seus olhos azuis brilhantes de os olhos cinzentos e frios de Lucius_Malfoy . - Contudo - disse , pronunciando cada palavra lenta e claramente para que nenhum de eles perdesse o seu sentido - verás que só deixarei verdadeiramente esta escola quando ninguém aqui me for leal . Descobrirás também que será sempre dada ajuda em Hogwarts a quem a pedir . Por um segundo , Harry teve quase a certeza de que os olhos de Dumbledore tremelaziram em direcção a o canto onde ele e Ron estavam escondidos . - Sentimentos admiráveis - disse Malfoy , fazendo uma vénia . - Todos nós vamos sentir a tua ... forma muito pessoal de fazer as coisas , Albus . Só espero que o teu sucessor consiga evitar qualquer ... crime . Dirigiu se a a porta de a cabana , abriu a e fez sinal a Dumbledore para que passasse a a sua frente . Fudge , mexendo nervosamente em o chapéu de coco , esperou que Hagrid fizesse o mesmo mas ele ficou quieto , respirou fundo e disse prudentemente : - Se alguém quiser descobrir alguma coisa , o que tem a fazer é seguir as aranhas . Elas indicarão o caminho , é tudo_o_que vos digo . Fudge olhou para ele espantado . - Está bem , eu vou - disse Hagrid , pegando em o seu sobretudo de pêlo de toupeira . Mas quando ia seguir o Fudge e sair por a porta , parou e disse em voz alta : - E alguém tem de dar de comer a o Fang enquanto eu não estiver cá . A porta fechou se ruidosamente e Ron tirou o manto de a invisibilidade . -- Estamos outra_vez em uma alhada - disse com voz rouca - Sem o Dumbledore podem fechar a escola já esta noite . Sem ele vai haver um ataque por dia . O Fang começou a ganir , arranhando a porta fechada . XV_Aragog_O_Verão insinuava se em os campos em volta de o castelo . O céu e o lago tinham se tornado de um azul-molusco e as flores , grandes como couves , começavam a florir em as estufas . Mas sem o Hagrid , que ele costumava avistar de o castelo , atravessando os campos com o Fang atrás , parecia a Harry que a paisagem não estava completa . Não era melhor dentro de o castelo onde tudo corria horrivelmente mal . O Harry e o Ron tinham tentado visitar a Hermione , mas as visitas a o hospital estavam proibidas . - Não vamos correr mais riscos - disse lhes Madam_Pomfrey com ar severo , através_de uma fresta de a porta de o hospital . Não , lamento , há muitas hipóteses de o atacante voltar para acabar de vez com estas pessoas ... Com Dumbledore longe , o medo espalhara se como nunca acontecera antes , de_tal_modo_que o sol que aquecia as paredes de o castelo por fora parecia parar junto de as janelas de pinázios . Não se via um único rosto em a escola que não andasse tenso e preocupado e qualquer gargalhada , em os corredores , se tornava incómoda e antinatural e era rapidamente abafada . Harry repetia constantemente , de si para consigo , as últimas palavras que ouvira a Dumbledore : - * _ Só terei verdadeiramente deixado esta escola quando ninguém me for leal ... será sempre dada ajuda , em Hogwarts , a quem a pedir * . Qual seria o significado exacto de aquelas palavras ? A quem deveria pedir ajuda quando todos estavam tão confusos assustados como ele ? A alusão de Hagrid a as aranhas era bastante mais fácil de entender . O problema era que parecia não ter restado uma única aranha em o castelo para eles a poderem seguir . Harry procurou por todo o lado com a ajuda relutante de o Ron . As coisas estavam dificultadas por o facto de não poderem andar sozinhos e terem de se deslocar em grupo dentro de o castelo , juntamente com outros Gryffindor . A maior parte de os alunos gostava de ser conduzida como carneiros de uma aula para a outra por os professores mas Harry achava horrível . Havia , contudo , uma pessoa que parecia apreciar aquela atmosfera de terror e suspeitas . Draco_Malfoy passeava empertigado por a escola como_se tivesse sido nomeado para chefe de turma . Harry só compreendeu o motivo de toda aquela boa disposição cerca de quinze_dias depois de Dumbledore e Hagrid se terem ido embora quando , em uma aula de poções , o ouviu falar com o Crabbe e o Goyle . - Sempre achei que seria o pai quem conseguiria livrar nos de o Dumbledore - disse sem a menor preocupação em baixar a voz . - Já vos disse , segundo ele , Dumbledore foi o pior director que a escola alguma vez teve . Talvez agora venha um director decente que não queira a Câmara_dos_Segredos fechada . A Mc_Gonagall não vai durar muito , está só a ... O Snape passou por Harry , sem fazer comentários a o caldeirão e a a cadeira vazia de Hermione . - Professor - disse Malfoy em voz alta . - Professor , porque não se candidata a o lugar de director ? - Ora , ora , Malfoy - respondeu Snape , sem conseguir esconder um meio sorriso . - O professor Dumbledore foi apenas suspenso por os membros de o conselho de direcção , certamente vai voltar um dia de estes . - Sim , claro - disse Malfoy com o seu sorriso escarninho . - Acho que se o professor quisesse candidatar se a o lugar teria o voto de o pai . Eu vou dizer lhe que o acho o melhor professor de a escola . Snape sorriu enquanto passeava de um lado para o outro em o calabouço , não tendo felizmente visto o Seamus_Finnigan que fingia vomitar para dentro de o caldeirão . - Estou espantado por ver que até agora os sangues de lama ainda não fizeram as malas e não desapareceram - prosseguiu Malfoy . - Aposto cinco galeões em como o próximo morre . Pena que não tenha sido a Granger ... A campainha tocou em esse momento o que foi uma sorte porque a o ouvir as últimas palavras de Malfoy , Ron deu um salto , mas em a barafunda de guardar os livros em os sacos , a sua tentativa de agarrar o Malfoy passou despercebida . - Deixem me - gritava o Ron enquanto o Harry e o Dean lhe agarravam os braços . - Não preciso de varinha , vou dar cabo de ele com as minhas mãos ... - Despachem se , tenho de conduzir vos a a aula de herbologia - praguejava o Snape acima de as cabeças de os alunos . E lá foram como cordeirinhos com Harry , Ron e Dean em a retaguarda , o Ron ainda a tentar libertar se . Só acharam seguro largá o quando Snape os deixou fora de o castelo e iniciaram o percurso por o meio de a horta em direcção a as estufas . A aula de herbologia estava reduzida . Tinha agora dois alunos a menos : Justin e Hermione . A professora Sprout pô os a trabalhar , podando as figueiras-da-abissínia . Harry foi despejar uma braçada de hastes secas em um monte de adubo e deu consigo cara a cara com Ernie_Mcmillan . Ernie respirou fundo . - Só quero dizer te , Harry que lamento ter suspeitado de ti . Sei que nunca atacarias a Hermione_Granger e peço te desculpa por todas_as coisas que disse . Estamos todos em o mesmo barco , agora e , bem ... Estendeu lhe uma mão rechonchuda que o Harry apertou . Ernie e a sua amiga Hannah foram trabalhar em a mesma figueira com o Harry e o Ron . - Aquele tipo , Draco_Malfoy - disse Ernie , partindo pequenos galhos - , parece muito satisfeito com isto tudo , não acham ? É bem possível que ele seja o herdeiro de Slytherin . - Uma observação inteligente de a tua parte - disse o Ron que parecia não ter desculpado Ernie tão facilmente como o Harry . - Acham que é ele ? - perguntou Ernie . - Não - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Hannah ficaram a olhar espantados . Um segundo depois , Harry avistou qualquer coisa que o levou a chamar a atenção de o Ron , batendo lhe em a mão com a tesoura de podar . - Au ... o que é_que tu ... ? Harry apontava para o chão , a poucos centímetros de distância . Várias aranhas grandes corriam precipitadamente por a terra fora . - Ah ! sim - disse o Ron , tentando , sem conseguir , mostrar se entusiasmado . - Mas não podemos seguis as agora ... Ernie e Hannah ouviam nos com curiosidade . Harry viu as aranhas desaparecerem . - Parecem ir em a direcção de a floresta proibida ... E o Ron ficou ainda mais infeliz a o ouvir aquilo . Em o final de a aula , o professor Snape acompanhou os alunos a a « Defesa contra as artes negras » . Harry e Ron foram atrás de os outros para poderem conversar sem serem ouvidos . - Temos de usar outra_vez o manto de a invisibilidade - disse Harry a o Ron . - Podemos levar connosco o Fang , ele está habituado a ir a a floresta com o Hagrid , pode ser uma boa ajuda . - Certo - disse o Ron , que fazia girar nervosamente a varinha em os dedos . - Er ... não costuma haver ... não costuma haver lobisomens em a floresta ? - acrescentou enquanto ocupavam os lugares de o costume em a aula de o Lockhart . Preferindo não responder a a pergunta , Harry disse : - Também há lá coisas boas . Os centauros são fixes e os unicórnios . Ron nunca estivera em a floresta proibida , Harry fora lá só uma_vez e desejara não ter de lá voltar . Lockhart deu um salto para dentro de a sala de aula e os alunos ficaram espantados a olhar para ele . Todos os outros professores andavam mais tristes do_que o habitual mas Lockhart parecia sentir se em as nuvens . - Então , então - exclamou , olhando em volta . - Porquê essas caras deprimidas ? Lançaram lhe olhares exasperados mas ninguém respondeu . - Não compreendem - disse , falando devagar como_se fossem todos um_pouco estúpidos - que o perigo já passou ? O culpado foi se embora . -- Quem disse ? - retorquiu Dean_Thomas em voz alta . -- Meu caro jovem , o ministro de a magia não teria levado Hagrid se não estivesse cem por_cento certo de que ele era o culpado - disse Lockhart como quem explica que um e um são dois . - Teria , sim - disse o Ron , em um tom de voz ainda mais alto do_que o de o Dean . - Eu julgo saber um_pouco mais sobre a prisão de o Hagrid do_que o senhor , Mr._Weasley - disse Lockhart com notória auto-satisfação . Ron começou a dizer que discordava mas foi interrompido por o Harry que lhe deu um forte pontapé por debaixo de a mesa . - Nós não estávamos lá , lembras te ? - murmurou . Mas a alegria revoltante de o Lockhart , as insinuações de que sempre tinha achado que o Hagrid não prestava , a sua certeza de que tudo aquilo estava a chegar a o fim , irritou Harry de tal maneira que teve vontade de lhe atirar as * _ Viagens com Vampiros * e de lhe acertar em aquela cara estúpida . Mas , em vez de isso , limitou se a escrevinhar um bilhete para o Ron : * _ Vamos lá hoje a a noite * . Ron leu a mensagem , engoliu em seco e olhou para o lugar onde Hermione costumava sentar se . A cadeira vazia pareceu ajudá o a decidir se e acenou afirmativamente . A sala comum de os Gryffindor estava agora sempre cheia porque , depois de as seis_da_tarde , os Gryffindor não tinham outro lugar para ir . Por outro lado , tinham imenso para conversar , por isso a sala comum mantinha se cheia de gente até depois de a meia-noite . Logo_a_seguir a o jantar , Harry foi buscar o manto de a invisibilidade a a mala onde estava guardado e passou todo o serão a a espera que a sala esvaziasse . O Fred e o George desafiaram o para alguns jogos de explosão e a Ginny sentou se , muito preocupada , a observá os , em a cadeira habitual de Hermione . Harry e Ron fartaram se de perder de propósito em uma tentativa de pôr rapidamente fim a os jogos mas , mesmo_assim , já passava bastante de a meia-noite quando o Fred , o George e a Ginny se foram , finalmente , deitar . Harry e Ron esperaram até ouvir as portas de os dois dormitórios fecharem se . Em seguida , pegaram em o manto , lançaram o sobre ambos e passaram por o buraco de o retrato . Era mais uma difícil travessia de o castelo , tendo de fintar todos os professores . Finalmente , chegaram a o * hall * de entrada , giraram o fecho de as portas de carvalho , esgueiraram se tentando não fazer barulho e aventuraram se nos campos iluminados por o luar . - É claro que - disse bruscamente o Ron , enquanto atravessavam os relvados negros - podemos perfeitamente chegar a a floresta e descobrir que não há nada para seguir . As aranhas podem não ter ido para lá . É certo que parecia que tomavam essa direcção , mas ... Felizmente a lengalenga não durou muito . Chegaram a a casa de o Hagrid que tinha um ar triste com as suas janelas vazias . Logo_que Harry empurrou a porta e a abriu , o Fang saltou , louco de alegria por os ver . Preocupados , não fosse ele acordar toda_a_gente em o castelo com o seu ladrar forte e agitado , deram lhe rapidamente a comer bombons de melaço que estavam em uma lata sobre a lareira e que lhe colaram os dentes de cima a os de baixo . Harry pousou o manto de a invisibilidade sobre a mesa de o Hagrid . Não iam precisar de ele em a floresta escura como breu . - Anda , Fang , vamos dar um passeio - disse Harry , batendo lhe a o de leve em a pata e Fang saiu feliz , a os saltos , atrás de eles . Precipitou se até a a orla de a floresta e levantou a perna contra uma enorme figueira-do-egipto . Harry pegou em a varinha , murmurou * _ Lumus * ! e uma pequenina luz surgiu em a ponta de a varinha , suficiente para lhes mostrar o caminho e ajudá os a descobrir a pista de as aranhas . - Bem pensado - disse o Ron . - Eu acendia também a minha mas , sabes como ela está , ainda estoirava ou qualquer coisa assim ... Harry tocou em o ombro de o Ron , apontando para as ervas . Duas aranhas solitárias fugiam de a luz de a varinha , aproximando se de a sombra de as árvores . - O. _ K. - disse o Ron , resignando se com o pior . - Estou pronto , vamos . Então , com o Fang a correr atrás de eles , cheirando as raízes de as árvores e as folhas , entraram em a floresta . Seguindo a luz de a varinha de o Harry seguiram a fila disciplinada de aranhas que se movia a o longo de o caminho . Andaram durante cerca de vinte minutos , sem falar , atentos a todos os ruídos que não fossem os de os ramos caídos e de as folhas secas . Então , quando as copas de as árvores se tinham tornado mais cerradas do_que nunca , de_tal_modo_que as estrelas em o céu já não eram visíveis e a varinha de o Harry brilhava isolada em um mar de escuridão , viram as aranhas que eles seguiam a abandonar o caminho . Harry parou , tentando ver para_onde iam mas tudo_o_que ficava longe de a sua pequenina luz era negro de breu . Ele nunca fora tão longe em a floresta . Lembrava se muito bem de Hagrid lhe ter dito , de a última vez que ali tinham estado , que nunca saísse de o caminho de a floresta . Mas Hagrid agora estava a muitos quilómetros de distância e ele também lhes dissera que seguissem as aranhas . Uma coisa húmida tocou em a mão de o Harry e ele deu um salto para trás , pisando o pé a o Ron . Mas afinal era apenas o focinho de o Fang . - O que é_que tu achas ? - perguntou ele a o Ron cujos olhos conseguia vislumbrar , reflectindo a luz de a varinha . - Já_que viemos até aqui - disse ele . Seguiram , portanto as sombras velozes de as aranhas em direcção a as árvores . Não podiam agora andar muito depressa . Tinham em a frente raízes de árvores e troncos cortados que mal se viam em aquela escuridão . Harry sentia o bafo quente de Fang em a mão . Por mais de uma_vez tiveram de parar para o Harry se baixar e descobrir as aranhas a a luz de a varinha . Andaram durante o que lhes pareceu ter sido pelo_menos meia_hora , com os mantos a roçarem em os ramos mais baixos e em as silvas . A o fim de algum tempo repararam que o chão parecia inclinar se para baixo embora as árvores continuassem cerradas . Foi então que o Fang soltou um latido que ecoou em volta , fazendo Harry e Ron darem um salto , ambos com os cabelos em pé . - O que foi ? - gritou o Ron , olhando em volta para a escuridão e agarrando Harry com força , por o cotovelo . - Há qualquer coisa ali a mexer se - murmurou Harry - Ouve ... parece ser grande . Ficaram a ouvir . Um_pouco para a direita algo de grandes dimensões partia os ramos enquanto abria caminho através de as árvores . - Oh ! não - disse o Ron . - Oh ! não , não ... - Cala te - insistiu o Harry , nervoso . - Seja o que for , vai acabar por te ouvir . - Ouvir me ? - disse o Ron , em um tom de voz muito pouco natural . - Já ouviu . Fang ! A escuridão parecia esmagar lhes os globos oculares enquanto ali ficaram apavorados , a a espera . Houve um estranho ruído , surdo e prolongado , e em seguida o silêncio . - O que estará a fazer ? - perguntou Harry . - Talvez esteja a preparar se para atacar - disse o Ron . Esperaram , a tremer , sem ousarem mexer se . - Achas que se foi embora ? - murmurou Harry . - Não sei . Em esse momento , de o lado direito veio um clarão de luz tão forte em o meio de o escuro que os dois levaram as mãos a a cara para proteger os olhos . O Fang ganiu e tentou fugir mas viu se envolvido em um emaranhado de espinhos e ganiu ainda mais alto . - Harry - gritou o Ron com grande alívio em a voz . - Harry , é o nosso carro . - O quê ? - Anda ver . Harry avançou a os tropeções atrás de o Ron , em direcção a a luz e em o momento seguinte estavam em uma clareira . O carro de Mr._Weasley ali estava , vazio , no_meio_de um círculo de árvores grossas , sob um telhado de ramos densos , os faróis de a frente resplandecentes . Quando Ron se aproximou de boca aberta , moveu se lentamente em direcção a ele como_se fosse um grande cão azul turquesa , cumprimentando o dono . - Tem estado aqui todo este tempo - disse o Ron satisfeitíssimo , aproximando se de o carro . - Olha para ele , a floresta tornou o selvagem ... O guarda-lamas estava riscado e cheio de lodo . Parecia que tinha andado a passear sozinho por a floresta . Fang não gostou lá muito de ele . Manteve se a o lado de o Harry que podia senti o a tremer . Com a respiração normalizada , Harry guardou a varinha em o manto . - E nós a pensarmos que ele nos ia atacar - disse o Ron , encostando se a o carro e dando lhe duas palmadinhas - As voltas que eu dei a a cabeça a pensar para_onde ele teria ido ! Harry olhava para todos os lados , em o chão iluminado , em busca de mais aranhas mas todas elas tinham fugido de o brilho de as luzes . - Perdemos as de vista - disse ele . - Anda , vamos procurá as . Ron não disse nada . Não se moveu . Tinha os olhos fixos em um ponto , três metros acima de o chão de a floresta , mesmo atrás de o Harry . O seu rosto estava lívido de terror . Harry nem teve tempo de se voltar . Ouviu se um ruído alto e seco e sentiu que alguma coisa longa e peluda o elevava em o ar com o rosto voltado para baixo . Debatendo se , apavorado , ouviu outro estalido e viu as pernas de o Ron serem também levantadas de o chão . Ouviu o Fang gemer e ganir e , em o momento seguinte , era levado para o meio de as árvores escuras . Com a cabeça a balouçar , Harry viu que a coisa que o transportava tinha seis enormes patas peludas e que as duas de a frente o agarravam com forca sob um par de tenazes pretas e brilhantes . Atrás_de si podia ouvir outra de aquelas criaturas que , sem dúvida , transportava o Ron . Encaminhavam se para o coração de a floresta . Harry ouvia o Fang a ladrar , tentando libertar se de um terceiro monstro mas Harry não podia gritar mesmo_que quisesse , parecia que tinha deixado a voz em a clareira , junto com o carro . Não soube quanto tempo esteve em as patas de a criatura , só se apercebeu que a escuridão se atenuara um_pouco , permitindo lhe ver que o chão coberto de folhas estava agora repleto de aranhas . Voltando a cabeça para o lado , deu se conta de que tinham chegado a a base de uma enorme cova , uma cova que fora limpa de árvores para que as estrelas iluminassem com o seu brilho a cena mais pavorosa que os seus olhos alguma vez tinham visto . Aranhas . Não aranhas pequeninas como aquelas que estavam sobre as folhas . Aranhas de o tamanho de enormes cavalos , com oito olhos , oito pernas pretas , peludas , gigantescas . O espécimen que transportava Harry desceu o terreno íngreme até uma teia brumosa em forma de cúpula que ficava mesmo em o meio de a cova , enquanto os companheiros se juntavam em volta , batendo excitadíssimos com as tenazes e olhando para o que eles traziam a as costas . Harry caiu em o chão de gatas quando a aranha o libertou . Ron e Fang foram cair perto de ele . O Fang já não gania . Estava agachado e muito quieto . Ron e Harry partilhavam o mesmo sentimento . O Ron tinha a boca aberta em uma espécie de grito silencioso e os olhos a saltarem lhe de as órbitas . Harry percebeu de repente que a aranha que o deitara a o chão estava a dizer qualquer coisa . Era difícil entender porque entre cada duas palavras , batia com as tenazes . - Aragog - chamou . - Aragog . E de o meio de a teia brumosa em forma de cúpula saiu muito lentamente uma aranha de o tamanho de um pequeno elefante . As costas e as pernas estavam cobertas de pêlo cinzento e , em a cabeça feia , munida de tenazes , estavam vários olhos , todos eles de um branco leitoso . Era cega . - O que foi ? - disse , batendo rapidamente com as tenazes uma em a outra . - Homens - respondeu a aranha que trouxera o Harry . - É o Hagrid ? - perguntou Aragog , aproximando se mais com os seus oito olhos leitosos a vaguear . - Estranhos - respondeu a aranha que trouxera o Ron . - Matem nos - disse Aragog , irritada . - Eu estava a dormir ... - Nós somos amigos de o Hagrid - gritou Harry . Parecia que o coração lhe saltava por a boca . Clic , clic , clic fizeram as tenazes de a aranha , em volta de a cova . Aragog parou . - O Hagrid nunca mandou homens a a nossa cova - disse lentamente . - O Hagrid está em perigo - explicou Harry , respirando muito depressa . - Foi por isso que eu vim . - Em perigo ? - repetiu a aranha idosa e pareceu a Harry sentir preocupação por detrás de as suas tenazes . - Mas porque vos mandou ele cá ? Harry pensou pôr se de pé mas achou melhor não arriscar . As pernas provavelmente não teriam força para o sustentar . Falou portanto de o chão , o mais calmamente que foi capaz . - Eles lá em a escola pensam que o Hagrid soltou qualquer coisa contra os estudantes . Mandaram o para Azkaban . Aragog bateu furiosamente com as tenazes e , em toda_a cova , o eco foi reproduzido por uma multidão de aranhas . Era uma espécie de aplauso com uma única diferença : os aplausos não costumavam fazer o Harry quase morrer de medo . - Mas isso foi há muitos anos - disse Aragog , maldisposta . - Há anos e anos . Lembro me muito bem . Foi por isso que o expulsaram de a escola . Eles pensaram que eu era o monstro que vive em aquilo a que eles chamam a Câmara_dos_Segredos . Pensaram que o Hagrid a tinha aberto para me libertar . - E tu ... não vieste de a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Harry que sentia a testa cheia de suores frios . - Eu - disse Aragog , batendo irritada com as tenazes - , eu não nasci em o castelo . Venho de uma terra distante . Um viajante ofereceu me a o Hagrid quando eu era ainda um ovo . Hagrid era um rapazinho mas tratou de mim , escondeu me em uma despensa dentro de o castelo e alimentava me com as migalhas que ficavam em as mesas . Hagrid é o meu bom amigo e um bom homem . Quando me encontraram e me culparam por a morte de uma rapariga , ele protegeu me . Desde_então , tenho vivido aqui em a floresta onde o Hagrid ainda vem visitar me . Ele até me arranjou uma esposa , Mosag , e estão a ver como a família cresceu , tudo graças a a bondade de o Hagrid ... Harry reuniu a coragem que lhe restava . - Então tu nunca atacaste ninguém ? - Nunca - resmungou a velha aranha . - Era esse o meu instinto , mas por respeito a Hagrid nunca fiz mal a nenhum humano . O corpo de a rapariga morta foi encontrado em uma casa_de_banho , ora eu nunca conheci mais do_que despensa de o castelo , onde cresci . Nós gostamos de o escuro de o silêncio . - Mas então ... sabes o que matou essa rapariga ? - perguntou Harry . - Porque seja o que for , está a atacar as pessoas outra_vez ... As suas palavras foram abafadas por uma audível explosão de tenazes a bater e por o ruge-ruge de muitas pernas longas , deslocando se iradas . Em volta de Harry começaram a mover se sombras escuras . - O que vive em o castelo - disse Aragog - é uma antiga criatura que nós , aranhas , tememos acima_de todas_as outras . Lembro me bem de o quanto insisti com Hagrid para que me deixasse sair de ali quando senti a criatura a andar por a escola . - O que é ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Mais tenazes a bater , mais pernas a moverem se . As aranhas pareciam estar a aproximar se . - Nós não falamos de isso - exclamou Aragog furiosa . - Não pronunciamos o seu nome . Eu nunca disse a o Hagrid o nome de a horrível criatura , apesar_de ele me ter perguntado vezes sem conta . Harry não quis insistir , principalmente com todas aquelas aranhas a aproximarem se de todos os lados . Aragog parecia ter se cansado de falar . Recuava lentamente para a teia em forma de cúpula , mas as companheiras continuavam a aproximar se ameaçadoramente de Harry e Ron . - Vamos embora , então - gritou Harry , desesperadamente a Aragog , enquanto ouvia as folhas secas a estalarem atrás_de si . - Embora ? - disse Aragog lentamente . - Não me parece ... - Mas , mas ... - Os meus filhos e filhas não fazem mal a o Hagrid por ordem minha . Mas não posso negar lhes carne fresca quando ela veio por vontade própria ter connosco . Adeus , amigo de o Hagrid . Harry deu meia volta . Poucos centímetros acima de ele , uma sólida parede de aranhas batia com as tenazes , os seus muitos olhos a brilharem em as horríveis caras pretas . Mesmo_que se servisse de a varinha , Harry sabia que não ia valer de nada . As aranhas eram demasiadas , mas quando tentava preparar se para morrer a lutar , ouviu se um som prolongado e um clarão de luz iluminou a cova . O carro de Mr._Weasley ribombava , descendo o declive , com os faróis acesos , a buzina a guinchar , afastando as aranhas . Muitas de elas ficaram voltadas ao_contrário com as várias pernas a agitar se em o ar . O carro buzinou com mais força em frente de Harry e Ron e as portas abriram se . - Agarra o Fang - gritou Harry , ajeitando se em o lugar de a frente . Ron agarrou o cão caçador de javalis e lançou o a ganir para o banco de trás . As portas fecharam se com estrondo . Ron não tocou em o acelerador mas o carro não precisou de isso . O motor fez se ouvir e levantaram voo , batendo em mais aranhas . Subiram o declive , saindo de a cova e pouco depois atravessavam a floresta , os ramos a baterem em os vidros enquanto o carro seguia habilmente através de os intervalos maiores , por um caminho que obviamente já conhecia . Harry olhou para o Ron , a o seu lado . Ele tinha ainda a boca aberta em o mesmo grito silencioso mas os olhos já não estavam salientes . - Estás bem ? Ron olhou em frente , incapaz de responder . Começavam a descer para terra firme com o Fang a soltar enormes ganidos em o banco de trás e Harry viu o espelho retrovisor saltar quando passaram rente a um enorme carvalho . Após dez minutos bastante ruidosos , as árvores começaram a ser mais finas e Harry pôde ver de_novo pedaços de o céu . O carro parou tão bruscamente que quase foram projectados por o vidro de a frente . Tinham chegado a a orla de a floresta . O Fang ia agitadíssimo a a janela e quando Harry abriu a porta , disparou a correr através de as árvores até a a casa de o Hagrid , de cauda entre as pernas . Harry saiu também e um minuto depois o Ron pareceu recuperar a força em os membros e seguiu o , ainda com um torcicolo e de olhos esbugalhados . Harry deu uma palmadinha de agradecimento a o carro antes de ele dar a volta e desaparecer em direcção a a floresta . Harry voltou a a cabana de o Hagrid para buscar o manto de a invisibilidade . O Fang tremia em o seu cesto , coberto por um cobertor . Quando saiu de_novo , viu o Ron a vomitar junto de as abóboras . - Sigam as aranhas - disse ele debilmente , limpando a boca a a manga . - Nunca vou perdoar a o Hagrid . É uma sorte ainda estarmos vivos . - Aposto que ele pensou que Aragog nunca faria mal a os seus amigos - justificou Harry . - Esse é justamente o problema de o Hagrid - interrompeu Ron , dando um soco em a parede de a cabana . - Ele acha sempre_que os monstros não são tão maus como os pintam e vê onde isso o levou , a uma cela em Azkaban - tremia agora descontroladamente . - Qual a ideia de ele a o mandar nos ali ? Gostava de saber o que é_que descobrimos . - Que o Hagrid nunca abriu a Câmara_dos_Segredos - disse Harry , lançando o manto sobre Ron e tocando lhe em o braço para o encorajar a andar . - Ele estava inocente . Ron resmungou em voz alta . Para ele , chocar Aragog em uma despensa não era propriamente estar inocente . Quando se aproximaram de o castelo , Harry esticou o manto para garantir que os pés de ambos ficavam cobertos . Em seguida , empurrou as portas de a frente que chiaram . Atravessaram com todo o cuidado o * hall * de entrada e subiram a escadaria de mármore , contendo a respiração em os corredores guardados por sentinelas atentos . Por fim , chegaram a a segurança de a sala de os Gryffindor onde o lume ardera até se transformar em brasas brilhantes . Tiraram o manto e subiram a escada serpenteante que os levava a o dormitório . Ron caiu em a cama sem sequer se despir mas Harry , apesar_de tudo , não tinha sono . Sentou se em a beirinha de a cama , pensando em todas_as coisas que Aragog dissera . A criatura que andava por o castelo , pensou , era uma espécie de monstro Voldemort , nem os outros monstros queriam pronunciar o seu nome . Mas ele e o Ron não estavam agora mais perto_de descobrir o que era nem como petrificava as suas vítimas . Se nem o Hagrid chegara a saber o que estava em a Câmara_dos_Segredos ... Harry balançou as pernas e atirou se para_cima de a cama . Encostado a as almofadas olhou a Lua que brilhava através de a janela de a torre . Não sabia que mais poderiam fazer . Só tinham encontrado portas fechadas . Riddle apanhara a pessoa errada . O herdeiro de Slytherin fugira e ninguém sabia se era a mesma pessoa ou uma outra que abrira , desta_vez , a Câmara_dos_Segredos . Não havia mais ninguém a quem fazer perguntas . Harry deitou se ainda a pensar em as palavras de Aragog . Estava a começar a ficar com sono quando aquilo que parecia ser uma última esperança lhe ocorreu , fazendo o sentar se muito direito em a cama . - Ron - sussurrou em o escuro . - Ron . Ron acordou com um ganido como os de o Fang . Olhou muito assustado em volta e viu o Harry . - Ron , a rapariga que morreu . Aragog contou nos que ela foi encontrada em uma casa_de_banho - disse , ignorando os roncos de o Neville em o outro canto de o quarto . - E se ela nunca tivesse saído de a casa_de_banho ? E se ainda lá estiver ? Ron esfregou os olhos , franzindo as sobrancelhas sob a luz de a Lua . E só então compreendeu . -- Não pensar que ... a Murta_Queixosa ? XVI_A_Câmara_dos_Segredos -- E estivemos nós tantas vezes em aquela casa_de_banho com ela apenas a três cubículos de distância - disse o Ron amargamente em o dia seguinte , a a mesa de o pequeno-almoço . - Podíamos ter lhe perguntado e agora ... Já fora bastante difícil procurar as aranhas . Escapar a os professores o tempo suficiente para ir até a a casa_de_banho de as raparigas , que ficava mesmo em frente de o lugar onde ocorrera o primeiro ataque , ia ser quase impossível . Mas alguma coisa aconteceu que fez com que a Câmara_dos_Segredos desaparecesse de os seus pensamentos pela_primeira_vez em várias semanas . A professora Mc_Gonagall comunicou lhes que os exames começariam a 1_de_Junho , uma semana depois . - Exames ? - gritou Seamus_Finnigan . - Nós mesmo_assim vamos ter exames ? Ouviu se um estrondo atrás de o Harry quando a varinha de o Neville_Longbottom lhe escapou de a mão , fazendo desaparecer uma de as pernas de a secretária . A professora Mc_Gonagall repô a com a sua varinha e voltou se com má cara para o Seamus . - Se temos a escola aberta em uma altura de estas é para vocês receberem instrução - disse com dureza . - Os exames terão lugar , portanto , como é costume e espero que todos vocês façam revisões até lá . Revisões . Não passara por a cabeça de o Harry que houvesse exames com o castelo em aquele estado . Houve uma série de murmúrios revoltados , o que fez com que a professora Mc_Gonagall ficasse ainda mais mal-humorada . - As instruções de o professor Dumbledore foram para manter a escola a funcionar o mais normalmente possível - disse . - E isso , não preciso de vos dizer , passa por uma avaliação de o quanto vocês aprenderam a o longo de este ano . Harry olhou para baixo , para o casal de coelhos brancos que ele deveria transformar em pantufas . Que tinha ele aprendido durante o ano ? Não era capaz de se lembrar de nada que fosse útil em um exame . Ron estava como_se tivessem acabado de lhe dizer que a partir de aquele momento tinha de ir viver para a floresta proibida . - Estás a ver me a ter exames com isto tudo ? - perguntou a o Harry enquanto pegava em a varinha que tinha começado a assobiar bastante alto . Três dias antes de o primeiro exame , a a hora de o pequeno almoço , a professora Mc_Gonagall fez outra comunicação . - Tenho boas notícias - disse , e o salão em_vez_de se calar , explodiu de contentamento . - Dumbledore vai regressar ! - gritaram várias pessoas cheias de alegria . - Apanharam o herdeiro de Slytherin - arriscou uma rapariga em a mesa de os Ravenclaw . - Temos outra_vez os jogos de Quidditch - bradou Wood , excitadíssimo . Quando a agitação passou , Mc_Gonagall disse : - A professora Sprout informou me que as mandrágoras estão finalmente prontas para serem cortadas . Hoje a a noite vamos poder reanimar as pessoas que foram petrificadas . Escusado será dizer que certamente uma de elas poderá revelar nos quem ou o que a atacou . Eu tenho esperança que este ano pavoroso acabe com a prisão de o culpado . Houve uma explosão de aplausos . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e não ficou nada surpreendido a o ver que Draco_Malfoy não aplaudia . O Ron , por outro lado , estava satisfeito como ninguém o via havia dias . - Não faz mal não termos perguntado a a Murta . A Hermione vai , com certeza , ter todas_as respostas quando acordarem . Vai também ficar fula quando souber que temos exames dentro_de três dias . Ela não pôde fazer revisões . Seria melhor deixarem a estar onde está até a o final de os exames . Nessa_altura , Ginny_Weasley veio sentar se junto de o Ron . Parecia nervosa e tensa e Harry reparou que torcia as mãos em o colo . - O que se passa ? - perguntou o Ron , servindo se de mais papa de aveia . Ginny não disse nada mas olhou para um lado e para o outro de a mesa de os Gryffindor , com um olhar assustado que lembrou a Harry alguém que não sabia bem quem era . - Vá lá , vomita - disse o Ron , olhando para ela . Harry percebeu subitamente quem a Ginny lhe lembrara . Ela balançava se ligeiramente para a frente e para trás em a cadeira , exactamente como o Dobby fazia quando estava hesitante , à_beira_de revelar uma informação proibida . - Tenho de te dizer uma coisa - balbuciou a Ginny receosa , sem olhar para Harry . - O que é ? - perguntou ele . Ginny parecia incapaz de encontrar as palavras certas . - O quê ? - insistiu Ron . Ginny abriu a boca mas não saiu nenhum som . Harry inclinou se para a frente e falou devagar para que só ela e Ron pudessem ouvi o . - É alguma coisa relacionada com a Câmara_dos_Segredos ? Viste alguma coisa ou alguém a agir de forma estranha ? Ginny respirou fundo e , em esse preciso momento , apareceu Percy_Weasley com um ar pálido e cansado . - Se já acabaste de comer eu fico com esse lugar , Ginny . Estou cheio de fome . Acabei agora o meu trabalho de patrulhamento . Ginny deu um salto como_se a cadeira tivesse acabado de ser electrificada , lançou a o Percy um olhar assustado e zarpou . Percy sentou se e tirou uma caneca de o meio de a mesa . -- Percy - disse o Ron aborrecido . - Ela ia agora mesmo contar nos uma coisa importante . A meio de um gole de chá , Percy estremeceu . - Que coisa ? - perguntou , tossindo . - Eu quis saber se ela tinha visto alguma coisa estranha e ela ia dizer ... - Ah ! isso ... não tem nada que ver com a Câmara_dos_Segredos - disse o Percy de imediato . - Como sabes ? - indagou o Ron , erguendo as sobrancelhas . - Bem ... er ... já_que perguntam , a Ginny ... er ... passou por mim em outro dia quando eu ... er ... não foi nada , o importante é_que ela viu me fazer uma coisa e eu ... um ... pedi lhe para não comentar com ninguém . Não pensei que ela cumprisse a palavra , verdade se diga . Não é nada importante , eu só ... Harry nunca vira o Percy tão pouco a a vontade . - O que estavas a fazer , Percy ? - riu se o Ron . - Vá lá , conta que nós não nos rimos . Percy ficou sério . - Passa me esses pãezinhos , Harry , estou cheio de fome . Harry sabia que todo o mistério poderia ser desvendado em o dia seguinte sem a ajuda de eles mas não ia deixar de falar com a Murta_Queixosa se a oportunidade surgisse . E , para sua grande satisfação , ela surgiu a meio de a manhã quando eram conduzidos a a aula de História_da_Magia_por_Gilderoy_Lockhart . Lockhart , que tantas vezes lhes assegurara que o perigo tinha passado , estava agora totalmente convencido de que acompanhar os alunos em os corredores era um trabalho inútil . O seu cabelo estava mais liso do_que de costume . Parecia ter passado toda_a noite acordado a vigiar o quarto andar . - Podem escrever o que eu digo - afirmou , acompanhando os até uma esquina . - As primeiras palavras que vão sair de a boca de aquelas pobres pessoas petrificadas serão - * _ Foi_o_Hagrid * . Francamente , estou espantado por a professora Mc_Gonagall considerar ainda necessárias estas medidas de segurança . - Concordo , professor - disse Harry , fazendo com que Ron , surpreendido , deixasse cair os livros a o chão . - Obrigado , Harry - disse Lockhart amavelmente , enquanto deixavam passar uma grande fila de Hufflepuffs . - verdade é_que os professores já têm bastante que fazer para andarem também a acompanhar os alunos a as aulas e a guardar os corredores a a noite ... - É verdade - disse o Ron , percebendo a ideia . - Porque não nos deixa aqui , professor , só falta mais um corredor . - Sabes , Weasley , sou mesmo capaz de fazer isso - disse Lockhart . - Preciso de preparar a minha próxima aula . E apressou se a seguir o seu caminho . - Preparar a aula - zombou o Ron . - Vai encaracolar o cabelo , é o mais certo . Deixaram os restantes Gryffindor passar lhes a a frente e por fim cortaram caminho em um corredor lateral e dirigiram se a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mas quando estavam a congratular se por o seu esquema brilhante ... - Potter , Weasley ! Que estão vocês a fazer aqui ? Era a professora Mc_Gonagall e a boca de ela estava mais fina do_que nunca . - Nós estávamos , estávamos - gaguejou o Ron . - Nós íamos ver , íamos ver ... - Hermione - completou Harry . A professora Mc_Gonagall e Ron olharam para ele . - Não a vemos há séculos , professora - prosseguiu Harry , pisando o pé a o Ron . - E pensamos ir espreitá a a a ala hospitalar e dizer lhe que as mandrágoras estão quase prontas , para ela não se preocupar . A professora Mc_Gonagall estava ainda a olhar para ele e , por um momento , Harry pensou que ela ia explodir mas , quando falou , fê lo em um tom de voz estranhamente rouco . - É claro - disse . E Harry , espantado , viu uma lágrima a brilhar lhe em o canto de um de os olhos . - É claro . Eu compreendo que tudo_isto tem sido muito duro para os amigos de aqueles que foram ... eu compreendo , sim , Potter . Podem ir visitar Miss_Granger . Eu mesma informarei o professor Binns de que vocês estão em o hospital . Digam a Madam_Pomfrey que vos dei autorização . Harry e Ron afastaram se , quase sem acreditar que tinham escapado a um castigo . Quando voltaram em uma esquina ouviram nitidamente a professora Mc_Gonagall a assoar se . - Esta - disse o Ron entusiasmado - foi a melhor história que tu alguma vez inventaste . Não tinham outro remédio senão ir a a ala hospitalar e dizer a Madam_Pomfrey que tinham autorização de a professora Mc_Gonagall para visitar Hermione . Madam_Pomfrey deixou os entrar com alguma relutância . - Não vale a pena falar com uma pessoa petrificada - disse , e ambos tiveram que admitir que ela tinha razão quando se sentaram junto de Hermione e constataram que ela não tinha a menor noção de estar acompanhada . Dizer lhe que não se preocupasse ou falar com o armário que estava a o lado de a cama era exactamente a mesma coisa . - Será que ela viu quem a atacou ? - perguntou o Ron , olhando com tristeza para o rosto rígido de Hermione . - Porque se a coisa saltou sobre eles , ficaremos todos sem saber de nada . Mas Harry não olhava para o rosto de Hermione . Estava mais interessado em a sua mão direita que se encontrava pousada sobre os cobertores e , inclinando se para ela , viu que tinha , fechado entre os dedos , um pedaço de papel . Assegurando se de que Madam_Pomfrey não dava por nada , fez sinal a o Ron . - Tenta tirá o - murmurou ele , colocando a cadeira de_modo_a que Madam_Pomfrey não pudesse ver o Harry . Não foi tarefa fácil . A mão de a Hermione estava fechada com uma força tal que Harry receou parti a . Enquanto Ron vigiava , ele forçou e torceu até que , por fim , depois de vários minutos bastante tensos , conseguiu tirar o papel . Era uma página retirada de um livro muito antigo de a biblioteca . Harry alisou a ansiosamente e Ron inclinou se para poder lês a também . * _ De todos os monstros assustadores que pairam a a face de a Terra , nenhum é tão curioso nem tão fatal como o Basilisk , também conhecido por o rei de as serpentes . Esta cobra que pode atingir proporções gigantescas e viver durante muitas centenas de anos nasce de um ovo de galinha que é chocado por um sapo . As suas formas de matar são pavorosas pois além de os dentes venenosos e mortais , o Basilisk tem um olhar criminoso e todos aqueles que ele fixa com os olhos tem morte instantânea . As aranhas fogem a sete pés de o Basilisk que é seu inimigo mortal , e o Basilisk foge apenas de o canto de o galo que para ele é fatal * . Por debaixo de isto uma única palavra fora escrita , em a letra que Harry reconheceu como sendo de Hermione : Canos . Foi como_se se tivesse acendido uma luz em o seu espírito . - Ron - murmurou - é isso . Está aqui a resposta . O monstro de a Câmara_dos_Segredos é um Basilisk , uma serpente gigante . Por isso , só eu tenho ouvido a sua voz em todos os lugares , porque eu compreendo * serpentês * ... Harry olhou para as camas em volta . - O Basilisk mata as pessoas fixando as com o olhar mas ninguém morreu , o que quer_dizer que ninguém o olhou directamente em os olhos . Colin viu o através de a lente de a máquina fotográfica e o Basilisk queimou o rolo que estava lá dentro mas o Colin ficou apenas petrificado . O Justin ... o Justin deve ter visto o Basilisk através de o Nick quase sem cabeça . O Nick é_que levou com o olhar mas não podia morrer outra_vez ... e perto de a Hermione e de a prefeita de os Ravenclaw foi encontrado um espelho . Hermione acabara de compreender que o monstro era um Basilisk . Aposto que preveniu a primeira pessoa que encontrou de que era melhor olhar por um espelho a o virar de cada esquina . E aquela rapariga puxou de o seu espelho e ... O Ron estava de queixo caído . - E Mrs._Norris ? - perguntou vivamente . Harry pensou um_pouco , tentando imaginar a cena em a noite de o Halloween . - A água . . . - disse lentamente . - A poça de água que saiu de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Aposto que Mrs._Norris só viu o reflexo de o monstro . Examinou a folha de papel que tinha em a mão . Quanto_mais olhava mais sentido faziam as coisas . - * _ O cantar de o galo é fatal para ele * - leu em voz alta . - Os galos de o Hagrid foram mortos . O herdeiro de Slytherin não queria um único galo perto de o castelo , com a câmara aberta . * _ As aranhas são as primeiras a fugir * . Tudo encaixa . - Mas , como tem o Basilisk andado por aí ? - disse o Ron . - Uma serpente horrível e enorme ... alguém a teria visto . Mas Harry apontou para a palavra que Hermione escrevinhara em o final de a página . - Canos - disse . - Canos ... Ron , ele tem usado a canalização . Eu ouvi sempre a voz dentro de as paredes ... Ron agarrou subitamente o braço de o Harry . - A entrada para a Câmara_dos_Segredos - disse em uma voz rouca . - E se for em uma casa_de_banho ? Se for em a ... - Em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa - completou Harry . Sentaram se , tomados de uma excitação enorme , mal querendo acreditar . - Isso significa que - disse o Harry - eu não posso ser o único em a escola a falar * serpentês * . Há também o herdeiro de Slytherin . É de esse modo que tem controlado o Basilisk . - O que vamos fazer ? - perguntou Ron com os olhos a faiscar . - Vamos falar com a Mc_Gonagall ? - Vamos até a a sala de os professores - disse Harry , dando um salto . - Ela estará lá dentro_de dez minutos , está quase em o intervalo . Desceram a escada a correr . Não querendo ser descobertos outra_vez a vaguear por os corredores foram directamente até a a sala de os professores que estava deserta . Era uma divisão ampla , toda forrada , com cadeiras de madeira escura . Harry e Ron passearam de um lado para o outro , demasiado nervosos para se sentarem . Mas a campainha anunciando o intervalo nunca mais tocava . Em vez de isso , ecoando em os corredores , ouviram a voz de a professora Mc_Gonagall incrivelmente ampliada . - * _ Todos os alunos devem regressar de imediato a os seus dormitórios . Todos os professores a a sala de professores . Imediatamente , por favor * . Harry deu meia volta e olhou para o Ron . - Não me digas que houve um novo ataque , não agora ! - Que vamos fazer ? - disse o Ron aterrado . - Voltar para o dormitório ? - Não - disse Harry , olhando e m volta . Havia uma espécie de armário a a sua esquerda cheio com os mantos de os professores . - Ali . Vamos ouvir o que se passa . A seguir poderemos contar lhes o que descobrimos . Esconderam se dentro de o armário , ouvindo a algazarra de centenas de pessoas e a porta de a sala de professores a abrir se . De o meio de a confusão de mantos bafientos , viram os professores encherem a sala . Alguns tinham um ar totalmente confuso , outros pareciam apavorados . Por fim , chegou a professora Mc_Gonagall . - Aconteceu - disse em o silêncio de a sala de professores . - O monstro levou uma aluna . Levou a mesmo para a câmara . O professor Flitwick soltou um grito agudo . A professora Sprout bateu com a mão em a boca . Snape agarrou com força as costas de uma cadeira e perguntou : - Como pode ter tanta certeza ? - O herdeiro de Slytherin - disse a professora Mc_Gonagall , muito pálida . - Deixou outra mensagem . Mesmo por baixo de a primeira : « * _ O esqueleto de ela ficará para sempre em a Câmara_dos_Segredos * . » O professor Flitwick desatou a chorar . - Quem é ela ? - quis saber Madam_Hooch que se afundara em uma cadeira . - Quem é a aluna ? - Ginny_Weasley - disse a professora Mc_Gonagall . Harry viu o Ron , a o seu lado , escorregar silenciosamente até a o chão de o armário . - Vamos ter que mandar todos os alunos embora amanhã - disse a professora Mc_Gonagall . Isto_é o fim de Hogwarts , Dumbledore sempre disse ... A porta de a sala de os professores voltou a abrir se . Por um breve momento , Harry pensou que fosse Dumbledore mas era Lockhart e vinha todo sorridente . - Peço desculpa , adormeci . Perdi alguma coisa ? Não pareceu reparar que os outros professores o olhavam com uma espécie de aversão . Snape deu um passo em frente . - O homem que faltava - disse . - O homem certo . O monstro raptou uma garota , Lockhart levou a para a Câmara_dos_Segredos . O seu momento chegou . - Isso mesmo , Lockhart - acrescentou a professora Sprout . - Não estavas a dizer ontem a a noite que sempre tinhas sabido onde era a entrada para a Câmara_dos_Segredos ? - Eu ... bem ... eu-disse atabalhoadamente Lockhart . - Sim , não me disseste que sabias exactamente o que estava lá dentro ? - disse com voz esganiçada o professor Flitwick . - Eu disse ? Não me lembro ... - Lembro me perfeitamente de o ouvir dizer que lamentava não ter feito uma tentativa com o monstro antes de o Hagrid ser preso - disse Snape . - Não disse que toda_a história tinha sido uma atrapalhação e que deveriam ter lhe dado carta branca desde o princípio ? Lockhart olhou em volta para a cara de espanto de os colegas . - Eu ... nunca ... eu de facto ... deve ter me compreendido mal . - Então vamos deixar te , Gilderoy - disse a professora Mc_Gonagall . - Esta noite será uma excelente oportunidade para actuares . Nós trataremos de assegurar que ninguém te atrapalha . Vais poder enfrentar o monstro sozinho . Finalmente tens carta branca . Lockhart olhou desesperado a a sua volta mas ninguém foi salvá o . Já não estava bem-parecido . O lábio tremia lhe e a ausência de o seu habitual sorriso de dentes brancos dava lhe um ar escanzelado . - M-muito bem - disse . - Vou até a o meu escritório para ... para me preparar . E saiu de a sala . - _ óptimo - exclamou a professora Mc_Gonagall com as narinas dilatadas . - Isto deve afastá o de o nosso caminho . Os chefes de casa devem ir agora comunicar a os respectivos alunos o que se passou e informá os de que o Expresso_de_Hogwarts os levará a casa amanhã de manhã . Os restantes certifiquem se , por favor , de que não há alunos fora de os dormitórios . Os professores levantaram se e saíram um a um . Foi talvez o dia pior de a vida de o Harry . Ele , Ron , Fred e George sentaram se juntos a um canto em a sala comum de os Gryffindor , incapazes de proferir uma palavra . Percy não estava lá . Tinha ido tratar de enviar uma coruja a Mr. e Mrs._Weasley e , em seguida , fechara se em o dormitório . Nunca uma tarde custara tanto a passar e nunca a torre de os Gryfffindor estivera tão cheia de gente e tão silenciosa . Fred e George foram para a cama quase a o pôr de o Sol , incapazes de ficar ali mais tempo . - Ela sabia qualquer coisa , Harry - disse o Ron , falando pela_primeira_vez desde_que tinham saído de o armário de a sala de os professores . - Por isso a levaram . Não era nenhuma parvoíce sobre o Percy , ela tinha descoberto qualquer coisa sobre a Câmara_dos_Segredos . Com certeza por isso é_que a ... - Ron esfregou os olhos , enervadíssimo . - Afinal ela era sangue puro , não pode haver outra explicação . Harry olhava para o sol que mergulhava de um vermelho cor de sangue em a linha de o horizonte . Era a pior coisa que lhe tinha acontecido . Se pelo_menos pudessem fazer alguma coisa . - Harry - disse o Ron . - Achas que há alguma possibilidade de ela não estar ... ? Sabes o que eu quero dizer . Harry não sabia que resposta dar . Não acreditava que a Ginny pudesse ainda estar viva . - Sabes uma coisa ? - disse o Ron . - Acho que devíamos ir ter com o Lockhart , contar lhe o que sabemos . Ele vai tentar entrar em a câmara , podemos dizer lhe onde achamos que fica a entrada e contar lhe que o monstro é um Basilisk . Como Harry não tinha nenhuma ideia melhor e como queria fazer alguma coisa , concordou . Os Gryffindor que os rodeavam estavam tão tristes e com tanta pena de os Weasley que ninguém tentou impedi os quando os viram levantar se , atravessar a sala e sair por o buraco de o retrato . A escuridão começava a instalar se quando chegaram a o escritório de Lockhart onde a actividade era muita . De o corredor ouvia se o ruído de coisas a serem deitadas fora , pancadas surdas e passos apressados . Harry bateu a a porta e houve um silêncio repentino . Em seguida abriu se uma fresta de a porta e viram um de os olhos de Lockhart a espreitar . - Oh ! ... Mr._Potter ... Mr._Weasley - disse entreabrindo a porta . - Estou um_pouco ocupado em este momento , se forem rápidos ... - Professor , nós temos informações para lhe dar - disse o Harry . - Acho que poderão ajudá o . - Er ... bem ... não é - o lado de a cara de Lockhart que conseguiam ver parecia muito pouco a a vontade . - Quer_dizer ... bem ... está bem . Abriu a porta e eles entraram . O escritório estava praticamente vazio . Em o chão estavam duas grandes malas abertas . Mantos verde-jade , lilás , azul-noite tinham sido apressadamente dobrados e guardados dentro_de uma de as malas . Os livros misturavam se todos dentro de a outra . As fotografias que antes cobriam as paredes estavam agora arrumadas em caixas , em cima de a secretária . - Vai a algum lado ? - perguntou Harry . - Er ... bem ... sim - disse Lockhart , arrancando de a porta um poster seu em tamanho natural , enquanto falava , e começando a enrolá o . - Uma chamada urgente ... inevitável ... tenho que ir . - E a minha irmã ? - perguntou o Ron bruscamente . - Bem , quanto_a isso foi uma pena - disse Lockhart , evitando olhá os em os olhos , abrindo uma gaveta e começando a despejar o seu conteúdo dentro_de um saco . - Ninguém lamenta mais do_que eu ... - O senhor é o professor de Defesa contra as artes negras - disse Harry . - Não pode ir se embora agora_que todas estas coisas de magia negra estão a acontecer aqui . - Bem , devo dizer te que ... quando aceitei o lugar ... - resmungou Lockhart , empilhando soquetes sobre os mantos - nada em a descrição de o meu trabalho fazia prever ... - Quer_dizer que vai fugir ? - perguntou Harry , incrédulo . - Depois de todas_as coisas que conta em os seus livros ? - Os livros podem ser enganadores - disse Lockhart delicadamente . - Mas foi o senhor que os escreveu - gritou Harry . - Meu rapaz - disse Lockhart , endireitando se e franzindo as sobrancelhas - usa o senso comum . Os meus livros não teriam vendido metade do_que venderam se as pessoas não acreditassem que eu tinha feito todas aquelas coisas . Ninguém está interessado em ler sobre um velho feiticeiro americano mesmo_que ele tenha salvo uma cidade inteira de os lobisomens , ficaria péssimo em a capa . E a bruxa que correu com a fada carpideira tinha um lábio leporino . Como vês . - Quer_dizer que ficou com os louros por tudo_o_que uma série de outras pessoas fizeram ? - perguntou Harry , sem querer acreditar . - Harry , Harry - disse Lockhart , abanando impacientemente a cabeça . - Não é tão simples assim . Envolveu muito trabalho . Tive de localizar todas essas pessoas , perguntar lhes em pormenor como tinham feito as coisas . Depois tive de lhes fazer um feitiço antimemória para que não voltassem a lembrar se do_que tinham feito . Se há uma coisa de que me orgulho é de os meus feitiços antimemória . Não , tive muito trabalho , Harry . Não foram só as sessões de autógrafos e as fotografias , sabes ? Quem quer ser famoso tem de estar preparado para um trabalho longo e fatigante . Fechou as malas a a chave . - Vejamos - disse . - Acho que está tudo . Sim , só falta uma coisa . - Empunhou a varinha e voltou se para eles . - Lamento muito , rapazes , mas vou ter de vos fazer um feitiço antimemória . Não posso deixar que vão por aí repetir os meus segredos . Não venderia nem mais um livro . Harry pegou em a varinha mesmo a tempo e Lockhart mal tinha levantado a de ele a o ar quando Harry gritou * _ Expelliarmus ! * Lockhart foi projectado de costas , indo cair em cima de a mala . A varinha voou por os ares . Ron agarrou a e atirou a por a janela aberta . - Não devia ter deixado o professor Snape ensinar nos esta - disse Harry furioso , dando um pontapé a uma de as malas . Lockhart olhava para ele , de_novo escanzelado . Harry apontava lhe a varinha . - O que queres que eu faça ? - perguntou debilmente . - Eu não sei onde fica a Câmara_dos_Segredos . Não posso fazer nada . - Está com sorte - disse Harry , forçando o com a varinha a pôr se de pé . - Nós julgamos saber onde é e o que está lá dentro . Vamos . Conduziram Lockhart para fora de o seu escritório , desceram com ele as escadas e seguiram por o corredor escuro em cuja parede brilhavam as mensagens , até a a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mandaram Lockhart a a frente . Harry gostou de ver que todo ele tremia . A Murta_Queixosa estava sentada em a cisterna de o cubículo de o fundo . - Ah ! são vocês - disse a o ver o Harry . - O que querem agora ? - Perguntar te como morreste - disse Harry . O aspecto de a Murta mudou por completo . Parecia que nunca lhe tinham feito uma pergunta tão lisonjeira . - Ooooh ! Foi horrível - disse satisfeita . - Aconteceu aqui mesmo . Morri em este cubículo . Lembro me tão bem . Estava escondida porque a Olive_Hornby andava a implicar comigo por causa de os meus óculos . A porta estava fechada e eu estava a chorar e , então , ouvi alguém entrar . Disseram qualquer coisa estranha em uma língua diferente , acho eu . Mas o que mais me espantou foi o ser um rapaz a falar . Por isso , abri a porta para lhe dizer que fosse a a casa_de_banho de eles e em esse momento - a Murta inchou com ar importante , o rosto a brilhar - morri . - Como ? - perguntou Harry . - Não faço ideia - disse a Murta em um tom de voz abafado . - Só me lembro de ver dois grandes olhos amarelos , de o meu corpo ficar preso e em seguida , sentir me a flutuar ... - olhou sonhadoramente para Harry . - E depois voltei . Estava disposta a vingar me de a Olive_Hornby , percebes ? Ela ia arrepender se de ter gozado com os meus óculos . - Onde foi exactamente que viste os tais olhos ? - perguntou Harry . - Algures por aí - disse a Murta , apontando vagamente para o lavatório em frente de o seu cubículo . Harry e Ron apressaram se . Lockhart estava de pé , mais atrás , com uma expressão de pavor em o rosto . O lavatório parecia perfeitamente vulgar . Examinaram o centímetro a centímetro , dentro e fora , incluindo os canos por baixo . E foi então que Harry reparou : de lado , rabiscada em uma de as torneiras de cobre , estava uma cobra pequenina . - Essa torneira nunca funcionou - disse vivamente a Murta enquanto ele tentava abri a . - Harry - sugeriu o Ron . - Diz qualquer coisa em * serpentês * . Mas , pensou Harry , as únicas vezes que conseguira falar * serpentês * tinham ocorrido quando confrontado com uma verdadeira serpente . Olhou , concentrado para a pequena cobra gravada em o cobre , tentando imaginá a como verdadeira . - Abre te - disse . Olhou para o Ron que abanou a cabeça . - Inglês - disse ele . Harry voltou a olhar para a cobra , forçando se a acreditar que estava viva . A luz de a vela fez parecer que se movia . - Abre te - repetiu . Mas desta_vez as palavras não foram o que ele ouviu . Um estranho sibilar escapou lhe de a boca e a torneira ganhou uma luz branca e brilhante e começou a rodar . Logo_a_seguir o lavatório mexeu se . Afastou se , melhor dizendo , saiu de o caminho , deixando um grande cano a a vista , um cano onde cabia um homem . Harry ouviu a respiração arquejante de o Ron e olhou de_novo para ele . Já decidira o que queria fazer . - Vou descer - disse . Não podia deixar de ir , agora_que acabavam de descobrir a entrada para a câmara , existindo uma possibilidade , por mais remota que fosse , de a Ginny ainda estar viva . - Eu também - disse o Ron . Houve uma pausa . - Bem , parece que não precisam mais de mim - apressou se Lockhart a dizer com uma réstia de sorriso . - Eu vou . . . Pôs a mão em o puxador de a porta mas Ron e Harry apontaram lhe ambos as varinhas . -- O senhor pode ir a a frente - disse rispidamente o Ron . Pálido e sem varinha , Lockhart aproximou se de a entrada . - Meus rapazes - disse em uma voz débil . - Meus rapazes , para quê tudo_isto ? Harry tocou lhe em as costas com a varinha e ele meteu as pernas em o cano . - Eu não me parece que ... - começou a dizer , mas o Ron deu lhe um empurrão e ele desapareceu por o cano abaixo . Harry foi rapidamente atrás . Introduziu se lentamente e deixou se cair . Era como escorregar em uma pista escura e interminável . Ele via outros canos , estendendo se em todas_as direcções mas nenhum tão largo como o de eles que se torcia e virava , inclinando se abruptamente . Harry sabia que estavam a chegar a um ponto muito abaixo de a escola e de os calabouços . Atrás_de si , ouvia o Ron gemendo em cada curva . E então , quando começava a preocupar se com o que iria acontecer quando tocassem em o chão , o cano tornou se horizontal e ele foi projectado com um ruído surdo , indo aterrar em o chão húmido de um túnel de pedra com altura suficiente para ele se pôr de pé . Lockhart estava a levantar se a alguma distancia , todo enlameado e pálido como um fantasma . Harry afastou se para deixar o Ron sair também de o cano . - Devemos estar quilómetros e quilómetros abaixo de a escola - disse o Harry cuja voz ecoou em o túnel negro . - Talvez até debaixo de o lago - arriscou o Ron , olhando em volta para as paredes escuras e viscosas . Voltaram se os três para olhar para a escuridão lá a o fundo . - * _ Lumus ! * - murmurou Harry a a varinha e ela voltou a acender se . - Vamos - disse a o Ron e a o Lockhart e avançaram , os passos a chapinharem ruidosamente em o chão molhado . O túnel era tão escuro que só conseguiam ver alguns centímetros a a frente . As suas sombras em as paredes molhadas pareciam monstruosas a a luz de a varinha . - Lembrem se - disse Harry baixinho enquanto caminhavam . - A o menor movimento fechem logo os olhos ... Mas o túnel era silencioso como um túmulo e o primeiro som inesperado que ouviram foi um grito de o Ron que escorregou em uma coisa que era afinal a cauda de um rato . Harry baixou a varinha para olhar para o chão e viu que estava cheio de pequenos ossos de animais . Fazendo um enorme esforço para evitar pensar em que estado iriam encontrar a Ginny , avançou até uma curva escura de o túnel . - Harry , está aqui qualquer coisa - disse o Ron com voz rouca , agarrando Harry por o ombro . Ficaram estáticos a olhar . Harry só conseguia ver a silhueta de algo enorme e curvo deitado em o túnel . Fosse o que fosse não se movia . - Talvez esteja a dormir - murmurou , olhando para os outros dois . Lockhart tapava os olhos com as mãos . Harry voltou se para olhar para a criatura com o coração a bater tanto que lhe doía em o peito . Lentamente , com os olhos quase fechados mas ainda conseguindo ver , Harry avançou com a varinha levantada . A luz deslizou sobre uma gigantesca pele de serpente , de um verde vivo e venenoso que estava vazia e enrolada em o chão de o túnel . A criatura que a abandonara devia ter , pelo_menos , seis metros e meio de comprimento . - Bolas - disse o Ron , perdendo as forças . Houve um movimento súbito atrás de eles . As pernas de Gilderoy_Lockhart cederam . - Levante se - disse o Ron de uma forma cortante , apontando lhe a varinha . Lockhart pôs se de pé . Em seguida empurrou o Ron , atirando o a o chão . Harry deu um salto , mas ... tarde de mais . Lockhart endireitava se com a varinha de o Ron em as mãos e um sorriso em o rosto . - A aventura acaba aqui , rapazes - disse . - Vou levar um bocado de esta pele de cobra para a escola , contar lhes que foi demasiado tarde para salvar a garota e que vocês os dois perderam tragicamente a memória com a visão de o seu corpinho mutilado . Digam adeus a as vossas recordações . Levantou a o ar a varinha avariada de o Ron e gritou * _ Obliviate ! * A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba . Harry pôs os braços sobre a cabeça e correu , escorregou em os anéis de a pele de cobra , afastando se de os grandes pedaços de tecto de o túnel que caíam em o chão com o ruído de trovões . Pouco depois estava sozinho , olhando para uma sólida parede de rocha partida . - Ron - gritou ele . - Estás bem , Ron ? - Estou aqui - respondeu a voz abafada de o Ron por detrás de a avalancha de rochas . - Eu estou bem mas este sujeito não . A varinha avariou o todo . Ouviu se um ruído surdo e um Oh ! gritado . Parecia que o Ron tinha acabado de dar a o Lockhart um pontapé em as canelas . - E agora ? - disse a voz de o Ron que parecia desesperada . - Não podemos passar , vai demorar séculos . Harry olhou para o tecto de o túnel onde tinham aparecido grandes fendas . Ele nunca tentara partir , através de a magia , nada tão grande como aquelas rochas e agora não lhe parecia ser o melhor momento para fazer experiências . E se o túnel abatesse ? Houve um ruído surdo e outro Oh ! atrás de as rochas . Estavam a perder tempo . A Ginny já estava havia duas horas em a Câmara_dos_Segredos . Harry sabia que só havia uma coisa a fazer . - Espera aqui - gritou a o Ron . - Fica com o Lockhart , eu vou lá . Se não voltar dentro_de uma hora ... Houve um silêncio cheio . - Eu vou ver se desloco um_pouco esta rocha - disse o Ron , tentando manter a voz firme . - Para tu poderes passar . E , Harry ... - Até já - disse o Harry , procurando injectar confiança em a sua voz trémula . E passou sozinho para lá de a imensa pele de serpente . Em_breve , o ruído de o Ron , tentando deslocar a rocha , deixou de se ouvir . O túnel virou uma e outra_vez . Os nervos de o corpo de o Harry tangiam de forma desagradável . Ele só queria que o túnel chegasse a o fim , fosse o que fosse que o aguardasse . E então , finalmente , quando atingiu a última curva , viu em a sua frente uma parede sólida que tinha gravadas duas serpentes enroladas uma em a outra , cujos olhos eram quatro esmeraldas , enormes e brilhantes . Harry aproximou se com a garganta seca . Não foi preciso imaginar que as serpentes eram autênticas . Os seus olhos pareciam estranhamente vivos . Foi fácil descobrir o que tinha de fazer . Pigarreou e os olhos de esmeraldas pareceram mexer se . - Abre te - disse Harry em um sibilar baixo . As serpentes desapareceram enquanto a parede se abria a o meio e , a tremer de os pés a a cabeça , Harry entrou . XVII_Herdeiro_de_Slytherin_Estava de pé em o fundo de uma divisão enorme , fracamente iluminada . Altíssimos pilares de pedra , cheios de serpentes gravadas que os enlaçavam , erguiam se , suportando um tecto que se perdia em a escuridão e que lançava sombras negras imensas através de a estranha luz esverdeada que enchia o local . Com o coração a bater descompassadamente , Harry ficou parado a ouvir aquele silêncio arrepiante . Estaria o Basilisk escondido em um canto cheio de sombras , atrás_de algum pilar ? E onde estaria Ginny ? Pegou em a varinha e avançou a o longo de as colunas serpenteantes . Cada_um de os seus passos provocava um enorme eco em as paredes sombrias . Harry tinha os olhos semicerrados e estava pronto para os fechar a o mais pequeno movimento . As órbitas de olhos fundos de as serpentes de pedra pareciam segui o . Por mais de uma_vez , com o estômago a dar um salto , Harry julgou vê os moverem se . Por fim , chegado a o nível de os dois últimos pilares , avistou uma estátua de a altura de a própria câmara que estava encostada a a parede de o fundo . Harry tinha de esticar o pescoço para olhar para_cima , para a cara de o gigante : era velho e com um ar simiesco , tinha uma barba enorme que lhe caía quase onde acabava a longa túnica de pedra . Os dois pés imensos e cinzentos pousavam em o chão de a câmara . E entre eles , voltada para baixo , estava uma figura pequenina vestida de preto com um cabelo flamejante . - Ginny - murmurou Harry , chegando perto de ela e ajoelhando se . - Ginny , por favor não estejas morta , não estejas morta ! Atirou a varinha para o lado , agarrou Ginny por os ombros e voltou a . O rosto de ela estava branco e frio como o mármore , contudo os olhos encontravam se fechados , portanto não estava petrificada . Mas então devia estar ... - Ginny , acorda por favor - repetiu Harry desesperado , sacudindo a . A cabeça de ela andava de um lado para o outro . - Ela não vai acordar - disse secamente uma voz . Harry deu um salto e girou sobre os joelhos . Um rapaz alto , de cabelo preto , estava encostado a o pilar mais próximo , a observá o . As sombras desfocavam o como_se Harry o visse através_de uma janela embaciada . Mas não havia como confundis o . - Tom , Tom_Riddle ? Riddle acenou , sem tirar os olhos de o rosto de Harry . - O que queres dizer com isso de ela não acordar ? - perguntou Harry desesperado . - Ela não está ... não está ? - Está viva - disse Riddle . - Mas , por um fio . Harry olhou fixamente para ele . Tom_Riddle estivera em Hogwarts há cinquenta anos atrás . Contudo , ali estava com uma luz estranha e desfocada a iluminá o , sem um dia a mais do_que os seus dezasseis anos . - És um fantasma ? - perguntou Harry . - Uma memória - disse Riddle . - Preservada em um diário durante cinquenta anos . Apontou para os pés de a estátua gigantesca . Ali , aberto em o chão , estava o pequeno diário de capa preta que Harry tinha encontrado em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Durante um segundo , Harry perguntou a si próprio como teria ido ali parar , mas havia coisas mais importantes a fazer . Preciso de a tua ajuda , Tom - disse Harry , levantando de_novo a cabeça de a Ginny . - Temos de sair de aqui . Há_um_Basilisk ... não sei onde está mas pode aparecer a qualquer momento . Por favor , ajuda me . Riddle não se mexeu . Harry , a transpirar , conseguiu levantar ligeiramente a Ginny de o solo e inclinou se para pegar em a varinha mas ela tinha desaparecido . - Viste a ... ? Olhou para_cima . Riddle continuava a olhá o , fazendo girar a varinha entre os dedos longos . - Obrigado - disse Harry , esticando o braço para a agarrar . Um sorriso surgiu então em os cantos de a boca de Riddle que continuou a olhar para ele , girando indolentemente a varinha . - Ouve , pá - disse Harry sem querer perder mais tempo , os joelhos a vergarem sob o peso morto de Ginny - temos de ir . Se o Basilisk aparece ... - Ele não vem enquanto não for chamado - disse Riddle com toda_a calma . Harry voltou a pousar Ginny em o chão , incapaz de a segurar por mais tempo . - Que queres dizer com isso ? - perguntou . - Dá me a minha varinha , posso precisar de ela . O sorriso de Riddle ampliou se . - Não vais precisar de ela - disse . Harry olhou o espantado . - O que queres dizer , não vou ? - Esperei muito_tempo por isto , Harry - disse Riddle . - Pela possibilidade de te ver , de falar contigo . - Olha , eu acho que tu não estás a perceber - disse Harry , perdendo a paciência . - Estamos em a Câmara_dos_Segredos , podemos conversar mais tarde . - Vamos conversar agora - disse Riddle , sorrindo de orelha a orelha e guardando a varinha de Harry em o bolso . Harry voltou a olhar para ele . Havia qualquer coisa de muito estranho em tudo aquilo . - Como é_que a Ginny ficou assim ? - perguntou pausadamente . - Bem , essa é uma pergunta interessante - disse Riddle , divertido . - E uma longa história , também . Julgo que o verdadeiro motivo que levou Ginny_Weasley a ficar assim foi o ter aberto o seu coração e revelado todos os seus segredos a um estranho ser invisível . - De quem estás a falar ? - perguntou Harry . - De o diário - disse Riddle . - De o meu diário . A Ginny escreve nele há meses e meses , contando me todas_as suas lamentáveis desgraças e atribulações : como os irmãos a arreliam , que teve de vir para a escola com manto , túnica e livros em segunda mão - os olhos de Riddle brilharam -- , que acha que o maravilhoso , o grande , o famoso Harry_Potter nunca vai gostar de ela ... Enquanto falava , nunca os olhos de Riddle se afastaram de a cara de o Harry . Havia em eles um olhar ávido . - É muito chato ter de ouvir as preocupações idiotas de uma garotinha de onze anos - prosseguiu . - Mas eu fui paciente . Respondi lhe , mostrei me simpático e amável . A Ginny pura e simplesmente adorou me . - * _ Nunca ninguém me compreendeu como tu , Tom ... estou tão feliz por ter este diário a quem me confiar ... é como ter um amigo que pode andar em o meu bolso * ... Riddle riu se . Um riso alto , frio , que não lhe ficava bem . Fez com que os cabelos de o pescoço de Harry se arrepiassem todos . - Verdade se diga que sempre consegui encantar as pessoas necessárias . Portanto a Ginny verteu em mim a sua alma e a alma de ela era precisamente o que eu queria . Fortaleceu me . Alimentei me de os seus medos mais profundos , de os seus mais obscuros segredos . Fui ficando cada_vez_mais forte e poderoso . Muito mais poderoso do_que a pequena Miss_Weasley até que comecei a transmitir lhe alguns de os meus segredos , a passar um_pouco de a minha alma para ela ... - O que queres dizer ? - perguntou Harry cuja boca ficara totalmente seca . - Ainda não descobriste , Harry_Potter ? - disse Riddle muito baixo . - Giony_Weasley abriu a Câmara_dos_Segredos , estrangulou os galos de a escola e escreveu mensagens assustadoras em as paredes . Atiçou a serpente de Slytherin contra quatro sangues de lama e contra o gato de o busca-pé . - Não - murmurou Harry . - Sim - disse calmamente Riddle . - É claro que a princípio não sabia o que estava a fazer . Era muito divertido . Gostava que visses as coisas que escreveu em o diário , começaram a ficar muito mais interessantes . * _ Querido_Tom * - recitou ele , olhando para a expressão horrorizada de o Harry . - * _ Acho que estou a perder a memória . Há penas de galo em todas_as minhas roupas e eu não sei como foram lá parar . Querido_Tom , não me lembro do_que fiz em a noite de o Hallowe'en mas foi atacada uma gata e eu estou cheia de tinta em a cara . Querido_Tom , o Percy não pára de me dizer que ando pálida e não pareço eu . Acho que ele suspeita de mim ... Houve outro ataque hoje e eu não sei onde estava . Tom , que vou eu fazer ? Acho que estou a ficar maluca ... acho que ando a atacar toda_a_gente , Tom ! * Harry tinha os punhos fechados , as unhas cravadas contra a palma de as mãos . - Levou muito_tempo até a pequenina estúpida deixar de confiar em o diário - disse Riddle . - Mas acabou por ficar desconfiada e tentou livrar se de ele . E é aí que tu entras , Harry . Tu encontraste o . E eu não poderia ter ficado mais satisfeito . De todas_as pessoas que poderiam ter ficado com ele , foste tu , aquele que eu ambicionava conhecer ... - E porque querias conhecer me ? - perguntou Harry . Começava a ser tomado por a raiva e fez um esforço para manter o tom de voz controlado . - Bem , a Ginny contou me tudo a teu respeito - disse Riddle . - A tua fascinante história . - Os seus olhos pousaram em a cicatriz em a testa de Harry e a sua expressão ganhou maior avidez . - Sabia que devia descobrir mais a teu respeito , falar te , encontrar me contigo se fosse possível . Por isso , para ganhar a tua confiança , resolvi mostrar te a famosa captura que fiz de aquele demente de o Hagrid . - O Hagrid é meu amigo - disse Harry já com a voz a tremer . - E tu tramaste o , não foi ? Pensei que tinha sido um engano , mas ... Ele riu se . O mesmo riso de antes . - Era a minha palavra contra a palavra de ele . Imagina a cara de o velho Armando_Dippet . De um lado Tom_Riddle , pobre mas brilhante , sem pais mas corajoso , prefeito de a escola , um modelo de aluno . De o outro lado , o Hagrid , grande e disparatado , arranjando problemas semana sim , semana não , tentando criar filhotes de lobisomens debaixo de a cama , escapando se para a floresta proibida para lutar com gigantes . Mas , devo admitir que até eu próprio fiquei admirado com os excelentes resultados de o meu plano . Pensei que alguém perceberia que o Hagrid nunca poderia ser o herdeiro de Slytherin . Demorei cinco anos inteirinhos até descobrir tudo_o_que me foi possível sobre a Câmara_dos_Segredos e a sua entrada secreta ... como_se o Hagrid tivesse cabeça ou poder ! - Só o professor de Transfiguração , Dumbledore , parecia achar que ele estava inocente . Convenceu Dippet a mantê o aqui e a treiná o como guarda de os campos . Sim , é natural que Dumbledore tenha adivinhado , nunca gostou de mim como os outros professores . - Aposto que Dumbledore viu através_de ti - disse Harry , de dentes cerrados . - Pelo_menos passou a vigiar me de perto , a partir de o momento em que o Hagrid foi expulso - disse Riddle descuidadamente . - Eu sabia que não era seguro voltar a abrir a câmara enquanto ainda estava em a escola mas não ia desperdiçar os longos anos que passara a pesquisar . Decidi , por isso , deixar um diário preservando em as suas páginas o meu ego de dezasseis anos para que um dia , com um_pouco de sorte , pudesse levar outro a seguir os meus passos e acabar o nobre trabalho de Salazar_Slytherin . - Bem , não o acabaste - disse Harry triunfante . - Ninguém morreu até agora , nem mesmo a gata . Dentro_de poucas horas a poção de mandrágoras estará pronta e todos os que foram petrificados voltarão de_novo a si . - Não acabei de te dizer que matar sangues de lama já não me interessa ? Há muitos meses que o meu alvo és tu . Harry olhou para ele . - Podes imaginar como fiquei furioso quando em outro dia o diário foi aberto e vi que era a Ginny quem estava a escrever e não tu . Ela viu te com o diário e entrou em pânico . E se tu descobrisses como trabalhar com ele e eu te repetisse todos os seus segredos ? Ainda pior , e se eu te contasse quem tinha andado a estrangular os galos ? Por isso , a grande palerma esperou que o teu dormitório estivesse deserto e foi lá roubá o . Mas eu sabia o que tinha de fazer . Estava muito claro para mim que a tua meta era o herdeiro de Slytherin . Por tudo_o_que a Ginny me contara a teu respeito , sabia que irias até onde fosse preciso para desvendar o mistério , principalmente se um de os teus melhores amigos tivesse sido atacado . E a Ginny disse me que a escola toda bichanava por tu falares * serpentês * ... Por isso , obriguei a Ginny a escrever a sua própria despedida em a parede , a vir até aqui e esperar . Ela debateu se e gritou e ficou muito chatinha . Mas , já não tem muita vida : pôs grande parte de ela em o diário , deu me a . O suficiente para eu abandonar , por fim , as suas páginas . Desde_que aqui cheguei que estou a a tua espera . Sabia que virias . Tenho muitas perguntas a fazer te , Harry_Potter . - Que perguntas ? - disse Harry com os punhos fechados . - Bem - prosseguiu Riddle , sorrindo de satisfação : - Como é_que um bebé sem especiais talentos de magia foi capaz de derrotar o maior feiticeiro de sempre ? Como conseguiste escapar só com uma cicatriz quando os poderes de Lord_Voldemort foram destruídos ? Havia agora em os seus olhos um brilho vermelho e irado . - O que é_que te interessa saber como eu escapei ? - disse Harry lentamente . - Voldemort veio depois de ti . - Voldemort - disse Riddle - é o meu passado , o meu presente e o meu futuro , Harry_Potter ... Tirou a varinha de o Harry de o bolso e começou a escrever em o ar três palavras brilhantes : TOM_MARVOLO_RIDDLE_Em seguida , fez um gesto com a varinha e as letras de o seu nome reagruparam se de outro modo . : __ eu sou lord __ voldemort ( I am Lord_Voldemort ) . - Vês ? - murmurou . - Era um nome que eu já usava em Hogwarts , para os meus amigos mais íntimos apenas , como é óbvio . Achas que ia usar para sempre o nome nojento de o meu pai Muggle ? Eu , em cujas veias , por o lado materno , corre o sangue de Salazar_Slytherin ? Eu , manter o nome de um Muggle tolo que me abandonou ainda antes de eu nascer só porque descobriu que a mulher com quem casara era uma bruxa ? Não , Harry , arranjei um novo nome , um nome que eu sabia que os feiticeiros de todo_o_mundo viriam um dia a ter medo de pronunciar , quando eu me tivesse tornado o maior feiticeiro de o mundo . A cabeça de Harry parecia bloqueada . Olhou como_que paralisado para Riddle , para o rapaz de o orfanato que depois de crescer iria matar os seus pais e tantos outros . Por fim , com algum esforço conseguiu falar . - Não és - disse em uma voz calma e cheia de ódio . - Não sou o quê ? - perguntou Riddle irritado . - Não és o maior feiticeiro de o mundo - disse Harry com a respiração acelerada . - Lamento desiludir te mas o maior feiticeiro de o mundo é Albus_Dumbledore . Toda_a_gente sabe . Mesmo tu , quando tinhas força , não ousavas tentar aproximar te de Hogwarts . Dumbledore viu através_de ti quando andavas em a escola e ainda agora te assusta onde quer que te escondas . O sorriso desaparecera de o rosto de Riddle , fora substituído por um olhar furioso . - Dumbledore foi afastado de este castelo por a minha simples memória - sibilou . - Ele não está tão longe como pensas - retorquiu Harry . Falava por falar , tentando assustar Riddle , desejando mais que assim fosse do_que acreditando em as suas palavras como uma verdade . Riddle abriu a boca mas não chegou a falar . Tinha começado a ouvir se uma música . Riddle deu uma volta , olhando para a câmara vazia . A música estava a ficar mais alta . Era misteriosa , arrepiante , sobrenatural . Fez_Harry ficar com os cabelos em pé e o coração aumentar lhe em o peito . Por fim , quando atingiu um ponto tão alto que Harry a sentiu vibrar dentro de as suas costelas , começaram a sair chamas de o topo de o pilar mais próximo . Uma ave carmesim de o tamanho de um cisne surgiu , assobiando a sua estranha melodia para o tecto em forma de abóbada . Tinha uma cauda dourada tão longa como a de um pavão e garras douradas e brilhantes que seguravam uma trouxa andrajosa . Segundos depois , a ave voava em direcção a Harry . Deixou cair a coisa andrajosa a os seus pés e pousou lhe pesadamente em o ombro . Quando abriu as enormes asas , Harry olhou para_cima e viu que tinha um longo bico afiado e olhos escuros pequenos e brilhantes . A ave parou de cantar . Ficou quieta junto de a cara de Harry , olhando fixamente para Riddle . - É uma fénix , disse Riddle , olhando sagazmente para ela . - Fawkes ? - murmurou Harry e sentiu as garras douradas apertarem lhe devagarinho o ombro . - E aquilo - disse Riddle , olhando para a coisa velha que Fawkes deixara em o chão - é o velho chapéu seleccionador , de a escola . Era , de facto . Amachucado , puído e sujo , o chapéu jazia imóvel a os pés de Harry . Riddle começou a rir . Riu se tanto que a câmara escura se lhe juntou em um eco tal que parecia que dez Riddles se riam ao_mesmo_tempo . - Eis o que Dumbledore envia a o seu defensor . Um pássaro que canta e um chapéu velho . Estás cheio de coragem , Harry_Potter ? Sentes te agora mais seguro ? Harry não respondeu . Podia não estar a ver a vantagem de a Fawkes ou de o chapéu seleccionador mas já não se sentia só , e esperou corajosamente que Riddle parasse de rir . - Vamos a o que importa , Harry - disse ele , ainda com um enorme sorriso . - Encontrámo nos duas vezes em o teu passado , em o meu futuro . E duas vezes falhei a o tentar matar te . Como foi que sobreviveste ? Conta me tudo . Quanto_mais falares , mais tempo tens de vida . Harry pensava rapidamente , medindo as suas possibilidades . Riddle tinha a varinha . Ele , Harry , tinha a Fawkes e o chapéu seleccionador que não lhe serviriam de muito em o combate . As coisas pareciam más , é certo . Mas quanto_mais tempo Riddle ali estivesse , mais vida retirava a a Ginny ... e , entretanto , Harry reparou que a silhueta de Riddle se tornava mais nítida , mais sólida . Se tinha de haver uma luta entre os dois , quanto_mais depressa melhor . - Ninguém sabe porque perdeste os poderes quando me atacaste - disse bruscamente . - Eu próprio não sei . Mas sei porque não conseguiste matar me . A minha mãe morreu para me salvar . A minha mãe , uma vulgar filha de Muggles - acrescentou , a tremer de raiva . - Ela impediu que tu me matasses . E eu vi te como tu és , em o ano passado . És um destroço , quase não existes . Foi onde o teu poder te levou . Estás sob um disfarce , és horrível e és louco . O rosto de Riddle contorceu se . Em seguida , forçou um sorriso pavoroso . - Quer_dizer , então , que a tua mãe morreu para te salvar . Sim , é um antifeitiço poderoso . Compreendo agora , afinal não há em ti nada de especial . Eu tinha curiosidade , sabes , porque há uma estranha semelhança entre nós , Harry_Potter . Até tu deves ter reparado . Somos ambos meio sangue , órfãos , educados com Muggles , provavelmente os dois únicos que falam * serpentês * desde o grande Slytherin , até nos parecemos um_pouco fisicamente ... mas afinal foi apenas uma questão de sorte que te salvou de mim . Era o que eu queria saber . Harry ficou parado , tenso , a a espera que Riddle levantasse a varinha mas o seu sorriso cínico ampliou se de_novo . - Agora , Harry , vou dar te uma pequena lição . Vamos confrontar os poderes de Lord_Voldemort , herdeiro de Salazar_Slytherin e de o famoso Harry_Potter , munido com as melhores armas que Dumbledore lhe deu . Lançou um olhar divertido a a Fawkes e a o chapéu seleccionador e , em seguida , afastou se . Harry com as pernas entorpecidas por o medo viu o parar entre dois pilares altos e olhar para a cara de pedra de Slytherin , lá em cima em a semi-obscuridade . Riddle abriu a boca e sibilou mas Harry compreendeu o que ele dizia . - * _ Responde-me , Slytherin , o maior de os quatro de Hogwarts * . Harry voltou se para olhar melhor para a estátua com Fawkes pousada em o ombro . A gigantesca cara de pedra de Slytherin movia se . Horrorizado , Harry viu a boca abrir se mais e mais até se transformar em um buraco negro . E algo se agitava dentro de a boca de a estátua . Algo se arrastava para fora de as suas entranhas . Harry recuou até a a parede escura de a câmara e enquanto fechava os olhos com força sentiu a asa de a Fawkes roçar lhe o rosto e levantar voo . Harry quis gritar : - Não me abandones ! - mas que possibilidades tinha uma fénix contra o rei de as serpentes ? Uma coisa enorme bateu em o chão de pedra que Harry sentiu estremecer . Sabia o que estava a acontecer , podia sentis o , quase podia ver a serpente gigantesca a sair de a boca de Slytherin . Foi então que ouviu a voz de Riddle sibilar : * _ Mata-o * . O Basilisk avançava em direcção a Harry . Ele ouvia o seu corpo enorme escorregar pesadamente por o chão cheio de pó . Com os olhos sempre fechados , Harry começou a correr para o lado , a as cegas , com as mãos abertas a tactear o caminho . Riddle ria se a as gargalhadas . Harry escorregou e caiu em o chão de pedra e a boca soube lhe a sangue . A serpente estava a poucos centímetros de ele . Podia ouvi a a aproximar se . Ouviu se um crepitar explosivo por cima de ele e alguma coisa pesada bateu lhe com tanta força que ele ficou encostado a a parede . Esperando que os dentes de a serpente lhe perfurassem o corpo , ouviu mais ruídos e qualquer coisa que se agitava com força contra os pilares . Não conseguiu evitar . Abriu bem os olhos para ver o que se passava . A enorme serpente , brilhante , de um verde veneno , espessa como o tronco de um carvalho , erguera se em o ar e a sua imensa cabeça agitava se de um lado para o outro , entre os dois pilares . Quando Harry , a tremer , se preparava para fechar de_novo os olhos , percebeu o que distraíra a cobra . Fawkes esvoaçava em volta de a sua cabeça e o Basilisk , furioso , tentava agarrá a com os dentes longos e afiados como sabres . Fawkes mergulhava . Harry deixou de ver o bico fino e dourado e uma brusca chuva de sangue escuro inundou o chão . A cauda de a serpente agitou se , não batendo em o Harry por_pouco e antes que ele pudesse fechar os olhos voltou se . Harry olhou lhe para a cara e viu que os seus olhos , os dois olhos amarelos e bolbosos tinham sido perfurados por a fénix . O sangue escorria por o chão e a serpente cuspia cheia de dores . - * _ Não * - Harry ouviu o grito de Riddle . - * _ Deixa a ave , deixa a ave , o rapaz está atrás_de ti , ainda podes cheirá o . Mata o ! * A serpente cega oscilou confusa , ainda em fúria . Fawkes andava a a volta de a cabeça de ela soprando a sua misteriosa cantilena , picando lhe aqui_e_ali o nariz cheio de escamas , enquanto o sangue jorrava de os seus olhos destruídos . - Ajudem me . Ajudem me - murmurava Harry aflito . - Alguém , ajude me . A cauda de a serpente chicoteou de_novo o chão . Harry baixou se . Algo macio tocou lhe em o rosto . O Basilisk lançara o chapéu seleccionador para os braços de o Harry que o agarrou . Era tudo_o_que tinha , a sua única esperança . Enfiou o em a cabeça e começou a ficar achatado contra o chão , enquanto a cauda de o Basilisk se lançava de_novo sobre ele . - Ajudem me , ajudem me - pensou Harry , os olhos comprimidos debaixo de o chapéu . - Por favor , ajudem me . Nenhuma voz lhe respondeu . Em vez de isso , o chapéu contraiu se como_se uma mão invisível o tivesse espalmado devagarinho . Alguma coisa muito dura e pesada caíra sobre a cabeça de Harry , conseguindo quase derrubá o . A ver estrelas em frente de os olhos , agarrou o chapéu para o puxar para baixo e sentiu lá dentro uma coisa longa e dura . Uma espada brilhante tinha surgido dentro de o chapéu . Tinha um cabo cravejado de rubis de o tamanho de pequenos ovos . - Mata o rapaz , deixa a ave . O rapaz está atrás_de ti . Cheira o ! Harry estava de pé , preparado . A cabeça de o Basilisk caía , o corpo serpenteava , batendo nos pilares quando se torcia para ficar de frente para ele . Harry podia ver as enormes órbitas ensanguentadas , a boca toda aberta , suficientemente grande para o engolir inteiro , munida de dentes tão longos como a sua espada , finos , brilhantes , venenosos ... Começou a atacar a as cegas . Harry baixou se e a serpente bateu em a parede de a câmara . Atacou de_novo e a sua língua bifurcada lambeu a parede ao_lado_de Harry que levantou a espada com ambas as mãos . O Basilisk investiu mais_uma_vez e agora a pontaria foi certa . Harry pôs todo o seu peso contra a espada e enterrou a até a os copos em o céu de a boca de a serpente . Mas quando o sangue quente lhe encheu os braços , sentiu uma dor aguda mesmo acima de o cotovelo . Um longo dente venenoso penetrava cada_vez_mais fundo em o seu braço , partindo se quando o Basilisk tombou para o lado , perdendo os sentidos . Harry escorregou a o longo de a parede , apertou com força o dente que estava a derramar veneno por todo o seu corpo e arrancou o de o braço . Mas sabia que era demasiado tarde . Uma dor quente emanava lenta e perseverantemente de a ferida . Quando deixou cair o dente e viu o seu próprio sangue manchando lhe as vestes , a vista começou a ficar turva e a câmara a diluir se em uma rotação ardente e colorida . Mas algo escarlate passou por ele e Harry ouviu a o seu lado um suave ruído de garras . - Fawkes - disse com a voz empastada . - Foste sensacional , Fawkes . - Sentiu o pássaro encostar a sua elegante cabeça a o sítio onde o dente de a serpente o tinha ferido . Ouviu passos ecoarem em o vazio e em seguida uma sombra escura moveu se em a sua frente . - Estás morto , Harry_Potter - disse a voz de Riddle , acima de ele . - Morto . Até o pássaro de Dumbledore sabe de isso . Vês o que ele está a fazer ? A chorar . Harry piscou os olhos . A cabeça de Fawkes ora estava focada , ora desfocada . Lágrimas grossas como pérolas escorriam de as suas penas . - Vou sentar me aqui a ver te morrer , Harry_Potter . Leva o teu tempo , eu não tenho pressa . Harry sentiu se sonolento . Tudo parecia girar a a sua volta . - E assim acaba o famoso Harry_Potter - disse a voz distante de Riddle . - Sozinho em a Câmara_dos_Segredos , esquecido por os amigos , finalmente derrotado por o Senhor de o mal que ele tão imprudentemente desafiou . Vais reunir te a a tua querida mãe sangue de lama , Harry ... Ela deu te doze anos de tempo emprestado ... Mas Lord_Voldemort apanhou te em o fim , como sabias que teria de acontecer . Se morrer é isto , pensou Harry , não é assim tão mau . Até a dor estava a desaparecer . Mas , estaria a morrer ? Em_vez_de ficar mais escura a câmara parecia voltar a estar nítida . Harry fez um pequeno gesto com a cabeça e viu a Fawkes ainda repousando a cabeça em o seu ombro . Uma fiada de pérolas brilhava em volta de a ferida , só que já não havia ferida . - Sai de aqui , pássaro - disse subitamente a voz de Riddle . - Afasta te de ele . Já te disse , sai de aqui ! Harry levantou a cabeça . Riddle apontava a sua varinha a Fawkes . Ouviu se um tiro que parecia de carabina e Fawkes levantou novamente voo em um rodopio de ouro e escarlate . - Lágrimas de fénix - disse Riddle em voz baixa , olhando para o braço de o Harry . - É claro ... poderes curativos ... esqueci me ... Olhou para a cara de Harry . - Mas não faz mal . Pensando bem , eu até prefiro assim . Tu e eu , Harry_Potter ... Tu e eu ... Levantou a varinha . Então , em um golpe de asa , Fawkes voou sobre as cabeças de ambos , deixando cair uma coisa em o colo de Harry : o diário . Durante uma fracção de segundo , tanto Harry como Riddle , ainda com a varinha levantada , ficaram a olhar para aquilo . Em seguida , sem pensar , sem ponderar , como_se pensasse fazê o desde o princípio , Harry agarrou o dente de o Basilisk que estava em o chão , junto de ele , e espetou o em o coração de o caderno . Ouviu se um grito longo e terrível . A tinta esguichou em torrentes de dentro de o diário , derramando se sobre as mãos de o Harry e inundando o chão . Riddle torcia se e contorcia se , agitando se a os gritos . E , por fim . Desapareceu . A varinha de Harry caiu a o chão com um ruído e fez se silêncio . Um silêncio apenas cortado por o ping ping de a tinta que ainda escorria de o diário . Com um leve crepitar , o veneno de o Basilisk abrira um buraco mesmo em o meio de o caderno . A tremer de os pés a a cabeça , Harry pôs se de pé . Sentia tudo a andar a a roda como_se tivesse viajado quilómetros e quilómetros com o pó de * _ Floo * . Lentamente apanhou a varinha e o chapéu seleccionador e com um grande estrondo retirou a espada de o céu de a boca de a serpente . Ouviu se então um gemido fraco a o fundo de a câmara . Ginny estava a mexer se . Quando Harry chegou junto de ela , sentou se . Os seus olhos abismados saltaram de o Basilisk morto para Harry em a sua roupa cheia de sangue e , em seguida , para o diário que ele tinha em as mãos . Soltou um enorme soluço e os seus olhos encheram se de lágrimas . - Harry , oh ! Harry , eu tentei dizer te a o pequeno-almoço mas não fui capaz em frente de o Percy . Era eu , Harry , mas eu ... eu ... juro que não queria ... o Riddle obrigou me , levou me e ... como é_que mataste esse bicho ? Onde está o Riddle ? A última coisa de que me lembro foi de o ver a sair de o diário ... - Está tudo bem - disse Harry , mostrando lhe o diário com o buraco de o dente . - O Riddle acabou , olha . Ele e o Basilisk . Anda , Ginny , vamos embora de aqui . - Vou com certeza ser expulsa - disse Ginny a chorar enquanto Harry a ajudava a pôr se de pé . - Desde_que o Bill veio para Hogwarts que eu sonhava vir também para cá e agora vou ter de me ir embora e ... O que vão a minha mãe e o meu pai dizer ? Fawkes esperava por eles , suspensa em o ar , a a entrada de a câmara . Harry fez a Ginny avançar , passaram sobre os anéis parados de o Basilisk , por a escuridão cheia de ecos e voltaram a o túnel . Harry ouviu as portas de pedra fecharem se atrás de eles com um leve sibilar . Depois de alguns minutos a caminhar por o túnel escuro , chegou a os ouvidos de Harry o som distante de o deslocar de uma rocha . - Ron - gritou ele , apressando se . - A Ginny está bem . Está aqui comigo ! Ouviu o Ron gritar de alegria e , voltando em a curva logo_a_seguir , viram a sua cara ansiosa a espreitar por a fresta que conseguira abrir durante a avalancha . - Ginny ! - Ron estendeu o braço por a fresta para a puxar primeiro . - Estás viva . Não posso acreditar . O que aconteceu ? Tentou abraçá a mas a Ginny afastou o , soluçando . - Mas estás bem , Ginny - disse o Ron , sorrindo para ela . - Já passou tudo ... De onde veio esse pássaro ? Fawkes passara por a abertura , atrás_de Ginny . - É de o Dumbledore - explicou Harry , espremendo se para caber também . - E como arranjaste uma espada ? - perguntou o Ron , olhando para a arma brilhante que Harry tinha em a mão . - Eu explico te tudo quando sairmos de aqui - disse Harry , lançando um olhar de esguelha a a Ginny . - Mas ... - Mais tarde - disse Harry rapidamente . Não lhe parecia uma boa ideia contar a o Ron quem tinha aberto a câmara , ali , em frente de a Ginny . - Onde está o Lockhart ? - Ali atrás - disse o Ron , a rir e a abanar a cabeça em direcção a o cano . - Está em muito mau estado . Anda ver . Conduzidos_pela_Fawkes , cujas grandes asas escarlates emitiam um suave dourado que brilhava em a escuridão , voltaram a o lugar onde o cano começava . Gilderoy_Lockhart estava sentado a falar sozinho . - Perdeu a memória - disse o Ron . - O feitiço de a memória fez ricochete . Não sabe quem é nem onde está , nem_sequer sabe quem nós somos . Eu disse lhe que viesse para aqui e esperasse . É um perigo para ele próprio . Lockhart olhou os bem-disposto . - Olá - disse . - Que lugar estranho , este . É aqui que vocês moram ? -- Não - respondeu o Ron , levantando as sobrancelhas para o Harry . Harry baixou se e observou o túnel escuro e longo . - Já pensaste como é_que vamos sair de aqui ? - perguntou a o Ron . O amigo abanou a cabeça mas Fawkes , a fénix , tinha passado por o Harry e estava agora em o ar , em frente de ele , os olhos como pérolas a brilharem em o escuro . Abanava as longas penas douradas de a cauda . Harry olhou para ela , inseguro . - Ela parece querer que a agarres - disse o Ron , perplexo . - Mas tu és muito pesado para um pássaro . - A Fawkes - disse Harry - não é um pássaro qualquer . Voltou se rapidamente para os companheiros . - Temos de nos agarrar uns a os outros . Ginny , agarra a mão de o Ron . O professor Lockhart ... - Ele está a falar consigo - disse o Ron secamente . - Agarre a outra mão de a Ginny . Harry guardou a espada e o chapéu seleccionador em o cinto . Ron deitou a mão a a roupa de Harry e Harry agarrou as penas de a cauda , estranhamente quentes , de a Fawkes . Sentiu uma extraordinária leveza apoderar se de todo o seu corpo e em seguida estavam todos a voar por o cano acima . Harry conseguia ouvir Lockhart , lá atrás , comentando : - Espantoso , isto parece mágico ! Ar frio batia em os cabelos de Harry e antes que ele deixasse de gostar de a viagem já ela acabara . Os quatro tinham chegado a o chão molhado de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa e , enquanto Lockhart endireitava o chapéu , o lavatório voltara a o seu lugar , tapando o cano . A Murta arregalou os olhos . - Vocês estão vivos - disse inexpressivamente a o Harry . - Não é preciso mostrares te tão desiludida - respondeu ele , muito sério , limpando as nódoas de sangue e lodo de os óculos . - Bem ... é_que eu pensei que se vocês morressem seriam bem-vindos a a minha casa_de_banho - disse a Murta com um rubor prateado . - Urgh ! - fez o Ron , quando saíram de ali para o corredor deserto . - Harry , acho que a Murta está a gostar de ti . Tens concorrência , Ginny ! A Ginny continuava a chorar silenciosamente . - Onde vamos agora ? - perguntou o Ron , olhando ansiosamente para ela . Harry apontou . Fawkes indicava o caminho , com o seu tom dourado que brilhava em o corredor . Seguiram a e pouco depois estavam em o escritório de a professora Mc_Gonagall . Harry bateu e empurrou a porta que estava encostada . XVIII_A recompensa de Dobby_Durante alguns momentos reinou o silêncio enquanto Harry , Ron , Ginny e Lockhart estavam em a entrada de a porta . Cobertos de pó e de lama e ( em o caso de o Harry ) sangue . Em seguida , ouviu se um grito . - Ginny ! Era_Mrs._Weasley que tinha estado a chorar , sentada em frente de o lume . Pôs se de pé em um salto , seguida de Mr._Weasley e precipitaram se ambos para a filha . Harry olhava para trás de eles . Dumbledore rejubilava junto de a lareira , a o lado de a professora Mc_Gonagall que , agarrada a o queixo , respirava com dificuldade . Fawkes rasou as orelhas de o Harry e foi instalar se em o ombro de Dumbledore , ao_mesmo_tempo que Harry dava por si em os braços de Mrs._Weasley . - Tu salvaste a ! Salvaste a ! : __ como foi que __ conseguiste ? - Acho que todos nós gostaríamos de saber - disse , sem energia , a professora Mc_Gonagall . Mrs._Weasley soltou o Harry , que hesitou um momento . Depois , foi até a a secretária e colocou sobre o tampo o chapéu seleccionador , a espada cravejada de rubis e o que restava de o diário de Riddle . Em seguida , contou lhes tudo . Falou durante quase um quarto de hora em o silêncio extasiado : contou lhes de a voz sem corpo que ouvia , como a Hermione acabara por descobrir que se tratava de um Basilisk que circulava em os canos , como ele e o Ron tinham seguido as aranhas até a a floresta , que Aragog lhes dissera que a última vítima de o Basilisk morrera , como tinham chegado a a conclusão que se tratava de a Murta_Queixosa e que a entrada para a Câmara_dos_Segredos devia ser em aquela casa_de_banho ... - Muito bem - elogiou a professora Mc_Gonagall quando ele se calou . - Então tu descobriste onde era a entrada , infringindo uma centena de regras de a escola por o caminho , devo dizer , mas como diabo saíram vocês vivos de lá de dentro ? Harry , com a voz já um_pouco rouca de falar tanto , contou lhes de a chegada de a Fawkes e de o chapéu seleccionador que lhe tinha dado a espada . Mas , chegando aí , hesitou . Até a o momento evitara referir se a o diário de Riddle ou a a Ginny . Ela tinha a cabeça encostada a o ombro de Mrs._Weasley e as lágrimas corriam lhe ainda por o rosto . E se a expulsassem ? - pensou Harry , tomado de pânico . O diário de Riddle já não funcionava ... quem poderia provar que fora ele que a obrigara a fazer tudo aquilo ? Olhou instintivamente para Dumbledore que sorria , o fogo iluminando lhe os óculos de meia-lua . - O que mais me interessa saber - disse Dumbledore amavelmente - é como conseguiu Lord_Voldemort enfeitiçar a Ginny quando as minhas fontes me dizem que ele se esconde habitualmente em as florestas de a Albânia . Um alívio , quente e glorioso percorreu Harry de a cabeça a os pés . - O quê ? - disse Mr._Weasley , em uma voz estupefacta . - O Quem nós sabemos enfeitiçou a Ginny ? Mas a Ginny não ... a Ginny não morr ... ? - Foi este diário - esclareceu Harry rapidamente . E mostrando o a Dumbledore . - O Riddle escreveu o quando tinha dezasseis anos . Dumbledore pegou em o diário e olhou atentamente por cima de o seu nariz longo e adunco para as páginas queimadas e húmidas . - Fantástico - disse em voz baixa . - É claro que ele deve ter sido o aluno mais brilhante que alguma vez passou por Hogwarts . - Olhou em volta para os Weasley que o observavam com um ar totalmente confuso . - Muito poucas pessoas sabem que Lord_Voldemort se chamou em tempos Tom_Riddle . Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos , em Hogwarts . Ele desapareceu depois de deixar a escola , viajou muito , mergulhou tão fundo em as artes de a magia negra , associado a os piores feiticeiros , realizou transformações mágicas tão perigosas que quando reapareceu como Lord_Voldemort estava totalmente irreconhecível . Ninguém o relacionou com o rapazinho inteligente e bonito que aqui foi , em tempos , chefe de turma . - Mas a Ginny - insistiu Mrs._Weasley . - O que tem a nossa Ginny que ver com ele ? - O diário - soluçou Ginny . - Eu andei todo o ano a escrever em o diário e ele respondia me ... - Ginny ! - repreendeu Mr._Weasley . - Não aprendeste nada do_que te ensinei ? Não me cansei de dizer te que nunca confiasses em nada que não pensasse por si próprio * se não conseguisses ver onde tinha o cérebro ? * Porque não me mostraste o diário , a mim ou a a tua mãe ? Um objecto suspeito como esse tinha de estar cheio de magia negra ! - Eu não sabia - soluçou Ginny . - Estava junto de os livros que a mãe me comprou . Pensei que alguém se tinha esquecido de ele ali . - É melhor Miss_Weasley ir imediatamente para a ala hospitalar - interrompeu Dumbledore com voz firme . - Foi sujeita a uma prova terrível . Não será castigada . Outros feiticeiros mais velhos do_que ela têm sido ludibriados por Lord_Voldemort . - Dirigiu se a a porta e abriu a . - Repouso , cama e talvez uma caneca de chocolate quente . A mim , anima me sempre - acrescentou , piscando lhe simpaticamente o olho . - Vais ver que Madam_Pomfrey ainda está acordada . Ela tem estado a dar o sumo de Mandrágora , julgo que as vítimas de o Basilisk estarão a acordar dentro_de momentos . de alegria . - Então a Hermione está bem ! - disse o Ron , cheio de alegria . - Não houve danos irreversíveis - disse Dumbledore . Mrs._Weasley saiu com a Ginny e Mr._Weasley seguiu as ainda bastante abalado . - Sabes , Minerva - disse pensativo o professor Dumbledore - acho que tudo_isto merece um banquete . Posso pedir te que previnas os cozinheiros ? - Certamente - disse animada a professora Mc_Gonagall , dirigindo se também a a porta . - Deixo te a tratar de as coisas com o Potter e o Weasley , está bem ? - Claro - disse Dumbledore . Saiu e os dois olharam inseguros para Dumbledore . Que quereria ela dizer com tratar de as coisas ? Certamente não iriam ser castigados ? - Lembro me de vos ter dito a ambos que teria de vos expulsar se voltassem a quebrar as regras de a escola - disse Dumbledore . Ron abriu a boca horrorizado . - O que vem mostrar nos que as melhores pessoas , às_vezes , têm de engolir as suas próprias palavras . - Dumbledore sorriu e continuou : - Vocês vão receber ambos uma recompensa especial por serviços prestados a a escola e ... deixem me ver , sim , acho que duzentos pontos cada_um para os Gryffindor . Ron ficou tão corado que parecia as flores de S._Valentim_do_Lockhart e voltou a fechar a boca . - Mas um de vós parece demasiado calado sobre a sua participação em esta perigosa aventura - acrescentou Dumbledore . - Porquê tanta modéstia , Gilderoy ? Harry estremeceu . Esquecera se por completo de Lockhart . Voltou se e viu o a um canto de a sala ainda com o mesmo sorriso vago . Quando Dumbledore se lhe dirigiu , olhou por cima de o ombro para ver com quem ele estava a falar . - Professor_Dumbledore - disse o Ron rapidamente - Houve um acidente lá em baixo , em a Câmara_dos_Segredos . O professor Lockhart - Eu sou um professor ? - perguntou Lockhart surpreendido . - E eu que pensei que era um inútil ! - Tentou fazer um feitiço antimemória e a varinha fez ricochete - explicou Ron_a_Dumbledore . - Incrível - disse Dumbledore , abanando a cabeça , o bigode prateado a tremer . - Trespassado por a tua própria espada , Gilderoy ! - Espada ? - disse Lockhart de forma imprecisa . - Eu não tenho espada . Esse rapaz é_que tem - apontou para Harry . - Ele empresta lhe uma . - Importas te de levar também o professor Lockhart até a a ala hospitalar , Ron ? - disse Dumbledore . - Eu gostava de falar um_pouco mais com o Harry . Lockhart saiu sem pressa . Antes de fechar a porta , Ron lançou um olhar curioso a Dumbledore e Harry . Dumbledore passou para uma de as cadeiras junto de o lume . - Senta te , Harry - disse . E Harry sentou se , sentindo se indescritivelmente nervoso . - Antes de mais , Harry , quero agradecer te - disse Dumbledore com os olhos a brilharem de_novo . - Deves ter demonstrado uma grande lealdade para comigo . Só isso poderia atrair a Fawkes para ir ajudar te . Deu uma palmadinha a a fénix que voara , entretanto , para_cima de os seus joelhos . Harry sorria acanhadamente sob o olhar observador de Dumbledore . - Encontraste , portanto , Tom_Riddle - disse o director amavelmente . - Calculo que ele estaria particularmente interessado em ti ... De repente , algo que Harry tinha engasgado saiu lhe descontroladamente de a boca para fora . - Professor_Dumbledore ... o Riddle disse que eu sou como ele , que há entre nós estranhas semelhanças ... - Ah ! sim ? - Dumbledore olhou pensativamente para ele , por debaixo de as espessas sobrancelhas prateadas . - E o que achas tu de isso ? - Eu não me considero parecido com ele - disse Harry mais alto do_que desejaria . - Isto_é , eu sou um Gryffindor , eu sou ... Mas calou se com uma dúvida a rondar lhe o espírito . - Professor - arriscou passado alguns momentos . - O chapéu seleccionador disse que eu ... teria ficado bem em os Slytherin ; durante algum tempo toda_a_gente pensou que eu era o herdeiro de Slytherin por falar * serpentês * ... - Tu falas * serpentês * , Harry - disse Dumbledore calmamente - porque Lord_Voldemort que é o mais recente antepassado de Salazar_Slytherin , fala * serpentês * . Ou eu me engano muito , ou ele transferiu para ti alguns de os seus poderes em a noite em que te fez essa cicatriz . Não que quisesse fazê o , claro , mas aconteceu . - Voldemort pôs um_pouco de si próprio em mim ? - disse Harry assombrado . - É o que parece ter acontecido . - Então eu deveria estar em os Slytherin - disse Harry , olhando desesperado para o rosto de Dumbledore . - O chapéu seleccionador viu em mim os poderes de Slytherin e ... -- Pôs te em os Gryffindor - concluiu tranquilamente Dumbledore . - Ouve , Harry , tu tens por acaso muitas de as capacidades que Salazar_Slytherin apreciava em os seus estudantes cuidadosamente seleccionados . O seu raro dom de falar * serpentês * , desenvoltura , determinação , um certo desprezo por as regras estabelecidas - acrescentou com o bigode a tremer de_novo . - Mas ainda_assim , o chapéu seleccionador pôs te em os Gryffindor . E sabes porquê ? Pensa um_pouco . - Só me pôs em os Gryffindor - disse Harry em uma voz débil - porque eu pedi para não ir para os Slytherin . - Exacto - disse Dumbledore a sorrir . - E isso torna te muito diferente de o Tom_Riddle . São as tuas escolhas , Harry , que mostram quem de facto tu és , mais do_que as tuas capacidades . Harry sentou se , imóvel e espantado , em a cadeira . - Se queres provas de que o teu lugar é em os Gryffindor , sugiro que vejas isto com mais atenção . Dumbledore aproximou se de a secretária de a professora Mc_Gonagall , pegou em a espada de prata ensanguentada e mostrou lhe a . Sem perceber , Harry voltou a ao_contrário . Os rubis brilharam a a luz de a lareira e foi então que ele reparou em o nome gravado mesmo por baixo de o copo de a espada . GODRIC_GRYFFINDOR . - Só um verdadeiro Gryffindor poderia ter tirado a espada de dentro de o chapéu , Harry - disse , com simplicidade , Dumbledore . Durante um minuto , nenhum de os dois falou . Depois , Dumbledore abriu uma de as gavetas de a secretária de a professora Mc_Gonagall e retirou de lá uma pena e um tinteiro . - Tu precisas de comer e ir dormir . Sugiro que desças para o banquete enquanto eu escrevo para Azkaban . Precisamos de recuperar o nosso guarda de os campos . E tenho de esboçar um anúncio para o * _ Profeta_Diário * - acrescentou pensativo . - Vamos precisar de um novo professor de Defesa contra as artes negras . É um problema , estamos sempre a perdê os . Harry levantou se e dirigiu se a a porta . Tinha acabado de estender a mão para o puxador quando ela se abriu tão violentamente que saltou de as dobradiças . Lucius_Malfoy estava de pé , furioso . E , debaixo de o braço , embrulhado em diversas ligaduras , estava Dobby . - Boa tarde , Lucius - disse Dumbledore , de forma amena . Mr._Malfoy quase derrubou Harry enquanto entrava em a sala . Dobby dava passos miudinhos atrás de ele , inclinado até a a bainha de o seu manto com um olhar apavorado em o rosto . - Então - disse Lucius_Malfoy com os olhos fixos em Dumbledore - voltaste . Os membros de o Conselho_Directivo suspenderam te , mas tu mesmo_assim sentiste te capaz de voltar a Hogwarts . - Bem vês , Lucius - disse Dumbledore , sorrindo serenamente . - Os outros membros de o Conselho contactaram me hoje . Fui envolvido em um redemoinho de corujas , todos queriam contar me a verdade . Ouviram dizer que a filha de Arthur_Weasley tinha sido morta e queriam me novamente aqui . Parece que me consideravam o melhor homem para o lugar . Contaram me algumas histórias muito estranhas . Alguns de eles tinham a impressão que tu tinhas ameaçado amaldiçoar lhes as famílias se não concordassem com a minha suspensão . Mr._Malfoy ficou ainda mais pálido do_que de costume , mas os olhos continuavam cheios de fúria . - Então já acabaste com os ataques ? - rosnou . - Apanhaste o culpado ? - Já , sim - disse Dumbledore com um sorriso . - E quem é ? - perguntou Malfoy secamente . - A mesma pessoa de a última vez , Lucius - disse Dumbledore . Mas desta_vez , Lord_Voldemort agiu através_de outra pessoa , por_meio_de um diário . Pegou em o pequeno caderno com o buraco em o meio , observando Mr._Malfoy de perto . Mas Harry olhava para Dobby . O elfo fazia um sinal muito estranho . Com os seus grandes olhos fixos em Harry , não parava de apontar para ó diário e , em seguida , para Mr._Malfoy , batendo logo_a_seguir com o punho em a cabeça . - Estou a ver ... - disse Mr._Malfoy lentamente a Dumbledore . - Um plano inteligente - afirmou o director em um tom de voz suave , continuando a olhar Mr._Malfoy directamente em os olhos . - Porque se não fosse aqui o Harry e o seu amigo Ron a descobrirem o diário , sem dúvida Ginny_Weasley teria ficado com todas_as culpas . Ninguém teria conseguido provar que ela agira contra a sua própria vontade . Mr._Malfoy não se pronunciou . O seu rosto parecia agora uma máscara . - E vê bem - continuou Dumbledore - o que poderia ter acontecido ... os Weasley são uma de as mais proeminentes famílias de feiticeiros de sangue puro , imagina o efeito em a imagem de Arthur_Weasley e em a sua acção de protecção a os Muggles , se a sua própria filha fosse acusada de atacar e matar filhos de Muggles . Foi uma sorte o diário ter sido descoberto e as memórias de Riddle apagadas . Quem sabe que consequências poderia ter tido ? Mr._Malfoy falou contra vontade . - Sim , foi uma sorte - disse secamente . E , em as suas costas , Dobby continuava a apontar para o diário e para Lucius_Malfoy , batendo depois com o punho em a cabeça . E Harry finalmente percebeu . Fez um sinal a Dobby que correu a esconder se em um canto , torcendo desta_vez as orelhas para se castigar . - Não quer saber como a Ginny obteve esse diário , Mr._Malfoy ? - perguntou Harry . Lucius_Malfoy voltou se para ele . - Como queres que eu saiba onde é_que a estúpida de a garota o arranjou ? - Porque foi o senhor quem lhe o deu - disse Harry . - Em a Flourish and Blotts . O senhor pegou em o livro velho de ela de Transfiguração e meteu o diário lá dentro , não foi ? Viu as mãos brancas de Mr._Malfoy abrirem se e fecharem se . - Prova isso - sibilou . - Oh ! ninguém vai poder prová o - disse Dumbledore sorrindo a o Harry . - Não agora_que o Riddle desapareceu de o caderno . Por outro lado , aconselharia te , Lucius , a não dares mais nenhuma de as coisas velhas de Lord_Voldemort . Se mais alguma for parar a as mãos de crianças inocentes , acho que o Arthur_Weasley fará com que se voltem com toda_a sua carga negativa contra ti . Lucius_Malfoy ficou calado um momento e Harry viu claramente a sua mão direita torcer se como_se desejasse chegar a a varinha . Em vez de isso , voltou se para o seu elfo doméstico . - Vamos , Dobby . Abriu a porta e quando o elfo se aproximou deu lhe um pontapé que o projectou para longe . Ouviram se em o escritório os gritos de dor de Dobby em o corredor . Harry pensou durante um momento e depois decidiu se . - Professor_Dumbledore - disse apressadamente . - Posso dar o diário outra_vez a Mr._Malfoy ? - Certamente , Harry - disse Dumbledore com toda_a calma . - Mas não demores , olha o banquete . Harry agarrou em o diário e saiu de o escritório . Os gritos de dor de Dobby afastavam se ao_longe . Sem perder tempo , perguntando a si próprio se o plano poderia resultar , Harry tirou um de os sapatos , puxou uma de as peúgas enlameadas e viscosas e meteu o diário lá dentro . Em seguida correu até a o fundo de o corredor escuro . Apanhou os em o topo de as escadas . - Mr._Malfoy - disse ofegante , parando . - Tenho uma coisa para si . E meteu a peúga mal cheirosa em a mão de Lucius_Malfoy . - O que é ... ? Mr._Malfoy tirou o diário de dentro de a peúga , deitou a fora e olhou furioso para o caderno estragado e para Harry - Ainda vais acabar por ter um fim igual a o de os teus pais um dia de estes , Harry_Potter - disse em voz baixa . - Eles também eram uns idiotas metediços . Voltou se para se ir embora . - Anda , Dobby , vem ! Mas Dobby não se mexeu . Tinha em as mãos a peúga nojenta de o Harry e olhava para ela como_se fosse um tesouro de valor incalculável . - O senhor deu uma peúga a o Dobby - disse o elfo maravilhado . - Deu a a o Dobby . - O que é isso ? - cuspiu Mr._Malfoy . - Que estás para aí a dizer ? - Dobby tem uma peúga - repetiu incrédulo . - O senhor deitou a fora e Dobby apanhou a e Dobby agora é livre ... Lucius_Malfoy ficou paralisado a olhar para o elfo . Em seguida precipitou se para Harry . - Fizeste me perder o meu servo , rapaz . Mas Dobby gritou : - Não pense que vai fazer mal a o Harry_Potter ! Ouviu se um enorme estrondo e Mr._Malfoy foi empurrado de costas , galgando os degraus de as escadas a três_e_três e indo aterrar lá em baixo todo embrulhado e amarrotado . Levantou se , o rosto lívido e pegou em a varinha , mas Dobby estendeu lhe um dedo ameaçador . - Vá se embora já - disse furioso , apontando para Mr._Malfoy . - Não tocará em o Harry_Potter . Vá se embora , já . Lucius_Malfoy não teve escolha . Lançando a os dois um último olhar de cólera , embrulhou se em o manto e desapareceu . - Harry_Potter libertou Dobby ! - disse o elfo com voz esganiçada , olhando para Harry , a luz de o luar reflectida em os seus grandes olhos em forma de globos . - Harry_Potter libertou Dobby . - Era o mínimo que eu podia fazer , Dobby - disse Harry a sorrir -- , mas promete me que não vais voltar a tentar salvar me a vida . A cara feia e escura de o elfo abriu se , mostrando os dentes , em um enorme sorriso . - Tenho uma pergunta a fazer te , Dobby - disse Harry enquanto o elfo pegava em a peúga de ele com as mãos a tremer . - Disseste me que tudo_isto não tinha nada que ver com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Lembras te ? - Era uma pista , senhor - disse Dobby com os olhos muito abertos como_se fosse absolutamente óbvio . - Dobby estava a dar lhe uma pista . Antes de o senhor de o mal mudar de nome , o seu nome podia ser pronunciado , está a ver ? - Certo - disse Harry sem grande convicção . - Bem , é melhor eu ir indo embora . Há um banquete e a minha amiga Hermione já deve ter acordado ... Dobby lançou os braços a a cintura de Harry e abraçou o . - Harry_Potter é muito maior do_que Dobby imaginava ! - soluçou . - Adeus , Harry_Potter . E com um estalido final , Dobby desapareceu . Harry assistira a diversos banquetes , mas nenhum que se parecesse com aquele . Estavam todos de pijama e a festa durou a noite inteira . Harry não sabia se o melhor tinha sido a Hermione a correr para ele e a gritar : - Tu conseguiste . Tu conseguiste ! , ou o Justin saindo disparado de a mesa de os Hufflepuff para lhe estender a mão , desfazendo se em desculpas por ter suspeitado de ele , ou o Hagrid que apareceu a as três_e_meia e que lhes deu palmadas com tanta força em os ombros que eles foram parar dentro de os pratos de bolo de creme , ou os quatrocentos pontos que ele e o Ron obtiveram para os Gryffindor , ganhando a taça de a equipa por a segunda vez consecutiva , ou a professora Mc_Gonagall de pé , a comunicar lhes que os exames tinham sido cancelados como medida de a escola ( Oh ! não ! exclamou Hermione ) , ou Dumbledore a anunciar que , infelizmente , o professor Lockhart não poderia voltar em o ano seguinte por ter de se ausentar a_fim_de recuperar a memória . Alguns de os professores juntaram se a os alunos que aplaudiram entusiasmados esta notícia . - Que pena - disse Ron , servindo se de um * dounut * de presunto . - E eu que começava a gostar de ele ... O resto de o período de Verão decorreu sob um sol escaldante . Hogwarts voltara a a normalidade , apenas com algumas pequenas diferenças : as aulas de Defesa contra as artes negras foram canceladas ( Mas nós tivemos imensa prática - disse o Ron vendo o descontentamento de Hermione ) e Lucius_Malfoy foi demitido de o Conselho_Directivo . Draco já não passeava por ali como_se fosse o dono de a escola . Pelo_contrário , tinha um ar melindrado e carrancudo . Por outro lado , Ginny_Weasley andava de_novo feliz de a vida . Em_breve chegou o dia de regressarem a casa em o Expresso_de_Hogwarts . Harry , Ron , Hermione , Fred , George e Ginny encheram um compartimento . Tiraram o_máximo partido de aquelas últimas horas em que lhes era permitido usar a magia antes de as férias . Brincaram a as explosões , gastaram o último fogo-de-artíficio Filibuster , de o Fred e de o George e treinaram o mútuo desarmamento através de a magia . Harry começava a ficar muito bom em aquilo . Já estavam perto de a estação de King's_Cross quando Harry se lembrou de uma coisa . - Ginny , o que foi que viste o Percy fazer que ele não queria que nos contasses ? - Ah ! isso - disse a Ginny a rir . - Bem , é_que o Percy tem uma namorada . Fred deixou cair uma pilha de livros em a cabeça de o George . - O quê ? - É aquela prefeita de os Ravenclaw ' Penelope_Clearwater - disse a Ginny . - Foi para ela que ele escreveu durante todo o Verão . Encontravam se em a escola em grande segredo . Eu apanhei os a beijarem se em uma sala de aula vazia e ele ficou tão aflito quando ela foi ... sabes ... atacada . Não vais aborrecê o , pois não ? - perguntou cheia de ansiedade . - Que ideia - respondeu Fred com uma tal satisfação em o rosto que parecia que o seu aniversário chegara mais cedo . - Claro que não - disse o George a rir se a a socapa . O----------------- J._K._Rowling_Harry_Potter e a Câmara_dos_Segredos_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Chamber of Secrets_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling 1998 Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 2000 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 2.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 Depósito legal : 143.569/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , a a Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Para_Séan_P._F._Harris , condutor imparável e um amigo de os diabos . I_O pior aniversário Não era a primeira vez que uma discussão estoirava a a mesa de o pequeno-almoço , em o número 4 de a Privet_Drive . Mr._Vernon_Dursley fora acordado de manhã cedo por o piar ruidoso que vinha de o quarto de o seu sobrinho Harry . - É a terceira vez esta semana ! - resmungou , a a mesa . - Se não consegues controlar essa coruja , ela não pode ficar aqui . Harry tentou , mais_uma_vez , explicar . - Ela está aborrecida . Estava habituada a voar livremente lá fora . Se eu pudesse , ao_menos , soltá a a a noite ... - Achas me com cara de idiota ? - perguntou rispidamente o tio Vernon , com um fio de ovo preso em o bigode farfalhudo . - Sei muito bem o que aconteceria se essa coruja fosse lá para fora . Trocou um olhar soturno com a mulher , a tia Petúnia . Harry tentou contra-argumentar , mas as suas palavras foram abafadas por um enorme arroto de o filho de os Dursleys , Dudley . - Quero mais bacon . - Há mais em a frigideira , fofinho - disse a tia Petúnia , lançando um olhar vago a o seu filho maciço . - Tens que te alimentar bem enquanto aqui estás , aquela comida de a tua escola não me cheira . - Disparate , Petúnia , eu nunca passei fome enquanto andei em Smeltings - afirmou com sinceridade o tio Vernon . - O Dudley tem que chegue . Não é verdade , filho ? Dudley , que era tão gordo que o rabo saía de os dois lados de a cadeira de a cozinha , sorriu laconicamente e voltou se para Harry . - Passa me a frigideira . -- Esqueceste te de a palavra mágica - disse Harry , irritado . O efeito que esta simples frase teve em o resto de a família foi inacreditável : Dudley começou a arfar e caiu de a cadeira com um estrondo que abalou a cozinha , Mrs._Dursley deu um gritinho e bateu com a mão em a boca , Mr._Dursley pôs se de pé com as veias de as têmporas dilatadas . - Eu queria dizer « por favor » - explicou Harry rapidamente . - Não me referia a ... - : __ o que é_que eu te __ disse - vociferou o tio , espalhando perdigotos sobre a mesa - : __ sobre pronunciar a palavra m . em esta __ casa ? - Mas eu ... - : __ como te atreves a ameaçar o __ dudley ! - rosnou o tio Vernon , batendo com o punho em a mesa . - Eu só ... - : __ estás avisado . não vou admitir referências a tua anormalidade debaixo de o tecto de a minha __ casa ! Harry olhou alternadamente para o rosto congestionado de o tio e para a palidez de a tia que tentava pôr o Dudley de pé . - Está bem - disse Harry . - Está bem ... O tio Vernon voltou a sentar se , respirando como um rinoceronte exausto e observando Harry de perto por o canto de os seus olhos pequeninos e penetrantes . Desde_que Harry regressara para as férias de Verão que o tio Vernon o tratava como_se ele fosse uma bomba , capaz de explodir a qualquer momento , porque Harry não era um rapazinho normal . Em a verdade , ele era o menos normal que é possível imaginar . Harry_Potter era um feiticeiro , um feiticeiro que acabara de concluir o primeiro ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts e a infelicidade que os Dursleys sentiam por ele estar lá em casa não era nada comparada com a de Harry . As saudades de Hogwarts eram tão intensas que se assemelhavam a uma constante dor em o estômago . Sentia a falta de o castelo com as suas passagens secretas e os seus fantasmas , de as aulas ( com excepção talvez de as de Snape , o professor de as poções ) , de o correio a chegar trazido por as corujas , de os banquetes em o salão nobre , de as noites em as camas de dossel em a camarata de a torre , de as visitas a Hagrid , o guarda de os campos em a sua casinha em o bosque , junto de a floresta proibida e , principalmente , sentia a falta de o Quidditch , o desporto mais popular de o mundo de os feiticeiros ( seis postes altos de golo , quatro bolas esvoaçantes e catorze jogadores em_cima_de vassoura ) . Todos os livros de feitiços de Harry , assim_como a varinha , os mantos , o caldeirão e a vassoura topo de gama Nimbus dois_mil tinham sido encerrados por o tio Vernon em a despensa que ficava debaixo de as escadas , em o momento em que Harry regressara a casa . O que é_que lhes interessava se ele perdia ou não o seu lugar em a equipa de Quidditch por não ter praticado durante todo o Verão ? Que importância tinha para eles que o Harry voltasse a a escola sem ter podido fazer os trabalhos de casa ? Os Dursleys eram aquilo que os feiticeiros chamam « Muggles » ( nem uma gota de sangue mágico em as veias ) e , para eles , ter um feiticeiro em a família era motivo de grande vergonha . O tio Vernon tinha , inclusivamente , fechado a cadeado a coruja de Harry , Hedwig , dentro de a gaiola , para evitar que ela transportasse mensagens para a gente de o mundo de a feitiçaria . Harry não se parecia em nada com o resto de a família . O tio Vernon era atarracado e sem pescoço , dotado de um enorme bigode preto ; a tia Petúnia tinha um rosto cavalar e era esquelética ; Dudley era loiro e rosado como um porquinho . Harry , pelo_contrário , era baixo e franzino , com os olhos verdes brilhantes e cabelo negro sempre desalinhado . Usava uns óculos redondos e tinha em a testa uma cicatriz em forma de relâmpago . Era essa cicatriz que o tornava tão invulgar , mesmo para um feiticeiro . Era a única alusão a o seu passado misterioso , a o motivo por o qual , onze anos antes , tinha sido deixado em o degrau de a porta de os Dursleys . Com um ano de idade , Harry sobrevivera a uma maldição de o maior feiticeiro negro de todos os tempos , Lord_Voldemort , cujo nome a maior parte de os feiticeiros e feiticeiras ainda receia pronunciar . Os pais de Harry tinham morrido em um ataque de Voldemort , mas ele escapara com a sua cicatriz em forma de relâmpago e estranhamente , ninguém compreendeu porquê , os poderes de Voldemort tinham sido destruídos em o momento em que não fora capaz de matar o Harry . Por isso , ele foi criado por a irmã de a sua falecida mãe e respectivo marido . Passou dez anos com os Dursleys , sem nunca compreender porque fazia com que acontecessem coisas estranhas , alheias a a sua vontade , acreditando em a história de os Dursleys de que aquela cicatriz fora resultado de um acidente de automóvel em que os pais tinham morrido . E um dia , precisamente um ano antes , Hogwarts escrevera lhe e fora então que tudo começara . Harry fora ocupar o seu lugar em a escola de feitiçaria , onde ele e a sua cicatriz eram famosas ... mas agora o ano escolar chegara a o fim e estava de_novo com os Dursleys . Durante o Verão , voltara a ser tratado como um cão malcheiroso . Os Dursleys nem se tinham lembrado que aquele era o dia de o seu décimo segundo aniversário . É claro que não tivera grandes expectativas : eles nunca lhe tinham dado um presente a sério , muito menos um bolo , mas ignorarem o por completo ... Em esse momento , o tio Vernon pigarreou com um ar importante e disse : - Como todos sabem , hoje é um dia muito importante . Harry olhou para ele , mal conseguindo acreditar . - Pode bem ser que eu faça hoje o maior negócio de toda_a minha vida - afirmou . Harry voltou novamente a atenção para a torrada . É claro , pensou amargamente , o tio Vernon referia se a a estúpida dinner-party . Havia quinze_dias que não falava de outra coisa . Um consultor qualquer cheio de massa e a mulher vinham jantar lá a casa e o tio Vernon tinha esperança de conseguir uma grande encomenda ( a empresa de o tio Vernon fabricava brocas ) . - Acho que devíamos recapitular mais_uma_vez - disse o tio Vernon . - Devemos estar todos a postos a as oito_horas_em_ponto . Petúnia , tu vais estar ... ? - Em o salão - respondeu a tia Petúnia prontamente - a a espera para lhes dar as boas-vindas a nossa casa . - Bom , bom . E o Dudley ? - Eu vou estar a a espera para abrir a porta . - Dudley esboçou um sorriso falso e afectado . - Dão me licença que vos guarde os casacos , Mr. e Mrs._Mason ? - Eles vão adorá o - exclamou arrebatadamente a tia Petúnia . - Excelente , Dudley - disse o tio Vernon . - A seguir voltou se para o Harry . - E tu ? - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - repetiu o Harry , de forma inexpressiva . - Exactamente - confirmou o tio Vernon , de um modo desagradável . - Eu conduzo os até a o salão , apresento te , Petúnia , e sirvo lhes as bebidas . _ a as oito_e_um_quarto . - Eu chamo para a mesa - disse a tia Petúnia . - E tu , Dudley , vais dizer ... - Dá me licença que lhe indique a casa de jantar , Mrs._Mason ? - repetiu o Dudley , oferecendo o seu braço gordo a uma mulher invisível . - O meu pequenino cavalheiro - fungou a tia Petúnia . - E tu ? - perguntou o tio Vernon a o Harry , em o mesmo tom desagradável . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho , fingindo que não estou lá - respondeu Harry aborrecido . - Isso mesmo . Agora , devíamos ter preparadas algumas frases amáveis para o jantar . Petúnia , alguma ideia ? - O Vernon disse me que o senhor é um excelente jogador de golfe , Mr._Mason ... Tem de me dizer onde comprou esse vestido , Mrs._Mason ... - Perfeito . Dudley ? - Que tal : Tivemos de fazer um trabalho para a escola sobre o nosso herói e eu escrevi sobre o senhor ... Foi de mais , tanto para a tia Petúnia como para o Harry . A tia debulhou se em lágrimas e abraçou o filho , enquanto Harry se esgueirava para debaixo de a mesa para ninguém o ver rir . - E tu , rapaz ? Harry fez um esforço para se mostrar inexpressivo quando emergiu . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - disse . - Vais sim senhor - afirmou o tio Vernon energicamente . - Os Mason não sabem nada a teu respeito e é assim que as coisas vão continuar . Quando o jantar terminar , tu trazes Mrs._Mason para o salão , onde vamos tomar café , Petúnia , e eu puxo o assunto de as brocas . Com um_pouco de sorte , tenho o contrato assinado antes de o noticiário de as dez . Amanhã por esta hora , vamos estar a fazer compras para umas férias em Maiorca . Harry não conseguia sentir o menor entusiasmo com aquilo . Não lhe parecia que os Dursleys gostassem mais de ele em Maiorca do_que em Privet_Drive . - Certo , eu vou a a cidade buscar os casacos para mim e para o Dudley . E tu - resmungou , apontando para Harry - não atrapalhes a tua tia enquanto ela estiver a limpar . Harry saiu por a porta de as traseiras . Estava um dia de sol lindo . Atravessou o relvado , deixou se cair em o banco de o jardim e cantarolou baixinho : - Parabéns para mim ... parabéns para mim ... Nem cartas nem presentes e tinha de passar a noite a fingir que não existia . Olhou infeliz para a sebe . Nunca se sentira tão só . Mais do_que tudo em o mundo , mais do_que de Hogwarts , mais até do_que de o jogo de Quidditch , Harry sentia a falta de os amigos Ron_Weasley e Hermione_Granger . Mas eles não pareciam sentir a falta de ele . Nenhum de os dois lhe escrevera durante todo o Verão apesar_de o Ron ter dito que ia convidá o para passar uns dias lá em casa . Inúmeras vezes Harry estivera quase a libertar magicamente Hedwig de a sua gaiola e mandá a levar uma carta a o Ron e a a Hermione mas não valia a pena correr o risco . Os feiticeiros menores de idade não tinham autorização para usar a magia fora de a escola . Harry não contara isto a os Dursleys . Ele sabia que era o medo de que ele os transformasse a todos em baratas que os impedia de o fecharem a a chave em a despensa debaixo de as escadas , juntamente com a varinha e a vassoura . Em as primeiras semanas Harry divertira se a murmurar baixinho palavras sem sentido e a ver o Dudley sair disparado de o quarto , tão rápido quanto as suas pernas gordas lhe permitiam . Mas o silêncio prolongado de Ron e Hermione tinham o feito sentir se tão longe de o mundo de a magia que até divertir se à_custa_de Dudley perdera o interesse . E agora o Ron e a Hermione tinham se esquecido de o seu aniversário . Quanto não daria ele por uma mensagem de Hogwarts ? De qualquer feiticeiro ou feiticeira ? Quase ficaria satisfeito com um sinal de o seu inimigo feroz , Draco_Malfoy , só para ter a certeza de que tudo aquilo não fora apenas um sonho ... Não que tudo durante o ano em Hogwarts tivesse sido divertido . Mesmo em o fim de o último período , Harry confrontara se nem mais nem menos do_que com o próprio Lord_Voldemort . Voldemort podia ter arruinado o seu ego inicial mas continuava a espalhar o terror , ainda astuto , ainda determinado a recuperar o poder . Harry escapara uma segunda vez a as suas garras mas fora por um triz e mesmo agora , algumas semanas decorridas , acordava de noite encharcado em suores frios , perguntando se onde estaria Voldemort , relembrando o seu rosto lívido , os seus olhos completamente loucos ... Harry sentou se subitamente , direito como um fuso , em o banco de o jardim . Tinha estado a olhar distraído para a sebe e a sebe estava a olhar para ele . Dois enormes olhos verdes surgiram por_entre a folhagem . Harry pôs se de pé ao_mesmo_tempo que uma voz sobrevoava a relva . - Eu sei que dia é hoje - cantarolava Dudley , bamboleando se enquanto se aproximava . Os olhos enormes piscaram e desapareceram . - O quê ? - perguntou Harry sem retirar os olhos de o lugar para_onde estava a olhar . - Eu sei que dia é hoje - repetiu , chegando junto de ele . - Ainda_bem - disse Harry . - Aprendeste finalmente os dias de a semana . - Hoje é o dia de os teus anos - troçou o Dudley . - Por_que é_que não recebeste nenhuma carta ? Não tens amigos em esse lugar esquisito ? - É melhor não deixares a tua mãe ouvir te falar de a minha escola - disse Harry calmamente . Dudley puxou para_cima as calças que estavam a escorregar lhe por o rabo gordo abaixo . - Porque estás a olhar para a sebe . ; - perguntou curioso . - Estou a pensar em as palavras que deverei pronunciar para lhe pegar fogo - disse Harry . Dudley recuou de imediato com um olhar de pânico em a cara rechonchuda . - Tu não p-p-odes , o pai disse que não podias fazer magia ou corria contigo aqui de casa e não tens mais nenhum lugar para_onde ir , não tens amigos que te convidem ... - * _ Jiggery pokery * ! - disse Harry com voz firme . - * _ Hocus pocus ... squiggly wiggly * ... - Maaaaaãe - gritou Dudley , tropeçando em os pés , enquanto se precipitava para dentro_de casa . Maaaãe , ele vai fazer aquela coisa ! Harry deu graças a os céus por aquele momento de gozo . Como não aconteceu nada de mal nem a o Dudley nem a a sebe , a tia Petúnia percebeu que ele não fizera magia nenhuma mas , mesmo_assim , Harry teve de se afastar quando ela lhe deu uma forte pancada em a cabeça com a frigideira cheia de detergente . A seguir distribuiu lhe trabalho e o castigo de só voltar a comer quando tivesse acabado tudo . Enquanto Dudley andava a flanar , olhando para o ar e comendo gelados , Harry limpou as janelas , lavou o carro , aparou a relva , adubou os canteiros , podou e regou as rosas e pintou de_novo o banco de o jardim . O sol ardia lá em cima , queimando lhe a parte de trás de o pescoço . Harry sabia que não devia ter provocado Dudley mas ele dissera precisamente aquilo que ele próprio pensava ... talvez não tivesse amigos em Hogwarts . Deviam ver agora o famoso Harry_Potter , pensou amargamente enquanto espalhava adubo em os canteiros , as costas a doerem lhe e o suor a escorrer lhe por o rosto . Eram sete_e_meia_da_tarde quando , por fim , exausto , ouviu a tia Petúnia a chamá o . - Anda para dentro e passa por cima de os jornais . Harry entrou satisfeito em a sombra de a cozinha que rebrilhava . Sobre o frigorífico estava o bolo de a noite : um enorme monte de crome batido coberto de violetas de açúcar . A carne de porco assava em o forno . - Come depressa , os Mason devem estar a chegar ! - exclamou bruscamente a tia Petúnia , apontando para duas fatias de pão e uma de queijo que estavam em cima de a mesa de a cozinha . Ela já tinha posto um vestido de * cocktail * cor de salmão . Harry lavou as mãos e comeu aquele triste jantar . Mal tinha terminado , a tia Petúnia tirou lhe o prato . - Lá para_cima , rápido ! A o passar por a porta de a sala , Harry vislumbrou o tio Vernon e Dudley de casaco e gravata . Tinha acabado de chegar a o cimo de as escadas quando a campainha de a porta tocou e a cara de o tio Vernon apareceu em o patamar . - Lembra te , rapaz , um ruído que seja ... Harry entrou em o quarto em bicos de pés , fechou a porta e preparou se para se meter em a cama . O problema é_que estava lá alguém sentado . II_O aviso de Dobby_Harry conseguiu não gritar , mas foi por_pouco . A pequena criatura que estava em a cama tinha umas orelhas grandes e largas e uns olhos verdes protuberantes de o tamanho de bolas de ténis . Harry percebeu imediatamente que fora para ele que tinha estado a olhar de manhã . Enquanto olhavam um para o outro , Harry ouviu a voz de Dudley em o * hall * . - Posso guardar os vossos casacos , Mr. e Mrs._Mason ? A criatura escorregou por a cama e curvou se tanto que a ponta de o seu enorme nariz tocou em o tapete . Harry reparou que ele tinha vestido uma espécie de fronha de almofada com buracos para os braços e pernas . - Er ... Olá - disse Harry , um_pouco nervoso . - Harry_Potter ! - exclamou a criatura em uma voz tão estridente que Harry calculou que poderia ouvir se lá em baixo . - Há tanto tempo que Dobby queria conhecê o , senhor . É uma enorme honra ... - Ob-obrigado - disse Harry , deslocando se a o longo de a parede e sentando se em a cadeira de a secretária , junto de Hedwig que dormia em a sua grande gaiola . Queria perguntar lhe « O que és tu ? » , mas pensou que seria má educação , por isso perguntou : - Quem és tu ? - Dobby , senhor . Apenas Dobby , o elfo de casa - afirmou a criatura . - Oh ! A sério ? - perguntou Harry . - Não quero ser mal-educado , mas esta não é a melhor altura para ter um elfo em o meu quarto . O riso falso de a tia Petúnia ouvia se em a sala de jantar . O elfo deixou cair a cabeça . - Não que eu não me sinta feliz por te conhecer - disse Harry rapidamente - mas , er ... estás aqui por algum motivo em especial ? - Oh , sim senhor - disse Dobby muito a sério . - Dobby veio dizer lhe que ... é difícil ... Dobby não sabe por_onde começar ... - Senta te - disse Harry educadamente , apontando lhe a cama . Para seu horror , o elfo debulhou se em lágrimas bastante ruidosas . -- S-senta-te ! - repetiu . - Nunca em toda_a minha vida ... Harry pareceu lhe ouvir as vozes lá em baixo vacilarem . - Desculpa - murmurou . - Eu não queria ofender te ... - Ofender Dobby ! - exclamou o elfo em um sufoco . - Nunca nenhum feiticeiro disse a o Dobby que se sentasse como um seu igual , senhor . Harry , tentando dizer lhe « Sch ... » e confortá o ao_mesmo_tempo , conduziu Dobby de_novo até a a cama onde ele se sentou a soluçar , parecendo uma grande boneca muito feia . Por fim , conseguiu controlar se e ficou quieto , com os seus grandes olhos fixos em Harry em uma expressão de absoluta adoração . - Não deves ter conhecido muitos feiticeiros sérios - disse lhe , tentando animá o . Dobby abanou a cabeça . Em seguida , sem qualquer aviso , saltou e começou a bater furiosamente com a cabeça em a janela , gritando : - Dobby é mau ! Dobby é mau ! - Pára , o que é_que estás a fazer ? - perguntou Harry em um murmúrio sibilante , dando um salto e puxando Dobby de_novo para a cama . Hedwig acordara com um pio particularmente agudo e batia agressivamente com as asas contra as grades de a gaiola . - Dobby tinha que se castigar , meu senhor - afirmou o elfo , que ficara ligeiramente estrábico . - Dobby quase falou mal de a família de ele ... - De a tua família ? - De a família de feiticeiros que Dobby serve , meu senhor ... O Dobby é um elfo de casa , obrigado a servir uma casa e uma família para sempre . - Eles sabem que estás aqui ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Dobby estremeceu . - Oh , não senhor , não ... Dobby vai ter que se castigar muito por ter vindo vê o . Dobby vai ter que entalar as orelhas em a porta de o forno por isto . Se eles soubessem , senhor ... - Mas achas que eles não vão reparar se tu entalares as orelhas em a porta de o forno ? - Dobby duvida , senhor . Dobby está sempre a ter de se castigar por qualquer coisa . Eles deixam que o Dobby se castigue . _ às_vezes até sugerem alguns castigos extra . - Mas por_que é_que não te vais embora , não foges ? - Um elfo de casa tem de ser libertado , senhor . E a família nunca libertará Dobby . Dobby servirá a família até morrer . Harry olhou para ele . - E eu que pensava que era infeliz por ter de ficar aqui mais quatro semanas - declarou . - Isto faz os Dursleys parecerem quase humanos . Será que ninguém te pode ajudar ? Poderei eu ? Em o mesmo momento , Harry desejou não ter aberto a boca . Dobby desfez se em ruidosos soluços de gratidão . - Por favor - murmurou Harry , inquieto . - Por favor , está calado . Se os Dursleys ouvem barulho , se eles sabem que estás aqui ... - Harry_Potter pergunta se pode ajudar Dobby . Dobby ouviu falar de a sua grandeza , mas de a sua bondade , Dobby nada sabia . Harry , que se sentia corar , disse : - Seja o que for que tenhas ouvido sobre a minha grandeza , é um disparate . Nem_sequer sou o melhor de o meu ano em Hogwarts . É a Hermione . Ela ... Mas calou se rapidamente porque pensar em Hermione era lhe doloroso . - Harry_Potter é humilde e modesto - disse Dobby reverentemente , com os seus olhos de globo avermelhados . - Harry_Potter não fala de a sua vitória sobre « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . - Voldemort ? - perguntou Harry . Dobby bateu com as mãos em as enormes orelhas e gemeu : - Ai não diga o nome , senhor . Não diga o nome ! - Desculpa - disse Harry muito depressa . - Eu sei que muita gente não gosta . O meu amigo Ron ... Calou se de_novo . Pensar em o Ron era igualmente doloroso . Dobby voltou para Harry os seus dois olhos grandes como candeeiros . - Dobby ouviu dizer - balbuciou com voz rouca - que Harry_Potter encontrou o Senhor_do_Mal uma segunda vez há poucas semanas atrás ... que Harry_Potter lhe escapou de_novo . Harry acenou e os olhos de Dobby encheram se de lágrimas . - Ah , senhor - disse em um sobressalto , limpando o rosto com a ponta de a fronha de almofada que tinha vestida . - Harry_Potter é valente e arrojado . Enfrentou tantos perigos ! Mas Dobby veio protegê o , avisar Harry_Potter , mesmo_que para isso tenha de entalar as orelhas em a porta de o forno , que Harry_Potter não deve voltar para Hogwarts . Houve um silêncio apenas quebrado por o ruído de os garfos e de as facas lá em baixo e por a voz distante de o tio Vernon . - O q-q-uê ? - gaguejou Harry . - Mas eu tenho de voltar , o ano começa em o dia um de Setembro . É a minha razão de viver . Tu não sabes como são as coisas aqui . Eu não pertenço a este lugar , o meu lugar é em Hogwarts . - Não , não , não - guinchou Dobby , sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas andavam de um lado para o outro . - Harry_Potter deve ficar aqui , onde se encontra a salvo . É demasiado grande , demasiado bom para se perder . Se Harry_Potter regressar a Hogwarts correrá perigo de vida . - Porquê ? - inquiriu Harry , surpreendido . - Há uma conspiração , Harry_Potter . Uma conspiração para fazer acontecer coisas terríveis este ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts - murmurou Dobby que começara a tremer de a cabeça a os pés . - Dobby sabe de isto há meses , senhor . Harry_Potter não deve expor se a o perigo . É demasiado importante . - Que coisas terríveis são essas ? - perguntou Harry sem perder tempo . - Quem está por detrás ? Dobby fez um ruído esquisito e começou a bater com a cabeça contra a parede como um louco . - Está bem - gritou Harry , agarrando o braço de o elfo para o fazer parar . - Não podes dizer , eu compreendo . Mas porque vieste avisar me ? - Um pensamento súbito e desagradável surgiu lhe . - Espera aí , isto tem alguma coisa que ver com o Vol , desculpa com o Quem nós sabemos ? Basta que faças sim ou não com a cabeça - acrescentou com vivacidade enquanto a cabeça de Dobby se inclinava de_novo a uma velocidade preocupante para a parede . Lentamente , Dobby abanou a cabeça . - Não , não é « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . Os olhos de Dobby estavam abertos como_se estivesse a tentar dar a Harry uma pista , mas Harry estava completamente a a nora . - Ele não tem nenhum irmão , ou tem ? Dobby abanou a cabeça , os olhos mais abertos do_que nunca . - Bem , em esse caso não estou a ver quem mais poderia ter a possibilidade de fazer acontecer coisas horríveis em Hogwarts - disse Harry . - Quero dizer , para já está lá o Dumbledore . Sabes quem é Dumbledore , não sabes ? Dobby baixou a cabeça . - Albus_Dumbledore é o melhor director que Hogwarts alguma vez teve . Dobby sabe , senhor . Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore rivalizam com os d'aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Mas , senhor - a voz de Dobby desceu a um urgente murmúrio - há poderes que Dumbledore não ... poderes que nenhum feiticeiro sério ... E antes que Harry conseguisse impedi o Dobby saltou de a cama , agarrou o candeeiro de secretária de Harry e começou a bater com a cabeça , dando uivos ensurdecedores . Fez se silêncio lá em baixo . Dois segundos mais tarde , Harry com o coração a bater como um louco , ouviu o tio Vernon chegar a o * hall * e dizer . - O Dudley deve ter deixado outra_vez a televisão ligada , o maroto ! - Depressa , para dentro de o guarda-fatos - gritou Harry , empurrando Dobby bem para o fundo , fechando a porta e metendo se a correr em a cama mesmo a_tempo_de ver a maçaneta de a porta a girar . - Que diabo estás tu a fazer ? - disse o tio Vernon entre dentes , o rosto assustadoramente próximo de o de Harry . - Acabas de estragar o ponto alto de a minha anedota de o golfista japonês . Eu que oiça mais um som e vais desejar nunca ter nascido , rapaz ! Abandonou o quarto com grandes passadas . A tremer , Harry deixou Dobby sair de o guarda-fatos . - Estás a ver como são as coisas por aqui ? - disse . - Vês porque tenho de voltar para Hogwarts ? É o único sítio onde eu tenho ... bem , onde eu acho que tenho amigos . - Amigos que nem_sequer escrevem a Harry_Potter ? - disse Dobby com ar manhoso . - Calculo que devem ter estado ... espera aí - disse Harry , franzindo a testa . - Como é_que tu sabes que os meus amigos não me têm escrito ? Dobby arrastou os pés . - Harry_Potter não deve zangar se com Dobby . Dobby fez o que achou melhor ... - Tu tens estado a interceptar me as cartas ? - Dobby tem as aqui , senhor - disse o elfo . Saltando para longe de o alcance de Harry , retirou de dentro de a fronha que usava um espesso saco cheio de envelopes . Harry reconheceu de imediato a caligrafia certinha de Hermione , a escrita desordenada de Ron e até uns gatafunhos que pareciam ser de o guarda de os campos de Hogwarts , Hagrid . Dobby piscava ansiosamente os olhos . - Harry_Potter não deve ficar zangado ... Dobby esperava que ... se Harry_Potter pensasse que os amigos o tinham esquecido ... Harry_Potter talvez não quisesse voltar a a escola , senhor . Harry não o ouvia . Fez um gesto para agarrar as cartas , mas Dobby deu um salto , afastando se . - Harry_Potter terá as cartas , senhor , se der a Dobby a sua palavra de não voltar a Hogwarts . Ah , senhor , é um risco que não deve correr . Diga que não volta , senhor ! - Não - afirmou Harry zangado . - Dá me as cartas de os meus amigos ! - Em esse caso , Harry_Potter deixa Dobby sem escolha - disse o elfo tristemente . Antes que Harry pudesse fazer um movimento , Dobby tinha aberto a porta de o quarto e descido a correr por as escadas abaixo . Com a boca seca e um aperto em o estômago , Harry correu atrás de ele , tentando não fazer barulho . Saltou os últimos seis degraus , aterrando como um gato em a carpete de o * hall * , olhando em volta a a procura de Dobby . De a sala de jantar , ouviu a voz de o tio Vernon : - Conte a a Petúnia aquela história engraçadíssima de os funileiros americanos , ela tem estado louca por ouvi a , Mr._Mason . Harry correu de o * hall * para a cozinha e sentiu o estômago ficar pequenino . O pudim , que era a a obra-prima de a tia Petúnia , a montanha de creme batido coberto de violetas de açúcar flutuava junto de o tecto . Em cima de o guarda-louça de o canto , Dobby inclinava se servilmente . - Não - suplicou Harry . - Por favor , eles matam me . - Harry_Potter deve dizer que não vai voltar a a escola ... - Dobby , por favor . - Diga , senhor . - Não posso . Dobby lançou lhe um olhar trágico . - Então , Dobby deve fazê o , senhor , para o bem de Harry_Potter . O pudim foi direito a o chão em uma queda que parecia um coração a parar . O crome esguichou para as janelas e para as paredes , enquanto o prato se despedaçava . Com o ruído de uma chicotada , Dobby desapareceu . Ouviram se gritos em a casa de jantar e o tio Vernon irrompeu por a cozinha onde foi dar com Harry coberto , de a cabeça a os pés , por o pudim de a tia Petúnia . A princípio parecia que o tio Vernon ia conseguir arranjar uma desculpa para aquilo tudo . ( É só o nosso sobrinho , muito perturbado ; conhecer pessoas estranhas deixa o muito nervoso , por isso deixamos o lá em cima ... ) Conduziu_os_Mason , bastante chocados , para a sala de jantar , garantindo a Harry que o esfolava vivo quando os Mason se fossem embora e pôs lhe em as mãos um esfregão . A tia Petúnia descobriu um resto de gelado em o frigorífico e Harry , ainda a tremer , começou a limpar a cozinha . O tio Vernon poderia ainda ter feito o negócio , se não fosse a coruja . Estava a tia Petúnia a circular com uma caixa de After-Eight , quando uma enorme coruja de celeiro fez a sua entrada vertiginosa através de a janela de a casa de jantar , deixando cair uma carta em a cabeça de Mr._Mason e desaparecendo logo_a_seguir . Mrs._Mason gritava como uma carpideira e corria por a casa praguejando contra os lunáticos . Mr._Mason ficou o tempo estritamente necessário para dizer a os Dursleys que a mulher tinha um medo pânico de pássaros de todas_as formas e tamanhos e perguntar lhes se aquela era alguma brincadeira de mau gosto . Harry não saiu de a cozinha , agarrando o esfregão como defesa , enquanto o tio Vernon avançava para ele com um brilho demoníaco em os olhos pequeninos . - Lê isso - ordenou maldosamente . Harry pegou em a carta . Não era a desejar lhe um bom aniversário . * _ Caro_Mr._Potter , * _ Recebermos hoje informações de que um feitiço de suspensão em o ar foi efectuado em sua casa esta noite , a as nove_horas_e_doze_minutos . * _ Como sabe , os feiticeiros menores não estão autorizados a praticar magia fora de a escola e , se efectuar mais um trabalho mágico , será expulso de a nossa escola . ( Decreto_de_Restrições_Razoáveis_para_Feitiçaria_de_Menores , 1875 , parágrafo C. ) * _ Pedimos-lhe também que se lembre que qualquer actividade que possa ser notada por membros alheios a a nossa comunidade ( Muggles ) constitui uma ofensa grave , segundo a secção 13 de a Confederação_Internacional_do_Estatuto_da_Magia_Secreta . * _ Tenha umas boas férias . * Atenciosamente_Mafalda_Hopkirk_Gabinete_da_Utilização_Imprópria_da_Magia_Ministério_da_Magia * . Harry olhou para a carta e engoliu em seco . - Tu não nos contaste que estavas proibido de usar magia fora de a escola - disse o tio Vernon com um brilho maldoso a dançar lhe em os olhos . - Esqueceste te de o mencionar , passou te , não foi ? Tinha se aproximado de Harry como um grande * bulldog * , com todos os dentes a a mostra . - Tenho boas notícias para ti , rapaz , vou fechar te a a chave e , se tentares sair através_de magia , nunca mais voltas a aquela escola , eles expulsam te . E rindo como um louco , arrastou Harry até a o andar de cima . O tio Vernon era mau como as cobras . Em a manhã seguinte pagou a um homem para colocar grades em a janela de o quarto de Harry . Ele próprio abriu um pequeno buraco em a porta de o quarto para que a comida pudesse ser introduzida três vezes por dia . Deixavam o Harry sair para ir a a casa_de_banho de manhã e a o final de a tarde . O resto de o tempo estava fechado em o quarto , a a espera que o tempo passasse . Três dias mais tarde , os Dursleys não mostravam qualquer intenção de abrandar o castigo e Harry não sabia como sair de aquela situação . Estava deitado em a cama , vendo o sol brilhar por_entre as grades de a janela e perguntando se tristemente o que viria a acontecer lhe . Qual era a vantagem de sair de ali por artes mágicas , se Hogwarts o expulsaria em seguida ? Contudo , a vida em Privet_Drive tinha atingido o seu nível mais baixo . Agora_que os Dursleys tinham a certeza que não iam acordar transformados em morcegos , ele perdera a única arma que tinha . O Dobby podia tê o salvo de acontecimentos terríveis em Hogwarts , mas de a maneira que as coisas estavam , ele morreria muito provavelmente a a fome . A portinhola rangeu e a mão de a tia Petúnia apareceu empurrando uma tigela de sopa de pacote para dentro de o quarto . Harry , que estava cheio de fome , saltou de a cama e agarrou a . A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um único trago . A seguir , atravessou o quarto até a a gaiola de Hedwig e pôs os legumes ensopados dentro de o seu pratinho vazio . Ela agitou as penas e olhou o com profunda repugnância . - Não vale de nada virares lhe as costas . É tudo_o_que temos - disse Harry , de modo severo . Colocou a tigela vazia em o chão junto de a portinhola e voltou para_cima de a cama , de certo modo com mais fome do_que antes de ter comido a sopa . Admitindo que estaria ainda vivo dentro_de quatro semanas o que aconteceria se ele não se apresentasse em Hogwarts ? Será que mandariam alguém obrigar os Dursleys a deixá o ir ? O quarto começava a escurecer . Exausto e com o estômago a dar horas , o cérebro a as voltas com as mesmas questões sem resposta , Harry caiu em um sono intranquilo . Sonhou que fazia parte de um espectáculo de o jardim zoológico . Preso a a jaula onde se encontrava estava um cartaz onde podia ler se « feiticeiro menor de idade « . As pessoas olhavam o com olhos protuberantes , enquanto ele jazia fraco e esfomeado em um leito de palha . Viu a cara de o Dobby em o meio de a multidão e gritou lhe , pedindo ajuda , mas o Dobby respondeu : - Harry_Potter está em segurança aí , senhor - e desapareceu . Em seguida vieram os Dursleys e Dudley bateu em as grades de a jaula , rindo se de ele . - Pára com isso - murmurou Harry como_se aquele ruído martelasse em a sua cabeça dorida . - Deixa me em paz , pára com isso , estou a tentar dormir . Abriu os olhos . O luar brilhava através de as grades de a janela . E lá fora alguém olhava de olhos arregalados para ele : alguém de rosto sardento , cabelo ruivo e nariz grande . Ron_Weasley estava de o lado de_fora de a janela . III « A toca » Ron ! - exclamou Harry , arrastando se até a a janela e empurrando a para poderem falar através de as grades . - Ron , como é_que tu , foi o ... ? Harry ficou de boca aberta , espantado com o que viu . Ron estava debruçado de a janela de trás de um velho automóvel azul-turquesa que se encontrava estacionado em o ar . Em os lugares de a frente , rindo se para Harry , estavam os irmãos mais velhos , os gémeos Fred e George . - Tudo bem , Harry ? - O que é_que se tem passado ? - perguntou o Ron . - Porque não respondeste a as minhas cartas ? Convidei te para vires ter comigo umas doze vezes e um dia o pai chegou a casa e comunicou nos que tu tinhas recebido um aviso oficial por usares magia diante de os Muggles ... - Não fui eu . E como é_que ele soube ? - Ele trabalha em o Ministério - disse o Ron . - Tu sabes que nós não podemos fazer feitiços fora de a escola . - Bem , isso vindo de ti ... - exclamou Harry , olhando para o carro flutuante . - Oh , isto não conta - disse Ron . - Foi o meu pai que o emprestou . Não o fizemos aparecer por magia . Mas usar magia em a frente de esses Muggles com quem tu vives ... - Já te disse que não fui eu , mas vai demorar muito_tempo a explicar te isso agora . És capaz de avisar em Hogwarts que os Dursleys me fecharam a a chave e que não querem deixar me voltar e obviamente eu não posso sair de aqui magicamente senão o Ministério vai achar que é a segunda vez em três dias e ... - Pára com essa conversa tola - disse o Ron . - Viemos para te levar connosco . - Mas tu também não podes tirar me de aqui utilizando processos mágicos ... - Não precisamos de isso - afirmou Ron , fazendo um sinal de cabeça para os lugares de a frente . - Esqueces te de quem está aqui comigo . - Amarra isso em volta de as grades - disse o Fred , lançando a Harry a ponta de uma corda . - Se os Dursleys acordam estou feito - lamentou se Harry enquanto dava um nó bem apertado com a corda em uma de as grades e o Fred arrancava com o carro . - Não te preocupes e chega te para trás . Harry recuou para a sombra , para junto de Hedwig que parecia ter se apercebido de a importância de tudo aquilo , mantendo se quieta e em silêncio . O carro puxou mais e mais e , subitamente , com um ruído de ferro a ceder , as grades foram arrancadas de a janela , enquanto Fred conduzia com o céu como estrada . Harry correu de_novo para a janela para ver as grades a balouçarem a poucos metros de o chão . Ofegante , Ron içou as para dentro de o carro . Harry escutou ansiosamente mas não vinha qualquer som de o quarto de os Dursleys . Quando as grades estavam em segurança em os lugares de trás junto de Ron , Fred aproximou se o_máximo que lhe foi possível de a janela . - Anda de aí - disse . - Mas , todas_as minhas coisas de Hogwarts , a minha varinha , a minha vassoura ... - Onde estão ? - Fechadas em a despensa debaixo de as escadas e eu não posso sair de este quarto . . - Não há azar - disse o George . - Sai de a frente , Harry . Fred e George treparam cautelosamente e entraram por a janela em o quarto de Harry . Tinhas que ter aberto a boca , pensou Harry enquanto George tirava de o bolso um vulgar gancho de cabelo e começava a tentar abrir a fechadura . - Muitos feiticeiros acham que é uma perda de tempo aprender os truques de os Muggles - disse o Fred . - Mas nós pensamos que há habilidades que é sempre útil conhecer apesar_de serem um_pouco lentas . Ouviu se um pequeno clique e a porta abriu se . - Pronto , vamos buscar as tuas coisas . Tu vai dando a o Ron aquilo que precisas de aí de o teu quarto - murmurou George . - Cuidado com o degrau de cima que range - sussurrou Harry enquanto os gémeos desapareciam em o escuro . Harry deu a volta a o quarto , recolhendo as suas coisas e passando as por a janela a o Ron . Em seguida , foi ajudar o Fred e o George a trazerem o resto por as escadas acima . Ouviu o tio Vernon tossir . Por fim , de língua de_fora , chegaram a o quarto , junto de a janela aberta . Fred trepou para o carro para puxar os volumes com o Ron enquanto Harry e George os empurravam de dentro de o quarto . Centímetro a centímetro o malão foi passando por a janela . O tio Vernon tossiu de_novo . - Mais um_pouco - disse o Fred que estava a puxar de dentro de o carro . Um bom empurrão , vá . Harry e George encostaram os ombros contra a mala e ela escorregou para a parte de trás de o carro . - O. _ K. , vamos embora - murmurou o George . Mas quando Harry trepava para o parapeito de a janela ouviu se um forte pio atrás de ele , imediatamente seguido de o vociferar de o tio Vernon . - Aquela maldita coruja ! - Esqueci me de a Hedwig ! Harry precipitou se de_novo para o quarto , enquanto a luz de o patamar se acendia . Agarrou a gaiola de Hedwig , correu para a janela e passou a a o Ron . Estava a subir para_cima de a cómoda quando o tio Vernon bateu em a porta , que não estava fechada , e esta se abriu completamente . Por uma fracção de segundo , o tio Vernon ficou estático junto de a porta . Em seguida , soltou um mugido como um boi zangado e avançou para Harry , agarrando o por o tornozelo . Ron , Fred e George seguraram o por os braços e puxaram o com toda_a força . - Petúnia - rosnou o tio Vernon . - Ele está a fugir ! : __ ele está a __ fugir ! Os Weasleys deram um puxão gigantesco e a perna de o Harry escapou a as garras de o tio Vernon . Logo_que Harry entrou em o carro e a porta se fechou , Ron gritou : - Acelera Fred ! - E o carro partiu subitamente em direcção a a lua . Harry mal podia acreditar que estava livre . Esticou se a a janela , o ar de a noite a fustigar lhe os cabelos e olhou para baixo , para os telhados apertados de Privet_Drive . O tio Vernon , a tia Petúnia e o Dudley estavam todos debruçados com cara de parvos , a a janela de o quarto de ele . - Até a o próximo Verão - gritou . Os Weasleys riam se a as gargalhadas e Harry esticou se para trás em o assento e pediu a o ouvido de Ron : - Deixa sair a Hedwig . Ela pode voar atrás_de nós . Há séculos que não tem uma oportunidade de esticar as asas . George passou a o Ron o gancho de cabelo e , um momento depois , a Hedwig saíra feliz por a janela , planando atrás de eles como um fantasma . - Então , qual é a história ? - perguntou Ron , impaciente . - O que é_que tem estado a acontecer ? Harry contou lhes tudo sobre o Dobby , o aviso de este e o fracasso de o pudim de violetas . Houve um longo silêncio quando ele se calou . - Isso cheira me a esturro - disse , por fim , o Fred . - Definitivamente misterioso - concordou George . - Então ele nem te disse quem está supostamente por detrás dessa trama toda ? - Acho que não podia - explicou Harry . - Já te disse , de cada_vez que estava quase a deixar escapar qualquer coisa , começava a bater com a cabeça em a parede . Viu Fred e George olharem um para o outro . - O quê ? Acham que ele estava a mentir me ? - perguntou Harry . - Bem - começou o Fred -- , coloquemos as coisas de o seguinte modo , os elfos de casa têm poderes mágicos próprios , mas geralmente não podem usá os sem a autorização de os seus donos . Eu acho que o bom de o Dobby foi enviado para evitar que voltasses para Hogwarts . Uma ideia de um engraçadinho . Haverá alguém em a escola com má vontade contra ti ? - Sim - responderam Harry e Ron , precisamente ao_mesmo_tempo . - Draco_Malfoy - explicou Harry . - Ele detesta me . - Draco_Malfoy ? - perguntou George , voltando se para trás . - O filho de o Lucius_Malfoy ? - Deve ser . Não é um nome muito vulgar , pois não ? - disse Harry . - Mas porquê ? - Ouvi o pai falar acerca de ele - confidenciou George . - Ele era um grande apoiante de o « Quem nós sabemos » . - E quando o « Quem nós sabemos » desapareceu - continuou o Fred , voltando a cara para olhar para Harry - o Lucius_Malfoy voltou , dizendo que não foi por vontade própria que fez o que fez . Monte de lixo . O pai acha que ele fazia parte de um círculo de amigos íntimos de o « Quem nós sabemos » . Harry já tinha ouvido esses boatos sobre a família de Malfoy e não o surpreenderam em absoluto . Malfoy fizera Dudley_Dursley parecer um rapazinho simpático , amável e sensível . - Não sei se os Malfoy têm um elfo de casa ... - afirmou Harry . - Bem , quem quer que o possua é sem dúvida uma antiga família de feiticeiros e deve ser rica - explicou Fred . - Sim . A mãe está sempre a desejar que pudéssemos ter um elfo de casa para passar a roupa a ferro - disse o George . - Mas só temos um velho vampiro piolhoso em o sótão e gnomos espalhados por o jardim . Os elfos de casa pertencem a as grandes casas senhoriais , a os castelos e lugares assim , não encontrarias um em a nossa casa ... Harry estava calado . Considerando que Draco_Malfoy tinha sempre as melhores coisas , que a sua família nadava em ouro de feiticeiros , era fácil imaginá o passeando se por uma enorme casa senhorial . Mandar o servo de a família evitar que Harry voltasse para Hogwarts também parecia exactamente o tipo de coisa que Malfoy poderia fazer . Teria Harry sido estúpido a o tomar Dobby a sério ? - De qualquer modo , ainda_bem que viemos buscar te - declarou Ron . - Eu começava a ficar seriamente preocupado por não responderes a nenhuma de as minhas cartas . A princípio pensei que a culpa fosse de a Errol ... - Quem é a Errol ? - A nossa coruja . Já é velhota . Não seria a primeira vez que adoecia durante uma entrega . Por isso , tentei pedir a Hermes emprestada ... - Quem ? - A coruja que os meus pais compraram a o Percy quando ele foi nomeado prefeito - respondeu Fred . - Mas o Percy não me a emprestou . Disse que precisava de ela . - O Percy tem andado com atitudes muito estranhas este Verão - comentou George franzindo a testa . - E tem mandado imensas cartas e passado um tempo infinito fechado em o quarto ... enfim , pode limpar se e polir um distintivo de prefeito todas_as vezes que se quiser ... Estás a conduzir demasiado para ocidente , Fred - acrescentou apontando para uma bússola em o painel de o automóvel . Fred girou o volante . - Então , o vosso pai sabe que têm o carro ? - perguntou Harry , quase adivinhando a resposta . - Er ... não - disse o Ron . - Ele tinha trabalho esta noite . Felizmente vamos poder pô o de_novo em a garagem , sem a mãe perceber que andámos a voar nele . - A propósito , o que faz o vosso pai em o Ministério_da_Magia ? - Trabalha em o Departamento mais chato - respondeu Ron . - A Divisão de utilização incorrecta de artefactos de os Muggles . - O quê ? - Relaciona se com objectos de feitiçaria que foram feitos por os Muggles ; sabes como é , se forem parar de_novo a uma loja de os Muggles , ou a uma casa , como em o ano passado , quando morreu uma bruxa velha e o bule de ela foi vendido a uma loja de antiguidades . Uma mulher Muggle comprou o , tentou servir chá a os amigos . Foi um pesadelo , o pai teve de fazer horas extraordinárias durante semanas . - O que é_que aconteceu ? - O bule parecia louco , esguichou chá a ferver para todos os lados e um de os homens foi parar a o hospital com a pinça de o açúcar presa em o nariz . O pai ficou nervosíssimo . É só ele e o velho feiticeiro Perkings em o gabinete e tiveram de localizar e descobrir todo o tipo de encantamentos para resolver o assunto . - Mas o teu pai ... este carro ... Fred riu se . - Sim , o pai é louco por tudo_o_que tem que ver com os Muggles . A nossa arrecadação está cheia de coisas de os Muggles . Ele separa as , lança lhes feitiços e volta a pô as em o lugar . Se ele fizesse uma busca a nossa casa teria de se prender a si mesmo . A minha mãe fica louca com tudo aquilo . - É a estrada principal - gritou o George , apontando para baixo através de a janela . - Dentro_de poucos minutos estamos lá , mesmo a tempo , está a começar a clarear . Um leve brilho rosado tingia o horizonte para leste . Fred trouxe o carro para baixo e Harry pôde ver uma manta de retalhos de campos escuros e matas de arbustos . - Estamos um_pouco longe de a vila - disse George . - Em Ottery_St . Catchpole ... O carro voador foi descendo a os poucos . A luz avermelhada brilhava agora por_entre as árvores . - Terra - disse o Fred , em o momento em que tocaram em o chão com um ligeiro solavanco . Tinham aterrado perto_de uma garagem em ruínas em um pequeno pátio e Harry viu pela_primeira_vez a casa de o Ron . Parecia ter sido em tempos uma pocilga de pedra . Mas os quartos que posteriormente lhe tinham sido acrescentados haviam a tornado bastante mais alta e o seu aspecto era tão curvado que parecia ter sido construída por artes mágicas ( o que , pensou Harry , era , muito provavelmente , verdade ) . De o telhado vermelho saíam quatro ou cinco chaminés . Junto de a entrada , fixa em o chão , podia ver se uma inscrição assimétrica que dizia « A toca » . A o lado de a porta principal estava uma contusão de botas de * _ Wellington * e um caldeirão completamente enferrujado . Por o pátio passeavam se várias galinhas castanhas e gordas . - Não é grande coisa - desculpou se o Ron . - É óptima - exclamou Harry , feliz , pensando em Privet_Drive . Saíram de o carro . - Agora vamos lá para_cima sem fazer barulho - disse o Fred . - E esperamos que a mãe nos chame para o pequeno-almoço . Depois tu , Ron , desces a escada entusiasmadíssimo . - Mãe , olha quem apareceu cá durante a noite ! - E ela vai sentir se felicíssima quando vir o Harry . Assim ninguém fica a saber que levámos o carro voador . - Certo - disse o Ron . - Vamos , Harry , eu durmo em o ... Ron ganhou uma cor de um pálido esverdeado , os olhos fixos em a casa . Os outros três fizeram meia volta . Mrs._Weasley avançava por o pátio , afugentando as galinhas e , para uma mulher baixa , roliça e simpática , era fantástico como conseguia parecer se com um tigre dentes-de-sabre . - Ah ! - suspirou o Fred . - Oh , oh ! - exclamou o George . Mrs._Weasley parou em frente de eles . As mãos em as ancas , saltando de um olhar culpado para o outro . Usava um avental a as flores , com uma varinha a sair lhe de o bolso . - Com que então - disse . - Bom dia , mãe - arriscou o George com uma voz que tentou que fosse alegre e bem-disposta . - Vocês têm alguma ideia de como tenho estado preocupada ? - perguntou Mrs._Weasley em um murmúrio fraco . - Desculpe , mãe , mas sabe , nós tivemos que ... Os três filhos de Mrs._Weasley eram mais altos do_que ela , mas tremiam quando a fúria de a mãe se abatia sobre eles . - Camas vazias ! Nem um bilhete ! O carro desaparecido ... Podiam ter tido um acidente , estou fora de mim com tanta preocupação e vocês nem se importam ... nunca , enquanto eu for viva ... esperem só até o vosso pai chegar , nunca tivemos problemas de estes com o Bill , com o Charlie ou com o Percy ... - O perfeito Percy - resmungou Fred . - : __ tu não vales um dedo de a mão de o __ percy ! - gritou Mrs._Weasley , espetando um dedo em o queixo de o Fred . - Podias ter morrido , podias ter sido visto , podias ter feito com que o teu pai perdesse o emprego ... Parecia nunca mais acabar . Mrs._Weasley tinha gritado até ficar ronca , antes de se voltar para o Harry , que recuou . - Estou muito contente por te ver , Harry - disse . - Entra e vem tomar o pequeno-almoço . Ela voltou se e regressou a casa e Harry , depois de trocar um olhar nervoso com o Ron , que lhe acenou , encorajando o , seguiu a . A cozinha era pequena e bastante estreita . A meio havia uma enfezada mesa de madeira e cadeiras em volta e Harry sentou se a a beirinha de o assento , olhando em volta . Era a primeira vez que entrava em uma casa de feiticeiros . O relógio em a parede em frente de ele , tinha apenas um ponteiro e nenhum número . Em volta , estavam escritas frases como « Hora de fazer o chá » , « Hora de dar de comer a as galinhas « e « Estás atrasado » . Empilhados em o rebordo de a lareira estavam livros com títulos como * _ Encanta o teu próprio queijo , Encantamento em a cozedura de o pão e Banquetes em um minuto - é mágico * ! E , a menos que os ouvidos de Harry estivessem a traí o , o velho rádio próximo de o lava-loiças acabara de anunciar que a seguir vinha a Hora de enfeitiçar com a popular feiticeira-cantora Celestina_Warbeck . Mrs._Weasley fazia barulho com os talheres , preparando o pequeno-almoço um bocado a o acaso , lançando olhares furiosos a os filhos , enquanto lançava as salsichas em a frigideira . De vez em quando murmurava coisas como : « Não sei o que vos passou por a cabeça « ou « nunca devia ter confiado em vocês » . - Eu não te culpo , filho - tranquilizou Harry , pondo lhe sete ou oito salsichas em o prato . - Eu e o Arthur temos estado preocupados contigo . Ainda ontem a a noite estivemos a dizer que te iríamos buscar nós próprios se não respondesses a o Ron até sexta-feira . Mas , em a verdade ( estava agora a acrescentar três ovos estrelados a o prato de ele ) , atravessar metade de o país a voar em um carro ilegal , qualquer um vos poderia ter visto ... Agitou maquinalmente a varinha em a direcção de o lava-loiças , onde a loiça começou a lavar se sozinha , tinindo baixinho lá atrás . - Estava enevoado , mãe ! - exclamou o Fred . - Boca fechada enquanto comes ! - interrompeu Mrs._Weasley . - Eles estavam a fazê o passar fome , mãe ! - disse o George . - E tu também ! - disse Mrs._Weasley , mas já foi com uma expressão mais doce que começou a cortar o pão para Harry e a barrá o com manteiga . Em esse momento , as atenções voltaram se para um pequenino volto de cabelos ruivos , em uma camisa de dormir até a os pés , que surgiu em a cozinha , deu um grito agudo e desapareceu de_novo . - É a Ginny - disse Ron baixinho a o Harry -- , a minha irmã . Tem falado de ti todo o Verão . - Sim , ela vai querer o teu autógrafo , Harry - riu se o Fred , mas o seu olhar cruzou se com o de a mãe e inclinou se para o prato , não voltando a abrir a boca . Ninguém falou até os quatro pratos estarem limpos , o que sucedeu a uma velocidade surpreendente . - Bolas , estou cansado - bocejou Fred , pousando a faca e o garfo . Acho que me vou deitar e ... - Não vais , não senhor - interrompeu Mrs._Weasley . - A culpa é tua se ficaste toda_a noite acordado . Vais fazer a des-gnomização de o jardim . Eles estão outra_vez a exagerar . - Oh , mãe ... - E vocês os dois o mesmo - dirigiu se a o Ron e a o Fred . - Tu podes ir para a cama , filho - disse a Harry . - Não lhes pediste que guiassem aquele carro miserável . Mas Harry , que se sentia acordadíssimo , respondeu prontamente : - Eu ajudo o Ron , nunca vi uma des-gnomização ... - É muito simpático de a tua parte , querido , mas é um trabalho chato - explicou Mrs._Weasley . - Vejamos o que o Lockhart tem a dizer acerca disto . E puxou de o rebordo de a lareira um livro pesadíssimo . George resmungou : - Mãe , nós sabemos * des-gnomizar * o jardim . Harry olhou para a capa de o livro de Mrs._Weasley . Em grandes letras douradas , que ocupavam grande parte de a capa , podia ler se Guia_de_Gilderoy_Lockhart para pragas caseiras . Via se também a grande fotografia de um feiticeiro bem-parecido , de cabelos loiros ondulados e olhos azuis brilhantes . Como sempre , em o mundo de os feiticeiros , a fotografia mexia se . O feiticeiro , que Harry calculou ser Gilderoy_Lockhart , não parava de lhes piscar os olhos descaradamente . Mrs._Weasley sorriu lhe . - Oh , ele é fantástico - disse . - Conhece bem as pragas caseiras . É um livro maravilhoso . - A mãe adora o - disse Fred em um murmúrio bastante audível . - Não sejas ridículo , Fred - repreendeu Mrs._Weasley com as bochechas coradas . - É claro que se achas que sabes mais do_que o Lockhart , podes ir fazer o trabalho e ai de ti se houver um único gnomo em o jardim quando eu for fazer a inspecção . A bocejar e a resmungar , os Weasley arrastaram se lá para fora com Harry atrás de eles . O jardim era grande e , em a opinião de Harry , exactamente como deveria ser um jardim . Os Dursleys não teriam gostado . Havia uma enorme quantidade de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada , mas havia árvores nodosas em volta de as paredes , plantas que Harry nunca vira , tombando de todos os canteiros e um grande lago verde cheio de rãs . - Os Muggles também têm gnomos de jardim , sabes - disse o Harry a o Ron , enquanto atravessavam a relva . - Sim , já vi essas coisas que eles pensam que são gnomos - disse o Ron todo dobrado , com a cabeça em uma moita de peónias . - Como os Pais_Natais gordinhos com canas de pesca ... Houve um tumulto ruidoso , a moita de peónias estremeceu e Ron endireitou se . - Isto_é um gnomo - declarou com um ar sério . - Larga eu ! Larga eu ! - guinchou o gnomo . Não se parecia em absoluto com o Pai_Natal . Era pequenino e parecia de couro , com uma grande cabeça protuberante e calva , precisamente como uma batata . Ron agarrou o a a distância de um braço , enquanto ele dava pontapés em o ar com os seus pézinhos que pareciam chifres . Agarrou o por os tornozelos e voltou o de pernas para o ar . - Isto_é o que tens de fazer - disse . Levantou o gnomo acima de a cabeça ( Larga eu ! ) e começou a balouçá o em grandes círculos , como os vaqueiros fazem com os laços . A o ver a expressão chocada de Harry , Ron explicou : - Não os mágoa . Só tens de os deixar bem tontos para que consigam encontrar o caminho de regresso a os buracos de os gnomos . Largou os tornozelos de o gnomo . Ele voou seiscentos metros e aterrou com um ruído surdo em o campo a o lado de a sebe . - Deplorável - afirmou o Fred . - Aposto que consigo lançar o meu para_além de aquele tronco . Harry aprendeu rapidamente a não sentir muita pena de os gnomos . Decidira largar o primeiro que apanhou para_além de a sebe , mas o gnomo , sentindo fraqueza , enfiou os seus dentinhos , aguçados como laminas , em o dedo de o Harry e não foi fácil sacudi o para ele o largar , até que ... - Uau , Harry , esse deve ter sido seiscentos metros ... O ar estava subitamente cheio de gnomos voadores . - Vês , eles não são muito espertos - afirmou o George , agarrando cinco ou seis de uma_vez . - Em o momento em que se apercebem que começou a * des-gnomização * , aparecem todos para espreitar . Era de esperar que já tivessem aprendido a ficar quietinhos . Rapidamente a multidão de gnomos começou a ir se embora , atravessando os campos em uma fila ordenada , com os pequeninos ombros arqueados . - Eles voltam - disse o Ron enquanto os via desaparecer em a sebe de o outro lado de o campo . - Eles adoram estar aqui ... o pai é muito mole com eles , acha lhes piada . Em esse momento , a porta de a frente bateu . - Ele já voltou ! - exclamou o George . - O pai já está em casa ! Apressaram se a entrar . Mr._Weasley tinha se afundado em uma de as cadeiras de a cozinha , sem óculos e com os olhos fechados . Era um homem magro , quase calvo , mas o pouco cabelo que tinha era tão ruivo como o de os filhos . Vestia um longo manto verde cheio de pó e estava cansado de a viagem . - Que noite - murmurou , tacteando em busca de o bule , enquanto todos se sentavam a a volta de ele . - Nove assaltos , nove ! E o velho Mundungs_Fletcher tentou lançar me um feitiço quando eu estava de costas . Mr._Weasley tomou um bom gole de chá e suspirou . - Encontrou alguma coisa , pai ? - perguntou Fred ansiosamente . - Só encontrei algumas chaves encolhidas e uma chaleira que mordia - bocejou Mr._Weasley . - Havia um material bastante mauzinho , mas não era de o meu departamento . O Mortlake foi levado para ser interrogado sobre uns furões extremamente antigos , mas isso pertence a a Comissão_dos_Feitiços_Experimentais , graças_a Deus . - Por_que é_que alguém ia dar se a o trabalho de fazer encolher chaves ? - perguntou George . - Para chatear os Muggles - suspirou Mr._Weasley . - Vende se lhes uma chave que não pára de encolher , até que desaparece , de_modo_a que nunca a encontrem quando precisam ... É claro que é muito difícil condenar alguém , porque nenhum Muggle é capaz de admitir que a sua chave está a encolher , insistem em que estão sempre a perdê a . Benditos sejam , vão até onde for preciso para ignorar a magia , mesmo_que ela esteja em frente de os seus narizes ... mas vocês não acreditariam em as coisas que o nosso grupo tem levado para enfeitiçar ... - : __ como carros , por __ exemplo ? Mrs._Weasley tinha aparecido , segurando um grande atiçador que parecia uma espada . Os olhos de Mr._Weasley abriram se de repente , fitando a mulher com um ar culpado . - C-carros , Molly querida ? - Sim , Artur , carros - afirmou Mrs._Weasley , os olhos a faiscar . - Imagina um feiticeiro a comprar um carro velho e enferrujado e dizer a a mulher que a única coisa que queria fazer com ele era desmontá o para ver como ele funcionava , enquanto em a verdade estava a enfeitiçá o para o fazer voar . Mr._Weasley piscou os olhos . - Bem , querida , acho que poderás constatar que não é ilegal fazer isso , embora , er , talvez ele devesse ter contado a verdade a a mulher ... Existe uma forma de tornear a lei , já_que ela diz que ... desde_que não se tenha a * intenção * de voar em o carro , o facto de ele poder voar , não ... - Arthur_Weasley tu arranjaste essa forma de tornear a lei quando a escreveste ! - gritou Mrs._Weasley . - Para poderes continuar a remexer em todo aquele lixo de os Muggles que tens em a arrecadação ! E , para tua informação , o Harry chegou hoje_de_manhã em o carro que tu não pretendias pôr a voar ! - Harry ? - perguntou Mr._Weasley sem expressão . - Qual Harry ? Olhou em volta , viu Harry e deu um salto . - Santo_Deus , é Harry_Potter ? Muito prazer , o Ron falou nos tanto de si ... - * _ O teu filho conduziu aquele carro até a a casa de o Harry e de volta até aqui em a noite passada ! * - gritou Mrs._Weasley . - O que tens a dizer a esse respeito ? - A sério ! ? - exclamou Mr._Weasley com vivacidade . - Correu tudo bem , quero dizer ... - vacilou a o ver os olhos de Mrs._Weasley que faiscavam . - Er , fizeram mal , rapazes , muito mal , mesmo ... - Vamos deixá os a os dois - murmurou o Ron , enquanto Mrs._Weasley inchava como um sapo gigantesco . - Vamos , vou mostrar te o meu quarto . Esgueiraram se de a cozinha e desceram uma passagem estreita que dava para uma escada desnivelada que ziguezagueava a o longo de a casa . Em o terceiro andar , estava uma porta entreaberta . Harry só teve tempo de ver um par de olhos castanhos brilhantes que o olhavam fixamente , antes de a porta se fechar com um estalido . - A Ginny - disse o Ron . - Não imaginas como é estranho vês a tão tímida , ela que quase nunca se cala ... Subiram mais dois andares , até chegarem a uma porta com a tinta a descascar e uma pequena placa dizendo : « Quarto_do_Ronald » . Harry entrou . A cabeça quase tocava em o tecto inclinado . Piscou os olhos . Era como entrar dentro_de uma fornalha : quase tudo em o quarto de o Ron tinha um violento matiz alaranjado : a colcha de a cama , as paredes , até o tecto . Em seguida , apercebeu se de que o Ron tinha coberto cada centímetro de o velho papel de parede com * posters * de as mesmas sete feiticeiras e feiticeiros , todos vestidos com brilhantes mantos cor de laranja , transportando vassouras e acenando entusiasticamente . - A tua equipa de Quidditch ? - perguntou Harry . - Os Chudley_Cannons - disse Ron , apontando para a colcha cor de laranja que tinha um brasão com dois C's gigantes e uma bala de canhão a_toda_a velocidade . - Nono em a Liga . Os livros de estudo de feitiços de Ron estavam empilhados desordenadamente a um canto , junto de um monte de B. _ D. , todas elas relativas a as * _ Aventuras_de_Martin_Miggs , o Muggle louco * . A varinha mágica de o Ron estava em_cima_de um aquário cheio de ovos de rã sobre o peitoril de a janela , junto de o seu rato gordo e cinzento , Scabbers , que dormia uma soneca a o sol . Harry passou por_cima_de um baralho de cartas de jogar com vontade própria , que estava caído em o chão , e olhou para fora de a janelinha . Em o campo , não muito longe , podia ver um grupo de gnomos a esgueirarem se , um a um , de_novo para a sebe de os Weasley . Em seguida , voltou se para Ron que o observava nervoso , como_se esperasse a opinião de ele . - É um_pouco pequeno - declarou o Ron muito depressa . - Não se parece nada com o quarto que tu tinhas em casa de os Muggles . E estou mesmo debaixo de o vampiro de o sótão . Ele anda sempre a bater nos canos e a gemer ... Mas Harry , com um grande sorriso , disse lhe : - Esta é a melhor casa em que eu já estive . As orelhas de Ron ficaram cor-de-rosa . IV_Na_Flourish and Blotts_A vida em a Toca era o mais diferente que é possível de a vida em Privet_Drive . Os Dursleys gostavam de tudo limpo e arrumado , em casa de os Weasleys explodia o estranho e o inesperado . Harry teve um choque de a primeira vez que olhou para o espelho que estava sobre a lareira de a cozinha e ele gritou : - Mete para dentro a camisa , * desmazelado ! * - O vampiro de o sótão gemia e batia nos canos , sempre_que sentia as coisas demasiado calmas e as pequenas explosões em o quarto de o Fred e de o George , eram consideradas perfeitamente normais . Mas o que o Harry achou mais bizarro em a vida em casa de o Ron , não foi o espelho que falava , nem o vampiro barulhento , foi o facto de todos ali em casa parecerem gostar de ele . Mrs._Weasley preocupava se com o estado de as suas meias e tentava obrigá o a servir se quatro vezes a cada refeição . Mr._Weasley gostava que Harry se sentasse a o lado de ele a a mesa para poder bombardeá o com perguntas sobre a vida com os Muggles , pedindo que lhe explicasse como funcionavam coisas como as canalizações e o serviço de os correios . - Fascinante ! - exclamava , enquanto Harry lhe explicava a utilização de o telefone . - Engenhoso , de facto , todas_as maneiras que os Muggles encontraram para passar sem a magia . Harry teve notícias de Hogwarts em uma manhã de sol , cerca de uma semana depois de ter chegado a a Toca . Quando , ele e o Ron desceram para tomar o pequeno-almoço , encontraram Mr. e Mrs._Weasley e Ginny já sentados a a mesa . Em o momento em que viu o Harry , Ginny entornou a tigela de os cereais , que caiu a o chão com grande espalhafato . Ginny entornava facilmente coisas sempre_que o Harry estava em a sala . Mergulhou debaixo de a mesa para apanhar a tigela e emergiu com o rosto a brilhar como o sol poente . Fingindo não ter dado por nada , Harry sentou se e aceitou a torrada que Mrs._Weasley lhe ofereceu . - Cartas de a escola - disse Mr._Weasley , passando a o Harry e a o Ron envelopes idênticos de pergaminho amarelado , com a morada escrita a tinta verde . - O Dumbledore já sabe que estás aqui , Harry , não perde nada aquele homem . Vocês os dois também - acrescentou , enquanto Fred e George deambulavam em a casa , ainda em pijama . Fez se silêncio durante alguns momentos , enquanto liam as respectivas cartas . A de o Harry dizia para apanhar o Expresso_de_Hogwarts , como sempre em a Estação_de_King's_Cross , em o dia_1_de_Setembro . Havia ainda uma lista de os livros que precisaria para o próximo ano . Os alunos de o segundo ano deverão ter : * _ O_Livro_Padrão_de_Feitiços , Grau 2 , por Miranda_Goshawk . * _ Ensinamentos_de_Uma_Fada_Carpideira , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Férias com Bruxas , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Duendes , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Lobisomens , por Gilderoy_Lockhart . * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves , por Gilderoy_Lockhart * . Fred , que terminara a sua própria lista , espreitou para a de o Harry . - Também te mandam comprar os livros de o Lockhart - disse . - A professora de defesa contra as artes negras deve ser fanática . Aposto que é uma bruxa . Nessa_altura , Fred percebeu o olhar de a mãe e apressou se a comer o doce de laranja . - Esse conjunto não vai ficar barato - disse George , olhando rapidamente para os pais . - Os livros de o Lockhart são de os mais dispendiosos ... - Cá nos havemos de arranjar - declarou Mrs._Weasley , mas parecia preocupada . - Espero que pelo_menos para a Ginny possamos arranjar uma data de coisas em segunda mão . - Ah , vais entrar este ano para Hogwarts ? - perguntou lhe Harry . Ela fez um aceno , corando até a a raiz de os cabelos ruivos e meteu o cotovelo em o pires de a manteiga . Felizmente ninguém deu por nada , a não ser o Harry , porque em esse momento o irmão mais velho de Ron , o Percy , entrou . Já estava vestido , com a placa de prefeito aplicada a a sua camisola de malha . - Bom dia a todos - disse , cheio de vivacidade . - Está um dia lindo . Puxou a única cadeira livre , mas deu um salto quando ia sentar se e , debaixo de ele , saltou um espanador cinzento de penas , pelo_menos , foi o que o Harry pensou até ver que ele respirava . - Errol ! - exclamou Ron , afastando a coruja de o Percy e retirando lhe debaixo de a asa uma carta . - Até que enfim , a resposta de a Hermione . Escrevi lhe a contar que íamos tentar raptar te de casa de os Dursleys . Levou Errol para um poleiro que havia junto a a porta de as traseiras e tentou colocá a lá em cima , mas Errol caiu redonda e Ron teve de a pôr em a pia , murmurando : - Patético . - Em seguida , abriu a carta de a Hermione e leu a em voz alta . * _ Querido_Ron e Harry , se aí estiveres . Espero que tudo tenha corrido bem , que o Harry esteja O. _ K. e que não tenham feito nada ilegal para conseguir trazes o , porque isso podia criar lhe problemas também a ele . Tenho estado muito preocupada e , se o Harry estiver bem , por favor digam me qualquer coisa rapidamente , mas talvez seja melhor usarem uma nova coruja , porque acho que outra entrega pode acabar como esta . * _ Estou muito atarefada com trabalho de a escola , claro * . - Como é possível ? - perguntou Ron , horrorizado . - Estamos em férias ! - * _ E vamos para Londres em a próxima quarta-feira para comprar os meus livros novos . Porque não nos encontramos em a Diagon-al ? * _ Dêem-me notícias vossas o mais depressa possível . * _ Carinhosamente_Hermione * - Bem , parece uma boa solução , podemos ir todos comprar as vossas coisas - disse Mrs._Weasley , começando a limpar a mesa . - O que vão fazer hoje ? Harry , Ron , Fred e George tinham planeado ir a o cimo de o monte a um pequeno cercado de cavalos que os Weasleys possuíam . Estava rodeado de árvores que lhe tapavam a vista de a cidade cá em baixo , o que quer_dizer que podiam praticar Quidditch , desde_que não voassem muito alto . Não podiam usar as verdadeiras bolas de Quidditch pois seria muito difícil explicar se elas escapassem e voassem sobre a cidade . Em vez de elas , lançavam maçãs para os outros apanharem . Faziam turnos para montar a Nimbus dois_mil , que era de longe a melhor vassoura . A velha Shooting_Star_de_Ron fora muitas_vezes ultrapassada por as borboletas que passavam . Cinco minutos mais tarde estavam a marchar por o monte acima , de vassouras a o ombro . Tinham perguntado a o Percy se ele queria juntar se a eles , mas ele alegara muito trabalho . Até esse dia , Harry só tinha visto Percy a a hora de as refeições , ele ficava em silêncio em o quarto o resto de o tempo . - Gostava de saber o que ele anda a fazer - afirmou Fred , de testa franzida . - Não parece o mesmo . O resultado de os exames veio um dia antes de tu chegares : doze N_F_V e ele nem se manifestou satisfeito . - Níveis_de_Feitiçaria_Vulgares - explicou o George , vendo o olhar atarantado de Harry . - Se não temos cuidado , ainda nos calha outro Chefe_de_Turma em a família . Acho que não suportaria a vergonha . Bill era o mais velho de os irmãos Weasley . Ele e o irmão a seguir , Charlie , já tinham saído de Hogwarts . Harry não conhecia nenhum de os dois , mas sabia que o Charlie estava em a Roménia a estudar dragões e o Bill em o Egipto a trabalhar em o banco de os feiticeiros : Gringotts . - Não sei como o pai e a mãe vão arranjar dinheiro para nos pagar o material escolar este ano - disse o George , passado um bocado . - Cinco conjuntos de livros de o Lockhart ! E a Ginny precisa de mantos e de uma varinha e tudo_isso ... Harry não disse nada . Sentiu se um_pouco incomodado . Fechada em um cofre subterrâneo , em o banco de Gringotts_de_Londres , estava uma pequena fortuna que os pais lhe tinham deixado . É claro que só tinha esse dinheiro em o mundo de os feiticeiros , não se podem usar Galeões , Leões e Janotas em as lojas de os Muggles . Ele nunca fizera referência a a sua conta bancária em Gringotts a os Dursleys . Não lhe parecia que o horror que eles sentiam por tudo_o_que se relacionava com a feitiçaria se estendesse a uma enorme pilha de barras de ouro . Mrs._Weasley acordou os a todos bem cedo , em a quarta-feira seguinte . Depois de comerem umas doze sanduíches de * bacon * cada_um , enfiaram os casacos e Mrs._Weasley tirou um vaso de a prateleira de o fogão de a cozinha e espreitou lá para dentro . - Está a acabar se , Arthur - suspirou . - Temos de comprar mais hoje ... Bem , os hóspedes primeiro . Passa , Harry querido ! E ofereceu lhe o vaso de flores . Harry olhou espantado enquanto todos eles o observavam . - O q-que é_que eu devo fazer ? - gaguejou . - Ele nunca viajou com o pó de Floo - disse o Ron subitamente . - Desculpa , Harry , esqueci me . - Nunca ? - perguntou Mrs._Weasley . - Mas então como chegaste a a Diagon - _ Al em o ano passado para comprar as tuas coisas ? -- Fui por o subterrâneo . - A sério ? - disse Mr._Weasley , entusiasmado . - Havia fugitivos ? Como é_que ... - Agora não , Arthur - disse Mrs . Weasley . - O pó de Floo é muito mais rápido , querido , mas , valha me Deus , se ele nunca o usou ... - Vai correr bem , mãe - disse o Fred . - Harry observa nos primeiro . Tirou uma pitada de pó brilhante de dentro de o vaso , aproximou se de o lume e lançou o pó em as chamas . Com um rugido , o fogo ficou verde-esmeralda e elevou se a uma altura superior a a de o Fred que avançou , gritando Diagon - _ Al ! E desapareceu . - Tens de falar claramente , filho - disse Mrs._Weasley a o Harry , ao_mesmo_tempo que George metia a mão em o vaso de as flores . - E vê se sais em o fogão certo . - Em o quê ? - perguntou Harry , nervoso , enquanto o lume crepitava e fazia George desaparecer também . - Bem , há imensos fogos de feiticeiros , mas desde_que te tenhas expressado claramente ... - Ele vai conseguir , Molly , não te preocupes - disse Mr._Weasley , tirando também ele algum pó . - Mas querido se ele se perde como é_que vamos justificar nos perante o tio e a tia de ele ... -- Eles não se importariam - tranquilizou a Harry . - O Dudley ia achar imensa piada se eu me perdesse em uma chaminé , não se preocupe . - Bem , em esse caso ... tu vais a seguir a o Arthur - disse Mrs._Weasley . - Logo_que entres em o fogo diz para_onde queres ir . - E mantém os cotovelos dobrados - preveniu o Ron . - E os olhos fechados - disse Mrs._Weasley . - A fuligem . - Não te enerves - disse o Ron . - Senão podes ir parar a a lareira errada . - Não entres em pânico e não queiras sair cedo de mais . Espera até veres o Fred e o George . Fazendo um enorme esforço por reter toda aquela informação , Harry tirou uma pitada de pó de Floo e avançou para a beirinha de o fogo . Respirou fundo , espalhou o pó em as chamas e entrou . O fogo parecia uma brisa quente . Abriu a boca e engoliu , de imediato , uma grande quantidade de cinzas quentes . D-dia-gon-al - tossiu . Sentiu se como_se estivesse a ser sugado para um buraco gigantesco . Como_se girasse muito depressa ... o ruído era ensurdecedor . Tentou manter os olhos abertos mas o turbilhão de chamas verdes fê lo enjoar ... algo duro bateu lhe em o cotovelo e dobrou o de imediato . Continuava a rodar , a rodar ... sentia se agora como_se várias mãos frias estivessem a bater lhe em a cara ... Espreitando através de os óculos , viu uma torrente imprecisa de fogões e captou lampejos de as salas que estavam por detrás ... as sanduíches de * bacon * davam lhe a volta dentro de o estômago ... fechou os olhos desejando que tudo aquilo parasse e então caiu , de cara em o chão , em a pedra fria e sentiu os óculos partirem se a os bocados . Desorientado e ferido , coberto de fuligem , pôs se cautelosamente de pé , levando a os olhos os óculos partidos . Estava completamente só e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava . Tudo_o_que podia dizer era que a o seu lado via uma lareira que lhe parecia ser a de uma enorme e indistinta loja de feitiçaria . Mas nenhum de os artigos que ali se encontravam tinham aspecto de fazer parte de a lista de a escola de Hogwarts . Em uma caixa de vidro podia ver se uma mão atrofiada que repousava sobre uma almofada , um baralho de cartas ensanguentado e um olho de vidro que o olhava fixamente . Máscaras de expressão maldosa enchiam as paredes , olhando de esguelha , uma enorme quantidade de ossos humanos estendia se sobre o balcão e , de o tecto , pendiam instrumentos aguçados com pontas de ferro e pregos enferrujados . Mas o pior é_que a rua estreita e escura , que Harry conseguia avistar através de a janela poeirenta de a loja , não era de modo algum a Diagon-al . Quanto_mais depressa saísse de ali , melhor . O nariz ainda a doer lhe em o sítio onde batera em o chão a o aterrar , Harry avançou rápida e silenciosamente em direcção a a porta , mas antes de conseguir chegar a meio caminho , duas pessoas apareceram de o lado de_fora de o vidro , e uma de elas era a última pessoa que Harry desejaria encontrar em o momento em que se encontrava perdido , coberto de fuligem e com os óculos partidos , Draco_Malfoy . Harry olhou rapidamente em volta e apercebeu se de a existência de um grande armário escuro a a sua esquerda , saltou lá para dentro e fechou as portas , deixando uma gretazinha para poder espreitar . Segundos depois , uma campainha tocava e Malfoy entrava em a loja . O homem que o acompanhava só podia ser o pai . Tinha o mesmo rosto pálido de feições agudas e os mesmos olhos cinzentos de gelo . Mr._Malfoy atravessou a loja , olhando maquinalmente para os artigos expostos e tocou a campainha de o balcão , antes de se voltar para o filho , dizendo : - Não mexas em nada , Draco . Malfoy , que vira o olho de vidro , disse : - Pensei que ias oferecer me um presente . - Eu prometi que ia comprar te uma vassoura de corrida - declarou o pai , tamborilando com os dedos sobre o balcão . - Para que é_que me serve , se não estou em a equipa de Quidditch ? - perguntou Malfoy , carrancudo e de mau humor . - O Harry_Potter teve uma Nimbus dois_mil o ano passado , com a autorização especial de o Dumbledor é para jogar em os Gryffindor . Ele nem é assim tão bom , é só por ser * famoso * ... famoso por ter uma estúpida cicatriz em a testa . Malfoy baixou se para observar uma prateleira cheia de crânios . - Todos acham que ele é tão esperto , o Potter maravilha , com a sua cicatriz e a sua vassoura ... - Já me disseste isso doze vezes pelo_menos - comentou Mr._Malfoy , olhando repressivamente para o filho . - E devo lembrar te que não é prudente parecer menos do_que amigo de Harry_Potter , quando a maior parte de a nossa gente vê em ele um herói que fez desaparecer o Senhor_do_Mal . Ah , Mr._Borgin . Um homem curvado surgiu por detrás de o balcão , puxando o cabelo gorduroso para trás . - Mr._Malfoy , que prazer vês o de_novo - disse Mr._Borgin , em uma voz tão untuosa como o cabelo . - Encantado , e o nosso jovem Malfoy também , encantado . Em que posso servi os ? Tenho que vos mostrar o que chegou hoje , a um preço muito razoável ... - Hoje não venho comprar , Mr._Borgin , e sim vender - afirmou Mr._Malfoy . - Vender ? - O sorriso apagou se lentamente em o rosto de Mr._Borgin . - Certamente ouviu dizer que o Ministério está a levar a cabo mais buscas - explicou o Mr._Malfoy , retirando de o bolso um rolo de pergaminho e desembrulhando o para Mr._Borgin o ler . - Eu tenho alguns , ah , artigos em casa que poderiam criar me problemas se o Ministério me batesse a porta . Mr._Borgin colocou em o nariz um par de * pince-nez * e olhou para a lista . - O Ministério não se lembraria de o incomodar certamente ... O lábio de Mr._Malfoy dobrou se . - Ainda não me fizeram nenhuma visita . O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito , mas o Ministério está a ficar cada_vez_mais intrometido . Há boatos sobre um novo decreto de protecção de os Muggles , sem dúvida que aquele mordido de as pulgas , adorador de os Muggles , que é o Arthur_Weasley deve estar por detrás de isso . Harry sentiu crescer a raiva . - E , como pode ver , alguns de estes venenos podiam dar a ideia ... - Compreendo perfeitamente , claro - disse Mr._Borgin . - Deixe me ver ... - Posso ter aquilo ? - interrompeu Draco , apontando para a mão raquítica que estava sobre a almofada . - Ah , a mão de a glória ! - exclamou Mr._Borgin , abandonando a lista de Mr._Malfoy e apressando se a responder a Draco . - Põe se lhe uma vela e ela só dá luz a quem a transporta ! A melhor amiga de os gatunos e de os salteadores , o seu filho tem gosto , senhor . - Espero que o meu filho venha a ser mais do_que gatuno ou salteador , Borgin - disse Mr._Malfoy friamente e Mr._Borgin respondeu logo : - Sem ofensa , senhor , sem querer ofender . - Embora , se as notas de a escola não melhorarem - disse Mr._Malfoy ainda mais friamente - esse possa vir a ser o único caminho possível para ele . - Não tenho culpa - retorquiu Draco . - Todos os professores têm os seus preferidos , aquela Hermione_Granger ... - Eu , em o teu lugar , teria vergonha que uma rapariga que nem_sequer pertence a famílias de feiticeiros , me passasse a a frente em todos os exames - interrompeu Mr._Malfoy . Ah - fez Harry baixinho , radiante por ver Draco atrapalhado e furioso . - É o mesmo em todo o lado - comentou Mr._Borgin em a sua voz untuosa . - O sangue de os feiticeiros conta cada_vez menos ... - Não para mim - afirmou Mr._Malfoy , com as longas narinas dilatadas . - Não senhor , nem para mim - concordou Mr._Borgin , inclinando se em uma vénia . - Em esse caso , talvez possamos voltar a a minha lista - disse Mr._Malfoy secamente . - Estou com alguma pressa , Borgin , tenho ainda hoje assuntos importantes a tratar em outro lado . Começaram a discutir os preços . Harry via nervosamente o Draco aproximar se de o seu esconderijo enquanto observava os objectos a a venda . Parou para examinar um enorme rolo de corda de carrasco e para ver , com um sorriso afectado , o cartão preso com um aparatoso laço de opalas onde podia ler se : * _ Cautela , não tocar . Amaldiçoado - reclama as vidas de dezanove donos , todos eles Muggles * . Draco voltou se e viu o armário mesmo em frente . Avançou , estendeu a mão para o puxador ... - Feito - disse Mr._Malfoy , a o balcão . - Vamos , Draco . Harry limpou a testa a a manga quando Draco se afastou . - Muito bom dia , Mr._Borgin . Espero por si amanhã em a mansão para ir buscar a mercadoria . Em o momento em que a porta se fechou , Mr._Borgin abandonou os seus modos subservientes . « Bom dia para o senhor , Mr._Malfoy , e , se as histórias que contam são verdadeiras , não me vendeu nem metade do_que tem escondido em a sua mansão ... » Murmurando de forma taciturna , Mr._Borgin desapareceu em uma sala escura . Harry esperou um minuto não fosse ele voltar e , em seguida , o mais silenciosamente possível , escapou se de o armário , passou por as caixas de vidro e saiu de a loja . Encostando os óculos partidos a o rosto , olhou em volta . Saíra em uma rua estreita e sombria que parecia composta exclusivamente de lojas dedicadas a as artes negras . Aquela de onde acabava de sair parecia ser a maior , mas em frente estava uma montra tétrica de cabeças encolhidas e duas portas abaixo podia ver se uma enorme caixa viva cheia de gigantescas aranhas pretas . Dois feiticeiros com aspecto pobre observavam o de a sombra de uma porta , murmurando entre si . Sentindo se nervoso , Harry pôs se a caminho , tentando agarrar os óculos a direito e não desistindo de a esperança de encontrar maneira de sair de ali . Por um cartaz de madeira , pendurado em a rua , indicando uma loja de venda de velas envenenadas , ficou a saber que se encontrava em a Rua * _ Bativolta * , mas isso não o ajudou pois Harry nunca ouvira falar em tal lugar . Calculou que não tinha pronunciado bem as palavras com a boca cheia de cinzas em a lareira de os Weasley . Tentando manter a calma perguntou a si mesmo o que havia de fazer . - Não estás perdido , pois não , meu menino ? - perguntou uma voz , mesmo junto de o seu ouvido , que o fez dar um salto . Uma bruxa idosa estava em a sua frente , segurando um tabuleiro de uma coisa que se parecia horrivelmente com unhas humanas . A mulher olhou o maldosamente , mostrando os dentes esverdeados . Harry recuou . - Estou bem , obrigado - disse . - Estou só ... - HARRY ! O qu'é que pensas que estás a fazer aqui ? O coração de Harry deu um salto , assim_como o de a bruxa . Um monte de unhas caíram lhe sobre os pés e ela praguejou , enquanto o corpo enorme de Hagrid , o guarda de os campos de Hogwarts , se aproximava de eles a passos largos com os olhos castanhos-escuros a faiscarem sobre a longa barba eriçada . - Hagrid - gritou Harry , aliviado . - Eu estava perdido ... o pó de Floo ... Hagrid agarrou Harry por o cachaço e puxou o para longe de a bruxa , tirando lhe o tabuleiro de as mãos . Os guinchos agudos de a feiticeira seguiram nos até a o fundo de a ruela serpenteante que ia dar a um lagar onde brilhava o sol . Harry avistou a a distância um edifício de mármore branco como a neve que lhe era familiar : o banco de Gringotts . Hagrid conduzira o até a a Diagon - _ Al . - ` _ tás em um péssimo estado ! - disse Hagrid bruscamente , sacudindo lhe a fuligem com tanta força que Harry quase caiu em um barril de estrume de dragão que se encontrava a a porta de um boticário . - A fugir , em a Rua * _ Bativolta * , eu não conheço esse lugar finório , Harry , não quero que ninguém te veja aqui em baixo . - Já percebi - disse Harry , baixando se quando Hagrid fez menção de o escovar melhor . - Já te disse que estava perdido . E o que é_que tu fazes aqui ? - ` _ Tou a a procura d'um repelente para as lesmas comedoras de legumes - resmungou Hagrid . - ` _ tão a destruir as couves todas de a escola . Tu não estás sozinho ? - Estou em casa de os Weasley , mas separámo nos explicou Harry . - Tenho que os encontrar . Desceram juntos a rua . - Por_que é_que nunca respondeste a as minhas cartas ? - perguntou Hagrid , enquanto Harry corria para o acompanhar ( tinha de dar três passos por cada enorme passada de Hagrid ) . Harry explicou lhe tudo sobre Dobby e os Dursleys . - Malditos_Muggles - rugiu Hagrid . - S'eu tivesse sabido ... - Harry ! Harry ! Aqui ! Harry olhou para_cima e viu Hermione_Granger em o topo de a escadaria de Gringotts . Desceu para vir a o encontro de ele , o cabelo castanho de caracóis , a esvoaçar atrás de ela . - O que aconteceu a os teus óculos ? Olá_Hagrid ... Oh , é maravilhoso ver vos outra_vez . Vens a Gringotts , Harry ? - Logo_que encontre os Weasley - respondeu ele . - Não vais ter d'esperar muito - riu se Hagrid . Harry e Hermione olharam em volta . Subindo a rua , em o meio de a multidão , vinham Ron , Fred , George , Percy e Mr._Weasley . - Harry - chamou Mr._Weasley , ofegante . - Tínhamos esperança que só tivesses ido um fogão mais longe ... - passou um pano em a sua calva reluzente . - A Molly está nervosíssima , aí vem ela . - Onde é_que tu saíste ? - perguntou o Ron . - Em a Rua * _ Bativolta * - disse o Hagrid , com um ar sério . - Sensacional ! - exclamaram Fred e George ao_mesmo_tempo . - Nunca nos deram autorização para lá ir - disse o Ron com uma pontinha de inveja . - E fizeram muito bem - grunhiu Hagrid . Mrs._Weasley chegou em aquele momento a correr , a mala a balouçar em uma de as mãos e Ginny quase pendurada em a outra . - Oh Harry , oh meu querido , podias ter ido parar a qualquer lugar ... Tentando recuperar o fôlego , tirou de a mala uma grande escova de roupa e começou a retirar a fuligem que Hagrid não conseguira expulsar . Mr._Weasley pegou em os óculos de Harry , deu lhes um toque de varinha e entregou lhe os como novos . - Bem , tenho de m'ir embora - disse Hagrid cuja mão estava a ser esmagada por Mrs._Weasley ( -- Rua * _ Bativolta * ! Se não o tivesses encontrado , Hagrid ! ) . - Vemo nos em Hogwarts . - E afastou se , os ombros e a cabeça acima de a multidão que enchia completamente a rua . - Adivinham quem eu vi em o Borgin and Burkes ? - perguntou Harry_a_Ron e a Hermione enquanto subiam as escadarias de Gringotts . - Malfoy e o pai . - O Lucius_Malfoy comprou alguma coisa ? - perguntou interessado Mr._Weasley que estava atrás de eles . - Não , estava a vender . - Então está preocupado - comentou Mr._Weasley com visível satisfação . - Ah , eu adorava apanhar o Lucius_Malfoy em alguma . . - Tem cuidado , Arthur - interrompeu Mrs._Weasley enquanto o gnomo porteiro lhes dava reverentemente entrada em o banco . - Isso é um problema de família . Não queiras ter mais olhos que barriga . - Queres dizer com isso que achas que eu não chego para o Malfoy ? - perguntou Mr._Weasley , indignado , mas foi rapidamente afastado de aqueles sentimentos a o avistar os pais de Hermione que estavam de pé , nervosamente encostados a o balcão que acompanhava a grande parede de mármore , a a espera que Hermione os apresentasse . - Mas vocês são Muggles ! - disse Mr._Weasley , encantado . - Temos de tomar uma bebida . O que é isso aí ? Ah , estão a trocar dinheiro de Muggle . Molly , olha - apontou cheio de excitação para as notas de dez libras que Mr._Granger tinha em a mão . - Encontramo nos aqui - disse Ron_a_Hermione , enquanto os Weasley e Harry eram conduzidos a os seus cofres em o subterrâneo de Gringotts . Para chegar a os cofres havia que tomar umas carrinhas conduzidas por gnomos que se deslocavam ao_longo_de carris de comboio de pequenas dimensões através de os túneis subterrâneos de o banco . Harry gostou de a viagem acidentada até a o cofre de os Weasley , mas sentiu se bastante mal , pior do_que em a Rua * _ Bativolta * , quando o cobre foi aberto . Havia lá dentro um pequenino monte de Leões de prata e apenas um Galeão de ouro . Mrs._Weasley foi com a mão a a procura em os cantos antes de , com um gesto rápido , varrer tudo para dentro de o saco . Harry sentiu se ainda pior quando chegaram a o seu cofre . Tentou evitar que vissem o conteúdo enquanto empurrava apressadamente mãos cheias de moedas para dentro_de uma sacola de cabedal . Lá fora , em as escadarias de mármore , separaram se . Percy murmurou vagamente que precisava de uma nova pena de escrever . Fred e George tinham avistado um amigo de Hogwarts , Lee_Jordan . Mrs._Weasley e Ginny iam a uma loja de mantos em segunda mão , Mr._Weasley continuava a insistir em levar os Grangers a o Caldeirão_Escoante para lhes pagar uma bebida . - Encontrarmo nos todos em a Flourish and Blotts dentro_de uma hora para comprar os vossos livros de estudo - disse Mrs._Weasley , afastando se com Ginny . - E nem um passo em direcção a a Rua * _ Bativolta * - gritou a os gémeos que estavam de costas . Harry , Ron e Hermione deambularam por a rua empedrada e sinuosa . O ouro , prata e bronze que tilintavam alegremente em o saco que Harry tinha em o bolso pareciam exigir ser gastos , por isso ele comprou três enormes gelados de morango e manteiga de amendoim que eles devoraram felizes enquanto vagueavam sem destino por a rua fora , observando as montras fantásticas de as lojas . Ron olhou longamente para um conjunto completo de mantos de o Chudley_Cannon , em as montras de o « Equipamento_de_Quidditch_de_Qualidade » até Hermione o arrastar de ali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos . Em a « Jogos_de_Feitiçaria_de_Gambol and Japes » encontraram o Fred , o George e o Lee_Jordan que estavam presos em a fabulosa partida debaixo_de chuva e em os fogos-de-artifício de o Dr._Filibuster . E em uma pequenina loja de velharias cheia de varinhas partidas , balanças instáveis de latão e mantos velhos cobertos de nódoas de poções encontraram Percy profundamente concentrado em um pequenino livro , bastante chato , chamado * _ Prefeitos que conquistam o poder * . - * _ Um estudo sobre os prefeitos de Hogwarts e as suas posteriores carreiras * - leu alto o Ron em a contracapa . - Deve ser fascinante ... - Desaparece - gritou Percy . - Claro , ele é muito ambicioso , já tem tudo planeado . Quer ser ministro de a magia - disse o Ron baixinho a o Harry e a a Hermione , enquanto deixavam Percy entregue a o livro . Uma hora mais tarde dirigiram se a a Flourish and Blotts . Não eram de modo algum os únicos a encaminhar se para a livraria . À_medida_que se aproximavam viram com grande surpresa uma grande multidão a a porta , tentando entrar em a loja . O motivo de tal confusão estava anunciado em um cartaz que se estendia a o longo de a montra superior . GILDEROY_LOCKHART_Assinará exemplares de a sua autobiografia " eu , o mágico " Hoje 12.30 - 16.30 - Vamos poder conhecê o ! - gritou Hermione . - Quero dizer , ele escreveu quase todos os livros de a nossa lista ! A multidão parecia ser maioritariamente composta por bruxas de a idade de Mrs._Weasley . Um feiticeiro bem-parecido estava de pé junto de a porta , dizendo : - Calma , minhas senhoras , não empurrem , cuidado com os livros . Harry , Ron e Hermione conseguiram furar e entrar . Uma longa fila serpenteava para as traseiras de a loja onde Gilderoy_Lockhart estava a assinar os seus livros . Cada_um de eles pegou em um exemplar de * _ ensinamentos de Uma Fada_Carpideira * e escaparam se de a fila indo ter a o lugar onde se encontravam os outros com Mr. e Mrs._Granger . - Ah , aí estão vocês . _ óptimo - disse Mrs._Weasley que parecia estar com falta de ar e não parava de mexer em o cabelo . - Vamos poder vês o dentro_de um minuto . Gilderoy_Lockhart veio lentamente até um lugar onde era visível para todos , sentou se a uma mesa , rodeado de grandes fotografias de o próprio rosto , todo ele sorrisos , mostrando a a multidão o brilho cintilante de os seus dentes . Lockhart usava uma túnica azul-noite que condizia a as mil maravilhas com a cor de os olhos , o chapéu pontiagudo de feiticeiro colocado lateralmente sobre o cabelo ondulado . Um homenzinho pequenino e irritante andava a dançar de um lado para o outro , tirando fotografias com uma grande máquina preta que lançava baforadas de fumo arroxeado em cada * flash * . - Sai de o caminho , tu aí - disse rispidamente a o Ron , mudando de lugar para ter um angulo melhor . - Este é para o * _ Profeta_Diário * . - Grande coisa ! - exclamou o Ron , esfregando os pés em o lugar que o fotógrafo pisara . Gilderoy_Lockhart ouviu o . Olhou , viu o Ron e em seguida Harry . Voltou a olhar , desta_vez com mais atenção . Em seguida , pôs se de pé e gritou : - Não pode ser , o Harry_Potter ? A multidão dividiu se entre murmúrios de excitação . Lockhart aproximou se , agarrou Harry por um braço e levou o para a frente . A multidão rebentou em aplausos . A cara de Harry ardia quando Lockhart lhe apertou a mão para o fotógrafo que disparava como um louco , lançando fumo espesso para_cima de os Weasley . - Belo sorriso , Harry - disse Lockhart através de os seus dentes brilhantes . - Tu e eu juntos merecemos a primeira página . Quando por fim lhe largou a mão , Harry quase não sentia os dedos . Tentou recuar para junto de os Weasley , mas Lockhart lançou lhe um braço por os ombros e prendeu o a o seu lado . - Minhas senhoras e meus senhores - disse bem alto , fazendo sinal para que se acalmassem . - Que momento extraordinário este ! O momento perfeito para eu anunciar algo que tenho vindo a guardar comigo desde_há algum tempo . - Quando o jovem Harry entrou em a Flourish and Blotts hoje , ele queria apenas comprar a minha autobiografia , que tenho agora o maior prazer em oferecer lhe - a multidão aplaudiu de_novo . - Ele não tinha ideia - continuou Lockhart , dando a o Harry um pequeno encontrão que fez com que os óculos lhe escorregassem para a ponta de o nariz - de que ia conseguir em_breve muito mais do_que o meu livro Eu , o mágico . Ele e os seus colegas de a escola vão receber , de facto , o verdadeiro * _ Eu , o mágico * . Sim , minhas senhoras e meus senhores , tenho o maior prazer em anunciar que em o mês_de_Setembro assumirei o lugar de professor de Defesa contra as artes negras em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts ! A multidão aplaudiu e bateu palmas e Harry deu consigo a ser presenteado com a obra completa de Gilderoy_Lockhart . Cambaleando ligeiramente sob o peso de os livros conseguiu abrir caminho para longe de os projectores até a a porta de a sala onde estava Ginny com o seu novo caldeirão . - Podes ficar com estes - murmurou Harry , enfiando os livros em o caldeirão . - Eu vou comprar os meus . - Aposto que adoraste aquilo , não adoraste , Potter ? - disse uma voz que Harry não teve qualquer dificuldade em reconhecer . Endireitou se e deu consigo frente_a_frente com Draco_Malfoy que exibia o seu habitual sorriso escarninho . - O famoso Harry_Potter - disse Malfoy . - Nem_sequer pode entrar em uma livraria sem se tornar primeira página . - Deixa o em paz , ele não queria nada de isso - defendeu a Ginny . Era a primeira vez que falava em frente de Harry . Olhava para Malfoy com um ar feroz . - Potter , arranjaste uma namorada ! - disse arrastadamente Malfoy . Ginny ficou vermelha como um pimentão enquanto Ron e Hermione tentavam abrir caminho , ambos carregando montes de livros de Lockhart . -- Ah és tu ? - disse Ron , olhando para Malfoy como_se ele fosse algo desagradável colado a a sola de o sapato . - Aposto que te surpreendeu ver o Harry aqui ? - Não tanto como a ti em uma loja , Weasley - retorquiu Malfoy . - Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo . Ron ficou tão vermelho quanto Ginny . Deixou também cair os livros em o caldeirão e avançou para Malfoy , mas Harry e Hermione agarraram o por as costas de o casaco . - Ron - disse Mrs._Weasley , aproximando se com Fred e George . - O que estás a fazer ? Isto está uma loucura aqui dentro , vamos lá para fora . - Olha quem ele é , Arthur_Weasley . - Era_Mr._Malfoy . Estava de pé com a mão sobre o ombro de Draco , com o mesmo sorriso escarninho . -- Lucius - disse Mr._Weasley , acenando friamente . -- Muito trabalho em o ministério , segundo me consta - disse Mr._Malfoy . - Todas essas buscas ... espero que te estejam a pagar horas extraordinárias . Meteu a mão em o caldeirão de a Ginny e tirou de o meio de os livros de Lockhart um exemplar muito velho e muito gasto de o * _ Guia_de_Transfiguração_para_Principiantes * . - Parece que não - disse . - Que diabo , qual a vantagem de ser uma nódoa entre os feiticeiros se nem_sequer te pagam bem por isso ? Mr._Weasley corou mais ainda do_que Ron ou Ginny . - Nós temos uma opinião diferente sobre quem são as nódoas entre os feiticeiros - disse . - É claro que ... - disse Mr._Malfoy , os olhos mortiços passando para Mr. e Mrs._Granger apreensivamente . - As companhias com quem tu andas ... e eu que pensava que já não conseguias descer mais baixo ... Ouviu se um tilintar de metal quando o caldeirão de a Ginny foi por os ares . Mr._Weasley lançara se sobre Mr._Malfoy atirando o para dentro_de uma estante . Dezenas_de livros de feitiços saltaram lá de cima , caindo lhes sobre as cabeças . Houve um grito de - Chega lhe , pai ! - de o Fred e de o George . Mrs._Weasley soltava gritos agudos : - Não_Arthur , não . A multidão recuava deitando mais prateleiras a o chão . - Meus senhores , por favor - gritava o encarregado , e então , mais alto do_que todos : - Parem com isso , gente , parem com isso . Hagrid aproximava se através_de um mar de livros . Em um segundo afastou Mr._Weasley e Mr._Malfoy . Mr._Weasley tinha um lábio cortado e Mr._Malfoy fora agredido em um olho por uma * _ Enciclopédia_de_Cogumelos_Venenosos * . Tinha ainda em a mão o livro velho de a Ginny sobre transfiguração . Atirou lhe o , com os olhos a brilhar de malvadez . - Toma o teu livro , garota . É o melhor que o teu pai pode oferecer te . Libertando se de Hagrid , conduziu Draco para fora e abandonaram a livraria . - Devias tê o ignorado , Arthur - disse Hagrid quase a pegar em Mr._Weasley a o colo enquanto lhe endireitava o manto . - São podres até a a raiz , todos eles . Tod'à gente sabe . Nenhum Malfoy vale a pena ser ouvido . Não prestam , ' tá-lhes em o sangue . Vá lá , vamos sair de aqui . O encarregado parecia querer impedis os , mas , olhando bem para Hagrid , pensou melhor . Subiram a rua , os Grangers a tremer de medo e Mrs._Weasley fora de si . - Um belo exemplo para as crianças ... andar a a pancada em público . O que terá pensado Gilderoy_Lockhart ? - Ele gostou - disse o Fred . - Não o ouviram quando ia a sair ? Estava a perguntar a aquele tipo de o Profeta_Diário se conseguia incluir a briga em a reportagem , disse que era boa publicidade . Mas foi um grupo deprimido que regressou a a lareira de o Caldeirão_Escoante onde Harry , os Weasley e todas_as suas compras iriam viajar de volta até a a Toca , usando o pó de Floo . Despediram se de os Grangers que iam sair de o * pub * por a rua de os Muggles , de o outro lado . Mr._Weasley começou a perguntar lhes como funcionavam as paragens de autocarros , mas calou se rapidamente a o ver a expressão de Mrs._Weasley . Harry tirou os óculos e guardou os cautelosamente em o bolso antes de utilizar o pó de Floo . Definitivamente não era a sua forma ideal de viajar . V_O salgueiro zurzidor O fim de as férias de Verão chegou demasiado depressa para o gosto de Harry . Ele desejara muito regressar a Hogwarts , mas aquele mês em a Toca tinha sido o mais feliz de toda_a sua vida . Era difícil não invejar o Ron quando pensava em os Dursleys e em as boas-vindas que ia receber de a próxima vez que pusesse os pés em Privet_Drive . Em a última noite , Mrs._Weasley preparou um jantar magnífico , que incluía os pratos favoritos de Harry e terminava com um pudim de melaço de fazer crescer água em a boca . Fred e George alegraram a noite com uma exibição de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que saltaram de o tecto para as paredes , durante pelo_menos meia_hora . Depois , foi a altura de tomarem uma caneca de chocolate quente e irem para a cama . Em a manhã seguinte , demoraram muito_tempo a preparar se . Levantaram se com o cantar de o galo , mas parecia lhes que ainda tinham muito para fazer . Mrs._Weasley andava de um lado para o outro , mal-humorada , a a procura de meias e penas , chocavam uns com os outros em as escadas , meio vestidos , meio despidos , com pedaços de torrada em as mãos e Mr._Weasley quase partiu o nariz quando tropeçou em uma galinha a o atravessar o pátio , para meter em o carro a mala de Ginny . Harry não percebia lá muito bem_como é_que oito pessoas , seis grandes malas , duas corujas e um rato , iam caber em um pequeno * _ Ford_Anglia * , isso , claro , antes de as artes mágicas que Mr._Weasley acrescentara . - Nem uma palavra a a Molly - murmurou ele a o Harry , enquanto abria a bagageira e lhe mostrava como ela se expandira para que as malas coubessem facilmente . Quando , por fim , se acomodaram todos em o carro , Mrs._Weasley olhou para o banco de trás , onde Harry , Ron , Fred , George e Percy estavam confortavelmente sentados uns a o lado de os outros e disse : - Os Muggles têm mais conhecimentos do_que aqueles que nós lhes atribuímos , não achas ? - Ela e a Ginny entraram para o lugar de a frente , que fora esticado e parecia um banco de jardim . - Quer_dizer , de_fora ninguém diria que este carro era espaçoso , não acham ? Mr._Weasley pôs o motor a funcionar e saíram de o pátio , Harry voltando se para trás para ver por a última vez a casa . Mal teve tempo de se questionar se iria voltar alguma vez e já estavam de volta : George esquecera se de a caixa de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Cinco minutos mais tarde tiveram de interromper de_novo a viagem e voltar a o pátio para o Fred ir a correr buscar a vassoura . Estavam quase a chegar a a auto-estrada , quando Ginny guinchou que se esquecera de o diário . Mas estava a fazer se muito tarde e os ânimos começavam a exaltar se . Mr._Weasley olhou para o relógio e , em seguida , para a mulher . - Molly , querida ... - Não , Arthur . - Ninguém ia ver . Este botãozinho é um transformador de invisibilidade que eu instalei , levava nos por o ar , subíamos acima de as nuvens . Estaríamos lá em dez minutos e ninguém daria por nada ... - Eu disse que não , Arthur . Durante o dia , não . Chegaram a King's_Cross , faltava um quarto para as onze . Mr._Weasley precipitou se em busca de um carrinho de transporte para as malas e correram todos para a estação . Harry apanhara o Expresso_de_Hogwarts em o ano anterior . A parte mais difícil era entrar em a plataforma nove_e_três quartos , que não era visível a os olhos de os Muggles . Era preciso avançar para a barreira sólida que dividia as plataformas nove e dez . Não doía nada , mas tinha de ser feito com cuidado para que nenhum de os Muggles de esse , por o desaparecimento . - O Percy em primeiro lugar - declarou Mrs._Weasley , olhando nervosamente para o relógio lá em cima , que mostrava que tinham apenas cinco minutos para desaparecer através de a barreira . Percy avançou a passos largos e desapareceu . Mr._Weasley foi a seguir e depois de ele Fred e George . - Eu levo a Ginny e vocês vêm atrás_de nós - disse Mrs._Weasley a o Harry e a o Ron , agarrando Ginny pela mão e seguindo em frente . Em um abrir e fechar de olhos , tinham passado . - Vamos passar juntos , só temos um minuto - disse Ron a o Harry . Harry assegurou se de que a gaiola de a Hedwig estava bem fixa em cima de a sua mala e empurrou o carrinho de encontro a a barreira . Estava perfeitamente confiante , aquilo era muito mais fácil do_que usar o pó de Floo . Puseram os dois as mãos em o puxador de os carrinhos e avançaram direitos a a barreira , ganhando velocidade . A um metro e pouco , começaram a correr e ... CRASH . Os dois carros bateram em a barreira e foram impelidos para trás . A mala de o Ron caiu com um enorme estrépito . Harry desequilibrou se e a gaiola de a Hedwig foi parar a o chão brilhante , enquanto ela rolava guinchando , indignada . As pessoas em volta olhavam fixamente e um guarda que estava ali perto gritou : - Que diabo pensam vocês que estão a fazer ? - Perdemos o controlo de o carro de transporte - respondeu o Harry , respirando com dificuldade , agarrando se a as costelas , enquanto se punha de pé . Ron correu a agarrar a Hedwig , que estava a fazer uma cena tal , que já se ouviam murmúrios em a multidão sobre a crueldade para com os animais . - Porque é_que não conseguimos passar ? - perguntou Harry a o Ron em um sussurro . - Não sei . Ron olhou descontroladamente em volta . Uma_dúzia de curiosos estavam ainda a observá os . - Vamos perder o comboio - murmurou o Ron . - Não compreendo porque motivo a cancela se fechou . Harry olhou para o relógio gigantesco com um sentimento de náusea em a boca de o estômago . Dez segundos , nove segundos ... Dirigiu o carrinho de transporte para a frente com toda_a força . O metal manteve se sólido . Três segundos ... dois segundos ... um segundo ... - Partiu - afirmou o Ron , que parecia estonteado . - O comboio foi se embora . E se a mãe e o pai não conseguem voltar para aqui ? Tens algum dinheiro de Muggle ? Harry deu uma gargalhada . - Os Dursleys não me dão um tostão há mais de seis anos ! Ron encostou o ouvido a a barreira . - Não se ouve nada - disse , bastante tenso . - O que vamos nós fazer ? Não sei quanto tempo o pai e a mãe vão demorar . Olharam em volta . As pessoas ainda estavam a observá os , principalmente devido a os contínuos guinchos de a Hedwig . - Acho que o melhor é sairmos de aqui e esperamos por eles junto de o carro - disse Harry . - Aqui estamos a atrair demasiado as aten ... - Harry - disse o Ron , com os olhos a brilhar . - É isso , o carro . - O que é_que tem ? - Podemos voar nele até Hogwarts ! - Mas eu pensei ... - Estamos em apuros , certo ? E temos de chegar a a escola , ou não ? E mesmo os feiticeiros menores de idade estão autorizados a usar a magia em uma emergência real , parágrafo dezanove , ou não sei quê , de a Restrição de ... O sentimento de pânico de Harry transformou se em entusiasmo . - E tu sabes voar nele ? - Não há problema - disse o Ron , andando com o carrinho a a volta e dirigindo se para a saída . - Anda de aí . Se em os apressarmos , conseguiremos sair atrás de o Expresso_de_Hogwarts . E afastaram se de o grupo de Muggles curiosos , abandonando a estação e voltando a a rua , onde o velho * _ Ford_Anglia * se encontrava estacionado . Ron abriu a bagageira com uma série de toques de varinha . Meteram lá dentro as malas , puseram a Hedwig em o assento de trás e entraram para a frente . - Verifica se ninguém está a ver - disse o Ron , ligando a ignição com outro toque de varinha . Harry pôs a cabeça fora de a janela : o trânsito enchia a avenida principal , mas a rua de eles estava vazia . - O. _ K. - disse . Ron carregou em um pequeno botão de o painel . Os carros em volta desapareceram assim_como eles . Harry sentia o assento a vibrar debaixo_de si , ouvia o motor , sentia as mãos sobre os joelhos e os óculos em o nariz , mas , tanto quanto conseguia ver , tornara se um par de olhos redondos flutuando um metro e pouco acima de o chão em uma rua suja , cheia de carros estacionados . - Vamos - disse a voz de o Ron , vinda de o seu lado direito . O chão e os prédios escuros de ambos os lados desapareceram de o seu ângulo de visão , mal o carro se elevou . Em poucos segundos toda_a cidade de Londres , enevoada e resplandecente , estava por baixo de eles . Em seguida , ouviu se um ruído que parecia o saltar de uma rolha e o carro , Harry e Ron , reapareceram . - Oh , oh - disse Ron , batendo em o intensificador de invisibilidade . - Está avariado ... Começaram os dois a bater em o botão . O carro desapareceu . Depois surgiu de forma intermitente . - Aguenta aí - gritou o Ron e carregou com o pé em o acelerador . Saltaram direitinhos para o meio de as nuvens mais baixas e tudo ficou sujo e enevoado . - E agora ? - exclamou Harry , piscando os olhos a a sólida massa de nuvens que os comprimia de todos os lados . - Precisamos de avistar o comboio para sabermos qual a direcção a tomar - explicou o Ron . - Desce rapidamente ... Desceram por o meio de as nuvens e voltaram se em os lugares , espreitando . - Estou a vê o - gritou Harry . - Mesmo em frente , ali . O Expresso_de_Hogwarts deslocava se a grande velocidade lá em baixo , como uma serpente vermelha . - Para Norte - disse o Ron , verificando a bússola de o painel . - O. _ k . , basta que verifiquemos de meia em meia_hora . Aguenta aí ... - e arrancaram por o meio de as nuvens . Em o minuto seguinte , tinham chegado a a luz brilhante de o Sol . Era um mundo diferente . Os pneus de o carro deslizavam sobre o mar de nuvens macias , o céu era de um azul infinito sob a luz , capaz de cegar , que irradiava de o Sol . - Agora só temos de nos preocupar com os aviões - disse o Ron . Olharam um para o outro e desataram a rir . Durante muito_tempo não conseguiram parar . Era como_se tivessem mergulhado em um sonho fabuloso . Aquela , pensou Harry , era certamente a única maneira de viajar : passando por turbilhões e torres de nuvens cor de neve , em um carro cheio de calor , o sol radioso , com um grande pacote de rebuçados em o porta-luvas e antegozando o ar de inveja de o Fred e de o George quando aterrassem suavemente e de forma espectacular em o relvado macio em frente de o castelo de Hogwarts . Espreitaram várias vezes o comboio enquanto voavam cada_vez_mais para norte . Cada descida entre as nuvens dava lhes uma perspectiva diferente . Londres depressa ficou para trás , substituída por campos verdejantes que , por sua vez , deram lugar a grandes pântanos arroxeados , aldeias com pequenas igrejas de brinquedo e uma grande cidade , cheia de vida , com carros que pareciam formigas multicores . Várias horas mais tarde sem acontecer nada de_novo , Harry teve de admitir que uma parte de o entusiasmo se esgotara . Os rebuçados tinham nos deixado cheios de sede e não havia nada para beber . Ele e o Ron tinham tirado as camisolas , mas a * _ T-shirt * de o Harry estava colada a as costas de o assento e os óculos não paravam de lhe escorregar para a ponta de o nariz . Deixara de reparar em as fabulosas formas de as nuvens e pensava com saudade em o comboio , milhas abaixo de eles , onde se podia comprar sumo fresquinho de abóboras em um carro empurrado por uma bruxa gordinha . Porque não teriam conseguido entrar em a plataforma nove_e_três quartos ? - Não pode ser muito mais longe , pois não ? - resmungou o Ron , horas mais tarde quando o Sol começava a enfiar se em o seu chão de nuvens , pintando as de um rosa profundo . - Estás pronto para outra espreitadela a o comboio ? Ainda ia mesmo por baixo de eles , abrindo caminho por_entre uma montanha com o topo coberto de neve . Estava muito mais escuro entre o dossel de nuvens . Ron pôs o pé em o acelerador e levou os de_novo para_cima , mas em esse momento o motor começou a chiar . Harry e Ron trocaram entre si olhares nervosos . - Deve estar só cansado - disse o Ron . - Nunca tinha vindo tão longe ... - E fingiram ambos que não davam por o gemido que se ia tornando maior à_medida_que o céu serenamente escurecia . As estrelas desabrochavam em a escuridão , Harry voltou a enfiar a camisola de lã , tentando ignorar os limpa pára-brisas que acenavam debilmente como_que a protestar . - Não devemos estar longe - disse Ron , dirigindo se mais a o carro do_que a o amigo . - Já não devemos estar longe - deu umas palmadinhas nervosas em o * tablier * . Pouco depois , quando voltaram a voar em o meio de as nuvens , tiveram de olhar de lado em a escuridão , em busca de um ponto de referência que conhecessem . - Ali - gritou Harry , fazendo o Ron e a Hedwig darem um salto . - Mesmo em frente . Recortados em o horizonte negro , sobre o rochedo de o outro lado de o lago , erguiam se as torres e torreões de o castelo de Hogwarts . Mas o carro tinha começado a estremecer e perdia a os poucos velocidade . - Vá lá - disse o Ron , dando a o volante um pequeno abanão bajulador . - Estamos quase a chegar , vá lá ... O motor gemeu . Pequenos jactos de vapor de água brotaram de o capo . Harry deu consigo agarrado com toda_a força a os bordos de o assento enquanto voavam direitos a o lago . O carro deu um solavanco feio . Espreitando por a janela , Harry viu a superfície negra , macia e espelhada de a água cerca de uma milha abaixo de eles . Os dedos de o Ron agarrados a o volante tinham as articulações brancas . O carro deu um novo esticão . - Vá lá - murmurou o Ron . Estavam sobre o lago ... o castelo ficava mesmo em frente . Ron fez força com o pé . Houve um ruído surdo , uma crepitação e o motor morreu por completo . - Oh ! oh ! - gemeu Ron em o silêncio . O nariz de o carro voltou se para baixo . Estavam a cair , ganhando velocidade em direcção a os muros sólidos de o castelo . - Naaaaão ! - gritou o Ron , girando o volante . Escaparam a a muralha de pedra negra por centímetros , quando o carro fez um grande arco , planando primeiro sobre as estufas , depois sobre o rectângulo plantado com vegetais e , por fim , sobre os relvados , perdendo sempre velocidade . Ron largou o volante por completo e tirou a varinha de o bolso de trás . - __ pára ! __ pára ! - gritou , batendo em o * tablier * e em o pára-brisas , mas eles continuavam a mergulhar , o chão a voar em direcção a eles . - : __ cuidado com essa __ árvore ! ! ! - bramiu Harry , deitando a mão a o volante , mas ... tarde de mais ... CRUNCH . Com um ruído ensurdecedor de metal e madeira , bateram em o tronco espesso de a árvore e caíram em o chão com um forte solavanco . O vapor era um mar debaixo de o capo amachucado . A Hedwig tremia apavorada . Em a cabeça de Harry surgira um alto de o tamanho de uma bola de golfe , quando ele batera em o pára-brisas , tombando em seguida para a direita . Ron soltou um gemido longo e desesperado . - Estás O. _ K ? - perguntou Harry , aflito . - A minha varinha - disse o Ron em uma voz trémula . - Olha para a minha varinha . Tinha se partido praticamente em duas , a ponta balouçava mole , presa por meia_dúzia de esquírolas . Harry abriu a boca para dizer que em a escola com certeza conseguiriam consertá a , mas nem chegou a começar a frase . Em esse preciso momento , algo bateu em o seu lado de o carro , com a força de um touro , projectando o para_cima de o Ron , ao_mesmo_tempo que um golpe igualmente forte se sentiu em o capô . - O que está a acontec ... Ron arfou , olhando fixamente por o pára-brisas e Harry olhou em volta , mesmo a_tempo_de ver uma ramada espessa como uma píton vir contra o vidro . A árvore em que tinham batido estava a atacá os . O tronco dobrara se quase a meio e os seus galhos rugosos davam uma tareia a cada centímetro de o carro que conseguiam atingir . - Ah ! - praguejou o Ron , quando outra pernada retorcida esmurrou a sua porta , amolgando a . O pára-brisas tremia agora sob uma saraivada de golpes vindos de galhos que pareciam patas de animais e uma ramada espessa como um aríete esmagava furiosamente o capo , que parecia estar a ceder ... - Corre ! - gritou o Ron , lançando o seu peso contra a porta , mas , em o momento seguinte , tinha sido atirado para trás , para o colo de Harry por um soco maldoso , dado de baixo para_cima , por outro ramo . - Estamos feitos ! - resmungou , enquanto o tecto descaía . Mas , de repente , o chão de o carro estava a vibrar , o motor pegara . - Marcha atrás - gritou o Harry e o carro deu um salto para trás . A árvore tentava ainda agredis os , ouviam as raízes chiar , enquanto quase se partiam esticando se para os alcançar . - Escapámos por_pouco ! - exclamou o Ron . - Muito bem , carro . Mas o carro tinha atingido o limite de as suas forças . Com dois estalidos , as portas abriram se e Harry sentiu o seu assento inclinar se para o lado . Quando deu por si , estava estatelado em o chão húmido . Ruídos surdos avisaram o de que o carro estava a ejectar as malas de a bagageira . A gaiola de a Hedwig voou por os ares e abriu se . Ela saiu a voar com um pio furioso e dirigiu se a o castelo , sem sequer olhar para trás . Em seguida , o carro , amolgado , arranhado e a fumegar , arrancou em o escuro , com os faróis traseiros ardendo de fúria . - Volta aqui ! - gritou o Ron , brandindo a varinha partida . - O meu pai mata me . Mas o carro desapareceu a perder de vista , com um último estoiro de o tubo de escape . - Já viste bem o nosso azar ! ? - exclamou o Ron em o meio de a sua infelicidade , baixando se para apanhar o rato Scabbers . - De todas_as árvores em que podíamos ter batido , tínhamos de ir dar a uma que bate também . Olhou por cima de o ombro para a velha árvore que ainda agitava os ramos ameaçadoramente . - Vamos - disse Harry , fatigado . - É melhor irmos andando para a escola ... Não foi , de modo algum , a chegada triunfal que tinham imaginado . Constrangidos , cheios de frio e magoados , pegaram em as malas e começaram a arrastá as por o relvado acima , em direcção a as grandes portadas de carvalho . - Acho que o banquete já começou - disse o Ron , largando a mala em os degraus de a entrada e atravessando devagarinho para espreitar por uma janela iluminada . - Harry , anda ver , é a distribuição . Harry apressou se e os dois , ele e o Ron , espreitaram para o Salão_Nobre . Um número infindável de velas pairava em o ar , sobre quatro mesas enormes cheias de gente , fazendo brilhar os pratos dourados e as taças . Em cima , o tecto encantado que espelhava o céu lá de_fora , brilhava cheio de estrelas . Por_entre a floresta de chapéus pretos pontiagudos de Hogwarts , Harry viu uma longa fila de alunos de o primeiro ano com olhares assustados que enchia o vestíbulo . Ginny estava entre eles , facilmente reconhecível devido a o seu chamativo cabelo Weasley . Enquanto isso , a professora Mc_Gonagall , uma bruxa de óculos com cabelo castanho apanhado em um carrapito , colocava o famoso chapéu seleccionador em um banco que se encontrava em frente de os novos alunos . Todos os anos , aquele velho chapéu , remendado , puído e cheio de pó , seleccionava alunos para as quatro equipas de Hogwarts ( Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin ) . Harry lembrava se bem de o ter colocado em a cabeça , precisamente um ano antes , e ter esperado petrificado por a sua decisão , enquanto ele lhe murmurava a o ouvido . Durante alguns horríveis segundos receara que o chapéu o mandasse para os Slytherin , a equipa que produzia maior número de feiticeiros e feiticeiras de magia negra , mas acabara por ficar em os Gryffindor , juntamente com Ron e Hermione e o resto de os Weasley . Em o último período , Harry e Ron tinham ajudado os Gryffindor a vencer o campeonato de a equipa , batendo os Slytherin pela_primeira_vez em sete anos . Um rapazito baixinho com cabelo de rato acabava de ser chamado para pôr o chapéu em a cabeça . Os olhos de Harry saltavam de ele para o lugar onde o professor Dumbledore , o director , estava sentado , observando a selecção de a mesa de os professores , com a sua longa barba cor de prata e óculos de meia-lua que brilhavam a a luz de as velas . Alguns lugares a a frente , Harry viu Gilderoy_Lockhart com um manto verde-azulado . E lá bem a o fundo estava Hagrid , enorme e cabeludo , bebendo satisfeito de a sua taça . - Espera aí - murmurou a o Ron . - Há um lugar vazio em a mesa de os professores . Onde estará o Snape ? Severus_Snape era o professor de quem Harry menos gostava . Harry era também o seu aluno menos querido . Cruel , sarcástico e detestado por todos com excepção de os alunos de a sua própria equipa ( Slytherin ) , Snape tinha a seu cargo a cadeira de Poções . - Talvez esteja doente - sugeriu Ron , cheio de esperança . - Talvez se tenha ido embora - lembrou Harry . - Por não lhe terem dado outra_vez a Defesa contra as artes negras . - Ou talvez tenha sido corrido - propôs Ron com entusiasmo . - Afinal , toda_a_gente o detesta ... - Ou talvez - disse uma voz gelada atrás de eles - esteja a a espera que vocês lhe expliquem por_que motivo não vieram em o comboio de a escola . Harry deu uma volta . Em a sua frente , com o manto negro a ondular em uma brisa fria , estava Severus_Snape . O professor era um homem magro , de pele descorada , nariz adunco e um cabelo preto oleoso que lhe caía sobre os ombros . E em aquele momento sorria de um modo tal que Harry sentiu que tanto ele como Ron estavam em sérios apuros . - Sigam me - disse Snape . Sem ousarem sequer olhar um para o outro , Harry e Ron seguiram Snape por as escadas até a o amplo * hall * de entrada que estava iluminado por as chamas de os archotes . De o salão nobre vinha um cheirinho delicioso a comida , mas Snape levou os para longe de a luz e de o calor , em direcção a uma escada estreita de pedra que conduzia a os calabouços . - Entrem - ordenou , abrindo uma porta a meio de o corredor e apontando . Entraram a tremer em o escritório de Snape . As paredes sombrias estavam cobertas de prateleiras cheias de jarros de vidro grosso onde flutuavam as coisas mais diversas e repugnantes , cujo nome Harry não queria de momento conhecer . A lareira estava escura e vazia . Snape fechou a porta e voltou se de frente para eles . - Com que então - disse com falsa suavidade - o comboio não serve para o famoso Harry_Potter e o seu fiel companheiro Weasley . Queriam chegar em grande estilo , não era rapazes ? - Não senhor , foi a barreira em King's_Cross , ela ... - Silêncio - disse Snape friamente . -- _ o que fizeram a o carro ? Ron engoliu em seco . Aquela não era a primeira vez que Snape dava a Harry a impressão de ser capaz de ler pensamentos . Mas , pouco depois , compreendeu tudo quando Snape desenrolou o exemplar de o Profeta_Vespertino . - Vocês foram vistos - afirmou , mostrando lhes o cabeçalho : : __ ford anglia voador confunde __ muggles . Começou a ler alto a notícia . - Dois Muggles em Londres convenceram se de que tinham visto um carro velho a voar sobre a torre de os correios ... a a tardinha em Norfolk , Mrs._Hetty_Bayliss , enquanto pendurava a roupa ... Mr._Angus_Fleet_de_Peebles informou a polícia ... seis ou sete Muggles a o todo . Julgo que o teu pai trabalha em o departamento de mau uso dado a os objectos de os Muggles ? - disse olhando para Ron e sorrindo de uma forma ainda mais sarcástica . - Que peninha , o próprio filho ... Harry sentiu se como_se tivesse levado um soco em o estômago de uma de as maiores pernadas de a árvore louca . E se alguém descobrisse que Mr._Weasley tinha enfeitiçado o carro ? Ele ainda nem tinha pensado em isso . - Reparei durante a minha volta por o jardim que foi feito um estrago considerável em um salgueiro zurzidor extremamente valioso - continuou Snape . - Essa árvore fez nos pior a nós do_que nós ... - deixou escapar Ron . - Silêncio - interrompeu Snape , de_novo . - Infelizmente vocês não fazem parte de a minha equipa e a decisão de vos expulsar não está em as minhas mãos . Vou , por isso , buscar as pessoas que possuem essa feliz possibilidade . Esperem aqui . Harry e Ron olharam , pálidos , um para o outro . Harry perdera a fome . Sentia se agora extremamente agoniado . Tentava não olhar para uma coisa viscosa , suspensa em um líquido verde que estava em uma prateleira por detrás de a secretária de Snape . Se ele fora buscar a professora Mc_Gonagall , chefe de a equipa de os Gryffindor , não estavam muito melhor . Ela era mais justa do_que Snape , mas extremamente severa . Dez minutos mais tarde , Snape voltou e era , de facto , a professora Mc_Gonagall quem o acompanhava . Harry vira a professora Mc_Gonagall zangada , mas , ou se tinha esquecido de como a boca de ela ficava fina , ou nunca a vira tão zangada como em aquele dia . Levantou a varinha em o momento em que entrou . Harry e Ron estremeceram , mas ela limitou se a apontá a para a lareira onde as chamas se elevaram subitamente . - Sentem se - ordenou , e os dois recuaram para as cadeiras junto de o lume . - Expliquem se - disse com os óculos a brilhar de uma forma ameaçadora . Ron enveredou por a história começando por a barreira de a estação que se recusara a deixá os passar . - Por isso não tínhamos escolha , professora , não podíamos chegar a o comboio . - Porque não nos mandaram uma carta por a coruja ? Julgo que tens uma coruja ? - disse friamente a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a Harry . Harry olhou para ela sem saber o que dizer . - Parece me - continuou ela - que seria a coisa mais adequada . - Eu ... não pensei ... - Isso - disse a professora Mc_Gonagall - é bastante óbvio . Ouviu se bater a a porta de o escritório e Snape , que parecia agora mais feliz do_que nunca , foi abrir . Era o director , o professor Dumbledore . Harry ficou totalmente paralisado . Dumbledore tinha uma expressão grave . Olhou para eles de cima de o seu nariz adunco e Harry desejou estar ainda com Ron a levar uma sova de o salgueiro zurzidor . Fez se um longo silêncio . Em seguida , Dumbledore disse lhes : - Por favor , expliquem porque fizeram isto . Teria sido melhor se gritasse . Harry detestou sentir a decepção em a sua voz . Inexplicavelmente era incapaz de olhar Dumbledore em os olhos e falou em direcção a os seus joelhos . Disse lhe tudo excepto que o carro enfeitiçado pertencia a Mr._Weasley , dando a ideia de que ele e o Ron o tinham encontrado estacionado fora de a estação . Sabia que Dumbledore ia ver para_além de isso , mas o director não fez perguntas sobre o carro . Quando Harry terminou continuou a olhar para ele através de os seus óculos . - Nós vamos buscar as nossas coisas - disse Ron em um tom de voz sem esperança . - Que disparate é esse ? - rosnou a professora Mc_Gonagall . -- Então , vão expulsar nos , não vão ? - disse o Ron . Harry olhou rapidamente para Dumbledore . - Ainda não , Mr._Weasley - afirmou Dumbledore . - Mas vou assinalar a gravidade do_que vocês fizeram . Hoje a a noite escreverei a as vossas famílias . Estão também prevenidos que se voltarem a fazer uma coisa como esta não terei outro remédio senão expulsar vos . A expressão de Snape era como_se o Natal tivesse sido cancelado . Pigarreou e disse : - Professor_Dumbledore , estes rapazes infringiram o decreto para a restrição de a feitiçaria de os menores , causaram estragos consideráveis a uma árvore antiga e valiosa ... sem dúvida , actos de esta natureza ... - Cabe a a professora Mc_Gonagall decidir sobre os castigos de os rapazes , Severus - afirmou Dumbledore com toda_a calma . - Pertencem a a equipa de ela e são , portanto , de a sua responsabilidade . - Voltou se para a professora Mc_Gonagall . - Tenho de regressar a o banquete , Minerva , devo dar algumas informações . Venha Severus , há uma tarte de leite e ovos com um aspecto delicioso que quero mostrar lhe . Snape lançou um olhar de puro veneno a o Harry e a o Ron enquanto permitia que o afastassem de o seu escritório , deixando os a sós com a professora Mc_Gonagall que ainda os olhava como uma águia em fúria . - É melhor ires até a a ala hospitalar , Weasley , estás a sangrar . - Não é nada - disse Ron , limpando o corte com a manga para que ela o visse . - Professora , eu gostava de ver a minha irmã ser seleccionada . - A cerimónia de a selecção terminou - disse a professora Mc_Gonagall . - A tua irmã está também em os Gryffindor . - _ óptimo - exclamou Ron . - E por falar em os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall de forma cortante , mas Harry interrompeu a : - Professora , quando tirámos o carro , o ano escolar ainda não tinha começado , por isso os Gryffindor não deveriam perder pontos , pois não ? - terminou olhando a ansiosamente . A professora Mc_Gonagall lançou lhe um olhar penetrante , mas ele era capaz de jurar que ela quase tinha sorrido . Pelo_menos a boca não parecia tão fina . - Não vou tirar pontos a os Gryffindor - tranquilizou o . E o coração de Harry ficou mais leve . - Mas vocês os dois vão ter um castigo . Foi melhor do_que Harry imaginara . O facto de Dumbledore escrever a os Dursley não tinha a menor importância . Harry sabia perfeitamente que eles só lamentariam que o salgueiro zurzidor não o tivesse esmigalhado . A professora Mc_Gonagall ergueu a varinha de_novo apontou a a a secretária de Snape . Um grande prato de sanduíches , duas taças de prata e um jarro com sumo de abóbora gelado apareceram em menos_de um segundo . - Vocês vão comer aqui e , em seguida , vão direitinhos para o vosso dormitório - disse . - Eu também tenho de voltar para a festa . Mal a porta se fechou atrás de ela , Ron soltou baixinho um assobio . - Pensei que estávamos feitos - confessou , agarrando uma sanduíche . - Também eu - disse o Harry , orando também uma . - Mas já viste bem a nossa pouca sorte ? - insistiu o Ron com a boca cheia de frango e fiambre . - O Fred e o George voaram em aquele carro cinco ou seis vezes e nenhum Muggle os viu - engoliu outro pedaço enorme de a sanduíche . - Porque será que não conseguimos passar a barreira ? Harry encolheu os ombros . - Mas temos de ter muito cuidado a_partir_de agora - disse bebendo um grande trago de sumo de abóbora . - Que pena não termos podido ir a o banquete . - Ela não quis que nos exibíssemos - afirmou Ron com prudência . - Não vão as pessoas pensar que é uma boa chegar aqui de carro voador . Quando já tinham comido todas_as sanduíches que queriam ( o prato ia voltando a encher se sozinho ) , levantaram se e saíram de o escritório , seguindo o caminho que lhes era familiar , para a torre de os Gryffindor . O castelo estava em silêncio . Parecia que o banquete tinha acabado . Passaram por retratos murmurantes e armaduras que gemiam e subiram os degraus estreitos de pedra até que , por fim , chegaram a a passagem onde a entrada secreta para a torre de os Gryffindor se encontrava oculta por detrás de o quadro a óleo de uma dama gorda em um vestido cor-de-rosa . - A senha ? - perguntou ela mal os dois se aproximaram . - Er ... Eles ainda não tinham estado com o prefeito de os Gryffindor e por isso ainda não conheciam a senha para o novo ano , mas a ajuda não se fez esperar . Ouviram passos apressados atrás de eles e quando se voltaram viram Hermione que se aproximava . - Aí estão vocês . Onde é_que se meteram ? Correm os boatos mais ridículos , alguém disse que vocês tinham sido expulsos por espatifarem um carro voador . - Bem , expulsos não fomos - tranquilizou a Harry . - Não estás a dizer me que voaram até aqui ? - perguntou Hermione em um tom quase tão severo como a professora Mc_Gonagall . - Dispensa se o sermão - interrompeu Ron impacientemente . - E diz nos a nova senha de passagem . - É crista de pássaro - disse Hermione não contendo a impaciência . - Mas o mais importante não é isso ... Contudo as palavras de ela foram interrompidas ao_mesmo_tempo que o retrato de a dama gorda se abria e se ouvia uma tempestade de aplausos . A o que parecia a equipa de os Gryffindor estava ainda acordada , dentro de a sala comum em forma de círculo , junto de as mesas assimétricas e de os cadeirões moles a a espera que eles chegassem para , de braços estendidos através de o buraco de o retrato , puxarem Harry e Ron para dentro deixando Hermione para o fim . - Sensacional - gritou Lee_Jordan . - Inspirado ! Que entrada ! Voar em um carro e aterrar em o salgueiro zurzidor . Toda_a_gente vai falar de isto durante anos e anos . - Muito bem - disse um aluno de o quinto ano com quem Harry nunca tinha falado . Alguém dava lhe palmadas em as costas como_se ele acabasse de vencer a maratona . Fred e George abriram caminho por_entre a multidão e disseram ao_mesmo_tempo : - Por_que é_que não nos chamaram , hein ? - Ron estava vermelho como um pimentão , sorrindo envergonhado , mas Harry via perfeitamente uma pessoa que não estava nada contente . Percy elevava se acima de as cabeças de os excitados alunos de o primeiro ano e parecia estar a tentar aproximar se para os repreender . Harry deu uma cotovelada a o Ron e apontou em direcção a Percy . Ron percebeu de imediato . - Temos de ir para_cima , um_pouco cansados ! - explicou e os dois começaram a abrir caminho em direcção a a porta que ficava de o outro lado de a sala e que dava para a escada em espiral e para os dormitórios . - ` _ Noite - despediu se Harry_de_Hermione que tinha um ar tão carrancudo como Percy . Conseguiram chegar a o outro lado de a sala comum sempre a levarem palmadas em as costas e alcançaram o sossego de as escadas . Apressaram se a subir e , por fim , chegaram a a porta de o dormitório que tinha agora um letreiro a dizer « Segundos_Anos » . Entraram em o quarto circular , que conheciam tão bem , com as suas cinco camas de dossel adornadas de velado vermelho e as suas janelas altas e estreitas . As malas tinham sido trazidas para_cima e colocadas a os pés de as camas . Ron fez um sorriso culpado . - Sei que não devia ter gostado de aquilo , mas ... A porta de o dormitório abriu se e os outros rapazes de os Gryffindor entraram ; eram eles o Seamus_Finnigan , o Dean_Thomas e o Neville_Loogbottom . - Inacreditável - aplaudiu Seamus . - Incrível - aprovou o Dean . - Espantoso - exclamou o Neville , aterrado . Harry não pôde evitar também um sorriso . VI_Gilderoy_Lockhart_No dia seguinte , contudo , Harry não conseguiu sorrir . As coisas começaram a correr mal logo em o salão durante o pequeno-almoço . Debaixo de o tecto encantado ( em aquele dia triste e cinzento ) estavam as quatro grandes mesas de as equipas e sobre elas , terrinas de papa de aveia , pratos de arenque defumado , montanhas de torradas e pratadas de ovos com * bacon * . Harry e Ron sentaram se em a mesa de os Gryffindor , junto de Hermione que tinha o seu exemplar de * _ Viagens com Vampiros * totalmente aberto , encostado a um jarro de leite . Havia uma certa rigidez em a maneira como ela disse : - ` _ Dia - que mostrou a Harry que continuava a desaprovar o modo como tinham chegado a a escola . Por seu turno , Neville_Longbottom saudou os entusiasticamente . Neville era um rapazinho de cara redonda , muito dado a acidentes , com a pior memória que Harry tinha conhecido . - A entrega de correio deve estar a chegar , acho que a minha avó me vai mandar umas quantas coisas de que me esqueci ... Harry tinha começado a comer as papas de aveia , quando se ouviu um ruído tumultuoso em o ar e umas cem corujas entraram ao_mesmo_tempo , sobrevoando o salão e deixando cair cartas e pacotes em o meio de a multidão faladora . Um embrulho grande e rugoso caiu em a cabeça de Neville e , um segundo depois , uma coisa larga e cinzenta caiu em o jarro de a Hermione , enchendo os a todos de leite e penas . - Errol - gritou o Ron , puxando a coruja esfarrapada por as patas . Errol caíra inconsciente sobre a mesa com as pernas para o ar e um envelope vermelho húmido em o bico . - Oh , não ! - sobressaltou se Ron . - Ela está bem , ainda está viva - tranquilizou o Hermione , tocando suavemente em a Errol com a ponta de o dedo . - Não é isso , é ... aquilo . Ron apontava para o envelope vermelho . Parecera perfeitamente vulgar a Harry , mas Ron e Neville estavam ambos a observá o como_se esperassem que explodisse . - Qual é o problema ? - perguntou Harry . - Ela . Ela mandou me um * gritador * - disse Ron , quase sem voz . - É melhor abrires - aconselhou Neville em um murmúrio tímido - senão é pior . A minha avó uma_vez mandou me um que eu ignorei e ... - engoliu em seco - foi horrível . Harry olhava , ora para as suas caras , ora para o envelope vermelho . - O que é um * gritador * ? - perguntou . - Mas toda_a atenção de o Ron estava fixa em a carta que começara a fumegar por os cantos . - Abre a - intimou o Neville . - De aqui a poucos minutos já passou tudo . Ron estendeu uma mão trémula , retirou o envelope de o bico de a Errol e começou a abri o . Neville pôs os dedos em os ouvidos . Após uma fracção de segundo , Harry compreendeu porquê . Pensou em o primeiro momento que ela explodira . Um ruído ensurdecedor encheu o enorme salão , fazendo cair pó de o tecto . - ... : __ roubar o carro ! não me surpreendia nada se te expulsassem . espera só até te pôr as mãos em cima . será que não paraste para pensar em a nossa aflição quando vimos que o carro tinha __ desaparecido ... Os gritos de Mrs._Weasley , ampliados cem vezes em relação a o seu normal , fizeram os pratos e as colheres chocalhar em a mesa e ecoaram de forma ensurdecedora em as paredes de pedra . Vinha gente de todos os lados espreitar quem tinha recebido o * gritador * e Ron afundou se tanto em a cadeira que só se lhe via a testa carmesim . - ... : __ uma carta de o dumbledore ontem a a noite , o teu pai quase morria de vergonha . não foi esta a educação que te demos , tu e o harry podiam ter __ morrido ... Harry estava a ver quando é_que o seu nome viria a a baila . Tentou o melhor que pôde agir como_se não ouvisse a voz , mas aquilo estava a fazer com que os tímpanos lhe latejassem . - ... : __ profundamente decepcionada , o teu pai vai ter de se confrontar com um inquérito em o trabalho , tudo por tua culpa e , se pisas mais_uma_vez o risco , trago te para __ casa ! Seguiu se um silêncio ressonante . O envelope vermelho , que caíra de as mãos de o Ron , incendiou se e encaracolou se em cinzas . Harry e Ron estavam sentados de boca aberta , como_se uma onda gigante lhes tivesse passado por cima . Algumas pessoas riam e , a os poucos , o ruído de as conversas recomeçou . Hermione fechou o * _ Viagens com Vampiros * e olhou para o topo de a cabeça de Ron . - Bem , não sei o que esperavas , Ron , mas tu ... - Não me venhas dizer que mereci - interrompeu Ron . Harry afastou as papas de aveia . O estômago ardia lhe de culpa . Mr._Weasley tinha um inquérito em o trabalho , depois de tudo_o_que Mr. e Mrs._Weasley tinham feito por ele durante o Verão ... Mas não teve muito_tempo para se demorar em aqueles pensamentos . A professora Mc_Gonagall circulava em volta de as mesas de os Gryffindor distribuindo horários . Harry pegou em o seu e viu que começavam por ter Herbologia , juntamente com os Hufflepuff . Harry , Ron e Hermione saíram juntos de o castelo , atravessaram as hortas e chegaram a as estufas , onde estavam guardadas as plantas mágicas . O * gritador * tivera pelo_menos uma vantagem : Hermione parecia achar que já tinham sido suficientemente castigados e estava de_novo perfeitamente calorosa . Quando estavam a chegar a as estufas viram o resto de a classe de pé , cá fora , a a espera de a professora Sprout . Harry , Ron e Hermione tinham acabado de se lhes juntar quando a viram aproximar se a passos largos por o relvado , acompanhada de Gilderoy_Lockhart . A professora Sprout era uma bruxa pequenina e atarracada que usava um chapéu a os remendos sobre o cabelo solto . As roupas que vestia estavam sempre cheias de terra e as suas unhas fariam a tia Petúnia desmaiar . Gilderoy_Lockhart , pelo_contrário , tinha um ar imaculado em as suas vestes azul-turquesa , o cabelo doirado a brilhar debaixo_de um chapéu azul-turquesa , com uma fita dourada , perfeitamente posicionado sobre a cabeça . - Olá a todos ! - gritou Lockhart , dirigindo se a o grupo de estudantes . - Estive a mostrar a a professora Sprout a maneira correcta de tratar um salgueiro . Mas não quero que fiquem com a ideia de que sou melhor do_que ela em Herbologia . Acontece que encontrei várias de estas plantas exóticas , durante as minhas viagens .... - Estufa número três hoje , meninos ! - disse a professora Sprout que estava visivelmente descontente , bem diferente de a sua habitual natureza bem-disposta . Houve um murmúrio de interesse . Eles só tinham estado uma_vez em a terceira estufa , que era uma estufa que abrigava plantas bem mais interessantes e perigosas . A professora Sprout tirou uma enorme chave de o cinto e abriu a porta . Harry sentiu o bafo de a terra húmida com adubo misturado e o perfume forte de umas flores gigantescas , de o tamanho de guarda-chuvas , que estavam penduradas de o tecto . Ia seguir Ron e Hermione , quando a mão de o Lockhart o travou . -- Harry ! Tenho querido ter uma palavrinha contigo . Não se importa se ele chegar uns minutos atrasado , pois não , professora Sprout ? A julgar por a expressão carregada de a professora Sprout , importava se sim , mas Lockhart disse : - Então até já - e fechou a porta de a estufa em a cara de ela . - Harry ! - disse Lockhart , com os dentes brancos a brilharem a o sol , enquanto abanava a cabeça . - Harry , Harry , Harry ! Harry , totalmente perplexo , não disse uma palavra . - Quando ouvi dizer , bem , é claro que eu tive muita culpa , deviam castigar me também ... Harry não fazia ideia de que estava ele a falar , quando Lockhart prosseguiu : - Nunca me lembro de ficar tão chocado . Fazer voar um automóvel até Hogwarts ! Bem , é claro que eu percebi logo porque o fizeste . Foi um destaque em grande . Harry , Harry , Harry ! Era notável como ele conseguia mostrar todos aqueles dentes brilhantes , mesmo quando não estava a falar . - Criei te o gosto por a publicidade , não foi ? - perguntou Lockhart . - Passei te o bichinho . Apareceste comigo em a primeira página e não podias esperar para aparecer outra_vez ... - Oh , não , professor , sabe é_que ... - Harry , Harry , Harry - disse Lockhart aproximando se e tocando lhe em o ombro . - * _ Eu compreendo * . É natural querer um_pouco mais quando se lhe tomou o gosto , e eu culpo me por te ter dado esse conhecimento , porque era natural que te subisse a a cabeça , mas vê uma coisa , rapazinho , tu não podes começar a fazer voar carros para tentares ser notícia . Tens de acalmar , está bem ? Tens muito_tempo quando fores mais velho . Sim , sim , eu sei o que estás a pensar ! É fácil para ele falar assim , já é um feiticeiro internacionalmente famoso ! Mas quando eu tinha doze anos era tão zé-ninguém como tu és hoje . Em a verdade , era ainda mais . De ti , já meia_dúzia de pessoas ouviram falar , não é ? Toda aquela história com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . - Olhou para a cicatriz luminosa em a testa de Harry . - Eu sei , eu sei , não é o mesmo_que vencer o Prémio de o sorriso de o feiticeiro de a semana cinco vezes seguidas , como eu venci , mas é um começo , Harry , é um começo . Lançou lhe uma piscadela de olhos cordial e foi se embora . Harry ficou atarantado durante alguns segundos . Depois , lembrando se que deveria estar em a estufa , abriu a porta e esgueirou se lá para dentro . A professora Sprout estava de pé , por_detrás_de uma espécie de mesa em o meio de a estufa . Em cima de a mesa estavam cerca de vinte pares de abafo de ouvidos de diferentes cores . Quando Harry estava já em o seu lugar , entre Ron e Hermione , ela disse : - Hoje vamos transplantar Mandrágoras . Muito bem , quem sabe dizer me as propriedades de a Mandrágora ? Não foi surpresa para ninguém que a mão de a Hermione fosse a primeira em o ar . - A Mandrágora tem um efeito reparador muito poderoso - disse Hermione , com o ar mais normal de este mundo , como_se tivesse engolido o livro de texto . - É usada para fazer voltar as pessoas , que foram transfiguradas ou amaldiçoadas , a o seu estado original . - Excelente . Dez pontos para os Gryffindor ! - exclamou a professora Sprout . - A Mandrágora é parte integrante de a maior parte de os antídotos , mas também é perigosa . Quem sabe dizer me porquê ? A mão de Hermione por_pouco não bateu em os óculos de Harry , quando se ergueu de_novo . - O grito de a Mandrágora é fatal para quem o ouve - disse prontamente . - Precisamente . Dou lhe mais dez pontos - disse a professora Sprout . - Agora vejamos , as Mandrágoras que aqui temos são ainda muito jovens . Enquanto falava , apontou para uma fila de tabuleiros com uma certa profundidade e todos se chegaram a a frente para ver melhor . Cerca de uma centena de plantinhas tufosas de um verde arroxeado cresciam em filas . Pareceram perfeitamente vulgares a Harry , que não fazia a menor ideia do_que Hermione queria dizer com o * grito * de a Mandrágora . - Cada_um de vocês pode tirar um par de abafo de ouvidos - disse a professora Sprout . Houve uma competição renhida porque ninguém queria os cor-de-rosa , cheios de penugem . - Quando eu vos disser para os colocar , assegurem se de que os vossos ouvidos estão completamente tapados - disse a professora Sprout . - Logo_que seja seguro retirá os , eu levanto os dedos . Certo , pôr os abafos de os ouvido . Harry pôs imediatamente os abafos em os ouvidos . Eles fecharam completamente o som . A professora Sprout colocou também um par de abafos cor-de-rosa com penugem em os de ela , arregaçou as mangas de a túnica , agarrou uma de as plantas tufosas e puxou com toda_a força . Harry soltou um grito de surpresa que ninguém ouviu . Em_vez_de raízes , um bebé pequenino , enlameado e extremamente feio , saiu de a terra . As folhas cresciam lhe em o alto de a cabeça , tinha uma pele pintalgada de um pálido esverdeado e estava nitidamente a berrar a plenos pulmões . A professora Sprout tirou debaixo de a mesa um grande vaso de plantas e mergulhou lá dentro a Mandrágora , enterrando a em a mistura escura e húmida , até que só as folhas ficassem visíveis . Em seguida , limpou a terra de as mãos , levantou os dedos e todos eles retiraram os abafos de os ouvidos . - Como as nossas Mandrágoras são muito novas , os seus gritos ainda não matam - disse ela com grande calma , como_se tivesse feito algo tão normal como regar uma begónia . - Contudo , podem pôr vos a dormir durante várias horas e , como com certeza nenhum de vocês quer perder o primeiro dia de aulas , vejam se os abafos estão bem colocados enquanto trabalham . Eu chamarei vos a atenção quando for altura de os retirar . - Quatro em cada fila , há aqui uma grande quantidade de vasos , a mistura de terra está em os sacos ali a o fundo e tenham cuidado com a * _ Venomous_Tentacula * , estão a nascer lhe os dentes . Enquanto falava , deu uma pancada seca a uma planta vermelha escura cheia de pontas eriçadas , fazendo a encolher as longas antenas que tinham estado a avançar lenta e dissimuladamente sobre o seu ombro . A Harry , Ron e Hermione veio juntar se em a fila um rapaz de cabelo encaracolado de os Hufflepuff que Harry conhecia de vista , mas com quem nunca tinha falado . - Justin_Finch - _ Fletchey - disse ele com vivacidade , apertando a mão de o Harry . - Conheço te , claro , o famoso Harry_Potter ... e tu és a Hermione_Granger , sempre a primeira em tudo ( Hermione brilhou em um sorriso , como_se ele lhe tivesse apertado a mão ) e Ron_Weasley . Não era teu o carro voador ? Ron não sorriu . Não lhe saía de a cabeça o * gritador * . - Aquele Lockhart é o_máximo , não acham ? - disse Justin satisfeito , enquanto começavam a encher os vasos com composto de adubo de dragão . - Terrivelmente corajoso . Leram os livros de ele ? Eu teria morrido de medo se um lobisomem me tivesse encurralado em uma cabina telefónica , mas ele manteve se calmo e ... zap ... fantástico ! « Eu estava inscrito em Eton , sabem , não imaginam como estou feliz de ter vindo antes para aqui . É claro que a minha mãe ficou um_pouco desiludida , mas depois de lhe ter dado os livros de Lockhart a ler , tenho a impressão de que ela começou a ver a utilidade de ter um feiticeiro bem treinado em a família ... Depois de isso , não tiveram grandes oportunidades para conversar . Voltaram a pôr os abafos de ouvidos e era preciso concentrarem se em as Mandrágoras . A professora Sprout fizera as coisas parecerem extremamente simples , mas não eram . As Mandrágoras não gostavam de sair de a terra mas também não pareciam querer voltar para lá . Elas contorceram se , deram pontapés , agitaram as mãozinhas finas e rangeram os dentes . Harry levou dez minutos inteirinhos a tentar meter uma Mandrágora particularmente gorda dentro_de um vaso . Em o final de a aula , Harry , como todos os outros , estava a suar , cheio de dores e coberto de terra . Regressaram a o castelo a pé para um banho rápido e , em seguida , os Gryffindor apressaram se para assistir a a aula de transfiguração . As aulas de a professora Mc_Gonagall eram sempre complicadas , mas a de aquele dia era particularmente difícil . Tudo_o_que o Harry aprendera em o ano anterior parecia ter se lhe apagado de a memória durante o Verão . Ele deveria ser capaz de transformar uma barata em um botão , mas , tudo_o_que conseguiu foi fazer a barata praticar um imenso exercício , enquanto corria apressadamente por o tampo de a secretária evitando a varinha . Ron estava a debater se com problemas bastante piores . Tinha atado a varinha com uma fita mágica , mas parecia que não havia reparação possível . Não parava de crepitar e lançar faíscas em os momentos mais estranhos e , sempre_que Ron tentava transfigurar a barata , via se envolvido em um fumo cinzento espesso que cheirava a ovos podres . Incapaz de ver o que estava a fazer , o Ron esmagou , por engano , a barata com o cotovelo e teve de ir pedir que lhe dessem outra , o que deixou a professora Mc_Gonagall muito pouco satisfeita . Harry ficou aliviado quando ouviu tocar a campainha para o almoço . Sentia a cabeça como uma esponja espremida . Todos os alunos saíram em fila de a aula excepto ele e Ron que dava furiosas varadas em a secretária . - Coisa estúpida e inútil . - Escreve a os teus pais a pedir outra - sugeriu Harry , enquanto a varinha disparava com estrondo um foguete explosivo . - Ah pois , e receber outro * gritador * em a volta de o correio - respondeu Ron , metendo a varinha que já assobiava , dentro de o saco . - * _ A culpa é toda tua se a varinha está estragada * ... Desceram para o almoço e aí a disposição de o Ron não iria melhorar com Hermione a mostrar lhe uma mão-cheia de botões de casaco , perfeitinhos , que produzira em a transfiguração . - O que temos esta tarde ? - quis saber Harry , mudando rapidamente de assunto . - Defesa contra as artes negras - disse Hermione , sem perder tempo . - Porque é_que tu ... - perguntou Ron , pegando em o horário de ela - desenhaste corações em volta de as aulas de o Lockhart ? Hermione arrancou lhe o horário de as mãos , corando furiosa . Acabaram de almoçar e foram para o pátio carregado de nuvens . Hermione sentou se em um degrau de pedra e enfiou de_novo o nariz em as * _ Viagens com Vampiros * . Harry e Ron ficaram a falar de Quidditch durante alguns minutos antes de Harry se aperceber de que estava a ser observado de perto . Olhando para_cima viu o rapazinho pequenino com cabelo de rato que ele vira experimentar o chapéu seleccionador em a noite anterior , olhando para ele com uma expressão petrificada . Estava agarrado a o que parecia ser uma vulgar máquina fotográfica de os Muggles e , em o momento em que Harry olhou para ele , ficou todo vermelho . - Tudo bem , Harry ? Eu sou Colin_Creevey - disse , faltando lhe o ar e adiantando se a qualquer pergunta . - Estou em os Gryffindor também . Não te importavas que eu tirasse uma fotografia ? - perguntou , levantando a máquina cheio de expectativa . - Uma fotografia ? - repetiu Harry , inexpressivo . - Para eu provar que te conheci - disse Colin_Creevey cheio de ansiedade , continuando : - Eu sei tudo a teu respeito . Toda_a_gente me tem contado como sobreviveste quando O_Quem nós sabemos tentou matar te , como ele desapareceu depois de isso e como ficaste com a cicatriz em forma de relâmpago em a testa ( os seus olhos procuraram a linha de cabelo de Harry ) e um rapaz de o meu dormitório disse que se eu revelasse o filme em a posição certa ele mexia . - Colin respirou fundo , estremecendo de excitação e disse : - Isto_é fantástico , aqui , não achas ? Eu não sabia que todas_as coisas estranhas que fazia eram magia até a o dia em que recebi uma carta de Hogwarts . O meu pai é leiteiro . Também ele não queria acreditar . Por isso estou a tirar montes de fotografias para lhe mandar e era mesmo bom se tivesse uma tua - parecia implorar . - Talvez o teu amigo pudesse tirá a e assim eu ficava a o teu lado . E depois , podias assiná a ? - Assinar fotografias ? Estás a dar fotos autografadas , Potter ? Alta e mordaz , a voz de Draco_Malfoy ecoou em o pátio . Estava parado mesmo atrás_de Colin , ladeado , como sempre andava em Hogwarts , por os seus fortes guarda-costas Crabbe e Goyle . - Ei gente , façam bicha - gritou Malfoy a a multidão . - Harry_Potter está a dar fotos autografadas ! - Não estou coisa nenhuma - disse Harry , zangado , com os punhos em o ar . - Cala a boca , Malfoy . - Tu tens é inveja - começou a dizer Colin , cujo corpo era de o tamanho de o pescoço de Crabbe . - Inveja - repetiu Malfoy que não precisava de gritar mais , metade de o pátio estava a ouvi o . - De quê ? Não preciso de uma cicatriz em a cabeça , muito obrigado . Não acho que ter um corte em a testa torne alguém especial . Crabbe e Goyle riram estupidamente - Vai pastar caracóis , Malfoy - disse o Ron furioso . Crabbe parou de rir e começou a esfregar os nós de os dedos enormes de uma forma ameaçadora . - Tem cuidado , Weasley - escarneceu Malfoy . - Com certeza não queres começar uma rixa ou a tua mãezinha tem de vir cá para te tirar de a escola - e com uma voz aguda e penetrante : - * _ Se voltas a pisar o risco * ... Um grupo de alunos de o quinto ano de os Slytherin que estava ali perto , riu se bastante alto . - O Weasley gostaria de ter uma foto tua autografada , Potter - escarneceu de_novo Malfoy . - Era capaz de valer mais do_que a casa onde ele mora com a família . Ron sacou de a sua varinha amarrada com fita , mas Hermione fechou as * Viagens com Vampiros * com um estrondo e avisou : - Atenção . - O que é isto , o que é isto ? - Gilderoy_Lockhart aproximava se com o seu manto azul-turquesa girando em torvelinho atrás de ele . - Quem está a dar fotos autografadas ? Harry ia começar a explicar , mas foi interrompido quando Lockhart lhe pôs jovialmente o braço em cima de os ombros . - Mas que pergunta a minha ! Cá estamos nós de_novo , Harry ! Preso ao_lado_de Lockhart e a arder de humilhação , Harry viu Malfoy deslizar com o seu sorriso desdenhoso por o meio de a multidão . - Vamos lá então , Mr._Creevey - disse Lockhart , dirigindo se a Colin . - Uma foto dupla , já viu a sua sorte ? E assinamos a os dois para si . Colin ajustou a máquina e tirou a fotografia em o preciso momento em que a campainha tocava para as aulas de a tarde . - Está em a hora , todos para dentro - gritou Lockhart a a multidão e regressou a o castelo levando a o seu lado o Harry que só lamentava não conhecer um feitiço que o fizesse desaparecer . - Uma palavra só , Harry - disse Lockhart paternalmente , enquanto entravam em o edifício por uma porta lateral . - Eu ajudei te há bocado com o jovem Creevey porque se ele estivesse a fotografar me também a mim os teus colegas não reparariam tanto que estavas a exibir te ... Indiferente a a gaguez de Harry , Lockhart arrastou o para um corredor ladeado de alunos que os olhavam espantados e subiram uma escada . - Deixa me só dizer te uma coisa : dar fotografias autografadas em esta fase de a tua carreira , francamente , não é sensato , Harry , parece um_pouco megalómano . Pode ser que um dia mais tarde , tal_como eu , sejas obrigado a assinar para multidões onde quer que vás , mas - fez uma pequena pausa - não me parece que seja o caso , por enquanto . Tinham chegado a a aula de Lockhart e ele largou finalmente o Harry que sacudiu a túnica e foi sentar se em um lugar bem lá atrás onde começou por empilhar os livros de Lockhart a a sua frente para evitar olhar para a criatura . O resto de a aula entrou ruidosamente e Ron e Hermione foram sentar se um de cada lado de Harry . - Tu estavas vermelho como um pimentão - disse o Ron . - Reza para que o Creevey não se torne amigo de a Ginny senão bem podem criar o clube de * fans * de Harry_Potter . - Cala a boca - interrompeu Harry . A última coisa que desejava era que o Lockhart ouvisse a expressão « clube de * fans * de Harry_Potter « . Quando todos estavam em os seus lugares , Lockhart pigarreou alto e fez se silêncio . Ele inclinou se para a frente , pegou em o exemplar de Neville_Longbottom de * _ viagens com Duendes * e levantou o para mostrar a sua fotografia a piscar os olhos em a capa . - Eu - disse apontando para a fotografia e piscando também os olhos - Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , terceiro ano , membro honorário de a Liga_de_Defesa contra as artes negras e cinco vezes vencedor de o prémio de o * _ Feiticeiro de a semana * por o sorriso mais charmoso . Mas não vamos falar de isso , não venci a fada carpideira de Bandon a sorrir para ela ! Esperou que eles se rissem . Alguns alunos sorriram timidamente . - Já vi que todos vocês compraram a minha obra completa . Muito bem . Pensei começar hoje com um pequeno interrogatório escrito . Nada de complicado , só para perceber se leram bem os meus livros e o que apreenderam ... Depois de distribuir as folhas de teste voltou se para os alunos e disse : - Têm trinta minutos . Comecem já . Harry olhou para o papel e leu : *1 . Qual é a cor preferida de Gilderoy_Lockhart ? *2 . Qual é a ambição secreta de Gilderoy_Lockhart ? *3 . Qual é , em a sua opinião , a maior realização de Gilderoy_Lockhart até a o momento ? * E_por_aí adiante , ao_longo_de três páginas , terminando com : *54 . Qual é o dia de aniversário de Gilderoy_Lockhart e qual seria o seu presente preferido ? * Meia_hora mais tarde , Lockhart recolheu os pontos e folhou os rapidamente em frente de os alunos . - Tut , tut , quase ninguém se lembrou que a minha cor preferida é o lilás . Eu digo o em * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves * . Alguns precisam de voltar a ler com mais cuidado * Fim-de - _ Semana com Um Lobisomem * . Eu afirmo claramente em o décimo segundo capítulo que o meu presente de aniversário preferido seria a harmonia entre todos os seres , mágicos e não mágicos , embora não me importasse de receber uma garrafa grande de * whisky * velho de a Ogden's_Old_Firewhisky . Piscou lhes o olho de_novo . Ron olhava para Lockhart com uma expressão de incredulidade em o rosto . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas que estavam sentados a a frente tremiam de tanto conter o riso . Hermione , contudo , ouvia Lockhart com extrema atenção e deu um salto quando ouviu o seu nome . - Mas Miss_Hermione_Granger sabia que a minha ambição secreta era libertar o mundo de o mal e pôr a a venda a minha gama de poções de tratamento de o cabelo . Muito bem - voltou o papel . - Nota máxima ! Onde está Miss_Hermione_Granger ? Hermione ergueu uma mão trémula . - Excelente - bradou Lockhart , exultante . - Leva dez pontos para os Gryffindor . E vamos a o trabalho . Baixou se atrás de a secretária e pegou em uma grande gaiola coberta . - Ficam desde_já a saber , a minha função é preparar vos contra as criaturas mais malignas que a feitiçaria conhece . Vocês podem ter que enfrentar os maiores medos em esta sala . Saibam que nenhum mal vos sucederá comigo aqui . Só vos peço que se mantenham calmos . Ultrapassando os seus sentimentos , Harry espreitou através de a pilha de livros para ver melhor a gaiola . Lockhart colocou uma mão em a tampa . Dean e Seamus tinham deixado de se rir . Neville estava agachado em o seu lugar de a fila de a frente . - Vou pedir vos que não façam barulho - disse Lockhart em voz baixa . - Podem assustá os . Enquanto a aula inteira continha a respiração , Lockhart tirou a cobertura . - Sim - disse em um tom dramático . - Duendes_da_Cornualha recém-capturados . Seamus_Finnigan não conseguiu controlar se . Soltou uma gargalhada que nem Lockhart poderia confundir com um grito de terror . - Sim ? - sorriu a Seamus . - Bem , eles não são , não são perigosos , pois não ? - perguntou a rir . -- Não tenhas tanta certeza de isso - afirmou Lockhart , aborrecido , abanando um dedo , em direcção a Seamus . - Podem ser maçadores e muito traiçoeiros . Os duendes eram de um azul-eléctrico e tinham cerca de vinte centímetros de altura com feições angulosas e umas vozes tão estridentes que era como ouvir uma discussão entre araras . Logo_que o pano foi retirado , começaram a fazer uma enorme algazarra , a andar de um lado para o outro , batendo em as grades e fazendo caretas a as pessoas que estavam mais perto . - Muito bem - disse Lockhart em voz alta . - Vamos então ver o que vocês conseguem fazer de eles - e abriu a gaiola . Foi um pandemónio . Os duendes dispararam em todas_as direcções como foguetes . Dois de eles agarraram o Neville por as orelhas e levantaram o a o ar . Vários outros foram direitos a a janela , fazendo chover vidros partidos até a a fila de trás . Os restantes decidiram destruir a sala com maior eficácia do_que um rinoceronte em fúria . Agarraram em os tinteiros e salpicaram tudo em volta , rasgaram a os bocados livros e papéis , arrancaram os quadros de as paredes , levantaram a o ar a gaiola vazia , agarraram livros e sacos e lançaram nos por a janela de vidros estilhaçados . Em poucos minutos , metade de a aula estava abrigada debaixo de as secretárias e o Neville pendurado em o candelabro de o tecto . - Vamos lá , agarrem nos , agarrem nos , são apenas duendes ... - gritava Lockhart . Arregaçou as mangas , bramiu a varinha e pronunciou * Peshipiksi_Pesternomi ! * As palavras não tiveram o menor efeito . Um de os duendes pegou em a varinha de Lockhart e atirou a também por a janela fora . Lockhart engoliu em seco e mergulhou debaixo de a secretária , não sendo , por um triz , esmagado por o Neville que caiu um segundo depois , quando o candelabro cedeu . A campainha tocou e houve uma louca precipitação para a porta . Em a calma relativa que se seguiu , Lockhart endireitou se , olhou para Harry , Ron e Hermione que estavam quase a chegar a a porta e disse : - Bem , vou pedir vos a os três que prendam o resto de os duendes em a gaiola - passou por eles e fechou rapidamente a porta atrás_de si . - Isto dá para acreditar ? - resmungou o Ron , enquanto um de os duendes lhe mordia com toda_a força uma de as orelhas . - Ele só quer dar nos uma ajuda , permitindo nos ganhar experiência - justificou Hermione , imobilizando dois duendes de uma_vez com um encantamento de paralisação e metendo os de_novo em a gaiola . - Experiência ? - disse Harry , tentando agarrar um duende que dançava com a língua de_fora . - Hermione , ele não sabia nada do_que estava a fazer . - Disparate - retorquiu Hermione . - Leste os livros de ele . Vê só as coisas que ele já fez ! - Que diz que fez - resmungou o Ron . VII_Sangue de lama e murmúrios Harry passou imenso tempo , em os dias que se seguiram , a fugir sempre_que via Gilderoy_Lockhart aproximar se em o corredor . Mais difícil de evitar era Colin_Creevey que parecia ter decorado o horário de Harry . Parecia que nada o emocionava mais do_que dizer : - Tudo bem , Harry ? - seis ou sete vezes por dia e ouvir : - Olá , Colin - por mais exasperado que Harry estivesse quando lhe respondia . A Hedwig ainda estava zangada com Harry por causa de a desastrosa viagem de automóvel e a varinha de o Ron continuava a não funcionar , tendo ultrapassado tudo em a sexta-feira de manhã quando lhe saltou de as mãos em a aula de encantamentos e foi agredir o velho e baixinho professor Flitwick mesmo entre os olhos , deixando uma enorme bolha latejante em o sítio onde tinha batido . Por tudo_isso Harry via chegar , com satisfação , o fim_de_semana Planeava ir em o Sábado de anhã , com Ron e Hermione visitar o Hagrid . Mas foi acordado várias horas mais cedo do_que desejaria por Oliver ood , treinador de a equipa de Quidditch_dos_Gryffindor . - _ o que é_que se passa ? - perguntou Harry , enrolando as palavras . - Treino_de_Quidditch - disse Wood . - Vamos embora . Harry lançou um olhar de esguelha a a janela . Uma neblina fina pairava em o céu rosa e dourado . Agora_que estava acordado não percebia como pudera dormir com a algazarra que os pássaros faziam . - Oliver resmungou Harry . - É de madrugada . - Exacto - respondeu Wood . Era um rapaz alto e corpulento de o sexto ano e em aquele momento os olhos brilhavam lhe loucamente de entusiasmo . - Faz parte de o nosso novo programa de treinos . Anda lá , vai buscar a vassoura e vamos embora - insistiu Wood empenhado . - Nenhuma de as outras equipas começou ainda a treinar . Vamos ser os primeiros este ano ... A bocejar e a tremer um_pouco , Harry saltou de a cama e tentou descobrir as suas túnicas de Quidditch . - Bem , encontramo nos em o campo , dentro_de quinze minutos . Depois de descobrir a sua roupa escarlate de equipa e pôr o manto por cima para se aquecer , Harry escreveu a o Ron um bilhete a explicar onde tinha ido e desceu por a escada de espiral para a sala comum com a sua Nimbos dois inil a o ombro . Tinha acabado de chegar junto de o buraco de o retrato quando ouviu um barulho atrás_de si e viu Colin_Creevey descer a escada de espiral com a máquina fotográfica pendurada a o pescoço a balouçar como louca e uma coisa em a mão . - Ouvi alguém chamar o teu nome em as escadas , Harry olha o que tenho aqui . Revelei a e queria mostrar te . Harry olhou assombrado para a fotografia que Colin lhe espetava em frente de o nariz . Um Lockhart a preto e branco movia se , puxando com toda_a força um braço que Harry reconheceu como sendo o seu . Ficou satisfeito a o constatar que estava a resistir bastante bem , recusando se a ser trazido para a vista de todos . Enquanto Harry observava , Lockhart desistiu e desinteressou se de lutar contra a parte branca de a fotografia . - Assinas para mim ? - pediu Colin entusiasmado . - Não - respondeu secamente Harry , olhando em volta para verificar se o caminho estava livre . - Desculpa_Colin , mas estou cheio de pressa , treino de Quidditch . Passou por o buraco de o retrato . - Oh Uau ! Espera por mim . Eu nunca vi um jogo de Quidditch . Colin trepou por o buraco de o retrato atrás de ele . - Vai ser uma chatice para ti - disse Harry rapidamente , mas Colin ignorou o comentário . Todo o seu rosto brilhava de satisfação . - Tu foste o jogador mais novo de a equipa em cem anos , não foste Harry ? Não foste ? - perguntava Colin , trotando para o acompanhar . - Deve ser fantástico . Eu nunca voei . É fácil ? Essa vassoura é a tua ? É a melhor que há ? Harry não sabia como ver se livre de ele . Era como ter uma sombra que não se calava . - Eu não percebo nada de Quidditch - disse Colin , já sem fôlego . - É verdade que há quatro bolas ? E que duas anda n a voar , tentando fazer os jogadores caírem de as vassouras ? - Sim - disse Harry lentamente , resignado com o ter de lhe explicar as complicadas regras de o Quidditch . - São as * bludgers * . Há dois * beaters * em cada equipa que têm bastões para bater em as * bludgers * e lançá as para o outro lado . O Fred e o George_Weasley são os * beaters * de os Gryffindor . - E para que servem as outras bolas ? - perguntou Colin , saltando uma série de degraus porque ia a olhar para o Harry de boca aberta . - Bem , a * quaffle * , que é a vermelha grandalhona , é a que marca os golos . Três * chasers * em cada equipa lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam fazes a entrar em as balizas que ficam em o extremo de o campo onde há três grandes postes com argolas em as pontas . - E a quarta bola ? - A * snitch * dourada - explicou Harry . - É muito pequenina e veloz e extremamente difícil de agarrar . Mas é isso que o * seeker * tem de fazer , porque o jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * for agarrada . E o * seeker * que conseguir agarrá a ganha para a sua equipa mais cento_e_cinquenta pontos . - E tu és o * seeker * de os Gryffindor , não és ? - perguntou Colin respeitosamente . - Sim - disse Harry enquanto saíam de o castelo e começavam a atravessar o relvado . - E há também o * keeper * que toma conta de os postes . É isto . Mas Colin não parou de fazer perguntas desde os relvados macios até a o campo de Quidditch e Harry só se viu livre de ele quando chegaram a os vestiários . Colin gritou em uma voz aguda : - Eu vou arranjar um lugar , Harry - e apressou se em direcção a as bancadas . O resto de a equipa de os Gryffindor já se encontrava em os vestiários . Wood era o único que tinha aspecto de estar bem acordado . Fred e George_Weasley estavam sentados com olhos de sono e cabelos desgrenhados junto de Alicia_Spinnet de o quarto ano que parecia inclinar se contra a parede que tinha atrás_de si . Os seus companheiros * chasers * , Katie_Bell e Angelina_Johnson bocejavam em frente de ela . - Até que enfim , Harry , porque é_que demoraste tanto ? - perguntou Wood cheio de actividade . - Eu queria ter uma pequena conversa convosco antes de entrarmos propriamente em campo porque passei o Verão a conjecturar um novo programa de treinos que acredito vai estabelecer grandes mudanças . Wood tinha em as mãos um grande mapa de um campo de Quidditch onde estavam desenhadas muitas linhas , setas e cruzes a tinta de várias cores . Pegou em a varinha , bateu com ela em o quadro e as setas começaram a mover se em o mapa como tractores . Enquanto Wood se lançava em um discurso sobre as suas novas técnicas , a cabeça de Fred_Weasley caiu sobre o ombro de Alicia_Spinnet e ele começou a ressonar . O primeiro mapa levou quase vinte minutos a explicar , mas debaixo de esse havia outro e ainda um terceiro . Harry caiu em uma letargia enquanto Wood continuava indefinidamente . - Então - disse por fim o treinador , arrancando Harry de a avidez de uma fantasia sobre o que poderia estar a comer se se encontrasse em aquele momento em o castelo . - Ficou tudo claro ? Alguma pergunta ? - Eu tenho uma pergunta , Oliver - disse George que acordou estremunhado . - Porque não nos explicaste tudo_isso ontem , quando estávamos acordados ? Wood não ficou nada satisfeito . - Ouçam bem , vocês todos - disse , voltando se para eles mal-humorado . - Nós deveríamos ter ganho a taça de Quidditch o ano passado . Somos de longe a melhor equipa , mas , infelizmente , devido_a circunstancias que estão para_além de o nosso controlo ... Harry mudou de posição em a cadeira sentindo se culpado . Estivera inconsciente em o hospital durante o campeonato final de o ano anterior o que fez com que os Gryffindor com um jogador a menos tivessem sofrido a pior derrota de os últimos trezentos anos . Wood levou um momento a controlar se . Era evidente que a última derrota ainda o torturava . - Portanto , este ano vamos fazer um treino mais duro , como nunca se fez . O. _ K. , vamos lá pôr as teorias em prática - gritou , pegando em a vassoura e conduzindo os para fora de o vestiário . Com as pernas trôpegas e ainda a bocejar , a equipa seguiu o . Tinham estado tanto tempo lá dentro que o sol já tinha nascido e brilhava em o céu embora uma réstia de neblina pairasse ainda sobre o relvado de o campo . Quando Harry entrou em campo viu Ron e Hermione sentados em as bancadas . - Ainda não acabaram ? - perguntou Ron em um tom incrédulo . - Ainda nem começamos - explicou Harry , olhando cheio de inveja para a torrada com doce de laranja que Ron e Hermione tinham trazido de o salão . - O Wood tem estado a ensinar nos as jogadas . Subiu para a vassoura e deu um pontapé em o chão , elevando se em o ar . O ar fresco de a manhã bateu lhe em o rosto fazendo o acordar com mais eficácia do_que o longo discurso de Wood . Era maravilhoso voltar a estar em o campo de Quidditch . Voou em volta de o estádio a toda a a velocidade competindo com Fred e George . - Que barulhinho estranho é aquele ? - perguntou o Fred quando deram a volta . Harry olhou para as bancadas . Colin estava sentado em um de os lugares mais altos com a máquina fotográfica em o ar , tirando fotografia sobre fotografia , o som estranhamente ampliado em o estádio deserto . - Olha para ali , Harry , para ali - gritava de forma estridente . - Quem é aquele ? - perguntou Fred . - Não faço ideia - mentiu Harry , disparando a_toda_a velocidade e distanciando se o mais possível de Colin . - O que se passa aí ? - perguntou Wood , franzindo a testa enquanto corria por os ares atrás de eles . - Porque está aquele aluno de o primeiro ano a tirar fotografias ? Não me agrada . Pode ser um espião de os Slytherin a tentar descobrir o nosso novo programa de treinos . - Ele é de os Gryffindor - disse Harry rapidamente . - E os Slytherin não precisam de um espião , Oliver - completou George . - Porque dizes isso ? - perguntou Wood irritado . - Porque estão aqui em peso - disse George , apontando com o dedo . Vários indivíduos com túnicas verdes vinham em aquele momento a entrar em o campo de vassouras em a mão . - Não posso acreditar - reagiu Wood , sentindo se ultrajado . - Eu reservei o estádio para hoje . Já vamos ver como é_que isto fica ! Wood baixou direito a o chão sendo levado por a fúria a aterrar com mais força do_que pretendia e a cambalear um_pouco quando começou a andar seguido de o Harry e de o Ron . - Flint - bradou para o treinador de os Slytherin . - Este é o nosso tempo de treino . Levantámo nos de propósito . Vocês têm de sair de aqui . Marcus_Flint era ainda mais corpulento do_que Wood . Tinha em o rosto uma expressão de duende travesso quando respondeu : - Há espaço para todos , Wood . Angelina , Alicia e Katie tinham vindo também . Em a equipa de os Slytherin não havia raparigas que enfrentassem a o lado de os rapazes os Gryffindor . - Mas eu reservei o estádio - repetiu Wood de modo afirmativo , cuspindo de raiva . - Reservei o . - Ah ! - exclamou Flint . - Mas eu tenho aqui uma licença especial assinada por o professor Snape . * _ Eu , professor Snape , autorizo a equipa de os Slytherin a praticar hoje em o campo de Quidditch devido a a necessidade de treinar o seu novo seeker . * - Têm um novo * seeker * ? - perguntou Wood perturbado . - Onde ? E detrás de as seis figuras corpulentas que tinham em a frente , viram surgir uma sétima : um rapaz mais pequeno com um sorriso afectado espelhado em o rosto pálido e anguloso . Era_Draco_Malfoy . - Não és o filho de o Lucius_Malfoy ? - perguntou Fred , olhando para ele com antipatia . - Curioso que refiras o pai de o Draco - disse Flint enquanto toda_a equipa de os Slytherin sorria de modo grosseiro . - Deixem me mostrar vos a generosa oferta que ele fez a a equipa de os Slytherin . Os sete exibiram as suas vassouras . Sete cabos novos , polidos , com inscrições em letras douradas de as palavras « Nimbus dois_mil_e_um « brilharam a o sol de a manhã , em frente de o nariz de os Gryffindor . - O último modelo . Só chegou em o mês passado - disse Flint , displicentemente , sacudindo a poeira de o cabo de a sua vassoura . - Julgo que ultrapassam de longe as velhas séries de dois_mil . Quanto a as Cleansweeps - sorriu de forma mesquinha para Fred e George que tinham ambos Cleansweep_Fives - essas já só servem para varrer . Nenhum de os Gryffindor foi capaz de abrir a boca em aquele momento . Malfoy sorria tanto que os seus olhos de gelo estavam reduzidos a duas rachas . - Oh vejam - disse Flint . - Uma invasão de o campo . Ron e Hermione atravessavam o relvado para ver o que se passava . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron a o Harry . - Porque não estão a jogar e o que faz ele aqui ? Olhava para Malfoy em as suas vestes de Quidditch . - Sou o novo * seeker * de os Slytherin , Weasley - disse Malfoy com ar presumido . - Têm estado todos a admirar as vassouras que o meu pai comprou para a nossa equipa . Ron olhou de boca aberta para as sete vassouras que tinha em a frente . - São boas , não são ? - disse Malfoy untuosamente . - Mas talvez a equipa de os Gryffindor consiga levantar algum ouro e comprar também vassouras novas . Vocês podiam levar essas Cleansweep_Fives a leilão , talvez algum museu esteja interessado . A equipa de os Slytherin riu se a bandeiras despregadas . - Pelo_menos em os Gryffindor ninguém teve de comprar a sua entrada - disse secamente Hermione . - Entraram todos por mérito próprio . O ar presumido de Malfoy desapareceu . - Ninguém pediu a tua opinião , sangue de lama - cuspiu Malfoy . Harry apercebeu se , de imediato , que Malfoy dissera algo muito grave porque houve uma tremenda algazarra em o seguimento de as suas palavras . Flint teve que se pôr a a frente de o Malfoy para evitar que Fred e George se atirassem a ele . Alicia bradou : - Como te atreves ? - E Ron meteu a mão em as vestes e sacou de a varinha mágica , gritando : - Vais pagar por o que disseste , Malfoy ! - e apontou a , furioso , por debaixo de o braço de Flint , a o rosto de Malfoy . Um enorme estrondo , ecoou em o estádio e um jacto de luz verde saiu por a extremidade errada de a varinha de Ron , atingindo o em o estômago e projectando o para trás em direcção a o relvado . - Ron ! Ron ! Estás bem ? - gritou Hermione . Ron abriu a boca para falar , mas nenhuma palavra saiu . Em vez de isso , teve um vómito imenso e várias lesmas saíram lhe de a boca , indo cair lhe em o colo . A equipa de os Slytherin ficou paralisada de riso . Flint estava dobrado , agarrado a a vassoura nova . Malfoy , a quatro , batia com o punho em a chão . Os Gryffindor rodeavam o Ron , que continuava a vomitar lesmas enormes e reluzentes . Ninguém queria tocar lhe . - É melhor levá o para_casa de o Hagrid . É o mais perto - disse Harry_a_Hermione , que acenou afirmativamente , e os dois arrastaram o Ron por os braços . - O que aconteceu , Harry ? O que aconteceu ? Ele está doente ? Mas tu podes curá o , não podes ? - Colin descera a correr de o lugar onde estava sentado e dançaricava em frente de eles , enquanto abandonavam o campo . Ron teve um novo arremesso e mais lesmas saíram de a sua boca . - Oooh ! - exclamou Colin fascinado , levantando a máquina fotográfica . - Podes mantê o quieto , Harry ? - Sai de a minha frente , Colin - gritou Harry zangado . Ele e a Hermione conseguiram levar o Ron para fora de o estádio , atravessar os campos e chegar a a beira de a floresta . - Está quase , Ron - disse Hermione , mal avistaram o casebre de o guarda de os campos . - Vais ficar bem dentro_de um minuto ... está quase ... Estavam a sessenta metros de a casa de Hagrid , quando a porta de a frente se abriu . Mas não foi Hagrid quem saiu de lá , e sim Gilderoy_Lockhart , em uma túnica cor de malva . - Rápido , vamos esconder nos aqui - sussurrou Harry , arrastando Ron para trás de um arbusto que havia ali perto . Hermione acompanhou o , embora um_pouco relutante . -- É muito simples quando se sabe o que se está fazer ! - gritava Lockhart_para_Hagrid . - Se precisar de ajuda , sabe onde estou . Vou dar lhe um exemplar de o meu livro . Espanta me que ainda não o tenha . Logo a a noite autografo o e envio lhe o . Bem . até a a próxima ! - e afastou se em direcção a o castelo . Harry esperou que Lockhart desaparecesse , antes de puxar o Ron de trás de o arbusto até a a casa de o Hagrid . Bateram ansiosamente . Hagrid apareceu logo com um ar mal-humorado , que se dissipou quando viu quem era . - Já me tinha perguntado quand'é que vocês vinham ver me , entrem , entrem , pensei qu'era outra_vez o professor Lockhart . Harry e Hermione ajudaram Ron a subir o degrau que dava acesso a a cabana de uma divisão com uma cama enorme a um de os cantos e uma lareira a crepitar alegremente em o outro . Hagrid não pareceu perturbado com o problema de as lesmas de o Ron que Harry lhe explicou precipitadamente , logo_que sentou o Ron em uma cadeira . - Melhor saírem de o qu'entrarem - disse , em um tom bem-disposto , colocando uma grande bacia de cobre em frente de ele . - Deita as todas fora , Ron . - Acho que não há mais_nada a fazer , a não ser esperar que isto pare - disse Hermione ansiosamente , vendo Ron inclinar se para a bacia . - É uma maldição muitas_vezes difícil , mas com uma varinha partida ... Hagrid andava de um lado para o outro a preparar o chá . O cão de ele , Fang , babava se em cima de o Harry . - O que é_que o Lockhart queria de ti ? - perguntou o Harry , coçando as orelhas de o Fang . - Ensinar me a tirar espíritos aquáticos com forma de cavalos d'uma nascente d'água - resmungou Hagrid , retirando de a mesa pequena um galo meio depenado e colocando em o seu lugar o bule . - Como s'eu não soubesse . E contar me uma peta qualquer d'uma fada carpideira que ele venceu . Engulo essa chaleira , se uma palavra do_que ele disse for verdade . Não era hábito de Hagrid criticar um professor de Hogwarts e Harry olhou para ele com alguma surpresa . Mas Hermione disse em uma voz mais aguda do_que de costume : - Acho que estás a ser injusto . O professor Dumbledore obviamente achou que era o melhor homem para o lugar ... - Era o único - explicou Hagrid , oferecendo lhes um prato de bombons de melaço enquanto Ron tossia para a bacia . - E não havia mais ninguém . Não é fácil encontrar quem queira dar Artes de magia negra . As pessoas não gostam de essa matéria . Começam a pensar que está amaldiçoada , ninguém ficou muito_tempo a dá a . Mas digam me lá - continuou Hagrid , inclinando a cabeça para Ron - quem é qu'ele estava a tentar amaldiçoar ? - O Malfoy chamou qualquer coisa a a Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si . - Foi grave , sim - disse o Ron com voz rouca , emergindo a a superfície de a mesa , pálido e transpirado . - O Malfoy chamou lhe sangue de lama , Hagrid . - Ron desapareceu outra_vez quando uma nova onda de lesmas fez o seu aparecimento . Hagrid estava indignado . - Não posso crer - exclamou , dirigindo se a Hermione . - Chamou sim - disse ela . - Mas eu não sei o que significa . Percebi que era má educação , claro ... - É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar - explicou Ron novamente . - Sangue de lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles , sabes , filho de pais não mágicos . Há alguns feiticeiros , como a família de o Malfoy que acham que são melhores do_que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro . - Teve um pequeno vómito e uma lesma isolada caiu lhe em a mão aberta . Ele atirou a para a bacia e continuou . -- É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma . Olha_o_Neville_Longbottom , é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito . - E ainda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer - afirmou Hagrid , orgulhoso , fazendo Hermione corar em tons de magenta . - É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém - disse o Ron , limpando o suor de a testa com a mão trémula . - Sangue sujo , sangue vulgar , é um disparate . A maior parte de os feiticeiros hoje_em_dia têm sangue misturado . Se não tivéssemos casado com Muggles tinha sido o nosso fim . Fez um esforço para vomitar e baixou se mais_uma_vez . - Bem , não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá o , Ron - disse Hagrid bem alto enquanto montes de lesmas caíam em a bacia . - Mas , se_calhar , não foi mau de todo teres a varinha a trabalhar ao_contrário . Acho que Lucius_Malfoy teria vindo logo a correr a a escola se tivesses amaldiçoado o filho . Assim , pelo_menos , não estás metido em nenhum sarilho . Harry teria referido que o problema não podia ser pior do_que deitar lesmas por a boca , mas não pôde . Os bombons de melaço tinham lhe colado os maxilares um_ao_outro . - Harry - disse de repente Hagrid como_que movido por um pensamento súbito . - Tens de me explicar uma coisa . Ouvi dizer que tens andado a dar fotografias autografadas . Porque é qu'eu não tenho nenhuma ? A fúria de Harry foi tão grande que os maxilares se libertaram . - Eu não tenho dado fotografias autografadas - disse com vivacidade . Se o Lockhart andou a espalhar isso ... Mas em esse momento viu que Hagrid se estava a rir . - ´ _ tou a brincar - disse , dando uma palmadinha em as costas de Harry e fazendo lhe sinal para se sentar a a mesa . -- Eu sabia que não tinhas . Disse a o Lockhart que tu não precisavas de isso . Es mais famoso do_que ele sem sequer , tentares . - Aposto que ele não gostou de ouvir isso - comentou Harry , sentando se e esfregando o queixo . - Acho que não gostou mesmo - prosseguiu Hagrid com os olhinhos a brilhar . - E disse lhe também que nunca tinha lido nenhum de os livros de ele e ele foi se embora . Um bombom de melaço , Ron ? - perguntou a o vê o reaparecer . - Não , obrigado - disse o Ron com uma voz fraca . - É melhor não arriscar . - Venham ver o qu'eu tenho estado a criar - disse Hagrid quando Harry e Hermione acabaram de tomar o chá . Em a pequena horta atrás de a casa estava uma_dúzia de as maiores abóboras que Harry alguma vez vira . Pareciam enormes blocos de pedra . - Estão a dar se bem , não achas ? - disse Hagrid , feliz . São para a festa de o * _ Hallow'en * . Devem estar bem grandes quando chegar a altura . - O que é_que lhes tens dado como alimento ? - perguntou Harry . Hagrid olhou por cima de o ombro para confirmar se estavam sós . - Bem , tenho estado a dar lhes ... uma pequena ajuda . Harry reparou em o guarda-chuva cor-de-rosa a as florzinhas que estava encostado contra a parede de a cabana . Tivera em o ano anterior motivos para crer que aquele guarda-chuva não era o que parecia . De facto , acreditava que a antiga varinha de escola de Hagrid se encontrava oculta dentro de ele . Hagrid não tinha autorização para usar magia . Fora expulso de Hogwarts em o terceiro ano embora Harry nunca tivesse descoberto o motivo . Qualquer referência a esta questão fazia Hagrid pigarrear bem alto e ficar misteriosamente surdo até mudarem de assunto . -- Um encantamento de absorção , imagino ? - comentou Hermione entre a desaprovação e o divertimento . - Bem , se assim foi , fizeste um bom trabalho . - Foi o que disse a tua irmãzinha - respondeu Hagrid acenando em direcção a Ron . - Encontrei a ontem . - Hagrid olhou de lado para Harry , a barba a contorcer se . - Disse que andava só a ver os campos , mas eu acho qu'ela esperava encontrar alguém em a minha casa - piscou o olho a o Harry . - Se queres que te diga acho qu'ela não recusaria uma fotografia autogr ... - Cala te com isso - disse Harry . Ron desatou a rir e o chão ficou cheio de lesmas . - Cuidado - resmungou Hagrid , afastando Ron de as suas preciosas abóboras . Estava quase em a hora de o almoço e , como o Harry só tinha provado um bombom de melaço desde manhã cedo , estava ansioso por chegar a a escola para ir comer . Despediram se de o Hagrid e regressaram a o castelo . O Ron a vomitar de vez em quando , mas deitando só duas pequenas lesmas . Mal tinham pisado a entrada de o vestíbulo quando ouviram uma voz . - Aí estão vocês , Potter , Weasley . - A professora Mc_Gonagall vinha em direcção a eles com o seu ar severo . - Vocês os dois vão ter as punições hoje a a tarde . - O que é_que vamos fazer , professora ? - perguntou o Ron nervoso , deixando cair uma lesma . - Tu vais limpar as pratas em a sala de os troféus com Mr._Filch - disse a professora Mc_Gonagall . - E nada de mágicas , Weasley , trabalho com esforço . Ron engoliu em seco . Argus_Filch , o encarregado , era odiado por todos os alunos de a escola . - E tu , Potter , vais ajudar o professor Lockhart a responder a as cartas de as suas fãs - ordenou a professora Mc_Gonagall . - Oh , não ! Não posso ir também trabalhar em a sala de os troféus ? - pediu Harry em desespero de causa . - Nem pensar em isso - respondeu a professora Mc_Gonagall , erguendo as sobrancelhas . - O professor Lockhart requisitou te especialmente a ti . _ a as oito_em_ponto , os dois . Harry e Ron entraram em o salão em um estado de profundo desanimo com a Hermione atrás , ostentando uma expressão de * bem-voces-quebraram-as-regras-da-escola * . Harry não saboreou o empadão de carne como teria desejado . Tanto ele como o Ron achavam que tinham tido o pior de os castigos . -- O Filch vai reter me lá toda_a noite - disse Ron , desanimado . - Sem mágica ! Deve haver umas cem taças em aquela sala , eu não sei fazer limpeza de Muggles . - Eu trocava contigo de boa_vontade - confessou Harry em uma voz surda . - Tive montes de prática com os Dursleys . Responder a o correio de fãs de o Lockhart , que pesadelo ... A tarde de sábado pareceu derreter se . Pouco depois eram já cinco para as oito e Harry arrastava se até a o corredor de o segundo andar onde ficava o escritório de o Lockhart . Rangendo os dentes , bateu a a porta . A porta abriu se imediatamente e Lockhart dirigiu se lhe . - Ah , cá está o patifório ! - exclamou . - Entra , Harry , entra . Em as paredes , brilhando à_luz_de muitas velas , podia ver se uma infinidade de fotografias de Lockhart . Algumas de elas até assinadas . Sobre a secretária estava outro monte enorme . - Podes pôr as moradas em os envelopes - disse Lockhart_a_Harry , como_se fosse uma grande ameaça . - O primeiro é para Gladys_Gudgeon , abençoada seja , uma grande fã minha . Os minutos passavam lentos . De vez em quando , Harry ouvia a voz de Lockhart dizendo : - Mmm - e - certo - e - sim . - De vez em quando , apanhava uma frase como : - A fama é versátil , amigo Harry - ou - Só é célebre quem faz por isso , nunca te esqueças . As velas ardiam cada_vez com maior lentidão , fazendo a luz dançar sobre as muitas caras de Lockhart que o olhavam . Harry passava a mão , já dorida , sobre o que devia ser o centésimo envelope , escrevendo a morada de Verónica_Smethley . « Deve estar quase em a hora de me ir embora » , pensou , sentindo se profundamente infeliz , « por favor , faz com que esteja em a hora ... » E então ouviu algo , algo totalmente diferente de o crepitar de as velas e de os ditos de Lockhart sobre as suas fãs . Era uma voz , uma voz de arrepiar os ossos , de cortar a respiração , de veneno frio . - * _ Vem ... vem ter comigo ... deixa me rasgar te ... cortar te ... matar te * ... Harry deu um salto e uma enorme mancha lilás surgiu em a rua de Verónica_Smethley . - O quê ? - disse ele em voz alta . - Eu sei - exclamou Lockhart . - Seis meses inteirinhos em o topo de a lista de * bestsellers * , bati todos os recordes ! - Não - disse Harry nervosíssimo - aquela voz ! - Como ? - perguntou Lockhart , com um ar confuso . - Que voz ? - Aquela , aquela voz que disse ... não ouviu ? Lockhart olhava para Harry com o maior espanto . - De que é_que estás a falar , Harry ? Estás a ficar com sono ? Meu Deus , olha , só estamos aqui há quase quatro horas , quem diria ? O tempo passou a correr , não é verdade ? Harry não respondeu , estava a fazer um esforço para ouvir de_novo a voz , mas o único som que ouviu foi Lockhart a dizer lhe que não esperasse um tratamento igual de as próximas vezes que fosse castigado . Harry saiu , sentindo se atordoado . Era tão tarde que a sala comum de os Gryffindor estava quase vazia . Harry foi directamente para o dormitório . Ron ainda não tinha voltado . Vestiu o pijama , meteu se em a cama e esperou . Meia_hora mais tarde , chegou o Ron agarrado a o braço direito e inundando o quarto escuro de um forte cheiro a limpa-pratas . - Doem me todos os músculos - resmungou , metendo se em a cama . - Ele fez me polir catorze vezes aquela taça de Quidditch até estar satisfeito . E depois tive outro vómito em_cima_de um troféu de Reconhecimento por serviços prestados a a escola . Demorei séculos a limpar o muco de as lesmas . Como correram as coisas com o Lockhart ? Em voz baixa para não acordar o Neville , o Dean e o Seamus , Harry contou lhe , palavra por palavra , o que tinha ouvido . - E Lockhart disse que não ouviu nada ? - perguntou o Ron . Harry viu o franzir a testa , a a luz de o luar . - Achas que estava a mentir ? Mas , não percebo , mesmo um ser invisível teria aberto a porta . - Eu sei - disse Harry , encostando se a a cama e olhando para o dossel . - Também não compreendo . VIII_A festa de o dia de os mortos Outubro chegou , espalhando um frio húmido por os campos e por os cantos de o castelo . Madam_Pomfrey , a enfermeira-chefe , esteve bastante ocupada com uma onda de constipações que afectou professores e alunos . A sua poção de pimentão entrou imediatamente em acção apesar_de deixar quem a tomava com fumo em os ouvidos durante várias horas . Ginny_Weasley , que andava com ar adoentado , foi convencida a tomá a por o Percy . O fumo que saía por debaixo de o seu cabelo ruivo dava a impressão de que toda_a cabeça estava em fogo . Gotas de chuva de o tamanho de balas agrediram as janelas de o castelo durante dias a fio . O lago rosado e os canteiros de flores tornaram se regatos lamacentos e as abóboras de o Hagrid incharam ficando de o tamanho de alpendres de jardim . Contudo , o entusiasmo de Oliver_Wood por as sessões de treino regular não foi abalado , motivo por o qual Harry iria regressar a a torre de os Gryffindor , em um sábado a a tarde de temporal , alguns dias antes de o * _ Hallowe'en * , ensopado até a os ossos e todo enlameado . Além de a chuva e de o vento , não fora um treino feliz . Fred e George que tinham andado a espiar a equipa de os Slytherin tinham visto com os seus próprios olhos a velocidade alucinante de aquelas novas Nimbus dois_mil_e_um e comentaram que a equipa em o ar parecia composta por sete manchas esverdeadas que disparavam a_toda_a velocidade como aviões a jacto . Enquanto Harry chapinhava a o longo de o corredor deserto , cruzou se com alguém que parecia tão preocupado como ele : Nick quase sem cabeça , o fantasma de a torre de os Gryffindor que olhava taciturno , por a janela , murmurando baixinho : - Não preenche os requisitos , um centímetro e meio se ... - Olá , Nick - cumprimentou Harry . - Olá , olá - disse o Nick quase sem cabeça , começando a olhar em volta . Usava um arrebatado chapéu de plumas sobre a longa cabeleira encaracolada e uma túnica com gola de tufos que disfarçava o facto de ter o pescoço quase totalmente separado de o corpo . Era pálido como o fumo e Harry podia ver através de ele o céu negro e a chuva torrencial , lá fora . - Pareces preocupado , jovem Potter - disse Nick , dobrando uma carta transparente , enquanto falava e escondendo a dentro de a jaqueta . - Tu também - retorquiu Harry . - Ah ! - o Nick quase sem cabeça acenou com a mão de forma elegante . - Uma questão sem importância . Não é_que eu quisesse realmente participar apesar_de me ter inscrito , mas , a o que parece , não preencho os requisitos . - Apesar de o seu tom jovial havia em o seu rosto uma grande amargura . - Mas era de esperar , ou não era - exclamou subitamente , tirando a carta de o bolso - que ter levado quarenta_e_cinco golpes em a cabeça com um machado ferrugento me qualificaria para entrar em o grupo de os Sem - _ Cabeça ? - Sim , sim - respondeu Harry que obviamente o outro esperava que concordasse . - Isto_é , ninguém mais do_que eu desejaria que tudo tivesse sido rápido e perfeito , poupava me muitas dores e ridículo . Mas ... O Nick quase sem cabeça abriu , furioso , a carta e leu : * _ Só podemos aceitar em o grupo homens cuja cabeça tenha sido separada de o corpo . Compreenderá que de outro modo seria impossível a os nossos membros participarem em actividades como equitação de malabarismos com a cabeça e pólo de cabeça . Lamentamos profundamente informá o de que não preenche os requisitos . * _ Os nossos melhores cumprimentos , Sir_Patrick_Delaney - _ Podmore * Furioso , o Nick quase sem cabeça atirou fora a carta . - Um centímetro de pele e tendões a segurarem me a cabeça , Harry ! A maior parte de as pessoas acharia que era mais do_que o suficiente , mas não serve para o senhor correctamente decapitado Podmore . Nick quase sem cabeça respirou fundo várias vezes e , por fim , em um tom bastante mais calmo perguntou : - Então o que é_que te preocupa ? Alguma coisa que eu possa fazer por ti ? - Não - respondeu Harry . - A_não_ser_que saibas onde posso arranjar sete Nimbus dois_mil_e_um , de_graça , para o nosso campeonato contra os Sly ... - o resto de a frase foi afogada por um miado agudo vindo de perto de os seus tornozelos . Olhou para baixo e deu consigo a fitar um par de olhos que pareciam duas lâmpadas amarelas . Era_Mrs._Norris , a gata cinzenta e esquelética usada por o encarregado Argus_Filch como uma espécie de polícia em a sua infindável batalha contra os estudantes . - É melhor saíres de aqui , Harry - preveniu Nick com toda_a calma . - O Filch não está nada bem-disposto . Anda engripado e alguns alunos de o terceiro ano , por acidente , encheram o tecto de o calabouço cinco de miolos de rã . Ele tem andado toda_a manhã a limpar e se te vê a encher tudo de lama ... - Certo - disse Harry , recuando e afastando se de o olhar acusador de Mrs._Norris , mas ... tarde de mais . Conduzido até ali por o misterioso poder que parecia ligá o a a gata , Argus_Filch entrou subitamente por uma tapeçaria que se encontrava a a direita de Harry , com a sua respiração asmática , olhando vivamente em volta em busca de o infractor . Tinha um lenço grosso , de xadrez , a a volta de a cabeça e o nariz invulgarmente arroxeado . - Imundície - gritou com os maxilares a tremer e os olhos a saltarem lhe de as órbitas , enquanto apontava para a poça de lama que pingara de a túnica de Quidditch_de_Harry . - Desarrumação e imundície em todo o lado . Estou farto disto , segue me , Potter . Harry despediu se de o Nick quase sem cabeça com um tímido aceno e seguiu Filch até lá abaixo , duplicando o número de pegadas lamacentas em o chão . Nunca entrara em o gabinete de o Filch . Era um lugar que a maior parte de os estudantes evitava . A divisão era sombria e sem janelas , iluminada por uma única lamparina de óleo que pendia de o tecto . Sentia se um vago cheiro a peixe frito . As paredes estavam forradas por ficheiros de madeira . Por as etiquetas Harry percebeu que continham os dados de todos os alunos que Filch tinha punido . Fred e George_Weasley tinham uma gaveta só para eles . Atrás de a secretária estava pendurada uma colecção bem polida de correntes e algemas . Todos sabiam que ele estava sempre a pedir a Dumbledore que o deixasse pendurar os alunos em o tecto por os tornozelos . Filch pegou em uma pena que estava sobre a secretária e começou a procurar o pergaminho . - Bosta - murmurou , furioso . - Bosta de dragão , miolos de rã , intestinos de ratazana ... eu tinha aqui bastante , onde está o form ... sim ... Tirou um enorme rolo de pergaminho de a gaveta de a secretária e estendeu o em a frente , molhando a longa pena em o tinteiro . - Nome : Harry_Potter . Crime ... - Foi só um bocadinho de lama - disse Harry . - É só um bocadinho de lama para ti , rapaz , mas para mim é mais de uma hora a esfregar - gritou Filch com um pingo a tremer de modo desagradável em a extremidade de o nariz bolboso . - Crime : manchar o castelo . Sentença proposta ... Esfregando o nariz que continuava a pingar , Filch olhou com má cara para Harry que esperava com a respiração entrecortada para ouvir a sentença . Mas quando Filch pegou em a pena ouviu se um estrondo enorme em o tecto que fez a lamparina apagar se . - PEEVES - resmungou Filch , pousando a pena , cheio de raiva . - Desta_vez apanho te . Apanho te ! E sem olhar para trás , saiu a correr a_toda_a velocidade de o gabinete , seguido de a gata , Mrs._Norris . Peeves era o * poltergeist * de a escola , uma ameaça de risota esvoaçante que vivia para fazer estragos e criar aflição . Harry não gostava lá muito de ele , mas desta_vez , não podia deixar de lhe estar grato . Na_melhor_das_hipóteses o que Peeves tivesse feito ( e parecia que agora ele destruíra qualquer coisa em grande ) distrairia Filch_de_Harry . Pensando que o melhor seria esperar que ele voltasse , Harry deixou se cair em uma cadeira carcomida por o tempo que se encontrava junto de a secretária . Havia uma coisa sobre o tampo : um grande envelope roxo e lustroso com letras prateadas em a frente . Lançando um olhar rápido a a porta para confirmar que Filch não estava de volta , Harry pegou lhe e leu : __ feitiço __ rápido Um curso por correspondência De iniciação a a magia Cheio de curiosidade , abriu o envelope e retirou o rolo de pergaminho . Uma letra curvilínea e prateada dizia : Sente se pouco a a vontade em o mundo de a magia moderna ? Dá consigo a arranjar desculpas para não fazer feitiços simples ? Tem sido censurado por o deplorável trabalho com a varinha ? Eis a resposta ! Feitiço rápido e um curso totalmente novo , infalível , de resultados rápidos e rápida aprendizagem . Centenas de bruxas e feiticeiros têm beneficiado de o método feitiço rápido ! Madam_Z._Nettles_de_Topsham escreve nos : Eu não conseguia fixar os encantamentos e as minhas poções eram alvo de risota em a família . Agora , depois de o curso feitiço rápido , tornei me o centro de as atenções em todas_as festas e os meus amigos não param de pedir me a receita de a minha brilhante solução ! O mágico D.J._Prod , de Disbury , afirma : A minha mulher costumava rir se de os meus fracos encantamentos , mas bastou um mês com o vosso fabuloso curso feitiço rápido e consegui transformá a em um iaque . Obrigado , feitiço rápido ! Fascinado , Harry folheou o resto de o conteúdo de o envelope . Para que diabo quereria o Filch um curso de feitiço rápido ? Não seria ele um feiticeiro a sério ? Harry estava a ler a lição número um : Pegando em a varinha ( algumas dicas úteis ) quando umas passadas arrastadas , lá fora , o preveniram de que Filch estava de volta . Metendo rapidamente o pergaminho dentro de o envelope , lançou o para_cima de a secretária em o preciso momento em que a porta se abriu . Filch ostentava um ar triunfante . - Aquele armário que desapareceu era extremamente valioso - vinha ele a dizer a a gata , Mrs._Norris . - Desta_vez vamos correr com o Peeves , minha linda . Os seus olhos recaíram sobre Harry e logo_a_seguir sobre o envelope de o feitiço rápido que , Harry apercebeu se tarde de mais , estava meio metro distanciado de o seu lagar inicial . O rosto pálido de Filch tornou se vermelho escarlate . Harry preparou se para uma nova onda de fúria . Filch coxeou até a a secretária , arrebatou o envelope e meteu o em uma gaveta . -- Chegaste a ... lê o ? - perguntou atabalhoadamente . - Não - mentiu Harry , sem perder tempo . As mãos nodosas de o Filch contorciam se ao_mesmo_tempo . - Se eu soubesse que ias ler a minha correspondência priv ... não que seja minha ... é para um amigo ... mesmo_assim ... Harry olhava para ele espantado . Nunca vira o Filch tão louco . Os olhos pareciam querer saltar lhe de as órbitas , com um tique em as bochechas e aquele lenço axadrezado que não ajudava nada ... - Muito bem , vai e não abras a boca sobre isto ... não que ... mesmo_assim ... se tu não leste ... vai te embora , tenho de escrever o relatório sobre o Peeves , vai . Atordoado com a sua sorte , Harry saiu de ali e largou a correr por o corredor fora e por as escadas acima . Sair de o gabinete de o Filch sem um castigo devia ser um recorde em a escola . - Harry , Harry , deu resultado ? O Nick quase sem cabeça saiu a brilhar de uma sala de aula . Atrás de ele , Harry pôde ver os destroços de um grande armário preto e dourado que parecia ter sido atirado de uma grande altura . - Convenci o Peeves a parti o mesmo em cima de o gabinete de o Filch - disse Nick entusiasmado . - Pensei que talvez o distraísse . - Foste tu ? - exclamou Harry , agradecido . - Funcionou sim . Ele não me deu nenhum castigo . Obrigado , Nick . Atravessaram o corredor juntos . O Nick quase sem cabeça , reparou Harry , ainda tinha em a mão a carta de Sir_Patrick . - Gostaria de poder fazer qualquer coisa sobre o grupo de os Sem - _ Cabeça - disse Harry . O Nick quase sem cabeça parou de repente e Harry passou através de ele . Antes não tivesse passado , foi como atravessar um duche gelado . - Mas há uma coisa que tu podes fazer por mim - disse Nick muito agitado . - Harry , seria pedir te de mais ... mas não , tu não ias querer ... - O quê ? - Bem , este ano em o * _ Hallowe'en * vai ser o meu meio milénio de dia de os mortos - disse o Nick quase sem cabeça endireitando se e adquirindo uma postura de grande dignidade . - Oh - respondeu Harry sem saber se deveria lamentar ou dar lhe os parabéns . - Certo . - Vou dar uma festa em um de os calabouços mais amplos . Vêm amigos meus de todo o país . Seria uma honra muito grande se tu aparecesses . Mr._Weasley e Miss_Granger seriam também muito bem-vindos , claro . Mas tu deves preferir o banquete de a escola , não é verdade ? - Olhou para Harry , aflito . - Não - assegurou ele rapidamente . - Eu vou . - Oh rapaz , Harry_Potter em a minha festa de os mortos - hesitou no_meio_de toda aquela excitação . - Achas que poderias referir a Sir_Patrick como me achas assustador e como te impressiono ? - É claro que sim - assegurou Harry . O Nick quase sem cabeça iluminou se em um sorriso . - Uma festa de os mortos ? - exclamou Hermione , entusiasmada , quando Harry , depois de mudar de roupa , se juntou a ela e a o Ron em a sala comum . - Aposto que não há muitas pessoas que possam gabar se de ter estado em uma festa de essas . Vai ser fantástico ! - Por_que é_que alguém se lembraria de festejar o dia em que morreu ? - perguntou o Ron que estava a meio de o seu trabalho de casa de poções e bastante maldisposto . - Parece me bastante mórbido . A chuva continuava a lamber as janelas que apresentavam agora um negro que parecia tinta , mas , lá dentro , era tudo claro e alegre . O fogo em a lareira brilhava sobre as inúmeras cadeiras de braços onde as pessoas estavam sentadas a ler , a conversar , a fazer os trabalhos de casa ou , no_caso_de Fred e George_Weasley , a tentar descobrir o que aconteceria se alimentassem uma salamandra com fogo-de-artíficio de o Filibuster . O Fred tinha « resgatado . o lagarto cor de laranja brilhante , morador de o fogo , de uma aula de tratamento de seres mágicos e ele estava agora a arder em fogo lento sobre uma mesa , rodeado de um grupo de curiosos . Harry ia começar a contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre o Filch e o curso de feitiço rápido quando a salamandra disparou por os ares , lançando faíscas e estoiros . A visão de Percy a gritar com Fred e George até ficar ronco , a fantástica exibição de estrelas cor de tangerina que choviam de a boca de a salamandra e a sua fuga para o lume acompanhada de explosões , fizeram com que Harry se esquecesse , em aquele momento , de Filch e de o curso de feitiço rápido . Quando chegou o * _ Hallowe'en * , Harry já lamentava a sua promessa imprudente de ir a a festa de os mortos . Toda_a escola antecipava , feliz , a sua festa de * _ Hallowe'en * . O salão nobre fora enfeitado com os habituais morcegos , as enormes abóboras de Hagrid tinham sido esculpidas em forma de lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro_de cada uma , e havia boatos de que Dumbledore contratara um grupo de esqueletos bailarinos para animar a festa . - Uma promessa é uma promessa - lembrou Hermione_a_Harry com o seu autoritarismo habitual . - Tu disseste que ias a a festa de os mortos . Portanto , a as sete_da_tarde , Harry , Ron e Hermione saíram , passando por a porta de o salão nobre que brilhava de modo convidativo com pratos dourados e velas e dirigiram os seus passos para os calabouços . O corredor que conduzia a a festa de o Nick quase sem cabeça tinha sido também ladeado de velas , embora o efeito estivesse longe_de ser alegre : estas eram velas muito esguias e estreitas , negras de breu , ardendo em um azul brilhante e lançando uma luz indistinta e espectral também sobre as caras de as pessoas vivas . A temperatura diminuía a cada degrau que desciam . Harry tremia e cingia a túnica a o corpo quando ouviu qualquer coisa que parecia uma centena de unhas a rasparem um enorme quadro preto . - Será que isto_é a música ? - murmurou Ron . Viraram uma esquina e viram o Nick quase sem cabeça junto de uma porta , todo vestido de veludo negro . - Meus queridos amigos - disse com ar de luto . - Bem-vindos , bem-vindos , ainda_bem que puderam vir . Em um gesto largo tirou o chapéu de plumas e fez lhes sinal para que entrassem . Era uma visão incrível . O calabouço estava cheio com centenas de pessoas de um branco pálido e translúcido , a maior parte de as quais era arrastada em uma pista de dança cheia , valsando a o som de trinta serrotes musicais . Os serrotes que compunham a orquestra encontravam se sobre um estrado enfeitado com panos negros . Um lustre lá em cima resplandecia de um azul nocturno com mais um_milhar de velas negras . A respiração de os três subiu em o ar como uma neblina . Parecia que tinham entrado em um congelador . - Vamos dar uma volta - sugeriu Harry em uma tentativa de aquecer os pés . - Cuidado , não atravessem nenhum de eles - avisou o Ron nervosamente e colocaram se em volta de a pista de dança . Passaram por um grupo escuro de freiras , por um homem esfarrapado e cheio de correntes e por o frade gordo , o divertido fantasma de os Hufflepuff que estava a conversar com um cavaleiro com uma seta enfiada em a testa . Harry não ficou nada surpreendido a o ver que o Barão sangrento , o fantasma lúgubre e berrante de os Slytherin , coberto de nódoas de sangue ; estava a ser totalmente evitado por os outros fantasmas . - Oh ! Não -- exclamou Hermione , parando bruscamente . - Voltem se , voltem se , não quero ter de cumprimentar a Murta_Queixosa . - Quem ? - perguntou Harry enquanto davam rapidamente meia volta . - Ela assombra a casa_de_banho de as raparigas de o primeiro andar - explicou Hermione . - Assombra uma casa_de_banho ? - Sim . Está inoperativa durante todo o ano porque ela tem constantes acessos de choro e inunda tudo . Eu só lá fui quando não pode mesmo evitar . É horrível tentar ir a a sanita com ela a gritar connosco . - Olhem , comida - disse o Ron . De o outro lado de o calabouço estava uma mesa igualmente coberta de velado negro . Iam para se aproximar entusiasmados , mas pararam com uma expressão de horror . O cheiro era nauseabundo . Enormes peixes podres enchiam as bonitas travessas de prata , os bolos estorricados como carvões amontoavam se em as salvas , havia uma grande quantidade de miúdos de macaco , uma tábua de queijos cobertos de bolor e , em o lugar de honra , um enorme bolo cinzento em forma de lápide com letras que pareciam alcatrão formando as palavras , * _ Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington_Morto em 31_de_Outubro , 1492 * . Harry olhou espantado quando um fantasma de porte majestoso se aproximou de a mesa inclinando se e passando através de ela com a boca aberta enquanto atravessava um salmão malcheiroso . - Consegue prová o passando através de ele ? - perguntou lhe Harry . - Quase - disse tristemente o fantasma antes de se afastar . - Devem ter deixado apodrecer tudo_isto para ter um sabor mais forte - comentou Hermione com ar de quem está bem informada , tapando o nariz e aproximando se para ver melhor os pútridos miúdos de macaco . - Podemos sair de aqui , estou a sentir me agoniado - disse o Ron . Mas mal tinham dado meia volta quando um homenzinho pequenino saiu inesperadamente de debaixo de a mesa e fez uma paragem em o ar em frente de eles . - Olá , Peeves - disse Harry cautelosamente . Ao_contrário de os outros fantasmas que os rodeavam , Peeves , o * poltergeist * era o oposto de pálido e transparente . Usava um chapéu festivo cor de laranja , um laço rotativo a o pescoço e tinha um sorriso grosseiro de malvadez , em o rosto . - Querem petiscar ? - perguntou delicadamente , oferecendo lhes uma taça de amendoins cobertos de fungos . - Não , obrigada - disse Hermione . - Ouvi te falar sobre a pobre Murta - disse Peeves com os olhos a bailar . - Que insensível que tu foste para com a pobre Murta - respirou fundo e gritou : - Oh Murta . - Oh ! Não , Peeves , não lhe contes o que eu disse , ela vai ficar muito aborrecida - murmurou Hermione bastante nervosa . - Eu não queria dizer que ... eu não me importo que ela , er , olá , Murta . O espectro atarracado de uma rapariga deslizara . Tinha o rosto mais carrancudo que Harry alguma vez vira , meio escondido por o cabelo liso e por os óculos grossos cor de pérola . - O que é ? - perguntou mal-humorada . - Como estás Murta ? - perguntou Hermione , em uma voz falsamente alegre . - É bom ver te fora de a casa_de_banho . Murta fungou . - Miss_Granger estava justamente a falar de ti - disse lhe Peeves baixinho a o ouvido . - A dizer , a dizer ... como estás bonita esta noite -- terminou Hermione , olhando irritada para Peeves . A Murta olhou para Hermione desconfiada . - Estão a divertir se a a minha custa - disse , com lágrimas de prata a encherem lhe rapidamente os olhos pequeninos . - Não , a sério , eu não estava a dizer vos como a Murta estava bonita esta noite ? - disse Hermione , dando uma palmada em as costas de o Harry e de o Ron . - Sim , sim . - Ela ... - Não me venham com mentiras - protestou a Murta , as lágrimas agora a descerem lhe por o rosto , enquanto Peeves ria baixinho por cima de o ombro de ela . - Julgam que eu não sei o que as pessoas me chamam em as minhas costas ? A Murta gorda , a Murta feia , a Murta queixosa , a Murta deprimida ! - Esqueceste te de « a Murta ponto negro » - sussurrou lhe Peeves a o ouvido . A Murta_Queixosa irrompeu em soluços de angústia e fugiu de o calabouço . Peeves disparou atrás de ela , lançando lhe uma chuva de amendoins cheios de bolor e gritando : Ponto negro ! Ponto negro ! - Oh , coitada ! - exclamou Hermione com tristeza . O Nick quase sem cabeça abria agora caminho entre a multidão para se aproximar de eles . - Estão a divertir se ? - Sim , sim - mentiram . - Uma afluência nada má - disse orgulhoso o Nick quase sem cabeça . - A viúva chorosa veio de Kent ... está quase em a hora de o meu discurso . É melhor ir avisar a orquestra . Mas a orquestra parou de tocar em esse preciso momento . Eles , e todos os outros em o calabouço , ficaram em silêncio total , olhando em volta cheios de excitação quando se ouviu uma trompa de a caça . - Lá vêm eles - disse o Nick quase sem cabeça , com alguma amargura em a voz . Por o calabouço irromperam uma_dúzia de , cavalos fantasmas , cada_um montado por um cavaleiro sem cabeça . A assistência aplaudiu vivamente . Harry começou também a bater palmas , mas parou rapidamente quando viu a cara de o Nick . Os cavalos galoparam até a o meio de a pista de dança e pararam , empinando se , dando pequenos passos para a frente e para trás , sobre as patas traseiras . Um fantasma grande em a frente , cuja cabeça barbuda estava debaixo de o braço , soprando a trompa , desmontou , levantou a cabeça bem em o ar para poder ver toda_a assistência ( todos se riam ) e dirigiu se a o Nick quase sem cabeça , comprimindo a cabeça contra o pescoço . - Bem-vindo , Patrick - disse o Nick , mantendo a sua postura rígida . - Gente viva ! - exclamou o Sir_Patrick , avistando Harry , Ron e Hermione e dando um salto de falso espanto , de_tal_modo_que a cabeça lhe caiu de_novo ( a multidão ria a bom rir ) . - Muito engraçado - disse o Nick quase sem cabeça com um ar soturno . - Não ligues a o Nick - gritou a cabeça de Sir_Patrick de o chão . - Ainda está aborrecido por não o deixarmos juntar se a o grupo . Mas olhem bem para ele ... - Eu acho - disse apressadamente Harry , a seguir a um olhar de o Nick - que o Nick é muito assustador e ... eu ... - Bah ! - gritou a cabeça de Sir_Patrick . - Aposto que ele te pediu que dissesses isso . - Gostaria de ter a vossa atenção . Chegou a altura de fazer o meu discurso - disse o Nick quase sem cabeça bem alto , dirigindo se a o pódio , subindo e parando , iluminado por uma luz azul . - Os meus sentimentos , senhores e senhoras , é com profundo pesar ... Mas já ninguém estava a ouvi o . Sir_Patrick e o resto de o grupo de os Sem - _ Cabeça tinham iniciado um jogo de hóquei de cabeça e a multidão voltara se para os observar . Nick quase sem cabeça tentou em vão recuperar a audiência , mas acabou por desistir quando a cabeça de Sir_Patrick passou por ele a_toda_a velocidade gritando vivas . Harry estava cheio de frio para não falar de a fome . - Não aguento mais isto - murmurou Ron a bater o dente enquanto a orquestra voltava a entrar em acção e os fantasmas enchiam de_novo a pista de dança . - Vamos embora - concordou Harry . Recuaram até a a porta , acenando e sorrindo a todos os que olhavam para eles e um minuto depois passavam apressadamente por a entrada cheia de velas negras . - Talvez o pudim ainda não tenha acabado - disse o Ron cheio de esperança , abrindo caminho em direcção a os degraus de o vestíbulo de a entrada . E foi então que Harry ouviu aquilo . - ... * _ Arrancar ... rasgar ... matar * ... Era a mesma voz , a mesma voz fria e assassina que ouvira em o escritório de Lockhart . Parou , agarrando se a a parede de pedra em a expectativa de ouvir melhor , olhando em volta , espreitando para_cima e para baixo de a passagem mal iluminada . - Harry que estás tu a ... ? - E aquela voz outra_vez , calem se um bocadinho . -- ... * _ Tanta fome ... há tanto tempo * ... - Ouçam insistiu Harry e Ron e Hermione ficaram estáticos a olhar para ele . - * _ Matar ... hora de matar * ... A voz ia ficando mais débil . Harry tinha a certeza de que ela estava a afastar se , a subir . Um misto de medo e excitação tomou posse de ele enquanto olhava para o tecto escuro . Como poderia ele subir ? Seria um fantasma para quem os tectos de pedra não contavam ? - Por aqui - gritou , começando a correr por as éscadas acima até a a entrada de o * hall * . Não havia hipótese de ouvir fosse o que fosse ali , o barulho de vozes que vinha de o banquete de o * _ Hallowe'en * ecoava cá fora . Harry subiu a correr a escadaria de mármore até a o primeiro andar com Ron e Hermione ruidosamente atrás . - Harry o que é_que nós ... ? - Sch ... Harry apurou o ouvido . Ao_longe , em o andar de cima , e ainda a enfraquecer , mesmo_assim ouviu a voz : - ... * Cheira-me a sangue ... cheira me a sangue ! * O estômago deu lhe uma volta . - Ele vai matar alguém - gritou e ignorando as caras perplexas de Ron e Hermione , correu , subindo mais um lanço de escadas , a três_e_três , tentando ouvir através de o ruído de os seus próprios passos . Harry correu a_toda_a velocidade pelo segundo andar com Ron e Hermione atrás e só parou quando viraram uma esquina para o último corredor abandonado . - Harry , o que foi aquilo tudo ? - perguntou o Ron , limpando o suor de o rosto . - Eu não ouvi nada ... Mas Hermione , em um sobressalto , apontou para o fundo de o corredor . - Olhem ! Alguma coisa brilhava em a parede em frente . Aproximaram se devagarinho , tentando ver em a escuridão . Alguém escrevera em letras garrafais em a parede entre duas janelas . As palavras brilhavam a a chama fraca de as tochas . : __ a câmara de os segredos foi aberta . inimigos de o herdeiro , __ cuidado . - O que é aquilo pendurado por baixo de as letras ? - perguntou Ron com um tremor em a voz . Quando se aproximaram , Harry quase escorregou . Havia uma grande poça de água em o chão . Ron e Hermione agarraram o e avançaram cautelosamente até a a mensagem , os olhos fixos em uma sombra escura , em baixo . Aperceberam se os três de imediato do_que se tratava e deram um salto para trás , salpicando tudo de água . Mrs._Norris , a gata de o encarregado , estava pendurada por a cauda em o suporte de a tocha . Tinha o corpo rígido como uma tábua e os olhos abertos . Durante alguns segundos ninguém se mexeu . Depois o Ron disse : - Vamos sair de aqui . - Não devíamos tentar ajudar ? - propôs Harry , sem graça . - Acredita - assegurou o Ron . - É melhor que não nos encontrem aqui . Mas era tarde de mais . Um ruído surdo e prolongado , como um trovejar distante , avisou os de que o festim tinha terminado . De ambos os lados de o corredor onde eles estavam , veio o som de centenas de pés a subirem a escadaria e as vozes alegres de gente bem alimentada . Em o momento seguinte os alunos chegavam junto de eles de ambos os lados . O burburinho morreu subitamente mal as pessoas avistaram a gata pendurada . Harry , Ron e Hermione estavam de pé , sozinhos , em o meio de o corredor quando se fez silêncio em a multidão de estudantes que se empurravam para observar aquele quadro macabro . Então alguém gritou , quebrando o silêncio . - Inimigos de o herdeiro , cuidado . Vocês serão os próximos , sangue de lama ! Era_Draco_Malfoy . Estava a a frente de a multidão com os olhos frios a brilhar , a sua cara habitualmente pálida agora afogueada , sorrindo a a vista de a gata pendurada e imóvel . IX_As palavras em a parede -- O que é_que se passa aqui ? O que é_que se passa ? Sem dúvida , atraído por o grito de Malfoy , Argus_Filch apareceu a coxear em o meio de a multidão . Quando viu Mrs._Norris , caiu para trás agarrando o rosto com verdadeiro horror . - A minha gata ! A minha gata ! O que aconteceu a Mrs._Norris ? - gritou . E os seus olhos rápidos caíram sobre Harry . - Tu - guinchou ele . - Mataste a minha gata ! Mataste a , vou dar cabo de ti , eu ... - Argus . Dumbledore tinha chegado a o lugar , seguido de alguns professores . Em poucos segundos tinha passado a a frente de Harry , Ron e Hermione e desatado Mrs._Norris de o suporte de a tocha . - Vem comigo , Argus - disse ele a o Filch . - Vocês também , Mr._Potter , Mr._Weasley e Miss_Granger . Lockhart deu rapidamente um passo em frente . - O meu escritório é o que está mais perto , senhor director , é já aqui em cima , por favor fiquem a a vontade . - Obrigado , Gilderoy - disse Dumbledore . A multidão silenciosa dividiu se para os deixar passar . Lockhart sentindo se excitado e importante , seguia Dumbledore assim_como a professora Mc_Gonagall e o professor Snape . Quando entraram em o escritório escuro de Lockhart houve uma grande agitação em as paredes . Harry viu várias imagens de Lockhart a esconderem se cheias de rolos em o cabelo . O Lockhart em pessoa acendeu as velas e chegou se mais para trás . Dumbledore pôs Mrs._Norris em a superfície polida de a secretária e começou a examiná a . Harry , Ron e Hermione trocaram olhares tensos entre si e deixaram se cair em as cadeiras que se encontravam longe de a luz , a observar . A ponta de o nariz longo e adunco de Dumbledore estava a menos_de dois centímetros de o pêlo de Mrs._Norris . Ele olhava a de perto através de os óculos de meia-lua , os dedos longos a palpar e tactear suavemente . A professora Mc_Gonagall estava quase tão perto como ele , com os olhos contraídos . Snape surgia mais atrás , meio em a sombra , com uma expressão estranha em o rosto , como_se tentasse a_toda_a força sorrir . E Lockhart andava de um lado para o outro a dar sugestões . - Foi sem dúvida uma maldição que a matou , provavelmente a tortura de a metamorfose . Vi a muitas_vezes ser usada , mas infelizmente eu não estava lá quando isto aconteceu . Conheço o antídoto para essa maldição , o que a teria salvo . Os comentários de Lockhart foram interrompidos por os soluços secos e violentos de Filch . Estava afundado em uma cadeira junto de a secretária , incapaz de olhar para Mrs._Norris , com o rosto em as mãos . Por mais que detestasse Filch , Harry não pôde deixar de sentir pena de ele embora não tanta quanto_a que sentia por si próprio . Se Dumbledore acreditasse em o Filch ele seria certamente expulso . O director estava agora a sussurrar umas palavras estranhas e batendo em Mrs._Norris com a varinha , mas não aconteceu nada , ela continuou com o mesmo aspecto , como_se tivesse sido empalhada . - ... Lembro me de uma coisa semelhante que aconteceu em Ouagadogou - disse LockLart . - Uma série de ataques . Conto essa história em a minha autobiografia . Eu dei a a gente de a cidade vários amuletos que resolveram logo a situação ... As fotografias de Lockhart em as paredes iam acenando afirmativamente com a cabeça enquanto ele falava . Uma de elas esquecera se de tirar os rolos de o cabelo . Por fim , Dumbledore endireitou se . - Ela não está morta , Argus - disse suavemente . Lockhart interrompeu bruscamente a contagem de os crimes que conseguira evitar . - Não está morta ? - disse Filch em um sufoco , olhando através de os dedos para Mrs._Norris . - Mas , porque está ela rígida e gelada ? - Foi petrificada - disse Dumbledore ( Ah ! foi o que eu pensei ! - comentou Lockhart ) mas como , não posso afirmar . - Pergunte lhe - gritou Filch , voltando a cara cheia de furúnculos e lágrimas para Harry . - Nenhum aluno de o segundo ano poderia ter feito isto - explicou Dumbledore . - Era preciso um grande conhecimento de magia negra . - Foi ele , foi ele - disse encolerizado o encarregado com a cara a ficar roxa . - O senhor viu o que ele escreveu em a parede . Ele descobriu em o meu gabinete , ele sabe que eu sou um ... - O rosto de Filch estava horrível . - Ele sabe que eu sou um * _ busca-pé * - disse por fim . - Eu não toquei em a Mrs._Norris - gritou Harry com todos os olhares a recaírem sobre ele , incluindo o de todos os Lockharts de a parede . - E eu nem sei o que é um * busca-pé * . - Mentira ! - gritou Filch . - Ele viu a minha carta de o feitiço rápido . - Se me permite que dê a minha opinião , senhor director - disse Snape , saindo de a sombra , e a sensação de mau presságio de Harry aumentou bastante . Certamente nada do_que Snape tinha para de dizer iria ajudá o . - O Potter e os amigos podiam estar simplesmente em o lugar errado em a altura errada - afirmou com um leve sorriso a torcer lhe a boca como_se tivesse as suas dúvidas . - Mas , temos aqui um conjunto de circunstâncias curiosas . Porque estavam eles afinal em o corredor ? Porque não estiveram presentes em a festa de o * _ Hallowe'en * ? Harry , Ron e Hermione começaram uma longa explicação sobre a festa de o dia de os mortos . - Estavam lá centenas de fantasmas , eles poderão confirmar que lá estivemos ... - Mas porque não foram a seguir a o banquete ? - perguntou Snape com os olhos pretos a brilharem a a luz de as velas . - Porquê ir até a aquele corredor ? Ron e Hermione olharam para Harry . - Porque , porque ... - balbuciou Harry , com o coração a querer saltar lhe de o peito , mas algo lhe disse que ia parecer muito rebuscado se lhes contasse que tinha sido levado até ali por uma voz sem corpo que só ele conseguia ouvir . - Porque estávamos cansados e queríamos ir para a cama - disse . - Sem jantar ? - inquiriu Snape com um sorriso triunfante a bailar lhe em o rosto lúgubre . - Não sabia que os fantasmas ofereciam em as suas festas comida para gente viva . - Não estávamos com fome - disse o Ron bem alto , enquanto o estômago se queixava de forma audível . O sorriso mesquinho de a Snape ampliou se . - Acho , senhor director , que Potter não está a dizer toda_a verdade - afirmou . - Talvez fosse boa ideia retirar lhe alguns privilégios , até ele estar disposto a contar nos a história toda . Pessoalmente , sugiro que seja retirado de a equipa de os Gryffindor até decidir ser honesto . - Francamente , Severus - exclamou a professora Mc_Gonagall com uma voz cortante . - Não vejo porquê impedir o rapaz de jogar Quidditch . Esta gata não levou pauladas em a cabeça dadas por nenhum cabo de vassoura . E não há provas de que o Potter tenha feito algo de mal . Dumbledore observava Harry com um olhar perscrutador . A voz tremeluzente de os seus olhos azuis fez Harry sentir que estava a ser passado a raios X. - Inocente até se provar que é culpado , Severus - disse com segurança . Snape estava furioso , assim_como Filch . - A minha gata foi petrificada ! - berrou , com os olhos a saltarem de as órbitas . - Quero ver um castigo ! - Vamos poder curá a , Argus - explicou pacientemente Dumbledore . - Madam_Sprout conseguiu arranjar algumas Mandrágoras . Logo_que tenham atingido o tamanho adulto , terei uma poção de Mandrágoras que reanimará Mrs._Norris . - Eu posso fazê a - interrompeu Lockhart . - Devo ter feito isso uma centena de vezes . Preparo uma golada de Mandrágora reconstituinte de olhos fechados ... - Perdão - disse Snape friamente -- , mas julgo que o professor de poções de esta escola ainda sou eu . Houve um silêncio bastante incómodo . - Vocês podem ir se embora - disse Dumbledore a o Harry , Ron e a Hermione . Eles saíram o mais depressa que puderam , sem ir a correr . Quando chegaram a o andar acima de o escritório de Lockhart , entraram em uma sala de aulas vazia e fecharam a porta devagarinho . Harry lançou um olhar de esguelha a as caras carrancudas de os amigos . - Acham que eu lhes devia ter falado de a voz que ouvi ? - Não - respondeu Ron , sem a mínima hesitação . - Ouvir vozes que mais ninguém ouve , não é bom sinal , nem em o mundo de os feiticeiros . Algo em a voz de Ron levou Harry a fazer a pergunta : - Tu acreditas em mim , não acreditas ? - Claro que sim - respondeu o Ron de imediato . - Mas tens de concordar que é esquisito ... - Eu sei que é esquisito - confirmou Harry . - É tudo esquisito . O que era aquilo escrito em a parede ? * _ A_Câmara foi aberta * , o que é_que significa ? - Sabes , faz me lembrar qualquer coisa - disse Ron lentamente . - Acho que alguém me contou uma história sobre uma câmara secreta em Hogwarts , talvez tenha sido o Bill ... - E que diabos é um * busca-pé * ? - perguntou Harry . Para sua surpresa , Ron abafou o riso . - Bem , em a verdade não tem graça nenhuma , mas como é o Filch ... - disse . - Um * busca-pé * é alguém que nasceu de uma família de feiticeiros , mas não tem poderes mágicos . É uma espécie de o oposto de os que vêm de famílias de Muggles , mas são feiticeiros . Os * busca-pé * são muito raros . Se o Filch está a tentar aprender magia em um curso rápido , acho que ele deve ser mesmo um busca-pé . Isso explicaria tudo , por_exemplo , porque detesta tanto os estudantes . - Ron sorriu satisfeito . - Tem inveja . Um relógio deu as horas , algures . - Meia-noite - disse Harry . - É melhor irmo nos deitar , antes que o Snape apareça e tente acusar nos de qualquer coisa . Durante alguns dias não se falou de outra coisa em a escola a não ser de o ataque a a gata , Mrs._Norris . Filch manteve o sucedido bem fresco em a memória de todos , andando de um lado para o outro em o lugar onde ela fora atacada , como_se esperasse por o responsável . Harry vira o esfregar a mensagem de a parede com a « solução removedora de toda_a porcaria mágica Mrs._Skower » , mas sem qualquer resultado . As palavras continuavam a brilhar tanto como antes sobre a pedra . Quando Filch não estava a patrulhar a cena de o crime , vagueava , de olhos avermelhados , por os corredores , perseguindo alunos insuspeitos e tentando aplicar lhes castigos por coisas como « respirar muito alto » ou « estar alegre » . Ginny_Weasley parecia muito perturbada com o destino de Mrs._Norris . Segundo Ron ela era uma amante de gatos . - Mas tu nem chegaste a conhecer bem Mrs._Norris - disse lhe Ron para a animar . - Com toda_a franqueza , estamos muito melhor sem ela . - O lábio de Ginny tremeu . - Não é costume acontecerem coisas de estas em Hogwarts - tranquilizou a . - Eles vão descobrir o safado que fez aquilo e põem o de aqui para fora em três tempos . - Só espero que tenha tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso . Estou a brincar , claro - acrescentou o Ron apressadamente a o ver a Ginny a empalidecer . O ataque afectara também Hermione . Era costume de ela passar muito_tempo a ler , mas agora parecia não fazer mais_nada . Nem respondia a o Harry e a o Ron quando lhe perguntavam o que estava a fazer e só acabaram por descobrir em a quarta-feira seguinte . Harry tivera de ficar até mais tarde em a sala de poções onde Snape o mandara raspar restos de larvas de as secretárias . Depois de um almoço comido a a pressa , ele foi lá acima encontrar se com Ron em a biblioteca e viu Justin_Finch - _ Fletchley , o rapaz de os Hufflepuff de herbologia que vinha em direcção a ele . Harry tinha acabado de abrir a boca para dizer um « Olá » quando Justin o viu , voltando se bruscamente e mudando de direcção . Harry foi encontrar o Ron em as traseiras de a biblioteca , a medir o trabalho de casa de história de a magia . O professor Binns pedira uma composição sobre a Assembleia_Medieval_de_Feiticeiros_Europeus com 90cm . De extensão . - Não posso crer que ainda me faltem 16cm - disse o Ron furioso , largando o pergaminho que se enrolou em forma de tubo - e que a Hermione fez um metro e trinta em aquela letra pequenina e apertadinha . - Onde está ela ? - perguntou Harry , agarrando em a fita métrica e desembrulhando o seu trabalho de casa . - Algures por aí - disse o Ron , apontando para as estantes . - _ a a procura de outro livro . Acho que ela está a tentar ler a biblioteca toda antes de o Natal . Harry contou a Ron que Justin_Finch - _ Fletchley tinha evitado falar lhe . - Não sei porque te preocupas com isso . Eu achei o um idiota - disse o Ron , escrevinhando e fazendo a letra o maior possível . - Todo aquele disparate sobre o Lockhart ser tão grande ... Hermione surgiu de o meio de as estantes . Parecia irritada e disposta , por fim , a falar com eles . - Todos os exemplares de * _ Hogwarts : Uma História * foram requisitados - disse , sentando se ao_lado_de Harry e Ron . - E há uma lista de espera de duas semanas . Quem me dera não ter deixado o meu exemplar em casa , mas não consegui que coubesse em a mala com todos os livros de o Lockhart . - Para que o queres ? - perguntou Harry . - Pelo mesmo motivo que toda_a_gente o quer - disse Hermione . - Para ler a lenda de a Câmara_dos_Segredos . - O que é isso ? - Precisamente . Não me lembro - disse Hermione , mordendo o lábio . - E não encontro a História em lugar nenhum . - Hermione , deixa me ler o teu trabalho - pediu Ron desesperado , olhando para o relógio . - Não , não deixo - respondeu Hermione com um ar severo . - Tiveste dez dias para o fazer . - Só preciso de mais quatro centímetros , vá lá ... A campainha tocou . Ron e Hermione encaminharam se para a História_da_Magia , discutindo . A História_da_Magia era a matéria mais chata de o programa . O professor Binns , que dava a cadeira , era o único professor fantasma e a coisa mais excitante que aconteceu em as suas aulas foi o dia em que entrou por o quadro preto . Já velho e enrugado , muita gente afirmava a seu respeito que ele não dera por_que tinha morrido . Pura e simplesmente levantara se um dia para ir dar aulas , deixando o corpo atrás , em um cadeirão em frente de a lareira de a sala de os professores . Desde esse dia a sua rotina mantivera se igual . Era hoje tão chato como fora sempre . Abriu as notas e começou a ler em um tom monocórdico como um velho aspirador até quase todos os alunos estarem em um estado de profunda dormência , acordando de vez em quando , para tomar nota de um nome ou de uma data , e voltando a adormecer . Estava a falar havia meia_hora quando aconteceu algo que nunca tinha acontecido . Hermione pôs o braço em o ar . O professor Binns olhou de relance , em o meio de a chatíssima aula sobre a Convenção_Internacional_de_Feiticeiros de 1289 , verdadeiramente espantado . - Miss ... er ... ? - Granger , professor . Poderia dizer nos alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Hermione em uma voz bem audível . O Dean_Thomas , que tinha estado sentado de boca aberta olhando para fora de a janela , saiu de o seu transe com um salto . A cabeça de Lavender_Brown saiu de os braços e o cotovelo de o Neville_Longbottom escorregou para fora de a secretária . O professor Binns piscou os olhos . - A minha matéria é História_da_Magia - disse em a sua voz seca e asmática . - Eu trato de factos , Miss_Granger , não de mitos e lendas - pigarreou produzindo um ruído que parecia o giz sobre o quadro e continuou : - Em Setembro de esse ano , uma subcomissão de feiticeiros de a Sardenha ... Parou de repente . A mão de Hermione estava de_novo em o ar . - Sim , Miss_Grant ? - Por favor , professor , as lendas não têm sempre um facto como base ? O professor Binns olhava para ela com tal espanto que Harry teve a certeza de que ele nunca , em tempo algum , fora interrompido por um aluno . - Bem - disse lentamente o professor Binns . - Sim , é uma afirmação que pode fazer se . - Olhou para Hermione como_se fosse a primeira vez que olhasse a sério para um estudante . - Contudo , a lenda de que me fala é tão extraordinária , mesmo grotesca ... Mas a aula inteira estava agora atenta a as palavras de o professor , que olhou indistintamente para todos eles . Harry poderia assegurar que ele estava absolutamente abismado por uma tão grande demonstração de interesse . - Muito bem - disse lentamente . - Ora vejamos ... a Câmara_dos_Segredos . Todos vocês sabem com certeza que Hogwarts foi fundada há mais de um_milhar de anos , não se conhece ao_certo a data , por os quatro maiores feiticeiros e feiticeiras de a época : Godric_Gryffindor , Helga_Hufflepuff , Rowena_Ravenclaw e Salazar_Slytherin . Construíram juntos este castelo , longe de os olhares curiosos de os Muggles porque em aquele tempo a magia era temida por as pessoas comuns e as bruxas e feiticeiros sofriam terríveis perseguições . Fez uma pausa , olhou indeciso em volta e prosseguiu : - Durante alguns anos , os fundadores trabalharam juntos em harmonia procurando outros mais novos que mostrassem sinais de possuir dotes mágicos e trazendo os para o castelo para aqui serem ensinados . Mas os desentendimentos surgiram entre eles . Começou a notar se uma divisão entre Slytherin e os outros . Salazar_Slytherin queria ser mais selectivo em relação a os alunos a serem admitidos em Hogwarts . Achava que os ensinamentos de magia deviam ficar dentro de as famílias de feiticeiros . Não lhe agradava a entrada em a escola de alunos de famílias Muggles porque os achava pouco dignos de confiança . Depois de algum tempo houve uma séria discussão sobre esse assunto entre Slytherin e Gryffindor e Slytherin abandonou a escola . O professor Binns fez uma nova pausa , fazendo beicinho o que o fazia parecer uma tartaruga enrugada . - Fontes fidedignas referem nos isto - disse . - Mas estes factos foram obscurecidos por a fantasiosa lenda de a Câmara_dos_Segredos . Conta a história que Slytherin construíra uma câmara oculta dentro de o castelo cuja existência os outros fundadores ignoravam . De_acordo com a lenda , Slytherin selou a Câmara_dos_Segredos para que ninguém pudesse abri a até o seu verdadeiro herdeiro chegar a a escola . O herdeiro , e apenas ele , poderia abrir a Câmara_dos_Segredos , libertar o horror que lá se encontrava e utilizá o para expurgar a escola de todos aqueles que eram indignos de aprender magia . Houve um silêncio quando ele se calou que não era o habitual silêncio de sono de as aulas de o professor Binns . Havia um desassossego em o ar enquanto todos continuavam a olhá o a a espera de mais . O professor Binns estava ligeiramente aborrecido . - A história toda é um disparate , claro - disse ele . - A escola foi revistada por várias vezes em busca de provas de a existência de essa câmara , por os feiticeiros e bruxas mais conhecedores . Não existe nada . Uma lenda que serviu apenas para assustar os ingénuos . A mão de Hermione estava novamente em o ar . - Professor , o que quer_dizer , ao_certo com « o horror que estava dentro de a câmara » ? - Acredita se que seja uma espécie de monstro que só o herdeiro de Slytherin pode controlar - disse o professor Binns em a sua voz seca e débil . A aula trocou entre si olhares inquietos . - Como vos digo , a coisa não existe - afirmou o professor Binns , desordenando as suas notas . - Não há câmara e não há monstro . - Mas , professor - disse Seamus_Finnigan . - Se a câmara só podia ser aberta por o herdeiro de Slytherin ninguém mais poderia encontrá a . Não é ? - Um disparate pegado - disse o professor Binns , em um tom de voz exasperado . - Se uma longa sucessão de directores e directoras de Hogwarts não a encontraram ... - Mas , professor - começou a dizer Parvati_Patil . Se_calhar é preciso usar magia negra para a abrir ... - Lá porque um feiticeiro não usa magia negra não quer_dizer que não possa , Miss_Pennyfeather - interrompeu o professor Binns . - Repito , se os antecessores de Dumbledore ... - Mas talvez seja preciso fazer parte de os Slytherin , por isso Dumbledore não podia ... - começou Dean_Thomas , mas o professor Binns já estava farto . - Já chega - disse , de modo cortante . - É um mito . Não existe . Não há uma única prova de que Slytherin tenha construído nem mesmo uma despensa para vassouras . Lamento ter vos contado esta história tola . Vamos voltar , se fazem o favor , a a História , a os factos sólidos , verificáveis , credíveis . E em menos_de cinco minutos toda_a classe mergulhara em a sua sonolência habitual . - Eu sempre ouvi dizer que Salazar_Slytherin era um velho retorcido e meio pateta - disse Ron_a_Harry e Hermione enquanto abriam caminho por os corredores cheios , em o final de a aula , para ir arrumar as malas antes de o jantar . - Mas não sabia que ele tinha começado esta coisa de o sangue puro . Eu não ia para os Slytherin nem que me pagassem . Se o chapéu seleccionador me tivesse posto lá , pegava em as malas e ia me embora ... Hermione acenou vivamente , mas Harry não abriu a boca . O estômago parecia ter dado uma volta . Harry nunca contara a o Ron e a a Hermione que o chapéu seleccionador tinha considerado seriamente a possibilidade de o colocar em os Slytherin . Lembrava se como_se tivesse sido em a véspera do_que a vozinha lhe dissera a o ouvido quando pôs o chapéu em a cabeça , um ano antes . * _ Podias vir a ser grande , sabes ? Está tudo aqui em a tua cabeça e Slytherin ajudaria te em o caminho para a grandeza , sem a menor dúvida * ... Mas Harry , que já ouvira falar de a fama de o grupo de os Slytherin de formar magos negros , pensou desesperadamente . - Em os Slytherin , não ! - E o chapéu tinha dito . - Bem , se tens assim tanta certeza ... será melhor os Gryfffndor . Enquanto eram empurrados por a multidão , Colin_Creevey passou por eles . - Olá , Harry ! - Olá , Colin - disse Harry automaticamente . - Harry , Harry , um rapaz de a minha turma tem andado a dizer que tu és ... Mas Colin era tão baixinho que não conseguiu lutar contra a maré de gente que o arrastou até a o vestíbulo . Ouviram o despedir se : - Adeus , Harry - e desaparecer . - O que é_que o rapaz de a turma de ele disse de ti ? - quis saber Hermione . - Que eu sou o herdeiro de Slytherin , imagino - disse Harry , com o estômago ainda a as voltas e lembrou se de repente de o Justin_Finch - _ Fletchley a fugir para não lhe falar , a a hora de o almoço . - As pessoas aqui acreditam em tudo - disse o Ron com repugnância . A multidão diminuiu e conseguiram subir as escadas sem dificuldade . - Achas mesmo_que existe uma Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Ron_a_Hermione . - Não sei - respondeu ela , franzindo a testa . - Dumbledore não conseguiu curar Mrs._Norris e isso leva me a pensar que o que a atacou pode não ser ... humano . Enquanto falava , voltaram uma esquina e encontraram se em o fim de aquele mesmo corredor onde o ataque tinha ocorrido . Pararam para olhar . Estava tudo igual a aquela outra noite , com excepção de a gata Mrs._Norris e havia uma cadeira vazia encostada a a parede , onde podia ler se a mensagem « : __ a câmara foi __ aberta » . - Foi aqui que o Filch montou a guarda - murmurou Ron . Olharam uns para os outros . O corredor estava deserto . - Não deve fazer mal dar uma olhadela aqui - disse Harry , deixando cair a mala e pondo se de quatro para poder gatinhar em busca de pistas . - Marcas de queimadura - disse - aqui e aqui ... - Venham ver isto ! - chamou Hermione . - Que estranho ... Harry levantou se e foi até a a janela que ficava junto de a mensagem . Hermione apontava para o vidro mais alto , onde cerca de uma vintena de aranhas se debatiam em uma aparente luta por atravessar por uma pequena brecha de vidro . Um longo fio prateado balouçava como uma corda , como_se todas tivessem trepado , em a ânsia de chegar lá fora . - Alguma vez viram aranhas agir assim ? - perguntou Hermione , curiosa . - Não - respondeu Harry . - E tu , Ron ? Ron ? Olhou por cima de o ombro . Ron estava de costas , bem lá atrás e parecia lutar contra o impulso de se virar . - O que é_que se passa ? - perguntou Harry . - Eu não gosto de aranhas - disse Ron , de modo tenso . - Nunca me tinhas dito - comentou Hermione , olhando para ele com surpresa . - Estás farto de usar aranhas em as poções ... - Não me importo quando estão mortas - explicou Ron que olhava cautelosamente para todos os lados , menos para a janela . - Não gosto de a maneira como_se mexem . Hermione riu se baixinho . - Não tem graça nenhuma - disse o Ron , furioso . - Se queres saber , quando eu tinha três anos , o Fred transformou o meu ursinho de pelúcia em uma enorme aranha nojenta , por eu lhe ter partido a vassoura de brinquedo . Tu também não gostarias de aranhas se estivesses agarrada a o teu ursinho e , de repente , ele tivesse uma data de pernas e ... Começou a tremer ... Hermione ainda estava a tentar conter o riso . Sentindo que era melhor mudarem de assunto , Harry perguntou : - Lembram se de a água que havia aqui em o chão ? De onde terá vindo ? Alguém a limpou . - Era por aqui - disse o Ron , já recuperado , avançando alguns passos em direcção a a cadeira de o Filch e apontando . - Junto de esta porta . Estendeu a mão para o puxador de a porta , mas retirou a de imediato , como_se se tivesse queimado . - O que foi ? - perguntou Harry . - Não posso entrar aí - disse o Ron bruscamente . - É a casa_de_banho de as raparigas . - Oh , Ron , não está aí ninguém - sossegou o Hermione enquanto se aproximava . - É o lugar de a Murta_Queixosa . Anda , vamos dar uma espreitadela . E ignorando o grande letreiro que dizia « Fora de serviço » Hermione abriu a porta . Era a casa_de_banho mais sombria e deprimente em que Harry tinha posto os pés durante toda_a sua vida . Debaixo_de um grande espelho partido e sujo podia ver se uma fila de lavatórios de pedra , rachados . O chão estava húmido e reflectia a luz fraca de os pavios de algumas velas que ardiam baixinho em os suportes . As portas de madeira de os cubículos estavam todas lascadas e riscadas e uma de elas balouçava fora de as dobradiças . Hermione levou os dedos a os lábios e foi até a o último cubículo . Quando lá chegou disse : - Olá , Murta , como estás ? Harry e Ron foram ver . A Murta_Queixosa flutuava em a cisterna de a casa_de_banho , tirando um ponto negro de o queixo . - Esta é a casa_de_banho de as raparigas - disse a o ver o Ron e o Harry . - Eles não são raparigas . - Não - concordou Hermione . - Eu só queria mostrar lhes como esta casa_de_banho é ... er ... simpática . Ela fez um aceno vago a o velho espelho sujo e a o chão húmido . - Pergunta lhe se viu alguma coisa - sussurrou o Ron a a Hermione . - Porque estão a dizer segredinhos ? - perguntou a Murta , fitando o . - Não é nada - disse Harry rapidamente . - Queríamos perguntar ... - Gostava que as pessoas parassem de falar em as minhas costas ! - desabafou a Murta em uma voz abafada por as lágrimas . - Eu tenho sentimentos , sabem , apesar_de estar morta . - Murta , ninguém quis aborrecer te - explicou Hermione . - O Harry só ... - A minha vida foi uma infelicidade em este lugar e agora as pessoas vêm estragar a minha morte . - Nós queríamos perguntar te se tinhas visto alguma coisa estranha ultimamente - disse Hermione sem perder tempo . - Porque foi atacada uma gata mesmo aqui a a frente de a tua porta em a noite de o * _ Hallowe'en * . - Viste alguém aqui perto em essa noite ? - insistiu Harry . - Não estava a prestar atenção - disse a Murta com ar dramático . - O Peeves aborreceu me tanto que vim aqui para tentar matar me . Só então me lembrei de que estou ... de que estou ... - Já morta - ajudou o Ron . A Murta soluçou tragicamente , elevou se em o ar , voltou se e mergulhou de cabeça em a sanita , espalhando água por_cima_de todos eles e desaparecendo . Por o som de os seus soluços abafados fora certamente descansar algures em o cano em forma de V._Harry e Ron ficaram de boca aberta , mas Hermione encolheu os ombros de cansaço e disse : - Se querem saber , para a Murta isto até foi alegre ... vá , vamos embora . Harry tinha acabado de fechar a porta deixando atrás os soluços gorgolejantes de a Murta quando uma voz forte o fez dar um salto . - RON ! Percy_Weasley estava parado em o cimo de as escadas com o seu distintivo de prefeito a brilhar e uma expressão chocadíssima em o rosto . - Isso é a casa_de_banho de as raparigas ... o que é_que vocês ... ? - Estávamos só a dar uma vista de olhos - exclamou o Ron - a a procura de pistas ... Percy engoliu em seco , de uma maneira que fez Harry lembrar se de Mrs._Weasley . - Saiam imediatamente de aqui - disse , aproximando se de eles a passos largos e gesticulando agitadamente . - Não se preocupam com as aparências ? Voltar aqui enquanto toda_a_gente está a jantar ... - Porque não havíamos de estar aqui ? - perguntou cheio de vivacidade o Ron , parando de repente e olhando Percy em os olhos . - Ouve lá , nós não tocamos em aquela gata . - Isso foi o que eu tentei explicar a a Ginny - respondeu Percy furioso - mas ela parece continuar a pensar que vocês vão ser expulsos . Nunca a vi tão aflita . Não pára de chorar . Devias pensar em ela . Todos os alunos de o primeiro ano andam superexcitados com esta história . - Tu não estás nada preocupado com a Ginny - disse o Ron já com as orelhas vermelhas . - O que te assusta é_que eu possa estragar as tuas possibilidades de ser chefe de turma . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor ! - bradou Percy , apontando elegantemente para o distintivo de prefeito . - E espero que te sirva de lição . Acabou se o trabalho de detective ou escrevo a a mãe a contar lhe . E voltou lhes as costas , a nuca tão vermelha como as orelhas de o Ron . Harry , Ron e Hermione , em essa noite , sentaram se em a sala comum o mais longe possível de Percy . Ron estava ainda muito maldisposto e não parava de esborratar o trabalho de casa de os encantamentos . Quando pegou distraidamente em a varinha para tirar as manchas incendiou o pergaminho . A deitar quase tanto fumo como o seu trabalho de casa , fechou bruscamente o * _ Livro_Padrão_de_Encantamentos de o 2.o Grau * . Para grande surpresa de Harry , Hermione fez o mesmo . - Mas quem poderia ser - perguntou ela baixinho como_se continuasse uma conversa que tinham acabado de ter . - Quem quereria todos os * busca-pés * e filhos de Muggles fora de Hogwarts ? - Vamos pensar - disse o Ron em a brincadeira , fingindo estar confuso . - Quem poderemos nós conhecer que ache que os familiares de Muggles são escumalha ? Olhou para Hermione . Ela olhou para ele pouco convencida . - Se estás a pensar em o Malfoy ... - Claro que estou - disse o Ron . - Tu ouviste o dizer : - Vocês serão os próximos , sangues de lama ! - Aliás , basta olhar para aquela cara de renegado para saber que ele é ... - Malfoy , o herdeiro de Slytherin ? - repetiu Hermione cepticamente . - Olha para a família de ele - disse Harry , fechando também os livros . - Todos eles estiveram em os Slytherin . O Draco está sempre a vangloriar se de isso . Podiam bem ser descendentes de Slytherin . O pai de ele é suficientemente mau . - Podiam perfeitamente ter tido a chave de a Câmara_dos_Segredos durante séculos - disse Ron - , fazendo a passar de pai para filho . - Bem - acedeu Hermione cautelosamente . - Seria possível ... - Mas como prová o ? - perguntou Harry tristemente . - Talvez haja um meio - sugeriu Hermione lentamente , baixando ainda mais a voz e lançando um olhar , através de a sala , a Percy . - É claro que não é fácil . E é perigoso , muito perigoso . Suponho que iríamos infringir cerca de cinquenta regras de a escola . - Se de aqui a um mês ou dois te decidires a explicar , avisa , está bem ? - disse Ron , que começava a ficar irritado . - Está bem - concordou Hermione friamente . - O que precisaríamos de fazer para entrar em a sala comum de os Slytherin e fazer algumas perguntas a o Malfoy , sem ele perceber que éramos nós ? - Mas isso é impossível - declarou Harry , enquanto Ron se ria . - Não , não é - continuou Hermione . - Só precisamos de um_pouco de poção * polisuco * . - O que é isso ? - perguntaram ao_mesmo_tempo Ron e Harry . - O Snape falou de ela em uma aula , há poucas semanas atrás . - Achas que não temos mais o que fazer do_que ouvir o Snape ? - murmurou o Ron . - Transforma nos em outra pessoa . Pensem em isso : podíamos transformar nos em três de os Slytherin . Ninguém saberia que éramos nós . É provável que o Malfoy nos contasse alguma coisa . Aposto que ele está a gabar se , em este momento , em a sala de os Slytherin , se ao_menos pudéssemos ouvi o . - Essa coisa de o * polisuco * cheira me um bocado mal - disse o Ron , franzindo as sobrancelhas . - E se ficarmos com a forma de os três Slytherin para sempre ? - Desaparece a o fim de algum tempo - disse Hermione , gesticulando impacientemente com a mão - mas conseguir a receita é muito difícil . O Snape disse que vinha em um livro chamado * _ As_Mais_Potentes_Poções * e está com certeza em a parte de os reservados de a biblioteca . Só havia uma maneira de obter o livro de os reservados : era com uma autorização assinada por um professor . - Não estou a ver porque quereríamos o livro - disse o Ron . - Se não para tentar fabricar uma de as poções . - Eu acho - sugeriu Hermione - que se fizéssemos parecer que o nosso interesse era apenas teórico , talvez conseguíssemos ... - Estás a sonhar , nenhum professor ia cair em essa - afirmou o Ron . - Só se fosse muito burro . X_A * bludger * perigosa Depois de o desastroso incidente de os duendes , o professor Lockhart não voltou a levar seres vivos para as aulas . Em vez de isso , lia a os alunos passagens de os seus livros e , por vezes , voltava a desempenhar alguns de os episódios mais dramáticos . Costumava chamar Harry para o ajudar em essas reconstruções . Até ali Harry fora obrigado a desempenhar o papel de um camponês de a Transilvânia que Lockhart curara de uma maldição murmurada , o abominável homem de as neves com dores de cabeça e um vampiro que depois de ter conhecido Lockhart tinha ficado incapaz de comer outra coisa que não fosse alfaces . Harry foi chamado para a frente de a classe durante a aula de Defesa contra as artes negras que se seguiu . Desta_vez para desempenhar o papel de um lobisomem . Se não tivesse um bom motivo para querer ver o Lockhart bem-disposto , teria se recusado . - Um uivo bem alto , excelente , Harry , isso mesmo . E foi então que , acreditem ou não , eu o ataquei de repente , assim . Atirei o a o chão , agarrei o com uma mão e com a outra consegui meter lhe a varinha em a garganta . Então , com a força que me restava pus em prática o complicadíssimo encantamento * _ Homorphus * . Harry soltou um uivo tristíssimo . - Vá lá , Harry , mais alto . Bom ... o pêlo desapareceu , os dentes diminuíram de tamanho e ele transformou se em um homem . Simples , mas eficaz e mais uma cidade ficará a lembrar se de mim para sempre como o herói que os libertou de os ataques mensais de o lobisomem . A campainha tocou e Lockhart pôs se de pé . - Trabalho para_casa : escrever um poema sobre a minha vitória sobre o lobisomem Wagga_Wagga . Há um exemplar autografado de * _ Eu , o Mágico * para o autor de o melhor poema . Os alunos começaram a sair . Harry voltou para trás e foi juntar se a o Ron e a a Hermione que estavam a a espera de ele . - Prontos ? - perguntou . - Espera até saírem todos - disse Hermione bastante nervosa . - Pronto ... Aproximou se de a secretária de Lockhart , apertando em a mão uma folha de papel , com o Ron e o Harry atrás . - Er ... professor Lockhart - gaguejou Hermione . - Eu queria requisitar este livro em a biblioteca , como leitura de apoio - entregou lhe o papel , com a mão ligeiramente trémula . - Só que faz parte de a secção de os reservados , por isso preciso de a assinatura de um professor . Acho que o livro me vai ajudar a compreender o que o senhor diz em * _ Passeios com Vampiros * acerca de os venenos de acção lenta ... - Ah , * _ Passeando com Vampiros * - disse Lockhart , pegando em a folha de papel de Hermione e sorrindo lhe abertamente . - E provavelmente o meu livro preferido . Gostou ? - Oh , muito - disse Hermione avidamente . - Tão inteligente o modo como apanhou o último com o passador de o chá . - Bem , tenho a certeza que ninguém se importará que eu dê uma ajudazinha suplementar a a melhor aluna de o segundo ano - disse Lockhart calorosamente , sacando de uma enorme pena de pavão . - É bonita , não é ? - comentou , adivinhando uma expressão de repulsa em a cara de o Ron . - Costumo guardas a para as minhas assinaturas de autógrafos . Rabiscou uma enorme assinatura cheia de altos e baixos e entregou a a Hermione . - Então , Harry - disse Lockhart enquanto Hermione dobrava a folha e a guardava em o saco . - Amanhã é a primeira partida de Quidditch de este ano , não é ? Gryffindor contra Slytherin . Ouvi dizer que és um jogador indispensável . Eu também fui * seeker * . Convidaram me inclusivamente para fazer parte de a Equipa_Nacional , mas eu preferi dedicar a minha vida a a erradicação de as forças de o mal . Mesmo_assim , se alguma vez precisares de um treino particular , não hesites em falar comigo , estou sempre disponível para partilhar a minha perícia com os jogadores menos dotados do_que eu . Harry fez um som indistinto com a garganta e saiu atrás_de Ron e Hermione . - Não acredito - disse quando os três examinavam a assinatura de Lockhart . - Ele nem viu que livro nós queríamos . - É porque é um idiota sem miolos - explicou o Ron . - Mas , quem se rala , temos o que queríamos . - Ele não é um idiota sem miolos - gritou Hermione com voz esganiçada enquanto se aproximavam quase a correr de a biblioteca . - Só porque ele disse que eras a melhor aluna de o segundo ano ... Baixaram as vozes a o entrar em a quietude abafada de a biblioteca . Madam_Prince , a bibliotecária , era uma mulher magra e irritável que parecia um abutre mal nutrido . - * _ Moste_Potente_Potions * ? - repetiu intrigada , tentando ficar com a folha de papel que Hermione se recusava a entregar lhe . - Gostava de a guardar para mim - disse sem fôlego . - Vá lá - intercedeu Ron , arrancando lhe a de as mãos e entregando a a Madam_Prince . - Nós arranjamos te outro autógrafo . O Lockhart assina tudo se aqui ficar muito_tempo . Madam_Prince pegou em o papel e voltou o em a direcção de a luz , decidida a descobrir uma falsificação , mas a assinatura passou em o teste . Desapareceu entre as estantes e voltou alguns minutos mais tarde , transportando um livro grande e de aspecto antiquado . Hermione meteu o com todo o cuidado em o saco e saíram , tentando não andar depressa de mais nem aparentar um ar culpado . Cinco minutos depois , estavam de_novo barricados em a casa_de_banho fora de serviço de a Murta_Queixosa . Hermione destruíra as objecções de Ron argumentando que aquele era o último lugar onde alguém em o seu juízo perfeito se lembraria de ir e que poderia assegurar lhes alguma privacidade . A Murta_Queixosa chorava ruidosamente em o seu cubículo , mas eles conseguiram ignorá a assim_como ela a eles . Hermione abriu * _ Moste_Potente_Potions * com todo o cuidado e inclinaram se os três sobre as páginas manchadas de humidade . Era fácil de perceber , logo à_primeira_vista de olhos , porque pertencia a a secção de os reservados . Algumas de as poções tinham efeitos quase impensáveis de tão macabros e havia ilustrações bastante desagradáveis , como , por_exemplo , aquela em que um homem parecia ter sido virado de o avesso e a de a bruxa com vários pares de braços suplementares a nascerem lhe em a cabeça . - Aqui está - disse Hermione excitadíssima a o encontrar a página intitulada « A poção * polisuco * « . Estava ilustrada com imagens de pessoas a meio de o processo de se transformarem em outras pessoas e Harry desejou ardentemente que a expressão de dor intensa que se lhes espelhava em o rosto fosse apenas produto de a imaginação de o artista desenhador . - Esta é a poção mais complicada que vi até hoje - disse Hermione enquanto examinava a receita . - Moscas asas de renda , sanguessugas , fluxo de cizânias e verdezelha - murmurou , acompanhando com o dedo a lista de ingredientes . - Bem , esses são relativamente simples , há os em a despensa de material de os estudantes , podemos tirar a a nossa vontade . Oh ! Vê só , pó de chifre de bicórneo ... não sei onde vamos arranjar isto ... e , é claro , um pedacinho de a pessoa em quem queremos transformar nos . - Como ? - perguntou Ron de forma cortante . - O que é_que queres dizer com um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos ? Eu não bebo nada que tenha lá dentro as unhas de os pés de o Crabbe ... Hermione continuou como_se não o tivesse ouvido . - Mas não temos que nos preocupar com isso por enquanto . Fica para o fim . Ron voltou se sem palavras para o Harry que tinha uma preocupação de outro tipo . - Já viste bem tudo_o_que vamos ter que roubar , Hermione ? Algumas coisas , não estão de certeza em a despensa de material de os alunos . O que é_que vamos fazer , arrombar os armários pessoais de o Snape ? Não sei se será uma boa ideia ... Hermione fechou o livro com um estrondo . - Bem , se vocês os dois se vão acagaçar , então está lindo - disse ela . Tinha as bochechas rosadas e os olhos mais brilhantes do_que era habitual . - Eu não gosto de quebrar regras , vocês sabem , mas acho que ameaçar os filhos de os Muggles é muito pior do_que construir uma poção difícil . Mas se vocês não querem descobrir se é o Malfoy , eu posso voltar já a a biblioteca e entregar o livro a Madam_Prince ... - Nunca pensei que chegaria o dia em que serias tu a convencer nos a quebrar regras - disse o Ron . - Está bem , vamos em essa , mas sem unhas de os pés , O. _ K. ? - Quanto tempo vai isso demorar a fazer , afinal ? - perguntou Harry quando Hermione , já com um ar mais satisfeito , voltou a abrir o livro . - Bem , como o fluxo de cizânias tem de ser recolhido durante a lua cheia e as asas de renda têm de ser abafadas durante vinte_e_um dias ... eu diria que se conseguirmos arranjar todos os ingredientes estará pronta dentro_de um mês . - Um mês ? - exclamou o Ron . - Nessa_altura já o Malfoy terá atacado metade de os filhos de Muggles ! - mas os olhos de Hermione contraíram se de_novo assustadoramente e ele acrescentou rapidamente . - Mas é o melhor plano que temos , por isso é melhor não olharmos para trás . Apesar_de tudo , enquanto Hermione verificava que não havia ninguém em os corredores e podiam sair de a casa_de_banho , Ron murmurou a Harry : - Seria muito mais simples se conseguisses , amanhã , atirar o Malfoy de a vassoura abaixo . Harry acordou cedo em o sábado de manhã e ficou um bocado a pensar em a partida de Quidditch que vinha a seguir . Estava nervoso , principalmente pelo que Wood diria se os Gryffindor perdessem , mas também com a ideia de enfrentar uma equipa apetrechada com as vassouras mais velozes que existiam . Nunca desejara tanto vencer os Slytherin como em aquele dia . Depois de meia_hora deitado com a barriga a dar horas , resolveu levantar se , vestir se e descer para tomar o pequeno-almoço . Lá em baixo , encontrou o resto de a equipa de os Gryffindor amontoada a o longo de a mesa comprida e vazia , todos eles com ar preocupado e sem vontade de conversar . Como_se aproximavam as onze horas , todos os alunos de a escola começaram a dirigir se para o estádio de Quidditch . O dia estava quente e húmido , com uma ameaça de trovoada em o ar . Ron e Hermione vieram apressadamente desejar a Harry boa sorte mal ele entrou em os vestiários . A equipa de os Gryffindor pôs os seus mantos vermelhos e sentou se para ouvir o discurso que Wood lhes fazia sempre antes de o jogo . - Os Slytherin têm vassouras melhores do_que nós - começou . - Não há como negá o . Mas nós temos gente melhor em cima de as vassouras . Treinámos mais do_que eles , voamos com todas_as condições climatéricas ( É bem verdade - murmurou George_Weasley - desde Agosto que não sei o que é estar seco ) . - E vamos fazê os engolir o dia em que deixaram aquele nojento de o Malfoy comprar a entrada em a equipa de eles . Com o peito agitado por a comoção , Wood voltou se par Harry . -- Cabe te a ti , Harry , mostrar lhes que um * seeker * tem de ter mais do_que um pai rico . Agarra a * snitch * antes d Malfoy ou morre a tentar porque temos absolutamente que vencer , hoje , Harry , temos que vencer . - Sem ansiedade , Harry - disse o Fred , piscando lhe o olho . Quando saíram em direcção a o campo , foram saudado por uma grande ovação principalmente de a parte de os Ravenclaw e de os Hufflepuff que estavam ansiosos por ver os Slytherin serem derrotados , mas os Slytherin que estavam entre a multidão também fizeram ouvir as suas vaias e pateadas . Madam_Hooch , a professora de Quidditch , pediu a Flin e Wood que apertassem as mãos o que eles fizeram , lançando um_ao_outro olhares ameaçadores , cada_um apertando a mão de o outro com mais força do_que aquela que seria necessário . - Atenção a o apito - disse Madam_Hooch . - Três , dois , um ... Com um bramido de a multidão para que subissem rapidamente , os catorze jogadores elevaram se em o céu cor de chumbo . Harry , mais alto do_que qualquer de os outros olhando para todos os lados em busca de a * snitch * . - Tudo bem , testa de cicatriz ? - gritou Malfoy , disparando por baixo de ele para lhe mostrar a velocidade de a sua vassoura . Harry não teve tempo de responder . Em esse preciso momento uma * bludger * preta e bem pesada veio direitinha a ele . Evitou a tão por um triz que ainda sentiu em os cabelos o ar que ela deslocara . - Foi por_pouco , Harry ! - exclamou o George , passando com grande rapidez , de bastão em a mão , pronto para lançar a * bludger * contra um Slytherin . Harry viu o dar a a * bludger * uma fortíssima pancada em direcção a Adrian_Pucey , mas a bola mudou de rumo em o meio de o ar e dirigiu se de_novo a Harry . Harry desceu rapidamente para se esquivar e George conseguiu lançá a contra Malfoy . Mais_uma_vez a * bludger * actuou como um * boomerang * e apontou a a cabeça de Harry . Harry ganhou velocidade e disparou contra o outro extremo de o campo . Ouvia o assobio de a * bludger * que o perseguia . O que era aquilo ? As * bludgers * nunca se concentravam assim em um único jogador , a sua função era tentar desmontar o maior número possível de intervenientes . Fred_Weasley esperava por a * bludger * em o extremo oposto . Harry baixou se quando o viu balançar se em frente de ela com toda_a garra . A * bludger * foi lançada para_fora_de campo . - Pronto , já está tudo resolvido - gritou Fred satisfeito , mas estava bastante enganado . Como_se fosse magneticamente atraída para Harry , a * bludger * lançou se de_novo contra ele e Harry teve de voar a_toda_a velocidade . Começara a chover . Harry sentia as gotas pesadas caírem lhe em o rosto , turvando lhe as lentes de os óculos . Não fazia ideia do_que se passava em o resto de o jogo , até ouvir Lee_Jordan que fazia o comentário dizer : - Os Slytherin vão a a frente com seis contra zero . As vassouras de qualidade superior de os Slytherin estavam obviamente a cumprir a sua função e enquanto isso , a * bludger * maluca fazia todos os possíveis para deitar abaixo o Harry . Fred e George voavam agora tão perto de ele , um de cada lado , que Harry não via senão os seus braços a balouçar e , se não conseguia ver a * snitch * , muito menos agarrá a . - Alguém enfeitiçou esta * bludger * - resmungou Fred , preparando o bastão com toda_a força quando ela se lançava de_novo contra Harry . - Precisamos de tempo - disse George , tentando fazer sinal a Wood enquanto evitava que a bola partisse o nariz a o Harry . Wood captou obviamente a mensagem . O apito de Madam_Hooch fez se ouvir e Harry , Fred e George desceram , tentando ainda evitar a * bludger * maluca . - O que é_que se passa ? - perguntou Wood enquanto a equipa de os Gryffindor se amontoava desordenadamente e os Slytherin , em o meio de a multidão , lançavam piadas . - Estamos a ser esmagados . Fred , George , onde estavam vocês quando aquela * bludger * impediu a Angelina de marcar ? - Estávamos seis metros acima , evitando que a outra * bludger * matasse o Harry , Oliver - gritou George furioso . - Alguém preparou isto , a bola não deixa o Harry em paz , ainda não perseguiu mais ninguém desde_que o jogo começou . Os Slytherin fizeram aqui qualquer coisa . - Mas as * bludgers * têm estado fechadas em o escritório de Madam_Hooch desde o último treino , e nessa_altura estava tudo bem ... - disse Wood ansiosamente . Madam_Hooch aproximava se . Por cima de o ombro de ela , Harry pôde ver a equipa de os Slytherin a escarnecer e apontar em a sua direcção . - Ouçam - disse o Harry , enquanto ela se aproximava . - Com vocês os dois a voarem sempre colados a mim , só vou apanhar a * snitch * se ela voar até a a minha manga . Voltem se para o resto de a equipa e deixem a tratante comigo . - Não sejas bronco - disse o Fred . - Ela arranca te a cabeça . Os olhos de Wood saltavam de Harry_para_os_Weasley . - Oliver , isto_é uma loucura - disse Alicia_Spinet , zangada . - Não podes deixar o Harry sozinho entregue a aquela coisa . Vamos pedir uma investigação . - Se pararmos agora , teremos de dar a partida como perdida e não vamos deixar os Slytherin ganhar , só por_causa_de uma * bludger * maluca . Vá lá , Oliver , diz lhes que me deixem sozinho . - A culpa é toda tua . * _ Agarra a snitch ou morre a tentar * , se isso é lá coisa que se diga . Madam_Hooch tinha se lhes juntado . - Prontos para retomar a partida ? - perguntou a Wood . Wood olhou para o ar determinado de Harry . - Deixem o sozinho , ele é capaz de lidar com a * bludger * . A chuva era agora mais pesada . A o apito de Madam_Hooch , Harry elevou se em os ares e ouviu o barulhinho de a * bludger * atrás_de si . Subiu cada_vez_mais alto . Fez acrobacias em espiral , descidas rápidas , ziguezagueou e rolou . Apesar_de ligeiramente estonteado , não deixou nunca de ter os olhos bem abertos . A chuva salpicava lhe os óculos e entrava lhe por as narinas , quando ele se voltou de cabeça para baixo , evitando outra forte investida de a * bludger * . Ouviu os risos de a multidão . Sabia que devia parecer ridículo , mas a * bludger * maluca era pesada e não podia mudar de direcção tão rapidamente quanto ele . Iniciou uma corrida que parecia de feira de diversões em volta de os extremos de o estádio , olhando de soslaio , através de os lençóis prateados de chuva , para os postes de os Gryffindor , onde Adrian_Pucey tentava passar por Wood . Um assobio junto de os ouvidos disse a Harry que a * bludger * falhara uma_vez_mais . Voltou se e voou rapidamente em a direcção oposta . - Estás a ensaiar * ballet * , Potter - gritou Malfoy quando Harry foi obrigado a fazer uma reviravolta estúpida em o ar para se esquivar mais_uma_vez de a * bludger * . Lá foi ele , com a * bludger * atrás a alguns metros de distância . E foi então que , olhando para Malfoy , furioso , a viu , a * snitch * de ouro . Flutuava alguns centímetros acima de os ouvidos de Malfoy que , de tão preocupado a escarnecer de Harry , nem dera por ela . Durante um momento angustiante , Harry ficou quieto em o ar , não ousando dirigir se a Malfoy , não fosse ele olhar para_cima e ver a * snitch * . PUM ! Tinha ficado parado tempo de mais . A * bludger * batera lhe , por fim , apanhando lhe o cotovelo e Harry sentiu o braço a partir se . Debilmente , desorientado por a dor cauterizante em o braço , Harry deslizou para um de os lados em a sua vassoura encharcada , um joelho ainda dobrado , o braço direito a balouçar , inútil , a o seu lado . A * bludger * veio de_novo , preparada para mais um ataque , desta_vez apontada a o seu rosto . Harry desviou se com uma intenção : chegar a Malfoy . Através_de uma nuvem de chuva e dor desceu até a o rosto tremeluzente e trocista e viu os olhos de ele dilatarem se de medo : Malfoy pensou que Harry ia atacá o . - Que diabo ... - resmungou , afastando se de o caminho . Harry tirou a outra mão de a vassoura e fez uma tentativa para agarrar qualquer coisa . Sentiu os dedos fecharem se em volta de a * snitch * dourada , mas conduzia agora a vassoura apenas com as pernas e ouviu se um grito de a multidão cá em baixo , quando ele fez a descida , tentando não desmaiar . Com um ruído seco caiu em a terra enlameada e rolou para fora de a vassoura . O braço tinha um ângulo um_pouco estranho . Torcendo se com dores , ouviu a a distância os assobios e os gritos . Concentrou se em a * snitch * que tinha fechada em a outra mão . - Ai - disse vagamente . - Ganhámos o jogo . E desmaiou . Voltou a si com a chuva a cair lhe em o rosto , ainda deitado em o campo , com alguém inclinado sobre ele . Viu um brilho de dentes brancos . - Oh , não , você não - gemeu . - Não sabe o que diz - afirmou Lockhart bem alto a a ansiosa multidão de Gryffindor que o comprimiam . - Não te preocupes , Harry , eu vou tratar de o teu braço . - Não - gritou Harry . - Eu fico com ele assim , obrigado . Tentou sentar se , mas a dor era enorme . Ouviu um « clique » familiar . - Não quero fotografias de isto , Colin - disse em voz alta . - Deita te para trás , Harry - insistiu Lockhart com toda_a calma . - É um encantamento muito simples que eu fiz imensas vezes . - Porque não me levam só para a ala hospitalar ? - perguntou Harry entredentes . - Seria o melhor , professor - disse a voz rouca de o Wood que não conseguia deixar de sorrir , apesar_de o seu * seeker * estar ferido . - Grande captura , Harry , verdadeiramente espectacular , a tua melhor jogada , em a minha opinião . Em o meio de a floresta de pernas que o rodeava , Harry avistou Fred e George_Weasley , metendo a * budger * perigosa em uma caixa . Continuava a dar uma luta enorme . - Para trás - ordenou Lockhart , que tinha arregaçado as mangas verde jade . - Não , eu não ... - protestou debilmente Harry , mas Lockhart tinha a varinha em a mão e , um segundo depois , apontava a para o braço de Harry . Uma sensação estranha e desagradável começou em o ombro e espalhou se , chegando a as pontas de os dedos . Parecia que o braço inteiro tinha sido esvaziado . Não foi capaz de olhar para o que estava a suceder . Tinha fechado os olhos , voltado o rosto para o outro lado , mas os seus maiores receios concretizaram se quando as pessoas lá em cima se sobressaltaram e Colin_Creevey começou a tirar fotografias como um louco . O braço deixara de lhe doer , mas parecia tudo menos um braço . - Ah ! - disse Lockhart . - Sim , bem isto às_vezes acontece . Mas o importante é_que os ossos já não estão partidos . Isso é o mais importante . Portanto , Harry , vai até a a ala hospitalar ... ah ! Mr._Weasley , Miss_Granger , poderiam levá o lá ? E Madam_Pomfrey poderá ... er ... arranjar um_pouco isso . Quando Harry se pôs de pé sentiu se estranhamente desequilibrado . Depois de respirar fundo , olhou para o lado direito e o que viu quase o fez desmaiar de_novo . Pendurado em a extremidade de a sua túnica estava o que parecia ser uma espessa e colorida luva de borracha . Tentou mexer os dedos mas ... em vão . Lockhart não consertara os ossos de Harry . Retirara os . M. dam Pomfrey não ficou nada satisfeita . - Devias ter vindo logo ter comigo - ralhou , segurando os restos tristes e moles de aquilo que antes fora um braço activo . - Eu conserto ossos em um segundo , mas fazê os crescer de_novo ... - Vai conseguir , não vai ? - perguntou Harry desesperado . - Sim , com certeza , mas vai ser doloroso - disse Madam_Pomfrey de modo severo , entregando lhe um pijama . - Vais ter que ficar cá esta noite ... Hermione esperou de o lado de_fora de a cortina que rodeava outra cama enquanto Ron ajudava Harry a vestir se . Levou algum tempo a enfiar o braço que parecia borracha dentro_de uma manga de o pijama . - Como é_que podes continuar a defender o Lockhart depois disto , Hermione ? - perguntou Ron através de as cortinas , enquanto puxava os dedos moles de o Harry por uma manga . - Se o Harry quisesse ser desossado , teria pedido . - Todos podem enganar se - disse Hermione . - E deixou de doer , não deixou , Harry ? - Sim - disse ele - mas também ficou incapaz de fazer seja o que for . Quando se meteu em a cama , o braço agitou se despropositadamente . Hermione e Madam_Pomfrey entraram . Madam_Pomfrey segurava uma grande garrafa com o rótulo * Skele - _ Gro * . - Vais ter uma noite difícil - preveniu , enchendo um pequeno copo fumegante e dando lhe a beber . - Fazer crescer ossos é uma coisa difícil . Tomar o * _ Skele - _ Gro * também . Queimou a boca e a garganta de o Harry a o descer , fazendo o tossir e cuspir . Resmungando sobre os desportos perigosos e os professores incapazes , Madam_Pomfrey retirou se , deixando Ron e Hermione a ajudar Harry a engolir um_pouco de água . - Mas ganhámos o jogo - disse o Ron com um sorriso em o rosto . - A tua jogada foi em grande . A cara de o Malfoy ... parecia que queria matar alguém . - Eu vou descobrir como é_que enfeitiçaram aquela * bludger * - disse Hermione com ar sombrio . - Podemos juntar essa pergunta a a lista de todas_as que queremos fazer a o Malfoy quando tomarmos a poção * _ Polisuco * - disse Harry , afundando se de_novo em as almofadas . - Espero que tenha um sabor melhor do_que esta coisa ... - Com um bocado de os Slytherin lá dentro , deves estar a brincar - disse o Ron . A porta de a ala hospitalar abriu se em esse momento e , completamente encharcados , entraram os restantes membros de a equipa de os Gryffindor , para ver o Harry . - Um voo inacreditável - disse George . - Acabei de ver Marcus_Flint a gritar com o Malfoy . Qualquer coisa sobre ter a * snitch * mesmo em cima de a cabeça e não ter dado por nada . O Malfoy não parecia nem um_pouco satisfeito . Tinham trazido bolos , rebuçados e garrafas de sumo de abóbora . Juntaram se em volta de a cama de Harry e estavam a dar início a o que prometia ser uma grande festa quando Madam_Pomfrey entrou a vociferar : - Este rapaz precisa de repouso . Tem trinta_e_três ossos a crescer . Fora de aqui . FORA ! E Harry ficou sozinho , sem nada que o distraísse de as dores agudas em o seu braço mole . Muitas horas mais tarde , Harry acordou subitamente em a escuridão total e soltou um pequeno grito de dor : sentia agora o braço cheio de estilhaços . Durante alguns segundos pensou que tinha sido a dor a acordá o . Depois , com um arrepio de horror , apercebeu se de que alguém estava a passar lhe uma esponja em a testa . - Sai de aqui - gritou , e em seguida : - Dobby ! Os olhos de o tamanho de bolas de ténis de o elfo doméstico estavam a olhá o em o escuro , uma lágrima grossa rolava por o seu enorme nariz . - Harry_Potter voltou a a escola - murmurou , infeliz . - Dobby avisou e voltou a avisar Harry_Potter . Ah ! senhor , porque não deu ouvidos a Dobby ? Porque não voltou Harry_Potter para_casa quando perdeu o comboio ? Harry ergueu se um_pouco , encostando se a as almofadas e afastou a esponja de o elfo . - O que estás a fazer aqui ? - perguntou . - E como sabes que eu perdi o comboio ? O lábio de Dobby tremeu e Harry foi assaltado por uma dúvida . - Foste tu . Tu impediste que a barreira nos deixasse passar . - Em a verdade fui eu , senhor - disse Dobby , acenando com a cabeça e com as orelhas a abanar . - Dobby escondeu se , esperou por Harry_Potter e selou a barreira . A seguir , Dobby teve de pôr as mãos em o ferro de engomar - mostrou a o Harry dez dedos longos embrulhados em ligaduras . - Mas Dobby não se importou , senhor , porque pensou que Harry_Potter estava a salvo e nunca Dobby sonhou que mesmo_assim ele viria para a escola ! Balançava se para a frente e para trás , sacudindo a cabeça feia . - Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry_Potter tinha voltado a a escola que deixou queimar o jantar de os seus donos . Dobby nunca tivera um castigo tão grande , senhor . Harry afundou se de_novo em as almofadas . - Quase conseguiste que nos expulsassem , a mim e a o Ron - disse furioso . - É melhor desapareceres de aqui antes que os meus ossos voltem a estar bem , Dobby , ou ainda te estrangulo . O elfo sorriu . - Dobby está habituado a ameaças de morte , senhor . Dobby recebe as cinco vezes por dia em a casa onde mora . Encostou o nariz a um canto de a fronha que usava , ficando tão ridículo que Harry sentiu a raiva desvanecer se , apesar_de tudo . - Porque usas essa coisa , Dobby ? - perguntou com curiosidade . - Isto , senhor ? - disse Dobby apontando para a fronha de almofada . - É uma prova de escravatura de o elfo doméstico , senhor . Dobby só pode ser libertado se os donos lhe derem roupa , senhor . A família tem o cuidado de não dar a o Dobby nem uma peúga , senhor , porque ele poderia ficar livre e deixar a casa para sempre . Dobby limpou os olhos protuberantes e disse subitamente : - Harry_Potter deve ir para_casa . Dobby achou que a sua * bludger * seria o suficiente para o fazer ... - A tua * bludger * ? - disse Harry com a raiva a crescer novamente dentro de ele . - Que queres tu dizer com a tua bludger * ? Foste tu quem fez com que aquela bola tentasse matar me ? - Matar não , senhor . Matar , nunca ! - disse o elho chocado . - Dobby quer salvar a vida de Harry_Potter . É melhor ir para_casa ferido do_que ficar aqui , senhor . Dobby só queria Harry_Potter suficientemente ferido para voltar para_casa . - Só isso ? - disse Harry furioso . - Imagino que não vais dizer me porque querias mandar me para_casa a os bocados ? - Ah ! se Harry_Potter soubesse ! - gemeu Dobby , com mais lágrimas a escorrerem lhe por a fronha esfarrapada . - Se pudesse saber o que significa para nós , para os humildes , os escravizados , nós , a escória social de o mundo mágico ! Dobby lembra se de como eram as coisas quando Aquele cujo nome não deve ser pronunciado estava em o auge de o poder , senhor ! Nós , os elfos domésticos éramos tratados como animais , senhor ! É claro que Dobby ainda é tratado assim - admitiu , secando o rosto em a fronha de almofada . - Mas , em a sua maioria , a vida melhorou bastante para os de a minha espécie desde_que Harry_Potter triunfou sobre Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Harry_Potter sobreviveu e o poder de os senhores de o Mal foi quebrado e veio uma nova alvorada , senhor , e Harry_Potter brilhou como um farol de esperança para aqueles de entre nós que já pensavam que a longa noite nunca mais teria fim , senhor ... e agora em Hogwarts vão acontecer coisas terríveis , talvez já esteiam a acontecer e Dobby não pode deixar Harry_Potter ficar aqui , agora_que a história vai repetir se , agora_que a Câmara_dos_Segredos está de_novo aberta . Dobby calou se horrorizado . Em seguida agarrou em o jarro de a água que Harry tinha a a cabeceira e bateu com ele em a própria cabeça , deixando se cair . Um segundo mais tarde voltou até junto de a cama , repetindo : - Mau , Dobby , muito mau , Dobby . - Quer_dizer , então , que existe mesmo a Câmara_dos_Segredos ? - murmurou Harry . - E dizes tu que já antes foi aberta ? Conta me , Dobby . Agarrou o pulso ossudo de o elfo quando a mão de ele se estendia para o jarro de a água . - Mas eu não sou filho de Muggles . Como posso estar em perigo por causa de a Câmara_dos_Segredos ? - Ah ! senhor , não pergunte a o pobre Dobby - lamentou se o elfo com os olhos enormes a brilharem em o escuro . - As forças de as trevas estão projectadas em este lugar , mas Harry_Potter não deve estar aqui quando as coisas acontecerem . Vá para_casa , Harry_Potter , vá para_casa . Harry_Potter não deve envolver se em isto , senhor , é demasiado perigoso ... - Quem é , Dobby ? - perguntou Harry , continuando a agarrar lhe o pulso com forca , impedindo que batesse de_novo em si próprio com o jarro . - Quem abriu a amara ? Quem a abriu de a última vez ? - Dobby não pode , senhor . Dobby não pode . Dobby não deve dizer - guinchou o elfo . - Vá se embora , Harry_Potter , vá se embora ! - Eu não vou para lugar nenhum - disse Harry , furioso . - Uma de as minhas melhores amigas é filha de Muggles , está em perigo se a câmara foi , de facto , aberta ... - Harry_Potter arrisca a própria vida por os amigos - gemeu Dobby em uma espécie de êxtase infeliz . - Tão nobre , tão corajoso , mas deve salvar se , Harry_Potter não deve ... Dobby calou se de repente com as orelhas de morcego a estremecerem . Harry também ouviu os passos que vinham lá fora , de o corredor . - Dobby tem de ir - balbuciou o elfo apavorado . Ouviu se um ruído e o pulso de Harry ficou subitamente fechado em o ar . Meteu se de_novo para baixo , em a cama , com os olhos fixos em a porta escura que dava entrada em a ala hospitalar enquanto os passos se aproximavam . Em o momento seguinte , Dumbledore estava a entrar , de costas , em o dormitório , vestindo uma longa túnica de lã e uma capa de noite . Transportava um extremo de aquilo que parecia ser uma estátua . A professora Mc_Gonagall surgiu um segundo mais tarde , pegando lhe em os pés . Os dois colocaram a em uma cama . - Chame Madam_Pomfrey - murmurou Dumbledore e a professora Mc_Gonagall passou por a cama de Harry , apressadamente , e desapareceu . Harry deixou se ficar muito quieto como_se estivesse a dormir . Ouviu vozes ansiosas e por fim a professora Mc_Gonagall apareceu de_novo , seguida de Madam_Pomfrey que vestia um casaco curto de lã sobre a camisa de dormir . Ouviu uma inspiração aguda . - O que aconteceu ? - murmurou Madam_Pomfrey_a_Dumbledore , inclinando se sobre a estátua que estava em a cama . - Outro ataque - disse Dumbledore . - A Minerva encontrou o em as escadas . Havia um cacho de uvas junto de ele . Acho que estava a tentar esgueirar se até aqui para vir visitar o Potter . O estômago de Harry deu uma reviravolta . Lenta e cuidadosamente ergueu se alguns centímetros para poder ver a estátua que estava sobre a cama . Um raio de luar iluminou lhe o rosto estático . Era_Colin_Creevey . Tinha os olhos abertos , e as mãos , em frente de a cara , seguravam a máquina fotográfica . -- Petrificado ? - murmurou Madam_Pomfrey . - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - Mas estou tentada a acreditar que ... se Albus não tivesse vindo cá abaixo tomar um chocolate quente ... quem sabe o que teria ... Os três olharam para Colin . Dumbledore inclinou se e retirou lhe a máquina de as mãos rígidas . - Será que ele conseguiu tirar a fotografia de o agressor ? - perguntou ansiosa a professora Mc_Gonagall . Dumbledore não respondeu . Abriu a parte detrás de a máquina . - Cruzes canhoto - disse Madam_Pomfrey . Um jacto de vapor tinha feito fervilhar a máquina . Harry , a três metros de distância , sentiu o cheiro tóxico de o plástico queimado . - Derretido - disse Madam_Pomfrey com grande espanto . - Tudo derretido . - O que significa isto , Albus ? - perguntou cada_vez_mais nervosa a professora Mc_Gonagall . - Significa - disse Dumbledore - que a Câmara_dos_Segredos está mesmo aberta outra_vez . Madam_Pomfrey levou uma mão a a boca . A professora Mc_Gonagall olhou assustada para Dumbledore . - Mas , Albus ... com certeza ... quem ? - A questão não é quem - disse Dumbledore com os olhos fixos em Colin . - A questão é como ... E pelo que Harry conseguiu ver de o rosto indistinto de a professora Mc_Gonagall , ela não compreendeu muito mais do_que ele . XI_O clube de os duelos Quando_Harry acordou , em o domingo de manhã , a enfermaria estava iluminada por um resplandecente sol de inverno e o seu braço tinha de_novo todos os ossos , apesar_de o sentir muito rígido . Sentou se rapidamente e olhou para a cama de Colin , mas ela fora isolada com as cortinas atrás de as quais se despira em a véspera . Vendo que ele tinha acordado , Madam_Pomfrey apareceu com um tabuleiro de pequeno-almoço e a seguir começou a apalpar lhe o braço e os dedos . - Tudo em ordem - disse , enquanto ele , com a mão esquerda , comia avidamente as papas de aveia . - Quando acabares de comer podes ir te embora . Harry vestiu se o mais depressa que pôde e dirigiu se a a pressa para a torre de os Gryffindor , ansioso por contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre Colin e Dobby , mas não os encontrou lá . Foi a a procura de eles , perguntando a si próprio onde teriam ido e sentindo se um_pouco magoado por o pouco interesse que demonstravam em saber se ele tinha recuperado os ossos . Quando passou por a biblioteca , Percy_Weasley vinha a sair com bastante melhor cara do_que de a última vez que se tinham encontrado . - Olá , olá , Harry - disse . - Excelente voo o de ontem , verdadeiramente sensacional . Os Gryffindor estão a a frente para a taça de a equipa . Ganhaste cinquenta pontos . - Não viste o Ron e a Hermione por aí ? - perguntou Harry . - Não , não vi - disse Percy com o sorriso a desaparecer . - Espero que o Ron não esteja outra_vez em a casa_de_banho de as raparigas ... Harry forçou um sorriso , viu Percy desaparecer e a seguir foi direitinho até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Não via lá muito bem por_que motivo o Ron e a Hermione lá estariam de_novo , mas , depois de se assegurar de que nem Filch nem nenhum de os prefeitos estavam por perto , abriu a porta e ouviu as vozes de eles que vinham de um cubículo fechado . - Sou eu - disse , fechando a porta atrás_de si . Ouviu se dentro de o cubículo um estrondo , um chapinhar e um sobressalto e ele viu o olho de a Hermione a espreitar por o buraco de a fechadura . - Harry - disse ela . - Pregaste nos um susto de morte . Entra . Como está o teu braço ? - _ óptimo - respondeu , apertando se dentro de o cubículo . Em cima de a sanita estava encarrapitado um velho caldeirão , e um crepitar a a superfície de a água disse a Harry que eles tinham acendido um fogo lá em baixo . Fazer aparecer fogos portáteis a a prova de água era uma de as especialidades de Hermione . - _ íamos visitar te , mas resolvemos começar a preparar a poção * _ Polisuco * - explicou Ron enquanto Harry fechava outra_vez a porta de o cubículo com alguma dificuldade . - Achámos que este era o lugar mais seguro para a esconder . Harry começou a contar lhes de o Colin , mas Hermione interrompeu o . - Nós já sabemos , ouvimos a professora Mc_Gonagall contar a o professor Flitwick hoje_de_manhã . Por isso resolvemos começar a ... - Quanto_mais depressa arrancarmos uma confissão a o Malfoy , melhor - rosnou o Ron . - Sabem o que eu penso ? Ele estava tão mal-humorado depois de o jogo de Quidditch que se vingou em o Colin . - Há outra coisa - disse Harry , vendo Hermione cortar molhos de verdezelha e lançá os dentro de a poção . - O Dobby foi visitar me a meio de a noite . Ron e Hermione olharam o espantados . Harry contou lhes tudo_o_que Dobby lhe dissera ... ou não dissera . Ron e Hermione ouviram o de boca aberta . - A Câmara_dos_Segredos já tinha sido aberta antes ? - repetiu Hermione . - Encaixa perfeitamente - disse Ron , em uma voz triunfante . - O Lucius_Malfoy deve ter aberto a Câmara_dos_Segredos quando andava em a escola e agora ensinou a o querido filhinho Draco como abris a . É óbvio , que pena o Dobby não te ter dito que tipo de monstro lá se encontra . Gostava de saber como é_que ninguém o viu andar por ai em a escola . - Talvez tenha a capacidade de se tornar invisível - sugeriu Hermione , picando sanguessugas para dentro de o caldeirão . - Ou talvez se disfarce , passando por uma armadura ou outra coisa de o género . Eu li umas coisas sobre vampiros camaleões ... - Tu lês de mais , Hermione - disse o Ron , deitando moscas asas de renda mortas por cima de as sanguessugas . Amarrotou o saco vazio de as asas de renda e olhou para Harry . - Então foi o Dobby que nos impediu de apanhar o comboio e te partiu o braço ... - abanou a cabeça . - Sabes o que eu acho ? Se ele não parar de tentar salvar te a vida ainda acaba por te matar . A notícia de que Colin_Creevey tinha sido atacado e estava agora em a ala hospitalar , como morto , espalhou se por toda_a escola em a segunda-feira de manhã . O ar ficou pesado e cheio de boatos e suspeitas . Os alunos de o primeiro ano começavam a andar por a escola em pequenos grupos , receando ser atacados se se aventurassem a andar isoladamente por os corredores . Ginny_Weasley , que era colega de carteira de o Colin em os encantamentos , estava perturbadíssima , mas Harry achou que Fred e George estavam a tentar animá a de a maneira errada . Revezavam se , mascarados com peles de animais e apareciam lhe subitamente detrás de as estátuas . Só pararam quando Percy , apopléctico de raiva , lhes disse que ia escrever a Mrs._Weasley a contar lhe que a Ginny andava a ter pesadelos . Enquanto isso , às_escondidas de os professores , uma panóplia de talismãs , amuletos e outros objectos de protecção ia enchendo a escola . Neville_Longbottom comprou uma enorme cebola verde que cheirava mal , um cristal pontiagudo cor de púrpura e uma cauda de tritão apodrecida antes de os outros rapazes de os Gryffindor lhe explicarem que ele não corria perigo : era um sangue puro e , portanto , muito pouco passível de ser atacado . - Eles foram a o Filch em primeiro lugar - disse Neville com o medo estampado em a cara redonda . - E toda_a_gente sabe que eu sou quase um * busca-pé * . Em a segunda semana de Dezembro , a professora Mc_Gonagall veio , como de costume , recolher os nomes de os alunos que ficavam em a escola durante o Natal . Harry , Ron e Hermione assinaram a lista . Tinham ouvido dizer que Malfoy ficava , o que lhes parecera muito suspeito . As férias seriam a altura ideal para usar a poção * _ Polisuco * e tentar arrancar lhe uma confissão . Infelizmente a poção estava a meio . Precisavam ainda de o chifre de bicórneo e o único lugar onde podiam arranjá o era em os depósitos privados de Snape . Harry , pessoalmente , preferia enfrentar o lendário monstro de os Slytherin do_que ser apanhado por o Snape a assaltar lhe o escritório . - O que precisamos - disse Hermione cheia de vivacidade quando se aproximava a aula conjunta de poções de quinta-feira a a tarde - para podermos entrar a a vontade em o escritório de o Snape , é de uma diversão . Harry e Ron olharam para ela , nervosos . - Acho que o melhor é ser eu a praticar o roubo - prosseguiu ela , em um tom perfeitamente casual . - Vocês os dois podem ser expulsos se forem apanhados e eu tenho uma folha limpa . Portanto , a única coisa que têm de fazer é distrair o Snape durante cerca de cinco minutos . Harry esboçou um meio sorriso . Provocar deliberadamente um estrago em a aula de poções de o Snape era tão seguro como ferir em um olho um dragão adormecido . As aulas de poções tinham lugar em um de os mais amplos calabouços . A de quinta-feira a a tarde não foi diferente de as outras . Vinte caldeirões fumegavam entre as secretárias de madeira , sobre as quais podia ver se laminas de latão e jarras com ingredientes . Snape deambulava por o meio de os fumos , fazendo reparos petulantes a o trabalho de os Gryffindor , enquanto os Slytherin riam a a socapa . Draco_Malfoy , que era o aluno preferido de Snape , não parava de lançar olhos de carneiro mal morto a o Ron e a o Harry , que sabiam que se retaliassem teriam um castigo , antes de poderem abrir a boca para dizer : - É injusto ! A solução de inchar de o Harry estava demasiado líquida , mas ele estava preocupado com coisas mais importantes . Esperava por o sinal de Hermione e mal deu por Snape se calar para ir espreitar a sua poção aguada . Quando o professor se voltou e foi implicar com o Neville , Hermione trocou um olhar com Harry e fez um aceno . Harry baixou se discretamente por detrás de o seu caldeirão , tirou de o bolso de trás um de os paus de fogo-de-artíficio Filibuster e deu lhe um toque de varinha . O fogo-de-artíficio começou a sibilar e a crepitar . Sabendo que tinha apenas alguns segundos , Harry endireitou se , ganhou coragem e lançou o a o ar . Aterrou certeiro em o caldeirão de o Goyle . A poção de o Goyle explodiu , salpicando toda_a aula . As pessoas gritavam , à_medida_que eram vítimas de os salpicos . Malfoy foi apanhado em a cara e o nariz começou a inchar como um balão . O Goyle tropeçava a as cegas , com as mãos em os olhos , que tinham ficado de o tamanho de pratos de sopa , enquanto o Snape tentava repor a calma e tentar perceber o que sucedera . Em o meio de a confusão , Harry viu Hermione esgueirar se a a socapa por a porta . - Silêncio ! silêncio ! - vociferou Snape . - Todos os que foram salpicados cheguem aqui para uma drenagem . Quando eu descobrir quem fez isto ... Harry fez um enorme esforço para não se rir a o ver Malfoy chegar apressadamente lá a a frente , a cabeça a tombar com o peso de o nariz , que parecia um pequeno melão . Quando metade de a aula se amontoava junto de a secretária de o Snape , alguns alunos vergados por o peso de os braços que pareciam mocas , outros incapazes de falar devido a o gigantesco inchaço de os lábios , Harry viu Hermione reentrar em o calabouço , a túnica mostrando a barriga protuberante . Quando todos os alunos tinham já tomado um gole de o antídoto e os vários inchaços tinham desaparecido , Snape precipitou se para o caldeirão de o Goyle e pescou os restos retorcidos de o fogo-de-artíficio . Houve um súbito silêncio . - Se eu descubro quem lançou isto - murmurou Snape - garanto que é expulsão por a certa . Harry compôs uma expressão de espanto . Snape olhava directamente para ele e a campainha , que tocou dez minutos mais tarde , não podia ser mais bem-vinda . - Ele soube que fui eu - disse Harry_a_Ron e a a Hermione , enquanto se dirigiam apressadamente para a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Tenho a certeza . Hermione lançou o novo ingrediente em o caldeirão e começou a mexer furiosamente . - Isto vai estar pronto dentro_de quinze_dias - afirmou , satisfeita . - O Snape não pode provar que foste tu - assegurou Ron , tranquilizando Harry . - Que pode ele fazer ? - Conhecendo o Snape , qualquer coisa louca - respondeu Harry , enquanto a poção borbulhava e espumava . Uma semana mais tarde , Harry , Ron e Hermione passavam por o vestíbulo de entrada , quando viram um pequeno grupo de pessoas reunidas em volta de o jornal de parede a lerem um pedaço de pergaminho que tinha acabado de ser afixado . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas acenaram lhes , entusiasmados . - Vão lançar um clube de duelos ! - exclamou Seamus . - Hoje a a noite é a primeira reunião . Eu não me importaria nada de ter aulas de duelo , podem vir a ser úteis um dia de estes ... - Porquê ? Achas que o monstro de os Slytherin sabe esgrimir ? - perguntou o Ron , mas , também ele , leu a notícia com interesse . - Pode ser útil - disse a o Harry e a a Hermione , quando foram jantar . - Vamos lá ? Harry e Hermione acharam óptimo , por isso , a as oito_da_noite voltaram a o salão . As longas mesas de refeição tinham desaparecido e um estrado dourado surgira , encostado a a parede . Sobre ele flutuavam milhares de velas . O tecto era , mais_uma_vez , de veludo negro e parecia que quase todos os alunos de a escola se encontravam ali , com as suas varinhas em a mão e com um ar entusiasmado . - Quem será que vai ensinar nos ? - perguntou Hermione , enquanto se misturavam em a multidão barulhenta . - Ouvi dizer que o Filitwick foi campeão de duelo em a juventude , talvez seja ele . - Desde_que não seja ... - começou Harry , mas terminou em um gemido : Gilderoy_Lockhart estava a subir a o estrado , resplandecente em as suas vestes cor de ameixa , acompanhado , nem mais nem menos , do_que de Snape que trajava , como sempre , de negro . Lockhart levantou um braço , pedindo silêncio , bradando : - Aproximem se , aproximem se , conseguem todos ver me e ouvir me ? Excelente ! - O professor Dumbledore deu me autorização para iniciar este pequeno curso de duelo para vos treinar a todos , caso algum dia precisem de se defender , como eu tenho feito em inúmeras ocasiões ; para mais detalhes , leiam os livros que tenho publicados . - Permitam que vos apresente o meu assistente , o professor Snape - disse Lockhart , abrindo um sorriso de orelha a orelha . - Ele diz me que sabe alguma coisa sobre duelos e aceitou desportivamente ajudar me em uma exibição de demonstração , antes de começarmos . Atenção , não quero que os mais novos fiquem preocupados , vão continuar a ter o vosso professor de poções depois de eu o vencer . Não tenham medo . - Não era óptimo se se liquidassem um_ao_outro ? - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . O lábio inferior de Snape estava curvo . Harry interrogou se sobre o motivo por_que Lockhart continuava a sorrir . Se o Snape olhasse de aquela maneira para ele , Harry estaria a correr a_toda_a velocidade para o mais longe possível . Lockhart e Snape voltaram se um para o outro e fizeram uma vénia , pelo_menos Lockhart fê la com muitas reviravoltas de mãos , enquanto Snape acenava , irritado , com a cabeça . Em seguida , ergueram as varinhas , como_se fossem espadas , em a frente . - Como podem ver , estamos a pegar em as varinhas em a posição de aceitação de combate - explicou Lockhart a a multidão silenciosa . - Quando contarmos até três , lançaremos os primeiros feitiços . Nenhum de nós tentará matar o outro , claro . - Eu não poria as mãos em o fogo - murmurou Harry , observando como Snape cerrava os dentes . -- Um , dois , três ... Os dois balançaram as varinhas acima de os ombros . Snape gritou : * _ Expelliarmus * ! Houve um clarão ofuscante de luz escarlate e Lockhart voou para trás , caindo de o estrado batendo contra a parede , escorregando e indo estatelar se em o chão . Malfoy e alguns de os outros Slytherin aplaudiram . Hermione estava em bicos de os pés . - Acham que ele está bem ? - gritou entredentes . - Quem se rala ? - disseram ao_mesmo_tempo o Ron e o Harry . Lockhart estava a pôr se , hesitante , de pé . O chapéu caíra lhe e o cabelo ondulado estava em um desalinho . - Bem , cá está ! - disse , cambaleando até a o estrado . - Este foi um encantamento para desarmar . Como podem ver , perdi a minha varinha . Ah , obrigado Miss_Brown . Sim , foi uma excelente ideia mostrar lhes isto , professor Snape , mas , se me permite que lhe diga , foi muito óbvio o que ia fazer . Se eu tivesse querido impedis o , teria o feito com a maior de as facilidades . Mas achei que seria educativo deixá os ver ... Snape tinha um ar assassino . Provavelmente Lockhart deu por isso , porque declarou : - Chega de demonstrações . Eu vou passar agora por o meio de vocês e criar duplas . Professor_Snape , se quiser ajudar me ... Entraram por o meio de a multidão , agrupando alunos . Lockhart pôs o Neville com Justin_Finch - _ Fletchley , mas Snape chegou primeiro junto de Harry e de Ron . - Tempo de separar a dupla ideal , parece me - rosnou . - Weasley , tu podes ficar com o Finnigan . Potter ... Harry voltou se automaticamente para Hermione . - Não me parece - disse Snape com o seu sorriso frio . - Mr._Malfoy , venha até aqui . Vamos ver o que faz com o famoso Potter . E a menina , Miss_Granger , pode emparceirar com Miss_Bulstrode . Malfoy aproximou se com o seu passo empertigado e o seu sorriso escarninho . Atrás de ele vinha uma rapariga de os Slytherin , que lembrou a Harry uma imagem que tinha visto em as * _ Férias com Bruxas_Velhas * . Era corpulenta e quadrada e os maxilares avançavam agressivamente . Hermione esboçou um meio sorriso , que ela não retribuiu . - Voltem se para os vossos parceiros - gritou Lockhart - e façam a vénia . Harry e Malfoy mal inclinaram as cabeças , não afastando os olhos um de o outro . - Varinhas preparadas ! - gritou Lockhart . - Quando eu disser três preparem os feitiços para desarmar o vosso opositor . Um ... dois ... três ... Harry levantou a varinha acima de o ombro , mas Malfoy começara logo em o « dois » : o seu feitiço apanhou Harry com tanta força que ele se sentiu como_se tivesse levado com uma frigideira em a cabeça . Tropeçou , mas ainda não estava fora de combate e , sem perder tempo , Harry apontou a varinha a Malfoy e gritou : - * _ Rictusempra ! * Um jacto de luz prateada atingiu Malfoy em o estômago , obrigando o a dobrar se , arfando . - Eu disse desarmar ! - gritava Lockhart sobre as cabeças de a multidão em lata , enquanto Malfoy caía de joelhos . Harry atingira o com o feitiço de as cócegas e ele mal conseguia mexer se para se rir . Harry hesitou com o vago sentimento de que seria pouco desportivo enfeitiçar Malfoy enquanto ele estava caído em o chão , mas ... foi um erro . Tentando respirar , Malfoy apontou a varinha a os joelhos de Harry , balbuciando : « * _ Tarantallegra ! * » e , um segundo depois , as pernas de o Harry tinham começado a mexer se , sem que ele pudesse controlá as , executando uma espécie de dança frenética . - Parem , parem - gritava Lockhart , quando Snape resolveu tomar controlo de a situação . - * _ Finite_Incantatem ! * - bradou . Os pés de o Harry pararam de dançar , Malfoy parou de rir e puderam olhar para_cima . Uma onda de fumo esverdeado pairava sobre todos eles . Neville e Justin estavam caídos em o chão , a arfar . Ron tentava fazer parar um Seamus com cara cor de cinza , pedindo lhe mil desculpas por o que a sua varinha partida eventualmente tivesse feito . Mas Hermione e Millicent_Bulstrode ainda não tinham acabado . Millicent tinha feito a Hermione uma prisão de cabeça e Hermione gritava de dor . As duas varinhas jaziam esquecidas em o chão . Harry deu um salto em frente e afastou Millicent . Não foi fácil , ela era bastante maior do_que ele . - Oh , gente ! - exclamou Lockhart , arrastando se por o meio de a multidão e olhando para os resultados de os duelos . - Vamos pôr de pé , Mcmillan ... cuidado , Miss_Fawcett ... belisque com força que pára logo de sangrar ... - Acho que o melhor é ensinar vos como bloquear feitiços pouco amigáveis - afirmou Lockhart que estava nervosíssimo em o meio de o salão . Olhou para Snape , cujos olhos pretos brilhavam e desviou rapidamente o olhar . - Vamos arranjar um par de voluntários . Longbottom e Finch - _ Fletchley , que tal serem vocês ? - Uma má ideia , professor Lockhart - disse Snape , deslizando como um morcego enorme e cruel . - Longbottom provoca devastação com o feitiço mais simples . Ainda temos de mandar o que restar de o Finch - _ Fletchley para a ala hospitalar dentro_de uma caixa de fósforos . - A cara redonda e rosada de Neville ficou ainda mais rosada . - Que tal o Malfoy e o Potter ? - sugeriu Snape com um sorriso retorcido . - Excelente ideia - disse Lockhart , fazendo sinal a os dois para que se aproximassem de o meio de o salão , enquanto a multidão recuava para lhes dar passagem . - Ouve bem , Harry - disse Lockhart . - Quando o Draco te apontar a varinha , tu fazes assim . Levantou a sua varinha , executando uma tentativa complicada de malabarismo e deixou a cair . Snape sorriu pretensiosamente , enquanto Lockhart a apanhava de o chão , dizendo : - Ups , a minha varinha está demasiado excitada . Snape aproximou se de Malfoy , inclinou se e disse lhe qualquer coisa a o ouvido . Malfoy sorriu também de forma afectada . Harry olhou , nervoso , para Lockhart e pediu : - Professor , podia mostrar me outra_vez aquela coisa para bloquear ? - Estás com medo ? - murmurou Malfoy baixinho , para que Lockhart não pudesse ouvir . - Querias ! - exclamou Harry por o canto de a boca . Lockhart deu um soco em o ombro de o Harry , em a brincadeira . - Basta que faças como eu fiz ! - O quê , deixar cair a varinha ? Mas Lockhart não estava a ouvir - Três , dois , um , zero ! - gritou . Malfoy levantou rapidamente a varinha a o ar e gritou : - * _ Serpensortia ! * A extremidade de a varinha explodiu . Harry viu , horrorizado , uma enorme serpente negra sair de ela , cair pesadamente em o chão a meio de os dois e erguer se disposta a atacar . Ouviram se gritos , enquanto a multidão se afastava , deixando o chão vazio . - Não te mexas , Potter - disse Snape vagarosamente , divertindo se claramente a ver Harry , parado , a olhar em os olhos a serpente . - Eu trato de ela ... - Permita me -- gritou Lockhart . Bramiu a varinha em direcção a a serpente e ouviu se um estoiro . A cobra , em_vez_de desaparecer , voou três metros acima de eles e voltou a cair em o chão com um estrondo enorme . Enraivecida , a sibilar de fúria , rastejou em direcção a Finch - _ Fletchley e pôs se de pé com os dentes a a mostra , pronta a atacar . Harry não soube ao_certo o que o levou a fazer aquilo . Não se lembrava sequer de ter tomado aquela decisão . Só soube que as pernas o fizeram avançar como_se tivesse rodas e que gritou a a serpente : - Larga o ! - E , milagrosa e inexplicavelmente , a serpente voltou a o chão , dócil como uma grande mangueira de jardim , preta e grossa , os olhos agora fixos em os olhos de Harry . Harry sentiu o medo a escoar se . Sabia que a cobra não atacaria mais ninguém , embora não pudesse explicar como sabia . Olhou para Justin a sorrir , esperando vê o aliviado , espantado , ou mesmo agradecido , mas nunca zangado ou assustado . - Que brincadeira é essa ? - gritou o outro e , antes que Harry tivesse tempo de dizer fosse o que fosse , voltou as costas e saiu de o salão . Snape deu um passo em frente , fez um gesto com a varinha e a serpente desapareceu em uma onda de fumo preto . Também ele , Snape , olhava para Harry de uma forma inesperada . Era um olhar arguto e calculista , de que Harry não gostou . Apercebeu se também vagamente de um murmúrio ameaçador que vinha de as paredes em volta . Depois , sentiu um puxão em a túnica . - Vamos - disse a voz de o Ron em o seu ouvido . - Mexe te , vá lá ... Ron arrastou o para fora de o salão . Hermione acompanhava os em a passada rápida . Quando cruzaram a porta , as pessoas que a rodeavam afastaram se , como_se tivessem medo de ser contagiadas . Harry não fazia a mais pequena ideia do_que estava a passar se e , nem Ron , nem Hermione lhe deram qualquer explicação , antes de o terem levado até a a sala comum de os Gryffindor , que se encontrava vazia . Aí , Ron empurrou Harry para uma cadeira de braços e disse : - Tu és um * serpentês * . Porque não nos disseste ? - Eu sou um quê ? - perguntou Harry . - Um * serpentês * ! - exclamou o Ron . - Falas com as cobras . - Eu sei - declarou Harry . - Quer_dizer , esta foi a segunda vez que o fiz . A outra foi há muito_tempo em o jardim zoológico , quando soltei uma Boa_Constrictor a o meu primo Dudley . É uma longa história , mas ela estava a dizer me que nunca tinha estado em o Brasil e eu acho que a libertei sem querer . Foi antes de saber que era feiticeiro . . . - Uma Boa_Constrictor disse te que nunca tinha estado em o Brasil ? - repetiu Ron , quase sem voz . - E então ? - disse o Harry . - Aposto que montes de pessoas aqui fazem o mesmo . - Não fazem , não - afirmou Ron . - Não é um dom muito frequente . Harry , isso é mau . - O que é_que é mau ? - perguntou Harry , que começava a ficar chateado . - O que é_que se passa com todos os outros ? Ouve bem , se eu não tivesse dito a aquela cobra para não atacar o Justin ... - Ah , foi isso que tu disseste ? - Que queres dizer ? Tu estavas lá , ouviste perfeitamente o que eu disse . - Eu ouvi te falar em serpentês - disse o Ron . - Língua de cobra . Podias estar a dizer lhe qualquer coisa . Não admira que o Justin tivesse entrado em pânico . Parecia que estavas a incitar a serpente . Foi assustador , sabes ? Harry olhou para ele espantado . - Eu falei uma língua diferente ? Mas não me apercebi , como posso falar uma língua , sem saber que a conheço ? Ron abanou a cabeça . Tanto ele como Hermione tinham um ar fúnebre . Harry não percebia o que havia em aquilo de tão trágico . - Será que me querem explicar o que há de mal em ter impedido que uma serpente enorme arrancasse a cabeça a o Justin ? - perguntou . - Porque é tão importante como o fiz , se evitei que o Justin fosse juntar se a grupo de os SEM_CABEÇA ? - Importa - disse por fim Hermione , em uma voz abafada . - Porque falar com serpentes era a arte por a qual Salazar_Slytherin ficou famoso . Por isso , o símbolo de os Slytherin é uma serpente . Harry ficou de boca aberta . - Exacto - disse o Ron . - E agora todos em a escola vão pensar que tu és descendente de ele . - Mas não sou - contrapôs Harry com um pânico que não conseguia explicar . - Não vai ser fácil prová o - disse Hermione . - Ele viveu há quase mil anos . Pelo que vimos , podias ser . Em essa noite , Harry ficou acordado durante horas . Por uma fresta de os cortinados de a cama de dossel , olhou para a neve que começava a cair de o lado de_fora de a janela de a torre e perguntou se se poderia ser descendente de Salazar_Slytherin . Afinal , não sabia nada de a família de o pai , os Dursley tinham sempre proibido qualquer pergunta sobre os seus familiares feiticeiros . Calmamente , tentou dizer qualquer coisa em * serpentês * , mas as palavras não saíam . Parecia que era necessário estar frente_a_frente com uma cobra para poder fazê o . Mas eu sou um Gryffindor , pensou Harry , o chapéu seleccionador não me poria aqui se eu tivesse sangue de Slytherin ... - Ah ! - disse uma vozinha dentro de o seu cérebro . - Mas o chapéu seleccionador queria pôr te em os Slytherin , não te lembras ? Harry deu voltas e voltas a a cabeça . Em o dia seguinte , quando visse Justin em a aula de herbologia explicaria lhe que estava a afastar a serpente , não a atiçá a o que , aliás , pensou zangado , dando vários socos em a almofada , qualquer idiota teria percebido . Contudo , em a manhã seguinte , a neve que começara a cair durante a noite , transformara se em uma tempestade tão espessa que a última aula de herbologia de o período foi cancelada : a professora Sprout queria tapar as mandrágoras com peúgas e cachecóis , uma operação arriscada que ela não confiava a ninguém agora_que era tão importante que as mandrágoras crescessem depressa e reabilitassem Mrs._Norris e Colin_Creevey . Junto de a lareira de a sala comum de os Gryffindor , Harry matutava sobre o que se passara enquanto Ron e Hermione aproveitavam o foro para jogar xadrez de feitiçaria . - Com os diabos , Harry - disse Hermione exasperada quando um bispo derrubou um de os cavaleiros de o cavalo , arrastando o para fora de o tabuleiro . - Vai falar com o Justin , se isso é assim tão importante para ti . Harry levantou se e saiu por o buraco de o retrato , perguntando a si próprio onde poderia estar o Justin . O castelo estava mais escuro do_que era habitual durante o dia por causa de a neve espessa e cinzenta que cobria as janelas . A tremer , Harry passou por as salas onde estava a haver aulas , captando lampejos do_que sucedia lá dentro . A professora Mc_Gonagall gritava com alguém que , segundo lhe parecia por o som , transformara o parceiro em um texugo . Resistindo a a tentação de dar uma espreitadela , Harry afastou se pensando que Justin poderia estar a utilizar o tempo de o furo para fazer algum trabalho e resolveu , por isso , ir até a a biblioteca . Um grupo de alunos de os Hufflepuff , que deveriam ter estado em Herbologia , encontrava se , de facto , sentado em as traseiras de a biblioteca , mas não parecia estar a trabalhar . Entre as fileiras de as estantes altas , Harry pôde ver as suas cabeças muito juntas em aquilo que deveria ser uma conversa absorvente . Não conseguia perceber se Justin estaria em o meio de eles . Ia para se aproximar quando apanhou em o ar uma frase e parou para ouvir melhor , escondido em a secção de a invisibilidade . - Portanto - dizia um rapaz corpulento - eu disse a o Justin para se esconder em o nosso dormitório . Isto_é , se o Potter o escolheu como próxima vítima é melhor que ele tenha um * low profile * durante algum tempo . É claro que o Justin já estava a a espera que alguma coisa de o género acontecesse desde_que lhe escapou em uma conversa com o Potter que era filho de Muggles . O Justin disse lhe , inclusivamente , que tinha estado inscrito em Eton . Não é o tipo de coisa que se ande a dizer com o herdeiro de Slytherin a a solta por aí . - Achas mesmo_que é o Potter , Ernie ? - perguntou uma rapariga de tranças loiras , ansiosamente . - Hannah - disse com solenidade o rapaz corpulento . - Ele é um serpentês . Todos sabem que essa é a marca de um feiticeiro negro . Alguma vez ouviste falar de um feiticeiro decente que falasse com as cobras ? O Slytherin era conhecido por « Língua de serpente . . Houve alguns murmúrios antes de Ernie prosseguir : - Lembram se do_que estava escrito em a parede ? * _ Inimigos de o herdeiro , cuidado ! * . O Potter teve que ir a o gabinete de o Filch . E o que é_que acontece a seguir ? A gata de o Filch é atacada . O aluno de o primeiro ano , Creevey , estava a aborrecê o em a partida de Quidditch , a tirar lhe fotografias quando ele estava caído em a lama . E o que é_que acontece a seguir ? Creevey é atacado . - Mas ele parece sempre ser tão simpático - disse Hannah , cheia de dúvidas . - E , bem , foi ele que fez com que o Quem nós sabemos desaparecesse . Não pode ser assim tão mau , pois não ? Ernie baixou misteriosamente a voz . Os Hufflepuff inclinaram se mais uns para os outros e Harry aproximou se para conseguir apanhar as palavras de o Ernie . - Ninguém sabe como ele sobreviveu a aquele ataque de o Quem nós sabemos e , afinal , ainda era um bebé quando aquilo aconteceu . Era para ter explodido feito em estilhaços . Só um feiticeiro negro verdadeiramente poderoso teria sobrevivido a uma maldição de aquelas . - Baixou ainda mais a voz até esta ficar reduzida a um leve murmúrio e disse : - Talvez fosse por isso que o Quem nós sabemos o queria matar , para não ter outro feiticeiro negro a competir com ele . Gostava de saber que outros poderes ocultos terá o Potter . Harry não aguentou mais . Pigarreou alto e saiu detrás de as estantes . Se não estivesse tão zangado teria conseguido ver o lado cómico de a situação : cada_um de os Hufflepuff olhava para ele como_se tivesse sido petrificado , e a cor desaparecera de a cara de o Ernie . - Olá - disse Harry . - Estou a a procura de o Justin_Finch - _ Fletchley . Os piores receios de os Hufflepuff tinham se concretizado . Olharam apavorados para o Ernie . - O que queres de ele ? - perguntou Ernie em uma voz sumida . - Explicar lhe o que aconteceu com aquela cobra em o clube de os duelos - disse Harry . Ernie mordeu os lábios brancos e , em seguida , respirando fundo , respondeu : - Estávamos lá todos . Vimos o que aconteceu . - Então viram que depois de eu falar a serpente recuou - disse Harry . - O que eu vi - insistiu teimosamente Ernie , apesar_de tremer a cada palavra que proferia - foi tu a falares serpentês e a atiçares a cobra conta o Justin . - Eu não a aticei - gritou Harry enraivecido . - Ela nem lhe tocou . - Falhou por_pouco - disse Ernie . - E , para o caso de estares com ideias - acrescentou com má cara - posso dizer te que a minha família provem de nove gerações de bruxas e feiticeiros e que o meu sangue é tão puro como o de qualquer feiticeiro , portanto ... - Quero lá saber qual é o teu sangue - disse Harry furioso . - Porque iria eu atacar os filhos de os Muggles ? - Ouvi dizer que detestas os Muggles com quem vives - disse Ernie rapidamente . - Não é possível viver com os Dursley sem os detestar - explicou Harry . - Gostava de te ver lá em casa . Girou sobre os calcanhares e saiu furioso de a biblioteca sob o olhar reprovador de Madam_Prince que limpava a capa dourada de um enorme livro de encantamentos . Harry avançou a as cegas por os corredores , quase sem ver por_onde ia de tão furioso que estava . O resultado foi chocar com algo enorme e sólido que o fez recuar e cair a o chão . - Ah ! Olá , Hagrid - disse , olhando para_cima . Hagrid tinha o rosto completamente tapado com um lenço coberto de neve , mas não podia ser mais ninguém , enchendo assim o corredor dentro de o seu sobretudo de pele de toupeira . De uma de as enormes mãos enluvadas , pendia um galo morto . - Tudo bem , Harry ? - perguntou , afastando o lenço para poder falar . - Porque não estás em a aula ? - Foi cancelada - disse Harry , pondo se de pé . - O que estás a fazer aqui ? Hagrid mostrou lhe o galo inerte . - É o segundo qu'aparece morto este período - explicou . - Ou são raposas ou um vampiro chato e eu preciso d'autorização de o director p'ra fazer um feitiço em volta de a capoeira . Aproximou se e olhou mais de perto para o Harry , por debaixo de as suas sobrancelhas espessas e cheias de neve . - Tens a certeza que estás bem ? Pareces exaltado e preocupado . Harry não foi capaz de repetir o que Ernie e os outros Hufflepuff lhe tinham dito . - Não é nada , tenho de ir , Hagrid . A próxima aula é Transfiguração e preciso de ir buscar os meus livros . Afastou se , a cabeça cheia com tudo_o_que Ernie dissera a seu respeito . « * _ O_Justin já estava d espera que uma coisa de o género acontecesse desde_que deixou escapar , falando com o Potter , que era filho de Muggles * ... » Harry subiu as escadas a correr e entrou por um corredor que estava particularmente escuro . As tochas tinham sido apagadas por uma ventania gelada que entrava por uma janela de fecho estragado . Estava a meio de o corredor quando tropeçou em uma coisa que se encontrava em o chão . Olhou para ver o que era e sentiu como_se o estômago se tivesse dissolvido . Justin_Finch - _ Fletchley estava em o chão , rígido e frio com uma expressão de horror em o rosto e os olhos abertos voltados para o tecto . E não era tudo . Junto de ele estava mais alguém , a visão mais estranha que Harry tivera em toda_a sua vida . Era_o_Nick quase sem cabeça que não estava cor de pérola nem transparente e sim escuro como fumo . Flutuava imóvel , em a horizontal , 12 centímetros acima de o chão , a cabeça meio tombada e em o rosto uma expressão de choque idêntica a a de o Justin . Harry pôs se de pé com a respiração acelerada e o coração a bater como um tambor contra as costelas . Olhou desvairado para ambos os lados de o corredor deserto e viu uma fila de aranhas que corriam a_toda_a velocidade em a direcção oposta a a de os corpos . Os únicos sons eram as vozes abafadas de os professores em as aulas que decorriam de ambos os lados . Podia fugir e ninguém saberia que ali tinha estado , mas não era capaz de os abandonar assim . Tinha de ir procurar ajuda . Será que alguém acreditaria que ele não tivera nada que ver com aquilo ? Enquanto ali estava , em pânico , uma porta a o seu lado abriu se com grande estrondo . Peeves , o * poltergeist * , saiu a os gritos . - Oh ! É o Potter , olá , Potter - alardeou Peeves , lançando por o ar os óculos de o Harry quando passou por ele . - O que está o Potter a fazer ? Porque está o Potter escondido ? Peeves passou de cabeça para baixo , a meio de uma cambalhota em o ar , quando viu Justin e Nick quase sem cabeça . Com um movimento súbito endireitou se , encheu os pulmões de ar e , antes que Harry pudesse impedi o , gritou : __ ataque ! ataque ! outro ataque ! nenhum mortal ou fantasma está em segurança . corram , fujam , __ ataaaque ! Crac , Crac , Crac . Uma atrás de a outra , foram se abrindo todas_as portas a o longo de o corredor e as pessoas saíram para fora de as salas de aula . Durante alguns longos minutos houve uma tal confusão que Justin esteve em perigo de ser esmagado e as pessoas não paravam de chocar com o Nick quase sem cabeça . Harry deu por si colado a a parede enquanto os professores exigiam a os gritos que se fizesse silêncio . A professora Mc_Gonagall veio a correr , seguida por todos os alunos , um de os quais ainda trazia o cabelo a as riscas pretas e brancas . Usou a varinha para produzir um ruído que repôs o silêncio e mandou os alunos todos para dentro de as salas de aula . Mal lugar ficou desimpedido surgiu Ernie , o jovem Hufflepuff . - * _ Apanhado em flagrante ! * - gritou , com o rosto totalmente branco , apontando dramaticamente o dedo par Harry . - Basta_Mcmillan - disse , de forma cortante , a professora Mc_Gonagall . Peeves andava para_cima e para baixo , observando a cena com um sorriso maldoso . Sempre adorara o caos . Quando os professores se inclinaram sobre Justin e sobre o Nick quase sem cabeça para os examinar , iniciou uma cantilena : * _ Oh ! Potter , que fizeste , seu grande bandido * _ Tu matas os estudantes porque achas divertido . * - Basta , Peeves - rosnou a professora Mc_Gonagall e Peeves afastou se , deitando a língua de_fora a o Harry . Justin foi levado para a ala hospitalar por o professor Flitwick e por o professor Sinistra_do_Departamento_de_Astronomia , mas ninguém parecia saber o que fazer em relação a o Nick quase sem cabeça . Por fim , a professora Mc_Gonagall fez aparecer em o ar um enorme leque que entregou a Ernie com o encargo de conduzir , escadas acima , por os ares o Nick quase sem cabeça . Ernie assim fez , soprando Nick como_se fosse um aerodeslizador e deixando , de este modo , o Harry e a professora Mc_Gonagall a sós . - Por aqui , Potter - disse ela . - Professora , eu juro que não ... - Isso não é comigo , Potter - afirmou a professora Mc_Gonagall sinteticamente . Caminharam em silêncio até uma esquina e ela parou perante uma gárgula de pedra extremamente feia . - Refresco de limão - disse . Era obviamente uma senha porque a gárgula animou se subitamente e saltou para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes . Apesar_de estar apavorado com o que ia acontecer a seguir , Harry não conseguiu evitar um sentimento de fascínio . Por detrás de a parede estava uma escada em espiral que se movia lentamente para_cima como um elevador . E quando ele e a professora Mc_Gonagall puseram os pés em o primeiro degrau , Harry ouviu a parede fechar se atrás de eles . Subiram em círculos , cada_vez_mais alto até que , por fim , um_pouco tonto , Harry pôde ver uma porta de carvalho reluzente com um puxador de bronze em forma de abutre . Harry calculava onde estava a ser levado . Devia ser ali que morava Dumbledore . XII_A poção * polisuco * Saltaram de a escada de pedra lá mesmo em cima e a professora Mc_Gonagall bateu a a porta . Ela abriu se silenciosamente dando lhes entrada . A professora Mc_Gonagall disse lhe que esperasse e deixou o sozinho . Harry olhou em volta . Uma coisa era certa : de todos o escritórios de professores que conhecia , o de Dumbledor era , de longe , o mais interessante . Se não estivesse com um medo de morte de ser expulso teria adorado explorá o . Era uma sala grande e bonita em forma de círculo que estava cheia de barulhinhos estranhos . Havia um grande número de instrumentos prateados sobre várias mesas de pernas finas que zumbiam emitindo pequenas baforadas de fumo . As paredes estavam cobertas de fotografias de antigos directores e directoras , todos eles a dormir tranquilamente em as suas molduras . Havia ainda uma enorme secretária pés de garra . E , sobre uma prateleira atrás de ela , um chapéu de feiticeiro andrajoso e puído : * o chapéu seleccionador * . Harry hesitou . Lançou um olhar cauteloso a as bruxas e feiticeiros adormecidos a o longo de as paredes . Com certeza não fazia mal se lhe pegasse e o experimentasse só para ver ... só para ter a certeza de que ele o pusera em a equipa certa . Deu a volta a a secretária , retirou o chapéu de a prateleira e baixou o lentamente sobre a cabeça . Era demasiado grande e escorregou lhe para os olhos como de a outra_vez que o tinha posto . Harry olhou para o forro preto , enquanto esperava . Por fim , uma vozinha disse lhe a o ouvido : - Estás com macaquinhos em o sótão , Harry_Potter ? - Er ... sim - balbuciou Harry . - Er ... desculpa incomodar te , queria saber ... - Querias saber se te pus em a equipa certa - disse prontamente o chapéu . - Sim ... tu és particularmente difícil de seleccionar , mas eu mantenho o que disse antes . - O coração de Harry deu um salto . - Terias ficado bem em os Slytherin . Harry sentiu o estômago contorcer se . Agarrou o chapéu por a aba e tirou o de a cabeça . O chapéu seleccionador ficou pendurado em a mão de ele , inerte , desbotado e sujo . Harry voltou a pô o em a prateleira , sentindo se enjoado . - Estás enganado ! - disse em voz alta a o chapéu parado e silencioso , mas ele não se mexeu . Harry recuou para o observar melhor e foi então que ouviu um ruído estranho e grasnado atrás_de si que o fez dar uma volta . Não estava só , afinal_de_contas . Em um poleiro dourado atrás de a porta estava um pássaro de aspecto decrépito que parecia um peru meio depenado . Harry olhou para ele espantado e o pássaro olhou o também , grasnando de_novo . Harry achou que ele devia estar muito doente porque tinha os olhos parados e , enquanto olhava para ele , caíram lhe mais algumas penas de a cauda . Estava justamente a pensar que a única coisa que lhe faltava era que o pássaro de estimação de Dumbledore morresse quando ele estava ali sozinho com ele , em o escritório , quando a ave se incendiou . Harry gritou , em estado de choque , e recuou até a a secretária . Olhava nervosamente em volta , em busca de um jarro de água , mas não viu nenhum . O pássaro , entretanto , transformara se em uma bola de fogo , dera um guincho e , em seguida , desaparecera , deixando apenas um monte de cinzas em o chão . A porta de o escritório abriu se . Dumbledore entrou com ar taciturno . - Professor - gaguejou Harry . - O seu pássaro ... eu não pode fazer nada ... ele incendiou se . Para seu grande espanto , Dumbledore sorriu . - Já não era sem tempo . Estava com um aspecto horrível em os últimos dias . Fartei me de lhe dizer que fizesse qualquer coisa . Riu se entre dentes com a expressão em o rosto de Harry . - A Fawkes é uma fénix , Harry . As fénix ardem quando é altura de morrer e renascem de as cinzas , repara ... Harry olhou mesmo a_tempo_de ver um passarinho recém-nascido , todo enrugado , espetar a cabeça fora de as cinzas . Era quase tão feio como o antigo . - É uma pena que a tenhas conhecido em dia de arder - disse Dumbledore , passando para trás de a secretária . - É muito bonita a maior parte de o tempo , com uma plumagem vermelha e dourada . São criaturas fascinantes , as fénix . Podem transportar cargas pesadíssimas , as suas lágrimas têm propriedades curativas e são animais de estimação extremamente fiéis . Com o choque de a fénix a pegar fogo , Harry esquecera se de o motivo porque ali estava , mas tudo voltou rapidamente quando Dumbledore se instalou em a cadeira de espaldar alto e o fixou com os seus olhos azuis e penetrantes . Contudo , antes que ele tivesse tido tempo de falar , a porta de o escritório abriu se de par em par com um enorme estrondo e Hagrid entrou com um olhar tresloucado , o lenço todo torcido em volta de a cabeça hirsuta e o galo morto ainda pendurado em a mão . - Não foi Harry , professor Dumbledore - disse , aflito . - Eu tinha estado a falar com ele poucos segundos antes de o rapazinho ser encontrado , ele não teve tempo professor ... Dumbledore tentou dizer qualquer coisa , mas Hagrid continuou , abanando o galo em o meio de a sua agitação e espalhando penas por todo o lado . - Não pode ter sido ele . Eu juro em a frente de o ministro de a magia , se for preciso ... - Hagrid , eu ... -- Tem o rapaz errado , professor . Eu sei qu'o Harry nunca ... - Hagrid - disse Dumbledore , elevando a voz . - Eu não penso que o Harry tenha atacado aquelas pessoas . - Oh ! - disse Hagrid , com o galo pendendo inerte a o seu lado . - Certo , ' tão eu espero lá fora , director . E saiu com ar envergonhado . - O senhor não acha que tenha sido eu ? - repetiu Harry cheio de esperança , enquanto Dumbledore sacudia penas de galo de cima de a secretária . - Não , Harry , não acho - afirmou Dumbledore , apesar de a sua expressão ser de_novo sombria . - Mas mesmo_assim quero falar contigo . Harry esperou ansiosamente enquanto o director o observava com as pontas de os dedos longos unidas . - Tenho de saber uma coisa . Harry , há alguma pergunta que queiras fazer me , qualquer que ela seja ? Harry não soube o que dizer . Lembrou se de Malfoy a gritar * _ Vocês serão os próximos , sangues de lama * e de a poção * _ Polisuco * em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Depois pensou em a voz sem corpo que ouvira duas vezes e em o que o Ron dissera * _ Ouvir vozes que ninguém mais ouve não é bom sinal , nem mesmo em o mundo de a feitiçaria * . Pensou também em o que toda_a_gente dizia de ele e em o receio cada_vez maior de ter uma relação qualquer com Salazar_Slytherin ... - Não - disse por fim . - Não há nada , professor . O ataque duplo a Justin e a o Nick quase sem cabeça transformou o que até_então era nervosismo em verdadeiro pânico . Curiosamente fora o destino de o Nick quase sem cabeça o que mais preocupara as pessoas . Quem poderia ter feito aquilo a um fantasma ? - perguntavam uns a os outros . - Que poder terrível era aquele , capaz de afectar alguém que já tinha morrido ? Houve uma precipitação enorme em a marcação de os bilhetes em o Expresso_de_Hogwarts , pois todos os alunos quiseram ir passar o Natal a casa . - Por este caminho , vamos ser os únicos a ficar - disse o Ron a o Harry e a a Hermione . - Nós , o Malfoy , o Goyle e o Crabbe , que férias lindas que vão ser ! Crabbe e Goyle que faziam sempre o que Malfoy fazia , tinham se inscrito para ficar também durante as férias . Mas Harry estava contente por a maior parte se ir embora . Estava farto de ver gente a afastar se em os corredores como_se ele fosse mostrar os dentes ou cuspir veneno . Estava cansado de tantos segredinhos , de os ver apontar e segredar quando passava . O Fred e o George , esses achavam muito divertido . Vinham , de propósito , pôr se a a frente de ele e atravessavam os corredores a gritar : - Abram alas para o herdeiro de Slytherin , vai passar um feiticeiro verdadeiramente cruel . Percy discordava totalmente de este comportamento . - Não é um assunto para se brincar - dizia com frieza . - Sai mas é de o caminho , Percy - dizia o Fred . - O Harry está com pressa . - Sim , ele vai a a Câmara_dos_Segredos tomar uma chávena de chá com o seu servidor dentes de serpente - completava Fred com uma gargalhada . Ginny também não lhes achava graça . - Cala te - gritava ela sempre_que o Fred perguntava em voz alta a o Harry quem estava a pensar atacar a seguir , ou quando George fingia afastá o com um enorme dente de alho . Harry não se importava . Fazia o sentir se melhor o facto de constatar que , pelo_menos para o Fred e para o George , a ideia de ele ser o herdeiro de Slytherin era absolutamente ridícula . Mas as palhaçadas de eles pareciam ofender Draco_Malfoy que , de cada_vez que os via , ficava mais irritado . - É porque está ansioso por dizer que é mesmo ele - disse o Ron com ar conhecedor . - Sabes como ele detesta que alguém o ultrapasse e tu estás a receber todo o crédito por o seu trabalho sujo . - Não vai ser por muito_tempo - disse Hermione com uma voz satisfeita . - A poção * polisuco * está quase pronta . Um de estes dias arrancamos lhe a verdade . Finalmente , o período chegou a o seu termo e um silêncio profundo como a neve em os campos desceu sobre o castelo . Harry adorou a tranquilidade e apreciou o facto de ele , Hermione e os Weasley terem a torre de os Gryffindor por sua conta , poderem jogar a as explosões bem alto , sem incomodar ninguém e praticar duelos entre si . O Fred , o George e a Ginny tinham preferido ficar em a escola a ir com Mr. e Mrs._Weasley a o Egipto visitar o Bill . Percy que reprovava e considerava infantil a conduta de eles , não passava muito_tempo em a sala comum de os Gryffindor . Já lhes dissera pomposamente que só ficara ali em o Natal , por ser sua obrigação como prefeito apoiar os professores em aquela época agitada . A manhã de o dia de Natal clareou branca e fria . Harry e Ron , os únicos que estavam em o dormitório , foram acordados muito cedo por Hermione que entrou , toda vestida , transportando presentes para ambos . - Acordem - disse em voz alta , abrindo os cortinados . - Hermione , tu não devias estar aqui - exclamou o Ron , protegendo os olhos de a luz . - Feliz_Natal para ti também - disse Hermione , atirando lhe o presente que tinha para ele . - Estou acordada há quase uma hora , acrescentando mais asas de renda a a poção . Está pronta . Harry sentou se , subitamente acordado . - Tens a certeza ? - Absoluta - disse ela , afastando o rato Scrabbers para se sentar a os pés de a cama de dossel . - Se vamos mesmo tomá a , acho que devia ser logo a a noite . Em esse momentzo , a Hedwig entrou em o quarto , transportando em o bico um embrulho pequenino . - Olá - disse Harry , feliz a o vê a aterrar em a sua cama . - Já me falas outra_vez ? Ela mordiscou lhe a orelha de uma forma afectuosa que foi , de longe , um presente melhor do_que aquele que transportava e que era afinal de os Dursley . Tinham mandado a Harry um palito para os dentes com um cartão pedindo lhe que se informasse se não poderia ficar , também em o Verão , em Hogwarts . Os outros presentes que Harry recebeu foram bastante melhores . Hagrid mandara lhe uma lata grande de bombons de melaço que ele decidiu amolecer a o lume antes de comer , o Ron deu lhe um livro chamado * _ Voando com Canhões * , que narrava factos interessantes sobre a sua equipa favorita de Quidditch e Hermione trouxera lhe uma luxuosa pena de águia . Harry abriu o último presente onde vinha uma camisola novinha , feita a a mão por Mrs._Weasley e um grande bolo de passas . Pegou em o cartão com uma nova sensação de culpa , pensando em o carro de Mr._Weasley que não voltara a ser visto desde_que chocara contra o salgueiro zurzidor e em a quantidade de infracções que ele e o Ron tinham em mente . Ninguém , nem mesmo os que estavam cheios de medo por terem de tomar a poção * polisuco * a seguir , deixou de adorar o jantar de Natal em Hogwarts . O salão nobre estava magnífico . Não_só havia uma_dúzia de árvores de Natal , cobertas de geada e espessas serpentinas de azevinho e visco bravo cruzando se junto de o tecto como caia uma neve encantada quente e seca . Dumbledore conduziu os em uma de as suas canções de Natal preferidas enquanto Hagrid se agitava , falando cada_vez_mais alto , a cada gole de gemada que tomava . O Percy que não dera por_que Fred enfeitiçara o seu distintivo de prefeito , onde agora podia ler se « cabeça de alfinetes « , continuava a perguntar a todos para_onde estavam a olhar . Harry nem_sequer se importou com os comentários que Draco_Malfoy fazia bem alto , de a mesa de os Slytherin acerca de a sua camisola nova . Com alguma sorte , Malfoy iria ser desmascarado dentro_de algumas horas . Harry e Ron mal tinham acabado a terceira dose de pudim de Natal quando Hermione os fez sair de o salão a a pressa para acabarem de tratar de os planos para essa noite . - Ainda precisamos de um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos - disse com o ar mais natural de este mundo como_se estivesse a mandá os a o supermercado comprar detergente . - E , é claro que o ideal será conseguirmos alguma coisa de o Crabbe e de o Goyle , são os melhores amigos de o Malfoy , ele conta lhes tudo . E precisamos também de ter a certeza de que eles não vão entrar em a sala quando vocês estiverem a interrogar o Malfoy . - Eu tenho tudo pensado - prosseguiu ela , ignorando a expressão estupefacta de Harry e Ron . Pegou em dois apetitosos bolos de chocolate . - Pus lhes um encantamento de sono . Vocês só têm de fazer com que o Crabbe e o Goyle os encontrem . Sabem como eles são gulosos , vão logo comê os . Quando estiverem a dormir , tirem lhes alguns cabelos e escondam nos em uma despensa de vassouras . Harry e Ron olharam , incrédulos , um para o outro . -- Hermione , eu não creio que ... -- Isto pode correr muito mal ... Mas Hermione tinha um brilho inflexível em os olhos que não era muito diferente do_que costumavam ver em o olhar de a professora Mc_Gonagall . - A poção não nos serve de nada sem os cabelos de o Crabbe e de o Goyle - disse com firmeza . - Vocês querem mesmo descobrir coisas sobre o Malfoy , não querem ? - Pronto , está bem - disse Harry . - Mas , e tu , vais arranjar cabelos de quem ? - Eu já tenho esse assunto resolvido - disse Hermione sorridente , tirando um frasquinho de o bolso e mostrando lhes um cabelo que lá estava dentro . - Lembram se de a Millicent_Bulstrode que lutou comigo em o clube de os duelos ? Ela deixou isto em o meu manto quando tentava estrangular me . E foi passar o Natal a casa , portanto , basta me dizer a os Slytherins que decidi voltar . Quando Hermione saiu para verificar de_novo a poção polisuco , Ron voltou se para Harry com uma expressão lúgubre . - Alguma vez viste um plano onde tantas coisas pudessem correr mal ? Mas para grande espanto de ambos , a primeira fase de a operação decorreu tão naturalmente como Hermione previra . Eles esconderam se em o * hall * de entrada , depois de o lanche de Natal , a a espera de o Crabbe e de o Goyle que tinham ficado sozinhos a a mesa de os Slytherin , deitando abaixo a quarta dose de bolo inglês . Harry colocou os bolos de chocolate em o fim de o corrimão . Quando avistaram Crabbe e Goyle a sair de o salão , Harry e Ron esconderam se rapidamente atrás_de uma armadura que estava junto de a porta de entrada . - Como_se pode ser tão estúpido ? - murmurou Ron sem se mexer enquanto Crabbe apontava satisfeitíssimo , mostrando a Goyle os bolos e agarrando os . Com um riso estúpido , enfiaram nos inteiros em as bocas enormes . Durante um momento , ambos mastigaram avidamente com olhares vitoriosos em o rosto . Depois , sem que a expressão se alterasse , caíram para trás e estatelaram se em o chão . Mais difícil foi transportá os para a despensa de o outro lado de o * hall * . Uma_vez armazenados em o meio de os baldes e esfregões , Harry arrancou alguns de os pêlos que cobriam a cabeça de o Goyle e Ron tirou alguns cabelos a o Crabbe . Roubaram lhes também os sapatos porque os de eles eram demasiado pequenos para os enormes pés de o Crabbe e de o Goyle . Em seguida , ainda atordoados com o que tinham acabado de fazer , correram até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mal conseguiam ver com o fumo preto e espesso que saía de o cubículo onde Hermione mexia o caldeirão . Tapando o rosto com os mantos , Harry e Ron bateram a o de leve em a porta . - Hermione ? Ouviram o ruído de o trinco e Hermione apareceu com a cara lustrosa e um ar ansioso . Por trás de ela ouviam o gloop gloop de a poção espessa e gorgolejante . Em o banco de a casa_de_banho estavam três copos de vidro . - Conseguiram ? - perguntou Hermione quase sem fôlego . Harry mostrou lhe o cabelo de o Goyle . - _ óptimo . Eu tirei estes mantos suplementares de a lavandaria - disse ela , pegando em uma pequena saca . - Vocês vão precisar de tamanhos maiores se vão ser o Crabbe e o Goyle . Olharam os três para o caldeirão . Vista de perto , a poção parecia uma lama espessa e escura a borbulhar indolentemente . - Tenho a certeza que fiz tudo certo - disse Hermione nervosa , relendo a página manchada de * _ Moste_Potente_Potions * . - Tem o aspecto que o livro diz que deveria ter ... depois de a tomar temos precisamente uma hora antes de nos transformarmos de_novo em as pessoas que somos . - E agora ? - murmurou o Ron . - Separamos a em três copos e adicionamos os cabelos . Hermione encheu cada_um de os copos com uma concha de sopa . Em seguida , retirou com a mão a tremer o cabelo de Millicent_Bulstrode de dentro de o frasquinho e pô o em o primeiro copo . A poção chiou fortemente como uma chaleira a ferver e espumou como louca . Um segundo depois ganhara um tom de amarelo doentio . - Urgh ! Essência_de_Millicent_Bulstrode - disse Ron , olhando com repugnância . - Aposto que o sabor é nojento . - Deitem os vossos - disse Hermione . Harry deixou cair o cabelo de o Goyle em o copo de o meio e Ron lançou o de o Crabbe em o último . Ambos chiaram e espumaram : o de o Goyle ficou de um tom caqui , o de o Crabbe de um castanho-escuro algo tenebroso . - Esperem - pediu Harry quando Ron e Hermione pegaram em os copos . - Será melhor não os tomarmos aqui todos juntos em um cubículo ; quando em os transformarmos não vamos cá caber e Millicent_Bulstrode não é nenhum duende . - Bem pensado - admitiu o Ron , abrindo a porta . - Cada_um em seu cubículo . Com todo o cuidado , para não entornar nem uma gota de a poção polisuco , Harry esgueirou se para o cubículo de o meio . - Prontos ? - perguntou . - Prontos - responderam as vozes de o Ron e de a Hermione . - Um , dois , três . Tapando o nariz , Harry bebeu a poção em dois grandes tragos . Tinha o sabor de a couve demasiado cozida . Os seus interiores começaram imediatamente a contorcer se como_se tivesse engolido serpentes vivas . Dobrado , Harry perguntava a si próprio se iria vomitar . Depois , uma sensação de ardor espalhou se rapidamente de o estômago até a as pontas de os dedos de as mãos e de os pés . Em seguida , fazendo o sobressaltar se , sobreveio o sentimento horrível de estar a derreter enquanto a pele de todo o seu corpo borbulhava como cera quente e , perante os seus olhos , as mãos começaram a crescer , os dedos a engrossar , as unhas a alargar e as articulações a tornarem se protuberantes como ferrolhos . Os ombros retesaram se dolorosamente e uma comichão em a testa preveniu o de que o cabelo estava a rastejar em direcção a as sobrancelhas . As túnicas rasgaram se enquanto o tórax se expandia como um barril , rebentando com os seus anéis . Os pés estavam em grande sofrimento dentro_de sapatos quatro números abaixo . Tão depressa como começara , tudo parou . Harry estava caído em o chão de pedra fria , ouvindo a Murta_Queixosa gorgolejando taciturna em o cubículo de o fundo . Com alguma dificuldade tirou os sapatos e levantou se . Era então assim que o Goyle se sentia ! Com a mão enorme a tremer , despiu a sua túnica que lhe ficava 30 centímetros acima de os tornozelos , pegou em as túnicas suplementares e amarrou os atacadores de os sapatos abotinados de o Goyle . Quis escovar o cabelo para o afastar um_pouco de os olhos e deu apenas com os pêlos hirsutos que lhe cresciam em a testa . Apercebeu se então de que os óculos lhe toldavam a visão porque o Goyle , obviamente , não precisava de eles . Tirou os e gritou . - Vocês estão bem ? - De a sua boca saiu a voz baixa e grossa de o Goyle . - Sim - respondeu lhe o grunhido de o Crabbe , a a sua direita . Harry abriu a porta de o cubículo e dirigiu se a o espelho partido . O Goyle olhava o de o outro lado com os seus olhos parados . Harry coçou a orelha e Goyle fez o mesmo . A porta de o Ron abriu se . Olharam um para o outro . Harry estava pálido e chocado . O amigo não se distinguia de o Crabbe , desde o corte de cabelo em forma de tigela até a os longos braços de gorila . - É inacreditável - disse o Ron , aproximando se de o espelho e beliscando o nariz achatado de o Crabbe . - Inacreditável ! - É melhor irmos indo - disse Harry , alargando a pulseira de o relógio que lhe cortava o pulso . - Ainda temos de descobrir onde fica a sala comum de Slytherin . Só espero que encontremos alguém que vá para lá e que nós possamos seguir . Ron que tinha estado a olhar espantado para ele , comentou : - Não imaginas como é bizarro ver o Goyle a pensar - bateu em a porta de Hermione . - Vamos , temos que ir ... Respondeu lhe uma voz aguda : - Eu ... eu acho que afinal não vou . Vão vocês sem mim . - Hermione , nós sabemos que a Millicent_Bulstrode é feia , ninguém vai pensar que és tu . - Não , a sério , acho que não vou . Despachem se vocês os dois , estão a perder tempo . Harry olhou para Ron , baralhado . - Aquilo parece mais de o Goyle , é como ele fica sempre_que algum professor lhe faz uma pergunta . - Estás bem , Hermione ? - perguntou Harry , através de a porta . - _ óptima , estou óptima , vão se embora . Harry olhou para o relógio . Cinco preciosos minutos tinham já passado . - Encontramo nos aqui , está bem ? - disse . Os dois abriram a porta de a casa_de_banho com todo o cuidado , viram se o caminho estava livre e saíram . - Não balances assim os braços - disse o Harry a o Ron . - Hein ? - O Crabbe anda sempre com eles esticados . - Assim ? - Isso , assim está melhor . Desceram a escadaria de mármore . Só precisavam agora de um Slytherin que pudessem seguir até a a sala comum , mas não havia ninguém por perto . - Tens alguma ideia ? - perguntou Harry em um murmúrio . - Os Slytherin vêm sempre de ali para o pequeno-almoço - disse o Ron , apontando para a entrada de os calabouços . Mal tinha pronunciado estas palavras quando uma rapariga de cabelo comprido a os caracóis , apareceu . - Desculpa - disse o Ron , sem perder tempo . - Esquecemo nos de o caminho para a nossa sala comum . - Como ? - disse a rapariga com a maior frieza . - A * nossa * sala comum ? Eu sou uma Ravenclaw . Afastou se , olhando para eles , desconfiada . Harry e Ron desceram apressadamente os degraus de pedra até a a escuridão . Os passos ecoavam em o silêncio , à_medida_que os pés enormes de Crabbe e Goyle tocavam em o chão , fazendo os sentir que as coisas não iam ser tão fáceis como eles desejavam . Os corredores labirínticos estavam desertos . Andaram e tornaram a andar por os subterrâneos , olhando constantemente para os relógios para ver quanto tempo ainda lhes restava . Depois de um quarto de hora , quando começavam a ficar desesperados , ouviram um movimento súbito . - Olha - disse o Ron , agitadamente . - Agora é um de eles . A silhueta saía de uma sala , mas quando se aproximaram o coração de ambos esmoreceu . Não era um Slytherin , era Percy . - O que estás a fazer aqui em baixo ? - perguntou o Ron surpreendido . - Isso - disse ele friamente - não é de a tua conta . És o Crabbe , não és ? - Er ... sim , sim - respondeu o Ron . - Então vão para o vosso dormitório - ordenou Percy com firmeza . - Não é seguro andar a passear por os corredores escuros em os dias que correm . - Tu andas -- fez notar o Ron . - Eu - disse o Percy endireitando se - sou um prefeito . Nada vai atacar me . Ouviu se , de repente , uma voz por_detrás_de Harry e Ron . Era_Draco_Malfoy e , pela_primeira_vez em a vida , Harry ficou satisfeito a o vê o . - Aí estão vocês - disse de modo arrastado , olhando para eles . - Têm estado a chafurdar em o salão este tempo todo ? Tenho andado a a vossa procura , quero mostrar vos uma coisa muito divertida . Malfoy olhou misteriosamente para Percy . - E o que fazes tu aqui , Weasley ? - perguntou com ar de desprezo . Percy olhou , sentindo se ultrajado . - Fazes favor de mostrar um_pouco mais de respeito por um prefeito de a escola - disse . - Não gosto de o teu ar . Malfoy riu se e fez sinal a o Harry e a o Ron para que o seguissem . Harry quase ia pedindo desculpa a o Percy , mas deu se conta a tempo . Apressaram se a seguir o Malfoy que disse , mal viraram em o corredor seguinte : - Aquele Peter_Weasley ... - O Percy - corrigiu Ron automaticamente . - Ou isso - continuou Malfoy . - Ultimamente tenho o visto muitas_vezes a andar por aí sorrateiramente e aposto que sei o que ele quer . Pensa que vai apanhar o herdeiro de Slytherin sozinho . Deu uma pequena gargalhada ridícula . Harry e Ron trocaram olhares nervosos . Malfoy parou junto de uma parede de pedra húmida . - Qual é a senha ? - perguntou a o Harry . - Er ... - Ah ! sim , sangue puro - disse Malfoy sem ouvir e uma porta de pedra , oculta em a parede , abriu se . Malfoy entrou e Harry e Ron seguiram o . A sala comum de os Slytherin era uma ampla divisão subterrânea com espessas paredes de pedra e um tecto de o qual estavam pendurados por correntes vários candeeiros redondos que davam uma luz esverdeada . O fogo crepitava em uma lareira elaboradamente esculpida em frente de a qual se viam as silhuetas de vários Slytherins sentados em cadeiras igualmente esculpidas . - Esperem aí - disse Malfoy a o Harry e a o Ron , encaminhando os para um par de cadeiras vazias , longe de o lume . - Eu vou buscar o que o meu pai acaba de me mandar . Sem saber o que Malfoy iria mostrar lhes , Harry e Ron sentaram se , fazendo todos os possíveis por parecer a a vontade . Malfoy voltou um minuto depois , trazendo em a mão o que parecia ser um recorte de jornal . Pô o debaixo de o nariz de o Ron . - Vais te rir - disse . Harry viu os olhos de o Ron abrirem se como_se estivesse em estado de choque . Viu o ler o recorte rapidamente , dar uma gargalhada forçada e estender lhe o em seguida . Tinha sido retirado de o * _ Profeta_Diário * e dizia : inquérito em o ministério de a magia * _ Arthur_Weasley , chefe de o Gabinete_de_Mau_Uso_dos_Utensílios_dos_Muggles foi hoje multado em cinquenta galeões por ter enfeitiçado um carro de os Muggles . * _ O senhor Lucius_Malfoy , Membro_do_Conselho_Directivo_da_Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts , onde o carro enfeitiçado foi chocar em o princípio de este ano , exigiu hoje a demissão de Mr._Weasley . « * _ O_Weasley trouxe o descrédito a o Ministério « - declarou Mr._Malfoy a o nosso repórter . - « É claramente incompetente para fazer cumprir as leis e a sua protecção ridícula de os Muggles deveria ir imediatamente para a sucata . » * _ Mr._Weasley recusou se a fazer comentários , mas a sua mulher disse a os repórteres que desaparecessem de ali ou lançaria contra eles o vampiro de a família * . - Então - disse Malfoy impaciente quando Harry voltou a entregar lhe o recorte . - Não achas o_máximo ? - Ha , ha - fez Harry tristemente . - O Arthur_Weasley gosta tanto de os Muggles que era capaz de partir a sua varinha a o meio para se juntar a eles - disse Malfoy com desprezo . - Ninguém diria que os Weasley eram sangue puro a avaliar por o modo como_se comportam . A cara de o Ron , ou melhor , de o Crabbe , contorceu se de raiva . - O que é_que se passa ? - perguntou Malfoy . - Dores de estômago - gemeu o Ron . - Então vai a a ala hospitalar e dá a todos aqueles sangues de lama um pontapé de a minha parte - disse Malfoy com o seu riso escarninho . - Sabes que estou espantado por o * _ Profeta_Diário * ainda não se ter referido a todos estes ataques - continuou pensativamente . - Calculo que o Dumbledore deve estar a tentar abafar as coisas . Ele ainda é posto em a rua se isto não acaba depressa . O pai sempre disse que Dumbledore foi a pior coisa que aqui veio parar . Ele adora os filhos de os Muggles , um director decente nunca deixaria um lodo como o Creevey entrar em esta escola . Malfoy começou a fingir que tirava fotografias com uma máquina imaginária e fez uma imitação maldosa , mas bastante fiel de o Colin : - Potter , posso tirar te a fotografia ? Dás me um autógrafo ? Posso lamber te os sapatos , por favor , Potter ? Baixou as mãos e olhou para Harry e Ron . - O que é_que se passa com vocês os dois ? Um_pouco atrasados , Harry e Ron forçaram o riso e Malfoy pareceu satisfeito . Talvez Crabbe e Goyle fossem sempre de reacção lenta . - O santo Potter , amigo de os sangues de lama - disse Malfoy . - É outro que não tem os sentimentos de um feiticeiro a sério ou não andaria por aí com aquela empertigada sangue de lama Granger . E as pessoas a pensarem que ele é o herdeiro de Slytherin . Harry e Ron esperaram com a respiração entrecortada : o Malfoy ia certamente dizer lhes , dentro_de segundos , que era ele , mas então ... - Quem me dera saber quem ele é - disse o Malfoy , de forma petulante . - Podia ajudá o . O queixo de o Ron caiu de tal maneira que a cara de o Crabbe ficou ainda mais desajeitada do_que era habitual . Felizmente Malfoy não deu por nada e Harry , em um pensamento rápido , disse : - Deves ter alguma ideia de quem está por_detrás_de tudo ... - Sabes perfeitamente que não tenho , Goyle , quantas vezes é preciso dizer te ? - cortou Malfoy . - E o pai também não me diz nada sobre a última vez que a câmara foi aberta . É claro que foi há cinquenta anos , antes de ele cá andar , mas o pai sabe tudo a esse respeito e diz que as coisas foram mantidas em grande segredo e que pareceria suspeito se eu soubesse demasiado . Mas há uma coisa que eu sei : de a última vez que a câmara foi aberta , morreu um sangue de lama . Por isso , aposto que é uma questão de tempo até que um de eles seja morto . Só espero que seja a Granger - disse satisfeito . Ron fechara os punhos gigantescos de o Crabbe . Sentindo que deitaria tudo a perder se ele desse um soco a o Malfoy , Harry lançou lhe um olhar de aviso e disse : - Sabes se a pessoa que abriu a câmara de a última vez foi apanhada ? - Ah ! sim , essa pessoa foi expulsa - disse Malfoy . - Ainda deve estar em Azkaban . - Azkaban ? - repetiu Harry confuso . - Azkaban , a prisão de os feiticeiros , Goyle - disse Malfoy , olhando para ele incrédulo . - Francamente , se fosses mais lento andavas para trás . Esticou se intranquilo , em a cadeira e disse : - O pai diz para eu esfriar a cabeça e deixar que o herdeiro de Slytherin faça o seu trabalho . Acha que a escola precisa de se livrar de a escória de os sangues de lama , mas não quer que eu me envolva em nada . Claro que ele agora tem um prato cheio . Sabes que o Ministério de a magia fez uma busca a a nossa mansão em a semana passada ? Harry tentou forçar a cara de bronco de o Goyle a uma expressão preocupada . - Sim - continuou Malfoy . - É claro que não encontraram grande coisa . O pai guarda uns materiais de magia negra muito valiosos , mas , felizmente , temos a nossa câmara secreta debaixo de o soalho de a sala de visitas ... - Ah ! - disse o Ron . Malfoy olhou para ele . Harry também . Ron corou e até o cabelo começou a ficar vermelho . O nariz estava também a diminuir lentamente ... a hora tinha acabado . Ron estava a voltar a a sua forma habitual e por o olhar de horror que lançou a Harry certamente ele também estava . Puseram se rapidamente de pé . - Tenho de tomar o remédio para o estômago - grunhiu o Ron e sem mais explicações saíram ambos a correr de a sala comum de os Slytherin , precipitaram se para a parede de pedra e galgaram a passagem , pedindo a todos os santos que Malfoy não tivesse dado por nada . Harry sentia os pés a nadarem em os sapatos enormes de o Goyle e tinha de levantar o manto visto_que diminuíra de tamanho . Subiram os degraus a correr até a o * hall * escuro de entrada onde se ouvia um som abafado que vinha de a despensa onde tinham fechado o Crabbe e o Goyle . Deixando os sapatorros de os dois de o lado de_fora , subiram já com os respectivos sapatos a escadaria de mármore até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Bem , não foi uma total perda de tempo - disse o Ron ofegante , fechando atrás_de si a porta de a casa_de_banho . - É certo que ainda não descobrimos de quem vêm os ataques , mas vou escrever a o meu pai amanhã a dizer lhe que procure debaixo de o soalho de a sala de visitas de o Malfoy . Harry olhou para o espelho partido . Tinha voltado a o normal . Pôs os óculos enquanto Ron batia em a porta de o cubículo de Hermione . - Hermione , sai de aí , temos um monte de coisas para te contar ... - Vão se embora - guinchou Hermione . Harry e Ron olharam um para o outro . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron . - Tu já deves ter voltado a o normal como nós ... Mas a Murta_Queixosa saiu subitamente através de a porta de o cubículo com um ar divertido como nunca a tinham visto . - Oh ! Esperem até ver - disse ela . - É horrível ! Ouviram o trinco de a porta a abrir se e Hermione apareceu a soluçar , a túnica levantada a cobrir lhe o rosto . - O que foi ? - perguntou o Ron indistintamente . - Ainda tens o nariz de a Millicent ou alguma coisa assim ? Hermione deixou cair a roupa e Ron recuou rapidamente . O rosto de ela estava coberto de pêlo preto , os olhos tinham ganho uma cor amarela e as orelhas eram pontiagudas , saindo espetadas para fora de os cabelos . - Era um pêlo de g-gato - disse a chorar . - A Millicent_Bulstrode d-deve ter um gato e a poção não está preparada para transformação em animais . - Oh-oh - disse o Ron . - Vão te gozar horrivelmente - disse a Murta , felicíssima . - Não te preocupes , Hermione - tranquilizou a rapidamente o Harry . - Vamos levar te para a ala hospitalar , a Madam_Pomfrey nunca faz muitas perguntas ... Não foi fácil convencer Hermione a sair de a casa_de_banho . A Murta_Queixosa despediu se com uma gargalhadavigorosa e grosseira . - Espera até todos descobrirem que tens uma cauda ! XIII_O diário muito secreto Hermione ficou em a ala hospitalar durante várias semanas . Houve uma onda de boatos sobre o seu desaparecimento quando o resto de os alunos voltou de as férias de Natal porque , é claro , todos pensam que ela tinha sido atacada . Foram tantos os estudantes a rondar a ala hospitalar para espreitar a ver se a viam que Madam_Pomfrey desceu de_novo as cortinas de a cama de ela para a poupar a a vergonha de ser vista com pêlo em a cara . Harry e Ron iam visitá a todas_as tardes . Quando o segundo período começou passaram a levar lhe diariamente os trabalhos de casa . - Se eu tivesse o bigode a crescer , tinha uma folga de o trabalho - disse uma tarde o Ron enquanto colocava uma pilha de livros a a cabeceira de a cama de Hermione . - Não sejas parvo , Ron , eu tenho de me manter a par de as coisas - disse Hermione com vivacidade . O humor de ela melhorara bastante com o facto de lhe ter desaparecido todo o pêlo de o rosto e de os olhos estarem lentamente a retomar a cor castanha . - Calculo que não tenham novas pistas ? - disse em um murmúrio para evitar que Madam_Pomfrey os ouvisse . - Nada - disse Harry tristemente . - Eu tinha tanta certeza de que era o Malfoy - repetiu o Ron por a centésima vez . - O que é isso ? - perguntou Harry , apontando para uma coisa com brilho dourado que estava debaixo de a almofada de Hermione . - É só um cartão a desejar boas melhoras - disse ela precipitadamente , tentando escondê o , mas o Ron foi mais rápido . Pegou lhe , abriu o e leu em voz alta : * _ Para_Miss_Granger , desejando lhe uma rápida recuperação , com o interesse e estima de o professor Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , Terceiro grau , Membro_Honorário_da_Liga_de_Defesa contra as Artes_Negras e vencedor por cinco vezes de o prémio O sorriso mais charmoso de a semana de o Semanário_das_Bruxas * . Ron olhou desconsolado para Hermione . - Tu dormes com isto debaixo de a almofada ? Mas Hermione foi poupada a ter de responder por a entrada de Madam_Pomfrey que lhe trazia a dose de medicamento de a tarde . - Achas que o Lockhart é o tipo mais esperto que conheceste ? - perguntou o Ron a o Harry quando saíram de a enfermaria e começavam a subir as escadas para a torre de os Gryffindor . O Snape tinha lhes passado tanto trabalho para_casa que Harry pensou que ia chegar a o sexto ano antes de o ter acabado . Ron vinha a dizer que devia ter perguntado a a Hermione quantas caudas de rato deveria juntar se a uma poção para o crescimento de o cabelo quando um grito de raiva vindo de o andar de cima lhes chegou a os ouvidos . - É o Filch - murmurou Harry enquanto subiam apressadamente as escadas e paravam para ouvir melhor . - Terá mais alguém sido atacado ? - disse nervosamente o Ron . Ficaram parados com as cabeças inclinadas para a voz de o Filch que parecia quase histérica . -- ... * _ Ainda mais trabalho para mim . Toda_a noite a esfregar como_se não tivesse já trabalho de sobra . Não , isto foi a gota de água que fez transbordar o copo , vou falar com Dumbledore * ... Os passos afastaram se e ouviram uma porta fechar se com grande estrondo . Puseram as cabeças fora de a esquina . O Filch tinha obviamente estado a patrulhar o seu habitual posto de vigia : estavam novamente em o lugar onde Mrs._Norris fora atacada . Perceberam imediatamente qual o motivo de os gritos . Uma enorme poça de água enchia metade de o corredor e parecia escorrer de a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Agora_que o Filch se calara podiam ouvir os uivos de a Murta que faziam eco em as paredes de a casa_de_banho . - Mas o que se passará com ela ? - disse o Ron . - Vamos lá ver - sugeriu Harry e arregaçando as túnicas até a os tornozelos entraram , atravessando a enorme poça de água , em a casa_de_banho que tinha o letreiro a dizer « Fora de serviço » e que eles , como sempre , ignoraram . A Murta_Queixosa chorava , se possível , mais alto do_que nunca . Parecia estar escondida em o cubículo de o costume . Lá dentro estava escuro pois as velas tinham se apagado com a enchente de água que deixara as paredes e o chão ensopado . - O que se passa , Murta ? - quis saber o Harry . - Quem é ? - perguntou ela infelicíssima . - Vieste atirar me mais alguma coisa acima ? Harry caminhou com dificuldade por causa de a água até a o cubículo de ela e disse : - Porque te faríamos nós uma coisa de essas ? - Não me perguntem - gritou a Murta , emergindo em uma onda de água que molhou ainda mais o chão já ensopado . - Eu estou aqui metida em a minha morte e alguém acha muito engraçado atirar me com um caderno acima ... - Mas , não pode magoar te se alguém te atirar alguma coisa acima - disse Harry , tentando ser prático . - Isto_é , seja o que for passa através_de ti , não é assim ? Tinha dito a frase errada . A Murta encheu o peito de ar e gritou a plenos pulmões : - Vamos todos atirar cadernos a a Murta já_que ela não sente nada ! Dez pontos se lhe acertarem em o estômago , cinquenta se lhe atravessar a cabeça ! Hah hah hah , que jogo lindo , não acham ? - Quem te atirou um caderno , afinal ? - perguntou o Harry . - Não sei ... eu estava sentada em a sanita a pensar em a morte e caiu me em cima de a cabeça - disse a Murta , olhando para eles . - Está ali , ficou todo molhado . Harry e Ron olharam para o ponto que a Murta lhes apontava debaixo de o lavatório . Um caderno pequenino e fino estava caído em o chão . Tinha uma capa preta muito gasta e estava encharcado como tudo em aquela casa_de_banho . Harry deu um passo em frente para o apanhar , mas o Ron agarrou lhe precipitadamente o braço . - O que foi ? - perguntou Harry . - Estás doido - disse ele . - Pode ser perigoso . - Perigoso ? - riu se Harry . - Essa agora Ron , como é_que pode ser perigoso ? - Ficarias surpreendido ... - explicou ele , olhando com ar apreensivo para o caderno . - Entre os livros que o Ministério confiscou , contou me o meu pai , havia um que queimava os olhos a as pessoas . E todos os que leram os * _ Sonetos_de_Um_Feiticeiro * ficaram a falar em verso para o resto de a vida . Havia também uma bruxa em Bath que tinha um livro que quem o lesse nunca mais conseguia parar , tinha de andar por aí com o nariz enfiado em as folhas , a fazer todas_as coisas só com uma mão e ... - Já chega , já chega , já percebi a tua ideia - disse O_Harry . O caderninho continuava caído e ensopado . - Bem , nunca saberemos a_não_ser_que tenhamos a coragem de dar uma vista de olhos - disse e mergulhou apanhando o de o chão . Harry viu imediatamente que se tratava de um diário e a data meio apagada , em a capa , disse lhe que tinha cinquenta anos de idade . Abriu o ansiosamente . Em a primeira página podia ler se apenas o nome T._M._Riddle em tinta esborratada . - Espera aí - disse o Ron que se aproximara prudentemente e olhava por cima de o ombro de Harry . - Eu conheço esse nome ... T._M._Riddle recebeu um prémio por serviços especiais prestados a a escola há cinquenta anos atrás . - Como diabo sabes tu isso ? - perguntou Harry com grande espanto . - Porque o Filch mandou me limpar a taça de ele umas cinquenta vezes quando estive de castigo - disse o Ron ressentido . - Foi a taça em cima de a qual eu vomitei lesmas . Se tivesses tido que limpar o muco de um nome durante uma hora também te lembrarias . Harry separou umas de as outras as páginas molhadas . Estavam completamente em branco . Não havia o mais leve sinal de escrita em nenhuma , nem coisas como « Aniversário de a tia Mabel « ou « Dentista a as três_e_meia » . - Ele nunca escreveu nada aqui - disse Harry desapontado . - Porque quereria alguém atirá o fora ? - perguntou se o Ron com curiosidade . Harry voltou o caderno e viu , inscrito em a contra capa , o nome de uma tabacaria em Vauxhall_Road , Londres . - Ele devia ser filho de Muggle - disse Harry pensativo - para ter comprado um diário em Vauxhall_Road ... - Bem , não te serve de muito - Ron baixou a voz . - Cinquenta pontos se acertares em o nariz de a Murta . Harry , mesmo_assim , guardou o diário . Hermione saiu de a ala hospitalar desbigodada , sem cauda e sem pêlo em os primeiros dias de Fevereiro . Em a primeira noite em a torre de os Gryffindor , Harry mostrou lhe o diário de T._M._Riddle e contou lhe como o tinham encontrado . - Ooooh ! Deve ter poderes ocultos - disse ela entusiasticamente , pegando em o diário e examinando o de perto . - Se tem , esconde os muito bem - disse Ron . - Talvez fosse tímido . Não sei porque não deitas isso fora , Harry . - Gostava de perceber porque motivo alguém se quis livrar de ele - explicou Harry . - E também não me importava de saber como foi que o Riddle obteve esse prémio de serviços especiais prestados a Hogwarts . - Pode ter sido qualquer coisa - lançou o Ron . - Talvez tenha recebido 30 de nota final ou salvo um professor de a lula gigante . Se_calhar assassinou a Murta , isso teria sido um favor prestado a todos ... Mas Harry quase podia jurar , por o olhar suspenso em a cara de Hermione , que ela pensava o mesmo_que ele . - O que foi ? - perguntou Ron , olhando para um e para o outro . - Bem , a Câmara_dos_Segredos foi aberta há cinquenta anos , não foi isso que disse o Malfoy ? - Sim - respondeu Ron , lentamente . - E este diário tem cinquenta anos de idade - completou Hermione , dando lhe palmadinhas nervosas . - E de aí ? - Oh Ron , acorda - insistiu Hermione . - Sabemos que a pessoa que abriu a câmara de a outra_vez foi expulsa há cinquenta anos . E se o Riddle tivesse tido o prémio especial por apanhar o herdeiro de Slytherin ? O seu diário diria nos provavelmente tudo : onde é a Câmara_dos_Segredos , como abris a e que tipo de criatura vive lá . Achas que a pessoa que está por trás de os ataques desta_vez quereria o diário por aí ? - É uma teoria interessante , Hermione - disse o Ron . - Apenas com uma pequenina falha : o diário não tem nada Mas_Hermione já estava a tirar a varinha de o saco . - Pode ser tinta invisível - murmurou . Bateu três vezes em o diário e repetiu * _ Aparecium ! * Nada aconteceu . Intrépida , Hermione meteu a mão de_novo em o saco e tirou o que parecia ser uma borracha vermelha e brilhante . - É um * revelador * , comprei o em a Diagon - _ Al - disse . Apagou com força em 1_de_Janeiro . Não sucedeu nada . - Já vos disse , não há nada aí - repetiu o Ron . - O Riddle deve ter recebido um diário como prenda de Natal e nem se deu a o trabalho de escrever fosse o que fosse . Harry não conseguia explicar , nem a si próprio , porque motivo não deitara fora o diário de Riddle . A verdade é_que , mesmo depois de saber que ele estava em branco , continuou distraidamente a pegar lhe e a virar as páginas como_se quisesse chegar a o fim de uma história . E , apesar_de saber que nunca tinha ouvido o nome T._M._Riddle , continuava a ter a sensação de que lhe dizia alguma coisa , como_se Riddle fosse um amigo que ele tinha tido quando era muito pequeno e que estivesse meio esquecido . Mas era um absurdo . Nunca tivera amigos antes de Hogwarts , Dudley tivera esse cuidado . Ainda_assim , Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle , por isso em o dia seguinte foi até a a sala de os troféus para examinar a taça , acompanhado de Hermione que estava interessadíssima e de Ron que se mostrava profundamente incrédulo , dizendo que tinha ficado farto de aquela sala até a o fim de a vida . A taça dourada de Riddle estava arrecadada em um armário de canto . Não fornecia detalhes sobre o motivo por_que lhe fora dada ( felizmente , se fosse maior ainda hoje estava a limpá a , disse o Ron ) . Mas encontraram o nome de Riddle em uma antiga medalha de Mérito_Mágico e em uma lista de antigos chefes de turma . - Parece o Percy - comentou Ron , torcendo o nariz com aversão . - Prefeito , chefe de turma , provavelmente o melhor em todas_as disciplinas . - Dizes isso como_se fosse uma coisa má - fez lhe notar Hermione , em um tom de voz ressentido . Um sol fraco brilhava agora de_novo em Hogwarts . Dentro de o castelo , o ambiente estava bastante melhor . Não tinha havido novos ataques desde Justin e Nick quase sem cabeça e Madam_Pomfrey teve a satisfação de informar que as Mandrágoras começavam a ficar instáveis e dissimuladas , sinal de que estavam a abandonar rapidamente a infância . - Logo_que o acne desapareça estarão prontas para novo transplante - ouviu a Harry dizer amavelmente a o Filch . - E depois de isso , não demorará muito até podermos cortá as e estufá as . - Vai ter Mrs._Norris de volta , muito em_breve . Talvez o herdeiro ou herdeira de Slytherin tenha perdido a coragem , pensou Harry . Deve ser cada_vez_mais arriscado abrir a Câmara_dos_Segredos com a escola tão alerta e desconfiada . Talvez o monstro , qualquer_que_fosse , estivesse a preparar se para hibernar durante outros cinquenta anos . Ernie_Mcmillan_dos_Hufilepuff não aceitou esta visão optimista . Continuava convencido de que Harry era o culpado , que se tinha traído em o clube de os duelos . Peeves não ajudava nada : continuava a cantar por os corredores Potter , * seu bandido * ... agora acompanhado de um esquema de dança . Gilderoy_Lockhart parecia pensar que fora ele quem pusera fim a os ataques . Harry fartou se de o ouvir dizer isso a a professora Mc_Gonagall enquanto os Gryffindor formavam bicha para a aula de Transfiguração . - Não creio que volte a haver problemas , Minerva - disse , tocando em o nariz com ar conhecedor e piscando o olho . - Acho que desta_vez a câmara foi definitivamente selada . O culpado deve ter sabido que era uma questão de tempo até eu o apanhar e que era mais sensato parar agora antes que eu lhe tratasse de a saúde . Sabe , a escola está a precisar de um intensificador de animo para apagar as lembranças de o último período . Não vou dizer lhe mais_nada , por enquanto , mas julgo que sei o que ... Voltou a tocar em o nariz e afastou se a passos largos . A ideia de Lockhart de um intensificador de ânimo ficou bastante clara em o dia_14_de_Fevereiro , a o pequeno-almoço . Harry não dormira grande coisa devido a o treino de Quidditch em a noite anterior e chegou a o salão um_pouco atrasado . Pensou , por momentos , que se tinha enganado em a porta . As paredes estavam todas cobertas com enormes e medonhas flores cor-de-rosa . Pior ainda , * confettis * em forma de corações caíam de o tecto azul pálido . Harry dirigiu se a a mesa de os Gryffindor onde o Ron estava sentado com um ar enjoado junto de Hermione que parecia particularmente risonha . - O que se passa ? - perguntou lhes , sentando se e sacudindo os * confettis * de o seu bacon . Ron apontou para a mesa de os professores , com um ar demasiado repugnado para falar . Lockhart , em as suas vestes rosa vivo , a condizer com a decoração de o salão , fazia sinal para que se calassem . Os professores que o ladeavam tinham um ar estupefacto . De o seu lugar , Harry podia ver um músculo mover se em a bochecha de a professora Mc_Gonagall . Snape estava com ar de quem tomou uma imensa dose de xarope * skele-gro * . - Feliz dia de S._Valentim - gritou Lockhart . - E permitam me que agradeça a as quarenta_e_seis pessoas que até agora me enviaram cartões . Sim , fui eu quem tomou a liberdade de vos fazer esta pequena surpresa , e ela não acaba aqui ! Lockhart bateu as palmas e por as portas de o * hall * entraram a marchar cerca de uma_dúzia de duendes de aspecto carrancudo . Não eram uns duendes quaisquer , diga se de passagem . Lockhart fizera os usar asas douradas e transportar harpas . - Os meus amigos cupidos , portadores de os cartões ! gritou Lockhart . - Eles vão andar por a escola durante o dia de hoje , entregando os vossos cartões de S._Valentim . E o divertimento não acaba aqui . Tenho a certeza de que os meus colegas vão querer participar em este espírito de festa . Porque não pedir a o professor Snape que vos mostre como preparar rapidamente uma poção de amor . E , enquanto ele a prepara , está aqui o professor Flitwick que é de todos os feiticeiros que conheci aquele que mais sabe de encantamentos de sedução , o grande safado ! O professor Flitwick enterrou o rosto em as mãos . Snape olhava como_se quisesse dar veneno a a primeira pessoa que fosse pedir lhe a poção de o amor . - Por favor , Hermione , diz me que não foste uma de as quarenta_e_seis - pediu Ron quando saíram de o salão para a primeira aula . Mas Hermione ficou subitamente muito interessada em procurar o horário dentro de a mala e não lhe respondeu . Durante todo o dia os duendes não pararam de se intrometer em as aulas para entregar cartões , para grande aborrecimento de os professores e , ao_fim_da_tarde , quando os Gryffindor subiam as escadas para a aula de encantamentos , um de eles avistou o Harry . - Hei , tu , Harry_Potter ! - gritou um duende de aspecto particularmente lúgubre , dando cotoveladas a_toda_a gente para se aproximar de o Harry . Coradíssimo com a ideia de receber um cartão de S._Valentim diante_de uma fila de alunos de o primeiro ano que , por acaso , incluía Ginny_Weasley , Harry tentou escapar se . Mas o duende cortou lhe o caminho através de a multidão e agarrou o em três tempos . - Tenho uma mensagem musical para entregar a Harry_Potter em pessoa - disse , tangendo a harpa de forma ameaçadora . - Aqui não - disse baixinho o Harry , tentando escapar . - Fica quieto - grunhiu o duende , agarrando o saco de o Harry e puxando com força . - Larga me - disse ele rispidamente , dando um puxão . Com um ruído de tecido a rasgar se , o saco dividiu se em dois . Os livros de Harry , varinha , pergaminho e pena espalharam se por o chão enquanto o tinteiro se partia em cima de as outras coisas . Harry pôs se de gatas , tentando apanhar tudo antes que o duende começasse a cantar , provocando um engarrafamento em o corredor . - O que se passa aqui ? - perguntou a voz fria e afectada de Draco_Malfoy . Harry , nervosíssimo , começou a guardar tudo dentro de o saco rasgado , desesperado para sair de ali antes que Malfoy pudesse ouvir o seu S._Valentim musical . - Que confusão é esta ? - disse outra voz familiar . Percy_Weasley tinha chegado . De cabeça perdida , Harry tentou fugir , mas o duende agarrou o por os joelhos e fê lo cair a o chão . - Certo - disse , sentando se em os tornozelos de Harry . Eis o teu cartão musical : * _ Os olhos de ele são verdes como o sapo de o quintal * _ O seu cabelo é escuro como um temporal * _ É um desatino , oh ! ele é divino ! * _ O herói que venceu o Senhor_do_Mal * . Harry teria dado todo o ouro de Gringotts para se evaporar em aquele momento . Tentando corajosamente rir se com todos os outros , levantou se . Sentia os pés dormentes de o peso de o duende . Enquanto isso , Percy_Weasley fazia todos os possíveis por dispersar a multidão onde havia gente que chorava de hilaridade . - Vamos embora , vamos embora , a campainha tocou há cinco minutos para as aulas - dizia , enxotando alguns de os alunos mais novos . - E tu , Malfoy . Harry olhou e viu Malfoy inclinar se , apanhar qualquer coisa e com um olhar maldoso mostrá a a Crabbe e Goyle . Percebeu que era o diário de Riddle . - Dá cá isso - exigiu com toda_a calma . - O que será que o Potter escreveu aqui ? - disse Malfoy que obviamente não reparara em a data e pensou que tinha em as mãos o diário de o Harry . Houve uma agitação em os presentes . Ginny olhava apavorada para o diário e para Harry . - Dá lhe isso , Malfoy - disse Percy com firmeza . - Depois de dar uma vista de olhos - retorquiu Malfoy , acenando a Harry com o diário de forma provocatória . Percy disse : - Como Prefeito de a escola ... - mas Harry perdera a paciência . Pegou em a varinha e gritou * _ Expelliarmus * e assim_como Snape desarmara Lockhart , MalLoy viu o diário saltar lhe de as mãos e elevar se em o ar enquanto Ron o apanhava sorridente . - Harry - disse Percy levantando a voz . - Não quero magia em os corredores . Vou ter de participar isto , sabes perfeitamente . Mas Harry não se importou . Tinha ganho uma_vez a Malfoy e isso valia bem cinco pontos a menos para os Gryffindor . Malfoy estava furioso e quando a Ginny passou por ele a caminho de a sala de aula , gritou lhe com desprezo : - Não creio que o Potter tenha gostado lá muito de o teu cartão de S._Valentim . Ginny tapou a cara e correu para a aula . Aborrecido , Ron pegou também em a varinha , mas Harry afastou o . Era melhor que ele não passasse a aula de encantamentos a vomitar lesmas . Só quando entraram em a sala de aula de o professor Flitwick é_que Harry reparou em uma coisa bastante estranha em o diário de Riddle . Todos os outros livros estavam cheios de tinta vermelha , mas o diário mantinha se tão limpo como antes de o tinteiro se ter entornado em cima de ele . Tentou chamar a atenção de Ron para este facto , mas ele estava novamente a ter um problema com a varinha : de a extremidade saíam grandes bolhas roxas e ele não parecia interessado em mais_nada . Em essa noite , Harry foi deitar se antes de os outros companheiros de dormitório , em parte porque já não conseguia suportar o Fred e o George a cantarem * _ Os seus olhos são verdes como o sapo de o quintal * e em parte porque queria voltar a examinar o diário de Riddle e sabia que em a opinião de o Ron era uma pura perda de tempo . Sentou se em a cama de dossel e folheou as páginas em branco em as quais não se via uma única mancha de tinta escarlate . Tirou então outro tinteiro de o armário a o lado de a cama , molhou a pena e deixou cair um borrão em a primeira página de o diário . A tinta brilhou em o papel durante um segundo e , em seguida , como_se a página a tivesse sugado , desapareceu sem deixar rasto . Depois , finalmente , algo aconteceu . Deslizando sobre a página em a cor de a sua tinta , surgiram palavras que Harry não escrevera . - * _ Olá_Harry_Potter . O meu nome é Tom_Riddle . Como é_que encontraste o meu diário ? * Também estas palavras desapareceram , mas não sem que Harry tivesse respondido . - Alguém tentou lançá o em uma sanita . Esperou ansiosamente por a resposta de Riddle . - * _ Felizmente guardei as minhas memórias de uma forma mais duradoura do_que a tinta . Mas sempre soube que haveria quem não iria querer que o diário fosse lido . * - O que queres dizer com isso ? - escrevinhou Harry , borrando a página com o nervosismo . - * _ Quero dizer que este diário contém memórias de coisas terríveis . Coisas que foram abafadas . Coisas que aconteceram em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . * - É onde eu estou agora - escreveu Harry rapidamente . - Estou em Hogwarts e estão a acontecer coisas horríveis . Sabes alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? O coração parecia querer saltar lhe de o peito . A resposta de Riddle não se fez esperar , a letra tornara se mais desordenada como_se tivesse pressa em contar lhe tudo_o_que sabia . - * _ É claro que sei de a Câmara_dos_Segredos . Em o meu tempo diziam nos que era uma lenda , que não existia , mas era mentira . Quando eu estava em o quinto ano a Câmara_dos_Segredos foi aberta e o monstro atacou vários estudantes , acabando matar um . Eu apanhei a pessoa que abriu a câmara e ele foi expulso . Mas o director , o professor Dippet , envergonhado por uma coisa de aquelas ter acontecido em Hogwarts , proibiu me de contar a verdade . Foi divulgada uma história dizendo que a rapariga morrera de um acidente extravagante . Deram me um troféu brilhante com o meu nome gravado e avisaram me para ficar calado . Mas eu sabia que ia voltar a acontecer . O monstro sobreviveu e aquele que tinha o poder para o libertar não foi para a prisão . * Harry quase entornou o tinteiro em a pressa de responder . - Está a acontecer outra_vez . Houve três ataques e ninguém parece saber quem está por_detrás_de tudo_isto . Quem foi de a última vez ? - * _ Posso mostrar te , se quiseres * - foi a resposta de o Riddle . - * _ Não tens de acreditar só em a minha palavra . Posso levar te a o fundo de a minha memória de a noite em que o apanhei . * Harry hesitou com a pena em o ar sobre o diário . O que quereria ele dizer ? Como poderia entrar em a memória de outra pessoa ? Olhou inquieto para a porta de o dormitório que começava a ficar escuro . Quando pôs de_novo os olhos em o diário viu as palavras que se formavam . - * _ Deixa-me mostrar te . * Harry parou durante uma fracção de segundo e depois escreveu duas letras . - O. _ K._As páginas de o diário começaram a esvoaçar como_se tivessem sido apanhadas em uma ventania , parando a meio de o mês_de_Junho . Boquiaberto , Harry viu que o quadradinho de 13_de_Junho se transformara em um pequeno ecrã de televisão . Com as mãos ligeiramente trémulas levantou o livro para encostar os olhos a a janelinha e antes de perceber o que estava a passar se , deu consigo inclinado para a frente com a janela a abrir se . O corpo abandonava a cama e era lançado de cabeça , por a abertura de a página , em um turbilhão de cor e sombras . Sentiu os pés tocarem em terra firme e pôs se de pé a tremer enquanto as formas desfocadas se tornavam subitamente nítidas . Soube imediatamente onde estava . Aquela sala circular com os retratos adormecidos era o escritório de Dumbledore , mas não era Dumbledore quem estava atrás de a secretária . Um feiticeiro mirrado , de aspecto débil e quase careca lia uma carta a a luz de as velas . Harry nunca vira aquele homem antes . - Desculpe - disse com a voz a tremer . - Eu não queria intrometer me ... Mas o feiticeiro não olhou . Continuou a ler , franzindo levemente as sobrancelhas . Harry aproximou se de a secretária e gaguejou : - Er ... eu vou me embora , está bem ? E o feiticeiro continuou a ignorá o . Parecia nem_sequer ter ouvido . Pensando que talvez ele fosse surdo , Harry falou mais alto . - Desculpe tê o incomodado - disse quase a gritar . O feiticeiro dobrou a carta com um suspiro . Pôs se de pé , passou por Harry sem olhar para ele e foi abrir os cortinados de a janela . O céu , lá fora , estava vermelho-rubi . Devia ser o pôr de o Sol . O feiticeiro voltou para a secretária , sentou se e girou os polegares , olhando para a porta . Harry olhou em volta . Não viu Fawkes , a fénix , nem as engenhocas prateadas que sibilavam . Aquela Hogwarts era a que Riddle conhecera e , portanto , aquele feiticeiro desconhecido era o director de então , não Dumbledore e ele , Harry , era pouco mais que um fantasma , totalmente invisível a as pessoas de há cinquenta anos atrás . Alguém bateu a a porta . - Entre - disse o velho feiticeiro , em uma voz fraca . Um rapazinho de dezasseis anos entrou , tirando o chapéu pontiagudo . Em o seu peito brilhava um distintivo prateado de prefeito . Era muito mais alto do_que Harry , mas tinha , tal_como ele , cabelo preto asa de corvo . - Ah ! Riddle - disse o director . - Queria falar comigo , professor Dippet ? - perguntou ele com ar nervoso . - Senta te - disse Dippet . - Tenho estado a ler a carta que me mandaste . - Oh ! - exclamou Riddle , sentando se e apertando as mãos uma contra a outra . - Meu rapaz - disse Dippet amavelmente . - Eu não posso deixar te ficar em a escola durante o Verão . Com certeza queres ir para_casa em as férias ? - Não - respondeu Riddle , sem perder tempo . - Prefiro mil vezes ficar em Hogwarts a ter de voltar a aquela ... aquela ... - Tu vives em um orfanato de Muggles durante as férias , não é assim ? - perguntou Dippet com curiosidade . - Sim senhor - disse Riddle , corando um_pouco . - És filho de Muggles ? - Meio sangue , professor - explicou Riddle . - Pai_Muggle , mãe bruxa . - E o teu pai e a tua mãe ... - A minha mãe morreu pouco depois de eu nascer , professor , contaram me em o orfanato que só teve tempo de me dar o nome : Tom , como o meu pai , Marvolo como o meu avô . Dippet estalou a língua solidariamente . - O que acontece , Tom - suspirou - é_que ... podia ter se arranjado uma situação especial para ti , mas em as circunstâncias actuais ... - Refere se a os ataques , professor ? - perguntou Riddle e o coração de Harry deu um salto , aproximando se com medo de perder alguma coisa . - Precisamente - disse o director . - Meu rapaz , compreendes que seria uma imprudência de a minha parte deixar te ficar em o castelo quando o período acabar , principalmente a a luz de a recente tragédia ... a morte de aquela pobre moça ... estarás sem dúvida em maior segurança em o orfanato . Em a verdade , o ministro de a magia até fala em fechar a escola . Não estamos nada perto_de localizar ... er ... a fonte de toda esta história desagradável . Os olhos de Riddle tinham se aberto mais . - Professor , se essa pessoa fosse apanhada ... se tudo acabasse . . . - Que queres dizer com isso ? - perguntou Dippet com voz aguda , endireitando se em a cadeira . - Riddle , tu sabes alguma coisa sobre estes ataques ? - Não senhor - respondeu ele de imediato . Mas Harry sabia que era o mesmo tipo de « não » que ele dissera a Dumbledore . Dippet afundou se de_novo com um ar de profundo desapontamento . - Podes ir , Tom . Riddle esgueirou se de a cadeira e saiu de a sala . Harry seguiu o . Desceram por a escada em espiral , saindo junto de a gárgula em o corredor que escurecia . Riddle parou e Harry fez o mesmo , olhando para ele . Quase podia apostar que ele pensava seriamente em alguma coisa . Mordia o lábio e tinha as sobrancelhas franzidas . A certa altura , como_se tivesse acabado de tomar uma decisão , começou a andar mais depressa com Harry a segui o ruidosamente . Não viram mais ninguém , a não ser quando chegaram a o * hall * de entrada onde um feiticeiro alto de longos cabelos ruivos e barba chamou Riddle de a escadaria de mármore . - O que andas a fazer por aqui tão tarde , Tom ? Harry olhou para o feiticeiro . Não era outro senão Dumbledore com cinquenta anos a menos . - Tive de ir falar com o director - justificou se Riddle . - Bem , agora vai depressa para a cama - disse Dumbledore , olhando Riddle com aquele olhar penetrante que Harry conhecia tão bem . - É melhor não andar a passear por os corredores em os dias que correm , pelo_menos até ... Suspirou profundamente , deu as boas-noites a o Riddle e foi se embora . Riddle viu o desaparecer e , sem perder tempo , desceu os degraus de pedra até a os calabouços com Harry em a peugada . Mas para seu grande desconsolo , Riddle não o conduziu a nenhum corredor ou túnel secreto e sim a o calabouço onde ele costumava ter aulas de poções com o Snape . As tochas não tinham sido acesas e quando Riddle empurrou a porta quase fechada , Harry só conseguiu vê o a ele , de pé , quieto junto de a porta , olhando para o corredor . Pareceu a Harry que ficaram ali quase uma hora . Tudo_o_que via era a silhueta de Riddle junto de a porta , olhando fixamente através de a greta , a a espera . Como_se fosse uma estátua . E quando Harry tinha abandonado todas_as expectativas e começava a desejar voltar a o presente , ouviu alguma coisa que se movia atrás de a porta . Alguém avançava lentamente por o corredor . Ouviu a pessoa , quem quer que fosse , passar por o calabouço onde ele e Riddle estavam escondidos . Riddle , silencioso como uma sombra , esgueirou se por a porta e seguiu o com Harry em bicos de pés atrás de ele , esquecido de que podia fazer barulho a a vontade porque ninguém o ouvia . Durante cerca de cinco minutos seguiram lhe os passos até que Riddle parou repentinamente com a cabeça inclinada em a direcção de novos ruídos . Harry ouviu uma porta a abrir se e em seguida alguém falou em um murmúrio rouco . - Vá lá , temos que sair de aqui ... vá lá , dentro de a caixa ... Havia algo de familiar em aquela voz . Riddle deu subitamente uma volta e Harry seguiu o . Podia ver a silhueta escura de um rapaz enorme que estava inclinado em frente de a porta aberta , com uma grande caixa a o lado . - Boa noite , Rubeus - disse Riddle secamente . O rapaz fechou a porta e pôs se de pé . - O que estás a fazer aqui , Tom ? Riddle aproximou se . - Acabou se - disse . - Vou ter de entregar te , Rubeus . Falam em fechar Hogwarts se os ataques não terminarem . - O que é_que tu ... ? - Eu acho que tu não quiseste matar ninguém , mas os monstros não são os melhores animais domésticos . Tu só quiseste deixá o sair para andar um_pouco e ... - Ele não matou ninguém - disse o rapaz grande , recuando contra a porta fechada . Lá de dentro vinham uns estranhos roncos e rugidos . - Vamos , Rubeus - disse Riddle , aproximando se mais ainda . - Os pais de a rapariga que morreu estarão aqui amanhã . O mínimo que Hogwarts pode fazer é assegurar lhes que aquilo que matou a filha de eles foi abatido ... - Não foi ele - gemeu o rapaz cuja voz ecoou em o corredor escuro . - Ele não faria isso ... ele nunca ... - Afasta te - disse Riddle , pegando em a varinha . O encantamento iluminou o corredor com uma luz brilhante . A porta atrás de o rapaz grande abriu se de par em par com tanta força que o atirou contra a parede . E de lá de dentro saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito que ninguém mais ouviu a não ser ele próprio . Tinha um corpo imenso , magro e peludo e um emaranhado de pernas pretas , a cintilação de muitos olhos e um par de tenazes afiadas . Riddle levantou de_novo a varinha , mas era tarde de mais . A coisa deixara o atarantado e corria apressadamente , precipitando se por o corredor e desaparecendo . Riddle pôs se de pé , olhou a a procura de o monstro , levantou a varinha , mas o rapaz grande saltou sobre ele , tirou lhe a varinha de as mãos e lançou o a o chão , gritando : - Naaaaaão ! A cena rodopiou . A escuridão tornou se total . Harry sentiu se a cair e com um embate aterrou como uma águia de patas e asas abertas em a sua cama de dossel , em o dormitório de os Gryffindor , o diário de Riddle aberto sobre o estômago . Antes de ter tido tempo de normalizar a respiração , a porta de o dormitório abriu se e o Ron entrou . - Aí estás tu - disse . Harry sentou se . Transpirava e tremia . - O que se passa ? - perguntou Ron , olhando aflito para ele . - Foi o Hagrid , Ron . O Hagrid abriu a Câmara_dos_Segredos há cinquenta anos atrás . XIV_Cornelius_Fudge_Harry , Ron e Hermione sabiam há muito_tempo que Hagrid tinha uma triste predilecção por criaturas grandes e monstruosas . Em o primeiro ano que passaram em Hogwarts , ele tentara criar um dragão em a sua pequena cabana de madeira e levaram muito_tempo a esquecer o gigantesco cão de três cabeças que ele baptizara de « fofinho » . E se , em rapaz , Hagrid tinha ouvido dizer que havia um monstro escondido em o castelo , Harry tinha a certeza que ele teria feito os impossíveis por descobri o . Provavelmente achou que era uma injustiça o monstro estar fechado tanto tempo e pensou que ele merecia a oportunidade de esticar as suas muitas pernas . Harry imaginava perfeitamente o Hagrid a os treze anos a tentar pôr uma coleira e uma trela a o monstro . Mas tinha igualmente a certeza de que ele nunca teria querido matar ninguém . De certo modo , Harry desejava não ter descoberto como utilizar o diário de Riddle . Ron e Hermione fizeram o contar repetidas vezes o que vira até ele ficar farto de repetir o mesmo e farto de a conversa circular que se seguia . - O Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse , de essa vez , Hermione . - O monstro que atacava as pessoas podia ser outro .... - Quantos monstros achas tu que pode haver em este lugar ? - perguntou o Ron aborrecido . - Sempre soubemos que o Hagrid tinha sido expulso - disse Harry tristemente - E os ataques devem ter terminado quando ele foi expulso . Se não fosse assim , Riddle não teria recebido um prémio . Ron tentou um caminho diferente . - O Riddle parece o Percy , quem lhe pediu afinal que deitasse abaixo o Hagrid ? - Mas o monstro tinha morto uma pessoa , Ron - insistiu Hermione . - E o Riddle ia ter de voltar para um orfanato Muggle se Hogwarts fosse fechada - disse Harry . - Não posso culpá o por querer ficar aqui ... Ron mordeu o lábio e a seguir sugeriu : - Tu encontraste o Hagrid em a Rua * _ Bativolta * , não foi ? - Ele estava a comprar repelente para lesmas - disse Harry rapidamente . Ficaram os três em silêncio . Depois de uma longa pausa , Hermione , em uma voz hesitante , formulou a pergunta mais complicada de todas : - Não acham que devíamos ir ter com ele e perguntar lhe ? - Essa seria uma visita simpática - disse o Ron . - Olá , Hagrid , diz nos uma coisa , soltaste por acaso alguma coisa louca e peluda por o castelo em estes últimos tempos ? Por fim , decidiram não dizer nada a o Hagrid a_não_ser_que houvesse outro ataque e à_medida_que passava mais tempo sem murmúrios de a voz sem corpo começaram a acreditar , esperançosos , que nunca mais teriam de falar sobre o motivo por_que fora expulso . Tinham passado já quase quatro meses desde o dia em que o Justin e o Nick quase sem cabeça tinham sido petrificados e quase toda_a_gente parecia pensar que o atacante , quem quer que ele fosse , se retirara para sempre . Peeves fartara se de a sua canção * _ Oh_Potter , seu bandido * , Ernie_Mcmillan pediu educadamente a o Harry , em a aula de herbologia , que lhe passasse um balde de cogumelos saltitantes e , em Março , várias mandrágoras deram uma festa ruidosa e roufenha em a estufa número três . A professora Sprout estava muito satisfeita . - Mal elas comecem a tentar mover se para os vasos umas de as outras , saberemos que estão maduras - disse ela a o Harry . - Nessa_altura poderemos reanimar aquelas pobres criaturas que estão em a ala hospitalar . Os alunos de o segundo ano tinham agora uma coisa nova em que pensar durante as férias de a Páscoa . Chegara a altura de escolherem as matérias de o terceiro ano , um assunto que Hermione , pelo_menos , tomou muito a sério . - Pode afectar todo o nosso futuro - disse a o Harry e a o Ron a o vê os ler cuidadosamente as listas de as novas matérias e pôr um V em frente de cada uma . - Eu só quero ver me livre de as poções - disse Harry . - Não podemos - explicou Ron tristemente . - Mantemos todas_as matérias antigas ou eu teria me livrado de a Defesa contra as artes negras . - Mas é muito importante - disse Hermione chocada . - Não de a maneira como Lockhart a dá - insistiu Ron . - Não aprendi nada até agora a não ser a nunca mais libertar duendes . Neville_Longbottom recebera cartas de todas_as bruxas e feiticeiros de a família , cada_um dando um conselho diferente sobre o que ele deveria escolher . Confuso e preocupado , sentou se a ler a lista de matérias , dando estalinhos com a língua e perguntando a as pessoas se achavam que a aritmancia seria mais difícil do_que o estudo de as runas em a Antiguidade . Dean_Thomas que , tal_como Harry , fora criado com Muggles , acabou por fechar os olhos e atirar a varinha contra a lista , escolhendo as matérias onde ela aterrava . Hermione não pediu conselho a ninguém e inscreveu se em todas . Harry sorriu de si para consigo imaginando como seria uma conversa com o tio Vernon e com a tia Petúnia sobre a sua carreira em feitiçaria . Não que não tivesse tido orientação : Percy_Weasley estava ansioso por partilhar a sua experiência . - Tudo depende de o lugar para_onde queres ir , Harry - disse ele . - Nunca é cedo de mais para pensar em o futuro , por isso eu aconselho te a adivinhação . As pessoas dizem que os estudos de Muggles são uma opção leve mas eu , pessoalmente , acho que os feiticeiros deveriam ter uma compreensão profunda de a comunidade não mágica , muito especialmente se pensarem em trabalhar em íntimo contacto com eles . Vê o meu pai que tem de lidar com assuntos de os Muggles a_toda_a hora . O meu irmão Charles foi sempre mais um tipo de o exterior , por isso foi para o Centro_de_Cuidados com as Criaturas_Mágicas . Segue os teus sentimentos , Harry . Mas a única coisa em que Harry sentia que era mesmo bom era o Quidditch . Por fim , acabou por escolher as mesmas matérias que o Ron escolhera , pensando que se fosse péssimo em elas pelo_menos tinha alguém amigo para o ajudar . O próximo jogo de Quidditch_dos_Gryffindor era contra os Hufflepuff . Wood insistia em treinos de equipa todas_as noites depois de jantar , por isso Harry não tinha tempo para mais_nada a não ser para o Quidditch e para os trabalhos de casa . Mas as sessões de treino estavam a melhorar ou pelo_menos estavam mais secas e em a véspera de o jogo de sábado ele foi a o dormitório guardar a vassoura , sentindo que as hipóteses de os Gryffindor ganharem a taça de Quidditch nunca tinham sido tão boas . Mas a sua boa disposição não durou muito . Em o cimo de as escadas que levavam a o dormitório encontrou o Neville_Longbottom nervosíssimo . - Harry , não sei quem fez aquilo , eu fui encontrar ... Olhando receoso para Harry , Neville empurrou a porta . O conteúdo de a mala de Harry fora espalhado por toda_a divisão . O seu manto estava em o chão rasgado . A roupa de cama tinha sido puxada de a cama de dossel e a gaveta de o armário que se encontrava a a cabeceira de a cama fora arrancada , estando o seu conteúdo espalhado sobre o colchão . Harry aproximou se de a cama boquiaberto , pisando algumas páginas soltas de * _ Viagens com Duendes * . Quando ele e Neville estavam a puxar os cobertores para_cima , entraram o Ron e o Dean_Seamas . Dean praguejou alto . - O que é isto , Harry ? - Não faço ideia - disse ele . Mas o Ron estava a examinar as vestes de Harry e todos os bolsos estavam de o avesso . - Alguém andou a a procura de qualquer coisa - disse o Ron . - Dás por falta de alguma coisa ? Harry começou a apanhar o que estava caído , lançando tudo dentro de a mala . Só quando atirou o último livro de Lockhart é_que se apercebeu do_que faltava . - O diário de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a o Ron . - O quê ? Harry fez lhe sinal em direcção a a porta de o dormitório e apressaram se a chegar a a sala comum de os Gryffindor que estava quase vazia e onde foram encontrar Hermione sozinha a ler * _ As_Runas_Antigas a o Alcance_de_Todos * . Hermione ficou aterrada com as notícias . - Mas ... só um Gryffindor podia tê o roubado ... ninguém mais conhece a nossa senha ... - Exactamente - disse Harry . Acordaram em o dia seguinte com um sol brilhante e uma brisa agradável . - Condições ideais para o Quidditch ! - exclamou Wood , cheio de entusiasmo , a a mesa de os Gryffindor , enchendo os pratos de os elementos de a sua equipa de ovos mexidos . - Harry , anima te , precisas de um pequeno-almoço decente . Harry tinha estado a olhar para a mesa cheia de alunos de os Gryffindor , perguntando a si próprio se o novo dono de o diário de Riddle estaria ali mesmo em frente de os seus olhos . Hermione insistira para que ele participasse o roubo mas ele não gostou de a ideia . Teria de contar a um professor tudo sobre o diário , e quantas pessoas saberiam o motivo por_que Hagrid fora expulso há cinquenta anos ? Não queria ser ele a fazer com que relembrassem tudo aquilo . Quando saiu de o salão com o Ron e a Hermione para ir buscar o material de Quidditch , outra preocupação viera juntar se a a sua lista cada_vez maior . Tinha acabado de pisar os degraus de a escadaria de mármore quando ouviu de_novo a voz : - * _ Matar desta_vez ... deixem me rasgar ... romper * ... Deu um grito e Ron e Hermione saltaram alarmados . - A voz - disse Harry , olhando por cima de os ombros de eles . - Acabo de a ouvir de_novo , vocês não ouviram nada ? Ron abanou a cabeça de olhos muito abertos Mas_Hermione bateu com a mão em a testa . - Harry , acho que percebi uma coisa . Tenho que ir a a biblioteca . E disparou a correr por as escadas acima . - O que é_que ela percebeu ? - disse Harry distraidamente , ainda a olhar em volta , tentando determinar de onde vinha a voz . - Mas porque teve ela que ir a a biblioteca ? - Porque a Hermione é assim - disse o Ron , encolhendo os ombros - Quando tem uma dúvida , vai a a biblioteca . Harry manteve se hesitante , tentando captar novamente a voz mas as pessoas começavam a sair de o salão , falando alto , passando por a porta principal e encaminhando se para o estádio de Quidditch . - É melhor ires indo - aconselhou Ron . - São quase onze horas , olha o jogo . Harry deu uma corrida até a a torre de os Gryffindor , pegou em a sua Nimbus dois_mil e juntou se a a vasta multidão que enchia os campos , mas o seu pensamento estava ainda em o castelo , em aquela voz sem corpo e quando pôs as roupas vermelhas , o seu único conforto foi pensar que estavam todos lá fora para assistir a o jogo . As equipas entraram em campo a o som de um tumulto de aplausos . Oliver_Wood fez um voo de aquecimento em volta de os postes , Madam_Hooch soltou as bolas . Os Hufflepuff que tinham fatos amarelo-canário estavam reunidos em grupo em uma discussão de última hora sobre as tácticas . Harry subia para a vassoura quando a professora Mc_Gonagall atravessou o campo , meio a andar , meio a correr , transportando um enorme megafone roxo . O coração de Harry caiu lhe a os pés . - Este jogo foi cancelado - gritou por o megafone a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a o estádio apinhado . Ouviram se Uuuus e assobios . Oliver_Wood , com um ar infelicíssimo , aterrou e correu para a professora McGonagall sem sair de a vassoura . - Mas , professora - gritou - temos de jogar ... a taça ... os Gryffindor ... A professora Mc_Gonagall ignorou o e continuou a gritar por o megafone . - Pede se a os estudantes que regressem a as salas comuns de as respectivas equipas onde os chefes de equipa lhes darão mais informações . O mais depressa possível , se fazem favor ! Em seguida , baixou o megafone e fez sinal a o Harry para que se aproximasse . - Potter , é melhor vires comigo ... Perguntando a si próprio que suspeita poderia ela ter contra ele , desta_vez , Harry viu Ron desligar se de a multidão discordante e vir a correr juntar se lhes , enquanto eles se dirigiam para o castelo . Para sua grande surpresa Mc_Gonagall não pôs qualquer objecção . - Sim , talvez seja melhor vires também , Weasley . Alguns de os estudantes que os rodeavam reclamavam por o jogo ter sido cancelado , outros tinham um ar preocupado . Harry e Ron seguiram a professora Mc_Gonagall de volta a a escola e através de a escadaria de pedra . Mas desta_vez não foram levados a nenhum escritório . - Isto vai chocar vos um_pouco - disse a professora Mc_Gonagall em um tom de voz surpreendentemente suave quando estavam a aproximar se de a ala hospitalar . - Houve outro ataque ... outro ataque duplo . As vísceras de o Harry deram um salto mortal . A professora Mc_Gonagall abriu a porta e ele e Ron entraram . Madam_Pomfrey estava inclinada sobre uma rapariga de o quinto ano de cabelos longos a os caracóis que Harry reconheceu como sendo a colega de os Ravenclaw a quem , por engano , tinham perguntado o caminho para a sala comum de os Slytherin . E , em a cama a o lado de ela , estava ... - Hermione - gemeu o Ron . Hermione jazia totalmente quieta , os olhos abertos e vítreos . - Foram encontradas perto de a biblioteca - disse a professora Mc_Gonagall . - Calculo que nenhum de vocês possa explicar isto ? Estava em o chão , junto de ela . A professora tinha em as mãos um pequeno espelho redondo . Harry e Ron acenaram negativamente com as cabeças , ambos com os olhos fixos em Hermione . - Eu acompanho vos a a torre de os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall pesadamente . - De qualquer modo tenho de falar com os alunos . - Os alunos regressarão a as salas comuns de as respectivas equipas , todos_os_dias , a as seis_horas_da_tarde . Nenhum aluno deverá sair de os dormitórios depois de isso . Serão escoltados até a as aulas por um professor . Nenhum aluno deverá ir a a casa_de_banho sem um professor a acompanhá o . Todos os treinos e jogos de Quidditch estão suspensos a_partir_de agora . Não haverá mais actividades nocturnas . Os Gryffindor , que enchiam a sala comum , ouviram em silêncio a professora Mc_Gonagall . Ela enrolou o pergaminho que acabara de ler e disse em uma voz algo chocada : - Não é preciso acrescentar que nunca me senti tão desolada . É provável que a escola seja encerrada se não for apanhado o culpado de todos estes ataques . Quero pedir que se algum de vocês achar que sabe alguma coisa sobre eles venha imediatamente ter comigo . Mal ela subiu , de forma um_pouco desastrada , por o buraco de o retrato , os Gryffindor começaram logo a falar . - São dois Gryffindor a menos , sem contar com o fantasma de os Gryffindor , um Ravenclaw e um Hufflepuff - disse o amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , contando por os dedos . - Não terá nenhum de os professores reparado que os Slytherin estão a salvo ? Será que não é óbvio que tudo_isto vem de eles ? O herdeiro de Slytherin , o monstro de Slytherin , porque não expulsam todos os Slytherin ? - resmungou , recebendo acenos e aplausos de todos os lados . Percy_Weasley estava sentado em uma cadeira atrás_de Lee , mas por uma_vez não pareceu querer expor os seus pontos de vista . Estava pálido e aturdido . - O Percy está em estado de choque - disse o George baixinho a o Harry . - Aquela rapariga de os Ravenclaw , Penelope_Clearwater , é prefeita . Acho que ele nunca tinha pensado que o monstro pudesse atacar um prefeito . Mas Harry não estava a ouvi o com atenção . Não conseguia esquecer a imagem de Hermione deitada em a cama de o hospital , como_se estivesse esculpida em pedra . E se o culpado não fosse apanhado rapidamente tinha em a frente uma vida inteira com os Dursley . Tom_Riddle entregara o Hagrid porque fora confrontado com a possibilidade de um orfanato Muggle se a escola fechasse . Harry sabia exactamente o que ele sentira . - Que vamos nós fazer ? - disse lhe o Ron baixinho a o ouvido . - Achas que eles suspeitam de o Hagrid ? - Temos de falar com ele - disse Harry , tomando uma decisão . - Não acredito que tenha culpa desta_vez , mas se ele libertou o monstro há cinquenta anos , sabe com certeza como entrar em a Câmara_dos_Segredos , o que já é um princípio . - Mas a Gonagall disse que temos que ficar em a torre a_não_ser_que estejamos em as aulas ... - Eu acho - disse Harry ainda mais baixo - que chegou a altura de tirar outra_vez de a mala o manto de o meu pai . Harry herdara apenas uma coisa de o pai : o enorme manto prateado de a invisibilidade . Era a única maneira de poderem esgueirar se de a escola para fazer uma visita a o Hagrid , sem que ninguém de esse por isso . Deitaram se a a hora de o costume , esperaram que o Neville , o Dean e o Seamas adormecessem para se levantarem , vestirem se de_novo e taparem se com o manto . A viagem por os corredores de o castelo escuro e deserto não era nada agradável . Harry que vagueara por ali muitas_vezes durante a noite nunca vira tanta gente depois de o pôr de o Sol . Professores , prefeitos e fantasmas andavam por os corredores a os pares , olhando em volta , em busca de qualquer actividade fora de o habitual . O manto de a invisibilidade não impedia que fizessem barulho e houve um momento particularmente tenso em que o Ron deu uma topada a menos_de um metro de o lugar onde Snape se encontrava . Felizmente Snape espirrou em o preciso momento em que o Ron praguejava . Foi com grande alívio que chegaram a as portas de carvalho de a entrada principal . Estava uma noite clara e cheia de estrelas . Dirigiram se apressadamente para as janelas iluminadas de a casa de Hagrid e só tiraram o manto mesmo em frente de a porta . Poucos segundos depois de terem batido abriu se a porta . Ficaram frente_a_frente com Hagrid que lhes apontou uma besta enquanto Fang , o cão caçador de javalis , ladrava furiosamente atrás de ele . - Oh ! - disse , baixando a arma quando viu que eram eles . - O que estão vocês a fazer aqui ? - Para que é isso ? - perguntou Harry , apontando para a besta , enquanto entrava . - Nada , não é nada - murmurou Hagrid . - Tenho estado a a espera ... não tem importância , sentem se que eu vou fazer um chá . Dava a impressão de não saber o que fazia . Quase apagou a lareira , vertendo a água de a chaleira em o lume e em seguida esmagou o bule com um gesto de a sua mão maciça . - Estás bem , Hagrid ? - perguntou Harry . - Soubeste de a Hermione ? - Soube , sim - disse ele com um leve tremor em a voz . Continuava a olhar nervosamente para as janelas . Deu lhe os duas grandes canecas de água a ferver ( esquecera se de juntar o chá ) e estava a acabar de pôr em um prato uma fatia grossa de bolo de frutas quando alguém bateu energicamente a a porta . Hagrid deixou cair o bolo . Harry e Ron trocaram entre si olhares de pânico e , em seguida , cobriram se com o manto de a invisibilidade e esconderam se em um canto . Hagrid assegurou se de que eles estavam bem escondidos , pegou em a besta e abriu , mais_uma_vez , a porta . - Boa noite , Hagrid . Era_Dumbledore . Entrou com um ar muito sério , seguido de um homem bizarro . O estranho era um homenzinho pequenino , de porte majestoso com cabelos grisalhos desalinhados e uma expressão de ansiedade em o rosto . Usava uma inesperada mistura de roupas . Um fato a as riscas , uma gravata vermelho escarlate , um longo manto negro e umas botas roxas pontiagudas . Debaixo de o braço trazia um chapéu de coco verde lima . -- É o patrão de o meu pai - murmurou o Ron . Cornelius_Fudge , o ministro de a magia ! Harry deu lhe uma valente cotovelada para o fazer calar se . Hagrid tinha ficado suado e pálido . Deixou se cair em uma de as cadeiras e olhava de Dumbledore_para_Cornelius_Fudge . - Más notícias , Hagrid - disse Fudge em um tom bastante grave . - Muito más notícias . Tive de vir . Quatro ataques a filhos de Muggles , as coisas foram longe_de mais . O ministério tem que tomar uma atitude . - Eu nunca ... - disse Hagrid , parecendo implorar a Dumbledore . - O senhor sabe que eu nunca ... professor Dumbledore , o senhor ... - Quero que fique claro , Cornelius , que Hagrid tem a minha total confiança - afirmou Dumbledore , franzindo as sobrancelhas . - Olha , Albus - disse Fudge pouco a a vontade - a ficha de o Hagrid depõe contra ele . O ministério tem de fazer alguma coisa , o Conselho_Directivo de a escola tem se reunido ... - Mesmo_assim , Cornelius , devo dizer te mais_uma_vez que levar o Hagrid de aqui não vai ajudar em nada - afirmou Dumbledore com os olhos azuis com um fogo que Harry nunca vira antes . - Tenta compreender o meu ponto de vista - insistiu Fudge , brincando com o chapéu . - Estou a ser tremendamente pressionado , tenho de mostrar que faço alguma coisa . Se se provar que não foi o Hagrid , ele voltará e não se fala mais em o assunto . Mas tenho de levá o , tem de ser , não estaria a cumprir a minha obrigação se ... - Levar me ? - perguntou Hagrid a tremer . - Levar me para_onde ? - É uma pena curta - disse Fudge , sem o olhar em os olhos . - Não é um castigo , Hagrid , chamemos lhe antes uma precaução . Se mais alguém for apanhado , tu sais com todas_as nossas desculpas . - Não é para Azkaban ? - balbuciou Hagrid . Mas antes que Fudge tivesse tido tempo de responder , ouviu se bater mais_uma_vez a a porta . Dumbledore abriu . Foi a vez de Harry levar uma cotovelada em as costas : soltara um gemido audível . Mr._Lucius_Malfoy entrou em a cabana de o Hagrid embrulhado em uma longa capa preta de viagem , com um sorriso frio de satisfação . O Fang começou a rosnar . - Já está aqui , Fudge ? - disse de forma aprovadora . - Muito bem , muito bem ... - O que estás a fazer aqui ? - perguntou Hagrid furioso . - Sai imediatamente de a minha casa . - Meu bom homem , acredite que não tenho prazer nenhum em entrar em a sua ... er ... chamou lhe casa ? - disse Lucius_Malfoy , sorrindo sarcasticamente enquanto observava a pequena divisão . - Eu limitei me a ir a a escola e disseram me que o director estava aqui . - E o que queres de mim , Lucius ? - perguntou Dumbledore . O seu tom de voz era educado mas em os olhos azuis brilhava ainda o mesmo fogo . - Uma notícia horrível , Dumbledore - disse Mr._Malfoy de forma arrastada , pegando em um grande rolo de pergaminho . - Mas os membros de o conselho pensam que é altura de tu saíres . Isto_é uma ordem de suspensão , tens aí doze assinaturas . Lamento muito mas em a nossa opinião estás a perder a firmeza . Quantos ataques houve até agora ? Mais dois hoje a a tarde , não foi ? A este ritmo vão acabar todos os filhos de Muggles em Hogwarts e todos sabemos que seria uma terrível perda para a escola . - O que é isso , Lucius ? - protestou Fudge com ar alarmado . - O Dumbledore suspenso não ... não , seria a última coisa que desejaríamos em este momento ... - A nomeação ou suspensão , de o director é de a competência de os membros de o Conselho_Directivo , Fudge - disse suavemente Mr._Malfoy . - E como Dumbledore não foi capaz de pôr cobro a estes ataques ... - Oh ! Lucius , se Dumbledore não conseguiu - disse Fudge com o lábio superior a suar . - Quem irá conseguir ? - Isso está para se ver - disse Mr._Malfoy com um sorriso mesquinho . - Mas como os doze votamos ... Hagrid pôs se de pé em um salto , o cabelo preto hirsuto a roçar em o tecto . - E quantos tiveste de chantajar para concordarem contigo , Malfoy ? - Meu caro Hagrid , sabe que esse seu temperamento ainda acaba por lhe criar problemas um dia de estes - disse Mr._Malfoy . - Não o aconselho a gritar assim com os guardas de Azkaban . Eles não iriam gostar nada . - Não podes levar Dumbledore - gritou Hagrid , fazendo Fang , o cão caçador de javalis , agachar se e ganir em o seu cesto . - Sem ele , os filhos de os Muggles não têm qualquer hipótese . A seguir haverá mortes . - Acalma te , Hagrid - disse Dumbledore de forma cortante , olhando para Lucius_Malfoy . - Se os membros de o conselho querem substituir me , eu sairei , claro . - Mas - interrompeu Fudge . - Não - rosnou Hagrid . Dumbledore não tirara os seus olhos azuis brilhantes de os olhos cinzentos e frios de Lucius_Malfoy . - Contudo - disse , pronunciando cada palavra lenta e claramente para que nenhum de eles perdesse o seu sentido - verás que só deixarei verdadeiramente esta escola quando ninguém aqui me for leal . Descobrirás também que será sempre dada ajuda em Hogwarts a quem a pedir . Por um segundo , Harry teve quase a certeza de que os olhos de Dumbledore tremelaziram em direcção a o canto onde ele e Ron estavam escondidos . - Sentimentos admiráveis - disse Malfoy , fazendo uma vénia . - Todos nós vamos sentir a tua ... forma muito pessoal de fazer as coisas , Albus . Só espero que o teu sucessor consiga evitar qualquer ... crime . Dirigiu se a a porta de a cabana , abriu a e fez sinal a Dumbledore para que passasse a a sua frente . Fudge , mexendo nervosamente em o chapéu de coco , esperou que Hagrid fizesse o mesmo mas ele ficou quieto , respirou fundo e disse prudentemente : - Se alguém quiser descobrir alguma coisa , o que tem a fazer é seguir as aranhas . Elas indicarão o caminho , é tudo_o_que vos digo . Fudge olhou para ele espantado . - Está bem , eu vou - disse Hagrid , pegando em o seu sobretudo de pêlo de toupeira . Mas quando ia seguir o Fudge e sair por a porta , parou e disse em voz alta : - E alguém tem de dar de comer a o Fang enquanto eu não estiver cá . A porta fechou se ruidosamente e Ron tirou o manto de a invisibilidade . -- Estamos outra_vez em uma alhada - disse com voz rouca - Sem o Dumbledore podem fechar a escola já esta noite . Sem ele vai haver um ataque por dia . O Fang começou a ganir , arranhando a porta fechada . XV_Aragog_O_Verão insinuava se em os campos em volta de o castelo . O céu e o lago tinham se tornado de um azul-molusco e as flores , grandes como couves , começavam a florir em as estufas . Mas sem o Hagrid , que ele costumava avistar de o castelo , atravessando os campos com o Fang atrás , parecia a Harry que a paisagem não estava completa . Não era melhor dentro de o castelo onde tudo corria horrivelmente mal . O Harry e o Ron tinham tentado visitar a Hermione , mas as visitas a o hospital estavam proibidas . - Não vamos correr mais riscos - disse lhes Madam_Pomfrey com ar severo , através_de uma fresta de a porta de o hospital . Não , lamento , há muitas hipóteses de o atacante voltar para acabar de vez com estas pessoas ... Com Dumbledore longe , o medo espalhara se como nunca acontecera antes , de_tal_modo_que o sol que aquecia as paredes de o castelo por fora parecia parar junto de as janelas de pinázios . Não se via um único rosto em a escola que não andasse tenso e preocupado e qualquer gargalhada , em os corredores , se tornava incómoda e antinatural e era rapidamente abafada . Harry repetia constantemente , de si para consigo , as últimas palavras que ouvira a Dumbledore : - * _ Só terei verdadeiramente deixado esta escola quando ninguém me for leal ... será sempre dada ajuda , em Hogwarts , a quem a pedir * . Qual seria o significado exacto de aquelas palavras ? A quem deveria pedir ajuda quando todos estavam tão confusos assustados como ele ? A alusão de Hagrid a as aranhas era bastante mais fácil de entender . O problema era que parecia não ter restado uma única aranha em o castelo para eles a poderem seguir . Harry procurou por todo o lado com a ajuda relutante de o Ron . As coisas estavam dificultadas por o facto de não poderem andar sozinhos e terem de se deslocar em grupo dentro de o castelo , juntamente com outros Gryffindor . A maior parte de os alunos gostava de ser conduzida como carneiros de uma aula para a outra por os professores mas Harry achava horrível . Havia , contudo , uma pessoa que parecia apreciar aquela atmosfera de terror e suspeitas . Draco_Malfoy passeava empertigado por a escola como_se tivesse sido nomeado para chefe de turma . Harry só compreendeu o motivo de toda aquela boa disposição cerca de quinze_dias depois de Dumbledore e Hagrid se terem ido embora quando , em uma aula de poções , o ouviu falar com o Crabbe e o Goyle . - Sempre achei que seria o pai quem conseguiria livrar nos de o Dumbledore - disse sem a menor preocupação em baixar a voz . - Já vos disse , segundo ele , Dumbledore foi o pior director que a escola alguma vez teve . Talvez agora venha um director decente que não queira a Câmara_dos_Segredos fechada . A Mc_Gonagall não vai durar muito , está só a ... O Snape passou por Harry , sem fazer comentários a o caldeirão e a a cadeira vazia de Hermione . - Professor - disse Malfoy em voz alta . - Professor , porque não se candidata a o lugar de director ? - Ora , ora , Malfoy - respondeu Snape , sem conseguir esconder um meio sorriso . - O professor Dumbledore foi apenas suspenso por os membros de o conselho de direcção , certamente vai voltar um dia de estes . - Sim , claro - disse Malfoy com o seu sorriso escarninho . - Acho que se o professor quisesse candidatar se a o lugar teria o voto de o pai . Eu vou dizer lhe que o acho o melhor professor de a escola . Snape sorriu enquanto passeava de um lado para o outro em o calabouço , não tendo felizmente visto o Seamus_Finnigan que fingia vomitar para dentro de o caldeirão . - Estou espantado por ver que até agora os sangues de lama ainda não fizeram as malas e não desapareceram - prosseguiu Malfoy . - Aposto cinco galeões em como o próximo morre . Pena que não tenha sido a Granger ... A campainha tocou em esse momento o que foi uma sorte porque a o ouvir as últimas palavras de Malfoy , Ron deu um salto , mas em a barafunda de guardar os livros em os sacos , a sua tentativa de agarrar o Malfoy passou despercebida . - Deixem me - gritava o Ron enquanto o Harry e o Dean lhe agarravam os braços . - Não preciso de varinha , vou dar cabo de ele com as minhas mãos ... - Despachem se , tenho de conduzir vos a a aula de herbologia - praguejava o Snape acima de as cabeças de os alunos . E lá foram como cordeirinhos com Harry , Ron e Dean em a retaguarda , o Ron ainda a tentar libertar se . Só acharam seguro largá o quando Snape os deixou fora de o castelo e iniciaram o percurso por o meio de a horta em direcção a as estufas . A aula de herbologia estava reduzida . Tinha agora dois alunos a menos : Justin e Hermione . A professora Sprout pô os a trabalhar , podando as figueiras-da-abissínia . Harry foi despejar uma braçada de hastes secas em um monte de adubo e deu consigo cara a cara com Ernie_Mcmillan . Ernie respirou fundo . - Só quero dizer te , Harry que lamento ter suspeitado de ti . Sei que nunca atacarias a Hermione_Granger e peço te desculpa por todas_as coisas que disse . Estamos todos em o mesmo barco , agora e , bem ... Estendeu lhe uma mão rechonchuda que o Harry apertou . Ernie e a sua amiga Hannah foram trabalhar em a mesma figueira com o Harry e o Ron . - Aquele tipo , Draco_Malfoy - disse Ernie , partindo pequenos galhos - , parece muito satisfeito com isto tudo , não acham ? É bem possível que ele seja o herdeiro de Slytherin . - Uma observação inteligente de a tua parte - disse o Ron que parecia não ter desculpado Ernie tão facilmente como o Harry . - Acham que é ele ? - perguntou Ernie . - Não - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Hannah ficaram a olhar espantados . Um segundo depois , Harry avistou qualquer coisa que o levou a chamar a atenção de o Ron , batendo lhe em a mão com a tesoura de podar . - Au ... o que é_que tu ... ? Harry apontava para o chão , a poucos centímetros de distância . Várias aranhas grandes corriam precipitadamente por a terra fora . - Ah ! sim - disse o Ron , tentando , sem conseguir , mostrar se entusiasmado . - Mas não podemos seguis as agora ... Ernie e Hannah ouviam nos com curiosidade . Harry viu as aranhas desaparecerem . - Parecem ir em a direcção de a floresta proibida ... E o Ron ficou ainda mais infeliz a o ouvir aquilo . Em o final de a aula , o professor Snape acompanhou os alunos a a « Defesa contra as artes negras » . Harry e Ron foram atrás de os outros para poderem conversar sem serem ouvidos . - Temos de usar outra_vez o manto de a invisibilidade - disse Harry a o Ron . - Podemos levar connosco o Fang , ele está habituado a ir a a floresta com o Hagrid , pode ser uma boa ajuda . - Certo - disse o Ron , que fazia girar nervosamente a varinha em os dedos . - Er ... não costuma haver ... não costuma haver lobisomens em a floresta ? - acrescentou enquanto ocupavam os lugares de o costume em a aula de o Lockhart . Preferindo não responder a a pergunta , Harry disse : - Também há lá coisas boas . Os centauros são fixes e os unicórnios . Ron nunca estivera em a floresta proibida , Harry fora lá só uma_vez e desejara não ter de lá voltar . Lockhart deu um salto para dentro de a sala de aula e os alunos ficaram espantados a olhar para ele . Todos os outros professores andavam mais tristes do_que o habitual mas Lockhart parecia sentir se em as nuvens . - Então , então - exclamou , olhando em volta . - Porquê essas caras deprimidas ? Lançaram lhe olhares exasperados mas ninguém respondeu . - Não compreendem - disse , falando devagar como_se fossem todos um_pouco estúpidos - que o perigo já passou ? O culpado foi se embora . -- Quem disse ? - retorquiu Dean_Thomas em voz alta . -- Meu caro jovem , o ministro de a magia não teria levado Hagrid se não estivesse cem por_cento certo de que ele era o culpado - disse Lockhart como quem explica que um e um são dois . - Teria , sim - disse o Ron , em um tom de voz ainda mais alto do_que o de o Dean . - Eu julgo saber um_pouco mais sobre a prisão de o Hagrid do_que o senhor , Mr._Weasley - disse Lockhart com notória auto-satisfação . Ron começou a dizer que discordava mas foi interrompido por o Harry que lhe deu um forte pontapé por debaixo de a mesa . - Nós não estávamos lá , lembras te ? - murmurou . Mas a alegria revoltante de o Lockhart , as insinuações de que sempre tinha achado que o Hagrid não prestava , a sua certeza de que tudo aquilo estava a chegar a o fim , irritou Harry de tal maneira que teve vontade de lhe atirar as * _ Viagens com Vampiros * e de lhe acertar em aquela cara estúpida . Mas , em vez de isso , limitou se a escrevinhar um bilhete para o Ron : * _ Vamos lá hoje a a noite * . Ron leu a mensagem , engoliu em seco e olhou para o lugar onde Hermione costumava sentar se . A cadeira vazia pareceu ajudá o a decidir se e acenou afirmativamente . A sala comum de os Gryffindor estava agora sempre cheia porque , depois de as seis_da_tarde , os Gryffindor não tinham outro lugar para ir . Por outro lado , tinham imenso para conversar , por isso a sala comum mantinha se cheia de gente até depois de a meia-noite . Logo_a_seguir a o jantar , Harry foi buscar o manto de a invisibilidade a a mala onde estava guardado e passou todo o serão a a espera que a sala esvaziasse . O Fred e o George desafiaram o para alguns jogos de explosão e a Ginny sentou se , muito preocupada , a observá os , em a cadeira habitual de Hermione . Harry e Ron fartaram se de perder de propósito em uma tentativa de pôr rapidamente fim a os jogos mas , mesmo_assim , já passava bastante de a meia-noite quando o Fred , o George e a Ginny se foram , finalmente , deitar . Harry e Ron esperaram até ouvir as portas de os dois dormitórios fecharem se . Em seguida , pegaram em o manto , lançaram o sobre ambos e passaram por o buraco de o retrato . Era mais uma difícil travessia de o castelo , tendo de fintar todos os professores . Finalmente , chegaram a o * hall * de entrada , giraram o fecho de as portas de carvalho , esgueiraram se tentando não fazer barulho e aventuraram se nos campos iluminados por o luar . - É claro que - disse bruscamente o Ron , enquanto atravessavam os relvados negros - podemos perfeitamente chegar a a floresta e descobrir que não há nada para seguir . As aranhas podem não ter ido para lá . É certo que parecia que tomavam essa direcção , mas ... Felizmente a lengalenga não durou muito . Chegaram a a casa de o Hagrid que tinha um ar triste com as suas janelas vazias . Logo_que Harry empurrou a porta e a abriu , o Fang saltou , louco de alegria por os ver . Preocupados , não fosse ele acordar toda_a_gente em o castelo com o seu ladrar forte e agitado , deram lhe rapidamente a comer bombons de melaço que estavam em uma lata sobre a lareira e que lhe colaram os dentes de cima a os de baixo . Harry pousou o manto de a invisibilidade sobre a mesa de o Hagrid . Não iam precisar de ele em a floresta escura como breu . - Anda , Fang , vamos dar um passeio - disse Harry , batendo lhe a o de leve em a pata e Fang saiu feliz , a os saltos , atrás de eles . Precipitou se até a a orla de a floresta e levantou a perna contra uma enorme figueira-do-egipto . Harry pegou em a varinha , murmurou * _ Lumus * ! e uma pequenina luz surgiu em a ponta de a varinha , suficiente para lhes mostrar o caminho e ajudá os a descobrir a pista de as aranhas . - Bem pensado - disse o Ron . - Eu acendia também a minha mas , sabes como ela está , ainda estoirava ou qualquer coisa assim ... Harry tocou em o ombro de o Ron , apontando para as ervas . Duas aranhas solitárias fugiam de a luz de a varinha , aproximando se de a sombra de as árvores . - O. _ K. - disse o Ron , resignando se com o pior . - Estou pronto , vamos . Então , com o Fang a correr atrás de eles , cheirando as raízes de as árvores e as folhas , entraram em a floresta . Seguindo a luz de a varinha de o Harry seguiram a fila disciplinada de aranhas que se movia a o longo de o caminho . Andaram durante cerca de vinte minutos , sem falar , atentos a todos os ruídos que não fossem os de os ramos caídos e de as folhas secas . Então , quando as copas de as árvores se tinham tornado mais cerradas do_que nunca , de_tal_modo_que as estrelas em o céu já não eram visíveis e a varinha de o Harry brilhava isolada em um mar de escuridão , viram as aranhas que eles seguiam a abandonar o caminho . Harry parou , tentando ver para_onde iam mas tudo_o_que ficava longe de a sua pequenina luz era negro de breu . Ele nunca fora tão longe em a floresta . Lembrava se muito bem de Hagrid lhe ter dito , de a última vez que ali tinham estado , que nunca saísse de o caminho de a floresta . Mas Hagrid agora estava a muitos quilómetros de distância e ele também lhes dissera que seguissem as aranhas . Uma coisa húmida tocou em a mão de o Harry e ele deu um salto para trás , pisando o pé a o Ron . Mas afinal era apenas o focinho de o Fang . - O que é_que tu achas ? - perguntou ele a o Ron cujos olhos conseguia vislumbrar , reflectindo a luz de a varinha . - Já_que viemos até aqui - disse ele . Seguiram , portanto as sombras velozes de as aranhas em direcção a as árvores . Não podiam agora andar muito depressa . Tinham em a frente raízes de árvores e troncos cortados que mal se viam em aquela escuridão . Harry sentia o bafo quente de Fang em a mão . Por mais de uma_vez tiveram de parar para o Harry se baixar e descobrir as aranhas a a luz de a varinha . Andaram durante o que lhes pareceu ter sido pelo_menos meia_hora , com os mantos a roçarem em os ramos mais baixos e em as silvas . A o fim de algum tempo repararam que o chão parecia inclinar se para baixo embora as árvores continuassem cerradas . Foi então que o Fang soltou um latido que ecoou em volta , fazendo Harry e Ron darem um salto , ambos com os cabelos em pé . - O que foi ? - gritou o Ron , olhando em volta para a escuridão e agarrando Harry com força , por o cotovelo . - Há qualquer coisa ali a mexer se - murmurou Harry - Ouve ... parece ser grande . Ficaram a ouvir . Um_pouco para a direita algo de grandes dimensões partia os ramos enquanto abria caminho através de as árvores . - Oh ! não - disse o Ron . - Oh ! não , não ... - Cala te - insistiu o Harry , nervoso . - Seja o que for , vai acabar por te ouvir . - Ouvir me ? - disse o Ron , em um tom de voz muito pouco natural . - Já ouviu . Fang ! A escuridão parecia esmagar lhes os globos oculares enquanto ali ficaram apavorados , a a espera . Houve um estranho ruído , surdo e prolongado , e em seguida o silêncio . - O que estará a fazer ? - perguntou Harry . - Talvez esteja a preparar se para atacar - disse o Ron . Esperaram , a tremer , sem ousarem mexer se . - Achas que se foi embora ? - murmurou Harry . - Não sei . Em esse momento , de o lado direito veio um clarão de luz tão forte em o meio de o escuro que os dois levaram as mãos a a cara para proteger os olhos . O Fang ganiu e tentou fugir mas viu se envolvido em um emaranhado de espinhos e ganiu ainda mais alto . - Harry - gritou o Ron com grande alívio em a voz . - Harry , é o nosso carro . - O quê ? - Anda ver . Harry avançou a os tropeções atrás de o Ron , em direcção a a luz e em o momento seguinte estavam em uma clareira . O carro de Mr._Weasley ali estava , vazio , no_meio_de um círculo de árvores grossas , sob um telhado de ramos densos , os faróis de a frente resplandecentes . Quando Ron se aproximou de boca aberta , moveu se lentamente em direcção a ele como_se fosse um grande cão azul turquesa , cumprimentando o dono . - Tem estado aqui todo este tempo - disse o Ron satisfeitíssimo , aproximando se de o carro . - Olha para ele , a floresta tornou o selvagem ... O guarda-lamas estava riscado e cheio de lodo . Parecia que tinha andado a passear sozinho por a floresta . Fang não gostou lá muito de ele . Manteve se a o lado de o Harry que podia senti o a tremer . Com a respiração normalizada , Harry guardou a varinha em o manto . - E nós a pensarmos que ele nos ia atacar - disse o Ron , encostando se a o carro e dando lhe duas palmadinhas - As voltas que eu dei a a cabeça a pensar para_onde ele teria ido ! Harry olhava para todos os lados , em o chão iluminado , em busca de mais aranhas mas todas elas tinham fugido de o brilho de as luzes . - Perdemos as de vista - disse ele . - Anda , vamos procurá as . Ron não disse nada . Não se moveu . Tinha os olhos fixos em um ponto , três metros acima de o chão de a floresta , mesmo atrás de o Harry . O seu rosto estava lívido de terror . Harry nem teve tempo de se voltar . Ouviu se um ruído alto e seco e sentiu que alguma coisa longa e peluda o elevava em o ar com o rosto voltado para baixo . Debatendo se , apavorado , ouviu outro estalido e viu as pernas de o Ron serem também levantadas de o chão . Ouviu o Fang gemer e ganir e , em o momento seguinte , era levado para o meio de as árvores escuras . Com a cabeça a balouçar , Harry viu que a coisa que o transportava tinha seis enormes patas peludas e que as duas de a frente o agarravam com forca sob um par de tenazes pretas e brilhantes . Atrás_de si podia ouvir outra de aquelas criaturas que , sem dúvida , transportava o Ron . Encaminhavam se para o coração de a floresta . Harry ouvia o Fang a ladrar , tentando libertar se de um terceiro monstro mas Harry não podia gritar mesmo_que quisesse , parecia que tinha deixado a voz em a clareira , junto com o carro . Não soube quanto tempo esteve em as patas de a criatura , só se apercebeu que a escuridão se atenuara um_pouco , permitindo lhe ver que o chão coberto de folhas estava agora repleto de aranhas . Voltando a cabeça para o lado , deu se conta de que tinham chegado a a base de uma enorme cova , uma cova que fora limpa de árvores para que as estrelas iluminassem com o seu brilho a cena mais pavorosa que os seus olhos alguma vez tinham visto . Aranhas . Não aranhas pequeninas como aquelas que estavam sobre as folhas . Aranhas de o tamanho de enormes cavalos , com oito olhos , oito pernas pretas , peludas , gigantescas . O espécimen que transportava Harry desceu o terreno íngreme até uma teia brumosa em forma de cúpula que ficava mesmo em o meio de a cova , enquanto os companheiros se juntavam em volta , batendo excitadíssimos com as tenazes e olhando para o que eles traziam a as costas . Harry caiu em o chão de gatas quando a aranha o libertou . Ron e Fang foram cair perto de ele . O Fang já não gania . Estava agachado e muito quieto . Ron e Harry partilhavam o mesmo sentimento . O Ron tinha a boca aberta em uma espécie de grito silencioso e os olhos a saltarem lhe de as órbitas . Harry percebeu de repente que a aranha que o deitara a o chão estava a dizer qualquer coisa . Era difícil entender porque entre cada duas palavras , batia com as tenazes . - Aragog - chamou . - Aragog . E de o meio de a teia brumosa em forma de cúpula saiu muito lentamente uma aranha de o tamanho de um pequeno elefante . As costas e as pernas estavam cobertas de pêlo cinzento e , em a cabeça feia , munida de tenazes , estavam vários olhos , todos eles de um branco leitoso . Era cega . - O que foi ? - disse , batendo rapidamente com as tenazes uma em a outra . - Homens - respondeu a aranha que trouxera o Harry . - É o Hagrid ? - perguntou Aragog , aproximando se mais com os seus oito olhos leitosos a vaguear . - Estranhos - respondeu a aranha que trouxera o Ron . - Matem nos - disse Aragog , irritada . - Eu estava a dormir ... - Nós somos amigos de o Hagrid - gritou Harry . Parecia que o coração lhe saltava por a boca . Clic , clic , clic fizeram as tenazes de a aranha , em volta de a cova . Aragog parou . - O Hagrid nunca mandou homens a a nossa cova - disse lentamente . - O Hagrid está em perigo - explicou Harry , respirando muito depressa . - Foi por isso que eu vim . - Em perigo ? - repetiu a aranha idosa e pareceu a Harry sentir preocupação por detrás de as suas tenazes . - Mas porque vos mandou ele cá ? Harry pensou pôr se de pé mas achou melhor não arriscar . As pernas provavelmente não teriam força para o sustentar . Falou portanto de o chão , o mais calmamente que foi capaz . - Eles lá em a escola pensam que o Hagrid soltou qualquer coisa contra os estudantes . Mandaram o para Azkaban . Aragog bateu furiosamente com as tenazes e , em toda_a cova , o eco foi reproduzido por uma multidão de aranhas . Era uma espécie de aplauso com uma única diferença : os aplausos não costumavam fazer o Harry quase morrer de medo . - Mas isso foi há muitos anos - disse Aragog , maldisposta . - Há anos e anos . Lembro me muito bem . Foi por isso que o expulsaram de a escola . Eles pensaram que eu era o monstro que vive em aquilo a que eles chamam a Câmara_dos_Segredos . Pensaram que o Hagrid a tinha aberto para me libertar . - E tu ... não vieste de a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Harry que sentia a testa cheia de suores frios . - Eu - disse Aragog , batendo irritada com as tenazes - , eu não nasci em o castelo . Venho de uma terra distante . Um viajante ofereceu me a o Hagrid quando eu era ainda um ovo . Hagrid era um rapazinho mas tratou de mim , escondeu me em uma despensa dentro de o castelo e alimentava me com as migalhas que ficavam em as mesas . Hagrid é o meu bom amigo e um bom homem . Quando me encontraram e me culparam por a morte de uma rapariga , ele protegeu me . Desde_então , tenho vivido aqui em a floresta onde o Hagrid ainda vem visitar me . Ele até me arranjou uma esposa , Mosag , e estão a ver como a família cresceu , tudo graças a a bondade de o Hagrid ... Harry reuniu a coragem que lhe restava . - Então tu nunca atacaste ninguém ? - Nunca - resmungou a velha aranha . - Era esse o meu instinto , mas por respeito a Hagrid nunca fiz mal a nenhum humano . O corpo de a rapariga morta foi encontrado em uma casa_de_banho , ora eu nunca conheci mais do_que despensa de o castelo , onde cresci . Nós gostamos de o escuro de o silêncio . - Mas então ... sabes o que matou essa rapariga ? - perguntou Harry . - Porque seja o que for , está a atacar as pessoas outra_vez ... As suas palavras foram abafadas por uma audível explosão de tenazes a bater e por o ruge-ruge de muitas pernas longas , deslocando se iradas . Em volta de Harry começaram a mover se sombras escuras . - O que vive em o castelo - disse Aragog - é uma antiga criatura que nós , aranhas , tememos acima_de todas_as outras . Lembro me bem de o quanto insisti com Hagrid para que me deixasse sair de ali quando senti a criatura a andar por a escola . - O que é ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Mais tenazes a bater , mais pernas a moverem se . As aranhas pareciam estar a aproximar se . - Nós não falamos de isso - exclamou Aragog furiosa . - Não pronunciamos o seu nome . Eu nunca disse a o Hagrid o nome de a horrível criatura , apesar_de ele me ter perguntado vezes sem conta . Harry não quis insistir , principalmente com todas aquelas aranhas a aproximarem se de todos os lados . Aragog parecia ter se cansado de falar . Recuava lentamente para a teia em forma de cúpula , mas as companheiras continuavam a aproximar se ameaçadoramente de Harry e Ron . - Vamos embora , então - gritou Harry , desesperadamente a Aragog , enquanto ouvia as folhas secas a estalarem atrás_de si . - Embora ? - disse Aragog lentamente . - Não me parece ... - Mas , mas ... - Os meus filhos e filhas não fazem mal a o Hagrid por ordem minha . Mas não posso negar lhes carne fresca quando ela veio por vontade própria ter connosco . Adeus , amigo de o Hagrid . Harry deu meia volta . Poucos centímetros acima de ele , uma sólida parede de aranhas batia com as tenazes , os seus muitos olhos a brilharem em as horríveis caras pretas . Mesmo_que se servisse de a varinha , Harry sabia que não ia valer de nada . As aranhas eram demasiadas , mas quando tentava preparar se para morrer a lutar , ouviu se um som prolongado e um clarão de luz iluminou a cova . O carro de Mr._Weasley ribombava , descendo o declive , com os faróis acesos , a buzina a guinchar , afastando as aranhas . Muitas de elas ficaram voltadas ao_contrário com as várias pernas a agitar se em o ar . O carro buzinou com mais força em frente de Harry e Ron e as portas abriram se . - Agarra o Fang - gritou Harry , ajeitando se em o lugar de a frente . Ron agarrou o cão caçador de javalis e lançou o a ganir para o banco de trás . As portas fecharam se com estrondo . Ron não tocou em o acelerador mas o carro não precisou de isso . O motor fez se ouvir e levantaram voo , batendo em mais aranhas . Subiram o declive , saindo de a cova e pouco depois atravessavam a floresta , os ramos a baterem em os vidros enquanto o carro seguia habilmente através de os intervalos maiores , por um caminho que obviamente já conhecia . Harry olhou para o Ron , a o seu lado . Ele tinha ainda a boca aberta em o mesmo grito silencioso mas os olhos já não estavam salientes . - Estás bem ? Ron olhou em frente , incapaz de responder . Começavam a descer para terra firme com o Fang a soltar enormes ganidos em o banco de trás e Harry viu o espelho retrovisor saltar quando passaram rente a um enorme carvalho . Após dez minutos bastante ruidosos , as árvores começaram a ser mais finas e Harry pôde ver de_novo pedaços de o céu . O carro parou tão bruscamente que quase foram projectados por o vidro de a frente . Tinham chegado a a orla de a floresta . O Fang ia agitadíssimo a a janela e quando Harry abriu a porta , disparou a correr através de as árvores até a a casa de o Hagrid , de cauda entre as pernas . Harry saiu também e um minuto depois o Ron pareceu recuperar a força em os membros e seguiu o , ainda com um torcicolo e de olhos esbugalhados . Harry deu uma palmadinha de agradecimento a o carro antes de ele dar a volta e desaparecer em direcção a a floresta . Harry voltou a a cabana de o Hagrid para buscar o manto de a invisibilidade . O Fang tremia em o seu cesto , coberto por um cobertor . Quando saiu de_novo , viu o Ron a vomitar junto de as abóboras . - Sigam as aranhas - disse ele debilmente , limpando a boca a a manga . - Nunca vou perdoar a o Hagrid . É uma sorte ainda estarmos vivos . - Aposto que ele pensou que Aragog nunca faria mal a os seus amigos - justificou Harry . - Esse é justamente o problema de o Hagrid - interrompeu Ron , dando um soco em a parede de a cabana . - Ele acha sempre_que os monstros não são tão maus como os pintam e vê onde isso o levou , a uma cela em Azkaban - tremia agora descontroladamente . - Qual a ideia de ele a o mandar nos ali ? Gostava de saber o que é_que descobrimos . - Que o Hagrid nunca abriu a Câmara_dos_Segredos - disse Harry , lançando o manto sobre Ron e tocando lhe em o braço para o encorajar a andar . - Ele estava inocente . Ron resmungou em voz alta . Para ele , chocar Aragog em uma despensa não era propriamente estar inocente . Quando se aproximaram de o castelo , Harry esticou o manto para garantir que os pés de ambos ficavam cobertos . Em seguida , empurrou as portas de a frente que chiaram . Atravessaram com todo o cuidado o * hall * de entrada e subiram a escadaria de mármore , contendo a respiração em os corredores guardados por sentinelas atentos . Por fim , chegaram a a segurança de a sala de os Gryffindor onde o lume ardera até se transformar em brasas brilhantes . Tiraram o manto e subiram a escada serpenteante que os levava a o dormitório . Ron caiu em a cama sem sequer se despir mas Harry , apesar_de tudo , não tinha sono . Sentou se em a beirinha de a cama , pensando em todas_as coisas que Aragog dissera . A criatura que andava por o castelo , pensou , era uma espécie de monstro Voldemort , nem os outros monstros queriam pronunciar o seu nome . Mas ele e o Ron não estavam agora mais perto_de descobrir o que era nem como petrificava as suas vítimas . Se nem o Hagrid chegara a saber o que estava em a Câmara_dos_Segredos ... Harry balançou as pernas e atirou se para_cima de a cama . Encostado a as almofadas olhou a Lua que brilhava através de a janela de a torre . Não sabia que mais poderiam fazer . Só tinham encontrado portas fechadas . Riddle apanhara a pessoa errada . O herdeiro de Slytherin fugira e ninguém sabia se era a mesma pessoa ou uma outra que abrira , desta_vez , a Câmara_dos_Segredos . Não havia mais ninguém a quem fazer perguntas . Harry deitou se ainda a pensar em as palavras de Aragog . Estava a começar a ficar com sono quando aquilo que parecia ser uma última esperança lhe ocorreu , fazendo o sentar se muito direito em a cama . - Ron - sussurrou em o escuro . - Ron . Ron acordou com um ganido como os de o Fang . Olhou muito assustado em volta e viu o Harry . - Ron , a rapariga que morreu . Aragog contou nos que ela foi encontrada em uma casa_de_banho - disse , ignorando os roncos de o Neville em o outro canto de o quarto . - E se ela nunca tivesse saído de a casa_de_banho ? E se ainda lá estiver ? Ron esfregou os olhos , franzindo as sobrancelhas sob a luz de a Lua . E só então compreendeu . -- Não pensar que ... a Murta_Queixosa ? XVI_A_Câmara_dos_Segredos -- E estivemos nós tantas vezes em aquela casa_de_banho com ela apenas a três cubículos de distância - disse o Ron amargamente em o dia seguinte , a a mesa de o pequeno-almoço . - Podíamos ter lhe perguntado e agora ... Já fora bastante difícil procurar as aranhas . Escapar a os professores o tempo suficiente para ir até a a casa_de_banho de as raparigas , que ficava mesmo em frente de o lugar onde ocorrera o primeiro ataque , ia ser quase impossível . Mas alguma coisa aconteceu que fez com que a Câmara_dos_Segredos desaparecesse de os seus pensamentos pela_primeira_vez em várias semanas . A professora Mc_Gonagall comunicou lhes que os exames começariam a 1_de_Junho , uma semana depois . - Exames ? - gritou Seamus_Finnigan . - Nós mesmo_assim vamos ter exames ? Ouviu se um estrondo atrás de o Harry quando a varinha de o Neville_Longbottom lhe escapou de a mão , fazendo desaparecer uma de as pernas de a secretária . A professora Mc_Gonagall repô a com a sua varinha e voltou se com má cara para o Seamus . - Se temos a escola aberta em uma altura de estas é para vocês receberem instrução - disse com dureza . - Os exames terão lugar , portanto , como é costume e espero que todos vocês façam revisões até lá . Revisões . Não passara por a cabeça de o Harry que houvesse exames com o castelo em aquele estado . Houve uma série de murmúrios revoltados , o que fez com que a professora Mc_Gonagall ficasse ainda mais mal-humorada . - As instruções de o professor Dumbledore foram para manter a escola a funcionar o mais normalmente possível - disse . - E isso , não preciso de vos dizer , passa por uma avaliação de o quanto vocês aprenderam a o longo de este ano . Harry olhou para baixo , para o casal de coelhos brancos que ele deveria transformar em pantufas . Que tinha ele aprendido durante o ano ? Não era capaz de se lembrar de nada que fosse útil em um exame . Ron estava como_se tivessem acabado de lhe dizer que a partir de aquele momento tinha de ir viver para a floresta proibida . - Estás a ver me a ter exames com isto tudo ? - perguntou a o Harry enquanto pegava em a varinha que tinha começado a assobiar bastante alto . Três dias antes de o primeiro exame , a a hora de o pequeno almoço , a professora Mc_Gonagall fez outra comunicação . - Tenho boas notícias - disse , e o salão em_vez_de se calar , explodiu de contentamento . - Dumbledore vai regressar ! - gritaram várias pessoas cheias de alegria . - Apanharam o herdeiro de Slytherin - arriscou uma rapariga em a mesa de os Ravenclaw . - Temos outra_vez os jogos de Quidditch - bradou Wood , excitadíssimo . Quando a agitação passou , Mc_Gonagall disse : - A professora Sprout informou me que as mandrágoras estão finalmente prontas para serem cortadas . Hoje a a noite vamos poder reanimar as pessoas que foram petrificadas . Escusado será dizer que certamente uma de elas poderá revelar nos quem ou o que a atacou . Eu tenho esperança que este ano pavoroso acabe com a prisão de o culpado . Houve uma explosão de aplausos . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e não ficou nada surpreendido a o ver que Draco_Malfoy não aplaudia . O Ron , por outro lado , estava satisfeito como ninguém o via havia dias . - Não faz mal não termos perguntado a a Murta . A Hermione vai , com certeza , ter todas_as respostas quando acordarem . Vai também ficar fula quando souber que temos exames dentro_de três dias . Ela não pôde fazer revisões . Seria melhor deixarem a estar onde está até a o final de os exames . Nessa_altura , Ginny_Weasley veio sentar se junto de o Ron . Parecia nervosa e tensa e Harry reparou que torcia as mãos em o colo . - O que se passa ? - perguntou o Ron , servindo se de mais papa de aveia . Ginny não disse nada mas olhou para um lado e para o outro de a mesa de os Gryffindor , com um olhar assustado que lembrou a Harry alguém que não sabia bem quem era . - Vá lá , vomita - disse o Ron , olhando para ela . Harry percebeu subitamente quem a Ginny lhe lembrara . Ela balançava se ligeiramente para a frente e para trás em a cadeira , exactamente como o Dobby fazia quando estava hesitante , à_beira_de revelar uma informação proibida . - Tenho de te dizer uma coisa - balbuciou a Ginny receosa , sem olhar para Harry . - O que é ? - perguntou ele . Ginny parecia incapaz de encontrar as palavras certas . - O quê ? - insistiu Ron . Ginny abriu a boca mas não saiu nenhum som . Harry inclinou se para a frente e falou devagar para que só ela e Ron pudessem ouvi o . - É alguma coisa relacionada com a Câmara_dos_Segredos ? Viste alguma coisa ou alguém a agir de forma estranha ? Ginny respirou fundo e , em esse preciso momento , apareceu Percy_Weasley com um ar pálido e cansado . - Se já acabaste de comer eu fico com esse lugar , Ginny . Estou cheio de fome . Acabei agora o meu trabalho de patrulhamento . Ginny deu um salto como_se a cadeira tivesse acabado de ser electrificada , lançou a o Percy um olhar assustado e zarpou . Percy sentou se e tirou uma caneca de o meio de a mesa . -- Percy - disse o Ron aborrecido . - Ela ia agora mesmo contar nos uma coisa importante . A meio de um gole de chá , Percy estremeceu . - Que coisa ? - perguntou , tossindo . - Eu quis saber se ela tinha visto alguma coisa estranha e ela ia dizer ... - Ah ! isso ... não tem nada que ver com a Câmara_dos_Segredos - disse o Percy de imediato . - Como sabes ? - indagou o Ron , erguendo as sobrancelhas . - Bem ... er ... já_que perguntam , a Ginny ... er ... passou por mim em outro dia quando eu ... er ... não foi nada , o importante é_que ela viu me fazer uma coisa e eu ... um ... pedi lhe para não comentar com ninguém . Não pensei que ela cumprisse a palavra , verdade se diga . Não é nada importante , eu só ... Harry nunca vira o Percy tão pouco a a vontade . - O que estavas a fazer , Percy ? - riu se o Ron . - Vá lá , conta que nós não nos rimos . Percy ficou sério . - Passa me esses pãezinhos , Harry , estou cheio de fome . Harry sabia que todo o mistério poderia ser desvendado em o dia seguinte sem a ajuda de eles mas não ia deixar de falar com a Murta_Queixosa se a oportunidade surgisse . E , para sua grande satisfação , ela surgiu a meio de a manhã quando eram conduzidos a a aula de História_da_Magia_por_Gilderoy_Lockhart . Lockhart , que tantas vezes lhes assegurara que o perigo tinha passado , estava agora totalmente convencido de que acompanhar os alunos em os corredores era um trabalho inútil . O seu cabelo estava mais liso do_que de costume . Parecia ter passado toda_a noite acordado a vigiar o quarto andar . - Podem escrever o que eu digo - afirmou , acompanhando os até uma esquina . - As primeiras palavras que vão sair de a boca de aquelas pobres pessoas petrificadas serão - * _ Foi_o_Hagrid * . Francamente , estou espantado por a professora Mc_Gonagall considerar ainda necessárias estas medidas de segurança . - Concordo , professor - disse Harry , fazendo com que Ron , surpreendido , deixasse cair os livros a o chão . - Obrigado , Harry - disse Lockhart amavelmente , enquanto deixavam passar uma grande fila de Hufflepuffs . - verdade é_que os professores já têm bastante que fazer para andarem também a acompanhar os alunos a as aulas e a guardar os corredores a a noite ... - É verdade - disse o Ron , percebendo a ideia . - Porque não nos deixa aqui , professor , só falta mais um corredor . - Sabes , Weasley , sou mesmo capaz de fazer isso - disse Lockhart . - Preciso de preparar a minha próxima aula . E apressou se a seguir o seu caminho . - Preparar a aula - zombou o Ron . - Vai encaracolar o cabelo , é o mais certo . Deixaram os restantes Gryffindor passar lhes a a frente e por fim cortaram caminho em um corredor lateral e dirigiram se a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mas quando estavam a congratular se por o seu esquema brilhante ... - Potter , Weasley ! Que estão vocês a fazer aqui ? Era a professora Mc_Gonagall e a boca de ela estava mais fina do_que nunca . - Nós estávamos , estávamos - gaguejou o Ron . - Nós íamos ver , íamos ver ... - Hermione - completou Harry . A professora Mc_Gonagall e Ron olharam para ele . - Não a vemos há séculos , professora - prosseguiu Harry , pisando o pé a o Ron . - E pensamos ir espreitá a a a ala hospitalar e dizer lhe que as mandrágoras estão quase prontas , para ela não se preocupar . A professora Mc_Gonagall estava ainda a olhar para ele e , por um momento , Harry pensou que ela ia explodir mas , quando falou , fê lo em um tom de voz estranhamente rouco . - É claro - disse . E Harry , espantado , viu uma lágrima a brilhar lhe em o canto de um de os olhos . - É claro . Eu compreendo que tudo_isto tem sido muito duro para os amigos de aqueles que foram ... eu compreendo , sim , Potter . Podem ir visitar Miss_Granger . Eu mesma informarei o professor Binns de que vocês estão em o hospital . Digam a Madam_Pomfrey que vos dei autorização . Harry e Ron afastaram se , quase sem acreditar que tinham escapado a um castigo . Quando voltaram em uma esquina ouviram nitidamente a professora Mc_Gonagall a assoar se . - Esta - disse o Ron entusiasmado - foi a melhor história que tu alguma vez inventaste . Não tinham outro remédio senão ir a a ala hospitalar e dizer a Madam_Pomfrey que tinham autorização de a professora Mc_Gonagall para visitar Hermione . Madam_Pomfrey deixou os entrar com alguma relutância . - Não vale a pena falar com uma pessoa petrificada - disse , e ambos tiveram que admitir que ela tinha razão quando se sentaram junto de Hermione e constataram que ela não tinha a menor noção de estar acompanhada . Dizer lhe que não se preocupasse ou falar com o armário que estava a o lado de a cama era exactamente a mesma coisa . - Será que ela viu quem a atacou ? - perguntou o Ron , olhando com tristeza para o rosto rígido de Hermione . - Porque se a coisa saltou sobre eles , ficaremos todos sem saber de nada . Mas Harry não olhava para o rosto de Hermione . Estava mais interessado em a sua mão direita que se encontrava pousada sobre os cobertores e , inclinando se para ela , viu que tinha , fechado entre os dedos , um pedaço de papel . Assegurando se de que Madam_Pomfrey não dava por nada , fez sinal a o Ron . - Tenta tirá o - murmurou ele , colocando a cadeira de_modo_a que Madam_Pomfrey não pudesse ver o Harry . Não foi tarefa fácil . A mão de a Hermione estava fechada com uma força tal que Harry receou parti a . Enquanto Ron vigiava , ele forçou e torceu até que , por fim , depois de vários minutos bastante tensos , conseguiu tirar o papel . Era uma página retirada de um livro muito antigo de a biblioteca . Harry alisou a ansiosamente e Ron inclinou se para poder lês a também . * _ De todos os monstros assustadores que pairam a a face de a Terra , nenhum é tão curioso nem tão fatal como o Basilisk , também conhecido por o rei de as serpentes . Esta cobra que pode atingir proporções gigantescas e viver durante muitas centenas de anos nasce de um ovo de galinha que é chocado por um sapo . As suas formas de matar são pavorosas pois além de os dentes venenosos e mortais , o Basilisk tem um olhar criminoso e todos aqueles que ele fixa com os olhos tem morte instantânea . As aranhas fogem a sete pés de o Basilisk que é seu inimigo mortal , e o Basilisk foge apenas de o canto de o galo que para ele é fatal * . Por debaixo de isto uma única palavra fora escrita , em a letra que Harry reconheceu como sendo de Hermione : Canos . Foi como_se se tivesse acendido uma luz em o seu espírito . - Ron - murmurou - é isso . Está aqui a resposta . O monstro de a Câmara_dos_Segredos é um Basilisk , uma serpente gigante . Por isso , só eu tenho ouvido a sua voz em todos os lugares , porque eu compreendo * serpentês * ... Harry olhou para as camas em volta . - O Basilisk mata as pessoas fixando as com o olhar mas ninguém morreu , o que quer_dizer que ninguém o olhou directamente em os olhos . Colin viu o através de a lente de a máquina fotográfica e o Basilisk queimou o rolo que estava lá dentro mas o Colin ficou apenas petrificado . O Justin ... o Justin deve ter visto o Basilisk através de o Nick quase sem cabeça . O Nick é_que levou com o olhar mas não podia morrer outra_vez ... e perto de a Hermione e de a prefeita de os Ravenclaw foi encontrado um espelho . Hermione acabara de compreender que o monstro era um Basilisk . Aposto que preveniu a primeira pessoa que encontrou de que era melhor olhar por um espelho a o virar de cada esquina . E aquela rapariga puxou de o seu espelho e ... O Ron estava de queixo caído . - E Mrs._Norris ? - perguntou vivamente . Harry pensou um_pouco , tentando imaginar a cena em a noite de o Halloween . - A água . . . - disse lentamente . - A poça de água que saiu de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Aposto que Mrs._Norris só viu o reflexo de o monstro . Examinou a folha de papel que tinha em a mão . Quanto_mais olhava mais sentido faziam as coisas . - * _ O cantar de o galo é fatal para ele * - leu em voz alta . - Os galos de o Hagrid foram mortos . O herdeiro de Slytherin não queria um único galo perto de o castelo , com a câmara aberta . * _ As aranhas são as primeiras a fugir * . Tudo encaixa . - Mas , como tem o Basilisk andado por aí ? - disse o Ron . - Uma serpente horrível e enorme ... alguém a teria visto . Mas Harry apontou para a palavra que Hermione escrevinhara em o final de a página . - Canos - disse . - Canos ... Ron , ele tem usado a canalização . Eu ouvi sempre a voz dentro de as paredes ... Ron agarrou subitamente o braço de o Harry . - A entrada para a Câmara_dos_Segredos - disse em uma voz rouca . - E se for em uma casa_de_banho ? Se for em a ... - Em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa - completou Harry . Sentaram se , tomados de uma excitação enorme , mal querendo acreditar . - Isso significa que - disse o Harry - eu não posso ser o único em a escola a falar * serpentês * . Há também o herdeiro de Slytherin . É de esse modo que tem controlado o Basilisk . - O que vamos fazer ? - perguntou Ron com os olhos a faiscar . - Vamos falar com a Mc_Gonagall ? - Vamos até a a sala de os professores - disse Harry , dando um salto . - Ela estará lá dentro_de dez minutos , está quase em o intervalo . Desceram a escada a correr . Não querendo ser descobertos outra_vez a vaguear por os corredores foram directamente até a a sala de os professores que estava deserta . Era uma divisão ampla , toda forrada , com cadeiras de madeira escura . Harry e Ron passearam de um lado para o outro , demasiado nervosos para se sentarem . Mas a campainha anunciando o intervalo nunca mais tocava . Em vez de isso , ecoando em os corredores , ouviram a voz de a professora Mc_Gonagall incrivelmente ampliada . - * _ Todos os alunos devem regressar de imediato a os seus dormitórios . Todos os professores a a sala de professores . Imediatamente , por favor * . Harry deu meia volta e olhou para o Ron . - Não me digas que houve um novo ataque , não agora ! - Que vamos fazer ? - disse o Ron aterrado . - Voltar para o dormitório ? - Não - disse Harry , olhando e m volta . Havia uma espécie de armário a a sua esquerda cheio com os mantos de os professores . - Ali . Vamos ouvir o que se passa . A seguir poderemos contar lhes o que descobrimos . Esconderam se dentro de o armário , ouvindo a algazarra de centenas de pessoas e a porta de a sala de professores a abrir se . De o meio de a confusão de mantos bafientos , viram os professores encherem a sala . Alguns tinham um ar totalmente confuso , outros pareciam apavorados . Por fim , chegou a professora Mc_Gonagall . - Aconteceu - disse em o silêncio de a sala de professores . - O monstro levou uma aluna . Levou a mesmo para a câmara . O professor Flitwick soltou um grito agudo . A professora Sprout bateu com a mão em a boca . Snape agarrou com força as costas de uma cadeira e perguntou : - Como pode ter tanta certeza ? - O herdeiro de Slytherin - disse a professora Mc_Gonagall , muito pálida . - Deixou outra mensagem . Mesmo por baixo de a primeira : « * _ O esqueleto de ela ficará para sempre em a Câmara_dos_Segredos * . » O professor Flitwick desatou a chorar . - Quem é ela ? - quis saber Madam_Hooch que se afundara em uma cadeira . - Quem é a aluna ? - Ginny_Weasley - disse a professora Mc_Gonagall . Harry viu o Ron , a o seu lado , escorregar silenciosamente até a o chão de o armário . - Vamos ter que mandar todos os alunos embora amanhã - disse a professora Mc_Gonagall . Isto_é o fim de Hogwarts , Dumbledore sempre disse ... A porta de a sala de os professores voltou a abrir se . Por um breve momento , Harry pensou que fosse Dumbledore mas era Lockhart e vinha todo sorridente . - Peço desculpa , adormeci . Perdi alguma coisa ? Não pareceu reparar que os outros professores o olhavam com uma espécie de aversão . Snape deu um passo em frente . - O homem que faltava - disse . - O homem certo . O monstro raptou uma garota , Lockhart levou a para a Câmara_dos_Segredos . O seu momento chegou . - Isso mesmo , Lockhart - acrescentou a professora Sprout . - Não estavas a dizer ontem a a noite que sempre tinhas sabido onde era a entrada para a Câmara_dos_Segredos ? - Eu ... bem ... eu-disse atabalhoadamente Lockhart . - Sim , não me disseste que sabias exactamente o que estava lá dentro ? - disse com voz esganiçada o professor Flitwick . - Eu disse ? Não me lembro ... - Lembro me perfeitamente de o ouvir dizer que lamentava não ter feito uma tentativa com o monstro antes de o Hagrid ser preso - disse Snape . - Não disse que toda_a história tinha sido uma atrapalhação e que deveriam ter lhe dado carta branca desde o princípio ? Lockhart olhou em volta para a cara de espanto de os colegas . - Eu ... nunca ... eu de facto ... deve ter me compreendido mal . - Então vamos deixar te , Gilderoy - disse a professora Mc_Gonagall . - Esta noite será uma excelente oportunidade para actuares . Nós trataremos de assegurar que ninguém te atrapalha . Vais poder enfrentar o monstro sozinho . Finalmente tens carta branca . Lockhart olhou desesperado a a sua volta mas ninguém foi salvá o . Já não estava bem-parecido . O lábio tremia lhe e a ausência de o seu habitual sorriso de dentes brancos dava lhe um ar escanzelado . - M-muito bem - disse . - Vou até a o meu escritório para ... para me preparar . E saiu de a sala . - _ óptimo - exclamou a professora Mc_Gonagall com as narinas dilatadas . - Isto deve afastá o de o nosso caminho . Os chefes de casa devem ir agora comunicar a os respectivos alunos o que se passou e informá os de que o Expresso_de_Hogwarts os levará a casa amanhã de manhã . Os restantes certifiquem se , por favor , de que não há alunos fora de os dormitórios . Os professores levantaram se e saíram um a um . Foi talvez o dia pior de a vida de o Harry . Ele , Ron , Fred e George sentaram se juntos a um canto em a sala comum de os Gryffindor , incapazes de proferir uma palavra . Percy não estava lá . Tinha ido tratar de enviar uma coruja a Mr. e Mrs._Weasley e , em seguida , fechara se em o dormitório . Nunca uma tarde custara tanto a passar e nunca a torre de os Gryfffindor estivera tão cheia de gente e tão silenciosa . Fred e George foram para a cama quase a o pôr de o Sol , incapazes de ficar ali mais tempo . - Ela sabia qualquer coisa , Harry - disse o Ron , falando pela_primeira_vez desde_que tinham saído de o armário de a sala de os professores . - Por isso a levaram . Não era nenhuma parvoíce sobre o Percy , ela tinha descoberto qualquer coisa sobre a Câmara_dos_Segredos . Com certeza por isso é_que a ... - Ron esfregou os olhos , enervadíssimo . - Afinal ela era sangue puro , não pode haver outra explicação . Harry olhava para o sol que mergulhava de um vermelho cor de sangue em a linha de o horizonte . Era a pior coisa que lhe tinha acontecido . Se pelo_menos pudessem fazer alguma coisa . - Harry - disse o Ron . - Achas que há alguma possibilidade de ela não estar ... ? Sabes o que eu quero dizer . Harry não sabia que resposta dar . Não acreditava que a Ginny pudesse ainda estar viva . - Sabes uma coisa ? - disse o Ron . - Acho que devíamos ir ter com o Lockhart , contar lhe o que sabemos . Ele vai tentar entrar em a câmara , podemos dizer lhe onde achamos que fica a entrada e contar lhe que o monstro é um Basilisk . Como Harry não tinha nenhuma ideia melhor e como queria fazer alguma coisa , concordou . Os Gryffindor que os rodeavam estavam tão tristes e com tanta pena de os Weasley que ninguém tentou impedi os quando os viram levantar se , atravessar a sala e sair por o buraco de o retrato . A escuridão começava a instalar se quando chegaram a o escritório de Lockhart onde a actividade era muita . De o corredor ouvia se o ruído de coisas a serem deitadas fora , pancadas surdas e passos apressados . Harry bateu a a porta e houve um silêncio repentino . Em seguida abriu se uma fresta de a porta e viram um de os olhos de Lockhart a espreitar . - Oh ! ... Mr._Potter ... Mr._Weasley - disse entreabrindo a porta . - Estou um_pouco ocupado em este momento , se forem rápidos ... - Professor , nós temos informações para lhe dar - disse o Harry . - Acho que poderão ajudá o . - Er ... bem ... não é - o lado de a cara de Lockhart que conseguiam ver parecia muito pouco a a vontade . - Quer_dizer ... bem ... está bem . Abriu a porta e eles entraram . O escritório estava praticamente vazio . Em o chão estavam duas grandes malas abertas . Mantos verde-jade , lilás , azul-noite tinham sido apressadamente dobrados e guardados dentro_de uma de as malas . Os livros misturavam se todos dentro de a outra . As fotografias que antes cobriam as paredes estavam agora arrumadas em caixas , em cima de a secretária . - Vai a algum lado ? - perguntou Harry . - Er ... bem ... sim - disse Lockhart , arrancando de a porta um poster seu em tamanho natural , enquanto falava , e começando a enrolá o . - Uma chamada urgente ... inevitável ... tenho que ir . - E a minha irmã ? - perguntou o Ron bruscamente . - Bem , quanto_a isso foi uma pena - disse Lockhart , evitando olhá os em os olhos , abrindo uma gaveta e começando a despejar o seu conteúdo dentro_de um saco . - Ninguém lamenta mais do_que eu ... - O senhor é o professor de Defesa contra as artes negras - disse Harry . - Não pode ir se embora agora_que todas estas coisas de magia negra estão a acontecer aqui . - Bem , devo dizer te que ... quando aceitei o lugar ... - resmungou Lockhart , empilhando soquetes sobre os mantos - nada em a descrição de o meu trabalho fazia prever ... - Quer_dizer que vai fugir ? - perguntou Harry , incrédulo . - Depois de todas_as coisas que conta em os seus livros ? - Os livros podem ser enganadores - disse Lockhart delicadamente . - Mas foi o senhor que os escreveu - gritou Harry . - Meu rapaz - disse Lockhart , endireitando se e franzindo as sobrancelhas - usa o senso comum . Os meus livros não teriam vendido metade do_que venderam se as pessoas não acreditassem que eu tinha feito todas aquelas coisas . Ninguém está interessado em ler sobre um velho feiticeiro americano mesmo_que ele tenha salvo uma cidade inteira de os lobisomens , ficaria péssimo em a capa . E a bruxa que correu com a fada carpideira tinha um lábio leporino . Como vês . - Quer_dizer que ficou com os louros por tudo_o_que uma série de outras pessoas fizeram ? - perguntou Harry , sem querer acreditar . - Harry , Harry - disse Lockhart , abanando impacientemente a cabeça . - Não é tão simples assim . Envolveu muito trabalho . Tive de localizar todas essas pessoas , perguntar lhes em pormenor como tinham feito as coisas . Depois tive de lhes fazer um feitiço antimemória para que não voltassem a lembrar se do_que tinham feito . Se há uma coisa de que me orgulho é de os meus feitiços antimemória . Não , tive muito trabalho , Harry . Não foram só as sessões de autógrafos e as fotografias , sabes ? Quem quer ser famoso tem de estar preparado para um trabalho longo e fatigante . Fechou as malas a a chave . - Vejamos - disse . - Acho que está tudo . Sim , só falta uma coisa . - Empunhou a varinha e voltou se para eles . - Lamento muito , rapazes , mas vou ter de vos fazer um feitiço antimemória . Não posso deixar que vão por aí repetir os meus segredos . Não venderia nem mais um livro . Harry pegou em a varinha mesmo a tempo e Lockhart mal tinha levantado a de ele a o ar quando Harry gritou * _ Expelliarmus ! * Lockhart foi projectado de costas , indo cair em cima de a mala . A varinha voou por os ares . Ron agarrou a e atirou a por a janela aberta . - Não devia ter deixado o professor Snape ensinar nos esta - disse Harry furioso , dando um pontapé a uma de as malas . Lockhart olhava para ele , de_novo escanzelado . Harry apontava lhe a varinha . - O que queres que eu faça ? - perguntou debilmente . - Eu não sei onde fica a Câmara_dos_Segredos . Não posso fazer nada . - Está com sorte - disse Harry , forçando o com a varinha a pôr se de pé . - Nós julgamos saber onde é e o que está lá dentro . Vamos . Conduziram Lockhart para fora de o seu escritório , desceram com ele as escadas e seguiram por o corredor escuro em cuja parede brilhavam as mensagens , até a a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mandaram Lockhart a a frente . Harry gostou de ver que todo ele tremia . A Murta_Queixosa estava sentada em a cisterna de o cubículo de o fundo . - Ah ! são vocês - disse a o ver o Harry . - O que querem agora ? - Perguntar te como morreste - disse Harry . O aspecto de a Murta mudou por completo . Parecia que nunca lhe tinham feito uma pergunta tão lisonjeira . - Ooooh ! Foi horrível - disse satisfeita . - Aconteceu aqui mesmo . Morri em este cubículo . Lembro me tão bem . Estava escondida porque a Olive_Hornby andava a implicar comigo por causa de os meus óculos . A porta estava fechada e eu estava a chorar e , então , ouvi alguém entrar . Disseram qualquer coisa estranha em uma língua diferente , acho eu . Mas o que mais me espantou foi o ser um rapaz a falar . Por isso , abri a porta para lhe dizer que fosse a a casa_de_banho de eles e em esse momento - a Murta inchou com ar importante , o rosto a brilhar - morri . - Como ? - perguntou Harry . - Não faço ideia - disse a Murta em um tom de voz abafado . - Só me lembro de ver dois grandes olhos amarelos , de o meu corpo ficar preso e em seguida , sentir me a flutuar ... - olhou sonhadoramente para Harry . - E depois voltei . Estava disposta a vingar me de a Olive_Hornby , percebes ? Ela ia arrepender se de ter gozado com os meus óculos . - Onde foi exactamente que viste os tais olhos ? - perguntou Harry . - Algures por aí - disse a Murta , apontando vagamente para o lavatório em frente de o seu cubículo . Harry e Ron apressaram se . Lockhart estava de pé , mais atrás , com uma expressão de pavor em o rosto . O lavatório parecia perfeitamente vulgar . Examinaram o centímetro a centímetro , dentro e fora , incluindo os canos por baixo . E foi então que Harry reparou : de lado , rabiscada em uma de as torneiras de cobre , estava uma cobra pequenina . - Essa torneira nunca funcionou - disse vivamente a Murta enquanto ele tentava abri a . - Harry - sugeriu o Ron . - Diz qualquer coisa em * serpentês * . Mas , pensou Harry , as únicas vezes que conseguira falar * serpentês * tinham ocorrido quando confrontado com uma verdadeira serpente . Olhou , concentrado para a pequena cobra gravada em o cobre , tentando imaginá a como verdadeira . - Abre te - disse . Olhou para o Ron que abanou a cabeça . - Inglês - disse ele . Harry voltou a olhar para a cobra , forçando se a acreditar que estava viva . A luz de a vela fez parecer que se movia . - Abre te - repetiu . Mas desta_vez as palavras não foram o que ele ouviu . Um estranho sibilar escapou lhe de a boca e a torneira ganhou uma luz branca e brilhante e começou a rodar . Logo_a_seguir o lavatório mexeu se . Afastou se , melhor dizendo , saiu de o caminho , deixando um grande cano a a vista , um cano onde cabia um homem . Harry ouviu a respiração arquejante de o Ron e olhou de_novo para ele . Já decidira o que queria fazer . - Vou descer - disse . Não podia deixar de ir , agora_que acabavam de descobrir a entrada para a câmara , existindo uma possibilidade , por mais remota que fosse , de a Ginny ainda estar viva . - Eu também - disse o Ron . Houve uma pausa . - Bem , parece que não precisam mais de mim - apressou se Lockhart a dizer com uma réstia de sorriso . - Eu vou . . . Pôs a mão em o puxador de a porta mas Ron e Harry apontaram lhe ambos as varinhas . -- O senhor pode ir a a frente - disse rispidamente o Ron . Pálido e sem varinha , Lockhart aproximou se de a entrada . - Meus rapazes - disse em uma voz débil . - Meus rapazes , para quê tudo_isto ? Harry tocou lhe em as costas com a varinha e ele meteu as pernas em o cano . - Eu não me parece que ... - começou a dizer , mas o Ron deu lhe um empurrão e ele desapareceu por o cano abaixo . Harry foi rapidamente atrás . Introduziu se lentamente e deixou se cair . Era como escorregar em uma pista escura e interminável . Ele via outros canos , estendendo se em todas_as direcções mas nenhum tão largo como o de eles que se torcia e virava , inclinando se abruptamente . Harry sabia que estavam a chegar a um ponto muito abaixo de a escola e de os calabouços . Atrás_de si , ouvia o Ron gemendo em cada curva . E então , quando começava a preocupar se com o que iria acontecer quando tocassem em o chão , o cano tornou se horizontal e ele foi projectado com um ruído surdo , indo aterrar em o chão húmido de um túnel de pedra com altura suficiente para ele se pôr de pé . Lockhart estava a levantar se a alguma distancia , todo enlameado e pálido como um fantasma . Harry afastou se para deixar o Ron sair também de o cano . - Devemos estar quilómetros e quilómetros abaixo de a escola - disse o Harry cuja voz ecoou em o túnel negro . - Talvez até debaixo de o lago - arriscou o Ron , olhando em volta para as paredes escuras e viscosas . Voltaram se os três para olhar para a escuridão lá a o fundo . - * _ Lumus ! * - murmurou Harry a a varinha e ela voltou a acender se . - Vamos - disse a o Ron e a o Lockhart e avançaram , os passos a chapinharem ruidosamente em o chão molhado . O túnel era tão escuro que só conseguiam ver alguns centímetros a a frente . As suas sombras em as paredes molhadas pareciam monstruosas a a luz de a varinha . - Lembrem se - disse Harry baixinho enquanto caminhavam . - A o menor movimento fechem logo os olhos ... Mas o túnel era silencioso como um túmulo e o primeiro som inesperado que ouviram foi um grito de o Ron que escorregou em uma coisa que era afinal a cauda de um rato . Harry baixou a varinha para olhar para o chão e viu que estava cheio de pequenos ossos de animais . Fazendo um enorme esforço para evitar pensar em que estado iriam encontrar a Ginny , avançou até uma curva escura de o túnel . - Harry , está aqui qualquer coisa - disse o Ron com voz rouca , agarrando Harry por o ombro . Ficaram estáticos a olhar . Harry só conseguia ver a silhueta de algo enorme e curvo deitado em o túnel . Fosse o que fosse não se movia . - Talvez esteja a dormir - murmurou , olhando para os outros dois . Lockhart tapava os olhos com as mãos . Harry voltou se para olhar para a criatura com o coração a bater tanto que lhe doía em o peito . Lentamente , com os olhos quase fechados mas ainda conseguindo ver , Harry avançou com a varinha levantada . A luz deslizou sobre uma gigantesca pele de serpente , de um verde vivo e venenoso que estava vazia e enrolada em o chão de o túnel . A criatura que a abandonara devia ter , pelo_menos , seis metros e meio de comprimento . - Bolas - disse o Ron , perdendo as forças . Houve um movimento súbito atrás de eles . As pernas de Gilderoy_Lockhart cederam . - Levante se - disse o Ron de uma forma cortante , apontando lhe a varinha . Lockhart pôs se de pé . Em seguida empurrou o Ron , atirando o a o chão . Harry deu um salto , mas ... tarde de mais . Lockhart endireitava se com a varinha de o Ron em as mãos e um sorriso em o rosto . - A aventura acaba aqui , rapazes - disse . - Vou levar um bocado de esta pele de cobra para a escola , contar lhes que foi demasiado tarde para salvar a garota e que vocês os dois perderam tragicamente a memória com a visão de o seu corpinho mutilado . Digam adeus a as vossas recordações . Levantou a o ar a varinha avariada de o Ron e gritou * _ Obliviate ! * A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba . Harry pôs os braços sobre a cabeça e correu , escorregou em os anéis de a pele de cobra , afastando se de os grandes pedaços de tecto de o túnel que caíam em o chão com o ruído de trovões . Pouco depois estava sozinho , olhando para uma sólida parede de rocha partida . - Ron - gritou ele . - Estás bem , Ron ? - Estou aqui - respondeu a voz abafada de o Ron por detrás de a avalancha de rochas . - Eu estou bem mas este sujeito não . A varinha avariou o todo . Ouviu se um ruído surdo e um Oh ! gritado . Parecia que o Ron tinha acabado de dar a o Lockhart um pontapé em as canelas . - E agora ? - disse a voz de o Ron que parecia desesperada . - Não podemos passar , vai demorar séculos . Harry olhou para o tecto de o túnel onde tinham aparecido grandes fendas . Ele nunca tentara partir , através de a magia , nada tão grande como aquelas rochas e agora não lhe parecia ser o melhor momento para fazer experiências . E se o túnel abatesse ? Houve um ruído surdo e outro Oh ! atrás de as rochas . Estavam a perder tempo . A Ginny já estava havia duas horas em a Câmara_dos_Segredos . Harry sabia que só havia uma coisa a fazer . - Espera aqui - gritou a o Ron . - Fica com o Lockhart , eu vou lá . Se não voltar dentro_de uma hora ... Houve um silêncio cheio . - Eu vou ver se desloco um_pouco esta rocha - disse o Ron , tentando manter a voz firme . - Para tu poderes passar . E , Harry ... - Até já - disse o Harry , procurando injectar confiança em a sua voz trémula . E passou sozinho para lá de a imensa pele de serpente . Em_breve , o ruído de o Ron , tentando deslocar a rocha , deixou de se ouvir . O túnel virou uma e outra_vez . Os nervos de o corpo de o Harry tangiam de forma desagradável . Ele só queria que o túnel chegasse a o fim , fosse o que fosse que o aguardasse . E então , finalmente , quando atingiu a última curva , viu em a sua frente uma parede sólida que tinha gravadas duas serpentes enroladas uma em a outra , cujos olhos eram quatro esmeraldas , enormes e brilhantes . Harry aproximou se com a garganta seca . Não foi preciso imaginar que as serpentes eram autênticas . Os seus olhos pareciam estranhamente vivos . Foi fácil descobrir o que tinha de fazer . Pigarreou e os olhos de esmeraldas pareceram mexer se . - Abre te - disse Harry em um sibilar baixo . As serpentes desapareceram enquanto a parede se abria a o meio e , a tremer de os pés a a cabeça , Harry entrou . XVII_Herdeiro_de_Slytherin_Estava de pé em o fundo de uma divisão enorme , fracamente iluminada . Altíssimos pilares de pedra , cheios de serpentes gravadas que os enlaçavam , erguiam se , suportando um tecto que se perdia em a escuridão e que lançava sombras negras imensas através de a estranha luz esverdeada que enchia o local . Com o coração a bater descompassadamente , Harry ficou parado a ouvir aquele silêncio arrepiante . Estaria o Basilisk escondido em um canto cheio de sombras , atrás_de algum pilar ? E onde estaria Ginny ? Pegou em a varinha e avançou a o longo de as colunas serpenteantes . Cada_um de os seus passos provocava um enorme eco em as paredes sombrias . Harry tinha os olhos semicerrados e estava pronto para os fechar a o mais pequeno movimento . As órbitas de olhos fundos de as serpentes de pedra pareciam segui o . Por mais de uma_vez , com o estômago a dar um salto , Harry julgou vê os moverem se . Por fim , chegado a o nível de os dois últimos pilares , avistou uma estátua de a altura de a própria câmara que estava encostada a a parede de o fundo . Harry tinha de esticar o pescoço para olhar para_cima , para a cara de o gigante : era velho e com um ar simiesco , tinha uma barba enorme que lhe caía quase onde acabava a longa túnica de pedra . Os dois pés imensos e cinzentos pousavam em o chão de a câmara . E entre eles , voltada para baixo , estava uma figura pequenina vestida de preto com um cabelo flamejante . - Ginny - murmurou Harry , chegando perto de ela e ajoelhando se . - Ginny , por favor não estejas morta , não estejas morta ! Atirou a varinha para o lado , agarrou Ginny por os ombros e voltou a . O rosto de ela estava branco e frio como o mármore , contudo os olhos encontravam se fechados , portanto não estava petrificada . Mas então devia estar ... - Ginny , acorda por favor - repetiu Harry desesperado , sacudindo a . A cabeça de ela andava de um lado para o outro . - Ela não vai acordar - disse secamente uma voz . Harry deu um salto e girou sobre os joelhos . Um rapaz alto , de cabelo preto , estava encostado a o pilar mais próximo , a observá o . As sombras desfocavam o como_se Harry o visse através_de uma janela embaciada . Mas não havia como confundis o . - Tom , Tom_Riddle ? Riddle acenou , sem tirar os olhos de o rosto de Harry . - O que queres dizer com isso de ela não acordar ? - perguntou Harry desesperado . - Ela não está ... não está ? - Está viva - disse Riddle . - Mas , por um fio . Harry olhou fixamente para ele . Tom_Riddle estivera em Hogwarts há cinquenta anos atrás . Contudo , ali estava com uma luz estranha e desfocada a iluminá o , sem um dia a mais do_que os seus dezasseis anos . - És um fantasma ? - perguntou Harry . - Uma memória - disse Riddle . - Preservada em um diário durante cinquenta anos . Apontou para os pés de a estátua gigantesca . Ali , aberto em o chão , estava o pequeno diário de capa preta que Harry tinha encontrado em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Durante um segundo , Harry perguntou a si próprio como teria ido ali parar , mas havia coisas mais importantes a fazer . Preciso de a tua ajuda , Tom - disse Harry , levantando de_novo a cabeça de a Ginny . - Temos de sair de aqui . Há_um_Basilisk ... não sei onde está mas pode aparecer a qualquer momento . Por favor , ajuda me . Riddle não se mexeu . Harry , a transpirar , conseguiu levantar ligeiramente a Ginny de o solo e inclinou se para pegar em a varinha mas ela tinha desaparecido . - Viste a ... ? Olhou para_cima . Riddle continuava a olhá o , fazendo girar a varinha entre os dedos longos . - Obrigado - disse Harry , esticando o braço para a agarrar . Um sorriso surgiu então em os cantos de a boca de Riddle que continuou a olhar para ele , girando indolentemente a varinha . - Ouve , pá - disse Harry sem querer perder mais tempo , os joelhos a vergarem sob o peso morto de Ginny - temos de ir . Se o Basilisk aparece ... - Ele não vem enquanto não for chamado - disse Riddle com toda_a calma . Harry voltou a pousar Ginny em o chão , incapaz de a segurar por mais tempo . - Que queres dizer com isso ? - perguntou . - Dá me a minha varinha , posso precisar de ela . O sorriso de Riddle ampliou se . - Não vais precisar de ela - disse . Harry olhou o espantado . - O que queres dizer , não vou ? - Esperei muito_tempo por isto , Harry - disse Riddle . - Pela possibilidade de te ver , de falar contigo . - Olha , eu acho que tu não estás a perceber - disse Harry , perdendo a paciência . - Estamos em a Câmara_dos_Segredos , podemos conversar mais tarde . - Vamos conversar agora - disse Riddle , sorrindo de orelha a orelha e guardando a varinha de Harry em o bolso . Harry voltou a olhar para ele . Havia qualquer coisa de muito estranho em tudo aquilo . - Como é_que a Ginny ficou assim ? - perguntou pausadamente . - Bem , essa é uma pergunta interessante - disse Riddle , divertido . - E uma longa história , também . Julgo que o verdadeiro motivo que levou Ginny_Weasley a ficar assim foi o ter aberto o seu coração e revelado todos os seus segredos a um estranho ser invisível . - De quem estás a falar ? - perguntou Harry . - De o diário - disse Riddle . - De o meu diário . A Ginny escreve nele há meses e meses , contando me todas_as suas lamentáveis desgraças e atribulações : como os irmãos a arreliam , que teve de vir para a escola com manto , túnica e livros em segunda mão - os olhos de Riddle brilharam -- , que acha que o maravilhoso , o grande , o famoso Harry_Potter nunca vai gostar de ela ... Enquanto falava , nunca os olhos de Riddle se afastaram de a cara de o Harry . Havia em eles um olhar ávido . - É muito chato ter de ouvir as preocupações idiotas de uma garotinha de onze anos - prosseguiu . - Mas eu fui paciente . Respondi lhe , mostrei me simpático e amável . A Ginny pura e simplesmente adorou me . - * _ Nunca ninguém me compreendeu como tu , Tom ... estou tão feliz por ter este diário a quem me confiar ... é como ter um amigo que pode andar em o meu bolso * ... Riddle riu se . Um riso alto , frio , que não lhe ficava bem . Fez com que os cabelos de o pescoço de Harry se arrepiassem todos . - Verdade se diga que sempre consegui encantar as pessoas necessárias . Portanto a Ginny verteu em mim a sua alma e a alma de ela era precisamente o que eu queria . Fortaleceu me . Alimentei me de os seus medos mais profundos , de os seus mais obscuros segredos . Fui ficando cada_vez_mais forte e poderoso . Muito mais poderoso do_que a pequena Miss_Weasley até que comecei a transmitir lhe alguns de os meus segredos , a passar um_pouco de a minha alma para ela ... - O que queres dizer ? - perguntou Harry cuja boca ficara totalmente seca . - Ainda não descobriste , Harry_Potter ? - disse Riddle muito baixo . - Giony_Weasley abriu a Câmara_dos_Segredos , estrangulou os galos de a escola e escreveu mensagens assustadoras em as paredes . Atiçou a serpente de Slytherin contra quatro sangues de lama e contra o gato de o busca-pé . - Não - murmurou Harry . - Sim - disse calmamente Riddle . - É claro que a princípio não sabia o que estava a fazer . Era muito divertido . Gostava que visses as coisas que escreveu em o diário , começaram a ficar muito mais interessantes . * _ Querido_Tom * - recitou ele , olhando para a expressão horrorizada de o Harry . - * _ Acho que estou a perder a memória . Há penas de galo em todas_as minhas roupas e eu não sei como foram lá parar . Querido_Tom , não me lembro do_que fiz em a noite de o Hallowe'en mas foi atacada uma gata e eu estou cheia de tinta em a cara . Querido_Tom , o Percy não pára de me dizer que ando pálida e não pareço eu . Acho que ele suspeita de mim ... Houve outro ataque hoje e eu não sei onde estava . Tom , que vou eu fazer ? Acho que estou a ficar maluca ... acho que ando a atacar toda_a_gente , Tom ! * Harry tinha os punhos fechados , as unhas cravadas contra a palma de as mãos . - Levou muito_tempo até a pequenina estúpida deixar de confiar em o diário - disse Riddle . - Mas acabou por ficar desconfiada e tentou livrar se de ele . E é aí que tu entras , Harry . Tu encontraste o . E eu não poderia ter ficado mais satisfeito . De todas_as pessoas que poderiam ter ficado com ele , foste tu , aquele que eu ambicionava conhecer ... - E porque querias conhecer me ? - perguntou Harry . Começava a ser tomado por a raiva e fez um esforço para manter o tom de voz controlado . - Bem , a Ginny contou me tudo a teu respeito - disse Riddle . - A tua fascinante história . - Os seus olhos pousaram em a cicatriz em a testa de Harry e a sua expressão ganhou maior avidez . - Sabia que devia descobrir mais a teu respeito , falar te , encontrar me contigo se fosse possível . Por isso , para ganhar a tua confiança , resolvi mostrar te a famosa captura que fiz de aquele demente de o Hagrid . - O Hagrid é meu amigo - disse Harry já com a voz a tremer . - E tu tramaste o , não foi ? Pensei que tinha sido um engano , mas ... Ele riu se . O mesmo riso de antes . - Era a minha palavra contra a palavra de ele . Imagina a cara de o velho Armando_Dippet . De um lado Tom_Riddle , pobre mas brilhante , sem pais mas corajoso , prefeito de a escola , um modelo de aluno . De o outro lado , o Hagrid , grande e disparatado , arranjando problemas semana sim , semana não , tentando criar filhotes de lobisomens debaixo de a cama , escapando se para a floresta proibida para lutar com gigantes . Mas , devo admitir que até eu próprio fiquei admirado com os excelentes resultados de o meu plano . Pensei que alguém perceberia que o Hagrid nunca poderia ser o herdeiro de Slytherin . Demorei cinco anos inteirinhos até descobrir tudo_o_que me foi possível sobre a Câmara_dos_Segredos e a sua entrada secreta ... como_se o Hagrid tivesse cabeça ou poder ! - Só o professor de Transfiguração , Dumbledore , parecia achar que ele estava inocente . Convenceu Dippet a mantê o aqui e a treiná o como guarda de os campos . Sim , é natural que Dumbledore tenha adivinhado , nunca gostou de mim como os outros professores . - Aposto que Dumbledore viu através_de ti - disse Harry , de dentes cerrados . - Pelo_menos passou a vigiar me de perto , a partir de o momento em que o Hagrid foi expulso - disse Riddle descuidadamente . - Eu sabia que não era seguro voltar a abrir a câmara enquanto ainda estava em a escola mas não ia desperdiçar os longos anos que passara a pesquisar . Decidi , por isso , deixar um diário preservando em as suas páginas o meu ego de dezasseis anos para que um dia , com um_pouco de sorte , pudesse levar outro a seguir os meus passos e acabar o nobre trabalho de Salazar_Slytherin . - Bem , não o acabaste - disse Harry triunfante . - Ninguém morreu até agora , nem mesmo a gata . Dentro_de poucas horas a poção de mandrágoras estará pronta e todos os que foram petrificados voltarão de_novo a si . - Não acabei de te dizer que matar sangues de lama já não me interessa ? Há muitos meses que o meu alvo és tu . Harry olhou para ele . - Podes imaginar como fiquei furioso quando em outro dia o diário foi aberto e vi que era a Ginny quem estava a escrever e não tu . Ela viu te com o diário e entrou em pânico . E se tu descobrisses como trabalhar com ele e eu te repetisse todos os seus segredos ? Ainda pior , e se eu te contasse quem tinha andado a estrangular os galos ? Por isso , a grande palerma esperou que o teu dormitório estivesse deserto e foi lá roubá o . Mas eu sabia o que tinha de fazer . Estava muito claro para mim que a tua meta era o herdeiro de Slytherin . Por tudo_o_que a Ginny me contara a teu respeito , sabia que irias até onde fosse preciso para desvendar o mistério , principalmente se um de os teus melhores amigos tivesse sido atacado . E a Ginny disse me que a escola toda bichanava por tu falares * serpentês * ... Por isso , obriguei a Ginny a escrever a sua própria despedida em a parede , a vir até aqui e esperar . Ela debateu se e gritou e ficou muito chatinha . Mas , já não tem muita vida : pôs grande parte de ela em o diário , deu me a . O suficiente para eu abandonar , por fim , as suas páginas . Desde_que aqui cheguei que estou a a tua espera . Sabia que virias . Tenho muitas perguntas a fazer te , Harry_Potter . - Que perguntas ? - disse Harry com os punhos fechados . - Bem - prosseguiu Riddle , sorrindo de satisfação : - Como é_que um bebé sem especiais talentos de magia foi capaz de derrotar o maior feiticeiro de sempre ? Como conseguiste escapar só com uma cicatriz quando os poderes de Lord_Voldemort foram destruídos ? Havia agora em os seus olhos um brilho vermelho e irado . - O que é_que te interessa saber como eu escapei ? - disse Harry lentamente . - Voldemort veio depois de ti . - Voldemort - disse Riddle - é o meu passado , o meu presente e o meu futuro , Harry_Potter ... Tirou a varinha de o Harry de o bolso e começou a escrever em o ar três palavras brilhantes : TOM_MARVOLO_RIDDLE_Em seguida , fez um gesto com a varinha e as letras de o seu nome reagruparam se de outro modo . : __ eu sou lord __ voldemort ( I am Lord_Voldemort ) . - Vês ? - murmurou . - Era um nome que eu já usava em Hogwarts , para os meus amigos mais íntimos apenas , como é óbvio . Achas que ia usar para sempre o nome nojento de o meu pai Muggle ? Eu , em cujas veias , por o lado materno , corre o sangue de Salazar_Slytherin ? Eu , manter o nome de um Muggle tolo que me abandonou ainda antes de eu nascer só porque descobriu que a mulher com quem casara era uma bruxa ? Não , Harry , arranjei um novo nome , um nome que eu sabia que os feiticeiros de todo_o_mundo viriam um dia a ter medo de pronunciar , quando eu me tivesse tornado o maior feiticeiro de o mundo . A cabeça de Harry parecia bloqueada . Olhou como_que paralisado para Riddle , para o rapaz de o orfanato que depois de crescer iria matar os seus pais e tantos outros . Por fim , com algum esforço conseguiu falar . - Não és - disse em uma voz calma e cheia de ódio . - Não sou o quê ? - perguntou Riddle irritado . - Não és o maior feiticeiro de o mundo - disse Harry com a respiração acelerada . - Lamento desiludir te mas o maior feiticeiro de o mundo é Albus_Dumbledore . Toda_a_gente sabe . Mesmo tu , quando tinhas força , não ousavas tentar aproximar te de Hogwarts . Dumbledore viu através_de ti quando andavas em a escola e ainda agora te assusta onde quer que te escondas . O sorriso desaparecera de o rosto de Riddle , fora substituído por um olhar furioso . - Dumbledore foi afastado de este castelo por a minha simples memória - sibilou . - Ele não está tão longe como pensas - retorquiu Harry . Falava por falar , tentando assustar Riddle , desejando mais que assim fosse do_que acreditando em as suas palavras como uma verdade . Riddle abriu a boca mas não chegou a falar . Tinha começado a ouvir se uma música . Riddle deu uma volta , olhando para a câmara vazia . A música estava a ficar mais alta . Era misteriosa , arrepiante , sobrenatural . Fez_Harry ficar com os cabelos em pé e o coração aumentar lhe em o peito . Por fim , quando atingiu um ponto tão alto que Harry a sentiu vibrar dentro de as suas costelas , começaram a sair chamas de o topo de o pilar mais próximo . Uma ave carmesim de o tamanho de um cisne surgiu , assobiando a sua estranha melodia para o tecto em forma de abóbada . Tinha uma cauda dourada tão longa como a de um pavão e garras douradas e brilhantes que seguravam uma trouxa andrajosa . Segundos depois , a ave voava em direcção a Harry . Deixou cair a coisa andrajosa a os seus pés e pousou lhe pesadamente em o ombro . Quando abriu as enormes asas , Harry olhou para_cima e viu que tinha um longo bico afiado e olhos escuros pequenos e brilhantes . A ave parou de cantar . Ficou quieta junto de a cara de Harry , olhando fixamente para Riddle . - É uma fénix , disse Riddle , olhando sagazmente para ela . - Fawkes ? - murmurou Harry e sentiu as garras douradas apertarem lhe devagarinho o ombro . - E aquilo - disse Riddle , olhando para a coisa velha que Fawkes deixara em o chão - é o velho chapéu seleccionador , de a escola . Era , de facto . Amachucado , puído e sujo , o chapéu jazia imóvel a os pés de Harry . Riddle começou a rir . Riu se tanto que a câmara escura se lhe juntou em um eco tal que parecia que dez Riddles se riam ao_mesmo_tempo . - Eis o que Dumbledore envia a o seu defensor . Um pássaro que canta e um chapéu velho . Estás cheio de coragem , Harry_Potter ? Sentes te agora mais seguro ? Harry não respondeu . Podia não estar a ver a vantagem de a Fawkes ou de o chapéu seleccionador mas já não se sentia só , e esperou corajosamente que Riddle parasse de rir . - Vamos a o que importa , Harry - disse ele , ainda com um enorme sorriso . - Encontrámo nos duas vezes em o teu passado , em o meu futuro . E duas vezes falhei a o tentar matar te . Como foi que sobreviveste ? Conta me tudo . Quanto_mais falares , mais tempo tens de vida . Harry pensava rapidamente , medindo as suas possibilidades . Riddle tinha a varinha . Ele , Harry , tinha a Fawkes e o chapéu seleccionador que não lhe serviriam de muito em o combate . As coisas pareciam más , é certo . Mas quanto_mais tempo Riddle ali estivesse , mais vida retirava a a Ginny ... e , entretanto , Harry reparou que a silhueta de Riddle se tornava mais nítida , mais sólida . Se tinha de haver uma luta entre os dois , quanto_mais depressa melhor . - Ninguém sabe porque perdeste os poderes quando me atacaste - disse bruscamente . - Eu próprio não sei . Mas sei porque não conseguiste matar me . A minha mãe morreu para me salvar . A minha mãe , uma vulgar filha de Muggles - acrescentou , a tremer de raiva . - Ela impediu que tu me matasses . E eu vi te como tu és , em o ano passado . És um destroço , quase não existes . Foi onde o teu poder te levou . Estás sob um disfarce , és horrível e és louco . O rosto de Riddle contorceu se . Em seguida , forçou um sorriso pavoroso . - Quer_dizer , então , que a tua mãe morreu para te salvar . Sim , é um antifeitiço poderoso . Compreendo agora , afinal não há em ti nada de especial . Eu tinha curiosidade , sabes , porque há uma estranha semelhança entre nós , Harry_Potter . Até tu deves ter reparado . Somos ambos meio sangue , órfãos , educados com Muggles , provavelmente os dois únicos que falam * serpentês * desde o grande Slytherin , até nos parecemos um_pouco fisicamente ... mas afinal foi apenas uma questão de sorte que te salvou de mim . Era o que eu queria saber . Harry ficou parado , tenso , a a espera que Riddle levantasse a varinha mas o seu sorriso cínico ampliou se de_novo . - Agora , Harry , vou dar te uma pequena lição . Vamos confrontar os poderes de Lord_Voldemort , herdeiro de Salazar_Slytherin e de o famoso Harry_Potter , munido com as melhores armas que Dumbledore lhe deu . Lançou um olhar divertido a a Fawkes e a o chapéu seleccionador e , em seguida , afastou se . Harry com as pernas entorpecidas por o medo viu o parar entre dois pilares altos e olhar para a cara de pedra de Slytherin , lá em cima em a semi-obscuridade . Riddle abriu a boca e sibilou mas Harry compreendeu o que ele dizia . - * _ Responde-me , Slytherin , o maior de os quatro de Hogwarts * . Harry voltou se para olhar melhor para a estátua com Fawkes pousada em o ombro . A gigantesca cara de pedra de Slytherin movia se . Horrorizado , Harry viu a boca abrir se mais e mais até se transformar em um buraco negro . E algo se agitava dentro de a boca de a estátua . Algo se arrastava para fora de as suas entranhas . Harry recuou até a a parede escura de a câmara e enquanto fechava os olhos com força sentiu a asa de a Fawkes roçar lhe o rosto e levantar voo . Harry quis gritar : - Não me abandones ! - mas que possibilidades tinha uma fénix contra o rei de as serpentes ? Uma coisa enorme bateu em o chão de pedra que Harry sentiu estremecer . Sabia o que estava a acontecer , podia sentis o , quase podia ver a serpente gigantesca a sair de a boca de Slytherin . Foi então que ouviu a voz de Riddle sibilar : * _ Mata-o * . O Basilisk avançava em direcção a Harry . Ele ouvia o seu corpo enorme escorregar pesadamente por o chão cheio de pó . Com os olhos sempre fechados , Harry começou a correr para o lado , a as cegas , com as mãos abertas a tactear o caminho . Riddle ria se a as gargalhadas . Harry escorregou e caiu em o chão de pedra e a boca soube lhe a sangue . A serpente estava a poucos centímetros de ele . Podia ouvi a a aproximar se . Ouviu se um crepitar explosivo por cima de ele e alguma coisa pesada bateu lhe com tanta força que ele ficou encostado a a parede . Esperando que os dentes de a serpente lhe perfurassem o corpo , ouviu mais ruídos e qualquer coisa que se agitava com força contra os pilares . Não conseguiu evitar . Abriu bem os olhos para ver o que se passava . A enorme serpente , brilhante , de um verde veneno , espessa como o tronco de um carvalho , erguera se em o ar e a sua imensa cabeça agitava se de um lado para o outro , entre os dois pilares . Quando Harry , a tremer , se preparava para fechar de_novo os olhos , percebeu o que distraíra a cobra . Fawkes esvoaçava em volta de a sua cabeça e o Basilisk , furioso , tentava agarrá a com os dentes longos e afiados como sabres . Fawkes mergulhava . Harry deixou de ver o bico fino e dourado e uma brusca chuva de sangue escuro inundou o chão . A cauda de a serpente agitou se , não batendo em o Harry por_pouco e antes que ele pudesse fechar os olhos voltou se . Harry olhou lhe para a cara e viu que os seus olhos , os dois olhos amarelos e bolbosos tinham sido perfurados por a fénix . O sangue escorria por o chão e a serpente cuspia cheia de dores . - * _ Não * - Harry ouviu o grito de Riddle . - * _ Deixa a ave , deixa a ave , o rapaz está atrás_de ti , ainda podes cheirá o . Mata o ! * A serpente cega oscilou confusa , ainda em fúria . Fawkes andava a a volta de a cabeça de ela soprando a sua misteriosa cantilena , picando lhe aqui_e_ali o nariz cheio de escamas , enquanto o sangue jorrava de os seus olhos destruídos . - Ajudem me . Ajudem me - murmurava Harry aflito . - Alguém , ajude me . A cauda de a serpente chicoteou de_novo o chão . Harry baixou se . Algo macio tocou lhe em o rosto . O Basilisk lançara o chapéu seleccionador para os braços de o Harry que o agarrou . Era tudo_o_que tinha , a sua única esperança . Enfiou o em a cabeça e começou a ficar achatado contra o chão , enquanto a cauda de o Basilisk se lançava de_novo sobre ele . - Ajudem me , ajudem me - pensou Harry , os olhos comprimidos debaixo de o chapéu . - Por favor , ajudem me . Nenhuma voz lhe respondeu . Em vez de isso , o chapéu contraiu se como_se uma mão invisível o tivesse espalmado devagarinho . Alguma coisa muito dura e pesada caíra sobre a cabeça de Harry , conseguindo quase derrubá o . A ver estrelas em frente de os olhos , agarrou o chapéu para o puxar para baixo e sentiu lá dentro uma coisa longa e dura . Uma espada brilhante tinha surgido dentro de o chapéu . Tinha um cabo cravejado de rubis de o tamanho de pequenos ovos . - Mata o rapaz , deixa a ave . O rapaz está atrás_de ti . Cheira o ! Harry estava de pé , preparado . A cabeça de o Basilisk caía , o corpo serpenteava , batendo nos pilares quando se torcia para ficar de frente para ele . Harry podia ver as enormes órbitas ensanguentadas , a boca toda aberta , suficientemente grande para o engolir inteiro , munida de dentes tão longos como a sua espada , finos , brilhantes , venenosos ... Começou a atacar a as cegas . Harry baixou se e a serpente bateu em a parede de a câmara . Atacou de_novo e a sua língua bifurcada lambeu a parede ao_lado_de Harry que levantou a espada com ambas as mãos . O Basilisk investiu mais_uma_vez e agora a pontaria foi certa . Harry pôs todo o seu peso contra a espada e enterrou a até a os copos em o céu de a boca de a serpente . Mas quando o sangue quente lhe encheu os braços , sentiu uma dor aguda mesmo acima de o cotovelo . Um longo dente venenoso penetrava cada_vez_mais fundo em o seu braço , partindo se quando o Basilisk tombou para o lado , perdendo os sentidos . Harry escorregou a o longo de a parede , apertou com força o dente que estava a derramar veneno por todo o seu corpo e arrancou o de o braço . Mas sabia que era demasiado tarde . Uma dor quente emanava lenta e perseverantemente de a ferida . Quando deixou cair o dente e viu o seu próprio sangue manchando lhe as vestes , a vista começou a ficar turva e a câmara a diluir se em uma rotação ardente e colorida . Mas algo escarlate passou por ele e Harry ouviu a o seu lado um suave ruído de garras . - Fawkes - disse com a voz empastada . - Foste sensacional , Fawkes . - Sentiu o pássaro encostar a sua elegante cabeça a o sítio onde o dente de a serpente o tinha ferido . Ouviu passos ecoarem em o vazio e em seguida uma sombra escura moveu se em a sua frente . - Estás morto , Harry_Potter - disse a voz de Riddle , acima de ele . - Morto . Até o pássaro de Dumbledore sabe de isso . Vês o que ele está a fazer ? A chorar . Harry piscou os olhos . A cabeça de Fawkes ora estava focada , ora desfocada . Lágrimas grossas como pérolas escorriam de as suas penas . - Vou sentar me aqui a ver te morrer , Harry_Potter . Leva o teu tempo , eu não tenho pressa . Harry sentiu se sonolento . Tudo parecia girar a a sua volta . - E assim acaba o famoso Harry_Potter - disse a voz distante de Riddle . - Sozinho em a Câmara_dos_Segredos , esquecido por os amigos , finalmente derrotado por o Senhor de o mal que ele tão imprudentemente desafiou . Vais reunir te a a tua querida mãe sangue de lama , Harry ... Ela deu te doze anos de tempo emprestado ... Mas Lord_Voldemort apanhou te em o fim , como sabias que teria de acontecer . Se morrer é isto , pensou Harry , não é assim tão mau . Até a dor estava a desaparecer . Mas , estaria a morrer ? Em_vez_de ficar mais escura a câmara parecia voltar a estar nítida . Harry fez um pequeno gesto com a cabeça e viu a Fawkes ainda repousando a cabeça em o seu ombro . Uma fiada de pérolas brilhava em volta de a ferida , só que já não havia ferida . - Sai de aqui , pássaro - disse subitamente a voz de Riddle . - Afasta te de ele . Já te disse , sai de aqui ! Harry levantou a cabeça . Riddle apontava a sua varinha a Fawkes . Ouviu se um tiro que parecia de carabina e Fawkes levantou novamente voo em um rodopio de ouro e escarlate . - Lágrimas de fénix - disse Riddle em voz baixa , olhando para o braço de o Harry . - É claro ... poderes curativos ... esqueci me ... Olhou para a cara de Harry . - Mas não faz mal . Pensando bem , eu até prefiro assim . Tu e eu , Harry_Potter ... Tu e eu ... Levantou a varinha . Então , em um golpe de asa , Fawkes voou sobre as cabeças de ambos , deixando cair uma coisa em o colo de Harry : o diário . Durante uma fracção de segundo , tanto Harry como Riddle , ainda com a varinha levantada , ficaram a olhar para aquilo . Em seguida , sem pensar , sem ponderar , como_se pensasse fazê o desde o princípio , Harry agarrou o dente de o Basilisk que estava em o chão , junto de ele , e espetou o em o coração de o caderno . Ouviu se um grito longo e terrível . A tinta esguichou em torrentes de dentro de o diário , derramando se sobre as mãos de o Harry e inundando o chão . Riddle torcia se e contorcia se , agitando se a os gritos . E , por fim . Desapareceu . A varinha de Harry caiu a o chão com um ruído e fez se silêncio . Um silêncio apenas cortado por o ping ping de a tinta que ainda escorria de o diário . Com um leve crepitar , o veneno de o Basilisk abrira um buraco mesmo em o meio de o caderno . A tremer de os pés a a cabeça , Harry pôs se de pé . Sentia tudo a andar a a roda como_se tivesse viajado quilómetros e quilómetros com o pó de * _ Floo * . Lentamente apanhou a varinha e o chapéu seleccionador e com um grande estrondo retirou a espada de o céu de a boca de a serpente . Ouviu se então um gemido fraco a o fundo de a câmara . Ginny estava a mexer se . Quando Harry chegou junto de ela , sentou se . Os seus olhos abismados saltaram de o Basilisk morto para Harry em a sua roupa cheia de sangue e , em seguida , para o diário que ele tinha em as mãos . Soltou um enorme soluço e os seus olhos encheram se de lágrimas . - Harry , oh ! Harry , eu tentei dizer te a o pequeno-almoço mas não fui capaz em frente de o Percy . Era eu , Harry , mas eu ... eu ... juro que não queria ... o Riddle obrigou me , levou me e ... como é_que mataste esse bicho ? Onde está o Riddle ? A última coisa de que me lembro foi de o ver a sair de o diário ... - Está tudo bem - disse Harry , mostrando lhe o diário com o buraco de o dente . - O Riddle acabou , olha . Ele e o Basilisk . Anda , Ginny , vamos embora de aqui . - Vou com certeza ser expulsa - disse Ginny a chorar enquanto Harry a ajudava a pôr se de pé . - Desde_que o Bill veio para Hogwarts que eu sonhava vir também para cá e agora vou ter de me ir embora e ... O que vão a minha mãe e o meu pai dizer ? Fawkes esperava por eles , suspensa em o ar , a a entrada de a câmara . Harry fez a Ginny avançar , passaram sobre os anéis parados de o Basilisk , por a escuridão cheia de ecos e voltaram a o túnel . Harry ouviu as portas de pedra fecharem se atrás de eles com um leve sibilar . Depois de alguns minutos a caminhar por o túnel escuro , chegou a os ouvidos de Harry o som distante de o deslocar de uma rocha . - Ron - gritou ele , apressando se . - A Ginny está bem . Está aqui comigo ! Ouviu o Ron gritar de alegria e , voltando em a curva logo_a_seguir , viram a sua cara ansiosa a espreitar por a fresta que conseguira abrir durante a avalancha . - Ginny ! - Ron estendeu o braço por a fresta para a puxar primeiro . - Estás viva . Não posso acreditar . O que aconteceu ? Tentou abraçá a mas a Ginny afastou o , soluçando . - Mas estás bem , Ginny - disse o Ron , sorrindo para ela . - Já passou tudo ... De onde veio esse pássaro ? Fawkes passara por a abertura , atrás_de Ginny . - É de o Dumbledore - explicou Harry , espremendo se para caber também . - E como arranjaste uma espada ? - perguntou o Ron , olhando para a arma brilhante que Harry tinha em a mão . - Eu explico te tudo quando sairmos de aqui - disse Harry , lançando um olhar de esguelha a a Ginny . - Mas ... - Mais tarde - disse Harry rapidamente . Não lhe parecia uma boa ideia contar a o Ron quem tinha aberto a câmara , ali , em frente de a Ginny . - Onde está o Lockhart ? - Ali atrás - disse o Ron , a rir e a abanar a cabeça em direcção a o cano . - Está em muito mau estado . Anda ver . Conduzidos_pela_Fawkes , cujas grandes asas escarlates emitiam um suave dourado que brilhava em a escuridão , voltaram a o lugar onde o cano começava . Gilderoy_Lockhart estava sentado a falar sozinho . - Perdeu a memória - disse o Ron . - O feitiço de a memória fez ricochete . Não sabe quem é nem onde está , nem_sequer sabe quem nós somos . Eu disse lhe que viesse para aqui e esperasse . É um perigo para ele próprio . Lockhart olhou os bem-disposto . - Olá - disse . - Que lugar estranho , este . É aqui que vocês moram ? -- Não - respondeu o Ron , levantando as sobrancelhas para o Harry . Harry baixou se e observou o túnel escuro e longo . - Já pensaste como é_que vamos sair de aqui ? - perguntou a o Ron . O amigo abanou a cabeça mas Fawkes , a fénix , tinha passado por o Harry e estava agora em o ar , em frente de ele , os olhos como pérolas a brilharem em o escuro . Abanava as longas penas douradas de a cauda . Harry olhou para ela , inseguro . - Ela parece querer que a agarres - disse o Ron , perplexo . - Mas tu és muito pesado para um pássaro . - A Fawkes - disse Harry - não é um pássaro qualquer . Voltou se rapidamente para os companheiros . - Temos de nos agarrar uns a os outros . Ginny , agarra a mão de o Ron . O professor Lockhart ... - Ele está a falar consigo - disse o Ron secamente . - Agarre a outra mão de a Ginny . Harry guardou a espada e o chapéu seleccionador em o cinto . Ron deitou a mão a a roupa de Harry e Harry agarrou as penas de a cauda , estranhamente quentes , de a Fawkes . Sentiu uma extraordinária leveza apoderar se de todo o seu corpo e em seguida estavam todos a voar por o cano acima . Harry conseguia ouvir Lockhart , lá atrás , comentando : - Espantoso , isto parece mágico ! Ar frio batia em os cabelos de Harry e antes que ele deixasse de gostar de a viagem já ela acabara . Os quatro tinham chegado a o chão molhado de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa e , enquanto Lockhart endireitava o chapéu , o lavatório voltara a o seu lugar , tapando o cano . A Murta arregalou os olhos . - Vocês estão vivos - disse inexpressivamente a o Harry . - Não é preciso mostrares te tão desiludida - respondeu ele , muito sério , limpando as nódoas de sangue e lodo de os óculos . - Bem ... é_que eu pensei que se vocês morressem seriam bem-vindos a a minha casa_de_banho - disse a Murta com um rubor prateado . - Urgh ! - fez o Ron , quando saíram de ali para o corredor deserto . - Harry , acho que a Murta está a gostar de ti . Tens concorrência , Ginny ! A Ginny continuava a chorar silenciosamente . - Onde vamos agora ? - perguntou o Ron , olhando ansiosamente para ela . Harry apontou . Fawkes indicava o caminho , com o seu tom dourado que brilhava em o corredor . Seguiram a e pouco depois estavam em o escritório de a professora Mc_Gonagall . Harry bateu e empurrou a porta que estava encostada . XVIII_A recompensa de Dobby_Durante alguns momentos reinou o silêncio enquanto Harry , Ron , Ginny e Lockhart estavam em a entrada de a porta . Cobertos de pó e de lama e ( em o caso de o Harry ) sangue . Em seguida , ouviu se um grito . - Ginny ! Era_Mrs._Weasley que tinha estado a chorar , sentada em frente de o lume . Pôs se de pé em um salto , seguida de Mr._Weasley e precipitaram se ambos para a filha . Harry olhava para trás de eles . Dumbledore rejubilava junto de a lareira , a o lado de a professora Mc_Gonagall que , agarrada a o queixo , respirava com dificuldade . Fawkes rasou as orelhas de o Harry e foi instalar se em o ombro de Dumbledore , ao_mesmo_tempo que Harry dava por si em os braços de Mrs._Weasley . - Tu salvaste a ! Salvaste a ! : __ como foi que __ conseguiste ? - Acho que todos nós gostaríamos de saber - disse , sem energia , a professora Mc_Gonagall . Mrs._Weasley soltou o Harry , que hesitou um momento . Depois , foi até a a secretária e colocou sobre o tampo o chapéu seleccionador , a espada cravejada de rubis e o que restava de o diário de Riddle . Em seguida , contou lhes tudo . Falou durante quase um quarto de hora em o silêncio extasiado : contou lhes de a voz sem corpo que ouvia , como a Hermione acabara por descobrir que se tratava de um Basilisk que circulava em os canos , como ele e o Ron tinham seguido as aranhas até a a floresta , que Aragog lhes dissera que a última vítima de o Basilisk morrera , como tinham chegado a a conclusão que se tratava de a Murta_Queixosa e que a entrada para a Câmara_dos_Segredos devia ser em aquela casa_de_banho ... - Muito bem - elogiou a professora Mc_Gonagall quando ele se calou . - Então tu descobriste onde era a entrada , infringindo uma centena de regras de a escola por o caminho , devo dizer , mas como diabo saíram vocês vivos de lá de dentro ? Harry , com a voz já um_pouco rouca de falar tanto , contou lhes de a chegada de a Fawkes e de o chapéu seleccionador que lhe tinha dado a espada . Mas , chegando aí , hesitou . Até a o momento evitara referir se a o diário de Riddle ou a a Ginny . Ela tinha a cabeça encostada a o ombro de Mrs._Weasley e as lágrimas corriam lhe ainda por o rosto . E se a expulsassem ? - pensou Harry , tomado de pânico . O diário de Riddle já não funcionava ... quem poderia provar que fora ele que a obrigara a fazer tudo aquilo ? Olhou instintivamente para Dumbledore que sorria , o fogo iluminando lhe os óculos de meia-lua . - O que mais me interessa saber - disse Dumbledore amavelmente - é como conseguiu Lord_Voldemort enfeitiçar a Ginny quando as minhas fontes me dizem que ele se esconde habitualmente em as florestas de a Albânia . Um alívio , quente e glorioso percorreu Harry de a cabeça a os pés . - O quê ? - disse Mr._Weasley , em uma voz estupefacta . - O Quem nós sabemos enfeitiçou a Ginny ? Mas a Ginny não ... a Ginny não morr ... ? - Foi este diário - esclareceu Harry rapidamente . E mostrando o a Dumbledore . - O Riddle escreveu o quando tinha dezasseis anos . Dumbledore pegou em o diário e olhou atentamente por cima de o seu nariz longo e adunco para as páginas queimadas e húmidas . - Fantástico - disse em voz baixa . - É claro que ele deve ter sido o aluno mais brilhante que alguma vez passou por Hogwarts . - Olhou em volta para os Weasley que o observavam com um ar totalmente confuso . - Muito poucas pessoas sabem que Lord_Voldemort se chamou em tempos Tom_Riddle . Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos , em Hogwarts . Ele desapareceu depois de deixar a escola , viajou muito , mergulhou tão fundo em as artes de a magia negra , associado a os piores feiticeiros , realizou transformações mágicas tão perigosas que quando reapareceu como Lord_Voldemort estava totalmente irreconhecível . Ninguém o relacionou com o rapazinho inteligente e bonito que aqui foi , em tempos , chefe de turma . - Mas a Ginny - insistiu Mrs._Weasley . - O que tem a nossa Ginny que ver com ele ? - O diário - soluçou Ginny . - Eu andei todo o ano a escrever em o diário e ele respondia me ... - Ginny ! - repreendeu Mr._Weasley . - Não aprendeste nada do_que te ensinei ? Não me cansei de dizer te que nunca confiasses em nada que não pensasse por si próprio * se não conseguisses ver onde tinha o cérebro ? * Porque não me mostraste o diário , a mim ou a a tua mãe ? Um objecto suspeito como esse tinha de estar cheio de magia negra ! - Eu não sabia - soluçou Ginny . - Estava junto de os livros que a mãe me comprou . Pensei que alguém se tinha esquecido de ele ali . - É melhor Miss_Weasley ir imediatamente para a ala hospitalar - interrompeu Dumbledore com voz firme . - Foi sujeita a uma prova terrível . Não será castigada . Outros feiticeiros mais velhos do_que ela têm sido ludibriados por Lord_Voldemort . - Dirigiu se a a porta e abriu a . - Repouso , cama e talvez uma caneca de chocolate quente . A mim , anima me sempre - acrescentou , piscando lhe simpaticamente o olho . - Vais ver que Madam_Pomfrey ainda está acordada . Ela tem estado a dar o sumo de Mandrágora , julgo que as vítimas de o Basilisk estarão a acordar dentro_de momentos . de alegria . - Então a Hermione está bem ! - disse o Ron , cheio de alegria . - Não houve danos irreversíveis - disse Dumbledore . Mrs._Weasley saiu com a Ginny e Mr._Weasley seguiu as ainda bastante abalado . - Sabes , Minerva - disse pensativo o professor Dumbledore - acho que tudo_isto merece um banquete . Posso pedir te que previnas os cozinheiros ? - Certamente - disse animada a professora Mc_Gonagall , dirigindo se também a a porta . - Deixo te a tratar de as coisas com o Potter e o Weasley , está bem ? - Claro - disse Dumbledore . Saiu e os dois olharam inseguros para Dumbledore . Que quereria ela dizer com tratar de as coisas ? Certamente não iriam ser castigados ? - Lembro me de vos ter dito a ambos que teria de vos expulsar se voltassem a quebrar as regras de a escola - disse Dumbledore . Ron abriu a boca horrorizado . - O que vem mostrar nos que as melhores pessoas , às_vezes , têm de engolir as suas próprias palavras . - Dumbledore sorriu e continuou : - Vocês vão receber ambos uma recompensa especial por serviços prestados a a escola e ... deixem me ver , sim , acho que duzentos pontos cada_um para os Gryffindor . Ron ficou tão corado que parecia as flores de S._Valentim_do_Lockhart e voltou a fechar a boca . - Mas um de vós parece demasiado calado sobre a sua participação em esta perigosa aventura - acrescentou Dumbledore . - Porquê tanta modéstia , Gilderoy ? Harry estremeceu . Esquecera se por completo de Lockhart . Voltou se e viu o a um canto de a sala ainda com o mesmo sorriso vago . Quando Dumbledore se lhe dirigiu , olhou por cima de o ombro para ver com quem ele estava a falar . - Professor_Dumbledore - disse o Ron rapidamente - Houve um acidente lá em baixo , em a Câmara_dos_Segredos . O professor Lockhart - Eu sou um professor ? - perguntou Lockhart surpreendido . - E eu que pensei que era um inútil ! - Tentou fazer um feitiço antimemória e a varinha fez ricochete - explicou Ron_a_Dumbledore . - Incrível - disse Dumbledore , abanando a cabeça , o bigode prateado a tremer . - Trespassado por a tua própria espada , Gilderoy ! - Espada ? - disse Lockhart de forma imprecisa . - Eu não tenho espada . Esse rapaz é_que tem - apontou para Harry . - Ele empresta lhe uma . - Importas te de levar também o professor Lockhart até a a ala hospitalar , Ron ? - disse Dumbledore . - Eu gostava de falar um_pouco mais com o Harry . Lockhart saiu sem pressa . Antes de fechar a porta , Ron lançou um olhar curioso a Dumbledore e Harry . Dumbledore passou para uma de as cadeiras junto de o lume . - Senta te , Harry - disse . E Harry sentou se , sentindo se indescritivelmente nervoso . - Antes de mais , Harry , quero agradecer te - disse Dumbledore com os olhos a brilharem de_novo . - Deves ter demonstrado uma grande lealdade para comigo . Só isso poderia atrair a Fawkes para ir ajudar te . Deu uma palmadinha a a fénix que voara , entretanto , para_cima de os seus joelhos . Harry sorria acanhadamente sob o olhar observador de Dumbledore . - Encontraste , portanto , Tom_Riddle - disse o director amavelmente . - Calculo que ele estaria particularmente interessado em ti ... De repente , algo que Harry tinha engasgado saiu lhe descontroladamente de a boca para fora . - Professor_Dumbledore ... o Riddle disse que eu sou como ele , que há entre nós estranhas semelhanças ... - Ah ! sim ? - Dumbledore olhou pensativamente para ele , por debaixo de as espessas sobrancelhas prateadas . - E o que achas tu de isso ? - Eu não me considero parecido com ele - disse Harry mais alto do_que desejaria . - Isto_é , eu sou um Gryffindor , eu sou ... Mas calou se com uma dúvida a rondar lhe o espírito . - Professor - arriscou passado alguns momentos . - O chapéu seleccionador disse que eu ... teria ficado bem em os Slytherin ; durante algum tempo toda_a_gente pensou que eu era o herdeiro de Slytherin por falar * serpentês * ... - Tu falas * serpentês * , Harry - disse Dumbledore calmamente - porque Lord_Voldemort que é o mais recente antepassado de Salazar_Slytherin , fala * serpentês * . Ou eu me engano muito , ou ele transferiu para ti alguns de os seus poderes em a noite em que te fez essa cicatriz . Não que quisesse fazê o , claro , mas aconteceu . - Voldemort pôs um_pouco de si próprio em mim ? - disse Harry assombrado . - É o que parece ter acontecido . - Então eu deveria estar em os Slytherin - disse Harry , olhando desesperado para o rosto de Dumbledore . - O chapéu seleccionador viu em mim os poderes de Slytherin e ... -- Pôs te em os Gryffindor - concluiu tranquilamente Dumbledore . - Ouve , Harry , tu tens por acaso muitas de as capacidades que Salazar_Slytherin apreciava em os seus estudantes cuidadosamente seleccionados . O seu raro dom de falar * serpentês * , desenvoltura , determinação , um certo desprezo por as regras estabelecidas - acrescentou com o bigode a tremer de_novo . - Mas ainda_assim , o chapéu seleccionador pôs te em os Gryffindor . E sabes porquê ? Pensa um_pouco . - Só me pôs em os Gryffindor - disse Harry em uma voz débil - porque eu pedi para não ir para os Slytherin . - Exacto - disse Dumbledore a sorrir . - E isso torna te muito diferente de o Tom_Riddle . São as tuas escolhas , Harry , que mostram quem de facto tu és , mais do_que as tuas capacidades . Harry sentou se , imóvel e espantado , em a cadeira . - Se queres provas de que o teu lugar é em os Gryffindor , sugiro que vejas isto com mais atenção . Dumbledore aproximou se de a secretária de a professora Mc_Gonagall , pegou em a espada de prata ensanguentada e mostrou lhe a . Sem perceber , Harry voltou a ao_contrário . Os rubis brilharam a a luz de a lareira e foi então que ele reparou em o nome gravado mesmo por baixo de o copo de a espada . GODRIC_GRYFFINDOR . - Só um verdadeiro Gryffindor poderia ter tirado a espada de dentro de o chapéu , Harry - disse , com simplicidade , Dumbledore . Durante um minuto , nenhum de os dois falou . Depois , Dumbledore abriu uma de as gavetas de a secretária de a professora Mc_Gonagall e retirou de lá uma pena e um tinteiro . - Tu precisas de comer e ir dormir . Sugiro que desças para o banquete enquanto eu escrevo para Azkaban . Precisamos de recuperar o nosso guarda de os campos . E tenho de esboçar um anúncio para o * _ Profeta_Diário * - acrescentou pensativo . - Vamos precisar de um novo professor de Defesa contra as artes negras . É um problema , estamos sempre a perdê os . Harry levantou se e dirigiu se a a porta . Tinha acabado de estender a mão para o puxador quando ela se abriu tão violentamente que saltou de as dobradiças . Lucius_Malfoy estava de pé , furioso . E , debaixo de o braço , embrulhado em diversas ligaduras , estava Dobby . - Boa tarde , Lucius - disse Dumbledore , de forma amena . Mr._Malfoy quase derrubou Harry enquanto entrava em a sala . Dobby dava passos miudinhos atrás de ele , inclinado até a a bainha de o seu manto com um olhar apavorado em o rosto . - Então - disse Lucius_Malfoy com os olhos fixos em Dumbledore - voltaste . Os membros de o Conselho_Directivo suspenderam te , mas tu mesmo_assim sentiste te capaz de voltar a Hogwarts . - Bem vês , Lucius - disse Dumbledore , sorrindo serenamente . - Os outros membros de o Conselho contactaram me hoje . Fui envolvido em um redemoinho de corujas , todos queriam contar me a verdade . Ouviram dizer que a filha de Arthur_Weasley tinha sido morta e queriam me novamente aqui . Parece que me consideravam o melhor homem para o lugar . Contaram me algumas histórias muito estranhas . Alguns de eles tinham a impressão que tu tinhas ameaçado amaldiçoar lhes as famílias se não concordassem com a minha suspensão . Mr._Malfoy ficou ainda mais pálido do_que de costume , mas os olhos continuavam cheios de fúria . - Então já acabaste com os ataques ? - rosnou . - Apanhaste o culpado ? - Já , sim - disse Dumbledore com um sorriso . - E quem é ? - perguntou Malfoy secamente . - A mesma pessoa de a última vez , Lucius - disse Dumbledore . Mas desta_vez , Lord_Voldemort agiu através_de outra pessoa , por_meio_de um diário . Pegou em o pequeno caderno com o buraco em o meio , observando Mr._Malfoy de perto . Mas Harry olhava para Dobby . O elfo fazia um sinal muito estranho . Com os seus grandes olhos fixos em Harry , não parava de apontar para ó diário e , em seguida , para Mr._Malfoy , batendo logo_a_seguir com o punho em a cabeça . - Estou a ver ... - disse Mr._Malfoy lentamente a Dumbledore . - Um plano inteligente - afirmou o director em um tom de voz suave , continuando a olhar Mr._Malfoy directamente em os olhos . - Porque se não fosse aqui o Harry e o seu amigo Ron a descobrirem o diário , sem dúvida Ginny_Weasley teria ficado com todas_as culpas . Ninguém teria conseguido provar que ela agira contra a sua própria vontade . Mr._Malfoy não se pronunciou . O seu rosto parecia agora uma máscara . - E vê bem - continuou Dumbledore - o que poderia ter acontecido ... os Weasley são uma de as mais proeminentes famílias de feiticeiros de sangue puro , imagina o efeito em a imagem de Arthur_Weasley e em a sua acção de protecção a os Muggles , se a sua própria filha fosse acusada de atacar e matar filhos de Muggles . Foi uma sorte o diário ter sido descoberto e as memórias de Riddle apagadas . Quem sabe que consequências poderia ter tido ? Mr._Malfoy falou contra vontade . - Sim , foi uma sorte - disse secamente . E , em as suas costas , Dobby continuava a apontar para o diário e para Lucius_Malfoy , batendo depois com o punho em a cabeça . E Harry finalmente percebeu . Fez um sinal a Dobby que correu a esconder se em um canto , torcendo desta_vez as orelhas para se castigar . - Não quer saber como a Ginny obteve esse diário , Mr._Malfoy ? - perguntou Harry . Lucius_Malfoy voltou se para ele . - Como queres que eu saiba onde é_que a estúpida de a garota o arranjou ? - Porque foi o senhor quem lhe o deu - disse Harry . - Em a Flourish and Blotts . O senhor pegou em o livro velho de ela de Transfiguração e meteu o diário lá dentro , não foi ? Viu as mãos brancas de Mr._Malfoy abrirem se e fecharem se . - Prova isso - sibilou . - Oh ! ninguém vai poder prová o - disse Dumbledore sorrindo a o Harry . - Não agora_que o Riddle desapareceu de o caderno . Por outro lado , aconselharia te , Lucius , a não dares mais nenhuma de as coisas velhas de Lord_Voldemort . Se mais alguma for parar a as mãos de crianças inocentes , acho que o Arthur_Weasley fará com que se voltem com toda_a sua carga negativa contra ti . Lucius_Malfoy ficou calado um momento e Harry viu claramente a sua mão direita torcer se como_se desejasse chegar a a varinha . Em vez de isso , voltou se para o seu elfo doméstico . - Vamos , Dobby . Abriu a porta e quando o elfo se aproximou deu lhe um pontapé que o projectou para longe . Ouviram se em o escritório os gritos de dor de Dobby em o corredor . Harry pensou durante um momento e depois decidiu se . - Professor_Dumbledore - disse apressadamente . - Posso dar o diário outra_vez a Mr._Malfoy ? - Certamente , Harry - disse Dumbledore com toda_a calma . - Mas não demores , olha o banquete . Harry agarrou em o diário e saiu de o escritório . Os gritos de dor de Dobby afastavam se ao_longe . Sem perder tempo , perguntando a si próprio se o plano poderia resultar , Harry tirou um de os sapatos , puxou uma de as peúgas enlameadas e viscosas e meteu o diário lá dentro . Em seguida correu até a o fundo de o corredor escuro . Apanhou os em o topo de as escadas . - Mr._Malfoy - disse ofegante , parando . - Tenho uma coisa para si . E meteu a peúga mal cheirosa em a mão de Lucius_Malfoy . - O que é ... ? Mr._Malfoy tirou o diário de dentro de a peúga , deitou a fora e olhou furioso para o caderno estragado e para Harry - Ainda vais acabar por ter um fim igual a o de os teus pais um dia de estes , Harry_Potter - disse em voz baixa . - Eles também eram uns idiotas metediços . Voltou se para se ir embora . - Anda , Dobby , vem ! Mas Dobby não se mexeu . Tinha em as mãos a peúga nojenta de o Harry e olhava para ela como_se fosse um tesouro de valor incalculável . - O senhor deu uma peúga a o Dobby - disse o elfo maravilhado . - Deu a a o Dobby . - O que é isso ? - cuspiu Mr._Malfoy . - Que estás para aí a dizer ? - Dobby tem uma peúga - repetiu incrédulo . - O senhor deitou a fora e Dobby apanhou a e Dobby agora é livre ... Lucius_Malfoy ficou paralisado a olhar para o elfo . Em seguida precipitou se para Harry . - Fizeste me perder o meu servo , rapaz . Mas Dobby gritou : - Não pense que vai fazer mal a o Harry_Potter ! Ouviu se um enorme estrondo e Mr._Malfoy foi empurrado de costas , galgando os degraus de as escadas a três_e_três e indo aterrar lá em baixo todo embrulhado e amarrotado . Levantou se , o rosto lívido e pegou em a varinha , mas Dobby estendeu lhe um dedo ameaçador . - Vá se embora já - disse furioso , apontando para Mr._Malfoy . - Não tocará em o Harry_Potter . Vá se embora , já . Lucius_Malfoy não teve escolha . Lançando a os dois um último olhar de cólera , embrulhou se em o manto e desapareceu . - Harry_Potter libertou Dobby ! - disse o elfo com voz esganiçada , olhando para Harry , a luz de o luar reflectida em os seus grandes olhos em forma de globos . - Harry_Potter libertou Dobby . - Era o mínimo que eu podia fazer , Dobby - disse Harry a sorrir -- , mas promete me que não vais voltar a tentar salvar me a vida . A cara feia e escura de o elfo abriu se , mostrando os dentes , em um enorme sorriso . - Tenho uma pergunta a fazer te , Dobby - disse Harry enquanto o elfo pegava em a peúga de ele com as mãos a tremer . - Disseste me que tudo_isto não tinha nada que ver com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Lembras te ? - Era uma pista , senhor - disse Dobby com os olhos muito abertos como_se fosse absolutamente óbvio . - Dobby estava a dar lhe uma pista . Antes de o senhor de o mal mudar de nome , o seu nome podia ser pronunciado , está a ver ? - Certo - disse Harry sem grande convicção . - Bem , é melhor eu ir indo embora . Há um banquete e a minha amiga Hermione já deve ter acordado ... Dobby lançou os braços a a cintura de Harry e abraçou o . - Harry_Potter é muito maior do_que Dobby imaginava ! - soluçou . - Adeus , Harry_Potter . E com um estalido final , Dobby desapareceu . Harry assistira a diversos banquetes , mas nenhum que se parecesse com aquele . Estavam todos de pijama e a festa durou a noite inteira . Harry não sabia se o melhor tinha sido a Hermione a correr para ele e a gritar : - Tu conseguiste . Tu conseguiste ! , ou o Justin saindo disparado de a mesa de os Hufflepuff para lhe estender a mão , desfazendo se em desculpas por ter suspeitado de ele , ou o Hagrid que apareceu a as três_e_meia e que lhes deu palmadas com tanta força em os ombros que eles foram parar dentro de os pratos de bolo de creme , ou os quatrocentos pontos que ele e o Ron obtiveram para os Gryffindor , ganhando a taça de a equipa por a segunda vez consecutiva , ou a professora Mc_Gonagall de pé , a comunicar lhes que os exames tinham sido cancelados como medida de a escola ( Oh ! não ! exclamou Hermione ) , ou Dumbledore a anunciar que , infelizmente , o professor Lockhart não poderia voltar em o ano seguinte por ter de se ausentar a_fim_de recuperar a memória . Alguns de os professores juntaram se a os alunos que aplaudiram entusiasmados esta notícia . - Que pena - disse Ron , servindo se de um * dounut * de presunto . - E eu que começava a gostar de ele ... O resto de o período de Verão decorreu sob um sol escaldante . Hogwarts voltara a a normalidade , apenas com algumas pequenas diferenças : as aulas de Defesa contra as artes negras foram canceladas ( Mas nós tivemos imensa prática - disse o Ron vendo o descontentamento de Hermione ) e Lucius_Malfoy foi demitido de o Conselho_Directivo . Draco já não passeava por ali como_se fosse o dono de a escola . Pelo_contrário , tinha um ar melindrado e carrancudo . Por outro lado , Ginny_Weasley andava de_novo feliz de a vida . Em_breve chegou o dia de regressarem a casa em o Expresso_de_Hogwarts . Harry , Ron , Hermione , Fred , George e Ginny encheram um compartimento . Tiraram o_máximo partido de aquelas últimas horas em que lhes era permitido usar a magia antes de as férias . Brincaram a as explosões , gastaram o último fogo-de-artíficio Filibuster , de o Fred e de o George e treinaram o mútuo desarmamento através de a magia . Harry começava a ficar muito bom em aquilo . Já estavam perto de a estação de King's_Cross quando Harry se lembrou de uma coisa . - Ginny , o que foi que viste o Percy fazer que ele não queria que nos contasses ? - Ah ! isso - disse a Ginny a rir . - Bem , é_que o Percy tem uma namorada . Fred deixou cair uma pilha de livros em a cabeça de o George . - O quê ? - É aquela prefeita de os Ravenclaw ' Penelope_Clearwater - disse a Ginny . - Foi para ela que ele escreveu durante todo o Verão . Encontravam se em a escola em grande segredo . Eu apanhei os a beijarem se em uma sala de aula vazia e ele ficou tão aflito quando ela foi ... sabes ... atacada . Não vais aborrecê o , pois não ? - perguntou cheia de ansiedade . - Que ideia - respondeu Fred com uma tal satisfação em o rosto que parecia que o seu aniversário chegara mais cedo . - Claro que não - disse o George a rir se a a socapa . O----------------- J._K._Rowling_Harry_Potter e a Câmara_dos_Segredos_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Chamber of Secrets_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling 1998 Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 2000 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 2.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 Depósito legal : 143.569/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , a a Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Para_Séan_P._F._Harris , condutor imparável e um amigo de os diabos . I_O pior aniversário Não era a primeira vez que uma discussão estoirava a a mesa de o pequeno-almoço , em o número 4 de a Privet_Drive . Mr._Vernon_Dursley fora acordado de manhã cedo por o piar ruidoso que vinha de o quarto de o seu sobrinho Harry . - É a terceira vez esta semana ! - resmungou , a a mesa . - Se não consegues controlar essa coruja , ela não pode ficar aqui . Harry tentou , mais_uma_vez , explicar . - Ela está aborrecida . Estava habituada a voar livremente lá fora . Se eu pudesse , ao_menos , soltá a a a noite ... - Achas me com cara de idiota ? - perguntou rispidamente o tio Vernon , com um fio de ovo preso em o bigode farfalhudo . - Sei muito bem o que aconteceria se essa coruja fosse lá para fora . Trocou um olhar soturno com a mulher , a tia Petúnia . Harry tentou contra-argumentar , mas as suas palavras foram abafadas por um enorme arroto de o filho de os Dursleys , Dudley . - Quero mais bacon . - Há mais em a frigideira , fofinho - disse a tia Petúnia , lançando um olhar vago a o seu filho maciço . - Tens que te alimentar bem enquanto aqui estás , aquela comida de a tua escola não me cheira . - Disparate , Petúnia , eu nunca passei fome enquanto andei em Smeltings - afirmou com sinceridade o tio Vernon . - O Dudley tem que chegue . Não é verdade , filho ? Dudley , que era tão gordo que o rabo saía de os dois lados de a cadeira de a cozinha , sorriu laconicamente e voltou se para Harry . - Passa me a frigideira . -- Esqueceste te de a palavra mágica - disse Harry , irritado . O efeito que esta simples frase teve em o resto de a família foi inacreditável : Dudley começou a arfar e caiu de a cadeira com um estrondo que abalou a cozinha , Mrs._Dursley deu um gritinho e bateu com a mão em a boca , Mr._Dursley pôs se de pé com as veias de as têmporas dilatadas . - Eu queria dizer « por favor » - explicou Harry rapidamente . - Não me referia a ... - : __ o que é_que eu te __ disse - vociferou o tio , espalhando perdigotos sobre a mesa - : __ sobre pronunciar a palavra m . em esta __ casa ? - Mas eu ... - : __ como te atreves a ameaçar o __ dudley ! - rosnou o tio Vernon , batendo com o punho em a mesa . - Eu só ... - : __ estás avisado . não vou admitir referências a tua anormalidade debaixo de o tecto de a minha __ casa ! Harry olhou alternadamente para o rosto congestionado de o tio e para a palidez de a tia que tentava pôr o Dudley de pé . - Está bem - disse Harry . - Está bem ... O tio Vernon voltou a sentar se , respirando como um rinoceronte exausto e observando Harry de perto por o canto de os seus olhos pequeninos e penetrantes . Desde_que Harry regressara para as férias de Verão que o tio Vernon o tratava como_se ele fosse uma bomba , capaz de explodir a qualquer momento , porque Harry não era um rapazinho normal . Em a verdade , ele era o menos normal que é possível imaginar . Harry_Potter era um feiticeiro , um feiticeiro que acabara de concluir o primeiro ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts e a infelicidade que os Dursleys sentiam por ele estar lá em casa não era nada comparada com a de Harry . As saudades de Hogwarts eram tão intensas que se assemelhavam a uma constante dor em o estômago . Sentia a falta de o castelo com as suas passagens secretas e os seus fantasmas , de as aulas ( com excepção talvez de as de Snape , o professor de as poções ) , de o correio a chegar trazido por as corujas , de os banquetes em o salão nobre , de as noites em as camas de dossel em a camarata de a torre , de as visitas a Hagrid , o guarda de os campos em a sua casinha em o bosque , junto de a floresta proibida e , principalmente , sentia a falta de o Quidditch , o desporto mais popular de o mundo de os feiticeiros ( seis postes altos de golo , quatro bolas esvoaçantes e catorze jogadores em_cima_de vassoura ) . Todos os livros de feitiços de Harry , assim_como a varinha , os mantos , o caldeirão e a vassoura topo de gama Nimbus dois_mil tinham sido encerrados por o tio Vernon em a despensa que ficava debaixo de as escadas , em o momento em que Harry regressara a casa . O que é_que lhes interessava se ele perdia ou não o seu lugar em a equipa de Quidditch por não ter praticado durante todo o Verão ? Que importância tinha para eles que o Harry voltasse a a escola sem ter podido fazer os trabalhos de casa ? Os Dursleys eram aquilo que os feiticeiros chamam « Muggles » ( nem uma gota de sangue mágico em as veias ) e , para eles , ter um feiticeiro em a família era motivo de grande vergonha . O tio Vernon tinha , inclusivamente , fechado a cadeado a coruja de Harry , Hedwig , dentro de a gaiola , para evitar que ela transportasse mensagens para a gente de o mundo de a feitiçaria . Harry não se parecia em nada com o resto de a família . O tio Vernon era atarracado e sem pescoço , dotado de um enorme bigode preto ; a tia Petúnia tinha um rosto cavalar e era esquelética ; Dudley era loiro e rosado como um porquinho . Harry , pelo_contrário , era baixo e franzino , com os olhos verdes brilhantes e cabelo negro sempre desalinhado . Usava uns óculos redondos e tinha em a testa uma cicatriz em forma de relâmpago . Era essa cicatriz que o tornava tão invulgar , mesmo para um feiticeiro . Era a única alusão a o seu passado misterioso , a o motivo por o qual , onze anos antes , tinha sido deixado em o degrau de a porta de os Dursleys . Com um ano de idade , Harry sobrevivera a uma maldição de o maior feiticeiro negro de todos os tempos , Lord_Voldemort , cujo nome a maior parte de os feiticeiros e feiticeiras ainda receia pronunciar . Os pais de Harry tinham morrido em um ataque de Voldemort , mas ele escapara com a sua cicatriz em forma de relâmpago e estranhamente , ninguém compreendeu porquê , os poderes de Voldemort tinham sido destruídos em o momento em que não fora capaz de matar o Harry . Por isso , ele foi criado por a irmã de a sua falecida mãe e respectivo marido . Passou dez anos com os Dursleys , sem nunca compreender porque fazia com que acontecessem coisas estranhas , alheias a a sua vontade , acreditando em a história de os Dursleys de que aquela cicatriz fora resultado de um acidente de automóvel em que os pais tinham morrido . E um dia , precisamente um ano antes , Hogwarts escrevera lhe e fora então que tudo começara . Harry fora ocupar o seu lugar em a escola de feitiçaria , onde ele e a sua cicatriz eram famosas ... mas agora o ano escolar chegara a o fim e estava de_novo com os Dursleys . Durante o Verão , voltara a ser tratado como um cão malcheiroso . Os Dursleys nem se tinham lembrado que aquele era o dia de o seu décimo segundo aniversário . É claro que não tivera grandes expectativas : eles nunca lhe tinham dado um presente a sério , muito menos um bolo , mas ignorarem o por completo ... Em esse momento , o tio Vernon pigarreou com um ar importante e disse : - Como todos sabem , hoje é um dia muito importante . Harry olhou para ele , mal conseguindo acreditar . - Pode bem ser que eu faça hoje o maior negócio de toda_a minha vida - afirmou . Harry voltou novamente a atenção para a torrada . É claro , pensou amargamente , o tio Vernon referia se a a estúpida dinner-party . Havia quinze_dias que não falava de outra coisa . Um consultor qualquer cheio de massa e a mulher vinham jantar lá a casa e o tio Vernon tinha esperança de conseguir uma grande encomenda ( a empresa de o tio Vernon fabricava brocas ) . - Acho que devíamos recapitular mais_uma_vez - disse o tio Vernon . - Devemos estar todos a postos a as oito_horas_em_ponto . Petúnia , tu vais estar ... ? - Em o salão - respondeu a tia Petúnia prontamente - a a espera para lhes dar as boas-vindas a nossa casa . - Bom , bom . E o Dudley ? - Eu vou estar a a espera para abrir a porta . - Dudley esboçou um sorriso falso e afectado . - Dão me licença que vos guarde os casacos , Mr. e Mrs._Mason ? - Eles vão adorá o - exclamou arrebatadamente a tia Petúnia . - Excelente , Dudley - disse o tio Vernon . - A seguir voltou se para o Harry . - E tu ? - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - repetiu o Harry , de forma inexpressiva . - Exactamente - confirmou o tio Vernon , de um modo desagradável . - Eu conduzo os até a o salão , apresento te , Petúnia , e sirvo lhes as bebidas . _ a as oito_e_um_quarto . - Eu chamo para a mesa - disse a tia Petúnia . - E tu , Dudley , vais dizer ... - Dá me licença que lhe indique a casa de jantar , Mrs._Mason ? - repetiu o Dudley , oferecendo o seu braço gordo a uma mulher invisível . - O meu pequenino cavalheiro - fungou a tia Petúnia . - E tu ? - perguntou o tio Vernon a o Harry , em o mesmo tom desagradável . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho , fingindo que não estou lá - respondeu Harry aborrecido . - Isso mesmo . Agora , devíamos ter preparadas algumas frases amáveis para o jantar . Petúnia , alguma ideia ? - O Vernon disse me que o senhor é um excelente jogador de golfe , Mr._Mason ... Tem de me dizer onde comprou esse vestido , Mrs._Mason ... - Perfeito . Dudley ? - Que tal : Tivemos de fazer um trabalho para a escola sobre o nosso herói e eu escrevi sobre o senhor ... Foi de mais , tanto para a tia Petúnia como para o Harry . A tia debulhou se em lágrimas e abraçou o filho , enquanto Harry se esgueirava para debaixo de a mesa para ninguém o ver rir . - E tu , rapaz ? Harry fez um esforço para se mostrar inexpressivo quando emergiu . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - disse . - Vais sim senhor - afirmou o tio Vernon energicamente . - Os Mason não sabem nada a teu respeito e é assim que as coisas vão continuar . Quando o jantar terminar , tu trazes Mrs._Mason para o salão , onde vamos tomar café , Petúnia , e eu puxo o assunto de as brocas . Com um_pouco de sorte , tenho o contrato assinado antes de o noticiário de as dez . Amanhã por esta hora , vamos estar a fazer compras para umas férias em Maiorca . Harry não conseguia sentir o menor entusiasmo com aquilo . Não lhe parecia que os Dursleys gostassem mais de ele em Maiorca do_que em Privet_Drive . - Certo , eu vou a a cidade buscar os casacos para mim e para o Dudley . E tu - resmungou , apontando para Harry - não atrapalhes a tua tia enquanto ela estiver a limpar . Harry saiu por a porta de as traseiras . Estava um dia de sol lindo . Atravessou o relvado , deixou se cair em o banco de o jardim e cantarolou baixinho : - Parabéns para mim ... parabéns para mim ... Nem cartas nem presentes e tinha de passar a noite a fingir que não existia . Olhou infeliz para a sebe . Nunca se sentira tão só . Mais do_que tudo em o mundo , mais do_que de Hogwarts , mais até do_que de o jogo de Quidditch , Harry sentia a falta de os amigos Ron_Weasley e Hermione_Granger . Mas eles não pareciam sentir a falta de ele . Nenhum de os dois lhe escrevera durante todo o Verão apesar_de o Ron ter dito que ia convidá o para passar uns dias lá em casa . Inúmeras vezes Harry estivera quase a libertar magicamente Hedwig de a sua gaiola e mandá a levar uma carta a o Ron e a a Hermione mas não valia a pena correr o risco . Os feiticeiros menores de idade não tinham autorização para usar a magia fora de a escola . Harry não contara isto a os Dursleys . Ele sabia que era o medo de que ele os transformasse a todos em baratas que os impedia de o fecharem a a chave em a despensa debaixo de as escadas , juntamente com a varinha e a vassoura . Em as primeiras semanas Harry divertira se a murmurar baixinho palavras sem sentido e a ver o Dudley sair disparado de o quarto , tão rápido quanto as suas pernas gordas lhe permitiam . Mas o silêncio prolongado de Ron e Hermione tinham o feito sentir se tão longe de o mundo de a magia que até divertir se à_custa_de Dudley perdera o interesse . E agora o Ron e a Hermione tinham se esquecido de o seu aniversário . Quanto não daria ele por uma mensagem de Hogwarts ? De qualquer feiticeiro ou feiticeira ? Quase ficaria satisfeito com um sinal de o seu inimigo feroz , Draco_Malfoy , só para ter a certeza de que tudo aquilo não fora apenas um sonho ... Não que tudo durante o ano em Hogwarts tivesse sido divertido . Mesmo em o fim de o último período , Harry confrontara se nem mais nem menos do_que com o próprio Lord_Voldemort . Voldemort podia ter arruinado o seu ego inicial mas continuava a espalhar o terror , ainda astuto , ainda determinado a recuperar o poder . Harry escapara uma segunda vez a as suas garras mas fora por um triz e mesmo agora , algumas semanas decorridas , acordava de noite encharcado em suores frios , perguntando se onde estaria Voldemort , relembrando o seu rosto lívido , os seus olhos completamente loucos ... Harry sentou se subitamente , direito como um fuso , em o banco de o jardim . Tinha estado a olhar distraído para a sebe e a sebe estava a olhar para ele . Dois enormes olhos verdes surgiram por_entre a folhagem . Harry pôs se de pé ao_mesmo_tempo que uma voz sobrevoava a relva . - Eu sei que dia é hoje - cantarolava Dudley , bamboleando se enquanto se aproximava . Os olhos enormes piscaram e desapareceram . - O quê ? - perguntou Harry sem retirar os olhos de o lugar para_onde estava a olhar . - Eu sei que dia é hoje - repetiu , chegando junto de ele . - Ainda_bem - disse Harry . - Aprendeste finalmente os dias de a semana . - Hoje é o dia de os teus anos - troçou o Dudley . - Por_que é_que não recebeste nenhuma carta ? Não tens amigos em esse lugar esquisito ? - É melhor não deixares a tua mãe ouvir te falar de a minha escola - disse Harry calmamente . Dudley puxou para_cima as calças que estavam a escorregar lhe por o rabo gordo abaixo . - Porque estás a olhar para a sebe . ; - perguntou curioso . - Estou a pensar em as palavras que deverei pronunciar para lhe pegar fogo - disse Harry . Dudley recuou de imediato com um olhar de pânico em a cara rechonchuda . - Tu não p-p-odes , o pai disse que não podias fazer magia ou corria contigo aqui de casa e não tens mais nenhum lugar para_onde ir , não tens amigos que te convidem ... - * _ Jiggery pokery * ! - disse Harry com voz firme . - * _ Hocus pocus ... squiggly wiggly * ... - Maaaaaãe - gritou Dudley , tropeçando em os pés , enquanto se precipitava para dentro_de casa . Maaaãe , ele vai fazer aquela coisa ! Harry deu graças a os céus por aquele momento de gozo . Como não aconteceu nada de mal nem a o Dudley nem a a sebe , a tia Petúnia percebeu que ele não fizera magia nenhuma mas , mesmo_assim , Harry teve de se afastar quando ela lhe deu uma forte pancada em a cabeça com a frigideira cheia de detergente . A seguir distribuiu lhe trabalho e o castigo de só voltar a comer quando tivesse acabado tudo . Enquanto Dudley andava a flanar , olhando para o ar e comendo gelados , Harry limpou as janelas , lavou o carro , aparou a relva , adubou os canteiros , podou e regou as rosas e pintou de_novo o banco de o jardim . O sol ardia lá em cima , queimando lhe a parte de trás de o pescoço . Harry sabia que não devia ter provocado Dudley mas ele dissera precisamente aquilo que ele próprio pensava ... talvez não tivesse amigos em Hogwarts . Deviam ver agora o famoso Harry_Potter , pensou amargamente enquanto espalhava adubo em os canteiros , as costas a doerem lhe e o suor a escorrer lhe por o rosto . Eram sete_e_meia_da_tarde quando , por fim , exausto , ouviu a tia Petúnia a chamá o . - Anda para dentro e passa por cima de os jornais . Harry entrou satisfeito em a sombra de a cozinha que rebrilhava . Sobre o frigorífico estava o bolo de a noite : um enorme monte de crome batido coberto de violetas de açúcar . A carne de porco assava em o forno . - Come depressa , os Mason devem estar a chegar ! - exclamou bruscamente a tia Petúnia , apontando para duas fatias de pão e uma de queijo que estavam em cima de a mesa de a cozinha . Ela já tinha posto um vestido de * cocktail * cor de salmão . Harry lavou as mãos e comeu aquele triste jantar . Mal tinha terminado , a tia Petúnia tirou lhe o prato . - Lá para_cima , rápido ! A o passar por a porta de a sala , Harry vislumbrou o tio Vernon e Dudley de casaco e gravata . Tinha acabado de chegar a o cimo de as escadas quando a campainha de a porta tocou e a cara de o tio Vernon apareceu em o patamar . - Lembra te , rapaz , um ruído que seja ... Harry entrou em o quarto em bicos de pés , fechou a porta e preparou se para se meter em a cama . O problema é_que estava lá alguém sentado . II_O aviso de Dobby_Harry conseguiu não gritar , mas foi por_pouco . A pequena criatura que estava em a cama tinha umas orelhas grandes e largas e uns olhos verdes protuberantes de o tamanho de bolas de ténis . Harry percebeu imediatamente que fora para ele que tinha estado a olhar de manhã . Enquanto olhavam um para o outro , Harry ouviu a voz de Dudley em o * hall * . - Posso guardar os vossos casacos , Mr. e Mrs._Mason ? A criatura escorregou por a cama e curvou se tanto que a ponta de o seu enorme nariz tocou em o tapete . Harry reparou que ele tinha vestido uma espécie de fronha de almofada com buracos para os braços e pernas . - Er ... Olá - disse Harry , um_pouco nervoso . - Harry_Potter ! - exclamou a criatura em uma voz tão estridente que Harry calculou que poderia ouvir se lá em baixo . - Há tanto tempo que Dobby queria conhecê o , senhor . É uma enorme honra ... - Ob-obrigado - disse Harry , deslocando se a o longo de a parede e sentando se em a cadeira de a secretária , junto de Hedwig que dormia em a sua grande gaiola . Queria perguntar lhe « O que és tu ? » , mas pensou que seria má educação , por isso perguntou : - Quem és tu ? - Dobby , senhor . Apenas Dobby , o elfo de casa - afirmou a criatura . - Oh ! A sério ? - perguntou Harry . - Não quero ser mal-educado , mas esta não é a melhor altura para ter um elfo em o meu quarto . O riso falso de a tia Petúnia ouvia se em a sala de jantar . O elfo deixou cair a cabeça . - Não que eu não me sinta feliz por te conhecer - disse Harry rapidamente - mas , er ... estás aqui por algum motivo em especial ? - Oh , sim senhor - disse Dobby muito a sério . - Dobby veio dizer lhe que ... é difícil ... Dobby não sabe por_onde começar ... - Senta te - disse Harry educadamente , apontando lhe a cama . Para seu horror , o elfo debulhou se em lágrimas bastante ruidosas . -- S-senta-te ! - repetiu . - Nunca em toda_a minha vida ... Harry pareceu lhe ouvir as vozes lá em baixo vacilarem . - Desculpa - murmurou . - Eu não queria ofender te ... - Ofender Dobby ! - exclamou o elfo em um sufoco . - Nunca nenhum feiticeiro disse a o Dobby que se sentasse como um seu igual , senhor . Harry , tentando dizer lhe « Sch ... » e confortá o ao_mesmo_tempo , conduziu Dobby de_novo até a a cama onde ele se sentou a soluçar , parecendo uma grande boneca muito feia . Por fim , conseguiu controlar se e ficou quieto , com os seus grandes olhos fixos em Harry em uma expressão de absoluta adoração . - Não deves ter conhecido muitos feiticeiros sérios - disse lhe , tentando animá o . Dobby abanou a cabeça . Em seguida , sem qualquer aviso , saltou e começou a bater furiosamente com a cabeça em a janela , gritando : - Dobby é mau ! Dobby é mau ! - Pára , o que é_que estás a fazer ? - perguntou Harry em um murmúrio sibilante , dando um salto e puxando Dobby de_novo para a cama . Hedwig acordara com um pio particularmente agudo e batia agressivamente com as asas contra as grades de a gaiola . - Dobby tinha que se castigar , meu senhor - afirmou o elfo , que ficara ligeiramente estrábico . - Dobby quase falou mal de a família de ele ... - De a tua família ? - De a família de feiticeiros que Dobby serve , meu senhor ... O Dobby é um elfo de casa , obrigado a servir uma casa e uma família para sempre . - Eles sabem que estás aqui ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Dobby estremeceu . - Oh , não senhor , não ... Dobby vai ter que se castigar muito por ter vindo vê o . Dobby vai ter que entalar as orelhas em a porta de o forno por isto . Se eles soubessem , senhor ... - Mas achas que eles não vão reparar se tu entalares as orelhas em a porta de o forno ? - Dobby duvida , senhor . Dobby está sempre a ter de se castigar por qualquer coisa . Eles deixam que o Dobby se castigue . _ às_vezes até sugerem alguns castigos extra . - Mas por_que é_que não te vais embora , não foges ? - Um elfo de casa tem de ser libertado , senhor . E a família nunca libertará Dobby . Dobby servirá a família até morrer . Harry olhou para ele . - E eu que pensava que era infeliz por ter de ficar aqui mais quatro semanas - declarou . - Isto faz os Dursleys parecerem quase humanos . Será que ninguém te pode ajudar ? Poderei eu ? Em o mesmo momento , Harry desejou não ter aberto a boca . Dobby desfez se em ruidosos soluços de gratidão . - Por favor - murmurou Harry , inquieto . - Por favor , está calado . Se os Dursleys ouvem barulho , se eles sabem que estás aqui ... - Harry_Potter pergunta se pode ajudar Dobby . Dobby ouviu falar de a sua grandeza , mas de a sua bondade , Dobby nada sabia . Harry , que se sentia corar , disse : - Seja o que for que tenhas ouvido sobre a minha grandeza , é um disparate . Nem_sequer sou o melhor de o meu ano em Hogwarts . É a Hermione . Ela ... Mas calou se rapidamente porque pensar em Hermione era lhe doloroso . - Harry_Potter é humilde e modesto - disse Dobby reverentemente , com os seus olhos de globo avermelhados . - Harry_Potter não fala de a sua vitória sobre « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . - Voldemort ? - perguntou Harry . Dobby bateu com as mãos em as enormes orelhas e gemeu : - Ai não diga o nome , senhor . Não diga o nome ! - Desculpa - disse Harry muito depressa . - Eu sei que muita gente não gosta . O meu amigo Ron ... Calou se de_novo . Pensar em o Ron era igualmente doloroso . Dobby voltou para Harry os seus dois olhos grandes como candeeiros . - Dobby ouviu dizer - balbuciou com voz rouca - que Harry_Potter encontrou o Senhor_do_Mal uma segunda vez há poucas semanas atrás ... que Harry_Potter lhe escapou de_novo . Harry acenou e os olhos de Dobby encheram se de lágrimas . - Ah , senhor - disse em um sobressalto , limpando o rosto com a ponta de a fronha de almofada que tinha vestida . - Harry_Potter é valente e arrojado . Enfrentou tantos perigos ! Mas Dobby veio protegê o , avisar Harry_Potter , mesmo_que para isso tenha de entalar as orelhas em a porta de o forno , que Harry_Potter não deve voltar para Hogwarts . Houve um silêncio apenas quebrado por o ruído de os garfos e de as facas lá em baixo e por a voz distante de o tio Vernon . - O q-q-uê ? - gaguejou Harry . - Mas eu tenho de voltar , o ano começa em o dia um de Setembro . É a minha razão de viver . Tu não sabes como são as coisas aqui . Eu não pertenço a este lugar , o meu lugar é em Hogwarts . - Não , não , não - guinchou Dobby , sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas andavam de um lado para o outro . - Harry_Potter deve ficar aqui , onde se encontra a salvo . É demasiado grande , demasiado bom para se perder . Se Harry_Potter regressar a Hogwarts correrá perigo de vida . - Porquê ? - inquiriu Harry , surpreendido . - Há uma conspiração , Harry_Potter . Uma conspiração para fazer acontecer coisas terríveis este ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts - murmurou Dobby que começara a tremer de a cabeça a os pés . - Dobby sabe de isto há meses , senhor . Harry_Potter não deve expor se a o perigo . É demasiado importante . - Que coisas terríveis são essas ? - perguntou Harry sem perder tempo . - Quem está por detrás ? Dobby fez um ruído esquisito e começou a bater com a cabeça contra a parede como um louco . - Está bem - gritou Harry , agarrando o braço de o elfo para o fazer parar . - Não podes dizer , eu compreendo . Mas porque vieste avisar me ? - Um pensamento súbito e desagradável surgiu lhe . - Espera aí , isto tem alguma coisa que ver com o Vol , desculpa com o Quem nós sabemos ? Basta que faças sim ou não com a cabeça - acrescentou com vivacidade enquanto a cabeça de Dobby se inclinava de_novo a uma velocidade preocupante para a parede . Lentamente , Dobby abanou a cabeça . - Não , não é « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . Os olhos de Dobby estavam abertos como_se estivesse a tentar dar a Harry uma pista , mas Harry estava completamente a a nora . - Ele não tem nenhum irmão , ou tem ? Dobby abanou a cabeça , os olhos mais abertos do_que nunca . - Bem , em esse caso não estou a ver quem mais poderia ter a possibilidade de fazer acontecer coisas horríveis em Hogwarts - disse Harry . - Quero dizer , para já está lá o Dumbledore . Sabes quem é Dumbledore , não sabes ? Dobby baixou a cabeça . - Albus_Dumbledore é o melhor director que Hogwarts alguma vez teve . Dobby sabe , senhor . Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore rivalizam com os d'aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Mas , senhor - a voz de Dobby desceu a um urgente murmúrio - há poderes que Dumbledore não ... poderes que nenhum feiticeiro sério ... E antes que Harry conseguisse impedi o Dobby saltou de a cama , agarrou o candeeiro de secretária de Harry e começou a bater com a cabeça , dando uivos ensurdecedores . Fez se silêncio lá em baixo . Dois segundos mais tarde , Harry com o coração a bater como um louco , ouviu o tio Vernon chegar a o * hall * e dizer . - O Dudley deve ter deixado outra_vez a televisão ligada , o maroto ! - Depressa , para dentro de o guarda-fatos - gritou Harry , empurrando Dobby bem para o fundo , fechando a porta e metendo se a correr em a cama mesmo a_tempo_de ver a maçaneta de a porta a girar . - Que diabo estás tu a fazer ? - disse o tio Vernon entre dentes , o rosto assustadoramente próximo de o de Harry . - Acabas de estragar o ponto alto de a minha anedota de o golfista japonês . Eu que oiça mais um som e vais desejar nunca ter nascido , rapaz ! Abandonou o quarto com grandes passadas . A tremer , Harry deixou Dobby sair de o guarda-fatos . - Estás a ver como são as coisas por aqui ? - disse . - Vês porque tenho de voltar para Hogwarts ? É o único sítio onde eu tenho ... bem , onde eu acho que tenho amigos . - Amigos que nem_sequer escrevem a Harry_Potter ? - disse Dobby com ar manhoso . - Calculo que devem ter estado ... espera aí - disse Harry , franzindo a testa . - Como é_que tu sabes que os meus amigos não me têm escrito ? Dobby arrastou os pés . - Harry_Potter não deve zangar se com Dobby . Dobby fez o que achou melhor ... - Tu tens estado a interceptar me as cartas ? - Dobby tem as aqui , senhor - disse o elfo . Saltando para longe de o alcance de Harry , retirou de dentro de a fronha que usava um espesso saco cheio de envelopes . Harry reconheceu de imediato a caligrafia certinha de Hermione , a escrita desordenada de Ron e até uns gatafunhos que pareciam ser de o guarda de os campos de Hogwarts , Hagrid . Dobby piscava ansiosamente os olhos . - Harry_Potter não deve ficar zangado ... Dobby esperava que ... se Harry_Potter pensasse que os amigos o tinham esquecido ... Harry_Potter talvez não quisesse voltar a a escola , senhor . Harry não o ouvia . Fez um gesto para agarrar as cartas , mas Dobby deu um salto , afastando se . - Harry_Potter terá as cartas , senhor , se der a Dobby a sua palavra de não voltar a Hogwarts . Ah , senhor , é um risco que não deve correr . Diga que não volta , senhor ! - Não - afirmou Harry zangado . - Dá me as cartas de os meus amigos ! - Em esse caso , Harry_Potter deixa Dobby sem escolha - disse o elfo tristemente . Antes que Harry pudesse fazer um movimento , Dobby tinha aberto a porta de o quarto e descido a correr por as escadas abaixo . Com a boca seca e um aperto em o estômago , Harry correu atrás de ele , tentando não fazer barulho . Saltou os últimos seis degraus , aterrando como um gato em a carpete de o * hall * , olhando em volta a a procura de Dobby . De a sala de jantar , ouviu a voz de o tio Vernon : - Conte a a Petúnia aquela história engraçadíssima de os funileiros americanos , ela tem estado louca por ouvi a , Mr._Mason . Harry correu de o * hall * para a cozinha e sentiu o estômago ficar pequenino . O pudim , que era a a obra-prima de a tia Petúnia , a montanha de creme batido coberto de violetas de açúcar flutuava junto de o tecto . Em cima de o guarda-louça de o canto , Dobby inclinava se servilmente . - Não - suplicou Harry . - Por favor , eles matam me . - Harry_Potter deve dizer que não vai voltar a a escola ... - Dobby , por favor . - Diga , senhor . - Não posso . Dobby lançou lhe um olhar trágico . - Então , Dobby deve fazê o , senhor , para o bem de Harry_Potter . O pudim foi direito a o chão em uma queda que parecia um coração a parar . O crome esguichou para as janelas e para as paredes , enquanto o prato se despedaçava . Com o ruído de uma chicotada , Dobby desapareceu . Ouviram se gritos em a casa de jantar e o tio Vernon irrompeu por a cozinha onde foi dar com Harry coberto , de a cabeça a os pés , por o pudim de a tia Petúnia . A princípio parecia que o tio Vernon ia conseguir arranjar uma desculpa para aquilo tudo . ( É só o nosso sobrinho , muito perturbado ; conhecer pessoas estranhas deixa o muito nervoso , por isso deixamos o lá em cima ... ) Conduziu_os_Mason , bastante chocados , para a sala de jantar , garantindo a Harry que o esfolava vivo quando os Mason se fossem embora e pôs lhe em as mãos um esfregão . A tia Petúnia descobriu um resto de gelado em o frigorífico e Harry , ainda a tremer , começou a limpar a cozinha . O tio Vernon poderia ainda ter feito o negócio , se não fosse a coruja . Estava a tia Petúnia a circular com uma caixa de After-Eight , quando uma enorme coruja de celeiro fez a sua entrada vertiginosa através de a janela de a casa de jantar , deixando cair uma carta em a cabeça de Mr._Mason e desaparecendo logo_a_seguir . Mrs._Mason gritava como uma carpideira e corria por a casa praguejando contra os lunáticos . Mr._Mason ficou o tempo estritamente necessário para dizer a os Dursleys que a mulher tinha um medo pânico de pássaros de todas_as formas e tamanhos e perguntar lhes se aquela era alguma brincadeira de mau gosto . Harry não saiu de a cozinha , agarrando o esfregão como defesa , enquanto o tio Vernon avançava para ele com um brilho demoníaco em os olhos pequeninos . - Lê isso - ordenou maldosamente . Harry pegou em a carta . Não era a desejar lhe um bom aniversário . * _ Caro_Mr._Potter , * _ Recebermos hoje informações de que um feitiço de suspensão em o ar foi efectuado em sua casa esta noite , a as nove_horas_e_doze_minutos . * _ Como sabe , os feiticeiros menores não estão autorizados a praticar magia fora de a escola e , se efectuar mais um trabalho mágico , será expulso de a nossa escola . ( Decreto_de_Restrições_Razoáveis_para_Feitiçaria_de_Menores , 1875 , parágrafo C. ) * _ Pedimos-lhe também que se lembre que qualquer actividade que possa ser notada por membros alheios a a nossa comunidade ( Muggles ) constitui uma ofensa grave , segundo a secção 13 de a Confederação_Internacional_do_Estatuto_da_Magia_Secreta . * _ Tenha umas boas férias . * Atenciosamente_Mafalda_Hopkirk_Gabinete_da_Utilização_Imprópria_da_Magia_Ministério_da_Magia * . Harry olhou para a carta e engoliu em seco . - Tu não nos contaste que estavas proibido de usar magia fora de a escola - disse o tio Vernon com um brilho maldoso a dançar lhe em os olhos . - Esqueceste te de o mencionar , passou te , não foi ? Tinha se aproximado de Harry como um grande * bulldog * , com todos os dentes a a mostra . - Tenho boas notícias para ti , rapaz , vou fechar te a a chave e , se tentares sair através_de magia , nunca mais voltas a aquela escola , eles expulsam te . E rindo como um louco , arrastou Harry até a o andar de cima . O tio Vernon era mau como as cobras . Em a manhã seguinte pagou a um homem para colocar grades em a janela de o quarto de Harry . Ele próprio abriu um pequeno buraco em a porta de o quarto para que a comida pudesse ser introduzida três vezes por dia . Deixavam o Harry sair para ir a a casa_de_banho de manhã e a o final de a tarde . O resto de o tempo estava fechado em o quarto , a a espera que o tempo passasse . Três dias mais tarde , os Dursleys não mostravam qualquer intenção de abrandar o castigo e Harry não sabia como sair de aquela situação . Estava deitado em a cama , vendo o sol brilhar por_entre as grades de a janela e perguntando se tristemente o que viria a acontecer lhe . Qual era a vantagem de sair de ali por artes mágicas , se Hogwarts o expulsaria em seguida ? Contudo , a vida em Privet_Drive tinha atingido o seu nível mais baixo . Agora_que os Dursleys tinham a certeza que não iam acordar transformados em morcegos , ele perdera a única arma que tinha . O Dobby podia tê o salvo de acontecimentos terríveis em Hogwarts , mas de a maneira que as coisas estavam , ele morreria muito provavelmente a a fome . A portinhola rangeu e a mão de a tia Petúnia apareceu empurrando uma tigela de sopa de pacote para dentro de o quarto . Harry , que estava cheio de fome , saltou de a cama e agarrou a . A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um único trago . A seguir , atravessou o quarto até a a gaiola de Hedwig e pôs os legumes ensopados dentro de o seu pratinho vazio . Ela agitou as penas e olhou o com profunda repugnância . - Não vale de nada virares lhe as costas . É tudo_o_que temos - disse Harry , de modo severo . Colocou a tigela vazia em o chão junto de a portinhola e voltou para_cima de a cama , de certo modo com mais fome do_que antes de ter comido a sopa . Admitindo que estaria ainda vivo dentro_de quatro semanas o que aconteceria se ele não se apresentasse em Hogwarts ? Será que mandariam alguém obrigar os Dursleys a deixá o ir ? O quarto começava a escurecer . Exausto e com o estômago a dar horas , o cérebro a as voltas com as mesmas questões sem resposta , Harry caiu em um sono intranquilo . Sonhou que fazia parte de um espectáculo de o jardim zoológico . Preso a a jaula onde se encontrava estava um cartaz onde podia ler se « feiticeiro menor de idade « . As pessoas olhavam o com olhos protuberantes , enquanto ele jazia fraco e esfomeado em um leito de palha . Viu a cara de o Dobby em o meio de a multidão e gritou lhe , pedindo ajuda , mas o Dobby respondeu : - Harry_Potter está em segurança aí , senhor - e desapareceu . Em seguida vieram os Dursleys e Dudley bateu em as grades de a jaula , rindo se de ele . - Pára com isso - murmurou Harry como_se aquele ruído martelasse em a sua cabeça dorida . - Deixa me em paz , pára com isso , estou a tentar dormir . Abriu os olhos . O luar brilhava através de as grades de a janela . E lá fora alguém olhava de olhos arregalados para ele : alguém de rosto sardento , cabelo ruivo e nariz grande . Ron_Weasley estava de o lado de_fora de a janela . III « A toca » Ron ! - exclamou Harry , arrastando se até a a janela e empurrando a para poderem falar através de as grades . - Ron , como é_que tu , foi o ... ? Harry ficou de boca aberta , espantado com o que viu . Ron estava debruçado de a janela de trás de um velho automóvel azul-turquesa que se encontrava estacionado em o ar . Em os lugares de a frente , rindo se para Harry , estavam os irmãos mais velhos , os gémeos Fred e George . - Tudo bem , Harry ? - O que é_que se tem passado ? - perguntou o Ron . - Porque não respondeste a as minhas cartas ? Convidei te para vires ter comigo umas doze vezes e um dia o pai chegou a casa e comunicou nos que tu tinhas recebido um aviso oficial por usares magia diante de os Muggles ... - Não fui eu . E como é_que ele soube ? - Ele trabalha em o Ministério - disse o Ron . - Tu sabes que nós não podemos fazer feitiços fora de a escola . - Bem , isso vindo de ti ... - exclamou Harry , olhando para o carro flutuante . - Oh , isto não conta - disse Ron . - Foi o meu pai que o emprestou . Não o fizemos aparecer por magia . Mas usar magia em a frente de esses Muggles com quem tu vives ... - Já te disse que não fui eu , mas vai demorar muito_tempo a explicar te isso agora . És capaz de avisar em Hogwarts que os Dursleys me fecharam a a chave e que não querem deixar me voltar e obviamente eu não posso sair de aqui magicamente senão o Ministério vai achar que é a segunda vez em três dias e ... - Pára com essa conversa tola - disse o Ron . - Viemos para te levar connosco . - Mas tu também não podes tirar me de aqui utilizando processos mágicos ... - Não precisamos de isso - afirmou Ron , fazendo um sinal de cabeça para os lugares de a frente . - Esqueces te de quem está aqui comigo . - Amarra isso em volta de as grades - disse o Fred , lançando a Harry a ponta de uma corda . - Se os Dursleys acordam estou feito - lamentou se Harry enquanto dava um nó bem apertado com a corda em uma de as grades e o Fred arrancava com o carro . - Não te preocupes e chega te para trás . Harry recuou para a sombra , para junto de Hedwig que parecia ter se apercebido de a importância de tudo aquilo , mantendo se quieta e em silêncio . O carro puxou mais e mais e , subitamente , com um ruído de ferro a ceder , as grades foram arrancadas de a janela , enquanto Fred conduzia com o céu como estrada . Harry correu de_novo para a janela para ver as grades a balouçarem a poucos metros de o chão . Ofegante , Ron içou as para dentro de o carro . Harry escutou ansiosamente mas não vinha qualquer som de o quarto de os Dursleys . Quando as grades estavam em segurança em os lugares de trás junto de Ron , Fred aproximou se o_máximo que lhe foi possível de a janela . - Anda de aí - disse . - Mas , todas_as minhas coisas de Hogwarts , a minha varinha , a minha vassoura ... - Onde estão ? - Fechadas em a despensa debaixo de as escadas e eu não posso sair de este quarto . . - Não há azar - disse o George . - Sai de a frente , Harry . Fred e George treparam cautelosamente e entraram por a janela em o quarto de Harry . Tinhas que ter aberto a boca , pensou Harry enquanto George tirava de o bolso um vulgar gancho de cabelo e começava a tentar abrir a fechadura . - Muitos feiticeiros acham que é uma perda de tempo aprender os truques de os Muggles - disse o Fred . - Mas nós pensamos que há habilidades que é sempre útil conhecer apesar_de serem um_pouco lentas . Ouviu se um pequeno clique e a porta abriu se . - Pronto , vamos buscar as tuas coisas . Tu vai dando a o Ron aquilo que precisas de aí de o teu quarto - murmurou George . - Cuidado com o degrau de cima que range - sussurrou Harry enquanto os gémeos desapareciam em o escuro . Harry deu a volta a o quarto , recolhendo as suas coisas e passando as por a janela a o Ron . Em seguida , foi ajudar o Fred e o George a trazerem o resto por as escadas acima . Ouviu o tio Vernon tossir . Por fim , de língua de_fora , chegaram a o quarto , junto de a janela aberta . Fred trepou para o carro para puxar os volumes com o Ron enquanto Harry e George os empurravam de dentro de o quarto . Centímetro a centímetro o malão foi passando por a janela . O tio Vernon tossiu de_novo . - Mais um_pouco - disse o Fred que estava a puxar de dentro de o carro . Um bom empurrão , vá . Harry e George encostaram os ombros contra a mala e ela escorregou para a parte de trás de o carro . - O. _ K. , vamos embora - murmurou o George . Mas quando Harry trepava para o parapeito de a janela ouviu se um forte pio atrás de ele , imediatamente seguido de o vociferar de o tio Vernon . - Aquela maldita coruja ! - Esqueci me de a Hedwig ! Harry precipitou se de_novo para o quarto , enquanto a luz de o patamar se acendia . Agarrou a gaiola de Hedwig , correu para a janela e passou a a o Ron . Estava a subir para_cima de a cómoda quando o tio Vernon bateu em a porta , que não estava fechada , e esta se abriu completamente . Por uma fracção de segundo , o tio Vernon ficou estático junto de a porta . Em seguida , soltou um mugido como um boi zangado e avançou para Harry , agarrando o por o tornozelo . Ron , Fred e George seguraram o por os braços e puxaram o com toda_a força . - Petúnia - rosnou o tio Vernon . - Ele está a fugir ! : __ ele está a __ fugir ! Os Weasleys deram um puxão gigantesco e a perna de o Harry escapou a as garras de o tio Vernon . Logo_que Harry entrou em o carro e a porta se fechou , Ron gritou : - Acelera Fred ! - E o carro partiu subitamente em direcção a a lua . Harry mal podia acreditar que estava livre . Esticou se a a janela , o ar de a noite a fustigar lhe os cabelos e olhou para baixo , para os telhados apertados de Privet_Drive . O tio Vernon , a tia Petúnia e o Dudley estavam todos debruçados com cara de parvos , a a janela de o quarto de ele . - Até a o próximo Verão - gritou . Os Weasleys riam se a as gargalhadas e Harry esticou se para trás em o assento e pediu a o ouvido de Ron : - Deixa sair a Hedwig . Ela pode voar atrás_de nós . Há séculos que não tem uma oportunidade de esticar as asas . George passou a o Ron o gancho de cabelo e , um momento depois , a Hedwig saíra feliz por a janela , planando atrás de eles como um fantasma . - Então , qual é a história ? - perguntou Ron , impaciente . - O que é_que tem estado a acontecer ? Harry contou lhes tudo sobre o Dobby , o aviso de este e o fracasso de o pudim de violetas . Houve um longo silêncio quando ele se calou . - Isso cheira me a esturro - disse , por fim , o Fred . - Definitivamente misterioso - concordou George . - Então ele nem te disse quem está supostamente por detrás dessa trama toda ? - Acho que não podia - explicou Harry . - Já te disse , de cada_vez que estava quase a deixar escapar qualquer coisa , começava a bater com a cabeça em a parede . Viu Fred e George olharem um para o outro . - O quê ? Acham que ele estava a mentir me ? - perguntou Harry . - Bem - começou o Fred -- , coloquemos as coisas de o seguinte modo , os elfos de casa têm poderes mágicos próprios , mas geralmente não podem usá os sem a autorização de os seus donos . Eu acho que o bom de o Dobby foi enviado para evitar que voltasses para Hogwarts . Uma ideia de um engraçadinho . Haverá alguém em a escola com má vontade contra ti ? - Sim - responderam Harry e Ron , precisamente ao_mesmo_tempo . - Draco_Malfoy - explicou Harry . - Ele detesta me . - Draco_Malfoy ? - perguntou George , voltando se para trás . - O filho de o Lucius_Malfoy ? - Deve ser . Não é um nome muito vulgar , pois não ? - disse Harry . - Mas porquê ? - Ouvi o pai falar acerca de ele - confidenciou George . - Ele era um grande apoiante de o « Quem nós sabemos » . - E quando o « Quem nós sabemos » desapareceu - continuou o Fred , voltando a cara para olhar para Harry - o Lucius_Malfoy voltou , dizendo que não foi por vontade própria que fez o que fez . Monte de lixo . O pai acha que ele fazia parte de um círculo de amigos íntimos de o « Quem nós sabemos » . Harry já tinha ouvido esses boatos sobre a família de Malfoy e não o surpreenderam em absoluto . Malfoy fizera Dudley_Dursley parecer um rapazinho simpático , amável e sensível . - Não sei se os Malfoy têm um elfo de casa ... - afirmou Harry . - Bem , quem quer que o possua é sem dúvida uma antiga família de feiticeiros e deve ser rica - explicou Fred . - Sim . A mãe está sempre a desejar que pudéssemos ter um elfo de casa para passar a roupa a ferro - disse o George . - Mas só temos um velho vampiro piolhoso em o sótão e gnomos espalhados por o jardim . Os elfos de casa pertencem a as grandes casas senhoriais , a os castelos e lugares assim , não encontrarias um em a nossa casa ... Harry estava calado . Considerando que Draco_Malfoy tinha sempre as melhores coisas , que a sua família nadava em ouro de feiticeiros , era fácil imaginá o passeando se por uma enorme casa senhorial . Mandar o servo de a família evitar que Harry voltasse para Hogwarts também parecia exactamente o tipo de coisa que Malfoy poderia fazer . Teria Harry sido estúpido a o tomar Dobby a sério ? - De qualquer modo , ainda_bem que viemos buscar te - declarou Ron . - Eu começava a ficar seriamente preocupado por não responderes a nenhuma de as minhas cartas . A princípio pensei que a culpa fosse de a Errol ... - Quem é a Errol ? - A nossa coruja . Já é velhota . Não seria a primeira vez que adoecia durante uma entrega . Por isso , tentei pedir a Hermes emprestada ... - Quem ? - A coruja que os meus pais compraram a o Percy quando ele foi nomeado prefeito - respondeu Fred . - Mas o Percy não me a emprestou . Disse que precisava de ela . - O Percy tem andado com atitudes muito estranhas este Verão - comentou George franzindo a testa . - E tem mandado imensas cartas e passado um tempo infinito fechado em o quarto ... enfim , pode limpar se e polir um distintivo de prefeito todas_as vezes que se quiser ... Estás a conduzir demasiado para ocidente , Fred - acrescentou apontando para uma bússola em o painel de o automóvel . Fred girou o volante . - Então , o vosso pai sabe que têm o carro ? - perguntou Harry , quase adivinhando a resposta . - Er ... não - disse o Ron . - Ele tinha trabalho esta noite . Felizmente vamos poder pô o de_novo em a garagem , sem a mãe perceber que andámos a voar nele . - A propósito , o que faz o vosso pai em o Ministério_da_Magia ? - Trabalha em o Departamento mais chato - respondeu Ron . - A Divisão de utilização incorrecta de artefactos de os Muggles . - O quê ? - Relaciona se com objectos de feitiçaria que foram feitos por os Muggles ; sabes como é , se forem parar de_novo a uma loja de os Muggles , ou a uma casa , como em o ano passado , quando morreu uma bruxa velha e o bule de ela foi vendido a uma loja de antiguidades . Uma mulher Muggle comprou o , tentou servir chá a os amigos . Foi um pesadelo , o pai teve de fazer horas extraordinárias durante semanas . - O que é_que aconteceu ? - O bule parecia louco , esguichou chá a ferver para todos os lados e um de os homens foi parar a o hospital com a pinça de o açúcar presa em o nariz . O pai ficou nervosíssimo . É só ele e o velho feiticeiro Perkings em o gabinete e tiveram de localizar e descobrir todo o tipo de encantamentos para resolver o assunto . - Mas o teu pai ... este carro ... Fred riu se . - Sim , o pai é louco por tudo_o_que tem que ver com os Muggles . A nossa arrecadação está cheia de coisas de os Muggles . Ele separa as , lança lhes feitiços e volta a pô as em o lugar . Se ele fizesse uma busca a nossa casa teria de se prender a si mesmo . A minha mãe fica louca com tudo aquilo . - É a estrada principal - gritou o George , apontando para baixo através de a janela . - Dentro_de poucos minutos estamos lá , mesmo a tempo , está a começar a clarear . Um leve brilho rosado tingia o horizonte para leste . Fred trouxe o carro para baixo e Harry pôde ver uma manta de retalhos de campos escuros e matas de arbustos . - Estamos um_pouco longe de a vila - disse George . - Em Ottery_St . Catchpole ... O carro voador foi descendo a os poucos . A luz avermelhada brilhava agora por_entre as árvores . - Terra - disse o Fred , em o momento em que tocaram em o chão com um ligeiro solavanco . Tinham aterrado perto_de uma garagem em ruínas em um pequeno pátio e Harry viu pela_primeira_vez a casa de o Ron . Parecia ter sido em tempos uma pocilga de pedra . Mas os quartos que posteriormente lhe tinham sido acrescentados haviam a tornado bastante mais alta e o seu aspecto era tão curvado que parecia ter sido construída por artes mágicas ( o que , pensou Harry , era , muito provavelmente , verdade ) . De o telhado vermelho saíam quatro ou cinco chaminés . Junto de a entrada , fixa em o chão , podia ver se uma inscrição assimétrica que dizia « A toca » . A o lado de a porta principal estava uma contusão de botas de * _ Wellington * e um caldeirão completamente enferrujado . Por o pátio passeavam se várias galinhas castanhas e gordas . - Não é grande coisa - desculpou se o Ron . - É óptima - exclamou Harry , feliz , pensando em Privet_Drive . Saíram de o carro . - Agora vamos lá para_cima sem fazer barulho - disse o Fred . - E esperamos que a mãe nos chame para o pequeno-almoço . Depois tu , Ron , desces a escada entusiasmadíssimo . - Mãe , olha quem apareceu cá durante a noite ! - E ela vai sentir se felicíssima quando vir o Harry . Assim ninguém fica a saber que levámos o carro voador . - Certo - disse o Ron . - Vamos , Harry , eu durmo em o ... Ron ganhou uma cor de um pálido esverdeado , os olhos fixos em a casa . Os outros três fizeram meia volta . Mrs._Weasley avançava por o pátio , afugentando as galinhas e , para uma mulher baixa , roliça e simpática , era fantástico como conseguia parecer se com um tigre dentes-de-sabre . - Ah ! - suspirou o Fred . - Oh , oh ! - exclamou o George . Mrs._Weasley parou em frente de eles . As mãos em as ancas , saltando de um olhar culpado para o outro . Usava um avental a as flores , com uma varinha a sair lhe de o bolso . - Com que então - disse . - Bom dia , mãe - arriscou o George com uma voz que tentou que fosse alegre e bem-disposta . - Vocês têm alguma ideia de como tenho estado preocupada ? - perguntou Mrs._Weasley em um murmúrio fraco . - Desculpe , mãe , mas sabe , nós tivemos que ... Os três filhos de Mrs._Weasley eram mais altos do_que ela , mas tremiam quando a fúria de a mãe se abatia sobre eles . - Camas vazias ! Nem um bilhete ! O carro desaparecido ... Podiam ter tido um acidente , estou fora de mim com tanta preocupação e vocês nem se importam ... nunca , enquanto eu for viva ... esperem só até o vosso pai chegar , nunca tivemos problemas de estes com o Bill , com o Charlie ou com o Percy ... - O perfeito Percy - resmungou Fred . - : __ tu não vales um dedo de a mão de o __ percy ! - gritou Mrs._Weasley , espetando um dedo em o queixo de o Fred . - Podias ter morrido , podias ter sido visto , podias ter feito com que o teu pai perdesse o emprego ... Parecia nunca mais acabar . Mrs._Weasley tinha gritado até ficar ronca , antes de se voltar para o Harry , que recuou . - Estou muito contente por te ver , Harry - disse . - Entra e vem tomar o pequeno-almoço . Ela voltou se e regressou a casa e Harry , depois de trocar um olhar nervoso com o Ron , que lhe acenou , encorajando o , seguiu a . A cozinha era pequena e bastante estreita . A meio havia uma enfezada mesa de madeira e cadeiras em volta e Harry sentou se a a beirinha de o assento , olhando em volta . Era a primeira vez que entrava em uma casa de feiticeiros . O relógio em a parede em frente de ele , tinha apenas um ponteiro e nenhum número . Em volta , estavam escritas frases como « Hora de fazer o chá » , « Hora de dar de comer a as galinhas « e « Estás atrasado » . Empilhados em o rebordo de a lareira estavam livros com títulos como * _ Encanta o teu próprio queijo , Encantamento em a cozedura de o pão e Banquetes em um minuto - é mágico * ! E , a menos que os ouvidos de Harry estivessem a traí o , o velho rádio próximo de o lava-loiças acabara de anunciar que a seguir vinha a Hora de enfeitiçar com a popular feiticeira-cantora Celestina_Warbeck . Mrs._Weasley fazia barulho com os talheres , preparando o pequeno-almoço um bocado a o acaso , lançando olhares furiosos a os filhos , enquanto lançava as salsichas em a frigideira . De vez em quando murmurava coisas como : « Não sei o que vos passou por a cabeça « ou « nunca devia ter confiado em vocês » . - Eu não te culpo , filho - tranquilizou Harry , pondo lhe sete ou oito salsichas em o prato . - Eu e o Arthur temos estado preocupados contigo . Ainda ontem a a noite estivemos a dizer que te iríamos buscar nós próprios se não respondesses a o Ron até sexta-feira . Mas , em a verdade ( estava agora a acrescentar três ovos estrelados a o prato de ele ) , atravessar metade de o país a voar em um carro ilegal , qualquer um vos poderia ter visto ... Agitou maquinalmente a varinha em a direcção de o lava-loiças , onde a loiça começou a lavar se sozinha , tinindo baixinho lá atrás . - Estava enevoado , mãe ! - exclamou o Fred . - Boca fechada enquanto comes ! - interrompeu Mrs._Weasley . - Eles estavam a fazê o passar fome , mãe ! - disse o George . - E tu também ! - disse Mrs._Weasley , mas já foi com uma expressão mais doce que começou a cortar o pão para Harry e a barrá o com manteiga . Em esse momento , as atenções voltaram se para um pequenino volto de cabelos ruivos , em uma camisa de dormir até a os pés , que surgiu em a cozinha , deu um grito agudo e desapareceu de_novo . - É a Ginny - disse Ron baixinho a o Harry -- , a minha irmã . Tem falado de ti todo o Verão . - Sim , ela vai querer o teu autógrafo , Harry - riu se o Fred , mas o seu olhar cruzou se com o de a mãe e inclinou se para o prato , não voltando a abrir a boca . Ninguém falou até os quatro pratos estarem limpos , o que sucedeu a uma velocidade surpreendente . - Bolas , estou cansado - bocejou Fred , pousando a faca e o garfo . Acho que me vou deitar e ... - Não vais , não senhor - interrompeu Mrs._Weasley . - A culpa é tua se ficaste toda_a noite acordado . Vais fazer a des-gnomização de o jardim . Eles estão outra_vez a exagerar . - Oh , mãe ... - E vocês os dois o mesmo - dirigiu se a o Ron e a o Fred . - Tu podes ir para a cama , filho - disse a Harry . - Não lhes pediste que guiassem aquele carro miserável . Mas Harry , que se sentia acordadíssimo , respondeu prontamente : - Eu ajudo o Ron , nunca vi uma des-gnomização ... - É muito simpático de a tua parte , querido , mas é um trabalho chato - explicou Mrs._Weasley . - Vejamos o que o Lockhart tem a dizer acerca disto . E puxou de o rebordo de a lareira um livro pesadíssimo . George resmungou : - Mãe , nós sabemos * des-gnomizar * o jardim . Harry olhou para a capa de o livro de Mrs._Weasley . Em grandes letras douradas , que ocupavam grande parte de a capa , podia ler se Guia_de_Gilderoy_Lockhart para pragas caseiras . Via se também a grande fotografia de um feiticeiro bem-parecido , de cabelos loiros ondulados e olhos azuis brilhantes . Como sempre , em o mundo de os feiticeiros , a fotografia mexia se . O feiticeiro , que Harry calculou ser Gilderoy_Lockhart , não parava de lhes piscar os olhos descaradamente . Mrs._Weasley sorriu lhe . - Oh , ele é fantástico - disse . - Conhece bem as pragas caseiras . É um livro maravilhoso . - A mãe adora o - disse Fred em um murmúrio bastante audível . - Não sejas ridículo , Fred - repreendeu Mrs._Weasley com as bochechas coradas . - É claro que se achas que sabes mais do_que o Lockhart , podes ir fazer o trabalho e ai de ti se houver um único gnomo em o jardim quando eu for fazer a inspecção . A bocejar e a resmungar , os Weasley arrastaram se lá para fora com Harry atrás de eles . O jardim era grande e , em a opinião de Harry , exactamente como deveria ser um jardim . Os Dursleys não teriam gostado . Havia uma enorme quantidade de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada , mas havia árvores nodosas em volta de as paredes , plantas que Harry nunca vira , tombando de todos os canteiros e um grande lago verde cheio de rãs . - Os Muggles também têm gnomos de jardim , sabes - disse o Harry a o Ron , enquanto atravessavam a relva . - Sim , já vi essas coisas que eles pensam que são gnomos - disse o Ron todo dobrado , com a cabeça em uma moita de peónias . - Como os Pais_Natais gordinhos com canas de pesca ... Houve um tumulto ruidoso , a moita de peónias estremeceu e Ron endireitou se . - Isto_é um gnomo - declarou com um ar sério . - Larga eu ! Larga eu ! - guinchou o gnomo . Não se parecia em absoluto com o Pai_Natal . Era pequenino e parecia de couro , com uma grande cabeça protuberante e calva , precisamente como uma batata . Ron agarrou o a a distância de um braço , enquanto ele dava pontapés em o ar com os seus pézinhos que pareciam chifres . Agarrou o por os tornozelos e voltou o de pernas para o ar . - Isto_é o que tens de fazer - disse . Levantou o gnomo acima de a cabeça ( Larga eu ! ) e começou a balouçá o em grandes círculos , como os vaqueiros fazem com os laços . A o ver a expressão chocada de Harry , Ron explicou : - Não os mágoa . Só tens de os deixar bem tontos para que consigam encontrar o caminho de regresso a os buracos de os gnomos . Largou os tornozelos de o gnomo . Ele voou seiscentos metros e aterrou com um ruído surdo em o campo a o lado de a sebe . - Deplorável - afirmou o Fred . - Aposto que consigo lançar o meu para_além de aquele tronco . Harry aprendeu rapidamente a não sentir muita pena de os gnomos . Decidira largar o primeiro que apanhou para_além de a sebe , mas o gnomo , sentindo fraqueza , enfiou os seus dentinhos , aguçados como laminas , em o dedo de o Harry e não foi fácil sacudi o para ele o largar , até que ... - Uau , Harry , esse deve ter sido seiscentos metros ... O ar estava subitamente cheio de gnomos voadores . - Vês , eles não são muito espertos - afirmou o George , agarrando cinco ou seis de uma_vez . - Em o momento em que se apercebem que começou a * des-gnomização * , aparecem todos para espreitar . Era de esperar que já tivessem aprendido a ficar quietinhos . Rapidamente a multidão de gnomos começou a ir se embora , atravessando os campos em uma fila ordenada , com os pequeninos ombros arqueados . - Eles voltam - disse o Ron enquanto os via desaparecer em a sebe de o outro lado de o campo . - Eles adoram estar aqui ... o pai é muito mole com eles , acha lhes piada . Em esse momento , a porta de a frente bateu . - Ele já voltou ! - exclamou o George . - O pai já está em casa ! Apressaram se a entrar . Mr._Weasley tinha se afundado em uma de as cadeiras de a cozinha , sem óculos e com os olhos fechados . Era um homem magro , quase calvo , mas o pouco cabelo que tinha era tão ruivo como o de os filhos . Vestia um longo manto verde cheio de pó e estava cansado de a viagem . - Que noite - murmurou , tacteando em busca de o bule , enquanto todos se sentavam a a volta de ele . - Nove assaltos , nove ! E o velho Mundungs_Fletcher tentou lançar me um feitiço quando eu estava de costas . Mr._Weasley tomou um bom gole de chá e suspirou . - Encontrou alguma coisa , pai ? - perguntou Fred ansiosamente . - Só encontrei algumas chaves encolhidas e uma chaleira que mordia - bocejou Mr._Weasley . - Havia um material bastante mauzinho , mas não era de o meu departamento . O Mortlake foi levado para ser interrogado sobre uns furões extremamente antigos , mas isso pertence a a Comissão_dos_Feitiços_Experimentais , graças_a Deus . - Por_que é_que alguém ia dar se a o trabalho de fazer encolher chaves ? - perguntou George . - Para chatear os Muggles - suspirou Mr._Weasley . - Vende se lhes uma chave que não pára de encolher , até que desaparece , de_modo_a que nunca a encontrem quando precisam ... É claro que é muito difícil condenar alguém , porque nenhum Muggle é capaz de admitir que a sua chave está a encolher , insistem em que estão sempre a perdê a . Benditos sejam , vão até onde for preciso para ignorar a magia , mesmo_que ela esteja em frente de os seus narizes ... mas vocês não acreditariam em as coisas que o nosso grupo tem levado para enfeitiçar ... - : __ como carros , por __ exemplo ? Mrs._Weasley tinha aparecido , segurando um grande atiçador que parecia uma espada . Os olhos de Mr._Weasley abriram se de repente , fitando a mulher com um ar culpado . - C-carros , Molly querida ? - Sim , Artur , carros - afirmou Mrs._Weasley , os olhos a faiscar . - Imagina um feiticeiro a comprar um carro velho e enferrujado e dizer a a mulher que a única coisa que queria fazer com ele era desmontá o para ver como ele funcionava , enquanto em a verdade estava a enfeitiçá o para o fazer voar . Mr._Weasley piscou os olhos . - Bem , querida , acho que poderás constatar que não é ilegal fazer isso , embora , er , talvez ele devesse ter contado a verdade a a mulher ... Existe uma forma de tornear a lei , já_que ela diz que ... desde_que não se tenha a * intenção * de voar em o carro , o facto de ele poder voar , não ... - Arthur_Weasley tu arranjaste essa forma de tornear a lei quando a escreveste ! - gritou Mrs._Weasley . - Para poderes continuar a remexer em todo aquele lixo de os Muggles que tens em a arrecadação ! E , para tua informação , o Harry chegou hoje_de_manhã em o carro que tu não pretendias pôr a voar ! - Harry ? - perguntou Mr._Weasley sem expressão . - Qual Harry ? Olhou em volta , viu Harry e deu um salto . - Santo_Deus , é Harry_Potter ? Muito prazer , o Ron falou nos tanto de si ... - * _ O teu filho conduziu aquele carro até a a casa de o Harry e de volta até aqui em a noite passada ! * - gritou Mrs._Weasley . - O que tens a dizer a esse respeito ? - A sério ! ? - exclamou Mr._Weasley com vivacidade . - Correu tudo bem , quero dizer ... - vacilou a o ver os olhos de Mrs._Weasley que faiscavam . - Er , fizeram mal , rapazes , muito mal , mesmo ... - Vamos deixá os a os dois - murmurou o Ron , enquanto Mrs._Weasley inchava como um sapo gigantesco . - Vamos , vou mostrar te o meu quarto . Esgueiraram se de a cozinha e desceram uma passagem estreita que dava para uma escada desnivelada que ziguezagueava a o longo de a casa . Em o terceiro andar , estava uma porta entreaberta . Harry só teve tempo de ver um par de olhos castanhos brilhantes que o olhavam fixamente , antes de a porta se fechar com um estalido . - A Ginny - disse o Ron . - Não imaginas como é estranho vês a tão tímida , ela que quase nunca se cala ... Subiram mais dois andares , até chegarem a uma porta com a tinta a descascar e uma pequena placa dizendo : « Quarto_do_Ronald » . Harry entrou . A cabeça quase tocava em o tecto inclinado . Piscou os olhos . Era como entrar dentro_de uma fornalha : quase tudo em o quarto de o Ron tinha um violento matiz alaranjado : a colcha de a cama , as paredes , até o tecto . Em seguida , apercebeu se de que o Ron tinha coberto cada centímetro de o velho papel de parede com * posters * de as mesmas sete feiticeiras e feiticeiros , todos vestidos com brilhantes mantos cor de laranja , transportando vassouras e acenando entusiasticamente . - A tua equipa de Quidditch ? - perguntou Harry . - Os Chudley_Cannons - disse Ron , apontando para a colcha cor de laranja que tinha um brasão com dois C's gigantes e uma bala de canhão a_toda_a velocidade . - Nono em a Liga . Os livros de estudo de feitiços de Ron estavam empilhados desordenadamente a um canto , junto de um monte de B. _ D. , todas elas relativas a as * _ Aventuras_de_Martin_Miggs , o Muggle louco * . A varinha mágica de o Ron estava em_cima_de um aquário cheio de ovos de rã sobre o peitoril de a janela , junto de o seu rato gordo e cinzento , Scabbers , que dormia uma soneca a o sol . Harry passou por_cima_de um baralho de cartas de jogar com vontade própria , que estava caído em o chão , e olhou para fora de a janelinha . Em o campo , não muito longe , podia ver um grupo de gnomos a esgueirarem se , um a um , de_novo para a sebe de os Weasley . Em seguida , voltou se para Ron que o observava nervoso , como_se esperasse a opinião de ele . - É um_pouco pequeno - declarou o Ron muito depressa . - Não se parece nada com o quarto que tu tinhas em casa de os Muggles . E estou mesmo debaixo de o vampiro de o sótão . Ele anda sempre a bater nos canos e a gemer ... Mas Harry , com um grande sorriso , disse lhe : - Esta é a melhor casa em que eu já estive . As orelhas de Ron ficaram cor-de-rosa . IV_Na_Flourish and Blotts_A vida em a Toca era o mais diferente que é possível de a vida em Privet_Drive . Os Dursleys gostavam de tudo limpo e arrumado , em casa de os Weasleys explodia o estranho e o inesperado . Harry teve um choque de a primeira vez que olhou para o espelho que estava sobre a lareira de a cozinha e ele gritou : - Mete para dentro a camisa , * desmazelado ! * - O vampiro de o sótão gemia e batia nos canos , sempre_que sentia as coisas demasiado calmas e as pequenas explosões em o quarto de o Fred e de o George , eram consideradas perfeitamente normais . Mas o que o Harry achou mais bizarro em a vida em casa de o Ron , não foi o espelho que falava , nem o vampiro barulhento , foi o facto de todos ali em casa parecerem gostar de ele . Mrs._Weasley preocupava se com o estado de as suas meias e tentava obrigá o a servir se quatro vezes a cada refeição . Mr._Weasley gostava que Harry se sentasse a o lado de ele a a mesa para poder bombardeá o com perguntas sobre a vida com os Muggles , pedindo que lhe explicasse como funcionavam coisas como as canalizações e o serviço de os correios . - Fascinante ! - exclamava , enquanto Harry lhe explicava a utilização de o telefone . - Engenhoso , de facto , todas_as maneiras que os Muggles encontraram para passar sem a magia . Harry teve notícias de Hogwarts em uma manhã de sol , cerca de uma semana depois de ter chegado a a Toca . Quando , ele e o Ron desceram para tomar o pequeno-almoço , encontraram Mr. e Mrs._Weasley e Ginny já sentados a a mesa . Em o momento em que viu o Harry , Ginny entornou a tigela de os cereais , que caiu a o chão com grande espalhafato . Ginny entornava facilmente coisas sempre_que o Harry estava em a sala . Mergulhou debaixo de a mesa para apanhar a tigela e emergiu com o rosto a brilhar como o sol poente . Fingindo não ter dado por nada , Harry sentou se e aceitou a torrada que Mrs._Weasley lhe ofereceu . - Cartas de a escola - disse Mr._Weasley , passando a o Harry e a o Ron envelopes idênticos de pergaminho amarelado , com a morada escrita a tinta verde . - O Dumbledore já sabe que estás aqui , Harry , não perde nada aquele homem . Vocês os dois também - acrescentou , enquanto Fred e George deambulavam em a casa , ainda em pijama . Fez se silêncio durante alguns momentos , enquanto liam as respectivas cartas . A de o Harry dizia para apanhar o Expresso_de_Hogwarts , como sempre em a Estação_de_King's_Cross , em o dia_1_de_Setembro . Havia ainda uma lista de os livros que precisaria para o próximo ano . Os alunos de o segundo ano deverão ter : * _ O_Livro_Padrão_de_Feitiços , Grau 2 , por Miranda_Goshawk . * _ Ensinamentos_de_Uma_Fada_Carpideira , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Férias com Bruxas , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Duendes , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Lobisomens , por Gilderoy_Lockhart . * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves , por Gilderoy_Lockhart * . Fred , que terminara a sua própria lista , espreitou para a de o Harry . - Também te mandam comprar os livros de o Lockhart - disse . - A professora de defesa contra as artes negras deve ser fanática . Aposto que é uma bruxa . Nessa_altura , Fred percebeu o olhar de a mãe e apressou se a comer o doce de laranja . - Esse conjunto não vai ficar barato - disse George , olhando rapidamente para os pais . - Os livros de o Lockhart são de os mais dispendiosos ... - Cá nos havemos de arranjar - declarou Mrs._Weasley , mas parecia preocupada . - Espero que pelo_menos para a Ginny possamos arranjar uma data de coisas em segunda mão . - Ah , vais entrar este ano para Hogwarts ? - perguntou lhe Harry . Ela fez um aceno , corando até a a raiz de os cabelos ruivos e meteu o cotovelo em o pires de a manteiga . Felizmente ninguém deu por nada , a não ser o Harry , porque em esse momento o irmão mais velho de Ron , o Percy , entrou . Já estava vestido , com a placa de prefeito aplicada a a sua camisola de malha . - Bom dia a todos - disse , cheio de vivacidade . - Está um dia lindo . Puxou a única cadeira livre , mas deu um salto quando ia sentar se e , debaixo de ele , saltou um espanador cinzento de penas , pelo_menos , foi o que o Harry pensou até ver que ele respirava . - Errol ! - exclamou Ron , afastando a coruja de o Percy e retirando lhe debaixo de a asa uma carta . - Até que enfim , a resposta de a Hermione . Escrevi lhe a contar que íamos tentar raptar te de casa de os Dursleys . Levou Errol para um poleiro que havia junto a a porta de as traseiras e tentou colocá a lá em cima , mas Errol caiu redonda e Ron teve de a pôr em a pia , murmurando : - Patético . - Em seguida , abriu a carta de a Hermione e leu a em voz alta . * _ Querido_Ron e Harry , se aí estiveres . Espero que tudo tenha corrido bem , que o Harry esteja O. _ K. e que não tenham feito nada ilegal para conseguir trazes o , porque isso podia criar lhe problemas também a ele . Tenho estado muito preocupada e , se o Harry estiver bem , por favor digam me qualquer coisa rapidamente , mas talvez seja melhor usarem uma nova coruja , porque acho que outra entrega pode acabar como esta . * _ Estou muito atarefada com trabalho de a escola , claro * . - Como é possível ? - perguntou Ron , horrorizado . - Estamos em férias ! - * _ E vamos para Londres em a próxima quarta-feira para comprar os meus livros novos . Porque não nos encontramos em a Diagon-al ? * _ Dêem-me notícias vossas o mais depressa possível . * _ Carinhosamente_Hermione * - Bem , parece uma boa solução , podemos ir todos comprar as vossas coisas - disse Mrs._Weasley , começando a limpar a mesa . - O que vão fazer hoje ? Harry , Ron , Fred e George tinham planeado ir a o cimo de o monte a um pequeno cercado de cavalos que os Weasleys possuíam . Estava rodeado de árvores que lhe tapavam a vista de a cidade cá em baixo , o que quer_dizer que podiam praticar Quidditch , desde_que não voassem muito alto . Não podiam usar as verdadeiras bolas de Quidditch pois seria muito difícil explicar se elas escapassem e voassem sobre a cidade . Em vez de elas , lançavam maçãs para os outros apanharem . Faziam turnos para montar a Nimbus dois_mil , que era de longe a melhor vassoura . A velha Shooting_Star_de_Ron fora muitas_vezes ultrapassada por as borboletas que passavam . Cinco minutos mais tarde estavam a marchar por o monte acima , de vassouras a o ombro . Tinham perguntado a o Percy se ele queria juntar se a eles , mas ele alegara muito trabalho . Até esse dia , Harry só tinha visto Percy a a hora de as refeições , ele ficava em silêncio em o quarto o resto de o tempo . - Gostava de saber o que ele anda a fazer - afirmou Fred , de testa franzida . - Não parece o mesmo . O resultado de os exames veio um dia antes de tu chegares : doze N_F_V e ele nem se manifestou satisfeito . - Níveis_de_Feitiçaria_Vulgares - explicou o George , vendo o olhar atarantado de Harry . - Se não temos cuidado , ainda nos calha outro Chefe_de_Turma em a família . Acho que não suportaria a vergonha . Bill era o mais velho de os irmãos Weasley . Ele e o irmão a seguir , Charlie , já tinham saído de Hogwarts . Harry não conhecia nenhum de os dois , mas sabia que o Charlie estava em a Roménia a estudar dragões e o Bill em o Egipto a trabalhar em o banco de os feiticeiros : Gringotts . - Não sei como o pai e a mãe vão arranjar dinheiro para nos pagar o material escolar este ano - disse o George , passado um bocado . - Cinco conjuntos de livros de o Lockhart ! E a Ginny precisa de mantos e de uma varinha e tudo_isso ... Harry não disse nada . Sentiu se um_pouco incomodado . Fechada em um cofre subterrâneo , em o banco de Gringotts_de_Londres , estava uma pequena fortuna que os pais lhe tinham deixado . É claro que só tinha esse dinheiro em o mundo de os feiticeiros , não se podem usar Galeões , Leões e Janotas em as lojas de os Muggles . Ele nunca fizera referência a a sua conta bancária em Gringotts a os Dursleys . Não lhe parecia que o horror que eles sentiam por tudo_o_que se relacionava com a feitiçaria se estendesse a uma enorme pilha de barras de ouro . Mrs._Weasley acordou os a todos bem cedo , em a quarta-feira seguinte . Depois de comerem umas doze sanduíches de * bacon * cada_um , enfiaram os casacos e Mrs._Weasley tirou um vaso de a prateleira de o fogão de a cozinha e espreitou lá para dentro . - Está a acabar se , Arthur - suspirou . - Temos de comprar mais hoje ... Bem , os hóspedes primeiro . Passa , Harry querido ! E ofereceu lhe o vaso de flores . Harry olhou espantado enquanto todos eles o observavam . - O q-que é_que eu devo fazer ? - gaguejou . - Ele nunca viajou com o pó de Floo - disse o Ron subitamente . - Desculpa , Harry , esqueci me . - Nunca ? - perguntou Mrs._Weasley . - Mas então como chegaste a a Diagon - _ Al em o ano passado para comprar as tuas coisas ? -- Fui por o subterrâneo . - A sério ? - disse Mr._Weasley , entusiasmado . - Havia fugitivos ? Como é_que ... - Agora não , Arthur - disse Mrs . Weasley . - O pó de Floo é muito mais rápido , querido , mas , valha me Deus , se ele nunca o usou ... - Vai correr bem , mãe - disse o Fred . - Harry observa nos primeiro . Tirou uma pitada de pó brilhante de dentro de o vaso , aproximou se de o lume e lançou o pó em as chamas . Com um rugido , o fogo ficou verde-esmeralda e elevou se a uma altura superior a a de o Fred que avançou , gritando Diagon - _ Al ! E desapareceu . - Tens de falar claramente , filho - disse Mrs._Weasley a o Harry , ao_mesmo_tempo que George metia a mão em o vaso de as flores . - E vê se sais em o fogão certo . - Em o quê ? - perguntou Harry , nervoso , enquanto o lume crepitava e fazia George desaparecer também . - Bem , há imensos fogos de feiticeiros , mas desde_que te tenhas expressado claramente ... - Ele vai conseguir , Molly , não te preocupes - disse Mr._Weasley , tirando também ele algum pó . - Mas querido se ele se perde como é_que vamos justificar nos perante o tio e a tia de ele ... -- Eles não se importariam - tranquilizou a Harry . - O Dudley ia achar imensa piada se eu me perdesse em uma chaminé , não se preocupe . - Bem , em esse caso ... tu vais a seguir a o Arthur - disse Mrs._Weasley . - Logo_que entres em o fogo diz para_onde queres ir . - E mantém os cotovelos dobrados - preveniu o Ron . - E os olhos fechados - disse Mrs._Weasley . - A fuligem . - Não te enerves - disse o Ron . - Senão podes ir parar a a lareira errada . - Não entres em pânico e não queiras sair cedo de mais . Espera até veres o Fred e o George . Fazendo um enorme esforço por reter toda aquela informação , Harry tirou uma pitada de pó de Floo e avançou para a beirinha de o fogo . Respirou fundo , espalhou o pó em as chamas e entrou . O fogo parecia uma brisa quente . Abriu a boca e engoliu , de imediato , uma grande quantidade de cinzas quentes . D-dia-gon-al - tossiu . Sentiu se como_se estivesse a ser sugado para um buraco gigantesco . Como_se girasse muito depressa ... o ruído era ensurdecedor . Tentou manter os olhos abertos mas o turbilhão de chamas verdes fê lo enjoar ... algo duro bateu lhe em o cotovelo e dobrou o de imediato . Continuava a rodar , a rodar ... sentia se agora como_se várias mãos frias estivessem a bater lhe em a cara ... Espreitando através de os óculos , viu uma torrente imprecisa de fogões e captou lampejos de as salas que estavam por detrás ... as sanduíches de * bacon * davam lhe a volta dentro de o estômago ... fechou os olhos desejando que tudo aquilo parasse e então caiu , de cara em o chão , em a pedra fria e sentiu os óculos partirem se a os bocados . Desorientado e ferido , coberto de fuligem , pôs se cautelosamente de pé , levando a os olhos os óculos partidos . Estava completamente só e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava . Tudo_o_que podia dizer era que a o seu lado via uma lareira que lhe parecia ser a de uma enorme e indistinta loja de feitiçaria . Mas nenhum de os artigos que ali se encontravam tinham aspecto de fazer parte de a lista de a escola de Hogwarts . Em uma caixa de vidro podia ver se uma mão atrofiada que repousava sobre uma almofada , um baralho de cartas ensanguentado e um olho de vidro que o olhava fixamente . Máscaras de expressão maldosa enchiam as paredes , olhando de esguelha , uma enorme quantidade de ossos humanos estendia se sobre o balcão e , de o tecto , pendiam instrumentos aguçados com pontas de ferro e pregos enferrujados . Mas o pior é_que a rua estreita e escura , que Harry conseguia avistar através de a janela poeirenta de a loja , não era de modo algum a Diagon-al . Quanto_mais depressa saísse de ali , melhor . O nariz ainda a doer lhe em o sítio onde batera em o chão a o aterrar , Harry avançou rápida e silenciosamente em direcção a a porta , mas antes de conseguir chegar a meio caminho , duas pessoas apareceram de o lado de_fora de o vidro , e uma de elas era a última pessoa que Harry desejaria encontrar em o momento em que se encontrava perdido , coberto de fuligem e com os óculos partidos , Draco_Malfoy . Harry olhou rapidamente em volta e apercebeu se de a existência de um grande armário escuro a a sua esquerda , saltou lá para dentro e fechou as portas , deixando uma gretazinha para poder espreitar . Segundos depois , uma campainha tocava e Malfoy entrava em a loja . O homem que o acompanhava só podia ser o pai . Tinha o mesmo rosto pálido de feições agudas e os mesmos olhos cinzentos de gelo . Mr._Malfoy atravessou a loja , olhando maquinalmente para os artigos expostos e tocou a campainha de o balcão , antes de se voltar para o filho , dizendo : - Não mexas em nada , Draco . Malfoy , que vira o olho de vidro , disse : - Pensei que ias oferecer me um presente . - Eu prometi que ia comprar te uma vassoura de corrida - declarou o pai , tamborilando com os dedos sobre o balcão . - Para que é_que me serve , se não estou em a equipa de Quidditch ? - perguntou Malfoy , carrancudo e de mau humor . - O Harry_Potter teve uma Nimbus dois_mil o ano passado , com a autorização especial de o Dumbledor é para jogar em os Gryffindor . Ele nem é assim tão bom , é só por ser * famoso * ... famoso por ter uma estúpida cicatriz em a testa . Malfoy baixou se para observar uma prateleira cheia de crânios . - Todos acham que ele é tão esperto , o Potter maravilha , com a sua cicatriz e a sua vassoura ... - Já me disseste isso doze vezes pelo_menos - comentou Mr._Malfoy , olhando repressivamente para o filho . - E devo lembrar te que não é prudente parecer menos do_que amigo de Harry_Potter , quando a maior parte de a nossa gente vê em ele um herói que fez desaparecer o Senhor_do_Mal . Ah , Mr._Borgin . Um homem curvado surgiu por detrás de o balcão , puxando o cabelo gorduroso para trás . - Mr._Malfoy , que prazer vês o de_novo - disse Mr._Borgin , em uma voz tão untuosa como o cabelo . - Encantado , e o nosso jovem Malfoy também , encantado . Em que posso servi os ? Tenho que vos mostrar o que chegou hoje , a um preço muito razoável ... - Hoje não venho comprar , Mr._Borgin , e sim vender - afirmou Mr._Malfoy . - Vender ? - O sorriso apagou se lentamente em o rosto de Mr._Borgin . - Certamente ouviu dizer que o Ministério está a levar a cabo mais buscas - explicou o Mr._Malfoy , retirando de o bolso um rolo de pergaminho e desembrulhando o para Mr._Borgin o ler . - Eu tenho alguns , ah , artigos em casa que poderiam criar me problemas se o Ministério me batesse a porta . Mr._Borgin colocou em o nariz um par de * pince-nez * e olhou para a lista . - O Ministério não se lembraria de o incomodar certamente ... O lábio de Mr._Malfoy dobrou se . - Ainda não me fizeram nenhuma visita . O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito , mas o Ministério está a ficar cada_vez_mais intrometido . Há boatos sobre um novo decreto de protecção de os Muggles , sem dúvida que aquele mordido de as pulgas , adorador de os Muggles , que é o Arthur_Weasley deve estar por detrás de isso . Harry sentiu crescer a raiva . - E , como pode ver , alguns de estes venenos podiam dar a ideia ... - Compreendo perfeitamente , claro - disse Mr._Borgin . - Deixe me ver ... - Posso ter aquilo ? - interrompeu Draco , apontando para a mão raquítica que estava sobre a almofada . - Ah , a mão de a glória ! - exclamou Mr._Borgin , abandonando a lista de Mr._Malfoy e apressando se a responder a Draco . - Põe se lhe uma vela e ela só dá luz a quem a transporta ! A melhor amiga de os gatunos e de os salteadores , o seu filho tem gosto , senhor . - Espero que o meu filho venha a ser mais do_que gatuno ou salteador , Borgin - disse Mr._Malfoy friamente e Mr._Borgin respondeu logo : - Sem ofensa , senhor , sem querer ofender . - Embora , se as notas de a escola não melhorarem - disse Mr._Malfoy ainda mais friamente - esse possa vir a ser o único caminho possível para ele . - Não tenho culpa - retorquiu Draco . - Todos os professores têm os seus preferidos , aquela Hermione_Granger ... - Eu , em o teu lugar , teria vergonha que uma rapariga que nem_sequer pertence a famílias de feiticeiros , me passasse a a frente em todos os exames - interrompeu Mr._Malfoy . Ah - fez Harry baixinho , radiante por ver Draco atrapalhado e furioso . - É o mesmo em todo o lado - comentou Mr._Borgin em a sua voz untuosa . - O sangue de os feiticeiros conta cada_vez menos ... - Não para mim - afirmou Mr._Malfoy , com as longas narinas dilatadas . - Não senhor , nem para mim - concordou Mr._Borgin , inclinando se em uma vénia . - Em esse caso , talvez possamos voltar a a minha lista - disse Mr._Malfoy secamente . - Estou com alguma pressa , Borgin , tenho ainda hoje assuntos importantes a tratar em outro lado . Começaram a discutir os preços . Harry via nervosamente o Draco aproximar se de o seu esconderijo enquanto observava os objectos a a venda . Parou para examinar um enorme rolo de corda de carrasco e para ver , com um sorriso afectado , o cartão preso com um aparatoso laço de opalas onde podia ler se : * _ Cautela , não tocar . Amaldiçoado - reclama as vidas de dezanove donos , todos eles Muggles * . Draco voltou se e viu o armário mesmo em frente . Avançou , estendeu a mão para o puxador ... - Feito - disse Mr._Malfoy , a o balcão . - Vamos , Draco . Harry limpou a testa a a manga quando Draco se afastou . - Muito bom dia , Mr._Borgin . Espero por si amanhã em a mansão para ir buscar a mercadoria . Em o momento em que a porta se fechou , Mr._Borgin abandonou os seus modos subservientes . « Bom dia para o senhor , Mr._Malfoy , e , se as histórias que contam são verdadeiras , não me vendeu nem metade do_que tem escondido em a sua mansão ... » Murmurando de forma taciturna , Mr._Borgin desapareceu em uma sala escura . Harry esperou um minuto não fosse ele voltar e , em seguida , o mais silenciosamente possível , escapou se de o armário , passou por as caixas de vidro e saiu de a loja . Encostando os óculos partidos a o rosto , olhou em volta . Saíra em uma rua estreita e sombria que parecia composta exclusivamente de lojas dedicadas a as artes negras . Aquela de onde acabava de sair parecia ser a maior , mas em frente estava uma montra tétrica de cabeças encolhidas e duas portas abaixo podia ver se uma enorme caixa viva cheia de gigantescas aranhas pretas . Dois feiticeiros com aspecto pobre observavam o de a sombra de uma porta , murmurando entre si . Sentindo se nervoso , Harry pôs se a caminho , tentando agarrar os óculos a direito e não desistindo de a esperança de encontrar maneira de sair de ali . Por um cartaz de madeira , pendurado em a rua , indicando uma loja de venda de velas envenenadas , ficou a saber que se encontrava em a Rua * _ Bativolta * , mas isso não o ajudou pois Harry nunca ouvira falar em tal lugar . Calculou que não tinha pronunciado bem as palavras com a boca cheia de cinzas em a lareira de os Weasley . Tentando manter a calma perguntou a si mesmo o que havia de fazer . - Não estás perdido , pois não , meu menino ? - perguntou uma voz , mesmo junto de o seu ouvido , que o fez dar um salto . Uma bruxa idosa estava em a sua frente , segurando um tabuleiro de uma coisa que se parecia horrivelmente com unhas humanas . A mulher olhou o maldosamente , mostrando os dentes esverdeados . Harry recuou . - Estou bem , obrigado - disse . - Estou só ... - HARRY ! O qu'é que pensas que estás a fazer aqui ? O coração de Harry deu um salto , assim_como o de a bruxa . Um monte de unhas caíram lhe sobre os pés e ela praguejou , enquanto o corpo enorme de Hagrid , o guarda de os campos de Hogwarts , se aproximava de eles a passos largos com os olhos castanhos-escuros a faiscarem sobre a longa barba eriçada . - Hagrid - gritou Harry , aliviado . - Eu estava perdido ... o pó de Floo ... Hagrid agarrou Harry por o cachaço e puxou o para longe de a bruxa , tirando lhe o tabuleiro de as mãos . Os guinchos agudos de a feiticeira seguiram nos até a o fundo de a ruela serpenteante que ia dar a um lagar onde brilhava o sol . Harry avistou a a distância um edifício de mármore branco como a neve que lhe era familiar : o banco de Gringotts . Hagrid conduzira o até a a Diagon - _ Al . - ` _ tás em um péssimo estado ! - disse Hagrid bruscamente , sacudindo lhe a fuligem com tanta força que Harry quase caiu em um barril de estrume de dragão que se encontrava a a porta de um boticário . - A fugir , em a Rua * _ Bativolta * , eu não conheço esse lugar finório , Harry , não quero que ninguém te veja aqui em baixo . - Já percebi - disse Harry , baixando se quando Hagrid fez menção de o escovar melhor . - Já te disse que estava perdido . E o que é_que tu fazes aqui ? - ` _ Tou a a procura d'um repelente para as lesmas comedoras de legumes - resmungou Hagrid . - ` _ tão a destruir as couves todas de a escola . Tu não estás sozinho ? - Estou em casa de os Weasley , mas separámo nos explicou Harry . - Tenho que os encontrar . Desceram juntos a rua . - Por_que é_que nunca respondeste a as minhas cartas ? - perguntou Hagrid , enquanto Harry corria para o acompanhar ( tinha de dar três passos por cada enorme passada de Hagrid ) . Harry explicou lhe tudo sobre Dobby e os Dursleys . - Malditos_Muggles - rugiu Hagrid . - S'eu tivesse sabido ... - Harry ! Harry ! Aqui ! Harry olhou para_cima e viu Hermione_Granger em o topo de a escadaria de Gringotts . Desceu para vir a o encontro de ele , o cabelo castanho de caracóis , a esvoaçar atrás de ela . - O que aconteceu a os teus óculos ? Olá_Hagrid ... Oh , é maravilhoso ver vos outra_vez . Vens a Gringotts , Harry ? - Logo_que encontre os Weasley - respondeu ele . - Não vais ter d'esperar muito - riu se Hagrid . Harry e Hermione olharam em volta . Subindo a rua , em o meio de a multidão , vinham Ron , Fred , George , Percy e Mr._Weasley . - Harry - chamou Mr._Weasley , ofegante . - Tínhamos esperança que só tivesses ido um fogão mais longe ... - passou um pano em a sua calva reluzente . - A Molly está nervosíssima , aí vem ela . - Onde é_que tu saíste ? - perguntou o Ron . - Em a Rua * _ Bativolta * - disse o Hagrid , com um ar sério . - Sensacional ! - exclamaram Fred e George ao_mesmo_tempo . - Nunca nos deram autorização para lá ir - disse o Ron com uma pontinha de inveja . - E fizeram muito bem - grunhiu Hagrid . Mrs._Weasley chegou em aquele momento a correr , a mala a balouçar em uma de as mãos e Ginny quase pendurada em a outra . - Oh Harry , oh meu querido , podias ter ido parar a qualquer lugar ... Tentando recuperar o fôlego , tirou de a mala uma grande escova de roupa e começou a retirar a fuligem que Hagrid não conseguira expulsar . Mr._Weasley pegou em os óculos de Harry , deu lhes um toque de varinha e entregou lhe os como novos . - Bem , tenho de m'ir embora - disse Hagrid cuja mão estava a ser esmagada por Mrs._Weasley ( -- Rua * _ Bativolta * ! Se não o tivesses encontrado , Hagrid ! ) . - Vemo nos em Hogwarts . - E afastou se , os ombros e a cabeça acima de a multidão que enchia completamente a rua . - Adivinham quem eu vi em o Borgin and Burkes ? - perguntou Harry_a_Ron e a Hermione enquanto subiam as escadarias de Gringotts . - Malfoy e o pai . - O Lucius_Malfoy comprou alguma coisa ? - perguntou interessado Mr._Weasley que estava atrás de eles . - Não , estava a vender . - Então está preocupado - comentou Mr._Weasley com visível satisfação . - Ah , eu adorava apanhar o Lucius_Malfoy em alguma . . - Tem cuidado , Arthur - interrompeu Mrs._Weasley enquanto o gnomo porteiro lhes dava reverentemente entrada em o banco . - Isso é um problema de família . Não queiras ter mais olhos que barriga . - Queres dizer com isso que achas que eu não chego para o Malfoy ? - perguntou Mr._Weasley , indignado , mas foi rapidamente afastado de aqueles sentimentos a o avistar os pais de Hermione que estavam de pé , nervosamente encostados a o balcão que acompanhava a grande parede de mármore , a a espera que Hermione os apresentasse . - Mas vocês são Muggles ! - disse Mr._Weasley , encantado . - Temos de tomar uma bebida . O que é isso aí ? Ah , estão a trocar dinheiro de Muggle . Molly , olha - apontou cheio de excitação para as notas de dez libras que Mr._Granger tinha em a mão . - Encontramo nos aqui - disse Ron_a_Hermione , enquanto os Weasley e Harry eram conduzidos a os seus cofres em o subterrâneo de Gringotts . Para chegar a os cofres havia que tomar umas carrinhas conduzidas por gnomos que se deslocavam ao_longo_de carris de comboio de pequenas dimensões através de os túneis subterrâneos de o banco . Harry gostou de a viagem acidentada até a o cofre de os Weasley , mas sentiu se bastante mal , pior do_que em a Rua * _ Bativolta * , quando o cobre foi aberto . Havia lá dentro um pequenino monte de Leões de prata e apenas um Galeão de ouro . Mrs._Weasley foi com a mão a a procura em os cantos antes de , com um gesto rápido , varrer tudo para dentro de o saco . Harry sentiu se ainda pior quando chegaram a o seu cofre . Tentou evitar que vissem o conteúdo enquanto empurrava apressadamente mãos cheias de moedas para dentro_de uma sacola de cabedal . Lá fora , em as escadarias de mármore , separaram se . Percy murmurou vagamente que precisava de uma nova pena de escrever . Fred e George tinham avistado um amigo de Hogwarts , Lee_Jordan . Mrs._Weasley e Ginny iam a uma loja de mantos em segunda mão , Mr._Weasley continuava a insistir em levar os Grangers a o Caldeirão_Escoante para lhes pagar uma bebida . - Encontrarmo nos todos em a Flourish and Blotts dentro_de uma hora para comprar os vossos livros de estudo - disse Mrs._Weasley , afastando se com Ginny . - E nem um passo em direcção a a Rua * _ Bativolta * - gritou a os gémeos que estavam de costas . Harry , Ron e Hermione deambularam por a rua empedrada e sinuosa . O ouro , prata e bronze que tilintavam alegremente em o saco que Harry tinha em o bolso pareciam exigir ser gastos , por isso ele comprou três enormes gelados de morango e manteiga de amendoim que eles devoraram felizes enquanto vagueavam sem destino por a rua fora , observando as montras fantásticas de as lojas . Ron olhou longamente para um conjunto completo de mantos de o Chudley_Cannon , em as montras de o « Equipamento_de_Quidditch_de_Qualidade » até Hermione o arrastar de ali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos . Em a « Jogos_de_Feitiçaria_de_Gambol and Japes » encontraram o Fred , o George e o Lee_Jordan que estavam presos em a fabulosa partida debaixo_de chuva e em os fogos-de-artifício de o Dr._Filibuster . E em uma pequenina loja de velharias cheia de varinhas partidas , balanças instáveis de latão e mantos velhos cobertos de nódoas de poções encontraram Percy profundamente concentrado em um pequenino livro , bastante chato , chamado * _ Prefeitos que conquistam o poder * . - * _ Um estudo sobre os prefeitos de Hogwarts e as suas posteriores carreiras * - leu alto o Ron em a contracapa . - Deve ser fascinante ... - Desaparece - gritou Percy . - Claro , ele é muito ambicioso , já tem tudo planeado . Quer ser ministro de a magia - disse o Ron baixinho a o Harry e a a Hermione , enquanto deixavam Percy entregue a o livro . Uma hora mais tarde dirigiram se a a Flourish and Blotts . Não eram de modo algum os únicos a encaminhar se para a livraria . À_medida_que se aproximavam viram com grande surpresa uma grande multidão a a porta , tentando entrar em a loja . O motivo de tal confusão estava anunciado em um cartaz que se estendia a o longo de a montra superior . GILDEROY_LOCKHART_Assinará exemplares de a sua autobiografia " eu , o mágico " Hoje 12.30 - 16.30 - Vamos poder conhecê o ! - gritou Hermione . - Quero dizer , ele escreveu quase todos os livros de a nossa lista ! A multidão parecia ser maioritariamente composta por bruxas de a idade de Mrs._Weasley . Um feiticeiro bem-parecido estava de pé junto de a porta , dizendo : - Calma , minhas senhoras , não empurrem , cuidado com os livros . Harry , Ron e Hermione conseguiram furar e entrar . Uma longa fila serpenteava para as traseiras de a loja onde Gilderoy_Lockhart estava a assinar os seus livros . Cada_um de eles pegou em um exemplar de * _ ensinamentos de Uma Fada_Carpideira * e escaparam se de a fila indo ter a o lugar onde se encontravam os outros com Mr. e Mrs._Granger . - Ah , aí estão vocês . _ óptimo - disse Mrs._Weasley que parecia estar com falta de ar e não parava de mexer em o cabelo . - Vamos poder vês o dentro_de um minuto . Gilderoy_Lockhart veio lentamente até um lugar onde era visível para todos , sentou se a uma mesa , rodeado de grandes fotografias de o próprio rosto , todo ele sorrisos , mostrando a a multidão o brilho cintilante de os seus dentes . Lockhart usava uma túnica azul-noite que condizia a as mil maravilhas com a cor de os olhos , o chapéu pontiagudo de feiticeiro colocado lateralmente sobre o cabelo ondulado . Um homenzinho pequenino e irritante andava a dançar de um lado para o outro , tirando fotografias com uma grande máquina preta que lançava baforadas de fumo arroxeado em cada * flash * . - Sai de o caminho , tu aí - disse rispidamente a o Ron , mudando de lugar para ter um angulo melhor . - Este é para o * _ Profeta_Diário * . - Grande coisa ! - exclamou o Ron , esfregando os pés em o lugar que o fotógrafo pisara . Gilderoy_Lockhart ouviu o . Olhou , viu o Ron e em seguida Harry . Voltou a olhar , desta_vez com mais atenção . Em seguida , pôs se de pé e gritou : - Não pode ser , o Harry_Potter ? A multidão dividiu se entre murmúrios de excitação . Lockhart aproximou se , agarrou Harry por um braço e levou o para a frente . A multidão rebentou em aplausos . A cara de Harry ardia quando Lockhart lhe apertou a mão para o fotógrafo que disparava como um louco , lançando fumo espesso para_cima de os Weasley . - Belo sorriso , Harry - disse Lockhart através de os seus dentes brilhantes . - Tu e eu juntos merecemos a primeira página . Quando por fim lhe largou a mão , Harry quase não sentia os dedos . Tentou recuar para junto de os Weasley , mas Lockhart lançou lhe um braço por os ombros e prendeu o a o seu lado . - Minhas senhoras e meus senhores - disse bem alto , fazendo sinal para que se acalmassem . - Que momento extraordinário este ! O momento perfeito para eu anunciar algo que tenho vindo a guardar comigo desde_há algum tempo . - Quando o jovem Harry entrou em a Flourish and Blotts hoje , ele queria apenas comprar a minha autobiografia , que tenho agora o maior prazer em oferecer lhe - a multidão aplaudiu de_novo . - Ele não tinha ideia - continuou Lockhart , dando a o Harry um pequeno encontrão que fez com que os óculos lhe escorregassem para a ponta de o nariz - de que ia conseguir em_breve muito mais do_que o meu livro Eu , o mágico . Ele e os seus colegas de a escola vão receber , de facto , o verdadeiro * _ Eu , o mágico * . Sim , minhas senhoras e meus senhores , tenho o maior prazer em anunciar que em o mês_de_Setembro assumirei o lugar de professor de Defesa contra as artes negras em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts ! A multidão aplaudiu e bateu palmas e Harry deu consigo a ser presenteado com a obra completa de Gilderoy_Lockhart . Cambaleando ligeiramente sob o peso de os livros conseguiu abrir caminho para longe de os projectores até a a porta de a sala onde estava Ginny com o seu novo caldeirão . - Podes ficar com estes - murmurou Harry , enfiando os livros em o caldeirão . - Eu vou comprar os meus . - Aposto que adoraste aquilo , não adoraste , Potter ? - disse uma voz que Harry não teve qualquer dificuldade em reconhecer . Endireitou se e deu consigo frente_a_frente com Draco_Malfoy que exibia o seu habitual sorriso escarninho . - O famoso Harry_Potter - disse Malfoy . - Nem_sequer pode entrar em uma livraria sem se tornar primeira página . - Deixa o em paz , ele não queria nada de isso - defendeu a Ginny . Era a primeira vez que falava em frente de Harry . Olhava para Malfoy com um ar feroz . - Potter , arranjaste uma namorada ! - disse arrastadamente Malfoy . Ginny ficou vermelha como um pimentão enquanto Ron e Hermione tentavam abrir caminho , ambos carregando montes de livros de Lockhart . -- Ah és tu ? - disse Ron , olhando para Malfoy como_se ele fosse algo desagradável colado a a sola de o sapato . - Aposto que te surpreendeu ver o Harry aqui ? - Não tanto como a ti em uma loja , Weasley - retorquiu Malfoy . - Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo . Ron ficou tão vermelho quanto Ginny . Deixou também cair os livros em o caldeirão e avançou para Malfoy , mas Harry e Hermione agarraram o por as costas de o casaco . - Ron - disse Mrs._Weasley , aproximando se com Fred e George . - O que estás a fazer ? Isto está uma loucura aqui dentro , vamos lá para fora . - Olha quem ele é , Arthur_Weasley . - Era_Mr._Malfoy . Estava de pé com a mão sobre o ombro de Draco , com o mesmo sorriso escarninho . -- Lucius - disse Mr._Weasley , acenando friamente . -- Muito trabalho em o ministério , segundo me consta - disse Mr._Malfoy . - Todas essas buscas ... espero que te estejam a pagar horas extraordinárias . Meteu a mão em o caldeirão de a Ginny e tirou de o meio de os livros de Lockhart um exemplar muito velho e muito gasto de o * _ Guia_de_Transfiguração_para_Principiantes * . - Parece que não - disse . - Que diabo , qual a vantagem de ser uma nódoa entre os feiticeiros se nem_sequer te pagam bem por isso ? Mr._Weasley corou mais ainda do_que Ron ou Ginny . - Nós temos uma opinião diferente sobre quem são as nódoas entre os feiticeiros - disse . - É claro que ... - disse Mr._Malfoy , os olhos mortiços passando para Mr. e Mrs._Granger apreensivamente . - As companhias com quem tu andas ... e eu que pensava que já não conseguias descer mais baixo ... Ouviu se um tilintar de metal quando o caldeirão de a Ginny foi por os ares . Mr._Weasley lançara se sobre Mr._Malfoy atirando o para dentro_de uma estante . Dezenas_de livros de feitiços saltaram lá de cima , caindo lhes sobre as cabeças . Houve um grito de - Chega lhe , pai ! - de o Fred e de o George . Mrs._Weasley soltava gritos agudos : - Não_Arthur , não . A multidão recuava deitando mais prateleiras a o chão . - Meus senhores , por favor - gritava o encarregado , e então , mais alto do_que todos : - Parem com isso , gente , parem com isso . Hagrid aproximava se através_de um mar de livros . Em um segundo afastou Mr._Weasley e Mr._Malfoy . Mr._Weasley tinha um lábio cortado e Mr._Malfoy fora agredido em um olho por uma * _ Enciclopédia_de_Cogumelos_Venenosos * . Tinha ainda em a mão o livro velho de a Ginny sobre transfiguração . Atirou lhe o , com os olhos a brilhar de malvadez . - Toma o teu livro , garota . É o melhor que o teu pai pode oferecer te . Libertando se de Hagrid , conduziu Draco para fora e abandonaram a livraria . - Devias tê o ignorado , Arthur - disse Hagrid quase a pegar em Mr._Weasley a o colo enquanto lhe endireitava o manto . - São podres até a a raiz , todos eles . Tod'à gente sabe . Nenhum Malfoy vale a pena ser ouvido . Não prestam , ' tá-lhes em o sangue . Vá lá , vamos sair de aqui . O encarregado parecia querer impedis os , mas , olhando bem para Hagrid , pensou melhor . Subiram a rua , os Grangers a tremer de medo e Mrs._Weasley fora de si . - Um belo exemplo para as crianças ... andar a a pancada em público . O que terá pensado Gilderoy_Lockhart ? - Ele gostou - disse o Fred . - Não o ouviram quando ia a sair ? Estava a perguntar a aquele tipo de o Profeta_Diário se conseguia incluir a briga em a reportagem , disse que era boa publicidade . Mas foi um grupo deprimido que regressou a a lareira de o Caldeirão_Escoante onde Harry , os Weasley e todas_as suas compras iriam viajar de volta até a a Toca , usando o pó de Floo . Despediram se de os Grangers que iam sair de o * pub * por a rua de os Muggles , de o outro lado . Mr._Weasley começou a perguntar lhes como funcionavam as paragens de autocarros , mas calou se rapidamente a o ver a expressão de Mrs._Weasley . Harry tirou os óculos e guardou os cautelosamente em o bolso antes de utilizar o pó de Floo . Definitivamente não era a sua forma ideal de viajar . V_O salgueiro zurzidor O fim de as férias de Verão chegou demasiado depressa para o gosto de Harry . Ele desejara muito regressar a Hogwarts , mas aquele mês em a Toca tinha sido o mais feliz de toda_a sua vida . Era difícil não invejar o Ron quando pensava em os Dursleys e em as boas-vindas que ia receber de a próxima vez que pusesse os pés em Privet_Drive . Em a última noite , Mrs._Weasley preparou um jantar magnífico , que incluía os pratos favoritos de Harry e terminava com um pudim de melaço de fazer crescer água em a boca . Fred e George alegraram a noite com uma exibição de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que saltaram de o tecto para as paredes , durante pelo_menos meia_hora . Depois , foi a altura de tomarem uma caneca de chocolate quente e irem para a cama . Em a manhã seguinte , demoraram muito_tempo a preparar se . Levantaram se com o cantar de o galo , mas parecia lhes que ainda tinham muito para fazer . Mrs._Weasley andava de um lado para o outro , mal-humorada , a a procura de meias e penas , chocavam uns com os outros em as escadas , meio vestidos , meio despidos , com pedaços de torrada em as mãos e Mr._Weasley quase partiu o nariz quando tropeçou em uma galinha a o atravessar o pátio , para meter em o carro a mala de Ginny . Harry não percebia lá muito bem_como é_que oito pessoas , seis grandes malas , duas corujas e um rato , iam caber em um pequeno * _ Ford_Anglia * , isso , claro , antes de as artes mágicas que Mr._Weasley acrescentara . - Nem uma palavra a a Molly - murmurou ele a o Harry , enquanto abria a bagageira e lhe mostrava como ela se expandira para que as malas coubessem facilmente . Quando , por fim , se acomodaram todos em o carro , Mrs._Weasley olhou para o banco de trás , onde Harry , Ron , Fred , George e Percy estavam confortavelmente sentados uns a o lado de os outros e disse : - Os Muggles têm mais conhecimentos do_que aqueles que nós lhes atribuímos , não achas ? - Ela e a Ginny entraram para o lugar de a frente , que fora esticado e parecia um banco de jardim . - Quer_dizer , de_fora ninguém diria que este carro era espaçoso , não acham ? Mr._Weasley pôs o motor a funcionar e saíram de o pátio , Harry voltando se para trás para ver por a última vez a casa . Mal teve tempo de se questionar se iria voltar alguma vez e já estavam de volta : George esquecera se de a caixa de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Cinco minutos mais tarde tiveram de interromper de_novo a viagem e voltar a o pátio para o Fred ir a correr buscar a vassoura . Estavam quase a chegar a a auto-estrada , quando Ginny guinchou que se esquecera de o diário . Mas estava a fazer se muito tarde e os ânimos começavam a exaltar se . Mr._Weasley olhou para o relógio e , em seguida , para a mulher . - Molly , querida ... - Não , Arthur . - Ninguém ia ver . Este botãozinho é um transformador de invisibilidade que eu instalei , levava nos por o ar , subíamos acima de as nuvens . Estaríamos lá em dez minutos e ninguém daria por nada ... - Eu disse que não , Arthur . Durante o dia , não . Chegaram a King's_Cross , faltava um quarto para as onze . Mr._Weasley precipitou se em busca de um carrinho de transporte para as malas e correram todos para a estação . Harry apanhara o Expresso_de_Hogwarts em o ano anterior . A parte mais difícil era entrar em a plataforma nove_e_três quartos , que não era visível a os olhos de os Muggles . Era preciso avançar para a barreira sólida que dividia as plataformas nove e dez . Não doía nada , mas tinha de ser feito com cuidado para que nenhum de os Muggles de esse , por o desaparecimento . - O Percy em primeiro lugar - declarou Mrs._Weasley , olhando nervosamente para o relógio lá em cima , que mostrava que tinham apenas cinco minutos para desaparecer através de a barreira . Percy avançou a passos largos e desapareceu . Mr._Weasley foi a seguir e depois de ele Fred e George . - Eu levo a Ginny e vocês vêm atrás_de nós - disse Mrs._Weasley a o Harry e a o Ron , agarrando Ginny pela mão e seguindo em frente . Em um abrir e fechar de olhos , tinham passado . - Vamos passar juntos , só temos um minuto - disse Ron a o Harry . Harry assegurou se de que a gaiola de a Hedwig estava bem fixa em cima de a sua mala e empurrou o carrinho de encontro a a barreira . Estava perfeitamente confiante , aquilo era muito mais fácil do_que usar o pó de Floo . Puseram os dois as mãos em o puxador de os carrinhos e avançaram direitos a a barreira , ganhando velocidade . A um metro e pouco , começaram a correr e ... CRASH . Os dois carros bateram em a barreira e foram impelidos para trás . A mala de o Ron caiu com um enorme estrépito . Harry desequilibrou se e a gaiola de a Hedwig foi parar a o chão brilhante , enquanto ela rolava guinchando , indignada . As pessoas em volta olhavam fixamente e um guarda que estava ali perto gritou : - Que diabo pensam vocês que estão a fazer ? - Perdemos o controlo de o carro de transporte - respondeu o Harry , respirando com dificuldade , agarrando se a as costelas , enquanto se punha de pé . Ron correu a agarrar a Hedwig , que estava a fazer uma cena tal , que já se ouviam murmúrios em a multidão sobre a crueldade para com os animais . - Porque é_que não conseguimos passar ? - perguntou Harry a o Ron em um sussurro . - Não sei . Ron olhou descontroladamente em volta . Uma_dúzia de curiosos estavam ainda a observá os . - Vamos perder o comboio - murmurou o Ron . - Não compreendo porque motivo a cancela se fechou . Harry olhou para o relógio gigantesco com um sentimento de náusea em a boca de o estômago . Dez segundos , nove segundos ... Dirigiu o carrinho de transporte para a frente com toda_a força . O metal manteve se sólido . Três segundos ... dois segundos ... um segundo ... - Partiu - afirmou o Ron , que parecia estonteado . - O comboio foi se embora . E se a mãe e o pai não conseguem voltar para aqui ? Tens algum dinheiro de Muggle ? Harry deu uma gargalhada . - Os Dursleys não me dão um tostão há mais de seis anos ! Ron encostou o ouvido a a barreira . - Não se ouve nada - disse , bastante tenso . - O que vamos nós fazer ? Não sei quanto tempo o pai e a mãe vão demorar . Olharam em volta . As pessoas ainda estavam a observá os , principalmente devido a os contínuos guinchos de a Hedwig . - Acho que o melhor é sairmos de aqui e esperamos por eles junto de o carro - disse Harry . - Aqui estamos a atrair demasiado as aten ... - Harry - disse o Ron , com os olhos a brilhar . - É isso , o carro . - O que é_que tem ? - Podemos voar nele até Hogwarts ! - Mas eu pensei ... - Estamos em apuros , certo ? E temos de chegar a a escola , ou não ? E mesmo os feiticeiros menores de idade estão autorizados a usar a magia em uma emergência real , parágrafo dezanove , ou não sei quê , de a Restrição de ... O sentimento de pânico de Harry transformou se em entusiasmo . - E tu sabes voar nele ? - Não há problema - disse o Ron , andando com o carrinho a a volta e dirigindo se para a saída . - Anda de aí . Se em os apressarmos , conseguiremos sair atrás de o Expresso_de_Hogwarts . E afastaram se de o grupo de Muggles curiosos , abandonando a estação e voltando a a rua , onde o velho * _ Ford_Anglia * se encontrava estacionado . Ron abriu a bagageira com uma série de toques de varinha . Meteram lá dentro as malas , puseram a Hedwig em o assento de trás e entraram para a frente . - Verifica se ninguém está a ver - disse o Ron , ligando a ignição com outro toque de varinha . Harry pôs a cabeça fora de a janela : o trânsito enchia a avenida principal , mas a rua de eles estava vazia . - O. _ K. - disse . Ron carregou em um pequeno botão de o painel . Os carros em volta desapareceram assim_como eles . Harry sentia o assento a vibrar debaixo_de si , ouvia o motor , sentia as mãos sobre os joelhos e os óculos em o nariz , mas , tanto quanto conseguia ver , tornara se um par de olhos redondos flutuando um metro e pouco acima de o chão em uma rua suja , cheia de carros estacionados . - Vamos - disse a voz de o Ron , vinda de o seu lado direito . O chão e os prédios escuros de ambos os lados desapareceram de o seu ângulo de visão , mal o carro se elevou . Em poucos segundos toda_a cidade de Londres , enevoada e resplandecente , estava por baixo de eles . Em seguida , ouviu se um ruído que parecia o saltar de uma rolha e o carro , Harry e Ron , reapareceram . - Oh , oh - disse Ron , batendo em o intensificador de invisibilidade . - Está avariado ... Começaram os dois a bater em o botão . O carro desapareceu . Depois surgiu de forma intermitente . - Aguenta aí - gritou o Ron e carregou com o pé em o acelerador . Saltaram direitinhos para o meio de as nuvens mais baixas e tudo ficou sujo e enevoado . - E agora ? - exclamou Harry , piscando os olhos a a sólida massa de nuvens que os comprimia de todos os lados . - Precisamos de avistar o comboio para sabermos qual a direcção a tomar - explicou o Ron . - Desce rapidamente ... Desceram por o meio de as nuvens e voltaram se em os lugares , espreitando . - Estou a vê o - gritou Harry . - Mesmo em frente , ali . O Expresso_de_Hogwarts deslocava se a grande velocidade lá em baixo , como uma serpente vermelha . - Para Norte - disse o Ron , verificando a bússola de o painel . - O. _ k . , basta que verifiquemos de meia em meia_hora . Aguenta aí ... - e arrancaram por o meio de as nuvens . Em o minuto seguinte , tinham chegado a a luz brilhante de o Sol . Era um mundo diferente . Os pneus de o carro deslizavam sobre o mar de nuvens macias , o céu era de um azul infinito sob a luz , capaz de cegar , que irradiava de o Sol . - Agora só temos de nos preocupar com os aviões - disse o Ron . Olharam um para o outro e desataram a rir . Durante muito_tempo não conseguiram parar . Era como_se tivessem mergulhado em um sonho fabuloso . Aquela , pensou Harry , era certamente a única maneira de viajar : passando por turbilhões e torres de nuvens cor de neve , em um carro cheio de calor , o sol radioso , com um grande pacote de rebuçados em o porta-luvas e antegozando o ar de inveja de o Fred e de o George quando aterrassem suavemente e de forma espectacular em o relvado macio em frente de o castelo de Hogwarts . Espreitaram várias vezes o comboio enquanto voavam cada_vez_mais para norte . Cada descida entre as nuvens dava lhes uma perspectiva diferente . Londres depressa ficou para trás , substituída por campos verdejantes que , por sua vez , deram lugar a grandes pântanos arroxeados , aldeias com pequenas igrejas de brinquedo e uma grande cidade , cheia de vida , com carros que pareciam formigas multicores . Várias horas mais tarde sem acontecer nada de_novo , Harry teve de admitir que uma parte de o entusiasmo se esgotara . Os rebuçados tinham nos deixado cheios de sede e não havia nada para beber . Ele e o Ron tinham tirado as camisolas , mas a * _ T-shirt * de o Harry estava colada a as costas de o assento e os óculos não paravam de lhe escorregar para a ponta de o nariz . Deixara de reparar em as fabulosas formas de as nuvens e pensava com saudade em o comboio , milhas abaixo de eles , onde se podia comprar sumo fresquinho de abóboras em um carro empurrado por uma bruxa gordinha . Porque não teriam conseguido entrar em a plataforma nove_e_três quartos ? - Não pode ser muito mais longe , pois não ? - resmungou o Ron , horas mais tarde quando o Sol começava a enfiar se em o seu chão de nuvens , pintando as de um rosa profundo . - Estás pronto para outra espreitadela a o comboio ? Ainda ia mesmo por baixo de eles , abrindo caminho por_entre uma montanha com o topo coberto de neve . Estava muito mais escuro entre o dossel de nuvens . Ron pôs o pé em o acelerador e levou os de_novo para_cima , mas em esse momento o motor começou a chiar . Harry e Ron trocaram entre si olhares nervosos . - Deve estar só cansado - disse o Ron . - Nunca tinha vindo tão longe ... - E fingiram ambos que não davam por o gemido que se ia tornando maior à_medida_que o céu serenamente escurecia . As estrelas desabrochavam em a escuridão , Harry voltou a enfiar a camisola de lã , tentando ignorar os limpa pára-brisas que acenavam debilmente como_que a protestar . - Não devemos estar longe - disse Ron , dirigindo se mais a o carro do_que a o amigo . - Já não devemos estar longe - deu umas palmadinhas nervosas em o * tablier * . Pouco depois , quando voltaram a voar em o meio de as nuvens , tiveram de olhar de lado em a escuridão , em busca de um ponto de referência que conhecessem . - Ali - gritou Harry , fazendo o Ron e a Hedwig darem um salto . - Mesmo em frente . Recortados em o horizonte negro , sobre o rochedo de o outro lado de o lago , erguiam se as torres e torreões de o castelo de Hogwarts . Mas o carro tinha começado a estremecer e perdia a os poucos velocidade . - Vá lá - disse o Ron , dando a o volante um pequeno abanão bajulador . - Estamos quase a chegar , vá lá ... O motor gemeu . Pequenos jactos de vapor de água brotaram de o capo . Harry deu consigo agarrado com toda_a força a os bordos de o assento enquanto voavam direitos a o lago . O carro deu um solavanco feio . Espreitando por a janela , Harry viu a superfície negra , macia e espelhada de a água cerca de uma milha abaixo de eles . Os dedos de o Ron agarrados a o volante tinham as articulações brancas . O carro deu um novo esticão . - Vá lá - murmurou o Ron . Estavam sobre o lago ... o castelo ficava mesmo em frente . Ron fez força com o pé . Houve um ruído surdo , uma crepitação e o motor morreu por completo . - Oh ! oh ! - gemeu Ron em o silêncio . O nariz de o carro voltou se para baixo . Estavam a cair , ganhando velocidade em direcção a os muros sólidos de o castelo . - Naaaaão ! - gritou o Ron , girando o volante . Escaparam a a muralha de pedra negra por centímetros , quando o carro fez um grande arco , planando primeiro sobre as estufas , depois sobre o rectângulo plantado com vegetais e , por fim , sobre os relvados , perdendo sempre velocidade . Ron largou o volante por completo e tirou a varinha de o bolso de trás . - __ pára ! __ pára ! - gritou , batendo em o * tablier * e em o pára-brisas , mas eles continuavam a mergulhar , o chão a voar em direcção a eles . - : __ cuidado com essa __ árvore ! ! ! - bramiu Harry , deitando a mão a o volante , mas ... tarde de mais ... CRUNCH . Com um ruído ensurdecedor de metal e madeira , bateram em o tronco espesso de a árvore e caíram em o chão com um forte solavanco . O vapor era um mar debaixo de o capo amachucado . A Hedwig tremia apavorada . Em a cabeça de Harry surgira um alto de o tamanho de uma bola de golfe , quando ele batera em o pára-brisas , tombando em seguida para a direita . Ron soltou um gemido longo e desesperado . - Estás O. _ K ? - perguntou Harry , aflito . - A minha varinha - disse o Ron em uma voz trémula . - Olha para a minha varinha . Tinha se partido praticamente em duas , a ponta balouçava mole , presa por meia_dúzia de esquírolas . Harry abriu a boca para dizer que em a escola com certeza conseguiriam consertá a , mas nem chegou a começar a frase . Em esse preciso momento , algo bateu em o seu lado de o carro , com a força de um touro , projectando o para_cima de o Ron , ao_mesmo_tempo que um golpe igualmente forte se sentiu em o capô . - O que está a acontec ... Ron arfou , olhando fixamente por o pára-brisas e Harry olhou em volta , mesmo a_tempo_de ver uma ramada espessa como uma píton vir contra o vidro . A árvore em que tinham batido estava a atacá os . O tronco dobrara se quase a meio e os seus galhos rugosos davam uma tareia a cada centímetro de o carro que conseguiam atingir . - Ah ! - praguejou o Ron , quando outra pernada retorcida esmurrou a sua porta , amolgando a . O pára-brisas tremia agora sob uma saraivada de golpes vindos de galhos que pareciam patas de animais e uma ramada espessa como um aríete esmagava furiosamente o capo , que parecia estar a ceder ... - Corre ! - gritou o Ron , lançando o seu peso contra a porta , mas , em o momento seguinte , tinha sido atirado para trás , para o colo de Harry por um soco maldoso , dado de baixo para_cima , por outro ramo . - Estamos feitos ! - resmungou , enquanto o tecto descaía . Mas , de repente , o chão de o carro estava a vibrar , o motor pegara . - Marcha atrás - gritou o Harry e o carro deu um salto para trás . A árvore tentava ainda agredis os , ouviam as raízes chiar , enquanto quase se partiam esticando se para os alcançar . - Escapámos por_pouco ! - exclamou o Ron . - Muito bem , carro . Mas o carro tinha atingido o limite de as suas forças . Com dois estalidos , as portas abriram se e Harry sentiu o seu assento inclinar se para o lado . Quando deu por si , estava estatelado em o chão húmido . Ruídos surdos avisaram o de que o carro estava a ejectar as malas de a bagageira . A gaiola de a Hedwig voou por os ares e abriu se . Ela saiu a voar com um pio furioso e dirigiu se a o castelo , sem sequer olhar para trás . Em seguida , o carro , amolgado , arranhado e a fumegar , arrancou em o escuro , com os faróis traseiros ardendo de fúria . - Volta aqui ! - gritou o Ron , brandindo a varinha partida . - O meu pai mata me . Mas o carro desapareceu a perder de vista , com um último estoiro de o tubo de escape . - Já viste bem o nosso azar ! ? - exclamou o Ron em o meio de a sua infelicidade , baixando se para apanhar o rato Scabbers . - De todas_as árvores em que podíamos ter batido , tínhamos de ir dar a uma que bate também . Olhou por cima de o ombro para a velha árvore que ainda agitava os ramos ameaçadoramente . - Vamos - disse Harry , fatigado . - É melhor irmos andando para a escola ... Não foi , de modo algum , a chegada triunfal que tinham imaginado . Constrangidos , cheios de frio e magoados , pegaram em as malas e começaram a arrastá as por o relvado acima , em direcção a as grandes portadas de carvalho . - Acho que o banquete já começou - disse o Ron , largando a mala em os degraus de a entrada e atravessando devagarinho para espreitar por uma janela iluminada . - Harry , anda ver , é a distribuição . Harry apressou se e os dois , ele e o Ron , espreitaram para o Salão_Nobre . Um número infindável de velas pairava em o ar , sobre quatro mesas enormes cheias de gente , fazendo brilhar os pratos dourados e as taças . Em cima , o tecto encantado que espelhava o céu lá de_fora , brilhava cheio de estrelas . Por_entre a floresta de chapéus pretos pontiagudos de Hogwarts , Harry viu uma longa fila de alunos de o primeiro ano com olhares assustados que enchia o vestíbulo . Ginny estava entre eles , facilmente reconhecível devido a o seu chamativo cabelo Weasley . Enquanto isso , a professora Mc_Gonagall , uma bruxa de óculos com cabelo castanho apanhado em um carrapito , colocava o famoso chapéu seleccionador em um banco que se encontrava em frente de os novos alunos . Todos os anos , aquele velho chapéu , remendado , puído e cheio de pó , seleccionava alunos para as quatro equipas de Hogwarts ( Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin ) . Harry lembrava se bem de o ter colocado em a cabeça , precisamente um ano antes , e ter esperado petrificado por a sua decisão , enquanto ele lhe murmurava a o ouvido . Durante alguns horríveis segundos receara que o chapéu o mandasse para os Slytherin , a equipa que produzia maior número de feiticeiros e feiticeiras de magia negra , mas acabara por ficar em os Gryffindor , juntamente com Ron e Hermione e o resto de os Weasley . Em o último período , Harry e Ron tinham ajudado os Gryffindor a vencer o campeonato de a equipa , batendo os Slytherin pela_primeira_vez em sete anos . Um rapazito baixinho com cabelo de rato acabava de ser chamado para pôr o chapéu em a cabeça . Os olhos de Harry saltavam de ele para o lugar onde o professor Dumbledore , o director , estava sentado , observando a selecção de a mesa de os professores , com a sua longa barba cor de prata e óculos de meia-lua que brilhavam a a luz de as velas . Alguns lugares a a frente , Harry viu Gilderoy_Lockhart com um manto verde-azulado . E lá bem a o fundo estava Hagrid , enorme e cabeludo , bebendo satisfeito de a sua taça . - Espera aí - murmurou a o Ron . - Há um lugar vazio em a mesa de os professores . Onde estará o Snape ? Severus_Snape era o professor de quem Harry menos gostava . Harry era também o seu aluno menos querido . Cruel , sarcástico e detestado por todos com excepção de os alunos de a sua própria equipa ( Slytherin ) , Snape tinha a seu cargo a cadeira de Poções . - Talvez esteja doente - sugeriu Ron , cheio de esperança . - Talvez se tenha ido embora - lembrou Harry . - Por não lhe terem dado outra_vez a Defesa contra as artes negras . - Ou talvez tenha sido corrido - propôs Ron com entusiasmo . - Afinal , toda_a_gente o detesta ... - Ou talvez - disse uma voz gelada atrás de eles - esteja a a espera que vocês lhe expliquem por_que motivo não vieram em o comboio de a escola . Harry deu uma volta . Em a sua frente , com o manto negro a ondular em uma brisa fria , estava Severus_Snape . O professor era um homem magro , de pele descorada , nariz adunco e um cabelo preto oleoso que lhe caía sobre os ombros . E em aquele momento sorria de um modo tal que Harry sentiu que tanto ele como Ron estavam em sérios apuros . - Sigam me - disse Snape . Sem ousarem sequer olhar um para o outro , Harry e Ron seguiram Snape por as escadas até a o amplo * hall * de entrada que estava iluminado por as chamas de os archotes . De o salão nobre vinha um cheirinho delicioso a comida , mas Snape levou os para longe de a luz e de o calor , em direcção a uma escada estreita de pedra que conduzia a os calabouços . - Entrem - ordenou , abrindo uma porta a meio de o corredor e apontando . Entraram a tremer em o escritório de Snape . As paredes sombrias estavam cobertas de prateleiras cheias de jarros de vidro grosso onde flutuavam as coisas mais diversas e repugnantes , cujo nome Harry não queria de momento conhecer . A lareira estava escura e vazia . Snape fechou a porta e voltou se de frente para eles . - Com que então - disse com falsa suavidade - o comboio não serve para o famoso Harry_Potter e o seu fiel companheiro Weasley . Queriam chegar em grande estilo , não era rapazes ? - Não senhor , foi a barreira em King's_Cross , ela ... - Silêncio - disse Snape friamente . -- _ o que fizeram a o carro ? Ron engoliu em seco . Aquela não era a primeira vez que Snape dava a Harry a impressão de ser capaz de ler pensamentos . Mas , pouco depois , compreendeu tudo quando Snape desenrolou o exemplar de o Profeta_Vespertino . - Vocês foram vistos - afirmou , mostrando lhes o cabeçalho : : __ ford anglia voador confunde __ muggles . Começou a ler alto a notícia . - Dois Muggles em Londres convenceram se de que tinham visto um carro velho a voar sobre a torre de os correios ... a a tardinha em Norfolk , Mrs._Hetty_Bayliss , enquanto pendurava a roupa ... Mr._Angus_Fleet_de_Peebles informou a polícia ... seis ou sete Muggles a o todo . Julgo que o teu pai trabalha em o departamento de mau uso dado a os objectos de os Muggles ? - disse olhando para Ron e sorrindo de uma forma ainda mais sarcástica . - Que peninha , o próprio filho ... Harry sentiu se como_se tivesse levado um soco em o estômago de uma de as maiores pernadas de a árvore louca . E se alguém descobrisse que Mr._Weasley tinha enfeitiçado o carro ? Ele ainda nem tinha pensado em isso . - Reparei durante a minha volta por o jardim que foi feito um estrago considerável em um salgueiro zurzidor extremamente valioso - continuou Snape . - Essa árvore fez nos pior a nós do_que nós ... - deixou escapar Ron . - Silêncio - interrompeu Snape , de_novo . - Infelizmente vocês não fazem parte de a minha equipa e a decisão de vos expulsar não está em as minhas mãos . Vou , por isso , buscar as pessoas que possuem essa feliz possibilidade . Esperem aqui . Harry e Ron olharam , pálidos , um para o outro . Harry perdera a fome . Sentia se agora extremamente agoniado . Tentava não olhar para uma coisa viscosa , suspensa em um líquido verde que estava em uma prateleira por detrás de a secretária de Snape . Se ele fora buscar a professora Mc_Gonagall , chefe de a equipa de os Gryffindor , não estavam muito melhor . Ela era mais justa do_que Snape , mas extremamente severa . Dez minutos mais tarde , Snape voltou e era , de facto , a professora Mc_Gonagall quem o acompanhava . Harry vira a professora Mc_Gonagall zangada , mas , ou se tinha esquecido de como a boca de ela ficava fina , ou nunca a vira tão zangada como em aquele dia . Levantou a varinha em o momento em que entrou . Harry e Ron estremeceram , mas ela limitou se a apontá a para a lareira onde as chamas se elevaram subitamente . - Sentem se - ordenou , e os dois recuaram para as cadeiras junto de o lume . - Expliquem se - disse com os óculos a brilhar de uma forma ameaçadora . Ron enveredou por a história começando por a barreira de a estação que se recusara a deixá os passar . - Por isso não tínhamos escolha , professora , não podíamos chegar a o comboio . - Porque não nos mandaram uma carta por a coruja ? Julgo que tens uma coruja ? - disse friamente a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a Harry . Harry olhou para ela sem saber o que dizer . - Parece me - continuou ela - que seria a coisa mais adequada . - Eu ... não pensei ... - Isso - disse a professora Mc_Gonagall - é bastante óbvio . Ouviu se bater a a porta de o escritório e Snape , que parecia agora mais feliz do_que nunca , foi abrir . Era o director , o professor Dumbledore . Harry ficou totalmente paralisado . Dumbledore tinha uma expressão grave . Olhou para eles de cima de o seu nariz adunco e Harry desejou estar ainda com Ron a levar uma sova de o salgueiro zurzidor . Fez se um longo silêncio . Em seguida , Dumbledore disse lhes : - Por favor , expliquem porque fizeram isto . Teria sido melhor se gritasse . Harry detestou sentir a decepção em a sua voz . Inexplicavelmente era incapaz de olhar Dumbledore em os olhos e falou em direcção a os seus joelhos . Disse lhe tudo excepto que o carro enfeitiçado pertencia a Mr._Weasley , dando a ideia de que ele e o Ron o tinham encontrado estacionado fora de a estação . Sabia que Dumbledore ia ver para_além de isso , mas o director não fez perguntas sobre o carro . Quando Harry terminou continuou a olhar para ele através de os seus óculos . - Nós vamos buscar as nossas coisas - disse Ron em um tom de voz sem esperança . - Que disparate é esse ? - rosnou a professora Mc_Gonagall . -- Então , vão expulsar nos , não vão ? - disse o Ron . Harry olhou rapidamente para Dumbledore . - Ainda não , Mr._Weasley - afirmou Dumbledore . - Mas vou assinalar a gravidade do_que vocês fizeram . Hoje a a noite escreverei a as vossas famílias . Estão também prevenidos que se voltarem a fazer uma coisa como esta não terei outro remédio senão expulsar vos . A expressão de Snape era como_se o Natal tivesse sido cancelado . Pigarreou e disse : - Professor_Dumbledore , estes rapazes infringiram o decreto para a restrição de a feitiçaria de os menores , causaram estragos consideráveis a uma árvore antiga e valiosa ... sem dúvida , actos de esta natureza ... - Cabe a a professora Mc_Gonagall decidir sobre os castigos de os rapazes , Severus - afirmou Dumbledore com toda_a calma . - Pertencem a a equipa de ela e são , portanto , de a sua responsabilidade . - Voltou se para a professora Mc_Gonagall . - Tenho de regressar a o banquete , Minerva , devo dar algumas informações . Venha Severus , há uma tarte de leite e ovos com um aspecto delicioso que quero mostrar lhe . Snape lançou um olhar de puro veneno a o Harry e a o Ron enquanto permitia que o afastassem de o seu escritório , deixando os a sós com a professora Mc_Gonagall que ainda os olhava como uma águia em fúria . - É melhor ires até a a ala hospitalar , Weasley , estás a sangrar . - Não é nada - disse Ron , limpando o corte com a manga para que ela o visse . - Professora , eu gostava de ver a minha irmã ser seleccionada . - A cerimónia de a selecção terminou - disse a professora Mc_Gonagall . - A tua irmã está também em os Gryffindor . - _ óptimo - exclamou Ron . - E por falar em os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall de forma cortante , mas Harry interrompeu a : - Professora , quando tirámos o carro , o ano escolar ainda não tinha começado , por isso os Gryffindor não deveriam perder pontos , pois não ? - terminou olhando a ansiosamente . A professora Mc_Gonagall lançou lhe um olhar penetrante , mas ele era capaz de jurar que ela quase tinha sorrido . Pelo_menos a boca não parecia tão fina . - Não vou tirar pontos a os Gryffindor - tranquilizou o . E o coração de Harry ficou mais leve . - Mas vocês os dois vão ter um castigo . Foi melhor do_que Harry imaginara . O facto de Dumbledore escrever a os Dursley não tinha a menor importância . Harry sabia perfeitamente que eles só lamentariam que o salgueiro zurzidor não o tivesse esmigalhado . A professora Mc_Gonagall ergueu a varinha de_novo apontou a a a secretária de Snape . Um grande prato de sanduíches , duas taças de prata e um jarro com sumo de abóbora gelado apareceram em menos_de um segundo . - Vocês vão comer aqui e , em seguida , vão direitinhos para o vosso dormitório - disse . - Eu também tenho de voltar para a festa . Mal a porta se fechou atrás de ela , Ron soltou baixinho um assobio . - Pensei que estávamos feitos - confessou , agarrando uma sanduíche . - Também eu - disse o Harry , orando também uma . - Mas já viste bem a nossa pouca sorte ? - insistiu o Ron com a boca cheia de frango e fiambre . - O Fred e o George voaram em aquele carro cinco ou seis vezes e nenhum Muggle os viu - engoliu outro pedaço enorme de a sanduíche . - Porque será que não conseguimos passar a barreira ? Harry encolheu os ombros . - Mas temos de ter muito cuidado a_partir_de agora - disse bebendo um grande trago de sumo de abóbora . - Que pena não termos podido ir a o banquete . - Ela não quis que nos exibíssemos - afirmou Ron com prudência . - Não vão as pessoas pensar que é uma boa chegar aqui de carro voador . Quando já tinham comido todas_as sanduíches que queriam ( o prato ia voltando a encher se sozinho ) , levantaram se e saíram de o escritório , seguindo o caminho que lhes era familiar , para a torre de os Gryffindor . O castelo estava em silêncio . Parecia que o banquete tinha acabado . Passaram por retratos murmurantes e armaduras que gemiam e subiram os degraus estreitos de pedra até que , por fim , chegaram a a passagem onde a entrada secreta para a torre de os Gryffindor se encontrava oculta por detrás de o quadro a óleo de uma dama gorda em um vestido cor-de-rosa . - A senha ? - perguntou ela mal os dois se aproximaram . - Er ... Eles ainda não tinham estado com o prefeito de os Gryffindor e por isso ainda não conheciam a senha para o novo ano , mas a ajuda não se fez esperar . Ouviram passos apressados atrás de eles e quando se voltaram viram Hermione que se aproximava . - Aí estão vocês . Onde é_que se meteram ? Correm os boatos mais ridículos , alguém disse que vocês tinham sido expulsos por espatifarem um carro voador . - Bem , expulsos não fomos - tranquilizou a Harry . - Não estás a dizer me que voaram até aqui ? - perguntou Hermione em um tom quase tão severo como a professora Mc_Gonagall . - Dispensa se o sermão - interrompeu Ron impacientemente . - E diz nos a nova senha de passagem . - É crista de pássaro - disse Hermione não contendo a impaciência . - Mas o mais importante não é isso ... Contudo as palavras de ela foram interrompidas ao_mesmo_tempo que o retrato de a dama gorda se abria e se ouvia uma tempestade de aplausos . A o que parecia a equipa de os Gryffindor estava ainda acordada , dentro de a sala comum em forma de círculo , junto de as mesas assimétricas e de os cadeirões moles a a espera que eles chegassem para , de braços estendidos através de o buraco de o retrato , puxarem Harry e Ron para dentro deixando Hermione para o fim . - Sensacional - gritou Lee_Jordan . - Inspirado ! Que entrada ! Voar em um carro e aterrar em o salgueiro zurzidor . Toda_a_gente vai falar de isto durante anos e anos . - Muito bem - disse um aluno de o quinto ano com quem Harry nunca tinha falado . Alguém dava lhe palmadas em as costas como_se ele acabasse de vencer a maratona . Fred e George abriram caminho por_entre a multidão e disseram ao_mesmo_tempo : - Por_que é_que não nos chamaram , hein ? - Ron estava vermelho como um pimentão , sorrindo envergonhado , mas Harry via perfeitamente uma pessoa que não estava nada contente . Percy elevava se acima de as cabeças de os excitados alunos de o primeiro ano e parecia estar a tentar aproximar se para os repreender . Harry deu uma cotovelada a o Ron e apontou em direcção a Percy . Ron percebeu de imediato . - Temos de ir para_cima , um_pouco cansados ! - explicou e os dois começaram a abrir caminho em direcção a a porta que ficava de o outro lado de a sala e que dava para a escada em espiral e para os dormitórios . - ` _ Noite - despediu se Harry_de_Hermione que tinha um ar tão carrancudo como Percy . Conseguiram chegar a o outro lado de a sala comum sempre a levarem palmadas em as costas e alcançaram o sossego de as escadas . Apressaram se a subir e , por fim , chegaram a a porta de o dormitório que tinha agora um letreiro a dizer « Segundos_Anos » . Entraram em o quarto circular , que conheciam tão bem , com as suas cinco camas de dossel adornadas de velado vermelho e as suas janelas altas e estreitas . As malas tinham sido trazidas para_cima e colocadas a os pés de as camas . Ron fez um sorriso culpado . - Sei que não devia ter gostado de aquilo , mas ... A porta de o dormitório abriu se e os outros rapazes de os Gryffindor entraram ; eram eles o Seamus_Finnigan , o Dean_Thomas e o Neville_Loogbottom . - Inacreditável - aplaudiu Seamus . - Incrível - aprovou o Dean . - Espantoso - exclamou o Neville , aterrado . Harry não pôde evitar também um sorriso . VI_Gilderoy_Lockhart_No dia seguinte , contudo , Harry não conseguiu sorrir . As coisas começaram a correr mal logo em o salão durante o pequeno-almoço . Debaixo de o tecto encantado ( em aquele dia triste e cinzento ) estavam as quatro grandes mesas de as equipas e sobre elas , terrinas de papa de aveia , pratos de arenque defumado , montanhas de torradas e pratadas de ovos com * bacon * . Harry e Ron sentaram se em a mesa de os Gryffindor , junto de Hermione que tinha o seu exemplar de * _ Viagens com Vampiros * totalmente aberto , encostado a um jarro de leite . Havia uma certa rigidez em a maneira como ela disse : - ` _ Dia - que mostrou a Harry que continuava a desaprovar o modo como tinham chegado a a escola . Por seu turno , Neville_Longbottom saudou os entusiasticamente . Neville era um rapazinho de cara redonda , muito dado a acidentes , com a pior memória que Harry tinha conhecido . - A entrega de correio deve estar a chegar , acho que a minha avó me vai mandar umas quantas coisas de que me esqueci ... Harry tinha começado a comer as papas de aveia , quando se ouviu um ruído tumultuoso em o ar e umas cem corujas entraram ao_mesmo_tempo , sobrevoando o salão e deixando cair cartas e pacotes em o meio de a multidão faladora . Um embrulho grande e rugoso caiu em a cabeça de Neville e , um segundo depois , uma coisa larga e cinzenta caiu em o jarro de a Hermione , enchendo os a todos de leite e penas . - Errol - gritou o Ron , puxando a coruja esfarrapada por as patas . Errol caíra inconsciente sobre a mesa com as pernas para o ar e um envelope vermelho húmido em o bico . - Oh , não ! - sobressaltou se Ron . - Ela está bem , ainda está viva - tranquilizou o Hermione , tocando suavemente em a Errol com a ponta de o dedo . - Não é isso , é ... aquilo . Ron apontava para o envelope vermelho . Parecera perfeitamente vulgar a Harry , mas Ron e Neville estavam ambos a observá o como_se esperassem que explodisse . - Qual é o problema ? - perguntou Harry . - Ela . Ela mandou me um * gritador * - disse Ron , quase sem voz . - É melhor abrires - aconselhou Neville em um murmúrio tímido - senão é pior . A minha avó uma_vez mandou me um que eu ignorei e ... - engoliu em seco - foi horrível . Harry olhava , ora para as suas caras , ora para o envelope vermelho . - O que é um * gritador * ? - perguntou . - Mas toda_a atenção de o Ron estava fixa em a carta que começara a fumegar por os cantos . - Abre a - intimou o Neville . - De aqui a poucos minutos já passou tudo . Ron estendeu uma mão trémula , retirou o envelope de o bico de a Errol e começou a abri o . Neville pôs os dedos em os ouvidos . Após uma fracção de segundo , Harry compreendeu porquê . Pensou em o primeiro momento que ela explodira . Um ruído ensurdecedor encheu o enorme salão , fazendo cair pó de o tecto . - ... : __ roubar o carro ! não me surpreendia nada se te expulsassem . espera só até te pôr as mãos em cima . será que não paraste para pensar em a nossa aflição quando vimos que o carro tinha __ desaparecido ... Os gritos de Mrs._Weasley , ampliados cem vezes em relação a o seu normal , fizeram os pratos e as colheres chocalhar em a mesa e ecoaram de forma ensurdecedora em as paredes de pedra . Vinha gente de todos os lados espreitar quem tinha recebido o * gritador * e Ron afundou se tanto em a cadeira que só se lhe via a testa carmesim . - ... : __ uma carta de o dumbledore ontem a a noite , o teu pai quase morria de vergonha . não foi esta a educação que te demos , tu e o harry podiam ter __ morrido ... Harry estava a ver quando é_que o seu nome viria a a baila . Tentou o melhor que pôde agir como_se não ouvisse a voz , mas aquilo estava a fazer com que os tímpanos lhe latejassem . - ... : __ profundamente decepcionada , o teu pai vai ter de se confrontar com um inquérito em o trabalho , tudo por tua culpa e , se pisas mais_uma_vez o risco , trago te para __ casa ! Seguiu se um silêncio ressonante . O envelope vermelho , que caíra de as mãos de o Ron , incendiou se e encaracolou se em cinzas . Harry e Ron estavam sentados de boca aberta , como_se uma onda gigante lhes tivesse passado por cima . Algumas pessoas riam e , a os poucos , o ruído de as conversas recomeçou . Hermione fechou o * _ Viagens com Vampiros * e olhou para o topo de a cabeça de Ron . - Bem , não sei o que esperavas , Ron , mas tu ... - Não me venhas dizer que mereci - interrompeu Ron . Harry afastou as papas de aveia . O estômago ardia lhe de culpa . Mr._Weasley tinha um inquérito em o trabalho , depois de tudo_o_que Mr. e Mrs._Weasley tinham feito por ele durante o Verão ... Mas não teve muito_tempo para se demorar em aqueles pensamentos . A professora Mc_Gonagall circulava em volta de as mesas de os Gryffindor distribuindo horários . Harry pegou em o seu e viu que começavam por ter Herbologia , juntamente com os Hufflepuff . Harry , Ron e Hermione saíram juntos de o castelo , atravessaram as hortas e chegaram a as estufas , onde estavam guardadas as plantas mágicas . O * gritador * tivera pelo_menos uma vantagem : Hermione parecia achar que já tinham sido suficientemente castigados e estava de_novo perfeitamente calorosa . Quando estavam a chegar a as estufas viram o resto de a classe de pé , cá fora , a a espera de a professora Sprout . Harry , Ron e Hermione tinham acabado de se lhes juntar quando a viram aproximar se a passos largos por o relvado , acompanhada de Gilderoy_Lockhart . A professora Sprout era uma bruxa pequenina e atarracada que usava um chapéu a os remendos sobre o cabelo solto . As roupas que vestia estavam sempre cheias de terra e as suas unhas fariam a tia Petúnia desmaiar . Gilderoy_Lockhart , pelo_contrário , tinha um ar imaculado em as suas vestes azul-turquesa , o cabelo doirado a brilhar debaixo_de um chapéu azul-turquesa , com uma fita dourada , perfeitamente posicionado sobre a cabeça . - Olá a todos ! - gritou Lockhart , dirigindo se a o grupo de estudantes . - Estive a mostrar a a professora Sprout a maneira correcta de tratar um salgueiro . Mas não quero que fiquem com a ideia de que sou melhor do_que ela em Herbologia . Acontece que encontrei várias de estas plantas exóticas , durante as minhas viagens .... - Estufa número três hoje , meninos ! - disse a professora Sprout que estava visivelmente descontente , bem diferente de a sua habitual natureza bem-disposta . Houve um murmúrio de interesse . Eles só tinham estado uma_vez em a terceira estufa , que era uma estufa que abrigava plantas bem mais interessantes e perigosas . A professora Sprout tirou uma enorme chave de o cinto e abriu a porta . Harry sentiu o bafo de a terra húmida com adubo misturado e o perfume forte de umas flores gigantescas , de o tamanho de guarda-chuvas , que estavam penduradas de o tecto . Ia seguir Ron e Hermione , quando a mão de o Lockhart o travou . -- Harry ! Tenho querido ter uma palavrinha contigo . Não se importa se ele chegar uns minutos atrasado , pois não , professora Sprout ? A julgar por a expressão carregada de a professora Sprout , importava se sim , mas Lockhart disse : - Então até já - e fechou a porta de a estufa em a cara de ela . - Harry ! - disse Lockhart , com os dentes brancos a brilharem a o sol , enquanto abanava a cabeça . - Harry , Harry , Harry ! Harry , totalmente perplexo , não disse uma palavra . - Quando ouvi dizer , bem , é claro que eu tive muita culpa , deviam castigar me também ... Harry não fazia ideia de que estava ele a falar , quando Lockhart prosseguiu : - Nunca me lembro de ficar tão chocado . Fazer voar um automóvel até Hogwarts ! Bem , é claro que eu percebi logo porque o fizeste . Foi um destaque em grande . Harry , Harry , Harry ! Era notável como ele conseguia mostrar todos aqueles dentes brilhantes , mesmo quando não estava a falar . - Criei te o gosto por a publicidade , não foi ? - perguntou Lockhart . - Passei te o bichinho . Apareceste comigo em a primeira página e não podias esperar para aparecer outra_vez ... - Oh , não , professor , sabe é_que ... - Harry , Harry , Harry - disse Lockhart aproximando se e tocando lhe em o ombro . - * _ Eu compreendo * . É natural querer um_pouco mais quando se lhe tomou o gosto , e eu culpo me por te ter dado esse conhecimento , porque era natural que te subisse a a cabeça , mas vê uma coisa , rapazinho , tu não podes começar a fazer voar carros para tentares ser notícia . Tens de acalmar , está bem ? Tens muito_tempo quando fores mais velho . Sim , sim , eu sei o que estás a pensar ! É fácil para ele falar assim , já é um feiticeiro internacionalmente famoso ! Mas quando eu tinha doze anos era tão zé-ninguém como tu és hoje . Em a verdade , era ainda mais . De ti , já meia_dúzia de pessoas ouviram falar , não é ? Toda aquela história com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . - Olhou para a cicatriz luminosa em a testa de Harry . - Eu sei , eu sei , não é o mesmo_que vencer o Prémio de o sorriso de o feiticeiro de a semana cinco vezes seguidas , como eu venci , mas é um começo , Harry , é um começo . Lançou lhe uma piscadela de olhos cordial e foi se embora . Harry ficou atarantado durante alguns segundos . Depois , lembrando se que deveria estar em a estufa , abriu a porta e esgueirou se lá para dentro . A professora Sprout estava de pé , por_detrás_de uma espécie de mesa em o meio de a estufa . Em cima de a mesa estavam cerca de vinte pares de abafo de ouvidos de diferentes cores . Quando Harry estava já em o seu lugar , entre Ron e Hermione , ela disse : - Hoje vamos transplantar Mandrágoras . Muito bem , quem sabe dizer me as propriedades de a Mandrágora ? Não foi surpresa para ninguém que a mão de a Hermione fosse a primeira em o ar . - A Mandrágora tem um efeito reparador muito poderoso - disse Hermione , com o ar mais normal de este mundo , como_se tivesse engolido o livro de texto . - É usada para fazer voltar as pessoas , que foram transfiguradas ou amaldiçoadas , a o seu estado original . - Excelente . Dez pontos para os Gryffindor ! - exclamou a professora Sprout . - A Mandrágora é parte integrante de a maior parte de os antídotos , mas também é perigosa . Quem sabe dizer me porquê ? A mão de Hermione por_pouco não bateu em os óculos de Harry , quando se ergueu de_novo . - O grito de a Mandrágora é fatal para quem o ouve - disse prontamente . - Precisamente . Dou lhe mais dez pontos - disse a professora Sprout . - Agora vejamos , as Mandrágoras que aqui temos são ainda muito jovens . Enquanto falava , apontou para uma fila de tabuleiros com uma certa profundidade e todos se chegaram a a frente para ver melhor . Cerca de uma centena de plantinhas tufosas de um verde arroxeado cresciam em filas . Pareceram perfeitamente vulgares a Harry , que não fazia a menor ideia do_que Hermione queria dizer com o * grito * de a Mandrágora . - Cada_um de vocês pode tirar um par de abafo de ouvidos - disse a professora Sprout . Houve uma competição renhida porque ninguém queria os cor-de-rosa , cheios de penugem . - Quando eu vos disser para os colocar , assegurem se de que os vossos ouvidos estão completamente tapados - disse a professora Sprout . - Logo_que seja seguro retirá os , eu levanto os dedos . Certo , pôr os abafos de os ouvido . Harry pôs imediatamente os abafos em os ouvidos . Eles fecharam completamente o som . A professora Sprout colocou também um par de abafos cor-de-rosa com penugem em os de ela , arregaçou as mangas de a túnica , agarrou uma de as plantas tufosas e puxou com toda_a força . Harry soltou um grito de surpresa que ninguém ouviu . Em_vez_de raízes , um bebé pequenino , enlameado e extremamente feio , saiu de a terra . As folhas cresciam lhe em o alto de a cabeça , tinha uma pele pintalgada de um pálido esverdeado e estava nitidamente a berrar a plenos pulmões . A professora Sprout tirou debaixo de a mesa um grande vaso de plantas e mergulhou lá dentro a Mandrágora , enterrando a em a mistura escura e húmida , até que só as folhas ficassem visíveis . Em seguida , limpou a terra de as mãos , levantou os dedos e todos eles retiraram os abafos de os ouvidos . - Como as nossas Mandrágoras são muito novas , os seus gritos ainda não matam - disse ela com grande calma , como_se tivesse feito algo tão normal como regar uma begónia . - Contudo , podem pôr vos a dormir durante várias horas e , como com certeza nenhum de vocês quer perder o primeiro dia de aulas , vejam se os abafos estão bem colocados enquanto trabalham . Eu chamarei vos a atenção quando for altura de os retirar . - Quatro em cada fila , há aqui uma grande quantidade de vasos , a mistura de terra está em os sacos ali a o fundo e tenham cuidado com a * _ Venomous_Tentacula * , estão a nascer lhe os dentes . Enquanto falava , deu uma pancada seca a uma planta vermelha escura cheia de pontas eriçadas , fazendo a encolher as longas antenas que tinham estado a avançar lenta e dissimuladamente sobre o seu ombro . A Harry , Ron e Hermione veio juntar se em a fila um rapaz de cabelo encaracolado de os Hufflepuff que Harry conhecia de vista , mas com quem nunca tinha falado . - Justin_Finch - _ Fletchey - disse ele com vivacidade , apertando a mão de o Harry . - Conheço te , claro , o famoso Harry_Potter ... e tu és a Hermione_Granger , sempre a primeira em tudo ( Hermione brilhou em um sorriso , como_se ele lhe tivesse apertado a mão ) e Ron_Weasley . Não era teu o carro voador ? Ron não sorriu . Não lhe saía de a cabeça o * gritador * . - Aquele Lockhart é o_máximo , não acham ? - disse Justin satisfeito , enquanto começavam a encher os vasos com composto de adubo de dragão . - Terrivelmente corajoso . Leram os livros de ele ? Eu teria morrido de medo se um lobisomem me tivesse encurralado em uma cabina telefónica , mas ele manteve se calmo e ... zap ... fantástico ! « Eu estava inscrito em Eton , sabem , não imaginam como estou feliz de ter vindo antes para aqui . É claro que a minha mãe ficou um_pouco desiludida , mas depois de lhe ter dado os livros de Lockhart a ler , tenho a impressão de que ela começou a ver a utilidade de ter um feiticeiro bem treinado em a família ... Depois de isso , não tiveram grandes oportunidades para conversar . Voltaram a pôr os abafos de ouvidos e era preciso concentrarem se em as Mandrágoras . A professora Sprout fizera as coisas parecerem extremamente simples , mas não eram . As Mandrágoras não gostavam de sair de a terra mas também não pareciam querer voltar para lá . Elas contorceram se , deram pontapés , agitaram as mãozinhas finas e rangeram os dentes . Harry levou dez minutos inteirinhos a tentar meter uma Mandrágora particularmente gorda dentro_de um vaso . Em o final de a aula , Harry , como todos os outros , estava a suar , cheio de dores e coberto de terra . Regressaram a o castelo a pé para um banho rápido e , em seguida , os Gryffindor apressaram se para assistir a a aula de transfiguração . As aulas de a professora Mc_Gonagall eram sempre complicadas , mas a de aquele dia era particularmente difícil . Tudo_o_que o Harry aprendera em o ano anterior parecia ter se lhe apagado de a memória durante o Verão . Ele deveria ser capaz de transformar uma barata em um botão , mas , tudo_o_que conseguiu foi fazer a barata praticar um imenso exercício , enquanto corria apressadamente por o tampo de a secretária evitando a varinha . Ron estava a debater se com problemas bastante piores . Tinha atado a varinha com uma fita mágica , mas parecia que não havia reparação possível . Não parava de crepitar e lançar faíscas em os momentos mais estranhos e , sempre_que Ron tentava transfigurar a barata , via se envolvido em um fumo cinzento espesso que cheirava a ovos podres . Incapaz de ver o que estava a fazer , o Ron esmagou , por engano , a barata com o cotovelo e teve de ir pedir que lhe dessem outra , o que deixou a professora Mc_Gonagall muito pouco satisfeita . Harry ficou aliviado quando ouviu tocar a campainha para o almoço . Sentia a cabeça como uma esponja espremida . Todos os alunos saíram em fila de a aula excepto ele e Ron que dava furiosas varadas em a secretária . - Coisa estúpida e inútil . - Escreve a os teus pais a pedir outra - sugeriu Harry , enquanto a varinha disparava com estrondo um foguete explosivo . - Ah pois , e receber outro * gritador * em a volta de o correio - respondeu Ron , metendo a varinha que já assobiava , dentro de o saco . - * _ A culpa é toda tua se a varinha está estragada * ... Desceram para o almoço e aí a disposição de o Ron não iria melhorar com Hermione a mostrar lhe uma mão-cheia de botões de casaco , perfeitinhos , que produzira em a transfiguração . - O que temos esta tarde ? - quis saber Harry , mudando rapidamente de assunto . - Defesa contra as artes negras - disse Hermione , sem perder tempo . - Porque é_que tu ... - perguntou Ron , pegando em o horário de ela - desenhaste corações em volta de as aulas de o Lockhart ? Hermione arrancou lhe o horário de as mãos , corando furiosa . Acabaram de almoçar e foram para o pátio carregado de nuvens . Hermione sentou se em um degrau de pedra e enfiou de_novo o nariz em as * _ Viagens com Vampiros * . Harry e Ron ficaram a falar de Quidditch durante alguns minutos antes de Harry se aperceber de que estava a ser observado de perto . Olhando para_cima viu o rapazinho pequenino com cabelo de rato que ele vira experimentar o chapéu seleccionador em a noite anterior , olhando para ele com uma expressão petrificada . Estava agarrado a o que parecia ser uma vulgar máquina fotográfica de os Muggles e , em o momento em que Harry olhou para ele , ficou todo vermelho . - Tudo bem , Harry ? Eu sou Colin_Creevey - disse , faltando lhe o ar e adiantando se a qualquer pergunta . - Estou em os Gryffindor também . Não te importavas que eu tirasse uma fotografia ? - perguntou , levantando a máquina cheio de expectativa . - Uma fotografia ? - repetiu Harry , inexpressivo . - Para eu provar que te conheci - disse Colin_Creevey cheio de ansiedade , continuando : - Eu sei tudo a teu respeito . Toda_a_gente me tem contado como sobreviveste quando O_Quem nós sabemos tentou matar te , como ele desapareceu depois de isso e como ficaste com a cicatriz em forma de relâmpago em a testa ( os seus olhos procuraram a linha de cabelo de Harry ) e um rapaz de o meu dormitório disse que se eu revelasse o filme em a posição certa ele mexia . - Colin respirou fundo , estremecendo de excitação e disse : - Isto_é fantástico , aqui , não achas ? Eu não sabia que todas_as coisas estranhas que fazia eram magia até a o dia em que recebi uma carta de Hogwarts . O meu pai é leiteiro . Também ele não queria acreditar . Por isso estou a tirar montes de fotografias para lhe mandar e era mesmo bom se tivesse uma tua - parecia implorar . - Talvez o teu amigo pudesse tirá a e assim eu ficava a o teu lado . E depois , podias assiná a ? - Assinar fotografias ? Estás a dar fotos autografadas , Potter ? Alta e mordaz , a voz de Draco_Malfoy ecoou em o pátio . Estava parado mesmo atrás_de Colin , ladeado , como sempre andava em Hogwarts , por os seus fortes guarda-costas Crabbe e Goyle . - Ei gente , façam bicha - gritou Malfoy a a multidão . - Harry_Potter está a dar fotos autografadas ! - Não estou coisa nenhuma - disse Harry , zangado , com os punhos em o ar . - Cala a boca , Malfoy . - Tu tens é inveja - começou a dizer Colin , cujo corpo era de o tamanho de o pescoço de Crabbe . - Inveja - repetiu Malfoy que não precisava de gritar mais , metade de o pátio estava a ouvi o . - De quê ? Não preciso de uma cicatriz em a cabeça , muito obrigado . Não acho que ter um corte em a testa torne alguém especial . Crabbe e Goyle riram estupidamente - Vai pastar caracóis , Malfoy - disse o Ron furioso . Crabbe parou de rir e começou a esfregar os nós de os dedos enormes de uma forma ameaçadora . - Tem cuidado , Weasley - escarneceu Malfoy . - Com certeza não queres começar uma rixa ou a tua mãezinha tem de vir cá para te tirar de a escola - e com uma voz aguda e penetrante : - * _ Se voltas a pisar o risco * ... Um grupo de alunos de o quinto ano de os Slytherin que estava ali perto , riu se bastante alto . - O Weasley gostaria de ter uma foto tua autografada , Potter - escarneceu de_novo Malfoy . - Era capaz de valer mais do_que a casa onde ele mora com a família . Ron sacou de a sua varinha amarrada com fita , mas Hermione fechou as * Viagens com Vampiros * com um estrondo e avisou : - Atenção . - O que é isto , o que é isto ? - Gilderoy_Lockhart aproximava se com o seu manto azul-turquesa girando em torvelinho atrás de ele . - Quem está a dar fotos autografadas ? Harry ia começar a explicar , mas foi interrompido quando Lockhart lhe pôs jovialmente o braço em cima de os ombros . - Mas que pergunta a minha ! Cá estamos nós de_novo , Harry ! Preso ao_lado_de Lockhart e a arder de humilhação , Harry viu Malfoy deslizar com o seu sorriso desdenhoso por o meio de a multidão . - Vamos lá então , Mr._Creevey - disse Lockhart , dirigindo se a Colin . - Uma foto dupla , já viu a sua sorte ? E assinamos a os dois para si . Colin ajustou a máquina e tirou a fotografia em o preciso momento em que a campainha tocava para as aulas de a tarde . - Está em a hora , todos para dentro - gritou Lockhart a a multidão e regressou a o castelo levando a o seu lado o Harry que só lamentava não conhecer um feitiço que o fizesse desaparecer . - Uma palavra só , Harry - disse Lockhart paternalmente , enquanto entravam em o edifício por uma porta lateral . - Eu ajudei te há bocado com o jovem Creevey porque se ele estivesse a fotografar me também a mim os teus colegas não reparariam tanto que estavas a exibir te ... Indiferente a a gaguez de Harry , Lockhart arrastou o para um corredor ladeado de alunos que os olhavam espantados e subiram uma escada . - Deixa me só dizer te uma coisa : dar fotografias autografadas em esta fase de a tua carreira , francamente , não é sensato , Harry , parece um_pouco megalómano . Pode ser que um dia mais tarde , tal_como eu , sejas obrigado a assinar para multidões onde quer que vás , mas - fez uma pequena pausa - não me parece que seja o caso , por enquanto . Tinham chegado a a aula de Lockhart e ele largou finalmente o Harry que sacudiu a túnica e foi sentar se em um lugar bem lá atrás onde começou por empilhar os livros de Lockhart a a sua frente para evitar olhar para a criatura . O resto de a aula entrou ruidosamente e Ron e Hermione foram sentar se um de cada lado de Harry . - Tu estavas vermelho como um pimentão - disse o Ron . - Reza para que o Creevey não se torne amigo de a Ginny senão bem podem criar o clube de * fans * de Harry_Potter . - Cala a boca - interrompeu Harry . A última coisa que desejava era que o Lockhart ouvisse a expressão « clube de * fans * de Harry_Potter « . Quando todos estavam em os seus lugares , Lockhart pigarreou alto e fez se silêncio . Ele inclinou se para a frente , pegou em o exemplar de Neville_Longbottom de * _ viagens com Duendes * e levantou o para mostrar a sua fotografia a piscar os olhos em a capa . - Eu - disse apontando para a fotografia e piscando também os olhos - Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , terceiro ano , membro honorário de a Liga_de_Defesa contra as artes negras e cinco vezes vencedor de o prémio de o * _ Feiticeiro de a semana * por o sorriso mais charmoso . Mas não vamos falar de isso , não venci a fada carpideira de Bandon a sorrir para ela ! Esperou que eles se rissem . Alguns alunos sorriram timidamente . - Já vi que todos vocês compraram a minha obra completa . Muito bem . Pensei começar hoje com um pequeno interrogatório escrito . Nada de complicado , só para perceber se leram bem os meus livros e o que apreenderam ... Depois de distribuir as folhas de teste voltou se para os alunos e disse : - Têm trinta minutos . Comecem já . Harry olhou para o papel e leu : *1 . Qual é a cor preferida de Gilderoy_Lockhart ? *2 . Qual é a ambição secreta de Gilderoy_Lockhart ? *3 . Qual é , em a sua opinião , a maior realização de Gilderoy_Lockhart até a o momento ? * E_por_aí adiante , ao_longo_de três páginas , terminando com : *54 . Qual é o dia de aniversário de Gilderoy_Lockhart e qual seria o seu presente preferido ? * Meia_hora mais tarde , Lockhart recolheu os pontos e folhou os rapidamente em frente de os alunos . - Tut , tut , quase ninguém se lembrou que a minha cor preferida é o lilás . Eu digo o em * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves * . Alguns precisam de voltar a ler com mais cuidado * Fim-de - _ Semana com Um Lobisomem * . Eu afirmo claramente em o décimo segundo capítulo que o meu presente de aniversário preferido seria a harmonia entre todos os seres , mágicos e não mágicos , embora não me importasse de receber uma garrafa grande de * whisky * velho de a Ogden's_Old_Firewhisky . Piscou lhes o olho de_novo . Ron olhava para Lockhart com uma expressão de incredulidade em o rosto . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas que estavam sentados a a frente tremiam de tanto conter o riso . Hermione , contudo , ouvia Lockhart com extrema atenção e deu um salto quando ouviu o seu nome . - Mas Miss_Hermione_Granger sabia que a minha ambição secreta era libertar o mundo de o mal e pôr a a venda a minha gama de poções de tratamento de o cabelo . Muito bem - voltou o papel . - Nota máxima ! Onde está Miss_Hermione_Granger ? Hermione ergueu uma mão trémula . - Excelente - bradou Lockhart , exultante . - Leva dez pontos para os Gryffindor . E vamos a o trabalho . Baixou se atrás de a secretária e pegou em uma grande gaiola coberta . - Ficam desde_já a saber , a minha função é preparar vos contra as criaturas mais malignas que a feitiçaria conhece . Vocês podem ter que enfrentar os maiores medos em esta sala . Saibam que nenhum mal vos sucederá comigo aqui . Só vos peço que se mantenham calmos . Ultrapassando os seus sentimentos , Harry espreitou através de a pilha de livros para ver melhor a gaiola . Lockhart colocou uma mão em a tampa . Dean e Seamus tinham deixado de se rir . Neville estava agachado em o seu lugar de a fila de a frente . - Vou pedir vos que não façam barulho - disse Lockhart em voz baixa . - Podem assustá os . Enquanto a aula inteira continha a respiração , Lockhart tirou a cobertura . - Sim - disse em um tom dramático . - Duendes_da_Cornualha recém-capturados . Seamus_Finnigan não conseguiu controlar se . Soltou uma gargalhada que nem Lockhart poderia confundir com um grito de terror . - Sim ? - sorriu a Seamus . - Bem , eles não são , não são perigosos , pois não ? - perguntou a rir . -- Não tenhas tanta certeza de isso - afirmou Lockhart , aborrecido , abanando um dedo , em direcção a Seamus . - Podem ser maçadores e muito traiçoeiros . Os duendes eram de um azul-eléctrico e tinham cerca de vinte centímetros de altura com feições angulosas e umas vozes tão estridentes que era como ouvir uma discussão entre araras . Logo_que o pano foi retirado , começaram a fazer uma enorme algazarra , a andar de um lado para o outro , batendo em as grades e fazendo caretas a as pessoas que estavam mais perto . - Muito bem - disse Lockhart em voz alta . - Vamos então ver o que vocês conseguem fazer de eles - e abriu a gaiola . Foi um pandemónio . Os duendes dispararam em todas_as direcções como foguetes . Dois de eles agarraram o Neville por as orelhas e levantaram o a o ar . Vários outros foram direitos a a janela , fazendo chover vidros partidos até a a fila de trás . Os restantes decidiram destruir a sala com maior eficácia do_que um rinoceronte em fúria . Agarraram em os tinteiros e salpicaram tudo em volta , rasgaram a os bocados livros e papéis , arrancaram os quadros de as paredes , levantaram a o ar a gaiola vazia , agarraram livros e sacos e lançaram nos por a janela de vidros estilhaçados . Em poucos minutos , metade de a aula estava abrigada debaixo de as secretárias e o Neville pendurado em o candelabro de o tecto . - Vamos lá , agarrem nos , agarrem nos , são apenas duendes ... - gritava Lockhart . Arregaçou as mangas , bramiu a varinha e pronunciou * Peshipiksi_Pesternomi ! * As palavras não tiveram o menor efeito . Um de os duendes pegou em a varinha de Lockhart e atirou a também por a janela fora . Lockhart engoliu em seco e mergulhou debaixo de a secretária , não sendo , por um triz , esmagado por o Neville que caiu um segundo depois , quando o candelabro cedeu . A campainha tocou e houve uma louca precipitação para a porta . Em a calma relativa que se seguiu , Lockhart endireitou se , olhou para Harry , Ron e Hermione que estavam quase a chegar a a porta e disse : - Bem , vou pedir vos a os três que prendam o resto de os duendes em a gaiola - passou por eles e fechou rapidamente a porta atrás_de si . - Isto dá para acreditar ? - resmungou o Ron , enquanto um de os duendes lhe mordia com toda_a força uma de as orelhas . - Ele só quer dar nos uma ajuda , permitindo nos ganhar experiência - justificou Hermione , imobilizando dois duendes de uma_vez com um encantamento de paralisação e metendo os de_novo em a gaiola . - Experiência ? - disse Harry , tentando agarrar um duende que dançava com a língua de_fora . - Hermione , ele não sabia nada do_que estava a fazer . - Disparate - retorquiu Hermione . - Leste os livros de ele . Vê só as coisas que ele já fez ! - Que diz que fez - resmungou o Ron . VII_Sangue de lama e murmúrios Harry passou imenso tempo , em os dias que se seguiram , a fugir sempre_que via Gilderoy_Lockhart aproximar se em o corredor . Mais difícil de evitar era Colin_Creevey que parecia ter decorado o horário de Harry . Parecia que nada o emocionava mais do_que dizer : - Tudo bem , Harry ? - seis ou sete vezes por dia e ouvir : - Olá , Colin - por mais exasperado que Harry estivesse quando lhe respondia . A Hedwig ainda estava zangada com Harry por causa de a desastrosa viagem de automóvel e a varinha de o Ron continuava a não funcionar , tendo ultrapassado tudo em a sexta-feira de manhã quando lhe saltou de as mãos em a aula de encantamentos e foi agredir o velho e baixinho professor Flitwick mesmo entre os olhos , deixando uma enorme bolha latejante em o sítio onde tinha batido . Por tudo_isso Harry via chegar , com satisfação , o fim_de_semana Planeava ir em o Sábado de anhã , com Ron e Hermione visitar o Hagrid . Mas foi acordado várias horas mais cedo do_que desejaria por Oliver ood , treinador de a equipa de Quidditch_dos_Gryffindor . - _ o que é_que se passa ? - perguntou Harry , enrolando as palavras . - Treino_de_Quidditch - disse Wood . - Vamos embora . Harry lançou um olhar de esguelha a a janela . Uma neblina fina pairava em o céu rosa e dourado . Agora_que estava acordado não percebia como pudera dormir com a algazarra que os pássaros faziam . - Oliver resmungou Harry . - É de madrugada . - Exacto - respondeu Wood . Era um rapaz alto e corpulento de o sexto ano e em aquele momento os olhos brilhavam lhe loucamente de entusiasmo . - Faz parte de o nosso novo programa de treinos . Anda lá , vai buscar a vassoura e vamos embora - insistiu Wood empenhado . - Nenhuma de as outras equipas começou ainda a treinar . Vamos ser os primeiros este ano ... A bocejar e a tremer um_pouco , Harry saltou de a cama e tentou descobrir as suas túnicas de Quidditch . - Bem , encontramo nos em o campo , dentro_de quinze minutos . Depois de descobrir a sua roupa escarlate de equipa e pôr o manto por cima para se aquecer , Harry escreveu a o Ron um bilhete a explicar onde tinha ido e desceu por a escada de espiral para a sala comum com a sua Nimbos dois inil a o ombro . Tinha acabado de chegar junto de o buraco de o retrato quando ouviu um barulho atrás_de si e viu Colin_Creevey descer a escada de espiral com a máquina fotográfica pendurada a o pescoço a balouçar como louca e uma coisa em a mão . - Ouvi alguém chamar o teu nome em as escadas , Harry olha o que tenho aqui . Revelei a e queria mostrar te . Harry olhou assombrado para a fotografia que Colin lhe espetava em frente de o nariz . Um Lockhart a preto e branco movia se , puxando com toda_a força um braço que Harry reconheceu como sendo o seu . Ficou satisfeito a o constatar que estava a resistir bastante bem , recusando se a ser trazido para a vista de todos . Enquanto Harry observava , Lockhart desistiu e desinteressou se de lutar contra a parte branca de a fotografia . - Assinas para mim ? - pediu Colin entusiasmado . - Não - respondeu secamente Harry , olhando em volta para verificar se o caminho estava livre . - Desculpa_Colin , mas estou cheio de pressa , treino de Quidditch . Passou por o buraco de o retrato . - Oh Uau ! Espera por mim . Eu nunca vi um jogo de Quidditch . Colin trepou por o buraco de o retrato atrás de ele . - Vai ser uma chatice para ti - disse Harry rapidamente , mas Colin ignorou o comentário . Todo o seu rosto brilhava de satisfação . - Tu foste o jogador mais novo de a equipa em cem anos , não foste Harry ? Não foste ? - perguntava Colin , trotando para o acompanhar . - Deve ser fantástico . Eu nunca voei . É fácil ? Essa vassoura é a tua ? É a melhor que há ? Harry não sabia como ver se livre de ele . Era como ter uma sombra que não se calava . - Eu não percebo nada de Quidditch - disse Colin , já sem fôlego . - É verdade que há quatro bolas ? E que duas anda n a voar , tentando fazer os jogadores caírem de as vassouras ? - Sim - disse Harry lentamente , resignado com o ter de lhe explicar as complicadas regras de o Quidditch . - São as * bludgers * . Há dois * beaters * em cada equipa que têm bastões para bater em as * bludgers * e lançá as para o outro lado . O Fred e o George_Weasley são os * beaters * de os Gryffindor . - E para que servem as outras bolas ? - perguntou Colin , saltando uma série de degraus porque ia a olhar para o Harry de boca aberta . - Bem , a * quaffle * , que é a vermelha grandalhona , é a que marca os golos . Três * chasers * em cada equipa lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam fazes a entrar em as balizas que ficam em o extremo de o campo onde há três grandes postes com argolas em as pontas . - E a quarta bola ? - A * snitch * dourada - explicou Harry . - É muito pequenina e veloz e extremamente difícil de agarrar . Mas é isso que o * seeker * tem de fazer , porque o jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * for agarrada . E o * seeker * que conseguir agarrá a ganha para a sua equipa mais cento_e_cinquenta pontos . - E tu és o * seeker * de os Gryffindor , não és ? - perguntou Colin respeitosamente . - Sim - disse Harry enquanto saíam de o castelo e começavam a atravessar o relvado . - E há também o * keeper * que toma conta de os postes . É isto . Mas Colin não parou de fazer perguntas desde os relvados macios até a o campo de Quidditch e Harry só se viu livre de ele quando chegaram a os vestiários . Colin gritou em uma voz aguda : - Eu vou arranjar um lugar , Harry - e apressou se em direcção a as bancadas . O resto de a equipa de os Gryffindor já se encontrava em os vestiários . Wood era o único que tinha aspecto de estar bem acordado . Fred e George_Weasley estavam sentados com olhos de sono e cabelos desgrenhados junto de Alicia_Spinnet de o quarto ano que parecia inclinar se contra a parede que tinha atrás_de si . Os seus companheiros * chasers * , Katie_Bell e Angelina_Johnson bocejavam em frente de ela . - Até que enfim , Harry , porque é_que demoraste tanto ? - perguntou Wood cheio de actividade . - Eu queria ter uma pequena conversa convosco antes de entrarmos propriamente em campo porque passei o Verão a conjecturar um novo programa de treinos que acredito vai estabelecer grandes mudanças . Wood tinha em as mãos um grande mapa de um campo de Quidditch onde estavam desenhadas muitas linhas , setas e cruzes a tinta de várias cores . Pegou em a varinha , bateu com ela em o quadro e as setas começaram a mover se em o mapa como tractores . Enquanto Wood se lançava em um discurso sobre as suas novas técnicas , a cabeça de Fred_Weasley caiu sobre o ombro de Alicia_Spinnet e ele começou a ressonar . O primeiro mapa levou quase vinte minutos a explicar , mas debaixo de esse havia outro e ainda um terceiro . Harry caiu em uma letargia enquanto Wood continuava indefinidamente . - Então - disse por fim o treinador , arrancando Harry de a avidez de uma fantasia sobre o que poderia estar a comer se se encontrasse em aquele momento em o castelo . - Ficou tudo claro ? Alguma pergunta ? - Eu tenho uma pergunta , Oliver - disse George que acordou estremunhado . - Porque não nos explicaste tudo_isso ontem , quando estávamos acordados ? Wood não ficou nada satisfeito . - Ouçam bem , vocês todos - disse , voltando se para eles mal-humorado . - Nós deveríamos ter ganho a taça de Quidditch o ano passado . Somos de longe a melhor equipa , mas , infelizmente , devido_a circunstancias que estão para_além de o nosso controlo ... Harry mudou de posição em a cadeira sentindo se culpado . Estivera inconsciente em o hospital durante o campeonato final de o ano anterior o que fez com que os Gryffindor com um jogador a menos tivessem sofrido a pior derrota de os últimos trezentos anos . Wood levou um momento a controlar se . Era evidente que a última derrota ainda o torturava . - Portanto , este ano vamos fazer um treino mais duro , como nunca se fez . O. _ K. , vamos lá pôr as teorias em prática - gritou , pegando em a vassoura e conduzindo os para fora de o vestiário . Com as pernas trôpegas e ainda a bocejar , a equipa seguiu o . Tinham estado tanto tempo lá dentro que o sol já tinha nascido e brilhava em o céu embora uma réstia de neblina pairasse ainda sobre o relvado de o campo . Quando Harry entrou em campo viu Ron e Hermione sentados em as bancadas . - Ainda não acabaram ? - perguntou Ron em um tom incrédulo . - Ainda nem começamos - explicou Harry , olhando cheio de inveja para a torrada com doce de laranja que Ron e Hermione tinham trazido de o salão . - O Wood tem estado a ensinar nos as jogadas . Subiu para a vassoura e deu um pontapé em o chão , elevando se em o ar . O ar fresco de a manhã bateu lhe em o rosto fazendo o acordar com mais eficácia do_que o longo discurso de Wood . Era maravilhoso voltar a estar em o campo de Quidditch . Voou em volta de o estádio a toda a a velocidade competindo com Fred e George . - Que barulhinho estranho é aquele ? - perguntou o Fred quando deram a volta . Harry olhou para as bancadas . Colin estava sentado em um de os lugares mais altos com a máquina fotográfica em o ar , tirando fotografia sobre fotografia , o som estranhamente ampliado em o estádio deserto . - Olha para ali , Harry , para ali - gritava de forma estridente . - Quem é aquele ? - perguntou Fred . - Não faço ideia - mentiu Harry , disparando a_toda_a velocidade e distanciando se o mais possível de Colin . - O que se passa aí ? - perguntou Wood , franzindo a testa enquanto corria por os ares atrás de eles . - Porque está aquele aluno de o primeiro ano a tirar fotografias ? Não me agrada . Pode ser um espião de os Slytherin a tentar descobrir o nosso novo programa de treinos . - Ele é de os Gryffindor - disse Harry rapidamente . - E os Slytherin não precisam de um espião , Oliver - completou George . - Porque dizes isso ? - perguntou Wood irritado . - Porque estão aqui em peso - disse George , apontando com o dedo . Vários indivíduos com túnicas verdes vinham em aquele momento a entrar em o campo de vassouras em a mão . - Não posso acreditar - reagiu Wood , sentindo se ultrajado . - Eu reservei o estádio para hoje . Já vamos ver como é_que isto fica ! Wood baixou direito a o chão sendo levado por a fúria a aterrar com mais força do_que pretendia e a cambalear um_pouco quando começou a andar seguido de o Harry e de o Ron . - Flint - bradou para o treinador de os Slytherin . - Este é o nosso tempo de treino . Levantámo nos de propósito . Vocês têm de sair de aqui . Marcus_Flint era ainda mais corpulento do_que Wood . Tinha em o rosto uma expressão de duende travesso quando respondeu : - Há espaço para todos , Wood . Angelina , Alicia e Katie tinham vindo também . Em a equipa de os Slytherin não havia raparigas que enfrentassem a o lado de os rapazes os Gryffindor . - Mas eu reservei o estádio - repetiu Wood de modo afirmativo , cuspindo de raiva . - Reservei o . - Ah ! - exclamou Flint . - Mas eu tenho aqui uma licença especial assinada por o professor Snape . * _ Eu , professor Snape , autorizo a equipa de os Slytherin a praticar hoje em o campo de Quidditch devido a a necessidade de treinar o seu novo seeker . * - Têm um novo * seeker * ? - perguntou Wood perturbado . - Onde ? E detrás de as seis figuras corpulentas que tinham em a frente , viram surgir uma sétima : um rapaz mais pequeno com um sorriso afectado espelhado em o rosto pálido e anguloso . Era_Draco_Malfoy . - Não és o filho de o Lucius_Malfoy ? - perguntou Fred , olhando para ele com antipatia . - Curioso que refiras o pai de o Draco - disse Flint enquanto toda_a equipa de os Slytherin sorria de modo grosseiro . - Deixem me mostrar vos a generosa oferta que ele fez a a equipa de os Slytherin . Os sete exibiram as suas vassouras . Sete cabos novos , polidos , com inscrições em letras douradas de as palavras « Nimbus dois_mil_e_um « brilharam a o sol de a manhã , em frente de o nariz de os Gryffindor . - O último modelo . Só chegou em o mês passado - disse Flint , displicentemente , sacudindo a poeira de o cabo de a sua vassoura . - Julgo que ultrapassam de longe as velhas séries de dois_mil . Quanto a as Cleansweeps - sorriu de forma mesquinha para Fred e George que tinham ambos Cleansweep_Fives - essas já só servem para varrer . Nenhum de os Gryffindor foi capaz de abrir a boca em aquele momento . Malfoy sorria tanto que os seus olhos de gelo estavam reduzidos a duas rachas . - Oh vejam - disse Flint . - Uma invasão de o campo . Ron e Hermione atravessavam o relvado para ver o que se passava . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron a o Harry . - Porque não estão a jogar e o que faz ele aqui ? Olhava para Malfoy em as suas vestes de Quidditch . - Sou o novo * seeker * de os Slytherin , Weasley - disse Malfoy com ar presumido . - Têm estado todos a admirar as vassouras que o meu pai comprou para a nossa equipa . Ron olhou de boca aberta para as sete vassouras que tinha em a frente . - São boas , não são ? - disse Malfoy untuosamente . - Mas talvez a equipa de os Gryffindor consiga levantar algum ouro e comprar também vassouras novas . Vocês podiam levar essas Cleansweep_Fives a leilão , talvez algum museu esteja interessado . A equipa de os Slytherin riu se a bandeiras despregadas . - Pelo_menos em os Gryffindor ninguém teve de comprar a sua entrada - disse secamente Hermione . - Entraram todos por mérito próprio . O ar presumido de Malfoy desapareceu . - Ninguém pediu a tua opinião , sangue de lama - cuspiu Malfoy . Harry apercebeu se , de imediato , que Malfoy dissera algo muito grave porque houve uma tremenda algazarra em o seguimento de as suas palavras . Flint teve que se pôr a a frente de o Malfoy para evitar que Fred e George se atirassem a ele . Alicia bradou : - Como te atreves ? - E Ron meteu a mão em as vestes e sacou de a varinha mágica , gritando : - Vais pagar por o que disseste , Malfoy ! - e apontou a , furioso , por debaixo de o braço de Flint , a o rosto de Malfoy . Um enorme estrondo , ecoou em o estádio e um jacto de luz verde saiu por a extremidade errada de a varinha de Ron , atingindo o em o estômago e projectando o para trás em direcção a o relvado . - Ron ! Ron ! Estás bem ? - gritou Hermione . Ron abriu a boca para falar , mas nenhuma palavra saiu . Em vez de isso , teve um vómito imenso e várias lesmas saíram lhe de a boca , indo cair lhe em o colo . A equipa de os Slytherin ficou paralisada de riso . Flint estava dobrado , agarrado a a vassoura nova . Malfoy , a quatro , batia com o punho em a chão . Os Gryffindor rodeavam o Ron , que continuava a vomitar lesmas enormes e reluzentes . Ninguém queria tocar lhe . - É melhor levá o para_casa de o Hagrid . É o mais perto - disse Harry_a_Hermione , que acenou afirmativamente , e os dois arrastaram o Ron por os braços . - O que aconteceu , Harry ? O que aconteceu ? Ele está doente ? Mas tu podes curá o , não podes ? - Colin descera a correr de o lugar onde estava sentado e dançaricava em frente de eles , enquanto abandonavam o campo . Ron teve um novo arremesso e mais lesmas saíram de a sua boca . - Oooh ! - exclamou Colin fascinado , levantando a máquina fotográfica . - Podes mantê o quieto , Harry ? - Sai de a minha frente , Colin - gritou Harry zangado . Ele e a Hermione conseguiram levar o Ron para fora de o estádio , atravessar os campos e chegar a a beira de a floresta . - Está quase , Ron - disse Hermione , mal avistaram o casebre de o guarda de os campos . - Vais ficar bem dentro_de um minuto ... está quase ... Estavam a sessenta metros de a casa de Hagrid , quando a porta de a frente se abriu . Mas não foi Hagrid quem saiu de lá , e sim Gilderoy_Lockhart , em uma túnica cor de malva . - Rápido , vamos esconder nos aqui - sussurrou Harry , arrastando Ron para trás de um arbusto que havia ali perto . Hermione acompanhou o , embora um_pouco relutante . -- É muito simples quando se sabe o que se está fazer ! - gritava Lockhart_para_Hagrid . - Se precisar de ajuda , sabe onde estou . Vou dar lhe um exemplar de o meu livro . Espanta me que ainda não o tenha . Logo a a noite autografo o e envio lhe o . Bem . até a a próxima ! - e afastou se em direcção a o castelo . Harry esperou que Lockhart desaparecesse , antes de puxar o Ron de trás de o arbusto até a a casa de o Hagrid . Bateram ansiosamente . Hagrid apareceu logo com um ar mal-humorado , que se dissipou quando viu quem era . - Já me tinha perguntado quand'é que vocês vinham ver me , entrem , entrem , pensei qu'era outra_vez o professor Lockhart . Harry e Hermione ajudaram Ron a subir o degrau que dava acesso a a cabana de uma divisão com uma cama enorme a um de os cantos e uma lareira a crepitar alegremente em o outro . Hagrid não pareceu perturbado com o problema de as lesmas de o Ron que Harry lhe explicou precipitadamente , logo_que sentou o Ron em uma cadeira . - Melhor saírem de o qu'entrarem - disse , em um tom bem-disposto , colocando uma grande bacia de cobre em frente de ele . - Deita as todas fora , Ron . - Acho que não há mais_nada a fazer , a não ser esperar que isto pare - disse Hermione ansiosamente , vendo Ron inclinar se para a bacia . - É uma maldição muitas_vezes difícil , mas com uma varinha partida ... Hagrid andava de um lado para o outro a preparar o chá . O cão de ele , Fang , babava se em cima de o Harry . - O que é_que o Lockhart queria de ti ? - perguntou o Harry , coçando as orelhas de o Fang . - Ensinar me a tirar espíritos aquáticos com forma de cavalos d'uma nascente d'água - resmungou Hagrid , retirando de a mesa pequena um galo meio depenado e colocando em o seu lugar o bule . - Como s'eu não soubesse . E contar me uma peta qualquer d'uma fada carpideira que ele venceu . Engulo essa chaleira , se uma palavra do_que ele disse for verdade . Não era hábito de Hagrid criticar um professor de Hogwarts e Harry olhou para ele com alguma surpresa . Mas Hermione disse em uma voz mais aguda do_que de costume : - Acho que estás a ser injusto . O professor Dumbledore obviamente achou que era o melhor homem para o lugar ... - Era o único - explicou Hagrid , oferecendo lhes um prato de bombons de melaço enquanto Ron tossia para a bacia . - E não havia mais ninguém . Não é fácil encontrar quem queira dar Artes de magia negra . As pessoas não gostam de essa matéria . Começam a pensar que está amaldiçoada , ninguém ficou muito_tempo a dá a . Mas digam me lá - continuou Hagrid , inclinando a cabeça para Ron - quem é qu'ele estava a tentar amaldiçoar ? - O Malfoy chamou qualquer coisa a a Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si . - Foi grave , sim - disse o Ron com voz rouca , emergindo a a superfície de a mesa , pálido e transpirado . - O Malfoy chamou lhe sangue de lama , Hagrid . - Ron desapareceu outra_vez quando uma nova onda de lesmas fez o seu aparecimento . Hagrid estava indignado . - Não posso crer - exclamou , dirigindo se a Hermione . - Chamou sim - disse ela . - Mas eu não sei o que significa . Percebi que era má educação , claro ... - É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar - explicou Ron novamente . - Sangue de lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles , sabes , filho de pais não mágicos . Há alguns feiticeiros , como a família de o Malfoy que acham que são melhores do_que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro . - Teve um pequeno vómito e uma lesma isolada caiu lhe em a mão aberta . Ele atirou a para a bacia e continuou . -- É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma . Olha_o_Neville_Longbottom , é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito . - E ainda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer - afirmou Hagrid , orgulhoso , fazendo Hermione corar em tons de magenta . - É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém - disse o Ron , limpando o suor de a testa com a mão trémula . - Sangue sujo , sangue vulgar , é um disparate . A maior parte de os feiticeiros hoje_em_dia têm sangue misturado . Se não tivéssemos casado com Muggles tinha sido o nosso fim . Fez um esforço para vomitar e baixou se mais_uma_vez . - Bem , não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá o , Ron - disse Hagrid bem alto enquanto montes de lesmas caíam em a bacia . - Mas , se_calhar , não foi mau de todo teres a varinha a trabalhar ao_contrário . Acho que Lucius_Malfoy teria vindo logo a correr a a escola se tivesses amaldiçoado o filho . Assim , pelo_menos , não estás metido em nenhum sarilho . Harry teria referido que o problema não podia ser pior do_que deitar lesmas por a boca , mas não pôde . Os bombons de melaço tinham lhe colado os maxilares um_ao_outro . - Harry - disse de repente Hagrid como_que movido por um pensamento súbito . - Tens de me explicar uma coisa . Ouvi dizer que tens andado a dar fotografias autografadas . Porque é qu'eu não tenho nenhuma ? A fúria de Harry foi tão grande que os maxilares se libertaram . - Eu não tenho dado fotografias autografadas - disse com vivacidade . Se o Lockhart andou a espalhar isso ... Mas em esse momento viu que Hagrid se estava a rir . - ´ _ tou a brincar - disse , dando uma palmadinha em as costas de Harry e fazendo lhe sinal para se sentar a a mesa . -- Eu sabia que não tinhas . Disse a o Lockhart que tu não precisavas de isso . Es mais famoso do_que ele sem sequer , tentares . - Aposto que ele não gostou de ouvir isso - comentou Harry , sentando se e esfregando o queixo . - Acho que não gostou mesmo - prosseguiu Hagrid com os olhinhos a brilhar . - E disse lhe também que nunca tinha lido nenhum de os livros de ele e ele foi se embora . Um bombom de melaço , Ron ? - perguntou a o vê o reaparecer . - Não , obrigado - disse o Ron com uma voz fraca . - É melhor não arriscar . - Venham ver o qu'eu tenho estado a criar - disse Hagrid quando Harry e Hermione acabaram de tomar o chá . Em a pequena horta atrás de a casa estava uma_dúzia de as maiores abóboras que Harry alguma vez vira . Pareciam enormes blocos de pedra . - Estão a dar se bem , não achas ? - disse Hagrid , feliz . São para a festa de o * _ Hallow'en * . Devem estar bem grandes quando chegar a altura . - O que é_que lhes tens dado como alimento ? - perguntou Harry . Hagrid olhou por cima de o ombro para confirmar se estavam sós . - Bem , tenho estado a dar lhes ... uma pequena ajuda . Harry reparou em o guarda-chuva cor-de-rosa a as florzinhas que estava encostado contra a parede de a cabana . Tivera em o ano anterior motivos para crer que aquele guarda-chuva não era o que parecia . De facto , acreditava que a antiga varinha de escola de Hagrid se encontrava oculta dentro de ele . Hagrid não tinha autorização para usar magia . Fora expulso de Hogwarts em o terceiro ano embora Harry nunca tivesse descoberto o motivo . Qualquer referência a esta questão fazia Hagrid pigarrear bem alto e ficar misteriosamente surdo até mudarem de assunto . -- Um encantamento de absorção , imagino ? - comentou Hermione entre a desaprovação e o divertimento . - Bem , se assim foi , fizeste um bom trabalho . - Foi o que disse a tua irmãzinha - respondeu Hagrid acenando em direcção a Ron . - Encontrei a ontem . - Hagrid olhou de lado para Harry , a barba a contorcer se . - Disse que andava só a ver os campos , mas eu acho qu'ela esperava encontrar alguém em a minha casa - piscou o olho a o Harry . - Se queres que te diga acho qu'ela não recusaria uma fotografia autogr ... - Cala te com isso - disse Harry . Ron desatou a rir e o chão ficou cheio de lesmas . - Cuidado - resmungou Hagrid , afastando Ron de as suas preciosas abóboras . Estava quase em a hora de o almoço e , como o Harry só tinha provado um bombom de melaço desde manhã cedo , estava ansioso por chegar a a escola para ir comer . Despediram se de o Hagrid e regressaram a o castelo . O Ron a vomitar de vez em quando , mas deitando só duas pequenas lesmas . Mal tinham pisado a entrada de o vestíbulo quando ouviram uma voz . - Aí estão vocês , Potter , Weasley . - A professora Mc_Gonagall vinha em direcção a eles com o seu ar severo . - Vocês os dois vão ter as punições hoje a a tarde . - O que é_que vamos fazer , professora ? - perguntou o Ron nervoso , deixando cair uma lesma . - Tu vais limpar as pratas em a sala de os troféus com Mr._Filch - disse a professora Mc_Gonagall . - E nada de mágicas , Weasley , trabalho com esforço . Ron engoliu em seco . Argus_Filch , o encarregado , era odiado por todos os alunos de a escola . - E tu , Potter , vais ajudar o professor Lockhart a responder a as cartas de as suas fãs - ordenou a professora Mc_Gonagall . - Oh , não ! Não posso ir também trabalhar em a sala de os troféus ? - pediu Harry em desespero de causa . - Nem pensar em isso - respondeu a professora Mc_Gonagall , erguendo as sobrancelhas . - O professor Lockhart requisitou te especialmente a ti . _ a as oito_em_ponto , os dois . Harry e Ron entraram em o salão em um estado de profundo desanimo com a Hermione atrás , ostentando uma expressão de * bem-voces-quebraram-as-regras-da-escola * . Harry não saboreou o empadão de carne como teria desejado . Tanto ele como o Ron achavam que tinham tido o pior de os castigos . -- O Filch vai reter me lá toda_a noite - disse Ron , desanimado . - Sem mágica ! Deve haver umas cem taças em aquela sala , eu não sei fazer limpeza de Muggles . - Eu trocava contigo de boa_vontade - confessou Harry em uma voz surda . - Tive montes de prática com os Dursleys . Responder a o correio de fãs de o Lockhart , que pesadelo ... A tarde de sábado pareceu derreter se . Pouco depois eram já cinco para as oito e Harry arrastava se até a o corredor de o segundo andar onde ficava o escritório de o Lockhart . Rangendo os dentes , bateu a a porta . A porta abriu se imediatamente e Lockhart dirigiu se lhe . - Ah , cá está o patifório ! - exclamou . - Entra , Harry , entra . Em as paredes , brilhando à_luz_de muitas velas , podia ver se uma infinidade de fotografias de Lockhart . Algumas de elas até assinadas . Sobre a secretária estava outro monte enorme . - Podes pôr as moradas em os envelopes - disse Lockhart_a_Harry , como_se fosse uma grande ameaça . - O primeiro é para Gladys_Gudgeon , abençoada seja , uma grande fã minha . Os minutos passavam lentos . De vez em quando , Harry ouvia a voz de Lockhart dizendo : - Mmm - e - certo - e - sim . - De vez em quando , apanhava uma frase como : - A fama é versátil , amigo Harry - ou - Só é célebre quem faz por isso , nunca te esqueças . As velas ardiam cada_vez com maior lentidão , fazendo a luz dançar sobre as muitas caras de Lockhart que o olhavam . Harry passava a mão , já dorida , sobre o que devia ser o centésimo envelope , escrevendo a morada de Verónica_Smethley . « Deve estar quase em a hora de me ir embora » , pensou , sentindo se profundamente infeliz , « por favor , faz com que esteja em a hora ... » E então ouviu algo , algo totalmente diferente de o crepitar de as velas e de os ditos de Lockhart sobre as suas fãs . Era uma voz , uma voz de arrepiar os ossos , de cortar a respiração , de veneno frio . - * _ Vem ... vem ter comigo ... deixa me rasgar te ... cortar te ... matar te * ... Harry deu um salto e uma enorme mancha lilás surgiu em a rua de Verónica_Smethley . - O quê ? - disse ele em voz alta . - Eu sei - exclamou Lockhart . - Seis meses inteirinhos em o topo de a lista de * bestsellers * , bati todos os recordes ! - Não - disse Harry nervosíssimo - aquela voz ! - Como ? - perguntou Lockhart , com um ar confuso . - Que voz ? - Aquela , aquela voz que disse ... não ouviu ? Lockhart olhava para Harry com o maior espanto . - De que é_que estás a falar , Harry ? Estás a ficar com sono ? Meu Deus , olha , só estamos aqui há quase quatro horas , quem diria ? O tempo passou a correr , não é verdade ? Harry não respondeu , estava a fazer um esforço para ouvir de_novo a voz , mas o único som que ouviu foi Lockhart a dizer lhe que não esperasse um tratamento igual de as próximas vezes que fosse castigado . Harry saiu , sentindo se atordoado . Era tão tarde que a sala comum de os Gryffindor estava quase vazia . Harry foi directamente para o dormitório . Ron ainda não tinha voltado . Vestiu o pijama , meteu se em a cama e esperou . Meia_hora mais tarde , chegou o Ron agarrado a o braço direito e inundando o quarto escuro de um forte cheiro a limpa-pratas . - Doem me todos os músculos - resmungou , metendo se em a cama . - Ele fez me polir catorze vezes aquela taça de Quidditch até estar satisfeito . E depois tive outro vómito em_cima_de um troféu de Reconhecimento por serviços prestados a a escola . Demorei séculos a limpar o muco de as lesmas . Como correram as coisas com o Lockhart ? Em voz baixa para não acordar o Neville , o Dean e o Seamus , Harry contou lhe , palavra por palavra , o que tinha ouvido . - E Lockhart disse que não ouviu nada ? - perguntou o Ron . Harry viu o franzir a testa , a a luz de o luar . - Achas que estava a mentir ? Mas , não percebo , mesmo um ser invisível teria aberto a porta . - Eu sei - disse Harry , encostando se a a cama e olhando para o dossel . - Também não compreendo . VIII_A festa de o dia de os mortos Outubro chegou , espalhando um frio húmido por os campos e por os cantos de o castelo . Madam_Pomfrey , a enfermeira-chefe , esteve bastante ocupada com uma onda de constipações que afectou professores e alunos . A sua poção de pimentão entrou imediatamente em acção apesar_de deixar quem a tomava com fumo em os ouvidos durante várias horas . Ginny_Weasley , que andava com ar adoentado , foi convencida a tomá a por o Percy . O fumo que saía por debaixo de o seu cabelo ruivo dava a impressão de que toda_a cabeça estava em fogo . Gotas de chuva de o tamanho de balas agrediram as janelas de o castelo durante dias a fio . O lago rosado e os canteiros de flores tornaram se regatos lamacentos e as abóboras de o Hagrid incharam ficando de o tamanho de alpendres de jardim . Contudo , o entusiasmo de Oliver_Wood por as sessões de treino regular não foi abalado , motivo por o qual Harry iria regressar a a torre de os Gryffindor , em um sábado a a tarde de temporal , alguns dias antes de o * _ Hallowe'en * , ensopado até a os ossos e todo enlameado . Além de a chuva e de o vento , não fora um treino feliz . Fred e George que tinham andado a espiar a equipa de os Slytherin tinham visto com os seus próprios olhos a velocidade alucinante de aquelas novas Nimbus dois_mil_e_um e comentaram que a equipa em o ar parecia composta por sete manchas esverdeadas que disparavam a_toda_a velocidade como aviões a jacto . Enquanto Harry chapinhava a o longo de o corredor deserto , cruzou se com alguém que parecia tão preocupado como ele : Nick quase sem cabeça , o fantasma de a torre de os Gryffindor que olhava taciturno , por a janela , murmurando baixinho : - Não preenche os requisitos , um centímetro e meio se ... - Olá , Nick - cumprimentou Harry . - Olá , olá - disse o Nick quase sem cabeça , começando a olhar em volta . Usava um arrebatado chapéu de plumas sobre a longa cabeleira encaracolada e uma túnica com gola de tufos que disfarçava o facto de ter o pescoço quase totalmente separado de o corpo . Era pálido como o fumo e Harry podia ver através de ele o céu negro e a chuva torrencial , lá fora . - Pareces preocupado , jovem Potter - disse Nick , dobrando uma carta transparente , enquanto falava e escondendo a dentro de a jaqueta . - Tu também - retorquiu Harry . - Ah ! - o Nick quase sem cabeça acenou com a mão de forma elegante . - Uma questão sem importância . Não é_que eu quisesse realmente participar apesar_de me ter inscrito , mas , a o que parece , não preencho os requisitos . - Apesar de o seu tom jovial havia em o seu rosto uma grande amargura . - Mas era de esperar , ou não era - exclamou subitamente , tirando a carta de o bolso - que ter levado quarenta_e_cinco golpes em a cabeça com um machado ferrugento me qualificaria para entrar em o grupo de os Sem - _ Cabeça ? - Sim , sim - respondeu Harry que obviamente o outro esperava que concordasse . - Isto_é , ninguém mais do_que eu desejaria que tudo tivesse sido rápido e perfeito , poupava me muitas dores e ridículo . Mas ... O Nick quase sem cabeça abriu , furioso , a carta e leu : * _ Só podemos aceitar em o grupo homens cuja cabeça tenha sido separada de o corpo . Compreenderá que de outro modo seria impossível a os nossos membros participarem em actividades como equitação de malabarismos com a cabeça e pólo de cabeça . Lamentamos profundamente informá o de que não preenche os requisitos . * _ Os nossos melhores cumprimentos , Sir_Patrick_Delaney - _ Podmore * Furioso , o Nick quase sem cabeça atirou fora a carta . - Um centímetro de pele e tendões a segurarem me a cabeça , Harry ! A maior parte de as pessoas acharia que era mais do_que o suficiente , mas não serve para o senhor correctamente decapitado Podmore . Nick quase sem cabeça respirou fundo várias vezes e , por fim , em um tom bastante mais calmo perguntou : - Então o que é_que te preocupa ? Alguma coisa que eu possa fazer por ti ? - Não - respondeu Harry . - A_não_ser_que saibas onde posso arranjar sete Nimbus dois_mil_e_um , de_graça , para o nosso campeonato contra os Sly ... - o resto de a frase foi afogada por um miado agudo vindo de perto de os seus tornozelos . Olhou para baixo e deu consigo a fitar um par de olhos que pareciam duas lâmpadas amarelas . Era_Mrs._Norris , a gata cinzenta e esquelética usada por o encarregado Argus_Filch como uma espécie de polícia em a sua infindável batalha contra os estudantes . - É melhor saíres de aqui , Harry - preveniu Nick com toda_a calma . - O Filch não está nada bem-disposto . Anda engripado e alguns alunos de o terceiro ano , por acidente , encheram o tecto de o calabouço cinco de miolos de rã . Ele tem andado toda_a manhã a limpar e se te vê a encher tudo de lama ... - Certo - disse Harry , recuando e afastando se de o olhar acusador de Mrs._Norris , mas ... tarde de mais . Conduzido até ali por o misterioso poder que parecia ligá o a a gata , Argus_Filch entrou subitamente por uma tapeçaria que se encontrava a a direita de Harry , com a sua respiração asmática , olhando vivamente em volta em busca de o infractor . Tinha um lenço grosso , de xadrez , a a volta de a cabeça e o nariz invulgarmente arroxeado . - Imundície - gritou com os maxilares a tremer e os olhos a saltarem lhe de as órbitas , enquanto apontava para a poça de lama que pingara de a túnica de Quidditch_de_Harry . - Desarrumação e imundície em todo o lado . Estou farto disto , segue me , Potter . Harry despediu se de o Nick quase sem cabeça com um tímido aceno e seguiu Filch até lá abaixo , duplicando o número de pegadas lamacentas em o chão . Nunca entrara em o gabinete de o Filch . Era um lugar que a maior parte de os estudantes evitava . A divisão era sombria e sem janelas , iluminada por uma única lamparina de óleo que pendia de o tecto . Sentia se um vago cheiro a peixe frito . As paredes estavam forradas por ficheiros de madeira . Por as etiquetas Harry percebeu que continham os dados de todos os alunos que Filch tinha punido . Fred e George_Weasley tinham uma gaveta só para eles . Atrás de a secretária estava pendurada uma colecção bem polida de correntes e algemas . Todos sabiam que ele estava sempre a pedir a Dumbledore que o deixasse pendurar os alunos em o tecto por os tornozelos . Filch pegou em uma pena que estava sobre a secretária e começou a procurar o pergaminho . - Bosta - murmurou , furioso . - Bosta de dragão , miolos de rã , intestinos de ratazana ... eu tinha aqui bastante , onde está o form ... sim ... Tirou um enorme rolo de pergaminho de a gaveta de a secretária e estendeu o em a frente , molhando a longa pena em o tinteiro . - Nome : Harry_Potter . Crime ... - Foi só um bocadinho de lama - disse Harry . - É só um bocadinho de lama para ti , rapaz , mas para mim é mais de uma hora a esfregar - gritou Filch com um pingo a tremer de modo desagradável em a extremidade de o nariz bolboso . - Crime : manchar o castelo . Sentença proposta ... Esfregando o nariz que continuava a pingar , Filch olhou com má cara para Harry que esperava com a respiração entrecortada para ouvir a sentença . Mas quando Filch pegou em a pena ouviu se um estrondo enorme em o tecto que fez a lamparina apagar se . - PEEVES - resmungou Filch , pousando a pena , cheio de raiva . - Desta_vez apanho te . Apanho te ! E sem olhar para trás , saiu a correr a_toda_a velocidade de o gabinete , seguido de a gata , Mrs._Norris . Peeves era o * poltergeist * de a escola , uma ameaça de risota esvoaçante que vivia para fazer estragos e criar aflição . Harry não gostava lá muito de ele , mas desta_vez , não podia deixar de lhe estar grato . Na_melhor_das_hipóteses o que Peeves tivesse feito ( e parecia que agora ele destruíra qualquer coisa em grande ) distrairia Filch_de_Harry . Pensando que o melhor seria esperar que ele voltasse , Harry deixou se cair em uma cadeira carcomida por o tempo que se encontrava junto de a secretária . Havia uma coisa sobre o tampo : um grande envelope roxo e lustroso com letras prateadas em a frente . Lançando um olhar rápido a a porta para confirmar que Filch não estava de volta , Harry pegou lhe e leu : __ feitiço __ rápido Um curso por correspondência De iniciação a a magia Cheio de curiosidade , abriu o envelope e retirou o rolo de pergaminho . Uma letra curvilínea e prateada dizia : Sente se pouco a a vontade em o mundo de a magia moderna ? Dá consigo a arranjar desculpas para não fazer feitiços simples ? Tem sido censurado por o deplorável trabalho com a varinha ? Eis a resposta ! Feitiço rápido e um curso totalmente novo , infalível , de resultados rápidos e rápida aprendizagem . Centenas de bruxas e feiticeiros têm beneficiado de o método feitiço rápido ! Madam_Z._Nettles_de_Topsham escreve nos : Eu não conseguia fixar os encantamentos e as minhas poções eram alvo de risota em a família . Agora , depois de o curso feitiço rápido , tornei me o centro de as atenções em todas_as festas e os meus amigos não param de pedir me a receita de a minha brilhante solução ! O mágico D.J._Prod , de Disbury , afirma : A minha mulher costumava rir se de os meus fracos encantamentos , mas bastou um mês com o vosso fabuloso curso feitiço rápido e consegui transformá a em um iaque . Obrigado , feitiço rápido ! Fascinado , Harry folheou o resto de o conteúdo de o envelope . Para que diabo quereria o Filch um curso de feitiço rápido ? Não seria ele um feiticeiro a sério ? Harry estava a ler a lição número um : Pegando em a varinha ( algumas dicas úteis ) quando umas passadas arrastadas , lá fora , o preveniram de que Filch estava de volta . Metendo rapidamente o pergaminho dentro de o envelope , lançou o para_cima de a secretária em o preciso momento em que a porta se abriu . Filch ostentava um ar triunfante . - Aquele armário que desapareceu era extremamente valioso - vinha ele a dizer a a gata , Mrs._Norris . - Desta_vez vamos correr com o Peeves , minha linda . Os seus olhos recaíram sobre Harry e logo_a_seguir sobre o envelope de o feitiço rápido que , Harry apercebeu se tarde de mais , estava meio metro distanciado de o seu lagar inicial . O rosto pálido de Filch tornou se vermelho escarlate . Harry preparou se para uma nova onda de fúria . Filch coxeou até a a secretária , arrebatou o envelope e meteu o em uma gaveta . -- Chegaste a ... lê o ? - perguntou atabalhoadamente . - Não - mentiu Harry , sem perder tempo . As mãos nodosas de o Filch contorciam se ao_mesmo_tempo . - Se eu soubesse que ias ler a minha correspondência priv ... não que seja minha ... é para um amigo ... mesmo_assim ... Harry olhava para ele espantado . Nunca vira o Filch tão louco . Os olhos pareciam querer saltar lhe de as órbitas , com um tique em as bochechas e aquele lenço axadrezado que não ajudava nada ... - Muito bem , vai e não abras a boca sobre isto ... não que ... mesmo_assim ... se tu não leste ... vai te embora , tenho de escrever o relatório sobre o Peeves , vai . Atordoado com a sua sorte , Harry saiu de ali e largou a correr por o corredor fora e por as escadas acima . Sair de o gabinete de o Filch sem um castigo devia ser um recorde em a escola . - Harry , Harry , deu resultado ? O Nick quase sem cabeça saiu a brilhar de uma sala de aula . Atrás de ele , Harry pôde ver os destroços de um grande armário preto e dourado que parecia ter sido atirado de uma grande altura . - Convenci o Peeves a parti o mesmo em cima de o gabinete de o Filch - disse Nick entusiasmado . - Pensei que talvez o distraísse . - Foste tu ? - exclamou Harry , agradecido . - Funcionou sim . Ele não me deu nenhum castigo . Obrigado , Nick . Atravessaram o corredor juntos . O Nick quase sem cabeça , reparou Harry , ainda tinha em a mão a carta de Sir_Patrick . - Gostaria de poder fazer qualquer coisa sobre o grupo de os Sem - _ Cabeça - disse Harry . O Nick quase sem cabeça parou de repente e Harry passou através de ele . Antes não tivesse passado , foi como atravessar um duche gelado . - Mas há uma coisa que tu podes fazer por mim - disse Nick muito agitado . - Harry , seria pedir te de mais ... mas não , tu não ias querer ... - O quê ? - Bem , este ano em o * _ Hallowe'en * vai ser o meu meio milénio de dia de os mortos - disse o Nick quase sem cabeça endireitando se e adquirindo uma postura de grande dignidade . - Oh - respondeu Harry sem saber se deveria lamentar ou dar lhe os parabéns . - Certo . - Vou dar uma festa em um de os calabouços mais amplos . Vêm amigos meus de todo o país . Seria uma honra muito grande se tu aparecesses . Mr._Weasley e Miss_Granger seriam também muito bem-vindos , claro . Mas tu deves preferir o banquete de a escola , não é verdade ? - Olhou para Harry , aflito . - Não - assegurou ele rapidamente . - Eu vou . - Oh rapaz , Harry_Potter em a minha festa de os mortos - hesitou no_meio_de toda aquela excitação . - Achas que poderias referir a Sir_Patrick como me achas assustador e como te impressiono ? - É claro que sim - assegurou Harry . O Nick quase sem cabeça iluminou se em um sorriso . - Uma festa de os mortos ? - exclamou Hermione , entusiasmada , quando Harry , depois de mudar de roupa , se juntou a ela e a o Ron em a sala comum . - Aposto que não há muitas pessoas que possam gabar se de ter estado em uma festa de essas . Vai ser fantástico ! - Por_que é_que alguém se lembraria de festejar o dia em que morreu ? - perguntou o Ron que estava a meio de o seu trabalho de casa de poções e bastante maldisposto . - Parece me bastante mórbido . A chuva continuava a lamber as janelas que apresentavam agora um negro que parecia tinta , mas , lá dentro , era tudo claro e alegre . O fogo em a lareira brilhava sobre as inúmeras cadeiras de braços onde as pessoas estavam sentadas a ler , a conversar , a fazer os trabalhos de casa ou , no_caso_de Fred e George_Weasley , a tentar descobrir o que aconteceria se alimentassem uma salamandra com fogo-de-artíficio de o Filibuster . O Fred tinha « resgatado . o lagarto cor de laranja brilhante , morador de o fogo , de uma aula de tratamento de seres mágicos e ele estava agora a arder em fogo lento sobre uma mesa , rodeado de um grupo de curiosos . Harry ia começar a contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre o Filch e o curso de feitiço rápido quando a salamandra disparou por os ares , lançando faíscas e estoiros . A visão de Percy a gritar com Fred e George até ficar ronco , a fantástica exibição de estrelas cor de tangerina que choviam de a boca de a salamandra e a sua fuga para o lume acompanhada de explosões , fizeram com que Harry se esquecesse , em aquele momento , de Filch e de o curso de feitiço rápido . Quando chegou o * _ Hallowe'en * , Harry já lamentava a sua promessa imprudente de ir a a festa de os mortos . Toda_a escola antecipava , feliz , a sua festa de * _ Hallowe'en * . O salão nobre fora enfeitado com os habituais morcegos , as enormes abóboras de Hagrid tinham sido esculpidas em forma de lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro_de cada uma , e havia boatos de que Dumbledore contratara um grupo de esqueletos bailarinos para animar a festa . - Uma promessa é uma promessa - lembrou Hermione_a_Harry com o seu autoritarismo habitual . - Tu disseste que ias a a festa de os mortos . Portanto , a as sete_da_tarde , Harry , Ron e Hermione saíram , passando por a porta de o salão nobre que brilhava de modo convidativo com pratos dourados e velas e dirigiram os seus passos para os calabouços . O corredor que conduzia a a festa de o Nick quase sem cabeça tinha sido também ladeado de velas , embora o efeito estivesse longe_de ser alegre : estas eram velas muito esguias e estreitas , negras de breu , ardendo em um azul brilhante e lançando uma luz indistinta e espectral também sobre as caras de as pessoas vivas . A temperatura diminuía a cada degrau que desciam . Harry tremia e cingia a túnica a o corpo quando ouviu qualquer coisa que parecia uma centena de unhas a rasparem um enorme quadro preto . - Será que isto_é a música ? - murmurou Ron . Viraram uma esquina e viram o Nick quase sem cabeça junto de uma porta , todo vestido de veludo negro . - Meus queridos amigos - disse com ar de luto . - Bem-vindos , bem-vindos , ainda_bem que puderam vir . Em um gesto largo tirou o chapéu de plumas e fez lhes sinal para que entrassem . Era uma visão incrível . O calabouço estava cheio com centenas de pessoas de um branco pálido e translúcido , a maior parte de as quais era arrastada em uma pista de dança cheia , valsando a o som de trinta serrotes musicais . Os serrotes que compunham a orquestra encontravam se sobre um estrado enfeitado com panos negros . Um lustre lá em cima resplandecia de um azul nocturno com mais um_milhar de velas negras . A respiração de os três subiu em o ar como uma neblina . Parecia que tinham entrado em um congelador . - Vamos dar uma volta - sugeriu Harry em uma tentativa de aquecer os pés . - Cuidado , não atravessem nenhum de eles - avisou o Ron nervosamente e colocaram se em volta de a pista de dança . Passaram por um grupo escuro de freiras , por um homem esfarrapado e cheio de correntes e por o frade gordo , o divertido fantasma de os Hufflepuff que estava a conversar com um cavaleiro com uma seta enfiada em a testa . Harry não ficou nada surpreendido a o ver que o Barão sangrento , o fantasma lúgubre e berrante de os Slytherin , coberto de nódoas de sangue ; estava a ser totalmente evitado por os outros fantasmas . - Oh ! Não -- exclamou Hermione , parando bruscamente . - Voltem se , voltem se , não quero ter de cumprimentar a Murta_Queixosa . - Quem ? - perguntou Harry enquanto davam rapidamente meia volta . - Ela assombra a casa_de_banho de as raparigas de o primeiro andar - explicou Hermione . - Assombra uma casa_de_banho ? - Sim . Está inoperativa durante todo o ano porque ela tem constantes acessos de choro e inunda tudo . Eu só lá fui quando não pode mesmo evitar . É horrível tentar ir a a sanita com ela a gritar connosco . - Olhem , comida - disse o Ron . De o outro lado de o calabouço estava uma mesa igualmente coberta de velado negro . Iam para se aproximar entusiasmados , mas pararam com uma expressão de horror . O cheiro era nauseabundo . Enormes peixes podres enchiam as bonitas travessas de prata , os bolos estorricados como carvões amontoavam se em as salvas , havia uma grande quantidade de miúdos de macaco , uma tábua de queijos cobertos de bolor e , em o lugar de honra , um enorme bolo cinzento em forma de lápide com letras que pareciam alcatrão formando as palavras , * _ Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington_Morto em 31_de_Outubro , 1492 * . Harry olhou espantado quando um fantasma de porte majestoso se aproximou de a mesa inclinando se e passando através de ela com a boca aberta enquanto atravessava um salmão malcheiroso . - Consegue prová o passando através de ele ? - perguntou lhe Harry . - Quase - disse tristemente o fantasma antes de se afastar . - Devem ter deixado apodrecer tudo_isto para ter um sabor mais forte - comentou Hermione com ar de quem está bem informada , tapando o nariz e aproximando se para ver melhor os pútridos miúdos de macaco . - Podemos sair de aqui , estou a sentir me agoniado - disse o Ron . Mas mal tinham dado meia volta quando um homenzinho pequenino saiu inesperadamente de debaixo de a mesa e fez uma paragem em o ar em frente de eles . - Olá , Peeves - disse Harry cautelosamente . Ao_contrário de os outros fantasmas que os rodeavam , Peeves , o * poltergeist * era o oposto de pálido e transparente . Usava um chapéu festivo cor de laranja , um laço rotativo a o pescoço e tinha um sorriso grosseiro de malvadez , em o rosto . - Querem petiscar ? - perguntou delicadamente , oferecendo lhes uma taça de amendoins cobertos de fungos . - Não , obrigada - disse Hermione . - Ouvi te falar sobre a pobre Murta - disse Peeves com os olhos a bailar . - Que insensível que tu foste para com a pobre Murta - respirou fundo e gritou : - Oh Murta . - Oh ! Não , Peeves , não lhe contes o que eu disse , ela vai ficar muito aborrecida - murmurou Hermione bastante nervosa . - Eu não queria dizer que ... eu não me importo que ela , er , olá , Murta . O espectro atarracado de uma rapariga deslizara . Tinha o rosto mais carrancudo que Harry alguma vez vira , meio escondido por o cabelo liso e por os óculos grossos cor de pérola . - O que é ? - perguntou mal-humorada . - Como estás Murta ? - perguntou Hermione , em uma voz falsamente alegre . - É bom ver te fora de a casa_de_banho . Murta fungou . - Miss_Granger estava justamente a falar de ti - disse lhe Peeves baixinho a o ouvido . - A dizer , a dizer ... como estás bonita esta noite -- terminou Hermione , olhando irritada para Peeves . A Murta olhou para Hermione desconfiada . - Estão a divertir se a a minha custa - disse , com lágrimas de prata a encherem lhe rapidamente os olhos pequeninos . - Não , a sério , eu não estava a dizer vos como a Murta estava bonita esta noite ? - disse Hermione , dando uma palmada em as costas de o Harry e de o Ron . - Sim , sim . - Ela ... - Não me venham com mentiras - protestou a Murta , as lágrimas agora a descerem lhe por o rosto , enquanto Peeves ria baixinho por cima de o ombro de ela . - Julgam que eu não sei o que as pessoas me chamam em as minhas costas ? A Murta gorda , a Murta feia , a Murta queixosa , a Murta deprimida ! - Esqueceste te de « a Murta ponto negro » - sussurrou lhe Peeves a o ouvido . A Murta_Queixosa irrompeu em soluços de angústia e fugiu de o calabouço . Peeves disparou atrás de ela , lançando lhe uma chuva de amendoins cheios de bolor e gritando : Ponto negro ! Ponto negro ! - Oh , coitada ! - exclamou Hermione com tristeza . O Nick quase sem cabeça abria agora caminho entre a multidão para se aproximar de eles . - Estão a divertir se ? - Sim , sim - mentiram . - Uma afluência nada má - disse orgulhoso o Nick quase sem cabeça . - A viúva chorosa veio de Kent ... está quase em a hora de o meu discurso . É melhor ir avisar a orquestra . Mas a orquestra parou de tocar em esse preciso momento . Eles , e todos os outros em o calabouço , ficaram em silêncio total , olhando em volta cheios de excitação quando se ouviu uma trompa de a caça . - Lá vêm eles - disse o Nick quase sem cabeça , com alguma amargura em a voz . Por o calabouço irromperam uma_dúzia de , cavalos fantasmas , cada_um montado por um cavaleiro sem cabeça . A assistência aplaudiu vivamente . Harry começou também a bater palmas , mas parou rapidamente quando viu a cara de o Nick . Os cavalos galoparam até a o meio de a pista de dança e pararam , empinando se , dando pequenos passos para a frente e para trás , sobre as patas traseiras . Um fantasma grande em a frente , cuja cabeça barbuda estava debaixo de o braço , soprando a trompa , desmontou , levantou a cabeça bem em o ar para poder ver toda_a assistência ( todos se riam ) e dirigiu se a o Nick quase sem cabeça , comprimindo a cabeça contra o pescoço . - Bem-vindo , Patrick - disse o Nick , mantendo a sua postura rígida . - Gente viva ! - exclamou o Sir_Patrick , avistando Harry , Ron e Hermione e dando um salto de falso espanto , de_tal_modo_que a cabeça lhe caiu de_novo ( a multidão ria a bom rir ) . - Muito engraçado - disse o Nick quase sem cabeça com um ar soturno . - Não ligues a o Nick - gritou a cabeça de Sir_Patrick de o chão . - Ainda está aborrecido por não o deixarmos juntar se a o grupo . Mas olhem bem para ele ... - Eu acho - disse apressadamente Harry , a seguir a um olhar de o Nick - que o Nick é muito assustador e ... eu ... - Bah ! - gritou a cabeça de Sir_Patrick . - Aposto que ele te pediu que dissesses isso . - Gostaria de ter a vossa atenção . Chegou a altura de fazer o meu discurso - disse o Nick quase sem cabeça bem alto , dirigindo se a o pódio , subindo e parando , iluminado por uma luz azul . - Os meus sentimentos , senhores e senhoras , é com profundo pesar ... Mas já ninguém estava a ouvi o . Sir_Patrick e o resto de o grupo de os Sem - _ Cabeça tinham iniciado um jogo de hóquei de cabeça e a multidão voltara se para os observar . Nick quase sem cabeça tentou em vão recuperar a audiência , mas acabou por desistir quando a cabeça de Sir_Patrick passou por ele a_toda_a velocidade gritando vivas . Harry estava cheio de frio para não falar de a fome . - Não aguento mais isto - murmurou Ron a bater o dente enquanto a orquestra voltava a entrar em acção e os fantasmas enchiam de_novo a pista de dança . - Vamos embora - concordou Harry . Recuaram até a a porta , acenando e sorrindo a todos os que olhavam para eles e um minuto depois passavam apressadamente por a entrada cheia de velas negras . - Talvez o pudim ainda não tenha acabado - disse o Ron cheio de esperança , abrindo caminho em direcção a os degraus de o vestíbulo de a entrada . E foi então que Harry ouviu aquilo . - ... * _ Arrancar ... rasgar ... matar * ... Era a mesma voz , a mesma voz fria e assassina que ouvira em o escritório de Lockhart . Parou , agarrando se a a parede de pedra em a expectativa de ouvir melhor , olhando em volta , espreitando para_cima e para baixo de a passagem mal iluminada . - Harry que estás tu a ... ? - E aquela voz outra_vez , calem se um bocadinho . -- ... * _ Tanta fome ... há tanto tempo * ... - Ouçam insistiu Harry e Ron e Hermione ficaram estáticos a olhar para ele . - * _ Matar ... hora de matar * ... A voz ia ficando mais débil . Harry tinha a certeza de que ela estava a afastar se , a subir . Um misto de medo e excitação tomou posse de ele enquanto olhava para o tecto escuro . Como poderia ele subir ? Seria um fantasma para quem os tectos de pedra não contavam ? - Por aqui - gritou , começando a correr por as éscadas acima até a a entrada de o * hall * . Não havia hipótese de ouvir fosse o que fosse ali , o barulho de vozes que vinha de o banquete de o * _ Hallowe'en * ecoava cá fora . Harry subiu a correr a escadaria de mármore até a o primeiro andar com Ron e Hermione ruidosamente atrás . - Harry o que é_que nós ... ? - Sch ... Harry apurou o ouvido . Ao_longe , em o andar de cima , e ainda a enfraquecer , mesmo_assim ouviu a voz : - ... * Cheira-me a sangue ... cheira me a sangue ! * O estômago deu lhe uma volta . - Ele vai matar alguém - gritou e ignorando as caras perplexas de Ron e Hermione , correu , subindo mais um lanço de escadas , a três_e_três , tentando ouvir através de o ruído de os seus próprios passos . Harry correu a_toda_a velocidade pelo segundo andar com Ron e Hermione atrás e só parou quando viraram uma esquina para o último corredor abandonado . - Harry , o que foi aquilo tudo ? - perguntou o Ron , limpando o suor de o rosto . - Eu não ouvi nada ... Mas Hermione , em um sobressalto , apontou para o fundo de o corredor . - Olhem ! Alguma coisa brilhava em a parede em frente . Aproximaram se devagarinho , tentando ver em a escuridão . Alguém escrevera em letras garrafais em a parede entre duas janelas . As palavras brilhavam a a chama fraca de as tochas . : __ a câmara de os segredos foi aberta . inimigos de o herdeiro , __ cuidado . - O que é aquilo pendurado por baixo de as letras ? - perguntou Ron com um tremor em a voz . Quando se aproximaram , Harry quase escorregou . Havia uma grande poça de água em o chão . Ron e Hermione agarraram o e avançaram cautelosamente até a a mensagem , os olhos fixos em uma sombra escura , em baixo . Aperceberam se os três de imediato do_que se tratava e deram um salto para trás , salpicando tudo de água . Mrs._Norris , a gata de o encarregado , estava pendurada por a cauda em o suporte de a tocha . Tinha o corpo rígido como uma tábua e os olhos abertos . Durante alguns segundos ninguém se mexeu . Depois o Ron disse : - Vamos sair de aqui . - Não devíamos tentar ajudar ? - propôs Harry , sem graça . - Acredita - assegurou o Ron . - É melhor que não nos encontrem aqui . Mas era tarde de mais . Um ruído surdo e prolongado , como um trovejar distante , avisou os de que o festim tinha terminado . De ambos os lados de o corredor onde eles estavam , veio o som de centenas de pés a subirem a escadaria e as vozes alegres de gente bem alimentada . Em o momento seguinte os alunos chegavam junto de eles de ambos os lados . O burburinho morreu subitamente mal as pessoas avistaram a gata pendurada . Harry , Ron e Hermione estavam de pé , sozinhos , em o meio de o corredor quando se fez silêncio em a multidão de estudantes que se empurravam para observar aquele quadro macabro . Então alguém gritou , quebrando o silêncio . - Inimigos de o herdeiro , cuidado . Vocês serão os próximos , sangue de lama ! Era_Draco_Malfoy . Estava a a frente de a multidão com os olhos frios a brilhar , a sua cara habitualmente pálida agora afogueada , sorrindo a a vista de a gata pendurada e imóvel . IX_As palavras em a parede -- O que é_que se passa aqui ? O que é_que se passa ? Sem dúvida , atraído por o grito de Malfoy , Argus_Filch apareceu a coxear em o meio de a multidão . Quando viu Mrs._Norris , caiu para trás agarrando o rosto com verdadeiro horror . - A minha gata ! A minha gata ! O que aconteceu a Mrs._Norris ? - gritou . E os seus olhos rápidos caíram sobre Harry . - Tu - guinchou ele . - Mataste a minha gata ! Mataste a , vou dar cabo de ti , eu ... - Argus . Dumbledore tinha chegado a o lugar , seguido de alguns professores . Em poucos segundos tinha passado a a frente de Harry , Ron e Hermione e desatado Mrs._Norris de o suporte de a tocha . - Vem comigo , Argus - disse ele a o Filch . - Vocês também , Mr._Potter , Mr._Weasley e Miss_Granger . Lockhart deu rapidamente um passo em frente . - O meu escritório é o que está mais perto , senhor director , é já aqui em cima , por favor fiquem a a vontade . - Obrigado , Gilderoy - disse Dumbledore . A multidão silenciosa dividiu se para os deixar passar . Lockhart sentindo se excitado e importante , seguia Dumbledore assim_como a professora Mc_Gonagall e o professor Snape . Quando entraram em o escritório escuro de Lockhart houve uma grande agitação em as paredes . Harry viu várias imagens de Lockhart a esconderem se cheias de rolos em o cabelo . O Lockhart em pessoa acendeu as velas e chegou se mais para trás . Dumbledore pôs Mrs._Norris em a superfície polida de a secretária e começou a examiná a . Harry , Ron e Hermione trocaram olhares tensos entre si e deixaram se cair em as cadeiras que se encontravam longe de a luz , a observar . A ponta de o nariz longo e adunco de Dumbledore estava a menos_de dois centímetros de o pêlo de Mrs._Norris . Ele olhava a de perto através de os óculos de meia-lua , os dedos longos a palpar e tactear suavemente . A professora Mc_Gonagall estava quase tão perto como ele , com os olhos contraídos . Snape surgia mais atrás , meio em a sombra , com uma expressão estranha em o rosto , como_se tentasse a_toda_a força sorrir . E Lockhart andava de um lado para o outro a dar sugestões . - Foi sem dúvida uma maldição que a matou , provavelmente a tortura de a metamorfose . Vi a muitas_vezes ser usada , mas infelizmente eu não estava lá quando isto aconteceu . Conheço o antídoto para essa maldição , o que a teria salvo . Os comentários de Lockhart foram interrompidos por os soluços secos e violentos de Filch . Estava afundado em uma cadeira junto de a secretária , incapaz de olhar para Mrs._Norris , com o rosto em as mãos . Por mais que detestasse Filch , Harry não pôde deixar de sentir pena de ele embora não tanta quanto_a que sentia por si próprio . Se Dumbledore acreditasse em o Filch ele seria certamente expulso . O director estava agora a sussurrar umas palavras estranhas e batendo em Mrs._Norris com a varinha , mas não aconteceu nada , ela continuou com o mesmo aspecto , como_se tivesse sido empalhada . - ... Lembro me de uma coisa semelhante que aconteceu em Ouagadogou - disse LockLart . - Uma série de ataques . Conto essa história em a minha autobiografia . Eu dei a a gente de a cidade vários amuletos que resolveram logo a situação ... As fotografias de Lockhart em as paredes iam acenando afirmativamente com a cabeça enquanto ele falava . Uma de elas esquecera se de tirar os rolos de o cabelo . Por fim , Dumbledore endireitou se . - Ela não está morta , Argus - disse suavemente . Lockhart interrompeu bruscamente a contagem de os crimes que conseguira evitar . - Não está morta ? - disse Filch em um sufoco , olhando através de os dedos para Mrs._Norris . - Mas , porque está ela rígida e gelada ? - Foi petrificada - disse Dumbledore ( Ah ! foi o que eu pensei ! - comentou Lockhart ) mas como , não posso afirmar . - Pergunte lhe - gritou Filch , voltando a cara cheia de furúnculos e lágrimas para Harry . - Nenhum aluno de o segundo ano poderia ter feito isto - explicou Dumbledore . - Era preciso um grande conhecimento de magia negra . - Foi ele , foi ele - disse encolerizado o encarregado com a cara a ficar roxa . - O senhor viu o que ele escreveu em a parede . Ele descobriu em o meu gabinete , ele sabe que eu sou um ... - O rosto de Filch estava horrível . - Ele sabe que eu sou um * _ busca-pé * - disse por fim . - Eu não toquei em a Mrs._Norris - gritou Harry com todos os olhares a recaírem sobre ele , incluindo o de todos os Lockharts de a parede . - E eu nem sei o que é um * busca-pé * . - Mentira ! - gritou Filch . - Ele viu a minha carta de o feitiço rápido . - Se me permite que dê a minha opinião , senhor director - disse Snape , saindo de a sombra , e a sensação de mau presságio de Harry aumentou bastante . Certamente nada do_que Snape tinha para de dizer iria ajudá o . - O Potter e os amigos podiam estar simplesmente em o lugar errado em a altura errada - afirmou com um leve sorriso a torcer lhe a boca como_se tivesse as suas dúvidas . - Mas , temos aqui um conjunto de circunstâncias curiosas . Porque estavam eles afinal em o corredor ? Porque não estiveram presentes em a festa de o * _ Hallowe'en * ? Harry , Ron e Hermione começaram uma longa explicação sobre a festa de o dia de os mortos . - Estavam lá centenas de fantasmas , eles poderão confirmar que lá estivemos ... - Mas porque não foram a seguir a o banquete ? - perguntou Snape com os olhos pretos a brilharem a a luz de as velas . - Porquê ir até a aquele corredor ? Ron e Hermione olharam para Harry . - Porque , porque ... - balbuciou Harry , com o coração a querer saltar lhe de o peito , mas algo lhe disse que ia parecer muito rebuscado se lhes contasse que tinha sido levado até ali por uma voz sem corpo que só ele conseguia ouvir . - Porque estávamos cansados e queríamos ir para a cama - disse . - Sem jantar ? - inquiriu Snape com um sorriso triunfante a bailar lhe em o rosto lúgubre . - Não sabia que os fantasmas ofereciam em as suas festas comida para gente viva . - Não estávamos com fome - disse o Ron bem alto , enquanto o estômago se queixava de forma audível . O sorriso mesquinho de a Snape ampliou se . - Acho , senhor director , que Potter não está a dizer toda_a verdade - afirmou . - Talvez fosse boa ideia retirar lhe alguns privilégios , até ele estar disposto a contar nos a história toda . Pessoalmente , sugiro que seja retirado de a equipa de os Gryffindor até decidir ser honesto . - Francamente , Severus - exclamou a professora Mc_Gonagall com uma voz cortante . - Não vejo porquê impedir o rapaz de jogar Quidditch . Esta gata não levou pauladas em a cabeça dadas por nenhum cabo de vassoura . E não há provas de que o Potter tenha feito algo de mal . Dumbledore observava Harry com um olhar perscrutador . A voz tremeluzente de os seus olhos azuis fez Harry sentir que estava a ser passado a raios X. - Inocente até se provar que é culpado , Severus - disse com segurança . Snape estava furioso , assim_como Filch . - A minha gata foi petrificada ! - berrou , com os olhos a saltarem de as órbitas . - Quero ver um castigo ! - Vamos poder curá a , Argus - explicou pacientemente Dumbledore . - Madam_Sprout conseguiu arranjar algumas Mandrágoras . Logo_que tenham atingido o tamanho adulto , terei uma poção de Mandrágoras que reanimará Mrs._Norris . - Eu posso fazê a - interrompeu Lockhart . - Devo ter feito isso uma centena de vezes . Preparo uma golada de Mandrágora reconstituinte de olhos fechados ... - Perdão - disse Snape friamente -- , mas julgo que o professor de poções de esta escola ainda sou eu . Houve um silêncio bastante incómodo . - Vocês podem ir se embora - disse Dumbledore a o Harry , Ron e a Hermione . Eles saíram o mais depressa que puderam , sem ir a correr . Quando chegaram a o andar acima de o escritório de Lockhart , entraram em uma sala de aulas vazia e fecharam a porta devagarinho . Harry lançou um olhar de esguelha a as caras carrancudas de os amigos . - Acham que eu lhes devia ter falado de a voz que ouvi ? - Não - respondeu Ron , sem a mínima hesitação . - Ouvir vozes que mais ninguém ouve , não é bom sinal , nem em o mundo de os feiticeiros . Algo em a voz de Ron levou Harry a fazer a pergunta : - Tu acreditas em mim , não acreditas ? - Claro que sim - respondeu o Ron de imediato . - Mas tens de concordar que é esquisito ... - Eu sei que é esquisito - confirmou Harry . - É tudo esquisito . O que era aquilo escrito em a parede ? * _ A_Câmara foi aberta * , o que é_que significa ? - Sabes , faz me lembrar qualquer coisa - disse Ron lentamente . - Acho que alguém me contou uma história sobre uma câmara secreta em Hogwarts , talvez tenha sido o Bill ... - E que diabos é um * busca-pé * ? - perguntou Harry . Para sua surpresa , Ron abafou o riso . - Bem , em a verdade não tem graça nenhuma , mas como é o Filch ... - disse . - Um * busca-pé * é alguém que nasceu de uma família de feiticeiros , mas não tem poderes mágicos . É uma espécie de o oposto de os que vêm de famílias de Muggles , mas são feiticeiros . Os * busca-pé * são muito raros . Se o Filch está a tentar aprender magia em um curso rápido , acho que ele deve ser mesmo um busca-pé . Isso explicaria tudo , por_exemplo , porque detesta tanto os estudantes . - Ron sorriu satisfeito . - Tem inveja . Um relógio deu as horas , algures . - Meia-noite - disse Harry . - É melhor irmo nos deitar , antes que o Snape apareça e tente acusar nos de qualquer coisa . Durante alguns dias não se falou de outra coisa em a escola a não ser de o ataque a a gata , Mrs._Norris . Filch manteve o sucedido bem fresco em a memória de todos , andando de um lado para o outro em o lugar onde ela fora atacada , como_se esperasse por o responsável . Harry vira o esfregar a mensagem de a parede com a « solução removedora de toda_a porcaria mágica Mrs._Skower » , mas sem qualquer resultado . As palavras continuavam a brilhar tanto como antes sobre a pedra . Quando Filch não estava a patrulhar a cena de o crime , vagueava , de olhos avermelhados , por os corredores , perseguindo alunos insuspeitos e tentando aplicar lhes castigos por coisas como « respirar muito alto » ou « estar alegre » . Ginny_Weasley parecia muito perturbada com o destino de Mrs._Norris . Segundo Ron ela era uma amante de gatos . - Mas tu nem chegaste a conhecer bem Mrs._Norris - disse lhe Ron para a animar . - Com toda_a franqueza , estamos muito melhor sem ela . - O lábio de Ginny tremeu . - Não é costume acontecerem coisas de estas em Hogwarts - tranquilizou a . - Eles vão descobrir o safado que fez aquilo e põem o de aqui para fora em três tempos . - Só espero que tenha tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso . Estou a brincar , claro - acrescentou o Ron apressadamente a o ver a Ginny a empalidecer . O ataque afectara também Hermione . Era costume de ela passar muito_tempo a ler , mas agora parecia não fazer mais_nada . Nem respondia a o Harry e a o Ron quando lhe perguntavam o que estava a fazer e só acabaram por descobrir em a quarta-feira seguinte . Harry tivera de ficar até mais tarde em a sala de poções onde Snape o mandara raspar restos de larvas de as secretárias . Depois de um almoço comido a a pressa , ele foi lá acima encontrar se com Ron em a biblioteca e viu Justin_Finch - _ Fletchley , o rapaz de os Hufflepuff de herbologia que vinha em direcção a ele . Harry tinha acabado de abrir a boca para dizer um « Olá » quando Justin o viu , voltando se bruscamente e mudando de direcção . Harry foi encontrar o Ron em as traseiras de a biblioteca , a medir o trabalho de casa de história de a magia . O professor Binns pedira uma composição sobre a Assembleia_Medieval_de_Feiticeiros_Europeus com 90cm . De extensão . - Não posso crer que ainda me faltem 16cm - disse o Ron furioso , largando o pergaminho que se enrolou em forma de tubo - e que a Hermione fez um metro e trinta em aquela letra pequenina e apertadinha . - Onde está ela ? - perguntou Harry , agarrando em a fita métrica e desembrulhando o seu trabalho de casa . - Algures por aí - disse o Ron , apontando para as estantes . - _ a a procura de outro livro . Acho que ela está a tentar ler a biblioteca toda antes de o Natal . Harry contou a Ron que Justin_Finch - _ Fletchley tinha evitado falar lhe . - Não sei porque te preocupas com isso . Eu achei o um idiota - disse o Ron , escrevinhando e fazendo a letra o maior possível . - Todo aquele disparate sobre o Lockhart ser tão grande ... Hermione surgiu de o meio de as estantes . Parecia irritada e disposta , por fim , a falar com eles . - Todos os exemplares de * _ Hogwarts : Uma História * foram requisitados - disse , sentando se ao_lado_de Harry e Ron . - E há uma lista de espera de duas semanas . Quem me dera não ter deixado o meu exemplar em casa , mas não consegui que coubesse em a mala com todos os livros de o Lockhart . - Para que o queres ? - perguntou Harry . - Pelo mesmo motivo que toda_a_gente o quer - disse Hermione . - Para ler a lenda de a Câmara_dos_Segredos . - O que é isso ? - Precisamente . Não me lembro - disse Hermione , mordendo o lábio . - E não encontro a História em lugar nenhum . - Hermione , deixa me ler o teu trabalho - pediu Ron desesperado , olhando para o relógio . - Não , não deixo - respondeu Hermione com um ar severo . - Tiveste dez dias para o fazer . - Só preciso de mais quatro centímetros , vá lá ... A campainha tocou . Ron e Hermione encaminharam se para a História_da_Magia , discutindo . A História_da_Magia era a matéria mais chata de o programa . O professor Binns , que dava a cadeira , era o único professor fantasma e a coisa mais excitante que aconteceu em as suas aulas foi o dia em que entrou por o quadro preto . Já velho e enrugado , muita gente afirmava a seu respeito que ele não dera por_que tinha morrido . Pura e simplesmente levantara se um dia para ir dar aulas , deixando o corpo atrás , em um cadeirão em frente de a lareira de a sala de os professores . Desde esse dia a sua rotina mantivera se igual . Era hoje tão chato como fora sempre . Abriu as notas e começou a ler em um tom monocórdico como um velho aspirador até quase todos os alunos estarem em um estado de profunda dormência , acordando de vez em quando , para tomar nota de um nome ou de uma data , e voltando a adormecer . Estava a falar havia meia_hora quando aconteceu algo que nunca tinha acontecido . Hermione pôs o braço em o ar . O professor Binns olhou de relance , em o meio de a chatíssima aula sobre a Convenção_Internacional_de_Feiticeiros de 1289 , verdadeiramente espantado . - Miss ... er ... ? - Granger , professor . Poderia dizer nos alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Hermione em uma voz bem audível . O Dean_Thomas , que tinha estado sentado de boca aberta olhando para fora de a janela , saiu de o seu transe com um salto . A cabeça de Lavender_Brown saiu de os braços e o cotovelo de o Neville_Longbottom escorregou para fora de a secretária . O professor Binns piscou os olhos . - A minha matéria é História_da_Magia - disse em a sua voz seca e asmática . - Eu trato de factos , Miss_Granger , não de mitos e lendas - pigarreou produzindo um ruído que parecia o giz sobre o quadro e continuou : - Em Setembro de esse ano , uma subcomissão de feiticeiros de a Sardenha ... Parou de repente . A mão de Hermione estava de_novo em o ar . - Sim , Miss_Grant ? - Por favor , professor , as lendas não têm sempre um facto como base ? O professor Binns olhava para ela com tal espanto que Harry teve a certeza de que ele nunca , em tempo algum , fora interrompido por um aluno . - Bem - disse lentamente o professor Binns . - Sim , é uma afirmação que pode fazer se . - Olhou para Hermione como_se fosse a primeira vez que olhasse a sério para um estudante . - Contudo , a lenda de que me fala é tão extraordinária , mesmo grotesca ... Mas a aula inteira estava agora atenta a as palavras de o professor , que olhou indistintamente para todos eles . Harry poderia assegurar que ele estava absolutamente abismado por uma tão grande demonstração de interesse . - Muito bem - disse lentamente . - Ora vejamos ... a Câmara_dos_Segredos . Todos vocês sabem com certeza que Hogwarts foi fundada há mais de um_milhar de anos , não se conhece ao_certo a data , por os quatro maiores feiticeiros e feiticeiras de a época : Godric_Gryffindor , Helga_Hufflepuff , Rowena_Ravenclaw e Salazar_Slytherin . Construíram juntos este castelo , longe de os olhares curiosos de os Muggles porque em aquele tempo a magia era temida por as pessoas comuns e as bruxas e feiticeiros sofriam terríveis perseguições . Fez uma pausa , olhou indeciso em volta e prosseguiu : - Durante alguns anos , os fundadores trabalharam juntos em harmonia procurando outros mais novos que mostrassem sinais de possuir dotes mágicos e trazendo os para o castelo para aqui serem ensinados . Mas os desentendimentos surgiram entre eles . Começou a notar se uma divisão entre Slytherin e os outros . Salazar_Slytherin queria ser mais selectivo em relação a os alunos a serem admitidos em Hogwarts . Achava que os ensinamentos de magia deviam ficar dentro de as famílias de feiticeiros . Não lhe agradava a entrada em a escola de alunos de famílias Muggles porque os achava pouco dignos de confiança . Depois de algum tempo houve uma séria discussão sobre esse assunto entre Slytherin e Gryffindor e Slytherin abandonou a escola . O professor Binns fez uma nova pausa , fazendo beicinho o que o fazia parecer uma tartaruga enrugada . - Fontes fidedignas referem nos isto - disse . - Mas estes factos foram obscurecidos por a fantasiosa lenda de a Câmara_dos_Segredos . Conta a história que Slytherin construíra uma câmara oculta dentro de o castelo cuja existência os outros fundadores ignoravam . De_acordo com a lenda , Slytherin selou a Câmara_dos_Segredos para que ninguém pudesse abri a até o seu verdadeiro herdeiro chegar a a escola . O herdeiro , e apenas ele , poderia abrir a Câmara_dos_Segredos , libertar o horror que lá se encontrava e utilizá o para expurgar a escola de todos aqueles que eram indignos de aprender magia . Houve um silêncio quando ele se calou que não era o habitual silêncio de sono de as aulas de o professor Binns . Havia um desassossego em o ar enquanto todos continuavam a olhá o a a espera de mais . O professor Binns estava ligeiramente aborrecido . - A história toda é um disparate , claro - disse ele . - A escola foi revistada por várias vezes em busca de provas de a existência de essa câmara , por os feiticeiros e bruxas mais conhecedores . Não existe nada . Uma lenda que serviu apenas para assustar os ingénuos . A mão de Hermione estava novamente em o ar . - Professor , o que quer_dizer , ao_certo com « o horror que estava dentro de a câmara » ? - Acredita se que seja uma espécie de monstro que só o herdeiro de Slytherin pode controlar - disse o professor Binns em a sua voz seca e débil . A aula trocou entre si olhares inquietos . - Como vos digo , a coisa não existe - afirmou o professor Binns , desordenando as suas notas . - Não há câmara e não há monstro . - Mas , professor - disse Seamus_Finnigan . - Se a câmara só podia ser aberta por o herdeiro de Slytherin ninguém mais poderia encontrá a . Não é ? - Um disparate pegado - disse o professor Binns , em um tom de voz exasperado . - Se uma longa sucessão de directores e directoras de Hogwarts não a encontraram ... - Mas , professor - começou a dizer Parvati_Patil . Se_calhar é preciso usar magia negra para a abrir ... - Lá porque um feiticeiro não usa magia negra não quer_dizer que não possa , Miss_Pennyfeather - interrompeu o professor Binns . - Repito , se os antecessores de Dumbledore ... - Mas talvez seja preciso fazer parte de os Slytherin , por isso Dumbledore não podia ... - começou Dean_Thomas , mas o professor Binns já estava farto . - Já chega - disse , de modo cortante . - É um mito . Não existe . Não há uma única prova de que Slytherin tenha construído nem mesmo uma despensa para vassouras . Lamento ter vos contado esta história tola . Vamos voltar , se fazem o favor , a a História , a os factos sólidos , verificáveis , credíveis . E em menos_de cinco minutos toda_a classe mergulhara em a sua sonolência habitual . - Eu sempre ouvi dizer que Salazar_Slytherin era um velho retorcido e meio pateta - disse Ron_a_Harry e Hermione enquanto abriam caminho por os corredores cheios , em o final de a aula , para ir arrumar as malas antes de o jantar . - Mas não sabia que ele tinha começado esta coisa de o sangue puro . Eu não ia para os Slytherin nem que me pagassem . Se o chapéu seleccionador me tivesse posto lá , pegava em as malas e ia me embora ... Hermione acenou vivamente , mas Harry não abriu a boca . O estômago parecia ter dado uma volta . Harry nunca contara a o Ron e a a Hermione que o chapéu seleccionador tinha considerado seriamente a possibilidade de o colocar em os Slytherin . Lembrava se como_se tivesse sido em a véspera do_que a vozinha lhe dissera a o ouvido quando pôs o chapéu em a cabeça , um ano antes . * _ Podias vir a ser grande , sabes ? Está tudo aqui em a tua cabeça e Slytherin ajudaria te em o caminho para a grandeza , sem a menor dúvida * ... Mas Harry , que já ouvira falar de a fama de o grupo de os Slytherin de formar magos negros , pensou desesperadamente . - Em os Slytherin , não ! - E o chapéu tinha dito . - Bem , se tens assim tanta certeza ... será melhor os Gryfffndor . Enquanto eram empurrados por a multidão , Colin_Creevey passou por eles . - Olá , Harry ! - Olá , Colin - disse Harry automaticamente . - Harry , Harry , um rapaz de a minha turma tem andado a dizer que tu és ... Mas Colin era tão baixinho que não conseguiu lutar contra a maré de gente que o arrastou até a o vestíbulo . Ouviram o despedir se : - Adeus , Harry - e desaparecer . - O que é_que o rapaz de a turma de ele disse de ti ? - quis saber Hermione . - Que eu sou o herdeiro de Slytherin , imagino - disse Harry , com o estômago ainda a as voltas e lembrou se de repente de o Justin_Finch - _ Fletchley a fugir para não lhe falar , a a hora de o almoço . - As pessoas aqui acreditam em tudo - disse o Ron com repugnância . A multidão diminuiu e conseguiram subir as escadas sem dificuldade . - Achas mesmo_que existe uma Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Ron_a_Hermione . - Não sei - respondeu ela , franzindo a testa . - Dumbledore não conseguiu curar Mrs._Norris e isso leva me a pensar que o que a atacou pode não ser ... humano . Enquanto falava , voltaram uma esquina e encontraram se em o fim de aquele mesmo corredor onde o ataque tinha ocorrido . Pararam para olhar . Estava tudo igual a aquela outra noite , com excepção de a gata Mrs._Norris e havia uma cadeira vazia encostada a a parede , onde podia ler se a mensagem « : __ a câmara foi __ aberta » . - Foi aqui que o Filch montou a guarda - murmurou Ron . Olharam uns para os outros . O corredor estava deserto . - Não deve fazer mal dar uma olhadela aqui - disse Harry , deixando cair a mala e pondo se de quatro para poder gatinhar em busca de pistas . - Marcas de queimadura - disse - aqui e aqui ... - Venham ver isto ! - chamou Hermione . - Que estranho ... Harry levantou se e foi até a a janela que ficava junto de a mensagem . Hermione apontava para o vidro mais alto , onde cerca de uma vintena de aranhas se debatiam em uma aparente luta por atravessar por uma pequena brecha de vidro . Um longo fio prateado balouçava como uma corda , como_se todas tivessem trepado , em a ânsia de chegar lá fora . - Alguma vez viram aranhas agir assim ? - perguntou Hermione , curiosa . - Não - respondeu Harry . - E tu , Ron ? Ron ? Olhou por cima de o ombro . Ron estava de costas , bem lá atrás e parecia lutar contra o impulso de se virar . - O que é_que se passa ? - perguntou Harry . - Eu não gosto de aranhas - disse Ron , de modo tenso . - Nunca me tinhas dito - comentou Hermione , olhando para ele com surpresa . - Estás farto de usar aranhas em as poções ... - Não me importo quando estão mortas - explicou Ron que olhava cautelosamente para todos os lados , menos para a janela . - Não gosto de a maneira como_se mexem . Hermione riu se baixinho . - Não tem graça nenhuma - disse o Ron , furioso . - Se queres saber , quando eu tinha três anos , o Fred transformou o meu ursinho de pelúcia em uma enorme aranha nojenta , por eu lhe ter partido a vassoura de brinquedo . Tu também não gostarias de aranhas se estivesses agarrada a o teu ursinho e , de repente , ele tivesse uma data de pernas e ... Começou a tremer ... Hermione ainda estava a tentar conter o riso . Sentindo que era melhor mudarem de assunto , Harry perguntou : - Lembram se de a água que havia aqui em o chão ? De onde terá vindo ? Alguém a limpou . - Era por aqui - disse o Ron , já recuperado , avançando alguns passos em direcção a a cadeira de o Filch e apontando . - Junto de esta porta . Estendeu a mão para o puxador de a porta , mas retirou a de imediato , como_se se tivesse queimado . - O que foi ? - perguntou Harry . - Não posso entrar aí - disse o Ron bruscamente . - É a casa_de_banho de as raparigas . - Oh , Ron , não está aí ninguém - sossegou o Hermione enquanto se aproximava . - É o lugar de a Murta_Queixosa . Anda , vamos dar uma espreitadela . E ignorando o grande letreiro que dizia « Fora de serviço » Hermione abriu a porta . Era a casa_de_banho mais sombria e deprimente em que Harry tinha posto os pés durante toda_a sua vida . Debaixo_de um grande espelho partido e sujo podia ver se uma fila de lavatórios de pedra , rachados . O chão estava húmido e reflectia a luz fraca de os pavios de algumas velas que ardiam baixinho em os suportes . As portas de madeira de os cubículos estavam todas lascadas e riscadas e uma de elas balouçava fora de as dobradiças . Hermione levou os dedos a os lábios e foi até a o último cubículo . Quando lá chegou disse : - Olá , Murta , como estás ? Harry e Ron foram ver . A Murta_Queixosa flutuava em a cisterna de a casa_de_banho , tirando um ponto negro de o queixo . - Esta é a casa_de_banho de as raparigas - disse a o ver o Ron e o Harry . - Eles não são raparigas . - Não - concordou Hermione . - Eu só queria mostrar lhes como esta casa_de_banho é ... er ... simpática . Ela fez um aceno vago a o velho espelho sujo e a o chão húmido . - Pergunta lhe se viu alguma coisa - sussurrou o Ron a a Hermione . - Porque estão a dizer segredinhos ? - perguntou a Murta , fitando o . - Não é nada - disse Harry rapidamente . - Queríamos perguntar ... - Gostava que as pessoas parassem de falar em as minhas costas ! - desabafou a Murta em uma voz abafada por as lágrimas . - Eu tenho sentimentos , sabem , apesar_de estar morta . - Murta , ninguém quis aborrecer te - explicou Hermione . - O Harry só ... - A minha vida foi uma infelicidade em este lugar e agora as pessoas vêm estragar a minha morte . - Nós queríamos perguntar te se tinhas visto alguma coisa estranha ultimamente - disse Hermione sem perder tempo . - Porque foi atacada uma gata mesmo aqui a a frente de a tua porta em a noite de o * _ Hallowe'en * . - Viste alguém aqui perto em essa noite ? - insistiu Harry . - Não estava a prestar atenção - disse a Murta com ar dramático . - O Peeves aborreceu me tanto que vim aqui para tentar matar me . Só então me lembrei de que estou ... de que estou ... - Já morta - ajudou o Ron . A Murta soluçou tragicamente , elevou se em o ar , voltou se e mergulhou de cabeça em a sanita , espalhando água por_cima_de todos eles e desaparecendo . Por o som de os seus soluços abafados fora certamente descansar algures em o cano em forma de V._Harry e Ron ficaram de boca aberta , mas Hermione encolheu os ombros de cansaço e disse : - Se querem saber , para a Murta isto até foi alegre ... vá , vamos embora . Harry tinha acabado de fechar a porta deixando atrás os soluços gorgolejantes de a Murta quando uma voz forte o fez dar um salto . - RON ! Percy_Weasley estava parado em o cimo de as escadas com o seu distintivo de prefeito a brilhar e uma expressão chocadíssima em o rosto . - Isso é a casa_de_banho de as raparigas ... o que é_que vocês ... ? - Estávamos só a dar uma vista de olhos - exclamou o Ron - a a procura de pistas ... Percy engoliu em seco , de uma maneira que fez Harry lembrar se de Mrs._Weasley . - Saiam imediatamente de aqui - disse , aproximando se de eles a passos largos e gesticulando agitadamente . - Não se preocupam com as aparências ? Voltar aqui enquanto toda_a_gente está a jantar ... - Porque não havíamos de estar aqui ? - perguntou cheio de vivacidade o Ron , parando de repente e olhando Percy em os olhos . - Ouve lá , nós não tocamos em aquela gata . - Isso foi o que eu tentei explicar a a Ginny - respondeu Percy furioso - mas ela parece continuar a pensar que vocês vão ser expulsos . Nunca a vi tão aflita . Não pára de chorar . Devias pensar em ela . Todos os alunos de o primeiro ano andam superexcitados com esta história . - Tu não estás nada preocupado com a Ginny - disse o Ron já com as orelhas vermelhas . - O que te assusta é_que eu possa estragar as tuas possibilidades de ser chefe de turma . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor ! - bradou Percy , apontando elegantemente para o distintivo de prefeito . - E espero que te sirva de lição . Acabou se o trabalho de detective ou escrevo a a mãe a contar lhe . E voltou lhes as costas , a nuca tão vermelha como as orelhas de o Ron . Harry , Ron e Hermione , em essa noite , sentaram se em a sala comum o mais longe possível de Percy . Ron estava ainda muito maldisposto e não parava de esborratar o trabalho de casa de os encantamentos . Quando pegou distraidamente em a varinha para tirar as manchas incendiou o pergaminho . A deitar quase tanto fumo como o seu trabalho de casa , fechou bruscamente o * _ Livro_Padrão_de_Encantamentos de o 2.o Grau * . Para grande surpresa de Harry , Hermione fez o mesmo . - Mas quem poderia ser - perguntou ela baixinho como_se continuasse uma conversa que tinham acabado de ter . - Quem quereria todos os * busca-pés * e filhos de Muggles fora de Hogwarts ? - Vamos pensar - disse o Ron em a brincadeira , fingindo estar confuso . - Quem poderemos nós conhecer que ache que os familiares de Muggles são escumalha ? Olhou para Hermione . Ela olhou para ele pouco convencida . - Se estás a pensar em o Malfoy ... - Claro que estou - disse o Ron . - Tu ouviste o dizer : - Vocês serão os próximos , sangues de lama ! - Aliás , basta olhar para aquela cara de renegado para saber que ele é ... - Malfoy , o herdeiro de Slytherin ? - repetiu Hermione cepticamente . - Olha para a família de ele - disse Harry , fechando também os livros . - Todos eles estiveram em os Slytherin . O Draco está sempre a vangloriar se de isso . Podiam bem ser descendentes de Slytherin . O pai de ele é suficientemente mau . - Podiam perfeitamente ter tido a chave de a Câmara_dos_Segredos durante séculos - disse Ron - , fazendo a passar de pai para filho . - Bem - acedeu Hermione cautelosamente . - Seria possível ... - Mas como prová o ? - perguntou Harry tristemente . - Talvez haja um meio - sugeriu Hermione lentamente , baixando ainda mais a voz e lançando um olhar , através de a sala , a Percy . - É claro que não é fácil . E é perigoso , muito perigoso . Suponho que iríamos infringir cerca de cinquenta regras de a escola . - Se de aqui a um mês ou dois te decidires a explicar , avisa , está bem ? - disse Ron , que começava a ficar irritado . - Está bem - concordou Hermione friamente . - O que precisaríamos de fazer para entrar em a sala comum de os Slytherin e fazer algumas perguntas a o Malfoy , sem ele perceber que éramos nós ? - Mas isso é impossível - declarou Harry , enquanto Ron se ria . - Não , não é - continuou Hermione . - Só precisamos de um_pouco de poção * polisuco * . - O que é isso ? - perguntaram ao_mesmo_tempo Ron e Harry . - O Snape falou de ela em uma aula , há poucas semanas atrás . - Achas que não temos mais o que fazer do_que ouvir o Snape ? - murmurou o Ron . - Transforma nos em outra pessoa . Pensem em isso : podíamos transformar nos em três de os Slytherin . Ninguém saberia que éramos nós . É provável que o Malfoy nos contasse alguma coisa . Aposto que ele está a gabar se , em este momento , em a sala de os Slytherin , se ao_menos pudéssemos ouvi o . - Essa coisa de o * polisuco * cheira me um bocado mal - disse o Ron , franzindo as sobrancelhas . - E se ficarmos com a forma de os três Slytherin para sempre ? - Desaparece a o fim de algum tempo - disse Hermione , gesticulando impacientemente com a mão - mas conseguir a receita é muito difícil . O Snape disse que vinha em um livro chamado * _ As_Mais_Potentes_Poções * e está com certeza em a parte de os reservados de a biblioteca . Só havia uma maneira de obter o livro de os reservados : era com uma autorização assinada por um professor . - Não estou a ver porque quereríamos o livro - disse o Ron . - Se não para tentar fabricar uma de as poções . - Eu acho - sugeriu Hermione - que se fizéssemos parecer que o nosso interesse era apenas teórico , talvez conseguíssemos ... - Estás a sonhar , nenhum professor ia cair em essa - afirmou o Ron . - Só se fosse muito burro . X_A * bludger * perigosa Depois de o desastroso incidente de os duendes , o professor Lockhart não voltou a levar seres vivos para as aulas . Em vez de isso , lia a os alunos passagens de os seus livros e , por vezes , voltava a desempenhar alguns de os episódios mais dramáticos . Costumava chamar Harry para o ajudar em essas reconstruções . Até ali Harry fora obrigado a desempenhar o papel de um camponês de a Transilvânia que Lockhart curara de uma maldição murmurada , o abominável homem de as neves com dores de cabeça e um vampiro que depois de ter conhecido Lockhart tinha ficado incapaz de comer outra coisa que não fosse alfaces . Harry foi chamado para a frente de a classe durante a aula de Defesa contra as artes negras que se seguiu . Desta_vez para desempenhar o papel de um lobisomem . Se não tivesse um bom motivo para querer ver o Lockhart bem-disposto , teria se recusado . - Um uivo bem alto , excelente , Harry , isso mesmo . E foi então que , acreditem ou não , eu o ataquei de repente , assim . Atirei o a o chão , agarrei o com uma mão e com a outra consegui meter lhe a varinha em a garganta . Então , com a força que me restava pus em prática o complicadíssimo encantamento * _ Homorphus * . Harry soltou um uivo tristíssimo . - Vá lá , Harry , mais alto . Bom ... o pêlo desapareceu , os dentes diminuíram de tamanho e ele transformou se em um homem . Simples , mas eficaz e mais uma cidade ficará a lembrar se de mim para sempre como o herói que os libertou de os ataques mensais de o lobisomem . A campainha tocou e Lockhart pôs se de pé . - Trabalho para_casa : escrever um poema sobre a minha vitória sobre o lobisomem Wagga_Wagga . Há um exemplar autografado de * _ Eu , o Mágico * para o autor de o melhor poema . Os alunos começaram a sair . Harry voltou para trás e foi juntar se a o Ron e a a Hermione que estavam a a espera de ele . - Prontos ? - perguntou . - Espera até saírem todos - disse Hermione bastante nervosa . - Pronto ... Aproximou se de a secretária de Lockhart , apertando em a mão uma folha de papel , com o Ron e o Harry atrás . - Er ... professor Lockhart - gaguejou Hermione . - Eu queria requisitar este livro em a biblioteca , como leitura de apoio - entregou lhe o papel , com a mão ligeiramente trémula . - Só que faz parte de a secção de os reservados , por isso preciso de a assinatura de um professor . Acho que o livro me vai ajudar a compreender o que o senhor diz em * _ Passeios com Vampiros * acerca de os venenos de acção lenta ... - Ah , * _ Passeando com Vampiros * - disse Lockhart , pegando em a folha de papel de Hermione e sorrindo lhe abertamente . - E provavelmente o meu livro preferido . Gostou ? - Oh , muito - disse Hermione avidamente . - Tão inteligente o modo como apanhou o último com o passador de o chá . - Bem , tenho a certeza que ninguém se importará que eu dê uma ajudazinha suplementar a a melhor aluna de o segundo ano - disse Lockhart calorosamente , sacando de uma enorme pena de pavão . - É bonita , não é ? - comentou , adivinhando uma expressão de repulsa em a cara de o Ron . - Costumo guardas a para as minhas assinaturas de autógrafos . Rabiscou uma enorme assinatura cheia de altos e baixos e entregou a a Hermione . - Então , Harry - disse Lockhart enquanto Hermione dobrava a folha e a guardava em o saco . - Amanhã é a primeira partida de Quidditch de este ano , não é ? Gryffindor contra Slytherin . Ouvi dizer que és um jogador indispensável . Eu também fui * seeker * . Convidaram me inclusivamente para fazer parte de a Equipa_Nacional , mas eu preferi dedicar a minha vida a a erradicação de as forças de o mal . Mesmo_assim , se alguma vez precisares de um treino particular , não hesites em falar comigo , estou sempre disponível para partilhar a minha perícia com os jogadores menos dotados do_que eu . Harry fez um som indistinto com a garganta e saiu atrás_de Ron e Hermione . - Não acredito - disse quando os três examinavam a assinatura de Lockhart . - Ele nem viu que livro nós queríamos . - É porque é um idiota sem miolos - explicou o Ron . - Mas , quem se rala , temos o que queríamos . - Ele não é um idiota sem miolos - gritou Hermione com voz esganiçada enquanto se aproximavam quase a correr de a biblioteca . - Só porque ele disse que eras a melhor aluna de o segundo ano ... Baixaram as vozes a o entrar em a quietude abafada de a biblioteca . Madam_Prince , a bibliotecária , era uma mulher magra e irritável que parecia um abutre mal nutrido . - * _ Moste_Potente_Potions * ? - repetiu intrigada , tentando ficar com a folha de papel que Hermione se recusava a entregar lhe . - Gostava de a guardar para mim - disse sem fôlego . - Vá lá - intercedeu Ron , arrancando lhe a de as mãos e entregando a a Madam_Prince . - Nós arranjamos te outro autógrafo . O Lockhart assina tudo se aqui ficar muito_tempo . Madam_Prince pegou em o papel e voltou o em a direcção de a luz , decidida a descobrir uma falsificação , mas a assinatura passou em o teste . Desapareceu entre as estantes e voltou alguns minutos mais tarde , transportando um livro grande e de aspecto antiquado . Hermione meteu o com todo o cuidado em o saco e saíram , tentando não andar depressa de mais nem aparentar um ar culpado . Cinco minutos depois , estavam de_novo barricados em a casa_de_banho fora de serviço de a Murta_Queixosa . Hermione destruíra as objecções de Ron argumentando que aquele era o último lugar onde alguém em o seu juízo perfeito se lembraria de ir e que poderia assegurar lhes alguma privacidade . A Murta_Queixosa chorava ruidosamente em o seu cubículo , mas eles conseguiram ignorá a assim_como ela a eles . Hermione abriu * _ Moste_Potente_Potions * com todo o cuidado e inclinaram se os três sobre as páginas manchadas de humidade . Era fácil de perceber , logo à_primeira_vista de olhos , porque pertencia a a secção de os reservados . Algumas de as poções tinham efeitos quase impensáveis de tão macabros e havia ilustrações bastante desagradáveis , como , por_exemplo , aquela em que um homem parecia ter sido virado de o avesso e a de a bruxa com vários pares de braços suplementares a nascerem lhe em a cabeça . - Aqui está - disse Hermione excitadíssima a o encontrar a página intitulada « A poção * polisuco * « . Estava ilustrada com imagens de pessoas a meio de o processo de se transformarem em outras pessoas e Harry desejou ardentemente que a expressão de dor intensa que se lhes espelhava em o rosto fosse apenas produto de a imaginação de o artista desenhador . - Esta é a poção mais complicada que vi até hoje - disse Hermione enquanto examinava a receita . - Moscas asas de renda , sanguessugas , fluxo de cizânias e verdezelha - murmurou , acompanhando com o dedo a lista de ingredientes . - Bem , esses são relativamente simples , há os em a despensa de material de os estudantes , podemos tirar a a nossa vontade . Oh ! Vê só , pó de chifre de bicórneo ... não sei onde vamos arranjar isto ... e , é claro , um pedacinho de a pessoa em quem queremos transformar nos . - Como ? - perguntou Ron de forma cortante . - O que é_que queres dizer com um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos ? Eu não bebo nada que tenha lá dentro as unhas de os pés de o Crabbe ... Hermione continuou como_se não o tivesse ouvido . - Mas não temos que nos preocupar com isso por enquanto . Fica para o fim . Ron voltou se sem palavras para o Harry que tinha uma preocupação de outro tipo . - Já viste bem tudo_o_que vamos ter que roubar , Hermione ? Algumas coisas , não estão de certeza em a despensa de material de os alunos . O que é_que vamos fazer , arrombar os armários pessoais de o Snape ? Não sei se será uma boa ideia ... Hermione fechou o livro com um estrondo . - Bem , se vocês os dois se vão acagaçar , então está lindo - disse ela . Tinha as bochechas rosadas e os olhos mais brilhantes do_que era habitual . - Eu não gosto de quebrar regras , vocês sabem , mas acho que ameaçar os filhos de os Muggles é muito pior do_que construir uma poção difícil . Mas se vocês não querem descobrir se é o Malfoy , eu posso voltar já a a biblioteca e entregar o livro a Madam_Prince ... - Nunca pensei que chegaria o dia em que serias tu a convencer nos a quebrar regras - disse o Ron . - Está bem , vamos em essa , mas sem unhas de os pés , O. _ K. ? - Quanto tempo vai isso demorar a fazer , afinal ? - perguntou Harry quando Hermione , já com um ar mais satisfeito , voltou a abrir o livro . - Bem , como o fluxo de cizânias tem de ser recolhido durante a lua cheia e as asas de renda têm de ser abafadas durante vinte_e_um dias ... eu diria que se conseguirmos arranjar todos os ingredientes estará pronta dentro_de um mês . - Um mês ? - exclamou o Ron . - Nessa_altura já o Malfoy terá atacado metade de os filhos de Muggles ! - mas os olhos de Hermione contraíram se de_novo assustadoramente e ele acrescentou rapidamente . - Mas é o melhor plano que temos , por isso é melhor não olharmos para trás . Apesar_de tudo , enquanto Hermione verificava que não havia ninguém em os corredores e podiam sair de a casa_de_banho , Ron murmurou a Harry : - Seria muito mais simples se conseguisses , amanhã , atirar o Malfoy de a vassoura abaixo . Harry acordou cedo em o sábado de manhã e ficou um bocado a pensar em a partida de Quidditch que vinha a seguir . Estava nervoso , principalmente pelo que Wood diria se os Gryffindor perdessem , mas também com a ideia de enfrentar uma equipa apetrechada com as vassouras mais velozes que existiam . Nunca desejara tanto vencer os Slytherin como em aquele dia . Depois de meia_hora deitado com a barriga a dar horas , resolveu levantar se , vestir se e descer para tomar o pequeno-almoço . Lá em baixo , encontrou o resto de a equipa de os Gryffindor amontoada a o longo de a mesa comprida e vazia , todos eles com ar preocupado e sem vontade de conversar . Como_se aproximavam as onze horas , todos os alunos de a escola começaram a dirigir se para o estádio de Quidditch . O dia estava quente e húmido , com uma ameaça de trovoada em o ar . Ron e Hermione vieram apressadamente desejar a Harry boa sorte mal ele entrou em os vestiários . A equipa de os Gryffindor pôs os seus mantos vermelhos e sentou se para ouvir o discurso que Wood lhes fazia sempre antes de o jogo . - Os Slytherin têm vassouras melhores do_que nós - começou . - Não há como negá o . Mas nós temos gente melhor em cima de as vassouras . Treinámos mais do_que eles , voamos com todas_as condições climatéricas ( É bem verdade - murmurou George_Weasley - desde Agosto que não sei o que é estar seco ) . - E vamos fazê os engolir o dia em que deixaram aquele nojento de o Malfoy comprar a entrada em a equipa de eles . Com o peito agitado por a comoção , Wood voltou se par Harry . -- Cabe te a ti , Harry , mostrar lhes que um * seeker * tem de ter mais do_que um pai rico . Agarra a * snitch * antes d Malfoy ou morre a tentar porque temos absolutamente que vencer , hoje , Harry , temos que vencer . - Sem ansiedade , Harry - disse o Fred , piscando lhe o olho . Quando saíram em direcção a o campo , foram saudado por uma grande ovação principalmente de a parte de os Ravenclaw e de os Hufflepuff que estavam ansiosos por ver os Slytherin serem derrotados , mas os Slytherin que estavam entre a multidão também fizeram ouvir as suas vaias e pateadas . Madam_Hooch , a professora de Quidditch , pediu a Flin e Wood que apertassem as mãos o que eles fizeram , lançando um_ao_outro olhares ameaçadores , cada_um apertando a mão de o outro com mais força do_que aquela que seria necessário . - Atenção a o apito - disse Madam_Hooch . - Três , dois , um ... Com um bramido de a multidão para que subissem rapidamente , os catorze jogadores elevaram se em o céu cor de chumbo . Harry , mais alto do_que qualquer de os outros olhando para todos os lados em busca de a * snitch * . - Tudo bem , testa de cicatriz ? - gritou Malfoy , disparando por baixo de ele para lhe mostrar a velocidade de a sua vassoura . Harry não teve tempo de responder . Em esse preciso momento uma * bludger * preta e bem pesada veio direitinha a ele . Evitou a tão por um triz que ainda sentiu em os cabelos o ar que ela deslocara . - Foi por_pouco , Harry ! - exclamou o George , passando com grande rapidez , de bastão em a mão , pronto para lançar a * bludger * contra um Slytherin . Harry viu o dar a a * bludger * uma fortíssima pancada em direcção a Adrian_Pucey , mas a bola mudou de rumo em o meio de o ar e dirigiu se de_novo a Harry . Harry desceu rapidamente para se esquivar e George conseguiu lançá a contra Malfoy . Mais_uma_vez a * bludger * actuou como um * boomerang * e apontou a a cabeça de Harry . Harry ganhou velocidade e disparou contra o outro extremo de o campo . Ouvia o assobio de a * bludger * que o perseguia . O que era aquilo ? As * bludgers * nunca se concentravam assim em um único jogador , a sua função era tentar desmontar o maior número possível de intervenientes . Fred_Weasley esperava por a * bludger * em o extremo oposto . Harry baixou se quando o viu balançar se em frente de ela com toda_a garra . A * bludger * foi lançada para_fora_de campo . - Pronto , já está tudo resolvido - gritou Fred satisfeito , mas estava bastante enganado . Como_se fosse magneticamente atraída para Harry , a * bludger * lançou se de_novo contra ele e Harry teve de voar a_toda_a velocidade . Começara a chover . Harry sentia as gotas pesadas caírem lhe em o rosto , turvando lhe as lentes de os óculos . Não fazia ideia do_que se passava em o resto de o jogo , até ouvir Lee_Jordan que fazia o comentário dizer : - Os Slytherin vão a a frente com seis contra zero . As vassouras de qualidade superior de os Slytherin estavam obviamente a cumprir a sua função e enquanto isso , a * bludger * maluca fazia todos os possíveis para deitar abaixo o Harry . Fred e George voavam agora tão perto de ele , um de cada lado , que Harry não via senão os seus braços a balouçar e , se não conseguia ver a * snitch * , muito menos agarrá a . - Alguém enfeitiçou esta * bludger * - resmungou Fred , preparando o bastão com toda_a força quando ela se lançava de_novo contra Harry . - Precisamos de tempo - disse George , tentando fazer sinal a Wood enquanto evitava que a bola partisse o nariz a o Harry . Wood captou obviamente a mensagem . O apito de Madam_Hooch fez se ouvir e Harry , Fred e George desceram , tentando ainda evitar a * bludger * maluca . - O que é_que se passa ? - perguntou Wood enquanto a equipa de os Gryffindor se amontoava desordenadamente e os Slytherin , em o meio de a multidão , lançavam piadas . - Estamos a ser esmagados . Fred , George , onde estavam vocês quando aquela * bludger * impediu a Angelina de marcar ? - Estávamos seis metros acima , evitando que a outra * bludger * matasse o Harry , Oliver - gritou George furioso . - Alguém preparou isto , a bola não deixa o Harry em paz , ainda não perseguiu mais ninguém desde_que o jogo começou . Os Slytherin fizeram aqui qualquer coisa . - Mas as * bludgers * têm estado fechadas em o escritório de Madam_Hooch desde o último treino , e nessa_altura estava tudo bem ... - disse Wood ansiosamente . Madam_Hooch aproximava se . Por cima de o ombro de ela , Harry pôde ver a equipa de os Slytherin a escarnecer e apontar em a sua direcção . - Ouçam - disse o Harry , enquanto ela se aproximava . - Com vocês os dois a voarem sempre colados a mim , só vou apanhar a * snitch * se ela voar até a a minha manga . Voltem se para o resto de a equipa e deixem a tratante comigo . - Não sejas bronco - disse o Fred . - Ela arranca te a cabeça . Os olhos de Wood saltavam de Harry_para_os_Weasley . - Oliver , isto_é uma loucura - disse Alicia_Spinet , zangada . - Não podes deixar o Harry sozinho entregue a aquela coisa . Vamos pedir uma investigação . - Se pararmos agora , teremos de dar a partida como perdida e não vamos deixar os Slytherin ganhar , só por_causa_de uma * bludger * maluca . Vá lá , Oliver , diz lhes que me deixem sozinho . - A culpa é toda tua . * _ Agarra a snitch ou morre a tentar * , se isso é lá coisa que se diga . Madam_Hooch tinha se lhes juntado . - Prontos para retomar a partida ? - perguntou a Wood . Wood olhou para o ar determinado de Harry . - Deixem o sozinho , ele é capaz de lidar com a * bludger * . A chuva era agora mais pesada . A o apito de Madam_Hooch , Harry elevou se em os ares e ouviu o barulhinho de a * bludger * atrás_de si . Subiu cada_vez_mais alto . Fez acrobacias em espiral , descidas rápidas , ziguezagueou e rolou . Apesar_de ligeiramente estonteado , não deixou nunca de ter os olhos bem abertos . A chuva salpicava lhe os óculos e entrava lhe por as narinas , quando ele se voltou de cabeça para baixo , evitando outra forte investida de a * bludger * . Ouviu os risos de a multidão . Sabia que devia parecer ridículo , mas a * bludger * maluca era pesada e não podia mudar de direcção tão rapidamente quanto ele . Iniciou uma corrida que parecia de feira de diversões em volta de os extremos de o estádio , olhando de soslaio , através de os lençóis prateados de chuva , para os postes de os Gryffindor , onde Adrian_Pucey tentava passar por Wood . Um assobio junto de os ouvidos disse a Harry que a * bludger * falhara uma_vez_mais . Voltou se e voou rapidamente em a direcção oposta . - Estás a ensaiar * ballet * , Potter - gritou Malfoy quando Harry foi obrigado a fazer uma reviravolta estúpida em o ar para se esquivar mais_uma_vez de a * bludger * . Lá foi ele , com a * bludger * atrás a alguns metros de distância . E foi então que , olhando para Malfoy , furioso , a viu , a * snitch * de ouro . Flutuava alguns centímetros acima de os ouvidos de Malfoy que , de tão preocupado a escarnecer de Harry , nem dera por ela . Durante um momento angustiante , Harry ficou quieto em o ar , não ousando dirigir se a Malfoy , não fosse ele olhar para_cima e ver a * snitch * . PUM ! Tinha ficado parado tempo de mais . A * bludger * batera lhe , por fim , apanhando lhe o cotovelo e Harry sentiu o braço a partir se . Debilmente , desorientado por a dor cauterizante em o braço , Harry deslizou para um de os lados em a sua vassoura encharcada , um joelho ainda dobrado , o braço direito a balouçar , inútil , a o seu lado . A * bludger * veio de_novo , preparada para mais um ataque , desta_vez apontada a o seu rosto . Harry desviou se com uma intenção : chegar a Malfoy . Através_de uma nuvem de chuva e dor desceu até a o rosto tremeluzente e trocista e viu os olhos de ele dilatarem se de medo : Malfoy pensou que Harry ia atacá o . - Que diabo ... - resmungou , afastando se de o caminho . Harry tirou a outra mão de a vassoura e fez uma tentativa para agarrar qualquer coisa . Sentiu os dedos fecharem se em volta de a * snitch * dourada , mas conduzia agora a vassoura apenas com as pernas e ouviu se um grito de a multidão cá em baixo , quando ele fez a descida , tentando não desmaiar . Com um ruído seco caiu em a terra enlameada e rolou para fora de a vassoura . O braço tinha um ângulo um_pouco estranho . Torcendo se com dores , ouviu a a distância os assobios e os gritos . Concentrou se em a * snitch * que tinha fechada em a outra mão . - Ai - disse vagamente . - Ganhámos o jogo . E desmaiou . Voltou a si com a chuva a cair lhe em o rosto , ainda deitado em o campo , com alguém inclinado sobre ele . Viu um brilho de dentes brancos . - Oh , não , você não - gemeu . - Não sabe o que diz - afirmou Lockhart bem alto a a ansiosa multidão de Gryffindor que o comprimiam . - Não te preocupes , Harry , eu vou tratar de o teu braço . - Não - gritou Harry . - Eu fico com ele assim , obrigado . Tentou sentar se , mas a dor era enorme . Ouviu um « clique » familiar . - Não quero fotografias de isto , Colin - disse em voz alta . - Deita te para trás , Harry - insistiu Lockhart com toda_a calma . - É um encantamento muito simples que eu fiz imensas vezes . - Porque não me levam só para a ala hospitalar ? - perguntou Harry entredentes . - Seria o melhor , professor - disse a voz rouca de o Wood que não conseguia deixar de sorrir , apesar_de o seu * seeker * estar ferido . - Grande captura , Harry , verdadeiramente espectacular , a tua melhor jogada , em a minha opinião . Em o meio de a floresta de pernas que o rodeava , Harry avistou Fred e George_Weasley , metendo a * budger * perigosa em uma caixa . Continuava a dar uma luta enorme . - Para trás - ordenou Lockhart , que tinha arregaçado as mangas verde jade . - Não , eu não ... - protestou debilmente Harry , mas Lockhart tinha a varinha em a mão e , um segundo depois , apontava a para o braço de Harry . Uma sensação estranha e desagradável começou em o ombro e espalhou se , chegando a as pontas de os dedos . Parecia que o braço inteiro tinha sido esvaziado . Não foi capaz de olhar para o que estava a suceder . Tinha fechado os olhos , voltado o rosto para o outro lado , mas os seus maiores receios concretizaram se quando as pessoas lá em cima se sobressaltaram e Colin_Creevey começou a tirar fotografias como um louco . O braço deixara de lhe doer , mas parecia tudo menos um braço . - Ah ! - disse Lockhart . - Sim , bem isto às_vezes acontece . Mas o importante é_que os ossos já não estão partidos . Isso é o mais importante . Portanto , Harry , vai até a a ala hospitalar ... ah ! Mr._Weasley , Miss_Granger , poderiam levá o lá ? E Madam_Pomfrey poderá ... er ... arranjar um_pouco isso . Quando Harry se pôs de pé sentiu se estranhamente desequilibrado . Depois de respirar fundo , olhou para o lado direito e o que viu quase o fez desmaiar de_novo . Pendurado em a extremidade de a sua túnica estava o que parecia ser uma espessa e colorida luva de borracha . Tentou mexer os dedos mas ... em vão . Lockhart não consertara os ossos de Harry . Retirara os . M. dam Pomfrey não ficou nada satisfeita . - Devias ter vindo logo ter comigo - ralhou , segurando os restos tristes e moles de aquilo que antes fora um braço activo . - Eu conserto ossos em um segundo , mas fazê os crescer de_novo ... - Vai conseguir , não vai ? - perguntou Harry desesperado . - Sim , com certeza , mas vai ser doloroso - disse Madam_Pomfrey de modo severo , entregando lhe um pijama . - Vais ter que ficar cá esta noite ... Hermione esperou de o lado de_fora de a cortina que rodeava outra cama enquanto Ron ajudava Harry a vestir se . Levou algum tempo a enfiar o braço que parecia borracha dentro_de uma manga de o pijama . - Como é_que podes continuar a defender o Lockhart depois disto , Hermione ? - perguntou Ron através de as cortinas , enquanto puxava os dedos moles de o Harry por uma manga . - Se o Harry quisesse ser desossado , teria pedido . - Todos podem enganar se - disse Hermione . - E deixou de doer , não deixou , Harry ? - Sim - disse ele - mas também ficou incapaz de fazer seja o que for . Quando se meteu em a cama , o braço agitou se despropositadamente . Hermione e Madam_Pomfrey entraram . Madam_Pomfrey segurava uma grande garrafa com o rótulo * Skele - _ Gro * . - Vais ter uma noite difícil - preveniu , enchendo um pequeno copo fumegante e dando lhe a beber . - Fazer crescer ossos é uma coisa difícil . Tomar o * _ Skele - _ Gro * também . Queimou a boca e a garganta de o Harry a o descer , fazendo o tossir e cuspir . Resmungando sobre os desportos perigosos e os professores incapazes , Madam_Pomfrey retirou se , deixando Ron e Hermione a ajudar Harry a engolir um_pouco de água . - Mas ganhámos o jogo - disse o Ron com um sorriso em o rosto . - A tua jogada foi em grande . A cara de o Malfoy ... parecia que queria matar alguém . - Eu vou descobrir como é_que enfeitiçaram aquela * bludger * - disse Hermione com ar sombrio . - Podemos juntar essa pergunta a a lista de todas_as que queremos fazer a o Malfoy quando tomarmos a poção * _ Polisuco * - disse Harry , afundando se de_novo em as almofadas . - Espero que tenha um sabor melhor do_que esta coisa ... - Com um bocado de os Slytherin lá dentro , deves estar a brincar - disse o Ron . A porta de a ala hospitalar abriu se em esse momento e , completamente encharcados , entraram os restantes membros de a equipa de os Gryffindor , para ver o Harry . - Um voo inacreditável - disse George . - Acabei de ver Marcus_Flint a gritar com o Malfoy . Qualquer coisa sobre ter a * snitch * mesmo em cima de a cabeça e não ter dado por nada . O Malfoy não parecia nem um_pouco satisfeito . Tinham trazido bolos , rebuçados e garrafas de sumo de abóbora . Juntaram se em volta de a cama de Harry e estavam a dar início a o que prometia ser uma grande festa quando Madam_Pomfrey entrou a vociferar : - Este rapaz precisa de repouso . Tem trinta_e_três ossos a crescer . Fora de aqui . FORA ! E Harry ficou sozinho , sem nada que o distraísse de as dores agudas em o seu braço mole . Muitas horas mais tarde , Harry acordou subitamente em a escuridão total e soltou um pequeno grito de dor : sentia agora o braço cheio de estilhaços . Durante alguns segundos pensou que tinha sido a dor a acordá o . Depois , com um arrepio de horror , apercebeu se de que alguém estava a passar lhe uma esponja em a testa . - Sai de aqui - gritou , e em seguida : - Dobby ! Os olhos de o tamanho de bolas de ténis de o elfo doméstico estavam a olhá o em o escuro , uma lágrima grossa rolava por o seu enorme nariz . - Harry_Potter voltou a a escola - murmurou , infeliz . - Dobby avisou e voltou a avisar Harry_Potter . Ah ! senhor , porque não deu ouvidos a Dobby ? Porque não voltou Harry_Potter para_casa quando perdeu o comboio ? Harry ergueu se um_pouco , encostando se a as almofadas e afastou a esponja de o elfo . - O que estás a fazer aqui ? - perguntou . - E como sabes que eu perdi o comboio ? O lábio de Dobby tremeu e Harry foi assaltado por uma dúvida . - Foste tu . Tu impediste que a barreira nos deixasse passar . - Em a verdade fui eu , senhor - disse Dobby , acenando com a cabeça e com as orelhas a abanar . - Dobby escondeu se , esperou por Harry_Potter e selou a barreira . A seguir , Dobby teve de pôr as mãos em o ferro de engomar - mostrou a o Harry dez dedos longos embrulhados em ligaduras . - Mas Dobby não se importou , senhor , porque pensou que Harry_Potter estava a salvo e nunca Dobby sonhou que mesmo_assim ele viria para a escola ! Balançava se para a frente e para trás , sacudindo a cabeça feia . - Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry_Potter tinha voltado a a escola que deixou queimar o jantar de os seus donos . Dobby nunca tivera um castigo tão grande , senhor . Harry afundou se de_novo em as almofadas . - Quase conseguiste que nos expulsassem , a mim e a o Ron - disse furioso . - É melhor desapareceres de aqui antes que os meus ossos voltem a estar bem , Dobby , ou ainda te estrangulo . O elfo sorriu . - Dobby está habituado a ameaças de morte , senhor . Dobby recebe as cinco vezes por dia em a casa onde mora . Encostou o nariz a um canto de a fronha que usava , ficando tão ridículo que Harry sentiu a raiva desvanecer se , apesar_de tudo . - Porque usas essa coisa , Dobby ? - perguntou com curiosidade . - Isto , senhor ? - disse Dobby apontando para a fronha de almofada . - É uma prova de escravatura de o elfo doméstico , senhor . Dobby só pode ser libertado se os donos lhe derem roupa , senhor . A família tem o cuidado de não dar a o Dobby nem uma peúga , senhor , porque ele poderia ficar livre e deixar a casa para sempre . Dobby limpou os olhos protuberantes e disse subitamente : - Harry_Potter deve ir para_casa . Dobby achou que a sua * bludger * seria o suficiente para o fazer ... - A tua * bludger * ? - disse Harry com a raiva a crescer novamente dentro de ele . - Que queres tu dizer com a tua bludger * ? Foste tu quem fez com que aquela bola tentasse matar me ? - Matar não , senhor . Matar , nunca ! - disse o elho chocado . - Dobby quer salvar a vida de Harry_Potter . É melhor ir para_casa ferido do_que ficar aqui , senhor . Dobby só queria Harry_Potter suficientemente ferido para voltar para_casa . - Só isso ? - disse Harry furioso . - Imagino que não vais dizer me porque querias mandar me para_casa a os bocados ? - Ah ! se Harry_Potter soubesse ! - gemeu Dobby , com mais lágrimas a escorrerem lhe por a fronha esfarrapada . - Se pudesse saber o que significa para nós , para os humildes , os escravizados , nós , a escória social de o mundo mágico ! Dobby lembra se de como eram as coisas quando Aquele cujo nome não deve ser pronunciado estava em o auge de o poder , senhor ! Nós , os elfos domésticos éramos tratados como animais , senhor ! É claro que Dobby ainda é tratado assim - admitiu , secando o rosto em a fronha de almofada . - Mas , em a sua maioria , a vida melhorou bastante para os de a minha espécie desde_que Harry_Potter triunfou sobre Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Harry_Potter sobreviveu e o poder de os senhores de o Mal foi quebrado e veio uma nova alvorada , senhor , e Harry_Potter brilhou como um farol de esperança para aqueles de entre nós que já pensavam que a longa noite nunca mais teria fim , senhor ... e agora em Hogwarts vão acontecer coisas terríveis , talvez já esteiam a acontecer e Dobby não pode deixar Harry_Potter ficar aqui , agora_que a história vai repetir se , agora_que a Câmara_dos_Segredos está de_novo aberta . Dobby calou se horrorizado . Em seguida agarrou em o jarro de a água que Harry tinha a a cabeceira e bateu com ele em a própria cabeça , deixando se cair . Um segundo mais tarde voltou até junto de a cama , repetindo : - Mau , Dobby , muito mau , Dobby . - Quer_dizer , então , que existe mesmo a Câmara_dos_Segredos ? - murmurou Harry . - E dizes tu que já antes foi aberta ? Conta me , Dobby . Agarrou o pulso ossudo de o elfo quando a mão de ele se estendia para o jarro de a água . - Mas eu não sou filho de Muggles . Como posso estar em perigo por causa de a Câmara_dos_Segredos ? - Ah ! senhor , não pergunte a o pobre Dobby - lamentou se o elfo com os olhos enormes a brilharem em o escuro . - As forças de as trevas estão projectadas em este lugar , mas Harry_Potter não deve estar aqui quando as coisas acontecerem . Vá para_casa , Harry_Potter , vá para_casa . Harry_Potter não deve envolver se em isto , senhor , é demasiado perigoso ... - Quem é , Dobby ? - perguntou Harry , continuando a agarrar lhe o pulso com forca , impedindo que batesse de_novo em si próprio com o jarro . - Quem abriu a amara ? Quem a abriu de a última vez ? - Dobby não pode , senhor . Dobby não pode . Dobby não deve dizer - guinchou o elfo . - Vá se embora , Harry_Potter , vá se embora ! - Eu não vou para lugar nenhum - disse Harry , furioso . - Uma de as minhas melhores amigas é filha de Muggles , está em perigo se a câmara foi , de facto , aberta ... - Harry_Potter arrisca a própria vida por os amigos - gemeu Dobby em uma espécie de êxtase infeliz . - Tão nobre , tão corajoso , mas deve salvar se , Harry_Potter não deve ... Dobby calou se de repente com as orelhas de morcego a estremecerem . Harry também ouviu os passos que vinham lá fora , de o corredor . - Dobby tem de ir - balbuciou o elfo apavorado . Ouviu se um ruído e o pulso de Harry ficou subitamente fechado em o ar . Meteu se de_novo para baixo , em a cama , com os olhos fixos em a porta escura que dava entrada em a ala hospitalar enquanto os passos se aproximavam . Em o momento seguinte , Dumbledore estava a entrar , de costas , em o dormitório , vestindo uma longa túnica de lã e uma capa de noite . Transportava um extremo de aquilo que parecia ser uma estátua . A professora Mc_Gonagall surgiu um segundo mais tarde , pegando lhe em os pés . Os dois colocaram a em uma cama . - Chame Madam_Pomfrey - murmurou Dumbledore e a professora Mc_Gonagall passou por a cama de Harry , apressadamente , e desapareceu . Harry deixou se ficar muito quieto como_se estivesse a dormir . Ouviu vozes ansiosas e por fim a professora Mc_Gonagall apareceu de_novo , seguida de Madam_Pomfrey que vestia um casaco curto de lã sobre a camisa de dormir . Ouviu uma inspiração aguda . - O que aconteceu ? - murmurou Madam_Pomfrey_a_Dumbledore , inclinando se sobre a estátua que estava em a cama . - Outro ataque - disse Dumbledore . - A Minerva encontrou o em as escadas . Havia um cacho de uvas junto de ele . Acho que estava a tentar esgueirar se até aqui para vir visitar o Potter . O estômago de Harry deu uma reviravolta . Lenta e cuidadosamente ergueu se alguns centímetros para poder ver a estátua que estava sobre a cama . Um raio de luar iluminou lhe o rosto estático . Era_Colin_Creevey . Tinha os olhos abertos , e as mãos , em frente de a cara , seguravam a máquina fotográfica . -- Petrificado ? - murmurou Madam_Pomfrey . - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - Mas estou tentada a acreditar que ... se Albus não tivesse vindo cá abaixo tomar um chocolate quente ... quem sabe o que teria ... Os três olharam para Colin . Dumbledore inclinou se e retirou lhe a máquina de as mãos rígidas . - Será que ele conseguiu tirar a fotografia de o agressor ? - perguntou ansiosa a professora Mc_Gonagall . Dumbledore não respondeu . Abriu a parte detrás de a máquina . - Cruzes canhoto - disse Madam_Pomfrey . Um jacto de vapor tinha feito fervilhar a máquina . Harry , a três metros de distância , sentiu o cheiro tóxico de o plástico queimado . - Derretido - disse Madam_Pomfrey com grande espanto . - Tudo derretido . - O que significa isto , Albus ? - perguntou cada_vez_mais nervosa a professora Mc_Gonagall . - Significa - disse Dumbledore - que a Câmara_dos_Segredos está mesmo aberta outra_vez . Madam_Pomfrey levou uma mão a a boca . A professora Mc_Gonagall olhou assustada para Dumbledore . - Mas , Albus ... com certeza ... quem ? - A questão não é quem - disse Dumbledore com os olhos fixos em Colin . - A questão é como ... E pelo que Harry conseguiu ver de o rosto indistinto de a professora Mc_Gonagall , ela não compreendeu muito mais do_que ele . XI_O clube de os duelos Quando_Harry acordou , em o domingo de manhã , a enfermaria estava iluminada por um resplandecente sol de inverno e o seu braço tinha de_novo todos os ossos , apesar_de o sentir muito rígido . Sentou se rapidamente e olhou para a cama de Colin , mas ela fora isolada com as cortinas atrás de as quais se despira em a véspera . Vendo que ele tinha acordado , Madam_Pomfrey apareceu com um tabuleiro de pequeno-almoço e a seguir começou a apalpar lhe o braço e os dedos . - Tudo em ordem - disse , enquanto ele , com a mão esquerda , comia avidamente as papas de aveia . - Quando acabares de comer podes ir te embora . Harry vestiu se o mais depressa que pôde e dirigiu se a a pressa para a torre de os Gryffindor , ansioso por contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre Colin e Dobby , mas não os encontrou lá . Foi a a procura de eles , perguntando a si próprio onde teriam ido e sentindo se um_pouco magoado por o pouco interesse que demonstravam em saber se ele tinha recuperado os ossos . Quando passou por a biblioteca , Percy_Weasley vinha a sair com bastante melhor cara do_que de a última vez que se tinham encontrado . - Olá , olá , Harry - disse . - Excelente voo o de ontem , verdadeiramente sensacional . Os Gryffindor estão a a frente para a taça de a equipa . Ganhaste cinquenta pontos . - Não viste o Ron e a Hermione por aí ? - perguntou Harry . - Não , não vi - disse Percy com o sorriso a desaparecer . - Espero que o Ron não esteja outra_vez em a casa_de_banho de as raparigas ... Harry forçou um sorriso , viu Percy desaparecer e a seguir foi direitinho até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Não via lá muito bem por_que motivo o Ron e a Hermione lá estariam de_novo , mas , depois de se assegurar de que nem Filch nem nenhum de os prefeitos estavam por perto , abriu a porta e ouviu as vozes de eles que vinham de um cubículo fechado . - Sou eu - disse , fechando a porta atrás_de si . Ouviu se dentro de o cubículo um estrondo , um chapinhar e um sobressalto e ele viu o olho de a Hermione a espreitar por o buraco de a fechadura . - Harry - disse ela . - Pregaste nos um susto de morte . Entra . Como está o teu braço ? - _ óptimo - respondeu , apertando se dentro de o cubículo . Em cima de a sanita estava encarrapitado um velho caldeirão , e um crepitar a a superfície de a água disse a Harry que eles tinham acendido um fogo lá em baixo . Fazer aparecer fogos portáteis a a prova de água era uma de as especialidades de Hermione . - _ íamos visitar te , mas resolvemos começar a preparar a poção * _ Polisuco * - explicou Ron enquanto Harry fechava outra_vez a porta de o cubículo com alguma dificuldade . - Achámos que este era o lugar mais seguro para a esconder . Harry começou a contar lhes de o Colin , mas Hermione interrompeu o . - Nós já sabemos , ouvimos a professora Mc_Gonagall contar a o professor Flitwick hoje_de_manhã . Por isso resolvemos começar a ... - Quanto_mais depressa arrancarmos uma confissão a o Malfoy , melhor - rosnou o Ron . - Sabem o que eu penso ? Ele estava tão mal-humorado depois de o jogo de Quidditch que se vingou em o Colin . - Há outra coisa - disse Harry , vendo Hermione cortar molhos de verdezelha e lançá os dentro de a poção . - O Dobby foi visitar me a meio de a noite . Ron e Hermione olharam o espantados . Harry contou lhes tudo_o_que Dobby lhe dissera ... ou não dissera . Ron e Hermione ouviram o de boca aberta . - A Câmara_dos_Segredos já tinha sido aberta antes ? - repetiu Hermione . - Encaixa perfeitamente - disse Ron , em uma voz triunfante . - O Lucius_Malfoy deve ter aberto a Câmara_dos_Segredos quando andava em a escola e agora ensinou a o querido filhinho Draco como abris a . É óbvio , que pena o Dobby não te ter dito que tipo de monstro lá se encontra . Gostava de saber como é_que ninguém o viu andar por ai em a escola . - Talvez tenha a capacidade de se tornar invisível - sugeriu Hermione , picando sanguessugas para dentro de o caldeirão . - Ou talvez se disfarce , passando por uma armadura ou outra coisa de o género . Eu li umas coisas sobre vampiros camaleões ... - Tu lês de mais , Hermione - disse o Ron , deitando moscas asas de renda mortas por cima de as sanguessugas . Amarrotou o saco vazio de as asas de renda e olhou para Harry . - Então foi o Dobby que nos impediu de apanhar o comboio e te partiu o braço ... - abanou a cabeça . - Sabes o que eu acho ? Se ele não parar de tentar salvar te a vida ainda acaba por te matar . A notícia de que Colin_Creevey tinha sido atacado e estava agora em a ala hospitalar , como morto , espalhou se por toda_a escola em a segunda-feira de manhã . O ar ficou pesado e cheio de boatos e suspeitas . Os alunos de o primeiro ano começavam a andar por a escola em pequenos grupos , receando ser atacados se se aventurassem a andar isoladamente por os corredores . Ginny_Weasley , que era colega de carteira de o Colin em os encantamentos , estava perturbadíssima , mas Harry achou que Fred e George estavam a tentar animá a de a maneira errada . Revezavam se , mascarados com peles de animais e apareciam lhe subitamente detrás de as estátuas . Só pararam quando Percy , apopléctico de raiva , lhes disse que ia escrever a Mrs._Weasley a contar lhe que a Ginny andava a ter pesadelos . Enquanto isso , às_escondidas de os professores , uma panóplia de talismãs , amuletos e outros objectos de protecção ia enchendo a escola . Neville_Longbottom comprou uma enorme cebola verde que cheirava mal , um cristal pontiagudo cor de púrpura e uma cauda de tritão apodrecida antes de os outros rapazes de os Gryffindor lhe explicarem que ele não corria perigo : era um sangue puro e , portanto , muito pouco passível de ser atacado . - Eles foram a o Filch em primeiro lugar - disse Neville com o medo estampado em a cara redonda . - E toda_a_gente sabe que eu sou quase um * busca-pé * . Em a segunda semana de Dezembro , a professora Mc_Gonagall veio , como de costume , recolher os nomes de os alunos que ficavam em a escola durante o Natal . Harry , Ron e Hermione assinaram a lista . Tinham ouvido dizer que Malfoy ficava , o que lhes parecera muito suspeito . As férias seriam a altura ideal para usar a poção * _ Polisuco * e tentar arrancar lhe uma confissão . Infelizmente a poção estava a meio . Precisavam ainda de o chifre de bicórneo e o único lugar onde podiam arranjá o era em os depósitos privados de Snape . Harry , pessoalmente , preferia enfrentar o lendário monstro de os Slytherin do_que ser apanhado por o Snape a assaltar lhe o escritório . - O que precisamos - disse Hermione cheia de vivacidade quando se aproximava a aula conjunta de poções de quinta-feira a a tarde - para podermos entrar a a vontade em o escritório de o Snape , é de uma diversão . Harry e Ron olharam para ela , nervosos . - Acho que o melhor é ser eu a praticar o roubo - prosseguiu ela , em um tom perfeitamente casual . - Vocês os dois podem ser expulsos se forem apanhados e eu tenho uma folha limpa . Portanto , a única coisa que têm de fazer é distrair o Snape durante cerca de cinco minutos . Harry esboçou um meio sorriso . Provocar deliberadamente um estrago em a aula de poções de o Snape era tão seguro como ferir em um olho um dragão adormecido . As aulas de poções tinham lugar em um de os mais amplos calabouços . A de quinta-feira a a tarde não foi diferente de as outras . Vinte caldeirões fumegavam entre as secretárias de madeira , sobre as quais podia ver se laminas de latão e jarras com ingredientes . Snape deambulava por o meio de os fumos , fazendo reparos petulantes a o trabalho de os Gryffindor , enquanto os Slytherin riam a a socapa . Draco_Malfoy , que era o aluno preferido de Snape , não parava de lançar olhos de carneiro mal morto a o Ron e a o Harry , que sabiam que se retaliassem teriam um castigo , antes de poderem abrir a boca para dizer : - É injusto ! A solução de inchar de o Harry estava demasiado líquida , mas ele estava preocupado com coisas mais importantes . Esperava por o sinal de Hermione e mal deu por Snape se calar para ir espreitar a sua poção aguada . Quando o professor se voltou e foi implicar com o Neville , Hermione trocou um olhar com Harry e fez um aceno . Harry baixou se discretamente por detrás de o seu caldeirão , tirou de o bolso de trás um de os paus de fogo-de-artíficio Filibuster e deu lhe um toque de varinha . O fogo-de-artíficio começou a sibilar e a crepitar . Sabendo que tinha apenas alguns segundos , Harry endireitou se , ganhou coragem e lançou o a o ar . Aterrou certeiro em o caldeirão de o Goyle . A poção de o Goyle explodiu , salpicando toda_a aula . As pessoas gritavam , à_medida_que eram vítimas de os salpicos . Malfoy foi apanhado em a cara e o nariz começou a inchar como um balão . O Goyle tropeçava a as cegas , com as mãos em os olhos , que tinham ficado de o tamanho de pratos de sopa , enquanto o Snape tentava repor a calma e tentar perceber o que sucedera . Em o meio de a confusão , Harry viu Hermione esgueirar se a a socapa por a porta . - Silêncio ! silêncio ! - vociferou Snape . - Todos os que foram salpicados cheguem aqui para uma drenagem . Quando eu descobrir quem fez isto ... Harry fez um enorme esforço para não se rir a o ver Malfoy chegar apressadamente lá a a frente , a cabeça a tombar com o peso de o nariz , que parecia um pequeno melão . Quando metade de a aula se amontoava junto de a secretária de o Snape , alguns alunos vergados por o peso de os braços que pareciam mocas , outros incapazes de falar devido a o gigantesco inchaço de os lábios , Harry viu Hermione reentrar em o calabouço , a túnica mostrando a barriga protuberante . Quando todos os alunos tinham já tomado um gole de o antídoto e os vários inchaços tinham desaparecido , Snape precipitou se para o caldeirão de o Goyle e pescou os restos retorcidos de o fogo-de-artíficio . Houve um súbito silêncio . - Se eu descubro quem lançou isto - murmurou Snape - garanto que é expulsão por a certa . Harry compôs uma expressão de espanto . Snape olhava directamente para ele e a campainha , que tocou dez minutos mais tarde , não podia ser mais bem-vinda . - Ele soube que fui eu - disse Harry_a_Ron e a a Hermione , enquanto se dirigiam apressadamente para a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Tenho a certeza . Hermione lançou o novo ingrediente em o caldeirão e começou a mexer furiosamente . - Isto vai estar pronto dentro_de quinze_dias - afirmou , satisfeita . - O Snape não pode provar que foste tu - assegurou Ron , tranquilizando Harry . - Que pode ele fazer ? - Conhecendo o Snape , qualquer coisa louca - respondeu Harry , enquanto a poção borbulhava e espumava . Uma semana mais tarde , Harry , Ron e Hermione passavam por o vestíbulo de entrada , quando viram um pequeno grupo de pessoas reunidas em volta de o jornal de parede a lerem um pedaço de pergaminho que tinha acabado de ser afixado . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas acenaram lhes , entusiasmados . - Vão lançar um clube de duelos ! - exclamou Seamus . - Hoje a a noite é a primeira reunião . Eu não me importaria nada de ter aulas de duelo , podem vir a ser úteis um dia de estes ... - Porquê ? Achas que o monstro de os Slytherin sabe esgrimir ? - perguntou o Ron , mas , também ele , leu a notícia com interesse . - Pode ser útil - disse a o Harry e a a Hermione , quando foram jantar . - Vamos lá ? Harry e Hermione acharam óptimo , por isso , a as oito_da_noite voltaram a o salão . As longas mesas de refeição tinham desaparecido e um estrado dourado surgira , encostado a a parede . Sobre ele flutuavam milhares de velas . O tecto era , mais_uma_vez , de veludo negro e parecia que quase todos os alunos de a escola se encontravam ali , com as suas varinhas em a mão e com um ar entusiasmado . - Quem será que vai ensinar nos ? - perguntou Hermione , enquanto se misturavam em a multidão barulhenta . - Ouvi dizer que o Filitwick foi campeão de duelo em a juventude , talvez seja ele . - Desde_que não seja ... - começou Harry , mas terminou em um gemido : Gilderoy_Lockhart estava a subir a o estrado , resplandecente em as suas vestes cor de ameixa , acompanhado , nem mais nem menos , do_que de Snape que trajava , como sempre , de negro . Lockhart levantou um braço , pedindo silêncio , bradando : - Aproximem se , aproximem se , conseguem todos ver me e ouvir me ? Excelente ! - O professor Dumbledore deu me autorização para iniciar este pequeno curso de duelo para vos treinar a todos , caso algum dia precisem de se defender , como eu tenho feito em inúmeras ocasiões ; para mais detalhes , leiam os livros que tenho publicados . - Permitam que vos apresente o meu assistente , o professor Snape - disse Lockhart , abrindo um sorriso de orelha a orelha . - Ele diz me que sabe alguma coisa sobre duelos e aceitou desportivamente ajudar me em uma exibição de demonstração , antes de começarmos . Atenção , não quero que os mais novos fiquem preocupados , vão continuar a ter o vosso professor de poções depois de eu o vencer . Não tenham medo . - Não era óptimo se se liquidassem um_ao_outro ? - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . O lábio inferior de Snape estava curvo . Harry interrogou se sobre o motivo por_que Lockhart continuava a sorrir . Se o Snape olhasse de aquela maneira para ele , Harry estaria a correr a_toda_a velocidade para o mais longe possível . Lockhart e Snape voltaram se um para o outro e fizeram uma vénia , pelo_menos Lockhart fê la com muitas reviravoltas de mãos , enquanto Snape acenava , irritado , com a cabeça . Em seguida , ergueram as varinhas , como_se fossem espadas , em a frente . - Como podem ver , estamos a pegar em as varinhas em a posição de aceitação de combate - explicou Lockhart a a multidão silenciosa . - Quando contarmos até três , lançaremos os primeiros feitiços . Nenhum de nós tentará matar o outro , claro . - Eu não poria as mãos em o fogo - murmurou Harry , observando como Snape cerrava os dentes . -- Um , dois , três ... Os dois balançaram as varinhas acima de os ombros . Snape gritou : * _ Expelliarmus * ! Houve um clarão ofuscante de luz escarlate e Lockhart voou para trás , caindo de o estrado batendo contra a parede , escorregando e indo estatelar se em o chão . Malfoy e alguns de os outros Slytherin aplaudiram . Hermione estava em bicos de os pés . - Acham que ele está bem ? - gritou entredentes . - Quem se rala ? - disseram ao_mesmo_tempo o Ron e o Harry . Lockhart estava a pôr se , hesitante , de pé . O chapéu caíra lhe e o cabelo ondulado estava em um desalinho . - Bem , cá está ! - disse , cambaleando até a o estrado . - Este foi um encantamento para desarmar . Como podem ver , perdi a minha varinha . Ah , obrigado Miss_Brown . Sim , foi uma excelente ideia mostrar lhes isto , professor Snape , mas , se me permite que lhe diga , foi muito óbvio o que ia fazer . Se eu tivesse querido impedis o , teria o feito com a maior de as facilidades . Mas achei que seria educativo deixá os ver ... Snape tinha um ar assassino . Provavelmente Lockhart deu por isso , porque declarou : - Chega de demonstrações . Eu vou passar agora por o meio de vocês e criar duplas . Professor_Snape , se quiser ajudar me ... Entraram por o meio de a multidão , agrupando alunos . Lockhart pôs o Neville com Justin_Finch - _ Fletchley , mas Snape chegou primeiro junto de Harry e de Ron . - Tempo de separar a dupla ideal , parece me - rosnou . - Weasley , tu podes ficar com o Finnigan . Potter ... Harry voltou se automaticamente para Hermione . - Não me parece - disse Snape com o seu sorriso frio . - Mr._Malfoy , venha até aqui . Vamos ver o que faz com o famoso Potter . E a menina , Miss_Granger , pode emparceirar com Miss_Bulstrode . Malfoy aproximou se com o seu passo empertigado e o seu sorriso escarninho . Atrás de ele vinha uma rapariga de os Slytherin , que lembrou a Harry uma imagem que tinha visto em as * _ Férias com Bruxas_Velhas * . Era corpulenta e quadrada e os maxilares avançavam agressivamente . Hermione esboçou um meio sorriso , que ela não retribuiu . - Voltem se para os vossos parceiros - gritou Lockhart - e façam a vénia . Harry e Malfoy mal inclinaram as cabeças , não afastando os olhos um de o outro . - Varinhas preparadas ! - gritou Lockhart . - Quando eu disser três preparem os feitiços para desarmar o vosso opositor . Um ... dois ... três ... Harry levantou a varinha acima de o ombro , mas Malfoy começara logo em o « dois » : o seu feitiço apanhou Harry com tanta força que ele se sentiu como_se tivesse levado com uma frigideira em a cabeça . Tropeçou , mas ainda não estava fora de combate e , sem perder tempo , Harry apontou a varinha a Malfoy e gritou : - * _ Rictusempra ! * Um jacto de luz prateada atingiu Malfoy em o estômago , obrigando o a dobrar se , arfando . - Eu disse desarmar ! - gritava Lockhart sobre as cabeças de a multidão em lata , enquanto Malfoy caía de joelhos . Harry atingira o com o feitiço de as cócegas e ele mal conseguia mexer se para se rir . Harry hesitou com o vago sentimento de que seria pouco desportivo enfeitiçar Malfoy enquanto ele estava caído em o chão , mas ... foi um erro . Tentando respirar , Malfoy apontou a varinha a os joelhos de Harry , balbuciando : « * _ Tarantallegra ! * » e , um segundo depois , as pernas de o Harry tinham começado a mexer se , sem que ele pudesse controlá as , executando uma espécie de dança frenética . - Parem , parem - gritava Lockhart , quando Snape resolveu tomar controlo de a situação . - * _ Finite_Incantatem ! * - bradou . Os pés de o Harry pararam de dançar , Malfoy parou de rir e puderam olhar para_cima . Uma onda de fumo esverdeado pairava sobre todos eles . Neville e Justin estavam caídos em o chão , a arfar . Ron tentava fazer parar um Seamus com cara cor de cinza , pedindo lhe mil desculpas por o que a sua varinha partida eventualmente tivesse feito . Mas Hermione e Millicent_Bulstrode ainda não tinham acabado . Millicent tinha feito a Hermione uma prisão de cabeça e Hermione gritava de dor . As duas varinhas jaziam esquecidas em o chão . Harry deu um salto em frente e afastou Millicent . Não foi fácil , ela era bastante maior do_que ele . - Oh , gente ! - exclamou Lockhart , arrastando se por o meio de a multidão e olhando para os resultados de os duelos . - Vamos pôr de pé , Mcmillan ... cuidado , Miss_Fawcett ... belisque com força que pára logo de sangrar ... - Acho que o melhor é ensinar vos como bloquear feitiços pouco amigáveis - afirmou Lockhart que estava nervosíssimo em o meio de o salão . Olhou para Snape , cujos olhos pretos brilhavam e desviou rapidamente o olhar . - Vamos arranjar um par de voluntários . Longbottom e Finch - _ Fletchley , que tal serem vocês ? - Uma má ideia , professor Lockhart - disse Snape , deslizando como um morcego enorme e cruel . - Longbottom provoca devastação com o feitiço mais simples . Ainda temos de mandar o que restar de o Finch - _ Fletchley para a ala hospitalar dentro_de uma caixa de fósforos . - A cara redonda e rosada de Neville ficou ainda mais rosada . - Que tal o Malfoy e o Potter ? - sugeriu Snape com um sorriso retorcido . - Excelente ideia - disse Lockhart , fazendo sinal a os dois para que se aproximassem de o meio de o salão , enquanto a multidão recuava para lhes dar passagem . - Ouve bem , Harry - disse Lockhart . - Quando o Draco te apontar a varinha , tu fazes assim . Levantou a sua varinha , executando uma tentativa complicada de malabarismo e deixou a cair . Snape sorriu pretensiosamente , enquanto Lockhart a apanhava de o chão , dizendo : - Ups , a minha varinha está demasiado excitada . Snape aproximou se de Malfoy , inclinou se e disse lhe qualquer coisa a o ouvido . Malfoy sorriu também de forma afectada . Harry olhou , nervoso , para Lockhart e pediu : - Professor , podia mostrar me outra_vez aquela coisa para bloquear ? - Estás com medo ? - murmurou Malfoy baixinho , para que Lockhart não pudesse ouvir . - Querias ! - exclamou Harry por o canto de a boca . Lockhart deu um soco em o ombro de o Harry , em a brincadeira . - Basta que faças como eu fiz ! - O quê , deixar cair a varinha ? Mas Lockhart não estava a ouvir - Três , dois , um , zero ! - gritou . Malfoy levantou rapidamente a varinha a o ar e gritou : - * _ Serpensortia ! * A extremidade de a varinha explodiu . Harry viu , horrorizado , uma enorme serpente negra sair de ela , cair pesadamente em o chão a meio de os dois e erguer se disposta a atacar . Ouviram se gritos , enquanto a multidão se afastava , deixando o chão vazio . - Não te mexas , Potter - disse Snape vagarosamente , divertindo se claramente a ver Harry , parado , a olhar em os olhos a serpente . - Eu trato de ela ... - Permita me -- gritou Lockhart . Bramiu a varinha em direcção a a serpente e ouviu se um estoiro . A cobra , em_vez_de desaparecer , voou três metros acima de eles e voltou a cair em o chão com um estrondo enorme . Enraivecida , a sibilar de fúria , rastejou em direcção a Finch - _ Fletchley e pôs se de pé com os dentes a a mostra , pronta a atacar . Harry não soube ao_certo o que o levou a fazer aquilo . Não se lembrava sequer de ter tomado aquela decisão . Só soube que as pernas o fizeram avançar como_se tivesse rodas e que gritou a a serpente : - Larga o ! - E , milagrosa e inexplicavelmente , a serpente voltou a o chão , dócil como uma grande mangueira de jardim , preta e grossa , os olhos agora fixos em os olhos de Harry . Harry sentiu o medo a escoar se . Sabia que a cobra não atacaria mais ninguém , embora não pudesse explicar como sabia . Olhou para Justin a sorrir , esperando vê o aliviado , espantado , ou mesmo agradecido , mas nunca zangado ou assustado . - Que brincadeira é essa ? - gritou o outro e , antes que Harry tivesse tempo de dizer fosse o que fosse , voltou as costas e saiu de o salão . Snape deu um passo em frente , fez um gesto com a varinha e a serpente desapareceu em uma onda de fumo preto . Também ele , Snape , olhava para Harry de uma forma inesperada . Era um olhar arguto e calculista , de que Harry não gostou . Apercebeu se também vagamente de um murmúrio ameaçador que vinha de as paredes em volta . Depois , sentiu um puxão em a túnica . - Vamos - disse a voz de o Ron em o seu ouvido . - Mexe te , vá lá ... Ron arrastou o para fora de o salão . Hermione acompanhava os em a passada rápida . Quando cruzaram a porta , as pessoas que a rodeavam afastaram se , como_se tivessem medo de ser contagiadas . Harry não fazia a mais pequena ideia do_que estava a passar se e , nem Ron , nem Hermione lhe deram qualquer explicação , antes de o terem levado até a a sala comum de os Gryffindor , que se encontrava vazia . Aí , Ron empurrou Harry para uma cadeira de braços e disse : - Tu és um * serpentês * . Porque não nos disseste ? - Eu sou um quê ? - perguntou Harry . - Um * serpentês * ! - exclamou o Ron . - Falas com as cobras . - Eu sei - declarou Harry . - Quer_dizer , esta foi a segunda vez que o fiz . A outra foi há muito_tempo em o jardim zoológico , quando soltei uma Boa_Constrictor a o meu primo Dudley . É uma longa história , mas ela estava a dizer me que nunca tinha estado em o Brasil e eu acho que a libertei sem querer . Foi antes de saber que era feiticeiro . . . - Uma Boa_Constrictor disse te que nunca tinha estado em o Brasil ? - repetiu Ron , quase sem voz . - E então ? - disse o Harry . - Aposto que montes de pessoas aqui fazem o mesmo . - Não fazem , não - afirmou Ron . - Não é um dom muito frequente . Harry , isso é mau . - O que é_que é mau ? - perguntou Harry , que começava a ficar chateado . - O que é_que se passa com todos os outros ? Ouve bem , se eu não tivesse dito a aquela cobra para não atacar o Justin ... - Ah , foi isso que tu disseste ? - Que queres dizer ? Tu estavas lá , ouviste perfeitamente o que eu disse . - Eu ouvi te falar em serpentês - disse o Ron . - Língua de cobra . Podias estar a dizer lhe qualquer coisa . Não admira que o Justin tivesse entrado em pânico . Parecia que estavas a incitar a serpente . Foi assustador , sabes ? Harry olhou para ele espantado . - Eu falei uma língua diferente ? Mas não me apercebi , como posso falar uma língua , sem saber que a conheço ? Ron abanou a cabeça . Tanto ele como Hermione tinham um ar fúnebre . Harry não percebia o que havia em aquilo de tão trágico . - Será que me querem explicar o que há de mal em ter impedido que uma serpente enorme arrancasse a cabeça a o Justin ? - perguntou . - Porque é tão importante como o fiz , se evitei que o Justin fosse juntar se a grupo de os SEM_CABEÇA ? - Importa - disse por fim Hermione , em uma voz abafada . - Porque falar com serpentes era a arte por a qual Salazar_Slytherin ficou famoso . Por isso , o símbolo de os Slytherin é uma serpente . Harry ficou de boca aberta . - Exacto - disse o Ron . - E agora todos em a escola vão pensar que tu és descendente de ele . - Mas não sou - contrapôs Harry com um pânico que não conseguia explicar . - Não vai ser fácil prová o - disse Hermione . - Ele viveu há quase mil anos . Pelo que vimos , podias ser . Em essa noite , Harry ficou acordado durante horas . Por uma fresta de os cortinados de a cama de dossel , olhou para a neve que começava a cair de o lado de_fora de a janela de a torre e perguntou se se poderia ser descendente de Salazar_Slytherin . Afinal , não sabia nada de a família de o pai , os Dursley tinham sempre proibido qualquer pergunta sobre os seus familiares feiticeiros . Calmamente , tentou dizer qualquer coisa em * serpentês * , mas as palavras não saíam . Parecia que era necessário estar frente_a_frente com uma cobra para poder fazê o . Mas eu sou um Gryffindor , pensou Harry , o chapéu seleccionador não me poria aqui se eu tivesse sangue de Slytherin ... - Ah ! - disse uma vozinha dentro de o seu cérebro . - Mas o chapéu seleccionador queria pôr te em os Slytherin , não te lembras ? Harry deu voltas e voltas a a cabeça . Em o dia seguinte , quando visse Justin em a aula de herbologia explicaria lhe que estava a afastar a serpente , não a atiçá a o que , aliás , pensou zangado , dando vários socos em a almofada , qualquer idiota teria percebido . Contudo , em a manhã seguinte , a neve que começara a cair durante a noite , transformara se em uma tempestade tão espessa que a última aula de herbologia de o período foi cancelada : a professora Sprout queria tapar as mandrágoras com peúgas e cachecóis , uma operação arriscada que ela não confiava a ninguém agora_que era tão importante que as mandrágoras crescessem depressa e reabilitassem Mrs._Norris e Colin_Creevey . Junto de a lareira de a sala comum de os Gryffindor , Harry matutava sobre o que se passara enquanto Ron e Hermione aproveitavam o foro para jogar xadrez de feitiçaria . - Com os diabos , Harry - disse Hermione exasperada quando um bispo derrubou um de os cavaleiros de o cavalo , arrastando o para fora de o tabuleiro . - Vai falar com o Justin , se isso é assim tão importante para ti . Harry levantou se e saiu por o buraco de o retrato , perguntando a si próprio onde poderia estar o Justin . O castelo estava mais escuro do_que era habitual durante o dia por causa de a neve espessa e cinzenta que cobria as janelas . A tremer , Harry passou por as salas onde estava a haver aulas , captando lampejos do_que sucedia lá dentro . A professora Mc_Gonagall gritava com alguém que , segundo lhe parecia por o som , transformara o parceiro em um texugo . Resistindo a a tentação de dar uma espreitadela , Harry afastou se pensando que Justin poderia estar a utilizar o tempo de o furo para fazer algum trabalho e resolveu , por isso , ir até a a biblioteca . Um grupo de alunos de os Hufflepuff , que deveriam ter estado em Herbologia , encontrava se , de facto , sentado em as traseiras de a biblioteca , mas não parecia estar a trabalhar . Entre as fileiras de as estantes altas , Harry pôde ver as suas cabeças muito juntas em aquilo que deveria ser uma conversa absorvente . Não conseguia perceber se Justin estaria em o meio de eles . Ia para se aproximar quando apanhou em o ar uma frase e parou para ouvir melhor , escondido em a secção de a invisibilidade . - Portanto - dizia um rapaz corpulento - eu disse a o Justin para se esconder em o nosso dormitório . Isto_é , se o Potter o escolheu como próxima vítima é melhor que ele tenha um * low profile * durante algum tempo . É claro que o Justin já estava a a espera que alguma coisa de o género acontecesse desde_que lhe escapou em uma conversa com o Potter que era filho de Muggles . O Justin disse lhe , inclusivamente , que tinha estado inscrito em Eton . Não é o tipo de coisa que se ande a dizer com o herdeiro de Slytherin a a solta por aí . - Achas mesmo_que é o Potter , Ernie ? - perguntou uma rapariga de tranças loiras , ansiosamente . - Hannah - disse com solenidade o rapaz corpulento . - Ele é um serpentês . Todos sabem que essa é a marca de um feiticeiro negro . Alguma vez ouviste falar de um feiticeiro decente que falasse com as cobras ? O Slytherin era conhecido por « Língua de serpente . . Houve alguns murmúrios antes de Ernie prosseguir : - Lembram se do_que estava escrito em a parede ? * _ Inimigos de o herdeiro , cuidado ! * . O Potter teve que ir a o gabinete de o Filch . E o que é_que acontece a seguir ? A gata de o Filch é atacada . O aluno de o primeiro ano , Creevey , estava a aborrecê o em a partida de Quidditch , a tirar lhe fotografias quando ele estava caído em a lama . E o que é_que acontece a seguir ? Creevey é atacado . - Mas ele parece sempre ser tão simpático - disse Hannah , cheia de dúvidas . - E , bem , foi ele que fez com que o Quem nós sabemos desaparecesse . Não pode ser assim tão mau , pois não ? Ernie baixou misteriosamente a voz . Os Hufflepuff inclinaram se mais uns para os outros e Harry aproximou se para conseguir apanhar as palavras de o Ernie . - Ninguém sabe como ele sobreviveu a aquele ataque de o Quem nós sabemos e , afinal , ainda era um bebé quando aquilo aconteceu . Era para ter explodido feito em estilhaços . Só um feiticeiro negro verdadeiramente poderoso teria sobrevivido a uma maldição de aquelas . - Baixou ainda mais a voz até esta ficar reduzida a um leve murmúrio e disse : - Talvez fosse por isso que o Quem nós sabemos o queria matar , para não ter outro feiticeiro negro a competir com ele . Gostava de saber que outros poderes ocultos terá o Potter . Harry não aguentou mais . Pigarreou alto e saiu detrás de as estantes . Se não estivesse tão zangado teria conseguido ver o lado cómico de a situação : cada_um de os Hufflepuff olhava para ele como_se tivesse sido petrificado , e a cor desaparecera de a cara de o Ernie . - Olá - disse Harry . - Estou a a procura de o Justin_Finch - _ Fletchley . Os piores receios de os Hufflepuff tinham se concretizado . Olharam apavorados para o Ernie . - O que queres de ele ? - perguntou Ernie em uma voz sumida . - Explicar lhe o que aconteceu com aquela cobra em o clube de os duelos - disse Harry . Ernie mordeu os lábios brancos e , em seguida , respirando fundo , respondeu : - Estávamos lá todos . Vimos o que aconteceu . - Então viram que depois de eu falar a serpente recuou - disse Harry . - O que eu vi - insistiu teimosamente Ernie , apesar_de tremer a cada palavra que proferia - foi tu a falares serpentês e a atiçares a cobra conta o Justin . - Eu não a aticei - gritou Harry enraivecido . - Ela nem lhe tocou . - Falhou por_pouco - disse Ernie . - E , para o caso de estares com ideias - acrescentou com má cara - posso dizer te que a minha família provem de nove gerações de bruxas e feiticeiros e que o meu sangue é tão puro como o de qualquer feiticeiro , portanto ... - Quero lá saber qual é o teu sangue - disse Harry furioso . - Porque iria eu atacar os filhos de os Muggles ? - Ouvi dizer que detestas os Muggles com quem vives - disse Ernie rapidamente . - Não é possível viver com os Dursley sem os detestar - explicou Harry . - Gostava de te ver lá em casa . Girou sobre os calcanhares e saiu furioso de a biblioteca sob o olhar reprovador de Madam_Prince que limpava a capa dourada de um enorme livro de encantamentos . Harry avançou a as cegas por os corredores , quase sem ver por_onde ia de tão furioso que estava . O resultado foi chocar com algo enorme e sólido que o fez recuar e cair a o chão . - Ah ! Olá , Hagrid - disse , olhando para_cima . Hagrid tinha o rosto completamente tapado com um lenço coberto de neve , mas não podia ser mais ninguém , enchendo assim o corredor dentro de o seu sobretudo de pele de toupeira . De uma de as enormes mãos enluvadas , pendia um galo morto . - Tudo bem , Harry ? - perguntou , afastando o lenço para poder falar . - Porque não estás em a aula ? - Foi cancelada - disse Harry , pondo se de pé . - O que estás a fazer aqui ? Hagrid mostrou lhe o galo inerte . - É o segundo qu'aparece morto este período - explicou . - Ou são raposas ou um vampiro chato e eu preciso d'autorização de o director p'ra fazer um feitiço em volta de a capoeira . Aproximou se e olhou mais de perto para o Harry , por debaixo de as suas sobrancelhas espessas e cheias de neve . - Tens a certeza que estás bem ? Pareces exaltado e preocupado . Harry não foi capaz de repetir o que Ernie e os outros Hufflepuff lhe tinham dito . - Não é nada , tenho de ir , Hagrid . A próxima aula é Transfiguração e preciso de ir buscar os meus livros . Afastou se , a cabeça cheia com tudo_o_que Ernie dissera a seu respeito . « * _ O_Justin já estava d espera que uma coisa de o género acontecesse desde_que deixou escapar , falando com o Potter , que era filho de Muggles * ... » Harry subiu as escadas a correr e entrou por um corredor que estava particularmente escuro . As tochas tinham sido apagadas por uma ventania gelada que entrava por uma janela de fecho estragado . Estava a meio de o corredor quando tropeçou em uma coisa que se encontrava em o chão . Olhou para ver o que era e sentiu como_se o estômago se tivesse dissolvido . Justin_Finch - _ Fletchley estava em o chão , rígido e frio com uma expressão de horror em o rosto e os olhos abertos voltados para o tecto . E não era tudo . Junto de ele estava mais alguém , a visão mais estranha que Harry tivera em toda_a sua vida . Era_o_Nick quase sem cabeça que não estava cor de pérola nem transparente e sim escuro como fumo . Flutuava imóvel , em a horizontal , 12 centímetros acima de o chão , a cabeça meio tombada e em o rosto uma expressão de choque idêntica a a de o Justin . Harry pôs se de pé com a respiração acelerada e o coração a bater como um tambor contra as costelas . Olhou desvairado para ambos os lados de o corredor deserto e viu uma fila de aranhas que corriam a_toda_a velocidade em a direcção oposta a a de os corpos . Os únicos sons eram as vozes abafadas de os professores em as aulas que decorriam de ambos os lados . Podia fugir e ninguém saberia que ali tinha estado , mas não era capaz de os abandonar assim . Tinha de ir procurar ajuda . Será que alguém acreditaria que ele não tivera nada que ver com aquilo ? Enquanto ali estava , em pânico , uma porta a o seu lado abriu se com grande estrondo . Peeves , o * poltergeist * , saiu a os gritos . - Oh ! É o Potter , olá , Potter - alardeou Peeves , lançando por o ar os óculos de o Harry quando passou por ele . - O que está o Potter a fazer ? Porque está o Potter escondido ? Peeves passou de cabeça para baixo , a meio de uma cambalhota em o ar , quando viu Justin e Nick quase sem cabeça . Com um movimento súbito endireitou se , encheu os pulmões de ar e , antes que Harry pudesse impedi o , gritou : __ ataque ! ataque ! outro ataque ! nenhum mortal ou fantasma está em segurança . corram , fujam , __ ataaaque ! Crac , Crac , Crac . Uma atrás de a outra , foram se abrindo todas_as portas a o longo de o corredor e as pessoas saíram para fora de as salas de aula . Durante alguns longos minutos houve uma tal confusão que Justin esteve em perigo de ser esmagado e as pessoas não paravam de chocar com o Nick quase sem cabeça . Harry deu por si colado a a parede enquanto os professores exigiam a os gritos que se fizesse silêncio . A professora Mc_Gonagall veio a correr , seguida por todos os alunos , um de os quais ainda trazia o cabelo a as riscas pretas e brancas . Usou a varinha para produzir um ruído que repôs o silêncio e mandou os alunos todos para dentro de as salas de aula . Mal lugar ficou desimpedido surgiu Ernie , o jovem Hufflepuff . - * _ Apanhado em flagrante ! * - gritou , com o rosto totalmente branco , apontando dramaticamente o dedo par Harry . - Basta_Mcmillan - disse , de forma cortante , a professora Mc_Gonagall . Peeves andava para_cima e para baixo , observando a cena com um sorriso maldoso . Sempre adorara o caos . Quando os professores se inclinaram sobre Justin e sobre o Nick quase sem cabeça para os examinar , iniciou uma cantilena : * _ Oh ! Potter , que fizeste , seu grande bandido * _ Tu matas os estudantes porque achas divertido . * - Basta , Peeves - rosnou a professora Mc_Gonagall e Peeves afastou se , deitando a língua de_fora a o Harry . Justin foi levado para a ala hospitalar por o professor Flitwick e por o professor Sinistra_do_Departamento_de_Astronomia , mas ninguém parecia saber o que fazer em relação a o Nick quase sem cabeça . Por fim , a professora Mc_Gonagall fez aparecer em o ar um enorme leque que entregou a Ernie com o encargo de conduzir , escadas acima , por os ares o Nick quase sem cabeça . Ernie assim fez , soprando Nick como_se fosse um aerodeslizador e deixando , de este modo , o Harry e a professora Mc_Gonagall a sós . - Por aqui , Potter - disse ela . - Professora , eu juro que não ... - Isso não é comigo , Potter - afirmou a professora Mc_Gonagall sinteticamente . Caminharam em silêncio até uma esquina e ela parou perante uma gárgula de pedra extremamente feia . - Refresco de limão - disse . Era obviamente uma senha porque a gárgula animou se subitamente e saltou para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes . Apesar_de estar apavorado com o que ia acontecer a seguir , Harry não conseguiu evitar um sentimento de fascínio . Por detrás de a parede estava uma escada em espiral que se movia lentamente para_cima como um elevador . E quando ele e a professora Mc_Gonagall puseram os pés em o primeiro degrau , Harry ouviu a parede fechar se atrás de eles . Subiram em círculos , cada_vez_mais alto até que , por fim , um_pouco tonto , Harry pôde ver uma porta de carvalho reluzente com um puxador de bronze em forma de abutre . Harry calculava onde estava a ser levado . Devia ser ali que morava Dumbledore . XII_A poção * polisuco * Saltaram de a escada de pedra lá mesmo em cima e a professora Mc_Gonagall bateu a a porta . Ela abriu se silenciosamente dando lhes entrada . A professora Mc_Gonagall disse lhe que esperasse e deixou o sozinho . Harry olhou em volta . Uma coisa era certa : de todos o escritórios de professores que conhecia , o de Dumbledor era , de longe , o mais interessante . Se não estivesse com um medo de morte de ser expulso teria adorado explorá o . Era uma sala grande e bonita em forma de círculo que estava cheia de barulhinhos estranhos . Havia um grande número de instrumentos prateados sobre várias mesas de pernas finas que zumbiam emitindo pequenas baforadas de fumo . As paredes estavam cobertas de fotografias de antigos directores e directoras , todos eles a dormir tranquilamente em as suas molduras . Havia ainda uma enorme secretária pés de garra . E , sobre uma prateleira atrás de ela , um chapéu de feiticeiro andrajoso e puído : * o chapéu seleccionador * . Harry hesitou . Lançou um olhar cauteloso a as bruxas e feiticeiros adormecidos a o longo de as paredes . Com certeza não fazia mal se lhe pegasse e o experimentasse só para ver ... só para ter a certeza de que ele o pusera em a equipa certa . Deu a volta a a secretária , retirou o chapéu de a prateleira e baixou o lentamente sobre a cabeça . Era demasiado grande e escorregou lhe para os olhos como de a outra_vez que o tinha posto . Harry olhou para o forro preto , enquanto esperava . Por fim , uma vozinha disse lhe a o ouvido : - Estás com macaquinhos em o sótão , Harry_Potter ? - Er ... sim - balbuciou Harry . - Er ... desculpa incomodar te , queria saber ... - Querias saber se te pus em a equipa certa - disse prontamente o chapéu . - Sim ... tu és particularmente difícil de seleccionar , mas eu mantenho o que disse antes . - O coração de Harry deu um salto . - Terias ficado bem em os Slytherin . Harry sentiu o estômago contorcer se . Agarrou o chapéu por a aba e tirou o de a cabeça . O chapéu seleccionador ficou pendurado em a mão de ele , inerte , desbotado e sujo . Harry voltou a pô o em a prateleira , sentindo se enjoado . - Estás enganado ! - disse em voz alta a o chapéu parado e silencioso , mas ele não se mexeu . Harry recuou para o observar melhor e foi então que ouviu um ruído estranho e grasnado atrás_de si que o fez dar uma volta . Não estava só , afinal_de_contas . Em um poleiro dourado atrás de a porta estava um pássaro de aspecto decrépito que parecia um peru meio depenado . Harry olhou para ele espantado e o pássaro olhou o também , grasnando de_novo . Harry achou que ele devia estar muito doente porque tinha os olhos parados e , enquanto olhava para ele , caíram lhe mais algumas penas de a cauda . Estava justamente a pensar que a única coisa que lhe faltava era que o pássaro de estimação de Dumbledore morresse quando ele estava ali sozinho com ele , em o escritório , quando a ave se incendiou . Harry gritou , em estado de choque , e recuou até a a secretária . Olhava nervosamente em volta , em busca de um jarro de água , mas não viu nenhum . O pássaro , entretanto , transformara se em uma bola de fogo , dera um guincho e , em seguida , desaparecera , deixando apenas um monte de cinzas em o chão . A porta de o escritório abriu se . Dumbledore entrou com ar taciturno . - Professor - gaguejou Harry . - O seu pássaro ... eu não pode fazer nada ... ele incendiou se . Para seu grande espanto , Dumbledore sorriu . - Já não era sem tempo . Estava com um aspecto horrível em os últimos dias . Fartei me de lhe dizer que fizesse qualquer coisa . Riu se entre dentes com a expressão em o rosto de Harry . - A Fawkes é uma fénix , Harry . As fénix ardem quando é altura de morrer e renascem de as cinzas , repara ... Harry olhou mesmo a_tempo_de ver um passarinho recém-nascido , todo enrugado , espetar a cabeça fora de as cinzas . Era quase tão feio como o antigo . - É uma pena que a tenhas conhecido em dia de arder - disse Dumbledore , passando para trás de a secretária . - É muito bonita a maior parte de o tempo , com uma plumagem vermelha e dourada . São criaturas fascinantes , as fénix . Podem transportar cargas pesadíssimas , as suas lágrimas têm propriedades curativas e são animais de estimação extremamente fiéis . Com o choque de a fénix a pegar fogo , Harry esquecera se de o motivo porque ali estava , mas tudo voltou rapidamente quando Dumbledore se instalou em a cadeira de espaldar alto e o fixou com os seus olhos azuis e penetrantes . Contudo , antes que ele tivesse tido tempo de falar , a porta de o escritório abriu se de par em par com um enorme estrondo e Hagrid entrou com um olhar tresloucado , o lenço todo torcido em volta de a cabeça hirsuta e o galo morto ainda pendurado em a mão . - Não foi Harry , professor Dumbledore - disse , aflito . - Eu tinha estado a falar com ele poucos segundos antes de o rapazinho ser encontrado , ele não teve tempo professor ... Dumbledore tentou dizer qualquer coisa , mas Hagrid continuou , abanando o galo em o meio de a sua agitação e espalhando penas por todo o lado . - Não pode ter sido ele . Eu juro em a frente de o ministro de a magia , se for preciso ... - Hagrid , eu ... -- Tem o rapaz errado , professor . Eu sei qu'o Harry nunca ... - Hagrid - disse Dumbledore , elevando a voz . - Eu não penso que o Harry tenha atacado aquelas pessoas . - Oh ! - disse Hagrid , com o galo pendendo inerte a o seu lado . - Certo , ' tão eu espero lá fora , director . E saiu com ar envergonhado . - O senhor não acha que tenha sido eu ? - repetiu Harry cheio de esperança , enquanto Dumbledore sacudia penas de galo de cima de a secretária . - Não , Harry , não acho - afirmou Dumbledore , apesar de a sua expressão ser de_novo sombria . - Mas mesmo_assim quero falar contigo . Harry esperou ansiosamente enquanto o director o observava com as pontas de os dedos longos unidas . - Tenho de saber uma coisa . Harry , há alguma pergunta que queiras fazer me , qualquer que ela seja ? Harry não soube o que dizer . Lembrou se de Malfoy a gritar * _ Vocês serão os próximos , sangues de lama * e de a poção * _ Polisuco * em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Depois pensou em a voz sem corpo que ouvira duas vezes e em o que o Ron dissera * _ Ouvir vozes que ninguém mais ouve não é bom sinal , nem mesmo em o mundo de a feitiçaria * . Pensou também em o que toda_a_gente dizia de ele e em o receio cada_vez maior de ter uma relação qualquer com Salazar_Slytherin ... - Não - disse por fim . - Não há nada , professor . O ataque duplo a Justin e a o Nick quase sem cabeça transformou o que até_então era nervosismo em verdadeiro pânico . Curiosamente fora o destino de o Nick quase sem cabeça o que mais preocupara as pessoas . Quem poderia ter feito aquilo a um fantasma ? - perguntavam uns a os outros . - Que poder terrível era aquele , capaz de afectar alguém que já tinha morrido ? Houve uma precipitação enorme em a marcação de os bilhetes em o Expresso_de_Hogwarts , pois todos os alunos quiseram ir passar o Natal a casa . - Por este caminho , vamos ser os únicos a ficar - disse o Ron a o Harry e a a Hermione . - Nós , o Malfoy , o Goyle e o Crabbe , que férias lindas que vão ser ! Crabbe e Goyle que faziam sempre o que Malfoy fazia , tinham se inscrito para ficar também durante as férias . Mas Harry estava contente por a maior parte se ir embora . Estava farto de ver gente a afastar se em os corredores como_se ele fosse mostrar os dentes ou cuspir veneno . Estava cansado de tantos segredinhos , de os ver apontar e segredar quando passava . O Fred e o George , esses achavam muito divertido . Vinham , de propósito , pôr se a a frente de ele e atravessavam os corredores a gritar : - Abram alas para o herdeiro de Slytherin , vai passar um feiticeiro verdadeiramente cruel . Percy discordava totalmente de este comportamento . - Não é um assunto para se brincar - dizia com frieza . - Sai mas é de o caminho , Percy - dizia o Fred . - O Harry está com pressa . - Sim , ele vai a a Câmara_dos_Segredos tomar uma chávena de chá com o seu servidor dentes de serpente - completava Fred com uma gargalhada . Ginny também não lhes achava graça . - Cala te - gritava ela sempre_que o Fred perguntava em voz alta a o Harry quem estava a pensar atacar a seguir , ou quando George fingia afastá o com um enorme dente de alho . Harry não se importava . Fazia o sentir se melhor o facto de constatar que , pelo_menos para o Fred e para o George , a ideia de ele ser o herdeiro de Slytherin era absolutamente ridícula . Mas as palhaçadas de eles pareciam ofender Draco_Malfoy que , de cada_vez que os via , ficava mais irritado . - É porque está ansioso por dizer que é mesmo ele - disse o Ron com ar conhecedor . - Sabes como ele detesta que alguém o ultrapasse e tu estás a receber todo o crédito por o seu trabalho sujo . - Não vai ser por muito_tempo - disse Hermione com uma voz satisfeita . - A poção * polisuco * está quase pronta . Um de estes dias arrancamos lhe a verdade . Finalmente , o período chegou a o seu termo e um silêncio profundo como a neve em os campos desceu sobre o castelo . Harry adorou a tranquilidade e apreciou o facto de ele , Hermione e os Weasley terem a torre de os Gryffindor por sua conta , poderem jogar a as explosões bem alto , sem incomodar ninguém e praticar duelos entre si . O Fred , o George e a Ginny tinham preferido ficar em a escola a ir com Mr. e Mrs._Weasley a o Egipto visitar o Bill . Percy que reprovava e considerava infantil a conduta de eles , não passava muito_tempo em a sala comum de os Gryffindor . Já lhes dissera pomposamente que só ficara ali em o Natal , por ser sua obrigação como prefeito apoiar os professores em aquela época agitada . A manhã de o dia de Natal clareou branca e fria . Harry e Ron , os únicos que estavam em o dormitório , foram acordados muito cedo por Hermione que entrou , toda vestida , transportando presentes para ambos . - Acordem - disse em voz alta , abrindo os cortinados . - Hermione , tu não devias estar aqui - exclamou o Ron , protegendo os olhos de a luz . - Feliz_Natal para ti também - disse Hermione , atirando lhe o presente que tinha para ele . - Estou acordada há quase uma hora , acrescentando mais asas de renda a a poção . Está pronta . Harry sentou se , subitamente acordado . - Tens a certeza ? - Absoluta - disse ela , afastando o rato Scrabbers para se sentar a os pés de a cama de dossel . - Se vamos mesmo tomá a , acho que devia ser logo a a noite . Em esse momentzo , a Hedwig entrou em o quarto , transportando em o bico um embrulho pequenino . - Olá - disse Harry , feliz a o vê a aterrar em a sua cama . - Já me falas outra_vez ? Ela mordiscou lhe a orelha de uma forma afectuosa que foi , de longe , um presente melhor do_que aquele que transportava e que era afinal de os Dursley . Tinham mandado a Harry um palito para os dentes com um cartão pedindo lhe que se informasse se não poderia ficar , também em o Verão , em Hogwarts . Os outros presentes que Harry recebeu foram bastante melhores . Hagrid mandara lhe uma lata grande de bombons de melaço que ele decidiu amolecer a o lume antes de comer , o Ron deu lhe um livro chamado * _ Voando com Canhões * , que narrava factos interessantes sobre a sua equipa favorita de Quidditch e Hermione trouxera lhe uma luxuosa pena de águia . Harry abriu o último presente onde vinha uma camisola novinha , feita a a mão por Mrs._Weasley e um grande bolo de passas . Pegou em o cartão com uma nova sensação de culpa , pensando em o carro de Mr._Weasley que não voltara a ser visto desde_que chocara contra o salgueiro zurzidor e em a quantidade de infracções que ele e o Ron tinham em mente . Ninguém , nem mesmo os que estavam cheios de medo por terem de tomar a poção * polisuco * a seguir , deixou de adorar o jantar de Natal em Hogwarts . O salão nobre estava magnífico . Não_só havia uma_dúzia de árvores de Natal , cobertas de geada e espessas serpentinas de azevinho e visco bravo cruzando se junto de o tecto como caia uma neve encantada quente e seca . Dumbledore conduziu os em uma de as suas canções de Natal preferidas enquanto Hagrid se agitava , falando cada_vez_mais alto , a cada gole de gemada que tomava . O Percy que não dera por_que Fred enfeitiçara o seu distintivo de prefeito , onde agora podia ler se « cabeça de alfinetes « , continuava a perguntar a todos para_onde estavam a olhar . Harry nem_sequer se importou com os comentários que Draco_Malfoy fazia bem alto , de a mesa de os Slytherin acerca de a sua camisola nova . Com alguma sorte , Malfoy iria ser desmascarado dentro_de algumas horas . Harry e Ron mal tinham acabado a terceira dose de pudim de Natal quando Hermione os fez sair de o salão a a pressa para acabarem de tratar de os planos para essa noite . - Ainda precisamos de um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos - disse com o ar mais natural de este mundo como_se estivesse a mandá os a o supermercado comprar detergente . - E , é claro que o ideal será conseguirmos alguma coisa de o Crabbe e de o Goyle , são os melhores amigos de o Malfoy , ele conta lhes tudo . E precisamos também de ter a certeza de que eles não vão entrar em a sala quando vocês estiverem a interrogar o Malfoy . - Eu tenho tudo pensado - prosseguiu ela , ignorando a expressão estupefacta de Harry e Ron . Pegou em dois apetitosos bolos de chocolate . - Pus lhes um encantamento de sono . Vocês só têm de fazer com que o Crabbe e o Goyle os encontrem . Sabem como eles são gulosos , vão logo comê os . Quando estiverem a dormir , tirem lhes alguns cabelos e escondam nos em uma despensa de vassouras . Harry e Ron olharam , incrédulos , um para o outro . -- Hermione , eu não creio que ... -- Isto pode correr muito mal ... Mas Hermione tinha um brilho inflexível em os olhos que não era muito diferente do_que costumavam ver em o olhar de a professora Mc_Gonagall . - A poção não nos serve de nada sem os cabelos de o Crabbe e de o Goyle - disse com firmeza . - Vocês querem mesmo descobrir coisas sobre o Malfoy , não querem ? - Pronto , está bem - disse Harry . - Mas , e tu , vais arranjar cabelos de quem ? - Eu já tenho esse assunto resolvido - disse Hermione sorridente , tirando um frasquinho de o bolso e mostrando lhes um cabelo que lá estava dentro . - Lembram se de a Millicent_Bulstrode que lutou comigo em o clube de os duelos ? Ela deixou isto em o meu manto quando tentava estrangular me . E foi passar o Natal a casa , portanto , basta me dizer a os Slytherins que decidi voltar . Quando Hermione saiu para verificar de_novo a poção polisuco , Ron voltou se para Harry com uma expressão lúgubre . - Alguma vez viste um plano onde tantas coisas pudessem correr mal ? Mas para grande espanto de ambos , a primeira fase de a operação decorreu tão naturalmente como Hermione previra . Eles esconderam se em o * hall * de entrada , depois de o lanche de Natal , a a espera de o Crabbe e de o Goyle que tinham ficado sozinhos a a mesa de os Slytherin , deitando abaixo a quarta dose de bolo inglês . Harry colocou os bolos de chocolate em o fim de o corrimão . Quando avistaram Crabbe e Goyle a sair de o salão , Harry e Ron esconderam se rapidamente atrás_de uma armadura que estava junto de a porta de entrada . - Como_se pode ser tão estúpido ? - murmurou Ron sem se mexer enquanto Crabbe apontava satisfeitíssimo , mostrando a Goyle os bolos e agarrando os . Com um riso estúpido , enfiaram nos inteiros em as bocas enormes . Durante um momento , ambos mastigaram avidamente com olhares vitoriosos em o rosto . Depois , sem que a expressão se alterasse , caíram para trás e estatelaram se em o chão . Mais difícil foi transportá os para a despensa de o outro lado de o * hall * . Uma_vez armazenados em o meio de os baldes e esfregões , Harry arrancou alguns de os pêlos que cobriam a cabeça de o Goyle e Ron tirou alguns cabelos a o Crabbe . Roubaram lhes também os sapatos porque os de eles eram demasiado pequenos para os enormes pés de o Crabbe e de o Goyle . Em seguida , ainda atordoados com o que tinham acabado de fazer , correram até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mal conseguiam ver com o fumo preto e espesso que saía de o cubículo onde Hermione mexia o caldeirão . Tapando o rosto com os mantos , Harry e Ron bateram a o de leve em a porta . - Hermione ? Ouviram o ruído de o trinco e Hermione apareceu com a cara lustrosa e um ar ansioso . Por trás de ela ouviam o gloop gloop de a poção espessa e gorgolejante . Em o banco de a casa_de_banho estavam três copos de vidro . - Conseguiram ? - perguntou Hermione quase sem fôlego . Harry mostrou lhe o cabelo de o Goyle . - _ óptimo . Eu tirei estes mantos suplementares de a lavandaria - disse ela , pegando em uma pequena saca . - Vocês vão precisar de tamanhos maiores se vão ser o Crabbe e o Goyle . Olharam os três para o caldeirão . Vista de perto , a poção parecia uma lama espessa e escura a borbulhar indolentemente . - Tenho a certeza que fiz tudo certo - disse Hermione nervosa , relendo a página manchada de * _ Moste_Potente_Potions * . - Tem o aspecto que o livro diz que deveria ter ... depois de a tomar temos precisamente uma hora antes de nos transformarmos de_novo em as pessoas que somos . - E agora ? - murmurou o Ron . - Separamos a em três copos e adicionamos os cabelos . Hermione encheu cada_um de os copos com uma concha de sopa . Em seguida , retirou com a mão a tremer o cabelo de Millicent_Bulstrode de dentro de o frasquinho e pô o em o primeiro copo . A poção chiou fortemente como uma chaleira a ferver e espumou como louca . Um segundo depois ganhara um tom de amarelo doentio . - Urgh ! Essência_de_Millicent_Bulstrode - disse Ron , olhando com repugnância . - Aposto que o sabor é nojento . - Deitem os vossos - disse Hermione . Harry deixou cair o cabelo de o Goyle em o copo de o meio e Ron lançou o de o Crabbe em o último . Ambos chiaram e espumaram : o de o Goyle ficou de um tom caqui , o de o Crabbe de um castanho-escuro algo tenebroso . - Esperem - pediu Harry quando Ron e Hermione pegaram em os copos . - Será melhor não os tomarmos aqui todos juntos em um cubículo ; quando em os transformarmos não vamos cá caber e Millicent_Bulstrode não é nenhum duende . - Bem pensado - admitiu o Ron , abrindo a porta . - Cada_um em seu cubículo . Com todo o cuidado , para não entornar nem uma gota de a poção polisuco , Harry esgueirou se para o cubículo de o meio . - Prontos ? - perguntou . - Prontos - responderam as vozes de o Ron e de a Hermione . - Um , dois , três . Tapando o nariz , Harry bebeu a poção em dois grandes tragos . Tinha o sabor de a couve demasiado cozida . Os seus interiores começaram imediatamente a contorcer se como_se tivesse engolido serpentes vivas . Dobrado , Harry perguntava a si próprio se iria vomitar . Depois , uma sensação de ardor espalhou se rapidamente de o estômago até a as pontas de os dedos de as mãos e de os pés . Em seguida , fazendo o sobressaltar se , sobreveio o sentimento horrível de estar a derreter enquanto a pele de todo o seu corpo borbulhava como cera quente e , perante os seus olhos , as mãos começaram a crescer , os dedos a engrossar , as unhas a alargar e as articulações a tornarem se protuberantes como ferrolhos . Os ombros retesaram se dolorosamente e uma comichão em a testa preveniu o de que o cabelo estava a rastejar em direcção a as sobrancelhas . As túnicas rasgaram se enquanto o tórax se expandia como um barril , rebentando com os seus anéis . Os pés estavam em grande sofrimento dentro_de sapatos quatro números abaixo . Tão depressa como começara , tudo parou . Harry estava caído em o chão de pedra fria , ouvindo a Murta_Queixosa gorgolejando taciturna em o cubículo de o fundo . Com alguma dificuldade tirou os sapatos e levantou se . Era então assim que o Goyle se sentia ! Com a mão enorme a tremer , despiu a sua túnica que lhe ficava 30 centímetros acima de os tornozelos , pegou em as túnicas suplementares e amarrou os atacadores de os sapatos abotinados de o Goyle . Quis escovar o cabelo para o afastar um_pouco de os olhos e deu apenas com os pêlos hirsutos que lhe cresciam em a testa . Apercebeu se então de que os óculos lhe toldavam a visão porque o Goyle , obviamente , não precisava de eles . Tirou os e gritou . - Vocês estão bem ? - De a sua boca saiu a voz baixa e grossa de o Goyle . - Sim - respondeu lhe o grunhido de o Crabbe , a a sua direita . Harry abriu a porta de o cubículo e dirigiu se a o espelho partido . O Goyle olhava o de o outro lado com os seus olhos parados . Harry coçou a orelha e Goyle fez o mesmo . A porta de o Ron abriu se . Olharam um para o outro . Harry estava pálido e chocado . O amigo não se distinguia de o Crabbe , desde o corte de cabelo em forma de tigela até a os longos braços de gorila . - É inacreditável - disse o Ron , aproximando se de o espelho e beliscando o nariz achatado de o Crabbe . - Inacreditável ! - É melhor irmos indo - disse Harry , alargando a pulseira de o relógio que lhe cortava o pulso . - Ainda temos de descobrir onde fica a sala comum de Slytherin . Só espero que encontremos alguém que vá para lá e que nós possamos seguir . Ron que tinha estado a olhar espantado para ele , comentou : - Não imaginas como é bizarro ver o Goyle a pensar - bateu em a porta de Hermione . - Vamos , temos que ir ... Respondeu lhe uma voz aguda : - Eu ... eu acho que afinal não vou . Vão vocês sem mim . - Hermione , nós sabemos que a Millicent_Bulstrode é feia , ninguém vai pensar que és tu . - Não , a sério , acho que não vou . Despachem se vocês os dois , estão a perder tempo . Harry olhou para Ron , baralhado . - Aquilo parece mais de o Goyle , é como ele fica sempre_que algum professor lhe faz uma pergunta . - Estás bem , Hermione ? - perguntou Harry , através de a porta . - _ óptima , estou óptima , vão se embora . Harry olhou para o relógio . Cinco preciosos minutos tinham já passado . - Encontramo nos aqui , está bem ? - disse . Os dois abriram a porta de a casa_de_banho com todo o cuidado , viram se o caminho estava livre e saíram . - Não balances assim os braços - disse o Harry a o Ron . - Hein ? - O Crabbe anda sempre com eles esticados . - Assim ? - Isso , assim está melhor . Desceram a escadaria de mármore . Só precisavam agora de um Slytherin que pudessem seguir até a a sala comum , mas não havia ninguém por perto . - Tens alguma ideia ? - perguntou Harry em um murmúrio . - Os Slytherin vêm sempre de ali para o pequeno-almoço - disse o Ron , apontando para a entrada de os calabouços . Mal tinha pronunciado estas palavras quando uma rapariga de cabelo comprido a os caracóis , apareceu . - Desculpa - disse o Ron , sem perder tempo . - Esquecemo nos de o caminho para a nossa sala comum . - Como ? - disse a rapariga com a maior frieza . - A * nossa * sala comum ? Eu sou uma Ravenclaw . Afastou se , olhando para eles , desconfiada . Harry e Ron desceram apressadamente os degraus de pedra até a a escuridão . Os passos ecoavam em o silêncio , à_medida_que os pés enormes de Crabbe e Goyle tocavam em o chão , fazendo os sentir que as coisas não iam ser tão fáceis como eles desejavam . Os corredores labirínticos estavam desertos . Andaram e tornaram a andar por os subterrâneos , olhando constantemente para os relógios para ver quanto tempo ainda lhes restava . Depois de um quarto de hora , quando começavam a ficar desesperados , ouviram um movimento súbito . - Olha - disse o Ron , agitadamente . - Agora é um de eles . A silhueta saía de uma sala , mas quando se aproximaram o coração de ambos esmoreceu . Não era um Slytherin , era Percy . - O que estás a fazer aqui em baixo ? - perguntou o Ron surpreendido . - Isso - disse ele friamente - não é de a tua conta . És o Crabbe , não és ? - Er ... sim , sim - respondeu o Ron . - Então vão para o vosso dormitório - ordenou Percy com firmeza . - Não é seguro andar a passear por os corredores escuros em os dias que correm . - Tu andas -- fez notar o Ron . - Eu - disse o Percy endireitando se - sou um prefeito . Nada vai atacar me . Ouviu se , de repente , uma voz por_detrás_de Harry e Ron . Era_Draco_Malfoy e , pela_primeira_vez em a vida , Harry ficou satisfeito a o vê o . - Aí estão vocês - disse de modo arrastado , olhando para eles . - Têm estado a chafurdar em o salão este tempo todo ? Tenho andado a a vossa procura , quero mostrar vos uma coisa muito divertida . Malfoy olhou misteriosamente para Percy . - E o que fazes tu aqui , Weasley ? - perguntou com ar de desprezo . Percy olhou , sentindo se ultrajado . - Fazes favor de mostrar um_pouco mais de respeito por um prefeito de a escola - disse . - Não gosto de o teu ar . Malfoy riu se e fez sinal a o Harry e a o Ron para que o seguissem . Harry quase ia pedindo desculpa a o Percy , mas deu se conta a tempo . Apressaram se a seguir o Malfoy que disse , mal viraram em o corredor seguinte : - Aquele Peter_Weasley ... - O Percy - corrigiu Ron automaticamente . - Ou isso - continuou Malfoy . - Ultimamente tenho o visto muitas_vezes a andar por aí sorrateiramente e aposto que sei o que ele quer . Pensa que vai apanhar o herdeiro de Slytherin sozinho . Deu uma pequena gargalhada ridícula . Harry e Ron trocaram olhares nervosos . Malfoy parou junto de uma parede de pedra húmida . - Qual é a senha ? - perguntou a o Harry . - Er ... - Ah ! sim , sangue puro - disse Malfoy sem ouvir e uma porta de pedra , oculta em a parede , abriu se . Malfoy entrou e Harry e Ron seguiram o . A sala comum de os Slytherin era uma ampla divisão subterrânea com espessas paredes de pedra e um tecto de o qual estavam pendurados por correntes vários candeeiros redondos que davam uma luz esverdeada . O fogo crepitava em uma lareira elaboradamente esculpida em frente de a qual se viam as silhuetas de vários Slytherins sentados em cadeiras igualmente esculpidas . - Esperem aí - disse Malfoy a o Harry e a o Ron , encaminhando os para um par de cadeiras vazias , longe de o lume . - Eu vou buscar o que o meu pai acaba de me mandar . Sem saber o que Malfoy iria mostrar lhes , Harry e Ron sentaram se , fazendo todos os possíveis por parecer a a vontade . Malfoy voltou um minuto depois , trazendo em a mão o que parecia ser um recorte de jornal . Pô o debaixo de o nariz de o Ron . - Vais te rir - disse . Harry viu os olhos de o Ron abrirem se como_se estivesse em estado de choque . Viu o ler o recorte rapidamente , dar uma gargalhada forçada e estender lhe o em seguida . Tinha sido retirado de o * _ Profeta_Diário * e dizia : inquérito em o ministério de a magia * _ Arthur_Weasley , chefe de o Gabinete_de_Mau_Uso_dos_Utensílios_dos_Muggles foi hoje multado em cinquenta galeões por ter enfeitiçado um carro de os Muggles . * _ O senhor Lucius_Malfoy , Membro_do_Conselho_Directivo_da_Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts , onde o carro enfeitiçado foi chocar em o princípio de este ano , exigiu hoje a demissão de Mr._Weasley . « * _ O_Weasley trouxe o descrédito a o Ministério « - declarou Mr._Malfoy a o nosso repórter . - « É claramente incompetente para fazer cumprir as leis e a sua protecção ridícula de os Muggles deveria ir imediatamente para a sucata . » * _ Mr._Weasley recusou se a fazer comentários , mas a sua mulher disse a os repórteres que desaparecessem de ali ou lançaria contra eles o vampiro de a família * . - Então - disse Malfoy impaciente quando Harry voltou a entregar lhe o recorte . - Não achas o_máximo ? - Ha , ha - fez Harry tristemente . - O Arthur_Weasley gosta tanto de os Muggles que era capaz de partir a sua varinha a o meio para se juntar a eles - disse Malfoy com desprezo . - Ninguém diria que os Weasley eram sangue puro a avaliar por o modo como_se comportam . A cara de o Ron , ou melhor , de o Crabbe , contorceu se de raiva . - O que é_que se passa ? - perguntou Malfoy . - Dores de estômago - gemeu o Ron . - Então vai a a ala hospitalar e dá a todos aqueles sangues de lama um pontapé de a minha parte - disse Malfoy com o seu riso escarninho . - Sabes que estou espantado por o * _ Profeta_Diário * ainda não se ter referido a todos estes ataques - continuou pensativamente . - Calculo que o Dumbledore deve estar a tentar abafar as coisas . Ele ainda é posto em a rua se isto não acaba depressa . O pai sempre disse que Dumbledore foi a pior coisa que aqui veio parar . Ele adora os filhos de os Muggles , um director decente nunca deixaria um lodo como o Creevey entrar em esta escola . Malfoy começou a fingir que tirava fotografias com uma máquina imaginária e fez uma imitação maldosa , mas bastante fiel de o Colin : - Potter , posso tirar te a fotografia ? Dás me um autógrafo ? Posso lamber te os sapatos , por favor , Potter ? Baixou as mãos e olhou para Harry e Ron . - O que é_que se passa com vocês os dois ? Um_pouco atrasados , Harry e Ron forçaram o riso e Malfoy pareceu satisfeito . Talvez Crabbe e Goyle fossem sempre de reacção lenta . - O santo Potter , amigo de os sangues de lama - disse Malfoy . - É outro que não tem os sentimentos de um feiticeiro a sério ou não andaria por aí com aquela empertigada sangue de lama Granger . E as pessoas a pensarem que ele é o herdeiro de Slytherin . Harry e Ron esperaram com a respiração entrecortada : o Malfoy ia certamente dizer lhes , dentro_de segundos , que era ele , mas então ... - Quem me dera saber quem ele é - disse o Malfoy , de forma petulante . - Podia ajudá o . O queixo de o Ron caiu de tal maneira que a cara de o Crabbe ficou ainda mais desajeitada do_que era habitual . Felizmente Malfoy não deu por nada e Harry , em um pensamento rápido , disse : - Deves ter alguma ideia de quem está por_detrás_de tudo ... - Sabes perfeitamente que não tenho , Goyle , quantas vezes é preciso dizer te ? - cortou Malfoy . - E o pai também não me diz nada sobre a última vez que a câmara foi aberta . É claro que foi há cinquenta anos , antes de ele cá andar , mas o pai sabe tudo a esse respeito e diz que as coisas foram mantidas em grande segredo e que pareceria suspeito se eu soubesse demasiado . Mas há uma coisa que eu sei : de a última vez que a câmara foi aberta , morreu um sangue de lama . Por isso , aposto que é uma questão de tempo até que um de eles seja morto . Só espero que seja a Granger - disse satisfeito . Ron fechara os punhos gigantescos de o Crabbe . Sentindo que deitaria tudo a perder se ele desse um soco a o Malfoy , Harry lançou lhe um olhar de aviso e disse : - Sabes se a pessoa que abriu a câmara de a última vez foi apanhada ? - Ah ! sim , essa pessoa foi expulsa - disse Malfoy . - Ainda deve estar em Azkaban . - Azkaban ? - repetiu Harry confuso . - Azkaban , a prisão de os feiticeiros , Goyle - disse Malfoy , olhando para ele incrédulo . - Francamente , se fosses mais lento andavas para trás . Esticou se intranquilo , em a cadeira e disse : - O pai diz para eu esfriar a cabeça e deixar que o herdeiro de Slytherin faça o seu trabalho . Acha que a escola precisa de se livrar de a escória de os sangues de lama , mas não quer que eu me envolva em nada . Claro que ele agora tem um prato cheio . Sabes que o Ministério de a magia fez uma busca a a nossa mansão em a semana passada ? Harry tentou forçar a cara de bronco de o Goyle a uma expressão preocupada . - Sim - continuou Malfoy . - É claro que não encontraram grande coisa . O pai guarda uns materiais de magia negra muito valiosos , mas , felizmente , temos a nossa câmara secreta debaixo de o soalho de a sala de visitas ... - Ah ! - disse o Ron . Malfoy olhou para ele . Harry também . Ron corou e até o cabelo começou a ficar vermelho . O nariz estava também a diminuir lentamente ... a hora tinha acabado . Ron estava a voltar a a sua forma habitual e por o olhar de horror que lançou a Harry certamente ele também estava . Puseram se rapidamente de pé . - Tenho de tomar o remédio para o estômago - grunhiu o Ron e sem mais explicações saíram ambos a correr de a sala comum de os Slytherin , precipitaram se para a parede de pedra e galgaram a passagem , pedindo a todos os santos que Malfoy não tivesse dado por nada . Harry sentia os pés a nadarem em os sapatos enormes de o Goyle e tinha de levantar o manto visto_que diminuíra de tamanho . Subiram os degraus a correr até a o * hall * escuro de entrada onde se ouvia um som abafado que vinha de a despensa onde tinham fechado o Crabbe e o Goyle . Deixando os sapatorros de os dois de o lado de_fora , subiram já com os respectivos sapatos a escadaria de mármore até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Bem , não foi uma total perda de tempo - disse o Ron ofegante , fechando atrás_de si a porta de a casa_de_banho . - É certo que ainda não descobrimos de quem vêm os ataques , mas vou escrever a o meu pai amanhã a dizer lhe que procure debaixo de o soalho de a sala de visitas de o Malfoy . Harry olhou para o espelho partido . Tinha voltado a o normal . Pôs os óculos enquanto Ron batia em a porta de o cubículo de Hermione . - Hermione , sai de aí , temos um monte de coisas para te contar ... - Vão se embora - guinchou Hermione . Harry e Ron olharam um para o outro . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron . - Tu já deves ter voltado a o normal como nós ... Mas a Murta_Queixosa saiu subitamente através de a porta de o cubículo com um ar divertido como nunca a tinham visto . - Oh ! Esperem até ver - disse ela . - É horrível ! Ouviram o trinco de a porta a abrir se e Hermione apareceu a soluçar , a túnica levantada a cobrir lhe o rosto . - O que foi ? - perguntou o Ron indistintamente . - Ainda tens o nariz de a Millicent ou alguma coisa assim ? Hermione deixou cair a roupa e Ron recuou rapidamente . O rosto de ela estava coberto de pêlo preto , os olhos tinham ganho uma cor amarela e as orelhas eram pontiagudas , saindo espetadas para fora de os cabelos . - Era um pêlo de g-gato - disse a chorar . - A Millicent_Bulstrode d-deve ter um gato e a poção não está preparada para transformação em animais . - Oh-oh - disse o Ron . - Vão te gozar horrivelmente - disse a Murta , felicíssima . - Não te preocupes , Hermione - tranquilizou a rapidamente o Harry . - Vamos levar te para a ala hospitalar , a Madam_Pomfrey nunca faz muitas perguntas ... Não foi fácil convencer Hermione a sair de a casa_de_banho . A Murta_Queixosa despediu se com uma gargalhadavigorosa e grosseira . - Espera até todos descobrirem que tens uma cauda ! XIII_O diário muito secreto Hermione ficou em a ala hospitalar durante várias semanas . Houve uma onda de boatos sobre o seu desaparecimento quando o resto de os alunos voltou de as férias de Natal porque , é claro , todos pensam que ela tinha sido atacada . Foram tantos os estudantes a rondar a ala hospitalar para espreitar a ver se a viam que Madam_Pomfrey desceu de_novo as cortinas de a cama de ela para a poupar a a vergonha de ser vista com pêlo em a cara . Harry e Ron iam visitá a todas_as tardes . Quando o segundo período começou passaram a levar lhe diariamente os trabalhos de casa . - Se eu tivesse o bigode a crescer , tinha uma folga de o trabalho - disse uma tarde o Ron enquanto colocava uma pilha de livros a a cabeceira de a cama de Hermione . - Não sejas parvo , Ron , eu tenho de me manter a par de as coisas - disse Hermione com vivacidade . O humor de ela melhorara bastante com o facto de lhe ter desaparecido todo o pêlo de o rosto e de os olhos estarem lentamente a retomar a cor castanha . - Calculo que não tenham novas pistas ? - disse em um murmúrio para evitar que Madam_Pomfrey os ouvisse . - Nada - disse Harry tristemente . - Eu tinha tanta certeza de que era o Malfoy - repetiu o Ron por a centésima vez . - O que é isso ? - perguntou Harry , apontando para uma coisa com brilho dourado que estava debaixo de a almofada de Hermione . - É só um cartão a desejar boas melhoras - disse ela precipitadamente , tentando escondê o , mas o Ron foi mais rápido . Pegou lhe , abriu o e leu em voz alta : * _ Para_Miss_Granger , desejando lhe uma rápida recuperação , com o interesse e estima de o professor Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , Terceiro grau , Membro_Honorário_da_Liga_de_Defesa contra as Artes_Negras e vencedor por cinco vezes de o prémio O sorriso mais charmoso de a semana de o Semanário_das_Bruxas * . Ron olhou desconsolado para Hermione . - Tu dormes com isto debaixo de a almofada ? Mas Hermione foi poupada a ter de responder por a entrada de Madam_Pomfrey que lhe trazia a dose de medicamento de a tarde . - Achas que o Lockhart é o tipo mais esperto que conheceste ? - perguntou o Ron a o Harry quando saíram de a enfermaria e começavam a subir as escadas para a torre de os Gryffindor . O Snape tinha lhes passado tanto trabalho para_casa que Harry pensou que ia chegar a o sexto ano antes de o ter acabado . Ron vinha a dizer que devia ter perguntado a a Hermione quantas caudas de rato deveria juntar se a uma poção para o crescimento de o cabelo quando um grito de raiva vindo de o andar de cima lhes chegou a os ouvidos . - É o Filch - murmurou Harry enquanto subiam apressadamente as escadas e paravam para ouvir melhor . - Terá mais alguém sido atacado ? - disse nervosamente o Ron . Ficaram parados com as cabeças inclinadas para a voz de o Filch que parecia quase histérica . -- ... * _ Ainda mais trabalho para mim . Toda_a noite a esfregar como_se não tivesse já trabalho de sobra . Não , isto foi a gota de água que fez transbordar o copo , vou falar com Dumbledore * ... Os passos afastaram se e ouviram uma porta fechar se com grande estrondo . Puseram as cabeças fora de a esquina . O Filch tinha obviamente estado a patrulhar o seu habitual posto de vigia : estavam novamente em o lugar onde Mrs._Norris fora atacada . Perceberam imediatamente qual o motivo de os gritos . Uma enorme poça de água enchia metade de o corredor e parecia escorrer de a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Agora_que o Filch se calara podiam ouvir os uivos de a Murta que faziam eco em as paredes de a casa_de_banho . - Mas o que se passará com ela ? - disse o Ron . - Vamos lá ver - sugeriu Harry e arregaçando as túnicas até a os tornozelos entraram , atravessando a enorme poça de água , em a casa_de_banho que tinha o letreiro a dizer « Fora de serviço » e que eles , como sempre , ignoraram . A Murta_Queixosa chorava , se possível , mais alto do_que nunca . Parecia estar escondida em o cubículo de o costume . Lá dentro estava escuro pois as velas tinham se apagado com a enchente de água que deixara as paredes e o chão ensopado . - O que se passa , Murta ? - quis saber o Harry . - Quem é ? - perguntou ela infelicíssima . - Vieste atirar me mais alguma coisa acima ? Harry caminhou com dificuldade por causa de a água até a o cubículo de ela e disse : - Porque te faríamos nós uma coisa de essas ? - Não me perguntem - gritou a Murta , emergindo em uma onda de água que molhou ainda mais o chão já ensopado . - Eu estou aqui metida em a minha morte e alguém acha muito engraçado atirar me com um caderno acima ... - Mas , não pode magoar te se alguém te atirar alguma coisa acima - disse Harry , tentando ser prático . - Isto_é , seja o que for passa através_de ti , não é assim ? Tinha dito a frase errada . A Murta encheu o peito de ar e gritou a plenos pulmões : - Vamos todos atirar cadernos a a Murta já_que ela não sente nada ! Dez pontos se lhe acertarem em o estômago , cinquenta se lhe atravessar a cabeça ! Hah hah hah , que jogo lindo , não acham ? - Quem te atirou um caderno , afinal ? - perguntou o Harry . - Não sei ... eu estava sentada em a sanita a pensar em a morte e caiu me em cima de a cabeça - disse a Murta , olhando para eles . - Está ali , ficou todo molhado . Harry e Ron olharam para o ponto que a Murta lhes apontava debaixo de o lavatório . Um caderno pequenino e fino estava caído em o chão . Tinha uma capa preta muito gasta e estava encharcado como tudo em aquela casa_de_banho . Harry deu um passo em frente para o apanhar , mas o Ron agarrou lhe precipitadamente o braço . - O que foi ? - perguntou Harry . - Estás doido - disse ele . - Pode ser perigoso . - Perigoso ? - riu se Harry . - Essa agora Ron , como é_que pode ser perigoso ? - Ficarias surpreendido ... - explicou ele , olhando com ar apreensivo para o caderno . - Entre os livros que o Ministério confiscou , contou me o meu pai , havia um que queimava os olhos a as pessoas . E todos os que leram os * _ Sonetos_de_Um_Feiticeiro * ficaram a falar em verso para o resto de a vida . Havia também uma bruxa em Bath que tinha um livro que quem o lesse nunca mais conseguia parar , tinha de andar por aí com o nariz enfiado em as folhas , a fazer todas_as coisas só com uma mão e ... - Já chega , já chega , já percebi a tua ideia - disse O_Harry . O caderninho continuava caído e ensopado . - Bem , nunca saberemos a_não_ser_que tenhamos a coragem de dar uma vista de olhos - disse e mergulhou apanhando o de o chão . Harry viu imediatamente que se tratava de um diário e a data meio apagada , em a capa , disse lhe que tinha cinquenta anos de idade . Abriu o ansiosamente . Em a primeira página podia ler se apenas o nome T._M._Riddle em tinta esborratada . - Espera aí - disse o Ron que se aproximara prudentemente e olhava por cima de o ombro de Harry . - Eu conheço esse nome ... T._M._Riddle recebeu um prémio por serviços especiais prestados a a escola há cinquenta anos atrás . - Como diabo sabes tu isso ? - perguntou Harry com grande espanto . - Porque o Filch mandou me limpar a taça de ele umas cinquenta vezes quando estive de castigo - disse o Ron ressentido . - Foi a taça em cima de a qual eu vomitei lesmas . Se tivesses tido que limpar o muco de um nome durante uma hora também te lembrarias . Harry separou umas de as outras as páginas molhadas . Estavam completamente em branco . Não havia o mais leve sinal de escrita em nenhuma , nem coisas como « Aniversário de a tia Mabel « ou « Dentista a as três_e_meia » . - Ele nunca escreveu nada aqui - disse Harry desapontado . - Porque quereria alguém atirá o fora ? - perguntou se o Ron com curiosidade . Harry voltou o caderno e viu , inscrito em a contra capa , o nome de uma tabacaria em Vauxhall_Road , Londres . - Ele devia ser filho de Muggle - disse Harry pensativo - para ter comprado um diário em Vauxhall_Road ... - Bem , não te serve de muito - Ron baixou a voz . - Cinquenta pontos se acertares em o nariz de a Murta . Harry , mesmo_assim , guardou o diário . Hermione saiu de a ala hospitalar desbigodada , sem cauda e sem pêlo em os primeiros dias de Fevereiro . Em a primeira noite em a torre de os Gryffindor , Harry mostrou lhe o diário de T._M._Riddle e contou lhe como o tinham encontrado . - Ooooh ! Deve ter poderes ocultos - disse ela entusiasticamente , pegando em o diário e examinando o de perto . - Se tem , esconde os muito bem - disse Ron . - Talvez fosse tímido . Não sei porque não deitas isso fora , Harry . - Gostava de perceber porque motivo alguém se quis livrar de ele - explicou Harry . - E também não me importava de saber como foi que o Riddle obteve esse prémio de serviços especiais prestados a Hogwarts . - Pode ter sido qualquer coisa - lançou o Ron . - Talvez tenha recebido 30 de nota final ou salvo um professor de a lula gigante . Se_calhar assassinou a Murta , isso teria sido um favor prestado a todos ... Mas Harry quase podia jurar , por o olhar suspenso em a cara de Hermione , que ela pensava o mesmo_que ele . - O que foi ? - perguntou Ron , olhando para um e para o outro . - Bem , a Câmara_dos_Segredos foi aberta há cinquenta anos , não foi isso que disse o Malfoy ? - Sim - respondeu Ron , lentamente . - E este diário tem cinquenta anos de idade - completou Hermione , dando lhe palmadinhas nervosas . - E de aí ? - Oh Ron , acorda - insistiu Hermione . - Sabemos que a pessoa que abriu a câmara de a outra_vez foi expulsa há cinquenta anos . E se o Riddle tivesse tido o prémio especial por apanhar o herdeiro de Slytherin ? O seu diário diria nos provavelmente tudo : onde é a Câmara_dos_Segredos , como abris a e que tipo de criatura vive lá . Achas que a pessoa que está por trás de os ataques desta_vez quereria o diário por aí ? - É uma teoria interessante , Hermione - disse o Ron . - Apenas com uma pequenina falha : o diário não tem nada Mas_Hermione já estava a tirar a varinha de o saco . - Pode ser tinta invisível - murmurou . Bateu três vezes em o diário e repetiu * _ Aparecium ! * Nada aconteceu . Intrépida , Hermione meteu a mão de_novo em o saco e tirou o que parecia ser uma borracha vermelha e brilhante . - É um * revelador * , comprei o em a Diagon - _ Al - disse . Apagou com força em 1_de_Janeiro . Não sucedeu nada . - Já vos disse , não há nada aí - repetiu o Ron . - O Riddle deve ter recebido um diário como prenda de Natal e nem se deu a o trabalho de escrever fosse o que fosse . Harry não conseguia explicar , nem a si próprio , porque motivo não deitara fora o diário de Riddle . A verdade é_que , mesmo depois de saber que ele estava em branco , continuou distraidamente a pegar lhe e a virar as páginas como_se quisesse chegar a o fim de uma história . E , apesar_de saber que nunca tinha ouvido o nome T._M._Riddle , continuava a ter a sensação de que lhe dizia alguma coisa , como_se Riddle fosse um amigo que ele tinha tido quando era muito pequeno e que estivesse meio esquecido . Mas era um absurdo . Nunca tivera amigos antes de Hogwarts , Dudley tivera esse cuidado . Ainda_assim , Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle , por isso em o dia seguinte foi até a a sala de os troféus para examinar a taça , acompanhado de Hermione que estava interessadíssima e de Ron que se mostrava profundamente incrédulo , dizendo que tinha ficado farto de aquela sala até a o fim de a vida . A taça dourada de Riddle estava arrecadada em um armário de canto . Não fornecia detalhes sobre o motivo por_que lhe fora dada ( felizmente , se fosse maior ainda hoje estava a limpá a , disse o Ron ) . Mas encontraram o nome de Riddle em uma antiga medalha de Mérito_Mágico e em uma lista de antigos chefes de turma . - Parece o Percy - comentou Ron , torcendo o nariz com aversão . - Prefeito , chefe de turma , provavelmente o melhor em todas_as disciplinas . - Dizes isso como_se fosse uma coisa má - fez lhe notar Hermione , em um tom de voz ressentido . Um sol fraco brilhava agora de_novo em Hogwarts . Dentro de o castelo , o ambiente estava bastante melhor . Não tinha havido novos ataques desde Justin e Nick quase sem cabeça e Madam_Pomfrey teve a satisfação de informar que as Mandrágoras começavam a ficar instáveis e dissimuladas , sinal de que estavam a abandonar rapidamente a infância . - Logo_que o acne desapareça estarão prontas para novo transplante - ouviu a Harry dizer amavelmente a o Filch . - E depois de isso , não demorará muito até podermos cortá as e estufá as . - Vai ter Mrs._Norris de volta , muito em_breve . Talvez o herdeiro ou herdeira de Slytherin tenha perdido a coragem , pensou Harry . Deve ser cada_vez_mais arriscado abrir a Câmara_dos_Segredos com a escola tão alerta e desconfiada . Talvez o monstro , qualquer_que_fosse , estivesse a preparar se para hibernar durante outros cinquenta anos . Ernie_Mcmillan_dos_Hufilepuff não aceitou esta visão optimista . Continuava convencido de que Harry era o culpado , que se tinha traído em o clube de os duelos . Peeves não ajudava nada : continuava a cantar por os corredores Potter , * seu bandido * ... agora acompanhado de um esquema de dança . Gilderoy_Lockhart parecia pensar que fora ele quem pusera fim a os ataques . Harry fartou se de o ouvir dizer isso a a professora Mc_Gonagall enquanto os Gryffindor formavam bicha para a aula de Transfiguração . - Não creio que volte a haver problemas , Minerva - disse , tocando em o nariz com ar conhecedor e piscando o olho . - Acho que desta_vez a câmara foi definitivamente selada . O culpado deve ter sabido que era uma questão de tempo até eu o apanhar e que era mais sensato parar agora antes que eu lhe tratasse de a saúde . Sabe , a escola está a precisar de um intensificador de animo para apagar as lembranças de o último período . Não vou dizer lhe mais_nada , por enquanto , mas julgo que sei o que ... Voltou a tocar em o nariz e afastou se a passos largos . A ideia de Lockhart de um intensificador de ânimo ficou bastante clara em o dia_14_de_Fevereiro , a o pequeno-almoço . Harry não dormira grande coisa devido a o treino de Quidditch em a noite anterior e chegou a o salão um_pouco atrasado . Pensou , por momentos , que se tinha enganado em a porta . As paredes estavam todas cobertas com enormes e medonhas flores cor-de-rosa . Pior ainda , * confettis * em forma de corações caíam de o tecto azul pálido . Harry dirigiu se a a mesa de os Gryffindor onde o Ron estava sentado com um ar enjoado junto de Hermione que parecia particularmente risonha . - O que se passa ? - perguntou lhes , sentando se e sacudindo os * confettis * de o seu bacon . Ron apontou para a mesa de os professores , com um ar demasiado repugnado para falar . Lockhart , em as suas vestes rosa vivo , a condizer com a decoração de o salão , fazia sinal para que se calassem . Os professores que o ladeavam tinham um ar estupefacto . De o seu lugar , Harry podia ver um músculo mover se em a bochecha de a professora Mc_Gonagall . Snape estava com ar de quem tomou uma imensa dose de xarope * skele-gro * . - Feliz dia de S._Valentim - gritou Lockhart . - E permitam me que agradeça a as quarenta_e_seis pessoas que até agora me enviaram cartões . Sim , fui eu quem tomou a liberdade de vos fazer esta pequena surpresa , e ela não acaba aqui ! Lockhart bateu as palmas e por as portas de o * hall * entraram a marchar cerca de uma_dúzia de duendes de aspecto carrancudo . Não eram uns duendes quaisquer , diga se de passagem . Lockhart fizera os usar asas douradas e transportar harpas . - Os meus amigos cupidos , portadores de os cartões ! gritou Lockhart . - Eles vão andar por a escola durante o dia de hoje , entregando os vossos cartões de S._Valentim . E o divertimento não acaba aqui . Tenho a certeza de que os meus colegas vão querer participar em este espírito de festa . Porque não pedir a o professor Snape que vos mostre como preparar rapidamente uma poção de amor . E , enquanto ele a prepara , está aqui o professor Flitwick que é de todos os feiticeiros que conheci aquele que mais sabe de encantamentos de sedução , o grande safado ! O professor Flitwick enterrou o rosto em as mãos . Snape olhava como_se quisesse dar veneno a a primeira pessoa que fosse pedir lhe a poção de o amor . - Por favor , Hermione , diz me que não foste uma de as quarenta_e_seis - pediu Ron quando saíram de o salão para a primeira aula . Mas Hermione ficou subitamente muito interessada em procurar o horário dentro de a mala e não lhe respondeu . Durante todo o dia os duendes não pararam de se intrometer em as aulas para entregar cartões , para grande aborrecimento de os professores e , ao_fim_da_tarde , quando os Gryffindor subiam as escadas para a aula de encantamentos , um de eles avistou o Harry . - Hei , tu , Harry_Potter ! - gritou um duende de aspecto particularmente lúgubre , dando cotoveladas a_toda_a gente para se aproximar de o Harry . Coradíssimo com a ideia de receber um cartão de S._Valentim diante_de uma fila de alunos de o primeiro ano que , por acaso , incluía Ginny_Weasley , Harry tentou escapar se . Mas o duende cortou lhe o caminho através de a multidão e agarrou o em três tempos . - Tenho uma mensagem musical para entregar a Harry_Potter em pessoa - disse , tangendo a harpa de forma ameaçadora . - Aqui não - disse baixinho o Harry , tentando escapar . - Fica quieto - grunhiu o duende , agarrando o saco de o Harry e puxando com força . - Larga me - disse ele rispidamente , dando um puxão . Com um ruído de tecido a rasgar se , o saco dividiu se em dois . Os livros de Harry , varinha , pergaminho e pena espalharam se por o chão enquanto o tinteiro se partia em cima de as outras coisas . Harry pôs se de gatas , tentando apanhar tudo antes que o duende começasse a cantar , provocando um engarrafamento em o corredor . - O que se passa aqui ? - perguntou a voz fria e afectada de Draco_Malfoy . Harry , nervosíssimo , começou a guardar tudo dentro de o saco rasgado , desesperado para sair de ali antes que Malfoy pudesse ouvir o seu S._Valentim musical . - Que confusão é esta ? - disse outra voz familiar . Percy_Weasley tinha chegado . De cabeça perdida , Harry tentou fugir , mas o duende agarrou o por os joelhos e fê lo cair a o chão . - Certo - disse , sentando se em os tornozelos de Harry . Eis o teu cartão musical : * _ Os olhos de ele são verdes como o sapo de o quintal * _ O seu cabelo é escuro como um temporal * _ É um desatino , oh ! ele é divino ! * _ O herói que venceu o Senhor_do_Mal * . Harry teria dado todo o ouro de Gringotts para se evaporar em aquele momento . Tentando corajosamente rir se com todos os outros , levantou se . Sentia os pés dormentes de o peso de o duende . Enquanto isso , Percy_Weasley fazia todos os possíveis por dispersar a multidão onde havia gente que chorava de hilaridade . - Vamos embora , vamos embora , a campainha tocou há cinco minutos para as aulas - dizia , enxotando alguns de os alunos mais novos . - E tu , Malfoy . Harry olhou e viu Malfoy inclinar se , apanhar qualquer coisa e com um olhar maldoso mostrá a a Crabbe e Goyle . Percebeu que era o diário de Riddle . - Dá cá isso - exigiu com toda_a calma . - O que será que o Potter escreveu aqui ? - disse Malfoy que obviamente não reparara em a data e pensou que tinha em as mãos o diário de o Harry . Houve uma agitação em os presentes . Ginny olhava apavorada para o diário e para Harry . - Dá lhe isso , Malfoy - disse Percy com firmeza . - Depois de dar uma vista de olhos - retorquiu Malfoy , acenando a Harry com o diário de forma provocatória . Percy disse : - Como Prefeito de a escola ... - mas Harry perdera a paciência . Pegou em a varinha e gritou * _ Expelliarmus * e assim_como Snape desarmara Lockhart , MalLoy viu o diário saltar lhe de as mãos e elevar se em o ar enquanto Ron o apanhava sorridente . - Harry - disse Percy levantando a voz . - Não quero magia em os corredores . Vou ter de participar isto , sabes perfeitamente . Mas Harry não se importou . Tinha ganho uma_vez a Malfoy e isso valia bem cinco pontos a menos para os Gryffindor . Malfoy estava furioso e quando a Ginny passou por ele a caminho de a sala de aula , gritou lhe com desprezo : - Não creio que o Potter tenha gostado lá muito de o teu cartão de S._Valentim . Ginny tapou a cara e correu para a aula . Aborrecido , Ron pegou também em a varinha , mas Harry afastou o . Era melhor que ele não passasse a aula de encantamentos a vomitar lesmas . Só quando entraram em a sala de aula de o professor Flitwick é_que Harry reparou em uma coisa bastante estranha em o diário de Riddle . Todos os outros livros estavam cheios de tinta vermelha , mas o diário mantinha se tão limpo como antes de o tinteiro se ter entornado em cima de ele . Tentou chamar a atenção de Ron para este facto , mas ele estava novamente a ter um problema com a varinha : de a extremidade saíam grandes bolhas roxas e ele não parecia interessado em mais_nada . Em essa noite , Harry foi deitar se antes de os outros companheiros de dormitório , em parte porque já não conseguia suportar o Fred e o George a cantarem * _ Os seus olhos são verdes como o sapo de o quintal * e em parte porque queria voltar a examinar o diário de Riddle e sabia que em a opinião de o Ron era uma pura perda de tempo . Sentou se em a cama de dossel e folheou as páginas em branco em as quais não se via uma única mancha de tinta escarlate . Tirou então outro tinteiro de o armário a o lado de a cama , molhou a pena e deixou cair um borrão em a primeira página de o diário . A tinta brilhou em o papel durante um segundo e , em seguida , como_se a página a tivesse sugado , desapareceu sem deixar rasto . Depois , finalmente , algo aconteceu . Deslizando sobre a página em a cor de a sua tinta , surgiram palavras que Harry não escrevera . - * _ Olá_Harry_Potter . O meu nome é Tom_Riddle . Como é_que encontraste o meu diário ? * Também estas palavras desapareceram , mas não sem que Harry tivesse respondido . - Alguém tentou lançá o em uma sanita . Esperou ansiosamente por a resposta de Riddle . - * _ Felizmente guardei as minhas memórias de uma forma mais duradoura do_que a tinta . Mas sempre soube que haveria quem não iria querer que o diário fosse lido . * - O que queres dizer com isso ? - escrevinhou Harry , borrando a página com o nervosismo . - * _ Quero dizer que este diário contém memórias de coisas terríveis . Coisas que foram abafadas . Coisas que aconteceram em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . * - É onde eu estou agora - escreveu Harry rapidamente . - Estou em Hogwarts e estão a acontecer coisas horríveis . Sabes alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? O coração parecia querer saltar lhe de o peito . A resposta de Riddle não se fez esperar , a letra tornara se mais desordenada como_se tivesse pressa em contar lhe tudo_o_que sabia . - * _ É claro que sei de a Câmara_dos_Segredos . Em o meu tempo diziam nos que era uma lenda , que não existia , mas era mentira . Quando eu estava em o quinto ano a Câmara_dos_Segredos foi aberta e o monstro atacou vários estudantes , acabando matar um . Eu apanhei a pessoa que abriu a câmara e ele foi expulso . Mas o director , o professor Dippet , envergonhado por uma coisa de aquelas ter acontecido em Hogwarts , proibiu me de contar a verdade . Foi divulgada uma história dizendo que a rapariga morrera de um acidente extravagante . Deram me um troféu brilhante com o meu nome gravado e avisaram me para ficar calado . Mas eu sabia que ia voltar a acontecer . O monstro sobreviveu e aquele que tinha o poder para o libertar não foi para a prisão . * Harry quase entornou o tinteiro em a pressa de responder . - Está a acontecer outra_vez . Houve três ataques e ninguém parece saber quem está por_detrás_de tudo_isto . Quem foi de a última vez ? - * _ Posso mostrar te , se quiseres * - foi a resposta de o Riddle . - * _ Não tens de acreditar só em a minha palavra . Posso levar te a o fundo de a minha memória de a noite em que o apanhei . * Harry hesitou com a pena em o ar sobre o diário . O que quereria ele dizer ? Como poderia entrar em a memória de outra pessoa ? Olhou inquieto para a porta de o dormitório que começava a ficar escuro . Quando pôs de_novo os olhos em o diário viu as palavras que se formavam . - * _ Deixa-me mostrar te . * Harry parou durante uma fracção de segundo e depois escreveu duas letras . - O. _ K._As páginas de o diário começaram a esvoaçar como_se tivessem sido apanhadas em uma ventania , parando a meio de o mês_de_Junho . Boquiaberto , Harry viu que o quadradinho de 13_de_Junho se transformara em um pequeno ecrã de televisão . Com as mãos ligeiramente trémulas levantou o livro para encostar os olhos a a janelinha e antes de perceber o que estava a passar se , deu consigo inclinado para a frente com a janela a abrir se . O corpo abandonava a cama e era lançado de cabeça , por a abertura de a página , em um turbilhão de cor e sombras . Sentiu os pés tocarem em terra firme e pôs se de pé a tremer enquanto as formas desfocadas se tornavam subitamente nítidas . Soube imediatamente onde estava . Aquela sala circular com os retratos adormecidos era o escritório de Dumbledore , mas não era Dumbledore quem estava atrás de a secretária . Um feiticeiro mirrado , de aspecto débil e quase careca lia uma carta a a luz de as velas . Harry nunca vira aquele homem antes . - Desculpe - disse com a voz a tremer . - Eu não queria intrometer me ... Mas o feiticeiro não olhou . Continuou a ler , franzindo levemente as sobrancelhas . Harry aproximou se de a secretária e gaguejou : - Er ... eu vou me embora , está bem ? E o feiticeiro continuou a ignorá o . Parecia nem_sequer ter ouvido . Pensando que talvez ele fosse surdo , Harry falou mais alto . - Desculpe tê o incomodado - disse quase a gritar . O feiticeiro dobrou a carta com um suspiro . Pôs se de pé , passou por Harry sem olhar para ele e foi abrir os cortinados de a janela . O céu , lá fora , estava vermelho-rubi . Devia ser o pôr de o Sol . O feiticeiro voltou para a secretária , sentou se e girou os polegares , olhando para a porta . Harry olhou em volta . Não viu Fawkes , a fénix , nem as engenhocas prateadas que sibilavam . Aquela Hogwarts era a que Riddle conhecera e , portanto , aquele feiticeiro desconhecido era o director de então , não Dumbledore e ele , Harry , era pouco mais que um fantasma , totalmente invisível a as pessoas de há cinquenta anos atrás . Alguém bateu a a porta . - Entre - disse o velho feiticeiro , em uma voz fraca . Um rapazinho de dezasseis anos entrou , tirando o chapéu pontiagudo . Em o seu peito brilhava um distintivo prateado de prefeito . Era muito mais alto do_que Harry , mas tinha , tal_como ele , cabelo preto asa de corvo . - Ah ! Riddle - disse o director . - Queria falar comigo , professor Dippet ? - perguntou ele com ar nervoso . - Senta te - disse Dippet . - Tenho estado a ler a carta que me mandaste . - Oh ! - exclamou Riddle , sentando se e apertando as mãos uma contra a outra . - Meu rapaz - disse Dippet amavelmente . - Eu não posso deixar te ficar em a escola durante o Verão . Com certeza queres ir para_casa em as férias ? - Não - respondeu Riddle , sem perder tempo . - Prefiro mil vezes ficar em Hogwarts a ter de voltar a aquela ... aquela ... - Tu vives em um orfanato de Muggles durante as férias , não é assim ? - perguntou Dippet com curiosidade . - Sim senhor - disse Riddle , corando um_pouco . - És filho de Muggles ? - Meio sangue , professor - explicou Riddle . - Pai_Muggle , mãe bruxa . - E o teu pai e a tua mãe ... - A minha mãe morreu pouco depois de eu nascer , professor , contaram me em o orfanato que só teve tempo de me dar o nome : Tom , como o meu pai , Marvolo como o meu avô . Dippet estalou a língua solidariamente . - O que acontece , Tom - suspirou - é_que ... podia ter se arranjado uma situação especial para ti , mas em as circunstâncias actuais ... - Refere se a os ataques , professor ? - perguntou Riddle e o coração de Harry deu um salto , aproximando se com medo de perder alguma coisa . - Precisamente - disse o director . - Meu rapaz , compreendes que seria uma imprudência de a minha parte deixar te ficar em o castelo quando o período acabar , principalmente a a luz de a recente tragédia ... a morte de aquela pobre moça ... estarás sem dúvida em maior segurança em o orfanato . Em a verdade , o ministro de a magia até fala em fechar a escola . Não estamos nada perto_de localizar ... er ... a fonte de toda esta história desagradável . Os olhos de Riddle tinham se aberto mais . - Professor , se essa pessoa fosse apanhada ... se tudo acabasse . . . - Que queres dizer com isso ? - perguntou Dippet com voz aguda , endireitando se em a cadeira . - Riddle , tu sabes alguma coisa sobre estes ataques ? - Não senhor - respondeu ele de imediato . Mas Harry sabia que era o mesmo tipo de « não » que ele dissera a Dumbledore . Dippet afundou se de_novo com um ar de profundo desapontamento . - Podes ir , Tom . Riddle esgueirou se de a cadeira e saiu de a sala . Harry seguiu o . Desceram por a escada em espiral , saindo junto de a gárgula em o corredor que escurecia . Riddle parou e Harry fez o mesmo , olhando para ele . Quase podia apostar que ele pensava seriamente em alguma coisa . Mordia o lábio e tinha as sobrancelhas franzidas . A certa altura , como_se tivesse acabado de tomar uma decisão , começou a andar mais depressa com Harry a segui o ruidosamente . Não viram mais ninguém , a não ser quando chegaram a o * hall * de entrada onde um feiticeiro alto de longos cabelos ruivos e barba chamou Riddle de a escadaria de mármore . - O que andas a fazer por aqui tão tarde , Tom ? Harry olhou para o feiticeiro . Não era outro senão Dumbledore com cinquenta anos a menos . - Tive de ir falar com o director - justificou se Riddle . - Bem , agora vai depressa para a cama - disse Dumbledore , olhando Riddle com aquele olhar penetrante que Harry conhecia tão bem . - É melhor não andar a passear por os corredores em os dias que correm , pelo_menos até ... Suspirou profundamente , deu as boas-noites a o Riddle e foi se embora . Riddle viu o desaparecer e , sem perder tempo , desceu os degraus de pedra até a os calabouços com Harry em a peugada . Mas para seu grande desconsolo , Riddle não o conduziu a nenhum corredor ou túnel secreto e sim a o calabouço onde ele costumava ter aulas de poções com o Snape . As tochas não tinham sido acesas e quando Riddle empurrou a porta quase fechada , Harry só conseguiu vê o a ele , de pé , quieto junto de a porta , olhando para o corredor . Pareceu a Harry que ficaram ali quase uma hora . Tudo_o_que via era a silhueta de Riddle junto de a porta , olhando fixamente através de a greta , a a espera . Como_se fosse uma estátua . E quando Harry tinha abandonado todas_as expectativas e começava a desejar voltar a o presente , ouviu alguma coisa que se movia atrás de a porta . Alguém avançava lentamente por o corredor . Ouviu a pessoa , quem quer que fosse , passar por o calabouço onde ele e Riddle estavam escondidos . Riddle , silencioso como uma sombra , esgueirou se por a porta e seguiu o com Harry em bicos de pés atrás de ele , esquecido de que podia fazer barulho a a vontade porque ninguém o ouvia . Durante cerca de cinco minutos seguiram lhe os passos até que Riddle parou repentinamente com a cabeça inclinada em a direcção de novos ruídos . Harry ouviu uma porta a abrir se e em seguida alguém falou em um murmúrio rouco . - Vá lá , temos que sair de aqui ... vá lá , dentro de a caixa ... Havia algo de familiar em aquela voz . Riddle deu subitamente uma volta e Harry seguiu o . Podia ver a silhueta escura de um rapaz enorme que estava inclinado em frente de a porta aberta , com uma grande caixa a o lado . - Boa noite , Rubeus - disse Riddle secamente . O rapaz fechou a porta e pôs se de pé . - O que estás a fazer aqui , Tom ? Riddle aproximou se . - Acabou se - disse . - Vou ter de entregar te , Rubeus . Falam em fechar Hogwarts se os ataques não terminarem . - O que é_que tu ... ? - Eu acho que tu não quiseste matar ninguém , mas os monstros não são os melhores animais domésticos . Tu só quiseste deixá o sair para andar um_pouco e ... - Ele não matou ninguém - disse o rapaz grande , recuando contra a porta fechada . Lá de dentro vinham uns estranhos roncos e rugidos . - Vamos , Rubeus - disse Riddle , aproximando se mais ainda . - Os pais de a rapariga que morreu estarão aqui amanhã . O mínimo que Hogwarts pode fazer é assegurar lhes que aquilo que matou a filha de eles foi abatido ... - Não foi ele - gemeu o rapaz cuja voz ecoou em o corredor escuro . - Ele não faria isso ... ele nunca ... - Afasta te - disse Riddle , pegando em a varinha . O encantamento iluminou o corredor com uma luz brilhante . A porta atrás de o rapaz grande abriu se de par em par com tanta força que o atirou contra a parede . E de lá de dentro saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito que ninguém mais ouviu a não ser ele próprio . Tinha um corpo imenso , magro e peludo e um emaranhado de pernas pretas , a cintilação de muitos olhos e um par de tenazes afiadas . Riddle levantou de_novo a varinha , mas era tarde de mais . A coisa deixara o atarantado e corria apressadamente , precipitando se por o corredor e desaparecendo . Riddle pôs se de pé , olhou a a procura de o monstro , levantou a varinha , mas o rapaz grande saltou sobre ele , tirou lhe a varinha de as mãos e lançou o a o chão , gritando : - Naaaaaão ! A cena rodopiou . A escuridão tornou se total . Harry sentiu se a cair e com um embate aterrou como uma águia de patas e asas abertas em a sua cama de dossel , em o dormitório de os Gryffindor , o diário de Riddle aberto sobre o estômago . Antes de ter tido tempo de normalizar a respiração , a porta de o dormitório abriu se e o Ron entrou . - Aí estás tu - disse . Harry sentou se . Transpirava e tremia . - O que se passa ? - perguntou Ron , olhando aflito para ele . - Foi o Hagrid , Ron . O Hagrid abriu a Câmara_dos_Segredos há cinquenta anos atrás . XIV_Cornelius_Fudge_Harry , Ron e Hermione sabiam há muito_tempo que Hagrid tinha uma triste predilecção por criaturas grandes e monstruosas . Em o primeiro ano que passaram em Hogwarts , ele tentara criar um dragão em a sua pequena cabana de madeira e levaram muito_tempo a esquecer o gigantesco cão de três cabeças que ele baptizara de « fofinho » . E se , em rapaz , Hagrid tinha ouvido dizer que havia um monstro escondido em o castelo , Harry tinha a certeza que ele teria feito os impossíveis por descobri o . Provavelmente achou que era uma injustiça o monstro estar fechado tanto tempo e pensou que ele merecia a oportunidade de esticar as suas muitas pernas . Harry imaginava perfeitamente o Hagrid a os treze anos a tentar pôr uma coleira e uma trela a o monstro . Mas tinha igualmente a certeza de que ele nunca teria querido matar ninguém . De certo modo , Harry desejava não ter descoberto como utilizar o diário de Riddle . Ron e Hermione fizeram o contar repetidas vezes o que vira até ele ficar farto de repetir o mesmo e farto de a conversa circular que se seguia . - O Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse , de essa vez , Hermione . - O monstro que atacava as pessoas podia ser outro .... - Quantos monstros achas tu que pode haver em este lugar ? - perguntou o Ron aborrecido . - Sempre soubemos que o Hagrid tinha sido expulso - disse Harry tristemente - E os ataques devem ter terminado quando ele foi expulso . Se não fosse assim , Riddle não teria recebido um prémio . Ron tentou um caminho diferente . - O Riddle parece o Percy , quem lhe pediu afinal que deitasse abaixo o Hagrid ? - Mas o monstro tinha morto uma pessoa , Ron - insistiu Hermione . - E o Riddle ia ter de voltar para um orfanato Muggle se Hogwarts fosse fechada - disse Harry . - Não posso culpá o por querer ficar aqui ... Ron mordeu o lábio e a seguir sugeriu : - Tu encontraste o Hagrid em a Rua * _ Bativolta * , não foi ? - Ele estava a comprar repelente para lesmas - disse Harry rapidamente . Ficaram os três em silêncio . Depois de uma longa pausa , Hermione , em uma voz hesitante , formulou a pergunta mais complicada de todas : - Não acham que devíamos ir ter com ele e perguntar lhe ? - Essa seria uma visita simpática - disse o Ron . - Olá , Hagrid , diz nos uma coisa , soltaste por acaso alguma coisa louca e peluda por o castelo em estes últimos tempos ? Por fim , decidiram não dizer nada a o Hagrid a_não_ser_que houvesse outro ataque e à_medida_que passava mais tempo sem murmúrios de a voz sem corpo começaram a acreditar , esperançosos , que nunca mais teriam de falar sobre o motivo por_que fora expulso . Tinham passado já quase quatro meses desde o dia em que o Justin e o Nick quase sem cabeça tinham sido petrificados e quase toda_a_gente parecia pensar que o atacante , quem quer que ele fosse , se retirara para sempre . Peeves fartara se de a sua canção * _ Oh_Potter , seu bandido * , Ernie_Mcmillan pediu educadamente a o Harry , em a aula de herbologia , que lhe passasse um balde de cogumelos saltitantes e , em Março , várias mandrágoras deram uma festa ruidosa e roufenha em a estufa número três . A professora Sprout estava muito satisfeita . - Mal elas comecem a tentar mover se para os vasos umas de as outras , saberemos que estão maduras - disse ela a o Harry . - Nessa_altura poderemos reanimar aquelas pobres criaturas que estão em a ala hospitalar . Os alunos de o segundo ano tinham agora uma coisa nova em que pensar durante as férias de a Páscoa . Chegara a altura de escolherem as matérias de o terceiro ano , um assunto que Hermione , pelo_menos , tomou muito a sério . - Pode afectar todo o nosso futuro - disse a o Harry e a o Ron a o vê os ler cuidadosamente as listas de as novas matérias e pôr um V em frente de cada uma . - Eu só quero ver me livre de as poções - disse Harry . - Não podemos - explicou Ron tristemente . - Mantemos todas_as matérias antigas ou eu teria me livrado de a Defesa contra as artes negras . - Mas é muito importante - disse Hermione chocada . - Não de a maneira como Lockhart a dá - insistiu Ron . - Não aprendi nada até agora a não ser a nunca mais libertar duendes . Neville_Longbottom recebera cartas de todas_as bruxas e feiticeiros de a família , cada_um dando um conselho diferente sobre o que ele deveria escolher . Confuso e preocupado , sentou se a ler a lista de matérias , dando estalinhos com a língua e perguntando a as pessoas se achavam que a aritmancia seria mais difícil do_que o estudo de as runas em a Antiguidade . Dean_Thomas que , tal_como Harry , fora criado com Muggles , acabou por fechar os olhos e atirar a varinha contra a lista , escolhendo as matérias onde ela aterrava . Hermione não pediu conselho a ninguém e inscreveu se em todas . Harry sorriu de si para consigo imaginando como seria uma conversa com o tio Vernon e com a tia Petúnia sobre a sua carreira em feitiçaria . Não que não tivesse tido orientação : Percy_Weasley estava ansioso por partilhar a sua experiência . - Tudo depende de o lugar para_onde queres ir , Harry - disse ele . - Nunca é cedo de mais para pensar em o futuro , por isso eu aconselho te a adivinhação . As pessoas dizem que os estudos de Muggles são uma opção leve mas eu , pessoalmente , acho que os feiticeiros deveriam ter uma compreensão profunda de a comunidade não mágica , muito especialmente se pensarem em trabalhar em íntimo contacto com eles . Vê o meu pai que tem de lidar com assuntos de os Muggles a_toda_a hora . O meu irmão Charles foi sempre mais um tipo de o exterior , por isso foi para o Centro_de_Cuidados com as Criaturas_Mágicas . Segue os teus sentimentos , Harry . Mas a única coisa em que Harry sentia que era mesmo bom era o Quidditch . Por fim , acabou por escolher as mesmas matérias que o Ron escolhera , pensando que se fosse péssimo em elas pelo_menos tinha alguém amigo para o ajudar . O próximo jogo de Quidditch_dos_Gryffindor era contra os Hufflepuff . Wood insistia em treinos de equipa todas_as noites depois de jantar , por isso Harry não tinha tempo para mais_nada a não ser para o Quidditch e para os trabalhos de casa . Mas as sessões de treino estavam a melhorar ou pelo_menos estavam mais secas e em a véspera de o jogo de sábado ele foi a o dormitório guardar a vassoura , sentindo que as hipóteses de os Gryffindor ganharem a taça de Quidditch nunca tinham sido tão boas . Mas a sua boa disposição não durou muito . Em o cimo de as escadas que levavam a o dormitório encontrou o Neville_Longbottom nervosíssimo . - Harry , não sei quem fez aquilo , eu fui encontrar ... Olhando receoso para Harry , Neville empurrou a porta . O conteúdo de a mala de Harry fora espalhado por toda_a divisão . O seu manto estava em o chão rasgado . A roupa de cama tinha sido puxada de a cama de dossel e a gaveta de o armário que se encontrava a a cabeceira de a cama fora arrancada , estando o seu conteúdo espalhado sobre o colchão . Harry aproximou se de a cama boquiaberto , pisando algumas páginas soltas de * _ Viagens com Duendes * . Quando ele e Neville estavam a puxar os cobertores para_cima , entraram o Ron e o Dean_Seamas . Dean praguejou alto . - O que é isto , Harry ? - Não faço ideia - disse ele . Mas o Ron estava a examinar as vestes de Harry e todos os bolsos estavam de o avesso . - Alguém andou a a procura de qualquer coisa - disse o Ron . - Dás por falta de alguma coisa ? Harry começou a apanhar o que estava caído , lançando tudo dentro de a mala . Só quando atirou o último livro de Lockhart é_que se apercebeu do_que faltava . - O diário de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a o Ron . - O quê ? Harry fez lhe sinal em direcção a a porta de o dormitório e apressaram se a chegar a a sala comum de os Gryffindor que estava quase vazia e onde foram encontrar Hermione sozinha a ler * _ As_Runas_Antigas a o Alcance_de_Todos * . Hermione ficou aterrada com as notícias . - Mas ... só um Gryffindor podia tê o roubado ... ninguém mais conhece a nossa senha ... - Exactamente - disse Harry . Acordaram em o dia seguinte com um sol brilhante e uma brisa agradável . - Condições ideais para o Quidditch ! - exclamou Wood , cheio de entusiasmo , a a mesa de os Gryffindor , enchendo os pratos de os elementos de a sua equipa de ovos mexidos . - Harry , anima te , precisas de um pequeno-almoço decente . Harry tinha estado a olhar para a mesa cheia de alunos de os Gryffindor , perguntando a si próprio se o novo dono de o diário de Riddle estaria ali mesmo em frente de os seus olhos . Hermione insistira para que ele participasse o roubo mas ele não gostou de a ideia . Teria de contar a um professor tudo sobre o diário , e quantas pessoas saberiam o motivo por_que Hagrid fora expulso há cinquenta anos ? Não queria ser ele a fazer com que relembrassem tudo aquilo . Quando saiu de o salão com o Ron e a Hermione para ir buscar o material de Quidditch , outra preocupação viera juntar se a a sua lista cada_vez maior . Tinha acabado de pisar os degraus de a escadaria de mármore quando ouviu de_novo a voz : - * _ Matar desta_vez ... deixem me rasgar ... romper * ... Deu um grito e Ron e Hermione saltaram alarmados . - A voz - disse Harry , olhando por cima de os ombros de eles . - Acabo de a ouvir de_novo , vocês não ouviram nada ? Ron abanou a cabeça de olhos muito abertos Mas_Hermione bateu com a mão em a testa . - Harry , acho que percebi uma coisa . Tenho que ir a a biblioteca . E disparou a correr por as escadas acima . - O que é_que ela percebeu ? - disse Harry distraidamente , ainda a olhar em volta , tentando determinar de onde vinha a voz . - Mas porque teve ela que ir a a biblioteca ? - Porque a Hermione é assim - disse o Ron , encolhendo os ombros - Quando tem uma dúvida , vai a a biblioteca . Harry manteve se hesitante , tentando captar novamente a voz mas as pessoas começavam a sair de o salão , falando alto , passando por a porta principal e encaminhando se para o estádio de Quidditch . - É melhor ires indo - aconselhou Ron . - São quase onze horas , olha o jogo . Harry deu uma corrida até a a torre de os Gryffindor , pegou em a sua Nimbus dois_mil e juntou se a a vasta multidão que enchia os campos , mas o seu pensamento estava ainda em o castelo , em aquela voz sem corpo e quando pôs as roupas vermelhas , o seu único conforto foi pensar que estavam todos lá fora para assistir a o jogo . As equipas entraram em campo a o som de um tumulto de aplausos . Oliver_Wood fez um voo de aquecimento em volta de os postes , Madam_Hooch soltou as bolas . Os Hufflepuff que tinham fatos amarelo-canário estavam reunidos em grupo em uma discussão de última hora sobre as tácticas . Harry subia para a vassoura quando a professora Mc_Gonagall atravessou o campo , meio a andar , meio a correr , transportando um enorme megafone roxo . O coração de Harry caiu lhe a os pés . - Este jogo foi cancelado - gritou por o megafone a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a o estádio apinhado . Ouviram se Uuuus e assobios . Oliver_Wood , com um ar infelicíssimo , aterrou e correu para a professora McGonagall sem sair de a vassoura . - Mas , professora - gritou - temos de jogar ... a taça ... os Gryffindor ... A professora Mc_Gonagall ignorou o e continuou a gritar por o megafone . - Pede se a os estudantes que regressem a as salas comuns de as respectivas equipas onde os chefes de equipa lhes darão mais informações . O mais depressa possível , se fazem favor ! Em seguida , baixou o megafone e fez sinal a o Harry para que se aproximasse . - Potter , é melhor vires comigo ... Perguntando a si próprio que suspeita poderia ela ter contra ele , desta_vez , Harry viu Ron desligar se de a multidão discordante e vir a correr juntar se lhes , enquanto eles se dirigiam para o castelo . Para sua grande surpresa Mc_Gonagall não pôs qualquer objecção . - Sim , talvez seja melhor vires também , Weasley . Alguns de os estudantes que os rodeavam reclamavam por o jogo ter sido cancelado , outros tinham um ar preocupado . Harry e Ron seguiram a professora Mc_Gonagall de volta a a escola e através de a escadaria de pedra . Mas desta_vez não foram levados a nenhum escritório . - Isto vai chocar vos um_pouco - disse a professora Mc_Gonagall em um tom de voz surpreendentemente suave quando estavam a aproximar se de a ala hospitalar . - Houve outro ataque ... outro ataque duplo . As vísceras de o Harry deram um salto mortal . A professora Mc_Gonagall abriu a porta e ele e Ron entraram . Madam_Pomfrey estava inclinada sobre uma rapariga de o quinto ano de cabelos longos a os caracóis que Harry reconheceu como sendo a colega de os Ravenclaw a quem , por engano , tinham perguntado o caminho para a sala comum de os Slytherin . E , em a cama a o lado de ela , estava ... - Hermione - gemeu o Ron . Hermione jazia totalmente quieta , os olhos abertos e vítreos . - Foram encontradas perto de a biblioteca - disse a professora Mc_Gonagall . - Calculo que nenhum de vocês possa explicar isto ? Estava em o chão , junto de ela . A professora tinha em as mãos um pequeno espelho redondo . Harry e Ron acenaram negativamente com as cabeças , ambos com os olhos fixos em Hermione . - Eu acompanho vos a a torre de os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall pesadamente . - De qualquer modo tenho de falar com os alunos . - Os alunos regressarão a as salas comuns de as respectivas equipas , todos_os_dias , a as seis_horas_da_tarde . Nenhum aluno deverá sair de os dormitórios depois de isso . Serão escoltados até a as aulas por um professor . Nenhum aluno deverá ir a a casa_de_banho sem um professor a acompanhá o . Todos os treinos e jogos de Quidditch estão suspensos a_partir_de agora . Não haverá mais actividades nocturnas . Os Gryffindor , que enchiam a sala comum , ouviram em silêncio a professora Mc_Gonagall . Ela enrolou o pergaminho que acabara de ler e disse em uma voz algo chocada : - Não é preciso acrescentar que nunca me senti tão desolada . É provável que a escola seja encerrada se não for apanhado o culpado de todos estes ataques . Quero pedir que se algum de vocês achar que sabe alguma coisa sobre eles venha imediatamente ter comigo . Mal ela subiu , de forma um_pouco desastrada , por o buraco de o retrato , os Gryffindor começaram logo a falar . - São dois Gryffindor a menos , sem contar com o fantasma de os Gryffindor , um Ravenclaw e um Hufflepuff - disse o amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , contando por os dedos . - Não terá nenhum de os professores reparado que os Slytherin estão a salvo ? Será que não é óbvio que tudo_isto vem de eles ? O herdeiro de Slytherin , o monstro de Slytherin , porque não expulsam todos os Slytherin ? - resmungou , recebendo acenos e aplausos de todos os lados . Percy_Weasley estava sentado em uma cadeira atrás_de Lee , mas por uma_vez não pareceu querer expor os seus pontos de vista . Estava pálido e aturdido . - O Percy está em estado de choque - disse o George baixinho a o Harry . - Aquela rapariga de os Ravenclaw , Penelope_Clearwater , é prefeita . Acho que ele nunca tinha pensado que o monstro pudesse atacar um prefeito . Mas Harry não estava a ouvi o com atenção . Não conseguia esquecer a imagem de Hermione deitada em a cama de o hospital , como_se estivesse esculpida em pedra . E se o culpado não fosse apanhado rapidamente tinha em a frente uma vida inteira com os Dursley . Tom_Riddle entregara o Hagrid porque fora confrontado com a possibilidade de um orfanato Muggle se a escola fechasse . Harry sabia exactamente o que ele sentira . - Que vamos nós fazer ? - disse lhe o Ron baixinho a o ouvido . - Achas que eles suspeitam de o Hagrid ? - Temos de falar com ele - disse Harry , tomando uma decisão . - Não acredito que tenha culpa desta_vez , mas se ele libertou o monstro há cinquenta anos , sabe com certeza como entrar em a Câmara_dos_Segredos , o que já é um princípio . - Mas a Gonagall disse que temos que ficar em a torre a_não_ser_que estejamos em as aulas ... - Eu acho - disse Harry ainda mais baixo - que chegou a altura de tirar outra_vez de a mala o manto de o meu pai . Harry herdara apenas uma coisa de o pai : o enorme manto prateado de a invisibilidade . Era a única maneira de poderem esgueirar se de a escola para fazer uma visita a o Hagrid , sem que ninguém de esse por isso . Deitaram se a a hora de o costume , esperaram que o Neville , o Dean e o Seamas adormecessem para se levantarem , vestirem se de_novo e taparem se com o manto . A viagem por os corredores de o castelo escuro e deserto não era nada agradável . Harry que vagueara por ali muitas_vezes durante a noite nunca vira tanta gente depois de o pôr de o Sol . Professores , prefeitos e fantasmas andavam por os corredores a os pares , olhando em volta , em busca de qualquer actividade fora de o habitual . O manto de a invisibilidade não impedia que fizessem barulho e houve um momento particularmente tenso em que o Ron deu uma topada a menos_de um metro de o lugar onde Snape se encontrava . Felizmente Snape espirrou em o preciso momento em que o Ron praguejava . Foi com grande alívio que chegaram a as portas de carvalho de a entrada principal . Estava uma noite clara e cheia de estrelas . Dirigiram se apressadamente para as janelas iluminadas de a casa de Hagrid e só tiraram o manto mesmo em frente de a porta . Poucos segundos depois de terem batido abriu se a porta . Ficaram frente_a_frente com Hagrid que lhes apontou uma besta enquanto Fang , o cão caçador de javalis , ladrava furiosamente atrás de ele . - Oh ! - disse , baixando a arma quando viu que eram eles . - O que estão vocês a fazer aqui ? - Para que é isso ? - perguntou Harry , apontando para a besta , enquanto entrava . - Nada , não é nada - murmurou Hagrid . - Tenho estado a a espera ... não tem importância , sentem se que eu vou fazer um chá . Dava a impressão de não saber o que fazia . Quase apagou a lareira , vertendo a água de a chaleira em o lume e em seguida esmagou o bule com um gesto de a sua mão maciça . - Estás bem , Hagrid ? - perguntou Harry . - Soubeste de a Hermione ? - Soube , sim - disse ele com um leve tremor em a voz . Continuava a olhar nervosamente para as janelas . Deu lhe os duas grandes canecas de água a ferver ( esquecera se de juntar o chá ) e estava a acabar de pôr em um prato uma fatia grossa de bolo de frutas quando alguém bateu energicamente a a porta . Hagrid deixou cair o bolo . Harry e Ron trocaram entre si olhares de pânico e , em seguida , cobriram se com o manto de a invisibilidade e esconderam se em um canto . Hagrid assegurou se de que eles estavam bem escondidos , pegou em a besta e abriu , mais_uma_vez , a porta . - Boa noite , Hagrid . Era_Dumbledore . Entrou com um ar muito sério , seguido de um homem bizarro . O estranho era um homenzinho pequenino , de porte majestoso com cabelos grisalhos desalinhados e uma expressão de ansiedade em o rosto . Usava uma inesperada mistura de roupas . Um fato a as riscas , uma gravata vermelho escarlate , um longo manto negro e umas botas roxas pontiagudas . Debaixo de o braço trazia um chapéu de coco verde lima . -- É o patrão de o meu pai - murmurou o Ron . Cornelius_Fudge , o ministro de a magia ! Harry deu lhe uma valente cotovelada para o fazer calar se . Hagrid tinha ficado suado e pálido . Deixou se cair em uma de as cadeiras e olhava de Dumbledore_para_Cornelius_Fudge . - Más notícias , Hagrid - disse Fudge em um tom bastante grave . - Muito más notícias . Tive de vir . Quatro ataques a filhos de Muggles , as coisas foram longe_de mais . O ministério tem que tomar uma atitude . - Eu nunca ... - disse Hagrid , parecendo implorar a Dumbledore . - O senhor sabe que eu nunca ... professor Dumbledore , o senhor ... - Quero que fique claro , Cornelius , que Hagrid tem a minha total confiança - afirmou Dumbledore , franzindo as sobrancelhas . - Olha , Albus - disse Fudge pouco a a vontade - a ficha de o Hagrid depõe contra ele . O ministério tem de fazer alguma coisa , o Conselho_Directivo de a escola tem se reunido ... - Mesmo_assim , Cornelius , devo dizer te mais_uma_vez que levar o Hagrid de aqui não vai ajudar em nada - afirmou Dumbledore com os olhos azuis com um fogo que Harry nunca vira antes . - Tenta compreender o meu ponto de vista - insistiu Fudge , brincando com o chapéu . - Estou a ser tremendamente pressionado , tenho de mostrar que faço alguma coisa . Se se provar que não foi o Hagrid , ele voltará e não se fala mais em o assunto . Mas tenho de levá o , tem de ser , não estaria a cumprir a minha obrigação se ... - Levar me ? - perguntou Hagrid a tremer . - Levar me para_onde ? - É uma pena curta - disse Fudge , sem o olhar em os olhos . - Não é um castigo , Hagrid , chamemos lhe antes uma precaução . Se mais alguém for apanhado , tu sais com todas_as nossas desculpas . - Não é para Azkaban ? - balbuciou Hagrid . Mas antes que Fudge tivesse tido tempo de responder , ouviu se bater mais_uma_vez a a porta . Dumbledore abriu . Foi a vez de Harry levar uma cotovelada em as costas : soltara um gemido audível . Mr._Lucius_Malfoy entrou em a cabana de o Hagrid embrulhado em uma longa capa preta de viagem , com um sorriso frio de satisfação . O Fang começou a rosnar . - Já está aqui , Fudge ? - disse de forma aprovadora . - Muito bem , muito bem ... - O que estás a fazer aqui ? - perguntou Hagrid furioso . - Sai imediatamente de a minha casa . - Meu bom homem , acredite que não tenho prazer nenhum em entrar em a sua ... er ... chamou lhe casa ? - disse Lucius_Malfoy , sorrindo sarcasticamente enquanto observava a pequena divisão . - Eu limitei me a ir a a escola e disseram me que o director estava aqui . - E o que queres de mim , Lucius ? - perguntou Dumbledore . O seu tom de voz era educado mas em os olhos azuis brilhava ainda o mesmo fogo . - Uma notícia horrível , Dumbledore - disse Mr._Malfoy de forma arrastada , pegando em um grande rolo de pergaminho . - Mas os membros de o conselho pensam que é altura de tu saíres . Isto_é uma ordem de suspensão , tens aí doze assinaturas . Lamento muito mas em a nossa opinião estás a perder a firmeza . Quantos ataques houve até agora ? Mais dois hoje a a tarde , não foi ? A este ritmo vão acabar todos os filhos de Muggles em Hogwarts e todos sabemos que seria uma terrível perda para a escola . - O que é isso , Lucius ? - protestou Fudge com ar alarmado . - O Dumbledore suspenso não ... não , seria a última coisa que desejaríamos em este momento ... - A nomeação ou suspensão , de o director é de a competência de os membros de o Conselho_Directivo , Fudge - disse suavemente Mr._Malfoy . - E como Dumbledore não foi capaz de pôr cobro a estes ataques ... - Oh ! Lucius , se Dumbledore não conseguiu - disse Fudge com o lábio superior a suar . - Quem irá conseguir ? - Isso está para se ver - disse Mr._Malfoy com um sorriso mesquinho . - Mas como os doze votamos ... Hagrid pôs se de pé em um salto , o cabelo preto hirsuto a roçar em o tecto . - E quantos tiveste de chantajar para concordarem contigo , Malfoy ? - Meu caro Hagrid , sabe que esse seu temperamento ainda acaba por lhe criar problemas um dia de estes - disse Mr._Malfoy . - Não o aconselho a gritar assim com os guardas de Azkaban . Eles não iriam gostar nada . - Não podes levar Dumbledore - gritou Hagrid , fazendo Fang , o cão caçador de javalis , agachar se e ganir em o seu cesto . - Sem ele , os filhos de os Muggles não têm qualquer hipótese . A seguir haverá mortes . - Acalma te , Hagrid - disse Dumbledore de forma cortante , olhando para Lucius_Malfoy . - Se os membros de o conselho querem substituir me , eu sairei , claro . - Mas - interrompeu Fudge . - Não - rosnou Hagrid . Dumbledore não tirara os seus olhos azuis brilhantes de os olhos cinzentos e frios de Lucius_Malfoy . - Contudo - disse , pronunciando cada palavra lenta e claramente para que nenhum de eles perdesse o seu sentido - verás que só deixarei verdadeiramente esta escola quando ninguém aqui me for leal . Descobrirás também que será sempre dada ajuda em Hogwarts a quem a pedir . Por um segundo , Harry teve quase a certeza de que os olhos de Dumbledore tremelaziram em direcção a o canto onde ele e Ron estavam escondidos . - Sentimentos admiráveis - disse Malfoy , fazendo uma vénia . - Todos nós vamos sentir a tua ... forma muito pessoal de fazer as coisas , Albus . Só espero que o teu sucessor consiga evitar qualquer ... crime . Dirigiu se a a porta de a cabana , abriu a e fez sinal a Dumbledore para que passasse a a sua frente . Fudge , mexendo nervosamente em o chapéu de coco , esperou que Hagrid fizesse o mesmo mas ele ficou quieto , respirou fundo e disse prudentemente : - Se alguém quiser descobrir alguma coisa , o que tem a fazer é seguir as aranhas . Elas indicarão o caminho , é tudo_o_que vos digo . Fudge olhou para ele espantado . - Está bem , eu vou - disse Hagrid , pegando em o seu sobretudo de pêlo de toupeira . Mas quando ia seguir o Fudge e sair por a porta , parou e disse em voz alta : - E alguém tem de dar de comer a o Fang enquanto eu não estiver cá . A porta fechou se ruidosamente e Ron tirou o manto de a invisibilidade . -- Estamos outra_vez em uma alhada - disse com voz rouca - Sem o Dumbledore podem fechar a escola já esta noite . Sem ele vai haver um ataque por dia . O Fang começou a ganir , arranhando a porta fechada . XV_Aragog_O_Verão insinuava se em os campos em volta de o castelo . O céu e o lago tinham se tornado de um azul-molusco e as flores , grandes como couves , começavam a florir em as estufas . Mas sem o Hagrid , que ele costumava avistar de o castelo , atravessando os campos com o Fang atrás , parecia a Harry que a paisagem não estava completa . Não era melhor dentro de o castelo onde tudo corria horrivelmente mal . O Harry e o Ron tinham tentado visitar a Hermione , mas as visitas a o hospital estavam proibidas . - Não vamos correr mais riscos - disse lhes Madam_Pomfrey com ar severo , através_de uma fresta de a porta de o hospital . Não , lamento , há muitas hipóteses de o atacante voltar para acabar de vez com estas pessoas ... Com Dumbledore longe , o medo espalhara se como nunca acontecera antes , de_tal_modo_que o sol que aquecia as paredes de o castelo por fora parecia parar junto de as janelas de pinázios . Não se via um único rosto em a escola que não andasse tenso e preocupado e qualquer gargalhada , em os corredores , se tornava incómoda e antinatural e era rapidamente abafada . Harry repetia constantemente , de si para consigo , as últimas palavras que ouvira a Dumbledore : - * _ Só terei verdadeiramente deixado esta escola quando ninguém me for leal ... será sempre dada ajuda , em Hogwarts , a quem a pedir * . Qual seria o significado exacto de aquelas palavras ? A quem deveria pedir ajuda quando todos estavam tão confusos assustados como ele ? A alusão de Hagrid a as aranhas era bastante mais fácil de entender . O problema era que parecia não ter restado uma única aranha em o castelo para eles a poderem seguir . Harry procurou por todo o lado com a ajuda relutante de o Ron . As coisas estavam dificultadas por o facto de não poderem andar sozinhos e terem de se deslocar em grupo dentro de o castelo , juntamente com outros Gryffindor . A maior parte de os alunos gostava de ser conduzida como carneiros de uma aula para a outra por os professores mas Harry achava horrível . Havia , contudo , uma pessoa que parecia apreciar aquela atmosfera de terror e suspeitas . Draco_Malfoy passeava empertigado por a escola como_se tivesse sido nomeado para chefe de turma . Harry só compreendeu o motivo de toda aquela boa disposição cerca de quinze_dias depois de Dumbledore e Hagrid se terem ido embora quando , em uma aula de poções , o ouviu falar com o Crabbe e o Goyle . - Sempre achei que seria o pai quem conseguiria livrar nos de o Dumbledore - disse sem a menor preocupação em baixar a voz . - Já vos disse , segundo ele , Dumbledore foi o pior director que a escola alguma vez teve . Talvez agora venha um director decente que não queira a Câmara_dos_Segredos fechada . A Mc_Gonagall não vai durar muito , está só a ... O Snape passou por Harry , sem fazer comentários a o caldeirão e a a cadeira vazia de Hermione . - Professor - disse Malfoy em voz alta . - Professor , porque não se candidata a o lugar de director ? - Ora , ora , Malfoy - respondeu Snape , sem conseguir esconder um meio sorriso . - O professor Dumbledore foi apenas suspenso por os membros de o conselho de direcção , certamente vai voltar um dia de estes . - Sim , claro - disse Malfoy com o seu sorriso escarninho . - Acho que se o professor quisesse candidatar se a o lugar teria o voto de o pai . Eu vou dizer lhe que o acho o melhor professor de a escola . Snape sorriu enquanto passeava de um lado para o outro em o calabouço , não tendo felizmente visto o Seamus_Finnigan que fingia vomitar para dentro de o caldeirão . - Estou espantado por ver que até agora os sangues de lama ainda não fizeram as malas e não desapareceram - prosseguiu Malfoy . - Aposto cinco galeões em como o próximo morre . Pena que não tenha sido a Granger ... A campainha tocou em esse momento o que foi uma sorte porque a o ouvir as últimas palavras de Malfoy , Ron deu um salto , mas em a barafunda de guardar os livros em os sacos , a sua tentativa de agarrar o Malfoy passou despercebida . - Deixem me - gritava o Ron enquanto o Harry e o Dean lhe agarravam os braços . - Não preciso de varinha , vou dar cabo de ele com as minhas mãos ... - Despachem se , tenho de conduzir vos a a aula de herbologia - praguejava o Snape acima de as cabeças de os alunos . E lá foram como cordeirinhos com Harry , Ron e Dean em a retaguarda , o Ron ainda a tentar libertar se . Só acharam seguro largá o quando Snape os deixou fora de o castelo e iniciaram o percurso por o meio de a horta em direcção a as estufas . A aula de herbologia estava reduzida . Tinha agora dois alunos a menos : Justin e Hermione . A professora Sprout pô os a trabalhar , podando as figueiras-da-abissínia . Harry foi despejar uma braçada de hastes secas em um monte de adubo e deu consigo cara a cara com Ernie_Mcmillan . Ernie respirou fundo . - Só quero dizer te , Harry que lamento ter suspeitado de ti . Sei que nunca atacarias a Hermione_Granger e peço te desculpa por todas_as coisas que disse . Estamos todos em o mesmo barco , agora e , bem ... Estendeu lhe uma mão rechonchuda que o Harry apertou . Ernie e a sua amiga Hannah foram trabalhar em a mesma figueira com o Harry e o Ron . - Aquele tipo , Draco_Malfoy - disse Ernie , partindo pequenos galhos - , parece muito satisfeito com isto tudo , não acham ? É bem possível que ele seja o herdeiro de Slytherin . - Uma observação inteligente de a tua parte - disse o Ron que parecia não ter desculpado Ernie tão facilmente como o Harry . - Acham que é ele ? - perguntou Ernie . - Não - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Hannah ficaram a olhar espantados . Um segundo depois , Harry avistou qualquer coisa que o levou a chamar a atenção de o Ron , batendo lhe em a mão com a tesoura de podar . - Au ... o que é_que tu ... ? Harry apontava para o chão , a poucos centímetros de distância . Várias aranhas grandes corriam precipitadamente por a terra fora . - Ah ! sim - disse o Ron , tentando , sem conseguir , mostrar se entusiasmado . - Mas não podemos seguis as agora ... Ernie e Hannah ouviam nos com curiosidade . Harry viu as aranhas desaparecerem . - Parecem ir em a direcção de a floresta proibida ... E o Ron ficou ainda mais infeliz a o ouvir aquilo . Em o final de a aula , o professor Snape acompanhou os alunos a a « Defesa contra as artes negras » . Harry e Ron foram atrás de os outros para poderem conversar sem serem ouvidos . - Temos de usar outra_vez o manto de a invisibilidade - disse Harry a o Ron . - Podemos levar connosco o Fang , ele está habituado a ir a a floresta com o Hagrid , pode ser uma boa ajuda . - Certo - disse o Ron , que fazia girar nervosamente a varinha em os dedos . - Er ... não costuma haver ... não costuma haver lobisomens em a floresta ? - acrescentou enquanto ocupavam os lugares de o costume em a aula de o Lockhart . Preferindo não responder a a pergunta , Harry disse : - Também há lá coisas boas . Os centauros são fixes e os unicórnios . Ron nunca estivera em a floresta proibida , Harry fora lá só uma_vez e desejara não ter de lá voltar . Lockhart deu um salto para dentro de a sala de aula e os alunos ficaram espantados a olhar para ele . Todos os outros professores andavam mais tristes do_que o habitual mas Lockhart parecia sentir se em as nuvens . - Então , então - exclamou , olhando em volta . - Porquê essas caras deprimidas ? Lançaram lhe olhares exasperados mas ninguém respondeu . - Não compreendem - disse , falando devagar como_se fossem todos um_pouco estúpidos - que o perigo já passou ? O culpado foi se embora . -- Quem disse ? - retorquiu Dean_Thomas em voz alta . -- Meu caro jovem , o ministro de a magia não teria levado Hagrid se não estivesse cem por_cento certo de que ele era o culpado - disse Lockhart como quem explica que um e um são dois . - Teria , sim - disse o Ron , em um tom de voz ainda mais alto do_que o de o Dean . - Eu julgo saber um_pouco mais sobre a prisão de o Hagrid do_que o senhor , Mr._Weasley - disse Lockhart com notória auto-satisfação . Ron começou a dizer que discordava mas foi interrompido por o Harry que lhe deu um forte pontapé por debaixo de a mesa . - Nós não estávamos lá , lembras te ? - murmurou . Mas a alegria revoltante de o Lockhart , as insinuações de que sempre tinha achado que o Hagrid não prestava , a sua certeza de que tudo aquilo estava a chegar a o fim , irritou Harry de tal maneira que teve vontade de lhe atirar as * _ Viagens com Vampiros * e de lhe acertar em aquela cara estúpida . Mas , em vez de isso , limitou se a escrevinhar um bilhete para o Ron : * _ Vamos lá hoje a a noite * . Ron leu a mensagem , engoliu em seco e olhou para o lugar onde Hermione costumava sentar se . A cadeira vazia pareceu ajudá o a decidir se e acenou afirmativamente . A sala comum de os Gryffindor estava agora sempre cheia porque , depois de as seis_da_tarde , os Gryffindor não tinham outro lugar para ir . Por outro lado , tinham imenso para conversar , por isso a sala comum mantinha se cheia de gente até depois de a meia-noite . Logo_a_seguir a o jantar , Harry foi buscar o manto de a invisibilidade a a mala onde estava guardado e passou todo o serão a a espera que a sala esvaziasse . O Fred e o George desafiaram o para alguns jogos de explosão e a Ginny sentou se , muito preocupada , a observá os , em a cadeira habitual de Hermione . Harry e Ron fartaram se de perder de propósito em uma tentativa de pôr rapidamente fim a os jogos mas , mesmo_assim , já passava bastante de a meia-noite quando o Fred , o George e a Ginny se foram , finalmente , deitar . Harry e Ron esperaram até ouvir as portas de os dois dormitórios fecharem se . Em seguida , pegaram em o manto , lançaram o sobre ambos e passaram por o buraco de o retrato . Era mais uma difícil travessia de o castelo , tendo de fintar todos os professores . Finalmente , chegaram a o * hall * de entrada , giraram o fecho de as portas de carvalho , esgueiraram se tentando não fazer barulho e aventuraram se nos campos iluminados por o luar . - É claro que - disse bruscamente o Ron , enquanto atravessavam os relvados negros - podemos perfeitamente chegar a a floresta e descobrir que não há nada para seguir . As aranhas podem não ter ido para lá . É certo que parecia que tomavam essa direcção , mas ... Felizmente a lengalenga não durou muito . Chegaram a a casa de o Hagrid que tinha um ar triste com as suas janelas vazias . Logo_que Harry empurrou a porta e a abriu , o Fang saltou , louco de alegria por os ver . Preocupados , não fosse ele acordar toda_a_gente em o castelo com o seu ladrar forte e agitado , deram lhe rapidamente a comer bombons de melaço que estavam em uma lata sobre a lareira e que lhe colaram os dentes de cima a os de baixo . Harry pousou o manto de a invisibilidade sobre a mesa de o Hagrid . Não iam precisar de ele em a floresta escura como breu . - Anda , Fang , vamos dar um passeio - disse Harry , batendo lhe a o de leve em a pata e Fang saiu feliz , a os saltos , atrás de eles . Precipitou se até a a orla de a floresta e levantou a perna contra uma enorme figueira-do-egipto . Harry pegou em a varinha , murmurou * _ Lumus * ! e uma pequenina luz surgiu em a ponta de a varinha , suficiente para lhes mostrar o caminho e ajudá os a descobrir a pista de as aranhas . - Bem pensado - disse o Ron . - Eu acendia também a minha mas , sabes como ela está , ainda estoirava ou qualquer coisa assim ... Harry tocou em o ombro de o Ron , apontando para as ervas . Duas aranhas solitárias fugiam de a luz de a varinha , aproximando se de a sombra de as árvores . - O. _ K. - disse o Ron , resignando se com o pior . - Estou pronto , vamos . Então , com o Fang a correr atrás de eles , cheirando as raízes de as árvores e as folhas , entraram em a floresta . Seguindo a luz de a varinha de o Harry seguiram a fila disciplinada de aranhas que se movia a o longo de o caminho . Andaram durante cerca de vinte minutos , sem falar , atentos a todos os ruídos que não fossem os de os ramos caídos e de as folhas secas . Então , quando as copas de as árvores se tinham tornado mais cerradas do_que nunca , de_tal_modo_que as estrelas em o céu já não eram visíveis e a varinha de o Harry brilhava isolada em um mar de escuridão , viram as aranhas que eles seguiam a abandonar o caminho . Harry parou , tentando ver para_onde iam mas tudo_o_que ficava longe de a sua pequenina luz era negro de breu . Ele nunca fora tão longe em a floresta . Lembrava se muito bem de Hagrid lhe ter dito , de a última vez que ali tinham estado , que nunca saísse de o caminho de a floresta . Mas Hagrid agora estava a muitos quilómetros de distância e ele também lhes dissera que seguissem as aranhas . Uma coisa húmida tocou em a mão de o Harry e ele deu um salto para trás , pisando o pé a o Ron . Mas afinal era apenas o focinho de o Fang . - O que é_que tu achas ? - perguntou ele a o Ron cujos olhos conseguia vislumbrar , reflectindo a luz de a varinha . - Já_que viemos até aqui - disse ele . Seguiram , portanto as sombras velozes de as aranhas em direcção a as árvores . Não podiam agora andar muito depressa . Tinham em a frente raízes de árvores e troncos cortados que mal se viam em aquela escuridão . Harry sentia o bafo quente de Fang em a mão . Por mais de uma_vez tiveram de parar para o Harry se baixar e descobrir as aranhas a a luz de a varinha . Andaram durante o que lhes pareceu ter sido pelo_menos meia_hora , com os mantos a roçarem em os ramos mais baixos e em as silvas . A o fim de algum tempo repararam que o chão parecia inclinar se para baixo embora as árvores continuassem cerradas . Foi então que o Fang soltou um latido que ecoou em volta , fazendo Harry e Ron darem um salto , ambos com os cabelos em pé . - O que foi ? - gritou o Ron , olhando em volta para a escuridão e agarrando Harry com força , por o cotovelo . - Há qualquer coisa ali a mexer se - murmurou Harry - Ouve ... parece ser grande . Ficaram a ouvir . Um_pouco para a direita algo de grandes dimensões partia os ramos enquanto abria caminho através de as árvores . - Oh ! não - disse o Ron . - Oh ! não , não ... - Cala te - insistiu o Harry , nervoso . - Seja o que for , vai acabar por te ouvir . - Ouvir me ? - disse o Ron , em um tom de voz muito pouco natural . - Já ouviu . Fang ! A escuridão parecia esmagar lhes os globos oculares enquanto ali ficaram apavorados , a a espera . Houve um estranho ruído , surdo e prolongado , e em seguida o silêncio . - O que estará a fazer ? - perguntou Harry . - Talvez esteja a preparar se para atacar - disse o Ron . Esperaram , a tremer , sem ousarem mexer se . - Achas que se foi embora ? - murmurou Harry . - Não sei . Em esse momento , de o lado direito veio um clarão de luz tão forte em o meio de o escuro que os dois levaram as mãos a a cara para proteger os olhos . O Fang ganiu e tentou fugir mas viu se envolvido em um emaranhado de espinhos e ganiu ainda mais alto . - Harry - gritou o Ron com grande alívio em a voz . - Harry , é o nosso carro . - O quê ? - Anda ver . Harry avançou a os tropeções atrás de o Ron , em direcção a a luz e em o momento seguinte estavam em uma clareira . O carro de Mr._Weasley ali estava , vazio , no_meio_de um círculo de árvores grossas , sob um telhado de ramos densos , os faróis de a frente resplandecentes . Quando Ron se aproximou de boca aberta , moveu se lentamente em direcção a ele como_se fosse um grande cão azul turquesa , cumprimentando o dono . - Tem estado aqui todo este tempo - disse o Ron satisfeitíssimo , aproximando se de o carro . - Olha para ele , a floresta tornou o selvagem ... O guarda-lamas estava riscado e cheio de lodo . Parecia que tinha andado a passear sozinho por a floresta . Fang não gostou lá muito de ele . Manteve se a o lado de o Harry que podia senti o a tremer . Com a respiração normalizada , Harry guardou a varinha em o manto . - E nós a pensarmos que ele nos ia atacar - disse o Ron , encostando se a o carro e dando lhe duas palmadinhas - As voltas que eu dei a a cabeça a pensar para_onde ele teria ido ! Harry olhava para todos os lados , em o chão iluminado , em busca de mais aranhas mas todas elas tinham fugido de o brilho de as luzes . - Perdemos as de vista - disse ele . - Anda , vamos procurá as . Ron não disse nada . Não se moveu . Tinha os olhos fixos em um ponto , três metros acima de o chão de a floresta , mesmo atrás de o Harry . O seu rosto estava lívido de terror . Harry nem teve tempo de se voltar . Ouviu se um ruído alto e seco e sentiu que alguma coisa longa e peluda o elevava em o ar com o rosto voltado para baixo . Debatendo se , apavorado , ouviu outro estalido e viu as pernas de o Ron serem também levantadas de o chão . Ouviu o Fang gemer e ganir e , em o momento seguinte , era levado para o meio de as árvores escuras . Com a cabeça a balouçar , Harry viu que a coisa que o transportava tinha seis enormes patas peludas e que as duas de a frente o agarravam com forca sob um par de tenazes pretas e brilhantes . Atrás_de si podia ouvir outra de aquelas criaturas que , sem dúvida , transportava o Ron . Encaminhavam se para o coração de a floresta . Harry ouvia o Fang a ladrar , tentando libertar se de um terceiro monstro mas Harry não podia gritar mesmo_que quisesse , parecia que tinha deixado a voz em a clareira , junto com o carro . Não soube quanto tempo esteve em as patas de a criatura , só se apercebeu que a escuridão se atenuara um_pouco , permitindo lhe ver que o chão coberto de folhas estava agora repleto de aranhas . Voltando a cabeça para o lado , deu se conta de que tinham chegado a a base de uma enorme cova , uma cova que fora limpa de árvores para que as estrelas iluminassem com o seu brilho a cena mais pavorosa que os seus olhos alguma vez tinham visto . Aranhas . Não aranhas pequeninas como aquelas que estavam sobre as folhas . Aranhas de o tamanho de enormes cavalos , com oito olhos , oito pernas pretas , peludas , gigantescas . O espécimen que transportava Harry desceu o terreno íngreme até uma teia brumosa em forma de cúpula que ficava mesmo em o meio de a cova , enquanto os companheiros se juntavam em volta , batendo excitadíssimos com as tenazes e olhando para o que eles traziam a as costas . Harry caiu em o chão de gatas quando a aranha o libertou . Ron e Fang foram cair perto de ele . O Fang já não gania . Estava agachado e muito quieto . Ron e Harry partilhavam o mesmo sentimento . O Ron tinha a boca aberta em uma espécie de grito silencioso e os olhos a saltarem lhe de as órbitas . Harry percebeu de repente que a aranha que o deitara a o chão estava a dizer qualquer coisa . Era difícil entender porque entre cada duas palavras , batia com as tenazes . - Aragog - chamou . - Aragog . E de o meio de a teia brumosa em forma de cúpula saiu muito lentamente uma aranha de o tamanho de um pequeno elefante . As costas e as pernas estavam cobertas de pêlo cinzento e , em a cabeça feia , munida de tenazes , estavam vários olhos , todos eles de um branco leitoso . Era cega . - O que foi ? - disse , batendo rapidamente com as tenazes uma em a outra . - Homens - respondeu a aranha que trouxera o Harry . - É o Hagrid ? - perguntou Aragog , aproximando se mais com os seus oito olhos leitosos a vaguear . - Estranhos - respondeu a aranha que trouxera o Ron . - Matem nos - disse Aragog , irritada . - Eu estava a dormir ... - Nós somos amigos de o Hagrid - gritou Harry . Parecia que o coração lhe saltava por a boca . Clic , clic , clic fizeram as tenazes de a aranha , em volta de a cova . Aragog parou . - O Hagrid nunca mandou homens a a nossa cova - disse lentamente . - O Hagrid está em perigo - explicou Harry , respirando muito depressa . - Foi por isso que eu vim . - Em perigo ? - repetiu a aranha idosa e pareceu a Harry sentir preocupação por detrás de as suas tenazes . - Mas porque vos mandou ele cá ? Harry pensou pôr se de pé mas achou melhor não arriscar . As pernas provavelmente não teriam força para o sustentar . Falou portanto de o chão , o mais calmamente que foi capaz . - Eles lá em a escola pensam que o Hagrid soltou qualquer coisa contra os estudantes . Mandaram o para Azkaban . Aragog bateu furiosamente com as tenazes e , em toda_a cova , o eco foi reproduzido por uma multidão de aranhas . Era uma espécie de aplauso com uma única diferença : os aplausos não costumavam fazer o Harry quase morrer de medo . - Mas isso foi há muitos anos - disse Aragog , maldisposta . - Há anos e anos . Lembro me muito bem . Foi por isso que o expulsaram de a escola . Eles pensaram que eu era o monstro que vive em aquilo a que eles chamam a Câmara_dos_Segredos . Pensaram que o Hagrid a tinha aberto para me libertar . - E tu ... não vieste de a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Harry que sentia a testa cheia de suores frios . - Eu - disse Aragog , batendo irritada com as tenazes - , eu não nasci em o castelo . Venho de uma terra distante . Um viajante ofereceu me a o Hagrid quando eu era ainda um ovo . Hagrid era um rapazinho mas tratou de mim , escondeu me em uma despensa dentro de o castelo e alimentava me com as migalhas que ficavam em as mesas . Hagrid é o meu bom amigo e um bom homem . Quando me encontraram e me culparam por a morte de uma rapariga , ele protegeu me . Desde_então , tenho vivido aqui em a floresta onde o Hagrid ainda vem visitar me . Ele até me arranjou uma esposa , Mosag , e estão a ver como a família cresceu , tudo graças a a bondade de o Hagrid ... Harry reuniu a coragem que lhe restava . - Então tu nunca atacaste ninguém ? - Nunca - resmungou a velha aranha . - Era esse o meu instinto , mas por respeito a Hagrid nunca fiz mal a nenhum humano . O corpo de a rapariga morta foi encontrado em uma casa_de_banho , ora eu nunca conheci mais do_que despensa de o castelo , onde cresci . Nós gostamos de o escuro de o silêncio . - Mas então ... sabes o que matou essa rapariga ? - perguntou Harry . - Porque seja o que for , está a atacar as pessoas outra_vez ... As suas palavras foram abafadas por uma audível explosão de tenazes a bater e por o ruge-ruge de muitas pernas longas , deslocando se iradas . Em volta de Harry começaram a mover se sombras escuras . - O que vive em o castelo - disse Aragog - é uma antiga criatura que nós , aranhas , tememos acima_de todas_as outras . Lembro me bem de o quanto insisti com Hagrid para que me deixasse sair de ali quando senti a criatura a andar por a escola . - O que é ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Mais tenazes a bater , mais pernas a moverem se . As aranhas pareciam estar a aproximar se . - Nós não falamos de isso - exclamou Aragog furiosa . - Não pronunciamos o seu nome . Eu nunca disse a o Hagrid o nome de a horrível criatura , apesar_de ele me ter perguntado vezes sem conta . Harry não quis insistir , principalmente com todas aquelas aranhas a aproximarem se de todos os lados . Aragog parecia ter se cansado de falar . Recuava lentamente para a teia em forma de cúpula , mas as companheiras continuavam a aproximar se ameaçadoramente de Harry e Ron . - Vamos embora , então - gritou Harry , desesperadamente a Aragog , enquanto ouvia as folhas secas a estalarem atrás_de si . - Embora ? - disse Aragog lentamente . - Não me parece ... - Mas , mas ... - Os meus filhos e filhas não fazem mal a o Hagrid por ordem minha . Mas não posso negar lhes carne fresca quando ela veio por vontade própria ter connosco . Adeus , amigo de o Hagrid . Harry deu meia volta . Poucos centímetros acima de ele , uma sólida parede de aranhas batia com as tenazes , os seus muitos olhos a brilharem em as horríveis caras pretas . Mesmo_que se servisse de a varinha , Harry sabia que não ia valer de nada . As aranhas eram demasiadas , mas quando tentava preparar se para morrer a lutar , ouviu se um som prolongado e um clarão de luz iluminou a cova . O carro de Mr._Weasley ribombava , descendo o declive , com os faróis acesos , a buzina a guinchar , afastando as aranhas . Muitas de elas ficaram voltadas ao_contrário com as várias pernas a agitar se em o ar . O carro buzinou com mais força em frente de Harry e Ron e as portas abriram se . - Agarra o Fang - gritou Harry , ajeitando se em o lugar de a frente . Ron agarrou o cão caçador de javalis e lançou o a ganir para o banco de trás . As portas fecharam se com estrondo . Ron não tocou em o acelerador mas o carro não precisou de isso . O motor fez se ouvir e levantaram voo , batendo em mais aranhas . Subiram o declive , saindo de a cova e pouco depois atravessavam a floresta , os ramos a baterem em os vidros enquanto o carro seguia habilmente através de os intervalos maiores , por um caminho que obviamente já conhecia . Harry olhou para o Ron , a o seu lado . Ele tinha ainda a boca aberta em o mesmo grito silencioso mas os olhos já não estavam salientes . - Estás bem ? Ron olhou em frente , incapaz de responder . Começavam a descer para terra firme com o Fang a soltar enormes ganidos em o banco de trás e Harry viu o espelho retrovisor saltar quando passaram rente a um enorme carvalho . Após dez minutos bastante ruidosos , as árvores começaram a ser mais finas e Harry pôde ver de_novo pedaços de o céu . O carro parou tão bruscamente que quase foram projectados por o vidro de a frente . Tinham chegado a a orla de a floresta . O Fang ia agitadíssimo a a janela e quando Harry abriu a porta , disparou a correr através de as árvores até a a casa de o Hagrid , de cauda entre as pernas . Harry saiu também e um minuto depois o Ron pareceu recuperar a força em os membros e seguiu o , ainda com um torcicolo e de olhos esbugalhados . Harry deu uma palmadinha de agradecimento a o carro antes de ele dar a volta e desaparecer em direcção a a floresta . Harry voltou a a cabana de o Hagrid para buscar o manto de a invisibilidade . O Fang tremia em o seu cesto , coberto por um cobertor . Quando saiu de_novo , viu o Ron a vomitar junto de as abóboras . - Sigam as aranhas - disse ele debilmente , limpando a boca a a manga . - Nunca vou perdoar a o Hagrid . É uma sorte ainda estarmos vivos . - Aposto que ele pensou que Aragog nunca faria mal a os seus amigos - justificou Harry . - Esse é justamente o problema de o Hagrid - interrompeu Ron , dando um soco em a parede de a cabana . - Ele acha sempre_que os monstros não são tão maus como os pintam e vê onde isso o levou , a uma cela em Azkaban - tremia agora descontroladamente . - Qual a ideia de ele a o mandar nos ali ? Gostava de saber o que é_que descobrimos . - Que o Hagrid nunca abriu a Câmara_dos_Segredos - disse Harry , lançando o manto sobre Ron e tocando lhe em o braço para o encorajar a andar . - Ele estava inocente . Ron resmungou em voz alta . Para ele , chocar Aragog em uma despensa não era propriamente estar inocente . Quando se aproximaram de o castelo , Harry esticou o manto para garantir que os pés de ambos ficavam cobertos . Em seguida , empurrou as portas de a frente que chiaram . Atravessaram com todo o cuidado o * hall * de entrada e subiram a escadaria de mármore , contendo a respiração em os corredores guardados por sentinelas atentos . Por fim , chegaram a a segurança de a sala de os Gryffindor onde o lume ardera até se transformar em brasas brilhantes . Tiraram o manto e subiram a escada serpenteante que os levava a o dormitório . Ron caiu em a cama sem sequer se despir mas Harry , apesar_de tudo , não tinha sono . Sentou se em a beirinha de a cama , pensando em todas_as coisas que Aragog dissera . A criatura que andava por o castelo , pensou , era uma espécie de monstro Voldemort , nem os outros monstros queriam pronunciar o seu nome . Mas ele e o Ron não estavam agora mais perto_de descobrir o que era nem como petrificava as suas vítimas . Se nem o Hagrid chegara a saber o que estava em a Câmara_dos_Segredos ... Harry balançou as pernas e atirou se para_cima de a cama . Encostado a as almofadas olhou a Lua que brilhava através de a janela de a torre . Não sabia que mais poderiam fazer . Só tinham encontrado portas fechadas . Riddle apanhara a pessoa errada . O herdeiro de Slytherin fugira e ninguém sabia se era a mesma pessoa ou uma outra que abrira , desta_vez , a Câmara_dos_Segredos . Não havia mais ninguém a quem fazer perguntas . Harry deitou se ainda a pensar em as palavras de Aragog . Estava a começar a ficar com sono quando aquilo que parecia ser uma última esperança lhe ocorreu , fazendo o sentar se muito direito em a cama . - Ron - sussurrou em o escuro . - Ron . Ron acordou com um ganido como os de o Fang . Olhou muito assustado em volta e viu o Harry . - Ron , a rapariga que morreu . Aragog contou nos que ela foi encontrada em uma casa_de_banho - disse , ignorando os roncos de o Neville em o outro canto de o quarto . - E se ela nunca tivesse saído de a casa_de_banho ? E se ainda lá estiver ? Ron esfregou os olhos , franzindo as sobrancelhas sob a luz de a Lua . E só então compreendeu . -- Não pensar que ... a Murta_Queixosa ? XVI_A_Câmara_dos_Segredos -- E estivemos nós tantas vezes em aquela casa_de_banho com ela apenas a três cubículos de distância - disse o Ron amargamente em o dia seguinte , a a mesa de o pequeno-almoço . - Podíamos ter lhe perguntado e agora ... Já fora bastante difícil procurar as aranhas . Escapar a os professores o tempo suficiente para ir até a a casa_de_banho de as raparigas , que ficava mesmo em frente de o lugar onde ocorrera o primeiro ataque , ia ser quase impossível . Mas alguma coisa aconteceu que fez com que a Câmara_dos_Segredos desaparecesse de os seus pensamentos pela_primeira_vez em várias semanas . A professora Mc_Gonagall comunicou lhes que os exames começariam a 1_de_Junho , uma semana depois . - Exames ? - gritou Seamus_Finnigan . - Nós mesmo_assim vamos ter exames ? Ouviu se um estrondo atrás de o Harry quando a varinha de o Neville_Longbottom lhe escapou de a mão , fazendo desaparecer uma de as pernas de a secretária . A professora Mc_Gonagall repô a com a sua varinha e voltou se com má cara para o Seamus . - Se temos a escola aberta em uma altura de estas é para vocês receberem instrução - disse com dureza . - Os exames terão lugar , portanto , como é costume e espero que todos vocês façam revisões até lá . Revisões . Não passara por a cabeça de o Harry que houvesse exames com o castelo em aquele estado . Houve uma série de murmúrios revoltados , o que fez com que a professora Mc_Gonagall ficasse ainda mais mal-humorada . - As instruções de o professor Dumbledore foram para manter a escola a funcionar o mais normalmente possível - disse . - E isso , não preciso de vos dizer , passa por uma avaliação de o quanto vocês aprenderam a o longo de este ano . Harry olhou para baixo , para o casal de coelhos brancos que ele deveria transformar em pantufas . Que tinha ele aprendido durante o ano ? Não era capaz de se lembrar de nada que fosse útil em um exame . Ron estava como_se tivessem acabado de lhe dizer que a partir de aquele momento tinha de ir viver para a floresta proibida . - Estás a ver me a ter exames com isto tudo ? - perguntou a o Harry enquanto pegava em a varinha que tinha começado a assobiar bastante alto . Três dias antes de o primeiro exame , a a hora de o pequeno almoço , a professora Mc_Gonagall fez outra comunicação . - Tenho boas notícias - disse , e o salão em_vez_de se calar , explodiu de contentamento . - Dumbledore vai regressar ! - gritaram várias pessoas cheias de alegria . - Apanharam o herdeiro de Slytherin - arriscou uma rapariga em a mesa de os Ravenclaw . - Temos outra_vez os jogos de Quidditch - bradou Wood , excitadíssimo . Quando a agitação passou , Mc_Gonagall disse : - A professora Sprout informou me que as mandrágoras estão finalmente prontas para serem cortadas . Hoje a a noite vamos poder reanimar as pessoas que foram petrificadas . Escusado será dizer que certamente uma de elas poderá revelar nos quem ou o que a atacou . Eu tenho esperança que este ano pavoroso acabe com a prisão de o culpado . Houve uma explosão de aplausos . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e não ficou nada surpreendido a o ver que Draco_Malfoy não aplaudia . O Ron , por outro lado , estava satisfeito como ninguém o via havia dias . - Não faz mal não termos perguntado a a Murta . A Hermione vai , com certeza , ter todas_as respostas quando acordarem . Vai também ficar fula quando souber que temos exames dentro_de três dias . Ela não pôde fazer revisões . Seria melhor deixarem a estar onde está até a o final de os exames . Nessa_altura , Ginny_Weasley veio sentar se junto de o Ron . Parecia nervosa e tensa e Harry reparou que torcia as mãos em o colo . - O que se passa ? - perguntou o Ron , servindo se de mais papa de aveia . Ginny não disse nada mas olhou para um lado e para o outro de a mesa de os Gryffindor , com um olhar assustado que lembrou a Harry alguém que não sabia bem quem era . - Vá lá , vomita - disse o Ron , olhando para ela . Harry percebeu subitamente quem a Ginny lhe lembrara . Ela balançava se ligeiramente para a frente e para trás em a cadeira , exactamente como o Dobby fazia quando estava hesitante , à_beira_de revelar uma informação proibida . - Tenho de te dizer uma coisa - balbuciou a Ginny receosa , sem olhar para Harry . - O que é ? - perguntou ele . Ginny parecia incapaz de encontrar as palavras certas . - O quê ? - insistiu Ron . Ginny abriu a boca mas não saiu nenhum som . Harry inclinou se para a frente e falou devagar para que só ela e Ron pudessem ouvi o . - É alguma coisa relacionada com a Câmara_dos_Segredos ? Viste alguma coisa ou alguém a agir de forma estranha ? Ginny respirou fundo e , em esse preciso momento , apareceu Percy_Weasley com um ar pálido e cansado . - Se já acabaste de comer eu fico com esse lugar , Ginny . Estou cheio de fome . Acabei agora o meu trabalho de patrulhamento . Ginny deu um salto como_se a cadeira tivesse acabado de ser electrificada , lançou a o Percy um olhar assustado e zarpou . Percy sentou se e tirou uma caneca de o meio de a mesa . -- Percy - disse o Ron aborrecido . - Ela ia agora mesmo contar nos uma coisa importante . A meio de um gole de chá , Percy estremeceu . - Que coisa ? - perguntou , tossindo . - Eu quis saber se ela tinha visto alguma coisa estranha e ela ia dizer ... - Ah ! isso ... não tem nada que ver com a Câmara_dos_Segredos - disse o Percy de imediato . - Como sabes ? - indagou o Ron , erguendo as sobrancelhas . - Bem ... er ... já_que perguntam , a Ginny ... er ... passou por mim em outro dia quando eu ... er ... não foi nada , o importante é_que ela viu me fazer uma coisa e eu ... um ... pedi lhe para não comentar com ninguém . Não pensei que ela cumprisse a palavra , verdade se diga . Não é nada importante , eu só ... Harry nunca vira o Percy tão pouco a a vontade . - O que estavas a fazer , Percy ? - riu se o Ron . - Vá lá , conta que nós não nos rimos . Percy ficou sério . - Passa me esses pãezinhos , Harry , estou cheio de fome . Harry sabia que todo o mistério poderia ser desvendado em o dia seguinte sem a ajuda de eles mas não ia deixar de falar com a Murta_Queixosa se a oportunidade surgisse . E , para sua grande satisfação , ela surgiu a meio de a manhã quando eram conduzidos a a aula de História_da_Magia_por_Gilderoy_Lockhart . Lockhart , que tantas vezes lhes assegurara que o perigo tinha passado , estava agora totalmente convencido de que acompanhar os alunos em os corredores era um trabalho inútil . O seu cabelo estava mais liso do_que de costume . Parecia ter passado toda_a noite acordado a vigiar o quarto andar . - Podem escrever o que eu digo - afirmou , acompanhando os até uma esquina . - As primeiras palavras que vão sair de a boca de aquelas pobres pessoas petrificadas serão - * _ Foi_o_Hagrid * . Francamente , estou espantado por a professora Mc_Gonagall considerar ainda necessárias estas medidas de segurança . - Concordo , professor - disse Harry , fazendo com que Ron , surpreendido , deixasse cair os livros a o chão . - Obrigado , Harry - disse Lockhart amavelmente , enquanto deixavam passar uma grande fila de Hufflepuffs . - verdade é_que os professores já têm bastante que fazer para andarem também a acompanhar os alunos a as aulas e a guardar os corredores a a noite ... - É verdade - disse o Ron , percebendo a ideia . - Porque não nos deixa aqui , professor , só falta mais um corredor . - Sabes , Weasley , sou mesmo capaz de fazer isso - disse Lockhart . - Preciso de preparar a minha próxima aula . E apressou se a seguir o seu caminho . - Preparar a aula - zombou o Ron . - Vai encaracolar o cabelo , é o mais certo . Deixaram os restantes Gryffindor passar lhes a a frente e por fim cortaram caminho em um corredor lateral e dirigiram se a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mas quando estavam a congratular se por o seu esquema brilhante ... - Potter , Weasley ! Que estão vocês a fazer aqui ? Era a professora Mc_Gonagall e a boca de ela estava mais fina do_que nunca . - Nós estávamos , estávamos - gaguejou o Ron . - Nós íamos ver , íamos ver ... - Hermione - completou Harry . A professora Mc_Gonagall e Ron olharam para ele . - Não a vemos há séculos , professora - prosseguiu Harry , pisando o pé a o Ron . - E pensamos ir espreitá a a a ala hospitalar e dizer lhe que as mandrágoras estão quase prontas , para ela não se preocupar . A professora Mc_Gonagall estava ainda a olhar para ele e , por um momento , Harry pensou que ela ia explodir mas , quando falou , fê lo em um tom de voz estranhamente rouco . - É claro - disse . E Harry , espantado , viu uma lágrima a brilhar lhe em o canto de um de os olhos . - É claro . Eu compreendo que tudo_isto tem sido muito duro para os amigos de aqueles que foram ... eu compreendo , sim , Potter . Podem ir visitar Miss_Granger . Eu mesma informarei o professor Binns de que vocês estão em o hospital . Digam a Madam_Pomfrey que vos dei autorização . Harry e Ron afastaram se , quase sem acreditar que tinham escapado a um castigo . Quando voltaram em uma esquina ouviram nitidamente a professora Mc_Gonagall a assoar se . - Esta - disse o Ron entusiasmado - foi a melhor história que tu alguma vez inventaste . Não tinham outro remédio senão ir a a ala hospitalar e dizer a Madam_Pomfrey que tinham autorização de a professora Mc_Gonagall para visitar Hermione . Madam_Pomfrey deixou os entrar com alguma relutância . - Não vale a pena falar com uma pessoa petrificada - disse , e ambos tiveram que admitir que ela tinha razão quando se sentaram junto de Hermione e constataram que ela não tinha a menor noção de estar acompanhada . Dizer lhe que não se preocupasse ou falar com o armário que estava a o lado de a cama era exactamente a mesma coisa . - Será que ela viu quem a atacou ? - perguntou o Ron , olhando com tristeza para o rosto rígido de Hermione . - Porque se a coisa saltou sobre eles , ficaremos todos sem saber de nada . Mas Harry não olhava para o rosto de Hermione . Estava mais interessado em a sua mão direita que se encontrava pousada sobre os cobertores e , inclinando se para ela , viu que tinha , fechado entre os dedos , um pedaço de papel . Assegurando se de que Madam_Pomfrey não dava por nada , fez sinal a o Ron . - Tenta tirá o - murmurou ele , colocando a cadeira de_modo_a que Madam_Pomfrey não pudesse ver o Harry . Não foi tarefa fácil . A mão de a Hermione estava fechada com uma força tal que Harry receou parti a . Enquanto Ron vigiava , ele forçou e torceu até que , por fim , depois de vários minutos bastante tensos , conseguiu tirar o papel . Era uma página retirada de um livro muito antigo de a biblioteca . Harry alisou a ansiosamente e Ron inclinou se para poder lês a também . * _ De todos os monstros assustadores que pairam a a face de a Terra , nenhum é tão curioso nem tão fatal como o Basilisk , também conhecido por o rei de as serpentes . Esta cobra que pode atingir proporções gigantescas e viver durante muitas centenas de anos nasce de um ovo de galinha que é chocado por um sapo . As suas formas de matar são pavorosas pois além de os dentes venenosos e mortais , o Basilisk tem um olhar criminoso e todos aqueles que ele fixa com os olhos tem morte instantânea . As aranhas fogem a sete pés de o Basilisk que é seu inimigo mortal , e o Basilisk foge apenas de o canto de o galo que para ele é fatal * . Por debaixo de isto uma única palavra fora escrita , em a letra que Harry reconheceu como sendo de Hermione : Canos . Foi como_se se tivesse acendido uma luz em o seu espírito . - Ron - murmurou - é isso . Está aqui a resposta . O monstro de a Câmara_dos_Segredos é um Basilisk , uma serpente gigante . Por isso , só eu tenho ouvido a sua voz em todos os lugares , porque eu compreendo * serpentês * ... Harry olhou para as camas em volta . - O Basilisk mata as pessoas fixando as com o olhar mas ninguém morreu , o que quer_dizer que ninguém o olhou directamente em os olhos . Colin viu o através de a lente de a máquina fotográfica e o Basilisk queimou o rolo que estava lá dentro mas o Colin ficou apenas petrificado . O Justin ... o Justin deve ter visto o Basilisk através de o Nick quase sem cabeça . O Nick é_que levou com o olhar mas não podia morrer outra_vez ... e perto de a Hermione e de a prefeita de os Ravenclaw foi encontrado um espelho . Hermione acabara de compreender que o monstro era um Basilisk . Aposto que preveniu a primeira pessoa que encontrou de que era melhor olhar por um espelho a o virar de cada esquina . E aquela rapariga puxou de o seu espelho e ... O Ron estava de queixo caído . - E Mrs._Norris ? - perguntou vivamente . Harry pensou um_pouco , tentando imaginar a cena em a noite de o Halloween . - A água . . . - disse lentamente . - A poça de água que saiu de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Aposto que Mrs._Norris só viu o reflexo de o monstro . Examinou a folha de papel que tinha em a mão . Quanto_mais olhava mais sentido faziam as coisas . - * _ O cantar de o galo é fatal para ele * - leu em voz alta . - Os galos de o Hagrid foram mortos . O herdeiro de Slytherin não queria um único galo perto de o castelo , com a câmara aberta . * _ As aranhas são as primeiras a fugir * . Tudo encaixa . - Mas , como tem o Basilisk andado por aí ? - disse o Ron . - Uma serpente horrível e enorme ... alguém a teria visto . Mas Harry apontou para a palavra que Hermione escrevinhara em o final de a página . - Canos - disse . - Canos ... Ron , ele tem usado a canalização . Eu ouvi sempre a voz dentro de as paredes ... Ron agarrou subitamente o braço de o Harry . - A entrada para a Câmara_dos_Segredos - disse em uma voz rouca . - E se for em uma casa_de_banho ? Se for em a ... - Em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa - completou Harry . Sentaram se , tomados de uma excitação enorme , mal querendo acreditar . - Isso significa que - disse o Harry - eu não posso ser o único em a escola a falar * serpentês * . Há também o herdeiro de Slytherin . É de esse modo que tem controlado o Basilisk . - O que vamos fazer ? - perguntou Ron com os olhos a faiscar . - Vamos falar com a Mc_Gonagall ? - Vamos até a a sala de os professores - disse Harry , dando um salto . - Ela estará lá dentro_de dez minutos , está quase em o intervalo . Desceram a escada a correr . Não querendo ser descobertos outra_vez a vaguear por os corredores foram directamente até a a sala de os professores que estava deserta . Era uma divisão ampla , toda forrada , com cadeiras de madeira escura . Harry e Ron passearam de um lado para o outro , demasiado nervosos para se sentarem . Mas a campainha anunciando o intervalo nunca mais tocava . Em vez de isso , ecoando em os corredores , ouviram a voz de a professora Mc_Gonagall incrivelmente ampliada . - * _ Todos os alunos devem regressar de imediato a os seus dormitórios . Todos os professores a a sala de professores . Imediatamente , por favor * . Harry deu meia volta e olhou para o Ron . - Não me digas que houve um novo ataque , não agora ! - Que vamos fazer ? - disse o Ron aterrado . - Voltar para o dormitório ? - Não - disse Harry , olhando e m volta . Havia uma espécie de armário a a sua esquerda cheio com os mantos de os professores . - Ali . Vamos ouvir o que se passa . A seguir poderemos contar lhes o que descobrimos . Esconderam se dentro de o armário , ouvindo a algazarra de centenas de pessoas e a porta de a sala de professores a abrir se . De o meio de a confusão de mantos bafientos , viram os professores encherem a sala . Alguns tinham um ar totalmente confuso , outros pareciam apavorados . Por fim , chegou a professora Mc_Gonagall . - Aconteceu - disse em o silêncio de a sala de professores . - O monstro levou uma aluna . Levou a mesmo para a câmara . O professor Flitwick soltou um grito agudo . A professora Sprout bateu com a mão em a boca . Snape agarrou com força as costas de uma cadeira e perguntou : - Como pode ter tanta certeza ? - O herdeiro de Slytherin - disse a professora Mc_Gonagall , muito pálida . - Deixou outra mensagem . Mesmo por baixo de a primeira : « * _ O esqueleto de ela ficará para sempre em a Câmara_dos_Segredos * . » O professor Flitwick desatou a chorar . - Quem é ela ? - quis saber Madam_Hooch que se afundara em uma cadeira . - Quem é a aluna ? - Ginny_Weasley - disse a professora Mc_Gonagall . Harry viu o Ron , a o seu lado , escorregar silenciosamente até a o chão de o armário . - Vamos ter que mandar todos os alunos embora amanhã - disse a professora Mc_Gonagall . Isto_é o fim de Hogwarts , Dumbledore sempre disse ... A porta de a sala de os professores voltou a abrir se . Por um breve momento , Harry pensou que fosse Dumbledore mas era Lockhart e vinha todo sorridente . - Peço desculpa , adormeci . Perdi alguma coisa ? Não pareceu reparar que os outros professores o olhavam com uma espécie de aversão . Snape deu um passo em frente . - O homem que faltava - disse . - O homem certo . O monstro raptou uma garota , Lockhart levou a para a Câmara_dos_Segredos . O seu momento chegou . - Isso mesmo , Lockhart - acrescentou a professora Sprout . - Não estavas a dizer ontem a a noite que sempre tinhas sabido onde era a entrada para a Câmara_dos_Segredos ? - Eu ... bem ... eu-disse atabalhoadamente Lockhart . - Sim , não me disseste que sabias exactamente o que estava lá dentro ? - disse com voz esganiçada o professor Flitwick . - Eu disse ? Não me lembro ... - Lembro me perfeitamente de o ouvir dizer que lamentava não ter feito uma tentativa com o monstro antes de o Hagrid ser preso - disse Snape . - Não disse que toda_a história tinha sido uma atrapalhação e que deveriam ter lhe dado carta branca desde o princípio ? Lockhart olhou em volta para a cara de espanto de os colegas . - Eu ... nunca ... eu de facto ... deve ter me compreendido mal . - Então vamos deixar te , Gilderoy - disse a professora Mc_Gonagall . - Esta noite será uma excelente oportunidade para actuares . Nós trataremos de assegurar que ninguém te atrapalha . Vais poder enfrentar o monstro sozinho . Finalmente tens carta branca . Lockhart olhou desesperado a a sua volta mas ninguém foi salvá o . Já não estava bem-parecido . O lábio tremia lhe e a ausência de o seu habitual sorriso de dentes brancos dava lhe um ar escanzelado . - M-muito bem - disse . - Vou até a o meu escritório para ... para me preparar . E saiu de a sala . - _ óptimo - exclamou a professora Mc_Gonagall com as narinas dilatadas . - Isto deve afastá o de o nosso caminho . Os chefes de casa devem ir agora comunicar a os respectivos alunos o que se passou e informá os de que o Expresso_de_Hogwarts os levará a casa amanhã de manhã . Os restantes certifiquem se , por favor , de que não há alunos fora de os dormitórios . Os professores levantaram se e saíram um a um . Foi talvez o dia pior de a vida de o Harry . Ele , Ron , Fred e George sentaram se juntos a um canto em a sala comum de os Gryffindor , incapazes de proferir uma palavra . Percy não estava lá . Tinha ido tratar de enviar uma coruja a Mr. e Mrs._Weasley e , em seguida , fechara se em o dormitório . Nunca uma tarde custara tanto a passar e nunca a torre de os Gryfffindor estivera tão cheia de gente e tão silenciosa . Fred e George foram para a cama quase a o pôr de o Sol , incapazes de ficar ali mais tempo . - Ela sabia qualquer coisa , Harry - disse o Ron , falando pela_primeira_vez desde_que tinham saído de o armário de a sala de os professores . - Por isso a levaram . Não era nenhuma parvoíce sobre o Percy , ela tinha descoberto qualquer coisa sobre a Câmara_dos_Segredos . Com certeza por isso é_que a ... - Ron esfregou os olhos , enervadíssimo . - Afinal ela era sangue puro , não pode haver outra explicação . Harry olhava para o sol que mergulhava de um vermelho cor de sangue em a linha de o horizonte . Era a pior coisa que lhe tinha acontecido . Se pelo_menos pudessem fazer alguma coisa . - Harry - disse o Ron . - Achas que há alguma possibilidade de ela não estar ... ? Sabes o que eu quero dizer . Harry não sabia que resposta dar . Não acreditava que a Ginny pudesse ainda estar viva . - Sabes uma coisa ? - disse o Ron . - Acho que devíamos ir ter com o Lockhart , contar lhe o que sabemos . Ele vai tentar entrar em a câmara , podemos dizer lhe onde achamos que fica a entrada e contar lhe que o monstro é um Basilisk . Como Harry não tinha nenhuma ideia melhor e como queria fazer alguma coisa , concordou . Os Gryffindor que os rodeavam estavam tão tristes e com tanta pena de os Weasley que ninguém tentou impedi os quando os viram levantar se , atravessar a sala e sair por o buraco de o retrato . A escuridão começava a instalar se quando chegaram a o escritório de Lockhart onde a actividade era muita . De o corredor ouvia se o ruído de coisas a serem deitadas fora , pancadas surdas e passos apressados . Harry bateu a a porta e houve um silêncio repentino . Em seguida abriu se uma fresta de a porta e viram um de os olhos de Lockhart a espreitar . - Oh ! ... Mr._Potter ... Mr._Weasley - disse entreabrindo a porta . - Estou um_pouco ocupado em este momento , se forem rápidos ... - Professor , nós temos informações para lhe dar - disse o Harry . - Acho que poderão ajudá o . - Er ... bem ... não é - o lado de a cara de Lockhart que conseguiam ver parecia muito pouco a a vontade . - Quer_dizer ... bem ... está bem . Abriu a porta e eles entraram . O escritório estava praticamente vazio . Em o chão estavam duas grandes malas abertas . Mantos verde-jade , lilás , azul-noite tinham sido apressadamente dobrados e guardados dentro_de uma de as malas . Os livros misturavam se todos dentro de a outra . As fotografias que antes cobriam as paredes estavam agora arrumadas em caixas , em cima de a secretária . - Vai a algum lado ? - perguntou Harry . - Er ... bem ... sim - disse Lockhart , arrancando de a porta um poster seu em tamanho natural , enquanto falava , e começando a enrolá o . - Uma chamada urgente ... inevitável ... tenho que ir . - E a minha irmã ? - perguntou o Ron bruscamente . - Bem , quanto_a isso foi uma pena - disse Lockhart , evitando olhá os em os olhos , abrindo uma gaveta e começando a despejar o seu conteúdo dentro_de um saco . - Ninguém lamenta mais do_que eu ... - O senhor é o professor de Defesa contra as artes negras - disse Harry . - Não pode ir se embora agora_que todas estas coisas de magia negra estão a acontecer aqui . - Bem , devo dizer te que ... quando aceitei o lugar ... - resmungou Lockhart , empilhando soquetes sobre os mantos - nada em a descrição de o meu trabalho fazia prever ... - Quer_dizer que vai fugir ? - perguntou Harry , incrédulo . - Depois de todas_as coisas que conta em os seus livros ? - Os livros podem ser enganadores - disse Lockhart delicadamente . - Mas foi o senhor que os escreveu - gritou Harry . - Meu rapaz - disse Lockhart , endireitando se e franzindo as sobrancelhas - usa o senso comum . Os meus livros não teriam vendido metade do_que venderam se as pessoas não acreditassem que eu tinha feito todas aquelas coisas . Ninguém está interessado em ler sobre um velho feiticeiro americano mesmo_que ele tenha salvo uma cidade inteira de os lobisomens , ficaria péssimo em a capa . E a bruxa que correu com a fada carpideira tinha um lábio leporino . Como vês . - Quer_dizer que ficou com os louros por tudo_o_que uma série de outras pessoas fizeram ? - perguntou Harry , sem querer acreditar . - Harry , Harry - disse Lockhart , abanando impacientemente a cabeça . - Não é tão simples assim . Envolveu muito trabalho . Tive de localizar todas essas pessoas , perguntar lhes em pormenor como tinham feito as coisas . Depois tive de lhes fazer um feitiço antimemória para que não voltassem a lembrar se do_que tinham feito . Se há uma coisa de que me orgulho é de os meus feitiços antimemória . Não , tive muito trabalho , Harry . Não foram só as sessões de autógrafos e as fotografias , sabes ? Quem quer ser famoso tem de estar preparado para um trabalho longo e fatigante . Fechou as malas a a chave . - Vejamos - disse . - Acho que está tudo . Sim , só falta uma coisa . - Empunhou a varinha e voltou se para eles . - Lamento muito , rapazes , mas vou ter de vos fazer um feitiço antimemória . Não posso deixar que vão por aí repetir os meus segredos . Não venderia nem mais um livro . Harry pegou em a varinha mesmo a tempo e Lockhart mal tinha levantado a de ele a o ar quando Harry gritou * _ Expelliarmus ! * Lockhart foi projectado de costas , indo cair em cima de a mala . A varinha voou por os ares . Ron agarrou a e atirou a por a janela aberta . - Não devia ter deixado o professor Snape ensinar nos esta - disse Harry furioso , dando um pontapé a uma de as malas . Lockhart olhava para ele , de_novo escanzelado . Harry apontava lhe a varinha . - O que queres que eu faça ? - perguntou debilmente . - Eu não sei onde fica a Câmara_dos_Segredos . Não posso fazer nada . - Está com sorte - disse Harry , forçando o com a varinha a pôr se de pé . - Nós julgamos saber onde é e o que está lá dentro . Vamos . Conduziram Lockhart para fora de o seu escritório , desceram com ele as escadas e seguiram por o corredor escuro em cuja parede brilhavam as mensagens , até a a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mandaram Lockhart a a frente . Harry gostou de ver que todo ele tremia . A Murta_Queixosa estava sentada em a cisterna de o cubículo de o fundo . - Ah ! são vocês - disse a o ver o Harry . - O que querem agora ? - Perguntar te como morreste - disse Harry . O aspecto de a Murta mudou por completo . Parecia que nunca lhe tinham feito uma pergunta tão lisonjeira . - Ooooh ! Foi horrível - disse satisfeita . - Aconteceu aqui mesmo . Morri em este cubículo . Lembro me tão bem . Estava escondida porque a Olive_Hornby andava a implicar comigo por causa de os meus óculos . A porta estava fechada e eu estava a chorar e , então , ouvi alguém entrar . Disseram qualquer coisa estranha em uma língua diferente , acho eu . Mas o que mais me espantou foi o ser um rapaz a falar . Por isso , abri a porta para lhe dizer que fosse a a casa_de_banho de eles e em esse momento - a Murta inchou com ar importante , o rosto a brilhar - morri . - Como ? - perguntou Harry . - Não faço ideia - disse a Murta em um tom de voz abafado . - Só me lembro de ver dois grandes olhos amarelos , de o meu corpo ficar preso e em seguida , sentir me a flutuar ... - olhou sonhadoramente para Harry . - E depois voltei . Estava disposta a vingar me de a Olive_Hornby , percebes ? Ela ia arrepender se de ter gozado com os meus óculos . - Onde foi exactamente que viste os tais olhos ? - perguntou Harry . - Algures por aí - disse a Murta , apontando vagamente para o lavatório em frente de o seu cubículo . Harry e Ron apressaram se . Lockhart estava de pé , mais atrás , com uma expressão de pavor em o rosto . O lavatório parecia perfeitamente vulgar . Examinaram o centímetro a centímetro , dentro e fora , incluindo os canos por baixo . E foi então que Harry reparou : de lado , rabiscada em uma de as torneiras de cobre , estava uma cobra pequenina . - Essa torneira nunca funcionou - disse vivamente a Murta enquanto ele tentava abri a . - Harry - sugeriu o Ron . - Diz qualquer coisa em * serpentês * . Mas , pensou Harry , as únicas vezes que conseguira falar * serpentês * tinham ocorrido quando confrontado com uma verdadeira serpente . Olhou , concentrado para a pequena cobra gravada em o cobre , tentando imaginá a como verdadeira . - Abre te - disse . Olhou para o Ron que abanou a cabeça . - Inglês - disse ele . Harry voltou a olhar para a cobra , forçando se a acreditar que estava viva . A luz de a vela fez parecer que se movia . - Abre te - repetiu . Mas desta_vez as palavras não foram o que ele ouviu . Um estranho sibilar escapou lhe de a boca e a torneira ganhou uma luz branca e brilhante e começou a rodar . Logo_a_seguir o lavatório mexeu se . Afastou se , melhor dizendo , saiu de o caminho , deixando um grande cano a a vista , um cano onde cabia um homem . Harry ouviu a respiração arquejante de o Ron e olhou de_novo para ele . Já decidira o que queria fazer . - Vou descer - disse . Não podia deixar de ir , agora_que acabavam de descobrir a entrada para a câmara , existindo uma possibilidade , por mais remota que fosse , de a Ginny ainda estar viva . - Eu também - disse o Ron . Houve uma pausa . - Bem , parece que não precisam mais de mim - apressou se Lockhart a dizer com uma réstia de sorriso . - Eu vou . . . Pôs a mão em o puxador de a porta mas Ron e Harry apontaram lhe ambos as varinhas . -- O senhor pode ir a a frente - disse rispidamente o Ron . Pálido e sem varinha , Lockhart aproximou se de a entrada . - Meus rapazes - disse em uma voz débil . - Meus rapazes , para quê tudo_isto ? Harry tocou lhe em as costas com a varinha e ele meteu as pernas em o cano . - Eu não me parece que ... - começou a dizer , mas o Ron deu lhe um empurrão e ele desapareceu por o cano abaixo . Harry foi rapidamente atrás . Introduziu se lentamente e deixou se cair . Era como escorregar em uma pista escura e interminável . Ele via outros canos , estendendo se em todas_as direcções mas nenhum tão largo como o de eles que se torcia e virava , inclinando se abruptamente . Harry sabia que estavam a chegar a um ponto muito abaixo de a escola e de os calabouços . Atrás_de si , ouvia o Ron gemendo em cada curva . E então , quando começava a preocupar se com o que iria acontecer quando tocassem em o chão , o cano tornou se horizontal e ele foi projectado com um ruído surdo , indo aterrar em o chão húmido de um túnel de pedra com altura suficiente para ele se pôr de pé . Lockhart estava a levantar se a alguma distancia , todo enlameado e pálido como um fantasma . Harry afastou se para deixar o Ron sair também de o cano . - Devemos estar quilómetros e quilómetros abaixo de a escola - disse o Harry cuja voz ecoou em o túnel negro . - Talvez até debaixo de o lago - arriscou o Ron , olhando em volta para as paredes escuras e viscosas . Voltaram se os três para olhar para a escuridão lá a o fundo . - * _ Lumus ! * - murmurou Harry a a varinha e ela voltou a acender se . - Vamos - disse a o Ron e a o Lockhart e avançaram , os passos a chapinharem ruidosamente em o chão molhado . O túnel era tão escuro que só conseguiam ver alguns centímetros a a frente . As suas sombras em as paredes molhadas pareciam monstruosas a a luz de a varinha . - Lembrem se - disse Harry baixinho enquanto caminhavam . - A o menor movimento fechem logo os olhos ... Mas o túnel era silencioso como um túmulo e o primeiro som inesperado que ouviram foi um grito de o Ron que escorregou em uma coisa que era afinal a cauda de um rato . Harry baixou a varinha para olhar para o chão e viu que estava cheio de pequenos ossos de animais . Fazendo um enorme esforço para evitar pensar em que estado iriam encontrar a Ginny , avançou até uma curva escura de o túnel . - Harry , está aqui qualquer coisa - disse o Ron com voz rouca , agarrando Harry por o ombro . Ficaram estáticos a olhar . Harry só conseguia ver a silhueta de algo enorme e curvo deitado em o túnel . Fosse o que fosse não se movia . - Talvez esteja a dormir - murmurou , olhando para os outros dois . Lockhart tapava os olhos com as mãos . Harry voltou se para olhar para a criatura com o coração a bater tanto que lhe doía em o peito . Lentamente , com os olhos quase fechados mas ainda conseguindo ver , Harry avançou com a varinha levantada . A luz deslizou sobre uma gigantesca pele de serpente , de um verde vivo e venenoso que estava vazia e enrolada em o chão de o túnel . A criatura que a abandonara devia ter , pelo_menos , seis metros e meio de comprimento . - Bolas - disse o Ron , perdendo as forças . Houve um movimento súbito atrás de eles . As pernas de Gilderoy_Lockhart cederam . - Levante se - disse o Ron de uma forma cortante , apontando lhe a varinha . Lockhart pôs se de pé . Em seguida empurrou o Ron , atirando o a o chão . Harry deu um salto , mas ... tarde de mais . Lockhart endireitava se com a varinha de o Ron em as mãos e um sorriso em o rosto . - A aventura acaba aqui , rapazes - disse . - Vou levar um bocado de esta pele de cobra para a escola , contar lhes que foi demasiado tarde para salvar a garota e que vocês os dois perderam tragicamente a memória com a visão de o seu corpinho mutilado . Digam adeus a as vossas recordações . Levantou a o ar a varinha avariada de o Ron e gritou * _ Obliviate ! * A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba . Harry pôs os braços sobre a cabeça e correu , escorregou em os anéis de a pele de cobra , afastando se de os grandes pedaços de tecto de o túnel que caíam em o chão com o ruído de trovões . Pouco depois estava sozinho , olhando para uma sólida parede de rocha partida . - Ron - gritou ele . - Estás bem , Ron ? - Estou aqui - respondeu a voz abafada de o Ron por detrás de a avalancha de rochas . - Eu estou bem mas este sujeito não . A varinha avariou o todo . Ouviu se um ruído surdo e um Oh ! gritado . Parecia que o Ron tinha acabado de dar a o Lockhart um pontapé em as canelas . - E agora ? - disse a voz de o Ron que parecia desesperada . - Não podemos passar , vai demorar séculos . Harry olhou para o tecto de o túnel onde tinham aparecido grandes fendas . Ele nunca tentara partir , através de a magia , nada tão grande como aquelas rochas e agora não lhe parecia ser o melhor momento para fazer experiências . E se o túnel abatesse ? Houve um ruído surdo e outro Oh ! atrás de as rochas . Estavam a perder tempo . A Ginny já estava havia duas horas em a Câmara_dos_Segredos . Harry sabia que só havia uma coisa a fazer . - Espera aqui - gritou a o Ron . - Fica com o Lockhart , eu vou lá . Se não voltar dentro_de uma hora ... Houve um silêncio cheio . - Eu vou ver se desloco um_pouco esta rocha - disse o Ron , tentando manter a voz firme . - Para tu poderes passar . E , Harry ... - Até já - disse o Harry , procurando injectar confiança em a sua voz trémula . E passou sozinho para lá de a imensa pele de serpente . Em_breve , o ruído de o Ron , tentando deslocar a rocha , deixou de se ouvir . O túnel virou uma e outra_vez . Os nervos de o corpo de o Harry tangiam de forma desagradável . Ele só queria que o túnel chegasse a o fim , fosse o que fosse que o aguardasse . E então , finalmente , quando atingiu a última curva , viu em a sua frente uma parede sólida que tinha gravadas duas serpentes enroladas uma em a outra , cujos olhos eram quatro esmeraldas , enormes e brilhantes . Harry aproximou se com a garganta seca . Não foi preciso imaginar que as serpentes eram autênticas . Os seus olhos pareciam estranhamente vivos . Foi fácil descobrir o que tinha de fazer . Pigarreou e os olhos de esmeraldas pareceram mexer se . - Abre te - disse Harry em um sibilar baixo . As serpentes desapareceram enquanto a parede se abria a o meio e , a tremer de os pés a a cabeça , Harry entrou . XVII_Herdeiro_de_Slytherin_Estava de pé em o fundo de uma divisão enorme , fracamente iluminada . Altíssimos pilares de pedra , cheios de serpentes gravadas que os enlaçavam , erguiam se , suportando um tecto que se perdia em a escuridão e que lançava sombras negras imensas através de a estranha luz esverdeada que enchia o local . Com o coração a bater descompassadamente , Harry ficou parado a ouvir aquele silêncio arrepiante . Estaria o Basilisk escondido em um canto cheio de sombras , atrás_de algum pilar ? E onde estaria Ginny ? Pegou em a varinha e avançou a o longo de as colunas serpenteantes . Cada_um de os seus passos provocava um enorme eco em as paredes sombrias . Harry tinha os olhos semicerrados e estava pronto para os fechar a o mais pequeno movimento . As órbitas de olhos fundos de as serpentes de pedra pareciam segui o . Por mais de uma_vez , com o estômago a dar um salto , Harry julgou vê os moverem se . Por fim , chegado a o nível de os dois últimos pilares , avistou uma estátua de a altura de a própria câmara que estava encostada a a parede de o fundo . Harry tinha de esticar o pescoço para olhar para_cima , para a cara de o gigante : era velho e com um ar simiesco , tinha uma barba enorme que lhe caía quase onde acabava a longa túnica de pedra . Os dois pés imensos e cinzentos pousavam em o chão de a câmara . E entre eles , voltada para baixo , estava uma figura pequenina vestida de preto com um cabelo flamejante . - Ginny - murmurou Harry , chegando perto de ela e ajoelhando se . - Ginny , por favor não estejas morta , não estejas morta ! Atirou a varinha para o lado , agarrou Ginny por os ombros e voltou a . O rosto de ela estava branco e frio como o mármore , contudo os olhos encontravam se fechados , portanto não estava petrificada . Mas então devia estar ... - Ginny , acorda por favor - repetiu Harry desesperado , sacudindo a . A cabeça de ela andava de um lado para o outro . - Ela não vai acordar - disse secamente uma voz . Harry deu um salto e girou sobre os joelhos . Um rapaz alto , de cabelo preto , estava encostado a o pilar mais próximo , a observá o . As sombras desfocavam o como_se Harry o visse através_de uma janela embaciada . Mas não havia como confundis o . - Tom , Tom_Riddle ? Riddle acenou , sem tirar os olhos de o rosto de Harry . - O que queres dizer com isso de ela não acordar ? - perguntou Harry desesperado . - Ela não está ... não está ? - Está viva - disse Riddle . - Mas , por um fio . Harry olhou fixamente para ele . Tom_Riddle estivera em Hogwarts há cinquenta anos atrás . Contudo , ali estava com uma luz estranha e desfocada a iluminá o , sem um dia a mais do_que os seus dezasseis anos . - És um fantasma ? - perguntou Harry . - Uma memória - disse Riddle . - Preservada em um diário durante cinquenta anos . Apontou para os pés de a estátua gigantesca . Ali , aberto em o chão , estava o pequeno diário de capa preta que Harry tinha encontrado em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Durante um segundo , Harry perguntou a si próprio como teria ido ali parar , mas havia coisas mais importantes a fazer . Preciso de a tua ajuda , Tom - disse Harry , levantando de_novo a cabeça de a Ginny . - Temos de sair de aqui . Há_um_Basilisk ... não sei onde está mas pode aparecer a qualquer momento . Por favor , ajuda me . Riddle não se mexeu . Harry , a transpirar , conseguiu levantar ligeiramente a Ginny de o solo e inclinou se para pegar em a varinha mas ela tinha desaparecido . - Viste a ... ? Olhou para_cima . Riddle continuava a olhá o , fazendo girar a varinha entre os dedos longos . - Obrigado - disse Harry , esticando o braço para a agarrar . Um sorriso surgiu então em os cantos de a boca de Riddle que continuou a olhar para ele , girando indolentemente a varinha . - Ouve , pá - disse Harry sem querer perder mais tempo , os joelhos a vergarem sob o peso morto de Ginny - temos de ir . Se o Basilisk aparece ... - Ele não vem enquanto não for chamado - disse Riddle com toda_a calma . Harry voltou a pousar Ginny em o chão , incapaz de a segurar por mais tempo . - Que queres dizer com isso ? - perguntou . - Dá me a minha varinha , posso precisar de ela . O sorriso de Riddle ampliou se . - Não vais precisar de ela - disse . Harry olhou o espantado . - O que queres dizer , não vou ? - Esperei muito_tempo por isto , Harry - disse Riddle . - Pela possibilidade de te ver , de falar contigo . - Olha , eu acho que tu não estás a perceber - disse Harry , perdendo a paciência . - Estamos em a Câmara_dos_Segredos , podemos conversar mais tarde . - Vamos conversar agora - disse Riddle , sorrindo de orelha a orelha e guardando a varinha de Harry em o bolso . Harry voltou a olhar para ele . Havia qualquer coisa de muito estranho em tudo aquilo . - Como é_que a Ginny ficou assim ? - perguntou pausadamente . - Bem , essa é uma pergunta interessante - disse Riddle , divertido . - E uma longa história , também . Julgo que o verdadeiro motivo que levou Ginny_Weasley a ficar assim foi o ter aberto o seu coração e revelado todos os seus segredos a um estranho ser invisível . - De quem estás a falar ? - perguntou Harry . - De o diário - disse Riddle . - De o meu diário . A Ginny escreve nele há meses e meses , contando me todas_as suas lamentáveis desgraças e atribulações : como os irmãos a arreliam , que teve de vir para a escola com manto , túnica e livros em segunda mão - os olhos de Riddle brilharam -- , que acha que o maravilhoso , o grande , o famoso Harry_Potter nunca vai gostar de ela ... Enquanto falava , nunca os olhos de Riddle se afastaram de a cara de o Harry . Havia em eles um olhar ávido . - É muito chato ter de ouvir as preocupações idiotas de uma garotinha de onze anos - prosseguiu . - Mas eu fui paciente . Respondi lhe , mostrei me simpático e amável . A Ginny pura e simplesmente adorou me . - * _ Nunca ninguém me compreendeu como tu , Tom ... estou tão feliz por ter este diário a quem me confiar ... é como ter um amigo que pode andar em o meu bolso * ... Riddle riu se . Um riso alto , frio , que não lhe ficava bem . Fez com que os cabelos de o pescoço de Harry se arrepiassem todos . - Verdade se diga que sempre consegui encantar as pessoas necessárias . Portanto a Ginny verteu em mim a sua alma e a alma de ela era precisamente o que eu queria . Fortaleceu me . Alimentei me de os seus medos mais profundos , de os seus mais obscuros segredos . Fui ficando cada_vez_mais forte e poderoso . Muito mais poderoso do_que a pequena Miss_Weasley até que comecei a transmitir lhe alguns de os meus segredos , a passar um_pouco de a minha alma para ela ... - O que queres dizer ? - perguntou Harry cuja boca ficara totalmente seca . - Ainda não descobriste , Harry_Potter ? - disse Riddle muito baixo . - Giony_Weasley abriu a Câmara_dos_Segredos , estrangulou os galos de a escola e escreveu mensagens assustadoras em as paredes . Atiçou a serpente de Slytherin contra quatro sangues de lama e contra o gato de o busca-pé . - Não - murmurou Harry . - Sim - disse calmamente Riddle . - É claro que a princípio não sabia o que estava a fazer . Era muito divertido . Gostava que visses as coisas que escreveu em o diário , começaram a ficar muito mais interessantes . * _ Querido_Tom * - recitou ele , olhando para a expressão horrorizada de o Harry . - * _ Acho que estou a perder a memória . Há penas de galo em todas_as minhas roupas e eu não sei como foram lá parar . Querido_Tom , não me lembro do_que fiz em a noite de o Hallowe'en mas foi atacada uma gata e eu estou cheia de tinta em a cara . Querido_Tom , o Percy não pára de me dizer que ando pálida e não pareço eu . Acho que ele suspeita de mim ... Houve outro ataque hoje e eu não sei onde estava . Tom , que vou eu fazer ? Acho que estou a ficar maluca ... acho que ando a atacar toda_a_gente , Tom ! * Harry tinha os punhos fechados , as unhas cravadas contra a palma de as mãos . - Levou muito_tempo até a pequenina estúpida deixar de confiar em o diário - disse Riddle . - Mas acabou por ficar desconfiada e tentou livrar se de ele . E é aí que tu entras , Harry . Tu encontraste o . E eu não poderia ter ficado mais satisfeito . De todas_as pessoas que poderiam ter ficado com ele , foste tu , aquele que eu ambicionava conhecer ... - E porque querias conhecer me ? - perguntou Harry . Começava a ser tomado por a raiva e fez um esforço para manter o tom de voz controlado . - Bem , a Ginny contou me tudo a teu respeito - disse Riddle . - A tua fascinante história . - Os seus olhos pousaram em a cicatriz em a testa de Harry e a sua expressão ganhou maior avidez . - Sabia que devia descobrir mais a teu respeito , falar te , encontrar me contigo se fosse possível . Por isso , para ganhar a tua confiança , resolvi mostrar te a famosa captura que fiz de aquele demente de o Hagrid . - O Hagrid é meu amigo - disse Harry já com a voz a tremer . - E tu tramaste o , não foi ? Pensei que tinha sido um engano , mas ... Ele riu se . O mesmo riso de antes . - Era a minha palavra contra a palavra de ele . Imagina a cara de o velho Armando_Dippet . De um lado Tom_Riddle , pobre mas brilhante , sem pais mas corajoso , prefeito de a escola , um modelo de aluno . De o outro lado , o Hagrid , grande e disparatado , arranjando problemas semana sim , semana não , tentando criar filhotes de lobisomens debaixo de a cama , escapando se para a floresta proibida para lutar com gigantes . Mas , devo admitir que até eu próprio fiquei admirado com os excelentes resultados de o meu plano . Pensei que alguém perceberia que o Hagrid nunca poderia ser o herdeiro de Slytherin . Demorei cinco anos inteirinhos até descobrir tudo_o_que me foi possível sobre a Câmara_dos_Segredos e a sua entrada secreta ... como_se o Hagrid tivesse cabeça ou poder ! - Só o professor de Transfiguração , Dumbledore , parecia achar que ele estava inocente . Convenceu Dippet a mantê o aqui e a treiná o como guarda de os campos . Sim , é natural que Dumbledore tenha adivinhado , nunca gostou de mim como os outros professores . - Aposto que Dumbledore viu através_de ti - disse Harry , de dentes cerrados . - Pelo_menos passou a vigiar me de perto , a partir de o momento em que o Hagrid foi expulso - disse Riddle descuidadamente . - Eu sabia que não era seguro voltar a abrir a câmara enquanto ainda estava em a escola mas não ia desperdiçar os longos anos que passara a pesquisar . Decidi , por isso , deixar um diário preservando em as suas páginas o meu ego de dezasseis anos para que um dia , com um_pouco de sorte , pudesse levar outro a seguir os meus passos e acabar o nobre trabalho de Salazar_Slytherin . - Bem , não o acabaste - disse Harry triunfante . - Ninguém morreu até agora , nem mesmo a gata . Dentro_de poucas horas a poção de mandrágoras estará pronta e todos os que foram petrificados voltarão de_novo a si . - Não acabei de te dizer que matar sangues de lama já não me interessa ? Há muitos meses que o meu alvo és tu . Harry olhou para ele . - Podes imaginar como fiquei furioso quando em outro dia o diário foi aberto e vi que era a Ginny quem estava a escrever e não tu . Ela viu te com o diário e entrou em pânico . E se tu descobrisses como trabalhar com ele e eu te repetisse todos os seus segredos ? Ainda pior , e se eu te contasse quem tinha andado a estrangular os galos ? Por isso , a grande palerma esperou que o teu dormitório estivesse deserto e foi lá roubá o . Mas eu sabia o que tinha de fazer . Estava muito claro para mim que a tua meta era o herdeiro de Slytherin . Por tudo_o_que a Ginny me contara a teu respeito , sabia que irias até onde fosse preciso para desvendar o mistério , principalmente se um de os teus melhores amigos tivesse sido atacado . E a Ginny disse me que a escola toda bichanava por tu falares * serpentês * ... Por isso , obriguei a Ginny a escrever a sua própria despedida em a parede , a vir até aqui e esperar . Ela debateu se e gritou e ficou muito chatinha . Mas , já não tem muita vida : pôs grande parte de ela em o diário , deu me a . O suficiente para eu abandonar , por fim , as suas páginas . Desde_que aqui cheguei que estou a a tua espera . Sabia que virias . Tenho muitas perguntas a fazer te , Harry_Potter . - Que perguntas ? - disse Harry com os punhos fechados . - Bem - prosseguiu Riddle , sorrindo de satisfação : - Como é_que um bebé sem especiais talentos de magia foi capaz de derrotar o maior feiticeiro de sempre ? Como conseguiste escapar só com uma cicatriz quando os poderes de Lord_Voldemort foram destruídos ? Havia agora em os seus olhos um brilho vermelho e irado . - O que é_que te interessa saber como eu escapei ? - disse Harry lentamente . - Voldemort veio depois de ti . - Voldemort - disse Riddle - é o meu passado , o meu presente e o meu futuro , Harry_Potter ... Tirou a varinha de o Harry de o bolso e começou a escrever em o ar três palavras brilhantes : TOM_MARVOLO_RIDDLE_Em seguida , fez um gesto com a varinha e as letras de o seu nome reagruparam se de outro modo . : __ eu sou lord __ voldemort ( I am Lord_Voldemort ) . - Vês ? - murmurou . - Era um nome que eu já usava em Hogwarts , para os meus amigos mais íntimos apenas , como é óbvio . Achas que ia usar para sempre o nome nojento de o meu pai Muggle ? Eu , em cujas veias , por o lado materno , corre o sangue de Salazar_Slytherin ? Eu , manter o nome de um Muggle tolo que me abandonou ainda antes de eu nascer só porque descobriu que a mulher com quem casara era uma bruxa ? Não , Harry , arranjei um novo nome , um nome que eu sabia que os feiticeiros de todo_o_mundo viriam um dia a ter medo de pronunciar , quando eu me tivesse tornado o maior feiticeiro de o mundo . A cabeça de Harry parecia bloqueada . Olhou como_que paralisado para Riddle , para o rapaz de o orfanato que depois de crescer iria matar os seus pais e tantos outros . Por fim , com algum esforço conseguiu falar . - Não és - disse em uma voz calma e cheia de ódio . - Não sou o quê ? - perguntou Riddle irritado . - Não és o maior feiticeiro de o mundo - disse Harry com a respiração acelerada . - Lamento desiludir te mas o maior feiticeiro de o mundo é Albus_Dumbledore . Toda_a_gente sabe . Mesmo tu , quando tinhas força , não ousavas tentar aproximar te de Hogwarts . Dumbledore viu através_de ti quando andavas em a escola e ainda agora te assusta onde quer que te escondas . O sorriso desaparecera de o rosto de Riddle , fora substituído por um olhar furioso . - Dumbledore foi afastado de este castelo por a minha simples memória - sibilou . - Ele não está tão longe como pensas - retorquiu Harry . Falava por falar , tentando assustar Riddle , desejando mais que assim fosse do_que acreditando em as suas palavras como uma verdade . Riddle abriu a boca mas não chegou a falar . Tinha começado a ouvir se uma música . Riddle deu uma volta , olhando para a câmara vazia . A música estava a ficar mais alta . Era misteriosa , arrepiante , sobrenatural . Fez_Harry ficar com os cabelos em pé e o coração aumentar lhe em o peito . Por fim , quando atingiu um ponto tão alto que Harry a sentiu vibrar dentro de as suas costelas , começaram a sair chamas de o topo de o pilar mais próximo . Uma ave carmesim de o tamanho de um cisne surgiu , assobiando a sua estranha melodia para o tecto em forma de abóbada . Tinha uma cauda dourada tão longa como a de um pavão e garras douradas e brilhantes que seguravam uma trouxa andrajosa . Segundos depois , a ave voava em direcção a Harry . Deixou cair a coisa andrajosa a os seus pés e pousou lhe pesadamente em o ombro . Quando abriu as enormes asas , Harry olhou para_cima e viu que tinha um longo bico afiado e olhos escuros pequenos e brilhantes . A ave parou de cantar . Ficou quieta junto de a cara de Harry , olhando fixamente para Riddle . - É uma fénix , disse Riddle , olhando sagazmente para ela . - Fawkes ? - murmurou Harry e sentiu as garras douradas apertarem lhe devagarinho o ombro . - E aquilo - disse Riddle , olhando para a coisa velha que Fawkes deixara em o chão - é o velho chapéu seleccionador , de a escola . Era , de facto . Amachucado , puído e sujo , o chapéu jazia imóvel a os pés de Harry . Riddle começou a rir . Riu se tanto que a câmara escura se lhe juntou em um eco tal que parecia que dez Riddles se riam ao_mesmo_tempo . - Eis o que Dumbledore envia a o seu defensor . Um pássaro que canta e um chapéu velho . Estás cheio de coragem , Harry_Potter ? Sentes te agora mais seguro ? Harry não respondeu . Podia não estar a ver a vantagem de a Fawkes ou de o chapéu seleccionador mas já não se sentia só , e esperou corajosamente que Riddle parasse de rir . - Vamos a o que importa , Harry - disse ele , ainda com um enorme sorriso . - Encontrámo nos duas vezes em o teu passado , em o meu futuro . E duas vezes falhei a o tentar matar te . Como foi que sobreviveste ? Conta me tudo . Quanto_mais falares , mais tempo tens de vida . Harry pensava rapidamente , medindo as suas possibilidades . Riddle tinha a varinha . Ele , Harry , tinha a Fawkes e o chapéu seleccionador que não lhe serviriam de muito em o combate . As coisas pareciam más , é certo . Mas quanto_mais tempo Riddle ali estivesse , mais vida retirava a a Ginny ... e , entretanto , Harry reparou que a silhueta de Riddle se tornava mais nítida , mais sólida . Se tinha de haver uma luta entre os dois , quanto_mais depressa melhor . - Ninguém sabe porque perdeste os poderes quando me atacaste - disse bruscamente . - Eu próprio não sei . Mas sei porque não conseguiste matar me . A minha mãe morreu para me salvar . A minha mãe , uma vulgar filha de Muggles - acrescentou , a tremer de raiva . - Ela impediu que tu me matasses . E eu vi te como tu és , em o ano passado . És um destroço , quase não existes . Foi onde o teu poder te levou . Estás sob um disfarce , és horrível e és louco . O rosto de Riddle contorceu se . Em seguida , forçou um sorriso pavoroso . - Quer_dizer , então , que a tua mãe morreu para te salvar . Sim , é um antifeitiço poderoso . Compreendo agora , afinal não há em ti nada de especial . Eu tinha curiosidade , sabes , porque há uma estranha semelhança entre nós , Harry_Potter . Até tu deves ter reparado . Somos ambos meio sangue , órfãos , educados com Muggles , provavelmente os dois únicos que falam * serpentês * desde o grande Slytherin , até nos parecemos um_pouco fisicamente ... mas afinal foi apenas uma questão de sorte que te salvou de mim . Era o que eu queria saber . Harry ficou parado , tenso , a a espera que Riddle levantasse a varinha mas o seu sorriso cínico ampliou se de_novo . - Agora , Harry , vou dar te uma pequena lição . Vamos confrontar os poderes de Lord_Voldemort , herdeiro de Salazar_Slytherin e de o famoso Harry_Potter , munido com as melhores armas que Dumbledore lhe deu . Lançou um olhar divertido a a Fawkes e a o chapéu seleccionador e , em seguida , afastou se . Harry com as pernas entorpecidas por o medo viu o parar entre dois pilares altos e olhar para a cara de pedra de Slytherin , lá em cima em a semi-obscuridade . Riddle abriu a boca e sibilou mas Harry compreendeu o que ele dizia . - * _ Responde-me , Slytherin , o maior de os quatro de Hogwarts * . Harry voltou se para olhar melhor para a estátua com Fawkes pousada em o ombro . A gigantesca cara de pedra de Slytherin movia se . Horrorizado , Harry viu a boca abrir se mais e mais até se transformar em um buraco negro . E algo se agitava dentro de a boca de a estátua . Algo se arrastava para fora de as suas entranhas . Harry recuou até a a parede escura de a câmara e enquanto fechava os olhos com força sentiu a asa de a Fawkes roçar lhe o rosto e levantar voo . Harry quis gritar : - Não me abandones ! - mas que possibilidades tinha uma fénix contra o rei de as serpentes ? Uma coisa enorme bateu em o chão de pedra que Harry sentiu estremecer . Sabia o que estava a acontecer , podia sentis o , quase podia ver a serpente gigantesca a sair de a boca de Slytherin . Foi então que ouviu a voz de Riddle sibilar : * _ Mata-o * . O Basilisk avançava em direcção a Harry . Ele ouvia o seu corpo enorme escorregar pesadamente por o chão cheio de pó . Com os olhos sempre fechados , Harry começou a correr para o lado , a as cegas , com as mãos abertas a tactear o caminho . Riddle ria se a as gargalhadas . Harry escorregou e caiu em o chão de pedra e a boca soube lhe a sangue . A serpente estava a poucos centímetros de ele . Podia ouvi a a aproximar se . Ouviu se um crepitar explosivo por cima de ele e alguma coisa pesada bateu lhe com tanta força que ele ficou encostado a a parede . Esperando que os dentes de a serpente lhe perfurassem o corpo , ouviu mais ruídos e qualquer coisa que se agitava com força contra os pilares . Não conseguiu evitar . Abriu bem os olhos para ver o que se passava . A enorme serpente , brilhante , de um verde veneno , espessa como o tronco de um carvalho , erguera se em o ar e a sua imensa cabeça agitava se de um lado para o outro , entre os dois pilares . Quando Harry , a tremer , se preparava para fechar de_novo os olhos , percebeu o que distraíra a cobra . Fawkes esvoaçava em volta de a sua cabeça e o Basilisk , furioso , tentava agarrá a com os dentes longos e afiados como sabres . Fawkes mergulhava . Harry deixou de ver o bico fino e dourado e uma brusca chuva de sangue escuro inundou o chão . A cauda de a serpente agitou se , não batendo em o Harry por_pouco e antes que ele pudesse fechar os olhos voltou se . Harry olhou lhe para a cara e viu que os seus olhos , os dois olhos amarelos e bolbosos tinham sido perfurados por a fénix . O sangue escorria por o chão e a serpente cuspia cheia de dores . - * _ Não * - Harry ouviu o grito de Riddle . - * _ Deixa a ave , deixa a ave , o rapaz está atrás_de ti , ainda podes cheirá o . Mata o ! * A serpente cega oscilou confusa , ainda em fúria . Fawkes andava a a volta de a cabeça de ela soprando a sua misteriosa cantilena , picando lhe aqui_e_ali o nariz cheio de escamas , enquanto o sangue jorrava de os seus olhos destruídos . - Ajudem me . Ajudem me - murmurava Harry aflito . - Alguém , ajude me . A cauda de a serpente chicoteou de_novo o chão . Harry baixou se . Algo macio tocou lhe em o rosto . O Basilisk lançara o chapéu seleccionador para os braços de o Harry que o agarrou . Era tudo_o_que tinha , a sua única esperança . Enfiou o em a cabeça e começou a ficar achatado contra o chão , enquanto a cauda de o Basilisk se lançava de_novo sobre ele . - Ajudem me , ajudem me - pensou Harry , os olhos comprimidos debaixo de o chapéu . - Por favor , ajudem me . Nenhuma voz lhe respondeu . Em vez de isso , o chapéu contraiu se como_se uma mão invisível o tivesse espalmado devagarinho . Alguma coisa muito dura e pesada caíra sobre a cabeça de Harry , conseguindo quase derrubá o . A ver estrelas em frente de os olhos , agarrou o chapéu para o puxar para baixo e sentiu lá dentro uma coisa longa e dura . Uma espada brilhante tinha surgido dentro de o chapéu . Tinha um cabo cravejado de rubis de o tamanho de pequenos ovos . - Mata o rapaz , deixa a ave . O rapaz está atrás_de ti . Cheira o ! Harry estava de pé , preparado . A cabeça de o Basilisk caía , o corpo serpenteava , batendo nos pilares quando se torcia para ficar de frente para ele . Harry podia ver as enormes órbitas ensanguentadas , a boca toda aberta , suficientemente grande para o engolir inteiro , munida de dentes tão longos como a sua espada , finos , brilhantes , venenosos ... Começou a atacar a as cegas . Harry baixou se e a serpente bateu em a parede de a câmara . Atacou de_novo e a sua língua bifurcada lambeu a parede ao_lado_de Harry que levantou a espada com ambas as mãos . O Basilisk investiu mais_uma_vez e agora a pontaria foi certa . Harry pôs todo o seu peso contra a espada e enterrou a até a os copos em o céu de a boca de a serpente . Mas quando o sangue quente lhe encheu os braços , sentiu uma dor aguda mesmo acima de o cotovelo . Um longo dente venenoso penetrava cada_vez_mais fundo em o seu braço , partindo se quando o Basilisk tombou para o lado , perdendo os sentidos . Harry escorregou a o longo de a parede , apertou com força o dente que estava a derramar veneno por todo o seu corpo e arrancou o de o braço . Mas sabia que era demasiado tarde . Uma dor quente emanava lenta e perseverantemente de a ferida . Quando deixou cair o dente e viu o seu próprio sangue manchando lhe as vestes , a vista começou a ficar turva e a câmara a diluir se em uma rotação ardente e colorida . Mas algo escarlate passou por ele e Harry ouviu a o seu lado um suave ruído de garras . - Fawkes - disse com a voz empastada . - Foste sensacional , Fawkes . - Sentiu o pássaro encostar a sua elegante cabeça a o sítio onde o dente de a serpente o tinha ferido . Ouviu passos ecoarem em o vazio e em seguida uma sombra escura moveu se em a sua frente . - Estás morto , Harry_Potter - disse a voz de Riddle , acima de ele . - Morto . Até o pássaro de Dumbledore sabe de isso . Vês o que ele está a fazer ? A chorar . Harry piscou os olhos . A cabeça de Fawkes ora estava focada , ora desfocada . Lágrimas grossas como pérolas escorriam de as suas penas . - Vou sentar me aqui a ver te morrer , Harry_Potter . Leva o teu tempo , eu não tenho pressa . Harry sentiu se sonolento . Tudo parecia girar a a sua volta . - E assim acaba o famoso Harry_Potter - disse a voz distante de Riddle . - Sozinho em a Câmara_dos_Segredos , esquecido por os amigos , finalmente derrotado por o Senhor de o mal que ele tão imprudentemente desafiou . Vais reunir te a a tua querida mãe sangue de lama , Harry ... Ela deu te doze anos de tempo emprestado ... Mas Lord_Voldemort apanhou te em o fim , como sabias que teria de acontecer . Se morrer é isto , pensou Harry , não é assim tão mau . Até a dor estava a desaparecer . Mas , estaria a morrer ? Em_vez_de ficar mais escura a câmara parecia voltar a estar nítida . Harry fez um pequeno gesto com a cabeça e viu a Fawkes ainda repousando a cabeça em o seu ombro . Uma fiada de pérolas brilhava em volta de a ferida , só que já não havia ferida . - Sai de aqui , pássaro - disse subitamente a voz de Riddle . - Afasta te de ele . Já te disse , sai de aqui ! Harry levantou a cabeça . Riddle apontava a sua varinha a Fawkes . Ouviu se um tiro que parecia de carabina e Fawkes levantou novamente voo em um rodopio de ouro e escarlate . - Lágrimas de fénix - disse Riddle em voz baixa , olhando para o braço de o Harry . - É claro ... poderes curativos ... esqueci me ... Olhou para a cara de Harry . - Mas não faz mal . Pensando bem , eu até prefiro assim . Tu e eu , Harry_Potter ... Tu e eu ... Levantou a varinha . Então , em um golpe de asa , Fawkes voou sobre as cabeças de ambos , deixando cair uma coisa em o colo de Harry : o diário . Durante uma fracção de segundo , tanto Harry como Riddle , ainda com a varinha levantada , ficaram a olhar para aquilo . Em seguida , sem pensar , sem ponderar , como_se pensasse fazê o desde o princípio , Harry agarrou o dente de o Basilisk que estava em o chão , junto de ele , e espetou o em o coração de o caderno . Ouviu se um grito longo e terrível . A tinta esguichou em torrentes de dentro de o diário , derramando se sobre as mãos de o Harry e inundando o chão . Riddle torcia se e contorcia se , agitando se a os gritos . E , por fim . Desapareceu . A varinha de Harry caiu a o chão com um ruído e fez se silêncio . Um silêncio apenas cortado por o ping ping de a tinta que ainda escorria de o diário . Com um leve crepitar , o veneno de o Basilisk abrira um buraco mesmo em o meio de o caderno . A tremer de os pés a a cabeça , Harry pôs se de pé . Sentia tudo a andar a a roda como_se tivesse viajado quilómetros e quilómetros com o pó de * _ Floo * . Lentamente apanhou a varinha e o chapéu seleccionador e com um grande estrondo retirou a espada de o céu de a boca de a serpente . Ouviu se então um gemido fraco a o fundo de a câmara . Ginny estava a mexer se . Quando Harry chegou junto de ela , sentou se . Os seus olhos abismados saltaram de o Basilisk morto para Harry em a sua roupa cheia de sangue e , em seguida , para o diário que ele tinha em as mãos . Soltou um enorme soluço e os seus olhos encheram se de lágrimas . - Harry , oh ! Harry , eu tentei dizer te a o pequeno-almoço mas não fui capaz em frente de o Percy . Era eu , Harry , mas eu ... eu ... juro que não queria ... o Riddle obrigou me , levou me e ... como é_que mataste esse bicho ? Onde está o Riddle ? A última coisa de que me lembro foi de o ver a sair de o diário ... - Está tudo bem - disse Harry , mostrando lhe o diário com o buraco de o dente . - O Riddle acabou , olha . Ele e o Basilisk . Anda , Ginny , vamos embora de aqui . - Vou com certeza ser expulsa - disse Ginny a chorar enquanto Harry a ajudava a pôr se de pé . - Desde_que o Bill veio para Hogwarts que eu sonhava vir também para cá e agora vou ter de me ir embora e ... O que vão a minha mãe e o meu pai dizer ? Fawkes esperava por eles , suspensa em o ar , a a entrada de a câmara . Harry fez a Ginny avançar , passaram sobre os anéis parados de o Basilisk , por a escuridão cheia de ecos e voltaram a o túnel . Harry ouviu as portas de pedra fecharem se atrás de eles com um leve sibilar . Depois de alguns minutos a caminhar por o túnel escuro , chegou a os ouvidos de Harry o som distante de o deslocar de uma rocha . - Ron - gritou ele , apressando se . - A Ginny está bem . Está aqui comigo ! Ouviu o Ron gritar de alegria e , voltando em a curva logo_a_seguir , viram a sua cara ansiosa a espreitar por a fresta que conseguira abrir durante a avalancha . - Ginny ! - Ron estendeu o braço por a fresta para a puxar primeiro . - Estás viva . Não posso acreditar . O que aconteceu ? Tentou abraçá a mas a Ginny afastou o , soluçando . - Mas estás bem , Ginny - disse o Ron , sorrindo para ela . - Já passou tudo ... De onde veio esse pássaro ? Fawkes passara por a abertura , atrás_de Ginny . - É de o Dumbledore - explicou Harry , espremendo se para caber também . - E como arranjaste uma espada ? - perguntou o Ron , olhando para a arma brilhante que Harry tinha em a mão . - Eu explico te tudo quando sairmos de aqui - disse Harry , lançando um olhar de esguelha a a Ginny . - Mas ... - Mais tarde - disse Harry rapidamente . Não lhe parecia uma boa ideia contar a o Ron quem tinha aberto a câmara , ali , em frente de a Ginny . - Onde está o Lockhart ? - Ali atrás - disse o Ron , a rir e a abanar a cabeça em direcção a o cano . - Está em muito mau estado . Anda ver . Conduzidos_pela_Fawkes , cujas grandes asas escarlates emitiam um suave dourado que brilhava em a escuridão , voltaram a o lugar onde o cano começava . Gilderoy_Lockhart estava sentado a falar sozinho . - Perdeu a memória - disse o Ron . - O feitiço de a memória fez ricochete . Não sabe quem é nem onde está , nem_sequer sabe quem nós somos . Eu disse lhe que viesse para aqui e esperasse . É um perigo para ele próprio . Lockhart olhou os bem-disposto . - Olá - disse . - Que lugar estranho , este . É aqui que vocês moram ? -- Não - respondeu o Ron , levantando as sobrancelhas para o Harry . Harry baixou se e observou o túnel escuro e longo . - Já pensaste como é_que vamos sair de aqui ? - perguntou a o Ron . O amigo abanou a cabeça mas Fawkes , a fénix , tinha passado por o Harry e estava agora em o ar , em frente de ele , os olhos como pérolas a brilharem em o escuro . Abanava as longas penas douradas de a cauda . Harry olhou para ela , inseguro . - Ela parece querer que a agarres - disse o Ron , perplexo . - Mas tu és muito pesado para um pássaro . - A Fawkes - disse Harry - não é um pássaro qualquer . Voltou se rapidamente para os companheiros . - Temos de nos agarrar uns a os outros . Ginny , agarra a mão de o Ron . O professor Lockhart ... - Ele está a falar consigo - disse o Ron secamente . - Agarre a outra mão de a Ginny . Harry guardou a espada e o chapéu seleccionador em o cinto . Ron deitou a mão a a roupa de Harry e Harry agarrou as penas de a cauda , estranhamente quentes , de a Fawkes . Sentiu uma extraordinária leveza apoderar se de todo o seu corpo e em seguida estavam todos a voar por o cano acima . Harry conseguia ouvir Lockhart , lá atrás , comentando : - Espantoso , isto parece mágico ! Ar frio batia em os cabelos de Harry e antes que ele deixasse de gostar de a viagem já ela acabara . Os quatro tinham chegado a o chão molhado de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa e , enquanto Lockhart endireitava o chapéu , o lavatório voltara a o seu lugar , tapando o cano . A Murta arregalou os olhos . - Vocês estão vivos - disse inexpressivamente a o Harry . - Não é preciso mostrares te tão desiludida - respondeu ele , muito sério , limpando as nódoas de sangue e lodo de os óculos . - Bem ... é_que eu pensei que se vocês morressem seriam bem-vindos a a minha casa_de_banho - disse a Murta com um rubor prateado . - Urgh ! - fez o Ron , quando saíram de ali para o corredor deserto . - Harry , acho que a Murta está a gostar de ti . Tens concorrência , Ginny ! A Ginny continuava a chorar silenciosamente . - Onde vamos agora ? - perguntou o Ron , olhando ansiosamente para ela . Harry apontou . Fawkes indicava o caminho , com o seu tom dourado que brilhava em o corredor . Seguiram a e pouco depois estavam em o escritório de a professora Mc_Gonagall . Harry bateu e empurrou a porta que estava encostada . XVIII_A recompensa de Dobby_Durante alguns momentos reinou o silêncio enquanto Harry , Ron , Ginny e Lockhart estavam em a entrada de a porta . Cobertos de pó e de lama e ( em o caso de o Harry ) sangue . Em seguida , ouviu se um grito . - Ginny ! Era_Mrs._Weasley que tinha estado a chorar , sentada em frente de o lume . Pôs se de pé em um salto , seguida de Mr._Weasley e precipitaram se ambos para a filha . Harry olhava para trás de eles . Dumbledore rejubilava junto de a lareira , a o lado de a professora Mc_Gonagall que , agarrada a o queixo , respirava com dificuldade . Fawkes rasou as orelhas de o Harry e foi instalar se em o ombro de Dumbledore , ao_mesmo_tempo que Harry dava por si em os braços de Mrs._Weasley . - Tu salvaste a ! Salvaste a ! : __ como foi que __ conseguiste ? - Acho que todos nós gostaríamos de saber - disse , sem energia , a professora Mc_Gonagall . Mrs._Weasley soltou o Harry , que hesitou um momento . Depois , foi até a a secretária e colocou sobre o tampo o chapéu seleccionador , a espada cravejada de rubis e o que restava de o diário de Riddle . Em seguida , contou lhes tudo . Falou durante quase um quarto de hora em o silêncio extasiado : contou lhes de a voz sem corpo que ouvia , como a Hermione acabara por descobrir que se tratava de um Basilisk que circulava em os canos , como ele e o Ron tinham seguido as aranhas até a a floresta , que Aragog lhes dissera que a última vítima de o Basilisk morrera , como tinham chegado a a conclusão que se tratava de a Murta_Queixosa e que a entrada para a Câmara_dos_Segredos devia ser em aquela casa_de_banho ... - Muito bem - elogiou a professora Mc_Gonagall quando ele se calou . - Então tu descobriste onde era a entrada , infringindo uma centena de regras de a escola por o caminho , devo dizer , mas como diabo saíram vocês vivos de lá de dentro ? Harry , com a voz já um_pouco rouca de falar tanto , contou lhes de a chegada de a Fawkes e de o chapéu seleccionador que lhe tinha dado a espada . Mas , chegando aí , hesitou . Até a o momento evitara referir se a o diário de Riddle ou a a Ginny . Ela tinha a cabeça encostada a o ombro de Mrs._Weasley e as lágrimas corriam lhe ainda por o rosto . E se a expulsassem ? - pensou Harry , tomado de pânico . O diário de Riddle já não funcionava ... quem poderia provar que fora ele que a obrigara a fazer tudo aquilo ? Olhou instintivamente para Dumbledore que sorria , o fogo iluminando lhe os óculos de meia-lua . - O que mais me interessa saber - disse Dumbledore amavelmente - é como conseguiu Lord_Voldemort enfeitiçar a Ginny quando as minhas fontes me dizem que ele se esconde habitualmente em as florestas de a Albânia . Um alívio , quente e glorioso percorreu Harry de a cabeça a os pés . - O quê ? - disse Mr._Weasley , em uma voz estupefacta . - O Quem nós sabemos enfeitiçou a Ginny ? Mas a Ginny não ... a Ginny não morr ... ? - Foi este diário - esclareceu Harry rapidamente . E mostrando o a Dumbledore . - O Riddle escreveu o quando tinha dezasseis anos . Dumbledore pegou em o diário e olhou atentamente por cima de o seu nariz longo e adunco para as páginas queimadas e húmidas . - Fantástico - disse em voz baixa . - É claro que ele deve ter sido o aluno mais brilhante que alguma vez passou por Hogwarts . - Olhou em volta para os Weasley que o observavam com um ar totalmente confuso . - Muito poucas pessoas sabem que Lord_Voldemort se chamou em tempos Tom_Riddle . Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos , em Hogwarts . Ele desapareceu depois de deixar a escola , viajou muito , mergulhou tão fundo em as artes de a magia negra , associado a os piores feiticeiros , realizou transformações mágicas tão perigosas que quando reapareceu como Lord_Voldemort estava totalmente irreconhecível . Ninguém o relacionou com o rapazinho inteligente e bonito que aqui foi , em tempos , chefe de turma . - Mas a Ginny - insistiu Mrs._Weasley . - O que tem a nossa Ginny que ver com ele ? - O diário - soluçou Ginny . - Eu andei todo o ano a escrever em o diário e ele respondia me ... - Ginny ! - repreendeu Mr._Weasley . - Não aprendeste nada do_que te ensinei ? Não me cansei de dizer te que nunca confiasses em nada que não pensasse por si próprio * se não conseguisses ver onde tinha o cérebro ? * Porque não me mostraste o diário , a mim ou a a tua mãe ? Um objecto suspeito como esse tinha de estar cheio de magia negra ! - Eu não sabia - soluçou Ginny . - Estava junto de os livros que a mãe me comprou . Pensei que alguém se tinha esquecido de ele ali . - É melhor Miss_Weasley ir imediatamente para a ala hospitalar - interrompeu Dumbledore com voz firme . - Foi sujeita a uma prova terrível . Não será castigada . Outros feiticeiros mais velhos do_que ela têm sido ludibriados por Lord_Voldemort . - Dirigiu se a a porta e abriu a . - Repouso , cama e talvez uma caneca de chocolate quente . A mim , anima me sempre - acrescentou , piscando lhe simpaticamente o olho . - Vais ver que Madam_Pomfrey ainda está acordada . Ela tem estado a dar o sumo de Mandrágora , julgo que as vítimas de o Basilisk estarão a acordar dentro_de momentos . de alegria . - Então a Hermione está bem ! - disse o Ron , cheio de alegria . - Não houve danos irreversíveis - disse Dumbledore . Mrs._Weasley saiu com a Ginny e Mr._Weasley seguiu as ainda bastante abalado . - Sabes , Minerva - disse pensativo o professor Dumbledore - acho que tudo_isto merece um banquete . Posso pedir te que previnas os cozinheiros ? - Certamente - disse animada a professora Mc_Gonagall , dirigindo se também a a porta . - Deixo te a tratar de as coisas com o Potter e o Weasley , está bem ? - Claro - disse Dumbledore . Saiu e os dois olharam inseguros para Dumbledore . Que quereria ela dizer com tratar de as coisas ? Certamente não iriam ser castigados ? - Lembro me de vos ter dito a ambos que teria de vos expulsar se voltassem a quebrar as regras de a escola - disse Dumbledore . Ron abriu a boca horrorizado . - O que vem mostrar nos que as melhores pessoas , às_vezes , têm de engolir as suas próprias palavras . - Dumbledore sorriu e continuou : - Vocês vão receber ambos uma recompensa especial por serviços prestados a a escola e ... deixem me ver , sim , acho que duzentos pontos cada_um para os Gryffindor . Ron ficou tão corado que parecia as flores de S._Valentim_do_Lockhart e voltou a fechar a boca . - Mas um de vós parece demasiado calado sobre a sua participação em esta perigosa aventura - acrescentou Dumbledore . - Porquê tanta modéstia , Gilderoy ? Harry estremeceu . Esquecera se por completo de Lockhart . Voltou se e viu o a um canto de a sala ainda com o mesmo sorriso vago . Quando Dumbledore se lhe dirigiu , olhou por cima de o ombro para ver com quem ele estava a falar . - Professor_Dumbledore - disse o Ron rapidamente - Houve um acidente lá em baixo , em a Câmara_dos_Segredos . O professor Lockhart - Eu sou um professor ? - perguntou Lockhart surpreendido . - E eu que pensei que era um inútil ! - Tentou fazer um feitiço antimemória e a varinha fez ricochete - explicou Ron_a_Dumbledore . - Incrível - disse Dumbledore , abanando a cabeça , o bigode prateado a tremer . - Trespassado por a tua própria espada , Gilderoy ! - Espada ? - disse Lockhart de forma imprecisa . - Eu não tenho espada . Esse rapaz é_que tem - apontou para Harry . - Ele empresta lhe uma . - Importas te de levar também o professor Lockhart até a a ala hospitalar , Ron ? - disse Dumbledore . - Eu gostava de falar um_pouco mais com o Harry . Lockhart saiu sem pressa . Antes de fechar a porta , Ron lançou um olhar curioso a Dumbledore e Harry . Dumbledore passou para uma de as cadeiras junto de o lume . - Senta te , Harry - disse . E Harry sentou se , sentindo se indescritivelmente nervoso . - Antes de mais , Harry , quero agradecer te - disse Dumbledore com os olhos a brilharem de_novo . - Deves ter demonstrado uma grande lealdade para comigo . Só isso poderia atrair a Fawkes para ir ajudar te . Deu uma palmadinha a a fénix que voara , entretanto , para_cima de os seus joelhos . Harry sorria acanhadamente sob o olhar observador de Dumbledore . - Encontraste , portanto , Tom_Riddle - disse o director amavelmente . - Calculo que ele estaria particularmente interessado em ti ... De repente , algo que Harry tinha engasgado saiu lhe descontroladamente de a boca para fora . - Professor_Dumbledore ... o Riddle disse que eu sou como ele , que há entre nós estranhas semelhanças ... - Ah ! sim ? - Dumbledore olhou pensativamente para ele , por debaixo de as espessas sobrancelhas prateadas . - E o que achas tu de isso ? - Eu não me considero parecido com ele - disse Harry mais alto do_que desejaria . - Isto_é , eu sou um Gryffindor , eu sou ... Mas calou se com uma dúvida a rondar lhe o espírito . - Professor - arriscou passado alguns momentos . - O chapéu seleccionador disse que eu ... teria ficado bem em os Slytherin ; durante algum tempo toda_a_gente pensou que eu era o herdeiro de Slytherin por falar * serpentês * ... - Tu falas * serpentês * , Harry - disse Dumbledore calmamente - porque Lord_Voldemort que é o mais recente antepassado de Salazar_Slytherin , fala * serpentês * . Ou eu me engano muito , ou ele transferiu para ti alguns de os seus poderes em a noite em que te fez essa cicatriz . Não que quisesse fazê o , claro , mas aconteceu . - Voldemort pôs um_pouco de si próprio em mim ? - disse Harry assombrado . - É o que parece ter acontecido . - Então eu deveria estar em os Slytherin - disse Harry , olhando desesperado para o rosto de Dumbledore . - O chapéu seleccionador viu em mim os poderes de Slytherin e ... -- Pôs te em os Gryffindor - concluiu tranquilamente Dumbledore . - Ouve , Harry , tu tens por acaso muitas de as capacidades que Salazar_Slytherin apreciava em os seus estudantes cuidadosamente seleccionados . O seu raro dom de falar * serpentês * , desenvoltura , determinação , um certo desprezo por as regras estabelecidas - acrescentou com o bigode a tremer de_novo . - Mas ainda_assim , o chapéu seleccionador pôs te em os Gryffindor . E sabes porquê ? Pensa um_pouco . - Só me pôs em os Gryffindor - disse Harry em uma voz débil - porque eu pedi para não ir para os Slytherin . - Exacto - disse Dumbledore a sorrir . - E isso torna te muito diferente de o Tom_Riddle . São as tuas escolhas , Harry , que mostram quem de facto tu és , mais do_que as tuas capacidades . Harry sentou se , imóvel e espantado , em a cadeira . - Se queres provas de que o teu lugar é em os Gryffindor , sugiro que vejas isto com mais atenção . Dumbledore aproximou se de a secretária de a professora Mc_Gonagall , pegou em a espada de prata ensanguentada e mostrou lhe a . Sem perceber , Harry voltou a ao_contrário . Os rubis brilharam a a luz de a lareira e foi então que ele reparou em o nome gravado mesmo por baixo de o copo de a espada . GODRIC_GRYFFINDOR . - Só um verdadeiro Gryffindor poderia ter tirado a espada de dentro de o chapéu , Harry - disse , com simplicidade , Dumbledore . Durante um minuto , nenhum de os dois falou . Depois , Dumbledore abriu uma de as gavetas de a secretária de a professora Mc_Gonagall e retirou de lá uma pena e um tinteiro . - Tu precisas de comer e ir dormir . Sugiro que desças para o banquete enquanto eu escrevo para Azkaban . Precisamos de recuperar o nosso guarda de os campos . E tenho de esboçar um anúncio para o * _ Profeta_Diário * - acrescentou pensativo . - Vamos precisar de um novo professor de Defesa contra as artes negras . É um problema , estamos sempre a perdê os . Harry levantou se e dirigiu se a a porta . Tinha acabado de estender a mão para o puxador quando ela se abriu tão violentamente que saltou de as dobradiças . Lucius_Malfoy estava de pé , furioso . E , debaixo de o braço , embrulhado em diversas ligaduras , estava Dobby . - Boa tarde , Lucius - disse Dumbledore , de forma amena . Mr._Malfoy quase derrubou Harry enquanto entrava em a sala . Dobby dava passos miudinhos atrás de ele , inclinado até a a bainha de o seu manto com um olhar apavorado em o rosto . - Então - disse Lucius_Malfoy com os olhos fixos em Dumbledore - voltaste . Os membros de o Conselho_Directivo suspenderam te , mas tu mesmo_assim sentiste te capaz de voltar a Hogwarts . - Bem vês , Lucius - disse Dumbledore , sorrindo serenamente . - Os outros membros de o Conselho contactaram me hoje . Fui envolvido em um redemoinho de corujas , todos queriam contar me a verdade . Ouviram dizer que a filha de Arthur_Weasley tinha sido morta e queriam me novamente aqui . Parece que me consideravam o melhor homem para o lugar . Contaram me algumas histórias muito estranhas . Alguns de eles tinham a impressão que tu tinhas ameaçado amaldiçoar lhes as famílias se não concordassem com a minha suspensão . Mr._Malfoy ficou ainda mais pálido do_que de costume , mas os olhos continuavam cheios de fúria . - Então já acabaste com os ataques ? - rosnou . - Apanhaste o culpado ? - Já , sim - disse Dumbledore com um sorriso . - E quem é ? - perguntou Malfoy secamente . - A mesma pessoa de a última vez , Lucius - disse Dumbledore . Mas desta_vez , Lord_Voldemort agiu através_de outra pessoa , por_meio_de um diário . Pegou em o pequeno caderno com o buraco em o meio , observando Mr._Malfoy de perto . Mas Harry olhava para Dobby . O elfo fazia um sinal muito estranho . Com os seus grandes olhos fixos em Harry , não parava de apontar para ó diário e , em seguida , para Mr._Malfoy , batendo logo_a_seguir com o punho em a cabeça . - Estou a ver ... - disse Mr._Malfoy lentamente a Dumbledore . - Um plano inteligente - afirmou o director em um tom de voz suave , continuando a olhar Mr._Malfoy directamente em os olhos . - Porque se não fosse aqui o Harry e o seu amigo Ron a descobrirem o diário , sem dúvida Ginny_Weasley teria ficado com todas_as culpas . Ninguém teria conseguido provar que ela agira contra a sua própria vontade . Mr._Malfoy não se pronunciou . O seu rosto parecia agora uma máscara . - E vê bem - continuou Dumbledore - o que poderia ter acontecido ... os Weasley são uma de as mais proeminentes famílias de feiticeiros de sangue puro , imagina o efeito em a imagem de Arthur_Weasley e em a sua acção de protecção a os Muggles , se a sua própria filha fosse acusada de atacar e matar filhos de Muggles . Foi uma sorte o diário ter sido descoberto e as memórias de Riddle apagadas . Quem sabe que consequências poderia ter tido ? Mr._Malfoy falou contra vontade . - Sim , foi uma sorte - disse secamente . E , em as suas costas , Dobby continuava a apontar para o diário e para Lucius_Malfoy , batendo depois com o punho em a cabeça . E Harry finalmente percebeu . Fez um sinal a Dobby que correu a esconder se em um canto , torcendo desta_vez as orelhas para se castigar . - Não quer saber como a Ginny obteve esse diário , Mr._Malfoy ? - perguntou Harry . Lucius_Malfoy voltou se para ele . - Como queres que eu saiba onde é_que a estúpida de a garota o arranjou ? - Porque foi o senhor quem lhe o deu - disse Harry . - Em a Flourish and Blotts . O senhor pegou em o livro velho de ela de Transfiguração e meteu o diário lá dentro , não foi ? Viu as mãos brancas de Mr._Malfoy abrirem se e fecharem se . - Prova isso - sibilou . - Oh ! ninguém vai poder prová o - disse Dumbledore sorrindo a o Harry . - Não agora_que o Riddle desapareceu de o caderno . Por outro lado , aconselharia te , Lucius , a não dares mais nenhuma de as coisas velhas de Lord_Voldemort . Se mais alguma for parar a as mãos de crianças inocentes , acho que o Arthur_Weasley fará com que se voltem com toda_a sua carga negativa contra ti . Lucius_Malfoy ficou calado um momento e Harry viu claramente a sua mão direita torcer se como_se desejasse chegar a a varinha . Em vez de isso , voltou se para o seu elfo doméstico . - Vamos , Dobby . Abriu a porta e quando o elfo se aproximou deu lhe um pontapé que o projectou para longe . Ouviram se em o escritório os gritos de dor de Dobby em o corredor . Harry pensou durante um momento e depois decidiu se . - Professor_Dumbledore - disse apressadamente . - Posso dar o diário outra_vez a Mr._Malfoy ? - Certamente , Harry - disse Dumbledore com toda_a calma . - Mas não demores , olha o banquete . Harry agarrou em o diário e saiu de o escritório . Os gritos de dor de Dobby afastavam se ao_longe . Sem perder tempo , perguntando a si próprio se o plano poderia resultar , Harry tirou um de os sapatos , puxou uma de as peúgas enlameadas e viscosas e meteu o diário lá dentro . Em seguida correu até a o fundo de o corredor escuro . Apanhou os em o topo de as escadas . - Mr._Malfoy - disse ofegante , parando . - Tenho uma coisa para si . E meteu a peúga mal cheirosa em a mão de Lucius_Malfoy . - O que é ... ? Mr._Malfoy tirou o diário de dentro de a peúga , deitou a fora e olhou furioso para o caderno estragado e para Harry - Ainda vais acabar por ter um fim igual a o de os teus pais um dia de estes , Harry_Potter - disse em voz baixa . - Eles também eram uns idiotas metediços . Voltou se para se ir embora . - Anda , Dobby , vem ! Mas Dobby não se mexeu . Tinha em as mãos a peúga nojenta de o Harry e olhava para ela como_se fosse um tesouro de valor incalculável . - O senhor deu uma peúga a o Dobby - disse o elfo maravilhado . - Deu a a o Dobby . - O que é isso ? - cuspiu Mr._Malfoy . - Que estás para aí a dizer ? - Dobby tem uma peúga - repetiu incrédulo . - O senhor deitou a fora e Dobby apanhou a e Dobby agora é livre ... Lucius_Malfoy ficou paralisado a olhar para o elfo . Em seguida precipitou se para Harry . - Fizeste me perder o meu servo , rapaz . Mas Dobby gritou : - Não pense que vai fazer mal a o Harry_Potter ! Ouviu se um enorme estrondo e Mr._Malfoy foi empurrado de costas , galgando os degraus de as escadas a três_e_três e indo aterrar lá em baixo todo embrulhado e amarrotado . Levantou se , o rosto lívido e pegou em a varinha , mas Dobby estendeu lhe um dedo ameaçador . - Vá se embora já - disse furioso , apontando para Mr._Malfoy . - Não tocará em o Harry_Potter . Vá se embora , já . Lucius_Malfoy não teve escolha . Lançando a os dois um último olhar de cólera , embrulhou se em o manto e desapareceu . - Harry_Potter libertou Dobby ! - disse o elfo com voz esganiçada , olhando para Harry , a luz de o luar reflectida em os seus grandes olhos em forma de globos . - Harry_Potter libertou Dobby . - Era o mínimo que eu podia fazer , Dobby - disse Harry a sorrir -- , mas promete me que não vais voltar a tentar salvar me a vida . A cara feia e escura de o elfo abriu se , mostrando os dentes , em um enorme sorriso . - Tenho uma pergunta a fazer te , Dobby - disse Harry enquanto o elfo pegava em a peúga de ele com as mãos a tremer . - Disseste me que tudo_isto não tinha nada que ver com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Lembras te ? - Era uma pista , senhor - disse Dobby com os olhos muito abertos como_se fosse absolutamente óbvio . - Dobby estava a dar lhe uma pista . Antes de o senhor de o mal mudar de nome , o seu nome podia ser pronunciado , está a ver ? - Certo - disse Harry sem grande convicção . - Bem , é melhor eu ir indo embora . Há um banquete e a minha amiga Hermione já deve ter acordado ... Dobby lançou os braços a a cintura de Harry e abraçou o . - Harry_Potter é muito maior do_que Dobby imaginava ! - soluçou . - Adeus , Harry_Potter . E com um estalido final , Dobby desapareceu . Harry assistira a diversos banquetes , mas nenhum que se parecesse com aquele . Estavam todos de pijama e a festa durou a noite inteira . Harry não sabia se o melhor tinha sido a Hermione a correr para ele e a gritar : - Tu conseguiste . Tu conseguiste ! , ou o Justin saindo disparado de a mesa de os Hufflepuff para lhe estender a mão , desfazendo se em desculpas por ter suspeitado de ele , ou o Hagrid que apareceu a as três_e_meia e que lhes deu palmadas com tanta força em os ombros que eles foram parar dentro de os pratos de bolo de creme , ou os quatrocentos pontos que ele e o Ron obtiveram para os Gryffindor , ganhando a taça de a equipa por a segunda vez consecutiva , ou a professora Mc_Gonagall de pé , a comunicar lhes que os exames tinham sido cancelados como medida de a escola ( Oh ! não ! exclamou Hermione ) , ou Dumbledore a anunciar que , infelizmente , o professor Lockhart não poderia voltar em o ano seguinte por ter de se ausentar a_fim_de recuperar a memória . Alguns de os professores juntaram se a os alunos que aplaudiram entusiasmados esta notícia . - Que pena - disse Ron , servindo se de um * dounut * de presunto . - E eu que começava a gostar de ele ... O resto de o período de Verão decorreu sob um sol escaldante . Hogwarts voltara a a normalidade , apenas com algumas pequenas diferenças : as aulas de Defesa contra as artes negras foram canceladas ( Mas nós tivemos imensa prática - disse o Ron vendo o descontentamento de Hermione ) e Lucius_Malfoy foi demitido de o Conselho_Directivo . Draco já não passeava por ali como_se fosse o dono de a escola . Pelo_contrário , tinha um ar melindrado e carrancudo . Por outro lado , Ginny_Weasley andava de_novo feliz de a vida . Em_breve chegou o dia de regressarem a casa em o Expresso_de_Hogwarts . Harry , Ron , Hermione , Fred , George e Ginny encheram um compartimento . Tiraram o_máximo partido de aquelas últimas horas em que lhes era permitido usar a magia antes de as férias . Brincaram a as explosões , gastaram o último fogo-de-artíficio Filibuster , de o Fred e de o George e treinaram o mútuo desarmamento através de a magia . Harry começava a ficar muito bom em aquilo . Já estavam perto de a estação de King's_Cross quando Harry se lembrou de uma coisa . - Ginny , o que foi que viste o Percy fazer que ele não queria que nos contasses ? - Ah ! isso - disse a Ginny a rir . - Bem , é_que o Percy tem uma namorada . Fred deixou cair uma pilha de livros em a cabeça de o George . - O quê ? - É aquela prefeita de os Ravenclaw ' Penelope_Clearwater - disse a Ginny . - Foi para ela que ele escreveu durante todo o Verão . Encontravam se em a escola em grande segredo . Eu apanhei os a beijarem se em uma sala de aula vazia e ele ficou tão aflito quando ela foi ... sabes ... atacada . Não vais aborrecê o , pois não ? - perguntou cheia de ansiedade . - Que ideia - respondeu Fred com uma tal satisfação em o rosto que parecia que o seu aniversário chegara mais cedo . - Claro que não - disse o George a rir se a a socapa . O Expresso_de_Hogwarts abrandou e finalmente parou . Harry tirou a pena e um_pouco de pergaminho e voltou se para Ron e Hermione . - Isto_é um número de telefone - disse ele a o Ron , escrevinhando o duas vezes , cortando o pergaminho a o meio e dando lhes os números . - Eu expliquei a o teu pai como usar um telefone em o Verão passado . Ele sabe fazer a chamada . Liga me para_casa de os Dursley , O. _ K. ? Não consigo suportar outros dois meses sem ter mais ninguém com quem falar ... - Mas a tua tia e o teu tio vão ficar orgulhosos de ti , não vão ? - perguntou Hermione quando saíram de o comboio e se misturaram em a multidão que se encontrava junto de a barreira encantada . - Quando souberem o que fizeste este ano . - Orgulhosos ? - disse Harry . - Estás doida ! Podendo eu ter morrido tantas vezes e tendo escapado ? Vão ficar é furiosos ... E juntos avançaram até a a entrada para o mundo de os Muggles . ----------------- J._K._Rowling_Harry_Potter e a Câmara_dos_Segredos_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Chamber of Secrets_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling 1998 Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 2000 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 2.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 Depósito legal : 143.569/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , a a Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Para_Séan_P._F._Harris , condutor imparável e um amigo de os diabos . I_O pior aniversário Não era a primeira vez que uma discussão estoirava a a mesa de o pequeno-almoço , em o número 4 de a Privet_Drive . Mr._Vernon_Dursley fora acordado de manhã cedo por o piar ruidoso que vinha de o quarto de o seu sobrinho Harry . - É a terceira vez esta semana ! - resmungou , a a mesa . - Se não consegues controlar essa coruja , ela não pode ficar aqui . Harry tentou , mais_uma_vez , explicar . - Ela está aborrecida . Estava habituada a voar livremente lá fora . Se eu pudesse , ao_menos , soltá a a a noite ... - Achas me com cara de idiota ? - perguntou rispidamente o tio Vernon , com um fio de ovo preso em o bigode farfalhudo . - Sei muito bem o que aconteceria se essa coruja fosse lá para fora . Trocou um olhar soturno com a mulher , a tia Petúnia . Harry tentou contra-argumentar , mas as suas palavras foram abafadas por um enorme arroto de o filho de os Dursleys , Dudley . - Quero mais bacon . - Há mais em a frigideira , fofinho - disse a tia Petúnia , lançando um olhar vago a o seu filho maciço . - Tens que te alimentar bem enquanto aqui estás , aquela comida de a tua escola não me cheira . - Disparate , Petúnia , eu nunca passei fome enquanto andei em Smeltings - afirmou com sinceridade o tio Vernon . - O Dudley tem que chegue . Não é verdade , filho ? Dudley , que era tão gordo que o rabo saía de os dois lados de a cadeira de a cozinha , sorriu laconicamente e voltou se para Harry . - Passa me a frigideira . -- Esqueceste te de a palavra mágica - disse Harry , irritado . O efeito que esta simples frase teve em o resto de a família foi inacreditável : Dudley começou a arfar e caiu de a cadeira com um estrondo que abalou a cozinha , Mrs._Dursley deu um gritinho e bateu com a mão em a boca , Mr._Dursley pôs se de pé com as veias de as têmporas dilatadas . - Eu queria dizer « por favor » - explicou Harry rapidamente . - Não me referia a ... - : __ o que é_que eu te __ disse - vociferou o tio , espalhando perdigotos sobre a mesa - : __ sobre pronunciar a palavra m . em esta __ casa ? - Mas eu ... - : __ como te atreves a ameaçar o __ dudley ! - rosnou o tio Vernon , batendo com o punho em a mesa . - Eu só ... - : __ estás avisado . não vou admitir referências a tua anormalidade debaixo de o tecto de a minha __ casa ! Harry olhou alternadamente para o rosto congestionado de o tio e para a palidez de a tia que tentava pôr o Dudley de pé . - Está bem - disse Harry . - Está bem ... O tio Vernon voltou a sentar se , respirando como um rinoceronte exausto e observando Harry de perto por o canto de os seus olhos pequeninos e penetrantes . Desde_que Harry regressara para as férias de Verão que o tio Vernon o tratava como_se ele fosse uma bomba , capaz de explodir a qualquer momento , porque Harry não era um rapazinho normal . Em a verdade , ele era o menos normal que é possível imaginar . Harry_Potter era um feiticeiro , um feiticeiro que acabara de concluir o primeiro ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts e a infelicidade que os Dursleys sentiam por ele estar lá em casa não era nada comparada com a de Harry . As saudades de Hogwarts eram tão intensas que se assemelhavam a uma constante dor em o estômago . Sentia a falta de o castelo com as suas passagens secretas e os seus fantasmas , de as aulas ( com excepção talvez de as de Snape , o professor de as poções ) , de o correio a chegar trazido por as corujas , de os banquetes em o salão nobre , de as noites em as camas de dossel em a camarata de a torre , de as visitas a Hagrid , o guarda de os campos em a sua casinha em o bosque , junto de a floresta proibida e , principalmente , sentia a falta de o Quidditch , o desporto mais popular de o mundo de os feiticeiros ( seis postes altos de golo , quatro bolas esvoaçantes e catorze jogadores em_cima_de vassoura ) . Todos os livros de feitiços de Harry , assim_como a varinha , os mantos , o caldeirão e a vassoura topo de gama Nimbus dois_mil tinham sido encerrados por o tio Vernon em a despensa que ficava debaixo de as escadas , em o momento em que Harry regressara a casa . O que é_que lhes interessava se ele perdia ou não o seu lugar em a equipa de Quidditch por não ter praticado durante todo o Verão ? Que importância tinha para eles que o Harry voltasse a a escola sem ter podido fazer os trabalhos de casa ? Os Dursleys eram aquilo que os feiticeiros chamam « Muggles » ( nem uma gota de sangue mágico em as veias ) e , para eles , ter um feiticeiro em a família era motivo de grande vergonha . O tio Vernon tinha , inclusivamente , fechado a cadeado a coruja de Harry , Hedwig , dentro de a gaiola , para evitar que ela transportasse mensagens para a gente de o mundo de a feitiçaria . Harry não se parecia em nada com o resto de a família . O tio Vernon era atarracado e sem pescoço , dotado de um enorme bigode preto ; a tia Petúnia tinha um rosto cavalar e era esquelética ; Dudley era loiro e rosado como um porquinho . Harry , pelo_contrário , era baixo e franzino , com os olhos verdes brilhantes e cabelo negro sempre desalinhado . Usava uns óculos redondos e tinha em a testa uma cicatriz em forma de relâmpago . Era essa cicatriz que o tornava tão invulgar , mesmo para um feiticeiro . Era a única alusão a o seu passado misterioso , a o motivo por o qual , onze anos antes , tinha sido deixado em o degrau de a porta de os Dursleys . Com um ano de idade , Harry sobrevivera a uma maldição de o maior feiticeiro negro de todos os tempos , Lord_Voldemort , cujo nome a maior parte de os feiticeiros e feiticeiras ainda receia pronunciar . Os pais de Harry tinham morrido em um ataque de Voldemort , mas ele escapara com a sua cicatriz em forma de relâmpago e estranhamente , ninguém compreendeu porquê , os poderes de Voldemort tinham sido destruídos em o momento em que não fora capaz de matar o Harry . Por isso , ele foi criado por a irmã de a sua falecida mãe e respectivo marido . Passou dez anos com os Dursleys , sem nunca compreender porque fazia com que acontecessem coisas estranhas , alheias a a sua vontade , acreditando em a história de os Dursleys de que aquela cicatriz fora resultado de um acidente de automóvel em que os pais tinham morrido . E um dia , precisamente um ano antes , Hogwarts escrevera lhe e fora então que tudo começara . Harry fora ocupar o seu lugar em a escola de feitiçaria , onde ele e a sua cicatriz eram famosas ... mas agora o ano escolar chegara a o fim e estava de_novo com os Dursleys . Durante o Verão , voltara a ser tratado como um cão malcheiroso . Os Dursleys nem se tinham lembrado que aquele era o dia de o seu décimo segundo aniversário . É claro que não tivera grandes expectativas : eles nunca lhe tinham dado um presente a sério , muito menos um bolo , mas ignorarem o por completo ... Em esse momento , o tio Vernon pigarreou com um ar importante e disse : - Como todos sabem , hoje é um dia muito importante . Harry olhou para ele , mal conseguindo acreditar . - Pode bem ser que eu faça hoje o maior negócio de toda_a minha vida - afirmou . Harry voltou novamente a atenção para a torrada . É claro , pensou amargamente , o tio Vernon referia se a a estúpida dinner-party . Havia quinze_dias que não falava de outra coisa . Um consultor qualquer cheio de massa e a mulher vinham jantar lá a casa e o tio Vernon tinha esperança de conseguir uma grande encomenda ( a empresa de o tio Vernon fabricava brocas ) . - Acho que devíamos recapitular mais_uma_vez - disse o tio Vernon . - Devemos estar todos a postos a as oito_horas_em_ponto . Petúnia , tu vais estar ... ? - Em o salão - respondeu a tia Petúnia prontamente - a a espera para lhes dar as boas-vindas a nossa casa . - Bom , bom . E o Dudley ? - Eu vou estar a a espera para abrir a porta . - Dudley esboçou um sorriso falso e afectado . - Dão me licença que vos guarde os casacos , Mr. e Mrs._Mason ? - Eles vão adorá o - exclamou arrebatadamente a tia Petúnia . - Excelente , Dudley - disse o tio Vernon . - A seguir voltou se para o Harry . - E tu ? - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - repetiu o Harry , de forma inexpressiva . - Exactamente - confirmou o tio Vernon , de um modo desagradável . - Eu conduzo os até a o salão , apresento te , Petúnia , e sirvo lhes as bebidas . _ a as oito_e_um_quarto . - Eu chamo para a mesa - disse a tia Petúnia . - E tu , Dudley , vais dizer ... - Dá me licença que lhe indique a casa de jantar , Mrs._Mason ? - repetiu o Dudley , oferecendo o seu braço gordo a uma mulher invisível . - O meu pequenino cavalheiro - fungou a tia Petúnia . - E tu ? - perguntou o tio Vernon a o Harry , em o mesmo tom desagradável . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho , fingindo que não estou lá - respondeu Harry aborrecido . - Isso mesmo . Agora , devíamos ter preparadas algumas frases amáveis para o jantar . Petúnia , alguma ideia ? - O Vernon disse me que o senhor é um excelente jogador de golfe , Mr._Mason ... Tem de me dizer onde comprou esse vestido , Mrs._Mason ... - Perfeito . Dudley ? - Que tal : Tivemos de fazer um trabalho para a escola sobre o nosso herói e eu escrevi sobre o senhor ... Foi de mais , tanto para a tia Petúnia como para o Harry . A tia debulhou se em lágrimas e abraçou o filho , enquanto Harry se esgueirava para debaixo de a mesa para ninguém o ver rir . - E tu , rapaz ? Harry fez um esforço para se mostrar inexpressivo quando emergiu . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - disse . - Vais sim senhor - afirmou o tio Vernon energicamente . - Os Mason não sabem nada a teu respeito e é assim que as coisas vão continuar . Quando o jantar terminar , tu trazes Mrs._Mason para o salão , onde vamos tomar café , Petúnia , e eu puxo o assunto de as brocas . Com um_pouco de sorte , tenho o contrato assinado antes de o noticiário de as dez . Amanhã por esta hora , vamos estar a fazer compras para umas férias em Maiorca . Harry não conseguia sentir o menor entusiasmo com aquilo . Não lhe parecia que os Dursleys gostassem mais de ele em Maiorca do_que em Privet_Drive . - Certo , eu vou a a cidade buscar os casacos para mim e para o Dudley . E tu - resmungou , apontando para Harry - não atrapalhes a tua tia enquanto ela estiver a limpar . Harry saiu por a porta de as traseiras . Estava um dia de sol lindo . Atravessou o relvado , deixou se cair em o banco de o jardim e cantarolou baixinho : - Parabéns para mim ... parabéns para mim ... Nem cartas nem presentes e tinha de passar a noite a fingir que não existia . Olhou infeliz para a sebe . Nunca se sentira tão só . Mais do_que tudo em o mundo , mais do_que de Hogwarts , mais até do_que de o jogo de Quidditch , Harry sentia a falta de os amigos Ron_Weasley e Hermione_Granger . Mas eles não pareciam sentir a falta de ele . Nenhum de os dois lhe escrevera durante todo o Verão apesar_de o Ron ter dito que ia convidá o para passar uns dias lá em casa . Inúmeras vezes Harry estivera quase a libertar magicamente Hedwig de a sua gaiola e mandá a levar uma carta a o Ron e a a Hermione mas não valia a pena correr o risco . Os feiticeiros menores de idade não tinham autorização para usar a magia fora de a escola . Harry não contara isto a os Dursleys . Ele sabia que era o medo de que ele os transformasse a todos em baratas que os impedia de o fecharem a a chave em a despensa debaixo de as escadas , juntamente com a varinha e a vassoura . Em as primeiras semanas Harry divertira se a murmurar baixinho palavras sem sentido e a ver o Dudley sair disparado de o quarto , tão rápido quanto as suas pernas gordas lhe permitiam . Mas o silêncio prolongado de Ron e Hermione tinham o feito sentir se tão longe de o mundo de a magia que até divertir se à_custa_de Dudley perdera o interesse . E agora o Ron e a Hermione tinham se esquecido de o seu aniversário . Quanto não daria ele por uma mensagem de Hogwarts ? De qualquer feiticeiro ou feiticeira ? Quase ficaria satisfeito com um sinal de o seu inimigo feroz , Draco_Malfoy , só para ter a certeza de que tudo aquilo não fora apenas um sonho ... Não que tudo durante o ano em Hogwarts tivesse sido divertido . Mesmo em o fim de o último período , Harry confrontara se nem mais nem menos do_que com o próprio Lord_Voldemort . Voldemort podia ter arruinado o seu ego inicial mas continuava a espalhar o terror , ainda astuto , ainda determinado a recuperar o poder . Harry escapara uma segunda vez a as suas garras mas fora por um triz e mesmo agora , algumas semanas decorridas , acordava de noite encharcado em suores frios , perguntando se onde estaria Voldemort , relembrando o seu rosto lívido , os seus olhos completamente loucos ... Harry sentou se subitamente , direito como um fuso , em o banco de o jardim . Tinha estado a olhar distraído para a sebe e a sebe estava a olhar para ele . Dois enormes olhos verdes surgiram por_entre a folhagem . Harry pôs se de pé ao_mesmo_tempo que uma voz sobrevoava a relva . - Eu sei que dia é hoje - cantarolava Dudley , bamboleando se enquanto se aproximava . Os olhos enormes piscaram e desapareceram . - O quê ? - perguntou Harry sem retirar os olhos de o lugar para_onde estava a olhar . - Eu sei que dia é hoje - repetiu , chegando junto de ele . - Ainda_bem - disse Harry . - Aprendeste finalmente os dias de a semana . - Hoje é o dia de os teus anos - troçou o Dudley . - Por_que é_que não recebeste nenhuma carta ? Não tens amigos em esse lugar esquisito ? - É melhor não deixares a tua mãe ouvir te falar de a minha escola - disse Harry calmamente . Dudley puxou para_cima as calças que estavam a escorregar lhe por o rabo gordo abaixo . - Porque estás a olhar para a sebe . ; - perguntou curioso . - Estou a pensar em as palavras que deverei pronunciar para lhe pegar fogo - disse Harry . Dudley recuou de imediato com um olhar de pânico em a cara rechonchuda . - Tu não p-p-odes , o pai disse que não podias fazer magia ou corria contigo aqui de casa e não tens mais nenhum lugar para_onde ir , não tens amigos que te convidem ... - * _ Jiggery pokery * ! - disse Harry com voz firme . - * _ Hocus pocus ... squiggly wiggly * ... - Maaaaaãe - gritou Dudley , tropeçando em os pés , enquanto se precipitava para dentro_de casa . Maaaãe , ele vai fazer aquela coisa ! Harry deu graças a os céus por aquele momento de gozo . Como não aconteceu nada de mal nem a o Dudley nem a a sebe , a tia Petúnia percebeu que ele não fizera magia nenhuma mas , mesmo_assim , Harry teve de se afastar quando ela lhe deu uma forte pancada em a cabeça com a frigideira cheia de detergente . A seguir distribuiu lhe trabalho e o castigo de só voltar a comer quando tivesse acabado tudo . Enquanto Dudley andava a flanar , olhando para o ar e comendo gelados , Harry limpou as janelas , lavou o carro , aparou a relva , adubou os canteiros , podou e regou as rosas e pintou de_novo o banco de o jardim . O sol ardia lá em cima , queimando lhe a parte de trás de o pescoço . Harry sabia que não devia ter provocado Dudley mas ele dissera precisamente aquilo que ele próprio pensava ... talvez não tivesse amigos em Hogwarts . Deviam ver agora o famoso Harry_Potter , pensou amargamente enquanto espalhava adubo em os canteiros , as costas a doerem lhe e o suor a escorrer lhe por o rosto . Eram sete_e_meia_da_tarde quando , por fim , exausto , ouviu a tia Petúnia a chamá o . - Anda para dentro e passa por cima de os jornais . Harry entrou satisfeito em a sombra de a cozinha que rebrilhava . Sobre o frigorífico estava o bolo de a noite : um enorme monte de crome batido coberto de violetas de açúcar . A carne de porco assava em o forno . - Come depressa , os Mason devem estar a chegar ! - exclamou bruscamente a tia Petúnia , apontando para duas fatias de pão e uma de queijo que estavam em cima de a mesa de a cozinha . Ela já tinha posto um vestido de * cocktail * cor de salmão . Harry lavou as mãos e comeu aquele triste jantar . Mal tinha terminado , a tia Petúnia tirou lhe o prato . - Lá para_cima , rápido ! A o passar por a porta de a sala , Harry vislumbrou o tio Vernon e Dudley de casaco e gravata . Tinha acabado de chegar a o cimo de as escadas quando a campainha de a porta tocou e a cara de o tio Vernon apareceu em o patamar . - Lembra te , rapaz , um ruído que seja ... Harry entrou em o quarto em bicos de pés , fechou a porta e preparou se para se meter em a cama . O problema é_que estava lá alguém sentado . II_O aviso de Dobby_Harry conseguiu não gritar , mas foi por_pouco . A pequena criatura que estava em a cama tinha umas orelhas grandes e largas e uns olhos verdes protuberantes de o tamanho de bolas de ténis . Harry percebeu imediatamente que fora para ele que tinha estado a olhar de manhã . Enquanto olhavam um para o outro , Harry ouviu a voz de Dudley em o * hall * . - Posso guardar os vossos casacos , Mr. e Mrs._Mason ? A criatura escorregou por a cama e curvou se tanto que a ponta de o seu enorme nariz tocou em o tapete . Harry reparou que ele tinha vestido uma espécie de fronha de almofada com buracos para os braços e pernas . - Er ... Olá - disse Harry , um_pouco nervoso . - Harry_Potter ! - exclamou a criatura em uma voz tão estridente que Harry calculou que poderia ouvir se lá em baixo . - Há tanto tempo que Dobby queria conhecê o , senhor . É uma enorme honra ... - Ob-obrigado - disse Harry , deslocando se a o longo de a parede e sentando se em a cadeira de a secretária , junto de Hedwig que dormia em a sua grande gaiola . Queria perguntar lhe « O que és tu ? » , mas pensou que seria má educação , por isso perguntou : - Quem és tu ? - Dobby , senhor . Apenas Dobby , o elfo de casa - afirmou a criatura . - Oh ! A sério ? - perguntou Harry . - Não quero ser mal-educado , mas esta não é a melhor altura para ter um elfo em o meu quarto . O riso falso de a tia Petúnia ouvia se em a sala de jantar . O elfo deixou cair a cabeça . - Não que eu não me sinta feliz por te conhecer - disse Harry rapidamente - mas , er ... estás aqui por algum motivo em especial ? - Oh , sim senhor - disse Dobby muito a sério . - Dobby veio dizer lhe que ... é difícil ... Dobby não sabe por_onde começar ... - Senta te - disse Harry educadamente , apontando lhe a cama . Para seu horror , o elfo debulhou se em lágrimas bastante ruidosas . -- S-senta-te ! - repetiu . - Nunca em toda_a minha vida ... Harry pareceu lhe ouvir as vozes lá em baixo vacilarem . - Desculpa - murmurou . - Eu não queria ofender te ... - Ofender Dobby ! - exclamou o elfo em um sufoco . - Nunca nenhum feiticeiro disse a o Dobby que se sentasse como um seu igual , senhor . Harry , tentando dizer lhe « Sch ... » e confortá o ao_mesmo_tempo , conduziu Dobby de_novo até a a cama onde ele se sentou a soluçar , parecendo uma grande boneca muito feia . Por fim , conseguiu controlar se e ficou quieto , com os seus grandes olhos fixos em Harry em uma expressão de absoluta adoração . - Não deves ter conhecido muitos feiticeiros sérios - disse lhe , tentando animá o . Dobby abanou a cabeça . Em seguida , sem qualquer aviso , saltou e começou a bater furiosamente com a cabeça em a janela , gritando : - Dobby é mau ! Dobby é mau ! - Pára , o que é_que estás a fazer ? - perguntou Harry em um murmúrio sibilante , dando um salto e puxando Dobby de_novo para a cama . Hedwig acordara com um pio particularmente agudo e batia agressivamente com as asas contra as grades de a gaiola . - Dobby tinha que se castigar , meu senhor - afirmou o elfo , que ficara ligeiramente estrábico . - Dobby quase falou mal de a família de ele ... - De a tua família ? - De a família de feiticeiros que Dobby serve , meu senhor ... O Dobby é um elfo de casa , obrigado a servir uma casa e uma família para sempre . - Eles sabem que estás aqui ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Dobby estremeceu . - Oh , não senhor , não ... Dobby vai ter que se castigar muito por ter vindo vê o . Dobby vai ter que entalar as orelhas em a porta de o forno por isto . Se eles soubessem , senhor ... - Mas achas que eles não vão reparar se tu entalares as orelhas em a porta de o forno ? - Dobby duvida , senhor . Dobby está sempre a ter de se castigar por qualquer coisa . Eles deixam que o Dobby se castigue . _ às_vezes até sugerem alguns castigos extra . - Mas por_que é_que não te vais embora , não foges ? - Um elfo de casa tem de ser libertado , senhor . E a família nunca libertará Dobby . Dobby servirá a família até morrer . Harry olhou para ele . - E eu que pensava que era infeliz por ter de ficar aqui mais quatro semanas - declarou . - Isto faz os Dursleys parecerem quase humanos . Será que ninguém te pode ajudar ? Poderei eu ? Em o mesmo momento , Harry desejou não ter aberto a boca . Dobby desfez se em ruidosos soluços de gratidão . - Por favor - murmurou Harry , inquieto . - Por favor , está calado . Se os Dursleys ouvem barulho , se eles sabem que estás aqui ... - Harry_Potter pergunta se pode ajudar Dobby . Dobby ouviu falar de a sua grandeza , mas de a sua bondade , Dobby nada sabia . Harry , que se sentia corar , disse : - Seja o que for que tenhas ouvido sobre a minha grandeza , é um disparate . Nem_sequer sou o melhor de o meu ano em Hogwarts . É a Hermione . Ela ... Mas calou se rapidamente porque pensar em Hermione era lhe doloroso . - Harry_Potter é humilde e modesto - disse Dobby reverentemente , com os seus olhos de globo avermelhados . - Harry_Potter não fala de a sua vitória sobre « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . - Voldemort ? - perguntou Harry . Dobby bateu com as mãos em as enormes orelhas e gemeu : - Ai não diga o nome , senhor . Não diga o nome ! - Desculpa - disse Harry muito depressa . - Eu sei que muita gente não gosta . O meu amigo Ron ... Calou se de_novo . Pensar em o Ron era igualmente doloroso . Dobby voltou para Harry os seus dois olhos grandes como candeeiros . - Dobby ouviu dizer - balbuciou com voz rouca - que Harry_Potter encontrou o Senhor_do_Mal uma segunda vez há poucas semanas atrás ... que Harry_Potter lhe escapou de_novo . Harry acenou e os olhos de Dobby encheram se de lágrimas . - Ah , senhor - disse em um sobressalto , limpando o rosto com a ponta de a fronha de almofada que tinha vestida . - Harry_Potter é valente e arrojado . Enfrentou tantos perigos ! Mas Dobby veio protegê o , avisar Harry_Potter , mesmo_que para isso tenha de entalar as orelhas em a porta de o forno , que Harry_Potter não deve voltar para Hogwarts . Houve um silêncio apenas quebrado por o ruído de os garfos e de as facas lá em baixo e por a voz distante de o tio Vernon . - O q-q-uê ? - gaguejou Harry . - Mas eu tenho de voltar , o ano começa em o dia um de Setembro . É a minha razão de viver . Tu não sabes como são as coisas aqui . Eu não pertenço a este lugar , o meu lugar é em Hogwarts . - Não , não , não - guinchou Dobby , sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas andavam de um lado para o outro . - Harry_Potter deve ficar aqui , onde se encontra a salvo . É demasiado grande , demasiado bom para se perder . Se Harry_Potter regressar a Hogwarts correrá perigo de vida . - Porquê ? - inquiriu Harry , surpreendido . - Há uma conspiração , Harry_Potter . Uma conspiração para fazer acontecer coisas terríveis este ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts - murmurou Dobby que começara a tremer de a cabeça a os pés . - Dobby sabe de isto há meses , senhor . Harry_Potter não deve expor se a o perigo . É demasiado importante . - Que coisas terríveis são essas ? - perguntou Harry sem perder tempo . - Quem está por detrás ? Dobby fez um ruído esquisito e começou a bater com a cabeça contra a parede como um louco . - Está bem - gritou Harry , agarrando o braço de o elfo para o fazer parar . - Não podes dizer , eu compreendo . Mas porque vieste avisar me ? - Um pensamento súbito e desagradável surgiu lhe . - Espera aí , isto tem alguma coisa que ver com o Vol , desculpa com o Quem nós sabemos ? Basta que faças sim ou não com a cabeça - acrescentou com vivacidade enquanto a cabeça de Dobby se inclinava de_novo a uma velocidade preocupante para a parede . Lentamente , Dobby abanou a cabeça . - Não , não é « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . Os olhos de Dobby estavam abertos como_se estivesse a tentar dar a Harry uma pista , mas Harry estava completamente a a nora . - Ele não tem nenhum irmão , ou tem ? Dobby abanou a cabeça , os olhos mais abertos do_que nunca . - Bem , em esse caso não estou a ver quem mais poderia ter a possibilidade de fazer acontecer coisas horríveis em Hogwarts - disse Harry . - Quero dizer , para já está lá o Dumbledore . Sabes quem é Dumbledore , não sabes ? Dobby baixou a cabeça . - Albus_Dumbledore é o melhor director que Hogwarts alguma vez teve . Dobby sabe , senhor . Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore rivalizam com os d'aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Mas , senhor - a voz de Dobby desceu a um urgente murmúrio - há poderes que Dumbledore não ... poderes que nenhum feiticeiro sério ... E antes que Harry conseguisse impedi o Dobby saltou de a cama , agarrou o candeeiro de secretária de Harry e começou a bater com a cabeça , dando uivos ensurdecedores . Fez se silêncio lá em baixo . Dois segundos mais tarde , Harry com o coração a bater como um louco , ouviu o tio Vernon chegar a o * hall * e dizer . - O Dudley deve ter deixado outra_vez a televisão ligada , o maroto ! - Depressa , para dentro de o guarda-fatos - gritou Harry , empurrando Dobby bem para o fundo , fechando a porta e metendo se a correr em a cama mesmo a_tempo_de ver a maçaneta de a porta a girar . - Que diabo estás tu a fazer ? - disse o tio Vernon entre dentes , o rosto assustadoramente próximo de o de Harry . - Acabas de estragar o ponto alto de a minha anedota de o golfista japonês . Eu que oiça mais um som e vais desejar nunca ter nascido , rapaz ! Abandonou o quarto com grandes passadas . A tremer , Harry deixou Dobby sair de o guarda-fatos . - Estás a ver como são as coisas por aqui ? - disse . - Vês porque tenho de voltar para Hogwarts ? É o único sítio onde eu tenho ... bem , onde eu acho que tenho amigos . - Amigos que nem_sequer escrevem a Harry_Potter ? - disse Dobby com ar manhoso . - Calculo que devem ter estado ... espera aí - disse Harry , franzindo a testa . - Como é_que tu sabes que os meus amigos não me têm escrito ? Dobby arrastou os pés . - Harry_Potter não deve zangar se com Dobby . Dobby fez o que achou melhor ... - Tu tens estado a interceptar me as cartas ? - Dobby tem as aqui , senhor - disse o elfo . Saltando para longe de o alcance de Harry , retirou de dentro de a fronha que usava um espesso saco cheio de envelopes . Harry reconheceu de imediato a caligrafia certinha de Hermione , a escrita desordenada de Ron e até uns gatafunhos que pareciam ser de o guarda de os campos de Hogwarts , Hagrid . Dobby piscava ansiosamente os olhos . - Harry_Potter não deve ficar zangado ... Dobby esperava que ... se Harry_Potter pensasse que os amigos o tinham esquecido ... Harry_Potter talvez não quisesse voltar a a escola , senhor . Harry não o ouvia . Fez um gesto para agarrar as cartas , mas Dobby deu um salto , afastando se . - Harry_Potter terá as cartas , senhor , se der a Dobby a sua palavra de não voltar a Hogwarts . Ah , senhor , é um risco que não deve correr . Diga que não volta , senhor ! - Não - afirmou Harry zangado . - Dá me as cartas de os meus amigos ! - Em esse caso , Harry_Potter deixa Dobby sem escolha - disse o elfo tristemente . Antes que Harry pudesse fazer um movimento , Dobby tinha aberto a porta de o quarto e descido a correr por as escadas abaixo . Com a boca seca e um aperto em o estômago , Harry correu atrás de ele , tentando não fazer barulho . Saltou os últimos seis degraus , aterrando como um gato em a carpete de o * hall * , olhando em volta a a procura de Dobby . De a sala de jantar , ouviu a voz de o tio Vernon : - Conte a a Petúnia aquela história engraçadíssima de os funileiros americanos , ela tem estado louca por ouvi a , Mr._Mason . Harry correu de o * hall * para a cozinha e sentiu o estômago ficar pequenino . O pudim , que era a a obra-prima de a tia Petúnia , a montanha de creme batido coberto de violetas de açúcar flutuava junto de o tecto . Em cima de o guarda-louça de o canto , Dobby inclinava se servilmente . - Não - suplicou Harry . - Por favor , eles matam me . - Harry_Potter deve dizer que não vai voltar a a escola ... - Dobby , por favor . - Diga , senhor . - Não posso . Dobby lançou lhe um olhar trágico . - Então , Dobby deve fazê o , senhor , para o bem de Harry_Potter . O pudim foi direito a o chão em uma queda que parecia um coração a parar . O crome esguichou para as janelas e para as paredes , enquanto o prato se despedaçava . Com o ruído de uma chicotada , Dobby desapareceu . Ouviram se gritos em a casa de jantar e o tio Vernon irrompeu por a cozinha onde foi dar com Harry coberto , de a cabeça a os pés , por o pudim de a tia Petúnia . A princípio parecia que o tio Vernon ia conseguir arranjar uma desculpa para aquilo tudo . ( É só o nosso sobrinho , muito perturbado ; conhecer pessoas estranhas deixa o muito nervoso , por isso deixamos o lá em cima ... ) Conduziu_os_Mason , bastante chocados , para a sala de jantar , garantindo a Harry que o esfolava vivo quando os Mason se fossem embora e pôs lhe em as mãos um esfregão . A tia Petúnia descobriu um resto de gelado em o frigorífico e Harry , ainda a tremer , começou a limpar a cozinha . O tio Vernon poderia ainda ter feito o negócio , se não fosse a coruja . Estava a tia Petúnia a circular com uma caixa de After-Eight , quando uma enorme coruja de celeiro fez a sua entrada vertiginosa através de a janela de a casa de jantar , deixando cair uma carta em a cabeça de Mr._Mason e desaparecendo logo_a_seguir . Mrs._Mason gritava como uma carpideira e corria por a casa praguejando contra os lunáticos . Mr._Mason ficou o tempo estritamente necessário para dizer a os Dursleys que a mulher tinha um medo pânico de pássaros de todas_as formas e tamanhos e perguntar lhes se aquela era alguma brincadeira de mau gosto . Harry não saiu de a cozinha , agarrando o esfregão como defesa , enquanto o tio Vernon avançava para ele com um brilho demoníaco em os olhos pequeninos . - Lê isso - ordenou maldosamente . Harry pegou em a carta . Não era a desejar lhe um bom aniversário . * _ Caro_Mr._Potter , * _ Recebermos hoje informações de que um feitiço de suspensão em o ar foi efectuado em sua casa esta noite , a as nove_horas_e_doze_minutos . * _ Como sabe , os feiticeiros menores não estão autorizados a praticar magia fora de a escola e , se efectuar mais um trabalho mágico , será expulso de a nossa escola . ( Decreto_de_Restrições_Razoáveis_para_Feitiçaria_de_Menores , 1875 , parágrafo C. ) * _ Pedimos-lhe também que se lembre que qualquer actividade que possa ser notada por membros alheios a a nossa comunidade ( Muggles ) constitui uma ofensa grave , segundo a secção 13 de a Confederação_Internacional_do_Estatuto_da_Magia_Secreta . * _ Tenha umas boas férias . * Atenciosamente_Mafalda_Hopkirk_Gabinete_da_Utilização_Imprópria_da_Magia_Ministério_da_Magia * . Harry olhou para a carta e engoliu em seco . - Tu não nos contaste que estavas proibido de usar magia fora de a escola - disse o tio Vernon com um brilho maldoso a dançar lhe em os olhos . - Esqueceste te de o mencionar , passou te , não foi ? Tinha se aproximado de Harry como um grande * bulldog * , com todos os dentes a a mostra . - Tenho boas notícias para ti , rapaz , vou fechar te a a chave e , se tentares sair através_de magia , nunca mais voltas a aquela escola , eles expulsam te . E rindo como um louco , arrastou Harry até a o andar de cima . O tio Vernon era mau como as cobras . Em a manhã seguinte pagou a um homem para colocar grades em a janela de o quarto de Harry . Ele próprio abriu um pequeno buraco em a porta de o quarto para que a comida pudesse ser introduzida três vezes por dia . Deixavam o Harry sair para ir a a casa_de_banho de manhã e a o final de a tarde . O resto de o tempo estava fechado em o quarto , a a espera que o tempo passasse . Três dias mais tarde , os Dursleys não mostravam qualquer intenção de abrandar o castigo e Harry não sabia como sair de aquela situação . Estava deitado em a cama , vendo o sol brilhar por_entre as grades de a janela e perguntando se tristemente o que viria a acontecer lhe . Qual era a vantagem de sair de ali por artes mágicas , se Hogwarts o expulsaria em seguida ? Contudo , a vida em Privet_Drive tinha atingido o seu nível mais baixo . Agora_que os Dursleys tinham a certeza que não iam acordar transformados em morcegos , ele perdera a única arma que tinha . O Dobby podia tê o salvo de acontecimentos terríveis em Hogwarts , mas de a maneira que as coisas estavam , ele morreria muito provavelmente a a fome . A portinhola rangeu e a mão de a tia Petúnia apareceu empurrando uma tigela de sopa de pacote para dentro de o quarto . Harry , que estava cheio de fome , saltou de a cama e agarrou a . A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um único trago . A seguir , atravessou o quarto até a a gaiola de Hedwig e pôs os legumes ensopados dentro de o seu pratinho vazio . Ela agitou as penas e olhou o com profunda repugnância . - Não vale de nada virares lhe as costas . É tudo_o_que temos - disse Harry , de modo severo . Colocou a tigela vazia em o chão junto de a portinhola e voltou para_cima de a cama , de certo modo com mais fome do_que antes de ter comido a sopa . Admitindo que estaria ainda vivo dentro_de quatro semanas o que aconteceria se ele não se apresentasse em Hogwarts ? Será que mandariam alguém obrigar os Dursleys a deixá o ir ? O quarto começava a escurecer . Exausto e com o estômago a dar horas , o cérebro a as voltas com as mesmas questões sem resposta , Harry caiu em um sono intranquilo . Sonhou que fazia parte de um espectáculo de o jardim zoológico . Preso a a jaula onde se encontrava estava um cartaz onde podia ler se « feiticeiro menor de idade « . As pessoas olhavam o com olhos protuberantes , enquanto ele jazia fraco e esfomeado em um leito de palha . Viu a cara de o Dobby em o meio de a multidão e gritou lhe , pedindo ajuda , mas o Dobby respondeu : - Harry_Potter está em segurança aí , senhor - e desapareceu . Em seguida vieram os Dursleys e Dudley bateu em as grades de a jaula , rindo se de ele . - Pára com isso - murmurou Harry como_se aquele ruído martelasse em a sua cabeça dorida . - Deixa me em paz , pára com isso , estou a tentar dormir . Abriu os olhos . O luar brilhava através de as grades de a janela . E lá fora alguém olhava de olhos arregalados para ele : alguém de rosto sardento , cabelo ruivo e nariz grande . Ron_Weasley estava de o lado de_fora de a janela . III « A toca » Ron ! - exclamou Harry , arrastando se até a a janela e empurrando a para poderem falar através de as grades . - Ron , como é_que tu , foi o ... ? Harry ficou de boca aberta , espantado com o que viu . Ron estava debruçado de a janela de trás de um velho automóvel azul-turquesa que se encontrava estacionado em o ar . Em os lugares de a frente , rindo se para Harry , estavam os irmãos mais velhos , os gémeos Fred e George . - Tudo bem , Harry ? - O que é_que se tem passado ? - perguntou o Ron . - Porque não respondeste a as minhas cartas ? Convidei te para vires ter comigo umas doze vezes e um dia o pai chegou a casa e comunicou nos que tu tinhas recebido um aviso oficial por usares magia diante de os Muggles ... - Não fui eu . E como é_que ele soube ? - Ele trabalha em o Ministério - disse o Ron . - Tu sabes que nós não podemos fazer feitiços fora de a escola . - Bem , isso vindo de ti ... - exclamou Harry , olhando para o carro flutuante . - Oh , isto não conta - disse Ron . - Foi o meu pai que o emprestou . Não o fizemos aparecer por magia . Mas usar magia em a frente de esses Muggles com quem tu vives ... - Já te disse que não fui eu , mas vai demorar muito_tempo a explicar te isso agora . És capaz de avisar em Hogwarts que os Dursleys me fecharam a a chave e que não querem deixar me voltar e obviamente eu não posso sair de aqui magicamente senão o Ministério vai achar que é a segunda vez em três dias e ... - Pára com essa conversa tola - disse o Ron . - Viemos para te levar connosco . - Mas tu também não podes tirar me de aqui utilizando processos mágicos ... - Não precisamos de isso - afirmou Ron , fazendo um sinal de cabeça para os lugares de a frente . - Esqueces te de quem está aqui comigo . - Amarra isso em volta de as grades - disse o Fred , lançando a Harry a ponta de uma corda . - Se os Dursleys acordam estou feito - lamentou se Harry enquanto dava um nó bem apertado com a corda em uma de as grades e o Fred arrancava com o carro . - Não te preocupes e chega te para trás . Harry recuou para a sombra , para junto de Hedwig que parecia ter se apercebido de a importância de tudo aquilo , mantendo se quieta e em silêncio . O carro puxou mais e mais e , subitamente , com um ruído de ferro a ceder , as grades foram arrancadas de a janela , enquanto Fred conduzia com o céu como estrada . Harry correu de_novo para a janela para ver as grades a balouçarem a poucos metros de o chão . Ofegante , Ron içou as para dentro de o carro . Harry escutou ansiosamente mas não vinha qualquer som de o quarto de os Dursleys . Quando as grades estavam em segurança em os lugares de trás junto de Ron , Fred aproximou se o_máximo que lhe foi possível de a janela . - Anda de aí - disse . - Mas , todas_as minhas coisas de Hogwarts , a minha varinha , a minha vassoura ... - Onde estão ? - Fechadas em a despensa debaixo de as escadas e eu não posso sair de este quarto . . - Não há azar - disse o George . - Sai de a frente , Harry . Fred e George treparam cautelosamente e entraram por a janela em o quarto de Harry . Tinhas que ter aberto a boca , pensou Harry enquanto George tirava de o bolso um vulgar gancho de cabelo e começava a tentar abrir a fechadura . - Muitos feiticeiros acham que é uma perda de tempo aprender os truques de os Muggles - disse o Fred . - Mas nós pensamos que há habilidades que é sempre útil conhecer apesar_de serem um_pouco lentas . Ouviu se um pequeno clique e a porta abriu se . - Pronto , vamos buscar as tuas coisas . Tu vai dando a o Ron aquilo que precisas de aí de o teu quarto - murmurou George . - Cuidado com o degrau de cima que range - sussurrou Harry enquanto os gémeos desapareciam em o escuro . Harry deu a volta a o quarto , recolhendo as suas coisas e passando as por a janela a o Ron . Em seguida , foi ajudar o Fred e o George a trazerem o resto por as escadas acima . Ouviu o tio Vernon tossir . Por fim , de língua de_fora , chegaram a o quarto , junto de a janela aberta . Fred trepou para o carro para puxar os volumes com o Ron enquanto Harry e George os empurravam de dentro de o quarto . Centímetro a centímetro o malão foi passando por a janela . O tio Vernon tossiu de_novo . - Mais um_pouco - disse o Fred que estava a puxar de dentro de o carro . Um bom empurrão , vá . Harry e George encostaram os ombros contra a mala e ela escorregou para a parte de trás de o carro . - O. _ K. , vamos embora - murmurou o George . Mas quando Harry trepava para o parapeito de a janela ouviu se um forte pio atrás de ele , imediatamente seguido de o vociferar de o tio Vernon . - Aquela maldita coruja ! - Esqueci me de a Hedwig ! Harry precipitou se de_novo para o quarto , enquanto a luz de o patamar se acendia . Agarrou a gaiola de Hedwig , correu para a janela e passou a a o Ron . Estava a subir para_cima de a cómoda quando o tio Vernon bateu em a porta , que não estava fechada , e esta se abriu completamente . Por uma fracção de segundo , o tio Vernon ficou estático junto de a porta . Em seguida , soltou um mugido como um boi zangado e avançou para Harry , agarrando o por o tornozelo . Ron , Fred e George seguraram o por os braços e puxaram o com toda_a força . - Petúnia - rosnou o tio Vernon . - Ele está a fugir ! : __ ele está a __ fugir ! Os Weasleys deram um puxão gigantesco e a perna de o Harry escapou a as garras de o tio Vernon . Logo_que Harry entrou em o carro e a porta se fechou , Ron gritou : - Acelera Fred ! - E o carro partiu subitamente em direcção a a lua . Harry mal podia acreditar que estava livre . Esticou se a a janela , o ar de a noite a fustigar lhe os cabelos e olhou para baixo , para os telhados apertados de Privet_Drive . O tio Vernon , a tia Petúnia e o Dudley estavam todos debruçados com cara de parvos , a a janela de o quarto de ele . - Até a o próximo Verão - gritou . Os Weasleys riam se a as gargalhadas e Harry esticou se para trás em o assento e pediu a o ouvido de Ron : - Deixa sair a Hedwig . Ela pode voar atrás_de nós . Há séculos que não tem uma oportunidade de esticar as asas . George passou a o Ron o gancho de cabelo e , um momento depois , a Hedwig saíra feliz por a janela , planando atrás de eles como um fantasma . - Então , qual é a história ? - perguntou Ron , impaciente . - O que é_que tem estado a acontecer ? Harry contou lhes tudo sobre o Dobby , o aviso de este e o fracasso de o pudim de violetas . Houve um longo silêncio quando ele se calou . - Isso cheira me a esturro - disse , por fim , o Fred . - Definitivamente misterioso - concordou George . - Então ele nem te disse quem está supostamente por detrás dessa trama toda ? - Acho que não podia - explicou Harry . - Já te disse , de cada_vez que estava quase a deixar escapar qualquer coisa , começava a bater com a cabeça em a parede . Viu Fred e George olharem um para o outro . - O quê ? Acham que ele estava a mentir me ? - perguntou Harry . - Bem - começou o Fred -- , coloquemos as coisas de o seguinte modo , os elfos de casa têm poderes mágicos próprios , mas geralmente não podem usá os sem a autorização de os seus donos . Eu acho que o bom de o Dobby foi enviado para evitar que voltasses para Hogwarts . Uma ideia de um engraçadinho . Haverá alguém em a escola com má vontade contra ti ? - Sim - responderam Harry e Ron , precisamente ao_mesmo_tempo . - Draco_Malfoy - explicou Harry . - Ele detesta me . - Draco_Malfoy ? - perguntou George , voltando se para trás . - O filho de o Lucius_Malfoy ? - Deve ser . Não é um nome muito vulgar , pois não ? - disse Harry . - Mas porquê ? - Ouvi o pai falar acerca de ele - confidenciou George . - Ele era um grande apoiante de o « Quem nós sabemos » . - E quando o « Quem nós sabemos » desapareceu - continuou o Fred , voltando a cara para olhar para Harry - o Lucius_Malfoy voltou , dizendo que não foi por vontade própria que fez o que fez . Monte de lixo . O pai acha que ele fazia parte de um círculo de amigos íntimos de o « Quem nós sabemos » . Harry já tinha ouvido esses boatos sobre a família de Malfoy e não o surpreenderam em absoluto . Malfoy fizera Dudley_Dursley parecer um rapazinho simpático , amável e sensível . - Não sei se os Malfoy têm um elfo de casa ... - afirmou Harry . - Bem , quem quer que o possua é sem dúvida uma antiga família de feiticeiros e deve ser rica - explicou Fred . - Sim . A mãe está sempre a desejar que pudéssemos ter um elfo de casa para passar a roupa a ferro - disse o George . - Mas só temos um velho vampiro piolhoso em o sótão e gnomos espalhados por o jardim . Os elfos de casa pertencem a as grandes casas senhoriais , a os castelos e lugares assim , não encontrarias um em a nossa casa ... Harry estava calado . Considerando que Draco_Malfoy tinha sempre as melhores coisas , que a sua família nadava em ouro de feiticeiros , era fácil imaginá o passeando se por uma enorme casa senhorial . Mandar o servo de a família evitar que Harry voltasse para Hogwarts também parecia exactamente o tipo de coisa que Malfoy poderia fazer . Teria Harry sido estúpido a o tomar Dobby a sério ? - De qualquer modo , ainda_bem que viemos buscar te - declarou Ron . - Eu começava a ficar seriamente preocupado por não responderes a nenhuma de as minhas cartas . A princípio pensei que a culpa fosse de a Errol ... - Quem é a Errol ? - A nossa coruja . Já é velhota . Não seria a primeira vez que adoecia durante uma entrega . Por isso , tentei pedir a Hermes emprestada ... - Quem ? - A coruja que os meus pais compraram a o Percy quando ele foi nomeado prefeito - respondeu Fred . - Mas o Percy não me a emprestou . Disse que precisava de ela . - O Percy tem andado com atitudes muito estranhas este Verão - comentou George franzindo a testa . - E tem mandado imensas cartas e passado um tempo infinito fechado em o quarto ... enfim , pode limpar se e polir um distintivo de prefeito todas_as vezes que se quiser ... Estás a conduzir demasiado para ocidente , Fred - acrescentou apontando para uma bússola em o painel de o automóvel . Fred girou o volante . - Então , o vosso pai sabe que têm o carro ? - perguntou Harry , quase adivinhando a resposta . - Er ... não - disse o Ron . - Ele tinha trabalho esta noite . Felizmente vamos poder pô o de_novo em a garagem , sem a mãe perceber que andámos a voar nele . - A propósito , o que faz o vosso pai em o Ministério_da_Magia ? - Trabalha em o Departamento mais chato - respondeu Ron . - A Divisão de utilização incorrecta de artefactos de os Muggles . - O quê ? - Relaciona se com objectos de feitiçaria que foram feitos por os Muggles ; sabes como é , se forem parar de_novo a uma loja de os Muggles , ou a uma casa , como em o ano passado , quando morreu uma bruxa velha e o bule de ela foi vendido a uma loja de antiguidades . Uma mulher Muggle comprou o , tentou servir chá a os amigos . Foi um pesadelo , o pai teve de fazer horas extraordinárias durante semanas . - O que é_que aconteceu ? - O bule parecia louco , esguichou chá a ferver para todos os lados e um de os homens foi parar a o hospital com a pinça de o açúcar presa em o nariz . O pai ficou nervosíssimo . É só ele e o velho feiticeiro Perkings em o gabinete e tiveram de localizar e descobrir todo o tipo de encantamentos para resolver o assunto . - Mas o teu pai ... este carro ... Fred riu se . - Sim , o pai é louco por tudo_o_que tem que ver com os Muggles . A nossa arrecadação está cheia de coisas de os Muggles . Ele separa as , lança lhes feitiços e volta a pô as em o lugar . Se ele fizesse uma busca a nossa casa teria de se prender a si mesmo . A minha mãe fica louca com tudo aquilo . - É a estrada principal - gritou o George , apontando para baixo através de a janela . - Dentro_de poucos minutos estamos lá , mesmo a tempo , está a começar a clarear . Um leve brilho rosado tingia o horizonte para leste . Fred trouxe o carro para baixo e Harry pôde ver uma manta de retalhos de campos escuros e matas de arbustos . - Estamos um_pouco longe de a vila - disse George . - Em Ottery_St . Catchpole ... O carro voador foi descendo a os poucos . A luz avermelhada brilhava agora por_entre as árvores . - Terra - disse o Fred , em o momento em que tocaram em o chão com um ligeiro solavanco . Tinham aterrado perto_de uma garagem em ruínas em um pequeno pátio e Harry viu pela_primeira_vez a casa de o Ron . Parecia ter sido em tempos uma pocilga de pedra . Mas os quartos que posteriormente lhe tinham sido acrescentados haviam a tornado bastante mais alta e o seu aspecto era tão curvado que parecia ter sido construída por artes mágicas ( o que , pensou Harry , era , muito provavelmente , verdade ) . De o telhado vermelho saíam quatro ou cinco chaminés . Junto de a entrada , fixa em o chão , podia ver se uma inscrição assimétrica que dizia « A toca » . A o lado de a porta principal estava uma contusão de botas de * _ Wellington * e um caldeirão completamente enferrujado . Por o pátio passeavam se várias galinhas castanhas e gordas . - Não é grande coisa - desculpou se o Ron . - É óptima - exclamou Harry , feliz , pensando em Privet_Drive . Saíram de o carro . - Agora vamos lá para_cima sem fazer barulho - disse o Fred . - E esperamos que a mãe nos chame para o pequeno-almoço . Depois tu , Ron , desces a escada entusiasmadíssimo . - Mãe , olha quem apareceu cá durante a noite ! - E ela vai sentir se felicíssima quando vir o Harry . Assim ninguém fica a saber que levámos o carro voador . - Certo - disse o Ron . - Vamos , Harry , eu durmo em o ... Ron ganhou uma cor de um pálido esverdeado , os olhos fixos em a casa . Os outros três fizeram meia volta . Mrs._Weasley avançava por o pátio , afugentando as galinhas e , para uma mulher baixa , roliça e simpática , era fantástico como conseguia parecer se com um tigre dentes-de-sabre . - Ah ! - suspirou o Fred . - Oh , oh ! - exclamou o George . Mrs._Weasley parou em frente de eles . As mãos em as ancas , saltando de um olhar culpado para o outro . Usava um avental a as flores , com uma varinha a sair lhe de o bolso . - Com que então - disse . - Bom dia , mãe - arriscou o George com uma voz que tentou que fosse alegre e bem-disposta . - Vocês têm alguma ideia de como tenho estado preocupada ? - perguntou Mrs._Weasley em um murmúrio fraco . - Desculpe , mãe , mas sabe , nós tivemos que ... Os três filhos de Mrs._Weasley eram mais altos do_que ela , mas tremiam quando a fúria de a mãe se abatia sobre eles . - Camas vazias ! Nem um bilhete ! O carro desaparecido ... Podiam ter tido um acidente , estou fora de mim com tanta preocupação e vocês nem se importam ... nunca , enquanto eu for viva ... esperem só até o vosso pai chegar , nunca tivemos problemas de estes com o Bill , com o Charlie ou com o Percy ... - O perfeito Percy - resmungou Fred . - : __ tu não vales um dedo de a mão de o __ percy ! - gritou Mrs._Weasley , espetando um dedo em o queixo de o Fred . - Podias ter morrido , podias ter sido visto , podias ter feito com que o teu pai perdesse o emprego ... Parecia nunca mais acabar . Mrs._Weasley tinha gritado até ficar ronca , antes de se voltar para o Harry , que recuou . - Estou muito contente por te ver , Harry - disse . - Entra e vem tomar o pequeno-almoço . Ela voltou se e regressou a casa e Harry , depois de trocar um olhar nervoso com o Ron , que lhe acenou , encorajando o , seguiu a . A cozinha era pequena e bastante estreita . A meio havia uma enfezada mesa de madeira e cadeiras em volta e Harry sentou se a a beirinha de o assento , olhando em volta . Era a primeira vez que entrava em uma casa de feiticeiros . O relógio em a parede em frente de ele , tinha apenas um ponteiro e nenhum número . Em volta , estavam escritas frases como « Hora de fazer o chá » , « Hora de dar de comer a as galinhas « e « Estás atrasado » . Empilhados em o rebordo de a lareira estavam livros com títulos como * _ Encanta o teu próprio queijo , Encantamento em a cozedura de o pão e Banquetes em um minuto - é mágico * ! E , a menos que os ouvidos de Harry estivessem a traí o , o velho rádio próximo de o lava-loiças acabara de anunciar que a seguir vinha a Hora de enfeitiçar com a popular feiticeira-cantora Celestina_Warbeck . Mrs._Weasley fazia barulho com os talheres , preparando o pequeno-almoço um bocado a o acaso , lançando olhares furiosos a os filhos , enquanto lançava as salsichas em a frigideira . De vez em quando murmurava coisas como : « Não sei o que vos passou por a cabeça « ou « nunca devia ter confiado em vocês » . - Eu não te culpo , filho - tranquilizou Harry , pondo lhe sete ou oito salsichas em o prato . - Eu e o Arthur temos estado preocupados contigo . Ainda ontem a a noite estivemos a dizer que te iríamos buscar nós próprios se não respondesses a o Ron até sexta-feira . Mas , em a verdade ( estava agora a acrescentar três ovos estrelados a o prato de ele ) , atravessar metade de o país a voar em um carro ilegal , qualquer um vos poderia ter visto ... Agitou maquinalmente a varinha em a direcção de o lava-loiças , onde a loiça começou a lavar se sozinha , tinindo baixinho lá atrás . - Estava enevoado , mãe ! - exclamou o Fred . - Boca fechada enquanto comes ! - interrompeu Mrs._Weasley . - Eles estavam a fazê o passar fome , mãe ! - disse o George . - E tu também ! - disse Mrs._Weasley , mas já foi com uma expressão mais doce que começou a cortar o pão para Harry e a barrá o com manteiga . Em esse momento , as atenções voltaram se para um pequenino volto de cabelos ruivos , em uma camisa de dormir até a os pés , que surgiu em a cozinha , deu um grito agudo e desapareceu de_novo . - É a Ginny - disse Ron baixinho a o Harry -- , a minha irmã . Tem falado de ti todo o Verão . - Sim , ela vai querer o teu autógrafo , Harry - riu se o Fred , mas o seu olhar cruzou se com o de a mãe e inclinou se para o prato , não voltando a abrir a boca . Ninguém falou até os quatro pratos estarem limpos , o que sucedeu a uma velocidade surpreendente . - Bolas , estou cansado - bocejou Fred , pousando a faca e o garfo . Acho que me vou deitar e ... - Não vais , não senhor - interrompeu Mrs._Weasley . - A culpa é tua se ficaste toda_a noite acordado . Vais fazer a des-gnomização de o jardim . Eles estão outra_vez a exagerar . - Oh , mãe ... - E vocês os dois o mesmo - dirigiu se a o Ron e a o Fred . - Tu podes ir para a cama , filho - disse a Harry . - Não lhes pediste que guiassem aquele carro miserável . Mas Harry , que se sentia acordadíssimo , respondeu prontamente : - Eu ajudo o Ron , nunca vi uma des-gnomização ... - É muito simpático de a tua parte , querido , mas é um trabalho chato - explicou Mrs._Weasley . - Vejamos o que o Lockhart tem a dizer acerca disto . E puxou de o rebordo de a lareira um livro pesadíssimo . George resmungou : - Mãe , nós sabemos * des-gnomizar * o jardim . Harry olhou para a capa de o livro de Mrs._Weasley . Em grandes letras douradas , que ocupavam grande parte de a capa , podia ler se Guia_de_Gilderoy_Lockhart para pragas caseiras . Via se também a grande fotografia de um feiticeiro bem-parecido , de cabelos loiros ondulados e olhos azuis brilhantes . Como sempre , em o mundo de os feiticeiros , a fotografia mexia se . O feiticeiro , que Harry calculou ser Gilderoy_Lockhart , não parava de lhes piscar os olhos descaradamente . Mrs._Weasley sorriu lhe . - Oh , ele é fantástico - disse . - Conhece bem as pragas caseiras . É um livro maravilhoso . - A mãe adora o - disse Fred em um murmúrio bastante audível . - Não sejas ridículo , Fred - repreendeu Mrs._Weasley com as bochechas coradas . - É claro que se achas que sabes mais do_que o Lockhart , podes ir fazer o trabalho e ai de ti se houver um único gnomo em o jardim quando eu for fazer a inspecção . A bocejar e a resmungar , os Weasley arrastaram se lá para fora com Harry atrás de eles . O jardim era grande e , em a opinião de Harry , exactamente como deveria ser um jardim . Os Dursleys não teriam gostado . Havia uma enorme quantidade de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada , mas havia árvores nodosas em volta de as paredes , plantas que Harry nunca vira , tombando de todos os canteiros e um grande lago verde cheio de rãs . - Os Muggles também têm gnomos de jardim , sabes - disse o Harry a o Ron , enquanto atravessavam a relva . - Sim , já vi essas coisas que eles pensam que são gnomos - disse o Ron todo dobrado , com a cabeça em uma moita de peónias . - Como os Pais_Natais gordinhos com canas de pesca ... Houve um tumulto ruidoso , a moita de peónias estremeceu e Ron endireitou se . - Isto_é um gnomo - declarou com um ar sério . - Larga eu ! Larga eu ! - guinchou o gnomo . Não se parecia em absoluto com o Pai_Natal . Era pequenino e parecia de couro , com uma grande cabeça protuberante e calva , precisamente como uma batata . Ron agarrou o a a distância de um braço , enquanto ele dava pontapés em o ar com os seus pézinhos que pareciam chifres . Agarrou o por os tornozelos e voltou o de pernas para o ar . - Isto_é o que tens de fazer - disse . Levantou o gnomo acima de a cabeça ( Larga eu ! ) e começou a balouçá o em grandes círculos , como os vaqueiros fazem com os laços . A o ver a expressão chocada de Harry , Ron explicou : - Não os mágoa . Só tens de os deixar bem tontos para que consigam encontrar o caminho de regresso a os buracos de os gnomos . Largou os tornozelos de o gnomo . Ele voou seiscentos metros e aterrou com um ruído surdo em o campo a o lado de a sebe . - Deplorável - afirmou o Fred . - Aposto que consigo lançar o meu para_além de aquele tronco . Harry aprendeu rapidamente a não sentir muita pena de os gnomos . Decidira largar o primeiro que apanhou para_além de a sebe , mas o gnomo , sentindo fraqueza , enfiou os seus dentinhos , aguçados como laminas , em o dedo de o Harry e não foi fácil sacudi o para ele o largar , até que ... - Uau , Harry , esse deve ter sido seiscentos metros ... O ar estava subitamente cheio de gnomos voadores . - Vês , eles não são muito espertos - afirmou o George , agarrando cinco ou seis de uma_vez . - Em o momento em que se apercebem que começou a * des-gnomização * , aparecem todos para espreitar . Era de esperar que já tivessem aprendido a ficar quietinhos . Rapidamente a multidão de gnomos começou a ir se embora , atravessando os campos em uma fila ordenada , com os pequeninos ombros arqueados . - Eles voltam - disse o Ron enquanto os via desaparecer em a sebe de o outro lado de o campo . - Eles adoram estar aqui ... o pai é muito mole com eles , acha lhes piada . Em esse momento , a porta de a frente bateu . - Ele já voltou ! - exclamou o George . - O pai já está em casa ! Apressaram se a entrar . Mr._Weasley tinha se afundado em uma de as cadeiras de a cozinha , sem óculos e com os olhos fechados . Era um homem magro , quase calvo , mas o pouco cabelo que tinha era tão ruivo como o de os filhos . Vestia um longo manto verde cheio de pó e estava cansado de a viagem . - Que noite - murmurou , tacteando em busca de o bule , enquanto todos se sentavam a a volta de ele . - Nove assaltos , nove ! E o velho Mundungs_Fletcher tentou lançar me um feitiço quando eu estava de costas . Mr._Weasley tomou um bom gole de chá e suspirou . - Encontrou alguma coisa , pai ? - perguntou Fred ansiosamente . - Só encontrei algumas chaves encolhidas e uma chaleira que mordia - bocejou Mr._Weasley . - Havia um material bastante mauzinho , mas não era de o meu departamento . O Mortlake foi levado para ser interrogado sobre uns furões extremamente antigos , mas isso pertence a a Comissão_dos_Feitiços_Experimentais , graças_a Deus . - Por_que é_que alguém ia dar se a o trabalho de fazer encolher chaves ? - perguntou George . - Para chatear os Muggles - suspirou Mr._Weasley . - Vende se lhes uma chave que não pára de encolher , até que desaparece , de_modo_a que nunca a encontrem quando precisam ... É claro que é muito difícil condenar alguém , porque nenhum Muggle é capaz de admitir que a sua chave está a encolher , insistem em que estão sempre a perdê a . Benditos sejam , vão até onde for preciso para ignorar a magia , mesmo_que ela esteja em frente de os seus narizes ... mas vocês não acreditariam em as coisas que o nosso grupo tem levado para enfeitiçar ... - : __ como carros , por __ exemplo ? Mrs._Weasley tinha aparecido , segurando um grande atiçador que parecia uma espada . Os olhos de Mr._Weasley abriram se de repente , fitando a mulher com um ar culpado . - C-carros , Molly querida ? - Sim , Artur , carros - afirmou Mrs._Weasley , os olhos a faiscar . - Imagina um feiticeiro a comprar um carro velho e enferrujado e dizer a a mulher que a única coisa que queria fazer com ele era desmontá o para ver como ele funcionava , enquanto em a verdade estava a enfeitiçá o para o fazer voar . Mr._Weasley piscou os olhos . - Bem , querida , acho que poderás constatar que não é ilegal fazer isso , embora , er , talvez ele devesse ter contado a verdade a a mulher ... Existe uma forma de tornear a lei , já_que ela diz que ... desde_que não se tenha a * intenção * de voar em o carro , o facto de ele poder voar , não ... - Arthur_Weasley tu arranjaste essa forma de tornear a lei quando a escreveste ! - gritou Mrs._Weasley . - Para poderes continuar a remexer em todo aquele lixo de os Muggles que tens em a arrecadação ! E , para tua informação , o Harry chegou hoje_de_manhã em o carro que tu não pretendias pôr a voar ! - Harry ? - perguntou Mr._Weasley sem expressão . - Qual Harry ? Olhou em volta , viu Harry e deu um salto . - Santo_Deus , é Harry_Potter ? Muito prazer , o Ron falou nos tanto de si ... - * _ O teu filho conduziu aquele carro até a a casa de o Harry e de volta até aqui em a noite passada ! * - gritou Mrs._Weasley . - O que tens a dizer a esse respeito ? - A sério ! ? - exclamou Mr._Weasley com vivacidade . - Correu tudo bem , quero dizer ... - vacilou a o ver os olhos de Mrs._Weasley que faiscavam . - Er , fizeram mal , rapazes , muito mal , mesmo ... - Vamos deixá os a os dois - murmurou o Ron , enquanto Mrs._Weasley inchava como um sapo gigantesco . - Vamos , vou mostrar te o meu quarto . Esgueiraram se de a cozinha e desceram uma passagem estreita que dava para uma escada desnivelada que ziguezagueava a o longo de a casa . Em o terceiro andar , estava uma porta entreaberta . Harry só teve tempo de ver um par de olhos castanhos brilhantes que o olhavam fixamente , antes de a porta se fechar com um estalido . - A Ginny - disse o Ron . - Não imaginas como é estranho vês a tão tímida , ela que quase nunca se cala ... Subiram mais dois andares , até chegarem a uma porta com a tinta a descascar e uma pequena placa dizendo : « Quarto_do_Ronald » . Harry entrou . A cabeça quase tocava em o tecto inclinado . Piscou os olhos . Era como entrar dentro_de uma fornalha : quase tudo em o quarto de o Ron tinha um violento matiz alaranjado : a colcha de a cama , as paredes , até o tecto . Em seguida , apercebeu se de que o Ron tinha coberto cada centímetro de o velho papel de parede com * posters * de as mesmas sete feiticeiras e feiticeiros , todos vestidos com brilhantes mantos cor de laranja , transportando vassouras e acenando entusiasticamente . - A tua equipa de Quidditch ? - perguntou Harry . - Os Chudley_Cannons - disse Ron , apontando para a colcha cor de laranja que tinha um brasão com dois C's gigantes e uma bala de canhão a_toda_a velocidade . - Nono em a Liga . Os livros de estudo de feitiços de Ron estavam empilhados desordenadamente a um canto , junto de um monte de B. _ D. , todas elas relativas a as * _ Aventuras_de_Martin_Miggs , o Muggle louco * . A varinha mágica de o Ron estava em_cima_de um aquário cheio de ovos de rã sobre o peitoril de a janela , junto de o seu rato gordo e cinzento , Scabbers , que dormia uma soneca a o sol . Harry passou por_cima_de um baralho de cartas de jogar com vontade própria , que estava caído em o chão , e olhou para fora de a janelinha . Em o campo , não muito longe , podia ver um grupo de gnomos a esgueirarem se , um a um , de_novo para a sebe de os Weasley . Em seguida , voltou se para Ron que o observava nervoso , como_se esperasse a opinião de ele . - É um_pouco pequeno - declarou o Ron muito depressa . - Não se parece nada com o quarto que tu tinhas em casa de os Muggles . E estou mesmo debaixo de o vampiro de o sótão . Ele anda sempre a bater nos canos e a gemer ... Mas Harry , com um grande sorriso , disse lhe : - Esta é a melhor casa em que eu já estive . As orelhas de Ron ficaram cor-de-rosa . IV_Na_Flourish and Blotts_A vida em a Toca era o mais diferente que é possível de a vida em Privet_Drive . Os Dursleys gostavam de tudo limpo e arrumado , em casa de os Weasleys explodia o estranho e o inesperado . Harry teve um choque de a primeira vez que olhou para o espelho que estava sobre a lareira de a cozinha e ele gritou : - Mete para dentro a camisa , * desmazelado ! * - O vampiro de o sótão gemia e batia nos canos , sempre_que sentia as coisas demasiado calmas e as pequenas explosões em o quarto de o Fred e de o George , eram consideradas perfeitamente normais . Mas o que o Harry achou mais bizarro em a vida em casa de o Ron , não foi o espelho que falava , nem o vampiro barulhento , foi o facto de todos ali em casa parecerem gostar de ele . Mrs._Weasley preocupava se com o estado de as suas meias e tentava obrigá o a servir se quatro vezes a cada refeição . Mr._Weasley gostava que Harry se sentasse a o lado de ele a a mesa para poder bombardeá o com perguntas sobre a vida com os Muggles , pedindo que lhe explicasse como funcionavam coisas como as canalizações e o serviço de os correios . - Fascinante ! - exclamava , enquanto Harry lhe explicava a utilização de o telefone . - Engenhoso , de facto , todas_as maneiras que os Muggles encontraram para passar sem a magia . Harry teve notícias de Hogwarts em uma manhã de sol , cerca de uma semana depois de ter chegado a a Toca . Quando , ele e o Ron desceram para tomar o pequeno-almoço , encontraram Mr. e Mrs._Weasley e Ginny já sentados a a mesa . Em o momento em que viu o Harry , Ginny entornou a tigela de os cereais , que caiu a o chão com grande espalhafato . Ginny entornava facilmente coisas sempre_que o Harry estava em a sala . Mergulhou debaixo de a mesa para apanhar a tigela e emergiu com o rosto a brilhar como o sol poente . Fingindo não ter dado por nada , Harry sentou se e aceitou a torrada que Mrs._Weasley lhe ofereceu . - Cartas de a escola - disse Mr._Weasley , passando a o Harry e a o Ron envelopes idênticos de pergaminho amarelado , com a morada escrita a tinta verde . - O Dumbledore já sabe que estás aqui , Harry , não perde nada aquele homem . Vocês os dois também - acrescentou , enquanto Fred e George deambulavam em a casa , ainda em pijama . Fez se silêncio durante alguns momentos , enquanto liam as respectivas cartas . A de o Harry dizia para apanhar o Expresso_de_Hogwarts , como sempre em a Estação_de_King's_Cross , em o dia_1_de_Setembro . Havia ainda uma lista de os livros que precisaria para o próximo ano . Os alunos de o segundo ano deverão ter : * _ O_Livro_Padrão_de_Feitiços , Grau 2 , por Miranda_Goshawk . * _ Ensinamentos_de_Uma_Fada_Carpideira , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Férias com Bruxas , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Duendes , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Lobisomens , por Gilderoy_Lockhart . * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves , por Gilderoy_Lockhart * . Fred , que terminara a sua própria lista , espreitou para a de o Harry . - Também te mandam comprar os livros de o Lockhart - disse . - A professora de defesa contra as artes negras deve ser fanática . Aposto que é uma bruxa . Nessa_altura , Fred percebeu o olhar de a mãe e apressou se a comer o doce de laranja . - Esse conjunto não vai ficar barato - disse George , olhando rapidamente para os pais . - Os livros de o Lockhart são de os mais dispendiosos ... - Cá nos havemos de arranjar - declarou Mrs._Weasley , mas parecia preocupada . - Espero que pelo_menos para a Ginny possamos arranjar uma data de coisas em segunda mão . - Ah , vais entrar este ano para Hogwarts ? - perguntou lhe Harry . Ela fez um aceno , corando até a a raiz de os cabelos ruivos e meteu o cotovelo em o pires de a manteiga . Felizmente ninguém deu por nada , a não ser o Harry , porque em esse momento o irmão mais velho de Ron , o Percy , entrou . Já estava vestido , com a placa de prefeito aplicada a a sua camisola de malha . - Bom dia a todos - disse , cheio de vivacidade . - Está um dia lindo . Puxou a única cadeira livre , mas deu um salto quando ia sentar se e , debaixo de ele , saltou um espanador cinzento de penas , pelo_menos , foi o que o Harry pensou até ver que ele respirava . - Errol ! - exclamou Ron , afastando a coruja de o Percy e retirando lhe debaixo de a asa uma carta . - Até que enfim , a resposta de a Hermione . Escrevi lhe a contar que íamos tentar raptar te de casa de os Dursleys . Levou Errol para um poleiro que havia junto a a porta de as traseiras e tentou colocá a lá em cima , mas Errol caiu redonda e Ron teve de a pôr em a pia , murmurando : - Patético . - Em seguida , abriu a carta de a Hermione e leu a em voz alta . * _ Querido_Ron e Harry , se aí estiveres . Espero que tudo tenha corrido bem , que o Harry esteja O. _ K. e que não tenham feito nada ilegal para conseguir trazes o , porque isso podia criar lhe problemas também a ele . Tenho estado muito preocupada e , se o Harry estiver bem , por favor digam me qualquer coisa rapidamente , mas talvez seja melhor usarem uma nova coruja , porque acho que outra entrega pode acabar como esta . * _ Estou muito atarefada com trabalho de a escola , claro * . - Como é possível ? - perguntou Ron , horrorizado . - Estamos em férias ! - * _ E vamos para Londres em a próxima quarta-feira para comprar os meus livros novos . Porque não nos encontramos em a Diagon-al ? * _ Dêem-me notícias vossas o mais depressa possível . * _ Carinhosamente_Hermione * - Bem , parece uma boa solução , podemos ir todos comprar as vossas coisas - disse Mrs._Weasley , começando a limpar a mesa . - O que vão fazer hoje ? Harry , Ron , Fred e George tinham planeado ir a o cimo de o monte a um pequeno cercado de cavalos que os Weasleys possuíam . Estava rodeado de árvores que lhe tapavam a vista de a cidade cá em baixo , o que quer_dizer que podiam praticar Quidditch , desde_que não voassem muito alto . Não podiam usar as verdadeiras bolas de Quidditch pois seria muito difícil explicar se elas escapassem e voassem sobre a cidade . Em vez de elas , lançavam maçãs para os outros apanharem . Faziam turnos para montar a Nimbus dois_mil , que era de longe a melhor vassoura . A velha Shooting_Star_de_Ron fora muitas_vezes ultrapassada por as borboletas que passavam . Cinco minutos mais tarde estavam a marchar por o monte acima , de vassouras a o ombro . Tinham perguntado a o Percy se ele queria juntar se a eles , mas ele alegara muito trabalho . Até esse dia , Harry só tinha visto Percy a a hora de as refeições , ele ficava em silêncio em o quarto o resto de o tempo . - Gostava de saber o que ele anda a fazer - afirmou Fred , de testa franzida . - Não parece o mesmo . O resultado de os exames veio um dia antes de tu chegares : doze N_F_V e ele nem se manifestou satisfeito . - Níveis_de_Feitiçaria_Vulgares - explicou o George , vendo o olhar atarantado de Harry . - Se não temos cuidado , ainda nos calha outro Chefe_de_Turma em a família . Acho que não suportaria a vergonha . Bill era o mais velho de os irmãos Weasley . Ele e o irmão a seguir , Charlie , já tinham saído de Hogwarts . Harry não conhecia nenhum de os dois , mas sabia que o Charlie estava em a Roménia a estudar dragões e o Bill em o Egipto a trabalhar em o banco de os feiticeiros : Gringotts . - Não sei como o pai e a mãe vão arranjar dinheiro para nos pagar o material escolar este ano - disse o George , passado um bocado . - Cinco conjuntos de livros de o Lockhart ! E a Ginny precisa de mantos e de uma varinha e tudo_isso ... Harry não disse nada . Sentiu se um_pouco incomodado . Fechada em um cofre subterrâneo , em o banco de Gringotts_de_Londres , estava uma pequena fortuna que os pais lhe tinham deixado . É claro que só tinha esse dinheiro em o mundo de os feiticeiros , não se podem usar Galeões , Leões e Janotas em as lojas de os Muggles . Ele nunca fizera referência a a sua conta bancária em Gringotts a os Dursleys . Não lhe parecia que o horror que eles sentiam por tudo_o_que se relacionava com a feitiçaria se estendesse a uma enorme pilha de barras de ouro . Mrs._Weasley acordou os a todos bem cedo , em a quarta-feira seguinte . Depois de comerem umas doze sanduíches de * bacon * cada_um , enfiaram os casacos e Mrs._Weasley tirou um vaso de a prateleira de o fogão de a cozinha e espreitou lá para dentro . - Está a acabar se , Arthur - suspirou . - Temos de comprar mais hoje ... Bem , os hóspedes primeiro . Passa , Harry querido ! E ofereceu lhe o vaso de flores . Harry olhou espantado enquanto todos eles o observavam . - O q-que é_que eu devo fazer ? - gaguejou . - Ele nunca viajou com o pó de Floo - disse o Ron subitamente . - Desculpa , Harry , esqueci me . - Nunca ? - perguntou Mrs._Weasley . - Mas então como chegaste a a Diagon - _ Al em o ano passado para comprar as tuas coisas ? -- Fui por o subterrâneo . - A sério ? - disse Mr._Weasley , entusiasmado . - Havia fugitivos ? Como é_que ... - Agora não , Arthur - disse Mrs . Weasley . - O pó de Floo é muito mais rápido , querido , mas , valha me Deus , se ele nunca o usou ... - Vai correr bem , mãe - disse o Fred . - Harry observa nos primeiro . Tirou uma pitada de pó brilhante de dentro de o vaso , aproximou se de o lume e lançou o pó em as chamas . Com um rugido , o fogo ficou verde-esmeralda e elevou se a uma altura superior a a de o Fred que avançou , gritando Diagon - _ Al ! E desapareceu . - Tens de falar claramente , filho - disse Mrs._Weasley a o Harry , ao_mesmo_tempo que George metia a mão em o vaso de as flores . - E vê se sais em o fogão certo . - Em o quê ? - perguntou Harry , nervoso , enquanto o lume crepitava e fazia George desaparecer também . - Bem , há imensos fogos de feiticeiros , mas desde_que te tenhas expressado claramente ... - Ele vai conseguir , Molly , não te preocupes - disse Mr._Weasley , tirando também ele algum pó . - Mas querido se ele se perde como é_que vamos justificar nos perante o tio e a tia de ele ... -- Eles não se importariam - tranquilizou a Harry . - O Dudley ia achar imensa piada se eu me perdesse em uma chaminé , não se preocupe . - Bem , em esse caso ... tu vais a seguir a o Arthur - disse Mrs._Weasley . - Logo_que entres em o fogo diz para_onde queres ir . - E mantém os cotovelos dobrados - preveniu o Ron . - E os olhos fechados - disse Mrs._Weasley . - A fuligem . - Não te enerves - disse o Ron . - Senão podes ir parar a a lareira errada . - Não entres em pânico e não queiras sair cedo de mais . Espera até veres o Fred e o George . Fazendo um enorme esforço por reter toda aquela informação , Harry tirou uma pitada de pó de Floo e avançou para a beirinha de o fogo . Respirou fundo , espalhou o pó em as chamas e entrou . O fogo parecia uma brisa quente . Abriu a boca e engoliu , de imediato , uma grande quantidade de cinzas quentes . D-dia-gon-al - tossiu . Sentiu se como_se estivesse a ser sugado para um buraco gigantesco . Como_se girasse muito depressa ... o ruído era ensurdecedor . Tentou manter os olhos abertos mas o turbilhão de chamas verdes fê lo enjoar ... algo duro bateu lhe em o cotovelo e dobrou o de imediato . Continuava a rodar , a rodar ... sentia se agora como_se várias mãos frias estivessem a bater lhe em a cara ... Espreitando através de os óculos , viu uma torrente imprecisa de fogões e captou lampejos de as salas que estavam por detrás ... as sanduíches de * bacon * davam lhe a volta dentro de o estômago ... fechou os olhos desejando que tudo aquilo parasse e então caiu , de cara em o chão , em a pedra fria e sentiu os óculos partirem se a os bocados . Desorientado e ferido , coberto de fuligem , pôs se cautelosamente de pé , levando a os olhos os óculos partidos . Estava completamente só e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava . Tudo_o_que podia dizer era que a o seu lado via uma lareira que lhe parecia ser a de uma enorme e indistinta loja de feitiçaria . Mas nenhum de os artigos que ali se encontravam tinham aspecto de fazer parte de a lista de a escola de Hogwarts . Em uma caixa de vidro podia ver se uma mão atrofiada que repousava sobre uma almofada , um baralho de cartas ensanguentado e um olho de vidro que o olhava fixamente . Máscaras de expressão maldosa enchiam as paredes , olhando de esguelha , uma enorme quantidade de ossos humanos estendia se sobre o balcão e , de o tecto , pendiam instrumentos aguçados com pontas de ferro e pregos enferrujados . Mas o pior é_que a rua estreita e escura , que Harry conseguia avistar através de a janela poeirenta de a loja , não era de modo algum a Diagon-al . Quanto_mais depressa saísse de ali , melhor . O nariz ainda a doer lhe em o sítio onde batera em o chão a o aterrar , Harry avançou rápida e silenciosamente em direcção a a porta , mas antes de conseguir chegar a meio caminho , duas pessoas apareceram de o lado de_fora de o vidro , e uma de elas era a última pessoa que Harry desejaria encontrar em o momento em que se encontrava perdido , coberto de fuligem e com os óculos partidos , Draco_Malfoy . Harry olhou rapidamente em volta e apercebeu se de a existência de um grande armário escuro a a sua esquerda , saltou lá para dentro e fechou as portas , deixando uma gretazinha para poder espreitar . Segundos depois , uma campainha tocava e Malfoy entrava em a loja . O homem que o acompanhava só podia ser o pai . Tinha o mesmo rosto pálido de feições agudas e os mesmos olhos cinzentos de gelo . Mr._Malfoy atravessou a loja , olhando maquinalmente para os artigos expostos e tocou a campainha de o balcão , antes de se voltar para o filho , dizendo : - Não mexas em nada , Draco . Malfoy , que vira o olho de vidro , disse : - Pensei que ias oferecer me um presente . - Eu prometi que ia comprar te uma vassoura de corrida - declarou o pai , tamborilando com os dedos sobre o balcão . - Para que é_que me serve , se não estou em a equipa de Quidditch ? - perguntou Malfoy , carrancudo e de mau humor . - O Harry_Potter teve uma Nimbus dois_mil o ano passado , com a autorização especial de o Dumbledor é para jogar em os Gryffindor . Ele nem é assim tão bom , é só por ser * famoso * ... famoso por ter uma estúpida cicatriz em a testa . Malfoy baixou se para observar uma prateleira cheia de crânios . - Todos acham que ele é tão esperto , o Potter maravilha , com a sua cicatriz e a sua vassoura ... - Já me disseste isso doze vezes pelo_menos - comentou Mr._Malfoy , olhando repressivamente para o filho . - E devo lembrar te que não é prudente parecer menos do_que amigo de Harry_Potter , quando a maior parte de a nossa gente vê em ele um herói que fez desaparecer o Senhor_do_Mal . Ah , Mr._Borgin . Um homem curvado surgiu por detrás de o balcão , puxando o cabelo gorduroso para trás . - Mr._Malfoy , que prazer vês o de_novo - disse Mr._Borgin , em uma voz tão untuosa como o cabelo . - Encantado , e o nosso jovem Malfoy também , encantado . Em que posso servi os ? Tenho que vos mostrar o que chegou hoje , a um preço muito razoável ... - Hoje não venho comprar , Mr._Borgin , e sim vender - afirmou Mr._Malfoy . - Vender ? - O sorriso apagou se lentamente em o rosto de Mr._Borgin . - Certamente ouviu dizer que o Ministério está a levar a cabo mais buscas - explicou o Mr._Malfoy , retirando de o bolso um rolo de pergaminho e desembrulhando o para Mr._Borgin o ler . - Eu tenho alguns , ah , artigos em casa que poderiam criar me problemas se o Ministério me batesse a porta . Mr._Borgin colocou em o nariz um par de * pince-nez * e olhou para a lista . - O Ministério não se lembraria de o incomodar certamente ... O lábio de Mr._Malfoy dobrou se . - Ainda não me fizeram nenhuma visita . O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito , mas o Ministério está a ficar cada_vez_mais intrometido . Há boatos sobre um novo decreto de protecção de os Muggles , sem dúvida que aquele mordido de as pulgas , adorador de os Muggles , que é o Arthur_Weasley deve estar por detrás de isso . Harry sentiu crescer a raiva . - E , como pode ver , alguns de estes venenos podiam dar a ideia ... - Compreendo perfeitamente , claro - disse Mr._Borgin . - Deixe me ver ... - Posso ter aquilo ? - interrompeu Draco , apontando para a mão raquítica que estava sobre a almofada . - Ah , a mão de a glória ! - exclamou Mr._Borgin , abandonando a lista de Mr._Malfoy e apressando se a responder a Draco . - Põe se lhe uma vela e ela só dá luz a quem a transporta ! A melhor amiga de os gatunos e de os salteadores , o seu filho tem gosto , senhor . - Espero que o meu filho venha a ser mais do_que gatuno ou salteador , Borgin - disse Mr._Malfoy friamente e Mr._Borgin respondeu logo : - Sem ofensa , senhor , sem querer ofender . - Embora , se as notas de a escola não melhorarem - disse Mr._Malfoy ainda mais friamente - esse possa vir a ser o único caminho possível para ele . - Não tenho culpa - retorquiu Draco . - Todos os professores têm os seus preferidos , aquela Hermione_Granger ... - Eu , em o teu lugar , teria vergonha que uma rapariga que nem_sequer pertence a famílias de feiticeiros , me passasse a a frente em todos os exames - interrompeu Mr._Malfoy . Ah - fez Harry baixinho , radiante por ver Draco atrapalhado e furioso . - É o mesmo em todo o lado - comentou Mr._Borgin em a sua voz untuosa . - O sangue de os feiticeiros conta cada_vez menos ... - Não para mim - afirmou Mr._Malfoy , com as longas narinas dilatadas . - Não senhor , nem para mim - concordou Mr._Borgin , inclinando se em uma vénia . - Em esse caso , talvez possamos voltar a a minha lista - disse Mr._Malfoy secamente . - Estou com alguma pressa , Borgin , tenho ainda hoje assuntos importantes a tratar em outro lado . Começaram a discutir os preços . Harry via nervosamente o Draco aproximar se de o seu esconderijo enquanto observava os objectos a a venda . Parou para examinar um enorme rolo de corda de carrasco e para ver , com um sorriso afectado , o cartão preso com um aparatoso laço de opalas onde podia ler se : * _ Cautela , não tocar . Amaldiçoado - reclama as vidas de dezanove donos , todos eles Muggles * . Draco voltou se e viu o armário mesmo em frente . Avançou , estendeu a mão para o puxador ... - Feito - disse Mr._Malfoy , a o balcão . - Vamos , Draco . Harry limpou a testa a a manga quando Draco se afastou . - Muito bom dia , Mr._Borgin . Espero por si amanhã em a mansão para ir buscar a mercadoria . Em o momento em que a porta se fechou , Mr._Borgin abandonou os seus modos subservientes . « Bom dia para o senhor , Mr._Malfoy , e , se as histórias que contam são verdadeiras , não me vendeu nem metade do_que tem escondido em a sua mansão ... » Murmurando de forma taciturna , Mr._Borgin desapareceu em uma sala escura . Harry esperou um minuto não fosse ele voltar e , em seguida , o mais silenciosamente possível , escapou se de o armário , passou por as caixas de vidro e saiu de a loja . Encostando os óculos partidos a o rosto , olhou em volta . Saíra em uma rua estreita e sombria que parecia composta exclusivamente de lojas dedicadas a as artes negras . Aquela de onde acabava de sair parecia ser a maior , mas em frente estava uma montra tétrica de cabeças encolhidas e duas portas abaixo podia ver se uma enorme caixa viva cheia de gigantescas aranhas pretas . Dois feiticeiros com aspecto pobre observavam o de a sombra de uma porta , murmurando entre si . Sentindo se nervoso , Harry pôs se a caminho , tentando agarrar os óculos a direito e não desistindo de a esperança de encontrar maneira de sair de ali . Por um cartaz de madeira , pendurado em a rua , indicando uma loja de venda de velas envenenadas , ficou a saber que se encontrava em a Rua * _ Bativolta * , mas isso não o ajudou pois Harry nunca ouvira falar em tal lugar . Calculou que não tinha pronunciado bem as palavras com a boca cheia de cinzas em a lareira de os Weasley . Tentando manter a calma perguntou a si mesmo o que havia de fazer . - Não estás perdido , pois não , meu menino ? - perguntou uma voz , mesmo junto de o seu ouvido , que o fez dar um salto . Uma bruxa idosa estava em a sua frente , segurando um tabuleiro de uma coisa que se parecia horrivelmente com unhas humanas . A mulher olhou o maldosamente , mostrando os dentes esverdeados . Harry recuou . - Estou bem , obrigado - disse . - Estou só ... - HARRY ! O qu'é que pensas que estás a fazer aqui ? O coração de Harry deu um salto , assim_como o de a bruxa . Um monte de unhas caíram lhe sobre os pés e ela praguejou , enquanto o corpo enorme de Hagrid , o guarda de os campos de Hogwarts , se aproximava de eles a passos largos com os olhos castanhos-escuros a faiscarem sobre a longa barba eriçada . - Hagrid - gritou Harry , aliviado . - Eu estava perdido ... o pó de Floo ... Hagrid agarrou Harry por o cachaço e puxou o para longe de a bruxa , tirando lhe o tabuleiro de as mãos . Os guinchos agudos de a feiticeira seguiram nos até a o fundo de a ruela serpenteante que ia dar a um lagar onde brilhava o sol . Harry avistou a a distância um edifício de mármore branco como a neve que lhe era familiar : o banco de Gringotts . Hagrid conduzira o até a a Diagon - _ Al . - ` _ tás em um péssimo estado ! - disse Hagrid bruscamente , sacudindo lhe a fuligem com tanta força que Harry quase caiu em um barril de estrume de dragão que se encontrava a a porta de um boticário . - A fugir , em a Rua * _ Bativolta * , eu não conheço esse lugar finório , Harry , não quero que ninguém te veja aqui em baixo . - Já percebi - disse Harry , baixando se quando Hagrid fez menção de o escovar melhor . - Já te disse que estava perdido . E o que é_que tu fazes aqui ? - ` _ Tou a a procura d'um repelente para as lesmas comedoras de legumes - resmungou Hagrid . - ` _ tão a destruir as couves todas de a escola . Tu não estás sozinho ? - Estou em casa de os Weasley , mas separámo nos explicou Harry . - Tenho que os encontrar . Desceram juntos a rua . - Por_que é_que nunca respondeste a as minhas cartas ? - perguntou Hagrid , enquanto Harry corria para o acompanhar ( tinha de dar três passos por cada enorme passada de Hagrid ) . Harry explicou lhe tudo sobre Dobby e os Dursleys . - Malditos_Muggles - rugiu Hagrid . - S'eu tivesse sabido ... - Harry ! Harry ! Aqui ! Harry olhou para_cima e viu Hermione_Granger em o topo de a escadaria de Gringotts . Desceu para vir a o encontro de ele , o cabelo castanho de caracóis , a esvoaçar atrás de ela . - O que aconteceu a os teus óculos ? Olá_Hagrid ... Oh , é maravilhoso ver vos outra_vez . Vens a Gringotts , Harry ? - Logo_que encontre os Weasley - respondeu ele . - Não vais ter d'esperar muito - riu se Hagrid . Harry e Hermione olharam em volta . Subindo a rua , em o meio de a multidão , vinham Ron , Fred , George , Percy e Mr._Weasley . - Harry - chamou Mr._Weasley , ofegante . - Tínhamos esperança que só tivesses ido um fogão mais longe ... - passou um pano em a sua calva reluzente . - A Molly está nervosíssima , aí vem ela . - Onde é_que tu saíste ? - perguntou o Ron . - Em a Rua * _ Bativolta * - disse o Hagrid , com um ar sério . - Sensacional ! - exclamaram Fred e George ao_mesmo_tempo . - Nunca nos deram autorização para lá ir - disse o Ron com uma pontinha de inveja . - E fizeram muito bem - grunhiu Hagrid . Mrs._Weasley chegou em aquele momento a correr , a mala a balouçar em uma de as mãos e Ginny quase pendurada em a outra . - Oh Harry , oh meu querido , podias ter ido parar a qualquer lugar ... Tentando recuperar o fôlego , tirou de a mala uma grande escova de roupa e começou a retirar a fuligem que Hagrid não conseguira expulsar . Mr._Weasley pegou em os óculos de Harry , deu lhes um toque de varinha e entregou lhe os como novos . - Bem , tenho de m'ir embora - disse Hagrid cuja mão estava a ser esmagada por Mrs._Weasley ( -- Rua * _ Bativolta * ! Se não o tivesses encontrado , Hagrid ! ) . - Vemo nos em Hogwarts . - E afastou se , os ombros e a cabeça acima de a multidão que enchia completamente a rua . - Adivinham quem eu vi em o Borgin and Burkes ? - perguntou Harry_a_Ron e a Hermione enquanto subiam as escadarias de Gringotts . - Malfoy e o pai . - O Lucius_Malfoy comprou alguma coisa ? - perguntou interessado Mr._Weasley que estava atrás de eles . - Não , estava a vender . - Então está preocupado - comentou Mr._Weasley com visível satisfação . - Ah , eu adorava apanhar o Lucius_Malfoy em alguma . . - Tem cuidado , Arthur - interrompeu Mrs._Weasley enquanto o gnomo porteiro lhes dava reverentemente entrada em o banco . - Isso é um problema de família . Não queiras ter mais olhos que barriga . - Queres dizer com isso que achas que eu não chego para o Malfoy ? - perguntou Mr._Weasley , indignado , mas foi rapidamente afastado de aqueles sentimentos a o avistar os pais de Hermione que estavam de pé , nervosamente encostados a o balcão que acompanhava a grande parede de mármore , a a espera que Hermione os apresentasse . - Mas vocês são Muggles ! - disse Mr._Weasley , encantado . - Temos de tomar uma bebida . O que é isso aí ? Ah , estão a trocar dinheiro de Muggle . Molly , olha - apontou cheio de excitação para as notas de dez libras que Mr._Granger tinha em a mão . - Encontramo nos aqui - disse Ron_a_Hermione , enquanto os Weasley e Harry eram conduzidos a os seus cofres em o subterrâneo de Gringotts . Para chegar a os cofres havia que tomar umas carrinhas conduzidas por gnomos que se deslocavam ao_longo_de carris de comboio de pequenas dimensões através de os túneis subterrâneos de o banco . Harry gostou de a viagem acidentada até a o cofre de os Weasley , mas sentiu se bastante mal , pior do_que em a Rua * _ Bativolta * , quando o cobre foi aberto . Havia lá dentro um pequenino monte de Leões de prata e apenas um Galeão de ouro . Mrs._Weasley foi com a mão a a procura em os cantos antes de , com um gesto rápido , varrer tudo para dentro de o saco . Harry sentiu se ainda pior quando chegaram a o seu cofre . Tentou evitar que vissem o conteúdo enquanto empurrava apressadamente mãos cheias de moedas para dentro_de uma sacola de cabedal . Lá fora , em as escadarias de mármore , separaram se . Percy murmurou vagamente que precisava de uma nova pena de escrever . Fred e George tinham avistado um amigo de Hogwarts , Lee_Jordan . Mrs._Weasley e Ginny iam a uma loja de mantos em segunda mão , Mr._Weasley continuava a insistir em levar os Grangers a o Caldeirão_Escoante para lhes pagar uma bebida . - Encontrarmo nos todos em a Flourish and Blotts dentro_de uma hora para comprar os vossos livros de estudo - disse Mrs._Weasley , afastando se com Ginny . - E nem um passo em direcção a a Rua * _ Bativolta * - gritou a os gémeos que estavam de costas . Harry , Ron e Hermione deambularam por a rua empedrada e sinuosa . O ouro , prata e bronze que tilintavam alegremente em o saco que Harry tinha em o bolso pareciam exigir ser gastos , por isso ele comprou três enormes gelados de morango e manteiga de amendoim que eles devoraram felizes enquanto vagueavam sem destino por a rua fora , observando as montras fantásticas de as lojas . Ron olhou longamente para um conjunto completo de mantos de o Chudley_Cannon , em as montras de o « Equipamento_de_Quidditch_de_Qualidade » até Hermione o arrastar de ali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos . Em a « Jogos_de_Feitiçaria_de_Gambol and Japes » encontraram o Fred , o George e o Lee_Jordan que estavam presos em a fabulosa partida debaixo_de chuva e em os fogos-de-artifício de o Dr._Filibuster . E em uma pequenina loja de velharias cheia de varinhas partidas , balanças instáveis de latão e mantos velhos cobertos de nódoas de poções encontraram Percy profundamente concentrado em um pequenino livro , bastante chato , chamado * _ Prefeitos que conquistam o poder * . - * _ Um estudo sobre os prefeitos de Hogwarts e as suas posteriores carreiras * - leu alto o Ron em a contracapa . - Deve ser fascinante ... - Desaparece - gritou Percy . - Claro , ele é muito ambicioso , já tem tudo planeado . Quer ser ministro de a magia - disse o Ron baixinho a o Harry e a a Hermione , enquanto deixavam Percy entregue a o livro . Uma hora mais tarde dirigiram se a a Flourish and Blotts . Não eram de modo algum os únicos a encaminhar se para a livraria . À_medida_que se aproximavam viram com grande surpresa uma grande multidão a a porta , tentando entrar em a loja . O motivo de tal confusão estava anunciado em um cartaz que se estendia a o longo de a montra superior . GILDEROY_LOCKHART_Assinará exemplares de a sua autobiografia " eu , o mágico " Hoje 12.30 - 16.30 - Vamos poder conhecê o ! - gritou Hermione . - Quero dizer , ele escreveu quase todos os livros de a nossa lista ! A multidão parecia ser maioritariamente composta por bruxas de a idade de Mrs._Weasley . Um feiticeiro bem-parecido estava de pé junto de a porta , dizendo : - Calma , minhas senhoras , não empurrem , cuidado com os livros . Harry , Ron e Hermione conseguiram furar e entrar . Uma longa fila serpenteava para as traseiras de a loja onde Gilderoy_Lockhart estava a assinar os seus livros . Cada_um de eles pegou em um exemplar de * _ ensinamentos de Uma Fada_Carpideira * e escaparam se de a fila indo ter a o lugar onde se encontravam os outros com Mr. e Mrs._Granger . - Ah , aí estão vocês . _ óptimo - disse Mrs._Weasley que parecia estar com falta de ar e não parava de mexer em o cabelo . - Vamos poder vês o dentro_de um minuto . Gilderoy_Lockhart veio lentamente até um lugar onde era visível para todos , sentou se a uma mesa , rodeado de grandes fotografias de o próprio rosto , todo ele sorrisos , mostrando a a multidão o brilho cintilante de os seus dentes . Lockhart usava uma túnica azul-noite que condizia a as mil maravilhas com a cor de os olhos , o chapéu pontiagudo de feiticeiro colocado lateralmente sobre o cabelo ondulado . Um homenzinho pequenino e irritante andava a dançar de um lado para o outro , tirando fotografias com uma grande máquina preta que lançava baforadas de fumo arroxeado em cada * flash * . - Sai de o caminho , tu aí - disse rispidamente a o Ron , mudando de lugar para ter um angulo melhor . - Este é para o * _ Profeta_Diário * . - Grande coisa ! - exclamou o Ron , esfregando os pés em o lugar que o fotógrafo pisara . Gilderoy_Lockhart ouviu o . Olhou , viu o Ron e em seguida Harry . Voltou a olhar , desta_vez com mais atenção . Em seguida , pôs se de pé e gritou : - Não pode ser , o Harry_Potter ? A multidão dividiu se entre murmúrios de excitação . Lockhart aproximou se , agarrou Harry por um braço e levou o para a frente . A multidão rebentou em aplausos . A cara de Harry ardia quando Lockhart lhe apertou a mão para o fotógrafo que disparava como um louco , lançando fumo espesso para_cima de os Weasley . - Belo sorriso , Harry - disse Lockhart através de os seus dentes brilhantes . - Tu e eu juntos merecemos a primeira página . Quando por fim lhe largou a mão , Harry quase não sentia os dedos . Tentou recuar para junto de os Weasley , mas Lockhart lançou lhe um braço por os ombros e prendeu o a o seu lado . - Minhas senhoras e meus senhores - disse bem alto , fazendo sinal para que se acalmassem . - Que momento extraordinário este ! O momento perfeito para eu anunciar algo que tenho vindo a guardar comigo desde_há algum tempo . - Quando o jovem Harry entrou em a Flourish and Blotts hoje , ele queria apenas comprar a minha autobiografia , que tenho agora o maior prazer em oferecer lhe - a multidão aplaudiu de_novo . - Ele não tinha ideia - continuou Lockhart , dando a o Harry um pequeno encontrão que fez com que os óculos lhe escorregassem para a ponta de o nariz - de que ia conseguir em_breve muito mais do_que o meu livro Eu , o mágico . Ele e os seus colegas de a escola vão receber , de facto , o verdadeiro * _ Eu , o mágico * . Sim , minhas senhoras e meus senhores , tenho o maior prazer em anunciar que em o mês_de_Setembro assumirei o lugar de professor de Defesa contra as artes negras em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts ! A multidão aplaudiu e bateu palmas e Harry deu consigo a ser presenteado com a obra completa de Gilderoy_Lockhart . Cambaleando ligeiramente sob o peso de os livros conseguiu abrir caminho para longe de os projectores até a a porta de a sala onde estava Ginny com o seu novo caldeirão . - Podes ficar com estes - murmurou Harry , enfiando os livros em o caldeirão . - Eu vou comprar os meus . - Aposto que adoraste aquilo , não adoraste , Potter ? - disse uma voz que Harry não teve qualquer dificuldade em reconhecer . Endireitou se e deu consigo frente_a_frente com Draco_Malfoy que exibia o seu habitual sorriso escarninho . - O famoso Harry_Potter - disse Malfoy . - Nem_sequer pode entrar em uma livraria sem se tornar primeira página . - Deixa o em paz , ele não queria nada de isso - defendeu a Ginny . Era a primeira vez que falava em frente de Harry . Olhava para Malfoy com um ar feroz . - Potter , arranjaste uma namorada ! - disse arrastadamente Malfoy . Ginny ficou vermelha como um pimentão enquanto Ron e Hermione tentavam abrir caminho , ambos carregando montes de livros de Lockhart . -- Ah és tu ? - disse Ron , olhando para Malfoy como_se ele fosse algo desagradável colado a a sola de o sapato . - Aposto que te surpreendeu ver o Harry aqui ? - Não tanto como a ti em uma loja , Weasley - retorquiu Malfoy . - Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo . Ron ficou tão vermelho quanto Ginny . Deixou também cair os livros em o caldeirão e avançou para Malfoy , mas Harry e Hermione agarraram o por as costas de o casaco . - Ron - disse Mrs._Weasley , aproximando se com Fred e George . - O que estás a fazer ? Isto está uma loucura aqui dentro , vamos lá para fora . - Olha quem ele é , Arthur_Weasley . - Era_Mr._Malfoy . Estava de pé com a mão sobre o ombro de Draco , com o mesmo sorriso escarninho . -- Lucius - disse Mr._Weasley , acenando friamente . -- Muito trabalho em o ministério , segundo me consta - disse Mr._Malfoy . - Todas essas buscas ... espero que te estejam a pagar horas extraordinárias . Meteu a mão em o caldeirão de a Ginny e tirou de o meio de os livros de Lockhart um exemplar muito velho e muito gasto de o * _ Guia_de_Transfiguração_para_Principiantes * . - Parece que não - disse . - Que diabo , qual a vantagem de ser uma nódoa entre os feiticeiros se nem_sequer te pagam bem por isso ? Mr._Weasley corou mais ainda do_que Ron ou Ginny . - Nós temos uma opinião diferente sobre quem são as nódoas entre os feiticeiros - disse . - É claro que ... - disse Mr._Malfoy , os olhos mortiços passando para Mr. e Mrs._Granger apreensivamente . - As companhias com quem tu andas ... e eu que pensava que já não conseguias descer mais baixo ... Ouviu se um tilintar de metal quando o caldeirão de a Ginny foi por os ares . Mr._Weasley lançara se sobre Mr._Malfoy atirando o para dentro_de uma estante . Dezenas_de livros de feitiços saltaram lá de cima , caindo lhes sobre as cabeças . Houve um grito de - Chega lhe , pai ! - de o Fred e de o George . Mrs._Weasley soltava gritos agudos : - Não_Arthur , não . A multidão recuava deitando mais prateleiras a o chão . - Meus senhores , por favor - gritava o encarregado , e então , mais alto do_que todos : - Parem com isso , gente , parem com isso . Hagrid aproximava se através_de um mar de livros . Em um segundo afastou Mr._Weasley e Mr._Malfoy . Mr._Weasley tinha um lábio cortado e Mr._Malfoy fora agredido em um olho por uma * _ Enciclopédia_de_Cogumelos_Venenosos * . Tinha ainda em a mão o livro velho de a Ginny sobre transfiguração . Atirou lhe o , com os olhos a brilhar de malvadez . - Toma o teu livro , garota . É o melhor que o teu pai pode oferecer te . Libertando se de Hagrid , conduziu Draco para fora e abandonaram a livraria . - Devias tê o ignorado , Arthur - disse Hagrid quase a pegar em Mr._Weasley a o colo enquanto lhe endireitava o manto . - São podres até a a raiz , todos eles . Tod'à gente sabe . Nenhum Malfoy vale a pena ser ouvido . Não prestam , ' tá-lhes em o sangue . Vá lá , vamos sair de aqui . O encarregado parecia querer impedis os , mas , olhando bem para Hagrid , pensou melhor . Subiram a rua , os Grangers a tremer de medo e Mrs._Weasley fora de si . - Um belo exemplo para as crianças ... andar a a pancada em público . O que terá pensado Gilderoy_Lockhart ? - Ele gostou - disse o Fred . - Não o ouviram quando ia a sair ? Estava a perguntar a aquele tipo de o Profeta_Diário se conseguia incluir a briga em a reportagem , disse que era boa publicidade . Mas foi um grupo deprimido que regressou a a lareira de o Caldeirão_Escoante onde Harry , os Weasley e todas_as suas compras iriam viajar de volta até a a Toca , usando o pó de Floo . Despediram se de os Grangers que iam sair de o * pub * por a rua de os Muggles , de o outro lado . Mr._Weasley começou a perguntar lhes como funcionavam as paragens de autocarros , mas calou se rapidamente a o ver a expressão de Mrs._Weasley . Harry tirou os óculos e guardou os cautelosamente em o bolso antes de utilizar o pó de Floo . Definitivamente não era a sua forma ideal de viajar . V_O salgueiro zurzidor O fim de as férias de Verão chegou demasiado depressa para o gosto de Harry . Ele desejara muito regressar a Hogwarts , mas aquele mês em a Toca tinha sido o mais feliz de toda_a sua vida . Era difícil não invejar o Ron quando pensava em os Dursleys e em as boas-vindas que ia receber de a próxima vez que pusesse os pés em Privet_Drive . Em a última noite , Mrs._Weasley preparou um jantar magnífico , que incluía os pratos favoritos de Harry e terminava com um pudim de melaço de fazer crescer água em a boca . Fred e George alegraram a noite com uma exibição de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que saltaram de o tecto para as paredes , durante pelo_menos meia_hora . Depois , foi a altura de tomarem uma caneca de chocolate quente e irem para a cama . Em a manhã seguinte , demoraram muito_tempo a preparar se . Levantaram se com o cantar de o galo , mas parecia lhes que ainda tinham muito para fazer . Mrs._Weasley andava de um lado para o outro , mal-humorada , a a procura de meias e penas , chocavam uns com os outros em as escadas , meio vestidos , meio despidos , com pedaços de torrada em as mãos e Mr._Weasley quase partiu o nariz quando tropeçou em uma galinha a o atravessar o pátio , para meter em o carro a mala de Ginny . Harry não percebia lá muito bem_como é_que oito pessoas , seis grandes malas , duas corujas e um rato , iam caber em um pequeno * _ Ford_Anglia * , isso , claro , antes de as artes mágicas que Mr._Weasley acrescentara . - Nem uma palavra a a Molly - murmurou ele a o Harry , enquanto abria a bagageira e lhe mostrava como ela se expandira para que as malas coubessem facilmente . Quando , por fim , se acomodaram todos em o carro , Mrs._Weasley olhou para o banco de trás , onde Harry , Ron , Fred , George e Percy estavam confortavelmente sentados uns a o lado de os outros e disse : - Os Muggles têm mais conhecimentos do_que aqueles que nós lhes atribuímos , não achas ? - Ela e a Ginny entraram para o lugar de a frente , que fora esticado e parecia um banco de jardim . - Quer_dizer , de_fora ninguém diria que este carro era espaçoso , não acham ? Mr._Weasley pôs o motor a funcionar e saíram de o pátio , Harry voltando se para trás para ver por a última vez a casa . Mal teve tempo de se questionar se iria voltar alguma vez e já estavam de volta : George esquecera se de a caixa de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Cinco minutos mais tarde tiveram de interromper de_novo a viagem e voltar a o pátio para o Fred ir a correr buscar a vassoura . Estavam quase a chegar a a auto-estrada , quando Ginny guinchou que se esquecera de o diário . Mas estava a fazer se muito tarde e os ânimos começavam a exaltar se . Mr._Weasley olhou para o relógio e , em seguida , para a mulher . - Molly , querida ... - Não , Arthur . - Ninguém ia ver . Este botãozinho é um transformador de invisibilidade que eu instalei , levava nos por o ar , subíamos acima de as nuvens . Estaríamos lá em dez minutos e ninguém daria por nada ... - Eu disse que não , Arthur . Durante o dia , não . Chegaram a King's_Cross , faltava um quarto para as onze . Mr._Weasley precipitou se em busca de um carrinho de transporte para as malas e correram todos para a estação . Harry apanhara o Expresso_de_Hogwarts em o ano anterior . A parte mais difícil era entrar em a plataforma nove_e_três quartos , que não era visível a os olhos de os Muggles . Era preciso avançar para a barreira sólida que dividia as plataformas nove e dez . Não doía nada , mas tinha de ser feito com cuidado para que nenhum de os Muggles de esse , por o desaparecimento . - O Percy em primeiro lugar - declarou Mrs._Weasley , olhando nervosamente para o relógio lá em cima , que mostrava que tinham apenas cinco minutos para desaparecer através de a barreira . Percy avançou a passos largos e desapareceu . Mr._Weasley foi a seguir e depois de ele Fred e George . - Eu levo a Ginny e vocês vêm atrás_de nós - disse Mrs._Weasley a o Harry e a o Ron , agarrando Ginny pela mão e seguindo em frente . Em um abrir e fechar de olhos , tinham passado . - Vamos passar juntos , só temos um minuto - disse Ron a o Harry . Harry assegurou se de que a gaiola de a Hedwig estava bem fixa em cima de a sua mala e empurrou o carrinho de encontro a a barreira . Estava perfeitamente confiante , aquilo era muito mais fácil do_que usar o pó de Floo . Puseram os dois as mãos em o puxador de os carrinhos e avançaram direitos a a barreira , ganhando velocidade . A um metro e pouco , começaram a correr e ... CRASH . Os dois carros bateram em a barreira e foram impelidos para trás . A mala de o Ron caiu com um enorme estrépito . Harry desequilibrou se e a gaiola de a Hedwig foi parar a o chão brilhante , enquanto ela rolava guinchando , indignada . As pessoas em volta olhavam fixamente e um guarda que estava ali perto gritou : - Que diabo pensam vocês que estão a fazer ? - Perdemos o controlo de o carro de transporte - respondeu o Harry , respirando com dificuldade , agarrando se a as costelas , enquanto se punha de pé . Ron correu a agarrar a Hedwig , que estava a fazer uma cena tal , que já se ouviam murmúrios em a multidão sobre a crueldade para com os animais . - Porque é_que não conseguimos passar ? - perguntou Harry a o Ron em um sussurro . - Não sei . Ron olhou descontroladamente em volta . Uma_dúzia de curiosos estavam ainda a observá os . - Vamos perder o comboio - murmurou o Ron . - Não compreendo porque motivo a cancela se fechou . Harry olhou para o relógio gigantesco com um sentimento de náusea em a boca de o estômago . Dez segundos , nove segundos ... Dirigiu o carrinho de transporte para a frente com toda_a força . O metal manteve se sólido . Três segundos ... dois segundos ... um segundo ... - Partiu - afirmou o Ron , que parecia estonteado . - O comboio foi se embora . E se a mãe e o pai não conseguem voltar para aqui ? Tens algum dinheiro de Muggle ? Harry deu uma gargalhada . - Os Dursleys não me dão um tostão há mais de seis anos ! Ron encostou o ouvido a a barreira . - Não se ouve nada - disse , bastante tenso . - O que vamos nós fazer ? Não sei quanto tempo o pai e a mãe vão demorar . Olharam em volta . As pessoas ainda estavam a observá os , principalmente devido a os contínuos guinchos de a Hedwig . - Acho que o melhor é sairmos de aqui e esperamos por eles junto de o carro - disse Harry . - Aqui estamos a atrair demasiado as aten ... - Harry - disse o Ron , com os olhos a brilhar . - É isso , o carro . - O que é_que tem ? - Podemos voar nele até Hogwarts ! - Mas eu pensei ... - Estamos em apuros , certo ? E temos de chegar a a escola , ou não ? E mesmo os feiticeiros menores de idade estão autorizados a usar a magia em uma emergência real , parágrafo dezanove , ou não sei quê , de a Restrição de ... O sentimento de pânico de Harry transformou se em entusiasmo . - E tu sabes voar nele ? - Não há problema - disse o Ron , andando com o carrinho a a volta e dirigindo se para a saída . - Anda de aí . Se em os apressarmos , conseguiremos sair atrás de o Expresso_de_Hogwarts . E afastaram se de o grupo de Muggles curiosos , abandonando a estação e voltando a a rua , onde o velho * _ Ford_Anglia * se encontrava estacionado . Ron abriu a bagageira com uma série de toques de varinha . Meteram lá dentro as malas , puseram a Hedwig em o assento de trás e entraram para a frente . - Verifica se ninguém está a ver - disse o Ron , ligando a ignição com outro toque de varinha . Harry pôs a cabeça fora de a janela : o trânsito enchia a avenida principal , mas a rua de eles estava vazia . - O. _ K. - disse . Ron carregou em um pequeno botão de o painel . Os carros em volta desapareceram assim_como eles . Harry sentia o assento a vibrar debaixo_de si , ouvia o motor , sentia as mãos sobre os joelhos e os óculos em o nariz , mas , tanto quanto conseguia ver , tornara se um par de olhos redondos flutuando um metro e pouco acima de o chão em uma rua suja , cheia de carros estacionados . - Vamos - disse a voz de o Ron , vinda de o seu lado direito . O chão e os prédios escuros de ambos os lados desapareceram de o seu ângulo de visão , mal o carro se elevou . Em poucos segundos toda_a cidade de Londres , enevoada e resplandecente , estava por baixo de eles . Em seguida , ouviu se um ruído que parecia o saltar de uma rolha e o carro , Harry e Ron , reapareceram . - Oh , oh - disse Ron , batendo em o intensificador de invisibilidade . - Está avariado ... Começaram os dois a bater em o botão . O carro desapareceu . Depois surgiu de forma intermitente . - Aguenta aí - gritou o Ron e carregou com o pé em o acelerador . Saltaram direitinhos para o meio de as nuvens mais baixas e tudo ficou sujo e enevoado . - E agora ? - exclamou Harry , piscando os olhos a a sólida massa de nuvens que os comprimia de todos os lados . - Precisamos de avistar o comboio para sabermos qual a direcção a tomar - explicou o Ron . - Desce rapidamente ... Desceram por o meio de as nuvens e voltaram se em os lugares , espreitando . - Estou a vê o - gritou Harry . - Mesmo em frente , ali . O Expresso_de_Hogwarts deslocava se a grande velocidade lá em baixo , como uma serpente vermelha . - Para Norte - disse o Ron , verificando a bússola de o painel . - O. _ k . , basta que verifiquemos de meia em meia_hora . Aguenta aí ... - e arrancaram por o meio de as nuvens . Em o minuto seguinte , tinham chegado a a luz brilhante de o Sol . Era um mundo diferente . Os pneus de o carro deslizavam sobre o mar de nuvens macias , o céu era de um azul infinito sob a luz , capaz de cegar , que irradiava de o Sol . - Agora só temos de nos preocupar com os aviões - disse o Ron . Olharam um para o outro e desataram a rir . Durante muito_tempo não conseguiram parar . Era como_se tivessem mergulhado em um sonho fabuloso . Aquela , pensou Harry , era certamente a única maneira de viajar : passando por turbilhões e torres de nuvens cor de neve , em um carro cheio de calor , o sol radioso , com um grande pacote de rebuçados em o porta-luvas e antegozando o ar de inveja de o Fred e de o George quando aterrassem suavemente e de forma espectacular em o relvado macio em frente de o castelo de Hogwarts . Espreitaram várias vezes o comboio enquanto voavam cada_vez_mais para norte . Cada descida entre as nuvens dava lhes uma perspectiva diferente . Londres depressa ficou para trás , substituída por campos verdejantes que , por sua vez , deram lugar a grandes pântanos arroxeados , aldeias com pequenas igrejas de brinquedo e uma grande cidade , cheia de vida , com carros que pareciam formigas multicores . Várias horas mais tarde sem acontecer nada de_novo , Harry teve de admitir que uma parte de o entusiasmo se esgotara . Os rebuçados tinham nos deixado cheios de sede e não havia nada para beber . Ele e o Ron tinham tirado as camisolas , mas a * _ T-shirt * de o Harry estava colada a as costas de o assento e os óculos não paravam de lhe escorregar para a ponta de o nariz . Deixara de reparar em as fabulosas formas de as nuvens e pensava com saudade em o comboio , milhas abaixo de eles , onde se podia comprar sumo fresquinho de abóboras em um carro empurrado por uma bruxa gordinha . Porque não teriam conseguido entrar em a plataforma nove_e_três quartos ? - Não pode ser muito mais longe , pois não ? - resmungou o Ron , horas mais tarde quando o Sol começava a enfiar se em o seu chão de nuvens , pintando as de um rosa profundo . - Estás pronto para outra espreitadela a o comboio ? Ainda ia mesmo por baixo de eles , abrindo caminho por_entre uma montanha com o topo coberto de neve . Estava muito mais escuro entre o dossel de nuvens . Ron pôs o pé em o acelerador e levou os de_novo para_cima , mas em esse momento o motor começou a chiar . Harry e Ron trocaram entre si olhares nervosos . - Deve estar só cansado - disse o Ron . - Nunca tinha vindo tão longe ... - E fingiram ambos que não davam por o gemido que se ia tornando maior à_medida_que o céu serenamente escurecia . As estrelas desabrochavam em a escuridão , Harry voltou a enfiar a camisola de lã , tentando ignorar os limpa pára-brisas que acenavam debilmente como_que a protestar . - Não devemos estar longe - disse Ron , dirigindo se mais a o carro do_que a o amigo . - Já não devemos estar longe - deu umas palmadinhas nervosas em o * tablier * . Pouco depois , quando voltaram a voar em o meio de as nuvens , tiveram de olhar de lado em a escuridão , em busca de um ponto de referência que conhecessem . - Ali - gritou Harry , fazendo o Ron e a Hedwig darem um salto . - Mesmo em frente . Recortados em o horizonte negro , sobre o rochedo de o outro lado de o lago , erguiam se as torres e torreões de o castelo de Hogwarts . Mas o carro tinha começado a estremecer e perdia a os poucos velocidade . - Vá lá - disse o Ron , dando a o volante um pequeno abanão bajulador . - Estamos quase a chegar , vá lá ... O motor gemeu . Pequenos jactos de vapor de água brotaram de o capo . Harry deu consigo agarrado com toda_a força a os bordos de o assento enquanto voavam direitos a o lago . O carro deu um solavanco feio . Espreitando por a janela , Harry viu a superfície negra , macia e espelhada de a água cerca de uma milha abaixo de eles . Os dedos de o Ron agarrados a o volante tinham as articulações brancas . O carro deu um novo esticão . - Vá lá - murmurou o Ron . Estavam sobre o lago ... o castelo ficava mesmo em frente . Ron fez força com o pé . Houve um ruído surdo , uma crepitação e o motor morreu por completo . - Oh ! oh ! - gemeu Ron em o silêncio . O nariz de o carro voltou se para baixo . Estavam a cair , ganhando velocidade em direcção a os muros sólidos de o castelo . - Naaaaão ! - gritou o Ron , girando o volante . Escaparam a a muralha de pedra negra por centímetros , quando o carro fez um grande arco , planando primeiro sobre as estufas , depois sobre o rectângulo plantado com vegetais e , por fim , sobre os relvados , perdendo sempre velocidade . Ron largou o volante por completo e tirou a varinha de o bolso de trás . - __ pára ! __ pára ! - gritou , batendo em o * tablier * e em o pára-brisas , mas eles continuavam a mergulhar , o chão a voar em direcção a eles . - : __ cuidado com essa __ árvore ! ! ! - bramiu Harry , deitando a mão a o volante , mas ... tarde de mais ... CRUNCH . Com um ruído ensurdecedor de metal e madeira , bateram em o tronco espesso de a árvore e caíram em o chão com um forte solavanco . O vapor era um mar debaixo de o capo amachucado . A Hedwig tremia apavorada . Em a cabeça de Harry surgira um alto de o tamanho de uma bola de golfe , quando ele batera em o pára-brisas , tombando em seguida para a direita . Ron soltou um gemido longo e desesperado . - Estás O. _ K ? - perguntou Harry , aflito . - A minha varinha - disse o Ron em uma voz trémula . - Olha para a minha varinha . Tinha se partido praticamente em duas , a ponta balouçava mole , presa por meia_dúzia de esquírolas . Harry abriu a boca para dizer que em a escola com certeza conseguiriam consertá a , mas nem chegou a começar a frase . Em esse preciso momento , algo bateu em o seu lado de o carro , com a força de um touro , projectando o para_cima de o Ron , ao_mesmo_tempo que um golpe igualmente forte se sentiu em o capô . - O que está a acontec ... Ron arfou , olhando fixamente por o pára-brisas e Harry olhou em volta , mesmo a_tempo_de ver uma ramada espessa como uma píton vir contra o vidro . A árvore em que tinham batido estava a atacá os . O tronco dobrara se quase a meio e os seus galhos rugosos davam uma tareia a cada centímetro de o carro que conseguiam atingir . - Ah ! - praguejou o Ron , quando outra pernada retorcida esmurrou a sua porta , amolgando a . O pára-brisas tremia agora sob uma saraivada de golpes vindos de galhos que pareciam patas de animais e uma ramada espessa como um aríete esmagava furiosamente o capo , que parecia estar a ceder ... - Corre ! - gritou o Ron , lançando o seu peso contra a porta , mas , em o momento seguinte , tinha sido atirado para trás , para o colo de Harry por um soco maldoso , dado de baixo para_cima , por outro ramo . - Estamos feitos ! - resmungou , enquanto o tecto descaía . Mas , de repente , o chão de o carro estava a vibrar , o motor pegara . - Marcha atrás - gritou o Harry e o carro deu um salto para trás . A árvore tentava ainda agredis os , ouviam as raízes chiar , enquanto quase se partiam esticando se para os alcançar . - Escapámos por_pouco ! - exclamou o Ron . - Muito bem , carro . Mas o carro tinha atingido o limite de as suas forças . Com dois estalidos , as portas abriram se e Harry sentiu o seu assento inclinar se para o lado . Quando deu por si , estava estatelado em o chão húmido . Ruídos surdos avisaram o de que o carro estava a ejectar as malas de a bagageira . A gaiola de a Hedwig voou por os ares e abriu se . Ela saiu a voar com um pio furioso e dirigiu se a o castelo , sem sequer olhar para trás . Em seguida , o carro , amolgado , arranhado e a fumegar , arrancou em o escuro , com os faróis traseiros ardendo de fúria . - Volta aqui ! - gritou o Ron , brandindo a varinha partida . - O meu pai mata me . Mas o carro desapareceu a perder de vista , com um último estoiro de o tubo de escape . - Já viste bem o nosso azar ! ? - exclamou o Ron em o meio de a sua infelicidade , baixando se para apanhar o rato Scabbers . - De todas_as árvores em que podíamos ter batido , tínhamos de ir dar a uma que bate também . Olhou por cima de o ombro para a velha árvore que ainda agitava os ramos ameaçadoramente . - Vamos - disse Harry , fatigado . - É melhor irmos andando para a escola ... Não foi , de modo algum , a chegada triunfal que tinham imaginado . Constrangidos , cheios de frio e magoados , pegaram em as malas e começaram a arrastá as por o relvado acima , em direcção a as grandes portadas de carvalho . - Acho que o banquete já começou - disse o Ron , largando a mala em os degraus de a entrada e atravessando devagarinho para espreitar por uma janela iluminada . - Harry , anda ver , é a distribuição . Harry apressou se e os dois , ele e o Ron , espreitaram para o Salão_Nobre . Um número infindável de velas pairava em o ar , sobre quatro mesas enormes cheias de gente , fazendo brilhar os pratos dourados e as taças . Em cima , o tecto encantado que espelhava o céu lá de_fora , brilhava cheio de estrelas . Por_entre a floresta de chapéus pretos pontiagudos de Hogwarts , Harry viu uma longa fila de alunos de o primeiro ano com olhares assustados que enchia o vestíbulo . Ginny estava entre eles , facilmente reconhecível devido a o seu chamativo cabelo Weasley . Enquanto isso , a professora Mc_Gonagall , uma bruxa de óculos com cabelo castanho apanhado em um carrapito , colocava o famoso chapéu seleccionador em um banco que se encontrava em frente de os novos alunos . Todos os anos , aquele velho chapéu , remendado , puído e cheio de pó , seleccionava alunos para as quatro equipas de Hogwarts ( Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin ) . Harry lembrava se bem de o ter colocado em a cabeça , precisamente um ano antes , e ter esperado petrificado por a sua decisão , enquanto ele lhe murmurava a o ouvido . Durante alguns horríveis segundos receara que o chapéu o mandasse para os Slytherin , a equipa que produzia maior número de feiticeiros e feiticeiras de magia negra , mas acabara por ficar em os Gryffindor , juntamente com Ron e Hermione e o resto de os Weasley . Em o último período , Harry e Ron tinham ajudado os Gryffindor a vencer o campeonato de a equipa , batendo os Slytherin pela_primeira_vez em sete anos . Um rapazito baixinho com cabelo de rato acabava de ser chamado para pôr o chapéu em a cabeça . Os olhos de Harry saltavam de ele para o lugar onde o professor Dumbledore , o director , estava sentado , observando a selecção de a mesa de os professores , com a sua longa barba cor de prata e óculos de meia-lua que brilhavam a a luz de as velas . Alguns lugares a a frente , Harry viu Gilderoy_Lockhart com um manto verde-azulado . E lá bem a o fundo estava Hagrid , enorme e cabeludo , bebendo satisfeito de a sua taça . - Espera aí - murmurou a o Ron . - Há um lugar vazio em a mesa de os professores . Onde estará o Snape ? Severus_Snape era o professor de quem Harry menos gostava . Harry era também o seu aluno menos querido . Cruel , sarcástico e detestado por todos com excepção de os alunos de a sua própria equipa ( Slytherin ) , Snape tinha a seu cargo a cadeira de Poções . - Talvez esteja doente - sugeriu Ron , cheio de esperança . - Talvez se tenha ido embora - lembrou Harry . - Por não lhe terem dado outra_vez a Defesa contra as artes negras . - Ou talvez tenha sido corrido - propôs Ron com entusiasmo . - Afinal , toda_a_gente o detesta ... - Ou talvez - disse uma voz gelada atrás de eles - esteja a a espera que vocês lhe expliquem por_que motivo não vieram em o comboio de a escola . Harry deu uma volta . Em a sua frente , com o manto negro a ondular em uma brisa fria , estava Severus_Snape . O professor era um homem magro , de pele descorada , nariz adunco e um cabelo preto oleoso que lhe caía sobre os ombros . E em aquele momento sorria de um modo tal que Harry sentiu que tanto ele como Ron estavam em sérios apuros . - Sigam me - disse Snape . Sem ousarem sequer olhar um para o outro , Harry e Ron seguiram Snape por as escadas até a o amplo * hall * de entrada que estava iluminado por as chamas de os archotes . De o salão nobre vinha um cheirinho delicioso a comida , mas Snape levou os para longe de a luz e de o calor , em direcção a uma escada estreita de pedra que conduzia a os calabouços . - Entrem - ordenou , abrindo uma porta a meio de o corredor e apontando . Entraram a tremer em o escritório de Snape . As paredes sombrias estavam cobertas de prateleiras cheias de jarros de vidro grosso onde flutuavam as coisas mais diversas e repugnantes , cujo nome Harry não queria de momento conhecer . A lareira estava escura e vazia . Snape fechou a porta e voltou se de frente para eles . - Com que então - disse com falsa suavidade - o comboio não serve para o famoso Harry_Potter e o seu fiel companheiro Weasley . Queriam chegar em grande estilo , não era rapazes ? - Não senhor , foi a barreira em King's_Cross , ela ... - Silêncio - disse Snape friamente . -- _ o que fizeram a o carro ? Ron engoliu em seco . Aquela não era a primeira vez que Snape dava a Harry a impressão de ser capaz de ler pensamentos . Mas , pouco depois , compreendeu tudo quando Snape desenrolou o exemplar de o Profeta_Vespertino . - Vocês foram vistos - afirmou , mostrando lhes o cabeçalho : : __ ford anglia voador confunde __ muggles . Começou a ler alto a notícia . - Dois Muggles em Londres convenceram se de que tinham visto um carro velho a voar sobre a torre de os correios ... a a tardinha em Norfolk , Mrs._Hetty_Bayliss , enquanto pendurava a roupa ... Mr._Angus_Fleet_de_Peebles informou a polícia ... seis ou sete Muggles a o todo . Julgo que o teu pai trabalha em o departamento de mau uso dado a os objectos de os Muggles ? - disse olhando para Ron e sorrindo de uma forma ainda mais sarcástica . - Que peninha , o próprio filho ... Harry sentiu se como_se tivesse levado um soco em o estômago de uma de as maiores pernadas de a árvore louca . E se alguém descobrisse que Mr._Weasley tinha enfeitiçado o carro ? Ele ainda nem tinha pensado em isso . - Reparei durante a minha volta por o jardim que foi feito um estrago considerável em um salgueiro zurzidor extremamente valioso - continuou Snape . - Essa árvore fez nos pior a nós do_que nós ... - deixou escapar Ron . - Silêncio - interrompeu Snape , de_novo . - Infelizmente vocês não fazem parte de a minha equipa e a decisão de vos expulsar não está em as minhas mãos . Vou , por isso , buscar as pessoas que possuem essa feliz possibilidade . Esperem aqui . Harry e Ron olharam , pálidos , um para o outro . Harry perdera a fome . Sentia se agora extremamente agoniado . Tentava não olhar para uma coisa viscosa , suspensa em um líquido verde que estava em uma prateleira por detrás de a secretária de Snape . Se ele fora buscar a professora Mc_Gonagall , chefe de a equipa de os Gryffindor , não estavam muito melhor . Ela era mais justa do_que Snape , mas extremamente severa . Dez minutos mais tarde , Snape voltou e era , de facto , a professora Mc_Gonagall quem o acompanhava . Harry vira a professora Mc_Gonagall zangada , mas , ou se tinha esquecido de como a boca de ela ficava fina , ou nunca a vira tão zangada como em aquele dia . Levantou a varinha em o momento em que entrou . Harry e Ron estremeceram , mas ela limitou se a apontá a para a lareira onde as chamas se elevaram subitamente . - Sentem se - ordenou , e os dois recuaram para as cadeiras junto de o lume . - Expliquem se - disse com os óculos a brilhar de uma forma ameaçadora . Ron enveredou por a história começando por a barreira de a estação que se recusara a deixá os passar . - Por isso não tínhamos escolha , professora , não podíamos chegar a o comboio . - Porque não nos mandaram uma carta por a coruja ? Julgo que tens uma coruja ? - disse friamente a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a Harry . Harry olhou para ela sem saber o que dizer . - Parece me - continuou ela - que seria a coisa mais adequada . - Eu ... não pensei ... - Isso - disse a professora Mc_Gonagall - é bastante óbvio . Ouviu se bater a a porta de o escritório e Snape , que parecia agora mais feliz do_que nunca , foi abrir . Era o director , o professor Dumbledore . Harry ficou totalmente paralisado . Dumbledore tinha uma expressão grave . Olhou para eles de cima de o seu nariz adunco e Harry desejou estar ainda com Ron a levar uma sova de o salgueiro zurzidor . Fez se um longo silêncio . Em seguida , Dumbledore disse lhes : - Por favor , expliquem porque fizeram isto . Teria sido melhor se gritasse . Harry detestou sentir a decepção em a sua voz . Inexplicavelmente era incapaz de olhar Dumbledore em os olhos e falou em direcção a os seus joelhos . Disse lhe tudo excepto que o carro enfeitiçado pertencia a Mr._Weasley , dando a ideia de que ele e o Ron o tinham encontrado estacionado fora de a estação . Sabia que Dumbledore ia ver para_além de isso , mas o director não fez perguntas sobre o carro . Quando Harry terminou continuou a olhar para ele através de os seus óculos . - Nós vamos buscar as nossas coisas - disse Ron em um tom de voz sem esperança . - Que disparate é esse ? - rosnou a professora Mc_Gonagall . -- Então , vão expulsar nos , não vão ? - disse o Ron . Harry olhou rapidamente para Dumbledore . - Ainda não , Mr._Weasley - afirmou Dumbledore . - Mas vou assinalar a gravidade do_que vocês fizeram . Hoje a a noite escreverei a as vossas famílias . Estão também prevenidos que se voltarem a fazer uma coisa como esta não terei outro remédio senão expulsar vos . A expressão de Snape era como_se o Natal tivesse sido cancelado . Pigarreou e disse : - Professor_Dumbledore , estes rapazes infringiram o decreto para a restrição de a feitiçaria de os menores , causaram estragos consideráveis a uma árvore antiga e valiosa ... sem dúvida , actos de esta natureza ... - Cabe a a professora Mc_Gonagall decidir sobre os castigos de os rapazes , Severus - afirmou Dumbledore com toda_a calma . - Pertencem a a equipa de ela e são , portanto , de a sua responsabilidade . - Voltou se para a professora Mc_Gonagall . - Tenho de regressar a o banquete , Minerva , devo dar algumas informações . Venha Severus , há uma tarte de leite e ovos com um aspecto delicioso que quero mostrar lhe . Snape lançou um olhar de puro veneno a o Harry e a o Ron enquanto permitia que o afastassem de o seu escritório , deixando os a sós com a professora Mc_Gonagall que ainda os olhava como uma águia em fúria . - É melhor ires até a a ala hospitalar , Weasley , estás a sangrar . - Não é nada - disse Ron , limpando o corte com a manga para que ela o visse . - Professora , eu gostava de ver a minha irmã ser seleccionada . - A cerimónia de a selecção terminou - disse a professora Mc_Gonagall . - A tua irmã está também em os Gryffindor . - _ óptimo - exclamou Ron . - E por falar em os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall de forma cortante , mas Harry interrompeu a : - Professora , quando tirámos o carro , o ano escolar ainda não tinha começado , por isso os Gryffindor não deveriam perder pontos , pois não ? - terminou olhando a ansiosamente . A professora Mc_Gonagall lançou lhe um olhar penetrante , mas ele era capaz de jurar que ela quase tinha sorrido . Pelo_menos a boca não parecia tão fina . - Não vou tirar pontos a os Gryffindor - tranquilizou o . E o coração de Harry ficou mais leve . - Mas vocês os dois vão ter um castigo . Foi melhor do_que Harry imaginara . O facto de Dumbledore escrever a os Dursley não tinha a menor importância . Harry sabia perfeitamente que eles só lamentariam que o salgueiro zurzidor não o tivesse esmigalhado . A professora Mc_Gonagall ergueu a varinha de_novo apontou a a a secretária de Snape . Um grande prato de sanduíches , duas taças de prata e um jarro com sumo de abóbora gelado apareceram em menos_de um segundo . - Vocês vão comer aqui e , em seguida , vão direitinhos para o vosso dormitório - disse . - Eu também tenho de voltar para a festa . Mal a porta se fechou atrás de ela , Ron soltou baixinho um assobio . - Pensei que estávamos feitos - confessou , agarrando uma sanduíche . - Também eu - disse o Harry , orando também uma . - Mas já viste bem a nossa pouca sorte ? - insistiu o Ron com a boca cheia de frango e fiambre . - O Fred e o George voaram em aquele carro cinco ou seis vezes e nenhum Muggle os viu - engoliu outro pedaço enorme de a sanduíche . - Porque será que não conseguimos passar a barreira ? Harry encolheu os ombros . - Mas temos de ter muito cuidado a_partir_de agora - disse bebendo um grande trago de sumo de abóbora . - Que pena não termos podido ir a o banquete . - Ela não quis que nos exibíssemos - afirmou Ron com prudência . - Não vão as pessoas pensar que é uma boa chegar aqui de carro voador . Quando já tinham comido todas_as sanduíches que queriam ( o prato ia voltando a encher se sozinho ) , levantaram se e saíram de o escritório , seguindo o caminho que lhes era familiar , para a torre de os Gryffindor . O castelo estava em silêncio . Parecia que o banquete tinha acabado . Passaram por retratos murmurantes e armaduras que gemiam e subiram os degraus estreitos de pedra até que , por fim , chegaram a a passagem onde a entrada secreta para a torre de os Gryffindor se encontrava oculta por detrás de o quadro a óleo de uma dama gorda em um vestido cor-de-rosa . - A senha ? - perguntou ela mal os dois se aproximaram . - Er ... Eles ainda não tinham estado com o prefeito de os Gryffindor e por isso ainda não conheciam a senha para o novo ano , mas a ajuda não se fez esperar . Ouviram passos apressados atrás de eles e quando se voltaram viram Hermione que se aproximava . - Aí estão vocês . Onde é_que se meteram ? Correm os boatos mais ridículos , alguém disse que vocês tinham sido expulsos por espatifarem um carro voador . - Bem , expulsos não fomos - tranquilizou a Harry . - Não estás a dizer me que voaram até aqui ? - perguntou Hermione em um tom quase tão severo como a professora Mc_Gonagall . - Dispensa se o sermão - interrompeu Ron impacientemente . - E diz nos a nova senha de passagem . - É crista de pássaro - disse Hermione não contendo a impaciência . - Mas o mais importante não é isso ... Contudo as palavras de ela foram interrompidas ao_mesmo_tempo que o retrato de a dama gorda se abria e se ouvia uma tempestade de aplausos . A o que parecia a equipa de os Gryffindor estava ainda acordada , dentro de a sala comum em forma de círculo , junto de as mesas assimétricas e de os cadeirões moles a a espera que eles chegassem para , de braços estendidos através de o buraco de o retrato , puxarem Harry e Ron para dentro deixando Hermione para o fim . - Sensacional - gritou Lee_Jordan . - Inspirado ! Que entrada ! Voar em um carro e aterrar em o salgueiro zurzidor . Toda_a_gente vai falar de isto durante anos e anos . - Muito bem - disse um aluno de o quinto ano com quem Harry nunca tinha falado . Alguém dava lhe palmadas em as costas como_se ele acabasse de vencer a maratona . Fred e George abriram caminho por_entre a multidão e disseram ao_mesmo_tempo : - Por_que é_que não nos chamaram , hein ? - Ron estava vermelho como um pimentão , sorrindo envergonhado , mas Harry via perfeitamente uma pessoa que não estava nada contente . Percy elevava se acima de as cabeças de os excitados alunos de o primeiro ano e parecia estar a tentar aproximar se para os repreender . Harry deu uma cotovelada a o Ron e apontou em direcção a Percy . Ron percebeu de imediato . - Temos de ir para_cima , um_pouco cansados ! - explicou e os dois começaram a abrir caminho em direcção a a porta que ficava de o outro lado de a sala e que dava para a escada em espiral e para os dormitórios . - ` _ Noite - despediu se Harry_de_Hermione que tinha um ar tão carrancudo como Percy . Conseguiram chegar a o outro lado de a sala comum sempre a levarem palmadas em as costas e alcançaram o sossego de as escadas . Apressaram se a subir e , por fim , chegaram a a porta de o dormitório que tinha agora um letreiro a dizer « Segundos_Anos » . Entraram em o quarto circular , que conheciam tão bem , com as suas cinco camas de dossel adornadas de velado vermelho e as suas janelas altas e estreitas . As malas tinham sido trazidas para_cima e colocadas a os pés de as camas . Ron fez um sorriso culpado . - Sei que não devia ter gostado de aquilo , mas ... A porta de o dormitório abriu se e os outros rapazes de os Gryffindor entraram ; eram eles o Seamus_Finnigan , o Dean_Thomas e o Neville_Loogbottom . - Inacreditável - aplaudiu Seamus . - Incrível - aprovou o Dean . - Espantoso - exclamou o Neville , aterrado . Harry não pôde evitar também um sorriso . VI_Gilderoy_Lockhart_No dia seguinte , contudo , Harry não conseguiu sorrir . As coisas começaram a correr mal logo em o salão durante o pequeno-almoço . Debaixo de o tecto encantado ( em aquele dia triste e cinzento ) estavam as quatro grandes mesas de as equipas e sobre elas , terrinas de papa de aveia , pratos de arenque defumado , montanhas de torradas e pratadas de ovos com * bacon * . Harry e Ron sentaram se em a mesa de os Gryffindor , junto de Hermione que tinha o seu exemplar de * _ Viagens com Vampiros * totalmente aberto , encostado a um jarro de leite . Havia uma certa rigidez em a maneira como ela disse : - ` _ Dia - que mostrou a Harry que continuava a desaprovar o modo como tinham chegado a a escola . Por seu turno , Neville_Longbottom saudou os entusiasticamente . Neville era um rapazinho de cara redonda , muito dado a acidentes , com a pior memória que Harry tinha conhecido . - A entrega de correio deve estar a chegar , acho que a minha avó me vai mandar umas quantas coisas de que me esqueci ... Harry tinha começado a comer as papas de aveia , quando se ouviu um ruído tumultuoso em o ar e umas cem corujas entraram ao_mesmo_tempo , sobrevoando o salão e deixando cair cartas e pacotes em o meio de a multidão faladora . Um embrulho grande e rugoso caiu em a cabeça de Neville e , um segundo depois , uma coisa larga e cinzenta caiu em o jarro de a Hermione , enchendo os a todos de leite e penas . - Errol - gritou o Ron , puxando a coruja esfarrapada por as patas . Errol caíra inconsciente sobre a mesa com as pernas para o ar e um envelope vermelho húmido em o bico . - Oh , não ! - sobressaltou se Ron . - Ela está bem , ainda está viva - tranquilizou o Hermione , tocando suavemente em a Errol com a ponta de o dedo . - Não é isso , é ... aquilo . Ron apontava para o envelope vermelho . Parecera perfeitamente vulgar a Harry , mas Ron e Neville estavam ambos a observá o como_se esperassem que explodisse . - Qual é o problema ? - perguntou Harry . - Ela . Ela mandou me um * gritador * - disse Ron , quase sem voz . - É melhor abrires - aconselhou Neville em um murmúrio tímido - senão é pior . A minha avó uma_vez mandou me um que eu ignorei e ... - engoliu em seco - foi horrível . Harry olhava , ora para as suas caras , ora para o envelope vermelho . - O que é um * gritador * ? - perguntou . - Mas toda_a atenção de o Ron estava fixa em a carta que começara a fumegar por os cantos . - Abre a - intimou o Neville . - De aqui a poucos minutos já passou tudo . Ron estendeu uma mão trémula , retirou o envelope de o bico de a Errol e começou a abri o . Neville pôs os dedos em os ouvidos . Após uma fracção de segundo , Harry compreendeu porquê . Pensou em o primeiro momento que ela explodira . Um ruído ensurdecedor encheu o enorme salão , fazendo cair pó de o tecto . - ... : __ roubar o carro ! não me surpreendia nada se te expulsassem . espera só até te pôr as mãos em cima . será que não paraste para pensar em a nossa aflição quando vimos que o carro tinha __ desaparecido ... Os gritos de Mrs._Weasley , ampliados cem vezes em relação a o seu normal , fizeram os pratos e as colheres chocalhar em a mesa e ecoaram de forma ensurdecedora em as paredes de pedra . Vinha gente de todos os lados espreitar quem tinha recebido o * gritador * e Ron afundou se tanto em a cadeira que só se lhe via a testa carmesim . - ... : __ uma carta de o dumbledore ontem a a noite , o teu pai quase morria de vergonha . não foi esta a educação que te demos , tu e o harry podiam ter __ morrido ... Harry estava a ver quando é_que o seu nome viria a a baila . Tentou o melhor que pôde agir como_se não ouvisse a voz , mas aquilo estava a fazer com que os tímpanos lhe latejassem . - ... : __ profundamente decepcionada , o teu pai vai ter de se confrontar com um inquérito em o trabalho , tudo por tua culpa e , se pisas mais_uma_vez o risco , trago te para __ casa ! Seguiu se um silêncio ressonante . O envelope vermelho , que caíra de as mãos de o Ron , incendiou se e encaracolou se em cinzas . Harry e Ron estavam sentados de boca aberta , como_se uma onda gigante lhes tivesse passado por cima . Algumas pessoas riam e , a os poucos , o ruído de as conversas recomeçou . Hermione fechou o * _ Viagens com Vampiros * e olhou para o topo de a cabeça de Ron . - Bem , não sei o que esperavas , Ron , mas tu ... - Não me venhas dizer que mereci - interrompeu Ron . Harry afastou as papas de aveia . O estômago ardia lhe de culpa . Mr._Weasley tinha um inquérito em o trabalho , depois de tudo_o_que Mr. e Mrs._Weasley tinham feito por ele durante o Verão ... Mas não teve muito_tempo para se demorar em aqueles pensamentos . A professora Mc_Gonagall circulava em volta de as mesas de os Gryffindor distribuindo horários . Harry pegou em o seu e viu que começavam por ter Herbologia , juntamente com os Hufflepuff . Harry , Ron e Hermione saíram juntos de o castelo , atravessaram as hortas e chegaram a as estufas , onde estavam guardadas as plantas mágicas . O * gritador * tivera pelo_menos uma vantagem : Hermione parecia achar que já tinham sido suficientemente castigados e estava de_novo perfeitamente calorosa . Quando estavam a chegar a as estufas viram o resto de a classe de pé , cá fora , a a espera de a professora Sprout . Harry , Ron e Hermione tinham acabado de se lhes juntar quando a viram aproximar se a passos largos por o relvado , acompanhada de Gilderoy_Lockhart . A professora Sprout era uma bruxa pequenina e atarracada que usava um chapéu a os remendos sobre o cabelo solto . As roupas que vestia estavam sempre cheias de terra e as suas unhas fariam a tia Petúnia desmaiar . Gilderoy_Lockhart , pelo_contrário , tinha um ar imaculado em as suas vestes azul-turquesa , o cabelo doirado a brilhar debaixo_de um chapéu azul-turquesa , com uma fita dourada , perfeitamente posicionado sobre a cabeça . - Olá a todos ! - gritou Lockhart , dirigindo se a o grupo de estudantes . - Estive a mostrar a a professora Sprout a maneira correcta de tratar um salgueiro . Mas não quero que fiquem com a ideia de que sou melhor do_que ela em Herbologia . Acontece que encontrei várias de estas plantas exóticas , durante as minhas viagens .... - Estufa número três hoje , meninos ! - disse a professora Sprout que estava visivelmente descontente , bem diferente de a sua habitual natureza bem-disposta . Houve um murmúrio de interesse . Eles só tinham estado uma_vez em a terceira estufa , que era uma estufa que abrigava plantas bem mais interessantes e perigosas . A professora Sprout tirou uma enorme chave de o cinto e abriu a porta . Harry sentiu o bafo de a terra húmida com adubo misturado e o perfume forte de umas flores gigantescas , de o tamanho de guarda-chuvas , que estavam penduradas de o tecto . Ia seguir Ron e Hermione , quando a mão de o Lockhart o travou . -- Harry ! Tenho querido ter uma palavrinha contigo . Não se importa se ele chegar uns minutos atrasado , pois não , professora Sprout ? A julgar por a expressão carregada de a professora Sprout , importava se sim , mas Lockhart disse : - Então até já - e fechou a porta de a estufa em a cara de ela . - Harry ! - disse Lockhart , com os dentes brancos a brilharem a o sol , enquanto abanava a cabeça . - Harry , Harry , Harry ! Harry , totalmente perplexo , não disse uma palavra . - Quando ouvi dizer , bem , é claro que eu tive muita culpa , deviam castigar me também ... Harry não fazia ideia de que estava ele a falar , quando Lockhart prosseguiu : - Nunca me lembro de ficar tão chocado . Fazer voar um automóvel até Hogwarts ! Bem , é claro que eu percebi logo porque o fizeste . Foi um destaque em grande . Harry , Harry , Harry ! Era notável como ele conseguia mostrar todos aqueles dentes brilhantes , mesmo quando não estava a falar . - Criei te o gosto por a publicidade , não foi ? - perguntou Lockhart . - Passei te o bichinho . Apareceste comigo em a primeira página e não podias esperar para aparecer outra_vez ... - Oh , não , professor , sabe é_que ... - Harry , Harry , Harry - disse Lockhart aproximando se e tocando lhe em o ombro . - * _ Eu compreendo * . É natural querer um_pouco mais quando se lhe tomou o gosto , e eu culpo me por te ter dado esse conhecimento , porque era natural que te subisse a a cabeça , mas vê uma coisa , rapazinho , tu não podes começar a fazer voar carros para tentares ser notícia . Tens de acalmar , está bem ? Tens muito_tempo quando fores mais velho . Sim , sim , eu sei o que estás a pensar ! É fácil para ele falar assim , já é um feiticeiro internacionalmente famoso ! Mas quando eu tinha doze anos era tão zé-ninguém como tu és hoje . Em a verdade , era ainda mais . De ti , já meia_dúzia de pessoas ouviram falar , não é ? Toda aquela história com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . - Olhou para a cicatriz luminosa em a testa de Harry . - Eu sei , eu sei , não é o mesmo_que vencer o Prémio de o sorriso de o feiticeiro de a semana cinco vezes seguidas , como eu venci , mas é um começo , Harry , é um começo . Lançou lhe uma piscadela de olhos cordial e foi se embora . Harry ficou atarantado durante alguns segundos . Depois , lembrando se que deveria estar em a estufa , abriu a porta e esgueirou se lá para dentro . A professora Sprout estava de pé , por_detrás_de uma espécie de mesa em o meio de a estufa . Em cima de a mesa estavam cerca de vinte pares de abafo de ouvidos de diferentes cores . Quando Harry estava já em o seu lugar , entre Ron e Hermione , ela disse : - Hoje vamos transplantar Mandrágoras . Muito bem , quem sabe dizer me as propriedades de a Mandrágora ? Não foi surpresa para ninguém que a mão de a Hermione fosse a primeira em o ar . - A Mandrágora tem um efeito reparador muito poderoso - disse Hermione , com o ar mais normal de este mundo , como_se tivesse engolido o livro de texto . - É usada para fazer voltar as pessoas , que foram transfiguradas ou amaldiçoadas , a o seu estado original . - Excelente . Dez pontos para os Gryffindor ! - exclamou a professora Sprout . - A Mandrágora é parte integrante de a maior parte de os antídotos , mas também é perigosa . Quem sabe dizer me porquê ? A mão de Hermione por_pouco não bateu em os óculos de Harry , quando se ergueu de_novo . - O grito de a Mandrágora é fatal para quem o ouve - disse prontamente . - Precisamente . Dou lhe mais dez pontos - disse a professora Sprout . - Agora vejamos , as Mandrágoras que aqui temos são ainda muito jovens . Enquanto falava , apontou para uma fila de tabuleiros com uma certa profundidade e todos se chegaram a a frente para ver melhor . Cerca de uma centena de plantinhas tufosas de um verde arroxeado cresciam em filas . Pareceram perfeitamente vulgares a Harry , que não fazia a menor ideia do_que Hermione queria dizer com o * grito * de a Mandrágora . - Cada_um de vocês pode tirar um par de abafo de ouvidos - disse a professora Sprout . Houve uma competição renhida porque ninguém queria os cor-de-rosa , cheios de penugem . - Quando eu vos disser para os colocar , assegurem se de que os vossos ouvidos estão completamente tapados - disse a professora Sprout . - Logo_que seja seguro retirá os , eu levanto os dedos . Certo , pôr os abafos de os ouvido . Harry pôs imediatamente os abafos em os ouvidos . Eles fecharam completamente o som . A professora Sprout colocou também um par de abafos cor-de-rosa com penugem em os de ela , arregaçou as mangas de a túnica , agarrou uma de as plantas tufosas e puxou com toda_a força . Harry soltou um grito de surpresa que ninguém ouviu . Em_vez_de raízes , um bebé pequenino , enlameado e extremamente feio , saiu de a terra . As folhas cresciam lhe em o alto de a cabeça , tinha uma pele pintalgada de um pálido esverdeado e estava nitidamente a berrar a plenos pulmões . A professora Sprout tirou debaixo de a mesa um grande vaso de plantas e mergulhou lá dentro a Mandrágora , enterrando a em a mistura escura e húmida , até que só as folhas ficassem visíveis . Em seguida , limpou a terra de as mãos , levantou os dedos e todos eles retiraram os abafos de os ouvidos . - Como as nossas Mandrágoras são muito novas , os seus gritos ainda não matam - disse ela com grande calma , como_se tivesse feito algo tão normal como regar uma begónia . - Contudo , podem pôr vos a dormir durante várias horas e , como com certeza nenhum de vocês quer perder o primeiro dia de aulas , vejam se os abafos estão bem colocados enquanto trabalham . Eu chamarei vos a atenção quando for altura de os retirar . - Quatro em cada fila , há aqui uma grande quantidade de vasos , a mistura de terra está em os sacos ali a o fundo e tenham cuidado com a * _ Venomous_Tentacula * , estão a nascer lhe os dentes . Enquanto falava , deu uma pancada seca a uma planta vermelha escura cheia de pontas eriçadas , fazendo a encolher as longas antenas que tinham estado a avançar lenta e dissimuladamente sobre o seu ombro . A Harry , Ron e Hermione veio juntar se em a fila um rapaz de cabelo encaracolado de os Hufflepuff que Harry conhecia de vista , mas com quem nunca tinha falado . - Justin_Finch - _ Fletchey - disse ele com vivacidade , apertando a mão de o Harry . - Conheço te , claro , o famoso Harry_Potter ... e tu és a Hermione_Granger , sempre a primeira em tudo ( Hermione brilhou em um sorriso , como_se ele lhe tivesse apertado a mão ) e Ron_Weasley . Não era teu o carro voador ? Ron não sorriu . Não lhe saía de a cabeça o * gritador * . - Aquele Lockhart é o_máximo , não acham ? - disse Justin satisfeito , enquanto começavam a encher os vasos com composto de adubo de dragão . - Terrivelmente corajoso . Leram os livros de ele ? Eu teria morrido de medo se um lobisomem me tivesse encurralado em uma cabina telefónica , mas ele manteve se calmo e ... zap ... fantástico ! « Eu estava inscrito em Eton , sabem , não imaginam como estou feliz de ter vindo antes para aqui . É claro que a minha mãe ficou um_pouco desiludida , mas depois de lhe ter dado os livros de Lockhart a ler , tenho a impressão de que ela começou a ver a utilidade de ter um feiticeiro bem treinado em a família ... Depois de isso , não tiveram grandes oportunidades para conversar . Voltaram a pôr os abafos de ouvidos e era preciso concentrarem se em as Mandrágoras . A professora Sprout fizera as coisas parecerem extremamente simples , mas não eram . As Mandrágoras não gostavam de sair de a terra mas também não pareciam querer voltar para lá . Elas contorceram se , deram pontapés , agitaram as mãozinhas finas e rangeram os dentes . Harry levou dez minutos inteirinhos a tentar meter uma Mandrágora particularmente gorda dentro_de um vaso . Em o final de a aula , Harry , como todos os outros , estava a suar , cheio de dores e coberto de terra . Regressaram a o castelo a pé para um banho rápido e , em seguida , os Gryffindor apressaram se para assistir a a aula de transfiguração . As aulas de a professora Mc_Gonagall eram sempre complicadas , mas a de aquele dia era particularmente difícil . Tudo_o_que o Harry aprendera em o ano anterior parecia ter se lhe apagado de a memória durante o Verão . Ele deveria ser capaz de transformar uma barata em um botão , mas , tudo_o_que conseguiu foi fazer a barata praticar um imenso exercício , enquanto corria apressadamente por o tampo de a secretária evitando a varinha . Ron estava a debater se com problemas bastante piores . Tinha atado a varinha com uma fita mágica , mas parecia que não havia reparação possível . Não parava de crepitar e lançar faíscas em os momentos mais estranhos e , sempre_que Ron tentava transfigurar a barata , via se envolvido em um fumo cinzento espesso que cheirava a ovos podres . Incapaz de ver o que estava a fazer , o Ron esmagou , por engano , a barata com o cotovelo e teve de ir pedir que lhe dessem outra , o que deixou a professora Mc_Gonagall muito pouco satisfeita . Harry ficou aliviado quando ouviu tocar a campainha para o almoço . Sentia a cabeça como uma esponja espremida . Todos os alunos saíram em fila de a aula excepto ele e Ron que dava furiosas varadas em a secretária . - Coisa estúpida e inútil . - Escreve a os teus pais a pedir outra - sugeriu Harry , enquanto a varinha disparava com estrondo um foguete explosivo . - Ah pois , e receber outro * gritador * em a volta de o correio - respondeu Ron , metendo a varinha que já assobiava , dentro de o saco . - * _ A culpa é toda tua se a varinha está estragada * ... Desceram para o almoço e aí a disposição de o Ron não iria melhorar com Hermione a mostrar lhe uma mão-cheia de botões de casaco , perfeitinhos , que produzira em a transfiguração . - O que temos esta tarde ? - quis saber Harry , mudando rapidamente de assunto . - Defesa contra as artes negras - disse Hermione , sem perder tempo . - Porque é_que tu ... - perguntou Ron , pegando em o horário de ela - desenhaste corações em volta de as aulas de o Lockhart ? Hermione arrancou lhe o horário de as mãos , corando furiosa . Acabaram de almoçar e foram para o pátio carregado de nuvens . Hermione sentou se em um degrau de pedra e enfiou de_novo o nariz em as * _ Viagens com Vampiros * . Harry e Ron ficaram a falar de Quidditch durante alguns minutos antes de Harry se aperceber de que estava a ser observado de perto . Olhando para_cima viu o rapazinho pequenino com cabelo de rato que ele vira experimentar o chapéu seleccionador em a noite anterior , olhando para ele com uma expressão petrificada . Estava agarrado a o que parecia ser uma vulgar máquina fotográfica de os Muggles e , em o momento em que Harry olhou para ele , ficou todo vermelho . - Tudo bem , Harry ? Eu sou Colin_Creevey - disse , faltando lhe o ar e adiantando se a qualquer pergunta . - Estou em os Gryffindor também . Não te importavas que eu tirasse uma fotografia ? - perguntou , levantando a máquina cheio de expectativa . - Uma fotografia ? - repetiu Harry , inexpressivo . - Para eu provar que te conheci - disse Colin_Creevey cheio de ansiedade , continuando : - Eu sei tudo a teu respeito . Toda_a_gente me tem contado como sobreviveste quando O_Quem nós sabemos tentou matar te , como ele desapareceu depois de isso e como ficaste com a cicatriz em forma de relâmpago em a testa ( os seus olhos procuraram a linha de cabelo de Harry ) e um rapaz de o meu dormitório disse que se eu revelasse o filme em a posição certa ele mexia . - Colin respirou fundo , estremecendo de excitação e disse : - Isto_é fantástico , aqui , não achas ? Eu não sabia que todas_as coisas estranhas que fazia eram magia até a o dia em que recebi uma carta de Hogwarts . O meu pai é leiteiro . Também ele não queria acreditar . Por isso estou a tirar montes de fotografias para lhe mandar e era mesmo bom se tivesse uma tua - parecia implorar . - Talvez o teu amigo pudesse tirá a e assim eu ficava a o teu lado . E depois , podias assiná a ? - Assinar fotografias ? Estás a dar fotos autografadas , Potter ? Alta e mordaz , a voz de Draco_Malfoy ecoou em o pátio . Estava parado mesmo atrás_de Colin , ladeado , como sempre andava em Hogwarts , por os seus fortes guarda-costas Crabbe e Goyle . - Ei gente , façam bicha - gritou Malfoy a a multidão . - Harry_Potter está a dar fotos autografadas ! - Não estou coisa nenhuma - disse Harry , zangado , com os punhos em o ar . - Cala a boca , Malfoy . - Tu tens é inveja - começou a dizer Colin , cujo corpo era de o tamanho de o pescoço de Crabbe . - Inveja - repetiu Malfoy que não precisava de gritar mais , metade de o pátio estava a ouvi o . - De quê ? Não preciso de uma cicatriz em a cabeça , muito obrigado . Não acho que ter um corte em a testa torne alguém especial . Crabbe e Goyle riram estupidamente - Vai pastar caracóis , Malfoy - disse o Ron furioso . Crabbe parou de rir e começou a esfregar os nós de os dedos enormes de uma forma ameaçadora . - Tem cuidado , Weasley - escarneceu Malfoy . - Com certeza não queres começar uma rixa ou a tua mãezinha tem de vir cá para te tirar de a escola - e com uma voz aguda e penetrante : - * _ Se voltas a pisar o risco * ... Um grupo de alunos de o quinto ano de os Slytherin que estava ali perto , riu se bastante alto . - O Weasley gostaria de ter uma foto tua autografada , Potter - escarneceu de_novo Malfoy . - Era capaz de valer mais do_que a casa onde ele mora com a família . Ron sacou de a sua varinha amarrada com fita , mas Hermione fechou as * Viagens com Vampiros * com um estrondo e avisou : - Atenção . - O que é isto , o que é isto ? - Gilderoy_Lockhart aproximava se com o seu manto azul-turquesa girando em torvelinho atrás de ele . - Quem está a dar fotos autografadas ? Harry ia começar a explicar , mas foi interrompido quando Lockhart lhe pôs jovialmente o braço em cima de os ombros . - Mas que pergunta a minha ! Cá estamos nós de_novo , Harry ! Preso ao_lado_de Lockhart e a arder de humilhação , Harry viu Malfoy deslizar com o seu sorriso desdenhoso por o meio de a multidão . - Vamos lá então , Mr._Creevey - disse Lockhart , dirigindo se a Colin . - Uma foto dupla , já viu a sua sorte ? E assinamos a os dois para si . Colin ajustou a máquina e tirou a fotografia em o preciso momento em que a campainha tocava para as aulas de a tarde . - Está em a hora , todos para dentro - gritou Lockhart a a multidão e regressou a o castelo levando a o seu lado o Harry que só lamentava não conhecer um feitiço que o fizesse desaparecer . - Uma palavra só , Harry - disse Lockhart paternalmente , enquanto entravam em o edifício por uma porta lateral . - Eu ajudei te há bocado com o jovem Creevey porque se ele estivesse a fotografar me também a mim os teus colegas não reparariam tanto que estavas a exibir te ... Indiferente a a gaguez de Harry , Lockhart arrastou o para um corredor ladeado de alunos que os olhavam espantados e subiram uma escada . - Deixa me só dizer te uma coisa : dar fotografias autografadas em esta fase de a tua carreira , francamente , não é sensato , Harry , parece um_pouco megalómano . Pode ser que um dia mais tarde , tal_como eu , sejas obrigado a assinar para multidões onde quer que vás , mas - fez uma pequena pausa - não me parece que seja o caso , por enquanto . Tinham chegado a a aula de Lockhart e ele largou finalmente o Harry que sacudiu a túnica e foi sentar se em um lugar bem lá atrás onde começou por empilhar os livros de Lockhart a a sua frente para evitar olhar para a criatura . O resto de a aula entrou ruidosamente e Ron e Hermione foram sentar se um de cada lado de Harry . - Tu estavas vermelho como um pimentão - disse o Ron . - Reza para que o Creevey não se torne amigo de a Ginny senão bem podem criar o clube de * fans * de Harry_Potter . - Cala a boca - interrompeu Harry . A última coisa que desejava era que o Lockhart ouvisse a expressão « clube de * fans * de Harry_Potter « . Quando todos estavam em os seus lugares , Lockhart pigarreou alto e fez se silêncio . Ele inclinou se para a frente , pegou em o exemplar de Neville_Longbottom de * _ viagens com Duendes * e levantou o para mostrar a sua fotografia a piscar os olhos em a capa . - Eu - disse apontando para a fotografia e piscando também os olhos - Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , terceiro ano , membro honorário de a Liga_de_Defesa contra as artes negras e cinco vezes vencedor de o prémio de o * _ Feiticeiro de a semana * por o sorriso mais charmoso . Mas não vamos falar de isso , não venci a fada carpideira de Bandon a sorrir para ela ! Esperou que eles se rissem . Alguns alunos sorriram timidamente . - Já vi que todos vocês compraram a minha obra completa . Muito bem . Pensei começar hoje com um pequeno interrogatório escrito . Nada de complicado , só para perceber se leram bem os meus livros e o que apreenderam ... Depois de distribuir as folhas de teste voltou se para os alunos e disse : - Têm trinta minutos . Comecem já . Harry olhou para o papel e leu : *1 . Qual é a cor preferida de Gilderoy_Lockhart ? *2 . Qual é a ambição secreta de Gilderoy_Lockhart ? *3 . Qual é , em a sua opinião , a maior realização de Gilderoy_Lockhart até a o momento ? * E_por_aí adiante , ao_longo_de três páginas , terminando com : *54 . Qual é o dia de aniversário de Gilderoy_Lockhart e qual seria o seu presente preferido ? * Meia_hora mais tarde , Lockhart recolheu os pontos e folhou os rapidamente em frente de os alunos . - Tut , tut , quase ninguém se lembrou que a minha cor preferida é o lilás . Eu digo o em * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves * . Alguns precisam de voltar a ler com mais cuidado * Fim-de - _ Semana com Um Lobisomem * . Eu afirmo claramente em o décimo segundo capítulo que o meu presente de aniversário preferido seria a harmonia entre todos os seres , mágicos e não mágicos , embora não me importasse de receber uma garrafa grande de * whisky * velho de a Ogden's_Old_Firewhisky . Piscou lhes o olho de_novo . Ron olhava para Lockhart com uma expressão de incredulidade em o rosto . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas que estavam sentados a a frente tremiam de tanto conter o riso . Hermione , contudo , ouvia Lockhart com extrema atenção e deu um salto quando ouviu o seu nome . - Mas Miss_Hermione_Granger sabia que a minha ambição secreta era libertar o mundo de o mal e pôr a a venda a minha gama de poções de tratamento de o cabelo . Muito bem - voltou o papel . - Nota máxima ! Onde está Miss_Hermione_Granger ? Hermione ergueu uma mão trémula . - Excelente - bradou Lockhart , exultante . - Leva dez pontos para os Gryffindor . E vamos a o trabalho . Baixou se atrás de a secretária e pegou em uma grande gaiola coberta . - Ficam desde_já a saber , a minha função é preparar vos contra as criaturas mais malignas que a feitiçaria conhece . Vocês podem ter que enfrentar os maiores medos em esta sala . Saibam que nenhum mal vos sucederá comigo aqui . Só vos peço que se mantenham calmos . Ultrapassando os seus sentimentos , Harry espreitou através de a pilha de livros para ver melhor a gaiola . Lockhart colocou uma mão em a tampa . Dean e Seamus tinham deixado de se rir . Neville estava agachado em o seu lugar de a fila de a frente . - Vou pedir vos que não façam barulho - disse Lockhart em voz baixa . - Podem assustá os . Enquanto a aula inteira continha a respiração , Lockhart tirou a cobertura . - Sim - disse em um tom dramático . - Duendes_da_Cornualha recém-capturados . Seamus_Finnigan não conseguiu controlar se . Soltou uma gargalhada que nem Lockhart poderia confundir com um grito de terror . - Sim ? - sorriu a Seamus . - Bem , eles não são , não são perigosos , pois não ? - perguntou a rir . -- Não tenhas tanta certeza de isso - afirmou Lockhart , aborrecido , abanando um dedo , em direcção a Seamus . - Podem ser maçadores e muito traiçoeiros . Os duendes eram de um azul-eléctrico e tinham cerca de vinte centímetros de altura com feições angulosas e umas vozes tão estridentes que era como ouvir uma discussão entre araras . Logo_que o pano foi retirado , começaram a fazer uma enorme algazarra , a andar de um lado para o outro , batendo em as grades e fazendo caretas a as pessoas que estavam mais perto . - Muito bem - disse Lockhart em voz alta . - Vamos então ver o que vocês conseguem fazer de eles - e abriu a gaiola . Foi um pandemónio . Os duendes dispararam em todas_as direcções como foguetes . Dois de eles agarraram o Neville por as orelhas e levantaram o a o ar . Vários outros foram direitos a a janela , fazendo chover vidros partidos até a a fila de trás . Os restantes decidiram destruir a sala com maior eficácia do_que um rinoceronte em fúria . Agarraram em os tinteiros e salpicaram tudo em volta , rasgaram a os bocados livros e papéis , arrancaram os quadros de as paredes , levantaram a o ar a gaiola vazia , agarraram livros e sacos e lançaram nos por a janela de vidros estilhaçados . Em poucos minutos , metade de a aula estava abrigada debaixo de as secretárias e o Neville pendurado em o candelabro de o tecto . - Vamos lá , agarrem nos , agarrem nos , são apenas duendes ... - gritava Lockhart . Arregaçou as mangas , bramiu a varinha e pronunciou * Peshipiksi_Pesternomi ! * As palavras não tiveram o menor efeito . Um de os duendes pegou em a varinha de Lockhart e atirou a também por a janela fora . Lockhart engoliu em seco e mergulhou debaixo de a secretária , não sendo , por um triz , esmagado por o Neville que caiu um segundo depois , quando o candelabro cedeu . A campainha tocou e houve uma louca precipitação para a porta . Em a calma relativa que se seguiu , Lockhart endireitou se , olhou para Harry , Ron e Hermione que estavam quase a chegar a a porta e disse : - Bem , vou pedir vos a os três que prendam o resto de os duendes em a gaiola - passou por eles e fechou rapidamente a porta atrás_de si . - Isto dá para acreditar ? - resmungou o Ron , enquanto um de os duendes lhe mordia com toda_a força uma de as orelhas . - Ele só quer dar nos uma ajuda , permitindo nos ganhar experiência - justificou Hermione , imobilizando dois duendes de uma_vez com um encantamento de paralisação e metendo os de_novo em a gaiola . - Experiência ? - disse Harry , tentando agarrar um duende que dançava com a língua de_fora . - Hermione , ele não sabia nada do_que estava a fazer . - Disparate - retorquiu Hermione . - Leste os livros de ele . Vê só as coisas que ele já fez ! - Que diz que fez - resmungou o Ron . VII_Sangue de lama e murmúrios Harry passou imenso tempo , em os dias que se seguiram , a fugir sempre_que via Gilderoy_Lockhart aproximar se em o corredor . Mais difícil de evitar era Colin_Creevey que parecia ter decorado o horário de Harry . Parecia que nada o emocionava mais do_que dizer : - Tudo bem , Harry ? - seis ou sete vezes por dia e ouvir : - Olá , Colin - por mais exasperado que Harry estivesse quando lhe respondia . A Hedwig ainda estava zangada com Harry por causa de a desastrosa viagem de automóvel e a varinha de o Ron continuava a não funcionar , tendo ultrapassado tudo em a sexta-feira de manhã quando lhe saltou de as mãos em a aula de encantamentos e foi agredir o velho e baixinho professor Flitwick mesmo entre os olhos , deixando uma enorme bolha latejante em o sítio onde tinha batido . Por tudo_isso Harry via chegar , com satisfação , o fim_de_semana Planeava ir em o Sábado de anhã , com Ron e Hermione visitar o Hagrid . Mas foi acordado várias horas mais cedo do_que desejaria por Oliver ood , treinador de a equipa de Quidditch_dos_Gryffindor . - _ o que é_que se passa ? - perguntou Harry , enrolando as palavras . - Treino_de_Quidditch - disse Wood . - Vamos embora . Harry lançou um olhar de esguelha a a janela . Uma neblina fina pairava em o céu rosa e dourado . Agora_que estava acordado não percebia como pudera dormir com a algazarra que os pássaros faziam . - Oliver resmungou Harry . - É de madrugada . - Exacto - respondeu Wood . Era um rapaz alto e corpulento de o sexto ano e em aquele momento os olhos brilhavam lhe loucamente de entusiasmo . - Faz parte de o nosso novo programa de treinos . Anda lá , vai buscar a vassoura e vamos embora - insistiu Wood empenhado . - Nenhuma de as outras equipas começou ainda a treinar . Vamos ser os primeiros este ano ... A bocejar e a tremer um_pouco , Harry saltou de a cama e tentou descobrir as suas túnicas de Quidditch . - Bem , encontramo nos em o campo , dentro_de quinze minutos . Depois de descobrir a sua roupa escarlate de equipa e pôr o manto por cima para se aquecer , Harry escreveu a o Ron um bilhete a explicar onde tinha ido e desceu por a escada de espiral para a sala comum com a sua Nimbos dois inil a o ombro . Tinha acabado de chegar junto de o buraco de o retrato quando ouviu um barulho atrás_de si e viu Colin_Creevey descer a escada de espiral com a máquina fotográfica pendurada a o pescoço a balouçar como louca e uma coisa em a mão . - Ouvi alguém chamar o teu nome em as escadas , Harry olha o que tenho aqui . Revelei a e queria mostrar te . Harry olhou assombrado para a fotografia que Colin lhe espetava em frente de o nariz . Um Lockhart a preto e branco movia se , puxando com toda_a força um braço que Harry reconheceu como sendo o seu . Ficou satisfeito a o constatar que estava a resistir bastante bem , recusando se a ser trazido para a vista de todos . Enquanto Harry observava , Lockhart desistiu e desinteressou se de lutar contra a parte branca de a fotografia . - Assinas para mim ? - pediu Colin entusiasmado . - Não - respondeu secamente Harry , olhando em volta para verificar se o caminho estava livre . - Desculpa_Colin , mas estou cheio de pressa , treino de Quidditch . Passou por o buraco de o retrato . - Oh Uau ! Espera por mim . Eu nunca vi um jogo de Quidditch . Colin trepou por o buraco de o retrato atrás de ele . - Vai ser uma chatice para ti - disse Harry rapidamente , mas Colin ignorou o comentário . Todo o seu rosto brilhava de satisfação . - Tu foste o jogador mais novo de a equipa em cem anos , não foste Harry ? Não foste ? - perguntava Colin , trotando para o acompanhar . - Deve ser fantástico . Eu nunca voei . É fácil ? Essa vassoura é a tua ? É a melhor que há ? Harry não sabia como ver se livre de ele . Era como ter uma sombra que não se calava . - Eu não percebo nada de Quidditch - disse Colin , já sem fôlego . - É verdade que há quatro bolas ? E que duas anda n a voar , tentando fazer os jogadores caírem de as vassouras ? - Sim - disse Harry lentamente , resignado com o ter de lhe explicar as complicadas regras de o Quidditch . - São as * bludgers * . Há dois * beaters * em cada equipa que têm bastões para bater em as * bludgers * e lançá as para o outro lado . O Fred e o George_Weasley são os * beaters * de os Gryffindor . - E para que servem as outras bolas ? - perguntou Colin , saltando uma série de degraus porque ia a olhar para o Harry de boca aberta . - Bem , a * quaffle * , que é a vermelha grandalhona , é a que marca os golos . Três * chasers * em cada equipa lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam fazes a entrar em as balizas que ficam em o extremo de o campo onde há três grandes postes com argolas em as pontas . - E a quarta bola ? - A * snitch * dourada - explicou Harry . - É muito pequenina e veloz e extremamente difícil de agarrar . Mas é isso que o * seeker * tem de fazer , porque o jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * for agarrada . E o * seeker * que conseguir agarrá a ganha para a sua equipa mais cento_e_cinquenta pontos . - E tu és o * seeker * de os Gryffindor , não és ? - perguntou Colin respeitosamente . - Sim - disse Harry enquanto saíam de o castelo e começavam a atravessar o relvado . - E há também o * keeper * que toma conta de os postes . É isto . Mas Colin não parou de fazer perguntas desde os relvados macios até a o campo de Quidditch e Harry só se viu livre de ele quando chegaram a os vestiários . Colin gritou em uma voz aguda : - Eu vou arranjar um lugar , Harry - e apressou se em direcção a as bancadas . O resto de a equipa de os Gryffindor já se encontrava em os vestiários . Wood era o único que tinha aspecto de estar bem acordado . Fred e George_Weasley estavam sentados com olhos de sono e cabelos desgrenhados junto de Alicia_Spinnet de o quarto ano que parecia inclinar se contra a parede que tinha atrás_de si . Os seus companheiros * chasers * , Katie_Bell e Angelina_Johnson bocejavam em frente de ela . - Até que enfim , Harry , porque é_que demoraste tanto ? - perguntou Wood cheio de actividade . - Eu queria ter uma pequena conversa convosco antes de entrarmos propriamente em campo porque passei o Verão a conjecturar um novo programa de treinos que acredito vai estabelecer grandes mudanças . Wood tinha em as mãos um grande mapa de um campo de Quidditch onde estavam desenhadas muitas linhas , setas e cruzes a tinta de várias cores . Pegou em a varinha , bateu com ela em o quadro e as setas começaram a mover se em o mapa como tractores . Enquanto Wood se lançava em um discurso sobre as suas novas técnicas , a cabeça de Fred_Weasley caiu sobre o ombro de Alicia_Spinnet e ele começou a ressonar . O primeiro mapa levou quase vinte minutos a explicar , mas debaixo de esse havia outro e ainda um terceiro . Harry caiu em uma letargia enquanto Wood continuava indefinidamente . - Então - disse por fim o treinador , arrancando Harry de a avidez de uma fantasia sobre o que poderia estar a comer se se encontrasse em aquele momento em o castelo . - Ficou tudo claro ? Alguma pergunta ? - Eu tenho uma pergunta , Oliver - disse George que acordou estremunhado . - Porque não nos explicaste tudo_isso ontem , quando estávamos acordados ? Wood não ficou nada satisfeito . - Ouçam bem , vocês todos - disse , voltando se para eles mal-humorado . - Nós deveríamos ter ganho a taça de Quidditch o ano passado . Somos de longe a melhor equipa , mas , infelizmente , devido_a circunstancias que estão para_além de o nosso controlo ... Harry mudou de posição em a cadeira sentindo se culpado . Estivera inconsciente em o hospital durante o campeonato final de o ano anterior o que fez com que os Gryffindor com um jogador a menos tivessem sofrido a pior derrota de os últimos trezentos anos . Wood levou um momento a controlar se . Era evidente que a última derrota ainda o torturava . - Portanto , este ano vamos fazer um treino mais duro , como nunca se fez . O. _ K. , vamos lá pôr as teorias em prática - gritou , pegando em a vassoura e conduzindo os para fora de o vestiário . Com as pernas trôpegas e ainda a bocejar , a equipa seguiu o . Tinham estado tanto tempo lá dentro que o sol já tinha nascido e brilhava em o céu embora uma réstia de neblina pairasse ainda sobre o relvado de o campo . Quando Harry entrou em campo viu Ron e Hermione sentados em as bancadas . - Ainda não acabaram ? - perguntou Ron em um tom incrédulo . - Ainda nem começamos - explicou Harry , olhando cheio de inveja para a torrada com doce de laranja que Ron e Hermione tinham trazido de o salão . - O Wood tem estado a ensinar nos as jogadas . Subiu para a vassoura e deu um pontapé em o chão , elevando se em o ar . O ar fresco de a manhã bateu lhe em o rosto fazendo o acordar com mais eficácia do_que o longo discurso de Wood . Era maravilhoso voltar a estar em o campo de Quidditch . Voou em volta de o estádio a toda a a velocidade competindo com Fred e George . - Que barulhinho estranho é aquele ? - perguntou o Fred quando deram a volta . Harry olhou para as bancadas . Colin estava sentado em um de os lugares mais altos com a máquina fotográfica em o ar , tirando fotografia sobre fotografia , o som estranhamente ampliado em o estádio deserto . - Olha para ali , Harry , para ali - gritava de forma estridente . - Quem é aquele ? - perguntou Fred . - Não faço ideia - mentiu Harry , disparando a_toda_a velocidade e distanciando se o mais possível de Colin . - O que se passa aí ? - perguntou Wood , franzindo a testa enquanto corria por os ares atrás de eles . - Porque está aquele aluno de o primeiro ano a tirar fotografias ? Não me agrada . Pode ser um espião de os Slytherin a tentar descobrir o nosso novo programa de treinos . - Ele é de os Gryffindor - disse Harry rapidamente . - E os Slytherin não precisam de um espião , Oliver - completou George . - Porque dizes isso ? - perguntou Wood irritado . - Porque estão aqui em peso - disse George , apontando com o dedo . Vários indivíduos com túnicas verdes vinham em aquele momento a entrar em o campo de vassouras em a mão . - Não posso acreditar - reagiu Wood , sentindo se ultrajado . - Eu reservei o estádio para hoje . Já vamos ver como é_que isto fica ! Wood baixou direito a o chão sendo levado por a fúria a aterrar com mais força do_que pretendia e a cambalear um_pouco quando começou a andar seguido de o Harry e de o Ron . - Flint - bradou para o treinador de os Slytherin . - Este é o nosso tempo de treino . Levantámo nos de propósito . Vocês têm de sair de aqui . Marcus_Flint era ainda mais corpulento do_que Wood . Tinha em o rosto uma expressão de duende travesso quando respondeu : - Há espaço para todos , Wood . Angelina , Alicia e Katie tinham vindo também . Em a equipa de os Slytherin não havia raparigas que enfrentassem a o lado de os rapazes os Gryffindor . - Mas eu reservei o estádio - repetiu Wood de modo afirmativo , cuspindo de raiva . - Reservei o . - Ah ! - exclamou Flint . - Mas eu tenho aqui uma licença especial assinada por o professor Snape . * _ Eu , professor Snape , autorizo a equipa de os Slytherin a praticar hoje em o campo de Quidditch devido a a necessidade de treinar o seu novo seeker . * - Têm um novo * seeker * ? - perguntou Wood perturbado . - Onde ? E detrás de as seis figuras corpulentas que tinham em a frente , viram surgir uma sétima : um rapaz mais pequeno com um sorriso afectado espelhado em o rosto pálido e anguloso . Era_Draco_Malfoy . - Não és o filho de o Lucius_Malfoy ? - perguntou Fred , olhando para ele com antipatia . - Curioso que refiras o pai de o Draco - disse Flint enquanto toda_a equipa de os Slytherin sorria de modo grosseiro . - Deixem me mostrar vos a generosa oferta que ele fez a a equipa de os Slytherin . Os sete exibiram as suas vassouras . Sete cabos novos , polidos , com inscrições em letras douradas de as palavras « Nimbus dois_mil_e_um « brilharam a o sol de a manhã , em frente de o nariz de os Gryffindor . - O último modelo . Só chegou em o mês passado - disse Flint , displicentemente , sacudindo a poeira de o cabo de a sua vassoura . - Julgo que ultrapassam de longe as velhas séries de dois_mil . Quanto a as Cleansweeps - sorriu de forma mesquinha para Fred e George que tinham ambos Cleansweep_Fives - essas já só servem para varrer . Nenhum de os Gryffindor foi capaz de abrir a boca em aquele momento . Malfoy sorria tanto que os seus olhos de gelo estavam reduzidos a duas rachas . - Oh vejam - disse Flint . - Uma invasão de o campo . Ron e Hermione atravessavam o relvado para ver o que se passava . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron a o Harry . - Porque não estão a jogar e o que faz ele aqui ? Olhava para Malfoy em as suas vestes de Quidditch . - Sou o novo * seeker * de os Slytherin , Weasley - disse Malfoy com ar presumido . - Têm estado todos a admirar as vassouras que o meu pai comprou para a nossa equipa . Ron olhou de boca aberta para as sete vassouras que tinha em a frente . - São boas , não são ? - disse Malfoy untuosamente . - Mas talvez a equipa de os Gryffindor consiga levantar algum ouro e comprar também vassouras novas . Vocês podiam levar essas Cleansweep_Fives a leilão , talvez algum museu esteja interessado . A equipa de os Slytherin riu se a bandeiras despregadas . - Pelo_menos em os Gryffindor ninguém teve de comprar a sua entrada - disse secamente Hermione . - Entraram todos por mérito próprio . O ar presumido de Malfoy desapareceu . - Ninguém pediu a tua opinião , sangue de lama - cuspiu Malfoy . Harry apercebeu se , de imediato , que Malfoy dissera algo muito grave porque houve uma tremenda algazarra em o seguimento de as suas palavras . Flint teve que se pôr a a frente de o Malfoy para evitar que Fred e George se atirassem a ele . Alicia bradou : - Como te atreves ? - E Ron meteu a mão em as vestes e sacou de a varinha mágica , gritando : - Vais pagar por o que disseste , Malfoy ! - e apontou a , furioso , por debaixo de o braço de Flint , a o rosto de Malfoy . Um enorme estrondo , ecoou em o estádio e um jacto de luz verde saiu por a extremidade errada de a varinha de Ron , atingindo o em o estômago e projectando o para trás em direcção a o relvado . - Ron ! Ron ! Estás bem ? - gritou Hermione . Ron abriu a boca para falar , mas nenhuma palavra saiu . Em vez de isso , teve um vómito imenso e várias lesmas saíram lhe de a boca , indo cair lhe em o colo . A equipa de os Slytherin ficou paralisada de riso . Flint estava dobrado , agarrado a a vassoura nova . Malfoy , a quatro , batia com o punho em a chão . Os Gryffindor rodeavam o Ron , que continuava a vomitar lesmas enormes e reluzentes . Ninguém queria tocar lhe . - É melhor levá o para_casa de o Hagrid . É o mais perto - disse Harry_a_Hermione , que acenou afirmativamente , e os dois arrastaram o Ron por os braços . - O que aconteceu , Harry ? O que aconteceu ? Ele está doente ? Mas tu podes curá o , não podes ? - Colin descera a correr de o lugar onde estava sentado e dançaricava em frente de eles , enquanto abandonavam o campo . Ron teve um novo arremesso e mais lesmas saíram de a sua boca . - Oooh ! - exclamou Colin fascinado , levantando a máquina fotográfica . - Podes mantê o quieto , Harry ? - Sai de a minha frente , Colin - gritou Harry zangado . Ele e a Hermione conseguiram levar o Ron para fora de o estádio , atravessar os campos e chegar a a beira de a floresta . - Está quase , Ron - disse Hermione , mal avistaram o casebre de o guarda de os campos . - Vais ficar bem dentro_de um minuto ... está quase ... Estavam a sessenta metros de a casa de Hagrid , quando a porta de a frente se abriu . Mas não foi Hagrid quem saiu de lá , e sim Gilderoy_Lockhart , em uma túnica cor de malva . - Rápido , vamos esconder nos aqui - sussurrou Harry , arrastando Ron para trás de um arbusto que havia ali perto . Hermione acompanhou o , embora um_pouco relutante . -- É muito simples quando se sabe o que se está fazer ! - gritava Lockhart_para_Hagrid . - Se precisar de ajuda , sabe onde estou . Vou dar lhe um exemplar de o meu livro . Espanta me que ainda não o tenha . Logo a a noite autografo o e envio lhe o . Bem . até a a próxima ! - e afastou se em direcção a o castelo . Harry esperou que Lockhart desaparecesse , antes de puxar o Ron de trás de o arbusto até a a casa de o Hagrid . Bateram ansiosamente . Hagrid apareceu logo com um ar mal-humorado , que se dissipou quando viu quem era . - Já me tinha perguntado quand'é que vocês vinham ver me , entrem , entrem , pensei qu'era outra_vez o professor Lockhart . Harry e Hermione ajudaram Ron a subir o degrau que dava acesso a a cabana de uma divisão com uma cama enorme a um de os cantos e uma lareira a crepitar alegremente em o outro . Hagrid não pareceu perturbado com o problema de as lesmas de o Ron que Harry lhe explicou precipitadamente , logo_que sentou o Ron em uma cadeira . - Melhor saírem de o qu'entrarem - disse , em um tom bem-disposto , colocando uma grande bacia de cobre em frente de ele . - Deita as todas fora , Ron . - Acho que não há mais_nada a fazer , a não ser esperar que isto pare - disse Hermione ansiosamente , vendo Ron inclinar se para a bacia . - É uma maldição muitas_vezes difícil , mas com uma varinha partida ... Hagrid andava de um lado para o outro a preparar o chá . O cão de ele , Fang , babava se em cima de o Harry . - O que é_que o Lockhart queria de ti ? - perguntou o Harry , coçando as orelhas de o Fang . - Ensinar me a tirar espíritos aquáticos com forma de cavalos d'uma nascente d'água - resmungou Hagrid , retirando de a mesa pequena um galo meio depenado e colocando em o seu lugar o bule . - Como s'eu não soubesse . E contar me uma peta qualquer d'uma fada carpideira que ele venceu . Engulo essa chaleira , se uma palavra do_que ele disse for verdade . Não era hábito de Hagrid criticar um professor de Hogwarts e Harry olhou para ele com alguma surpresa . Mas Hermione disse em uma voz mais aguda do_que de costume : - Acho que estás a ser injusto . O professor Dumbledore obviamente achou que era o melhor homem para o lugar ... - Era o único - explicou Hagrid , oferecendo lhes um prato de bombons de melaço enquanto Ron tossia para a bacia . - E não havia mais ninguém . Não é fácil encontrar quem queira dar Artes de magia negra . As pessoas não gostam de essa matéria . Começam a pensar que está amaldiçoada , ninguém ficou muito_tempo a dá a . Mas digam me lá - continuou Hagrid , inclinando a cabeça para Ron - quem é qu'ele estava a tentar amaldiçoar ? - O Malfoy chamou qualquer coisa a a Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si . - Foi grave , sim - disse o Ron com voz rouca , emergindo a a superfície de a mesa , pálido e transpirado . - O Malfoy chamou lhe sangue de lama , Hagrid . - Ron desapareceu outra_vez quando uma nova onda de lesmas fez o seu aparecimento . Hagrid estava indignado . - Não posso crer - exclamou , dirigindo se a Hermione . - Chamou sim - disse ela . - Mas eu não sei o que significa . Percebi que era má educação , claro ... - É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar - explicou Ron novamente . - Sangue de lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles , sabes , filho de pais não mágicos . Há alguns feiticeiros , como a família de o Malfoy que acham que são melhores do_que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro . - Teve um pequeno vómito e uma lesma isolada caiu lhe em a mão aberta . Ele atirou a para a bacia e continuou . -- É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma . Olha_o_Neville_Longbottom , é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito . - E ainda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer - afirmou Hagrid , orgulhoso , fazendo Hermione corar em tons de magenta . - É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém - disse o Ron , limpando o suor de a testa com a mão trémula . - Sangue sujo , sangue vulgar , é um disparate . A maior parte de os feiticeiros hoje_em_dia têm sangue misturado . Se não tivéssemos casado com Muggles tinha sido o nosso fim . Fez um esforço para vomitar e baixou se mais_uma_vez . - Bem , não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá o , Ron - disse Hagrid bem alto enquanto montes de lesmas caíam em a bacia . - Mas , se_calhar , não foi mau de todo teres a varinha a trabalhar ao_contrário . Acho que Lucius_Malfoy teria vindo logo a correr a a escola se tivesses amaldiçoado o filho . Assim , pelo_menos , não estás metido em nenhum sarilho . Harry teria referido que o problema não podia ser pior do_que deitar lesmas por a boca , mas não pôde . Os bombons de melaço tinham lhe colado os maxilares um_ao_outro . - Harry - disse de repente Hagrid como_que movido por um pensamento súbito . - Tens de me explicar uma coisa . Ouvi dizer que tens andado a dar fotografias autografadas . Porque é qu'eu não tenho nenhuma ? A fúria de Harry foi tão grande que os maxilares se libertaram . - Eu não tenho dado fotografias autografadas - disse com vivacidade . Se o Lockhart andou a espalhar isso ... Mas em esse momento viu que Hagrid se estava a rir . - ´ _ tou a brincar - disse , dando uma palmadinha em as costas de Harry e fazendo lhe sinal para se sentar a a mesa . -- Eu sabia que não tinhas . Disse a o Lockhart que tu não precisavas de isso . Es mais famoso do_que ele sem sequer , tentares . - Aposto que ele não gostou de ouvir isso - comentou Harry , sentando se e esfregando o queixo . - Acho que não gostou mesmo - prosseguiu Hagrid com os olhinhos a brilhar . - E disse lhe também que nunca tinha lido nenhum de os livros de ele e ele foi se embora . Um bombom de melaço , Ron ? - perguntou a o vê o reaparecer . - Não , obrigado - disse o Ron com uma voz fraca . - É melhor não arriscar . - Venham ver o qu'eu tenho estado a criar - disse Hagrid quando Harry e Hermione acabaram de tomar o chá . Em a pequena horta atrás de a casa estava uma_dúzia de as maiores abóboras que Harry alguma vez vira . Pareciam enormes blocos de pedra . - Estão a dar se bem , não achas ? - disse Hagrid , feliz . São para a festa de o * _ Hallow'en * . Devem estar bem grandes quando chegar a altura . - O que é_que lhes tens dado como alimento ? - perguntou Harry . Hagrid olhou por cima de o ombro para confirmar se estavam sós . - Bem , tenho estado a dar lhes ... uma pequena ajuda . Harry reparou em o guarda-chuva cor-de-rosa a as florzinhas que estava encostado contra a parede de a cabana . Tivera em o ano anterior motivos para crer que aquele guarda-chuva não era o que parecia . De facto , acreditava que a antiga varinha de escola de Hagrid se encontrava oculta dentro de ele . Hagrid não tinha autorização para usar magia . Fora expulso de Hogwarts em o terceiro ano embora Harry nunca tivesse descoberto o motivo . Qualquer referência a esta questão fazia Hagrid pigarrear bem alto e ficar misteriosamente surdo até mudarem de assunto . -- Um encantamento de absorção , imagino ? - comentou Hermione entre a desaprovação e o divertimento . - Bem , se assim foi , fizeste um bom trabalho . - Foi o que disse a tua irmãzinha - respondeu Hagrid acenando em direcção a Ron . - Encontrei a ontem . - Hagrid olhou de lado para Harry , a barba a contorcer se . - Disse que andava só a ver os campos , mas eu acho qu'ela esperava encontrar alguém em a minha casa - piscou o olho a o Harry . - Se queres que te diga acho qu'ela não recusaria uma fotografia autogr ... - Cala te com isso - disse Harry . Ron desatou a rir e o chão ficou cheio de lesmas . - Cuidado - resmungou Hagrid , afastando Ron de as suas preciosas abóboras . Estava quase em a hora de o almoço e , como o Harry só tinha provado um bombom de melaço desde manhã cedo , estava ansioso por chegar a a escola para ir comer . Despediram se de o Hagrid e regressaram a o castelo . O Ron a vomitar de vez em quando , mas deitando só duas pequenas lesmas . Mal tinham pisado a entrada de o vestíbulo quando ouviram uma voz . - Aí estão vocês , Potter , Weasley . - A professora Mc_Gonagall vinha em direcção a eles com o seu ar severo . - Vocês os dois vão ter as punições hoje a a tarde . - O que é_que vamos fazer , professora ? - perguntou o Ron nervoso , deixando cair uma lesma . - Tu vais limpar as pratas em a sala de os troféus com Mr._Filch - disse a professora Mc_Gonagall . - E nada de mágicas , Weasley , trabalho com esforço . Ron engoliu em seco . Argus_Filch , o encarregado , era odiado por todos os alunos de a escola . - E tu , Potter , vais ajudar o professor Lockhart a responder a as cartas de as suas fãs - ordenou a professora Mc_Gonagall . - Oh , não ! Não posso ir também trabalhar em a sala de os troféus ? - pediu Harry em desespero de causa . - Nem pensar em isso - respondeu a professora Mc_Gonagall , erguendo as sobrancelhas . - O professor Lockhart requisitou te especialmente a ti . _ a as oito_em_ponto , os dois . Harry e Ron entraram em o salão em um estado de profundo desanimo com a Hermione atrás , ostentando uma expressão de * bem-voces-quebraram-as-regras-da-escola * . Harry não saboreou o empadão de carne como teria desejado . Tanto ele como o Ron achavam que tinham tido o pior de os castigos . -- O Filch vai reter me lá toda_a noite - disse Ron , desanimado . - Sem mágica ! Deve haver umas cem taças em aquela sala , eu não sei fazer limpeza de Muggles . - Eu trocava contigo de boa_vontade - confessou Harry em uma voz surda . - Tive montes de prática com os Dursleys . Responder a o correio de fãs de o Lockhart , que pesadelo ... A tarde de sábado pareceu derreter se . Pouco depois eram já cinco para as oito e Harry arrastava se até a o corredor de o segundo andar onde ficava o escritório de o Lockhart . Rangendo os dentes , bateu a a porta . A porta abriu se imediatamente e Lockhart dirigiu se lhe . - Ah , cá está o patifório ! - exclamou . - Entra , Harry , entra . Em as paredes , brilhando à_luz_de muitas velas , podia ver se uma infinidade de fotografias de Lockhart . Algumas de elas até assinadas . Sobre a secretária estava outro monte enorme . - Podes pôr as moradas em os envelopes - disse Lockhart_a_Harry , como_se fosse uma grande ameaça . - O primeiro é para Gladys_Gudgeon , abençoada seja , uma grande fã minha . Os minutos passavam lentos . De vez em quando , Harry ouvia a voz de Lockhart dizendo : - Mmm - e - certo - e - sim . - De vez em quando , apanhava uma frase como : - A fama é versátil , amigo Harry - ou - Só é célebre quem faz por isso , nunca te esqueças . As velas ardiam cada_vez com maior lentidão , fazendo a luz dançar sobre as muitas caras de Lockhart que o olhavam . Harry passava a mão , já dorida , sobre o que devia ser o centésimo envelope , escrevendo a morada de Verónica_Smethley . « Deve estar quase em a hora de me ir embora » , pensou , sentindo se profundamente infeliz , « por favor , faz com que esteja em a hora ... » E então ouviu algo , algo totalmente diferente de o crepitar de as velas e de os ditos de Lockhart sobre as suas fãs . Era uma voz , uma voz de arrepiar os ossos , de cortar a respiração , de veneno frio . - * _ Vem ... vem ter comigo ... deixa me rasgar te ... cortar te ... matar te * ... Harry deu um salto e uma enorme mancha lilás surgiu em a rua de Verónica_Smethley . - O quê ? - disse ele em voz alta . - Eu sei - exclamou Lockhart . - Seis meses inteirinhos em o topo de a lista de * bestsellers * , bati todos os recordes ! - Não - disse Harry nervosíssimo - aquela voz ! - Como ? - perguntou Lockhart , com um ar confuso . - Que voz ? - Aquela , aquela voz que disse ... não ouviu ? Lockhart olhava para Harry com o maior espanto . - De que é_que estás a falar , Harry ? Estás a ficar com sono ? Meu Deus , olha , só estamos aqui há quase quatro horas , quem diria ? O tempo passou a correr , não é verdade ? Harry não respondeu , estava a fazer um esforço para ouvir de_novo a voz , mas o único som que ouviu foi Lockhart a dizer lhe que não esperasse um tratamento igual de as próximas vezes que fosse castigado . Harry saiu , sentindo se atordoado . Era tão tarde que a sala comum de os Gryffindor estava quase vazia . Harry foi directamente para o dormitório . Ron ainda não tinha voltado . Vestiu o pijama , meteu se em a cama e esperou . Meia_hora mais tarde , chegou o Ron agarrado a o braço direito e inundando o quarto escuro de um forte cheiro a limpa-pratas . - Doem me todos os músculos - resmungou , metendo se em a cama . - Ele fez me polir catorze vezes aquela taça de Quidditch até estar satisfeito . E depois tive outro vómito em_cima_de um troféu de Reconhecimento por serviços prestados a a escola . Demorei séculos a limpar o muco de as lesmas . Como correram as coisas com o Lockhart ? Em voz baixa para não acordar o Neville , o Dean e o Seamus , Harry contou lhe , palavra por palavra , o que tinha ouvido . - E Lockhart disse que não ouviu nada ? - perguntou o Ron . Harry viu o franzir a testa , a a luz de o luar . - Achas que estava a mentir ? Mas , não percebo , mesmo um ser invisível teria aberto a porta . - Eu sei - disse Harry , encostando se a a cama e olhando para o dossel . - Também não compreendo . VIII_A festa de o dia de os mortos Outubro chegou , espalhando um frio húmido por os campos e por os cantos de o castelo . Madam_Pomfrey , a enfermeira-chefe , esteve bastante ocupada com uma onda de constipações que afectou professores e alunos . A sua poção de pimentão entrou imediatamente em acção apesar_de deixar quem a tomava com fumo em os ouvidos durante várias horas . Ginny_Weasley , que andava com ar adoentado , foi convencida a tomá a por o Percy . O fumo que saía por debaixo de o seu cabelo ruivo dava a impressão de que toda_a cabeça estava em fogo . Gotas de chuva de o tamanho de balas agrediram as janelas de o castelo durante dias a fio . O lago rosado e os canteiros de flores tornaram se regatos lamacentos e as abóboras de o Hagrid incharam ficando de o tamanho de alpendres de jardim . Contudo , o entusiasmo de Oliver_Wood por as sessões de treino regular não foi abalado , motivo por o qual Harry iria regressar a a torre de os Gryffindor , em um sábado a a tarde de temporal , alguns dias antes de o * _ Hallowe'en * , ensopado até a os ossos e todo enlameado . Além de a chuva e de o vento , não fora um treino feliz . Fred e George que tinham andado a espiar a equipa de os Slytherin tinham visto com os seus próprios olhos a velocidade alucinante de aquelas novas Nimbus dois_mil_e_um e comentaram que a equipa em o ar parecia composta por sete manchas esverdeadas que disparavam a_toda_a velocidade como aviões a jacto . Enquanto Harry chapinhava a o longo de o corredor deserto , cruzou se com alguém que parecia tão preocupado como ele : Nick quase sem cabeça , o fantasma de a torre de os Gryffindor que olhava taciturno , por a janela , murmurando baixinho : - Não preenche os requisitos , um centímetro e meio se ... - Olá , Nick - cumprimentou Harry . - Olá , olá - disse o Nick quase sem cabeça , começando a olhar em volta . Usava um arrebatado chapéu de plumas sobre a longa cabeleira encaracolada e uma túnica com gola de tufos que disfarçava o facto de ter o pescoço quase totalmente separado de o corpo . Era pálido como o fumo e Harry podia ver através de ele o céu negro e a chuva torrencial , lá fora . - Pareces preocupado , jovem Potter - disse Nick , dobrando uma carta transparente , enquanto falava e escondendo a dentro de a jaqueta . - Tu também - retorquiu Harry . - Ah ! - o Nick quase sem cabeça acenou com a mão de forma elegante . - Uma questão sem importância . Não é_que eu quisesse realmente participar apesar_de me ter inscrito , mas , a o que parece , não preencho os requisitos . - Apesar de o seu tom jovial havia em o seu rosto uma grande amargura . - Mas era de esperar , ou não era - exclamou subitamente , tirando a carta de o bolso - que ter levado quarenta_e_cinco golpes em a cabeça com um machado ferrugento me qualificaria para entrar em o grupo de os Sem - _ Cabeça ? - Sim , sim - respondeu Harry que obviamente o outro esperava que concordasse . - Isto_é , ninguém mais do_que eu desejaria que tudo tivesse sido rápido e perfeito , poupava me muitas dores e ridículo . Mas ... O Nick quase sem cabeça abriu , furioso , a carta e leu : * _ Só podemos aceitar em o grupo homens cuja cabeça tenha sido separada de o corpo . Compreenderá que de outro modo seria impossível a os nossos membros participarem em actividades como equitação de malabarismos com a cabeça e pólo de cabeça . Lamentamos profundamente informá o de que não preenche os requisitos . * _ Os nossos melhores cumprimentos , Sir_Patrick_Delaney - _ Podmore * Furioso , o Nick quase sem cabeça atirou fora a carta . - Um centímetro de pele e tendões a segurarem me a cabeça , Harry ! A maior parte de as pessoas acharia que era mais do_que o suficiente , mas não serve para o senhor correctamente decapitado Podmore . Nick quase sem cabeça respirou fundo várias vezes e , por fim , em um tom bastante mais calmo perguntou : - Então o que é_que te preocupa ? Alguma coisa que eu possa fazer por ti ? - Não - respondeu Harry . - A_não_ser_que saibas onde posso arranjar sete Nimbus dois_mil_e_um , de_graça , para o nosso campeonato contra os Sly ... - o resto de a frase foi afogada por um miado agudo vindo de perto de os seus tornozelos . Olhou para baixo e deu consigo a fitar um par de olhos que pareciam duas lâmpadas amarelas . Era_Mrs._Norris , a gata cinzenta e esquelética usada por o encarregado Argus_Filch como uma espécie de polícia em a sua infindável batalha contra os estudantes . - É melhor saíres de aqui , Harry - preveniu Nick com toda_a calma . - O Filch não está nada bem-disposto . Anda engripado e alguns alunos de o terceiro ano , por acidente , encheram o tecto de o calabouço cinco de miolos de rã . Ele tem andado toda_a manhã a limpar e se te vê a encher tudo de lama ... - Certo - disse Harry , recuando e afastando se de o olhar acusador de Mrs._Norris , mas ... tarde de mais . Conduzido até ali por o misterioso poder que parecia ligá o a a gata , Argus_Filch entrou subitamente por uma tapeçaria que se encontrava a a direita de Harry , com a sua respiração asmática , olhando vivamente em volta em busca de o infractor . Tinha um lenço grosso , de xadrez , a a volta de a cabeça e o nariz invulgarmente arroxeado . - Imundície - gritou com os maxilares a tremer e os olhos a saltarem lhe de as órbitas , enquanto apontava para a poça de lama que pingara de a túnica de Quidditch_de_Harry . - Desarrumação e imundície em todo o lado . Estou farto disto , segue me , Potter . Harry despediu se de o Nick quase sem cabeça com um tímido aceno e seguiu Filch até lá abaixo , duplicando o número de pegadas lamacentas em o chão . Nunca entrara em o gabinete de o Filch . Era um lugar que a maior parte de os estudantes evitava . A divisão era sombria e sem janelas , iluminada por uma única lamparina de óleo que pendia de o tecto . Sentia se um vago cheiro a peixe frito . As paredes estavam forradas por ficheiros de madeira . Por as etiquetas Harry percebeu que continham os dados de todos os alunos que Filch tinha punido . Fred e George_Weasley tinham uma gaveta só para eles . Atrás de a secretária estava pendurada uma colecção bem polida de correntes e algemas . Todos sabiam que ele estava sempre a pedir a Dumbledore que o deixasse pendurar os alunos em o tecto por os tornozelos . Filch pegou em uma pena que estava sobre a secretária e começou a procurar o pergaminho . - Bosta - murmurou , furioso . - Bosta de dragão , miolos de rã , intestinos de ratazana ... eu tinha aqui bastante , onde está o form ... sim ... Tirou um enorme rolo de pergaminho de a gaveta de a secretária e estendeu o em a frente , molhando a longa pena em o tinteiro . - Nome : Harry_Potter . Crime ... - Foi só um bocadinho de lama - disse Harry . - É só um bocadinho de lama para ti , rapaz , mas para mim é mais de uma hora a esfregar - gritou Filch com um pingo a tremer de modo desagradável em a extremidade de o nariz bolboso . - Crime : manchar o castelo . Sentença proposta ... Esfregando o nariz que continuava a pingar , Filch olhou com má cara para Harry que esperava com a respiração entrecortada para ouvir a sentença . Mas quando Filch pegou em a pena ouviu se um estrondo enorme em o tecto que fez a lamparina apagar se . - PEEVES - resmungou Filch , pousando a pena , cheio de raiva . - Desta_vez apanho te . Apanho te ! E sem olhar para trás , saiu a correr a_toda_a velocidade de o gabinete , seguido de a gata , Mrs._Norris . Peeves era o * poltergeist * de a escola , uma ameaça de risota esvoaçante que vivia para fazer estragos e criar aflição . Harry não gostava lá muito de ele , mas desta_vez , não podia deixar de lhe estar grato . Na_melhor_das_hipóteses o que Peeves tivesse feito ( e parecia que agora ele destruíra qualquer coisa em grande ) distrairia Filch_de_Harry . Pensando que o melhor seria esperar que ele voltasse , Harry deixou se cair em uma cadeira carcomida por o tempo que se encontrava junto de a secretária . Havia uma coisa sobre o tampo : um grande envelope roxo e lustroso com letras prateadas em a frente . Lançando um olhar rápido a a porta para confirmar que Filch não estava de volta , Harry pegou lhe e leu : __ feitiço __ rápido Um curso por correspondência De iniciação a a magia Cheio de curiosidade , abriu o envelope e retirou o rolo de pergaminho . Uma letra curvilínea e prateada dizia : Sente se pouco a a vontade em o mundo de a magia moderna ? Dá consigo a arranjar desculpas para não fazer feitiços simples ? Tem sido censurado por o deplorável trabalho com a varinha ? Eis a resposta ! Feitiço rápido e um curso totalmente novo , infalível , de resultados rápidos e rápida aprendizagem . Centenas de bruxas e feiticeiros têm beneficiado de o método feitiço rápido ! Madam_Z._Nettles_de_Topsham escreve nos : Eu não conseguia fixar os encantamentos e as minhas poções eram alvo de risota em a família . Agora , depois de o curso feitiço rápido , tornei me o centro de as atenções em todas_as festas e os meus amigos não param de pedir me a receita de a minha brilhante solução ! O mágico D.J._Prod , de Disbury , afirma : A minha mulher costumava rir se de os meus fracos encantamentos , mas bastou um mês com o vosso fabuloso curso feitiço rápido e consegui transformá a em um iaque . Obrigado , feitiço rápido ! Fascinado , Harry folheou o resto de o conteúdo de o envelope . Para que diabo quereria o Filch um curso de feitiço rápido ? Não seria ele um feiticeiro a sério ? Harry estava a ler a lição número um : Pegando em a varinha ( algumas dicas úteis ) quando umas passadas arrastadas , lá fora , o preveniram de que Filch estava de volta . Metendo rapidamente o pergaminho dentro de o envelope , lançou o para_cima de a secretária em o preciso momento em que a porta se abriu . Filch ostentava um ar triunfante . - Aquele armário que desapareceu era extremamente valioso - vinha ele a dizer a a gata , Mrs._Norris . - Desta_vez vamos correr com o Peeves , minha linda . Os seus olhos recaíram sobre Harry e logo_a_seguir sobre o envelope de o feitiço rápido que , Harry apercebeu se tarde de mais , estava meio metro distanciado de o seu lagar inicial . O rosto pálido de Filch tornou se vermelho escarlate . Harry preparou se para uma nova onda de fúria . Filch coxeou até a a secretária , arrebatou o envelope e meteu o em uma gaveta . -- Chegaste a ... lê o ? - perguntou atabalhoadamente . - Não - mentiu Harry , sem perder tempo . As mãos nodosas de o Filch contorciam se ao_mesmo_tempo . - Se eu soubesse que ias ler a minha correspondência priv ... não que seja minha ... é para um amigo ... mesmo_assim ... Harry olhava para ele espantado . Nunca vira o Filch tão louco . Os olhos pareciam querer saltar lhe de as órbitas , com um tique em as bochechas e aquele lenço axadrezado que não ajudava nada ... - Muito bem , vai e não abras a boca sobre isto ... não que ... mesmo_assim ... se tu não leste ... vai te embora , tenho de escrever o relatório sobre o Peeves , vai . Atordoado com a sua sorte , Harry saiu de ali e largou a correr por o corredor fora e por as escadas acima . Sair de o gabinete de o Filch sem um castigo devia ser um recorde em a escola . - Harry , Harry , deu resultado ? O Nick quase sem cabeça saiu a brilhar de uma sala de aula . Atrás de ele , Harry pôde ver os destroços de um grande armário preto e dourado que parecia ter sido atirado de uma grande altura . - Convenci o Peeves a parti o mesmo em cima de o gabinete de o Filch - disse Nick entusiasmado . - Pensei que talvez o distraísse . - Foste tu ? - exclamou Harry , agradecido . - Funcionou sim . Ele não me deu nenhum castigo . Obrigado , Nick . Atravessaram o corredor juntos . O Nick quase sem cabeça , reparou Harry , ainda tinha em a mão a carta de Sir_Patrick . - Gostaria de poder fazer qualquer coisa sobre o grupo de os Sem - _ Cabeça - disse Harry . O Nick quase sem cabeça parou de repente e Harry passou através de ele . Antes não tivesse passado , foi como atravessar um duche gelado . - Mas há uma coisa que tu podes fazer por mim - disse Nick muito agitado . - Harry , seria pedir te de mais ... mas não , tu não ias querer ... - O quê ? - Bem , este ano em o * _ Hallowe'en * vai ser o meu meio milénio de dia de os mortos - disse o Nick quase sem cabeça endireitando se e adquirindo uma postura de grande dignidade . - Oh - respondeu Harry sem saber se deveria lamentar ou dar lhe os parabéns . - Certo . - Vou dar uma festa em um de os calabouços mais amplos . Vêm amigos meus de todo o país . Seria uma honra muito grande se tu aparecesses . Mr._Weasley e Miss_Granger seriam também muito bem-vindos , claro . Mas tu deves preferir o banquete de a escola , não é verdade ? - Olhou para Harry , aflito . - Não - assegurou ele rapidamente . - Eu vou . - Oh rapaz , Harry_Potter em a minha festa de os mortos - hesitou no_meio_de toda aquela excitação . - Achas que poderias referir a Sir_Patrick como me achas assustador e como te impressiono ? - É claro que sim - assegurou Harry . O Nick quase sem cabeça iluminou se em um sorriso . - Uma festa de os mortos ? - exclamou Hermione , entusiasmada , quando Harry , depois de mudar de roupa , se juntou a ela e a o Ron em a sala comum . - Aposto que não há muitas pessoas que possam gabar se de ter estado em uma festa de essas . Vai ser fantástico ! - Por_que é_que alguém se lembraria de festejar o dia em que morreu ? - perguntou o Ron que estava a meio de o seu trabalho de casa de poções e bastante maldisposto . - Parece me bastante mórbido . A chuva continuava a lamber as janelas que apresentavam agora um negro que parecia tinta , mas , lá dentro , era tudo claro e alegre . O fogo em a lareira brilhava sobre as inúmeras cadeiras de braços onde as pessoas estavam sentadas a ler , a conversar , a fazer os trabalhos de casa ou , no_caso_de Fred e George_Weasley , a tentar descobrir o que aconteceria se alimentassem uma salamandra com fogo-de-artíficio de o Filibuster . O Fred tinha « resgatado . o lagarto cor de laranja brilhante , morador de o fogo , de uma aula de tratamento de seres mágicos e ele estava agora a arder em fogo lento sobre uma mesa , rodeado de um grupo de curiosos . Harry ia começar a contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre o Filch e o curso de feitiço rápido quando a salamandra disparou por os ares , lançando faíscas e estoiros . A visão de Percy a gritar com Fred e George até ficar ronco , a fantástica exibição de estrelas cor de tangerina que choviam de a boca de a salamandra e a sua fuga para o lume acompanhada de explosões , fizeram com que Harry se esquecesse , em aquele momento , de Filch e de o curso de feitiço rápido . Quando chegou o * _ Hallowe'en * , Harry já lamentava a sua promessa imprudente de ir a a festa de os mortos . Toda_a escola antecipava , feliz , a sua festa de * _ Hallowe'en * . O salão nobre fora enfeitado com os habituais morcegos , as enormes abóboras de Hagrid tinham sido esculpidas em forma de lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro_de cada uma , e havia boatos de que Dumbledore contratara um grupo de esqueletos bailarinos para animar a festa . - Uma promessa é uma promessa - lembrou Hermione_a_Harry com o seu autoritarismo habitual . - Tu disseste que ias a a festa de os mortos . Portanto , a as sete_da_tarde , Harry , Ron e Hermione saíram , passando por a porta de o salão nobre que brilhava de modo convidativo com pratos dourados e velas e dirigiram os seus passos para os calabouços . O corredor que conduzia a a festa de o Nick quase sem cabeça tinha sido também ladeado de velas , embora o efeito estivesse longe_de ser alegre : estas eram velas muito esguias e estreitas , negras de breu , ardendo em um azul brilhante e lançando uma luz indistinta e espectral também sobre as caras de as pessoas vivas . A temperatura diminuía a cada degrau que desciam . Harry tremia e cingia a túnica a o corpo quando ouviu qualquer coisa que parecia uma centena de unhas a rasparem um enorme quadro preto . - Será que isto_é a música ? - murmurou Ron . Viraram uma esquina e viram o Nick quase sem cabeça junto de uma porta , todo vestido de veludo negro . - Meus queridos amigos - disse com ar de luto . - Bem-vindos , bem-vindos , ainda_bem que puderam vir . Em um gesto largo tirou o chapéu de plumas e fez lhes sinal para que entrassem . Era uma visão incrível . O calabouço estava cheio com centenas de pessoas de um branco pálido e translúcido , a maior parte de as quais era arrastada em uma pista de dança cheia , valsando a o som de trinta serrotes musicais . Os serrotes que compunham a orquestra encontravam se sobre um estrado enfeitado com panos negros . Um lustre lá em cima resplandecia de um azul nocturno com mais um_milhar de velas negras . A respiração de os três subiu em o ar como uma neblina . Parecia que tinham entrado em um congelador . - Vamos dar uma volta - sugeriu Harry em uma tentativa de aquecer os pés . - Cuidado , não atravessem nenhum de eles - avisou o Ron nervosamente e colocaram se em volta de a pista de dança . Passaram por um grupo escuro de freiras , por um homem esfarrapado e cheio de correntes e por o frade gordo , o divertido fantasma de os Hufflepuff que estava a conversar com um cavaleiro com uma seta enfiada em a testa . Harry não ficou nada surpreendido a o ver que o Barão sangrento , o fantasma lúgubre e berrante de os Slytherin , coberto de nódoas de sangue ; estava a ser totalmente evitado por os outros fantasmas . - Oh ! Não -- exclamou Hermione , parando bruscamente . - Voltem se , voltem se , não quero ter de cumprimentar a Murta_Queixosa . - Quem ? - perguntou Harry enquanto davam rapidamente meia volta . - Ela assombra a casa_de_banho de as raparigas de o primeiro andar - explicou Hermione . - Assombra uma casa_de_banho ? - Sim . Está inoperativa durante todo o ano porque ela tem constantes acessos de choro e inunda tudo . Eu só lá fui quando não pode mesmo evitar . É horrível tentar ir a a sanita com ela a gritar connosco . - Olhem , comida - disse o Ron . De o outro lado de o calabouço estava uma mesa igualmente coberta de velado negro . Iam para se aproximar entusiasmados , mas pararam com uma expressão de horror . O cheiro era nauseabundo . Enormes peixes podres enchiam as bonitas travessas de prata , os bolos estorricados como carvões amontoavam se em as salvas , havia uma grande quantidade de miúdos de macaco , uma tábua de queijos cobertos de bolor e , em o lugar de honra , um enorme bolo cinzento em forma de lápide com letras que pareciam alcatrão formando as palavras , * _ Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington_Morto em 31_de_Outubro , 1492 * . Harry olhou espantado quando um fantasma de porte majestoso se aproximou de a mesa inclinando se e passando através de ela com a boca aberta enquanto atravessava um salmão malcheiroso . - Consegue prová o passando através de ele ? - perguntou lhe Harry . - Quase - disse tristemente o fantasma antes de se afastar . - Devem ter deixado apodrecer tudo_isto para ter um sabor mais forte - comentou Hermione com ar de quem está bem informada , tapando o nariz e aproximando se para ver melhor os pútridos miúdos de macaco . - Podemos sair de aqui , estou a sentir me agoniado - disse o Ron . Mas mal tinham dado meia volta quando um homenzinho pequenino saiu inesperadamente de debaixo de a mesa e fez uma paragem em o ar em frente de eles . - Olá , Peeves - disse Harry cautelosamente . Ao_contrário de os outros fantasmas que os rodeavam , Peeves , o * poltergeist * era o oposto de pálido e transparente . Usava um chapéu festivo cor de laranja , um laço rotativo a o pescoço e tinha um sorriso grosseiro de malvadez , em o rosto . - Querem petiscar ? - perguntou delicadamente , oferecendo lhes uma taça de amendoins cobertos de fungos . - Não , obrigada - disse Hermione . - Ouvi te falar sobre a pobre Murta - disse Peeves com os olhos a bailar . - Que insensível que tu foste para com a pobre Murta - respirou fundo e gritou : - Oh Murta . - Oh ! Não , Peeves , não lhe contes o que eu disse , ela vai ficar muito aborrecida - murmurou Hermione bastante nervosa . - Eu não queria dizer que ... eu não me importo que ela , er , olá , Murta . O espectro atarracado de uma rapariga deslizara . Tinha o rosto mais carrancudo que Harry alguma vez vira , meio escondido por o cabelo liso e por os óculos grossos cor de pérola . - O que é ? - perguntou mal-humorada . - Como estás Murta ? - perguntou Hermione , em uma voz falsamente alegre . - É bom ver te fora de a casa_de_banho . Murta fungou . - Miss_Granger estava justamente a falar de ti - disse lhe Peeves baixinho a o ouvido . - A dizer , a dizer ... como estás bonita esta noite -- terminou Hermione , olhando irritada para Peeves . A Murta olhou para Hermione desconfiada . - Estão a divertir se a a minha custa - disse , com lágrimas de prata a encherem lhe rapidamente os olhos pequeninos . - Não , a sério , eu não estava a dizer vos como a Murta estava bonita esta noite ? - disse Hermione , dando uma palmada em as costas de o Harry e de o Ron . - Sim , sim . - Ela ... - Não me venham com mentiras - protestou a Murta , as lágrimas agora a descerem lhe por o rosto , enquanto Peeves ria baixinho por cima de o ombro de ela . - Julgam que eu não sei o que as pessoas me chamam em as minhas costas ? A Murta gorda , a Murta feia , a Murta queixosa , a Murta deprimida ! - Esqueceste te de « a Murta ponto negro » - sussurrou lhe Peeves a o ouvido . A Murta_Queixosa irrompeu em soluços de angústia e fugiu de o calabouço . Peeves disparou atrás de ela , lançando lhe uma chuva de amendoins cheios de bolor e gritando : Ponto negro ! Ponto negro ! - Oh , coitada ! - exclamou Hermione com tristeza . O Nick quase sem cabeça abria agora caminho entre a multidão para se aproximar de eles . - Estão a divertir se ? - Sim , sim - mentiram . - Uma afluência nada má - disse orgulhoso o Nick quase sem cabeça . - A viúva chorosa veio de Kent ... está quase em a hora de o meu discurso . É melhor ir avisar a orquestra . Mas a orquestra parou de tocar em esse preciso momento . Eles , e todos os outros em o calabouço , ficaram em silêncio total , olhando em volta cheios de excitação quando se ouviu uma trompa de a caça . - Lá vêm eles - disse o Nick quase sem cabeça , com alguma amargura em a voz . Por o calabouço irromperam uma_dúzia de , cavalos fantasmas , cada_um montado por um cavaleiro sem cabeça . A assistência aplaudiu vivamente . Harry começou também a bater palmas , mas parou rapidamente quando viu a cara de o Nick . Os cavalos galoparam até a o meio de a pista de dança e pararam , empinando se , dando pequenos passos para a frente e para trás , sobre as patas traseiras . Um fantasma grande em a frente , cuja cabeça barbuda estava debaixo de o braço , soprando a trompa , desmontou , levantou a cabeça bem em o ar para poder ver toda_a assistência ( todos se riam ) e dirigiu se a o Nick quase sem cabeça , comprimindo a cabeça contra o pescoço . - Bem-vindo , Patrick - disse o Nick , mantendo a sua postura rígida . - Gente viva ! - exclamou o Sir_Patrick , avistando Harry , Ron e Hermione e dando um salto de falso espanto , de_tal_modo_que a cabeça lhe caiu de_novo ( a multidão ria a bom rir ) . - Muito engraçado - disse o Nick quase sem cabeça com um ar soturno . - Não ligues a o Nick - gritou a cabeça de Sir_Patrick de o chão . - Ainda está aborrecido por não o deixarmos juntar se a o grupo . Mas olhem bem para ele ... - Eu acho - disse apressadamente Harry , a seguir a um olhar de o Nick - que o Nick é muito assustador e ... eu ... - Bah ! - gritou a cabeça de Sir_Patrick . - Aposto que ele te pediu que dissesses isso . - Gostaria de ter a vossa atenção . Chegou a altura de fazer o meu discurso - disse o Nick quase sem cabeça bem alto , dirigindo se a o pódio , subindo e parando , iluminado por uma luz azul . - Os meus sentimentos , senhores e senhoras , é com profundo pesar ... Mas já ninguém estava a ouvi o . Sir_Patrick e o resto de o grupo de os Sem - _ Cabeça tinham iniciado um jogo de hóquei de cabeça e a multidão voltara se para os observar . Nick quase sem cabeça tentou em vão recuperar a audiência , mas acabou por desistir quando a cabeça de Sir_Patrick passou por ele a_toda_a velocidade gritando vivas . Harry estava cheio de frio para não falar de a fome . - Não aguento mais isto - murmurou Ron a bater o dente enquanto a orquestra voltava a entrar em acção e os fantasmas enchiam de_novo a pista de dança . - Vamos embora - concordou Harry . Recuaram até a a porta , acenando e sorrindo a todos os que olhavam para eles e um minuto depois passavam apressadamente por a entrada cheia de velas negras . - Talvez o pudim ainda não tenha acabado - disse o Ron cheio de esperança , abrindo caminho em direcção a os degraus de o vestíbulo de a entrada . E foi então que Harry ouviu aquilo . - ... * _ Arrancar ... rasgar ... matar * ... Era a mesma voz , a mesma voz fria e assassina que ouvira em o escritório de Lockhart . Parou , agarrando se a a parede de pedra em a expectativa de ouvir melhor , olhando em volta , espreitando para_cima e para baixo de a passagem mal iluminada . - Harry que estás tu a ... ? - E aquela voz outra_vez , calem se um bocadinho . -- ... * _ Tanta fome ... há tanto tempo * ... - Ouçam insistiu Harry e Ron e Hermione ficaram estáticos a olhar para ele . - * _ Matar ... hora de matar * ... A voz ia ficando mais débil . Harry tinha a certeza de que ela estava a afastar se , a subir . Um misto de medo e excitação tomou posse de ele enquanto olhava para o tecto escuro . Como poderia ele subir ? Seria um fantasma para quem os tectos de pedra não contavam ? - Por aqui - gritou , começando a correr por as éscadas acima até a a entrada de o * hall * . Não havia hipótese de ouvir fosse o que fosse ali , o barulho de vozes que vinha de o banquete de o * _ Hallowe'en * ecoava cá fora . Harry subiu a correr a escadaria de mármore até a o primeiro andar com Ron e Hermione ruidosamente atrás . - Harry o que é_que nós ... ? - Sch ... Harry apurou o ouvido . Ao_longe , em o andar de cima , e ainda a enfraquecer , mesmo_assim ouviu a voz : - ... * Cheira-me a sangue ... cheira me a sangue ! * O estômago deu lhe uma volta . - Ele vai matar alguém - gritou e ignorando as caras perplexas de Ron e Hermione , correu , subindo mais um lanço de escadas , a três_e_três , tentando ouvir através de o ruído de os seus próprios passos . Harry correu a_toda_a velocidade pelo segundo andar com Ron e Hermione atrás e só parou quando viraram uma esquina para o último corredor abandonado . - Harry , o que foi aquilo tudo ? - perguntou o Ron , limpando o suor de o rosto . - Eu não ouvi nada ... Mas Hermione , em um sobressalto , apontou para o fundo de o corredor . - Olhem ! Alguma coisa brilhava em a parede em frente . Aproximaram se devagarinho , tentando ver em a escuridão . Alguém escrevera em letras garrafais em a parede entre duas janelas . As palavras brilhavam a a chama fraca de as tochas . : __ a câmara de os segredos foi aberta . inimigos de o herdeiro , __ cuidado . - O que é aquilo pendurado por baixo de as letras ? - perguntou Ron com um tremor em a voz . Quando se aproximaram , Harry quase escorregou . Havia uma grande poça de água em o chão . Ron e Hermione agarraram o e avançaram cautelosamente até a a mensagem , os olhos fixos em uma sombra escura , em baixo . Aperceberam se os três de imediato do_que se tratava e deram um salto para trás , salpicando tudo de água . Mrs._Norris , a gata de o encarregado , estava pendurada por a cauda em o suporte de a tocha . Tinha o corpo rígido como uma tábua e os olhos abertos . Durante alguns segundos ninguém se mexeu . Depois o Ron disse : - Vamos sair de aqui . - Não devíamos tentar ajudar ? - propôs Harry , sem graça . - Acredita - assegurou o Ron . - É melhor que não nos encontrem aqui . Mas era tarde de mais . Um ruído surdo e prolongado , como um trovejar distante , avisou os de que o festim tinha terminado . De ambos os lados de o corredor onde eles estavam , veio o som de centenas de pés a subirem a escadaria e as vozes alegres de gente bem alimentada . Em o momento seguinte os alunos chegavam junto de eles de ambos os lados . O burburinho morreu subitamente mal as pessoas avistaram a gata pendurada . Harry , Ron e Hermione estavam de pé , sozinhos , em o meio de o corredor quando se fez silêncio em a multidão de estudantes que se empurravam para observar aquele quadro macabro . Então alguém gritou , quebrando o silêncio . - Inimigos de o herdeiro , cuidado . Vocês serão os próximos , sangue de lama ! Era_Draco_Malfoy . Estava a a frente de a multidão com os olhos frios a brilhar , a sua cara habitualmente pálida agora afogueada , sorrindo a a vista de a gata pendurada e imóvel . IX_As palavras em a parede -- O que é_que se passa aqui ? O que é_que se passa ? Sem dúvida , atraído por o grito de Malfoy , Argus_Filch apareceu a coxear em o meio de a multidão . Quando viu Mrs._Norris , caiu para trás agarrando o rosto com verdadeiro horror . - A minha gata ! A minha gata ! O que aconteceu a Mrs._Norris ? - gritou . E os seus olhos rápidos caíram sobre Harry . - Tu - guinchou ele . - Mataste a minha gata ! Mataste a , vou dar cabo de ti , eu ... - Argus . Dumbledore tinha chegado a o lugar , seguido de alguns professores . Em poucos segundos tinha passado a a frente de Harry , Ron e Hermione e desatado Mrs._Norris de o suporte de a tocha . - Vem comigo , Argus - disse ele a o Filch . - Vocês também , Mr._Potter , Mr._Weasley e Miss_Granger . Lockhart deu rapidamente um passo em frente . - O meu escritório é o que está mais perto , senhor director , é já aqui em cima , por favor fiquem a a vontade . - Obrigado , Gilderoy - disse Dumbledore . A multidão silenciosa dividiu se para os deixar passar . Lockhart sentindo se excitado e importante , seguia Dumbledore assim_como a professora Mc_Gonagall e o professor Snape . Quando entraram em o escritório escuro de Lockhart houve uma grande agitação em as paredes . Harry viu várias imagens de Lockhart a esconderem se cheias de rolos em o cabelo . O Lockhart em pessoa acendeu as velas e chegou se mais para trás . Dumbledore pôs Mrs._Norris em a superfície polida de a secretária e começou a examiná a . Harry , Ron e Hermione trocaram olhares tensos entre si e deixaram se cair em as cadeiras que se encontravam longe de a luz , a observar . A ponta de o nariz longo e adunco de Dumbledore estava a menos_de dois centímetros de o pêlo de Mrs._Norris . Ele olhava a de perto através de os óculos de meia-lua , os dedos longos a palpar e tactear suavemente . A professora Mc_Gonagall estava quase tão perto como ele , com os olhos contraídos . Snape surgia mais atrás , meio em a sombra , com uma expressão estranha em o rosto , como_se tentasse a_toda_a força sorrir . E Lockhart andava de um lado para o outro a dar sugestões . - Foi sem dúvida uma maldição que a matou , provavelmente a tortura de a metamorfose . Vi a muitas_vezes ser usada , mas infelizmente eu não estava lá quando isto aconteceu . Conheço o antídoto para essa maldição , o que a teria salvo . Os comentários de Lockhart foram interrompidos por os soluços secos e violentos de Filch . Estava afundado em uma cadeira junto de a secretária , incapaz de olhar para Mrs._Norris , com o rosto em as mãos . Por mais que detestasse Filch , Harry não pôde deixar de sentir pena de ele embora não tanta quanto_a que sentia por si próprio . Se Dumbledore acreditasse em o Filch ele seria certamente expulso . O director estava agora a sussurrar umas palavras estranhas e batendo em Mrs._Norris com a varinha , mas não aconteceu nada , ela continuou com o mesmo aspecto , como_se tivesse sido empalhada . - ... Lembro me de uma coisa semelhante que aconteceu em Ouagadogou - disse LockLart . - Uma série de ataques . Conto essa história em a minha autobiografia . Eu dei a a gente de a cidade vários amuletos que resolveram logo a situação ... As fotografias de Lockhart em as paredes iam acenando afirmativamente com a cabeça enquanto ele falava . Uma de elas esquecera se de tirar os rolos de o cabelo . Por fim , Dumbledore endireitou se . - Ela não está morta , Argus - disse suavemente . Lockhart interrompeu bruscamente a contagem de os crimes que conseguira evitar . - Não está morta ? - disse Filch em um sufoco , olhando através de os dedos para Mrs._Norris . - Mas , porque está ela rígida e gelada ? - Foi petrificada - disse Dumbledore ( Ah ! foi o que eu pensei ! - comentou Lockhart ) mas como , não posso afirmar . - Pergunte lhe - gritou Filch , voltando a cara cheia de furúnculos e lágrimas para Harry . - Nenhum aluno de o segundo ano poderia ter feito isto - explicou Dumbledore . - Era preciso um grande conhecimento de magia negra . - Foi ele , foi ele - disse encolerizado o encarregado com a cara a ficar roxa . - O senhor viu o que ele escreveu em a parede . Ele descobriu em o meu gabinete , ele sabe que eu sou um ... - O rosto de Filch estava horrível . - Ele sabe que eu sou um * _ busca-pé * - disse por fim . - Eu não toquei em a Mrs._Norris - gritou Harry com todos os olhares a recaírem sobre ele , incluindo o de todos os Lockharts de a parede . - E eu nem sei o que é um * busca-pé * . - Mentira ! - gritou Filch . - Ele viu a minha carta de o feitiço rápido . - Se me permite que dê a minha opinião , senhor director - disse Snape , saindo de a sombra , e a sensação de mau presságio de Harry aumentou bastante . Certamente nada do_que Snape tinha para de dizer iria ajudá o . - O Potter e os amigos podiam estar simplesmente em o lugar errado em a altura errada - afirmou com um leve sorriso a torcer lhe a boca como_se tivesse as suas dúvidas . - Mas , temos aqui um conjunto de circunstâncias curiosas . Porque estavam eles afinal em o corredor ? Porque não estiveram presentes em a festa de o * _ Hallowe'en * ? Harry , Ron e Hermione começaram uma longa explicação sobre a festa de o dia de os mortos . - Estavam lá centenas de fantasmas , eles poderão confirmar que lá estivemos ... - Mas porque não foram a seguir a o banquete ? - perguntou Snape com os olhos pretos a brilharem a a luz de as velas . - Porquê ir até a aquele corredor ? Ron e Hermione olharam para Harry . - Porque , porque ... - balbuciou Harry , com o coração a querer saltar lhe de o peito , mas algo lhe disse que ia parecer muito rebuscado se lhes contasse que tinha sido levado até ali por uma voz sem corpo que só ele conseguia ouvir . - Porque estávamos cansados e queríamos ir para a cama - disse . - Sem jantar ? - inquiriu Snape com um sorriso triunfante a bailar lhe em o rosto lúgubre . - Não sabia que os fantasmas ofereciam em as suas festas comida para gente viva . - Não estávamos com fome - disse o Ron bem alto , enquanto o estômago se queixava de forma audível . O sorriso mesquinho de a Snape ampliou se . - Acho , senhor director , que Potter não está a dizer toda_a verdade - afirmou . - Talvez fosse boa ideia retirar lhe alguns privilégios , até ele estar disposto a contar nos a história toda . Pessoalmente , sugiro que seja retirado de a equipa de os Gryffindor até decidir ser honesto . - Francamente , Severus - exclamou a professora Mc_Gonagall com uma voz cortante . - Não vejo porquê impedir o rapaz de jogar Quidditch . Esta gata não levou pauladas em a cabeça dadas por nenhum cabo de vassoura . E não há provas de que o Potter tenha feito algo de mal . Dumbledore observava Harry com um olhar perscrutador . A voz tremeluzente de os seus olhos azuis fez Harry sentir que estava a ser passado a raios X. - Inocente até se provar que é culpado , Severus - disse com segurança . Snape estava furioso , assim_como Filch . - A minha gata foi petrificada ! - berrou , com os olhos a saltarem de as órbitas . - Quero ver um castigo ! - Vamos poder curá a , Argus - explicou pacientemente Dumbledore . - Madam_Sprout conseguiu arranjar algumas Mandrágoras . Logo_que tenham atingido o tamanho adulto , terei uma poção de Mandrágoras que reanimará Mrs._Norris . - Eu posso fazê a - interrompeu Lockhart . - Devo ter feito isso uma centena de vezes . Preparo uma golada de Mandrágora reconstituinte de olhos fechados ... - Perdão - disse Snape friamente -- , mas julgo que o professor de poções de esta escola ainda sou eu . Houve um silêncio bastante incómodo . - Vocês podem ir se embora - disse Dumbledore a o Harry , Ron e a Hermione . Eles saíram o mais depressa que puderam , sem ir a correr . Quando chegaram a o andar acima de o escritório de Lockhart , entraram em uma sala de aulas vazia e fecharam a porta devagarinho . Harry lançou um olhar de esguelha a as caras carrancudas de os amigos . - Acham que eu lhes devia ter falado de a voz que ouvi ? - Não - respondeu Ron , sem a mínima hesitação . - Ouvir vozes que mais ninguém ouve , não é bom sinal , nem em o mundo de os feiticeiros . Algo em a voz de Ron levou Harry a fazer a pergunta : - Tu acreditas em mim , não acreditas ? - Claro que sim - respondeu o Ron de imediato . - Mas tens de concordar que é esquisito ... - Eu sei que é esquisito - confirmou Harry . - É tudo esquisito . O que era aquilo escrito em a parede ? * _ A_Câmara foi aberta * , o que é_que significa ? - Sabes , faz me lembrar qualquer coisa - disse Ron lentamente . - Acho que alguém me contou uma história sobre uma câmara secreta em Hogwarts , talvez tenha sido o Bill ... - E que diabos é um * busca-pé * ? - perguntou Harry . Para sua surpresa , Ron abafou o riso . - Bem , em a verdade não tem graça nenhuma , mas como é o Filch ... - disse . - Um * busca-pé * é alguém que nasceu de uma família de feiticeiros , mas não tem poderes mágicos . É uma espécie de o oposto de os que vêm de famílias de Muggles , mas são feiticeiros . Os * busca-pé * são muito raros . Se o Filch está a tentar aprender magia em um curso rápido , acho que ele deve ser mesmo um busca-pé . Isso explicaria tudo , por_exemplo , porque detesta tanto os estudantes . - Ron sorriu satisfeito . - Tem inveja . Um relógio deu as horas , algures . - Meia-noite - disse Harry . - É melhor irmo nos deitar , antes que o Snape apareça e tente acusar nos de qualquer coisa . Durante alguns dias não se falou de outra coisa em a escola a não ser de o ataque a a gata , Mrs._Norris . Filch manteve o sucedido bem fresco em a memória de todos , andando de um lado para o outro em o lugar onde ela fora atacada , como_se esperasse por o responsável . Harry vira o esfregar a mensagem de a parede com a « solução removedora de toda_a porcaria mágica Mrs._Skower » , mas sem qualquer resultado . As palavras continuavam a brilhar tanto como antes sobre a pedra . Quando Filch não estava a patrulhar a cena de o crime , vagueava , de olhos avermelhados , por os corredores , perseguindo alunos insuspeitos e tentando aplicar lhes castigos por coisas como « respirar muito alto » ou « estar alegre » . Ginny_Weasley parecia muito perturbada com o destino de Mrs._Norris . Segundo Ron ela era uma amante de gatos . - Mas tu nem chegaste a conhecer bem Mrs._Norris - disse lhe Ron para a animar . - Com toda_a franqueza , estamos muito melhor sem ela . - O lábio de Ginny tremeu . - Não é costume acontecerem coisas de estas em Hogwarts - tranquilizou a . - Eles vão descobrir o safado que fez aquilo e põem o de aqui para fora em três tempos . - Só espero que tenha tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso . Estou a brincar , claro - acrescentou o Ron apressadamente a o ver a Ginny a empalidecer . O ataque afectara também Hermione . Era costume de ela passar muito_tempo a ler , mas agora parecia não fazer mais_nada . Nem respondia a o Harry e a o Ron quando lhe perguntavam o que estava a fazer e só acabaram por descobrir em a quarta-feira seguinte . Harry tivera de ficar até mais tarde em a sala de poções onde Snape o mandara raspar restos de larvas de as secretárias . Depois de um almoço comido a a pressa , ele foi lá acima encontrar se com Ron em a biblioteca e viu Justin_Finch - _ Fletchley , o rapaz de os Hufflepuff de herbologia que vinha em direcção a ele . Harry tinha acabado de abrir a boca para dizer um « Olá » quando Justin o viu , voltando se bruscamente e mudando de direcção . Harry foi encontrar o Ron em as traseiras de a biblioteca , a medir o trabalho de casa de história de a magia . O professor Binns pedira uma composição sobre a Assembleia_Medieval_de_Feiticeiros_Europeus com 90cm . De extensão . - Não posso crer que ainda me faltem 16cm - disse o Ron furioso , largando o pergaminho que se enrolou em forma de tubo - e que a Hermione fez um metro e trinta em aquela letra pequenina e apertadinha . - Onde está ela ? - perguntou Harry , agarrando em a fita métrica e desembrulhando o seu trabalho de casa . - Algures por aí - disse o Ron , apontando para as estantes . - _ a a procura de outro livro . Acho que ela está a tentar ler a biblioteca toda antes de o Natal . Harry contou a Ron que Justin_Finch - _ Fletchley tinha evitado falar lhe . - Não sei porque te preocupas com isso . Eu achei o um idiota - disse o Ron , escrevinhando e fazendo a letra o maior possível . - Todo aquele disparate sobre o Lockhart ser tão grande ... Hermione surgiu de o meio de as estantes . Parecia irritada e disposta , por fim , a falar com eles . - Todos os exemplares de * _ Hogwarts : Uma História * foram requisitados - disse , sentando se ao_lado_de Harry e Ron . - E há uma lista de espera de duas semanas . Quem me dera não ter deixado o meu exemplar em casa , mas não consegui que coubesse em a mala com todos os livros de o Lockhart . - Para que o queres ? - perguntou Harry . - Pelo mesmo motivo que toda_a_gente o quer - disse Hermione . - Para ler a lenda de a Câmara_dos_Segredos . - O que é isso ? - Precisamente . Não me lembro - disse Hermione , mordendo o lábio . - E não encontro a História em lugar nenhum . - Hermione , deixa me ler o teu trabalho - pediu Ron desesperado , olhando para o relógio . - Não , não deixo - respondeu Hermione com um ar severo . - Tiveste dez dias para o fazer . - Só preciso de mais quatro centímetros , vá lá ... A campainha tocou . Ron e Hermione encaminharam se para a História_da_Magia , discutindo . A História_da_Magia era a matéria mais chata de o programa . O professor Binns , que dava a cadeira , era o único professor fantasma e a coisa mais excitante que aconteceu em as suas aulas foi o dia em que entrou por o quadro preto . Já velho e enrugado , muita gente afirmava a seu respeito que ele não dera por_que tinha morrido . Pura e simplesmente levantara se um dia para ir dar aulas , deixando o corpo atrás , em um cadeirão em frente de a lareira de a sala de os professores . Desde esse dia a sua rotina mantivera se igual . Era hoje tão chato como fora sempre . Abriu as notas e começou a ler em um tom monocórdico como um velho aspirador até quase todos os alunos estarem em um estado de profunda dormência , acordando de vez em quando , para tomar nota de um nome ou de uma data , e voltando a adormecer . Estava a falar havia meia_hora quando aconteceu algo que nunca tinha acontecido . Hermione pôs o braço em o ar . O professor Binns olhou de relance , em o meio de a chatíssima aula sobre a Convenção_Internacional_de_Feiticeiros de 1289 , verdadeiramente espantado . - Miss ... er ... ? - Granger , professor . Poderia dizer nos alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Hermione em uma voz bem audível . O Dean_Thomas , que tinha estado sentado de boca aberta olhando para fora de a janela , saiu de o seu transe com um salto . A cabeça de Lavender_Brown saiu de os braços e o cotovelo de o Neville_Longbottom escorregou para fora de a secretária . O professor Binns piscou os olhos . - A minha matéria é História_da_Magia - disse em a sua voz seca e asmática . - Eu trato de factos , Miss_Granger , não de mitos e lendas - pigarreou produzindo um ruído que parecia o giz sobre o quadro e continuou : - Em Setembro de esse ano , uma subcomissão de feiticeiros de a Sardenha ... Parou de repente . A mão de Hermione estava de_novo em o ar . - Sim , Miss_Grant ? - Por favor , professor , as lendas não têm sempre um facto como base ? O professor Binns olhava para ela com tal espanto que Harry teve a certeza de que ele nunca , em tempo algum , fora interrompido por um aluno . - Bem - disse lentamente o professor Binns . - Sim , é uma afirmação que pode fazer se . - Olhou para Hermione como_se fosse a primeira vez que olhasse a sério para um estudante . - Contudo , a lenda de que me fala é tão extraordinária , mesmo grotesca ... Mas a aula inteira estava agora atenta a as palavras de o professor , que olhou indistintamente para todos eles . Harry poderia assegurar que ele estava absolutamente abismado por uma tão grande demonstração de interesse . - Muito bem - disse lentamente . - Ora vejamos ... a Câmara_dos_Segredos . Todos vocês sabem com certeza que Hogwarts foi fundada há mais de um_milhar de anos , não se conhece ao_certo a data , por os quatro maiores feiticeiros e feiticeiras de a época : Godric_Gryffindor , Helga_Hufflepuff , Rowena_Ravenclaw e Salazar_Slytherin . Construíram juntos este castelo , longe de os olhares curiosos de os Muggles porque em aquele tempo a magia era temida por as pessoas comuns e as bruxas e feiticeiros sofriam terríveis perseguições . Fez uma pausa , olhou indeciso em volta e prosseguiu : - Durante alguns anos , os fundadores trabalharam juntos em harmonia procurando outros mais novos que mostrassem sinais de possuir dotes mágicos e trazendo os para o castelo para aqui serem ensinados . Mas os desentendimentos surgiram entre eles . Começou a notar se uma divisão entre Slytherin e os outros . Salazar_Slytherin queria ser mais selectivo em relação a os alunos a serem admitidos em Hogwarts . Achava que os ensinamentos de magia deviam ficar dentro de as famílias de feiticeiros . Não lhe agradava a entrada em a escola de alunos de famílias Muggles porque os achava pouco dignos de confiança . Depois de algum tempo houve uma séria discussão sobre esse assunto entre Slytherin e Gryffindor e Slytherin abandonou a escola . O professor Binns fez uma nova pausa , fazendo beicinho o que o fazia parecer uma tartaruga enrugada . - Fontes fidedignas referem nos isto - disse . - Mas estes factos foram obscurecidos por a fantasiosa lenda de a Câmara_dos_Segredos . Conta a história que Slytherin construíra uma câmara oculta dentro de o castelo cuja existência os outros fundadores ignoravam . De_acordo com a lenda , Slytherin selou a Câmara_dos_Segredos para que ninguém pudesse abri a até o seu verdadeiro herdeiro chegar a a escola . O herdeiro , e apenas ele , poderia abrir a Câmara_dos_Segredos , libertar o horror que lá se encontrava e utilizá o para expurgar a escola de todos aqueles que eram indignos de aprender magia . Houve um silêncio quando ele se calou que não era o habitual silêncio de sono de as aulas de o professor Binns . Havia um desassossego em o ar enquanto todos continuavam a olhá o a a espera de mais . O professor Binns estava ligeiramente aborrecido . - A história toda é um disparate , claro - disse ele . - A escola foi revistada por várias vezes em busca de provas de a existência de essa câmara , por os feiticeiros e bruxas mais conhecedores . Não existe nada . Uma lenda que serviu apenas para assustar os ingénuos . A mão de Hermione estava novamente em o ar . - Professor , o que quer_dizer , ao_certo com « o horror que estava dentro de a câmara » ? - Acredita se que seja uma espécie de monstro que só o herdeiro de Slytherin pode controlar - disse o professor Binns em a sua voz seca e débil . A aula trocou entre si olhares inquietos . - Como vos digo , a coisa não existe - afirmou o professor Binns , desordenando as suas notas . - Não há câmara e não há monstro . - Mas , professor - disse Seamus_Finnigan . - Se a câmara só podia ser aberta por o herdeiro de Slytherin ninguém mais poderia encontrá a . Não é ? - Um disparate pegado - disse o professor Binns , em um tom de voz exasperado . - Se uma longa sucessão de directores e directoras de Hogwarts não a encontraram ... - Mas , professor - começou a dizer Parvati_Patil . Se_calhar é preciso usar magia negra para a abrir ... - Lá porque um feiticeiro não usa magia negra não quer_dizer que não possa , Miss_Pennyfeather - interrompeu o professor Binns . - Repito , se os antecessores de Dumbledore ... - Mas talvez seja preciso fazer parte de os Slytherin , por isso Dumbledore não podia ... - começou Dean_Thomas , mas o professor Binns já estava farto . - Já chega - disse , de modo cortante . - É um mito . Não existe . Não há uma única prova de que Slytherin tenha construído nem mesmo uma despensa para vassouras . Lamento ter vos contado esta história tola . Vamos voltar , se fazem o favor , a a História , a os factos sólidos , verificáveis , credíveis . E em menos_de cinco minutos toda_a classe mergulhara em a sua sonolência habitual . - Eu sempre ouvi dizer que Salazar_Slytherin era um velho retorcido e meio pateta - disse Ron_a_Harry e Hermione enquanto abriam caminho por os corredores cheios , em o final de a aula , para ir arrumar as malas antes de o jantar . - Mas não sabia que ele tinha começado esta coisa de o sangue puro . Eu não ia para os Slytherin nem que me pagassem . Se o chapéu seleccionador me tivesse posto lá , pegava em as malas e ia me embora ... Hermione acenou vivamente , mas Harry não abriu a boca . O estômago parecia ter dado uma volta . Harry nunca contara a o Ron e a a Hermione que o chapéu seleccionador tinha considerado seriamente a possibilidade de o colocar em os Slytherin . Lembrava se como_se tivesse sido em a véspera do_que a vozinha lhe dissera a o ouvido quando pôs o chapéu em a cabeça , um ano antes . * _ Podias vir a ser grande , sabes ? Está tudo aqui em a tua cabeça e Slytherin ajudaria te em o caminho para a grandeza , sem a menor dúvida * ... Mas Harry , que já ouvira falar de a fama de o grupo de os Slytherin de formar magos negros , pensou desesperadamente . - Em os Slytherin , não ! - E o chapéu tinha dito . - Bem , se tens assim tanta certeza ... será melhor os Gryfffndor . Enquanto eram empurrados por a multidão , Colin_Creevey passou por eles . - Olá , Harry ! - Olá , Colin - disse Harry automaticamente . - Harry , Harry , um rapaz de a minha turma tem andado a dizer que tu és ... Mas Colin era tão baixinho que não conseguiu lutar contra a maré de gente que o arrastou até a o vestíbulo . Ouviram o despedir se : - Adeus , Harry - e desaparecer . - O que é_que o rapaz de a turma de ele disse de ti ? - quis saber Hermione . - Que eu sou o herdeiro de Slytherin , imagino - disse Harry , com o estômago ainda a as voltas e lembrou se de repente de o Justin_Finch - _ Fletchley a fugir para não lhe falar , a a hora de o almoço . - As pessoas aqui acreditam em tudo - disse o Ron com repugnância . A multidão diminuiu e conseguiram subir as escadas sem dificuldade . - Achas mesmo_que existe uma Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Ron_a_Hermione . - Não sei - respondeu ela , franzindo a testa . - Dumbledore não conseguiu curar Mrs._Norris e isso leva me a pensar que o que a atacou pode não ser ... humano . Enquanto falava , voltaram uma esquina e encontraram se em o fim de aquele mesmo corredor onde o ataque tinha ocorrido . Pararam para olhar . Estava tudo igual a aquela outra noite , com excepção de a gata Mrs._Norris e havia uma cadeira vazia encostada a a parede , onde podia ler se a mensagem « : __ a câmara foi __ aberta » . - Foi aqui que o Filch montou a guarda - murmurou Ron . Olharam uns para os outros . O corredor estava deserto . - Não deve fazer mal dar uma olhadela aqui - disse Harry , deixando cair a mala e pondo se de quatro para poder gatinhar em busca de pistas . - Marcas de queimadura - disse - aqui e aqui ... - Venham ver isto ! - chamou Hermione . - Que estranho ... Harry levantou se e foi até a a janela que ficava junto de a mensagem . Hermione apontava para o vidro mais alto , onde cerca de uma vintena de aranhas se debatiam em uma aparente luta por atravessar por uma pequena brecha de vidro . Um longo fio prateado balouçava como uma corda , como_se todas tivessem trepado , em a ânsia de chegar lá fora . - Alguma vez viram aranhas agir assim ? - perguntou Hermione , curiosa . - Não - respondeu Harry . - E tu , Ron ? Ron ? Olhou por cima de o ombro . Ron estava de costas , bem lá atrás e parecia lutar contra o impulso de se virar . - O que é_que se passa ? - perguntou Harry . - Eu não gosto de aranhas - disse Ron , de modo tenso . - Nunca me tinhas dito - comentou Hermione , olhando para ele com surpresa . - Estás farto de usar aranhas em as poções ... - Não me importo quando estão mortas - explicou Ron que olhava cautelosamente para todos os lados , menos para a janela . - Não gosto de a maneira como_se mexem . Hermione riu se baixinho . - Não tem graça nenhuma - disse o Ron , furioso . - Se queres saber , quando eu tinha três anos , o Fred transformou o meu ursinho de pelúcia em uma enorme aranha nojenta , por eu lhe ter partido a vassoura de brinquedo . Tu também não gostarias de aranhas se estivesses agarrada a o teu ursinho e , de repente , ele tivesse uma data de pernas e ... Começou a tremer ... Hermione ainda estava a tentar conter o riso . Sentindo que era melhor mudarem de assunto , Harry perguntou : - Lembram se de a água que havia aqui em o chão ? De onde terá vindo ? Alguém a limpou . - Era por aqui - disse o Ron , já recuperado , avançando alguns passos em direcção a a cadeira de o Filch e apontando . - Junto de esta porta . Estendeu a mão para o puxador de a porta , mas retirou a de imediato , como_se se tivesse queimado . - O que foi ? - perguntou Harry . - Não posso entrar aí - disse o Ron bruscamente . - É a casa_de_banho de as raparigas . - Oh , Ron , não está aí ninguém - sossegou o Hermione enquanto se aproximava . - É o lugar de a Murta_Queixosa . Anda , vamos dar uma espreitadela . E ignorando o grande letreiro que dizia « Fora de serviço » Hermione abriu a porta . Era a casa_de_banho mais sombria e deprimente em que Harry tinha posto os pés durante toda_a sua vida . Debaixo_de um grande espelho partido e sujo podia ver se uma fila de lavatórios de pedra , rachados . O chão estava húmido e reflectia a luz fraca de os pavios de algumas velas que ardiam baixinho em os suportes . As portas de madeira de os cubículos estavam todas lascadas e riscadas e uma de elas balouçava fora de as dobradiças . Hermione levou os dedos a os lábios e foi até a o último cubículo . Quando lá chegou disse : - Olá , Murta , como estás ? Harry e Ron foram ver . A Murta_Queixosa flutuava em a cisterna de a casa_de_banho , tirando um ponto negro de o queixo . - Esta é a casa_de_banho de as raparigas - disse a o ver o Ron e o Harry . - Eles não são raparigas . - Não - concordou Hermione . - Eu só queria mostrar lhes como esta casa_de_banho é ... er ... simpática . Ela fez um aceno vago a o velho espelho sujo e a o chão húmido . - Pergunta lhe se viu alguma coisa - sussurrou o Ron a a Hermione . - Porque estão a dizer segredinhos ? - perguntou a Murta , fitando o . - Não é nada - disse Harry rapidamente . - Queríamos perguntar ... - Gostava que as pessoas parassem de falar em as minhas costas ! - desabafou a Murta em uma voz abafada por as lágrimas . - Eu tenho sentimentos , sabem , apesar_de estar morta . - Murta , ninguém quis aborrecer te - explicou Hermione . - O Harry só ... - A minha vida foi uma infelicidade em este lugar e agora as pessoas vêm estragar a minha morte . - Nós queríamos perguntar te se tinhas visto alguma coisa estranha ultimamente - disse Hermione sem perder tempo . - Porque foi atacada uma gata mesmo aqui a a frente de a tua porta em a noite de o * _ Hallowe'en * . - Viste alguém aqui perto em essa noite ? - insistiu Harry . - Não estava a prestar atenção - disse a Murta com ar dramático . - O Peeves aborreceu me tanto que vim aqui para tentar matar me . Só então me lembrei de que estou ... de que estou ... - Já morta - ajudou o Ron . A Murta soluçou tragicamente , elevou se em o ar , voltou se e mergulhou de cabeça em a sanita , espalhando água por_cima_de todos eles e desaparecendo . Por o som de os seus soluços abafados fora certamente descansar algures em o cano em forma de V._Harry e Ron ficaram de boca aberta , mas Hermione encolheu os ombros de cansaço e disse : - Se querem saber , para a Murta isto até foi alegre ... vá , vamos embora . Harry tinha acabado de fechar a porta deixando atrás os soluços gorgolejantes de a Murta quando uma voz forte o fez dar um salto . - RON ! Percy_Weasley estava parado em o cimo de as escadas com o seu distintivo de prefeito a brilhar e uma expressão chocadíssima em o rosto . - Isso é a casa_de_banho de as raparigas ... o que é_que vocês ... ? - Estávamos só a dar uma vista de olhos - exclamou o Ron - a a procura de pistas ... Percy engoliu em seco , de uma maneira que fez Harry lembrar se de Mrs._Weasley . - Saiam imediatamente de aqui - disse , aproximando se de eles a passos largos e gesticulando agitadamente . - Não se preocupam com as aparências ? Voltar aqui enquanto toda_a_gente está a jantar ... - Porque não havíamos de estar aqui ? - perguntou cheio de vivacidade o Ron , parando de repente e olhando Percy em os olhos . - Ouve lá , nós não tocamos em aquela gata . - Isso foi o que eu tentei explicar a a Ginny - respondeu Percy furioso - mas ela parece continuar a pensar que vocês vão ser expulsos . Nunca a vi tão aflita . Não pára de chorar . Devias pensar em ela . Todos os alunos de o primeiro ano andam superexcitados com esta história . - Tu não estás nada preocupado com a Ginny - disse o Ron já com as orelhas vermelhas . - O que te assusta é_que eu possa estragar as tuas possibilidades de ser chefe de turma . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor ! - bradou Percy , apontando elegantemente para o distintivo de prefeito . - E espero que te sirva de lição . Acabou se o trabalho de detective ou escrevo a a mãe a contar lhe . E voltou lhes as costas , a nuca tão vermelha como as orelhas de o Ron . Harry , Ron e Hermione , em essa noite , sentaram se em a sala comum o mais longe possível de Percy . Ron estava ainda muito maldisposto e não parava de esborratar o trabalho de casa de os encantamentos . Quando pegou distraidamente em a varinha para tirar as manchas incendiou o pergaminho . A deitar quase tanto fumo como o seu trabalho de casa , fechou bruscamente o * _ Livro_Padrão_de_Encantamentos de o 2.o Grau * . Para grande surpresa de Harry , Hermione fez o mesmo . - Mas quem poderia ser - perguntou ela baixinho como_se continuasse uma conversa que tinham acabado de ter . - Quem quereria todos os * busca-pés * e filhos de Muggles fora de Hogwarts ? - Vamos pensar - disse o Ron em a brincadeira , fingindo estar confuso . - Quem poderemos nós conhecer que ache que os familiares de Muggles são escumalha ? Olhou para Hermione . Ela olhou para ele pouco convencida . - Se estás a pensar em o Malfoy ... - Claro que estou - disse o Ron . - Tu ouviste o dizer : - Vocês serão os próximos , sangues de lama ! - Aliás , basta olhar para aquela cara de renegado para saber que ele é ... - Malfoy , o herdeiro de Slytherin ? - repetiu Hermione cepticamente . - Olha para a família de ele - disse Harry , fechando também os livros . - Todos eles estiveram em os Slytherin . O Draco está sempre a vangloriar se de isso . Podiam bem ser descendentes de Slytherin . O pai de ele é suficientemente mau . - Podiam perfeitamente ter tido a chave de a Câmara_dos_Segredos durante séculos - disse Ron - , fazendo a passar de pai para filho . - Bem - acedeu Hermione cautelosamente . - Seria possível ... - Mas como prová o ? - perguntou Harry tristemente . - Talvez haja um meio - sugeriu Hermione lentamente , baixando ainda mais a voz e lançando um olhar , através de a sala , a Percy . - É claro que não é fácil . E é perigoso , muito perigoso . Suponho que iríamos infringir cerca de cinquenta regras de a escola . - Se de aqui a um mês ou dois te decidires a explicar , avisa , está bem ? - disse Ron , que começava a ficar irritado . - Está bem - concordou Hermione friamente . - O que precisaríamos de fazer para entrar em a sala comum de os Slytherin e fazer algumas perguntas a o Malfoy , sem ele perceber que éramos nós ? - Mas isso é impossível - declarou Harry , enquanto Ron se ria . - Não , não é - continuou Hermione . - Só precisamos de um_pouco de poção * polisuco * . - O que é isso ? - perguntaram ao_mesmo_tempo Ron e Harry . - O Snape falou de ela em uma aula , há poucas semanas atrás . - Achas que não temos mais o que fazer do_que ouvir o Snape ? - murmurou o Ron . - Transforma nos em outra pessoa . Pensem em isso : podíamos transformar nos em três de os Slytherin . Ninguém saberia que éramos nós . É provável que o Malfoy nos contasse alguma coisa . Aposto que ele está a gabar se , em este momento , em a sala de os Slytherin , se ao_menos pudéssemos ouvi o . - Essa coisa de o * polisuco * cheira me um bocado mal - disse o Ron , franzindo as sobrancelhas . - E se ficarmos com a forma de os três Slytherin para sempre ? - Desaparece a o fim de algum tempo - disse Hermione , gesticulando impacientemente com a mão - mas conseguir a receita é muito difícil . O Snape disse que vinha em um livro chamado * _ As_Mais_Potentes_Poções * e está com certeza em a parte de os reservados de a biblioteca . Só havia uma maneira de obter o livro de os reservados : era com uma autorização assinada por um professor . - Não estou a ver porque quereríamos o livro - disse o Ron . - Se não para tentar fabricar uma de as poções . - Eu acho - sugeriu Hermione - que se fizéssemos parecer que o nosso interesse era apenas teórico , talvez conseguíssemos ... - Estás a sonhar , nenhum professor ia cair em essa - afirmou o Ron . - Só se fosse muito burro . X_A * bludger * perigosa Depois de o desastroso incidente de os duendes , o professor Lockhart não voltou a levar seres vivos para as aulas . Em vez de isso , lia a os alunos passagens de os seus livros e , por vezes , voltava a desempenhar alguns de os episódios mais dramáticos . Costumava chamar Harry para o ajudar em essas reconstruções . Até ali Harry fora obrigado a desempenhar o papel de um camponês de a Transilvânia que Lockhart curara de uma maldição murmurada , o abominável homem de as neves com dores de cabeça e um vampiro que depois de ter conhecido Lockhart tinha ficado incapaz de comer outra coisa que não fosse alfaces . Harry foi chamado para a frente de a classe durante a aula de Defesa contra as artes negras que se seguiu . Desta_vez para desempenhar o papel de um lobisomem . Se não tivesse um bom motivo para querer ver o Lockhart bem-disposto , teria se recusado . - Um uivo bem alto , excelente , Harry , isso mesmo . E foi então que , acreditem ou não , eu o ataquei de repente , assim . Atirei o a o chão , agarrei o com uma mão e com a outra consegui meter lhe a varinha em a garganta . Então , com a força que me restava pus em prática o complicadíssimo encantamento * _ Homorphus * . Harry soltou um uivo tristíssimo . - Vá lá , Harry , mais alto . Bom ... o pêlo desapareceu , os dentes diminuíram de tamanho e ele transformou se em um homem . Simples , mas eficaz e mais uma cidade ficará a lembrar se de mim para sempre como o herói que os libertou de os ataques mensais de o lobisomem . A campainha tocou e Lockhart pôs se de pé . - Trabalho para_casa : escrever um poema sobre a minha vitória sobre o lobisomem Wagga_Wagga . Há um exemplar autografado de * _ Eu , o Mágico * para o autor de o melhor poema . Os alunos começaram a sair . Harry voltou para trás e foi juntar se a o Ron e a a Hermione que estavam a a espera de ele . - Prontos ? - perguntou . - Espera até saírem todos - disse Hermione bastante nervosa . - Pronto ... Aproximou se de a secretária de Lockhart , apertando em a mão uma folha de papel , com o Ron e o Harry atrás . - Er ... professor Lockhart - gaguejou Hermione . - Eu queria requisitar este livro em a biblioteca , como leitura de apoio - entregou lhe o papel , com a mão ligeiramente trémula . - Só que faz parte de a secção de os reservados , por isso preciso de a assinatura de um professor . Acho que o livro me vai ajudar a compreender o que o senhor diz em * _ Passeios com Vampiros * acerca de os venenos de acção lenta ... - Ah , * _ Passeando com Vampiros * - disse Lockhart , pegando em a folha de papel de Hermione e sorrindo lhe abertamente . - E provavelmente o meu livro preferido . Gostou ? - Oh , muito - disse Hermione avidamente . - Tão inteligente o modo como apanhou o último com o passador de o chá . - Bem , tenho a certeza que ninguém se importará que eu dê uma ajudazinha suplementar a a melhor aluna de o segundo ano - disse Lockhart calorosamente , sacando de uma enorme pena de pavão . - É bonita , não é ? - comentou , adivinhando uma expressão de repulsa em a cara de o Ron . - Costumo guardas a para as minhas assinaturas de autógrafos . Rabiscou uma enorme assinatura cheia de altos e baixos e entregou a a Hermione . - Então , Harry - disse Lockhart enquanto Hermione dobrava a folha e a guardava em o saco . - Amanhã é a primeira partida de Quidditch de este ano , não é ? Gryffindor contra Slytherin . Ouvi dizer que és um jogador indispensável . Eu também fui * seeker * . Convidaram me inclusivamente para fazer parte de a Equipa_Nacional , mas eu preferi dedicar a minha vida a a erradicação de as forças de o mal . Mesmo_assim , se alguma vez precisares de um treino particular , não hesites em falar comigo , estou sempre disponível para partilhar a minha perícia com os jogadores menos dotados do_que eu . Harry fez um som indistinto com a garganta e saiu atrás_de Ron e Hermione . - Não acredito - disse quando os três examinavam a assinatura de Lockhart . - Ele nem viu que livro nós queríamos . - É porque é um idiota sem miolos - explicou o Ron . - Mas , quem se rala , temos o que queríamos . - Ele não é um idiota sem miolos - gritou Hermione com voz esganiçada enquanto se aproximavam quase a correr de a biblioteca . - Só porque ele disse que eras a melhor aluna de o segundo ano ... Baixaram as vozes a o entrar em a quietude abafada de a biblioteca . Madam_Prince , a bibliotecária , era uma mulher magra e irritável que parecia um abutre mal nutrido . - * _ Moste_Potente_Potions * ? - repetiu intrigada , tentando ficar com a folha de papel que Hermione se recusava a entregar lhe . - Gostava de a guardar para mim - disse sem fôlego . - Vá lá - intercedeu Ron , arrancando lhe a de as mãos e entregando a a Madam_Prince . - Nós arranjamos te outro autógrafo . O Lockhart assina tudo se aqui ficar muito_tempo . Madam_Prince pegou em o papel e voltou o em a direcção de a luz , decidida a descobrir uma falsificação , mas a assinatura passou em o teste . Desapareceu entre as estantes e voltou alguns minutos mais tarde , transportando um livro grande e de aspecto antiquado . Hermione meteu o com todo o cuidado em o saco e saíram , tentando não andar depressa de mais nem aparentar um ar culpado . Cinco minutos depois , estavam de_novo barricados em a casa_de_banho fora de serviço de a Murta_Queixosa . Hermione destruíra as objecções de Ron argumentando que aquele era o último lugar onde alguém em o seu juízo perfeito se lembraria de ir e que poderia assegurar lhes alguma privacidade . A Murta_Queixosa chorava ruidosamente em o seu cubículo , mas eles conseguiram ignorá a assim_como ela a eles . Hermione abriu * _ Moste_Potente_Potions * com todo o cuidado e inclinaram se os três sobre as páginas manchadas de humidade . Era fácil de perceber , logo à_primeira_vista de olhos , porque pertencia a a secção de os reservados . Algumas de as poções tinham efeitos quase impensáveis de tão macabros e havia ilustrações bastante desagradáveis , como , por_exemplo , aquela em que um homem parecia ter sido virado de o avesso e a de a bruxa com vários pares de braços suplementares a nascerem lhe em a cabeça . - Aqui está - disse Hermione excitadíssima a o encontrar a página intitulada « A poção * polisuco * « . Estava ilustrada com imagens de pessoas a meio de o processo de se transformarem em outras pessoas e Harry desejou ardentemente que a expressão de dor intensa que se lhes espelhava em o rosto fosse apenas produto de a imaginação de o artista desenhador . - Esta é a poção mais complicada que vi até hoje - disse Hermione enquanto examinava a receita . - Moscas asas de renda , sanguessugas , fluxo de cizânias e verdezelha - murmurou , acompanhando com o dedo a lista de ingredientes . - Bem , esses são relativamente simples , há os em a despensa de material de os estudantes , podemos tirar a a nossa vontade . Oh ! Vê só , pó de chifre de bicórneo ... não sei onde vamos arranjar isto ... e , é claro , um pedacinho de a pessoa em quem queremos transformar nos . - Como ? - perguntou Ron de forma cortante . - O que é_que queres dizer com um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos ? Eu não bebo nada que tenha lá dentro as unhas de os pés de o Crabbe ... Hermione continuou como_se não o tivesse ouvido . - Mas não temos que nos preocupar com isso por enquanto . Fica para o fim . Ron voltou se sem palavras para o Harry que tinha uma preocupação de outro tipo . - Já viste bem tudo_o_que vamos ter que roubar , Hermione ? Algumas coisas , não estão de certeza em a despensa de material de os alunos . O que é_que vamos fazer , arrombar os armários pessoais de o Snape ? Não sei se será uma boa ideia ... Hermione fechou o livro com um estrondo . - Bem , se vocês os dois se vão acagaçar , então está lindo - disse ela . Tinha as bochechas rosadas e os olhos mais brilhantes do_que era habitual . - Eu não gosto de quebrar regras , vocês sabem , mas acho que ameaçar os filhos de os Muggles é muito pior do_que construir uma poção difícil . Mas se vocês não querem descobrir se é o Malfoy , eu posso voltar já a a biblioteca e entregar o livro a Madam_Prince ... - Nunca pensei que chegaria o dia em que serias tu a convencer nos a quebrar regras - disse o Ron . - Está bem , vamos em essa , mas sem unhas de os pés , O. _ K. ? - Quanto tempo vai isso demorar a fazer , afinal ? - perguntou Harry quando Hermione , já com um ar mais satisfeito , voltou a abrir o livro . - Bem , como o fluxo de cizânias tem de ser recolhido durante a lua cheia e as asas de renda têm de ser abafadas durante vinte_e_um dias ... eu diria que se conseguirmos arranjar todos os ingredientes estará pronta dentro_de um mês . - Um mês ? - exclamou o Ron . - Nessa_altura já o Malfoy terá atacado metade de os filhos de Muggles ! - mas os olhos de Hermione contraíram se de_novo assustadoramente e ele acrescentou rapidamente . - Mas é o melhor plano que temos , por isso é melhor não olharmos para trás . Apesar_de tudo , enquanto Hermione verificava que não havia ninguém em os corredores e podiam sair de a casa_de_banho , Ron murmurou a Harry : - Seria muito mais simples se conseguisses , amanhã , atirar o Malfoy de a vassoura abaixo . Harry acordou cedo em o sábado de manhã e ficou um bocado a pensar em a partida de Quidditch que vinha a seguir . Estava nervoso , principalmente pelo que Wood diria se os Gryffindor perdessem , mas também com a ideia de enfrentar uma equipa apetrechada com as vassouras mais velozes que existiam . Nunca desejara tanto vencer os Slytherin como em aquele dia . Depois de meia_hora deitado com a barriga a dar horas , resolveu levantar se , vestir se e descer para tomar o pequeno-almoço . Lá em baixo , encontrou o resto de a equipa de os Gryffindor amontoada a o longo de a mesa comprida e vazia , todos eles com ar preocupado e sem vontade de conversar . Como_se aproximavam as onze horas , todos os alunos de a escola começaram a dirigir se para o estádio de Quidditch . O dia estava quente e húmido , com uma ameaça de trovoada em o ar . Ron e Hermione vieram apressadamente desejar a Harry boa sorte mal ele entrou em os vestiários . A equipa de os Gryffindor pôs os seus mantos vermelhos e sentou se para ouvir o discurso que Wood lhes fazia sempre antes de o jogo . - Os Slytherin têm vassouras melhores do_que nós - começou . - Não há como negá o . Mas nós temos gente melhor em cima de as vassouras . Treinámos mais do_que eles , voamos com todas_as condições climatéricas ( É bem verdade - murmurou George_Weasley - desde Agosto que não sei o que é estar seco ) . - E vamos fazê os engolir o dia em que deixaram aquele nojento de o Malfoy comprar a entrada em a equipa de eles . Com o peito agitado por a comoção , Wood voltou se par Harry . -- Cabe te a ti , Harry , mostrar lhes que um * seeker * tem de ter mais do_que um pai rico . Agarra a * snitch * antes d Malfoy ou morre a tentar porque temos absolutamente que vencer , hoje , Harry , temos que vencer . - Sem ansiedade , Harry - disse o Fred , piscando lhe o olho . Quando saíram em direcção a o campo , foram saudado por uma grande ovação principalmente de a parte de os Ravenclaw e de os Hufflepuff que estavam ansiosos por ver os Slytherin serem derrotados , mas os Slytherin que estavam entre a multidão também fizeram ouvir as suas vaias e pateadas . Madam_Hooch , a professora de Quidditch , pediu a Flin e Wood que apertassem as mãos o que eles fizeram , lançando um_ao_outro olhares ameaçadores , cada_um apertando a mão de o outro com mais força do_que aquela que seria necessário . - Atenção a o apito - disse Madam_Hooch . - Três , dois , um ... Com um bramido de a multidão para que subissem rapidamente , os catorze jogadores elevaram se em o céu cor de chumbo . Harry , mais alto do_que qualquer de os outros olhando para todos os lados em busca de a * snitch * . - Tudo bem , testa de cicatriz ? - gritou Malfoy , disparando por baixo de ele para lhe mostrar a velocidade de a sua vassoura . Harry não teve tempo de responder . Em esse preciso momento uma * bludger * preta e bem pesada veio direitinha a ele . Evitou a tão por um triz que ainda sentiu em os cabelos o ar que ela deslocara . - Foi por_pouco , Harry ! - exclamou o George , passando com grande rapidez , de bastão em a mão , pronto para lançar a * bludger * contra um Slytherin . Harry viu o dar a a * bludger * uma fortíssima pancada em direcção a Adrian_Pucey , mas a bola mudou de rumo em o meio de o ar e dirigiu se de_novo a Harry . Harry desceu rapidamente para se esquivar e George conseguiu lançá a contra Malfoy . Mais_uma_vez a * bludger * actuou como um * boomerang * e apontou a a cabeça de Harry . Harry ganhou velocidade e disparou contra o outro extremo de o campo . Ouvia o assobio de a * bludger * que o perseguia . O que era aquilo ? As * bludgers * nunca se concentravam assim em um único jogador , a sua função era tentar desmontar o maior número possível de intervenientes . Fred_Weasley esperava por a * bludger * em o extremo oposto . Harry baixou se quando o viu balançar se em frente de ela com toda_a garra . A * bludger * foi lançada para_fora_de campo . - Pronto , já está tudo resolvido - gritou Fred satisfeito , mas estava bastante enganado . Como_se fosse magneticamente atraída para Harry , a * bludger * lançou se de_novo contra ele e Harry teve de voar a_toda_a velocidade . Começara a chover . Harry sentia as gotas pesadas caírem lhe em o rosto , turvando lhe as lentes de os óculos . Não fazia ideia do_que se passava em o resto de o jogo , até ouvir Lee_Jordan que fazia o comentário dizer : - Os Slytherin vão a a frente com seis contra zero . As vassouras de qualidade superior de os Slytherin estavam obviamente a cumprir a sua função e enquanto isso , a * bludger * maluca fazia todos os possíveis para deitar abaixo o Harry . Fred e George voavam agora tão perto de ele , um de cada lado , que Harry não via senão os seus braços a balouçar e , se não conseguia ver a * snitch * , muito menos agarrá a . - Alguém enfeitiçou esta * bludger * - resmungou Fred , preparando o bastão com toda_a força quando ela se lançava de_novo contra Harry . - Precisamos de tempo - disse George , tentando fazer sinal a Wood enquanto evitava que a bola partisse o nariz a o Harry . Wood captou obviamente a mensagem . O apito de Madam_Hooch fez se ouvir e Harry , Fred e George desceram , tentando ainda evitar a * bludger * maluca . - O que é_que se passa ? - perguntou Wood enquanto a equipa de os Gryffindor se amontoava desordenadamente e os Slytherin , em o meio de a multidão , lançavam piadas . - Estamos a ser esmagados . Fred , George , onde estavam vocês quando aquela * bludger * impediu a Angelina de marcar ? - Estávamos seis metros acima , evitando que a outra * bludger * matasse o Harry , Oliver - gritou George furioso . - Alguém preparou isto , a bola não deixa o Harry em paz , ainda não perseguiu mais ninguém desde_que o jogo começou . Os Slytherin fizeram aqui qualquer coisa . - Mas as * bludgers * têm estado fechadas em o escritório de Madam_Hooch desde o último treino , e nessa_altura estava tudo bem ... - disse Wood ansiosamente . Madam_Hooch aproximava se . Por cima de o ombro de ela , Harry pôde ver a equipa de os Slytherin a escarnecer e apontar em a sua direcção . - Ouçam - disse o Harry , enquanto ela se aproximava . - Com vocês os dois a voarem sempre colados a mim , só vou apanhar a * snitch * se ela voar até a a minha manga . Voltem se para o resto de a equipa e deixem a tratante comigo . - Não sejas bronco - disse o Fred . - Ela arranca te a cabeça . Os olhos de Wood saltavam de Harry_para_os_Weasley . - Oliver , isto_é uma loucura - disse Alicia_Spinet , zangada . - Não podes deixar o Harry sozinho entregue a aquela coisa . Vamos pedir uma investigação . - Se pararmos agora , teremos de dar a partida como perdida e não vamos deixar os Slytherin ganhar , só por_causa_de uma * bludger * maluca . Vá lá , Oliver , diz lhes que me deixem sozinho . - A culpa é toda tua . * _ Agarra a snitch ou morre a tentar * , se isso é lá coisa que se diga . Madam_Hooch tinha se lhes juntado . - Prontos para retomar a partida ? - perguntou a Wood . Wood olhou para o ar determinado de Harry . - Deixem o sozinho , ele é capaz de lidar com a * bludger * . A chuva era agora mais pesada . A o apito de Madam_Hooch , Harry elevou se em os ares e ouviu o barulhinho de a * bludger * atrás_de si . Subiu cada_vez_mais alto . Fez acrobacias em espiral , descidas rápidas , ziguezagueou e rolou . Apesar_de ligeiramente estonteado , não deixou nunca de ter os olhos bem abertos . A chuva salpicava lhe os óculos e entrava lhe por as narinas , quando ele se voltou de cabeça para baixo , evitando outra forte investida de a * bludger * . Ouviu os risos de a multidão . Sabia que devia parecer ridículo , mas a * bludger * maluca era pesada e não podia mudar de direcção tão rapidamente quanto ele . Iniciou uma corrida que parecia de feira de diversões em volta de os extremos de o estádio , olhando de soslaio , através de os lençóis prateados de chuva , para os postes de os Gryffindor , onde Adrian_Pucey tentava passar por Wood . Um assobio junto de os ouvidos disse a Harry que a * bludger * falhara uma_vez_mais . Voltou se e voou rapidamente em a direcção oposta . - Estás a ensaiar * ballet * , Potter - gritou Malfoy quando Harry foi obrigado a fazer uma reviravolta estúpida em o ar para se esquivar mais_uma_vez de a * bludger * . Lá foi ele , com a * bludger * atrás a alguns metros de distância . E foi então que , olhando para Malfoy , furioso , a viu , a * snitch * de ouro . Flutuava alguns centímetros acima de os ouvidos de Malfoy que , de tão preocupado a escarnecer de Harry , nem dera por ela . Durante um momento angustiante , Harry ficou quieto em o ar , não ousando dirigir se a Malfoy , não fosse ele olhar para_cima e ver a * snitch * . PUM ! Tinha ficado parado tempo de mais . A * bludger * batera lhe , por fim , apanhando lhe o cotovelo e Harry sentiu o braço a partir se . Debilmente , desorientado por a dor cauterizante em o braço , Harry deslizou para um de os lados em a sua vassoura encharcada , um joelho ainda dobrado , o braço direito a balouçar , inútil , a o seu lado . A * bludger * veio de_novo , preparada para mais um ataque , desta_vez apontada a o seu rosto . Harry desviou se com uma intenção : chegar a Malfoy . Através_de uma nuvem de chuva e dor desceu até a o rosto tremeluzente e trocista e viu os olhos de ele dilatarem se de medo : Malfoy pensou que Harry ia atacá o . - Que diabo ... - resmungou , afastando se de o caminho . Harry tirou a outra mão de a vassoura e fez uma tentativa para agarrar qualquer coisa . Sentiu os dedos fecharem se em volta de a * snitch * dourada , mas conduzia agora a vassoura apenas com as pernas e ouviu se um grito de a multidão cá em baixo , quando ele fez a descida , tentando não desmaiar . Com um ruído seco caiu em a terra enlameada e rolou para fora de a vassoura . O braço tinha um ângulo um_pouco estranho . Torcendo se com dores , ouviu a a distância os assobios e os gritos . Concentrou se em a * snitch * que tinha fechada em a outra mão . - Ai - disse vagamente . - Ganhámos o jogo . E desmaiou . Voltou a si com a chuva a cair lhe em o rosto , ainda deitado em o campo , com alguém inclinado sobre ele . Viu um brilho de dentes brancos . - Oh , não , você não - gemeu . - Não sabe o que diz - afirmou Lockhart bem alto a a ansiosa multidão de Gryffindor que o comprimiam . - Não te preocupes , Harry , eu vou tratar de o teu braço . - Não - gritou Harry . - Eu fico com ele assim , obrigado . Tentou sentar se , mas a dor era enorme . Ouviu um « clique » familiar . - Não quero fotografias de isto , Colin - disse em voz alta . - Deita te para trás , Harry - insistiu Lockhart com toda_a calma . - É um encantamento muito simples que eu fiz imensas vezes . - Porque não me levam só para a ala hospitalar ? - perguntou Harry entredentes . - Seria o melhor , professor - disse a voz rouca de o Wood que não conseguia deixar de sorrir , apesar_de o seu * seeker * estar ferido . - Grande captura , Harry , verdadeiramente espectacular , a tua melhor jogada , em a minha opinião . Em o meio de a floresta de pernas que o rodeava , Harry avistou Fred e George_Weasley , metendo a * budger * perigosa em uma caixa . Continuava a dar uma luta enorme . - Para trás - ordenou Lockhart , que tinha arregaçado as mangas verde jade . - Não , eu não ... - protestou debilmente Harry , mas Lockhart tinha a varinha em a mão e , um segundo depois , apontava a para o braço de Harry . Uma sensação estranha e desagradável começou em o ombro e espalhou se , chegando a as pontas de os dedos . Parecia que o braço inteiro tinha sido esvaziado . Não foi capaz de olhar para o que estava a suceder . Tinha fechado os olhos , voltado o rosto para o outro lado , mas os seus maiores receios concretizaram se quando as pessoas lá em cima se sobressaltaram e Colin_Creevey começou a tirar fotografias como um louco . O braço deixara de lhe doer , mas parecia tudo menos um braço . - Ah ! - disse Lockhart . - Sim , bem isto às_vezes acontece . Mas o importante é_que os ossos já não estão partidos . Isso é o mais importante . Portanto , Harry , vai até a a ala hospitalar ... ah ! Mr._Weasley , Miss_Granger , poderiam levá o lá ? E Madam_Pomfrey poderá ... er ... arranjar um_pouco isso . Quando Harry se pôs de pé sentiu se estranhamente desequilibrado . Depois de respirar fundo , olhou para o lado direito e o que viu quase o fez desmaiar de_novo . Pendurado em a extremidade de a sua túnica estava o que parecia ser uma espessa e colorida luva de borracha . Tentou mexer os dedos mas ... em vão . Lockhart não consertara os ossos de Harry . Retirara os . M. dam Pomfrey não ficou nada satisfeita . - Devias ter vindo logo ter comigo - ralhou , segurando os restos tristes e moles de aquilo que antes fora um braço activo . - Eu conserto ossos em um segundo , mas fazê os crescer de_novo ... - Vai conseguir , não vai ? - perguntou Harry desesperado . - Sim , com certeza , mas vai ser doloroso - disse Madam_Pomfrey de modo severo , entregando lhe um pijama . - Vais ter que ficar cá esta noite ... Hermione esperou de o lado de_fora de a cortina que rodeava outra cama enquanto Ron ajudava Harry a vestir se . Levou algum tempo a enfiar o braço que parecia borracha dentro_de uma manga de o pijama . - Como é_que podes continuar a defender o Lockhart depois disto , Hermione ? - perguntou Ron através de as cortinas , enquanto puxava os dedos moles de o Harry por uma manga . - Se o Harry quisesse ser desossado , teria pedido . - Todos podem enganar se - disse Hermione . - E deixou de doer , não deixou , Harry ? - Sim - disse ele - mas também ficou incapaz de fazer seja o que for . Quando se meteu em a cama , o braço agitou se despropositadamente . Hermione e Madam_Pomfrey entraram . Madam_Pomfrey segurava uma grande garrafa com o rótulo * Skele - _ Gro * . - Vais ter uma noite difícil - preveniu , enchendo um pequeno copo fumegante e dando lhe a beber . - Fazer crescer ossos é uma coisa difícil . Tomar o * _ Skele - _ Gro * também . Queimou a boca e a garganta de o Harry a o descer , fazendo o tossir e cuspir . Resmungando sobre os desportos perigosos e os professores incapazes , Madam_Pomfrey retirou se , deixando Ron e Hermione a ajudar Harry a engolir um_pouco de água . - Mas ganhámos o jogo - disse o Ron com um sorriso em o rosto . - A tua jogada foi em grande . A cara de o Malfoy ... parecia que queria matar alguém . - Eu vou descobrir como é_que enfeitiçaram aquela * bludger * - disse Hermione com ar sombrio . - Podemos juntar essa pergunta a a lista de todas_as que queremos fazer a o Malfoy quando tomarmos a poção * _ Polisuco * - disse Harry , afundando se de_novo em as almofadas . - Espero que tenha um sabor melhor do_que esta coisa ... - Com um bocado de os Slytherin lá dentro , deves estar a brincar - disse o Ron . A porta de a ala hospitalar abriu se em esse momento e , completamente encharcados , entraram os restantes membros de a equipa de os Gryffindor , para ver o Harry . - Um voo inacreditável - disse George . - Acabei de ver Marcus_Flint a gritar com o Malfoy . Qualquer coisa sobre ter a * snitch * mesmo em cima de a cabeça e não ter dado por nada . O Malfoy não parecia nem um_pouco satisfeito . Tinham trazido bolos , rebuçados e garrafas de sumo de abóbora . Juntaram se em volta de a cama de Harry e estavam a dar início a o que prometia ser uma grande festa quando Madam_Pomfrey entrou a vociferar : - Este rapaz precisa de repouso . Tem trinta_e_três ossos a crescer . Fora de aqui . FORA ! E Harry ficou sozinho , sem nada que o distraísse de as dores agudas em o seu braço mole . Muitas horas mais tarde , Harry acordou subitamente em a escuridão total e soltou um pequeno grito de dor : sentia agora o braço cheio de estilhaços . Durante alguns segundos pensou que tinha sido a dor a acordá o . Depois , com um arrepio de horror , apercebeu se de que alguém estava a passar lhe uma esponja em a testa . - Sai de aqui - gritou , e em seguida : - Dobby ! Os olhos de o tamanho de bolas de ténis de o elfo doméstico estavam a olhá o em o escuro , uma lágrima grossa rolava por o seu enorme nariz . - Harry_Potter voltou a a escola - murmurou , infeliz . - Dobby avisou e voltou a avisar Harry_Potter . Ah ! senhor , porque não deu ouvidos a Dobby ? Porque não voltou Harry_Potter para_casa quando perdeu o comboio ? Harry ergueu se um_pouco , encostando se a as almofadas e afastou a esponja de o elfo . - O que estás a fazer aqui ? - perguntou . - E como sabes que eu perdi o comboio ? O lábio de Dobby tremeu e Harry foi assaltado por uma dúvida . - Foste tu . Tu impediste que a barreira nos deixasse passar . - Em a verdade fui eu , senhor - disse Dobby , acenando com a cabeça e com as orelhas a abanar . - Dobby escondeu se , esperou por Harry_Potter e selou a barreira . A seguir , Dobby teve de pôr as mãos em o ferro de engomar - mostrou a o Harry dez dedos longos embrulhados em ligaduras . - Mas Dobby não se importou , senhor , porque pensou que Harry_Potter estava a salvo e nunca Dobby sonhou que mesmo_assim ele viria para a escola ! Balançava se para a frente e para trás , sacudindo a cabeça feia . - Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry_Potter tinha voltado a a escola que deixou queimar o jantar de os seus donos . Dobby nunca tivera um castigo tão grande , senhor . Harry afundou se de_novo em as almofadas . - Quase conseguiste que nos expulsassem , a mim e a o Ron - disse furioso . - É melhor desapareceres de aqui antes que os meus ossos voltem a estar bem , Dobby , ou ainda te estrangulo . O elfo sorriu . - Dobby está habituado a ameaças de morte , senhor . Dobby recebe as cinco vezes por dia em a casa onde mora . Encostou o nariz a um canto de a fronha que usava , ficando tão ridículo que Harry sentiu a raiva desvanecer se , apesar_de tudo . - Porque usas essa coisa , Dobby ? - perguntou com curiosidade . - Isto , senhor ? - disse Dobby apontando para a fronha de almofada . - É uma prova de escravatura de o elfo doméstico , senhor . Dobby só pode ser libertado se os donos lhe derem roupa , senhor . A família tem o cuidado de não dar a o Dobby nem uma peúga , senhor , porque ele poderia ficar livre e deixar a casa para sempre . Dobby limpou os olhos protuberantes e disse subitamente : - Harry_Potter deve ir para_casa . Dobby achou que a sua * bludger * seria o suficiente para o fazer ... - A tua * bludger * ? - disse Harry com a raiva a crescer novamente dentro de ele . - Que queres tu dizer com a tua bludger * ? Foste tu quem fez com que aquela bola tentasse matar me ? - Matar não , senhor . Matar , nunca ! - disse o elho chocado . - Dobby quer salvar a vida de Harry_Potter . É melhor ir para_casa ferido do_que ficar aqui , senhor . Dobby só queria Harry_Potter suficientemente ferido para voltar para_casa . - Só isso ? - disse Harry furioso . - Imagino que não vais dizer me porque querias mandar me para_casa a os bocados ? - Ah ! se Harry_Potter soubesse ! - gemeu Dobby , com mais lágrimas a escorrerem lhe por a fronha esfarrapada . - Se pudesse saber o que significa para nós , para os humildes , os escravizados , nós , a escória social de o mundo mágico ! Dobby lembra se de como eram as coisas quando Aquele cujo nome não deve ser pronunciado estava em o auge de o poder , senhor ! Nós , os elfos domésticos éramos tratados como animais , senhor ! É claro que Dobby ainda é tratado assim - admitiu , secando o rosto em a fronha de almofada . - Mas , em a sua maioria , a vida melhorou bastante para os de a minha espécie desde_que Harry_Potter triunfou sobre Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Harry_Potter sobreviveu e o poder de os senhores de o Mal foi quebrado e veio uma nova alvorada , senhor , e Harry_Potter brilhou como um farol de esperança para aqueles de entre nós que já pensavam que a longa noite nunca mais teria fim , senhor ... e agora em Hogwarts vão acontecer coisas terríveis , talvez já esteiam a acontecer e Dobby não pode deixar Harry_Potter ficar aqui , agora_que a história vai repetir se , agora_que a Câmara_dos_Segredos está de_novo aberta . Dobby calou se horrorizado . Em seguida agarrou em o jarro de a água que Harry tinha a a cabeceira e bateu com ele em a própria cabeça , deixando se cair . Um segundo mais tarde voltou até junto de a cama , repetindo : - Mau , Dobby , muito mau , Dobby . - Quer_dizer , então , que existe mesmo a Câmara_dos_Segredos ? - murmurou Harry . - E dizes tu que já antes foi aberta ? Conta me , Dobby . Agarrou o pulso ossudo de o elfo quando a mão de ele se estendia para o jarro de a água . - Mas eu não sou filho de Muggles . Como posso estar em perigo por causa de a Câmara_dos_Segredos ? - Ah ! senhor , não pergunte a o pobre Dobby - lamentou se o elfo com os olhos enormes a brilharem em o escuro . - As forças de as trevas estão projectadas em este lugar , mas Harry_Potter não deve estar aqui quando as coisas acontecerem . Vá para_casa , Harry_Potter , vá para_casa . Harry_Potter não deve envolver se em isto , senhor , é demasiado perigoso ... - Quem é , Dobby ? - perguntou Harry , continuando a agarrar lhe o pulso com forca , impedindo que batesse de_novo em si próprio com o jarro . - Quem abriu a amara ? Quem a abriu de a última vez ? - Dobby não pode , senhor . Dobby não pode . Dobby não deve dizer - guinchou o elfo . - Vá se embora , Harry_Potter , vá se embora ! - Eu não vou para lugar nenhum - disse Harry , furioso . - Uma de as minhas melhores amigas é filha de Muggles , está em perigo se a câmara foi , de facto , aberta ... - Harry_Potter arrisca a própria vida por os amigos - gemeu Dobby em uma espécie de êxtase infeliz . - Tão nobre , tão corajoso , mas deve salvar se , Harry_Potter não deve ... Dobby calou se de repente com as orelhas de morcego a estremecerem . Harry também ouviu os passos que vinham lá fora , de o corredor . - Dobby tem de ir - balbuciou o elfo apavorado . Ouviu se um ruído e o pulso de Harry ficou subitamente fechado em o ar . Meteu se de_novo para baixo , em a cama , com os olhos fixos em a porta escura que dava entrada em a ala hospitalar enquanto os passos se aproximavam . Em o momento seguinte , Dumbledore estava a entrar , de costas , em o dormitório , vestindo uma longa túnica de lã e uma capa de noite . Transportava um extremo de aquilo que parecia ser uma estátua . A professora Mc_Gonagall surgiu um segundo mais tarde , pegando lhe em os pés . Os dois colocaram a em uma cama . - Chame Madam_Pomfrey - murmurou Dumbledore e a professora Mc_Gonagall passou por a cama de Harry , apressadamente , e desapareceu . Harry deixou se ficar muito quieto como_se estivesse a dormir . Ouviu vozes ansiosas e por fim a professora Mc_Gonagall apareceu de_novo , seguida de Madam_Pomfrey que vestia um casaco curto de lã sobre a camisa de dormir . Ouviu uma inspiração aguda . - O que aconteceu ? - murmurou Madam_Pomfrey_a_Dumbledore , inclinando se sobre a estátua que estava em a cama . - Outro ataque - disse Dumbledore . - A Minerva encontrou o em as escadas . Havia um cacho de uvas junto de ele . Acho que estava a tentar esgueirar se até aqui para vir visitar o Potter . O estômago de Harry deu uma reviravolta . Lenta e cuidadosamente ergueu se alguns centímetros para poder ver a estátua que estava sobre a cama . Um raio de luar iluminou lhe o rosto estático . Era_Colin_Creevey . Tinha os olhos abertos , e as mãos , em frente de a cara , seguravam a máquina fotográfica . -- Petrificado ? - murmurou Madam_Pomfrey . - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - Mas estou tentada a acreditar que ... se Albus não tivesse vindo cá abaixo tomar um chocolate quente ... quem sabe o que teria ... Os três olharam para Colin . Dumbledore inclinou se e retirou lhe a máquina de as mãos rígidas . - Será que ele conseguiu tirar a fotografia de o agressor ? - perguntou ansiosa a professora Mc_Gonagall . Dumbledore não respondeu . Abriu a parte detrás de a máquina . - Cruzes canhoto - disse Madam_Pomfrey . Um jacto de vapor tinha feito fervilhar a máquina . Harry , a três metros de distância , sentiu o cheiro tóxico de o plástico queimado . - Derretido - disse Madam_Pomfrey com grande espanto . - Tudo derretido . - O que significa isto , Albus ? - perguntou cada_vez_mais nervosa a professora Mc_Gonagall . - Significa - disse Dumbledore - que a Câmara_dos_Segredos está mesmo aberta outra_vez . Madam_Pomfrey levou uma mão a a boca . A professora Mc_Gonagall olhou assustada para Dumbledore . - Mas , Albus ... com certeza ... quem ? - A questão não é quem - disse Dumbledore com os olhos fixos em Colin . - A questão é como ... E pelo que Harry conseguiu ver de o rosto indistinto de a professora Mc_Gonagall , ela não compreendeu muito mais do_que ele . XI_O clube de os duelos Quando_Harry acordou , em o domingo de manhã , a enfermaria estava iluminada por um resplandecente sol de inverno e o seu braço tinha de_novo todos os ossos , apesar_de o sentir muito rígido . Sentou se rapidamente e olhou para a cama de Colin , mas ela fora isolada com as cortinas atrás de as quais se despira em a véspera . Vendo que ele tinha acordado , Madam_Pomfrey apareceu com um tabuleiro de pequeno-almoço e a seguir começou a apalpar lhe o braço e os dedos . - Tudo em ordem - disse , enquanto ele , com a mão esquerda , comia avidamente as papas de aveia . - Quando acabares de comer podes ir te embora . Harry vestiu se o mais depressa que pôde e dirigiu se a a pressa para a torre de os Gryffindor , ansioso por contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre Colin e Dobby , mas não os encontrou lá . Foi a a procura de eles , perguntando a si próprio onde teriam ido e sentindo se um_pouco magoado por o pouco interesse que demonstravam em saber se ele tinha recuperado os ossos . Quando passou por a biblioteca , Percy_Weasley vinha a sair com bastante melhor cara do_que de a última vez que se tinham encontrado . - Olá , olá , Harry - disse . - Excelente voo o de ontem , verdadeiramente sensacional . Os Gryffindor estão a a frente para a taça de a equipa . Ganhaste cinquenta pontos . - Não viste o Ron e a Hermione por aí ? - perguntou Harry . - Não , não vi - disse Percy com o sorriso a desaparecer . - Espero que o Ron não esteja outra_vez em a casa_de_banho de as raparigas ... Harry forçou um sorriso , viu Percy desaparecer e a seguir foi direitinho até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Não via lá muito bem por_que motivo o Ron e a Hermione lá estariam de_novo , mas , depois de se assegurar de que nem Filch nem nenhum de os prefeitos estavam por perto , abriu a porta e ouviu as vozes de eles que vinham de um cubículo fechado . - Sou eu - disse , fechando a porta atrás_de si . Ouviu se dentro de o cubículo um estrondo , um chapinhar e um sobressalto e ele viu o olho de a Hermione a espreitar por o buraco de a fechadura . - Harry - disse ela . - Pregaste nos um susto de morte . Entra . Como está o teu braço ? - _ óptimo - respondeu , apertando se dentro de o cubículo . Em cima de a sanita estava encarrapitado um velho caldeirão , e um crepitar a a superfície de a água disse a Harry que eles tinham acendido um fogo lá em baixo . Fazer aparecer fogos portáteis a a prova de água era uma de as especialidades de Hermione . - _ íamos visitar te , mas resolvemos começar a preparar a poção * _ Polisuco * - explicou Ron enquanto Harry fechava outra_vez a porta de o cubículo com alguma dificuldade . - Achámos que este era o lugar mais seguro para a esconder . Harry começou a contar lhes de o Colin , mas Hermione interrompeu o . - Nós já sabemos , ouvimos a professora Mc_Gonagall contar a o professor Flitwick hoje_de_manhã . Por isso resolvemos começar a ... - Quanto_mais depressa arrancarmos uma confissão a o Malfoy , melhor - rosnou o Ron . - Sabem o que eu penso ? Ele estava tão mal-humorado depois de o jogo de Quidditch que se vingou em o Colin . - Há outra coisa - disse Harry , vendo Hermione cortar molhos de verdezelha e lançá os dentro de a poção . - O Dobby foi visitar me a meio de a noite . Ron e Hermione olharam o espantados . Harry contou lhes tudo_o_que Dobby lhe dissera ... ou não dissera . Ron e Hermione ouviram o de boca aberta . - A Câmara_dos_Segredos já tinha sido aberta antes ? - repetiu Hermione . - Encaixa perfeitamente - disse Ron , em uma voz triunfante . - O Lucius_Malfoy deve ter aberto a Câmara_dos_Segredos quando andava em a escola e agora ensinou a o querido filhinho Draco como abris a . É óbvio , que pena o Dobby não te ter dito que tipo de monstro lá se encontra . Gostava de saber como é_que ninguém o viu andar por ai em a escola . - Talvez tenha a capacidade de se tornar invisível - sugeriu Hermione , picando sanguessugas para dentro de o caldeirão . - Ou talvez se disfarce , passando por uma armadura ou outra coisa de o género . Eu li umas coisas sobre vampiros camaleões ... - Tu lês de mais , Hermione - disse o Ron , deitando moscas asas de renda mortas por cima de as sanguessugas . Amarrotou o saco vazio de as asas de renda e olhou para Harry . - Então foi o Dobby que nos impediu de apanhar o comboio e te partiu o braço ... - abanou a cabeça . - Sabes o que eu acho ? Se ele não parar de tentar salvar te a vida ainda acaba por te matar . A notícia de que Colin_Creevey tinha sido atacado e estava agora em a ala hospitalar , como morto , espalhou se por toda_a escola em a segunda-feira de manhã . O ar ficou pesado e cheio de boatos e suspeitas . Os alunos de o primeiro ano começavam a andar por a escola em pequenos grupos , receando ser atacados se se aventurassem a andar isoladamente por os corredores . Ginny_Weasley , que era colega de carteira de o Colin em os encantamentos , estava perturbadíssima , mas Harry achou que Fred e George estavam a tentar animá a de a maneira errada . Revezavam se , mascarados com peles de animais e apareciam lhe subitamente detrás de as estátuas . Só pararam quando Percy , apopléctico de raiva , lhes disse que ia escrever a Mrs._Weasley a contar lhe que a Ginny andava a ter pesadelos . Enquanto isso , às_escondidas de os professores , uma panóplia de talismãs , amuletos e outros objectos de protecção ia enchendo a escola . Neville_Longbottom comprou uma enorme cebola verde que cheirava mal , um cristal pontiagudo cor de púrpura e uma cauda de tritão apodrecida antes de os outros rapazes de os Gryffindor lhe explicarem que ele não corria perigo : era um sangue puro e , portanto , muito pouco passível de ser atacado . - Eles foram a o Filch em primeiro lugar - disse Neville com o medo estampado em a cara redonda . - E toda_a_gente sabe que eu sou quase um * busca-pé * . Em a segunda semana de Dezembro , a professora Mc_Gonagall veio , como de costume , recolher os nomes de os alunos que ficavam em a escola durante o Natal . Harry , Ron e Hermione assinaram a lista . Tinham ouvido dizer que Malfoy ficava , o que lhes parecera muito suspeito . As férias seriam a altura ideal para usar a poção * _ Polisuco * e tentar arrancar lhe uma confissão . Infelizmente a poção estava a meio . Precisavam ainda de o chifre de bicórneo e o único lugar onde podiam arranjá o era em os depósitos privados de Snape . Harry , pessoalmente , preferia enfrentar o lendário monstro de os Slytherin do_que ser apanhado por o Snape a assaltar lhe o escritório . - O que precisamos - disse Hermione cheia de vivacidade quando se aproximava a aula conjunta de poções de quinta-feira a a tarde - para podermos entrar a a vontade em o escritório de o Snape , é de uma diversão . Harry e Ron olharam para ela , nervosos . - Acho que o melhor é ser eu a praticar o roubo - prosseguiu ela , em um tom perfeitamente casual . - Vocês os dois podem ser expulsos se forem apanhados e eu tenho uma folha limpa . Portanto , a única coisa que têm de fazer é distrair o Snape durante cerca de cinco minutos . Harry esboçou um meio sorriso . Provocar deliberadamente um estrago em a aula de poções de o Snape era tão seguro como ferir em um olho um dragão adormecido . As aulas de poções tinham lugar em um de os mais amplos calabouços . A de quinta-feira a a tarde não foi diferente de as outras . Vinte caldeirões fumegavam entre as secretárias de madeira , sobre as quais podia ver se laminas de latão e jarras com ingredientes . Snape deambulava por o meio de os fumos , fazendo reparos petulantes a o trabalho de os Gryffindor , enquanto os Slytherin riam a a socapa . Draco_Malfoy , que era o aluno preferido de Snape , não parava de lançar olhos de carneiro mal morto a o Ron e a o Harry , que sabiam que se retaliassem teriam um castigo , antes de poderem abrir a boca para dizer : - É injusto ! A solução de inchar de o Harry estava demasiado líquida , mas ele estava preocupado com coisas mais importantes . Esperava por o sinal de Hermione e mal deu por Snape se calar para ir espreitar a sua poção aguada . Quando o professor se voltou e foi implicar com o Neville , Hermione trocou um olhar com Harry e fez um aceno . Harry baixou se discretamente por detrás de o seu caldeirão , tirou de o bolso de trás um de os paus de fogo-de-artíficio Filibuster e deu lhe um toque de varinha . O fogo-de-artíficio começou a sibilar e a crepitar . Sabendo que tinha apenas alguns segundos , Harry endireitou se , ganhou coragem e lançou o a o ar . Aterrou certeiro em o caldeirão de o Goyle . A poção de o Goyle explodiu , salpicando toda_a aula . As pessoas gritavam , à_medida_que eram vítimas de os salpicos . Malfoy foi apanhado em a cara e o nariz começou a inchar como um balão . O Goyle tropeçava a as cegas , com as mãos em os olhos , que tinham ficado de o tamanho de pratos de sopa , enquanto o Snape tentava repor a calma e tentar perceber o que sucedera . Em o meio de a confusão , Harry viu Hermione esgueirar se a a socapa por a porta . - Silêncio ! silêncio ! - vociferou Snape . - Todos os que foram salpicados cheguem aqui para uma drenagem . Quando eu descobrir quem fez isto ... Harry fez um enorme esforço para não se rir a o ver Malfoy chegar apressadamente lá a a frente , a cabeça a tombar com o peso de o nariz , que parecia um pequeno melão . Quando metade de a aula se amontoava junto de a secretária de o Snape , alguns alunos vergados por o peso de os braços que pareciam mocas , outros incapazes de falar devido a o gigantesco inchaço de os lábios , Harry viu Hermione reentrar em o calabouço , a túnica mostrando a barriga protuberante . Quando todos os alunos tinham já tomado um gole de o antídoto e os vários inchaços tinham desaparecido , Snape precipitou se para o caldeirão de o Goyle e pescou os restos retorcidos de o fogo-de-artíficio . Houve um súbito silêncio . - Se eu descubro quem lançou isto - murmurou Snape - garanto que é expulsão por a certa . Harry compôs uma expressão de espanto . Snape olhava directamente para ele e a campainha , que tocou dez minutos mais tarde , não podia ser mais bem-vinda . - Ele soube que fui eu - disse Harry_a_Ron e a a Hermione , enquanto se dirigiam apressadamente para a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Tenho a certeza . Hermione lançou o novo ingrediente em o caldeirão e começou a mexer furiosamente . - Isto vai estar pronto dentro_de quinze_dias - afirmou , satisfeita . - O Snape não pode provar que foste tu - assegurou Ron , tranquilizando Harry . - Que pode ele fazer ? - Conhecendo o Snape , qualquer coisa louca - respondeu Harry , enquanto a poção borbulhava e espumava . Uma semana mais tarde , Harry , Ron e Hermione passavam por o vestíbulo de entrada , quando viram um pequeno grupo de pessoas reunidas em volta de o jornal de parede a lerem um pedaço de pergaminho que tinha acabado de ser afixado . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas acenaram lhes , entusiasmados . - Vão lançar um clube de duelos ! - exclamou Seamus . - Hoje a a noite é a primeira reunião . Eu não me importaria nada de ter aulas de duelo , podem vir a ser úteis um dia de estes ... - Porquê ? Achas que o monstro de os Slytherin sabe esgrimir ? - perguntou o Ron , mas , também ele , leu a notícia com interesse . - Pode ser útil - disse a o Harry e a a Hermione , quando foram jantar . - Vamos lá ? Harry e Hermione acharam óptimo , por isso , a as oito_da_noite voltaram a o salão . As longas mesas de refeição tinham desaparecido e um estrado dourado surgira , encostado a a parede . Sobre ele flutuavam milhares de velas . O tecto era , mais_uma_vez , de veludo negro e parecia que quase todos os alunos de a escola se encontravam ali , com as suas varinhas em a mão e com um ar entusiasmado . - Quem será que vai ensinar nos ? - perguntou Hermione , enquanto se misturavam em a multidão barulhenta . - Ouvi dizer que o Filitwick foi campeão de duelo em a juventude , talvez seja ele . - Desde_que não seja ... - começou Harry , mas terminou em um gemido : Gilderoy_Lockhart estava a subir a o estrado , resplandecente em as suas vestes cor de ameixa , acompanhado , nem mais nem menos , do_que de Snape que trajava , como sempre , de negro . Lockhart levantou um braço , pedindo silêncio , bradando : - Aproximem se , aproximem se , conseguem todos ver me e ouvir me ? Excelente ! - O professor Dumbledore deu me autorização para iniciar este pequeno curso de duelo para vos treinar a todos , caso algum dia precisem de se defender , como eu tenho feito em inúmeras ocasiões ; para mais detalhes , leiam os livros que tenho publicados . - Permitam que vos apresente o meu assistente , o professor Snape - disse Lockhart , abrindo um sorriso de orelha a orelha . - Ele diz me que sabe alguma coisa sobre duelos e aceitou desportivamente ajudar me em uma exibição de demonstração , antes de começarmos . Atenção , não quero que os mais novos fiquem preocupados , vão continuar a ter o vosso professor de poções depois de eu o vencer . Não tenham medo . - Não era óptimo se se liquidassem um_ao_outro ? - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . O lábio inferior de Snape estava curvo . Harry interrogou se sobre o motivo por_que Lockhart continuava a sorrir . Se o Snape olhasse de aquela maneira para ele , Harry estaria a correr a_toda_a velocidade para o mais longe possível . Lockhart e Snape voltaram se um para o outro e fizeram uma vénia , pelo_menos Lockhart fê la com muitas reviravoltas de mãos , enquanto Snape acenava , irritado , com a cabeça . Em seguida , ergueram as varinhas , como_se fossem espadas , em a frente . - Como podem ver , estamos a pegar em as varinhas em a posição de aceitação de combate - explicou Lockhart a a multidão silenciosa . - Quando contarmos até três , lançaremos os primeiros feitiços . Nenhum de nós tentará matar o outro , claro . - Eu não poria as mãos em o fogo - murmurou Harry , observando como Snape cerrava os dentes . -- Um , dois , três ... Os dois balançaram as varinhas acima de os ombros . Snape gritou : * _ Expelliarmus * ! Houve um clarão ofuscante de luz escarlate e Lockhart voou para trás , caindo de o estrado batendo contra a parede , escorregando e indo estatelar se em o chão . Malfoy e alguns de os outros Slytherin aplaudiram . Hermione estava em bicos de os pés . - Acham que ele está bem ? - gritou entredentes . - Quem se rala ? - disseram ao_mesmo_tempo o Ron e o Harry . Lockhart estava a pôr se , hesitante , de pé . O chapéu caíra lhe e o cabelo ondulado estava em um desalinho . - Bem , cá está ! - disse , cambaleando até a o estrado . - Este foi um encantamento para desarmar . Como podem ver , perdi a minha varinha . Ah , obrigado Miss_Brown . Sim , foi uma excelente ideia mostrar lhes isto , professor Snape , mas , se me permite que lhe diga , foi muito óbvio o que ia fazer . Se eu tivesse querido impedis o , teria o feito com a maior de as facilidades . Mas achei que seria educativo deixá os ver ... Snape tinha um ar assassino . Provavelmente Lockhart deu por isso , porque declarou : - Chega de demonstrações . Eu vou passar agora por o meio de vocês e criar duplas . Professor_Snape , se quiser ajudar me ... Entraram por o meio de a multidão , agrupando alunos . Lockhart pôs o Neville com Justin_Finch - _ Fletchley , mas Snape chegou primeiro junto de Harry e de Ron . - Tempo de separar a dupla ideal , parece me - rosnou . - Weasley , tu podes ficar com o Finnigan . Potter ... Harry voltou se automaticamente para Hermione . - Não me parece - disse Snape com o seu sorriso frio . - Mr._Malfoy , venha até aqui . Vamos ver o que faz com o famoso Potter . E a menina , Miss_Granger , pode emparceirar com Miss_Bulstrode . Malfoy aproximou se com o seu passo empertigado e o seu sorriso escarninho . Atrás de ele vinha uma rapariga de os Slytherin , que lembrou a Harry uma imagem que tinha visto em as * _ Férias com Bruxas_Velhas * . Era corpulenta e quadrada e os maxilares avançavam agressivamente . Hermione esboçou um meio sorriso , que ela não retribuiu . - Voltem se para os vossos parceiros - gritou Lockhart - e façam a vénia . Harry e Malfoy mal inclinaram as cabeças , não afastando os olhos um de o outro . - Varinhas preparadas ! - gritou Lockhart . - Quando eu disser três preparem os feitiços para desarmar o vosso opositor . Um ... dois ... três ... Harry levantou a varinha acima de o ombro , mas Malfoy começara logo em o « dois » : o seu feitiço apanhou Harry com tanta força que ele se sentiu como_se tivesse levado com uma frigideira em a cabeça . Tropeçou , mas ainda não estava fora de combate e , sem perder tempo , Harry apontou a varinha a Malfoy e gritou : - * _ Rictusempra ! * Um jacto de luz prateada atingiu Malfoy em o estômago , obrigando o a dobrar se , arfando . - Eu disse desarmar ! - gritava Lockhart sobre as cabeças de a multidão em lata , enquanto Malfoy caía de joelhos . Harry atingira o com o feitiço de as cócegas e ele mal conseguia mexer se para se rir . Harry hesitou com o vago sentimento de que seria pouco desportivo enfeitiçar Malfoy enquanto ele estava caído em o chão , mas ... foi um erro . Tentando respirar , Malfoy apontou a varinha a os joelhos de Harry , balbuciando : « * _ Tarantallegra ! * » e , um segundo depois , as pernas de o Harry tinham começado a mexer se , sem que ele pudesse controlá as , executando uma espécie de dança frenética . - Parem , parem - gritava Lockhart , quando Snape resolveu tomar controlo de a situação . - * _ Finite_Incantatem ! * - bradou . Os pés de o Harry pararam de dançar , Malfoy parou de rir e puderam olhar para_cima . Uma onda de fumo esverdeado pairava sobre todos eles . Neville e Justin estavam caídos em o chão , a arfar . Ron tentava fazer parar um Seamus com cara cor de cinza , pedindo lhe mil desculpas por o que a sua varinha partida eventualmente tivesse feito . Mas Hermione e Millicent_Bulstrode ainda não tinham acabado . Millicent tinha feito a Hermione uma prisão de cabeça e Hermione gritava de dor . As duas varinhas jaziam esquecidas em o chão . Harry deu um salto em frente e afastou Millicent . Não foi fácil , ela era bastante maior do_que ele . - Oh , gente ! - exclamou Lockhart , arrastando se por o meio de a multidão e olhando para os resultados de os duelos . - Vamos pôr de pé , Mcmillan ... cuidado , Miss_Fawcett ... belisque com força que pára logo de sangrar ... - Acho que o melhor é ensinar vos como bloquear feitiços pouco amigáveis - afirmou Lockhart que estava nervosíssimo em o meio de o salão . Olhou para Snape , cujos olhos pretos brilhavam e desviou rapidamente o olhar . - Vamos arranjar um par de voluntários . Longbottom e Finch - _ Fletchley , que tal serem vocês ? - Uma má ideia , professor Lockhart - disse Snape , deslizando como um morcego enorme e cruel . - Longbottom provoca devastação com o feitiço mais simples . Ainda temos de mandar o que restar de o Finch - _ Fletchley para a ala hospitalar dentro_de uma caixa de fósforos . - A cara redonda e rosada de Neville ficou ainda mais rosada . - Que tal o Malfoy e o Potter ? - sugeriu Snape com um sorriso retorcido . - Excelente ideia - disse Lockhart , fazendo sinal a os dois para que se aproximassem de o meio de o salão , enquanto a multidão recuava para lhes dar passagem . - Ouve bem , Harry - disse Lockhart . - Quando o Draco te apontar a varinha , tu fazes assim . Levantou a sua varinha , executando uma tentativa complicada de malabarismo e deixou a cair . Snape sorriu pretensiosamente , enquanto Lockhart a apanhava de o chão , dizendo : - Ups , a minha varinha está demasiado excitada . Snape aproximou se de Malfoy , inclinou se e disse lhe qualquer coisa a o ouvido . Malfoy sorriu também de forma afectada . Harry olhou , nervoso , para Lockhart e pediu : - Professor , podia mostrar me outra_vez aquela coisa para bloquear ? - Estás com medo ? - murmurou Malfoy baixinho , para que Lockhart não pudesse ouvir . - Querias ! - exclamou Harry por o canto de a boca . Lockhart deu um soco em o ombro de o Harry , em a brincadeira . - Basta que faças como eu fiz ! - O quê , deixar cair a varinha ? Mas Lockhart não estava a ouvir - Três , dois , um , zero ! - gritou . Malfoy levantou rapidamente a varinha a o ar e gritou : - * _ Serpensortia ! * A extremidade de a varinha explodiu . Harry viu , horrorizado , uma enorme serpente negra sair de ela , cair pesadamente em o chão a meio de os dois e erguer se disposta a atacar . Ouviram se gritos , enquanto a multidão se afastava , deixando o chão vazio . - Não te mexas , Potter - disse Snape vagarosamente , divertindo se claramente a ver Harry , parado , a olhar em os olhos a serpente . - Eu trato de ela ... - Permita me -- gritou Lockhart . Bramiu a varinha em direcção a a serpente e ouviu se um estoiro . A cobra , em_vez_de desaparecer , voou três metros acima de eles e voltou a cair em o chão com um estrondo enorme . Enraivecida , a sibilar de fúria , rastejou em direcção a Finch - _ Fletchley e pôs se de pé com os dentes a a mostra , pronta a atacar . Harry não soube ao_certo o que o levou a fazer aquilo . Não se lembrava sequer de ter tomado aquela decisão . Só soube que as pernas o fizeram avançar como_se tivesse rodas e que gritou a a serpente : - Larga o ! - E , milagrosa e inexplicavelmente , a serpente voltou a o chão , dócil como uma grande mangueira de jardim , preta e grossa , os olhos agora fixos em os olhos de Harry . Harry sentiu o medo a escoar se . Sabia que a cobra não atacaria mais ninguém , embora não pudesse explicar como sabia . Olhou para Justin a sorrir , esperando vê o aliviado , espantado , ou mesmo agradecido , mas nunca zangado ou assustado . - Que brincadeira é essa ? - gritou o outro e , antes que Harry tivesse tempo de dizer fosse o que fosse , voltou as costas e saiu de o salão . Snape deu um passo em frente , fez um gesto com a varinha e a serpente desapareceu em uma onda de fumo preto . Também ele , Snape , olhava para Harry de uma forma inesperada . Era um olhar arguto e calculista , de que Harry não gostou . Apercebeu se também vagamente de um murmúrio ameaçador que vinha de as paredes em volta . Depois , sentiu um puxão em a túnica . - Vamos - disse a voz de o Ron em o seu ouvido . - Mexe te , vá lá ... Ron arrastou o para fora de o salão . Hermione acompanhava os em a passada rápida . Quando cruzaram a porta , as pessoas que a rodeavam afastaram se , como_se tivessem medo de ser contagiadas . Harry não fazia a mais pequena ideia do_que estava a passar se e , nem Ron , nem Hermione lhe deram qualquer explicação , antes de o terem levado até a a sala comum de os Gryffindor , que se encontrava vazia . Aí , Ron empurrou Harry para uma cadeira de braços e disse : - Tu és um * serpentês * . Porque não nos disseste ? - Eu sou um quê ? - perguntou Harry . - Um * serpentês * ! - exclamou o Ron . - Falas com as cobras . - Eu sei - declarou Harry . - Quer_dizer , esta foi a segunda vez que o fiz . A outra foi há muito_tempo em o jardim zoológico , quando soltei uma Boa_Constrictor a o meu primo Dudley . É uma longa história , mas ela estava a dizer me que nunca tinha estado em o Brasil e eu acho que a libertei sem querer . Foi antes de saber que era feiticeiro . . . - Uma Boa_Constrictor disse te que nunca tinha estado em o Brasil ? - repetiu Ron , quase sem voz . - E então ? - disse o Harry . - Aposto que montes de pessoas aqui fazem o mesmo . - Não fazem , não - afirmou Ron . - Não é um dom muito frequente . Harry , isso é mau . - O que é_que é mau ? - perguntou Harry , que começava a ficar chateado . - O que é_que se passa com todos os outros ? Ouve bem , se eu não tivesse dito a aquela cobra para não atacar o Justin ... - Ah , foi isso que tu disseste ? - Que queres dizer ? Tu estavas lá , ouviste perfeitamente o que eu disse . - Eu ouvi te falar em serpentês - disse o Ron . - Língua de cobra . Podias estar a dizer lhe qualquer coisa . Não admira que o Justin tivesse entrado em pânico . Parecia que estavas a incitar a serpente . Foi assustador , sabes ? Harry olhou para ele espantado . - Eu falei uma língua diferente ? Mas não me apercebi , como posso falar uma língua , sem saber que a conheço ? Ron abanou a cabeça . Tanto ele como Hermione tinham um ar fúnebre . Harry não percebia o que havia em aquilo de tão trágico . - Será que me querem explicar o que há de mal em ter impedido que uma serpente enorme arrancasse a cabeça a o Justin ? - perguntou . - Porque é tão importante como o fiz , se evitei que o Justin fosse juntar se a grupo de os SEM_CABEÇA ? - Importa - disse por fim Hermione , em uma voz abafada . - Porque falar com serpentes era a arte por a qual Salazar_Slytherin ficou famoso . Por isso , o símbolo de os Slytherin é uma serpente . Harry ficou de boca aberta . - Exacto - disse o Ron . - E agora todos em a escola vão pensar que tu és descendente de ele . - Mas não sou - contrapôs Harry com um pânico que não conseguia explicar . - Não vai ser fácil prová o - disse Hermione . - Ele viveu há quase mil anos . Pelo que vimos , podias ser . Em essa noite , Harry ficou acordado durante horas . Por uma fresta de os cortinados de a cama de dossel , olhou para a neve que começava a cair de o lado de_fora de a janela de a torre e perguntou se se poderia ser descendente de Salazar_Slytherin . Afinal , não sabia nada de a família de o pai , os Dursley tinham sempre proibido qualquer pergunta sobre os seus familiares feiticeiros . Calmamente , tentou dizer qualquer coisa em * serpentês * , mas as palavras não saíam . Parecia que era necessário estar frente_a_frente com uma cobra para poder fazê o . Mas eu sou um Gryffindor , pensou Harry , o chapéu seleccionador não me poria aqui se eu tivesse sangue de Slytherin ... - Ah ! - disse uma vozinha dentro de o seu cérebro . - Mas o chapéu seleccionador queria pôr te em os Slytherin , não te lembras ? Harry deu voltas e voltas a a cabeça . Em o dia seguinte , quando visse Justin em a aula de herbologia explicaria lhe que estava a afastar a serpente , não a atiçá a o que , aliás , pensou zangado , dando vários socos em a almofada , qualquer idiota teria percebido . Contudo , em a manhã seguinte , a neve que começara a cair durante a noite , transformara se em uma tempestade tão espessa que a última aula de herbologia de o período foi cancelada : a professora Sprout queria tapar as mandrágoras com peúgas e cachecóis , uma operação arriscada que ela não confiava a ninguém agora_que era tão importante que as mandrágoras crescessem depressa e reabilitassem Mrs._Norris e Colin_Creevey . Junto de a lareira de a sala comum de os Gryffindor , Harry matutava sobre o que se passara enquanto Ron e Hermione aproveitavam o foro para jogar xadrez de feitiçaria . - Com os diabos , Harry - disse Hermione exasperada quando um bispo derrubou um de os cavaleiros de o cavalo , arrastando o para fora de o tabuleiro . - Vai falar com o Justin , se isso é assim tão importante para ti . Harry levantou se e saiu por o buraco de o retrato , perguntando a si próprio onde poderia estar o Justin . O castelo estava mais escuro do_que era habitual durante o dia por causa de a neve espessa e cinzenta que cobria as janelas . A tremer , Harry passou por as salas onde estava a haver aulas , captando lampejos do_que sucedia lá dentro . A professora Mc_Gonagall gritava com alguém que , segundo lhe parecia por o som , transformara o parceiro em um texugo . Resistindo a a tentação de dar uma espreitadela , Harry afastou se pensando que Justin poderia estar a utilizar o tempo de o furo para fazer algum trabalho e resolveu , por isso , ir até a a biblioteca . Um grupo de alunos de os Hufflepuff , que deveriam ter estado em Herbologia , encontrava se , de facto , sentado em as traseiras de a biblioteca , mas não parecia estar a trabalhar . Entre as fileiras de as estantes altas , Harry pôde ver as suas cabeças muito juntas em aquilo que deveria ser uma conversa absorvente . Não conseguia perceber se Justin estaria em o meio de eles . Ia para se aproximar quando apanhou em o ar uma frase e parou para ouvir melhor , escondido em a secção de a invisibilidade . - Portanto - dizia um rapaz corpulento - eu disse a o Justin para se esconder em o nosso dormitório . Isto_é , se o Potter o escolheu como próxima vítima é melhor que ele tenha um * low profile * durante algum tempo . É claro que o Justin já estava a a espera que alguma coisa de o género acontecesse desde_que lhe escapou em uma conversa com o Potter que era filho de Muggles . O Justin disse lhe , inclusivamente , que tinha estado inscrito em Eton . Não é o tipo de coisa que se ande a dizer com o herdeiro de Slytherin a a solta por aí . - Achas mesmo_que é o Potter , Ernie ? - perguntou uma rapariga de tranças loiras , ansiosamente . - Hannah - disse com solenidade o rapaz corpulento . - Ele é um serpentês . Todos sabem que essa é a marca de um feiticeiro negro . Alguma vez ouviste falar de um feiticeiro decente que falasse com as cobras ? O Slytherin era conhecido por « Língua de serpente . . Houve alguns murmúrios antes de Ernie prosseguir : - Lembram se do_que estava escrito em a parede ? * _ Inimigos de o herdeiro , cuidado ! * . O Potter teve que ir a o gabinete de o Filch . E o que é_que acontece a seguir ? A gata de o Filch é atacada . O aluno de o primeiro ano , Creevey , estava a aborrecê o em a partida de Quidditch , a tirar lhe fotografias quando ele estava caído em a lama . E o que é_que acontece a seguir ? Creevey é atacado . - Mas ele parece sempre ser tão simpático - disse Hannah , cheia de dúvidas . - E , bem , foi ele que fez com que o Quem nós sabemos desaparecesse . Não pode ser assim tão mau , pois não ? Ernie baixou misteriosamente a voz . Os Hufflepuff inclinaram se mais uns para os outros e Harry aproximou se para conseguir apanhar as palavras de o Ernie . - Ninguém sabe como ele sobreviveu a aquele ataque de o Quem nós sabemos e , afinal , ainda era um bebé quando aquilo aconteceu . Era para ter explodido feito em estilhaços . Só um feiticeiro negro verdadeiramente poderoso teria sobrevivido a uma maldição de aquelas . - Baixou ainda mais a voz até esta ficar reduzida a um leve murmúrio e disse : - Talvez fosse por isso que o Quem nós sabemos o queria matar , para não ter outro feiticeiro negro a competir com ele . Gostava de saber que outros poderes ocultos terá o Potter . Harry não aguentou mais . Pigarreou alto e saiu detrás de as estantes . Se não estivesse tão zangado teria conseguido ver o lado cómico de a situação : cada_um de os Hufflepuff olhava para ele como_se tivesse sido petrificado , e a cor desaparecera de a cara de o Ernie . - Olá - disse Harry . - Estou a a procura de o Justin_Finch - _ Fletchley . Os piores receios de os Hufflepuff tinham se concretizado . Olharam apavorados para o Ernie . - O que queres de ele ? - perguntou Ernie em uma voz sumida . - Explicar lhe o que aconteceu com aquela cobra em o clube de os duelos - disse Harry . Ernie mordeu os lábios brancos e , em seguida , respirando fundo , respondeu : - Estávamos lá todos . Vimos o que aconteceu . - Então viram que depois de eu falar a serpente recuou - disse Harry . - O que eu vi - insistiu teimosamente Ernie , apesar_de tremer a cada palavra que proferia - foi tu a falares serpentês e a atiçares a cobra conta o Justin . - Eu não a aticei - gritou Harry enraivecido . - Ela nem lhe tocou . - Falhou por_pouco - disse Ernie . - E , para o caso de estares com ideias - acrescentou com má cara - posso dizer te que a minha família provem de nove gerações de bruxas e feiticeiros e que o meu sangue é tão puro como o de qualquer feiticeiro , portanto ... - Quero lá saber qual é o teu sangue - disse Harry furioso . - Porque iria eu atacar os filhos de os Muggles ? - Ouvi dizer que detestas os Muggles com quem vives - disse Ernie rapidamente . - Não é possível viver com os Dursley sem os detestar - explicou Harry . - Gostava de te ver lá em casa . Girou sobre os calcanhares e saiu furioso de a biblioteca sob o olhar reprovador de Madam_Prince que limpava a capa dourada de um enorme livro de encantamentos . Harry avançou a as cegas por os corredores , quase sem ver por_onde ia de tão furioso que estava . O resultado foi chocar com algo enorme e sólido que o fez recuar e cair a o chão . - Ah ! Olá , Hagrid - disse , olhando para_cima . Hagrid tinha o rosto completamente tapado com um lenço coberto de neve , mas não podia ser mais ninguém , enchendo assim o corredor dentro de o seu sobretudo de pele de toupeira . De uma de as enormes mãos enluvadas , pendia um galo morto . - Tudo bem , Harry ? - perguntou , afastando o lenço para poder falar . - Porque não estás em a aula ? - Foi cancelada - disse Harry , pondo se de pé . - O que estás a fazer aqui ? Hagrid mostrou lhe o galo inerte . - É o segundo qu'aparece morto este período - explicou . - Ou são raposas ou um vampiro chato e eu preciso d'autorização de o director p'ra fazer um feitiço em volta de a capoeira . Aproximou se e olhou mais de perto para o Harry , por debaixo de as suas sobrancelhas espessas e cheias de neve . - Tens a certeza que estás bem ? Pareces exaltado e preocupado . Harry não foi capaz de repetir o que Ernie e os outros Hufflepuff lhe tinham dito . - Não é nada , tenho de ir , Hagrid . A próxima aula é Transfiguração e preciso de ir buscar os meus livros . Afastou se , a cabeça cheia com tudo_o_que Ernie dissera a seu respeito . « * _ O_Justin já estava d espera que uma coisa de o género acontecesse desde_que deixou escapar , falando com o Potter , que era filho de Muggles * ... » Harry subiu as escadas a correr e entrou por um corredor que estava particularmente escuro . As tochas tinham sido apagadas por uma ventania gelada que entrava por uma janela de fecho estragado . Estava a meio de o corredor quando tropeçou em uma coisa que se encontrava em o chão . Olhou para ver o que era e sentiu como_se o estômago se tivesse dissolvido . Justin_Finch - _ Fletchley estava em o chão , rígido e frio com uma expressão de horror em o rosto e os olhos abertos voltados para o tecto . E não era tudo . Junto de ele estava mais alguém , a visão mais estranha que Harry tivera em toda_a sua vida . Era_o_Nick quase sem cabeça que não estava cor de pérola nem transparente e sim escuro como fumo . Flutuava imóvel , em a horizontal , 12 centímetros acima de o chão , a cabeça meio tombada e em o rosto uma expressão de choque idêntica a a de o Justin . Harry pôs se de pé com a respiração acelerada e o coração a bater como um tambor contra as costelas . Olhou desvairado para ambos os lados de o corredor deserto e viu uma fila de aranhas que corriam a_toda_a velocidade em a direcção oposta a a de os corpos . Os únicos sons eram as vozes abafadas de os professores em as aulas que decorriam de ambos os lados . Podia fugir e ninguém saberia que ali tinha estado , mas não era capaz de os abandonar assim . Tinha de ir procurar ajuda . Será que alguém acreditaria que ele não tivera nada que ver com aquilo ? Enquanto ali estava , em pânico , uma porta a o seu lado abriu se com grande estrondo . Peeves , o * poltergeist * , saiu a os gritos . - Oh ! É o Potter , olá , Potter - alardeou Peeves , lançando por o ar os óculos de o Harry quando passou por ele . - O que está o Potter a fazer ? Porque está o Potter escondido ? Peeves passou de cabeça para baixo , a meio de uma cambalhota em o ar , quando viu Justin e Nick quase sem cabeça . Com um movimento súbito endireitou se , encheu os pulmões de ar e , antes que Harry pudesse impedi o , gritou : __ ataque ! ataque ! outro ataque ! nenhum mortal ou fantasma está em segurança . corram , fujam , __ ataaaque ! Crac , Crac , Crac . Uma atrás de a outra , foram se abrindo todas_as portas a o longo de o corredor e as pessoas saíram para fora de as salas de aula . Durante alguns longos minutos houve uma tal confusão que Justin esteve em perigo de ser esmagado e as pessoas não paravam de chocar com o Nick quase sem cabeça . Harry deu por si colado a a parede enquanto os professores exigiam a os gritos que se fizesse silêncio . A professora Mc_Gonagall veio a correr , seguida por todos os alunos , um de os quais ainda trazia o cabelo a as riscas pretas e brancas . Usou a varinha para produzir um ruído que repôs o silêncio e mandou os alunos todos para dentro de as salas de aula . Mal lugar ficou desimpedido surgiu Ernie , o jovem Hufflepuff . - * _ Apanhado em flagrante ! * - gritou , com o rosto totalmente branco , apontando dramaticamente o dedo par Harry . - Basta_Mcmillan - disse , de forma cortante , a professora Mc_Gonagall . Peeves andava para_cima e para baixo , observando a cena com um sorriso maldoso . Sempre adorara o caos . Quando os professores se inclinaram sobre Justin e sobre o Nick quase sem cabeça para os examinar , iniciou uma cantilena : * _ Oh ! Potter , que fizeste , seu grande bandido * _ Tu matas os estudantes porque achas divertido . * - Basta , Peeves - rosnou a professora Mc_Gonagall e Peeves afastou se , deitando a língua de_fora a o Harry . Justin foi levado para a ala hospitalar por o professor Flitwick e por o professor Sinistra_do_Departamento_de_Astronomia , mas ninguém parecia saber o que fazer em relação a o Nick quase sem cabeça . Por fim , a professora Mc_Gonagall fez aparecer em o ar um enorme leque que entregou a Ernie com o encargo de conduzir , escadas acima , por os ares o Nick quase sem cabeça . Ernie assim fez , soprando Nick como_se fosse um aerodeslizador e deixando , de este modo , o Harry e a professora Mc_Gonagall a sós . - Por aqui , Potter - disse ela . - Professora , eu juro que não ... - Isso não é comigo , Potter - afirmou a professora Mc_Gonagall sinteticamente . Caminharam em silêncio até uma esquina e ela parou perante uma gárgula de pedra extremamente feia . - Refresco de limão - disse . Era obviamente uma senha porque a gárgula animou se subitamente e saltou para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes . Apesar_de estar apavorado com o que ia acontecer a seguir , Harry não conseguiu evitar um sentimento de fascínio . Por detrás de a parede estava uma escada em espiral que se movia lentamente para_cima como um elevador . E quando ele e a professora Mc_Gonagall puseram os pés em o primeiro degrau , Harry ouviu a parede fechar se atrás de eles . Subiram em círculos , cada_vez_mais alto até que , por fim , um_pouco tonto , Harry pôde ver uma porta de carvalho reluzente com um puxador de bronze em forma de abutre . Harry calculava onde estava a ser levado . Devia ser ali que morava Dumbledore . XII_A poção * polisuco * Saltaram de a escada de pedra lá mesmo em cima e a professora Mc_Gonagall bateu a a porta . Ela abriu se silenciosamente dando lhes entrada . A professora Mc_Gonagall disse lhe que esperasse e deixou o sozinho . Harry olhou em volta . Uma coisa era certa : de todos o escritórios de professores que conhecia , o de Dumbledor era , de longe , o mais interessante . Se não estivesse com um medo de morte de ser expulso teria adorado explorá o . Era uma sala grande e bonita em forma de círculo que estava cheia de barulhinhos estranhos . Havia um grande número de instrumentos prateados sobre várias mesas de pernas finas que zumbiam emitindo pequenas baforadas de fumo . As paredes estavam cobertas de fotografias de antigos directores e directoras , todos eles a dormir tranquilamente em as suas molduras . Havia ainda uma enorme secretária pés de garra . E , sobre uma prateleira atrás de ela , um chapéu de feiticeiro andrajoso e puído : * o chapéu seleccionador * . Harry hesitou . Lançou um olhar cauteloso a as bruxas e feiticeiros adormecidos a o longo de as paredes . Com certeza não fazia mal se lhe pegasse e o experimentasse só para ver ... só para ter a certeza de que ele o pusera em a equipa certa . Deu a volta a a secretária , retirou o chapéu de a prateleira e baixou o lentamente sobre a cabeça . Era demasiado grande e escorregou lhe para os olhos como de a outra_vez que o tinha posto . Harry olhou para o forro preto , enquanto esperava . Por fim , uma vozinha disse lhe a o ouvido : - Estás com macaquinhos em o sótão , Harry_Potter ? - Er ... sim - balbuciou Harry . - Er ... desculpa incomodar te , queria saber ... - Querias saber se te pus em a equipa certa - disse prontamente o chapéu . - Sim ... tu és particularmente difícil de seleccionar , mas eu mantenho o que disse antes . - O coração de Harry deu um salto . - Terias ficado bem em os Slytherin . Harry sentiu o estômago contorcer se . Agarrou o chapéu por a aba e tirou o de a cabeça . O chapéu seleccionador ficou pendurado em a mão de ele , inerte , desbotado e sujo . Harry voltou a pô o em a prateleira , sentindo se enjoado . - Estás enganado ! - disse em voz alta a o chapéu parado e silencioso , mas ele não se mexeu . Harry recuou para o observar melhor e foi então que ouviu um ruído estranho e grasnado atrás_de si que o fez dar uma volta . Não estava só , afinal_de_contas . Em um poleiro dourado atrás de a porta estava um pássaro de aspecto decrépito que parecia um peru meio depenado . Harry olhou para ele espantado e o pássaro olhou o também , grasnando de_novo . Harry achou que ele devia estar muito doente porque tinha os olhos parados e , enquanto olhava para ele , caíram lhe mais algumas penas de a cauda . Estava justamente a pensar que a única coisa que lhe faltava era que o pássaro de estimação de Dumbledore morresse quando ele estava ali sozinho com ele , em o escritório , quando a ave se incendiou . Harry gritou , em estado de choque , e recuou até a a secretária . Olhava nervosamente em volta , em busca de um jarro de água , mas não viu nenhum . O pássaro , entretanto , transformara se em uma bola de fogo , dera um guincho e , em seguida , desaparecera , deixando apenas um monte de cinzas em o chão . A porta de o escritório abriu se . Dumbledore entrou com ar taciturno . - Professor - gaguejou Harry . - O seu pássaro ... eu não pode fazer nada ... ele incendiou se . Para seu grande espanto , Dumbledore sorriu . - Já não era sem tempo . Estava com um aspecto horrível em os últimos dias . Fartei me de lhe dizer que fizesse qualquer coisa . Riu se entre dentes com a expressão em o rosto de Harry . - A Fawkes é uma fénix , Harry . As fénix ardem quando é altura de morrer e renascem de as cinzas , repara ... Harry olhou mesmo a_tempo_de ver um passarinho recém-nascido , todo enrugado , espetar a cabeça fora de as cinzas . Era quase tão feio como o antigo . - É uma pena que a tenhas conhecido em dia de arder - disse Dumbledore , passando para trás de a secretária . - É muito bonita a maior parte de o tempo , com uma plumagem vermelha e dourada . São criaturas fascinantes , as fénix . Podem transportar cargas pesadíssimas , as suas lágrimas têm propriedades curativas e são animais de estimação extremamente fiéis . Com o choque de a fénix a pegar fogo , Harry esquecera se de o motivo porque ali estava , mas tudo voltou rapidamente quando Dumbledore se instalou em a cadeira de espaldar alto e o fixou com os seus olhos azuis e penetrantes . Contudo , antes que ele tivesse tido tempo de falar , a porta de o escritório abriu se de par em par com um enorme estrondo e Hagrid entrou com um olhar tresloucado , o lenço todo torcido em volta de a cabeça hirsuta e o galo morto ainda pendurado em a mão . - Não foi Harry , professor Dumbledore - disse , aflito . - Eu tinha estado a falar com ele poucos segundos antes de o rapazinho ser encontrado , ele não teve tempo professor ... Dumbledore tentou dizer qualquer coisa , mas Hagrid continuou , abanando o galo em o meio de a sua agitação e espalhando penas por todo o lado . - Não pode ter sido ele . Eu juro em a frente de o ministro de a magia , se for preciso ... - Hagrid , eu ... -- Tem o rapaz errado , professor . Eu sei qu'o Harry nunca ... - Hagrid - disse Dumbledore , elevando a voz . - Eu não penso que o Harry tenha atacado aquelas pessoas . - Oh ! - disse Hagrid , com o galo pendendo inerte a o seu lado . - Certo , ' tão eu espero lá fora , director . E saiu com ar envergonhado . - O senhor não acha que tenha sido eu ? - repetiu Harry cheio de esperança , enquanto Dumbledore sacudia penas de galo de cima de a secretária . - Não , Harry , não acho - afirmou Dumbledore , apesar de a sua expressão ser de_novo sombria . - Mas mesmo_assim quero falar contigo . Harry esperou ansiosamente enquanto o director o observava com as pontas de os dedos longos unidas . - Tenho de saber uma coisa . Harry , há alguma pergunta que queiras fazer me , qualquer que ela seja ? Harry não soube o que dizer . Lembrou se de Malfoy a gritar * _ Vocês serão os próximos , sangues de lama * e de a poção * _ Polisuco * em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Depois pensou em a voz sem corpo que ouvira duas vezes e em o que o Ron dissera * _ Ouvir vozes que ninguém mais ouve não é bom sinal , nem mesmo em o mundo de a feitiçaria * . Pensou também em o que toda_a_gente dizia de ele e em o receio cada_vez maior de ter uma relação qualquer com Salazar_Slytherin ... - Não - disse por fim . - Não há nada , professor . O ataque duplo a Justin e a o Nick quase sem cabeça transformou o que até_então era nervosismo em verdadeiro pânico . Curiosamente fora o destino de o Nick quase sem cabeça o que mais preocupara as pessoas . Quem poderia ter feito aquilo a um fantasma ? - perguntavam uns a os outros . - Que poder terrível era aquele , capaz de afectar alguém que já tinha morrido ? Houve uma precipitação enorme em a marcação de os bilhetes em o Expresso_de_Hogwarts , pois todos os alunos quiseram ir passar o Natal a casa . - Por este caminho , vamos ser os únicos a ficar - disse o Ron a o Harry e a a Hermione . - Nós , o Malfoy , o Goyle e o Crabbe , que férias lindas que vão ser ! Crabbe e Goyle que faziam sempre o que Malfoy fazia , tinham se inscrito para ficar também durante as férias . Mas Harry estava contente por a maior parte se ir embora . Estava farto de ver gente a afastar se em os corredores como_se ele fosse mostrar os dentes ou cuspir veneno . Estava cansado de tantos segredinhos , de os ver apontar e segredar quando passava . O Fred e o George , esses achavam muito divertido . Vinham , de propósito , pôr se a a frente de ele e atravessavam os corredores a gritar : - Abram alas para o herdeiro de Slytherin , vai passar um feiticeiro verdadeiramente cruel . Percy discordava totalmente de este comportamento . - Não é um assunto para se brincar - dizia com frieza . - Sai mas é de o caminho , Percy - dizia o Fred . - O Harry está com pressa . - Sim , ele vai a a Câmara_dos_Segredos tomar uma chávena de chá com o seu servidor dentes de serpente - completava Fred com uma gargalhada . Ginny também não lhes achava graça . - Cala te - gritava ela sempre_que o Fred perguntava em voz alta a o Harry quem estava a pensar atacar a seguir , ou quando George fingia afastá o com um enorme dente de alho . Harry não se importava . Fazia o sentir se melhor o facto de constatar que , pelo_menos para o Fred e para o George , a ideia de ele ser o herdeiro de Slytherin era absolutamente ridícula . Mas as palhaçadas de eles pareciam ofender Draco_Malfoy que , de cada_vez que os via , ficava mais irritado . - É porque está ansioso por dizer que é mesmo ele - disse o Ron com ar conhecedor . - Sabes como ele detesta que alguém o ultrapasse e tu estás a receber todo o crédito por o seu trabalho sujo . - Não vai ser por muito_tempo - disse Hermione com uma voz satisfeita . - A poção * polisuco * está quase pronta . Um de estes dias arrancamos lhe a verdade . Finalmente , o período chegou a o seu termo e um silêncio profundo como a neve em os campos desceu sobre o castelo . Harry adorou a tranquilidade e apreciou o facto de ele , Hermione e os Weasley terem a torre de os Gryffindor por sua conta , poderem jogar a as explosões bem alto , sem incomodar ninguém e praticar duelos entre si . O Fred , o George e a Ginny tinham preferido ficar em a escola a ir com Mr. e Mrs._Weasley a o Egipto visitar o Bill . Percy que reprovava e considerava infantil a conduta de eles , não passava muito_tempo em a sala comum de os Gryffindor . Já lhes dissera pomposamente que só ficara ali em o Natal , por ser sua obrigação como prefeito apoiar os professores em aquela época agitada . A manhã de o dia de Natal clareou branca e fria . Harry e Ron , os únicos que estavam em o dormitório , foram acordados muito cedo por Hermione que entrou , toda vestida , transportando presentes para ambos . - Acordem - disse em voz alta , abrindo os cortinados . - Hermione , tu não devias estar aqui - exclamou o Ron , protegendo os olhos de a luz . - Feliz_Natal para ti também - disse Hermione , atirando lhe o presente que tinha para ele . - Estou acordada há quase uma hora , acrescentando mais asas de renda a a poção . Está pronta . Harry sentou se , subitamente acordado . - Tens a certeza ? - Absoluta - disse ela , afastando o rato Scrabbers para se sentar a os pés de a cama de dossel . - Se vamos mesmo tomá a , acho que devia ser logo a a noite . Em esse momentzo , a Hedwig entrou em o quarto , transportando em o bico um embrulho pequenino . - Olá - disse Harry , feliz a o vê a aterrar em a sua cama . - Já me falas outra_vez ? Ela mordiscou lhe a orelha de uma forma afectuosa que foi , de longe , um presente melhor do_que aquele que transportava e que era afinal de os Dursley . Tinham mandado a Harry um palito para os dentes com um cartão pedindo lhe que se informasse se não poderia ficar , também em o Verão , em Hogwarts . Os outros presentes que Harry recebeu foram bastante melhores . Hagrid mandara lhe uma lata grande de bombons de melaço que ele decidiu amolecer a o lume antes de comer , o Ron deu lhe um livro chamado * _ Voando com Canhões * , que narrava factos interessantes sobre a sua equipa favorita de Quidditch e Hermione trouxera lhe uma luxuosa pena de águia . Harry abriu o último presente onde vinha uma camisola novinha , feita a a mão por Mrs._Weasley e um grande bolo de passas . Pegou em o cartão com uma nova sensação de culpa , pensando em o carro de Mr._Weasley que não voltara a ser visto desde_que chocara contra o salgueiro zurzidor e em a quantidade de infracções que ele e o Ron tinham em mente . Ninguém , nem mesmo os que estavam cheios de medo por terem de tomar a poção * polisuco * a seguir , deixou de adorar o jantar de Natal em Hogwarts . O salão nobre estava magnífico . Não_só havia uma_dúzia de árvores de Natal , cobertas de geada e espessas serpentinas de azevinho e visco bravo cruzando se junto de o tecto como caia uma neve encantada quente e seca . Dumbledore conduziu os em uma de as suas canções de Natal preferidas enquanto Hagrid se agitava , falando cada_vez_mais alto , a cada gole de gemada que tomava . O Percy que não dera por_que Fred enfeitiçara o seu distintivo de prefeito , onde agora podia ler se « cabeça de alfinetes « , continuava a perguntar a todos para_onde estavam a olhar . Harry nem_sequer se importou com os comentários que Draco_Malfoy fazia bem alto , de a mesa de os Slytherin acerca de a sua camisola nova . Com alguma sorte , Malfoy iria ser desmascarado dentro_de algumas horas . Harry e Ron mal tinham acabado a terceira dose de pudim de Natal quando Hermione os fez sair de o salão a a pressa para acabarem de tratar de os planos para essa noite . - Ainda precisamos de um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos - disse com o ar mais natural de este mundo como_se estivesse a mandá os a o supermercado comprar detergente . - E , é claro que o ideal será conseguirmos alguma coisa de o Crabbe e de o Goyle , são os melhores amigos de o Malfoy , ele conta lhes tudo . E precisamos também de ter a certeza de que eles não vão entrar em a sala quando vocês estiverem a interrogar o Malfoy . - Eu tenho tudo pensado - prosseguiu ela , ignorando a expressão estupefacta de Harry e Ron . Pegou em dois apetitosos bolos de chocolate . - Pus lhes um encantamento de sono . Vocês só têm de fazer com que o Crabbe e o Goyle os encontrem . Sabem como eles são gulosos , vão logo comê os . Quando estiverem a dormir , tirem lhes alguns cabelos e escondam nos em uma despensa de vassouras . Harry e Ron olharam , incrédulos , um para o outro . -- Hermione , eu não creio que ... -- Isto pode correr muito mal ... Mas Hermione tinha um brilho inflexível em os olhos que não era muito diferente do_que costumavam ver em o olhar de a professora Mc_Gonagall . - A poção não nos serve de nada sem os cabelos de o Crabbe e de o Goyle - disse com firmeza . - Vocês querem mesmo descobrir coisas sobre o Malfoy , não querem ? - Pronto , está bem - disse Harry . - Mas , e tu , vais arranjar cabelos de quem ? - Eu já tenho esse assunto resolvido - disse Hermione sorridente , tirando um frasquinho de o bolso e mostrando lhes um cabelo que lá estava dentro . - Lembram se de a Millicent_Bulstrode que lutou comigo em o clube de os duelos ? Ela deixou isto em o meu manto quando tentava estrangular me . E foi passar o Natal a casa , portanto , basta me dizer a os Slytherins que decidi voltar . Quando Hermione saiu para verificar de_novo a poção polisuco , Ron voltou se para Harry com uma expressão lúgubre . - Alguma vez viste um plano onde tantas coisas pudessem correr mal ? Mas para grande espanto de ambos , a primeira fase de a operação decorreu tão naturalmente como Hermione previra . Eles esconderam se em o * hall * de entrada , depois de o lanche de Natal , a a espera de o Crabbe e de o Goyle que tinham ficado sozinhos a a mesa de os Slytherin , deitando abaixo a quarta dose de bolo inglês . Harry colocou os bolos de chocolate em o fim de o corrimão . Quando avistaram Crabbe e Goyle a sair de o salão , Harry e Ron esconderam se rapidamente atrás_de uma armadura que estava junto de a porta de entrada . - Como_se pode ser tão estúpido ? - murmurou Ron sem se mexer enquanto Crabbe apontava satisfeitíssimo , mostrando a Goyle os bolos e agarrando os . Com um riso estúpido , enfiaram nos inteiros em as bocas enormes . Durante um momento , ambos mastigaram avidamente com olhares vitoriosos em o rosto . Depois , sem que a expressão se alterasse , caíram para trás e estatelaram se em o chão . Mais difícil foi transportá os para a despensa de o outro lado de o * hall * . Uma_vez armazenados em o meio de os baldes e esfregões , Harry arrancou alguns de os pêlos que cobriam a cabeça de o Goyle e Ron tirou alguns cabelos a o Crabbe . Roubaram lhes também os sapatos porque os de eles eram demasiado pequenos para os enormes pés de o Crabbe e de o Goyle . Em seguida , ainda atordoados com o que tinham acabado de fazer , correram até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mal conseguiam ver com o fumo preto e espesso que saía de o cubículo onde Hermione mexia o caldeirão . Tapando o rosto com os mantos , Harry e Ron bateram a o de leve em a porta . - Hermione ? Ouviram o ruído de o trinco e Hermione apareceu com a cara lustrosa e um ar ansioso . Por trás de ela ouviam o gloop gloop de a poção espessa e gorgolejante . Em o banco de a casa_de_banho estavam três copos de vidro . - Conseguiram ? - perguntou Hermione quase sem fôlego . Harry mostrou lhe o cabelo de o Goyle . - _ óptimo . Eu tirei estes mantos suplementares de a lavandaria - disse ela , pegando em uma pequena saca . - Vocês vão precisar de tamanhos maiores se vão ser o Crabbe e o Goyle . Olharam os três para o caldeirão . Vista de perto , a poção parecia uma lama espessa e escura a borbulhar indolentemente . - Tenho a certeza que fiz tudo certo - disse Hermione nervosa , relendo a página manchada de * _ Moste_Potente_Potions * . - Tem o aspecto que o livro diz que deveria ter ... depois de a tomar temos precisamente uma hora antes de nos transformarmos de_novo em as pessoas que somos . - E agora ? - murmurou o Ron . - Separamos a em três copos e adicionamos os cabelos . Hermione encheu cada_um de os copos com uma concha de sopa . Em seguida , retirou com a mão a tremer o cabelo de Millicent_Bulstrode de dentro de o frasquinho e pô o em o primeiro copo . A poção chiou fortemente como uma chaleira a ferver e espumou como louca . Um segundo depois ganhara um tom de amarelo doentio . - Urgh ! Essência_de_Millicent_Bulstrode - disse Ron , olhando com repugnância . - Aposto que o sabor é nojento . - Deitem os vossos - disse Hermione . Harry deixou cair o cabelo de o Goyle em o copo de o meio e Ron lançou o de o Crabbe em o último . Ambos chiaram e espumaram : o de o Goyle ficou de um tom caqui , o de o Crabbe de um castanho-escuro algo tenebroso . - Esperem - pediu Harry quando Ron e Hermione pegaram em os copos . - Será melhor não os tomarmos aqui todos juntos em um cubículo ; quando em os transformarmos não vamos cá caber e Millicent_Bulstrode não é nenhum duende . - Bem pensado - admitiu o Ron , abrindo a porta . - Cada_um em seu cubículo . Com todo o cuidado , para não entornar nem uma gota de a poção polisuco , Harry esgueirou se para o cubículo de o meio . - Prontos ? - perguntou . - Prontos - responderam as vozes de o Ron e de a Hermione . - Um , dois , três . Tapando o nariz , Harry bebeu a poção em dois grandes tragos . Tinha o sabor de a couve demasiado cozida . Os seus interiores começaram imediatamente a contorcer se como_se tivesse engolido serpentes vivas . Dobrado , Harry perguntava a si próprio se iria vomitar . Depois , uma sensação de ardor espalhou se rapidamente de o estômago até a as pontas de os dedos de as mãos e de os pés . Em seguida , fazendo o sobressaltar se , sobreveio o sentimento horrível de estar a derreter enquanto a pele de todo o seu corpo borbulhava como cera quente e , perante os seus olhos , as mãos começaram a crescer , os dedos a engrossar , as unhas a alargar e as articulações a tornarem se protuberantes como ferrolhos . Os ombros retesaram se dolorosamente e uma comichão em a testa preveniu o de que o cabelo estava a rastejar em direcção a as sobrancelhas . As túnicas rasgaram se enquanto o tórax se expandia como um barril , rebentando com os seus anéis . Os pés estavam em grande sofrimento dentro_de sapatos quatro números abaixo . Tão depressa como começara , tudo parou . Harry estava caído em o chão de pedra fria , ouvindo a Murta_Queixosa gorgolejando taciturna em o cubículo de o fundo . Com alguma dificuldade tirou os sapatos e levantou se . Era então assim que o Goyle se sentia ! Com a mão enorme a tremer , despiu a sua túnica que lhe ficava 30 centímetros acima de os tornozelos , pegou em as túnicas suplementares e amarrou os atacadores de os sapatos abotinados de o Goyle . Quis escovar o cabelo para o afastar um_pouco de os olhos e deu apenas com os pêlos hirsutos que lhe cresciam em a testa . Apercebeu se então de que os óculos lhe toldavam a visão porque o Goyle , obviamente , não precisava de eles . Tirou os e gritou . - Vocês estão bem ? - De a sua boca saiu a voz baixa e grossa de o Goyle . - Sim - respondeu lhe o grunhido de o Crabbe , a a sua direita . Harry abriu a porta de o cubículo e dirigiu se a o espelho partido . O Goyle olhava o de o outro lado com os seus olhos parados . Harry coçou a orelha e Goyle fez o mesmo . A porta de o Ron abriu se . Olharam um para o outro . Harry estava pálido e chocado . O amigo não se distinguia de o Crabbe , desde o corte de cabelo em forma de tigela até a os longos braços de gorila . - É inacreditável - disse o Ron , aproximando se de o espelho e beliscando o nariz achatado de o Crabbe . - Inacreditável ! - É melhor irmos indo - disse Harry , alargando a pulseira de o relógio que lhe cortava o pulso . - Ainda temos de descobrir onde fica a sala comum de Slytherin . Só espero que encontremos alguém que vá para lá e que nós possamos seguir . Ron que tinha estado a olhar espantado para ele , comentou : - Não imaginas como é bizarro ver o Goyle a pensar - bateu em a porta de Hermione . - Vamos , temos que ir ... Respondeu lhe uma voz aguda : - Eu ... eu acho que afinal não vou . Vão vocês sem mim . - Hermione , nós sabemos que a Millicent_Bulstrode é feia , ninguém vai pensar que és tu . - Não , a sério , acho que não vou . Despachem se vocês os dois , estão a perder tempo . Harry olhou para Ron , baralhado . - Aquilo parece mais de o Goyle , é como ele fica sempre_que algum professor lhe faz uma pergunta . - Estás bem , Hermione ? - perguntou Harry , através de a porta . - _ óptima , estou óptima , vão se embora . Harry olhou para o relógio . Cinco preciosos minutos tinham já passado . - Encontramo nos aqui , está bem ? - disse . Os dois abriram a porta de a casa_de_banho com todo o cuidado , viram se o caminho estava livre e saíram . - Não balances assim os braços - disse o Harry a o Ron . - Hein ? - O Crabbe anda sempre com eles esticados . - Assim ? - Isso , assim está melhor . Desceram a escadaria de mármore . Só precisavam agora de um Slytherin que pudessem seguir até a a sala comum , mas não havia ninguém por perto . - Tens alguma ideia ? - perguntou Harry em um murmúrio . - Os Slytherin vêm sempre de ali para o pequeno-almoço - disse o Ron , apontando para a entrada de os calabouços . Mal tinha pronunciado estas palavras quando uma rapariga de cabelo comprido a os caracóis , apareceu . - Desculpa - disse o Ron , sem perder tempo . - Esquecemo nos de o caminho para a nossa sala comum . - Como ? - disse a rapariga com a maior frieza . - A * nossa * sala comum ? Eu sou uma Ravenclaw . Afastou se , olhando para eles , desconfiada . Harry e Ron desceram apressadamente os degraus de pedra até a a escuridão . Os passos ecoavam em o silêncio , à_medida_que os pés enormes de Crabbe e Goyle tocavam em o chão , fazendo os sentir que as coisas não iam ser tão fáceis como eles desejavam . Os corredores labirínticos estavam desertos . Andaram e tornaram a andar por os subterrâneos , olhando constantemente para os relógios para ver quanto tempo ainda lhes restava . Depois de um quarto de hora , quando começavam a ficar desesperados , ouviram um movimento súbito . - Olha - disse o Ron , agitadamente . - Agora é um de eles . A silhueta saía de uma sala , mas quando se aproximaram o coração de ambos esmoreceu . Não era um Slytherin , era Percy . - O que estás a fazer aqui em baixo ? - perguntou o Ron surpreendido . - Isso - disse ele friamente - não é de a tua conta . És o Crabbe , não és ? - Er ... sim , sim - respondeu o Ron . - Então vão para o vosso dormitório - ordenou Percy com firmeza . - Não é seguro andar a passear por os corredores escuros em os dias que correm . - Tu andas -- fez notar o Ron . - Eu - disse o Percy endireitando se - sou um prefeito . Nada vai atacar me . Ouviu se , de repente , uma voz por_detrás_de Harry e Ron . Era_Draco_Malfoy e , pela_primeira_vez em a vida , Harry ficou satisfeito a o vê o . - Aí estão vocês - disse de modo arrastado , olhando para eles . - Têm estado a chafurdar em o salão este tempo todo ? Tenho andado a a vossa procura , quero mostrar vos uma coisa muito divertida . Malfoy olhou misteriosamente para Percy . - E o que fazes tu aqui , Weasley ? - perguntou com ar de desprezo . Percy olhou , sentindo se ultrajado . - Fazes favor de mostrar um_pouco mais de respeito por um prefeito de a escola - disse . - Não gosto de o teu ar . Malfoy riu se e fez sinal a o Harry e a o Ron para que o seguissem . Harry quase ia pedindo desculpa a o Percy , mas deu se conta a tempo . Apressaram se a seguir o Malfoy que disse , mal viraram em o corredor seguinte : - Aquele Peter_Weasley ... - O Percy - corrigiu Ron automaticamente . - Ou isso - continuou Malfoy . - Ultimamente tenho o visto muitas_vezes a andar por aí sorrateiramente e aposto que sei o que ele quer . Pensa que vai apanhar o herdeiro de Slytherin sozinho . Deu uma pequena gargalhada ridícula . Harry e Ron trocaram olhares nervosos . Malfoy parou junto de uma parede de pedra húmida . - Qual é a senha ? - perguntou a o Harry . - Er ... - Ah ! sim , sangue puro - disse Malfoy sem ouvir e uma porta de pedra , oculta em a parede , abriu se . Malfoy entrou e Harry e Ron seguiram o . A sala comum de os Slytherin era uma ampla divisão subterrânea com espessas paredes de pedra e um tecto de o qual estavam pendurados por correntes vários candeeiros redondos que davam uma luz esverdeada . O fogo crepitava em uma lareira elaboradamente esculpida em frente de a qual se viam as silhuetas de vários Slytherins sentados em cadeiras igualmente esculpidas . - Esperem aí - disse Malfoy a o Harry e a o Ron , encaminhando os para um par de cadeiras vazias , longe de o lume . - Eu vou buscar o que o meu pai acaba de me mandar . Sem saber o que Malfoy iria mostrar lhes , Harry e Ron sentaram se , fazendo todos os possíveis por parecer a a vontade . Malfoy voltou um minuto depois , trazendo em a mão o que parecia ser um recorte de jornal . Pô o debaixo de o nariz de o Ron . - Vais te rir - disse . Harry viu os olhos de o Ron abrirem se como_se estivesse em estado de choque . Viu o ler o recorte rapidamente , dar uma gargalhada forçada e estender lhe o em seguida . Tinha sido retirado de o * _ Profeta_Diário * e dizia : inquérito em o ministério de a magia * _ Arthur_Weasley , chefe de o Gabinete_de_Mau_Uso_dos_Utensílios_dos_Muggles foi hoje multado em cinquenta galeões por ter enfeitiçado um carro de os Muggles . * _ O senhor Lucius_Malfoy , Membro_do_Conselho_Directivo_da_Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts , onde o carro enfeitiçado foi chocar em o princípio de este ano , exigiu hoje a demissão de Mr._Weasley . « * _ O_Weasley trouxe o descrédito a o Ministério « - declarou Mr._Malfoy a o nosso repórter . - « É claramente incompetente para fazer cumprir as leis e a sua protecção ridícula de os Muggles deveria ir imediatamente para a sucata . » * _ Mr._Weasley recusou se a fazer comentários , mas a sua mulher disse a os repórteres que desaparecessem de ali ou lançaria contra eles o vampiro de a família * . - Então - disse Malfoy impaciente quando Harry voltou a entregar lhe o recorte . - Não achas o_máximo ? - Ha , ha - fez Harry tristemente . - O Arthur_Weasley gosta tanto de os Muggles que era capaz de partir a sua varinha a o meio para se juntar a eles - disse Malfoy com desprezo . - Ninguém diria que os Weasley eram sangue puro a avaliar por o modo como_se comportam . A cara de o Ron , ou melhor , de o Crabbe , contorceu se de raiva . - O que é_que se passa ? - perguntou Malfoy . - Dores de estômago - gemeu o Ron . - Então vai a a ala hospitalar e dá a todos aqueles sangues de lama um pontapé de a minha parte - disse Malfoy com o seu riso escarninho . - Sabes que estou espantado por o * _ Profeta_Diário * ainda não se ter referido a todos estes ataques - continuou pensativamente . - Calculo que o Dumbledore deve estar a tentar abafar as coisas . Ele ainda é posto em a rua se isto não acaba depressa . O pai sempre disse que Dumbledore foi a pior coisa que aqui veio parar . Ele adora os filhos de os Muggles , um director decente nunca deixaria um lodo como o Creevey entrar em esta escola . Malfoy começou a fingir que tirava fotografias com uma máquina imaginária e fez uma imitação maldosa , mas bastante fiel de o Colin : - Potter , posso tirar te a fotografia ? Dás me um autógrafo ? Posso lamber te os sapatos , por favor , Potter ? Baixou as mãos e olhou para Harry e Ron . - O que é_que se passa com vocês os dois ? Um_pouco atrasados , Harry e Ron forçaram o riso e Malfoy pareceu satisfeito . Talvez Crabbe e Goyle fossem sempre de reacção lenta . - O santo Potter , amigo de os sangues de lama - disse Malfoy . - É outro que não tem os sentimentos de um feiticeiro a sério ou não andaria por aí com aquela empertigada sangue de lama Granger . E as pessoas a pensarem que ele é o herdeiro de Slytherin . Harry e Ron esperaram com a respiração entrecortada : o Malfoy ia certamente dizer lhes , dentro_de segundos , que era ele , mas então ... - Quem me dera saber quem ele é - disse o Malfoy , de forma petulante . - Podia ajudá o . O queixo de o Ron caiu de tal maneira que a cara de o Crabbe ficou ainda mais desajeitada do_que era habitual . Felizmente Malfoy não deu por nada e Harry , em um pensamento rápido , disse : - Deves ter alguma ideia de quem está por_detrás_de tudo ... - Sabes perfeitamente que não tenho , Goyle , quantas vezes é preciso dizer te ? - cortou Malfoy . - E o pai também não me diz nada sobre a última vez que a câmara foi aberta . É claro que foi há cinquenta anos , antes de ele cá andar , mas o pai sabe tudo a esse respeito e diz que as coisas foram mantidas em grande segredo e que pareceria suspeito se eu soubesse demasiado . Mas há uma coisa que eu sei : de a última vez que a câmara foi aberta , morreu um sangue de lama . Por isso , aposto que é uma questão de tempo até que um de eles seja morto . Só espero que seja a Granger - disse satisfeito . Ron fechara os punhos gigantescos de o Crabbe . Sentindo que deitaria tudo a perder se ele desse um soco a o Malfoy , Harry lançou lhe um olhar de aviso e disse : - Sabes se a pessoa que abriu a câmara de a última vez foi apanhada ? - Ah ! sim , essa pessoa foi expulsa - disse Malfoy . - Ainda deve estar em Azkaban . - Azkaban ? - repetiu Harry confuso . - Azkaban , a prisão de os feiticeiros , Goyle - disse Malfoy , olhando para ele incrédulo . - Francamente , se fosses mais lento andavas para trás . Esticou se intranquilo , em a cadeira e disse : - O pai diz para eu esfriar a cabeça e deixar que o herdeiro de Slytherin faça o seu trabalho . Acha que a escola precisa de se livrar de a escória de os sangues de lama , mas não quer que eu me envolva em nada . Claro que ele agora tem um prato cheio . Sabes que o Ministério de a magia fez uma busca a a nossa mansão em a semana passada ? Harry tentou forçar a cara de bronco de o Goyle a uma expressão preocupada . - Sim - continuou Malfoy . - É claro que não encontraram grande coisa . O pai guarda uns materiais de magia negra muito valiosos , mas , felizmente , temos a nossa câmara secreta debaixo de o soalho de a sala de visitas ... - Ah ! - disse o Ron . Malfoy olhou para ele . Harry também . Ron corou e até o cabelo começou a ficar vermelho . O nariz estava também a diminuir lentamente ... a hora tinha acabado . Ron estava a voltar a a sua forma habitual e por o olhar de horror que lançou a Harry certamente ele também estava . Puseram se rapidamente de pé . - Tenho de tomar o remédio para o estômago - grunhiu o Ron e sem mais explicações saíram ambos a correr de a sala comum de os Slytherin , precipitaram se para a parede de pedra e galgaram a passagem , pedindo a todos os santos que Malfoy não tivesse dado por nada . Harry sentia os pés a nadarem em os sapatos enormes de o Goyle e tinha de levantar o manto visto_que diminuíra de tamanho . Subiram os degraus a correr até a o * hall * escuro de entrada onde se ouvia um som abafado que vinha de a despensa onde tinham fechado o Crabbe e o Goyle . Deixando os sapatorros de os dois de o lado de_fora , subiram já com os respectivos sapatos a escadaria de mármore até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Bem , não foi uma total perda de tempo - disse o Ron ofegante , fechando atrás_de si a porta de a casa_de_banho . - É certo que ainda não descobrimos de quem vêm os ataques , mas vou escrever a o meu pai amanhã a dizer lhe que procure debaixo de o soalho de a sala de visitas de o Malfoy . Harry olhou para o espelho partido . Tinha voltado a o normal . Pôs os óculos enquanto Ron batia em a porta de o cubículo de Hermione . - Hermione , sai de aí , temos um monte de coisas para te contar ... - Vão se embora - guinchou Hermione . Harry e Ron olharam um para o outro . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron . - Tu já deves ter voltado a o normal como nós ... Mas a Murta_Queixosa saiu subitamente através de a porta de o cubículo com um ar divertido como nunca a tinham visto . - Oh ! Esperem até ver - disse ela . - É horrível ! Ouviram o trinco de a porta a abrir se e Hermione apareceu a soluçar , a túnica levantada a cobrir lhe o rosto . - O que foi ? - perguntou o Ron indistintamente . - Ainda tens o nariz de a Millicent ou alguma coisa assim ? Hermione deixou cair a roupa e Ron recuou rapidamente . O rosto de ela estava coberto de pêlo preto , os olhos tinham ganho uma cor amarela e as orelhas eram pontiagudas , saindo espetadas para fora de os cabelos . - Era um pêlo de g-gato - disse a chorar . - A Millicent_Bulstrode d-deve ter um gato e a poção não está preparada para transformação em animais . - Oh-oh - disse o Ron . - Vão te gozar horrivelmente - disse a Murta , felicíssima . - Não te preocupes , Hermione - tranquilizou a rapidamente o Harry . - Vamos levar te para a ala hospitalar , a Madam_Pomfrey nunca faz muitas perguntas ... Não foi fácil convencer Hermione a sair de a casa_de_banho . A Murta_Queixosa despediu se com uma gargalhadavigorosa e grosseira . - Espera até todos descobrirem que tens uma cauda ! XIII_O diário muito secreto Hermione ficou em a ala hospitalar durante várias semanas . Houve uma onda de boatos sobre o seu desaparecimento quando o resto de os alunos voltou de as férias de Natal porque , é claro , todos pensam que ela tinha sido atacada . Foram tantos os estudantes a rondar a ala hospitalar para espreitar a ver se a viam que Madam_Pomfrey desceu de_novo as cortinas de a cama de ela para a poupar a a vergonha de ser vista com pêlo em a cara . Harry e Ron iam visitá a todas_as tardes . Quando o segundo período começou passaram a levar lhe diariamente os trabalhos de casa . - Se eu tivesse o bigode a crescer , tinha uma folga de o trabalho - disse uma tarde o Ron enquanto colocava uma pilha de livros a a cabeceira de a cama de Hermione . - Não sejas parvo , Ron , eu tenho de me manter a par de as coisas - disse Hermione com vivacidade . O humor de ela melhorara bastante com o facto de lhe ter desaparecido todo o pêlo de o rosto e de os olhos estarem lentamente a retomar a cor castanha . - Calculo que não tenham novas pistas ? - disse em um murmúrio para evitar que Madam_Pomfrey os ouvisse . - Nada - disse Harry tristemente . - Eu tinha tanta certeza de que era o Malfoy - repetiu o Ron por a centésima vez . - O que é isso ? - perguntou Harry , apontando para uma coisa com brilho dourado que estava debaixo de a almofada de Hermione . - É só um cartão a desejar boas melhoras - disse ela precipitadamente , tentando escondê o , mas o Ron foi mais rápido . Pegou lhe , abriu o e leu em voz alta : * _ Para_Miss_Granger , desejando lhe uma rápida recuperação , com o interesse e estima de o professor Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , Terceiro grau , Membro_Honorário_da_Liga_de_Defesa contra as Artes_Negras e vencedor por cinco vezes de o prémio O sorriso mais charmoso de a semana de o Semanário_das_Bruxas * . Ron olhou desconsolado para Hermione . - Tu dormes com isto debaixo de a almofada ? Mas Hermione foi poupada a ter de responder por a entrada de Madam_Pomfrey que lhe trazia a dose de medicamento de a tarde . - Achas que o Lockhart é o tipo mais esperto que conheceste ? - perguntou o Ron a o Harry quando saíram de a enfermaria e começavam a subir as escadas para a torre de os Gryffindor . O Snape tinha lhes passado tanto trabalho para_casa que Harry pensou que ia chegar a o sexto ano antes de o ter acabado . Ron vinha a dizer que devia ter perguntado a a Hermione quantas caudas de rato deveria juntar se a uma poção para o crescimento de o cabelo quando um grito de raiva vindo de o andar de cima lhes chegou a os ouvidos . - É o Filch - murmurou Harry enquanto subiam apressadamente as escadas e paravam para ouvir melhor . - Terá mais alguém sido atacado ? - disse nervosamente o Ron . Ficaram parados com as cabeças inclinadas para a voz de o Filch que parecia quase histérica . -- ... * _ Ainda mais trabalho para mim . Toda_a noite a esfregar como_se não tivesse já trabalho de sobra . Não , isto foi a gota de água que fez transbordar o copo , vou falar com Dumbledore * ... Os passos afastaram se e ouviram uma porta fechar se com grande estrondo . Puseram as cabeças fora de a esquina . O Filch tinha obviamente estado a patrulhar o seu habitual posto de vigia : estavam novamente em o lugar onde Mrs._Norris fora atacada . Perceberam imediatamente qual o motivo de os gritos . Uma enorme poça de água enchia metade de o corredor e parecia escorrer de a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Agora_que o Filch se calara podiam ouvir os uivos de a Murta que faziam eco em as paredes de a casa_de_banho . - Mas o que se passará com ela ? - disse o Ron . - Vamos lá ver - sugeriu Harry e arregaçando as túnicas até a os tornozelos entraram , atravessando a enorme poça de água , em a casa_de_banho que tinha o letreiro a dizer « Fora de serviço » e que eles , como sempre , ignoraram . A Murta_Queixosa chorava , se possível , mais alto do_que nunca . Parecia estar escondida em o cubículo de o costume . Lá dentro estava escuro pois as velas tinham se apagado com a enchente de água que deixara as paredes e o chão ensopado . - O que se passa , Murta ? - quis saber o Harry . - Quem é ? - perguntou ela infelicíssima . - Vieste atirar me mais alguma coisa acima ? Harry caminhou com dificuldade por causa de a água até a o cubículo de ela e disse : - Porque te faríamos nós uma coisa de essas ? - Não me perguntem - gritou a Murta , emergindo em uma onda de água que molhou ainda mais o chão já ensopado . - Eu estou aqui metida em a minha morte e alguém acha muito engraçado atirar me com um caderno acima ... - Mas , não pode magoar te se alguém te atirar alguma coisa acima - disse Harry , tentando ser prático . - Isto_é , seja o que for passa através_de ti , não é assim ? Tinha dito a frase errada . A Murta encheu o peito de ar e gritou a plenos pulmões : - Vamos todos atirar cadernos a a Murta já_que ela não sente nada ! Dez pontos se lhe acertarem em o estômago , cinquenta se lhe atravessar a cabeça ! Hah hah hah , que jogo lindo , não acham ? - Quem te atirou um caderno , afinal ? - perguntou o Harry . - Não sei ... eu estava sentada em a sanita a pensar em a morte e caiu me em cima de a cabeça - disse a Murta , olhando para eles . - Está ali , ficou todo molhado . Harry e Ron olharam para o ponto que a Murta lhes apontava debaixo de o lavatório . Um caderno pequenino e fino estava caído em o chão . Tinha uma capa preta muito gasta e estava encharcado como tudo em aquela casa_de_banho . Harry deu um passo em frente para o apanhar , mas o Ron agarrou lhe precipitadamente o braço . - O que foi ? - perguntou Harry . - Estás doido - disse ele . - Pode ser perigoso . - Perigoso ? - riu se Harry . - Essa agora Ron , como é_que pode ser perigoso ? - Ficarias surpreendido ... - explicou ele , olhando com ar apreensivo para o caderno . - Entre os livros que o Ministério confiscou , contou me o meu pai , havia um que queimava os olhos a as pessoas . E todos os que leram os * _ Sonetos_de_Um_Feiticeiro * ficaram a falar em verso para o resto de a vida . Havia também uma bruxa em Bath que tinha um livro que quem o lesse nunca mais conseguia parar , tinha de andar por aí com o nariz enfiado em as folhas , a fazer todas_as coisas só com uma mão e ... - Já chega , já chega , já percebi a tua ideia - disse O_Harry . O caderninho continuava caído e ensopado . - Bem , nunca saberemos a_não_ser_que tenhamos a coragem de dar uma vista de olhos - disse e mergulhou apanhando o de o chão . Harry viu imediatamente que se tratava de um diário e a data meio apagada , em a capa , disse lhe que tinha cinquenta anos de idade . Abriu o ansiosamente . Em a primeira página podia ler se apenas o nome T._M._Riddle em tinta esborratada . - Espera aí - disse o Ron que se aproximara prudentemente e olhava por cima de o ombro de Harry . - Eu conheço esse nome ... T._M._Riddle recebeu um prémio por serviços especiais prestados a a escola há cinquenta anos atrás . - Como diabo sabes tu isso ? - perguntou Harry com grande espanto . - Porque o Filch mandou me limpar a taça de ele umas cinquenta vezes quando estive de castigo - disse o Ron ressentido . - Foi a taça em cima de a qual eu vomitei lesmas . Se tivesses tido que limpar o muco de um nome durante uma hora também te lembrarias . Harry separou umas de as outras as páginas molhadas . Estavam completamente em branco . Não havia o mais leve sinal de escrita em nenhuma , nem coisas como « Aniversário de a tia Mabel « ou « Dentista a as três_e_meia » . - Ele nunca escreveu nada aqui - disse Harry desapontado . - Porque quereria alguém atirá o fora ? - perguntou se o Ron com curiosidade . Harry voltou o caderno e viu , inscrito em a contra capa , o nome de uma tabacaria em Vauxhall_Road , Londres . - Ele devia ser filho de Muggle - disse Harry pensativo - para ter comprado um diário em Vauxhall_Road ... - Bem , não te serve de muito - Ron baixou a voz . - Cinquenta pontos se acertares em o nariz de a Murta . Harry , mesmo_assim , guardou o diário . Hermione saiu de a ala hospitalar desbigodada , sem cauda e sem pêlo em os primeiros dias de Fevereiro . Em a primeira noite em a torre de os Gryffindor , Harry mostrou lhe o diário de T._M._Riddle e contou lhe como o tinham encontrado . - Ooooh ! Deve ter poderes ocultos - disse ela entusiasticamente , pegando em o diário e examinando o de perto . - Se tem , esconde os muito bem - disse Ron . - Talvez fosse tímido . Não sei porque não deitas isso fora , Harry . - Gostava de perceber porque motivo alguém se quis livrar de ele - explicou Harry . - E também não me importava de saber como foi que o Riddle obteve esse prémio de serviços especiais prestados a Hogwarts . - Pode ter sido qualquer coisa - lançou o Ron . - Talvez tenha recebido 30 de nota final ou salvo um professor de a lula gigante . Se_calhar assassinou a Murta , isso teria sido um favor prestado a todos ... Mas Harry quase podia jurar , por o olhar suspenso em a cara de Hermione , que ela pensava o mesmo_que ele . - O que foi ? - perguntou Ron , olhando para um e para o outro . - Bem , a Câmara_dos_Segredos foi aberta há cinquenta anos , não foi isso que disse o Malfoy ? - Sim - respondeu Ron , lentamente . - E este diário tem cinquenta anos de idade - completou Hermione , dando lhe palmadinhas nervosas . - E de aí ? - Oh Ron , acorda - insistiu Hermione . - Sabemos que a pessoa que abriu a câmara de a outra_vez foi expulsa há cinquenta anos . E se o Riddle tivesse tido o prémio especial por apanhar o herdeiro de Slytherin ? O seu diário diria nos provavelmente tudo : onde é a Câmara_dos_Segredos , como abris a e que tipo de criatura vive lá . Achas que a pessoa que está por trás de os ataques desta_vez quereria o diário por aí ? - É uma teoria interessante , Hermione - disse o Ron . - Apenas com uma pequenina falha : o diário não tem nada Mas_Hermione já estava a tirar a varinha de o saco . - Pode ser tinta invisível - murmurou . Bateu três vezes em o diário e repetiu * _ Aparecium ! * Nada aconteceu . Intrépida , Hermione meteu a mão de_novo em o saco e tirou o que parecia ser uma borracha vermelha e brilhante . - É um * revelador * , comprei o em a Diagon - _ Al - disse . Apagou com força em 1_de_Janeiro . Não sucedeu nada . - Já vos disse , não há nada aí - repetiu o Ron . - O Riddle deve ter recebido um diário como prenda de Natal e nem se deu a o trabalho de escrever fosse o que fosse . Harry não conseguia explicar , nem a si próprio , porque motivo não deitara fora o diário de Riddle . A verdade é_que , mesmo depois de saber que ele estava em branco , continuou distraidamente a pegar lhe e a virar as páginas como_se quisesse chegar a o fim de uma história . E , apesar_de saber que nunca tinha ouvido o nome T._M._Riddle , continuava a ter a sensação de que lhe dizia alguma coisa , como_se Riddle fosse um amigo que ele tinha tido quando era muito pequeno e que estivesse meio esquecido . Mas era um absurdo . Nunca tivera amigos antes de Hogwarts , Dudley tivera esse cuidado . Ainda_assim , Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle , por isso em o dia seguinte foi até a a sala de os troféus para examinar a taça , acompanhado de Hermione que estava interessadíssima e de Ron que se mostrava profundamente incrédulo , dizendo que tinha ficado farto de aquela sala até a o fim de a vida . A taça dourada de Riddle estava arrecadada em um armário de canto . Não fornecia detalhes sobre o motivo por_que lhe fora dada ( felizmente , se fosse maior ainda hoje estava a limpá a , disse o Ron ) . Mas encontraram o nome de Riddle em uma antiga medalha de Mérito_Mágico e em uma lista de antigos chefes de turma . - Parece o Percy - comentou Ron , torcendo o nariz com aversão . - Prefeito , chefe de turma , provavelmente o melhor em todas_as disciplinas . - Dizes isso como_se fosse uma coisa má - fez lhe notar Hermione , em um tom de voz ressentido . Um sol fraco brilhava agora de_novo em Hogwarts . Dentro de o castelo , o ambiente estava bastante melhor . Não tinha havido novos ataques desde Justin e Nick quase sem cabeça e Madam_Pomfrey teve a satisfação de informar que as Mandrágoras começavam a ficar instáveis e dissimuladas , sinal de que estavam a abandonar rapidamente a infância . - Logo_que o acne desapareça estarão prontas para novo transplante - ouviu a Harry dizer amavelmente a o Filch . - E depois de isso , não demorará muito até podermos cortá as e estufá as . - Vai ter Mrs._Norris de volta , muito em_breve . Talvez o herdeiro ou herdeira de Slytherin tenha perdido a coragem , pensou Harry . Deve ser cada_vez_mais arriscado abrir a Câmara_dos_Segredos com a escola tão alerta e desconfiada . Talvez o monstro , qualquer_que_fosse , estivesse a preparar se para hibernar durante outros cinquenta anos . Ernie_Mcmillan_dos_Hufilepuff não aceitou esta visão optimista . Continuava convencido de que Harry era o culpado , que se tinha traído em o clube de os duelos . Peeves não ajudava nada : continuava a cantar por os corredores Potter , * seu bandido * ... agora acompanhado de um esquema de dança . Gilderoy_Lockhart parecia pensar que fora ele quem pusera fim a os ataques . Harry fartou se de o ouvir dizer isso a a professora Mc_Gonagall enquanto os Gryffindor formavam bicha para a aula de Transfiguração . - Não creio que volte a haver problemas , Minerva - disse , tocando em o nariz com ar conhecedor e piscando o olho . - Acho que desta_vez a câmara foi definitivamente selada . O culpado deve ter sabido que era uma questão de tempo até eu o apanhar e que era mais sensato parar agora antes que eu lhe tratasse de a saúde . Sabe , a escola está a precisar de um intensificador de animo para apagar as lembranças de o último período . Não vou dizer lhe mais_nada , por enquanto , mas julgo que sei o que ... Voltou a tocar em o nariz e afastou se a passos largos . A ideia de Lockhart de um intensificador de ânimo ficou bastante clara em o dia_14_de_Fevereiro , a o pequeno-almoço . Harry não dormira grande coisa devido a o treino de Quidditch em a noite anterior e chegou a o salão um_pouco atrasado . Pensou , por momentos , que se tinha enganado em a porta . As paredes estavam todas cobertas com enormes e medonhas flores cor-de-rosa . Pior ainda , * confettis * em forma de corações caíam de o tecto azul pálido . Harry dirigiu se a a mesa de os Gryffindor onde o Ron estava sentado com um ar enjoado junto de Hermione que parecia particularmente risonha . - O que se passa ? - perguntou lhes , sentando se e sacudindo os * confettis * de o seu bacon . Ron apontou para a mesa de os professores , com um ar demasiado repugnado para falar . Lockhart , em as suas vestes rosa vivo , a condizer com a decoração de o salão , fazia sinal para que se calassem . Os professores que o ladeavam tinham um ar estupefacto . De o seu lugar , Harry podia ver um músculo mover se em a bochecha de a professora Mc_Gonagall . Snape estava com ar de quem tomou uma imensa dose de xarope * skele-gro * . - Feliz dia de S._Valentim - gritou Lockhart . - E permitam me que agradeça a as quarenta_e_seis pessoas que até agora me enviaram cartões . Sim , fui eu quem tomou a liberdade de vos fazer esta pequena surpresa , e ela não acaba aqui ! Lockhart bateu as palmas e por as portas de o * hall * entraram a marchar cerca de uma_dúzia de duendes de aspecto carrancudo . Não eram uns duendes quaisquer , diga se de passagem . Lockhart fizera os usar asas douradas e transportar harpas . - Os meus amigos cupidos , portadores de os cartões ! gritou Lockhart . - Eles vão andar por a escola durante o dia de hoje , entregando os vossos cartões de S._Valentim . E o divertimento não acaba aqui . Tenho a certeza de que os meus colegas vão querer participar em este espírito de festa . Porque não pedir a o professor Snape que vos mostre como preparar rapidamente uma poção de amor . E , enquanto ele a prepara , está aqui o professor Flitwick que é de todos os feiticeiros que conheci aquele que mais sabe de encantamentos de sedução , o grande safado ! O professor Flitwick enterrou o rosto em as mãos . Snape olhava como_se quisesse dar veneno a a primeira pessoa que fosse pedir lhe a poção de o amor . - Por favor , Hermione , diz me que não foste uma de as quarenta_e_seis - pediu Ron quando saíram de o salão para a primeira aula . Mas Hermione ficou subitamente muito interessada em procurar o horário dentro de a mala e não lhe respondeu . Durante todo o dia os duendes não pararam de se intrometer em as aulas para entregar cartões , para grande aborrecimento de os professores e , ao_fim_da_tarde , quando os Gryffindor subiam as escadas para a aula de encantamentos , um de eles avistou o Harry . - Hei , tu , Harry_Potter ! - gritou um duende de aspecto particularmente lúgubre , dando cotoveladas a_toda_a gente para se aproximar de o Harry . Coradíssimo com a ideia de receber um cartão de S._Valentim diante_de uma fila de alunos de o primeiro ano que , por acaso , incluía Ginny_Weasley , Harry tentou escapar se . Mas o duende cortou lhe o caminho através de a multidão e agarrou o em três tempos . - Tenho uma mensagem musical para entregar a Harry_Potter em pessoa - disse , tangendo a harpa de forma ameaçadora . - Aqui não - disse baixinho o Harry , tentando escapar . - Fica quieto - grunhiu o duende , agarrando o saco de o Harry e puxando com força . - Larga me - disse ele rispidamente , dando um puxão . Com um ruído de tecido a rasgar se , o saco dividiu se em dois . Os livros de Harry , varinha , pergaminho e pena espalharam se por o chão enquanto o tinteiro se partia em cima de as outras coisas . Harry pôs se de gatas , tentando apanhar tudo antes que o duende começasse a cantar , provocando um engarrafamento em o corredor . - O que se passa aqui ? - perguntou a voz fria e afectada de Draco_Malfoy . Harry , nervosíssimo , começou a guardar tudo dentro de o saco rasgado , desesperado para sair de ali antes que Malfoy pudesse ouvir o seu S._Valentim musical . - Que confusão é esta ? - disse outra voz familiar . Percy_Weasley tinha chegado . De cabeça perdida , Harry tentou fugir , mas o duende agarrou o por os joelhos e fê lo cair a o chão . - Certo - disse , sentando se em os tornozelos de Harry . Eis o teu cartão musical : * _ Os olhos de ele são verdes como o sapo de o quintal * _ O seu cabelo é escuro como um temporal * _ É um desatino , oh ! ele é divino ! * _ O herói que venceu o Senhor_do_Mal * . Harry teria dado todo o ouro de Gringotts para se evaporar em aquele momento . Tentando corajosamente rir se com todos os outros , levantou se . Sentia os pés dormentes de o peso de o duende . Enquanto isso , Percy_Weasley fazia todos os possíveis por dispersar a multidão onde havia gente que chorava de hilaridade . - Vamos embora , vamos embora , a campainha tocou há cinco minutos para as aulas - dizia , enxotando alguns de os alunos mais novos . - E tu , Malfoy . Harry olhou e viu Malfoy inclinar se , apanhar qualquer coisa e com um olhar maldoso mostrá a a Crabbe e Goyle . Percebeu que era o diário de Riddle . - Dá cá isso - exigiu com toda_a calma . - O que será que o Potter escreveu aqui ? - disse Malfoy que obviamente não reparara em a data e pensou que tinha em as mãos o diário de o Harry . Houve uma agitação em os presentes . Ginny olhava apavorada para o diário e para Harry . - Dá lhe isso , Malfoy - disse Percy com firmeza . - Depois de dar uma vista de olhos - retorquiu Malfoy , acenando a Harry com o diário de forma provocatória . Percy disse : - Como Prefeito de a escola ... - mas Harry perdera a paciência . Pegou em a varinha e gritou * _ Expelliarmus * e assim_como Snape desarmara Lockhart , MalLoy viu o diário saltar lhe de as mãos e elevar se em o ar enquanto Ron o apanhava sorridente . - Harry - disse Percy levantando a voz . - Não quero magia em os corredores . Vou ter de participar isto , sabes perfeitamente . Mas Harry não se importou . Tinha ganho uma_vez a Malfoy e isso valia bem cinco pontos a menos para os Gryffindor . Malfoy estava furioso e quando a Ginny passou por ele a caminho de a sala de aula , gritou lhe com desprezo : - Não creio que o Potter tenha gostado lá muito de o teu cartão de S._Valentim . Ginny tapou a cara e correu para a aula . Aborrecido , Ron pegou também em a varinha , mas Harry afastou o . Era melhor que ele não passasse a aula de encantamentos a vomitar lesmas . Só quando entraram em a sala de aula de o professor Flitwick é_que Harry reparou em uma coisa bastante estranha em o diário de Riddle . Todos os outros livros estavam cheios de tinta vermelha , mas o diário mantinha se tão limpo como antes de o tinteiro se ter entornado em cima de ele . Tentou chamar a atenção de Ron para este facto , mas ele estava novamente a ter um problema com a varinha : de a extremidade saíam grandes bolhas roxas e ele não parecia interessado em mais_nada . Em essa noite , Harry foi deitar se antes de os outros companheiros de dormitório , em parte porque já não conseguia suportar o Fred e o George a cantarem * _ Os seus olhos são verdes como o sapo de o quintal * e em parte porque queria voltar a examinar o diário de Riddle e sabia que em a opinião de o Ron era uma pura perda de tempo . Sentou se em a cama de dossel e folheou as páginas em branco em as quais não se via uma única mancha de tinta escarlate . Tirou então outro tinteiro de o armário a o lado de a cama , molhou a pena e deixou cair um borrão em a primeira página de o diário . A tinta brilhou em o papel durante um segundo e , em seguida , como_se a página a tivesse sugado , desapareceu sem deixar rasto . Depois , finalmente , algo aconteceu . Deslizando sobre a página em a cor de a sua tinta , surgiram palavras que Harry não escrevera . - * _ Olá_Harry_Potter . O meu nome é Tom_Riddle . Como é_que encontraste o meu diário ? * Também estas palavras desapareceram , mas não sem que Harry tivesse respondido . - Alguém tentou lançá o em uma sanita . Esperou ansiosamente por a resposta de Riddle . - * _ Felizmente guardei as minhas memórias de uma forma mais duradoura do_que a tinta . Mas sempre soube que haveria quem não iria querer que o diário fosse lido . * - O que queres dizer com isso ? - escrevinhou Harry , borrando a página com o nervosismo . - * _ Quero dizer que este diário contém memórias de coisas terríveis . Coisas que foram abafadas . Coisas que aconteceram em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . * - É onde eu estou agora - escreveu Harry rapidamente . - Estou em Hogwarts e estão a acontecer coisas horríveis . Sabes alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? O coração parecia querer saltar lhe de o peito . A resposta de Riddle não se fez esperar , a letra tornara se mais desordenada como_se tivesse pressa em contar lhe tudo_o_que sabia . - * _ É claro que sei de a Câmara_dos_Segredos . Em o meu tempo diziam nos que era uma lenda , que não existia , mas era mentira . Quando eu estava em o quinto ano a Câmara_dos_Segredos foi aberta e o monstro atacou vários estudantes , acabando matar um . Eu apanhei a pessoa que abriu a câmara e ele foi expulso . Mas o director , o professor Dippet , envergonhado por uma coisa de aquelas ter acontecido em Hogwarts , proibiu me de contar a verdade . Foi divulgada uma história dizendo que a rapariga morrera de um acidente extravagante . Deram me um troféu brilhante com o meu nome gravado e avisaram me para ficar calado . Mas eu sabia que ia voltar a acontecer . O monstro sobreviveu e aquele que tinha o poder para o libertar não foi para a prisão . * Harry quase entornou o tinteiro em a pressa de responder . - Está a acontecer outra_vez . Houve três ataques e ninguém parece saber quem está por_detrás_de tudo_isto . Quem foi de a última vez ? - * _ Posso mostrar te , se quiseres * - foi a resposta de o Riddle . - * _ Não tens de acreditar só em a minha palavra . Posso levar te a o fundo de a minha memória de a noite em que o apanhei . * Harry hesitou com a pena em o ar sobre o diário . O que quereria ele dizer ? Como poderia entrar em a memória de outra pessoa ? Olhou inquieto para a porta de o dormitório que começava a ficar escuro . Quando pôs de_novo os olhos em o diário viu as palavras que se formavam . - * _ Deixa-me mostrar te . * Harry parou durante uma fracção de segundo e depois escreveu duas letras . - O. _ K._As páginas de o diário começaram a esvoaçar como_se tivessem sido apanhadas em uma ventania , parando a meio de o mês_de_Junho . Boquiaberto , Harry viu que o quadradinho de 13_de_Junho se transformara em um pequeno ecrã de televisão . Com as mãos ligeiramente trémulas levantou o livro para encostar os olhos a a janelinha e antes de perceber o que estava a passar se , deu consigo inclinado para a frente com a janela a abrir se . O corpo abandonava a cama e era lançado de cabeça , por a abertura de a página , em um turbilhão de cor e sombras . Sentiu os pés tocarem em terra firme e pôs se de pé a tremer enquanto as formas desfocadas se tornavam subitamente nítidas . Soube imediatamente onde estava . Aquela sala circular com os retratos adormecidos era o escritório de Dumbledore , mas não era Dumbledore quem estava atrás de a secretária . Um feiticeiro mirrado , de aspecto débil e quase careca lia uma carta a a luz de as velas . Harry nunca vira aquele homem antes . - Desculpe - disse com a voz a tremer . - Eu não queria intrometer me ... Mas o feiticeiro não olhou . Continuou a ler , franzindo levemente as sobrancelhas . Harry aproximou se de a secretária e gaguejou : - Er ... eu vou me embora , está bem ? E o feiticeiro continuou a ignorá o . Parecia nem_sequer ter ouvido . Pensando que talvez ele fosse surdo , Harry falou mais alto . - Desculpe tê o incomodado - disse quase a gritar . O feiticeiro dobrou a carta com um suspiro . Pôs se de pé , passou por Harry sem olhar para ele e foi abrir os cortinados de a janela . O céu , lá fora , estava vermelho-rubi . Devia ser o pôr de o Sol . O feiticeiro voltou para a secretária , sentou se e girou os polegares , olhando para a porta . Harry olhou em volta . Não viu Fawkes , a fénix , nem as engenhocas prateadas que sibilavam . Aquela Hogwarts era a que Riddle conhecera e , portanto , aquele feiticeiro desconhecido era o director de então , não Dumbledore e ele , Harry , era pouco mais que um fantasma , totalmente invisível a as pessoas de há cinquenta anos atrás . Alguém bateu a a porta . - Entre - disse o velho feiticeiro , em uma voz fraca . Um rapazinho de dezasseis anos entrou , tirando o chapéu pontiagudo . Em o seu peito brilhava um distintivo prateado de prefeito . Era muito mais alto do_que Harry , mas tinha , tal_como ele , cabelo preto asa de corvo . - Ah ! Riddle - disse o director . - Queria falar comigo , professor Dippet ? - perguntou ele com ar nervoso . - Senta te - disse Dippet . - Tenho estado a ler a carta que me mandaste . - Oh ! - exclamou Riddle , sentando se e apertando as mãos uma contra a outra . - Meu rapaz - disse Dippet amavelmente . - Eu não posso deixar te ficar em a escola durante o Verão . Com certeza queres ir para_casa em as férias ? - Não - respondeu Riddle , sem perder tempo . - Prefiro mil vezes ficar em Hogwarts a ter de voltar a aquela ... aquela ... - Tu vives em um orfanato de Muggles durante as férias , não é assim ? - perguntou Dippet com curiosidade . - Sim senhor - disse Riddle , corando um_pouco . - És filho de Muggles ? - Meio sangue , professor - explicou Riddle . - Pai_Muggle , mãe bruxa . - E o teu pai e a tua mãe ... - A minha mãe morreu pouco depois de eu nascer , professor , contaram me em o orfanato que só teve tempo de me dar o nome : Tom , como o meu pai , Marvolo como o meu avô . Dippet estalou a língua solidariamente . - O que acontece , Tom - suspirou - é_que ... podia ter se arranjado uma situação especial para ti , mas em as circunstâncias actuais ... - Refere se a os ataques , professor ? - perguntou Riddle e o coração de Harry deu um salto , aproximando se com medo de perder alguma coisa . - Precisamente - disse o director . - Meu rapaz , compreendes que seria uma imprudência de a minha parte deixar te ficar em o castelo quando o período acabar , principalmente a a luz de a recente tragédia ... a morte de aquela pobre moça ... estarás sem dúvida em maior segurança em o orfanato . Em a verdade , o ministro de a magia até fala em fechar a escola . Não estamos nada perto_de localizar ... er ... a fonte de toda esta história desagradável . Os olhos de Riddle tinham se aberto mais . - Professor , se essa pessoa fosse apanhada ... se tudo acabasse . . . - Que queres dizer com isso ? - perguntou Dippet com voz aguda , endireitando se em a cadeira . - Riddle , tu sabes alguma coisa sobre estes ataques ? - Não senhor - respondeu ele de imediato . Mas Harry sabia que era o mesmo tipo de « não » que ele dissera a Dumbledore . Dippet afundou se de_novo com um ar de profundo desapontamento . - Podes ir , Tom . Riddle esgueirou se de a cadeira e saiu de a sala . Harry seguiu o . Desceram por a escada em espiral , saindo junto de a gárgula em o corredor que escurecia . Riddle parou e Harry fez o mesmo , olhando para ele . Quase podia apostar que ele pensava seriamente em alguma coisa . Mordia o lábio e tinha as sobrancelhas franzidas . A certa altura , como_se tivesse acabado de tomar uma decisão , começou a andar mais depressa com Harry a segui o ruidosamente . Não viram mais ninguém , a não ser quando chegaram a o * hall * de entrada onde um feiticeiro alto de longos cabelos ruivos e barba chamou Riddle de a escadaria de mármore . - O que andas a fazer por aqui tão tarde , Tom ? Harry olhou para o feiticeiro . Não era outro senão Dumbledore com cinquenta anos a menos . - Tive de ir falar com o director - justificou se Riddle . - Bem , agora vai depressa para a cama - disse Dumbledore , olhando Riddle com aquele olhar penetrante que Harry conhecia tão bem . - É melhor não andar a passear por os corredores em os dias que correm , pelo_menos até ... Suspirou profundamente , deu as boas-noites a o Riddle e foi se embora . Riddle viu o desaparecer e , sem perder tempo , desceu os degraus de pedra até a os calabouços com Harry em a peugada . Mas para seu grande desconsolo , Riddle não o conduziu a nenhum corredor ou túnel secreto e sim a o calabouço onde ele costumava ter aulas de poções com o Snape . As tochas não tinham sido acesas e quando Riddle empurrou a porta quase fechada , Harry só conseguiu vê o a ele , de pé , quieto junto de a porta , olhando para o corredor . Pareceu a Harry que ficaram ali quase uma hora . Tudo_o_que via era a silhueta de Riddle junto de a porta , olhando fixamente através de a greta , a a espera . Como_se fosse uma estátua . E quando Harry tinha abandonado todas_as expectativas e começava a desejar voltar a o presente , ouviu alguma coisa que se movia atrás de a porta . Alguém avançava lentamente por o corredor . Ouviu a pessoa , quem quer que fosse , passar por o calabouço onde ele e Riddle estavam escondidos . Riddle , silencioso como uma sombra , esgueirou se por a porta e seguiu o com Harry em bicos de pés atrás de ele , esquecido de que podia fazer barulho a a vontade porque ninguém o ouvia . Durante cerca de cinco minutos seguiram lhe os passos até que Riddle parou repentinamente com a cabeça inclinada em a direcção de novos ruídos . Harry ouviu uma porta a abrir se e em seguida alguém falou em um murmúrio rouco . - Vá lá , temos que sair de aqui ... vá lá , dentro de a caixa ... Havia algo de familiar em aquela voz . Riddle deu subitamente uma volta e Harry seguiu o . Podia ver a silhueta escura de um rapaz enorme que estava inclinado em frente de a porta aberta , com uma grande caixa a o lado . - Boa noite , Rubeus - disse Riddle secamente . O rapaz fechou a porta e pôs se de pé . - O que estás a fazer aqui , Tom ? Riddle aproximou se . - Acabou se - disse . - Vou ter de entregar te , Rubeus . Falam em fechar Hogwarts se os ataques não terminarem . - O que é_que tu ... ? - Eu acho que tu não quiseste matar ninguém , mas os monstros não são os melhores animais domésticos . Tu só quiseste deixá o sair para andar um_pouco e ... - Ele não matou ninguém - disse o rapaz grande , recuando contra a porta fechada . Lá de dentro vinham uns estranhos roncos e rugidos . - Vamos , Rubeus - disse Riddle , aproximando se mais ainda . - Os pais de a rapariga que morreu estarão aqui amanhã . O mínimo que Hogwarts pode fazer é assegurar lhes que aquilo que matou a filha de eles foi abatido ... - Não foi ele - gemeu o rapaz cuja voz ecoou em o corredor escuro . - Ele não faria isso ... ele nunca ... - Afasta te - disse Riddle , pegando em a varinha . O encantamento iluminou o corredor com uma luz brilhante . A porta atrás de o rapaz grande abriu se de par em par com tanta força que o atirou contra a parede . E de lá de dentro saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito que ninguém mais ouviu a não ser ele próprio . Tinha um corpo imenso , magro e peludo e um emaranhado de pernas pretas , a cintilação de muitos olhos e um par de tenazes afiadas . Riddle levantou de_novo a varinha , mas era tarde de mais . A coisa deixara o atarantado e corria apressadamente , precipitando se por o corredor e desaparecendo . Riddle pôs se de pé , olhou a a procura de o monstro , levantou a varinha , mas o rapaz grande saltou sobre ele , tirou lhe a varinha de as mãos e lançou o a o chão , gritando : - Naaaaaão ! A cena rodopiou . A escuridão tornou se total . Harry sentiu se a cair e com um embate aterrou como uma águia de patas e asas abertas em a sua cama de dossel , em o dormitório de os Gryffindor , o diário de Riddle aberto sobre o estômago . Antes de ter tido tempo de normalizar a respiração , a porta de o dormitório abriu se e o Ron entrou . - Aí estás tu - disse . Harry sentou se . Transpirava e tremia . - O que se passa ? - perguntou Ron , olhando aflito para ele . - Foi o Hagrid , Ron . O Hagrid abriu a Câmara_dos_Segredos há cinquenta anos atrás . XIV_Cornelius_Fudge_Harry , Ron e Hermione sabiam há muito_tempo que Hagrid tinha uma triste predilecção por criaturas grandes e monstruosas . Em o primeiro ano que passaram em Hogwarts , ele tentara criar um dragão em a sua pequena cabana de madeira e levaram muito_tempo a esquecer o gigantesco cão de três cabeças que ele baptizara de « fofinho » . E se , em rapaz , Hagrid tinha ouvido dizer que havia um monstro escondido em o castelo , Harry tinha a certeza que ele teria feito os impossíveis por descobri o . Provavelmente achou que era uma injustiça o monstro estar fechado tanto tempo e pensou que ele merecia a oportunidade de esticar as suas muitas pernas . Harry imaginava perfeitamente o Hagrid a os treze anos a tentar pôr uma coleira e uma trela a o monstro . Mas tinha igualmente a certeza de que ele nunca teria querido matar ninguém . De certo modo , Harry desejava não ter descoberto como utilizar o diário de Riddle . Ron e Hermione fizeram o contar repetidas vezes o que vira até ele ficar farto de repetir o mesmo e farto de a conversa circular que se seguia . - O Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse , de essa vez , Hermione . - O monstro que atacava as pessoas podia ser outro .... - Quantos monstros achas tu que pode haver em este lugar ? - perguntou o Ron aborrecido . - Sempre soubemos que o Hagrid tinha sido expulso - disse Harry tristemente - E os ataques devem ter terminado quando ele foi expulso . Se não fosse assim , Riddle não teria recebido um prémio . Ron tentou um caminho diferente . - O Riddle parece o Percy , quem lhe pediu afinal que deitasse abaixo o Hagrid ? - Mas o monstro tinha morto uma pessoa , Ron - insistiu Hermione . - E o Riddle ia ter de voltar para um orfanato Muggle se Hogwarts fosse fechada - disse Harry . - Não posso culpá o por querer ficar aqui ... Ron mordeu o lábio e a seguir sugeriu : - Tu encontraste o Hagrid em a Rua * _ Bativolta * , não foi ? - Ele estava a comprar repelente para lesmas - disse Harry rapidamente . Ficaram os três em silêncio . Depois de uma longa pausa , Hermione , em uma voz hesitante , formulou a pergunta mais complicada de todas : - Não acham que devíamos ir ter com ele e perguntar lhe ? - Essa seria uma visita simpática - disse o Ron . - Olá , Hagrid , diz nos uma coisa , soltaste por acaso alguma coisa louca e peluda por o castelo em estes últimos tempos ? Por fim , decidiram não dizer nada a o Hagrid a_não_ser_que houvesse outro ataque e à_medida_que passava mais tempo sem murmúrios de a voz sem corpo começaram a acreditar , esperançosos , que nunca mais teriam de falar sobre o motivo por_que fora expulso . Tinham passado já quase quatro meses desde o dia em que o Justin e o Nick quase sem cabeça tinham sido petrificados e quase toda_a_gente parecia pensar que o atacante , quem quer que ele fosse , se retirara para sempre . Peeves fartara se de a sua canção * _ Oh_Potter , seu bandido * , Ernie_Mcmillan pediu educadamente a o Harry , em a aula de herbologia , que lhe passasse um balde de cogumelos saltitantes e , em Março , várias mandrágoras deram uma festa ruidosa e roufenha em a estufa número três . A professora Sprout estava muito satisfeita . - Mal elas comecem a tentar mover se para os vasos umas de as outras , saberemos que estão maduras - disse ela a o Harry . - Nessa_altura poderemos reanimar aquelas pobres criaturas que estão em a ala hospitalar . Os alunos de o segundo ano tinham agora uma coisa nova em que pensar durante as férias de a Páscoa . Chegara a altura de escolherem as matérias de o terceiro ano , um assunto que Hermione , pelo_menos , tomou muito a sério . - Pode afectar todo o nosso futuro - disse a o Harry e a o Ron a o vê os ler cuidadosamente as listas de as novas matérias e pôr um V em frente de cada uma . - Eu só quero ver me livre de as poções - disse Harry . - Não podemos - explicou Ron tristemente . - Mantemos todas_as matérias antigas ou eu teria me livrado de a Defesa contra as artes negras . - Mas é muito importante - disse Hermione chocada . - Não de a maneira como Lockhart a dá - insistiu Ron . - Não aprendi nada até agora a não ser a nunca mais libertar duendes . Neville_Longbottom recebera cartas de todas_as bruxas e feiticeiros de a família , cada_um dando um conselho diferente sobre o que ele deveria escolher . Confuso e preocupado , sentou se a ler a lista de matérias , dando estalinhos com a língua e perguntando a as pessoas se achavam que a aritmancia seria mais difícil do_que o estudo de as runas em a Antiguidade . Dean_Thomas que , tal_como Harry , fora criado com Muggles , acabou por fechar os olhos e atirar a varinha contra a lista , escolhendo as matérias onde ela aterrava . Hermione não pediu conselho a ninguém e inscreveu se em todas . Harry sorriu de si para consigo imaginando como seria uma conversa com o tio Vernon e com a tia Petúnia sobre a sua carreira em feitiçaria . Não que não tivesse tido orientação : Percy_Weasley estava ansioso por partilhar a sua experiência . - Tudo depende de o lugar para_onde queres ir , Harry - disse ele . - Nunca é cedo de mais para pensar em o futuro , por isso eu aconselho te a adivinhação . As pessoas dizem que os estudos de Muggles são uma opção leve mas eu , pessoalmente , acho que os feiticeiros deveriam ter uma compreensão profunda de a comunidade não mágica , muito especialmente se pensarem em trabalhar em íntimo contacto com eles . Vê o meu pai que tem de lidar com assuntos de os Muggles a_toda_a hora . O meu irmão Charles foi sempre mais um tipo de o exterior , por isso foi para o Centro_de_Cuidados com as Criaturas_Mágicas . Segue os teus sentimentos , Harry . Mas a única coisa em que Harry sentia que era mesmo bom era o Quidditch . Por fim , acabou por escolher as mesmas matérias que o Ron escolhera , pensando que se fosse péssimo em elas pelo_menos tinha alguém amigo para o ajudar . O próximo jogo de Quidditch_dos_Gryffindor era contra os Hufflepuff . Wood insistia em treinos de equipa todas_as noites depois de jantar , por isso Harry não tinha tempo para mais_nada a não ser para o Quidditch e para os trabalhos de casa . Mas as sessões de treino estavam a melhorar ou pelo_menos estavam mais secas e em a véspera de o jogo de sábado ele foi a o dormitório guardar a vassoura , sentindo que as hipóteses de os Gryffindor ganharem a taça de Quidditch nunca tinham sido tão boas . Mas a sua boa disposição não durou muito . Em o cimo de as escadas que levavam a o dormitório encontrou o Neville_Longbottom nervosíssimo . - Harry , não sei quem fez aquilo , eu fui encontrar ... Olhando receoso para Harry , Neville empurrou a porta . O conteúdo de a mala de Harry fora espalhado por toda_a divisão . O seu manto estava em o chão rasgado . A roupa de cama tinha sido puxada de a cama de dossel e a gaveta de o armário que se encontrava a a cabeceira de a cama fora arrancada , estando o seu conteúdo espalhado sobre o colchão . Harry aproximou se de a cama boquiaberto , pisando algumas páginas soltas de * _ Viagens com Duendes * . Quando ele e Neville estavam a puxar os cobertores para_cima , entraram o Ron e o Dean_Seamas . Dean praguejou alto . - O que é isto , Harry ? - Não faço ideia - disse ele . Mas o Ron estava a examinar as vestes de Harry e todos os bolsos estavam de o avesso . - Alguém andou a a procura de qualquer coisa - disse o Ron . - Dás por falta de alguma coisa ? Harry começou a apanhar o que estava caído , lançando tudo dentro de a mala . Só quando atirou o último livro de Lockhart é_que se apercebeu do_que faltava . - O diário de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a o Ron . - O quê ? Harry fez lhe sinal em direcção a a porta de o dormitório e apressaram se a chegar a a sala comum de os Gryffindor que estava quase vazia e onde foram encontrar Hermione sozinha a ler * _ As_Runas_Antigas a o Alcance_de_Todos * . Hermione ficou aterrada com as notícias . - Mas ... só um Gryffindor podia tê o roubado ... ninguém mais conhece a nossa senha ... - Exactamente - disse Harry . Acordaram em o dia seguinte com um sol brilhante e uma brisa agradável . - Condições ideais para o Quidditch ! - exclamou Wood , cheio de entusiasmo , a a mesa de os Gryffindor , enchendo os pratos de os elementos de a sua equipa de ovos mexidos . - Harry , anima te , precisas de um pequeno-almoço decente . Harry tinha estado a olhar para a mesa cheia de alunos de os Gryffindor , perguntando a si próprio se o novo dono de o diário de Riddle estaria ali mesmo em frente de os seus olhos . Hermione insistira para que ele participasse o roubo mas ele não gostou de a ideia . Teria de contar a um professor tudo sobre o diário , e quantas pessoas saberiam o motivo por_que Hagrid fora expulso há cinquenta anos ? Não queria ser ele a fazer com que relembrassem tudo aquilo . Quando saiu de o salão com o Ron e a Hermione para ir buscar o material de Quidditch , outra preocupação viera juntar se a a sua lista cada_vez maior . Tinha acabado de pisar os degraus de a escadaria de mármore quando ouviu de_novo a voz : - * _ Matar desta_vez ... deixem me rasgar ... romper * ... Deu um grito e Ron e Hermione saltaram alarmados . - A voz - disse Harry , olhando por cima de os ombros de eles . - Acabo de a ouvir de_novo , vocês não ouviram nada ? Ron abanou a cabeça de olhos muito abertos Mas_Hermione bateu com a mão em a testa . - Harry , acho que percebi uma coisa . Tenho que ir a a biblioteca . E disparou a correr por as escadas acima . - O que é_que ela percebeu ? - disse Harry distraidamente , ainda a olhar em volta , tentando determinar de onde vinha a voz . - Mas porque teve ela que ir a a biblioteca ? - Porque a Hermione é assim - disse o Ron , encolhendo os ombros - Quando tem uma dúvida , vai a a biblioteca . Harry manteve se hesitante , tentando captar novamente a voz mas as pessoas começavam a sair de o salão , falando alto , passando por a porta principal e encaminhando se para o estádio de Quidditch . - É melhor ires indo - aconselhou Ron . - São quase onze horas , olha o jogo . Harry deu uma corrida até a a torre de os Gryffindor , pegou em a sua Nimbus dois_mil e juntou se a a vasta multidão que enchia os campos , mas o seu pensamento estava ainda em o castelo , em aquela voz sem corpo e quando pôs as roupas vermelhas , o seu único conforto foi pensar que estavam todos lá fora para assistir a o jogo . As equipas entraram em campo a o som de um tumulto de aplausos . Oliver_Wood fez um voo de aquecimento em volta de os postes , Madam_Hooch soltou as bolas . Os Hufflepuff que tinham fatos amarelo-canário estavam reunidos em grupo em uma discussão de última hora sobre as tácticas . Harry subia para a vassoura quando a professora Mc_Gonagall atravessou o campo , meio a andar , meio a correr , transportando um enorme megafone roxo . O coração de Harry caiu lhe a os pés . - Este jogo foi cancelado - gritou por o megafone a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a o estádio apinhado . Ouviram se Uuuus e assobios . Oliver_Wood , com um ar infelicíssimo , aterrou e correu para a professora McGonagall sem sair de a vassoura . - Mas , professora - gritou - temos de jogar ... a taça ... os Gryffindor ... A professora Mc_Gonagall ignorou o e continuou a gritar por o megafone . - Pede se a os estudantes que regressem a as salas comuns de as respectivas equipas onde os chefes de equipa lhes darão mais informações . O mais depressa possível , se fazem favor ! Em seguida , baixou o megafone e fez sinal a o Harry para que se aproximasse . - Potter , é melhor vires comigo ... Perguntando a si próprio que suspeita poderia ela ter contra ele , desta_vez , Harry viu Ron desligar se de a multidão discordante e vir a correr juntar se lhes , enquanto eles se dirigiam para o castelo . Para sua grande surpresa Mc_Gonagall não pôs qualquer objecção . - Sim , talvez seja melhor vires também , Weasley . Alguns de os estudantes que os rodeavam reclamavam por o jogo ter sido cancelado , outros tinham um ar preocupado . Harry e Ron seguiram a professora Mc_Gonagall de volta a a escola e através de a escadaria de pedra . Mas desta_vez não foram levados a nenhum escritório . - Isto vai chocar vos um_pouco - disse a professora Mc_Gonagall em um tom de voz surpreendentemente suave quando estavam a aproximar se de a ala hospitalar . - Houve outro ataque ... outro ataque duplo . As vísceras de o Harry deram um salto mortal . A professora Mc_Gonagall abriu a porta e ele e Ron entraram . Madam_Pomfrey estava inclinada sobre uma rapariga de o quinto ano de cabelos longos a os caracóis que Harry reconheceu como sendo a colega de os Ravenclaw a quem , por engano , tinham perguntado o caminho para a sala comum de os Slytherin . E , em a cama a o lado de ela , estava ... - Hermione - gemeu o Ron . Hermione jazia totalmente quieta , os olhos abertos e vítreos . - Foram encontradas perto de a biblioteca - disse a professora Mc_Gonagall . - Calculo que nenhum de vocês possa explicar isto ? Estava em o chão , junto de ela . A professora tinha em as mãos um pequeno espelho redondo . Harry e Ron acenaram negativamente com as cabeças , ambos com os olhos fixos em Hermione . - Eu acompanho vos a a torre de os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall pesadamente . - De qualquer modo tenho de falar com os alunos . - Os alunos regressarão a as salas comuns de as respectivas equipas , todos_os_dias , a as seis_horas_da_tarde . Nenhum aluno deverá sair de os dormitórios depois de isso . Serão escoltados até a as aulas por um professor . Nenhum aluno deverá ir a a casa_de_banho sem um professor a acompanhá o . Todos os treinos e jogos de Quidditch estão suspensos a_partir_de agora . Não haverá mais actividades nocturnas . Os Gryffindor , que enchiam a sala comum , ouviram em silêncio a professora Mc_Gonagall . Ela enrolou o pergaminho que acabara de ler e disse em uma voz algo chocada : - Não é preciso acrescentar que nunca me senti tão desolada . É provável que a escola seja encerrada se não for apanhado o culpado de todos estes ataques . Quero pedir que se algum de vocês achar que sabe alguma coisa sobre eles venha imediatamente ter comigo . Mal ela subiu , de forma um_pouco desastrada , por o buraco de o retrato , os Gryffindor começaram logo a falar . - São dois Gryffindor a menos , sem contar com o fantasma de os Gryffindor , um Ravenclaw e um Hufflepuff - disse o amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , contando por os dedos . - Não terá nenhum de os professores reparado que os Slytherin estão a salvo ? Será que não é óbvio que tudo_isto vem de eles ? O herdeiro de Slytherin , o monstro de Slytherin , porque não expulsam todos os Slytherin ? - resmungou , recebendo acenos e aplausos de todos os lados . Percy_Weasley estava sentado em uma cadeira atrás_de Lee , mas por uma_vez não pareceu querer expor os seus pontos de vista . Estava pálido e aturdido . - O Percy está em estado de choque - disse o George baixinho a o Harry . - Aquela rapariga de os Ravenclaw , Penelope_Clearwater , é prefeita . Acho que ele nunca tinha pensado que o monstro pudesse atacar um prefeito . Mas Harry não estava a ouvi o com atenção . Não conseguia esquecer a imagem de Hermione deitada em a cama de o hospital , como_se estivesse esculpida em pedra . E se o culpado não fosse apanhado rapidamente tinha em a frente uma vida inteira com os Dursley . Tom_Riddle entregara o Hagrid porque fora confrontado com a possibilidade de um orfanato Muggle se a escola fechasse . Harry sabia exactamente o que ele sentira . - Que vamos nós fazer ? - disse lhe o Ron baixinho a o ouvido . - Achas que eles suspeitam de o Hagrid ? - Temos de falar com ele - disse Harry , tomando uma decisão . - Não acredito que tenha culpa desta_vez , mas se ele libertou o monstro há cinquenta anos , sabe com certeza como entrar em a Câmara_dos_Segredos , o que já é um princípio . - Mas a Gonagall disse que temos que ficar em a torre a_não_ser_que estejamos em as aulas ... - Eu acho - disse Harry ainda mais baixo - que chegou a altura de tirar outra_vez de a mala o manto de o meu pai . Harry herdara apenas uma coisa de o pai : o enorme manto prateado de a invisibilidade . Era a única maneira de poderem esgueirar se de a escola para fazer uma visita a o Hagrid , sem que ninguém de esse por isso . Deitaram se a a hora de o costume , esperaram que o Neville , o Dean e o Seamas adormecessem para se levantarem , vestirem se de_novo e taparem se com o manto . A viagem por os corredores de o castelo escuro e deserto não era nada agradável . Harry que vagueara por ali muitas_vezes durante a noite nunca vira tanta gente depois de o pôr de o Sol . Professores , prefeitos e fantasmas andavam por os corredores a os pares , olhando em volta , em busca de qualquer actividade fora de o habitual . O manto de a invisibilidade não impedia que fizessem barulho e houve um momento particularmente tenso em que o Ron deu uma topada a menos_de um metro de o lugar onde Snape se encontrava . Felizmente Snape espirrou em o preciso momento em que o Ron praguejava . Foi com grande alívio que chegaram a as portas de carvalho de a entrada principal . Estava uma noite clara e cheia de estrelas . Dirigiram se apressadamente para as janelas iluminadas de a casa de Hagrid e só tiraram o manto mesmo em frente de a porta . Poucos segundos depois de terem batido abriu se a porta . Ficaram frente_a_frente com Hagrid que lhes apontou uma besta enquanto Fang , o cão caçador de javalis , ladrava furiosamente atrás de ele . - Oh ! - disse , baixando a arma quando viu que eram eles . - O que estão vocês a fazer aqui ? - Para que é isso ? - perguntou Harry , apontando para a besta , enquanto entrava . - Nada , não é nada - murmurou Hagrid . - Tenho estado a a espera ... não tem importância , sentem se que eu vou fazer um chá . Dava a impressão de não saber o que fazia . Quase apagou a lareira , vertendo a água de a chaleira em o lume e em seguida esmagou o bule com um gesto de a sua mão maciça . - Estás bem , Hagrid ? - perguntou Harry . - Soubeste de a Hermione ? - Soube , sim - disse ele com um leve tremor em a voz . Continuava a olhar nervosamente para as janelas . Deu lhe os duas grandes canecas de água a ferver ( esquecera se de juntar o chá ) e estava a acabar de pôr em um prato uma fatia grossa de bolo de frutas quando alguém bateu energicamente a a porta . Hagrid deixou cair o bolo . Harry e Ron trocaram entre si olhares de pânico e , em seguida , cobriram se com o manto de a invisibilidade e esconderam se em um canto . Hagrid assegurou se de que eles estavam bem escondidos , pegou em a besta e abriu , mais_uma_vez , a porta . - Boa noite , Hagrid . Era_Dumbledore . Entrou com um ar muito sério , seguido de um homem bizarro . O estranho era um homenzinho pequenino , de porte majestoso com cabelos grisalhos desalinhados e uma expressão de ansiedade em o rosto . Usava uma inesperada mistura de roupas . Um fato a as riscas , uma gravata vermelho escarlate , um longo manto negro e umas botas roxas pontiagudas . Debaixo de o braço trazia um chapéu de coco verde lima . -- É o patrão de o meu pai - murmurou o Ron . Cornelius_Fudge , o ministro de a magia ! Harry deu lhe uma valente cotovelada para o fazer calar se . Hagrid tinha ficado suado e pálido . Deixou se cair em uma de as cadeiras e olhava de Dumbledore_para_Cornelius_Fudge . - Más notícias , Hagrid - disse Fudge em um tom bastante grave . - Muito más notícias . Tive de vir . Quatro ataques a filhos de Muggles , as coisas foram longe_de mais . O ministério tem que tomar uma atitude . - Eu nunca ... - disse Hagrid , parecendo implorar a Dumbledore . - O senhor sabe que eu nunca ... professor Dumbledore , o senhor ... - Quero que fique claro , Cornelius , que Hagrid tem a minha total confiança - afirmou Dumbledore , franzindo as sobrancelhas . - Olha , Albus - disse Fudge pouco a a vontade - a ficha de o Hagrid depõe contra ele . O ministério tem de fazer alguma coisa , o Conselho_Directivo de a escola tem se reunido ... - Mesmo_assim , Cornelius , devo dizer te mais_uma_vez que levar o Hagrid de aqui não vai ajudar em nada - afirmou Dumbledore com os olhos azuis com um fogo que Harry nunca vira antes . - Tenta compreender o meu ponto de vista - insistiu Fudge , brincando com o chapéu . - Estou a ser tremendamente pressionado , tenho de mostrar que faço alguma coisa . Se se provar que não foi o Hagrid , ele voltará e não se fala mais em o assunto . Mas tenho de levá o , tem de ser , não estaria a cumprir a minha obrigação se ... - Levar me ? - perguntou Hagrid a tremer . - Levar me para_onde ? - É uma pena curta - disse Fudge , sem o olhar em os olhos . - Não é um castigo , Hagrid , chamemos lhe antes uma precaução . Se mais alguém for apanhado , tu sais com todas_as nossas desculpas . - Não é para Azkaban ? - balbuciou Hagrid . Mas antes que Fudge tivesse tido tempo de responder , ouviu se bater mais_uma_vez a a porta . Dumbledore abriu . Foi a vez de Harry levar uma cotovelada em as costas : soltara um gemido audível . Mr._Lucius_Malfoy entrou em a cabana de o Hagrid embrulhado em uma longa capa preta de viagem , com um sorriso frio de satisfação . O Fang começou a rosnar . - Já está aqui , Fudge ? - disse de forma aprovadora . - Muito bem , muito bem ... - O que estás a fazer aqui ? - perguntou Hagrid furioso . - Sai imediatamente de a minha casa . - Meu bom homem , acredite que não tenho prazer nenhum em entrar em a sua ... er ... chamou lhe casa ? - disse Lucius_Malfoy , sorrindo sarcasticamente enquanto observava a pequena divisão . - Eu limitei me a ir a a escola e disseram me que o director estava aqui . - E o que queres de mim , Lucius ? - perguntou Dumbledore . O seu tom de voz era educado mas em os olhos azuis brilhava ainda o mesmo fogo . - Uma notícia horrível , Dumbledore - disse Mr._Malfoy de forma arrastada , pegando em um grande rolo de pergaminho . - Mas os membros de o conselho pensam que é altura de tu saíres . Isto_é uma ordem de suspensão , tens aí doze assinaturas . Lamento muito mas em a nossa opinião estás a perder a firmeza . Quantos ataques houve até agora ? Mais dois hoje a a tarde , não foi ? A este ritmo vão acabar todos os filhos de Muggles em Hogwarts e todos sabemos que seria uma terrível perda para a escola . - O que é isso , Lucius ? - protestou Fudge com ar alarmado . - O Dumbledore suspenso não ... não , seria a última coisa que desejaríamos em este momento ... - A nomeação ou suspensão , de o director é de a competência de os membros de o Conselho_Directivo , Fudge - disse suavemente Mr._Malfoy . - E como Dumbledore não foi capaz de pôr cobro a estes ataques ... - Oh ! Lucius , se Dumbledore não conseguiu - disse Fudge com o lábio superior a suar . - Quem irá conseguir ? - Isso está para se ver - disse Mr._Malfoy com um sorriso mesquinho . - Mas como os doze votamos ... Hagrid pôs se de pé em um salto , o cabelo preto hirsuto a roçar em o tecto . - E quantos tiveste de chantajar para concordarem contigo , Malfoy ? - Meu caro Hagrid , sabe que esse seu temperamento ainda acaba por lhe criar problemas um dia de estes - disse Mr._Malfoy . - Não o aconselho a gritar assim com os guardas de Azkaban . Eles não iriam gostar nada . - Não podes levar Dumbledore - gritou Hagrid , fazendo Fang , o cão caçador de javalis , agachar se e ganir em o seu cesto . - Sem ele , os filhos de os Muggles não têm qualquer hipótese . A seguir haverá mortes . - Acalma te , Hagrid - disse Dumbledore de forma cortante , olhando para Lucius_Malfoy . - Se os membros de o conselho querem substituir me , eu sairei , claro . - Mas - interrompeu Fudge . - Não - rosnou Hagrid . Dumbledore não tirara os seus olhos azuis brilhantes de os olhos cinzentos e frios de Lucius_Malfoy . - Contudo - disse , pronunciando cada palavra lenta e claramente para que nenhum de eles perdesse o seu sentido - verás que só deixarei verdadeiramente esta escola quando ninguém aqui me for leal . Descobrirás também que será sempre dada ajuda em Hogwarts a quem a pedir . Por um segundo , Harry teve quase a certeza de que os olhos de Dumbledore tremelaziram em direcção a o canto onde ele e Ron estavam escondidos . - Sentimentos admiráveis - disse Malfoy , fazendo uma vénia . - Todos nós vamos sentir a tua ... forma muito pessoal de fazer as coisas , Albus . Só espero que o teu sucessor consiga evitar qualquer ... crime . Dirigiu se a a porta de a cabana , abriu a e fez sinal a Dumbledore para que passasse a a sua frente . Fudge , mexendo nervosamente em o chapéu de coco , esperou que Hagrid fizesse o mesmo mas ele ficou quieto , respirou fundo e disse prudentemente : - Se alguém quiser descobrir alguma coisa , o que tem a fazer é seguir as aranhas . Elas indicarão o caminho , é tudo_o_que vos digo . Fudge olhou para ele espantado . - Está bem , eu vou - disse Hagrid , pegando em o seu sobretudo de pêlo de toupeira . Mas quando ia seguir o Fudge e sair por a porta , parou e disse em voz alta : - E alguém tem de dar de comer a o Fang enquanto eu não estiver cá . A porta fechou se ruidosamente e Ron tirou o manto de a invisibilidade . -- Estamos outra_vez em uma alhada - disse com voz rouca - Sem o Dumbledore podem fechar a escola já esta noite . Sem ele vai haver um ataque por dia . O Fang começou a ganir , arranhando a porta fechada . XV_Aragog_O_Verão insinuava se em os campos em volta de o castelo . O céu e o lago tinham se tornado de um azul-molusco e as flores , grandes como couves , começavam a florir em as estufas . Mas sem o Hagrid , que ele costumava avistar de o castelo , atravessando os campos com o Fang atrás , parecia a Harry que a paisagem não estava completa . Não era melhor dentro de o castelo onde tudo corria horrivelmente mal . O Harry e o Ron tinham tentado visitar a Hermione , mas as visitas a o hospital estavam proibidas . - Não vamos correr mais riscos - disse lhes Madam_Pomfrey com ar severo , através_de uma fresta de a porta de o hospital . Não , lamento , há muitas hipóteses de o atacante voltar para acabar de vez com estas pessoas ... Com Dumbledore longe , o medo espalhara se como nunca acontecera antes , de_tal_modo_que o sol que aquecia as paredes de o castelo por fora parecia parar junto de as janelas de pinázios . Não se via um único rosto em a escola que não andasse tenso e preocupado e qualquer gargalhada , em os corredores , se tornava incómoda e antinatural e era rapidamente abafada . Harry repetia constantemente , de si para consigo , as últimas palavras que ouvira a Dumbledore : - * _ Só terei verdadeiramente deixado esta escola quando ninguém me for leal ... será sempre dada ajuda , em Hogwarts , a quem a pedir * . Qual seria o significado exacto de aquelas palavras ? A quem deveria pedir ajuda quando todos estavam tão confusos assustados como ele ? A alusão de Hagrid a as aranhas era bastante mais fácil de entender . O problema era que parecia não ter restado uma única aranha em o castelo para eles a poderem seguir . Harry procurou por todo o lado com a ajuda relutante de o Ron . As coisas estavam dificultadas por o facto de não poderem andar sozinhos e terem de se deslocar em grupo dentro de o castelo , juntamente com outros Gryffindor . A maior parte de os alunos gostava de ser conduzida como carneiros de uma aula para a outra por os professores mas Harry achava horrível . Havia , contudo , uma pessoa que parecia apreciar aquela atmosfera de terror e suspeitas . Draco_Malfoy passeava empertigado por a escola como_se tivesse sido nomeado para chefe de turma . Harry só compreendeu o motivo de toda aquela boa disposição cerca de quinze_dias depois de Dumbledore e Hagrid se terem ido embora quando , em uma aula de poções , o ouviu falar com o Crabbe e o Goyle . - Sempre achei que seria o pai quem conseguiria livrar nos de o Dumbledore - disse sem a menor preocupação em baixar a voz . - Já vos disse , segundo ele , Dumbledore foi o pior director que a escola alguma vez teve . Talvez agora venha um director decente que não queira a Câmara_dos_Segredos fechada . A Mc_Gonagall não vai durar muito , está só a ... O Snape passou por Harry , sem fazer comentários a o caldeirão e a a cadeira vazia de Hermione . - Professor - disse Malfoy em voz alta . - Professor , porque não se candidata a o lugar de director ? - Ora , ora , Malfoy - respondeu Snape , sem conseguir esconder um meio sorriso . - O professor Dumbledore foi apenas suspenso por os membros de o conselho de direcção , certamente vai voltar um dia de estes . - Sim , claro - disse Malfoy com o seu sorriso escarninho . - Acho que se o professor quisesse candidatar se a o lugar teria o voto de o pai . Eu vou dizer lhe que o acho o melhor professor de a escola . Snape sorriu enquanto passeava de um lado para o outro em o calabouço , não tendo felizmente visto o Seamus_Finnigan que fingia vomitar para dentro de o caldeirão . - Estou espantado por ver que até agora os sangues de lama ainda não fizeram as malas e não desapareceram - prosseguiu Malfoy . - Aposto cinco galeões em como o próximo morre . Pena que não tenha sido a Granger ... A campainha tocou em esse momento o que foi uma sorte porque a o ouvir as últimas palavras de Malfoy , Ron deu um salto , mas em a barafunda de guardar os livros em os sacos , a sua tentativa de agarrar o Malfoy passou despercebida . - Deixem me - gritava o Ron enquanto o Harry e o Dean lhe agarravam os braços . - Não preciso de varinha , vou dar cabo de ele com as minhas mãos ... - Despachem se , tenho de conduzir vos a a aula de herbologia - praguejava o Snape acima de as cabeças de os alunos . E lá foram como cordeirinhos com Harry , Ron e Dean em a retaguarda , o Ron ainda a tentar libertar se . Só acharam seguro largá o quando Snape os deixou fora de o castelo e iniciaram o percurso por o meio de a horta em direcção a as estufas . A aula de herbologia estava reduzida . Tinha agora dois alunos a menos : Justin e Hermione . A professora Sprout pô os a trabalhar , podando as figueiras-da-abissínia . Harry foi despejar uma braçada de hastes secas em um monte de adubo e deu consigo cara a cara com Ernie_Mcmillan . Ernie respirou fundo . - Só quero dizer te , Harry que lamento ter suspeitado de ti . Sei que nunca atacarias a Hermione_Granger e peço te desculpa por todas_as coisas que disse . Estamos todos em o mesmo barco , agora e , bem ... Estendeu lhe uma mão rechonchuda que o Harry apertou . Ernie e a sua amiga Hannah foram trabalhar em a mesma figueira com o Harry e o Ron . - Aquele tipo , Draco_Malfoy - disse Ernie , partindo pequenos galhos - , parece muito satisfeito com isto tudo , não acham ? É bem possível que ele seja o herdeiro de Slytherin . - Uma observação inteligente de a tua parte - disse o Ron que parecia não ter desculpado Ernie tão facilmente como o Harry . - Acham que é ele ? - perguntou Ernie . - Não - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Hannah ficaram a olhar espantados . Um segundo depois , Harry avistou qualquer coisa que o levou a chamar a atenção de o Ron , batendo lhe em a mão com a tesoura de podar . - Au ... o que é_que tu ... ? Harry apontava para o chão , a poucos centímetros de distância . Várias aranhas grandes corriam precipitadamente por a terra fora . - Ah ! sim - disse o Ron , tentando , sem conseguir , mostrar se entusiasmado . - Mas não podemos seguis as agora ... Ernie e Hannah ouviam nos com curiosidade . Harry viu as aranhas desaparecerem . - Parecem ir em a direcção de a floresta proibida ... E o Ron ficou ainda mais infeliz a o ouvir aquilo . Em o final de a aula , o professor Snape acompanhou os alunos a a « Defesa contra as artes negras » . Harry e Ron foram atrás de os outros para poderem conversar sem serem ouvidos . - Temos de usar outra_vez o manto de a invisibilidade - disse Harry a o Ron . - Podemos levar connosco o Fang , ele está habituado a ir a a floresta com o Hagrid , pode ser uma boa ajuda . - Certo - disse o Ron , que fazia girar nervosamente a varinha em os dedos . - Er ... não costuma haver ... não costuma haver lobisomens em a floresta ? - acrescentou enquanto ocupavam os lugares de o costume em a aula de o Lockhart . Preferindo não responder a a pergunta , Harry disse : - Também há lá coisas boas . Os centauros são fixes e os unicórnios . Ron nunca estivera em a floresta proibida , Harry fora lá só uma_vez e desejara não ter de lá voltar . Lockhart deu um salto para dentro de a sala de aula e os alunos ficaram espantados a olhar para ele . Todos os outros professores andavam mais tristes do_que o habitual mas Lockhart parecia sentir se em as nuvens . - Então , então - exclamou , olhando em volta . - Porquê essas caras deprimidas ? Lançaram lhe olhares exasperados mas ninguém respondeu . - Não compreendem - disse , falando devagar como_se fossem todos um_pouco estúpidos - que o perigo já passou ? O culpado foi se embora . -- Quem disse ? - retorquiu Dean_Thomas em voz alta . -- Meu caro jovem , o ministro de a magia não teria levado Hagrid se não estivesse cem por_cento certo de que ele era o culpado - disse Lockhart como quem explica que um e um são dois . - Teria , sim - disse o Ron , em um tom de voz ainda mais alto do_que o de o Dean . - Eu julgo saber um_pouco mais sobre a prisão de o Hagrid do_que o senhor , Mr._Weasley - disse Lockhart com notória auto-satisfação . Ron começou a dizer que discordava mas foi interrompido por o Harry que lhe deu um forte pontapé por debaixo de a mesa . - Nós não estávamos lá , lembras te ? - murmurou . Mas a alegria revoltante de o Lockhart , as insinuações de que sempre tinha achado que o Hagrid não prestava , a sua certeza de que tudo aquilo estava a chegar a o fim , irritou Harry de tal maneira que teve vontade de lhe atirar as * _ Viagens com Vampiros * e de lhe acertar em aquela cara estúpida . Mas , em vez de isso , limitou se a escrevinhar um bilhete para o Ron : * _ Vamos lá hoje a a noite * . Ron leu a mensagem , engoliu em seco e olhou para o lugar onde Hermione costumava sentar se . A cadeira vazia pareceu ajudá o a decidir se e acenou afirmativamente . A sala comum de os Gryffindor estava agora sempre cheia porque , depois de as seis_da_tarde , os Gryffindor não tinham outro lugar para ir . Por outro lado , tinham imenso para conversar , por isso a sala comum mantinha se cheia de gente até depois de a meia-noite . Logo_a_seguir a o jantar , Harry foi buscar o manto de a invisibilidade a a mala onde estava guardado e passou todo o serão a a espera que a sala esvaziasse . O Fred e o George desafiaram o para alguns jogos de explosão e a Ginny sentou se , muito preocupada , a observá os , em a cadeira habitual de Hermione . Harry e Ron fartaram se de perder de propósito em uma tentativa de pôr rapidamente fim a os jogos mas , mesmo_assim , já passava bastante de a meia-noite quando o Fred , o George e a Ginny se foram , finalmente , deitar . Harry e Ron esperaram até ouvir as portas de os dois dormitórios fecharem se . Em seguida , pegaram em o manto , lançaram o sobre ambos e passaram por o buraco de o retrato . Era mais uma difícil travessia de o castelo , tendo de fintar todos os professores . Finalmente , chegaram a o * hall * de entrada , giraram o fecho de as portas de carvalho , esgueiraram se tentando não fazer barulho e aventuraram se nos campos iluminados por o luar . - É claro que - disse bruscamente o Ron , enquanto atravessavam os relvados negros - podemos perfeitamente chegar a a floresta e descobrir que não há nada para seguir . As aranhas podem não ter ido para lá . É certo que parecia que tomavam essa direcção , mas ... Felizmente a lengalenga não durou muito . Chegaram a a casa de o Hagrid que tinha um ar triste com as suas janelas vazias . Logo_que Harry empurrou a porta e a abriu , o Fang saltou , louco de alegria por os ver . Preocupados , não fosse ele acordar toda_a_gente em o castelo com o seu ladrar forte e agitado , deram lhe rapidamente a comer bombons de melaço que estavam em uma lata sobre a lareira e que lhe colaram os dentes de cima a os de baixo . Harry pousou o manto de a invisibilidade sobre a mesa de o Hagrid . Não iam precisar de ele em a floresta escura como breu . - Anda , Fang , vamos dar um passeio - disse Harry , batendo lhe a o de leve em a pata e Fang saiu feliz , a os saltos , atrás de eles . Precipitou se até a a orla de a floresta e levantou a perna contra uma enorme figueira-do-egipto . Harry pegou em a varinha , murmurou * _ Lumus * ! e uma pequenina luz surgiu em a ponta de a varinha , suficiente para lhes mostrar o caminho e ajudá os a descobrir a pista de as aranhas . - Bem pensado - disse o Ron . - Eu acendia também a minha mas , sabes como ela está , ainda estoirava ou qualquer coisa assim ... Harry tocou em o ombro de o Ron , apontando para as ervas . Duas aranhas solitárias fugiam de a luz de a varinha , aproximando se de a sombra de as árvores . - O. _ K. - disse o Ron , resignando se com o pior . - Estou pronto , vamos . Então , com o Fang a correr atrás de eles , cheirando as raízes de as árvores e as folhas , entraram em a floresta . Seguindo a luz de a varinha de o Harry seguiram a fila disciplinada de aranhas que se movia a o longo de o caminho . Andaram durante cerca de vinte minutos , sem falar , atentos a todos os ruídos que não fossem os de os ramos caídos e de as folhas secas . Então , quando as copas de as árvores se tinham tornado mais cerradas do_que nunca , de_tal_modo_que as estrelas em o céu já não eram visíveis e a varinha de o Harry brilhava isolada em um mar de escuridão , viram as aranhas que eles seguiam a abandonar o caminho . Harry parou , tentando ver para_onde iam mas tudo_o_que ficava longe de a sua pequenina luz era negro de breu . Ele nunca fora tão longe em a floresta . Lembrava se muito bem de Hagrid lhe ter dito , de a última vez que ali tinham estado , que nunca saísse de o caminho de a floresta . Mas Hagrid agora estava a muitos quilómetros de distância e ele também lhes dissera que seguissem as aranhas . Uma coisa húmida tocou em a mão de o Harry e ele deu um salto para trás , pisando o pé a o Ron . Mas afinal era apenas o focinho de o Fang . - O que é_que tu achas ? - perguntou ele a o Ron cujos olhos conseguia vislumbrar , reflectindo a luz de a varinha . - Já_que viemos até aqui - disse ele . Seguiram , portanto as sombras velozes de as aranhas em direcção a as árvores . Não podiam agora andar muito depressa . Tinham em a frente raízes de árvores e troncos cortados que mal se viam em aquela escuridão . Harry sentia o bafo quente de Fang em a mão . Por mais de uma_vez tiveram de parar para o Harry se baixar e descobrir as aranhas a a luz de a varinha . Andaram durante o que lhes pareceu ter sido pelo_menos meia_hora , com os mantos a roçarem em os ramos mais baixos e em as silvas . A o fim de algum tempo repararam que o chão parecia inclinar se para baixo embora as árvores continuassem cerradas . Foi então que o Fang soltou um latido que ecoou em volta , fazendo Harry e Ron darem um salto , ambos com os cabelos em pé . - O que foi ? - gritou o Ron , olhando em volta para a escuridão e agarrando Harry com força , por o cotovelo . - Há qualquer coisa ali a mexer se - murmurou Harry - Ouve ... parece ser grande . Ficaram a ouvir . Um_pouco para a direita algo de grandes dimensões partia os ramos enquanto abria caminho através de as árvores . - Oh ! não - disse o Ron . - Oh ! não , não ... - Cala te - insistiu o Harry , nervoso . - Seja o que for , vai acabar por te ouvir . - Ouvir me ? - disse o Ron , em um tom de voz muito pouco natural . - Já ouviu . Fang ! A escuridão parecia esmagar lhes os globos oculares enquanto ali ficaram apavorados , a a espera . Houve um estranho ruído , surdo e prolongado , e em seguida o silêncio . - O que estará a fazer ? - perguntou Harry . - Talvez esteja a preparar se para atacar - disse o Ron . Esperaram , a tremer , sem ousarem mexer se . - Achas que se foi embora ? - murmurou Harry . - Não sei . Em esse momento , de o lado direito veio um clarão de luz tão forte em o meio de o escuro que os dois levaram as mãos a a cara para proteger os olhos . O Fang ganiu e tentou fugir mas viu se envolvido em um emaranhado de espinhos e ganiu ainda mais alto . - Harry - gritou o Ron com grande alívio em a voz . - Harry , é o nosso carro . - O quê ? - Anda ver . Harry avançou a os tropeções atrás de o Ron , em direcção a a luz e em o momento seguinte estavam em uma clareira . O carro de Mr._Weasley ali estava , vazio , no_meio_de um círculo de árvores grossas , sob um telhado de ramos densos , os faróis de a frente resplandecentes . Quando Ron se aproximou de boca aberta , moveu se lentamente em direcção a ele como_se fosse um grande cão azul turquesa , cumprimentando o dono . - Tem estado aqui todo este tempo - disse o Ron satisfeitíssimo , aproximando se de o carro . - Olha para ele , a floresta tornou o selvagem ... O guarda-lamas estava riscado e cheio de lodo . Parecia que tinha andado a passear sozinho por a floresta . Fang não gostou lá muito de ele . Manteve se a o lado de o Harry que podia senti o a tremer . Com a respiração normalizada , Harry guardou a varinha em o manto . - E nós a pensarmos que ele nos ia atacar - disse o Ron , encostando se a o carro e dando lhe duas palmadinhas - As voltas que eu dei a a cabeça a pensar para_onde ele teria ido ! Harry olhava para todos os lados , em o chão iluminado , em busca de mais aranhas mas todas elas tinham fugido de o brilho de as luzes . - Perdemos as de vista - disse ele . - Anda , vamos procurá as . Ron não disse nada . Não se moveu . Tinha os olhos fixos em um ponto , três metros acima de o chão de a floresta , mesmo atrás de o Harry . O seu rosto estava lívido de terror . Harry nem teve tempo de se voltar . Ouviu se um ruído alto e seco e sentiu que alguma coisa longa e peluda o elevava em o ar com o rosto voltado para baixo . Debatendo se , apavorado , ouviu outro estalido e viu as pernas de o Ron serem também levantadas de o chão . Ouviu o Fang gemer e ganir e , em o momento seguinte , era levado para o meio de as árvores escuras . Com a cabeça a balouçar , Harry viu que a coisa que o transportava tinha seis enormes patas peludas e que as duas de a frente o agarravam com forca sob um par de tenazes pretas e brilhantes . Atrás_de si podia ouvir outra de aquelas criaturas que , sem dúvida , transportava o Ron . Encaminhavam se para o coração de a floresta . Harry ouvia o Fang a ladrar , tentando libertar se de um terceiro monstro mas Harry não podia gritar mesmo_que quisesse , parecia que tinha deixado a voz em a clareira , junto com o carro . Não soube quanto tempo esteve em as patas de a criatura , só se apercebeu que a escuridão se atenuara um_pouco , permitindo lhe ver que o chão coberto de folhas estava agora repleto de aranhas . Voltando a cabeça para o lado , deu se conta de que tinham chegado a a base de uma enorme cova , uma cova que fora limpa de árvores para que as estrelas iluminassem com o seu brilho a cena mais pavorosa que os seus olhos alguma vez tinham visto . Aranhas . Não aranhas pequeninas como aquelas que estavam sobre as folhas . Aranhas de o tamanho de enormes cavalos , com oito olhos , oito pernas pretas , peludas , gigantescas . O espécimen que transportava Harry desceu o terreno íngreme até uma teia brumosa em forma de cúpula que ficava mesmo em o meio de a cova , enquanto os companheiros se juntavam em volta , batendo excitadíssimos com as tenazes e olhando para o que eles traziam a as costas . Harry caiu em o chão de gatas quando a aranha o libertou . Ron e Fang foram cair perto de ele . O Fang já não gania . Estava agachado e muito quieto . Ron e Harry partilhavam o mesmo sentimento . O Ron tinha a boca aberta em uma espécie de grito silencioso e os olhos a saltarem lhe de as órbitas . Harry percebeu de repente que a aranha que o deitara a o chão estava a dizer qualquer coisa . Era difícil entender porque entre cada duas palavras , batia com as tenazes . - Aragog - chamou . - Aragog . E de o meio de a teia brumosa em forma de cúpula saiu muito lentamente uma aranha de o tamanho de um pequeno elefante . As costas e as pernas estavam cobertas de pêlo cinzento e , em a cabeça feia , munida de tenazes , estavam vários olhos , todos eles de um branco leitoso . Era cega . - O que foi ? - disse , batendo rapidamente com as tenazes uma em a outra . - Homens - respondeu a aranha que trouxera o Harry . - É o Hagrid ? - perguntou Aragog , aproximando se mais com os seus oito olhos leitosos a vaguear . - Estranhos - respondeu a aranha que trouxera o Ron . - Matem nos - disse Aragog , irritada . - Eu estava a dormir ... - Nós somos amigos de o Hagrid - gritou Harry . Parecia que o coração lhe saltava por a boca . Clic , clic , clic fizeram as tenazes de a aranha , em volta de a cova . Aragog parou . - O Hagrid nunca mandou homens a a nossa cova - disse lentamente . - O Hagrid está em perigo - explicou Harry , respirando muito depressa . - Foi por isso que eu vim . - Em perigo ? - repetiu a aranha idosa e pareceu a Harry sentir preocupação por detrás de as suas tenazes . - Mas porque vos mandou ele cá ? Harry pensou pôr se de pé mas achou melhor não arriscar . As pernas provavelmente não teriam força para o sustentar . Falou portanto de o chão , o mais calmamente que foi capaz . - Eles lá em a escola pensam que o Hagrid soltou qualquer coisa contra os estudantes . Mandaram o para Azkaban . Aragog bateu furiosamente com as tenazes e , em toda_a cova , o eco foi reproduzido por uma multidão de aranhas . Era uma espécie de aplauso com uma única diferença : os aplausos não costumavam fazer o Harry quase morrer de medo . - Mas isso foi há muitos anos - disse Aragog , maldisposta . - Há anos e anos . Lembro me muito bem . Foi por isso que o expulsaram de a escola . Eles pensaram que eu era o monstro que vive em aquilo a que eles chamam a Câmara_dos_Segredos . Pensaram que o Hagrid a tinha aberto para me libertar . - E tu ... não vieste de a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Harry que sentia a testa cheia de suores frios . - Eu - disse Aragog , batendo irritada com as tenazes - , eu não nasci em o castelo . Venho de uma terra distante . Um viajante ofereceu me a o Hagrid quando eu era ainda um ovo . Hagrid era um rapazinho mas tratou de mim , escondeu me em uma despensa dentro de o castelo e alimentava me com as migalhas que ficavam em as mesas . Hagrid é o meu bom amigo e um bom homem . Quando me encontraram e me culparam por a morte de uma rapariga , ele protegeu me . Desde_então , tenho vivido aqui em a floresta onde o Hagrid ainda vem visitar me . Ele até me arranjou uma esposa , Mosag , e estão a ver como a família cresceu , tudo graças a a bondade de o Hagrid ... Harry reuniu a coragem que lhe restava . - Então tu nunca atacaste ninguém ? - Nunca - resmungou a velha aranha . - Era esse o meu instinto , mas por respeito a Hagrid nunca fiz mal a nenhum humano . O corpo de a rapariga morta foi encontrado em uma casa_de_banho , ora eu nunca conheci mais do_que despensa de o castelo , onde cresci . Nós gostamos de o escuro de o silêncio . - Mas então ... sabes o que matou essa rapariga ? - perguntou Harry . - Porque seja o que for , está a atacar as pessoas outra_vez ... As suas palavras foram abafadas por uma audível explosão de tenazes a bater e por o ruge-ruge de muitas pernas longas , deslocando se iradas . Em volta de Harry começaram a mover se sombras escuras . - O que vive em o castelo - disse Aragog - é uma antiga criatura que nós , aranhas , tememos acima_de todas_as outras . Lembro me bem de o quanto insisti com Hagrid para que me deixasse sair de ali quando senti a criatura a andar por a escola . - O que é ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Mais tenazes a bater , mais pernas a moverem se . As aranhas pareciam estar a aproximar se . - Nós não falamos de isso - exclamou Aragog furiosa . - Não pronunciamos o seu nome . Eu nunca disse a o Hagrid o nome de a horrível criatura , apesar_de ele me ter perguntado vezes sem conta . Harry não quis insistir , principalmente com todas aquelas aranhas a aproximarem se de todos os lados . Aragog parecia ter se cansado de falar . Recuava lentamente para a teia em forma de cúpula , mas as companheiras continuavam a aproximar se ameaçadoramente de Harry e Ron . - Vamos embora , então - gritou Harry , desesperadamente a Aragog , enquanto ouvia as folhas secas a estalarem atrás_de si . - Embora ? - disse Aragog lentamente . - Não me parece ... - Mas , mas ... - Os meus filhos e filhas não fazem mal a o Hagrid por ordem minha . Mas não posso negar lhes carne fresca quando ela veio por vontade própria ter connosco . Adeus , amigo de o Hagrid . Harry deu meia volta . Poucos centímetros acima de ele , uma sólida parede de aranhas batia com as tenazes , os seus muitos olhos a brilharem em as horríveis caras pretas . Mesmo_que se servisse de a varinha , Harry sabia que não ia valer de nada . As aranhas eram demasiadas , mas quando tentava preparar se para morrer a lutar , ouviu se um som prolongado e um clarão de luz iluminou a cova . O carro de Mr._Weasley ribombava , descendo o declive , com os faróis acesos , a buzina a guinchar , afastando as aranhas . Muitas de elas ficaram voltadas ao_contrário com as várias pernas a agitar se em o ar . O carro buzinou com mais força em frente de Harry e Ron e as portas abriram se . - Agarra o Fang - gritou Harry , ajeitando se em o lugar de a frente . Ron agarrou o cão caçador de javalis e lançou o a ganir para o banco de trás . As portas fecharam se com estrondo . Ron não tocou em o acelerador mas o carro não precisou de isso . O motor fez se ouvir e levantaram voo , batendo em mais aranhas . Subiram o declive , saindo de a cova e pouco depois atravessavam a floresta , os ramos a baterem em os vidros enquanto o carro seguia habilmente através de os intervalos maiores , por um caminho que obviamente já conhecia . Harry olhou para o Ron , a o seu lado . Ele tinha ainda a boca aberta em o mesmo grito silencioso mas os olhos já não estavam salientes . - Estás bem ? Ron olhou em frente , incapaz de responder . Começavam a descer para terra firme com o Fang a soltar enormes ganidos em o banco de trás e Harry viu o espelho retrovisor saltar quando passaram rente a um enorme carvalho . Após dez minutos bastante ruidosos , as árvores começaram a ser mais finas e Harry pôde ver de_novo pedaços de o céu . O carro parou tão bruscamente que quase foram projectados por o vidro de a frente . Tinham chegado a a orla de a floresta . O Fang ia agitadíssimo a a janela e quando Harry abriu a porta , disparou a correr através de as árvores até a a casa de o Hagrid , de cauda entre as pernas . Harry saiu também e um minuto depois o Ron pareceu recuperar a força em os membros e seguiu o , ainda com um torcicolo e de olhos esbugalhados . Harry deu uma palmadinha de agradecimento a o carro antes de ele dar a volta e desaparecer em direcção a a floresta . Harry voltou a a cabana de o Hagrid para buscar o manto de a invisibilidade . O Fang tremia em o seu cesto , coberto por um cobertor . Quando saiu de_novo , viu o Ron a vomitar junto de as abóboras . - Sigam as aranhas - disse ele debilmente , limpando a boca a a manga . - Nunca vou perdoar a o Hagrid . É uma sorte ainda estarmos vivos . - Aposto que ele pensou que Aragog nunca faria mal a os seus amigos - justificou Harry . - Esse é justamente o problema de o Hagrid - interrompeu Ron , dando um soco em a parede de a cabana . - Ele acha sempre_que os monstros não são tão maus como os pintam e vê onde isso o levou , a uma cela em Azkaban - tremia agora descontroladamente . - Qual a ideia de ele a o mandar nos ali ? Gostava de saber o que é_que descobrimos . - Que o Hagrid nunca abriu a Câmara_dos_Segredos - disse Harry , lançando o manto sobre Ron e tocando lhe em o braço para o encorajar a andar . - Ele estava inocente . Ron resmungou em voz alta . Para ele , chocar Aragog em uma despensa não era propriamente estar inocente . Quando se aproximaram de o castelo , Harry esticou o manto para garantir que os pés de ambos ficavam cobertos . Em seguida , empurrou as portas de a frente que chiaram . Atravessaram com todo o cuidado o * hall * de entrada e subiram a escadaria de mármore , contendo a respiração em os corredores guardados por sentinelas atentos . Por fim , chegaram a a segurança de a sala de os Gryffindor onde o lume ardera até se transformar em brasas brilhantes . Tiraram o manto e subiram a escada serpenteante que os levava a o dormitório . Ron caiu em a cama sem sequer se despir mas Harry , apesar_de tudo , não tinha sono . Sentou se em a beirinha de a cama , pensando em todas_as coisas que Aragog dissera . A criatura que andava por o castelo , pensou , era uma espécie de monstro Voldemort , nem os outros monstros queriam pronunciar o seu nome . Mas ele e o Ron não estavam agora mais perto_de descobrir o que era nem como petrificava as suas vítimas . Se nem o Hagrid chegara a saber o que estava em a Câmara_dos_Segredos ... Harry balançou as pernas e atirou se para_cima de a cama . Encostado a as almofadas olhou a Lua que brilhava através de a janela de a torre . Não sabia que mais poderiam fazer . Só tinham encontrado portas fechadas . Riddle apanhara a pessoa errada . O herdeiro de Slytherin fugira e ninguém sabia se era a mesma pessoa ou uma outra que abrira , desta_vez , a Câmara_dos_Segredos . Não havia mais ninguém a quem fazer perguntas . Harry deitou se ainda a pensar em as palavras de Aragog . Estava a começar a ficar com sono quando aquilo que parecia ser uma última esperança lhe ocorreu , fazendo o sentar se muito direito em a cama . - Ron - sussurrou em o escuro . - Ron . Ron acordou com um ganido como os de o Fang . Olhou muito assustado em volta e viu o Harry . - Ron , a rapariga que morreu . Aragog contou nos que ela foi encontrada em uma casa_de_banho - disse , ignorando os roncos de o Neville em o outro canto de o quarto . - E se ela nunca tivesse saído de a casa_de_banho ? E se ainda lá estiver ? Ron esfregou os olhos , franzindo as sobrancelhas sob a luz de a Lua . E só então compreendeu . -- Não pensar que ... a Murta_Queixosa ? XVI_A_Câmara_dos_Segredos -- E estivemos nós tantas vezes em aquela casa_de_banho com ela apenas a três cubículos de distância - disse o Ron amargamente em o dia seguinte , a a mesa de o pequeno-almoço . - Podíamos ter lhe perguntado e agora ... Já fora bastante difícil procurar as aranhas . Escapar a os professores o tempo suficiente para ir até a a casa_de_banho de as raparigas , que ficava mesmo em frente de o lugar onde ocorrera o primeiro ataque , ia ser quase impossível . Mas alguma coisa aconteceu que fez com que a Câmara_dos_Segredos desaparecesse de os seus pensamentos pela_primeira_vez em várias semanas . A professora Mc_Gonagall comunicou lhes que os exames começariam a 1_de_Junho , uma semana depois . - Exames ? - gritou Seamus_Finnigan . - Nós mesmo_assim vamos ter exames ? Ouviu se um estrondo atrás de o Harry quando a varinha de o Neville_Longbottom lhe escapou de a mão , fazendo desaparecer uma de as pernas de a secretária . A professora Mc_Gonagall repô a com a sua varinha e voltou se com má cara para o Seamus . - Se temos a escola aberta em uma altura de estas é para vocês receberem instrução - disse com dureza . - Os exames terão lugar , portanto , como é costume e espero que todos vocês façam revisões até lá . Revisões . Não passara por a cabeça de o Harry que houvesse exames com o castelo em aquele estado . Houve uma série de murmúrios revoltados , o que fez com que a professora Mc_Gonagall ficasse ainda mais mal-humorada . - As instruções de o professor Dumbledore foram para manter a escola a funcionar o mais normalmente possível - disse . - E isso , não preciso de vos dizer , passa por uma avaliação de o quanto vocês aprenderam a o longo de este ano . Harry olhou para baixo , para o casal de coelhos brancos que ele deveria transformar em pantufas . Que tinha ele aprendido durante o ano ? Não era capaz de se lembrar de nada que fosse útil em um exame . Ron estava como_se tivessem acabado de lhe dizer que a partir de aquele momento tinha de ir viver para a floresta proibida . - Estás a ver me a ter exames com isto tudo ? - perguntou a o Harry enquanto pegava em a varinha que tinha começado a assobiar bastante alto . Três dias antes de o primeiro exame , a a hora de o pequeno almoço , a professora Mc_Gonagall fez outra comunicação . - Tenho boas notícias - disse , e o salão em_vez_de se calar , explodiu de contentamento . - Dumbledore vai regressar ! - gritaram várias pessoas cheias de alegria . - Apanharam o herdeiro de Slytherin - arriscou uma rapariga em a mesa de os Ravenclaw . - Temos outra_vez os jogos de Quidditch - bradou Wood , excitadíssimo . Quando a agitação passou , Mc_Gonagall disse : - A professora Sprout informou me que as mandrágoras estão finalmente prontas para serem cortadas . Hoje a a noite vamos poder reanimar as pessoas que foram petrificadas . Escusado será dizer que certamente uma de elas poderá revelar nos quem ou o que a atacou . Eu tenho esperança que este ano pavoroso acabe com a prisão de o culpado . Houve uma explosão de aplausos . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e não ficou nada surpreendido a o ver que Draco_Malfoy não aplaudia . O Ron , por outro lado , estava satisfeito como ninguém o via havia dias . - Não faz mal não termos perguntado a a Murta . A Hermione vai , com certeza , ter todas_as respostas quando acordarem . Vai também ficar fula quando souber que temos exames dentro_de três dias . Ela não pôde fazer revisões . Seria melhor deixarem a estar onde está até a o final de os exames . Nessa_altura , Ginny_Weasley veio sentar se junto de o Ron . Parecia nervosa e tensa e Harry reparou que torcia as mãos em o colo . - O que se passa ? - perguntou o Ron , servindo se de mais papa de aveia . Ginny não disse nada mas olhou para um lado e para o outro de a mesa de os Gryffindor , com um olhar assustado que lembrou a Harry alguém que não sabia bem quem era . - Vá lá , vomita - disse o Ron , olhando para ela . Harry percebeu subitamente quem a Ginny lhe lembrara . Ela balançava se ligeiramente para a frente e para trás em a cadeira , exactamente como o Dobby fazia quando estava hesitante , à_beira_de revelar uma informação proibida . - Tenho de te dizer uma coisa - balbuciou a Ginny receosa , sem olhar para Harry . - O que é ? - perguntou ele . Ginny parecia incapaz de encontrar as palavras certas . - O quê ? - insistiu Ron . Ginny abriu a boca mas não saiu nenhum som . Harry inclinou se para a frente e falou devagar para que só ela e Ron pudessem ouvi o . - É alguma coisa relacionada com a Câmara_dos_Segredos ? Viste alguma coisa ou alguém a agir de forma estranha ? Ginny respirou fundo e , em esse preciso momento , apareceu Percy_Weasley com um ar pálido e cansado . - Se já acabaste de comer eu fico com esse lugar , Ginny . Estou cheio de fome . Acabei agora o meu trabalho de patrulhamento . Ginny deu um salto como_se a cadeira tivesse acabado de ser electrificada , lançou a o Percy um olhar assustado e zarpou . Percy sentou se e tirou uma caneca de o meio de a mesa . -- Percy - disse o Ron aborrecido . - Ela ia agora mesmo contar nos uma coisa importante . A meio de um gole de chá , Percy estremeceu . - Que coisa ? - perguntou , tossindo . - Eu quis saber se ela tinha visto alguma coisa estranha e ela ia dizer ... - Ah ! isso ... não tem nada que ver com a Câmara_dos_Segredos - disse o Percy de imediato . - Como sabes ? - indagou o Ron , erguendo as sobrancelhas . - Bem ... er ... já_que perguntam , a Ginny ... er ... passou por mim em outro dia quando eu ... er ... não foi nada , o importante é_que ela viu me fazer uma coisa e eu ... um ... pedi lhe para não comentar com ninguém . Não pensei que ela cumprisse a palavra , verdade se diga . Não é nada importante , eu só ... Harry nunca vira o Percy tão pouco a a vontade . - O que estavas a fazer , Percy ? - riu se o Ron . - Vá lá , conta que nós não nos rimos . Percy ficou sério . - Passa me esses pãezinhos , Harry , estou cheio de fome . Harry sabia que todo o mistério poderia ser desvendado em o dia seguinte sem a ajuda de eles mas não ia deixar de falar com a Murta_Queixosa se a oportunidade surgisse . E , para sua grande satisfação , ela surgiu a meio de a manhã quando eram conduzidos a a aula de História_da_Magia_por_Gilderoy_Lockhart . Lockhart , que tantas vezes lhes assegurara que o perigo tinha passado , estava agora totalmente convencido de que acompanhar os alunos em os corredores era um trabalho inútil . O seu cabelo estava mais liso do_que de costume . Parecia ter passado toda_a noite acordado a vigiar o quarto andar . - Podem escrever o que eu digo - afirmou , acompanhando os até uma esquina . - As primeiras palavras que vão sair de a boca de aquelas pobres pessoas petrificadas serão - * _ Foi_o_Hagrid * . Francamente , estou espantado por a professora Mc_Gonagall considerar ainda necessárias estas medidas de segurança . - Concordo , professor - disse Harry , fazendo com que Ron , surpreendido , deixasse cair os livros a o chão . - Obrigado , Harry - disse Lockhart amavelmente , enquanto deixavam passar uma grande fila de Hufflepuffs . - verdade é_que os professores já têm bastante que fazer para andarem também a acompanhar os alunos a as aulas e a guardar os corredores a a noite ... - É verdade - disse o Ron , percebendo a ideia . - Porque não nos deixa aqui , professor , só falta mais um corredor . - Sabes , Weasley , sou mesmo capaz de fazer isso - disse Lockhart . - Preciso de preparar a minha próxima aula . E apressou se a seguir o seu caminho . - Preparar a aula - zombou o Ron . - Vai encaracolar o cabelo , é o mais certo . Deixaram os restantes Gryffindor passar lhes a a frente e por fim cortaram caminho em um corredor lateral e dirigiram se a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mas quando estavam a congratular se por o seu esquema brilhante ... - Potter , Weasley ! Que estão vocês a fazer aqui ? Era a professora Mc_Gonagall e a boca de ela estava mais fina do_que nunca . - Nós estávamos , estávamos - gaguejou o Ron . - Nós íamos ver , íamos ver ... - Hermione - completou Harry . A professora Mc_Gonagall e Ron olharam para ele . - Não a vemos há séculos , professora - prosseguiu Harry , pisando o pé a o Ron . - E pensamos ir espreitá a a a ala hospitalar e dizer lhe que as mandrágoras estão quase prontas , para ela não se preocupar . A professora Mc_Gonagall estava ainda a olhar para ele e , por um momento , Harry pensou que ela ia explodir mas , quando falou , fê lo em um tom de voz estranhamente rouco . - É claro - disse . E Harry , espantado , viu uma lágrima a brilhar lhe em o canto de um de os olhos . - É claro . Eu compreendo que tudo_isto tem sido muito duro para os amigos de aqueles que foram ... eu compreendo , sim , Potter . Podem ir visitar Miss_Granger . Eu mesma informarei o professor Binns de que vocês estão em o hospital . Digam a Madam_Pomfrey que vos dei autorização . Harry e Ron afastaram se , quase sem acreditar que tinham escapado a um castigo . Quando voltaram em uma esquina ouviram nitidamente a professora Mc_Gonagall a assoar se . - Esta - disse o Ron entusiasmado - foi a melhor história que tu alguma vez inventaste . Não tinham outro remédio senão ir a a ala hospitalar e dizer a Madam_Pomfrey que tinham autorização de a professora Mc_Gonagall para visitar Hermione . Madam_Pomfrey deixou os entrar com alguma relutância . - Não vale a pena falar com uma pessoa petrificada - disse , e ambos tiveram que admitir que ela tinha razão quando se sentaram junto de Hermione e constataram que ela não tinha a menor noção de estar acompanhada . Dizer lhe que não se preocupasse ou falar com o armário que estava a o lado de a cama era exactamente a mesma coisa . - Será que ela viu quem a atacou ? - perguntou o Ron , olhando com tristeza para o rosto rígido de Hermione . - Porque se a coisa saltou sobre eles , ficaremos todos sem saber de nada . Mas Harry não olhava para o rosto de Hermione . Estava mais interessado em a sua mão direita que se encontrava pousada sobre os cobertores e , inclinando se para ela , viu que tinha , fechado entre os dedos , um pedaço de papel . Assegurando se de que Madam_Pomfrey não dava por nada , fez sinal a o Ron . - Tenta tirá o - murmurou ele , colocando a cadeira de_modo_a que Madam_Pomfrey não pudesse ver o Harry . Não foi tarefa fácil . A mão de a Hermione estava fechada com uma força tal que Harry receou parti a . Enquanto Ron vigiava , ele forçou e torceu até que , por fim , depois de vários minutos bastante tensos , conseguiu tirar o papel . Era uma página retirada de um livro muito antigo de a biblioteca . Harry alisou a ansiosamente e Ron inclinou se para poder lês a também . * _ De todos os monstros assustadores que pairam a a face de a Terra , nenhum é tão curioso nem tão fatal como o Basilisk , também conhecido por o rei de as serpentes . Esta cobra que pode atingir proporções gigantescas e viver durante muitas centenas de anos nasce de um ovo de galinha que é chocado por um sapo . As suas formas de matar são pavorosas pois além de os dentes venenosos e mortais , o Basilisk tem um olhar criminoso e todos aqueles que ele fixa com os olhos tem morte instantânea . As aranhas fogem a sete pés de o Basilisk que é seu inimigo mortal , e o Basilisk foge apenas de o canto de o galo que para ele é fatal * . Por debaixo de isto uma única palavra fora escrita , em a letra que Harry reconheceu como sendo de Hermione : Canos . Foi como_se se tivesse acendido uma luz em o seu espírito . - Ron - murmurou - é isso . Está aqui a resposta . O monstro de a Câmara_dos_Segredos é um Basilisk , uma serpente gigante . Por isso , só eu tenho ouvido a sua voz em todos os lugares , porque eu compreendo * serpentês * ... Harry olhou para as camas em volta . - O Basilisk mata as pessoas fixando as com o olhar mas ninguém morreu , o que quer_dizer que ninguém o olhou directamente em os olhos . Colin viu o através de a lente de a máquina fotográfica e o Basilisk queimou o rolo que estava lá dentro mas o Colin ficou apenas petrificado . O Justin ... o Justin deve ter visto o Basilisk através de o Nick quase sem cabeça . O Nick é_que levou com o olhar mas não podia morrer outra_vez ... e perto de a Hermione e de a prefeita de os Ravenclaw foi encontrado um espelho . Hermione acabara de compreender que o monstro era um Basilisk . Aposto que preveniu a primeira pessoa que encontrou de que era melhor olhar por um espelho a o virar de cada esquina . E aquela rapariga puxou de o seu espelho e ... O Ron estava de queixo caído . - E Mrs._Norris ? - perguntou vivamente . Harry pensou um_pouco , tentando imaginar a cena em a noite de o Halloween . - A água . . . - disse lentamente . - A poça de água que saiu de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Aposto que Mrs._Norris só viu o reflexo de o monstro . Examinou a folha de papel que tinha em a mão . Quanto_mais olhava mais sentido faziam as coisas . - * _ O cantar de o galo é fatal para ele * - leu em voz alta . - Os galos de o Hagrid foram mortos . O herdeiro de Slytherin não queria um único galo perto de o castelo , com a câmara aberta . * _ As aranhas são as primeiras a fugir * . Tudo encaixa . - Mas , como tem o Basilisk andado por aí ? - disse o Ron . - Uma serpente horrível e enorme ... alguém a teria visto . Mas Harry apontou para a palavra que Hermione escrevinhara em o final de a página . - Canos - disse . - Canos ... Ron , ele tem usado a canalização . Eu ouvi sempre a voz dentro de as paredes ... Ron agarrou subitamente o braço de o Harry . - A entrada para a Câmara_dos_Segredos - disse em uma voz rouca . - E se for em uma casa_de_banho ? Se for em a ... - Em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa - completou Harry . Sentaram se , tomados de uma excitação enorme , mal querendo acreditar . - Isso significa que - disse o Harry - eu não posso ser o único em a escola a falar * serpentês * . Há também o herdeiro de Slytherin . É de esse modo que tem controlado o Basilisk . - O que vamos fazer ? - perguntou Ron com os olhos a faiscar . - Vamos falar com a Mc_Gonagall ? - Vamos até a a sala de os professores - disse Harry , dando um salto . - Ela estará lá dentro_de dez minutos , está quase em o intervalo . Desceram a escada a correr . Não querendo ser descobertos outra_vez a vaguear por os corredores foram directamente até a a sala de os professores que estava deserta . Era uma divisão ampla , toda forrada , com cadeiras de madeira escura . Harry e Ron passearam de um lado para o outro , demasiado nervosos para se sentarem . Mas a campainha anunciando o intervalo nunca mais tocava . Em vez de isso , ecoando em os corredores , ouviram a voz de a professora Mc_Gonagall incrivelmente ampliada . - * _ Todos os alunos devem regressar de imediato a os seus dormitórios . Todos os professores a a sala de professores . Imediatamente , por favor * . Harry deu meia volta e olhou para o Ron . - Não me digas que houve um novo ataque , não agora ! - Que vamos fazer ? - disse o Ron aterrado . - Voltar para o dormitório ? - Não - disse Harry , olhando e m volta . Havia uma espécie de armário a a sua esquerda cheio com os mantos de os professores . - Ali . Vamos ouvir o que se passa . A seguir poderemos contar lhes o que descobrimos . Esconderam se dentro de o armário , ouvindo a algazarra de centenas de pessoas e a porta de a sala de professores a abrir se . De o meio de a confusão de mantos bafientos , viram os professores encherem a sala . Alguns tinham um ar totalmente confuso , outros pareciam apavorados . Por fim , chegou a professora Mc_Gonagall . - Aconteceu - disse em o silêncio de a sala de professores . - O monstro levou uma aluna . Levou a mesmo para a câmara . O professor Flitwick soltou um grito agudo . A professora Sprout bateu com a mão em a boca . Snape agarrou com força as costas de uma cadeira e perguntou : - Como pode ter tanta certeza ? - O herdeiro de Slytherin - disse a professora Mc_Gonagall , muito pálida . - Deixou outra mensagem . Mesmo por baixo de a primeira : « * _ O esqueleto de ela ficará para sempre em a Câmara_dos_Segredos * . » O professor Flitwick desatou a chorar . - Quem é ela ? - quis saber Madam_Hooch que se afundara em uma cadeira . - Quem é a aluna ? - Ginny_Weasley - disse a professora Mc_Gonagall . Harry viu o Ron , a o seu lado , escorregar silenciosamente até a o chão de o armário . - Vamos ter que mandar todos os alunos embora amanhã - disse a professora Mc_Gonagall . Isto_é o fim de Hogwarts , Dumbledore sempre disse ... A porta de a sala de os professores voltou a abrir se . Por um breve momento , Harry pensou que fosse Dumbledore mas era Lockhart e vinha todo sorridente . - Peço desculpa , adormeci . Perdi alguma coisa ? Não pareceu reparar que os outros professores o olhavam com uma espécie de aversão . Snape deu um passo em frente . - O homem que faltava - disse . - O homem certo . O monstro raptou uma garota , Lockhart levou a para a Câmara_dos_Segredos . O seu momento chegou . - Isso mesmo , Lockhart - acrescentou a professora Sprout . - Não estavas a dizer ontem a a noite que sempre tinhas sabido onde era a entrada para a Câmara_dos_Segredos ? - Eu ... bem ... eu-disse atabalhoadamente Lockhart . - Sim , não me disseste que sabias exactamente o que estava lá dentro ? - disse com voz esganiçada o professor Flitwick . - Eu disse ? Não me lembro ... - Lembro me perfeitamente de o ouvir dizer que lamentava não ter feito uma tentativa com o monstro antes de o Hagrid ser preso - disse Snape . - Não disse que toda_a história tinha sido uma atrapalhação e que deveriam ter lhe dado carta branca desde o princípio ? Lockhart olhou em volta para a cara de espanto de os colegas . - Eu ... nunca ... eu de facto ... deve ter me compreendido mal . - Então vamos deixar te , Gilderoy - disse a professora Mc_Gonagall . - Esta noite será uma excelente oportunidade para actuares . Nós trataremos de assegurar que ninguém te atrapalha . Vais poder enfrentar o monstro sozinho . Finalmente tens carta branca . Lockhart olhou desesperado a a sua volta mas ninguém foi salvá o . Já não estava bem-parecido . O lábio tremia lhe e a ausência de o seu habitual sorriso de dentes brancos dava lhe um ar escanzelado . - M-muito bem - disse . - Vou até a o meu escritório para ... para me preparar . E saiu de a sala . - _ óptimo - exclamou a professora Mc_Gonagall com as narinas dilatadas . - Isto deve afastá o de o nosso caminho . Os chefes de casa devem ir agora comunicar a os respectivos alunos o que se passou e informá os de que o Expresso_de_Hogwarts os levará a casa amanhã de manhã . Os restantes certifiquem se , por favor , de que não há alunos fora de os dormitórios . Os professores levantaram se e saíram um a um . Foi talvez o dia pior de a vida de o Harry . Ele , Ron , Fred e George sentaram se juntos a um canto em a sala comum de os Gryffindor , incapazes de proferir uma palavra . Percy não estava lá . Tinha ido tratar de enviar uma coruja a Mr. e Mrs._Weasley e , em seguida , fechara se em o dormitório . Nunca uma tarde custara tanto a passar e nunca a torre de os Gryfffindor estivera tão cheia de gente e tão silenciosa . Fred e George foram para a cama quase a o pôr de o Sol , incapazes de ficar ali mais tempo . - Ela sabia qualquer coisa , Harry - disse o Ron , falando pela_primeira_vez desde_que tinham saído de o armário de a sala de os professores . - Por isso a levaram . Não era nenhuma parvoíce sobre o Percy , ela tinha descoberto qualquer coisa sobre a Câmara_dos_Segredos . Com certeza por isso é_que a ... - Ron esfregou os olhos , enervadíssimo . - Afinal ela era sangue puro , não pode haver outra explicação . Harry olhava para o sol que mergulhava de um vermelho cor de sangue em a linha de o horizonte . Era a pior coisa que lhe tinha acontecido . Se pelo_menos pudessem fazer alguma coisa . - Harry - disse o Ron . - Achas que há alguma possibilidade de ela não estar ... ? Sabes o que eu quero dizer . Harry não sabia que resposta dar . Não acreditava que a Ginny pudesse ainda estar viva . - Sabes uma coisa ? - disse o Ron . - Acho que devíamos ir ter com o Lockhart , contar lhe o que sabemos . Ele vai tentar entrar em a câmara , podemos dizer lhe onde achamos que fica a entrada e contar lhe que o monstro é um Basilisk . Como Harry não tinha nenhuma ideia melhor e como queria fazer alguma coisa , concordou . Os Gryffindor que os rodeavam estavam tão tristes e com tanta pena de os Weasley que ninguém tentou impedi os quando os viram levantar se , atravessar a sala e sair por o buraco de o retrato . A escuridão começava a instalar se quando chegaram a o escritório de Lockhart onde a actividade era muita . De o corredor ouvia se o ruído de coisas a serem deitadas fora , pancadas surdas e passos apressados . Harry bateu a a porta e houve um silêncio repentino . Em seguida abriu se uma fresta de a porta e viram um de os olhos de Lockhart a espreitar . - Oh ! ... Mr._Potter ... Mr._Weasley - disse entreabrindo a porta . - Estou um_pouco ocupado em este momento , se forem rápidos ... - Professor , nós temos informações para lhe dar - disse o Harry . - Acho que poderão ajudá o . - Er ... bem ... não é - o lado de a cara de Lockhart que conseguiam ver parecia muito pouco a a vontade . - Quer_dizer ... bem ... está bem . Abriu a porta e eles entraram . O escritório estava praticamente vazio . Em o chão estavam duas grandes malas abertas . Mantos verde-jade , lilás , azul-noite tinham sido apressadamente dobrados e guardados dentro_de uma de as malas . Os livros misturavam se todos dentro de a outra . As fotografias que antes cobriam as paredes estavam agora arrumadas em caixas , em cima de a secretária . - Vai a algum lado ? - perguntou Harry . - Er ... bem ... sim - disse Lockhart , arrancando de a porta um poster seu em tamanho natural , enquanto falava , e começando a enrolá o . - Uma chamada urgente ... inevitável ... tenho que ir . - E a minha irmã ? - perguntou o Ron bruscamente . - Bem , quanto_a isso foi uma pena - disse Lockhart , evitando olhá os em os olhos , abrindo uma gaveta e começando a despejar o seu conteúdo dentro_de um saco . - Ninguém lamenta mais do_que eu ... - O senhor é o professor de Defesa contra as artes negras - disse Harry . - Não pode ir se embora agora_que todas estas coisas de magia negra estão a acontecer aqui . - Bem , devo dizer te que ... quando aceitei o lugar ... - resmungou Lockhart , empilhando soquetes sobre os mantos - nada em a descrição de o meu trabalho fazia prever ... - Quer_dizer que vai fugir ? - perguntou Harry , incrédulo . - Depois de todas_as coisas que conta em os seus livros ? - Os livros podem ser enganadores - disse Lockhart delicadamente . - Mas foi o senhor que os escreveu - gritou Harry . - Meu rapaz - disse Lockhart , endireitando se e franzindo as sobrancelhas - usa o senso comum . Os meus livros não teriam vendido metade do_que venderam se as pessoas não acreditassem que eu tinha feito todas aquelas coisas . Ninguém está interessado em ler sobre um velho feiticeiro americano mesmo_que ele tenha salvo uma cidade inteira de os lobisomens , ficaria péssimo em a capa . E a bruxa que correu com a fada carpideira tinha um lábio leporino . Como vês . - Quer_dizer que ficou com os louros por tudo_o_que uma série de outras pessoas fizeram ? - perguntou Harry , sem querer acreditar . - Harry , Harry - disse Lockhart , abanando impacientemente a cabeça . - Não é tão simples assim . Envolveu muito trabalho . Tive de localizar todas essas pessoas , perguntar lhes em pormenor como tinham feito as coisas . Depois tive de lhes fazer um feitiço antimemória para que não voltassem a lembrar se do_que tinham feito . Se há uma coisa de que me orgulho é de os meus feitiços antimemória . Não , tive muito trabalho , Harry . Não foram só as sessões de autógrafos e as fotografias , sabes ? Quem quer ser famoso tem de estar preparado para um trabalho longo e fatigante . Fechou as malas a a chave . - Vejamos - disse . - Acho que está tudo . Sim , só falta uma coisa . - Empunhou a varinha e voltou se para eles . - Lamento muito , rapazes , mas vou ter de vos fazer um feitiço antimemória . Não posso deixar que vão por aí repetir os meus segredos . Não venderia nem mais um livro . Harry pegou em a varinha mesmo a tempo e Lockhart mal tinha levantado a de ele a o ar quando Harry gritou * _ Expelliarmus ! * Lockhart foi projectado de costas , indo cair em cima de a mala . A varinha voou por os ares . Ron agarrou a e atirou a por a janela aberta . - Não devia ter deixado o professor Snape ensinar nos esta - disse Harry furioso , dando um pontapé a uma de as malas . Lockhart olhava para ele , de_novo escanzelado . Harry apontava lhe a varinha . - O que queres que eu faça ? - perguntou debilmente . - Eu não sei onde fica a Câmara_dos_Segredos . Não posso fazer nada . - Está com sorte - disse Harry , forçando o com a varinha a pôr se de pé . - Nós julgamos saber onde é e o que está lá dentro . Vamos . Conduziram Lockhart para fora de o seu escritório , desceram com ele as escadas e seguiram por o corredor escuro em cuja parede brilhavam as mensagens , até a a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mandaram Lockhart a a frente . Harry gostou de ver que todo ele tremia . A Murta_Queixosa estava sentada em a cisterna de o cubículo de o fundo . - Ah ! são vocês - disse a o ver o Harry . - O que querem agora ? - Perguntar te como morreste - disse Harry . O aspecto de a Murta mudou por completo . Parecia que nunca lhe tinham feito uma pergunta tão lisonjeira . - Ooooh ! Foi horrível - disse satisfeita . - Aconteceu aqui mesmo . Morri em este cubículo . Lembro me tão bem . Estava escondida porque a Olive_Hornby andava a implicar comigo por causa de os meus óculos . A porta estava fechada e eu estava a chorar e , então , ouvi alguém entrar . Disseram qualquer coisa estranha em uma língua diferente , acho eu . Mas o que mais me espantou foi o ser um rapaz a falar . Por isso , abri a porta para lhe dizer que fosse a a casa_de_banho de eles e em esse momento - a Murta inchou com ar importante , o rosto a brilhar - morri . - Como ? - perguntou Harry . - Não faço ideia - disse a Murta em um tom de voz abafado . - Só me lembro de ver dois grandes olhos amarelos , de o meu corpo ficar preso e em seguida , sentir me a flutuar ... - olhou sonhadoramente para Harry . - E depois voltei . Estava disposta a vingar me de a Olive_Hornby , percebes ? Ela ia arrepender se de ter gozado com os meus óculos . - Onde foi exactamente que viste os tais olhos ? - perguntou Harry . - Algures por aí - disse a Murta , apontando vagamente para o lavatório em frente de o seu cubículo . Harry e Ron apressaram se . Lockhart estava de pé , mais atrás , com uma expressão de pavor em o rosto . O lavatório parecia perfeitamente vulgar . Examinaram o centímetro a centímetro , dentro e fora , incluindo os canos por baixo . E foi então que Harry reparou : de lado , rabiscada em uma de as torneiras de cobre , estava uma cobra pequenina . - Essa torneira nunca funcionou - disse vivamente a Murta enquanto ele tentava abri a . - Harry - sugeriu o Ron . - Diz qualquer coisa em * serpentês * . Mas , pensou Harry , as únicas vezes que conseguira falar * serpentês * tinham ocorrido quando confrontado com uma verdadeira serpente . Olhou , concentrado para a pequena cobra gravada em o cobre , tentando imaginá a como verdadeira . - Abre te - disse . Olhou para o Ron que abanou a cabeça . - Inglês - disse ele . Harry voltou a olhar para a cobra , forçando se a acreditar que estava viva . A luz de a vela fez parecer que se movia . - Abre te - repetiu . Mas desta_vez as palavras não foram o que ele ouviu . Um estranho sibilar escapou lhe de a boca e a torneira ganhou uma luz branca e brilhante e começou a rodar . Logo_a_seguir o lavatório mexeu se . Afastou se , melhor dizendo , saiu de o caminho , deixando um grande cano a a vista , um cano onde cabia um homem . Harry ouviu a respiração arquejante de o Ron e olhou de_novo para ele . Já decidira o que queria fazer . - Vou descer - disse . Não podia deixar de ir , agora_que acabavam de descobrir a entrada para a câmara , existindo uma possibilidade , por mais remota que fosse , de a Ginny ainda estar viva . - Eu também - disse o Ron . Houve uma pausa . - Bem , parece que não precisam mais de mim - apressou se Lockhart a dizer com uma réstia de sorriso . - Eu vou . . . Pôs a mão em o puxador de a porta mas Ron e Harry apontaram lhe ambos as varinhas . -- O senhor pode ir a a frente - disse rispidamente o Ron . Pálido e sem varinha , Lockhart aproximou se de a entrada . - Meus rapazes - disse em uma voz débil . - Meus rapazes , para quê tudo_isto ? Harry tocou lhe em as costas com a varinha e ele meteu as pernas em o cano . - Eu não me parece que ... - começou a dizer , mas o Ron deu lhe um empurrão e ele desapareceu por o cano abaixo . Harry foi rapidamente atrás . Introduziu se lentamente e deixou se cair . Era como escorregar em uma pista escura e interminável . Ele via outros canos , estendendo se em todas_as direcções mas nenhum tão largo como o de eles que se torcia e virava , inclinando se abruptamente . Harry sabia que estavam a chegar a um ponto muito abaixo de a escola e de os calabouços . Atrás_de si , ouvia o Ron gemendo em cada curva . E então , quando começava a preocupar se com o que iria acontecer quando tocassem em o chão , o cano tornou se horizontal e ele foi projectado com um ruído surdo , indo aterrar em o chão húmido de um túnel de pedra com altura suficiente para ele se pôr de pé . Lockhart estava a levantar se a alguma distancia , todo enlameado e pálido como um fantasma . Harry afastou se para deixar o Ron sair também de o cano . - Devemos estar quilómetros e quilómetros abaixo de a escola - disse o Harry cuja voz ecoou em o túnel negro . - Talvez até debaixo de o lago - arriscou o Ron , olhando em volta para as paredes escuras e viscosas . Voltaram se os três para olhar para a escuridão lá a o fundo . - * _ Lumus ! * - murmurou Harry a a varinha e ela voltou a acender se . - Vamos - disse a o Ron e a o Lockhart e avançaram , os passos a chapinharem ruidosamente em o chão molhado . O túnel era tão escuro que só conseguiam ver alguns centímetros a a frente . As suas sombras em as paredes molhadas pareciam monstruosas a a luz de a varinha . - Lembrem se - disse Harry baixinho enquanto caminhavam . - A o menor movimento fechem logo os olhos ... Mas o túnel era silencioso como um túmulo e o primeiro som inesperado que ouviram foi um grito de o Ron que escorregou em uma coisa que era afinal a cauda de um rato . Harry baixou a varinha para olhar para o chão e viu que estava cheio de pequenos ossos de animais . Fazendo um enorme esforço para evitar pensar em que estado iriam encontrar a Ginny , avançou até uma curva escura de o túnel . - Harry , está aqui qualquer coisa - disse o Ron com voz rouca , agarrando Harry por o ombro . Ficaram estáticos a olhar . Harry só conseguia ver a silhueta de algo enorme e curvo deitado em o túnel . Fosse o que fosse não se movia . - Talvez esteja a dormir - murmurou , olhando para os outros dois . Lockhart tapava os olhos com as mãos . Harry voltou se para olhar para a criatura com o coração a bater tanto que lhe doía em o peito . Lentamente , com os olhos quase fechados mas ainda conseguindo ver , Harry avançou com a varinha levantada . A luz deslizou sobre uma gigantesca pele de serpente , de um verde vivo e venenoso que estava vazia e enrolada em o chão de o túnel . A criatura que a abandonara devia ter , pelo_menos , seis metros e meio de comprimento . - Bolas - disse o Ron , perdendo as forças . Houve um movimento súbito atrás de eles . As pernas de Gilderoy_Lockhart cederam . - Levante se - disse o Ron de uma forma cortante , apontando lhe a varinha . Lockhart pôs se de pé . Em seguida empurrou o Ron , atirando o a o chão . Harry deu um salto , mas ... tarde de mais . Lockhart endireitava se com a varinha de o Ron em as mãos e um sorriso em o rosto . - A aventura acaba aqui , rapazes - disse . - Vou levar um bocado de esta pele de cobra para a escola , contar lhes que foi demasiado tarde para salvar a garota e que vocês os dois perderam tragicamente a memória com a visão de o seu corpinho mutilado . Digam adeus a as vossas recordações . Levantou a o ar a varinha avariada de o Ron e gritou * _ Obliviate ! * A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba . Harry pôs os braços sobre a cabeça e correu , escorregou em os anéis de a pele de cobra , afastando se de os grandes pedaços de tecto de o túnel que caíam em o chão com o ruído de trovões . Pouco depois estava sozinho , olhando para uma sólida parede de rocha partida . - Ron - gritou ele . - Estás bem , Ron ? - Estou aqui - respondeu a voz abafada de o Ron por detrás de a avalancha de rochas . - Eu estou bem mas este sujeito não . A varinha avariou o todo . Ouviu se um ruído surdo e um Oh ! gritado . Parecia que o Ron tinha acabado de dar a o Lockhart um pontapé em as canelas . - E agora ? - disse a voz de o Ron que parecia desesperada . - Não podemos passar , vai demorar séculos . Harry olhou para o tecto de o túnel onde tinham aparecido grandes fendas . Ele nunca tentara partir , através de a magia , nada tão grande como aquelas rochas e agora não lhe parecia ser o melhor momento para fazer experiências . E se o túnel abatesse ? Houve um ruído surdo e outro Oh ! atrás de as rochas . Estavam a perder tempo . A Ginny já estava havia duas horas em a Câmara_dos_Segredos . Harry sabia que só havia uma coisa a fazer . - Espera aqui - gritou a o Ron . - Fica com o Lockhart , eu vou lá . Se não voltar dentro_de uma hora ... Houve um silêncio cheio . - Eu vou ver se desloco um_pouco esta rocha - disse o Ron , tentando manter a voz firme . - Para tu poderes passar . E , Harry ... - Até já - disse o Harry , procurando injectar confiança em a sua voz trémula . E passou sozinho para lá de a imensa pele de serpente . Em_breve , o ruído de o Ron , tentando deslocar a rocha , deixou de se ouvir . O túnel virou uma e outra_vez . Os nervos de o corpo de o Harry tangiam de forma desagradável . Ele só queria que o túnel chegasse a o fim , fosse o que fosse que o aguardasse . E então , finalmente , quando atingiu a última curva , viu em a sua frente uma parede sólida que tinha gravadas duas serpentes enroladas uma em a outra , cujos olhos eram quatro esmeraldas , enormes e brilhantes . Harry aproximou se com a garganta seca . Não foi preciso imaginar que as serpentes eram autênticas . Os seus olhos pareciam estranhamente vivos . Foi fácil descobrir o que tinha de fazer . Pigarreou e os olhos de esmeraldas pareceram mexer se . - Abre te - disse Harry em um sibilar baixo . As serpentes desapareceram enquanto a parede se abria a o meio e , a tremer de os pés a a cabeça , Harry entrou . XVII_Herdeiro_de_Slytherin_Estava de pé em o fundo de uma divisão enorme , fracamente iluminada . Altíssimos pilares de pedra , cheios de serpentes gravadas que os enlaçavam , erguiam se , suportando um tecto que se perdia em a escuridão e que lançava sombras negras imensas através de a estranha luz esverdeada que enchia o local . Com o coração a bater descompassadamente , Harry ficou parado a ouvir aquele silêncio arrepiante . Estaria o Basilisk escondido em um canto cheio de sombras , atrás_de algum pilar ? E onde estaria Ginny ? Pegou em a varinha e avançou a o longo de as colunas serpenteantes . Cada_um de os seus passos provocava um enorme eco em as paredes sombrias . Harry tinha os olhos semicerrados e estava pronto para os fechar a o mais pequeno movimento . As órbitas de olhos fundos de as serpentes de pedra pareciam segui o . Por mais de uma_vez , com o estômago a dar um salto , Harry julgou vê os moverem se . Por fim , chegado a o nível de os dois últimos pilares , avistou uma estátua de a altura de a própria câmara que estava encostada a a parede de o fundo . Harry tinha de esticar o pescoço para olhar para_cima , para a cara de o gigante : era velho e com um ar simiesco , tinha uma barba enorme que lhe caía quase onde acabava a longa túnica de pedra . Os dois pés imensos e cinzentos pousavam em o chão de a câmara . E entre eles , voltada para baixo , estava uma figura pequenina vestida de preto com um cabelo flamejante . - Ginny - murmurou Harry , chegando perto de ela e ajoelhando se . - Ginny , por favor não estejas morta , não estejas morta ! Atirou a varinha para o lado , agarrou Ginny por os ombros e voltou a . O rosto de ela estava branco e frio como o mármore , contudo os olhos encontravam se fechados , portanto não estava petrificada . Mas então devia estar ... - Ginny , acorda por favor - repetiu Harry desesperado , sacudindo a . A cabeça de ela andava de um lado para o outro . - Ela não vai acordar - disse secamente uma voz . Harry deu um salto e girou sobre os joelhos . Um rapaz alto , de cabelo preto , estava encostado a o pilar mais próximo , a observá o . As sombras desfocavam o como_se Harry o visse através_de uma janela embaciada . Mas não havia como confundis o . - Tom , Tom_Riddle ? Riddle acenou , sem tirar os olhos de o rosto de Harry . - O que queres dizer com isso de ela não acordar ? - perguntou Harry desesperado . - Ela não está ... não está ? - Está viva - disse Riddle . - Mas , por um fio . Harry olhou fixamente para ele . Tom_Riddle estivera em Hogwarts há cinquenta anos atrás . Contudo , ali estava com uma luz estranha e desfocada a iluminá o , sem um dia a mais do_que os seus dezasseis anos . - És um fantasma ? - perguntou Harry . - Uma memória - disse Riddle . - Preservada em um diário durante cinquenta anos . Apontou para os pés de a estátua gigantesca . Ali , aberto em o chão , estava o pequeno diário de capa preta que Harry tinha encontrado em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Durante um segundo , Harry perguntou a si próprio como teria ido ali parar , mas havia coisas mais importantes a fazer . Preciso de a tua ajuda , Tom - disse Harry , levantando de_novo a cabeça de a Ginny . - Temos de sair de aqui . Há_um_Basilisk ... não sei onde está mas pode aparecer a qualquer momento . Por favor , ajuda me . Riddle não se mexeu . Harry , a transpirar , conseguiu levantar ligeiramente a Ginny de o solo e inclinou se para pegar em a varinha mas ela tinha desaparecido . - Viste a ... ? Olhou para_cima . Riddle continuava a olhá o , fazendo girar a varinha entre os dedos longos . - Obrigado - disse Harry , esticando o braço para a agarrar . Um sorriso surgiu então em os cantos de a boca de Riddle que continuou a olhar para ele , girando indolentemente a varinha . - Ouve , pá - disse Harry sem querer perder mais tempo , os joelhos a vergarem sob o peso morto de Ginny - temos de ir . Se o Basilisk aparece ... - Ele não vem enquanto não for chamado - disse Riddle com toda_a calma . Harry voltou a pousar Ginny em o chão , incapaz de a segurar por mais tempo . - Que queres dizer com isso ? - perguntou . - Dá me a minha varinha , posso precisar de ela . O sorriso de Riddle ampliou se . - Não vais precisar de ela - disse . Harry olhou o espantado . - O que queres dizer , não vou ? - Esperei muito_tempo por isto , Harry - disse Riddle . - Pela possibilidade de te ver , de falar contigo . - Olha , eu acho que tu não estás a perceber - disse Harry , perdendo a paciência . - Estamos em a Câmara_dos_Segredos , podemos conversar mais tarde . - Vamos conversar agora - disse Riddle , sorrindo de orelha a orelha e guardando a varinha de Harry em o bolso . Harry voltou a olhar para ele . Havia qualquer coisa de muito estranho em tudo aquilo . - Como é_que a Ginny ficou assim ? - perguntou pausadamente . - Bem , essa é uma pergunta interessante - disse Riddle , divertido . - E uma longa história , também . Julgo que o verdadeiro motivo que levou Ginny_Weasley a ficar assim foi o ter aberto o seu coração e revelado todos os seus segredos a um estranho ser invisível . - De quem estás a falar ? - perguntou Harry . - De o diário - disse Riddle . - De o meu diário . A Ginny escreve nele há meses e meses , contando me todas_as suas lamentáveis desgraças e atribulações : como os irmãos a arreliam , que teve de vir para a escola com manto , túnica e livros em segunda mão - os olhos de Riddle brilharam -- , que acha que o maravilhoso , o grande , o famoso Harry_Potter nunca vai gostar de ela ... Enquanto falava , nunca os olhos de Riddle se afastaram de a cara de o Harry . Havia em eles um olhar ávido . - É muito chato ter de ouvir as preocupações idiotas de uma garotinha de onze anos - prosseguiu . - Mas eu fui paciente . Respondi lhe , mostrei me simpático e amável . A Ginny pura e simplesmente adorou me . - * _ Nunca ninguém me compreendeu como tu , Tom ... estou tão feliz por ter este diário a quem me confiar ... é como ter um amigo que pode andar em o meu bolso * ... Riddle riu se . Um riso alto , frio , que não lhe ficava bem . Fez com que os cabelos de o pescoço de Harry se arrepiassem todos . - Verdade se diga que sempre consegui encantar as pessoas necessárias . Portanto a Ginny verteu em mim a sua alma e a alma de ela era precisamente o que eu queria . Fortaleceu me . Alimentei me de os seus medos mais profundos , de os seus mais obscuros segredos . Fui ficando cada_vez_mais forte e poderoso . Muito mais poderoso do_que a pequena Miss_Weasley até que comecei a transmitir lhe alguns de os meus segredos , a passar um_pouco de a minha alma para ela ... - O que queres dizer ? - perguntou Harry cuja boca ficara totalmente seca . - Ainda não descobriste , Harry_Potter ? - disse Riddle muito baixo . - Giony_Weasley abriu a Câmara_dos_Segredos , estrangulou os galos de a escola e escreveu mensagens assustadoras em as paredes . Atiçou a serpente de Slytherin contra quatro sangues de lama e contra o gato de o busca-pé . - Não - murmurou Harry . - Sim - disse calmamente Riddle . - É claro que a princípio não sabia o que estava a fazer . Era muito divertido . Gostava que visses as coisas que escreveu em o diário , começaram a ficar muito mais interessantes . * _ Querido_Tom * - recitou ele , olhando para a expressão horrorizada de o Harry . - * _ Acho que estou a perder a memória . Há penas de galo em todas_as minhas roupas e eu não sei como foram lá parar . Querido_Tom , não me lembro do_que fiz em a noite de o Hallowe'en mas foi atacada uma gata e eu estou cheia de tinta em a cara . Querido_Tom , o Percy não pára de me dizer que ando pálida e não pareço eu . Acho que ele suspeita de mim ... Houve outro ataque hoje e eu não sei onde estava . Tom , que vou eu fazer ? Acho que estou a ficar maluca ... acho que ando a atacar toda_a_gente , Tom ! * Harry tinha os punhos fechados , as unhas cravadas contra a palma de as mãos . - Levou muito_tempo até a pequenina estúpida deixar de confiar em o diário - disse Riddle . - Mas acabou por ficar desconfiada e tentou livrar se de ele . E é aí que tu entras , Harry . Tu encontraste o . E eu não poderia ter ficado mais satisfeito . De todas_as pessoas que poderiam ter ficado com ele , foste tu , aquele que eu ambicionava conhecer ... - E porque querias conhecer me ? - perguntou Harry . Começava a ser tomado por a raiva e fez um esforço para manter o tom de voz controlado . - Bem , a Ginny contou me tudo a teu respeito - disse Riddle . - A tua fascinante história . - Os seus olhos pousaram em a cicatriz em a testa de Harry e a sua expressão ganhou maior avidez . - Sabia que devia descobrir mais a teu respeito , falar te , encontrar me contigo se fosse possível . Por isso , para ganhar a tua confiança , resolvi mostrar te a famosa captura que fiz de aquele demente de o Hagrid . - O Hagrid é meu amigo - disse Harry já com a voz a tremer . - E tu tramaste o , não foi ? Pensei que tinha sido um engano , mas ... Ele riu se . O mesmo riso de antes . - Era a minha palavra contra a palavra de ele . Imagina a cara de o velho Armando_Dippet . De um lado Tom_Riddle , pobre mas brilhante , sem pais mas corajoso , prefeito de a escola , um modelo de aluno . De o outro lado , o Hagrid , grande e disparatado , arranjando problemas semana sim , semana não , tentando criar filhotes de lobisomens debaixo de a cama , escapando se para a floresta proibida para lutar com gigantes . Mas , devo admitir que até eu próprio fiquei admirado com os excelentes resultados de o meu plano . Pensei que alguém perceberia que o Hagrid nunca poderia ser o herdeiro de Slytherin . Demorei cinco anos inteirinhos até descobrir tudo_o_que me foi possível sobre a Câmara_dos_Segredos e a sua entrada secreta ... como_se o Hagrid tivesse cabeça ou poder ! - Só o professor de Transfiguração , Dumbledore , parecia achar que ele estava inocente . Convenceu Dippet a mantê o aqui e a treiná o como guarda de os campos . Sim , é natural que Dumbledore tenha adivinhado , nunca gostou de mim como os outros professores . - Aposto que Dumbledore viu através_de ti - disse Harry , de dentes cerrados . - Pelo_menos passou a vigiar me de perto , a partir de o momento em que o Hagrid foi expulso - disse Riddle descuidadamente . - Eu sabia que não era seguro voltar a abrir a câmara enquanto ainda estava em a escola mas não ia desperdiçar os longos anos que passara a pesquisar . Decidi , por isso , deixar um diário preservando em as suas páginas o meu ego de dezasseis anos para que um dia , com um_pouco de sorte , pudesse levar outro a seguir os meus passos e acabar o nobre trabalho de Salazar_Slytherin . - Bem , não o acabaste - disse Harry triunfante . - Ninguém morreu até agora , nem mesmo a gata . Dentro_de poucas horas a poção de mandrágoras estará pronta e todos os que foram petrificados voltarão de_novo a si . - Não acabei de te dizer que matar sangues de lama já não me interessa ? Há muitos meses que o meu alvo és tu . Harry olhou para ele . - Podes imaginar como fiquei furioso quando em outro dia o diário foi aberto e vi que era a Ginny quem estava a escrever e não tu . Ela viu te com o diário e entrou em pânico . E se tu descobrisses como trabalhar com ele e eu te repetisse todos os seus segredos ? Ainda pior , e se eu te contasse quem tinha andado a estrangular os galos ? Por isso , a grande palerma esperou que o teu dormitório estivesse deserto e foi lá roubá o . Mas eu sabia o que tinha de fazer . Estava muito claro para mim que a tua meta era o herdeiro de Slytherin . Por tudo_o_que a Ginny me contara a teu respeito , sabia que irias até onde fosse preciso para desvendar o mistério , principalmente se um de os teus melhores amigos tivesse sido atacado . E a Ginny disse me que a escola toda bichanava por tu falares * serpentês * ... Por isso , obriguei a Ginny a escrever a sua própria despedida em a parede , a vir até aqui e esperar . Ela debateu se e gritou e ficou muito chatinha . Mas , já não tem muita vida : pôs grande parte de ela em o diário , deu me a . O suficiente para eu abandonar , por fim , as suas páginas . Desde_que aqui cheguei que estou a a tua espera . Sabia que virias . Tenho muitas perguntas a fazer te , Harry_Potter . - Que perguntas ? - disse Harry com os punhos fechados . - Bem - prosseguiu Riddle , sorrindo de satisfação : - Como é_que um bebé sem especiais talentos de magia foi capaz de derrotar o maior feiticeiro de sempre ? Como conseguiste escapar só com uma cicatriz quando os poderes de Lord_Voldemort foram destruídos ? Havia agora em os seus olhos um brilho vermelho e irado . - O que é_que te interessa saber como eu escapei ? - disse Harry lentamente . - Voldemort veio depois de ti . - Voldemort - disse Riddle - é o meu passado , o meu presente e o meu futuro , Harry_Potter ... Tirou a varinha de o Harry de o bolso e começou a escrever em o ar três palavras brilhantes : TOM_MARVOLO_RIDDLE_Em seguida , fez um gesto com a varinha e as letras de o seu nome reagruparam se de outro modo . : __ eu sou lord __ voldemort ( I am Lord_Voldemort ) . - Vês ? - murmurou . - Era um nome que eu já usava em Hogwarts , para os meus amigos mais íntimos apenas , como é óbvio . Achas que ia usar para sempre o nome nojento de o meu pai Muggle ? Eu , em cujas veias , por o lado materno , corre o sangue de Salazar_Slytherin ? Eu , manter o nome de um Muggle tolo que me abandonou ainda antes de eu nascer só porque descobriu que a mulher com quem casara era uma bruxa ? Não , Harry , arranjei um novo nome , um nome que eu sabia que os feiticeiros de todo_o_mundo viriam um dia a ter medo de pronunciar , quando eu me tivesse tornado o maior feiticeiro de o mundo . A cabeça de Harry parecia bloqueada . Olhou como_que paralisado para Riddle , para o rapaz de o orfanato que depois de crescer iria matar os seus pais e tantos outros . Por fim , com algum esforço conseguiu falar . - Não és - disse em uma voz calma e cheia de ódio . - Não sou o quê ? - perguntou Riddle irritado . - Não és o maior feiticeiro de o mundo - disse Harry com a respiração acelerada . - Lamento desiludir te mas o maior feiticeiro de o mundo é Albus_Dumbledore . Toda_a_gente sabe . Mesmo tu , quando tinhas força , não ousavas tentar aproximar te de Hogwarts . Dumbledore viu através_de ti quando andavas em a escola e ainda agora te assusta onde quer que te escondas . O sorriso desaparecera de o rosto de Riddle , fora substituído por um olhar furioso . - Dumbledore foi afastado de este castelo por a minha simples memória - sibilou . - Ele não está tão longe como pensas - retorquiu Harry . Falava por falar , tentando assustar Riddle , desejando mais que assim fosse do_que acreditando em as suas palavras como uma verdade . Riddle abriu a boca mas não chegou a falar . Tinha começado a ouvir se uma música . Riddle deu uma volta , olhando para a câmara vazia . A música estava a ficar mais alta . Era misteriosa , arrepiante , sobrenatural . Fez_Harry ficar com os cabelos em pé e o coração aumentar lhe em o peito . Por fim , quando atingiu um ponto tão alto que Harry a sentiu vibrar dentro de as suas costelas , começaram a sair chamas de o topo de o pilar mais próximo . Uma ave carmesim de o tamanho de um cisne surgiu , assobiando a sua estranha melodia para o tecto em forma de abóbada . Tinha uma cauda dourada tão longa como a de um pavão e garras douradas e brilhantes que seguravam uma trouxa andrajosa . Segundos depois , a ave voava em direcção a Harry . Deixou cair a coisa andrajosa a os seus pés e pousou lhe pesadamente em o ombro . Quando abriu as enormes asas , Harry olhou para_cima e viu que tinha um longo bico afiado e olhos escuros pequenos e brilhantes . A ave parou de cantar . Ficou quieta junto de a cara de Harry , olhando fixamente para Riddle . - É uma fénix , disse Riddle , olhando sagazmente para ela . - Fawkes ? - murmurou Harry e sentiu as garras douradas apertarem lhe devagarinho o ombro . - E aquilo - disse Riddle , olhando para a coisa velha que Fawkes deixara em o chão - é o velho chapéu seleccionador , de a escola . Era , de facto . Amachucado , puído e sujo , o chapéu jazia imóvel a os pés de Harry . Riddle começou a rir . Riu se tanto que a câmara escura se lhe juntou em um eco tal que parecia que dez Riddles se riam ao_mesmo_tempo . - Eis o que Dumbledore envia a o seu defensor . Um pássaro que canta e um chapéu velho . Estás cheio de coragem , Harry_Potter ? Sentes te agora mais seguro ? Harry não respondeu . Podia não estar a ver a vantagem de a Fawkes ou de o chapéu seleccionador mas já não se sentia só , e esperou corajosamente que Riddle parasse de rir . - Vamos a o que importa , Harry - disse ele , ainda com um enorme sorriso . - Encontrámo nos duas vezes em o teu passado , em o meu futuro . E duas vezes falhei a o tentar matar te . Como foi que sobreviveste ? Conta me tudo . Quanto_mais falares , mais tempo tens de vida . Harry pensava rapidamente , medindo as suas possibilidades . Riddle tinha a varinha . Ele , Harry , tinha a Fawkes e o chapéu seleccionador que não lhe serviriam de muito em o combate . As coisas pareciam más , é certo . Mas quanto_mais tempo Riddle ali estivesse , mais vida retirava a a Ginny ... e , entretanto , Harry reparou que a silhueta de Riddle se tornava mais nítida , mais sólida . Se tinha de haver uma luta entre os dois , quanto_mais depressa melhor . - Ninguém sabe porque perdeste os poderes quando me atacaste - disse bruscamente . - Eu próprio não sei . Mas sei porque não conseguiste matar me . A minha mãe morreu para me salvar . A minha mãe , uma vulgar filha de Muggles - acrescentou , a tremer de raiva . - Ela impediu que tu me matasses . E eu vi te como tu és , em o ano passado . És um destroço , quase não existes . Foi onde o teu poder te levou . Estás sob um disfarce , és horrível e és louco . O rosto de Riddle contorceu se . Em seguida , forçou um sorriso pavoroso . - Quer_dizer , então , que a tua mãe morreu para te salvar . Sim , é um antifeitiço poderoso . Compreendo agora , afinal não há em ti nada de especial . Eu tinha curiosidade , sabes , porque há uma estranha semelhança entre nós , Harry_Potter . Até tu deves ter reparado . Somos ambos meio sangue , órfãos , educados com Muggles , provavelmente os dois únicos que falam * serpentês * desde o grande Slytherin , até nos parecemos um_pouco fisicamente ... mas afinal foi apenas uma questão de sorte que te salvou de mim . Era o que eu queria saber . Harry ficou parado , tenso , a a espera que Riddle levantasse a varinha mas o seu sorriso cínico ampliou se de_novo . - Agora , Harry , vou dar te uma pequena lição . Vamos confrontar os poderes de Lord_Voldemort , herdeiro de Salazar_Slytherin e de o famoso Harry_Potter , munido com as melhores armas que Dumbledore lhe deu . Lançou um olhar divertido a a Fawkes e a o chapéu seleccionador e , em seguida , afastou se . Harry com as pernas entorpecidas por o medo viu o parar entre dois pilares altos e olhar para a cara de pedra de Slytherin , lá em cima em a semi-obscuridade . Riddle abriu a boca e sibilou mas Harry compreendeu o que ele dizia . - * _ Responde-me , Slytherin , o maior de os quatro de Hogwarts * . Harry voltou se para olhar melhor para a estátua com Fawkes pousada em o ombro . A gigantesca cara de pedra de Slytherin movia se . Horrorizado , Harry viu a boca abrir se mais e mais até se transformar em um buraco negro . E algo se agitava dentro de a boca de a estátua . Algo se arrastava para fora de as suas entranhas . Harry recuou até a a parede escura de a câmara e enquanto fechava os olhos com força sentiu a asa de a Fawkes roçar lhe o rosto e levantar voo . Harry quis gritar : - Não me abandones ! - mas que possibilidades tinha uma fénix contra o rei de as serpentes ? Uma coisa enorme bateu em o chão de pedra que Harry sentiu estremecer . Sabia o que estava a acontecer , podia sentis o , quase podia ver a serpente gigantesca a sair de a boca de Slytherin . Foi então que ouviu a voz de Riddle sibilar : * _ Mata-o * . O Basilisk avançava em direcção a Harry . Ele ouvia o seu corpo enorme escorregar pesadamente por o chão cheio de pó . Com os olhos sempre fechados , Harry começou a correr para o lado , a as cegas , com as mãos abertas a tactear o caminho . Riddle ria se a as gargalhadas . Harry escorregou e caiu em o chão de pedra e a boca soube lhe a sangue . A serpente estava a poucos centímetros de ele . Podia ouvi a a aproximar se . Ouviu se um crepitar explosivo por cima de ele e alguma coisa pesada bateu lhe com tanta força que ele ficou encostado a a parede . Esperando que os dentes de a serpente lhe perfurassem o corpo , ouviu mais ruídos e qualquer coisa que se agitava com força contra os pilares . Não conseguiu evitar . Abriu bem os olhos para ver o que se passava . A enorme serpente , brilhante , de um verde veneno , espessa como o tronco de um carvalho , erguera se em o ar e a sua imensa cabeça agitava se de um lado para o outro , entre os dois pilares . Quando Harry , a tremer , se preparava para fechar de_novo os olhos , percebeu o que distraíra a cobra . Fawkes esvoaçava em volta de a sua cabeça e o Basilisk , furioso , tentava agarrá a com os dentes longos e afiados como sabres . Fawkes mergulhava . Harry deixou de ver o bico fino e dourado e uma brusca chuva de sangue escuro inundou o chão . A cauda de a serpente agitou se , não batendo em o Harry por_pouco e antes que ele pudesse fechar os olhos voltou se . Harry olhou lhe para a cara e viu que os seus olhos , os dois olhos amarelos e bolbosos tinham sido perfurados por a fénix . O sangue escorria por o chão e a serpente cuspia cheia de dores . - * _ Não * - Harry ouviu o grito de Riddle . - * _ Deixa a ave , deixa a ave , o rapaz está atrás_de ti , ainda podes cheirá o . Mata o ! * A serpente cega oscilou confusa , ainda em fúria . Fawkes andava a a volta de a cabeça de ela soprando a sua misteriosa cantilena , picando lhe aqui_e_ali o nariz cheio de escamas , enquanto o sangue jorrava de os seus olhos destruídos . - Ajudem me . Ajudem me - murmurava Harry aflito . - Alguém , ajude me . A cauda de a serpente chicoteou de_novo o chão . Harry baixou se . Algo macio tocou lhe em o rosto . O Basilisk lançara o chapéu seleccionador para os braços de o Harry que o agarrou . Era tudo_o_que tinha , a sua única esperança . Enfiou o em a cabeça e começou a ficar achatado contra o chão , enquanto a cauda de o Basilisk se lançava de_novo sobre ele . - Ajudem me , ajudem me - pensou Harry , os olhos comprimidos debaixo de o chapéu . - Por favor , ajudem me . Nenhuma voz lhe respondeu . Em vez de isso , o chapéu contraiu se como_se uma mão invisível o tivesse espalmado devagarinho . Alguma coisa muito dura e pesada caíra sobre a cabeça de Harry , conseguindo quase derrubá o . A ver estrelas em frente de os olhos , agarrou o chapéu para o puxar para baixo e sentiu lá dentro uma coisa longa e dura . Uma espada brilhante tinha surgido dentro de o chapéu . Tinha um cabo cravejado de rubis de o tamanho de pequenos ovos . - Mata o rapaz , deixa a ave . O rapaz está atrás_de ti . Cheira o ! Harry estava de pé , preparado . A cabeça de o Basilisk caía , o corpo serpenteava , batendo nos pilares quando se torcia para ficar de frente para ele . Harry podia ver as enormes órbitas ensanguentadas , a boca toda aberta , suficientemente grande para o engolir inteiro , munida de dentes tão longos como a sua espada , finos , brilhantes , venenosos ... Começou a atacar a as cegas . Harry baixou se e a serpente bateu em a parede de a câmara . Atacou de_novo e a sua língua bifurcada lambeu a parede ao_lado_de Harry que levantou a espada com ambas as mãos . O Basilisk investiu mais_uma_vez e agora a pontaria foi certa . Harry pôs todo o seu peso contra a espada e enterrou a até a os copos em o céu de a boca de a serpente . Mas quando o sangue quente lhe encheu os braços , sentiu uma dor aguda mesmo acima de o cotovelo . Um longo dente venenoso penetrava cada_vez_mais fundo em o seu braço , partindo se quando o Basilisk tombou para o lado , perdendo os sentidos . Harry escorregou a o longo de a parede , apertou com força o dente que estava a derramar veneno por todo o seu corpo e arrancou o de o braço . Mas sabia que era demasiado tarde . Uma dor quente emanava lenta e perseverantemente de a ferida . Quando deixou cair o dente e viu o seu próprio sangue manchando lhe as vestes , a vista começou a ficar turva e a câmara a diluir se em uma rotação ardente e colorida . Mas algo escarlate passou por ele e Harry ouviu a o seu lado um suave ruído de garras . - Fawkes - disse com a voz empastada . - Foste sensacional , Fawkes . - Sentiu o pássaro encostar a sua elegante cabeça a o sítio onde o dente de a serpente o tinha ferido . Ouviu passos ecoarem em o vazio e em seguida uma sombra escura moveu se em a sua frente . - Estás morto , Harry_Potter - disse a voz de Riddle , acima de ele . - Morto . Até o pássaro de Dumbledore sabe de isso . Vês o que ele está a fazer ? A chorar . Harry piscou os olhos . A cabeça de Fawkes ora estava focada , ora desfocada . Lágrimas grossas como pérolas escorriam de as suas penas . - Vou sentar me aqui a ver te morrer , Harry_Potter . Leva o teu tempo , eu não tenho pressa . Harry sentiu se sonolento . Tudo parecia girar a a sua volta . - E assim acaba o famoso Harry_Potter - disse a voz distante de Riddle . - Sozinho em a Câmara_dos_Segredos , esquecido por os amigos , finalmente derrotado por o Senhor de o mal que ele tão imprudentemente desafiou . Vais reunir te a a tua querida mãe sangue de lama , Harry ... Ela deu te doze anos de tempo emprestado ... Mas Lord_Voldemort apanhou te em o fim , como sabias que teria de acontecer . Se morrer é isto , pensou Harry , não é assim tão mau . Até a dor estava a desaparecer . Mas , estaria a morrer ? Em_vez_de ficar mais escura a câmara parecia voltar a estar nítida . Harry fez um pequeno gesto com a cabeça e viu a Fawkes ainda repousando a cabeça em o seu ombro . Uma fiada de pérolas brilhava em volta de a ferida , só que já não havia ferida . - Sai de aqui , pássaro - disse subitamente a voz de Riddle . - Afasta te de ele . Já te disse , sai de aqui ! Harry levantou a cabeça . Riddle apontava a sua varinha a Fawkes . Ouviu se um tiro que parecia de carabina e Fawkes levantou novamente voo em um rodopio de ouro e escarlate . - Lágrimas de fénix - disse Riddle em voz baixa , olhando para o braço de o Harry . - É claro ... poderes curativos ... esqueci me ... Olhou para a cara de Harry . - Mas não faz mal . Pensando bem , eu até prefiro assim . Tu e eu , Harry_Potter ... Tu e eu ... Levantou a varinha . Então , em um golpe de asa , Fawkes voou sobre as cabeças de ambos , deixando cair uma coisa em o colo de Harry : o diário . Durante uma fracção de segundo , tanto Harry como Riddle , ainda com a varinha levantada , ficaram a olhar para aquilo . Em seguida , sem pensar , sem ponderar , como_se pensasse fazê o desde o princípio , Harry agarrou o dente de o Basilisk que estava em o chão , junto de ele , e espetou o em o coração de o caderno . Ouviu se um grito longo e terrível . A tinta esguichou em torrentes de dentro de o diário , derramando se sobre as mãos de o Harry e inundando o chão . Riddle torcia se e contorcia se , agitando se a os gritos . E , por fim . Desapareceu . A varinha de Harry caiu a o chão com um ruído e fez se silêncio . Um silêncio apenas cortado por o ping ping de a tinta que ainda escorria de o diário . Com um leve crepitar , o veneno de o Basilisk abrira um buraco mesmo em o meio de o caderno . A tremer de os pés a a cabeça , Harry pôs se de pé . Sentia tudo a andar a a roda como_se tivesse viajado quilómetros e quilómetros com o pó de * _ Floo * . Lentamente apanhou a varinha e o chapéu seleccionador e com um grande estrondo retirou a espada de o céu de a boca de a serpente . Ouviu se então um gemido fraco a o fundo de a câmara . Ginny estava a mexer se . Quando Harry chegou junto de ela , sentou se . Os seus olhos abismados saltaram de o Basilisk morto para Harry em a sua roupa cheia de sangue e , em seguida , para o diário que ele tinha em as mãos . Soltou um enorme soluço e os seus olhos encheram se de lágrimas . - Harry , oh ! Harry , eu tentei dizer te a o pequeno-almoço mas não fui capaz em frente de o Percy . Era eu , Harry , mas eu ... eu ... juro que não queria ... o Riddle obrigou me , levou me e ... como é_que mataste esse bicho ? Onde está o Riddle ? A última coisa de que me lembro foi de o ver a sair de o diário ... - Está tudo bem - disse Harry , mostrando lhe o diário com o buraco de o dente . - O Riddle acabou , olha . Ele e o Basilisk . Anda , Ginny , vamos embora de aqui . - Vou com certeza ser expulsa - disse Ginny a chorar enquanto Harry a ajudava a pôr se de pé . - Desde_que o Bill veio para Hogwarts que eu sonhava vir também para cá e agora vou ter de me ir embora e ... O que vão a minha mãe e o meu pai dizer ? Fawkes esperava por eles , suspensa em o ar , a a entrada de a câmara . Harry fez a Ginny avançar , passaram sobre os anéis parados de o Basilisk , por a escuridão cheia de ecos e voltaram a o túnel . Harry ouviu as portas de pedra fecharem se atrás de eles com um leve sibilar . Depois de alguns minutos a caminhar por o túnel escuro , chegou a os ouvidos de Harry o som distante de o deslocar de uma rocha . - Ron - gritou ele , apressando se . - A Ginny está bem . Está aqui comigo ! Ouviu o Ron gritar de alegria e , voltando em a curva logo_a_seguir , viram a sua cara ansiosa a espreitar por a fresta que conseguira abrir durante a avalancha . - Ginny ! - Ron estendeu o braço por a fresta para a puxar primeiro . - Estás viva . Não posso acreditar . O que aconteceu ? Tentou abraçá a mas a Ginny afastou o , soluçando . - Mas estás bem , Ginny - disse o Ron , sorrindo para ela . - Já passou tudo ... De onde veio esse pássaro ? Fawkes passara por a abertura , atrás_de Ginny . - É de o Dumbledore - explicou Harry , espremendo se para caber também . - E como arranjaste uma espada ? - perguntou o Ron , olhando para a arma brilhante que Harry tinha em a mão . - Eu explico te tudo quando sairmos de aqui - disse Harry , lançando um olhar de esguelha a a Ginny . - Mas ... - Mais tarde - disse Harry rapidamente . Não lhe parecia uma boa ideia contar a o Ron quem tinha aberto a câmara , ali , em frente de a Ginny . - Onde está o Lockhart ? - Ali atrás - disse o Ron , a rir e a abanar a cabeça em direcção a o cano . - Está em muito mau estado . Anda ver . Conduzidos_pela_Fawkes , cujas grandes asas escarlates emitiam um suave dourado que brilhava em a escuridão , voltaram a o lugar onde o cano começava . Gilderoy_Lockhart estava sentado a falar sozinho . - Perdeu a memória - disse o Ron . - O feitiço de a memória fez ricochete . Não sabe quem é nem onde está , nem_sequer sabe quem nós somos . Eu disse lhe que viesse para aqui e esperasse . É um perigo para ele próprio . Lockhart olhou os bem-disposto . - Olá - disse . - Que lugar estranho , este . É aqui que vocês moram ? -- Não - respondeu o Ron , levantando as sobrancelhas para o Harry . Harry baixou se e observou o túnel escuro e longo . - Já pensaste como é_que vamos sair de aqui ? - perguntou a o Ron . O amigo abanou a cabeça mas Fawkes , a fénix , tinha passado por o Harry e estava agora em o ar , em frente de ele , os olhos como pérolas a brilharem em o escuro . Abanava as longas penas douradas de a cauda . Harry olhou para ela , inseguro . - Ela parece querer que a agarres - disse o Ron , perplexo . - Mas tu és muito pesado para um pássaro . - A Fawkes - disse Harry - não é um pássaro qualquer . Voltou se rapidamente para os companheiros . - Temos de nos agarrar uns a os outros . Ginny , agarra a mão de o Ron . O professor Lockhart ... - Ele está a falar consigo - disse o Ron secamente . - Agarre a outra mão de a Ginny . Harry guardou a espada e o chapéu seleccionador em o cinto . Ron deitou a mão a a roupa de Harry e Harry agarrou as penas de a cauda , estranhamente quentes , de a Fawkes . Sentiu uma extraordinária leveza apoderar se de todo o seu corpo e em seguida estavam todos a voar por o cano acima . Harry conseguia ouvir Lockhart , lá atrás , comentando : - Espantoso , isto parece mágico ! Ar frio batia em os cabelos de Harry e antes que ele deixasse de gostar de a viagem já ela acabara . Os quatro tinham chegado a o chão molhado de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa e , enquanto Lockhart endireitava o chapéu , o lavatório voltara a o seu lugar , tapando o cano . A Murta arregalou os olhos . - Vocês estão vivos - disse inexpressivamente a o Harry . - Não é preciso mostrares te tão desiludida - respondeu ele , muito sério , limpando as nódoas de sangue e lodo de os óculos . - Bem ... é_que eu pensei que se vocês morressem seriam bem-vindos a a minha casa_de_banho - disse a Murta com um rubor prateado . - Urgh ! - fez o Ron , quando saíram de ali para o corredor deserto . - Harry , acho que a Murta está a gostar de ti . Tens concorrência , Ginny ! A Ginny continuava a chorar silenciosamente . - Onde vamos agora ? - perguntou o Ron , olhando ansiosamente para ela . Harry apontou . Fawkes indicava o caminho , com o seu tom dourado que brilhava em o corredor . Seguiram a e pouco depois estavam em o escritório de a professora Mc_Gonagall . Harry bateu e empurrou a porta que estava encostada . XVIII_A recompensa de Dobby_Durante alguns momentos reinou o silêncio enquanto Harry , Ron , Ginny e Lockhart estavam em a entrada de a porta . Cobertos de pó e de lama e ( em o caso de o Harry ) sangue . Em seguida , ouviu se um grito . - Ginny ! Era_Mrs._Weasley que tinha estado a chorar , sentada em frente de o lume . Pôs se de pé em um salto , seguida de Mr._Weasley e precipitaram se ambos para a filha . Harry olhava para trás de eles . Dumbledore rejubilava junto de a lareira , a o lado de a professora Mc_Gonagall que , agarrada a o queixo , respirava com dificuldade . Fawkes rasou as orelhas de o Harry e foi instalar se em o ombro de Dumbledore , ao_mesmo_tempo que Harry dava por si em os braços de Mrs._Weasley . - Tu salvaste a ! Salvaste a ! : __ como foi que __ conseguiste ? - Acho que todos nós gostaríamos de saber - disse , sem energia , a professora Mc_Gonagall . Mrs._Weasley soltou o Harry , que hesitou um momento . Depois , foi até a a secretária e colocou sobre o tampo o chapéu seleccionador , a espada cravejada de rubis e o que restava de o diário de Riddle . Em seguida , contou lhes tudo . Falou durante quase um quarto de hora em o silêncio extasiado : contou lhes de a voz sem corpo que ouvia , como a Hermione acabara por descobrir que se tratava de um Basilisk que circulava em os canos , como ele e o Ron tinham seguido as aranhas até a a floresta , que Aragog lhes dissera que a última vítima de o Basilisk morrera , como tinham chegado a a conclusão que se tratava de a Murta_Queixosa e que a entrada para a Câmara_dos_Segredos devia ser em aquela casa_de_banho ... - Muito bem - elogiou a professora Mc_Gonagall quando ele se calou . - Então tu descobriste onde era a entrada , infringindo uma centena de regras de a escola por o caminho , devo dizer , mas como diabo saíram vocês vivos de lá de dentro ? Harry , com a voz já um_pouco rouca de falar tanto , contou lhes de a chegada de a Fawkes e de o chapéu seleccionador que lhe tinha dado a espada . Mas , chegando aí , hesitou . Até a o momento evitara referir se a o diário de Riddle ou a a Ginny . Ela tinha a cabeça encostada a o ombro de Mrs._Weasley e as lágrimas corriam lhe ainda por o rosto . E se a expulsassem ? - pensou Harry , tomado de pânico . O diário de Riddle já não funcionava ... quem poderia provar que fora ele que a obrigara a fazer tudo aquilo ? Olhou instintivamente para Dumbledore que sorria , o fogo iluminando lhe os óculos de meia-lua . - O que mais me interessa saber - disse Dumbledore amavelmente - é como conseguiu Lord_Voldemort enfeitiçar a Ginny quando as minhas fontes me dizem que ele se esconde habitualmente em as florestas de a Albânia . Um alívio , quente e glorioso percorreu Harry de a cabeça a os pés . - O quê ? - disse Mr._Weasley , em uma voz estupefacta . - O Quem nós sabemos enfeitiçou a Ginny ? Mas a Ginny não ... a Ginny não morr ... ? - Foi este diário - esclareceu Harry rapidamente . E mostrando o a Dumbledore . - O Riddle escreveu o quando tinha dezasseis anos . Dumbledore pegou em o diário e olhou atentamente por cima de o seu nariz longo e adunco para as páginas queimadas e húmidas . - Fantástico - disse em voz baixa . - É claro que ele deve ter sido o aluno mais brilhante que alguma vez passou por Hogwarts . - Olhou em volta para os Weasley que o observavam com um ar totalmente confuso . - Muito poucas pessoas sabem que Lord_Voldemort se chamou em tempos Tom_Riddle . Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos , em Hogwarts . Ele desapareceu depois de deixar a escola , viajou muito , mergulhou tão fundo em as artes de a magia negra , associado a os piores feiticeiros , realizou transformações mágicas tão perigosas que quando reapareceu como Lord_Voldemort estava totalmente irreconhecível . Ninguém o relacionou com o rapazinho inteligente e bonito que aqui foi , em tempos , chefe de turma . - Mas a Ginny - insistiu Mrs._Weasley . - O que tem a nossa Ginny que ver com ele ? - O diário - soluçou Ginny . - Eu andei todo o ano a escrever em o diário e ele respondia me ... - Ginny ! - repreendeu Mr._Weasley . - Não aprendeste nada do_que te ensinei ? Não me cansei de dizer te que nunca confiasses em nada que não pensasse por si próprio * se não conseguisses ver onde tinha o cérebro ? * Porque não me mostraste o diário , a mim ou a a tua mãe ? Um objecto suspeito como esse tinha de estar cheio de magia negra ! - Eu não sabia - soluçou Ginny . - Estava junto de os livros que a mãe me comprou . Pensei que alguém se tinha esquecido de ele ali . - É melhor Miss_Weasley ir imediatamente para a ala hospitalar - interrompeu Dumbledore com voz firme . - Foi sujeita a uma prova terrível . Não será castigada . Outros feiticeiros mais velhos do_que ela têm sido ludibriados por Lord_Voldemort . - Dirigiu se a a porta e abriu a . - Repouso , cama e talvez uma caneca de chocolate quente . A mim , anima me sempre - acrescentou , piscando lhe simpaticamente o olho . - Vais ver que Madam_Pomfrey ainda está acordada . Ela tem estado a dar o sumo de Mandrágora , julgo que as vítimas de o Basilisk estarão a acordar dentro_de momentos . de alegria . - Então a Hermione está bem ! - disse o Ron , cheio de alegria . - Não houve danos irreversíveis - disse Dumbledore . Mrs._Weasley saiu com a Ginny e Mr._Weasley seguiu as ainda bastante abalado . - Sabes , Minerva - disse pensativo o professor Dumbledore - acho que tudo_isto merece um banquete . Posso pedir te que previnas os cozinheiros ? - Certamente - disse animada a professora Mc_Gonagall , dirigindo se também a a porta . - Deixo te a tratar de as coisas com o Potter e o Weasley , está bem ? - Claro - disse Dumbledore . Saiu e os dois olharam inseguros para Dumbledore . Que quereria ela dizer com tratar de as coisas ? Certamente não iriam ser castigados ? - Lembro me de vos ter dito a ambos que teria de vos expulsar se voltassem a quebrar as regras de a escola - disse Dumbledore . Ron abriu a boca horrorizado . - O que vem mostrar nos que as melhores pessoas , às_vezes , têm de engolir as suas próprias palavras . - Dumbledore sorriu e continuou : - Vocês vão receber ambos uma recompensa especial por serviços prestados a a escola e ... deixem me ver , sim , acho que duzentos pontos cada_um para os Gryffindor . Ron ficou tão corado que parecia as flores de S._Valentim_do_Lockhart e voltou a fechar a boca . - Mas um de vós parece demasiado calado sobre a sua participação em esta perigosa aventura - acrescentou Dumbledore . - Porquê tanta modéstia , Gilderoy ? Harry estremeceu . Esquecera se por completo de Lockhart . Voltou se e viu o a um canto de a sala ainda com o mesmo sorriso vago . Quando Dumbledore se lhe dirigiu , olhou por cima de o ombro para ver com quem ele estava a falar . - Professor_Dumbledore - disse o Ron rapidamente - Houve um acidente lá em baixo , em a Câmara_dos_Segredos . O professor Lockhart - Eu sou um professor ? - perguntou Lockhart surpreendido . - E eu que pensei que era um inútil ! - Tentou fazer um feitiço antimemória e a varinha fez ricochete - explicou Ron_a_Dumbledore . - Incrível - disse Dumbledore , abanando a cabeça , o bigode prateado a tremer . - Trespassado por a tua própria espada , Gilderoy ! - Espada ? - disse Lockhart de forma imprecisa . - Eu não tenho espada . Esse rapaz é_que tem - apontou para Harry . - Ele empresta lhe uma . - Importas te de levar também o professor Lockhart até a a ala hospitalar , Ron ? - disse Dumbledore . - Eu gostava de falar um_pouco mais com o Harry . Lockhart saiu sem pressa . Antes de fechar a porta , Ron lançou um olhar curioso a Dumbledore e Harry . Dumbledore passou para uma de as cadeiras junto de o lume . - Senta te , Harry - disse . E Harry sentou se , sentindo se indescritivelmente nervoso . - Antes de mais , Harry , quero agradecer te - disse Dumbledore com os olhos a brilharem de_novo . - Deves ter demonstrado uma grande lealdade para comigo . Só isso poderia atrair a Fawkes para ir ajudar te . Deu uma palmadinha a a fénix que voara , entretanto , para_cima de os seus joelhos . Harry sorria acanhadamente sob o olhar observador de Dumbledore . - Encontraste , portanto , Tom_Riddle - disse o director amavelmente . - Calculo que ele estaria particularmente interessado em ti ... De repente , algo que Harry tinha engasgado saiu lhe descontroladamente de a boca para fora . - Professor_Dumbledore ... o Riddle disse que eu sou como ele , que há entre nós estranhas semelhanças ... - Ah ! sim ? - Dumbledore olhou pensativamente para ele , por debaixo de as espessas sobrancelhas prateadas . - E o que achas tu de isso ? - Eu não me considero parecido com ele - disse Harry mais alto do_que desejaria . - Isto_é , eu sou um Gryffindor , eu sou ... Mas calou se com uma dúvida a rondar lhe o espírito . - Professor - arriscou passado alguns momentos . - O chapéu seleccionador disse que eu ... teria ficado bem em os Slytherin ; durante algum tempo toda_a_gente pensou que eu era o herdeiro de Slytherin por falar * serpentês * ... - Tu falas * serpentês * , Harry - disse Dumbledore calmamente - porque Lord_Voldemort que é o mais recente antepassado de Salazar_Slytherin , fala * serpentês * . Ou eu me engano muito , ou ele transferiu para ti alguns de os seus poderes em a noite em que te fez essa cicatriz . Não que quisesse fazê o , claro , mas aconteceu . - Voldemort pôs um_pouco de si próprio em mim ? - disse Harry assombrado . - É o que parece ter acontecido . - Então eu deveria estar em os Slytherin - disse Harry , olhando desesperado para o rosto de Dumbledore . - O chapéu seleccionador viu em mim os poderes de Slytherin e ... -- Pôs te em os Gryffindor - concluiu tranquilamente Dumbledore . - Ouve , Harry , tu tens por acaso muitas de as capacidades que Salazar_Slytherin apreciava em os seus estudantes cuidadosamente seleccionados . O seu raro dom de falar * serpentês * , desenvoltura , determinação , um certo desprezo por as regras estabelecidas - acrescentou com o bigode a tremer de_novo . - Mas ainda_assim , o chapéu seleccionador pôs te em os Gryffindor . E sabes porquê ? Pensa um_pouco . - Só me pôs em os Gryffindor - disse Harry em uma voz débil - porque eu pedi para não ir para os Slytherin . - Exacto - disse Dumbledore a sorrir . - E isso torna te muito diferente de o Tom_Riddle . São as tuas escolhas , Harry , que mostram quem de facto tu és , mais do_que as tuas capacidades . Harry sentou se , imóvel e espantado , em a cadeira . - Se queres provas de que o teu lugar é em os Gryffindor , sugiro que vejas isto com mais atenção . Dumbledore aproximou se de a secretária de a professora Mc_Gonagall , pegou em a espada de prata ensanguentada e mostrou lhe a . Sem perceber , Harry voltou a ao_contrário . Os rubis brilharam a a luz de a lareira e foi então que ele reparou em o nome gravado mesmo por baixo de o copo de a espada . GODRIC_GRYFFINDOR . - Só um verdadeiro Gryffindor poderia ter tirado a espada de dentro de o chapéu , Harry - disse , com simplicidade , Dumbledore . Durante um minuto , nenhum de os dois falou . Depois , Dumbledore abriu uma de as gavetas de a secretária de a professora Mc_Gonagall e retirou de lá uma pena e um tinteiro . - Tu precisas de comer e ir dormir . Sugiro que desças para o banquete enquanto eu escrevo para Azkaban . Precisamos de recuperar o nosso guarda de os campos . E tenho de esboçar um anúncio para o * _ Profeta_Diário * - acrescentou pensativo . - Vamos precisar de um novo professor de Defesa contra as artes negras . É um problema , estamos sempre a perdê os . Harry levantou se e dirigiu se a a porta . Tinha acabado de estender a mão para o puxador quando ela se abriu tão violentamente que saltou de as dobradiças . Lucius_Malfoy estava de pé , furioso . E , debaixo de o braço , embrulhado em diversas ligaduras , estava Dobby . - Boa tarde , Lucius - disse Dumbledore , de forma amena . Mr._Malfoy quase derrubou Harry enquanto entrava em a sala . Dobby dava passos miudinhos atrás de ele , inclinado até a a bainha de o seu manto com um olhar apavorado em o rosto . - Então - disse Lucius_Malfoy com os olhos fixos em Dumbledore - voltaste . Os membros de o Conselho_Directivo suspenderam te , mas tu mesmo_assim sentiste te capaz de voltar a Hogwarts . - Bem vês , Lucius - disse Dumbledore , sorrindo serenamente . - Os outros membros de o Conselho contactaram me hoje . Fui envolvido em um redemoinho de corujas , todos queriam contar me a verdade . Ouviram dizer que a filha de Arthur_Weasley tinha sido morta e queriam me novamente aqui . Parece que me consideravam o melhor homem para o lugar . Contaram me algumas histórias muito estranhas . Alguns de eles tinham a impressão que tu tinhas ameaçado amaldiçoar lhes as famílias se não concordassem com a minha suspensão . Mr._Malfoy ficou ainda mais pálido do_que de costume , mas os olhos continuavam cheios de fúria . - Então já acabaste com os ataques ? - rosnou . - Apanhaste o culpado ? - Já , sim - disse Dumbledore com um sorriso . - E quem é ? - perguntou Malfoy secamente . - A mesma pessoa de a última vez , Lucius - disse Dumbledore . Mas desta_vez , Lord_Voldemort agiu através_de outra pessoa , por_meio_de um diário . Pegou em o pequeno caderno com o buraco em o meio , observando Mr._Malfoy de perto . Mas Harry olhava para Dobby . O elfo fazia um sinal muito estranho . Com os seus grandes olhos fixos em Harry , não parava de apontar para ó diário e , em seguida , para Mr._Malfoy , batendo logo_a_seguir com o punho em a cabeça . - Estou a ver ... - disse Mr._Malfoy lentamente a Dumbledore . - Um plano inteligente - afirmou o director em um tom de voz suave , continuando a olhar Mr._Malfoy directamente em os olhos . - Porque se não fosse aqui o Harry e o seu amigo Ron a descobrirem o diário , sem dúvida Ginny_Weasley teria ficado com todas_as culpas . Ninguém teria conseguido provar que ela agira contra a sua própria vontade . Mr._Malfoy não se pronunciou . O seu rosto parecia agora uma máscara . - E vê bem - continuou Dumbledore - o que poderia ter acontecido ... os Weasley são uma de as mais proeminentes famílias de feiticeiros de sangue puro , imagina o efeito em a imagem de Arthur_Weasley e em a sua acção de protecção a os Muggles , se a sua própria filha fosse acusada de atacar e matar filhos de Muggles . Foi uma sorte o diário ter sido descoberto e as memórias de Riddle apagadas . Quem sabe que consequências poderia ter tido ? Mr._Malfoy falou contra vontade . - Sim , foi uma sorte - disse secamente . E , em as suas costas , Dobby continuava a apontar para o diário e para Lucius_Malfoy , batendo depois com o punho em a cabeça . E Harry finalmente percebeu . Fez um sinal a Dobby que correu a esconder se em um canto , torcendo desta_vez as orelhas para se castigar . - Não quer saber como a Ginny obteve esse diário , Mr._Malfoy ? - perguntou Harry . Lucius_Malfoy voltou se para ele . - Como queres que eu saiba onde é_que a estúpida de a garota o arranjou ? - Porque foi o senhor quem lhe o deu - disse Harry . - Em a Flourish and Blotts . O senhor pegou em o livro velho de ela de Transfiguração e meteu o diário lá dentro , não foi ? Viu as mãos brancas de Mr._Malfoy abrirem se e fecharem se . - Prova isso - sibilou . - Oh ! ninguém vai poder prová o - disse Dumbledore sorrindo a o Harry . - Não agora_que o Riddle desapareceu de o caderno . Por outro lado , aconselharia te , Lucius , a não dares mais nenhuma de as coisas velhas de Lord_Voldemort . Se mais alguma for parar a as mãos de crianças inocentes , acho que o Arthur_Weasley fará com que se voltem com toda_a sua carga negativa contra ti . Lucius_Malfoy ficou calado um momento e Harry viu claramente a sua mão direita torcer se como_se desejasse chegar a a varinha . Em vez de isso , voltou se para o seu elfo doméstico . - Vamos , Dobby . Abriu a porta e quando o elfo se aproximou deu lhe um pontapé que o projectou para longe . Ouviram se em o escritório os gritos de dor de Dobby em o corredor . Harry pensou durante um momento e depois decidiu se . - Professor_Dumbledore - disse apressadamente . - Posso dar o diário outra_vez a Mr._Malfoy ? - Certamente , Harry - disse Dumbledore com toda_a calma . - Mas não demores , olha o banquete . Harry agarrou em o diário e saiu de o escritório . Os gritos de dor de Dobby afastavam se ao_longe . Sem perder tempo , perguntando a si próprio se o plano poderia resultar , Harry tirou um de os sapatos , puxou uma de as peúgas enlameadas e viscosas e meteu o diário lá dentro . Em seguida correu até a o fundo de o corredor escuro . Apanhou os em o topo de as escadas . - Mr._Malfoy - disse ofegante , parando . - Tenho uma coisa para si . E meteu a peúga mal cheirosa em a mão de Lucius_Malfoy . - O que é ... ? Mr._Malfoy tirou o diário de dentro de a peúga , deitou a fora e olhou furioso para o caderno estragado e para Harry - Ainda vais acabar por ter um fim igual a o de os teus pais um dia de estes , Harry_Potter - disse em voz baixa . - Eles também eram uns idiotas metediços . Voltou se para se ir embora . - Anda , Dobby , vem ! Mas Dobby não se mexeu . Tinha em as mãos a peúga nojenta de o Harry e olhava para ela como_se fosse um tesouro de valor incalculável . - O senhor deu uma peúga a o Dobby - disse o elfo maravilhado . - Deu a a o Dobby . - O que é isso ? - cuspiu Mr._Malfoy . - Que estás para aí a dizer ? - Dobby tem uma peúga - repetiu incrédulo . - O senhor deitou a fora e Dobby apanhou a e Dobby agora é livre ... Lucius_Malfoy ficou paralisado a olhar para o elfo . Em seguida precipitou se para Harry . - Fizeste me perder o meu servo , rapaz . Mas Dobby gritou : - Não pense que vai fazer mal a o Harry_Potter ! Ouviu se um enorme estrondo e Mr._Malfoy foi empurrado de costas , galgando os degraus de as escadas a três_e_três e indo aterrar lá em baixo todo embrulhado e amarrotado . Levantou se , o rosto lívido e pegou em a varinha , mas Dobby estendeu lhe um dedo ameaçador . - Vá se embora já - disse furioso , apontando para Mr._Malfoy . - Não tocará em o Harry_Potter . Vá se embora , já . Lucius_Malfoy não teve escolha . Lançando a os dois um último olhar de cólera , embrulhou se em o manto e desapareceu . - Harry_Potter libertou Dobby ! - disse o elfo com voz esganiçada , olhando para Harry , a luz de o luar reflectida em os seus grandes olhos em forma de globos . - Harry_Potter libertou Dobby . - Era o mínimo que eu podia fazer , Dobby - disse Harry a sorrir -- , mas promete me que não vais voltar a tentar salvar me a vida . A cara feia e escura de o elfo abriu se , mostrando os dentes , em um enorme sorriso . - Tenho uma pergunta a fazer te , Dobby - disse Harry enquanto o elfo pegava em a peúga de ele com as mãos a tremer . - Disseste me que tudo_isto não tinha nada que ver com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Lembras te ? - Era uma pista , senhor - disse Dobby com os olhos muito abertos como_se fosse absolutamente óbvio . - Dobby estava a dar lhe uma pista . Antes de o senhor de o mal mudar de nome , o seu nome podia ser pronunciado , está a ver ? - Certo - disse Harry sem grande convicção . - Bem , é melhor eu ir indo embora . Há um banquete e a minha amiga Hermione já deve ter acordado ... Dobby lançou os braços a a cintura de Harry e abraçou o . - Harry_Potter é muito maior do_que Dobby imaginava ! - soluçou . - Adeus , Harry_Potter . E com um estalido final , Dobby desapareceu . Harry assistira a diversos banquetes , mas nenhum que se parecesse com aquele . Estavam todos de pijama e a festa durou a noite inteira . Harry não sabia se o melhor tinha sido a Hermione a correr para ele e a gritar : - Tu conseguiste . Tu conseguiste ! , ou o Justin saindo disparado de a mesa de os Hufflepuff para lhe estender a mão , desfazendo se em desculpas por ter suspeitado de ele , ou o Hagrid que apareceu a as três_e_meia e que lhes deu palmadas com tanta força em os ombros que eles foram parar dentro de os pratos de bolo de creme , ou os quatrocentos pontos que ele e o Ron obtiveram para os Gryffindor , ganhando a taça de a equipa por a segunda vez consecutiva , ou a professora Mc_Gonagall de pé , a comunicar lhes que os exames tinham sido cancelados como medida de a escola ( Oh ! não ! exclamou Hermione ) , ou Dumbledore a anunciar que , infelizmente , o professor Lockhart não poderia voltar em o ano seguinte por ter de se ausentar a_fim_de recuperar a memória . Alguns de os professores juntaram se a os alunos que aplaudiram entusiasmados esta notícia . - Que pena - disse Ron , servindo se de um * dounut * de presunto . - E eu que começava a gostar de ele ... O resto de o período de Verão decorreu sob um sol escaldante . Hogwarts voltara a a normalidade , apenas com algumas pequenas diferenças : as aulas de Defesa contra as artes negras foram canceladas ( Mas nós tivemos imensa prática - disse o Ron vendo o descontentamento de Hermione ) e Lucius_Malfoy foi demitido de o Conselho_Directivo . Draco já não passeava por ali como_se fosse o dono de a escola . Pelo_contrário , tinha um ar melindrado e carrancudo . Por outro lado , Ginny_Weasley andava de_novo feliz de a vida . Em_breve chegou o dia de regressarem a casa em o Expresso_de_Hogwarts . Harry , Ron , Hermione , Fred , George e Ginny encheram um compartimento . Tiraram o_máximo partido de aquelas últimas horas em que lhes era permitido usar a magia antes de as férias . Brincaram a as explosões , gastaram o último fogo-de-artíficio Filibuster , de o Fred e de o George e treinaram o mútuo desarmamento através de a magia . Harry começava a ficar muito bom em aquilo . Já estavam perto de a estação de King's_Cross quando Harry se lembrou de uma coisa . - Ginny , o que foi que viste o Percy fazer que ele não queria que nos contasses ? - Ah ! isso - disse a Ginny a rir . - Bem , é_que o Percy tem uma namorada . Fred deixou cair uma pilha de livros em a cabeça de o George . - O quê ? - É aquela prefeita de os Ravenclaw ' Penelope_Clearwater - disse a Ginny . - Foi para ela que ele escreveu durante todo o Verão . Encontravam se em a escola em grande segredo . Eu apanhei os a beijarem se em uma sala de aula vazia e ele ficou tão aflito quando ela foi ... sabes ... atacada . Não vais aborrecê o , pois não ? - perguntou cheia de ansiedade . - Que ideia - respondeu Fred com uma tal satisfação em o rosto que parecia que o seu aniversário chegara mais cedo . - Claro que não - disse o George a rir se a a socapa . O Expresso_de_Hogwarts abrandou e finalmente parou . Harry tirou a pena e um_pouco de pergaminho e voltou se para Ron e Hermione . - Isto_é um número de telefone - disse ele a o Ron , escrevinhando o duas vezes , cortando o pergaminho a o meio e dando lhes os números . - Eu expliquei a o teu pai como usar um telefone em o Verão passado . Ele sabe fazer a chamada . Liga me para_casa de os Dursley , O. _ K. ? Não consigo suportar outros dois meses sem ter mais ninguém com quem falar ... - Mas a tua tia e o teu tio vão ficar orgulhosos de ti , não vão ? - perguntou Hermione quando saíram de o comboio e se misturaram em a multidão que se encontrava junto de a barreira encantada . - Quando souberem o que fizeste este ano . - Orgulhosos ? - disse Harry . - Estás doida ! Podendo eu ter morrido tantas vezes e tendo escapado ? Vão ficar é furiosos ... E juntos avançaram até a a entrada para o mundo de os Muggles . ----------------- J._K._Rowling_Harry_Potter e a Câmara_dos_Segredos_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Chamber of Secrets_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling 1998 Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 2000 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 2.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 Depósito legal : 143.569/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , a a Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Para_Séan_P._F._Harris , condutor imparável e um amigo de os diabos . I_O pior aniversário Não era a primeira vez que uma discussão estoirava a a mesa de o pequeno-almoço , em o número 4 de a Privet_Drive . Mr._Vernon_Dursley fora acordado de manhã cedo por o piar ruidoso que vinha de o quarto de o seu sobrinho Harry . - É a terceira vez esta semana ! - resmungou , a a mesa . - Se não consegues controlar essa coruja , ela não pode ficar aqui . Harry tentou , mais_uma_vez , explicar . - Ela está aborrecida . Estava habituada a voar livremente lá fora . Se eu pudesse , ao_menos , soltá a a a noite ... - Achas me com cara de idiota ? - perguntou rispidamente o tio Vernon , com um fio de ovo preso em o bigode farfalhudo . - Sei muito bem o que aconteceria se essa coruja fosse lá para fora . Trocou um olhar soturno com a mulher , a tia Petúnia . Harry tentou contra-argumentar , mas as suas palavras foram abafadas por um enorme arroto de o filho de os Dursleys , Dudley . - Quero mais bacon . - Há mais em a frigideira , fofinho - disse a tia Petúnia , lançando um olhar vago a o seu filho maciço . - Tens que te alimentar bem enquanto aqui estás , aquela comida de a tua escola não me cheira . - Disparate , Petúnia , eu nunca passei fome enquanto andei em Smeltings - afirmou com sinceridade o tio Vernon . - O Dudley tem que chegue . Não é verdade , filho ? Dudley , que era tão gordo que o rabo saía de os dois lados de a cadeira de a cozinha , sorriu laconicamente e voltou se para Harry . - Passa me a frigideira . -- Esqueceste te de a palavra mágica - disse Harry , irritado . O efeito que esta simples frase teve em o resto de a família foi inacreditável : Dudley começou a arfar e caiu de a cadeira com um estrondo que abalou a cozinha , Mrs._Dursley deu um gritinho e bateu com a mão em a boca , Mr._Dursley pôs se de pé com as veias de as têmporas dilatadas . - Eu queria dizer « por favor » - explicou Harry rapidamente . - Não me referia a ... - : __ o que é_que eu te __ disse - vociferou o tio , espalhando perdigotos sobre a mesa - : __ sobre pronunciar a palavra m . em esta __ casa ? - Mas eu ... - : __ como te atreves a ameaçar o __ dudley ! - rosnou o tio Vernon , batendo com o punho em a mesa . - Eu só ... - : __ estás avisado . não vou admitir referências a tua anormalidade debaixo de o tecto de a minha __ casa ! Harry olhou alternadamente para o rosto congestionado de o tio e para a palidez de a tia que tentava pôr o Dudley de pé . - Está bem - disse Harry . - Está bem ... O tio Vernon voltou a sentar se , respirando como um rinoceronte exausto e observando Harry de perto por o canto de os seus olhos pequeninos e penetrantes . Desde_que Harry regressara para as férias de Verão que o tio Vernon o tratava como_se ele fosse uma bomba , capaz de explodir a qualquer momento , porque Harry não era um rapazinho normal . Em a verdade , ele era o menos normal que é possível imaginar . Harry_Potter era um feiticeiro , um feiticeiro que acabara de concluir o primeiro ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts e a infelicidade que os Dursleys sentiam por ele estar lá em casa não era nada comparada com a de Harry . As saudades de Hogwarts eram tão intensas que se assemelhavam a uma constante dor em o estômago . Sentia a falta de o castelo com as suas passagens secretas e os seus fantasmas , de as aulas ( com excepção talvez de as de Snape , o professor de as poções ) , de o correio a chegar trazido por as corujas , de os banquetes em o salão nobre , de as noites em as camas de dossel em a camarata de a torre , de as visitas a Hagrid , o guarda de os campos em a sua casinha em o bosque , junto de a floresta proibida e , principalmente , sentia a falta de o Quidditch , o desporto mais popular de o mundo de os feiticeiros ( seis postes altos de golo , quatro bolas esvoaçantes e catorze jogadores em_cima_de vassoura ) . Todos os livros de feitiços de Harry , assim_como a varinha , os mantos , o caldeirão e a vassoura topo de gama Nimbus dois_mil tinham sido encerrados por o tio Vernon em a despensa que ficava debaixo de as escadas , em o momento em que Harry regressara a casa . O que é_que lhes interessava se ele perdia ou não o seu lugar em a equipa de Quidditch por não ter praticado durante todo o Verão ? Que importância tinha para eles que o Harry voltasse a a escola sem ter podido fazer os trabalhos de casa ? Os Dursleys eram aquilo que os feiticeiros chamam « Muggles » ( nem uma gota de sangue mágico em as veias ) e , para eles , ter um feiticeiro em a família era motivo de grande vergonha . O tio Vernon tinha , inclusivamente , fechado a cadeado a coruja de Harry , Hedwig , dentro de a gaiola , para evitar que ela transportasse mensagens para a gente de o mundo de a feitiçaria . Harry não se parecia em nada com o resto de a família . O tio Vernon era atarracado e sem pescoço , dotado de um enorme bigode preto ; a tia Petúnia tinha um rosto cavalar e era esquelética ; Dudley era loiro e rosado como um porquinho . Harry , pelo_contrário , era baixo e franzino , com os olhos verdes brilhantes e cabelo negro sempre desalinhado . Usava uns óculos redondos e tinha em a testa uma cicatriz em forma de relâmpago . Era essa cicatriz que o tornava tão invulgar , mesmo para um feiticeiro . Era a única alusão a o seu passado misterioso , a o motivo por o qual , onze anos antes , tinha sido deixado em o degrau de a porta de os Dursleys . Com um ano de idade , Harry sobrevivera a uma maldição de o maior feiticeiro negro de todos os tempos , Lord_Voldemort , cujo nome a maior parte de os feiticeiros e feiticeiras ainda receia pronunciar . Os pais de Harry tinham morrido em um ataque de Voldemort , mas ele escapara com a sua cicatriz em forma de relâmpago e estranhamente , ninguém compreendeu porquê , os poderes de Voldemort tinham sido destruídos em o momento em que não fora capaz de matar o Harry . Por isso , ele foi criado por a irmã de a sua falecida mãe e respectivo marido . Passou dez anos com os Dursleys , sem nunca compreender porque fazia com que acontecessem coisas estranhas , alheias a a sua vontade , acreditando em a história de os Dursleys de que aquela cicatriz fora resultado de um acidente de automóvel em que os pais tinham morrido . E um dia , precisamente um ano antes , Hogwarts escrevera lhe e fora então que tudo começara . Harry fora ocupar o seu lugar em a escola de feitiçaria , onde ele e a sua cicatriz eram famosas ... mas agora o ano escolar chegara a o fim e estava de_novo com os Dursleys . Durante o Verão , voltara a ser tratado como um cão malcheiroso . Os Dursleys nem se tinham lembrado que aquele era o dia de o seu décimo segundo aniversário . É claro que não tivera grandes expectativas : eles nunca lhe tinham dado um presente a sério , muito menos um bolo , mas ignorarem o por completo ... Em esse momento , o tio Vernon pigarreou com um ar importante e disse : - Como todos sabem , hoje é um dia muito importante . Harry olhou para ele , mal conseguindo acreditar . - Pode bem ser que eu faça hoje o maior negócio de toda_a minha vida - afirmou . Harry voltou novamente a atenção para a torrada . É claro , pensou amargamente , o tio Vernon referia se a a estúpida dinner-party . Havia quinze_dias que não falava de outra coisa . Um consultor qualquer cheio de massa e a mulher vinham jantar lá a casa e o tio Vernon tinha esperança de conseguir uma grande encomenda ( a empresa de o tio Vernon fabricava brocas ) . - Acho que devíamos recapitular mais_uma_vez - disse o tio Vernon . - Devemos estar todos a postos a as oito_horas_em_ponto . Petúnia , tu vais estar ... ? - Em o salão - respondeu a tia Petúnia prontamente - a a espera para lhes dar as boas-vindas a nossa casa . - Bom , bom . E o Dudley ? - Eu vou estar a a espera para abrir a porta . - Dudley esboçou um sorriso falso e afectado . - Dão me licença que vos guarde os casacos , Mr. e Mrs._Mason ? - Eles vão adorá o - exclamou arrebatadamente a tia Petúnia . - Excelente , Dudley - disse o tio Vernon . - A seguir voltou se para o Harry . - E tu ? - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - repetiu o Harry , de forma inexpressiva . - Exactamente - confirmou o tio Vernon , de um modo desagradável . - Eu conduzo os até a o salão , apresento te , Petúnia , e sirvo lhes as bebidas . _ a as oito_e_um_quarto . - Eu chamo para a mesa - disse a tia Petúnia . - E tu , Dudley , vais dizer ... - Dá me licença que lhe indique a casa de jantar , Mrs._Mason ? - repetiu o Dudley , oferecendo o seu braço gordo a uma mulher invisível . - O meu pequenino cavalheiro - fungou a tia Petúnia . - E tu ? - perguntou o tio Vernon a o Harry , em o mesmo tom desagradável . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho , fingindo que não estou lá - respondeu Harry aborrecido . - Isso mesmo . Agora , devíamos ter preparadas algumas frases amáveis para o jantar . Petúnia , alguma ideia ? - O Vernon disse me que o senhor é um excelente jogador de golfe , Mr._Mason ... Tem de me dizer onde comprou esse vestido , Mrs._Mason ... - Perfeito . Dudley ? - Que tal : Tivemos de fazer um trabalho para a escola sobre o nosso herói e eu escrevi sobre o senhor ... Foi de mais , tanto para a tia Petúnia como para o Harry . A tia debulhou se em lágrimas e abraçou o filho , enquanto Harry se esgueirava para debaixo de a mesa para ninguém o ver rir . - E tu , rapaz ? Harry fez um esforço para se mostrar inexpressivo quando emergiu . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - disse . - Vais sim senhor - afirmou o tio Vernon energicamente . - Os Mason não sabem nada a teu respeito e é assim que as coisas vão continuar . Quando o jantar terminar , tu trazes Mrs._Mason para o salão , onde vamos tomar café , Petúnia , e eu puxo o assunto de as brocas . Com um_pouco de sorte , tenho o contrato assinado antes de o noticiário de as dez . Amanhã por esta hora , vamos estar a fazer compras para umas férias em Maiorca . Harry não conseguia sentir o menor entusiasmo com aquilo . Não lhe parecia que os Dursleys gostassem mais de ele em Maiorca do_que em Privet_Drive . - Certo , eu vou a a cidade buscar os casacos para mim e para o Dudley . E tu - resmungou , apontando para Harry - não atrapalhes a tua tia enquanto ela estiver a limpar . Harry saiu por a porta de as traseiras . Estava um dia de sol lindo . Atravessou o relvado , deixou se cair em o banco de o jardim e cantarolou baixinho : - Parabéns para mim ... parabéns para mim ... Nem cartas nem presentes e tinha de passar a noite a fingir que não existia . Olhou infeliz para a sebe . Nunca se sentira tão só . Mais do_que tudo em o mundo , mais do_que de Hogwarts , mais até do_que de o jogo de Quidditch , Harry sentia a falta de os amigos Ron_Weasley e Hermione_Granger . Mas eles não pareciam sentir a falta de ele . Nenhum de os dois lhe escrevera durante todo o Verão apesar_de o Ron ter dito que ia convidá o para passar uns dias lá em casa . Inúmeras vezes Harry estivera quase a libertar magicamente Hedwig de a sua gaiola e mandá a levar uma carta a o Ron e a a Hermione mas não valia a pena correr o risco . Os feiticeiros menores de idade não tinham autorização para usar a magia fora de a escola . Harry não contara isto a os Dursleys . Ele sabia que era o medo de que ele os transformasse a todos em baratas que os impedia de o fecharem a a chave em a despensa debaixo de as escadas , juntamente com a varinha e a vassoura . Em as primeiras semanas Harry divertira se a murmurar baixinho palavras sem sentido e a ver o Dudley sair disparado de o quarto , tão rápido quanto as suas pernas gordas lhe permitiam . Mas o silêncio prolongado de Ron e Hermione tinham o feito sentir se tão longe de o mundo de a magia que até divertir se à_custa_de Dudley perdera o interesse . E agora o Ron e a Hermione tinham se esquecido de o seu aniversário . Quanto não daria ele por uma mensagem de Hogwarts ? De qualquer feiticeiro ou feiticeira ? Quase ficaria satisfeito com um sinal de o seu inimigo feroz , Draco_Malfoy , só para ter a certeza de que tudo aquilo não fora apenas um sonho ... Não que tudo durante o ano em Hogwarts tivesse sido divertido . Mesmo em o fim de o último período , Harry confrontara se nem mais nem menos do_que com o próprio Lord_Voldemort . Voldemort podia ter arruinado o seu ego inicial mas continuava a espalhar o terror , ainda astuto , ainda determinado a recuperar o poder . Harry escapara uma segunda vez a as suas garras mas fora por um triz e mesmo agora , algumas semanas decorridas , acordava de noite encharcado em suores frios , perguntando se onde estaria Voldemort , relembrando o seu rosto lívido , os seus olhos completamente loucos ... Harry sentou se subitamente , direito como um fuso , em o banco de o jardim . Tinha estado a olhar distraído para a sebe e a sebe estava a olhar para ele . Dois enormes olhos verdes surgiram por_entre a folhagem . Harry pôs se de pé ao_mesmo_tempo que uma voz sobrevoava a relva . - Eu sei que dia é hoje - cantarolava Dudley , bamboleando se enquanto se aproximava . Os olhos enormes piscaram e desapareceram . - O quê ? - perguntou Harry sem retirar os olhos de o lugar para_onde estava a olhar . - Eu sei que dia é hoje - repetiu , chegando junto de ele . - Ainda_bem - disse Harry . - Aprendeste finalmente os dias de a semana . - Hoje é o dia de os teus anos - troçou o Dudley . - Por_que é_que não recebeste nenhuma carta ? Não tens amigos em esse lugar esquisito ? - É melhor não deixares a tua mãe ouvir te falar de a minha escola - disse Harry calmamente . Dudley puxou para_cima as calças que estavam a escorregar lhe por o rabo gordo abaixo . - Porque estás a olhar para a sebe . ; - perguntou curioso . - Estou a pensar em as palavras que deverei pronunciar para lhe pegar fogo - disse Harry . Dudley recuou de imediato com um olhar de pânico em a cara rechonchuda . - Tu não p-p-odes , o pai disse que não podias fazer magia ou corria contigo aqui de casa e não tens mais nenhum lugar para_onde ir , não tens amigos que te convidem ... - * _ Jiggery pokery * ! - disse Harry com voz firme . - * _ Hocus pocus ... squiggly wiggly * ... - Maaaaaãe - gritou Dudley , tropeçando em os pés , enquanto se precipitava para dentro_de casa . Maaaãe , ele vai fazer aquela coisa ! Harry deu graças a os céus por aquele momento de gozo . Como não aconteceu nada de mal nem a o Dudley nem a a sebe , a tia Petúnia percebeu que ele não fizera magia nenhuma mas , mesmo_assim , Harry teve de se afastar quando ela lhe deu uma forte pancada em a cabeça com a frigideira cheia de detergente . A seguir distribuiu lhe trabalho e o castigo de só voltar a comer quando tivesse acabado tudo . Enquanto Dudley andava a flanar , olhando para o ar e comendo gelados , Harry limpou as janelas , lavou o carro , aparou a relva , adubou os canteiros , podou e regou as rosas e pintou de_novo o banco de o jardim . O sol ardia lá em cima , queimando lhe a parte de trás de o pescoço . Harry sabia que não devia ter provocado Dudley mas ele dissera precisamente aquilo que ele próprio pensava ... talvez não tivesse amigos em Hogwarts . Deviam ver agora o famoso Harry_Potter , pensou amargamente enquanto espalhava adubo em os canteiros , as costas a doerem lhe e o suor a escorrer lhe por o rosto . Eram sete_e_meia_da_tarde quando , por fim , exausto , ouviu a tia Petúnia a chamá o . - Anda para dentro e passa por cima de os jornais . Harry entrou satisfeito em a sombra de a cozinha que rebrilhava . Sobre o frigorífico estava o bolo de a noite : um enorme monte de crome batido coberto de violetas de açúcar . A carne de porco assava em o forno . - Come depressa , os Mason devem estar a chegar ! - exclamou bruscamente a tia Petúnia , apontando para duas fatias de pão e uma de queijo que estavam em cima de a mesa de a cozinha . Ela já tinha posto um vestido de * cocktail * cor de salmão . Harry lavou as mãos e comeu aquele triste jantar . Mal tinha terminado , a tia Petúnia tirou lhe o prato . - Lá para_cima , rápido ! A o passar por a porta de a sala , Harry vislumbrou o tio Vernon e Dudley de casaco e gravata . Tinha acabado de chegar a o cimo de as escadas quando a campainha de a porta tocou e a cara de o tio Vernon apareceu em o patamar . - Lembra te , rapaz , um ruído que seja ... Harry entrou em o quarto em bicos de pés , fechou a porta e preparou se para se meter em a cama . O problema é_que estava lá alguém sentado . II_O aviso de Dobby_Harry conseguiu não gritar , mas foi por_pouco . A pequena criatura que estava em a cama tinha umas orelhas grandes e largas e uns olhos verdes protuberantes de o tamanho de bolas de ténis . Harry percebeu imediatamente que fora para ele que tinha estado a olhar de manhã . Enquanto olhavam um para o outro , Harry ouviu a voz de Dudley em o * hall * . - Posso guardar os vossos casacos , Mr. e Mrs._Mason ? A criatura escorregou por a cama e curvou se tanto que a ponta de o seu enorme nariz tocou em o tapete . Harry reparou que ele tinha vestido uma espécie de fronha de almofada com buracos para os braços e pernas . - Er ... Olá - disse Harry , um_pouco nervoso . - Harry_Potter ! - exclamou a criatura em uma voz tão estridente que Harry calculou que poderia ouvir se lá em baixo . - Há tanto tempo que Dobby queria conhecê o , senhor . É uma enorme honra ... - Ob-obrigado - disse Harry , deslocando se a o longo de a parede e sentando se em a cadeira de a secretária , junto de Hedwig que dormia em a sua grande gaiola . Queria perguntar lhe « O que és tu ? » , mas pensou que seria má educação , por isso perguntou : - Quem és tu ? - Dobby , senhor . Apenas Dobby , o elfo de casa - afirmou a criatura . - Oh ! A sério ? - perguntou Harry . - Não quero ser mal-educado , mas esta não é a melhor altura para ter um elfo em o meu quarto . O riso falso de a tia Petúnia ouvia se em a sala de jantar . O elfo deixou cair a cabeça . - Não que eu não me sinta feliz por te conhecer - disse Harry rapidamente - mas , er ... estás aqui por algum motivo em especial ? - Oh , sim senhor - disse Dobby muito a sério . - Dobby veio dizer lhe que ... é difícil ... Dobby não sabe por_onde começar ... - Senta te - disse Harry educadamente , apontando lhe a cama . Para seu horror , o elfo debulhou se em lágrimas bastante ruidosas . -- S-senta-te ! - repetiu . - Nunca em toda_a minha vida ... Harry pareceu lhe ouvir as vozes lá em baixo vacilarem . - Desculpa - murmurou . - Eu não queria ofender te ... - Ofender Dobby ! - exclamou o elfo em um sufoco . - Nunca nenhum feiticeiro disse a o Dobby que se sentasse como um seu igual , senhor . Harry , tentando dizer lhe « Sch ... » e confortá o ao_mesmo_tempo , conduziu Dobby de_novo até a a cama onde ele se sentou a soluçar , parecendo uma grande boneca muito feia . Por fim , conseguiu controlar se e ficou quieto , com os seus grandes olhos fixos em Harry em uma expressão de absoluta adoração . - Não deves ter conhecido muitos feiticeiros sérios - disse lhe , tentando animá o . Dobby abanou a cabeça . Em seguida , sem qualquer aviso , saltou e começou a bater furiosamente com a cabeça em a janela , gritando : - Dobby é mau ! Dobby é mau ! - Pára , o que é_que estás a fazer ? - perguntou Harry em um murmúrio sibilante , dando um salto e puxando Dobby de_novo para a cama . Hedwig acordara com um pio particularmente agudo e batia agressivamente com as asas contra as grades de a gaiola . - Dobby tinha que se castigar , meu senhor - afirmou o elfo , que ficara ligeiramente estrábico . - Dobby quase falou mal de a família de ele ... - De a tua família ? - De a família de feiticeiros que Dobby serve , meu senhor ... O Dobby é um elfo de casa , obrigado a servir uma casa e uma família para sempre . - Eles sabem que estás aqui ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Dobby estremeceu . - Oh , não senhor , não ... Dobby vai ter que se castigar muito por ter vindo vê o . Dobby vai ter que entalar as orelhas em a porta de o forno por isto . Se eles soubessem , senhor ... - Mas achas que eles não vão reparar se tu entalares as orelhas em a porta de o forno ? - Dobby duvida , senhor . Dobby está sempre a ter de se castigar por qualquer coisa . Eles deixam que o Dobby se castigue . _ às_vezes até sugerem alguns castigos extra . - Mas por_que é_que não te vais embora , não foges ? - Um elfo de casa tem de ser libertado , senhor . E a família nunca libertará Dobby . Dobby servirá a família até morrer . Harry olhou para ele . - E eu que pensava que era infeliz por ter de ficar aqui mais quatro semanas - declarou . - Isto faz os Dursleys parecerem quase humanos . Será que ninguém te pode ajudar ? Poderei eu ? Em o mesmo momento , Harry desejou não ter aberto a boca . Dobby desfez se em ruidosos soluços de gratidão . - Por favor - murmurou Harry , inquieto . - Por favor , está calado . Se os Dursleys ouvem barulho , se eles sabem que estás aqui ... - Harry_Potter pergunta se pode ajudar Dobby . Dobby ouviu falar de a sua grandeza , mas de a sua bondade , Dobby nada sabia . Harry , que se sentia corar , disse : - Seja o que for que tenhas ouvido sobre a minha grandeza , é um disparate . Nem_sequer sou o melhor de o meu ano em Hogwarts . É a Hermione . Ela ... Mas calou se rapidamente porque pensar em Hermione era lhe doloroso . - Harry_Potter é humilde e modesto - disse Dobby reverentemente , com os seus olhos de globo avermelhados . - Harry_Potter não fala de a sua vitória sobre « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . - Voldemort ? - perguntou Harry . Dobby bateu com as mãos em as enormes orelhas e gemeu : - Ai não diga o nome , senhor . Não diga o nome ! - Desculpa - disse Harry muito depressa . - Eu sei que muita gente não gosta . O meu amigo Ron ... Calou se de_novo . Pensar em o Ron era igualmente doloroso . Dobby voltou para Harry os seus dois olhos grandes como candeeiros . - Dobby ouviu dizer - balbuciou com voz rouca - que Harry_Potter encontrou o Senhor_do_Mal uma segunda vez há poucas semanas atrás ... que Harry_Potter lhe escapou de_novo . Harry acenou e os olhos de Dobby encheram se de lágrimas . - Ah , senhor - disse em um sobressalto , limpando o rosto com a ponta de a fronha de almofada que tinha vestida . - Harry_Potter é valente e arrojado . Enfrentou tantos perigos ! Mas Dobby veio protegê o , avisar Harry_Potter , mesmo_que para isso tenha de entalar as orelhas em a porta de o forno , que Harry_Potter não deve voltar para Hogwarts . Houve um silêncio apenas quebrado por o ruído de os garfos e de as facas lá em baixo e por a voz distante de o tio Vernon . - O q-q-uê ? - gaguejou Harry . - Mas eu tenho de voltar , o ano começa em o dia um de Setembro . É a minha razão de viver . Tu não sabes como são as coisas aqui . Eu não pertenço a este lugar , o meu lugar é em Hogwarts . - Não , não , não - guinchou Dobby , sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas andavam de um lado para o outro . - Harry_Potter deve ficar aqui , onde se encontra a salvo . É demasiado grande , demasiado bom para se perder . Se Harry_Potter regressar a Hogwarts correrá perigo de vida . - Porquê ? - inquiriu Harry , surpreendido . - Há uma conspiração , Harry_Potter . Uma conspiração para fazer acontecer coisas terríveis este ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts - murmurou Dobby que começara a tremer de a cabeça a os pés . - Dobby sabe de isto há meses , senhor . Harry_Potter não deve expor se a o perigo . É demasiado importante . - Que coisas terríveis são essas ? - perguntou Harry sem perder tempo . - Quem está por detrás ? Dobby fez um ruído esquisito e começou a bater com a cabeça contra a parede como um louco . - Está bem - gritou Harry , agarrando o braço de o elfo para o fazer parar . - Não podes dizer , eu compreendo . Mas porque vieste avisar me ? - Um pensamento súbito e desagradável surgiu lhe . - Espera aí , isto tem alguma coisa que ver com o Vol , desculpa com o Quem nós sabemos ? Basta que faças sim ou não com a cabeça - acrescentou com vivacidade enquanto a cabeça de Dobby se inclinava de_novo a uma velocidade preocupante para a parede . Lentamente , Dobby abanou a cabeça . - Não , não é « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . Os olhos de Dobby estavam abertos como_se estivesse a tentar dar a Harry uma pista , mas Harry estava completamente a a nora . - Ele não tem nenhum irmão , ou tem ? Dobby abanou a cabeça , os olhos mais abertos do_que nunca . - Bem , em esse caso não estou a ver quem mais poderia ter a possibilidade de fazer acontecer coisas horríveis em Hogwarts - disse Harry . - Quero dizer , para já está lá o Dumbledore . Sabes quem é Dumbledore , não sabes ? Dobby baixou a cabeça . - Albus_Dumbledore é o melhor director que Hogwarts alguma vez teve . Dobby sabe , senhor . Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore rivalizam com os d'aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Mas , senhor - a voz de Dobby desceu a um urgente murmúrio - há poderes que Dumbledore não ... poderes que nenhum feiticeiro sério ... E antes que Harry conseguisse impedi o Dobby saltou de a cama , agarrou o candeeiro de secretária de Harry e começou a bater com a cabeça , dando uivos ensurdecedores . Fez se silêncio lá em baixo . Dois segundos mais tarde , Harry com o coração a bater como um louco , ouviu o tio Vernon chegar a o * hall * e dizer . - O Dudley deve ter deixado outra_vez a televisão ligada , o maroto ! - Depressa , para dentro de o guarda-fatos - gritou Harry , empurrando Dobby bem para o fundo , fechando a porta e metendo se a correr em a cama mesmo a_tempo_de ver a maçaneta de a porta a girar . - Que diabo estás tu a fazer ? - disse o tio Vernon entre dentes , o rosto assustadoramente próximo de o de Harry . - Acabas de estragar o ponto alto de a minha anedota de o golfista japonês . Eu que oiça mais um som e vais desejar nunca ter nascido , rapaz ! Abandonou o quarto com grandes passadas . A tremer , Harry deixou Dobby sair de o guarda-fatos . - Estás a ver como são as coisas por aqui ? - disse . - Vês porque tenho de voltar para Hogwarts ? É o único sítio onde eu tenho ... bem , onde eu acho que tenho amigos . - Amigos que nem_sequer escrevem a Harry_Potter ? - disse Dobby com ar manhoso . - Calculo que devem ter estado ... espera aí - disse Harry , franzindo a testa . - Como é_que tu sabes que os meus amigos não me têm escrito ? Dobby arrastou os pés . - Harry_Potter não deve zangar se com Dobby . Dobby fez o que achou melhor ... - Tu tens estado a interceptar me as cartas ? - Dobby tem as aqui , senhor - disse o elfo . Saltando para longe de o alcance de Harry , retirou de dentro de a fronha que usava um espesso saco cheio de envelopes . Harry reconheceu de imediato a caligrafia certinha de Hermione , a escrita desordenada de Ron e até uns gatafunhos que pareciam ser de o guarda de os campos de Hogwarts , Hagrid . Dobby piscava ansiosamente os olhos . - Harry_Potter não deve ficar zangado ... Dobby esperava que ... se Harry_Potter pensasse que os amigos o tinham esquecido ... Harry_Potter talvez não quisesse voltar a a escola , senhor . Harry não o ouvia . Fez um gesto para agarrar as cartas , mas Dobby deu um salto , afastando se . - Harry_Potter terá as cartas , senhor , se der a Dobby a sua palavra de não voltar a Hogwarts . Ah , senhor , é um risco que não deve correr . Diga que não volta , senhor ! - Não - afirmou Harry zangado . - Dá me as cartas de os meus amigos ! - Em esse caso , Harry_Potter deixa Dobby sem escolha - disse o elfo tristemente . Antes que Harry pudesse fazer um movimento , Dobby tinha aberto a porta de o quarto e descido a correr por as escadas abaixo . Com a boca seca e um aperto em o estômago , Harry correu atrás de ele , tentando não fazer barulho . Saltou os últimos seis degraus , aterrando como um gato em a carpete de o * hall * , olhando em volta a a procura de Dobby . De a sala de jantar , ouviu a voz de o tio Vernon : - Conte a a Petúnia aquela história engraçadíssima de os funileiros americanos , ela tem estado louca por ouvi a , Mr._Mason . Harry correu de o * hall * para a cozinha e sentiu o estômago ficar pequenino . O pudim , que era a a obra-prima de a tia Petúnia , a montanha de creme batido coberto de violetas de açúcar flutuava junto de o tecto . Em cima de o guarda-louça de o canto , Dobby inclinava se servilmente . - Não - suplicou Harry . - Por favor , eles matam me . - Harry_Potter deve dizer que não vai voltar a a escola ... - Dobby , por favor . - Diga , senhor . - Não posso . Dobby lançou lhe um olhar trágico . - Então , Dobby deve fazê o , senhor , para o bem de Harry_Potter . O pudim foi direito a o chão em uma queda que parecia um coração a parar . O crome esguichou para as janelas e para as paredes , enquanto o prato se despedaçava . Com o ruído de uma chicotada , Dobby desapareceu . Ouviram se gritos em a casa de jantar e o tio Vernon irrompeu por a cozinha onde foi dar com Harry coberto , de a cabeça a os pés , por o pudim de a tia Petúnia . A princípio parecia que o tio Vernon ia conseguir arranjar uma desculpa para aquilo tudo . ( É só o nosso sobrinho , muito perturbado ; conhecer pessoas estranhas deixa o muito nervoso , por isso deixamos o lá em cima ... ) Conduziu_os_Mason , bastante chocados , para a sala de jantar , garantindo a Harry que o esfolava vivo quando os Mason se fossem embora e pôs lhe em as mãos um esfregão . A tia Petúnia descobriu um resto de gelado em o frigorífico e Harry , ainda a tremer , começou a limpar a cozinha . O tio Vernon poderia ainda ter feito o negócio , se não fosse a coruja . Estava a tia Petúnia a circular com uma caixa de After-Eight , quando uma enorme coruja de celeiro fez a sua entrada vertiginosa através de a janela de a casa de jantar , deixando cair uma carta em a cabeça de Mr._Mason e desaparecendo logo_a_seguir . Mrs._Mason gritava como uma carpideira e corria por a casa praguejando contra os lunáticos . Mr._Mason ficou o tempo estritamente necessário para dizer a os Dursleys que a mulher tinha um medo pânico de pássaros de todas_as formas e tamanhos e perguntar lhes se aquela era alguma brincadeira de mau gosto . Harry não saiu de a cozinha , agarrando o esfregão como defesa , enquanto o tio Vernon avançava para ele com um brilho demoníaco em os olhos pequeninos . - Lê isso - ordenou maldosamente . Harry pegou em a carta . Não era a desejar lhe um bom aniversário . * _ Caro_Mr._Potter , * _ Recebermos hoje informações de que um feitiço de suspensão em o ar foi efectuado em sua casa esta noite , a as nove_horas_e_doze_minutos . * _ Como sabe , os feiticeiros menores não estão autorizados a praticar magia fora de a escola e , se efectuar mais um trabalho mágico , será expulso de a nossa escola . ( Decreto_de_Restrições_Razoáveis_para_Feitiçaria_de_Menores , 1875 , parágrafo C. ) * _ Pedimos-lhe também que se lembre que qualquer actividade que possa ser notada por membros alheios a a nossa comunidade ( Muggles ) constitui uma ofensa grave , segundo a secção 13 de a Confederação_Internacional_do_Estatuto_da_Magia_Secreta . * _ Tenha umas boas férias . * Atenciosamente_Mafalda_Hopkirk_Gabinete_da_Utilização_Imprópria_da_Magia_Ministério_da_Magia * . Harry olhou para a carta e engoliu em seco . - Tu não nos contaste que estavas proibido de usar magia fora de a escola - disse o tio Vernon com um brilho maldoso a dançar lhe em os olhos . - Esqueceste te de o mencionar , passou te , não foi ? Tinha se aproximado de Harry como um grande * bulldog * , com todos os dentes a a mostra . - Tenho boas notícias para ti , rapaz , vou fechar te a a chave e , se tentares sair através_de magia , nunca mais voltas a aquela escola , eles expulsam te . E rindo como um louco , arrastou Harry até a o andar de cima . O tio Vernon era mau como as cobras . Em a manhã seguinte pagou a um homem para colocar grades em a janela de o quarto de Harry . Ele próprio abriu um pequeno buraco em a porta de o quarto para que a comida pudesse ser introduzida três vezes por dia . Deixavam o Harry sair para ir a a casa_de_banho de manhã e a o final de a tarde . O resto de o tempo estava fechado em o quarto , a a espera que o tempo passasse . Três dias mais tarde , os Dursleys não mostravam qualquer intenção de abrandar o castigo e Harry não sabia como sair de aquela situação . Estava deitado em a cama , vendo o sol brilhar por_entre as grades de a janela e perguntando se tristemente o que viria a acontecer lhe . Qual era a vantagem de sair de ali por artes mágicas , se Hogwarts o expulsaria em seguida ? Contudo , a vida em Privet_Drive tinha atingido o seu nível mais baixo . Agora_que os Dursleys tinham a certeza que não iam acordar transformados em morcegos , ele perdera a única arma que tinha . O Dobby podia tê o salvo de acontecimentos terríveis em Hogwarts , mas de a maneira que as coisas estavam , ele morreria muito provavelmente a a fome . A portinhola rangeu e a mão de a tia Petúnia apareceu empurrando uma tigela de sopa de pacote para dentro de o quarto . Harry , que estava cheio de fome , saltou de a cama e agarrou a . A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um único trago . A seguir , atravessou o quarto até a a gaiola de Hedwig e pôs os legumes ensopados dentro de o seu pratinho vazio . Ela agitou as penas e olhou o com profunda repugnância . - Não vale de nada virares lhe as costas . É tudo_o_que temos - disse Harry , de modo severo . Colocou a tigela vazia em o chão junto de a portinhola e voltou para_cima de a cama , de certo modo com mais fome do_que antes de ter comido a sopa . Admitindo que estaria ainda vivo dentro_de quatro semanas o que aconteceria se ele não se apresentasse em Hogwarts ? Será que mandariam alguém obrigar os Dursleys a deixá o ir ? O quarto começava a escurecer . Exausto e com o estômago a dar horas , o cérebro a as voltas com as mesmas questões sem resposta , Harry caiu em um sono intranquilo . Sonhou que fazia parte de um espectáculo de o jardim zoológico . Preso a a jaula onde se encontrava estava um cartaz onde podia ler se « feiticeiro menor de idade « . As pessoas olhavam o com olhos protuberantes , enquanto ele jazia fraco e esfomeado em um leito de palha . Viu a cara de o Dobby em o meio de a multidão e gritou lhe , pedindo ajuda , mas o Dobby respondeu : - Harry_Potter está em segurança aí , senhor - e desapareceu . Em seguida vieram os Dursleys e Dudley bateu em as grades de a jaula , rindo se de ele . - Pára com isso - murmurou Harry como_se aquele ruído martelasse em a sua cabeça dorida . - Deixa me em paz , pára com isso , estou a tentar dormir . Abriu os olhos . O luar brilhava através de as grades de a janela . E lá fora alguém olhava de olhos arregalados para ele : alguém de rosto sardento , cabelo ruivo e nariz grande . Ron_Weasley estava de o lado de_fora de a janela . III « A toca » Ron ! - exclamou Harry , arrastando se até a a janela e empurrando a para poderem falar através de as grades . - Ron , como é_que tu , foi o ... ? Harry ficou de boca aberta , espantado com o que viu . Ron estava debruçado de a janela de trás de um velho automóvel azul-turquesa que se encontrava estacionado em o ar . Em os lugares de a frente , rindo se para Harry , estavam os irmãos mais velhos , os gémeos Fred e George . - Tudo bem , Harry ? - O que é_que se tem passado ? - perguntou o Ron . - Porque não respondeste a as minhas cartas ? Convidei te para vires ter comigo umas doze vezes e um dia o pai chegou a casa e comunicou nos que tu tinhas recebido um aviso oficial por usares magia diante de os Muggles ... - Não fui eu . E como é_que ele soube ? - Ele trabalha em o Ministério - disse o Ron . - Tu sabes que nós não podemos fazer feitiços fora de a escola . - Bem , isso vindo de ti ... - exclamou Harry , olhando para o carro flutuante . - Oh , isto não conta - disse Ron . - Foi o meu pai que o emprestou . Não o fizemos aparecer por magia . Mas usar magia em a frente de esses Muggles com quem tu vives ... - Já te disse que não fui eu , mas vai demorar muito_tempo a explicar te isso agora . És capaz de avisar em Hogwarts que os Dursleys me fecharam a a chave e que não querem deixar me voltar e obviamente eu não posso sair de aqui magicamente senão o Ministério vai achar que é a segunda vez em três dias e ... - Pára com essa conversa tola - disse o Ron . - Viemos para te levar connosco . - Mas tu também não podes tirar me de aqui utilizando processos mágicos ... - Não precisamos de isso - afirmou Ron , fazendo um sinal de cabeça para os lugares de a frente . - Esqueces te de quem está aqui comigo . - Amarra isso em volta de as grades - disse o Fred , lançando a Harry a ponta de uma corda . - Se os Dursleys acordam estou feito - lamentou se Harry enquanto dava um nó bem apertado com a corda em uma de as grades e o Fred arrancava com o carro . - Não te preocupes e chega te para trás . Harry recuou para a sombra , para junto de Hedwig que parecia ter se apercebido de a importância de tudo aquilo , mantendo se quieta e em silêncio . O carro puxou mais e mais e , subitamente , com um ruído de ferro a ceder , as grades foram arrancadas de a janela , enquanto Fred conduzia com o céu como estrada . Harry correu de_novo para a janela para ver as grades a balouçarem a poucos metros de o chão . Ofegante , Ron içou as para dentro de o carro . Harry escutou ansiosamente mas não vinha qualquer som de o quarto de os Dursleys . Quando as grades estavam em segurança em os lugares de trás junto de Ron , Fred aproximou se o_máximo que lhe foi possível de a janela . - Anda de aí - disse . - Mas , todas_as minhas coisas de Hogwarts , a minha varinha , a minha vassoura ... - Onde estão ? - Fechadas em a despensa debaixo de as escadas e eu não posso sair de este quarto . . - Não há azar - disse o George . - Sai de a frente , Harry . Fred e George treparam cautelosamente e entraram por a janela em o quarto de Harry . Tinhas que ter aberto a boca , pensou Harry enquanto George tirava de o bolso um vulgar gancho de cabelo e começava a tentar abrir a fechadura . - Muitos feiticeiros acham que é uma perda de tempo aprender os truques de os Muggles - disse o Fred . - Mas nós pensamos que há habilidades que é sempre útil conhecer apesar_de serem um_pouco lentas . Ouviu se um pequeno clique e a porta abriu se . - Pronto , vamos buscar as tuas coisas . Tu vai dando a o Ron aquilo que precisas de aí de o teu quarto - murmurou George . - Cuidado com o degrau de cima que range - sussurrou Harry enquanto os gémeos desapareciam em o escuro . Harry deu a volta a o quarto , recolhendo as suas coisas e passando as por a janela a o Ron . Em seguida , foi ajudar o Fred e o George a trazerem o resto por as escadas acima . Ouviu o tio Vernon tossir . Por fim , de língua de_fora , chegaram a o quarto , junto de a janela aberta . Fred trepou para o carro para puxar os volumes com o Ron enquanto Harry e George os empurravam de dentro de o quarto . Centímetro a centímetro o malão foi passando por a janela . O tio Vernon tossiu de_novo . - Mais um_pouco - disse o Fred que estava a puxar de dentro de o carro . Um bom empurrão , vá . Harry e George encostaram os ombros contra a mala e ela escorregou para a parte de trás de o carro . - O. _ K. , vamos embora - murmurou o George . Mas quando Harry trepava para o parapeito de a janela ouviu se um forte pio atrás de ele , imediatamente seguido de o vociferar de o tio Vernon . - Aquela maldita coruja ! - Esqueci me de a Hedwig ! Harry precipitou se de_novo para o quarto , enquanto a luz de o patamar se acendia . Agarrou a gaiola de Hedwig , correu para a janela e passou a a o Ron . Estava a subir para_cima de a cómoda quando o tio Vernon bateu em a porta , que não estava fechada , e esta se abriu completamente . Por uma fracção de segundo , o tio Vernon ficou estático junto de a porta . Em seguida , soltou um mugido como um boi zangado e avançou para Harry , agarrando o por o tornozelo . Ron , Fred e George seguraram o por os braços e puxaram o com toda_a força . - Petúnia - rosnou o tio Vernon . - Ele está a fugir ! : __ ele está a __ fugir ! Os Weasleys deram um puxão gigantesco e a perna de o Harry escapou a as garras de o tio Vernon . Logo_que Harry entrou em o carro e a porta se fechou , Ron gritou : - Acelera Fred ! - E o carro partiu subitamente em direcção a a lua . Harry mal podia acreditar que estava livre . Esticou se a a janela , o ar de a noite a fustigar lhe os cabelos e olhou para baixo , para os telhados apertados de Privet_Drive . O tio Vernon , a tia Petúnia e o Dudley estavam todos debruçados com cara de parvos , a a janela de o quarto de ele . - Até a o próximo Verão - gritou . Os Weasleys riam se a as gargalhadas e Harry esticou se para trás em o assento e pediu a o ouvido de Ron : - Deixa sair a Hedwig . Ela pode voar atrás_de nós . Há séculos que não tem uma oportunidade de esticar as asas . George passou a o Ron o gancho de cabelo e , um momento depois , a Hedwig saíra feliz por a janela , planando atrás de eles como um fantasma . - Então , qual é a história ? - perguntou Ron , impaciente . - O que é_que tem estado a acontecer ? Harry contou lhes tudo sobre o Dobby , o aviso de este e o fracasso de o pudim de violetas . Houve um longo silêncio quando ele se calou . - Isso cheira me a esturro - disse , por fim , o Fred . - Definitivamente misterioso - concordou George . - Então ele nem te disse quem está supostamente por detrás dessa trama toda ? - Acho que não podia - explicou Harry . - Já te disse , de cada_vez que estava quase a deixar escapar qualquer coisa , começava a bater com a cabeça em a parede . Viu Fred e George olharem um para o outro . - O quê ? Acham que ele estava a mentir me ? - perguntou Harry . - Bem - começou o Fred -- , coloquemos as coisas de o seguinte modo , os elfos de casa têm poderes mágicos próprios , mas geralmente não podem usá os sem a autorização de os seus donos . Eu acho que o bom de o Dobby foi enviado para evitar que voltasses para Hogwarts . Uma ideia de um engraçadinho . Haverá alguém em a escola com má vontade contra ti ? - Sim - responderam Harry e Ron , precisamente ao_mesmo_tempo . - Draco_Malfoy - explicou Harry . - Ele detesta me . - Draco_Malfoy ? - perguntou George , voltando se para trás . - O filho de o Lucius_Malfoy ? - Deve ser . Não é um nome muito vulgar , pois não ? - disse Harry . - Mas porquê ? - Ouvi o pai falar acerca de ele - confidenciou George . - Ele era um grande apoiante de o « Quem nós sabemos » . - E quando o « Quem nós sabemos » desapareceu - continuou o Fred , voltando a cara para olhar para Harry - o Lucius_Malfoy voltou , dizendo que não foi por vontade própria que fez o que fez . Monte de lixo . O pai acha que ele fazia parte de um círculo de amigos íntimos de o « Quem nós sabemos » . Harry já tinha ouvido esses boatos sobre a família de Malfoy e não o surpreenderam em absoluto . Malfoy fizera Dudley_Dursley parecer um rapazinho simpático , amável e sensível . - Não sei se os Malfoy têm um elfo de casa ... - afirmou Harry . - Bem , quem quer que o possua é sem dúvida uma antiga família de feiticeiros e deve ser rica - explicou Fred . - Sim . A mãe está sempre a desejar que pudéssemos ter um elfo de casa para passar a roupa a ferro - disse o George . - Mas só temos um velho vampiro piolhoso em o sótão e gnomos espalhados por o jardim . Os elfos de casa pertencem a as grandes casas senhoriais , a os castelos e lugares assim , não encontrarias um em a nossa casa ... Harry estava calado . Considerando que Draco_Malfoy tinha sempre as melhores coisas , que a sua família nadava em ouro de feiticeiros , era fácil imaginá o passeando se por uma enorme casa senhorial . Mandar o servo de a família evitar que Harry voltasse para Hogwarts também parecia exactamente o tipo de coisa que Malfoy poderia fazer . Teria Harry sido estúpido a o tomar Dobby a sério ? - De qualquer modo , ainda_bem que viemos buscar te - declarou Ron . - Eu começava a ficar seriamente preocupado por não responderes a nenhuma de as minhas cartas . A princípio pensei que a culpa fosse de a Errol ... - Quem é a Errol ? - A nossa coruja . Já é velhota . Não seria a primeira vez que adoecia durante uma entrega . Por isso , tentei pedir a Hermes emprestada ... - Quem ? - A coruja que os meus pais compraram a o Percy quando ele foi nomeado prefeito - respondeu Fred . - Mas o Percy não me a emprestou . Disse que precisava de ela . - O Percy tem andado com atitudes muito estranhas este Verão - comentou George franzindo a testa . - E tem mandado imensas cartas e passado um tempo infinito fechado em o quarto ... enfim , pode limpar se e polir um distintivo de prefeito todas_as vezes que se quiser ... Estás a conduzir demasiado para ocidente , Fred - acrescentou apontando para uma bússola em o painel de o automóvel . Fred girou o volante . - Então , o vosso pai sabe que têm o carro ? - perguntou Harry , quase adivinhando a resposta . - Er ... não - disse o Ron . - Ele tinha trabalho esta noite . Felizmente vamos poder pô o de_novo em a garagem , sem a mãe perceber que andámos a voar nele . - A propósito , o que faz o vosso pai em o Ministério_da_Magia ? - Trabalha em o Departamento mais chato - respondeu Ron . - A Divisão de utilização incorrecta de artefactos de os Muggles . - O quê ? - Relaciona se com objectos de feitiçaria que foram feitos por os Muggles ; sabes como é , se forem parar de_novo a uma loja de os Muggles , ou a uma casa , como em o ano passado , quando morreu uma bruxa velha e o bule de ela foi vendido a uma loja de antiguidades . Uma mulher Muggle comprou o , tentou servir chá a os amigos . Foi um pesadelo , o pai teve de fazer horas extraordinárias durante semanas . - O que é_que aconteceu ? - O bule parecia louco , esguichou chá a ferver para todos os lados e um de os homens foi parar a o hospital com a pinça de o açúcar presa em o nariz . O pai ficou nervosíssimo . É só ele e o velho feiticeiro Perkings em o gabinete e tiveram de localizar e descobrir todo o tipo de encantamentos para resolver o assunto . - Mas o teu pai ... este carro ... Fred riu se . - Sim , o pai é louco por tudo_o_que tem que ver com os Muggles . A nossa arrecadação está cheia de coisas de os Muggles . Ele separa as , lança lhes feitiços e volta a pô as em o lugar . Se ele fizesse uma busca a nossa casa teria de se prender a si mesmo . A minha mãe fica louca com tudo aquilo . - É a estrada principal - gritou o George , apontando para baixo através de a janela . - Dentro_de poucos minutos estamos lá , mesmo a tempo , está a começar a clarear . Um leve brilho rosado tingia o horizonte para leste . Fred trouxe o carro para baixo e Harry pôde ver uma manta de retalhos de campos escuros e matas de arbustos . - Estamos um_pouco longe de a vila - disse George . - Em Ottery_St . Catchpole ... O carro voador foi descendo a os poucos . A luz avermelhada brilhava agora por_entre as árvores . - Terra - disse o Fred , em o momento em que tocaram em o chão com um ligeiro solavanco . Tinham aterrado perto_de uma garagem em ruínas em um pequeno pátio e Harry viu pela_primeira_vez a casa de o Ron . Parecia ter sido em tempos uma pocilga de pedra . Mas os quartos que posteriormente lhe tinham sido acrescentados haviam a tornado bastante mais alta e o seu aspecto era tão curvado que parecia ter sido construída por artes mágicas ( o que , pensou Harry , era , muito provavelmente , verdade ) . De o telhado vermelho saíam quatro ou cinco chaminés . Junto de a entrada , fixa em o chão , podia ver se uma inscrição assimétrica que dizia « A toca » . A o lado de a porta principal estava uma contusão de botas de * _ Wellington * e um caldeirão completamente enferrujado . Por o pátio passeavam se várias galinhas castanhas e gordas . - Não é grande coisa - desculpou se o Ron . - É óptima - exclamou Harry , feliz , pensando em Privet_Drive . Saíram de o carro . - Agora vamos lá para_cima sem fazer barulho - disse o Fred . - E esperamos que a mãe nos chame para o pequeno-almoço . Depois tu , Ron , desces a escada entusiasmadíssimo . - Mãe , olha quem apareceu cá durante a noite ! - E ela vai sentir se felicíssima quando vir o Harry . Assim ninguém fica a saber que levámos o carro voador . - Certo - disse o Ron . - Vamos , Harry , eu durmo em o ... Ron ganhou uma cor de um pálido esverdeado , os olhos fixos em a casa . Os outros três fizeram meia volta . Mrs._Weasley avançava por o pátio , afugentando as galinhas e , para uma mulher baixa , roliça e simpática , era fantástico como conseguia parecer se com um tigre dentes-de-sabre . - Ah ! - suspirou o Fred . - Oh , oh ! - exclamou o George . Mrs._Weasley parou em frente de eles . As mãos em as ancas , saltando de um olhar culpado para o outro . Usava um avental a as flores , com uma varinha a sair lhe de o bolso . - Com que então - disse . - Bom dia , mãe - arriscou o George com uma voz que tentou que fosse alegre e bem-disposta . - Vocês têm alguma ideia de como tenho estado preocupada ? - perguntou Mrs._Weasley em um murmúrio fraco . - Desculpe , mãe , mas sabe , nós tivemos que ... Os três filhos de Mrs._Weasley eram mais altos do_que ela , mas tremiam quando a fúria de a mãe se abatia sobre eles . - Camas vazias ! Nem um bilhete ! O carro desaparecido ... Podiam ter tido um acidente , estou fora de mim com tanta preocupação e vocês nem se importam ... nunca , enquanto eu for viva ... esperem só até o vosso pai chegar , nunca tivemos problemas de estes com o Bill , com o Charlie ou com o Percy ... - O perfeito Percy - resmungou Fred . - : __ tu não vales um dedo de a mão de o __ percy ! - gritou Mrs._Weasley , espetando um dedo em o queixo de o Fred . - Podias ter morrido , podias ter sido visto , podias ter feito com que o teu pai perdesse o emprego ... Parecia nunca mais acabar . Mrs._Weasley tinha gritado até ficar ronca , antes de se voltar para o Harry , que recuou . - Estou muito contente por te ver , Harry - disse . - Entra e vem tomar o pequeno-almoço . Ela voltou se e regressou a casa e Harry , depois de trocar um olhar nervoso com o Ron , que lhe acenou , encorajando o , seguiu a . A cozinha era pequena e bastante estreita . A meio havia uma enfezada mesa de madeira e cadeiras em volta e Harry sentou se a a beirinha de o assento , olhando em volta . Era a primeira vez que entrava em uma casa de feiticeiros . O relógio em a parede em frente de ele , tinha apenas um ponteiro e nenhum número . Em volta , estavam escritas frases como « Hora de fazer o chá » , « Hora de dar de comer a as galinhas « e « Estás atrasado » . Empilhados em o rebordo de a lareira estavam livros com títulos como * _ Encanta o teu próprio queijo , Encantamento em a cozedura de o pão e Banquetes em um minuto - é mágico * ! E , a menos que os ouvidos de Harry estivessem a traí o , o velho rádio próximo de o lava-loiças acabara de anunciar que a seguir vinha a Hora de enfeitiçar com a popular feiticeira-cantora Celestina_Warbeck . Mrs._Weasley fazia barulho com os talheres , preparando o pequeno-almoço um bocado a o acaso , lançando olhares furiosos a os filhos , enquanto lançava as salsichas em a frigideira . De vez em quando murmurava coisas como : « Não sei o que vos passou por a cabeça « ou « nunca devia ter confiado em vocês » . - Eu não te culpo , filho - tranquilizou Harry , pondo lhe sete ou oito salsichas em o prato . - Eu e o Arthur temos estado preocupados contigo . Ainda ontem a a noite estivemos a dizer que te iríamos buscar nós próprios se não respondesses a o Ron até sexta-feira . Mas , em a verdade ( estava agora a acrescentar três ovos estrelados a o prato de ele ) , atravessar metade de o país a voar em um carro ilegal , qualquer um vos poderia ter visto ... Agitou maquinalmente a varinha em a direcção de o lava-loiças , onde a loiça começou a lavar se sozinha , tinindo baixinho lá atrás . - Estava enevoado , mãe ! - exclamou o Fred . - Boca fechada enquanto comes ! - interrompeu Mrs._Weasley . - Eles estavam a fazê o passar fome , mãe ! - disse o George . - E tu também ! - disse Mrs._Weasley , mas já foi com uma expressão mais doce que começou a cortar o pão para Harry e a barrá o com manteiga . Em esse momento , as atenções voltaram se para um pequenino volto de cabelos ruivos , em uma camisa de dormir até a os pés , que surgiu em a cozinha , deu um grito agudo e desapareceu de_novo . - É a Ginny - disse Ron baixinho a o Harry -- , a minha irmã . Tem falado de ti todo o Verão . - Sim , ela vai querer o teu autógrafo , Harry - riu se o Fred , mas o seu olhar cruzou se com o de a mãe e inclinou se para o prato , não voltando a abrir a boca . Ninguém falou até os quatro pratos estarem limpos , o que sucedeu a uma velocidade surpreendente . - Bolas , estou cansado - bocejou Fred , pousando a faca e o garfo . Acho que me vou deitar e ... - Não vais , não senhor - interrompeu Mrs._Weasley . - A culpa é tua se ficaste toda_a noite acordado . Vais fazer a des-gnomização de o jardim . Eles estão outra_vez a exagerar . - Oh , mãe ... - E vocês os dois o mesmo - dirigiu se a o Ron e a o Fred . - Tu podes ir para a cama , filho - disse a Harry . - Não lhes pediste que guiassem aquele carro miserável . Mas Harry , que se sentia acordadíssimo , respondeu prontamente : - Eu ajudo o Ron , nunca vi uma des-gnomização ... - É muito simpático de a tua parte , querido , mas é um trabalho chato - explicou Mrs._Weasley . - Vejamos o que o Lockhart tem a dizer acerca disto . E puxou de o rebordo de a lareira um livro pesadíssimo . George resmungou : - Mãe , nós sabemos * des-gnomizar * o jardim . Harry olhou para a capa de o livro de Mrs._Weasley . Em grandes letras douradas , que ocupavam grande parte de a capa , podia ler se Guia_de_Gilderoy_Lockhart para pragas caseiras . Via se também a grande fotografia de um feiticeiro bem-parecido , de cabelos loiros ondulados e olhos azuis brilhantes . Como sempre , em o mundo de os feiticeiros , a fotografia mexia se . O feiticeiro , que Harry calculou ser Gilderoy_Lockhart , não parava de lhes piscar os olhos descaradamente . Mrs._Weasley sorriu lhe . - Oh , ele é fantástico - disse . - Conhece bem as pragas caseiras . É um livro maravilhoso . - A mãe adora o - disse Fred em um murmúrio bastante audível . - Não sejas ridículo , Fred - repreendeu Mrs._Weasley com as bochechas coradas . - É claro que se achas que sabes mais do_que o Lockhart , podes ir fazer o trabalho e ai de ti se houver um único gnomo em o jardim quando eu for fazer a inspecção . A bocejar e a resmungar , os Weasley arrastaram se lá para fora com Harry atrás de eles . O jardim era grande e , em a opinião de Harry , exactamente como deveria ser um jardim . Os Dursleys não teriam gostado . Havia uma enorme quantidade de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada , mas havia árvores nodosas em volta de as paredes , plantas que Harry nunca vira , tombando de todos os canteiros e um grande lago verde cheio de rãs . - Os Muggles também têm gnomos de jardim , sabes - disse o Harry a o Ron , enquanto atravessavam a relva . - Sim , já vi essas coisas que eles pensam que são gnomos - disse o Ron todo dobrado , com a cabeça em uma moita de peónias . - Como os Pais_Natais gordinhos com canas de pesca ... Houve um tumulto ruidoso , a moita de peónias estremeceu e Ron endireitou se . - Isto_é um gnomo - declarou com um ar sério . - Larga eu ! Larga eu ! - guinchou o gnomo . Não se parecia em absoluto com o Pai_Natal . Era pequenino e parecia de couro , com uma grande cabeça protuberante e calva , precisamente como uma batata . Ron agarrou o a a distância de um braço , enquanto ele dava pontapés em o ar com os seus pézinhos que pareciam chifres . Agarrou o por os tornozelos e voltou o de pernas para o ar . - Isto_é o que tens de fazer - disse . Levantou o gnomo acima de a cabeça ( Larga eu ! ) e começou a balouçá o em grandes círculos , como os vaqueiros fazem com os laços . A o ver a expressão chocada de Harry , Ron explicou : - Não os mágoa . Só tens de os deixar bem tontos para que consigam encontrar o caminho de regresso a os buracos de os gnomos . Largou os tornozelos de o gnomo . Ele voou seiscentos metros e aterrou com um ruído surdo em o campo a o lado de a sebe . - Deplorável - afirmou o Fred . - Aposto que consigo lançar o meu para_além de aquele tronco . Harry aprendeu rapidamente a não sentir muita pena de os gnomos . Decidira largar o primeiro que apanhou para_além de a sebe , mas o gnomo , sentindo fraqueza , enfiou os seus dentinhos , aguçados como laminas , em o dedo de o Harry e não foi fácil sacudi o para ele o largar , até que ... - Uau , Harry , esse deve ter sido seiscentos metros ... O ar estava subitamente cheio de gnomos voadores . - Vês , eles não são muito espertos - afirmou o George , agarrando cinco ou seis de uma_vez . - Em o momento em que se apercebem que começou a * des-gnomização * , aparecem todos para espreitar . Era de esperar que já tivessem aprendido a ficar quietinhos . Rapidamente a multidão de gnomos começou a ir se embora , atravessando os campos em uma fila ordenada , com os pequeninos ombros arqueados . - Eles voltam - disse o Ron enquanto os via desaparecer em a sebe de o outro lado de o campo . - Eles adoram estar aqui ... o pai é muito mole com eles , acha lhes piada . Em esse momento , a porta de a frente bateu . - Ele já voltou ! - exclamou o George . - O pai já está em casa ! Apressaram se a entrar . Mr._Weasley tinha se afundado em uma de as cadeiras de a cozinha , sem óculos e com os olhos fechados . Era um homem magro , quase calvo , mas o pouco cabelo que tinha era tão ruivo como o de os filhos . Vestia um longo manto verde cheio de pó e estava cansado de a viagem . - Que noite - murmurou , tacteando em busca de o bule , enquanto todos se sentavam a a volta de ele . - Nove assaltos , nove ! E o velho Mundungs_Fletcher tentou lançar me um feitiço quando eu estava de costas . Mr._Weasley tomou um bom gole de chá e suspirou . - Encontrou alguma coisa , pai ? - perguntou Fred ansiosamente . - Só encontrei algumas chaves encolhidas e uma chaleira que mordia - bocejou Mr._Weasley . - Havia um material bastante mauzinho , mas não era de o meu departamento . O Mortlake foi levado para ser interrogado sobre uns furões extremamente antigos , mas isso pertence a a Comissão_dos_Feitiços_Experimentais , graças_a Deus . - Por_que é_que alguém ia dar se a o trabalho de fazer encolher chaves ? - perguntou George . - Para chatear os Muggles - suspirou Mr._Weasley . - Vende se lhes uma chave que não pára de encolher , até que desaparece , de_modo_a que nunca a encontrem quando precisam ... É claro que é muito difícil condenar alguém , porque nenhum Muggle é capaz de admitir que a sua chave está a encolher , insistem em que estão sempre a perdê a . Benditos sejam , vão até onde for preciso para ignorar a magia , mesmo_que ela esteja em frente de os seus narizes ... mas vocês não acreditariam em as coisas que o nosso grupo tem levado para enfeitiçar ... - : __ como carros , por __ exemplo ? Mrs._Weasley tinha aparecido , segurando um grande atiçador que parecia uma espada . Os olhos de Mr._Weasley abriram se de repente , fitando a mulher com um ar culpado . - C-carros , Molly querida ? - Sim , Artur , carros - afirmou Mrs._Weasley , os olhos a faiscar . - Imagina um feiticeiro a comprar um carro velho e enferrujado e dizer a a mulher que a única coisa que queria fazer com ele era desmontá o para ver como ele funcionava , enquanto em a verdade estava a enfeitiçá o para o fazer voar . Mr._Weasley piscou os olhos . - Bem , querida , acho que poderás constatar que não é ilegal fazer isso , embora , er , talvez ele devesse ter contado a verdade a a mulher ... Existe uma forma de tornear a lei , já_que ela diz que ... desde_que não se tenha a * intenção * de voar em o carro , o facto de ele poder voar , não ... - Arthur_Weasley tu arranjaste essa forma de tornear a lei quando a escreveste ! - gritou Mrs._Weasley . - Para poderes continuar a remexer em todo aquele lixo de os Muggles que tens em a arrecadação ! E , para tua informação , o Harry chegou hoje_de_manhã em o carro que tu não pretendias pôr a voar ! - Harry ? - perguntou Mr._Weasley sem expressão . - Qual Harry ? Olhou em volta , viu Harry e deu um salto . - Santo_Deus , é Harry_Potter ? Muito prazer , o Ron falou nos tanto de si ... - * _ O teu filho conduziu aquele carro até a a casa de o Harry e de volta até aqui em a noite passada ! * - gritou Mrs._Weasley . - O que tens a dizer a esse respeito ? - A sério ! ? - exclamou Mr._Weasley com vivacidade . - Correu tudo bem , quero dizer ... - vacilou a o ver os olhos de Mrs._Weasley que faiscavam . - Er , fizeram mal , rapazes , muito mal , mesmo ... - Vamos deixá os a os dois - murmurou o Ron , enquanto Mrs._Weasley inchava como um sapo gigantesco . - Vamos , vou mostrar te o meu quarto . Esgueiraram se de a cozinha e desceram uma passagem estreita que dava para uma escada desnivelada que ziguezagueava a o longo de a casa . Em o terceiro andar , estava uma porta entreaberta . Harry só teve tempo de ver um par de olhos castanhos brilhantes que o olhavam fixamente , antes de a porta se fechar com um estalido . - A Ginny - disse o Ron . - Não imaginas como é estranho vês a tão tímida , ela que quase nunca se cala ... Subiram mais dois andares , até chegarem a uma porta com a tinta a descascar e uma pequena placa dizendo : « Quarto_do_Ronald » . Harry entrou . A cabeça quase tocava em o tecto inclinado . Piscou os olhos . Era como entrar dentro_de uma fornalha : quase tudo em o quarto de o Ron tinha um violento matiz alaranjado : a colcha de a cama , as paredes , até o tecto . Em seguida , apercebeu se de que o Ron tinha coberto cada centímetro de o velho papel de parede com * posters * de as mesmas sete feiticeiras e feiticeiros , todos vestidos com brilhantes mantos cor de laranja , transportando vassouras e acenando entusiasticamente . - A tua equipa de Quidditch ? - perguntou Harry . - Os Chudley_Cannons - disse Ron , apontando para a colcha cor de laranja que tinha um brasão com dois C's gigantes e uma bala de canhão a_toda_a velocidade . - Nono em a Liga . Os livros de estudo de feitiços de Ron estavam empilhados desordenadamente a um canto , junto de um monte de B. _ D. , todas elas relativas a as * _ Aventuras_de_Martin_Miggs , o Muggle louco * . A varinha mágica de o Ron estava em_cima_de um aquário cheio de ovos de rã sobre o peitoril de a janela , junto de o seu rato gordo e cinzento , Scabbers , que dormia uma soneca a o sol . Harry passou por_cima_de um baralho de cartas de jogar com vontade própria , que estava caído em o chão , e olhou para fora de a janelinha . Em o campo , não muito longe , podia ver um grupo de gnomos a esgueirarem se , um a um , de_novo para a sebe de os Weasley . Em seguida , voltou se para Ron que o observava nervoso , como_se esperasse a opinião de ele . - É um_pouco pequeno - declarou o Ron muito depressa . - Não se parece nada com o quarto que tu tinhas em casa de os Muggles . E estou mesmo debaixo de o vampiro de o sótão . Ele anda sempre a bater nos canos e a gemer ... Mas Harry , com um grande sorriso , disse lhe : - Esta é a melhor casa em que eu já estive . As orelhas de Ron ficaram cor-de-rosa . IV_Na_Flourish and Blotts_A vida em a Toca era o mais diferente que é possível de a vida em Privet_Drive . Os Dursleys gostavam de tudo limpo e arrumado , em casa de os Weasleys explodia o estranho e o inesperado . Harry teve um choque de a primeira vez que olhou para o espelho que estava sobre a lareira de a cozinha e ele gritou : - Mete para dentro a camisa , * desmazelado ! * - O vampiro de o sótão gemia e batia nos canos , sempre_que sentia as coisas demasiado calmas e as pequenas explosões em o quarto de o Fred e de o George , eram consideradas perfeitamente normais . Mas o que o Harry achou mais bizarro em a vida em casa de o Ron , não foi o espelho que falava , nem o vampiro barulhento , foi o facto de todos ali em casa parecerem gostar de ele . Mrs._Weasley preocupava se com o estado de as suas meias e tentava obrigá o a servir se quatro vezes a cada refeição . Mr._Weasley gostava que Harry se sentasse a o lado de ele a a mesa para poder bombardeá o com perguntas sobre a vida com os Muggles , pedindo que lhe explicasse como funcionavam coisas como as canalizações e o serviço de os correios . - Fascinante ! - exclamava , enquanto Harry lhe explicava a utilização de o telefone . - Engenhoso , de facto , todas_as maneiras que os Muggles encontraram para passar sem a magia . Harry teve notícias de Hogwarts em uma manhã de sol , cerca de uma semana depois de ter chegado a a Toca . Quando , ele e o Ron desceram para tomar o pequeno-almoço , encontraram Mr. e Mrs._Weasley e Ginny já sentados a a mesa . Em o momento em que viu o Harry , Ginny entornou a tigela de os cereais , que caiu a o chão com grande espalhafato . Ginny entornava facilmente coisas sempre_que o Harry estava em a sala . Mergulhou debaixo de a mesa para apanhar a tigela e emergiu com o rosto a brilhar como o sol poente . Fingindo não ter dado por nada , Harry sentou se e aceitou a torrada que Mrs._Weasley lhe ofereceu . - Cartas de a escola - disse Mr._Weasley , passando a o Harry e a o Ron envelopes idênticos de pergaminho amarelado , com a morada escrita a tinta verde . - O Dumbledore já sabe que estás aqui , Harry , não perde nada aquele homem . Vocês os dois também - acrescentou , enquanto Fred e George deambulavam em a casa , ainda em pijama . Fez se silêncio durante alguns momentos , enquanto liam as respectivas cartas . A de o Harry dizia para apanhar o Expresso_de_Hogwarts , como sempre em a Estação_de_King's_Cross , em o dia_1_de_Setembro . Havia ainda uma lista de os livros que precisaria para o próximo ano . Os alunos de o segundo ano deverão ter : * _ O_Livro_Padrão_de_Feitiços , Grau 2 , por Miranda_Goshawk . * _ Ensinamentos_de_Uma_Fada_Carpideira , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Férias com Bruxas , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Duendes , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Lobisomens , por Gilderoy_Lockhart . * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves , por Gilderoy_Lockhart * . Fred , que terminara a sua própria lista , espreitou para a de o Harry . - Também te mandam comprar os livros de o Lockhart - disse . - A professora de defesa contra as artes negras deve ser fanática . Aposto que é uma bruxa . Nessa_altura , Fred percebeu o olhar de a mãe e apressou se a comer o doce de laranja . - Esse conjunto não vai ficar barato - disse George , olhando rapidamente para os pais . - Os livros de o Lockhart são de os mais dispendiosos ... - Cá nos havemos de arranjar - declarou Mrs._Weasley , mas parecia preocupada . - Espero que pelo_menos para a Ginny possamos arranjar uma data de coisas em segunda mão . - Ah , vais entrar este ano para Hogwarts ? - perguntou lhe Harry . Ela fez um aceno , corando até a a raiz de os cabelos ruivos e meteu o cotovelo em o pires de a manteiga . Felizmente ninguém deu por nada , a não ser o Harry , porque em esse momento o irmão mais velho de Ron , o Percy , entrou . Já estava vestido , com a placa de prefeito aplicada a a sua camisola de malha . - Bom dia a todos - disse , cheio de vivacidade . - Está um dia lindo . Puxou a única cadeira livre , mas deu um salto quando ia sentar se e , debaixo de ele , saltou um espanador cinzento de penas , pelo_menos , foi o que o Harry pensou até ver que ele respirava . - Errol ! - exclamou Ron , afastando a coruja de o Percy e retirando lhe debaixo de a asa uma carta . - Até que enfim , a resposta de a Hermione . Escrevi lhe a contar que íamos tentar raptar te de casa de os Dursleys . Levou Errol para um poleiro que havia junto a a porta de as traseiras e tentou colocá a lá em cima , mas Errol caiu redonda e Ron teve de a pôr em a pia , murmurando : - Patético . - Em seguida , abriu a carta de a Hermione e leu a em voz alta . * _ Querido_Ron e Harry , se aí estiveres . Espero que tudo tenha corrido bem , que o Harry esteja O. _ K. e que não tenham feito nada ilegal para conseguir trazes o , porque isso podia criar lhe problemas também a ele . Tenho estado muito preocupada e , se o Harry estiver bem , por favor digam me qualquer coisa rapidamente , mas talvez seja melhor usarem uma nova coruja , porque acho que outra entrega pode acabar como esta . * _ Estou muito atarefada com trabalho de a escola , claro * . - Como é possível ? - perguntou Ron , horrorizado . - Estamos em férias ! - * _ E vamos para Londres em a próxima quarta-feira para comprar os meus livros novos . Porque não nos encontramos em a Diagon-al ? * _ Dêem-me notícias vossas o mais depressa possível . * _ Carinhosamente_Hermione * - Bem , parece uma boa solução , podemos ir todos comprar as vossas coisas - disse Mrs._Weasley , começando a limpar a mesa . - O que vão fazer hoje ? Harry , Ron , Fred e George tinham planeado ir a o cimo de o monte a um pequeno cercado de cavalos que os Weasleys possuíam . Estava rodeado de árvores que lhe tapavam a vista de a cidade cá em baixo , o que quer_dizer que podiam praticar Quidditch , desde_que não voassem muito alto . Não podiam usar as verdadeiras bolas de Quidditch pois seria muito difícil explicar se elas escapassem e voassem sobre a cidade . Em vez de elas , lançavam maçãs para os outros apanharem . Faziam turnos para montar a Nimbus dois_mil , que era de longe a melhor vassoura . A velha Shooting_Star_de_Ron fora muitas_vezes ultrapassada por as borboletas que passavam . Cinco minutos mais tarde estavam a marchar por o monte acima , de vassouras a o ombro . Tinham perguntado a o Percy se ele queria juntar se a eles , mas ele alegara muito trabalho . Até esse dia , Harry só tinha visto Percy a a hora de as refeições , ele ficava em silêncio em o quarto o resto de o tempo . - Gostava de saber o que ele anda a fazer - afirmou Fred , de testa franzida . - Não parece o mesmo . O resultado de os exames veio um dia antes de tu chegares : doze N_F_V e ele nem se manifestou satisfeito . - Níveis_de_Feitiçaria_Vulgares - explicou o George , vendo o olhar atarantado de Harry . - Se não temos cuidado , ainda nos calha outro Chefe_de_Turma em a família . Acho que não suportaria a vergonha . Bill era o mais velho de os irmãos Weasley . Ele e o irmão a seguir , Charlie , já tinham saído de Hogwarts . Harry não conhecia nenhum de os dois , mas sabia que o Charlie estava em a Roménia a estudar dragões e o Bill em o Egipto a trabalhar em o banco de os feiticeiros : Gringotts . - Não sei como o pai e a mãe vão arranjar dinheiro para nos pagar o material escolar este ano - disse o George , passado um bocado . - Cinco conjuntos de livros de o Lockhart ! E a Ginny precisa de mantos e de uma varinha e tudo_isso ... Harry não disse nada . Sentiu se um_pouco incomodado . Fechada em um cofre subterrâneo , em o banco de Gringotts_de_Londres , estava uma pequena fortuna que os pais lhe tinham deixado . É claro que só tinha esse dinheiro em o mundo de os feiticeiros , não se podem usar Galeões , Leões e Janotas em as lojas de os Muggles . Ele nunca fizera referência a a sua conta bancária em Gringotts a os Dursleys . Não lhe parecia que o horror que eles sentiam por tudo_o_que se relacionava com a feitiçaria se estendesse a uma enorme pilha de barras de ouro . Mrs._Weasley acordou os a todos bem cedo , em a quarta-feira seguinte . Depois de comerem umas doze sanduíches de * bacon * cada_um , enfiaram os casacos e Mrs._Weasley tirou um vaso de a prateleira de o fogão de a cozinha e espreitou lá para dentro . - Está a acabar se , Arthur - suspirou . - Temos de comprar mais hoje ... Bem , os hóspedes primeiro . Passa , Harry querido ! E ofereceu lhe o vaso de flores . Harry olhou espantado enquanto todos eles o observavam . - O q-que é_que eu devo fazer ? - gaguejou . - Ele nunca viajou com o pó de Floo - disse o Ron subitamente . - Desculpa , Harry , esqueci me . - Nunca ? - perguntou Mrs._Weasley . - Mas então como chegaste a a Diagon - _ Al em o ano passado para comprar as tuas coisas ? -- Fui por o subterrâneo . - A sério ? - disse Mr._Weasley , entusiasmado . - Havia fugitivos ? Como é_que ... - Agora não , Arthur - disse Mrs . Weasley . - O pó de Floo é muito mais rápido , querido , mas , valha me Deus , se ele nunca o usou ... - Vai correr bem , mãe - disse o Fred . - Harry observa nos primeiro . Tirou uma pitada de pó brilhante de dentro de o vaso , aproximou se de o lume e lançou o pó em as chamas . Com um rugido , o fogo ficou verde-esmeralda e elevou se a uma altura superior a a de o Fred que avançou , gritando Diagon - _ Al ! E desapareceu . - Tens de falar claramente , filho - disse Mrs._Weasley a o Harry , ao_mesmo_tempo que George metia a mão em o vaso de as flores . - E vê se sais em o fogão certo . - Em o quê ? - perguntou Harry , nervoso , enquanto o lume crepitava e fazia George desaparecer também . - Bem , há imensos fogos de feiticeiros , mas desde_que te tenhas expressado claramente ... - Ele vai conseguir , Molly , não te preocupes - disse Mr._Weasley , tirando também ele algum pó . - Mas querido se ele se perde como é_que vamos justificar nos perante o tio e a tia de ele ... -- Eles não se importariam - tranquilizou a Harry . - O Dudley ia achar imensa piada se eu me perdesse em uma chaminé , não se preocupe . - Bem , em esse caso ... tu vais a seguir a o Arthur - disse Mrs._Weasley . - Logo_que entres em o fogo diz para_onde queres ir . - E mantém os cotovelos dobrados - preveniu o Ron . - E os olhos fechados - disse Mrs._Weasley . - A fuligem . - Não te enerves - disse o Ron . - Senão podes ir parar a a lareira errada . - Não entres em pânico e não queiras sair cedo de mais . Espera até veres o Fred e o George . Fazendo um enorme esforço por reter toda aquela informação , Harry tirou uma pitada de pó de Floo e avançou para a beirinha de o fogo . Respirou fundo , espalhou o pó em as chamas e entrou . O fogo parecia uma brisa quente . Abriu a boca e engoliu , de imediato , uma grande quantidade de cinzas quentes . D-dia-gon-al - tossiu . Sentiu se como_se estivesse a ser sugado para um buraco gigantesco . Como_se girasse muito depressa ... o ruído era ensurdecedor . Tentou manter os olhos abertos mas o turbilhão de chamas verdes fê lo enjoar ... algo duro bateu lhe em o cotovelo e dobrou o de imediato . Continuava a rodar , a rodar ... sentia se agora como_se várias mãos frias estivessem a bater lhe em a cara ... Espreitando através de os óculos , viu uma torrente imprecisa de fogões e captou lampejos de as salas que estavam por detrás ... as sanduíches de * bacon * davam lhe a volta dentro de o estômago ... fechou os olhos desejando que tudo aquilo parasse e então caiu , de cara em o chão , em a pedra fria e sentiu os óculos partirem se a os bocados . Desorientado e ferido , coberto de fuligem , pôs se cautelosamente de pé , levando a os olhos os óculos partidos . Estava completamente só e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava . Tudo_o_que podia dizer era que a o seu lado via uma lareira que lhe parecia ser a de uma enorme e indistinta loja de feitiçaria . Mas nenhum de os artigos que ali se encontravam tinham aspecto de fazer parte de a lista de a escola de Hogwarts . Em uma caixa de vidro podia ver se uma mão atrofiada que repousava sobre uma almofada , um baralho de cartas ensanguentado e um olho de vidro que o olhava fixamente . Máscaras de expressão maldosa enchiam as paredes , olhando de esguelha , uma enorme quantidade de ossos humanos estendia se sobre o balcão e , de o tecto , pendiam instrumentos aguçados com pontas de ferro e pregos enferrujados . Mas o pior é_que a rua estreita e escura , que Harry conseguia avistar através de a janela poeirenta de a loja , não era de modo algum a Diagon-al . Quanto_mais depressa saísse de ali , melhor . O nariz ainda a doer lhe em o sítio onde batera em o chão a o aterrar , Harry avançou rápida e silenciosamente em direcção a a porta , mas antes de conseguir chegar a meio caminho , duas pessoas apareceram de o lado de_fora de o vidro , e uma de elas era a última pessoa que Harry desejaria encontrar em o momento em que se encontrava perdido , coberto de fuligem e com os óculos partidos , Draco_Malfoy . Harry olhou rapidamente em volta e apercebeu se de a existência de um grande armário escuro a a sua esquerda , saltou lá para dentro e fechou as portas , deixando uma gretazinha para poder espreitar . Segundos depois , uma campainha tocava e Malfoy entrava em a loja . O homem que o acompanhava só podia ser o pai . Tinha o mesmo rosto pálido de feições agudas e os mesmos olhos cinzentos de gelo . Mr._Malfoy atravessou a loja , olhando maquinalmente para os artigos expostos e tocou a campainha de o balcão , antes de se voltar para o filho , dizendo : - Não mexas em nada , Draco . Malfoy , que vira o olho de vidro , disse : - Pensei que ias oferecer me um presente . - Eu prometi que ia comprar te uma vassoura de corrida - declarou o pai , tamborilando com os dedos sobre o balcão . - Para que é_que me serve , se não estou em a equipa de Quidditch ? - perguntou Malfoy , carrancudo e de mau humor . - O Harry_Potter teve uma Nimbus dois_mil o ano passado , com a autorização especial de o Dumbledor é para jogar em os Gryffindor . Ele nem é assim tão bom , é só por ser * famoso * ... famoso por ter uma estúpida cicatriz em a testa . Malfoy baixou se para observar uma prateleira cheia de crânios . - Todos acham que ele é tão esperto , o Potter maravilha , com a sua cicatriz e a sua vassoura ... - Já me disseste isso doze vezes pelo_menos - comentou Mr._Malfoy , olhando repressivamente para o filho . - E devo lembrar te que não é prudente parecer menos do_que amigo de Harry_Potter , quando a maior parte de a nossa gente vê em ele um herói que fez desaparecer o Senhor_do_Mal . Ah , Mr._Borgin . Um homem curvado surgiu por detrás de o balcão , puxando o cabelo gorduroso para trás . - Mr._Malfoy , que prazer vês o de_novo - disse Mr._Borgin , em uma voz tão untuosa como o cabelo . - Encantado , e o nosso jovem Malfoy também , encantado . Em que posso servi os ? Tenho que vos mostrar o que chegou hoje , a um preço muito razoável ... - Hoje não venho comprar , Mr._Borgin , e sim vender - afirmou Mr._Malfoy . - Vender ? - O sorriso apagou se lentamente em o rosto de Mr._Borgin . - Certamente ouviu dizer que o Ministério está a levar a cabo mais buscas - explicou o Mr._Malfoy , retirando de o bolso um rolo de pergaminho e desembrulhando o para Mr._Borgin o ler . - Eu tenho alguns , ah , artigos em casa que poderiam criar me problemas se o Ministério me batesse a porta . Mr._Borgin colocou em o nariz um par de * pince-nez * e olhou para a lista . - O Ministério não se lembraria de o incomodar certamente ... O lábio de Mr._Malfoy dobrou se . - Ainda não me fizeram nenhuma visita . O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito , mas o Ministério está a ficar cada_vez_mais intrometido . Há boatos sobre um novo decreto de protecção de os Muggles , sem dúvida que aquele mordido de as pulgas , adorador de os Muggles , que é o Arthur_Weasley deve estar por detrás de isso . Harry sentiu crescer a raiva . - E , como pode ver , alguns de estes venenos podiam dar a ideia ... - Compreendo perfeitamente , claro - disse Mr._Borgin . - Deixe me ver ... - Posso ter aquilo ? - interrompeu Draco , apontando para a mão raquítica que estava sobre a almofada . - Ah , a mão de a glória ! - exclamou Mr._Borgin , abandonando a lista de Mr._Malfoy e apressando se a responder a Draco . - Põe se lhe uma vela e ela só dá luz a quem a transporta ! A melhor amiga de os gatunos e de os salteadores , o seu filho tem gosto , senhor . - Espero que o meu filho venha a ser mais do_que gatuno ou salteador , Borgin - disse Mr._Malfoy friamente e Mr._Borgin respondeu logo : - Sem ofensa , senhor , sem querer ofender . - Embora , se as notas de a escola não melhorarem - disse Mr._Malfoy ainda mais friamente - esse possa vir a ser o único caminho possível para ele . - Não tenho culpa - retorquiu Draco . - Todos os professores têm os seus preferidos , aquela Hermione_Granger ... - Eu , em o teu lugar , teria vergonha que uma rapariga que nem_sequer pertence a famílias de feiticeiros , me passasse a a frente em todos os exames - interrompeu Mr._Malfoy . Ah - fez Harry baixinho , radiante por ver Draco atrapalhado e furioso . - É o mesmo em todo o lado - comentou Mr._Borgin em a sua voz untuosa . - O sangue de os feiticeiros conta cada_vez menos ... - Não para mim - afirmou Mr._Malfoy , com as longas narinas dilatadas . - Não senhor , nem para mim - concordou Mr._Borgin , inclinando se em uma vénia . - Em esse caso , talvez possamos voltar a a minha lista - disse Mr._Malfoy secamente . - Estou com alguma pressa , Borgin , tenho ainda hoje assuntos importantes a tratar em outro lado . Começaram a discutir os preços . Harry via nervosamente o Draco aproximar se de o seu esconderijo enquanto observava os objectos a a venda . Parou para examinar um enorme rolo de corda de carrasco e para ver , com um sorriso afectado , o cartão preso com um aparatoso laço de opalas onde podia ler se : * _ Cautela , não tocar . Amaldiçoado - reclama as vidas de dezanove donos , todos eles Muggles * . Draco voltou se e viu o armário mesmo em frente . Avançou , estendeu a mão para o puxador ... - Feito - disse Mr._Malfoy , a o balcão . - Vamos , Draco . Harry limpou a testa a a manga quando Draco se afastou . - Muito bom dia , Mr._Borgin . Espero por si amanhã em a mansão para ir buscar a mercadoria . Em o momento em que a porta se fechou , Mr._Borgin abandonou os seus modos subservientes . « Bom dia para o senhor , Mr._Malfoy , e , se as histórias que contam são verdadeiras , não me vendeu nem metade do_que tem escondido em a sua mansão ... » Murmurando de forma taciturna , Mr._Borgin desapareceu em uma sala escura . Harry esperou um minuto não fosse ele voltar e , em seguida , o mais silenciosamente possível , escapou se de o armário , passou por as caixas de vidro e saiu de a loja . Encostando os óculos partidos a o rosto , olhou em volta . Saíra em uma rua estreita e sombria que parecia composta exclusivamente de lojas dedicadas a as artes negras . Aquela de onde acabava de sair parecia ser a maior , mas em frente estava uma montra tétrica de cabeças encolhidas e duas portas abaixo podia ver se uma enorme caixa viva cheia de gigantescas aranhas pretas . Dois feiticeiros com aspecto pobre observavam o de a sombra de uma porta , murmurando entre si . Sentindo se nervoso , Harry pôs se a caminho , tentando agarrar os óculos a direito e não desistindo de a esperança de encontrar maneira de sair de ali . Por um cartaz de madeira , pendurado em a rua , indicando uma loja de venda de velas envenenadas , ficou a saber que se encontrava em a Rua * _ Bativolta * , mas isso não o ajudou pois Harry nunca ouvira falar em tal lugar . Calculou que não tinha pronunciado bem as palavras com a boca cheia de cinzas em a lareira de os Weasley . Tentando manter a calma perguntou a si mesmo o que havia de fazer . - Não estás perdido , pois não , meu menino ? - perguntou uma voz , mesmo junto de o seu ouvido , que o fez dar um salto . Uma bruxa idosa estava em a sua frente , segurando um tabuleiro de uma coisa que se parecia horrivelmente com unhas humanas . A mulher olhou o maldosamente , mostrando os dentes esverdeados . Harry recuou . - Estou bem , obrigado - disse . - Estou só ... - HARRY ! O qu'é que pensas que estás a fazer aqui ? O coração de Harry deu um salto , assim_como o de a bruxa . Um monte de unhas caíram lhe sobre os pés e ela praguejou , enquanto o corpo enorme de Hagrid , o guarda de os campos de Hogwarts , se aproximava de eles a passos largos com os olhos castanhos-escuros a faiscarem sobre a longa barba eriçada . - Hagrid - gritou Harry , aliviado . - Eu estava perdido ... o pó de Floo ... Hagrid agarrou Harry por o cachaço e puxou o para longe de a bruxa , tirando lhe o tabuleiro de as mãos . Os guinchos agudos de a feiticeira seguiram nos até a o fundo de a ruela serpenteante que ia dar a um lagar onde brilhava o sol . Harry avistou a a distância um edifício de mármore branco como a neve que lhe era familiar : o banco de Gringotts . Hagrid conduzira o até a a Diagon - _ Al . - ` _ tás em um péssimo estado ! - disse Hagrid bruscamente , sacudindo lhe a fuligem com tanta força que Harry quase caiu em um barril de estrume de dragão que se encontrava a a porta de um boticário . - A fugir , em a Rua * _ Bativolta * , eu não conheço esse lugar finório , Harry , não quero que ninguém te veja aqui em baixo . - Já percebi - disse Harry , baixando se quando Hagrid fez menção de o escovar melhor . - Já te disse que estava perdido . E o que é_que tu fazes aqui ? - ` _ Tou a a procura d'um repelente para as lesmas comedoras de legumes - resmungou Hagrid . - ` _ tão a destruir as couves todas de a escola . Tu não estás sozinho ? - Estou em casa de os Weasley , mas separámo nos explicou Harry . - Tenho que os encontrar . Desceram juntos a rua . - Por_que é_que nunca respondeste a as minhas cartas ? - perguntou Hagrid , enquanto Harry corria para o acompanhar ( tinha de dar três passos por cada enorme passada de Hagrid ) . Harry explicou lhe tudo sobre Dobby e os Dursleys . - Malditos_Muggles - rugiu Hagrid . - S'eu tivesse sabido ... - Harry ! Harry ! Aqui ! Harry olhou para_cima e viu Hermione_Granger em o topo de a escadaria de Gringotts . Desceu para vir a o encontro de ele , o cabelo castanho de caracóis , a esvoaçar atrás de ela . - O que aconteceu a os teus óculos ? Olá_Hagrid ... Oh , é maravilhoso ver vos outra_vez . Vens a Gringotts , Harry ? - Logo_que encontre os Weasley - respondeu ele . - Não vais ter d'esperar muito - riu se Hagrid . Harry e Hermione olharam em volta . Subindo a rua , em o meio de a multidão , vinham Ron , Fred , George , Percy e Mr._Weasley . - Harry - chamou Mr._Weasley , ofegante . - Tínhamos esperança que só tivesses ido um fogão mais longe ... - passou um pano em a sua calva reluzente . - A Molly está nervosíssima , aí vem ela . - Onde é_que tu saíste ? - perguntou o Ron . - Em a Rua * _ Bativolta * - disse o Hagrid , com um ar sério . - Sensacional ! - exclamaram Fred e George ao_mesmo_tempo . - Nunca nos deram autorização para lá ir - disse o Ron com uma pontinha de inveja . - E fizeram muito bem - grunhiu Hagrid . Mrs._Weasley chegou em aquele momento a correr , a mala a balouçar em uma de as mãos e Ginny quase pendurada em a outra . - Oh Harry , oh meu querido , podias ter ido parar a qualquer lugar ... Tentando recuperar o fôlego , tirou de a mala uma grande escova de roupa e começou a retirar a fuligem que Hagrid não conseguira expulsar . Mr._Weasley pegou em os óculos de Harry , deu lhes um toque de varinha e entregou lhe os como novos . - Bem , tenho de m'ir embora - disse Hagrid cuja mão estava a ser esmagada por Mrs._Weasley ( -- Rua * _ Bativolta * ! Se não o tivesses encontrado , Hagrid ! ) . - Vemo nos em Hogwarts . - E afastou se , os ombros e a cabeça acima de a multidão que enchia completamente a rua . - Adivinham quem eu vi em o Borgin and Burkes ? - perguntou Harry_a_Ron e a Hermione enquanto subiam as escadarias de Gringotts . - Malfoy e o pai . - O Lucius_Malfoy comprou alguma coisa ? - perguntou interessado Mr._Weasley que estava atrás de eles . - Não , estava a vender . - Então está preocupado - comentou Mr._Weasley com visível satisfação . - Ah , eu adorava apanhar o Lucius_Malfoy em alguma . . - Tem cuidado , Arthur - interrompeu Mrs._Weasley enquanto o gnomo porteiro lhes dava reverentemente entrada em o banco . - Isso é um problema de família . Não queiras ter mais olhos que barriga . - Queres dizer com isso que achas que eu não chego para o Malfoy ? - perguntou Mr._Weasley , indignado , mas foi rapidamente afastado de aqueles sentimentos a o avistar os pais de Hermione que estavam de pé , nervosamente encostados a o balcão que acompanhava a grande parede de mármore , a a espera que Hermione os apresentasse . - Mas vocês são Muggles ! - disse Mr._Weasley , encantado . - Temos de tomar uma bebida . O que é isso aí ? Ah , estão a trocar dinheiro de Muggle . Molly , olha - apontou cheio de excitação para as notas de dez libras que Mr._Granger tinha em a mão . - Encontramo nos aqui - disse Ron_a_Hermione , enquanto os Weasley e Harry eram conduzidos a os seus cofres em o subterrâneo de Gringotts . Para chegar a os cofres havia que tomar umas carrinhas conduzidas por gnomos que se deslocavam ao_longo_de carris de comboio de pequenas dimensões através de os túneis subterrâneos de o banco . Harry gostou de a viagem acidentada até a o cofre de os Weasley , mas sentiu se bastante mal , pior do_que em a Rua * _ Bativolta * , quando o cobre foi aberto . Havia lá dentro um pequenino monte de Leões de prata e apenas um Galeão de ouro . Mrs._Weasley foi com a mão a a procura em os cantos antes de , com um gesto rápido , varrer tudo para dentro de o saco . Harry sentiu se ainda pior quando chegaram a o seu cofre . Tentou evitar que vissem o conteúdo enquanto empurrava apressadamente mãos cheias de moedas para dentro_de uma sacola de cabedal . Lá fora , em as escadarias de mármore , separaram se . Percy murmurou vagamente que precisava de uma nova pena de escrever . Fred e George tinham avistado um amigo de Hogwarts , Lee_Jordan . Mrs._Weasley e Ginny iam a uma loja de mantos em segunda mão , Mr._Weasley continuava a insistir em levar os Grangers a o Caldeirão_Escoante para lhes pagar uma bebida . - Encontrarmo nos todos em a Flourish and Blotts dentro_de uma hora para comprar os vossos livros de estudo - disse Mrs._Weasley , afastando se com Ginny . - E nem um passo em direcção a a Rua * _ Bativolta * - gritou a os gémeos que estavam de costas . Harry , Ron e Hermione deambularam por a rua empedrada e sinuosa . O ouro , prata e bronze que tilintavam alegremente em o saco que Harry tinha em o bolso pareciam exigir ser gastos , por isso ele comprou três enormes gelados de morango e manteiga de amendoim que eles devoraram felizes enquanto vagueavam sem destino por a rua fora , observando as montras fantásticas de as lojas . Ron olhou longamente para um conjunto completo de mantos de o Chudley_Cannon , em as montras de o « Equipamento_de_Quidditch_de_Qualidade » até Hermione o arrastar de ali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos . Em a « Jogos_de_Feitiçaria_de_Gambol and Japes » encontraram o Fred , o George e o Lee_Jordan que estavam presos em a fabulosa partida debaixo_de chuva e em os fogos-de-artifício de o Dr._Filibuster . E em uma pequenina loja de velharias cheia de varinhas partidas , balanças instáveis de latão e mantos velhos cobertos de nódoas de poções encontraram Percy profundamente concentrado em um pequenino livro , bastante chato , chamado * _ Prefeitos que conquistam o poder * . - * _ Um estudo sobre os prefeitos de Hogwarts e as suas posteriores carreiras * - leu alto o Ron em a contracapa . - Deve ser fascinante ... - Desaparece - gritou Percy . - Claro , ele é muito ambicioso , já tem tudo planeado . Quer ser ministro de a magia - disse o Ron baixinho a o Harry e a a Hermione , enquanto deixavam Percy entregue a o livro . Uma hora mais tarde dirigiram se a a Flourish and Blotts . Não eram de modo algum os únicos a encaminhar se para a livraria . À_medida_que se aproximavam viram com grande surpresa uma grande multidão a a porta , tentando entrar em a loja . O motivo de tal confusão estava anunciado em um cartaz que se estendia a o longo de a montra superior . GILDEROY_LOCKHART_Assinará exemplares de a sua autobiografia " eu , o mágico " Hoje 12.30 - 16.30 - Vamos poder conhecê o ! - gritou Hermione . - Quero dizer , ele escreveu quase todos os livros de a nossa lista ! A multidão parecia ser maioritariamente composta por bruxas de a idade de Mrs._Weasley . Um feiticeiro bem-parecido estava de pé junto de a porta , dizendo : - Calma , minhas senhoras , não empurrem , cuidado com os livros . Harry , Ron e Hermione conseguiram furar e entrar . Uma longa fila serpenteava para as traseiras de a loja onde Gilderoy_Lockhart estava a assinar os seus livros . Cada_um de eles pegou em um exemplar de * _ ensinamentos de Uma Fada_Carpideira * e escaparam se de a fila indo ter a o lugar onde se encontravam os outros com Mr. e Mrs._Granger . - Ah , aí estão vocês . _ óptimo - disse Mrs._Weasley que parecia estar com falta de ar e não parava de mexer em o cabelo . - Vamos poder vês o dentro_de um minuto . Gilderoy_Lockhart veio lentamente até um lugar onde era visível para todos , sentou se a uma mesa , rodeado de grandes fotografias de o próprio rosto , todo ele sorrisos , mostrando a a multidão o brilho cintilante de os seus dentes . Lockhart usava uma túnica azul-noite que condizia a as mil maravilhas com a cor de os olhos , o chapéu pontiagudo de feiticeiro colocado lateralmente sobre o cabelo ondulado . Um homenzinho pequenino e irritante andava a dançar de um lado para o outro , tirando fotografias com uma grande máquina preta que lançava baforadas de fumo arroxeado em cada * flash * . - Sai de o caminho , tu aí - disse rispidamente a o Ron , mudando de lugar para ter um angulo melhor . - Este é para o * _ Profeta_Diário * . - Grande coisa ! - exclamou o Ron , esfregando os pés em o lugar que o fotógrafo pisara . Gilderoy_Lockhart ouviu o . Olhou , viu o Ron e em seguida Harry . Voltou a olhar , desta_vez com mais atenção . Em seguida , pôs se de pé e gritou : - Não pode ser , o Harry_Potter ? A multidão dividiu se entre murmúrios de excitação . Lockhart aproximou se , agarrou Harry por um braço e levou o para a frente . A multidão rebentou em aplausos . A cara de Harry ardia quando Lockhart lhe apertou a mão para o fotógrafo que disparava como um louco , lançando fumo espesso para_cima de os Weasley . - Belo sorriso , Harry - disse Lockhart através de os seus dentes brilhantes . - Tu e eu juntos merecemos a primeira página . Quando por fim lhe largou a mão , Harry quase não sentia os dedos . Tentou recuar para junto de os Weasley , mas Lockhart lançou lhe um braço por os ombros e prendeu o a o seu lado . - Minhas senhoras e meus senhores - disse bem alto , fazendo sinal para que se acalmassem . - Que momento extraordinário este ! O momento perfeito para eu anunciar algo que tenho vindo a guardar comigo desde_há algum tempo . - Quando o jovem Harry entrou em a Flourish and Blotts hoje , ele queria apenas comprar a minha autobiografia , que tenho agora o maior prazer em oferecer lhe - a multidão aplaudiu de_novo . - Ele não tinha ideia - continuou Lockhart , dando a o Harry um pequeno encontrão que fez com que os óculos lhe escorregassem para a ponta de o nariz - de que ia conseguir em_breve muito mais do_que o meu livro Eu , o mágico . Ele e os seus colegas de a escola vão receber , de facto , o verdadeiro * _ Eu , o mágico * . Sim , minhas senhoras e meus senhores , tenho o maior prazer em anunciar que em o mês_de_Setembro assumirei o lugar de professor de Defesa contra as artes negras em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts ! A multidão aplaudiu e bateu palmas e Harry deu consigo a ser presenteado com a obra completa de Gilderoy_Lockhart . Cambaleando ligeiramente sob o peso de os livros conseguiu abrir caminho para longe de os projectores até a a porta de a sala onde estava Ginny com o seu novo caldeirão . - Podes ficar com estes - murmurou Harry , enfiando os livros em o caldeirão . - Eu vou comprar os meus . - Aposto que adoraste aquilo , não adoraste , Potter ? - disse uma voz que Harry não teve qualquer dificuldade em reconhecer . Endireitou se e deu consigo frente_a_frente com Draco_Malfoy que exibia o seu habitual sorriso escarninho . - O famoso Harry_Potter - disse Malfoy . - Nem_sequer pode entrar em uma livraria sem se tornar primeira página . - Deixa o em paz , ele não queria nada de isso - defendeu a Ginny . Era a primeira vez que falava em frente de Harry . Olhava para Malfoy com um ar feroz . - Potter , arranjaste uma namorada ! - disse arrastadamente Malfoy . Ginny ficou vermelha como um pimentão enquanto Ron e Hermione tentavam abrir caminho , ambos carregando montes de livros de Lockhart . -- Ah és tu ? - disse Ron , olhando para Malfoy como_se ele fosse algo desagradável colado a a sola de o sapato . - Aposto que te surpreendeu ver o Harry aqui ? - Não tanto como a ti em uma loja , Weasley - retorquiu Malfoy . - Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo . Ron ficou tão vermelho quanto Ginny . Deixou também cair os livros em o caldeirão e avançou para Malfoy , mas Harry e Hermione agarraram o por as costas de o casaco . - Ron - disse Mrs._Weasley , aproximando se com Fred e George . - O que estás a fazer ? Isto está uma loucura aqui dentro , vamos lá para fora . - Olha quem ele é , Arthur_Weasley . - Era_Mr._Malfoy . Estava de pé com a mão sobre o ombro de Draco , com o mesmo sorriso escarninho . -- Lucius - disse Mr._Weasley , acenando friamente . -- Muito trabalho em o ministério , segundo me consta - disse Mr._Malfoy . - Todas essas buscas ... espero que te estejam a pagar horas extraordinárias . Meteu a mão em o caldeirão de a Ginny e tirou de o meio de os livros de Lockhart um exemplar muito velho e muito gasto de o * _ Guia_de_Transfiguração_para_Principiantes * . - Parece que não - disse . - Que diabo , qual a vantagem de ser uma nódoa entre os feiticeiros se nem_sequer te pagam bem por isso ? Mr._Weasley corou mais ainda do_que Ron ou Ginny . - Nós temos uma opinião diferente sobre quem são as nódoas entre os feiticeiros - disse . - É claro que ... - disse Mr._Malfoy , os olhos mortiços passando para Mr. e Mrs._Granger apreensivamente . - As companhias com quem tu andas ... e eu que pensava que já não conseguias descer mais baixo ... Ouviu se um tilintar de metal quando o caldeirão de a Ginny foi por os ares . Mr._Weasley lançara se sobre Mr._Malfoy atirando o para dentro_de uma estante . Dezenas_de livros de feitiços saltaram lá de cima , caindo lhes sobre as cabeças . Houve um grito de - Chega lhe , pai ! - de o Fred e de o George . Mrs._Weasley soltava gritos agudos : - Não_Arthur , não . A multidão recuava deitando mais prateleiras a o chão . - Meus senhores , por favor - gritava o encarregado , e então , mais alto do_que todos : - Parem com isso , gente , parem com isso . Hagrid aproximava se através_de um mar de livros . Em um segundo afastou Mr._Weasley e Mr._Malfoy . Mr._Weasley tinha um lábio cortado e Mr._Malfoy fora agredido em um olho por uma * _ Enciclopédia_de_Cogumelos_Venenosos * . Tinha ainda em a mão o livro velho de a Ginny sobre transfiguração . Atirou lhe o , com os olhos a brilhar de malvadez . - Toma o teu livro , garota . É o melhor que o teu pai pode oferecer te . Libertando se de Hagrid , conduziu Draco para fora e abandonaram a livraria . - Devias tê o ignorado , Arthur - disse Hagrid quase a pegar em Mr._Weasley a o colo enquanto lhe endireitava o manto . - São podres até a a raiz , todos eles . Tod'à gente sabe . Nenhum Malfoy vale a pena ser ouvido . Não prestam , ' tá-lhes em o sangue . Vá lá , vamos sair de aqui . O encarregado parecia querer impedis os , mas , olhando bem para Hagrid , pensou melhor . Subiram a rua , os Grangers a tremer de medo e Mrs._Weasley fora de si . - Um belo exemplo para as crianças ... andar a a pancada em público . O que terá pensado Gilderoy_Lockhart ? - Ele gostou - disse o Fred . - Não o ouviram quando ia a sair ? Estava a perguntar a aquele tipo de o Profeta_Diário se conseguia incluir a briga em a reportagem , disse que era boa publicidade . Mas foi um grupo deprimido que regressou a a lareira de o Caldeirão_Escoante onde Harry , os Weasley e todas_as suas compras iriam viajar de volta até a a Toca , usando o pó de Floo . Despediram se de os Grangers que iam sair de o * pub * por a rua de os Muggles , de o outro lado . Mr._Weasley começou a perguntar lhes como funcionavam as paragens de autocarros , mas calou se rapidamente a o ver a expressão de Mrs._Weasley . Harry tirou os óculos e guardou os cautelosamente em o bolso antes de utilizar o pó de Floo . Definitivamente não era a sua forma ideal de viajar . V_O salgueiro zurzidor O fim de as férias de Verão chegou demasiado depressa para o gosto de Harry . Ele desejara muito regressar a Hogwarts , mas aquele mês em a Toca tinha sido o mais feliz de toda_a sua vida . Era difícil não invejar o Ron quando pensava em os Dursleys e em as boas-vindas que ia receber de a próxima vez que pusesse os pés em Privet_Drive . Em a última noite , Mrs._Weasley preparou um jantar magnífico , que incluía os pratos favoritos de Harry e terminava com um pudim de melaço de fazer crescer água em a boca . Fred e George alegraram a noite com uma exibição de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que saltaram de o tecto para as paredes , durante pelo_menos meia_hora . Depois , foi a altura de tomarem uma caneca de chocolate quente e irem para a cama . Em a manhã seguinte , demoraram muito_tempo a preparar se . Levantaram se com o cantar de o galo , mas parecia lhes que ainda tinham muito para fazer . Mrs._Weasley andava de um lado para o outro , mal-humorada , a a procura de meias e penas , chocavam uns com os outros em as escadas , meio vestidos , meio despidos , com pedaços de torrada em as mãos e Mr._Weasley quase partiu o nariz quando tropeçou em uma galinha a o atravessar o pátio , para meter em o carro a mala de Ginny . Harry não percebia lá muito bem_como é_que oito pessoas , seis grandes malas , duas corujas e um rato , iam caber em um pequeno * _ Ford_Anglia * , isso , claro , antes de as artes mágicas que Mr._Weasley acrescentara . - Nem uma palavra a a Molly - murmurou ele a o Harry , enquanto abria a bagageira e lhe mostrava como ela se expandira para que as malas coubessem facilmente . Quando , por fim , se acomodaram todos em o carro , Mrs._Weasley olhou para o banco de trás , onde Harry , Ron , Fred , George e Percy estavam confortavelmente sentados uns a o lado de os outros e disse : - Os Muggles têm mais conhecimentos do_que aqueles que nós lhes atribuímos , não achas ? - Ela e a Ginny entraram para o lugar de a frente , que fora esticado e parecia um banco de jardim . - Quer_dizer , de_fora ninguém diria que este carro era espaçoso , não acham ? Mr._Weasley pôs o motor a funcionar e saíram de o pátio , Harry voltando se para trás para ver por a última vez a casa . Mal teve tempo de se questionar se iria voltar alguma vez e já estavam de volta : George esquecera se de a caixa de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Cinco minutos mais tarde tiveram de interromper de_novo a viagem e voltar a o pátio para o Fred ir a correr buscar a vassoura . Estavam quase a chegar a a auto-estrada , quando Ginny guinchou que se esquecera de o diário . Mas estava a fazer se muito tarde e os ânimos começavam a exaltar se . Mr._Weasley olhou para o relógio e , em seguida , para a mulher . - Molly , querida ... - Não , Arthur . - Ninguém ia ver . Este botãozinho é um transformador de invisibilidade que eu instalei , levava nos por o ar , subíamos acima de as nuvens . Estaríamos lá em dez minutos e ninguém daria por nada ... - Eu disse que não , Arthur . Durante o dia , não . Chegaram a King's_Cross , faltava um quarto para as onze . Mr._Weasley precipitou se em busca de um carrinho de transporte para as malas e correram todos para a estação . Harry apanhara o Expresso_de_Hogwarts em o ano anterior . A parte mais difícil era entrar em a plataforma nove_e_três quartos , que não era visível a os olhos de os Muggles . Era preciso avançar para a barreira sólida que dividia as plataformas nove e dez . Não doía nada , mas tinha de ser feito com cuidado para que nenhum de os Muggles de esse , por o desaparecimento . - O Percy em primeiro lugar - declarou Mrs._Weasley , olhando nervosamente para o relógio lá em cima , que mostrava que tinham apenas cinco minutos para desaparecer através de a barreira . Percy avançou a passos largos e desapareceu . Mr._Weasley foi a seguir e depois de ele Fred e George . - Eu levo a Ginny e vocês vêm atrás_de nós - disse Mrs._Weasley a o Harry e a o Ron , agarrando Ginny pela mão e seguindo em frente . Em um abrir e fechar de olhos , tinham passado . - Vamos passar juntos , só temos um minuto - disse Ron a o Harry . Harry assegurou se de que a gaiola de a Hedwig estava bem fixa em cima de a sua mala e empurrou o carrinho de encontro a a barreira . Estava perfeitamente confiante , aquilo era muito mais fácil do_que usar o pó de Floo . Puseram os dois as mãos em o puxador de os carrinhos e avançaram direitos a a barreira , ganhando velocidade . A um metro e pouco , começaram a correr e ... CRASH . Os dois carros bateram em a barreira e foram impelidos para trás . A mala de o Ron caiu com um enorme estrépito . Harry desequilibrou se e a gaiola de a Hedwig foi parar a o chão brilhante , enquanto ela rolava guinchando , indignada . As pessoas em volta olhavam fixamente e um guarda que estava ali perto gritou : - Que diabo pensam vocês que estão a fazer ? - Perdemos o controlo de o carro de transporte - respondeu o Harry , respirando com dificuldade , agarrando se a as costelas , enquanto se punha de pé . Ron correu a agarrar a Hedwig , que estava a fazer uma cena tal , que já se ouviam murmúrios em a multidão sobre a crueldade para com os animais . - Porque é_que não conseguimos passar ? - perguntou Harry a o Ron em um sussurro . - Não sei . Ron olhou descontroladamente em volta . Uma_dúzia de curiosos estavam ainda a observá os . - Vamos perder o comboio - murmurou o Ron . - Não compreendo porque motivo a cancela se fechou . Harry olhou para o relógio gigantesco com um sentimento de náusea em a boca de o estômago . Dez segundos , nove segundos ... Dirigiu o carrinho de transporte para a frente com toda_a força . O metal manteve se sólido . Três segundos ... dois segundos ... um segundo ... - Partiu - afirmou o Ron , que parecia estonteado . - O comboio foi se embora . E se a mãe e o pai não conseguem voltar para aqui ? Tens algum dinheiro de Muggle ? Harry deu uma gargalhada . - Os Dursleys não me dão um tostão há mais de seis anos ! Ron encostou o ouvido a a barreira . - Não se ouve nada - disse , bastante tenso . - O que vamos nós fazer ? Não sei quanto tempo o pai e a mãe vão demorar . Olharam em volta . As pessoas ainda estavam a observá os , principalmente devido a os contínuos guinchos de a Hedwig . - Acho que o melhor é sairmos de aqui e esperamos por eles junto de o carro - disse Harry . - Aqui estamos a atrair demasiado as aten ... - Harry - disse o Ron , com os olhos a brilhar . - É isso , o carro . - O que é_que tem ? - Podemos voar nele até Hogwarts ! - Mas eu pensei ... - Estamos em apuros , certo ? E temos de chegar a a escola , ou não ? E mesmo os feiticeiros menores de idade estão autorizados a usar a magia em uma emergência real , parágrafo dezanove , ou não sei quê , de a Restrição de ... O sentimento de pânico de Harry transformou se em entusiasmo . - E tu sabes voar nele ? - Não há problema - disse o Ron , andando com o carrinho a a volta e dirigindo se para a saída . - Anda de aí . Se em os apressarmos , conseguiremos sair atrás de o Expresso_de_Hogwarts . E afastaram se de o grupo de Muggles curiosos , abandonando a estação e voltando a a rua , onde o velho * _ Ford_Anglia * se encontrava estacionado . Ron abriu a bagageira com uma série de toques de varinha . Meteram lá dentro as malas , puseram a Hedwig em o assento de trás e entraram para a frente . - Verifica se ninguém está a ver - disse o Ron , ligando a ignição com outro toque de varinha . Harry pôs a cabeça fora de a janela : o trânsito enchia a avenida principal , mas a rua de eles estava vazia . - O. _ K. - disse . Ron carregou em um pequeno botão de o painel . Os carros em volta desapareceram assim_como eles . Harry sentia o assento a vibrar debaixo_de si , ouvia o motor , sentia as mãos sobre os joelhos e os óculos em o nariz , mas , tanto quanto conseguia ver , tornara se um par de olhos redondos flutuando um metro e pouco acima de o chão em uma rua suja , cheia de carros estacionados . - Vamos - disse a voz de o Ron , vinda de o seu lado direito . O chão e os prédios escuros de ambos os lados desapareceram de o seu ângulo de visão , mal o carro se elevou . Em poucos segundos toda_a cidade de Londres , enevoada e resplandecente , estava por baixo de eles . Em seguida , ouviu se um ruído que parecia o saltar de uma rolha e o carro , Harry e Ron , reapareceram . - Oh , oh - disse Ron , batendo em o intensificador de invisibilidade . - Está avariado ... Começaram os dois a bater em o botão . O carro desapareceu . Depois surgiu de forma intermitente . - Aguenta aí - gritou o Ron e carregou com o pé em o acelerador . Saltaram direitinhos para o meio de as nuvens mais baixas e tudo ficou sujo e enevoado . - E agora ? - exclamou Harry , piscando os olhos a a sólida massa de nuvens que os comprimia de todos os lados . - Precisamos de avistar o comboio para sabermos qual a direcção a tomar - explicou o Ron . - Desce rapidamente ... Desceram por o meio de as nuvens e voltaram se em os lugares , espreitando . - Estou a vê o - gritou Harry . - Mesmo em frente , ali . O Expresso_de_Hogwarts deslocava se a grande velocidade lá em baixo , como uma serpente vermelha . - Para Norte - disse o Ron , verificando a bússola de o painel . - O. _ k . , basta que verifiquemos de meia em meia_hora . Aguenta aí ... - e arrancaram por o meio de as nuvens . Em o minuto seguinte , tinham chegado a a luz brilhante de o Sol . Era um mundo diferente . Os pneus de o carro deslizavam sobre o mar de nuvens macias , o céu era de um azul infinito sob a luz , capaz de cegar , que irradiava de o Sol . - Agora só temos de nos preocupar com os aviões - disse o Ron . Olharam um para o outro e desataram a rir . Durante muito_tempo não conseguiram parar . Era como_se tivessem mergulhado em um sonho fabuloso . Aquela , pensou Harry , era certamente a única maneira de viajar : passando por turbilhões e torres de nuvens cor de neve , em um carro cheio de calor , o sol radioso , com um grande pacote de rebuçados em o porta-luvas e antegozando o ar de inveja de o Fred e de o George quando aterrassem suavemente e de forma espectacular em o relvado macio em frente de o castelo de Hogwarts . Espreitaram várias vezes o comboio enquanto voavam cada_vez_mais para norte . Cada descida entre as nuvens dava lhes uma perspectiva diferente . Londres depressa ficou para trás , substituída por campos verdejantes que , por sua vez , deram lugar a grandes pântanos arroxeados , aldeias com pequenas igrejas de brinquedo e uma grande cidade , cheia de vida , com carros que pareciam formigas multicores . Várias horas mais tarde sem acontecer nada de_novo , Harry teve de admitir que uma parte de o entusiasmo se esgotara . Os rebuçados tinham nos deixado cheios de sede e não havia nada para beber . Ele e o Ron tinham tirado as camisolas , mas a * _ T-shirt * de o Harry estava colada a as costas de o assento e os óculos não paravam de lhe escorregar para a ponta de o nariz . Deixara de reparar em as fabulosas formas de as nuvens e pensava com saudade em o comboio , milhas abaixo de eles , onde se podia comprar sumo fresquinho de abóboras em um carro empurrado por uma bruxa gordinha . Porque não teriam conseguido entrar em a plataforma nove_e_três quartos ? - Não pode ser muito mais longe , pois não ? - resmungou o Ron , horas mais tarde quando o Sol começava a enfiar se em o seu chão de nuvens , pintando as de um rosa profundo . - Estás pronto para outra espreitadela a o comboio ? Ainda ia mesmo por baixo de eles , abrindo caminho por_entre uma montanha com o topo coberto de neve . Estava muito mais escuro entre o dossel de nuvens . Ron pôs o pé em o acelerador e levou os de_novo para_cima , mas em esse momento o motor começou a chiar . Harry e Ron trocaram entre si olhares nervosos . - Deve estar só cansado - disse o Ron . - Nunca tinha vindo tão longe ... - E fingiram ambos que não davam por o gemido que se ia tornando maior à_medida_que o céu serenamente escurecia . As estrelas desabrochavam em a escuridão , Harry voltou a enfiar a camisola de lã , tentando ignorar os limpa pára-brisas que acenavam debilmente como_que a protestar . - Não devemos estar longe - disse Ron , dirigindo se mais a o carro do_que a o amigo . - Já não devemos estar longe - deu umas palmadinhas nervosas em o * tablier * . Pouco depois , quando voltaram a voar em o meio de as nuvens , tiveram de olhar de lado em a escuridão , em busca de um ponto de referência que conhecessem . - Ali - gritou Harry , fazendo o Ron e a Hedwig darem um salto . - Mesmo em frente . Recortados em o horizonte negro , sobre o rochedo de o outro lado de o lago , erguiam se as torres e torreões de o castelo de Hogwarts . Mas o carro tinha começado a estremecer e perdia a os poucos velocidade . - Vá lá - disse o Ron , dando a o volante um pequeno abanão bajulador . - Estamos quase a chegar , vá lá ... O motor gemeu . Pequenos jactos de vapor de água brotaram de o capo . Harry deu consigo agarrado com toda_a força a os bordos de o assento enquanto voavam direitos a o lago . O carro deu um solavanco feio . Espreitando por a janela , Harry viu a superfície negra , macia e espelhada de a água cerca de uma milha abaixo de eles . Os dedos de o Ron agarrados a o volante tinham as articulações brancas . O carro deu um novo esticão . - Vá lá - murmurou o Ron . Estavam sobre o lago ... o castelo ficava mesmo em frente . Ron fez força com o pé . Houve um ruído surdo , uma crepitação e o motor morreu por completo . - Oh ! oh ! - gemeu Ron em o silêncio . O nariz de o carro voltou se para baixo . Estavam a cair , ganhando velocidade em direcção a os muros sólidos de o castelo . - Naaaaão ! - gritou o Ron , girando o volante . Escaparam a a muralha de pedra negra por centímetros , quando o carro fez um grande arco , planando primeiro sobre as estufas , depois sobre o rectângulo plantado com vegetais e , por fim , sobre os relvados , perdendo sempre velocidade . Ron largou o volante por completo e tirou a varinha de o bolso de trás . - __ pára ! __ pára ! - gritou , batendo em o * tablier * e em o pára-brisas , mas eles continuavam a mergulhar , o chão a voar em direcção a eles . - : __ cuidado com essa __ árvore ! ! ! - bramiu Harry , deitando a mão a o volante , mas ... tarde de mais ... CRUNCH . Com um ruído ensurdecedor de metal e madeira , bateram em o tronco espesso de a árvore e caíram em o chão com um forte solavanco . O vapor era um mar debaixo de o capo amachucado . A Hedwig tremia apavorada . Em a cabeça de Harry surgira um alto de o tamanho de uma bola de golfe , quando ele batera em o pára-brisas , tombando em seguida para a direita . Ron soltou um gemido longo e desesperado . - Estás O. _ K ? - perguntou Harry , aflito . - A minha varinha - disse o Ron em uma voz trémula . - Olha para a minha varinha . Tinha se partido praticamente em duas , a ponta balouçava mole , presa por meia_dúzia de esquírolas . Harry abriu a boca para dizer que em a escola com certeza conseguiriam consertá a , mas nem chegou a começar a frase . Em esse preciso momento , algo bateu em o seu lado de o carro , com a força de um touro , projectando o para_cima de o Ron , ao_mesmo_tempo que um golpe igualmente forte se sentiu em o capô . - O que está a acontec ... Ron arfou , olhando fixamente por o pára-brisas e Harry olhou em volta , mesmo a_tempo_de ver uma ramada espessa como uma píton vir contra o vidro . A árvore em que tinham batido estava a atacá os . O tronco dobrara se quase a meio e os seus galhos rugosos davam uma tareia a cada centímetro de o carro que conseguiam atingir . - Ah ! - praguejou o Ron , quando outra pernada retorcida esmurrou a sua porta , amolgando a . O pára-brisas tremia agora sob uma saraivada de golpes vindos de galhos que pareciam patas de animais e uma ramada espessa como um aríete esmagava furiosamente o capo , que parecia estar a ceder ... - Corre ! - gritou o Ron , lançando o seu peso contra a porta , mas , em o momento seguinte , tinha sido atirado para trás , para o colo de Harry por um soco maldoso , dado de baixo para_cima , por outro ramo . - Estamos feitos ! - resmungou , enquanto o tecto descaía . Mas , de repente , o chão de o carro estava a vibrar , o motor pegara . - Marcha atrás - gritou o Harry e o carro deu um salto para trás . A árvore tentava ainda agredis os , ouviam as raízes chiar , enquanto quase se partiam esticando se para os alcançar . - Escapámos por_pouco ! - exclamou o Ron . - Muito bem , carro . Mas o carro tinha atingido o limite de as suas forças . Com dois estalidos , as portas abriram se e Harry sentiu o seu assento inclinar se para o lado . Quando deu por si , estava estatelado em o chão húmido . Ruídos surdos avisaram o de que o carro estava a ejectar as malas de a bagageira . A gaiola de a Hedwig voou por os ares e abriu se . Ela saiu a voar com um pio furioso e dirigiu se a o castelo , sem sequer olhar para trás . Em seguida , o carro , amolgado , arranhado e a fumegar , arrancou em o escuro , com os faróis traseiros ardendo de fúria . - Volta aqui ! - gritou o Ron , brandindo a varinha partida . - O meu pai mata me . Mas o carro desapareceu a perder de vista , com um último estoiro de o tubo de escape . - Já viste bem o nosso azar ! ? - exclamou o Ron em o meio de a sua infelicidade , baixando se para apanhar o rato Scabbers . - De todas_as árvores em que podíamos ter batido , tínhamos de ir dar a uma que bate também . Olhou por cima de o ombro para a velha árvore que ainda agitava os ramos ameaçadoramente . - Vamos - disse Harry , fatigado . - É melhor irmos andando para a escola ... Não foi , de modo algum , a chegada triunfal que tinham imaginado . Constrangidos , cheios de frio e magoados , pegaram em as malas e começaram a arrastá as por o relvado acima , em direcção a as grandes portadas de carvalho . - Acho que o banquete já começou - disse o Ron , largando a mala em os degraus de a entrada e atravessando devagarinho para espreitar por uma janela iluminada . - Harry , anda ver , é a distribuição . Harry apressou se e os dois , ele e o Ron , espreitaram para o Salão_Nobre . Um número infindável de velas pairava em o ar , sobre quatro mesas enormes cheias de gente , fazendo brilhar os pratos dourados e as taças . Em cima , o tecto encantado que espelhava o céu lá de_fora , brilhava cheio de estrelas . Por_entre a floresta de chapéus pretos pontiagudos de Hogwarts , Harry viu uma longa fila de alunos de o primeiro ano com olhares assustados que enchia o vestíbulo . Ginny estava entre eles , facilmente reconhecível devido a o seu chamativo cabelo Weasley . Enquanto isso , a professora Mc_Gonagall , uma bruxa de óculos com cabelo castanho apanhado em um carrapito , colocava o famoso chapéu seleccionador em um banco que se encontrava em frente de os novos alunos . Todos os anos , aquele velho chapéu , remendado , puído e cheio de pó , seleccionava alunos para as quatro equipas de Hogwarts ( Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin ) . Harry lembrava se bem de o ter colocado em a cabeça , precisamente um ano antes , e ter esperado petrificado por a sua decisão , enquanto ele lhe murmurava a o ouvido . Durante alguns horríveis segundos receara que o chapéu o mandasse para os Slytherin , a equipa que produzia maior número de feiticeiros e feiticeiras de magia negra , mas acabara por ficar em os Gryffindor , juntamente com Ron e Hermione e o resto de os Weasley . Em o último período , Harry e Ron tinham ajudado os Gryffindor a vencer o campeonato de a equipa , batendo os Slytherin pela_primeira_vez em sete anos . Um rapazito baixinho com cabelo de rato acabava de ser chamado para pôr o chapéu em a cabeça . Os olhos de Harry saltavam de ele para o lugar onde o professor Dumbledore , o director , estava sentado , observando a selecção de a mesa de os professores , com a sua longa barba cor de prata e óculos de meia-lua que brilhavam a a luz de as velas . Alguns lugares a a frente , Harry viu Gilderoy_Lockhart com um manto verde-azulado . E lá bem a o fundo estava Hagrid , enorme e cabeludo , bebendo satisfeito de a sua taça . - Espera aí - murmurou a o Ron . - Há um lugar vazio em a mesa de os professores . Onde estará o Snape ? Severus_Snape era o professor de quem Harry menos gostava . Harry era também o seu aluno menos querido . Cruel , sarcástico e detestado por todos com excepção de os alunos de a sua própria equipa ( Slytherin ) , Snape tinha a seu cargo a cadeira de Poções . - Talvez esteja doente - sugeriu Ron , cheio de esperança . - Talvez se tenha ido embora - lembrou Harry . - Por não lhe terem dado outra_vez a Defesa contra as artes negras . - Ou talvez tenha sido corrido - propôs Ron com entusiasmo . - Afinal , toda_a_gente o detesta ... - Ou talvez - disse uma voz gelada atrás de eles - esteja a a espera que vocês lhe expliquem por_que motivo não vieram em o comboio de a escola . Harry deu uma volta . Em a sua frente , com o manto negro a ondular em uma brisa fria , estava Severus_Snape . O professor era um homem magro , de pele descorada , nariz adunco e um cabelo preto oleoso que lhe caía sobre os ombros . E em aquele momento sorria de um modo tal que Harry sentiu que tanto ele como Ron estavam em sérios apuros . - Sigam me - disse Snape . Sem ousarem sequer olhar um para o outro , Harry e Ron seguiram Snape por as escadas até a o amplo * hall * de entrada que estava iluminado por as chamas de os archotes . De o salão nobre vinha um cheirinho delicioso a comida , mas Snape levou os para longe de a luz e de o calor , em direcção a uma escada estreita de pedra que conduzia a os calabouços . - Entrem - ordenou , abrindo uma porta a meio de o corredor e apontando . Entraram a tremer em o escritório de Snape . As paredes sombrias estavam cobertas de prateleiras cheias de jarros de vidro grosso onde flutuavam as coisas mais diversas e repugnantes , cujo nome Harry não queria de momento conhecer . A lareira estava escura e vazia . Snape fechou a porta e voltou se de frente para eles . - Com que então - disse com falsa suavidade - o comboio não serve para o famoso Harry_Potter e o seu fiel companheiro Weasley . Queriam chegar em grande estilo , não era rapazes ? - Não senhor , foi a barreira em King's_Cross , ela ... - Silêncio - disse Snape friamente . -- _ o que fizeram a o carro ? Ron engoliu em seco . Aquela não era a primeira vez que Snape dava a Harry a impressão de ser capaz de ler pensamentos . Mas , pouco depois , compreendeu tudo quando Snape desenrolou o exemplar de o Profeta_Vespertino . - Vocês foram vistos - afirmou , mostrando lhes o cabeçalho : : __ ford anglia voador confunde __ muggles . Começou a ler alto a notícia . - Dois Muggles em Londres convenceram se de que tinham visto um carro velho a voar sobre a torre de os correios ... a a tardinha em Norfolk , Mrs._Hetty_Bayliss , enquanto pendurava a roupa ... Mr._Angus_Fleet_de_Peebles informou a polícia ... seis ou sete Muggles a o todo . Julgo que o teu pai trabalha em o departamento de mau uso dado a os objectos de os Muggles ? - disse olhando para Ron e sorrindo de uma forma ainda mais sarcástica . - Que peninha , o próprio filho ... Harry sentiu se como_se tivesse levado um soco em o estômago de uma de as maiores pernadas de a árvore louca . E se alguém descobrisse que Mr._Weasley tinha enfeitiçado o carro ? Ele ainda nem tinha pensado em isso . - Reparei durante a minha volta por o jardim que foi feito um estrago considerável em um salgueiro zurzidor extremamente valioso - continuou Snape . - Essa árvore fez nos pior a nós do_que nós ... - deixou escapar Ron . - Silêncio - interrompeu Snape , de_novo . - Infelizmente vocês não fazem parte de a minha equipa e a decisão de vos expulsar não está em as minhas mãos . Vou , por isso , buscar as pessoas que possuem essa feliz possibilidade . Esperem aqui . Harry e Ron olharam , pálidos , um para o outro . Harry perdera a fome . Sentia se agora extremamente agoniado . Tentava não olhar para uma coisa viscosa , suspensa em um líquido verde que estava em uma prateleira por detrás de a secretária de Snape . Se ele fora buscar a professora Mc_Gonagall , chefe de a equipa de os Gryffindor , não estavam muito melhor . Ela era mais justa do_que Snape , mas extremamente severa . Dez minutos mais tarde , Snape voltou e era , de facto , a professora Mc_Gonagall quem o acompanhava . Harry vira a professora Mc_Gonagall zangada , mas , ou se tinha esquecido de como a boca de ela ficava fina , ou nunca a vira tão zangada como em aquele dia . Levantou a varinha em o momento em que entrou . Harry e Ron estremeceram , mas ela limitou se a apontá a para a lareira onde as chamas se elevaram subitamente . - Sentem se - ordenou , e os dois recuaram para as cadeiras junto de o lume . - Expliquem se - disse com os óculos a brilhar de uma forma ameaçadora . Ron enveredou por a história começando por a barreira de a estação que se recusara a deixá os passar . - Por isso não tínhamos escolha , professora , não podíamos chegar a o comboio . - Porque não nos mandaram uma carta por a coruja ? Julgo que tens uma coruja ? - disse friamente a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a Harry . Harry olhou para ela sem saber o que dizer . - Parece me - continuou ela - que seria a coisa mais adequada . - Eu ... não pensei ... - Isso - disse a professora Mc_Gonagall - é bastante óbvio . Ouviu se bater a a porta de o escritório e Snape , que parecia agora mais feliz do_que nunca , foi abrir . Era o director , o professor Dumbledore . Harry ficou totalmente paralisado . Dumbledore tinha uma expressão grave . Olhou para eles de cima de o seu nariz adunco e Harry desejou estar ainda com Ron a levar uma sova de o salgueiro zurzidor . Fez se um longo silêncio . Em seguida , Dumbledore disse lhes : - Por favor , expliquem porque fizeram isto . Teria sido melhor se gritasse . Harry detestou sentir a decepção em a sua voz . Inexplicavelmente era incapaz de olhar Dumbledore em os olhos e falou em direcção a os seus joelhos . Disse lhe tudo excepto que o carro enfeitiçado pertencia a Mr._Weasley , dando a ideia de que ele e o Ron o tinham encontrado estacionado fora de a estação . Sabia que Dumbledore ia ver para_além de isso , mas o director não fez perguntas sobre o carro . Quando Harry terminou continuou a olhar para ele através de os seus óculos . - Nós vamos buscar as nossas coisas - disse Ron em um tom de voz sem esperança . - Que disparate é esse ? - rosnou a professora Mc_Gonagall . -- Então , vão expulsar nos , não vão ? - disse o Ron . Harry olhou rapidamente para Dumbledore . - Ainda não , Mr._Weasley - afirmou Dumbledore . - Mas vou assinalar a gravidade do_que vocês fizeram . Hoje a a noite escreverei a as vossas famílias . Estão também prevenidos que se voltarem a fazer uma coisa como esta não terei outro remédio senão expulsar vos . A expressão de Snape era como_se o Natal tivesse sido cancelado . Pigarreou e disse : - Professor_Dumbledore , estes rapazes infringiram o decreto para a restrição de a feitiçaria de os menores , causaram estragos consideráveis a uma árvore antiga e valiosa ... sem dúvida , actos de esta natureza ... - Cabe a a professora Mc_Gonagall decidir sobre os castigos de os rapazes , Severus - afirmou Dumbledore com toda_a calma . - Pertencem a a equipa de ela e são , portanto , de a sua responsabilidade . - Voltou se para a professora Mc_Gonagall . - Tenho de regressar a o banquete , Minerva , devo dar algumas informações . Venha Severus , há uma tarte de leite e ovos com um aspecto delicioso que quero mostrar lhe . Snape lançou um olhar de puro veneno a o Harry e a o Ron enquanto permitia que o afastassem de o seu escritório , deixando os a sós com a professora Mc_Gonagall que ainda os olhava como uma águia em fúria . - É melhor ires até a a ala hospitalar , Weasley , estás a sangrar . - Não é nada - disse Ron , limpando o corte com a manga para que ela o visse . - Professora , eu gostava de ver a minha irmã ser seleccionada . - A cerimónia de a selecção terminou - disse a professora Mc_Gonagall . - A tua irmã está também em os Gryffindor . - _ óptimo - exclamou Ron . - E por falar em os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall de forma cortante , mas Harry interrompeu a : - Professora , quando tirámos o carro , o ano escolar ainda não tinha começado , por isso os Gryffindor não deveriam perder pontos , pois não ? - terminou olhando a ansiosamente . A professora Mc_Gonagall lançou lhe um olhar penetrante , mas ele era capaz de jurar que ela quase tinha sorrido . Pelo_menos a boca não parecia tão fina . - Não vou tirar pontos a os Gryffindor - tranquilizou o . E o coração de Harry ficou mais leve . - Mas vocês os dois vão ter um castigo . Foi melhor do_que Harry imaginara . O facto de Dumbledore escrever a os Dursley não tinha a menor importância . Harry sabia perfeitamente que eles só lamentariam que o salgueiro zurzidor não o tivesse esmigalhado . A professora Mc_Gonagall ergueu a varinha de_novo apontou a a a secretária de Snape . Um grande prato de sanduíches , duas taças de prata e um jarro com sumo de abóbora gelado apareceram em menos_de um segundo . - Vocês vão comer aqui e , em seguida , vão direitinhos para o vosso dormitório - disse . - Eu também tenho de voltar para a festa . Mal a porta se fechou atrás de ela , Ron soltou baixinho um assobio . - Pensei que estávamos feitos - confessou , agarrando uma sanduíche . - Também eu - disse o Harry , orando também uma . - Mas já viste bem a nossa pouca sorte ? - insistiu o Ron com a boca cheia de frango e fiambre . - O Fred e o George voaram em aquele carro cinco ou seis vezes e nenhum Muggle os viu - engoliu outro pedaço enorme de a sanduíche . - Porque será que não conseguimos passar a barreira ? Harry encolheu os ombros . - Mas temos de ter muito cuidado a_partir_de agora - disse bebendo um grande trago de sumo de abóbora . - Que pena não termos podido ir a o banquete . - Ela não quis que nos exibíssemos - afirmou Ron com prudência . - Não vão as pessoas pensar que é uma boa chegar aqui de carro voador . Quando já tinham comido todas_as sanduíches que queriam ( o prato ia voltando a encher se sozinho ) , levantaram se e saíram de o escritório , seguindo o caminho que lhes era familiar , para a torre de os Gryffindor . O castelo estava em silêncio . Parecia que o banquete tinha acabado . Passaram por retratos murmurantes e armaduras que gemiam e subiram os degraus estreitos de pedra até que , por fim , chegaram a a passagem onde a entrada secreta para a torre de os Gryffindor se encontrava oculta por detrás de o quadro a óleo de uma dama gorda em um vestido cor-de-rosa . - A senha ? - perguntou ela mal os dois se aproximaram . - Er ... Eles ainda não tinham estado com o prefeito de os Gryffindor e por isso ainda não conheciam a senha para o novo ano , mas a ajuda não se fez esperar . Ouviram passos apressados atrás de eles e quando se voltaram viram Hermione que se aproximava . - Aí estão vocês . Onde é_que se meteram ? Correm os boatos mais ridículos , alguém disse que vocês tinham sido expulsos por espatifarem um carro voador . - Bem , expulsos não fomos - tranquilizou a Harry . - Não estás a dizer me que voaram até aqui ? - perguntou Hermione em um tom quase tão severo como a professora Mc_Gonagall . - Dispensa se o sermão - interrompeu Ron impacientemente . - E diz nos a nova senha de passagem . - É crista de pássaro - disse Hermione não contendo a impaciência . - Mas o mais importante não é isso ... Contudo as palavras de ela foram interrompidas ao_mesmo_tempo que o retrato de a dama gorda se abria e se ouvia uma tempestade de aplausos . A o que parecia a equipa de os Gryffindor estava ainda acordada , dentro de a sala comum em forma de círculo , junto de as mesas assimétricas e de os cadeirões moles a a espera que eles chegassem para , de braços estendidos através de o buraco de o retrato , puxarem Harry e Ron para dentro deixando Hermione para o fim . - Sensacional - gritou Lee_Jordan . - Inspirado ! Que entrada ! Voar em um carro e aterrar em o salgueiro zurzidor . Toda_a_gente vai falar de isto durante anos e anos . - Muito bem - disse um aluno de o quinto ano com quem Harry nunca tinha falado . Alguém dava lhe palmadas em as costas como_se ele acabasse de vencer a maratona . Fred e George abriram caminho por_entre a multidão e disseram ao_mesmo_tempo : - Por_que é_que não nos chamaram , hein ? - Ron estava vermelho como um pimentão , sorrindo envergonhado , mas Harry via perfeitamente uma pessoa que não estava nada contente . Percy elevava se acima de as cabeças de os excitados alunos de o primeiro ano e parecia estar a tentar aproximar se para os repreender . Harry deu uma cotovelada a o Ron e apontou em direcção a Percy . Ron percebeu de imediato . - Temos de ir para_cima , um_pouco cansados ! - explicou e os dois começaram a abrir caminho em direcção a a porta que ficava de o outro lado de a sala e que dava para a escada em espiral e para os dormitórios . - ` _ Noite - despediu se Harry_de_Hermione que tinha um ar tão carrancudo como Percy . Conseguiram chegar a o outro lado de a sala comum sempre a levarem palmadas em as costas e alcançaram o sossego de as escadas . Apressaram se a subir e , por fim , chegaram a a porta de o dormitório que tinha agora um letreiro a dizer « Segundos_Anos » . Entraram em o quarto circular , que conheciam tão bem , com as suas cinco camas de dossel adornadas de velado vermelho e as suas janelas altas e estreitas . As malas tinham sido trazidas para_cima e colocadas a os pés de as camas . Ron fez um sorriso culpado . - Sei que não devia ter gostado de aquilo , mas ... A porta de o dormitório abriu se e os outros rapazes de os Gryffindor entraram ; eram eles o Seamus_Finnigan , o Dean_Thomas e o Neville_Loogbottom . - Inacreditável - aplaudiu Seamus . - Incrível - aprovou o Dean . - Espantoso - exclamou o Neville , aterrado . Harry não pôde evitar também um sorriso . VI_Gilderoy_Lockhart_No dia seguinte , contudo , Harry não conseguiu sorrir . As coisas começaram a correr mal logo em o salão durante o pequeno-almoço . Debaixo de o tecto encantado ( em aquele dia triste e cinzento ) estavam as quatro grandes mesas de as equipas e sobre elas , terrinas de papa de aveia , pratos de arenque defumado , montanhas de torradas e pratadas de ovos com * bacon * . Harry e Ron sentaram se em a mesa de os Gryffindor , junto de Hermione que tinha o seu exemplar de * _ Viagens com Vampiros * totalmente aberto , encostado a um jarro de leite . Havia uma certa rigidez em a maneira como ela disse : - ` _ Dia - que mostrou a Harry que continuava a desaprovar o modo como tinham chegado a a escola . Por seu turno , Neville_Longbottom saudou os entusiasticamente . Neville era um rapazinho de cara redonda , muito dado a acidentes , com a pior memória que Harry tinha conhecido . - A entrega de correio deve estar a chegar , acho que a minha avó me vai mandar umas quantas coisas de que me esqueci ... Harry tinha começado a comer as papas de aveia , quando se ouviu um ruído tumultuoso em o ar e umas cem corujas entraram ao_mesmo_tempo , sobrevoando o salão e deixando cair cartas e pacotes em o meio de a multidão faladora . Um embrulho grande e rugoso caiu em a cabeça de Neville e , um segundo depois , uma coisa larga e cinzenta caiu em o jarro de a Hermione , enchendo os a todos de leite e penas . - Errol - gritou o Ron , puxando a coruja esfarrapada por as patas . Errol caíra inconsciente sobre a mesa com as pernas para o ar e um envelope vermelho húmido em o bico . - Oh , não ! - sobressaltou se Ron . - Ela está bem , ainda está viva - tranquilizou o Hermione , tocando suavemente em a Errol com a ponta de o dedo . - Não é isso , é ... aquilo . Ron apontava para o envelope vermelho . Parecera perfeitamente vulgar a Harry , mas Ron e Neville estavam ambos a observá o como_se esperassem que explodisse . - Qual é o problema ? - perguntou Harry . - Ela . Ela mandou me um * gritador * - disse Ron , quase sem voz . - É melhor abrires - aconselhou Neville em um murmúrio tímido - senão é pior . A minha avó uma_vez mandou me um que eu ignorei e ... - engoliu em seco - foi horrível . Harry olhava , ora para as suas caras , ora para o envelope vermelho . - O que é um * gritador * ? - perguntou . - Mas toda_a atenção de o Ron estava fixa em a carta que começara a fumegar por os cantos . - Abre a - intimou o Neville . - De aqui a poucos minutos já passou tudo . Ron estendeu uma mão trémula , retirou o envelope de o bico de a Errol e começou a abri o . Neville pôs os dedos em os ouvidos . Após uma fracção de segundo , Harry compreendeu porquê . Pensou em o primeiro momento que ela explodira . Um ruído ensurdecedor encheu o enorme salão , fazendo cair pó de o tecto . - ... : __ roubar o carro ! não me surpreendia nada se te expulsassem . espera só até te pôr as mãos em cima . será que não paraste para pensar em a nossa aflição quando vimos que o carro tinha __ desaparecido ... Os gritos de Mrs._Weasley , ampliados cem vezes em relação a o seu normal , fizeram os pratos e as colheres chocalhar em a mesa e ecoaram de forma ensurdecedora em as paredes de pedra . Vinha gente de todos os lados espreitar quem tinha recebido o * gritador * e Ron afundou se tanto em a cadeira que só se lhe via a testa carmesim . - ... : __ uma carta de o dumbledore ontem a a noite , o teu pai quase morria de vergonha . não foi esta a educação que te demos , tu e o harry podiam ter __ morrido ... Harry estava a ver quando é_que o seu nome viria a a baila . Tentou o melhor que pôde agir como_se não ouvisse a voz , mas aquilo estava a fazer com que os tímpanos lhe latejassem . - ... : __ profundamente decepcionada , o teu pai vai ter de se confrontar com um inquérito em o trabalho , tudo por tua culpa e , se pisas mais_uma_vez o risco , trago te para __ casa ! Seguiu se um silêncio ressonante . O envelope vermelho , que caíra de as mãos de o Ron , incendiou se e encaracolou se em cinzas . Harry e Ron estavam sentados de boca aberta , como_se uma onda gigante lhes tivesse passado por cima . Algumas pessoas riam e , a os poucos , o ruído de as conversas recomeçou . Hermione fechou o * _ Viagens com Vampiros * e olhou para o topo de a cabeça de Ron . - Bem , não sei o que esperavas , Ron , mas tu ... - Não me venhas dizer que mereci - interrompeu Ron . Harry afastou as papas de aveia . O estômago ardia lhe de culpa . Mr._Weasley tinha um inquérito em o trabalho , depois de tudo_o_que Mr. e Mrs._Weasley tinham feito por ele durante o Verão ... Mas não teve muito_tempo para se demorar em aqueles pensamentos . A professora Mc_Gonagall circulava em volta de as mesas de os Gryffindor distribuindo horários . Harry pegou em o seu e viu que começavam por ter Herbologia , juntamente com os Hufflepuff . Harry , Ron e Hermione saíram juntos de o castelo , atravessaram as hortas e chegaram a as estufas , onde estavam guardadas as plantas mágicas . O * gritador * tivera pelo_menos uma vantagem : Hermione parecia achar que já tinham sido suficientemente castigados e estava de_novo perfeitamente calorosa . Quando estavam a chegar a as estufas viram o resto de a classe de pé , cá fora , a a espera de a professora Sprout . Harry , Ron e Hermione tinham acabado de se lhes juntar quando a viram aproximar se a passos largos por o relvado , acompanhada de Gilderoy_Lockhart . A professora Sprout era uma bruxa pequenina e atarracada que usava um chapéu a os remendos sobre o cabelo solto . As roupas que vestia estavam sempre cheias de terra e as suas unhas fariam a tia Petúnia desmaiar . Gilderoy_Lockhart , pelo_contrário , tinha um ar imaculado em as suas vestes azul-turquesa , o cabelo doirado a brilhar debaixo_de um chapéu azul-turquesa , com uma fita dourada , perfeitamente posicionado sobre a cabeça . - Olá a todos ! - gritou Lockhart , dirigindo se a o grupo de estudantes . - Estive a mostrar a a professora Sprout a maneira correcta de tratar um salgueiro . Mas não quero que fiquem com a ideia de que sou melhor do_que ela em Herbologia . Acontece que encontrei várias de estas plantas exóticas , durante as minhas viagens .... - Estufa número três hoje , meninos ! - disse a professora Sprout que estava visivelmente descontente , bem diferente de a sua habitual natureza bem-disposta . Houve um murmúrio de interesse . Eles só tinham estado uma_vez em a terceira estufa , que era uma estufa que abrigava plantas bem mais interessantes e perigosas . A professora Sprout tirou uma enorme chave de o cinto e abriu a porta . Harry sentiu o bafo de a terra húmida com adubo misturado e o perfume forte de umas flores gigantescas , de o tamanho de guarda-chuvas , que estavam penduradas de o tecto . Ia seguir Ron e Hermione , quando a mão de o Lockhart o travou . -- Harry ! Tenho querido ter uma palavrinha contigo . Não se importa se ele chegar uns minutos atrasado , pois não , professora Sprout ? A julgar por a expressão carregada de a professora Sprout , importava se sim , mas Lockhart disse : - Então até já - e fechou a porta de a estufa em a cara de ela . - Harry ! - disse Lockhart , com os dentes brancos a brilharem a o sol , enquanto abanava a cabeça . - Harry , Harry , Harry ! Harry , totalmente perplexo , não disse uma palavra . - Quando ouvi dizer , bem , é claro que eu tive muita culpa , deviam castigar me também ... Harry não fazia ideia de que estava ele a falar , quando Lockhart prosseguiu : - Nunca me lembro de ficar tão chocado . Fazer voar um automóvel até Hogwarts ! Bem , é claro que eu percebi logo porque o fizeste . Foi um destaque em grande . Harry , Harry , Harry ! Era notável como ele conseguia mostrar todos aqueles dentes brilhantes , mesmo quando não estava a falar . - Criei te o gosto por a publicidade , não foi ? - perguntou Lockhart . - Passei te o bichinho . Apareceste comigo em a primeira página e não podias esperar para aparecer outra_vez ... - Oh , não , professor , sabe é_que ... - Harry , Harry , Harry - disse Lockhart aproximando se e tocando lhe em o ombro . - * _ Eu compreendo * . É natural querer um_pouco mais quando se lhe tomou o gosto , e eu culpo me por te ter dado esse conhecimento , porque era natural que te subisse a a cabeça , mas vê uma coisa , rapazinho , tu não podes começar a fazer voar carros para tentares ser notícia . Tens de acalmar , está bem ? Tens muito_tempo quando fores mais velho . Sim , sim , eu sei o que estás a pensar ! É fácil para ele falar assim , já é um feiticeiro internacionalmente famoso ! Mas quando eu tinha doze anos era tão zé-ninguém como tu és hoje . Em a verdade , era ainda mais . De ti , já meia_dúzia de pessoas ouviram falar , não é ? Toda aquela história com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . - Olhou para a cicatriz luminosa em a testa de Harry . - Eu sei , eu sei , não é o mesmo_que vencer o Prémio de o sorriso de o feiticeiro de a semana cinco vezes seguidas , como eu venci , mas é um começo , Harry , é um começo . Lançou lhe uma piscadela de olhos cordial e foi se embora . Harry ficou atarantado durante alguns segundos . Depois , lembrando se que deveria estar em a estufa , abriu a porta e esgueirou se lá para dentro . A professora Sprout estava de pé , por_detrás_de uma espécie de mesa em o meio de a estufa . Em cima de a mesa estavam cerca de vinte pares de abafo de ouvidos de diferentes cores . Quando Harry estava já em o seu lugar , entre Ron e Hermione , ela disse : - Hoje vamos transplantar Mandrágoras . Muito bem , quem sabe dizer me as propriedades de a Mandrágora ? Não foi surpresa para ninguém que a mão de a Hermione fosse a primeira em o ar . - A Mandrágora tem um efeito reparador muito poderoso - disse Hermione , com o ar mais normal de este mundo , como_se tivesse engolido o livro de texto . - É usada para fazer voltar as pessoas , que foram transfiguradas ou amaldiçoadas , a o seu estado original . - Excelente . Dez pontos para os Gryffindor ! - exclamou a professora Sprout . - A Mandrágora é parte integrante de a maior parte de os antídotos , mas também é perigosa . Quem sabe dizer me porquê ? A mão de Hermione por_pouco não bateu em os óculos de Harry , quando se ergueu de_novo . - O grito de a Mandrágora é fatal para quem o ouve - disse prontamente . - Precisamente . Dou lhe mais dez pontos - disse a professora Sprout . - Agora vejamos , as Mandrágoras que aqui temos são ainda muito jovens . Enquanto falava , apontou para uma fila de tabuleiros com uma certa profundidade e todos se chegaram a a frente para ver melhor . Cerca de uma centena de plantinhas tufosas de um verde arroxeado cresciam em filas . Pareceram perfeitamente vulgares a Harry , que não fazia a menor ideia do_que Hermione queria dizer com o * grito * de a Mandrágora . - Cada_um de vocês pode tirar um par de abafo de ouvidos - disse a professora Sprout . Houve uma competição renhida porque ninguém queria os cor-de-rosa , cheios de penugem . - Quando eu vos disser para os colocar , assegurem se de que os vossos ouvidos estão completamente tapados - disse a professora Sprout . - Logo_que seja seguro retirá os , eu levanto os dedos . Certo , pôr os abafos de os ouvido . Harry pôs imediatamente os abafos em os ouvidos . Eles fecharam completamente o som . A professora Sprout colocou também um par de abafos cor-de-rosa com penugem em os de ela , arregaçou as mangas de a túnica , agarrou uma de as plantas tufosas e puxou com toda_a força . Harry soltou um grito de surpresa que ninguém ouviu . Em_vez_de raízes , um bebé pequenino , enlameado e extremamente feio , saiu de a terra . As folhas cresciam lhe em o alto de a cabeça , tinha uma pele pintalgada de um pálido esverdeado e estava nitidamente a berrar a plenos pulmões . A professora Sprout tirou debaixo de a mesa um grande vaso de plantas e mergulhou lá dentro a Mandrágora , enterrando a em a mistura escura e húmida , até que só as folhas ficassem visíveis . Em seguida , limpou a terra de as mãos , levantou os dedos e todos eles retiraram os abafos de os ouvidos . - Como as nossas Mandrágoras são muito novas , os seus gritos ainda não matam - disse ela com grande calma , como_se tivesse feito algo tão normal como regar uma begónia . - Contudo , podem pôr vos a dormir durante várias horas e , como com certeza nenhum de vocês quer perder o primeiro dia de aulas , vejam se os abafos estão bem colocados enquanto trabalham . Eu chamarei vos a atenção quando for altura de os retirar . - Quatro em cada fila , há aqui uma grande quantidade de vasos , a mistura de terra está em os sacos ali a o fundo e tenham cuidado com a * _ Venomous_Tentacula * , estão a nascer lhe os dentes . Enquanto falava , deu uma pancada seca a uma planta vermelha escura cheia de pontas eriçadas , fazendo a encolher as longas antenas que tinham estado a avançar lenta e dissimuladamente sobre o seu ombro . A Harry , Ron e Hermione veio juntar se em a fila um rapaz de cabelo encaracolado de os Hufflepuff que Harry conhecia de vista , mas com quem nunca tinha falado . - Justin_Finch - _ Fletchey - disse ele com vivacidade , apertando a mão de o Harry . - Conheço te , claro , o famoso Harry_Potter ... e tu és a Hermione_Granger , sempre a primeira em tudo ( Hermione brilhou em um sorriso , como_se ele lhe tivesse apertado a mão ) e Ron_Weasley . Não era teu o carro voador ? Ron não sorriu . Não lhe saía de a cabeça o * gritador * . - Aquele Lockhart é o_máximo , não acham ? - disse Justin satisfeito , enquanto começavam a encher os vasos com composto de adubo de dragão . - Terrivelmente corajoso . Leram os livros de ele ? Eu teria morrido de medo se um lobisomem me tivesse encurralado em uma cabina telefónica , mas ele manteve se calmo e ... zap ... fantástico ! « Eu estava inscrito em Eton , sabem , não imaginam como estou feliz de ter vindo antes para aqui . É claro que a minha mãe ficou um_pouco desiludida , mas depois de lhe ter dado os livros de Lockhart a ler , tenho a impressão de que ela começou a ver a utilidade de ter um feiticeiro bem treinado em a família ... Depois de isso , não tiveram grandes oportunidades para conversar . Voltaram a pôr os abafos de ouvidos e era preciso concentrarem se em as Mandrágoras . A professora Sprout fizera as coisas parecerem extremamente simples , mas não eram . As Mandrágoras não gostavam de sair de a terra mas também não pareciam querer voltar para lá . Elas contorceram se , deram pontapés , agitaram as mãozinhas finas e rangeram os dentes . Harry levou dez minutos inteirinhos a tentar meter uma Mandrágora particularmente gorda dentro_de um vaso . Em o final de a aula , Harry , como todos os outros , estava a suar , cheio de dores e coberto de terra . Regressaram a o castelo a pé para um banho rápido e , em seguida , os Gryffindor apressaram se para assistir a a aula de transfiguração . As aulas de a professora Mc_Gonagall eram sempre complicadas , mas a de aquele dia era particularmente difícil . Tudo_o_que o Harry aprendera em o ano anterior parecia ter se lhe apagado de a memória durante o Verão . Ele deveria ser capaz de transformar uma barata em um botão , mas , tudo_o_que conseguiu foi fazer a barata praticar um imenso exercício , enquanto corria apressadamente por o tampo de a secretária evitando a varinha . Ron estava a debater se com problemas bastante piores . Tinha atado a varinha com uma fita mágica , mas parecia que não havia reparação possível . Não parava de crepitar e lançar faíscas em os momentos mais estranhos e , sempre_que Ron tentava transfigurar a barata , via se envolvido em um fumo cinzento espesso que cheirava a ovos podres . Incapaz de ver o que estava a fazer , o Ron esmagou , por engano , a barata com o cotovelo e teve de ir pedir que lhe dessem outra , o que deixou a professora Mc_Gonagall muito pouco satisfeita . Harry ficou aliviado quando ouviu tocar a campainha para o almoço . Sentia a cabeça como uma esponja espremida . Todos os alunos saíram em fila de a aula excepto ele e Ron que dava furiosas varadas em a secretária . - Coisa estúpida e inútil . - Escreve a os teus pais a pedir outra - sugeriu Harry , enquanto a varinha disparava com estrondo um foguete explosivo . - Ah pois , e receber outro * gritador * em a volta de o correio - respondeu Ron , metendo a varinha que já assobiava , dentro de o saco . - * _ A culpa é toda tua se a varinha está estragada * ... Desceram para o almoço e aí a disposição de o Ron não iria melhorar com Hermione a mostrar lhe uma mão-cheia de botões de casaco , perfeitinhos , que produzira em a transfiguração . - O que temos esta tarde ? - quis saber Harry , mudando rapidamente de assunto . - Defesa contra as artes negras - disse Hermione , sem perder tempo . - Porque é_que tu ... - perguntou Ron , pegando em o horário de ela - desenhaste corações em volta de as aulas de o Lockhart ? Hermione arrancou lhe o horário de as mãos , corando furiosa . Acabaram de almoçar e foram para o pátio carregado de nuvens . Hermione sentou se em um degrau de pedra e enfiou de_novo o nariz em as * _ Viagens com Vampiros * . Harry e Ron ficaram a falar de Quidditch durante alguns minutos antes de Harry se aperceber de que estava a ser observado de perto . Olhando para_cima viu o rapazinho pequenino com cabelo de rato que ele vira experimentar o chapéu seleccionador em a noite anterior , olhando para ele com uma expressão petrificada . Estava agarrado a o que parecia ser uma vulgar máquina fotográfica de os Muggles e , em o momento em que Harry olhou para ele , ficou todo vermelho . - Tudo bem , Harry ? Eu sou Colin_Creevey - disse , faltando lhe o ar e adiantando se a qualquer pergunta . - Estou em os Gryffindor também . Não te importavas que eu tirasse uma fotografia ? - perguntou , levantando a máquina cheio de expectativa . - Uma fotografia ? - repetiu Harry , inexpressivo . - Para eu provar que te conheci - disse Colin_Creevey cheio de ansiedade , continuando : - Eu sei tudo a teu respeito . Toda_a_gente me tem contado como sobreviveste quando O_Quem nós sabemos tentou matar te , como ele desapareceu depois de isso e como ficaste com a cicatriz em forma de relâmpago em a testa ( os seus olhos procuraram a linha de cabelo de Harry ) e um rapaz de o meu dormitório disse que se eu revelasse o filme em a posição certa ele mexia . - Colin respirou fundo , estremecendo de excitação e disse : - Isto_é fantástico , aqui , não achas ? Eu não sabia que todas_as coisas estranhas que fazia eram magia até a o dia em que recebi uma carta de Hogwarts . O meu pai é leiteiro . Também ele não queria acreditar . Por isso estou a tirar montes de fotografias para lhe mandar e era mesmo bom se tivesse uma tua - parecia implorar . - Talvez o teu amigo pudesse tirá a e assim eu ficava a o teu lado . E depois , podias assiná a ? - Assinar fotografias ? Estás a dar fotos autografadas , Potter ? Alta e mordaz , a voz de Draco_Malfoy ecoou em o pátio . Estava parado mesmo atrás_de Colin , ladeado , como sempre andava em Hogwarts , por os seus fortes guarda-costas Crabbe e Goyle . - Ei gente , façam bicha - gritou Malfoy a a multidão . - Harry_Potter está a dar fotos autografadas ! - Não estou coisa nenhuma - disse Harry , zangado , com os punhos em o ar . - Cala a boca , Malfoy . - Tu tens é inveja - começou a dizer Colin , cujo corpo era de o tamanho de o pescoço de Crabbe . - Inveja - repetiu Malfoy que não precisava de gritar mais , metade de o pátio estava a ouvi o . - De quê ? Não preciso de uma cicatriz em a cabeça , muito obrigado . Não acho que ter um corte em a testa torne alguém especial . Crabbe e Goyle riram estupidamente - Vai pastar caracóis , Malfoy - disse o Ron furioso . Crabbe parou de rir e começou a esfregar os nós de os dedos enormes de uma forma ameaçadora . - Tem cuidado , Weasley - escarneceu Malfoy . - Com certeza não queres começar uma rixa ou a tua mãezinha tem de vir cá para te tirar de a escola - e com uma voz aguda e penetrante : - * _ Se voltas a pisar o risco * ... Um grupo de alunos de o quinto ano de os Slytherin que estava ali perto , riu se bastante alto . - O Weasley gostaria de ter uma foto tua autografada , Potter - escarneceu de_novo Malfoy . - Era capaz de valer mais do_que a casa onde ele mora com a família . Ron sacou de a sua varinha amarrada com fita , mas Hermione fechou as * Viagens com Vampiros * com um estrondo e avisou : - Atenção . - O que é isto , o que é isto ? - Gilderoy_Lockhart aproximava se com o seu manto azul-turquesa girando em torvelinho atrás de ele . - Quem está a dar fotos autografadas ? Harry ia começar a explicar , mas foi interrompido quando Lockhart lhe pôs jovialmente o braço em cima de os ombros . - Mas que pergunta a minha ! Cá estamos nós de_novo , Harry ! Preso ao_lado_de Lockhart e a arder de humilhação , Harry viu Malfoy deslizar com o seu sorriso desdenhoso por o meio de a multidão . - Vamos lá então , Mr._Creevey - disse Lockhart , dirigindo se a Colin . - Uma foto dupla , já viu a sua sorte ? E assinamos a os dois para si . Colin ajustou a máquina e tirou a fotografia em o preciso momento em que a campainha tocava para as aulas de a tarde . - Está em a hora , todos para dentro - gritou Lockhart a a multidão e regressou a o castelo levando a o seu lado o Harry que só lamentava não conhecer um feitiço que o fizesse desaparecer . - Uma palavra só , Harry - disse Lockhart paternalmente , enquanto entravam em o edifício por uma porta lateral . - Eu ajudei te há bocado com o jovem Creevey porque se ele estivesse a fotografar me também a mim os teus colegas não reparariam tanto que estavas a exibir te ... Indiferente a a gaguez de Harry , Lockhart arrastou o para um corredor ladeado de alunos que os olhavam espantados e subiram uma escada . - Deixa me só dizer te uma coisa : dar fotografias autografadas em esta fase de a tua carreira , francamente , não é sensato , Harry , parece um_pouco megalómano . Pode ser que um dia mais tarde , tal_como eu , sejas obrigado a assinar para multidões onde quer que vás , mas - fez uma pequena pausa - não me parece que seja o caso , por enquanto . Tinham chegado a a aula de Lockhart e ele largou finalmente o Harry que sacudiu a túnica e foi sentar se em um lugar bem lá atrás onde começou por empilhar os livros de Lockhart a a sua frente para evitar olhar para a criatura . O resto de a aula entrou ruidosamente e Ron e Hermione foram sentar se um de cada lado de Harry . - Tu estavas vermelho como um pimentão - disse o Ron . - Reza para que o Creevey não se torne amigo de a Ginny senão bem podem criar o clube de * fans * de Harry_Potter . - Cala a boca - interrompeu Harry . A última coisa que desejava era que o Lockhart ouvisse a expressão « clube de * fans * de Harry_Potter « . Quando todos estavam em os seus lugares , Lockhart pigarreou alto e fez se silêncio . Ele inclinou se para a frente , pegou em o exemplar de Neville_Longbottom de * _ viagens com Duendes * e levantou o para mostrar a sua fotografia a piscar os olhos em a capa . - Eu - disse apontando para a fotografia e piscando também os olhos - Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , terceiro ano , membro honorário de a Liga_de_Defesa contra as artes negras e cinco vezes vencedor de o prémio de o * _ Feiticeiro de a semana * por o sorriso mais charmoso . Mas não vamos falar de isso , não venci a fada carpideira de Bandon a sorrir para ela ! Esperou que eles se rissem . Alguns alunos sorriram timidamente . - Já vi que todos vocês compraram a minha obra completa . Muito bem . Pensei começar hoje com um pequeno interrogatório escrito . Nada de complicado , só para perceber se leram bem os meus livros e o que apreenderam ... Depois de distribuir as folhas de teste voltou se para os alunos e disse : - Têm trinta minutos . Comecem já . Harry olhou para o papel e leu : *1 . Qual é a cor preferida de Gilderoy_Lockhart ? *2 . Qual é a ambição secreta de Gilderoy_Lockhart ? *3 . Qual é , em a sua opinião , a maior realização de Gilderoy_Lockhart até a o momento ? * E_por_aí adiante , ao_longo_de três páginas , terminando com : *54 . Qual é o dia de aniversário de Gilderoy_Lockhart e qual seria o seu presente preferido ? * Meia_hora mais tarde , Lockhart recolheu os pontos e folhou os rapidamente em frente de os alunos . - Tut , tut , quase ninguém se lembrou que a minha cor preferida é o lilás . Eu digo o em * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves * . Alguns precisam de voltar a ler com mais cuidado * Fim-de - _ Semana com Um Lobisomem * . Eu afirmo claramente em o décimo segundo capítulo que o meu presente de aniversário preferido seria a harmonia entre todos os seres , mágicos e não mágicos , embora não me importasse de receber uma garrafa grande de * whisky * velho de a Ogden's_Old_Firewhisky . Piscou lhes o olho de_novo . Ron olhava para Lockhart com uma expressão de incredulidade em o rosto . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas que estavam sentados a a frente tremiam de tanto conter o riso . Hermione , contudo , ouvia Lockhart com extrema atenção e deu um salto quando ouviu o seu nome . - Mas Miss_Hermione_Granger sabia que a minha ambição secreta era libertar o mundo de o mal e pôr a a venda a minha gama de poções de tratamento de o cabelo . Muito bem - voltou o papel . - Nota máxima ! Onde está Miss_Hermione_Granger ? Hermione ergueu uma mão trémula . - Excelente - bradou Lockhart , exultante . - Leva dez pontos para os Gryffindor . E vamos a o trabalho . Baixou se atrás de a secretária e pegou em uma grande gaiola coberta . - Ficam desde_já a saber , a minha função é preparar vos contra as criaturas mais malignas que a feitiçaria conhece . Vocês podem ter que enfrentar os maiores medos em esta sala . Saibam que nenhum mal vos sucederá comigo aqui . Só vos peço que se mantenham calmos . Ultrapassando os seus sentimentos , Harry espreitou através de a pilha de livros para ver melhor a gaiola . Lockhart colocou uma mão em a tampa . Dean e Seamus tinham deixado de se rir . Neville estava agachado em o seu lugar de a fila de a frente . - Vou pedir vos que não façam barulho - disse Lockhart em voz baixa . - Podem assustá os . Enquanto a aula inteira continha a respiração , Lockhart tirou a cobertura . - Sim - disse em um tom dramático . - Duendes_da_Cornualha recém-capturados . Seamus_Finnigan não conseguiu controlar se . Soltou uma gargalhada que nem Lockhart poderia confundir com um grito de terror . - Sim ? - sorriu a Seamus . - Bem , eles não são , não são perigosos , pois não ? - perguntou a rir . -- Não tenhas tanta certeza de isso - afirmou Lockhart , aborrecido , abanando um dedo , em direcção a Seamus . - Podem ser maçadores e muito traiçoeiros . Os duendes eram de um azul-eléctrico e tinham cerca de vinte centímetros de altura com feições angulosas e umas vozes tão estridentes que era como ouvir uma discussão entre araras . Logo_que o pano foi retirado , começaram a fazer uma enorme algazarra , a andar de um lado para o outro , batendo em as grades e fazendo caretas a as pessoas que estavam mais perto . - Muito bem - disse Lockhart em voz alta . - Vamos então ver o que vocês conseguem fazer de eles - e abriu a gaiola . Foi um pandemónio . Os duendes dispararam em todas_as direcções como foguetes . Dois de eles agarraram o Neville por as orelhas e levantaram o a o ar . Vários outros foram direitos a a janela , fazendo chover vidros partidos até a a fila de trás . Os restantes decidiram destruir a sala com maior eficácia do_que um rinoceronte em fúria . Agarraram em os tinteiros e salpicaram tudo em volta , rasgaram a os bocados livros e papéis , arrancaram os quadros de as paredes , levantaram a o ar a gaiola vazia , agarraram livros e sacos e lançaram nos por a janela de vidros estilhaçados . Em poucos minutos , metade de a aula estava abrigada debaixo de as secretárias e o Neville pendurado em o candelabro de o tecto . - Vamos lá , agarrem nos , agarrem nos , são apenas duendes ... - gritava Lockhart . Arregaçou as mangas , bramiu a varinha e pronunciou * Peshipiksi_Pesternomi ! * As palavras não tiveram o menor efeito . Um de os duendes pegou em a varinha de Lockhart e atirou a também por a janela fora . Lockhart engoliu em seco e mergulhou debaixo de a secretária , não sendo , por um triz , esmagado por o Neville que caiu um segundo depois , quando o candelabro cedeu . A campainha tocou e houve uma louca precipitação para a porta . Em a calma relativa que se seguiu , Lockhart endireitou se , olhou para Harry , Ron e Hermione que estavam quase a chegar a a porta e disse : - Bem , vou pedir vos a os três que prendam o resto de os duendes em a gaiola - passou por eles e fechou rapidamente a porta atrás_de si . - Isto dá para acreditar ? - resmungou o Ron , enquanto um de os duendes lhe mordia com toda_a força uma de as orelhas . - Ele só quer dar nos uma ajuda , permitindo nos ganhar experiência - justificou Hermione , imobilizando dois duendes de uma_vez com um encantamento de paralisação e metendo os de_novo em a gaiola . - Experiência ? - disse Harry , tentando agarrar um duende que dançava com a língua de_fora . - Hermione , ele não sabia nada do_que estava a fazer . - Disparate - retorquiu Hermione . - Leste os livros de ele . Vê só as coisas que ele já fez ! - Que diz que fez - resmungou o Ron . VII_Sangue de lama e murmúrios Harry passou imenso tempo , em os dias que se seguiram , a fugir sempre_que via Gilderoy_Lockhart aproximar se em o corredor . Mais difícil de evitar era Colin_Creevey que parecia ter decorado o horário de Harry . Parecia que nada o emocionava mais do_que dizer : - Tudo bem , Harry ? - seis ou sete vezes por dia e ouvir : - Olá , Colin - por mais exasperado que Harry estivesse quando lhe respondia . A Hedwig ainda estava zangada com Harry por causa de a desastrosa viagem de automóvel e a varinha de o Ron continuava a não funcionar , tendo ultrapassado tudo em a sexta-feira de manhã quando lhe saltou de as mãos em a aula de encantamentos e foi agredir o velho e baixinho professor Flitwick mesmo entre os olhos , deixando uma enorme bolha latejante em o sítio onde tinha batido . Por tudo_isso Harry via chegar , com satisfação , o fim_de_semana Planeava ir em o Sábado de anhã , com Ron e Hermione visitar o Hagrid . Mas foi acordado várias horas mais cedo do_que desejaria por Oliver ood , treinador de a equipa de Quidditch_dos_Gryffindor . - _ o que é_que se passa ? - perguntou Harry , enrolando as palavras . - Treino_de_Quidditch - disse Wood . - Vamos embora . Harry lançou um olhar de esguelha a a janela . Uma neblina fina pairava em o céu rosa e dourado . Agora_que estava acordado não percebia como pudera dormir com a algazarra que os pássaros faziam . - Oliver resmungou Harry . - É de madrugada . - Exacto - respondeu Wood . Era um rapaz alto e corpulento de o sexto ano e em aquele momento os olhos brilhavam lhe loucamente de entusiasmo . - Faz parte de o nosso novo programa de treinos . Anda lá , vai buscar a vassoura e vamos embora - insistiu Wood empenhado . - Nenhuma de as outras equipas começou ainda a treinar . Vamos ser os primeiros este ano ... A bocejar e a tremer um_pouco , Harry saltou de a cama e tentou descobrir as suas túnicas de Quidditch . - Bem , encontramo nos em o campo , dentro_de quinze minutos . Depois de descobrir a sua roupa escarlate de equipa e pôr o manto por cima para se aquecer , Harry escreveu a o Ron um bilhete a explicar onde tinha ido e desceu por a escada de espiral para a sala comum com a sua Nimbos dois inil a o ombro . Tinha acabado de chegar junto de o buraco de o retrato quando ouviu um barulho atrás_de si e viu Colin_Creevey descer a escada de espiral com a máquina fotográfica pendurada a o pescoço a balouçar como louca e uma coisa em a mão . - Ouvi alguém chamar o teu nome em as escadas , Harry olha o que tenho aqui . Revelei a e queria mostrar te . Harry olhou assombrado para a fotografia que Colin lhe espetava em frente de o nariz . Um Lockhart a preto e branco movia se , puxando com toda_a força um braço que Harry reconheceu como sendo o seu . Ficou satisfeito a o constatar que estava a resistir bastante bem , recusando se a ser trazido para a vista de todos . Enquanto Harry observava , Lockhart desistiu e desinteressou se de lutar contra a parte branca de a fotografia . - Assinas para mim ? - pediu Colin entusiasmado . - Não - respondeu secamente Harry , olhando em volta para verificar se o caminho estava livre . - Desculpa_Colin , mas estou cheio de pressa , treino de Quidditch . Passou por o buraco de o retrato . - Oh Uau ! Espera por mim . Eu nunca vi um jogo de Quidditch . Colin trepou por o buraco de o retrato atrás de ele . - Vai ser uma chatice para ti - disse Harry rapidamente , mas Colin ignorou o comentário . Todo o seu rosto brilhava de satisfação . - Tu foste o jogador mais novo de a equipa em cem anos , não foste Harry ? Não foste ? - perguntava Colin , trotando para o acompanhar . - Deve ser fantástico . Eu nunca voei . É fácil ? Essa vassoura é a tua ? É a melhor que há ? Harry não sabia como ver se livre de ele . Era como ter uma sombra que não se calava . - Eu não percebo nada de Quidditch - disse Colin , já sem fôlego . - É verdade que há quatro bolas ? E que duas anda n a voar , tentando fazer os jogadores caírem de as vassouras ? - Sim - disse Harry lentamente , resignado com o ter de lhe explicar as complicadas regras de o Quidditch . - São as * bludgers * . Há dois * beaters * em cada equipa que têm bastões para bater em as * bludgers * e lançá as para o outro lado . O Fred e o George_Weasley são os * beaters * de os Gryffindor . - E para que servem as outras bolas ? - perguntou Colin , saltando uma série de degraus porque ia a olhar para o Harry de boca aberta . - Bem , a * quaffle * , que é a vermelha grandalhona , é a que marca os golos . Três * chasers * em cada equipa lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam fazes a entrar em as balizas que ficam em o extremo de o campo onde há três grandes postes com argolas em as pontas . - E a quarta bola ? - A * snitch * dourada - explicou Harry . - É muito pequenina e veloz e extremamente difícil de agarrar . Mas é isso que o * seeker * tem de fazer , porque o jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * for agarrada . E o * seeker * que conseguir agarrá a ganha para a sua equipa mais cento_e_cinquenta pontos . - E tu és o * seeker * de os Gryffindor , não és ? - perguntou Colin respeitosamente . - Sim - disse Harry enquanto saíam de o castelo e começavam a atravessar o relvado . - E há também o * keeper * que toma conta de os postes . É isto . Mas Colin não parou de fazer perguntas desde os relvados macios até a o campo de Quidditch e Harry só se viu livre de ele quando chegaram a os vestiários . Colin gritou em uma voz aguda : - Eu vou arranjar um lugar , Harry - e apressou se em direcção a as bancadas . O resto de a equipa de os Gryffindor já se encontrava em os vestiários . Wood era o único que tinha aspecto de estar bem acordado . Fred e George_Weasley estavam sentados com olhos de sono e cabelos desgrenhados junto de Alicia_Spinnet de o quarto ano que parecia inclinar se contra a parede que tinha atrás_de si . Os seus companheiros * chasers * , Katie_Bell e Angelina_Johnson bocejavam em frente de ela . - Até que enfim , Harry , porque é_que demoraste tanto ? - perguntou Wood cheio de actividade . - Eu queria ter uma pequena conversa convosco antes de entrarmos propriamente em campo porque passei o Verão a conjecturar um novo programa de treinos que acredito vai estabelecer grandes mudanças . Wood tinha em as mãos um grande mapa de um campo de Quidditch onde estavam desenhadas muitas linhas , setas e cruzes a tinta de várias cores . Pegou em a varinha , bateu com ela em o quadro e as setas começaram a mover se em o mapa como tractores . Enquanto Wood se lançava em um discurso sobre as suas novas técnicas , a cabeça de Fred_Weasley caiu sobre o ombro de Alicia_Spinnet e ele começou a ressonar . O primeiro mapa levou quase vinte minutos a explicar , mas debaixo de esse havia outro e ainda um terceiro . Harry caiu em uma letargia enquanto Wood continuava indefinidamente . - Então - disse por fim o treinador , arrancando Harry de a avidez de uma fantasia sobre o que poderia estar a comer se se encontrasse em aquele momento em o castelo . - Ficou tudo claro ? Alguma pergunta ? - Eu tenho uma pergunta , Oliver - disse George que acordou estremunhado . - Porque não nos explicaste tudo_isso ontem , quando estávamos acordados ? Wood não ficou nada satisfeito . - Ouçam bem , vocês todos - disse , voltando se para eles mal-humorado . - Nós deveríamos ter ganho a taça de Quidditch o ano passado . Somos de longe a melhor equipa , mas , infelizmente , devido_a circunstancias que estão para_além de o nosso controlo ... Harry mudou de posição em a cadeira sentindo se culpado . Estivera inconsciente em o hospital durante o campeonato final de o ano anterior o que fez com que os Gryffindor com um jogador a menos tivessem sofrido a pior derrota de os últimos trezentos anos . Wood levou um momento a controlar se . Era evidente que a última derrota ainda o torturava . - Portanto , este ano vamos fazer um treino mais duro , como nunca se fez . O. _ K. , vamos lá pôr as teorias em prática - gritou , pegando em a vassoura e conduzindo os para fora de o vestiário . Com as pernas trôpegas e ainda a bocejar , a equipa seguiu o . Tinham estado tanto tempo lá dentro que o sol já tinha nascido e brilhava em o céu embora uma réstia de neblina pairasse ainda sobre o relvado de o campo . Quando Harry entrou em campo viu Ron e Hermione sentados em as bancadas . - Ainda não acabaram ? - perguntou Ron em um tom incrédulo . - Ainda nem começamos - explicou Harry , olhando cheio de inveja para a torrada com doce de laranja que Ron e Hermione tinham trazido de o salão . - O Wood tem estado a ensinar nos as jogadas . Subiu para a vassoura e deu um pontapé em o chão , elevando se em o ar . O ar fresco de a manhã bateu lhe em o rosto fazendo o acordar com mais eficácia do_que o longo discurso de Wood . Era maravilhoso voltar a estar em o campo de Quidditch . Voou em volta de o estádio a toda a a velocidade competindo com Fred e George . - Que barulhinho estranho é aquele ? - perguntou o Fred quando deram a volta . Harry olhou para as bancadas . Colin estava sentado em um de os lugares mais altos com a máquina fotográfica em o ar , tirando fotografia sobre fotografia , o som estranhamente ampliado em o estádio deserto . - Olha para ali , Harry , para ali - gritava de forma estridente . - Quem é aquele ? - perguntou Fred . - Não faço ideia - mentiu Harry , disparando a_toda_a velocidade e distanciando se o mais possível de Colin . - O que se passa aí ? - perguntou Wood , franzindo a testa enquanto corria por os ares atrás de eles . - Porque está aquele aluno de o primeiro ano a tirar fotografias ? Não me agrada . Pode ser um espião de os Slytherin a tentar descobrir o nosso novo programa de treinos . - Ele é de os Gryffindor - disse Harry rapidamente . - E os Slytherin não precisam de um espião , Oliver - completou George . - Porque dizes isso ? - perguntou Wood irritado . - Porque estão aqui em peso - disse George , apontando com o dedo . Vários indivíduos com túnicas verdes vinham em aquele momento a entrar em o campo de vassouras em a mão . - Não posso acreditar - reagiu Wood , sentindo se ultrajado . - Eu reservei o estádio para hoje . Já vamos ver como é_que isto fica ! Wood baixou direito a o chão sendo levado por a fúria a aterrar com mais força do_que pretendia e a cambalear um_pouco quando começou a andar seguido de o Harry e de o Ron . - Flint - bradou para o treinador de os Slytherin . - Este é o nosso tempo de treino . Levantámo nos de propósito . Vocês têm de sair de aqui . Marcus_Flint era ainda mais corpulento do_que Wood . Tinha em o rosto uma expressão de duende travesso quando respondeu : - Há espaço para todos , Wood . Angelina , Alicia e Katie tinham vindo também . Em a equipa de os Slytherin não havia raparigas que enfrentassem a o lado de os rapazes os Gryffindor . - Mas eu reservei o estádio - repetiu Wood de modo afirmativo , cuspindo de raiva . - Reservei o . - Ah ! - exclamou Flint . - Mas eu tenho aqui uma licença especial assinada por o professor Snape . * _ Eu , professor Snape , autorizo a equipa de os Slytherin a praticar hoje em o campo de Quidditch devido a a necessidade de treinar o seu novo seeker . * - Têm um novo * seeker * ? - perguntou Wood perturbado . - Onde ? E detrás de as seis figuras corpulentas que tinham em a frente , viram surgir uma sétima : um rapaz mais pequeno com um sorriso afectado espelhado em o rosto pálido e anguloso . Era_Draco_Malfoy . - Não és o filho de o Lucius_Malfoy ? - perguntou Fred , olhando para ele com antipatia . - Curioso que refiras o pai de o Draco - disse Flint enquanto toda_a equipa de os Slytherin sorria de modo grosseiro . - Deixem me mostrar vos a generosa oferta que ele fez a a equipa de os Slytherin . Os sete exibiram as suas vassouras . Sete cabos novos , polidos , com inscrições em letras douradas de as palavras « Nimbus dois_mil_e_um « brilharam a o sol de a manhã , em frente de o nariz de os Gryffindor . - O último modelo . Só chegou em o mês passado - disse Flint , displicentemente , sacudindo a poeira de o cabo de a sua vassoura . - Julgo que ultrapassam de longe as velhas séries de dois_mil . Quanto a as Cleansweeps - sorriu de forma mesquinha para Fred e George que tinham ambos Cleansweep_Fives - essas já só servem para varrer . Nenhum de os Gryffindor foi capaz de abrir a boca em aquele momento . Malfoy sorria tanto que os seus olhos de gelo estavam reduzidos a duas rachas . - Oh vejam - disse Flint . - Uma invasão de o campo . Ron e Hermione atravessavam o relvado para ver o que se passava . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron a o Harry . - Porque não estão a jogar e o que faz ele aqui ? Olhava para Malfoy em as suas vestes de Quidditch . - Sou o novo * seeker * de os Slytherin , Weasley - disse Malfoy com ar presumido . - Têm estado todos a admirar as vassouras que o meu pai comprou para a nossa equipa . Ron olhou de boca aberta para as sete vassouras que tinha em a frente . - São boas , não são ? - disse Malfoy untuosamente . - Mas talvez a equipa de os Gryffindor consiga levantar algum ouro e comprar também vassouras novas . Vocês podiam levar essas Cleansweep_Fives a leilão , talvez algum museu esteja interessado . A equipa de os Slytherin riu se a bandeiras despregadas . - Pelo_menos em os Gryffindor ninguém teve de comprar a sua entrada - disse secamente Hermione . - Entraram todos por mérito próprio . O ar presumido de Malfoy desapareceu . - Ninguém pediu a tua opinião , sangue de lama - cuspiu Malfoy . Harry apercebeu se , de imediato , que Malfoy dissera algo muito grave porque houve uma tremenda algazarra em o seguimento de as suas palavras . Flint teve que se pôr a a frente de o Malfoy para evitar que Fred e George se atirassem a ele . Alicia bradou : - Como te atreves ? - E Ron meteu a mão em as vestes e sacou de a varinha mágica , gritando : - Vais pagar por o que disseste , Malfoy ! - e apontou a , furioso , por debaixo de o braço de Flint , a o rosto de Malfoy . Um enorme estrondo , ecoou em o estádio e um jacto de luz verde saiu por a extremidade errada de a varinha de Ron , atingindo o em o estômago e projectando o para trás em direcção a o relvado . - Ron ! Ron ! Estás bem ? - gritou Hermione . Ron abriu a boca para falar , mas nenhuma palavra saiu . Em vez de isso , teve um vómito imenso e várias lesmas saíram lhe de a boca , indo cair lhe em o colo . A equipa de os Slytherin ficou paralisada de riso . Flint estava dobrado , agarrado a a vassoura nova . Malfoy , a quatro , batia com o punho em a chão . Os Gryffindor rodeavam o Ron , que continuava a vomitar lesmas enormes e reluzentes . Ninguém queria tocar lhe . - É melhor levá o para_casa de o Hagrid . É o mais perto - disse Harry_a_Hermione , que acenou afirmativamente , e os dois arrastaram o Ron por os braços . - O que aconteceu , Harry ? O que aconteceu ? Ele está doente ? Mas tu podes curá o , não podes ? - Colin descera a correr de o lugar onde estava sentado e dançaricava em frente de eles , enquanto abandonavam o campo . Ron teve um novo arremesso e mais lesmas saíram de a sua boca . - Oooh ! - exclamou Colin fascinado , levantando a máquina fotográfica . - Podes mantê o quieto , Harry ? - Sai de a minha frente , Colin - gritou Harry zangado . Ele e a Hermione conseguiram levar o Ron para fora de o estádio , atravessar os campos e chegar a a beira de a floresta . - Está quase , Ron - disse Hermione , mal avistaram o casebre de o guarda de os campos . - Vais ficar bem dentro_de um minuto ... está quase ... Estavam a sessenta metros de a casa de Hagrid , quando a porta de a frente se abriu . Mas não foi Hagrid quem saiu de lá , e sim Gilderoy_Lockhart , em uma túnica cor de malva . - Rápido , vamos esconder nos aqui - sussurrou Harry , arrastando Ron para trás de um arbusto que havia ali perto . Hermione acompanhou o , embora um_pouco relutante . -- É muito simples quando se sabe o que se está fazer ! - gritava Lockhart_para_Hagrid . - Se precisar de ajuda , sabe onde estou . Vou dar lhe um exemplar de o meu livro . Espanta me que ainda não o tenha . Logo a a noite autografo o e envio lhe o . Bem . até a a próxima ! - e afastou se em direcção a o castelo . Harry esperou que Lockhart desaparecesse , antes de puxar o Ron de trás de o arbusto até a a casa de o Hagrid . Bateram ansiosamente . Hagrid apareceu logo com um ar mal-humorado , que se dissipou quando viu quem era . - Já me tinha perguntado quand'é que vocês vinham ver me , entrem , entrem , pensei qu'era outra_vez o professor Lockhart . Harry e Hermione ajudaram Ron a subir o degrau que dava acesso a a cabana de uma divisão com uma cama enorme a um de os cantos e uma lareira a crepitar alegremente em o outro . Hagrid não pareceu perturbado com o problema de as lesmas de o Ron que Harry lhe explicou precipitadamente , logo_que sentou o Ron em uma cadeira . - Melhor saírem de o qu'entrarem - disse , em um tom bem-disposto , colocando uma grande bacia de cobre em frente de ele . - Deita as todas fora , Ron . - Acho que não há mais_nada a fazer , a não ser esperar que isto pare - disse Hermione ansiosamente , vendo Ron inclinar se para a bacia . - É uma maldição muitas_vezes difícil , mas com uma varinha partida ... Hagrid andava de um lado para o outro a preparar o chá . O cão de ele , Fang , babava se em cima de o Harry . - O que é_que o Lockhart queria de ti ? - perguntou o Harry , coçando as orelhas de o Fang . - Ensinar me a tirar espíritos aquáticos com forma de cavalos d'uma nascente d'água - resmungou Hagrid , retirando de a mesa pequena um galo meio depenado e colocando em o seu lugar o bule . - Como s'eu não soubesse . E contar me uma peta qualquer d'uma fada carpideira que ele venceu . Engulo essa chaleira , se uma palavra do_que ele disse for verdade . Não era hábito de Hagrid criticar um professor de Hogwarts e Harry olhou para ele com alguma surpresa . Mas Hermione disse em uma voz mais aguda do_que de costume : - Acho que estás a ser injusto . O professor Dumbledore obviamente achou que era o melhor homem para o lugar ... - Era o único - explicou Hagrid , oferecendo lhes um prato de bombons de melaço enquanto Ron tossia para a bacia . - E não havia mais ninguém . Não é fácil encontrar quem queira dar Artes de magia negra . As pessoas não gostam de essa matéria . Começam a pensar que está amaldiçoada , ninguém ficou muito_tempo a dá a . Mas digam me lá - continuou Hagrid , inclinando a cabeça para Ron - quem é qu'ele estava a tentar amaldiçoar ? - O Malfoy chamou qualquer coisa a a Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si . - Foi grave , sim - disse o Ron com voz rouca , emergindo a a superfície de a mesa , pálido e transpirado . - O Malfoy chamou lhe sangue de lama , Hagrid . - Ron desapareceu outra_vez quando uma nova onda de lesmas fez o seu aparecimento . Hagrid estava indignado . - Não posso crer - exclamou , dirigindo se a Hermione . - Chamou sim - disse ela . - Mas eu não sei o que significa . Percebi que era má educação , claro ... - É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar - explicou Ron novamente . - Sangue de lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles , sabes , filho de pais não mágicos . Há alguns feiticeiros , como a família de o Malfoy que acham que são melhores do_que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro . - Teve um pequeno vómito e uma lesma isolada caiu lhe em a mão aberta . Ele atirou a para a bacia e continuou . -- É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma . Olha_o_Neville_Longbottom , é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito . - E ainda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer - afirmou Hagrid , orgulhoso , fazendo Hermione corar em tons de magenta . - É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém - disse o Ron , limpando o suor de a testa com a mão trémula . - Sangue sujo , sangue vulgar , é um disparate . A maior parte de os feiticeiros hoje_em_dia têm sangue misturado . Se não tivéssemos casado com Muggles tinha sido o nosso fim . Fez um esforço para vomitar e baixou se mais_uma_vez . - Bem , não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá o , Ron - disse Hagrid bem alto enquanto montes de lesmas caíam em a bacia . - Mas , se_calhar , não foi mau de todo teres a varinha a trabalhar ao_contrário . Acho que Lucius_Malfoy teria vindo logo a correr a a escola se tivesses amaldiçoado o filho . Assim , pelo_menos , não estás metido em nenhum sarilho . Harry teria referido que o problema não podia ser pior do_que deitar lesmas por a boca , mas não pôde . Os bombons de melaço tinham lhe colado os maxilares um_ao_outro . - Harry - disse de repente Hagrid como_que movido por um pensamento súbito . - Tens de me explicar uma coisa . Ouvi dizer que tens andado a dar fotografias autografadas . Porque é qu'eu não tenho nenhuma ? A fúria de Harry foi tão grande que os maxilares se libertaram . - Eu não tenho dado fotografias autografadas - disse com vivacidade . Se o Lockhart andou a espalhar isso ... Mas em esse momento viu que Hagrid se estava a rir . - ´ _ tou a brincar - disse , dando uma palmadinha em as costas de Harry e fazendo lhe sinal para se sentar a a mesa . -- Eu sabia que não tinhas . Disse a o Lockhart que tu não precisavas de isso . Es mais famoso do_que ele sem sequer , tentares . - Aposto que ele não gostou de ouvir isso - comentou Harry , sentando se e esfregando o queixo . - Acho que não gostou mesmo - prosseguiu Hagrid com os olhinhos a brilhar . - E disse lhe também que nunca tinha lido nenhum de os livros de ele e ele foi se embora . Um bombom de melaço , Ron ? - perguntou a o vê o reaparecer . - Não , obrigado - disse o Ron com uma voz fraca . - É melhor não arriscar . - Venham ver o qu'eu tenho estado a criar - disse Hagrid quando Harry e Hermione acabaram de tomar o chá . Em a pequena horta atrás de a casa estava uma_dúzia de as maiores abóboras que Harry alguma vez vira . Pareciam enormes blocos de pedra . - Estão a dar se bem , não achas ? - disse Hagrid , feliz . São para a festa de o * _ Hallow'en * . Devem estar bem grandes quando chegar a altura . - O que é_que lhes tens dado como alimento ? - perguntou Harry . Hagrid olhou por cima de o ombro para confirmar se estavam sós . - Bem , tenho estado a dar lhes ... uma pequena ajuda . Harry reparou em o guarda-chuva cor-de-rosa a as florzinhas que estava encostado contra a parede de a cabana . Tivera em o ano anterior motivos para crer que aquele guarda-chuva não era o que parecia . De facto , acreditava que a antiga varinha de escola de Hagrid se encontrava oculta dentro de ele . Hagrid não tinha autorização para usar magia . Fora expulso de Hogwarts em o terceiro ano embora Harry nunca tivesse descoberto o motivo . Qualquer referência a esta questão fazia Hagrid pigarrear bem alto e ficar misteriosamente surdo até mudarem de assunto . -- Um encantamento de absorção , imagino ? - comentou Hermione entre a desaprovação e o divertimento . - Bem , se assim foi , fizeste um bom trabalho . - Foi o que disse a tua irmãzinha - respondeu Hagrid acenando em direcção a Ron . - Encontrei a ontem . - Hagrid olhou de lado para Harry , a barba a contorcer se . - Disse que andava só a ver os campos , mas eu acho qu'ela esperava encontrar alguém em a minha casa - piscou o olho a o Harry . - Se queres que te diga acho qu'ela não recusaria uma fotografia autogr ... - Cala te com isso - disse Harry . Ron desatou a rir e o chão ficou cheio de lesmas . - Cuidado - resmungou Hagrid , afastando Ron de as suas preciosas abóboras . Estava quase em a hora de o almoço e , como o Harry só tinha provado um bombom de melaço desde manhã cedo , estava ansioso por chegar a a escola para ir comer . Despediram se de o Hagrid e regressaram a o castelo . O Ron a vomitar de vez em quando , mas deitando só duas pequenas lesmas . Mal tinham pisado a entrada de o vestíbulo quando ouviram uma voz . - Aí estão vocês , Potter , Weasley . - A professora Mc_Gonagall vinha em direcção a eles com o seu ar severo . - Vocês os dois vão ter as punições hoje a a tarde . - O que é_que vamos fazer , professora ? - perguntou o Ron nervoso , deixando cair uma lesma . - Tu vais limpar as pratas em a sala de os troféus com Mr._Filch - disse a professora Mc_Gonagall . - E nada de mágicas , Weasley , trabalho com esforço . Ron engoliu em seco . Argus_Filch , o encarregado , era odiado por todos os alunos de a escola . - E tu , Potter , vais ajudar o professor Lockhart a responder a as cartas de as suas fãs - ordenou a professora Mc_Gonagall . - Oh , não ! Não posso ir também trabalhar em a sala de os troféus ? - pediu Harry em desespero de causa . - Nem pensar em isso - respondeu a professora Mc_Gonagall , erguendo as sobrancelhas . - O professor Lockhart requisitou te especialmente a ti . _ a as oito_em_ponto , os dois . Harry e Ron entraram em o salão em um estado de profundo desanimo com a Hermione atrás , ostentando uma expressão de * bem-voces-quebraram-as-regras-da-escola * . Harry não saboreou o empadão de carne como teria desejado . Tanto ele como o Ron achavam que tinham tido o pior de os castigos . -- O Filch vai reter me lá toda_a noite - disse Ron , desanimado . - Sem mágica ! Deve haver umas cem taças em aquela sala , eu não sei fazer limpeza de Muggles . - Eu trocava contigo de boa_vontade - confessou Harry em uma voz surda . - Tive montes de prática com os Dursleys . Responder a o correio de fãs de o Lockhart , que pesadelo ... A tarde de sábado pareceu derreter se . Pouco depois eram já cinco para as oito e Harry arrastava se até a o corredor de o segundo andar onde ficava o escritório de o Lockhart . Rangendo os dentes , bateu a a porta . A porta abriu se imediatamente e Lockhart dirigiu se lhe . - Ah , cá está o patifório ! - exclamou . - Entra , Harry , entra . Em as paredes , brilhando à_luz_de muitas velas , podia ver se uma infinidade de fotografias de Lockhart . Algumas de elas até assinadas . Sobre a secretária estava outro monte enorme . - Podes pôr as moradas em os envelopes - disse Lockhart_a_Harry , como_se fosse uma grande ameaça . - O primeiro é para Gladys_Gudgeon , abençoada seja , uma grande fã minha . Os minutos passavam lentos . De vez em quando , Harry ouvia a voz de Lockhart dizendo : - Mmm - e - certo - e - sim . - De vez em quando , apanhava uma frase como : - A fama é versátil , amigo Harry - ou - Só é célebre quem faz por isso , nunca te esqueças . As velas ardiam cada_vez com maior lentidão , fazendo a luz dançar sobre as muitas caras de Lockhart que o olhavam . Harry passava a mão , já dorida , sobre o que devia ser o centésimo envelope , escrevendo a morada de Verónica_Smethley . « Deve estar quase em a hora de me ir embora » , pensou , sentindo se profundamente infeliz , « por favor , faz com que esteja em a hora ... » E então ouviu algo , algo totalmente diferente de o crepitar de as velas e de os ditos de Lockhart sobre as suas fãs . Era uma voz , uma voz de arrepiar os ossos , de cortar a respiração , de veneno frio . - * _ Vem ... vem ter comigo ... deixa me rasgar te ... cortar te ... matar te * ... Harry deu um salto e uma enorme mancha lilás surgiu em a rua de Verónica_Smethley . - O quê ? - disse ele em voz alta . - Eu sei - exclamou Lockhart . - Seis meses inteirinhos em o topo de a lista de * bestsellers * , bati todos os recordes ! - Não - disse Harry nervosíssimo - aquela voz ! - Como ? - perguntou Lockhart , com um ar confuso . - Que voz ? - Aquela , aquela voz que disse ... não ouviu ? Lockhart olhava para Harry com o maior espanto . - De que é_que estás a falar , Harry ? Estás a ficar com sono ? Meu Deus , olha , só estamos aqui há quase quatro horas , quem diria ? O tempo passou a correr , não é verdade ? Harry não respondeu , estava a fazer um esforço para ouvir de_novo a voz , mas o único som que ouviu foi Lockhart a dizer lhe que não esperasse um tratamento igual de as próximas vezes que fosse castigado . Harry saiu , sentindo se atordoado . Era tão tarde que a sala comum de os Gryffindor estava quase vazia . Harry foi directamente para o dormitório . Ron ainda não tinha voltado . Vestiu o pijama , meteu se em a cama e esperou . Meia_hora mais tarde , chegou o Ron agarrado a o braço direito e inundando o quarto escuro de um forte cheiro a limpa-pratas . - Doem me todos os músculos - resmungou , metendo se em a cama . - Ele fez me polir catorze vezes aquela taça de Quidditch até estar satisfeito . E depois tive outro vómito em_cima_de um troféu de Reconhecimento por serviços prestados a a escola . Demorei séculos a limpar o muco de as lesmas . Como correram as coisas com o Lockhart ? Em voz baixa para não acordar o Neville , o Dean e o Seamus , Harry contou lhe , palavra por palavra , o que tinha ouvido . - E Lockhart disse que não ouviu nada ? - perguntou o Ron . Harry viu o franzir a testa , a a luz de o luar . - Achas que estava a mentir ? Mas , não percebo , mesmo um ser invisível teria aberto a porta . - Eu sei - disse Harry , encostando se a a cama e olhando para o dossel . - Também não compreendo . VIII_A festa de o dia de os mortos Outubro chegou , espalhando um frio húmido por os campos e por os cantos de o castelo . Madam_Pomfrey , a enfermeira-chefe , esteve bastante ocupada com uma onda de constipações que afectou professores e alunos . A sua poção de pimentão entrou imediatamente em acção apesar_de deixar quem a tomava com fumo em os ouvidos durante várias horas . Ginny_Weasley , que andava com ar adoentado , foi convencida a tomá a por o Percy . O fumo que saía por debaixo de o seu cabelo ruivo dava a impressão de que toda_a cabeça estava em fogo . Gotas de chuva de o tamanho de balas agrediram as janelas de o castelo durante dias a fio . O lago rosado e os canteiros de flores tornaram se regatos lamacentos e as abóboras de o Hagrid incharam ficando de o tamanho de alpendres de jardim . Contudo , o entusiasmo de Oliver_Wood por as sessões de treino regular não foi abalado , motivo por o qual Harry iria regressar a a torre de os Gryffindor , em um sábado a a tarde de temporal , alguns dias antes de o * _ Hallowe'en * , ensopado até a os ossos e todo enlameado . Além de a chuva e de o vento , não fora um treino feliz . Fred e George que tinham andado a espiar a equipa de os Slytherin tinham visto com os seus próprios olhos a velocidade alucinante de aquelas novas Nimbus dois_mil_e_um e comentaram que a equipa em o ar parecia composta por sete manchas esverdeadas que disparavam a_toda_a velocidade como aviões a jacto . Enquanto Harry chapinhava a o longo de o corredor deserto , cruzou se com alguém que parecia tão preocupado como ele : Nick quase sem cabeça , o fantasma de a torre de os Gryffindor que olhava taciturno , por a janela , murmurando baixinho : - Não preenche os requisitos , um centímetro e meio se ... - Olá , Nick - cumprimentou Harry . - Olá , olá - disse o Nick quase sem cabeça , começando a olhar em volta . Usava um arrebatado chapéu de plumas sobre a longa cabeleira encaracolada e uma túnica com gola de tufos que disfarçava o facto de ter o pescoço quase totalmente separado de o corpo . Era pálido como o fumo e Harry podia ver através de ele o céu negro e a chuva torrencial , lá fora . - Pareces preocupado , jovem Potter - disse Nick , dobrando uma carta transparente , enquanto falava e escondendo a dentro de a jaqueta . - Tu também - retorquiu Harry . - Ah ! - o Nick quase sem cabeça acenou com a mão de forma elegante . - Uma questão sem importância . Não é_que eu quisesse realmente participar apesar_de me ter inscrito , mas , a o que parece , não preencho os requisitos . - Apesar de o seu tom jovial havia em o seu rosto uma grande amargura . - Mas era de esperar , ou não era - exclamou subitamente , tirando a carta de o bolso - que ter levado quarenta_e_cinco golpes em a cabeça com um machado ferrugento me qualificaria para entrar em o grupo de os Sem - _ Cabeça ? - Sim , sim - respondeu Harry que obviamente o outro esperava que concordasse . - Isto_é , ninguém mais do_que eu desejaria que tudo tivesse sido rápido e perfeito , poupava me muitas dores e ridículo . Mas ... O Nick quase sem cabeça abriu , furioso , a carta e leu : * _ Só podemos aceitar em o grupo homens cuja cabeça tenha sido separada de o corpo . Compreenderá que de outro modo seria impossível a os nossos membros participarem em actividades como equitação de malabarismos com a cabeça e pólo de cabeça . Lamentamos profundamente informá o de que não preenche os requisitos . * _ Os nossos melhores cumprimentos , Sir_Patrick_Delaney - _ Podmore * Furioso , o Nick quase sem cabeça atirou fora a carta . - Um centímetro de pele e tendões a segurarem me a cabeça , Harry ! A maior parte de as pessoas acharia que era mais do_que o suficiente , mas não serve para o senhor correctamente decapitado Podmore . Nick quase sem cabeça respirou fundo várias vezes e , por fim , em um tom bastante mais calmo perguntou : - Então o que é_que te preocupa ? Alguma coisa que eu possa fazer por ti ? - Não - respondeu Harry . - A_não_ser_que saibas onde posso arranjar sete Nimbus dois_mil_e_um , de_graça , para o nosso campeonato contra os Sly ... - o resto de a frase foi afogada por um miado agudo vindo de perto de os seus tornozelos . Olhou para baixo e deu consigo a fitar um par de olhos que pareciam duas lâmpadas amarelas . Era_Mrs._Norris , a gata cinzenta e esquelética usada por o encarregado Argus_Filch como uma espécie de polícia em a sua infindável batalha contra os estudantes . - É melhor saíres de aqui , Harry - preveniu Nick com toda_a calma . - O Filch não está nada bem-disposto . Anda engripado e alguns alunos de o terceiro ano , por acidente , encheram o tecto de o calabouço cinco de miolos de rã . Ele tem andado toda_a manhã a limpar e se te vê a encher tudo de lama ... - Certo - disse Harry , recuando e afastando se de o olhar acusador de Mrs._Norris , mas ... tarde de mais . Conduzido até ali por o misterioso poder que parecia ligá o a a gata , Argus_Filch entrou subitamente por uma tapeçaria que se encontrava a a direita de Harry , com a sua respiração asmática , olhando vivamente em volta em busca de o infractor . Tinha um lenço grosso , de xadrez , a a volta de a cabeça e o nariz invulgarmente arroxeado . - Imundície - gritou com os maxilares a tremer e os olhos a saltarem lhe de as órbitas , enquanto apontava para a poça de lama que pingara de a túnica de Quidditch_de_Harry . - Desarrumação e imundície em todo o lado . Estou farto disto , segue me , Potter . Harry despediu se de o Nick quase sem cabeça com um tímido aceno e seguiu Filch até lá abaixo , duplicando o número de pegadas lamacentas em o chão . Nunca entrara em o gabinete de o Filch . Era um lugar que a maior parte de os estudantes evitava . A divisão era sombria e sem janelas , iluminada por uma única lamparina de óleo que pendia de o tecto . Sentia se um vago cheiro a peixe frito . As paredes estavam forradas por ficheiros de madeira . Por as etiquetas Harry percebeu que continham os dados de todos os alunos que Filch tinha punido . Fred e George_Weasley tinham uma gaveta só para eles . Atrás de a secretária estava pendurada uma colecção bem polida de correntes e algemas . Todos sabiam que ele estava sempre a pedir a Dumbledore que o deixasse pendurar os alunos em o tecto por os tornozelos . Filch pegou em uma pena que estava sobre a secretária e começou a procurar o pergaminho . - Bosta - murmurou , furioso . - Bosta de dragão , miolos de rã , intestinos de ratazana ... eu tinha aqui bastante , onde está o form ... sim ... Tirou um enorme rolo de pergaminho de a gaveta de a secretária e estendeu o em a frente , molhando a longa pena em o tinteiro . - Nome : Harry_Potter . Crime ... - Foi só um bocadinho de lama - disse Harry . - É só um bocadinho de lama para ti , rapaz , mas para mim é mais de uma hora a esfregar - gritou Filch com um pingo a tremer de modo desagradável em a extremidade de o nariz bolboso . - Crime : manchar o castelo . Sentença proposta ... Esfregando o nariz que continuava a pingar , Filch olhou com má cara para Harry que esperava com a respiração entrecortada para ouvir a sentença . Mas quando Filch pegou em a pena ouviu se um estrondo enorme em o tecto que fez a lamparina apagar se . - PEEVES - resmungou Filch , pousando a pena , cheio de raiva . - Desta_vez apanho te . Apanho te ! E sem olhar para trás , saiu a correr a_toda_a velocidade de o gabinete , seguido de a gata , Mrs._Norris . Peeves era o * poltergeist * de a escola , uma ameaça de risota esvoaçante que vivia para fazer estragos e criar aflição . Harry não gostava lá muito de ele , mas desta_vez , não podia deixar de lhe estar grato . Na_melhor_das_hipóteses o que Peeves tivesse feito ( e parecia que agora ele destruíra qualquer coisa em grande ) distrairia Filch_de_Harry . Pensando que o melhor seria esperar que ele voltasse , Harry deixou se cair em uma cadeira carcomida por o tempo que se encontrava junto de a secretária . Havia uma coisa sobre o tampo : um grande envelope roxo e lustroso com letras prateadas em a frente . Lançando um olhar rápido a a porta para confirmar que Filch não estava de volta , Harry pegou lhe e leu : __ feitiço __ rápido Um curso por correspondência De iniciação a a magia Cheio de curiosidade , abriu o envelope e retirou o rolo de pergaminho . Uma letra curvilínea e prateada dizia : Sente se pouco a a vontade em o mundo de a magia moderna ? Dá consigo a arranjar desculpas para não fazer feitiços simples ? Tem sido censurado por o deplorável trabalho com a varinha ? Eis a resposta ! Feitiço rápido e um curso totalmente novo , infalível , de resultados rápidos e rápida aprendizagem . Centenas de bruxas e feiticeiros têm beneficiado de o método feitiço rápido ! Madam_Z._Nettles_de_Topsham escreve nos : Eu não conseguia fixar os encantamentos e as minhas poções eram alvo de risota em a família . Agora , depois de o curso feitiço rápido , tornei me o centro de as atenções em todas_as festas e os meus amigos não param de pedir me a receita de a minha brilhante solução ! O mágico D.J._Prod , de Disbury , afirma : A minha mulher costumava rir se de os meus fracos encantamentos , mas bastou um mês com o vosso fabuloso curso feitiço rápido e consegui transformá a em um iaque . Obrigado , feitiço rápido ! Fascinado , Harry folheou o resto de o conteúdo de o envelope . Para que diabo quereria o Filch um curso de feitiço rápido ? Não seria ele um feiticeiro a sério ? Harry estava a ler a lição número um : Pegando em a varinha ( algumas dicas úteis ) quando umas passadas arrastadas , lá fora , o preveniram de que Filch estava de volta . Metendo rapidamente o pergaminho dentro de o envelope , lançou o para_cima de a secretária em o preciso momento em que a porta se abriu . Filch ostentava um ar triunfante . - Aquele armário que desapareceu era extremamente valioso - vinha ele a dizer a a gata , Mrs._Norris . - Desta_vez vamos correr com o Peeves , minha linda . Os seus olhos recaíram sobre Harry e logo_a_seguir sobre o envelope de o feitiço rápido que , Harry apercebeu se tarde de mais , estava meio metro distanciado de o seu lagar inicial . O rosto pálido de Filch tornou se vermelho escarlate . Harry preparou se para uma nova onda de fúria . Filch coxeou até a a secretária , arrebatou o envelope e meteu o em uma gaveta . -- Chegaste a ... lê o ? - perguntou atabalhoadamente . - Não - mentiu Harry , sem perder tempo . As mãos nodosas de o Filch contorciam se ao_mesmo_tempo . - Se eu soubesse que ias ler a minha correspondência priv ... não que seja minha ... é para um amigo ... mesmo_assim ... Harry olhava para ele espantado . Nunca vira o Filch tão louco . Os olhos pareciam querer saltar lhe de as órbitas , com um tique em as bochechas e aquele lenço axadrezado que não ajudava nada ... - Muito bem , vai e não abras a boca sobre isto ... não que ... mesmo_assim ... se tu não leste ... vai te embora , tenho de escrever o relatório sobre o Peeves , vai . Atordoado com a sua sorte , Harry saiu de ali e largou a correr por o corredor fora e por as escadas acima . Sair de o gabinete de o Filch sem um castigo devia ser um recorde em a escola . - Harry , Harry , deu resultado ? O Nick quase sem cabeça saiu a brilhar de uma sala de aula . Atrás de ele , Harry pôde ver os destroços de um grande armário preto e dourado que parecia ter sido atirado de uma grande altura . - Convenci o Peeves a parti o mesmo em cima de o gabinete de o Filch - disse Nick entusiasmado . - Pensei que talvez o distraísse . - Foste tu ? - exclamou Harry , agradecido . - Funcionou sim . Ele não me deu nenhum castigo . Obrigado , Nick . Atravessaram o corredor juntos . O Nick quase sem cabeça , reparou Harry , ainda tinha em a mão a carta de Sir_Patrick . - Gostaria de poder fazer qualquer coisa sobre o grupo de os Sem - _ Cabeça - disse Harry . O Nick quase sem cabeça parou de repente e Harry passou através de ele . Antes não tivesse passado , foi como atravessar um duche gelado . - Mas há uma coisa que tu podes fazer por mim - disse Nick muito agitado . - Harry , seria pedir te de mais ... mas não , tu não ias querer ... - O quê ? - Bem , este ano em o * _ Hallowe'en * vai ser o meu meio milénio de dia de os mortos - disse o Nick quase sem cabeça endireitando se e adquirindo uma postura de grande dignidade . - Oh - respondeu Harry sem saber se deveria lamentar ou dar lhe os parabéns . - Certo . - Vou dar uma festa em um de os calabouços mais amplos . Vêm amigos meus de todo o país . Seria uma honra muito grande se tu aparecesses . Mr._Weasley e Miss_Granger seriam também muito bem-vindos , claro . Mas tu deves preferir o banquete de a escola , não é verdade ? - Olhou para Harry , aflito . - Não - assegurou ele rapidamente . - Eu vou . - Oh rapaz , Harry_Potter em a minha festa de os mortos - hesitou no_meio_de toda aquela excitação . - Achas que poderias referir a Sir_Patrick como me achas assustador e como te impressiono ? - É claro que sim - assegurou Harry . O Nick quase sem cabeça iluminou se em um sorriso . - Uma festa de os mortos ? - exclamou Hermione , entusiasmada , quando Harry , depois de mudar de roupa , se juntou a ela e a o Ron em a sala comum . - Aposto que não há muitas pessoas que possam gabar se de ter estado em uma festa de essas . Vai ser fantástico ! - Por_que é_que alguém se lembraria de festejar o dia em que morreu ? - perguntou o Ron que estava a meio de o seu trabalho de casa de poções e bastante maldisposto . - Parece me bastante mórbido . A chuva continuava a lamber as janelas que apresentavam agora um negro que parecia tinta , mas , lá dentro , era tudo claro e alegre . O fogo em a lareira brilhava sobre as inúmeras cadeiras de braços onde as pessoas estavam sentadas a ler , a conversar , a fazer os trabalhos de casa ou , no_caso_de Fred e George_Weasley , a tentar descobrir o que aconteceria se alimentassem uma salamandra com fogo-de-artíficio de o Filibuster . O Fred tinha « resgatado . o lagarto cor de laranja brilhante , morador de o fogo , de uma aula de tratamento de seres mágicos e ele estava agora a arder em fogo lento sobre uma mesa , rodeado de um grupo de curiosos . Harry ia começar a contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre o Filch e o curso de feitiço rápido quando a salamandra disparou por os ares , lançando faíscas e estoiros . A visão de Percy a gritar com Fred e George até ficar ronco , a fantástica exibição de estrelas cor de tangerina que choviam de a boca de a salamandra e a sua fuga para o lume acompanhada de explosões , fizeram com que Harry se esquecesse , em aquele momento , de Filch e de o curso de feitiço rápido . Quando chegou o * _ Hallowe'en * , Harry já lamentava a sua promessa imprudente de ir a a festa de os mortos . Toda_a escola antecipava , feliz , a sua festa de * _ Hallowe'en * . O salão nobre fora enfeitado com os habituais morcegos , as enormes abóboras de Hagrid tinham sido esculpidas em forma de lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro_de cada uma , e havia boatos de que Dumbledore contratara um grupo de esqueletos bailarinos para animar a festa . - Uma promessa é uma promessa - lembrou Hermione_a_Harry com o seu autoritarismo habitual . - Tu disseste que ias a a festa de os mortos . Portanto , a as sete_da_tarde , Harry , Ron e Hermione saíram , passando por a porta de o salão nobre que brilhava de modo convidativo com pratos dourados e velas e dirigiram os seus passos para os calabouços . O corredor que conduzia a a festa de o Nick quase sem cabeça tinha sido também ladeado de velas , embora o efeito estivesse longe_de ser alegre : estas eram velas muito esguias e estreitas , negras de breu , ardendo em um azul brilhante e lançando uma luz indistinta e espectral também sobre as caras de as pessoas vivas . A temperatura diminuía a cada degrau que desciam . Harry tremia e cingia a túnica a o corpo quando ouviu qualquer coisa que parecia uma centena de unhas a rasparem um enorme quadro preto . - Será que isto_é a música ? - murmurou Ron . Viraram uma esquina e viram o Nick quase sem cabeça junto de uma porta , todo vestido de veludo negro . - Meus queridos amigos - disse com ar de luto . - Bem-vindos , bem-vindos , ainda_bem que puderam vir . Em um gesto largo tirou o chapéu de plumas e fez lhes sinal para que entrassem . Era uma visão incrível . O calabouço estava cheio com centenas de pessoas de um branco pálido e translúcido , a maior parte de as quais era arrastada em uma pista de dança cheia , valsando a o som de trinta serrotes musicais . Os serrotes que compunham a orquestra encontravam se sobre um estrado enfeitado com panos negros . Um lustre lá em cima resplandecia de um azul nocturno com mais um_milhar de velas negras . A respiração de os três subiu em o ar como uma neblina . Parecia que tinham entrado em um congelador . - Vamos dar uma volta - sugeriu Harry em uma tentativa de aquecer os pés . - Cuidado , não atravessem nenhum de eles - avisou o Ron nervosamente e colocaram se em volta de a pista de dança . Passaram por um grupo escuro de freiras , por um homem esfarrapado e cheio de correntes e por o frade gordo , o divertido fantasma de os Hufflepuff que estava a conversar com um cavaleiro com uma seta enfiada em a testa . Harry não ficou nada surpreendido a o ver que o Barão sangrento , o fantasma lúgubre e berrante de os Slytherin , coberto de nódoas de sangue ; estava a ser totalmente evitado por os outros fantasmas . - Oh ! Não -- exclamou Hermione , parando bruscamente . - Voltem se , voltem se , não quero ter de cumprimentar a Murta_Queixosa . - Quem ? - perguntou Harry enquanto davam rapidamente meia volta . - Ela assombra a casa_de_banho de as raparigas de o primeiro andar - explicou Hermione . - Assombra uma casa_de_banho ? - Sim . Está inoperativa durante todo o ano porque ela tem constantes acessos de choro e inunda tudo . Eu só lá fui quando não pode mesmo evitar . É horrível tentar ir a a sanita com ela a gritar connosco . - Olhem , comida - disse o Ron . De o outro lado de o calabouço estava uma mesa igualmente coberta de velado negro . Iam para se aproximar entusiasmados , mas pararam com uma expressão de horror . O cheiro era nauseabundo . Enormes peixes podres enchiam as bonitas travessas de prata , os bolos estorricados como carvões amontoavam se em as salvas , havia uma grande quantidade de miúdos de macaco , uma tábua de queijos cobertos de bolor e , em o lugar de honra , um enorme bolo cinzento em forma de lápide com letras que pareciam alcatrão formando as palavras , * _ Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington_Morto em 31_de_Outubro , 1492 * . Harry olhou espantado quando um fantasma de porte majestoso se aproximou de a mesa inclinando se e passando através de ela com a boca aberta enquanto atravessava um salmão malcheiroso . - Consegue prová o passando através de ele ? - perguntou lhe Harry . - Quase - disse tristemente o fantasma antes de se afastar . - Devem ter deixado apodrecer tudo_isto para ter um sabor mais forte - comentou Hermione com ar de quem está bem informada , tapando o nariz e aproximando se para ver melhor os pútridos miúdos de macaco . - Podemos sair de aqui , estou a sentir me agoniado - disse o Ron . Mas mal tinham dado meia volta quando um homenzinho pequenino saiu inesperadamente de debaixo de a mesa e fez uma paragem em o ar em frente de eles . - Olá , Peeves - disse Harry cautelosamente . Ao_contrário de os outros fantasmas que os rodeavam , Peeves , o * poltergeist * era o oposto de pálido e transparente . Usava um chapéu festivo cor de laranja , um laço rotativo a o pescoço e tinha um sorriso grosseiro de malvadez , em o rosto . - Querem petiscar ? - perguntou delicadamente , oferecendo lhes uma taça de amendoins cobertos de fungos . - Não , obrigada - disse Hermione . - Ouvi te falar sobre a pobre Murta - disse Peeves com os olhos a bailar . - Que insensível que tu foste para com a pobre Murta - respirou fundo e gritou : - Oh Murta . - Oh ! Não , Peeves , não lhe contes o que eu disse , ela vai ficar muito aborrecida - murmurou Hermione bastante nervosa . - Eu não queria dizer que ... eu não me importo que ela , er , olá , Murta . O espectro atarracado de uma rapariga deslizara . Tinha o rosto mais carrancudo que Harry alguma vez vira , meio escondido por o cabelo liso e por os óculos grossos cor de pérola . - O que é ? - perguntou mal-humorada . - Como estás Murta ? - perguntou Hermione , em uma voz falsamente alegre . - É bom ver te fora de a casa_de_banho . Murta fungou . - Miss_Granger estava justamente a falar de ti - disse lhe Peeves baixinho a o ouvido . - A dizer , a dizer ... como estás bonita esta noite -- terminou Hermione , olhando irritada para Peeves . A Murta olhou para Hermione desconfiada . - Estão a divertir se a a minha custa - disse , com lágrimas de prata a encherem lhe rapidamente os olhos pequeninos . - Não , a sério , eu não estava a dizer vos como a Murta estava bonita esta noite ? - disse Hermione , dando uma palmada em as costas de o Harry e de o Ron . - Sim , sim . - Ela ... - Não me venham com mentiras - protestou a Murta , as lágrimas agora a descerem lhe por o rosto , enquanto Peeves ria baixinho por cima de o ombro de ela . - Julgam que eu não sei o que as pessoas me chamam em as minhas costas ? A Murta gorda , a Murta feia , a Murta queixosa , a Murta deprimida ! - Esqueceste te de « a Murta ponto negro » - sussurrou lhe Peeves a o ouvido . A Murta_Queixosa irrompeu em soluços de angústia e fugiu de o calabouço . Peeves disparou atrás de ela , lançando lhe uma chuva de amendoins cheios de bolor e gritando : Ponto negro ! Ponto negro ! - Oh , coitada ! - exclamou Hermione com tristeza . O Nick quase sem cabeça abria agora caminho entre a multidão para se aproximar de eles . - Estão a divertir se ? - Sim , sim - mentiram . - Uma afluência nada má - disse orgulhoso o Nick quase sem cabeça . - A viúva chorosa veio de Kent ... está quase em a hora de o meu discurso . É melhor ir avisar a orquestra . Mas a orquestra parou de tocar em esse preciso momento . Eles , e todos os outros em o calabouço , ficaram em silêncio total , olhando em volta cheios de excitação quando se ouviu uma trompa de a caça . - Lá vêm eles - disse o Nick quase sem cabeça , com alguma amargura em a voz . Por o calabouço irromperam uma_dúzia de , cavalos fantasmas , cada_um montado por um cavaleiro sem cabeça . A assistência aplaudiu vivamente . Harry começou também a bater palmas , mas parou rapidamente quando viu a cara de o Nick . Os cavalos galoparam até a o meio de a pista de dança e pararam , empinando se , dando pequenos passos para a frente e para trás , sobre as patas traseiras . Um fantasma grande em a frente , cuja cabeça barbuda estava debaixo de o braço , soprando a trompa , desmontou , levantou a cabeça bem em o ar para poder ver toda_a assistência ( todos se riam ) e dirigiu se a o Nick quase sem cabeça , comprimindo a cabeça contra o pescoço . - Bem-vindo , Patrick - disse o Nick , mantendo a sua postura rígida . - Gente viva ! - exclamou o Sir_Patrick , avistando Harry , Ron e Hermione e dando um salto de falso espanto , de_tal_modo_que a cabeça lhe caiu de_novo ( a multidão ria a bom rir ) . - Muito engraçado - disse o Nick quase sem cabeça com um ar soturno . - Não ligues a o Nick - gritou a cabeça de Sir_Patrick de o chão . - Ainda está aborrecido por não o deixarmos juntar se a o grupo . Mas olhem bem para ele ... - Eu acho - disse apressadamente Harry , a seguir a um olhar de o Nick - que o Nick é muito assustador e ... eu ... - Bah ! - gritou a cabeça de Sir_Patrick . - Aposto que ele te pediu que dissesses isso . - Gostaria de ter a vossa atenção . Chegou a altura de fazer o meu discurso - disse o Nick quase sem cabeça bem alto , dirigindo se a o pódio , subindo e parando , iluminado por uma luz azul . - Os meus sentimentos , senhores e senhoras , é com profundo pesar ... Mas já ninguém estava a ouvi o . Sir_Patrick e o resto de o grupo de os Sem - _ Cabeça tinham iniciado um jogo de hóquei de cabeça e a multidão voltara se para os observar . Nick quase sem cabeça tentou em vão recuperar a audiência , mas acabou por desistir quando a cabeça de Sir_Patrick passou por ele a_toda_a velocidade gritando vivas . Harry estava cheio de frio para não falar de a fome . - Não aguento mais isto - murmurou Ron a bater o dente enquanto a orquestra voltava a entrar em acção e os fantasmas enchiam de_novo a pista de dança . - Vamos embora - concordou Harry . Recuaram até a a porta , acenando e sorrindo a todos os que olhavam para eles e um minuto depois passavam apressadamente por a entrada cheia de velas negras . - Talvez o pudim ainda não tenha acabado - disse o Ron cheio de esperança , abrindo caminho em direcção a os degraus de o vestíbulo de a entrada . E foi então que Harry ouviu aquilo . - ... * _ Arrancar ... rasgar ... matar * ... Era a mesma voz , a mesma voz fria e assassina que ouvira em o escritório de Lockhart . Parou , agarrando se a a parede de pedra em a expectativa de ouvir melhor , olhando em volta , espreitando para_cima e para baixo de a passagem mal iluminada . - Harry que estás tu a ... ? - E aquela voz outra_vez , calem se um bocadinho . -- ... * _ Tanta fome ... há tanto tempo * ... - Ouçam insistiu Harry e Ron e Hermione ficaram estáticos a olhar para ele . - * _ Matar ... hora de matar * ... A voz ia ficando mais débil . Harry tinha a certeza de que ela estava a afastar se , a subir . Um misto de medo e excitação tomou posse de ele enquanto olhava para o tecto escuro . Como poderia ele subir ? Seria um fantasma para quem os tectos de pedra não contavam ? - Por aqui - gritou , começando a correr por as éscadas acima até a a entrada de o * hall * . Não havia hipótese de ouvir fosse o que fosse ali , o barulho de vozes que vinha de o banquete de o * _ Hallowe'en * ecoava cá fora . Harry subiu a correr a escadaria de mármore até a o primeiro andar com Ron e Hermione ruidosamente atrás . - Harry o que é_que nós ... ? - Sch ... Harry apurou o ouvido . Ao_longe , em o andar de cima , e ainda a enfraquecer , mesmo_assim ouviu a voz : - ... * Cheira-me a sangue ... cheira me a sangue ! * O estômago deu lhe uma volta . - Ele vai matar alguém - gritou e ignorando as caras perplexas de Ron e Hermione , correu , subindo mais um lanço de escadas , a três_e_três , tentando ouvir através de o ruído de os seus próprios passos . Harry correu a_toda_a velocidade pelo segundo andar com Ron e Hermione atrás e só parou quando viraram uma esquina para o último corredor abandonado . - Harry , o que foi aquilo tudo ? - perguntou o Ron , limpando o suor de o rosto . - Eu não ouvi nada ... Mas Hermione , em um sobressalto , apontou para o fundo de o corredor . - Olhem ! Alguma coisa brilhava em a parede em frente . Aproximaram se devagarinho , tentando ver em a escuridão . Alguém escrevera em letras garrafais em a parede entre duas janelas . As palavras brilhavam a a chama fraca de as tochas . : __ a câmara de os segredos foi aberta . inimigos de o herdeiro , __ cuidado . - O que é aquilo pendurado por baixo de as letras ? - perguntou Ron com um tremor em a voz . Quando se aproximaram , Harry quase escorregou . Havia uma grande poça de água em o chão . Ron e Hermione agarraram o e avançaram cautelosamente até a a mensagem , os olhos fixos em uma sombra escura , em baixo . Aperceberam se os três de imediato do_que se tratava e deram um salto para trás , salpicando tudo de água . Mrs._Norris , a gata de o encarregado , estava pendurada por a cauda em o suporte de a tocha . Tinha o corpo rígido como uma tábua e os olhos abertos . Durante alguns segundos ninguém se mexeu . Depois o Ron disse : - Vamos sair de aqui . - Não devíamos tentar ajudar ? - propôs Harry , sem graça . - Acredita - assegurou o Ron . - É melhor que não nos encontrem aqui . Mas era tarde de mais . Um ruído surdo e prolongado , como um trovejar distante , avisou os de que o festim tinha terminado . De ambos os lados de o corredor onde eles estavam , veio o som de centenas de pés a subirem a escadaria e as vozes alegres de gente bem alimentada . Em o momento seguinte os alunos chegavam junto de eles de ambos os lados . O burburinho morreu subitamente mal as pessoas avistaram a gata pendurada . Harry , Ron e Hermione estavam de pé , sozinhos , em o meio de o corredor quando se fez silêncio em a multidão de estudantes que se empurravam para observar aquele quadro macabro . Então alguém gritou , quebrando o silêncio . - Inimigos de o herdeiro , cuidado . Vocês serão os próximos , sangue de lama ! Era_Draco_Malfoy . Estava a a frente de a multidão com os olhos frios a brilhar , a sua cara habitualmente pálida agora afogueada , sorrindo a a vista de a gata pendurada e imóvel . IX_As palavras em a parede -- O que é_que se passa aqui ? O que é_que se passa ? Sem dúvida , atraído por o grito de Malfoy , Argus_Filch apareceu a coxear em o meio de a multidão . Quando viu Mrs._Norris , caiu para trás agarrando o rosto com verdadeiro horror . - A minha gata ! A minha gata ! O que aconteceu a Mrs._Norris ? - gritou . E os seus olhos rápidos caíram sobre Harry . - Tu - guinchou ele . - Mataste a minha gata ! Mataste a , vou dar cabo de ti , eu ... - Argus . Dumbledore tinha chegado a o lugar , seguido de alguns professores . Em poucos segundos tinha passado a a frente de Harry , Ron e Hermione e desatado Mrs._Norris de o suporte de a tocha . - Vem comigo , Argus - disse ele a o Filch . - Vocês também , Mr._Potter , Mr._Weasley e Miss_Granger . Lockhart deu rapidamente um passo em frente . - O meu escritório é o que está mais perto , senhor director , é já aqui em cima , por favor fiquem a a vontade . - Obrigado , Gilderoy - disse Dumbledore . A multidão silenciosa dividiu se para os deixar passar . Lockhart sentindo se excitado e importante , seguia Dumbledore assim_como a professora Mc_Gonagall e o professor Snape . Quando entraram em o escritório escuro de Lockhart houve uma grande agitação em as paredes . Harry viu várias imagens de Lockhart a esconderem se cheias de rolos em o cabelo . O Lockhart em pessoa acendeu as velas e chegou se mais para trás . Dumbledore pôs Mrs._Norris em a superfície polida de a secretária e começou a examiná a . Harry , Ron e Hermione trocaram olhares tensos entre si e deixaram se cair em as cadeiras que se encontravam longe de a luz , a observar . A ponta de o nariz longo e adunco de Dumbledore estava a menos_de dois centímetros de o pêlo de Mrs._Norris . Ele olhava a de perto através de os óculos de meia-lua , os dedos longos a palpar e tactear suavemente . A professora Mc_Gonagall estava quase tão perto como ele , com os olhos contraídos . Snape surgia mais atrás , meio em a sombra , com uma expressão estranha em o rosto , como_se tentasse a_toda_a força sorrir . E Lockhart andava de um lado para o outro a dar sugestões . - Foi sem dúvida uma maldição que a matou , provavelmente a tortura de a metamorfose . Vi a muitas_vezes ser usada , mas infelizmente eu não estava lá quando isto aconteceu . Conheço o antídoto para essa maldição , o que a teria salvo . Os comentários de Lockhart foram interrompidos por os soluços secos e violentos de Filch . Estava afundado em uma cadeira junto de a secretária , incapaz de olhar para Mrs._Norris , com o rosto em as mãos . Por mais que detestasse Filch , Harry não pôde deixar de sentir pena de ele embora não tanta quanto_a que sentia por si próprio . Se Dumbledore acreditasse em o Filch ele seria certamente expulso . O director estava agora a sussurrar umas palavras estranhas e batendo em Mrs._Norris com a varinha , mas não aconteceu nada , ela continuou com o mesmo aspecto , como_se tivesse sido empalhada . - ... Lembro me de uma coisa semelhante que aconteceu em Ouagadogou - disse LockLart . - Uma série de ataques . Conto essa história em a minha autobiografia . Eu dei a a gente de a cidade vários amuletos que resolveram logo a situação ... As fotografias de Lockhart em as paredes iam acenando afirmativamente com a cabeça enquanto ele falava . Uma de elas esquecera se de tirar os rolos de o cabelo . Por fim , Dumbledore endireitou se . - Ela não está morta , Argus - disse suavemente . Lockhart interrompeu bruscamente a contagem de os crimes que conseguira evitar . - Não está morta ? - disse Filch em um sufoco , olhando através de os dedos para Mrs._Norris . - Mas , porque está ela rígida e gelada ? - Foi petrificada - disse Dumbledore ( Ah ! foi o que eu pensei ! - comentou Lockhart ) mas como , não posso afirmar . - Pergunte lhe - gritou Filch , voltando a cara cheia de furúnculos e lágrimas para Harry . - Nenhum aluno de o segundo ano poderia ter feito isto - explicou Dumbledore . - Era preciso um grande conhecimento de magia negra . - Foi ele , foi ele - disse encolerizado o encarregado com a cara a ficar roxa . - O senhor viu o que ele escreveu em a parede . Ele descobriu em o meu gabinete , ele sabe que eu sou um ... - O rosto de Filch estava horrível . - Ele sabe que eu sou um * _ busca-pé * - disse por fim . - Eu não toquei em a Mrs._Norris - gritou Harry com todos os olhares a recaírem sobre ele , incluindo o de todos os Lockharts de a parede . - E eu nem sei o que é um * busca-pé * . - Mentira ! - gritou Filch . - Ele viu a minha carta de o feitiço rápido . - Se me permite que dê a minha opinião , senhor director - disse Snape , saindo de a sombra , e a sensação de mau presságio de Harry aumentou bastante . Certamente nada do_que Snape tinha para de dizer iria ajudá o . - O Potter e os amigos podiam estar simplesmente em o lugar errado em a altura errada - afirmou com um leve sorriso a torcer lhe a boca como_se tivesse as suas dúvidas . - Mas , temos aqui um conjunto de circunstâncias curiosas . Porque estavam eles afinal em o corredor ? Porque não estiveram presentes em a festa de o * _ Hallowe'en * ? Harry , Ron e Hermione começaram uma longa explicação sobre a festa de o dia de os mortos . - Estavam lá centenas de fantasmas , eles poderão confirmar que lá estivemos ... - Mas porque não foram a seguir a o banquete ? - perguntou Snape com os olhos pretos a brilharem a a luz de as velas . - Porquê ir até a aquele corredor ? Ron e Hermione olharam para Harry . - Porque , porque ... - balbuciou Harry , com o coração a querer saltar lhe de o peito , mas algo lhe disse que ia parecer muito rebuscado se lhes contasse que tinha sido levado até ali por uma voz sem corpo que só ele conseguia ouvir . - Porque estávamos cansados e queríamos ir para a cama - disse . - Sem jantar ? - inquiriu Snape com um sorriso triunfante a bailar lhe em o rosto lúgubre . - Não sabia que os fantasmas ofereciam em as suas festas comida para gente viva . - Não estávamos com fome - disse o Ron bem alto , enquanto o estômago se queixava de forma audível . O sorriso mesquinho de a Snape ampliou se . - Acho , senhor director , que Potter não está a dizer toda_a verdade - afirmou . - Talvez fosse boa ideia retirar lhe alguns privilégios , até ele estar disposto a contar nos a história toda . Pessoalmente , sugiro que seja retirado de a equipa de os Gryffindor até decidir ser honesto . - Francamente , Severus - exclamou a professora Mc_Gonagall com uma voz cortante . - Não vejo porquê impedir o rapaz de jogar Quidditch . Esta gata não levou pauladas em a cabeça dadas por nenhum cabo de vassoura . E não há provas de que o Potter tenha feito algo de mal . Dumbledore observava Harry com um olhar perscrutador . A voz tremeluzente de os seus olhos azuis fez Harry sentir que estava a ser passado a raios X. - Inocente até se provar que é culpado , Severus - disse com segurança . Snape estava furioso , assim_como Filch . - A minha gata foi petrificada ! - berrou , com os olhos a saltarem de as órbitas . - Quero ver um castigo ! - Vamos poder curá a , Argus - explicou pacientemente Dumbledore . - Madam_Sprout conseguiu arranjar algumas Mandrágoras . Logo_que tenham atingido o tamanho adulto , terei uma poção de Mandrágoras que reanimará Mrs._Norris . - Eu posso fazê a - interrompeu Lockhart . - Devo ter feito isso uma centena de vezes . Preparo uma golada de Mandrágora reconstituinte de olhos fechados ... - Perdão - disse Snape friamente -- , mas julgo que o professor de poções de esta escola ainda sou eu . Houve um silêncio bastante incómodo . - Vocês podem ir se embora - disse Dumbledore a o Harry , Ron e a Hermione . Eles saíram o mais depressa que puderam , sem ir a correr . Quando chegaram a o andar acima de o escritório de Lockhart , entraram em uma sala de aulas vazia e fecharam a porta devagarinho . Harry lançou um olhar de esguelha a as caras carrancudas de os amigos . - Acham que eu lhes devia ter falado de a voz que ouvi ? - Não - respondeu Ron , sem a mínima hesitação . - Ouvir vozes que mais ninguém ouve , não é bom sinal , nem em o mundo de os feiticeiros . Algo em a voz de Ron levou Harry a fazer a pergunta : - Tu acreditas em mim , não acreditas ? - Claro que sim - respondeu o Ron de imediato . - Mas tens de concordar que é esquisito ... - Eu sei que é esquisito - confirmou Harry . - É tudo esquisito . O que era aquilo escrito em a parede ? * _ A_Câmara foi aberta * , o que é_que significa ? - Sabes , faz me lembrar qualquer coisa - disse Ron lentamente . - Acho que alguém me contou uma história sobre uma câmara secreta em Hogwarts , talvez tenha sido o Bill ... - E que diabos é um * busca-pé * ? - perguntou Harry . Para sua surpresa , Ron abafou o riso . - Bem , em a verdade não tem graça nenhuma , mas como é o Filch ... - disse . - Um * busca-pé * é alguém que nasceu de uma família de feiticeiros , mas não tem poderes mágicos . É uma espécie de o oposto de os que vêm de famílias de Muggles , mas são feiticeiros . Os * busca-pé * são muito raros . Se o Filch está a tentar aprender magia em um curso rápido , acho que ele deve ser mesmo um busca-pé . Isso explicaria tudo , por_exemplo , porque detesta tanto os estudantes . - Ron sorriu satisfeito . - Tem inveja . Um relógio deu as horas , algures . - Meia-noite - disse Harry . - É melhor irmo nos deitar , antes que o Snape apareça e tente acusar nos de qualquer coisa . Durante alguns dias não se falou de outra coisa em a escola a não ser de o ataque a a gata , Mrs._Norris . Filch manteve o sucedido bem fresco em a memória de todos , andando de um lado para o outro em o lugar onde ela fora atacada , como_se esperasse por o responsável . Harry vira o esfregar a mensagem de a parede com a « solução removedora de toda_a porcaria mágica Mrs._Skower » , mas sem qualquer resultado . As palavras continuavam a brilhar tanto como antes sobre a pedra . Quando Filch não estava a patrulhar a cena de o crime , vagueava , de olhos avermelhados , por os corredores , perseguindo alunos insuspeitos e tentando aplicar lhes castigos por coisas como « respirar muito alto » ou « estar alegre » . Ginny_Weasley parecia muito perturbada com o destino de Mrs._Norris . Segundo Ron ela era uma amante de gatos . - Mas tu nem chegaste a conhecer bem Mrs._Norris - disse lhe Ron para a animar . - Com toda_a franqueza , estamos muito melhor sem ela . - O lábio de Ginny tremeu . - Não é costume acontecerem coisas de estas em Hogwarts - tranquilizou a . - Eles vão descobrir o safado que fez aquilo e põem o de aqui para fora em três tempos . - Só espero que tenha tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso . Estou a brincar , claro - acrescentou o Ron apressadamente a o ver a Ginny a empalidecer . O ataque afectara também Hermione . Era costume de ela passar muito_tempo a ler , mas agora parecia não fazer mais_nada . Nem respondia a o Harry e a o Ron quando lhe perguntavam o que estava a fazer e só acabaram por descobrir em a quarta-feira seguinte . Harry tivera de ficar até mais tarde em a sala de poções onde Snape o mandara raspar restos de larvas de as secretárias . Depois de um almoço comido a a pressa , ele foi lá acima encontrar se com Ron em a biblioteca e viu Justin_Finch - _ Fletchley , o rapaz de os Hufflepuff de herbologia que vinha em direcção a ele . Harry tinha acabado de abrir a boca para dizer um « Olá » quando Justin o viu , voltando se bruscamente e mudando de direcção . Harry foi encontrar o Ron em as traseiras de a biblioteca , a medir o trabalho de casa de história de a magia . O professor Binns pedira uma composição sobre a Assembleia_Medieval_de_Feiticeiros_Europeus com 90cm . De extensão . - Não posso crer que ainda me faltem 16cm - disse o Ron furioso , largando o pergaminho que se enrolou em forma de tubo - e que a Hermione fez um metro e trinta em aquela letra pequenina e apertadinha . - Onde está ela ? - perguntou Harry , agarrando em a fita métrica e desembrulhando o seu trabalho de casa . - Algures por aí - disse o Ron , apontando para as estantes . - _ a a procura de outro livro . Acho que ela está a tentar ler a biblioteca toda antes de o Natal . Harry contou a Ron que Justin_Finch - _ Fletchley tinha evitado falar lhe . - Não sei porque te preocupas com isso . Eu achei o um idiota - disse o Ron , escrevinhando e fazendo a letra o maior possível . - Todo aquele disparate sobre o Lockhart ser tão grande ... Hermione surgiu de o meio de as estantes . Parecia irritada e disposta , por fim , a falar com eles . - Todos os exemplares de * _ Hogwarts : Uma História * foram requisitados - disse , sentando se ao_lado_de Harry e Ron . - E há uma lista de espera de duas semanas . Quem me dera não ter deixado o meu exemplar em casa , mas não consegui que coubesse em a mala com todos os livros de o Lockhart . - Para que o queres ? - perguntou Harry . - Pelo mesmo motivo que toda_a_gente o quer - disse Hermione . - Para ler a lenda de a Câmara_dos_Segredos . - O que é isso ? - Precisamente . Não me lembro - disse Hermione , mordendo o lábio . - E não encontro a História em lugar nenhum . - Hermione , deixa me ler o teu trabalho - pediu Ron desesperado , olhando para o relógio . - Não , não deixo - respondeu Hermione com um ar severo . - Tiveste dez dias para o fazer . - Só preciso de mais quatro centímetros , vá lá ... A campainha tocou . Ron e Hermione encaminharam se para a História_da_Magia , discutindo . A História_da_Magia era a matéria mais chata de o programa . O professor Binns , que dava a cadeira , era o único professor fantasma e a coisa mais excitante que aconteceu em as suas aulas foi o dia em que entrou por o quadro preto . Já velho e enrugado , muita gente afirmava a seu respeito que ele não dera por_que tinha morrido . Pura e simplesmente levantara se um dia para ir dar aulas , deixando o corpo atrás , em um cadeirão em frente de a lareira de a sala de os professores . Desde esse dia a sua rotina mantivera se igual . Era hoje tão chato como fora sempre . Abriu as notas e começou a ler em um tom monocórdico como um velho aspirador até quase todos os alunos estarem em um estado de profunda dormência , acordando de vez em quando , para tomar nota de um nome ou de uma data , e voltando a adormecer . Estava a falar havia meia_hora quando aconteceu algo que nunca tinha acontecido . Hermione pôs o braço em o ar . O professor Binns olhou de relance , em o meio de a chatíssima aula sobre a Convenção_Internacional_de_Feiticeiros de 1289 , verdadeiramente espantado . - Miss ... er ... ? - Granger , professor . Poderia dizer nos alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Hermione em uma voz bem audível . O Dean_Thomas , que tinha estado sentado de boca aberta olhando para fora de a janela , saiu de o seu transe com um salto . A cabeça de Lavender_Brown saiu de os braços e o cotovelo de o Neville_Longbottom escorregou para fora de a secretária . O professor Binns piscou os olhos . - A minha matéria é História_da_Magia - disse em a sua voz seca e asmática . - Eu trato de factos , Miss_Granger , não de mitos e lendas - pigarreou produzindo um ruído que parecia o giz sobre o quadro e continuou : - Em Setembro de esse ano , uma subcomissão de feiticeiros de a Sardenha ... Parou de repente . A mão de Hermione estava de_novo em o ar . - Sim , Miss_Grant ? - Por favor , professor , as lendas não têm sempre um facto como base ? O professor Binns olhava para ela com tal espanto que Harry teve a certeza de que ele nunca , em tempo algum , fora interrompido por um aluno . - Bem - disse lentamente o professor Binns . - Sim , é uma afirmação que pode fazer se . - Olhou para Hermione como_se fosse a primeira vez que olhasse a sério para um estudante . - Contudo , a lenda de que me fala é tão extraordinária , mesmo grotesca ... Mas a aula inteira estava agora atenta a as palavras de o professor , que olhou indistintamente para todos eles . Harry poderia assegurar que ele estava absolutamente abismado por uma tão grande demonstração de interesse . - Muito bem - disse lentamente . - Ora vejamos ... a Câmara_dos_Segredos . Todos vocês sabem com certeza que Hogwarts foi fundada há mais de um_milhar de anos , não se conhece ao_certo a data , por os quatro maiores feiticeiros e feiticeiras de a época : Godric_Gryffindor , Helga_Hufflepuff , Rowena_Ravenclaw e Salazar_Slytherin . Construíram juntos este castelo , longe de os olhares curiosos de os Muggles porque em aquele tempo a magia era temida por as pessoas comuns e as bruxas e feiticeiros sofriam terríveis perseguições . Fez uma pausa , olhou indeciso em volta e prosseguiu : - Durante alguns anos , os fundadores trabalharam juntos em harmonia procurando outros mais novos que mostrassem sinais de possuir dotes mágicos e trazendo os para o castelo para aqui serem ensinados . Mas os desentendimentos surgiram entre eles . Começou a notar se uma divisão entre Slytherin e os outros . Salazar_Slytherin queria ser mais selectivo em relação a os alunos a serem admitidos em Hogwarts . Achava que os ensinamentos de magia deviam ficar dentro de as famílias de feiticeiros . Não lhe agradava a entrada em a escola de alunos de famílias Muggles porque os achava pouco dignos de confiança . Depois de algum tempo houve uma séria discussão sobre esse assunto entre Slytherin e Gryffindor e Slytherin abandonou a escola . O professor Binns fez uma nova pausa , fazendo beicinho o que o fazia parecer uma tartaruga enrugada . - Fontes fidedignas referem nos isto - disse . - Mas estes factos foram obscurecidos por a fantasiosa lenda de a Câmara_dos_Segredos . Conta a história que Slytherin construíra uma câmara oculta dentro de o castelo cuja existência os outros fundadores ignoravam . De_acordo com a lenda , Slytherin selou a Câmara_dos_Segredos para que ninguém pudesse abri a até o seu verdadeiro herdeiro chegar a a escola . O herdeiro , e apenas ele , poderia abrir a Câmara_dos_Segredos , libertar o horror que lá se encontrava e utilizá o para expurgar a escola de todos aqueles que eram indignos de aprender magia . Houve um silêncio quando ele se calou que não era o habitual silêncio de sono de as aulas de o professor Binns . Havia um desassossego em o ar enquanto todos continuavam a olhá o a a espera de mais . O professor Binns estava ligeiramente aborrecido . - A história toda é um disparate , claro - disse ele . - A escola foi revistada por várias vezes em busca de provas de a existência de essa câmara , por os feiticeiros e bruxas mais conhecedores . Não existe nada . Uma lenda que serviu apenas para assustar os ingénuos . A mão de Hermione estava novamente em o ar . - Professor , o que quer_dizer , ao_certo com « o horror que estava dentro de a câmara » ? - Acredita se que seja uma espécie de monstro que só o herdeiro de Slytherin pode controlar - disse o professor Binns em a sua voz seca e débil . A aula trocou entre si olhares inquietos . - Como vos digo , a coisa não existe - afirmou o professor Binns , desordenando as suas notas . - Não há câmara e não há monstro . - Mas , professor - disse Seamus_Finnigan . - Se a câmara só podia ser aberta por o herdeiro de Slytherin ninguém mais poderia encontrá a . Não é ? - Um disparate pegado - disse o professor Binns , em um tom de voz exasperado . - Se uma longa sucessão de directores e directoras de Hogwarts não a encontraram ... - Mas , professor - começou a dizer Parvati_Patil . Se_calhar é preciso usar magia negra para a abrir ... - Lá porque um feiticeiro não usa magia negra não quer_dizer que não possa , Miss_Pennyfeather - interrompeu o professor Binns . - Repito , se os antecessores de Dumbledore ... - Mas talvez seja preciso fazer parte de os Slytherin , por isso Dumbledore não podia ... - começou Dean_Thomas , mas o professor Binns já estava farto . - Já chega - disse , de modo cortante . - É um mito . Não existe . Não há uma única prova de que Slytherin tenha construído nem mesmo uma despensa para vassouras . Lamento ter vos contado esta história tola . Vamos voltar , se fazem o favor , a a História , a os factos sólidos , verificáveis , credíveis . E em menos_de cinco minutos toda_a classe mergulhara em a sua sonolência habitual . - Eu sempre ouvi dizer que Salazar_Slytherin era um velho retorcido e meio pateta - disse Ron_a_Harry e Hermione enquanto abriam caminho por os corredores cheios , em o final de a aula , para ir arrumar as malas antes de o jantar . - Mas não sabia que ele tinha começado esta coisa de o sangue puro . Eu não ia para os Slytherin nem que me pagassem . Se o chapéu seleccionador me tivesse posto lá , pegava em as malas e ia me embora ... Hermione acenou vivamente , mas Harry não abriu a boca . O estômago parecia ter dado uma volta . Harry nunca contara a o Ron e a a Hermione que o chapéu seleccionador tinha considerado seriamente a possibilidade de o colocar em os Slytherin . Lembrava se como_se tivesse sido em a véspera do_que a vozinha lhe dissera a o ouvido quando pôs o chapéu em a cabeça , um ano antes . * _ Podias vir a ser grande , sabes ? Está tudo aqui em a tua cabeça e Slytherin ajudaria te em o caminho para a grandeza , sem a menor dúvida * ... Mas Harry , que já ouvira falar de a fama de o grupo de os Slytherin de formar magos negros , pensou desesperadamente . - Em os Slytherin , não ! - E o chapéu tinha dito . - Bem , se tens assim tanta certeza ... será melhor os Gryfffndor . Enquanto eram empurrados por a multidão , Colin_Creevey passou por eles . - Olá , Harry ! - Olá , Colin - disse Harry automaticamente . - Harry , Harry , um rapaz de a minha turma tem andado a dizer que tu és ... Mas Colin era tão baixinho que não conseguiu lutar contra a maré de gente que o arrastou até a o vestíbulo . Ouviram o despedir se : - Adeus , Harry - e desaparecer . - O que é_que o rapaz de a turma de ele disse de ti ? - quis saber Hermione . - Que eu sou o herdeiro de Slytherin , imagino - disse Harry , com o estômago ainda a as voltas e lembrou se de repente de o Justin_Finch - _ Fletchley a fugir para não lhe falar , a a hora de o almoço . - As pessoas aqui acreditam em tudo - disse o Ron com repugnância . A multidão diminuiu e conseguiram subir as escadas sem dificuldade . - Achas mesmo_que existe uma Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Ron_a_Hermione . - Não sei - respondeu ela , franzindo a testa . - Dumbledore não conseguiu curar Mrs._Norris e isso leva me a pensar que o que a atacou pode não ser ... humano . Enquanto falava , voltaram uma esquina e encontraram se em o fim de aquele mesmo corredor onde o ataque tinha ocorrido . Pararam para olhar . Estava tudo igual a aquela outra noite , com excepção de a gata Mrs._Norris e havia uma cadeira vazia encostada a a parede , onde podia ler se a mensagem « : __ a câmara foi __ aberta » . - Foi aqui que o Filch montou a guarda - murmurou Ron . Olharam uns para os outros . O corredor estava deserto . - Não deve fazer mal dar uma olhadela aqui - disse Harry , deixando cair a mala e pondo se de quatro para poder gatinhar em busca de pistas . - Marcas de queimadura - disse - aqui e aqui ... - Venham ver isto ! - chamou Hermione . - Que estranho ... Harry levantou se e foi até a a janela que ficava junto de a mensagem . Hermione apontava para o vidro mais alto , onde cerca de uma vintena de aranhas se debatiam em uma aparente luta por atravessar por uma pequena brecha de vidro . Um longo fio prateado balouçava como uma corda , como_se todas tivessem trepado , em a ânsia de chegar lá fora . - Alguma vez viram aranhas agir assim ? - perguntou Hermione , curiosa . - Não - respondeu Harry . - E tu , Ron ? Ron ? Olhou por cima de o ombro . Ron estava de costas , bem lá atrás e parecia lutar contra o impulso de se virar . - O que é_que se passa ? - perguntou Harry . - Eu não gosto de aranhas - disse Ron , de modo tenso . - Nunca me tinhas dito - comentou Hermione , olhando para ele com surpresa . - Estás farto de usar aranhas em as poções ... - Não me importo quando estão mortas - explicou Ron que olhava cautelosamente para todos os lados , menos para a janela . - Não gosto de a maneira como_se mexem . Hermione riu se baixinho . - Não tem graça nenhuma - disse o Ron , furioso . - Se queres saber , quando eu tinha três anos , o Fred transformou o meu ursinho de pelúcia em uma enorme aranha nojenta , por eu lhe ter partido a vassoura de brinquedo . Tu também não gostarias de aranhas se estivesses agarrada a o teu ursinho e , de repente , ele tivesse uma data de pernas e ... Começou a tremer ... Hermione ainda estava a tentar conter o riso . Sentindo que era melhor mudarem de assunto , Harry perguntou : - Lembram se de a água que havia aqui em o chão ? De onde terá vindo ? Alguém a limpou . - Era por aqui - disse o Ron , já recuperado , avançando alguns passos em direcção a a cadeira de o Filch e apontando . - Junto de esta porta . Estendeu a mão para o puxador de a porta , mas retirou a de imediato , como_se se tivesse queimado . - O que foi ? - perguntou Harry . - Não posso entrar aí - disse o Ron bruscamente . - É a casa_de_banho de as raparigas . - Oh , Ron , não está aí ninguém - sossegou o Hermione enquanto se aproximava . - É o lugar de a Murta_Queixosa . Anda , vamos dar uma espreitadela . E ignorando o grande letreiro que dizia « Fora de serviço » Hermione abriu a porta . Era a casa_de_banho mais sombria e deprimente em que Harry tinha posto os pés durante toda_a sua vida . Debaixo_de um grande espelho partido e sujo podia ver se uma fila de lavatórios de pedra , rachados . O chão estava húmido e reflectia a luz fraca de os pavios de algumas velas que ardiam baixinho em os suportes . As portas de madeira de os cubículos estavam todas lascadas e riscadas e uma de elas balouçava fora de as dobradiças . Hermione levou os dedos a os lábios e foi até a o último cubículo . Quando lá chegou disse : - Olá , Murta , como estás ? Harry e Ron foram ver . A Murta_Queixosa flutuava em a cisterna de a casa_de_banho , tirando um ponto negro de o queixo . - Esta é a casa_de_banho de as raparigas - disse a o ver o Ron e o Harry . - Eles não são raparigas . - Não - concordou Hermione . - Eu só queria mostrar lhes como esta casa_de_banho é ... er ... simpática . Ela fez um aceno vago a o velho espelho sujo e a o chão húmido . - Pergunta lhe se viu alguma coisa - sussurrou o Ron a a Hermione . - Porque estão a dizer segredinhos ? - perguntou a Murta , fitando o . - Não é nada - disse Harry rapidamente . - Queríamos perguntar ... - Gostava que as pessoas parassem de falar em as minhas costas ! - desabafou a Murta em uma voz abafada por as lágrimas . - Eu tenho sentimentos , sabem , apesar_de estar morta . - Murta , ninguém quis aborrecer te - explicou Hermione . - O Harry só ... - A minha vida foi uma infelicidade em este lugar e agora as pessoas vêm estragar a minha morte . - Nós queríamos perguntar te se tinhas visto alguma coisa estranha ultimamente - disse Hermione sem perder tempo . - Porque foi atacada uma gata mesmo aqui a a frente de a tua porta em a noite de o * _ Hallowe'en * . - Viste alguém aqui perto em essa noite ? - insistiu Harry . - Não estava a prestar atenção - disse a Murta com ar dramático . - O Peeves aborreceu me tanto que vim aqui para tentar matar me . Só então me lembrei de que estou ... de que estou ... - Já morta - ajudou o Ron . A Murta soluçou tragicamente , elevou se em o ar , voltou se e mergulhou de cabeça em a sanita , espalhando água por_cima_de todos eles e desaparecendo . Por o som de os seus soluços abafados fora certamente descansar algures em o cano em forma de V._Harry e Ron ficaram de boca aberta , mas Hermione encolheu os ombros de cansaço e disse : - Se querem saber , para a Murta isto até foi alegre ... vá , vamos embora . Harry tinha acabado de fechar a porta deixando atrás os soluços gorgolejantes de a Murta quando uma voz forte o fez dar um salto . - RON ! Percy_Weasley estava parado em o cimo de as escadas com o seu distintivo de prefeito a brilhar e uma expressão chocadíssima em o rosto . - Isso é a casa_de_banho de as raparigas ... o que é_que vocês ... ? - Estávamos só a dar uma vista de olhos - exclamou o Ron - a a procura de pistas ... Percy engoliu em seco , de uma maneira que fez Harry lembrar se de Mrs._Weasley . - Saiam imediatamente de aqui - disse , aproximando se de eles a passos largos e gesticulando agitadamente . - Não se preocupam com as aparências ? Voltar aqui enquanto toda_a_gente está a jantar ... - Porque não havíamos de estar aqui ? - perguntou cheio de vivacidade o Ron , parando de repente e olhando Percy em os olhos . - Ouve lá , nós não tocamos em aquela gata . - Isso foi o que eu tentei explicar a a Ginny - respondeu Percy furioso - mas ela parece continuar a pensar que vocês vão ser expulsos . Nunca a vi tão aflita . Não pára de chorar . Devias pensar em ela . Todos os alunos de o primeiro ano andam superexcitados com esta história . - Tu não estás nada preocupado com a Ginny - disse o Ron já com as orelhas vermelhas . - O que te assusta é_que eu possa estragar as tuas possibilidades de ser chefe de turma . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor ! - bradou Percy , apontando elegantemente para o distintivo de prefeito . - E espero que te sirva de lição . Acabou se o trabalho de detective ou escrevo a a mãe a contar lhe . E voltou lhes as costas , a nuca tão vermelha como as orelhas de o Ron . Harry , Ron e Hermione , em essa noite , sentaram se em a sala comum o mais longe possível de Percy . Ron estava ainda muito maldisposto e não parava de esborratar o trabalho de casa de os encantamentos . Quando pegou distraidamente em a varinha para tirar as manchas incendiou o pergaminho . A deitar quase tanto fumo como o seu trabalho de casa , fechou bruscamente o * _ Livro_Padrão_de_Encantamentos de o 2.o Grau * . Para grande surpresa de Harry , Hermione fez o mesmo . - Mas quem poderia ser - perguntou ela baixinho como_se continuasse uma conversa que tinham acabado de ter . - Quem quereria todos os * busca-pés * e filhos de Muggles fora de Hogwarts ? - Vamos pensar - disse o Ron em a brincadeira , fingindo estar confuso . - Quem poderemos nós conhecer que ache que os familiares de Muggles são escumalha ? Olhou para Hermione . Ela olhou para ele pouco convencida . - Se estás a pensar em o Malfoy ... - Claro que estou - disse o Ron . - Tu ouviste o dizer : - Vocês serão os próximos , sangues de lama ! - Aliás , basta olhar para aquela cara de renegado para saber que ele é ... - Malfoy , o herdeiro de Slytherin ? - repetiu Hermione cepticamente . - Olha para a família de ele - disse Harry , fechando também os livros . - Todos eles estiveram em os Slytherin . O Draco está sempre a vangloriar se de isso . Podiam bem ser descendentes de Slytherin . O pai de ele é suficientemente mau . - Podiam perfeitamente ter tido a chave de a Câmara_dos_Segredos durante séculos - disse Ron - , fazendo a passar de pai para filho . - Bem - acedeu Hermione cautelosamente . - Seria possível ... - Mas como prová o ? - perguntou Harry tristemente . - Talvez haja um meio - sugeriu Hermione lentamente , baixando ainda mais a voz e lançando um olhar , através de a sala , a Percy . - É claro que não é fácil . E é perigoso , muito perigoso . Suponho que iríamos infringir cerca de cinquenta regras de a escola . - Se de aqui a um mês ou dois te decidires a explicar , avisa , está bem ? - disse Ron , que começava a ficar irritado . - Está bem - concordou Hermione friamente . - O que precisaríamos de fazer para entrar em a sala comum de os Slytherin e fazer algumas perguntas a o Malfoy , sem ele perceber que éramos nós ? - Mas isso é impossível - declarou Harry , enquanto Ron se ria . - Não , não é - continuou Hermione . - Só precisamos de um_pouco de poção * polisuco * . - O que é isso ? - perguntaram ao_mesmo_tempo Ron e Harry . - O Snape falou de ela em uma aula , há poucas semanas atrás . - Achas que não temos mais o que fazer do_que ouvir o Snape ? - murmurou o Ron . - Transforma nos em outra pessoa . Pensem em isso : podíamos transformar nos em três de os Slytherin . Ninguém saberia que éramos nós . É provável que o Malfoy nos contasse alguma coisa . Aposto que ele está a gabar se , em este momento , em a sala de os Slytherin , se ao_menos pudéssemos ouvi o . - Essa coisa de o * polisuco * cheira me um bocado mal - disse o Ron , franzindo as sobrancelhas . - E se ficarmos com a forma de os três Slytherin para sempre ? - Desaparece a o fim de algum tempo - disse Hermione , gesticulando impacientemente com a mão - mas conseguir a receita é muito difícil . O Snape disse que vinha em um livro chamado * _ As_Mais_Potentes_Poções * e está com certeza em a parte de os reservados de a biblioteca . Só havia uma maneira de obter o livro de os reservados : era com uma autorização assinada por um professor . - Não estou a ver porque quereríamos o livro - disse o Ron . - Se não para tentar fabricar uma de as poções . - Eu acho - sugeriu Hermione - que se fizéssemos parecer que o nosso interesse era apenas teórico , talvez conseguíssemos ... - Estás a sonhar , nenhum professor ia cair em essa - afirmou o Ron . - Só se fosse muito burro . X_A * bludger * perigosa Depois de o desastroso incidente de os duendes , o professor Lockhart não voltou a levar seres vivos para as aulas . Em vez de isso , lia a os alunos passagens de os seus livros e , por vezes , voltava a desempenhar alguns de os episódios mais dramáticos . Costumava chamar Harry para o ajudar em essas reconstruções . Até ali Harry fora obrigado a desempenhar o papel de um camponês de a Transilvânia que Lockhart curara de uma maldição murmurada , o abominável homem de as neves com dores de cabeça e um vampiro que depois de ter conhecido Lockhart tinha ficado incapaz de comer outra coisa que não fosse alfaces . Harry foi chamado para a frente de a classe durante a aula de Defesa contra as artes negras que se seguiu . Desta_vez para desempenhar o papel de um lobisomem . Se não tivesse um bom motivo para querer ver o Lockhart bem-disposto , teria se recusado . - Um uivo bem alto , excelente , Harry , isso mesmo . E foi então que , acreditem ou não , eu o ataquei de repente , assim . Atirei o a o chão , agarrei o com uma mão e com a outra consegui meter lhe a varinha em a garganta . Então , com a força que me restava pus em prática o complicadíssimo encantamento * _ Homorphus * . Harry soltou um uivo tristíssimo . - Vá lá , Harry , mais alto . Bom ... o pêlo desapareceu , os dentes diminuíram de tamanho e ele transformou se em um homem . Simples , mas eficaz e mais uma cidade ficará a lembrar se de mim para sempre como o herói que os libertou de os ataques mensais de o lobisomem . A campainha tocou e Lockhart pôs se de pé . - Trabalho para_casa : escrever um poema sobre a minha vitória sobre o lobisomem Wagga_Wagga . Há um exemplar autografado de * _ Eu , o Mágico * para o autor de o melhor poema . Os alunos começaram a sair . Harry voltou para trás e foi juntar se a o Ron e a a Hermione que estavam a a espera de ele . - Prontos ? - perguntou . - Espera até saírem todos - disse Hermione bastante nervosa . - Pronto ... Aproximou se de a secretária de Lockhart , apertando em a mão uma folha de papel , com o Ron e o Harry atrás . - Er ... professor Lockhart - gaguejou Hermione . - Eu queria requisitar este livro em a biblioteca , como leitura de apoio - entregou lhe o papel , com a mão ligeiramente trémula . - Só que faz parte de a secção de os reservados , por isso preciso de a assinatura de um professor . Acho que o livro me vai ajudar a compreender o que o senhor diz em * _ Passeios com Vampiros * acerca de os venenos de acção lenta ... - Ah , * _ Passeando com Vampiros * - disse Lockhart , pegando em a folha de papel de Hermione e sorrindo lhe abertamente . - E provavelmente o meu livro preferido . Gostou ? - Oh , muito - disse Hermione avidamente . - Tão inteligente o modo como apanhou o último com o passador de o chá . - Bem , tenho a certeza que ninguém se importará que eu dê uma ajudazinha suplementar a a melhor aluna de o segundo ano - disse Lockhart calorosamente , sacando de uma enorme pena de pavão . - É bonita , não é ? - comentou , adivinhando uma expressão de repulsa em a cara de o Ron . - Costumo guardas a para as minhas assinaturas de autógrafos . Rabiscou uma enorme assinatura cheia de altos e baixos e entregou a a Hermione . - Então , Harry - disse Lockhart enquanto Hermione dobrava a folha e a guardava em o saco . - Amanhã é a primeira partida de Quidditch de este ano , não é ? Gryffindor contra Slytherin . Ouvi dizer que és um jogador indispensável . Eu também fui * seeker * . Convidaram me inclusivamente para fazer parte de a Equipa_Nacional , mas eu preferi dedicar a minha vida a a erradicação de as forças de o mal . Mesmo_assim , se alguma vez precisares de um treino particular , não hesites em falar comigo , estou sempre disponível para partilhar a minha perícia com os jogadores menos dotados do_que eu . Harry fez um som indistinto com a garganta e saiu atrás_de Ron e Hermione . - Não acredito - disse quando os três examinavam a assinatura de Lockhart . - Ele nem viu que livro nós queríamos . - É porque é um idiota sem miolos - explicou o Ron . - Mas , quem se rala , temos o que queríamos . - Ele não é um idiota sem miolos - gritou Hermione com voz esganiçada enquanto se aproximavam quase a correr de a biblioteca . - Só porque ele disse que eras a melhor aluna de o segundo ano ... Baixaram as vozes a o entrar em a quietude abafada de a biblioteca . Madam_Prince , a bibliotecária , era uma mulher magra e irritável que parecia um abutre mal nutrido . - * _ Moste_Potente_Potions * ? - repetiu intrigada , tentando ficar com a folha de papel que Hermione se recusava a entregar lhe . - Gostava de a guardar para mim - disse sem fôlego . - Vá lá - intercedeu Ron , arrancando lhe a de as mãos e entregando a a Madam_Prince . - Nós arranjamos te outro autógrafo . O Lockhart assina tudo se aqui ficar muito_tempo . Madam_Prince pegou em o papel e voltou o em a direcção de a luz , decidida a descobrir uma falsificação , mas a assinatura passou em o teste . Desapareceu entre as estantes e voltou alguns minutos mais tarde , transportando um livro grande e de aspecto antiquado . Hermione meteu o com todo o cuidado em o saco e saíram , tentando não andar depressa de mais nem aparentar um ar culpado . Cinco minutos depois , estavam de_novo barricados em a casa_de_banho fora de serviço de a Murta_Queixosa . Hermione destruíra as objecções de Ron argumentando que aquele era o último lugar onde alguém em o seu juízo perfeito se lembraria de ir e que poderia assegurar lhes alguma privacidade . A Murta_Queixosa chorava ruidosamente em o seu cubículo , mas eles conseguiram ignorá a assim_como ela a eles . Hermione abriu * _ Moste_Potente_Potions * com todo o cuidado e inclinaram se os três sobre as páginas manchadas de humidade . Era fácil de perceber , logo à_primeira_vista de olhos , porque pertencia a a secção de os reservados . Algumas de as poções tinham efeitos quase impensáveis de tão macabros e havia ilustrações bastante desagradáveis , como , por_exemplo , aquela em que um homem parecia ter sido virado de o avesso e a de a bruxa com vários pares de braços suplementares a nascerem lhe em a cabeça . - Aqui está - disse Hermione excitadíssima a o encontrar a página intitulada « A poção * polisuco * « . Estava ilustrada com imagens de pessoas a meio de o processo de se transformarem em outras pessoas e Harry desejou ardentemente que a expressão de dor intensa que se lhes espelhava em o rosto fosse apenas produto de a imaginação de o artista desenhador . - Esta é a poção mais complicada que vi até hoje - disse Hermione enquanto examinava a receita . - Moscas asas de renda , sanguessugas , fluxo de cizânias e verdezelha - murmurou , acompanhando com o dedo a lista de ingredientes . - Bem , esses são relativamente simples , há os em a despensa de material de os estudantes , podemos tirar a a nossa vontade . Oh ! Vê só , pó de chifre de bicórneo ... não sei onde vamos arranjar isto ... e , é claro , um pedacinho de a pessoa em quem queremos transformar nos . - Como ? - perguntou Ron de forma cortante . - O que é_que queres dizer com um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos ? Eu não bebo nada que tenha lá dentro as unhas de os pés de o Crabbe ... Hermione continuou como_se não o tivesse ouvido . - Mas não temos que nos preocupar com isso por enquanto . Fica para o fim . Ron voltou se sem palavras para o Harry que tinha uma preocupação de outro tipo . - Já viste bem tudo_o_que vamos ter que roubar , Hermione ? Algumas coisas , não estão de certeza em a despensa de material de os alunos . O que é_que vamos fazer , arrombar os armários pessoais de o Snape ? Não sei se será uma boa ideia ... Hermione fechou o livro com um estrondo . - Bem , se vocês os dois se vão acagaçar , então está lindo - disse ela . Tinha as bochechas rosadas e os olhos mais brilhantes do_que era habitual . - Eu não gosto de quebrar regras , vocês sabem , mas acho que ameaçar os filhos de os Muggles é muito pior do_que construir uma poção difícil . Mas se vocês não querem descobrir se é o Malfoy , eu posso voltar já a a biblioteca e entregar o livro a Madam_Prince ... - Nunca pensei que chegaria o dia em que serias tu a convencer nos a quebrar regras - disse o Ron . - Está bem , vamos em essa , mas sem unhas de os pés , O. _ K. ? - Quanto tempo vai isso demorar a fazer , afinal ? - perguntou Harry quando Hermione , já com um ar mais satisfeito , voltou a abrir o livro . - Bem , como o fluxo de cizânias tem de ser recolhido durante a lua cheia e as asas de renda têm de ser abafadas durante vinte_e_um dias ... eu diria que se conseguirmos arranjar todos os ingredientes estará pronta dentro_de um mês . - Um mês ? - exclamou o Ron . - Nessa_altura já o Malfoy terá atacado metade de os filhos de Muggles ! - mas os olhos de Hermione contraíram se de_novo assustadoramente e ele acrescentou rapidamente . - Mas é o melhor plano que temos , por isso é melhor não olharmos para trás . Apesar_de tudo , enquanto Hermione verificava que não havia ninguém em os corredores e podiam sair de a casa_de_banho , Ron murmurou a Harry : - Seria muito mais simples se conseguisses , amanhã , atirar o Malfoy de a vassoura abaixo . Harry acordou cedo em o sábado de manhã e ficou um bocado a pensar em a partida de Quidditch que vinha a seguir . Estava nervoso , principalmente pelo que Wood diria se os Gryffindor perdessem , mas também com a ideia de enfrentar uma equipa apetrechada com as vassouras mais velozes que existiam . Nunca desejara tanto vencer os Slytherin como em aquele dia . Depois de meia_hora deitado com a barriga a dar horas , resolveu levantar se , vestir se e descer para tomar o pequeno-almoço . Lá em baixo , encontrou o resto de a equipa de os Gryffindor amontoada a o longo de a mesa comprida e vazia , todos eles com ar preocupado e sem vontade de conversar . Como_se aproximavam as onze horas , todos os alunos de a escola começaram a dirigir se para o estádio de Quidditch . O dia estava quente e húmido , com uma ameaça de trovoada em o ar . Ron e Hermione vieram apressadamente desejar a Harry boa sorte mal ele entrou em os vestiários . A equipa de os Gryffindor pôs os seus mantos vermelhos e sentou se para ouvir o discurso que Wood lhes fazia sempre antes de o jogo . - Os Slytherin têm vassouras melhores do_que nós - começou . - Não há como negá o . Mas nós temos gente melhor em cima de as vassouras . Treinámos mais do_que eles , voamos com todas_as condições climatéricas ( É bem verdade - murmurou George_Weasley - desde Agosto que não sei o que é estar seco ) . - E vamos fazê os engolir o dia em que deixaram aquele nojento de o Malfoy comprar a entrada em a equipa de eles . Com o peito agitado por a comoção , Wood voltou se par Harry . -- Cabe te a ti , Harry , mostrar lhes que um * seeker * tem de ter mais do_que um pai rico . Agarra a * snitch * antes d Malfoy ou morre a tentar porque temos absolutamente que vencer , hoje , Harry , temos que vencer . - Sem ansiedade , Harry - disse o Fred , piscando lhe o olho . Quando saíram em direcção a o campo , foram saudado por uma grande ovação principalmente de a parte de os Ravenclaw e de os Hufflepuff que estavam ansiosos por ver os Slytherin serem derrotados , mas os Slytherin que estavam entre a multidão também fizeram ouvir as suas vaias e pateadas . Madam_Hooch , a professora de Quidditch , pediu a Flin e Wood que apertassem as mãos o que eles fizeram , lançando um_ao_outro olhares ameaçadores , cada_um apertando a mão de o outro com mais força do_que aquela que seria necessário . - Atenção a o apito - disse Madam_Hooch . - Três , dois , um ... Com um bramido de a multidão para que subissem rapidamente , os catorze jogadores elevaram se em o céu cor de chumbo . Harry , mais alto do_que qualquer de os outros olhando para todos os lados em busca de a * snitch * . - Tudo bem , testa de cicatriz ? - gritou Malfoy , disparando por baixo de ele para lhe mostrar a velocidade de a sua vassoura . Harry não teve tempo de responder . Em esse preciso momento uma * bludger * preta e bem pesada veio direitinha a ele . Evitou a tão por um triz que ainda sentiu em os cabelos o ar que ela deslocara . - Foi por_pouco , Harry ! - exclamou o George , passando com grande rapidez , de bastão em a mão , pronto para lançar a * bludger * contra um Slytherin . Harry viu o dar a a * bludger * uma fortíssima pancada em direcção a Adrian_Pucey , mas a bola mudou de rumo em o meio de o ar e dirigiu se de_novo a Harry . Harry desceu rapidamente para se esquivar e George conseguiu lançá a contra Malfoy . Mais_uma_vez a * bludger * actuou como um * boomerang * e apontou a a cabeça de Harry . Harry ganhou velocidade e disparou contra o outro extremo de o campo . Ouvia o assobio de a * bludger * que o perseguia . O que era aquilo ? As * bludgers * nunca se concentravam assim em um único jogador , a sua função era tentar desmontar o maior número possível de intervenientes . Fred_Weasley esperava por a * bludger * em o extremo oposto . Harry baixou se quando o viu balançar se em frente de ela com toda_a garra . A * bludger * foi lançada para_fora_de campo . - Pronto , já está tudo resolvido - gritou Fred satisfeito , mas estava bastante enganado . Como_se fosse magneticamente atraída para Harry , a * bludger * lançou se de_novo contra ele e Harry teve de voar a_toda_a velocidade . Começara a chover . Harry sentia as gotas pesadas caírem lhe em o rosto , turvando lhe as lentes de os óculos . Não fazia ideia do_que se passava em o resto de o jogo , até ouvir Lee_Jordan que fazia o comentário dizer : - Os Slytherin vão a a frente com seis contra zero . As vassouras de qualidade superior de os Slytherin estavam obviamente a cumprir a sua função e enquanto isso , a * bludger * maluca fazia todos os possíveis para deitar abaixo o Harry . Fred e George voavam agora tão perto de ele , um de cada lado , que Harry não via senão os seus braços a balouçar e , se não conseguia ver a * snitch * , muito menos agarrá a . - Alguém enfeitiçou esta * bludger * - resmungou Fred , preparando o bastão com toda_a força quando ela se lançava de_novo contra Harry . - Precisamos de tempo - disse George , tentando fazer sinal a Wood enquanto evitava que a bola partisse o nariz a o Harry . Wood captou obviamente a mensagem . O apito de Madam_Hooch fez se ouvir e Harry , Fred e George desceram , tentando ainda evitar a * bludger * maluca . - O que é_que se passa ? - perguntou Wood enquanto a equipa de os Gryffindor se amontoava desordenadamente e os Slytherin , em o meio de a multidão , lançavam piadas . - Estamos a ser esmagados . Fred , George , onde estavam vocês quando aquela * bludger * impediu a Angelina de marcar ? - Estávamos seis metros acima , evitando que a outra * bludger * matasse o Harry , Oliver - gritou George furioso . - Alguém preparou isto , a bola não deixa o Harry em paz , ainda não perseguiu mais ninguém desde_que o jogo começou . Os Slytherin fizeram aqui qualquer coisa . - Mas as * bludgers * têm estado fechadas em o escritório de Madam_Hooch desde o último treino , e nessa_altura estava tudo bem ... - disse Wood ansiosamente . Madam_Hooch aproximava se . Por cima de o ombro de ela , Harry pôde ver a equipa de os Slytherin a escarnecer e apontar em a sua direcção . - Ouçam - disse o Harry , enquanto ela se aproximava . - Com vocês os dois a voarem sempre colados a mim , só vou apanhar a * snitch * se ela voar até a a minha manga . Voltem se para o resto de a equipa e deixem a tratante comigo . - Não sejas bronco - disse o Fred . - Ela arranca te a cabeça . Os olhos de Wood saltavam de Harry_para_os_Weasley . - Oliver , isto_é uma loucura - disse Alicia_Spinet , zangada . - Não podes deixar o Harry sozinho entregue a aquela coisa . Vamos pedir uma investigação . - Se pararmos agora , teremos de dar a partida como perdida e não vamos deixar os Slytherin ganhar , só por_causa_de uma * bludger * maluca . Vá lá , Oliver , diz lhes que me deixem sozinho . - A culpa é toda tua . * _ Agarra a snitch ou morre a tentar * , se isso é lá coisa que se diga . Madam_Hooch tinha se lhes juntado . - Prontos para retomar a partida ? - perguntou a Wood . Wood olhou para o ar determinado de Harry . - Deixem o sozinho , ele é capaz de lidar com a * bludger * . A chuva era agora mais pesada . A o apito de Madam_Hooch , Harry elevou se em os ares e ouviu o barulhinho de a * bludger * atrás_de si . Subiu cada_vez_mais alto . Fez acrobacias em espiral , descidas rápidas , ziguezagueou e rolou . Apesar_de ligeiramente estonteado , não deixou nunca de ter os olhos bem abertos . A chuva salpicava lhe os óculos e entrava lhe por as narinas , quando ele se voltou de cabeça para baixo , evitando outra forte investida de a * bludger * . Ouviu os risos de a multidão . Sabia que devia parecer ridículo , mas a * bludger * maluca era pesada e não podia mudar de direcção tão rapidamente quanto ele . Iniciou uma corrida que parecia de feira de diversões em volta de os extremos de o estádio , olhando de soslaio , através de os lençóis prateados de chuva , para os postes de os Gryffindor , onde Adrian_Pucey tentava passar por Wood . Um assobio junto de os ouvidos disse a Harry que a * bludger * falhara uma_vez_mais . Voltou se e voou rapidamente em a direcção oposta . - Estás a ensaiar * ballet * , Potter - gritou Malfoy quando Harry foi obrigado a fazer uma reviravolta estúpida em o ar para se esquivar mais_uma_vez de a * bludger * . Lá foi ele , com a * bludger * atrás a alguns metros de distância . E foi então que , olhando para Malfoy , furioso , a viu , a * snitch * de ouro . Flutuava alguns centímetros acima de os ouvidos de Malfoy que , de tão preocupado a escarnecer de Harry , nem dera por ela . Durante um momento angustiante , Harry ficou quieto em o ar , não ousando dirigir se a Malfoy , não fosse ele olhar para_cima e ver a * snitch * . PUM ! Tinha ficado parado tempo de mais . A * bludger * batera lhe , por fim , apanhando lhe o cotovelo e Harry sentiu o braço a partir se . Debilmente , desorientado por a dor cauterizante em o braço , Harry deslizou para um de os lados em a sua vassoura encharcada , um joelho ainda dobrado , o braço direito a balouçar , inútil , a o seu lado . A * bludger * veio de_novo , preparada para mais um ataque , desta_vez apontada a o seu rosto . Harry desviou se com uma intenção : chegar a Malfoy . Através_de uma nuvem de chuva e dor desceu até a o rosto tremeluzente e trocista e viu os olhos de ele dilatarem se de medo : Malfoy pensou que Harry ia atacá o . - Que diabo ... - resmungou , afastando se de o caminho . Harry tirou a outra mão de a vassoura e fez uma tentativa para agarrar qualquer coisa . Sentiu os dedos fecharem se em volta de a * snitch * dourada , mas conduzia agora a vassoura apenas com as pernas e ouviu se um grito de a multidão cá em baixo , quando ele fez a descida , tentando não desmaiar . Com um ruído seco caiu em a terra enlameada e rolou para fora de a vassoura . O braço tinha um ângulo um_pouco estranho . Torcendo se com dores , ouviu a a distância os assobios e os gritos . Concentrou se em a * snitch * que tinha fechada em a outra mão . - Ai - disse vagamente . - Ganhámos o jogo . E desmaiou . Voltou a si com a chuva a cair lhe em o rosto , ainda deitado em o campo , com alguém inclinado sobre ele . Viu um brilho de dentes brancos . - Oh , não , você não - gemeu . - Não sabe o que diz - afirmou Lockhart bem alto a a ansiosa multidão de Gryffindor que o comprimiam . - Não te preocupes , Harry , eu vou tratar de o teu braço . - Não - gritou Harry . - Eu fico com ele assim , obrigado . Tentou sentar se , mas a dor era enorme . Ouviu um « clique » familiar . - Não quero fotografias de isto , Colin - disse em voz alta . - Deita te para trás , Harry - insistiu Lockhart com toda_a calma . - É um encantamento muito simples que eu fiz imensas vezes . - Porque não me levam só para a ala hospitalar ? - perguntou Harry entredentes . - Seria o melhor , professor - disse a voz rouca de o Wood que não conseguia deixar de sorrir , apesar_de o seu * seeker * estar ferido . - Grande captura , Harry , verdadeiramente espectacular , a tua melhor jogada , em a minha opinião . Em o meio de a floresta de pernas que o rodeava , Harry avistou Fred e George_Weasley , metendo a * budger * perigosa em uma caixa . Continuava a dar uma luta enorme . - Para trás - ordenou Lockhart , que tinha arregaçado as mangas verde jade . - Não , eu não ... - protestou debilmente Harry , mas Lockhart tinha a varinha em a mão e , um segundo depois , apontava a para o braço de Harry . Uma sensação estranha e desagradável começou em o ombro e espalhou se , chegando a as pontas de os dedos . Parecia que o braço inteiro tinha sido esvaziado . Não foi capaz de olhar para o que estava a suceder . Tinha fechado os olhos , voltado o rosto para o outro lado , mas os seus maiores receios concretizaram se quando as pessoas lá em cima se sobressaltaram e Colin_Creevey começou a tirar fotografias como um louco . O braço deixara de lhe doer , mas parecia tudo menos um braço . - Ah ! - disse Lockhart . - Sim , bem isto às_vezes acontece . Mas o importante é_que os ossos já não estão partidos . Isso é o mais importante . Portanto , Harry , vai até a a ala hospitalar ... ah ! Mr._Weasley , Miss_Granger , poderiam levá o lá ? E Madam_Pomfrey poderá ... er ... arranjar um_pouco isso . Quando Harry se pôs de pé sentiu se estranhamente desequilibrado . Depois de respirar fundo , olhou para o lado direito e o que viu quase o fez desmaiar de_novo . Pendurado em a extremidade de a sua túnica estava o que parecia ser uma espessa e colorida luva de borracha . Tentou mexer os dedos mas ... em vão . Lockhart não consertara os ossos de Harry . Retirara os . M. dam Pomfrey não ficou nada satisfeita . - Devias ter vindo logo ter comigo - ralhou , segurando os restos tristes e moles de aquilo que antes fora um braço activo . - Eu conserto ossos em um segundo , mas fazê os crescer de_novo ... - Vai conseguir , não vai ? - perguntou Harry desesperado . - Sim , com certeza , mas vai ser doloroso - disse Madam_Pomfrey de modo severo , entregando lhe um pijama . - Vais ter que ficar cá esta noite ... Hermione esperou de o lado de_fora de a cortina que rodeava outra cama enquanto Ron ajudava Harry a vestir se . Levou algum tempo a enfiar o braço que parecia borracha dentro_de uma manga de o pijama . - Como é_que podes continuar a defender o Lockhart depois disto , Hermione ? - perguntou Ron através de as cortinas , enquanto puxava os dedos moles de o Harry por uma manga . - Se o Harry quisesse ser desossado , teria pedido . - Todos podem enganar se - disse Hermione . - E deixou de doer , não deixou , Harry ? - Sim - disse ele - mas também ficou incapaz de fazer seja o que for . Quando se meteu em a cama , o braço agitou se despropositadamente . Hermione e Madam_Pomfrey entraram . Madam_Pomfrey segurava uma grande garrafa com o rótulo * Skele - _ Gro * . - Vais ter uma noite difícil - preveniu , enchendo um pequeno copo fumegante e dando lhe a beber . - Fazer crescer ossos é uma coisa difícil . Tomar o * _ Skele - _ Gro * também . Queimou a boca e a garganta de o Harry a o descer , fazendo o tossir e cuspir . Resmungando sobre os desportos perigosos e os professores incapazes , Madam_Pomfrey retirou se , deixando Ron e Hermione a ajudar Harry a engolir um_pouco de água . - Mas ganhámos o jogo - disse o Ron com um sorriso em o rosto . - A tua jogada foi em grande . A cara de o Malfoy ... parecia que queria matar alguém . - Eu vou descobrir como é_que enfeitiçaram aquela * bludger * - disse Hermione com ar sombrio . - Podemos juntar essa pergunta a a lista de todas_as que queremos fazer a o Malfoy quando tomarmos a poção * _ Polisuco * - disse Harry , afundando se de_novo em as almofadas . - Espero que tenha um sabor melhor do_que esta coisa ... - Com um bocado de os Slytherin lá dentro , deves estar a brincar - disse o Ron . A porta de a ala hospitalar abriu se em esse momento e , completamente encharcados , entraram os restantes membros de a equipa de os Gryffindor , para ver o Harry . - Um voo inacreditável - disse George . - Acabei de ver Marcus_Flint a gritar com o Malfoy . Qualquer coisa sobre ter a * snitch * mesmo em cima de a cabeça e não ter dado por nada . O Malfoy não parecia nem um_pouco satisfeito . Tinham trazido bolos , rebuçados e garrafas de sumo de abóbora . Juntaram se em volta de a cama de Harry e estavam a dar início a o que prometia ser uma grande festa quando Madam_Pomfrey entrou a vociferar : - Este rapaz precisa de repouso . Tem trinta_e_três ossos a crescer . Fora de aqui . FORA ! E Harry ficou sozinho , sem nada que o distraísse de as dores agudas em o seu braço mole . Muitas horas mais tarde , Harry acordou subitamente em a escuridão total e soltou um pequeno grito de dor : sentia agora o braço cheio de estilhaços . Durante alguns segundos pensou que tinha sido a dor a acordá o . Depois , com um arrepio de horror , apercebeu se de que alguém estava a passar lhe uma esponja em a testa . - Sai de aqui - gritou , e em seguida : - Dobby ! Os olhos de o tamanho de bolas de ténis de o elfo doméstico estavam a olhá o em o escuro , uma lágrima grossa rolava por o seu enorme nariz . - Harry_Potter voltou a a escola - murmurou , infeliz . - Dobby avisou e voltou a avisar Harry_Potter . Ah ! senhor , porque não deu ouvidos a Dobby ? Porque não voltou Harry_Potter para_casa quando perdeu o comboio ? Harry ergueu se um_pouco , encostando se a as almofadas e afastou a esponja de o elfo . - O que estás a fazer aqui ? - perguntou . - E como sabes que eu perdi o comboio ? O lábio de Dobby tremeu e Harry foi assaltado por uma dúvida . - Foste tu . Tu impediste que a barreira nos deixasse passar . - Em a verdade fui eu , senhor - disse Dobby , acenando com a cabeça e com as orelhas a abanar . - Dobby escondeu se , esperou por Harry_Potter e selou a barreira . A seguir , Dobby teve de pôr as mãos em o ferro de engomar - mostrou a o Harry dez dedos longos embrulhados em ligaduras . - Mas Dobby não se importou , senhor , porque pensou que Harry_Potter estava a salvo e nunca Dobby sonhou que mesmo_assim ele viria para a escola ! Balançava se para a frente e para trás , sacudindo a cabeça feia . - Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry_Potter tinha voltado a a escola que deixou queimar o jantar de os seus donos . Dobby nunca tivera um castigo tão grande , senhor . Harry afundou se de_novo em as almofadas . - Quase conseguiste que nos expulsassem , a mim e a o Ron - disse furioso . - É melhor desapareceres de aqui antes que os meus ossos voltem a estar bem , Dobby , ou ainda te estrangulo . O elfo sorriu . - Dobby está habituado a ameaças de morte , senhor . Dobby recebe as cinco vezes por dia em a casa onde mora . Encostou o nariz a um canto de a fronha que usava , ficando tão ridículo que Harry sentiu a raiva desvanecer se , apesar_de tudo . - Porque usas essa coisa , Dobby ? - perguntou com curiosidade . - Isto , senhor ? - disse Dobby apontando para a fronha de almofada . - É uma prova de escravatura de o elfo doméstico , senhor . Dobby só pode ser libertado se os donos lhe derem roupa , senhor . A família tem o cuidado de não dar a o Dobby nem uma peúga , senhor , porque ele poderia ficar livre e deixar a casa para sempre . Dobby limpou os olhos protuberantes e disse subitamente : - Harry_Potter deve ir para_casa . Dobby achou que a sua * bludger * seria o suficiente para o fazer ... - A tua * bludger * ? - disse Harry com a raiva a crescer novamente dentro de ele . - Que queres tu dizer com a tua bludger * ? Foste tu quem fez com que aquela bola tentasse matar me ? - Matar não , senhor . Matar , nunca ! - disse o elho chocado . - Dobby quer salvar a vida de Harry_Potter . É melhor ir para_casa ferido do_que ficar aqui , senhor . Dobby só queria Harry_Potter suficientemente ferido para voltar para_casa . - Só isso ? - disse Harry furioso . - Imagino que não vais dizer me porque querias mandar me para_casa a os bocados ? - Ah ! se Harry_Potter soubesse ! - gemeu Dobby , com mais lágrimas a escorrerem lhe por a fronha esfarrapada . - Se pudesse saber o que significa para nós , para os humildes , os escravizados , nós , a escória social de o mundo mágico ! Dobby lembra se de como eram as coisas quando Aquele cujo nome não deve ser pronunciado estava em o auge de o poder , senhor ! Nós , os elfos domésticos éramos tratados como animais , senhor ! É claro que Dobby ainda é tratado assim - admitiu , secando o rosto em a fronha de almofada . - Mas , em a sua maioria , a vida melhorou bastante para os de a minha espécie desde_que Harry_Potter triunfou sobre Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Harry_Potter sobreviveu e o poder de os senhores de o Mal foi quebrado e veio uma nova alvorada , senhor , e Harry_Potter brilhou como um farol de esperança para aqueles de entre nós que já pensavam que a longa noite nunca mais teria fim , senhor ... e agora em Hogwarts vão acontecer coisas terríveis , talvez já esteiam a acontecer e Dobby não pode deixar Harry_Potter ficar aqui , agora_que a história vai repetir se , agora_que a Câmara_dos_Segredos está de_novo aberta . Dobby calou se horrorizado . Em seguida agarrou em o jarro de a água que Harry tinha a a cabeceira e bateu com ele em a própria cabeça , deixando se cair . Um segundo mais tarde voltou até junto de a cama , repetindo : - Mau , Dobby , muito mau , Dobby . - Quer_dizer , então , que existe mesmo a Câmara_dos_Segredos ? - murmurou Harry . - E dizes tu que já antes foi aberta ? Conta me , Dobby . Agarrou o pulso ossudo de o elfo quando a mão de ele se estendia para o jarro de a água . - Mas eu não sou filho de Muggles . Como posso estar em perigo por causa de a Câmara_dos_Segredos ? - Ah ! senhor , não pergunte a o pobre Dobby - lamentou se o elfo com os olhos enormes a brilharem em o escuro . - As forças de as trevas estão projectadas em este lugar , mas Harry_Potter não deve estar aqui quando as coisas acontecerem . Vá para_casa , Harry_Potter , vá para_casa . Harry_Potter não deve envolver se em isto , senhor , é demasiado perigoso ... - Quem é , Dobby ? - perguntou Harry , continuando a agarrar lhe o pulso com forca , impedindo que batesse de_novo em si próprio com o jarro . - Quem abriu a amara ? Quem a abriu de a última vez ? - Dobby não pode , senhor . Dobby não pode . Dobby não deve dizer - guinchou o elfo . - Vá se embora , Harry_Potter , vá se embora ! - Eu não vou para lugar nenhum - disse Harry , furioso . - Uma de as minhas melhores amigas é filha de Muggles , está em perigo se a câmara foi , de facto , aberta ... - Harry_Potter arrisca a própria vida por os amigos - gemeu Dobby em uma espécie de êxtase infeliz . - Tão nobre , tão corajoso , mas deve salvar se , Harry_Potter não deve ... Dobby calou se de repente com as orelhas de morcego a estremecerem . Harry também ouviu os passos que vinham lá fora , de o corredor . - Dobby tem de ir - balbuciou o elfo apavorado . Ouviu se um ruído e o pulso de Harry ficou subitamente fechado em o ar . Meteu se de_novo para baixo , em a cama , com os olhos fixos em a porta escura que dava entrada em a ala hospitalar enquanto os passos se aproximavam . Em o momento seguinte , Dumbledore estava a entrar , de costas , em o dormitório , vestindo uma longa túnica de lã e uma capa de noite . Transportava um extremo de aquilo que parecia ser uma estátua . A professora Mc_Gonagall surgiu um segundo mais tarde , pegando lhe em os pés . Os dois colocaram a em uma cama . - Chame Madam_Pomfrey - murmurou Dumbledore e a professora Mc_Gonagall passou por a cama de Harry , apressadamente , e desapareceu . Harry deixou se ficar muito quieto como_se estivesse a dormir . Ouviu vozes ansiosas e por fim a professora Mc_Gonagall apareceu de_novo , seguida de Madam_Pomfrey que vestia um casaco curto de lã sobre a camisa de dormir . Ouviu uma inspiração aguda . - O que aconteceu ? - murmurou Madam_Pomfrey_a_Dumbledore , inclinando se sobre a estátua que estava em a cama . - Outro ataque - disse Dumbledore . - A Minerva encontrou o em as escadas . Havia um cacho de uvas junto de ele . Acho que estava a tentar esgueirar se até aqui para vir visitar o Potter . O estômago de Harry deu uma reviravolta . Lenta e cuidadosamente ergueu se alguns centímetros para poder ver a estátua que estava sobre a cama . Um raio de luar iluminou lhe o rosto estático . Era_Colin_Creevey . Tinha os olhos abertos , e as mãos , em frente de a cara , seguravam a máquina fotográfica . -- Petrificado ? - murmurou Madam_Pomfrey . - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - Mas estou tentada a acreditar que ... se Albus não tivesse vindo cá abaixo tomar um chocolate quente ... quem sabe o que teria ... Os três olharam para Colin . Dumbledore inclinou se e retirou lhe a máquina de as mãos rígidas . - Será que ele conseguiu tirar a fotografia de o agressor ? - perguntou ansiosa a professora Mc_Gonagall . Dumbledore não respondeu . Abriu a parte detrás de a máquina . - Cruzes canhoto - disse Madam_Pomfrey . Um jacto de vapor tinha feito fervilhar a máquina . Harry , a três metros de distância , sentiu o cheiro tóxico de o plástico queimado . - Derretido - disse Madam_Pomfrey com grande espanto . - Tudo derretido . - O que significa isto , Albus ? - perguntou cada_vez_mais nervosa a professora Mc_Gonagall . - Significa - disse Dumbledore - que a Câmara_dos_Segredos está mesmo aberta outra_vez . Madam_Pomfrey levou uma mão a a boca . A professora Mc_Gonagall olhou assustada para Dumbledore . - Mas , Albus ... com certeza ... quem ? - A questão não é quem - disse Dumbledore com os olhos fixos em Colin . - A questão é como ... E pelo que Harry conseguiu ver de o rosto indistinto de a professora Mc_Gonagall , ela não compreendeu muito mais do_que ele . XI_O clube de os duelos Quando_Harry acordou , em o domingo de manhã , a enfermaria estava iluminada por um resplandecente sol de inverno e o seu braço tinha de_novo todos os ossos , apesar_de o sentir muito rígido . Sentou se rapidamente e olhou para a cama de Colin , mas ela fora isolada com as cortinas atrás de as quais se despira em a véspera . Vendo que ele tinha acordado , Madam_Pomfrey apareceu com um tabuleiro de pequeno-almoço e a seguir começou a apalpar lhe o braço e os dedos . - Tudo em ordem - disse , enquanto ele , com a mão esquerda , comia avidamente as papas de aveia . - Quando acabares de comer podes ir te embora . Harry vestiu se o mais depressa que pôde e dirigiu se a a pressa para a torre de os Gryffindor , ansioso por contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre Colin e Dobby , mas não os encontrou lá . Foi a a procura de eles , perguntando a si próprio onde teriam ido e sentindo se um_pouco magoado por o pouco interesse que demonstravam em saber se ele tinha recuperado os ossos . Quando passou por a biblioteca , Percy_Weasley vinha a sair com bastante melhor cara do_que de a última vez que se tinham encontrado . - Olá , olá , Harry - disse . - Excelente voo o de ontem , verdadeiramente sensacional . Os Gryffindor estão a a frente para a taça de a equipa . Ganhaste cinquenta pontos . - Não viste o Ron e a Hermione por aí ? - perguntou Harry . - Não , não vi - disse Percy com o sorriso a desaparecer . - Espero que o Ron não esteja outra_vez em a casa_de_banho de as raparigas ... Harry forçou um sorriso , viu Percy desaparecer e a seguir foi direitinho até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Não via lá muito bem por_que motivo o Ron e a Hermione lá estariam de_novo , mas , depois de se assegurar de que nem Filch nem nenhum de os prefeitos estavam por perto , abriu a porta e ouviu as vozes de eles que vinham de um cubículo fechado . - Sou eu - disse , fechando a porta atrás_de si . Ouviu se dentro de o cubículo um estrondo , um chapinhar e um sobressalto e ele viu o olho de a Hermione a espreitar por o buraco de a fechadura . - Harry - disse ela . - Pregaste nos um susto de morte . Entra . Como está o teu braço ? - _ óptimo - respondeu , apertando se dentro de o cubículo . Em cima de a sanita estava encarrapitado um velho caldeirão , e um crepitar a a superfície de a água disse a Harry que eles tinham acendido um fogo lá em baixo . Fazer aparecer fogos portáteis a a prova de água era uma de as especialidades de Hermione . - _ íamos visitar te , mas resolvemos começar a preparar a poção * _ Polisuco * - explicou Ron enquanto Harry fechava outra_vez a porta de o cubículo com alguma dificuldade . - Achámos que este era o lugar mais seguro para a esconder . Harry começou a contar lhes de o Colin , mas Hermione interrompeu o . - Nós já sabemos , ouvimos a professora Mc_Gonagall contar a o professor Flitwick hoje_de_manhã . Por isso resolvemos começar a ... - Quanto_mais depressa arrancarmos uma confissão a o Malfoy , melhor - rosnou o Ron . - Sabem o que eu penso ? Ele estava tão mal-humorado depois de o jogo de Quidditch que se vingou em o Colin . - Há outra coisa - disse Harry , vendo Hermione cortar molhos de verdezelha e lançá os dentro de a poção . - O Dobby foi visitar me a meio de a noite . Ron e Hermione olharam o espantados . Harry contou lhes tudo_o_que Dobby lhe dissera ... ou não dissera . Ron e Hermione ouviram o de boca aberta . - A Câmara_dos_Segredos já tinha sido aberta antes ? - repetiu Hermione . - Encaixa perfeitamente - disse Ron , em uma voz triunfante . - O Lucius_Malfoy deve ter aberto a Câmara_dos_Segredos quando andava em a escola e agora ensinou a o querido filhinho Draco como abris a . É óbvio , que pena o Dobby não te ter dito que tipo de monstro lá se encontra . Gostava de saber como é_que ninguém o viu andar por ai em a escola . - Talvez tenha a capacidade de se tornar invisível - sugeriu Hermione , picando sanguessugas para dentro de o caldeirão . - Ou talvez se disfarce , passando por uma armadura ou outra coisa de o género . Eu li umas coisas sobre vampiros camaleões ... - Tu lês de mais , Hermione - disse o Ron , deitando moscas asas de renda mortas por cima de as sanguessugas . Amarrotou o saco vazio de as asas de renda e olhou para Harry . - Então foi o Dobby que nos impediu de apanhar o comboio e te partiu o braço ... - abanou a cabeça . - Sabes o que eu acho ? Se ele não parar de tentar salvar te a vida ainda acaba por te matar . A notícia de que Colin_Creevey tinha sido atacado e estava agora em a ala hospitalar , como morto , espalhou se por toda_a escola em a segunda-feira de manhã . O ar ficou pesado e cheio de boatos e suspeitas . Os alunos de o primeiro ano começavam a andar por a escola em pequenos grupos , receando ser atacados se se aventurassem a andar isoladamente por os corredores . Ginny_Weasley , que era colega de carteira de o Colin em os encantamentos , estava perturbadíssima , mas Harry achou que Fred e George estavam a tentar animá a de a maneira errada . Revezavam se , mascarados com peles de animais e apareciam lhe subitamente detrás de as estátuas . Só pararam quando Percy , apopléctico de raiva , lhes disse que ia escrever a Mrs._Weasley a contar lhe que a Ginny andava a ter pesadelos . Enquanto isso , às_escondidas de os professores , uma panóplia de talismãs , amuletos e outros objectos de protecção ia enchendo a escola . Neville_Longbottom comprou uma enorme cebola verde que cheirava mal , um cristal pontiagudo cor de púrpura e uma cauda de tritão apodrecida antes de os outros rapazes de os Gryffindor lhe explicarem que ele não corria perigo : era um sangue puro e , portanto , muito pouco passível de ser atacado . - Eles foram a o Filch em primeiro lugar - disse Neville com o medo estampado em a cara redonda . - E toda_a_gente sabe que eu sou quase um * busca-pé * . Em a segunda semana de Dezembro , a professora Mc_Gonagall veio , como de costume , recolher os nomes de os alunos que ficavam em a escola durante o Natal . Harry , Ron e Hermione assinaram a lista . Tinham ouvido dizer que Malfoy ficava , o que lhes parecera muito suspeito . As férias seriam a altura ideal para usar a poção * _ Polisuco * e tentar arrancar lhe uma confissão . Infelizmente a poção estava a meio . Precisavam ainda de o chifre de bicórneo e o único lugar onde podiam arranjá o era em os depósitos privados de Snape . Harry , pessoalmente , preferia enfrentar o lendário monstro de os Slytherin do_que ser apanhado por o Snape a assaltar lhe o escritório . - O que precisamos - disse Hermione cheia de vivacidade quando se aproximava a aula conjunta de poções de quinta-feira a a tarde - para podermos entrar a a vontade em o escritório de o Snape , é de uma diversão . Harry e Ron olharam para ela , nervosos . - Acho que o melhor é ser eu a praticar o roubo - prosseguiu ela , em um tom perfeitamente casual . - Vocês os dois podem ser expulsos se forem apanhados e eu tenho uma folha limpa . Portanto , a única coisa que têm de fazer é distrair o Snape durante cerca de cinco minutos . Harry esboçou um meio sorriso . Provocar deliberadamente um estrago em a aula de poções de o Snape era tão seguro como ferir em um olho um dragão adormecido . As aulas de poções tinham lugar em um de os mais amplos calabouços . A de quinta-feira a a tarde não foi diferente de as outras . Vinte caldeirões fumegavam entre as secretárias de madeira , sobre as quais podia ver se laminas de latão e jarras com ingredientes . Snape deambulava por o meio de os fumos , fazendo reparos petulantes a o trabalho de os Gryffindor , enquanto os Slytherin riam a a socapa . Draco_Malfoy , que era o aluno preferido de Snape , não parava de lançar olhos de carneiro mal morto a o Ron e a o Harry , que sabiam que se retaliassem teriam um castigo , antes de poderem abrir a boca para dizer : - É injusto ! A solução de inchar de o Harry estava demasiado líquida , mas ele estava preocupado com coisas mais importantes . Esperava por o sinal de Hermione e mal deu por Snape se calar para ir espreitar a sua poção aguada . Quando o professor se voltou e foi implicar com o Neville , Hermione trocou um olhar com Harry e fez um aceno . Harry baixou se discretamente por detrás de o seu caldeirão , tirou de o bolso de trás um de os paus de fogo-de-artíficio Filibuster e deu lhe um toque de varinha . O fogo-de-artíficio começou a sibilar e a crepitar . Sabendo que tinha apenas alguns segundos , Harry endireitou se , ganhou coragem e lançou o a o ar . Aterrou certeiro em o caldeirão de o Goyle . A poção de o Goyle explodiu , salpicando toda_a aula . As pessoas gritavam , à_medida_que eram vítimas de os salpicos . Malfoy foi apanhado em a cara e o nariz começou a inchar como um balão . O Goyle tropeçava a as cegas , com as mãos em os olhos , que tinham ficado de o tamanho de pratos de sopa , enquanto o Snape tentava repor a calma e tentar perceber o que sucedera . Em o meio de a confusão , Harry viu Hermione esgueirar se a a socapa por a porta . - Silêncio ! silêncio ! - vociferou Snape . - Todos os que foram salpicados cheguem aqui para uma drenagem . Quando eu descobrir quem fez isto ... Harry fez um enorme esforço para não se rir a o ver Malfoy chegar apressadamente lá a a frente , a cabeça a tombar com o peso de o nariz , que parecia um pequeno melão . Quando metade de a aula se amontoava junto de a secretária de o Snape , alguns alunos vergados por o peso de os braços que pareciam mocas , outros incapazes de falar devido a o gigantesco inchaço de os lábios , Harry viu Hermione reentrar em o calabouço , a túnica mostrando a barriga protuberante . Quando todos os alunos tinham já tomado um gole de o antídoto e os vários inchaços tinham desaparecido , Snape precipitou se para o caldeirão de o Goyle e pescou os restos retorcidos de o fogo-de-artíficio . Houve um súbito silêncio . - Se eu descubro quem lançou isto - murmurou Snape - garanto que é expulsão por a certa . Harry compôs uma expressão de espanto . Snape olhava directamente para ele e a campainha , que tocou dez minutos mais tarde , não podia ser mais bem-vinda . - Ele soube que fui eu - disse Harry_a_Ron e a a Hermione , enquanto se dirigiam apressadamente para a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Tenho a certeza . Hermione lançou o novo ingrediente em o caldeirão e começou a mexer furiosamente . - Isto vai estar pronto dentro_de quinze_dias - afirmou , satisfeita . - O Snape não pode provar que foste tu - assegurou Ron , tranquilizando Harry . - Que pode ele fazer ? - Conhecendo o Snape , qualquer coisa louca - respondeu Harry , enquanto a poção borbulhava e espumava . Uma semana mais tarde , Harry , Ron e Hermione passavam por o vestíbulo de entrada , quando viram um pequeno grupo de pessoas reunidas em volta de o jornal de parede a lerem um pedaço de pergaminho que tinha acabado de ser afixado . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas acenaram lhes , entusiasmados . - Vão lançar um clube de duelos ! - exclamou Seamus . - Hoje a a noite é a primeira reunião . Eu não me importaria nada de ter aulas de duelo , podem vir a ser úteis um dia de estes ... - Porquê ? Achas que o monstro de os Slytherin sabe esgrimir ? - perguntou o Ron , mas , também ele , leu a notícia com interesse . - Pode ser útil - disse a o Harry e a a Hermione , quando foram jantar . - Vamos lá ? Harry e Hermione acharam óptimo , por isso , a as oito_da_noite voltaram a o salão . As longas mesas de refeição tinham desaparecido e um estrado dourado surgira , encostado a a parede . Sobre ele flutuavam milhares de velas . O tecto era , mais_uma_vez , de veludo negro e parecia que quase todos os alunos de a escola se encontravam ali , com as suas varinhas em a mão e com um ar entusiasmado . - Quem será que vai ensinar nos ? - perguntou Hermione , enquanto se misturavam em a multidão barulhenta . - Ouvi dizer que o Filitwick foi campeão de duelo em a juventude , talvez seja ele . - Desde_que não seja ... - começou Harry , mas terminou em um gemido : Gilderoy_Lockhart estava a subir a o estrado , resplandecente em as suas vestes cor de ameixa , acompanhado , nem mais nem menos , do_que de Snape que trajava , como sempre , de negro . Lockhart levantou um braço , pedindo silêncio , bradando : - Aproximem se , aproximem se , conseguem todos ver me e ouvir me ? Excelente ! - O professor Dumbledore deu me autorização para iniciar este pequeno curso de duelo para vos treinar a todos , caso algum dia precisem de se defender , como eu tenho feito em inúmeras ocasiões ; para mais detalhes , leiam os livros que tenho publicados . - Permitam que vos apresente o meu assistente , o professor Snape - disse Lockhart , abrindo um sorriso de orelha a orelha . - Ele diz me que sabe alguma coisa sobre duelos e aceitou desportivamente ajudar me em uma exibição de demonstração , antes de começarmos . Atenção , não quero que os mais novos fiquem preocupados , vão continuar a ter o vosso professor de poções depois de eu o vencer . Não tenham medo . - Não era óptimo se se liquidassem um_ao_outro ? - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . O lábio inferior de Snape estava curvo . Harry interrogou se sobre o motivo por_que Lockhart continuava a sorrir . Se o Snape olhasse de aquela maneira para ele , Harry estaria a correr a_toda_a velocidade para o mais longe possível . Lockhart e Snape voltaram se um para o outro e fizeram uma vénia , pelo_menos Lockhart fê la com muitas reviravoltas de mãos , enquanto Snape acenava , irritado , com a cabeça . Em seguida , ergueram as varinhas , como_se fossem espadas , em a frente . - Como podem ver , estamos a pegar em as varinhas em a posição de aceitação de combate - explicou Lockhart a a multidão silenciosa . - Quando contarmos até três , lançaremos os primeiros feitiços . Nenhum de nós tentará matar o outro , claro . - Eu não poria as mãos em o fogo - murmurou Harry , observando como Snape cerrava os dentes . -- Um , dois , três ... Os dois balançaram as varinhas acima de os ombros . Snape gritou : * _ Expelliarmus * ! Houve um clarão ofuscante de luz escarlate e Lockhart voou para trás , caindo de o estrado batendo contra a parede , escorregando e indo estatelar se em o chão . Malfoy e alguns de os outros Slytherin aplaudiram . Hermione estava em bicos de os pés . - Acham que ele está bem ? - gritou entredentes . - Quem se rala ? - disseram ao_mesmo_tempo o Ron e o Harry . Lockhart estava a pôr se , hesitante , de pé . O chapéu caíra lhe e o cabelo ondulado estava em um desalinho . - Bem , cá está ! - disse , cambaleando até a o estrado . - Este foi um encantamento para desarmar . Como podem ver , perdi a minha varinha . Ah , obrigado Miss_Brown . Sim , foi uma excelente ideia mostrar lhes isto , professor Snape , mas , se me permite que lhe diga , foi muito óbvio o que ia fazer . Se eu tivesse querido impedis o , teria o feito com a maior de as facilidades . Mas achei que seria educativo deixá os ver ... Snape tinha um ar assassino . Provavelmente Lockhart deu por isso , porque declarou : - Chega de demonstrações . Eu vou passar agora por o meio de vocês e criar duplas . Professor_Snape , se quiser ajudar me ... Entraram por o meio de a multidão , agrupando alunos . Lockhart pôs o Neville com Justin_Finch - _ Fletchley , mas Snape chegou primeiro junto de Harry e de Ron . - Tempo de separar a dupla ideal , parece me - rosnou . - Weasley , tu podes ficar com o Finnigan . Potter ... Harry voltou se automaticamente para Hermione . - Não me parece - disse Snape com o seu sorriso frio . - Mr._Malfoy , venha até aqui . Vamos ver o que faz com o famoso Potter . E a menina , Miss_Granger , pode emparceirar com Miss_Bulstrode . Malfoy aproximou se com o seu passo empertigado e o seu sorriso escarninho . Atrás de ele vinha uma rapariga de os Slytherin , que lembrou a Harry uma imagem que tinha visto em as * _ Férias com Bruxas_Velhas * . Era corpulenta e quadrada e os maxilares avançavam agressivamente . Hermione esboçou um meio sorriso , que ela não retribuiu . - Voltem se para os vossos parceiros - gritou Lockhart - e façam a vénia . Harry e Malfoy mal inclinaram as cabeças , não afastando os olhos um de o outro . - Varinhas preparadas ! - gritou Lockhart . - Quando eu disser três preparem os feitiços para desarmar o vosso opositor . Um ... dois ... três ... Harry levantou a varinha acima de o ombro , mas Malfoy começara logo em o « dois » : o seu feitiço apanhou Harry com tanta força que ele se sentiu como_se tivesse levado com uma frigideira em a cabeça . Tropeçou , mas ainda não estava fora de combate e , sem perder tempo , Harry apontou a varinha a Malfoy e gritou : - * _ Rictusempra ! * Um jacto de luz prateada atingiu Malfoy em o estômago , obrigando o a dobrar se , arfando . - Eu disse desarmar ! - gritava Lockhart sobre as cabeças de a multidão em lata , enquanto Malfoy caía de joelhos . Harry atingira o com o feitiço de as cócegas e ele mal conseguia mexer se para se rir . Harry hesitou com o vago sentimento de que seria pouco desportivo enfeitiçar Malfoy enquanto ele estava caído em o chão , mas ... foi um erro . Tentando respirar , Malfoy apontou a varinha a os joelhos de Harry , balbuciando : « * _ Tarantallegra ! * » e , um segundo depois , as pernas de o Harry tinham começado a mexer se , sem que ele pudesse controlá as , executando uma espécie de dança frenética . - Parem , parem - gritava Lockhart , quando Snape resolveu tomar controlo de a situação . - * _ Finite_Incantatem ! * - bradou . Os pés de o Harry pararam de dançar , Malfoy parou de rir e puderam olhar para_cima . Uma onda de fumo esverdeado pairava sobre todos eles . Neville e Justin estavam caídos em o chão , a arfar . Ron tentava fazer parar um Seamus com cara cor de cinza , pedindo lhe mil desculpas por o que a sua varinha partida eventualmente tivesse feito . Mas Hermione e Millicent_Bulstrode ainda não tinham acabado . Millicent tinha feito a Hermione uma prisão de cabeça e Hermione gritava de dor . As duas varinhas jaziam esquecidas em o chão . Harry deu um salto em frente e afastou Millicent . Não foi fácil , ela era bastante maior do_que ele . - Oh , gente ! - exclamou Lockhart , arrastando se por o meio de a multidão e olhando para os resultados de os duelos . - Vamos pôr de pé , Mcmillan ... cuidado , Miss_Fawcett ... belisque com força que pára logo de sangrar ... - Acho que o melhor é ensinar vos como bloquear feitiços pouco amigáveis - afirmou Lockhart que estava nervosíssimo em o meio de o salão . Olhou para Snape , cujos olhos pretos brilhavam e desviou rapidamente o olhar . - Vamos arranjar um par de voluntários . Longbottom e Finch - _ Fletchley , que tal serem vocês ? - Uma má ideia , professor Lockhart - disse Snape , deslizando como um morcego enorme e cruel . - Longbottom provoca devastação com o feitiço mais simples . Ainda temos de mandar o que restar de o Finch - _ Fletchley para a ala hospitalar dentro_de uma caixa de fósforos . - A cara redonda e rosada de Neville ficou ainda mais rosada . - Que tal o Malfoy e o Potter ? - sugeriu Snape com um sorriso retorcido . - Excelente ideia - disse Lockhart , fazendo sinal a os dois para que se aproximassem de o meio de o salão , enquanto a multidão recuava para lhes dar passagem . - Ouve bem , Harry - disse Lockhart . - Quando o Draco te apontar a varinha , tu fazes assim . Levantou a sua varinha , executando uma tentativa complicada de malabarismo e deixou a cair . Snape sorriu pretensiosamente , enquanto Lockhart a apanhava de o chão , dizendo : - Ups , a minha varinha está demasiado excitada . Snape aproximou se de Malfoy , inclinou se e disse lhe qualquer coisa a o ouvido . Malfoy sorriu também de forma afectada . Harry olhou , nervoso , para Lockhart e pediu : - Professor , podia mostrar me outra_vez aquela coisa para bloquear ? - Estás com medo ? - murmurou Malfoy baixinho , para que Lockhart não pudesse ouvir . - Querias ! - exclamou Harry por o canto de a boca . Lockhart deu um soco em o ombro de o Harry , em a brincadeira . - Basta que faças como eu fiz ! - O quê , deixar cair a varinha ? Mas Lockhart não estava a ouvir - Três , dois , um , zero ! - gritou . Malfoy levantou rapidamente a varinha a o ar e gritou : - * _ Serpensortia ! * A extremidade de a varinha explodiu . Harry viu , horrorizado , uma enorme serpente negra sair de ela , cair pesadamente em o chão a meio de os dois e erguer se disposta a atacar . Ouviram se gritos , enquanto a multidão se afastava , deixando o chão vazio . - Não te mexas , Potter - disse Snape vagarosamente , divertindo se claramente a ver Harry , parado , a olhar em os olhos a serpente . - Eu trato de ela ... - Permita me -- gritou Lockhart . Bramiu a varinha em direcção a a serpente e ouviu se um estoiro . A cobra , em_vez_de desaparecer , voou três metros acima de eles e voltou a cair em o chão com um estrondo enorme . Enraivecida , a sibilar de fúria , rastejou em direcção a Finch - _ Fletchley e pôs se de pé com os dentes a a mostra , pronta a atacar . Harry não soube ao_certo o que o levou a fazer aquilo . Não se lembrava sequer de ter tomado aquela decisão . Só soube que as pernas o fizeram avançar como_se tivesse rodas e que gritou a a serpente : - Larga o ! - E , milagrosa e inexplicavelmente , a serpente voltou a o chão , dócil como uma grande mangueira de jardim , preta e grossa , os olhos agora fixos em os olhos de Harry . Harry sentiu o medo a escoar se . Sabia que a cobra não atacaria mais ninguém , embora não pudesse explicar como sabia . Olhou para Justin a sorrir , esperando vê o aliviado , espantado , ou mesmo agradecido , mas nunca zangado ou assustado . - Que brincadeira é essa ? - gritou o outro e , antes que Harry tivesse tempo de dizer fosse o que fosse , voltou as costas e saiu de o salão . Snape deu um passo em frente , fez um gesto com a varinha e a serpente desapareceu em uma onda de fumo preto . Também ele , Snape , olhava para Harry de uma forma inesperada . Era um olhar arguto e calculista , de que Harry não gostou . Apercebeu se também vagamente de um murmúrio ameaçador que vinha de as paredes em volta . Depois , sentiu um puxão em a túnica . - Vamos - disse a voz de o Ron em o seu ouvido . - Mexe te , vá lá ... Ron arrastou o para fora de o salão . Hermione acompanhava os em a passada rápida . Quando cruzaram a porta , as pessoas que a rodeavam afastaram se , como_se tivessem medo de ser contagiadas . Harry não fazia a mais pequena ideia do_que estava a passar se e , nem Ron , nem Hermione lhe deram qualquer explicação , antes de o terem levado até a a sala comum de os Gryffindor , que se encontrava vazia . Aí , Ron empurrou Harry para uma cadeira de braços e disse : - Tu és um * serpentês * . Porque não nos disseste ? - Eu sou um quê ? - perguntou Harry . - Um * serpentês * ! - exclamou o Ron . - Falas com as cobras . - Eu sei - declarou Harry . - Quer_dizer , esta foi a segunda vez que o fiz . A outra foi há muito_tempo em o jardim zoológico , quando soltei uma Boa_Constrictor a o meu primo Dudley . É uma longa história , mas ela estava a dizer me que nunca tinha estado em o Brasil e eu acho que a libertei sem querer . Foi antes de saber que era feiticeiro . . . - Uma Boa_Constrictor disse te que nunca tinha estado em o Brasil ? - repetiu Ron , quase sem voz . - E então ? - disse o Harry . - Aposto que montes de pessoas aqui fazem o mesmo . - Não fazem , não - afirmou Ron . - Não é um dom muito frequente . Harry , isso é mau . - O que é_que é mau ? - perguntou Harry , que começava a ficar chateado . - O que é_que se passa com todos os outros ? Ouve bem , se eu não tivesse dito a aquela cobra para não atacar o Justin ... - Ah , foi isso que tu disseste ? - Que queres dizer ? Tu estavas lá , ouviste perfeitamente o que eu disse . - Eu ouvi te falar em serpentês - disse o Ron . - Língua de cobra . Podias estar a dizer lhe qualquer coisa . Não admira que o Justin tivesse entrado em pânico . Parecia que estavas a incitar a serpente . Foi assustador , sabes ? Harry olhou para ele espantado . - Eu falei uma língua diferente ? Mas não me apercebi , como posso falar uma língua , sem saber que a conheço ? Ron abanou a cabeça . Tanto ele como Hermione tinham um ar fúnebre . Harry não percebia o que havia em aquilo de tão trágico . - Será que me querem explicar o que há de mal em ter impedido que uma serpente enorme arrancasse a cabeça a o Justin ? - perguntou . - Porque é tão importante como o fiz , se evitei que o Justin fosse juntar se a grupo de os SEM_CABEÇA ? - Importa - disse por fim Hermione , em uma voz abafada . - Porque falar com serpentes era a arte por a qual Salazar_Slytherin ficou famoso . Por isso , o símbolo de os Slytherin é uma serpente . Harry ficou de boca aberta . - Exacto - disse o Ron . - E agora todos em a escola vão pensar que tu és descendente de ele . - Mas não sou - contrapôs Harry com um pânico que não conseguia explicar . - Não vai ser fácil prová o - disse Hermione . - Ele viveu há quase mil anos . Pelo que vimos , podias ser . Em essa noite , Harry ficou acordado durante horas . Por uma fresta de os cortinados de a cama de dossel , olhou para a neve que começava a cair de o lado de_fora de a janela de a torre e perguntou se se poderia ser descendente de Salazar_Slytherin . Afinal , não sabia nada de a família de o pai , os Dursley tinham sempre proibido qualquer pergunta sobre os seus familiares feiticeiros . Calmamente , tentou dizer qualquer coisa em * serpentês * , mas as palavras não saíam . Parecia que era necessário estar frente_a_frente com uma cobra para poder fazê o . Mas eu sou um Gryffindor , pensou Harry , o chapéu seleccionador não me poria aqui se eu tivesse sangue de Slytherin ... - Ah ! - disse uma vozinha dentro de o seu cérebro . - Mas o chapéu seleccionador queria pôr te em os Slytherin , não te lembras ? Harry deu voltas e voltas a a cabeça . Em o dia seguinte , quando visse Justin em a aula de herbologia explicaria lhe que estava a afastar a serpente , não a atiçá a o que , aliás , pensou zangado , dando vários socos em a almofada , qualquer idiota teria percebido . Contudo , em a manhã seguinte , a neve que começara a cair durante a noite , transformara se em uma tempestade tão espessa que a última aula de herbologia de o período foi cancelada : a professora Sprout queria tapar as mandrágoras com peúgas e cachecóis , uma operação arriscada que ela não confiava a ninguém agora_que era tão importante que as mandrágoras crescessem depressa e reabilitassem Mrs._Norris e Colin_Creevey . Junto de a lareira de a sala comum de os Gryffindor , Harry matutava sobre o que se passara enquanto Ron e Hermione aproveitavam o foro para jogar xadrez de feitiçaria . - Com os diabos , Harry - disse Hermione exasperada quando um bispo derrubou um de os cavaleiros de o cavalo , arrastando o para fora de o tabuleiro . - Vai falar com o Justin , se isso é assim tão importante para ti . Harry levantou se e saiu por o buraco de o retrato , perguntando a si próprio onde poderia estar o Justin . O castelo estava mais escuro do_que era habitual durante o dia por causa de a neve espessa e cinzenta que cobria as janelas . A tremer , Harry passou por as salas onde estava a haver aulas , captando lampejos do_que sucedia lá dentro . A professora Mc_Gonagall gritava com alguém que , segundo lhe parecia por o som , transformara o parceiro em um texugo . Resistindo a a tentação de dar uma espreitadela , Harry afastou se pensando que Justin poderia estar a utilizar o tempo de o furo para fazer algum trabalho e resolveu , por isso , ir até a a biblioteca . Um grupo de alunos de os Hufflepuff , que deveriam ter estado em Herbologia , encontrava se , de facto , sentado em as traseiras de a biblioteca , mas não parecia estar a trabalhar . Entre as fileiras de as estantes altas , Harry pôde ver as suas cabeças muito juntas em aquilo que deveria ser uma conversa absorvente . Não conseguia perceber se Justin estaria em o meio de eles . Ia para se aproximar quando apanhou em o ar uma frase e parou para ouvir melhor , escondido em a secção de a invisibilidade . - Portanto - dizia um rapaz corpulento - eu disse a o Justin para se esconder em o nosso dormitório . Isto_é , se o Potter o escolheu como próxima vítima é melhor que ele tenha um * low profile * durante algum tempo . É claro que o Justin já estava a a espera que alguma coisa de o género acontecesse desde_que lhe escapou em uma conversa com o Potter que era filho de Muggles . O Justin disse lhe , inclusivamente , que tinha estado inscrito em Eton . Não é o tipo de coisa que se ande a dizer com o herdeiro de Slytherin a a solta por aí . - Achas mesmo_que é o Potter , Ernie ? - perguntou uma rapariga de tranças loiras , ansiosamente . - Hannah - disse com solenidade o rapaz corpulento . - Ele é um serpentês . Todos sabem que essa é a marca de um feiticeiro negro . Alguma vez ouviste falar de um feiticeiro decente que falasse com as cobras ? O Slytherin era conhecido por « Língua de serpente . . Houve alguns murmúrios antes de Ernie prosseguir : - Lembram se do_que estava escrito em a parede ? * _ Inimigos de o herdeiro , cuidado ! * . O Potter teve que ir a o gabinete de o Filch . E o que é_que acontece a seguir ? A gata de o Filch é atacada . O aluno de o primeiro ano , Creevey , estava a aborrecê o em a partida de Quidditch , a tirar lhe fotografias quando ele estava caído em a lama . E o que é_que acontece a seguir ? Creevey é atacado . - Mas ele parece sempre ser tão simpático - disse Hannah , cheia de dúvidas . - E , bem , foi ele que fez com que o Quem nós sabemos desaparecesse . Não pode ser assim tão mau , pois não ? Ernie baixou misteriosamente a voz . Os Hufflepuff inclinaram se mais uns para os outros e Harry aproximou se para conseguir apanhar as palavras de o Ernie . - Ninguém sabe como ele sobreviveu a aquele ataque de o Quem nós sabemos e , afinal , ainda era um bebé quando aquilo aconteceu . Era para ter explodido feito em estilhaços . Só um feiticeiro negro verdadeiramente poderoso teria sobrevivido a uma maldição de aquelas . - Baixou ainda mais a voz até esta ficar reduzida a um leve murmúrio e disse : - Talvez fosse por isso que o Quem nós sabemos o queria matar , para não ter outro feiticeiro negro a competir com ele . Gostava de saber que outros poderes ocultos terá o Potter . Harry não aguentou mais . Pigarreou alto e saiu detrás de as estantes . Se não estivesse tão zangado teria conseguido ver o lado cómico de a situação : cada_um de os Hufflepuff olhava para ele como_se tivesse sido petrificado , e a cor desaparecera de a cara de o Ernie . - Olá - disse Harry . - Estou a a procura de o Justin_Finch - _ Fletchley . Os piores receios de os Hufflepuff tinham se concretizado . Olharam apavorados para o Ernie . - O que queres de ele ? - perguntou Ernie em uma voz sumida . - Explicar lhe o que aconteceu com aquela cobra em o clube de os duelos - disse Harry . Ernie mordeu os lábios brancos e , em seguida , respirando fundo , respondeu : - Estávamos lá todos . Vimos o que aconteceu . - Então viram que depois de eu falar a serpente recuou - disse Harry . - O que eu vi - insistiu teimosamente Ernie , apesar_de tremer a cada palavra que proferia - foi tu a falares serpentês e a atiçares a cobra conta o Justin . - Eu não a aticei - gritou Harry enraivecido . - Ela nem lhe tocou . - Falhou por_pouco - disse Ernie . - E , para o caso de estares com ideias - acrescentou com má cara - posso dizer te que a minha família provem de nove gerações de bruxas e feiticeiros e que o meu sangue é tão puro como o de qualquer feiticeiro , portanto ... - Quero lá saber qual é o teu sangue - disse Harry furioso . - Porque iria eu atacar os filhos de os Muggles ? - Ouvi dizer que detestas os Muggles com quem vives - disse Ernie rapidamente . - Não é possível viver com os Dursley sem os detestar - explicou Harry . - Gostava de te ver lá em casa . Girou sobre os calcanhares e saiu furioso de a biblioteca sob o olhar reprovador de Madam_Prince que limpava a capa dourada de um enorme livro de encantamentos . Harry avançou a as cegas por os corredores , quase sem ver por_onde ia de tão furioso que estava . O resultado foi chocar com algo enorme e sólido que o fez recuar e cair a o chão . - Ah ! Olá , Hagrid - disse , olhando para_cima . Hagrid tinha o rosto completamente tapado com um lenço coberto de neve , mas não podia ser mais ninguém , enchendo assim o corredor dentro de o seu sobretudo de pele de toupeira . De uma de as enormes mãos enluvadas , pendia um galo morto . - Tudo bem , Harry ? - perguntou , afastando o lenço para poder falar . - Porque não estás em a aula ? - Foi cancelada - disse Harry , pondo se de pé . - O que estás a fazer aqui ? Hagrid mostrou lhe o galo inerte . - É o segundo qu'aparece morto este período - explicou . - Ou são raposas ou um vampiro chato e eu preciso d'autorização de o director p'ra fazer um feitiço em volta de a capoeira . Aproximou se e olhou mais de perto para o Harry , por debaixo de as suas sobrancelhas espessas e cheias de neve . - Tens a certeza que estás bem ? Pareces exaltado e preocupado . Harry não foi capaz de repetir o que Ernie e os outros Hufflepuff lhe tinham dito . - Não é nada , tenho de ir , Hagrid . A próxima aula é Transfiguração e preciso de ir buscar os meus livros . Afastou se , a cabeça cheia com tudo_o_que Ernie dissera a seu respeito . « * _ O_Justin já estava d espera que uma coisa de o género acontecesse desde_que deixou escapar , falando com o Potter , que era filho de Muggles * ... » Harry subiu as escadas a correr e entrou por um corredor que estava particularmente escuro . As tochas tinham sido apagadas por uma ventania gelada que entrava por uma janela de fecho estragado . Estava a meio de o corredor quando tropeçou em uma coisa que se encontrava em o chão . Olhou para ver o que era e sentiu como_se o estômago se tivesse dissolvido . Justin_Finch - _ Fletchley estava em o chão , rígido e frio com uma expressão de horror em o rosto e os olhos abertos voltados para o tecto . E não era tudo . Junto de ele estava mais alguém , a visão mais estranha que Harry tivera em toda_a sua vida . Era_o_Nick quase sem cabeça que não estava cor de pérola nem transparente e sim escuro como fumo . Flutuava imóvel , em a horizontal , 12 centímetros acima de o chão , a cabeça meio tombada e em o rosto uma expressão de choque idêntica a a de o Justin . Harry pôs se de pé com a respiração acelerada e o coração a bater como um tambor contra as costelas . Olhou desvairado para ambos os lados de o corredor deserto e viu uma fila de aranhas que corriam a_toda_a velocidade em a direcção oposta a a de os corpos . Os únicos sons eram as vozes abafadas de os professores em as aulas que decorriam de ambos os lados . Podia fugir e ninguém saberia que ali tinha estado , mas não era capaz de os abandonar assim . Tinha de ir procurar ajuda . Será que alguém acreditaria que ele não tivera nada que ver com aquilo ? Enquanto ali estava , em pânico , uma porta a o seu lado abriu se com grande estrondo . Peeves , o * poltergeist * , saiu a os gritos . - Oh ! É o Potter , olá , Potter - alardeou Peeves , lançando por o ar os óculos de o Harry quando passou por ele . - O que está o Potter a fazer ? Porque está o Potter escondido ? Peeves passou de cabeça para baixo , a meio de uma cambalhota em o ar , quando viu Justin e Nick quase sem cabeça . Com um movimento súbito endireitou se , encheu os pulmões de ar e , antes que Harry pudesse impedi o , gritou : __ ataque ! ataque ! outro ataque ! nenhum mortal ou fantasma está em segurança . corram , fujam , __ ataaaque ! Crac , Crac , Crac . Uma atrás de a outra , foram se abrindo todas_as portas a o longo de o corredor e as pessoas saíram para fora de as salas de aula . Durante alguns longos minutos houve uma tal confusão que Justin esteve em perigo de ser esmagado e as pessoas não paravam de chocar com o Nick quase sem cabeça . Harry deu por si colado a a parede enquanto os professores exigiam a os gritos que se fizesse silêncio . A professora Mc_Gonagall veio a correr , seguida por todos os alunos , um de os quais ainda trazia o cabelo a as riscas pretas e brancas . Usou a varinha para produzir um ruído que repôs o silêncio e mandou os alunos todos para dentro de as salas de aula . Mal lugar ficou desimpedido surgiu Ernie , o jovem Hufflepuff . - * _ Apanhado em flagrante ! * - gritou , com o rosto totalmente branco , apontando dramaticamente o dedo par Harry . - Basta_Mcmillan - disse , de forma cortante , a professora Mc_Gonagall . Peeves andava para_cima e para baixo , observando a cena com um sorriso maldoso . Sempre adorara o caos . Quando os professores se inclinaram sobre Justin e sobre o Nick quase sem cabeça para os examinar , iniciou uma cantilena : * _ Oh ! Potter , que fizeste , seu grande bandido * _ Tu matas os estudantes porque achas divertido . * - Basta , Peeves - rosnou a professora Mc_Gonagall e Peeves afastou se , deitando a língua de_fora a o Harry . Justin foi levado para a ala hospitalar por o professor Flitwick e por o professor Sinistra_do_Departamento_de_Astronomia , mas ninguém parecia saber o que fazer em relação a o Nick quase sem cabeça . Por fim , a professora Mc_Gonagall fez aparecer em o ar um enorme leque que entregou a Ernie com o encargo de conduzir , escadas acima , por os ares o Nick quase sem cabeça . Ernie assim fez , soprando Nick como_se fosse um aerodeslizador e deixando , de este modo , o Harry e a professora Mc_Gonagall a sós . - Por aqui , Potter - disse ela . - Professora , eu juro que não ... - Isso não é comigo , Potter - afirmou a professora Mc_Gonagall sinteticamente . Caminharam em silêncio até uma esquina e ela parou perante uma gárgula de pedra extremamente feia . - Refresco de limão - disse . Era obviamente uma senha porque a gárgula animou se subitamente e saltou para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes . Apesar_de estar apavorado com o que ia acontecer a seguir , Harry não conseguiu evitar um sentimento de fascínio . Por detrás de a parede estava uma escada em espiral que se movia lentamente para_cima como um elevador . E quando ele e a professora Mc_Gonagall puseram os pés em o primeiro degrau , Harry ouviu a parede fechar se atrás de eles . Subiram em círculos , cada_vez_mais alto até que , por fim , um_pouco tonto , Harry pôde ver uma porta de carvalho reluzente com um puxador de bronze em forma de abutre . Harry calculava onde estava a ser levado . Devia ser ali que morava Dumbledore . XII_A poção * polisuco * Saltaram de a escada de pedra lá mesmo em cima e a professora Mc_Gonagall bateu a a porta . Ela abriu se silenciosamente dando lhes entrada . A professora Mc_Gonagall disse lhe que esperasse e deixou o sozinho . Harry olhou em volta . Uma coisa era certa : de todos o escritórios de professores que conhecia , o de Dumbledor era , de longe , o mais interessante . Se não estivesse com um medo de morte de ser expulso teria adorado explorá o . Era uma sala grande e bonita em forma de círculo que estava cheia de barulhinhos estranhos . Havia um grande número de instrumentos prateados sobre várias mesas de pernas finas que zumbiam emitindo pequenas baforadas de fumo . As paredes estavam cobertas de fotografias de antigos directores e directoras , todos eles a dormir tranquilamente em as suas molduras . Havia ainda uma enorme secretária pés de garra . E , sobre uma prateleira atrás de ela , um chapéu de feiticeiro andrajoso e puído : * o chapéu seleccionador * . Harry hesitou . Lançou um olhar cauteloso a as bruxas e feiticeiros adormecidos a o longo de as paredes . Com certeza não fazia mal se lhe pegasse e o experimentasse só para ver ... só para ter a certeza de que ele o pusera em a equipa certa . Deu a volta a a secretária , retirou o chapéu de a prateleira e baixou o lentamente sobre a cabeça . Era demasiado grande e escorregou lhe para os olhos como de a outra_vez que o tinha posto . Harry olhou para o forro preto , enquanto esperava . Por fim , uma vozinha disse lhe a o ouvido : - Estás com macaquinhos em o sótão , Harry_Potter ? - Er ... sim - balbuciou Harry . - Er ... desculpa incomodar te , queria saber ... - Querias saber se te pus em a equipa certa - disse prontamente o chapéu . - Sim ... tu és particularmente difícil de seleccionar , mas eu mantenho o que disse antes . - O coração de Harry deu um salto . - Terias ficado bem em os Slytherin . Harry sentiu o estômago contorcer se . Agarrou o chapéu por a aba e tirou o de a cabeça . O chapéu seleccionador ficou pendurado em a mão de ele , inerte , desbotado e sujo . Harry voltou a pô o em a prateleira , sentindo se enjoado . - Estás enganado ! - disse em voz alta a o chapéu parado e silencioso , mas ele não se mexeu . Harry recuou para o observar melhor e foi então que ouviu um ruído estranho e grasnado atrás_de si que o fez dar uma volta . Não estava só , afinal_de_contas . Em um poleiro dourado atrás de a porta estava um pássaro de aspecto decrépito que parecia um peru meio depenado . Harry olhou para ele espantado e o pássaro olhou o também , grasnando de_novo . Harry achou que ele devia estar muito doente porque tinha os olhos parados e , enquanto olhava para ele , caíram lhe mais algumas penas de a cauda . Estava justamente a pensar que a única coisa que lhe faltava era que o pássaro de estimação de Dumbledore morresse quando ele estava ali sozinho com ele , em o escritório , quando a ave se incendiou . Harry gritou , em estado de choque , e recuou até a a secretária . Olhava nervosamente em volta , em busca de um jarro de água , mas não viu nenhum . O pássaro , entretanto , transformara se em uma bola de fogo , dera um guincho e , em seguida , desaparecera , deixando apenas um monte de cinzas em o chão . A porta de o escritório abriu se . Dumbledore entrou com ar taciturno . - Professor - gaguejou Harry . - O seu pássaro ... eu não pode fazer nada ... ele incendiou se . Para seu grande espanto , Dumbledore sorriu . - Já não era sem tempo . Estava com um aspecto horrível em os últimos dias . Fartei me de lhe dizer que fizesse qualquer coisa . Riu se entre dentes com a expressão em o rosto de Harry . - A Fawkes é uma fénix , Harry . As fénix ardem quando é altura de morrer e renascem de as cinzas , repara ... Harry olhou mesmo a_tempo_de ver um passarinho recém-nascido , todo enrugado , espetar a cabeça fora de as cinzas . Era quase tão feio como o antigo . - É uma pena que a tenhas conhecido em dia de arder - disse Dumbledore , passando para trás de a secretária . - É muito bonita a maior parte de o tempo , com uma plumagem vermelha e dourada . São criaturas fascinantes , as fénix . Podem transportar cargas pesadíssimas , as suas lágrimas têm propriedades curativas e são animais de estimação extremamente fiéis . Com o choque de a fénix a pegar fogo , Harry esquecera se de o motivo porque ali estava , mas tudo voltou rapidamente quando Dumbledore se instalou em a cadeira de espaldar alto e o fixou com os seus olhos azuis e penetrantes . Contudo , antes que ele tivesse tido tempo de falar , a porta de o escritório abriu se de par em par com um enorme estrondo e Hagrid entrou com um olhar tresloucado , o lenço todo torcido em volta de a cabeça hirsuta e o galo morto ainda pendurado em a mão . - Não foi Harry , professor Dumbledore - disse , aflito . - Eu tinha estado a falar com ele poucos segundos antes de o rapazinho ser encontrado , ele não teve tempo professor ... Dumbledore tentou dizer qualquer coisa , mas Hagrid continuou , abanando o galo em o meio de a sua agitação e espalhando penas por todo o lado . - Não pode ter sido ele . Eu juro em a frente de o ministro de a magia , se for preciso ... - Hagrid , eu ... -- Tem o rapaz errado , professor . Eu sei qu'o Harry nunca ... - Hagrid - disse Dumbledore , elevando a voz . - Eu não penso que o Harry tenha atacado aquelas pessoas . - Oh ! - disse Hagrid , com o galo pendendo inerte a o seu lado . - Certo , ' tão eu espero lá fora , director . E saiu com ar envergonhado . - O senhor não acha que tenha sido eu ? - repetiu Harry cheio de esperança , enquanto Dumbledore sacudia penas de galo de cima de a secretária . - Não , Harry , não acho - afirmou Dumbledore , apesar de a sua expressão ser de_novo sombria . - Mas mesmo_assim quero falar contigo . Harry esperou ansiosamente enquanto o director o observava com as pontas de os dedos longos unidas . - Tenho de saber uma coisa . Harry , há alguma pergunta que queiras fazer me , qualquer que ela seja ? Harry não soube o que dizer . Lembrou se de Malfoy a gritar * _ Vocês serão os próximos , sangues de lama * e de a poção * _ Polisuco * em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Depois pensou em a voz sem corpo que ouvira duas vezes e em o que o Ron dissera * _ Ouvir vozes que ninguém mais ouve não é bom sinal , nem mesmo em o mundo de a feitiçaria * . Pensou também em o que toda_a_gente dizia de ele e em o receio cada_vez maior de ter uma relação qualquer com Salazar_Slytherin ... - Não - disse por fim . - Não há nada , professor . O ataque duplo a Justin e a o Nick quase sem cabeça transformou o que até_então era nervosismo em verdadeiro pânico . Curiosamente fora o destino de o Nick quase sem cabeça o que mais preocupara as pessoas . Quem poderia ter feito aquilo a um fantasma ? - perguntavam uns a os outros . - Que poder terrível era aquele , capaz de afectar alguém que já tinha morrido ? Houve uma precipitação enorme em a marcação de os bilhetes em o Expresso_de_Hogwarts , pois todos os alunos quiseram ir passar o Natal a casa . - Por este caminho , vamos ser os únicos a ficar - disse o Ron a o Harry e a a Hermione . - Nós , o Malfoy , o Goyle e o Crabbe , que férias lindas que vão ser ! Crabbe e Goyle que faziam sempre o que Malfoy fazia , tinham se inscrito para ficar também durante as férias . Mas Harry estava contente por a maior parte se ir embora . Estava farto de ver gente a afastar se em os corredores como_se ele fosse mostrar os dentes ou cuspir veneno . Estava cansado de tantos segredinhos , de os ver apontar e segredar quando passava . O Fred e o George , esses achavam muito divertido . Vinham , de propósito , pôr se a a frente de ele e atravessavam os corredores a gritar : - Abram alas para o herdeiro de Slytherin , vai passar um feiticeiro verdadeiramente cruel . Percy discordava totalmente de este comportamento . - Não é um assunto para se brincar - dizia com frieza . - Sai mas é de o caminho , Percy - dizia o Fred . - O Harry está com pressa . - Sim , ele vai a a Câmara_dos_Segredos tomar uma chávena de chá com o seu servidor dentes de serpente - completava Fred com uma gargalhada . Ginny também não lhes achava graça . - Cala te - gritava ela sempre_que o Fred perguntava em voz alta a o Harry quem estava a pensar atacar a seguir , ou quando George fingia afastá o com um enorme dente de alho . Harry não se importava . Fazia o sentir se melhor o facto de constatar que , pelo_menos para o Fred e para o George , a ideia de ele ser o herdeiro de Slytherin era absolutamente ridícula . Mas as palhaçadas de eles pareciam ofender Draco_Malfoy que , de cada_vez que os via , ficava mais irritado . - É porque está ansioso por dizer que é mesmo ele - disse o Ron com ar conhecedor . - Sabes como ele detesta que alguém o ultrapasse e tu estás a receber todo o crédito por o seu trabalho sujo . - Não vai ser por muito_tempo - disse Hermione com uma voz satisfeita . - A poção * polisuco * está quase pronta . Um de estes dias arrancamos lhe a verdade . Finalmente , o período chegou a o seu termo e um silêncio profundo como a neve em os campos desceu sobre o castelo . Harry adorou a tranquilidade e apreciou o facto de ele , Hermione e os Weasley terem a torre de os Gryffindor por sua conta , poderem jogar a as explosões bem alto , sem incomodar ninguém e praticar duelos entre si . O Fred , o George e a Ginny tinham preferido ficar em a escola a ir com Mr. e Mrs._Weasley a o Egipto visitar o Bill . Percy que reprovava e considerava infantil a conduta de eles , não passava muito_tempo em a sala comum de os Gryffindor . Já lhes dissera pomposamente que só ficara ali em o Natal , por ser sua obrigação como prefeito apoiar os professores em aquela época agitada . A manhã de o dia de Natal clareou branca e fria . Harry e Ron , os únicos que estavam em o dormitório , foram acordados muito cedo por Hermione que entrou , toda vestida , transportando presentes para ambos . - Acordem - disse em voz alta , abrindo os cortinados . - Hermione , tu não devias estar aqui - exclamou o Ron , protegendo os olhos de a luz . - Feliz_Natal para ti também - disse Hermione , atirando lhe o presente que tinha para ele . - Estou acordada há quase uma hora , acrescentando mais asas de renda a a poção . Está pronta . Harry sentou se , subitamente acordado . - Tens a certeza ? - Absoluta - disse ela , afastando o rato Scrabbers para se sentar a os pés de a cama de dossel . - Se vamos mesmo tomá a , acho que devia ser logo a a noite . Em esse momentzo , a Hedwig entrou em o quarto , transportando em o bico um embrulho pequenino . - Olá - disse Harry , feliz a o vê a aterrar em a sua cama . - Já me falas outra_vez ? Ela mordiscou lhe a orelha de uma forma afectuosa que foi , de longe , um presente melhor do_que aquele que transportava e que era afinal de os Dursley . Tinham mandado a Harry um palito para os dentes com um cartão pedindo lhe que se informasse se não poderia ficar , também em o Verão , em Hogwarts . Os outros presentes que Harry recebeu foram bastante melhores . Hagrid mandara lhe uma lata grande de bombons de melaço que ele decidiu amolecer a o lume antes de comer , o Ron deu lhe um livro chamado * _ Voando com Canhões * , que narrava factos interessantes sobre a sua equipa favorita de Quidditch e Hermione trouxera lhe uma luxuosa pena de águia . Harry abriu o último presente onde vinha uma camisola novinha , feita a a mão por Mrs._Weasley e um grande bolo de passas . Pegou em o cartão com uma nova sensação de culpa , pensando em o carro de Mr._Weasley que não voltara a ser visto desde_que chocara contra o salgueiro zurzidor e em a quantidade de infracções que ele e o Ron tinham em mente . Ninguém , nem mesmo os que estavam cheios de medo por terem de tomar a poção * polisuco * a seguir , deixou de adorar o jantar de Natal em Hogwarts . O salão nobre estava magnífico . Não_só havia uma_dúzia de árvores de Natal , cobertas de geada e espessas serpentinas de azevinho e visco bravo cruzando se junto de o tecto como caia uma neve encantada quente e seca . Dumbledore conduziu os em uma de as suas canções de Natal preferidas enquanto Hagrid se agitava , falando cada_vez_mais alto , a cada gole de gemada que tomava . O Percy que não dera por_que Fred enfeitiçara o seu distintivo de prefeito , onde agora podia ler se « cabeça de alfinetes « , continuava a perguntar a todos para_onde estavam a olhar . Harry nem_sequer se importou com os comentários que Draco_Malfoy fazia bem alto , de a mesa de os Slytherin acerca de a sua camisola nova . Com alguma sorte , Malfoy iria ser desmascarado dentro_de algumas horas . Harry e Ron mal tinham acabado a terceira dose de pudim de Natal quando Hermione os fez sair de o salão a a pressa para acabarem de tratar de os planos para essa noite . - Ainda precisamos de um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos - disse com o ar mais natural de este mundo como_se estivesse a mandá os a o supermercado comprar detergente . - E , é claro que o ideal será conseguirmos alguma coisa de o Crabbe e de o Goyle , são os melhores amigos de o Malfoy , ele conta lhes tudo . E precisamos também de ter a certeza de que eles não vão entrar em a sala quando vocês estiverem a interrogar o Malfoy . - Eu tenho tudo pensado - prosseguiu ela , ignorando a expressão estupefacta de Harry e Ron . Pegou em dois apetitosos bolos de chocolate . - Pus lhes um encantamento de sono . Vocês só têm de fazer com que o Crabbe e o Goyle os encontrem . Sabem como eles são gulosos , vão logo comê os . Quando estiverem a dormir , tirem lhes alguns cabelos e escondam nos em uma despensa de vassouras . Harry e Ron olharam , incrédulos , um para o outro . -- Hermione , eu não creio que ... -- Isto pode correr muito mal ... Mas Hermione tinha um brilho inflexível em os olhos que não era muito diferente do_que costumavam ver em o olhar de a professora Mc_Gonagall . - A poção não nos serve de nada sem os cabelos de o Crabbe e de o Goyle - disse com firmeza . - Vocês querem mesmo descobrir coisas sobre o Malfoy , não querem ? - Pronto , está bem - disse Harry . - Mas , e tu , vais arranjar cabelos de quem ? - Eu já tenho esse assunto resolvido - disse Hermione sorridente , tirando um frasquinho de o bolso e mostrando lhes um cabelo que lá estava dentro . - Lembram se de a Millicent_Bulstrode que lutou comigo em o clube de os duelos ? Ela deixou isto em o meu manto quando tentava estrangular me . E foi passar o Natal a casa , portanto , basta me dizer a os Slytherins que decidi voltar . Quando Hermione saiu para verificar de_novo a poção polisuco , Ron voltou se para Harry com uma expressão lúgubre . - Alguma vez viste um plano onde tantas coisas pudessem correr mal ? Mas para grande espanto de ambos , a primeira fase de a operação decorreu tão naturalmente como Hermione previra . Eles esconderam se em o * hall * de entrada , depois de o lanche de Natal , a a espera de o Crabbe e de o Goyle que tinham ficado sozinhos a a mesa de os Slytherin , deitando abaixo a quarta dose de bolo inglês . Harry colocou os bolos de chocolate em o fim de o corrimão . Quando avistaram Crabbe e Goyle a sair de o salão , Harry e Ron esconderam se rapidamente atrás_de uma armadura que estava junto de a porta de entrada . - Como_se pode ser tão estúpido ? - murmurou Ron sem se mexer enquanto Crabbe apontava satisfeitíssimo , mostrando a Goyle os bolos e agarrando os . Com um riso estúpido , enfiaram nos inteiros em as bocas enormes . Durante um momento , ambos mastigaram avidamente com olhares vitoriosos em o rosto . Depois , sem que a expressão se alterasse , caíram para trás e estatelaram se em o chão . Mais difícil foi transportá os para a despensa de o outro lado de o * hall * . Uma_vez armazenados em o meio de os baldes e esfregões , Harry arrancou alguns de os pêlos que cobriam a cabeça de o Goyle e Ron tirou alguns cabelos a o Crabbe . Roubaram lhes também os sapatos porque os de eles eram demasiado pequenos para os enormes pés de o Crabbe e de o Goyle . Em seguida , ainda atordoados com o que tinham acabado de fazer , correram até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mal conseguiam ver com o fumo preto e espesso que saía de o cubículo onde Hermione mexia o caldeirão . Tapando o rosto com os mantos , Harry e Ron bateram a o de leve em a porta . - Hermione ? Ouviram o ruído de o trinco e Hermione apareceu com a cara lustrosa e um ar ansioso . Por trás de ela ouviam o gloop gloop de a poção espessa e gorgolejante . Em o banco de a casa_de_banho estavam três copos de vidro . - Conseguiram ? - perguntou Hermione quase sem fôlego . Harry mostrou lhe o cabelo de o Goyle . - _ óptimo . Eu tirei estes mantos suplementares de a lavandaria - disse ela , pegando em uma pequena saca . - Vocês vão precisar de tamanhos maiores se vão ser o Crabbe e o Goyle . Olharam os três para o caldeirão . Vista de perto , a poção parecia uma lama espessa e escura a borbulhar indolentemente . - Tenho a certeza que fiz tudo certo - disse Hermione nervosa , relendo a página manchada de * _ Moste_Potente_Potions * . - Tem o aspecto que o livro diz que deveria ter ... depois de a tomar temos precisamente uma hora antes de nos transformarmos de_novo em as pessoas que somos . - E agora ? - murmurou o Ron . - Separamos a em três copos e adicionamos os cabelos . Hermione encheu cada_um de os copos com uma concha de sopa . Em seguida , retirou com a mão a tremer o cabelo de Millicent_Bulstrode de dentro de o frasquinho e pô o em o primeiro copo . A poção chiou fortemente como uma chaleira a ferver e espumou como louca . Um segundo depois ganhara um tom de amarelo doentio . - Urgh ! Essência_de_Millicent_Bulstrode - disse Ron , olhando com repugnância . - Aposto que o sabor é nojento . - Deitem os vossos - disse Hermione . Harry deixou cair o cabelo de o Goyle em o copo de o meio e Ron lançou o de o Crabbe em o último . Ambos chiaram e espumaram : o de o Goyle ficou de um tom caqui , o de o Crabbe de um castanho-escuro algo tenebroso . - Esperem - pediu Harry quando Ron e Hermione pegaram em os copos . - Será melhor não os tomarmos aqui todos juntos em um cubículo ; quando em os transformarmos não vamos cá caber e Millicent_Bulstrode não é nenhum duende . - Bem pensado - admitiu o Ron , abrindo a porta . - Cada_um em seu cubículo . Com todo o cuidado , para não entornar nem uma gota de a poção polisuco , Harry esgueirou se para o cubículo de o meio . - Prontos ? - perguntou . - Prontos - responderam as vozes de o Ron e de a Hermione . - Um , dois , três . Tapando o nariz , Harry bebeu a poção em dois grandes tragos . Tinha o sabor de a couve demasiado cozida . Os seus interiores começaram imediatamente a contorcer se como_se tivesse engolido serpentes vivas . Dobrado , Harry perguntava a si próprio se iria vomitar . Depois , uma sensação de ardor espalhou se rapidamente de o estômago até a as pontas de os dedos de as mãos e de os pés . Em seguida , fazendo o sobressaltar se , sobreveio o sentimento horrível de estar a derreter enquanto a pele de todo o seu corpo borbulhava como cera quente e , perante os seus olhos , as mãos começaram a crescer , os dedos a engrossar , as unhas a alargar e as articulações a tornarem se protuberantes como ferrolhos . Os ombros retesaram se dolorosamente e uma comichão em a testa preveniu o de que o cabelo estava a rastejar em direcção a as sobrancelhas . As túnicas rasgaram se enquanto o tórax se expandia como um barril , rebentando com os seus anéis . Os pés estavam em grande sofrimento dentro_de sapatos quatro números abaixo . Tão depressa como começara , tudo parou . Harry estava caído em o chão de pedra fria , ouvindo a Murta_Queixosa gorgolejando taciturna em o cubículo de o fundo . Com alguma dificuldade tirou os sapatos e levantou se . Era então assim que o Goyle se sentia ! Com a mão enorme a tremer , despiu a sua túnica que lhe ficava 30 centímetros acima de os tornozelos , pegou em as túnicas suplementares e amarrou os atacadores de os sapatos abotinados de o Goyle . Quis escovar o cabelo para o afastar um_pouco de os olhos e deu apenas com os pêlos hirsutos que lhe cresciam em a testa . Apercebeu se então de que os óculos lhe toldavam a visão porque o Goyle , obviamente , não precisava de eles . Tirou os e gritou . - Vocês estão bem ? - De a sua boca saiu a voz baixa e grossa de o Goyle . - Sim - respondeu lhe o grunhido de o Crabbe , a a sua direita . Harry abriu a porta de o cubículo e dirigiu se a o espelho partido . O Goyle olhava o de o outro lado com os seus olhos parados . Harry coçou a orelha e Goyle fez o mesmo . A porta de o Ron abriu se . Olharam um para o outro . Harry estava pálido e chocado . O amigo não se distinguia de o Crabbe , desde o corte de cabelo em forma de tigela até a os longos braços de gorila . - É inacreditável - disse o Ron , aproximando se de o espelho e beliscando o nariz achatado de o Crabbe . - Inacreditável ! - É melhor irmos indo - disse Harry , alargando a pulseira de o relógio que lhe cortava o pulso . - Ainda temos de descobrir onde fica a sala comum de Slytherin . Só espero que encontremos alguém que vá para lá e que nós possamos seguir . Ron que tinha estado a olhar espantado para ele , comentou : - Não imaginas como é bizarro ver o Goyle a pensar - bateu em a porta de Hermione . - Vamos , temos que ir ... Respondeu lhe uma voz aguda : - Eu ... eu acho que afinal não vou . Vão vocês sem mim . - Hermione , nós sabemos que a Millicent_Bulstrode é feia , ninguém vai pensar que és tu . - Não , a sério , acho que não vou . Despachem se vocês os dois , estão a perder tempo . Harry olhou para Ron , baralhado . - Aquilo parece mais de o Goyle , é como ele fica sempre_que algum professor lhe faz uma pergunta . - Estás bem , Hermione ? - perguntou Harry , através de a porta . - _ óptima , estou óptima , vão se embora . Harry olhou para o relógio . Cinco preciosos minutos tinham já passado . - Encontramo nos aqui , está bem ? - disse . Os dois abriram a porta de a casa_de_banho com todo o cuidado , viram se o caminho estava livre e saíram . - Não balances assim os braços - disse o Harry a o Ron . - Hein ? - O Crabbe anda sempre com eles esticados . - Assim ? - Isso , assim está melhor . Desceram a escadaria de mármore . Só precisavam agora de um Slytherin que pudessem seguir até a a sala comum , mas não havia ninguém por perto . - Tens alguma ideia ? - perguntou Harry em um murmúrio . - Os Slytherin vêm sempre de ali para o pequeno-almoço - disse o Ron , apontando para a entrada de os calabouços . Mal tinha pronunciado estas palavras quando uma rapariga de cabelo comprido a os caracóis , apareceu . - Desculpa - disse o Ron , sem perder tempo . - Esquecemo nos de o caminho para a nossa sala comum . - Como ? - disse a rapariga com a maior frieza . - A * nossa * sala comum ? Eu sou uma Ravenclaw . Afastou se , olhando para eles , desconfiada . Harry e Ron desceram apressadamente os degraus de pedra até a a escuridão . Os passos ecoavam em o silêncio , à_medida_que os pés enormes de Crabbe e Goyle tocavam em o chão , fazendo os sentir que as coisas não iam ser tão fáceis como eles desejavam . Os corredores labirínticos estavam desertos . Andaram e tornaram a andar por os subterrâneos , olhando constantemente para os relógios para ver quanto tempo ainda lhes restava . Depois de um quarto de hora , quando começavam a ficar desesperados , ouviram um movimento súbito . - Olha - disse o Ron , agitadamente . - Agora é um de eles . A silhueta saía de uma sala , mas quando se aproximaram o coração de ambos esmoreceu . Não era um Slytherin , era Percy . - O que estás a fazer aqui em baixo ? - perguntou o Ron surpreendido . - Isso - disse ele friamente - não é de a tua conta . És o Crabbe , não és ? - Er ... sim , sim - respondeu o Ron . - Então vão para o vosso dormitório - ordenou Percy com firmeza . - Não é seguro andar a passear por os corredores escuros em os dias que correm . - Tu andas -- fez notar o Ron . - Eu - disse o Percy endireitando se - sou um prefeito . Nada vai atacar me . Ouviu se , de repente , uma voz por_detrás_de Harry e Ron . Era_Draco_Malfoy e , pela_primeira_vez em a vida , Harry ficou satisfeito a o vê o . - Aí estão vocês - disse de modo arrastado , olhando para eles . - Têm estado a chafurdar em o salão este tempo todo ? Tenho andado a a vossa procura , quero mostrar vos uma coisa muito divertida . Malfoy olhou misteriosamente para Percy . - E o que fazes tu aqui , Weasley ? - perguntou com ar de desprezo . Percy olhou , sentindo se ultrajado . - Fazes favor de mostrar um_pouco mais de respeito por um prefeito de a escola - disse . - Não gosto de o teu ar . Malfoy riu se e fez sinal a o Harry e a o Ron para que o seguissem . Harry quase ia pedindo desculpa a o Percy , mas deu se conta a tempo . Apressaram se a seguir o Malfoy que disse , mal viraram em o corredor seguinte : - Aquele Peter_Weasley ... - O Percy - corrigiu Ron automaticamente . - Ou isso - continuou Malfoy . - Ultimamente tenho o visto muitas_vezes a andar por aí sorrateiramente e aposto que sei o que ele quer . Pensa que vai apanhar o herdeiro de Slytherin sozinho . Deu uma pequena gargalhada ridícula . Harry e Ron trocaram olhares nervosos . Malfoy parou junto de uma parede de pedra húmida . - Qual é a senha ? - perguntou a o Harry . - Er ... - Ah ! sim , sangue puro - disse Malfoy sem ouvir e uma porta de pedra , oculta em a parede , abriu se . Malfoy entrou e Harry e Ron seguiram o . A sala comum de os Slytherin era uma ampla divisão subterrânea com espessas paredes de pedra e um tecto de o qual estavam pendurados por correntes vários candeeiros redondos que davam uma luz esverdeada . O fogo crepitava em uma lareira elaboradamente esculpida em frente de a qual se viam as silhuetas de vários Slytherins sentados em cadeiras igualmente esculpidas . - Esperem aí - disse Malfoy a o Harry e a o Ron , encaminhando os para um par de cadeiras vazias , longe de o lume . - Eu vou buscar o que o meu pai acaba de me mandar . Sem saber o que Malfoy iria mostrar lhes , Harry e Ron sentaram se , fazendo todos os possíveis por parecer a a vontade . Malfoy voltou um minuto depois , trazendo em a mão o que parecia ser um recorte de jornal . Pô o debaixo de o nariz de o Ron . - Vais te rir - disse . Harry viu os olhos de o Ron abrirem se como_se estivesse em estado de choque . Viu o ler o recorte rapidamente , dar uma gargalhada forçada e estender lhe o em seguida . Tinha sido retirado de o * _ Profeta_Diário * e dizia : inquérito em o ministério de a magia * _ Arthur_Weasley , chefe de o Gabinete_de_Mau_Uso_dos_Utensílios_dos_Muggles foi hoje multado em cinquenta galeões por ter enfeitiçado um carro de os Muggles . * _ O senhor Lucius_Malfoy , Membro_do_Conselho_Directivo_da_Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts , onde o carro enfeitiçado foi chocar em o princípio de este ano , exigiu hoje a demissão de Mr._Weasley . « * _ O_Weasley trouxe o descrédito a o Ministério « - declarou Mr._Malfoy a o nosso repórter . - « É claramente incompetente para fazer cumprir as leis e a sua protecção ridícula de os Muggles deveria ir imediatamente para a sucata . » * _ Mr._Weasley recusou se a fazer comentários , mas a sua mulher disse a os repórteres que desaparecessem de ali ou lançaria contra eles o vampiro de a família * . - Então - disse Malfoy impaciente quando Harry voltou a entregar lhe o recorte . - Não achas o_máximo ? - Ha , ha - fez Harry tristemente . - O Arthur_Weasley gosta tanto de os Muggles que era capaz de partir a sua varinha a o meio para se juntar a eles - disse Malfoy com desprezo . - Ninguém diria que os Weasley eram sangue puro a avaliar por o modo como_se comportam . A cara de o Ron , ou melhor , de o Crabbe , contorceu se de raiva . - O que é_que se passa ? - perguntou Malfoy . - Dores de estômago - gemeu o Ron . - Então vai a a ala hospitalar e dá a todos aqueles sangues de lama um pontapé de a minha parte - disse Malfoy com o seu riso escarninho . - Sabes que estou espantado por o * _ Profeta_Diário * ainda não se ter referido a todos estes ataques - continuou pensativamente . - Calculo que o Dumbledore deve estar a tentar abafar as coisas . Ele ainda é posto em a rua se isto não acaba depressa . O pai sempre disse que Dumbledore foi a pior coisa que aqui veio parar . Ele adora os filhos de os Muggles , um director decente nunca deixaria um lodo como o Creevey entrar em esta escola . Malfoy começou a fingir que tirava fotografias com uma máquina imaginária e fez uma imitação maldosa , mas bastante fiel de o Colin : - Potter , posso tirar te a fotografia ? Dás me um autógrafo ? Posso lamber te os sapatos , por favor , Potter ? Baixou as mãos e olhou para Harry e Ron . - O que é_que se passa com vocês os dois ? Um_pouco atrasados , Harry e Ron forçaram o riso e Malfoy pareceu satisfeito . Talvez Crabbe e Goyle fossem sempre de reacção lenta . - O santo Potter , amigo de os sangues de lama - disse Malfoy . - É outro que não tem os sentimentos de um feiticeiro a sério ou não andaria por aí com aquela empertigada sangue de lama Granger . E as pessoas a pensarem que ele é o herdeiro de Slytherin . Harry e Ron esperaram com a respiração entrecortada : o Malfoy ia certamente dizer lhes , dentro_de segundos , que era ele , mas então ... - Quem me dera saber quem ele é - disse o Malfoy , de forma petulante . - Podia ajudá o . O queixo de o Ron caiu de tal maneira que a cara de o Crabbe ficou ainda mais desajeitada do_que era habitual . Felizmente Malfoy não deu por nada e Harry , em um pensamento rápido , disse : - Deves ter alguma ideia de quem está por_detrás_de tudo ... - Sabes perfeitamente que não tenho , Goyle , quantas vezes é preciso dizer te ? - cortou Malfoy . - E o pai também não me diz nada sobre a última vez que a câmara foi aberta . É claro que foi há cinquenta anos , antes de ele cá andar , mas o pai sabe tudo a esse respeito e diz que as coisas foram mantidas em grande segredo e que pareceria suspeito se eu soubesse demasiado . Mas há uma coisa que eu sei : de a última vez que a câmara foi aberta , morreu um sangue de lama . Por isso , aposto que é uma questão de tempo até que um de eles seja morto . Só espero que seja a Granger - disse satisfeito . Ron fechara os punhos gigantescos de o Crabbe . Sentindo que deitaria tudo a perder se ele desse um soco a o Malfoy , Harry lançou lhe um olhar de aviso e disse : - Sabes se a pessoa que abriu a câmara de a última vez foi apanhada ? - Ah ! sim , essa pessoa foi expulsa - disse Malfoy . - Ainda deve estar em Azkaban . - Azkaban ? - repetiu Harry confuso . - Azkaban , a prisão de os feiticeiros , Goyle - disse Malfoy , olhando para ele incrédulo . - Francamente , se fosses mais lento andavas para trás . Esticou se intranquilo , em a cadeira e disse : - O pai diz para eu esfriar a cabeça e deixar que o herdeiro de Slytherin faça o seu trabalho . Acha que a escola precisa de se livrar de a escória de os sangues de lama , mas não quer que eu me envolva em nada . Claro que ele agora tem um prato cheio . Sabes que o Ministério de a magia fez uma busca a a nossa mansão em a semana passada ? Harry tentou forçar a cara de bronco de o Goyle a uma expressão preocupada . - Sim - continuou Malfoy . - É claro que não encontraram grande coisa . O pai guarda uns materiais de magia negra muito valiosos , mas , felizmente , temos a nossa câmara secreta debaixo de o soalho de a sala de visitas ... - Ah ! - disse o Ron . Malfoy olhou para ele . Harry também . Ron corou e até o cabelo começou a ficar vermelho . O nariz estava também a diminuir lentamente ... a hora tinha acabado . Ron estava a voltar a a sua forma habitual e por o olhar de horror que lançou a Harry certamente ele também estava . Puseram se rapidamente de pé . - Tenho de tomar o remédio para o estômago - grunhiu o Ron e sem mais explicações saíram ambos a correr de a sala comum de os Slytherin , precipitaram se para a parede de pedra e galgaram a passagem , pedindo a todos os santos que Malfoy não tivesse dado por nada . Harry sentia os pés a nadarem em os sapatos enormes de o Goyle e tinha de levantar o manto visto_que diminuíra de tamanho . Subiram os degraus a correr até a o * hall * escuro de entrada onde se ouvia um som abafado que vinha de a despensa onde tinham fechado o Crabbe e o Goyle . Deixando os sapatorros de os dois de o lado de_fora , subiram já com os respectivos sapatos a escadaria de mármore até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Bem , não foi uma total perda de tempo - disse o Ron ofegante , fechando atrás_de si a porta de a casa_de_banho . - É certo que ainda não descobrimos de quem vêm os ataques , mas vou escrever a o meu pai amanhã a dizer lhe que procure debaixo de o soalho de a sala de visitas de o Malfoy . Harry olhou para o espelho partido . Tinha voltado a o normal . Pôs os óculos enquanto Ron batia em a porta de o cubículo de Hermione . - Hermione , sai de aí , temos um monte de coisas para te contar ... - Vão se embora - guinchou Hermione . Harry e Ron olharam um para o outro . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron . - Tu já deves ter voltado a o normal como nós ... Mas a Murta_Queixosa saiu subitamente através de a porta de o cubículo com um ar divertido como nunca a tinham visto . - Oh ! Esperem até ver - disse ela . - É horrível ! Ouviram o trinco de a porta a abrir se e Hermione apareceu a soluçar , a túnica levantada a cobrir lhe o rosto . - O que foi ? - perguntou o Ron indistintamente . - Ainda tens o nariz de a Millicent ou alguma coisa assim ? Hermione deixou cair a roupa e Ron recuou rapidamente . O rosto de ela estava coberto de pêlo preto , os olhos tinham ganho uma cor amarela e as orelhas eram pontiagudas , saindo espetadas para fora de os cabelos . - Era um pêlo de g-gato - disse a chorar . - A Millicent_Bulstrode d-deve ter um gato e a poção não está preparada para transformação em animais . - Oh-oh - disse o Ron . - Vão te gozar horrivelmente - disse a Murta , felicíssima . - Não te preocupes , Hermione - tranquilizou a rapidamente o Harry . - Vamos levar te para a ala hospitalar , a Madam_Pomfrey nunca faz muitas perguntas ... Não foi fácil convencer Hermione a sair de a casa_de_banho . A Murta_Queixosa despediu se com uma gargalhadavigorosa e grosseira . - Espera até todos descobrirem que tens uma cauda ! XIII_O diário muito secreto Hermione ficou em a ala hospitalar durante várias semanas . Houve uma onda de boatos sobre o seu desaparecimento quando o resto de os alunos voltou de as férias de Natal porque , é claro , todos pensam que ela tinha sido atacada . Foram tantos os estudantes a rondar a ala hospitalar para espreitar a ver se a viam que Madam_Pomfrey desceu de_novo as cortinas de a cama de ela para a poupar a a vergonha de ser vista com pêlo em a cara . Harry e Ron iam visitá a todas_as tardes . Quando o segundo período começou passaram a levar lhe diariamente os trabalhos de casa . - Se eu tivesse o bigode a crescer , tinha uma folga de o trabalho - disse uma tarde o Ron enquanto colocava uma pilha de livros a a cabeceira de a cama de Hermione . - Não sejas parvo , Ron , eu tenho de me manter a par de as coisas - disse Hermione com vivacidade . O humor de ela melhorara bastante com o facto de lhe ter desaparecido todo o pêlo de o rosto e de os olhos estarem lentamente a retomar a cor castanha . - Calculo que não tenham novas pistas ? - disse em um murmúrio para evitar que Madam_Pomfrey os ouvisse . - Nada - disse Harry tristemente . - Eu tinha tanta certeza de que era o Malfoy - repetiu o Ron por a centésima vez . - O que é isso ? - perguntou Harry , apontando para uma coisa com brilho dourado que estava debaixo de a almofada de Hermione . - É só um cartão a desejar boas melhoras - disse ela precipitadamente , tentando escondê o , mas o Ron foi mais rápido . Pegou lhe , abriu o e leu em voz alta : * _ Para_Miss_Granger , desejando lhe uma rápida recuperação , com o interesse e estima de o professor Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , Terceiro grau , Membro_Honorário_da_Liga_de_Defesa contra as Artes_Negras e vencedor por cinco vezes de o prémio O sorriso mais charmoso de a semana de o Semanário_das_Bruxas * . Ron olhou desconsolado para Hermione . - Tu dormes com isto debaixo de a almofada ? Mas Hermione foi poupada a ter de responder por a entrada de Madam_Pomfrey que lhe trazia a dose de medicamento de a tarde . - Achas que o Lockhart é o tipo mais esperto que conheceste ? - perguntou o Ron a o Harry quando saíram de a enfermaria e começavam a subir as escadas para a torre de os Gryffindor . O Snape tinha lhes passado tanto trabalho para_casa que Harry pensou que ia chegar a o sexto ano antes de o ter acabado . Ron vinha a dizer que devia ter perguntado a a Hermione quantas caudas de rato deveria juntar se a uma poção para o crescimento de o cabelo quando um grito de raiva vindo de o andar de cima lhes chegou a os ouvidos . - É o Filch - murmurou Harry enquanto subiam apressadamente as escadas e paravam para ouvir melhor . - Terá mais alguém sido atacado ? - disse nervosamente o Ron . Ficaram parados com as cabeças inclinadas para a voz de o Filch que parecia quase histérica . -- ... * _ Ainda mais trabalho para mim . Toda_a noite a esfregar como_se não tivesse já trabalho de sobra . Não , isto foi a gota de água que fez transbordar o copo , vou falar com Dumbledore * ... Os passos afastaram se e ouviram uma porta fechar se com grande estrondo . Puseram as cabeças fora de a esquina . O Filch tinha obviamente estado a patrulhar o seu habitual posto de vigia : estavam novamente em o lugar onde Mrs._Norris fora atacada . Perceberam imediatamente qual o motivo de os gritos . Uma enorme poça de água enchia metade de o corredor e parecia escorrer de a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Agora_que o Filch se calara podiam ouvir os uivos de a Murta que faziam eco em as paredes de a casa_de_banho . - Mas o que se passará com ela ? - disse o Ron . - Vamos lá ver - sugeriu Harry e arregaçando as túnicas até a os tornozelos entraram , atravessando a enorme poça de água , em a casa_de_banho que tinha o letreiro a dizer « Fora de serviço » e que eles , como sempre , ignoraram . A Murta_Queixosa chorava , se possível , mais alto do_que nunca . Parecia estar escondida em o cubículo de o costume . Lá dentro estava escuro pois as velas tinham se apagado com a enchente de água que deixara as paredes e o chão ensopado . - O que se passa , Murta ? - quis saber o Harry . - Quem é ? - perguntou ela infelicíssima . - Vieste atirar me mais alguma coisa acima ? Harry caminhou com dificuldade por causa de a água até a o cubículo de ela e disse : - Porque te faríamos nós uma coisa de essas ? - Não me perguntem - gritou a Murta , emergindo em uma onda de água que molhou ainda mais o chão já ensopado . - Eu estou aqui metida em a minha morte e alguém acha muito engraçado atirar me com um caderno acima ... - Mas , não pode magoar te se alguém te atirar alguma coisa acima - disse Harry , tentando ser prático . - Isto_é , seja o que for passa através_de ti , não é assim ? Tinha dito a frase errada . A Murta encheu o peito de ar e gritou a plenos pulmões : - Vamos todos atirar cadernos a a Murta já_que ela não sente nada ! Dez pontos se lhe acertarem em o estômago , cinquenta se lhe atravessar a cabeça ! Hah hah hah , que jogo lindo , não acham ? - Quem te atirou um caderno , afinal ? - perguntou o Harry . - Não sei ... eu estava sentada em a sanita a pensar em a morte e caiu me em cima de a cabeça - disse a Murta , olhando para eles . - Está ali , ficou todo molhado . Harry e Ron olharam para o ponto que a Murta lhes apontava debaixo de o lavatório . Um caderno pequenino e fino estava caído em o chão . Tinha uma capa preta muito gasta e estava encharcado como tudo em aquela casa_de_banho . Harry deu um passo em frente para o apanhar , mas o Ron agarrou lhe precipitadamente o braço . - O que foi ? - perguntou Harry . - Estás doido - disse ele . - Pode ser perigoso . - Perigoso ? - riu se Harry . - Essa agora Ron , como é_que pode ser perigoso ? - Ficarias surpreendido ... - explicou ele , olhando com ar apreensivo para o caderno . - Entre os livros que o Ministério confiscou , contou me o meu pai , havia um que queimava os olhos a as pessoas . E todos os que leram os * _ Sonetos_de_Um_Feiticeiro * ficaram a falar em verso para o resto de a vida . Havia também uma bruxa em Bath que tinha um livro que quem o lesse nunca mais conseguia parar , tinha de andar por aí com o nariz enfiado em as folhas , a fazer todas_as coisas só com uma mão e ... - Já chega , já chega , já percebi a tua ideia - disse O_Harry . O caderninho continuava caído e ensopado . - Bem , nunca saberemos a_não_ser_que tenhamos a coragem de dar uma vista de olhos - disse e mergulhou apanhando o de o chão . Harry viu imediatamente que se tratava de um diário e a data meio apagada , em a capa , disse lhe que tinha cinquenta anos de idade . Abriu o ansiosamente . Em a primeira página podia ler se apenas o nome T._M._Riddle em tinta esborratada . - Espera aí - disse o Ron que se aproximara prudentemente e olhava por cima de o ombro de Harry . - Eu conheço esse nome ... T._M._Riddle recebeu um prémio por serviços especiais prestados a a escola há cinquenta anos atrás . - Como diabo sabes tu isso ? - perguntou Harry com grande espanto . - Porque o Filch mandou me limpar a taça de ele umas cinquenta vezes quando estive de castigo - disse o Ron ressentido . - Foi a taça em cima de a qual eu vomitei lesmas . Se tivesses tido que limpar o muco de um nome durante uma hora também te lembrarias . Harry separou umas de as outras as páginas molhadas . Estavam completamente em branco . Não havia o mais leve sinal de escrita em nenhuma , nem coisas como « Aniversário de a tia Mabel « ou « Dentista a as três_e_meia » . - Ele nunca escreveu nada aqui - disse Harry desapontado . - Porque quereria alguém atirá o fora ? - perguntou se o Ron com curiosidade . Harry voltou o caderno e viu , inscrito em a contra capa , o nome de uma tabacaria em Vauxhall_Road , Londres . - Ele devia ser filho de Muggle - disse Harry pensativo - para ter comprado um diário em Vauxhall_Road ... - Bem , não te serve de muito - Ron baixou a voz . - Cinquenta pontos se acertares em o nariz de a Murta . Harry , mesmo_assim , guardou o diário . Hermione saiu de a ala hospitalar desbigodada , sem cauda e sem pêlo em os primeiros dias de Fevereiro . Em a primeira noite em a torre de os Gryffindor , Harry mostrou lhe o diário de T._M._Riddle e contou lhe como o tinham encontrado . - Ooooh ! Deve ter poderes ocultos - disse ela entusiasticamente , pegando em o diário e examinando o de perto . - Se tem , esconde os muito bem - disse Ron . - Talvez fosse tímido . Não sei porque não deitas isso fora , Harry . - Gostava de perceber porque motivo alguém se quis livrar de ele - explicou Harry . - E também não me importava de saber como foi que o Riddle obteve esse prémio de serviços especiais prestados a Hogwarts . - Pode ter sido qualquer coisa - lançou o Ron . - Talvez tenha recebido 30 de nota final ou salvo um professor de a lula gigante . Se_calhar assassinou a Murta , isso teria sido um favor prestado a todos ... Mas Harry quase podia jurar , por o olhar suspenso em a cara de Hermione , que ela pensava o mesmo_que ele . - O que foi ? - perguntou Ron , olhando para um e para o outro . - Bem , a Câmara_dos_Segredos foi aberta há cinquenta anos , não foi isso que disse o Malfoy ? - Sim - respondeu Ron , lentamente . - E este diário tem cinquenta anos de idade - completou Hermione , dando lhe palmadinhas nervosas . - E de aí ? - Oh Ron , acorda - insistiu Hermione . - Sabemos que a pessoa que abriu a câmara de a outra_vez foi expulsa há cinquenta anos . E se o Riddle tivesse tido o prémio especial por apanhar o herdeiro de Slytherin ? O seu diário diria nos provavelmente tudo : onde é a Câmara_dos_Segredos , como abris a e que tipo de criatura vive lá . Achas que a pessoa que está por trás de os ataques desta_vez quereria o diário por aí ? - É uma teoria interessante , Hermione - disse o Ron . - Apenas com uma pequenina falha : o diário não tem nada Mas_Hermione já estava a tirar a varinha de o saco . - Pode ser tinta invisível - murmurou . Bateu três vezes em o diário e repetiu * _ Aparecium ! * Nada aconteceu . Intrépida , Hermione meteu a mão de_novo em o saco e tirou o que parecia ser uma borracha vermelha e brilhante . - É um * revelador * , comprei o em a Diagon - _ Al - disse . Apagou com força em 1_de_Janeiro . Não sucedeu nada . - Já vos disse , não há nada aí - repetiu o Ron . - O Riddle deve ter recebido um diário como prenda de Natal e nem se deu a o trabalho de escrever fosse o que fosse . Harry não conseguia explicar , nem a si próprio , porque motivo não deitara fora o diário de Riddle . A verdade é_que , mesmo depois de saber que ele estava em branco , continuou distraidamente a pegar lhe e a virar as páginas como_se quisesse chegar a o fim de uma história . E , apesar_de saber que nunca tinha ouvido o nome T._M._Riddle , continuava a ter a sensação de que lhe dizia alguma coisa , como_se Riddle fosse um amigo que ele tinha tido quando era muito pequeno e que estivesse meio esquecido . Mas era um absurdo . Nunca tivera amigos antes de Hogwarts , Dudley tivera esse cuidado . Ainda_assim , Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle , por isso em o dia seguinte foi até a a sala de os troféus para examinar a taça , acompanhado de Hermione que estava interessadíssima e de Ron que se mostrava profundamente incrédulo , dizendo que tinha ficado farto de aquela sala até a o fim de a vida . A taça dourada de Riddle estava arrecadada em um armário de canto . Não fornecia detalhes sobre o motivo por_que lhe fora dada ( felizmente , se fosse maior ainda hoje estava a limpá a , disse o Ron ) . Mas encontraram o nome de Riddle em uma antiga medalha de Mérito_Mágico e em uma lista de antigos chefes de turma . - Parece o Percy - comentou Ron , torcendo o nariz com aversão . - Prefeito , chefe de turma , provavelmente o melhor em todas_as disciplinas . - Dizes isso como_se fosse uma coisa má - fez lhe notar Hermione , em um tom de voz ressentido . Um sol fraco brilhava agora de_novo em Hogwarts . Dentro de o castelo , o ambiente estava bastante melhor . Não tinha havido novos ataques desde Justin e Nick quase sem cabeça e Madam_Pomfrey teve a satisfação de informar que as Mandrágoras começavam a ficar instáveis e dissimuladas , sinal de que estavam a abandonar rapidamente a infância . - Logo_que o acne desapareça estarão prontas para novo transplante - ouviu a Harry dizer amavelmente a o Filch . - E depois de isso , não demorará muito até podermos cortá as e estufá as . - Vai ter Mrs._Norris de volta , muito em_breve . Talvez o herdeiro ou herdeira de Slytherin tenha perdido a coragem , pensou Harry . Deve ser cada_vez_mais arriscado abrir a Câmara_dos_Segredos com a escola tão alerta e desconfiada . Talvez o monstro , qualquer_que_fosse , estivesse a preparar se para hibernar durante outros cinquenta anos . Ernie_Mcmillan_dos_Hufilepuff não aceitou esta visão optimista . Continuava convencido de que Harry era o culpado , que se tinha traído em o clube de os duelos . Peeves não ajudava nada : continuava a cantar por os corredores Potter , * seu bandido * ... agora acompanhado de um esquema de dança . Gilderoy_Lockhart parecia pensar que fora ele quem pusera fim a os ataques . Harry fartou se de o ouvir dizer isso a a professora Mc_Gonagall enquanto os Gryffindor formavam bicha para a aula de Transfiguração . - Não creio que volte a haver problemas , Minerva - disse , tocando em o nariz com ar conhecedor e piscando o olho . - Acho que desta_vez a câmara foi definitivamente selada . O culpado deve ter sabido que era uma questão de tempo até eu o apanhar e que era mais sensato parar agora antes que eu lhe tratasse de a saúde . Sabe , a escola está a precisar de um intensificador de animo para apagar as lembranças de o último período . Não vou dizer lhe mais_nada , por enquanto , mas julgo que sei o que ... Voltou a tocar em o nariz e afastou se a passos largos . A ideia de Lockhart de um intensificador de ânimo ficou bastante clara em o dia_14_de_Fevereiro , a o pequeno-almoço . Harry não dormira grande coisa devido a o treino de Quidditch em a noite anterior e chegou a o salão um_pouco atrasado . Pensou , por momentos , que se tinha enganado em a porta . As paredes estavam todas cobertas com enormes e medonhas flores cor-de-rosa . Pior ainda , * confettis * em forma de corações caíam de o tecto azul pálido . Harry dirigiu se a a mesa de os Gryffindor onde o Ron estava sentado com um ar enjoado junto de Hermione que parecia particularmente risonha . - O que se passa ? - perguntou lhes , sentando se e sacudindo os * confettis * de o seu bacon . Ron apontou para a mesa de os professores , com um ar demasiado repugnado para falar . Lockhart , em as suas vestes rosa vivo , a condizer com a decoração de o salão , fazia sinal para que se calassem . Os professores que o ladeavam tinham um ar estupefacto . De o seu lugar , Harry podia ver um músculo mover se em a bochecha de a professora Mc_Gonagall . Snape estava com ar de quem tomou uma imensa dose de xarope * skele-gro * . - Feliz dia de S._Valentim - gritou Lockhart . - E permitam me que agradeça a as quarenta_e_seis pessoas que até agora me enviaram cartões . Sim , fui eu quem tomou a liberdade de vos fazer esta pequena surpresa , e ela não acaba aqui ! Lockhart bateu as palmas e por as portas de o * hall * entraram a marchar cerca de uma_dúzia de duendes de aspecto carrancudo . Não eram uns duendes quaisquer , diga se de passagem . Lockhart fizera os usar asas douradas e transportar harpas . - Os meus amigos cupidos , portadores de os cartões ! gritou Lockhart . - Eles vão andar por a escola durante o dia de hoje , entregando os vossos cartões de S._Valentim . E o divertimento não acaba aqui . Tenho a certeza de que os meus colegas vão querer participar em este espírito de festa . Porque não pedir a o professor Snape que vos mostre como preparar rapidamente uma poção de amor . E , enquanto ele a prepara , está aqui o professor Flitwick que é de todos os feiticeiros que conheci aquele que mais sabe de encantamentos de sedução , o grande safado ! O professor Flitwick enterrou o rosto em as mãos . Snape olhava como_se quisesse dar veneno a a primeira pessoa que fosse pedir lhe a poção de o amor . - Por favor , Hermione , diz me que não foste uma de as quarenta_e_seis - pediu Ron quando saíram de o salão para a primeira aula . Mas Hermione ficou subitamente muito interessada em procurar o horário dentro de a mala e não lhe respondeu . Durante todo o dia os duendes não pararam de se intrometer em as aulas para entregar cartões , para grande aborrecimento de os professores e , ao_fim_da_tarde , quando os Gryffindor subiam as escadas para a aula de encantamentos , um de eles avistou o Harry . - Hei , tu , Harry_Potter ! - gritou um duende de aspecto particularmente lúgubre , dando cotoveladas a_toda_a gente para se aproximar de o Harry . Coradíssimo com a ideia de receber um cartão de S._Valentim diante_de uma fila de alunos de o primeiro ano que , por acaso , incluía Ginny_Weasley , Harry tentou escapar se . Mas o duende cortou lhe o caminho através de a multidão e agarrou o em três tempos . - Tenho uma mensagem musical para entregar a Harry_Potter em pessoa - disse , tangendo a harpa de forma ameaçadora . - Aqui não - disse baixinho o Harry , tentando escapar . - Fica quieto - grunhiu o duende , agarrando o saco de o Harry e puxando com força . - Larga me - disse ele rispidamente , dando um puxão . Com um ruído de tecido a rasgar se , o saco dividiu se em dois . Os livros de Harry , varinha , pergaminho e pena espalharam se por o chão enquanto o tinteiro se partia em cima de as outras coisas . Harry pôs se de gatas , tentando apanhar tudo antes que o duende começasse a cantar , provocando um engarrafamento em o corredor . - O que se passa aqui ? - perguntou a voz fria e afectada de Draco_Malfoy . Harry , nervosíssimo , começou a guardar tudo dentro de o saco rasgado , desesperado para sair de ali antes que Malfoy pudesse ouvir o seu S._Valentim musical . - Que confusão é esta ? - disse outra voz familiar . Percy_Weasley tinha chegado . De cabeça perdida , Harry tentou fugir , mas o duende agarrou o por os joelhos e fê lo cair a o chão . - Certo - disse , sentando se em os tornozelos de Harry . Eis o teu cartão musical : * _ Os olhos de ele são verdes como o sapo de o quintal * _ O seu cabelo é escuro como um temporal * _ É um desatino , oh ! ele é divino ! * _ O herói que venceu o Senhor_do_Mal * . Harry teria dado todo o ouro de Gringotts para se evaporar em aquele momento . Tentando corajosamente rir se com todos os outros , levantou se . Sentia os pés dormentes de o peso de o duende . Enquanto isso , Percy_Weasley fazia todos os possíveis por dispersar a multidão onde havia gente que chorava de hilaridade . - Vamos embora , vamos embora , a campainha tocou há cinco minutos para as aulas - dizia , enxotando alguns de os alunos mais novos . - E tu , Malfoy . Harry olhou e viu Malfoy inclinar se , apanhar qualquer coisa e com um olhar maldoso mostrá a a Crabbe e Goyle . Percebeu que era o diário de Riddle . - Dá cá isso - exigiu com toda_a calma . - O que será que o Potter escreveu aqui ? - disse Malfoy que obviamente não reparara em a data e pensou que tinha em as mãos o diário de o Harry . Houve uma agitação em os presentes . Ginny olhava apavorada para o diário e para Harry . - Dá lhe isso , Malfoy - disse Percy com firmeza . - Depois de dar uma vista de olhos - retorquiu Malfoy , acenando a Harry com o diário de forma provocatória . Percy disse : - Como Prefeito de a escola ... - mas Harry perdera a paciência . Pegou em a varinha e gritou * _ Expelliarmus * e assim_como Snape desarmara Lockhart , MalLoy viu o diário saltar lhe de as mãos e elevar se em o ar enquanto Ron o apanhava sorridente . - Harry - disse Percy levantando a voz . - Não quero magia em os corredores . Vou ter de participar isto , sabes perfeitamente . Mas Harry não se importou . Tinha ganho uma_vez a Malfoy e isso valia bem cinco pontos a menos para os Gryffindor . Malfoy estava furioso e quando a Ginny passou por ele a caminho de a sala de aula , gritou lhe com desprezo : - Não creio que o Potter tenha gostado lá muito de o teu cartão de S._Valentim . Ginny tapou a cara e correu para a aula . Aborrecido , Ron pegou também em a varinha , mas Harry afastou o . Era melhor que ele não passasse a aula de encantamentos a vomitar lesmas . Só quando entraram em a sala de aula de o professor Flitwick é_que Harry reparou em uma coisa bastante estranha em o diário de Riddle . Todos os outros livros estavam cheios de tinta vermelha , mas o diário mantinha se tão limpo como antes de o tinteiro se ter entornado em cima de ele . Tentou chamar a atenção de Ron para este facto , mas ele estava novamente a ter um problema com a varinha : de a extremidade saíam grandes bolhas roxas e ele não parecia interessado em mais_nada . Em essa noite , Harry foi deitar se antes de os outros companheiros de dormitório , em parte porque já não conseguia suportar o Fred e o George a cantarem * _ Os seus olhos são verdes como o sapo de o quintal * e em parte porque queria voltar a examinar o diário de Riddle e sabia que em a opinião de o Ron era uma pura perda de tempo . Sentou se em a cama de dossel e folheou as páginas em branco em as quais não se via uma única mancha de tinta escarlate . Tirou então outro tinteiro de o armário a o lado de a cama , molhou a pena e deixou cair um borrão em a primeira página de o diário . A tinta brilhou em o papel durante um segundo e , em seguida , como_se a página a tivesse sugado , desapareceu sem deixar rasto . Depois , finalmente , algo aconteceu . Deslizando sobre a página em a cor de a sua tinta , surgiram palavras que Harry não escrevera . - * _ Olá_Harry_Potter . O meu nome é Tom_Riddle . Como é_que encontraste o meu diário ? * Também estas palavras desapareceram , mas não sem que Harry tivesse respondido . - Alguém tentou lançá o em uma sanita . Esperou ansiosamente por a resposta de Riddle . - * _ Felizmente guardei as minhas memórias de uma forma mais duradoura do_que a tinta . Mas sempre soube que haveria quem não iria querer que o diário fosse lido . * - O que queres dizer com isso ? - escrevinhou Harry , borrando a página com o nervosismo . - * _ Quero dizer que este diário contém memórias de coisas terríveis . Coisas que foram abafadas . Coisas que aconteceram em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . * - É onde eu estou agora - escreveu Harry rapidamente . - Estou em Hogwarts e estão a acontecer coisas horríveis . Sabes alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? O coração parecia querer saltar lhe de o peito . A resposta de Riddle não se fez esperar , a letra tornara se mais desordenada como_se tivesse pressa em contar lhe tudo_o_que sabia . - * _ É claro que sei de a Câmara_dos_Segredos . Em o meu tempo diziam nos que era uma lenda , que não existia , mas era mentira . Quando eu estava em o quinto ano a Câmara_dos_Segredos foi aberta e o monstro atacou vários estudantes , acabando matar um . Eu apanhei a pessoa que abriu a câmara e ele foi expulso . Mas o director , o professor Dippet , envergonhado por uma coisa de aquelas ter acontecido em Hogwarts , proibiu me de contar a verdade . Foi divulgada uma história dizendo que a rapariga morrera de um acidente extravagante . Deram me um troféu brilhante com o meu nome gravado e avisaram me para ficar calado . Mas eu sabia que ia voltar a acontecer . O monstro sobreviveu e aquele que tinha o poder para o libertar não foi para a prisão . * Harry quase entornou o tinteiro em a pressa de responder . - Está a acontecer outra_vez . Houve três ataques e ninguém parece saber quem está por_detrás_de tudo_isto . Quem foi de a última vez ? - * _ Posso mostrar te , se quiseres * - foi a resposta de o Riddle . - * _ Não tens de acreditar só em a minha palavra . Posso levar te a o fundo de a minha memória de a noite em que o apanhei . * Harry hesitou com a pena em o ar sobre o diário . O que quereria ele dizer ? Como poderia entrar em a memória de outra pessoa ? Olhou inquieto para a porta de o dormitório que começava a ficar escuro . Quando pôs de_novo os olhos em o diário viu as palavras que se formavam . - * _ Deixa-me mostrar te . * Harry parou durante uma fracção de segundo e depois escreveu duas letras . - O. _ K._As páginas de o diário começaram a esvoaçar como_se tivessem sido apanhadas em uma ventania , parando a meio de o mês_de_Junho . Boquiaberto , Harry viu que o quadradinho de 13_de_Junho se transformara em um pequeno ecrã de televisão . Com as mãos ligeiramente trémulas levantou o livro para encostar os olhos a a janelinha e antes de perceber o que estava a passar se , deu consigo inclinado para a frente com a janela a abrir se . O corpo abandonava a cama e era lançado de cabeça , por a abertura de a página , em um turbilhão de cor e sombras . Sentiu os pés tocarem em terra firme e pôs se de pé a tremer enquanto as formas desfocadas se tornavam subitamente nítidas . Soube imediatamente onde estava . Aquela sala circular com os retratos adormecidos era o escritório de Dumbledore , mas não era Dumbledore quem estava atrás de a secretária . Um feiticeiro mirrado , de aspecto débil e quase careca lia uma carta a a luz de as velas . Harry nunca vira aquele homem antes . - Desculpe - disse com a voz a tremer . - Eu não queria intrometer me ... Mas o feiticeiro não olhou . Continuou a ler , franzindo levemente as sobrancelhas . Harry aproximou se de a secretária e gaguejou : - Er ... eu vou me embora , está bem ? E o feiticeiro continuou a ignorá o . Parecia nem_sequer ter ouvido . Pensando que talvez ele fosse surdo , Harry falou mais alto . - Desculpe tê o incomodado - disse quase a gritar . O feiticeiro dobrou a carta com um suspiro . Pôs se de pé , passou por Harry sem olhar para ele e foi abrir os cortinados de a janela . O céu , lá fora , estava vermelho-rubi . Devia ser o pôr de o Sol . O feiticeiro voltou para a secretária , sentou se e girou os polegares , olhando para a porta . Harry olhou em volta . Não viu Fawkes , a fénix , nem as engenhocas prateadas que sibilavam . Aquela Hogwarts era a que Riddle conhecera e , portanto , aquele feiticeiro desconhecido era o director de então , não Dumbledore e ele , Harry , era pouco mais que um fantasma , totalmente invisível a as pessoas de há cinquenta anos atrás . Alguém bateu a a porta . - Entre - disse o velho feiticeiro , em uma voz fraca . Um rapazinho de dezasseis anos entrou , tirando o chapéu pontiagudo . Em o seu peito brilhava um distintivo prateado de prefeito . Era muito mais alto do_que Harry , mas tinha , tal_como ele , cabelo preto asa de corvo . - Ah ! Riddle - disse o director . - Queria falar comigo , professor Dippet ? - perguntou ele com ar nervoso . - Senta te - disse Dippet . - Tenho estado a ler a carta que me mandaste . - Oh ! - exclamou Riddle , sentando se e apertando as mãos uma contra a outra . - Meu rapaz - disse Dippet amavelmente . - Eu não posso deixar te ficar em a escola durante o Verão . Com certeza queres ir para_casa em as férias ? - Não - respondeu Riddle , sem perder tempo . - Prefiro mil vezes ficar em Hogwarts a ter de voltar a aquela ... aquela ... - Tu vives em um orfanato de Muggles durante as férias , não é assim ? - perguntou Dippet com curiosidade . - Sim senhor - disse Riddle , corando um_pouco . - És filho de Muggles ? - Meio sangue , professor - explicou Riddle . - Pai_Muggle , mãe bruxa . - E o teu pai e a tua mãe ... - A minha mãe morreu pouco depois de eu nascer , professor , contaram me em o orfanato que só teve tempo de me dar o nome : Tom , como o meu pai , Marvolo como o meu avô . Dippet estalou a língua solidariamente . - O que acontece , Tom - suspirou - é_que ... podia ter se arranjado uma situação especial para ti , mas em as circunstâncias actuais ... - Refere se a os ataques , professor ? - perguntou Riddle e o coração de Harry deu um salto , aproximando se com medo de perder alguma coisa . - Precisamente - disse o director . - Meu rapaz , compreendes que seria uma imprudência de a minha parte deixar te ficar em o castelo quando o período acabar , principalmente a a luz de a recente tragédia ... a morte de aquela pobre moça ... estarás sem dúvida em maior segurança em o orfanato . Em a verdade , o ministro de a magia até fala em fechar a escola . Não estamos nada perto_de localizar ... er ... a fonte de toda esta história desagradável . Os olhos de Riddle tinham se aberto mais . - Professor , se essa pessoa fosse apanhada ... se tudo acabasse . . . - Que queres dizer com isso ? - perguntou Dippet com voz aguda , endireitando se em a cadeira . - Riddle , tu sabes alguma coisa sobre estes ataques ? - Não senhor - respondeu ele de imediato . Mas Harry sabia que era o mesmo tipo de « não » que ele dissera a Dumbledore . Dippet afundou se de_novo com um ar de profundo desapontamento . - Podes ir , Tom . Riddle esgueirou se de a cadeira e saiu de a sala . Harry seguiu o . Desceram por a escada em espiral , saindo junto de a gárgula em o corredor que escurecia . Riddle parou e Harry fez o mesmo , olhando para ele . Quase podia apostar que ele pensava seriamente em alguma coisa . Mordia o lábio e tinha as sobrancelhas franzidas . A certa altura , como_se tivesse acabado de tomar uma decisão , começou a andar mais depressa com Harry a segui o ruidosamente . Não viram mais ninguém , a não ser quando chegaram a o * hall * de entrada onde um feiticeiro alto de longos cabelos ruivos e barba chamou Riddle de a escadaria de mármore . - O que andas a fazer por aqui tão tarde , Tom ? Harry olhou para o feiticeiro . Não era outro senão Dumbledore com cinquenta anos a menos . - Tive de ir falar com o director - justificou se Riddle . - Bem , agora vai depressa para a cama - disse Dumbledore , olhando Riddle com aquele olhar penetrante que Harry conhecia tão bem . - É melhor não andar a passear por os corredores em os dias que correm , pelo_menos até ... Suspirou profundamente , deu as boas-noites a o Riddle e foi se embora . Riddle viu o desaparecer e , sem perder tempo , desceu os degraus de pedra até a os calabouços com Harry em a peugada . Mas para seu grande desconsolo , Riddle não o conduziu a nenhum corredor ou túnel secreto e sim a o calabouço onde ele costumava ter aulas de poções com o Snape . As tochas não tinham sido acesas e quando Riddle empurrou a porta quase fechada , Harry só conseguiu vê o a ele , de pé , quieto junto de a porta , olhando para o corredor . Pareceu a Harry que ficaram ali quase uma hora . Tudo_o_que via era a silhueta de Riddle junto de a porta , olhando fixamente através de a greta , a a espera . Como_se fosse uma estátua . E quando Harry tinha abandonado todas_as expectativas e começava a desejar voltar a o presente , ouviu alguma coisa que se movia atrás de a porta . Alguém avançava lentamente por o corredor . Ouviu a pessoa , quem quer que fosse , passar por o calabouço onde ele e Riddle estavam escondidos . Riddle , silencioso como uma sombra , esgueirou se por a porta e seguiu o com Harry em bicos de pés atrás de ele , esquecido de que podia fazer barulho a a vontade porque ninguém o ouvia . Durante cerca de cinco minutos seguiram lhe os passos até que Riddle parou repentinamente com a cabeça inclinada em a direcção de novos ruídos . Harry ouviu uma porta a abrir se e em seguida alguém falou em um murmúrio rouco . - Vá lá , temos que sair de aqui ... vá lá , dentro de a caixa ... Havia algo de familiar em aquela voz . Riddle deu subitamente uma volta e Harry seguiu o . Podia ver a silhueta escura de um rapaz enorme que estava inclinado em frente de a porta aberta , com uma grande caixa a o lado . - Boa noite , Rubeus - disse Riddle secamente . O rapaz fechou a porta e pôs se de pé . - O que estás a fazer aqui , Tom ? Riddle aproximou se . - Acabou se - disse . - Vou ter de entregar te , Rubeus . Falam em fechar Hogwarts se os ataques não terminarem . - O que é_que tu ... ? - Eu acho que tu não quiseste matar ninguém , mas os monstros não são os melhores animais domésticos . Tu só quiseste deixá o sair para andar um_pouco e ... - Ele não matou ninguém - disse o rapaz grande , recuando contra a porta fechada . Lá de dentro vinham uns estranhos roncos e rugidos . - Vamos , Rubeus - disse Riddle , aproximando se mais ainda . - Os pais de a rapariga que morreu estarão aqui amanhã . O mínimo que Hogwarts pode fazer é assegurar lhes que aquilo que matou a filha de eles foi abatido ... - Não foi ele - gemeu o rapaz cuja voz ecoou em o corredor escuro . - Ele não faria isso ... ele nunca ... - Afasta te - disse Riddle , pegando em a varinha . O encantamento iluminou o corredor com uma luz brilhante . A porta atrás de o rapaz grande abriu se de par em par com tanta força que o atirou contra a parede . E de lá de dentro saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito que ninguém mais ouviu a não ser ele próprio . Tinha um corpo imenso , magro e peludo e um emaranhado de pernas pretas , a cintilação de muitos olhos e um par de tenazes afiadas . Riddle levantou de_novo a varinha , mas era tarde de mais . A coisa deixara o atarantado e corria apressadamente , precipitando se por o corredor e desaparecendo . Riddle pôs se de pé , olhou a a procura de o monstro , levantou a varinha , mas o rapaz grande saltou sobre ele , tirou lhe a varinha de as mãos e lançou o a o chão , gritando : - Naaaaaão ! A cena rodopiou . A escuridão tornou se total . Harry sentiu se a cair e com um embate aterrou como uma águia de patas e asas abertas em a sua cama de dossel , em o dormitório de os Gryffindor , o diário de Riddle aberto sobre o estômago . Antes de ter tido tempo de normalizar a respiração , a porta de o dormitório abriu se e o Ron entrou . - Aí estás tu - disse . Harry sentou se . Transpirava e tremia . - O que se passa ? - perguntou Ron , olhando aflito para ele . - Foi o Hagrid , Ron . O Hagrid abriu a Câmara_dos_Segredos há cinquenta anos atrás . XIV_Cornelius_Fudge_Harry , Ron e Hermione sabiam há muito_tempo que Hagrid tinha uma triste predilecção por criaturas grandes e monstruosas . Em o primeiro ano que passaram em Hogwarts , ele tentara criar um dragão em a sua pequena cabana de madeira e levaram muito_tempo a esquecer o gigantesco cão de três cabeças que ele baptizara de « fofinho » . E se , em rapaz , Hagrid tinha ouvido dizer que havia um monstro escondido em o castelo , Harry tinha a certeza que ele teria feito os impossíveis por descobri o . Provavelmente achou que era uma injustiça o monstro estar fechado tanto tempo e pensou que ele merecia a oportunidade de esticar as suas muitas pernas . Harry imaginava perfeitamente o Hagrid a os treze anos a tentar pôr uma coleira e uma trela a o monstro . Mas tinha igualmente a certeza de que ele nunca teria querido matar ninguém . De certo modo , Harry desejava não ter descoberto como utilizar o diário de Riddle . Ron e Hermione fizeram o contar repetidas vezes o que vira até ele ficar farto de repetir o mesmo e farto de a conversa circular que se seguia . - O Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse , de essa vez , Hermione . - O monstro que atacava as pessoas podia ser outro .... - Quantos monstros achas tu que pode haver em este lugar ? - perguntou o Ron aborrecido . - Sempre soubemos que o Hagrid tinha sido expulso - disse Harry tristemente - E os ataques devem ter terminado quando ele foi expulso . Se não fosse assim , Riddle não teria recebido um prémio . Ron tentou um caminho diferente . - O Riddle parece o Percy , quem lhe pediu afinal que deitasse abaixo o Hagrid ? - Mas o monstro tinha morto uma pessoa , Ron - insistiu Hermione . - E o Riddle ia ter de voltar para um orfanato Muggle se Hogwarts fosse fechada - disse Harry . - Não posso culpá o por querer ficar aqui ... Ron mordeu o lábio e a seguir sugeriu : - Tu encontraste o Hagrid em a Rua * _ Bativolta * , não foi ? - Ele estava a comprar repelente para lesmas - disse Harry rapidamente . Ficaram os três em silêncio . Depois de uma longa pausa , Hermione , em uma voz hesitante , formulou a pergunta mais complicada de todas : - Não acham que devíamos ir ter com ele e perguntar lhe ? - Essa seria uma visita simpática - disse o Ron . - Olá , Hagrid , diz nos uma coisa , soltaste por acaso alguma coisa louca e peluda por o castelo em estes últimos tempos ? Por fim , decidiram não dizer nada a o Hagrid a_não_ser_que houvesse outro ataque e à_medida_que passava mais tempo sem murmúrios de a voz sem corpo começaram a acreditar , esperançosos , que nunca mais teriam de falar sobre o motivo por_que fora expulso . Tinham passado já quase quatro meses desde o dia em que o Justin e o Nick quase sem cabeça tinham sido petrificados e quase toda_a_gente parecia pensar que o atacante , quem quer que ele fosse , se retirara para sempre . Peeves fartara se de a sua canção * _ Oh_Potter , seu bandido * , Ernie_Mcmillan pediu educadamente a o Harry , em a aula de herbologia , que lhe passasse um balde de cogumelos saltitantes e , em Março , várias mandrágoras deram uma festa ruidosa e roufenha em a estufa número três . A professora Sprout estava muito satisfeita . - Mal elas comecem a tentar mover se para os vasos umas de as outras , saberemos que estão maduras - disse ela a o Harry . - Nessa_altura poderemos reanimar aquelas pobres criaturas que estão em a ala hospitalar . Os alunos de o segundo ano tinham agora uma coisa nova em que pensar durante as férias de a Páscoa . Chegara a altura de escolherem as matérias de o terceiro ano , um assunto que Hermione , pelo_menos , tomou muito a sério . - Pode afectar todo o nosso futuro - disse a o Harry e a o Ron a o vê os ler cuidadosamente as listas de as novas matérias e pôr um V em frente de cada uma . - Eu só quero ver me livre de as poções - disse Harry . - Não podemos - explicou Ron tristemente . - Mantemos todas_as matérias antigas ou eu teria me livrado de a Defesa contra as artes negras . - Mas é muito importante - disse Hermione chocada . - Não de a maneira como Lockhart a dá - insistiu Ron . - Não aprendi nada até agora a não ser a nunca mais libertar duendes . Neville_Longbottom recebera cartas de todas_as bruxas e feiticeiros de a família , cada_um dando um conselho diferente sobre o que ele deveria escolher . Confuso e preocupado , sentou se a ler a lista de matérias , dando estalinhos com a língua e perguntando a as pessoas se achavam que a aritmancia seria mais difícil do_que o estudo de as runas em a Antiguidade . Dean_Thomas que , tal_como Harry , fora criado com Muggles , acabou por fechar os olhos e atirar a varinha contra a lista , escolhendo as matérias onde ela aterrava . Hermione não pediu conselho a ninguém e inscreveu se em todas . Harry sorriu de si para consigo imaginando como seria uma conversa com o tio Vernon e com a tia Petúnia sobre a sua carreira em feitiçaria . Não que não tivesse tido orientação : Percy_Weasley estava ansioso por partilhar a sua experiência . - Tudo depende de o lugar para_onde queres ir , Harry - disse ele . - Nunca é cedo de mais para pensar em o futuro , por isso eu aconselho te a adivinhação . As pessoas dizem que os estudos de Muggles são uma opção leve mas eu , pessoalmente , acho que os feiticeiros deveriam ter uma compreensão profunda de a comunidade não mágica , muito especialmente se pensarem em trabalhar em íntimo contacto com eles . Vê o meu pai que tem de lidar com assuntos de os Muggles a_toda_a hora . O meu irmão Charles foi sempre mais um tipo de o exterior , por isso foi para o Centro_de_Cuidados com as Criaturas_Mágicas . Segue os teus sentimentos , Harry . Mas a única coisa em que Harry sentia que era mesmo bom era o Quidditch . Por fim , acabou por escolher as mesmas matérias que o Ron escolhera , pensando que se fosse péssimo em elas pelo_menos tinha alguém amigo para o ajudar . O próximo jogo de Quidditch_dos_Gryffindor era contra os Hufflepuff . Wood insistia em treinos de equipa todas_as noites depois de jantar , por isso Harry não tinha tempo para mais_nada a não ser para o Quidditch e para os trabalhos de casa . Mas as sessões de treino estavam a melhorar ou pelo_menos estavam mais secas e em a véspera de o jogo de sábado ele foi a o dormitório guardar a vassoura , sentindo que as hipóteses de os Gryffindor ganharem a taça de Quidditch nunca tinham sido tão boas . Mas a sua boa disposição não durou muito . Em o cimo de as escadas que levavam a o dormitório encontrou o Neville_Longbottom nervosíssimo . - Harry , não sei quem fez aquilo , eu fui encontrar ... Olhando receoso para Harry , Neville empurrou a porta . O conteúdo de a mala de Harry fora espalhado por toda_a divisão . O seu manto estava em o chão rasgado . A roupa de cama tinha sido puxada de a cama de dossel e a gaveta de o armário que se encontrava a a cabeceira de a cama fora arrancada , estando o seu conteúdo espalhado sobre o colchão . Harry aproximou se de a cama boquiaberto , pisando algumas páginas soltas de * _ Viagens com Duendes * . Quando ele e Neville estavam a puxar os cobertores para_cima , entraram o Ron e o Dean_Seamas . Dean praguejou alto . - O que é isto , Harry ? - Não faço ideia - disse ele . Mas o Ron estava a examinar as vestes de Harry e todos os bolsos estavam de o avesso . - Alguém andou a a procura de qualquer coisa - disse o Ron . - Dás por falta de alguma coisa ? Harry começou a apanhar o que estava caído , lançando tudo dentro de a mala . Só quando atirou o último livro de Lockhart é_que se apercebeu do_que faltava . - O diário de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a o Ron . - O quê ? Harry fez lhe sinal em direcção a a porta de o dormitório e apressaram se a chegar a a sala comum de os Gryffindor que estava quase vazia e onde foram encontrar Hermione sozinha a ler * _ As_Runas_Antigas a o Alcance_de_Todos * . Hermione ficou aterrada com as notícias . - Mas ... só um Gryffindor podia tê o roubado ... ninguém mais conhece a nossa senha ... - Exactamente - disse Harry . Acordaram em o dia seguinte com um sol brilhante e uma brisa agradável . - Condições ideais para o Quidditch ! - exclamou Wood , cheio de entusiasmo , a a mesa de os Gryffindor , enchendo os pratos de os elementos de a sua equipa de ovos mexidos . - Harry , anima te , precisas de um pequeno-almoço decente . Harry tinha estado a olhar para a mesa cheia de alunos de os Gryffindor , perguntando a si próprio se o novo dono de o diário de Riddle estaria ali mesmo em frente de os seus olhos . Hermione insistira para que ele participasse o roubo mas ele não gostou de a ideia . Teria de contar a um professor tudo sobre o diário , e quantas pessoas saberiam o motivo por_que Hagrid fora expulso há cinquenta anos ? Não queria ser ele a fazer com que relembrassem tudo aquilo . Quando saiu de o salão com o Ron e a Hermione para ir buscar o material de Quidditch , outra preocupação viera juntar se a a sua lista cada_vez maior . Tinha acabado de pisar os degraus de a escadaria de mármore quando ouviu de_novo a voz : - * _ Matar desta_vez ... deixem me rasgar ... romper * ... Deu um grito e Ron e Hermione saltaram alarmados . - A voz - disse Harry , olhando por cima de os ombros de eles . - Acabo de a ouvir de_novo , vocês não ouviram nada ? Ron abanou a cabeça de olhos muito abertos Mas_Hermione bateu com a mão em a testa . - Harry , acho que percebi uma coisa . Tenho que ir a a biblioteca . E disparou a correr por as escadas acima . - O que é_que ela percebeu ? - disse Harry distraidamente , ainda a olhar em volta , tentando determinar de onde vinha a voz . - Mas porque teve ela que ir a a biblioteca ? - Porque a Hermione é assim - disse o Ron , encolhendo os ombros - Quando tem uma dúvida , vai a a biblioteca . Harry manteve se hesitante , tentando captar novamente a voz mas as pessoas começavam a sair de o salão , falando alto , passando por a porta principal e encaminhando se para o estádio de Quidditch . - É melhor ires indo - aconselhou Ron . - São quase onze horas , olha o jogo . Harry deu uma corrida até a a torre de os Gryffindor , pegou em a sua Nimbus dois_mil e juntou se a a vasta multidão que enchia os campos , mas o seu pensamento estava ainda em o castelo , em aquela voz sem corpo e quando pôs as roupas vermelhas , o seu único conforto foi pensar que estavam todos lá fora para assistir a o jogo . As equipas entraram em campo a o som de um tumulto de aplausos . Oliver_Wood fez um voo de aquecimento em volta de os postes , Madam_Hooch soltou as bolas . Os Hufflepuff que tinham fatos amarelo-canário estavam reunidos em grupo em uma discussão de última hora sobre as tácticas . Harry subia para a vassoura quando a professora Mc_Gonagall atravessou o campo , meio a andar , meio a correr , transportando um enorme megafone roxo . O coração de Harry caiu lhe a os pés . - Este jogo foi cancelado - gritou por o megafone a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a o estádio apinhado . Ouviram se Uuuus e assobios . Oliver_Wood , com um ar infelicíssimo , aterrou e correu para a professora McGonagall sem sair de a vassoura . - Mas , professora - gritou - temos de jogar ... a taça ... os Gryffindor ... A professora Mc_Gonagall ignorou o e continuou a gritar por o megafone . - Pede se a os estudantes que regressem a as salas comuns de as respectivas equipas onde os chefes de equipa lhes darão mais informações . O mais depressa possível , se fazem favor ! Em seguida , baixou o megafone e fez sinal a o Harry para que se aproximasse . - Potter , é melhor vires comigo ... Perguntando a si próprio que suspeita poderia ela ter contra ele , desta_vez , Harry viu Ron desligar se de a multidão discordante e vir a correr juntar se lhes , enquanto eles se dirigiam para o castelo . Para sua grande surpresa Mc_Gonagall não pôs qualquer objecção . - Sim , talvez seja melhor vires também , Weasley . Alguns de os estudantes que os rodeavam reclamavam por o jogo ter sido cancelado , outros tinham um ar preocupado . Harry e Ron seguiram a professora Mc_Gonagall de volta a a escola e através de a escadaria de pedra . Mas desta_vez não foram levados a nenhum escritório . - Isto vai chocar vos um_pouco - disse a professora Mc_Gonagall em um tom de voz surpreendentemente suave quando estavam a aproximar se de a ala hospitalar . - Houve outro ataque ... outro ataque duplo . As vísceras de o Harry deram um salto mortal . A professora Mc_Gonagall abriu a porta e ele e Ron entraram . Madam_Pomfrey estava inclinada sobre uma rapariga de o quinto ano de cabelos longos a os caracóis que Harry reconheceu como sendo a colega de os Ravenclaw a quem , por engano , tinham perguntado o caminho para a sala comum de os Slytherin . E , em a cama a o lado de ela , estava ... - Hermione - gemeu o Ron . Hermione jazia totalmente quieta , os olhos abertos e vítreos . - Foram encontradas perto de a biblioteca - disse a professora Mc_Gonagall . - Calculo que nenhum de vocês possa explicar isto ? Estava em o chão , junto de ela . A professora tinha em as mãos um pequeno espelho redondo . Harry e Ron acenaram negativamente com as cabeças , ambos com os olhos fixos em Hermione . - Eu acompanho vos a a torre de os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall pesadamente . - De qualquer modo tenho de falar com os alunos . - Os alunos regressarão a as salas comuns de as respectivas equipas , todos_os_dias , a as seis_horas_da_tarde . Nenhum aluno deverá sair de os dormitórios depois de isso . Serão escoltados até a as aulas por um professor . Nenhum aluno deverá ir a a casa_de_banho sem um professor a acompanhá o . Todos os treinos e jogos de Quidditch estão suspensos a_partir_de agora . Não haverá mais actividades nocturnas . Os Gryffindor , que enchiam a sala comum , ouviram em silêncio a professora Mc_Gonagall . Ela enrolou o pergaminho que acabara de ler e disse em uma voz algo chocada : - Não é preciso acrescentar que nunca me senti tão desolada . É provável que a escola seja encerrada se não for apanhado o culpado de todos estes ataques . Quero pedir que se algum de vocês achar que sabe alguma coisa sobre eles venha imediatamente ter comigo . Mal ela subiu , de forma um_pouco desastrada , por o buraco de o retrato , os Gryffindor começaram logo a falar . - São dois Gryffindor a menos , sem contar com o fantasma de os Gryffindor , um Ravenclaw e um Hufflepuff - disse o amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , contando por os dedos . - Não terá nenhum de os professores reparado que os Slytherin estão a salvo ? Será que não é óbvio que tudo_isto vem de eles ? O herdeiro de Slytherin , o monstro de Slytherin , porque não expulsam todos os Slytherin ? - resmungou , recebendo acenos e aplausos de todos os lados . Percy_Weasley estava sentado em uma cadeira atrás_de Lee , mas por uma_vez não pareceu querer expor os seus pontos de vista . Estava pálido e aturdido . - O Percy está em estado de choque - disse o George baixinho a o Harry . - Aquela rapariga de os Ravenclaw , Penelope_Clearwater , é prefeita . Acho que ele nunca tinha pensado que o monstro pudesse atacar um prefeito . Mas Harry não estava a ouvi o com atenção . Não conseguia esquecer a imagem de Hermione deitada em a cama de o hospital , como_se estivesse esculpida em pedra . E se o culpado não fosse apanhado rapidamente tinha em a frente uma vida inteira com os Dursley . Tom_Riddle entregara o Hagrid porque fora confrontado com a possibilidade de um orfanato Muggle se a escola fechasse . Harry sabia exactamente o que ele sentira . - Que vamos nós fazer ? - disse lhe o Ron baixinho a o ouvido . - Achas que eles suspeitam de o Hagrid ? - Temos de falar com ele - disse Harry , tomando uma decisão . - Não acredito que tenha culpa desta_vez , mas se ele libertou o monstro há cinquenta anos , sabe com certeza como entrar em a Câmara_dos_Segredos , o que já é um princípio . - Mas a Gonagall disse que temos que ficar em a torre a_não_ser_que estejamos em as aulas ... - Eu acho - disse Harry ainda mais baixo - que chegou a altura de tirar outra_vez de a mala o manto de o meu pai . Harry herdara apenas uma coisa de o pai : o enorme manto prateado de a invisibilidade . Era a única maneira de poderem esgueirar se de a escola para fazer uma visita a o Hagrid , sem que ninguém de esse por isso . Deitaram se a a hora de o costume , esperaram que o Neville , o Dean e o Seamas adormecessem para se levantarem , vestirem se de_novo e taparem se com o manto . A viagem por os corredores de o castelo escuro e deserto não era nada agradável . Harry que vagueara por ali muitas_vezes durante a noite nunca vira tanta gente depois de o pôr de o Sol . Professores , prefeitos e fantasmas andavam por os corredores a os pares , olhando em volta , em busca de qualquer actividade fora de o habitual . O manto de a invisibilidade não impedia que fizessem barulho e houve um momento particularmente tenso em que o Ron deu uma topada a menos_de um metro de o lugar onde Snape se encontrava . Felizmente Snape espirrou em o preciso momento em que o Ron praguejava . Foi com grande alívio que chegaram a as portas de carvalho de a entrada principal . Estava uma noite clara e cheia de estrelas . Dirigiram se apressadamente para as janelas iluminadas de a casa de Hagrid e só tiraram o manto mesmo em frente de a porta . Poucos segundos depois de terem batido abriu se a porta . Ficaram frente_a_frente com Hagrid que lhes apontou uma besta enquanto Fang , o cão caçador de javalis , ladrava furiosamente atrás de ele . - Oh ! - disse , baixando a arma quando viu que eram eles . - O que estão vocês a fazer aqui ? - Para que é isso ? - perguntou Harry , apontando para a besta , enquanto entrava . - Nada , não é nada - murmurou Hagrid . - Tenho estado a a espera ... não tem importância , sentem se que eu vou fazer um chá . Dava a impressão de não saber o que fazia . Quase apagou a lareira , vertendo a água de a chaleira em o lume e em seguida esmagou o bule com um gesto de a sua mão maciça . - Estás bem , Hagrid ? - perguntou Harry . - Soubeste de a Hermione ? - Soube , sim - disse ele com um leve tremor em a voz . Continuava a olhar nervosamente para as janelas . Deu lhe os duas grandes canecas de água a ferver ( esquecera se de juntar o chá ) e estava a acabar de pôr em um prato uma fatia grossa de bolo de frutas quando alguém bateu energicamente a a porta . Hagrid deixou cair o bolo . Harry e Ron trocaram entre si olhares de pânico e , em seguida , cobriram se com o manto de a invisibilidade e esconderam se em um canto . Hagrid assegurou se de que eles estavam bem escondidos , pegou em a besta e abriu , mais_uma_vez , a porta . - Boa noite , Hagrid . Era_Dumbledore . Entrou com um ar muito sério , seguido de um homem bizarro . O estranho era um homenzinho pequenino , de porte majestoso com cabelos grisalhos desalinhados e uma expressão de ansiedade em o rosto . Usava uma inesperada mistura de roupas . Um fato a as riscas , uma gravata vermelho escarlate , um longo manto negro e umas botas roxas pontiagudas . Debaixo de o braço trazia um chapéu de coco verde lima . -- É o patrão de o meu pai - murmurou o Ron . Cornelius_Fudge , o ministro de a magia ! Harry deu lhe uma valente cotovelada para o fazer calar se . Hagrid tinha ficado suado e pálido . Deixou se cair em uma de as cadeiras e olhava de Dumbledore_para_Cornelius_Fudge . - Más notícias , Hagrid - disse Fudge em um tom bastante grave . - Muito más notícias . Tive de vir . Quatro ataques a filhos de Muggles , as coisas foram longe_de mais . O ministério tem que tomar uma atitude . - Eu nunca ... - disse Hagrid , parecendo implorar a Dumbledore . - O senhor sabe que eu nunca ... professor Dumbledore , o senhor ... - Quero que fique claro , Cornelius , que Hagrid tem a minha total confiança - afirmou Dumbledore , franzindo as sobrancelhas . - Olha , Albus - disse Fudge pouco a a vontade - a ficha de o Hagrid depõe contra ele . O ministério tem de fazer alguma coisa , o Conselho_Directivo de a escola tem se reunido ... - Mesmo_assim , Cornelius , devo dizer te mais_uma_vez que levar o Hagrid de aqui não vai ajudar em nada - afirmou Dumbledore com os olhos azuis com um fogo que Harry nunca vira antes . - Tenta compreender o meu ponto de vista - insistiu Fudge , brincando com o chapéu . - Estou a ser tremendamente pressionado , tenho de mostrar que faço alguma coisa . Se se provar que não foi o Hagrid , ele voltará e não se fala mais em o assunto . Mas tenho de levá o , tem de ser , não estaria a cumprir a minha obrigação se ... - Levar me ? - perguntou Hagrid a tremer . - Levar me para_onde ? - É uma pena curta - disse Fudge , sem o olhar em os olhos . - Não é um castigo , Hagrid , chamemos lhe antes uma precaução . Se mais alguém for apanhado , tu sais com todas_as nossas desculpas . - Não é para Azkaban ? - balbuciou Hagrid . Mas antes que Fudge tivesse tido tempo de responder , ouviu se bater mais_uma_vez a a porta . Dumbledore abriu . Foi a vez de Harry levar uma cotovelada em as costas : soltara um gemido audível . Mr._Lucius_Malfoy entrou em a cabana de o Hagrid embrulhado em uma longa capa preta de viagem , com um sorriso frio de satisfação . O Fang começou a rosnar . - Já está aqui , Fudge ? - disse de forma aprovadora . - Muito bem , muito bem ... - O que estás a fazer aqui ? - perguntou Hagrid furioso . - Sai imediatamente de a minha casa . - Meu bom homem , acredite que não tenho prazer nenhum em entrar em a sua ... er ... chamou lhe casa ? - disse Lucius_Malfoy , sorrindo sarcasticamente enquanto observava a pequena divisão . - Eu limitei me a ir a a escola e disseram me que o director estava aqui . - E o que queres de mim , Lucius ? - perguntou Dumbledore . O seu tom de voz era educado mas em os olhos azuis brilhava ainda o mesmo fogo . - Uma notícia horrível , Dumbledore - disse Mr._Malfoy de forma arrastada , pegando em um grande rolo de pergaminho . - Mas os membros de o conselho pensam que é altura de tu saíres . Isto_é uma ordem de suspensão , tens aí doze assinaturas . Lamento muito mas em a nossa opinião estás a perder a firmeza . Quantos ataques houve até agora ? Mais dois hoje a a tarde , não foi ? A este ritmo vão acabar todos os filhos de Muggles em Hogwarts e todos sabemos que seria uma terrível perda para a escola . - O que é isso , Lucius ? - protestou Fudge com ar alarmado . - O Dumbledore suspenso não ... não , seria a última coisa que desejaríamos em este momento ... - A nomeação ou suspensão , de o director é de a competência de os membros de o Conselho_Directivo , Fudge - disse suavemente Mr._Malfoy . - E como Dumbledore não foi capaz de pôr cobro a estes ataques ... - Oh ! Lucius , se Dumbledore não conseguiu - disse Fudge com o lábio superior a suar . - Quem irá conseguir ? - Isso está para se ver - disse Mr._Malfoy com um sorriso mesquinho . - Mas como os doze votamos ... Hagrid pôs se de pé em um salto , o cabelo preto hirsuto a roçar em o tecto . - E quantos tiveste de chantajar para concordarem contigo , Malfoy ? - Meu caro Hagrid , sabe que esse seu temperamento ainda acaba por lhe criar problemas um dia de estes - disse Mr._Malfoy . - Não o aconselho a gritar assim com os guardas de Azkaban . Eles não iriam gostar nada . - Não podes levar Dumbledore - gritou Hagrid , fazendo Fang , o cão caçador de javalis , agachar se e ganir em o seu cesto . - Sem ele , os filhos de os Muggles não têm qualquer hipótese . A seguir haverá mortes . - Acalma te , Hagrid - disse Dumbledore de forma cortante , olhando para Lucius_Malfoy . - Se os membros de o conselho querem substituir me , eu sairei , claro . - Mas - interrompeu Fudge . - Não - rosnou Hagrid . Dumbledore não tirara os seus olhos azuis brilhantes de os olhos cinzentos e frios de Lucius_Malfoy . - Contudo - disse , pronunciando cada palavra lenta e claramente para que nenhum de eles perdesse o seu sentido - verás que só deixarei verdadeiramente esta escola quando ninguém aqui me for leal . Descobrirás também que será sempre dada ajuda em Hogwarts a quem a pedir . Por um segundo , Harry teve quase a certeza de que os olhos de Dumbledore tremelaziram em direcção a o canto onde ele e Ron estavam escondidos . - Sentimentos admiráveis - disse Malfoy , fazendo uma vénia . - Todos nós vamos sentir a tua ... forma muito pessoal de fazer as coisas , Albus . Só espero que o teu sucessor consiga evitar qualquer ... crime . Dirigiu se a a porta de a cabana , abriu a e fez sinal a Dumbledore para que passasse a a sua frente . Fudge , mexendo nervosamente em o chapéu de coco , esperou que Hagrid fizesse o mesmo mas ele ficou quieto , respirou fundo e disse prudentemente : - Se alguém quiser descobrir alguma coisa , o que tem a fazer é seguir as aranhas . Elas indicarão o caminho , é tudo_o_que vos digo . Fudge olhou para ele espantado . - Está bem , eu vou - disse Hagrid , pegando em o seu sobretudo de pêlo de toupeira . Mas quando ia seguir o Fudge e sair por a porta , parou e disse em voz alta : - E alguém tem de dar de comer a o Fang enquanto eu não estiver cá . A porta fechou se ruidosamente e Ron tirou o manto de a invisibilidade . -- Estamos outra_vez em uma alhada - disse com voz rouca - Sem o Dumbledore podem fechar a escola já esta noite . Sem ele vai haver um ataque por dia . O Fang começou a ganir , arranhando a porta fechada . XV_Aragog_O_Verão insinuava se em os campos em volta de o castelo . O céu e o lago tinham se tornado de um azul-molusco e as flores , grandes como couves , começavam a florir em as estufas . Mas sem o Hagrid , que ele costumava avistar de o castelo , atravessando os campos com o Fang atrás , parecia a Harry que a paisagem não estava completa . Não era melhor dentro de o castelo onde tudo corria horrivelmente mal . O Harry e o Ron tinham tentado visitar a Hermione , mas as visitas a o hospital estavam proibidas . - Não vamos correr mais riscos - disse lhes Madam_Pomfrey com ar severo , através_de uma fresta de a porta de o hospital . Não , lamento , há muitas hipóteses de o atacante voltar para acabar de vez com estas pessoas ... Com Dumbledore longe , o medo espalhara se como nunca acontecera antes , de_tal_modo_que o sol que aquecia as paredes de o castelo por fora parecia parar junto de as janelas de pinázios . Não se via um único rosto em a escola que não andasse tenso e preocupado e qualquer gargalhada , em os corredores , se tornava incómoda e antinatural e era rapidamente abafada . Harry repetia constantemente , de si para consigo , as últimas palavras que ouvira a Dumbledore : - * _ Só terei verdadeiramente deixado esta escola quando ninguém me for leal ... será sempre dada ajuda , em Hogwarts , a quem a pedir * . Qual seria o significado exacto de aquelas palavras ? A quem deveria pedir ajuda quando todos estavam tão confusos assustados como ele ? A alusão de Hagrid a as aranhas era bastante mais fácil de entender . O problema era que parecia não ter restado uma única aranha em o castelo para eles a poderem seguir . Harry procurou por todo o lado com a ajuda relutante de o Ron . As coisas estavam dificultadas por o facto de não poderem andar sozinhos e terem de se deslocar em grupo dentro de o castelo , juntamente com outros Gryffindor . A maior parte de os alunos gostava de ser conduzida como carneiros de uma aula para a outra por os professores mas Harry achava horrível . Havia , contudo , uma pessoa que parecia apreciar aquela atmosfera de terror e suspeitas . Draco_Malfoy passeava empertigado por a escola como_se tivesse sido nomeado para chefe de turma . Harry só compreendeu o motivo de toda aquela boa disposição cerca de quinze_dias depois de Dumbledore e Hagrid se terem ido embora quando , em uma aula de poções , o ouviu falar com o Crabbe e o Goyle . - Sempre achei que seria o pai quem conseguiria livrar nos de o Dumbledore - disse sem a menor preocupação em baixar a voz . - Já vos disse , segundo ele , Dumbledore foi o pior director que a escola alguma vez teve . Talvez agora venha um director decente que não queira a Câmara_dos_Segredos fechada . A Mc_Gonagall não vai durar muito , está só a ... O Snape passou por Harry , sem fazer comentários a o caldeirão e a a cadeira vazia de Hermione . - Professor - disse Malfoy em voz alta . - Professor , porque não se candidata a o lugar de director ? - Ora , ora , Malfoy - respondeu Snape , sem conseguir esconder um meio sorriso . - O professor Dumbledore foi apenas suspenso por os membros de o conselho de direcção , certamente vai voltar um dia de estes . - Sim , claro - disse Malfoy com o seu sorriso escarninho . - Acho que se o professor quisesse candidatar se a o lugar teria o voto de o pai . Eu vou dizer lhe que o acho o melhor professor de a escola . Snape sorriu enquanto passeava de um lado para o outro em o calabouço , não tendo felizmente visto o Seamus_Finnigan que fingia vomitar para dentro de o caldeirão . - Estou espantado por ver que até agora os sangues de lama ainda não fizeram as malas e não desapareceram - prosseguiu Malfoy . - Aposto cinco galeões em como o próximo morre . Pena que não tenha sido a Granger ... A campainha tocou em esse momento o que foi uma sorte porque a o ouvir as últimas palavras de Malfoy , Ron deu um salto , mas em a barafunda de guardar os livros em os sacos , a sua tentativa de agarrar o Malfoy passou despercebida . - Deixem me - gritava o Ron enquanto o Harry e o Dean lhe agarravam os braços . - Não preciso de varinha , vou dar cabo de ele com as minhas mãos ... - Despachem se , tenho de conduzir vos a a aula de herbologia - praguejava o Snape acima de as cabeças de os alunos . E lá foram como cordeirinhos com Harry , Ron e Dean em a retaguarda , o Ron ainda a tentar libertar se . Só acharam seguro largá o quando Snape os deixou fora de o castelo e iniciaram o percurso por o meio de a horta em direcção a as estufas . A aula de herbologia estava reduzida . Tinha agora dois alunos a menos : Justin e Hermione . A professora Sprout pô os a trabalhar , podando as figueiras-da-abissínia . Harry foi despejar uma braçada de hastes secas em um monte de adubo e deu consigo cara a cara com Ernie_Mcmillan . Ernie respirou fundo . - Só quero dizer te , Harry que lamento ter suspeitado de ti . Sei que nunca atacarias a Hermione_Granger e peço te desculpa por todas_as coisas que disse . Estamos todos em o mesmo barco , agora e , bem ... Estendeu lhe uma mão rechonchuda que o Harry apertou . Ernie e a sua amiga Hannah foram trabalhar em a mesma figueira com o Harry e o Ron . - Aquele tipo , Draco_Malfoy - disse Ernie , partindo pequenos galhos - , parece muito satisfeito com isto tudo , não acham ? É bem possível que ele seja o herdeiro de Slytherin . - Uma observação inteligente de a tua parte - disse o Ron que parecia não ter desculpado Ernie tão facilmente como o Harry . - Acham que é ele ? - perguntou Ernie . - Não - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Hannah ficaram a olhar espantados . Um segundo depois , Harry avistou qualquer coisa que o levou a chamar a atenção de o Ron , batendo lhe em a mão com a tesoura de podar . - Au ... o que é_que tu ... ? Harry apontava para o chão , a poucos centímetros de distância . Várias aranhas grandes corriam precipitadamente por a terra fora . - Ah ! sim - disse o Ron , tentando , sem conseguir , mostrar se entusiasmado . - Mas não podemos seguis as agora ... Ernie e Hannah ouviam nos com curiosidade . Harry viu as aranhas desaparecerem . - Parecem ir em a direcção de a floresta proibida ... E o Ron ficou ainda mais infeliz a o ouvir aquilo . Em o final de a aula , o professor Snape acompanhou os alunos a a « Defesa contra as artes negras » . Harry e Ron foram atrás de os outros para poderem conversar sem serem ouvidos . - Temos de usar outra_vez o manto de a invisibilidade - disse Harry a o Ron . - Podemos levar connosco o Fang , ele está habituado a ir a a floresta com o Hagrid , pode ser uma boa ajuda . - Certo - disse o Ron , que fazia girar nervosamente a varinha em os dedos . - Er ... não costuma haver ... não costuma haver lobisomens em a floresta ? - acrescentou enquanto ocupavam os lugares de o costume em a aula de o Lockhart . Preferindo não responder a a pergunta , Harry disse : - Também há lá coisas boas . Os centauros são fixes e os unicórnios . Ron nunca estivera em a floresta proibida , Harry fora lá só uma_vez e desejara não ter de lá voltar . Lockhart deu um salto para dentro de a sala de aula e os alunos ficaram espantados a olhar para ele . Todos os outros professores andavam mais tristes do_que o habitual mas Lockhart parecia sentir se em as nuvens . - Então , então - exclamou , olhando em volta . - Porquê essas caras deprimidas ? Lançaram lhe olhares exasperados mas ninguém respondeu . - Não compreendem - disse , falando devagar como_se fossem todos um_pouco estúpidos - que o perigo já passou ? O culpado foi se embora . -- Quem disse ? - retorquiu Dean_Thomas em voz alta . -- Meu caro jovem , o ministro de a magia não teria levado Hagrid se não estivesse cem por_cento certo de que ele era o culpado - disse Lockhart como quem explica que um e um são dois . - Teria , sim - disse o Ron , em um tom de voz ainda mais alto do_que o de o Dean . - Eu julgo saber um_pouco mais sobre a prisão de o Hagrid do_que o senhor , Mr._Weasley - disse Lockhart com notória auto-satisfação . Ron começou a dizer que discordava mas foi interrompido por o Harry que lhe deu um forte pontapé por debaixo de a mesa . - Nós não estávamos lá , lembras te ? - murmurou . Mas a alegria revoltante de o Lockhart , as insinuações de que sempre tinha achado que o Hagrid não prestava , a sua certeza de que tudo aquilo estava a chegar a o fim , irritou Harry de tal maneira que teve vontade de lhe atirar as * _ Viagens com Vampiros * e de lhe acertar em aquela cara estúpida . Mas , em vez de isso , limitou se a escrevinhar um bilhete para o Ron : * _ Vamos lá hoje a a noite * . Ron leu a mensagem , engoliu em seco e olhou para o lugar onde Hermione costumava sentar se . A cadeira vazia pareceu ajudá o a decidir se e acenou afirmativamente . A sala comum de os Gryffindor estava agora sempre cheia porque , depois de as seis_da_tarde , os Gryffindor não tinham outro lugar para ir . Por outro lado , tinham imenso para conversar , por isso a sala comum mantinha se cheia de gente até depois de a meia-noite . Logo_a_seguir a o jantar , Harry foi buscar o manto de a invisibilidade a a mala onde estava guardado e passou todo o serão a a espera que a sala esvaziasse . O Fred e o George desafiaram o para alguns jogos de explosão e a Ginny sentou se , muito preocupada , a observá os , em a cadeira habitual de Hermione . Harry e Ron fartaram se de perder de propósito em uma tentativa de pôr rapidamente fim a os jogos mas , mesmo_assim , já passava bastante de a meia-noite quando o Fred , o George e a Ginny se foram , finalmente , deitar . Harry e Ron esperaram até ouvir as portas de os dois dormitórios fecharem se . Em seguida , pegaram em o manto , lançaram o sobre ambos e passaram por o buraco de o retrato . Era mais uma difícil travessia de o castelo , tendo de fintar todos os professores . Finalmente , chegaram a o * hall * de entrada , giraram o fecho de as portas de carvalho , esgueiraram se tentando não fazer barulho e aventuraram se nos campos iluminados por o luar . - É claro que - disse bruscamente o Ron , enquanto atravessavam os relvados negros - podemos perfeitamente chegar a a floresta e descobrir que não há nada para seguir . As aranhas podem não ter ido para lá . É certo que parecia que tomavam essa direcção , mas ... Felizmente a lengalenga não durou muito . Chegaram a a casa de o Hagrid que tinha um ar triste com as suas janelas vazias . Logo_que Harry empurrou a porta e a abriu , o Fang saltou , louco de alegria por os ver . Preocupados , não fosse ele acordar toda_a_gente em o castelo com o seu ladrar forte e agitado , deram lhe rapidamente a comer bombons de melaço que estavam em uma lata sobre a lareira e que lhe colaram os dentes de cima a os de baixo . Harry pousou o manto de a invisibilidade sobre a mesa de o Hagrid . Não iam precisar de ele em a floresta escura como breu . - Anda , Fang , vamos dar um passeio - disse Harry , batendo lhe a o de leve em a pata e Fang saiu feliz , a os saltos , atrás de eles . Precipitou se até a a orla de a floresta e levantou a perna contra uma enorme figueira-do-egipto . Harry pegou em a varinha , murmurou * _ Lumus * ! e uma pequenina luz surgiu em a ponta de a varinha , suficiente para lhes mostrar o caminho e ajudá os a descobrir a pista de as aranhas . - Bem pensado - disse o Ron . - Eu acendia também a minha mas , sabes como ela está , ainda estoirava ou qualquer coisa assim ... Harry tocou em o ombro de o Ron , apontando para as ervas . Duas aranhas solitárias fugiam de a luz de a varinha , aproximando se de a sombra de as árvores . - O. _ K. - disse o Ron , resignando se com o pior . - Estou pronto , vamos . Então , com o Fang a correr atrás de eles , cheirando as raízes de as árvores e as folhas , entraram em a floresta . Seguindo a luz de a varinha de o Harry seguiram a fila disciplinada de aranhas que se movia a o longo de o caminho . Andaram durante cerca de vinte minutos , sem falar , atentos a todos os ruídos que não fossem os de os ramos caídos e de as folhas secas . Então , quando as copas de as árvores se tinham tornado mais cerradas do_que nunca , de_tal_modo_que as estrelas em o céu já não eram visíveis e a varinha de o Harry brilhava isolada em um mar de escuridão , viram as aranhas que eles seguiam a abandonar o caminho . Harry parou , tentando ver para_onde iam mas tudo_o_que ficava longe de a sua pequenina luz era negro de breu . Ele nunca fora tão longe em a floresta . Lembrava se muito bem de Hagrid lhe ter dito , de a última vez que ali tinham estado , que nunca saísse de o caminho de a floresta . Mas Hagrid agora estava a muitos quilómetros de distância e ele também lhes dissera que seguissem as aranhas . Uma coisa húmida tocou em a mão de o Harry e ele deu um salto para trás , pisando o pé a o Ron . Mas afinal era apenas o focinho de o Fang . - O que é_que tu achas ? - perguntou ele a o Ron cujos olhos conseguia vislumbrar , reflectindo a luz de a varinha . - Já_que viemos até aqui - disse ele . Seguiram , portanto as sombras velozes de as aranhas em direcção a as árvores . Não podiam agora andar muito depressa . Tinham em a frente raízes de árvores e troncos cortados que mal se viam em aquela escuridão . Harry sentia o bafo quente de Fang em a mão . Por mais de uma_vez tiveram de parar para o Harry se baixar e descobrir as aranhas a a luz de a varinha . Andaram durante o que lhes pareceu ter sido pelo_menos meia_hora , com os mantos a roçarem em os ramos mais baixos e em as silvas . A o fim de algum tempo repararam que o chão parecia inclinar se para baixo embora as árvores continuassem cerradas . Foi então que o Fang soltou um latido que ecoou em volta , fazendo Harry e Ron darem um salto , ambos com os cabelos em pé . - O que foi ? - gritou o Ron , olhando em volta para a escuridão e agarrando Harry com força , por o cotovelo . - Há qualquer coisa ali a mexer se - murmurou Harry - Ouve ... parece ser grande . Ficaram a ouvir . Um_pouco para a direita algo de grandes dimensões partia os ramos enquanto abria caminho através de as árvores . - Oh ! não - disse o Ron . - Oh ! não , não ... - Cala te - insistiu o Harry , nervoso . - Seja o que for , vai acabar por te ouvir . - Ouvir me ? - disse o Ron , em um tom de voz muito pouco natural . - Já ouviu . Fang ! A escuridão parecia esmagar lhes os globos oculares enquanto ali ficaram apavorados , a a espera . Houve um estranho ruído , surdo e prolongado , e em seguida o silêncio . - O que estará a fazer ? - perguntou Harry . - Talvez esteja a preparar se para atacar - disse o Ron . Esperaram , a tremer , sem ousarem mexer se . - Achas que se foi embora ? - murmurou Harry . - Não sei . Em esse momento , de o lado direito veio um clarão de luz tão forte em o meio de o escuro que os dois levaram as mãos a a cara para proteger os olhos . O Fang ganiu e tentou fugir mas viu se envolvido em um emaranhado de espinhos e ganiu ainda mais alto . - Harry - gritou o Ron com grande alívio em a voz . - Harry , é o nosso carro . - O quê ? - Anda ver . Harry avançou a os tropeções atrás de o Ron , em direcção a a luz e em o momento seguinte estavam em uma clareira . O carro de Mr._Weasley ali estava , vazio , no_meio_de um círculo de árvores grossas , sob um telhado de ramos densos , os faróis de a frente resplandecentes . Quando Ron se aproximou de boca aberta , moveu se lentamente em direcção a ele como_se fosse um grande cão azul turquesa , cumprimentando o dono . - Tem estado aqui todo este tempo - disse o Ron satisfeitíssimo , aproximando se de o carro . - Olha para ele , a floresta tornou o selvagem ... O guarda-lamas estava riscado e cheio de lodo . Parecia que tinha andado a passear sozinho por a floresta . Fang não gostou lá muito de ele . Manteve se a o lado de o Harry que podia senti o a tremer . Com a respiração normalizada , Harry guardou a varinha em o manto . - E nós a pensarmos que ele nos ia atacar - disse o Ron , encostando se a o carro e dando lhe duas palmadinhas - As voltas que eu dei a a cabeça a pensar para_onde ele teria ido ! Harry olhava para todos os lados , em o chão iluminado , em busca de mais aranhas mas todas elas tinham fugido de o brilho de as luzes . - Perdemos as de vista - disse ele . - Anda , vamos procurá as . Ron não disse nada . Não se moveu . Tinha os olhos fixos em um ponto , três metros acima de o chão de a floresta , mesmo atrás de o Harry . O seu rosto estava lívido de terror . Harry nem teve tempo de se voltar . Ouviu se um ruído alto e seco e sentiu que alguma coisa longa e peluda o elevava em o ar com o rosto voltado para baixo . Debatendo se , apavorado , ouviu outro estalido e viu as pernas de o Ron serem também levantadas de o chão . Ouviu o Fang gemer e ganir e , em o momento seguinte , era levado para o meio de as árvores escuras . Com a cabeça a balouçar , Harry viu que a coisa que o transportava tinha seis enormes patas peludas e que as duas de a frente o agarravam com forca sob um par de tenazes pretas e brilhantes . Atrás_de si podia ouvir outra de aquelas criaturas que , sem dúvida , transportava o Ron . Encaminhavam se para o coração de a floresta . Harry ouvia o Fang a ladrar , tentando libertar se de um terceiro monstro mas Harry não podia gritar mesmo_que quisesse , parecia que tinha deixado a voz em a clareira , junto com o carro . Não soube quanto tempo esteve em as patas de a criatura , só se apercebeu que a escuridão se atenuara um_pouco , permitindo lhe ver que o chão coberto de folhas estava agora repleto de aranhas . Voltando a cabeça para o lado , deu se conta de que tinham chegado a a base de uma enorme cova , uma cova que fora limpa de árvores para que as estrelas iluminassem com o seu brilho a cena mais pavorosa que os seus olhos alguma vez tinham visto . Aranhas . Não aranhas pequeninas como aquelas que estavam sobre as folhas . Aranhas de o tamanho de enormes cavalos , com oito olhos , oito pernas pretas , peludas , gigantescas . O espécimen que transportava Harry desceu o terreno íngreme até uma teia brumosa em forma de cúpula que ficava mesmo em o meio de a cova , enquanto os companheiros se juntavam em volta , batendo excitadíssimos com as tenazes e olhando para o que eles traziam a as costas . Harry caiu em o chão de gatas quando a aranha o libertou . Ron e Fang foram cair perto de ele . O Fang já não gania . Estava agachado e muito quieto . Ron e Harry partilhavam o mesmo sentimento . O Ron tinha a boca aberta em uma espécie de grito silencioso e os olhos a saltarem lhe de as órbitas . Harry percebeu de repente que a aranha que o deitara a o chão estava a dizer qualquer coisa . Era difícil entender porque entre cada duas palavras , batia com as tenazes . - Aragog - chamou . - Aragog . E de o meio de a teia brumosa em forma de cúpula saiu muito lentamente uma aranha de o tamanho de um pequeno elefante . As costas e as pernas estavam cobertas de pêlo cinzento e , em a cabeça feia , munida de tenazes , estavam vários olhos , todos eles de um branco leitoso . Era cega . - O que foi ? - disse , batendo rapidamente com as tenazes uma em a outra . - Homens - respondeu a aranha que trouxera o Harry . - É o Hagrid ? - perguntou Aragog , aproximando se mais com os seus oito olhos leitosos a vaguear . - Estranhos - respondeu a aranha que trouxera o Ron . - Matem nos - disse Aragog , irritada . - Eu estava a dormir ... - Nós somos amigos de o Hagrid - gritou Harry . Parecia que o coração lhe saltava por a boca . Clic , clic , clic fizeram as tenazes de a aranha , em volta de a cova . Aragog parou . - O Hagrid nunca mandou homens a a nossa cova - disse lentamente . - O Hagrid está em perigo - explicou Harry , respirando muito depressa . - Foi por isso que eu vim . - Em perigo ? - repetiu a aranha idosa e pareceu a Harry sentir preocupação por detrás de as suas tenazes . - Mas porque vos mandou ele cá ? Harry pensou pôr se de pé mas achou melhor não arriscar . As pernas provavelmente não teriam força para o sustentar . Falou portanto de o chão , o mais calmamente que foi capaz . - Eles lá em a escola pensam que o Hagrid soltou qualquer coisa contra os estudantes . Mandaram o para Azkaban . Aragog bateu furiosamente com as tenazes e , em toda_a cova , o eco foi reproduzido por uma multidão de aranhas . Era uma espécie de aplauso com uma única diferença : os aplausos não costumavam fazer o Harry quase morrer de medo . - Mas isso foi há muitos anos - disse Aragog , maldisposta . - Há anos e anos . Lembro me muito bem . Foi por isso que o expulsaram de a escola . Eles pensaram que eu era o monstro que vive em aquilo a que eles chamam a Câmara_dos_Segredos . Pensaram que o Hagrid a tinha aberto para me libertar . - E tu ... não vieste de a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Harry que sentia a testa cheia de suores frios . - Eu - disse Aragog , batendo irritada com as tenazes - , eu não nasci em o castelo . Venho de uma terra distante . Um viajante ofereceu me a o Hagrid quando eu era ainda um ovo . Hagrid era um rapazinho mas tratou de mim , escondeu me em uma despensa dentro de o castelo e alimentava me com as migalhas que ficavam em as mesas . Hagrid é o meu bom amigo e um bom homem . Quando me encontraram e me culparam por a morte de uma rapariga , ele protegeu me . Desde_então , tenho vivido aqui em a floresta onde o Hagrid ainda vem visitar me . Ele até me arranjou uma esposa , Mosag , e estão a ver como a família cresceu , tudo graças a a bondade de o Hagrid ... Harry reuniu a coragem que lhe restava . - Então tu nunca atacaste ninguém ? - Nunca - resmungou a velha aranha . - Era esse o meu instinto , mas por respeito a Hagrid nunca fiz mal a nenhum humano . O corpo de a rapariga morta foi encontrado em uma casa_de_banho , ora eu nunca conheci mais do_que despensa de o castelo , onde cresci . Nós gostamos de o escuro de o silêncio . - Mas então ... sabes o que matou essa rapariga ? - perguntou Harry . - Porque seja o que for , está a atacar as pessoas outra_vez ... As suas palavras foram abafadas por uma audível explosão de tenazes a bater e por o ruge-ruge de muitas pernas longas , deslocando se iradas . Em volta de Harry começaram a mover se sombras escuras . - O que vive em o castelo - disse Aragog - é uma antiga criatura que nós , aranhas , tememos acima_de todas_as outras . Lembro me bem de o quanto insisti com Hagrid para que me deixasse sair de ali quando senti a criatura a andar por a escola . - O que é ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Mais tenazes a bater , mais pernas a moverem se . As aranhas pareciam estar a aproximar se . - Nós não falamos de isso - exclamou Aragog furiosa . - Não pronunciamos o seu nome . Eu nunca disse a o Hagrid o nome de a horrível criatura , apesar_de ele me ter perguntado vezes sem conta . Harry não quis insistir , principalmente com todas aquelas aranhas a aproximarem se de todos os lados . Aragog parecia ter se cansado de falar . Recuava lentamente para a teia em forma de cúpula , mas as companheiras continuavam a aproximar se ameaçadoramente de Harry e Ron . - Vamos embora , então - gritou Harry , desesperadamente a Aragog , enquanto ouvia as folhas secas a estalarem atrás_de si . - Embora ? - disse Aragog lentamente . - Não me parece ... - Mas , mas ... - Os meus filhos e filhas não fazem mal a o Hagrid por ordem minha . Mas não posso negar lhes carne fresca quando ela veio por vontade própria ter connosco . Adeus , amigo de o Hagrid . Harry deu meia volta . Poucos centímetros acima de ele , uma sólida parede de aranhas batia com as tenazes , os seus muitos olhos a brilharem em as horríveis caras pretas . Mesmo_que se servisse de a varinha , Harry sabia que não ia valer de nada . As aranhas eram demasiadas , mas quando tentava preparar se para morrer a lutar , ouviu se um som prolongado e um clarão de luz iluminou a cova . O carro de Mr._Weasley ribombava , descendo o declive , com os faróis acesos , a buzina a guinchar , afastando as aranhas . Muitas de elas ficaram voltadas ao_contrário com as várias pernas a agitar se em o ar . O carro buzinou com mais força em frente de Harry e Ron e as portas abriram se . - Agarra o Fang - gritou Harry , ajeitando se em o lugar de a frente . Ron agarrou o cão caçador de javalis e lançou o a ganir para o banco de trás . As portas fecharam se com estrondo . Ron não tocou em o acelerador mas o carro não precisou de isso . O motor fez se ouvir e levantaram voo , batendo em mais aranhas . Subiram o declive , saindo de a cova e pouco depois atravessavam a floresta , os ramos a baterem em os vidros enquanto o carro seguia habilmente através de os intervalos maiores , por um caminho que obviamente já conhecia . Harry olhou para o Ron , a o seu lado . Ele tinha ainda a boca aberta em o mesmo grito silencioso mas os olhos já não estavam salientes . - Estás bem ? Ron olhou em frente , incapaz de responder . Começavam a descer para terra firme com o Fang a soltar enormes ganidos em o banco de trás e Harry viu o espelho retrovisor saltar quando passaram rente a um enorme carvalho . Após dez minutos bastante ruidosos , as árvores começaram a ser mais finas e Harry pôde ver de_novo pedaços de o céu . O carro parou tão bruscamente que quase foram projectados por o vidro de a frente . Tinham chegado a a orla de a floresta . O Fang ia agitadíssimo a a janela e quando Harry abriu a porta , disparou a correr através de as árvores até a a casa de o Hagrid , de cauda entre as pernas . Harry saiu também e um minuto depois o Ron pareceu recuperar a força em os membros e seguiu o , ainda com um torcicolo e de olhos esbugalhados . Harry deu uma palmadinha de agradecimento a o carro antes de ele dar a volta e desaparecer em direcção a a floresta . Harry voltou a a cabana de o Hagrid para buscar o manto de a invisibilidade . O Fang tremia em o seu cesto , coberto por um cobertor . Quando saiu de_novo , viu o Ron a vomitar junto de as abóboras . - Sigam as aranhas - disse ele debilmente , limpando a boca a a manga . - Nunca vou perdoar a o Hagrid . É uma sorte ainda estarmos vivos . - Aposto que ele pensou que Aragog nunca faria mal a os seus amigos - justificou Harry . - Esse é justamente o problema de o Hagrid - interrompeu Ron , dando um soco em a parede de a cabana . - Ele acha sempre_que os monstros não são tão maus como os pintam e vê onde isso o levou , a uma cela em Azkaban - tremia agora descontroladamente . - Qual a ideia de ele a o mandar nos ali ? Gostava de saber o que é_que descobrimos . - Que o Hagrid nunca abriu a Câmara_dos_Segredos - disse Harry , lançando o manto sobre Ron e tocando lhe em o braço para o encorajar a andar . - Ele estava inocente . Ron resmungou em voz alta . Para ele , chocar Aragog em uma despensa não era propriamente estar inocente . Quando se aproximaram de o castelo , Harry esticou o manto para garantir que os pés de ambos ficavam cobertos . Em seguida , empurrou as portas de a frente que chiaram . Atravessaram com todo o cuidado o * hall * de entrada e subiram a escadaria de mármore , contendo a respiração em os corredores guardados por sentinelas atentos . Por fim , chegaram a a segurança de a sala de os Gryffindor onde o lume ardera até se transformar em brasas brilhantes . Tiraram o manto e subiram a escada serpenteante que os levava a o dormitório . Ron caiu em a cama sem sequer se despir mas Harry , apesar_de tudo , não tinha sono . Sentou se em a beirinha de a cama , pensando em todas_as coisas que Aragog dissera . A criatura que andava por o castelo , pensou , era uma espécie de monstro Voldemort , nem os outros monstros queriam pronunciar o seu nome . Mas ele e o Ron não estavam agora mais perto_de descobrir o que era nem como petrificava as suas vítimas . Se nem o Hagrid chegara a saber o que estava em a Câmara_dos_Segredos ... Harry balançou as pernas e atirou se para_cima de a cama . Encostado a as almofadas olhou a Lua que brilhava através de a janela de a torre . Não sabia que mais poderiam fazer . Só tinham encontrado portas fechadas . Riddle apanhara a pessoa errada . O herdeiro de Slytherin fugira e ninguém sabia se era a mesma pessoa ou uma outra que abrira , desta_vez , a Câmara_dos_Segredos . Não havia mais ninguém a quem fazer perguntas . Harry deitou se ainda a pensar em as palavras de Aragog . Estava a começar a ficar com sono quando aquilo que parecia ser uma última esperança lhe ocorreu , fazendo o sentar se muito direito em a cama . - Ron - sussurrou em o escuro . - Ron . Ron acordou com um ganido como os de o Fang . Olhou muito assustado em volta e viu o Harry . - Ron , a rapariga que morreu . Aragog contou nos que ela foi encontrada em uma casa_de_banho - disse , ignorando os roncos de o Neville em o outro canto de o quarto . - E se ela nunca tivesse saído de a casa_de_banho ? E se ainda lá estiver ? Ron esfregou os olhos , franzindo as sobrancelhas sob a luz de a Lua . E só então compreendeu . -- Não pensar que ... a Murta_Queixosa ? XVI_A_Câmara_dos_Segredos -- E estivemos nós tantas vezes em aquela casa_de_banho com ela apenas a três cubículos de distância - disse o Ron amargamente em o dia seguinte , a a mesa de o pequeno-almoço . - Podíamos ter lhe perguntado e agora ... Já fora bastante difícil procurar as aranhas . Escapar a os professores o tempo suficiente para ir até a a casa_de_banho de as raparigas , que ficava mesmo em frente de o lugar onde ocorrera o primeiro ataque , ia ser quase impossível . Mas alguma coisa aconteceu que fez com que a Câmara_dos_Segredos desaparecesse de os seus pensamentos pela_primeira_vez em várias semanas . A professora Mc_Gonagall comunicou lhes que os exames começariam a 1_de_Junho , uma semana depois . - Exames ? - gritou Seamus_Finnigan . - Nós mesmo_assim vamos ter exames ? Ouviu se um estrondo atrás de o Harry quando a varinha de o Neville_Longbottom lhe escapou de a mão , fazendo desaparecer uma de as pernas de a secretária . A professora Mc_Gonagall repô a com a sua varinha e voltou se com má cara para o Seamus . - Se temos a escola aberta em uma altura de estas é para vocês receberem instrução - disse com dureza . - Os exames terão lugar , portanto , como é costume e espero que todos vocês façam revisões até lá . Revisões . Não passara por a cabeça de o Harry que houvesse exames com o castelo em aquele estado . Houve uma série de murmúrios revoltados , o que fez com que a professora Mc_Gonagall ficasse ainda mais mal-humorada . - As instruções de o professor Dumbledore foram para manter a escola a funcionar o mais normalmente possível - disse . - E isso , não preciso de vos dizer , passa por uma avaliação de o quanto vocês aprenderam a o longo de este ano . Harry olhou para baixo , para o casal de coelhos brancos que ele deveria transformar em pantufas . Que tinha ele aprendido durante o ano ? Não era capaz de se lembrar de nada que fosse útil em um exame . Ron estava como_se tivessem acabado de lhe dizer que a partir de aquele momento tinha de ir viver para a floresta proibida . - Estás a ver me a ter exames com isto tudo ? - perguntou a o Harry enquanto pegava em a varinha que tinha começado a assobiar bastante alto . Três dias antes de o primeiro exame , a a hora de o pequeno almoço , a professora Mc_Gonagall fez outra comunicação . - Tenho boas notícias - disse , e o salão em_vez_de se calar , explodiu de contentamento . - Dumbledore vai regressar ! - gritaram várias pessoas cheias de alegria . - Apanharam o herdeiro de Slytherin - arriscou uma rapariga em a mesa de os Ravenclaw . - Temos outra_vez os jogos de Quidditch - bradou Wood , excitadíssimo . Quando a agitação passou , Mc_Gonagall disse : - A professora Sprout informou me que as mandrágoras estão finalmente prontas para serem cortadas . Hoje a a noite vamos poder reanimar as pessoas que foram petrificadas . Escusado será dizer que certamente uma de elas poderá revelar nos quem ou o que a atacou . Eu tenho esperança que este ano pavoroso acabe com a prisão de o culpado . Houve uma explosão de aplausos . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e não ficou nada surpreendido a o ver que Draco_Malfoy não aplaudia . O Ron , por outro lado , estava satisfeito como ninguém o via havia dias . - Não faz mal não termos perguntado a a Murta . A Hermione vai , com certeza , ter todas_as respostas quando acordarem . Vai também ficar fula quando souber que temos exames dentro_de três dias . Ela não pôde fazer revisões . Seria melhor deixarem a estar onde está até a o final de os exames . Nessa_altura , Ginny_Weasley veio sentar se junto de o Ron . Parecia nervosa e tensa e Harry reparou que torcia as mãos em o colo . - O que se passa ? - perguntou o Ron , servindo se de mais papa de aveia . Ginny não disse nada mas olhou para um lado e para o outro de a mesa de os Gryffindor , com um olhar assustado que lembrou a Harry alguém que não sabia bem quem era . - Vá lá , vomita - disse o Ron , olhando para ela . Harry percebeu subitamente quem a Ginny lhe lembrara . Ela balançava se ligeiramente para a frente e para trás em a cadeira , exactamente como o Dobby fazia quando estava hesitante , à_beira_de revelar uma informação proibida . - Tenho de te dizer uma coisa - balbuciou a Ginny receosa , sem olhar para Harry . - O que é ? - perguntou ele . Ginny parecia incapaz de encontrar as palavras certas . - O quê ? - insistiu Ron . Ginny abriu a boca mas não saiu nenhum som . Harry inclinou se para a frente e falou devagar para que só ela e Ron pudessem ouvi o . - É alguma coisa relacionada com a Câmara_dos_Segredos ? Viste alguma coisa ou alguém a agir de forma estranha ? Ginny respirou fundo e , em esse preciso momento , apareceu Percy_Weasley com um ar pálido e cansado . - Se já acabaste de comer eu fico com esse lugar , Ginny . Estou cheio de fome . Acabei agora o meu trabalho de patrulhamento . Ginny deu um salto como_se a cadeira tivesse acabado de ser electrificada , lançou a o Percy um olhar assustado e zarpou . Percy sentou se e tirou uma caneca de o meio de a mesa . -- Percy - disse o Ron aborrecido . - Ela ia agora mesmo contar nos uma coisa importante . A meio de um gole de chá , Percy estremeceu . - Que coisa ? - perguntou , tossindo . - Eu quis saber se ela tinha visto alguma coisa estranha e ela ia dizer ... - Ah ! isso ... não tem nada que ver com a Câmara_dos_Segredos - disse o Percy de imediato . - Como sabes ? - indagou o Ron , erguendo as sobrancelhas . - Bem ... er ... já_que perguntam , a Ginny ... er ... passou por mim em outro dia quando eu ... er ... não foi nada , o importante é_que ela viu me fazer uma coisa e eu ... um ... pedi lhe para não comentar com ninguém . Não pensei que ela cumprisse a palavra , verdade se diga . Não é nada importante , eu só ... Harry nunca vira o Percy tão pouco a a vontade . - O que estavas a fazer , Percy ? - riu se o Ron . - Vá lá , conta que nós não nos rimos . Percy ficou sério . - Passa me esses pãezinhos , Harry , estou cheio de fome . Harry sabia que todo o mistério poderia ser desvendado em o dia seguinte sem a ajuda de eles mas não ia deixar de falar com a Murta_Queixosa se a oportunidade surgisse . E , para sua grande satisfação , ela surgiu a meio de a manhã quando eram conduzidos a a aula de História_da_Magia_por_Gilderoy_Lockhart . Lockhart , que tantas vezes lhes assegurara que o perigo tinha passado , estava agora totalmente convencido de que acompanhar os alunos em os corredores era um trabalho inútil . O seu cabelo estava mais liso do_que de costume . Parecia ter passado toda_a noite acordado a vigiar o quarto andar . - Podem escrever o que eu digo - afirmou , acompanhando os até uma esquina . - As primeiras palavras que vão sair de a boca de aquelas pobres pessoas petrificadas serão - * _ Foi_o_Hagrid * . Francamente , estou espantado por a professora Mc_Gonagall considerar ainda necessárias estas medidas de segurança . - Concordo , professor - disse Harry , fazendo com que Ron , surpreendido , deixasse cair os livros a o chão . - Obrigado , Harry - disse Lockhart amavelmente , enquanto deixavam passar uma grande fila de Hufflepuffs . - verdade é_que os professores já têm bastante que fazer para andarem também a acompanhar os alunos a as aulas e a guardar os corredores a a noite ... - É verdade - disse o Ron , percebendo a ideia . - Porque não nos deixa aqui , professor , só falta mais um corredor . - Sabes , Weasley , sou mesmo capaz de fazer isso - disse Lockhart . - Preciso de preparar a minha próxima aula . E apressou se a seguir o seu caminho . - Preparar a aula - zombou o Ron . - Vai encaracolar o cabelo , é o mais certo . Deixaram os restantes Gryffindor passar lhes a a frente e por fim cortaram caminho em um corredor lateral e dirigiram se a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mas quando estavam a congratular se por o seu esquema brilhante ... - Potter , Weasley ! Que estão vocês a fazer aqui ? Era a professora Mc_Gonagall e a boca de ela estava mais fina do_que nunca . - Nós estávamos , estávamos - gaguejou o Ron . - Nós íamos ver , íamos ver ... - Hermione - completou Harry . A professora Mc_Gonagall e Ron olharam para ele . - Não a vemos há séculos , professora - prosseguiu Harry , pisando o pé a o Ron . - E pensamos ir espreitá a a a ala hospitalar e dizer lhe que as mandrágoras estão quase prontas , para ela não se preocupar . A professora Mc_Gonagall estava ainda a olhar para ele e , por um momento , Harry pensou que ela ia explodir mas , quando falou , fê lo em um tom de voz estranhamente rouco . - É claro - disse . E Harry , espantado , viu uma lágrima a brilhar lhe em o canto de um de os olhos . - É claro . Eu compreendo que tudo_isto tem sido muito duro para os amigos de aqueles que foram ... eu compreendo , sim , Potter . Podem ir visitar Miss_Granger . Eu mesma informarei o professor Binns de que vocês estão em o hospital . Digam a Madam_Pomfrey que vos dei autorização . Harry e Ron afastaram se , quase sem acreditar que tinham escapado a um castigo . Quando voltaram em uma esquina ouviram nitidamente a professora Mc_Gonagall a assoar se . - Esta - disse o Ron entusiasmado - foi a melhor história que tu alguma vez inventaste . Não tinham outro remédio senão ir a a ala hospitalar e dizer a Madam_Pomfrey que tinham autorização de a professora Mc_Gonagall para visitar Hermione . Madam_Pomfrey deixou os entrar com alguma relutância . - Não vale a pena falar com uma pessoa petrificada - disse , e ambos tiveram que admitir que ela tinha razão quando se sentaram junto de Hermione e constataram que ela não tinha a menor noção de estar acompanhada . Dizer lhe que não se preocupasse ou falar com o armário que estava a o lado de a cama era exactamente a mesma coisa . - Será que ela viu quem a atacou ? - perguntou o Ron , olhando com tristeza para o rosto rígido de Hermione . - Porque se a coisa saltou sobre eles , ficaremos todos sem saber de nada . Mas Harry não olhava para o rosto de Hermione . Estava mais interessado em a sua mão direita que se encontrava pousada sobre os cobertores e , inclinando se para ela , viu que tinha , fechado entre os dedos , um pedaço de papel . Assegurando se de que Madam_Pomfrey não dava por nada , fez sinal a o Ron . - Tenta tirá o - murmurou ele , colocando a cadeira de_modo_a que Madam_Pomfrey não pudesse ver o Harry . Não foi tarefa fácil . A mão de a Hermione estava fechada com uma força tal que Harry receou parti a . Enquanto Ron vigiava , ele forçou e torceu até que , por fim , depois de vários minutos bastante tensos , conseguiu tirar o papel . Era uma página retirada de um livro muito antigo de a biblioteca . Harry alisou a ansiosamente e Ron inclinou se para poder lês a também . * _ De todos os monstros assustadores que pairam a a face de a Terra , nenhum é tão curioso nem tão fatal como o Basilisk , também conhecido por o rei de as serpentes . Esta cobra que pode atingir proporções gigantescas e viver durante muitas centenas de anos nasce de um ovo de galinha que é chocado por um sapo . As suas formas de matar são pavorosas pois além de os dentes venenosos e mortais , o Basilisk tem um olhar criminoso e todos aqueles que ele fixa com os olhos tem morte instantânea . As aranhas fogem a sete pés de o Basilisk que é seu inimigo mortal , e o Basilisk foge apenas de o canto de o galo que para ele é fatal * . Por debaixo de isto uma única palavra fora escrita , em a letra que Harry reconheceu como sendo de Hermione : Canos . Foi como_se se tivesse acendido uma luz em o seu espírito . - Ron - murmurou - é isso . Está aqui a resposta . O monstro de a Câmara_dos_Segredos é um Basilisk , uma serpente gigante . Por isso , só eu tenho ouvido a sua voz em todos os lugares , porque eu compreendo * serpentês * ... Harry olhou para as camas em volta . - O Basilisk mata as pessoas fixando as com o olhar mas ninguém morreu , o que quer_dizer que ninguém o olhou directamente em os olhos . Colin viu o através de a lente de a máquina fotográfica e o Basilisk queimou o rolo que estava lá dentro mas o Colin ficou apenas petrificado . O Justin ... o Justin deve ter visto o Basilisk através de o Nick quase sem cabeça . O Nick é_que levou com o olhar mas não podia morrer outra_vez ... e perto de a Hermione e de a prefeita de os Ravenclaw foi encontrado um espelho . Hermione acabara de compreender que o monstro era um Basilisk . Aposto que preveniu a primeira pessoa que encontrou de que era melhor olhar por um espelho a o virar de cada esquina . E aquela rapariga puxou de o seu espelho e ... O Ron estava de queixo caído . - E Mrs._Norris ? - perguntou vivamente . Harry pensou um_pouco , tentando imaginar a cena em a noite de o Halloween . - A água . . . - disse lentamente . - A poça de água que saiu de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Aposto que Mrs._Norris só viu o reflexo de o monstro . Examinou a folha de papel que tinha em a mão . Quanto_mais olhava mais sentido faziam as coisas . - * _ O cantar de o galo é fatal para ele * - leu em voz alta . - Os galos de o Hagrid foram mortos . O herdeiro de Slytherin não queria um único galo perto de o castelo , com a câmara aberta . * _ As aranhas são as primeiras a fugir * . Tudo encaixa . - Mas , como tem o Basilisk andado por aí ? - disse o Ron . - Uma serpente horrível e enorme ... alguém a teria visto . Mas Harry apontou para a palavra que Hermione escrevinhara em o final de a página . - Canos - disse . - Canos ... Ron , ele tem usado a canalização . Eu ouvi sempre a voz dentro de as paredes ... Ron agarrou subitamente o braço de o Harry . - A entrada para a Câmara_dos_Segredos - disse em uma voz rouca . - E se for em uma casa_de_banho ? Se for em a ... - Em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa - completou Harry . Sentaram se , tomados de uma excitação enorme , mal querendo acreditar . - Isso significa que - disse o Harry - eu não posso ser o único em a escola a falar * serpentês * . Há também o herdeiro de Slytherin . É de esse modo que tem controlado o Basilisk . - O que vamos fazer ? - perguntou Ron com os olhos a faiscar . - Vamos falar com a Mc_Gonagall ? - Vamos até a a sala de os professores - disse Harry , dando um salto . - Ela estará lá dentro_de dez minutos , está quase em o intervalo . Desceram a escada a correr . Não querendo ser descobertos outra_vez a vaguear por os corredores foram directamente até a a sala de os professores que estava deserta . Era uma divisão ampla , toda forrada , com cadeiras de madeira escura . Harry e Ron passearam de um lado para o outro , demasiado nervosos para se sentarem . Mas a campainha anunciando o intervalo nunca mais tocava . Em vez de isso , ecoando em os corredores , ouviram a voz de a professora Mc_Gonagall incrivelmente ampliada . - * _ Todos os alunos devem regressar de imediato a os seus dormitórios . Todos os professores a a sala de professores . Imediatamente , por favor * . Harry deu meia volta e olhou para o Ron . - Não me digas que houve um novo ataque , não agora ! - Que vamos fazer ? - disse o Ron aterrado . - Voltar para o dormitório ? - Não - disse Harry , olhando e m volta . Havia uma espécie de armário a a sua esquerda cheio com os mantos de os professores . - Ali . Vamos ouvir o que se passa . A seguir poderemos contar lhes o que descobrimos . Esconderam se dentro de o armário , ouvindo a algazarra de centenas de pessoas e a porta de a sala de professores a abrir se . De o meio de a confusão de mantos bafientos , viram os professores encherem a sala . Alguns tinham um ar totalmente confuso , outros pareciam apavorados . Por fim , chegou a professora Mc_Gonagall . - Aconteceu - disse em o silêncio de a sala de professores . - O monstro levou uma aluna . Levou a mesmo para a câmara . O professor Flitwick soltou um grito agudo . A professora Sprout bateu com a mão em a boca . Snape agarrou com força as costas de uma cadeira e perguntou : - Como pode ter tanta certeza ? - O herdeiro de Slytherin - disse a professora Mc_Gonagall , muito pálida . - Deixou outra mensagem . Mesmo por baixo de a primeira : « * _ O esqueleto de ela ficará para sempre em a Câmara_dos_Segredos * . » O professor Flitwick desatou a chorar . - Quem é ela ? - quis saber Madam_Hooch que se afundara em uma cadeira . - Quem é a aluna ? - Ginny_Weasley - disse a professora Mc_Gonagall . Harry viu o Ron , a o seu lado , escorregar silenciosamente até a o chão de o armário . - Vamos ter que mandar todos os alunos embora amanhã - disse a professora Mc_Gonagall . Isto_é o fim de Hogwarts , Dumbledore sempre disse ... A porta de a sala de os professores voltou a abrir se . Por um breve momento , Harry pensou que fosse Dumbledore mas era Lockhart e vinha todo sorridente . - Peço desculpa , adormeci . Perdi alguma coisa ? Não pareceu reparar que os outros professores o olhavam com uma espécie de aversão . Snape deu um passo em frente . - O homem que faltava - disse . - O homem certo . O monstro raptou uma garota , Lockhart levou a para a Câmara_dos_Segredos . O seu momento chegou . - Isso mesmo , Lockhart - acrescentou a professora Sprout . - Não estavas a dizer ontem a a noite que sempre tinhas sabido onde era a entrada para a Câmara_dos_Segredos ? - Eu ... bem ... eu-disse atabalhoadamente Lockhart . - Sim , não me disseste que sabias exactamente o que estava lá dentro ? - disse com voz esganiçada o professor Flitwick . - Eu disse ? Não me lembro ... - Lembro me perfeitamente de o ouvir dizer que lamentava não ter feito uma tentativa com o monstro antes de o Hagrid ser preso - disse Snape . - Não disse que toda_a história tinha sido uma atrapalhação e que deveriam ter lhe dado carta branca desde o princípio ? Lockhart olhou em volta para a cara de espanto de os colegas . - Eu ... nunca ... eu de facto ... deve ter me compreendido mal . - Então vamos deixar te , Gilderoy - disse a professora Mc_Gonagall . - Esta noite será uma excelente oportunidade para actuares . Nós trataremos de assegurar que ninguém te atrapalha . Vais poder enfrentar o monstro sozinho . Finalmente tens carta branca . Lockhart olhou desesperado a a sua volta mas ninguém foi salvá o . Já não estava bem-parecido . O lábio tremia lhe e a ausência de o seu habitual sorriso de dentes brancos dava lhe um ar escanzelado . - M-muito bem - disse . - Vou até a o meu escritório para ... para me preparar . E saiu de a sala . - _ óptimo - exclamou a professora Mc_Gonagall com as narinas dilatadas . - Isto deve afastá o de o nosso caminho . Os chefes de casa devem ir agora comunicar a os respectivos alunos o que se passou e informá os de que o Expresso_de_Hogwarts os levará a casa amanhã de manhã . Os restantes certifiquem se , por favor , de que não há alunos fora de os dormitórios . Os professores levantaram se e saíram um a um . Foi talvez o dia pior de a vida de o Harry . Ele , Ron , Fred e George sentaram se juntos a um canto em a sala comum de os Gryffindor , incapazes de proferir uma palavra . Percy não estava lá . Tinha ido tratar de enviar uma coruja a Mr. e Mrs._Weasley e , em seguida , fechara se em o dormitório . Nunca uma tarde custara tanto a passar e nunca a torre de os Gryfffindor estivera tão cheia de gente e tão silenciosa . Fred e George foram para a cama quase a o pôr de o Sol , incapazes de ficar ali mais tempo . - Ela sabia qualquer coisa , Harry - disse o Ron , falando pela_primeira_vez desde_que tinham saído de o armário de a sala de os professores . - Por isso a levaram . Não era nenhuma parvoíce sobre o Percy , ela tinha descoberto qualquer coisa sobre a Câmara_dos_Segredos . Com certeza por isso é_que a ... - Ron esfregou os olhos , enervadíssimo . - Afinal ela era sangue puro , não pode haver outra explicação . Harry olhava para o sol que mergulhava de um vermelho cor de sangue em a linha de o horizonte . Era a pior coisa que lhe tinha acontecido . Se pelo_menos pudessem fazer alguma coisa . - Harry - disse o Ron . - Achas que há alguma possibilidade de ela não estar ... ? Sabes o que eu quero dizer . Harry não sabia que resposta dar . Não acreditava que a Ginny pudesse ainda estar viva . - Sabes uma coisa ? - disse o Ron . - Acho que devíamos ir ter com o Lockhart , contar lhe o que sabemos . Ele vai tentar entrar em a câmara , podemos dizer lhe onde achamos que fica a entrada e contar lhe que o monstro é um Basilisk . Como Harry não tinha nenhuma ideia melhor e como queria fazer alguma coisa , concordou . Os Gryffindor que os rodeavam estavam tão tristes e com tanta pena de os Weasley que ninguém tentou impedi os quando os viram levantar se , atravessar a sala e sair por o buraco de o retrato . A escuridão começava a instalar se quando chegaram a o escritório de Lockhart onde a actividade era muita . De o corredor ouvia se o ruído de coisas a serem deitadas fora , pancadas surdas e passos apressados . Harry bateu a a porta e houve um silêncio repentino . Em seguida abriu se uma fresta de a porta e viram um de os olhos de Lockhart a espreitar . - Oh ! ... Mr._Potter ... Mr._Weasley - disse entreabrindo a porta . - Estou um_pouco ocupado em este momento , se forem rápidos ... - Professor , nós temos informações para lhe dar - disse o Harry . - Acho que poderão ajudá o . - Er ... bem ... não é - o lado de a cara de Lockhart que conseguiam ver parecia muito pouco a a vontade . - Quer_dizer ... bem ... está bem . Abriu a porta e eles entraram . O escritório estava praticamente vazio . Em o chão estavam duas grandes malas abertas . Mantos verde-jade , lilás , azul-noite tinham sido apressadamente dobrados e guardados dentro_de uma de as malas . Os livros misturavam se todos dentro de a outra . As fotografias que antes cobriam as paredes estavam agora arrumadas em caixas , em cima de a secretária . - Vai a algum lado ? - perguntou Harry . - Er ... bem ... sim - disse Lockhart , arrancando de a porta um poster seu em tamanho natural , enquanto falava , e começando a enrolá o . - Uma chamada urgente ... inevitável ... tenho que ir . - E a minha irmã ? - perguntou o Ron bruscamente . - Bem , quanto_a isso foi uma pena - disse Lockhart , evitando olhá os em os olhos , abrindo uma gaveta e começando a despejar o seu conteúdo dentro_de um saco . - Ninguém lamenta mais do_que eu ... - O senhor é o professor de Defesa contra as artes negras - disse Harry . - Não pode ir se embora agora_que todas estas coisas de magia negra estão a acontecer aqui . - Bem , devo dizer te que ... quando aceitei o lugar ... - resmungou Lockhart , empilhando soquetes sobre os mantos - nada em a descrição de o meu trabalho fazia prever ... - Quer_dizer que vai fugir ? - perguntou Harry , incrédulo . - Depois de todas_as coisas que conta em os seus livros ? - Os livros podem ser enganadores - disse Lockhart delicadamente . - Mas foi o senhor que os escreveu - gritou Harry . - Meu rapaz - disse Lockhart , endireitando se e franzindo as sobrancelhas - usa o senso comum . Os meus livros não teriam vendido metade do_que venderam se as pessoas não acreditassem que eu tinha feito todas aquelas coisas . Ninguém está interessado em ler sobre um velho feiticeiro americano mesmo_que ele tenha salvo uma cidade inteira de os lobisomens , ficaria péssimo em a capa . E a bruxa que correu com a fada carpideira tinha um lábio leporino . Como vês . - Quer_dizer que ficou com os louros por tudo_o_que uma série de outras pessoas fizeram ? - perguntou Harry , sem querer acreditar . - Harry , Harry - disse Lockhart , abanando impacientemente a cabeça . - Não é tão simples assim . Envolveu muito trabalho . Tive de localizar todas essas pessoas , perguntar lhes em pormenor como tinham feito as coisas . Depois tive de lhes fazer um feitiço antimemória para que não voltassem a lembrar se do_que tinham feito . Se há uma coisa de que me orgulho é de os meus feitiços antimemória . Não , tive muito trabalho , Harry . Não foram só as sessões de autógrafos e as fotografias , sabes ? Quem quer ser famoso tem de estar preparado para um trabalho longo e fatigante . Fechou as malas a a chave . - Vejamos - disse . - Acho que está tudo . Sim , só falta uma coisa . - Empunhou a varinha e voltou se para eles . - Lamento muito , rapazes , mas vou ter de vos fazer um feitiço antimemória . Não posso deixar que vão por aí repetir os meus segredos . Não venderia nem mais um livro . Harry pegou em a varinha mesmo a tempo e Lockhart mal tinha levantado a de ele a o ar quando Harry gritou * _ Expelliarmus ! * Lockhart foi projectado de costas , indo cair em cima de a mala . A varinha voou por os ares . Ron agarrou a e atirou a por a janela aberta . - Não devia ter deixado o professor Snape ensinar nos esta - disse Harry furioso , dando um pontapé a uma de as malas . Lockhart olhava para ele , de_novo escanzelado . Harry apontava lhe a varinha . - O que queres que eu faça ? - perguntou debilmente . - Eu não sei onde fica a Câmara_dos_Segredos . Não posso fazer nada . - Está com sorte - disse Harry , forçando o com a varinha a pôr se de pé . - Nós julgamos saber onde é e o que está lá dentro . Vamos . Conduziram Lockhart para fora de o seu escritório , desceram com ele as escadas e seguiram por o corredor escuro em cuja parede brilhavam as mensagens , até a a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mandaram Lockhart a a frente . Harry gostou de ver que todo ele tremia . A Murta_Queixosa estava sentada em a cisterna de o cubículo de o fundo . - Ah ! são vocês - disse a o ver o Harry . - O que querem agora ? - Perguntar te como morreste - disse Harry . O aspecto de a Murta mudou por completo . Parecia que nunca lhe tinham feito uma pergunta tão lisonjeira . - Ooooh ! Foi horrível - disse satisfeita . - Aconteceu aqui mesmo . Morri em este cubículo . Lembro me tão bem . Estava escondida porque a Olive_Hornby andava a implicar comigo por causa de os meus óculos . A porta estava fechada e eu estava a chorar e , então , ouvi alguém entrar . Disseram qualquer coisa estranha em uma língua diferente , acho eu . Mas o que mais me espantou foi o ser um rapaz a falar . Por isso , abri a porta para lhe dizer que fosse a a casa_de_banho de eles e em esse momento - a Murta inchou com ar importante , o rosto a brilhar - morri . - Como ? - perguntou Harry . - Não faço ideia - disse a Murta em um tom de voz abafado . - Só me lembro de ver dois grandes olhos amarelos , de o meu corpo ficar preso e em seguida , sentir me a flutuar ... - olhou sonhadoramente para Harry . - E depois voltei . Estava disposta a vingar me de a Olive_Hornby , percebes ? Ela ia arrepender se de ter gozado com os meus óculos . - Onde foi exactamente que viste os tais olhos ? - perguntou Harry . - Algures por aí - disse a Murta , apontando vagamente para o lavatório em frente de o seu cubículo . Harry e Ron apressaram se . Lockhart estava de pé , mais atrás , com uma expressão de pavor em o rosto . O lavatório parecia perfeitamente vulgar . Examinaram o centímetro a centímetro , dentro e fora , incluindo os canos por baixo . E foi então que Harry reparou : de lado , rabiscada em uma de as torneiras de cobre , estava uma cobra pequenina . - Essa torneira nunca funcionou - disse vivamente a Murta enquanto ele tentava abri a . - Harry - sugeriu o Ron . - Diz qualquer coisa em * serpentês * . Mas , pensou Harry , as únicas vezes que conseguira falar * serpentês * tinham ocorrido quando confrontado com uma verdadeira serpente . Olhou , concentrado para a pequena cobra gravada em o cobre , tentando imaginá a como verdadeira . - Abre te - disse . Olhou para o Ron que abanou a cabeça . - Inglês - disse ele . Harry voltou a olhar para a cobra , forçando se a acreditar que estava viva . A luz de a vela fez parecer que se movia . - Abre te - repetiu . Mas desta_vez as palavras não foram o que ele ouviu . Um estranho sibilar escapou lhe de a boca e a torneira ganhou uma luz branca e brilhante e começou a rodar . Logo_a_seguir o lavatório mexeu se . Afastou se , melhor dizendo , saiu de o caminho , deixando um grande cano a a vista , um cano onde cabia um homem . Harry ouviu a respiração arquejante de o Ron e olhou de_novo para ele . Já decidira o que queria fazer . - Vou descer - disse . Não podia deixar de ir , agora_que acabavam de descobrir a entrada para a câmara , existindo uma possibilidade , por mais remota que fosse , de a Ginny ainda estar viva . - Eu também - disse o Ron . Houve uma pausa . - Bem , parece que não precisam mais de mim - apressou se Lockhart a dizer com uma réstia de sorriso . - Eu vou . . . Pôs a mão em o puxador de a porta mas Ron e Harry apontaram lhe ambos as varinhas . -- O senhor pode ir a a frente - disse rispidamente o Ron . Pálido e sem varinha , Lockhart aproximou se de a entrada . - Meus rapazes - disse em uma voz débil . - Meus rapazes , para quê tudo_isto ? Harry tocou lhe em as costas com a varinha e ele meteu as pernas em o cano . - Eu não me parece que ... - começou a dizer , mas o Ron deu lhe um empurrão e ele desapareceu por o cano abaixo . Harry foi rapidamente atrás . Introduziu se lentamente e deixou se cair . Era como escorregar em uma pista escura e interminável . Ele via outros canos , estendendo se em todas_as direcções mas nenhum tão largo como o de eles que se torcia e virava , inclinando se abruptamente . Harry sabia que estavam a chegar a um ponto muito abaixo de a escola e de os calabouços . Atrás_de si , ouvia o Ron gemendo em cada curva . E então , quando começava a preocupar se com o que iria acontecer quando tocassem em o chão , o cano tornou se horizontal e ele foi projectado com um ruído surdo , indo aterrar em o chão húmido de um túnel de pedra com altura suficiente para ele se pôr de pé . Lockhart estava a levantar se a alguma distancia , todo enlameado e pálido como um fantasma . Harry afastou se para deixar o Ron sair também de o cano . - Devemos estar quilómetros e quilómetros abaixo de a escola - disse o Harry cuja voz ecoou em o túnel negro . - Talvez até debaixo de o lago - arriscou o Ron , olhando em volta para as paredes escuras e viscosas . Voltaram se os três para olhar para a escuridão lá a o fundo . - * _ Lumus ! * - murmurou Harry a a varinha e ela voltou a acender se . - Vamos - disse a o Ron e a o Lockhart e avançaram , os passos a chapinharem ruidosamente em o chão molhado . O túnel era tão escuro que só conseguiam ver alguns centímetros a a frente . As suas sombras em as paredes molhadas pareciam monstruosas a a luz de a varinha . - Lembrem se - disse Harry baixinho enquanto caminhavam . - A o menor movimento fechem logo os olhos ... Mas o túnel era silencioso como um túmulo e o primeiro som inesperado que ouviram foi um grito de o Ron que escorregou em uma coisa que era afinal a cauda de um rato . Harry baixou a varinha para olhar para o chão e viu que estava cheio de pequenos ossos de animais . Fazendo um enorme esforço para evitar pensar em que estado iriam encontrar a Ginny , avançou até uma curva escura de o túnel . - Harry , está aqui qualquer coisa - disse o Ron com voz rouca , agarrando Harry por o ombro . Ficaram estáticos a olhar . Harry só conseguia ver a silhueta de algo enorme e curvo deitado em o túnel . Fosse o que fosse não se movia . - Talvez esteja a dormir - murmurou , olhando para os outros dois . Lockhart tapava os olhos com as mãos . Harry voltou se para olhar para a criatura com o coração a bater tanto que lhe doía em o peito . Lentamente , com os olhos quase fechados mas ainda conseguindo ver , Harry avançou com a varinha levantada . A luz deslizou sobre uma gigantesca pele de serpente , de um verde vivo e venenoso que estava vazia e enrolada em o chão de o túnel . A criatura que a abandonara devia ter , pelo_menos , seis metros e meio de comprimento . - Bolas - disse o Ron , perdendo as forças . Houve um movimento súbito atrás de eles . As pernas de Gilderoy_Lockhart cederam . - Levante se - disse o Ron de uma forma cortante , apontando lhe a varinha . Lockhart pôs se de pé . Em seguida empurrou o Ron , atirando o a o chão . Harry deu um salto , mas ... tarde de mais . Lockhart endireitava se com a varinha de o Ron em as mãos e um sorriso em o rosto . - A aventura acaba aqui , rapazes - disse . - Vou levar um bocado de esta pele de cobra para a escola , contar lhes que foi demasiado tarde para salvar a garota e que vocês os dois perderam tragicamente a memória com a visão de o seu corpinho mutilado . Digam adeus a as vossas recordações . Levantou a o ar a varinha avariada de o Ron e gritou * _ Obliviate ! * A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba . Harry pôs os braços sobre a cabeça e correu , escorregou em os anéis de a pele de cobra , afastando se de os grandes pedaços de tecto de o túnel que caíam em o chão com o ruído de trovões . Pouco depois estava sozinho , olhando para uma sólida parede de rocha partida . - Ron - gritou ele . - Estás bem , Ron ? - Estou aqui - respondeu a voz abafada de o Ron por detrás de a avalancha de rochas . - Eu estou bem mas este sujeito não . A varinha avariou o todo . Ouviu se um ruído surdo e um Oh ! gritado . Parecia que o Ron tinha acabado de dar a o Lockhart um pontapé em as canelas . - E agora ? - disse a voz de o Ron que parecia desesperada . - Não podemos passar , vai demorar séculos . Harry olhou para o tecto de o túnel onde tinham aparecido grandes fendas . Ele nunca tentara partir , através de a magia , nada tão grande como aquelas rochas e agora não lhe parecia ser o melhor momento para fazer experiências . E se o túnel abatesse ? Houve um ruído surdo e outro Oh ! atrás de as rochas . Estavam a perder tempo . A Ginny já estava havia duas horas em a Câmara_dos_Segredos . Harry sabia que só havia uma coisa a fazer . - Espera aqui - gritou a o Ron . - Fica com o Lockhart , eu vou lá . Se não voltar dentro_de uma hora ... Houve um silêncio cheio . - Eu vou ver se desloco um_pouco esta rocha - disse o Ron , tentando manter a voz firme . - Para tu poderes passar . E , Harry ... - Até já - disse o Harry , procurando injectar confiança em a sua voz trémula . E passou sozinho para lá de a imensa pele de serpente . Em_breve , o ruído de o Ron , tentando deslocar a rocha , deixou de se ouvir . O túnel virou uma e outra_vez . Os nervos de o corpo de o Harry tangiam de forma desagradável . Ele só queria que o túnel chegasse a o fim , fosse o que fosse que o aguardasse . E então , finalmente , quando atingiu a última curva , viu em a sua frente uma parede sólida que tinha gravadas duas serpentes enroladas uma em a outra , cujos olhos eram quatro esmeraldas , enormes e brilhantes . Harry aproximou se com a garganta seca . Não foi preciso imaginar que as serpentes eram autênticas . Os seus olhos pareciam estranhamente vivos . Foi fácil descobrir o que tinha de fazer . Pigarreou e os olhos de esmeraldas pareceram mexer se . - Abre te - disse Harry em um sibilar baixo . As serpentes desapareceram enquanto a parede se abria a o meio e , a tremer de os pés a a cabeça , Harry entrou . XVII_Herdeiro_de_Slytherin_Estava de pé em o fundo de uma divisão enorme , fracamente iluminada . Altíssimos pilares de pedra , cheios de serpentes gravadas que os enlaçavam , erguiam se , suportando um tecto que se perdia em a escuridão e que lançava sombras negras imensas através de a estranha luz esverdeada que enchia o local . Com o coração a bater descompassadamente , Harry ficou parado a ouvir aquele silêncio arrepiante . Estaria o Basilisk escondido em um canto cheio de sombras , atrás_de algum pilar ? E onde estaria Ginny ? Pegou em a varinha e avançou a o longo de as colunas serpenteantes . Cada_um de os seus passos provocava um enorme eco em as paredes sombrias . Harry tinha os olhos semicerrados e estava pronto para os fechar a o mais pequeno movimento . As órbitas de olhos fundos de as serpentes de pedra pareciam segui o . Por mais de uma_vez , com o estômago a dar um salto , Harry julgou vê os moverem se . Por fim , chegado a o nível de os dois últimos pilares , avistou uma estátua de a altura de a própria câmara que estava encostada a a parede de o fundo . Harry tinha de esticar o pescoço para olhar para_cima , para a cara de o gigante : era velho e com um ar simiesco , tinha uma barba enorme que lhe caía quase onde acabava a longa túnica de pedra . Os dois pés imensos e cinzentos pousavam em o chão de a câmara . E entre eles , voltada para baixo , estava uma figura pequenina vestida de preto com um cabelo flamejante . - Ginny - murmurou Harry , chegando perto de ela e ajoelhando se . - Ginny , por favor não estejas morta , não estejas morta ! Atirou a varinha para o lado , agarrou Ginny por os ombros e voltou a . O rosto de ela estava branco e frio como o mármore , contudo os olhos encontravam se fechados , portanto não estava petrificada . Mas então devia estar ... - Ginny , acorda por favor - repetiu Harry desesperado , sacudindo a . A cabeça de ela andava de um lado para o outro . - Ela não vai acordar - disse secamente uma voz . Harry deu um salto e girou sobre os joelhos . Um rapaz alto , de cabelo preto , estava encostado a o pilar mais próximo , a observá o . As sombras desfocavam o como_se Harry o visse através_de uma janela embaciada . Mas não havia como confundis o . - Tom , Tom_Riddle ? Riddle acenou , sem tirar os olhos de o rosto de Harry . - O que queres dizer com isso de ela não acordar ? - perguntou Harry desesperado . - Ela não está ... não está ? - Está viva - disse Riddle . - Mas , por um fio . Harry olhou fixamente para ele . Tom_Riddle estivera em Hogwarts há cinquenta anos atrás . Contudo , ali estava com uma luz estranha e desfocada a iluminá o , sem um dia a mais do_que os seus dezasseis anos . - És um fantasma ? - perguntou Harry . - Uma memória - disse Riddle . - Preservada em um diário durante cinquenta anos . Apontou para os pés de a estátua gigantesca . Ali , aberto em o chão , estava o pequeno diário de capa preta que Harry tinha encontrado em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Durante um segundo , Harry perguntou a si próprio como teria ido ali parar , mas havia coisas mais importantes a fazer . Preciso de a tua ajuda , Tom - disse Harry , levantando de_novo a cabeça de a Ginny . - Temos de sair de aqui . Há_um_Basilisk ... não sei onde está mas pode aparecer a qualquer momento . Por favor , ajuda me . Riddle não se mexeu . Harry , a transpirar , conseguiu levantar ligeiramente a Ginny de o solo e inclinou se para pegar em a varinha mas ela tinha desaparecido . - Viste a ... ? Olhou para_cima . Riddle continuava a olhá o , fazendo girar a varinha entre os dedos longos . - Obrigado - disse Harry , esticando o braço para a agarrar . Um sorriso surgiu então em os cantos de a boca de Riddle que continuou a olhar para ele , girando indolentemente a varinha . - Ouve , pá - disse Harry sem querer perder mais tempo , os joelhos a vergarem sob o peso morto de Ginny - temos de ir . Se o Basilisk aparece ... - Ele não vem enquanto não for chamado - disse Riddle com toda_a calma . Harry voltou a pousar Ginny em o chão , incapaz de a segurar por mais tempo . - Que queres dizer com isso ? - perguntou . - Dá me a minha varinha , posso precisar de ela . O sorriso de Riddle ampliou se . - Não vais precisar de ela - disse . Harry olhou o espantado . - O que queres dizer , não vou ? - Esperei muito_tempo por isto , Harry - disse Riddle . - Pela possibilidade de te ver , de falar contigo . - Olha , eu acho que tu não estás a perceber - disse Harry , perdendo a paciência . - Estamos em a Câmara_dos_Segredos , podemos conversar mais tarde . - Vamos conversar agora - disse Riddle , sorrindo de orelha a orelha e guardando a varinha de Harry em o bolso . Harry voltou a olhar para ele . Havia qualquer coisa de muito estranho em tudo aquilo . - Como é_que a Ginny ficou assim ? - perguntou pausadamente . - Bem , essa é uma pergunta interessante - disse Riddle , divertido . - E uma longa história , também . Julgo que o verdadeiro motivo que levou Ginny_Weasley a ficar assim foi o ter aberto o seu coração e revelado todos os seus segredos a um estranho ser invisível . - De quem estás a falar ? - perguntou Harry . - De o diário - disse Riddle . - De o meu diário . A Ginny escreve nele há meses e meses , contando me todas_as suas lamentáveis desgraças e atribulações : como os irmãos a arreliam , que teve de vir para a escola com manto , túnica e livros em segunda mão - os olhos de Riddle brilharam -- , que acha que o maravilhoso , o grande , o famoso Harry_Potter nunca vai gostar de ela ... Enquanto falava , nunca os olhos de Riddle se afastaram de a cara de o Harry . Havia em eles um olhar ávido . - É muito chato ter de ouvir as preocupações idiotas de uma garotinha de onze anos - prosseguiu . - Mas eu fui paciente . Respondi lhe , mostrei me simpático e amável . A Ginny pura e simplesmente adorou me . - * _ Nunca ninguém me compreendeu como tu , Tom ... estou tão feliz por ter este diário a quem me confiar ... é como ter um amigo que pode andar em o meu bolso * ... Riddle riu se . Um riso alto , frio , que não lhe ficava bem . Fez com que os cabelos de o pescoço de Harry se arrepiassem todos . - Verdade se diga que sempre consegui encantar as pessoas necessárias . Portanto a Ginny verteu em mim a sua alma e a alma de ela era precisamente o que eu queria . Fortaleceu me . Alimentei me de os seus medos mais profundos , de os seus mais obscuros segredos . Fui ficando cada_vez_mais forte e poderoso . Muito mais poderoso do_que a pequena Miss_Weasley até que comecei a transmitir lhe alguns de os meus segredos , a passar um_pouco de a minha alma para ela ... - O que queres dizer ? - perguntou Harry cuja boca ficara totalmente seca . - Ainda não descobriste , Harry_Potter ? - disse Riddle muito baixo . - Giony_Weasley abriu a Câmara_dos_Segredos , estrangulou os galos de a escola e escreveu mensagens assustadoras em as paredes . Atiçou a serpente de Slytherin contra quatro sangues de lama e contra o gato de o busca-pé . - Não - murmurou Harry . - Sim - disse calmamente Riddle . - É claro que a princípio não sabia o que estava a fazer . Era muito divertido . Gostava que visses as coisas que escreveu em o diário , começaram a ficar muito mais interessantes . * _ Querido_Tom * - recitou ele , olhando para a expressão horrorizada de o Harry . - * _ Acho que estou a perder a memória . Há penas de galo em todas_as minhas roupas e eu não sei como foram lá parar . Querido_Tom , não me lembro do_que fiz em a noite de o Hallowe'en mas foi atacada uma gata e eu estou cheia de tinta em a cara . Querido_Tom , o Percy não pára de me dizer que ando pálida e não pareço eu . Acho que ele suspeita de mim ... Houve outro ataque hoje e eu não sei onde estava . Tom , que vou eu fazer ? Acho que estou a ficar maluca ... acho que ando a atacar toda_a_gente , Tom ! * Harry tinha os punhos fechados , as unhas cravadas contra a palma de as mãos . - Levou muito_tempo até a pequenina estúpida deixar de confiar em o diário - disse Riddle . - Mas acabou por ficar desconfiada e tentou livrar se de ele . E é aí que tu entras , Harry . Tu encontraste o . E eu não poderia ter ficado mais satisfeito . De todas_as pessoas que poderiam ter ficado com ele , foste tu , aquele que eu ambicionava conhecer ... - E porque querias conhecer me ? - perguntou Harry . Começava a ser tomado por a raiva e fez um esforço para manter o tom de voz controlado . - Bem , a Ginny contou me tudo a teu respeito - disse Riddle . - A tua fascinante história . - Os seus olhos pousaram em a cicatriz em a testa de Harry e a sua expressão ganhou maior avidez . - Sabia que devia descobrir mais a teu respeito , falar te , encontrar me contigo se fosse possível . Por isso , para ganhar a tua confiança , resolvi mostrar te a famosa captura que fiz de aquele demente de o Hagrid . - O Hagrid é meu amigo - disse Harry já com a voz a tremer . - E tu tramaste o , não foi ? Pensei que tinha sido um engano , mas ... Ele riu se . O mesmo riso de antes . - Era a minha palavra contra a palavra de ele . Imagina a cara de o velho Armando_Dippet . De um lado Tom_Riddle , pobre mas brilhante , sem pais mas corajoso , prefeito de a escola , um modelo de aluno . De o outro lado , o Hagrid , grande e disparatado , arranjando problemas semana sim , semana não , tentando criar filhotes de lobisomens debaixo de a cama , escapando se para a floresta proibida para lutar com gigantes . Mas , devo admitir que até eu próprio fiquei admirado com os excelentes resultados de o meu plano . Pensei que alguém perceberia que o Hagrid nunca poderia ser o herdeiro de Slytherin . Demorei cinco anos inteirinhos até descobrir tudo_o_que me foi possível sobre a Câmara_dos_Segredos e a sua entrada secreta ... como_se o Hagrid tivesse cabeça ou poder ! - Só o professor de Transfiguração , Dumbledore , parecia achar que ele estava inocente . Convenceu Dippet a mantê o aqui e a treiná o como guarda de os campos . Sim , é natural que Dumbledore tenha adivinhado , nunca gostou de mim como os outros professores . - Aposto que Dumbledore viu através_de ti - disse Harry , de dentes cerrados . - Pelo_menos passou a vigiar me de perto , a partir de o momento em que o Hagrid foi expulso - disse Riddle descuidadamente . - Eu sabia que não era seguro voltar a abrir a câmara enquanto ainda estava em a escola mas não ia desperdiçar os longos anos que passara a pesquisar . Decidi , por isso , deixar um diário preservando em as suas páginas o meu ego de dezasseis anos para que um dia , com um_pouco de sorte , pudesse levar outro a seguir os meus passos e acabar o nobre trabalho de Salazar_Slytherin . - Bem , não o acabaste - disse Harry triunfante . - Ninguém morreu até agora , nem mesmo a gata . Dentro_de poucas horas a poção de mandrágoras estará pronta e todos os que foram petrificados voltarão de_novo a si . - Não acabei de te dizer que matar sangues de lama já não me interessa ? Há muitos meses que o meu alvo és tu . Harry olhou para ele . - Podes imaginar como fiquei furioso quando em outro dia o diário foi aberto e vi que era a Ginny quem estava a escrever e não tu . Ela viu te com o diário e entrou em pânico . E se tu descobrisses como trabalhar com ele e eu te repetisse todos os seus segredos ? Ainda pior , e se eu te contasse quem tinha andado a estrangular os galos ? Por isso , a grande palerma esperou que o teu dormitório estivesse deserto e foi lá roubá o . Mas eu sabia o que tinha de fazer . Estava muito claro para mim que a tua meta era o herdeiro de Slytherin . Por tudo_o_que a Ginny me contara a teu respeito , sabia que irias até onde fosse preciso para desvendar o mistério , principalmente se um de os teus melhores amigos tivesse sido atacado . E a Ginny disse me que a escola toda bichanava por tu falares * serpentês * ... Por isso , obriguei a Ginny a escrever a sua própria despedida em a parede , a vir até aqui e esperar . Ela debateu se e gritou e ficou muito chatinha . Mas , já não tem muita vida : pôs grande parte de ela em o diário , deu me a . O suficiente para eu abandonar , por fim , as suas páginas . Desde_que aqui cheguei que estou a a tua espera . Sabia que virias . Tenho muitas perguntas a fazer te , Harry_Potter . - Que perguntas ? - disse Harry com os punhos fechados . - Bem - prosseguiu Riddle , sorrindo de satisfação : - Como é_que um bebé sem especiais talentos de magia foi capaz de derrotar o maior feiticeiro de sempre ? Como conseguiste escapar só com uma cicatriz quando os poderes de Lord_Voldemort foram destruídos ? Havia agora em os seus olhos um brilho vermelho e irado . - O que é_que te interessa saber como eu escapei ? - disse Harry lentamente . - Voldemort veio depois de ti . - Voldemort - disse Riddle - é o meu passado , o meu presente e o meu futuro , Harry_Potter ... Tirou a varinha de o Harry de o bolso e começou a escrever em o ar três palavras brilhantes : TOM_MARVOLO_RIDDLE_Em seguida , fez um gesto com a varinha e as letras de o seu nome reagruparam se de outro modo . : __ eu sou lord __ voldemort ( I am Lord_Voldemort ) . - Vês ? - murmurou . - Era um nome que eu já usava em Hogwarts , para os meus amigos mais íntimos apenas , como é óbvio . Achas que ia usar para sempre o nome nojento de o meu pai Muggle ? Eu , em cujas veias , por o lado materno , corre o sangue de Salazar_Slytherin ? Eu , manter o nome de um Muggle tolo que me abandonou ainda antes de eu nascer só porque descobriu que a mulher com quem casara era uma bruxa ? Não , Harry , arranjei um novo nome , um nome que eu sabia que os feiticeiros de todo_o_mundo viriam um dia a ter medo de pronunciar , quando eu me tivesse tornado o maior feiticeiro de o mundo . A cabeça de Harry parecia bloqueada . Olhou como_que paralisado para Riddle , para o rapaz de o orfanato que depois de crescer iria matar os seus pais e tantos outros . Por fim , com algum esforço conseguiu falar . - Não és - disse em uma voz calma e cheia de ódio . - Não sou o quê ? - perguntou Riddle irritado . - Não és o maior feiticeiro de o mundo - disse Harry com a respiração acelerada . - Lamento desiludir te mas o maior feiticeiro de o mundo é Albus_Dumbledore . Toda_a_gente sabe . Mesmo tu , quando tinhas força , não ousavas tentar aproximar te de Hogwarts . Dumbledore viu através_de ti quando andavas em a escola e ainda agora te assusta onde quer que te escondas . O sorriso desaparecera de o rosto de Riddle , fora substituído por um olhar furioso . - Dumbledore foi afastado de este castelo por a minha simples memória - sibilou . - Ele não está tão longe como pensas - retorquiu Harry . Falava por falar , tentando assustar Riddle , desejando mais que assim fosse do_que acreditando em as suas palavras como uma verdade . Riddle abriu a boca mas não chegou a falar . Tinha começado a ouvir se uma música . Riddle deu uma volta , olhando para a câmara vazia . A música estava a ficar mais alta . Era misteriosa , arrepiante , sobrenatural . Fez_Harry ficar com os cabelos em pé e o coração aumentar lhe em o peito . Por fim , quando atingiu um ponto tão alto que Harry a sentiu vibrar dentro de as suas costelas , começaram a sair chamas de o topo de o pilar mais próximo . Uma ave carmesim de o tamanho de um cisne surgiu , assobiando a sua estranha melodia para o tecto em forma de abóbada . Tinha uma cauda dourada tão longa como a de um pavão e garras douradas e brilhantes que seguravam uma trouxa andrajosa . Segundos depois , a ave voava em direcção a Harry . Deixou cair a coisa andrajosa a os seus pés e pousou lhe pesadamente em o ombro . Quando abriu as enormes asas , Harry olhou para_cima e viu que tinha um longo bico afiado e olhos escuros pequenos e brilhantes . A ave parou de cantar . Ficou quieta junto de a cara de Harry , olhando fixamente para Riddle . - É uma fénix , disse Riddle , olhando sagazmente para ela . - Fawkes ? - murmurou Harry e sentiu as garras douradas apertarem lhe devagarinho o ombro . - E aquilo - disse Riddle , olhando para a coisa velha que Fawkes deixara em o chão - é o velho chapéu seleccionador , de a escola . Era , de facto . Amachucado , puído e sujo , o chapéu jazia imóvel a os pés de Harry . Riddle começou a rir . Riu se tanto que a câmara escura se lhe juntou em um eco tal que parecia que dez Riddles se riam ao_mesmo_tempo . - Eis o que Dumbledore envia a o seu defensor . Um pássaro que canta e um chapéu velho . Estás cheio de coragem , Harry_Potter ? Sentes te agora mais seguro ? Harry não respondeu . Podia não estar a ver a vantagem de a Fawkes ou de o chapéu seleccionador mas já não se sentia só , e esperou corajosamente que Riddle parasse de rir . - Vamos a o que importa , Harry - disse ele , ainda com um enorme sorriso . - Encontrámo nos duas vezes em o teu passado , em o meu futuro . E duas vezes falhei a o tentar matar te . Como foi que sobreviveste ? Conta me tudo . Quanto_mais falares , mais tempo tens de vida . Harry pensava rapidamente , medindo as suas possibilidades . Riddle tinha a varinha . Ele , Harry , tinha a Fawkes e o chapéu seleccionador que não lhe serviriam de muito em o combate . As coisas pareciam más , é certo . Mas quanto_mais tempo Riddle ali estivesse , mais vida retirava a a Ginny ... e , entretanto , Harry reparou que a silhueta de Riddle se tornava mais nítida , mais sólida . Se tinha de haver uma luta entre os dois , quanto_mais depressa melhor . - Ninguém sabe porque perdeste os poderes quando me atacaste - disse bruscamente . - Eu próprio não sei . Mas sei porque não conseguiste matar me . A minha mãe morreu para me salvar . A minha mãe , uma vulgar filha de Muggles - acrescentou , a tremer de raiva . - Ela impediu que tu me matasses . E eu vi te como tu és , em o ano passado . És um destroço , quase não existes . Foi onde o teu poder te levou . Estás sob um disfarce , és horrível e és louco . O rosto de Riddle contorceu se . Em seguida , forçou um sorriso pavoroso . - Quer_dizer , então , que a tua mãe morreu para te salvar . Sim , é um antifeitiço poderoso . Compreendo agora , afinal não há em ti nada de especial . Eu tinha curiosidade , sabes , porque há uma estranha semelhança entre nós , Harry_Potter . Até tu deves ter reparado . Somos ambos meio sangue , órfãos , educados com Muggles , provavelmente os dois únicos que falam * serpentês * desde o grande Slytherin , até nos parecemos um_pouco fisicamente ... mas afinal foi apenas uma questão de sorte que te salvou de mim . Era o que eu queria saber . Harry ficou parado , tenso , a a espera que Riddle levantasse a varinha mas o seu sorriso cínico ampliou se de_novo . - Agora , Harry , vou dar te uma pequena lição . Vamos confrontar os poderes de Lord_Voldemort , herdeiro de Salazar_Slytherin e de o famoso Harry_Potter , munido com as melhores armas que Dumbledore lhe deu . Lançou um olhar divertido a a Fawkes e a o chapéu seleccionador e , em seguida , afastou se . Harry com as pernas entorpecidas por o medo viu o parar entre dois pilares altos e olhar para a cara de pedra de Slytherin , lá em cima em a semi-obscuridade . Riddle abriu a boca e sibilou mas Harry compreendeu o que ele dizia . - * _ Responde-me , Slytherin , o maior de os quatro de Hogwarts * . Harry voltou se para olhar melhor para a estátua com Fawkes pousada em o ombro . A gigantesca cara de pedra de Slytherin movia se . Horrorizado , Harry viu a boca abrir se mais e mais até se transformar em um buraco negro . E algo se agitava dentro de a boca de a estátua . Algo se arrastava para fora de as suas entranhas . Harry recuou até a a parede escura de a câmara e enquanto fechava os olhos com força sentiu a asa de a Fawkes roçar lhe o rosto e levantar voo . Harry quis gritar : - Não me abandones ! - mas que possibilidades tinha uma fénix contra o rei de as serpentes ? Uma coisa enorme bateu em o chão de pedra que Harry sentiu estremecer . Sabia o que estava a acontecer , podia sentis o , quase podia ver a serpente gigantesca a sair de a boca de Slytherin . Foi então que ouviu a voz de Riddle sibilar : * _ Mata-o * . O Basilisk avançava em direcção a Harry . Ele ouvia o seu corpo enorme escorregar pesadamente por o chão cheio de pó . Com os olhos sempre fechados , Harry começou a correr para o lado , a as cegas , com as mãos abertas a tactear o caminho . Riddle ria se a as gargalhadas . Harry escorregou e caiu em o chão de pedra e a boca soube lhe a sangue . A serpente estava a poucos centímetros de ele . Podia ouvi a a aproximar se . Ouviu se um crepitar explosivo por cima de ele e alguma coisa pesada bateu lhe com tanta força que ele ficou encostado a a parede . Esperando que os dentes de a serpente lhe perfurassem o corpo , ouviu mais ruídos e qualquer coisa que se agitava com força contra os pilares . Não conseguiu evitar . Abriu bem os olhos para ver o que se passava . A enorme serpente , brilhante , de um verde veneno , espessa como o tronco de um carvalho , erguera se em o ar e a sua imensa cabeça agitava se de um lado para o outro , entre os dois pilares . Quando Harry , a tremer , se preparava para fechar de_novo os olhos , percebeu o que distraíra a cobra . Fawkes esvoaçava em volta de a sua cabeça e o Basilisk , furioso , tentava agarrá a com os dentes longos e afiados como sabres . Fawkes mergulhava . Harry deixou de ver o bico fino e dourado e uma brusca chuva de sangue escuro inundou o chão . A cauda de a serpente agitou se , não batendo em o Harry por_pouco e antes que ele pudesse fechar os olhos voltou se . Harry olhou lhe para a cara e viu que os seus olhos , os dois olhos amarelos e bolbosos tinham sido perfurados por a fénix . O sangue escorria por o chão e a serpente cuspia cheia de dores . - * _ Não * - Harry ouviu o grito de Riddle . - * _ Deixa a ave , deixa a ave , o rapaz está atrás_de ti , ainda podes cheirá o . Mata o ! * A serpente cega oscilou confusa , ainda em fúria . Fawkes andava a a volta de a cabeça de ela soprando a sua misteriosa cantilena , picando lhe aqui_e_ali o nariz cheio de escamas , enquanto o sangue jorrava de os seus olhos destruídos . - Ajudem me . Ajudem me - murmurava Harry aflito . - Alguém , ajude me . A cauda de a serpente chicoteou de_novo o chão . Harry baixou se . Algo macio tocou lhe em o rosto . O Basilisk lançara o chapéu seleccionador para os braços de o Harry que o agarrou . Era tudo_o_que tinha , a sua única esperança . Enfiou o em a cabeça e começou a ficar achatado contra o chão , enquanto a cauda de o Basilisk se lançava de_novo sobre ele . - Ajudem me , ajudem me - pensou Harry , os olhos comprimidos debaixo de o chapéu . - Por favor , ajudem me . Nenhuma voz lhe respondeu . Em vez de isso , o chapéu contraiu se como_se uma mão invisível o tivesse espalmado devagarinho . Alguma coisa muito dura e pesada caíra sobre a cabeça de Harry , conseguindo quase derrubá o . A ver estrelas em frente de os olhos , agarrou o chapéu para o puxar para baixo e sentiu lá dentro uma coisa longa e dura . Uma espada brilhante tinha surgido dentro de o chapéu . Tinha um cabo cravejado de rubis de o tamanho de pequenos ovos . - Mata o rapaz , deixa a ave . O rapaz está atrás_de ti . Cheira o ! Harry estava de pé , preparado . A cabeça de o Basilisk caía , o corpo serpenteava , batendo nos pilares quando se torcia para ficar de frente para ele . Harry podia ver as enormes órbitas ensanguentadas , a boca toda aberta , suficientemente grande para o engolir inteiro , munida de dentes tão longos como a sua espada , finos , brilhantes , venenosos ... Começou a atacar a as cegas . Harry baixou se e a serpente bateu em a parede de a câmara . Atacou de_novo e a sua língua bifurcada lambeu a parede ao_lado_de Harry que levantou a espada com ambas as mãos . O Basilisk investiu mais_uma_vez e agora a pontaria foi certa . Harry pôs todo o seu peso contra a espada e enterrou a até a os copos em o céu de a boca de a serpente . Mas quando o sangue quente lhe encheu os braços , sentiu uma dor aguda mesmo acima de o cotovelo . Um longo dente venenoso penetrava cada_vez_mais fundo em o seu braço , partindo se quando o Basilisk tombou para o lado , perdendo os sentidos . Harry escorregou a o longo de a parede , apertou com força o dente que estava a derramar veneno por todo o seu corpo e arrancou o de o braço . Mas sabia que era demasiado tarde . Uma dor quente emanava lenta e perseverantemente de a ferida . Quando deixou cair o dente e viu o seu próprio sangue manchando lhe as vestes , a vista começou a ficar turva e a câmara a diluir se em uma rotação ardente e colorida . Mas algo escarlate passou por ele e Harry ouviu a o seu lado um suave ruído de garras . - Fawkes - disse com a voz empastada . - Foste sensacional , Fawkes . - Sentiu o pássaro encostar a sua elegante cabeça a o sítio onde o dente de a serpente o tinha ferido . Ouviu passos ecoarem em o vazio e em seguida uma sombra escura moveu se em a sua frente . - Estás morto , Harry_Potter - disse a voz de Riddle , acima de ele . - Morto . Até o pássaro de Dumbledore sabe de isso . Vês o que ele está a fazer ? A chorar . Harry piscou os olhos . A cabeça de Fawkes ora estava focada , ora desfocada . Lágrimas grossas como pérolas escorriam de as suas penas . - Vou sentar me aqui a ver te morrer , Harry_Potter . Leva o teu tempo , eu não tenho pressa . Harry sentiu se sonolento . Tudo parecia girar a a sua volta . - E assim acaba o famoso Harry_Potter - disse a voz distante de Riddle . - Sozinho em a Câmara_dos_Segredos , esquecido por os amigos , finalmente derrotado por o Senhor de o mal que ele tão imprudentemente desafiou . Vais reunir te a a tua querida mãe sangue de lama , Harry ... Ela deu te doze anos de tempo emprestado ... Mas Lord_Voldemort apanhou te em o fim , como sabias que teria de acontecer . Se morrer é isto , pensou Harry , não é assim tão mau . Até a dor estava a desaparecer . Mas , estaria a morrer ? Em_vez_de ficar mais escura a câmara parecia voltar a estar nítida . Harry fez um pequeno gesto com a cabeça e viu a Fawkes ainda repousando a cabeça em o seu ombro . Uma fiada de pérolas brilhava em volta de a ferida , só que já não havia ferida . - Sai de aqui , pássaro - disse subitamente a voz de Riddle . - Afasta te de ele . Já te disse , sai de aqui ! Harry levantou a cabeça . Riddle apontava a sua varinha a Fawkes . Ouviu se um tiro que parecia de carabina e Fawkes levantou novamente voo em um rodopio de ouro e escarlate . - Lágrimas de fénix - disse Riddle em voz baixa , olhando para o braço de o Harry . - É claro ... poderes curativos ... esqueci me ... Olhou para a cara de Harry . - Mas não faz mal . Pensando bem , eu até prefiro assim . Tu e eu , Harry_Potter ... Tu e eu ... Levantou a varinha . Então , em um golpe de asa , Fawkes voou sobre as cabeças de ambos , deixando cair uma coisa em o colo de Harry : o diário . Durante uma fracção de segundo , tanto Harry como Riddle , ainda com a varinha levantada , ficaram a olhar para aquilo . Em seguida , sem pensar , sem ponderar , como_se pensasse fazê o desde o princípio , Harry agarrou o dente de o Basilisk que estava em o chão , junto de ele , e espetou o em o coração de o caderno . Ouviu se um grito longo e terrível . A tinta esguichou em torrentes de dentro de o diário , derramando se sobre as mãos de o Harry e inundando o chão . Riddle torcia se e contorcia se , agitando se a os gritos . E , por fim . Desapareceu . A varinha de Harry caiu a o chão com um ruído e fez se silêncio . Um silêncio apenas cortado por o ping ping de a tinta que ainda escorria de o diário . Com um leve crepitar , o veneno de o Basilisk abrira um buraco mesmo em o meio de o caderno . A tremer de os pés a a cabeça , Harry pôs se de pé . Sentia tudo a andar a a roda como_se tivesse viajado quilómetros e quilómetros com o pó de * _ Floo * . Lentamente apanhou a varinha e o chapéu seleccionador e com um grande estrondo retirou a espada de o céu de a boca de a serpente . Ouviu se então um gemido fraco a o fundo de a câmara . Ginny estava a mexer se . Quando Harry chegou junto de ela , sentou se . Os seus olhos abismados saltaram de o Basilisk morto para Harry em a sua roupa cheia de sangue e , em seguida , para o diário que ele tinha em as mãos . Soltou um enorme soluço e os seus olhos encheram se de lágrimas . - Harry , oh ! Harry , eu tentei dizer te a o pequeno-almoço mas não fui capaz em frente de o Percy . Era eu , Harry , mas eu ... eu ... juro que não queria ... o Riddle obrigou me , levou me e ... como é_que mataste esse bicho ? Onde está o Riddle ? A última coisa de que me lembro foi de o ver a sair de o diário ... - Está tudo bem - disse Harry , mostrando lhe o diário com o buraco de o dente . - O Riddle acabou , olha . Ele e o Basilisk . Anda , Ginny , vamos embora de aqui . - Vou com certeza ser expulsa - disse Ginny a chorar enquanto Harry a ajudava a pôr se de pé . - Desde_que o Bill veio para Hogwarts que eu sonhava vir também para cá e agora vou ter de me ir embora e ... O que vão a minha mãe e o meu pai dizer ? Fawkes esperava por eles , suspensa em o ar , a a entrada de a câmara . Harry fez a Ginny avançar , passaram sobre os anéis parados de o Basilisk , por a escuridão cheia de ecos e voltaram a o túnel . Harry ouviu as portas de pedra fecharem se atrás de eles com um leve sibilar . Depois de alguns minutos a caminhar por o túnel escuro , chegou a os ouvidos de Harry o som distante de o deslocar de uma rocha . - Ron - gritou ele , apressando se . - A Ginny está bem . Está aqui comigo ! Ouviu o Ron gritar de alegria e , voltando em a curva logo_a_seguir , viram a sua cara ansiosa a espreitar por a fresta que conseguira abrir durante a avalancha . - Ginny ! - Ron estendeu o braço por a fresta para a puxar primeiro . - Estás viva . Não posso acreditar . O que aconteceu ? Tentou abraçá a mas a Ginny afastou o , soluçando . - Mas estás bem , Ginny - disse o Ron , sorrindo para ela . - Já passou tudo ... De onde veio esse pássaro ? Fawkes passara por a abertura , atrás_de Ginny . - É de o Dumbledore - explicou Harry , espremendo se para caber também . - E como arranjaste uma espada ? - perguntou o Ron , olhando para a arma brilhante que Harry tinha em a mão . - Eu explico te tudo quando sairmos de aqui - disse Harry , lançando um olhar de esguelha a a Ginny . - Mas ... - Mais tarde - disse Harry rapidamente . Não lhe parecia uma boa ideia contar a o Ron quem tinha aberto a câmara , ali , em frente de a Ginny . - Onde está o Lockhart ? - Ali atrás - disse o Ron , a rir e a abanar a cabeça em direcção a o cano . - Está em muito mau estado . Anda ver . Conduzidos_pela_Fawkes , cujas grandes asas escarlates emitiam um suave dourado que brilhava em a escuridão , voltaram a o lugar onde o cano começava . Gilderoy_Lockhart estava sentado a falar sozinho . - Perdeu a memória - disse o Ron . - O feitiço de a memória fez ricochete . Não sabe quem é nem onde está , nem_sequer sabe quem nós somos . Eu disse lhe que viesse para aqui e esperasse . É um perigo para ele próprio . Lockhart olhou os bem-disposto . - Olá - disse . - Que lugar estranho , este . É aqui que vocês moram ? -- Não - respondeu o Ron , levantando as sobrancelhas para o Harry . Harry baixou se e observou o túnel escuro e longo . - Já pensaste como é_que vamos sair de aqui ? - perguntou a o Ron . O amigo abanou a cabeça mas Fawkes , a fénix , tinha passado por o Harry e estava agora em o ar , em frente de ele , os olhos como pérolas a brilharem em o escuro . Abanava as longas penas douradas de a cauda . Harry olhou para ela , inseguro . - Ela parece querer que a agarres - disse o Ron , perplexo . - Mas tu és muito pesado para um pássaro . - A Fawkes - disse Harry - não é um pássaro qualquer . Voltou se rapidamente para os companheiros . - Temos de nos agarrar uns a os outros . Ginny , agarra a mão de o Ron . O professor Lockhart ... - Ele está a falar consigo - disse o Ron secamente . - Agarre a outra mão de a Ginny . Harry guardou a espada e o chapéu seleccionador em o cinto . Ron deitou a mão a a roupa de Harry e Harry agarrou as penas de a cauda , estranhamente quentes , de a Fawkes . Sentiu uma extraordinária leveza apoderar se de todo o seu corpo e em seguida estavam todos a voar por o cano acima . Harry conseguia ouvir Lockhart , lá atrás , comentando : - Espantoso , isto parece mágico ! Ar frio batia em os cabelos de Harry e antes que ele deixasse de gostar de a viagem já ela acabara . Os quatro tinham chegado a o chão molhado de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa e , enquanto Lockhart endireitava o chapéu , o lavatório voltara a o seu lugar , tapando o cano . A Murta arregalou os olhos . - Vocês estão vivos - disse inexpressivamente a o Harry . - Não é preciso mostrares te tão desiludida - respondeu ele , muito sério , limpando as nódoas de sangue e lodo de os óculos . - Bem ... é_que eu pensei que se vocês morressem seriam bem-vindos a a minha casa_de_banho - disse a Murta com um rubor prateado . - Urgh ! - fez o Ron , quando saíram de ali para o corredor deserto . - Harry , acho que a Murta está a gostar de ti . Tens concorrência , Ginny ! A Ginny continuava a chorar silenciosamente . - Onde vamos agora ? - perguntou o Ron , olhando ansiosamente para ela . Harry apontou . Fawkes indicava o caminho , com o seu tom dourado que brilhava em o corredor . Seguiram a e pouco depois estavam em o escritório de a professora Mc_Gonagall . Harry bateu e empurrou a porta que estava encostada . XVIII_A recompensa de Dobby_Durante alguns momentos reinou o silêncio enquanto Harry , Ron , Ginny e Lockhart estavam em a entrada de a porta . Cobertos de pó e de lama e ( em o caso de o Harry ) sangue . Em seguida , ouviu se um grito . - Ginny ! Era_Mrs._Weasley que tinha estado a chorar , sentada em frente de o lume . Pôs se de pé em um salto , seguida de Mr._Weasley e precipitaram se ambos para a filha . Harry olhava para trás de eles . Dumbledore rejubilava junto de a lareira , a o lado de a professora Mc_Gonagall que , agarrada a o queixo , respirava com dificuldade . Fawkes rasou as orelhas de o Harry e foi instalar se em o ombro de Dumbledore , ao_mesmo_tempo que Harry dava por si em os braços de Mrs._Weasley . - Tu salvaste a ! Salvaste a ! : __ como foi que __ conseguiste ? - Acho que todos nós gostaríamos de saber - disse , sem energia , a professora Mc_Gonagall . Mrs._Weasley soltou o Harry , que hesitou um momento . Depois , foi até a a secretária e colocou sobre o tampo o chapéu seleccionador , a espada cravejada de rubis e o que restava de o diário de Riddle . Em seguida , contou lhes tudo . Falou durante quase um quarto de hora em o silêncio extasiado : contou lhes de a voz sem corpo que ouvia , como a Hermione acabara por descobrir que se tratava de um Basilisk que circulava em os canos , como ele e o Ron tinham seguido as aranhas até a a floresta , que Aragog lhes dissera que a última vítima de o Basilisk morrera , como tinham chegado a a conclusão que se tratava de a Murta_Queixosa e que a entrada para a Câmara_dos_Segredos devia ser em aquela casa_de_banho ... - Muito bem - elogiou a professora Mc_Gonagall quando ele se calou . - Então tu descobriste onde era a entrada , infringindo uma centena de regras de a escola por o caminho , devo dizer , mas como diabo saíram vocês vivos de lá de dentro ? Harry , com a voz já um_pouco rouca de falar tanto , contou lhes de a chegada de a Fawkes e de o chapéu seleccionador que lhe tinha dado a espada . Mas , chegando aí , hesitou . Até a o momento evitara referir se a o diário de Riddle ou a a Ginny . Ela tinha a cabeça encostada a o ombro de Mrs._Weasley e as lágrimas corriam lhe ainda por o rosto . E se a expulsassem ? - pensou Harry , tomado de pânico . O diário de Riddle já não funcionava ... quem poderia provar que fora ele que a obrigara a fazer tudo aquilo ? Olhou instintivamente para Dumbledore que sorria , o fogo iluminando lhe os óculos de meia-lua . - O que mais me interessa saber - disse Dumbledore amavelmente - é como conseguiu Lord_Voldemort enfeitiçar a Ginny quando as minhas fontes me dizem que ele se esconde habitualmente em as florestas de a Albânia . Um alívio , quente e glorioso percorreu Harry de a cabeça a os pés . - O quê ? - disse Mr._Weasley , em uma voz estupefacta . - O Quem nós sabemos enfeitiçou a Ginny ? Mas a Ginny não ... a Ginny não morr ... ? - Foi este diário - esclareceu Harry rapidamente . E mostrando o a Dumbledore . - O Riddle escreveu o quando tinha dezasseis anos . Dumbledore pegou em o diário e olhou atentamente por cima de o seu nariz longo e adunco para as páginas queimadas e húmidas . - Fantástico - disse em voz baixa . - É claro que ele deve ter sido o aluno mais brilhante que alguma vez passou por Hogwarts . - Olhou em volta para os Weasley que o observavam com um ar totalmente confuso . - Muito poucas pessoas sabem que Lord_Voldemort se chamou em tempos Tom_Riddle . Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos , em Hogwarts . Ele desapareceu depois de deixar a escola , viajou muito , mergulhou tão fundo em as artes de a magia negra , associado a os piores feiticeiros , realizou transformações mágicas tão perigosas que quando reapareceu como Lord_Voldemort estava totalmente irreconhecível . Ninguém o relacionou com o rapazinho inteligente e bonito que aqui foi , em tempos , chefe de turma . - Mas a Ginny - insistiu Mrs._Weasley . - O que tem a nossa Ginny que ver com ele ? - O diário - soluçou Ginny . - Eu andei todo o ano a escrever em o diário e ele respondia me ... - Ginny ! - repreendeu Mr._Weasley . - Não aprendeste nada do_que te ensinei ? Não me cansei de dizer te que nunca confiasses em nada que não pensasse por si próprio * se não conseguisses ver onde tinha o cérebro ? * Porque não me mostraste o diário , a mim ou a a tua mãe ? Um objecto suspeito como esse tinha de estar cheio de magia negra ! - Eu não sabia - soluçou Ginny . - Estava junto de os livros que a mãe me comprou . Pensei que alguém se tinha esquecido de ele ali . - É melhor Miss_Weasley ir imediatamente para a ala hospitalar - interrompeu Dumbledore com voz firme . - Foi sujeita a uma prova terrível . Não será castigada . Outros feiticeiros mais velhos do_que ela têm sido ludibriados por Lord_Voldemort . - Dirigiu se a a porta e abriu a . - Repouso , cama e talvez uma caneca de chocolate quente . A mim , anima me sempre - acrescentou , piscando lhe simpaticamente o olho . - Vais ver que Madam_Pomfrey ainda está acordada . Ela tem estado a dar o sumo de Mandrágora , julgo que as vítimas de o Basilisk estarão a acordar dentro_de momentos . de alegria . - Então a Hermione está bem ! - disse o Ron , cheio de alegria . - Não houve danos irreversíveis - disse Dumbledore . Mrs._Weasley saiu com a Ginny e Mr._Weasley seguiu as ainda bastante abalado . - Sabes , Minerva - disse pensativo o professor Dumbledore - acho que tudo_isto merece um banquete . Posso pedir te que previnas os cozinheiros ? - Certamente - disse animada a professora Mc_Gonagall , dirigindo se também a a porta . - Deixo te a tratar de as coisas com o Potter e o Weasley , está bem ? - Claro - disse Dumbledore . Saiu e os dois olharam inseguros para Dumbledore . Que quereria ela dizer com tratar de as coisas ? Certamente não iriam ser castigados ? - Lembro me de vos ter dito a ambos que teria de vos expulsar se voltassem a quebrar as regras de a escola - disse Dumbledore . Ron abriu a boca horrorizado . - O que vem mostrar nos que as melhores pessoas , às_vezes , têm de engolir as suas próprias palavras . - Dumbledore sorriu e continuou : - Vocês vão receber ambos uma recompensa especial por serviços prestados a a escola e ... deixem me ver , sim , acho que duzentos pontos cada_um para os Gryffindor . Ron ficou tão corado que parecia as flores de S._Valentim_do_Lockhart e voltou a fechar a boca . - Mas um de vós parece demasiado calado sobre a sua participação em esta perigosa aventura - acrescentou Dumbledore . - Porquê tanta modéstia , Gilderoy ? Harry estremeceu . Esquecera se por completo de Lockhart . Voltou se e viu o a um canto de a sala ainda com o mesmo sorriso vago . Quando Dumbledore se lhe dirigiu , olhou por cima de o ombro para ver com quem ele estava a falar . - Professor_Dumbledore - disse o Ron rapidamente - Houve um acidente lá em baixo , em a Câmara_dos_Segredos . O professor Lockhart - Eu sou um professor ? - perguntou Lockhart surpreendido . - E eu que pensei que era um inútil ! - Tentou fazer um feitiço antimemória e a varinha fez ricochete - explicou Ron_a_Dumbledore . - Incrível - disse Dumbledore , abanando a cabeça , o bigode prateado a tremer . - Trespassado por a tua própria espada , Gilderoy ! - Espada ? - disse Lockhart de forma imprecisa . - Eu não tenho espada . Esse rapaz é_que tem - apontou para Harry . - Ele empresta lhe uma . - Importas te de levar também o professor Lockhart até a a ala hospitalar , Ron ? - disse Dumbledore . - Eu gostava de falar um_pouco mais com o Harry . Lockhart saiu sem pressa . Antes de fechar a porta , Ron lançou um olhar curioso a Dumbledore e Harry . Dumbledore passou para uma de as cadeiras junto de o lume . - Senta te , Harry - disse . E Harry sentou se , sentindo se indescritivelmente nervoso . - Antes de mais , Harry , quero agradecer te - disse Dumbledore com os olhos a brilharem de_novo . - Deves ter demonstrado uma grande lealdade para comigo . Só isso poderia atrair a Fawkes para ir ajudar te . Deu uma palmadinha a a fénix que voara , entretanto , para_cima de os seus joelhos . Harry sorria acanhadamente sob o olhar observador de Dumbledore . - Encontraste , portanto , Tom_Riddle - disse o director amavelmente . - Calculo que ele estaria particularmente interessado em ti ... De repente , algo que Harry tinha engasgado saiu lhe descontroladamente de a boca para fora . - Professor_Dumbledore ... o Riddle disse que eu sou como ele , que há entre nós estranhas semelhanças ... - Ah ! sim ? - Dumbledore olhou pensativamente para ele , por debaixo de as espessas sobrancelhas prateadas . - E o que achas tu de isso ? - Eu não me considero parecido com ele - disse Harry mais alto do_que desejaria . - Isto_é , eu sou um Gryffindor , eu sou ... Mas calou se com uma dúvida a rondar lhe o espírito . - Professor - arriscou passado alguns momentos . - O chapéu seleccionador disse que eu ... teria ficado bem em os Slytherin ; durante algum tempo toda_a_gente pensou que eu era o herdeiro de Slytherin por falar * serpentês * ... - Tu falas * serpentês * , Harry - disse Dumbledore calmamente - porque Lord_Voldemort que é o mais recente antepassado de Salazar_Slytherin , fala * serpentês * . Ou eu me engano muito , ou ele transferiu para ti alguns de os seus poderes em a noite em que te fez essa cicatriz . Não que quisesse fazê o , claro , mas aconteceu . - Voldemort pôs um_pouco de si próprio em mim ? - disse Harry assombrado . - É o que parece ter acontecido . - Então eu deveria estar em os Slytherin - disse Harry , olhando desesperado para o rosto de Dumbledore . - O chapéu seleccionador viu em mim os poderes de Slytherin e ... -- Pôs te em os Gryffindor - concluiu tranquilamente Dumbledore . - Ouve , Harry , tu tens por acaso muitas de as capacidades que Salazar_Slytherin apreciava em os seus estudantes cuidadosamente seleccionados . O seu raro dom de falar * serpentês * , desenvoltura , determinação , um certo desprezo por as regras estabelecidas - acrescentou com o bigode a tremer de_novo . - Mas ainda_assim , o chapéu seleccionador pôs te em os Gryffindor . E sabes porquê ? Pensa um_pouco . - Só me pôs em os Gryffindor - disse Harry em uma voz débil - porque eu pedi para não ir para os Slytherin . - Exacto - disse Dumbledore a sorrir . - E isso torna te muito diferente de o Tom_Riddle . São as tuas escolhas , Harry , que mostram quem de facto tu és , mais do_que as tuas capacidades . Harry sentou se , imóvel e espantado , em a cadeira . - Se queres provas de que o teu lugar é em os Gryffindor , sugiro que vejas isto com mais atenção . Dumbledore aproximou se de a secretária de a professora Mc_Gonagall , pegou em a espada de prata ensanguentada e mostrou lhe a . Sem perceber , Harry voltou a ao_contrário . Os rubis brilharam a a luz de a lareira e foi então que ele reparou em o nome gravado mesmo por baixo de o copo de a espada . GODRIC_GRYFFINDOR . - Só um verdadeiro Gryffindor poderia ter tirado a espada de dentro de o chapéu , Harry - disse , com simplicidade , Dumbledore . Durante um minuto , nenhum de os dois falou . Depois , Dumbledore abriu uma de as gavetas de a secretária de a professora Mc_Gonagall e retirou de lá uma pena e um tinteiro . - Tu precisas de comer e ir dormir . Sugiro que desças para o banquete enquanto eu escrevo para Azkaban . Precisamos de recuperar o nosso guarda de os campos . E tenho de esboçar um anúncio para o * _ Profeta_Diário * - acrescentou pensativo . - Vamos precisar de um novo professor de Defesa contra as artes negras . É um problema , estamos sempre a perdê os . Harry levantou se e dirigiu se a a porta . Tinha acabado de estender a mão para o puxador quando ela se abriu tão violentamente que saltou de as dobradiças . Lucius_Malfoy estava de pé , furioso . E , debaixo de o braço , embrulhado em diversas ligaduras , estava Dobby . - Boa tarde , Lucius - disse Dumbledore , de forma amena . Mr._Malfoy quase derrubou Harry enquanto entrava em a sala . Dobby dava passos miudinhos atrás de ele , inclinado até a a bainha de o seu manto com um olhar apavorado em o rosto . - Então - disse Lucius_Malfoy com os olhos fixos em Dumbledore - voltaste . Os membros de o Conselho_Directivo suspenderam te , mas tu mesmo_assim sentiste te capaz de voltar a Hogwarts . - Bem vês , Lucius - disse Dumbledore , sorrindo serenamente . - Os outros membros de o Conselho contactaram me hoje . Fui envolvido em um redemoinho de corujas , todos queriam contar me a verdade . Ouviram dizer que a filha de Arthur_Weasley tinha sido morta e queriam me novamente aqui . Parece que me consideravam o melhor homem para o lugar . Contaram me algumas histórias muito estranhas . Alguns de eles tinham a impressão que tu tinhas ameaçado amaldiçoar lhes as famílias se não concordassem com a minha suspensão . Mr._Malfoy ficou ainda mais pálido do_que de costume , mas os olhos continuavam cheios de fúria . - Então já acabaste com os ataques ? - rosnou . - Apanhaste o culpado ? - Já , sim - disse Dumbledore com um sorriso . - E quem é ? - perguntou Malfoy secamente . - A mesma pessoa de a última vez , Lucius - disse Dumbledore . Mas desta_vez , Lord_Voldemort agiu através_de outra pessoa , por_meio_de um diário . Pegou em o pequeno caderno com o buraco em o meio , observando Mr._Malfoy de perto . Mas Harry olhava para Dobby . O elfo fazia um sinal muito estranho . Com os seus grandes olhos fixos em Harry , não parava de apontar para ó diário e , em seguida , para Mr._Malfoy , batendo logo_a_seguir com o punho em a cabeça . - Estou a ver ... - disse Mr._Malfoy lentamente a Dumbledore . - Um plano inteligente - afirmou o director em um tom de voz suave , continuando a olhar Mr._Malfoy directamente em os olhos . - Porque se não fosse aqui o Harry e o seu amigo Ron a descobrirem o diário , sem dúvida Ginny_Weasley teria ficado com todas_as culpas . Ninguém teria conseguido provar que ela agira contra a sua própria vontade . Mr._Malfoy não se pronunciou . O seu rosto parecia agora uma máscara . - E vê bem - continuou Dumbledore - o que poderia ter acontecido ... os Weasley são uma de as mais proeminentes famílias de feiticeiros de sangue puro , imagina o efeito em a imagem de Arthur_Weasley e em a sua acção de protecção a os Muggles , se a sua própria filha fosse acusada de atacar e matar filhos de Muggles . Foi uma sorte o diário ter sido descoberto e as memórias de Riddle apagadas . Quem sabe que consequências poderia ter tido ? Mr._Malfoy falou contra vontade . - Sim , foi uma sorte - disse secamente . E , em as suas costas , Dobby continuava a apontar para o diário e para Lucius_Malfoy , batendo depois com o punho em a cabeça . E Harry finalmente percebeu . Fez um sinal a Dobby que correu a esconder se em um canto , torcendo desta_vez as orelhas para se castigar . - Não quer saber como a Ginny obteve esse diário , Mr._Malfoy ? - perguntou Harry . Lucius_Malfoy voltou se para ele . - Como queres que eu saiba onde é_que a estúpida de a garota o arranjou ? - Porque foi o senhor quem lhe o deu - disse Harry . - Em a Flourish and Blotts . O senhor pegou em o livro velho de ela de Transfiguração e meteu o diário lá dentro , não foi ? Viu as mãos brancas de Mr._Malfoy abrirem se e fecharem se . - Prova isso - sibilou . - Oh ! ninguém vai poder prová o - disse Dumbledore sorrindo a o Harry . - Não agora_que o Riddle desapareceu de o caderno . Por outro lado , aconselharia te , Lucius , a não dares mais nenhuma de as coisas velhas de Lord_Voldemort . Se mais alguma for parar a as mãos de crianças inocentes , acho que o Arthur_Weasley fará com que se voltem com toda_a sua carga negativa contra ti . Lucius_Malfoy ficou calado um momento e Harry viu claramente a sua mão direita torcer se como_se desejasse chegar a a varinha . Em vez de isso , voltou se para o seu elfo doméstico . - Vamos , Dobby . Abriu a porta e quando o elfo se aproximou deu lhe um pontapé que o projectou para longe . Ouviram se em o escritório os gritos de dor de Dobby em o corredor . Harry pensou durante um momento e depois decidiu se . - Professor_Dumbledore - disse apressadamente . - Posso dar o diário outra_vez a Mr._Malfoy ? - Certamente , Harry - disse Dumbledore com toda_a calma . - Mas não demores , olha o banquete . Harry agarrou em o diário e saiu de o escritório . Os gritos de dor de Dobby afastavam se ao_longe . Sem perder tempo , perguntando a si próprio se o plano poderia resultar , Harry tirou um de os sapatos , puxou uma de as peúgas enlameadas e viscosas e meteu o diário lá dentro . Em seguida correu até a o fundo de o corredor escuro . Apanhou os em o topo de as escadas . - Mr._Malfoy - disse ofegante , parando . - Tenho uma coisa para si . E meteu a peúga mal cheirosa em a mão de Lucius_Malfoy . - O que é ... ? Mr._Malfoy tirou o diário de dentro de a peúga , deitou a fora e olhou furioso para o caderno estragado e para Harry - Ainda vais acabar por ter um fim igual a o de os teus pais um dia de estes , Harry_Potter - disse em voz baixa . - Eles também eram uns idiotas metediços . Voltou se para se ir embora . - Anda , Dobby , vem ! Mas Dobby não se mexeu . Tinha em as mãos a peúga nojenta de o Harry e olhava para ela como_se fosse um tesouro de valor incalculável . - O senhor deu uma peúga a o Dobby - disse o elfo maravilhado . - Deu a a o Dobby . - O que é isso ? - cuspiu Mr._Malfoy . - Que estás para aí a dizer ? - Dobby tem uma peúga - repetiu incrédulo . - O senhor deitou a fora e Dobby apanhou a e Dobby agora é livre ... Lucius_Malfoy ficou paralisado a olhar para o elfo . Em seguida precipitou se para Harry . - Fizeste me perder o meu servo , rapaz . Mas Dobby gritou : - Não pense que vai fazer mal a o Harry_Potter ! Ouviu se um enorme estrondo e Mr._Malfoy foi empurrado de costas , galgando os degraus de as escadas a três_e_três e indo aterrar lá em baixo todo embrulhado e amarrotado . Levantou se , o rosto lívido e pegou em a varinha , mas Dobby estendeu lhe um dedo ameaçador . - Vá se embora já - disse furioso , apontando para Mr._Malfoy . - Não tocará em o Harry_Potter . Vá se embora , já . Lucius_Malfoy não teve escolha . Lançando a os dois um último olhar de cólera , embrulhou se em o manto e desapareceu . - Harry_Potter libertou Dobby ! - disse o elfo com voz esganiçada , olhando para Harry , a luz de o luar reflectida em os seus grandes olhos em forma de globos . - Harry_Potter libertou Dobby . - Era o mínimo que eu podia fazer , Dobby - disse Harry a sorrir -- , mas promete me que não vais voltar a tentar salvar me a vida . A cara feia e escura de o elfo abriu se , mostrando os dentes , em um enorme sorriso . - Tenho uma pergunta a fazer te , Dobby - disse Harry enquanto o elfo pegava em a peúga de ele com as mãos a tremer . - Disseste me que tudo_isto não tinha nada que ver com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Lembras te ? - Era uma pista , senhor - disse Dobby com os olhos muito abertos como_se fosse absolutamente óbvio . - Dobby estava a dar lhe uma pista . Antes de o senhor de o mal mudar de nome , o seu nome podia ser pronunciado , está a ver ? - Certo - disse Harry sem grande convicção . - Bem , é melhor eu ir indo embora . Há um banquete e a minha amiga Hermione já deve ter acordado ... Dobby lançou os braços a a cintura de Harry e abraçou o . - Harry_Potter é muito maior do_que Dobby imaginava ! - soluçou . - Adeus , Harry_Potter . E com um estalido final , Dobby desapareceu . Harry assistira a diversos banquetes , mas nenhum que se parecesse com aquele . Estavam todos de pijama e a festa durou a noite inteira . Harry não sabia se o melhor tinha sido a Hermione a correr para ele e a gritar : - Tu conseguiste . Tu conseguiste ! , ou o Justin saindo disparado de a mesa de os Hufflepuff para lhe estender a mão , desfazendo se em desculpas por ter suspeitado de ele , ou o Hagrid que apareceu a as três_e_meia e que lhes deu palmadas com tanta força em os ombros que eles foram parar dentro de os pratos de bolo de creme , ou os quatrocentos pontos que ele e o Ron obtiveram para os Gryffindor , ganhando a taça de a equipa por a segunda vez consecutiva , ou a professora Mc_Gonagall de pé , a comunicar lhes que os exames tinham sido cancelados como medida de a escola ( Oh ! não ! exclamou Hermione ) , ou Dumbledore a anunciar que , infelizmente , o professor Lockhart não poderia voltar em o ano seguinte por ter de se ausentar a_fim_de recuperar a memória . Alguns de os professores juntaram se a os alunos que aplaudiram entusiasmados esta notícia . - Que pena - disse Ron , servindo se de um * dounut * de presunto . - E eu que começava a gostar de ele ... O resto de o período de Verão decorreu sob um sol escaldante . Hogwarts voltara a a normalidade , apenas com algumas pequenas diferenças : as aulas de Defesa contra as artes negras foram canceladas ( Mas nós tivemos imensa prática - disse o Ron vendo o descontentamento de Hermione ) e Lucius_Malfoy foi demitido de o Conselho_Directivo . Draco já não passeava por ali como_se fosse o dono de a escola . Pelo_contrário , tinha um ar melindrado e carrancudo . Por outro lado , Ginny_Weasley andava de_novo feliz de a vida . Em_breve chegou o dia de regressarem a casa em o Expresso_de_Hogwarts . Harry , Ron , Hermione , Fred , George e Ginny encheram um compartimento . Tiraram o_máximo partido de aquelas últimas horas em que lhes era permitido usar a magia antes de as férias . Brincaram a as explosões , gastaram o último fogo-de-artíficio Filibuster , de o Fred e de o George e treinaram o mútuo desarmamento através de a magia . Harry começava a ficar muito bom em aquilo . Já estavam perto de a estação de King's_Cross quando Harry se lembrou de uma coisa . - Ginny , o que foi que viste o Percy fazer que ele não queria que nos contasses ? - Ah ! isso - disse a Ginny a rir . - Bem , é_que o Percy tem uma namorada . Fred deixou cair uma pilha de livros em a cabeça de o George . - O quê ? - É aquela prefeita de os Ravenclaw ' Penelope_Clearwater - disse a Ginny . - Foi para ela que ele escreveu durante todo o Verão . Encontravam se em a escola em grande segredo . Eu apanhei os a beijarem se em uma sala de aula vazia e ele ficou tão aflito quando ela foi ... sabes ... atacada . Não vais aborrecê o , pois não ? - perguntou cheia de ansiedade . - Que ideia - respondeu Fred com uma tal satisfação em o rosto que parecia que o seu aniversário chegara mais cedo . - Claro que não - disse o George a rir se a a socapa . O Expresso_de_Hogwarts abrandou e finalmente parou . Harry tirou a pena e um_pouco de pergaminho e voltou se para Ron e Hermione . - Isto_é um número de telefone - disse ele a o Ron , escrevinhando o duas vezes , cortando o pergaminho a o meio e dando lhes os números . - Eu expliquei a o teu pai como usar um telefone em o Verão passado . Ele sabe fazer a chamada . Liga me para_casa de os Dursley , O. _ K. ? Não consigo suportar outros dois meses sem ter mais ninguém com quem falar ... - Mas a tua tia e o teu tio vão ficar orgulhosos de ti , não vão ? - perguntou Hermione quando saíram de o comboio e se misturaram em a multidão que se encontrava junto de a barreira encantada . - Quando souberem o que fizeste este ano . - Orgulhosos ? - disse Harry . - Estás doida ! Podendo eu ter morrido tantas vezes e tendo escapado ? Vão ficar é furiosos ... E juntos avançaram até a a entrada para o mundo de os Muggles . ----------------- J._K._Rowling_Harry_Potter e a Câmara_dos_Segredos_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Chamber of Secrets_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling 1998 Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 2000 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 2.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 Depósito legal : 143.569/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , a a Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Para_Séan_P._F._Harris , condutor imparável e um amigo de os diabos . I_O pior aniversário Não era a primeira vez que uma discussão estoirava a a mesa de o pequeno-almoço , em o número 4 de a Privet_Drive . Mr._Vernon_Dursley fora acordado de manhã cedo por o piar ruidoso que vinha de o quarto de o seu sobrinho Harry . - É a terceira vez esta semana ! - resmungou , a a mesa . - Se não consegues controlar essa coruja , ela não pode ficar aqui . Harry tentou , mais_uma_vez , explicar . - Ela está aborrecida . Estava habituada a voar livremente lá fora . Se eu pudesse , ao_menos , soltá a a a noite ... - Achas me com cara de idiota ? - perguntou rispidamente o tio Vernon , com um fio de ovo preso em o bigode farfalhudo . - Sei muito bem o que aconteceria se essa coruja fosse lá para fora . Trocou um olhar soturno com a mulher , a tia Petúnia . Harry tentou contra-argumentar , mas as suas palavras foram abafadas por um enorme arroto de o filho de os Dursleys , Dudley . - Quero mais bacon . - Há mais em a frigideira , fofinho - disse a tia Petúnia , lançando um olhar vago a o seu filho maciço . - Tens que te alimentar bem enquanto aqui estás , aquela comida de a tua escola não me cheira . - Disparate , Petúnia , eu nunca passei fome enquanto andei em Smeltings - afirmou com sinceridade o tio Vernon . - O Dudley tem que chegue . Não é verdade , filho ? Dudley , que era tão gordo que o rabo saía de os dois lados de a cadeira de a cozinha , sorriu laconicamente e voltou se para Harry . - Passa me a frigideira . -- Esqueceste te de a palavra mágica - disse Harry , irritado . O efeito que esta simples frase teve em o resto de a família foi inacreditável : Dudley começou a arfar e caiu de a cadeira com um estrondo que abalou a cozinha , Mrs._Dursley deu um gritinho e bateu com a mão em a boca , Mr._Dursley pôs se de pé com as veias de as têmporas dilatadas . - Eu queria dizer « por favor » - explicou Harry rapidamente . - Não me referia a ... - : __ o que é_que eu te __ disse - vociferou o tio , espalhando perdigotos sobre a mesa - : __ sobre pronunciar a palavra m . em esta __ casa ? - Mas eu ... - : __ como te atreves a ameaçar o __ dudley ! - rosnou o tio Vernon , batendo com o punho em a mesa . - Eu só ... - : __ estás avisado . não vou admitir referências a tua anormalidade debaixo de o tecto de a minha __ casa ! Harry olhou alternadamente para o rosto congestionado de o tio e para a palidez de a tia que tentava pôr o Dudley de pé . - Está bem - disse Harry . - Está bem ... O tio Vernon voltou a sentar se , respirando como um rinoceronte exausto e observando Harry de perto por o canto de os seus olhos pequeninos e penetrantes . Desde_que Harry regressara para as férias de Verão que o tio Vernon o tratava como_se ele fosse uma bomba , capaz de explodir a qualquer momento , porque Harry não era um rapazinho normal . Em a verdade , ele era o menos normal que é possível imaginar . Harry_Potter era um feiticeiro , um feiticeiro que acabara de concluir o primeiro ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts e a infelicidade que os Dursleys sentiam por ele estar lá em casa não era nada comparada com a de Harry . As saudades de Hogwarts eram tão intensas que se assemelhavam a uma constante dor em o estômago . Sentia a falta de o castelo com as suas passagens secretas e os seus fantasmas , de as aulas ( com excepção talvez de as de Snape , o professor de as poções ) , de o correio a chegar trazido por as corujas , de os banquetes em o salão nobre , de as noites em as camas de dossel em a camarata de a torre , de as visitas a Hagrid , o guarda de os campos em a sua casinha em o bosque , junto de a floresta proibida e , principalmente , sentia a falta de o Quidditch , o desporto mais popular de o mundo de os feiticeiros ( seis postes altos de golo , quatro bolas esvoaçantes e catorze jogadores em_cima_de vassoura ) . Todos os livros de feitiços de Harry , assim_como a varinha , os mantos , o caldeirão e a vassoura topo de gama Nimbus dois_mil tinham sido encerrados por o tio Vernon em a despensa que ficava debaixo de as escadas , em o momento em que Harry regressara a casa . O que é_que lhes interessava se ele perdia ou não o seu lugar em a equipa de Quidditch por não ter praticado durante todo o Verão ? Que importância tinha para eles que o Harry voltasse a a escola sem ter podido fazer os trabalhos de casa ? Os Dursleys eram aquilo que os feiticeiros chamam « Muggles » ( nem uma gota de sangue mágico em as veias ) e , para eles , ter um feiticeiro em a família era motivo de grande vergonha . O tio Vernon tinha , inclusivamente , fechado a cadeado a coruja de Harry , Hedwig , dentro de a gaiola , para evitar que ela transportasse mensagens para a gente de o mundo de a feitiçaria . Harry não se parecia em nada com o resto de a família . O tio Vernon era atarracado e sem pescoço , dotado de um enorme bigode preto ; a tia Petúnia tinha um rosto cavalar e era esquelética ; Dudley era loiro e rosado como um porquinho . Harry , pelo_contrário , era baixo e franzino , com os olhos verdes brilhantes e cabelo negro sempre desalinhado . Usava uns óculos redondos e tinha em a testa uma cicatriz em forma de relâmpago . Era essa cicatriz que o tornava tão invulgar , mesmo para um feiticeiro . Era a única alusão a o seu passado misterioso , a o motivo por o qual , onze anos antes , tinha sido deixado em o degrau de a porta de os Dursleys . Com um ano de idade , Harry sobrevivera a uma maldição de o maior feiticeiro negro de todos os tempos , Lord_Voldemort , cujo nome a maior parte de os feiticeiros e feiticeiras ainda receia pronunciar . Os pais de Harry tinham morrido em um ataque de Voldemort , mas ele escapara com a sua cicatriz em forma de relâmpago e estranhamente , ninguém compreendeu porquê , os poderes de Voldemort tinham sido destruídos em o momento em que não fora capaz de matar o Harry . Por isso , ele foi criado por a irmã de a sua falecida mãe e respectivo marido . Passou dez anos com os Dursleys , sem nunca compreender porque fazia com que acontecessem coisas estranhas , alheias a a sua vontade , acreditando em a história de os Dursleys de que aquela cicatriz fora resultado de um acidente de automóvel em que os pais tinham morrido . E um dia , precisamente um ano antes , Hogwarts escrevera lhe e fora então que tudo começara . Harry fora ocupar o seu lugar em a escola de feitiçaria , onde ele e a sua cicatriz eram famosas ... mas agora o ano escolar chegara a o fim e estava de_novo com os Dursleys . Durante o Verão , voltara a ser tratado como um cão malcheiroso . Os Dursleys nem se tinham lembrado que aquele era o dia de o seu décimo segundo aniversário . É claro que não tivera grandes expectativas : eles nunca lhe tinham dado um presente a sério , muito menos um bolo , mas ignorarem o por completo ... Em esse momento , o tio Vernon pigarreou com um ar importante e disse : - Como todos sabem , hoje é um dia muito importante . Harry olhou para ele , mal conseguindo acreditar . - Pode bem ser que eu faça hoje o maior negócio de toda_a minha vida - afirmou . Harry voltou novamente a atenção para a torrada . É claro , pensou amargamente , o tio Vernon referia se a a estúpida dinner-party . Havia quinze_dias que não falava de outra coisa . Um consultor qualquer cheio de massa e a mulher vinham jantar lá a casa e o tio Vernon tinha esperança de conseguir uma grande encomenda ( a empresa de o tio Vernon fabricava brocas ) . - Acho que devíamos recapitular mais_uma_vez - disse o tio Vernon . - Devemos estar todos a postos a as oito_horas_em_ponto . Petúnia , tu vais estar ... ? - Em o salão - respondeu a tia Petúnia prontamente - a a espera para lhes dar as boas-vindas a nossa casa . - Bom , bom . E o Dudley ? - Eu vou estar a a espera para abrir a porta . - Dudley esboçou um sorriso falso e afectado . - Dão me licença que vos guarde os casacos , Mr. e Mrs._Mason ? - Eles vão adorá o - exclamou arrebatadamente a tia Petúnia . - Excelente , Dudley - disse o tio Vernon . - A seguir voltou se para o Harry . - E tu ? - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - repetiu o Harry , de forma inexpressiva . - Exactamente - confirmou o tio Vernon , de um modo desagradável . - Eu conduzo os até a o salão , apresento te , Petúnia , e sirvo lhes as bebidas . _ a as oito_e_um_quarto . - Eu chamo para a mesa - disse a tia Petúnia . - E tu , Dudley , vais dizer ... - Dá me licença que lhe indique a casa de jantar , Mrs._Mason ? - repetiu o Dudley , oferecendo o seu braço gordo a uma mulher invisível . - O meu pequenino cavalheiro - fungou a tia Petúnia . - E tu ? - perguntou o tio Vernon a o Harry , em o mesmo tom desagradável . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho , fingindo que não estou lá - respondeu Harry aborrecido . - Isso mesmo . Agora , devíamos ter preparadas algumas frases amáveis para o jantar . Petúnia , alguma ideia ? - O Vernon disse me que o senhor é um excelente jogador de golfe , Mr._Mason ... Tem de me dizer onde comprou esse vestido , Mrs._Mason ... - Perfeito . Dudley ? - Que tal : Tivemos de fazer um trabalho para a escola sobre o nosso herói e eu escrevi sobre o senhor ... Foi de mais , tanto para a tia Petúnia como para o Harry . A tia debulhou se em lágrimas e abraçou o filho , enquanto Harry se esgueirava para debaixo de a mesa para ninguém o ver rir . - E tu , rapaz ? Harry fez um esforço para se mostrar inexpressivo quando emergiu . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - disse . - Vais sim senhor - afirmou o tio Vernon energicamente . - Os Mason não sabem nada a teu respeito e é assim que as coisas vão continuar . Quando o jantar terminar , tu trazes Mrs._Mason para o salão , onde vamos tomar café , Petúnia , e eu puxo o assunto de as brocas . Com um_pouco de sorte , tenho o contrato assinado antes de o noticiário de as dez . Amanhã por esta hora , vamos estar a fazer compras para umas férias em Maiorca . Harry não conseguia sentir o menor entusiasmo com aquilo . Não lhe parecia que os Dursleys gostassem mais de ele em Maiorca do_que em Privet_Drive . - Certo , eu vou a a cidade buscar os casacos para mim e para o Dudley . E tu - resmungou , apontando para Harry - não atrapalhes a tua tia enquanto ela estiver a limpar . Harry saiu por a porta de as traseiras . Estava um dia de sol lindo . Atravessou o relvado , deixou se cair em o banco de o jardim e cantarolou baixinho : - Parabéns para mim ... parabéns para mim ... Nem cartas nem presentes e tinha de passar a noite a fingir que não existia . Olhou infeliz para a sebe . Nunca se sentira tão só . Mais do_que tudo em o mundo , mais do_que de Hogwarts , mais até do_que de o jogo de Quidditch , Harry sentia a falta de os amigos Ron_Weasley e Hermione_Granger . Mas eles não pareciam sentir a falta de ele . Nenhum de os dois lhe escrevera durante todo o Verão apesar_de o Ron ter dito que ia convidá o para passar uns dias lá em casa . Inúmeras vezes Harry estivera quase a libertar magicamente Hedwig de a sua gaiola e mandá a levar uma carta a o Ron e a a Hermione mas não valia a pena correr o risco . Os feiticeiros menores de idade não tinham autorização para usar a magia fora de a escola . Harry não contara isto a os Dursleys . Ele sabia que era o medo de que ele os transformasse a todos em baratas que os impedia de o fecharem a a chave em a despensa debaixo de as escadas , juntamente com a varinha e a vassoura . Em as primeiras semanas Harry divertira se a murmurar baixinho palavras sem sentido e a ver o Dudley sair disparado de o quarto , tão rápido quanto as suas pernas gordas lhe permitiam . Mas o silêncio prolongado de Ron e Hermione tinham o feito sentir se tão longe de o mundo de a magia que até divertir se à_custa_de Dudley perdera o interesse . E agora o Ron e a Hermione tinham se esquecido de o seu aniversário . Quanto não daria ele por uma mensagem de Hogwarts ? De qualquer feiticeiro ou feiticeira ? Quase ficaria satisfeito com um sinal de o seu inimigo feroz , Draco_Malfoy , só para ter a certeza de que tudo aquilo não fora apenas um sonho ... Não que tudo durante o ano em Hogwarts tivesse sido divertido . Mesmo em o fim de o último período , Harry confrontara se nem mais nem menos do_que com o próprio Lord_Voldemort . Voldemort podia ter arruinado o seu ego inicial mas continuava a espalhar o terror , ainda astuto , ainda determinado a recuperar o poder . Harry escapara uma segunda vez a as suas garras mas fora por um triz e mesmo agora , algumas semanas decorridas , acordava de noite encharcado em suores frios , perguntando se onde estaria Voldemort , relembrando o seu rosto lívido , os seus olhos completamente loucos ... Harry sentou se subitamente , direito como um fuso , em o banco de o jardim . Tinha estado a olhar distraído para a sebe e a sebe estava a olhar para ele . Dois enormes olhos verdes surgiram por_entre a folhagem . Harry pôs se de pé ao_mesmo_tempo que uma voz sobrevoava a relva . - Eu sei que dia é hoje - cantarolava Dudley , bamboleando se enquanto se aproximava . Os olhos enormes piscaram e desapareceram . - O quê ? - perguntou Harry sem retirar os olhos de o lugar para_onde estava a olhar . - Eu sei que dia é hoje - repetiu , chegando junto de ele . - Ainda_bem - disse Harry . - Aprendeste finalmente os dias de a semana . - Hoje é o dia de os teus anos - troçou o Dudley . - Por_que é_que não recebeste nenhuma carta ? Não tens amigos em esse lugar esquisito ? - É melhor não deixares a tua mãe ouvir te falar de a minha escola - disse Harry calmamente . Dudley puxou para_cima as calças que estavam a escorregar lhe por o rabo gordo abaixo . - Porque estás a olhar para a sebe . ; - perguntou curioso . - Estou a pensar em as palavras que deverei pronunciar para lhe pegar fogo - disse Harry . Dudley recuou de imediato com um olhar de pânico em a cara rechonchuda . - Tu não p-p-odes , o pai disse que não podias fazer magia ou corria contigo aqui de casa e não tens mais nenhum lugar para_onde ir , não tens amigos que te convidem ... - * _ Jiggery pokery * ! - disse Harry com voz firme . - * _ Hocus pocus ... squiggly wiggly * ... - Maaaaaãe - gritou Dudley , tropeçando em os pés , enquanto se precipitava para dentro_de casa . Maaaãe , ele vai fazer aquela coisa ! Harry deu graças a os céus por aquele momento de gozo . Como não aconteceu nada de mal nem a o Dudley nem a a sebe , a tia Petúnia percebeu que ele não fizera magia nenhuma mas , mesmo_assim , Harry teve de se afastar quando ela lhe deu uma forte pancada em a cabeça com a frigideira cheia de detergente . A seguir distribuiu lhe trabalho e o castigo de só voltar a comer quando tivesse acabado tudo . Enquanto Dudley andava a flanar , olhando para o ar e comendo gelados , Harry limpou as janelas , lavou o carro , aparou a relva , adubou os canteiros , podou e regou as rosas e pintou de_novo o banco de o jardim . O sol ardia lá em cima , queimando lhe a parte de trás de o pescoço . Harry sabia que não devia ter provocado Dudley mas ele dissera precisamente aquilo que ele próprio pensava ... talvez não tivesse amigos em Hogwarts . Deviam ver agora o famoso Harry_Potter , pensou amargamente enquanto espalhava adubo em os canteiros , as costas a doerem lhe e o suor a escorrer lhe por o rosto . Eram sete_e_meia_da_tarde quando , por fim , exausto , ouviu a tia Petúnia a chamá o . - Anda para dentro e passa por cima de os jornais . Harry entrou satisfeito em a sombra de a cozinha que rebrilhava . Sobre o frigorífico estava o bolo de a noite : um enorme monte de crome batido coberto de violetas de açúcar . A carne de porco assava em o forno . - Come depressa , os Mason devem estar a chegar ! - exclamou bruscamente a tia Petúnia , apontando para duas fatias de pão e uma de queijo que estavam em cima de a mesa de a cozinha . Ela já tinha posto um vestido de * cocktail * cor de salmão . Harry lavou as mãos e comeu aquele triste jantar . Mal tinha terminado , a tia Petúnia tirou lhe o prato . - Lá para_cima , rápido ! A o passar por a porta de a sala , Harry vislumbrou o tio Vernon e Dudley de casaco e gravata . Tinha acabado de chegar a o cimo de as escadas quando a campainha de a porta tocou e a cara de o tio Vernon apareceu em o patamar . - Lembra te , rapaz , um ruído que seja ... Harry entrou em o quarto em bicos de pés , fechou a porta e preparou se para se meter em a cama . O problema é_que estava lá alguém sentado . II_O aviso de Dobby_Harry conseguiu não gritar , mas foi por_pouco . A pequena criatura que estava em a cama tinha umas orelhas grandes e largas e uns olhos verdes protuberantes de o tamanho de bolas de ténis . Harry percebeu imediatamente que fora para ele que tinha estado a olhar de manhã . Enquanto olhavam um para o outro , Harry ouviu a voz de Dudley em o * hall * . - Posso guardar os vossos casacos , Mr. e Mrs._Mason ? A criatura escorregou por a cama e curvou se tanto que a ponta de o seu enorme nariz tocou em o tapete . Harry reparou que ele tinha vestido uma espécie de fronha de almofada com buracos para os braços e pernas . - Er ... Olá - disse Harry , um_pouco nervoso . - Harry_Potter ! - exclamou a criatura em uma voz tão estridente que Harry calculou que poderia ouvir se lá em baixo . - Há tanto tempo que Dobby queria conhecê o , senhor . É uma enorme honra ... - Ob-obrigado - disse Harry , deslocando se a o longo de a parede e sentando se em a cadeira de a secretária , junto de Hedwig que dormia em a sua grande gaiola . Queria perguntar lhe « O que és tu ? » , mas pensou que seria má educação , por isso perguntou : - Quem és tu ? - Dobby , senhor . Apenas Dobby , o elfo de casa - afirmou a criatura . - Oh ! A sério ? - perguntou Harry . - Não quero ser mal-educado , mas esta não é a melhor altura para ter um elfo em o meu quarto . O riso falso de a tia Petúnia ouvia se em a sala de jantar . O elfo deixou cair a cabeça . - Não que eu não me sinta feliz por te conhecer - disse Harry rapidamente - mas , er ... estás aqui por algum motivo em especial ? - Oh , sim senhor - disse Dobby muito a sério . - Dobby veio dizer lhe que ... é difícil ... Dobby não sabe por_onde começar ... - Senta te - disse Harry educadamente , apontando lhe a cama . Para seu horror , o elfo debulhou se em lágrimas bastante ruidosas . -- S-senta-te ! - repetiu . - Nunca em toda_a minha vida ... Harry pareceu lhe ouvir as vozes lá em baixo vacilarem . - Desculpa - murmurou . - Eu não queria ofender te ... - Ofender Dobby ! - exclamou o elfo em um sufoco . - Nunca nenhum feiticeiro disse a o Dobby que se sentasse como um seu igual , senhor . Harry , tentando dizer lhe « Sch ... » e confortá o ao_mesmo_tempo , conduziu Dobby de_novo até a a cama onde ele se sentou a soluçar , parecendo uma grande boneca muito feia . Por fim , conseguiu controlar se e ficou quieto , com os seus grandes olhos fixos em Harry em uma expressão de absoluta adoração . - Não deves ter conhecido muitos feiticeiros sérios - disse lhe , tentando animá o . Dobby abanou a cabeça . Em seguida , sem qualquer aviso , saltou e começou a bater furiosamente com a cabeça em a janela , gritando : - Dobby é mau ! Dobby é mau ! - Pára , o que é_que estás a fazer ? - perguntou Harry em um murmúrio sibilante , dando um salto e puxando Dobby de_novo para a cama . Hedwig acordara com um pio particularmente agudo e batia agressivamente com as asas contra as grades de a gaiola . - Dobby tinha que se castigar , meu senhor - afirmou o elfo , que ficara ligeiramente estrábico . - Dobby quase falou mal de a família de ele ... - De a tua família ? - De a família de feiticeiros que Dobby serve , meu senhor ... O Dobby é um elfo de casa , obrigado a servir uma casa e uma família para sempre . - Eles sabem que estás aqui ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Dobby estremeceu . - Oh , não senhor , não ... Dobby vai ter que se castigar muito por ter vindo vê o . Dobby vai ter que entalar as orelhas em a porta de o forno por isto . Se eles soubessem , senhor ... - Mas achas que eles não vão reparar se tu entalares as orelhas em a porta de o forno ? - Dobby duvida , senhor . Dobby está sempre a ter de se castigar por qualquer coisa . Eles deixam que o Dobby se castigue . _ às_vezes até sugerem alguns castigos extra . - Mas por_que é_que não te vais embora , não foges ? - Um elfo de casa tem de ser libertado , senhor . E a família nunca libertará Dobby . Dobby servirá a família até morrer . Harry olhou para ele . - E eu que pensava que era infeliz por ter de ficar aqui mais quatro semanas - declarou . - Isto faz os Dursleys parecerem quase humanos . Será que ninguém te pode ajudar ? Poderei eu ? Em o mesmo momento , Harry desejou não ter aberto a boca . Dobby desfez se em ruidosos soluços de gratidão . - Por favor - murmurou Harry , inquieto . - Por favor , está calado . Se os Dursleys ouvem barulho , se eles sabem que estás aqui ... - Harry_Potter pergunta se pode ajudar Dobby . Dobby ouviu falar de a sua grandeza , mas de a sua bondade , Dobby nada sabia . Harry , que se sentia corar , disse : - Seja o que for que tenhas ouvido sobre a minha grandeza , é um disparate . Nem_sequer sou o melhor de o meu ano em Hogwarts . É a Hermione . Ela ... Mas calou se rapidamente porque pensar em Hermione era lhe doloroso . - Harry_Potter é humilde e modesto - disse Dobby reverentemente , com os seus olhos de globo avermelhados . - Harry_Potter não fala de a sua vitória sobre « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . - Voldemort ? - perguntou Harry . Dobby bateu com as mãos em as enormes orelhas e gemeu : - Ai não diga o nome , senhor . Não diga o nome ! - Desculpa - disse Harry muito depressa . - Eu sei que muita gente não gosta . O meu amigo Ron ... Calou se de_novo . Pensar em o Ron era igualmente doloroso . Dobby voltou para Harry os seus dois olhos grandes como candeeiros . - Dobby ouviu dizer - balbuciou com voz rouca - que Harry_Potter encontrou o Senhor_do_Mal uma segunda vez há poucas semanas atrás ... que Harry_Potter lhe escapou de_novo . Harry acenou e os olhos de Dobby encheram se de lágrimas . - Ah , senhor - disse em um sobressalto , limpando o rosto com a ponta de a fronha de almofada que tinha vestida . - Harry_Potter é valente e arrojado . Enfrentou tantos perigos ! Mas Dobby veio protegê o , avisar Harry_Potter , mesmo_que para isso tenha de entalar as orelhas em a porta de o forno , que Harry_Potter não deve voltar para Hogwarts . Houve um silêncio apenas quebrado por o ruído de os garfos e de as facas lá em baixo e por a voz distante de o tio Vernon . - O q-q-uê ? - gaguejou Harry . - Mas eu tenho de voltar , o ano começa em o dia um de Setembro . É a minha razão de viver . Tu não sabes como são as coisas aqui . Eu não pertenço a este lugar , o meu lugar é em Hogwarts . - Não , não , não - guinchou Dobby , sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas andavam de um lado para o outro . - Harry_Potter deve ficar aqui , onde se encontra a salvo . É demasiado grande , demasiado bom para se perder . Se Harry_Potter regressar a Hogwarts correrá perigo de vida . - Porquê ? - inquiriu Harry , surpreendido . - Há uma conspiração , Harry_Potter . Uma conspiração para fazer acontecer coisas terríveis este ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts - murmurou Dobby que começara a tremer de a cabeça a os pés . - Dobby sabe de isto há meses , senhor . Harry_Potter não deve expor se a o perigo . É demasiado importante . - Que coisas terríveis são essas ? - perguntou Harry sem perder tempo . - Quem está por detrás ? Dobby fez um ruído esquisito e começou a bater com a cabeça contra a parede como um louco . - Está bem - gritou Harry , agarrando o braço de o elfo para o fazer parar . - Não podes dizer , eu compreendo . Mas porque vieste avisar me ? - Um pensamento súbito e desagradável surgiu lhe . - Espera aí , isto tem alguma coisa que ver com o Vol , desculpa com o Quem nós sabemos ? Basta que faças sim ou não com a cabeça - acrescentou com vivacidade enquanto a cabeça de Dobby se inclinava de_novo a uma velocidade preocupante para a parede . Lentamente , Dobby abanou a cabeça . - Não , não é « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . Os olhos de Dobby estavam abertos como_se estivesse a tentar dar a Harry uma pista , mas Harry estava completamente a a nora . - Ele não tem nenhum irmão , ou tem ? Dobby abanou a cabeça , os olhos mais abertos do_que nunca . - Bem , em esse caso não estou a ver quem mais poderia ter a possibilidade de fazer acontecer coisas horríveis em Hogwarts - disse Harry . - Quero dizer , para já está lá o Dumbledore . Sabes quem é Dumbledore , não sabes ? Dobby baixou a cabeça . - Albus_Dumbledore é o melhor director que Hogwarts alguma vez teve . Dobby sabe , senhor . Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore rivalizam com os d'aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Mas , senhor - a voz de Dobby desceu a um urgente murmúrio - há poderes que Dumbledore não ... poderes que nenhum feiticeiro sério ... E antes que Harry conseguisse impedi o Dobby saltou de a cama , agarrou o candeeiro de secretária de Harry e começou a bater com a cabeça , dando uivos ensurdecedores . Fez se silêncio lá em baixo . Dois segundos mais tarde , Harry com o coração a bater como um louco , ouviu o tio Vernon chegar a o * hall * e dizer . - O Dudley deve ter deixado outra_vez a televisão ligada , o maroto ! - Depressa , para dentro de o guarda-fatos - gritou Harry , empurrando Dobby bem para o fundo , fechando a porta e metendo se a correr em a cama mesmo a_tempo_de ver a maçaneta de a porta a girar . - Que diabo estás tu a fazer ? - disse o tio Vernon entre dentes , o rosto assustadoramente próximo de o de Harry . - Acabas de estragar o ponto alto de a minha anedota de o golfista japonês . Eu que oiça mais um som e vais desejar nunca ter nascido , rapaz ! Abandonou o quarto com grandes passadas . A tremer , Harry deixou Dobby sair de o guarda-fatos . - Estás a ver como são as coisas por aqui ? - disse . - Vês porque tenho de voltar para Hogwarts ? É o único sítio onde eu tenho ... bem , onde eu acho que tenho amigos . - Amigos que nem_sequer escrevem a Harry_Potter ? - disse Dobby com ar manhoso . - Calculo que devem ter estado ... espera aí - disse Harry , franzindo a testa . - Como é_que tu sabes que os meus amigos não me têm escrito ? Dobby arrastou os pés . - Harry_Potter não deve zangar se com Dobby . Dobby fez o que achou melhor ... - Tu tens estado a interceptar me as cartas ? - Dobby tem as aqui , senhor - disse o elfo . Saltando para longe de o alcance de Harry , retirou de dentro de a fronha que usava um espesso saco cheio de envelopes . Harry reconheceu de imediato a caligrafia certinha de Hermione , a escrita desordenada de Ron e até uns gatafunhos que pareciam ser de o guarda de os campos de Hogwarts , Hagrid . Dobby piscava ansiosamente os olhos . - Harry_Potter não deve ficar zangado ... Dobby esperava que ... se Harry_Potter pensasse que os amigos o tinham esquecido ... Harry_Potter talvez não quisesse voltar a a escola , senhor . Harry não o ouvia . Fez um gesto para agarrar as cartas , mas Dobby deu um salto , afastando se . - Harry_Potter terá as cartas , senhor , se der a Dobby a sua palavra de não voltar a Hogwarts . Ah , senhor , é um risco que não deve correr . Diga que não volta , senhor ! - Não - afirmou Harry zangado . - Dá me as cartas de os meus amigos ! - Em esse caso , Harry_Potter deixa Dobby sem escolha - disse o elfo tristemente . Antes que Harry pudesse fazer um movimento , Dobby tinha aberto a porta de o quarto e descido a correr por as escadas abaixo . Com a boca seca e um aperto em o estômago , Harry correu atrás de ele , tentando não fazer barulho . Saltou os últimos seis degraus , aterrando como um gato em a carpete de o * hall * , olhando em volta a a procura de Dobby . De a sala de jantar , ouviu a voz de o tio Vernon : - Conte a a Petúnia aquela história engraçadíssima de os funileiros americanos , ela tem estado louca por ouvi a , Mr._Mason . Harry correu de o * hall * para a cozinha e sentiu o estômago ficar pequenino . O pudim , que era a a obra-prima de a tia Petúnia , a montanha de creme batido coberto de violetas de açúcar flutuava junto de o tecto . Em cima de o guarda-louça de o canto , Dobby inclinava se servilmente . - Não - suplicou Harry . - Por favor , eles matam me . - Harry_Potter deve dizer que não vai voltar a a escola ... - Dobby , por favor . - Diga , senhor . - Não posso . Dobby lançou lhe um olhar trágico . - Então , Dobby deve fazê o , senhor , para o bem de Harry_Potter . O pudim foi direito a o chão em uma queda que parecia um coração a parar . O crome esguichou para as janelas e para as paredes , enquanto o prato se despedaçava . Com o ruído de uma chicotada , Dobby desapareceu . Ouviram se gritos em a casa de jantar e o tio Vernon irrompeu por a cozinha onde foi dar com Harry coberto , de a cabeça a os pés , por o pudim de a tia Petúnia . A princípio parecia que o tio Vernon ia conseguir arranjar uma desculpa para aquilo tudo . ( É só o nosso sobrinho , muito perturbado ; conhecer pessoas estranhas deixa o muito nervoso , por isso deixamos o lá em cima ... ) Conduziu_os_Mason , bastante chocados , para a sala de jantar , garantindo a Harry que o esfolava vivo quando os Mason se fossem embora e pôs lhe em as mãos um esfregão . A tia Petúnia descobriu um resto de gelado em o frigorífico e Harry , ainda a tremer , começou a limpar a cozinha . O tio Vernon poderia ainda ter feito o negócio , se não fosse a coruja . Estava a tia Petúnia a circular com uma caixa de After-Eight , quando uma enorme coruja de celeiro fez a sua entrada vertiginosa através de a janela de a casa de jantar , deixando cair uma carta em a cabeça de Mr._Mason e desaparecendo logo_a_seguir . Mrs._Mason gritava como uma carpideira e corria por a casa praguejando contra os lunáticos . Mr._Mason ficou o tempo estritamente necessário para dizer a os Dursleys que a mulher tinha um medo pânico de pássaros de todas_as formas e tamanhos e perguntar lhes se aquela era alguma brincadeira de mau gosto . Harry não saiu de a cozinha , agarrando o esfregão como defesa , enquanto o tio Vernon avançava para ele com um brilho demoníaco em os olhos pequeninos . - Lê isso - ordenou maldosamente . Harry pegou em a carta . Não era a desejar lhe um bom aniversário . * _ Caro_Mr._Potter , * _ Recebermos hoje informações de que um feitiço de suspensão em o ar foi efectuado em sua casa esta noite , a as nove_horas_e_doze_minutos . * _ Como sabe , os feiticeiros menores não estão autorizados a praticar magia fora de a escola e , se efectuar mais um trabalho mágico , será expulso de a nossa escola . ( Decreto_de_Restrições_Razoáveis_para_Feitiçaria_de_Menores , 1875 , parágrafo C. ) * _ Pedimos-lhe também que se lembre que qualquer actividade que possa ser notada por membros alheios a a nossa comunidade ( Muggles ) constitui uma ofensa grave , segundo a secção 13 de a Confederação_Internacional_do_Estatuto_da_Magia_Secreta . * _ Tenha umas boas férias . * Atenciosamente_Mafalda_Hopkirk_Gabinete_da_Utilização_Imprópria_da_Magia_Ministério_da_Magia * . Harry olhou para a carta e engoliu em seco . - Tu não nos contaste que estavas proibido de usar magia fora de a escola - disse o tio Vernon com um brilho maldoso a dançar lhe em os olhos . - Esqueceste te de o mencionar , passou te , não foi ? Tinha se aproximado de Harry como um grande * bulldog * , com todos os dentes a a mostra . - Tenho boas notícias para ti , rapaz , vou fechar te a a chave e , se tentares sair através_de magia , nunca mais voltas a aquela escola , eles expulsam te . E rindo como um louco , arrastou Harry até a o andar de cima . O tio Vernon era mau como as cobras . Em a manhã seguinte pagou a um homem para colocar grades em a janela de o quarto de Harry . Ele próprio abriu um pequeno buraco em a porta de o quarto para que a comida pudesse ser introduzida três vezes por dia . Deixavam o Harry sair para ir a a casa_de_banho de manhã e a o final de a tarde . O resto de o tempo estava fechado em o quarto , a a espera que o tempo passasse . Três dias mais tarde , os Dursleys não mostravam qualquer intenção de abrandar o castigo e Harry não sabia como sair de aquela situação . Estava deitado em a cama , vendo o sol brilhar por_entre as grades de a janela e perguntando se tristemente o que viria a acontecer lhe . Qual era a vantagem de sair de ali por artes mágicas , se Hogwarts o expulsaria em seguida ? Contudo , a vida em Privet_Drive tinha atingido o seu nível mais baixo . Agora_que os Dursleys tinham a certeza que não iam acordar transformados em morcegos , ele perdera a única arma que tinha . O Dobby podia tê o salvo de acontecimentos terríveis em Hogwarts , mas de a maneira que as coisas estavam , ele morreria muito provavelmente a a fome . A portinhola rangeu e a mão de a tia Petúnia apareceu empurrando uma tigela de sopa de pacote para dentro de o quarto . Harry , que estava cheio de fome , saltou de a cama e agarrou a . A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um único trago . A seguir , atravessou o quarto até a a gaiola de Hedwig e pôs os legumes ensopados dentro de o seu pratinho vazio . Ela agitou as penas e olhou o com profunda repugnância . - Não vale de nada virares lhe as costas . É tudo_o_que temos - disse Harry , de modo severo . Colocou a tigela vazia em o chão junto de a portinhola e voltou para_cima de a cama , de certo modo com mais fome do_que antes de ter comido a sopa . Admitindo que estaria ainda vivo dentro_de quatro semanas o que aconteceria se ele não se apresentasse em Hogwarts ? Será que mandariam alguém obrigar os Dursleys a deixá o ir ? O quarto começava a escurecer . Exausto e com o estômago a dar horas , o cérebro a as voltas com as mesmas questões sem resposta , Harry caiu em um sono intranquilo . Sonhou que fazia parte de um espectáculo de o jardim zoológico . Preso a a jaula onde se encontrava estava um cartaz onde podia ler se « feiticeiro menor de idade « . As pessoas olhavam o com olhos protuberantes , enquanto ele jazia fraco e esfomeado em um leito de palha . Viu a cara de o Dobby em o meio de a multidão e gritou lhe , pedindo ajuda , mas o Dobby respondeu : - Harry_Potter está em segurança aí , senhor - e desapareceu . Em seguida vieram os Dursleys e Dudley bateu em as grades de a jaula , rindo se de ele . - Pára com isso - murmurou Harry como_se aquele ruído martelasse em a sua cabeça dorida . - Deixa me em paz , pára com isso , estou a tentar dormir . Abriu os olhos . O luar brilhava através de as grades de a janela . E lá fora alguém olhava de olhos arregalados para ele : alguém de rosto sardento , cabelo ruivo e nariz grande . Ron_Weasley estava de o lado de_fora de a janela . III « A toca » Ron ! - exclamou Harry , arrastando se até a a janela e empurrando a para poderem falar através de as grades . - Ron , como é_que tu , foi o ... ? Harry ficou de boca aberta , espantado com o que viu . Ron estava debruçado de a janela de trás de um velho automóvel azul-turquesa que se encontrava estacionado em o ar . Em os lugares de a frente , rindo se para Harry , estavam os irmãos mais velhos , os gémeos Fred e George . - Tudo bem , Harry ? - O que é_que se tem passado ? - perguntou o Ron . - Porque não respondeste a as minhas cartas ? Convidei te para vires ter comigo umas doze vezes e um dia o pai chegou a casa e comunicou nos que tu tinhas recebido um aviso oficial por usares magia diante de os Muggles ... - Não fui eu . E como é_que ele soube ? - Ele trabalha em o Ministério - disse o Ron . - Tu sabes que nós não podemos fazer feitiços fora de a escola . - Bem , isso vindo de ti ... - exclamou Harry , olhando para o carro flutuante . - Oh , isto não conta - disse Ron . - Foi o meu pai que o emprestou . Não o fizemos aparecer por magia . Mas usar magia em a frente de esses Muggles com quem tu vives ... - Já te disse que não fui eu , mas vai demorar muito_tempo a explicar te isso agora . És capaz de avisar em Hogwarts que os Dursleys me fecharam a a chave e que não querem deixar me voltar e obviamente eu não posso sair de aqui magicamente senão o Ministério vai achar que é a segunda vez em três dias e ... - Pára com essa conversa tola - disse o Ron . - Viemos para te levar connosco . - Mas tu também não podes tirar me de aqui utilizando processos mágicos ... - Não precisamos de isso - afirmou Ron , fazendo um sinal de cabeça para os lugares de a frente . - Esqueces te de quem está aqui comigo . - Amarra isso em volta de as grades - disse o Fred , lançando a Harry a ponta de uma corda . - Se os Dursleys acordam estou feito - lamentou se Harry enquanto dava um nó bem apertado com a corda em uma de as grades e o Fred arrancava com o carro . - Não te preocupes e chega te para trás . Harry recuou para a sombra , para junto de Hedwig que parecia ter se apercebido de a importância de tudo aquilo , mantendo se quieta e em silêncio . O carro puxou mais e mais e , subitamente , com um ruído de ferro a ceder , as grades foram arrancadas de a janela , enquanto Fred conduzia com o céu como estrada . Harry correu de_novo para a janela para ver as grades a balouçarem a poucos metros de o chão . Ofegante , Ron içou as para dentro de o carro . Harry escutou ansiosamente mas não vinha qualquer som de o quarto de os Dursleys . Quando as grades estavam em segurança em os lugares de trás junto de Ron , Fred aproximou se o_máximo que lhe foi possível de a janela . - Anda de aí - disse . - Mas , todas_as minhas coisas de Hogwarts , a minha varinha , a minha vassoura ... - Onde estão ? - Fechadas em a despensa debaixo de as escadas e eu não posso sair de este quarto . . - Não há azar - disse o George . - Sai de a frente , Harry . Fred e George treparam cautelosamente e entraram por a janela em o quarto de Harry . Tinhas que ter aberto a boca , pensou Harry enquanto George tirava de o bolso um vulgar gancho de cabelo e começava a tentar abrir a fechadura . - Muitos feiticeiros acham que é uma perda de tempo aprender os truques de os Muggles - disse o Fred . - Mas nós pensamos que há habilidades que é sempre útil conhecer apesar_de serem um_pouco lentas . Ouviu se um pequeno clique e a porta abriu se . - Pronto , vamos buscar as tuas coisas . Tu vai dando a o Ron aquilo que precisas de aí de o teu quarto - murmurou George . - Cuidado com o degrau de cima que range - sussurrou Harry enquanto os gémeos desapareciam em o escuro . Harry deu a volta a o quarto , recolhendo as suas coisas e passando as por a janela a o Ron . Em seguida , foi ajudar o Fred e o George a trazerem o resto por as escadas acima . Ouviu o tio Vernon tossir . Por fim , de língua de_fora , chegaram a o quarto , junto de a janela aberta . Fred trepou para o carro para puxar os volumes com o Ron enquanto Harry e George os empurravam de dentro de o quarto . Centímetro a centímetro o malão foi passando por a janela . O tio Vernon tossiu de_novo . - Mais um_pouco - disse o Fred que estava a puxar de dentro de o carro . Um bom empurrão , vá . Harry e George encostaram os ombros contra a mala e ela escorregou para a parte de trás de o carro . - O. _ K. , vamos embora - murmurou o George . Mas quando Harry trepava para o parapeito de a janela ouviu se um forte pio atrás de ele , imediatamente seguido de o vociferar de o tio Vernon . - Aquela maldita coruja ! - Esqueci me de a Hedwig ! Harry precipitou se de_novo para o quarto , enquanto a luz de o patamar se acendia . Agarrou a gaiola de Hedwig , correu para a janela e passou a a o Ron . Estava a subir para_cima de a cómoda quando o tio Vernon bateu em a porta , que não estava fechada , e esta se abriu completamente . Por uma fracção de segundo , o tio Vernon ficou estático junto de a porta . Em seguida , soltou um mugido como um boi zangado e avançou para Harry , agarrando o por o tornozelo . Ron , Fred e George seguraram o por os braços e puxaram o com toda_a força . - Petúnia - rosnou o tio Vernon . - Ele está a fugir ! : __ ele está a __ fugir ! Os Weasleys deram um puxão gigantesco e a perna de o Harry escapou a as garras de o tio Vernon . Logo_que Harry entrou em o carro e a porta se fechou , Ron gritou : - Acelera Fred ! - E o carro partiu subitamente em direcção a a lua . Harry mal podia acreditar que estava livre . Esticou se a a janela , o ar de a noite a fustigar lhe os cabelos e olhou para baixo , para os telhados apertados de Privet_Drive . O tio Vernon , a tia Petúnia e o Dudley estavam todos debruçados com cara de parvos , a a janela de o quarto de ele . - Até a o próximo Verão - gritou . Os Weasleys riam se a as gargalhadas e Harry esticou se para trás em o assento e pediu a o ouvido de Ron : - Deixa sair a Hedwig . Ela pode voar atrás_de nós . Há séculos que não tem uma oportunidade de esticar as asas . George passou a o Ron o gancho de cabelo e , um momento depois , a Hedwig saíra feliz por a janela , planando atrás de eles como um fantasma . - Então , qual é a história ? - perguntou Ron , impaciente . - O que é_que tem estado a acontecer ? Harry contou lhes tudo sobre o Dobby , o aviso de este e o fracasso de o pudim de violetas . Houve um longo silêncio quando ele se calou . - Isso cheira me a esturro - disse , por fim , o Fred . - Definitivamente misterioso - concordou George . - Então ele nem te disse quem está supostamente por detrás dessa trama toda ? - Acho que não podia - explicou Harry . - Já te disse , de cada_vez que estava quase a deixar escapar qualquer coisa , começava a bater com a cabeça em a parede . Viu Fred e George olharem um para o outro . - O quê ? Acham que ele estava a mentir me ? - perguntou Harry . - Bem - começou o Fred -- , coloquemos as coisas de o seguinte modo , os elfos de casa têm poderes mágicos próprios , mas geralmente não podem usá os sem a autorização de os seus donos . Eu acho que o bom de o Dobby foi enviado para evitar que voltasses para Hogwarts . Uma ideia de um engraçadinho . Haverá alguém em a escola com má vontade contra ti ? - Sim - responderam Harry e Ron , precisamente ao_mesmo_tempo . - Draco_Malfoy - explicou Harry . - Ele detesta me . - Draco_Malfoy ? - perguntou George , voltando se para trás . - O filho de o Lucius_Malfoy ? - Deve ser . Não é um nome muito vulgar , pois não ? - disse Harry . - Mas porquê ? - Ouvi o pai falar acerca de ele - confidenciou George . - Ele era um grande apoiante de o « Quem nós sabemos » . - E quando o « Quem nós sabemos » desapareceu - continuou o Fred , voltando a cara para olhar para Harry - o Lucius_Malfoy voltou , dizendo que não foi por vontade própria que fez o que fez . Monte de lixo . O pai acha que ele fazia parte de um círculo de amigos íntimos de o « Quem nós sabemos » . Harry já tinha ouvido esses boatos sobre a família de Malfoy e não o surpreenderam em absoluto . Malfoy fizera Dudley_Dursley parecer um rapazinho simpático , amável e sensível . - Não sei se os Malfoy têm um elfo de casa ... - afirmou Harry . - Bem , quem quer que o possua é sem dúvida uma antiga família de feiticeiros e deve ser rica - explicou Fred . - Sim . A mãe está sempre a desejar que pudéssemos ter um elfo de casa para passar a roupa a ferro - disse o George . - Mas só temos um velho vampiro piolhoso em o sótão e gnomos espalhados por o jardim . Os elfos de casa pertencem a as grandes casas senhoriais , a os castelos e lugares assim , não encontrarias um em a nossa casa ... Harry estava calado . Considerando que Draco_Malfoy tinha sempre as melhores coisas , que a sua família nadava em ouro de feiticeiros , era fácil imaginá o passeando se por uma enorme casa senhorial . Mandar o servo de a família evitar que Harry voltasse para Hogwarts também parecia exactamente o tipo de coisa que Malfoy poderia fazer . Teria Harry sido estúpido a o tomar Dobby a sério ? - De qualquer modo , ainda_bem que viemos buscar te - declarou Ron . - Eu começava a ficar seriamente preocupado por não responderes a nenhuma de as minhas cartas . A princípio pensei que a culpa fosse de a Errol ... - Quem é a Errol ? - A nossa coruja . Já é velhota . Não seria a primeira vez que adoecia durante uma entrega . Por isso , tentei pedir a Hermes emprestada ... - Quem ? - A coruja que os meus pais compraram a o Percy quando ele foi nomeado prefeito - respondeu Fred . - Mas o Percy não me a emprestou . Disse que precisava de ela . - O Percy tem andado com atitudes muito estranhas este Verão - comentou George franzindo a testa . - E tem mandado imensas cartas e passado um tempo infinito fechado em o quarto ... enfim , pode limpar se e polir um distintivo de prefeito todas_as vezes que se quiser ... Estás a conduzir demasiado para ocidente , Fred - acrescentou apontando para uma bússola em o painel de o automóvel . Fred girou o volante . - Então , o vosso pai sabe que têm o carro ? - perguntou Harry , quase adivinhando a resposta . - Er ... não - disse o Ron . - Ele tinha trabalho esta noite . Felizmente vamos poder pô o de_novo em a garagem , sem a mãe perceber que andámos a voar nele . - A propósito , o que faz o vosso pai em o Ministério_da_Magia ? - Trabalha em o Departamento mais chato - respondeu Ron . - A Divisão de utilização incorrecta de artefactos de os Muggles . - O quê ? - Relaciona se com objectos de feitiçaria que foram feitos por os Muggles ; sabes como é , se forem parar de_novo a uma loja de os Muggles , ou a uma casa , como em o ano passado , quando morreu uma bruxa velha e o bule de ela foi vendido a uma loja de antiguidades . Uma mulher Muggle comprou o , tentou servir chá a os amigos . Foi um pesadelo , o pai teve de fazer horas extraordinárias durante semanas . - O que é_que aconteceu ? - O bule parecia louco , esguichou chá a ferver para todos os lados e um de os homens foi parar a o hospital com a pinça de o açúcar presa em o nariz . O pai ficou nervosíssimo . É só ele e o velho feiticeiro Perkings em o gabinete e tiveram de localizar e descobrir todo o tipo de encantamentos para resolver o assunto . - Mas o teu pai ... este carro ... Fred riu se . - Sim , o pai é louco por tudo_o_que tem que ver com os Muggles . A nossa arrecadação está cheia de coisas de os Muggles . Ele separa as , lança lhes feitiços e volta a pô as em o lugar . Se ele fizesse uma busca a nossa casa teria de se prender a si mesmo . A minha mãe fica louca com tudo aquilo . - É a estrada principal - gritou o George , apontando para baixo através de a janela . - Dentro_de poucos minutos estamos lá , mesmo a tempo , está a começar a clarear . Um leve brilho rosado tingia o horizonte para leste . Fred trouxe o carro para baixo e Harry pôde ver uma manta de retalhos de campos escuros e matas de arbustos . - Estamos um_pouco longe de a vila - disse George . - Em Ottery_St . Catchpole ... O carro voador foi descendo a os poucos . A luz avermelhada brilhava agora por_entre as árvores . - Terra - disse o Fred , em o momento em que tocaram em o chão com um ligeiro solavanco . Tinham aterrado perto_de uma garagem em ruínas em um pequeno pátio e Harry viu pela_primeira_vez a casa de o Ron . Parecia ter sido em tempos uma pocilga de pedra . Mas os quartos que posteriormente lhe tinham sido acrescentados haviam a tornado bastante mais alta e o seu aspecto era tão curvado que parecia ter sido construída por artes mágicas ( o que , pensou Harry , era , muito provavelmente , verdade ) . De o telhado vermelho saíam quatro ou cinco chaminés . Junto de a entrada , fixa em o chão , podia ver se uma inscrição assimétrica que dizia « A toca » . A o lado de a porta principal estava uma contusão de botas de * _ Wellington * e um caldeirão completamente enferrujado . Por o pátio passeavam se várias galinhas castanhas e gordas . - Não é grande coisa - desculpou se o Ron . - É óptima - exclamou Harry , feliz , pensando em Privet_Drive . Saíram de o carro . - Agora vamos lá para_cima sem fazer barulho - disse o Fred . - E esperamos que a mãe nos chame para o pequeno-almoço . Depois tu , Ron , desces a escada entusiasmadíssimo . - Mãe , olha quem apareceu cá durante a noite ! - E ela vai sentir se felicíssima quando vir o Harry . Assim ninguém fica a saber que levámos o carro voador . - Certo - disse o Ron . - Vamos , Harry , eu durmo em o ... Ron ganhou uma cor de um pálido esverdeado , os olhos fixos em a casa . Os outros três fizeram meia volta . Mrs._Weasley avançava por o pátio , afugentando as galinhas e , para uma mulher baixa , roliça e simpática , era fantástico como conseguia parecer se com um tigre dentes-de-sabre . - Ah ! - suspirou o Fred . - Oh , oh ! - exclamou o George . Mrs._Weasley parou em frente de eles . As mãos em as ancas , saltando de um olhar culpado para o outro . Usava um avental a as flores , com uma varinha a sair lhe de o bolso . - Com que então - disse . - Bom dia , mãe - arriscou o George com uma voz que tentou que fosse alegre e bem-disposta . - Vocês têm alguma ideia de como tenho estado preocupada ? - perguntou Mrs._Weasley em um murmúrio fraco . - Desculpe , mãe , mas sabe , nós tivemos que ... Os três filhos de Mrs._Weasley eram mais altos do_que ela , mas tremiam quando a fúria de a mãe se abatia sobre eles . - Camas vazias ! Nem um bilhete ! O carro desaparecido ... Podiam ter tido um acidente , estou fora de mim com tanta preocupação e vocês nem se importam ... nunca , enquanto eu for viva ... esperem só até o vosso pai chegar , nunca tivemos problemas de estes com o Bill , com o Charlie ou com o Percy ... - O perfeito Percy - resmungou Fred . - : __ tu não vales um dedo de a mão de o __ percy ! - gritou Mrs._Weasley , espetando um dedo em o queixo de o Fred . - Podias ter morrido , podias ter sido visto , podias ter feito com que o teu pai perdesse o emprego ... Parecia nunca mais acabar . Mrs._Weasley tinha gritado até ficar ronca , antes de se voltar para o Harry , que recuou . - Estou muito contente por te ver , Harry - disse . - Entra e vem tomar o pequeno-almoço . Ela voltou se e regressou a casa e Harry , depois de trocar um olhar nervoso com o Ron , que lhe acenou , encorajando o , seguiu a . A cozinha era pequena e bastante estreita . A meio havia uma enfezada mesa de madeira e cadeiras em volta e Harry sentou se a a beirinha de o assento , olhando em volta . Era a primeira vez que entrava em uma casa de feiticeiros . O relógio em a parede em frente de ele , tinha apenas um ponteiro e nenhum número . Em volta , estavam escritas frases como « Hora de fazer o chá » , « Hora de dar de comer a as galinhas « e « Estás atrasado » . Empilhados em o rebordo de a lareira estavam livros com títulos como * _ Encanta o teu próprio queijo , Encantamento em a cozedura de o pão e Banquetes em um minuto - é mágico * ! E , a menos que os ouvidos de Harry estivessem a traí o , o velho rádio próximo de o lava-loiças acabara de anunciar que a seguir vinha a Hora de enfeitiçar com a popular feiticeira-cantora Celestina_Warbeck . Mrs._Weasley fazia barulho com os talheres , preparando o pequeno-almoço um bocado a o acaso , lançando olhares furiosos a os filhos , enquanto lançava as salsichas em a frigideira . De vez em quando murmurava coisas como : « Não sei o que vos passou por a cabeça « ou « nunca devia ter confiado em vocês » . - Eu não te culpo , filho - tranquilizou Harry , pondo lhe sete ou oito salsichas em o prato . - Eu e o Arthur temos estado preocupados contigo . Ainda ontem a a noite estivemos a dizer que te iríamos buscar nós próprios se não respondesses a o Ron até sexta-feira . Mas , em a verdade ( estava agora a acrescentar três ovos estrelados a o prato de ele ) , atravessar metade de o país a voar em um carro ilegal , qualquer um vos poderia ter visto ... Agitou maquinalmente a varinha em a direcção de o lava-loiças , onde a loiça começou a lavar se sozinha , tinindo baixinho lá atrás . - Estava enevoado , mãe ! - exclamou o Fred . - Boca fechada enquanto comes ! - interrompeu Mrs._Weasley . - Eles estavam a fazê o passar fome , mãe ! - disse o George . - E tu também ! - disse Mrs._Weasley , mas já foi com uma expressão mais doce que começou a cortar o pão para Harry e a barrá o com manteiga . Em esse momento , as atenções voltaram se para um pequenino volto de cabelos ruivos , em uma camisa de dormir até a os pés , que surgiu em a cozinha , deu um grito agudo e desapareceu de_novo . - É a Ginny - disse Ron baixinho a o Harry -- , a minha irmã . Tem falado de ti todo o Verão . - Sim , ela vai querer o teu autógrafo , Harry - riu se o Fred , mas o seu olhar cruzou se com o de a mãe e inclinou se para o prato , não voltando a abrir a boca . Ninguém falou até os quatro pratos estarem limpos , o que sucedeu a uma velocidade surpreendente . - Bolas , estou cansado - bocejou Fred , pousando a faca e o garfo . Acho que me vou deitar e ... - Não vais , não senhor - interrompeu Mrs._Weasley . - A culpa é tua se ficaste toda_a noite acordado . Vais fazer a des-gnomização de o jardim . Eles estão outra_vez a exagerar . - Oh , mãe ... - E vocês os dois o mesmo - dirigiu se a o Ron e a o Fred . - Tu podes ir para a cama , filho - disse a Harry . - Não lhes pediste que guiassem aquele carro miserável . Mas Harry , que se sentia acordadíssimo , respondeu prontamente : - Eu ajudo o Ron , nunca vi uma des-gnomização ... - É muito simpático de a tua parte , querido , mas é um trabalho chato - explicou Mrs._Weasley . - Vejamos o que o Lockhart tem a dizer acerca disto . E puxou de o rebordo de a lareira um livro pesadíssimo . George resmungou : - Mãe , nós sabemos * des-gnomizar * o jardim . Harry olhou para a capa de o livro de Mrs._Weasley . Em grandes letras douradas , que ocupavam grande parte de a capa , podia ler se Guia_de_Gilderoy_Lockhart para pragas caseiras . Via se também a grande fotografia de um feiticeiro bem-parecido , de cabelos loiros ondulados e olhos azuis brilhantes . Como sempre , em o mundo de os feiticeiros , a fotografia mexia se . O feiticeiro , que Harry calculou ser Gilderoy_Lockhart , não parava de lhes piscar os olhos descaradamente . Mrs._Weasley sorriu lhe . - Oh , ele é fantástico - disse . - Conhece bem as pragas caseiras . É um livro maravilhoso . - A mãe adora o - disse Fred em um murmúrio bastante audível . - Não sejas ridículo , Fred - repreendeu Mrs._Weasley com as bochechas coradas . - É claro que se achas que sabes mais do_que o Lockhart , podes ir fazer o trabalho e ai de ti se houver um único gnomo em o jardim quando eu for fazer a inspecção . A bocejar e a resmungar , os Weasley arrastaram se lá para fora com Harry atrás de eles . O jardim era grande e , em a opinião de Harry , exactamente como deveria ser um jardim . Os Dursleys não teriam gostado . Havia uma enorme quantidade de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada , mas havia árvores nodosas em volta de as paredes , plantas que Harry nunca vira , tombando de todos os canteiros e um grande lago verde cheio de rãs . - Os Muggles também têm gnomos de jardim , sabes - disse o Harry a o Ron , enquanto atravessavam a relva . - Sim , já vi essas coisas que eles pensam que são gnomos - disse o Ron todo dobrado , com a cabeça em uma moita de peónias . - Como os Pais_Natais gordinhos com canas de pesca ... Houve um tumulto ruidoso , a moita de peónias estremeceu e Ron endireitou se . - Isto_é um gnomo - declarou com um ar sério . - Larga eu ! Larga eu ! - guinchou o gnomo . Não se parecia em absoluto com o Pai_Natal . Era pequenino e parecia de couro , com uma grande cabeça protuberante e calva , precisamente como uma batata . Ron agarrou o a a distância de um braço , enquanto ele dava pontapés em o ar com os seus pézinhos que pareciam chifres . Agarrou o por os tornozelos e voltou o de pernas para o ar . - Isto_é o que tens de fazer - disse . Levantou o gnomo acima de a cabeça ( Larga eu ! ) e começou a balouçá o em grandes círculos , como os vaqueiros fazem com os laços . A o ver a expressão chocada de Harry , Ron explicou : - Não os mágoa . Só tens de os deixar bem tontos para que consigam encontrar o caminho de regresso a os buracos de os gnomos . Largou os tornozelos de o gnomo . Ele voou seiscentos metros e aterrou com um ruído surdo em o campo a o lado de a sebe . - Deplorável - afirmou o Fred . - Aposto que consigo lançar o meu para_além de aquele tronco . Harry aprendeu rapidamente a não sentir muita pena de os gnomos . Decidira largar o primeiro que apanhou para_além de a sebe , mas o gnomo , sentindo fraqueza , enfiou os seus dentinhos , aguçados como laminas , em o dedo de o Harry e não foi fácil sacudi o para ele o largar , até que ... - Uau , Harry , esse deve ter sido seiscentos metros ... O ar estava subitamente cheio de gnomos voadores . - Vês , eles não são muito espertos - afirmou o George , agarrando cinco ou seis de uma_vez . - Em o momento em que se apercebem que começou a * des-gnomização * , aparecem todos para espreitar . Era de esperar que já tivessem aprendido a ficar quietinhos . Rapidamente a multidão de gnomos começou a ir se embora , atravessando os campos em uma fila ordenada , com os pequeninos ombros arqueados . - Eles voltam - disse o Ron enquanto os via desaparecer em a sebe de o outro lado de o campo . - Eles adoram estar aqui ... o pai é muito mole com eles , acha lhes piada . Em esse momento , a porta de a frente bateu . - Ele já voltou ! - exclamou o George . - O pai já está em casa ! Apressaram se a entrar . Mr._Weasley tinha se afundado em uma de as cadeiras de a cozinha , sem óculos e com os olhos fechados . Era um homem magro , quase calvo , mas o pouco cabelo que tinha era tão ruivo como o de os filhos . Vestia um longo manto verde cheio de pó e estava cansado de a viagem . - Que noite - murmurou , tacteando em busca de o bule , enquanto todos se sentavam a a volta de ele . - Nove assaltos , nove ! E o velho Mundungs_Fletcher tentou lançar me um feitiço quando eu estava de costas . Mr._Weasley tomou um bom gole de chá e suspirou . - Encontrou alguma coisa , pai ? - perguntou Fred ansiosamente . - Só encontrei algumas chaves encolhidas e uma chaleira que mordia - bocejou Mr._Weasley . - Havia um material bastante mauzinho , mas não era de o meu departamento . O Mortlake foi levado para ser interrogado sobre uns furões extremamente antigos , mas isso pertence a a Comissão_dos_Feitiços_Experimentais , graças_a Deus . - Por_que é_que alguém ia dar se a o trabalho de fazer encolher chaves ? - perguntou George . - Para chatear os Muggles - suspirou Mr._Weasley . - Vende se lhes uma chave que não pára de encolher , até que desaparece , de_modo_a que nunca a encontrem quando precisam ... É claro que é muito difícil condenar alguém , porque nenhum Muggle é capaz de admitir que a sua chave está a encolher , insistem em que estão sempre a perdê a . Benditos sejam , vão até onde for preciso para ignorar a magia , mesmo_que ela esteja em frente de os seus narizes ... mas vocês não acreditariam em as coisas que o nosso grupo tem levado para enfeitiçar ... - : __ como carros , por __ exemplo ? Mrs._Weasley tinha aparecido , segurando um grande atiçador que parecia uma espada . Os olhos de Mr._Weasley abriram se de repente , fitando a mulher com um ar culpado . - C-carros , Molly querida ? - Sim , Artur , carros - afirmou Mrs._Weasley , os olhos a faiscar . - Imagina um feiticeiro a comprar um carro velho e enferrujado e dizer a a mulher que a única coisa que queria fazer com ele era desmontá o para ver como ele funcionava , enquanto em a verdade estava a enfeitiçá o para o fazer voar . Mr._Weasley piscou os olhos . - Bem , querida , acho que poderás constatar que não é ilegal fazer isso , embora , er , talvez ele devesse ter contado a verdade a a mulher ... Existe uma forma de tornear a lei , já_que ela diz que ... desde_que não se tenha a * intenção * de voar em o carro , o facto de ele poder voar , não ... - Arthur_Weasley tu arranjaste essa forma de tornear a lei quando a escreveste ! - gritou Mrs._Weasley . - Para poderes continuar a remexer em todo aquele lixo de os Muggles que tens em a arrecadação ! E , para tua informação , o Harry chegou hoje_de_manhã em o carro que tu não pretendias pôr a voar ! - Harry ? - perguntou Mr._Weasley sem expressão . - Qual Harry ? Olhou em volta , viu Harry e deu um salto . - Santo_Deus , é Harry_Potter ? Muito prazer , o Ron falou nos tanto de si ... - * _ O teu filho conduziu aquele carro até a a casa de o Harry e de volta até aqui em a noite passada ! * - gritou Mrs._Weasley . - O que tens a dizer a esse respeito ? - A sério ! ? - exclamou Mr._Weasley com vivacidade . - Correu tudo bem , quero dizer ... - vacilou a o ver os olhos de Mrs._Weasley que faiscavam . - Er , fizeram mal , rapazes , muito mal , mesmo ... - Vamos deixá os a os dois - murmurou o Ron , enquanto Mrs._Weasley inchava como um sapo gigantesco . - Vamos , vou mostrar te o meu quarto . Esgueiraram se de a cozinha e desceram uma passagem estreita que dava para uma escada desnivelada que ziguezagueava a o longo de a casa . Em o terceiro andar , estava uma porta entreaberta . Harry só teve tempo de ver um par de olhos castanhos brilhantes que o olhavam fixamente , antes de a porta se fechar com um estalido . - A Ginny - disse o Ron . - Não imaginas como é estranho vês a tão tímida , ela que quase nunca se cala ... Subiram mais dois andares , até chegarem a uma porta com a tinta a descascar e uma pequena placa dizendo : « Quarto_do_Ronald » . Harry entrou . A cabeça quase tocava em o tecto inclinado . Piscou os olhos . Era como entrar dentro_de uma fornalha : quase tudo em o quarto de o Ron tinha um violento matiz alaranjado : a colcha de a cama , as paredes , até o tecto . Em seguida , apercebeu se de que o Ron tinha coberto cada centímetro de o velho papel de parede com * posters * de as mesmas sete feiticeiras e feiticeiros , todos vestidos com brilhantes mantos cor de laranja , transportando vassouras e acenando entusiasticamente . - A tua equipa de Quidditch ? - perguntou Harry . - Os Chudley_Cannons - disse Ron , apontando para a colcha cor de laranja que tinha um brasão com dois C's gigantes e uma bala de canhão a_toda_a velocidade . - Nono em a Liga . Os livros de estudo de feitiços de Ron estavam empilhados desordenadamente a um canto , junto de um monte de B. _ D. , todas elas relativas a as * _ Aventuras_de_Martin_Miggs , o Muggle louco * . A varinha mágica de o Ron estava em_cima_de um aquário cheio de ovos de rã sobre o peitoril de a janela , junto de o seu rato gordo e cinzento , Scabbers , que dormia uma soneca a o sol . Harry passou por_cima_de um baralho de cartas de jogar com vontade própria , que estava caído em o chão , e olhou para fora de a janelinha . Em o campo , não muito longe , podia ver um grupo de gnomos a esgueirarem se , um a um , de_novo para a sebe de os Weasley . Em seguida , voltou se para Ron que o observava nervoso , como_se esperasse a opinião de ele . - É um_pouco pequeno - declarou o Ron muito depressa . - Não se parece nada com o quarto que tu tinhas em casa de os Muggles . E estou mesmo debaixo de o vampiro de o sótão . Ele anda sempre a bater nos canos e a gemer ... Mas Harry , com um grande sorriso , disse lhe : - Esta é a melhor casa em que eu já estive . As orelhas de Ron ficaram cor-de-rosa . IV_Na_Flourish and Blotts_A vida em a Toca era o mais diferente que é possível de a vida em Privet_Drive . Os Dursleys gostavam de tudo limpo e arrumado , em casa de os Weasleys explodia o estranho e o inesperado . Harry teve um choque de a primeira vez que olhou para o espelho que estava sobre a lareira de a cozinha e ele gritou : - Mete para dentro a camisa , * desmazelado ! * - O vampiro de o sótão gemia e batia nos canos , sempre_que sentia as coisas demasiado calmas e as pequenas explosões em o quarto de o Fred e de o George , eram consideradas perfeitamente normais . Mas o que o Harry achou mais bizarro em a vida em casa de o Ron , não foi o espelho que falava , nem o vampiro barulhento , foi o facto de todos ali em casa parecerem gostar de ele . Mrs._Weasley preocupava se com o estado de as suas meias e tentava obrigá o a servir se quatro vezes a cada refeição . Mr._Weasley gostava que Harry se sentasse a o lado de ele a a mesa para poder bombardeá o com perguntas sobre a vida com os Muggles , pedindo que lhe explicasse como funcionavam coisas como as canalizações e o serviço de os correios . - Fascinante ! - exclamava , enquanto Harry lhe explicava a utilização de o telefone . - Engenhoso , de facto , todas_as maneiras que os Muggles encontraram para passar sem a magia . Harry teve notícias de Hogwarts em uma manhã de sol , cerca de uma semana depois de ter chegado a a Toca . Quando , ele e o Ron desceram para tomar o pequeno-almoço , encontraram Mr. e Mrs._Weasley e Ginny já sentados a a mesa . Em o momento em que viu o Harry , Ginny entornou a tigela de os cereais , que caiu a o chão com grande espalhafato . Ginny entornava facilmente coisas sempre_que o Harry estava em a sala . Mergulhou debaixo de a mesa para apanhar a tigela e emergiu com o rosto a brilhar como o sol poente . Fingindo não ter dado por nada , Harry sentou se e aceitou a torrada que Mrs._Weasley lhe ofereceu . - Cartas de a escola - disse Mr._Weasley , passando a o Harry e a o Ron envelopes idênticos de pergaminho amarelado , com a morada escrita a tinta verde . - O Dumbledore já sabe que estás aqui , Harry , não perde nada aquele homem . Vocês os dois também - acrescentou , enquanto Fred e George deambulavam em a casa , ainda em pijama . Fez se silêncio durante alguns momentos , enquanto liam as respectivas cartas . A de o Harry dizia para apanhar o Expresso_de_Hogwarts , como sempre em a Estação_de_King's_Cross , em o dia_1_de_Setembro . Havia ainda uma lista de os livros que precisaria para o próximo ano . Os alunos de o segundo ano deverão ter : * _ O_Livro_Padrão_de_Feitiços , Grau 2 , por Miranda_Goshawk . * _ Ensinamentos_de_Uma_Fada_Carpideira , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Férias com Bruxas , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Duendes , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Lobisomens , por Gilderoy_Lockhart . * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves , por Gilderoy_Lockhart * . Fred , que terminara a sua própria lista , espreitou para a de o Harry . - Também te mandam comprar os livros de o Lockhart - disse . - A professora de defesa contra as artes negras deve ser fanática . Aposto que é uma bruxa . Nessa_altura , Fred percebeu o olhar de a mãe e apressou se a comer o doce de laranja . - Esse conjunto não vai ficar barato - disse George , olhando rapidamente para os pais . - Os livros de o Lockhart são de os mais dispendiosos ... - Cá nos havemos de arranjar - declarou Mrs._Weasley , mas parecia preocupada . - Espero que pelo_menos para a Ginny possamos arranjar uma data de coisas em segunda mão . - Ah , vais entrar este ano para Hogwarts ? - perguntou lhe Harry . Ela fez um aceno , corando até a a raiz de os cabelos ruivos e meteu o cotovelo em o pires de a manteiga . Felizmente ninguém deu por nada , a não ser o Harry , porque em esse momento o irmão mais velho de Ron , o Percy , entrou . Já estava vestido , com a placa de prefeito aplicada a a sua camisola de malha . - Bom dia a todos - disse , cheio de vivacidade . - Está um dia lindo . Puxou a única cadeira livre , mas deu um salto quando ia sentar se e , debaixo de ele , saltou um espanador cinzento de penas , pelo_menos , foi o que o Harry pensou até ver que ele respirava . - Errol ! - exclamou Ron , afastando a coruja de o Percy e retirando lhe debaixo de a asa uma carta . - Até que enfim , a resposta de a Hermione . Escrevi lhe a contar que íamos tentar raptar te de casa de os Dursleys . Levou Errol para um poleiro que havia junto a a porta de as traseiras e tentou colocá a lá em cima , mas Errol caiu redonda e Ron teve de a pôr em a pia , murmurando : - Patético . - Em seguida , abriu a carta de a Hermione e leu a em voz alta . * _ Querido_Ron e Harry , se aí estiveres . Espero que tudo tenha corrido bem , que o Harry esteja O. _ K. e que não tenham feito nada ilegal para conseguir trazes o , porque isso podia criar lhe problemas também a ele . Tenho estado muito preocupada e , se o Harry estiver bem , por favor digam me qualquer coisa rapidamente , mas talvez seja melhor usarem uma nova coruja , porque acho que outra entrega pode acabar como esta . * _ Estou muito atarefada com trabalho de a escola , claro * . - Como é possível ? - perguntou Ron , horrorizado . - Estamos em férias ! - * _ E vamos para Londres em a próxima quarta-feira para comprar os meus livros novos . Porque não nos encontramos em a Diagon-al ? * _ Dêem-me notícias vossas o mais depressa possível . * _ Carinhosamente_Hermione * - Bem , parece uma boa solução , podemos ir todos comprar as vossas coisas - disse Mrs._Weasley , começando a limpar a mesa . - O que vão fazer hoje ? Harry , Ron , Fred e George tinham planeado ir a o cimo de o monte a um pequeno cercado de cavalos que os Weasleys possuíam . Estava rodeado de árvores que lhe tapavam a vista de a cidade cá em baixo , o que quer_dizer que podiam praticar Quidditch , desde_que não voassem muito alto . Não podiam usar as verdadeiras bolas de Quidditch pois seria muito difícil explicar se elas escapassem e voassem sobre a cidade . Em vez de elas , lançavam maçãs para os outros apanharem . Faziam turnos para montar a Nimbus dois_mil , que era de longe a melhor vassoura . A velha Shooting_Star_de_Ron fora muitas_vezes ultrapassada por as borboletas que passavam . Cinco minutos mais tarde estavam a marchar por o monte acima , de vassouras a o ombro . Tinham perguntado a o Percy se ele queria juntar se a eles , mas ele alegara muito trabalho . Até esse dia , Harry só tinha visto Percy a a hora de as refeições , ele ficava em silêncio em o quarto o resto de o tempo . - Gostava de saber o que ele anda a fazer - afirmou Fred , de testa franzida . - Não parece o mesmo . O resultado de os exames veio um dia antes de tu chegares : doze N_F_V e ele nem se manifestou satisfeito . - Níveis_de_Feitiçaria_Vulgares - explicou o George , vendo o olhar atarantado de Harry . - Se não temos cuidado , ainda nos calha outro Chefe_de_Turma em a família . Acho que não suportaria a vergonha . Bill era o mais velho de os irmãos Weasley . Ele e o irmão a seguir , Charlie , já tinham saído de Hogwarts . Harry não conhecia nenhum de os dois , mas sabia que o Charlie estava em a Roménia a estudar dragões e o Bill em o Egipto a trabalhar em o banco de os feiticeiros : Gringotts . - Não sei como o pai e a mãe vão arranjar dinheiro para nos pagar o material escolar este ano - disse o George , passado um bocado . - Cinco conjuntos de livros de o Lockhart ! E a Ginny precisa de mantos e de uma varinha e tudo_isso ... Harry não disse nada . Sentiu se um_pouco incomodado . Fechada em um cofre subterrâneo , em o banco de Gringotts_de_Londres , estava uma pequena fortuna que os pais lhe tinham deixado . É claro que só tinha esse dinheiro em o mundo de os feiticeiros , não se podem usar Galeões , Leões e Janotas em as lojas de os Muggles . Ele nunca fizera referência a a sua conta bancária em Gringotts a os Dursleys . Não lhe parecia que o horror que eles sentiam por tudo_o_que se relacionava com a feitiçaria se estendesse a uma enorme pilha de barras de ouro . Mrs._Weasley acordou os a todos bem cedo , em a quarta-feira seguinte . Depois de comerem umas doze sanduíches de * bacon * cada_um , enfiaram os casacos e Mrs._Weasley tirou um vaso de a prateleira de o fogão de a cozinha e espreitou lá para dentro . - Está a acabar se , Arthur - suspirou . - Temos de comprar mais hoje ... Bem , os hóspedes primeiro . Passa , Harry querido ! E ofereceu lhe o vaso de flores . Harry olhou espantado enquanto todos eles o observavam . - O q-que é_que eu devo fazer ? - gaguejou . - Ele nunca viajou com o pó de Floo - disse o Ron subitamente . - Desculpa , Harry , esqueci me . - Nunca ? - perguntou Mrs._Weasley . - Mas então como chegaste a a Diagon - _ Al em o ano passado para comprar as tuas coisas ? -- Fui por o subterrâneo . - A sério ? - disse Mr._Weasley , entusiasmado . - Havia fugitivos ? Como é_que ... - Agora não , Arthur - disse Mrs . Weasley . - O pó de Floo é muito mais rápido , querido , mas , valha me Deus , se ele nunca o usou ... - Vai correr bem , mãe - disse o Fred . - Harry observa nos primeiro . Tirou uma pitada de pó brilhante de dentro de o vaso , aproximou se de o lume e lançou o pó em as chamas . Com um rugido , o fogo ficou verde-esmeralda e elevou se a uma altura superior a a de o Fred que avançou , gritando Diagon - _ Al ! E desapareceu . - Tens de falar claramente , filho - disse Mrs._Weasley a o Harry , ao_mesmo_tempo que George metia a mão em o vaso de as flores . - E vê se sais em o fogão certo . - Em o quê ? - perguntou Harry , nervoso , enquanto o lume crepitava e fazia George desaparecer também . - Bem , há imensos fogos de feiticeiros , mas desde_que te tenhas expressado claramente ... - Ele vai conseguir , Molly , não te preocupes - disse Mr._Weasley , tirando também ele algum pó . - Mas querido se ele se perde como é_que vamos justificar nos perante o tio e a tia de ele ... -- Eles não se importariam - tranquilizou a Harry . - O Dudley ia achar imensa piada se eu me perdesse em uma chaminé , não se preocupe . - Bem , em esse caso ... tu vais a seguir a o Arthur - disse Mrs._Weasley . - Logo_que entres em o fogo diz para_onde queres ir . - E mantém os cotovelos dobrados - preveniu o Ron . - E os olhos fechados - disse Mrs._Weasley . - A fuligem . - Não te enerves - disse o Ron . - Senão podes ir parar a a lareira errada . - Não entres em pânico e não queiras sair cedo de mais . Espera até veres o Fred e o George . Fazendo um enorme esforço por reter toda aquela informação , Harry tirou uma pitada de pó de Floo e avançou para a beirinha de o fogo . Respirou fundo , espalhou o pó em as chamas e entrou . O fogo parecia uma brisa quente . Abriu a boca e engoliu , de imediato , uma grande quantidade de cinzas quentes . D-dia-gon-al - tossiu . Sentiu se como_se estivesse a ser sugado para um buraco gigantesco . Como_se girasse muito depressa ... o ruído era ensurdecedor . Tentou manter os olhos abertos mas o turbilhão de chamas verdes fê lo enjoar ... algo duro bateu lhe em o cotovelo e dobrou o de imediato . Continuava a rodar , a rodar ... sentia se agora como_se várias mãos frias estivessem a bater lhe em a cara ... Espreitando através de os óculos , viu uma torrente imprecisa de fogões e captou lampejos de as salas que estavam por detrás ... as sanduíches de * bacon * davam lhe a volta dentro de o estômago ... fechou os olhos desejando que tudo aquilo parasse e então caiu , de cara em o chão , em a pedra fria e sentiu os óculos partirem se a os bocados . Desorientado e ferido , coberto de fuligem , pôs se cautelosamente de pé , levando a os olhos os óculos partidos . Estava completamente só e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava . Tudo_o_que podia dizer era que a o seu lado via uma lareira que lhe parecia ser a de uma enorme e indistinta loja de feitiçaria . Mas nenhum de os artigos que ali se encontravam tinham aspecto de fazer parte de a lista de a escola de Hogwarts . Em uma caixa de vidro podia ver se uma mão atrofiada que repousava sobre uma almofada , um baralho de cartas ensanguentado e um olho de vidro que o olhava fixamente . Máscaras de expressão maldosa enchiam as paredes , olhando de esguelha , uma enorme quantidade de ossos humanos estendia se sobre o balcão e , de o tecto , pendiam instrumentos aguçados com pontas de ferro e pregos enferrujados . Mas o pior é_que a rua estreita e escura , que Harry conseguia avistar através de a janela poeirenta de a loja , não era de modo algum a Diagon-al . Quanto_mais depressa saísse de ali , melhor . O nariz ainda a doer lhe em o sítio onde batera em o chão a o aterrar , Harry avançou rápida e silenciosamente em direcção a a porta , mas antes de conseguir chegar a meio caminho , duas pessoas apareceram de o lado de_fora de o vidro , e uma de elas era a última pessoa que Harry desejaria encontrar em o momento em que se encontrava perdido , coberto de fuligem e com os óculos partidos , Draco_Malfoy . Harry olhou rapidamente em volta e apercebeu se de a existência de um grande armário escuro a a sua esquerda , saltou lá para dentro e fechou as portas , deixando uma gretazinha para poder espreitar . Segundos depois , uma campainha tocava e Malfoy entrava em a loja . O homem que o acompanhava só podia ser o pai . Tinha o mesmo rosto pálido de feições agudas e os mesmos olhos cinzentos de gelo . Mr._Malfoy atravessou a loja , olhando maquinalmente para os artigos expostos e tocou a campainha de o balcão , antes de se voltar para o filho , dizendo : - Não mexas em nada , Draco . Malfoy , que vira o olho de vidro , disse : - Pensei que ias oferecer me um presente . - Eu prometi que ia comprar te uma vassoura de corrida - declarou o pai , tamborilando com os dedos sobre o balcão . - Para que é_que me serve , se não estou em a equipa de Quidditch ? - perguntou Malfoy , carrancudo e de mau humor . - O Harry_Potter teve uma Nimbus dois_mil o ano passado , com a autorização especial de o Dumbledor é para jogar em os Gryffindor . Ele nem é assim tão bom , é só por ser * famoso * ... famoso por ter uma estúpida cicatriz em a testa . Malfoy baixou se para observar uma prateleira cheia de crânios . - Todos acham que ele é tão esperto , o Potter maravilha , com a sua cicatriz e a sua vassoura ... - Já me disseste isso doze vezes pelo_menos - comentou Mr._Malfoy , olhando repressivamente para o filho . - E devo lembrar te que não é prudente parecer menos do_que amigo de Harry_Potter , quando a maior parte de a nossa gente vê em ele um herói que fez desaparecer o Senhor_do_Mal . Ah , Mr._Borgin . Um homem curvado surgiu por detrás de o balcão , puxando o cabelo gorduroso para trás . - Mr._Malfoy , que prazer vês o de_novo - disse Mr._Borgin , em uma voz tão untuosa como o cabelo . - Encantado , e o nosso jovem Malfoy também , encantado . Em que posso servi os ? Tenho que vos mostrar o que chegou hoje , a um preço muito razoável ... - Hoje não venho comprar , Mr._Borgin , e sim vender - afirmou Mr._Malfoy . - Vender ? - O sorriso apagou se lentamente em o rosto de Mr._Borgin . - Certamente ouviu dizer que o Ministério está a levar a cabo mais buscas - explicou o Mr._Malfoy , retirando de o bolso um rolo de pergaminho e desembrulhando o para Mr._Borgin o ler . - Eu tenho alguns , ah , artigos em casa que poderiam criar me problemas se o Ministério me batesse a porta . Mr._Borgin colocou em o nariz um par de * pince-nez * e olhou para a lista . - O Ministério não se lembraria de o incomodar certamente ... O lábio de Mr._Malfoy dobrou se . - Ainda não me fizeram nenhuma visita . O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito , mas o Ministério está a ficar cada_vez_mais intrometido . Há boatos sobre um novo decreto de protecção de os Muggles , sem dúvida que aquele mordido de as pulgas , adorador de os Muggles , que é o Arthur_Weasley deve estar por detrás de isso . Harry sentiu crescer a raiva . - E , como pode ver , alguns de estes venenos podiam dar a ideia ... - Compreendo perfeitamente , claro - disse Mr._Borgin . - Deixe me ver ... - Posso ter aquilo ? - interrompeu Draco , apontando para a mão raquítica que estava sobre a almofada . - Ah , a mão de a glória ! - exclamou Mr._Borgin , abandonando a lista de Mr._Malfoy e apressando se a responder a Draco . - Põe se lhe uma vela e ela só dá luz a quem a transporta ! A melhor amiga de os gatunos e de os salteadores , o seu filho tem gosto , senhor . - Espero que o meu filho venha a ser mais do_que gatuno ou salteador , Borgin - disse Mr._Malfoy friamente e Mr._Borgin respondeu logo : - Sem ofensa , senhor , sem querer ofender . - Embora , se as notas de a escola não melhorarem - disse Mr._Malfoy ainda mais friamente - esse possa vir a ser o único caminho possível para ele . - Não tenho culpa - retorquiu Draco . - Todos os professores têm os seus preferidos , aquela Hermione_Granger ... - Eu , em o teu lugar , teria vergonha que uma rapariga que nem_sequer pertence a famílias de feiticeiros , me passasse a a frente em todos os exames - interrompeu Mr._Malfoy . Ah - fez Harry baixinho , radiante por ver Draco atrapalhado e furioso . - É o mesmo em todo o lado - comentou Mr._Borgin em a sua voz untuosa . - O sangue de os feiticeiros conta cada_vez menos ... - Não para mim - afirmou Mr._Malfoy , com as longas narinas dilatadas . - Não senhor , nem para mim - concordou Mr._Borgin , inclinando se em uma vénia . - Em esse caso , talvez possamos voltar a a minha lista - disse Mr._Malfoy secamente . - Estou com alguma pressa , Borgin , tenho ainda hoje assuntos importantes a tratar em outro lado . Começaram a discutir os preços . Harry via nervosamente o Draco aproximar se de o seu esconderijo enquanto observava os objectos a a venda . Parou para examinar um enorme rolo de corda de carrasco e para ver , com um sorriso afectado , o cartão preso com um aparatoso laço de opalas onde podia ler se : * _ Cautela , não tocar . Amaldiçoado - reclama as vidas de dezanove donos , todos eles Muggles * . Draco voltou se e viu o armário mesmo em frente . Avançou , estendeu a mão para o puxador ... - Feito - disse Mr._Malfoy , a o balcão . - Vamos , Draco . Harry limpou a testa a a manga quando Draco se afastou . - Muito bom dia , Mr._Borgin . Espero por si amanhã em a mansão para ir buscar a mercadoria . Em o momento em que a porta se fechou , Mr._Borgin abandonou os seus modos subservientes . « Bom dia para o senhor , Mr._Malfoy , e , se as histórias que contam são verdadeiras , não me vendeu nem metade do_que tem escondido em a sua mansão ... » Murmurando de forma taciturna , Mr._Borgin desapareceu em uma sala escura . Harry esperou um minuto não fosse ele voltar e , em seguida , o mais silenciosamente possível , escapou se de o armário , passou por as caixas de vidro e saiu de a loja . Encostando os óculos partidos a o rosto , olhou em volta . Saíra em uma rua estreita e sombria que parecia composta exclusivamente de lojas dedicadas a as artes negras . Aquela de onde acabava de sair parecia ser a maior , mas em frente estava uma montra tétrica de cabeças encolhidas e duas portas abaixo podia ver se uma enorme caixa viva cheia de gigantescas aranhas pretas . Dois feiticeiros com aspecto pobre observavam o de a sombra de uma porta , murmurando entre si . Sentindo se nervoso , Harry pôs se a caminho , tentando agarrar os óculos a direito e não desistindo de a esperança de encontrar maneira de sair de ali . Por um cartaz de madeira , pendurado em a rua , indicando uma loja de venda de velas envenenadas , ficou a saber que se encontrava em a Rua * _ Bativolta * , mas isso não o ajudou pois Harry nunca ouvira falar em tal lugar . Calculou que não tinha pronunciado bem as palavras com a boca cheia de cinzas em a lareira de os Weasley . Tentando manter a calma perguntou a si mesmo o que havia de fazer . - Não estás perdido , pois não , meu menino ? - perguntou uma voz , mesmo junto de o seu ouvido , que o fez dar um salto . Uma bruxa idosa estava em a sua frente , segurando um tabuleiro de uma coisa que se parecia horrivelmente com unhas humanas . A mulher olhou o maldosamente , mostrando os dentes esverdeados . Harry recuou . - Estou bem , obrigado - disse . - Estou só ... - HARRY ! O qu'é que pensas que estás a fazer aqui ? O coração de Harry deu um salto , assim_como o de a bruxa . Um monte de unhas caíram lhe sobre os pés e ela praguejou , enquanto o corpo enorme de Hagrid , o guarda de os campos de Hogwarts , se aproximava de eles a passos largos com os olhos castanhos-escuros a faiscarem sobre a longa barba eriçada . - Hagrid - gritou Harry , aliviado . - Eu estava perdido ... o pó de Floo ... Hagrid agarrou Harry por o cachaço e puxou o para longe de a bruxa , tirando lhe o tabuleiro de as mãos . Os guinchos agudos de a feiticeira seguiram nos até a o fundo de a ruela serpenteante que ia dar a um lagar onde brilhava o sol . Harry avistou a a distância um edifício de mármore branco como a neve que lhe era familiar : o banco de Gringotts . Hagrid conduzira o até a a Diagon - _ Al . - ` _ tás em um péssimo estado ! - disse Hagrid bruscamente , sacudindo lhe a fuligem com tanta força que Harry quase caiu em um barril de estrume de dragão que se encontrava a a porta de um boticário . - A fugir , em a Rua * _ Bativolta * , eu não conheço esse lugar finório , Harry , não quero que ninguém te veja aqui em baixo . - Já percebi - disse Harry , baixando se quando Hagrid fez menção de o escovar melhor . - Já te disse que estava perdido . E o que é_que tu fazes aqui ? - ` _ Tou a a procura d'um repelente para as lesmas comedoras de legumes - resmungou Hagrid . - ` _ tão a destruir as couves todas de a escola . Tu não estás sozinho ? - Estou em casa de os Weasley , mas separámo nos explicou Harry . - Tenho que os encontrar . Desceram juntos a rua . - Por_que é_que nunca respondeste a as minhas cartas ? - perguntou Hagrid , enquanto Harry corria para o acompanhar ( tinha de dar três passos por cada enorme passada de Hagrid ) . Harry explicou lhe tudo sobre Dobby e os Dursleys . - Malditos_Muggles - rugiu Hagrid . - S'eu tivesse sabido ... - Harry ! Harry ! Aqui ! Harry olhou para_cima e viu Hermione_Granger em o topo de a escadaria de Gringotts . Desceu para vir a o encontro de ele , o cabelo castanho de caracóis , a esvoaçar atrás de ela . - O que aconteceu a os teus óculos ? Olá_Hagrid ... Oh , é maravilhoso ver vos outra_vez . Vens a Gringotts , Harry ? - Logo_que encontre os Weasley - respondeu ele . - Não vais ter d'esperar muito - riu se Hagrid . Harry e Hermione olharam em volta . Subindo a rua , em o meio de a multidão , vinham Ron , Fred , George , Percy e Mr._Weasley . - Harry - chamou Mr._Weasley , ofegante . - Tínhamos esperança que só tivesses ido um fogão mais longe ... - passou um pano em a sua calva reluzente . - A Molly está nervosíssima , aí vem ela . - Onde é_que tu saíste ? - perguntou o Ron . - Em a Rua * _ Bativolta * - disse o Hagrid , com um ar sério . - Sensacional ! - exclamaram Fred e George ao_mesmo_tempo . - Nunca nos deram autorização para lá ir - disse o Ron com uma pontinha de inveja . - E fizeram muito bem - grunhiu Hagrid . Mrs._Weasley chegou em aquele momento a correr , a mala a balouçar em uma de as mãos e Ginny quase pendurada em a outra . - Oh Harry , oh meu querido , podias ter ido parar a qualquer lugar ... Tentando recuperar o fôlego , tirou de a mala uma grande escova de roupa e começou a retirar a fuligem que Hagrid não conseguira expulsar . Mr._Weasley pegou em os óculos de Harry , deu lhes um toque de varinha e entregou lhe os como novos . - Bem , tenho de m'ir embora - disse Hagrid cuja mão estava a ser esmagada por Mrs._Weasley ( -- Rua * _ Bativolta * ! Se não o tivesses encontrado , Hagrid ! ) . - Vemo nos em Hogwarts . - E afastou se , os ombros e a cabeça acima de a multidão que enchia completamente a rua . - Adivinham quem eu vi em o Borgin and Burkes ? - perguntou Harry_a_Ron e a Hermione enquanto subiam as escadarias de Gringotts . - Malfoy e o pai . - O Lucius_Malfoy comprou alguma coisa ? - perguntou interessado Mr._Weasley que estava atrás de eles . - Não , estava a vender . - Então está preocupado - comentou Mr._Weasley com visível satisfação . - Ah , eu adorava apanhar o Lucius_Malfoy em alguma . . - Tem cuidado , Arthur - interrompeu Mrs._Weasley enquanto o gnomo porteiro lhes dava reverentemente entrada em o banco . - Isso é um problema de família . Não queiras ter mais olhos que barriga . - Queres dizer com isso que achas que eu não chego para o Malfoy ? - perguntou Mr._Weasley , indignado , mas foi rapidamente afastado de aqueles sentimentos a o avistar os pais de Hermione que estavam de pé , nervosamente encostados a o balcão que acompanhava a grande parede de mármore , a a espera que Hermione os apresentasse . - Mas vocês são Muggles ! - disse Mr._Weasley , encantado . - Temos de tomar uma bebida . O que é isso aí ? Ah , estão a trocar dinheiro de Muggle . Molly , olha - apontou cheio de excitação para as notas de dez libras que Mr._Granger tinha em a mão . - Encontramo nos aqui - disse Ron_a_Hermione , enquanto os Weasley e Harry eram conduzidos a os seus cofres em o subterrâneo de Gringotts . Para chegar a os cofres havia que tomar umas carrinhas conduzidas por gnomos que se deslocavam ao_longo_de carris de comboio de pequenas dimensões através de os túneis subterrâneos de o banco . Harry gostou de a viagem acidentada até a o cofre de os Weasley , mas sentiu se bastante mal , pior do_que em a Rua * _ Bativolta * , quando o cobre foi aberto . Havia lá dentro um pequenino monte de Leões de prata e apenas um Galeão de ouro . Mrs._Weasley foi com a mão a a procura em os cantos antes de , com um gesto rápido , varrer tudo para dentro de o saco . Harry sentiu se ainda pior quando chegaram a o seu cofre . Tentou evitar que vissem o conteúdo enquanto empurrava apressadamente mãos cheias de moedas para dentro_de uma sacola de cabedal . Lá fora , em as escadarias de mármore , separaram se . Percy murmurou vagamente que precisava de uma nova pena de escrever . Fred e George tinham avistado um amigo de Hogwarts , Lee_Jordan . Mrs._Weasley e Ginny iam a uma loja de mantos em segunda mão , Mr._Weasley continuava a insistir em levar os Grangers a o Caldeirão_Escoante para lhes pagar uma bebida . - Encontrarmo nos todos em a Flourish and Blotts dentro_de uma hora para comprar os vossos livros de estudo - disse Mrs._Weasley , afastando se com Ginny . - E nem um passo em direcção a a Rua * _ Bativolta * - gritou a os gémeos que estavam de costas . Harry , Ron e Hermione deambularam por a rua empedrada e sinuosa . O ouro , prata e bronze que tilintavam alegremente em o saco que Harry tinha em o bolso pareciam exigir ser gastos , por isso ele comprou três enormes gelados de morango e manteiga de amendoim que eles devoraram felizes enquanto vagueavam sem destino por a rua fora , observando as montras fantásticas de as lojas . Ron olhou longamente para um conjunto completo de mantos de o Chudley_Cannon , em as montras de o « Equipamento_de_Quidditch_de_Qualidade » até Hermione o arrastar de ali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos . Em a « Jogos_de_Feitiçaria_de_Gambol and Japes » encontraram o Fred , o George e o Lee_Jordan que estavam presos em a fabulosa partida debaixo_de chuva e em os fogos-de-artifício de o Dr._Filibuster . E em uma pequenina loja de velharias cheia de varinhas partidas , balanças instáveis de latão e mantos velhos cobertos de nódoas de poções encontraram Percy profundamente concentrado em um pequenino livro , bastante chato , chamado * _ Prefeitos que conquistam o poder * . - * _ Um estudo sobre os prefeitos de Hogwarts e as suas posteriores carreiras * - leu alto o Ron em a contracapa . - Deve ser fascinante ... - Desaparece - gritou Percy . - Claro , ele é muito ambicioso , já tem tudo planeado . Quer ser ministro de a magia - disse o Ron baixinho a o Harry e a a Hermione , enquanto deixavam Percy entregue a o livro . Uma hora mais tarde dirigiram se a a Flourish and Blotts . Não eram de modo algum os únicos a encaminhar se para a livraria . À_medida_que se aproximavam viram com grande surpresa uma grande multidão a a porta , tentando entrar em a loja . O motivo de tal confusão estava anunciado em um cartaz que se estendia a o longo de a montra superior . GILDEROY_LOCKHART_Assinará exemplares de a sua autobiografia " eu , o mágico " Hoje 12.30 - 16.30 - Vamos poder conhecê o ! - gritou Hermione . - Quero dizer , ele escreveu quase todos os livros de a nossa lista ! A multidão parecia ser maioritariamente composta por bruxas de a idade de Mrs._Weasley . Um feiticeiro bem-parecido estava de pé junto de a porta , dizendo : - Calma , minhas senhoras , não empurrem , cuidado com os livros . Harry , Ron e Hermione conseguiram furar e entrar . Uma longa fila serpenteava para as traseiras de a loja onde Gilderoy_Lockhart estava a assinar os seus livros . Cada_um de eles pegou em um exemplar de * _ ensinamentos de Uma Fada_Carpideira * e escaparam se de a fila indo ter a o lugar onde se encontravam os outros com Mr. e Mrs._Granger . - Ah , aí estão vocês . _ óptimo - disse Mrs._Weasley que parecia estar com falta de ar e não parava de mexer em o cabelo . - Vamos poder vês o dentro_de um minuto . Gilderoy_Lockhart veio lentamente até um lugar onde era visível para todos , sentou se a uma mesa , rodeado de grandes fotografias de o próprio rosto , todo ele sorrisos , mostrando a a multidão o brilho cintilante de os seus dentes . Lockhart usava uma túnica azul-noite que condizia a as mil maravilhas com a cor de os olhos , o chapéu pontiagudo de feiticeiro colocado lateralmente sobre o cabelo ondulado . Um homenzinho pequenino e irritante andava a dançar de um lado para o outro , tirando fotografias com uma grande máquina preta que lançava baforadas de fumo arroxeado em cada * flash * . - Sai de o caminho , tu aí - disse rispidamente a o Ron , mudando de lugar para ter um angulo melhor . - Este é para o * _ Profeta_Diário * . - Grande coisa ! - exclamou o Ron , esfregando os pés em o lugar que o fotógrafo pisara . Gilderoy_Lockhart ouviu o . Olhou , viu o Ron e em seguida Harry . Voltou a olhar , desta_vez com mais atenção . Em seguida , pôs se de pé e gritou : - Não pode ser , o Harry_Potter ? A multidão dividiu se entre murmúrios de excitação . Lockhart aproximou se , agarrou Harry por um braço e levou o para a frente . A multidão rebentou em aplausos . A cara de Harry ardia quando Lockhart lhe apertou a mão para o fotógrafo que disparava como um louco , lançando fumo espesso para_cima de os Weasley . - Belo sorriso , Harry - disse Lockhart através de os seus dentes brilhantes . - Tu e eu juntos merecemos a primeira página . Quando por fim lhe largou a mão , Harry quase não sentia os dedos . Tentou recuar para junto de os Weasley , mas Lockhart lançou lhe um braço por os ombros e prendeu o a o seu lado . - Minhas senhoras e meus senhores - disse bem alto , fazendo sinal para que se acalmassem . - Que momento extraordinário este ! O momento perfeito para eu anunciar algo que tenho vindo a guardar comigo desde_há algum tempo . - Quando o jovem Harry entrou em a Flourish and Blotts hoje , ele queria apenas comprar a minha autobiografia , que tenho agora o maior prazer em oferecer lhe - a multidão aplaudiu de_novo . - Ele não tinha ideia - continuou Lockhart , dando a o Harry um pequeno encontrão que fez com que os óculos lhe escorregassem para a ponta de o nariz - de que ia conseguir em_breve muito mais do_que o meu livro Eu , o mágico . Ele e os seus colegas de a escola vão receber , de facto , o verdadeiro * _ Eu , o mágico * . Sim , minhas senhoras e meus senhores , tenho o maior prazer em anunciar que em o mês_de_Setembro assumirei o lugar de professor de Defesa contra as artes negras em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts ! A multidão aplaudiu e bateu palmas e Harry deu consigo a ser presenteado com a obra completa de Gilderoy_Lockhart . Cambaleando ligeiramente sob o peso de os livros conseguiu abrir caminho para longe de os projectores até a a porta de a sala onde estava Ginny com o seu novo caldeirão . - Podes ficar com estes - murmurou Harry , enfiando os livros em o caldeirão . - Eu vou comprar os meus . - Aposto que adoraste aquilo , não adoraste , Potter ? - disse uma voz que Harry não teve qualquer dificuldade em reconhecer . Endireitou se e deu consigo frente_a_frente com Draco_Malfoy que exibia o seu habitual sorriso escarninho . - O famoso Harry_Potter - disse Malfoy . - Nem_sequer pode entrar em uma livraria sem se tornar primeira página . - Deixa o em paz , ele não queria nada de isso - defendeu a Ginny . Era a primeira vez que falava em frente de Harry . Olhava para Malfoy com um ar feroz . - Potter , arranjaste uma namorada ! - disse arrastadamente Malfoy . Ginny ficou vermelha como um pimentão enquanto Ron e Hermione tentavam abrir caminho , ambos carregando montes de livros de Lockhart . -- Ah és tu ? - disse Ron , olhando para Malfoy como_se ele fosse algo desagradável colado a a sola de o sapato . - Aposto que te surpreendeu ver o Harry aqui ? - Não tanto como a ti em uma loja , Weasley - retorquiu Malfoy . - Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo . Ron ficou tão vermelho quanto Ginny . Deixou também cair os livros em o caldeirão e avançou para Malfoy , mas Harry e Hermione agarraram o por as costas de o casaco . - Ron - disse Mrs._Weasley , aproximando se com Fred e George . - O que estás a fazer ? Isto está uma loucura aqui dentro , vamos lá para fora . - Olha quem ele é , Arthur_Weasley . - Era_Mr._Malfoy . Estava de pé com a mão sobre o ombro de Draco , com o mesmo sorriso escarninho . -- Lucius - disse Mr._Weasley , acenando friamente . -- Muito trabalho em o ministério , segundo me consta - disse Mr._Malfoy . - Todas essas buscas ... espero que te estejam a pagar horas extraordinárias . Meteu a mão em o caldeirão de a Ginny e tirou de o meio de os livros de Lockhart um exemplar muito velho e muito gasto de o * _ Guia_de_Transfiguração_para_Principiantes * . - Parece que não - disse . - Que diabo , qual a vantagem de ser uma nódoa entre os feiticeiros se nem_sequer te pagam bem por isso ? Mr._Weasley corou mais ainda do_que Ron ou Ginny . - Nós temos uma opinião diferente sobre quem são as nódoas entre os feiticeiros - disse . - É claro que ... - disse Mr._Malfoy , os olhos mortiços passando para Mr. e Mrs._Granger apreensivamente . - As companhias com quem tu andas ... e eu que pensava que já não conseguias descer mais baixo ... Ouviu se um tilintar de metal quando o caldeirão de a Ginny foi por os ares . Mr._Weasley lançara se sobre Mr._Malfoy atirando o para dentro_de uma estante . Dezenas_de livros de feitiços saltaram lá de cima , caindo lhes sobre as cabeças . Houve um grito de - Chega lhe , pai ! - de o Fred e de o George . Mrs._Weasley soltava gritos agudos : - Não_Arthur , não . A multidão recuava deitando mais prateleiras a o chão . - Meus senhores , por favor - gritava o encarregado , e então , mais alto do_que todos : - Parem com isso , gente , parem com isso . Hagrid aproximava se através_de um mar de livros . Em um segundo afastou Mr._Weasley e Mr._Malfoy . Mr._Weasley tinha um lábio cortado e Mr._Malfoy fora agredido em um olho por uma * _ Enciclopédia_de_Cogumelos_Venenosos * . Tinha ainda em a mão o livro velho de a Ginny sobre transfiguração . Atirou lhe o , com os olhos a brilhar de malvadez . - Toma o teu livro , garota . É o melhor que o teu pai pode oferecer te . Libertando se de Hagrid , conduziu Draco para fora e abandonaram a livraria . - Devias tê o ignorado , Arthur - disse Hagrid quase a pegar em Mr._Weasley a o colo enquanto lhe endireitava o manto . - São podres até a a raiz , todos eles . Tod'à gente sabe . Nenhum Malfoy vale a pena ser ouvido . Não prestam , ' tá-lhes em o sangue . Vá lá , vamos sair de aqui . O encarregado parecia querer impedis os , mas , olhando bem para Hagrid , pensou melhor . Subiram a rua , os Grangers a tremer de medo e Mrs._Weasley fora de si . - Um belo exemplo para as crianças ... andar a a pancada em público . O que terá pensado Gilderoy_Lockhart ? - Ele gostou - disse o Fred . - Não o ouviram quando ia a sair ? Estava a perguntar a aquele tipo de o Profeta_Diário se conseguia incluir a briga em a reportagem , disse que era boa publicidade . Mas foi um grupo deprimido que regressou a a lareira de o Caldeirão_Escoante onde Harry , os Weasley e todas_as suas compras iriam viajar de volta até a a Toca , usando o pó de Floo . Despediram se de os Grangers que iam sair de o * pub * por a rua de os Muggles , de o outro lado . Mr._Weasley começou a perguntar lhes como funcionavam as paragens de autocarros , mas calou se rapidamente a o ver a expressão de Mrs._Weasley . Harry tirou os óculos e guardou os cautelosamente em o bolso antes de utilizar o pó de Floo . Definitivamente não era a sua forma ideal de viajar . V_O salgueiro zurzidor O fim de as férias de Verão chegou demasiado depressa para o gosto de Harry . Ele desejara muito regressar a Hogwarts , mas aquele mês em a Toca tinha sido o mais feliz de toda_a sua vida . Era difícil não invejar o Ron quando pensava em os Dursleys e em as boas-vindas que ia receber de a próxima vez que pusesse os pés em Privet_Drive . Em a última noite , Mrs._Weasley preparou um jantar magnífico , que incluía os pratos favoritos de Harry e terminava com um pudim de melaço de fazer crescer água em a boca . Fred e George alegraram a noite com uma exibição de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que saltaram de o tecto para as paredes , durante pelo_menos meia_hora . Depois , foi a altura de tomarem uma caneca de chocolate quente e irem para a cama . Em a manhã seguinte , demoraram muito_tempo a preparar se . Levantaram se com o cantar de o galo , mas parecia lhes que ainda tinham muito para fazer . Mrs._Weasley andava de um lado para o outro , mal-humorada , a a procura de meias e penas , chocavam uns com os outros em as escadas , meio vestidos , meio despidos , com pedaços de torrada em as mãos e Mr._Weasley quase partiu o nariz quando tropeçou em uma galinha a o atravessar o pátio , para meter em o carro a mala de Ginny . Harry não percebia lá muito bem_como é_que oito pessoas , seis grandes malas , duas corujas e um rato , iam caber em um pequeno * _ Ford_Anglia * , isso , claro , antes de as artes mágicas que Mr._Weasley acrescentara . - Nem uma palavra a a Molly - murmurou ele a o Harry , enquanto abria a bagageira e lhe mostrava como ela se expandira para que as malas coubessem facilmente . Quando , por fim , se acomodaram todos em o carro , Mrs._Weasley olhou para o banco de trás , onde Harry , Ron , Fred , George e Percy estavam confortavelmente sentados uns a o lado de os outros e disse : - Os Muggles têm mais conhecimentos do_que aqueles que nós lhes atribuímos , não achas ? - Ela e a Ginny entraram para o lugar de a frente , que fora esticado e parecia um banco de jardim . - Quer_dizer , de_fora ninguém diria que este carro era espaçoso , não acham ? Mr._Weasley pôs o motor a funcionar e saíram de o pátio , Harry voltando se para trás para ver por a última vez a casa . Mal teve tempo de se questionar se iria voltar alguma vez e já estavam de volta : George esquecera se de a caixa de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Cinco minutos mais tarde tiveram de interromper de_novo a viagem e voltar a o pátio para o Fred ir a correr buscar a vassoura . Estavam quase a chegar a a auto-estrada , quando Ginny guinchou que se esquecera de o diário . Mas estava a fazer se muito tarde e os ânimos começavam a exaltar se . Mr._Weasley olhou para o relógio e , em seguida , para a mulher . - Molly , querida ... - Não , Arthur . - Ninguém ia ver . Este botãozinho é um transformador de invisibilidade que eu instalei , levava nos por o ar , subíamos acima de as nuvens . Estaríamos lá em dez minutos e ninguém daria por nada ... - Eu disse que não , Arthur . Durante o dia , não . Chegaram a King's_Cross , faltava um quarto para as onze . Mr._Weasley precipitou se em busca de um carrinho de transporte para as malas e correram todos para a estação . Harry apanhara o Expresso_de_Hogwarts em o ano anterior . A parte mais difícil era entrar em a plataforma nove_e_três quartos , que não era visível a os olhos de os Muggles . Era preciso avançar para a barreira sólida que dividia as plataformas nove e dez . Não doía nada , mas tinha de ser feito com cuidado para que nenhum de os Muggles de esse , por o desaparecimento . - O Percy em primeiro lugar - declarou Mrs._Weasley , olhando nervosamente para o relógio lá em cima , que mostrava que tinham apenas cinco minutos para desaparecer através de a barreira . Percy avançou a passos largos e desapareceu . Mr._Weasley foi a seguir e depois de ele Fred e George . - Eu levo a Ginny e vocês vêm atrás_de nós - disse Mrs._Weasley a o Harry e a o Ron , agarrando Ginny pela mão e seguindo em frente . Em um abrir e fechar de olhos , tinham passado . - Vamos passar juntos , só temos um minuto - disse Ron a o Harry . Harry assegurou se de que a gaiola de a Hedwig estava bem fixa em cima de a sua mala e empurrou o carrinho de encontro a a barreira . Estava perfeitamente confiante , aquilo era muito mais fácil do_que usar o pó de Floo . Puseram os dois as mãos em o puxador de os carrinhos e avançaram direitos a a barreira , ganhando velocidade . A um metro e pouco , começaram a correr e ... CRASH . Os dois carros bateram em a barreira e foram impelidos para trás . A mala de o Ron caiu com um enorme estrépito . Harry desequilibrou se e a gaiola de a Hedwig foi parar a o chão brilhante , enquanto ela rolava guinchando , indignada . As pessoas em volta olhavam fixamente e um guarda que estava ali perto gritou : - Que diabo pensam vocês que estão a fazer ? - Perdemos o controlo de o carro de transporte - respondeu o Harry , respirando com dificuldade , agarrando se a as costelas , enquanto se punha de pé . Ron correu a agarrar a Hedwig , que estava a fazer uma cena tal , que já se ouviam murmúrios em a multidão sobre a crueldade para com os animais . - Porque é_que não conseguimos passar ? - perguntou Harry a o Ron em um sussurro . - Não sei . Ron olhou descontroladamente em volta . Uma_dúzia de curiosos estavam ainda a observá os . - Vamos perder o comboio - murmurou o Ron . - Não compreendo porque motivo a cancela se fechou . Harry olhou para o relógio gigantesco com um sentimento de náusea em a boca de o estômago . Dez segundos , nove segundos ... Dirigiu o carrinho de transporte para a frente com toda_a força . O metal manteve se sólido . Três segundos ... dois segundos ... um segundo ... - Partiu - afirmou o Ron , que parecia estonteado . - O comboio foi se embora . E se a mãe e o pai não conseguem voltar para aqui ? Tens algum dinheiro de Muggle ? Harry deu uma gargalhada . - Os Dursleys não me dão um tostão há mais de seis anos ! Ron encostou o ouvido a a barreira . - Não se ouve nada - disse , bastante tenso . - O que vamos nós fazer ? Não sei quanto tempo o pai e a mãe vão demorar . Olharam em volta . As pessoas ainda estavam a observá os , principalmente devido a os contínuos guinchos de a Hedwig . - Acho que o melhor é sairmos de aqui e esperamos por eles junto de o carro - disse Harry . - Aqui estamos a atrair demasiado as aten ... - Harry - disse o Ron , com os olhos a brilhar . - É isso , o carro . - O que é_que tem ? - Podemos voar nele até Hogwarts ! - Mas eu pensei ... - Estamos em apuros , certo ? E temos de chegar a a escola , ou não ? E mesmo os feiticeiros menores de idade estão autorizados a usar a magia em uma emergência real , parágrafo dezanove , ou não sei quê , de a Restrição de ... O sentimento de pânico de Harry transformou se em entusiasmo . - E tu sabes voar nele ? - Não há problema - disse o Ron , andando com o carrinho a a volta e dirigindo se para a saída . - Anda de aí . Se em os apressarmos , conseguiremos sair atrás de o Expresso_de_Hogwarts . E afastaram se de o grupo de Muggles curiosos , abandonando a estação e voltando a a rua , onde o velho * _ Ford_Anglia * se encontrava estacionado . Ron abriu a bagageira com uma série de toques de varinha . Meteram lá dentro as malas , puseram a Hedwig em o assento de trás e entraram para a frente . - Verifica se ninguém está a ver - disse o Ron , ligando a ignição com outro toque de varinha . Harry pôs a cabeça fora de a janela : o trânsito enchia a avenida principal , mas a rua de eles estava vazia . - O. _ K. - disse . Ron carregou em um pequeno botão de o painel . Os carros em volta desapareceram assim_como eles . Harry sentia o assento a vibrar debaixo_de si , ouvia o motor , sentia as mãos sobre os joelhos e os óculos em o nariz , mas , tanto quanto conseguia ver , tornara se um par de olhos redondos flutuando um metro e pouco acima de o chão em uma rua suja , cheia de carros estacionados . - Vamos - disse a voz de o Ron , vinda de o seu lado direito . O chão e os prédios escuros de ambos os lados desapareceram de o seu ângulo de visão , mal o carro se elevou . Em poucos segundos toda_a cidade de Londres , enevoada e resplandecente , estava por baixo de eles . Em seguida , ouviu se um ruído que parecia o saltar de uma rolha e o carro , Harry e Ron , reapareceram . - Oh , oh - disse Ron , batendo em o intensificador de invisibilidade . - Está avariado ... Começaram os dois a bater em o botão . O carro desapareceu . Depois surgiu de forma intermitente . - Aguenta aí - gritou o Ron e carregou com o pé em o acelerador . Saltaram direitinhos para o meio de as nuvens mais baixas e tudo ficou sujo e enevoado . - E agora ? - exclamou Harry , piscando os olhos a a sólida massa de nuvens que os comprimia de todos os lados . - Precisamos de avistar o comboio para sabermos qual a direcção a tomar - explicou o Ron . - Desce rapidamente ... Desceram por o meio de as nuvens e voltaram se em os lugares , espreitando . - Estou a vê o - gritou Harry . - Mesmo em frente , ali . O Expresso_de_Hogwarts deslocava se a grande velocidade lá em baixo , como uma serpente vermelha . - Para Norte - disse o Ron , verificando a bússola de o painel . - O. _ k . , basta que verifiquemos de meia em meia_hora . Aguenta aí ... - e arrancaram por o meio de as nuvens . Em o minuto seguinte , tinham chegado a a luz brilhante de o Sol . Era um mundo diferente . Os pneus de o carro deslizavam sobre o mar de nuvens macias , o céu era de um azul infinito sob a luz , capaz de cegar , que irradiava de o Sol . - Agora só temos de nos preocupar com os aviões - disse o Ron . Olharam um para o outro e desataram a rir . Durante muito_tempo não conseguiram parar . Era como_se tivessem mergulhado em um sonho fabuloso . Aquela , pensou Harry , era certamente a única maneira de viajar : passando por turbilhões e torres de nuvens cor de neve , em um carro cheio de calor , o sol radioso , com um grande pacote de rebuçados em o porta-luvas e antegozando o ar de inveja de o Fred e de o George quando aterrassem suavemente e de forma espectacular em o relvado macio em frente de o castelo de Hogwarts . Espreitaram várias vezes o comboio enquanto voavam cada_vez_mais para norte . Cada descida entre as nuvens dava lhes uma perspectiva diferente . Londres depressa ficou para trás , substituída por campos verdejantes que , por sua vez , deram lugar a grandes pântanos arroxeados , aldeias com pequenas igrejas de brinquedo e uma grande cidade , cheia de vida , com carros que pareciam formigas multicores . Várias horas mais tarde sem acontecer nada de_novo , Harry teve de admitir que uma parte de o entusiasmo se esgotara . Os rebuçados tinham nos deixado cheios de sede e não havia nada para beber . Ele e o Ron tinham tirado as camisolas , mas a * _ T-shirt * de o Harry estava colada a as costas de o assento e os óculos não paravam de lhe escorregar para a ponta de o nariz . Deixara de reparar em as fabulosas formas de as nuvens e pensava com saudade em o comboio , milhas abaixo de eles , onde se podia comprar sumo fresquinho de abóboras em um carro empurrado por uma bruxa gordinha . Porque não teriam conseguido entrar em a plataforma nove_e_três quartos ? - Não pode ser muito mais longe , pois não ? - resmungou o Ron , horas mais tarde quando o Sol começava a enfiar se em o seu chão de nuvens , pintando as de um rosa profundo . - Estás pronto para outra espreitadela a o comboio ? Ainda ia mesmo por baixo de eles , abrindo caminho por_entre uma montanha com o topo coberto de neve . Estava muito mais escuro entre o dossel de nuvens . Ron pôs o pé em o acelerador e levou os de_novo para_cima , mas em esse momento o motor começou a chiar . Harry e Ron trocaram entre si olhares nervosos . - Deve estar só cansado - disse o Ron . - Nunca tinha vindo tão longe ... - E fingiram ambos que não davam por o gemido que se ia tornando maior à_medida_que o céu serenamente escurecia . As estrelas desabrochavam em a escuridão , Harry voltou a enfiar a camisola de lã , tentando ignorar os limpa pára-brisas que acenavam debilmente como_que a protestar . - Não devemos estar longe - disse Ron , dirigindo se mais a o carro do_que a o amigo . - Já não devemos estar longe - deu umas palmadinhas nervosas em o * tablier * . Pouco depois , quando voltaram a voar em o meio de as nuvens , tiveram de olhar de lado em a escuridão , em busca de um ponto de referência que conhecessem . - Ali - gritou Harry , fazendo o Ron e a Hedwig darem um salto . - Mesmo em frente . Recortados em o horizonte negro , sobre o rochedo de o outro lado de o lago , erguiam se as torres e torreões de o castelo de Hogwarts . Mas o carro tinha começado a estremecer e perdia a os poucos velocidade . - Vá lá - disse o Ron , dando a o volante um pequeno abanão bajulador . - Estamos quase a chegar , vá lá ... O motor gemeu . Pequenos jactos de vapor de água brotaram de o capo . Harry deu consigo agarrado com toda_a força a os bordos de o assento enquanto voavam direitos a o lago . O carro deu um solavanco feio . Espreitando por a janela , Harry viu a superfície negra , macia e espelhada de a água cerca de uma milha abaixo de eles . Os dedos de o Ron agarrados a o volante tinham as articulações brancas . O carro deu um novo esticão . - Vá lá - murmurou o Ron . Estavam sobre o lago ... o castelo ficava mesmo em frente . Ron fez força com o pé . Houve um ruído surdo , uma crepitação e o motor morreu por completo . - Oh ! oh ! - gemeu Ron em o silêncio . O nariz de o carro voltou se para baixo . Estavam a cair , ganhando velocidade em direcção a os muros sólidos de o castelo . - Naaaaão ! - gritou o Ron , girando o volante . Escaparam a a muralha de pedra negra por centímetros , quando o carro fez um grande arco , planando primeiro sobre as estufas , depois sobre o rectângulo plantado com vegetais e , por fim , sobre os relvados , perdendo sempre velocidade . Ron largou o volante por completo e tirou a varinha de o bolso de trás . - __ pára ! __ pára ! - gritou , batendo em o * tablier * e em o pára-brisas , mas eles continuavam a mergulhar , o chão a voar em direcção a eles . - : __ cuidado com essa __ árvore ! ! ! - bramiu Harry , deitando a mão a o volante , mas ... tarde de mais ... CRUNCH . Com um ruído ensurdecedor de metal e madeira , bateram em o tronco espesso de a árvore e caíram em o chão com um forte solavanco . O vapor era um mar debaixo de o capo amachucado . A Hedwig tremia apavorada . Em a cabeça de Harry surgira um alto de o tamanho de uma bola de golfe , quando ele batera em o pára-brisas , tombando em seguida para a direita . Ron soltou um gemido longo e desesperado . - Estás O. _ K ? - perguntou Harry , aflito . - A minha varinha - disse o Ron em uma voz trémula . - Olha para a minha varinha . Tinha se partido praticamente em duas , a ponta balouçava mole , presa por meia_dúzia de esquírolas . Harry abriu a boca para dizer que em a escola com certeza conseguiriam consertá a , mas nem chegou a começar a frase . Em esse preciso momento , algo bateu em o seu lado de o carro , com a força de um touro , projectando o para_cima de o Ron , ao_mesmo_tempo que um golpe igualmente forte se sentiu em o capô . - O que está a acontec ... Ron arfou , olhando fixamente por o pára-brisas e Harry olhou em volta , mesmo a_tempo_de ver uma ramada espessa como uma píton vir contra o vidro . A árvore em que tinham batido estava a atacá os . O tronco dobrara se quase a meio e os seus galhos rugosos davam uma tareia a cada centímetro de o carro que conseguiam atingir . - Ah ! - praguejou o Ron , quando outra pernada retorcida esmurrou a sua porta , amolgando a . O pára-brisas tremia agora sob uma saraivada de golpes vindos de galhos que pareciam patas de animais e uma ramada espessa como um aríete esmagava furiosamente o capo , que parecia estar a ceder ... - Corre ! - gritou o Ron , lançando o seu peso contra a porta , mas , em o momento seguinte , tinha sido atirado para trás , para o colo de Harry por um soco maldoso , dado de baixo para_cima , por outro ramo . - Estamos feitos ! - resmungou , enquanto o tecto descaía . Mas , de repente , o chão de o carro estava a vibrar , o motor pegara . - Marcha atrás - gritou o Harry e o carro deu um salto para trás . A árvore tentava ainda agredis os , ouviam as raízes chiar , enquanto quase se partiam esticando se para os alcançar . - Escapámos por_pouco ! - exclamou o Ron . - Muito bem , carro . Mas o carro tinha atingido o limite de as suas forças . Com dois estalidos , as portas abriram se e Harry sentiu o seu assento inclinar se para o lado . Quando deu por si , estava estatelado em o chão húmido . Ruídos surdos avisaram o de que o carro estava a ejectar as malas de a bagageira . A gaiola de a Hedwig voou por os ares e abriu se . Ela saiu a voar com um pio furioso e dirigiu se a o castelo , sem sequer olhar para trás . Em seguida , o carro , amolgado , arranhado e a fumegar , arrancou em o escuro , com os faróis traseiros ardendo de fúria . - Volta aqui ! - gritou o Ron , brandindo a varinha partida . - O meu pai mata me . Mas o carro desapareceu a perder de vista , com um último estoiro de o tubo de escape . - Já viste bem o nosso azar ! ? - exclamou o Ron em o meio de a sua infelicidade , baixando se para apanhar o rato Scabbers . - De todas_as árvores em que podíamos ter batido , tínhamos de ir dar a uma que bate também . Olhou por cima de o ombro para a velha árvore que ainda agitava os ramos ameaçadoramente . - Vamos - disse Harry , fatigado . - É melhor irmos andando para a escola ... Não foi , de modo algum , a chegada triunfal que tinham imaginado . Constrangidos , cheios de frio e magoados , pegaram em as malas e começaram a arrastá as por o relvado acima , em direcção a as grandes portadas de carvalho . - Acho que o banquete já começou - disse o Ron , largando a mala em os degraus de a entrada e atravessando devagarinho para espreitar por uma janela iluminada . - Harry , anda ver , é a distribuição . Harry apressou se e os dois , ele e o Ron , espreitaram para o Salão_Nobre . Um número infindável de velas pairava em o ar , sobre quatro mesas enormes cheias de gente , fazendo brilhar os pratos dourados e as taças . Em cima , o tecto encantado que espelhava o céu lá de_fora , brilhava cheio de estrelas . Por_entre a floresta de chapéus pretos pontiagudos de Hogwarts , Harry viu uma longa fila de alunos de o primeiro ano com olhares assustados que enchia o vestíbulo . Ginny estava entre eles , facilmente reconhecível devido a o seu chamativo cabelo Weasley . Enquanto isso , a professora Mc_Gonagall , uma bruxa de óculos com cabelo castanho apanhado em um carrapito , colocava o famoso chapéu seleccionador em um banco que se encontrava em frente de os novos alunos . Todos os anos , aquele velho chapéu , remendado , puído e cheio de pó , seleccionava alunos para as quatro equipas de Hogwarts ( Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin ) . Harry lembrava se bem de o ter colocado em a cabeça , precisamente um ano antes , e ter esperado petrificado por a sua decisão , enquanto ele lhe murmurava a o ouvido . Durante alguns horríveis segundos receara que o chapéu o mandasse para os Slytherin , a equipa que produzia maior número de feiticeiros e feiticeiras de magia negra , mas acabara por ficar em os Gryffindor , juntamente com Ron e Hermione e o resto de os Weasley . Em o último período , Harry e Ron tinham ajudado os Gryffindor a vencer o campeonato de a equipa , batendo os Slytherin pela_primeira_vez em sete anos . Um rapazito baixinho com cabelo de rato acabava de ser chamado para pôr o chapéu em a cabeça . Os olhos de Harry saltavam de ele para o lugar onde o professor Dumbledore , o director , estava sentado , observando a selecção de a mesa de os professores , com a sua longa barba cor de prata e óculos de meia-lua que brilhavam a a luz de as velas . Alguns lugares a a frente , Harry viu Gilderoy_Lockhart com um manto verde-azulado . E lá bem a o fundo estava Hagrid , enorme e cabeludo , bebendo satisfeito de a sua taça . - Espera aí - murmurou a o Ron . - Há um lugar vazio em a mesa de os professores . Onde estará o Snape ? Severus_Snape era o professor de quem Harry menos gostava . Harry era também o seu aluno menos querido . Cruel , sarcástico e detestado por todos com excepção de os alunos de a sua própria equipa ( Slytherin ) , Snape tinha a seu cargo a cadeira de Poções . - Talvez esteja doente - sugeriu Ron , cheio de esperança . - Talvez se tenha ido embora - lembrou Harry . - Por não lhe terem dado outra_vez a Defesa contra as artes negras . - Ou talvez tenha sido corrido - propôs Ron com entusiasmo . - Afinal , toda_a_gente o detesta ... - Ou talvez - disse uma voz gelada atrás de eles - esteja a a espera que vocês lhe expliquem por_que motivo não vieram em o comboio de a escola . Harry deu uma volta . Em a sua frente , com o manto negro a ondular em uma brisa fria , estava Severus_Snape . O professor era um homem magro , de pele descorada , nariz adunco e um cabelo preto oleoso que lhe caía sobre os ombros . E em aquele momento sorria de um modo tal que Harry sentiu que tanto ele como Ron estavam em sérios apuros . - Sigam me - disse Snape . Sem ousarem sequer olhar um para o outro , Harry e Ron seguiram Snape por as escadas até a o amplo * hall * de entrada que estava iluminado por as chamas de os archotes . De o salão nobre vinha um cheirinho delicioso a comida , mas Snape levou os para longe de a luz e de o calor , em direcção a uma escada estreita de pedra que conduzia a os calabouços . - Entrem - ordenou , abrindo uma porta a meio de o corredor e apontando . Entraram a tremer em o escritório de Snape . As paredes sombrias estavam cobertas de prateleiras cheias de jarros de vidro grosso onde flutuavam as coisas mais diversas e repugnantes , cujo nome Harry não queria de momento conhecer . A lareira estava escura e vazia . Snape fechou a porta e voltou se de frente para eles . - Com que então - disse com falsa suavidade - o comboio não serve para o famoso Harry_Potter e o seu fiel companheiro Weasley . Queriam chegar em grande estilo , não era rapazes ? - Não senhor , foi a barreira em King's_Cross , ela ... - Silêncio - disse Snape friamente . -- _ o que fizeram a o carro ? Ron engoliu em seco . Aquela não era a primeira vez que Snape dava a Harry a impressão de ser capaz de ler pensamentos . Mas , pouco depois , compreendeu tudo quando Snape desenrolou o exemplar de o Profeta_Vespertino . - Vocês foram vistos - afirmou , mostrando lhes o cabeçalho : : __ ford anglia voador confunde __ muggles . Começou a ler alto a notícia . - Dois Muggles em Londres convenceram se de que tinham visto um carro velho a voar sobre a torre de os correios ... a a tardinha em Norfolk , Mrs._Hetty_Bayliss , enquanto pendurava a roupa ... Mr._Angus_Fleet_de_Peebles informou a polícia ... seis ou sete Muggles a o todo . Julgo que o teu pai trabalha em o departamento de mau uso dado a os objectos de os Muggles ? - disse olhando para Ron e sorrindo de uma forma ainda mais sarcástica . - Que peninha , o próprio filho ... Harry sentiu se como_se tivesse levado um soco em o estômago de uma de as maiores pernadas de a árvore louca . E se alguém descobrisse que Mr._Weasley tinha enfeitiçado o carro ? Ele ainda nem tinha pensado em isso . - Reparei durante a minha volta por o jardim que foi feito um estrago considerável em um salgueiro zurzidor extremamente valioso - continuou Snape . - Essa árvore fez nos pior a nós do_que nós ... - deixou escapar Ron . - Silêncio - interrompeu Snape , de_novo . - Infelizmente vocês não fazem parte de a minha equipa e a decisão de vos expulsar não está em as minhas mãos . Vou , por isso , buscar as pessoas que possuem essa feliz possibilidade . Esperem aqui . Harry e Ron olharam , pálidos , um para o outro . Harry perdera a fome . Sentia se agora extremamente agoniado . Tentava não olhar para uma coisa viscosa , suspensa em um líquido verde que estava em uma prateleira por detrás de a secretária de Snape . Se ele fora buscar a professora Mc_Gonagall , chefe de a equipa de os Gryffindor , não estavam muito melhor . Ela era mais justa do_que Snape , mas extremamente severa . Dez minutos mais tarde , Snape voltou e era , de facto , a professora Mc_Gonagall quem o acompanhava . Harry vira a professora Mc_Gonagall zangada , mas , ou se tinha esquecido de como a boca de ela ficava fina , ou nunca a vira tão zangada como em aquele dia . Levantou a varinha em o momento em que entrou . Harry e Ron estremeceram , mas ela limitou se a apontá a para a lareira onde as chamas se elevaram subitamente . - Sentem se - ordenou , e os dois recuaram para as cadeiras junto de o lume . - Expliquem se - disse com os óculos a brilhar de uma forma ameaçadora . Ron enveredou por a história começando por a barreira de a estação que se recusara a deixá os passar . - Por isso não tínhamos escolha , professora , não podíamos chegar a o comboio . - Porque não nos mandaram uma carta por a coruja ? Julgo que tens uma coruja ? - disse friamente a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a Harry . Harry olhou para ela sem saber o que dizer . - Parece me - continuou ela - que seria a coisa mais adequada . - Eu ... não pensei ... - Isso - disse a professora Mc_Gonagall - é bastante óbvio . Ouviu se bater a a porta de o escritório e Snape , que parecia agora mais feliz do_que nunca , foi abrir . Era o director , o professor Dumbledore . Harry ficou totalmente paralisado . Dumbledore tinha uma expressão grave . Olhou para eles de cima de o seu nariz adunco e Harry desejou estar ainda com Ron a levar uma sova de o salgueiro zurzidor . Fez se um longo silêncio . Em seguida , Dumbledore disse lhes : - Por favor , expliquem porque fizeram isto . Teria sido melhor se gritasse . Harry detestou sentir a decepção em a sua voz . Inexplicavelmente era incapaz de olhar Dumbledore em os olhos e falou em direcção a os seus joelhos . Disse lhe tudo excepto que o carro enfeitiçado pertencia a Mr._Weasley , dando a ideia de que ele e o Ron o tinham encontrado estacionado fora de a estação . Sabia que Dumbledore ia ver para_além de isso , mas o director não fez perguntas sobre o carro . Quando Harry terminou continuou a olhar para ele através de os seus óculos . - Nós vamos buscar as nossas coisas - disse Ron em um tom de voz sem esperança . - Que disparate é esse ? - rosnou a professora Mc_Gonagall . -- Então , vão expulsar nos , não vão ? - disse o Ron . Harry olhou rapidamente para Dumbledore . - Ainda não , Mr._Weasley - afirmou Dumbledore . - Mas vou assinalar a gravidade do_que vocês fizeram . Hoje a a noite escreverei a as vossas famílias . Estão também prevenidos que se voltarem a fazer uma coisa como esta não terei outro remédio senão expulsar vos . A expressão de Snape era como_se o Natal tivesse sido cancelado . Pigarreou e disse : - Professor_Dumbledore , estes rapazes infringiram o decreto para a restrição de a feitiçaria de os menores , causaram estragos consideráveis a uma árvore antiga e valiosa ... sem dúvida , actos de esta natureza ... - Cabe a a professora Mc_Gonagall decidir sobre os castigos de os rapazes , Severus - afirmou Dumbledore com toda_a calma . - Pertencem a a equipa de ela e são , portanto , de a sua responsabilidade . - Voltou se para a professora Mc_Gonagall . - Tenho de regressar a o banquete , Minerva , devo dar algumas informações . Venha Severus , há uma tarte de leite e ovos com um aspecto delicioso que quero mostrar lhe . Snape lançou um olhar de puro veneno a o Harry e a o Ron enquanto permitia que o afastassem de o seu escritório , deixando os a sós com a professora Mc_Gonagall que ainda os olhava como uma águia em fúria . - É melhor ires até a a ala hospitalar , Weasley , estás a sangrar . - Não é nada - disse Ron , limpando o corte com a manga para que ela o visse . - Professora , eu gostava de ver a minha irmã ser seleccionada . - A cerimónia de a selecção terminou - disse a professora Mc_Gonagall . - A tua irmã está também em os Gryffindor . - _ óptimo - exclamou Ron . - E por falar em os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall de forma cortante , mas Harry interrompeu a : - Professora , quando tirámos o carro , o ano escolar ainda não tinha começado , por isso os Gryffindor não deveriam perder pontos , pois não ? - terminou olhando a ansiosamente . A professora Mc_Gonagall lançou lhe um olhar penetrante , mas ele era capaz de jurar que ela quase tinha sorrido . Pelo_menos a boca não parecia tão fina . - Não vou tirar pontos a os Gryffindor - tranquilizou o . E o coração de Harry ficou mais leve . - Mas vocês os dois vão ter um castigo . Foi melhor do_que Harry imaginara . O facto de Dumbledore escrever a os Dursley não tinha a menor importância . Harry sabia perfeitamente que eles só lamentariam que o salgueiro zurzidor não o tivesse esmigalhado . A professora Mc_Gonagall ergueu a varinha de_novo apontou a a a secretária de Snape . Um grande prato de sanduíches , duas taças de prata e um jarro com sumo de abóbora gelado apareceram em menos_de um segundo . - Vocês vão comer aqui e , em seguida , vão direitinhos para o vosso dormitório - disse . - Eu também tenho de voltar para a festa . Mal a porta se fechou atrás de ela , Ron soltou baixinho um assobio . - Pensei que estávamos feitos - confessou , agarrando uma sanduíche . - Também eu - disse o Harry , orando também uma . - Mas já viste bem a nossa pouca sorte ? - insistiu o Ron com a boca cheia de frango e fiambre . - O Fred e o George voaram em aquele carro cinco ou seis vezes e nenhum Muggle os viu - engoliu outro pedaço enorme de a sanduíche . - Porque será que não conseguimos passar a barreira ? Harry encolheu os ombros . - Mas temos de ter muito cuidado a_partir_de agora - disse bebendo um grande trago de sumo de abóbora . - Que pena não termos podido ir a o banquete . - Ela não quis que nos exibíssemos - afirmou Ron com prudência . - Não vão as pessoas pensar que é uma boa chegar aqui de carro voador . Quando já tinham comido todas_as sanduíches que queriam ( o prato ia voltando a encher se sozinho ) , levantaram se e saíram de o escritório , seguindo o caminho que lhes era familiar , para a torre de os Gryffindor . O castelo estava em silêncio . Parecia que o banquete tinha acabado . Passaram por retratos murmurantes e armaduras que gemiam e subiram os degraus estreitos de pedra até que , por fim , chegaram a a passagem onde a entrada secreta para a torre de os Gryffindor se encontrava oculta por detrás de o quadro a óleo de uma dama gorda em um vestido cor-de-rosa . - A senha ? - perguntou ela mal os dois se aproximaram . - Er ... Eles ainda não tinham estado com o prefeito de os Gryffindor e por isso ainda não conheciam a senha para o novo ano , mas a ajuda não se fez esperar . Ouviram passos apressados atrás de eles e quando se voltaram viram Hermione que se aproximava . - Aí estão vocês . Onde é_que se meteram ? Correm os boatos mais ridículos , alguém disse que vocês tinham sido expulsos por espatifarem um carro voador . - Bem , expulsos não fomos - tranquilizou a Harry . - Não estás a dizer me que voaram até aqui ? - perguntou Hermione em um tom quase tão severo como a professora Mc_Gonagall . - Dispensa se o sermão - interrompeu Ron impacientemente . - E diz nos a nova senha de passagem . - É crista de pássaro - disse Hermione não contendo a impaciência . - Mas o mais importante não é isso ... Contudo as palavras de ela foram interrompidas ao_mesmo_tempo que o retrato de a dama gorda se abria e se ouvia uma tempestade de aplausos . A o que parecia a equipa de os Gryffindor estava ainda acordada , dentro de a sala comum em forma de círculo , junto de as mesas assimétricas e de os cadeirões moles a a espera que eles chegassem para , de braços estendidos através de o buraco de o retrato , puxarem Harry e Ron para dentro deixando Hermione para o fim . - Sensacional - gritou Lee_Jordan . - Inspirado ! Que entrada ! Voar em um carro e aterrar em o salgueiro zurzidor . Toda_a_gente vai falar de isto durante anos e anos . - Muito bem - disse um aluno de o quinto ano com quem Harry nunca tinha falado . Alguém dava lhe palmadas em as costas como_se ele acabasse de vencer a maratona . Fred e George abriram caminho por_entre a multidão e disseram ao_mesmo_tempo : - Por_que é_que não nos chamaram , hein ? - Ron estava vermelho como um pimentão , sorrindo envergonhado , mas Harry via perfeitamente uma pessoa que não estava nada contente . Percy elevava se acima de as cabeças de os excitados alunos de o primeiro ano e parecia estar a tentar aproximar se para os repreender . Harry deu uma cotovelada a o Ron e apontou em direcção a Percy . Ron percebeu de imediato . - Temos de ir para_cima , um_pouco cansados ! - explicou e os dois começaram a abrir caminho em direcção a a porta que ficava de o outro lado de a sala e que dava para a escada em espiral e para os dormitórios . - ` _ Noite - despediu se Harry_de_Hermione que tinha um ar tão carrancudo como Percy . Conseguiram chegar a o outro lado de a sala comum sempre a levarem palmadas em as costas e alcançaram o sossego de as escadas . Apressaram se a subir e , por fim , chegaram a a porta de o dormitório que tinha agora um letreiro a dizer « Segundos_Anos » . Entraram em o quarto circular , que conheciam tão bem , com as suas cinco camas de dossel adornadas de velado vermelho e as suas janelas altas e estreitas . As malas tinham sido trazidas para_cima e colocadas a os pés de as camas . Ron fez um sorriso culpado . - Sei que não devia ter gostado de aquilo , mas ... A porta de o dormitório abriu se e os outros rapazes de os Gryffindor entraram ; eram eles o Seamus_Finnigan , o Dean_Thomas e o Neville_Loogbottom . - Inacreditável - aplaudiu Seamus . - Incrível - aprovou o Dean . - Espantoso - exclamou o Neville , aterrado . Harry não pôde evitar também um sorriso . VI_Gilderoy_Lockhart_No dia seguinte , contudo , Harry não conseguiu sorrir . As coisas começaram a correr mal logo em o salão durante o pequeno-almoço . Debaixo de o tecto encantado ( em aquele dia triste e cinzento ) estavam as quatro grandes mesas de as equipas e sobre elas , terrinas de papa de aveia , pratos de arenque defumado , montanhas de torradas e pratadas de ovos com * bacon * . Harry e Ron sentaram se em a mesa de os Gryffindor , junto de Hermione que tinha o seu exemplar de * _ Viagens com Vampiros * totalmente aberto , encostado a um jarro de leite . Havia uma certa rigidez em a maneira como ela disse : - ` _ Dia - que mostrou a Harry que continuava a desaprovar o modo como tinham chegado a a escola . Por seu turno , Neville_Longbottom saudou os entusiasticamente . Neville era um rapazinho de cara redonda , muito dado a acidentes , com a pior memória que Harry tinha conhecido . - A entrega de correio deve estar a chegar , acho que a minha avó me vai mandar umas quantas coisas de que me esqueci ... Harry tinha começado a comer as papas de aveia , quando se ouviu um ruído tumultuoso em o ar e umas cem corujas entraram ao_mesmo_tempo , sobrevoando o salão e deixando cair cartas e pacotes em o meio de a multidão faladora . Um embrulho grande e rugoso caiu em a cabeça de Neville e , um segundo depois , uma coisa larga e cinzenta caiu em o jarro de a Hermione , enchendo os a todos de leite e penas . - Errol - gritou o Ron , puxando a coruja esfarrapada por as patas . Errol caíra inconsciente sobre a mesa com as pernas para o ar e um envelope vermelho húmido em o bico . - Oh , não ! - sobressaltou se Ron . - Ela está bem , ainda está viva - tranquilizou o Hermione , tocando suavemente em a Errol com a ponta de o dedo . - Não é isso , é ... aquilo . Ron apontava para o envelope vermelho . Parecera perfeitamente vulgar a Harry , mas Ron e Neville estavam ambos a observá o como_se esperassem que explodisse . - Qual é o problema ? - perguntou Harry . - Ela . Ela mandou me um * gritador * - disse Ron , quase sem voz . - É melhor abrires - aconselhou Neville em um murmúrio tímido - senão é pior . A minha avó uma_vez mandou me um que eu ignorei e ... - engoliu em seco - foi horrível . Harry olhava , ora para as suas caras , ora para o envelope vermelho . - O que é um * gritador * ? - perguntou . - Mas toda_a atenção de o Ron estava fixa em a carta que começara a fumegar por os cantos . - Abre a - intimou o Neville . - De aqui a poucos minutos já passou tudo . Ron estendeu uma mão trémula , retirou o envelope de o bico de a Errol e começou a abri o . Neville pôs os dedos em os ouvidos . Após uma fracção de segundo , Harry compreendeu porquê . Pensou em o primeiro momento que ela explodira . Um ruído ensurdecedor encheu o enorme salão , fazendo cair pó de o tecto . - ... : __ roubar o carro ! não me surpreendia nada se te expulsassem . espera só até te pôr as mãos em cima . será que não paraste para pensar em a nossa aflição quando vimos que o carro tinha __ desaparecido ... Os gritos de Mrs._Weasley , ampliados cem vezes em relação a o seu normal , fizeram os pratos e as colheres chocalhar em a mesa e ecoaram de forma ensurdecedora em as paredes de pedra . Vinha gente de todos os lados espreitar quem tinha recebido o * gritador * e Ron afundou se tanto em a cadeira que só se lhe via a testa carmesim . - ... : __ uma carta de o dumbledore ontem a a noite , o teu pai quase morria de vergonha . não foi esta a educação que te demos , tu e o harry podiam ter __ morrido ... Harry estava a ver quando é_que o seu nome viria a a baila . Tentou o melhor que pôde agir como_se não ouvisse a voz , mas aquilo estava a fazer com que os tímpanos lhe latejassem . - ... : __ profundamente decepcionada , o teu pai vai ter de se confrontar com um inquérito em o trabalho , tudo por tua culpa e , se pisas mais_uma_vez o risco , trago te para __ casa ! Seguiu se um silêncio ressonante . O envelope vermelho , que caíra de as mãos de o Ron , incendiou se e encaracolou se em cinzas . Harry e Ron estavam sentados de boca aberta , como_se uma onda gigante lhes tivesse passado por cima . Algumas pessoas riam e , a os poucos , o ruído de as conversas recomeçou . Hermione fechou o * _ Viagens com Vampiros * e olhou para o topo de a cabeça de Ron . - Bem , não sei o que esperavas , Ron , mas tu ... - Não me venhas dizer que mereci - interrompeu Ron . Harry afastou as papas de aveia . O estômago ardia lhe de culpa . Mr._Weasley tinha um inquérito em o trabalho , depois de tudo_o_que Mr. e Mrs._Weasley tinham feito por ele durante o Verão ... Mas não teve muito_tempo para se demorar em aqueles pensamentos . A professora Mc_Gonagall circulava em volta de as mesas de os Gryffindor distribuindo horários . Harry pegou em o seu e viu que começavam por ter Herbologia , juntamente com os Hufflepuff . Harry , Ron e Hermione saíram juntos de o castelo , atravessaram as hortas e chegaram a as estufas , onde estavam guardadas as plantas mágicas . O * gritador * tivera pelo_menos uma vantagem : Hermione parecia achar que já tinham sido suficientemente castigados e estava de_novo perfeitamente calorosa . Quando estavam a chegar a as estufas viram o resto de a classe de pé , cá fora , a a espera de a professora Sprout . Harry , Ron e Hermione tinham acabado de se lhes juntar quando a viram aproximar se a passos largos por o relvado , acompanhada de Gilderoy_Lockhart . A professora Sprout era uma bruxa pequenina e atarracada que usava um chapéu a os remendos sobre o cabelo solto . As roupas que vestia estavam sempre cheias de terra e as suas unhas fariam a tia Petúnia desmaiar . Gilderoy_Lockhart , pelo_contrário , tinha um ar imaculado em as suas vestes azul-turquesa , o cabelo doirado a brilhar debaixo_de um chapéu azul-turquesa , com uma fita dourada , perfeitamente posicionado sobre a cabeça . - Olá a todos ! - gritou Lockhart , dirigindo se a o grupo de estudantes . - Estive a mostrar a a professora Sprout a maneira correcta de tratar um salgueiro . Mas não quero que fiquem com a ideia de que sou melhor do_que ela em Herbologia . Acontece que encontrei várias de estas plantas exóticas , durante as minhas viagens .... - Estufa número três hoje , meninos ! - disse a professora Sprout que estava visivelmente descontente , bem diferente de a sua habitual natureza bem-disposta . Houve um murmúrio de interesse . Eles só tinham estado uma_vez em a terceira estufa , que era uma estufa que abrigava plantas bem mais interessantes e perigosas . A professora Sprout tirou uma enorme chave de o cinto e abriu a porta . Harry sentiu o bafo de a terra húmida com adubo misturado e o perfume forte de umas flores gigantescas , de o tamanho de guarda-chuvas , que estavam penduradas de o tecto . Ia seguir Ron e Hermione , quando a mão de o Lockhart o travou . -- Harry ! Tenho querido ter uma palavrinha contigo . Não se importa se ele chegar uns minutos atrasado , pois não , professora Sprout ? A julgar por a expressão carregada de a professora Sprout , importava se sim , mas Lockhart disse : - Então até já - e fechou a porta de a estufa em a cara de ela . - Harry ! - disse Lockhart , com os dentes brancos a brilharem a o sol , enquanto abanava a cabeça . - Harry , Harry , Harry ! Harry , totalmente perplexo , não disse uma palavra . - Quando ouvi dizer , bem , é claro que eu tive muita culpa , deviam castigar me também ... Harry não fazia ideia de que estava ele a falar , quando Lockhart prosseguiu : - Nunca me lembro de ficar tão chocado . Fazer voar um automóvel até Hogwarts ! Bem , é claro que eu percebi logo porque o fizeste . Foi um destaque em grande . Harry , Harry , Harry ! Era notável como ele conseguia mostrar todos aqueles dentes brilhantes , mesmo quando não estava a falar . - Criei te o gosto por a publicidade , não foi ? - perguntou Lockhart . - Passei te o bichinho . Apareceste comigo em a primeira página e não podias esperar para aparecer outra_vez ... - Oh , não , professor , sabe é_que ... - Harry , Harry , Harry - disse Lockhart aproximando se e tocando lhe em o ombro . - * _ Eu compreendo * . É natural querer um_pouco mais quando se lhe tomou o gosto , e eu culpo me por te ter dado esse conhecimento , porque era natural que te subisse a a cabeça , mas vê uma coisa , rapazinho , tu não podes começar a fazer voar carros para tentares ser notícia . Tens de acalmar , está bem ? Tens muito_tempo quando fores mais velho . Sim , sim , eu sei o que estás a pensar ! É fácil para ele falar assim , já é um feiticeiro internacionalmente famoso ! Mas quando eu tinha doze anos era tão zé-ninguém como tu és hoje . Em a verdade , era ainda mais . De ti , já meia_dúzia de pessoas ouviram falar , não é ? Toda aquela história com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . - Olhou para a cicatriz luminosa em a testa de Harry . - Eu sei , eu sei , não é o mesmo_que vencer o Prémio de o sorriso de o feiticeiro de a semana cinco vezes seguidas , como eu venci , mas é um começo , Harry , é um começo . Lançou lhe uma piscadela de olhos cordial e foi se embora . Harry ficou atarantado durante alguns segundos . Depois , lembrando se que deveria estar em a estufa , abriu a porta e esgueirou se lá para dentro . A professora Sprout estava de pé , por_detrás_de uma espécie de mesa em o meio de a estufa . Em cima de a mesa estavam cerca de vinte pares de abafo de ouvidos de diferentes cores . Quando Harry estava já em o seu lugar , entre Ron e Hermione , ela disse : - Hoje vamos transplantar Mandrágoras . Muito bem , quem sabe dizer me as propriedades de a Mandrágora ? Não foi surpresa para ninguém que a mão de a Hermione fosse a primeira em o ar . - A Mandrágora tem um efeito reparador muito poderoso - disse Hermione , com o ar mais normal de este mundo , como_se tivesse engolido o livro de texto . - É usada para fazer voltar as pessoas , que foram transfiguradas ou amaldiçoadas , a o seu estado original . - Excelente . Dez pontos para os Gryffindor ! - exclamou a professora Sprout . - A Mandrágora é parte integrante de a maior parte de os antídotos , mas também é perigosa . Quem sabe dizer me porquê ? A mão de Hermione por_pouco não bateu em os óculos de Harry , quando se ergueu de_novo . - O grito de a Mandrágora é fatal para quem o ouve - disse prontamente . - Precisamente . Dou lhe mais dez pontos - disse a professora Sprout . - Agora vejamos , as Mandrágoras que aqui temos são ainda muito jovens . Enquanto falava , apontou para uma fila de tabuleiros com uma certa profundidade e todos se chegaram a a frente para ver melhor . Cerca de uma centena de plantinhas tufosas de um verde arroxeado cresciam em filas . Pareceram perfeitamente vulgares a Harry , que não fazia a menor ideia do_que Hermione queria dizer com o * grito * de a Mandrágora . - Cada_um de vocês pode tirar um par de abafo de ouvidos - disse a professora Sprout . Houve uma competição renhida porque ninguém queria os cor-de-rosa , cheios de penugem . - Quando eu vos disser para os colocar , assegurem se de que os vossos ouvidos estão completamente tapados - disse a professora Sprout . - Logo_que seja seguro retirá os , eu levanto os dedos . Certo , pôr os abafos de os ouvido . Harry pôs imediatamente os abafos em os ouvidos . Eles fecharam completamente o som . A professora Sprout colocou também um par de abafos cor-de-rosa com penugem em os de ela , arregaçou as mangas de a túnica , agarrou uma de as plantas tufosas e puxou com toda_a força . Harry soltou um grito de surpresa que ninguém ouviu . Em_vez_de raízes , um bebé pequenino , enlameado e extremamente feio , saiu de a terra . As folhas cresciam lhe em o alto de a cabeça , tinha uma pele pintalgada de um pálido esverdeado e estava nitidamente a berrar a plenos pulmões . A professora Sprout tirou debaixo de a mesa um grande vaso de plantas e mergulhou lá dentro a Mandrágora , enterrando a em a mistura escura e húmida , até que só as folhas ficassem visíveis . Em seguida , limpou a terra de as mãos , levantou os dedos e todos eles retiraram os abafos de os ouvidos . - Como as nossas Mandrágoras são muito novas , os seus gritos ainda não matam - disse ela com grande calma , como_se tivesse feito algo tão normal como regar uma begónia . - Contudo , podem pôr vos a dormir durante várias horas e , como com certeza nenhum de vocês quer perder o primeiro dia de aulas , vejam se os abafos estão bem colocados enquanto trabalham . Eu chamarei vos a atenção quando for altura de os retirar . - Quatro em cada fila , há aqui uma grande quantidade de vasos , a mistura de terra está em os sacos ali a o fundo e tenham cuidado com a * _ Venomous_Tentacula * , estão a nascer lhe os dentes . Enquanto falava , deu uma pancada seca a uma planta vermelha escura cheia de pontas eriçadas , fazendo a encolher as longas antenas que tinham estado a avançar lenta e dissimuladamente sobre o seu ombro . A Harry , Ron e Hermione veio juntar se em a fila um rapaz de cabelo encaracolado de os Hufflepuff que Harry conhecia de vista , mas com quem nunca tinha falado . - Justin_Finch - _ Fletchey - disse ele com vivacidade , apertando a mão de o Harry . - Conheço te , claro , o famoso Harry_Potter ... e tu és a Hermione_Granger , sempre a primeira em tudo ( Hermione brilhou em um sorriso , como_se ele lhe tivesse apertado a mão ) e Ron_Weasley . Não era teu o carro voador ? Ron não sorriu . Não lhe saía de a cabeça o * gritador * . - Aquele Lockhart é o_máximo , não acham ? - disse Justin satisfeito , enquanto começavam a encher os vasos com composto de adubo de dragão . - Terrivelmente corajoso . Leram os livros de ele ? Eu teria morrido de medo se um lobisomem me tivesse encurralado em uma cabina telefónica , mas ele manteve se calmo e ... zap ... fantástico ! « Eu estava inscrito em Eton , sabem , não imaginam como estou feliz de ter vindo antes para aqui . É claro que a minha mãe ficou um_pouco desiludida , mas depois de lhe ter dado os livros de Lockhart a ler , tenho a impressão de que ela começou a ver a utilidade de ter um feiticeiro bem treinado em a família ... Depois de isso , não tiveram grandes oportunidades para conversar . Voltaram a pôr os abafos de ouvidos e era preciso concentrarem se em as Mandrágoras . A professora Sprout fizera as coisas parecerem extremamente simples , mas não eram . As Mandrágoras não gostavam de sair de a terra mas também não pareciam querer voltar para lá . Elas contorceram se , deram pontapés , agitaram as mãozinhas finas e rangeram os dentes . Harry levou dez minutos inteirinhos a tentar meter uma Mandrágora particularmente gorda dentro_de um vaso . Em o final de a aula , Harry , como todos os outros , estava a suar , cheio de dores e coberto de terra . Regressaram a o castelo a pé para um banho rápido e , em seguida , os Gryffindor apressaram se para assistir a a aula de transfiguração . As aulas de a professora Mc_Gonagall eram sempre complicadas , mas a de aquele dia era particularmente difícil . Tudo_o_que o Harry aprendera em o ano anterior parecia ter se lhe apagado de a memória durante o Verão . Ele deveria ser capaz de transformar uma barata em um botão , mas , tudo_o_que conseguiu foi fazer a barata praticar um imenso exercício , enquanto corria apressadamente por o tampo de a secretária evitando a varinha . Ron estava a debater se com problemas bastante piores . Tinha atado a varinha com uma fita mágica , mas parecia que não havia reparação possível . Não parava de crepitar e lançar faíscas em os momentos mais estranhos e , sempre_que Ron tentava transfigurar a barata , via se envolvido em um fumo cinzento espesso que cheirava a ovos podres . Incapaz de ver o que estava a fazer , o Ron esmagou , por engano , a barata com o cotovelo e teve de ir pedir que lhe dessem outra , o que deixou a professora Mc_Gonagall muito pouco satisfeita . Harry ficou aliviado quando ouviu tocar a campainha para o almoço . Sentia a cabeça como uma esponja espremida . Todos os alunos saíram em fila de a aula excepto ele e Ron que dava furiosas varadas em a secretária . - Coisa estúpida e inútil . - Escreve a os teus pais a pedir outra - sugeriu Harry , enquanto a varinha disparava com estrondo um foguete explosivo . - Ah pois , e receber outro * gritador * em a volta de o correio - respondeu Ron , metendo a varinha que já assobiava , dentro de o saco . - * _ A culpa é toda tua se a varinha está estragada * ... Desceram para o almoço e aí a disposição de o Ron não iria melhorar com Hermione a mostrar lhe uma mão-cheia de botões de casaco , perfeitinhos , que produzira em a transfiguração . - O que temos esta tarde ? - quis saber Harry , mudando rapidamente de assunto . - Defesa contra as artes negras - disse Hermione , sem perder tempo . - Porque é_que tu ... - perguntou Ron , pegando em o horário de ela - desenhaste corações em volta de as aulas de o Lockhart ? Hermione arrancou lhe o horário de as mãos , corando furiosa . Acabaram de almoçar e foram para o pátio carregado de nuvens . Hermione sentou se em um degrau de pedra e enfiou de_novo o nariz em as * _ Viagens com Vampiros * . Harry e Ron ficaram a falar de Quidditch durante alguns minutos antes de Harry se aperceber de que estava a ser observado de perto . Olhando para_cima viu o rapazinho pequenino com cabelo de rato que ele vira experimentar o chapéu seleccionador em a noite anterior , olhando para ele com uma expressão petrificada . Estava agarrado a o que parecia ser uma vulgar máquina fotográfica de os Muggles e , em o momento em que Harry olhou para ele , ficou todo vermelho . - Tudo bem , Harry ? Eu sou Colin_Creevey - disse , faltando lhe o ar e adiantando se a qualquer pergunta . - Estou em os Gryffindor também . Não te importavas que eu tirasse uma fotografia ? - perguntou , levantando a máquina cheio de expectativa . - Uma fotografia ? - repetiu Harry , inexpressivo . - Para eu provar que te conheci - disse Colin_Creevey cheio de ansiedade , continuando : - Eu sei tudo a teu respeito . Toda_a_gente me tem contado como sobreviveste quando O_Quem nós sabemos tentou matar te , como ele desapareceu depois de isso e como ficaste com a cicatriz em forma de relâmpago em a testa ( os seus olhos procuraram a linha de cabelo de Harry ) e um rapaz de o meu dormitório disse que se eu revelasse o filme em a posição certa ele mexia . - Colin respirou fundo , estremecendo de excitação e disse : - Isto_é fantástico , aqui , não achas ? Eu não sabia que todas_as coisas estranhas que fazia eram magia até a o dia em que recebi uma carta de Hogwarts . O meu pai é leiteiro . Também ele não queria acreditar . Por isso estou a tirar montes de fotografias para lhe mandar e era mesmo bom se tivesse uma tua - parecia implorar . - Talvez o teu amigo pudesse tirá a e assim eu ficava a o teu lado . E depois , podias assiná a ? - Assinar fotografias ? Estás a dar fotos autografadas , Potter ? Alta e mordaz , a voz de Draco_Malfoy ecoou em o pátio . Estava parado mesmo atrás_de Colin , ladeado , como sempre andava em Hogwarts , por os seus fortes guarda-costas Crabbe e Goyle . - Ei gente , façam bicha - gritou Malfoy a a multidão . - Harry_Potter está a dar fotos autografadas ! - Não estou coisa nenhuma - disse Harry , zangado , com os punhos em o ar . - Cala a boca , Malfoy . - Tu tens é inveja - começou a dizer Colin , cujo corpo era de o tamanho de o pescoço de Crabbe . - Inveja - repetiu Malfoy que não precisava de gritar mais , metade de o pátio estava a ouvi o . - De quê ? Não preciso de uma cicatriz em a cabeça , muito obrigado . Não acho que ter um corte em a testa torne alguém especial . Crabbe e Goyle riram estupidamente - Vai pastar caracóis , Malfoy - disse o Ron furioso . Crabbe parou de rir e começou a esfregar os nós de os dedos enormes de uma forma ameaçadora . - Tem cuidado , Weasley - escarneceu Malfoy . - Com certeza não queres começar uma rixa ou a tua mãezinha tem de vir cá para te tirar de a escola - e com uma voz aguda e penetrante : - * _ Se voltas a pisar o risco * ... Um grupo de alunos de o quinto ano de os Slytherin que estava ali perto , riu se bastante alto . - O Weasley gostaria de ter uma foto tua autografada , Potter - escarneceu de_novo Malfoy . - Era capaz de valer mais do_que a casa onde ele mora com a família . Ron sacou de a sua varinha amarrada com fita , mas Hermione fechou as * Viagens com Vampiros * com um estrondo e avisou : - Atenção . - O que é isto , o que é isto ? - Gilderoy_Lockhart aproximava se com o seu manto azul-turquesa girando em torvelinho atrás de ele . - Quem está a dar fotos autografadas ? Harry ia começar a explicar , mas foi interrompido quando Lockhart lhe pôs jovialmente o braço em cima de os ombros . - Mas que pergunta a minha ! Cá estamos nós de_novo , Harry ! Preso ao_lado_de Lockhart e a arder de humilhação , Harry viu Malfoy deslizar com o seu sorriso desdenhoso por o meio de a multidão . - Vamos lá então , Mr._Creevey - disse Lockhart , dirigindo se a Colin . - Uma foto dupla , já viu a sua sorte ? E assinamos a os dois para si . Colin ajustou a máquina e tirou a fotografia em o preciso momento em que a campainha tocava para as aulas de a tarde . - Está em a hora , todos para dentro - gritou Lockhart a a multidão e regressou a o castelo levando a o seu lado o Harry que só lamentava não conhecer um feitiço que o fizesse desaparecer . - Uma palavra só , Harry - disse Lockhart paternalmente , enquanto entravam em o edifício por uma porta lateral . - Eu ajudei te há bocado com o jovem Creevey porque se ele estivesse a fotografar me também a mim os teus colegas não reparariam tanto que estavas a exibir te ... Indiferente a a gaguez de Harry , Lockhart arrastou o para um corredor ladeado de alunos que os olhavam espantados e subiram uma escada . - Deixa me só dizer te uma coisa : dar fotografias autografadas em esta fase de a tua carreira , francamente , não é sensato , Harry , parece um_pouco megalómano . Pode ser que um dia mais tarde , tal_como eu , sejas obrigado a assinar para multidões onde quer que vás , mas - fez uma pequena pausa - não me parece que seja o caso , por enquanto . Tinham chegado a a aula de Lockhart e ele largou finalmente o Harry que sacudiu a túnica e foi sentar se em um lugar bem lá atrás onde começou por empilhar os livros de Lockhart a a sua frente para evitar olhar para a criatura . O resto de a aula entrou ruidosamente e Ron e Hermione foram sentar se um de cada lado de Harry . - Tu estavas vermelho como um pimentão - disse o Ron . - Reza para que o Creevey não se torne amigo de a Ginny senão bem podem criar o clube de * fans * de Harry_Potter . - Cala a boca - interrompeu Harry . A última coisa que desejava era que o Lockhart ouvisse a expressão « clube de * fans * de Harry_Potter « . Quando todos estavam em os seus lugares , Lockhart pigarreou alto e fez se silêncio . Ele inclinou se para a frente , pegou em o exemplar de Neville_Longbottom de * _ viagens com Duendes * e levantou o para mostrar a sua fotografia a piscar os olhos em a capa . - Eu - disse apontando para a fotografia e piscando também os olhos - Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , terceiro ano , membro honorário de a Liga_de_Defesa contra as artes negras e cinco vezes vencedor de o prémio de o * _ Feiticeiro de a semana * por o sorriso mais charmoso . Mas não vamos falar de isso , não venci a fada carpideira de Bandon a sorrir para ela ! Esperou que eles se rissem . Alguns alunos sorriram timidamente . - Já vi que todos vocês compraram a minha obra completa . Muito bem . Pensei começar hoje com um pequeno interrogatório escrito . Nada de complicado , só para perceber se leram bem os meus livros e o que apreenderam ... Depois de distribuir as folhas de teste voltou se para os alunos e disse : - Têm trinta minutos . Comecem já . Harry olhou para o papel e leu : *1 . Qual é a cor preferida de Gilderoy_Lockhart ? *2 . Qual é a ambição secreta de Gilderoy_Lockhart ? *3 . Qual é , em a sua opinião , a maior realização de Gilderoy_Lockhart até a o momento ? * E_por_aí adiante , ao_longo_de três páginas , terminando com : *54 . Qual é o dia de aniversário de Gilderoy_Lockhart e qual seria o seu presente preferido ? * Meia_hora mais tarde , Lockhart recolheu os pontos e folhou os rapidamente em frente de os alunos . - Tut , tut , quase ninguém se lembrou que a minha cor preferida é o lilás . Eu digo o em * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves * . Alguns precisam de voltar a ler com mais cuidado * Fim-de - _ Semana com Um Lobisomem * . Eu afirmo claramente em o décimo segundo capítulo que o meu presente de aniversário preferido seria a harmonia entre todos os seres , mágicos e não mágicos , embora não me importasse de receber uma garrafa grande de * whisky * velho de a Ogden's_Old_Firewhisky . Piscou lhes o olho de_novo . Ron olhava para Lockhart com uma expressão de incredulidade em o rosto . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas que estavam sentados a a frente tremiam de tanto conter o riso . Hermione , contudo , ouvia Lockhart com extrema atenção e deu um salto quando ouviu o seu nome . - Mas Miss_Hermione_Granger sabia que a minha ambição secreta era libertar o mundo de o mal e pôr a a venda a minha gama de poções de tratamento de o cabelo . Muito bem - voltou o papel . - Nota máxima ! Onde está Miss_Hermione_Granger ? Hermione ergueu uma mão trémula . - Excelente - bradou Lockhart , exultante . - Leva dez pontos para os Gryffindor . E vamos a o trabalho . Baixou se atrás de a secretária e pegou em uma grande gaiola coberta . - Ficam desde_já a saber , a minha função é preparar vos contra as criaturas mais malignas que a feitiçaria conhece . Vocês podem ter que enfrentar os maiores medos em esta sala . Saibam que nenhum mal vos sucederá comigo aqui . Só vos peço que se mantenham calmos . Ultrapassando os seus sentimentos , Harry espreitou através de a pilha de livros para ver melhor a gaiola . Lockhart colocou uma mão em a tampa . Dean e Seamus tinham deixado de se rir . Neville estava agachado em o seu lugar de a fila de a frente . - Vou pedir vos que não façam barulho - disse Lockhart em voz baixa . - Podem assustá os . Enquanto a aula inteira continha a respiração , Lockhart tirou a cobertura . - Sim - disse em um tom dramático . - Duendes_da_Cornualha recém-capturados . Seamus_Finnigan não conseguiu controlar se . Soltou uma gargalhada que nem Lockhart poderia confundir com um grito de terror . - Sim ? - sorriu a Seamus . - Bem , eles não são , não são perigosos , pois não ? - perguntou a rir . -- Não tenhas tanta certeza de isso - afirmou Lockhart , aborrecido , abanando um dedo , em direcção a Seamus . - Podem ser maçadores e muito traiçoeiros . Os duendes eram de um azul-eléctrico e tinham cerca de vinte centímetros de altura com feições angulosas e umas vozes tão estridentes que era como ouvir uma discussão entre araras . Logo_que o pano foi retirado , começaram a fazer uma enorme algazarra , a andar de um lado para o outro , batendo em as grades e fazendo caretas a as pessoas que estavam mais perto . - Muito bem - disse Lockhart em voz alta . - Vamos então ver o que vocês conseguem fazer de eles - e abriu a gaiola . Foi um pandemónio . Os duendes dispararam em todas_as direcções como foguetes . Dois de eles agarraram o Neville por as orelhas e levantaram o a o ar . Vários outros foram direitos a a janela , fazendo chover vidros partidos até a a fila de trás . Os restantes decidiram destruir a sala com maior eficácia do_que um rinoceronte em fúria . Agarraram em os tinteiros e salpicaram tudo em volta , rasgaram a os bocados livros e papéis , arrancaram os quadros de as paredes , levantaram a o ar a gaiola vazia , agarraram livros e sacos e lançaram nos por a janela de vidros estilhaçados . Em poucos minutos , metade de a aula estava abrigada debaixo de as secretárias e o Neville pendurado em o candelabro de o tecto . - Vamos lá , agarrem nos , agarrem nos , são apenas duendes ... - gritava Lockhart . Arregaçou as mangas , bramiu a varinha e pronunciou * Peshipiksi_Pesternomi ! * As palavras não tiveram o menor efeito . Um de os duendes pegou em a varinha de Lockhart e atirou a também por a janela fora . Lockhart engoliu em seco e mergulhou debaixo de a secretária , não sendo , por um triz , esmagado por o Neville que caiu um segundo depois , quando o candelabro cedeu . A campainha tocou e houve uma louca precipitação para a porta . Em a calma relativa que se seguiu , Lockhart endireitou se , olhou para Harry , Ron e Hermione que estavam quase a chegar a a porta e disse : - Bem , vou pedir vos a os três que prendam o resto de os duendes em a gaiola - passou por eles e fechou rapidamente a porta atrás_de si . - Isto dá para acreditar ? - resmungou o Ron , enquanto um de os duendes lhe mordia com toda_a força uma de as orelhas . - Ele só quer dar nos uma ajuda , permitindo nos ganhar experiência - justificou Hermione , imobilizando dois duendes de uma_vez com um encantamento de paralisação e metendo os de_novo em a gaiola . - Experiência ? - disse Harry , tentando agarrar um duende que dançava com a língua de_fora . - Hermione , ele não sabia nada do_que estava a fazer . - Disparate - retorquiu Hermione . - Leste os livros de ele . Vê só as coisas que ele já fez ! - Que diz que fez - resmungou o Ron . VII_Sangue de lama e murmúrios Harry passou imenso tempo , em os dias que se seguiram , a fugir sempre_que via Gilderoy_Lockhart aproximar se em o corredor . Mais difícil de evitar era Colin_Creevey que parecia ter decorado o horário de Harry . Parecia que nada o emocionava mais do_que dizer : - Tudo bem , Harry ? - seis ou sete vezes por dia e ouvir : - Olá , Colin - por mais exasperado que Harry estivesse quando lhe respondia . A Hedwig ainda estava zangada com Harry por causa de a desastrosa viagem de automóvel e a varinha de o Ron continuava a não funcionar , tendo ultrapassado tudo em a sexta-feira de manhã quando lhe saltou de as mãos em a aula de encantamentos e foi agredir o velho e baixinho professor Flitwick mesmo entre os olhos , deixando uma enorme bolha latejante em o sítio onde tinha batido . Por tudo_isso Harry via chegar , com satisfação , o fim_de_semana Planeava ir em o Sábado de anhã , com Ron e Hermione visitar o Hagrid . Mas foi acordado várias horas mais cedo do_que desejaria por Oliver ood , treinador de a equipa de Quidditch_dos_Gryffindor . - _ o que é_que se passa ? - perguntou Harry , enrolando as palavras . - Treino_de_Quidditch - disse Wood . - Vamos embora . Harry lançou um olhar de esguelha a a janela . Uma neblina fina pairava em o céu rosa e dourado . Agora_que estava acordado não percebia como pudera dormir com a algazarra que os pássaros faziam . - Oliver resmungou Harry . - É de madrugada . - Exacto - respondeu Wood . Era um rapaz alto e corpulento de o sexto ano e em aquele momento os olhos brilhavam lhe loucamente de entusiasmo . - Faz parte de o nosso novo programa de treinos . Anda lá , vai buscar a vassoura e vamos embora - insistiu Wood empenhado . - Nenhuma de as outras equipas começou ainda a treinar . Vamos ser os primeiros este ano ... A bocejar e a tremer um_pouco , Harry saltou de a cama e tentou descobrir as suas túnicas de Quidditch . - Bem , encontramo nos em o campo , dentro_de quinze minutos . Depois de descobrir a sua roupa escarlate de equipa e pôr o manto por cima para se aquecer , Harry escreveu a o Ron um bilhete a explicar onde tinha ido e desceu por a escada de espiral para a sala comum com a sua Nimbos dois inil a o ombro . Tinha acabado de chegar junto de o buraco de o retrato quando ouviu um barulho atrás_de si e viu Colin_Creevey descer a escada de espiral com a máquina fotográfica pendurada a o pescoço a balouçar como louca e uma coisa em a mão . - Ouvi alguém chamar o teu nome em as escadas , Harry olha o que tenho aqui . Revelei a e queria mostrar te . Harry olhou assombrado para a fotografia que Colin lhe espetava em frente de o nariz . Um Lockhart a preto e branco movia se , puxando com toda_a força um braço que Harry reconheceu como sendo o seu . Ficou satisfeito a o constatar que estava a resistir bastante bem , recusando se a ser trazido para a vista de todos . Enquanto Harry observava , Lockhart desistiu e desinteressou se de lutar contra a parte branca de a fotografia . - Assinas para mim ? - pediu Colin entusiasmado . - Não - respondeu secamente Harry , olhando em volta para verificar se o caminho estava livre . - Desculpa_Colin , mas estou cheio de pressa , treino de Quidditch . Passou por o buraco de o retrato . - Oh Uau ! Espera por mim . Eu nunca vi um jogo de Quidditch . Colin trepou por o buraco de o retrato atrás de ele . - Vai ser uma chatice para ti - disse Harry rapidamente , mas Colin ignorou o comentário . Todo o seu rosto brilhava de satisfação . - Tu foste o jogador mais novo de a equipa em cem anos , não foste Harry ? Não foste ? - perguntava Colin , trotando para o acompanhar . - Deve ser fantástico . Eu nunca voei . É fácil ? Essa vassoura é a tua ? É a melhor que há ? Harry não sabia como ver se livre de ele . Era como ter uma sombra que não se calava . - Eu não percebo nada de Quidditch - disse Colin , já sem fôlego . - É verdade que há quatro bolas ? E que duas anda n a voar , tentando fazer os jogadores caírem de as vassouras ? - Sim - disse Harry lentamente , resignado com o ter de lhe explicar as complicadas regras de o Quidditch . - São as * bludgers * . Há dois * beaters * em cada equipa que têm bastões para bater em as * bludgers * e lançá as para o outro lado . O Fred e o George_Weasley são os * beaters * de os Gryffindor . - E para que servem as outras bolas ? - perguntou Colin , saltando uma série de degraus porque ia a olhar para o Harry de boca aberta . - Bem , a * quaffle * , que é a vermelha grandalhona , é a que marca os golos . Três * chasers * em cada equipa lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam fazes a entrar em as balizas que ficam em o extremo de o campo onde há três grandes postes com argolas em as pontas . - E a quarta bola ? - A * snitch * dourada - explicou Harry . - É muito pequenina e veloz e extremamente difícil de agarrar . Mas é isso que o * seeker * tem de fazer , porque o jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * for agarrada . E o * seeker * que conseguir agarrá a ganha para a sua equipa mais cento_e_cinquenta pontos . - E tu és o * seeker * de os Gryffindor , não és ? - perguntou Colin respeitosamente . - Sim - disse Harry enquanto saíam de o castelo e começavam a atravessar o relvado . - E há também o * keeper * que toma conta de os postes . É isto . Mas Colin não parou de fazer perguntas desde os relvados macios até a o campo de Quidditch e Harry só se viu livre de ele quando chegaram a os vestiários . Colin gritou em uma voz aguda : - Eu vou arranjar um lugar , Harry - e apressou se em direcção a as bancadas . O resto de a equipa de os Gryffindor já se encontrava em os vestiários . Wood era o único que tinha aspecto de estar bem acordado . Fred e George_Weasley estavam sentados com olhos de sono e cabelos desgrenhados junto de Alicia_Spinnet de o quarto ano que parecia inclinar se contra a parede que tinha atrás_de si . Os seus companheiros * chasers * , Katie_Bell e Angelina_Johnson bocejavam em frente de ela . - Até que enfim , Harry , porque é_que demoraste tanto ? - perguntou Wood cheio de actividade . - Eu queria ter uma pequena conversa convosco antes de entrarmos propriamente em campo porque passei o Verão a conjecturar um novo programa de treinos que acredito vai estabelecer grandes mudanças . Wood tinha em as mãos um grande mapa de um campo de Quidditch onde estavam desenhadas muitas linhas , setas e cruzes a tinta de várias cores . Pegou em a varinha , bateu com ela em o quadro e as setas começaram a mover se em o mapa como tractores . Enquanto Wood se lançava em um discurso sobre as suas novas técnicas , a cabeça de Fred_Weasley caiu sobre o ombro de Alicia_Spinnet e ele começou a ressonar . O primeiro mapa levou quase vinte minutos a explicar , mas debaixo de esse havia outro e ainda um terceiro . Harry caiu em uma letargia enquanto Wood continuava indefinidamente . - Então - disse por fim o treinador , arrancando Harry de a avidez de uma fantasia sobre o que poderia estar a comer se se encontrasse em aquele momento em o castelo . - Ficou tudo claro ? Alguma pergunta ? - Eu tenho uma pergunta , Oliver - disse George que acordou estremunhado . - Porque não nos explicaste tudo_isso ontem , quando estávamos acordados ? Wood não ficou nada satisfeito . - Ouçam bem , vocês todos - disse , voltando se para eles mal-humorado . - Nós deveríamos ter ganho a taça de Quidditch o ano passado . Somos de longe a melhor equipa , mas , infelizmente , devido_a circunstancias que estão para_além de o nosso controlo ... Harry mudou de posição em a cadeira sentindo se culpado . Estivera inconsciente em o hospital durante o campeonato final de o ano anterior o que fez com que os Gryffindor com um jogador a menos tivessem sofrido a pior derrota de os últimos trezentos anos . Wood levou um momento a controlar se . Era evidente que a última derrota ainda o torturava . - Portanto , este ano vamos fazer um treino mais duro , como nunca se fez . O. _ K. , vamos lá pôr as teorias em prática - gritou , pegando em a vassoura e conduzindo os para fora de o vestiário . Com as pernas trôpegas e ainda a bocejar , a equipa seguiu o . Tinham estado tanto tempo lá dentro que o sol já tinha nascido e brilhava em o céu embora uma réstia de neblina pairasse ainda sobre o relvado de o campo . Quando Harry entrou em campo viu Ron e Hermione sentados em as bancadas . - Ainda não acabaram ? - perguntou Ron em um tom incrédulo . - Ainda nem começamos - explicou Harry , olhando cheio de inveja para a torrada com doce de laranja que Ron e Hermione tinham trazido de o salão . - O Wood tem estado a ensinar nos as jogadas . Subiu para a vassoura e deu um pontapé em o chão , elevando se em o ar . O ar fresco de a manhã bateu lhe em o rosto fazendo o acordar com mais eficácia do_que o longo discurso de Wood . Era maravilhoso voltar a estar em o campo de Quidditch . Voou em volta de o estádio a toda a a velocidade competindo com Fred e George . - Que barulhinho estranho é aquele ? - perguntou o Fred quando deram a volta . Harry olhou para as bancadas . Colin estava sentado em um de os lugares mais altos com a máquina fotográfica em o ar , tirando fotografia sobre fotografia , o som estranhamente ampliado em o estádio deserto . - Olha para ali , Harry , para ali - gritava de forma estridente . - Quem é aquele ? - perguntou Fred . - Não faço ideia - mentiu Harry , disparando a_toda_a velocidade e distanciando se o mais possível de Colin . - O que se passa aí ? - perguntou Wood , franzindo a testa enquanto corria por os ares atrás de eles . - Porque está aquele aluno de o primeiro ano a tirar fotografias ? Não me agrada . Pode ser um espião de os Slytherin a tentar descobrir o nosso novo programa de treinos . - Ele é de os Gryffindor - disse Harry rapidamente . - E os Slytherin não precisam de um espião , Oliver - completou George . - Porque dizes isso ? - perguntou Wood irritado . - Porque estão aqui em peso - disse George , apontando com o dedo . Vários indivíduos com túnicas verdes vinham em aquele momento a entrar em o campo de vassouras em a mão . - Não posso acreditar - reagiu Wood , sentindo se ultrajado . - Eu reservei o estádio para hoje . Já vamos ver como é_que isto fica ! Wood baixou direito a o chão sendo levado por a fúria a aterrar com mais força do_que pretendia e a cambalear um_pouco quando começou a andar seguido de o Harry e de o Ron . - Flint - bradou para o treinador de os Slytherin . - Este é o nosso tempo de treino . Levantámo nos de propósito . Vocês têm de sair de aqui . Marcus_Flint era ainda mais corpulento do_que Wood . Tinha em o rosto uma expressão de duende travesso quando respondeu : - Há espaço para todos , Wood . Angelina , Alicia e Katie tinham vindo também . Em a equipa de os Slytherin não havia raparigas que enfrentassem a o lado de os rapazes os Gryffindor . - Mas eu reservei o estádio - repetiu Wood de modo afirmativo , cuspindo de raiva . - Reservei o . - Ah ! - exclamou Flint . - Mas eu tenho aqui uma licença especial assinada por o professor Snape . * _ Eu , professor Snape , autorizo a equipa de os Slytherin a praticar hoje em o campo de Quidditch devido a a necessidade de treinar o seu novo seeker . * - Têm um novo * seeker * ? - perguntou Wood perturbado . - Onde ? E detrás de as seis figuras corpulentas que tinham em a frente , viram surgir uma sétima : um rapaz mais pequeno com um sorriso afectado espelhado em o rosto pálido e anguloso . Era_Draco_Malfoy . - Não és o filho de o Lucius_Malfoy ? - perguntou Fred , olhando para ele com antipatia . - Curioso que refiras o pai de o Draco - disse Flint enquanto toda_a equipa de os Slytherin sorria de modo grosseiro . - Deixem me mostrar vos a generosa oferta que ele fez a a equipa de os Slytherin . Os sete exibiram as suas vassouras . Sete cabos novos , polidos , com inscrições em letras douradas de as palavras « Nimbus dois_mil_e_um « brilharam a o sol de a manhã , em frente de o nariz de os Gryffindor . - O último modelo . Só chegou em o mês passado - disse Flint , displicentemente , sacudindo a poeira de o cabo de a sua vassoura . - Julgo que ultrapassam de longe as velhas séries de dois_mil . Quanto a as Cleansweeps - sorriu de forma mesquinha para Fred e George que tinham ambos Cleansweep_Fives - essas já só servem para varrer . Nenhum de os Gryffindor foi capaz de abrir a boca em aquele momento . Malfoy sorria tanto que os seus olhos de gelo estavam reduzidos a duas rachas . - Oh vejam - disse Flint . - Uma invasão de o campo . Ron e Hermione atravessavam o relvado para ver o que se passava . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron a o Harry . - Porque não estão a jogar e o que faz ele aqui ? Olhava para Malfoy em as suas vestes de Quidditch . - Sou o novo * seeker * de os Slytherin , Weasley - disse Malfoy com ar presumido . - Têm estado todos a admirar as vassouras que o meu pai comprou para a nossa equipa . Ron olhou de boca aberta para as sete vassouras que tinha em a frente . - São boas , não são ? - disse Malfoy untuosamente . - Mas talvez a equipa de os Gryffindor consiga levantar algum ouro e comprar também vassouras novas . Vocês podiam levar essas Cleansweep_Fives a leilão , talvez algum museu esteja interessado . A equipa de os Slytherin riu se a bandeiras despregadas . - Pelo_menos em os Gryffindor ninguém teve de comprar a sua entrada - disse secamente Hermione . - Entraram todos por mérito próprio . O ar presumido de Malfoy desapareceu . - Ninguém pediu a tua opinião , sangue de lama - cuspiu Malfoy . Harry apercebeu se , de imediato , que Malfoy dissera algo muito grave porque houve uma tremenda algazarra em o seguimento de as suas palavras . Flint teve que se pôr a a frente de o Malfoy para evitar que Fred e George se atirassem a ele . Alicia bradou : - Como te atreves ? - E Ron meteu a mão em as vestes e sacou de a varinha mágica , gritando : - Vais pagar por o que disseste , Malfoy ! - e apontou a , furioso , por debaixo de o braço de Flint , a o rosto de Malfoy . Um enorme estrondo , ecoou em o estádio e um jacto de luz verde saiu por a extremidade errada de a varinha de Ron , atingindo o em o estômago e projectando o para trás em direcção a o relvado . - Ron ! Ron ! Estás bem ? - gritou Hermione . Ron abriu a boca para falar , mas nenhuma palavra saiu . Em vez de isso , teve um vómito imenso e várias lesmas saíram lhe de a boca , indo cair lhe em o colo . A equipa de os Slytherin ficou paralisada de riso . Flint estava dobrado , agarrado a a vassoura nova . Malfoy , a quatro , batia com o punho em a chão . Os Gryffindor rodeavam o Ron , que continuava a vomitar lesmas enormes e reluzentes . Ninguém queria tocar lhe . - É melhor levá o para_casa de o Hagrid . É o mais perto - disse Harry_a_Hermione , que acenou afirmativamente , e os dois arrastaram o Ron por os braços . - O que aconteceu , Harry ? O que aconteceu ? Ele está doente ? Mas tu podes curá o , não podes ? - Colin descera a correr de o lugar onde estava sentado e dançaricava em frente de eles , enquanto abandonavam o campo . Ron teve um novo arremesso e mais lesmas saíram de a sua boca . - Oooh ! - exclamou Colin fascinado , levantando a máquina fotográfica . - Podes mantê o quieto , Harry ? - Sai de a minha frente , Colin - gritou Harry zangado . Ele e a Hermione conseguiram levar o Ron para fora de o estádio , atravessar os campos e chegar a a beira de a floresta . - Está quase , Ron - disse Hermione , mal avistaram o casebre de o guarda de os campos . - Vais ficar bem dentro_de um minuto ... está quase ... Estavam a sessenta metros de a casa de Hagrid , quando a porta de a frente se abriu . Mas não foi Hagrid quem saiu de lá , e sim Gilderoy_Lockhart , em uma túnica cor de malva . - Rápido , vamos esconder nos aqui - sussurrou Harry , arrastando Ron para trás de um arbusto que havia ali perto . Hermione acompanhou o , embora um_pouco relutante . -- É muito simples quando se sabe o que se está fazer ! - gritava Lockhart_para_Hagrid . - Se precisar de ajuda , sabe onde estou . Vou dar lhe um exemplar de o meu livro . Espanta me que ainda não o tenha . Logo a a noite autografo o e envio lhe o . Bem . até a a próxima ! - e afastou se em direcção a o castelo . Harry esperou que Lockhart desaparecesse , antes de puxar o Ron de trás de o arbusto até a a casa de o Hagrid . Bateram ansiosamente . Hagrid apareceu logo com um ar mal-humorado , que se dissipou quando viu quem era . - Já me tinha perguntado quand'é que vocês vinham ver me , entrem , entrem , pensei qu'era outra_vez o professor Lockhart . Harry e Hermione ajudaram Ron a subir o degrau que dava acesso a a cabana de uma divisão com uma cama enorme a um de os cantos e uma lareira a crepitar alegremente em o outro . Hagrid não pareceu perturbado com o problema de as lesmas de o Ron que Harry lhe explicou precipitadamente , logo_que sentou o Ron em uma cadeira . - Melhor saírem de o qu'entrarem - disse , em um tom bem-disposto , colocando uma grande bacia de cobre em frente de ele . - Deita as todas fora , Ron . - Acho que não há mais_nada a fazer , a não ser esperar que isto pare - disse Hermione ansiosamente , vendo Ron inclinar se para a bacia . - É uma maldição muitas_vezes difícil , mas com uma varinha partida ... Hagrid andava de um lado para o outro a preparar o chá . O cão de ele , Fang , babava se em cima de o Harry . - O que é_que o Lockhart queria de ti ? - perguntou o Harry , coçando as orelhas de o Fang . - Ensinar me a tirar espíritos aquáticos com forma de cavalos d'uma nascente d'água - resmungou Hagrid , retirando de a mesa pequena um galo meio depenado e colocando em o seu lugar o bule . - Como s'eu não soubesse . E contar me uma peta qualquer d'uma fada carpideira que ele venceu . Engulo essa chaleira , se uma palavra do_que ele disse for verdade . Não era hábito de Hagrid criticar um professor de Hogwarts e Harry olhou para ele com alguma surpresa . Mas Hermione disse em uma voz mais aguda do_que de costume : - Acho que estás a ser injusto . O professor Dumbledore obviamente achou que era o melhor homem para o lugar ... - Era o único - explicou Hagrid , oferecendo lhes um prato de bombons de melaço enquanto Ron tossia para a bacia . - E não havia mais ninguém . Não é fácil encontrar quem queira dar Artes de magia negra . As pessoas não gostam de essa matéria . Começam a pensar que está amaldiçoada , ninguém ficou muito_tempo a dá a . Mas digam me lá - continuou Hagrid , inclinando a cabeça para Ron - quem é qu'ele estava a tentar amaldiçoar ? - O Malfoy chamou qualquer coisa a a Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si . - Foi grave , sim - disse o Ron com voz rouca , emergindo a a superfície de a mesa , pálido e transpirado . - O Malfoy chamou lhe sangue de lama , Hagrid . - Ron desapareceu outra_vez quando uma nova onda de lesmas fez o seu aparecimento . Hagrid estava indignado . - Não posso crer - exclamou , dirigindo se a Hermione . - Chamou sim - disse ela . - Mas eu não sei o que significa . Percebi que era má educação , claro ... - É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar - explicou Ron novamente . - Sangue de lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles , sabes , filho de pais não mágicos . Há alguns feiticeiros , como a família de o Malfoy que acham que são melhores do_que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro . - Teve um pequeno vómito e uma lesma isolada caiu lhe em a mão aberta . Ele atirou a para a bacia e continuou . -- É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma . Olha_o_Neville_Longbottom , é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito . - E ainda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer - afirmou Hagrid , orgulhoso , fazendo Hermione corar em tons de magenta . - É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém - disse o Ron , limpando o suor de a testa com a mão trémula . - Sangue sujo , sangue vulgar , é um disparate . A maior parte de os feiticeiros hoje_em_dia têm sangue misturado . Se não tivéssemos casado com Muggles tinha sido o nosso fim . Fez um esforço para vomitar e baixou se mais_uma_vez . - Bem , não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá o , Ron - disse Hagrid bem alto enquanto montes de lesmas caíam em a bacia . - Mas , se_calhar , não foi mau de todo teres a varinha a trabalhar ao_contrário . Acho que Lucius_Malfoy teria vindo logo a correr a a escola se tivesses amaldiçoado o filho . Assim , pelo_menos , não estás metido em nenhum sarilho . Harry teria referido que o problema não podia ser pior do_que deitar lesmas por a boca , mas não pôde . Os bombons de melaço tinham lhe colado os maxilares um_ao_outro . - Harry - disse de repente Hagrid como_que movido por um pensamento súbito . - Tens de me explicar uma coisa . Ouvi dizer que tens andado a dar fotografias autografadas . Porque é qu'eu não tenho nenhuma ? A fúria de Harry foi tão grande que os maxilares se libertaram . - Eu não tenho dado fotografias autografadas - disse com vivacidade . Se o Lockhart andou a espalhar isso ... Mas em esse momento viu que Hagrid se estava a rir . - ´ _ tou a brincar - disse , dando uma palmadinha em as costas de Harry e fazendo lhe sinal para se sentar a a mesa . -- Eu sabia que não tinhas . Disse a o Lockhart que tu não precisavas de isso . Es mais famoso do_que ele sem sequer , tentares . - Aposto que ele não gostou de ouvir isso - comentou Harry , sentando se e esfregando o queixo . - Acho que não gostou mesmo - prosseguiu Hagrid com os olhinhos a brilhar . - E disse lhe também que nunca tinha lido nenhum de os livros de ele e ele foi se embora . Um bombom de melaço , Ron ? - perguntou a o vê o reaparecer . - Não , obrigado - disse o Ron com uma voz fraca . - É melhor não arriscar . - Venham ver o qu'eu tenho estado a criar - disse Hagrid quando Harry e Hermione acabaram de tomar o chá . Em a pequena horta atrás de a casa estava uma_dúzia de as maiores abóboras que Harry alguma vez vira . Pareciam enormes blocos de pedra . - Estão a dar se bem , não achas ? - disse Hagrid , feliz . São para a festa de o * _ Hallow'en * . Devem estar bem grandes quando chegar a altura . - O que é_que lhes tens dado como alimento ? - perguntou Harry . Hagrid olhou por cima de o ombro para confirmar se estavam sós . - Bem , tenho estado a dar lhes ... uma pequena ajuda . Harry reparou em o guarda-chuva cor-de-rosa a as florzinhas que estava encostado contra a parede de a cabana . Tivera em o ano anterior motivos para crer que aquele guarda-chuva não era o que parecia . De facto , acreditava que a antiga varinha de escola de Hagrid se encontrava oculta dentro de ele . Hagrid não tinha autorização para usar magia . Fora expulso de Hogwarts em o terceiro ano embora Harry nunca tivesse descoberto o motivo . Qualquer referência a esta questão fazia Hagrid pigarrear bem alto e ficar misteriosamente surdo até mudarem de assunto . -- Um encantamento de absorção , imagino ? - comentou Hermione entre a desaprovação e o divertimento . - Bem , se assim foi , fizeste um bom trabalho . - Foi o que disse a tua irmãzinha - respondeu Hagrid acenando em direcção a Ron . - Encontrei a ontem . - Hagrid olhou de lado para Harry , a barba a contorcer se . - Disse que andava só a ver os campos , mas eu acho qu'ela esperava encontrar alguém em a minha casa - piscou o olho a o Harry . - Se queres que te diga acho qu'ela não recusaria uma fotografia autogr ... - Cala te com isso - disse Harry . Ron desatou a rir e o chão ficou cheio de lesmas . - Cuidado - resmungou Hagrid , afastando Ron de as suas preciosas abóboras . Estava quase em a hora de o almoço e , como o Harry só tinha provado um bombom de melaço desde manhã cedo , estava ansioso por chegar a a escola para ir comer . Despediram se de o Hagrid e regressaram a o castelo . O Ron a vomitar de vez em quando , mas deitando só duas pequenas lesmas . Mal tinham pisado a entrada de o vestíbulo quando ouviram uma voz . - Aí estão vocês , Potter , Weasley . - A professora Mc_Gonagall vinha em direcção a eles com o seu ar severo . - Vocês os dois vão ter as punições hoje a a tarde . - O que é_que vamos fazer , professora ? - perguntou o Ron nervoso , deixando cair uma lesma . - Tu vais limpar as pratas em a sala de os troféus com Mr._Filch - disse a professora Mc_Gonagall . - E nada de mágicas , Weasley , trabalho com esforço . Ron engoliu em seco . Argus_Filch , o encarregado , era odiado por todos os alunos de a escola . - E tu , Potter , vais ajudar o professor Lockhart a responder a as cartas de as suas fãs - ordenou a professora Mc_Gonagall . - Oh , não ! Não posso ir também trabalhar em a sala de os troféus ? - pediu Harry em desespero de causa . - Nem pensar em isso - respondeu a professora Mc_Gonagall , erguendo as sobrancelhas . - O professor Lockhart requisitou te especialmente a ti . _ a as oito_em_ponto , os dois . Harry e Ron entraram em o salão em um estado de profundo desanimo com a Hermione atrás , ostentando uma expressão de * bem-voces-quebraram-as-regras-da-escola * . Harry não saboreou o empadão de carne como teria desejado . Tanto ele como o Ron achavam que tinham tido o pior de os castigos . -- O Filch vai reter me lá toda_a noite - disse Ron , desanimado . - Sem mágica ! Deve haver umas cem taças em aquela sala , eu não sei fazer limpeza de Muggles . - Eu trocava contigo de boa_vontade - confessou Harry em uma voz surda . - Tive montes de prática com os Dursleys . Responder a o correio de fãs de o Lockhart , que pesadelo ... A tarde de sábado pareceu derreter se . Pouco depois eram já cinco para as oito e Harry arrastava se até a o corredor de o segundo andar onde ficava o escritório de o Lockhart . Rangendo os dentes , bateu a a porta . A porta abriu se imediatamente e Lockhart dirigiu se lhe . - Ah , cá está o patifório ! - exclamou . - Entra , Harry , entra . Em as paredes , brilhando à_luz_de muitas velas , podia ver se uma infinidade de fotografias de Lockhart . Algumas de elas até assinadas . Sobre a secretária estava outro monte enorme . - Podes pôr as moradas em os envelopes - disse Lockhart_a_Harry , como_se fosse uma grande ameaça . - O primeiro é para Gladys_Gudgeon , abençoada seja , uma grande fã minha . Os minutos passavam lentos . De vez em quando , Harry ouvia a voz de Lockhart dizendo : - Mmm - e - certo - e - sim . - De vez em quando , apanhava uma frase como : - A fama é versátil , amigo Harry - ou - Só é célebre quem faz por isso , nunca te esqueças . As velas ardiam cada_vez com maior lentidão , fazendo a luz dançar sobre as muitas caras de Lockhart que o olhavam . Harry passava a mão , já dorida , sobre o que devia ser o centésimo envelope , escrevendo a morada de Verónica_Smethley . « Deve estar quase em a hora de me ir embora » , pensou , sentindo se profundamente infeliz , « por favor , faz com que esteja em a hora ... » E então ouviu algo , algo totalmente diferente de o crepitar de as velas e de os ditos de Lockhart sobre as suas fãs . Era uma voz , uma voz de arrepiar os ossos , de cortar a respiração , de veneno frio . - * _ Vem ... vem ter comigo ... deixa me rasgar te ... cortar te ... matar te * ... Harry deu um salto e uma enorme mancha lilás surgiu em a rua de Verónica_Smethley . - O quê ? - disse ele em voz alta . - Eu sei - exclamou Lockhart . - Seis meses inteirinhos em o topo de a lista de * bestsellers * , bati todos os recordes ! - Não - disse Harry nervosíssimo - aquela voz ! - Como ? - perguntou Lockhart , com um ar confuso . - Que voz ? - Aquela , aquela voz que disse ... não ouviu ? Lockhart olhava para Harry com o maior espanto . - De que é_que estás a falar , Harry ? Estás a ficar com sono ? Meu Deus , olha , só estamos aqui há quase quatro horas , quem diria ? O tempo passou a correr , não é verdade ? Harry não respondeu , estava a fazer um esforço para ouvir de_novo a voz , mas o único som que ouviu foi Lockhart a dizer lhe que não esperasse um tratamento igual de as próximas vezes que fosse castigado . Harry saiu , sentindo se atordoado . Era tão tarde que a sala comum de os Gryffindor estava quase vazia . Harry foi directamente para o dormitório . Ron ainda não tinha voltado . Vestiu o pijama , meteu se em a cama e esperou . Meia_hora mais tarde , chegou o Ron agarrado a o braço direito e inundando o quarto escuro de um forte cheiro a limpa-pratas . - Doem me todos os músculos - resmungou , metendo se em a cama . - Ele fez me polir catorze vezes aquela taça de Quidditch até estar satisfeito . E depois tive outro vómito em_cima_de um troféu de Reconhecimento por serviços prestados a a escola . Demorei séculos a limpar o muco de as lesmas . Como correram as coisas com o Lockhart ? Em voz baixa para não acordar o Neville , o Dean e o Seamus , Harry contou lhe , palavra por palavra , o que tinha ouvido . - E Lockhart disse que não ouviu nada ? - perguntou o Ron . Harry viu o franzir a testa , a a luz de o luar . - Achas que estava a mentir ? Mas , não percebo , mesmo um ser invisível teria aberto a porta . - Eu sei - disse Harry , encostando se a a cama e olhando para o dossel . - Também não compreendo . VIII_A festa de o dia de os mortos Outubro chegou , espalhando um frio húmido por os campos e por os cantos de o castelo . Madam_Pomfrey , a enfermeira-chefe , esteve bastante ocupada com uma onda de constipações que afectou professores e alunos . A sua poção de pimentão entrou imediatamente em acção apesar_de deixar quem a tomava com fumo em os ouvidos durante várias horas . Ginny_Weasley , que andava com ar adoentado , foi convencida a tomá a por o Percy . O fumo que saía por debaixo de o seu cabelo ruivo dava a impressão de que toda_a cabeça estava em fogo . Gotas de chuva de o tamanho de balas agrediram as janelas de o castelo durante dias a fio . O lago rosado e os canteiros de flores tornaram se regatos lamacentos e as abóboras de o Hagrid incharam ficando de o tamanho de alpendres de jardim . Contudo , o entusiasmo de Oliver_Wood por as sessões de treino regular não foi abalado , motivo por o qual Harry iria regressar a a torre de os Gryffindor , em um sábado a a tarde de temporal , alguns dias antes de o * _ Hallowe'en * , ensopado até a os ossos e todo enlameado . Além de a chuva e de o vento , não fora um treino feliz . Fred e George que tinham andado a espiar a equipa de os Slytherin tinham visto com os seus próprios olhos a velocidade alucinante de aquelas novas Nimbus dois_mil_e_um e comentaram que a equipa em o ar parecia composta por sete manchas esverdeadas que disparavam a_toda_a velocidade como aviões a jacto . Enquanto Harry chapinhava a o longo de o corredor deserto , cruzou se com alguém que parecia tão preocupado como ele : Nick quase sem cabeça , o fantasma de a torre de os Gryffindor que olhava taciturno , por a janela , murmurando baixinho : - Não preenche os requisitos , um centímetro e meio se ... - Olá , Nick - cumprimentou Harry . - Olá , olá - disse o Nick quase sem cabeça , começando a olhar em volta . Usava um arrebatado chapéu de plumas sobre a longa cabeleira encaracolada e uma túnica com gola de tufos que disfarçava o facto de ter o pescoço quase totalmente separado de o corpo . Era pálido como o fumo e Harry podia ver através de ele o céu negro e a chuva torrencial , lá fora . - Pareces preocupado , jovem Potter - disse Nick , dobrando uma carta transparente , enquanto falava e escondendo a dentro de a jaqueta . - Tu também - retorquiu Harry . - Ah ! - o Nick quase sem cabeça acenou com a mão de forma elegante . - Uma questão sem importância . Não é_que eu quisesse realmente participar apesar_de me ter inscrito , mas , a o que parece , não preencho os requisitos . - Apesar de o seu tom jovial havia em o seu rosto uma grande amargura . - Mas era de esperar , ou não era - exclamou subitamente , tirando a carta de o bolso - que ter levado quarenta_e_cinco golpes em a cabeça com um machado ferrugento me qualificaria para entrar em o grupo de os Sem - _ Cabeça ? - Sim , sim - respondeu Harry que obviamente o outro esperava que concordasse . - Isto_é , ninguém mais do_que eu desejaria que tudo tivesse sido rápido e perfeito , poupava me muitas dores e ridículo . Mas ... O Nick quase sem cabeça abriu , furioso , a carta e leu : * _ Só podemos aceitar em o grupo homens cuja cabeça tenha sido separada de o corpo . Compreenderá que de outro modo seria impossível a os nossos membros participarem em actividades como equitação de malabarismos com a cabeça e pólo de cabeça . Lamentamos profundamente informá o de que não preenche os requisitos . * _ Os nossos melhores cumprimentos , Sir_Patrick_Delaney - _ Podmore * Furioso , o Nick quase sem cabeça atirou fora a carta . - Um centímetro de pele e tendões a segurarem me a cabeça , Harry ! A maior parte de as pessoas acharia que era mais do_que o suficiente , mas não serve para o senhor correctamente decapitado Podmore . Nick quase sem cabeça respirou fundo várias vezes e , por fim , em um tom bastante mais calmo perguntou : - Então o que é_que te preocupa ? Alguma coisa que eu possa fazer por ti ? - Não - respondeu Harry . - A_não_ser_que saibas onde posso arranjar sete Nimbus dois_mil_e_um , de_graça , para o nosso campeonato contra os Sly ... - o resto de a frase foi afogada por um miado agudo vindo de perto de os seus tornozelos . Olhou para baixo e deu consigo a fitar um par de olhos que pareciam duas lâmpadas amarelas . Era_Mrs._Norris , a gata cinzenta e esquelética usada por o encarregado Argus_Filch como uma espécie de polícia em a sua infindável batalha contra os estudantes . - É melhor saíres de aqui , Harry - preveniu Nick com toda_a calma . - O Filch não está nada bem-disposto . Anda engripado e alguns alunos de o terceiro ano , por acidente , encheram o tecto de o calabouço cinco de miolos de rã . Ele tem andado toda_a manhã a limpar e se te vê a encher tudo de lama ... - Certo - disse Harry , recuando e afastando se de o olhar acusador de Mrs._Norris , mas ... tarde de mais . Conduzido até ali por o misterioso poder que parecia ligá o a a gata , Argus_Filch entrou subitamente por uma tapeçaria que se encontrava a a direita de Harry , com a sua respiração asmática , olhando vivamente em volta em busca de o infractor . Tinha um lenço grosso , de xadrez , a a volta de a cabeça e o nariz invulgarmente arroxeado . - Imundície - gritou com os maxilares a tremer e os olhos a saltarem lhe de as órbitas , enquanto apontava para a poça de lama que pingara de a túnica de Quidditch_de_Harry . - Desarrumação e imundície em todo o lado . Estou farto disto , segue me , Potter . Harry despediu se de o Nick quase sem cabeça com um tímido aceno e seguiu Filch até lá abaixo , duplicando o número de pegadas lamacentas em o chão . Nunca entrara em o gabinete de o Filch . Era um lugar que a maior parte de os estudantes evitava . A divisão era sombria e sem janelas , iluminada por uma única lamparina de óleo que pendia de o tecto . Sentia se um vago cheiro a peixe frito . As paredes estavam forradas por ficheiros de madeira . Por as etiquetas Harry percebeu que continham os dados de todos os alunos que Filch tinha punido . Fred e George_Weasley tinham uma gaveta só para eles . Atrás de a secretária estava pendurada uma colecção bem polida de correntes e algemas . Todos sabiam que ele estava sempre a pedir a Dumbledore que o deixasse pendurar os alunos em o tecto por os tornozelos . Filch pegou em uma pena que estava sobre a secretária e começou a procurar o pergaminho . - Bosta - murmurou , furioso . - Bosta de dragão , miolos de rã , intestinos de ratazana ... eu tinha aqui bastante , onde está o form ... sim ... Tirou um enorme rolo de pergaminho de a gaveta de a secretária e estendeu o em a frente , molhando a longa pena em o tinteiro . - Nome : Harry_Potter . Crime ... - Foi só um bocadinho de lama - disse Harry . - É só um bocadinho de lama para ti , rapaz , mas para mim é mais de uma hora a esfregar - gritou Filch com um pingo a tremer de modo desagradável em a extremidade de o nariz bolboso . - Crime : manchar o castelo . Sentença proposta ... Esfregando o nariz que continuava a pingar , Filch olhou com má cara para Harry que esperava com a respiração entrecortada para ouvir a sentença . Mas quando Filch pegou em a pena ouviu se um estrondo enorme em o tecto que fez a lamparina apagar se . - PEEVES - resmungou Filch , pousando a pena , cheio de raiva . - Desta_vez apanho te . Apanho te ! E sem olhar para trás , saiu a correr a_toda_a velocidade de o gabinete , seguido de a gata , Mrs._Norris . Peeves era o * poltergeist * de a escola , uma ameaça de risota esvoaçante que vivia para fazer estragos e criar aflição . Harry não gostava lá muito de ele , mas desta_vez , não podia deixar de lhe estar grato . Na_melhor_das_hipóteses o que Peeves tivesse feito ( e parecia que agora ele destruíra qualquer coisa em grande ) distrairia Filch_de_Harry . Pensando que o melhor seria esperar que ele voltasse , Harry deixou se cair em uma cadeira carcomida por o tempo que se encontrava junto de a secretária . Havia uma coisa sobre o tampo : um grande envelope roxo e lustroso com letras prateadas em a frente . Lançando um olhar rápido a a porta para confirmar que Filch não estava de volta , Harry pegou lhe e leu : __ feitiço __ rápido Um curso por correspondência De iniciação a a magia Cheio de curiosidade , abriu o envelope e retirou o rolo de pergaminho . Uma letra curvilínea e prateada dizia : Sente se pouco a a vontade em o mundo de a magia moderna ? Dá consigo a arranjar desculpas para não fazer feitiços simples ? Tem sido censurado por o deplorável trabalho com a varinha ? Eis a resposta ! Feitiço rápido e um curso totalmente novo , infalível , de resultados rápidos e rápida aprendizagem . Centenas de bruxas e feiticeiros têm beneficiado de o método feitiço rápido ! Madam_Z._Nettles_de_Topsham escreve nos : Eu não conseguia fixar os encantamentos e as minhas poções eram alvo de risota em a família . Agora , depois de o curso feitiço rápido , tornei me o centro de as atenções em todas_as festas e os meus amigos não param de pedir me a receita de a minha brilhante solução ! O mágico D.J._Prod , de Disbury , afirma : A minha mulher costumava rir se de os meus fracos encantamentos , mas bastou um mês com o vosso fabuloso curso feitiço rápido e consegui transformá a em um iaque . Obrigado , feitiço rápido ! Fascinado , Harry folheou o resto de o conteúdo de o envelope . Para que diabo quereria o Filch um curso de feitiço rápido ? Não seria ele um feiticeiro a sério ? Harry estava a ler a lição número um : Pegando em a varinha ( algumas dicas úteis ) quando umas passadas arrastadas , lá fora , o preveniram de que Filch estava de volta . Metendo rapidamente o pergaminho dentro de o envelope , lançou o para_cima de a secretária em o preciso momento em que a porta se abriu . Filch ostentava um ar triunfante . - Aquele armário que desapareceu era extremamente valioso - vinha ele a dizer a a gata , Mrs._Norris . - Desta_vez vamos correr com o Peeves , minha linda . Os seus olhos recaíram sobre Harry e logo_a_seguir sobre o envelope de o feitiço rápido que , Harry apercebeu se tarde de mais , estava meio metro distanciado de o seu lagar inicial . O rosto pálido de Filch tornou se vermelho escarlate . Harry preparou se para uma nova onda de fúria . Filch coxeou até a a secretária , arrebatou o envelope e meteu o em uma gaveta . -- Chegaste a ... lê o ? - perguntou atabalhoadamente . - Não - mentiu Harry , sem perder tempo . As mãos nodosas de o Filch contorciam se ao_mesmo_tempo . - Se eu soubesse que ias ler a minha correspondência priv ... não que seja minha ... é para um amigo ... mesmo_assim ... Harry olhava para ele espantado . Nunca vira o Filch tão louco . Os olhos pareciam querer saltar lhe de as órbitas , com um tique em as bochechas e aquele lenço axadrezado que não ajudava nada ... - Muito bem , vai e não abras a boca sobre isto ... não que ... mesmo_assim ... se tu não leste ... vai te embora , tenho de escrever o relatório sobre o Peeves , vai . Atordoado com a sua sorte , Harry saiu de ali e largou a correr por o corredor fora e por as escadas acima . Sair de o gabinete de o Filch sem um castigo devia ser um recorde em a escola . - Harry , Harry , deu resultado ? O Nick quase sem cabeça saiu a brilhar de uma sala de aula . Atrás de ele , Harry pôde ver os destroços de um grande armário preto e dourado que parecia ter sido atirado de uma grande altura . - Convenci o Peeves a parti o mesmo em cima de o gabinete de o Filch - disse Nick entusiasmado . - Pensei que talvez o distraísse . - Foste tu ? - exclamou Harry , agradecido . - Funcionou sim . Ele não me deu nenhum castigo . Obrigado , Nick . Atravessaram o corredor juntos . O Nick quase sem cabeça , reparou Harry , ainda tinha em a mão a carta de Sir_Patrick . - Gostaria de poder fazer qualquer coisa sobre o grupo de os Sem - _ Cabeça - disse Harry . O Nick quase sem cabeça parou de repente e Harry passou através de ele . Antes não tivesse passado , foi como atravessar um duche gelado . - Mas há uma coisa que tu podes fazer por mim - disse Nick muito agitado . - Harry , seria pedir te de mais ... mas não , tu não ias querer ... - O quê ? - Bem , este ano em o * _ Hallowe'en * vai ser o meu meio milénio de dia de os mortos - disse o Nick quase sem cabeça endireitando se e adquirindo uma postura de grande dignidade . - Oh - respondeu Harry sem saber se deveria lamentar ou dar lhe os parabéns . - Certo . - Vou dar uma festa em um de os calabouços mais amplos . Vêm amigos meus de todo o país . Seria uma honra muito grande se tu aparecesses . Mr._Weasley e Miss_Granger seriam também muito bem-vindos , claro . Mas tu deves preferir o banquete de a escola , não é verdade ? - Olhou para Harry , aflito . - Não - assegurou ele rapidamente . - Eu vou . - Oh rapaz , Harry_Potter em a minha festa de os mortos - hesitou no_meio_de toda aquela excitação . - Achas que poderias referir a Sir_Patrick como me achas assustador e como te impressiono ? - É claro que sim - assegurou Harry . O Nick quase sem cabeça iluminou se em um sorriso . - Uma festa de os mortos ? - exclamou Hermione , entusiasmada , quando Harry , depois de mudar de roupa , se juntou a ela e a o Ron em a sala comum . - Aposto que não há muitas pessoas que possam gabar se de ter estado em uma festa de essas . Vai ser fantástico ! - Por_que é_que alguém se lembraria de festejar o dia em que morreu ? - perguntou o Ron que estava a meio de o seu trabalho de casa de poções e bastante maldisposto . - Parece me bastante mórbido . A chuva continuava a lamber as janelas que apresentavam agora um negro que parecia tinta , mas , lá dentro , era tudo claro e alegre . O fogo em a lareira brilhava sobre as inúmeras cadeiras de braços onde as pessoas estavam sentadas a ler , a conversar , a fazer os trabalhos de casa ou , no_caso_de Fred e George_Weasley , a tentar descobrir o que aconteceria se alimentassem uma salamandra com fogo-de-artíficio de o Filibuster . O Fred tinha « resgatado . o lagarto cor de laranja brilhante , morador de o fogo , de uma aula de tratamento de seres mágicos e ele estava agora a arder em fogo lento sobre uma mesa , rodeado de um grupo de curiosos . Harry ia começar a contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre o Filch e o curso de feitiço rápido quando a salamandra disparou por os ares , lançando faíscas e estoiros . A visão de Percy a gritar com Fred e George até ficar ronco , a fantástica exibição de estrelas cor de tangerina que choviam de a boca de a salamandra e a sua fuga para o lume acompanhada de explosões , fizeram com que Harry se esquecesse , em aquele momento , de Filch e de o curso de feitiço rápido . Quando chegou o * _ Hallowe'en * , Harry já lamentava a sua promessa imprudente de ir a a festa de os mortos . Toda_a escola antecipava , feliz , a sua festa de * _ Hallowe'en * . O salão nobre fora enfeitado com os habituais morcegos , as enormes abóboras de Hagrid tinham sido esculpidas em forma de lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro_de cada uma , e havia boatos de que Dumbledore contratara um grupo de esqueletos bailarinos para animar a festa . - Uma promessa é uma promessa - lembrou Hermione_a_Harry com o seu autoritarismo habitual . - Tu disseste que ias a a festa de os mortos . Portanto , a as sete_da_tarde , Harry , Ron e Hermione saíram , passando por a porta de o salão nobre que brilhava de modo convidativo com pratos dourados e velas e dirigiram os seus passos para os calabouços . O corredor que conduzia a a festa de o Nick quase sem cabeça tinha sido também ladeado de velas , embora o efeito estivesse longe_de ser alegre : estas eram velas muito esguias e estreitas , negras de breu , ardendo em um azul brilhante e lançando uma luz indistinta e espectral também sobre as caras de as pessoas vivas . A temperatura diminuía a cada degrau que desciam . Harry tremia e cingia a túnica a o corpo quando ouviu qualquer coisa que parecia uma centena de unhas a rasparem um enorme quadro preto . - Será que isto_é a música ? - murmurou Ron . Viraram uma esquina e viram o Nick quase sem cabeça junto de uma porta , todo vestido de veludo negro . - Meus queridos amigos - disse com ar de luto . - Bem-vindos , bem-vindos , ainda_bem que puderam vir . Em um gesto largo tirou o chapéu de plumas e fez lhes sinal para que entrassem . Era uma visão incrível . O calabouço estava cheio com centenas de pessoas de um branco pálido e translúcido , a maior parte de as quais era arrastada em uma pista de dança cheia , valsando a o som de trinta serrotes musicais . Os serrotes que compunham a orquestra encontravam se sobre um estrado enfeitado com panos negros . Um lustre lá em cima resplandecia de um azul nocturno com mais um_milhar de velas negras . A respiração de os três subiu em o ar como uma neblina . Parecia que tinham entrado em um congelador . - Vamos dar uma volta - sugeriu Harry em uma tentativa de aquecer os pés . - Cuidado , não atravessem nenhum de eles - avisou o Ron nervosamente e colocaram se em volta de a pista de dança . Passaram por um grupo escuro de freiras , por um homem esfarrapado e cheio de correntes e por o frade gordo , o divertido fantasma de os Hufflepuff que estava a conversar com um cavaleiro com uma seta enfiada em a testa . Harry não ficou nada surpreendido a o ver que o Barão sangrento , o fantasma lúgubre e berrante de os Slytherin , coberto de nódoas de sangue ; estava a ser totalmente evitado por os outros fantasmas . - Oh ! Não -- exclamou Hermione , parando bruscamente . - Voltem se , voltem se , não quero ter de cumprimentar a Murta_Queixosa . - Quem ? - perguntou Harry enquanto davam rapidamente meia volta . - Ela assombra a casa_de_banho de as raparigas de o primeiro andar - explicou Hermione . - Assombra uma casa_de_banho ? - Sim . Está inoperativa durante todo o ano porque ela tem constantes acessos de choro e inunda tudo . Eu só lá fui quando não pode mesmo evitar . É horrível tentar ir a a sanita com ela a gritar connosco . - Olhem , comida - disse o Ron . De o outro lado de o calabouço estava uma mesa igualmente coberta de velado negro . Iam para se aproximar entusiasmados , mas pararam com uma expressão de horror . O cheiro era nauseabundo . Enormes peixes podres enchiam as bonitas travessas de prata , os bolos estorricados como carvões amontoavam se em as salvas , havia uma grande quantidade de miúdos de macaco , uma tábua de queijos cobertos de bolor e , em o lugar de honra , um enorme bolo cinzento em forma de lápide com letras que pareciam alcatrão formando as palavras , * _ Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington_Morto em 31_de_Outubro , 1492 * . Harry olhou espantado quando um fantasma de porte majestoso se aproximou de a mesa inclinando se e passando através de ela com a boca aberta enquanto atravessava um salmão malcheiroso . - Consegue prová o passando através de ele ? - perguntou lhe Harry . - Quase - disse tristemente o fantasma antes de se afastar . - Devem ter deixado apodrecer tudo_isto para ter um sabor mais forte - comentou Hermione com ar de quem está bem informada , tapando o nariz e aproximando se para ver melhor os pútridos miúdos de macaco . - Podemos sair de aqui , estou a sentir me agoniado - disse o Ron . Mas mal tinham dado meia volta quando um homenzinho pequenino saiu inesperadamente de debaixo de a mesa e fez uma paragem em o ar em frente de eles . - Olá , Peeves - disse Harry cautelosamente . Ao_contrário de os outros fantasmas que os rodeavam , Peeves , o * poltergeist * era o oposto de pálido e transparente . Usava um chapéu festivo cor de laranja , um laço rotativo a o pescoço e tinha um sorriso grosseiro de malvadez , em o rosto . - Querem petiscar ? - perguntou delicadamente , oferecendo lhes uma taça de amendoins cobertos de fungos . - Não , obrigada - disse Hermione . - Ouvi te falar sobre a pobre Murta - disse Peeves com os olhos a bailar . - Que insensível que tu foste para com a pobre Murta - respirou fundo e gritou : - Oh Murta . - Oh ! Não , Peeves , não lhe contes o que eu disse , ela vai ficar muito aborrecida - murmurou Hermione bastante nervosa . - Eu não queria dizer que ... eu não me importo que ela , er , olá , Murta . O espectro atarracado de uma rapariga deslizara . Tinha o rosto mais carrancudo que Harry alguma vez vira , meio escondido por o cabelo liso e por os óculos grossos cor de pérola . - O que é ? - perguntou mal-humorada . - Como estás Murta ? - perguntou Hermione , em uma voz falsamente alegre . - É bom ver te fora de a casa_de_banho . Murta fungou . - Miss_Granger estava justamente a falar de ti - disse lhe Peeves baixinho a o ouvido . - A dizer , a dizer ... como estás bonita esta noite -- terminou Hermione , olhando irritada para Peeves . A Murta olhou para Hermione desconfiada . - Estão a divertir se a a minha custa - disse , com lágrimas de prata a encherem lhe rapidamente os olhos pequeninos . - Não , a sério , eu não estava a dizer vos como a Murta estava bonita esta noite ? - disse Hermione , dando uma palmada em as costas de o Harry e de o Ron . - Sim , sim . - Ela ... - Não me venham com mentiras - protestou a Murta , as lágrimas agora a descerem lhe por o rosto , enquanto Peeves ria baixinho por cima de o ombro de ela . - Julgam que eu não sei o que as pessoas me chamam em as minhas costas ? A Murta gorda , a Murta feia , a Murta queixosa , a Murta deprimida ! - Esqueceste te de « a Murta ponto negro » - sussurrou lhe Peeves a o ouvido . A Murta_Queixosa irrompeu em soluços de angústia e fugiu de o calabouço . Peeves disparou atrás de ela , lançando lhe uma chuva de amendoins cheios de bolor e gritando : Ponto negro ! Ponto negro ! - Oh , coitada ! - exclamou Hermione com tristeza . O Nick quase sem cabeça abria agora caminho entre a multidão para se aproximar de eles . - Estão a divertir se ? - Sim , sim - mentiram . - Uma afluência nada má - disse orgulhoso o Nick quase sem cabeça . - A viúva chorosa veio de Kent ... está quase em a hora de o meu discurso . É melhor ir avisar a orquestra . Mas a orquestra parou de tocar em esse preciso momento . Eles , e todos os outros em o calabouço , ficaram em silêncio total , olhando em volta cheios de excitação quando se ouviu uma trompa de a caça . - Lá vêm eles - disse o Nick quase sem cabeça , com alguma amargura em a voz . Por o calabouço irromperam uma_dúzia de , cavalos fantasmas , cada_um montado por um cavaleiro sem cabeça . A assistência aplaudiu vivamente . Harry começou também a bater palmas , mas parou rapidamente quando viu a cara de o Nick . Os cavalos galoparam até a o meio de a pista de dança e pararam , empinando se , dando pequenos passos para a frente e para trás , sobre as patas traseiras . Um fantasma grande em a frente , cuja cabeça barbuda estava debaixo de o braço , soprando a trompa , desmontou , levantou a cabeça bem em o ar para poder ver toda_a assistência ( todos se riam ) e dirigiu se a o Nick quase sem cabeça , comprimindo a cabeça contra o pescoço . - Bem-vindo , Patrick - disse o Nick , mantendo a sua postura rígida . - Gente viva ! - exclamou o Sir_Patrick , avistando Harry , Ron e Hermione e dando um salto de falso espanto , de_tal_modo_que a cabeça lhe caiu de_novo ( a multidão ria a bom rir ) . - Muito engraçado - disse o Nick quase sem cabeça com um ar soturno . - Não ligues a o Nick - gritou a cabeça de Sir_Patrick de o chão . - Ainda está aborrecido por não o deixarmos juntar se a o grupo . Mas olhem bem para ele ... - Eu acho - disse apressadamente Harry , a seguir a um olhar de o Nick - que o Nick é muito assustador e ... eu ... - Bah ! - gritou a cabeça de Sir_Patrick . - Aposto que ele te pediu que dissesses isso . - Gostaria de ter a vossa atenção . Chegou a altura de fazer o meu discurso - disse o Nick quase sem cabeça bem alto , dirigindo se a o pódio , subindo e parando , iluminado por uma luz azul . - Os meus sentimentos , senhores e senhoras , é com profundo pesar ... Mas já ninguém estava a ouvi o . Sir_Patrick e o resto de o grupo de os Sem - _ Cabeça tinham iniciado um jogo de hóquei de cabeça e a multidão voltara se para os observar . Nick quase sem cabeça tentou em vão recuperar a audiência , mas acabou por desistir quando a cabeça de Sir_Patrick passou por ele a_toda_a velocidade gritando vivas . Harry estava cheio de frio para não falar de a fome . - Não aguento mais isto - murmurou Ron a bater o dente enquanto a orquestra voltava a entrar em acção e os fantasmas enchiam de_novo a pista de dança . - Vamos embora - concordou Harry . Recuaram até a a porta , acenando e sorrindo a todos os que olhavam para eles e um minuto depois passavam apressadamente por a entrada cheia de velas negras . - Talvez o pudim ainda não tenha acabado - disse o Ron cheio de esperança , abrindo caminho em direcção a os degraus de o vestíbulo de a entrada . E foi então que Harry ouviu aquilo . - ... * _ Arrancar ... rasgar ... matar * ... Era a mesma voz , a mesma voz fria e assassina que ouvira em o escritório de Lockhart . Parou , agarrando se a a parede de pedra em a expectativa de ouvir melhor , olhando em volta , espreitando para_cima e para baixo de a passagem mal iluminada . - Harry que estás tu a ... ? - E aquela voz outra_vez , calem se um bocadinho . -- ... * _ Tanta fome ... há tanto tempo * ... - Ouçam insistiu Harry e Ron e Hermione ficaram estáticos a olhar para ele . - * _ Matar ... hora de matar * ... A voz ia ficando mais débil . Harry tinha a certeza de que ela estava a afastar se , a subir . Um misto de medo e excitação tomou posse de ele enquanto olhava para o tecto escuro . Como poderia ele subir ? Seria um fantasma para quem os tectos de pedra não contavam ? - Por aqui - gritou , começando a correr por as éscadas acima até a a entrada de o * hall * . Não havia hipótese de ouvir fosse o que fosse ali , o barulho de vozes que vinha de o banquete de o * _ Hallowe'en * ecoava cá fora . Harry subiu a correr a escadaria de mármore até a o primeiro andar com Ron e Hermione ruidosamente atrás . - Harry o que é_que nós ... ? - Sch ... Harry apurou o ouvido . Ao_longe , em o andar de cima , e ainda a enfraquecer , mesmo_assim ouviu a voz : - ... * Cheira-me a sangue ... cheira me a sangue ! * O estômago deu lhe uma volta . - Ele vai matar alguém - gritou e ignorando as caras perplexas de Ron e Hermione , correu , subindo mais um lanço de escadas , a três_e_três , tentando ouvir através de o ruído de os seus próprios passos . Harry correu a_toda_a velocidade pelo segundo andar com Ron e Hermione atrás e só parou quando viraram uma esquina para o último corredor abandonado . - Harry , o que foi aquilo tudo ? - perguntou o Ron , limpando o suor de o rosto . - Eu não ouvi nada ... Mas Hermione , em um sobressalto , apontou para o fundo de o corredor . - Olhem ! Alguma coisa brilhava em a parede em frente . Aproximaram se devagarinho , tentando ver em a escuridão . Alguém escrevera em letras garrafais em a parede entre duas janelas . As palavras brilhavam a a chama fraca de as tochas . : __ a câmara de os segredos foi aberta . inimigos de o herdeiro , __ cuidado . - O que é aquilo pendurado por baixo de as letras ? - perguntou Ron com um tremor em a voz . Quando se aproximaram , Harry quase escorregou . Havia uma grande poça de água em o chão . Ron e Hermione agarraram o e avançaram cautelosamente até a a mensagem , os olhos fixos em uma sombra escura , em baixo . Aperceberam se os três de imediato do_que se tratava e deram um salto para trás , salpicando tudo de água . Mrs._Norris , a gata de o encarregado , estava pendurada por a cauda em o suporte de a tocha . Tinha o corpo rígido como uma tábua e os olhos abertos . Durante alguns segundos ninguém se mexeu . Depois o Ron disse : - Vamos sair de aqui . - Não devíamos tentar ajudar ? - propôs Harry , sem graça . - Acredita - assegurou o Ron . - É melhor que não nos encontrem aqui . Mas era tarde de mais . Um ruído surdo e prolongado , como um trovejar distante , avisou os de que o festim tinha terminado . De ambos os lados de o corredor onde eles estavam , veio o som de centenas de pés a subirem a escadaria e as vozes alegres de gente bem alimentada . Em o momento seguinte os alunos chegavam junto de eles de ambos os lados . O burburinho morreu subitamente mal as pessoas avistaram a gata pendurada . Harry , Ron e Hermione estavam de pé , sozinhos , em o meio de o corredor quando se fez silêncio em a multidão de estudantes que se empurravam para observar aquele quadro macabro . Então alguém gritou , quebrando o silêncio . - Inimigos de o herdeiro , cuidado . Vocês serão os próximos , sangue de lama ! Era_Draco_Malfoy . Estava a a frente de a multidão com os olhos frios a brilhar , a sua cara habitualmente pálida agora afogueada , sorrindo a a vista de a gata pendurada e imóvel . IX_As palavras em a parede -- O que é_que se passa aqui ? O que é_que se passa ? Sem dúvida , atraído por o grito de Malfoy , Argus_Filch apareceu a coxear em o meio de a multidão . Quando viu Mrs._Norris , caiu para trás agarrando o rosto com verdadeiro horror . - A minha gata ! A minha gata ! O que aconteceu a Mrs._Norris ? - gritou . E os seus olhos rápidos caíram sobre Harry . - Tu - guinchou ele . - Mataste a minha gata ! Mataste a , vou dar cabo de ti , eu ... - Argus . Dumbledore tinha chegado a o lugar , seguido de alguns professores . Em poucos segundos tinha passado a a frente de Harry , Ron e Hermione e desatado Mrs._Norris de o suporte de a tocha . - Vem comigo , Argus - disse ele a o Filch . - Vocês também , Mr._Potter , Mr._Weasley e Miss_Granger . Lockhart deu rapidamente um passo em frente . - O meu escritório é o que está mais perto , senhor director , é já aqui em cima , por favor fiquem a a vontade . - Obrigado , Gilderoy - disse Dumbledore . A multidão silenciosa dividiu se para os deixar passar . Lockhart sentindo se excitado e importante , seguia Dumbledore assim_como a professora Mc_Gonagall e o professor Snape . Quando entraram em o escritório escuro de Lockhart houve uma grande agitação em as paredes . Harry viu várias imagens de Lockhart a esconderem se cheias de rolos em o cabelo . O Lockhart em pessoa acendeu as velas e chegou se mais para trás . Dumbledore pôs Mrs._Norris em a superfície polida de a secretária e começou a examiná a . Harry , Ron e Hermione trocaram olhares tensos entre si e deixaram se cair em as cadeiras que se encontravam longe de a luz , a observar . A ponta de o nariz longo e adunco de Dumbledore estava a menos_de dois centímetros de o pêlo de Mrs._Norris . Ele olhava a de perto através de os óculos de meia-lua , os dedos longos a palpar e tactear suavemente . A professora Mc_Gonagall estava quase tão perto como ele , com os olhos contraídos . Snape surgia mais atrás , meio em a sombra , com uma expressão estranha em o rosto , como_se tentasse a_toda_a força sorrir . E Lockhart andava de um lado para o outro a dar sugestões . - Foi sem dúvida uma maldição que a matou , provavelmente a tortura de a metamorfose . Vi a muitas_vezes ser usada , mas infelizmente eu não estava lá quando isto aconteceu . Conheço o antídoto para essa maldição , o que a teria salvo . Os comentários de Lockhart foram interrompidos por os soluços secos e violentos de Filch . Estava afundado em uma cadeira junto de a secretária , incapaz de olhar para Mrs._Norris , com o rosto em as mãos . Por mais que detestasse Filch , Harry não pôde deixar de sentir pena de ele embora não tanta quanto_a que sentia por si próprio . Se Dumbledore acreditasse em o Filch ele seria certamente expulso . O director estava agora a sussurrar umas palavras estranhas e batendo em Mrs._Norris com a varinha , mas não aconteceu nada , ela continuou com o mesmo aspecto , como_se tivesse sido empalhada . - ... Lembro me de uma coisa semelhante que aconteceu em Ouagadogou - disse LockLart . - Uma série de ataques . Conto essa história em a minha autobiografia . Eu dei a a gente de a cidade vários amuletos que resolveram logo a situação ... As fotografias de Lockhart em as paredes iam acenando afirmativamente com a cabeça enquanto ele falava . Uma de elas esquecera se de tirar os rolos de o cabelo . Por fim , Dumbledore endireitou se . - Ela não está morta , Argus - disse suavemente . Lockhart interrompeu bruscamente a contagem de os crimes que conseguira evitar . - Não está morta ? - disse Filch em um sufoco , olhando através de os dedos para Mrs._Norris . - Mas , porque está ela rígida e gelada ? - Foi petrificada - disse Dumbledore ( Ah ! foi o que eu pensei ! - comentou Lockhart ) mas como , não posso afirmar . - Pergunte lhe - gritou Filch , voltando a cara cheia de furúnculos e lágrimas para Harry . - Nenhum aluno de o segundo ano poderia ter feito isto - explicou Dumbledore . - Era preciso um grande conhecimento de magia negra . - Foi ele , foi ele - disse encolerizado o encarregado com a cara a ficar roxa . - O senhor viu o que ele escreveu em a parede . Ele descobriu em o meu gabinete , ele sabe que eu sou um ... - O rosto de Filch estava horrível . - Ele sabe que eu sou um * _ busca-pé * - disse por fim . - Eu não toquei em a Mrs._Norris - gritou Harry com todos os olhares a recaírem sobre ele , incluindo o de todos os Lockharts de a parede . - E eu nem sei o que é um * busca-pé * . - Mentira ! - gritou Filch . - Ele viu a minha carta de o feitiço rápido . - Se me permite que dê a minha opinião , senhor director - disse Snape , saindo de a sombra , e a sensação de mau presságio de Harry aumentou bastante . Certamente nada do_que Snape tinha para de dizer iria ajudá o . - O Potter e os amigos podiam estar simplesmente em o lugar errado em a altura errada - afirmou com um leve sorriso a torcer lhe a boca como_se tivesse as suas dúvidas . - Mas , temos aqui um conjunto de circunstâncias curiosas . Porque estavam eles afinal em o corredor ? Porque não estiveram presentes em a festa de o * _ Hallowe'en * ? Harry , Ron e Hermione começaram uma longa explicação sobre a festa de o dia de os mortos . - Estavam lá centenas de fantasmas , eles poderão confirmar que lá estivemos ... - Mas porque não foram a seguir a o banquete ? - perguntou Snape com os olhos pretos a brilharem a a luz de as velas . - Porquê ir até a aquele corredor ? Ron e Hermione olharam para Harry . - Porque , porque ... - balbuciou Harry , com o coração a querer saltar lhe de o peito , mas algo lhe disse que ia parecer muito rebuscado se lhes contasse que tinha sido levado até ali por uma voz sem corpo que só ele conseguia ouvir . - Porque estávamos cansados e queríamos ir para a cama - disse . - Sem jantar ? - inquiriu Snape com um sorriso triunfante a bailar lhe em o rosto lúgubre . - Não sabia que os fantasmas ofereciam em as suas festas comida para gente viva . - Não estávamos com fome - disse o Ron bem alto , enquanto o estômago se queixava de forma audível . O sorriso mesquinho de a Snape ampliou se . - Acho , senhor director , que Potter não está a dizer toda_a verdade - afirmou . - Talvez fosse boa ideia retirar lhe alguns privilégios , até ele estar disposto a contar nos a história toda . Pessoalmente , sugiro que seja retirado de a equipa de os Gryffindor até decidir ser honesto . - Francamente , Severus - exclamou a professora Mc_Gonagall com uma voz cortante . - Não vejo porquê impedir o rapaz de jogar Quidditch . Esta gata não levou pauladas em a cabeça dadas por nenhum cabo de vassoura . E não há provas de que o Potter tenha feito algo de mal . Dumbledore observava Harry com um olhar perscrutador . A voz tremeluzente de os seus olhos azuis fez Harry sentir que estava a ser passado a raios X. - Inocente até se provar que é culpado , Severus - disse com segurança . Snape estava furioso , assim_como Filch . - A minha gata foi petrificada ! - berrou , com os olhos a saltarem de as órbitas . - Quero ver um castigo ! - Vamos poder curá a , Argus - explicou pacientemente Dumbledore . - Madam_Sprout conseguiu arranjar algumas Mandrágoras . Logo_que tenham atingido o tamanho adulto , terei uma poção de Mandrágoras que reanimará Mrs._Norris . - Eu posso fazê a - interrompeu Lockhart . - Devo ter feito isso uma centena de vezes . Preparo uma golada de Mandrágora reconstituinte de olhos fechados ... - Perdão - disse Snape friamente -- , mas julgo que o professor de poções de esta escola ainda sou eu . Houve um silêncio bastante incómodo . - Vocês podem ir se embora - disse Dumbledore a o Harry , Ron e a Hermione . Eles saíram o mais depressa que puderam , sem ir a correr . Quando chegaram a o andar acima de o escritório de Lockhart , entraram em uma sala de aulas vazia e fecharam a porta devagarinho . Harry lançou um olhar de esguelha a as caras carrancudas de os amigos . - Acham que eu lhes devia ter falado de a voz que ouvi ? - Não - respondeu Ron , sem a mínima hesitação . - Ouvir vozes que mais ninguém ouve , não é bom sinal , nem em o mundo de os feiticeiros . Algo em a voz de Ron levou Harry a fazer a pergunta : - Tu acreditas em mim , não acreditas ? - Claro que sim - respondeu o Ron de imediato . - Mas tens de concordar que é esquisito ... - Eu sei que é esquisito - confirmou Harry . - É tudo esquisito . O que era aquilo escrito em a parede ? * _ A_Câmara foi aberta * , o que é_que significa ? - Sabes , faz me lembrar qualquer coisa - disse Ron lentamente . - Acho que alguém me contou uma história sobre uma câmara secreta em Hogwarts , talvez tenha sido o Bill ... - E que diabos é um * busca-pé * ? - perguntou Harry . Para sua surpresa , Ron abafou o riso . - Bem , em a verdade não tem graça nenhuma , mas como é o Filch ... - disse . - Um * busca-pé * é alguém que nasceu de uma família de feiticeiros , mas não tem poderes mágicos . É uma espécie de o oposto de os que vêm de famílias de Muggles , mas são feiticeiros . Os * busca-pé * são muito raros . Se o Filch está a tentar aprender magia em um curso rápido , acho que ele deve ser mesmo um busca-pé . Isso explicaria tudo , por_exemplo , porque detesta tanto os estudantes . - Ron sorriu satisfeito . - Tem inveja . Um relógio deu as horas , algures . - Meia-noite - disse Harry . - É melhor irmo nos deitar , antes que o Snape apareça e tente acusar nos de qualquer coisa . Durante alguns dias não se falou de outra coisa em a escola a não ser de o ataque a a gata , Mrs._Norris . Filch manteve o sucedido bem fresco em a memória de todos , andando de um lado para o outro em o lugar onde ela fora atacada , como_se esperasse por o responsável . Harry vira o esfregar a mensagem de a parede com a « solução removedora de toda_a porcaria mágica Mrs._Skower » , mas sem qualquer resultado . As palavras continuavam a brilhar tanto como antes sobre a pedra . Quando Filch não estava a patrulhar a cena de o crime , vagueava , de olhos avermelhados , por os corredores , perseguindo alunos insuspeitos e tentando aplicar lhes castigos por coisas como « respirar muito alto » ou « estar alegre » . Ginny_Weasley parecia muito perturbada com o destino de Mrs._Norris . Segundo Ron ela era uma amante de gatos . - Mas tu nem chegaste a conhecer bem Mrs._Norris - disse lhe Ron para a animar . - Com toda_a franqueza , estamos muito melhor sem ela . - O lábio de Ginny tremeu . - Não é costume acontecerem coisas de estas em Hogwarts - tranquilizou a . - Eles vão descobrir o safado que fez aquilo e põem o de aqui para fora em três tempos . - Só espero que tenha tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso . Estou a brincar , claro - acrescentou o Ron apressadamente a o ver a Ginny a empalidecer . O ataque afectara também Hermione . Era costume de ela passar muito_tempo a ler , mas agora parecia não fazer mais_nada . Nem respondia a o Harry e a o Ron quando lhe perguntavam o que estava a fazer e só acabaram por descobrir em a quarta-feira seguinte . Harry tivera de ficar até mais tarde em a sala de poções onde Snape o mandara raspar restos de larvas de as secretárias . Depois de um almoço comido a a pressa , ele foi lá acima encontrar se com Ron em a biblioteca e viu Justin_Finch - _ Fletchley , o rapaz de os Hufflepuff de herbologia que vinha em direcção a ele . Harry tinha acabado de abrir a boca para dizer um « Olá » quando Justin o viu , voltando se bruscamente e mudando de direcção . Harry foi encontrar o Ron em as traseiras de a biblioteca , a medir o trabalho de casa de história de a magia . O professor Binns pedira uma composição sobre a Assembleia_Medieval_de_Feiticeiros_Europeus com 90cm . De extensão . - Não posso crer que ainda me faltem 16cm - disse o Ron furioso , largando o pergaminho que se enrolou em forma de tubo - e que a Hermione fez um metro e trinta em aquela letra pequenina e apertadinha . - Onde está ela ? - perguntou Harry , agarrando em a fita métrica e desembrulhando o seu trabalho de casa . - Algures por aí - disse o Ron , apontando para as estantes . - _ a a procura de outro livro . Acho que ela está a tentar ler a biblioteca toda antes de o Natal . Harry contou a Ron que Justin_Finch - _ Fletchley tinha evitado falar lhe . - Não sei porque te preocupas com isso . Eu achei o um idiota - disse o Ron , escrevinhando e fazendo a letra o maior possível . - Todo aquele disparate sobre o Lockhart ser tão grande ... Hermione surgiu de o meio de as estantes . Parecia irritada e disposta , por fim , a falar com eles . - Todos os exemplares de * _ Hogwarts : Uma História * foram requisitados - disse , sentando se ao_lado_de Harry e Ron . - E há uma lista de espera de duas semanas . Quem me dera não ter deixado o meu exemplar em casa , mas não consegui que coubesse em a mala com todos os livros de o Lockhart . - Para que o queres ? - perguntou Harry . - Pelo mesmo motivo que toda_a_gente o quer - disse Hermione . - Para ler a lenda de a Câmara_dos_Segredos . - O que é isso ? - Precisamente . Não me lembro - disse Hermione , mordendo o lábio . - E não encontro a História em lugar nenhum . - Hermione , deixa me ler o teu trabalho - pediu Ron desesperado , olhando para o relógio . - Não , não deixo - respondeu Hermione com um ar severo . - Tiveste dez dias para o fazer . - Só preciso de mais quatro centímetros , vá lá ... A campainha tocou . Ron e Hermione encaminharam se para a História_da_Magia , discutindo . A História_da_Magia era a matéria mais chata de o programa . O professor Binns , que dava a cadeira , era o único professor fantasma e a coisa mais excitante que aconteceu em as suas aulas foi o dia em que entrou por o quadro preto . Já velho e enrugado , muita gente afirmava a seu respeito que ele não dera por_que tinha morrido . Pura e simplesmente levantara se um dia para ir dar aulas , deixando o corpo atrás , em um cadeirão em frente de a lareira de a sala de os professores . Desde esse dia a sua rotina mantivera se igual . Era hoje tão chato como fora sempre . Abriu as notas e começou a ler em um tom monocórdico como um velho aspirador até quase todos os alunos estarem em um estado de profunda dormência , acordando de vez em quando , para tomar nota de um nome ou de uma data , e voltando a adormecer . Estava a falar havia meia_hora quando aconteceu algo que nunca tinha acontecido . Hermione pôs o braço em o ar . O professor Binns olhou de relance , em o meio de a chatíssima aula sobre a Convenção_Internacional_de_Feiticeiros de 1289 , verdadeiramente espantado . - Miss ... er ... ? - Granger , professor . Poderia dizer nos alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Hermione em uma voz bem audível . O Dean_Thomas , que tinha estado sentado de boca aberta olhando para fora de a janela , saiu de o seu transe com um salto . A cabeça de Lavender_Brown saiu de os braços e o cotovelo de o Neville_Longbottom escorregou para fora de a secretária . O professor Binns piscou os olhos . - A minha matéria é História_da_Magia - disse em a sua voz seca e asmática . - Eu trato de factos , Miss_Granger , não de mitos e lendas - pigarreou produzindo um ruído que parecia o giz sobre o quadro e continuou : - Em Setembro de esse ano , uma subcomissão de feiticeiros de a Sardenha ... Parou de repente . A mão de Hermione estava de_novo em o ar . - Sim , Miss_Grant ? - Por favor , professor , as lendas não têm sempre um facto como base ? O professor Binns olhava para ela com tal espanto que Harry teve a certeza de que ele nunca , em tempo algum , fora interrompido por um aluno . - Bem - disse lentamente o professor Binns . - Sim , é uma afirmação que pode fazer se . - Olhou para Hermione como_se fosse a primeira vez que olhasse a sério para um estudante . - Contudo , a lenda de que me fala é tão extraordinária , mesmo grotesca ... Mas a aula inteira estava agora atenta a as palavras de o professor , que olhou indistintamente para todos eles . Harry poderia assegurar que ele estava absolutamente abismado por uma tão grande demonstração de interesse . - Muito bem - disse lentamente . - Ora vejamos ... a Câmara_dos_Segredos . Todos vocês sabem com certeza que Hogwarts foi fundada há mais de um_milhar de anos , não se conhece ao_certo a data , por os quatro maiores feiticeiros e feiticeiras de a época : Godric_Gryffindor , Helga_Hufflepuff , Rowena_Ravenclaw e Salazar_Slytherin . Construíram juntos este castelo , longe de os olhares curiosos de os Muggles porque em aquele tempo a magia era temida por as pessoas comuns e as bruxas e feiticeiros sofriam terríveis perseguições . Fez uma pausa , olhou indeciso em volta e prosseguiu : - Durante alguns anos , os fundadores trabalharam juntos em harmonia procurando outros mais novos que mostrassem sinais de possuir dotes mágicos e trazendo os para o castelo para aqui serem ensinados . Mas os desentendimentos surgiram entre eles . Começou a notar se uma divisão entre Slytherin e os outros . Salazar_Slytherin queria ser mais selectivo em relação a os alunos a serem admitidos em Hogwarts . Achava que os ensinamentos de magia deviam ficar dentro de as famílias de feiticeiros . Não lhe agradava a entrada em a escola de alunos de famílias Muggles porque os achava pouco dignos de confiança . Depois de algum tempo houve uma séria discussão sobre esse assunto entre Slytherin e Gryffindor e Slytherin abandonou a escola . O professor Binns fez uma nova pausa , fazendo beicinho o que o fazia parecer uma tartaruga enrugada . - Fontes fidedignas referem nos isto - disse . - Mas estes factos foram obscurecidos por a fantasiosa lenda de a Câmara_dos_Segredos . Conta a história que Slytherin construíra uma câmara oculta dentro de o castelo cuja existência os outros fundadores ignoravam . De_acordo com a lenda , Slytherin selou a Câmara_dos_Segredos para que ninguém pudesse abri a até o seu verdadeiro herdeiro chegar a a escola . O herdeiro , e apenas ele , poderia abrir a Câmara_dos_Segredos , libertar o horror que lá se encontrava e utilizá o para expurgar a escola de todos aqueles que eram indignos de aprender magia . Houve um silêncio quando ele se calou que não era o habitual silêncio de sono de as aulas de o professor Binns . Havia um desassossego em o ar enquanto todos continuavam a olhá o a a espera de mais . O professor Binns estava ligeiramente aborrecido . - A história toda é um disparate , claro - disse ele . - A escola foi revistada por várias vezes em busca de provas de a existência de essa câmara , por os feiticeiros e bruxas mais conhecedores . Não existe nada . Uma lenda que serviu apenas para assustar os ingénuos . A mão de Hermione estava novamente em o ar . - Professor , o que quer_dizer , ao_certo com « o horror que estava dentro de a câmara » ? - Acredita se que seja uma espécie de monstro que só o herdeiro de Slytherin pode controlar - disse o professor Binns em a sua voz seca e débil . A aula trocou entre si olhares inquietos . - Como vos digo , a coisa não existe - afirmou o professor Binns , desordenando as suas notas . - Não há câmara e não há monstro . - Mas , professor - disse Seamus_Finnigan . - Se a câmara só podia ser aberta por o herdeiro de Slytherin ninguém mais poderia encontrá a . Não é ? - Um disparate pegado - disse o professor Binns , em um tom de voz exasperado . - Se uma longa sucessão de directores e directoras de Hogwarts não a encontraram ... - Mas , professor - começou a dizer Parvati_Patil . Se_calhar é preciso usar magia negra para a abrir ... - Lá porque um feiticeiro não usa magia negra não quer_dizer que não possa , Miss_Pennyfeather - interrompeu o professor Binns . - Repito , se os antecessores de Dumbledore ... - Mas talvez seja preciso fazer parte de os Slytherin , por isso Dumbledore não podia ... - começou Dean_Thomas , mas o professor Binns já estava farto . - Já chega - disse , de modo cortante . - É um mito . Não existe . Não há uma única prova de que Slytherin tenha construído nem mesmo uma despensa para vassouras . Lamento ter vos contado esta história tola . Vamos voltar , se fazem o favor , a a História , a os factos sólidos , verificáveis , credíveis . E em menos_de cinco minutos toda_a classe mergulhara em a sua sonolência habitual . - Eu sempre ouvi dizer que Salazar_Slytherin era um velho retorcido e meio pateta - disse Ron_a_Harry e Hermione enquanto abriam caminho por os corredores cheios , em o final de a aula , para ir arrumar as malas antes de o jantar . - Mas não sabia que ele tinha começado esta coisa de o sangue puro . Eu não ia para os Slytherin nem que me pagassem . Se o chapéu seleccionador me tivesse posto lá , pegava em as malas e ia me embora ... Hermione acenou vivamente , mas Harry não abriu a boca . O estômago parecia ter dado uma volta . Harry nunca contara a o Ron e a a Hermione que o chapéu seleccionador tinha considerado seriamente a possibilidade de o colocar em os Slytherin . Lembrava se como_se tivesse sido em a véspera do_que a vozinha lhe dissera a o ouvido quando pôs o chapéu em a cabeça , um ano antes . * _ Podias vir a ser grande , sabes ? Está tudo aqui em a tua cabeça e Slytherin ajudaria te em o caminho para a grandeza , sem a menor dúvida * ... Mas Harry , que já ouvira falar de a fama de o grupo de os Slytherin de formar magos negros , pensou desesperadamente . - Em os Slytherin , não ! - E o chapéu tinha dito . - Bem , se tens assim tanta certeza ... será melhor os Gryfffndor . Enquanto eram empurrados por a multidão , Colin_Creevey passou por eles . - Olá , Harry ! - Olá , Colin - disse Harry automaticamente . - Harry , Harry , um rapaz de a minha turma tem andado a dizer que tu és ... Mas Colin era tão baixinho que não conseguiu lutar contra a maré de gente que o arrastou até a o vestíbulo . Ouviram o despedir se : - Adeus , Harry - e desaparecer . - O que é_que o rapaz de a turma de ele disse de ti ? - quis saber Hermione . - Que eu sou o herdeiro de Slytherin , imagino - disse Harry , com o estômago ainda a as voltas e lembrou se de repente de o Justin_Finch - _ Fletchley a fugir para não lhe falar , a a hora de o almoço . - As pessoas aqui acreditam em tudo - disse o Ron com repugnância . A multidão diminuiu e conseguiram subir as escadas sem dificuldade . - Achas mesmo_que existe uma Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Ron_a_Hermione . - Não sei - respondeu ela , franzindo a testa . - Dumbledore não conseguiu curar Mrs._Norris e isso leva me a pensar que o que a atacou pode não ser ... humano . Enquanto falava , voltaram uma esquina e encontraram se em o fim de aquele mesmo corredor onde o ataque tinha ocorrido . Pararam para olhar . Estava tudo igual a aquela outra noite , com excepção de a gata Mrs._Norris e havia uma cadeira vazia encostada a a parede , onde podia ler se a mensagem « : __ a câmara foi __ aberta » . - Foi aqui que o Filch montou a guarda - murmurou Ron . Olharam uns para os outros . O corredor estava deserto . - Não deve fazer mal dar uma olhadela aqui - disse Harry , deixando cair a mala e pondo se de quatro para poder gatinhar em busca de pistas . - Marcas de queimadura - disse - aqui e aqui ... - Venham ver isto ! - chamou Hermione . - Que estranho ... Harry levantou se e foi até a a janela que ficava junto de a mensagem . Hermione apontava para o vidro mais alto , onde cerca de uma vintena de aranhas se debatiam em uma aparente luta por atravessar por uma pequena brecha de vidro . Um longo fio prateado balouçava como uma corda , como_se todas tivessem trepado , em a ânsia de chegar lá fora . - Alguma vez viram aranhas agir assim ? - perguntou Hermione , curiosa . - Não - respondeu Harry . - E tu , Ron ? Ron ? Olhou por cima de o ombro . Ron estava de costas , bem lá atrás e parecia lutar contra o impulso de se virar . - O que é_que se passa ? - perguntou Harry . - Eu não gosto de aranhas - disse Ron , de modo tenso . - Nunca me tinhas dito - comentou Hermione , olhando para ele com surpresa . - Estás farto de usar aranhas em as poções ... - Não me importo quando estão mortas - explicou Ron que olhava cautelosamente para todos os lados , menos para a janela . - Não gosto de a maneira como_se mexem . Hermione riu se baixinho . - Não tem graça nenhuma - disse o Ron , furioso . - Se queres saber , quando eu tinha três anos , o Fred transformou o meu ursinho de pelúcia em uma enorme aranha nojenta , por eu lhe ter partido a vassoura de brinquedo . Tu também não gostarias de aranhas se estivesses agarrada a o teu ursinho e , de repente , ele tivesse uma data de pernas e ... Começou a tremer ... Hermione ainda estava a tentar conter o riso . Sentindo que era melhor mudarem de assunto , Harry perguntou : - Lembram se de a água que havia aqui em o chão ? De onde terá vindo ? Alguém a limpou . - Era por aqui - disse o Ron , já recuperado , avançando alguns passos em direcção a a cadeira de o Filch e apontando . - Junto de esta porta . Estendeu a mão para o puxador de a porta , mas retirou a de imediato , como_se se tivesse queimado . - O que foi ? - perguntou Harry . - Não posso entrar aí - disse o Ron bruscamente . - É a casa_de_banho de as raparigas . - Oh , Ron , não está aí ninguém - sossegou o Hermione enquanto se aproximava . - É o lugar de a Murta_Queixosa . Anda , vamos dar uma espreitadela . E ignorando o grande letreiro que dizia « Fora de serviço » Hermione abriu a porta . Era a casa_de_banho mais sombria e deprimente em que Harry tinha posto os pés durante toda_a sua vida . Debaixo_de um grande espelho partido e sujo podia ver se uma fila de lavatórios de pedra , rachados . O chão estava húmido e reflectia a luz fraca de os pavios de algumas velas que ardiam baixinho em os suportes . As portas de madeira de os cubículos estavam todas lascadas e riscadas e uma de elas balouçava fora de as dobradiças . Hermione levou os dedos a os lábios e foi até a o último cubículo . Quando lá chegou disse : - Olá , Murta , como estás ? Harry e Ron foram ver . A Murta_Queixosa flutuava em a cisterna de a casa_de_banho , tirando um ponto negro de o queixo . - Esta é a casa_de_banho de as raparigas - disse a o ver o Ron e o Harry . - Eles não são raparigas . - Não - concordou Hermione . - Eu só queria mostrar lhes como esta casa_de_banho é ... er ... simpática . Ela fez um aceno vago a o velho espelho sujo e a o chão húmido . - Pergunta lhe se viu alguma coisa - sussurrou o Ron a a Hermione . - Porque estão a dizer segredinhos ? - perguntou a Murta , fitando o . - Não é nada - disse Harry rapidamente . - Queríamos perguntar ... - Gostava que as pessoas parassem de falar em as minhas costas ! - desabafou a Murta em uma voz abafada por as lágrimas . - Eu tenho sentimentos , sabem , apesar_de estar morta . - Murta , ninguém quis aborrecer te - explicou Hermione . - O Harry só ... - A minha vida foi uma infelicidade em este lugar e agora as pessoas vêm estragar a minha morte . - Nós queríamos perguntar te se tinhas visto alguma coisa estranha ultimamente - disse Hermione sem perder tempo . - Porque foi atacada uma gata mesmo aqui a a frente de a tua porta em a noite de o * _ Hallowe'en * . - Viste alguém aqui perto em essa noite ? - insistiu Harry . - Não estava a prestar atenção - disse a Murta com ar dramático . - O Peeves aborreceu me tanto que vim aqui para tentar matar me . Só então me lembrei de que estou ... de que estou ... - Já morta - ajudou o Ron . A Murta soluçou tragicamente , elevou se em o ar , voltou se e mergulhou de cabeça em a sanita , espalhando água por_cima_de todos eles e desaparecendo . Por o som de os seus soluços abafados fora certamente descansar algures em o cano em forma de V._Harry e Ron ficaram de boca aberta , mas Hermione encolheu os ombros de cansaço e disse : - Se querem saber , para a Murta isto até foi alegre ... vá , vamos embora . Harry tinha acabado de fechar a porta deixando atrás os soluços gorgolejantes de a Murta quando uma voz forte o fez dar um salto . - RON ! Percy_Weasley estava parado em o cimo de as escadas com o seu distintivo de prefeito a brilhar e uma expressão chocadíssima em o rosto . - Isso é a casa_de_banho de as raparigas ... o que é_que vocês ... ? - Estávamos só a dar uma vista de olhos - exclamou o Ron - a a procura de pistas ... Percy engoliu em seco , de uma maneira que fez Harry lembrar se de Mrs._Weasley . - Saiam imediatamente de aqui - disse , aproximando se de eles a passos largos e gesticulando agitadamente . - Não se preocupam com as aparências ? Voltar aqui enquanto toda_a_gente está a jantar ... - Porque não havíamos de estar aqui ? - perguntou cheio de vivacidade o Ron , parando de repente e olhando Percy em os olhos . - Ouve lá , nós não tocamos em aquela gata . - Isso foi o que eu tentei explicar a a Ginny - respondeu Percy furioso - mas ela parece continuar a pensar que vocês vão ser expulsos . Nunca a vi tão aflita . Não pára de chorar . Devias pensar em ela . Todos os alunos de o primeiro ano andam superexcitados com esta história . - Tu não estás nada preocupado com a Ginny - disse o Ron já com as orelhas vermelhas . - O que te assusta é_que eu possa estragar as tuas possibilidades de ser chefe de turma . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor ! - bradou Percy , apontando elegantemente para o distintivo de prefeito . - E espero que te sirva de lição . Acabou se o trabalho de detective ou escrevo a a mãe a contar lhe . E voltou lhes as costas , a nuca tão vermelha como as orelhas de o Ron . Harry , Ron e Hermione , em essa noite , sentaram se em a sala comum o mais longe possível de Percy . Ron estava ainda muito maldisposto e não parava de esborratar o trabalho de casa de os encantamentos . Quando pegou distraidamente em a varinha para tirar as manchas incendiou o pergaminho . A deitar quase tanto fumo como o seu trabalho de casa , fechou bruscamente o * _ Livro_Padrão_de_Encantamentos de o 2.o Grau * . Para grande surpresa de Harry , Hermione fez o mesmo . - Mas quem poderia ser - perguntou ela baixinho como_se continuasse uma conversa que tinham acabado de ter . - Quem quereria todos os * busca-pés * e filhos de Muggles fora de Hogwarts ? - Vamos pensar - disse o Ron em a brincadeira , fingindo estar confuso . - Quem poderemos nós conhecer que ache que os familiares de Muggles são escumalha ? Olhou para Hermione . Ela olhou para ele pouco convencida . - Se estás a pensar em o Malfoy ... - Claro que estou - disse o Ron . - Tu ouviste o dizer : - Vocês serão os próximos , sangues de lama ! - Aliás , basta olhar para aquela cara de renegado para saber que ele é ... - Malfoy , o herdeiro de Slytherin ? - repetiu Hermione cepticamente . - Olha para a família de ele - disse Harry , fechando também os livros . - Todos eles estiveram em os Slytherin . O Draco está sempre a vangloriar se de isso . Podiam bem ser descendentes de Slytherin . O pai de ele é suficientemente mau . - Podiam perfeitamente ter tido a chave de a Câmara_dos_Segredos durante séculos - disse Ron - , fazendo a passar de pai para filho . - Bem - acedeu Hermione cautelosamente . - Seria possível ... - Mas como prová o ? - perguntou Harry tristemente . - Talvez haja um meio - sugeriu Hermione lentamente , baixando ainda mais a voz e lançando um olhar , através de a sala , a Percy . - É claro que não é fácil . E é perigoso , muito perigoso . Suponho que iríamos infringir cerca de cinquenta regras de a escola . - Se de aqui a um mês ou dois te decidires a explicar , avisa , está bem ? - disse Ron , que começava a ficar irritado . - Está bem - concordou Hermione friamente . - O que precisaríamos de fazer para entrar em a sala comum de os Slytherin e fazer algumas perguntas a o Malfoy , sem ele perceber que éramos nós ? - Mas isso é impossível - declarou Harry , enquanto Ron se ria . - Não , não é - continuou Hermione . - Só precisamos de um_pouco de poção * polisuco * . - O que é isso ? - perguntaram ao_mesmo_tempo Ron e Harry . - O Snape falou de ela em uma aula , há poucas semanas atrás . - Achas que não temos mais o que fazer do_que ouvir o Snape ? - murmurou o Ron . - Transforma nos em outra pessoa . Pensem em isso : podíamos transformar nos em três de os Slytherin . Ninguém saberia que éramos nós . É provável que o Malfoy nos contasse alguma coisa . Aposto que ele está a gabar se , em este momento , em a sala de os Slytherin , se ao_menos pudéssemos ouvi o . - Essa coisa de o * polisuco * cheira me um bocado mal - disse o Ron , franzindo as sobrancelhas . - E se ficarmos com a forma de os três Slytherin para sempre ? - Desaparece a o fim de algum tempo - disse Hermione , gesticulando impacientemente com a mão - mas conseguir a receita é muito difícil . O Snape disse que vinha em um livro chamado * _ As_Mais_Potentes_Poções * e está com certeza em a parte de os reservados de a biblioteca . Só havia uma maneira de obter o livro de os reservados : era com uma autorização assinada por um professor . - Não estou a ver porque quereríamos o livro - disse o Ron . - Se não para tentar fabricar uma de as poções . - Eu acho - sugeriu Hermione - que se fizéssemos parecer que o nosso interesse era apenas teórico , talvez conseguíssemos ... - Estás a sonhar , nenhum professor ia cair em essa - afirmou o Ron . - Só se fosse muito burro . X_A * bludger * perigosa Depois de o desastroso incidente de os duendes , o professor Lockhart não voltou a levar seres vivos para as aulas . Em vez de isso , lia a os alunos passagens de os seus livros e , por vezes , voltava a desempenhar alguns de os episódios mais dramáticos . Costumava chamar Harry para o ajudar em essas reconstruções . Até ali Harry fora obrigado a desempenhar o papel de um camponês de a Transilvânia que Lockhart curara de uma maldição murmurada , o abominável homem de as neves com dores de cabeça e um vampiro que depois de ter conhecido Lockhart tinha ficado incapaz de comer outra coisa que não fosse alfaces . Harry foi chamado para a frente de a classe durante a aula de Defesa contra as artes negras que se seguiu . Desta_vez para desempenhar o papel de um lobisomem . Se não tivesse um bom motivo para querer ver o Lockhart bem-disposto , teria se recusado . - Um uivo bem alto , excelente , Harry , isso mesmo . E foi então que , acreditem ou não , eu o ataquei de repente , assim . Atirei o a o chão , agarrei o com uma mão e com a outra consegui meter lhe a varinha em a garganta . Então , com a força que me restava pus em prática o complicadíssimo encantamento * _ Homorphus * . Harry soltou um uivo tristíssimo . - Vá lá , Harry , mais alto . Bom ... o pêlo desapareceu , os dentes diminuíram de tamanho e ele transformou se em um homem . Simples , mas eficaz e mais uma cidade ficará a lembrar se de mim para sempre como o herói que os libertou de os ataques mensais de o lobisomem . A campainha tocou e Lockhart pôs se de pé . - Trabalho para_casa : escrever um poema sobre a minha vitória sobre o lobisomem Wagga_Wagga . Há um exemplar autografado de * _ Eu , o Mágico * para o autor de o melhor poema . Os alunos começaram a sair . Harry voltou para trás e foi juntar se a o Ron e a a Hermione que estavam a a espera de ele . - Prontos ? - perguntou . - Espera até saírem todos - disse Hermione bastante nervosa . - Pronto ... Aproximou se de a secretária de Lockhart , apertando em a mão uma folha de papel , com o Ron e o Harry atrás . - Er ... professor Lockhart - gaguejou Hermione . - Eu queria requisitar este livro em a biblioteca , como leitura de apoio - entregou lhe o papel , com a mão ligeiramente trémula . - Só que faz parte de a secção de os reservados , por isso preciso de a assinatura de um professor . Acho que o livro me vai ajudar a compreender o que o senhor diz em * _ Passeios com Vampiros * acerca de os venenos de acção lenta ... - Ah , * _ Passeando com Vampiros * - disse Lockhart , pegando em a folha de papel de Hermione e sorrindo lhe abertamente . - E provavelmente o meu livro preferido . Gostou ? - Oh , muito - disse Hermione avidamente . - Tão inteligente o modo como apanhou o último com o passador de o chá . - Bem , tenho a certeza que ninguém se importará que eu dê uma ajudazinha suplementar a a melhor aluna de o segundo ano - disse Lockhart calorosamente , sacando de uma enorme pena de pavão . - É bonita , não é ? - comentou , adivinhando uma expressão de repulsa em a cara de o Ron . - Costumo guardas a para as minhas assinaturas de autógrafos . Rabiscou uma enorme assinatura cheia de altos e baixos e entregou a a Hermione . - Então , Harry - disse Lockhart enquanto Hermione dobrava a folha e a guardava em o saco . - Amanhã é a primeira partida de Quidditch de este ano , não é ? Gryffindor contra Slytherin . Ouvi dizer que és um jogador indispensável . Eu também fui * seeker * . Convidaram me inclusivamente para fazer parte de a Equipa_Nacional , mas eu preferi dedicar a minha vida a a erradicação de as forças de o mal . Mesmo_assim , se alguma vez precisares de um treino particular , não hesites em falar comigo , estou sempre disponível para partilhar a minha perícia com os jogadores menos dotados do_que eu . Harry fez um som indistinto com a garganta e saiu atrás_de Ron e Hermione . - Não acredito - disse quando os três examinavam a assinatura de Lockhart . - Ele nem viu que livro nós queríamos . - É porque é um idiota sem miolos - explicou o Ron . - Mas , quem se rala , temos o que queríamos . - Ele não é um idiota sem miolos - gritou Hermione com voz esganiçada enquanto se aproximavam quase a correr de a biblioteca . - Só porque ele disse que eras a melhor aluna de o segundo ano ... Baixaram as vozes a o entrar em a quietude abafada de a biblioteca . Madam_Prince , a bibliotecária , era uma mulher magra e irritável que parecia um abutre mal nutrido . - * _ Moste_Potente_Potions * ? - repetiu intrigada , tentando ficar com a folha de papel que Hermione se recusava a entregar lhe . - Gostava de a guardar para mim - disse sem fôlego . - Vá lá - intercedeu Ron , arrancando lhe a de as mãos e entregando a a Madam_Prince . - Nós arranjamos te outro autógrafo . O Lockhart assina tudo se aqui ficar muito_tempo . Madam_Prince pegou em o papel e voltou o em a direcção de a luz , decidida a descobrir uma falsificação , mas a assinatura passou em o teste . Desapareceu entre as estantes e voltou alguns minutos mais tarde , transportando um livro grande e de aspecto antiquado . Hermione meteu o com todo o cuidado em o saco e saíram , tentando não andar depressa de mais nem aparentar um ar culpado . Cinco minutos depois , estavam de_novo barricados em a casa_de_banho fora de serviço de a Murta_Queixosa . Hermione destruíra as objecções de Ron argumentando que aquele era o último lugar onde alguém em o seu juízo perfeito se lembraria de ir e que poderia assegurar lhes alguma privacidade . A Murta_Queixosa chorava ruidosamente em o seu cubículo , mas eles conseguiram ignorá a assim_como ela a eles . Hermione abriu * _ Moste_Potente_Potions * com todo o cuidado e inclinaram se os três sobre as páginas manchadas de humidade . Era fácil de perceber , logo à_primeira_vista de olhos , porque pertencia a a secção de os reservados . Algumas de as poções tinham efeitos quase impensáveis de tão macabros e havia ilustrações bastante desagradáveis , como , por_exemplo , aquela em que um homem parecia ter sido virado de o avesso e a de a bruxa com vários pares de braços suplementares a nascerem lhe em a cabeça . - Aqui está - disse Hermione excitadíssima a o encontrar a página intitulada « A poção * polisuco * « . Estava ilustrada com imagens de pessoas a meio de o processo de se transformarem em outras pessoas e Harry desejou ardentemente que a expressão de dor intensa que se lhes espelhava em o rosto fosse apenas produto de a imaginação de o artista desenhador . - Esta é a poção mais complicada que vi até hoje - disse Hermione enquanto examinava a receita . - Moscas asas de renda , sanguessugas , fluxo de cizânias e verdezelha - murmurou , acompanhando com o dedo a lista de ingredientes . - Bem , esses são relativamente simples , há os em a despensa de material de os estudantes , podemos tirar a a nossa vontade . Oh ! Vê só , pó de chifre de bicórneo ... não sei onde vamos arranjar isto ... e , é claro , um pedacinho de a pessoa em quem queremos transformar nos . - Como ? - perguntou Ron de forma cortante . - O que é_que queres dizer com um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos ? Eu não bebo nada que tenha lá dentro as unhas de os pés de o Crabbe ... Hermione continuou como_se não o tivesse ouvido . - Mas não temos que nos preocupar com isso por enquanto . Fica para o fim . Ron voltou se sem palavras para o Harry que tinha uma preocupação de outro tipo . - Já viste bem tudo_o_que vamos ter que roubar , Hermione ? Algumas coisas , não estão de certeza em a despensa de material de os alunos . O que é_que vamos fazer , arrombar os armários pessoais de o Snape ? Não sei se será uma boa ideia ... Hermione fechou o livro com um estrondo . - Bem , se vocês os dois se vão acagaçar , então está lindo - disse ela . Tinha as bochechas rosadas e os olhos mais brilhantes do_que era habitual . - Eu não gosto de quebrar regras , vocês sabem , mas acho que ameaçar os filhos de os Muggles é muito pior do_que construir uma poção difícil . Mas se vocês não querem descobrir se é o Malfoy , eu posso voltar já a a biblioteca e entregar o livro a Madam_Prince ... - Nunca pensei que chegaria o dia em que serias tu a convencer nos a quebrar regras - disse o Ron . - Está bem , vamos em essa , mas sem unhas de os pés , O. _ K. ? - Quanto tempo vai isso demorar a fazer , afinal ? - perguntou Harry quando Hermione , já com um ar mais satisfeito , voltou a abrir o livro . - Bem , como o fluxo de cizânias tem de ser recolhido durante a lua cheia e as asas de renda têm de ser abafadas durante vinte_e_um dias ... eu diria que se conseguirmos arranjar todos os ingredientes estará pronta dentro_de um mês . - Um mês ? - exclamou o Ron . - Nessa_altura já o Malfoy terá atacado metade de os filhos de Muggles ! - mas os olhos de Hermione contraíram se de_novo assustadoramente e ele acrescentou rapidamente . - Mas é o melhor plano que temos , por isso é melhor não olharmos para trás . Apesar_de tudo , enquanto Hermione verificava que não havia ninguém em os corredores e podiam sair de a casa_de_banho , Ron murmurou a Harry : - Seria muito mais simples se conseguisses , amanhã , atirar o Malfoy de a vassoura abaixo . Harry acordou cedo em o sábado de manhã e ficou um bocado a pensar em a partida de Quidditch que vinha a seguir . Estava nervoso , principalmente pelo que Wood diria se os Gryffindor perdessem , mas também com a ideia de enfrentar uma equipa apetrechada com as vassouras mais velozes que existiam . Nunca desejara tanto vencer os Slytherin como em aquele dia . Depois de meia_hora deitado com a barriga a dar horas , resolveu levantar se , vestir se e descer para tomar o pequeno-almoço . Lá em baixo , encontrou o resto de a equipa de os Gryffindor amontoada a o longo de a mesa comprida e vazia , todos eles com ar preocupado e sem vontade de conversar . Como_se aproximavam as onze horas , todos os alunos de a escola começaram a dirigir se para o estádio de Quidditch . O dia estava quente e húmido , com uma ameaça de trovoada em o ar . Ron e Hermione vieram apressadamente desejar a Harry boa sorte mal ele entrou em os vestiários . A equipa de os Gryffindor pôs os seus mantos vermelhos e sentou se para ouvir o discurso que Wood lhes fazia sempre antes de o jogo . - Os Slytherin têm vassouras melhores do_que nós - começou . - Não há como negá o . Mas nós temos gente melhor em cima de as vassouras . Treinámos mais do_que eles , voamos com todas_as condições climatéricas ( É bem verdade - murmurou George_Weasley - desde Agosto que não sei o que é estar seco ) . - E vamos fazê os engolir o dia em que deixaram aquele nojento de o Malfoy comprar a entrada em a equipa de eles . Com o peito agitado por a comoção , Wood voltou se par Harry . -- Cabe te a ti , Harry , mostrar lhes que um * seeker * tem de ter mais do_que um pai rico . Agarra a * snitch * antes d Malfoy ou morre a tentar porque temos absolutamente que vencer , hoje , Harry , temos que vencer . - Sem ansiedade , Harry - disse o Fred , piscando lhe o olho . Quando saíram em direcção a o campo , foram saudado por uma grande ovação principalmente de a parte de os Ravenclaw e de os Hufflepuff que estavam ansiosos por ver os Slytherin serem derrotados , mas os Slytherin que estavam entre a multidão também fizeram ouvir as suas vaias e pateadas . Madam_Hooch , a professora de Quidditch , pediu a Flin e Wood que apertassem as mãos o que eles fizeram , lançando um_ao_outro olhares ameaçadores , cada_um apertando a mão de o outro com mais força do_que aquela que seria necessário . - Atenção a o apito - disse Madam_Hooch . - Três , dois , um ... Com um bramido de a multidão para que subissem rapidamente , os catorze jogadores elevaram se em o céu cor de chumbo . Harry , mais alto do_que qualquer de os outros olhando para todos os lados em busca de a * snitch * . - Tudo bem , testa de cicatriz ? - gritou Malfoy , disparando por baixo de ele para lhe mostrar a velocidade de a sua vassoura . Harry não teve tempo de responder . Em esse preciso momento uma * bludger * preta e bem pesada veio direitinha a ele . Evitou a tão por um triz que ainda sentiu em os cabelos o ar que ela deslocara . - Foi por_pouco , Harry ! - exclamou o George , passando com grande rapidez , de bastão em a mão , pronto para lançar a * bludger * contra um Slytherin . Harry viu o dar a a * bludger * uma fortíssima pancada em direcção a Adrian_Pucey , mas a bola mudou de rumo em o meio de o ar e dirigiu se de_novo a Harry . Harry desceu rapidamente para se esquivar e George conseguiu lançá a contra Malfoy . Mais_uma_vez a * bludger * actuou como um * boomerang * e apontou a a cabeça de Harry . Harry ganhou velocidade e disparou contra o outro extremo de o campo . Ouvia o assobio de a * bludger * que o perseguia . O que era aquilo ? As * bludgers * nunca se concentravam assim em um único jogador , a sua função era tentar desmontar o maior número possível de intervenientes . Fred_Weasley esperava por a * bludger * em o extremo oposto . Harry baixou se quando o viu balançar se em frente de ela com toda_a garra . A * bludger * foi lançada para_fora_de campo . - Pronto , já está tudo resolvido - gritou Fred satisfeito , mas estava bastante enganado . Como_se fosse magneticamente atraída para Harry , a * bludger * lançou se de_novo contra ele e Harry teve de voar a_toda_a velocidade . Começara a chover . Harry sentia as gotas pesadas caírem lhe em o rosto , turvando lhe as lentes de os óculos . Não fazia ideia do_que se passava em o resto de o jogo , até ouvir Lee_Jordan que fazia o comentário dizer : - Os Slytherin vão a a frente com seis contra zero . As vassouras de qualidade superior de os Slytherin estavam obviamente a cumprir a sua função e enquanto isso , a * bludger * maluca fazia todos os possíveis para deitar abaixo o Harry . Fred e George voavam agora tão perto de ele , um de cada lado , que Harry não via senão os seus braços a balouçar e , se não conseguia ver a * snitch * , muito menos agarrá a . - Alguém enfeitiçou esta * bludger * - resmungou Fred , preparando o bastão com toda_a força quando ela se lançava de_novo contra Harry . - Precisamos de tempo - disse George , tentando fazer sinal a Wood enquanto evitava que a bola partisse o nariz a o Harry . Wood captou obviamente a mensagem . O apito de Madam_Hooch fez se ouvir e Harry , Fred e George desceram , tentando ainda evitar a * bludger * maluca . - O que é_que se passa ? - perguntou Wood enquanto a equipa de os Gryffindor se amontoava desordenadamente e os Slytherin , em o meio de a multidão , lançavam piadas . - Estamos a ser esmagados . Fred , George , onde estavam vocês quando aquela * bludger * impediu a Angelina de marcar ? - Estávamos seis metros acima , evitando que a outra * bludger * matasse o Harry , Oliver - gritou George furioso . - Alguém preparou isto , a bola não deixa o Harry em paz , ainda não perseguiu mais ninguém desde_que o jogo começou . Os Slytherin fizeram aqui qualquer coisa . - Mas as * bludgers * têm estado fechadas em o escritório de Madam_Hooch desde o último treino , e nessa_altura estava tudo bem ... - disse Wood ansiosamente . Madam_Hooch aproximava se . Por cima de o ombro de ela , Harry pôde ver a equipa de os Slytherin a escarnecer e apontar em a sua direcção . - Ouçam - disse o Harry , enquanto ela se aproximava . - Com vocês os dois a voarem sempre colados a mim , só vou apanhar a * snitch * se ela voar até a a minha manga . Voltem se para o resto de a equipa e deixem a tratante comigo . - Não sejas bronco - disse o Fred . - Ela arranca te a cabeça . Os olhos de Wood saltavam de Harry_para_os_Weasley . - Oliver , isto_é uma loucura - disse Alicia_Spinet , zangada . - Não podes deixar o Harry sozinho entregue a aquela coisa . Vamos pedir uma investigação . - Se pararmos agora , teremos de dar a partida como perdida e não vamos deixar os Slytherin ganhar , só por_causa_de uma * bludger * maluca . Vá lá , Oliver , diz lhes que me deixem sozinho . - A culpa é toda tua . * _ Agarra a snitch ou morre a tentar * , se isso é lá coisa que se diga . Madam_Hooch tinha se lhes juntado . - Prontos para retomar a partida ? - perguntou a Wood . Wood olhou para o ar determinado de Harry . - Deixem o sozinho , ele é capaz de lidar com a * bludger * . A chuva era agora mais pesada . A o apito de Madam_Hooch , Harry elevou se em os ares e ouviu o barulhinho de a * bludger * atrás_de si . Subiu cada_vez_mais alto . Fez acrobacias em espiral , descidas rápidas , ziguezagueou e rolou . Apesar_de ligeiramente estonteado , não deixou nunca de ter os olhos bem abertos . A chuva salpicava lhe os óculos e entrava lhe por as narinas , quando ele se voltou de cabeça para baixo , evitando outra forte investida de a * bludger * . Ouviu os risos de a multidão . Sabia que devia parecer ridículo , mas a * bludger * maluca era pesada e não podia mudar de direcção tão rapidamente quanto ele . Iniciou uma corrida que parecia de feira de diversões em volta de os extremos de o estádio , olhando de soslaio , através de os lençóis prateados de chuva , para os postes de os Gryffindor , onde Adrian_Pucey tentava passar por Wood . Um assobio junto de os ouvidos disse a Harry que a * bludger * falhara uma_vez_mais . Voltou se e voou rapidamente em a direcção oposta . - Estás a ensaiar * ballet * , Potter - gritou Malfoy quando Harry foi obrigado a fazer uma reviravolta estúpida em o ar para se esquivar mais_uma_vez de a * bludger * . Lá foi ele , com a * bludger * atrás a alguns metros de distância . E foi então que , olhando para Malfoy , furioso , a viu , a * snitch * de ouro . Flutuava alguns centímetros acima de os ouvidos de Malfoy que , de tão preocupado a escarnecer de Harry , nem dera por ela . Durante um momento angustiante , Harry ficou quieto em o ar , não ousando dirigir se a Malfoy , não fosse ele olhar para_cima e ver a * snitch * . PUM ! Tinha ficado parado tempo de mais . A * bludger * batera lhe , por fim , apanhando lhe o cotovelo e Harry sentiu o braço a partir se . Debilmente , desorientado por a dor cauterizante em o braço , Harry deslizou para um de os lados em a sua vassoura encharcada , um joelho ainda dobrado , o braço direito a balouçar , inútil , a o seu lado . A * bludger * veio de_novo , preparada para mais um ataque , desta_vez apontada a o seu rosto . Harry desviou se com uma intenção : chegar a Malfoy . Através_de uma nuvem de chuva e dor desceu até a o rosto tremeluzente e trocista e viu os olhos de ele dilatarem se de medo : Malfoy pensou que Harry ia atacá o . - Que diabo ... - resmungou , afastando se de o caminho . Harry tirou a outra mão de a vassoura e fez uma tentativa para agarrar qualquer coisa . Sentiu os dedos fecharem se em volta de a * snitch * dourada , mas conduzia agora a vassoura apenas com as pernas e ouviu se um grito de a multidão cá em baixo , quando ele fez a descida , tentando não desmaiar . Com um ruído seco caiu em a terra enlameada e rolou para fora de a vassoura . O braço tinha um ângulo um_pouco estranho . Torcendo se com dores , ouviu a a distância os assobios e os gritos . Concentrou se em a * snitch * que tinha fechada em a outra mão . - Ai - disse vagamente . - Ganhámos o jogo . E desmaiou . Voltou a si com a chuva a cair lhe em o rosto , ainda deitado em o campo , com alguém inclinado sobre ele . Viu um brilho de dentes brancos . - Oh , não , você não - gemeu . - Não sabe o que diz - afirmou Lockhart bem alto a a ansiosa multidão de Gryffindor que o comprimiam . - Não te preocupes , Harry , eu vou tratar de o teu braço . - Não - gritou Harry . - Eu fico com ele assim , obrigado . Tentou sentar se , mas a dor era enorme . Ouviu um « clique » familiar . - Não quero fotografias de isto , Colin - disse em voz alta . - Deita te para trás , Harry - insistiu Lockhart com toda_a calma . - É um encantamento muito simples que eu fiz imensas vezes . - Porque não me levam só para a ala hospitalar ? - perguntou Harry entredentes . - Seria o melhor , professor - disse a voz rouca de o Wood que não conseguia deixar de sorrir , apesar_de o seu * seeker * estar ferido . - Grande captura , Harry , verdadeiramente espectacular , a tua melhor jogada , em a minha opinião . Em o meio de a floresta de pernas que o rodeava , Harry avistou Fred e George_Weasley , metendo a * budger * perigosa em uma caixa . Continuava a dar uma luta enorme . - Para trás - ordenou Lockhart , que tinha arregaçado as mangas verde jade . - Não , eu não ... - protestou debilmente Harry , mas Lockhart tinha a varinha em a mão e , um segundo depois , apontava a para o braço de Harry . Uma sensação estranha e desagradável começou em o ombro e espalhou se , chegando a as pontas de os dedos . Parecia que o braço inteiro tinha sido esvaziado . Não foi capaz de olhar para o que estava a suceder . Tinha fechado os olhos , voltado o rosto para o outro lado , mas os seus maiores receios concretizaram se quando as pessoas lá em cima se sobressaltaram e Colin_Creevey começou a tirar fotografias como um louco . O braço deixara de lhe doer , mas parecia tudo menos um braço . - Ah ! - disse Lockhart . - Sim , bem isto às_vezes acontece . Mas o importante é_que os ossos já não estão partidos . Isso é o mais importante . Portanto , Harry , vai até a a ala hospitalar ... ah ! Mr._Weasley , Miss_Granger , poderiam levá o lá ? E Madam_Pomfrey poderá ... er ... arranjar um_pouco isso . Quando Harry se pôs de pé sentiu se estranhamente desequilibrado . Depois de respirar fundo , olhou para o lado direito e o que viu quase o fez desmaiar de_novo . Pendurado em a extremidade de a sua túnica estava o que parecia ser uma espessa e colorida luva de borracha . Tentou mexer os dedos mas ... em vão . Lockhart não consertara os ossos de Harry . Retirara os . M. dam Pomfrey não ficou nada satisfeita . - Devias ter vindo logo ter comigo - ralhou , segurando os restos tristes e moles de aquilo que antes fora um braço activo . - Eu conserto ossos em um segundo , mas fazê os crescer de_novo ... - Vai conseguir , não vai ? - perguntou Harry desesperado . - Sim , com certeza , mas vai ser doloroso - disse Madam_Pomfrey de modo severo , entregando lhe um pijama . - Vais ter que ficar cá esta noite ... Hermione esperou de o lado de_fora de a cortina que rodeava outra cama enquanto Ron ajudava Harry a vestir se . Levou algum tempo a enfiar o braço que parecia borracha dentro_de uma manga de o pijama . - Como é_que podes continuar a defender o Lockhart depois disto , Hermione ? - perguntou Ron através de as cortinas , enquanto puxava os dedos moles de o Harry por uma manga . - Se o Harry quisesse ser desossado , teria pedido . - Todos podem enganar se - disse Hermione . - E deixou de doer , não deixou , Harry ? - Sim - disse ele - mas também ficou incapaz de fazer seja o que for . Quando se meteu em a cama , o braço agitou se despropositadamente . Hermione e Madam_Pomfrey entraram . Madam_Pomfrey segurava uma grande garrafa com o rótulo * Skele - _ Gro * . - Vais ter uma noite difícil - preveniu , enchendo um pequeno copo fumegante e dando lhe a beber . - Fazer crescer ossos é uma coisa difícil . Tomar o * _ Skele - _ Gro * também . Queimou a boca e a garganta de o Harry a o descer , fazendo o tossir e cuspir . Resmungando sobre os desportos perigosos e os professores incapazes , Madam_Pomfrey retirou se , deixando Ron e Hermione a ajudar Harry a engolir um_pouco de água . - Mas ganhámos o jogo - disse o Ron com um sorriso em o rosto . - A tua jogada foi em grande . A cara de o Malfoy ... parecia que queria matar alguém . - Eu vou descobrir como é_que enfeitiçaram aquela * bludger * - disse Hermione com ar sombrio . - Podemos juntar essa pergunta a a lista de todas_as que queremos fazer a o Malfoy quando tomarmos a poção * _ Polisuco * - disse Harry , afundando se de_novo em as almofadas . - Espero que tenha um sabor melhor do_que esta coisa ... - Com um bocado de os Slytherin lá dentro , deves estar a brincar - disse o Ron . A porta de a ala hospitalar abriu se em esse momento e , completamente encharcados , entraram os restantes membros de a equipa de os Gryffindor , para ver o Harry . - Um voo inacreditável - disse George . - Acabei de ver Marcus_Flint a gritar com o Malfoy . Qualquer coisa sobre ter a * snitch * mesmo em cima de a cabeça e não ter dado por nada . O Malfoy não parecia nem um_pouco satisfeito . Tinham trazido bolos , rebuçados e garrafas de sumo de abóbora . Juntaram se em volta de a cama de Harry e estavam a dar início a o que prometia ser uma grande festa quando Madam_Pomfrey entrou a vociferar : - Este rapaz precisa de repouso . Tem trinta_e_três ossos a crescer . Fora de aqui . FORA ! E Harry ficou sozinho , sem nada que o distraísse de as dores agudas em o seu braço mole . Muitas horas mais tarde , Harry acordou subitamente em a escuridão total e soltou um pequeno grito de dor : sentia agora o braço cheio de estilhaços . Durante alguns segundos pensou que tinha sido a dor a acordá o . Depois , com um arrepio de horror , apercebeu se de que alguém estava a passar lhe uma esponja em a testa . - Sai de aqui - gritou , e em seguida : - Dobby ! Os olhos de o tamanho de bolas de ténis de o elfo doméstico estavam a olhá o em o escuro , uma lágrima grossa rolava por o seu enorme nariz . - Harry_Potter voltou a a escola - murmurou , infeliz . - Dobby avisou e voltou a avisar Harry_Potter . Ah ! senhor , porque não deu ouvidos a Dobby ? Porque não voltou Harry_Potter para_casa quando perdeu o comboio ? Harry ergueu se um_pouco , encostando se a as almofadas e afastou a esponja de o elfo . - O que estás a fazer aqui ? - perguntou . - E como sabes que eu perdi o comboio ? O lábio de Dobby tremeu e Harry foi assaltado por uma dúvida . - Foste tu . Tu impediste que a barreira nos deixasse passar . - Em a verdade fui eu , senhor - disse Dobby , acenando com a cabeça e com as orelhas a abanar . - Dobby escondeu se , esperou por Harry_Potter e selou a barreira . A seguir , Dobby teve de pôr as mãos em o ferro de engomar - mostrou a o Harry dez dedos longos embrulhados em ligaduras . - Mas Dobby não se importou , senhor , porque pensou que Harry_Potter estava a salvo e nunca Dobby sonhou que mesmo_assim ele viria para a escola ! Balançava se para a frente e para trás , sacudindo a cabeça feia . - Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry_Potter tinha voltado a a escola que deixou queimar o jantar de os seus donos . Dobby nunca tivera um castigo tão grande , senhor . Harry afundou se de_novo em as almofadas . - Quase conseguiste que nos expulsassem , a mim e a o Ron - disse furioso . - É melhor desapareceres de aqui antes que os meus ossos voltem a estar bem , Dobby , ou ainda te estrangulo . O elfo sorriu . - Dobby está habituado a ameaças de morte , senhor . Dobby recebe as cinco vezes por dia em a casa onde mora . Encostou o nariz a um canto de a fronha que usava , ficando tão ridículo que Harry sentiu a raiva desvanecer se , apesar_de tudo . - Porque usas essa coisa , Dobby ? - perguntou com curiosidade . - Isto , senhor ? - disse Dobby apontando para a fronha de almofada . - É uma prova de escravatura de o elfo doméstico , senhor . Dobby só pode ser libertado se os donos lhe derem roupa , senhor . A família tem o cuidado de não dar a o Dobby nem uma peúga , senhor , porque ele poderia ficar livre e deixar a casa para sempre . Dobby limpou os olhos protuberantes e disse subitamente : - Harry_Potter deve ir para_casa . Dobby achou que a sua * bludger * seria o suficiente para o fazer ... - A tua * bludger * ? - disse Harry com a raiva a crescer novamente dentro de ele . - Que queres tu dizer com a tua bludger * ? Foste tu quem fez com que aquela bola tentasse matar me ? - Matar não , senhor . Matar , nunca ! - disse o elho chocado . - Dobby quer salvar a vida de Harry_Potter . É melhor ir para_casa ferido do_que ficar aqui , senhor . Dobby só queria Harry_Potter suficientemente ferido para voltar para_casa . - Só isso ? - disse Harry furioso . - Imagino que não vais dizer me porque querias mandar me para_casa a os bocados ? - Ah ! se Harry_Potter soubesse ! - gemeu Dobby , com mais lágrimas a escorrerem lhe por a fronha esfarrapada . - Se pudesse saber o que significa para nós , para os humildes , os escravizados , nós , a escória social de o mundo mágico ! Dobby lembra se de como eram as coisas quando Aquele cujo nome não deve ser pronunciado estava em o auge de o poder , senhor ! Nós , os elfos domésticos éramos tratados como animais , senhor ! É claro que Dobby ainda é tratado assim - admitiu , secando o rosto em a fronha de almofada . - Mas , em a sua maioria , a vida melhorou bastante para os de a minha espécie desde_que Harry_Potter triunfou sobre Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Harry_Potter sobreviveu e o poder de os senhores de o Mal foi quebrado e veio uma nova alvorada , senhor , e Harry_Potter brilhou como um farol de esperança para aqueles de entre nós que já pensavam que a longa noite nunca mais teria fim , senhor ... e agora em Hogwarts vão acontecer coisas terríveis , talvez já esteiam a acontecer e Dobby não pode deixar Harry_Potter ficar aqui , agora_que a história vai repetir se , agora_que a Câmara_dos_Segredos está de_novo aberta . Dobby calou se horrorizado . Em seguida agarrou em o jarro de a água que Harry tinha a a cabeceira e bateu com ele em a própria cabeça , deixando se cair . Um segundo mais tarde voltou até junto de a cama , repetindo : - Mau , Dobby , muito mau , Dobby . - Quer_dizer , então , que existe mesmo a Câmara_dos_Segredos ? - murmurou Harry . - E dizes tu que já antes foi aberta ? Conta me , Dobby . Agarrou o pulso ossudo de o elfo quando a mão de ele se estendia para o jarro de a água . - Mas eu não sou filho de Muggles . Como posso estar em perigo por causa de a Câmara_dos_Segredos ? - Ah ! senhor , não pergunte a o pobre Dobby - lamentou se o elfo com os olhos enormes a brilharem em o escuro . - As forças de as trevas estão projectadas em este lugar , mas Harry_Potter não deve estar aqui quando as coisas acontecerem . Vá para_casa , Harry_Potter , vá para_casa . Harry_Potter não deve envolver se em isto , senhor , é demasiado perigoso ... - Quem é , Dobby ? - perguntou Harry , continuando a agarrar lhe o pulso com forca , impedindo que batesse de_novo em si próprio com o jarro . - Quem abriu a amara ? Quem a abriu de a última vez ? - Dobby não pode , senhor . Dobby não pode . Dobby não deve dizer - guinchou o elfo . - Vá se embora , Harry_Potter , vá se embora ! - Eu não vou para lugar nenhum - disse Harry , furioso . - Uma de as minhas melhores amigas é filha de Muggles , está em perigo se a câmara foi , de facto , aberta ... - Harry_Potter arrisca a própria vida por os amigos - gemeu Dobby em uma espécie de êxtase infeliz . - Tão nobre , tão corajoso , mas deve salvar se , Harry_Potter não deve ... Dobby calou se de repente com as orelhas de morcego a estremecerem . Harry também ouviu os passos que vinham lá fora , de o corredor . - Dobby tem de ir - balbuciou o elfo apavorado . Ouviu se um ruído e o pulso de Harry ficou subitamente fechado em o ar . Meteu se de_novo para baixo , em a cama , com os olhos fixos em a porta escura que dava entrada em a ala hospitalar enquanto os passos se aproximavam . Em o momento seguinte , Dumbledore estava a entrar , de costas , em o dormitório , vestindo uma longa túnica de lã e uma capa de noite . Transportava um extremo de aquilo que parecia ser uma estátua . A professora Mc_Gonagall surgiu um segundo mais tarde , pegando lhe em os pés . Os dois colocaram a em uma cama . - Chame Madam_Pomfrey - murmurou Dumbledore e a professora Mc_Gonagall passou por a cama de Harry , apressadamente , e desapareceu . Harry deixou se ficar muito quieto como_se estivesse a dormir . Ouviu vozes ansiosas e por fim a professora Mc_Gonagall apareceu de_novo , seguida de Madam_Pomfrey que vestia um casaco curto de lã sobre a camisa de dormir . Ouviu uma inspiração aguda . - O que aconteceu ? - murmurou Madam_Pomfrey_a_Dumbledore , inclinando se sobre a estátua que estava em a cama . - Outro ataque - disse Dumbledore . - A Minerva encontrou o em as escadas . Havia um cacho de uvas junto de ele . Acho que estava a tentar esgueirar se até aqui para vir visitar o Potter . O estômago de Harry deu uma reviravolta . Lenta e cuidadosamente ergueu se alguns centímetros para poder ver a estátua que estava sobre a cama . Um raio de luar iluminou lhe o rosto estático . Era_Colin_Creevey . Tinha os olhos abertos , e as mãos , em frente de a cara , seguravam a máquina fotográfica . -- Petrificado ? - murmurou Madam_Pomfrey . - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - Mas estou tentada a acreditar que ... se Albus não tivesse vindo cá abaixo tomar um chocolate quente ... quem sabe o que teria ... Os três olharam para Colin . Dumbledore inclinou se e retirou lhe a máquina de as mãos rígidas . - Será que ele conseguiu tirar a fotografia de o agressor ? - perguntou ansiosa a professora Mc_Gonagall . Dumbledore não respondeu . Abriu a parte detrás de a máquina . - Cruzes canhoto - disse Madam_Pomfrey . Um jacto de vapor tinha feito fervilhar a máquina . Harry , a três metros de distância , sentiu o cheiro tóxico de o plástico queimado . - Derretido - disse Madam_Pomfrey com grande espanto . - Tudo derretido . - O que significa isto , Albus ? - perguntou cada_vez_mais nervosa a professora Mc_Gonagall . - Significa - disse Dumbledore - que a Câmara_dos_Segredos está mesmo aberta outra_vez . Madam_Pomfrey levou uma mão a a boca . A professora Mc_Gonagall olhou assustada para Dumbledore . - Mas , Albus ... com certeza ... quem ? - A questão não é quem - disse Dumbledore com os olhos fixos em Colin . - A questão é como ... E pelo que Harry conseguiu ver de o rosto indistinto de a professora Mc_Gonagall , ela não compreendeu muito mais do_que ele . XI_O clube de os duelos Quando_Harry acordou , em o domingo de manhã , a enfermaria estava iluminada por um resplandecente sol de inverno e o seu braço tinha de_novo todos os ossos , apesar_de o sentir muito rígido . Sentou se rapidamente e olhou para a cama de Colin , mas ela fora isolada com as cortinas atrás de as quais se despira em a véspera . Vendo que ele tinha acordado , Madam_Pomfrey apareceu com um tabuleiro de pequeno-almoço e a seguir começou a apalpar lhe o braço e os dedos . - Tudo em ordem - disse , enquanto ele , com a mão esquerda , comia avidamente as papas de aveia . - Quando acabares de comer podes ir te embora . Harry vestiu se o mais depressa que pôde e dirigiu se a a pressa para a torre de os Gryffindor , ansioso por contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre Colin e Dobby , mas não os encontrou lá . Foi a a procura de eles , perguntando a si próprio onde teriam ido e sentindo se um_pouco magoado por o pouco interesse que demonstravam em saber se ele tinha recuperado os ossos . Quando passou por a biblioteca , Percy_Weasley vinha a sair com bastante melhor cara do_que de a última vez que se tinham encontrado . - Olá , olá , Harry - disse . - Excelente voo o de ontem , verdadeiramente sensacional . Os Gryffindor estão a a frente para a taça de a equipa . Ganhaste cinquenta pontos . - Não viste o Ron e a Hermione por aí ? - perguntou Harry . - Não , não vi - disse Percy com o sorriso a desaparecer . - Espero que o Ron não esteja outra_vez em a casa_de_banho de as raparigas ... Harry forçou um sorriso , viu Percy desaparecer e a seguir foi direitinho até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Não via lá muito bem por_que motivo o Ron e a Hermione lá estariam de_novo , mas , depois de se assegurar de que nem Filch nem nenhum de os prefeitos estavam por perto , abriu a porta e ouviu as vozes de eles que vinham de um cubículo fechado . - Sou eu - disse , fechando a porta atrás_de si . Ouviu se dentro de o cubículo um estrondo , um chapinhar e um sobressalto e ele viu o olho de a Hermione a espreitar por o buraco de a fechadura . - Harry - disse ela . - Pregaste nos um susto de morte . Entra . Como está o teu braço ? - _ óptimo - respondeu , apertando se dentro de o cubículo . Em cima de a sanita estava encarrapitado um velho caldeirão , e um crepitar a a superfície de a água disse a Harry que eles tinham acendido um fogo lá em baixo . Fazer aparecer fogos portáteis a a prova de água era uma de as especialidades de Hermione . - _ íamos visitar te , mas resolvemos começar a preparar a poção * _ Polisuco * - explicou Ron enquanto Harry fechava outra_vez a porta de o cubículo com alguma dificuldade . - Achámos que este era o lugar mais seguro para a esconder . Harry começou a contar lhes de o Colin , mas Hermione interrompeu o . - Nós já sabemos , ouvimos a professora Mc_Gonagall contar a o professor Flitwick hoje_de_manhã . Por isso resolvemos começar a ... - Quanto_mais depressa arrancarmos uma confissão a o Malfoy , melhor - rosnou o Ron . - Sabem o que eu penso ? Ele estava tão mal-humorado depois de o jogo de Quidditch que se vingou em o Colin . - Há outra coisa - disse Harry , vendo Hermione cortar molhos de verdezelha e lançá os dentro de a poção . - O Dobby foi visitar me a meio de a noite . Ron e Hermione olharam o espantados . Harry contou lhes tudo_o_que Dobby lhe dissera ... ou não dissera . Ron e Hermione ouviram o de boca aberta . - A Câmara_dos_Segredos já tinha sido aberta antes ? - repetiu Hermione . - Encaixa perfeitamente - disse Ron , em uma voz triunfante . - O Lucius_Malfoy deve ter aberto a Câmara_dos_Segredos quando andava em a escola e agora ensinou a o querido filhinho Draco como abris a . É óbvio , que pena o Dobby não te ter dito que tipo de monstro lá se encontra . Gostava de saber como é_que ninguém o viu andar por ai em a escola . - Talvez tenha a capacidade de se tornar invisível - sugeriu Hermione , picando sanguessugas para dentro de o caldeirão . - Ou talvez se disfarce , passando por uma armadura ou outra coisa de o género . Eu li umas coisas sobre vampiros camaleões ... - Tu lês de mais , Hermione - disse o Ron , deitando moscas asas de renda mortas por cima de as sanguessugas . Amarrotou o saco vazio de as asas de renda e olhou para Harry . - Então foi o Dobby que nos impediu de apanhar o comboio e te partiu o braço ... - abanou a cabeça . - Sabes o que eu acho ? Se ele não parar de tentar salvar te a vida ainda acaba por te matar . A notícia de que Colin_Creevey tinha sido atacado e estava agora em a ala hospitalar , como morto , espalhou se por toda_a escola em a segunda-feira de manhã . O ar ficou pesado e cheio de boatos e suspeitas . Os alunos de o primeiro ano começavam a andar por a escola em pequenos grupos , receando ser atacados se se aventurassem a andar isoladamente por os corredores . Ginny_Weasley , que era colega de carteira de o Colin em os encantamentos , estava perturbadíssima , mas Harry achou que Fred e George estavam a tentar animá a de a maneira errada . Revezavam se , mascarados com peles de animais e apareciam lhe subitamente detrás de as estátuas . Só pararam quando Percy , apopléctico de raiva , lhes disse que ia escrever a Mrs._Weasley a contar lhe que a Ginny andava a ter pesadelos . Enquanto isso , às_escondidas de os professores , uma panóplia de talismãs , amuletos e outros objectos de protecção ia enchendo a escola . Neville_Longbottom comprou uma enorme cebola verde que cheirava mal , um cristal pontiagudo cor de púrpura e uma cauda de tritão apodrecida antes de os outros rapazes de os Gryffindor lhe explicarem que ele não corria perigo : era um sangue puro e , portanto , muito pouco passível de ser atacado . - Eles foram a o Filch em primeiro lugar - disse Neville com o medo estampado em a cara redonda . - E toda_a_gente sabe que eu sou quase um * busca-pé * . Em a segunda semana de Dezembro , a professora Mc_Gonagall veio , como de costume , recolher os nomes de os alunos que ficavam em a escola durante o Natal . Harry , Ron e Hermione assinaram a lista . Tinham ouvido dizer que Malfoy ficava , o que lhes parecera muito suspeito . As férias seriam a altura ideal para usar a poção * _ Polisuco * e tentar arrancar lhe uma confissão . Infelizmente a poção estava a meio . Precisavam ainda de o chifre de bicórneo e o único lugar onde podiam arranjá o era em os depósitos privados de Snape . Harry , pessoalmente , preferia enfrentar o lendário monstro de os Slytherin do_que ser apanhado por o Snape a assaltar lhe o escritório . - O que precisamos - disse Hermione cheia de vivacidade quando se aproximava a aula conjunta de poções de quinta-feira a a tarde - para podermos entrar a a vontade em o escritório de o Snape , é de uma diversão . Harry e Ron olharam para ela , nervosos . - Acho que o melhor é ser eu a praticar o roubo - prosseguiu ela , em um tom perfeitamente casual . - Vocês os dois podem ser expulsos se forem apanhados e eu tenho uma folha limpa . Portanto , a única coisa que têm de fazer é distrair o Snape durante cerca de cinco minutos . Harry esboçou um meio sorriso . Provocar deliberadamente um estrago em a aula de poções de o Snape era tão seguro como ferir em um olho um dragão adormecido . As aulas de poções tinham lugar em um de os mais amplos calabouços . A de quinta-feira a a tarde não foi diferente de as outras . Vinte caldeirões fumegavam entre as secretárias de madeira , sobre as quais podia ver se laminas de latão e jarras com ingredientes . Snape deambulava por o meio de os fumos , fazendo reparos petulantes a o trabalho de os Gryffindor , enquanto os Slytherin riam a a socapa . Draco_Malfoy , que era o aluno preferido de Snape , não parava de lançar olhos de carneiro mal morto a o Ron e a o Harry , que sabiam que se retaliassem teriam um castigo , antes de poderem abrir a boca para dizer : - É injusto ! A solução de inchar de o Harry estava demasiado líquida , mas ele estava preocupado com coisas mais importantes . Esperava por o sinal de Hermione e mal deu por Snape se calar para ir espreitar a sua poção aguada . Quando o professor se voltou e foi implicar com o Neville , Hermione trocou um olhar com Harry e fez um aceno . Harry baixou se discretamente por detrás de o seu caldeirão , tirou de o bolso de trás um de os paus de fogo-de-artíficio Filibuster e deu lhe um toque de varinha . O fogo-de-artíficio começou a sibilar e a crepitar . Sabendo que tinha apenas alguns segundos , Harry endireitou se , ganhou coragem e lançou o a o ar . Aterrou certeiro em o caldeirão de o Goyle . A poção de o Goyle explodiu , salpicando toda_a aula . As pessoas gritavam , à_medida_que eram vítimas de os salpicos . Malfoy foi apanhado em a cara e o nariz começou a inchar como um balão . O Goyle tropeçava a as cegas , com as mãos em os olhos , que tinham ficado de o tamanho de pratos de sopa , enquanto o Snape tentava repor a calma e tentar perceber o que sucedera . Em o meio de a confusão , Harry viu Hermione esgueirar se a a socapa por a porta . - Silêncio ! silêncio ! - vociferou Snape . - Todos os que foram salpicados cheguem aqui para uma drenagem . Quando eu descobrir quem fez isto ... Harry fez um enorme esforço para não se rir a o ver Malfoy chegar apressadamente lá a a frente , a cabeça a tombar com o peso de o nariz , que parecia um pequeno melão . Quando metade de a aula se amontoava junto de a secretária de o Snape , alguns alunos vergados por o peso de os braços que pareciam mocas , outros incapazes de falar devido a o gigantesco inchaço de os lábios , Harry viu Hermione reentrar em o calabouço , a túnica mostrando a barriga protuberante . Quando todos os alunos tinham já tomado um gole de o antídoto e os vários inchaços tinham desaparecido , Snape precipitou se para o caldeirão de o Goyle e pescou os restos retorcidos de o fogo-de-artíficio . Houve um súbito silêncio . - Se eu descubro quem lançou isto - murmurou Snape - garanto que é expulsão por a certa . Harry compôs uma expressão de espanto . Snape olhava directamente para ele e a campainha , que tocou dez minutos mais tarde , não podia ser mais bem-vinda . - Ele soube que fui eu - disse Harry_a_Ron e a a Hermione , enquanto se dirigiam apressadamente para a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Tenho a certeza . Hermione lançou o novo ingrediente em o caldeirão e começou a mexer furiosamente . - Isto vai estar pronto dentro_de quinze_dias - afirmou , satisfeita . - O Snape não pode provar que foste tu - assegurou Ron , tranquilizando Harry . - Que pode ele fazer ? - Conhecendo o Snape , qualquer coisa louca - respondeu Harry , enquanto a poção borbulhava e espumava . Uma semana mais tarde , Harry , Ron e Hermione passavam por o vestíbulo de entrada , quando viram um pequeno grupo de pessoas reunidas em volta de o jornal de parede a lerem um pedaço de pergaminho que tinha acabado de ser afixado . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas acenaram lhes , entusiasmados . - Vão lançar um clube de duelos ! - exclamou Seamus . - Hoje a a noite é a primeira reunião . Eu não me importaria nada de ter aulas de duelo , podem vir a ser úteis um dia de estes ... - Porquê ? Achas que o monstro de os Slytherin sabe esgrimir ? - perguntou o Ron , mas , também ele , leu a notícia com interesse . - Pode ser útil - disse a o Harry e a a Hermione , quando foram jantar . - Vamos lá ? Harry e Hermione acharam óptimo , por isso , a as oito_da_noite voltaram a o salão . As longas mesas de refeição tinham desaparecido e um estrado dourado surgira , encostado a a parede . Sobre ele flutuavam milhares de velas . O tecto era , mais_uma_vez , de veludo negro e parecia que quase todos os alunos de a escola se encontravam ali , com as suas varinhas em a mão e com um ar entusiasmado . - Quem será que vai ensinar nos ? - perguntou Hermione , enquanto se misturavam em a multidão barulhenta . - Ouvi dizer que o Filitwick foi campeão de duelo em a juventude , talvez seja ele . - Desde_que não seja ... - começou Harry , mas terminou em um gemido : Gilderoy_Lockhart estava a subir a o estrado , resplandecente em as suas vestes cor de ameixa , acompanhado , nem mais nem menos , do_que de Snape que trajava , como sempre , de negro . Lockhart levantou um braço , pedindo silêncio , bradando : - Aproximem se , aproximem se , conseguem todos ver me e ouvir me ? Excelente ! - O professor Dumbledore deu me autorização para iniciar este pequeno curso de duelo para vos treinar a todos , caso algum dia precisem de se defender , como eu tenho feito em inúmeras ocasiões ; para mais detalhes , leiam os livros que tenho publicados . - Permitam que vos apresente o meu assistente , o professor Snape - disse Lockhart , abrindo um sorriso de orelha a orelha . - Ele diz me que sabe alguma coisa sobre duelos e aceitou desportivamente ajudar me em uma exibição de demonstração , antes de começarmos . Atenção , não quero que os mais novos fiquem preocupados , vão continuar a ter o vosso professor de poções depois de eu o vencer . Não tenham medo . - Não era óptimo se se liquidassem um_ao_outro ? - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . O lábio inferior de Snape estava curvo . Harry interrogou se sobre o motivo por_que Lockhart continuava a sorrir . Se o Snape olhasse de aquela maneira para ele , Harry estaria a correr a_toda_a velocidade para o mais longe possível . Lockhart e Snape voltaram se um para o outro e fizeram uma vénia , pelo_menos Lockhart fê la com muitas reviravoltas de mãos , enquanto Snape acenava , irritado , com a cabeça . Em seguida , ergueram as varinhas , como_se fossem espadas , em a frente . - Como podem ver , estamos a pegar em as varinhas em a posição de aceitação de combate - explicou Lockhart a a multidão silenciosa . - Quando contarmos até três , lançaremos os primeiros feitiços . Nenhum de nós tentará matar o outro , claro . - Eu não poria as mãos em o fogo - murmurou Harry , observando como Snape cerrava os dentes . -- Um , dois , três ... Os dois balançaram as varinhas acima de os ombros . Snape gritou : * _ Expelliarmus * ! Houve um clarão ofuscante de luz escarlate e Lockhart voou para trás , caindo de o estrado batendo contra a parede , escorregando e indo estatelar se em o chão . Malfoy e alguns de os outros Slytherin aplaudiram . Hermione estava em bicos de os pés . - Acham que ele está bem ? - gritou entredentes . - Quem se rala ? - disseram ao_mesmo_tempo o Ron e o Harry . Lockhart estava a pôr se , hesitante , de pé . O chapéu caíra lhe e o cabelo ondulado estava em um desalinho . - Bem , cá está ! - disse , cambaleando até a o estrado . - Este foi um encantamento para desarmar . Como podem ver , perdi a minha varinha . Ah , obrigado Miss_Brown . Sim , foi uma excelente ideia mostrar lhes isto , professor Snape , mas , se me permite que lhe diga , foi muito óbvio o que ia fazer . Se eu tivesse querido impedis o , teria o feito com a maior de as facilidades . Mas achei que seria educativo deixá os ver ... Snape tinha um ar assassino . Provavelmente Lockhart deu por isso , porque declarou : - Chega de demonstrações . Eu vou passar agora por o meio de vocês e criar duplas . Professor_Snape , se quiser ajudar me ... Entraram por o meio de a multidão , agrupando alunos . Lockhart pôs o Neville com Justin_Finch - _ Fletchley , mas Snape chegou primeiro junto de Harry e de Ron . - Tempo de separar a dupla ideal , parece me - rosnou . - Weasley , tu podes ficar com o Finnigan . Potter ... Harry voltou se automaticamente para Hermione . - Não me parece - disse Snape com o seu sorriso frio . - Mr._Malfoy , venha até aqui . Vamos ver o que faz com o famoso Potter . E a menina , Miss_Granger , pode emparceirar com Miss_Bulstrode . Malfoy aproximou se com o seu passo empertigado e o seu sorriso escarninho . Atrás de ele vinha uma rapariga de os Slytherin , que lembrou a Harry uma imagem que tinha visto em as * _ Férias com Bruxas_Velhas * . Era corpulenta e quadrada e os maxilares avançavam agressivamente . Hermione esboçou um meio sorriso , que ela não retribuiu . - Voltem se para os vossos parceiros - gritou Lockhart - e façam a vénia . Harry e Malfoy mal inclinaram as cabeças , não afastando os olhos um de o outro . - Varinhas preparadas ! - gritou Lockhart . - Quando eu disser três preparem os feitiços para desarmar o vosso opositor . Um ... dois ... três ... Harry levantou a varinha acima de o ombro , mas Malfoy começara logo em o « dois » : o seu feitiço apanhou Harry com tanta força que ele se sentiu como_se tivesse levado com uma frigideira em a cabeça . Tropeçou , mas ainda não estava fora de combate e , sem perder tempo , Harry apontou a varinha a Malfoy e gritou : - * _ Rictusempra ! * Um jacto de luz prateada atingiu Malfoy em o estômago , obrigando o a dobrar se , arfando . - Eu disse desarmar ! - gritava Lockhart sobre as cabeças de a multidão em lata , enquanto Malfoy caía de joelhos . Harry atingira o com o feitiço de as cócegas e ele mal conseguia mexer se para se rir . Harry hesitou com o vago sentimento de que seria pouco desportivo enfeitiçar Malfoy enquanto ele estava caído em o chão , mas ... foi um erro . Tentando respirar , Malfoy apontou a varinha a os joelhos de Harry , balbuciando : « * _ Tarantallegra ! * » e , um segundo depois , as pernas de o Harry tinham começado a mexer se , sem que ele pudesse controlá as , executando uma espécie de dança frenética . - Parem , parem - gritava Lockhart , quando Snape resolveu tomar controlo de a situação . - * _ Finite_Incantatem ! * - bradou . Os pés de o Harry pararam de dançar , Malfoy parou de rir e puderam olhar para_cima . Uma onda de fumo esverdeado pairava sobre todos eles . Neville e Justin estavam caídos em o chão , a arfar . Ron tentava fazer parar um Seamus com cara cor de cinza , pedindo lhe mil desculpas por o que a sua varinha partida eventualmente tivesse feito . Mas Hermione e Millicent_Bulstrode ainda não tinham acabado . Millicent tinha feito a Hermione uma prisão de cabeça e Hermione gritava de dor . As duas varinhas jaziam esquecidas em o chão . Harry deu um salto em frente e afastou Millicent . Não foi fácil , ela era bastante maior do_que ele . - Oh , gente ! - exclamou Lockhart , arrastando se por o meio de a multidão e olhando para os resultados de os duelos . - Vamos pôr de pé , Mcmillan ... cuidado , Miss_Fawcett ... belisque com força que pára logo de sangrar ... - Acho que o melhor é ensinar vos como bloquear feitiços pouco amigáveis - afirmou Lockhart que estava nervosíssimo em o meio de o salão . Olhou para Snape , cujos olhos pretos brilhavam e desviou rapidamente o olhar . - Vamos arranjar um par de voluntários . Longbottom e Finch - _ Fletchley , que tal serem vocês ? - Uma má ideia , professor Lockhart - disse Snape , deslizando como um morcego enorme e cruel . - Longbottom provoca devastação com o feitiço mais simples . Ainda temos de mandar o que restar de o Finch - _ Fletchley para a ala hospitalar dentro_de uma caixa de fósforos . - A cara redonda e rosada de Neville ficou ainda mais rosada . - Que tal o Malfoy e o Potter ? - sugeriu Snape com um sorriso retorcido . - Excelente ideia - disse Lockhart , fazendo sinal a os dois para que se aproximassem de o meio de o salão , enquanto a multidão recuava para lhes dar passagem . - Ouve bem , Harry - disse Lockhart . - Quando o Draco te apontar a varinha , tu fazes assim . Levantou a sua varinha , executando uma tentativa complicada de malabarismo e deixou a cair . Snape sorriu pretensiosamente , enquanto Lockhart a apanhava de o chão , dizendo : - Ups , a minha varinha está demasiado excitada . Snape aproximou se de Malfoy , inclinou se e disse lhe qualquer coisa a o ouvido . Malfoy sorriu também de forma afectada . Harry olhou , nervoso , para Lockhart e pediu : - Professor , podia mostrar me outra_vez aquela coisa para bloquear ? - Estás com medo ? - murmurou Malfoy baixinho , para que Lockhart não pudesse ouvir . - Querias ! - exclamou Harry por o canto de a boca . Lockhart deu um soco em o ombro de o Harry , em a brincadeira . - Basta que faças como eu fiz ! - O quê , deixar cair a varinha ? Mas Lockhart não estava a ouvir - Três , dois , um , zero ! - gritou . Malfoy levantou rapidamente a varinha a o ar e gritou : - * _ Serpensortia ! * A extremidade de a varinha explodiu . Harry viu , horrorizado , uma enorme serpente negra sair de ela , cair pesadamente em o chão a meio de os dois e erguer se disposta a atacar . Ouviram se gritos , enquanto a multidão se afastava , deixando o chão vazio . - Não te mexas , Potter - disse Snape vagarosamente , divertindo se claramente a ver Harry , parado , a olhar em os olhos a serpente . - Eu trato de ela ... - Permita me -- gritou Lockhart . Bramiu a varinha em direcção a a serpente e ouviu se um estoiro . A cobra , em_vez_de desaparecer , voou três metros acima de eles e voltou a cair em o chão com um estrondo enorme . Enraivecida , a sibilar de fúria , rastejou em direcção a Finch - _ Fletchley e pôs se de pé com os dentes a a mostra , pronta a atacar . Harry não soube ao_certo o que o levou a fazer aquilo . Não se lembrava sequer de ter tomado aquela decisão . Só soube que as pernas o fizeram avançar como_se tivesse rodas e que gritou a a serpente : - Larga o ! - E , milagrosa e inexplicavelmente , a serpente voltou a o chão , dócil como uma grande mangueira de jardim , preta e grossa , os olhos agora fixos em os olhos de Harry . Harry sentiu o medo a escoar se . Sabia que a cobra não atacaria mais ninguém , embora não pudesse explicar como sabia . Olhou para Justin a sorrir , esperando vê o aliviado , espantado , ou mesmo agradecido , mas nunca zangado ou assustado . - Que brincadeira é essa ? - gritou o outro e , antes que Harry tivesse tempo de dizer fosse o que fosse , voltou as costas e saiu de o salão . Snape deu um passo em frente , fez um gesto com a varinha e a serpente desapareceu em uma onda de fumo preto . Também ele , Snape , olhava para Harry de uma forma inesperada . Era um olhar arguto e calculista , de que Harry não gostou . Apercebeu se também vagamente de um murmúrio ameaçador que vinha de as paredes em volta . Depois , sentiu um puxão em a túnica . - Vamos - disse a voz de o Ron em o seu ouvido . - Mexe te , vá lá ... Ron arrastou o para fora de o salão . Hermione acompanhava os em a passada rápida . Quando cruzaram a porta , as pessoas que a rodeavam afastaram se , como_se tivessem medo de ser contagiadas . Harry não fazia a mais pequena ideia do_que estava a passar se e , nem Ron , nem Hermione lhe deram qualquer explicação , antes de o terem levado até a a sala comum de os Gryffindor , que se encontrava vazia . Aí , Ron empurrou Harry para uma cadeira de braços e disse : - Tu és um * serpentês * . Porque não nos disseste ? - Eu sou um quê ? - perguntou Harry . - Um * serpentês * ! - exclamou o Ron . - Falas com as cobras . - Eu sei - declarou Harry . - Quer_dizer , esta foi a segunda vez que o fiz . A outra foi há muito_tempo em o jardim zoológico , quando soltei uma Boa_Constrictor a o meu primo Dudley . É uma longa história , mas ela estava a dizer me que nunca tinha estado em o Brasil e eu acho que a libertei sem querer . Foi antes de saber que era feiticeiro . . . - Uma Boa_Constrictor disse te que nunca tinha estado em o Brasil ? - repetiu Ron , quase sem voz . - E então ? - disse o Harry . - Aposto que montes de pessoas aqui fazem o mesmo . - Não fazem , não - afirmou Ron . - Não é um dom muito frequente . Harry , isso é mau . - O que é_que é mau ? - perguntou Harry , que começava a ficar chateado . - O que é_que se passa com todos os outros ? Ouve bem , se eu não tivesse dito a aquela cobra para não atacar o Justin ... - Ah , foi isso que tu disseste ? - Que queres dizer ? Tu estavas lá , ouviste perfeitamente o que eu disse . - Eu ouvi te falar em serpentês - disse o Ron . - Língua de cobra . Podias estar a dizer lhe qualquer coisa . Não admira que o Justin tivesse entrado em pânico . Parecia que estavas a incitar a serpente . Foi assustador , sabes ? Harry olhou para ele espantado . - Eu falei uma língua diferente ? Mas não me apercebi , como posso falar uma língua , sem saber que a conheço ? Ron abanou a cabeça . Tanto ele como Hermione tinham um ar fúnebre . Harry não percebia o que havia em aquilo de tão trágico . - Será que me querem explicar o que há de mal em ter impedido que uma serpente enorme arrancasse a cabeça a o Justin ? - perguntou . - Porque é tão importante como o fiz , se evitei que o Justin fosse juntar se a grupo de os SEM_CABEÇA ? - Importa - disse por fim Hermione , em uma voz abafada . - Porque falar com serpentes era a arte por a qual Salazar_Slytherin ficou famoso . Por isso , o símbolo de os Slytherin é uma serpente . Harry ficou de boca aberta . - Exacto - disse o Ron . - E agora todos em a escola vão pensar que tu és descendente de ele . - Mas não sou - contrapôs Harry com um pânico que não conseguia explicar . - Não vai ser fácil prová o - disse Hermione . - Ele viveu há quase mil anos . Pelo que vimos , podias ser . Em essa noite , Harry ficou acordado durante horas . Por uma fresta de os cortinados de a cama de dossel , olhou para a neve que começava a cair de o lado de_fora de a janela de a torre e perguntou se se poderia ser descendente de Salazar_Slytherin . Afinal , não sabia nada de a família de o pai , os Dursley tinham sempre proibido qualquer pergunta sobre os seus familiares feiticeiros . Calmamente , tentou dizer qualquer coisa em * serpentês * , mas as palavras não saíam . Parecia que era necessário estar frente_a_frente com uma cobra para poder fazê o . Mas eu sou um Gryffindor , pensou Harry , o chapéu seleccionador não me poria aqui se eu tivesse sangue de Slytherin ... - Ah ! - disse uma vozinha dentro de o seu cérebro . - Mas o chapéu seleccionador queria pôr te em os Slytherin , não te lembras ? Harry deu voltas e voltas a a cabeça . Em o dia seguinte , quando visse Justin em a aula de herbologia explicaria lhe que estava a afastar a serpente , não a atiçá a o que , aliás , pensou zangado , dando vários socos em a almofada , qualquer idiota teria percebido . Contudo , em a manhã seguinte , a neve que começara a cair durante a noite , transformara se em uma tempestade tão espessa que a última aula de herbologia de o período foi cancelada : a professora Sprout queria tapar as mandrágoras com peúgas e cachecóis , uma operação arriscada que ela não confiava a ninguém agora_que era tão importante que as mandrágoras crescessem depressa e reabilitassem Mrs._Norris e Colin_Creevey . Junto de a lareira de a sala comum de os Gryffindor , Harry matutava sobre o que se passara enquanto Ron e Hermione aproveitavam o foro para jogar xadrez de feitiçaria . - Com os diabos , Harry - disse Hermione exasperada quando um bispo derrubou um de os cavaleiros de o cavalo , arrastando o para fora de o tabuleiro . - Vai falar com o Justin , se isso é assim tão importante para ti . Harry levantou se e saiu por o buraco de o retrato , perguntando a si próprio onde poderia estar o Justin . O castelo estava mais escuro do_que era habitual durante o dia por causa de a neve espessa e cinzenta que cobria as janelas . A tremer , Harry passou por as salas onde estava a haver aulas , captando lampejos do_que sucedia lá dentro . A professora Mc_Gonagall gritava com alguém que , segundo lhe parecia por o som , transformara o parceiro em um texugo . Resistindo a a tentação de dar uma espreitadela , Harry afastou se pensando que Justin poderia estar a utilizar o tempo de o furo para fazer algum trabalho e resolveu , por isso , ir até a a biblioteca . Um grupo de alunos de os Hufflepuff , que deveriam ter estado em Herbologia , encontrava se , de facto , sentado em as traseiras de a biblioteca , mas não parecia estar a trabalhar . Entre as fileiras de as estantes altas , Harry pôde ver as suas cabeças muito juntas em aquilo que deveria ser uma conversa absorvente . Não conseguia perceber se Justin estaria em o meio de eles . Ia para se aproximar quando apanhou em o ar uma frase e parou para ouvir melhor , escondido em a secção de a invisibilidade . - Portanto - dizia um rapaz corpulento - eu disse a o Justin para se esconder em o nosso dormitório . Isto_é , se o Potter o escolheu como próxima vítima é melhor que ele tenha um * low profile * durante algum tempo . É claro que o Justin já estava a a espera que alguma coisa de o género acontecesse desde_que lhe escapou em uma conversa com o Potter que era filho de Muggles . O Justin disse lhe , inclusivamente , que tinha estado inscrito em Eton . Não é o tipo de coisa que se ande a dizer com o herdeiro de Slytherin a a solta por aí . - Achas mesmo_que é o Potter , Ernie ? - perguntou uma rapariga de tranças loiras , ansiosamente . - Hannah - disse com solenidade o rapaz corpulento . - Ele é um serpentês . Todos sabem que essa é a marca de um feiticeiro negro . Alguma vez ouviste falar de um feiticeiro decente que falasse com as cobras ? O Slytherin era conhecido por « Língua de serpente . . Houve alguns murmúrios antes de Ernie prosseguir : - Lembram se do_que estava escrito em a parede ? * _ Inimigos de o herdeiro , cuidado ! * . O Potter teve que ir a o gabinete de o Filch . E o que é_que acontece a seguir ? A gata de o Filch é atacada . O aluno de o primeiro ano , Creevey , estava a aborrecê o em a partida de Quidditch , a tirar lhe fotografias quando ele estava caído em a lama . E o que é_que acontece a seguir ? Creevey é atacado . - Mas ele parece sempre ser tão simpático - disse Hannah , cheia de dúvidas . - E , bem , foi ele que fez com que o Quem nós sabemos desaparecesse . Não pode ser assim tão mau , pois não ? Ernie baixou misteriosamente a voz . Os Hufflepuff inclinaram se mais uns para os outros e Harry aproximou se para conseguir apanhar as palavras de o Ernie . - Ninguém sabe como ele sobreviveu a aquele ataque de o Quem nós sabemos e , afinal , ainda era um bebé quando aquilo aconteceu . Era para ter explodido feito em estilhaços . Só um feiticeiro negro verdadeiramente poderoso teria sobrevivido a uma maldição de aquelas . - Baixou ainda mais a voz até esta ficar reduzida a um leve murmúrio e disse : - Talvez fosse por isso que o Quem nós sabemos o queria matar , para não ter outro feiticeiro negro a competir com ele . Gostava de saber que outros poderes ocultos terá o Potter . Harry não aguentou mais . Pigarreou alto e saiu detrás de as estantes . Se não estivesse tão zangado teria conseguido ver o lado cómico de a situação : cada_um de os Hufflepuff olhava para ele como_se tivesse sido petrificado , e a cor desaparecera de a cara de o Ernie . - Olá - disse Harry . - Estou a a procura de o Justin_Finch - _ Fletchley . Os piores receios de os Hufflepuff tinham se concretizado . Olharam apavorados para o Ernie . - O que queres de ele ? - perguntou Ernie em uma voz sumida . - Explicar lhe o que aconteceu com aquela cobra em o clube de os duelos - disse Harry . Ernie mordeu os lábios brancos e , em seguida , respirando fundo , respondeu : - Estávamos lá todos . Vimos o que aconteceu . - Então viram que depois de eu falar a serpente recuou - disse Harry . - O que eu vi - insistiu teimosamente Ernie , apesar_de tremer a cada palavra que proferia - foi tu a falares serpentês e a atiçares a cobra conta o Justin . - Eu não a aticei - gritou Harry enraivecido . - Ela nem lhe tocou . - Falhou por_pouco - disse Ernie . - E , para o caso de estares com ideias - acrescentou com má cara - posso dizer te que a minha família provem de nove gerações de bruxas e feiticeiros e que o meu sangue é tão puro como o de qualquer feiticeiro , portanto ... - Quero lá saber qual é o teu sangue - disse Harry furioso . - Porque iria eu atacar os filhos de os Muggles ? - Ouvi dizer que detestas os Muggles com quem vives - disse Ernie rapidamente . - Não é possível viver com os Dursley sem os detestar - explicou Harry . - Gostava de te ver lá em casa . Girou sobre os calcanhares e saiu furioso de a biblioteca sob o olhar reprovador de Madam_Prince que limpava a capa dourada de um enorme livro de encantamentos . Harry avançou a as cegas por os corredores , quase sem ver por_onde ia de tão furioso que estava . O resultado foi chocar com algo enorme e sólido que o fez recuar e cair a o chão . - Ah ! Olá , Hagrid - disse , olhando para_cima . Hagrid tinha o rosto completamente tapado com um lenço coberto de neve , mas não podia ser mais ninguém , enchendo assim o corredor dentro de o seu sobretudo de pele de toupeira . De uma de as enormes mãos enluvadas , pendia um galo morto . - Tudo bem , Harry ? - perguntou , afastando o lenço para poder falar . - Porque não estás em a aula ? - Foi cancelada - disse Harry , pondo se de pé . - O que estás a fazer aqui ? Hagrid mostrou lhe o galo inerte . - É o segundo qu'aparece morto este período - explicou . - Ou são raposas ou um vampiro chato e eu preciso d'autorização de o director p'ra fazer um feitiço em volta de a capoeira . Aproximou se e olhou mais de perto para o Harry , por debaixo de as suas sobrancelhas espessas e cheias de neve . - Tens a certeza que estás bem ? Pareces exaltado e preocupado . Harry não foi capaz de repetir o que Ernie e os outros Hufflepuff lhe tinham dito . - Não é nada , tenho de ir , Hagrid . A próxima aula é Transfiguração e preciso de ir buscar os meus livros . Afastou se , a cabeça cheia com tudo_o_que Ernie dissera a seu respeito . « * _ O_Justin já estava d espera que uma coisa de o género acontecesse desde_que deixou escapar , falando com o Potter , que era filho de Muggles * ... » Harry subiu as escadas a correr e entrou por um corredor que estava particularmente escuro . As tochas tinham sido apagadas por uma ventania gelada que entrava por uma janela de fecho estragado . Estava a meio de o corredor quando tropeçou em uma coisa que se encontrava em o chão . Olhou para ver o que era e sentiu como_se o estômago se tivesse dissolvido . Justin_Finch - _ Fletchley estava em o chão , rígido e frio com uma expressão de horror em o rosto e os olhos abertos voltados para o tecto . E não era tudo . Junto de ele estava mais alguém , a visão mais estranha que Harry tivera em toda_a sua vida . Era_o_Nick quase sem cabeça que não estava cor de pérola nem transparente e sim escuro como fumo . Flutuava imóvel , em a horizontal , 12 centímetros acima de o chão , a cabeça meio tombada e em o rosto uma expressão de choque idêntica a a de o Justin . Harry pôs se de pé com a respiração acelerada e o coração a bater como um tambor contra as costelas . Olhou desvairado para ambos os lados de o corredor deserto e viu uma fila de aranhas que corriam a_toda_a velocidade em a direcção oposta a a de os corpos . Os únicos sons eram as vozes abafadas de os professores em as aulas que decorriam de ambos os lados . Podia fugir e ninguém saberia que ali tinha estado , mas não era capaz de os abandonar assim . Tinha de ir procurar ajuda . Será que alguém acreditaria que ele não tivera nada que ver com aquilo ? Enquanto ali estava , em pânico , uma porta a o seu lado abriu se com grande estrondo . Peeves , o * poltergeist * , saiu a os gritos . - Oh ! É o Potter , olá , Potter - alardeou Peeves , lançando por o ar os óculos de o Harry quando passou por ele . - O que está o Potter a fazer ? Porque está o Potter escondido ? Peeves passou de cabeça para baixo , a meio de uma cambalhota em o ar , quando viu Justin e Nick quase sem cabeça . Com um movimento súbito endireitou se , encheu os pulmões de ar e , antes que Harry pudesse impedi o , gritou : __ ataque ! ataque ! outro ataque ! nenhum mortal ou fantasma está em segurança . corram , fujam , __ ataaaque ! Crac , Crac , Crac . Uma atrás de a outra , foram se abrindo todas_as portas a o longo de o corredor e as pessoas saíram para fora de as salas de aula . Durante alguns longos minutos houve uma tal confusão que Justin esteve em perigo de ser esmagado e as pessoas não paravam de chocar com o Nick quase sem cabeça . Harry deu por si colado a a parede enquanto os professores exigiam a os gritos que se fizesse silêncio . A professora Mc_Gonagall veio a correr , seguida por todos os alunos , um de os quais ainda trazia o cabelo a as riscas pretas e brancas . Usou a varinha para produzir um ruído que repôs o silêncio e mandou os alunos todos para dentro de as salas de aula . Mal lugar ficou desimpedido surgiu Ernie , o jovem Hufflepuff . - * _ Apanhado em flagrante ! * - gritou , com o rosto totalmente branco , apontando dramaticamente o dedo par Harry . - Basta_Mcmillan - disse , de forma cortante , a professora Mc_Gonagall . Peeves andava para_cima e para baixo , observando a cena com um sorriso maldoso . Sempre adorara o caos . Quando os professores se inclinaram sobre Justin e sobre o Nick quase sem cabeça para os examinar , iniciou uma cantilena : * _ Oh ! Potter , que fizeste , seu grande bandido * _ Tu matas os estudantes porque achas divertido . * - Basta , Peeves - rosnou a professora Mc_Gonagall e Peeves afastou se , deitando a língua de_fora a o Harry . Justin foi levado para a ala hospitalar por o professor Flitwick e por o professor Sinistra_do_Departamento_de_Astronomia , mas ninguém parecia saber o que fazer em relação a o Nick quase sem cabeça . Por fim , a professora Mc_Gonagall fez aparecer em o ar um enorme leque que entregou a Ernie com o encargo de conduzir , escadas acima , por os ares o Nick quase sem cabeça . Ernie assim fez , soprando Nick como_se fosse um aerodeslizador e deixando , de este modo , o Harry e a professora Mc_Gonagall a sós . - Por aqui , Potter - disse ela . - Professora , eu juro que não ... - Isso não é comigo , Potter - afirmou a professora Mc_Gonagall sinteticamente . Caminharam em silêncio até uma esquina e ela parou perante uma gárgula de pedra extremamente feia . - Refresco de limão - disse . Era obviamente uma senha porque a gárgula animou se subitamente e saltou para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes . Apesar_de estar apavorado com o que ia acontecer a seguir , Harry não conseguiu evitar um sentimento de fascínio . Por detrás de a parede estava uma escada em espiral que se movia lentamente para_cima como um elevador . E quando ele e a professora Mc_Gonagall puseram os pés em o primeiro degrau , Harry ouviu a parede fechar se atrás de eles . Subiram em círculos , cada_vez_mais alto até que , por fim , um_pouco tonto , Harry pôde ver uma porta de carvalho reluzente com um puxador de bronze em forma de abutre . Harry calculava onde estava a ser levado . Devia ser ali que morava Dumbledore . XII_A poção * polisuco * Saltaram de a escada de pedra lá mesmo em cima e a professora Mc_Gonagall bateu a a porta . Ela abriu se silenciosamente dando lhes entrada . A professora Mc_Gonagall disse lhe que esperasse e deixou o sozinho . Harry olhou em volta . Uma coisa era certa : de todos o escritórios de professores que conhecia , o de Dumbledor era , de longe , o mais interessante . Se não estivesse com um medo de morte de ser expulso teria adorado explorá o . Era uma sala grande e bonita em forma de círculo que estava cheia de barulhinhos estranhos . Havia um grande número de instrumentos prateados sobre várias mesas de pernas finas que zumbiam emitindo pequenas baforadas de fumo . As paredes estavam cobertas de fotografias de antigos directores e directoras , todos eles a dormir tranquilamente em as suas molduras . Havia ainda uma enorme secretária pés de garra . E , sobre uma prateleira atrás de ela , um chapéu de feiticeiro andrajoso e puído : * o chapéu seleccionador * . Harry hesitou . Lançou um olhar cauteloso a as bruxas e feiticeiros adormecidos a o longo de as paredes . Com certeza não fazia mal se lhe pegasse e o experimentasse só para ver ... só para ter a certeza de que ele o pusera em a equipa certa . Deu a volta a a secretária , retirou o chapéu de a prateleira e baixou o lentamente sobre a cabeça . Era demasiado grande e escorregou lhe para os olhos como de a outra_vez que o tinha posto . Harry olhou para o forro preto , enquanto esperava . Por fim , uma vozinha disse lhe a o ouvido : - Estás com macaquinhos em o sótão , Harry_Potter ? - Er ... sim - balbuciou Harry . - Er ... desculpa incomodar te , queria saber ... - Querias saber se te pus em a equipa certa - disse prontamente o chapéu . - Sim ... tu és particularmente difícil de seleccionar , mas eu mantenho o que disse antes . - O coração de Harry deu um salto . - Terias ficado bem em os Slytherin . Harry sentiu o estômago contorcer se . Agarrou o chapéu por a aba e tirou o de a cabeça . O chapéu seleccionador ficou pendurado em a mão de ele , inerte , desbotado e sujo . Harry voltou a pô o em a prateleira , sentindo se enjoado . - Estás enganado ! - disse em voz alta a o chapéu parado e silencioso , mas ele não se mexeu . Harry recuou para o observar melhor e foi então que ouviu um ruído estranho e grasnado atrás_de si que o fez dar uma volta . Não estava só , afinal_de_contas . Em um poleiro dourado atrás de a porta estava um pássaro de aspecto decrépito que parecia um peru meio depenado . Harry olhou para ele espantado e o pássaro olhou o também , grasnando de_novo . Harry achou que ele devia estar muito doente porque tinha os olhos parados e , enquanto olhava para ele , caíram lhe mais algumas penas de a cauda . Estava justamente a pensar que a única coisa que lhe faltava era que o pássaro de estimação de Dumbledore morresse quando ele estava ali sozinho com ele , em o escritório , quando a ave se incendiou . Harry gritou , em estado de choque , e recuou até a a secretária . Olhava nervosamente em volta , em busca de um jarro de água , mas não viu nenhum . O pássaro , entretanto , transformara se em uma bola de fogo , dera um guincho e , em seguida , desaparecera , deixando apenas um monte de cinzas em o chão . A porta de o escritório abriu se . Dumbledore entrou com ar taciturno . - Professor - gaguejou Harry . - O seu pássaro ... eu não pode fazer nada ... ele incendiou se . Para seu grande espanto , Dumbledore sorriu . - Já não era sem tempo . Estava com um aspecto horrível em os últimos dias . Fartei me de lhe dizer que fizesse qualquer coisa . Riu se entre dentes com a expressão em o rosto de Harry . - A Fawkes é uma fénix , Harry . As fénix ardem quando é altura de morrer e renascem de as cinzas , repara ... Harry olhou mesmo a_tempo_de ver um passarinho recém-nascido , todo enrugado , espetar a cabeça fora de as cinzas . Era quase tão feio como o antigo . - É uma pena que a tenhas conhecido em dia de arder - disse Dumbledore , passando para trás de a secretária . - É muito bonita a maior parte de o tempo , com uma plumagem vermelha e dourada . São criaturas fascinantes , as fénix . Podem transportar cargas pesadíssimas , as suas lágrimas têm propriedades curativas e são animais de estimação extremamente fiéis . Com o choque de a fénix a pegar fogo , Harry esquecera se de o motivo porque ali estava , mas tudo voltou rapidamente quando Dumbledore se instalou em a cadeira de espaldar alto e o fixou com os seus olhos azuis e penetrantes . Contudo , antes que ele tivesse tido tempo de falar , a porta de o escritório abriu se de par em par com um enorme estrondo e Hagrid entrou com um olhar tresloucado , o lenço todo torcido em volta de a cabeça hirsuta e o galo morto ainda pendurado em a mão . - Não foi Harry , professor Dumbledore - disse , aflito . - Eu tinha estado a falar com ele poucos segundos antes de o rapazinho ser encontrado , ele não teve tempo professor ... Dumbledore tentou dizer qualquer coisa , mas Hagrid continuou , abanando o galo em o meio de a sua agitação e espalhando penas por todo o lado . - Não pode ter sido ele . Eu juro em a frente de o ministro de a magia , se for preciso ... - Hagrid , eu ... -- Tem o rapaz errado , professor . Eu sei qu'o Harry nunca ... - Hagrid - disse Dumbledore , elevando a voz . - Eu não penso que o Harry tenha atacado aquelas pessoas . - Oh ! - disse Hagrid , com o galo pendendo inerte a o seu lado . - Certo , ' tão eu espero lá fora , director . E saiu com ar envergonhado . - O senhor não acha que tenha sido eu ? - repetiu Harry cheio de esperança , enquanto Dumbledore sacudia penas de galo de cima de a secretária . - Não , Harry , não acho - afirmou Dumbledore , apesar de a sua expressão ser de_novo sombria . - Mas mesmo_assim quero falar contigo . Harry esperou ansiosamente enquanto o director o observava com as pontas de os dedos longos unidas . - Tenho de saber uma coisa . Harry , há alguma pergunta que queiras fazer me , qualquer que ela seja ? Harry não soube o que dizer . Lembrou se de Malfoy a gritar * _ Vocês serão os próximos , sangues de lama * e de a poção * _ Polisuco * em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Depois pensou em a voz sem corpo que ouvira duas vezes e em o que o Ron dissera * _ Ouvir vozes que ninguém mais ouve não é bom sinal , nem mesmo em o mundo de a feitiçaria * . Pensou também em o que toda_a_gente dizia de ele e em o receio cada_vez maior de ter uma relação qualquer com Salazar_Slytherin ... - Não - disse por fim . - Não há nada , professor . O ataque duplo a Justin e a o Nick quase sem cabeça transformou o que até_então era nervosismo em verdadeiro pânico . Curiosamente fora o destino de o Nick quase sem cabeça o que mais preocupara as pessoas . Quem poderia ter feito aquilo a um fantasma ? - perguntavam uns a os outros . - Que poder terrível era aquele , capaz de afectar alguém que já tinha morrido ? Houve uma precipitação enorme em a marcação de os bilhetes em o Expresso_de_Hogwarts , pois todos os alunos quiseram ir passar o Natal a casa . - Por este caminho , vamos ser os únicos a ficar - disse o Ron a o Harry e a a Hermione . - Nós , o Malfoy , o Goyle e o Crabbe , que férias lindas que vão ser ! Crabbe e Goyle que faziam sempre o que Malfoy fazia , tinham se inscrito para ficar também durante as férias . Mas Harry estava contente por a maior parte se ir embora . Estava farto de ver gente a afastar se em os corredores como_se ele fosse mostrar os dentes ou cuspir veneno . Estava cansado de tantos segredinhos , de os ver apontar e segredar quando passava . O Fred e o George , esses achavam muito divertido . Vinham , de propósito , pôr se a a frente de ele e atravessavam os corredores a gritar : - Abram alas para o herdeiro de Slytherin , vai passar um feiticeiro verdadeiramente cruel . Percy discordava totalmente de este comportamento . - Não é um assunto para se brincar - dizia com frieza . - Sai mas é de o caminho , Percy - dizia o Fred . - O Harry está com pressa . - Sim , ele vai a a Câmara_dos_Segredos tomar uma chávena de chá com o seu servidor dentes de serpente - completava Fred com uma gargalhada . Ginny também não lhes achava graça . - Cala te - gritava ela sempre_que o Fred perguntava em voz alta a o Harry quem estava a pensar atacar a seguir , ou quando George fingia afastá o com um enorme dente de alho . Harry não se importava . Fazia o sentir se melhor o facto de constatar que , pelo_menos para o Fred e para o George , a ideia de ele ser o herdeiro de Slytherin era absolutamente ridícula . Mas as palhaçadas de eles pareciam ofender Draco_Malfoy que , de cada_vez que os via , ficava mais irritado . - É porque está ansioso por dizer que é mesmo ele - disse o Ron com ar conhecedor . - Sabes como ele detesta que alguém o ultrapasse e tu estás a receber todo o crédito por o seu trabalho sujo . - Não vai ser por muito_tempo - disse Hermione com uma voz satisfeita . - A poção * polisuco * está quase pronta . Um de estes dias arrancamos lhe a verdade . Finalmente , o período chegou a o seu termo e um silêncio profundo como a neve em os campos desceu sobre o castelo . Harry adorou a tranquilidade e apreciou o facto de ele , Hermione e os Weasley terem a torre de os Gryffindor por sua conta , poderem jogar a as explosões bem alto , sem incomodar ninguém e praticar duelos entre si . O Fred , o George e a Ginny tinham preferido ficar em a escola a ir com Mr. e Mrs._Weasley a o Egipto visitar o Bill . Percy que reprovava e considerava infantil a conduta de eles , não passava muito_tempo em a sala comum de os Gryffindor . Já lhes dissera pomposamente que só ficara ali em o Natal , por ser sua obrigação como prefeito apoiar os professores em aquela época agitada . A manhã de o dia de Natal clareou branca e fria . Harry e Ron , os únicos que estavam em o dormitório , foram acordados muito cedo por Hermione que entrou , toda vestida , transportando presentes para ambos . - Acordem - disse em voz alta , abrindo os cortinados . - Hermione , tu não devias estar aqui - exclamou o Ron , protegendo os olhos de a luz . - Feliz_Natal para ti também - disse Hermione , atirando lhe o presente que tinha para ele . - Estou acordada há quase uma hora , acrescentando mais asas de renda a a poção . Está pronta . Harry sentou se , subitamente acordado . - Tens a certeza ? - Absoluta - disse ela , afastando o rato Scrabbers para se sentar a os pés de a cama de dossel . - Se vamos mesmo tomá a , acho que devia ser logo a a noite . Em esse momentzo , a Hedwig entrou em o quarto , transportando em o bico um embrulho pequenino . - Olá - disse Harry , feliz a o vê a aterrar em a sua cama . - Já me falas outra_vez ? Ela mordiscou lhe a orelha de uma forma afectuosa que foi , de longe , um presente melhor do_que aquele que transportava e que era afinal de os Dursley . Tinham mandado a Harry um palito para os dentes com um cartão pedindo lhe que se informasse se não poderia ficar , também em o Verão , em Hogwarts . Os outros presentes que Harry recebeu foram bastante melhores . Hagrid mandara lhe uma lata grande de bombons de melaço que ele decidiu amolecer a o lume antes de comer , o Ron deu lhe um livro chamado * _ Voando com Canhões * , que narrava factos interessantes sobre a sua equipa favorita de Quidditch e Hermione trouxera lhe uma luxuosa pena de águia . Harry abriu o último presente onde vinha uma camisola novinha , feita a a mão por Mrs._Weasley e um grande bolo de passas . Pegou em o cartão com uma nova sensação de culpa , pensando em o carro de Mr._Weasley que não voltara a ser visto desde_que chocara contra o salgueiro zurzidor e em a quantidade de infracções que ele e o Ron tinham em mente . Ninguém , nem mesmo os que estavam cheios de medo por terem de tomar a poção * polisuco * a seguir , deixou de adorar o jantar de Natal em Hogwarts . O salão nobre estava magnífico . Não_só havia uma_dúzia de árvores de Natal , cobertas de geada e espessas serpentinas de azevinho e visco bravo cruzando se junto de o tecto como caia uma neve encantada quente e seca . Dumbledore conduziu os em uma de as suas canções de Natal preferidas enquanto Hagrid se agitava , falando cada_vez_mais alto , a cada gole de gemada que tomava . O Percy que não dera por_que Fred enfeitiçara o seu distintivo de prefeito , onde agora podia ler se « cabeça de alfinetes « , continuava a perguntar a todos para_onde estavam a olhar . Harry nem_sequer se importou com os comentários que Draco_Malfoy fazia bem alto , de a mesa de os Slytherin acerca de a sua camisola nova . Com alguma sorte , Malfoy iria ser desmascarado dentro_de algumas horas . Harry e Ron mal tinham acabado a terceira dose de pudim de Natal quando Hermione os fez sair de o salão a a pressa para acabarem de tratar de os planos para essa noite . - Ainda precisamos de um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos - disse com o ar mais natural de este mundo como_se estivesse a mandá os a o supermercado comprar detergente . - E , é claro que o ideal será conseguirmos alguma coisa de o Crabbe e de o Goyle , são os melhores amigos de o Malfoy , ele conta lhes tudo . E precisamos também de ter a certeza de que eles não vão entrar em a sala quando vocês estiverem a interrogar o Malfoy . - Eu tenho tudo pensado - prosseguiu ela , ignorando a expressão estupefacta de Harry e Ron . Pegou em dois apetitosos bolos de chocolate . - Pus lhes um encantamento de sono . Vocês só têm de fazer com que o Crabbe e o Goyle os encontrem . Sabem como eles são gulosos , vão logo comê os . Quando estiverem a dormir , tirem lhes alguns cabelos e escondam nos em uma despensa de vassouras . Harry e Ron olharam , incrédulos , um para o outro . -- Hermione , eu não creio que ... -- Isto pode correr muito mal ... Mas Hermione tinha um brilho inflexível em os olhos que não era muito diferente do_que costumavam ver em o olhar de a professora Mc_Gonagall . - A poção não nos serve de nada sem os cabelos de o Crabbe e de o Goyle - disse com firmeza . - Vocês querem mesmo descobrir coisas sobre o Malfoy , não querem ? - Pronto , está bem - disse Harry . - Mas , e tu , vais arranjar cabelos de quem ? - Eu já tenho esse assunto resolvido - disse Hermione sorridente , tirando um frasquinho de o bolso e mostrando lhes um cabelo que lá estava dentro . - Lembram se de a Millicent_Bulstrode que lutou comigo em o clube de os duelos ? Ela deixou isto em o meu manto quando tentava estrangular me . E foi passar o Natal a casa , portanto , basta me dizer a os Slytherins que decidi voltar . Quando Hermione saiu para verificar de_novo a poção polisuco , Ron voltou se para Harry com uma expressão lúgubre . - Alguma vez viste um plano onde tantas coisas pudessem correr mal ? Mas para grande espanto de ambos , a primeira fase de a operação decorreu tão naturalmente como Hermione previra . Eles esconderam se em o * hall * de entrada , depois de o lanche de Natal , a a espera de o Crabbe e de o Goyle que tinham ficado sozinhos a a mesa de os Slytherin , deitando abaixo a quarta dose de bolo inglês . Harry colocou os bolos de chocolate em o fim de o corrimão . Quando avistaram Crabbe e Goyle a sair de o salão , Harry e Ron esconderam se rapidamente atrás_de uma armadura que estava junto de a porta de entrada . - Como_se pode ser tão estúpido ? - murmurou Ron sem se mexer enquanto Crabbe apontava satisfeitíssimo , mostrando a Goyle os bolos e agarrando os . Com um riso estúpido , enfiaram nos inteiros em as bocas enormes . Durante um momento , ambos mastigaram avidamente com olhares vitoriosos em o rosto . Depois , sem que a expressão se alterasse , caíram para trás e estatelaram se em o chão . Mais difícil foi transportá os para a despensa de o outro lado de o * hall * . Uma_vez armazenados em o meio de os baldes e esfregões , Harry arrancou alguns de os pêlos que cobriam a cabeça de o Goyle e Ron tirou alguns cabelos a o Crabbe . Roubaram lhes também os sapatos porque os de eles eram demasiado pequenos para os enormes pés de o Crabbe e de o Goyle . Em seguida , ainda atordoados com o que tinham acabado de fazer , correram até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mal conseguiam ver com o fumo preto e espesso que saía de o cubículo onde Hermione mexia o caldeirão . Tapando o rosto com os mantos , Harry e Ron bateram a o de leve em a porta . - Hermione ? Ouviram o ruído de o trinco e Hermione apareceu com a cara lustrosa e um ar ansioso . Por trás de ela ouviam o gloop gloop de a poção espessa e gorgolejante . Em o banco de a casa_de_banho estavam três copos de vidro . - Conseguiram ? - perguntou Hermione quase sem fôlego . Harry mostrou lhe o cabelo de o Goyle . - _ óptimo . Eu tirei estes mantos suplementares de a lavandaria - disse ela , pegando em uma pequena saca . - Vocês vão precisar de tamanhos maiores se vão ser o Crabbe e o Goyle . Olharam os três para o caldeirão . Vista de perto , a poção parecia uma lama espessa e escura a borbulhar indolentemente . - Tenho a certeza que fiz tudo certo - disse Hermione nervosa , relendo a página manchada de * _ Moste_Potente_Potions * . - Tem o aspecto que o livro diz que deveria ter ... depois de a tomar temos precisamente uma hora antes de nos transformarmos de_novo em as pessoas que somos . - E agora ? - murmurou o Ron . - Separamos a em três copos e adicionamos os cabelos . Hermione encheu cada_um de os copos com uma concha de sopa . Em seguida , retirou com a mão a tremer o cabelo de Millicent_Bulstrode de dentro de o frasquinho e pô o em o primeiro copo . A poção chiou fortemente como uma chaleira a ferver e espumou como louca . Um segundo depois ganhara um tom de amarelo doentio . - Urgh ! Essência_de_Millicent_Bulstrode - disse Ron , olhando com repugnância . - Aposto que o sabor é nojento . - Deitem os vossos - disse Hermione . Harry deixou cair o cabelo de o Goyle em o copo de o meio e Ron lançou o de o Crabbe em o último . Ambos chiaram e espumaram : o de o Goyle ficou de um tom caqui , o de o Crabbe de um castanho-escuro algo tenebroso . - Esperem - pediu Harry quando Ron e Hermione pegaram em os copos . - Será melhor não os tomarmos aqui todos juntos em um cubículo ; quando em os transformarmos não vamos cá caber e Millicent_Bulstrode não é nenhum duende . - Bem pensado - admitiu o Ron , abrindo a porta . - Cada_um em seu cubículo . Com todo o cuidado , para não entornar nem uma gota de a poção polisuco , Harry esgueirou se para o cubículo de o meio . - Prontos ? - perguntou . - Prontos - responderam as vozes de o Ron e de a Hermione . - Um , dois , três . Tapando o nariz , Harry bebeu a poção em dois grandes tragos . Tinha o sabor de a couve demasiado cozida . Os seus interiores começaram imediatamente a contorcer se como_se tivesse engolido serpentes vivas . Dobrado , Harry perguntava a si próprio se iria vomitar . Depois , uma sensação de ardor espalhou se rapidamente de o estômago até a as pontas de os dedos de as mãos e de os pés . Em seguida , fazendo o sobressaltar se , sobreveio o sentimento horrível de estar a derreter enquanto a pele de todo o seu corpo borbulhava como cera quente e , perante os seus olhos , as mãos começaram a crescer , os dedos a engrossar , as unhas a alargar e as articulações a tornarem se protuberantes como ferrolhos . Os ombros retesaram se dolorosamente e uma comichão em a testa preveniu o de que o cabelo estava a rastejar em direcção a as sobrancelhas . As túnicas rasgaram se enquanto o tórax se expandia como um barril , rebentando com os seus anéis . Os pés estavam em grande sofrimento dentro_de sapatos quatro números abaixo . Tão depressa como começara , tudo parou . Harry estava caído em o chão de pedra fria , ouvindo a Murta_Queixosa gorgolejando taciturna em o cubículo de o fundo . Com alguma dificuldade tirou os sapatos e levantou se . Era então assim que o Goyle se sentia ! Com a mão enorme a tremer , despiu a sua túnica que lhe ficava 30 centímetros acima de os tornozelos , pegou em as túnicas suplementares e amarrou os atacadores de os sapatos abotinados de o Goyle . Quis escovar o cabelo para o afastar um_pouco de os olhos e deu apenas com os pêlos hirsutos que lhe cresciam em a testa . Apercebeu se então de que os óculos lhe toldavam a visão porque o Goyle , obviamente , não precisava de eles . Tirou os e gritou . - Vocês estão bem ? - De a sua boca saiu a voz baixa e grossa de o Goyle . - Sim - respondeu lhe o grunhido de o Crabbe , a a sua direita . Harry abriu a porta de o cubículo e dirigiu se a o espelho partido . O Goyle olhava o de o outro lado com os seus olhos parados . Harry coçou a orelha e Goyle fez o mesmo . A porta de o Ron abriu se . Olharam um para o outro . Harry estava pálido e chocado . O amigo não se distinguia de o Crabbe , desde o corte de cabelo em forma de tigela até a os longos braços de gorila . - É inacreditável - disse o Ron , aproximando se de o espelho e beliscando o nariz achatado de o Crabbe . - Inacreditável ! - É melhor irmos indo - disse Harry , alargando a pulseira de o relógio que lhe cortava o pulso . - Ainda temos de descobrir onde fica a sala comum de Slytherin . Só espero que encontremos alguém que vá para lá e que nós possamos seguir . Ron que tinha estado a olhar espantado para ele , comentou : - Não imaginas como é bizarro ver o Goyle a pensar - bateu em a porta de Hermione . - Vamos , temos que ir ... Respondeu lhe uma voz aguda : - Eu ... eu acho que afinal não vou . Vão vocês sem mim . - Hermione , nós sabemos que a Millicent_Bulstrode é feia , ninguém vai pensar que és tu . - Não , a sério , acho que não vou . Despachem se vocês os dois , estão a perder tempo . Harry olhou para Ron , baralhado . - Aquilo parece mais de o Goyle , é como ele fica sempre_que algum professor lhe faz uma pergunta . - Estás bem , Hermione ? - perguntou Harry , através de a porta . - _ óptima , estou óptima , vão se embora . Harry olhou para o relógio . Cinco preciosos minutos tinham já passado . - Encontramo nos aqui , está bem ? - disse . Os dois abriram a porta de a casa_de_banho com todo o cuidado , viram se o caminho estava livre e saíram . - Não balances assim os braços - disse o Harry a o Ron . - Hein ? - O Crabbe anda sempre com eles esticados . - Assim ? - Isso , assim está melhor . Desceram a escadaria de mármore . Só precisavam agora de um Slytherin que pudessem seguir até a a sala comum , mas não havia ninguém por perto . - Tens alguma ideia ? - perguntou Harry em um murmúrio . - Os Slytherin vêm sempre de ali para o pequeno-almoço - disse o Ron , apontando para a entrada de os calabouços . Mal tinha pronunciado estas palavras quando uma rapariga de cabelo comprido a os caracóis , apareceu . - Desculpa - disse o Ron , sem perder tempo . - Esquecemo nos de o caminho para a nossa sala comum . - Como ? - disse a rapariga com a maior frieza . - A * nossa * sala comum ? Eu sou uma Ravenclaw . Afastou se , olhando para eles , desconfiada . Harry e Ron desceram apressadamente os degraus de pedra até a a escuridão . Os passos ecoavam em o silêncio , à_medida_que os pés enormes de Crabbe e Goyle tocavam em o chão , fazendo os sentir que as coisas não iam ser tão fáceis como eles desejavam . Os corredores labirínticos estavam desertos . Andaram e tornaram a andar por os subterrâneos , olhando constantemente para os relógios para ver quanto tempo ainda lhes restava . Depois de um quarto de hora , quando começavam a ficar desesperados , ouviram um movimento súbito . - Olha - disse o Ron , agitadamente . - Agora é um de eles . A silhueta saía de uma sala , mas quando se aproximaram o coração de ambos esmoreceu . Não era um Slytherin , era Percy . - O que estás a fazer aqui em baixo ? - perguntou o Ron surpreendido . - Isso - disse ele friamente - não é de a tua conta . És o Crabbe , não és ? - Er ... sim , sim - respondeu o Ron . - Então vão para o vosso dormitório - ordenou Percy com firmeza . - Não é seguro andar a passear por os corredores escuros em os dias que correm . - Tu andas -- fez notar o Ron . - Eu - disse o Percy endireitando se - sou um prefeito . Nada vai atacar me . Ouviu se , de repente , uma voz por_detrás_de Harry e Ron . Era_Draco_Malfoy e , pela_primeira_vez em a vida , Harry ficou satisfeito a o vê o . - Aí estão vocês - disse de modo arrastado , olhando para eles . - Têm estado a chafurdar em o salão este tempo todo ? Tenho andado a a vossa procura , quero mostrar vos uma coisa muito divertida . Malfoy olhou misteriosamente para Percy . - E o que fazes tu aqui , Weasley ? - perguntou com ar de desprezo . Percy olhou , sentindo se ultrajado . - Fazes favor de mostrar um_pouco mais de respeito por um prefeito de a escola - disse . - Não gosto de o teu ar . Malfoy riu se e fez sinal a o Harry e a o Ron para que o seguissem . Harry quase ia pedindo desculpa a o Percy , mas deu se conta a tempo . Apressaram se a seguir o Malfoy que disse , mal viraram em o corredor seguinte : - Aquele Peter_Weasley ... - O Percy - corrigiu Ron automaticamente . - Ou isso - continuou Malfoy . - Ultimamente tenho o visto muitas_vezes a andar por aí sorrateiramente e aposto que sei o que ele quer . Pensa que vai apanhar o herdeiro de Slytherin sozinho . Deu uma pequena gargalhada ridícula . Harry e Ron trocaram olhares nervosos . Malfoy parou junto de uma parede de pedra húmida . - Qual é a senha ? - perguntou a o Harry . - Er ... - Ah ! sim , sangue puro - disse Malfoy sem ouvir e uma porta de pedra , oculta em a parede , abriu se . Malfoy entrou e Harry e Ron seguiram o . A sala comum de os Slytherin era uma ampla divisão subterrânea com espessas paredes de pedra e um tecto de o qual estavam pendurados por correntes vários candeeiros redondos que davam uma luz esverdeada . O fogo crepitava em uma lareira elaboradamente esculpida em frente de a qual se viam as silhuetas de vários Slytherins sentados em cadeiras igualmente esculpidas . - Esperem aí - disse Malfoy a o Harry e a o Ron , encaminhando os para um par de cadeiras vazias , longe de o lume . - Eu vou buscar o que o meu pai acaba de me mandar . Sem saber o que Malfoy iria mostrar lhes , Harry e Ron sentaram se , fazendo todos os possíveis por parecer a a vontade . Malfoy voltou um minuto depois , trazendo em a mão o que parecia ser um recorte de jornal . Pô o debaixo de o nariz de o Ron . - Vais te rir - disse . Harry viu os olhos de o Ron abrirem se como_se estivesse em estado de choque . Viu o ler o recorte rapidamente , dar uma gargalhada forçada e estender lhe o em seguida . Tinha sido retirado de o * _ Profeta_Diário * e dizia : inquérito em o ministério de a magia * _ Arthur_Weasley , chefe de o Gabinete_de_Mau_Uso_dos_Utensílios_dos_Muggles foi hoje multado em cinquenta galeões por ter enfeitiçado um carro de os Muggles . * _ O senhor Lucius_Malfoy , Membro_do_Conselho_Directivo_da_Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts , onde o carro enfeitiçado foi chocar em o princípio de este ano , exigiu hoje a demissão de Mr._Weasley . « * _ O_Weasley trouxe o descrédito a o Ministério « - declarou Mr._Malfoy a o nosso repórter . - « É claramente incompetente para fazer cumprir as leis e a sua protecção ridícula de os Muggles deveria ir imediatamente para a sucata . » * _ Mr._Weasley recusou se a fazer comentários , mas a sua mulher disse a os repórteres que desaparecessem de ali ou lançaria contra eles o vampiro de a família * . - Então - disse Malfoy impaciente quando Harry voltou a entregar lhe o recorte . - Não achas o_máximo ? - Ha , ha - fez Harry tristemente . - O Arthur_Weasley gosta tanto de os Muggles que era capaz de partir a sua varinha a o meio para se juntar a eles - disse Malfoy com desprezo . - Ninguém diria que os Weasley eram sangue puro a avaliar por o modo como_se comportam . A cara de o Ron , ou melhor , de o Crabbe , contorceu se de raiva . - O que é_que se passa ? - perguntou Malfoy . - Dores de estômago - gemeu o Ron . - Então vai a a ala hospitalar e dá a todos aqueles sangues de lama um pontapé de a minha parte - disse Malfoy com o seu riso escarninho . - Sabes que estou espantado por o * _ Profeta_Diário * ainda não se ter referido a todos estes ataques - continuou pensativamente . - Calculo que o Dumbledore deve estar a tentar abafar as coisas . Ele ainda é posto em a rua se isto não acaba depressa . O pai sempre disse que Dumbledore foi a pior coisa que aqui veio parar . Ele adora os filhos de os Muggles , um director decente nunca deixaria um lodo como o Creevey entrar em esta escola . Malfoy começou a fingir que tirava fotografias com uma máquina imaginária e fez uma imitação maldosa , mas bastante fiel de o Colin : - Potter , posso tirar te a fotografia ? Dás me um autógrafo ? Posso lamber te os sapatos , por favor , Potter ? Baixou as mãos e olhou para Harry e Ron . - O que é_que se passa com vocês os dois ? Um_pouco atrasados , Harry e Ron forçaram o riso e Malfoy pareceu satisfeito . Talvez Crabbe e Goyle fossem sempre de reacção lenta . - O santo Potter , amigo de os sangues de lama - disse Malfoy . - É outro que não tem os sentimentos de um feiticeiro a sério ou não andaria por aí com aquela empertigada sangue de lama Granger . E as pessoas a pensarem que ele é o herdeiro de Slytherin . Harry e Ron esperaram com a respiração entrecortada : o Malfoy ia certamente dizer lhes , dentro_de segundos , que era ele , mas então ... - Quem me dera saber quem ele é - disse o Malfoy , de forma petulante . - Podia ajudá o . O queixo de o Ron caiu de tal maneira que a cara de o Crabbe ficou ainda mais desajeitada do_que era habitual . Felizmente Malfoy não deu por nada e Harry , em um pensamento rápido , disse : - Deves ter alguma ideia de quem está por_detrás_de tudo ... - Sabes perfeitamente que não tenho , Goyle , quantas vezes é preciso dizer te ? - cortou Malfoy . - E o pai também não me diz nada sobre a última vez que a câmara foi aberta . É claro que foi há cinquenta anos , antes de ele cá andar , mas o pai sabe tudo a esse respeito e diz que as coisas foram mantidas em grande segredo e que pareceria suspeito se eu soubesse demasiado . Mas há uma coisa que eu sei : de a última vez que a câmara foi aberta , morreu um sangue de lama . Por isso , aposto que é uma questão de tempo até que um de eles seja morto . Só espero que seja a Granger - disse satisfeito . Ron fechara os punhos gigantescos de o Crabbe . Sentindo que deitaria tudo a perder se ele desse um soco a o Malfoy , Harry lançou lhe um olhar de aviso e disse : - Sabes se a pessoa que abriu a câmara de a última vez foi apanhada ? - Ah ! sim , essa pessoa foi expulsa - disse Malfoy . - Ainda deve estar em Azkaban . - Azkaban ? - repetiu Harry confuso . - Azkaban , a prisão de os feiticeiros , Goyle - disse Malfoy , olhando para ele incrédulo . - Francamente , se fosses mais lento andavas para trás . Esticou se intranquilo , em a cadeira e disse : - O pai diz para eu esfriar a cabeça e deixar que o herdeiro de Slytherin faça o seu trabalho . Acha que a escola precisa de se livrar de a escória de os sangues de lama , mas não quer que eu me envolva em nada . Claro que ele agora tem um prato cheio . Sabes que o Ministério de a magia fez uma busca a a nossa mansão em a semana passada ? Harry tentou forçar a cara de bronco de o Goyle a uma expressão preocupada . - Sim - continuou Malfoy . - É claro que não encontraram grande coisa . O pai guarda uns materiais de magia negra muito valiosos , mas , felizmente , temos a nossa câmara secreta debaixo de o soalho de a sala de visitas ... - Ah ! - disse o Ron . Malfoy olhou para ele . Harry também . Ron corou e até o cabelo começou a ficar vermelho . O nariz estava também a diminuir lentamente ... a hora tinha acabado . Ron estava a voltar a a sua forma habitual e por o olhar de horror que lançou a Harry certamente ele também estava . Puseram se rapidamente de pé . - Tenho de tomar o remédio para o estômago - grunhiu o Ron e sem mais explicações saíram ambos a correr de a sala comum de os Slytherin , precipitaram se para a parede de pedra e galgaram a passagem , pedindo a todos os santos que Malfoy não tivesse dado por nada . Harry sentia os pés a nadarem em os sapatos enormes de o Goyle e tinha de levantar o manto visto_que diminuíra de tamanho . Subiram os degraus a correr até a o * hall * escuro de entrada onde se ouvia um som abafado que vinha de a despensa onde tinham fechado o Crabbe e o Goyle . Deixando os sapatorros de os dois de o lado de_fora , subiram já com os respectivos sapatos a escadaria de mármore até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Bem , não foi uma total perda de tempo - disse o Ron ofegante , fechando atrás_de si a porta de a casa_de_banho . - É certo que ainda não descobrimos de quem vêm os ataques , mas vou escrever a o meu pai amanhã a dizer lhe que procure debaixo de o soalho de a sala de visitas de o Malfoy . Harry olhou para o espelho partido . Tinha voltado a o normal . Pôs os óculos enquanto Ron batia em a porta de o cubículo de Hermione . - Hermione , sai de aí , temos um monte de coisas para te contar ... - Vão se embora - guinchou Hermione . Harry e Ron olharam um para o outro . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron . - Tu já deves ter voltado a o normal como nós ... Mas a Murta_Queixosa saiu subitamente através de a porta de o cubículo com um ar divertido como nunca a tinham visto . - Oh ! Esperem até ver - disse ela . - É horrível ! Ouviram o trinco de a porta a abrir se e Hermione apareceu a soluçar , a túnica levantada a cobrir lhe o rosto . - O que foi ? - perguntou o Ron indistintamente . - Ainda tens o nariz de a Millicent ou alguma coisa assim ? Hermione deixou cair a roupa e Ron recuou rapidamente . O rosto de ela estava coberto de pêlo preto , os olhos tinham ganho uma cor amarela e as orelhas eram pontiagudas , saindo espetadas para fora de os cabelos . - Era um pêlo de g-gato - disse a chorar . - A Millicent_Bulstrode d-deve ter um gato e a poção não está preparada para transformação em animais . - Oh-oh - disse o Ron . - Vão te gozar horrivelmente - disse a Murta , felicíssima . - Não te preocupes , Hermione - tranquilizou a rapidamente o Harry . - Vamos levar te para a ala hospitalar , a Madam_Pomfrey nunca faz muitas perguntas ... Não foi fácil convencer Hermione a sair de a casa_de_banho . A Murta_Queixosa despediu se com uma gargalhadavigorosa e grosseira . - Espera até todos descobrirem que tens uma cauda ! XIII_O diário muito secreto Hermione ficou em a ala hospitalar durante várias semanas . Houve uma onda de boatos sobre o seu desaparecimento quando o resto de os alunos voltou de as férias de Natal porque , é claro , todos pensam que ela tinha sido atacada . Foram tantos os estudantes a rondar a ala hospitalar para espreitar a ver se a viam que Madam_Pomfrey desceu de_novo as cortinas de a cama de ela para a poupar a a vergonha de ser vista com pêlo em a cara . Harry e Ron iam visitá a todas_as tardes . Quando o segundo período começou passaram a levar lhe diariamente os trabalhos de casa . - Se eu tivesse o bigode a crescer , tinha uma folga de o trabalho - disse uma tarde o Ron enquanto colocava uma pilha de livros a a cabeceira de a cama de Hermione . - Não sejas parvo , Ron , eu tenho de me manter a par de as coisas - disse Hermione com vivacidade . O humor de ela melhorara bastante com o facto de lhe ter desaparecido todo o pêlo de o rosto e de os olhos estarem lentamente a retomar a cor castanha . - Calculo que não tenham novas pistas ? - disse em um murmúrio para evitar que Madam_Pomfrey os ouvisse . - Nada - disse Harry tristemente . - Eu tinha tanta certeza de que era o Malfoy - repetiu o Ron por a centésima vez . - O que é isso ? - perguntou Harry , apontando para uma coisa com brilho dourado que estava debaixo de a almofada de Hermione . - É só um cartão a desejar boas melhoras - disse ela precipitadamente , tentando escondê o , mas o Ron foi mais rápido . Pegou lhe , abriu o e leu em voz alta : * _ Para_Miss_Granger , desejando lhe uma rápida recuperação , com o interesse e estima de o professor Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , Terceiro grau , Membro_Honorário_da_Liga_de_Defesa contra as Artes_Negras e vencedor por cinco vezes de o prémio O sorriso mais charmoso de a semana de o Semanário_das_Bruxas * . Ron olhou desconsolado para Hermione . - Tu dormes com isto debaixo de a almofada ? Mas Hermione foi poupada a ter de responder por a entrada de Madam_Pomfrey que lhe trazia a dose de medicamento de a tarde . - Achas que o Lockhart é o tipo mais esperto que conheceste ? - perguntou o Ron a o Harry quando saíram de a enfermaria e começavam a subir as escadas para a torre de os Gryffindor . O Snape tinha lhes passado tanto trabalho para_casa que Harry pensou que ia chegar a o sexto ano antes de o ter acabado . Ron vinha a dizer que devia ter perguntado a a Hermione quantas caudas de rato deveria juntar se a uma poção para o crescimento de o cabelo quando um grito de raiva vindo de o andar de cima lhes chegou a os ouvidos . - É o Filch - murmurou Harry enquanto subiam apressadamente as escadas e paravam para ouvir melhor . - Terá mais alguém sido atacado ? - disse nervosamente o Ron . Ficaram parados com as cabeças inclinadas para a voz de o Filch que parecia quase histérica . -- ... * _ Ainda mais trabalho para mim . Toda_a noite a esfregar como_se não tivesse já trabalho de sobra . Não , isto foi a gota de água que fez transbordar o copo , vou falar com Dumbledore * ... Os passos afastaram se e ouviram uma porta fechar se com grande estrondo . Puseram as cabeças fora de a esquina . O Filch tinha obviamente estado a patrulhar o seu habitual posto de vigia : estavam novamente em o lugar onde Mrs._Norris fora atacada . Perceberam imediatamente qual o motivo de os gritos . Uma enorme poça de água enchia metade de o corredor e parecia escorrer de a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Agora_que o Filch se calara podiam ouvir os uivos de a Murta que faziam eco em as paredes de a casa_de_banho . - Mas o que se passará com ela ? - disse o Ron . - Vamos lá ver - sugeriu Harry e arregaçando as túnicas até a os tornozelos entraram , atravessando a enorme poça de água , em a casa_de_banho que tinha o letreiro a dizer « Fora de serviço » e que eles , como sempre , ignoraram . A Murta_Queixosa chorava , se possível , mais alto do_que nunca . Parecia estar escondida em o cubículo de o costume . Lá dentro estava escuro pois as velas tinham se apagado com a enchente de água que deixara as paredes e o chão ensopado . - O que se passa , Murta ? - quis saber o Harry . - Quem é ? - perguntou ela infelicíssima . - Vieste atirar me mais alguma coisa acima ? Harry caminhou com dificuldade por causa de a água até a o cubículo de ela e disse : - Porque te faríamos nós uma coisa de essas ? - Não me perguntem - gritou a Murta , emergindo em uma onda de água que molhou ainda mais o chão já ensopado . - Eu estou aqui metida em a minha morte e alguém acha muito engraçado atirar me com um caderno acima ... - Mas , não pode magoar te se alguém te atirar alguma coisa acima - disse Harry , tentando ser prático . - Isto_é , seja o que for passa através_de ti , não é assim ? Tinha dito a frase errada . A Murta encheu o peito de ar e gritou a plenos pulmões : - Vamos todos atirar cadernos a a Murta já_que ela não sente nada ! Dez pontos se lhe acertarem em o estômago , cinquenta se lhe atravessar a cabeça ! Hah hah hah , que jogo lindo , não acham ? - Quem te atirou um caderno , afinal ? - perguntou o Harry . - Não sei ... eu estava sentada em a sanita a pensar em a morte e caiu me em cima de a cabeça - disse a Murta , olhando para eles . - Está ali , ficou todo molhado . Harry e Ron olharam para o ponto que a Murta lhes apontava debaixo de o lavatório . Um caderno pequenino e fino estava caído em o chão . Tinha uma capa preta muito gasta e estava encharcado como tudo em aquela casa_de_banho . Harry deu um passo em frente para o apanhar , mas o Ron agarrou lhe precipitadamente o braço . - O que foi ? - perguntou Harry . - Estás doido - disse ele . - Pode ser perigoso . - Perigoso ? - riu se Harry . - Essa agora Ron , como é_que pode ser perigoso ? - Ficarias surpreendido ... - explicou ele , olhando com ar apreensivo para o caderno . - Entre os livros que o Ministério confiscou , contou me o meu pai , havia um que queimava os olhos a as pessoas . E todos os que leram os * _ Sonetos_de_Um_Feiticeiro * ficaram a falar em verso para o resto de a vida . Havia também uma bruxa em Bath que tinha um livro que quem o lesse nunca mais conseguia parar , tinha de andar por aí com o nariz enfiado em as folhas , a fazer todas_as coisas só com uma mão e ... - Já chega , já chega , já percebi a tua ideia - disse O_Harry . O caderninho continuava caído e ensopado . - Bem , nunca saberemos a_não_ser_que tenhamos a coragem de dar uma vista de olhos - disse e mergulhou apanhando o de o chão . Harry viu imediatamente que se tratava de um diário e a data meio apagada , em a capa , disse lhe que tinha cinquenta anos de idade . Abriu o ansiosamente . Em a primeira página podia ler se apenas o nome T._M._Riddle em tinta esborratada . - Espera aí - disse o Ron que se aproximara prudentemente e olhava por cima de o ombro de Harry . - Eu conheço esse nome ... T._M._Riddle recebeu um prémio por serviços especiais prestados a a escola há cinquenta anos atrás . - Como diabo sabes tu isso ? - perguntou Harry com grande espanto . - Porque o Filch mandou me limpar a taça de ele umas cinquenta vezes quando estive de castigo - disse o Ron ressentido . - Foi a taça em cima de a qual eu vomitei lesmas . Se tivesses tido que limpar o muco de um nome durante uma hora também te lembrarias . Harry separou umas de as outras as páginas molhadas . Estavam completamente em branco . Não havia o mais leve sinal de escrita em nenhuma , nem coisas como « Aniversário de a tia Mabel « ou « Dentista a as três_e_meia » . - Ele nunca escreveu nada aqui - disse Harry desapontado . - Porque quereria alguém atirá o fora ? - perguntou se o Ron com curiosidade . Harry voltou o caderno e viu , inscrito em a contra capa , o nome de uma tabacaria em Vauxhall_Road , Londres . - Ele devia ser filho de Muggle - disse Harry pensativo - para ter comprado um diário em Vauxhall_Road ... - Bem , não te serve de muito - Ron baixou a voz . - Cinquenta pontos se acertares em o nariz de a Murta . Harry , mesmo_assim , guardou o diário . Hermione saiu de a ala hospitalar desbigodada , sem cauda e sem pêlo em os primeiros dias de Fevereiro . Em a primeira noite em a torre de os Gryffindor , Harry mostrou lhe o diário de T._M._Riddle e contou lhe como o tinham encontrado . - Ooooh ! Deve ter poderes ocultos - disse ela entusiasticamente , pegando em o diário e examinando o de perto . - Se tem , esconde os muito bem - disse Ron . - Talvez fosse tímido . Não sei porque não deitas isso fora , Harry . - Gostava de perceber porque motivo alguém se quis livrar de ele - explicou Harry . - E também não me importava de saber como foi que o Riddle obteve esse prémio de serviços especiais prestados a Hogwarts . - Pode ter sido qualquer coisa - lançou o Ron . - Talvez tenha recebido 30 de nota final ou salvo um professor de a lula gigante . Se_calhar assassinou a Murta , isso teria sido um favor prestado a todos ... Mas Harry quase podia jurar , por o olhar suspenso em a cara de Hermione , que ela pensava o mesmo_que ele . - O que foi ? - perguntou Ron , olhando para um e para o outro . - Bem , a Câmara_dos_Segredos foi aberta há cinquenta anos , não foi isso que disse o Malfoy ? - Sim - respondeu Ron , lentamente . - E este diário tem cinquenta anos de idade - completou Hermione , dando lhe palmadinhas nervosas . - E de aí ? - Oh Ron , acorda - insistiu Hermione . - Sabemos que a pessoa que abriu a câmara de a outra_vez foi expulsa há cinquenta anos . E se o Riddle tivesse tido o prémio especial por apanhar o herdeiro de Slytherin ? O seu diário diria nos provavelmente tudo : onde é a Câmara_dos_Segredos , como abris a e que tipo de criatura vive lá . Achas que a pessoa que está por trás de os ataques desta_vez quereria o diário por aí ? - É uma teoria interessante , Hermione - disse o Ron . - Apenas com uma pequenina falha : o diário não tem nada Mas_Hermione já estava a tirar a varinha de o saco . - Pode ser tinta invisível - murmurou . Bateu três vezes em o diário e repetiu * _ Aparecium ! * Nada aconteceu . Intrépida , Hermione meteu a mão de_novo em o saco e tirou o que parecia ser uma borracha vermelha e brilhante . - É um * revelador * , comprei o em a Diagon - _ Al - disse . Apagou com força em 1_de_Janeiro . Não sucedeu nada . - Já vos disse , não há nada aí - repetiu o Ron . - O Riddle deve ter recebido um diário como prenda de Natal e nem se deu a o trabalho de escrever fosse o que fosse . Harry não conseguia explicar , nem a si próprio , porque motivo não deitara fora o diário de Riddle . A verdade é_que , mesmo depois de saber que ele estava em branco , continuou distraidamente a pegar lhe e a virar as páginas como_se quisesse chegar a o fim de uma história . E , apesar_de saber que nunca tinha ouvido o nome T._M._Riddle , continuava a ter a sensação de que lhe dizia alguma coisa , como_se Riddle fosse um amigo que ele tinha tido quando era muito pequeno e que estivesse meio esquecido . Mas era um absurdo . Nunca tivera amigos antes de Hogwarts , Dudley tivera esse cuidado . Ainda_assim , Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle , por isso em o dia seguinte foi até a a sala de os troféus para examinar a taça , acompanhado de Hermione que estava interessadíssima e de Ron que se mostrava profundamente incrédulo , dizendo que tinha ficado farto de aquela sala até a o fim de a vida . A taça dourada de Riddle estava arrecadada em um armário de canto . Não fornecia detalhes sobre o motivo por_que lhe fora dada ( felizmente , se fosse maior ainda hoje estava a limpá a , disse o Ron ) . Mas encontraram o nome de Riddle em uma antiga medalha de Mérito_Mágico e em uma lista de antigos chefes de turma . - Parece o Percy - comentou Ron , torcendo o nariz com aversão . - Prefeito , chefe de turma , provavelmente o melhor em todas_as disciplinas . - Dizes isso como_se fosse uma coisa má - fez lhe notar Hermione , em um tom de voz ressentido . Um sol fraco brilhava agora de_novo em Hogwarts . Dentro de o castelo , o ambiente estava bastante melhor . Não tinha havido novos ataques desde Justin e Nick quase sem cabeça e Madam_Pomfrey teve a satisfação de informar que as Mandrágoras começavam a ficar instáveis e dissimuladas , sinal de que estavam a abandonar rapidamente a infância . - Logo_que o acne desapareça estarão prontas para novo transplante - ouviu a Harry dizer amavelmente a o Filch . - E depois de isso , não demorará muito até podermos cortá as e estufá as . - Vai ter Mrs._Norris de volta , muito em_breve . Talvez o herdeiro ou herdeira de Slytherin tenha perdido a coragem , pensou Harry . Deve ser cada_vez_mais arriscado abrir a Câmara_dos_Segredos com a escola tão alerta e desconfiada . Talvez o monstro , qualquer_que_fosse , estivesse a preparar se para hibernar durante outros cinquenta anos . Ernie_Mcmillan_dos_Hufilepuff não aceitou esta visão optimista . Continuava convencido de que Harry era o culpado , que se tinha traído em o clube de os duelos . Peeves não ajudava nada : continuava a cantar por os corredores Potter , * seu bandido * ... agora acompanhado de um esquema de dança . Gilderoy_Lockhart parecia pensar que fora ele quem pusera fim a os ataques . Harry fartou se de o ouvir dizer isso a a professora Mc_Gonagall enquanto os Gryffindor formavam bicha para a aula de Transfiguração . - Não creio que volte a haver problemas , Minerva - disse , tocando em o nariz com ar conhecedor e piscando o olho . - Acho que desta_vez a câmara foi definitivamente selada . O culpado deve ter sabido que era uma questão de tempo até eu o apanhar e que era mais sensato parar agora antes que eu lhe tratasse de a saúde . Sabe , a escola está a precisar de um intensificador de animo para apagar as lembranças de o último período . Não vou dizer lhe mais_nada , por enquanto , mas julgo que sei o que ... Voltou a tocar em o nariz e afastou se a passos largos . A ideia de Lockhart de um intensificador de ânimo ficou bastante clara em o dia_14_de_Fevereiro , a o pequeno-almoço . Harry não dormira grande coisa devido a o treino de Quidditch em a noite anterior e chegou a o salão um_pouco atrasado . Pensou , por momentos , que se tinha enganado em a porta . As paredes estavam todas cobertas com enormes e medonhas flores cor-de-rosa . Pior ainda , * confettis * em forma de corações caíam de o tecto azul pálido . Harry dirigiu se a a mesa de os Gryffindor onde o Ron estava sentado com um ar enjoado junto de Hermione que parecia particularmente risonha . - O que se passa ? - perguntou lhes , sentando se e sacudindo os * confettis * de o seu bacon . Ron apontou para a mesa de os professores , com um ar demasiado repugnado para falar . Lockhart , em as suas vestes rosa vivo , a condizer com a decoração de o salão , fazia sinal para que se calassem . Os professores que o ladeavam tinham um ar estupefacto . De o seu lugar , Harry podia ver um músculo mover se em a bochecha de a professora Mc_Gonagall . Snape estava com ar de quem tomou uma imensa dose de xarope * skele-gro * . - Feliz dia de S._Valentim - gritou Lockhart . - E permitam me que agradeça a as quarenta_e_seis pessoas que até agora me enviaram cartões . Sim , fui eu quem tomou a liberdade de vos fazer esta pequena surpresa , e ela não acaba aqui ! Lockhart bateu as palmas e por as portas de o * hall * entraram a marchar cerca de uma_dúzia de duendes de aspecto carrancudo . Não eram uns duendes quaisquer , diga se de passagem . Lockhart fizera os usar asas douradas e transportar harpas . - Os meus amigos cupidos , portadores de os cartões ! gritou Lockhart . - Eles vão andar por a escola durante o dia de hoje , entregando os vossos cartões de S._Valentim . E o divertimento não acaba aqui . Tenho a certeza de que os meus colegas vão querer participar em este espírito de festa . Porque não pedir a o professor Snape que vos mostre como preparar rapidamente uma poção de amor . E , enquanto ele a prepara , está aqui o professor Flitwick que é de todos os feiticeiros que conheci aquele que mais sabe de encantamentos de sedução , o grande safado ! O professor Flitwick enterrou o rosto em as mãos . Snape olhava como_se quisesse dar veneno a a primeira pessoa que fosse pedir lhe a poção de o amor . - Por favor , Hermione , diz me que não foste uma de as quarenta_e_seis - pediu Ron quando saíram de o salão para a primeira aula . Mas Hermione ficou subitamente muito interessada em procurar o horário dentro de a mala e não lhe respondeu . Durante todo o dia os duendes não pararam de se intrometer em as aulas para entregar cartões , para grande aborrecimento de os professores e , ao_fim_da_tarde , quando os Gryffindor subiam as escadas para a aula de encantamentos , um de eles avistou o Harry . - Hei , tu , Harry_Potter ! - gritou um duende de aspecto particularmente lúgubre , dando cotoveladas a_toda_a gente para se aproximar de o Harry . Coradíssimo com a ideia de receber um cartão de S._Valentim diante_de uma fila de alunos de o primeiro ano que , por acaso , incluía Ginny_Weasley , Harry tentou escapar se . Mas o duende cortou lhe o caminho através de a multidão e agarrou o em três tempos . - Tenho uma mensagem musical para entregar a Harry_Potter em pessoa - disse , tangendo a harpa de forma ameaçadora . - Aqui não - disse baixinho o Harry , tentando escapar . - Fica quieto - grunhiu o duende , agarrando o saco de o Harry e puxando com força . - Larga me - disse ele rispidamente , dando um puxão . Com um ruído de tecido a rasgar se , o saco dividiu se em dois . Os livros de Harry , varinha , pergaminho e pena espalharam se por o chão enquanto o tinteiro se partia em cima de as outras coisas . Harry pôs se de gatas , tentando apanhar tudo antes que o duende começasse a cantar , provocando um engarrafamento em o corredor . - O que se passa aqui ? - perguntou a voz fria e afectada de Draco_Malfoy . Harry , nervosíssimo , começou a guardar tudo dentro de o saco rasgado , desesperado para sair de ali antes que Malfoy pudesse ouvir o seu S._Valentim musical . - Que confusão é esta ? - disse outra voz familiar . Percy_Weasley tinha chegado . De cabeça perdida , Harry tentou fugir , mas o duende agarrou o por os joelhos e fê lo cair a o chão . - Certo - disse , sentando se em os tornozelos de Harry . Eis o teu cartão musical : * _ Os olhos de ele são verdes como o sapo de o quintal * _ O seu cabelo é escuro como um temporal * _ É um desatino , oh ! ele é divino ! * _ O herói que venceu o Senhor_do_Mal * . Harry teria dado todo o ouro de Gringotts para se evaporar em aquele momento . Tentando corajosamente rir se com todos os outros , levantou se . Sentia os pés dormentes de o peso de o duende . Enquanto isso , Percy_Weasley fazia todos os possíveis por dispersar a multidão onde havia gente que chorava de hilaridade . - Vamos embora , vamos embora , a campainha tocou há cinco minutos para as aulas - dizia , enxotando alguns de os alunos mais novos . - E tu , Malfoy . Harry olhou e viu Malfoy inclinar se , apanhar qualquer coisa e com um olhar maldoso mostrá a a Crabbe e Goyle . Percebeu que era o diário de Riddle . - Dá cá isso - exigiu com toda_a calma . - O que será que o Potter escreveu aqui ? - disse Malfoy que obviamente não reparara em a data e pensou que tinha em as mãos o diário de o Harry . Houve uma agitação em os presentes . Ginny olhava apavorada para o diário e para Harry . - Dá lhe isso , Malfoy - disse Percy com firmeza . - Depois de dar uma vista de olhos - retorquiu Malfoy , acenando a Harry com o diário de forma provocatória . Percy disse : - Como Prefeito de a escola ... - mas Harry perdera a paciência . Pegou em a varinha e gritou * _ Expelliarmus * e assim_como Snape desarmara Lockhart , MalLoy viu o diário saltar lhe de as mãos e elevar se em o ar enquanto Ron o apanhava sorridente . - Harry - disse Percy levantando a voz . - Não quero magia em os corredores . Vou ter de participar isto , sabes perfeitamente . Mas Harry não se importou . Tinha ganho uma_vez a Malfoy e isso valia bem cinco pontos a menos para os Gryffindor . Malfoy estava furioso e quando a Ginny passou por ele a caminho de a sala de aula , gritou lhe com desprezo : - Não creio que o Potter tenha gostado lá muito de o teu cartão de S._Valentim . Ginny tapou a cara e correu para a aula . Aborrecido , Ron pegou também em a varinha , mas Harry afastou o . Era melhor que ele não passasse a aula de encantamentos a vomitar lesmas . Só quando entraram em a sala de aula de o professor Flitwick é_que Harry reparou em uma coisa bastante estranha em o diário de Riddle . Todos os outros livros estavam cheios de tinta vermelha , mas o diário mantinha se tão limpo como antes de o tinteiro se ter entornado em cima de ele . Tentou chamar a atenção de Ron para este facto , mas ele estava novamente a ter um problema com a varinha : de a extremidade saíam grandes bolhas roxas e ele não parecia interessado em mais_nada . Em essa noite , Harry foi deitar se antes de os outros companheiros de dormitório , em parte porque já não conseguia suportar o Fred e o George a cantarem * _ Os seus olhos são verdes como o sapo de o quintal * e em parte porque queria voltar a examinar o diário de Riddle e sabia que em a opinião de o Ron era uma pura perda de tempo . Sentou se em a cama de dossel e folheou as páginas em branco em as quais não se via uma única mancha de tinta escarlate . Tirou então outro tinteiro de o armário a o lado de a cama , molhou a pena e deixou cair um borrão em a primeira página de o diário . A tinta brilhou em o papel durante um segundo e , em seguida , como_se a página a tivesse sugado , desapareceu sem deixar rasto . Depois , finalmente , algo aconteceu . Deslizando sobre a página em a cor de a sua tinta , surgiram palavras que Harry não escrevera . - * _ Olá_Harry_Potter . O meu nome é Tom_Riddle . Como é_que encontraste o meu diário ? * Também estas palavras desapareceram , mas não sem que Harry tivesse respondido . - Alguém tentou lançá o em uma sanita . Esperou ansiosamente por a resposta de Riddle . - * _ Felizmente guardei as minhas memórias de uma forma mais duradoura do_que a tinta . Mas sempre soube que haveria quem não iria querer que o diário fosse lido . * - O que queres dizer com isso ? - escrevinhou Harry , borrando a página com o nervosismo . - * _ Quero dizer que este diário contém memórias de coisas terríveis . Coisas que foram abafadas . Coisas que aconteceram em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . * - É onde eu estou agora - escreveu Harry rapidamente . - Estou em Hogwarts e estão a acontecer coisas horríveis . Sabes alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? O coração parecia querer saltar lhe de o peito . A resposta de Riddle não se fez esperar , a letra tornara se mais desordenada como_se tivesse pressa em contar lhe tudo_o_que sabia . - * _ É claro que sei de a Câmara_dos_Segredos . Em o meu tempo diziam nos que era uma lenda , que não existia , mas era mentira . Quando eu estava em o quinto ano a Câmara_dos_Segredos foi aberta e o monstro atacou vários estudantes , acabando matar um . Eu apanhei a pessoa que abriu a câmara e ele foi expulso . Mas o director , o professor Dippet , envergonhado por uma coisa de aquelas ter acontecido em Hogwarts , proibiu me de contar a verdade . Foi divulgada uma história dizendo que a rapariga morrera de um acidente extravagante . Deram me um troféu brilhante com o meu nome gravado e avisaram me para ficar calado . Mas eu sabia que ia voltar a acontecer . O monstro sobreviveu e aquele que tinha o poder para o libertar não foi para a prisão . * Harry quase entornou o tinteiro em a pressa de responder . - Está a acontecer outra_vez . Houve três ataques e ninguém parece saber quem está por_detrás_de tudo_isto . Quem foi de a última vez ? - * _ Posso mostrar te , se quiseres * - foi a resposta de o Riddle . - * _ Não tens de acreditar só em a minha palavra . Posso levar te a o fundo de a minha memória de a noite em que o apanhei . * Harry hesitou com a pena em o ar sobre o diário . O que quereria ele dizer ? Como poderia entrar em a memória de outra pessoa ? Olhou inquieto para a porta de o dormitório que começava a ficar escuro . Quando pôs de_novo os olhos em o diário viu as palavras que se formavam . - * _ Deixa-me mostrar te . * Harry parou durante uma fracção de segundo e depois escreveu duas letras . - O. _ K._As páginas de o diário começaram a esvoaçar como_se tivessem sido apanhadas em uma ventania , parando a meio de o mês_de_Junho . Boquiaberto , Harry viu que o quadradinho de 13_de_Junho se transformara em um pequeno ecrã de televisão . Com as mãos ligeiramente trémulas levantou o livro para encostar os olhos a a janelinha e antes de perceber o que estava a passar se , deu consigo inclinado para a frente com a janela a abrir se . O corpo abandonava a cama e era lançado de cabeça , por a abertura de a página , em um turbilhão de cor e sombras . Sentiu os pés tocarem em terra firme e pôs se de pé a tremer enquanto as formas desfocadas se tornavam subitamente nítidas . Soube imediatamente onde estava . Aquela sala circular com os retratos adormecidos era o escritório de Dumbledore , mas não era Dumbledore quem estava atrás de a secretária . Um feiticeiro mirrado , de aspecto débil e quase careca lia uma carta a a luz de as velas . Harry nunca vira aquele homem antes . - Desculpe - disse com a voz a tremer . - Eu não queria intrometer me ... Mas o feiticeiro não olhou . Continuou a ler , franzindo levemente as sobrancelhas . Harry aproximou se de a secretária e gaguejou : - Er ... eu vou me embora , está bem ? E o feiticeiro continuou a ignorá o . Parecia nem_sequer ter ouvido . Pensando que talvez ele fosse surdo , Harry falou mais alto . - Desculpe tê o incomodado - disse quase a gritar . O feiticeiro dobrou a carta com um suspiro . Pôs se de pé , passou por Harry sem olhar para ele e foi abrir os cortinados de a janela . O céu , lá fora , estava vermelho-rubi . Devia ser o pôr de o Sol . O feiticeiro voltou para a secretária , sentou se e girou os polegares , olhando para a porta . Harry olhou em volta . Não viu Fawkes , a fénix , nem as engenhocas prateadas que sibilavam . Aquela Hogwarts era a que Riddle conhecera e , portanto , aquele feiticeiro desconhecido era o director de então , não Dumbledore e ele , Harry , era pouco mais que um fantasma , totalmente invisível a as pessoas de há cinquenta anos atrás . Alguém bateu a a porta . - Entre - disse o velho feiticeiro , em uma voz fraca . Um rapazinho de dezasseis anos entrou , tirando o chapéu pontiagudo . Em o seu peito brilhava um distintivo prateado de prefeito . Era muito mais alto do_que Harry , mas tinha , tal_como ele , cabelo preto asa de corvo . - Ah ! Riddle - disse o director . - Queria falar comigo , professor Dippet ? - perguntou ele com ar nervoso . - Senta te - disse Dippet . - Tenho estado a ler a carta que me mandaste . - Oh ! - exclamou Riddle , sentando se e apertando as mãos uma contra a outra . - Meu rapaz - disse Dippet amavelmente . - Eu não posso deixar te ficar em a escola durante o Verão . Com certeza queres ir para_casa em as férias ? - Não - respondeu Riddle , sem perder tempo . - Prefiro mil vezes ficar em Hogwarts a ter de voltar a aquela ... aquela ... - Tu vives em um orfanato de Muggles durante as férias , não é assim ? - perguntou Dippet com curiosidade . - Sim senhor - disse Riddle , corando um_pouco . - És filho de Muggles ? - Meio sangue , professor - explicou Riddle . - Pai_Muggle , mãe bruxa . - E o teu pai e a tua mãe ... - A minha mãe morreu pouco depois de eu nascer , professor , contaram me em o orfanato que só teve tempo de me dar o nome : Tom , como o meu pai , Marvolo como o meu avô . Dippet estalou a língua solidariamente . - O que acontece , Tom - suspirou - é_que ... podia ter se arranjado uma situação especial para ti , mas em as circunstâncias actuais ... - Refere se a os ataques , professor ? - perguntou Riddle e o coração de Harry deu um salto , aproximando se com medo de perder alguma coisa . - Precisamente - disse o director . - Meu rapaz , compreendes que seria uma imprudência de a minha parte deixar te ficar em o castelo quando o período acabar , principalmente a a luz de a recente tragédia ... a morte de aquela pobre moça ... estarás sem dúvida em maior segurança em o orfanato . Em a verdade , o ministro de a magia até fala em fechar a escola . Não estamos nada perto_de localizar ... er ... a fonte de toda esta história desagradável . Os olhos de Riddle tinham se aberto mais . - Professor , se essa pessoa fosse apanhada ... se tudo acabasse . . . - Que queres dizer com isso ? - perguntou Dippet com voz aguda , endireitando se em a cadeira . - Riddle , tu sabes alguma coisa sobre estes ataques ? - Não senhor - respondeu ele de imediato . Mas Harry sabia que era o mesmo tipo de « não » que ele dissera a Dumbledore . Dippet afundou se de_novo com um ar de profundo desapontamento . - Podes ir , Tom . Riddle esgueirou se de a cadeira e saiu de a sala . Harry seguiu o . Desceram por a escada em espiral , saindo junto de a gárgula em o corredor que escurecia . Riddle parou e Harry fez o mesmo , olhando para ele . Quase podia apostar que ele pensava seriamente em alguma coisa . Mordia o lábio e tinha as sobrancelhas franzidas . A certa altura , como_se tivesse acabado de tomar uma decisão , começou a andar mais depressa com Harry a segui o ruidosamente . Não viram mais ninguém , a não ser quando chegaram a o * hall * de entrada onde um feiticeiro alto de longos cabelos ruivos e barba chamou Riddle de a escadaria de mármore . - O que andas a fazer por aqui tão tarde , Tom ? Harry olhou para o feiticeiro . Não era outro senão Dumbledore com cinquenta anos a menos . - Tive de ir falar com o director - justificou se Riddle . - Bem , agora vai depressa para a cama - disse Dumbledore , olhando Riddle com aquele olhar penetrante que Harry conhecia tão bem . - É melhor não andar a passear por os corredores em os dias que correm , pelo_menos até ... Suspirou profundamente , deu as boas-noites a o Riddle e foi se embora . Riddle viu o desaparecer e , sem perder tempo , desceu os degraus de pedra até a os calabouços com Harry em a peugada . Mas para seu grande desconsolo , Riddle não o conduziu a nenhum corredor ou túnel secreto e sim a o calabouço onde ele costumava ter aulas de poções com o Snape . As tochas não tinham sido acesas e quando Riddle empurrou a porta quase fechada , Harry só conseguiu vê o a ele , de pé , quieto junto de a porta , olhando para o corredor . Pareceu a Harry que ficaram ali quase uma hora . Tudo_o_que via era a silhueta de Riddle junto de a porta , olhando fixamente através de a greta , a a espera . Como_se fosse uma estátua . E quando Harry tinha abandonado todas_as expectativas e começava a desejar voltar a o presente , ouviu alguma coisa que se movia atrás de a porta . Alguém avançava lentamente por o corredor . Ouviu a pessoa , quem quer que fosse , passar por o calabouço onde ele e Riddle estavam escondidos . Riddle , silencioso como uma sombra , esgueirou se por a porta e seguiu o com Harry em bicos de pés atrás de ele , esquecido de que podia fazer barulho a a vontade porque ninguém o ouvia . Durante cerca de cinco minutos seguiram lhe os passos até que Riddle parou repentinamente com a cabeça inclinada em a direcção de novos ruídos . Harry ouviu uma porta a abrir se e em seguida alguém falou em um murmúrio rouco . - Vá lá , temos que sair de aqui ... vá lá , dentro de a caixa ... Havia algo de familiar em aquela voz . Riddle deu subitamente uma volta e Harry seguiu o . Podia ver a silhueta escura de um rapaz enorme que estava inclinado em frente de a porta aberta , com uma grande caixa a o lado . - Boa noite , Rubeus - disse Riddle secamente . O rapaz fechou a porta e pôs se de pé . - O que estás a fazer aqui , Tom ? Riddle aproximou se . - Acabou se - disse . - Vou ter de entregar te , Rubeus . Falam em fechar Hogwarts se os ataques não terminarem . - O que é_que tu ... ? - Eu acho que tu não quiseste matar ninguém , mas os monstros não são os melhores animais domésticos . Tu só quiseste deixá o sair para andar um_pouco e ... - Ele não matou ninguém - disse o rapaz grande , recuando contra a porta fechada . Lá de dentro vinham uns estranhos roncos e rugidos . - Vamos , Rubeus - disse Riddle , aproximando se mais ainda . - Os pais de a rapariga que morreu estarão aqui amanhã . O mínimo que Hogwarts pode fazer é assegurar lhes que aquilo que matou a filha de eles foi abatido ... - Não foi ele - gemeu o rapaz cuja voz ecoou em o corredor escuro . - Ele não faria isso ... ele nunca ... - Afasta te - disse Riddle , pegando em a varinha . O encantamento iluminou o corredor com uma luz brilhante . A porta atrás de o rapaz grande abriu se de par em par com tanta força que o atirou contra a parede . E de lá de dentro saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito que ninguém mais ouviu a não ser ele próprio . Tinha um corpo imenso , magro e peludo e um emaranhado de pernas pretas , a cintilação de muitos olhos e um par de tenazes afiadas . Riddle levantou de_novo a varinha , mas era tarde de mais . A coisa deixara o atarantado e corria apressadamente , precipitando se por o corredor e desaparecendo . Riddle pôs se de pé , olhou a a procura de o monstro , levantou a varinha , mas o rapaz grande saltou sobre ele , tirou lhe a varinha de as mãos e lançou o a o chão , gritando : - Naaaaaão ! A cena rodopiou . A escuridão tornou se total . Harry sentiu se a cair e com um embate aterrou como uma águia de patas e asas abertas em a sua cama de dossel , em o dormitório de os Gryffindor , o diário de Riddle aberto sobre o estômago . Antes de ter tido tempo de normalizar a respiração , a porta de o dormitório abriu se e o Ron entrou . - Aí estás tu - disse . Harry sentou se . Transpirava e tremia . - O que se passa ? - perguntou Ron , olhando aflito para ele . - Foi o Hagrid , Ron . O Hagrid abriu a Câmara_dos_Segredos há cinquenta anos atrás . XIV_Cornelius_Fudge_Harry , Ron e Hermione sabiam há muito_tempo que Hagrid tinha uma triste predilecção por criaturas grandes e monstruosas . Em o primeiro ano que passaram em Hogwarts , ele tentara criar um dragão em a sua pequena cabana de madeira e levaram muito_tempo a esquecer o gigantesco cão de três cabeças que ele baptizara de « fofinho » . E se , em rapaz , Hagrid tinha ouvido dizer que havia um monstro escondido em o castelo , Harry tinha a certeza que ele teria feito os impossíveis por descobri o . Provavelmente achou que era uma injustiça o monstro estar fechado tanto tempo e pensou que ele merecia a oportunidade de esticar as suas muitas pernas . Harry imaginava perfeitamente o Hagrid a os treze anos a tentar pôr uma coleira e uma trela a o monstro . Mas tinha igualmente a certeza de que ele nunca teria querido matar ninguém . De certo modo , Harry desejava não ter descoberto como utilizar o diário de Riddle . Ron e Hermione fizeram o contar repetidas vezes o que vira até ele ficar farto de repetir o mesmo e farto de a conversa circular que se seguia . - O Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse , de essa vez , Hermione . - O monstro que atacava as pessoas podia ser outro .... - Quantos monstros achas tu que pode haver em este lugar ? - perguntou o Ron aborrecido . - Sempre soubemos que o Hagrid tinha sido expulso - disse Harry tristemente - E os ataques devem ter terminado quando ele foi expulso . Se não fosse assim , Riddle não teria recebido um prémio . Ron tentou um caminho diferente . - O Riddle parece o Percy , quem lhe pediu afinal que deitasse abaixo o Hagrid ? - Mas o monstro tinha morto uma pessoa , Ron - insistiu Hermione . - E o Riddle ia ter de voltar para um orfanato Muggle se Hogwarts fosse fechada - disse Harry . - Não posso culpá o por querer ficar aqui ... Ron mordeu o lábio e a seguir sugeriu : - Tu encontraste o Hagrid em a Rua * _ Bativolta * , não foi ? - Ele estava a comprar repelente para lesmas - disse Harry rapidamente . Ficaram os três em silêncio . Depois de uma longa pausa , Hermione , em uma voz hesitante , formulou a pergunta mais complicada de todas : - Não acham que devíamos ir ter com ele e perguntar lhe ? - Essa seria uma visita simpática - disse o Ron . - Olá , Hagrid , diz nos uma coisa , soltaste por acaso alguma coisa louca e peluda por o castelo em estes últimos tempos ? Por fim , decidiram não dizer nada a o Hagrid a_não_ser_que houvesse outro ataque e à_medida_que passava mais tempo sem murmúrios de a voz sem corpo começaram a acreditar , esperançosos , que nunca mais teriam de falar sobre o motivo por_que fora expulso . Tinham passado já quase quatro meses desde o dia em que o Justin e o Nick quase sem cabeça tinham sido petrificados e quase toda_a_gente parecia pensar que o atacante , quem quer que ele fosse , se retirara para sempre . Peeves fartara se de a sua canção * _ Oh_Potter , seu bandido * , Ernie_Mcmillan pediu educadamente a o Harry , em a aula de herbologia , que lhe passasse um balde de cogumelos saltitantes e , em Março , várias mandrágoras deram uma festa ruidosa e roufenha em a estufa número três . A professora Sprout estava muito satisfeita . - Mal elas comecem a tentar mover se para os vasos umas de as outras , saberemos que estão maduras - disse ela a o Harry . - Nessa_altura poderemos reanimar aquelas pobres criaturas que estão em a ala hospitalar . Os alunos de o segundo ano tinham agora uma coisa nova em que pensar durante as férias de a Páscoa . Chegara a altura de escolherem as matérias de o terceiro ano , um assunto que Hermione , pelo_menos , tomou muito a sério . - Pode afectar todo o nosso futuro - disse a o Harry e a o Ron a o vê os ler cuidadosamente as listas de as novas matérias e pôr um V em frente de cada uma . - Eu só quero ver me livre de as poções - disse Harry . - Não podemos - explicou Ron tristemente . - Mantemos todas_as matérias antigas ou eu teria me livrado de a Defesa contra as artes negras . - Mas é muito importante - disse Hermione chocada . - Não de a maneira como Lockhart a dá - insistiu Ron . - Não aprendi nada até agora a não ser a nunca mais libertar duendes . Neville_Longbottom recebera cartas de todas_as bruxas e feiticeiros de a família , cada_um dando um conselho diferente sobre o que ele deveria escolher . Confuso e preocupado , sentou se a ler a lista de matérias , dando estalinhos com a língua e perguntando a as pessoas se achavam que a aritmancia seria mais difícil do_que o estudo de as runas em a Antiguidade . Dean_Thomas que , tal_como Harry , fora criado com Muggles , acabou por fechar os olhos e atirar a varinha contra a lista , escolhendo as matérias onde ela aterrava . Hermione não pediu conselho a ninguém e inscreveu se em todas . Harry sorriu de si para consigo imaginando como seria uma conversa com o tio Vernon e com a tia Petúnia sobre a sua carreira em feitiçaria . Não que não tivesse tido orientação : Percy_Weasley estava ansioso por partilhar a sua experiência . - Tudo depende de o lugar para_onde queres ir , Harry - disse ele . - Nunca é cedo de mais para pensar em o futuro , por isso eu aconselho te a adivinhação . As pessoas dizem que os estudos de Muggles são uma opção leve mas eu , pessoalmente , acho que os feiticeiros deveriam ter uma compreensão profunda de a comunidade não mágica , muito especialmente se pensarem em trabalhar em íntimo contacto com eles . Vê o meu pai que tem de lidar com assuntos de os Muggles a_toda_a hora . O meu irmão Charles foi sempre mais um tipo de o exterior , por isso foi para o Centro_de_Cuidados com as Criaturas_Mágicas . Segue os teus sentimentos , Harry . Mas a única coisa em que Harry sentia que era mesmo bom era o Quidditch . Por fim , acabou por escolher as mesmas matérias que o Ron escolhera , pensando que se fosse péssimo em elas pelo_menos tinha alguém amigo para o ajudar . O próximo jogo de Quidditch_dos_Gryffindor era contra os Hufflepuff . Wood insistia em treinos de equipa todas_as noites depois de jantar , por isso Harry não tinha tempo para mais_nada a não ser para o Quidditch e para os trabalhos de casa . Mas as sessões de treino estavam a melhorar ou pelo_menos estavam mais secas e em a véspera de o jogo de sábado ele foi a o dormitório guardar a vassoura , sentindo que as hipóteses de os Gryffindor ganharem a taça de Quidditch nunca tinham sido tão boas . Mas a sua boa disposição não durou muito . Em o cimo de as escadas que levavam a o dormitório encontrou o Neville_Longbottom nervosíssimo . - Harry , não sei quem fez aquilo , eu fui encontrar ... Olhando receoso para Harry , Neville empurrou a porta . O conteúdo de a mala de Harry fora espalhado por toda_a divisão . O seu manto estava em o chão rasgado . A roupa de cama tinha sido puxada de a cama de dossel e a gaveta de o armário que se encontrava a a cabeceira de a cama fora arrancada , estando o seu conteúdo espalhado sobre o colchão . Harry aproximou se de a cama boquiaberto , pisando algumas páginas soltas de * _ Viagens com Duendes * . Quando ele e Neville estavam a puxar os cobertores para_cima , entraram o Ron e o Dean_Seamas . Dean praguejou alto . - O que é isto , Harry ? - Não faço ideia - disse ele . Mas o Ron estava a examinar as vestes de Harry e todos os bolsos estavam de o avesso . - Alguém andou a a procura de qualquer coisa - disse o Ron . - Dás por falta de alguma coisa ? Harry começou a apanhar o que estava caído , lançando tudo dentro de a mala . Só quando atirou o último livro de Lockhart é_que se apercebeu do_que faltava . - O diário de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a o Ron . - O quê ? Harry fez lhe sinal em direcção a a porta de o dormitório e apressaram se a chegar a a sala comum de os Gryffindor que estava quase vazia e onde foram encontrar Hermione sozinha a ler * _ As_Runas_Antigas a o Alcance_de_Todos * . Hermione ficou aterrada com as notícias . - Mas ... só um Gryffindor podia tê o roubado ... ninguém mais conhece a nossa senha ... - Exactamente - disse Harry . Acordaram em o dia seguinte com um sol brilhante e uma brisa agradável . - Condições ideais para o Quidditch ! - exclamou Wood , cheio de entusiasmo , a a mesa de os Gryffindor , enchendo os pratos de os elementos de a sua equipa de ovos mexidos . - Harry , anima te , precisas de um pequeno-almoço decente . Harry tinha estado a olhar para a mesa cheia de alunos de os Gryffindor , perguntando a si próprio se o novo dono de o diário de Riddle estaria ali mesmo em frente de os seus olhos . Hermione insistira para que ele participasse o roubo mas ele não gostou de a ideia . Teria de contar a um professor tudo sobre o diário , e quantas pessoas saberiam o motivo por_que Hagrid fora expulso há cinquenta anos ? Não queria ser ele a fazer com que relembrassem tudo aquilo . Quando saiu de o salão com o Ron e a Hermione para ir buscar o material de Quidditch , outra preocupação viera juntar se a a sua lista cada_vez maior . Tinha acabado de pisar os degraus de a escadaria de mármore quando ouviu de_novo a voz : - * _ Matar desta_vez ... deixem me rasgar ... romper * ... Deu um grito e Ron e Hermione saltaram alarmados . - A voz - disse Harry , olhando por cima de os ombros de eles . - Acabo de a ouvir de_novo , vocês não ouviram nada ? Ron abanou a cabeça de olhos muito abertos Mas_Hermione bateu com a mão em a testa . - Harry , acho que percebi uma coisa . Tenho que ir a a biblioteca . E disparou a correr por as escadas acima . - O que é_que ela percebeu ? - disse Harry distraidamente , ainda a olhar em volta , tentando determinar de onde vinha a voz . - Mas porque teve ela que ir a a biblioteca ? - Porque a Hermione é assim - disse o Ron , encolhendo os ombros - Quando tem uma dúvida , vai a a biblioteca . Harry manteve se hesitante , tentando captar novamente a voz mas as pessoas começavam a sair de o salão , falando alto , passando por a porta principal e encaminhando se para o estádio de Quidditch . - É melhor ires indo - aconselhou Ron . - São quase onze horas , olha o jogo . Harry deu uma corrida até a a torre de os Gryffindor , pegou em a sua Nimbus dois_mil e juntou se a a vasta multidão que enchia os campos , mas o seu pensamento estava ainda em o castelo , em aquela voz sem corpo e quando pôs as roupas vermelhas , o seu único conforto foi pensar que estavam todos lá fora para assistir a o jogo . As equipas entraram em campo a o som de um tumulto de aplausos . Oliver_Wood fez um voo de aquecimento em volta de os postes , Madam_Hooch soltou as bolas . Os Hufflepuff que tinham fatos amarelo-canário estavam reunidos em grupo em uma discussão de última hora sobre as tácticas . Harry subia para a vassoura quando a professora Mc_Gonagall atravessou o campo , meio a andar , meio a correr , transportando um enorme megafone roxo . O coração de Harry caiu lhe a os pés . - Este jogo foi cancelado - gritou por o megafone a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a o estádio apinhado . Ouviram se Uuuus e assobios . Oliver_Wood , com um ar infelicíssimo , aterrou e correu para a professora McGonagall sem sair de a vassoura . - Mas , professora - gritou - temos de jogar ... a taça ... os Gryffindor ... A professora Mc_Gonagall ignorou o e continuou a gritar por o megafone . - Pede se a os estudantes que regressem a as salas comuns de as respectivas equipas onde os chefes de equipa lhes darão mais informações . O mais depressa possível , se fazem favor ! Em seguida , baixou o megafone e fez sinal a o Harry para que se aproximasse . - Potter , é melhor vires comigo ... Perguntando a si próprio que suspeita poderia ela ter contra ele , desta_vez , Harry viu Ron desligar se de a multidão discordante e vir a correr juntar se lhes , enquanto eles se dirigiam para o castelo . Para sua grande surpresa Mc_Gonagall não pôs qualquer objecção . - Sim , talvez seja melhor vires também , Weasley . Alguns de os estudantes que os rodeavam reclamavam por o jogo ter sido cancelado , outros tinham um ar preocupado . Harry e Ron seguiram a professora Mc_Gonagall de volta a a escola e através de a escadaria de pedra . Mas desta_vez não foram levados a nenhum escritório . - Isto vai chocar vos um_pouco - disse a professora Mc_Gonagall em um tom de voz surpreendentemente suave quando estavam a aproximar se de a ala hospitalar . - Houve outro ataque ... outro ataque duplo . As vísceras de o Harry deram um salto mortal . A professora Mc_Gonagall abriu a porta e ele e Ron entraram . Madam_Pomfrey estava inclinada sobre uma rapariga de o quinto ano de cabelos longos a os caracóis que Harry reconheceu como sendo a colega de os Ravenclaw a quem , por engano , tinham perguntado o caminho para a sala comum de os Slytherin . E , em a cama a o lado de ela , estava ... - Hermione - gemeu o Ron . Hermione jazia totalmente quieta , os olhos abertos e vítreos . - Foram encontradas perto de a biblioteca - disse a professora Mc_Gonagall . - Calculo que nenhum de vocês possa explicar isto ? Estava em o chão , junto de ela . A professora tinha em as mãos um pequeno espelho redondo . Harry e Ron acenaram negativamente com as cabeças , ambos com os olhos fixos em Hermione . - Eu acompanho vos a a torre de os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall pesadamente . - De qualquer modo tenho de falar com os alunos . - Os alunos regressarão a as salas comuns de as respectivas equipas , todos_os_dias , a as seis_horas_da_tarde . Nenhum aluno deverá sair de os dormitórios depois de isso . Serão escoltados até a as aulas por um professor . Nenhum aluno deverá ir a a casa_de_banho sem um professor a acompanhá o . Todos os treinos e jogos de Quidditch estão suspensos a_partir_de agora . Não haverá mais actividades nocturnas . Os Gryffindor , que enchiam a sala comum , ouviram em silêncio a professora Mc_Gonagall . Ela enrolou o pergaminho que acabara de ler e disse em uma voz algo chocada : - Não é preciso acrescentar que nunca me senti tão desolada . É provável que a escola seja encerrada se não for apanhado o culpado de todos estes ataques . Quero pedir que se algum de vocês achar que sabe alguma coisa sobre eles venha imediatamente ter comigo . Mal ela subiu , de forma um_pouco desastrada , por o buraco de o retrato , os Gryffindor começaram logo a falar . - São dois Gryffindor a menos , sem contar com o fantasma de os Gryffindor , um Ravenclaw e um Hufflepuff - disse o amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , contando por os dedos . - Não terá nenhum de os professores reparado que os Slytherin estão a salvo ? Será que não é óbvio que tudo_isto vem de eles ? O herdeiro de Slytherin , o monstro de Slytherin , porque não expulsam todos os Slytherin ? - resmungou , recebendo acenos e aplausos de todos os lados . Percy_Weasley estava sentado em uma cadeira atrás_de Lee , mas por uma_vez não pareceu querer expor os seus pontos de vista . Estava pálido e aturdido . - O Percy está em estado de choque - disse o George baixinho a o Harry . - Aquela rapariga de os Ravenclaw , Penelope_Clearwater , é prefeita . Acho que ele nunca tinha pensado que o monstro pudesse atacar um prefeito . Mas Harry não estava a ouvi o com atenção . Não conseguia esquecer a imagem de Hermione deitada em a cama de o hospital , como_se estivesse esculpida em pedra . E se o culpado não fosse apanhado rapidamente tinha em a frente uma vida inteira com os Dursley . Tom_Riddle entregara o Hagrid porque fora confrontado com a possibilidade de um orfanato Muggle se a escola fechasse . Harry sabia exactamente o que ele sentira . - Que vamos nós fazer ? - disse lhe o Ron baixinho a o ouvido . - Achas que eles suspeitam de o Hagrid ? - Temos de falar com ele - disse Harry , tomando uma decisão . - Não acredito que tenha culpa desta_vez , mas se ele libertou o monstro há cinquenta anos , sabe com certeza como entrar em a Câmara_dos_Segredos , o que já é um princípio . - Mas a Gonagall disse que temos que ficar em a torre a_não_ser_que estejamos em as aulas ... - Eu acho - disse Harry ainda mais baixo - que chegou a altura de tirar outra_vez de a mala o manto de o meu pai . Harry herdara apenas uma coisa de o pai : o enorme manto prateado de a invisibilidade . Era a única maneira de poderem esgueirar se de a escola para fazer uma visita a o Hagrid , sem que ninguém de esse por isso . Deitaram se a a hora de o costume , esperaram que o Neville , o Dean e o Seamas adormecessem para se levantarem , vestirem se de_novo e taparem se com o manto . A viagem por os corredores de o castelo escuro e deserto não era nada agradável . Harry que vagueara por ali muitas_vezes durante a noite nunca vira tanta gente depois de o pôr de o Sol . Professores , prefeitos e fantasmas andavam por os corredores a os pares , olhando em volta , em busca de qualquer actividade fora de o habitual . O manto de a invisibilidade não impedia que fizessem barulho e houve um momento particularmente tenso em que o Ron deu uma topada a menos_de um metro de o lugar onde Snape se encontrava . Felizmente Snape espirrou em o preciso momento em que o Ron praguejava . Foi com grande alívio que chegaram a as portas de carvalho de a entrada principal . Estava uma noite clara e cheia de estrelas . Dirigiram se apressadamente para as janelas iluminadas de a casa de Hagrid e só tiraram o manto mesmo em frente de a porta . Poucos segundos depois de terem batido abriu se a porta . Ficaram frente_a_frente com Hagrid que lhes apontou uma besta enquanto Fang , o cão caçador de javalis , ladrava furiosamente atrás de ele . - Oh ! - disse , baixando a arma quando viu que eram eles . - O que estão vocês a fazer aqui ? - Para que é isso ? - perguntou Harry , apontando para a besta , enquanto entrava . - Nada , não é nada - murmurou Hagrid . - Tenho estado a a espera ... não tem importância , sentem se que eu vou fazer um chá . Dava a impressão de não saber o que fazia . Quase apagou a lareira , vertendo a água de a chaleira em o lume e em seguida esmagou o bule com um gesto de a sua mão maciça . - Estás bem , Hagrid ? - perguntou Harry . - Soubeste de a Hermione ? - Soube , sim - disse ele com um leve tremor em a voz . Continuava a olhar nervosamente para as janelas . Deu lhe os duas grandes canecas de água a ferver ( esquecera se de juntar o chá ) e estava a acabar de pôr em um prato uma fatia grossa de bolo de frutas quando alguém bateu energicamente a a porta . Hagrid deixou cair o bolo . Harry e Ron trocaram entre si olhares de pânico e , em seguida , cobriram se com o manto de a invisibilidade e esconderam se em um canto . Hagrid assegurou se de que eles estavam bem escondidos , pegou em a besta e abriu , mais_uma_vez , a porta . - Boa noite , Hagrid . Era_Dumbledore . Entrou com um ar muito sério , seguido de um homem bizarro . O estranho era um homenzinho pequenino , de porte majestoso com cabelos grisalhos desalinhados e uma expressão de ansiedade em o rosto . Usava uma inesperada mistura de roupas . Um fato a as riscas , uma gravata vermelho escarlate , um longo manto negro e umas botas roxas pontiagudas . Debaixo de o braço trazia um chapéu de coco verde lima . -- É o patrão de o meu pai - murmurou o Ron . Cornelius_Fudge , o ministro de a magia ! Harry deu lhe uma valente cotovelada para o fazer calar se . Hagrid tinha ficado suado e pálido . Deixou se cair em uma de as cadeiras e olhava de Dumbledore_para_Cornelius_Fudge . - Más notícias , Hagrid - disse Fudge em um tom bastante grave . - Muito más notícias . Tive de vir . Quatro ataques a filhos de Muggles , as coisas foram longe_de mais . O ministério tem que tomar uma atitude . - Eu nunca ... - disse Hagrid , parecendo implorar a Dumbledore . - O senhor sabe que eu nunca ... professor Dumbledore , o senhor ... - Quero que fique claro , Cornelius , que Hagrid tem a minha total confiança - afirmou Dumbledore , franzindo as sobrancelhas . - Olha , Albus - disse Fudge pouco a a vontade - a ficha de o Hagrid depõe contra ele . O ministério tem de fazer alguma coisa , o Conselho_Directivo de a escola tem se reunido ... - Mesmo_assim , Cornelius , devo dizer te mais_uma_vez que levar o Hagrid de aqui não vai ajudar em nada - afirmou Dumbledore com os olhos azuis com um fogo que Harry nunca vira antes . - Tenta compreender o meu ponto de vista - insistiu Fudge , brincando com o chapéu . - Estou a ser tremendamente pressionado , tenho de mostrar que faço alguma coisa . Se se provar que não foi o Hagrid , ele voltará e não se fala mais em o assunto . Mas tenho de levá o , tem de ser , não estaria a cumprir a minha obrigação se ... - Levar me ? - perguntou Hagrid a tremer . - Levar me para_onde ? - É uma pena curta - disse Fudge , sem o olhar em os olhos . - Não é um castigo , Hagrid , chamemos lhe antes uma precaução . Se mais alguém for apanhado , tu sais com todas_as nossas desculpas . - Não é para Azkaban ? - balbuciou Hagrid . Mas antes que Fudge tivesse tido tempo de responder , ouviu se bater mais_uma_vez a a porta . Dumbledore abriu . Foi a vez de Harry levar uma cotovelada em as costas : soltara um gemido audível . Mr._Lucius_Malfoy entrou em a cabana de o Hagrid embrulhado em uma longa capa preta de viagem , com um sorriso frio de satisfação . O Fang começou a rosnar . - Já está aqui , Fudge ? - disse de forma aprovadora . - Muito bem , muito bem ... - O que estás a fazer aqui ? - perguntou Hagrid furioso . - Sai imediatamente de a minha casa . - Meu bom homem , acredite que não tenho prazer nenhum em entrar em a sua ... er ... chamou lhe casa ? - disse Lucius_Malfoy , sorrindo sarcasticamente enquanto observava a pequena divisão . - Eu limitei me a ir a a escola e disseram me que o director estava aqui . - E o que queres de mim , Lucius ? - perguntou Dumbledore . O seu tom de voz era educado mas em os olhos azuis brilhava ainda o mesmo fogo . - Uma notícia horrível , Dumbledore - disse Mr._Malfoy de forma arrastada , pegando em um grande rolo de pergaminho . - Mas os membros de o conselho pensam que é altura de tu saíres . Isto_é uma ordem de suspensão , tens aí doze assinaturas . Lamento muito mas em a nossa opinião estás a perder a firmeza . Quantos ataques houve até agora ? Mais dois hoje a a tarde , não foi ? A este ritmo vão acabar todos os filhos de Muggles em Hogwarts e todos sabemos que seria uma terrível perda para a escola . - O que é isso , Lucius ? - protestou Fudge com ar alarmado . - O Dumbledore suspenso não ... não , seria a última coisa que desejaríamos em este momento ... - A nomeação ou suspensão , de o director é de a competência de os membros de o Conselho_Directivo , Fudge - disse suavemente Mr._Malfoy . - E como Dumbledore não foi capaz de pôr cobro a estes ataques ... - Oh ! Lucius , se Dumbledore não conseguiu - disse Fudge com o lábio superior a suar . - Quem irá conseguir ? - Isso está para se ver - disse Mr._Malfoy com um sorriso mesquinho . - Mas como os doze votamos ... Hagrid pôs se de pé em um salto , o cabelo preto hirsuto a roçar em o tecto . - E quantos tiveste de chantajar para concordarem contigo , Malfoy ? - Meu caro Hagrid , sabe que esse seu temperamento ainda acaba por lhe criar problemas um dia de estes - disse Mr._Malfoy . - Não o aconselho a gritar assim com os guardas de Azkaban . Eles não iriam gostar nada . - Não podes levar Dumbledore - gritou Hagrid , fazendo Fang , o cão caçador de javalis , agachar se e ganir em o seu cesto . - Sem ele , os filhos de os Muggles não têm qualquer hipótese . A seguir haverá mortes . - Acalma te , Hagrid - disse Dumbledore de forma cortante , olhando para Lucius_Malfoy . - Se os membros de o conselho querem substituir me , eu sairei , claro . - Mas - interrompeu Fudge . - Não - rosnou Hagrid . Dumbledore não tirara os seus olhos azuis brilhantes de os olhos cinzentos e frios de Lucius_Malfoy . - Contudo - disse , pronunciando cada palavra lenta e claramente para que nenhum de eles perdesse o seu sentido - verás que só deixarei verdadeiramente esta escola quando ninguém aqui me for leal . Descobrirás também que será sempre dada ajuda em Hogwarts a quem a pedir . Por um segundo , Harry teve quase a certeza de que os olhos de Dumbledore tremelaziram em direcção a o canto onde ele e Ron estavam escondidos . - Sentimentos admiráveis - disse Malfoy , fazendo uma vénia . - Todos nós vamos sentir a tua ... forma muito pessoal de fazer as coisas , Albus . Só espero que o teu sucessor consiga evitar qualquer ... crime . Dirigiu se a a porta de a cabana , abriu a e fez sinal a Dumbledore para que passasse a a sua frente . Fudge , mexendo nervosamente em o chapéu de coco , esperou que Hagrid fizesse o mesmo mas ele ficou quieto , respirou fundo e disse prudentemente : - Se alguém quiser descobrir alguma coisa , o que tem a fazer é seguir as aranhas . Elas indicarão o caminho , é tudo_o_que vos digo . Fudge olhou para ele espantado . - Está bem , eu vou - disse Hagrid , pegando em o seu sobretudo de pêlo de toupeira . Mas quando ia seguir o Fudge e sair por a porta , parou e disse em voz alta : - E alguém tem de dar de comer a o Fang enquanto eu não estiver cá . A porta fechou se ruidosamente e Ron tirou o manto de a invisibilidade . -- Estamos outra_vez em uma alhada - disse com voz rouca - Sem o Dumbledore podem fechar a escola já esta noite . Sem ele vai haver um ataque por dia . O Fang começou a ganir , arranhando a porta fechada . XV_Aragog_O_Verão insinuava se em os campos em volta de o castelo . O céu e o lago tinham se tornado de um azul-molusco e as flores , grandes como couves , começavam a florir em as estufas . Mas sem o Hagrid , que ele costumava avistar de o castelo , atravessando os campos com o Fang atrás , parecia a Harry que a paisagem não estava completa . Não era melhor dentro de o castelo onde tudo corria horrivelmente mal . O Harry e o Ron tinham tentado visitar a Hermione , mas as visitas a o hospital estavam proibidas . - Não vamos correr mais riscos - disse lhes Madam_Pomfrey com ar severo , através_de uma fresta de a porta de o hospital . Não , lamento , há muitas hipóteses de o atacante voltar para acabar de vez com estas pessoas ... Com Dumbledore longe , o medo espalhara se como nunca acontecera antes , de_tal_modo_que o sol que aquecia as paredes de o castelo por fora parecia parar junto de as janelas de pinázios . Não se via um único rosto em a escola que não andasse tenso e preocupado e qualquer gargalhada , em os corredores , se tornava incómoda e antinatural e era rapidamente abafada . Harry repetia constantemente , de si para consigo , as últimas palavras que ouvira a Dumbledore : - * _ Só terei verdadeiramente deixado esta escola quando ninguém me for leal ... será sempre dada ajuda , em Hogwarts , a quem a pedir * . Qual seria o significado exacto de aquelas palavras ? A quem deveria pedir ajuda quando todos estavam tão confusos assustados como ele ? A alusão de Hagrid a as aranhas era bastante mais fácil de entender . O problema era que parecia não ter restado uma única aranha em o castelo para eles a poderem seguir . Harry procurou por todo o lado com a ajuda relutante de o Ron . As coisas estavam dificultadas por o facto de não poderem andar sozinhos e terem de se deslocar em grupo dentro de o castelo , juntamente com outros Gryffindor . A maior parte de os alunos gostava de ser conduzida como carneiros de uma aula para a outra por os professores mas Harry achava horrível . Havia , contudo , uma pessoa que parecia apreciar aquela atmosfera de terror e suspeitas . Draco_Malfoy passeava empertigado por a escola como_se tivesse sido nomeado para chefe de turma . Harry só compreendeu o motivo de toda aquela boa disposição cerca de quinze_dias depois de Dumbledore e Hagrid se terem ido embora quando , em uma aula de poções , o ouviu falar com o Crabbe e o Goyle . - Sempre achei que seria o pai quem conseguiria livrar nos de o Dumbledore - disse sem a menor preocupação em baixar a voz . - Já vos disse , segundo ele , Dumbledore foi o pior director que a escola alguma vez teve . Talvez agora venha um director decente que não queira a Câmara_dos_Segredos fechada . A Mc_Gonagall não vai durar muito , está só a ... O Snape passou por Harry , sem fazer comentários a o caldeirão e a a cadeira vazia de Hermione . - Professor - disse Malfoy em voz alta . - Professor , porque não se candidata a o lugar de director ? - Ora , ora , Malfoy - respondeu Snape , sem conseguir esconder um meio sorriso . - O professor Dumbledore foi apenas suspenso por os membros de o conselho de direcção , certamente vai voltar um dia de estes . - Sim , claro - disse Malfoy com o seu sorriso escarninho . - Acho que se o professor quisesse candidatar se a o lugar teria o voto de o pai . Eu vou dizer lhe que o acho o melhor professor de a escola . Snape sorriu enquanto passeava de um lado para o outro em o calabouço , não tendo felizmente visto o Seamus_Finnigan que fingia vomitar para dentro de o caldeirão . - Estou espantado por ver que até agora os sangues de lama ainda não fizeram as malas e não desapareceram - prosseguiu Malfoy . - Aposto cinco galeões em como o próximo morre . Pena que não tenha sido a Granger ... A campainha tocou em esse momento o que foi uma sorte porque a o ouvir as últimas palavras de Malfoy , Ron deu um salto , mas em a barafunda de guardar os livros em os sacos , a sua tentativa de agarrar o Malfoy passou despercebida . - Deixem me - gritava o Ron enquanto o Harry e o Dean lhe agarravam os braços . - Não preciso de varinha , vou dar cabo de ele com as minhas mãos ... - Despachem se , tenho de conduzir vos a a aula de herbologia - praguejava o Snape acima de as cabeças de os alunos . E lá foram como cordeirinhos com Harry , Ron e Dean em a retaguarda , o Ron ainda a tentar libertar se . Só acharam seguro largá o quando Snape os deixou fora de o castelo e iniciaram o percurso por o meio de a horta em direcção a as estufas . A aula de herbologia estava reduzida . Tinha agora dois alunos a menos : Justin e Hermione . A professora Sprout pô os a trabalhar , podando as figueiras-da-abissínia . Harry foi despejar uma braçada de hastes secas em um monte de adubo e deu consigo cara a cara com Ernie_Mcmillan . Ernie respirou fundo . - Só quero dizer te , Harry que lamento ter suspeitado de ti . Sei que nunca atacarias a Hermione_Granger e peço te desculpa por todas_as coisas que disse . Estamos todos em o mesmo barco , agora e , bem ... Estendeu lhe uma mão rechonchuda que o Harry apertou . Ernie e a sua amiga Hannah foram trabalhar em a mesma figueira com o Harry e o Ron . - Aquele tipo , Draco_Malfoy - disse Ernie , partindo pequenos galhos - , parece muito satisfeito com isto tudo , não acham ? É bem possível que ele seja o herdeiro de Slytherin . - Uma observação inteligente de a tua parte - disse o Ron que parecia não ter desculpado Ernie tão facilmente como o Harry . - Acham que é ele ? - perguntou Ernie . - Não - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Hannah ficaram a olhar espantados . Um segundo depois , Harry avistou qualquer coisa que o levou a chamar a atenção de o Ron , batendo lhe em a mão com a tesoura de podar . - Au ... o que é_que tu ... ? Harry apontava para o chão , a poucos centímetros de distância . Várias aranhas grandes corriam precipitadamente por a terra fora . - Ah ! sim - disse o Ron , tentando , sem conseguir , mostrar se entusiasmado . - Mas não podemos seguis as agora ... Ernie e Hannah ouviam nos com curiosidade . Harry viu as aranhas desaparecerem . - Parecem ir em a direcção de a floresta proibida ... E o Ron ficou ainda mais infeliz a o ouvir aquilo . Em o final de a aula , o professor Snape acompanhou os alunos a a « Defesa contra as artes negras » . Harry e Ron foram atrás de os outros para poderem conversar sem serem ouvidos . - Temos de usar outra_vez o manto de a invisibilidade - disse Harry a o Ron . - Podemos levar connosco o Fang , ele está habituado a ir a a floresta com o Hagrid , pode ser uma boa ajuda . - Certo - disse o Ron , que fazia girar nervosamente a varinha em os dedos . - Er ... não costuma haver ... não costuma haver lobisomens em a floresta ? - acrescentou enquanto ocupavam os lugares de o costume em a aula de o Lockhart . Preferindo não responder a a pergunta , Harry disse : - Também há lá coisas boas . Os centauros são fixes e os unicórnios . Ron nunca estivera em a floresta proibida , Harry fora lá só uma_vez e desejara não ter de lá voltar . Lockhart deu um salto para dentro de a sala de aula e os alunos ficaram espantados a olhar para ele . Todos os outros professores andavam mais tristes do_que o habitual mas Lockhart parecia sentir se em as nuvens . - Então , então - exclamou , olhando em volta . - Porquê essas caras deprimidas ? Lançaram lhe olhares exasperados mas ninguém respondeu . - Não compreendem - disse , falando devagar como_se fossem todos um_pouco estúpidos - que o perigo já passou ? O culpado foi se embora . -- Quem disse ? - retorquiu Dean_Thomas em voz alta . -- Meu caro jovem , o ministro de a magia não teria levado Hagrid se não estivesse cem por_cento certo de que ele era o culpado - disse Lockhart como quem explica que um e um são dois . - Teria , sim - disse o Ron , em um tom de voz ainda mais alto do_que o de o Dean . - Eu julgo saber um_pouco mais sobre a prisão de o Hagrid do_que o senhor , Mr._Weasley - disse Lockhart com notória auto-satisfação . Ron começou a dizer que discordava mas foi interrompido por o Harry que lhe deu um forte pontapé por debaixo de a mesa . - Nós não estávamos lá , lembras te ? - murmurou . Mas a alegria revoltante de o Lockhart , as insinuações de que sempre tinha achado que o Hagrid não prestava , a sua certeza de que tudo aquilo estava a chegar a o fim , irritou Harry de tal maneira que teve vontade de lhe atirar as * _ Viagens com Vampiros * e de lhe acertar em aquela cara estúpida . Mas , em vez de isso , limitou se a escrevinhar um bilhete para o Ron : * _ Vamos lá hoje a a noite * . Ron leu a mensagem , engoliu em seco e olhou para o lugar onde Hermione costumava sentar se . A cadeira vazia pareceu ajudá o a decidir se e acenou afirmativamente . A sala comum de os Gryffindor estava agora sempre cheia porque , depois de as seis_da_tarde , os Gryffindor não tinham outro lugar para ir . Por outro lado , tinham imenso para conversar , por isso a sala comum mantinha se cheia de gente até depois de a meia-noite . Logo_a_seguir a o jantar , Harry foi buscar o manto de a invisibilidade a a mala onde estava guardado e passou todo o serão a a espera que a sala esvaziasse . O Fred e o George desafiaram o para alguns jogos de explosão e a Ginny sentou se , muito preocupada , a observá os , em a cadeira habitual de Hermione . Harry e Ron fartaram se de perder de propósito em uma tentativa de pôr rapidamente fim a os jogos mas , mesmo_assim , já passava bastante de a meia-noite quando o Fred , o George e a Ginny se foram , finalmente , deitar . Harry e Ron esperaram até ouvir as portas de os dois dormitórios fecharem se . Em seguida , pegaram em o manto , lançaram o sobre ambos e passaram por o buraco de o retrato . Era mais uma difícil travessia de o castelo , tendo de fintar todos os professores . Finalmente , chegaram a o * hall * de entrada , giraram o fecho de as portas de carvalho , esgueiraram se tentando não fazer barulho e aventuraram se nos campos iluminados por o luar . - É claro que - disse bruscamente o Ron , enquanto atravessavam os relvados negros - podemos perfeitamente chegar a a floresta e descobrir que não há nada para seguir . As aranhas podem não ter ido para lá . É certo que parecia que tomavam essa direcção , mas ... Felizmente a lengalenga não durou muito . Chegaram a a casa de o Hagrid que tinha um ar triste com as suas janelas vazias . Logo_que Harry empurrou a porta e a abriu , o Fang saltou , louco de alegria por os ver . Preocupados , não fosse ele acordar toda_a_gente em o castelo com o seu ladrar forte e agitado , deram lhe rapidamente a comer bombons de melaço que estavam em uma lata sobre a lareira e que lhe colaram os dentes de cima a os de baixo . Harry pousou o manto de a invisibilidade sobre a mesa de o Hagrid . Não iam precisar de ele em a floresta escura como breu . - Anda , Fang , vamos dar um passeio - disse Harry , batendo lhe a o de leve em a pata e Fang saiu feliz , a os saltos , atrás de eles . Precipitou se até a a orla de a floresta e levantou a perna contra uma enorme figueira-do-egipto . Harry pegou em a varinha , murmurou * _ Lumus * ! e uma pequenina luz surgiu em a ponta de a varinha , suficiente para lhes mostrar o caminho e ajudá os a descobrir a pista de as aranhas . - Bem pensado - disse o Ron . - Eu acendia também a minha mas , sabes como ela está , ainda estoirava ou qualquer coisa assim ... Harry tocou em o ombro de o Ron , apontando para as ervas . Duas aranhas solitárias fugiam de a luz de a varinha , aproximando se de a sombra de as árvores . - O. _ K. - disse o Ron , resignando se com o pior . - Estou pronto , vamos . Então , com o Fang a correr atrás de eles , cheirando as raízes de as árvores e as folhas , entraram em a floresta . Seguindo a luz de a varinha de o Harry seguiram a fila disciplinada de aranhas que se movia a o longo de o caminho . Andaram durante cerca de vinte minutos , sem falar , atentos a todos os ruídos que não fossem os de os ramos caídos e de as folhas secas . Então , quando as copas de as árvores se tinham tornado mais cerradas do_que nunca , de_tal_modo_que as estrelas em o céu já não eram visíveis e a varinha de o Harry brilhava isolada em um mar de escuridão , viram as aranhas que eles seguiam a abandonar o caminho . Harry parou , tentando ver para_onde iam mas tudo_o_que ficava longe de a sua pequenina luz era negro de breu . Ele nunca fora tão longe em a floresta . Lembrava se muito bem de Hagrid lhe ter dito , de a última vez que ali tinham estado , que nunca saísse de o caminho de a floresta . Mas Hagrid agora estava a muitos quilómetros de distância e ele também lhes dissera que seguissem as aranhas . Uma coisa húmida tocou em a mão de o Harry e ele deu um salto para trás , pisando o pé a o Ron . Mas afinal era apenas o focinho de o Fang . - O que é_que tu achas ? - perguntou ele a o Ron cujos olhos conseguia vislumbrar , reflectindo a luz de a varinha . - Já_que viemos até aqui - disse ele . Seguiram , portanto as sombras velozes de as aranhas em direcção a as árvores . Não podiam agora andar muito depressa . Tinham em a frente raízes de árvores e troncos cortados que mal se viam em aquela escuridão . Harry sentia o bafo quente de Fang em a mão . Por mais de uma_vez tiveram de parar para o Harry se baixar e descobrir as aranhas a a luz de a varinha . Andaram durante o que lhes pareceu ter sido pelo_menos meia_hora , com os mantos a roçarem em os ramos mais baixos e em as silvas . A o fim de algum tempo repararam que o chão parecia inclinar se para baixo embora as árvores continuassem cerradas . Foi então que o Fang soltou um latido que ecoou em volta , fazendo Harry e Ron darem um salto , ambos com os cabelos em pé . - O que foi ? - gritou o Ron , olhando em volta para a escuridão e agarrando Harry com força , por o cotovelo . - Há qualquer coisa ali a mexer se - murmurou Harry - Ouve ... parece ser grande . Ficaram a ouvir . Um_pouco para a direita algo de grandes dimensões partia os ramos enquanto abria caminho através de as árvores . - Oh ! não - disse o Ron . - Oh ! não , não ... - Cala te - insistiu o Harry , nervoso . - Seja o que for , vai acabar por te ouvir . - Ouvir me ? - disse o Ron , em um tom de voz muito pouco natural . - Já ouviu . Fang ! A escuridão parecia esmagar lhes os globos oculares enquanto ali ficaram apavorados , a a espera . Houve um estranho ruído , surdo e prolongado , e em seguida o silêncio . - O que estará a fazer ? - perguntou Harry . - Talvez esteja a preparar se para atacar - disse o Ron . Esperaram , a tremer , sem ousarem mexer se . - Achas que se foi embora ? - murmurou Harry . - Não sei . Em esse momento , de o lado direito veio um clarão de luz tão forte em o meio de o escuro que os dois levaram as mãos a a cara para proteger os olhos . O Fang ganiu e tentou fugir mas viu se envolvido em um emaranhado de espinhos e ganiu ainda mais alto . - Harry - gritou o Ron com grande alívio em a voz . - Harry , é o nosso carro . - O quê ? - Anda ver . Harry avançou a os tropeções atrás de o Ron , em direcção a a luz e em o momento seguinte estavam em uma clareira . O carro de Mr._Weasley ali estava , vazio , no_meio_de um círculo de árvores grossas , sob um telhado de ramos densos , os faróis de a frente resplandecentes . Quando Ron se aproximou de boca aberta , moveu se lentamente em direcção a ele como_se fosse um grande cão azul turquesa , cumprimentando o dono . - Tem estado aqui todo este tempo - disse o Ron satisfeitíssimo , aproximando se de o carro . - Olha para ele , a floresta tornou o selvagem ... O guarda-lamas estava riscado e cheio de lodo . Parecia que tinha andado a passear sozinho por a floresta . Fang não gostou lá muito de ele . Manteve se a o lado de o Harry que podia senti o a tremer . Com a respiração normalizada , Harry guardou a varinha em o manto . - E nós a pensarmos que ele nos ia atacar - disse o Ron , encostando se a o carro e dando lhe duas palmadinhas - As voltas que eu dei a a cabeça a pensar para_onde ele teria ido ! Harry olhava para todos os lados , em o chão iluminado , em busca de mais aranhas mas todas elas tinham fugido de o brilho de as luzes . - Perdemos as de vista - disse ele . - Anda , vamos procurá as . Ron não disse nada . Não se moveu . Tinha os olhos fixos em um ponto , três metros acima de o chão de a floresta , mesmo atrás de o Harry . O seu rosto estava lívido de terror . Harry nem teve tempo de se voltar . Ouviu se um ruído alto e seco e sentiu que alguma coisa longa e peluda o elevava em o ar com o rosto voltado para baixo . Debatendo se , apavorado , ouviu outro estalido e viu as pernas de o Ron serem também levantadas de o chão . Ouviu o Fang gemer e ganir e , em o momento seguinte , era levado para o meio de as árvores escuras . Com a cabeça a balouçar , Harry viu que a coisa que o transportava tinha seis enormes patas peludas e que as duas de a frente o agarravam com forca sob um par de tenazes pretas e brilhantes . Atrás_de si podia ouvir outra de aquelas criaturas que , sem dúvida , transportava o Ron . Encaminhavam se para o coração de a floresta . Harry ouvia o Fang a ladrar , tentando libertar se de um terceiro monstro mas Harry não podia gritar mesmo_que quisesse , parecia que tinha deixado a voz em a clareira , junto com o carro . Não soube quanto tempo esteve em as patas de a criatura , só se apercebeu que a escuridão se atenuara um_pouco , permitindo lhe ver que o chão coberto de folhas estava agora repleto de aranhas . Voltando a cabeça para o lado , deu se conta de que tinham chegado a a base de uma enorme cova , uma cova que fora limpa de árvores para que as estrelas iluminassem com o seu brilho a cena mais pavorosa que os seus olhos alguma vez tinham visto . Aranhas . Não aranhas pequeninas como aquelas que estavam sobre as folhas . Aranhas de o tamanho de enormes cavalos , com oito olhos , oito pernas pretas , peludas , gigantescas . O espécimen que transportava Harry desceu o terreno íngreme até uma teia brumosa em forma de cúpula que ficava mesmo em o meio de a cova , enquanto os companheiros se juntavam em volta , batendo excitadíssimos com as tenazes e olhando para o que eles traziam a as costas . Harry caiu em o chão de gatas quando a aranha o libertou . Ron e Fang foram cair perto de ele . O Fang já não gania . Estava agachado e muito quieto . Ron e Harry partilhavam o mesmo sentimento . O Ron tinha a boca aberta em uma espécie de grito silencioso e os olhos a saltarem lhe de as órbitas . Harry percebeu de repente que a aranha que o deitara a o chão estava a dizer qualquer coisa . Era difícil entender porque entre cada duas palavras , batia com as tenazes . - Aragog - chamou . - Aragog . E de o meio de a teia brumosa em forma de cúpula saiu muito lentamente uma aranha de o tamanho de um pequeno elefante . As costas e as pernas estavam cobertas de pêlo cinzento e , em a cabeça feia , munida de tenazes , estavam vários olhos , todos eles de um branco leitoso . Era cega . - O que foi ? - disse , batendo rapidamente com as tenazes uma em a outra . - Homens - respondeu a aranha que trouxera o Harry . - É o Hagrid ? - perguntou Aragog , aproximando se mais com os seus oito olhos leitosos a vaguear . - Estranhos - respondeu a aranha que trouxera o Ron . - Matem nos - disse Aragog , irritada . - Eu estava a dormir ... - Nós somos amigos de o Hagrid - gritou Harry . Parecia que o coração lhe saltava por a boca . Clic , clic , clic fizeram as tenazes de a aranha , em volta de a cova . Aragog parou . - O Hagrid nunca mandou homens a a nossa cova - disse lentamente . - O Hagrid está em perigo - explicou Harry , respirando muito depressa . - Foi por isso que eu vim . - Em perigo ? - repetiu a aranha idosa e pareceu a Harry sentir preocupação por detrás de as suas tenazes . - Mas porque vos mandou ele cá ? Harry pensou pôr se de pé mas achou melhor não arriscar . As pernas provavelmente não teriam força para o sustentar . Falou portanto de o chão , o mais calmamente que foi capaz . - Eles lá em a escola pensam que o Hagrid soltou qualquer coisa contra os estudantes . Mandaram o para Azkaban . Aragog bateu furiosamente com as tenazes e , em toda_a cova , o eco foi reproduzido por uma multidão de aranhas . Era uma espécie de aplauso com uma única diferença : os aplausos não costumavam fazer o Harry quase morrer de medo . - Mas isso foi há muitos anos - disse Aragog , maldisposta . - Há anos e anos . Lembro me muito bem . Foi por isso que o expulsaram de a escola . Eles pensaram que eu era o monstro que vive em aquilo a que eles chamam a Câmara_dos_Segredos . Pensaram que o Hagrid a tinha aberto para me libertar . - E tu ... não vieste de a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Harry que sentia a testa cheia de suores frios . - Eu - disse Aragog , batendo irritada com as tenazes - , eu não nasci em o castelo . Venho de uma terra distante . Um viajante ofereceu me a o Hagrid quando eu era ainda um ovo . Hagrid era um rapazinho mas tratou de mim , escondeu me em uma despensa dentro de o castelo e alimentava me com as migalhas que ficavam em as mesas . Hagrid é o meu bom amigo e um bom homem . Quando me encontraram e me culparam por a morte de uma rapariga , ele protegeu me . Desde_então , tenho vivido aqui em a floresta onde o Hagrid ainda vem visitar me . Ele até me arranjou uma esposa , Mosag , e estão a ver como a família cresceu , tudo graças a a bondade de o Hagrid ... Harry reuniu a coragem que lhe restava . - Então tu nunca atacaste ninguém ? - Nunca - resmungou a velha aranha . - Era esse o meu instinto , mas por respeito a Hagrid nunca fiz mal a nenhum humano . O corpo de a rapariga morta foi encontrado em uma casa_de_banho , ora eu nunca conheci mais do_que despensa de o castelo , onde cresci . Nós gostamos de o escuro de o silêncio . - Mas então ... sabes o que matou essa rapariga ? - perguntou Harry . - Porque seja o que for , está a atacar as pessoas outra_vez ... As suas palavras foram abafadas por uma audível explosão de tenazes a bater e por o ruge-ruge de muitas pernas longas , deslocando se iradas . Em volta de Harry começaram a mover se sombras escuras . - O que vive em o castelo - disse Aragog - é uma antiga criatura que nós , aranhas , tememos acima_de todas_as outras . Lembro me bem de o quanto insisti com Hagrid para que me deixasse sair de ali quando senti a criatura a andar por a escola . - O que é ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Mais tenazes a bater , mais pernas a moverem se . As aranhas pareciam estar a aproximar se . - Nós não falamos de isso - exclamou Aragog furiosa . - Não pronunciamos o seu nome . Eu nunca disse a o Hagrid o nome de a horrível criatura , apesar_de ele me ter perguntado vezes sem conta . Harry não quis insistir , principalmente com todas aquelas aranhas a aproximarem se de todos os lados . Aragog parecia ter se cansado de falar . Recuava lentamente para a teia em forma de cúpula , mas as companheiras continuavam a aproximar se ameaçadoramente de Harry e Ron . - Vamos embora , então - gritou Harry , desesperadamente a Aragog , enquanto ouvia as folhas secas a estalarem atrás_de si . - Embora ? - disse Aragog lentamente . - Não me parece ... - Mas , mas ... - Os meus filhos e filhas não fazem mal a o Hagrid por ordem minha . Mas não posso negar lhes carne fresca quando ela veio por vontade própria ter connosco . Adeus , amigo de o Hagrid . Harry deu meia volta . Poucos centímetros acima de ele , uma sólida parede de aranhas batia com as tenazes , os seus muitos olhos a brilharem em as horríveis caras pretas . Mesmo_que se servisse de a varinha , Harry sabia que não ia valer de nada . As aranhas eram demasiadas , mas quando tentava preparar se para morrer a lutar , ouviu se um som prolongado e um clarão de luz iluminou a cova . O carro de Mr._Weasley ribombava , descendo o declive , com os faróis acesos , a buzina a guinchar , afastando as aranhas . Muitas de elas ficaram voltadas ao_contrário com as várias pernas a agitar se em o ar . O carro buzinou com mais força em frente de Harry e Ron e as portas abriram se . - Agarra o Fang - gritou Harry , ajeitando se em o lugar de a frente . Ron agarrou o cão caçador de javalis e lançou o a ganir para o banco de trás . As portas fecharam se com estrondo . Ron não tocou em o acelerador mas o carro não precisou de isso . O motor fez se ouvir e levantaram voo , batendo em mais aranhas . Subiram o declive , saindo de a cova e pouco depois atravessavam a floresta , os ramos a baterem em os vidros enquanto o carro seguia habilmente através de os intervalos maiores , por um caminho que obviamente já conhecia . Harry olhou para o Ron , a o seu lado . Ele tinha ainda a boca aberta em o mesmo grito silencioso mas os olhos já não estavam salientes . - Estás bem ? Ron olhou em frente , incapaz de responder . Começavam a descer para terra firme com o Fang a soltar enormes ganidos em o banco de trás e Harry viu o espelho retrovisor saltar quando passaram rente a um enorme carvalho . Após dez minutos bastante ruidosos , as árvores começaram a ser mais finas e Harry pôde ver de_novo pedaços de o céu . O carro parou tão bruscamente que quase foram projectados por o vidro de a frente . Tinham chegado a a orla de a floresta . O Fang ia agitadíssimo a a janela e quando Harry abriu a porta , disparou a correr através de as árvores até a a casa de o Hagrid , de cauda entre as pernas . Harry saiu também e um minuto depois o Ron pareceu recuperar a força em os membros e seguiu o , ainda com um torcicolo e de olhos esbugalhados . Harry deu uma palmadinha de agradecimento a o carro antes de ele dar a volta e desaparecer em direcção a a floresta . Harry voltou a a cabana de o Hagrid para buscar o manto de a invisibilidade . O Fang tremia em o seu cesto , coberto por um cobertor . Quando saiu de_novo , viu o Ron a vomitar junto de as abóboras . - Sigam as aranhas - disse ele debilmente , limpando a boca a a manga . - Nunca vou perdoar a o Hagrid . É uma sorte ainda estarmos vivos . - Aposto que ele pensou que Aragog nunca faria mal a os seus amigos - justificou Harry . - Esse é justamente o problema de o Hagrid - interrompeu Ron , dando um soco em a parede de a cabana . - Ele acha sempre_que os monstros não são tão maus como os pintam e vê onde isso o levou , a uma cela em Azkaban - tremia agora descontroladamente . - Qual a ideia de ele a o mandar nos ali ? Gostava de saber o que é_que descobrimos . - Que o Hagrid nunca abriu a Câmara_dos_Segredos - disse Harry , lançando o manto sobre Ron e tocando lhe em o braço para o encorajar a andar . - Ele estava inocente . Ron resmungou em voz alta . Para ele , chocar Aragog em uma despensa não era propriamente estar inocente . Quando se aproximaram de o castelo , Harry esticou o manto para garantir que os pés de ambos ficavam cobertos . Em seguida , empurrou as portas de a frente que chiaram . Atravessaram com todo o cuidado o * hall * de entrada e subiram a escadaria de mármore , contendo a respiração em os corredores guardados por sentinelas atentos . Por fim , chegaram a a segurança de a sala de os Gryffindor onde o lume ardera até se transformar em brasas brilhantes . Tiraram o manto e subiram a escada serpenteante que os levava a o dormitório . Ron caiu em a cama sem sequer se despir mas Harry , apesar_de tudo , não tinha sono . Sentou se em a beirinha de a cama , pensando em todas_as coisas que Aragog dissera . A criatura que andava por o castelo , pensou , era uma espécie de monstro Voldemort , nem os outros monstros queriam pronunciar o seu nome . Mas ele e o Ron não estavam agora mais perto_de descobrir o que era nem como petrificava as suas vítimas . Se nem o Hagrid chegara a saber o que estava em a Câmara_dos_Segredos ... Harry balançou as pernas e atirou se para_cima de a cama . Encostado a as almofadas olhou a Lua que brilhava através de a janela de a torre . Não sabia que mais poderiam fazer . Só tinham encontrado portas fechadas . Riddle apanhara a pessoa errada . O herdeiro de Slytherin fugira e ninguém sabia se era a mesma pessoa ou uma outra que abrira , desta_vez , a Câmara_dos_Segredos . Não havia mais ninguém a quem fazer perguntas . Harry deitou se ainda a pensar em as palavras de Aragog . Estava a começar a ficar com sono quando aquilo que parecia ser uma última esperança lhe ocorreu , fazendo o sentar se muito direito em a cama . - Ron - sussurrou em o escuro . - Ron . Ron acordou com um ganido como os de o Fang . Olhou muito assustado em volta e viu o Harry . - Ron , a rapariga que morreu . Aragog contou nos que ela foi encontrada em uma casa_de_banho - disse , ignorando os roncos de o Neville em o outro canto de o quarto . - E se ela nunca tivesse saído de a casa_de_banho ? E se ainda lá estiver ? Ron esfregou os olhos , franzindo as sobrancelhas sob a luz de a Lua . E só então compreendeu . -- Não pensar que ... a Murta_Queixosa ? XVI_A_Câmara_dos_Segredos -- E estivemos nós tantas vezes em aquela casa_de_banho com ela apenas a três cubículos de distância - disse o Ron amargamente em o dia seguinte , a a mesa de o pequeno-almoço . - Podíamos ter lhe perguntado e agora ... Já fora bastante difícil procurar as aranhas . Escapar a os professores o tempo suficiente para ir até a a casa_de_banho de as raparigas , que ficava mesmo em frente de o lugar onde ocorrera o primeiro ataque , ia ser quase impossível . Mas alguma coisa aconteceu que fez com que a Câmara_dos_Segredos desaparecesse de os seus pensamentos pela_primeira_vez em várias semanas . A professora Mc_Gonagall comunicou lhes que os exames começariam a 1_de_Junho , uma semana depois . - Exames ? - gritou Seamus_Finnigan . - Nós mesmo_assim vamos ter exames ? Ouviu se um estrondo atrás de o Harry quando a varinha de o Neville_Longbottom lhe escapou de a mão , fazendo desaparecer uma de as pernas de a secretária . A professora Mc_Gonagall repô a com a sua varinha e voltou se com má cara para o Seamus . - Se temos a escola aberta em uma altura de estas é para vocês receberem instrução - disse com dureza . - Os exames terão lugar , portanto , como é costume e espero que todos vocês façam revisões até lá . Revisões . Não passara por a cabeça de o Harry que houvesse exames com o castelo em aquele estado . Houve uma série de murmúrios revoltados , o que fez com que a professora Mc_Gonagall ficasse ainda mais mal-humorada . - As instruções de o professor Dumbledore foram para manter a escola a funcionar o mais normalmente possível - disse . - E isso , não preciso de vos dizer , passa por uma avaliação de o quanto vocês aprenderam a o longo de este ano . Harry olhou para baixo , para o casal de coelhos brancos que ele deveria transformar em pantufas . Que tinha ele aprendido durante o ano ? Não era capaz de se lembrar de nada que fosse útil em um exame . Ron estava como_se tivessem acabado de lhe dizer que a partir de aquele momento tinha de ir viver para a floresta proibida . - Estás a ver me a ter exames com isto tudo ? - perguntou a o Harry enquanto pegava em a varinha que tinha começado a assobiar bastante alto . Três dias antes de o primeiro exame , a a hora de o pequeno almoço , a professora Mc_Gonagall fez outra comunicação . - Tenho boas notícias - disse , e o salão em_vez_de se calar , explodiu de contentamento . - Dumbledore vai regressar ! - gritaram várias pessoas cheias de alegria . - Apanharam o herdeiro de Slytherin - arriscou uma rapariga em a mesa de os Ravenclaw . - Temos outra_vez os jogos de Quidditch - bradou Wood , excitadíssimo . Quando a agitação passou , Mc_Gonagall disse : - A professora Sprout informou me que as mandrágoras estão finalmente prontas para serem cortadas . Hoje a a noite vamos poder reanimar as pessoas que foram petrificadas . Escusado será dizer que certamente uma de elas poderá revelar nos quem ou o que a atacou . Eu tenho esperança que este ano pavoroso acabe com a prisão de o culpado . Houve uma explosão de aplausos . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e não ficou nada surpreendido a o ver que Draco_Malfoy não aplaudia . O Ron , por outro lado , estava satisfeito como ninguém o via havia dias . - Não faz mal não termos perguntado a a Murta . A Hermione vai , com certeza , ter todas_as respostas quando acordarem . Vai também ficar fula quando souber que temos exames dentro_de três dias . Ela não pôde fazer revisões . Seria melhor deixarem a estar onde está até a o final de os exames . Nessa_altura , Ginny_Weasley veio sentar se junto de o Ron . Parecia nervosa e tensa e Harry reparou que torcia as mãos em o colo . - O que se passa ? - perguntou o Ron , servindo se de mais papa de aveia . Ginny não disse nada mas olhou para um lado e para o outro de a mesa de os Gryffindor , com um olhar assustado que lembrou a Harry alguém que não sabia bem quem era . - Vá lá , vomita - disse o Ron , olhando para ela . Harry percebeu subitamente quem a Ginny lhe lembrara . Ela balançava se ligeiramente para a frente e para trás em a cadeira , exactamente como o Dobby fazia quando estava hesitante , à_beira_de revelar uma informação proibida . - Tenho de te dizer uma coisa - balbuciou a Ginny receosa , sem olhar para Harry . - O que é ? - perguntou ele . Ginny parecia incapaz de encontrar as palavras certas . - O quê ? - insistiu Ron . Ginny abriu a boca mas não saiu nenhum som . Harry inclinou se para a frente e falou devagar para que só ela e Ron pudessem ouvi o . - É alguma coisa relacionada com a Câmara_dos_Segredos ? Viste alguma coisa ou alguém a agir de forma estranha ? Ginny respirou fundo e , em esse preciso momento , apareceu Percy_Weasley com um ar pálido e cansado . - Se já acabaste de comer eu fico com esse lugar , Ginny . Estou cheio de fome . Acabei agora o meu trabalho de patrulhamento . Ginny deu um salto como_se a cadeira tivesse acabado de ser electrificada , lançou a o Percy um olhar assustado e zarpou . Percy sentou se e tirou uma caneca de o meio de a mesa . -- Percy - disse o Ron aborrecido . - Ela ia agora mesmo contar nos uma coisa importante . A meio de um gole de chá , Percy estremeceu . - Que coisa ? - perguntou , tossindo . - Eu quis saber se ela tinha visto alguma coisa estranha e ela ia dizer ... - Ah ! isso ... não tem nada que ver com a Câmara_dos_Segredos - disse o Percy de imediato . - Como sabes ? - indagou o Ron , erguendo as sobrancelhas . - Bem ... er ... já_que perguntam , a Ginny ... er ... passou por mim em outro dia quando eu ... er ... não foi nada , o importante é_que ela viu me fazer uma coisa e eu ... um ... pedi lhe para não comentar com ninguém . Não pensei que ela cumprisse a palavra , verdade se diga . Não é nada importante , eu só ... Harry nunca vira o Percy tão pouco a a vontade . - O que estavas a fazer , Percy ? - riu se o Ron . - Vá lá , conta que nós não nos rimos . Percy ficou sério . - Passa me esses pãezinhos , Harry , estou cheio de fome . Harry sabia que todo o mistério poderia ser desvendado em o dia seguinte sem a ajuda de eles mas não ia deixar de falar com a Murta_Queixosa se a oportunidade surgisse . E , para sua grande satisfação , ela surgiu a meio de a manhã quando eram conduzidos a a aula de História_da_Magia_por_Gilderoy_Lockhart . Lockhart , que tantas vezes lhes assegurara que o perigo tinha passado , estava agora totalmente convencido de que acompanhar os alunos em os corredores era um trabalho inútil . O seu cabelo estava mais liso do_que de costume . Parecia ter passado toda_a noite acordado a vigiar o quarto andar . - Podem escrever o que eu digo - afirmou , acompanhando os até uma esquina . - As primeiras palavras que vão sair de a boca de aquelas pobres pessoas petrificadas serão - * _ Foi_o_Hagrid * . Francamente , estou espantado por a professora Mc_Gonagall considerar ainda necessárias estas medidas de segurança . - Concordo , professor - disse Harry , fazendo com que Ron , surpreendido , deixasse cair os livros a o chão . - Obrigado , Harry - disse Lockhart amavelmente , enquanto deixavam passar uma grande fila de Hufflepuffs . - verdade é_que os professores já têm bastante que fazer para andarem também a acompanhar os alunos a as aulas e a guardar os corredores a a noite ... - É verdade - disse o Ron , percebendo a ideia . - Porque não nos deixa aqui , professor , só falta mais um corredor . - Sabes , Weasley , sou mesmo capaz de fazer isso - disse Lockhart . - Preciso de preparar a minha próxima aula . E apressou se a seguir o seu caminho . - Preparar a aula - zombou o Ron . - Vai encaracolar o cabelo , é o mais certo . Deixaram os restantes Gryffindor passar lhes a a frente e por fim cortaram caminho em um corredor lateral e dirigiram se a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mas quando estavam a congratular se por o seu esquema brilhante ... - Potter , Weasley ! Que estão vocês a fazer aqui ? Era a professora Mc_Gonagall e a boca de ela estava mais fina do_que nunca . - Nós estávamos , estávamos - gaguejou o Ron . - Nós íamos ver , íamos ver ... - Hermione - completou Harry . A professora Mc_Gonagall e Ron olharam para ele . - Não a vemos há séculos , professora - prosseguiu Harry , pisando o pé a o Ron . - E pensamos ir espreitá a a a ala hospitalar e dizer lhe que as mandrágoras estão quase prontas , para ela não se preocupar . A professora Mc_Gonagall estava ainda a olhar para ele e , por um momento , Harry pensou que ela ia explodir mas , quando falou , fê lo em um tom de voz estranhamente rouco . - É claro - disse . E Harry , espantado , viu uma lágrima a brilhar lhe em o canto de um de os olhos . - É claro . Eu compreendo que tudo_isto tem sido muito duro para os amigos de aqueles que foram ... eu compreendo , sim , Potter . Podem ir visitar Miss_Granger . Eu mesma informarei o professor Binns de que vocês estão em o hospital . Digam a Madam_Pomfrey que vos dei autorização . Harry e Ron afastaram se , quase sem acreditar que tinham escapado a um castigo . Quando voltaram em uma esquina ouviram nitidamente a professora Mc_Gonagall a assoar se . - Esta - disse o Ron entusiasmado - foi a melhor história que tu alguma vez inventaste . Não tinham outro remédio senão ir a a ala hospitalar e dizer a Madam_Pomfrey que tinham autorização de a professora Mc_Gonagall para visitar Hermione . Madam_Pomfrey deixou os entrar com alguma relutância . - Não vale a pena falar com uma pessoa petrificada - disse , e ambos tiveram que admitir que ela tinha razão quando se sentaram junto de Hermione e constataram que ela não tinha a menor noção de estar acompanhada . Dizer lhe que não se preocupasse ou falar com o armário que estava a o lado de a cama era exactamente a mesma coisa . - Será que ela viu quem a atacou ? - perguntou o Ron , olhando com tristeza para o rosto rígido de Hermione . - Porque se a coisa saltou sobre eles , ficaremos todos sem saber de nada . Mas Harry não olhava para o rosto de Hermione . Estava mais interessado em a sua mão direita que se encontrava pousada sobre os cobertores e , inclinando se para ela , viu que tinha , fechado entre os dedos , um pedaço de papel . Assegurando se de que Madam_Pomfrey não dava por nada , fez sinal a o Ron . - Tenta tirá o - murmurou ele , colocando a cadeira de_modo_a que Madam_Pomfrey não pudesse ver o Harry . Não foi tarefa fácil . A mão de a Hermione estava fechada com uma força tal que Harry receou parti a . Enquanto Ron vigiava , ele forçou e torceu até que , por fim , depois de vários minutos bastante tensos , conseguiu tirar o papel . Era uma página retirada de um livro muito antigo de a biblioteca . Harry alisou a ansiosamente e Ron inclinou se para poder lês a também . * _ De todos os monstros assustadores que pairam a a face de a Terra , nenhum é tão curioso nem tão fatal como o Basilisk , também conhecido por o rei de as serpentes . Esta cobra que pode atingir proporções gigantescas e viver durante muitas centenas de anos nasce de um ovo de galinha que é chocado por um sapo . As suas formas de matar são pavorosas pois além de os dentes venenosos e mortais , o Basilisk tem um olhar criminoso e todos aqueles que ele fixa com os olhos tem morte instantânea . As aranhas fogem a sete pés de o Basilisk que é seu inimigo mortal , e o Basilisk foge apenas de o canto de o galo que para ele é fatal * . Por debaixo de isto uma única palavra fora escrita , em a letra que Harry reconheceu como sendo de Hermione : Canos . Foi como_se se tivesse acendido uma luz em o seu espírito . - Ron - murmurou - é isso . Está aqui a resposta . O monstro de a Câmara_dos_Segredos é um Basilisk , uma serpente gigante . Por isso , só eu tenho ouvido a sua voz em todos os lugares , porque eu compreendo * serpentês * ... Harry olhou para as camas em volta . - O Basilisk mata as pessoas fixando as com o olhar mas ninguém morreu , o que quer_dizer que ninguém o olhou directamente em os olhos . Colin viu o através de a lente de a máquina fotográfica e o Basilisk queimou o rolo que estava lá dentro mas o Colin ficou apenas petrificado . O Justin ... o Justin deve ter visto o Basilisk através de o Nick quase sem cabeça . O Nick é_que levou com o olhar mas não podia morrer outra_vez ... e perto de a Hermione e de a prefeita de os Ravenclaw foi encontrado um espelho . Hermione acabara de compreender que o monstro era um Basilisk . Aposto que preveniu a primeira pessoa que encontrou de que era melhor olhar por um espelho a o virar de cada esquina . E aquela rapariga puxou de o seu espelho e ... O Ron estava de queixo caído . - E Mrs._Norris ? - perguntou vivamente . Harry pensou um_pouco , tentando imaginar a cena em a noite de o Halloween . - A água . . . - disse lentamente . - A poça de água que saiu de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Aposto que Mrs._Norris só viu o reflexo de o monstro . Examinou a folha de papel que tinha em a mão . Quanto_mais olhava mais sentido faziam as coisas . - * _ O cantar de o galo é fatal para ele * - leu em voz alta . - Os galos de o Hagrid foram mortos . O herdeiro de Slytherin não queria um único galo perto de o castelo , com a câmara aberta . * _ As aranhas são as primeiras a fugir * . Tudo encaixa . - Mas , como tem o Basilisk andado por aí ? - disse o Ron . - Uma serpente horrível e enorme ... alguém a teria visto . Mas Harry apontou para a palavra que Hermione escrevinhara em o final de a página . - Canos - disse . - Canos ... Ron , ele tem usado a canalização . Eu ouvi sempre a voz dentro de as paredes ... Ron agarrou subitamente o braço de o Harry . - A entrada para a Câmara_dos_Segredos - disse em uma voz rouca . - E se for em uma casa_de_banho ? Se for em a ... - Em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa - completou Harry . Sentaram se , tomados de uma excitação enorme , mal querendo acreditar . - Isso significa que - disse o Harry - eu não posso ser o único em a escola a falar * serpentês * . Há também o herdeiro de Slytherin . É de esse modo que tem controlado o Basilisk . - O que vamos fazer ? - perguntou Ron com os olhos a faiscar . - Vamos falar com a Mc_Gonagall ? - Vamos até a a sala de os professores - disse Harry , dando um salto . - Ela estará lá dentro_de dez minutos , está quase em o intervalo . Desceram a escada a correr . Não querendo ser descobertos outra_vez a vaguear por os corredores foram directamente até a a sala de os professores que estava deserta . Era uma divisão ampla , toda forrada , com cadeiras de madeira escura . Harry e Ron passearam de um lado para o outro , demasiado nervosos para se sentarem . Mas a campainha anunciando o intervalo nunca mais tocava . Em vez de isso , ecoando em os corredores , ouviram a voz de a professora Mc_Gonagall incrivelmente ampliada . - * _ Todos os alunos devem regressar de imediato a os seus dormitórios . Todos os professores a a sala de professores . Imediatamente , por favor * . Harry deu meia volta e olhou para o Ron . - Não me digas que houve um novo ataque , não agora ! - Que vamos fazer ? - disse o Ron aterrado . - Voltar para o dormitório ? - Não - disse Harry , olhando e m volta . Havia uma espécie de armário a a sua esquerda cheio com os mantos de os professores . - Ali . Vamos ouvir o que se passa . A seguir poderemos contar lhes o que descobrimos . Esconderam se dentro de o armário , ouvindo a algazarra de centenas de pessoas e a porta de a sala de professores a abrir se . De o meio de a confusão de mantos bafientos , viram os professores encherem a sala . Alguns tinham um ar totalmente confuso , outros pareciam apavorados . Por fim , chegou a professora Mc_Gonagall . - Aconteceu - disse em o silêncio de a sala de professores . - O monstro levou uma aluna . Levou a mesmo para a câmara . O professor Flitwick soltou um grito agudo . A professora Sprout bateu com a mão em a boca . Snape agarrou com força as costas de uma cadeira e perguntou : - Como pode ter tanta certeza ? - O herdeiro de Slytherin - disse a professora Mc_Gonagall , muito pálida . - Deixou outra mensagem . Mesmo por baixo de a primeira : « * _ O esqueleto de ela ficará para sempre em a Câmara_dos_Segredos * . » O professor Flitwick desatou a chorar . - Quem é ela ? - quis saber Madam_Hooch que se afundara em uma cadeira . - Quem é a aluna ? - Ginny_Weasley - disse a professora Mc_Gonagall . Harry viu o Ron , a o seu lado , escorregar silenciosamente até a o chão de o armário . - Vamos ter que mandar todos os alunos embora amanhã - disse a professora Mc_Gonagall . Isto_é o fim de Hogwarts , Dumbledore sempre disse ... A porta de a sala de os professores voltou a abrir se . Por um breve momento , Harry pensou que fosse Dumbledore mas era Lockhart e vinha todo sorridente . - Peço desculpa , adormeci . Perdi alguma coisa ? Não pareceu reparar que os outros professores o olhavam com uma espécie de aversão . Snape deu um passo em frente . - O homem que faltava - disse . - O homem certo . O monstro raptou uma garota , Lockhart levou a para a Câmara_dos_Segredos . O seu momento chegou . - Isso mesmo , Lockhart - acrescentou a professora Sprout . - Não estavas a dizer ontem a a noite que sempre tinhas sabido onde era a entrada para a Câmara_dos_Segredos ? - Eu ... bem ... eu-disse atabalhoadamente Lockhart . - Sim , não me disseste que sabias exactamente o que estava lá dentro ? - disse com voz esganiçada o professor Flitwick . - Eu disse ? Não me lembro ... - Lembro me perfeitamente de o ouvir dizer que lamentava não ter feito uma tentativa com o monstro antes de o Hagrid ser preso - disse Snape . - Não disse que toda_a história tinha sido uma atrapalhação e que deveriam ter lhe dado carta branca desde o princípio ? Lockhart olhou em volta para a cara de espanto de os colegas . - Eu ... nunca ... eu de facto ... deve ter me compreendido mal . - Então vamos deixar te , Gilderoy - disse a professora Mc_Gonagall . - Esta noite será uma excelente oportunidade para actuares . Nós trataremos de assegurar que ninguém te atrapalha . Vais poder enfrentar o monstro sozinho . Finalmente tens carta branca . Lockhart olhou desesperado a a sua volta mas ninguém foi salvá o . Já não estava bem-parecido . O lábio tremia lhe e a ausência de o seu habitual sorriso de dentes brancos dava lhe um ar escanzelado . - M-muito bem - disse . - Vou até a o meu escritório para ... para me preparar . E saiu de a sala . - _ óptimo - exclamou a professora Mc_Gonagall com as narinas dilatadas . - Isto deve afastá o de o nosso caminho . Os chefes de casa devem ir agora comunicar a os respectivos alunos o que se passou e informá os de que o Expresso_de_Hogwarts os levará a casa amanhã de manhã . Os restantes certifiquem se , por favor , de que não há alunos fora de os dormitórios . Os professores levantaram se e saíram um a um . Foi talvez o dia pior de a vida de o Harry . Ele , Ron , Fred e George sentaram se juntos a um canto em a sala comum de os Gryffindor , incapazes de proferir uma palavra . Percy não estava lá . Tinha ido tratar de enviar uma coruja a Mr. e Mrs._Weasley e , em seguida , fechara se em o dormitório . Nunca uma tarde custara tanto a passar e nunca a torre de os Gryfffindor estivera tão cheia de gente e tão silenciosa . Fred e George foram para a cama quase a o pôr de o Sol , incapazes de ficar ali mais tempo . - Ela sabia qualquer coisa , Harry - disse o Ron , falando pela_primeira_vez desde_que tinham saído de o armário de a sala de os professores . - Por isso a levaram . Não era nenhuma parvoíce sobre o Percy , ela tinha descoberto qualquer coisa sobre a Câmara_dos_Segredos . Com certeza por isso é_que a ... - Ron esfregou os olhos , enervadíssimo . - Afinal ela era sangue puro , não pode haver outra explicação . Harry olhava para o sol que mergulhava de um vermelho cor de sangue em a linha de o horizonte . Era a pior coisa que lhe tinha acontecido . Se pelo_menos pudessem fazer alguma coisa . - Harry - disse o Ron . - Achas que há alguma possibilidade de ela não estar ... ? Sabes o que eu quero dizer . Harry não sabia que resposta dar . Não acreditava que a Ginny pudesse ainda estar viva . - Sabes uma coisa ? - disse o Ron . - Acho que devíamos ir ter com o Lockhart , contar lhe o que sabemos . Ele vai tentar entrar em a câmara , podemos dizer lhe onde achamos que fica a entrada e contar lhe que o monstro é um Basilisk . Como Harry não tinha nenhuma ideia melhor e como queria fazer alguma coisa , concordou . Os Gryffindor que os rodeavam estavam tão tristes e com tanta pena de os Weasley que ninguém tentou impedi os quando os viram levantar se , atravessar a sala e sair por o buraco de o retrato . A escuridão começava a instalar se quando chegaram a o escritório de Lockhart onde a actividade era muita . De o corredor ouvia se o ruído de coisas a serem deitadas fora , pancadas surdas e passos apressados . Harry bateu a a porta e houve um silêncio repentino . Em seguida abriu se uma fresta de a porta e viram um de os olhos de Lockhart a espreitar . - Oh ! ... Mr._Potter ... Mr._Weasley - disse entreabrindo a porta . - Estou um_pouco ocupado em este momento , se forem rápidos ... - Professor , nós temos informações para lhe dar - disse o Harry . - Acho que poderão ajudá o . - Er ... bem ... não é - o lado de a cara de Lockhart que conseguiam ver parecia muito pouco a a vontade . - Quer_dizer ... bem ... está bem . Abriu a porta e eles entraram . O escritório estava praticamente vazio . Em o chão estavam duas grandes malas abertas . Mantos verde-jade , lilás , azul-noite tinham sido apressadamente dobrados e guardados dentro_de uma de as malas . Os livros misturavam se todos dentro de a outra . As fotografias que antes cobriam as paredes estavam agora arrumadas em caixas , em cima de a secretária . - Vai a algum lado ? - perguntou Harry . - Er ... bem ... sim - disse Lockhart , arrancando de a porta um poster seu em tamanho natural , enquanto falava , e começando a enrolá o . - Uma chamada urgente ... inevitável ... tenho que ir . - E a minha irmã ? - perguntou o Ron bruscamente . - Bem , quanto_a isso foi uma pena - disse Lockhart , evitando olhá os em os olhos , abrindo uma gaveta e começando a despejar o seu conteúdo dentro_de um saco . - Ninguém lamenta mais do_que eu ... - O senhor é o professor de Defesa contra as artes negras - disse Harry . - Não pode ir se embora agora_que todas estas coisas de magia negra estão a acontecer aqui . - Bem , devo dizer te que ... quando aceitei o lugar ... - resmungou Lockhart , empilhando soquetes sobre os mantos - nada em a descrição de o meu trabalho fazia prever ... - Quer_dizer que vai fugir ? - perguntou Harry , incrédulo . - Depois de todas_as coisas que conta em os seus livros ? - Os livros podem ser enganadores - disse Lockhart delicadamente . - Mas foi o senhor que os escreveu - gritou Harry . - Meu rapaz - disse Lockhart , endireitando se e franzindo as sobrancelhas - usa o senso comum . Os meus livros não teriam vendido metade do_que venderam se as pessoas não acreditassem que eu tinha feito todas aquelas coisas . Ninguém está interessado em ler sobre um velho feiticeiro americano mesmo_que ele tenha salvo uma cidade inteira de os lobisomens , ficaria péssimo em a capa . E a bruxa que correu com a fada carpideira tinha um lábio leporino . Como vês . - Quer_dizer que ficou com os louros por tudo_o_que uma série de outras pessoas fizeram ? - perguntou Harry , sem querer acreditar . - Harry , Harry - disse Lockhart , abanando impacientemente a cabeça . - Não é tão simples assim . Envolveu muito trabalho . Tive de localizar todas essas pessoas , perguntar lhes em pormenor como tinham feito as coisas . Depois tive de lhes fazer um feitiço antimemória para que não voltassem a lembrar se do_que tinham feito . Se há uma coisa de que me orgulho é de os meus feitiços antimemória . Não , tive muito trabalho , Harry . Não foram só as sessões de autógrafos e as fotografias , sabes ? Quem quer ser famoso tem de estar preparado para um trabalho longo e fatigante . Fechou as malas a a chave . - Vejamos - disse . - Acho que está tudo . Sim , só falta uma coisa . - Empunhou a varinha e voltou se para eles . - Lamento muito , rapazes , mas vou ter de vos fazer um feitiço antimemória . Não posso deixar que vão por aí repetir os meus segredos . Não venderia nem mais um livro . Harry pegou em a varinha mesmo a tempo e Lockhart mal tinha levantado a de ele a o ar quando Harry gritou * _ Expelliarmus ! * Lockhart foi projectado de costas , indo cair em cima de a mala . A varinha voou por os ares . Ron agarrou a e atirou a por a janela aberta . - Não devia ter deixado o professor Snape ensinar nos esta - disse Harry furioso , dando um pontapé a uma de as malas . Lockhart olhava para ele , de_novo escanzelado . Harry apontava lhe a varinha . - O que queres que eu faça ? - perguntou debilmente . - Eu não sei onde fica a Câmara_dos_Segredos . Não posso fazer nada . - Está com sorte - disse Harry , forçando o com a varinha a pôr se de pé . - Nós julgamos saber onde é e o que está lá dentro . Vamos . Conduziram Lockhart para fora de o seu escritório , desceram com ele as escadas e seguiram por o corredor escuro em cuja parede brilhavam as mensagens , até a a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mandaram Lockhart a a frente . Harry gostou de ver que todo ele tremia . A Murta_Queixosa estava sentada em a cisterna de o cubículo de o fundo . - Ah ! são vocês - disse a o ver o Harry . - O que querem agora ? - Perguntar te como morreste - disse Harry . O aspecto de a Murta mudou por completo . Parecia que nunca lhe tinham feito uma pergunta tão lisonjeira . - Ooooh ! Foi horrível - disse satisfeita . - Aconteceu aqui mesmo . Morri em este cubículo . Lembro me tão bem . Estava escondida porque a Olive_Hornby andava a implicar comigo por causa de os meus óculos . A porta estava fechada e eu estava a chorar e , então , ouvi alguém entrar . Disseram qualquer coisa estranha em uma língua diferente , acho eu . Mas o que mais me espantou foi o ser um rapaz a falar . Por isso , abri a porta para lhe dizer que fosse a a casa_de_banho de eles e em esse momento - a Murta inchou com ar importante , o rosto a brilhar - morri . - Como ? - perguntou Harry . - Não faço ideia - disse a Murta em um tom de voz abafado . - Só me lembro de ver dois grandes olhos amarelos , de o meu corpo ficar preso e em seguida , sentir me a flutuar ... - olhou sonhadoramente para Harry . - E depois voltei . Estava disposta a vingar me de a Olive_Hornby , percebes ? Ela ia arrepender se de ter gozado com os meus óculos . - Onde foi exactamente que viste os tais olhos ? - perguntou Harry . - Algures por aí - disse a Murta , apontando vagamente para o lavatório em frente de o seu cubículo . Harry e Ron apressaram se . Lockhart estava de pé , mais atrás , com uma expressão de pavor em o rosto . O lavatório parecia perfeitamente vulgar . Examinaram o centímetro a centímetro , dentro e fora , incluindo os canos por baixo . E foi então que Harry reparou : de lado , rabiscada em uma de as torneiras de cobre , estava uma cobra pequenina . - Essa torneira nunca funcionou - disse vivamente a Murta enquanto ele tentava abri a . - Harry - sugeriu o Ron . - Diz qualquer coisa em * serpentês * . Mas , pensou Harry , as únicas vezes que conseguira falar * serpentês * tinham ocorrido quando confrontado com uma verdadeira serpente . Olhou , concentrado para a pequena cobra gravada em o cobre , tentando imaginá a como verdadeira . - Abre te - disse . Olhou para o Ron que abanou a cabeça . - Inglês - disse ele . Harry voltou a olhar para a cobra , forçando se a acreditar que estava viva . A luz de a vela fez parecer que se movia . - Abre te - repetiu . Mas desta_vez as palavras não foram o que ele ouviu . Um estranho sibilar escapou lhe de a boca e a torneira ganhou uma luz branca e brilhante e começou a rodar . Logo_a_seguir o lavatório mexeu se . Afastou se , melhor dizendo , saiu de o caminho , deixando um grande cano a a vista , um cano onde cabia um homem . Harry ouviu a respiração arquejante de o Ron e olhou de_novo para ele . Já decidira o que queria fazer . - Vou descer - disse . Não podia deixar de ir , agora_que acabavam de descobrir a entrada para a câmara , existindo uma possibilidade , por mais remota que fosse , de a Ginny ainda estar viva . - Eu também - disse o Ron . Houve uma pausa . - Bem , parece que não precisam mais de mim - apressou se Lockhart a dizer com uma réstia de sorriso . - Eu vou . . . Pôs a mão em o puxador de a porta mas Ron e Harry apontaram lhe ambos as varinhas . -- O senhor pode ir a a frente - disse rispidamente o Ron . Pálido e sem varinha , Lockhart aproximou se de a entrada . - Meus rapazes - disse em uma voz débil . - Meus rapazes , para quê tudo_isto ? Harry tocou lhe em as costas com a varinha e ele meteu as pernas em o cano . - Eu não me parece que ... - começou a dizer , mas o Ron deu lhe um empurrão e ele desapareceu por o cano abaixo . Harry foi rapidamente atrás . Introduziu se lentamente e deixou se cair . Era como escorregar em uma pista escura e interminável . Ele via outros canos , estendendo se em todas_as direcções mas nenhum tão largo como o de eles que se torcia e virava , inclinando se abruptamente . Harry sabia que estavam a chegar a um ponto muito abaixo de a escola e de os calabouços . Atrás_de si , ouvia o Ron gemendo em cada curva . E então , quando começava a preocupar se com o que iria acontecer quando tocassem em o chão , o cano tornou se horizontal e ele foi projectado com um ruído surdo , indo aterrar em o chão húmido de um túnel de pedra com altura suficiente para ele se pôr de pé . Lockhart estava a levantar se a alguma distancia , todo enlameado e pálido como um fantasma . Harry afastou se para deixar o Ron sair também de o cano . - Devemos estar quilómetros e quilómetros abaixo de a escola - disse o Harry cuja voz ecoou em o túnel negro . - Talvez até debaixo de o lago - arriscou o Ron , olhando em volta para as paredes escuras e viscosas . Voltaram se os três para olhar para a escuridão lá a o fundo . - * _ Lumus ! * - murmurou Harry a a varinha e ela voltou a acender se . - Vamos - disse a o Ron e a o Lockhart e avançaram , os passos a chapinharem ruidosamente em o chão molhado . O túnel era tão escuro que só conseguiam ver alguns centímetros a a frente . As suas sombras em as paredes molhadas pareciam monstruosas a a luz de a varinha . - Lembrem se - disse Harry baixinho enquanto caminhavam . - A o menor movimento fechem logo os olhos ... Mas o túnel era silencioso como um túmulo e o primeiro som inesperado que ouviram foi um grito de o Ron que escorregou em uma coisa que era afinal a cauda de um rato . Harry baixou a varinha para olhar para o chão e viu que estava cheio de pequenos ossos de animais . Fazendo um enorme esforço para evitar pensar em que estado iriam encontrar a Ginny , avançou até uma curva escura de o túnel . - Harry , está aqui qualquer coisa - disse o Ron com voz rouca , agarrando Harry por o ombro . Ficaram estáticos a olhar . Harry só conseguia ver a silhueta de algo enorme e curvo deitado em o túnel . Fosse o que fosse não se movia . - Talvez esteja a dormir - murmurou , olhando para os outros dois . Lockhart tapava os olhos com as mãos . Harry voltou se para olhar para a criatura com o coração a bater tanto que lhe doía em o peito . Lentamente , com os olhos quase fechados mas ainda conseguindo ver , Harry avançou com a varinha levantada . A luz deslizou sobre uma gigantesca pele de serpente , de um verde vivo e venenoso que estava vazia e enrolada em o chão de o túnel . A criatura que a abandonara devia ter , pelo_menos , seis metros e meio de comprimento . - Bolas - disse o Ron , perdendo as forças . Houve um movimento súbito atrás de eles . As pernas de Gilderoy_Lockhart cederam . - Levante se - disse o Ron de uma forma cortante , apontando lhe a varinha . Lockhart pôs se de pé . Em seguida empurrou o Ron , atirando o a o chão . Harry deu um salto , mas ... tarde de mais . Lockhart endireitava se com a varinha de o Ron em as mãos e um sorriso em o rosto . - A aventura acaba aqui , rapazes - disse . - Vou levar um bocado de esta pele de cobra para a escola , contar lhes que foi demasiado tarde para salvar a garota e que vocês os dois perderam tragicamente a memória com a visão de o seu corpinho mutilado . Digam adeus a as vossas recordações . Levantou a o ar a varinha avariada de o Ron e gritou * _ Obliviate ! * A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba . Harry pôs os braços sobre a cabeça e correu , escorregou em os anéis de a pele de cobra , afastando se de os grandes pedaços de tecto de o túnel que caíam em o chão com o ruído de trovões . Pouco depois estava sozinho , olhando para uma sólida parede de rocha partida . - Ron - gritou ele . - Estás bem , Ron ? - Estou aqui - respondeu a voz abafada de o Ron por detrás de a avalancha de rochas . - Eu estou bem mas este sujeito não . A varinha avariou o todo . Ouviu se um ruído surdo e um Oh ! gritado . Parecia que o Ron tinha acabado de dar a o Lockhart um pontapé em as canelas . - E agora ? - disse a voz de o Ron que parecia desesperada . - Não podemos passar , vai demorar séculos . Harry olhou para o tecto de o túnel onde tinham aparecido grandes fendas . Ele nunca tentara partir , através de a magia , nada tão grande como aquelas rochas e agora não lhe parecia ser o melhor momento para fazer experiências . E se o túnel abatesse ? Houve um ruído surdo e outro Oh ! atrás de as rochas . Estavam a perder tempo . A Ginny já estava havia duas horas em a Câmara_dos_Segredos . Harry sabia que só havia uma coisa a fazer . - Espera aqui - gritou a o Ron . - Fica com o Lockhart , eu vou lá . Se não voltar dentro_de uma hora ... Houve um silêncio cheio . - Eu vou ver se desloco um_pouco esta rocha - disse o Ron , tentando manter a voz firme . - Para tu poderes passar . E , Harry ... - Até já - disse o Harry , procurando injectar confiança em a sua voz trémula . E passou sozinho para lá de a imensa pele de serpente . Em_breve , o ruído de o Ron , tentando deslocar a rocha , deixou de se ouvir . O túnel virou uma e outra_vez . Os nervos de o corpo de o Harry tangiam de forma desagradável . Ele só queria que o túnel chegasse a o fim , fosse o que fosse que o aguardasse . E então , finalmente , quando atingiu a última curva , viu em a sua frente uma parede sólida que tinha gravadas duas serpentes enroladas uma em a outra , cujos olhos eram quatro esmeraldas , enormes e brilhantes . Harry aproximou se com a garganta seca . Não foi preciso imaginar que as serpentes eram autênticas . Os seus olhos pareciam estranhamente vivos . Foi fácil descobrir o que tinha de fazer . Pigarreou e os olhos de esmeraldas pareceram mexer se . - Abre te - disse Harry em um sibilar baixo . As serpentes desapareceram enquanto a parede se abria a o meio e , a tremer de os pés a a cabeça , Harry entrou . XVII_Herdeiro_de_Slytherin_Estava de pé em o fundo de uma divisão enorme , fracamente iluminada . Altíssimos pilares de pedra , cheios de serpentes gravadas que os enlaçavam , erguiam se , suportando um tecto que se perdia em a escuridão e que lançava sombras negras imensas através de a estranha luz esverdeada que enchia o local . Com o coração a bater descompassadamente , Harry ficou parado a ouvir aquele silêncio arrepiante . Estaria o Basilisk escondido em um canto cheio de sombras , atrás_de algum pilar ? E onde estaria Ginny ? Pegou em a varinha e avançou a o longo de as colunas serpenteantes . Cada_um de os seus passos provocava um enorme eco em as paredes sombrias . Harry tinha os olhos semicerrados e estava pronto para os fechar a o mais pequeno movimento . As órbitas de olhos fundos de as serpentes de pedra pareciam segui o . Por mais de uma_vez , com o estômago a dar um salto , Harry julgou vê os moverem se . Por fim , chegado a o nível de os dois últimos pilares , avistou uma estátua de a altura de a própria câmara que estava encostada a a parede de o fundo . Harry tinha de esticar o pescoço para olhar para_cima , para a cara de o gigante : era velho e com um ar simiesco , tinha uma barba enorme que lhe caía quase onde acabava a longa túnica de pedra . Os dois pés imensos e cinzentos pousavam em o chão de a câmara . E entre eles , voltada para baixo , estava uma figura pequenina vestida de preto com um cabelo flamejante . - Ginny - murmurou Harry , chegando perto de ela e ajoelhando se . - Ginny , por favor não estejas morta , não estejas morta ! Atirou a varinha para o lado , agarrou Ginny por os ombros e voltou a . O rosto de ela estava branco e frio como o mármore , contudo os olhos encontravam se fechados , portanto não estava petrificada . Mas então devia estar ... - Ginny , acorda por favor - repetiu Harry desesperado , sacudindo a . A cabeça de ela andava de um lado para o outro . - Ela não vai acordar - disse secamente uma voz . Harry deu um salto e girou sobre os joelhos . Um rapaz alto , de cabelo preto , estava encostado a o pilar mais próximo , a observá o . As sombras desfocavam o como_se Harry o visse através_de uma janela embaciada . Mas não havia como confundis o . - Tom , Tom_Riddle ? Riddle acenou , sem tirar os olhos de o rosto de Harry . - O que queres dizer com isso de ela não acordar ? - perguntou Harry desesperado . - Ela não está ... não está ? - Está viva - disse Riddle . - Mas , por um fio . Harry olhou fixamente para ele . Tom_Riddle estivera em Hogwarts há cinquenta anos atrás . Contudo , ali estava com uma luz estranha e desfocada a iluminá o , sem um dia a mais do_que os seus dezasseis anos . - És um fantasma ? - perguntou Harry . - Uma memória - disse Riddle . - Preservada em um diário durante cinquenta anos . Apontou para os pés de a estátua gigantesca . Ali , aberto em o chão , estava o pequeno diário de capa preta que Harry tinha encontrado em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Durante um segundo , Harry perguntou a si próprio como teria ido ali parar , mas havia coisas mais importantes a fazer . Preciso de a tua ajuda , Tom - disse Harry , levantando de_novo a cabeça de a Ginny . - Temos de sair de aqui . Há_um_Basilisk ... não sei onde está mas pode aparecer a qualquer momento . Por favor , ajuda me . Riddle não se mexeu . Harry , a transpirar , conseguiu levantar ligeiramente a Ginny de o solo e inclinou se para pegar em a varinha mas ela tinha desaparecido . - Viste a ... ? Olhou para_cima . Riddle continuava a olhá o , fazendo girar a varinha entre os dedos longos . - Obrigado - disse Harry , esticando o braço para a agarrar . Um sorriso surgiu então em os cantos de a boca de Riddle que continuou a olhar para ele , girando indolentemente a varinha . - Ouve , pá - disse Harry sem querer perder mais tempo , os joelhos a vergarem sob o peso morto de Ginny - temos de ir . Se o Basilisk aparece ... - Ele não vem enquanto não for chamado - disse Riddle com toda_a calma . Harry voltou a pousar Ginny em o chão , incapaz de a segurar por mais tempo . - Que queres dizer com isso ? - perguntou . - Dá me a minha varinha , posso precisar de ela . O sorriso de Riddle ampliou se . - Não vais precisar de ela - disse . Harry olhou o espantado . - O que queres dizer , não vou ? - Esperei muito_tempo por isto , Harry - disse Riddle . - Pela possibilidade de te ver , de falar contigo . - Olha , eu acho que tu não estás a perceber - disse Harry , perdendo a paciência . - Estamos em a Câmara_dos_Segredos , podemos conversar mais tarde . - Vamos conversar agora - disse Riddle , sorrindo de orelha a orelha e guardando a varinha de Harry em o bolso . Harry voltou a olhar para ele . Havia qualquer coisa de muito estranho em tudo aquilo . - Como é_que a Ginny ficou assim ? - perguntou pausadamente . - Bem , essa é uma pergunta interessante - disse Riddle , divertido . - E uma longa história , também . Julgo que o verdadeiro motivo que levou Ginny_Weasley a ficar assim foi o ter aberto o seu coração e revelado todos os seus segredos a um estranho ser invisível . - De quem estás a falar ? - perguntou Harry . - De o diário - disse Riddle . - De o meu diário . A Ginny escreve nele há meses e meses , contando me todas_as suas lamentáveis desgraças e atribulações : como os irmãos a arreliam , que teve de vir para a escola com manto , túnica e livros em segunda mão - os olhos de Riddle brilharam -- , que acha que o maravilhoso , o grande , o famoso Harry_Potter nunca vai gostar de ela ... Enquanto falava , nunca os olhos de Riddle se afastaram de a cara de o Harry . Havia em eles um olhar ávido . - É muito chato ter de ouvir as preocupações idiotas de uma garotinha de onze anos - prosseguiu . - Mas eu fui paciente . Respondi lhe , mostrei me simpático e amável . A Ginny pura e simplesmente adorou me . - * _ Nunca ninguém me compreendeu como tu , Tom ... estou tão feliz por ter este diário a quem me confiar ... é como ter um amigo que pode andar em o meu bolso * ... Riddle riu se . Um riso alto , frio , que não lhe ficava bem . Fez com que os cabelos de o pescoço de Harry se arrepiassem todos . - Verdade se diga que sempre consegui encantar as pessoas necessárias . Portanto a Ginny verteu em mim a sua alma e a alma de ela era precisamente o que eu queria . Fortaleceu me . Alimentei me de os seus medos mais profundos , de os seus mais obscuros segredos . Fui ficando cada_vez_mais forte e poderoso . Muito mais poderoso do_que a pequena Miss_Weasley até que comecei a transmitir lhe alguns de os meus segredos , a passar um_pouco de a minha alma para ela ... - O que queres dizer ? - perguntou Harry cuja boca ficara totalmente seca . - Ainda não descobriste , Harry_Potter ? - disse Riddle muito baixo . - Giony_Weasley abriu a Câmara_dos_Segredos , estrangulou os galos de a escola e escreveu mensagens assustadoras em as paredes . Atiçou a serpente de Slytherin contra quatro sangues de lama e contra o gato de o busca-pé . - Não - murmurou Harry . - Sim - disse calmamente Riddle . - É claro que a princípio não sabia o que estava a fazer . Era muito divertido . Gostava que visses as coisas que escreveu em o diário , começaram a ficar muito mais interessantes . * _ Querido_Tom * - recitou ele , olhando para a expressão horrorizada de o Harry . - * _ Acho que estou a perder a memória . Há penas de galo em todas_as minhas roupas e eu não sei como foram lá parar . Querido_Tom , não me lembro do_que fiz em a noite de o Hallowe'en mas foi atacada uma gata e eu estou cheia de tinta em a cara . Querido_Tom , o Percy não pára de me dizer que ando pálida e não pareço eu . Acho que ele suspeita de mim ... Houve outro ataque hoje e eu não sei onde estava . Tom , que vou eu fazer ? Acho que estou a ficar maluca ... acho que ando a atacar toda_a_gente , Tom ! * Harry tinha os punhos fechados , as unhas cravadas contra a palma de as mãos . - Levou muito_tempo até a pequenina estúpida deixar de confiar em o diário - disse Riddle . - Mas acabou por ficar desconfiada e tentou livrar se de ele . E é aí que tu entras , Harry . Tu encontraste o . E eu não poderia ter ficado mais satisfeito . De todas_as pessoas que poderiam ter ficado com ele , foste tu , aquele que eu ambicionava conhecer ... - E porque querias conhecer me ? - perguntou Harry . Começava a ser tomado por a raiva e fez um esforço para manter o tom de voz controlado . - Bem , a Ginny contou me tudo a teu respeito - disse Riddle . - A tua fascinante história . - Os seus olhos pousaram em a cicatriz em a testa de Harry e a sua expressão ganhou maior avidez . - Sabia que devia descobrir mais a teu respeito , falar te , encontrar me contigo se fosse possível . Por isso , para ganhar a tua confiança , resolvi mostrar te a famosa captura que fiz de aquele demente de o Hagrid . - O Hagrid é meu amigo - disse Harry já com a voz a tremer . - E tu tramaste o , não foi ? Pensei que tinha sido um engano , mas ... Ele riu se . O mesmo riso de antes . - Era a minha palavra contra a palavra de ele . Imagina a cara de o velho Armando_Dippet . De um lado Tom_Riddle , pobre mas brilhante , sem pais mas corajoso , prefeito de a escola , um modelo de aluno . De o outro lado , o Hagrid , grande e disparatado , arranjando problemas semana sim , semana não , tentando criar filhotes de lobisomens debaixo de a cama , escapando se para a floresta proibida para lutar com gigantes . Mas , devo admitir que até eu próprio fiquei admirado com os excelentes resultados de o meu plano . Pensei que alguém perceberia que o Hagrid nunca poderia ser o herdeiro de Slytherin . Demorei cinco anos inteirinhos até descobrir tudo_o_que me foi possível sobre a Câmara_dos_Segredos e a sua entrada secreta ... como_se o Hagrid tivesse cabeça ou poder ! - Só o professor de Transfiguração , Dumbledore , parecia achar que ele estava inocente . Convenceu Dippet a mantê o aqui e a treiná o como guarda de os campos . Sim , é natural que Dumbledore tenha adivinhado , nunca gostou de mim como os outros professores . - Aposto que Dumbledore viu através_de ti - disse Harry , de dentes cerrados . - Pelo_menos passou a vigiar me de perto , a partir de o momento em que o Hagrid foi expulso - disse Riddle descuidadamente . - Eu sabia que não era seguro voltar a abrir a câmara enquanto ainda estava em a escola mas não ia desperdiçar os longos anos que passara a pesquisar . Decidi , por isso , deixar um diário preservando em as suas páginas o meu ego de dezasseis anos para que um dia , com um_pouco de sorte , pudesse levar outro a seguir os meus passos e acabar o nobre trabalho de Salazar_Slytherin . - Bem , não o acabaste - disse Harry triunfante . - Ninguém morreu até agora , nem mesmo a gata . Dentro_de poucas horas a poção de mandrágoras estará pronta e todos os que foram petrificados voltarão de_novo a si . - Não acabei de te dizer que matar sangues de lama já não me interessa ? Há muitos meses que o meu alvo és tu . Harry olhou para ele . - Podes imaginar como fiquei furioso quando em outro dia o diário foi aberto e vi que era a Ginny quem estava a escrever e não tu . Ela viu te com o diário e entrou em pânico . E se tu descobrisses como trabalhar com ele e eu te repetisse todos os seus segredos ? Ainda pior , e se eu te contasse quem tinha andado a estrangular os galos ? Por isso , a grande palerma esperou que o teu dormitório estivesse deserto e foi lá roubá o . Mas eu sabia o que tinha de fazer . Estava muito claro para mim que a tua meta era o herdeiro de Slytherin . Por tudo_o_que a Ginny me contara a teu respeito , sabia que irias até onde fosse preciso para desvendar o mistério , principalmente se um de os teus melhores amigos tivesse sido atacado . E a Ginny disse me que a escola toda bichanava por tu falares * serpentês * ... Por isso , obriguei a Ginny a escrever a sua própria despedida em a parede , a vir até aqui e esperar . Ela debateu se e gritou e ficou muito chatinha . Mas , já não tem muita vida : pôs grande parte de ela em o diário , deu me a . O suficiente para eu abandonar , por fim , as suas páginas . Desde_que aqui cheguei que estou a a tua espera . Sabia que virias . Tenho muitas perguntas a fazer te , Harry_Potter . - Que perguntas ? - disse Harry com os punhos fechados . - Bem - prosseguiu Riddle , sorrindo de satisfação : - Como é_que um bebé sem especiais talentos de magia foi capaz de derrotar o maior feiticeiro de sempre ? Como conseguiste escapar só com uma cicatriz quando os poderes de Lord_Voldemort foram destruídos ? Havia agora em os seus olhos um brilho vermelho e irado . - O que é_que te interessa saber como eu escapei ? - disse Harry lentamente . - Voldemort veio depois de ti . - Voldemort - disse Riddle - é o meu passado , o meu presente e o meu futuro , Harry_Potter ... Tirou a varinha de o Harry de o bolso e começou a escrever em o ar três palavras brilhantes : TOM_MARVOLO_RIDDLE_Em seguida , fez um gesto com a varinha e as letras de o seu nome reagruparam se de outro modo . : __ eu sou lord __ voldemort ( I am Lord_Voldemort ) . - Vês ? - murmurou . - Era um nome que eu já usava em Hogwarts , para os meus amigos mais íntimos apenas , como é óbvio . Achas que ia usar para sempre o nome nojento de o meu pai Muggle ? Eu , em cujas veias , por o lado materno , corre o sangue de Salazar_Slytherin ? Eu , manter o nome de um Muggle tolo que me abandonou ainda antes de eu nascer só porque descobriu que a mulher com quem casara era uma bruxa ? Não , Harry , arranjei um novo nome , um nome que eu sabia que os feiticeiros de todo_o_mundo viriam um dia a ter medo de pronunciar , quando eu me tivesse tornado o maior feiticeiro de o mundo . A cabeça de Harry parecia bloqueada . Olhou como_que paralisado para Riddle , para o rapaz de o orfanato que depois de crescer iria matar os seus pais e tantos outros . Por fim , com algum esforço conseguiu falar . - Não és - disse em uma voz calma e cheia de ódio . - Não sou o quê ? - perguntou Riddle irritado . - Não és o maior feiticeiro de o mundo - disse Harry com a respiração acelerada . - Lamento desiludir te mas o maior feiticeiro de o mundo é Albus_Dumbledore . Toda_a_gente sabe . Mesmo tu , quando tinhas força , não ousavas tentar aproximar te de Hogwarts . Dumbledore viu através_de ti quando andavas em a escola e ainda agora te assusta onde quer que te escondas . O sorriso desaparecera de o rosto de Riddle , fora substituído por um olhar furioso . - Dumbledore foi afastado de este castelo por a minha simples memória - sibilou . - Ele não está tão longe como pensas - retorquiu Harry . Falava por falar , tentando assustar Riddle , desejando mais que assim fosse do_que acreditando em as suas palavras como uma verdade . Riddle abriu a boca mas não chegou a falar . Tinha começado a ouvir se uma música . Riddle deu uma volta , olhando para a câmara vazia . A música estava a ficar mais alta . Era misteriosa , arrepiante , sobrenatural . Fez_Harry ficar com os cabelos em pé e o coração aumentar lhe em o peito . Por fim , quando atingiu um ponto tão alto que Harry a sentiu vibrar dentro de as suas costelas , começaram a sair chamas de o topo de o pilar mais próximo . Uma ave carmesim de o tamanho de um cisne surgiu , assobiando a sua estranha melodia para o tecto em forma de abóbada . Tinha uma cauda dourada tão longa como a de um pavão e garras douradas e brilhantes que seguravam uma trouxa andrajosa . Segundos depois , a ave voava em direcção a Harry . Deixou cair a coisa andrajosa a os seus pés e pousou lhe pesadamente em o ombro . Quando abriu as enormes asas , Harry olhou para_cima e viu que tinha um longo bico afiado e olhos escuros pequenos e brilhantes . A ave parou de cantar . Ficou quieta junto de a cara de Harry , olhando fixamente para Riddle . - É uma fénix , disse Riddle , olhando sagazmente para ela . - Fawkes ? - murmurou Harry e sentiu as garras douradas apertarem lhe devagarinho o ombro . - E aquilo - disse Riddle , olhando para a coisa velha que Fawkes deixara em o chão - é o velho chapéu seleccionador , de a escola . Era , de facto . Amachucado , puído e sujo , o chapéu jazia imóvel a os pés de Harry . Riddle começou a rir . Riu se tanto que a câmara escura se lhe juntou em um eco tal que parecia que dez Riddles se riam ao_mesmo_tempo . - Eis o que Dumbledore envia a o seu defensor . Um pássaro que canta e um chapéu velho . Estás cheio de coragem , Harry_Potter ? Sentes te agora mais seguro ? Harry não respondeu . Podia não estar a ver a vantagem de a Fawkes ou de o chapéu seleccionador mas já não se sentia só , e esperou corajosamente que Riddle parasse de rir . - Vamos a o que importa , Harry - disse ele , ainda com um enorme sorriso . - Encontrámo nos duas vezes em o teu passado , em o meu futuro . E duas vezes falhei a o tentar matar te . Como foi que sobreviveste ? Conta me tudo . Quanto_mais falares , mais tempo tens de vida . Harry pensava rapidamente , medindo as suas possibilidades . Riddle tinha a varinha . Ele , Harry , tinha a Fawkes e o chapéu seleccionador que não lhe serviriam de muito em o combate . As coisas pareciam más , é certo . Mas quanto_mais tempo Riddle ali estivesse , mais vida retirava a a Ginny ... e , entretanto , Harry reparou que a silhueta de Riddle se tornava mais nítida , mais sólida . Se tinha de haver uma luta entre os dois , quanto_mais depressa melhor . - Ninguém sabe porque perdeste os poderes quando me atacaste - disse bruscamente . - Eu próprio não sei . Mas sei porque não conseguiste matar me . A minha mãe morreu para me salvar . A minha mãe , uma vulgar filha de Muggles - acrescentou , a tremer de raiva . - Ela impediu que tu me matasses . E eu vi te como tu és , em o ano passado . És um destroço , quase não existes . Foi onde o teu poder te levou . Estás sob um disfarce , és horrível e és louco . O rosto de Riddle contorceu se . Em seguida , forçou um sorriso pavoroso . - Quer_dizer , então , que a tua mãe morreu para te salvar . Sim , é um antifeitiço poderoso . Compreendo agora , afinal não há em ti nada de especial . Eu tinha curiosidade , sabes , porque há uma estranha semelhança entre nós , Harry_Potter . Até tu deves ter reparado . Somos ambos meio sangue , órfãos , educados com Muggles , provavelmente os dois únicos que falam * serpentês * desde o grande Slytherin , até nos parecemos um_pouco fisicamente ... mas afinal foi apenas uma questão de sorte que te salvou de mim . Era o que eu queria saber . Harry ficou parado , tenso , a a espera que Riddle levantasse a varinha mas o seu sorriso cínico ampliou se de_novo . - Agora , Harry , vou dar te uma pequena lição . Vamos confrontar os poderes de Lord_Voldemort , herdeiro de Salazar_Slytherin e de o famoso Harry_Potter , munido com as melhores armas que Dumbledore lhe deu . Lançou um olhar divertido a a Fawkes e a o chapéu seleccionador e , em seguida , afastou se . Harry com as pernas entorpecidas por o medo viu o parar entre dois pilares altos e olhar para a cara de pedra de Slytherin , lá em cima em a semi-obscuridade . Riddle abriu a boca e sibilou mas Harry compreendeu o que ele dizia . - * _ Responde-me , Slytherin , o maior de os quatro de Hogwarts * . Harry voltou se para olhar melhor para a estátua com Fawkes pousada em o ombro . A gigantesca cara de pedra de Slytherin movia se . Horrorizado , Harry viu a boca abrir se mais e mais até se transformar em um buraco negro . E algo se agitava dentro de a boca de a estátua . Algo se arrastava para fora de as suas entranhas . Harry recuou até a a parede escura de a câmara e enquanto fechava os olhos com força sentiu a asa de a Fawkes roçar lhe o rosto e levantar voo . Harry quis gritar : - Não me abandones ! - mas que possibilidades tinha uma fénix contra o rei de as serpentes ? Uma coisa enorme bateu em o chão de pedra que Harry sentiu estremecer . Sabia o que estava a acontecer , podia sentis o , quase podia ver a serpente gigantesca a sair de a boca de Slytherin . Foi então que ouviu a voz de Riddle sibilar : * _ Mata-o * . O Basilisk avançava em direcção a Harry . Ele ouvia o seu corpo enorme escorregar pesadamente por o chão cheio de pó . Com os olhos sempre fechados , Harry começou a correr para o lado , a as cegas , com as mãos abertas a tactear o caminho . Riddle ria se a as gargalhadas . Harry escorregou e caiu em o chão de pedra e a boca soube lhe a sangue . A serpente estava a poucos centímetros de ele . Podia ouvi a a aproximar se . Ouviu se um crepitar explosivo por cima de ele e alguma coisa pesada bateu lhe com tanta força que ele ficou encostado a a parede . Esperando que os dentes de a serpente lhe perfurassem o corpo , ouviu mais ruídos e qualquer coisa que se agitava com força contra os pilares . Não conseguiu evitar . Abriu bem os olhos para ver o que se passava . A enorme serpente , brilhante , de um verde veneno , espessa como o tronco de um carvalho , erguera se em o ar e a sua imensa cabeça agitava se de um lado para o outro , entre os dois pilares . Quando Harry , a tremer , se preparava para fechar de_novo os olhos , percebeu o que distraíra a cobra . Fawkes esvoaçava em volta de a sua cabeça e o Basilisk , furioso , tentava agarrá a com os dentes longos e afiados como sabres . Fawkes mergulhava . Harry deixou de ver o bico fino e dourado e uma brusca chuva de sangue escuro inundou o chão . A cauda de a serpente agitou se , não batendo em o Harry por_pouco e antes que ele pudesse fechar os olhos voltou se . Harry olhou lhe para a cara e viu que os seus olhos , os dois olhos amarelos e bolbosos tinham sido perfurados por a fénix . O sangue escorria por o chão e a serpente cuspia cheia de dores . - * _ Não * - Harry ouviu o grito de Riddle . - * _ Deixa a ave , deixa a ave , o rapaz está atrás_de ti , ainda podes cheirá o . Mata o ! * A serpente cega oscilou confusa , ainda em fúria . Fawkes andava a a volta de a cabeça de ela soprando a sua misteriosa cantilena , picando lhe aqui_e_ali o nariz cheio de escamas , enquanto o sangue jorrava de os seus olhos destruídos . - Ajudem me . Ajudem me - murmurava Harry aflito . - Alguém , ajude me . A cauda de a serpente chicoteou de_novo o chão . Harry baixou se . Algo macio tocou lhe em o rosto . O Basilisk lançara o chapéu seleccionador para os braços de o Harry que o agarrou . Era tudo_o_que tinha , a sua única esperança . Enfiou o em a cabeça e começou a ficar achatado contra o chão , enquanto a cauda de o Basilisk se lançava de_novo sobre ele . - Ajudem me , ajudem me - pensou Harry , os olhos comprimidos debaixo de o chapéu . - Por favor , ajudem me . Nenhuma voz lhe respondeu . Em vez de isso , o chapéu contraiu se como_se uma mão invisível o tivesse espalmado devagarinho . Alguma coisa muito dura e pesada caíra sobre a cabeça de Harry , conseguindo quase derrubá o . A ver estrelas em frente de os olhos , agarrou o chapéu para o puxar para baixo e sentiu lá dentro uma coisa longa e dura . Uma espada brilhante tinha surgido dentro de o chapéu . Tinha um cabo cravejado de rubis de o tamanho de pequenos ovos . - Mata o rapaz , deixa a ave . O rapaz está atrás_de ti . Cheira o ! Harry estava de pé , preparado . A cabeça de o Basilisk caía , o corpo serpenteava , batendo nos pilares quando se torcia para ficar de frente para ele . Harry podia ver as enormes órbitas ensanguentadas , a boca toda aberta , suficientemente grande para o engolir inteiro , munida de dentes tão longos como a sua espada , finos , brilhantes , venenosos ... Começou a atacar a as cegas . Harry baixou se e a serpente bateu em a parede de a câmara . Atacou de_novo e a sua língua bifurcada lambeu a parede ao_lado_de Harry que levantou a espada com ambas as mãos . O Basilisk investiu mais_uma_vez e agora a pontaria foi certa . Harry pôs todo o seu peso contra a espada e enterrou a até a os copos em o céu de a boca de a serpente . Mas quando o sangue quente lhe encheu os braços , sentiu uma dor aguda mesmo acima de o cotovelo . Um longo dente venenoso penetrava cada_vez_mais fundo em o seu braço , partindo se quando o Basilisk tombou para o lado , perdendo os sentidos . Harry escorregou a o longo de a parede , apertou com força o dente que estava a derramar veneno por todo o seu corpo e arrancou o de o braço . Mas sabia que era demasiado tarde . Uma dor quente emanava lenta e perseverantemente de a ferida . Quando deixou cair o dente e viu o seu próprio sangue manchando lhe as vestes , a vista começou a ficar turva e a câmara a diluir se em uma rotação ardente e colorida . Mas algo escarlate passou por ele e Harry ouviu a o seu lado um suave ruído de garras . - Fawkes - disse com a voz empastada . - Foste sensacional , Fawkes . - Sentiu o pássaro encostar a sua elegante cabeça a o sítio onde o dente de a serpente o tinha ferido . Ouviu passos ecoarem em o vazio e em seguida uma sombra escura moveu se em a sua frente . - Estás morto , Harry_Potter - disse a voz de Riddle , acima de ele . - Morto . Até o pássaro de Dumbledore sabe de isso . Vês o que ele está a fazer ? A chorar . Harry piscou os olhos . A cabeça de Fawkes ora estava focada , ora desfocada . Lágrimas grossas como pérolas escorriam de as suas penas . - Vou sentar me aqui a ver te morrer , Harry_Potter . Leva o teu tempo , eu não tenho pressa . Harry sentiu se sonolento . Tudo parecia girar a a sua volta . - E assim acaba o famoso Harry_Potter - disse a voz distante de Riddle . - Sozinho em a Câmara_dos_Segredos , esquecido por os amigos , finalmente derrotado por o Senhor de o mal que ele tão imprudentemente desafiou . Vais reunir te a a tua querida mãe sangue de lama , Harry ... Ela deu te doze anos de tempo emprestado ... Mas Lord_Voldemort apanhou te em o fim , como sabias que teria de acontecer . Se morrer é isto , pensou Harry , não é assim tão mau . Até a dor estava a desaparecer . Mas , estaria a morrer ? Em_vez_de ficar mais escura a câmara parecia voltar a estar nítida . Harry fez um pequeno gesto com a cabeça e viu a Fawkes ainda repousando a cabeça em o seu ombro . Uma fiada de pérolas brilhava em volta de a ferida , só que já não havia ferida . - Sai de aqui , pássaro - disse subitamente a voz de Riddle . - Afasta te de ele . Já te disse , sai de aqui ! Harry levantou a cabeça . Riddle apontava a sua varinha a Fawkes . Ouviu se um tiro que parecia de carabina e Fawkes levantou novamente voo em um rodopio de ouro e escarlate . - Lágrimas de fénix - disse Riddle em voz baixa , olhando para o braço de o Harry . - É claro ... poderes curativos ... esqueci me ... Olhou para a cara de Harry . - Mas não faz mal . Pensando bem , eu até prefiro assim . Tu e eu , Harry_Potter ... Tu e eu ... Levantou a varinha . Então , em um golpe de asa , Fawkes voou sobre as cabeças de ambos , deixando cair uma coisa em o colo de Harry : o diário . Durante uma fracção de segundo , tanto Harry como Riddle , ainda com a varinha levantada , ficaram a olhar para aquilo . Em seguida , sem pensar , sem ponderar , como_se pensasse fazê o desde o princípio , Harry agarrou o dente de o Basilisk que estava em o chão , junto de ele , e espetou o em o coração de o caderno . Ouviu se um grito longo e terrível . A tinta esguichou em torrentes de dentro de o diário , derramando se sobre as mãos de o Harry e inundando o chão . Riddle torcia se e contorcia se , agitando se a os gritos . E , por fim . Desapareceu . A varinha de Harry caiu a o chão com um ruído e fez se silêncio . Um silêncio apenas cortado por o ping ping de a tinta que ainda escorria de o diário . Com um leve crepitar , o veneno de o Basilisk abrira um buraco mesmo em o meio de o caderno . A tremer de os pés a a cabeça , Harry pôs se de pé . Sentia tudo a andar a a roda como_se tivesse viajado quilómetros e quilómetros com o pó de * _ Floo * . Lentamente apanhou a varinha e o chapéu seleccionador e com um grande estrondo retirou a espada de o céu de a boca de a serpente . Ouviu se então um gemido fraco a o fundo de a câmara . Ginny estava a mexer se . Quando Harry chegou junto de ela , sentou se . Os seus olhos abismados saltaram de o Basilisk morto para Harry em a sua roupa cheia de sangue e , em seguida , para o diário que ele tinha em as mãos . Soltou um enorme soluço e os seus olhos encheram se de lágrimas . - Harry , oh ! Harry , eu tentei dizer te a o pequeno-almoço mas não fui capaz em frente de o Percy . Era eu , Harry , mas eu ... eu ... juro que não queria ... o Riddle obrigou me , levou me e ... como é_que mataste esse bicho ? Onde está o Riddle ? A última coisa de que me lembro foi de o ver a sair de o diário ... - Está tudo bem - disse Harry , mostrando lhe o diário com o buraco de o dente . - O Riddle acabou , olha . Ele e o Basilisk . Anda , Ginny , vamos embora de aqui . - Vou com certeza ser expulsa - disse Ginny a chorar enquanto Harry a ajudava a pôr se de pé . - Desde_que o Bill veio para Hogwarts que eu sonhava vir também para cá e agora vou ter de me ir embora e ... O que vão a minha mãe e o meu pai dizer ? Fawkes esperava por eles , suspensa em o ar , a a entrada de a câmara . Harry fez a Ginny avançar , passaram sobre os anéis parados de o Basilisk , por a escuridão cheia de ecos e voltaram a o túnel . Harry ouviu as portas de pedra fecharem se atrás de eles com um leve sibilar . Depois de alguns minutos a caminhar por o túnel escuro , chegou a os ouvidos de Harry o som distante de o deslocar de uma rocha . - Ron - gritou ele , apressando se . - A Ginny está bem . Está aqui comigo ! Ouviu o Ron gritar de alegria e , voltando em a curva logo_a_seguir , viram a sua cara ansiosa a espreitar por a fresta que conseguira abrir durante a avalancha . - Ginny ! - Ron estendeu o braço por a fresta para a puxar primeiro . - Estás viva . Não posso acreditar . O que aconteceu ? Tentou abraçá a mas a Ginny afastou o , soluçando . - Mas estás bem , Ginny - disse o Ron , sorrindo para ela . - Já passou tudo ... De onde veio esse pássaro ? Fawkes passara por a abertura , atrás_de Ginny . - É de o Dumbledore - explicou Harry , espremendo se para caber também . - E como arranjaste uma espada ? - perguntou o Ron , olhando para a arma brilhante que Harry tinha em a mão . - Eu explico te tudo quando sairmos de aqui - disse Harry , lançando um olhar de esguelha a a Ginny . - Mas ... - Mais tarde - disse Harry rapidamente . Não lhe parecia uma boa ideia contar a o Ron quem tinha aberto a câmara , ali , em frente de a Ginny . - Onde está o Lockhart ? - Ali atrás - disse o Ron , a rir e a abanar a cabeça em direcção a o cano . - Está em muito mau estado . Anda ver . Conduzidos_pela_Fawkes , cujas grandes asas escarlates emitiam um suave dourado que brilhava em a escuridão , voltaram a o lugar onde o cano começava . Gilderoy_Lockhart estava sentado a falar sozinho . - Perdeu a memória - disse o Ron . - O feitiço de a memória fez ricochete . Não sabe quem é nem onde está , nem_sequer sabe quem nós somos . Eu disse lhe que viesse para aqui e esperasse . É um perigo para ele próprio . Lockhart olhou os bem-disposto . - Olá - disse . - Que lugar estranho , este . É aqui que vocês moram ? -- Não - respondeu o Ron , levantando as sobrancelhas para o Harry . Harry baixou se e observou o túnel escuro e longo . - Já pensaste como é_que vamos sair de aqui ? - perguntou a o Ron . O amigo abanou a cabeça mas Fawkes , a fénix , tinha passado por o Harry e estava agora em o ar , em frente de ele , os olhos como pérolas a brilharem em o escuro . Abanava as longas penas douradas de a cauda . Harry olhou para ela , inseguro . - Ela parece querer que a agarres - disse o Ron , perplexo . - Mas tu és muito pesado para um pássaro . - A Fawkes - disse Harry - não é um pássaro qualquer . Voltou se rapidamente para os companheiros . - Temos de nos agarrar uns a os outros . Ginny , agarra a mão de o Ron . O professor Lockhart ... - Ele está a falar consigo - disse o Ron secamente . - Agarre a outra mão de a Ginny . Harry guardou a espada e o chapéu seleccionador em o cinto . Ron deitou a mão a a roupa de Harry e Harry agarrou as penas de a cauda , estranhamente quentes , de a Fawkes . Sentiu uma extraordinária leveza apoderar se de todo o seu corpo e em seguida estavam todos a voar por o cano acima . Harry conseguia ouvir Lockhart , lá atrás , comentando : - Espantoso , isto parece mágico ! Ar frio batia em os cabelos de Harry e antes que ele deixasse de gostar de a viagem já ela acabara . Os quatro tinham chegado a o chão molhado de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa e , enquanto Lockhart endireitava o chapéu , o lavatório voltara a o seu lugar , tapando o cano . A Murta arregalou os olhos . - Vocês estão vivos - disse inexpressivamente a o Harry . - Não é preciso mostrares te tão desiludida - respondeu ele , muito sério , limpando as nódoas de sangue e lodo de os óculos . - Bem ... é_que eu pensei que se vocês morressem seriam bem-vindos a a minha casa_de_banho - disse a Murta com um rubor prateado . - Urgh ! - fez o Ron , quando saíram de ali para o corredor deserto . - Harry , acho que a Murta está a gostar de ti . Tens concorrência , Ginny ! A Ginny continuava a chorar silenciosamente . - Onde vamos agora ? - perguntou o Ron , olhando ansiosamente para ela . Harry apontou . Fawkes indicava o caminho , com o seu tom dourado que brilhava em o corredor . Seguiram a e pouco depois estavam em o escritório de a professora Mc_Gonagall . Harry bateu e empurrou a porta que estava encostada . XVIII_A recompensa de Dobby_Durante alguns momentos reinou o silêncio enquanto Harry , Ron , Ginny e Lockhart estavam em a entrada de a porta . Cobertos de pó e de lama e ( em o caso de o Harry ) sangue . Em seguida , ouviu se um grito . - Ginny ! Era_Mrs._Weasley que tinha estado a chorar , sentada em frente de o lume . Pôs se de pé em um salto , seguida de Mr._Weasley e precipitaram se ambos para a filha . Harry olhava para trás de eles . Dumbledore rejubilava junto de a lareira , a o lado de a professora Mc_Gonagall que , agarrada a o queixo , respirava com dificuldade . Fawkes rasou as orelhas de o Harry e foi instalar se em o ombro de Dumbledore , ao_mesmo_tempo que Harry dava por si em os braços de Mrs._Weasley . - Tu salvaste a ! Salvaste a ! : __ como foi que __ conseguiste ? - Acho que todos nós gostaríamos de saber - disse , sem energia , a professora Mc_Gonagall . Mrs._Weasley soltou o Harry , que hesitou um momento . Depois , foi até a a secretária e colocou sobre o tampo o chapéu seleccionador , a espada cravejada de rubis e o que restava de o diário de Riddle . Em seguida , contou lhes tudo . Falou durante quase um quarto de hora em o silêncio extasiado : contou lhes de a voz sem corpo que ouvia , como a Hermione acabara por descobrir que se tratava de um Basilisk que circulava em os canos , como ele e o Ron tinham seguido as aranhas até a a floresta , que Aragog lhes dissera que a última vítima de o Basilisk morrera , como tinham chegado a a conclusão que se tratava de a Murta_Queixosa e que a entrada para a Câmara_dos_Segredos devia ser em aquela casa_de_banho ... - Muito bem - elogiou a professora Mc_Gonagall quando ele se calou . - Então tu descobriste onde era a entrada , infringindo uma centena de regras de a escola por o caminho , devo dizer , mas como diabo saíram vocês vivos de lá de dentro ? Harry , com a voz já um_pouco rouca de falar tanto , contou lhes de a chegada de a Fawkes e de o chapéu seleccionador que lhe tinha dado a espada . Mas , chegando aí , hesitou . Até a o momento evitara referir se a o diário de Riddle ou a a Ginny . Ela tinha a cabeça encostada a o ombro de Mrs._Weasley e as lágrimas corriam lhe ainda por o rosto . E se a expulsassem ? - pensou Harry , tomado de pânico . O diário de Riddle já não funcionava ... quem poderia provar que fora ele que a obrigara a fazer tudo aquilo ? Olhou instintivamente para Dumbledore que sorria , o fogo iluminando lhe os óculos de meia-lua . - O que mais me interessa saber - disse Dumbledore amavelmente - é como conseguiu Lord_Voldemort enfeitiçar a Ginny quando as minhas fontes me dizem que ele se esconde habitualmente em as florestas de a Albânia . Um alívio , quente e glorioso percorreu Harry de a cabeça a os pés . - O quê ? - disse Mr._Weasley , em uma voz estupefacta . - O Quem nós sabemos enfeitiçou a Ginny ? Mas a Ginny não ... a Ginny não morr ... ? - Foi este diário - esclareceu Harry rapidamente . E mostrando o a Dumbledore . - O Riddle escreveu o quando tinha dezasseis anos . Dumbledore pegou em o diário e olhou atentamente por cima de o seu nariz longo e adunco para as páginas queimadas e húmidas . - Fantástico - disse em voz baixa . - É claro que ele deve ter sido o aluno mais brilhante que alguma vez passou por Hogwarts . - Olhou em volta para os Weasley que o observavam com um ar totalmente confuso . - Muito poucas pessoas sabem que Lord_Voldemort se chamou em tempos Tom_Riddle . Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos , em Hogwarts . Ele desapareceu depois de deixar a escola , viajou muito , mergulhou tão fundo em as artes de a magia negra , associado a os piores feiticeiros , realizou transformações mágicas tão perigosas que quando reapareceu como Lord_Voldemort estava totalmente irreconhecível . Ninguém o relacionou com o rapazinho inteligente e bonito que aqui foi , em tempos , chefe de turma . - Mas a Ginny - insistiu Mrs._Weasley . - O que tem a nossa Ginny que ver com ele ? - O diário - soluçou Ginny . - Eu andei todo o ano a escrever em o diário e ele respondia me ... - Ginny ! - repreendeu Mr._Weasley . - Não aprendeste nada do_que te ensinei ? Não me cansei de dizer te que nunca confiasses em nada que não pensasse por si próprio * se não conseguisses ver onde tinha o cérebro ? * Porque não me mostraste o diário , a mim ou a a tua mãe ? Um objecto suspeito como esse tinha de estar cheio de magia negra ! - Eu não sabia - soluçou Ginny . - Estava junto de os livros que a mãe me comprou . Pensei que alguém se tinha esquecido de ele ali . - É melhor Miss_Weasley ir imediatamente para a ala hospitalar - interrompeu Dumbledore com voz firme . - Foi sujeita a uma prova terrível . Não será castigada . Outros feiticeiros mais velhos do_que ela têm sido ludibriados por Lord_Voldemort . - Dirigiu se a a porta e abriu a . - Repouso , cama e talvez uma caneca de chocolate quente . A mim , anima me sempre - acrescentou , piscando lhe simpaticamente o olho . - Vais ver que Madam_Pomfrey ainda está acordada . Ela tem estado a dar o sumo de Mandrágora , julgo que as vítimas de o Basilisk estarão a acordar dentro_de momentos . de alegria . - Então a Hermione está bem ! - disse o Ron , cheio de alegria . - Não houve danos irreversíveis - disse Dumbledore . Mrs._Weasley saiu com a Ginny e Mr._Weasley seguiu as ainda bastante abalado . - Sabes , Minerva - disse pensativo o professor Dumbledore - acho que tudo_isto merece um banquete . Posso pedir te que previnas os cozinheiros ? - Certamente - disse animada a professora Mc_Gonagall , dirigindo se também a a porta . - Deixo te a tratar de as coisas com o Potter e o Weasley , está bem ? - Claro - disse Dumbledore . Saiu e os dois olharam inseguros para Dumbledore . Que quereria ela dizer com tratar de as coisas ? Certamente não iriam ser castigados ? - Lembro me de vos ter dito a ambos que teria de vos expulsar se voltassem a quebrar as regras de a escola - disse Dumbledore . Ron abriu a boca horrorizado . - O que vem mostrar nos que as melhores pessoas , às_vezes , têm de engolir as suas próprias palavras . - Dumbledore sorriu e continuou : - Vocês vão receber ambos uma recompensa especial por serviços prestados a a escola e ... deixem me ver , sim , acho que duzentos pontos cada_um para os Gryffindor . Ron ficou tão corado que parecia as flores de S._Valentim_do_Lockhart e voltou a fechar a boca . - Mas um de vós parece demasiado calado sobre a sua participação em esta perigosa aventura - acrescentou Dumbledore . - Porquê tanta modéstia , Gilderoy ? Harry estremeceu . Esquecera se por completo de Lockhart . Voltou se e viu o a um canto de a sala ainda com o mesmo sorriso vago . Quando Dumbledore se lhe dirigiu , olhou por cima de o ombro para ver com quem ele estava a falar . - Professor_Dumbledore - disse o Ron rapidamente - Houve um acidente lá em baixo , em a Câmara_dos_Segredos . O professor Lockhart - Eu sou um professor ? - perguntou Lockhart surpreendido . - E eu que pensei que era um inútil ! - Tentou fazer um feitiço antimemória e a varinha fez ricochete - explicou Ron_a_Dumbledore . - Incrível - disse Dumbledore , abanando a cabeça , o bigode prateado a tremer . - Trespassado por a tua própria espada , Gilderoy ! - Espada ? - disse Lockhart de forma imprecisa . - Eu não tenho espada . Esse rapaz é_que tem - apontou para Harry . - Ele empresta lhe uma . - Importas te de levar também o professor Lockhart até a a ala hospitalar , Ron ? - disse Dumbledore . - Eu gostava de falar um_pouco mais com o Harry . Lockhart saiu sem pressa . Antes de fechar a porta , Ron lançou um olhar curioso a Dumbledore e Harry . Dumbledore passou para uma de as cadeiras junto de o lume . - Senta te , Harry - disse . E Harry sentou se , sentindo se indescritivelmente nervoso . - Antes de mais , Harry , quero agradecer te - disse Dumbledore com os olhos a brilharem de_novo . - Deves ter demonstrado uma grande lealdade para comigo . Só isso poderia atrair a Fawkes para ir ajudar te . Deu uma palmadinha a a fénix que voara , entretanto , para_cima de os seus joelhos . Harry sorria acanhadamente sob o olhar observador de Dumbledore . - Encontraste , portanto , Tom_Riddle - disse o director amavelmente . - Calculo que ele estaria particularmente interessado em ti ... De repente , algo que Harry tinha engasgado saiu lhe descontroladamente de a boca para fora . - Professor_Dumbledore ... o Riddle disse que eu sou como ele , que há entre nós estranhas semelhanças ... - Ah ! sim ? - Dumbledore olhou pensativamente para ele , por debaixo de as espessas sobrancelhas prateadas . - E o que achas tu de isso ? - Eu não me considero parecido com ele - disse Harry mais alto do_que desejaria . - Isto_é , eu sou um Gryffindor , eu sou ... Mas calou se com uma dúvida a rondar lhe o espírito . - Professor - arriscou passado alguns momentos . - O chapéu seleccionador disse que eu ... teria ficado bem em os Slytherin ; durante algum tempo toda_a_gente pensou que eu era o herdeiro de Slytherin por falar * serpentês * ... - Tu falas * serpentês * , Harry - disse Dumbledore calmamente - porque Lord_Voldemort que é o mais recente antepassado de Salazar_Slytherin , fala * serpentês * . Ou eu me engano muito , ou ele transferiu para ti alguns de os seus poderes em a noite em que te fez essa cicatriz . Não que quisesse fazê o , claro , mas aconteceu . - Voldemort pôs um_pouco de si próprio em mim ? - disse Harry assombrado . - É o que parece ter acontecido . - Então eu deveria estar em os Slytherin - disse Harry , olhando desesperado para o rosto de Dumbledore . - O chapéu seleccionador viu em mim os poderes de Slytherin e ... -- Pôs te em os Gryffindor - concluiu tranquilamente Dumbledore . - Ouve , Harry , tu tens por acaso muitas de as capacidades que Salazar_Slytherin apreciava em os seus estudantes cuidadosamente seleccionados . O seu raro dom de falar * serpentês * , desenvoltura , determinação , um certo desprezo por as regras estabelecidas - acrescentou com o bigode a tremer de_novo . - Mas ainda_assim , o chapéu seleccionador pôs te em os Gryffindor . E sabes porquê ? Pensa um_pouco . - Só me pôs em os Gryffindor - disse Harry em uma voz débil - porque eu pedi para não ir para os Slytherin . - Exacto - disse Dumbledore a sorrir . - E isso torna te muito diferente de o Tom_Riddle . São as tuas escolhas , Harry , que mostram quem de facto tu és , mais do_que as tuas capacidades . Harry sentou se , imóvel e espantado , em a cadeira . - Se queres provas de que o teu lugar é em os Gryffindor , sugiro que vejas isto com mais atenção . Dumbledore aproximou se de a secretária de a professora Mc_Gonagall , pegou em a espada de prata ensanguentada e mostrou lhe a . Sem perceber , Harry voltou a ao_contrário . Os rubis brilharam a a luz de a lareira e foi então que ele reparou em o nome gravado mesmo por baixo de o copo de a espada . GODRIC_GRYFFINDOR . - Só um verdadeiro Gryffindor poderia ter tirado a espada de dentro de o chapéu , Harry - disse , com simplicidade , Dumbledore . Durante um minuto , nenhum de os dois falou . Depois , Dumbledore abriu uma de as gavetas de a secretária de a professora Mc_Gonagall e retirou de lá uma pena e um tinteiro . - Tu precisas de comer e ir dormir . Sugiro que desças para o banquete enquanto eu escrevo para Azkaban . Precisamos de recuperar o nosso guarda de os campos . E tenho de esboçar um anúncio para o * _ Profeta_Diário * - acrescentou pensativo . - Vamos precisar de um novo professor de Defesa contra as artes negras . É um problema , estamos sempre a perdê os . Harry levantou se e dirigiu se a a porta . Tinha acabado de estender a mão para o puxador quando ela se abriu tão violentamente que saltou de as dobradiças . Lucius_Malfoy estava de pé , furioso . E , debaixo de o braço , embrulhado em diversas ligaduras , estava Dobby . - Boa tarde , Lucius - disse Dumbledore , de forma amena . Mr._Malfoy quase derrubou Harry enquanto entrava em a sala . Dobby dava passos miudinhos atrás de ele , inclinado até a a bainha de o seu manto com um olhar apavorado em o rosto . - Então - disse Lucius_Malfoy com os olhos fixos em Dumbledore - voltaste . Os membros de o Conselho_Directivo suspenderam te , mas tu mesmo_assim sentiste te capaz de voltar a Hogwarts . - Bem vês , Lucius - disse Dumbledore , sorrindo serenamente . - Os outros membros de o Conselho contactaram me hoje . Fui envolvido em um redemoinho de corujas , todos queriam contar me a verdade . Ouviram dizer que a filha de Arthur_Weasley tinha sido morta e queriam me novamente aqui . Parece que me consideravam o melhor homem para o lugar . Contaram me algumas histórias muito estranhas . Alguns de eles tinham a impressão que tu tinhas ameaçado amaldiçoar lhes as famílias se não concordassem com a minha suspensão . Mr._Malfoy ficou ainda mais pálido do_que de costume , mas os olhos continuavam cheios de fúria . - Então já acabaste com os ataques ? - rosnou . - Apanhaste o culpado ? - Já , sim - disse Dumbledore com um sorriso . - E quem é ? - perguntou Malfoy secamente . - A mesma pessoa de a última vez , Lucius - disse Dumbledore . Mas desta_vez , Lord_Voldemort agiu através_de outra pessoa , por_meio_de um diário . Pegou em o pequeno caderno com o buraco em o meio , observando Mr._Malfoy de perto . Mas Harry olhava para Dobby . O elfo fazia um sinal muito estranho . Com os seus grandes olhos fixos em Harry , não parava de apontar para ó diário e , em seguida , para Mr._Malfoy , batendo logo_a_seguir com o punho em a cabeça . - Estou a ver ... - disse Mr._Malfoy lentamente a Dumbledore . - Um plano inteligente - afirmou o director em um tom de voz suave , continuando a olhar Mr._Malfoy directamente em os olhos . - Porque se não fosse aqui o Harry e o seu amigo Ron a descobrirem o diário , sem dúvida Ginny_Weasley teria ficado com todas_as culpas . Ninguém teria conseguido provar que ela agira contra a sua própria vontade . Mr._Malfoy não se pronunciou . O seu rosto parecia agora uma máscara . - E vê bem - continuou Dumbledore - o que poderia ter acontecido ... os Weasley são uma de as mais proeminentes famílias de feiticeiros de sangue puro , imagina o efeito em a imagem de Arthur_Weasley e em a sua acção de protecção a os Muggles , se a sua própria filha fosse acusada de atacar e matar filhos de Muggles . Foi uma sorte o diário ter sido descoberto e as memórias de Riddle apagadas . Quem sabe que consequências poderia ter tido ? Mr._Malfoy falou contra vontade . - Sim , foi uma sorte - disse secamente . E , em as suas costas , Dobby continuava a apontar para o diário e para Lucius_Malfoy , batendo depois com o punho em a cabeça . E Harry finalmente percebeu . Fez um sinal a Dobby que correu a esconder se em um canto , torcendo desta_vez as orelhas para se castigar . - Não quer saber como a Ginny obteve esse diário , Mr._Malfoy ? - perguntou Harry . Lucius_Malfoy voltou se para ele . - Como queres que eu saiba onde é_que a estúpida de a garota o arranjou ? - Porque foi o senhor quem lhe o deu - disse Harry . - Em a Flourish and Blotts . O senhor pegou em o livro velho de ela de Transfiguração e meteu o diário lá dentro , não foi ? Viu as mãos brancas de Mr._Malfoy abrirem se e fecharem se . - Prova isso - sibilou . - Oh ! ninguém vai poder prová o - disse Dumbledore sorrindo a o Harry . - Não agora_que o Riddle desapareceu de o caderno . Por outro lado , aconselharia te , Lucius , a não dares mais nenhuma de as coisas velhas de Lord_Voldemort . Se mais alguma for parar a as mãos de crianças inocentes , acho que o Arthur_Weasley fará com que se voltem com toda_a sua carga negativa contra ti . Lucius_Malfoy ficou calado um momento e Harry viu claramente a sua mão direita torcer se como_se desejasse chegar a a varinha . Em vez de isso , voltou se para o seu elfo doméstico . - Vamos , Dobby . Abriu a porta e quando o elfo se aproximou deu lhe um pontapé que o projectou para longe . Ouviram se em o escritório os gritos de dor de Dobby em o corredor . Harry pensou durante um momento e depois decidiu se . - Professor_Dumbledore - disse apressadamente . - Posso dar o diário outra_vez a Mr._Malfoy ? - Certamente , Harry - disse Dumbledore com toda_a calma . - Mas não demores , olha o banquete . Harry agarrou em o diário e saiu de o escritório . Os gritos de dor de Dobby afastavam se ao_longe . Sem perder tempo , perguntando a si próprio se o plano poderia resultar , Harry tirou um de os sapatos , puxou uma de as peúgas enlameadas e viscosas e meteu o diário lá dentro . Em seguida correu até a o fundo de o corredor escuro . Apanhou os em o topo de as escadas . - Mr._Malfoy - disse ofegante , parando . - Tenho uma coisa para si . E meteu a peúga mal cheirosa em a mão de Lucius_Malfoy . - O que é ... ? Mr._Malfoy tirou o diário de dentro de a peúga , deitou a fora e olhou furioso para o caderno estragado e para Harry - Ainda vais acabar por ter um fim igual a o de os teus pais um dia de estes , Harry_Potter - disse em voz baixa . - Eles também eram uns idiotas metediços . Voltou se para se ir embora . - Anda , Dobby , vem ! Mas Dobby não se mexeu . Tinha em as mãos a peúga nojenta de o Harry e olhava para ela como_se fosse um tesouro de valor incalculável . - O senhor deu uma peúga a o Dobby - disse o elfo maravilhado . - Deu a a o Dobby . - O que é isso ? - cuspiu Mr._Malfoy . - Que estás para aí a dizer ? - Dobby tem uma peúga - repetiu incrédulo . - O senhor deitou a fora e Dobby apanhou a e Dobby agora é livre ... Lucius_Malfoy ficou paralisado a olhar para o elfo . Em seguida precipitou se para Harry . - Fizeste me perder o meu servo , rapaz . Mas Dobby gritou : - Não pense que vai fazer mal a o Harry_Potter ! Ouviu se um enorme estrondo e Mr._Malfoy foi empurrado de costas , galgando os degraus de as escadas a três_e_três e indo aterrar lá em baixo todo embrulhado e amarrotado . Levantou se , o rosto lívido e pegou em a varinha , mas Dobby estendeu lhe um dedo ameaçador . - Vá se embora já - disse furioso , apontando para Mr._Malfoy . - Não tocará em o Harry_Potter . Vá se embora , já . Lucius_Malfoy não teve escolha . Lançando a os dois um último olhar de cólera , embrulhou se em o manto e desapareceu . - Harry_Potter libertou Dobby ! - disse o elfo com voz esganiçada , olhando para Harry , a luz de o luar reflectida em os seus grandes olhos em forma de globos . - Harry_Potter libertou Dobby . - Era o mínimo que eu podia fazer , Dobby - disse Harry a sorrir -- , mas promete me que não vais voltar a tentar salvar me a vida . A cara feia e escura de o elfo abriu se , mostrando os dentes , em um enorme sorriso . - Tenho uma pergunta a fazer te , Dobby - disse Harry enquanto o elfo pegava em a peúga de ele com as mãos a tremer . - Disseste me que tudo_isto não tinha nada que ver com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Lembras te ? - Era uma pista , senhor - disse Dobby com os olhos muito abertos como_se fosse absolutamente óbvio . - Dobby estava a dar lhe uma pista . Antes de o senhor de o mal mudar de nome , o seu nome podia ser pronunciado , está a ver ? - Certo - disse Harry sem grande convicção . - Bem , é melhor eu ir indo embora . Há um banquete e a minha amiga Hermione já deve ter acordado ... Dobby lançou os braços a a cintura de Harry e abraçou o . - Harry_Potter é muito maior do_que Dobby imaginava ! - soluçou . - Adeus , Harry_Potter . E com um estalido final , Dobby desapareceu . Harry assistira a diversos banquetes , mas nenhum que se parecesse com aquele . Estavam todos de pijama e a festa durou a noite inteira . Harry não sabia se o melhor tinha sido a Hermione a correr para ele e a gritar : - Tu conseguiste . Tu conseguiste ! , ou o Justin saindo disparado de a mesa de os Hufflepuff para lhe estender a mão , desfazendo se em desculpas por ter suspeitado de ele , ou o Hagrid que apareceu a as três_e_meia e que lhes deu palmadas com tanta força em os ombros que eles foram parar dentro de os pratos de bolo de creme , ou os quatrocentos pontos que ele e o Ron obtiveram para os Gryffindor , ganhando a taça de a equipa por a segunda vez consecutiva , ou a professora Mc_Gonagall de pé , a comunicar lhes que os exames tinham sido cancelados como medida de a escola ( Oh ! não ! exclamou Hermione ) , ou Dumbledore a anunciar que , infelizmente , o professor Lockhart não poderia voltar em o ano seguinte por ter de se ausentar a_fim_de recuperar a memória . Alguns de os professores juntaram se a os alunos que aplaudiram entusiasmados esta notícia . - Que pena - disse Ron , servindo se de um * dounut * de presunto . - E eu que começava a gostar de ele ... O resto de o período de Verão decorreu sob um sol escaldante . Hogwarts voltara a a normalidade , apenas com algumas pequenas diferenças : as aulas de Defesa contra as artes negras foram canceladas ( Mas nós tivemos imensa prática - disse o Ron vendo o descontentamento de Hermione ) e Lucius_Malfoy foi demitido de o Conselho_Directivo . Draco já não passeava por ali como_se fosse o dono de a escola . Pelo_contrário , tinha um ar melindrado e carrancudo . Por outro lado , Ginny_Weasley andava de_novo feliz de a vida . Em_breve chegou o dia de regressarem a casa em o Expresso_de_Hogwarts . Harry , Ron , Hermione , Fred , George e Ginny encheram um compartimento . Tiraram o_máximo partido de aquelas últimas horas em que lhes era permitido usar a magia antes de as férias . Brincaram a as explosões , gastaram o último fogo-de-artíficio Filibuster , de o Fred e de o George e treinaram o mútuo desarmamento através de a magia . Harry começava a ficar muito bom em aquilo . Já estavam perto de a estação de King's_Cross quando Harry se lembrou de uma coisa . - Ginny , o que foi que viste o Percy fazer que ele não queria que nos contasses ? - Ah ! isso - disse a Ginny a rir . - Bem , é_que o Percy tem uma namorada . Fred deixou cair uma pilha de livros em a cabeça de o George . - O quê ? - É aquela prefeita de os Ravenclaw ' Penelope_Clearwater - disse a Ginny . - Foi para ela que ele escreveu durante todo o Verão . Encontravam se em a escola em grande segredo . Eu apanhei os a beijarem se em uma sala de aula vazia e ele ficou tão aflito quando ela foi ... sabes ... atacada . Não vais aborrecê o , pois não ? - perguntou cheia de ansiedade . - Que ideia - respondeu Fred com uma tal satisfação em o rosto que parecia que o seu aniversário chegara mais cedo . - Claro que não - disse o George a rir se a a socapa . O Expresso_de_Hogwarts abrandou e finalmente parou . Harry tirou a pena e um_pouco de pergaminho e voltou se para Ron e Hermione . - Isto_é um número de telefone - disse ele a o Ron , escrevinhando o duas vezes , cortando o pergaminho a o meio e dando lhes os números . - Eu expliquei a o teu pai como usar um telefone em o Verão passado . Ele sabe fazer a chamada . Liga me para_casa de os Dursley , O. _ K. ? Não consigo suportar outros dois meses sem ter mais ninguém com quem falar ... - Mas a tua tia e o teu tio vão ficar orgulhosos de ti , não vão ? - perguntou Hermione quando saíram de o comboio e se misturaram em a multidão que se encontrava junto de a barreira encantada . - Quando souberem o que fizeste este ano . - Orgulhosos ? - disse Harry . - Estás doida ! Podendo eu ter morrido tantas vezes e tendo escapado ? Vão ficar é furiosos ... E juntos avançaram até a a entrada para o mundo de os Muggles . ----------------- J._K._Rowling_Harry_Potter e a Câmara_dos_Segredos_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Chamber of Secrets_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling 1998 Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 2000 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 2.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 Depósito legal : 143.569/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , a a Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Para_Séan_P._F._Harris , condutor imparável e um amigo de os diabos . I_O pior aniversário Não era a primeira vez que uma discussão estoirava a a mesa de o pequeno-almoço , em o número 4 de a Privet_Drive . Mr._Vernon_Dursley fora acordado de manhã cedo por o piar ruidoso que vinha de o quarto de o seu sobrinho Harry . - É a terceira vez esta semana ! - resmungou , a a mesa . - Se não consegues controlar essa coruja , ela não pode ficar aqui . Harry tentou , mais_uma_vez , explicar . - Ela está aborrecida . Estava habituada a voar livremente lá fora . Se eu pudesse , ao_menos , soltá a a a noite ... - Achas me com cara de idiota ? - perguntou rispidamente o tio Vernon , com um fio de ovo preso em o bigode farfalhudo . - Sei muito bem o que aconteceria se essa coruja fosse lá para fora . Trocou um olhar soturno com a mulher , a tia Petúnia . Harry tentou contra-argumentar , mas as suas palavras foram abafadas por um enorme arroto de o filho de os Dursleys , Dudley . - Quero mais bacon . - Há mais em a frigideira , fofinho - disse a tia Petúnia , lançando um olhar vago a o seu filho maciço . - Tens que te alimentar bem enquanto aqui estás , aquela comida de a tua escola não me cheira . - Disparate , Petúnia , eu nunca passei fome enquanto andei em Smeltings - afirmou com sinceridade o tio Vernon . - O Dudley tem que chegue . Não é verdade , filho ? Dudley , que era tão gordo que o rabo saía de os dois lados de a cadeira de a cozinha , sorriu laconicamente e voltou se para Harry . - Passa me a frigideira . -- Esqueceste te de a palavra mágica - disse Harry , irritado . O efeito que esta simples frase teve em o resto de a família foi inacreditável : Dudley começou a arfar e caiu de a cadeira com um estrondo que abalou a cozinha , Mrs._Dursley deu um gritinho e bateu com a mão em a boca , Mr._Dursley pôs se de pé com as veias de as têmporas dilatadas . - Eu queria dizer « por favor » - explicou Harry rapidamente . - Não me referia a ... - : __ o que é_que eu te __ disse - vociferou o tio , espalhando perdigotos sobre a mesa - : __ sobre pronunciar a palavra m . em esta __ casa ? - Mas eu ... - : __ como te atreves a ameaçar o __ dudley ! - rosnou o tio Vernon , batendo com o punho em a mesa . - Eu só ... - : __ estás avisado . não vou admitir referências a tua anormalidade debaixo de o tecto de a minha __ casa ! Harry olhou alternadamente para o rosto congestionado de o tio e para a palidez de a tia que tentava pôr o Dudley de pé . - Está bem - disse Harry . - Está bem ... O tio Vernon voltou a sentar se , respirando como um rinoceronte exausto e observando Harry de perto por o canto de os seus olhos pequeninos e penetrantes . Desde_que Harry regressara para as férias de Verão que o tio Vernon o tratava como_se ele fosse uma bomba , capaz de explodir a qualquer momento , porque Harry não era um rapazinho normal . Em a verdade , ele era o menos normal que é possível imaginar . Harry_Potter era um feiticeiro , um feiticeiro que acabara de concluir o primeiro ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts e a infelicidade que os Dursleys sentiam por ele estar lá em casa não era nada comparada com a de Harry . As saudades de Hogwarts eram tão intensas que se assemelhavam a uma constante dor em o estômago . Sentia a falta de o castelo com as suas passagens secretas e os seus fantasmas , de as aulas ( com excepção talvez de as de Snape , o professor de as poções ) , de o correio a chegar trazido por as corujas , de os banquetes em o salão nobre , de as noites em as camas de dossel em a camarata de a torre , de as visitas a Hagrid , o guarda de os campos em a sua casinha em o bosque , junto de a floresta proibida e , principalmente , sentia a falta de o Quidditch , o desporto mais popular de o mundo de os feiticeiros ( seis postes altos de golo , quatro bolas esvoaçantes e catorze jogadores em_cima_de vassoura ) . Todos os livros de feitiços de Harry , assim_como a varinha , os mantos , o caldeirão e a vassoura topo de gama Nimbus dois_mil tinham sido encerrados por o tio Vernon em a despensa que ficava debaixo de as escadas , em o momento em que Harry regressara a casa . O que é_que lhes interessava se ele perdia ou não o seu lugar em a equipa de Quidditch por não ter praticado durante todo o Verão ? Que importância tinha para eles que o Harry voltasse a a escola sem ter podido fazer os trabalhos de casa ? Os Dursleys eram aquilo que os feiticeiros chamam « Muggles » ( nem uma gota de sangue mágico em as veias ) e , para eles , ter um feiticeiro em a família era motivo de grande vergonha . O tio Vernon tinha , inclusivamente , fechado a cadeado a coruja de Harry , Hedwig , dentro de a gaiola , para evitar que ela transportasse mensagens para a gente de o mundo de a feitiçaria . Harry não se parecia em nada com o resto de a família . O tio Vernon era atarracado e sem pescoço , dotado de um enorme bigode preto ; a tia Petúnia tinha um rosto cavalar e era esquelética ; Dudley era loiro e rosado como um porquinho . Harry , pelo_contrário , era baixo e franzino , com os olhos verdes brilhantes e cabelo negro sempre desalinhado . Usava uns óculos redondos e tinha em a testa uma cicatriz em forma de relâmpago . Era essa cicatriz que o tornava tão invulgar , mesmo para um feiticeiro . Era a única alusão a o seu passado misterioso , a o motivo por o qual , onze anos antes , tinha sido deixado em o degrau de a porta de os Dursleys . Com um ano de idade , Harry sobrevivera a uma maldição de o maior feiticeiro negro de todos os tempos , Lord_Voldemort , cujo nome a maior parte de os feiticeiros e feiticeiras ainda receia pronunciar . Os pais de Harry tinham morrido em um ataque de Voldemort , mas ele escapara com a sua cicatriz em forma de relâmpago e estranhamente , ninguém compreendeu porquê , os poderes de Voldemort tinham sido destruídos em o momento em que não fora capaz de matar o Harry . Por isso , ele foi criado por a irmã de a sua falecida mãe e respectivo marido . Passou dez anos com os Dursleys , sem nunca compreender porque fazia com que acontecessem coisas estranhas , alheias a a sua vontade , acreditando em a história de os Dursleys de que aquela cicatriz fora resultado de um acidente de automóvel em que os pais tinham morrido . E um dia , precisamente um ano antes , Hogwarts escrevera lhe e fora então que tudo começara . Harry fora ocupar o seu lugar em a escola de feitiçaria , onde ele e a sua cicatriz eram famosas ... mas agora o ano escolar chegara a o fim e estava de_novo com os Dursleys . Durante o Verão , voltara a ser tratado como um cão malcheiroso . Os Dursleys nem se tinham lembrado que aquele era o dia de o seu décimo segundo aniversário . É claro que não tivera grandes expectativas : eles nunca lhe tinham dado um presente a sério , muito menos um bolo , mas ignorarem o por completo ... Em esse momento , o tio Vernon pigarreou com um ar importante e disse : - Como todos sabem , hoje é um dia muito importante . Harry olhou para ele , mal conseguindo acreditar . - Pode bem ser que eu faça hoje o maior negócio de toda_a minha vida - afirmou . Harry voltou novamente a atenção para a torrada . É claro , pensou amargamente , o tio Vernon referia se a a estúpida dinner-party . Havia quinze_dias que não falava de outra coisa . Um consultor qualquer cheio de massa e a mulher vinham jantar lá a casa e o tio Vernon tinha esperança de conseguir uma grande encomenda ( a empresa de o tio Vernon fabricava brocas ) . - Acho que devíamos recapitular mais_uma_vez - disse o tio Vernon . - Devemos estar todos a postos a as oito_horas_em_ponto . Petúnia , tu vais estar ... ? - Em o salão - respondeu a tia Petúnia prontamente - a a espera para lhes dar as boas-vindas a nossa casa . - Bom , bom . E o Dudley ? - Eu vou estar a a espera para abrir a porta . - Dudley esboçou um sorriso falso e afectado . - Dão me licença que vos guarde os casacos , Mr. e Mrs._Mason ? - Eles vão adorá o - exclamou arrebatadamente a tia Petúnia . - Excelente , Dudley - disse o tio Vernon . - A seguir voltou se para o Harry . - E tu ? - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - repetiu o Harry , de forma inexpressiva . - Exactamente - confirmou o tio Vernon , de um modo desagradável . - Eu conduzo os até a o salão , apresento te , Petúnia , e sirvo lhes as bebidas . _ a as oito_e_um_quarto . - Eu chamo para a mesa - disse a tia Petúnia . - E tu , Dudley , vais dizer ... - Dá me licença que lhe indique a casa de jantar , Mrs._Mason ? - repetiu o Dudley , oferecendo o seu braço gordo a uma mulher invisível . - O meu pequenino cavalheiro - fungou a tia Petúnia . - E tu ? - perguntou o tio Vernon a o Harry , em o mesmo tom desagradável . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho , fingindo que não estou lá - respondeu Harry aborrecido . - Isso mesmo . Agora , devíamos ter preparadas algumas frases amáveis para o jantar . Petúnia , alguma ideia ? - O Vernon disse me que o senhor é um excelente jogador de golfe , Mr._Mason ... Tem de me dizer onde comprou esse vestido , Mrs._Mason ... - Perfeito . Dudley ? - Que tal : Tivemos de fazer um trabalho para a escola sobre o nosso herói e eu escrevi sobre o senhor ... Foi de mais , tanto para a tia Petúnia como para o Harry . A tia debulhou se em lágrimas e abraçou o filho , enquanto Harry se esgueirava para debaixo de a mesa para ninguém o ver rir . - E tu , rapaz ? Harry fez um esforço para se mostrar inexpressivo quando emergiu . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - disse . - Vais sim senhor - afirmou o tio Vernon energicamente . - Os Mason não sabem nada a teu respeito e é assim que as coisas vão continuar . Quando o jantar terminar , tu trazes Mrs._Mason para o salão , onde vamos tomar café , Petúnia , e eu puxo o assunto de as brocas . Com um_pouco de sorte , tenho o contrato assinado antes de o noticiário de as dez . Amanhã por esta hora , vamos estar a fazer compras para umas férias em Maiorca . Harry não conseguia sentir o menor entusiasmo com aquilo . Não lhe parecia que os Dursleys gostassem mais de ele em Maiorca do_que em Privet_Drive . - Certo , eu vou a a cidade buscar os casacos para mim e para o Dudley . E tu - resmungou , apontando para Harry - não atrapalhes a tua tia enquanto ela estiver a limpar . Harry saiu por a porta de as traseiras . Estava um dia de sol lindo . Atravessou o relvado , deixou se cair em o banco de o jardim e cantarolou baixinho : - Parabéns para mim ... parabéns para mim ... Nem cartas nem presentes e tinha de passar a noite a fingir que não existia . Olhou infeliz para a sebe . Nunca se sentira tão só . Mais do_que tudo em o mundo , mais do_que de Hogwarts , mais até do_que de o jogo de Quidditch , Harry sentia a falta de os amigos Ron_Weasley e Hermione_Granger . Mas eles não pareciam sentir a falta de ele . Nenhum de os dois lhe escrevera durante todo o Verão apesar_de o Ron ter dito que ia convidá o para passar uns dias lá em casa . Inúmeras vezes Harry estivera quase a libertar magicamente Hedwig de a sua gaiola e mandá a levar uma carta a o Ron e a a Hermione mas não valia a pena correr o risco . Os feiticeiros menores de idade não tinham autorização para usar a magia fora de a escola . Harry não contara isto a os Dursleys . Ele sabia que era o medo de que ele os transformasse a todos em baratas que os impedia de o fecharem a a chave em a despensa debaixo de as escadas , juntamente com a varinha e a vassoura . Em as primeiras semanas Harry divertira se a murmurar baixinho palavras sem sentido e a ver o Dudley sair disparado de o quarto , tão rápido quanto as suas pernas gordas lhe permitiam . Mas o silêncio prolongado de Ron e Hermione tinham o feito sentir se tão longe de o mundo de a magia que até divertir se à_custa_de Dudley perdera o interesse . E agora o Ron e a Hermione tinham se esquecido de o seu aniversário . Quanto não daria ele por uma mensagem de Hogwarts ? De qualquer feiticeiro ou feiticeira ? Quase ficaria satisfeito com um sinal de o seu inimigo feroz , Draco_Malfoy , só para ter a certeza de que tudo aquilo não fora apenas um sonho ... Não que tudo durante o ano em Hogwarts tivesse sido divertido . Mesmo em o fim de o último período , Harry confrontara se nem mais nem menos do_que com o próprio Lord_Voldemort . Voldemort podia ter arruinado o seu ego inicial mas continuava a espalhar o terror , ainda astuto , ainda determinado a recuperar o poder . Harry escapara uma segunda vez a as suas garras mas fora por um triz e mesmo agora , algumas semanas decorridas , acordava de noite encharcado em suores frios , perguntando se onde estaria Voldemort , relembrando o seu rosto lívido , os seus olhos completamente loucos ... Harry sentou se subitamente , direito como um fuso , em o banco de o jardim . Tinha estado a olhar distraído para a sebe e a sebe estava a olhar para ele . Dois enormes olhos verdes surgiram por_entre a folhagem . Harry pôs se de pé ao_mesmo_tempo que uma voz sobrevoava a relva . - Eu sei que dia é hoje - cantarolava Dudley , bamboleando se enquanto se aproximava . Os olhos enormes piscaram e desapareceram . - O quê ? - perguntou Harry sem retirar os olhos de o lugar para_onde estava a olhar . - Eu sei que dia é hoje - repetiu , chegando junto de ele . - Ainda_bem - disse Harry . - Aprendeste finalmente os dias de a semana . - Hoje é o dia de os teus anos - troçou o Dudley . - Por_que é_que não recebeste nenhuma carta ? Não tens amigos em esse lugar esquisito ? - É melhor não deixares a tua mãe ouvir te falar de a minha escola - disse Harry calmamente . Dudley puxou para_cima as calças que estavam a escorregar lhe por o rabo gordo abaixo . - Porque estás a olhar para a sebe . ; - perguntou curioso . - Estou a pensar em as palavras que deverei pronunciar para lhe pegar fogo - disse Harry . Dudley recuou de imediato com um olhar de pânico em a cara rechonchuda . - Tu não p-p-odes , o pai disse que não podias fazer magia ou corria contigo aqui de casa e não tens mais nenhum lugar para_onde ir , não tens amigos que te convidem ... - * _ Jiggery pokery * ! - disse Harry com voz firme . - * _ Hocus pocus ... squiggly wiggly * ... - Maaaaaãe - gritou Dudley , tropeçando em os pés , enquanto se precipitava para dentro_de casa . Maaaãe , ele vai fazer aquela coisa ! Harry deu graças a os céus por aquele momento de gozo . Como não aconteceu nada de mal nem a o Dudley nem a a sebe , a tia Petúnia percebeu que ele não fizera magia nenhuma mas , mesmo_assim , Harry teve de se afastar quando ela lhe deu uma forte pancada em a cabeça com a frigideira cheia de detergente . A seguir distribuiu lhe trabalho e o castigo de só voltar a comer quando tivesse acabado tudo . Enquanto Dudley andava a flanar , olhando para o ar e comendo gelados , Harry limpou as janelas , lavou o carro , aparou a relva , adubou os canteiros , podou e regou as rosas e pintou de_novo o banco de o jardim . O sol ardia lá em cima , queimando lhe a parte de trás de o pescoço . Harry sabia que não devia ter provocado Dudley mas ele dissera precisamente aquilo que ele próprio pensava ... talvez não tivesse amigos em Hogwarts . Deviam ver agora o famoso Harry_Potter , pensou amargamente enquanto espalhava adubo em os canteiros , as costas a doerem lhe e o suor a escorrer lhe por o rosto . Eram sete_e_meia_da_tarde quando , por fim , exausto , ouviu a tia Petúnia a chamá o . - Anda para dentro e passa por cima de os jornais . Harry entrou satisfeito em a sombra de a cozinha que rebrilhava . Sobre o frigorífico estava o bolo de a noite : um enorme monte de crome batido coberto de violetas de açúcar . A carne de porco assava em o forno . - Come depressa , os Mason devem estar a chegar ! - exclamou bruscamente a tia Petúnia , apontando para duas fatias de pão e uma de queijo que estavam em cima de a mesa de a cozinha . Ela já tinha posto um vestido de * cocktail * cor de salmão . Harry lavou as mãos e comeu aquele triste jantar . Mal tinha terminado , a tia Petúnia tirou lhe o prato . - Lá para_cima , rápido ! A o passar por a porta de a sala , Harry vislumbrou o tio Vernon e Dudley de casaco e gravata . Tinha acabado de chegar a o cimo de as escadas quando a campainha de a porta tocou e a cara de o tio Vernon apareceu em o patamar . - Lembra te , rapaz , um ruído que seja ... Harry entrou em o quarto em bicos de pés , fechou a porta e preparou se para se meter em a cama . O problema é_que estava lá alguém sentado . II_O aviso de Dobby_Harry conseguiu não gritar , mas foi por_pouco . A pequena criatura que estava em a cama tinha umas orelhas grandes e largas e uns olhos verdes protuberantes de o tamanho de bolas de ténis . Harry percebeu imediatamente que fora para ele que tinha estado a olhar de manhã . Enquanto olhavam um para o outro , Harry ouviu a voz de Dudley em o * hall * . - Posso guardar os vossos casacos , Mr. e Mrs._Mason ? A criatura escorregou por a cama e curvou se tanto que a ponta de o seu enorme nariz tocou em o tapete . Harry reparou que ele tinha vestido uma espécie de fronha de almofada com buracos para os braços e pernas . - Er ... Olá - disse Harry , um_pouco nervoso . - Harry_Potter ! - exclamou a criatura em uma voz tão estridente que Harry calculou que poderia ouvir se lá em baixo . - Há tanto tempo que Dobby queria conhecê o , senhor . É uma enorme honra ... - Ob-obrigado - disse Harry , deslocando se a o longo de a parede e sentando se em a cadeira de a secretária , junto de Hedwig que dormia em a sua grande gaiola . Queria perguntar lhe « O que és tu ? » , mas pensou que seria má educação , por isso perguntou : - Quem és tu ? - Dobby , senhor . Apenas Dobby , o elfo de casa - afirmou a criatura . - Oh ! A sério ? - perguntou Harry . - Não quero ser mal-educado , mas esta não é a melhor altura para ter um elfo em o meu quarto . O riso falso de a tia Petúnia ouvia se em a sala de jantar . O elfo deixou cair a cabeça . - Não que eu não me sinta feliz por te conhecer - disse Harry rapidamente - mas , er ... estás aqui por algum motivo em especial ? - Oh , sim senhor - disse Dobby muito a sério . - Dobby veio dizer lhe que ... é difícil ... Dobby não sabe por_onde começar ... - Senta te - disse Harry educadamente , apontando lhe a cama . Para seu horror , o elfo debulhou se em lágrimas bastante ruidosas . -- S-senta-te ! - repetiu . - Nunca em toda_a minha vida ... Harry pareceu lhe ouvir as vozes lá em baixo vacilarem . - Desculpa - murmurou . - Eu não queria ofender te ... - Ofender Dobby ! - exclamou o elfo em um sufoco . - Nunca nenhum feiticeiro disse a o Dobby que se sentasse como um seu igual , senhor . Harry , tentando dizer lhe « Sch ... » e confortá o ao_mesmo_tempo , conduziu Dobby de_novo até a a cama onde ele se sentou a soluçar , parecendo uma grande boneca muito feia . Por fim , conseguiu controlar se e ficou quieto , com os seus grandes olhos fixos em Harry em uma expressão de absoluta adoração . - Não deves ter conhecido muitos feiticeiros sérios - disse lhe , tentando animá o . Dobby abanou a cabeça . Em seguida , sem qualquer aviso , saltou e começou a bater furiosamente com a cabeça em a janela , gritando : - Dobby é mau ! Dobby é mau ! - Pára , o que é_que estás a fazer ? - perguntou Harry em um murmúrio sibilante , dando um salto e puxando Dobby de_novo para a cama . Hedwig acordara com um pio particularmente agudo e batia agressivamente com as asas contra as grades de a gaiola . - Dobby tinha que se castigar , meu senhor - afirmou o elfo , que ficara ligeiramente estrábico . - Dobby quase falou mal de a família de ele ... - De a tua família ? - De a família de feiticeiros que Dobby serve , meu senhor ... O Dobby é um elfo de casa , obrigado a servir uma casa e uma família para sempre . - Eles sabem que estás aqui ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Dobby estremeceu . - Oh , não senhor , não ... Dobby vai ter que se castigar muito por ter vindo vê o . Dobby vai ter que entalar as orelhas em a porta de o forno por isto . Se eles soubessem , senhor ... - Mas achas que eles não vão reparar se tu entalares as orelhas em a porta de o forno ? - Dobby duvida , senhor . Dobby está sempre a ter de se castigar por qualquer coisa . Eles deixam que o Dobby se castigue . _ às_vezes até sugerem alguns castigos extra . - Mas por_que é_que não te vais embora , não foges ? - Um elfo de casa tem de ser libertado , senhor . E a família nunca libertará Dobby . Dobby servirá a família até morrer . Harry olhou para ele . - E eu que pensava que era infeliz por ter de ficar aqui mais quatro semanas - declarou . - Isto faz os Dursleys parecerem quase humanos . Será que ninguém te pode ajudar ? Poderei eu ? Em o mesmo momento , Harry desejou não ter aberto a boca . Dobby desfez se em ruidosos soluços de gratidão . - Por favor - murmurou Harry , inquieto . - Por favor , está calado . Se os Dursleys ouvem barulho , se eles sabem que estás aqui ... - Harry_Potter pergunta se pode ajudar Dobby . Dobby ouviu falar de a sua grandeza , mas de a sua bondade , Dobby nada sabia . Harry , que se sentia corar , disse : - Seja o que for que tenhas ouvido sobre a minha grandeza , é um disparate . Nem_sequer sou o melhor de o meu ano em Hogwarts . É a Hermione . Ela ... Mas calou se rapidamente porque pensar em Hermione era lhe doloroso . - Harry_Potter é humilde e modesto - disse Dobby reverentemente , com os seus olhos de globo avermelhados . - Harry_Potter não fala de a sua vitória sobre « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . - Voldemort ? - perguntou Harry . Dobby bateu com as mãos em as enormes orelhas e gemeu : - Ai não diga o nome , senhor . Não diga o nome ! - Desculpa - disse Harry muito depressa . - Eu sei que muita gente não gosta . O meu amigo Ron ... Calou se de_novo . Pensar em o Ron era igualmente doloroso . Dobby voltou para Harry os seus dois olhos grandes como candeeiros . - Dobby ouviu dizer - balbuciou com voz rouca - que Harry_Potter encontrou o Senhor_do_Mal uma segunda vez há poucas semanas atrás ... que Harry_Potter lhe escapou de_novo . Harry acenou e os olhos de Dobby encheram se de lágrimas . - Ah , senhor - disse em um sobressalto , limpando o rosto com a ponta de a fronha de almofada que tinha vestida . - Harry_Potter é valente e arrojado . Enfrentou tantos perigos ! Mas Dobby veio protegê o , avisar Harry_Potter , mesmo_que para isso tenha de entalar as orelhas em a porta de o forno , que Harry_Potter não deve voltar para Hogwarts . Houve um silêncio apenas quebrado por o ruído de os garfos e de as facas lá em baixo e por a voz distante de o tio Vernon . - O q-q-uê ? - gaguejou Harry . - Mas eu tenho de voltar , o ano começa em o dia um de Setembro . É a minha razão de viver . Tu não sabes como são as coisas aqui . Eu não pertenço a este lugar , o meu lugar é em Hogwarts . - Não , não , não - guinchou Dobby , sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas andavam de um lado para o outro . - Harry_Potter deve ficar aqui , onde se encontra a salvo . É demasiado grande , demasiado bom para se perder . Se Harry_Potter regressar a Hogwarts correrá perigo de vida . - Porquê ? - inquiriu Harry , surpreendido . - Há uma conspiração , Harry_Potter . Uma conspiração para fazer acontecer coisas terríveis este ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts - murmurou Dobby que começara a tremer de a cabeça a os pés . - Dobby sabe de isto há meses , senhor . Harry_Potter não deve expor se a o perigo . É demasiado importante . - Que coisas terríveis são essas ? - perguntou Harry sem perder tempo . - Quem está por detrás ? Dobby fez um ruído esquisito e começou a bater com a cabeça contra a parede como um louco . - Está bem - gritou Harry , agarrando o braço de o elfo para o fazer parar . - Não podes dizer , eu compreendo . Mas porque vieste avisar me ? - Um pensamento súbito e desagradável surgiu lhe . - Espera aí , isto tem alguma coisa que ver com o Vol , desculpa com o Quem nós sabemos ? Basta que faças sim ou não com a cabeça - acrescentou com vivacidade enquanto a cabeça de Dobby se inclinava de_novo a uma velocidade preocupante para a parede . Lentamente , Dobby abanou a cabeça . - Não , não é « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . Os olhos de Dobby estavam abertos como_se estivesse a tentar dar a Harry uma pista , mas Harry estava completamente a a nora . - Ele não tem nenhum irmão , ou tem ? Dobby abanou a cabeça , os olhos mais abertos do_que nunca . - Bem , em esse caso não estou a ver quem mais poderia ter a possibilidade de fazer acontecer coisas horríveis em Hogwarts - disse Harry . - Quero dizer , para já está lá o Dumbledore . Sabes quem é Dumbledore , não sabes ? Dobby baixou a cabeça . - Albus_Dumbledore é o melhor director que Hogwarts alguma vez teve . Dobby sabe , senhor . Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore rivalizam com os d'aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Mas , senhor - a voz de Dobby desceu a um urgente murmúrio - há poderes que Dumbledore não ... poderes que nenhum feiticeiro sério ... E antes que Harry conseguisse impedi o Dobby saltou de a cama , agarrou o candeeiro de secretária de Harry e começou a bater com a cabeça , dando uivos ensurdecedores . Fez se silêncio lá em baixo . Dois segundos mais tarde , Harry com o coração a bater como um louco , ouviu o tio Vernon chegar a o * hall * e dizer . - O Dudley deve ter deixado outra_vez a televisão ligada , o maroto ! - Depressa , para dentro de o guarda-fatos - gritou Harry , empurrando Dobby bem para o fundo , fechando a porta e metendo se a correr em a cama mesmo a_tempo_de ver a maçaneta de a porta a girar . - Que diabo estás tu a fazer ? - disse o tio Vernon entre dentes , o rosto assustadoramente próximo de o de Harry . - Acabas de estragar o ponto alto de a minha anedota de o golfista japonês . Eu que oiça mais um som e vais desejar nunca ter nascido , rapaz ! Abandonou o quarto com grandes passadas . A tremer , Harry deixou Dobby sair de o guarda-fatos . - Estás a ver como são as coisas por aqui ? - disse . - Vês porque tenho de voltar para Hogwarts ? É o único sítio onde eu tenho ... bem , onde eu acho que tenho amigos . - Amigos que nem_sequer escrevem a Harry_Potter ? - disse Dobby com ar manhoso . - Calculo que devem ter estado ... espera aí - disse Harry , franzindo a testa . - Como é_que tu sabes que os meus amigos não me têm escrito ? Dobby arrastou os pés . - Harry_Potter não deve zangar se com Dobby . Dobby fez o que achou melhor ... - Tu tens estado a interceptar me as cartas ? - Dobby tem as aqui , senhor - disse o elfo . Saltando para longe de o alcance de Harry , retirou de dentro de a fronha que usava um espesso saco cheio de envelopes . Harry reconheceu de imediato a caligrafia certinha de Hermione , a escrita desordenada de Ron e até uns gatafunhos que pareciam ser de o guarda de os campos de Hogwarts , Hagrid . Dobby piscava ansiosamente os olhos . - Harry_Potter não deve ficar zangado ... Dobby esperava que ... se Harry_Potter pensasse que os amigos o tinham esquecido ... Harry_Potter talvez não quisesse voltar a a escola , senhor . Harry não o ouvia . Fez um gesto para agarrar as cartas , mas Dobby deu um salto , afastando se . - Harry_Potter terá as cartas , senhor , se der a Dobby a sua palavra de não voltar a Hogwarts . Ah , senhor , é um risco que não deve correr . Diga que não volta , senhor ! - Não - afirmou Harry zangado . - Dá me as cartas de os meus amigos ! - Em esse caso , Harry_Potter deixa Dobby sem escolha - disse o elfo tristemente . Antes que Harry pudesse fazer um movimento , Dobby tinha aberto a porta de o quarto e descido a correr por as escadas abaixo . Com a boca seca e um aperto em o estômago , Harry correu atrás de ele , tentando não fazer barulho . Saltou os últimos seis degraus , aterrando como um gato em a carpete de o * hall * , olhando em volta a a procura de Dobby . De a sala de jantar , ouviu a voz de o tio Vernon : - Conte a a Petúnia aquela história engraçadíssima de os funileiros americanos , ela tem estado louca por ouvi a , Mr._Mason . Harry correu de o * hall * para a cozinha e sentiu o estômago ficar pequenino . O pudim , que era a a obra-prima de a tia Petúnia , a montanha de creme batido coberto de violetas de açúcar flutuava junto de o tecto . Em cima de o guarda-louça de o canto , Dobby inclinava se servilmente . - Não - suplicou Harry . - Por favor , eles matam me . - Harry_Potter deve dizer que não vai voltar a a escola ... - Dobby , por favor . - Diga , senhor . - Não posso . Dobby lançou lhe um olhar trágico . - Então , Dobby deve fazê o , senhor , para o bem de Harry_Potter . O pudim foi direito a o chão em uma queda que parecia um coração a parar . O crome esguichou para as janelas e para as paredes , enquanto o prato se despedaçava . Com o ruído de uma chicotada , Dobby desapareceu . Ouviram se gritos em a casa de jantar e o tio Vernon irrompeu por a cozinha onde foi dar com Harry coberto , de a cabeça a os pés , por o pudim de a tia Petúnia . A princípio parecia que o tio Vernon ia conseguir arranjar uma desculpa para aquilo tudo . ( É só o nosso sobrinho , muito perturbado ; conhecer pessoas estranhas deixa o muito nervoso , por isso deixamos o lá em cima ... ) Conduziu_os_Mason , bastante chocados , para a sala de jantar , garantindo a Harry que o esfolava vivo quando os Mason se fossem embora e pôs lhe em as mãos um esfregão . A tia Petúnia descobriu um resto de gelado em o frigorífico e Harry , ainda a tremer , começou a limpar a cozinha . O tio Vernon poderia ainda ter feito o negócio , se não fosse a coruja . Estava a tia Petúnia a circular com uma caixa de After-Eight , quando uma enorme coruja de celeiro fez a sua entrada vertiginosa através de a janela de a casa de jantar , deixando cair uma carta em a cabeça de Mr._Mason e desaparecendo logo_a_seguir . Mrs._Mason gritava como uma carpideira e corria por a casa praguejando contra os lunáticos . Mr._Mason ficou o tempo estritamente necessário para dizer a os Dursleys que a mulher tinha um medo pânico de pássaros de todas_as formas e tamanhos e perguntar lhes se aquela era alguma brincadeira de mau gosto . Harry não saiu de a cozinha , agarrando o esfregão como defesa , enquanto o tio Vernon avançava para ele com um brilho demoníaco em os olhos pequeninos . - Lê isso - ordenou maldosamente . Harry pegou em a carta . Não era a desejar lhe um bom aniversário . * _ Caro_Mr._Potter , * _ Recebermos hoje informações de que um feitiço de suspensão em o ar foi efectuado em sua casa esta noite , a as nove_horas_e_doze_minutos . * _ Como sabe , os feiticeiros menores não estão autorizados a praticar magia fora de a escola e , se efectuar mais um trabalho mágico , será expulso de a nossa escola . ( Decreto_de_Restrições_Razoáveis_para_Feitiçaria_de_Menores , 1875 , parágrafo C. ) * _ Pedimos-lhe também que se lembre que qualquer actividade que possa ser notada por membros alheios a a nossa comunidade ( Muggles ) constitui uma ofensa grave , segundo a secção 13 de a Confederação_Internacional_do_Estatuto_da_Magia_Secreta . * _ Tenha umas boas férias . * Atenciosamente_Mafalda_Hopkirk_Gabinete_da_Utilização_Imprópria_da_Magia_Ministério_da_Magia * . Harry olhou para a carta e engoliu em seco . - Tu não nos contaste que estavas proibido de usar magia fora de a escola - disse o tio Vernon com um brilho maldoso a dançar lhe em os olhos . - Esqueceste te de o mencionar , passou te , não foi ? Tinha se aproximado de Harry como um grande * bulldog * , com todos os dentes a a mostra . - Tenho boas notícias para ti , rapaz , vou fechar te a a chave e , se tentares sair através_de magia , nunca mais voltas a aquela escola , eles expulsam te . E rindo como um louco , arrastou Harry até a o andar de cima . O tio Vernon era mau como as cobras . Em a manhã seguinte pagou a um homem para colocar grades em a janela de o quarto de Harry . Ele próprio abriu um pequeno buraco em a porta de o quarto para que a comida pudesse ser introduzida três vezes por dia . Deixavam o Harry sair para ir a a casa_de_banho de manhã e a o final de a tarde . O resto de o tempo estava fechado em o quarto , a a espera que o tempo passasse . Três dias mais tarde , os Dursleys não mostravam qualquer intenção de abrandar o castigo e Harry não sabia como sair de aquela situação . Estava deitado em a cama , vendo o sol brilhar por_entre as grades de a janela e perguntando se tristemente o que viria a acontecer lhe . Qual era a vantagem de sair de ali por artes mágicas , se Hogwarts o expulsaria em seguida ? Contudo , a vida em Privet_Drive tinha atingido o seu nível mais baixo . Agora_que os Dursleys tinham a certeza que não iam acordar transformados em morcegos , ele perdera a única arma que tinha . O Dobby podia tê o salvo de acontecimentos terríveis em Hogwarts , mas de a maneira que as coisas estavam , ele morreria muito provavelmente a a fome . A portinhola rangeu e a mão de a tia Petúnia apareceu empurrando uma tigela de sopa de pacote para dentro de o quarto . Harry , que estava cheio de fome , saltou de a cama e agarrou a . A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um único trago . A seguir , atravessou o quarto até a a gaiola de Hedwig e pôs os legumes ensopados dentro de o seu pratinho vazio . Ela agitou as penas e olhou o com profunda repugnância . - Não vale de nada virares lhe as costas . É tudo_o_que temos - disse Harry , de modo severo . Colocou a tigela vazia em o chão junto de a portinhola e voltou para_cima de a cama , de certo modo com mais fome do_que antes de ter comido a sopa . Admitindo que estaria ainda vivo dentro_de quatro semanas o que aconteceria se ele não se apresentasse em Hogwarts ? Será que mandariam alguém obrigar os Dursleys a deixá o ir ? O quarto começava a escurecer . Exausto e com o estômago a dar horas , o cérebro a as voltas com as mesmas questões sem resposta , Harry caiu em um sono intranquilo . Sonhou que fazia parte de um espectáculo de o jardim zoológico . Preso a a jaula onde se encontrava estava um cartaz onde podia ler se « feiticeiro menor de idade « . As pessoas olhavam o com olhos protuberantes , enquanto ele jazia fraco e esfomeado em um leito de palha . Viu a cara de o Dobby em o meio de a multidão e gritou lhe , pedindo ajuda , mas o Dobby respondeu : - Harry_Potter está em segurança aí , senhor - e desapareceu . Em seguida vieram os Dursleys e Dudley bateu em as grades de a jaula , rindo se de ele . - Pára com isso - murmurou Harry como_se aquele ruído martelasse em a sua cabeça dorida . - Deixa me em paz , pára com isso , estou a tentar dormir . Abriu os olhos . O luar brilhava através de as grades de a janela . E lá fora alguém olhava de olhos arregalados para ele : alguém de rosto sardento , cabelo ruivo e nariz grande . Ron_Weasley estava de o lado de_fora de a janela . III « A toca » Ron ! - exclamou Harry , arrastando se até a a janela e empurrando a para poderem falar através de as grades . - Ron , como é_que tu , foi o ... ? Harry ficou de boca aberta , espantado com o que viu . Ron estava debruçado de a janela de trás de um velho automóvel azul-turquesa que se encontrava estacionado em o ar . Em os lugares de a frente , rindo se para Harry , estavam os irmãos mais velhos , os gémeos Fred e George . - Tudo bem , Harry ? - O que é_que se tem passado ? - perguntou o Ron . - Porque não respondeste a as minhas cartas ? Convidei te para vires ter comigo umas doze vezes e um dia o pai chegou a casa e comunicou nos que tu tinhas recebido um aviso oficial por usares magia diante de os Muggles ... - Não fui eu . E como é_que ele soube ? - Ele trabalha em o Ministério - disse o Ron . - Tu sabes que nós não podemos fazer feitiços fora de a escola . - Bem , isso vindo de ti ... - exclamou Harry , olhando para o carro flutuante . - Oh , isto não conta - disse Ron . - Foi o meu pai que o emprestou . Não o fizemos aparecer por magia . Mas usar magia em a frente de esses Muggles com quem tu vives ... - Já te disse que não fui eu , mas vai demorar muito_tempo a explicar te isso agora . És capaz de avisar em Hogwarts que os Dursleys me fecharam a a chave e que não querem deixar me voltar e obviamente eu não posso sair de aqui magicamente senão o Ministério vai achar que é a segunda vez em três dias e ... - Pára com essa conversa tola - disse o Ron . - Viemos para te levar connosco . - Mas tu também não podes tirar me de aqui utilizando processos mágicos ... - Não precisamos de isso - afirmou Ron , fazendo um sinal de cabeça para os lugares de a frente . - Esqueces te de quem está aqui comigo . - Amarra isso em volta de as grades - disse o Fred , lançando a Harry a ponta de uma corda . - Se os Dursleys acordam estou feito - lamentou se Harry enquanto dava um nó bem apertado com a corda em uma de as grades e o Fred arrancava com o carro . - Não te preocupes e chega te para trás . Harry recuou para a sombra , para junto de Hedwig que parecia ter se apercebido de a importância de tudo aquilo , mantendo se quieta e em silêncio . O carro puxou mais e mais e , subitamente , com um ruído de ferro a ceder , as grades foram arrancadas de a janela , enquanto Fred conduzia com o céu como estrada . Harry correu de_novo para a janela para ver as grades a balouçarem a poucos metros de o chão . Ofegante , Ron içou as para dentro de o carro . Harry escutou ansiosamente mas não vinha qualquer som de o quarto de os Dursleys . Quando as grades estavam em segurança em os lugares de trás junto de Ron , Fred aproximou se o_máximo que lhe foi possível de a janela . - Anda de aí - disse . - Mas , todas_as minhas coisas de Hogwarts , a minha varinha , a minha vassoura ... - Onde estão ? - Fechadas em a despensa debaixo de as escadas e eu não posso sair de este quarto . . - Não há azar - disse o George . - Sai de a frente , Harry . Fred e George treparam cautelosamente e entraram por a janela em o quarto de Harry . Tinhas que ter aberto a boca , pensou Harry enquanto George tirava de o bolso um vulgar gancho de cabelo e começava a tentar abrir a fechadura . - Muitos feiticeiros acham que é uma perda de tempo aprender os truques de os Muggles - disse o Fred . - Mas nós pensamos que há habilidades que é sempre útil conhecer apesar_de serem um_pouco lentas . Ouviu se um pequeno clique e a porta abriu se . - Pronto , vamos buscar as tuas coisas . Tu vai dando a o Ron aquilo que precisas de aí de o teu quarto - murmurou George . - Cuidado com o degrau de cima que range - sussurrou Harry enquanto os gémeos desapareciam em o escuro . Harry deu a volta a o quarto , recolhendo as suas coisas e passando as por a janela a o Ron . Em seguida , foi ajudar o Fred e o George a trazerem o resto por as escadas acima . Ouviu o tio Vernon tossir . Por fim , de língua de_fora , chegaram a o quarto , junto de a janela aberta . Fred trepou para o carro para puxar os volumes com o Ron enquanto Harry e George os empurravam de dentro de o quarto . Centímetro a centímetro o malão foi passando por a janela . O tio Vernon tossiu de_novo . - Mais um_pouco - disse o Fred que estava a puxar de dentro de o carro . Um bom empurrão , vá . Harry e George encostaram os ombros contra a mala e ela escorregou para a parte de trás de o carro . - O. _ K. , vamos embora - murmurou o George . Mas quando Harry trepava para o parapeito de a janela ouviu se um forte pio atrás de ele , imediatamente seguido de o vociferar de o tio Vernon . - Aquela maldita coruja ! - Esqueci me de a Hedwig ! Harry precipitou se de_novo para o quarto , enquanto a luz de o patamar se acendia . Agarrou a gaiola de Hedwig , correu para a janela e passou a a o Ron . Estava a subir para_cima de a cómoda quando o tio Vernon bateu em a porta , que não estava fechada , e esta se abriu completamente . Por uma fracção de segundo , o tio Vernon ficou estático junto de a porta . Em seguida , soltou um mugido como um boi zangado e avançou para Harry , agarrando o por o tornozelo . Ron , Fred e George seguraram o por os braços e puxaram o com toda_a força . - Petúnia - rosnou o tio Vernon . - Ele está a fugir ! : __ ele está a __ fugir ! Os Weasleys deram um puxão gigantesco e a perna de o Harry escapou a as garras de o tio Vernon . Logo_que Harry entrou em o carro e a porta se fechou , Ron gritou : - Acelera Fred ! - E o carro partiu subitamente em direcção a a lua . Harry mal podia acreditar que estava livre . Esticou se a a janela , o ar de a noite a fustigar lhe os cabelos e olhou para baixo , para os telhados apertados de Privet_Drive . O tio Vernon , a tia Petúnia e o Dudley estavam todos debruçados com cara de parvos , a a janela de o quarto de ele . - Até a o próximo Verão - gritou . Os Weasleys riam se a as gargalhadas e Harry esticou se para trás em o assento e pediu a o ouvido de Ron : - Deixa sair a Hedwig . Ela pode voar atrás_de nós . Há séculos que não tem uma oportunidade de esticar as asas . George passou a o Ron o gancho de cabelo e , um momento depois , a Hedwig saíra feliz por a janela , planando atrás de eles como um fantasma . - Então , qual é a história ? - perguntou Ron , impaciente . - O que é_que tem estado a acontecer ? Harry contou lhes tudo sobre o Dobby , o aviso de este e o fracasso de o pudim de violetas . Houve um longo silêncio quando ele se calou . - Isso cheira me a esturro - disse , por fim , o Fred . - Definitivamente misterioso - concordou George . - Então ele nem te disse quem está supostamente por detrás dessa trama toda ? - Acho que não podia - explicou Harry . - Já te disse , de cada_vez que estava quase a deixar escapar qualquer coisa , começava a bater com a cabeça em a parede . Viu Fred e George olharem um para o outro . - O quê ? Acham que ele estava a mentir me ? - perguntou Harry . - Bem - começou o Fred -- , coloquemos as coisas de o seguinte modo , os elfos de casa têm poderes mágicos próprios , mas geralmente não podem usá os sem a autorização de os seus donos . Eu acho que o bom de o Dobby foi enviado para evitar que voltasses para Hogwarts . Uma ideia de um engraçadinho . Haverá alguém em a escola com má vontade contra ti ? - Sim - responderam Harry e Ron , precisamente ao_mesmo_tempo . - Draco_Malfoy - explicou Harry . - Ele detesta me . - Draco_Malfoy ? - perguntou George , voltando se para trás . - O filho de o Lucius_Malfoy ? - Deve ser . Não é um nome muito vulgar , pois não ? - disse Harry . - Mas porquê ? - Ouvi o pai falar acerca de ele - confidenciou George . - Ele era um grande apoiante de o « Quem nós sabemos » . - E quando o « Quem nós sabemos » desapareceu - continuou o Fred , voltando a cara para olhar para Harry - o Lucius_Malfoy voltou , dizendo que não foi por vontade própria que fez o que fez . Monte de lixo . O pai acha que ele fazia parte de um círculo de amigos íntimos de o « Quem nós sabemos » . Harry já tinha ouvido esses boatos sobre a família de Malfoy e não o surpreenderam em absoluto . Malfoy fizera Dudley_Dursley parecer um rapazinho simpático , amável e sensível . - Não sei se os Malfoy têm um elfo de casa ... - afirmou Harry . - Bem , quem quer que o possua é sem dúvida uma antiga família de feiticeiros e deve ser rica - explicou Fred . - Sim . A mãe está sempre a desejar que pudéssemos ter um elfo de casa para passar a roupa a ferro - disse o George . - Mas só temos um velho vampiro piolhoso em o sótão e gnomos espalhados por o jardim . Os elfos de casa pertencem a as grandes casas senhoriais , a os castelos e lugares assim , não encontrarias um em a nossa casa ... Harry estava calado . Considerando que Draco_Malfoy tinha sempre as melhores coisas , que a sua família nadava em ouro de feiticeiros , era fácil imaginá o passeando se por uma enorme casa senhorial . Mandar o servo de a família evitar que Harry voltasse para Hogwarts também parecia exactamente o tipo de coisa que Malfoy poderia fazer . Teria Harry sido estúpido a o tomar Dobby a sério ? - De qualquer modo , ainda_bem que viemos buscar te - declarou Ron . - Eu começava a ficar seriamente preocupado por não responderes a nenhuma de as minhas cartas . A princípio pensei que a culpa fosse de a Errol ... - Quem é a Errol ? - A nossa coruja . Já é velhota . Não seria a primeira vez que adoecia durante uma entrega . Por isso , tentei pedir a Hermes emprestada ... - Quem ? - A coruja que os meus pais compraram a o Percy quando ele foi nomeado prefeito - respondeu Fred . - Mas o Percy não me a emprestou . Disse que precisava de ela . - O Percy tem andado com atitudes muito estranhas este Verão - comentou George franzindo a testa . - E tem mandado imensas cartas e passado um tempo infinito fechado em o quarto ... enfim , pode limpar se e polir um distintivo de prefeito todas_as vezes que se quiser ... Estás a conduzir demasiado para ocidente , Fred - acrescentou apontando para uma bússola em o painel de o automóvel . Fred girou o volante . - Então , o vosso pai sabe que têm o carro ? - perguntou Harry , quase adivinhando a resposta . - Er ... não - disse o Ron . - Ele tinha trabalho esta noite . Felizmente vamos poder pô o de_novo em a garagem , sem a mãe perceber que andámos a voar nele . - A propósito , o que faz o vosso pai em o Ministério_da_Magia ? - Trabalha em o Departamento mais chato - respondeu Ron . - A Divisão de utilização incorrecta de artefactos de os Muggles . - O quê ? - Relaciona se com objectos de feitiçaria que foram feitos por os Muggles ; sabes como é , se forem parar de_novo a uma loja de os Muggles , ou a uma casa , como em o ano passado , quando morreu uma bruxa velha e o bule de ela foi vendido a uma loja de antiguidades . Uma mulher Muggle comprou o , tentou servir chá a os amigos . Foi um pesadelo , o pai teve de fazer horas extraordinárias durante semanas . - O que é_que aconteceu ? - O bule parecia louco , esguichou chá a ferver para todos os lados e um de os homens foi parar a o hospital com a pinça de o açúcar presa em o nariz . O pai ficou nervosíssimo . É só ele e o velho feiticeiro Perkings em o gabinete e tiveram de localizar e descobrir todo o tipo de encantamentos para resolver o assunto . - Mas o teu pai ... este carro ... Fred riu se . - Sim , o pai é louco por tudo_o_que tem que ver com os Muggles . A nossa arrecadação está cheia de coisas de os Muggles . Ele separa as , lança lhes feitiços e volta a pô as em o lugar . Se ele fizesse uma busca a nossa casa teria de se prender a si mesmo . A minha mãe fica louca com tudo aquilo . - É a estrada principal - gritou o George , apontando para baixo através de a janela . - Dentro_de poucos minutos estamos lá , mesmo a tempo , está a começar a clarear . Um leve brilho rosado tingia o horizonte para leste . Fred trouxe o carro para baixo e Harry pôde ver uma manta de retalhos de campos escuros e matas de arbustos . - Estamos um_pouco longe de a vila - disse George . - Em Ottery_St . Catchpole ... O carro voador foi descendo a os poucos . A luz avermelhada brilhava agora por_entre as árvores . - Terra - disse o Fred , em o momento em que tocaram em o chão com um ligeiro solavanco . Tinham aterrado perto_de uma garagem em ruínas em um pequeno pátio e Harry viu pela_primeira_vez a casa de o Ron . Parecia ter sido em tempos uma pocilga de pedra . Mas os quartos que posteriormente lhe tinham sido acrescentados haviam a tornado bastante mais alta e o seu aspecto era tão curvado que parecia ter sido construída por artes mágicas ( o que , pensou Harry , era , muito provavelmente , verdade ) . De o telhado vermelho saíam quatro ou cinco chaminés . Junto de a entrada , fixa em o chão , podia ver se uma inscrição assimétrica que dizia « A toca » . A o lado de a porta principal estava uma contusão de botas de * _ Wellington * e um caldeirão completamente enferrujado . Por o pátio passeavam se várias galinhas castanhas e gordas . - Não é grande coisa - desculpou se o Ron . - É óptima - exclamou Harry , feliz , pensando em Privet_Drive . Saíram de o carro . - Agora vamos lá para_cima sem fazer barulho - disse o Fred . - E esperamos que a mãe nos chame para o pequeno-almoço . Depois tu , Ron , desces a escada entusiasmadíssimo . - Mãe , olha quem apareceu cá durante a noite ! - E ela vai sentir se felicíssima quando vir o Harry . Assim ninguém fica a saber que levámos o carro voador . - Certo - disse o Ron . - Vamos , Harry , eu durmo em o ... Ron ganhou uma cor de um pálido esverdeado , os olhos fixos em a casa . Os outros três fizeram meia volta . Mrs._Weasley avançava por o pátio , afugentando as galinhas e , para uma mulher baixa , roliça e simpática , era fantástico como conseguia parecer se com um tigre dentes-de-sabre . - Ah ! - suspirou o Fred . - Oh , oh ! - exclamou o George . Mrs._Weasley parou em frente de eles . As mãos em as ancas , saltando de um olhar culpado para o outro . Usava um avental a as flores , com uma varinha a sair lhe de o bolso . - Com que então - disse . - Bom dia , mãe - arriscou o George com uma voz que tentou que fosse alegre e bem-disposta . - Vocês têm alguma ideia de como tenho estado preocupada ? - perguntou Mrs._Weasley em um murmúrio fraco . - Desculpe , mãe , mas sabe , nós tivemos que ... Os três filhos de Mrs._Weasley eram mais altos do_que ela , mas tremiam quando a fúria de a mãe se abatia sobre eles . - Camas vazias ! Nem um bilhete ! O carro desaparecido ... Podiam ter tido um acidente , estou fora de mim com tanta preocupação e vocês nem se importam ... nunca , enquanto eu for viva ... esperem só até o vosso pai chegar , nunca tivemos problemas de estes com o Bill , com o Charlie ou com o Percy ... - O perfeito Percy - resmungou Fred . - : __ tu não vales um dedo de a mão de o __ percy ! - gritou Mrs._Weasley , espetando um dedo em o queixo de o Fred . - Podias ter morrido , podias ter sido visto , podias ter feito com que o teu pai perdesse o emprego ... Parecia nunca mais acabar . Mrs._Weasley tinha gritado até ficar ronca , antes de se voltar para o Harry , que recuou . - Estou muito contente por te ver , Harry - disse . - Entra e vem tomar o pequeno-almoço . Ela voltou se e regressou a casa e Harry , depois de trocar um olhar nervoso com o Ron , que lhe acenou , encorajando o , seguiu a . A cozinha era pequena e bastante estreita . A meio havia uma enfezada mesa de madeira e cadeiras em volta e Harry sentou se a a beirinha de o assento , olhando em volta . Era a primeira vez que entrava em uma casa de feiticeiros . O relógio em a parede em frente de ele , tinha apenas um ponteiro e nenhum número . Em volta , estavam escritas frases como « Hora de fazer o chá » , « Hora de dar de comer a as galinhas « e « Estás atrasado » . Empilhados em o rebordo de a lareira estavam livros com títulos como * _ Encanta o teu próprio queijo , Encantamento em a cozedura de o pão e Banquetes em um minuto - é mágico * ! E , a menos que os ouvidos de Harry estivessem a traí o , o velho rádio próximo de o lava-loiças acabara de anunciar que a seguir vinha a Hora de enfeitiçar com a popular feiticeira-cantora Celestina_Warbeck . Mrs._Weasley fazia barulho com os talheres , preparando o pequeno-almoço um bocado a o acaso , lançando olhares furiosos a os filhos , enquanto lançava as salsichas em a frigideira . De vez em quando murmurava coisas como : « Não sei o que vos passou por a cabeça « ou « nunca devia ter confiado em vocês » . - Eu não te culpo , filho - tranquilizou Harry , pondo lhe sete ou oito salsichas em o prato . - Eu e o Arthur temos estado preocupados contigo . Ainda ontem a a noite estivemos a dizer que te iríamos buscar nós próprios se não respondesses a o Ron até sexta-feira . Mas , em a verdade ( estava agora a acrescentar três ovos estrelados a o prato de ele ) , atravessar metade de o país a voar em um carro ilegal , qualquer um vos poderia ter visto ... Agitou maquinalmente a varinha em a direcção de o lava-loiças , onde a loiça começou a lavar se sozinha , tinindo baixinho lá atrás . - Estava enevoado , mãe ! - exclamou o Fred . - Boca fechada enquanto comes ! - interrompeu Mrs._Weasley . - Eles estavam a fazê o passar fome , mãe ! - disse o George . - E tu também ! - disse Mrs._Weasley , mas já foi com uma expressão mais doce que começou a cortar o pão para Harry e a barrá o com manteiga . Em esse momento , as atenções voltaram se para um pequenino volto de cabelos ruivos , em uma camisa de dormir até a os pés , que surgiu em a cozinha , deu um grito agudo e desapareceu de_novo . - É a Ginny - disse Ron baixinho a o Harry -- , a minha irmã . Tem falado de ti todo o Verão . - Sim , ela vai querer o teu autógrafo , Harry - riu se o Fred , mas o seu olhar cruzou se com o de a mãe e inclinou se para o prato , não voltando a abrir a boca . Ninguém falou até os quatro pratos estarem limpos , o que sucedeu a uma velocidade surpreendente . - Bolas , estou cansado - bocejou Fred , pousando a faca e o garfo . Acho que me vou deitar e ... - Não vais , não senhor - interrompeu Mrs._Weasley . - A culpa é tua se ficaste toda_a noite acordado . Vais fazer a des-gnomização de o jardim . Eles estão outra_vez a exagerar . - Oh , mãe ... - E vocês os dois o mesmo - dirigiu se a o Ron e a o Fred . - Tu podes ir para a cama , filho - disse a Harry . - Não lhes pediste que guiassem aquele carro miserável . Mas Harry , que se sentia acordadíssimo , respondeu prontamente : - Eu ajudo o Ron , nunca vi uma des-gnomização ... - É muito simpático de a tua parte , querido , mas é um trabalho chato - explicou Mrs._Weasley . - Vejamos o que o Lockhart tem a dizer acerca disto . E puxou de o rebordo de a lareira um livro pesadíssimo . George resmungou : - Mãe , nós sabemos * des-gnomizar * o jardim . Harry olhou para a capa de o livro de Mrs._Weasley . Em grandes letras douradas , que ocupavam grande parte de a capa , podia ler se Guia_de_Gilderoy_Lockhart para pragas caseiras . Via se também a grande fotografia de um feiticeiro bem-parecido , de cabelos loiros ondulados e olhos azuis brilhantes . Como sempre , em o mundo de os feiticeiros , a fotografia mexia se . O feiticeiro , que Harry calculou ser Gilderoy_Lockhart , não parava de lhes piscar os olhos descaradamente . Mrs._Weasley sorriu lhe . - Oh , ele é fantástico - disse . - Conhece bem as pragas caseiras . É um livro maravilhoso . - A mãe adora o - disse Fred em um murmúrio bastante audível . - Não sejas ridículo , Fred - repreendeu Mrs._Weasley com as bochechas coradas . - É claro que se achas que sabes mais do_que o Lockhart , podes ir fazer o trabalho e ai de ti se houver um único gnomo em o jardim quando eu for fazer a inspecção . A bocejar e a resmungar , os Weasley arrastaram se lá para fora com Harry atrás de eles . O jardim era grande e , em a opinião de Harry , exactamente como deveria ser um jardim . Os Dursleys não teriam gostado . Havia uma enorme quantidade de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada , mas havia árvores nodosas em volta de as paredes , plantas que Harry nunca vira , tombando de todos os canteiros e um grande lago verde cheio de rãs . - Os Muggles também têm gnomos de jardim , sabes - disse o Harry a o Ron , enquanto atravessavam a relva . - Sim , já vi essas coisas que eles pensam que são gnomos - disse o Ron todo dobrado , com a cabeça em uma moita de peónias . - Como os Pais_Natais gordinhos com canas de pesca ... Houve um tumulto ruidoso , a moita de peónias estremeceu e Ron endireitou se . - Isto_é um gnomo - declarou com um ar sério . - Larga eu ! Larga eu ! - guinchou o gnomo . Não se parecia em absoluto com o Pai_Natal . Era pequenino e parecia de couro , com uma grande cabeça protuberante e calva , precisamente como uma batata . Ron agarrou o a a distância de um braço , enquanto ele dava pontapés em o ar com os seus pézinhos que pareciam chifres . Agarrou o por os tornozelos e voltou o de pernas para o ar . - Isto_é o que tens de fazer - disse . Levantou o gnomo acima de a cabeça ( Larga eu ! ) e começou a balouçá o em grandes círculos , como os vaqueiros fazem com os laços . A o ver a expressão chocada de Harry , Ron explicou : - Não os mágoa . Só tens de os deixar bem tontos para que consigam encontrar o caminho de regresso a os buracos de os gnomos . Largou os tornozelos de o gnomo . Ele voou seiscentos metros e aterrou com um ruído surdo em o campo a o lado de a sebe . - Deplorável - afirmou o Fred . - Aposto que consigo lançar o meu para_além de aquele tronco . Harry aprendeu rapidamente a não sentir muita pena de os gnomos . Decidira largar o primeiro que apanhou para_além de a sebe , mas o gnomo , sentindo fraqueza , enfiou os seus dentinhos , aguçados como laminas , em o dedo de o Harry e não foi fácil sacudi o para ele o largar , até que ... - Uau , Harry , esse deve ter sido seiscentos metros ... O ar estava subitamente cheio de gnomos voadores . - Vês , eles não são muito espertos - afirmou o George , agarrando cinco ou seis de uma_vez . - Em o momento em que se apercebem que começou a * des-gnomização * , aparecem todos para espreitar . Era de esperar que já tivessem aprendido a ficar quietinhos . Rapidamente a multidão de gnomos começou a ir se embora , atravessando os campos em uma fila ordenada , com os pequeninos ombros arqueados . - Eles voltam - disse o Ron enquanto os via desaparecer em a sebe de o outro lado de o campo . - Eles adoram estar aqui ... o pai é muito mole com eles , acha lhes piada . Em esse momento , a porta de a frente bateu . - Ele já voltou ! - exclamou o George . - O pai já está em casa ! Apressaram se a entrar . Mr._Weasley tinha se afundado em uma de as cadeiras de a cozinha , sem óculos e com os olhos fechados . Era um homem magro , quase calvo , mas o pouco cabelo que tinha era tão ruivo como o de os filhos . Vestia um longo manto verde cheio de pó e estava cansado de a viagem . - Que noite - murmurou , tacteando em busca de o bule , enquanto todos se sentavam a a volta de ele . - Nove assaltos , nove ! E o velho Mundungs_Fletcher tentou lançar me um feitiço quando eu estava de costas . Mr._Weasley tomou um bom gole de chá e suspirou . - Encontrou alguma coisa , pai ? - perguntou Fred ansiosamente . - Só encontrei algumas chaves encolhidas e uma chaleira que mordia - bocejou Mr._Weasley . - Havia um material bastante mauzinho , mas não era de o meu departamento . O Mortlake foi levado para ser interrogado sobre uns furões extremamente antigos , mas isso pertence a a Comissão_dos_Feitiços_Experimentais , graças_a Deus . - Por_que é_que alguém ia dar se a o trabalho de fazer encolher chaves ? - perguntou George . - Para chatear os Muggles - suspirou Mr._Weasley . - Vende se lhes uma chave que não pára de encolher , até que desaparece , de_modo_a que nunca a encontrem quando precisam ... É claro que é muito difícil condenar alguém , porque nenhum Muggle é capaz de admitir que a sua chave está a encolher , insistem em que estão sempre a perdê a . Benditos sejam , vão até onde for preciso para ignorar a magia , mesmo_que ela esteja em frente de os seus narizes ... mas vocês não acreditariam em as coisas que o nosso grupo tem levado para enfeitiçar ... - : __ como carros , por __ exemplo ? Mrs._Weasley tinha aparecido , segurando um grande atiçador que parecia uma espada . Os olhos de Mr._Weasley abriram se de repente , fitando a mulher com um ar culpado . - C-carros , Molly querida ? - Sim , Artur , carros - afirmou Mrs._Weasley , os olhos a faiscar . - Imagina um feiticeiro a comprar um carro velho e enferrujado e dizer a a mulher que a única coisa que queria fazer com ele era desmontá o para ver como ele funcionava , enquanto em a verdade estava a enfeitiçá o para o fazer voar . Mr._Weasley piscou os olhos . - Bem , querida , acho que poderás constatar que não é ilegal fazer isso , embora , er , talvez ele devesse ter contado a verdade a a mulher ... Existe uma forma de tornear a lei , já_que ela diz que ... desde_que não se tenha a * intenção * de voar em o carro , o facto de ele poder voar , não ... - Arthur_Weasley tu arranjaste essa forma de tornear a lei quando a escreveste ! - gritou Mrs._Weasley . - Para poderes continuar a remexer em todo aquele lixo de os Muggles que tens em a arrecadação ! E , para tua informação , o Harry chegou hoje_de_manhã em o carro que tu não pretendias pôr a voar ! - Harry ? - perguntou Mr._Weasley sem expressão . - Qual Harry ? Olhou em volta , viu Harry e deu um salto . - Santo_Deus , é Harry_Potter ? Muito prazer , o Ron falou nos tanto de si ... - * _ O teu filho conduziu aquele carro até a a casa de o Harry e de volta até aqui em a noite passada ! * - gritou Mrs._Weasley . - O que tens a dizer a esse respeito ? - A sério ! ? - exclamou Mr._Weasley com vivacidade . - Correu tudo bem , quero dizer ... - vacilou a o ver os olhos de Mrs._Weasley que faiscavam . - Er , fizeram mal , rapazes , muito mal , mesmo ... - Vamos deixá os a os dois - murmurou o Ron , enquanto Mrs._Weasley inchava como um sapo gigantesco . - Vamos , vou mostrar te o meu quarto . Esgueiraram se de a cozinha e desceram uma passagem estreita que dava para uma escada desnivelada que ziguezagueava a o longo de a casa . Em o terceiro andar , estava uma porta entreaberta . Harry só teve tempo de ver um par de olhos castanhos brilhantes que o olhavam fixamente , antes de a porta se fechar com um estalido . - A Ginny - disse o Ron . - Não imaginas como é estranho vês a tão tímida , ela que quase nunca se cala ... Subiram mais dois andares , até chegarem a uma porta com a tinta a descascar e uma pequena placa dizendo : « Quarto_do_Ronald » . Harry entrou . A cabeça quase tocava em o tecto inclinado . Piscou os olhos . Era como entrar dentro_de uma fornalha : quase tudo em o quarto de o Ron tinha um violento matiz alaranjado : a colcha de a cama , as paredes , até o tecto . Em seguida , apercebeu se de que o Ron tinha coberto cada centímetro de o velho papel de parede com * posters * de as mesmas sete feiticeiras e feiticeiros , todos vestidos com brilhantes mantos cor de laranja , transportando vassouras e acenando entusiasticamente . - A tua equipa de Quidditch ? - perguntou Harry . - Os Chudley_Cannons - disse Ron , apontando para a colcha cor de laranja que tinha um brasão com dois C's gigantes e uma bala de canhão a_toda_a velocidade . - Nono em a Liga . Os livros de estudo de feitiços de Ron estavam empilhados desordenadamente a um canto , junto de um monte de B. _ D. , todas elas relativas a as * _ Aventuras_de_Martin_Miggs , o Muggle louco * . A varinha mágica de o Ron estava em_cima_de um aquário cheio de ovos de rã sobre o peitoril de a janela , junto de o seu rato gordo e cinzento , Scabbers , que dormia uma soneca a o sol . Harry passou por_cima_de um baralho de cartas de jogar com vontade própria , que estava caído em o chão , e olhou para fora de a janelinha . Em o campo , não muito longe , podia ver um grupo de gnomos a esgueirarem se , um a um , de_novo para a sebe de os Weasley . Em seguida , voltou se para Ron que o observava nervoso , como_se esperasse a opinião de ele . - É um_pouco pequeno - declarou o Ron muito depressa . - Não se parece nada com o quarto que tu tinhas em casa de os Muggles . E estou mesmo debaixo de o vampiro de o sótão . Ele anda sempre a bater nos canos e a gemer ... Mas Harry , com um grande sorriso , disse lhe : - Esta é a melhor casa em que eu já estive . As orelhas de Ron ficaram cor-de-rosa . IV_Na_Flourish and Blotts_A vida em a Toca era o mais diferente que é possível de a vida em Privet_Drive . Os Dursleys gostavam de tudo limpo e arrumado , em casa de os Weasleys explodia o estranho e o inesperado . Harry teve um choque de a primeira vez que olhou para o espelho que estava sobre a lareira de a cozinha e ele gritou : - Mete para dentro a camisa , * desmazelado ! * - O vampiro de o sótão gemia e batia nos canos , sempre_que sentia as coisas demasiado calmas e as pequenas explosões em o quarto de o Fred e de o George , eram consideradas perfeitamente normais . Mas o que o Harry achou mais bizarro em a vida em casa de o Ron , não foi o espelho que falava , nem o vampiro barulhento , foi o facto de todos ali em casa parecerem gostar de ele . Mrs._Weasley preocupava se com o estado de as suas meias e tentava obrigá o a servir se quatro vezes a cada refeição . Mr._Weasley gostava que Harry se sentasse a o lado de ele a a mesa para poder bombardeá o com perguntas sobre a vida com os Muggles , pedindo que lhe explicasse como funcionavam coisas como as canalizações e o serviço de os correios . - Fascinante ! - exclamava , enquanto Harry lhe explicava a utilização de o telefone . - Engenhoso , de facto , todas_as maneiras que os Muggles encontraram para passar sem a magia . Harry teve notícias de Hogwarts em uma manhã de sol , cerca de uma semana depois de ter chegado a a Toca . Quando , ele e o Ron desceram para tomar o pequeno-almoço , encontraram Mr. e Mrs._Weasley e Ginny já sentados a a mesa . Em o momento em que viu o Harry , Ginny entornou a tigela de os cereais , que caiu a o chão com grande espalhafato . Ginny entornava facilmente coisas sempre_que o Harry estava em a sala . Mergulhou debaixo de a mesa para apanhar a tigela e emergiu com o rosto a brilhar como o sol poente . Fingindo não ter dado por nada , Harry sentou se e aceitou a torrada que Mrs._Weasley lhe ofereceu . - Cartas de a escola - disse Mr._Weasley , passando a o Harry e a o Ron envelopes idênticos de pergaminho amarelado , com a morada escrita a tinta verde . - O Dumbledore já sabe que estás aqui , Harry , não perde nada aquele homem . Vocês os dois também - acrescentou , enquanto Fred e George deambulavam em a casa , ainda em pijama . Fez se silêncio durante alguns momentos , enquanto liam as respectivas cartas . A de o Harry dizia para apanhar o Expresso_de_Hogwarts , como sempre em a Estação_de_King's_Cross , em o dia_1_de_Setembro . Havia ainda uma lista de os livros que precisaria para o próximo ano . Os alunos de o segundo ano deverão ter : * _ O_Livro_Padrão_de_Feitiços , Grau 2 , por Miranda_Goshawk . * _ Ensinamentos_de_Uma_Fada_Carpideira , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Férias com Bruxas , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Duendes , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Lobisomens , por Gilderoy_Lockhart . * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves , por Gilderoy_Lockhart * . Fred , que terminara a sua própria lista , espreitou para a de o Harry . - Também te mandam comprar os livros de o Lockhart - disse . - A professora de defesa contra as artes negras deve ser fanática . Aposto que é uma bruxa . Nessa_altura , Fred percebeu o olhar de a mãe e apressou se a comer o doce de laranja . - Esse conjunto não vai ficar barato - disse George , olhando rapidamente para os pais . - Os livros de o Lockhart são de os mais dispendiosos ... - Cá nos havemos de arranjar - declarou Mrs._Weasley , mas parecia preocupada . - Espero que pelo_menos para a Ginny possamos arranjar uma data de coisas em segunda mão . - Ah , vais entrar este ano para Hogwarts ? - perguntou lhe Harry . Ela fez um aceno , corando até a a raiz de os cabelos ruivos e meteu o cotovelo em o pires de a manteiga . Felizmente ninguém deu por nada , a não ser o Harry , porque em esse momento o irmão mais velho de Ron , o Percy , entrou . Já estava vestido , com a placa de prefeito aplicada a a sua camisola de malha . - Bom dia a todos - disse , cheio de vivacidade . - Está um dia lindo . Puxou a única cadeira livre , mas deu um salto quando ia sentar se e , debaixo de ele , saltou um espanador cinzento de penas , pelo_menos , foi o que o Harry pensou até ver que ele respirava . - Errol ! - exclamou Ron , afastando a coruja de o Percy e retirando lhe debaixo de a asa uma carta . - Até que enfim , a resposta de a Hermione . Escrevi lhe a contar que íamos tentar raptar te de casa de os Dursleys . Levou Errol para um poleiro que havia junto a a porta de as traseiras e tentou colocá a lá em cima , mas Errol caiu redonda e Ron teve de a pôr em a pia , murmurando : - Patético . - Em seguida , abriu a carta de a Hermione e leu a em voz alta . * _ Querido_Ron e Harry , se aí estiveres . Espero que tudo tenha corrido bem , que o Harry esteja O. _ K. e que não tenham feito nada ilegal para conseguir trazes o , porque isso podia criar lhe problemas também a ele . Tenho estado muito preocupada e , se o Harry estiver bem , por favor digam me qualquer coisa rapidamente , mas talvez seja melhor usarem uma nova coruja , porque acho que outra entrega pode acabar como esta . * _ Estou muito atarefada com trabalho de a escola , claro * . - Como é possível ? - perguntou Ron , horrorizado . - Estamos em férias ! - * _ E vamos para Londres em a próxima quarta-feira para comprar os meus livros novos . Porque não nos encontramos em a Diagon-al ? * _ Dêem-me notícias vossas o mais depressa possível . * _ Carinhosamente_Hermione * - Bem , parece uma boa solução , podemos ir todos comprar as vossas coisas - disse Mrs._Weasley , começando a limpar a mesa . - O que vão fazer hoje ? Harry , Ron , Fred e George tinham planeado ir a o cimo de o monte a um pequeno cercado de cavalos que os Weasleys possuíam . Estava rodeado de árvores que lhe tapavam a vista de a cidade cá em baixo , o que quer_dizer que podiam praticar Quidditch , desde_que não voassem muito alto . Não podiam usar as verdadeiras bolas de Quidditch pois seria muito difícil explicar se elas escapassem e voassem sobre a cidade . Em vez de elas , lançavam maçãs para os outros apanharem . Faziam turnos para montar a Nimbus dois_mil , que era de longe a melhor vassoura . A velha Shooting_Star_de_Ron fora muitas_vezes ultrapassada por as borboletas que passavam . Cinco minutos mais tarde estavam a marchar por o monte acima , de vassouras a o ombro . Tinham perguntado a o Percy se ele queria juntar se a eles , mas ele alegara muito trabalho . Até esse dia , Harry só tinha visto Percy a a hora de as refeições , ele ficava em silêncio em o quarto o resto de o tempo . - Gostava de saber o que ele anda a fazer - afirmou Fred , de testa franzida . - Não parece o mesmo . O resultado de os exames veio um dia antes de tu chegares : doze N_F_V e ele nem se manifestou satisfeito . - Níveis_de_Feitiçaria_Vulgares - explicou o George , vendo o olhar atarantado de Harry . - Se não temos cuidado , ainda nos calha outro Chefe_de_Turma em a família . Acho que não suportaria a vergonha . Bill era o mais velho de os irmãos Weasley . Ele e o irmão a seguir , Charlie , já tinham saído de Hogwarts . Harry não conhecia nenhum de os dois , mas sabia que o Charlie estava em a Roménia a estudar dragões e o Bill em o Egipto a trabalhar em o banco de os feiticeiros : Gringotts . - Não sei como o pai e a mãe vão arranjar dinheiro para nos pagar o material escolar este ano - disse o George , passado um bocado . - Cinco conjuntos de livros de o Lockhart ! E a Ginny precisa de mantos e de uma varinha e tudo_isso ... Harry não disse nada . Sentiu se um_pouco incomodado . Fechada em um cofre subterrâneo , em o banco de Gringotts_de_Londres , estava uma pequena fortuna que os pais lhe tinham deixado . É claro que só tinha esse dinheiro em o mundo de os feiticeiros , não se podem usar Galeões , Leões e Janotas em as lojas de os Muggles . Ele nunca fizera referência a a sua conta bancária em Gringotts a os Dursleys . Não lhe parecia que o horror que eles sentiam por tudo_o_que se relacionava com a feitiçaria se estendesse a uma enorme pilha de barras de ouro . Mrs._Weasley acordou os a todos bem cedo , em a quarta-feira seguinte . Depois de comerem umas doze sanduíches de * bacon * cada_um , enfiaram os casacos e Mrs._Weasley tirou um vaso de a prateleira de o fogão de a cozinha e espreitou lá para dentro . - Está a acabar se , Arthur - suspirou . - Temos de comprar mais hoje ... Bem , os hóspedes primeiro . Passa , Harry querido ! E ofereceu lhe o vaso de flores . Harry olhou espantado enquanto todos eles o observavam . - O q-que é_que eu devo fazer ? - gaguejou . - Ele nunca viajou com o pó de Floo - disse o Ron subitamente . - Desculpa , Harry , esqueci me . - Nunca ? - perguntou Mrs._Weasley . - Mas então como chegaste a a Diagon - _ Al em o ano passado para comprar as tuas coisas ? -- Fui por o subterrâneo . - A sério ? - disse Mr._Weasley , entusiasmado . - Havia fugitivos ? Como é_que ... - Agora não , Arthur - disse Mrs . Weasley . - O pó de Floo é muito mais rápido , querido , mas , valha me Deus , se ele nunca o usou ... - Vai correr bem , mãe - disse o Fred . - Harry observa nos primeiro . Tirou uma pitada de pó brilhante de dentro de o vaso , aproximou se de o lume e lançou o pó em as chamas . Com um rugido , o fogo ficou verde-esmeralda e elevou se a uma altura superior a a de o Fred que avançou , gritando Diagon - _ Al ! E desapareceu . - Tens de falar claramente , filho - disse Mrs._Weasley a o Harry , ao_mesmo_tempo que George metia a mão em o vaso de as flores . - E vê se sais em o fogão certo . - Em o quê ? - perguntou Harry , nervoso , enquanto o lume crepitava e fazia George desaparecer também . - Bem , há imensos fogos de feiticeiros , mas desde_que te tenhas expressado claramente ... - Ele vai conseguir , Molly , não te preocupes - disse Mr._Weasley , tirando também ele algum pó . - Mas querido se ele se perde como é_que vamos justificar nos perante o tio e a tia de ele ... -- Eles não se importariam - tranquilizou a Harry . - O Dudley ia achar imensa piada se eu me perdesse em uma chaminé , não se preocupe . - Bem , em esse caso ... tu vais a seguir a o Arthur - disse Mrs._Weasley . - Logo_que entres em o fogo diz para_onde queres ir . - E mantém os cotovelos dobrados - preveniu o Ron . - E os olhos fechados - disse Mrs._Weasley . - A fuligem . - Não te enerves - disse o Ron . - Senão podes ir parar a a lareira errada . - Não entres em pânico e não queiras sair cedo de mais . Espera até veres o Fred e o George . Fazendo um enorme esforço por reter toda aquela informação , Harry tirou uma pitada de pó de Floo e avançou para a beirinha de o fogo . Respirou fundo , espalhou o pó em as chamas e entrou . O fogo parecia uma brisa quente . Abriu a boca e engoliu , de imediato , uma grande quantidade de cinzas quentes . D-dia-gon-al - tossiu . Sentiu se como_se estivesse a ser sugado para um buraco gigantesco . Como_se girasse muito depressa ... o ruído era ensurdecedor . Tentou manter os olhos abertos mas o turbilhão de chamas verdes fê lo enjoar ... algo duro bateu lhe em o cotovelo e dobrou o de imediato . Continuava a rodar , a rodar ... sentia se agora como_se várias mãos frias estivessem a bater lhe em a cara ... Espreitando através de os óculos , viu uma torrente imprecisa de fogões e captou lampejos de as salas que estavam por detrás ... as sanduíches de * bacon * davam lhe a volta dentro de o estômago ... fechou os olhos desejando que tudo aquilo parasse e então caiu , de cara em o chão , em a pedra fria e sentiu os óculos partirem se a os bocados . Desorientado e ferido , coberto de fuligem , pôs se cautelosamente de pé , levando a os olhos os óculos partidos . Estava completamente só e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava . Tudo_o_que podia dizer era que a o seu lado via uma lareira que lhe parecia ser a de uma enorme e indistinta loja de feitiçaria . Mas nenhum de os artigos que ali se encontravam tinham aspecto de fazer parte de a lista de a escola de Hogwarts . Em uma caixa de vidro podia ver se uma mão atrofiada que repousava sobre uma almofada , um baralho de cartas ensanguentado e um olho de vidro que o olhava fixamente . Máscaras de expressão maldosa enchiam as paredes , olhando de esguelha , uma enorme quantidade de ossos humanos estendia se sobre o balcão e , de o tecto , pendiam instrumentos aguçados com pontas de ferro e pregos enferrujados . Mas o pior é_que a rua estreita e escura , que Harry conseguia avistar através de a janela poeirenta de a loja , não era de modo algum a Diagon-al . Quanto_mais depressa saísse de ali , melhor . O nariz ainda a doer lhe em o sítio onde batera em o chão a o aterrar , Harry avançou rápida e silenciosamente em direcção a a porta , mas antes de conseguir chegar a meio caminho , duas pessoas apareceram de o lado de_fora de o vidro , e uma de elas era a última pessoa que Harry desejaria encontrar em o momento em que se encontrava perdido , coberto de fuligem e com os óculos partidos , Draco_Malfoy . Harry olhou rapidamente em volta e apercebeu se de a existência de um grande armário escuro a a sua esquerda , saltou lá para dentro e fechou as portas , deixando uma gretazinha para poder espreitar . Segundos depois , uma campainha tocava e Malfoy entrava em a loja . O homem que o acompanhava só podia ser o pai . Tinha o mesmo rosto pálido de feições agudas e os mesmos olhos cinzentos de gelo . Mr._Malfoy atravessou a loja , olhando maquinalmente para os artigos expostos e tocou a campainha de o balcão , antes de se voltar para o filho , dizendo : - Não mexas em nada , Draco . Malfoy , que vira o olho de vidro , disse : - Pensei que ias oferecer me um presente . - Eu prometi que ia comprar te uma vassoura de corrida - declarou o pai , tamborilando com os dedos sobre o balcão . - Para que é_que me serve , se não estou em a equipa de Quidditch ? - perguntou Malfoy , carrancudo e de mau humor . - O Harry_Potter teve uma Nimbus dois_mil o ano passado , com a autorização especial de o Dumbledor é para jogar em os Gryffindor . Ele nem é assim tão bom , é só por ser * famoso * ... famoso por ter uma estúpida cicatriz em a testa . Malfoy baixou se para observar uma prateleira cheia de crânios . - Todos acham que ele é tão esperto , o Potter maravilha , com a sua cicatriz e a sua vassoura ... - Já me disseste isso doze vezes pelo_menos - comentou Mr._Malfoy , olhando repressivamente para o filho . - E devo lembrar te que não é prudente parecer menos do_que amigo de Harry_Potter , quando a maior parte de a nossa gente vê em ele um herói que fez desaparecer o Senhor_do_Mal . Ah , Mr._Borgin . Um homem curvado surgiu por detrás de o balcão , puxando o cabelo gorduroso para trás . - Mr._Malfoy , que prazer vês o de_novo - disse Mr._Borgin , em uma voz tão untuosa como o cabelo . - Encantado , e o nosso jovem Malfoy também , encantado . Em que posso servi os ? Tenho que vos mostrar o que chegou hoje , a um preço muito razoável ... - Hoje não venho comprar , Mr._Borgin , e sim vender - afirmou Mr._Malfoy . - Vender ? - O sorriso apagou se lentamente em o rosto de Mr._Borgin . - Certamente ouviu dizer que o Ministério está a levar a cabo mais buscas - explicou o Mr._Malfoy , retirando de o bolso um rolo de pergaminho e desembrulhando o para Mr._Borgin o ler . - Eu tenho alguns , ah , artigos em casa que poderiam criar me problemas se o Ministério me batesse a porta . Mr._Borgin colocou em o nariz um par de * pince-nez * e olhou para a lista . - O Ministério não se lembraria de o incomodar certamente ... O lábio de Mr._Malfoy dobrou se . - Ainda não me fizeram nenhuma visita . O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito , mas o Ministério está a ficar cada_vez_mais intrometido . Há boatos sobre um novo decreto de protecção de os Muggles , sem dúvida que aquele mordido de as pulgas , adorador de os Muggles , que é o Arthur_Weasley deve estar por detrás de isso . Harry sentiu crescer a raiva . - E , como pode ver , alguns de estes venenos podiam dar a ideia ... - Compreendo perfeitamente , claro - disse Mr._Borgin . - Deixe me ver ... - Posso ter aquilo ? - interrompeu Draco , apontando para a mão raquítica que estava sobre a almofada . - Ah , a mão de a glória ! - exclamou Mr._Borgin , abandonando a lista de Mr._Malfoy e apressando se a responder a Draco . - Põe se lhe uma vela e ela só dá luz a quem a transporta ! A melhor amiga de os gatunos e de os salteadores , o seu filho tem gosto , senhor . - Espero que o meu filho venha a ser mais do_que gatuno ou salteador , Borgin - disse Mr._Malfoy friamente e Mr._Borgin respondeu logo : - Sem ofensa , senhor , sem querer ofender . - Embora , se as notas de a escola não melhorarem - disse Mr._Malfoy ainda mais friamente - esse possa vir a ser o único caminho possível para ele . - Não tenho culpa - retorquiu Draco . - Todos os professores têm os seus preferidos , aquela Hermione_Granger ... - Eu , em o teu lugar , teria vergonha que uma rapariga que nem_sequer pertence a famílias de feiticeiros , me passasse a a frente em todos os exames - interrompeu Mr._Malfoy . Ah - fez Harry baixinho , radiante por ver Draco atrapalhado e furioso . - É o mesmo em todo o lado - comentou Mr._Borgin em a sua voz untuosa . - O sangue de os feiticeiros conta cada_vez menos ... - Não para mim - afirmou Mr._Malfoy , com as longas narinas dilatadas . - Não senhor , nem para mim - concordou Mr._Borgin , inclinando se em uma vénia . - Em esse caso , talvez possamos voltar a a minha lista - disse Mr._Malfoy secamente . - Estou com alguma pressa , Borgin , tenho ainda hoje assuntos importantes a tratar em outro lado . Começaram a discutir os preços . Harry via nervosamente o Draco aproximar se de o seu esconderijo enquanto observava os objectos a a venda . Parou para examinar um enorme rolo de corda de carrasco e para ver , com um sorriso afectado , o cartão preso com um aparatoso laço de opalas onde podia ler se : * _ Cautela , não tocar . Amaldiçoado - reclama as vidas de dezanove donos , todos eles Muggles * . Draco voltou se e viu o armário mesmo em frente . Avançou , estendeu a mão para o puxador ... - Feito - disse Mr._Malfoy , a o balcão . - Vamos , Draco . Harry limpou a testa a a manga quando Draco se afastou . - Muito bom dia , Mr._Borgin . Espero por si amanhã em a mansão para ir buscar a mercadoria . Em o momento em que a porta se fechou , Mr._Borgin abandonou os seus modos subservientes . « Bom dia para o senhor , Mr._Malfoy , e , se as histórias que contam são verdadeiras , não me vendeu nem metade do_que tem escondido em a sua mansão ... » Murmurando de forma taciturna , Mr._Borgin desapareceu em uma sala escura . Harry esperou um minuto não fosse ele voltar e , em seguida , o mais silenciosamente possível , escapou se de o armário , passou por as caixas de vidro e saiu de a loja . Encostando os óculos partidos a o rosto , olhou em volta . Saíra em uma rua estreita e sombria que parecia composta exclusivamente de lojas dedicadas a as artes negras . Aquela de onde acabava de sair parecia ser a maior , mas em frente estava uma montra tétrica de cabeças encolhidas e duas portas abaixo podia ver se uma enorme caixa viva cheia de gigantescas aranhas pretas . Dois feiticeiros com aspecto pobre observavam o de a sombra de uma porta , murmurando entre si . Sentindo se nervoso , Harry pôs se a caminho , tentando agarrar os óculos a direito e não desistindo de a esperança de encontrar maneira de sair de ali . Por um cartaz de madeira , pendurado em a rua , indicando uma loja de venda de velas envenenadas , ficou a saber que se encontrava em a Rua * _ Bativolta * , mas isso não o ajudou pois Harry nunca ouvira falar em tal lugar . Calculou que não tinha pronunciado bem as palavras com a boca cheia de cinzas em a lareira de os Weasley . Tentando manter a calma perguntou a si mesmo o que havia de fazer . - Não estás perdido , pois não , meu menino ? - perguntou uma voz , mesmo junto de o seu ouvido , que o fez dar um salto . Uma bruxa idosa estava em a sua frente , segurando um tabuleiro de uma coisa que se parecia horrivelmente com unhas humanas . A mulher olhou o maldosamente , mostrando os dentes esverdeados . Harry recuou . - Estou bem , obrigado - disse . - Estou só ... - HARRY ! O qu'é que pensas que estás a fazer aqui ? O coração de Harry deu um salto , assim_como o de a bruxa . Um monte de unhas caíram lhe sobre os pés e ela praguejou , enquanto o corpo enorme de Hagrid , o guarda de os campos de Hogwarts , se aproximava de eles a passos largos com os olhos castanhos-escuros a faiscarem sobre a longa barba eriçada . - Hagrid - gritou Harry , aliviado . - Eu estava perdido ... o pó de Floo ... Hagrid agarrou Harry por o cachaço e puxou o para longe de a bruxa , tirando lhe o tabuleiro de as mãos . Os guinchos agudos de a feiticeira seguiram nos até a o fundo de a ruela serpenteante que ia dar a um lagar onde brilhava o sol . Harry avistou a a distância um edifício de mármore branco como a neve que lhe era familiar : o banco de Gringotts . Hagrid conduzira o até a a Diagon - _ Al . - ` _ tás em um péssimo estado ! - disse Hagrid bruscamente , sacudindo lhe a fuligem com tanta força que Harry quase caiu em um barril de estrume de dragão que se encontrava a a porta de um boticário . - A fugir , em a Rua * _ Bativolta * , eu não conheço esse lugar finório , Harry , não quero que ninguém te veja aqui em baixo . - Já percebi - disse Harry , baixando se quando Hagrid fez menção de o escovar melhor . - Já te disse que estava perdido . E o que é_que tu fazes aqui ? - ` _ Tou a a procura d'um repelente para as lesmas comedoras de legumes - resmungou Hagrid . - ` _ tão a destruir as couves todas de a escola . Tu não estás sozinho ? - Estou em casa de os Weasley , mas separámo nos explicou Harry . - Tenho que os encontrar . Desceram juntos a rua . - Por_que é_que nunca respondeste a as minhas cartas ? - perguntou Hagrid , enquanto Harry corria para o acompanhar ( tinha de dar três passos por cada enorme passada de Hagrid ) . Harry explicou lhe tudo sobre Dobby e os Dursleys . - Malditos_Muggles - rugiu Hagrid . - S'eu tivesse sabido ... - Harry ! Harry ! Aqui ! Harry olhou para_cima e viu Hermione_Granger em o topo de a escadaria de Gringotts . Desceu para vir a o encontro de ele , o cabelo castanho de caracóis , a esvoaçar atrás de ela . - O que aconteceu a os teus óculos ? Olá_Hagrid ... Oh , é maravilhoso ver vos outra_vez . Vens a Gringotts , Harry ? - Logo_que encontre os Weasley - respondeu ele . - Não vais ter d'esperar muito - riu se Hagrid . Harry e Hermione olharam em volta . Subindo a rua , em o meio de a multidão , vinham Ron , Fred , George , Percy e Mr._Weasley . - Harry - chamou Mr._Weasley , ofegante . - Tínhamos esperança que só tivesses ido um fogão mais longe ... - passou um pano em a sua calva reluzente . - A Molly está nervosíssima , aí vem ela . - Onde é_que tu saíste ? - perguntou o Ron . - Em a Rua * _ Bativolta * - disse o Hagrid , com um ar sério . - Sensacional ! - exclamaram Fred e George ao_mesmo_tempo . - Nunca nos deram autorização para lá ir - disse o Ron com uma pontinha de inveja . - E fizeram muito bem - grunhiu Hagrid . Mrs._Weasley chegou em aquele momento a correr , a mala a balouçar em uma de as mãos e Ginny quase pendurada em a outra . - Oh Harry , oh meu querido , podias ter ido parar a qualquer lugar ... Tentando recuperar o fôlego , tirou de a mala uma grande escova de roupa e começou a retirar a fuligem que Hagrid não conseguira expulsar . Mr._Weasley pegou em os óculos de Harry , deu lhes um toque de varinha e entregou lhe os como novos . - Bem , tenho de m'ir embora - disse Hagrid cuja mão estava a ser esmagada por Mrs._Weasley ( -- Rua * _ Bativolta * ! Se não o tivesses encontrado , Hagrid ! ) . - Vemo nos em Hogwarts . - E afastou se , os ombros e a cabeça acima de a multidão que enchia completamente a rua . - Adivinham quem eu vi em o Borgin and Burkes ? - perguntou Harry_a_Ron e a Hermione enquanto subiam as escadarias de Gringotts . - Malfoy e o pai . - O Lucius_Malfoy comprou alguma coisa ? - perguntou interessado Mr._Weasley que estava atrás de eles . - Não , estava a vender . - Então está preocupado - comentou Mr._Weasley com visível satisfação . - Ah , eu adorava apanhar o Lucius_Malfoy em alguma . . - Tem cuidado , Arthur - interrompeu Mrs._Weasley enquanto o gnomo porteiro lhes dava reverentemente entrada em o banco . - Isso é um problema de família . Não queiras ter mais olhos que barriga . - Queres dizer com isso que achas que eu não chego para o Malfoy ? - perguntou Mr._Weasley , indignado , mas foi rapidamente afastado de aqueles sentimentos a o avistar os pais de Hermione que estavam de pé , nervosamente encostados a o balcão que acompanhava a grande parede de mármore , a a espera que Hermione os apresentasse . - Mas vocês são Muggles ! - disse Mr._Weasley , encantado . - Temos de tomar uma bebida . O que é isso aí ? Ah , estão a trocar dinheiro de Muggle . Molly , olha - apontou cheio de excitação para as notas de dez libras que Mr._Granger tinha em a mão . - Encontramo nos aqui - disse Ron_a_Hermione , enquanto os Weasley e Harry eram conduzidos a os seus cofres em o subterrâneo de Gringotts . Para chegar a os cofres havia que tomar umas carrinhas conduzidas por gnomos que se deslocavam ao_longo_de carris de comboio de pequenas dimensões através de os túneis subterrâneos de o banco . Harry gostou de a viagem acidentada até a o cofre de os Weasley , mas sentiu se bastante mal , pior do_que em a Rua * _ Bativolta * , quando o cobre foi aberto . Havia lá dentro um pequenino monte de Leões de prata e apenas um Galeão de ouro . Mrs._Weasley foi com a mão a a procura em os cantos antes de , com um gesto rápido , varrer tudo para dentro de o saco . Harry sentiu se ainda pior quando chegaram a o seu cofre . Tentou evitar que vissem o conteúdo enquanto empurrava apressadamente mãos cheias de moedas para dentro_de uma sacola de cabedal . Lá fora , em as escadarias de mármore , separaram se . Percy murmurou vagamente que precisava de uma nova pena de escrever . Fred e George tinham avistado um amigo de Hogwarts , Lee_Jordan . Mrs._Weasley e Ginny iam a uma loja de mantos em segunda mão , Mr._Weasley continuava a insistir em levar os Grangers a o Caldeirão_Escoante para lhes pagar uma bebida . - Encontrarmo nos todos em a Flourish and Blotts dentro_de uma hora para comprar os vossos livros de estudo - disse Mrs._Weasley , afastando se com Ginny . - E nem um passo em direcção a a Rua * _ Bativolta * - gritou a os gémeos que estavam de costas . Harry , Ron e Hermione deambularam por a rua empedrada e sinuosa . O ouro , prata e bronze que tilintavam alegremente em o saco que Harry tinha em o bolso pareciam exigir ser gastos , por isso ele comprou três enormes gelados de morango e manteiga de amendoim que eles devoraram felizes enquanto vagueavam sem destino por a rua fora , observando as montras fantásticas de as lojas . Ron olhou longamente para um conjunto completo de mantos de o Chudley_Cannon , em as montras de o « Equipamento_de_Quidditch_de_Qualidade » até Hermione o arrastar de ali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos . Em a « Jogos_de_Feitiçaria_de_Gambol and Japes » encontraram o Fred , o George e o Lee_Jordan que estavam presos em a fabulosa partida debaixo_de chuva e em os fogos-de-artifício de o Dr._Filibuster . E em uma pequenina loja de velharias cheia de varinhas partidas , balanças instáveis de latão e mantos velhos cobertos de nódoas de poções encontraram Percy profundamente concentrado em um pequenino livro , bastante chato , chamado * _ Prefeitos que conquistam o poder * . - * _ Um estudo sobre os prefeitos de Hogwarts e as suas posteriores carreiras * - leu alto o Ron em a contracapa . - Deve ser fascinante ... - Desaparece - gritou Percy . - Claro , ele é muito ambicioso , já tem tudo planeado . Quer ser ministro de a magia - disse o Ron baixinho a o Harry e a a Hermione , enquanto deixavam Percy entregue a o livro . Uma hora mais tarde dirigiram se a a Flourish and Blotts . Não eram de modo algum os únicos a encaminhar se para a livraria . À_medida_que se aproximavam viram com grande surpresa uma grande multidão a a porta , tentando entrar em a loja . O motivo de tal confusão estava anunciado em um cartaz que se estendia a o longo de a montra superior . GILDEROY_LOCKHART_Assinará exemplares de a sua autobiografia " eu , o mágico " Hoje 12.30 - 16.30 - Vamos poder conhecê o ! - gritou Hermione . - Quero dizer , ele escreveu quase todos os livros de a nossa lista ! A multidão parecia ser maioritariamente composta por bruxas de a idade de Mrs._Weasley . Um feiticeiro bem-parecido estava de pé junto de a porta , dizendo : - Calma , minhas senhoras , não empurrem , cuidado com os livros . Harry , Ron e Hermione conseguiram furar e entrar . Uma longa fila serpenteava para as traseiras de a loja onde Gilderoy_Lockhart estava a assinar os seus livros . Cada_um de eles pegou em um exemplar de * _ ensinamentos de Uma Fada_Carpideira * e escaparam se de a fila indo ter a o lugar onde se encontravam os outros com Mr. e Mrs._Granger . - Ah , aí estão vocês . _ óptimo - disse Mrs._Weasley que parecia estar com falta de ar e não parava de mexer em o cabelo . - Vamos poder vês o dentro_de um minuto . Gilderoy_Lockhart veio lentamente até um lugar onde era visível para todos , sentou se a uma mesa , rodeado de grandes fotografias de o próprio rosto , todo ele sorrisos , mostrando a a multidão o brilho cintilante de os seus dentes . Lockhart usava uma túnica azul-noite que condizia a as mil maravilhas com a cor de os olhos , o chapéu pontiagudo de feiticeiro colocado lateralmente sobre o cabelo ondulado . Um homenzinho pequenino e irritante andava a dançar de um lado para o outro , tirando fotografias com uma grande máquina preta que lançava baforadas de fumo arroxeado em cada * flash * . - Sai de o caminho , tu aí - disse rispidamente a o Ron , mudando de lugar para ter um angulo melhor . - Este é para o * _ Profeta_Diário * . - Grande coisa ! - exclamou o Ron , esfregando os pés em o lugar que o fotógrafo pisara . Gilderoy_Lockhart ouviu o . Olhou , viu o Ron e em seguida Harry . Voltou a olhar , desta_vez com mais atenção . Em seguida , pôs se de pé e gritou : - Não pode ser , o Harry_Potter ? A multidão dividiu se entre murmúrios de excitação . Lockhart aproximou se , agarrou Harry por um braço e levou o para a frente . A multidão rebentou em aplausos . A cara de Harry ardia quando Lockhart lhe apertou a mão para o fotógrafo que disparava como um louco , lançando fumo espesso para_cima de os Weasley . - Belo sorriso , Harry - disse Lockhart através de os seus dentes brilhantes . - Tu e eu juntos merecemos a primeira página . Quando por fim lhe largou a mão , Harry quase não sentia os dedos . Tentou recuar para junto de os Weasley , mas Lockhart lançou lhe um braço por os ombros e prendeu o a o seu lado . - Minhas senhoras e meus senhores - disse bem alto , fazendo sinal para que se acalmassem . - Que momento extraordinário este ! O momento perfeito para eu anunciar algo que tenho vindo a guardar comigo desde_há algum tempo . - Quando o jovem Harry entrou em a Flourish and Blotts hoje , ele queria apenas comprar a minha autobiografia , que tenho agora o maior prazer em oferecer lhe - a multidão aplaudiu de_novo . - Ele não tinha ideia - continuou Lockhart , dando a o Harry um pequeno encontrão que fez com que os óculos lhe escorregassem para a ponta de o nariz - de que ia conseguir em_breve muito mais do_que o meu livro Eu , o mágico . Ele e os seus colegas de a escola vão receber , de facto , o verdadeiro * _ Eu , o mágico * . Sim , minhas senhoras e meus senhores , tenho o maior prazer em anunciar que em o mês_de_Setembro assumirei o lugar de professor de Defesa contra as artes negras em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts ! A multidão aplaudiu e bateu palmas e Harry deu consigo a ser presenteado com a obra completa de Gilderoy_Lockhart . Cambaleando ligeiramente sob o peso de os livros conseguiu abrir caminho para longe de os projectores até a a porta de a sala onde estava Ginny com o seu novo caldeirão . - Podes ficar com estes - murmurou Harry , enfiando os livros em o caldeirão . - Eu vou comprar os meus . - Aposto que adoraste aquilo , não adoraste , Potter ? - disse uma voz que Harry não teve qualquer dificuldade em reconhecer . Endireitou se e deu consigo frente_a_frente com Draco_Malfoy que exibia o seu habitual sorriso escarninho . - O famoso Harry_Potter - disse Malfoy . - Nem_sequer pode entrar em uma livraria sem se tornar primeira página . - Deixa o em paz , ele não queria nada de isso - defendeu a Ginny . Era a primeira vez que falava em frente de Harry . Olhava para Malfoy com um ar feroz . - Potter , arranjaste uma namorada ! - disse arrastadamente Malfoy . Ginny ficou vermelha como um pimentão enquanto Ron e Hermione tentavam abrir caminho , ambos carregando montes de livros de Lockhart . -- Ah és tu ? - disse Ron , olhando para Malfoy como_se ele fosse algo desagradável colado a a sola de o sapato . - Aposto que te surpreendeu ver o Harry aqui ? - Não tanto como a ti em uma loja , Weasley - retorquiu Malfoy . - Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo . Ron ficou tão vermelho quanto Ginny . Deixou também cair os livros em o caldeirão e avançou para Malfoy , mas Harry e Hermione agarraram o por as costas de o casaco . - Ron - disse Mrs._Weasley , aproximando se com Fred e George . - O que estás a fazer ? Isto está uma loucura aqui dentro , vamos lá para fora . - Olha quem ele é , Arthur_Weasley . - Era_Mr._Malfoy . Estava de pé com a mão sobre o ombro de Draco , com o mesmo sorriso escarninho . -- Lucius - disse Mr._Weasley , acenando friamente . -- Muito trabalho em o ministério , segundo me consta - disse Mr._Malfoy . - Todas essas buscas ... espero que te estejam a pagar horas extraordinárias . Meteu a mão em o caldeirão de a Ginny e tirou de o meio de os livros de Lockhart um exemplar muito velho e muito gasto de o * _ Guia_de_Transfiguração_para_Principiantes * . - Parece que não - disse . - Que diabo , qual a vantagem de ser uma nódoa entre os feiticeiros se nem_sequer te pagam bem por isso ? Mr._Weasley corou mais ainda do_que Ron ou Ginny . - Nós temos uma opinião diferente sobre quem são as nódoas entre os feiticeiros - disse . - É claro que ... - disse Mr._Malfoy , os olhos mortiços passando para Mr. e Mrs._Granger apreensivamente . - As companhias com quem tu andas ... e eu que pensava que já não conseguias descer mais baixo ... Ouviu se um tilintar de metal quando o caldeirão de a Ginny foi por os ares . Mr._Weasley lançara se sobre Mr._Malfoy atirando o para dentro_de uma estante . Dezenas_de livros de feitiços saltaram lá de cima , caindo lhes sobre as cabeças . Houve um grito de - Chega lhe , pai ! - de o Fred e de o George . Mrs._Weasley soltava gritos agudos : - Não_Arthur , não . A multidão recuava deitando mais prateleiras a o chão . - Meus senhores , por favor - gritava o encarregado , e então , mais alto do_que todos : - Parem com isso , gente , parem com isso . Hagrid aproximava se através_de um mar de livros . Em um segundo afastou Mr._Weasley e Mr._Malfoy . Mr._Weasley tinha um lábio cortado e Mr._Malfoy fora agredido em um olho por uma * _ Enciclopédia_de_Cogumelos_Venenosos * . Tinha ainda em a mão o livro velho de a Ginny sobre transfiguração . Atirou lhe o , com os olhos a brilhar de malvadez . - Toma o teu livro , garota . É o melhor que o teu pai pode oferecer te . Libertando se de Hagrid , conduziu Draco para fora e abandonaram a livraria . - Devias tê o ignorado , Arthur - disse Hagrid quase a pegar em Mr._Weasley a o colo enquanto lhe endireitava o manto . - São podres até a a raiz , todos eles . Tod'à gente sabe . Nenhum Malfoy vale a pena ser ouvido . Não prestam , ' tá-lhes em o sangue . Vá lá , vamos sair de aqui . O encarregado parecia querer impedis os , mas , olhando bem para Hagrid , pensou melhor . Subiram a rua , os Grangers a tremer de medo e Mrs._Weasley fora de si . - Um belo exemplo para as crianças ... andar a a pancada em público . O que terá pensado Gilderoy_Lockhart ? - Ele gostou - disse o Fred . - Não o ouviram quando ia a sair ? Estava a perguntar a aquele tipo de o Profeta_Diário se conseguia incluir a briga em a reportagem , disse que era boa publicidade . Mas foi um grupo deprimido que regressou a a lareira de o Caldeirão_Escoante onde Harry , os Weasley e todas_as suas compras iriam viajar de volta até a a Toca , usando o pó de Floo . Despediram se de os Grangers que iam sair de o * pub * por a rua de os Muggles , de o outro lado . Mr._Weasley começou a perguntar lhes como funcionavam as paragens de autocarros , mas calou se rapidamente a o ver a expressão de Mrs._Weasley . Harry tirou os óculos e guardou os cautelosamente em o bolso antes de utilizar o pó de Floo . Definitivamente não era a sua forma ideal de viajar . V_O salgueiro zurzidor O fim de as férias de Verão chegou demasiado depressa para o gosto de Harry . Ele desejara muito regressar a Hogwarts , mas aquele mês em a Toca tinha sido o mais feliz de toda_a sua vida . Era difícil não invejar o Ron quando pensava em os Dursleys e em as boas-vindas que ia receber de a próxima vez que pusesse os pés em Privet_Drive . Em a última noite , Mrs._Weasley preparou um jantar magnífico , que incluía os pratos favoritos de Harry e terminava com um pudim de melaço de fazer crescer água em a boca . Fred e George alegraram a noite com uma exibição de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que saltaram de o tecto para as paredes , durante pelo_menos meia_hora . Depois , foi a altura de tomarem uma caneca de chocolate quente e irem para a cama . Em a manhã seguinte , demoraram muito_tempo a preparar se . Levantaram se com o cantar de o galo , mas parecia lhes que ainda tinham muito para fazer . Mrs._Weasley andava de um lado para o outro , mal-humorada , a a procura de meias e penas , chocavam uns com os outros em as escadas , meio vestidos , meio despidos , com pedaços de torrada em as mãos e Mr._Weasley quase partiu o nariz quando tropeçou em uma galinha a o atravessar o pátio , para meter em o carro a mala de Ginny . Harry não percebia lá muito bem_como é_que oito pessoas , seis grandes malas , duas corujas e um rato , iam caber em um pequeno * _ Ford_Anglia * , isso , claro , antes de as artes mágicas que Mr._Weasley acrescentara . - Nem uma palavra a a Molly - murmurou ele a o Harry , enquanto abria a bagageira e lhe mostrava como ela se expandira para que as malas coubessem facilmente . Quando , por fim , se acomodaram todos em o carro , Mrs._Weasley olhou para o banco de trás , onde Harry , Ron , Fred , George e Percy estavam confortavelmente sentados uns a o lado de os outros e disse : - Os Muggles têm mais conhecimentos do_que aqueles que nós lhes atribuímos , não achas ? - Ela e a Ginny entraram para o lugar de a frente , que fora esticado e parecia um banco de jardim . - Quer_dizer , de_fora ninguém diria que este carro era espaçoso , não acham ? Mr._Weasley pôs o motor a funcionar e saíram de o pátio , Harry voltando se para trás para ver por a última vez a casa . Mal teve tempo de se questionar se iria voltar alguma vez e já estavam de volta : George esquecera se de a caixa de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Cinco minutos mais tarde tiveram de interromper de_novo a viagem e voltar a o pátio para o Fred ir a correr buscar a vassoura . Estavam quase a chegar a a auto-estrada , quando Ginny guinchou que se esquecera de o diário . Mas estava a fazer se muito tarde e os ânimos começavam a exaltar se . Mr._Weasley olhou para o relógio e , em seguida , para a mulher . - Molly , querida ... - Não , Arthur . - Ninguém ia ver . Este botãozinho é um transformador de invisibilidade que eu instalei , levava nos por o ar , subíamos acima de as nuvens . Estaríamos lá em dez minutos e ninguém daria por nada ... - Eu disse que não , Arthur . Durante o dia , não . Chegaram a King's_Cross , faltava um quarto para as onze . Mr._Weasley precipitou se em busca de um carrinho de transporte para as malas e correram todos para a estação . Harry apanhara o Expresso_de_Hogwarts em o ano anterior . A parte mais difícil era entrar em a plataforma nove_e_três quartos , que não era visível a os olhos de os Muggles . Era preciso avançar para a barreira sólida que dividia as plataformas nove e dez . Não doía nada , mas tinha de ser feito com cuidado para que nenhum de os Muggles de esse , por o desaparecimento . - O Percy em primeiro lugar - declarou Mrs._Weasley , olhando nervosamente para o relógio lá em cima , que mostrava que tinham apenas cinco minutos para desaparecer através de a barreira . Percy avançou a passos largos e desapareceu . Mr._Weasley foi a seguir e depois de ele Fred e George . - Eu levo a Ginny e vocês vêm atrás_de nós - disse Mrs._Weasley a o Harry e a o Ron , agarrando Ginny pela mão e seguindo em frente . Em um abrir e fechar de olhos , tinham passado . - Vamos passar juntos , só temos um minuto - disse Ron a o Harry . Harry assegurou se de que a gaiola de a Hedwig estava bem fixa em cima de a sua mala e empurrou o carrinho de encontro a a barreira . Estava perfeitamente confiante , aquilo era muito mais fácil do_que usar o pó de Floo . Puseram os dois as mãos em o puxador de os carrinhos e avançaram direitos a a barreira , ganhando velocidade . A um metro e pouco , começaram a correr e ... CRASH . Os dois carros bateram em a barreira e foram impelidos para trás . A mala de o Ron caiu com um enorme estrépito . Harry desequilibrou se e a gaiola de a Hedwig foi parar a o chão brilhante , enquanto ela rolava guinchando , indignada . As pessoas em volta olhavam fixamente e um guarda que estava ali perto gritou : - Que diabo pensam vocês que estão a fazer ? - Perdemos o controlo de o carro de transporte - respondeu o Harry , respirando com dificuldade , agarrando se a as costelas , enquanto se punha de pé . Ron correu a agarrar a Hedwig , que estava a fazer uma cena tal , que já se ouviam murmúrios em a multidão sobre a crueldade para com os animais . - Porque é_que não conseguimos passar ? - perguntou Harry a o Ron em um sussurro . - Não sei . Ron olhou descontroladamente em volta . Uma_dúzia de curiosos estavam ainda a observá os . - Vamos perder o comboio - murmurou o Ron . - Não compreendo porque motivo a cancela se fechou . Harry olhou para o relógio gigantesco com um sentimento de náusea em a boca de o estômago . Dez segundos , nove segundos ... Dirigiu o carrinho de transporte para a frente com toda_a força . O metal manteve se sólido . Três segundos ... dois segundos ... um segundo ... - Partiu - afirmou o Ron , que parecia estonteado . - O comboio foi se embora . E se a mãe e o pai não conseguem voltar para aqui ? Tens algum dinheiro de Muggle ? Harry deu uma gargalhada . - Os Dursleys não me dão um tostão há mais de seis anos ! Ron encostou o ouvido a a barreira . - Não se ouve nada - disse , bastante tenso . - O que vamos nós fazer ? Não sei quanto tempo o pai e a mãe vão demorar . Olharam em volta . As pessoas ainda estavam a observá os , principalmente devido a os contínuos guinchos de a Hedwig . - Acho que o melhor é sairmos de aqui e esperamos por eles junto de o carro - disse Harry . - Aqui estamos a atrair demasiado as aten ... - Harry - disse o Ron , com os olhos a brilhar . - É isso , o carro . - O que é_que tem ? - Podemos voar nele até Hogwarts ! - Mas eu pensei ... - Estamos em apuros , certo ? E temos de chegar a a escola , ou não ? E mesmo os feiticeiros menores de idade estão autorizados a usar a magia em uma emergência real , parágrafo dezanove , ou não sei quê , de a Restrição de ... O sentimento de pânico de Harry transformou se em entusiasmo . - E tu sabes voar nele ? - Não há problema - disse o Ron , andando com o carrinho a a volta e dirigindo se para a saída . - Anda de aí . Se em os apressarmos , conseguiremos sair atrás de o Expresso_de_Hogwarts . E afastaram se de o grupo de Muggles curiosos , abandonando a estação e voltando a a rua , onde o velho * _ Ford_Anglia * se encontrava estacionado . Ron abriu a bagageira com uma série de toques de varinha . Meteram lá dentro as malas , puseram a Hedwig em o assento de trás e entraram para a frente . - Verifica se ninguém está a ver - disse o Ron , ligando a ignição com outro toque de varinha . Harry pôs a cabeça fora de a janela : o trânsito enchia a avenida principal , mas a rua de eles estava vazia . - O. _ K. - disse . Ron carregou em um pequeno botão de o painel . Os carros em volta desapareceram assim_como eles . Harry sentia o assento a vibrar debaixo_de si , ouvia o motor , sentia as mãos sobre os joelhos e os óculos em o nariz , mas , tanto quanto conseguia ver , tornara se um par de olhos redondos flutuando um metro e pouco acima de o chão em uma rua suja , cheia de carros estacionados . - Vamos - disse a voz de o Ron , vinda de o seu lado direito . O chão e os prédios escuros de ambos os lados desapareceram de o seu ângulo de visão , mal o carro se elevou . Em poucos segundos toda_a cidade de Londres , enevoada e resplandecente , estava por baixo de eles . Em seguida , ouviu se um ruído que parecia o saltar de uma rolha e o carro , Harry e Ron , reapareceram . - Oh , oh - disse Ron , batendo em o intensificador de invisibilidade . - Está avariado ... Começaram os dois a bater em o botão . O carro desapareceu . Depois surgiu de forma intermitente . - Aguenta aí - gritou o Ron e carregou com o pé em o acelerador . Saltaram direitinhos para o meio de as nuvens mais baixas e tudo ficou sujo e enevoado . - E agora ? - exclamou Harry , piscando os olhos a a sólida massa de nuvens que os comprimia de todos os lados . - Precisamos de avistar o comboio para sabermos qual a direcção a tomar - explicou o Ron . - Desce rapidamente ... Desceram por o meio de as nuvens e voltaram se em os lugares , espreitando . - Estou a vê o - gritou Harry . - Mesmo em frente , ali . O Expresso_de_Hogwarts deslocava se a grande velocidade lá em baixo , como uma serpente vermelha . - Para Norte - disse o Ron , verificando a bússola de o painel . - O. _ k . , basta que verifiquemos de meia em meia_hora . Aguenta aí ... - e arrancaram por o meio de as nuvens . Em o minuto seguinte , tinham chegado a a luz brilhante de o Sol . Era um mundo diferente . Os pneus de o carro deslizavam sobre o mar de nuvens macias , o céu era de um azul infinito sob a luz , capaz de cegar , que irradiava de o Sol . - Agora só temos de nos preocupar com os aviões - disse o Ron . Olharam um para o outro e desataram a rir . Durante muito_tempo não conseguiram parar . Era como_se tivessem mergulhado em um sonho fabuloso . Aquela , pensou Harry , era certamente a única maneira de viajar : passando por turbilhões e torres de nuvens cor de neve , em um carro cheio de calor , o sol radioso , com um grande pacote de rebuçados em o porta-luvas e antegozando o ar de inveja de o Fred e de o George quando aterrassem suavemente e de forma espectacular em o relvado macio em frente de o castelo de Hogwarts . Espreitaram várias vezes o comboio enquanto voavam cada_vez_mais para norte . Cada descida entre as nuvens dava lhes uma perspectiva diferente . Londres depressa ficou para trás , substituída por campos verdejantes que , por sua vez , deram lugar a grandes pântanos arroxeados , aldeias com pequenas igrejas de brinquedo e uma grande cidade , cheia de vida , com carros que pareciam formigas multicores . Várias horas mais tarde sem acontecer nada de_novo , Harry teve de admitir que uma parte de o entusiasmo se esgotara . Os rebuçados tinham nos deixado cheios de sede e não havia nada para beber . Ele e o Ron tinham tirado as camisolas , mas a * _ T-shirt * de o Harry estava colada a as costas de o assento e os óculos não paravam de lhe escorregar para a ponta de o nariz . Deixara de reparar em as fabulosas formas de as nuvens e pensava com saudade em o comboio , milhas abaixo de eles , onde se podia comprar sumo fresquinho de abóboras em um carro empurrado por uma bruxa gordinha . Porque não teriam conseguido entrar em a plataforma nove_e_três quartos ? - Não pode ser muito mais longe , pois não ? - resmungou o Ron , horas mais tarde quando o Sol começava a enfiar se em o seu chão de nuvens , pintando as de um rosa profundo . - Estás pronto para outra espreitadela a o comboio ? Ainda ia mesmo por baixo de eles , abrindo caminho por_entre uma montanha com o topo coberto de neve . Estava muito mais escuro entre o dossel de nuvens . Ron pôs o pé em o acelerador e levou os de_novo para_cima , mas em esse momento o motor começou a chiar . Harry e Ron trocaram entre si olhares nervosos . - Deve estar só cansado - disse o Ron . - Nunca tinha vindo tão longe ... - E fingiram ambos que não davam por o gemido que se ia tornando maior à_medida_que o céu serenamente escurecia . As estrelas desabrochavam em a escuridão , Harry voltou a enfiar a camisola de lã , tentando ignorar os limpa pára-brisas que acenavam debilmente como_que a protestar . - Não devemos estar longe - disse Ron , dirigindo se mais a o carro do_que a o amigo . - Já não devemos estar longe - deu umas palmadinhas nervosas em o * tablier * . Pouco depois , quando voltaram a voar em o meio de as nuvens , tiveram de olhar de lado em a escuridão , em busca de um ponto de referência que conhecessem . - Ali - gritou Harry , fazendo o Ron e a Hedwig darem um salto . - Mesmo em frente . Recortados em o horizonte negro , sobre o rochedo de o outro lado de o lago , erguiam se as torres e torreões de o castelo de Hogwarts . Mas o carro tinha começado a estremecer e perdia a os poucos velocidade . - Vá lá - disse o Ron , dando a o volante um pequeno abanão bajulador . - Estamos quase a chegar , vá lá ... O motor gemeu . Pequenos jactos de vapor de água brotaram de o capo . Harry deu consigo agarrado com toda_a força a os bordos de o assento enquanto voavam direitos a o lago . O carro deu um solavanco feio . Espreitando por a janela , Harry viu a superfície negra , macia e espelhada de a água cerca de uma milha abaixo de eles . Os dedos de o Ron agarrados a o volante tinham as articulações brancas . O carro deu um novo esticão . - Vá lá - murmurou o Ron . Estavam sobre o lago ... o castelo ficava mesmo em frente . Ron fez força com o pé . Houve um ruído surdo , uma crepitação e o motor morreu por completo . - Oh ! oh ! - gemeu Ron em o silêncio . O nariz de o carro voltou se para baixo . Estavam a cair , ganhando velocidade em direcção a os muros sólidos de o castelo . - Naaaaão ! - gritou o Ron , girando o volante . Escaparam a a muralha de pedra negra por centímetros , quando o carro fez um grande arco , planando primeiro sobre as estufas , depois sobre o rectângulo plantado com vegetais e , por fim , sobre os relvados , perdendo sempre velocidade . Ron largou o volante por completo e tirou a varinha de o bolso de trás . - __ pára ! __ pára ! - gritou , batendo em o * tablier * e em o pára-brisas , mas eles continuavam a mergulhar , o chão a voar em direcção a eles . - : __ cuidado com essa __ árvore ! ! ! - bramiu Harry , deitando a mão a o volante , mas ... tarde de mais ... CRUNCH . Com um ruído ensurdecedor de metal e madeira , bateram em o tronco espesso de a árvore e caíram em o chão com um forte solavanco . O vapor era um mar debaixo de o capo amachucado . A Hedwig tremia apavorada . Em a cabeça de Harry surgira um alto de o tamanho de uma bola de golfe , quando ele batera em o pára-brisas , tombando em seguida para a direita . Ron soltou um gemido longo e desesperado . - Estás O. _ K ? - perguntou Harry , aflito . - A minha varinha - disse o Ron em uma voz trémula . - Olha para a minha varinha . Tinha se partido praticamente em duas , a ponta balouçava mole , presa por meia_dúzia de esquírolas . Harry abriu a boca para dizer que em a escola com certeza conseguiriam consertá a , mas nem chegou a começar a frase . Em esse preciso momento , algo bateu em o seu lado de o carro , com a força de um touro , projectando o para_cima de o Ron , ao_mesmo_tempo que um golpe igualmente forte se sentiu em o capô . - O que está a acontec ... Ron arfou , olhando fixamente por o pára-brisas e Harry olhou em volta , mesmo a_tempo_de ver uma ramada espessa como uma píton vir contra o vidro . A árvore em que tinham batido estava a atacá os . O tronco dobrara se quase a meio e os seus galhos rugosos davam uma tareia a cada centímetro de o carro que conseguiam atingir . - Ah ! - praguejou o Ron , quando outra pernada retorcida esmurrou a sua porta , amolgando a . O pára-brisas tremia agora sob uma saraivada de golpes vindos de galhos que pareciam patas de animais e uma ramada espessa como um aríete esmagava furiosamente o capo , que parecia estar a ceder ... - Corre ! - gritou o Ron , lançando o seu peso contra a porta , mas , em o momento seguinte , tinha sido atirado para trás , para o colo de Harry por um soco maldoso , dado de baixo para_cima , por outro ramo . - Estamos feitos ! - resmungou , enquanto o tecto descaía . Mas , de repente , o chão de o carro estava a vibrar , o motor pegara . - Marcha atrás - gritou o Harry e o carro deu um salto para trás . A árvore tentava ainda agredis os , ouviam as raízes chiar , enquanto quase se partiam esticando se para os alcançar . - Escapámos por_pouco ! - exclamou o Ron . - Muito bem , carro . Mas o carro tinha atingido o limite de as suas forças . Com dois estalidos , as portas abriram se e Harry sentiu o seu assento inclinar se para o lado . Quando deu por si , estava estatelado em o chão húmido . Ruídos surdos avisaram o de que o carro estava a ejectar as malas de a bagageira . A gaiola de a Hedwig voou por os ares e abriu se . Ela saiu a voar com um pio furioso e dirigiu se a o castelo , sem sequer olhar para trás . Em seguida , o carro , amolgado , arranhado e a fumegar , arrancou em o escuro , com os faróis traseiros ardendo de fúria . - Volta aqui ! - gritou o Ron , brandindo a varinha partida . - O meu pai mata me . Mas o carro desapareceu a perder de vista , com um último estoiro de o tubo de escape . - Já viste bem o nosso azar ! ? - exclamou o Ron em o meio de a sua infelicidade , baixando se para apanhar o rato Scabbers . - De todas_as árvores em que podíamos ter batido , tínhamos de ir dar a uma que bate também . Olhou por cima de o ombro para a velha árvore que ainda agitava os ramos ameaçadoramente . - Vamos - disse Harry , fatigado . - É melhor irmos andando para a escola ... Não foi , de modo algum , a chegada triunfal que tinham imaginado . Constrangidos , cheios de frio e magoados , pegaram em as malas e começaram a arrastá as por o relvado acima , em direcção a as grandes portadas de carvalho . - Acho que o banquete já começou - disse o Ron , largando a mala em os degraus de a entrada e atravessando devagarinho para espreitar por uma janela iluminada . - Harry , anda ver , é a distribuição . Harry apressou se e os dois , ele e o Ron , espreitaram para o Salão_Nobre . Um número infindável de velas pairava em o ar , sobre quatro mesas enormes cheias de gente , fazendo brilhar os pratos dourados e as taças . Em cima , o tecto encantado que espelhava o céu lá de_fora , brilhava cheio de estrelas . Por_entre a floresta de chapéus pretos pontiagudos de Hogwarts , Harry viu uma longa fila de alunos de o primeiro ano com olhares assustados que enchia o vestíbulo . Ginny estava entre eles , facilmente reconhecível devido a o seu chamativo cabelo Weasley . Enquanto isso , a professora Mc_Gonagall , uma bruxa de óculos com cabelo castanho apanhado em um carrapito , colocava o famoso chapéu seleccionador em um banco que se encontrava em frente de os novos alunos . Todos os anos , aquele velho chapéu , remendado , puído e cheio de pó , seleccionava alunos para as quatro equipas de Hogwarts ( Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin ) . Harry lembrava se bem de o ter colocado em a cabeça , precisamente um ano antes , e ter esperado petrificado por a sua decisão , enquanto ele lhe murmurava a o ouvido . Durante alguns horríveis segundos receara que o chapéu o mandasse para os Slytherin , a equipa que produzia maior número de feiticeiros e feiticeiras de magia negra , mas acabara por ficar em os Gryffindor , juntamente com Ron e Hermione e o resto de os Weasley . Em o último período , Harry e Ron tinham ajudado os Gryffindor a vencer o campeonato de a equipa , batendo os Slytherin pela_primeira_vez em sete anos . Um rapazito baixinho com cabelo de rato acabava de ser chamado para pôr o chapéu em a cabeça . Os olhos de Harry saltavam de ele para o lugar onde o professor Dumbledore , o director , estava sentado , observando a selecção de a mesa de os professores , com a sua longa barba cor de prata e óculos de meia-lua que brilhavam a a luz de as velas . Alguns lugares a a frente , Harry viu Gilderoy_Lockhart com um manto verde-azulado . E lá bem a o fundo estava Hagrid , enorme e cabeludo , bebendo satisfeito de a sua taça . - Espera aí - murmurou a o Ron . - Há um lugar vazio em a mesa de os professores . Onde estará o Snape ? Severus_Snape era o professor de quem Harry menos gostava . Harry era também o seu aluno menos querido . Cruel , sarcástico e detestado por todos com excepção de os alunos de a sua própria equipa ( Slytherin ) , Snape tinha a seu cargo a cadeira de Poções . - Talvez esteja doente - sugeriu Ron , cheio de esperança . - Talvez se tenha ido embora - lembrou Harry . - Por não lhe terem dado outra_vez a Defesa contra as artes negras . - Ou talvez tenha sido corrido - propôs Ron com entusiasmo . - Afinal , toda_a_gente o detesta ... - Ou talvez - disse uma voz gelada atrás de eles - esteja a a espera que vocês lhe expliquem por_que motivo não vieram em o comboio de a escola . Harry deu uma volta . Em a sua frente , com o manto negro a ondular em uma brisa fria , estava Severus_Snape . O professor era um homem magro , de pele descorada , nariz adunco e um cabelo preto oleoso que lhe caía sobre os ombros . E em aquele momento sorria de um modo tal que Harry sentiu que tanto ele como Ron estavam em sérios apuros . - Sigam me - disse Snape . Sem ousarem sequer olhar um para o outro , Harry e Ron seguiram Snape por as escadas até a o amplo * hall * de entrada que estava iluminado por as chamas de os archotes . De o salão nobre vinha um cheirinho delicioso a comida , mas Snape levou os para longe de a luz e de o calor , em direcção a uma escada estreita de pedra que conduzia a os calabouços . - Entrem - ordenou , abrindo uma porta a meio de o corredor e apontando . Entraram a tremer em o escritório de Snape . As paredes sombrias estavam cobertas de prateleiras cheias de jarros de vidro grosso onde flutuavam as coisas mais diversas e repugnantes , cujo nome Harry não queria de momento conhecer . A lareira estava escura e vazia . Snape fechou a porta e voltou se de frente para eles . - Com que então - disse com falsa suavidade - o comboio não serve para o famoso Harry_Potter e o seu fiel companheiro Weasley . Queriam chegar em grande estilo , não era rapazes ? - Não senhor , foi a barreira em King's_Cross , ela ... - Silêncio - disse Snape friamente . -- _ o que fizeram a o carro ? Ron engoliu em seco . Aquela não era a primeira vez que Snape dava a Harry a impressão de ser capaz de ler pensamentos . Mas , pouco depois , compreendeu tudo quando Snape desenrolou o exemplar de o Profeta_Vespertino . - Vocês foram vistos - afirmou , mostrando lhes o cabeçalho : : __ ford anglia voador confunde __ muggles . Começou a ler alto a notícia . - Dois Muggles em Londres convenceram se de que tinham visto um carro velho a voar sobre a torre de os correios ... a a tardinha em Norfolk , Mrs._Hetty_Bayliss , enquanto pendurava a roupa ... Mr._Angus_Fleet_de_Peebles informou a polícia ... seis ou sete Muggles a o todo . Julgo que o teu pai trabalha em o departamento de mau uso dado a os objectos de os Muggles ? - disse olhando para Ron e sorrindo de uma forma ainda mais sarcástica . - Que peninha , o próprio filho ... Harry sentiu se como_se tivesse levado um soco em o estômago de uma de as maiores pernadas de a árvore louca . E se alguém descobrisse que Mr._Weasley tinha enfeitiçado o carro ? Ele ainda nem tinha pensado em isso . - Reparei durante a minha volta por o jardim que foi feito um estrago considerável em um salgueiro zurzidor extremamente valioso - continuou Snape . - Essa árvore fez nos pior a nós do_que nós ... - deixou escapar Ron . - Silêncio - interrompeu Snape , de_novo . - Infelizmente vocês não fazem parte de a minha equipa e a decisão de vos expulsar não está em as minhas mãos . Vou , por isso , buscar as pessoas que possuem essa feliz possibilidade . Esperem aqui . Harry e Ron olharam , pálidos , um para o outro . Harry perdera a fome . Sentia se agora extremamente agoniado . Tentava não olhar para uma coisa viscosa , suspensa em um líquido verde que estava em uma prateleira por detrás de a secretária de Snape . Se ele fora buscar a professora Mc_Gonagall , chefe de a equipa de os Gryffindor , não estavam muito melhor . Ela era mais justa do_que Snape , mas extremamente severa . Dez minutos mais tarde , Snape voltou e era , de facto , a professora Mc_Gonagall quem o acompanhava . Harry vira a professora Mc_Gonagall zangada , mas , ou se tinha esquecido de como a boca de ela ficava fina , ou nunca a vira tão zangada como em aquele dia . Levantou a varinha em o momento em que entrou . Harry e Ron estremeceram , mas ela limitou se a apontá a para a lareira onde as chamas se elevaram subitamente . - Sentem se - ordenou , e os dois recuaram para as cadeiras junto de o lume . - Expliquem se - disse com os óculos a brilhar de uma forma ameaçadora . Ron enveredou por a história começando por a barreira de a estação que se recusara a deixá os passar . - Por isso não tínhamos escolha , professora , não podíamos chegar a o comboio . - Porque não nos mandaram uma carta por a coruja ? Julgo que tens uma coruja ? - disse friamente a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a Harry . Harry olhou para ela sem saber o que dizer . - Parece me - continuou ela - que seria a coisa mais adequada . - Eu ... não pensei ... - Isso - disse a professora Mc_Gonagall - é bastante óbvio . Ouviu se bater a a porta de o escritório e Snape , que parecia agora mais feliz do_que nunca , foi abrir . Era o director , o professor Dumbledore . Harry ficou totalmente paralisado . Dumbledore tinha uma expressão grave . Olhou para eles de cima de o seu nariz adunco e Harry desejou estar ainda com Ron a levar uma sova de o salgueiro zurzidor . Fez se um longo silêncio . Em seguida , Dumbledore disse lhes : - Por favor , expliquem porque fizeram isto . Teria sido melhor se gritasse . Harry detestou sentir a decepção em a sua voz . Inexplicavelmente era incapaz de olhar Dumbledore em os olhos e falou em direcção a os seus joelhos . Disse lhe tudo excepto que o carro enfeitiçado pertencia a Mr._Weasley , dando a ideia de que ele e o Ron o tinham encontrado estacionado fora de a estação . Sabia que Dumbledore ia ver para_além de isso , mas o director não fez perguntas sobre o carro . Quando Harry terminou continuou a olhar para ele através de os seus óculos . - Nós vamos buscar as nossas coisas - disse Ron em um tom de voz sem esperança . - Que disparate é esse ? - rosnou a professora Mc_Gonagall . -- Então , vão expulsar nos , não vão ? - disse o Ron . Harry olhou rapidamente para Dumbledore . - Ainda não , Mr._Weasley - afirmou Dumbledore . - Mas vou assinalar a gravidade do_que vocês fizeram . Hoje a a noite escreverei a as vossas famílias . Estão também prevenidos que se voltarem a fazer uma coisa como esta não terei outro remédio senão expulsar vos . A expressão de Snape era como_se o Natal tivesse sido cancelado . Pigarreou e disse : - Professor_Dumbledore , estes rapazes infringiram o decreto para a restrição de a feitiçaria de os menores , causaram estragos consideráveis a uma árvore antiga e valiosa ... sem dúvida , actos de esta natureza ... - Cabe a a professora Mc_Gonagall decidir sobre os castigos de os rapazes , Severus - afirmou Dumbledore com toda_a calma . - Pertencem a a equipa de ela e são , portanto , de a sua responsabilidade . - Voltou se para a professora Mc_Gonagall . - Tenho de regressar a o banquete , Minerva , devo dar algumas informações . Venha Severus , há uma tarte de leite e ovos com um aspecto delicioso que quero mostrar lhe . Snape lançou um olhar de puro veneno a o Harry e a o Ron enquanto permitia que o afastassem de o seu escritório , deixando os a sós com a professora Mc_Gonagall que ainda os olhava como uma águia em fúria . - É melhor ires até a a ala hospitalar , Weasley , estás a sangrar . - Não é nada - disse Ron , limpando o corte com a manga para que ela o visse . - Professora , eu gostava de ver a minha irmã ser seleccionada . - A cerimónia de a selecção terminou - disse a professora Mc_Gonagall . - A tua irmã está também em os Gryffindor . - _ óptimo - exclamou Ron . - E por falar em os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall de forma cortante , mas Harry interrompeu a : - Professora , quando tirámos o carro , o ano escolar ainda não tinha começado , por isso os Gryffindor não deveriam perder pontos , pois não ? - terminou olhando a ansiosamente . A professora Mc_Gonagall lançou lhe um olhar penetrante , mas ele era capaz de jurar que ela quase tinha sorrido . Pelo_menos a boca não parecia tão fina . - Não vou tirar pontos a os Gryffindor - tranquilizou o . E o coração de Harry ficou mais leve . - Mas vocês os dois vão ter um castigo . Foi melhor do_que Harry imaginara . O facto de Dumbledore escrever a os Dursley não tinha a menor importância . Harry sabia perfeitamente que eles só lamentariam que o salgueiro zurzidor não o tivesse esmigalhado . A professora Mc_Gonagall ergueu a varinha de_novo apontou a a a secretária de Snape . Um grande prato de sanduíches , duas taças de prata e um jarro com sumo de abóbora gelado apareceram em menos_de um segundo . - Vocês vão comer aqui e , em seguida , vão direitinhos para o vosso dormitório - disse . - Eu também tenho de voltar para a festa . Mal a porta se fechou atrás de ela , Ron soltou baixinho um assobio . - Pensei que estávamos feitos - confessou , agarrando uma sanduíche . - Também eu - disse o Harry , orando também uma . - Mas já viste bem a nossa pouca sorte ? - insistiu o Ron com a boca cheia de frango e fiambre . - O Fred e o George voaram em aquele carro cinco ou seis vezes e nenhum Muggle os viu - engoliu outro pedaço enorme de a sanduíche . - Porque será que não conseguimos passar a barreira ? Harry encolheu os ombros . - Mas temos de ter muito cuidado a_partir_de agora - disse bebendo um grande trago de sumo de abóbora . - Que pena não termos podido ir a o banquete . - Ela não quis que nos exibíssemos - afirmou Ron com prudência . - Não vão as pessoas pensar que é uma boa chegar aqui de carro voador . Quando já tinham comido todas_as sanduíches que queriam ( o prato ia voltando a encher se sozinho ) , levantaram se e saíram de o escritório , seguindo o caminho que lhes era familiar , para a torre de os Gryffindor . O castelo estava em silêncio . Parecia que o banquete tinha acabado . Passaram por retratos murmurantes e armaduras que gemiam e subiram os degraus estreitos de pedra até que , por fim , chegaram a a passagem onde a entrada secreta para a torre de os Gryffindor se encontrava oculta por detrás de o quadro a óleo de uma dama gorda em um vestido cor-de-rosa . - A senha ? - perguntou ela mal os dois se aproximaram . - Er ... Eles ainda não tinham estado com o prefeito de os Gryffindor e por isso ainda não conheciam a senha para o novo ano , mas a ajuda não se fez esperar . Ouviram passos apressados atrás de eles e quando se voltaram viram Hermione que se aproximava . - Aí estão vocês . Onde é_que se meteram ? Correm os boatos mais ridículos , alguém disse que vocês tinham sido expulsos por espatifarem um carro voador . - Bem , expulsos não fomos - tranquilizou a Harry . - Não estás a dizer me que voaram até aqui ? - perguntou Hermione em um tom quase tão severo como a professora Mc_Gonagall . - Dispensa se o sermão - interrompeu Ron impacientemente . - E diz nos a nova senha de passagem . - É crista de pássaro - disse Hermione não contendo a impaciência . - Mas o mais importante não é isso ... Contudo as palavras de ela foram interrompidas ao_mesmo_tempo que o retrato de a dama gorda se abria e se ouvia uma tempestade de aplausos . A o que parecia a equipa de os Gryffindor estava ainda acordada , dentro de a sala comum em forma de círculo , junto de as mesas assimétricas e de os cadeirões moles a a espera que eles chegassem para , de braços estendidos através de o buraco de o retrato , puxarem Harry e Ron para dentro deixando Hermione para o fim . - Sensacional - gritou Lee_Jordan . - Inspirado ! Que entrada ! Voar em um carro e aterrar em o salgueiro zurzidor . Toda_a_gente vai falar de isto durante anos e anos . - Muito bem - disse um aluno de o quinto ano com quem Harry nunca tinha falado . Alguém dava lhe palmadas em as costas como_se ele acabasse de vencer a maratona . Fred e George abriram caminho por_entre a multidão e disseram ao_mesmo_tempo : - Por_que é_que não nos chamaram , hein ? - Ron estava vermelho como um pimentão , sorrindo envergonhado , mas Harry via perfeitamente uma pessoa que não estava nada contente . Percy elevava se acima de as cabeças de os excitados alunos de o primeiro ano e parecia estar a tentar aproximar se para os repreender . Harry deu uma cotovelada a o Ron e apontou em direcção a Percy . Ron percebeu de imediato . - Temos de ir para_cima , um_pouco cansados ! - explicou e os dois começaram a abrir caminho em direcção a a porta que ficava de o outro lado de a sala e que dava para a escada em espiral e para os dormitórios . - ` _ Noite - despediu se Harry_de_Hermione que tinha um ar tão carrancudo como Percy . Conseguiram chegar a o outro lado de a sala comum sempre a levarem palmadas em as costas e alcançaram o sossego de as escadas . Apressaram se a subir e , por fim , chegaram a a porta de o dormitório que tinha agora um letreiro a dizer « Segundos_Anos » . Entraram em o quarto circular , que conheciam tão bem , com as suas cinco camas de dossel adornadas de velado vermelho e as suas janelas altas e estreitas . As malas tinham sido trazidas para_cima e colocadas a os pés de as camas . Ron fez um sorriso culpado . - Sei que não devia ter gostado de aquilo , mas ... A porta de o dormitório abriu se e os outros rapazes de os Gryffindor entraram ; eram eles o Seamus_Finnigan , o Dean_Thomas e o Neville_Loogbottom . - Inacreditável - aplaudiu Seamus . - Incrível - aprovou o Dean . - Espantoso - exclamou o Neville , aterrado . Harry não pôde evitar também um sorriso . VI_Gilderoy_Lockhart_No dia seguinte , contudo , Harry não conseguiu sorrir . As coisas começaram a correr mal logo em o salão durante o pequeno-almoço . Debaixo de o tecto encantado ( em aquele dia triste e cinzento ) estavam as quatro grandes mesas de as equipas e sobre elas , terrinas de papa de aveia , pratos de arenque defumado , montanhas de torradas e pratadas de ovos com * bacon * . Harry e Ron sentaram se em a mesa de os Gryffindor , junto de Hermione que tinha o seu exemplar de * _ Viagens com Vampiros * totalmente aberto , encostado a um jarro de leite . Havia uma certa rigidez em a maneira como ela disse : - ` _ Dia - que mostrou a Harry que continuava a desaprovar o modo como tinham chegado a a escola . Por seu turno , Neville_Longbottom saudou os entusiasticamente . Neville era um rapazinho de cara redonda , muito dado a acidentes , com a pior memória que Harry tinha conhecido . - A entrega de correio deve estar a chegar , acho que a minha avó me vai mandar umas quantas coisas de que me esqueci ... Harry tinha começado a comer as papas de aveia , quando se ouviu um ruído tumultuoso em o ar e umas cem corujas entraram ao_mesmo_tempo , sobrevoando o salão e deixando cair cartas e pacotes em o meio de a multidão faladora . Um embrulho grande e rugoso caiu em a cabeça de Neville e , um segundo depois , uma coisa larga e cinzenta caiu em o jarro de a Hermione , enchendo os a todos de leite e penas . - Errol - gritou o Ron , puxando a coruja esfarrapada por as patas . Errol caíra inconsciente sobre a mesa com as pernas para o ar e um envelope vermelho húmido em o bico . - Oh , não ! - sobressaltou se Ron . - Ela está bem , ainda está viva - tranquilizou o Hermione , tocando suavemente em a Errol com a ponta de o dedo . - Não é isso , é ... aquilo . Ron apontava para o envelope vermelho . Parecera perfeitamente vulgar a Harry , mas Ron e Neville estavam ambos a observá o como_se esperassem que explodisse . - Qual é o problema ? - perguntou Harry . - Ela . Ela mandou me um * gritador * - disse Ron , quase sem voz . - É melhor abrires - aconselhou Neville em um murmúrio tímido - senão é pior . A minha avó uma_vez mandou me um que eu ignorei e ... - engoliu em seco - foi horrível . Harry olhava , ora para as suas caras , ora para o envelope vermelho . - O que é um * gritador * ? - perguntou . - Mas toda_a atenção de o Ron estava fixa em a carta que começara a fumegar por os cantos . - Abre a - intimou o Neville . - De aqui a poucos minutos já passou tudo . Ron estendeu uma mão trémula , retirou o envelope de o bico de a Errol e começou a abri o . Neville pôs os dedos em os ouvidos . Após uma fracção de segundo , Harry compreendeu porquê . Pensou em o primeiro momento que ela explodira . Um ruído ensurdecedor encheu o enorme salão , fazendo cair pó de o tecto . - ... : __ roubar o carro ! não me surpreendia nada se te expulsassem . espera só até te pôr as mãos em cima . será que não paraste para pensar em a nossa aflição quando vimos que o carro tinha __ desaparecido ... Os gritos de Mrs._Weasley , ampliados cem vezes em relação a o seu normal , fizeram os pratos e as colheres chocalhar em a mesa e ecoaram de forma ensurdecedora em as paredes de pedra . Vinha gente de todos os lados espreitar quem tinha recebido o * gritador * e Ron afundou se tanto em a cadeira que só se lhe via a testa carmesim . - ... : __ uma carta de o dumbledore ontem a a noite , o teu pai quase morria de vergonha . não foi esta a educação que te demos , tu e o harry podiam ter __ morrido ... Harry estava a ver quando é_que o seu nome viria a a baila . Tentou o melhor que pôde agir como_se não ouvisse a voz , mas aquilo estava a fazer com que os tímpanos lhe latejassem . - ... : __ profundamente decepcionada , o teu pai vai ter de se confrontar com um inquérito em o trabalho , tudo por tua culpa e , se pisas mais_uma_vez o risco , trago te para __ casa ! Seguiu se um silêncio ressonante . O envelope vermelho , que caíra de as mãos de o Ron , incendiou se e encaracolou se em cinzas . Harry e Ron estavam sentados de boca aberta , como_se uma onda gigante lhes tivesse passado por cima . Algumas pessoas riam e , a os poucos , o ruído de as conversas recomeçou . Hermione fechou o * _ Viagens com Vampiros * e olhou para o topo de a cabeça de Ron . - Bem , não sei o que esperavas , Ron , mas tu ... - Não me venhas dizer que mereci - interrompeu Ron . Harry afastou as papas de aveia . O estômago ardia lhe de culpa . Mr._Weasley tinha um inquérito em o trabalho , depois de tudo_o_que Mr. e Mrs._Weasley tinham feito por ele durante o Verão ... Mas não teve muito_tempo para se demorar em aqueles pensamentos . A professora Mc_Gonagall circulava em volta de as mesas de os Gryffindor distribuindo horários . Harry pegou em o seu e viu que começavam por ter Herbologia , juntamente com os Hufflepuff . Harry , Ron e Hermione saíram juntos de o castelo , atravessaram as hortas e chegaram a as estufas , onde estavam guardadas as plantas mágicas . O * gritador * tivera pelo_menos uma vantagem : Hermione parecia achar que já tinham sido suficientemente castigados e estava de_novo perfeitamente calorosa . Quando estavam a chegar a as estufas viram o resto de a classe de pé , cá fora , a a espera de a professora Sprout . Harry , Ron e Hermione tinham acabado de se lhes juntar quando a viram aproximar se a passos largos por o relvado , acompanhada de Gilderoy_Lockhart . A professora Sprout era uma bruxa pequenina e atarracada que usava um chapéu a os remendos sobre o cabelo solto . As roupas que vestia estavam sempre cheias de terra e as suas unhas fariam a tia Petúnia desmaiar . Gilderoy_Lockhart , pelo_contrário , tinha um ar imaculado em as suas vestes azul-turquesa , o cabelo doirado a brilhar debaixo_de um chapéu azul-turquesa , com uma fita dourada , perfeitamente posicionado sobre a cabeça . - Olá a todos ! - gritou Lockhart , dirigindo se a o grupo de estudantes . - Estive a mostrar a a professora Sprout a maneira correcta de tratar um salgueiro . Mas não quero que fiquem com a ideia de que sou melhor do_que ela em Herbologia . Acontece que encontrei várias de estas plantas exóticas , durante as minhas viagens .... - Estufa número três hoje , meninos ! - disse a professora Sprout que estava visivelmente descontente , bem diferente de a sua habitual natureza bem-disposta . Houve um murmúrio de interesse . Eles só tinham estado uma_vez em a terceira estufa , que era uma estufa que abrigava plantas bem mais interessantes e perigosas . A professora Sprout tirou uma enorme chave de o cinto e abriu a porta . Harry sentiu o bafo de a terra húmida com adubo misturado e o perfume forte de umas flores gigantescas , de o tamanho de guarda-chuvas , que estavam penduradas de o tecto . Ia seguir Ron e Hermione , quando a mão de o Lockhart o travou . -- Harry ! Tenho querido ter uma palavrinha contigo . Não se importa se ele chegar uns minutos atrasado , pois não , professora Sprout ? A julgar por a expressão carregada de a professora Sprout , importava se sim , mas Lockhart disse : - Então até já - e fechou a porta de a estufa em a cara de ela . - Harry ! - disse Lockhart , com os dentes brancos a brilharem a o sol , enquanto abanava a cabeça . - Harry , Harry , Harry ! Harry , totalmente perplexo , não disse uma palavra . - Quando ouvi dizer , bem , é claro que eu tive muita culpa , deviam castigar me também ... Harry não fazia ideia de que estava ele a falar , quando Lockhart prosseguiu : - Nunca me lembro de ficar tão chocado . Fazer voar um automóvel até Hogwarts ! Bem , é claro que eu percebi logo porque o fizeste . Foi um destaque em grande . Harry , Harry , Harry ! Era notável como ele conseguia mostrar todos aqueles dentes brilhantes , mesmo quando não estava a falar . - Criei te o gosto por a publicidade , não foi ? - perguntou Lockhart . - Passei te o bichinho . Apareceste comigo em a primeira página e não podias esperar para aparecer outra_vez ... - Oh , não , professor , sabe é_que ... - Harry , Harry , Harry - disse Lockhart aproximando se e tocando lhe em o ombro . - * _ Eu compreendo * . É natural querer um_pouco mais quando se lhe tomou o gosto , e eu culpo me por te ter dado esse conhecimento , porque era natural que te subisse a a cabeça , mas vê uma coisa , rapazinho , tu não podes começar a fazer voar carros para tentares ser notícia . Tens de acalmar , está bem ? Tens muito_tempo quando fores mais velho . Sim , sim , eu sei o que estás a pensar ! É fácil para ele falar assim , já é um feiticeiro internacionalmente famoso ! Mas quando eu tinha doze anos era tão zé-ninguém como tu és hoje . Em a verdade , era ainda mais . De ti , já meia_dúzia de pessoas ouviram falar , não é ? Toda aquela história com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . - Olhou para a cicatriz luminosa em a testa de Harry . - Eu sei , eu sei , não é o mesmo_que vencer o Prémio de o sorriso de o feiticeiro de a semana cinco vezes seguidas , como eu venci , mas é um começo , Harry , é um começo . Lançou lhe uma piscadela de olhos cordial e foi se embora . Harry ficou atarantado durante alguns segundos . Depois , lembrando se que deveria estar em a estufa , abriu a porta e esgueirou se lá para dentro . A professora Sprout estava de pé , por_detrás_de uma espécie de mesa em o meio de a estufa . Em cima de a mesa estavam cerca de vinte pares de abafo de ouvidos de diferentes cores . Quando Harry estava já em o seu lugar , entre Ron e Hermione , ela disse : - Hoje vamos transplantar Mandrágoras . Muito bem , quem sabe dizer me as propriedades de a Mandrágora ? Não foi surpresa para ninguém que a mão de a Hermione fosse a primeira em o ar . - A Mandrágora tem um efeito reparador muito poderoso - disse Hermione , com o ar mais normal de este mundo , como_se tivesse engolido o livro de texto . - É usada para fazer voltar as pessoas , que foram transfiguradas ou amaldiçoadas , a o seu estado original . - Excelente . Dez pontos para os Gryffindor ! - exclamou a professora Sprout . - A Mandrágora é parte integrante de a maior parte de os antídotos , mas também é perigosa . Quem sabe dizer me porquê ? A mão de Hermione por_pouco não bateu em os óculos de Harry , quando se ergueu de_novo . - O grito de a Mandrágora é fatal para quem o ouve - disse prontamente . - Precisamente . Dou lhe mais dez pontos - disse a professora Sprout . - Agora vejamos , as Mandrágoras que aqui temos são ainda muito jovens . Enquanto falava , apontou para uma fila de tabuleiros com uma certa profundidade e todos se chegaram a a frente para ver melhor . Cerca de uma centena de plantinhas tufosas de um verde arroxeado cresciam em filas . Pareceram perfeitamente vulgares a Harry , que não fazia a menor ideia do_que Hermione queria dizer com o * grito * de a Mandrágora . - Cada_um de vocês pode tirar um par de abafo de ouvidos - disse a professora Sprout . Houve uma competição renhida porque ninguém queria os cor-de-rosa , cheios de penugem . - Quando eu vos disser para os colocar , assegurem se de que os vossos ouvidos estão completamente tapados - disse a professora Sprout . - Logo_que seja seguro retirá os , eu levanto os dedos . Certo , pôr os abafos de os ouvido . Harry pôs imediatamente os abafos em os ouvidos . Eles fecharam completamente o som . A professora Sprout colocou também um par de abafos cor-de-rosa com penugem em os de ela , arregaçou as mangas de a túnica , agarrou uma de as plantas tufosas e puxou com toda_a força . Harry soltou um grito de surpresa que ninguém ouviu . Em_vez_de raízes , um bebé pequenino , enlameado e extremamente feio , saiu de a terra . As folhas cresciam lhe em o alto de a cabeça , tinha uma pele pintalgada de um pálido esverdeado e estava nitidamente a berrar a plenos pulmões . A professora Sprout tirou debaixo de a mesa um grande vaso de plantas e mergulhou lá dentro a Mandrágora , enterrando a em a mistura escura e húmida , até que só as folhas ficassem visíveis . Em seguida , limpou a terra de as mãos , levantou os dedos e todos eles retiraram os abafos de os ouvidos . - Como as nossas Mandrágoras são muito novas , os seus gritos ainda não matam - disse ela com grande calma , como_se tivesse feito algo tão normal como regar uma begónia . - Contudo , podem pôr vos a dormir durante várias horas e , como com certeza nenhum de vocês quer perder o primeiro dia de aulas , vejam se os abafos estão bem colocados enquanto trabalham . Eu chamarei vos a atenção quando for altura de os retirar . - Quatro em cada fila , há aqui uma grande quantidade de vasos , a mistura de terra está em os sacos ali a o fundo e tenham cuidado com a * _ Venomous_Tentacula * , estão a nascer lhe os dentes . Enquanto falava , deu uma pancada seca a uma planta vermelha escura cheia de pontas eriçadas , fazendo a encolher as longas antenas que tinham estado a avançar lenta e dissimuladamente sobre o seu ombro . A Harry , Ron e Hermione veio juntar se em a fila um rapaz de cabelo encaracolado de os Hufflepuff que Harry conhecia de vista , mas com quem nunca tinha falado . - Justin_Finch - _ Fletchey - disse ele com vivacidade , apertando a mão de o Harry . - Conheço te , claro , o famoso Harry_Potter ... e tu és a Hermione_Granger , sempre a primeira em tudo ( Hermione brilhou em um sorriso , como_se ele lhe tivesse apertado a mão ) e Ron_Weasley . Não era teu o carro voador ? Ron não sorriu . Não lhe saía de a cabeça o * gritador * . - Aquele Lockhart é o_máximo , não acham ? - disse Justin satisfeito , enquanto começavam a encher os vasos com composto de adubo de dragão . - Terrivelmente corajoso . Leram os livros de ele ? Eu teria morrido de medo se um lobisomem me tivesse encurralado em uma cabina telefónica , mas ele manteve se calmo e ... zap ... fantástico ! « Eu estava inscrito em Eton , sabem , não imaginam como estou feliz de ter vindo antes para aqui . É claro que a minha mãe ficou um_pouco desiludida , mas depois de lhe ter dado os livros de Lockhart a ler , tenho a impressão de que ela começou a ver a utilidade de ter um feiticeiro bem treinado em a família ... Depois de isso , não tiveram grandes oportunidades para conversar . Voltaram a pôr os abafos de ouvidos e era preciso concentrarem se em as Mandrágoras . A professora Sprout fizera as coisas parecerem extremamente simples , mas não eram . As Mandrágoras não gostavam de sair de a terra mas também não pareciam querer voltar para lá . Elas contorceram se , deram pontapés , agitaram as mãozinhas finas e rangeram os dentes . Harry levou dez minutos inteirinhos a tentar meter uma Mandrágora particularmente gorda dentro_de um vaso . Em o final de a aula , Harry , como todos os outros , estava a suar , cheio de dores e coberto de terra . Regressaram a o castelo a pé para um banho rápido e , em seguida , os Gryffindor apressaram se para assistir a a aula de transfiguração . As aulas de a professora Mc_Gonagall eram sempre complicadas , mas a de aquele dia era particularmente difícil . Tudo_o_que o Harry aprendera em o ano anterior parecia ter se lhe apagado de a memória durante o Verão . Ele deveria ser capaz de transformar uma barata em um botão , mas , tudo_o_que conseguiu foi fazer a barata praticar um imenso exercício , enquanto corria apressadamente por o tampo de a secretária evitando a varinha . Ron estava a debater se com problemas bastante piores . Tinha atado a varinha com uma fita mágica , mas parecia que não havia reparação possível . Não parava de crepitar e lançar faíscas em os momentos mais estranhos e , sempre_que Ron tentava transfigurar a barata , via se envolvido em um fumo cinzento espesso que cheirava a ovos podres . Incapaz de ver o que estava a fazer , o Ron esmagou , por engano , a barata com o cotovelo e teve de ir pedir que lhe dessem outra , o que deixou a professora Mc_Gonagall muito pouco satisfeita . Harry ficou aliviado quando ouviu tocar a campainha para o almoço . Sentia a cabeça como uma esponja espremida . Todos os alunos saíram em fila de a aula excepto ele e Ron que dava furiosas varadas em a secretária . - Coisa estúpida e inútil . - Escreve a os teus pais a pedir outra - sugeriu Harry , enquanto a varinha disparava com estrondo um foguete explosivo . - Ah pois , e receber outro * gritador * em a volta de o correio - respondeu Ron , metendo a varinha que já assobiava , dentro de o saco . - * _ A culpa é toda tua se a varinha está estragada * ... Desceram para o almoço e aí a disposição de o Ron não iria melhorar com Hermione a mostrar lhe uma mão-cheia de botões de casaco , perfeitinhos , que produzira em a transfiguração . - O que temos esta tarde ? - quis saber Harry , mudando rapidamente de assunto . - Defesa contra as artes negras - disse Hermione , sem perder tempo . - Porque é_que tu ... - perguntou Ron , pegando em o horário de ela - desenhaste corações em volta de as aulas de o Lockhart ? Hermione arrancou lhe o horário de as mãos , corando furiosa . Acabaram de almoçar e foram para o pátio carregado de nuvens . Hermione sentou se em um degrau de pedra e enfiou de_novo o nariz em as * _ Viagens com Vampiros * . Harry e Ron ficaram a falar de Quidditch durante alguns minutos antes de Harry se aperceber de que estava a ser observado de perto . Olhando para_cima viu o rapazinho pequenino com cabelo de rato que ele vira experimentar o chapéu seleccionador em a noite anterior , olhando para ele com uma expressão petrificada . Estava agarrado a o que parecia ser uma vulgar máquina fotográfica de os Muggles e , em o momento em que Harry olhou para ele , ficou todo vermelho . - Tudo bem , Harry ? Eu sou Colin_Creevey - disse , faltando lhe o ar e adiantando se a qualquer pergunta . - Estou em os Gryffindor também . Não te importavas que eu tirasse uma fotografia ? - perguntou , levantando a máquina cheio de expectativa . - Uma fotografia ? - repetiu Harry , inexpressivo . - Para eu provar que te conheci - disse Colin_Creevey cheio de ansiedade , continuando : - Eu sei tudo a teu respeito . Toda_a_gente me tem contado como sobreviveste quando O_Quem nós sabemos tentou matar te , como ele desapareceu depois de isso e como ficaste com a cicatriz em forma de relâmpago em a testa ( os seus olhos procuraram a linha de cabelo de Harry ) e um rapaz de o meu dormitório disse que se eu revelasse o filme em a posição certa ele mexia . - Colin respirou fundo , estremecendo de excitação e disse : - Isto_é fantástico , aqui , não achas ? Eu não sabia que todas_as coisas estranhas que fazia eram magia até a o dia em que recebi uma carta de Hogwarts . O meu pai é leiteiro . Também ele não queria acreditar . Por isso estou a tirar montes de fotografias para lhe mandar e era mesmo bom se tivesse uma tua - parecia implorar . - Talvez o teu amigo pudesse tirá a e assim eu ficava a o teu lado . E depois , podias assiná a ? - Assinar fotografias ? Estás a dar fotos autografadas , Potter ? Alta e mordaz , a voz de Draco_Malfoy ecoou em o pátio . Estava parado mesmo atrás_de Colin , ladeado , como sempre andava em Hogwarts , por os seus fortes guarda-costas Crabbe e Goyle . - Ei gente , façam bicha - gritou Malfoy a a multidão . - Harry_Potter está a dar fotos autografadas ! - Não estou coisa nenhuma - disse Harry , zangado , com os punhos em o ar . - Cala a boca , Malfoy . - Tu tens é inveja - começou a dizer Colin , cujo corpo era de o tamanho de o pescoço de Crabbe . - Inveja - repetiu Malfoy que não precisava de gritar mais , metade de o pátio estava a ouvi o . - De quê ? Não preciso de uma cicatriz em a cabeça , muito obrigado . Não acho que ter um corte em a testa torne alguém especial . Crabbe e Goyle riram estupidamente - Vai pastar caracóis , Malfoy - disse o Ron furioso . Crabbe parou de rir e começou a esfregar os nós de os dedos enormes de uma forma ameaçadora . - Tem cuidado , Weasley - escarneceu Malfoy . - Com certeza não queres começar uma rixa ou a tua mãezinha tem de vir cá para te tirar de a escola - e com uma voz aguda e penetrante : - * _ Se voltas a pisar o risco * ... Um grupo de alunos de o quinto ano de os Slytherin que estava ali perto , riu se bastante alto . - O Weasley gostaria de ter uma foto tua autografada , Potter - escarneceu de_novo Malfoy . - Era capaz de valer mais do_que a casa onde ele mora com a família . Ron sacou de a sua varinha amarrada com fita , mas Hermione fechou as * Viagens com Vampiros * com um estrondo e avisou : - Atenção . - O que é isto , o que é isto ? - Gilderoy_Lockhart aproximava se com o seu manto azul-turquesa girando em torvelinho atrás de ele . - Quem está a dar fotos autografadas ? Harry ia começar a explicar , mas foi interrompido quando Lockhart lhe pôs jovialmente o braço em cima de os ombros . - Mas que pergunta a minha ! Cá estamos nós de_novo , Harry ! Preso ao_lado_de Lockhart e a arder de humilhação , Harry viu Malfoy deslizar com o seu sorriso desdenhoso por o meio de a multidão . - Vamos lá então , Mr._Creevey - disse Lockhart , dirigindo se a Colin . - Uma foto dupla , já viu a sua sorte ? E assinamos a os dois para si . Colin ajustou a máquina e tirou a fotografia em o preciso momento em que a campainha tocava para as aulas de a tarde . - Está em a hora , todos para dentro - gritou Lockhart a a multidão e regressou a o castelo levando a o seu lado o Harry que só lamentava não conhecer um feitiço que o fizesse desaparecer . - Uma palavra só , Harry - disse Lockhart paternalmente , enquanto entravam em o edifício por uma porta lateral . - Eu ajudei te há bocado com o jovem Creevey porque se ele estivesse a fotografar me também a mim os teus colegas não reparariam tanto que estavas a exibir te ... Indiferente a a gaguez de Harry , Lockhart arrastou o para um corredor ladeado de alunos que os olhavam espantados e subiram uma escada . - Deixa me só dizer te uma coisa : dar fotografias autografadas em esta fase de a tua carreira , francamente , não é sensato , Harry , parece um_pouco megalómano . Pode ser que um dia mais tarde , tal_como eu , sejas obrigado a assinar para multidões onde quer que vás , mas - fez uma pequena pausa - não me parece que seja o caso , por enquanto . Tinham chegado a a aula de Lockhart e ele largou finalmente o Harry que sacudiu a túnica e foi sentar se em um lugar bem lá atrás onde começou por empilhar os livros de Lockhart a a sua frente para evitar olhar para a criatura . O resto de a aula entrou ruidosamente e Ron e Hermione foram sentar se um de cada lado de Harry . - Tu estavas vermelho como um pimentão - disse o Ron . - Reza para que o Creevey não se torne amigo de a Ginny senão bem podem criar o clube de * fans * de Harry_Potter . - Cala a boca - interrompeu Harry . A última coisa que desejava era que o Lockhart ouvisse a expressão « clube de * fans * de Harry_Potter « . Quando todos estavam em os seus lugares , Lockhart pigarreou alto e fez se silêncio . Ele inclinou se para a frente , pegou em o exemplar de Neville_Longbottom de * _ viagens com Duendes * e levantou o para mostrar a sua fotografia a piscar os olhos em a capa . - Eu - disse apontando para a fotografia e piscando também os olhos - Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , terceiro ano , membro honorário de a Liga_de_Defesa contra as artes negras e cinco vezes vencedor de o prémio de o * _ Feiticeiro de a semana * por o sorriso mais charmoso . Mas não vamos falar de isso , não venci a fada carpideira de Bandon a sorrir para ela ! Esperou que eles se rissem . Alguns alunos sorriram timidamente . - Já vi que todos vocês compraram a minha obra completa . Muito bem . Pensei começar hoje com um pequeno interrogatório escrito . Nada de complicado , só para perceber se leram bem os meus livros e o que apreenderam ... Depois de distribuir as folhas de teste voltou se para os alunos e disse : - Têm trinta minutos . Comecem já . Harry olhou para o papel e leu : *1 . Qual é a cor preferida de Gilderoy_Lockhart ? *2 . Qual é a ambição secreta de Gilderoy_Lockhart ? *3 . Qual é , em a sua opinião , a maior realização de Gilderoy_Lockhart até a o momento ? * E_por_aí adiante , ao_longo_de três páginas , terminando com : *54 . Qual é o dia de aniversário de Gilderoy_Lockhart e qual seria o seu presente preferido ? * Meia_hora mais tarde , Lockhart recolheu os pontos e folhou os rapidamente em frente de os alunos . - Tut , tut , quase ninguém se lembrou que a minha cor preferida é o lilás . Eu digo o em * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves * . Alguns precisam de voltar a ler com mais cuidado * Fim-de - _ Semana com Um Lobisomem * . Eu afirmo claramente em o décimo segundo capítulo que o meu presente de aniversário preferido seria a harmonia entre todos os seres , mágicos e não mágicos , embora não me importasse de receber uma garrafa grande de * whisky * velho de a Ogden's_Old_Firewhisky . Piscou lhes o olho de_novo . Ron olhava para Lockhart com uma expressão de incredulidade em o rosto . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas que estavam sentados a a frente tremiam de tanto conter o riso . Hermione , contudo , ouvia Lockhart com extrema atenção e deu um salto quando ouviu o seu nome . - Mas Miss_Hermione_Granger sabia que a minha ambição secreta era libertar o mundo de o mal e pôr a a venda a minha gama de poções de tratamento de o cabelo . Muito bem - voltou o papel . - Nota máxima ! Onde está Miss_Hermione_Granger ? Hermione ergueu uma mão trémula . - Excelente - bradou Lockhart , exultante . - Leva dez pontos para os Gryffindor . E vamos a o trabalho . Baixou se atrás de a secretária e pegou em uma grande gaiola coberta . - Ficam desde_já a saber , a minha função é preparar vos contra as criaturas mais malignas que a feitiçaria conhece . Vocês podem ter que enfrentar os maiores medos em esta sala . Saibam que nenhum mal vos sucederá comigo aqui . Só vos peço que se mantenham calmos . Ultrapassando os seus sentimentos , Harry espreitou através de a pilha de livros para ver melhor a gaiola . Lockhart colocou uma mão em a tampa . Dean e Seamus tinham deixado de se rir . Neville estava agachado em o seu lugar de a fila de a frente . - Vou pedir vos que não façam barulho - disse Lockhart em voz baixa . - Podem assustá os . Enquanto a aula inteira continha a respiração , Lockhart tirou a cobertura . - Sim - disse em um tom dramático . - Duendes_da_Cornualha recém-capturados . Seamus_Finnigan não conseguiu controlar se . Soltou uma gargalhada que nem Lockhart poderia confundir com um grito de terror . - Sim ? - sorriu a Seamus . - Bem , eles não são , não são perigosos , pois não ? - perguntou a rir . -- Não tenhas tanta certeza de isso - afirmou Lockhart , aborrecido , abanando um dedo , em direcção a Seamus . - Podem ser maçadores e muito traiçoeiros . Os duendes eram de um azul-eléctrico e tinham cerca de vinte centímetros de altura com feições angulosas e umas vozes tão estridentes que era como ouvir uma discussão entre araras . Logo_que o pano foi retirado , começaram a fazer uma enorme algazarra , a andar de um lado para o outro , batendo em as grades e fazendo caretas a as pessoas que estavam mais perto . - Muito bem - disse Lockhart em voz alta . - Vamos então ver o que vocês conseguem fazer de eles - e abriu a gaiola . Foi um pandemónio . Os duendes dispararam em todas_as direcções como foguetes . Dois de eles agarraram o Neville por as orelhas e levantaram o a o ar . Vários outros foram direitos a a janela , fazendo chover vidros partidos até a a fila de trás . Os restantes decidiram destruir a sala com maior eficácia do_que um rinoceronte em fúria . Agarraram em os tinteiros e salpicaram tudo em volta , rasgaram a os bocados livros e papéis , arrancaram os quadros de as paredes , levantaram a o ar a gaiola vazia , agarraram livros e sacos e lançaram nos por a janela de vidros estilhaçados . Em poucos minutos , metade de a aula estava abrigada debaixo de as secretárias e o Neville pendurado em o candelabro de o tecto . - Vamos lá , agarrem nos , agarrem nos , são apenas duendes ... - gritava Lockhart . Arregaçou as mangas , bramiu a varinha e pronunciou * Peshipiksi_Pesternomi ! * As palavras não tiveram o menor efeito . Um de os duendes pegou em a varinha de Lockhart e atirou a também por a janela fora . Lockhart engoliu em seco e mergulhou debaixo de a secretária , não sendo , por um triz , esmagado por o Neville que caiu um segundo depois , quando o candelabro cedeu . A campainha tocou e houve uma louca precipitação para a porta . Em a calma relativa que se seguiu , Lockhart endireitou se , olhou para Harry , Ron e Hermione que estavam quase a chegar a a porta e disse : - Bem , vou pedir vos a os três que prendam o resto de os duendes em a gaiola - passou por eles e fechou rapidamente a porta atrás_de si . - Isto dá para acreditar ? - resmungou o Ron , enquanto um de os duendes lhe mordia com toda_a força uma de as orelhas . - Ele só quer dar nos uma ajuda , permitindo nos ganhar experiência - justificou Hermione , imobilizando dois duendes de uma_vez com um encantamento de paralisação e metendo os de_novo em a gaiola . - Experiência ? - disse Harry , tentando agarrar um duende que dançava com a língua de_fora . - Hermione , ele não sabia nada do_que estava a fazer . - Disparate - retorquiu Hermione . - Leste os livros de ele . Vê só as coisas que ele já fez ! - Que diz que fez - resmungou o Ron . VII_Sangue de lama e murmúrios Harry passou imenso tempo , em os dias que se seguiram , a fugir sempre_que via Gilderoy_Lockhart aproximar se em o corredor . Mais difícil de evitar era Colin_Creevey que parecia ter decorado o horário de Harry . Parecia que nada o emocionava mais do_que dizer : - Tudo bem , Harry ? - seis ou sete vezes por dia e ouvir : - Olá , Colin - por mais exasperado que Harry estivesse quando lhe respondia . A Hedwig ainda estava zangada com Harry por causa de a desastrosa viagem de automóvel e a varinha de o Ron continuava a não funcionar , tendo ultrapassado tudo em a sexta-feira de manhã quando lhe saltou de as mãos em a aula de encantamentos e foi agredir o velho e baixinho professor Flitwick mesmo entre os olhos , deixando uma enorme bolha latejante em o sítio onde tinha batido . Por tudo_isso Harry via chegar , com satisfação , o fim_de_semana Planeava ir em o Sábado de anhã , com Ron e Hermione visitar o Hagrid . Mas foi acordado várias horas mais cedo do_que desejaria por Oliver ood , treinador de a equipa de Quidditch_dos_Gryffindor . - _ o que é_que se passa ? - perguntou Harry , enrolando as palavras . - Treino_de_Quidditch - disse Wood . - Vamos embora . Harry lançou um olhar de esguelha a a janela . Uma neblina fina pairava em o céu rosa e dourado . Agora_que estava acordado não percebia como pudera dormir com a algazarra que os pássaros faziam . - Oliver resmungou Harry . - É de madrugada . - Exacto - respondeu Wood . Era um rapaz alto e corpulento de o sexto ano e em aquele momento os olhos brilhavam lhe loucamente de entusiasmo . - Faz parte de o nosso novo programa de treinos . Anda lá , vai buscar a vassoura e vamos embora - insistiu Wood empenhado . - Nenhuma de as outras equipas começou ainda a treinar . Vamos ser os primeiros este ano ... A bocejar e a tremer um_pouco , Harry saltou de a cama e tentou descobrir as suas túnicas de Quidditch . - Bem , encontramo nos em o campo , dentro_de quinze minutos . Depois de descobrir a sua roupa escarlate de equipa e pôr o manto por cima para se aquecer , Harry escreveu a o Ron um bilhete a explicar onde tinha ido e desceu por a escada de espiral para a sala comum com a sua Nimbos dois inil a o ombro . Tinha acabado de chegar junto de o buraco de o retrato quando ouviu um barulho atrás_de si e viu Colin_Creevey descer a escada de espiral com a máquina fotográfica pendurada a o pescoço a balouçar como louca e uma coisa em a mão . - Ouvi alguém chamar o teu nome em as escadas , Harry olha o que tenho aqui . Revelei a e queria mostrar te . Harry olhou assombrado para a fotografia que Colin lhe espetava em frente de o nariz . Um Lockhart a preto e branco movia se , puxando com toda_a força um braço que Harry reconheceu como sendo o seu . Ficou satisfeito a o constatar que estava a resistir bastante bem , recusando se a ser trazido para a vista de todos . Enquanto Harry observava , Lockhart desistiu e desinteressou se de lutar contra a parte branca de a fotografia . - Assinas para mim ? - pediu Colin entusiasmado . - Não - respondeu secamente Harry , olhando em volta para verificar se o caminho estava livre . - Desculpa_Colin , mas estou cheio de pressa , treino de Quidditch . Passou por o buraco de o retrato . - Oh Uau ! Espera por mim . Eu nunca vi um jogo de Quidditch . Colin trepou por o buraco de o retrato atrás de ele . - Vai ser uma chatice para ti - disse Harry rapidamente , mas Colin ignorou o comentário . Todo o seu rosto brilhava de satisfação . - Tu foste o jogador mais novo de a equipa em cem anos , não foste Harry ? Não foste ? - perguntava Colin , trotando para o acompanhar . - Deve ser fantástico . Eu nunca voei . É fácil ? Essa vassoura é a tua ? É a melhor que há ? Harry não sabia como ver se livre de ele . Era como ter uma sombra que não se calava . - Eu não percebo nada de Quidditch - disse Colin , já sem fôlego . - É verdade que há quatro bolas ? E que duas anda n a voar , tentando fazer os jogadores caírem de as vassouras ? - Sim - disse Harry lentamente , resignado com o ter de lhe explicar as complicadas regras de o Quidditch . - São as * bludgers * . Há dois * beaters * em cada equipa que têm bastões para bater em as * bludgers * e lançá as para o outro lado . O Fred e o George_Weasley são os * beaters * de os Gryffindor . - E para que servem as outras bolas ? - perguntou Colin , saltando uma série de degraus porque ia a olhar para o Harry de boca aberta . - Bem , a * quaffle * , que é a vermelha grandalhona , é a que marca os golos . Três * chasers * em cada equipa lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam fazes a entrar em as balizas que ficam em o extremo de o campo onde há três grandes postes com argolas em as pontas . - E a quarta bola ? - A * snitch * dourada - explicou Harry . - É muito pequenina e veloz e extremamente difícil de agarrar . Mas é isso que o * seeker * tem de fazer , porque o jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * for agarrada . E o * seeker * que conseguir agarrá a ganha para a sua equipa mais cento_e_cinquenta pontos . - E tu és o * seeker * de os Gryffindor , não és ? - perguntou Colin respeitosamente . - Sim - disse Harry enquanto saíam de o castelo e começavam a atravessar o relvado . - E há também o * keeper * que toma conta de os postes . É isto . Mas Colin não parou de fazer perguntas desde os relvados macios até a o campo de Quidditch e Harry só se viu livre de ele quando chegaram a os vestiários . Colin gritou em uma voz aguda : - Eu vou arranjar um lugar , Harry - e apressou se em direcção a as bancadas . O resto de a equipa de os Gryffindor já se encontrava em os vestiários . Wood era o único que tinha aspecto de estar bem acordado . Fred e George_Weasley estavam sentados com olhos de sono e cabelos desgrenhados junto de Alicia_Spinnet de o quarto ano que parecia inclinar se contra a parede que tinha atrás_de si . Os seus companheiros * chasers * , Katie_Bell e Angelina_Johnson bocejavam em frente de ela . - Até que enfim , Harry , porque é_que demoraste tanto ? - perguntou Wood cheio de actividade . - Eu queria ter uma pequena conversa convosco antes de entrarmos propriamente em campo porque passei o Verão a conjecturar um novo programa de treinos que acredito vai estabelecer grandes mudanças . Wood tinha em as mãos um grande mapa de um campo de Quidditch onde estavam desenhadas muitas linhas , setas e cruzes a tinta de várias cores . Pegou em a varinha , bateu com ela em o quadro e as setas começaram a mover se em o mapa como tractores . Enquanto Wood se lançava em um discurso sobre as suas novas técnicas , a cabeça de Fred_Weasley caiu sobre o ombro de Alicia_Spinnet e ele começou a ressonar . O primeiro mapa levou quase vinte minutos a explicar , mas debaixo de esse havia outro e ainda um terceiro . Harry caiu em uma letargia enquanto Wood continuava indefinidamente . - Então - disse por fim o treinador , arrancando Harry de a avidez de uma fantasia sobre o que poderia estar a comer se se encontrasse em aquele momento em o castelo . - Ficou tudo claro ? Alguma pergunta ? - Eu tenho uma pergunta , Oliver - disse George que acordou estremunhado . - Porque não nos explicaste tudo_isso ontem , quando estávamos acordados ? Wood não ficou nada satisfeito . - Ouçam bem , vocês todos - disse , voltando se para eles mal-humorado . - Nós deveríamos ter ganho a taça de Quidditch o ano passado . Somos de longe a melhor equipa , mas , infelizmente , devido_a circunstancias que estão para_além de o nosso controlo ... Harry mudou de posição em a cadeira sentindo se culpado . Estivera inconsciente em o hospital durante o campeonato final de o ano anterior o que fez com que os Gryffindor com um jogador a menos tivessem sofrido a pior derrota de os últimos trezentos anos . Wood levou um momento a controlar se . Era evidente que a última derrota ainda o torturava . - Portanto , este ano vamos fazer um treino mais duro , como nunca se fez . O. _ K. , vamos lá pôr as teorias em prática - gritou , pegando em a vassoura e conduzindo os para fora de o vestiário . Com as pernas trôpegas e ainda a bocejar , a equipa seguiu o . Tinham estado tanto tempo lá dentro que o sol já tinha nascido e brilhava em o céu embora uma réstia de neblina pairasse ainda sobre o relvado de o campo . Quando Harry entrou em campo viu Ron e Hermione sentados em as bancadas . - Ainda não acabaram ? - perguntou Ron em um tom incrédulo . - Ainda nem começamos - explicou Harry , olhando cheio de inveja para a torrada com doce de laranja que Ron e Hermione tinham trazido de o salão . - O Wood tem estado a ensinar nos as jogadas . Subiu para a vassoura e deu um pontapé em o chão , elevando se em o ar . O ar fresco de a manhã bateu lhe em o rosto fazendo o acordar com mais eficácia do_que o longo discurso de Wood . Era maravilhoso voltar a estar em o campo de Quidditch . Voou em volta de o estádio a toda a a velocidade competindo com Fred e George . - Que barulhinho estranho é aquele ? - perguntou o Fred quando deram a volta . Harry olhou para as bancadas . Colin estava sentado em um de os lugares mais altos com a máquina fotográfica em o ar , tirando fotografia sobre fotografia , o som estranhamente ampliado em o estádio deserto . - Olha para ali , Harry , para ali - gritava de forma estridente . - Quem é aquele ? - perguntou Fred . - Não faço ideia - mentiu Harry , disparando a_toda_a velocidade e distanciando se o mais possível de Colin . - O que se passa aí ? - perguntou Wood , franzindo a testa enquanto corria por os ares atrás de eles . - Porque está aquele aluno de o primeiro ano a tirar fotografias ? Não me agrada . Pode ser um espião de os Slytherin a tentar descobrir o nosso novo programa de treinos . - Ele é de os Gryffindor - disse Harry rapidamente . - E os Slytherin não precisam de um espião , Oliver - completou George . - Porque dizes isso ? - perguntou Wood irritado . - Porque estão aqui em peso - disse George , apontando com o dedo . Vários indivíduos com túnicas verdes vinham em aquele momento a entrar em o campo de vassouras em a mão . - Não posso acreditar - reagiu Wood , sentindo se ultrajado . - Eu reservei o estádio para hoje . Já vamos ver como é_que isto fica ! Wood baixou direito a o chão sendo levado por a fúria a aterrar com mais força do_que pretendia e a cambalear um_pouco quando começou a andar seguido de o Harry e de o Ron . - Flint - bradou para o treinador de os Slytherin . - Este é o nosso tempo de treino . Levantámo nos de propósito . Vocês têm de sair de aqui . Marcus_Flint era ainda mais corpulento do_que Wood . Tinha em o rosto uma expressão de duende travesso quando respondeu : - Há espaço para todos , Wood . Angelina , Alicia e Katie tinham vindo também . Em a equipa de os Slytherin não havia raparigas que enfrentassem a o lado de os rapazes os Gryffindor . - Mas eu reservei o estádio - repetiu Wood de modo afirmativo , cuspindo de raiva . - Reservei o . - Ah ! - exclamou Flint . - Mas eu tenho aqui uma licença especial assinada por o professor Snape . * _ Eu , professor Snape , autorizo a equipa de os Slytherin a praticar hoje em o campo de Quidditch devido a a necessidade de treinar o seu novo seeker . * - Têm um novo * seeker * ? - perguntou Wood perturbado . - Onde ? E detrás de as seis figuras corpulentas que tinham em a frente , viram surgir uma sétima : um rapaz mais pequeno com um sorriso afectado espelhado em o rosto pálido e anguloso . Era_Draco_Malfoy . - Não és o filho de o Lucius_Malfoy ? - perguntou Fred , olhando para ele com antipatia . - Curioso que refiras o pai de o Draco - disse Flint enquanto toda_a equipa de os Slytherin sorria de modo grosseiro . - Deixem me mostrar vos a generosa oferta que ele fez a a equipa de os Slytherin . Os sete exibiram as suas vassouras . Sete cabos novos , polidos , com inscrições em letras douradas de as palavras « Nimbus dois_mil_e_um « brilharam a o sol de a manhã , em frente de o nariz de os Gryffindor . - O último modelo . Só chegou em o mês passado - disse Flint , displicentemente , sacudindo a poeira de o cabo de a sua vassoura . - Julgo que ultrapassam de longe as velhas séries de dois_mil . Quanto a as Cleansweeps - sorriu de forma mesquinha para Fred e George que tinham ambos Cleansweep_Fives - essas já só servem para varrer . Nenhum de os Gryffindor foi capaz de abrir a boca em aquele momento . Malfoy sorria tanto que os seus olhos de gelo estavam reduzidos a duas rachas . - Oh vejam - disse Flint . - Uma invasão de o campo . Ron e Hermione atravessavam o relvado para ver o que se passava . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron a o Harry . - Porque não estão a jogar e o que faz ele aqui ? Olhava para Malfoy em as suas vestes de Quidditch . - Sou o novo * seeker * de os Slytherin , Weasley - disse Malfoy com ar presumido . - Têm estado todos a admirar as vassouras que o meu pai comprou para a nossa equipa . Ron olhou de boca aberta para as sete vassouras que tinha em a frente . - São boas , não são ? - disse Malfoy untuosamente . - Mas talvez a equipa de os Gryffindor consiga levantar algum ouro e comprar também vassouras novas . Vocês podiam levar essas Cleansweep_Fives a leilão , talvez algum museu esteja interessado . A equipa de os Slytherin riu se a bandeiras despregadas . - Pelo_menos em os Gryffindor ninguém teve de comprar a sua entrada - disse secamente Hermione . - Entraram todos por mérito próprio . O ar presumido de Malfoy desapareceu . - Ninguém pediu a tua opinião , sangue de lama - cuspiu Malfoy . Harry apercebeu se , de imediato , que Malfoy dissera algo muito grave porque houve uma tremenda algazarra em o seguimento de as suas palavras . Flint teve que se pôr a a frente de o Malfoy para evitar que Fred e George se atirassem a ele . Alicia bradou : - Como te atreves ? - E Ron meteu a mão em as vestes e sacou de a varinha mágica , gritando : - Vais pagar por o que disseste , Malfoy ! - e apontou a , furioso , por debaixo de o braço de Flint , a o rosto de Malfoy . Um enorme estrondo , ecoou em o estádio e um jacto de luz verde saiu por a extremidade errada de a varinha de Ron , atingindo o em o estômago e projectando o para trás em direcção a o relvado . - Ron ! Ron ! Estás bem ? - gritou Hermione . Ron abriu a boca para falar , mas nenhuma palavra saiu . Em vez de isso , teve um vómito imenso e várias lesmas saíram lhe de a boca , indo cair lhe em o colo . A equipa de os Slytherin ficou paralisada de riso . Flint estava dobrado , agarrado a a vassoura nova . Malfoy , a quatro , batia com o punho em a chão . Os Gryffindor rodeavam o Ron , que continuava a vomitar lesmas enormes e reluzentes . Ninguém queria tocar lhe . - É melhor levá o para_casa de o Hagrid . É o mais perto - disse Harry_a_Hermione , que acenou afirmativamente , e os dois arrastaram o Ron por os braços . - O que aconteceu , Harry ? O que aconteceu ? Ele está doente ? Mas tu podes curá o , não podes ? - Colin descera a correr de o lugar onde estava sentado e dançaricava em frente de eles , enquanto abandonavam o campo . Ron teve um novo arremesso e mais lesmas saíram de a sua boca . - Oooh ! - exclamou Colin fascinado , levantando a máquina fotográfica . - Podes mantê o quieto , Harry ? - Sai de a minha frente , Colin - gritou Harry zangado . Ele e a Hermione conseguiram levar o Ron para fora de o estádio , atravessar os campos e chegar a a beira de a floresta . - Está quase , Ron - disse Hermione , mal avistaram o casebre de o guarda de os campos . - Vais ficar bem dentro_de um minuto ... está quase ... Estavam a sessenta metros de a casa de Hagrid , quando a porta de a frente se abriu . Mas não foi Hagrid quem saiu de lá , e sim Gilderoy_Lockhart , em uma túnica cor de malva . - Rápido , vamos esconder nos aqui - sussurrou Harry , arrastando Ron para trás de um arbusto que havia ali perto . Hermione acompanhou o , embora um_pouco relutante . -- É muito simples quando se sabe o que se está fazer ! - gritava Lockhart_para_Hagrid . - Se precisar de ajuda , sabe onde estou . Vou dar lhe um exemplar de o meu livro . Espanta me que ainda não o tenha . Logo a a noite autografo o e envio lhe o . Bem . até a a próxima ! - e afastou se em direcção a o castelo . Harry esperou que Lockhart desaparecesse , antes de puxar o Ron de trás de o arbusto até a a casa de o Hagrid . Bateram ansiosamente . Hagrid apareceu logo com um ar mal-humorado , que se dissipou quando viu quem era . - Já me tinha perguntado quand'é que vocês vinham ver me , entrem , entrem , pensei qu'era outra_vez o professor Lockhart . Harry e Hermione ajudaram Ron a subir o degrau que dava acesso a a cabana de uma divisão com uma cama enorme a um de os cantos e uma lareira a crepitar alegremente em o outro . Hagrid não pareceu perturbado com o problema de as lesmas de o Ron que Harry lhe explicou precipitadamente , logo_que sentou o Ron em uma cadeira . - Melhor saírem de o qu'entrarem - disse , em um tom bem-disposto , colocando uma grande bacia de cobre em frente de ele . - Deita as todas fora , Ron . - Acho que não há mais_nada a fazer , a não ser esperar que isto pare - disse Hermione ansiosamente , vendo Ron inclinar se para a bacia . - É uma maldição muitas_vezes difícil , mas com uma varinha partida ... Hagrid andava de um lado para o outro a preparar o chá . O cão de ele , Fang , babava se em cima de o Harry . - O que é_que o Lockhart queria de ti ? - perguntou o Harry , coçando as orelhas de o Fang . - Ensinar me a tirar espíritos aquáticos com forma de cavalos d'uma nascente d'água - resmungou Hagrid , retirando de a mesa pequena um galo meio depenado e colocando em o seu lugar o bule . - Como s'eu não soubesse . E contar me uma peta qualquer d'uma fada carpideira que ele venceu . Engulo essa chaleira , se uma palavra do_que ele disse for verdade . Não era hábito de Hagrid criticar um professor de Hogwarts e Harry olhou para ele com alguma surpresa . Mas Hermione disse em uma voz mais aguda do_que de costume : - Acho que estás a ser injusto . O professor Dumbledore obviamente achou que era o melhor homem para o lugar ... - Era o único - explicou Hagrid , oferecendo lhes um prato de bombons de melaço enquanto Ron tossia para a bacia . - E não havia mais ninguém . Não é fácil encontrar quem queira dar Artes de magia negra . As pessoas não gostam de essa matéria . Começam a pensar que está amaldiçoada , ninguém ficou muito_tempo a dá a . Mas digam me lá - continuou Hagrid , inclinando a cabeça para Ron - quem é qu'ele estava a tentar amaldiçoar ? - O Malfoy chamou qualquer coisa a a Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si . - Foi grave , sim - disse o Ron com voz rouca , emergindo a a superfície de a mesa , pálido e transpirado . - O Malfoy chamou lhe sangue de lama , Hagrid . - Ron desapareceu outra_vez quando uma nova onda de lesmas fez o seu aparecimento . Hagrid estava indignado . - Não posso crer - exclamou , dirigindo se a Hermione . - Chamou sim - disse ela . - Mas eu não sei o que significa . Percebi que era má educação , claro ... - É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar - explicou Ron novamente . - Sangue de lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles , sabes , filho de pais não mágicos . Há alguns feiticeiros , como a família de o Malfoy que acham que são melhores do_que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro . - Teve um pequeno vómito e uma lesma isolada caiu lhe em a mão aberta . Ele atirou a para a bacia e continuou . -- É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma . Olha_o_Neville_Longbottom , é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito . - E ainda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer - afirmou Hagrid , orgulhoso , fazendo Hermione corar em tons de magenta . - É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém - disse o Ron , limpando o suor de a testa com a mão trémula . - Sangue sujo , sangue vulgar , é um disparate . A maior parte de os feiticeiros hoje_em_dia têm sangue misturado . Se não tivéssemos casado com Muggles tinha sido o nosso fim . Fez um esforço para vomitar e baixou se mais_uma_vez . - Bem , não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá o , Ron - disse Hagrid bem alto enquanto montes de lesmas caíam em a bacia . - Mas , se_calhar , não foi mau de todo teres a varinha a trabalhar ao_contrário . Acho que Lucius_Malfoy teria vindo logo a correr a a escola se tivesses amaldiçoado o filho . Assim , pelo_menos , não estás metido em nenhum sarilho . Harry teria referido que o problema não podia ser pior do_que deitar lesmas por a boca , mas não pôde . Os bombons de melaço tinham lhe colado os maxilares um_ao_outro . - Harry - disse de repente Hagrid como_que movido por um pensamento súbito . - Tens de me explicar uma coisa . Ouvi dizer que tens andado a dar fotografias autografadas . Porque é qu'eu não tenho nenhuma ? A fúria de Harry foi tão grande que os maxilares se libertaram . - Eu não tenho dado fotografias autografadas - disse com vivacidade . Se o Lockhart andou a espalhar isso ... Mas em esse momento viu que Hagrid se estava a rir . - ´ _ tou a brincar - disse , dando uma palmadinha em as costas de Harry e fazendo lhe sinal para se sentar a a mesa . -- Eu sabia que não tinhas . Disse a o Lockhart que tu não precisavas de isso . Es mais famoso do_que ele sem sequer , tentares . - Aposto que ele não gostou de ouvir isso - comentou Harry , sentando se e esfregando o queixo . - Acho que não gostou mesmo - prosseguiu Hagrid com os olhinhos a brilhar . - E disse lhe também que nunca tinha lido nenhum de os livros de ele e ele foi se embora . Um bombom de melaço , Ron ? - perguntou a o vê o reaparecer . - Não , obrigado - disse o Ron com uma voz fraca . - É melhor não arriscar . - Venham ver o qu'eu tenho estado a criar - disse Hagrid quando Harry e Hermione acabaram de tomar o chá . Em a pequena horta atrás de a casa estava uma_dúzia de as maiores abóboras que Harry alguma vez vira . Pareciam enormes blocos de pedra . - Estão a dar se bem , não achas ? - disse Hagrid , feliz . São para a festa de o * _ Hallow'en * . Devem estar bem grandes quando chegar a altura . - O que é_que lhes tens dado como alimento ? - perguntou Harry . Hagrid olhou por cima de o ombro para confirmar se estavam sós . - Bem , tenho estado a dar lhes ... uma pequena ajuda . Harry reparou em o guarda-chuva cor-de-rosa a as florzinhas que estava encostado contra a parede de a cabana . Tivera em o ano anterior motivos para crer que aquele guarda-chuva não era o que parecia . De facto , acreditava que a antiga varinha de escola de Hagrid se encontrava oculta dentro de ele . Hagrid não tinha autorização para usar magia . Fora expulso de Hogwarts em o terceiro ano embora Harry nunca tivesse descoberto o motivo . Qualquer referência a esta questão fazia Hagrid pigarrear bem alto e ficar misteriosamente surdo até mudarem de assunto . -- Um encantamento de absorção , imagino ? - comentou Hermione entre a desaprovação e o divertimento . - Bem , se assim foi , fizeste um bom trabalho . - Foi o que disse a tua irmãzinha - respondeu Hagrid acenando em direcção a Ron . - Encontrei a ontem . - Hagrid olhou de lado para Harry , a barba a contorcer se . - Disse que andava só a ver os campos , mas eu acho qu'ela esperava encontrar alguém em a minha casa - piscou o olho a o Harry . - Se queres que te diga acho qu'ela não recusaria uma fotografia autogr ... - Cala te com isso - disse Harry . Ron desatou a rir e o chão ficou cheio de lesmas . - Cuidado - resmungou Hagrid , afastando Ron de as suas preciosas abóboras . Estava quase em a hora de o almoço e , como o Harry só tinha provado um bombom de melaço desde manhã cedo , estava ansioso por chegar a a escola para ir comer . Despediram se de o Hagrid e regressaram a o castelo . O Ron a vomitar de vez em quando , mas deitando só duas pequenas lesmas . Mal tinham pisado a entrada de o vestíbulo quando ouviram uma voz . - Aí estão vocês , Potter , Weasley . - A professora Mc_Gonagall vinha em direcção a eles com o seu ar severo . - Vocês os dois vão ter as punições hoje a a tarde . - O que é_que vamos fazer , professora ? - perguntou o Ron nervoso , deixando cair uma lesma . - Tu vais limpar as pratas em a sala de os troféus com Mr._Filch - disse a professora Mc_Gonagall . - E nada de mágicas , Weasley , trabalho com esforço . Ron engoliu em seco . Argus_Filch , o encarregado , era odiado por todos os alunos de a escola . - E tu , Potter , vais ajudar o professor Lockhart a responder a as cartas de as suas fãs - ordenou a professora Mc_Gonagall . - Oh , não ! Não posso ir também trabalhar em a sala de os troféus ? - pediu Harry em desespero de causa . - Nem pensar em isso - respondeu a professora Mc_Gonagall , erguendo as sobrancelhas . - O professor Lockhart requisitou te especialmente a ti . _ a as oito_em_ponto , os dois . Harry e Ron entraram em o salão em um estado de profundo desanimo com a Hermione atrás , ostentando uma expressão de * bem-voces-quebraram-as-regras-da-escola * . Harry não saboreou o empadão de carne como teria desejado . Tanto ele como o Ron achavam que tinham tido o pior de os castigos . -- O Filch vai reter me lá toda_a noite - disse Ron , desanimado . - Sem mágica ! Deve haver umas cem taças em aquela sala , eu não sei fazer limpeza de Muggles . - Eu trocava contigo de boa_vontade - confessou Harry em uma voz surda . - Tive montes de prática com os Dursleys . Responder a o correio de fãs de o Lockhart , que pesadelo ... A tarde de sábado pareceu derreter se . Pouco depois eram já cinco para as oito e Harry arrastava se até a o corredor de o segundo andar onde ficava o escritório de o Lockhart . Rangendo os dentes , bateu a a porta . A porta abriu se imediatamente e Lockhart dirigiu se lhe . - Ah , cá está o patifório ! - exclamou . - Entra , Harry , entra . Em as paredes , brilhando à_luz_de muitas velas , podia ver se uma infinidade de fotografias de Lockhart . Algumas de elas até assinadas . Sobre a secretária estava outro monte enorme . - Podes pôr as moradas em os envelopes - disse Lockhart_a_Harry , como_se fosse uma grande ameaça . - O primeiro é para Gladys_Gudgeon , abençoada seja , uma grande fã minha . Os minutos passavam lentos . De vez em quando , Harry ouvia a voz de Lockhart dizendo : - Mmm - e - certo - e - sim . - De vez em quando , apanhava uma frase como : - A fama é versátil , amigo Harry - ou - Só é célebre quem faz por isso , nunca te esqueças . As velas ardiam cada_vez com maior lentidão , fazendo a luz dançar sobre as muitas caras de Lockhart que o olhavam . Harry passava a mão , já dorida , sobre o que devia ser o centésimo envelope , escrevendo a morada de Verónica_Smethley . « Deve estar quase em a hora de me ir embora » , pensou , sentindo se profundamente infeliz , « por favor , faz com que esteja em a hora ... » E então ouviu algo , algo totalmente diferente de o crepitar de as velas e de os ditos de Lockhart sobre as suas fãs . Era uma voz , uma voz de arrepiar os ossos , de cortar a respiração , de veneno frio . - * _ Vem ... vem ter comigo ... deixa me rasgar te ... cortar te ... matar te * ... Harry deu um salto e uma enorme mancha lilás surgiu em a rua de Verónica_Smethley . - O quê ? - disse ele em voz alta . - Eu sei - exclamou Lockhart . - Seis meses inteirinhos em o topo de a lista de * bestsellers * , bati todos os recordes ! - Não - disse Harry nervosíssimo - aquela voz ! - Como ? - perguntou Lockhart , com um ar confuso . - Que voz ? - Aquela , aquela voz que disse ... não ouviu ? Lockhart olhava para Harry com o maior espanto . - De que é_que estás a falar , Harry ? Estás a ficar com sono ? Meu Deus , olha , só estamos aqui há quase quatro horas , quem diria ? O tempo passou a correr , não é verdade ? Harry não respondeu , estava a fazer um esforço para ouvir de_novo a voz , mas o único som que ouviu foi Lockhart a dizer lhe que não esperasse um tratamento igual de as próximas vezes que fosse castigado . Harry saiu , sentindo se atordoado . Era tão tarde que a sala comum de os Gryffindor estava quase vazia . Harry foi directamente para o dormitório . Ron ainda não tinha voltado . Vestiu o pijama , meteu se em a cama e esperou . Meia_hora mais tarde , chegou o Ron agarrado a o braço direito e inundando o quarto escuro de um forte cheiro a limpa-pratas . - Doem me todos os músculos - resmungou , metendo se em a cama . - Ele fez me polir catorze vezes aquela taça de Quidditch até estar satisfeito . E depois tive outro vómito em_cima_de um troféu de Reconhecimento por serviços prestados a a escola . Demorei séculos a limpar o muco de as lesmas . Como correram as coisas com o Lockhart ? Em voz baixa para não acordar o Neville , o Dean e o Seamus , Harry contou lhe , palavra por palavra , o que tinha ouvido . - E Lockhart disse que não ouviu nada ? - perguntou o Ron . Harry viu o franzir a testa , a a luz de o luar . - Achas que estava a mentir ? Mas , não percebo , mesmo um ser invisível teria aberto a porta . - Eu sei - disse Harry , encostando se a a cama e olhando para o dossel . - Também não compreendo . VIII_A festa de o dia de os mortos Outubro chegou , espalhando um frio húmido por os campos e por os cantos de o castelo . Madam_Pomfrey , a enfermeira-chefe , esteve bastante ocupada com uma onda de constipações que afectou professores e alunos . A sua poção de pimentão entrou imediatamente em acção apesar_de deixar quem a tomava com fumo em os ouvidos durante várias horas . Ginny_Weasley , que andava com ar adoentado , foi convencida a tomá a por o Percy . O fumo que saía por debaixo de o seu cabelo ruivo dava a impressão de que toda_a cabeça estava em fogo . Gotas de chuva de o tamanho de balas agrediram as janelas de o castelo durante dias a fio . O lago rosado e os canteiros de flores tornaram se regatos lamacentos e as abóboras de o Hagrid incharam ficando de o tamanho de alpendres de jardim . Contudo , o entusiasmo de Oliver_Wood por as sessões de treino regular não foi abalado , motivo por o qual Harry iria regressar a a torre de os Gryffindor , em um sábado a a tarde de temporal , alguns dias antes de o * _ Hallowe'en * , ensopado até a os ossos e todo enlameado . Além de a chuva e de o vento , não fora um treino feliz . Fred e George que tinham andado a espiar a equipa de os Slytherin tinham visto com os seus próprios olhos a velocidade alucinante de aquelas novas Nimbus dois_mil_e_um e comentaram que a equipa em o ar parecia composta por sete manchas esverdeadas que disparavam a_toda_a velocidade como aviões a jacto . Enquanto Harry chapinhava a o longo de o corredor deserto , cruzou se com alguém que parecia tão preocupado como ele : Nick quase sem cabeça , o fantasma de a torre de os Gryffindor que olhava taciturno , por a janela , murmurando baixinho : - Não preenche os requisitos , um centímetro e meio se ... - Olá , Nick - cumprimentou Harry . - Olá , olá - disse o Nick quase sem cabeça , começando a olhar em volta . Usava um arrebatado chapéu de plumas sobre a longa cabeleira encaracolada e uma túnica com gola de tufos que disfarçava o facto de ter o pescoço quase totalmente separado de o corpo . Era pálido como o fumo e Harry podia ver através de ele o céu negro e a chuva torrencial , lá fora . - Pareces preocupado , jovem Potter - disse Nick , dobrando uma carta transparente , enquanto falava e escondendo a dentro de a jaqueta . - Tu também - retorquiu Harry . - Ah ! - o Nick quase sem cabeça acenou com a mão de forma elegante . - Uma questão sem importância . Não é_que eu quisesse realmente participar apesar_de me ter inscrito , mas , a o que parece , não preencho os requisitos . - Apesar de o seu tom jovial havia em o seu rosto uma grande amargura . - Mas era de esperar , ou não era - exclamou subitamente , tirando a carta de o bolso - que ter levado quarenta_e_cinco golpes em a cabeça com um machado ferrugento me qualificaria para entrar em o grupo de os Sem - _ Cabeça ? - Sim , sim - respondeu Harry que obviamente o outro esperava que concordasse . - Isto_é , ninguém mais do_que eu desejaria que tudo tivesse sido rápido e perfeito , poupava me muitas dores e ridículo . Mas ... O Nick quase sem cabeça abriu , furioso , a carta e leu : * _ Só podemos aceitar em o grupo homens cuja cabeça tenha sido separada de o corpo . Compreenderá que de outro modo seria impossível a os nossos membros participarem em actividades como equitação de malabarismos com a cabeça e pólo de cabeça . Lamentamos profundamente informá o de que não preenche os requisitos . * _ Os nossos melhores cumprimentos , Sir_Patrick_Delaney - _ Podmore * Furioso , o Nick quase sem cabeça atirou fora a carta . - Um centímetro de pele e tendões a segurarem me a cabeça , Harry ! A maior parte de as pessoas acharia que era mais do_que o suficiente , mas não serve para o senhor correctamente decapitado Podmore . Nick quase sem cabeça respirou fundo várias vezes e , por fim , em um tom bastante mais calmo perguntou : - Então o que é_que te preocupa ? Alguma coisa que eu possa fazer por ti ? - Não - respondeu Harry . - A_não_ser_que saibas onde posso arranjar sete Nimbus dois_mil_e_um , de_graça , para o nosso campeonato contra os Sly ... - o resto de a frase foi afogada por um miado agudo vindo de perto de os seus tornozelos . Olhou para baixo e deu consigo a fitar um par de olhos que pareciam duas lâmpadas amarelas . Era_Mrs._Norris , a gata cinzenta e esquelética usada por o encarregado Argus_Filch como uma espécie de polícia em a sua infindável batalha contra os estudantes . - É melhor saíres de aqui , Harry - preveniu Nick com toda_a calma . - O Filch não está nada bem-disposto . Anda engripado e alguns alunos de o terceiro ano , por acidente , encheram o tecto de o calabouço cinco de miolos de rã . Ele tem andado toda_a manhã a limpar e se te vê a encher tudo de lama ... - Certo - disse Harry , recuando e afastando se de o olhar acusador de Mrs._Norris , mas ... tarde de mais . Conduzido até ali por o misterioso poder que parecia ligá o a a gata , Argus_Filch entrou subitamente por uma tapeçaria que se encontrava a a direita de Harry , com a sua respiração asmática , olhando vivamente em volta em busca de o infractor . Tinha um lenço grosso , de xadrez , a a volta de a cabeça e o nariz invulgarmente arroxeado . - Imundície - gritou com os maxilares a tremer e os olhos a saltarem lhe de as órbitas , enquanto apontava para a poça de lama que pingara de a túnica de Quidditch_de_Harry . - Desarrumação e imundície em todo o lado . Estou farto disto , segue me , Potter . Harry despediu se de o Nick quase sem cabeça com um tímido aceno e seguiu Filch até lá abaixo , duplicando o número de pegadas lamacentas em o chão . Nunca entrara em o gabinete de o Filch . Era um lugar que a maior parte de os estudantes evitava . A divisão era sombria e sem janelas , iluminada por uma única lamparina de óleo que pendia de o tecto . Sentia se um vago cheiro a peixe frito . As paredes estavam forradas por ficheiros de madeira . Por as etiquetas Harry percebeu que continham os dados de todos os alunos que Filch tinha punido . Fred e George_Weasley tinham uma gaveta só para eles . Atrás de a secretária estava pendurada uma colecção bem polida de correntes e algemas . Todos sabiam que ele estava sempre a pedir a Dumbledore que o deixasse pendurar os alunos em o tecto por os tornozelos . Filch pegou em uma pena que estava sobre a secretária e começou a procurar o pergaminho . - Bosta - murmurou , furioso . - Bosta de dragão , miolos de rã , intestinos de ratazana ... eu tinha aqui bastante , onde está o form ... sim ... Tirou um enorme rolo de pergaminho de a gaveta de a secretária e estendeu o em a frente , molhando a longa pena em o tinteiro . - Nome : Harry_Potter . Crime ... - Foi só um bocadinho de lama - disse Harry . - É só um bocadinho de lama para ti , rapaz , mas para mim é mais de uma hora a esfregar - gritou Filch com um pingo a tremer de modo desagradável em a extremidade de o nariz bolboso . - Crime : manchar o castelo . Sentença proposta ... Esfregando o nariz que continuava a pingar , Filch olhou com má cara para Harry que esperava com a respiração entrecortada para ouvir a sentença . Mas quando Filch pegou em a pena ouviu se um estrondo enorme em o tecto que fez a lamparina apagar se . - PEEVES - resmungou Filch , pousando a pena , cheio de raiva . - Desta_vez apanho te . Apanho te ! E sem olhar para trás , saiu a correr a_toda_a velocidade de o gabinete , seguido de a gata , Mrs._Norris . Peeves era o * poltergeist * de a escola , uma ameaça de risota esvoaçante que vivia para fazer estragos e criar aflição . Harry não gostava lá muito de ele , mas desta_vez , não podia deixar de lhe estar grato . Na_melhor_das_hipóteses o que Peeves tivesse feito ( e parecia que agora ele destruíra qualquer coisa em grande ) distrairia Filch_de_Harry . Pensando que o melhor seria esperar que ele voltasse , Harry deixou se cair em uma cadeira carcomida por o tempo que se encontrava junto de a secretária . Havia uma coisa sobre o tampo : um grande envelope roxo e lustroso com letras prateadas em a frente . Lançando um olhar rápido a a porta para confirmar que Filch não estava de volta , Harry pegou lhe e leu : __ feitiço __ rápido Um curso por correspondência De iniciação a a magia Cheio de curiosidade , abriu o envelope e retirou o rolo de pergaminho . Uma letra curvilínea e prateada dizia : Sente se pouco a a vontade em o mundo de a magia moderna ? Dá consigo a arranjar desculpas para não fazer feitiços simples ? Tem sido censurado por o deplorável trabalho com a varinha ? Eis a resposta ! Feitiço rápido e um curso totalmente novo , infalível , de resultados rápidos e rápida aprendizagem . Centenas de bruxas e feiticeiros têm beneficiado de o método feitiço rápido ! Madam_Z._Nettles_de_Topsham escreve nos : Eu não conseguia fixar os encantamentos e as minhas poções eram alvo de risota em a família . Agora , depois de o curso feitiço rápido , tornei me o centro de as atenções em todas_as festas e os meus amigos não param de pedir me a receita de a minha brilhante solução ! O mágico D.J._Prod , de Disbury , afirma : A minha mulher costumava rir se de os meus fracos encantamentos , mas bastou um mês com o vosso fabuloso curso feitiço rápido e consegui transformá a em um iaque . Obrigado , feitiço rápido ! Fascinado , Harry folheou o resto de o conteúdo de o envelope . Para que diabo quereria o Filch um curso de feitiço rápido ? Não seria ele um feiticeiro a sério ? Harry estava a ler a lição número um : Pegando em a varinha ( algumas dicas úteis ) quando umas passadas arrastadas , lá fora , o preveniram de que Filch estava de volta . Metendo rapidamente o pergaminho dentro de o envelope , lançou o para_cima de a secretária em o preciso momento em que a porta se abriu . Filch ostentava um ar triunfante . - Aquele armário que desapareceu era extremamente valioso - vinha ele a dizer a a gata , Mrs._Norris . - Desta_vez vamos correr com o Peeves , minha linda . Os seus olhos recaíram sobre Harry e logo_a_seguir sobre o envelope de o feitiço rápido que , Harry apercebeu se tarde de mais , estava meio metro distanciado de o seu lagar inicial . O rosto pálido de Filch tornou se vermelho escarlate . Harry preparou se para uma nova onda de fúria . Filch coxeou até a a secretária , arrebatou o envelope e meteu o em uma gaveta . -- Chegaste a ... lê o ? - perguntou atabalhoadamente . - Não - mentiu Harry , sem perder tempo . As mãos nodosas de o Filch contorciam se ao_mesmo_tempo . - Se eu soubesse que ias ler a minha correspondência priv ... não que seja minha ... é para um amigo ... mesmo_assim ... Harry olhava para ele espantado . Nunca vira o Filch tão louco . Os olhos pareciam querer saltar lhe de as órbitas , com um tique em as bochechas e aquele lenço axadrezado que não ajudava nada ... - Muito bem , vai e não abras a boca sobre isto ... não que ... mesmo_assim ... se tu não leste ... vai te embora , tenho de escrever o relatório sobre o Peeves , vai . Atordoado com a sua sorte , Harry saiu de ali e largou a correr por o corredor fora e por as escadas acima . Sair de o gabinete de o Filch sem um castigo devia ser um recorde em a escola . - Harry , Harry , deu resultado ? O Nick quase sem cabeça saiu a brilhar de uma sala de aula . Atrás de ele , Harry pôde ver os destroços de um grande armário preto e dourado que parecia ter sido atirado de uma grande altura . - Convenci o Peeves a parti o mesmo em cima de o gabinete de o Filch - disse Nick entusiasmado . - Pensei que talvez o distraísse . - Foste tu ? - exclamou Harry , agradecido . - Funcionou sim . Ele não me deu nenhum castigo . Obrigado , Nick . Atravessaram o corredor juntos . O Nick quase sem cabeça , reparou Harry , ainda tinha em a mão a carta de Sir_Patrick . - Gostaria de poder fazer qualquer coisa sobre o grupo de os Sem - _ Cabeça - disse Harry . O Nick quase sem cabeça parou de repente e Harry passou através de ele . Antes não tivesse passado , foi como atravessar um duche gelado . - Mas há uma coisa que tu podes fazer por mim - disse Nick muito agitado . - Harry , seria pedir te de mais ... mas não , tu não ias querer ... - O quê ? - Bem , este ano em o * _ Hallowe'en * vai ser o meu meio milénio de dia de os mortos - disse o Nick quase sem cabeça endireitando se e adquirindo uma postura de grande dignidade . - Oh - respondeu Harry sem saber se deveria lamentar ou dar lhe os parabéns . - Certo . - Vou dar uma festa em um de os calabouços mais amplos . Vêm amigos meus de todo o país . Seria uma honra muito grande se tu aparecesses . Mr._Weasley e Miss_Granger seriam também muito bem-vindos , claro . Mas tu deves preferir o banquete de a escola , não é verdade ? - Olhou para Harry , aflito . - Não - assegurou ele rapidamente . - Eu vou . - Oh rapaz , Harry_Potter em a minha festa de os mortos - hesitou no_meio_de toda aquela excitação . - Achas que poderias referir a Sir_Patrick como me achas assustador e como te impressiono ? - É claro que sim - assegurou Harry . O Nick quase sem cabeça iluminou se em um sorriso . - Uma festa de os mortos ? - exclamou Hermione , entusiasmada , quando Harry , depois de mudar de roupa , se juntou a ela e a o Ron em a sala comum . - Aposto que não há muitas pessoas que possam gabar se de ter estado em uma festa de essas . Vai ser fantástico ! - Por_que é_que alguém se lembraria de festejar o dia em que morreu ? - perguntou o Ron que estava a meio de o seu trabalho de casa de poções e bastante maldisposto . - Parece me bastante mórbido . A chuva continuava a lamber as janelas que apresentavam agora um negro que parecia tinta , mas , lá dentro , era tudo claro e alegre . O fogo em a lareira brilhava sobre as inúmeras cadeiras de braços onde as pessoas estavam sentadas a ler , a conversar , a fazer os trabalhos de casa ou , no_caso_de Fred e George_Weasley , a tentar descobrir o que aconteceria se alimentassem uma salamandra com fogo-de-artíficio de o Filibuster . O Fred tinha « resgatado . o lagarto cor de laranja brilhante , morador de o fogo , de uma aula de tratamento de seres mágicos e ele estava agora a arder em fogo lento sobre uma mesa , rodeado de um grupo de curiosos . Harry ia começar a contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre o Filch e o curso de feitiço rápido quando a salamandra disparou por os ares , lançando faíscas e estoiros . A visão de Percy a gritar com Fred e George até ficar ronco , a fantástica exibição de estrelas cor de tangerina que choviam de a boca de a salamandra e a sua fuga para o lume acompanhada de explosões , fizeram com que Harry se esquecesse , em aquele momento , de Filch e de o curso de feitiço rápido . Quando chegou o * _ Hallowe'en * , Harry já lamentava a sua promessa imprudente de ir a a festa de os mortos . Toda_a escola antecipava , feliz , a sua festa de * _ Hallowe'en * . O salão nobre fora enfeitado com os habituais morcegos , as enormes abóboras de Hagrid tinham sido esculpidas em forma de lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro_de cada uma , e havia boatos de que Dumbledore contratara um grupo de esqueletos bailarinos para animar a festa . - Uma promessa é uma promessa - lembrou Hermione_a_Harry com o seu autoritarismo habitual . - Tu disseste que ias a a festa de os mortos . Portanto , a as sete_da_tarde , Harry , Ron e Hermione saíram , passando por a porta de o salão nobre que brilhava de modo convidativo com pratos dourados e velas e dirigiram os seus passos para os calabouços . O corredor que conduzia a a festa de o Nick quase sem cabeça tinha sido também ladeado de velas , embora o efeito estivesse longe_de ser alegre : estas eram velas muito esguias e estreitas , negras de breu , ardendo em um azul brilhante e lançando uma luz indistinta e espectral também sobre as caras de as pessoas vivas . A temperatura diminuía a cada degrau que desciam . Harry tremia e cingia a túnica a o corpo quando ouviu qualquer coisa que parecia uma centena de unhas a rasparem um enorme quadro preto . - Será que isto_é a música ? - murmurou Ron . Viraram uma esquina e viram o Nick quase sem cabeça junto de uma porta , todo vestido de veludo negro . - Meus queridos amigos - disse com ar de luto . - Bem-vindos , bem-vindos , ainda_bem que puderam vir . Em um gesto largo tirou o chapéu de plumas e fez lhes sinal para que entrassem . Era uma visão incrível . O calabouço estava cheio com centenas de pessoas de um branco pálido e translúcido , a maior parte de as quais era arrastada em uma pista de dança cheia , valsando a o som de trinta serrotes musicais . Os serrotes que compunham a orquestra encontravam se sobre um estrado enfeitado com panos negros . Um lustre lá em cima resplandecia de um azul nocturno com mais um_milhar de velas negras . A respiração de os três subiu em o ar como uma neblina . Parecia que tinham entrado em um congelador . - Vamos dar uma volta - sugeriu Harry em uma tentativa de aquecer os pés . - Cuidado , não atravessem nenhum de eles - avisou o Ron nervosamente e colocaram se em volta de a pista de dança . Passaram por um grupo escuro de freiras , por um homem esfarrapado e cheio de correntes e por o frade gordo , o divertido fantasma de os Hufflepuff que estava a conversar com um cavaleiro com uma seta enfiada em a testa . Harry não ficou nada surpreendido a o ver que o Barão sangrento , o fantasma lúgubre e berrante de os Slytherin , coberto de nódoas de sangue ; estava a ser totalmente evitado por os outros fantasmas . - Oh ! Não -- exclamou Hermione , parando bruscamente . - Voltem se , voltem se , não quero ter de cumprimentar a Murta_Queixosa . - Quem ? - perguntou Harry enquanto davam rapidamente meia volta . - Ela assombra a casa_de_banho de as raparigas de o primeiro andar - explicou Hermione . - Assombra uma casa_de_banho ? - Sim . Está inoperativa durante todo o ano porque ela tem constantes acessos de choro e inunda tudo . Eu só lá fui quando não pode mesmo evitar . É horrível tentar ir a a sanita com ela a gritar connosco . - Olhem , comida - disse o Ron . De o outro lado de o calabouço estava uma mesa igualmente coberta de velado negro . Iam para se aproximar entusiasmados , mas pararam com uma expressão de horror . O cheiro era nauseabundo . Enormes peixes podres enchiam as bonitas travessas de prata , os bolos estorricados como carvões amontoavam se em as salvas , havia uma grande quantidade de miúdos de macaco , uma tábua de queijos cobertos de bolor e , em o lugar de honra , um enorme bolo cinzento em forma de lápide com letras que pareciam alcatrão formando as palavras , * _ Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington_Morto em 31_de_Outubro , 1492 * . Harry olhou espantado quando um fantasma de porte majestoso se aproximou de a mesa inclinando se e passando através de ela com a boca aberta enquanto atravessava um salmão malcheiroso . - Consegue prová o passando através de ele ? - perguntou lhe Harry . - Quase - disse tristemente o fantasma antes de se afastar . - Devem ter deixado apodrecer tudo_isto para ter um sabor mais forte - comentou Hermione com ar de quem está bem informada , tapando o nariz e aproximando se para ver melhor os pútridos miúdos de macaco . - Podemos sair de aqui , estou a sentir me agoniado - disse o Ron . Mas mal tinham dado meia volta quando um homenzinho pequenino saiu inesperadamente de debaixo de a mesa e fez uma paragem em o ar em frente de eles . - Olá , Peeves - disse Harry cautelosamente . Ao_contrário de os outros fantasmas que os rodeavam , Peeves , o * poltergeist * era o oposto de pálido e transparente . Usava um chapéu festivo cor de laranja , um laço rotativo a o pescoço e tinha um sorriso grosseiro de malvadez , em o rosto . - Querem petiscar ? - perguntou delicadamente , oferecendo lhes uma taça de amendoins cobertos de fungos . - Não , obrigada - disse Hermione . - Ouvi te falar sobre a pobre Murta - disse Peeves com os olhos a bailar . - Que insensível que tu foste para com a pobre Murta - respirou fundo e gritou : - Oh Murta . - Oh ! Não , Peeves , não lhe contes o que eu disse , ela vai ficar muito aborrecida - murmurou Hermione bastante nervosa . - Eu não queria dizer que ... eu não me importo que ela , er , olá , Murta . O espectro atarracado de uma rapariga deslizara . Tinha o rosto mais carrancudo que Harry alguma vez vira , meio escondido por o cabelo liso e por os óculos grossos cor de pérola . - O que é ? - perguntou mal-humorada . - Como estás Murta ? - perguntou Hermione , em uma voz falsamente alegre . - É bom ver te fora de a casa_de_banho . Murta fungou . - Miss_Granger estava justamente a falar de ti - disse lhe Peeves baixinho a o ouvido . - A dizer , a dizer ... como estás bonita esta noite -- terminou Hermione , olhando irritada para Peeves . A Murta olhou para Hermione desconfiada . - Estão a divertir se a a minha custa - disse , com lágrimas de prata a encherem lhe rapidamente os olhos pequeninos . - Não , a sério , eu não estava a dizer vos como a Murta estava bonita esta noite ? - disse Hermione , dando uma palmada em as costas de o Harry e de o Ron . - Sim , sim . - Ela ... - Não me venham com mentiras - protestou a Murta , as lágrimas agora a descerem lhe por o rosto , enquanto Peeves ria baixinho por cima de o ombro de ela . - Julgam que eu não sei o que as pessoas me chamam em as minhas costas ? A Murta gorda , a Murta feia , a Murta queixosa , a Murta deprimida ! - Esqueceste te de « a Murta ponto negro » - sussurrou lhe Peeves a o ouvido . A Murta_Queixosa irrompeu em soluços de angústia e fugiu de o calabouço . Peeves disparou atrás de ela , lançando lhe uma chuva de amendoins cheios de bolor e gritando : Ponto negro ! Ponto negro ! - Oh , coitada ! - exclamou Hermione com tristeza . O Nick quase sem cabeça abria agora caminho entre a multidão para se aproximar de eles . - Estão a divertir se ? - Sim , sim - mentiram . - Uma afluência nada má - disse orgulhoso o Nick quase sem cabeça . - A viúva chorosa veio de Kent ... está quase em a hora de o meu discurso . É melhor ir avisar a orquestra . Mas a orquestra parou de tocar em esse preciso momento . Eles , e todos os outros em o calabouço , ficaram em silêncio total , olhando em volta cheios de excitação quando se ouviu uma trompa de a caça . - Lá vêm eles - disse o Nick quase sem cabeça , com alguma amargura em a voz . Por o calabouço irromperam uma_dúzia de , cavalos fantasmas , cada_um montado por um cavaleiro sem cabeça . A assistência aplaudiu vivamente . Harry começou também a bater palmas , mas parou rapidamente quando viu a cara de o Nick . Os cavalos galoparam até a o meio de a pista de dança e pararam , empinando se , dando pequenos passos para a frente e para trás , sobre as patas traseiras . Um fantasma grande em a frente , cuja cabeça barbuda estava debaixo de o braço , soprando a trompa , desmontou , levantou a cabeça bem em o ar para poder ver toda_a assistência ( todos se riam ) e dirigiu se a o Nick quase sem cabeça , comprimindo a cabeça contra o pescoço . - Bem-vindo , Patrick - disse o Nick , mantendo a sua postura rígida . - Gente viva ! - exclamou o Sir_Patrick , avistando Harry , Ron e Hermione e dando um salto de falso espanto , de_tal_modo_que a cabeça lhe caiu de_novo ( a multidão ria a bom rir ) . - Muito engraçado - disse o Nick quase sem cabeça com um ar soturno . - Não ligues a o Nick - gritou a cabeça de Sir_Patrick de o chão . - Ainda está aborrecido por não o deixarmos juntar se a o grupo . Mas olhem bem para ele ... - Eu acho - disse apressadamente Harry , a seguir a um olhar de o Nick - que o Nick é muito assustador e ... eu ... - Bah ! - gritou a cabeça de Sir_Patrick . - Aposto que ele te pediu que dissesses isso . - Gostaria de ter a vossa atenção . Chegou a altura de fazer o meu discurso - disse o Nick quase sem cabeça bem alto , dirigindo se a o pódio , subindo e parando , iluminado por uma luz azul . - Os meus sentimentos , senhores e senhoras , é com profundo pesar ... Mas já ninguém estava a ouvi o . Sir_Patrick e o resto de o grupo de os Sem - _ Cabeça tinham iniciado um jogo de hóquei de cabeça e a multidão voltara se para os observar . Nick quase sem cabeça tentou em vão recuperar a audiência , mas acabou por desistir quando a cabeça de Sir_Patrick passou por ele a_toda_a velocidade gritando vivas . Harry estava cheio de frio para não falar de a fome . - Não aguento mais isto - murmurou Ron a bater o dente enquanto a orquestra voltava a entrar em acção e os fantasmas enchiam de_novo a pista de dança . - Vamos embora - concordou Harry . Recuaram até a a porta , acenando e sorrindo a todos os que olhavam para eles e um minuto depois passavam apressadamente por a entrada cheia de velas negras . - Talvez o pudim ainda não tenha acabado - disse o Ron cheio de esperança , abrindo caminho em direcção a os degraus de o vestíbulo de a entrada . E foi então que Harry ouviu aquilo . - ... * _ Arrancar ... rasgar ... matar * ... Era a mesma voz , a mesma voz fria e assassina que ouvira em o escritório de Lockhart . Parou , agarrando se a a parede de pedra em a expectativa de ouvir melhor , olhando em volta , espreitando para_cima e para baixo de a passagem mal iluminada . - Harry que estás tu a ... ? - E aquela voz outra_vez , calem se um bocadinho . -- ... * _ Tanta fome ... há tanto tempo * ... - Ouçam insistiu Harry e Ron e Hermione ficaram estáticos a olhar para ele . - * _ Matar ... hora de matar * ... A voz ia ficando mais débil . Harry tinha a certeza de que ela estava a afastar se , a subir . Um misto de medo e excitação tomou posse de ele enquanto olhava para o tecto escuro . Como poderia ele subir ? Seria um fantasma para quem os tectos de pedra não contavam ? - Por aqui - gritou , começando a correr por as éscadas acima até a a entrada de o * hall * . Não havia hipótese de ouvir fosse o que fosse ali , o barulho de vozes que vinha de o banquete de o * _ Hallowe'en * ecoava cá fora . Harry subiu a correr a escadaria de mármore até a o primeiro andar com Ron e Hermione ruidosamente atrás . - Harry o que é_que nós ... ? - Sch ... Harry apurou o ouvido . Ao_longe , em o andar de cima , e ainda a enfraquecer , mesmo_assim ouviu a voz : - ... * Cheira-me a sangue ... cheira me a sangue ! * O estômago deu lhe uma volta . - Ele vai matar alguém - gritou e ignorando as caras perplexas de Ron e Hermione , correu , subindo mais um lanço de escadas , a três_e_três , tentando ouvir através de o ruído de os seus próprios passos . Harry correu a_toda_a velocidade pelo segundo andar com Ron e Hermione atrás e só parou quando viraram uma esquina para o último corredor abandonado . - Harry , o que foi aquilo tudo ? - perguntou o Ron , limpando o suor de o rosto . - Eu não ouvi nada ... Mas Hermione , em um sobressalto , apontou para o fundo de o corredor . - Olhem ! Alguma coisa brilhava em a parede em frente . Aproximaram se devagarinho , tentando ver em a escuridão . Alguém escrevera em letras garrafais em a parede entre duas janelas . As palavras brilhavam a a chama fraca de as tochas . : __ a câmara de os segredos foi aberta . inimigos de o herdeiro , __ cuidado . - O que é aquilo pendurado por baixo de as letras ? - perguntou Ron com um tremor em a voz . Quando se aproximaram , Harry quase escorregou . Havia uma grande poça de água em o chão . Ron e Hermione agarraram o e avançaram cautelosamente até a a mensagem , os olhos fixos em uma sombra escura , em baixo . Aperceberam se os três de imediato do_que se tratava e deram um salto para trás , salpicando tudo de água . Mrs._Norris , a gata de o encarregado , estava pendurada por a cauda em o suporte de a tocha . Tinha o corpo rígido como uma tábua e os olhos abertos . Durante alguns segundos ninguém se mexeu . Depois o Ron disse : - Vamos sair de aqui . - Não devíamos tentar ajudar ? - propôs Harry , sem graça . - Acredita - assegurou o Ron . - É melhor que não nos encontrem aqui . Mas era tarde de mais . Um ruído surdo e prolongado , como um trovejar distante , avisou os de que o festim tinha terminado . De ambos os lados de o corredor onde eles estavam , veio o som de centenas de pés a subirem a escadaria e as vozes alegres de gente bem alimentada . Em o momento seguinte os alunos chegavam junto de eles de ambos os lados . O burburinho morreu subitamente mal as pessoas avistaram a gata pendurada . Harry , Ron e Hermione estavam de pé , sozinhos , em o meio de o corredor quando se fez silêncio em a multidão de estudantes que se empurravam para observar aquele quadro macabro . Então alguém gritou , quebrando o silêncio . - Inimigos de o herdeiro , cuidado . Vocês serão os próximos , sangue de lama ! Era_Draco_Malfoy . Estava a a frente de a multidão com os olhos frios a brilhar , a sua cara habitualmente pálida agora afogueada , sorrindo a a vista de a gata pendurada e imóvel . IX_As palavras em a parede -- O que é_que se passa aqui ? O que é_que se passa ? Sem dúvida , atraído por o grito de Malfoy , Argus_Filch apareceu a coxear em o meio de a multidão . Quando viu Mrs._Norris , caiu para trás agarrando o rosto com verdadeiro horror . - A minha gata ! A minha gata ! O que aconteceu a Mrs._Norris ? - gritou . E os seus olhos rápidos caíram sobre Harry . - Tu - guinchou ele . - Mataste a minha gata ! Mataste a , vou dar cabo de ti , eu ... - Argus . Dumbledore tinha chegado a o lugar , seguido de alguns professores . Em poucos segundos tinha passado a a frente de Harry , Ron e Hermione e desatado Mrs._Norris de o suporte de a tocha . - Vem comigo , Argus - disse ele a o Filch . - Vocês também , Mr._Potter , Mr._Weasley e Miss_Granger . Lockhart deu rapidamente um passo em frente . - O meu escritório é o que está mais perto , senhor director , é já aqui em cima , por favor fiquem a a vontade . - Obrigado , Gilderoy - disse Dumbledore . A multidão silenciosa dividiu se para os deixar passar . Lockhart sentindo se excitado e importante , seguia Dumbledore assim_como a professora Mc_Gonagall e o professor Snape . Quando entraram em o escritório escuro de Lockhart houve uma grande agitação em as paredes . Harry viu várias imagens de Lockhart a esconderem se cheias de rolos em o cabelo . O Lockhart em pessoa acendeu as velas e chegou se mais para trás . Dumbledore pôs Mrs._Norris em a superfície polida de a secretária e começou a examiná a . Harry , Ron e Hermione trocaram olhares tensos entre si e deixaram se cair em as cadeiras que se encontravam longe de a luz , a observar . A ponta de o nariz longo e adunco de Dumbledore estava a menos_de dois centímetros de o pêlo de Mrs._Norris . Ele olhava a de perto através de os óculos de meia-lua , os dedos longos a palpar e tactear suavemente . A professora Mc_Gonagall estava quase tão perto como ele , com os olhos contraídos . Snape surgia mais atrás , meio em a sombra , com uma expressão estranha em o rosto , como_se tentasse a_toda_a força sorrir . E Lockhart andava de um lado para o outro a dar sugestões . - Foi sem dúvida uma maldição que a matou , provavelmente a tortura de a metamorfose . Vi a muitas_vezes ser usada , mas infelizmente eu não estava lá quando isto aconteceu . Conheço o antídoto para essa maldição , o que a teria salvo . Os comentários de Lockhart foram interrompidos por os soluços secos e violentos de Filch . Estava afundado em uma cadeira junto de a secretária , incapaz de olhar para Mrs._Norris , com o rosto em as mãos . Por mais que detestasse Filch , Harry não pôde deixar de sentir pena de ele embora não tanta quanto_a que sentia por si próprio . Se Dumbledore acreditasse em o Filch ele seria certamente expulso . O director estava agora a sussurrar umas palavras estranhas e batendo em Mrs._Norris com a varinha , mas não aconteceu nada , ela continuou com o mesmo aspecto , como_se tivesse sido empalhada . - ... Lembro me de uma coisa semelhante que aconteceu em Ouagadogou - disse LockLart . - Uma série de ataques . Conto essa história em a minha autobiografia . Eu dei a a gente de a cidade vários amuletos que resolveram logo a situação ... As fotografias de Lockhart em as paredes iam acenando afirmativamente com a cabeça enquanto ele falava . Uma de elas esquecera se de tirar os rolos de o cabelo . Por fim , Dumbledore endireitou se . - Ela não está morta , Argus - disse suavemente . Lockhart interrompeu bruscamente a contagem de os crimes que conseguira evitar . - Não está morta ? - disse Filch em um sufoco , olhando através de os dedos para Mrs._Norris . - Mas , porque está ela rígida e gelada ? - Foi petrificada - disse Dumbledore ( Ah ! foi o que eu pensei ! - comentou Lockhart ) mas como , não posso afirmar . - Pergunte lhe - gritou Filch , voltando a cara cheia de furúnculos e lágrimas para Harry . - Nenhum aluno de o segundo ano poderia ter feito isto - explicou Dumbledore . - Era preciso um grande conhecimento de magia negra . - Foi ele , foi ele - disse encolerizado o encarregado com a cara a ficar roxa . - O senhor viu o que ele escreveu em a parede . Ele descobriu em o meu gabinete , ele sabe que eu sou um ... - O rosto de Filch estava horrível . - Ele sabe que eu sou um * _ busca-pé * - disse por fim . - Eu não toquei em a Mrs._Norris - gritou Harry com todos os olhares a recaírem sobre ele , incluindo o de todos os Lockharts de a parede . - E eu nem sei o que é um * busca-pé * . - Mentira ! - gritou Filch . - Ele viu a minha carta de o feitiço rápido . - Se me permite que dê a minha opinião , senhor director - disse Snape , saindo de a sombra , e a sensação de mau presságio de Harry aumentou bastante . Certamente nada do_que Snape tinha para de dizer iria ajudá o . - O Potter e os amigos podiam estar simplesmente em o lugar errado em a altura errada - afirmou com um leve sorriso a torcer lhe a boca como_se tivesse as suas dúvidas . - Mas , temos aqui um conjunto de circunstâncias curiosas . Porque estavam eles afinal em o corredor ? Porque não estiveram presentes em a festa de o * _ Hallowe'en * ? Harry , Ron e Hermione começaram uma longa explicação sobre a festa de o dia de os mortos . - Estavam lá centenas de fantasmas , eles poderão confirmar que lá estivemos ... - Mas porque não foram a seguir a o banquete ? - perguntou Snape com os olhos pretos a brilharem a a luz de as velas . - Porquê ir até a aquele corredor ? Ron e Hermione olharam para Harry . - Porque , porque ... - balbuciou Harry , com o coração a querer saltar lhe de o peito , mas algo lhe disse que ia parecer muito rebuscado se lhes contasse que tinha sido levado até ali por uma voz sem corpo que só ele conseguia ouvir . - Porque estávamos cansados e queríamos ir para a cama - disse . - Sem jantar ? - inquiriu Snape com um sorriso triunfante a bailar lhe em o rosto lúgubre . - Não sabia que os fantasmas ofereciam em as suas festas comida para gente viva . - Não estávamos com fome - disse o Ron bem alto , enquanto o estômago se queixava de forma audível . O sorriso mesquinho de a Snape ampliou se . - Acho , senhor director , que Potter não está a dizer toda_a verdade - afirmou . - Talvez fosse boa ideia retirar lhe alguns privilégios , até ele estar disposto a contar nos a história toda . Pessoalmente , sugiro que seja retirado de a equipa de os Gryffindor até decidir ser honesto . - Francamente , Severus - exclamou a professora Mc_Gonagall com uma voz cortante . - Não vejo porquê impedir o rapaz de jogar Quidditch . Esta gata não levou pauladas em a cabeça dadas por nenhum cabo de vassoura . E não há provas de que o Potter tenha feito algo de mal . Dumbledore observava Harry com um olhar perscrutador . A voz tremeluzente de os seus olhos azuis fez Harry sentir que estava a ser passado a raios X. - Inocente até se provar que é culpado , Severus - disse com segurança . Snape estava furioso , assim_como Filch . - A minha gata foi petrificada ! - berrou , com os olhos a saltarem de as órbitas . - Quero ver um castigo ! - Vamos poder curá a , Argus - explicou pacientemente Dumbledore . - Madam_Sprout conseguiu arranjar algumas Mandrágoras . Logo_que tenham atingido o tamanho adulto , terei uma poção de Mandrágoras que reanimará Mrs._Norris . - Eu posso fazê a - interrompeu Lockhart . - Devo ter feito isso uma centena de vezes . Preparo uma golada de Mandrágora reconstituinte de olhos fechados ... - Perdão - disse Snape friamente -- , mas julgo que o professor de poções de esta escola ainda sou eu . Houve um silêncio bastante incómodo . - Vocês podem ir se embora - disse Dumbledore a o Harry , Ron e a Hermione . Eles saíram o mais depressa que puderam , sem ir a correr . Quando chegaram a o andar acima de o escritório de Lockhart , entraram em uma sala de aulas vazia e fecharam a porta devagarinho . Harry lançou um olhar de esguelha a as caras carrancudas de os amigos . - Acham que eu lhes devia ter falado de a voz que ouvi ? - Não - respondeu Ron , sem a mínima hesitação . - Ouvir vozes que mais ninguém ouve , não é bom sinal , nem em o mundo de os feiticeiros . Algo em a voz de Ron levou Harry a fazer a pergunta : - Tu acreditas em mim , não acreditas ? - Claro que sim - respondeu o Ron de imediato . - Mas tens de concordar que é esquisito ... - Eu sei que é esquisito - confirmou Harry . - É tudo esquisito . O que era aquilo escrito em a parede ? * _ A_Câmara foi aberta * , o que é_que significa ? - Sabes , faz me lembrar qualquer coisa - disse Ron lentamente . - Acho que alguém me contou uma história sobre uma câmara secreta em Hogwarts , talvez tenha sido o Bill ... - E que diabos é um * busca-pé * ? - perguntou Harry . Para sua surpresa , Ron abafou o riso . - Bem , em a verdade não tem graça nenhuma , mas como é o Filch ... - disse . - Um * busca-pé * é alguém que nasceu de uma família de feiticeiros , mas não tem poderes mágicos . É uma espécie de o oposto de os que vêm de famílias de Muggles , mas são feiticeiros . Os * busca-pé * são muito raros . Se o Filch está a tentar aprender magia em um curso rápido , acho que ele deve ser mesmo um busca-pé . Isso explicaria tudo , por_exemplo , porque detesta tanto os estudantes . - Ron sorriu satisfeito . - Tem inveja . Um relógio deu as horas , algures . - Meia-noite - disse Harry . - É melhor irmo nos deitar , antes que o Snape apareça e tente acusar nos de qualquer coisa . Durante alguns dias não se falou de outra coisa em a escola a não ser de o ataque a a gata , Mrs._Norris . Filch manteve o sucedido bem fresco em a memória de todos , andando de um lado para o outro em o lugar onde ela fora atacada , como_se esperasse por o responsável . Harry vira o esfregar a mensagem de a parede com a « solução removedora de toda_a porcaria mágica Mrs._Skower » , mas sem qualquer resultado . As palavras continuavam a brilhar tanto como antes sobre a pedra . Quando Filch não estava a patrulhar a cena de o crime , vagueava , de olhos avermelhados , por os corredores , perseguindo alunos insuspeitos e tentando aplicar lhes castigos por coisas como « respirar muito alto » ou « estar alegre » . Ginny_Weasley parecia muito perturbada com o destino de Mrs._Norris . Segundo Ron ela era uma amante de gatos . - Mas tu nem chegaste a conhecer bem Mrs._Norris - disse lhe Ron para a animar . - Com toda_a franqueza , estamos muito melhor sem ela . - O lábio de Ginny tremeu . - Não é costume acontecerem coisas de estas em Hogwarts - tranquilizou a . - Eles vão descobrir o safado que fez aquilo e põem o de aqui para fora em três tempos . - Só espero que tenha tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso . Estou a brincar , claro - acrescentou o Ron apressadamente a o ver a Ginny a empalidecer . O ataque afectara também Hermione . Era costume de ela passar muito_tempo a ler , mas agora parecia não fazer mais_nada . Nem respondia a o Harry e a o Ron quando lhe perguntavam o que estava a fazer e só acabaram por descobrir em a quarta-feira seguinte . Harry tivera de ficar até mais tarde em a sala de poções onde Snape o mandara raspar restos de larvas de as secretárias . Depois de um almoço comido a a pressa , ele foi lá acima encontrar se com Ron em a biblioteca e viu Justin_Finch - _ Fletchley , o rapaz de os Hufflepuff de herbologia que vinha em direcção a ele . Harry tinha acabado de abrir a boca para dizer um « Olá » quando Justin o viu , voltando se bruscamente e mudando de direcção . Harry foi encontrar o Ron em as traseiras de a biblioteca , a medir o trabalho de casa de história de a magia . O professor Binns pedira uma composição sobre a Assembleia_Medieval_de_Feiticeiros_Europeus com 90cm . De extensão . - Não posso crer que ainda me faltem 16cm - disse o Ron furioso , largando o pergaminho que se enrolou em forma de tubo - e que a Hermione fez um metro e trinta em aquela letra pequenina e apertadinha . - Onde está ela ? - perguntou Harry , agarrando em a fita métrica e desembrulhando o seu trabalho de casa . - Algures por aí - disse o Ron , apontando para as estantes . - _ a a procura de outro livro . Acho que ela está a tentar ler a biblioteca toda antes de o Natal . Harry contou a Ron que Justin_Finch - _ Fletchley tinha evitado falar lhe . - Não sei porque te preocupas com isso . Eu achei o um idiota - disse o Ron , escrevinhando e fazendo a letra o maior possível . - Todo aquele disparate sobre o Lockhart ser tão grande ... Hermione surgiu de o meio de as estantes . Parecia irritada e disposta , por fim , a falar com eles . - Todos os exemplares de * _ Hogwarts : Uma História * foram requisitados - disse , sentando se ao_lado_de Harry e Ron . - E há uma lista de espera de duas semanas . Quem me dera não ter deixado o meu exemplar em casa , mas não consegui que coubesse em a mala com todos os livros de o Lockhart . - Para que o queres ? - perguntou Harry . - Pelo mesmo motivo que toda_a_gente o quer - disse Hermione . - Para ler a lenda de a Câmara_dos_Segredos . - O que é isso ? - Precisamente . Não me lembro - disse Hermione , mordendo o lábio . - E não encontro a História em lugar nenhum . - Hermione , deixa me ler o teu trabalho - pediu Ron desesperado , olhando para o relógio . - Não , não deixo - respondeu Hermione com um ar severo . - Tiveste dez dias para o fazer . - Só preciso de mais quatro centímetros , vá lá ... A campainha tocou . Ron e Hermione encaminharam se para a História_da_Magia , discutindo . A História_da_Magia era a matéria mais chata de o programa . O professor Binns , que dava a cadeira , era o único professor fantasma e a coisa mais excitante que aconteceu em as suas aulas foi o dia em que entrou por o quadro preto . Já velho e enrugado , muita gente afirmava a seu respeito que ele não dera por_que tinha morrido . Pura e simplesmente levantara se um dia para ir dar aulas , deixando o corpo atrás , em um cadeirão em frente de a lareira de a sala de os professores . Desde esse dia a sua rotina mantivera se igual . Era hoje tão chato como fora sempre . Abriu as notas e começou a ler em um tom monocórdico como um velho aspirador até quase todos os alunos estarem em um estado de profunda dormência , acordando de vez em quando , para tomar nota de um nome ou de uma data , e voltando a adormecer . Estava a falar havia meia_hora quando aconteceu algo que nunca tinha acontecido . Hermione pôs o braço em o ar . O professor Binns olhou de relance , em o meio de a chatíssima aula sobre a Convenção_Internacional_de_Feiticeiros de 1289 , verdadeiramente espantado . - Miss ... er ... ? - Granger , professor . Poderia dizer nos alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Hermione em uma voz bem audível . O Dean_Thomas , que tinha estado sentado de boca aberta olhando para fora de a janela , saiu de o seu transe com um salto . A cabeça de Lavender_Brown saiu de os braços e o cotovelo de o Neville_Longbottom escorregou para fora de a secretária . O professor Binns piscou os olhos . - A minha matéria é História_da_Magia - disse em a sua voz seca e asmática . - Eu trato de factos , Miss_Granger , não de mitos e lendas - pigarreou produzindo um ruído que parecia o giz sobre o quadro e continuou : - Em Setembro de esse ano , uma subcomissão de feiticeiros de a Sardenha ... Parou de repente . A mão de Hermione estava de_novo em o ar . - Sim , Miss_Grant ? - Por favor , professor , as lendas não têm sempre um facto como base ? O professor Binns olhava para ela com tal espanto que Harry teve a certeza de que ele nunca , em tempo algum , fora interrompido por um aluno . - Bem - disse lentamente o professor Binns . - Sim , é uma afirmação que pode fazer se . - Olhou para Hermione como_se fosse a primeira vez que olhasse a sério para um estudante . - Contudo , a lenda de que me fala é tão extraordinária , mesmo grotesca ... Mas a aula inteira estava agora atenta a as palavras de o professor , que olhou indistintamente para todos eles . Harry poderia assegurar que ele estava absolutamente abismado por uma tão grande demonstração de interesse . - Muito bem - disse lentamente . - Ora vejamos ... a Câmara_dos_Segredos . Todos vocês sabem com certeza que Hogwarts foi fundada há mais de um_milhar de anos , não se conhece ao_certo a data , por os quatro maiores feiticeiros e feiticeiras de a época : Godric_Gryffindor , Helga_Hufflepuff , Rowena_Ravenclaw e Salazar_Slytherin . Construíram juntos este castelo , longe de os olhares curiosos de os Muggles porque em aquele tempo a magia era temida por as pessoas comuns e as bruxas e feiticeiros sofriam terríveis perseguições . Fez uma pausa , olhou indeciso em volta e prosseguiu : - Durante alguns anos , os fundadores trabalharam juntos em harmonia procurando outros mais novos que mostrassem sinais de possuir dotes mágicos e trazendo os para o castelo para aqui serem ensinados . Mas os desentendimentos surgiram entre eles . Começou a notar se uma divisão entre Slytherin e os outros . Salazar_Slytherin queria ser mais selectivo em relação a os alunos a serem admitidos em Hogwarts . Achava que os ensinamentos de magia deviam ficar dentro de as famílias de feiticeiros . Não lhe agradava a entrada em a escola de alunos de famílias Muggles porque os achava pouco dignos de confiança . Depois de algum tempo houve uma séria discussão sobre esse assunto entre Slytherin e Gryffindor e Slytherin abandonou a escola . O professor Binns fez uma nova pausa , fazendo beicinho o que o fazia parecer uma tartaruga enrugada . - Fontes fidedignas referem nos isto - disse . - Mas estes factos foram obscurecidos por a fantasiosa lenda de a Câmara_dos_Segredos . Conta a história que Slytherin construíra uma câmara oculta dentro de o castelo cuja existência os outros fundadores ignoravam . De_acordo com a lenda , Slytherin selou a Câmara_dos_Segredos para que ninguém pudesse abri a até o seu verdadeiro herdeiro chegar a a escola . O herdeiro , e apenas ele , poderia abrir a Câmara_dos_Segredos , libertar o horror que lá se encontrava e utilizá o para expurgar a escola de todos aqueles que eram indignos de aprender magia . Houve um silêncio quando ele se calou que não era o habitual silêncio de sono de as aulas de o professor Binns . Havia um desassossego em o ar enquanto todos continuavam a olhá o a a espera de mais . O professor Binns estava ligeiramente aborrecido . - A história toda é um disparate , claro - disse ele . - A escola foi revistada por várias vezes em busca de provas de a existência de essa câmara , por os feiticeiros e bruxas mais conhecedores . Não existe nada . Uma lenda que serviu apenas para assustar os ingénuos . A mão de Hermione estava novamente em o ar . - Professor , o que quer_dizer , ao_certo com « o horror que estava dentro de a câmara » ? - Acredita se que seja uma espécie de monstro que só o herdeiro de Slytherin pode controlar - disse o professor Binns em a sua voz seca e débil . A aula trocou entre si olhares inquietos . - Como vos digo , a coisa não existe - afirmou o professor Binns , desordenando as suas notas . - Não há câmara e não há monstro . - Mas , professor - disse Seamus_Finnigan . - Se a câmara só podia ser aberta por o herdeiro de Slytherin ninguém mais poderia encontrá a . Não é ? - Um disparate pegado - disse o professor Binns , em um tom de voz exasperado . - Se uma longa sucessão de directores e directoras de Hogwarts não a encontraram ... - Mas , professor - começou a dizer Parvati_Patil . Se_calhar é preciso usar magia negra para a abrir ... - Lá porque um feiticeiro não usa magia negra não quer_dizer que não possa , Miss_Pennyfeather - interrompeu o professor Binns . - Repito , se os antecessores de Dumbledore ... - Mas talvez seja preciso fazer parte de os Slytherin , por isso Dumbledore não podia ... - começou Dean_Thomas , mas o professor Binns já estava farto . - Já chega - disse , de modo cortante . - É um mito . Não existe . Não há uma única prova de que Slytherin tenha construído nem mesmo uma despensa para vassouras . Lamento ter vos contado esta história tola . Vamos voltar , se fazem o favor , a a História , a os factos sólidos , verificáveis , credíveis . E em menos_de cinco minutos toda_a classe mergulhara em a sua sonolência habitual . - Eu sempre ouvi dizer que Salazar_Slytherin era um velho retorcido e meio pateta - disse Ron_a_Harry e Hermione enquanto abriam caminho por os corredores cheios , em o final de a aula , para ir arrumar as malas antes de o jantar . - Mas não sabia que ele tinha começado esta coisa de o sangue puro . Eu não ia para os Slytherin nem que me pagassem . Se o chapéu seleccionador me tivesse posto lá , pegava em as malas e ia me embora ... Hermione acenou vivamente , mas Harry não abriu a boca . O estômago parecia ter dado uma volta . Harry nunca contara a o Ron e a a Hermione que o chapéu seleccionador tinha considerado seriamente a possibilidade de o colocar em os Slytherin . Lembrava se como_se tivesse sido em a véspera do_que a vozinha lhe dissera a o ouvido quando pôs o chapéu em a cabeça , um ano antes . * _ Podias vir a ser grande , sabes ? Está tudo aqui em a tua cabeça e Slytherin ajudaria te em o caminho para a grandeza , sem a menor dúvida * ... Mas Harry , que já ouvira falar de a fama de o grupo de os Slytherin de formar magos negros , pensou desesperadamente . - Em os Slytherin , não ! - E o chapéu tinha dito . - Bem , se tens assim tanta certeza ... será melhor os Gryfffndor . Enquanto eram empurrados por a multidão , Colin_Creevey passou por eles . - Olá , Harry ! - Olá , Colin - disse Harry automaticamente . - Harry , Harry , um rapaz de a minha turma tem andado a dizer que tu és ... Mas Colin era tão baixinho que não conseguiu lutar contra a maré de gente que o arrastou até a o vestíbulo . Ouviram o despedir se : - Adeus , Harry - e desaparecer . - O que é_que o rapaz de a turma de ele disse de ti ? - quis saber Hermione . - Que eu sou o herdeiro de Slytherin , imagino - disse Harry , com o estômago ainda a as voltas e lembrou se de repente de o Justin_Finch - _ Fletchley a fugir para não lhe falar , a a hora de o almoço . - As pessoas aqui acreditam em tudo - disse o Ron com repugnância . A multidão diminuiu e conseguiram subir as escadas sem dificuldade . - Achas mesmo_que existe uma Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Ron_a_Hermione . - Não sei - respondeu ela , franzindo a testa . - Dumbledore não conseguiu curar Mrs._Norris e isso leva me a pensar que o que a atacou pode não ser ... humano . Enquanto falava , voltaram uma esquina e encontraram se em o fim de aquele mesmo corredor onde o ataque tinha ocorrido . Pararam para olhar . Estava tudo igual a aquela outra noite , com excepção de a gata Mrs._Norris e havia uma cadeira vazia encostada a a parede , onde podia ler se a mensagem « : __ a câmara foi __ aberta » . - Foi aqui que o Filch montou a guarda - murmurou Ron . Olharam uns para os outros . O corredor estava deserto . - Não deve fazer mal dar uma olhadela aqui - disse Harry , deixando cair a mala e pondo se de quatro para poder gatinhar em busca de pistas . - Marcas de queimadura - disse - aqui e aqui ... - Venham ver isto ! - chamou Hermione . - Que estranho ... Harry levantou se e foi até a a janela que ficava junto de a mensagem . Hermione apontava para o vidro mais alto , onde cerca de uma vintena de aranhas se debatiam em uma aparente luta por atravessar por uma pequena brecha de vidro . Um longo fio prateado balouçava como uma corda , como_se todas tivessem trepado , em a ânsia de chegar lá fora . - Alguma vez viram aranhas agir assim ? - perguntou Hermione , curiosa . - Não - respondeu Harry . - E tu , Ron ? Ron ? Olhou por cima de o ombro . Ron estava de costas , bem lá atrás e parecia lutar contra o impulso de se virar . - O que é_que se passa ? - perguntou Harry . - Eu não gosto de aranhas - disse Ron , de modo tenso . - Nunca me tinhas dito - comentou Hermione , olhando para ele com surpresa . - Estás farto de usar aranhas em as poções ... - Não me importo quando estão mortas - explicou Ron que olhava cautelosamente para todos os lados , menos para a janela . - Não gosto de a maneira como_se mexem . Hermione riu se baixinho . - Não tem graça nenhuma - disse o Ron , furioso . - Se queres saber , quando eu tinha três anos , o Fred transformou o meu ursinho de pelúcia em uma enorme aranha nojenta , por eu lhe ter partido a vassoura de brinquedo . Tu também não gostarias de aranhas se estivesses agarrada a o teu ursinho e , de repente , ele tivesse uma data de pernas e ... Começou a tremer ... Hermione ainda estava a tentar conter o riso . Sentindo que era melhor mudarem de assunto , Harry perguntou : - Lembram se de a água que havia aqui em o chão ? De onde terá vindo ? Alguém a limpou . - Era por aqui - disse o Ron , já recuperado , avançando alguns passos em direcção a a cadeira de o Filch e apontando . - Junto de esta porta . Estendeu a mão para o puxador de a porta , mas retirou a de imediato , como_se se tivesse queimado . - O que foi ? - perguntou Harry . - Não posso entrar aí - disse o Ron bruscamente . - É a casa_de_banho de as raparigas . - Oh , Ron , não está aí ninguém - sossegou o Hermione enquanto se aproximava . - É o lugar de a Murta_Queixosa . Anda , vamos dar uma espreitadela . E ignorando o grande letreiro que dizia « Fora de serviço » Hermione abriu a porta . Era a casa_de_banho mais sombria e deprimente em que Harry tinha posto os pés durante toda_a sua vida . Debaixo_de um grande espelho partido e sujo podia ver se uma fila de lavatórios de pedra , rachados . O chão estava húmido e reflectia a luz fraca de os pavios de algumas velas que ardiam baixinho em os suportes . As portas de madeira de os cubículos estavam todas lascadas e riscadas e uma de elas balouçava fora de as dobradiças . Hermione levou os dedos a os lábios e foi até a o último cubículo . Quando lá chegou disse : - Olá , Murta , como estás ? Harry e Ron foram ver . A Murta_Queixosa flutuava em a cisterna de a casa_de_banho , tirando um ponto negro de o queixo . - Esta é a casa_de_banho de as raparigas - disse a o ver o Ron e o Harry . - Eles não são raparigas . - Não - concordou Hermione . - Eu só queria mostrar lhes como esta casa_de_banho é ... er ... simpática . Ela fez um aceno vago a o velho espelho sujo e a o chão húmido . - Pergunta lhe se viu alguma coisa - sussurrou o Ron a a Hermione . - Porque estão a dizer segredinhos ? - perguntou a Murta , fitando o . - Não é nada - disse Harry rapidamente . - Queríamos perguntar ... - Gostava que as pessoas parassem de falar em as minhas costas ! - desabafou a Murta em uma voz abafada por as lágrimas . - Eu tenho sentimentos , sabem , apesar_de estar morta . - Murta , ninguém quis aborrecer te - explicou Hermione . - O Harry só ... - A minha vida foi uma infelicidade em este lugar e agora as pessoas vêm estragar a minha morte . - Nós queríamos perguntar te se tinhas visto alguma coisa estranha ultimamente - disse Hermione sem perder tempo . - Porque foi atacada uma gata mesmo aqui a a frente de a tua porta em a noite de o * _ Hallowe'en * . - Viste alguém aqui perto em essa noite ? - insistiu Harry . - Não estava a prestar atenção - disse a Murta com ar dramático . - O Peeves aborreceu me tanto que vim aqui para tentar matar me . Só então me lembrei de que estou ... de que estou ... - Já morta - ajudou o Ron . A Murta soluçou tragicamente , elevou se em o ar , voltou se e mergulhou de cabeça em a sanita , espalhando água por_cima_de todos eles e desaparecendo . Por o som de os seus soluços abafados fora certamente descansar algures em o cano em forma de V._Harry e Ron ficaram de boca aberta , mas Hermione encolheu os ombros de cansaço e disse : - Se querem saber , para a Murta isto até foi alegre ... vá , vamos embora . Harry tinha acabado de fechar a porta deixando atrás os soluços gorgolejantes de a Murta quando uma voz forte o fez dar um salto . - RON ! Percy_Weasley estava parado em o cimo de as escadas com o seu distintivo de prefeito a brilhar e uma expressão chocadíssima em o rosto . - Isso é a casa_de_banho de as raparigas ... o que é_que vocês ... ? - Estávamos só a dar uma vista de olhos - exclamou o Ron - a a procura de pistas ... Percy engoliu em seco , de uma maneira que fez Harry lembrar se de Mrs._Weasley . - Saiam imediatamente de aqui - disse , aproximando se de eles a passos largos e gesticulando agitadamente . - Não se preocupam com as aparências ? Voltar aqui enquanto toda_a_gente está a jantar ... - Porque não havíamos de estar aqui ? - perguntou cheio de vivacidade o Ron , parando de repente e olhando Percy em os olhos . - Ouve lá , nós não tocamos em aquela gata . - Isso foi o que eu tentei explicar a a Ginny - respondeu Percy furioso - mas ela parece continuar a pensar que vocês vão ser expulsos . Nunca a vi tão aflita . Não pára de chorar . Devias pensar em ela . Todos os alunos de o primeiro ano andam superexcitados com esta história . - Tu não estás nada preocupado com a Ginny - disse o Ron já com as orelhas vermelhas . - O que te assusta é_que eu possa estragar as tuas possibilidades de ser chefe de turma . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor ! - bradou Percy , apontando elegantemente para o distintivo de prefeito . - E espero que te sirva de lição . Acabou se o trabalho de detective ou escrevo a a mãe a contar lhe . E voltou lhes as costas , a nuca tão vermelha como as orelhas de o Ron . Harry , Ron e Hermione , em essa noite , sentaram se em a sala comum o mais longe possível de Percy . Ron estava ainda muito maldisposto e não parava de esborratar o trabalho de casa de os encantamentos . Quando pegou distraidamente em a varinha para tirar as manchas incendiou o pergaminho . A deitar quase tanto fumo como o seu trabalho de casa , fechou bruscamente o * _ Livro_Padrão_de_Encantamentos de o 2.o Grau * . Para grande surpresa de Harry , Hermione fez o mesmo . - Mas quem poderia ser - perguntou ela baixinho como_se continuasse uma conversa que tinham acabado de ter . - Quem quereria todos os * busca-pés * e filhos de Muggles fora de Hogwarts ? - Vamos pensar - disse o Ron em a brincadeira , fingindo estar confuso . - Quem poderemos nós conhecer que ache que os familiares de Muggles são escumalha ? Olhou para Hermione . Ela olhou para ele pouco convencida . - Se estás a pensar em o Malfoy ... - Claro que estou - disse o Ron . - Tu ouviste o dizer : - Vocês serão os próximos , sangues de lama ! - Aliás , basta olhar para aquela cara de renegado para saber que ele é ... - Malfoy , o herdeiro de Slytherin ? - repetiu Hermione cepticamente . - Olha para a família de ele - disse Harry , fechando também os livros . - Todos eles estiveram em os Slytherin . O Draco está sempre a vangloriar se de isso . Podiam bem ser descendentes de Slytherin . O pai de ele é suficientemente mau . - Podiam perfeitamente ter tido a chave de a Câmara_dos_Segredos durante séculos - disse Ron - , fazendo a passar de pai para filho . - Bem - acedeu Hermione cautelosamente . - Seria possível ... - Mas como prová o ? - perguntou Harry tristemente . - Talvez haja um meio - sugeriu Hermione lentamente , baixando ainda mais a voz e lançando um olhar , através de a sala , a Percy . - É claro que não é fácil . E é perigoso , muito perigoso . Suponho que iríamos infringir cerca de cinquenta regras de a escola . - Se de aqui a um mês ou dois te decidires a explicar , avisa , está bem ? - disse Ron , que começava a ficar irritado . - Está bem - concordou Hermione friamente . - O que precisaríamos de fazer para entrar em a sala comum de os Slytherin e fazer algumas perguntas a o Malfoy , sem ele perceber que éramos nós ? - Mas isso é impossível - declarou Harry , enquanto Ron se ria . - Não , não é - continuou Hermione . - Só precisamos de um_pouco de poção * polisuco * . - O que é isso ? - perguntaram ao_mesmo_tempo Ron e Harry . - O Snape falou de ela em uma aula , há poucas semanas atrás . - Achas que não temos mais o que fazer do_que ouvir o Snape ? - murmurou o Ron . - Transforma nos em outra pessoa . Pensem em isso : podíamos transformar nos em três de os Slytherin . Ninguém saberia que éramos nós . É provável que o Malfoy nos contasse alguma coisa . Aposto que ele está a gabar se , em este momento , em a sala de os Slytherin , se ao_menos pudéssemos ouvi o . - Essa coisa de o * polisuco * cheira me um bocado mal - disse o Ron , franzindo as sobrancelhas . - E se ficarmos com a forma de os três Slytherin para sempre ? - Desaparece a o fim de algum tempo - disse Hermione , gesticulando impacientemente com a mão - mas conseguir a receita é muito difícil . O Snape disse que vinha em um livro chamado * _ As_Mais_Potentes_Poções * e está com certeza em a parte de os reservados de a biblioteca . Só havia uma maneira de obter o livro de os reservados : era com uma autorização assinada por um professor . - Não estou a ver porque quereríamos o livro - disse o Ron . - Se não para tentar fabricar uma de as poções . - Eu acho - sugeriu Hermione - que se fizéssemos parecer que o nosso interesse era apenas teórico , talvez conseguíssemos ... - Estás a sonhar , nenhum professor ia cair em essa - afirmou o Ron . - Só se fosse muito burro . X_A * bludger * perigosa Depois de o desastroso incidente de os duendes , o professor Lockhart não voltou a levar seres vivos para as aulas . Em vez de isso , lia a os alunos passagens de os seus livros e , por vezes , voltava a desempenhar alguns de os episódios mais dramáticos . Costumava chamar Harry para o ajudar em essas reconstruções . Até ali Harry fora obrigado a desempenhar o papel de um camponês de a Transilvânia que Lockhart curara de uma maldição murmurada , o abominável homem de as neves com dores de cabeça e um vampiro que depois de ter conhecido Lockhart tinha ficado incapaz de comer outra coisa que não fosse alfaces . Harry foi chamado para a frente de a classe durante a aula de Defesa contra as artes negras que se seguiu . Desta_vez para desempenhar o papel de um lobisomem . Se não tivesse um bom motivo para querer ver o Lockhart bem-disposto , teria se recusado . - Um uivo bem alto , excelente , Harry , isso mesmo . E foi então que , acreditem ou não , eu o ataquei de repente , assim . Atirei o a o chão , agarrei o com uma mão e com a outra consegui meter lhe a varinha em a garganta . Então , com a força que me restava pus em prática o complicadíssimo encantamento * _ Homorphus * . Harry soltou um uivo tristíssimo . - Vá lá , Harry , mais alto . Bom ... o pêlo desapareceu , os dentes diminuíram de tamanho e ele transformou se em um homem . Simples , mas eficaz e mais uma cidade ficará a lembrar se de mim para sempre como o herói que os libertou de os ataques mensais de o lobisomem . A campainha tocou e Lockhart pôs se de pé . - Trabalho para_casa : escrever um poema sobre a minha vitória sobre o lobisomem Wagga_Wagga . Há um exemplar autografado de * _ Eu , o Mágico * para o autor de o melhor poema . Os alunos começaram a sair . Harry voltou para trás e foi juntar se a o Ron e a a Hermione que estavam a a espera de ele . - Prontos ? - perguntou . - Espera até saírem todos - disse Hermione bastante nervosa . - Pronto ... Aproximou se de a secretária de Lockhart , apertando em a mão uma folha de papel , com o Ron e o Harry atrás . - Er ... professor Lockhart - gaguejou Hermione . - Eu queria requisitar este livro em a biblioteca , como leitura de apoio - entregou lhe o papel , com a mão ligeiramente trémula . - Só que faz parte de a secção de os reservados , por isso preciso de a assinatura de um professor . Acho que o livro me vai ajudar a compreender o que o senhor diz em * _ Passeios com Vampiros * acerca de os venenos de acção lenta ... - Ah , * _ Passeando com Vampiros * - disse Lockhart , pegando em a folha de papel de Hermione e sorrindo lhe abertamente . - E provavelmente o meu livro preferido . Gostou ? - Oh , muito - disse Hermione avidamente . - Tão inteligente o modo como apanhou o último com o passador de o chá . - Bem , tenho a certeza que ninguém se importará que eu dê uma ajudazinha suplementar a a melhor aluna de o segundo ano - disse Lockhart calorosamente , sacando de uma enorme pena de pavão . - É bonita , não é ? - comentou , adivinhando uma expressão de repulsa em a cara de o Ron . - Costumo guardas a para as minhas assinaturas de autógrafos . Rabiscou uma enorme assinatura cheia de altos e baixos e entregou a a Hermione . - Então , Harry - disse Lockhart enquanto Hermione dobrava a folha e a guardava em o saco . - Amanhã é a primeira partida de Quidditch de este ano , não é ? Gryffindor contra Slytherin . Ouvi dizer que és um jogador indispensável . Eu também fui * seeker * . Convidaram me inclusivamente para fazer parte de a Equipa_Nacional , mas eu preferi dedicar a minha vida a a erradicação de as forças de o mal . Mesmo_assim , se alguma vez precisares de um treino particular , não hesites em falar comigo , estou sempre disponível para partilhar a minha perícia com os jogadores menos dotados do_que eu . Harry fez um som indistinto com a garganta e saiu atrás_de Ron e Hermione . - Não acredito - disse quando os três examinavam a assinatura de Lockhart . - Ele nem viu que livro nós queríamos . - É porque é um idiota sem miolos - explicou o Ron . - Mas , quem se rala , temos o que queríamos . - Ele não é um idiota sem miolos - gritou Hermione com voz esganiçada enquanto se aproximavam quase a correr de a biblioteca . - Só porque ele disse que eras a melhor aluna de o segundo ano ... Baixaram as vozes a o entrar em a quietude abafada de a biblioteca . Madam_Prince , a bibliotecária , era uma mulher magra e irritável que parecia um abutre mal nutrido . - * _ Moste_Potente_Potions * ? - repetiu intrigada , tentando ficar com a folha de papel que Hermione se recusava a entregar lhe . - Gostava de a guardar para mim - disse sem fôlego . - Vá lá - intercedeu Ron , arrancando lhe a de as mãos e entregando a a Madam_Prince . - Nós arranjamos te outro autógrafo . O Lockhart assina tudo se aqui ficar muito_tempo . Madam_Prince pegou em o papel e voltou o em a direcção de a luz , decidida a descobrir uma falsificação , mas a assinatura passou em o teste . Desapareceu entre as estantes e voltou alguns minutos mais tarde , transportando um livro grande e de aspecto antiquado . Hermione meteu o com todo o cuidado em o saco e saíram , tentando não andar depressa de mais nem aparentar um ar culpado . Cinco minutos depois , estavam de_novo barricados em a casa_de_banho fora de serviço de a Murta_Queixosa . Hermione destruíra as objecções de Ron argumentando que aquele era o último lugar onde alguém em o seu juízo perfeito se lembraria de ir e que poderia assegurar lhes alguma privacidade . A Murta_Queixosa chorava ruidosamente em o seu cubículo , mas eles conseguiram ignorá a assim_como ela a eles . Hermione abriu * _ Moste_Potente_Potions * com todo o cuidado e inclinaram se os três sobre as páginas manchadas de humidade . Era fácil de perceber , logo à_primeira_vista de olhos , porque pertencia a a secção de os reservados . Algumas de as poções tinham efeitos quase impensáveis de tão macabros e havia ilustrações bastante desagradáveis , como , por_exemplo , aquela em que um homem parecia ter sido virado de o avesso e a de a bruxa com vários pares de braços suplementares a nascerem lhe em a cabeça . - Aqui está - disse Hermione excitadíssima a o encontrar a página intitulada « A poção * polisuco * « . Estava ilustrada com imagens de pessoas a meio de o processo de se transformarem em outras pessoas e Harry desejou ardentemente que a expressão de dor intensa que se lhes espelhava em o rosto fosse apenas produto de a imaginação de o artista desenhador . - Esta é a poção mais complicada que vi até hoje - disse Hermione enquanto examinava a receita . - Moscas asas de renda , sanguessugas , fluxo de cizânias e verdezelha - murmurou , acompanhando com o dedo a lista de ingredientes . - Bem , esses são relativamente simples , há os em a despensa de material de os estudantes , podemos tirar a a nossa vontade . Oh ! Vê só , pó de chifre de bicórneo ... não sei onde vamos arranjar isto ... e , é claro , um pedacinho de a pessoa em quem queremos transformar nos . - Como ? - perguntou Ron de forma cortante . - O que é_que queres dizer com um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos ? Eu não bebo nada que tenha lá dentro as unhas de os pés de o Crabbe ... Hermione continuou como_se não o tivesse ouvido . - Mas não temos que nos preocupar com isso por enquanto . Fica para o fim . Ron voltou se sem palavras para o Harry que tinha uma preocupação de outro tipo . - Já viste bem tudo_o_que vamos ter que roubar , Hermione ? Algumas coisas , não estão de certeza em a despensa de material de os alunos . O que é_que vamos fazer , arrombar os armários pessoais de o Snape ? Não sei se será uma boa ideia ... Hermione fechou o livro com um estrondo . - Bem , se vocês os dois se vão acagaçar , então está lindo - disse ela . Tinha as bochechas rosadas e os olhos mais brilhantes do_que era habitual . - Eu não gosto de quebrar regras , vocês sabem , mas acho que ameaçar os filhos de os Muggles é muito pior do_que construir uma poção difícil . Mas se vocês não querem descobrir se é o Malfoy , eu posso voltar já a a biblioteca e entregar o livro a Madam_Prince ... - Nunca pensei que chegaria o dia em que serias tu a convencer nos a quebrar regras - disse o Ron . - Está bem , vamos em essa , mas sem unhas de os pés , O. _ K. ? - Quanto tempo vai isso demorar a fazer , afinal ? - perguntou Harry quando Hermione , já com um ar mais satisfeito , voltou a abrir o livro . - Bem , como o fluxo de cizânias tem de ser recolhido durante a lua cheia e as asas de renda têm de ser abafadas durante vinte_e_um dias ... eu diria que se conseguirmos arranjar todos os ingredientes estará pronta dentro_de um mês . - Um mês ? - exclamou o Ron . - Nessa_altura já o Malfoy terá atacado metade de os filhos de Muggles ! - mas os olhos de Hermione contraíram se de_novo assustadoramente e ele acrescentou rapidamente . - Mas é o melhor plano que temos , por isso é melhor não olharmos para trás . Apesar_de tudo , enquanto Hermione verificava que não havia ninguém em os corredores e podiam sair de a casa_de_banho , Ron murmurou a Harry : - Seria muito mais simples se conseguisses , amanhã , atirar o Malfoy de a vassoura abaixo . Harry acordou cedo em o sábado de manhã e ficou um bocado a pensar em a partida de Quidditch que vinha a seguir . Estava nervoso , principalmente pelo que Wood diria se os Gryffindor perdessem , mas também com a ideia de enfrentar uma equipa apetrechada com as vassouras mais velozes que existiam . Nunca desejara tanto vencer os Slytherin como em aquele dia . Depois de meia_hora deitado com a barriga a dar horas , resolveu levantar se , vestir se e descer para tomar o pequeno-almoço . Lá em baixo , encontrou o resto de a equipa de os Gryffindor amontoada a o longo de a mesa comprida e vazia , todos eles com ar preocupado e sem vontade de conversar . Como_se aproximavam as onze horas , todos os alunos de a escola começaram a dirigir se para o estádio de Quidditch . O dia estava quente e húmido , com uma ameaça de trovoada em o ar . Ron e Hermione vieram apressadamente desejar a Harry boa sorte mal ele entrou em os vestiários . A equipa de os Gryffindor pôs os seus mantos vermelhos e sentou se para ouvir o discurso que Wood lhes fazia sempre antes de o jogo . - Os Slytherin têm vassouras melhores do_que nós - começou . - Não há como negá o . Mas nós temos gente melhor em cima de as vassouras . Treinámos mais do_que eles , voamos com todas_as condições climatéricas ( É bem verdade - murmurou George_Weasley - desde Agosto que não sei o que é estar seco ) . - E vamos fazê os engolir o dia em que deixaram aquele nojento de o Malfoy comprar a entrada em a equipa de eles . Com o peito agitado por a comoção , Wood voltou se par Harry . -- Cabe te a ti , Harry , mostrar lhes que um * seeker * tem de ter mais do_que um pai rico . Agarra a * snitch * antes d Malfoy ou morre a tentar porque temos absolutamente que vencer , hoje , Harry , temos que vencer . - Sem ansiedade , Harry - disse o Fred , piscando lhe o olho . Quando saíram em direcção a o campo , foram saudado por uma grande ovação principalmente de a parte de os Ravenclaw e de os Hufflepuff que estavam ansiosos por ver os Slytherin serem derrotados , mas os Slytherin que estavam entre a multidão também fizeram ouvir as suas vaias e pateadas . Madam_Hooch , a professora de Quidditch , pediu a Flin e Wood que apertassem as mãos o que eles fizeram , lançando um_ao_outro olhares ameaçadores , cada_um apertando a mão de o outro com mais força do_que aquela que seria necessário . - Atenção a o apito - disse Madam_Hooch . - Três , dois , um ... Com um bramido de a multidão para que subissem rapidamente , os catorze jogadores elevaram se em o céu cor de chumbo . Harry , mais alto do_que qualquer de os outros olhando para todos os lados em busca de a * snitch * . - Tudo bem , testa de cicatriz ? - gritou Malfoy , disparando por baixo de ele para lhe mostrar a velocidade de a sua vassoura . Harry não teve tempo de responder . Em esse preciso momento uma * bludger * preta e bem pesada veio direitinha a ele . Evitou a tão por um triz que ainda sentiu em os cabelos o ar que ela deslocara . - Foi por_pouco , Harry ! - exclamou o George , passando com grande rapidez , de bastão em a mão , pronto para lançar a * bludger * contra um Slytherin . Harry viu o dar a a * bludger * uma fortíssima pancada em direcção a Adrian_Pucey , mas a bola mudou de rumo em o meio de o ar e dirigiu se de_novo a Harry . Harry desceu rapidamente para se esquivar e George conseguiu lançá a contra Malfoy . Mais_uma_vez a * bludger * actuou como um * boomerang * e apontou a a cabeça de Harry . Harry ganhou velocidade e disparou contra o outro extremo de o campo . Ouvia o assobio de a * bludger * que o perseguia . O que era aquilo ? As * bludgers * nunca se concentravam assim em um único jogador , a sua função era tentar desmontar o maior número possível de intervenientes . Fred_Weasley esperava por a * bludger * em o extremo oposto . Harry baixou se quando o viu balançar se em frente de ela com toda_a garra . A * bludger * foi lançada para_fora_de campo . - Pronto , já está tudo resolvido - gritou Fred satisfeito , mas estava bastante enganado . Como_se fosse magneticamente atraída para Harry , a * bludger * lançou se de_novo contra ele e Harry teve de voar a_toda_a velocidade . Começara a chover . Harry sentia as gotas pesadas caírem lhe em o rosto , turvando lhe as lentes de os óculos . Não fazia ideia do_que se passava em o resto de o jogo , até ouvir Lee_Jordan que fazia o comentário dizer : - Os Slytherin vão a a frente com seis contra zero . As vassouras de qualidade superior de os Slytherin estavam obviamente a cumprir a sua função e enquanto isso , a * bludger * maluca fazia todos os possíveis para deitar abaixo o Harry . Fred e George voavam agora tão perto de ele , um de cada lado , que Harry não via senão os seus braços a balouçar e , se não conseguia ver a * snitch * , muito menos agarrá a . - Alguém enfeitiçou esta * bludger * - resmungou Fred , preparando o bastão com toda_a força quando ela se lançava de_novo contra Harry . - Precisamos de tempo - disse George , tentando fazer sinal a Wood enquanto evitava que a bola partisse o nariz a o Harry . Wood captou obviamente a mensagem . O apito de Madam_Hooch fez se ouvir e Harry , Fred e George desceram , tentando ainda evitar a * bludger * maluca . - O que é_que se passa ? - perguntou Wood enquanto a equipa de os Gryffindor se amontoava desordenadamente e os Slytherin , em o meio de a multidão , lançavam piadas . - Estamos a ser esmagados . Fred , George , onde estavam vocês quando aquela * bludger * impediu a Angelina de marcar ? - Estávamos seis metros acima , evitando que a outra * bludger * matasse o Harry , Oliver - gritou George furioso . - Alguém preparou isto , a bola não deixa o Harry em paz , ainda não perseguiu mais ninguém desde_que o jogo começou . Os Slytherin fizeram aqui qualquer coisa . - Mas as * bludgers * têm estado fechadas em o escritório de Madam_Hooch desde o último treino , e nessa_altura estava tudo bem ... - disse Wood ansiosamente . Madam_Hooch aproximava se . Por cima de o ombro de ela , Harry pôde ver a equipa de os Slytherin a escarnecer e apontar em a sua direcção . - Ouçam - disse o Harry , enquanto ela se aproximava . - Com vocês os dois a voarem sempre colados a mim , só vou apanhar a * snitch * se ela voar até a a minha manga . Voltem se para o resto de a equipa e deixem a tratante comigo . - Não sejas bronco - disse o Fred . - Ela arranca te a cabeça . Os olhos de Wood saltavam de Harry_para_os_Weasley . - Oliver , isto_é uma loucura - disse Alicia_Spinet , zangada . - Não podes deixar o Harry sozinho entregue a aquela coisa . Vamos pedir uma investigação . - Se pararmos agora , teremos de dar a partida como perdida e não vamos deixar os Slytherin ganhar , só por_causa_de uma * bludger * maluca . Vá lá , Oliver , diz lhes que me deixem sozinho . - A culpa é toda tua . * _ Agarra a snitch ou morre a tentar * , se isso é lá coisa que se diga . Madam_Hooch tinha se lhes juntado . - Prontos para retomar a partida ? - perguntou a Wood . Wood olhou para o ar determinado de Harry . - Deixem o sozinho , ele é capaz de lidar com a * bludger * . A chuva era agora mais pesada . A o apito de Madam_Hooch , Harry elevou se em os ares e ouviu o barulhinho de a * bludger * atrás_de si . Subiu cada_vez_mais alto . Fez acrobacias em espiral , descidas rápidas , ziguezagueou e rolou . Apesar_de ligeiramente estonteado , não deixou nunca de ter os olhos bem abertos . A chuva salpicava lhe os óculos e entrava lhe por as narinas , quando ele se voltou de cabeça para baixo , evitando outra forte investida de a * bludger * . Ouviu os risos de a multidão . Sabia que devia parecer ridículo , mas a * bludger * maluca era pesada e não podia mudar de direcção tão rapidamente quanto ele . Iniciou uma corrida que parecia de feira de diversões em volta de os extremos de o estádio , olhando de soslaio , através de os lençóis prateados de chuva , para os postes de os Gryffindor , onde Adrian_Pucey tentava passar por Wood . Um assobio junto de os ouvidos disse a Harry que a * bludger * falhara uma_vez_mais . Voltou se e voou rapidamente em a direcção oposta . - Estás a ensaiar * ballet * , Potter - gritou Malfoy quando Harry foi obrigado a fazer uma reviravolta estúpida em o ar para se esquivar mais_uma_vez de a * bludger * . Lá foi ele , com a * bludger * atrás a alguns metros de distância . E foi então que , olhando para Malfoy , furioso , a viu , a * snitch * de ouro . Flutuava alguns centímetros acima de os ouvidos de Malfoy que , de tão preocupado a escarnecer de Harry , nem dera por ela . Durante um momento angustiante , Harry ficou quieto em o ar , não ousando dirigir se a Malfoy , não fosse ele olhar para_cima e ver a * snitch * . PUM ! Tinha ficado parado tempo de mais . A * bludger * batera lhe , por fim , apanhando lhe o cotovelo e Harry sentiu o braço a partir se . Debilmente , desorientado por a dor cauterizante em o braço , Harry deslizou para um de os lados em a sua vassoura encharcada , um joelho ainda dobrado , o braço direito a balouçar , inútil , a o seu lado . A * bludger * veio de_novo , preparada para mais um ataque , desta_vez apontada a o seu rosto . Harry desviou se com uma intenção : chegar a Malfoy . Através_de uma nuvem de chuva e dor desceu até a o rosto tremeluzente e trocista e viu os olhos de ele dilatarem se de medo : Malfoy pensou que Harry ia atacá o . - Que diabo ... - resmungou , afastando se de o caminho . Harry tirou a outra mão de a vassoura e fez uma tentativa para agarrar qualquer coisa . Sentiu os dedos fecharem se em volta de a * snitch * dourada , mas conduzia agora a vassoura apenas com as pernas e ouviu se um grito de a multidão cá em baixo , quando ele fez a descida , tentando não desmaiar . Com um ruído seco caiu em a terra enlameada e rolou para fora de a vassoura . O braço tinha um ângulo um_pouco estranho . Torcendo se com dores , ouviu a a distância os assobios e os gritos . Concentrou se em a * snitch * que tinha fechada em a outra mão . - Ai - disse vagamente . - Ganhámos o jogo . E desmaiou . Voltou a si com a chuva a cair lhe em o rosto , ainda deitado em o campo , com alguém inclinado sobre ele . Viu um brilho de dentes brancos . - Oh , não , você não - gemeu . - Não sabe o que diz - afirmou Lockhart bem alto a a ansiosa multidão de Gryffindor que o comprimiam . - Não te preocupes , Harry , eu vou tratar de o teu braço . - Não - gritou Harry . - Eu fico com ele assim , obrigado . Tentou sentar se , mas a dor era enorme . Ouviu um « clique » familiar . - Não quero fotografias de isto , Colin - disse em voz alta . - Deita te para trás , Harry - insistiu Lockhart com toda_a calma . - É um encantamento muito simples que eu fiz imensas vezes . - Porque não me levam só para a ala hospitalar ? - perguntou Harry entredentes . - Seria o melhor , professor - disse a voz rouca de o Wood que não conseguia deixar de sorrir , apesar_de o seu * seeker * estar ferido . - Grande captura , Harry , verdadeiramente espectacular , a tua melhor jogada , em a minha opinião . Em o meio de a floresta de pernas que o rodeava , Harry avistou Fred e George_Weasley , metendo a * budger * perigosa em uma caixa . Continuava a dar uma luta enorme . - Para trás - ordenou Lockhart , que tinha arregaçado as mangas verde jade . - Não , eu não ... - protestou debilmente Harry , mas Lockhart tinha a varinha em a mão e , um segundo depois , apontava a para o braço de Harry . Uma sensação estranha e desagradável começou em o ombro e espalhou se , chegando a as pontas de os dedos . Parecia que o braço inteiro tinha sido esvaziado . Não foi capaz de olhar para o que estava a suceder . Tinha fechado os olhos , voltado o rosto para o outro lado , mas os seus maiores receios concretizaram se quando as pessoas lá em cima se sobressaltaram e Colin_Creevey começou a tirar fotografias como um louco . O braço deixara de lhe doer , mas parecia tudo menos um braço . - Ah ! - disse Lockhart . - Sim , bem isto às_vezes acontece . Mas o importante é_que os ossos já não estão partidos . Isso é o mais importante . Portanto , Harry , vai até a a ala hospitalar ... ah ! Mr._Weasley , Miss_Granger , poderiam levá o lá ? E Madam_Pomfrey poderá ... er ... arranjar um_pouco isso . Quando Harry se pôs de pé sentiu se estranhamente desequilibrado . Depois de respirar fundo , olhou para o lado direito e o que viu quase o fez desmaiar de_novo . Pendurado em a extremidade de a sua túnica estava o que parecia ser uma espessa e colorida luva de borracha . Tentou mexer os dedos mas ... em vão . Lockhart não consertara os ossos de Harry . Retirara os . M. dam Pomfrey não ficou nada satisfeita . - Devias ter vindo logo ter comigo - ralhou , segurando os restos tristes e moles de aquilo que antes fora um braço activo . - Eu conserto ossos em um segundo , mas fazê os crescer de_novo ... - Vai conseguir , não vai ? - perguntou Harry desesperado . - Sim , com certeza , mas vai ser doloroso - disse Madam_Pomfrey de modo severo , entregando lhe um pijama . - Vais ter que ficar cá esta noite ... Hermione esperou de o lado de_fora de a cortina que rodeava outra cama enquanto Ron ajudava Harry a vestir se . Levou algum tempo a enfiar o braço que parecia borracha dentro_de uma manga de o pijama . - Como é_que podes continuar a defender o Lockhart depois disto , Hermione ? - perguntou Ron através de as cortinas , enquanto puxava os dedos moles de o Harry por uma manga . - Se o Harry quisesse ser desossado , teria pedido . - Todos podem enganar se - disse Hermione . - E deixou de doer , não deixou , Harry ? - Sim - disse ele - mas também ficou incapaz de fazer seja o que for . Quando se meteu em a cama , o braço agitou se despropositadamente . Hermione e Madam_Pomfrey entraram . Madam_Pomfrey segurava uma grande garrafa com o rótulo * Skele - _ Gro * . - Vais ter uma noite difícil - preveniu , enchendo um pequeno copo fumegante e dando lhe a beber . - Fazer crescer ossos é uma coisa difícil . Tomar o * _ Skele - _ Gro * também . Queimou a boca e a garganta de o Harry a o descer , fazendo o tossir e cuspir . Resmungando sobre os desportos perigosos e os professores incapazes , Madam_Pomfrey retirou se , deixando Ron e Hermione a ajudar Harry a engolir um_pouco de água . - Mas ganhámos o jogo - disse o Ron com um sorriso em o rosto . - A tua jogada foi em grande . A cara de o Malfoy ... parecia que queria matar alguém . - Eu vou descobrir como é_que enfeitiçaram aquela * bludger * - disse Hermione com ar sombrio . - Podemos juntar essa pergunta a a lista de todas_as que queremos fazer a o Malfoy quando tomarmos a poção * _ Polisuco * - disse Harry , afundando se de_novo em as almofadas . - Espero que tenha um sabor melhor do_que esta coisa ... - Com um bocado de os Slytherin lá dentro , deves estar a brincar - disse o Ron . A porta de a ala hospitalar abriu se em esse momento e , completamente encharcados , entraram os restantes membros de a equipa de os Gryffindor , para ver o Harry . - Um voo inacreditável - disse George . - Acabei de ver Marcus_Flint a gritar com o Malfoy . Qualquer coisa sobre ter a * snitch * mesmo em cima de a cabeça e não ter dado por nada . O Malfoy não parecia nem um_pouco satisfeito . Tinham trazido bolos , rebuçados e garrafas de sumo de abóbora . Juntaram se em volta de a cama de Harry e estavam a dar início a o que prometia ser uma grande festa quando Madam_Pomfrey entrou a vociferar : - Este rapaz precisa de repouso . Tem trinta_e_três ossos a crescer . Fora de aqui . FORA ! E Harry ficou sozinho , sem nada que o distraísse de as dores agudas em o seu braço mole . Muitas horas mais tarde , Harry acordou subitamente em a escuridão total e soltou um pequeno grito de dor : sentia agora o braço cheio de estilhaços . Durante alguns segundos pensou que tinha sido a dor a acordá o . Depois , com um arrepio de horror , apercebeu se de que alguém estava a passar lhe uma esponja em a testa . - Sai de aqui - gritou , e em seguida : - Dobby ! Os olhos de o tamanho de bolas de ténis de o elfo doméstico estavam a olhá o em o escuro , uma lágrima grossa rolava por o seu enorme nariz . - Harry_Potter voltou a a escola - murmurou , infeliz . - Dobby avisou e voltou a avisar Harry_Potter . Ah ! senhor , porque não deu ouvidos a Dobby ? Porque não voltou Harry_Potter para_casa quando perdeu o comboio ? Harry ergueu se um_pouco , encostando se a as almofadas e afastou a esponja de o elfo . - O que estás a fazer aqui ? - perguntou . - E como sabes que eu perdi o comboio ? O lábio de Dobby tremeu e Harry foi assaltado por uma dúvida . - Foste tu . Tu impediste que a barreira nos deixasse passar . - Em a verdade fui eu , senhor - disse Dobby , acenando com a cabeça e com as orelhas a abanar . - Dobby escondeu se , esperou por Harry_Potter e selou a barreira . A seguir , Dobby teve de pôr as mãos em o ferro de engomar - mostrou a o Harry dez dedos longos embrulhados em ligaduras . - Mas Dobby não se importou , senhor , porque pensou que Harry_Potter estava a salvo e nunca Dobby sonhou que mesmo_assim ele viria para a escola ! Balançava se para a frente e para trás , sacudindo a cabeça feia . - Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry_Potter tinha voltado a a escola que deixou queimar o jantar de os seus donos . Dobby nunca tivera um castigo tão grande , senhor . Harry afundou se de_novo em as almofadas . - Quase conseguiste que nos expulsassem , a mim e a o Ron - disse furioso . - É melhor desapareceres de aqui antes que os meus ossos voltem a estar bem , Dobby , ou ainda te estrangulo . O elfo sorriu . - Dobby está habituado a ameaças de morte , senhor . Dobby recebe as cinco vezes por dia em a casa onde mora . Encostou o nariz a um canto de a fronha que usava , ficando tão ridículo que Harry sentiu a raiva desvanecer se , apesar_de tudo . - Porque usas essa coisa , Dobby ? - perguntou com curiosidade . - Isto , senhor ? - disse Dobby apontando para a fronha de almofada . - É uma prova de escravatura de o elfo doméstico , senhor . Dobby só pode ser libertado se os donos lhe derem roupa , senhor . A família tem o cuidado de não dar a o Dobby nem uma peúga , senhor , porque ele poderia ficar livre e deixar a casa para sempre . Dobby limpou os olhos protuberantes e disse subitamente : - Harry_Potter deve ir para_casa . Dobby achou que a sua * bludger * seria o suficiente para o fazer ... - A tua * bludger * ? - disse Harry com a raiva a crescer novamente dentro de ele . - Que queres tu dizer com a tua bludger * ? Foste tu quem fez com que aquela bola tentasse matar me ? - Matar não , senhor . Matar , nunca ! - disse o elho chocado . - Dobby quer salvar a vida de Harry_Potter . É melhor ir para_casa ferido do_que ficar aqui , senhor . Dobby só queria Harry_Potter suficientemente ferido para voltar para_casa . - Só isso ? - disse Harry furioso . - Imagino que não vais dizer me porque querias mandar me para_casa a os bocados ? - Ah ! se Harry_Potter soubesse ! - gemeu Dobby , com mais lágrimas a escorrerem lhe por a fronha esfarrapada . - Se pudesse saber o que significa para nós , para os humildes , os escravizados , nós , a escória social de o mundo mágico ! Dobby lembra se de como eram as coisas quando Aquele cujo nome não deve ser pronunciado estava em o auge de o poder , senhor ! Nós , os elfos domésticos éramos tratados como animais , senhor ! É claro que Dobby ainda é tratado assim - admitiu , secando o rosto em a fronha de almofada . - Mas , em a sua maioria , a vida melhorou bastante para os de a minha espécie desde_que Harry_Potter triunfou sobre Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Harry_Potter sobreviveu e o poder de os senhores de o Mal foi quebrado e veio uma nova alvorada , senhor , e Harry_Potter brilhou como um farol de esperança para aqueles de entre nós que já pensavam que a longa noite nunca mais teria fim , senhor ... e agora em Hogwarts vão acontecer coisas terríveis , talvez já esteiam a acontecer e Dobby não pode deixar Harry_Potter ficar aqui , agora_que a história vai repetir se , agora_que a Câmara_dos_Segredos está de_novo aberta . Dobby calou se horrorizado . Em seguida agarrou em o jarro de a água que Harry tinha a a cabeceira e bateu com ele em a própria cabeça , deixando se cair . Um segundo mais tarde voltou até junto de a cama , repetindo : - Mau , Dobby , muito mau , Dobby . - Quer_dizer , então , que existe mesmo a Câmara_dos_Segredos ? - murmurou Harry . - E dizes tu que já antes foi aberta ? Conta me , Dobby . Agarrou o pulso ossudo de o elfo quando a mão de ele se estendia para o jarro de a água . - Mas eu não sou filho de Muggles . Como posso estar em perigo por causa de a Câmara_dos_Segredos ? - Ah ! senhor , não pergunte a o pobre Dobby - lamentou se o elfo com os olhos enormes a brilharem em o escuro . - As forças de as trevas estão projectadas em este lugar , mas Harry_Potter não deve estar aqui quando as coisas acontecerem . Vá para_casa , Harry_Potter , vá para_casa . Harry_Potter não deve envolver se em isto , senhor , é demasiado perigoso ... - Quem é , Dobby ? - perguntou Harry , continuando a agarrar lhe o pulso com forca , impedindo que batesse de_novo em si próprio com o jarro . - Quem abriu a amara ? Quem a abriu de a última vez ? - Dobby não pode , senhor . Dobby não pode . Dobby não deve dizer - guinchou o elfo . - Vá se embora , Harry_Potter , vá se embora ! - Eu não vou para lugar nenhum - disse Harry , furioso . - Uma de as minhas melhores amigas é filha de Muggles , está em perigo se a câmara foi , de facto , aberta ... - Harry_Potter arrisca a própria vida por os amigos - gemeu Dobby em uma espécie de êxtase infeliz . - Tão nobre , tão corajoso , mas deve salvar se , Harry_Potter não deve ... Dobby calou se de repente com as orelhas de morcego a estremecerem . Harry também ouviu os passos que vinham lá fora , de o corredor . - Dobby tem de ir - balbuciou o elfo apavorado . Ouviu se um ruído e o pulso de Harry ficou subitamente fechado em o ar . Meteu se de_novo para baixo , em a cama , com os olhos fixos em a porta escura que dava entrada em a ala hospitalar enquanto os passos se aproximavam . Em o momento seguinte , Dumbledore estava a entrar , de costas , em o dormitório , vestindo uma longa túnica de lã e uma capa de noite . Transportava um extremo de aquilo que parecia ser uma estátua . A professora Mc_Gonagall surgiu um segundo mais tarde , pegando lhe em os pés . Os dois colocaram a em uma cama . - Chame Madam_Pomfrey - murmurou Dumbledore e a professora Mc_Gonagall passou por a cama de Harry , apressadamente , e desapareceu . Harry deixou se ficar muito quieto como_se estivesse a dormir . Ouviu vozes ansiosas e por fim a professora Mc_Gonagall apareceu de_novo , seguida de Madam_Pomfrey que vestia um casaco curto de lã sobre a camisa de dormir . Ouviu uma inspiração aguda . - O que aconteceu ? - murmurou Madam_Pomfrey_a_Dumbledore , inclinando se sobre a estátua que estava em a cama . - Outro ataque - disse Dumbledore . - A Minerva encontrou o em as escadas . Havia um cacho de uvas junto de ele . Acho que estava a tentar esgueirar se até aqui para vir visitar o Potter . O estômago de Harry deu uma reviravolta . Lenta e cuidadosamente ergueu se alguns centímetros para poder ver a estátua que estava sobre a cama . Um raio de luar iluminou lhe o rosto estático . Era_Colin_Creevey . Tinha os olhos abertos , e as mãos , em frente de a cara , seguravam a máquina fotográfica . -- Petrificado ? - murmurou Madam_Pomfrey . - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - Mas estou tentada a acreditar que ... se Albus não tivesse vindo cá abaixo tomar um chocolate quente ... quem sabe o que teria ... Os três olharam para Colin . Dumbledore inclinou se e retirou lhe a máquina de as mãos rígidas . - Será que ele conseguiu tirar a fotografia de o agressor ? - perguntou ansiosa a professora Mc_Gonagall . Dumbledore não respondeu . Abriu a parte detrás de a máquina . - Cruzes canhoto - disse Madam_Pomfrey . Um jacto de vapor tinha feito fervilhar a máquina . Harry , a três metros de distância , sentiu o cheiro tóxico de o plástico queimado . - Derretido - disse Madam_Pomfrey com grande espanto . - Tudo derretido . - O que significa isto , Albus ? - perguntou cada_vez_mais nervosa a professora Mc_Gonagall . - Significa - disse Dumbledore - que a Câmara_dos_Segredos está mesmo aberta outra_vez . Madam_Pomfrey levou uma mão a a boca . A professora Mc_Gonagall olhou assustada para Dumbledore . - Mas , Albus ... com certeza ... quem ? - A questão não é quem - disse Dumbledore com os olhos fixos em Colin . - A questão é como ... E pelo que Harry conseguiu ver de o rosto indistinto de a professora Mc_Gonagall , ela não compreendeu muito mais do_que ele . XI_O clube de os duelos Quando_Harry acordou , em o domingo de manhã , a enfermaria estava iluminada por um resplandecente sol de inverno e o seu braço tinha de_novo todos os ossos , apesar_de o sentir muito rígido . Sentou se rapidamente e olhou para a cama de Colin , mas ela fora isolada com as cortinas atrás de as quais se despira em a véspera . Vendo que ele tinha acordado , Madam_Pomfrey apareceu com um tabuleiro de pequeno-almoço e a seguir começou a apalpar lhe o braço e os dedos . - Tudo em ordem - disse , enquanto ele , com a mão esquerda , comia avidamente as papas de aveia . - Quando acabares de comer podes ir te embora . Harry vestiu se o mais depressa que pôde e dirigiu se a a pressa para a torre de os Gryffindor , ansioso por contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre Colin e Dobby , mas não os encontrou lá . Foi a a procura de eles , perguntando a si próprio onde teriam ido e sentindo se um_pouco magoado por o pouco interesse que demonstravam em saber se ele tinha recuperado os ossos . Quando passou por a biblioteca , Percy_Weasley vinha a sair com bastante melhor cara do_que de a última vez que se tinham encontrado . - Olá , olá , Harry - disse . - Excelente voo o de ontem , verdadeiramente sensacional . Os Gryffindor estão a a frente para a taça de a equipa . Ganhaste cinquenta pontos . - Não viste o Ron e a Hermione por aí ? - perguntou Harry . - Não , não vi - disse Percy com o sorriso a desaparecer . - Espero que o Ron não esteja outra_vez em a casa_de_banho de as raparigas ... Harry forçou um sorriso , viu Percy desaparecer e a seguir foi direitinho até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Não via lá muito bem por_que motivo o Ron e a Hermione lá estariam de_novo , mas , depois de se assegurar de que nem Filch nem nenhum de os prefeitos estavam por perto , abriu a porta e ouviu as vozes de eles que vinham de um cubículo fechado . - Sou eu - disse , fechando a porta atrás_de si . Ouviu se dentro de o cubículo um estrondo , um chapinhar e um sobressalto e ele viu o olho de a Hermione a espreitar por o buraco de a fechadura . - Harry - disse ela . - Pregaste nos um susto de morte . Entra . Como está o teu braço ? - _ óptimo - respondeu , apertando se dentro de o cubículo . Em cima de a sanita estava encarrapitado um velho caldeirão , e um crepitar a a superfície de a água disse a Harry que eles tinham acendido um fogo lá em baixo . Fazer aparecer fogos portáteis a a prova de água era uma de as especialidades de Hermione . - _ íamos visitar te , mas resolvemos começar a preparar a poção * _ Polisuco * - explicou Ron enquanto Harry fechava outra_vez a porta de o cubículo com alguma dificuldade . - Achámos que este era o lugar mais seguro para a esconder . Harry começou a contar lhes de o Colin , mas Hermione interrompeu o . - Nós já sabemos , ouvimos a professora Mc_Gonagall contar a o professor Flitwick hoje_de_manhã . Por isso resolvemos começar a ... - Quanto_mais depressa arrancarmos uma confissão a o Malfoy , melhor - rosnou o Ron . - Sabem o que eu penso ? Ele estava tão mal-humorado depois de o jogo de Quidditch que se vingou em o Colin . - Há outra coisa - disse Harry , vendo Hermione cortar molhos de verdezelha e lançá os dentro de a poção . - O Dobby foi visitar me a meio de a noite . Ron e Hermione olharam o espantados . Harry contou lhes tudo_o_que Dobby lhe dissera ... ou não dissera . Ron e Hermione ouviram o de boca aberta . - A Câmara_dos_Segredos já tinha sido aberta antes ? - repetiu Hermione . - Encaixa perfeitamente - disse Ron , em uma voz triunfante . - O Lucius_Malfoy deve ter aberto a Câmara_dos_Segredos quando andava em a escola e agora ensinou a o querido filhinho Draco como abris a . É óbvio , que pena o Dobby não te ter dito que tipo de monstro lá se encontra . Gostava de saber como é_que ninguém o viu andar por ai em a escola . - Talvez tenha a capacidade de se tornar invisível - sugeriu Hermione , picando sanguessugas para dentro de o caldeirão . - Ou talvez se disfarce , passando por uma armadura ou outra coisa de o género . Eu li umas coisas sobre vampiros camaleões ... - Tu lês de mais , Hermione - disse o Ron , deitando moscas asas de renda mortas por cima de as sanguessugas . Amarrotou o saco vazio de as asas de renda e olhou para Harry . - Então foi o Dobby que nos impediu de apanhar o comboio e te partiu o braço ... - abanou a cabeça . - Sabes o que eu acho ? Se ele não parar de tentar salvar te a vida ainda acaba por te matar . A notícia de que Colin_Creevey tinha sido atacado e estava agora em a ala hospitalar , como morto , espalhou se por toda_a escola em a segunda-feira de manhã . O ar ficou pesado e cheio de boatos e suspeitas . Os alunos de o primeiro ano começavam a andar por a escola em pequenos grupos , receando ser atacados se se aventurassem a andar isoladamente por os corredores . Ginny_Weasley , que era colega de carteira de o Colin em os encantamentos , estava perturbadíssima , mas Harry achou que Fred e George estavam a tentar animá a de a maneira errada . Revezavam se , mascarados com peles de animais e apareciam lhe subitamente detrás de as estátuas . Só pararam quando Percy , apopléctico de raiva , lhes disse que ia escrever a Mrs._Weasley a contar lhe que a Ginny andava a ter pesadelos . Enquanto isso , às_escondidas de os professores , uma panóplia de talismãs , amuletos e outros objectos de protecção ia enchendo a escola . Neville_Longbottom comprou uma enorme cebola verde que cheirava mal , um cristal pontiagudo cor de púrpura e uma cauda de tritão apodrecida antes de os outros rapazes de os Gryffindor lhe explicarem que ele não corria perigo : era um sangue puro e , portanto , muito pouco passível de ser atacado . - Eles foram a o Filch em primeiro lugar - disse Neville com o medo estampado em a cara redonda . - E toda_a_gente sabe que eu sou quase um * busca-pé * . Em a segunda semana de Dezembro , a professora Mc_Gonagall veio , como de costume , recolher os nomes de os alunos que ficavam em a escola durante o Natal . Harry , Ron e Hermione assinaram a lista . Tinham ouvido dizer que Malfoy ficava , o que lhes parecera muito suspeito . As férias seriam a altura ideal para usar a poção * _ Polisuco * e tentar arrancar lhe uma confissão . Infelizmente a poção estava a meio . Precisavam ainda de o chifre de bicórneo e o único lugar onde podiam arranjá o era em os depósitos privados de Snape . Harry , pessoalmente , preferia enfrentar o lendário monstro de os Slytherin do_que ser apanhado por o Snape a assaltar lhe o escritório . - O que precisamos - disse Hermione cheia de vivacidade quando se aproximava a aula conjunta de poções de quinta-feira a a tarde - para podermos entrar a a vontade em o escritório de o Snape , é de uma diversão . Harry e Ron olharam para ela , nervosos . - Acho que o melhor é ser eu a praticar o roubo - prosseguiu ela , em um tom perfeitamente casual . - Vocês os dois podem ser expulsos se forem apanhados e eu tenho uma folha limpa . Portanto , a única coisa que têm de fazer é distrair o Snape durante cerca de cinco minutos . Harry esboçou um meio sorriso . Provocar deliberadamente um estrago em a aula de poções de o Snape era tão seguro como ferir em um olho um dragão adormecido . As aulas de poções tinham lugar em um de os mais amplos calabouços . A de quinta-feira a a tarde não foi diferente de as outras . Vinte caldeirões fumegavam entre as secretárias de madeira , sobre as quais podia ver se laminas de latão e jarras com ingredientes . Snape deambulava por o meio de os fumos , fazendo reparos petulantes a o trabalho de os Gryffindor , enquanto os Slytherin riam a a socapa . Draco_Malfoy , que era o aluno preferido de Snape , não parava de lançar olhos de carneiro mal morto a o Ron e a o Harry , que sabiam que se retaliassem teriam um castigo , antes de poderem abrir a boca para dizer : - É injusto ! A solução de inchar de o Harry estava demasiado líquida , mas ele estava preocupado com coisas mais importantes . Esperava por o sinal de Hermione e mal deu por Snape se calar para ir espreitar a sua poção aguada . Quando o professor se voltou e foi implicar com o Neville , Hermione trocou um olhar com Harry e fez um aceno . Harry baixou se discretamente por detrás de o seu caldeirão , tirou de o bolso de trás um de os paus de fogo-de-artíficio Filibuster e deu lhe um toque de varinha . O fogo-de-artíficio começou a sibilar e a crepitar . Sabendo que tinha apenas alguns segundos , Harry endireitou se , ganhou coragem e lançou o a o ar . Aterrou certeiro em o caldeirão de o Goyle . A poção de o Goyle explodiu , salpicando toda_a aula . As pessoas gritavam , à_medida_que eram vítimas de os salpicos . Malfoy foi apanhado em a cara e o nariz começou a inchar como um balão . O Goyle tropeçava a as cegas , com as mãos em os olhos , que tinham ficado de o tamanho de pratos de sopa , enquanto o Snape tentava repor a calma e tentar perceber o que sucedera . Em o meio de a confusão , Harry viu Hermione esgueirar se a a socapa por a porta . - Silêncio ! silêncio ! - vociferou Snape . - Todos os que foram salpicados cheguem aqui para uma drenagem . Quando eu descobrir quem fez isto ... Harry fez um enorme esforço para não se rir a o ver Malfoy chegar apressadamente lá a a frente , a cabeça a tombar com o peso de o nariz , que parecia um pequeno melão . Quando metade de a aula se amontoava junto de a secretária de o Snape , alguns alunos vergados por o peso de os braços que pareciam mocas , outros incapazes de falar devido a o gigantesco inchaço de os lábios , Harry viu Hermione reentrar em o calabouço , a túnica mostrando a barriga protuberante . Quando todos os alunos tinham já tomado um gole de o antídoto e os vários inchaços tinham desaparecido , Snape precipitou se para o caldeirão de o Goyle e pescou os restos retorcidos de o fogo-de-artíficio . Houve um súbito silêncio . - Se eu descubro quem lançou isto - murmurou Snape - garanto que é expulsão por a certa . Harry compôs uma expressão de espanto . Snape olhava directamente para ele e a campainha , que tocou dez minutos mais tarde , não podia ser mais bem-vinda . - Ele soube que fui eu - disse Harry_a_Ron e a a Hermione , enquanto se dirigiam apressadamente para a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Tenho a certeza . Hermione lançou o novo ingrediente em o caldeirão e começou a mexer furiosamente . - Isto vai estar pronto dentro_de quinze_dias - afirmou , satisfeita . - O Snape não pode provar que foste tu - assegurou Ron , tranquilizando Harry . - Que pode ele fazer ? - Conhecendo o Snape , qualquer coisa louca - respondeu Harry , enquanto a poção borbulhava e espumava . Uma semana mais tarde , Harry , Ron e Hermione passavam por o vestíbulo de entrada , quando viram um pequeno grupo de pessoas reunidas em volta de o jornal de parede a lerem um pedaço de pergaminho que tinha acabado de ser afixado . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas acenaram lhes , entusiasmados . - Vão lançar um clube de duelos ! - exclamou Seamus . - Hoje a a noite é a primeira reunião . Eu não me importaria nada de ter aulas de duelo , podem vir a ser úteis um dia de estes ... - Porquê ? Achas que o monstro de os Slytherin sabe esgrimir ? - perguntou o Ron , mas , também ele , leu a notícia com interesse . - Pode ser útil - disse a o Harry e a a Hermione , quando foram jantar . - Vamos lá ? Harry e Hermione acharam óptimo , por isso , a as oito_da_noite voltaram a o salão . As longas mesas de refeição tinham desaparecido e um estrado dourado surgira , encostado a a parede . Sobre ele flutuavam milhares de velas . O tecto era , mais_uma_vez , de veludo negro e parecia que quase todos os alunos de a escola se encontravam ali , com as suas varinhas em a mão e com um ar entusiasmado . - Quem será que vai ensinar nos ? - perguntou Hermione , enquanto se misturavam em a multidão barulhenta . - Ouvi dizer que o Filitwick foi campeão de duelo em a juventude , talvez seja ele . - Desde_que não seja ... - começou Harry , mas terminou em um gemido : Gilderoy_Lockhart estava a subir a o estrado , resplandecente em as suas vestes cor de ameixa , acompanhado , nem mais nem menos , do_que de Snape que trajava , como sempre , de negro . Lockhart levantou um braço , pedindo silêncio , bradando : - Aproximem se , aproximem se , conseguem todos ver me e ouvir me ? Excelente ! - O professor Dumbledore deu me autorização para iniciar este pequeno curso de duelo para vos treinar a todos , caso algum dia precisem de se defender , como eu tenho feito em inúmeras ocasiões ; para mais detalhes , leiam os livros que tenho publicados . - Permitam que vos apresente o meu assistente , o professor Snape - disse Lockhart , abrindo um sorriso de orelha a orelha . - Ele diz me que sabe alguma coisa sobre duelos e aceitou desportivamente ajudar me em uma exibição de demonstração , antes de começarmos . Atenção , não quero que os mais novos fiquem preocupados , vão continuar a ter o vosso professor de poções depois de eu o vencer . Não tenham medo . - Não era óptimo se se liquidassem um_ao_outro ? - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . O lábio inferior de Snape estava curvo . Harry interrogou se sobre o motivo por_que Lockhart continuava a sorrir . Se o Snape olhasse de aquela maneira para ele , Harry estaria a correr a_toda_a velocidade para o mais longe possível . Lockhart e Snape voltaram se um para o outro e fizeram uma vénia , pelo_menos Lockhart fê la com muitas reviravoltas de mãos , enquanto Snape acenava , irritado , com a cabeça . Em seguida , ergueram as varinhas , como_se fossem espadas , em a frente . - Como podem ver , estamos a pegar em as varinhas em a posição de aceitação de combate - explicou Lockhart a a multidão silenciosa . - Quando contarmos até três , lançaremos os primeiros feitiços . Nenhum de nós tentará matar o outro , claro . - Eu não poria as mãos em o fogo - murmurou Harry , observando como Snape cerrava os dentes . -- Um , dois , três ... Os dois balançaram as varinhas acima de os ombros . Snape gritou : * _ Expelliarmus * ! Houve um clarão ofuscante de luz escarlate e Lockhart voou para trás , caindo de o estrado batendo contra a parede , escorregando e indo estatelar se em o chão . Malfoy e alguns de os outros Slytherin aplaudiram . Hermione estava em bicos de os pés . - Acham que ele está bem ? - gritou entredentes . - Quem se rala ? - disseram ao_mesmo_tempo o Ron e o Harry . Lockhart estava a pôr se , hesitante , de pé . O chapéu caíra lhe e o cabelo ondulado estava em um desalinho . - Bem , cá está ! - disse , cambaleando até a o estrado . - Este foi um encantamento para desarmar . Como podem ver , perdi a minha varinha . Ah , obrigado Miss_Brown . Sim , foi uma excelente ideia mostrar lhes isto , professor Snape , mas , se me permite que lhe diga , foi muito óbvio o que ia fazer . Se eu tivesse querido impedis o , teria o feito com a maior de as facilidades . Mas achei que seria educativo deixá os ver ... Snape tinha um ar assassino . Provavelmente Lockhart deu por isso , porque declarou : - Chega de demonstrações . Eu vou passar agora por o meio de vocês e criar duplas . Professor_Snape , se quiser ajudar me ... Entraram por o meio de a multidão , agrupando alunos . Lockhart pôs o Neville com Justin_Finch - _ Fletchley , mas Snape chegou primeiro junto de Harry e de Ron . - Tempo de separar a dupla ideal , parece me - rosnou . - Weasley , tu podes ficar com o Finnigan . Potter ... Harry voltou se automaticamente para Hermione . - Não me parece - disse Snape com o seu sorriso frio . - Mr._Malfoy , venha até aqui . Vamos ver o que faz com o famoso Potter . E a menina , Miss_Granger , pode emparceirar com Miss_Bulstrode . Malfoy aproximou se com o seu passo empertigado e o seu sorriso escarninho . Atrás de ele vinha uma rapariga de os Slytherin , que lembrou a Harry uma imagem que tinha visto em as * _ Férias com Bruxas_Velhas * . Era corpulenta e quadrada e os maxilares avançavam agressivamente . Hermione esboçou um meio sorriso , que ela não retribuiu . - Voltem se para os vossos parceiros - gritou Lockhart - e façam a vénia . Harry e Malfoy mal inclinaram as cabeças , não afastando os olhos um de o outro . - Varinhas preparadas ! - gritou Lockhart . - Quando eu disser três preparem os feitiços para desarmar o vosso opositor . Um ... dois ... três ... Harry levantou a varinha acima de o ombro , mas Malfoy começara logo em o « dois » : o seu feitiço apanhou Harry com tanta força que ele se sentiu como_se tivesse levado com uma frigideira em a cabeça . Tropeçou , mas ainda não estava fora de combate e , sem perder tempo , Harry apontou a varinha a Malfoy e gritou : - * _ Rictusempra ! * Um jacto de luz prateada atingiu Malfoy em o estômago , obrigando o a dobrar se , arfando . - Eu disse desarmar ! - gritava Lockhart sobre as cabeças de a multidão em lata , enquanto Malfoy caía de joelhos . Harry atingira o com o feitiço de as cócegas e ele mal conseguia mexer se para se rir . Harry hesitou com o vago sentimento de que seria pouco desportivo enfeitiçar Malfoy enquanto ele estava caído em o chão , mas ... foi um erro . Tentando respirar , Malfoy apontou a varinha a os joelhos de Harry , balbuciando : « * _ Tarantallegra ! * » e , um segundo depois , as pernas de o Harry tinham começado a mexer se , sem que ele pudesse controlá as , executando uma espécie de dança frenética . - Parem , parem - gritava Lockhart , quando Snape resolveu tomar controlo de a situação . - * _ Finite_Incantatem ! * - bradou . Os pés de o Harry pararam de dançar , Malfoy parou de rir e puderam olhar para_cima . Uma onda de fumo esverdeado pairava sobre todos eles . Neville e Justin estavam caídos em o chão , a arfar . Ron tentava fazer parar um Seamus com cara cor de cinza , pedindo lhe mil desculpas por o que a sua varinha partida eventualmente tivesse feito . Mas Hermione e Millicent_Bulstrode ainda não tinham acabado . Millicent tinha feito a Hermione uma prisão de cabeça e Hermione gritava de dor . As duas varinhas jaziam esquecidas em o chão . Harry deu um salto em frente e afastou Millicent . Não foi fácil , ela era bastante maior do_que ele . - Oh , gente ! - exclamou Lockhart , arrastando se por o meio de a multidão e olhando para os resultados de os duelos . - Vamos pôr de pé , Mcmillan ... cuidado , Miss_Fawcett ... belisque com força que pára logo de sangrar ... - Acho que o melhor é ensinar vos como bloquear feitiços pouco amigáveis - afirmou Lockhart que estava nervosíssimo em o meio de o salão . Olhou para Snape , cujos olhos pretos brilhavam e desviou rapidamente o olhar . - Vamos arranjar um par de voluntários . Longbottom e Finch - _ Fletchley , que tal serem vocês ? - Uma má ideia , professor Lockhart - disse Snape , deslizando como um morcego enorme e cruel . - Longbottom provoca devastação com o feitiço mais simples . Ainda temos de mandar o que restar de o Finch - _ Fletchley para a ala hospitalar dentro_de uma caixa de fósforos . - A cara redonda e rosada de Neville ficou ainda mais rosada . - Que tal o Malfoy e o Potter ? - sugeriu Snape com um sorriso retorcido . - Excelente ideia - disse Lockhart , fazendo sinal a os dois para que se aproximassem de o meio de o salão , enquanto a multidão recuava para lhes dar passagem . - Ouve bem , Harry - disse Lockhart . - Quando o Draco te apontar a varinha , tu fazes assim . Levantou a sua varinha , executando uma tentativa complicada de malabarismo e deixou a cair . Snape sorriu pretensiosamente , enquanto Lockhart a apanhava de o chão , dizendo : - Ups , a minha varinha está demasiado excitada . Snape aproximou se de Malfoy , inclinou se e disse lhe qualquer coisa a o ouvido . Malfoy sorriu também de forma afectada . Harry olhou , nervoso , para Lockhart e pediu : - Professor , podia mostrar me outra_vez aquela coisa para bloquear ? - Estás com medo ? - murmurou Malfoy baixinho , para que Lockhart não pudesse ouvir . - Querias ! - exclamou Harry por o canto de a boca . Lockhart deu um soco em o ombro de o Harry , em a brincadeira . - Basta que faças como eu fiz ! - O quê , deixar cair a varinha ? Mas Lockhart não estava a ouvir - Três , dois , um , zero ! - gritou . Malfoy levantou rapidamente a varinha a o ar e gritou : - * _ Serpensortia ! * A extremidade de a varinha explodiu . Harry viu , horrorizado , uma enorme serpente negra sair de ela , cair pesadamente em o chão a meio de os dois e erguer se disposta a atacar . Ouviram se gritos , enquanto a multidão se afastava , deixando o chão vazio . - Não te mexas , Potter - disse Snape vagarosamente , divertindo se claramente a ver Harry , parado , a olhar em os olhos a serpente . - Eu trato de ela ... - Permita me -- gritou Lockhart . Bramiu a varinha em direcção a a serpente e ouviu se um estoiro . A cobra , em_vez_de desaparecer , voou três metros acima de eles e voltou a cair em o chão com um estrondo enorme . Enraivecida , a sibilar de fúria , rastejou em direcção a Finch - _ Fletchley e pôs se de pé com os dentes a a mostra , pronta a atacar . Harry não soube ao_certo o que o levou a fazer aquilo . Não se lembrava sequer de ter tomado aquela decisão . Só soube que as pernas o fizeram avançar como_se tivesse rodas e que gritou a a serpente : - Larga o ! - E , milagrosa e inexplicavelmente , a serpente voltou a o chão , dócil como uma grande mangueira de jardim , preta e grossa , os olhos agora fixos em os olhos de Harry . Harry sentiu o medo a escoar se . Sabia que a cobra não atacaria mais ninguém , embora não pudesse explicar como sabia . Olhou para Justin a sorrir , esperando vê o aliviado , espantado , ou mesmo agradecido , mas nunca zangado ou assustado . - Que brincadeira é essa ? - gritou o outro e , antes que Harry tivesse tempo de dizer fosse o que fosse , voltou as costas e saiu de o salão . Snape deu um passo em frente , fez um gesto com a varinha e a serpente desapareceu em uma onda de fumo preto . Também ele , Snape , olhava para Harry de uma forma inesperada . Era um olhar arguto e calculista , de que Harry não gostou . Apercebeu se também vagamente de um murmúrio ameaçador que vinha de as paredes em volta . Depois , sentiu um puxão em a túnica . - Vamos - disse a voz de o Ron em o seu ouvido . - Mexe te , vá lá ... Ron arrastou o para fora de o salão . Hermione acompanhava os em a passada rápida . Quando cruzaram a porta , as pessoas que a rodeavam afastaram se , como_se tivessem medo de ser contagiadas . Harry não fazia a mais pequena ideia do_que estava a passar se e , nem Ron , nem Hermione lhe deram qualquer explicação , antes de o terem levado até a a sala comum de os Gryffindor , que se encontrava vazia . Aí , Ron empurrou Harry para uma cadeira de braços e disse : - Tu és um * serpentês * . Porque não nos disseste ? - Eu sou um quê ? - perguntou Harry . - Um * serpentês * ! - exclamou o Ron . - Falas com as cobras . - Eu sei - declarou Harry . - Quer_dizer , esta foi a segunda vez que o fiz . A outra foi há muito_tempo em o jardim zoológico , quando soltei uma Boa_Constrictor a o meu primo Dudley . É uma longa história , mas ela estava a dizer me que nunca tinha estado em o Brasil e eu acho que a libertei sem querer . Foi antes de saber que era feiticeiro . . . - Uma Boa_Constrictor disse te que nunca tinha estado em o Brasil ? - repetiu Ron , quase sem voz . - E então ? - disse o Harry . - Aposto que montes de pessoas aqui fazem o mesmo . - Não fazem , não - afirmou Ron . - Não é um dom muito frequente . Harry , isso é mau . - O que é_que é mau ? - perguntou Harry , que começava a ficar chateado . - O que é_que se passa com todos os outros ? Ouve bem , se eu não tivesse dito a aquela cobra para não atacar o Justin ... - Ah , foi isso que tu disseste ? - Que queres dizer ? Tu estavas lá , ouviste perfeitamente o que eu disse . - Eu ouvi te falar em serpentês - disse o Ron . - Língua de cobra . Podias estar a dizer lhe qualquer coisa . Não admira que o Justin tivesse entrado em pânico . Parecia que estavas a incitar a serpente . Foi assustador , sabes ? Harry olhou para ele espantado . - Eu falei uma língua diferente ? Mas não me apercebi , como posso falar uma língua , sem saber que a conheço ? Ron abanou a cabeça . Tanto ele como Hermione tinham um ar fúnebre . Harry não percebia o que havia em aquilo de tão trágico . - Será que me querem explicar o que há de mal em ter impedido que uma serpente enorme arrancasse a cabeça a o Justin ? - perguntou . - Porque é tão importante como o fiz , se evitei que o Justin fosse juntar se a grupo de os SEM_CABEÇA ? - Importa - disse por fim Hermione , em uma voz abafada . - Porque falar com serpentes era a arte por a qual Salazar_Slytherin ficou famoso . Por isso , o símbolo de os Slytherin é uma serpente . Harry ficou de boca aberta . - Exacto - disse o Ron . - E agora todos em a escola vão pensar que tu és descendente de ele . - Mas não sou - contrapôs Harry com um pânico que não conseguia explicar . - Não vai ser fácil prová o - disse Hermione . - Ele viveu há quase mil anos . Pelo que vimos , podias ser . Em essa noite , Harry ficou acordado durante horas . Por uma fresta de os cortinados de a cama de dossel , olhou para a neve que começava a cair de o lado de_fora de a janela de a torre e perguntou se se poderia ser descendente de Salazar_Slytherin . Afinal , não sabia nada de a família de o pai , os Dursley tinham sempre proibido qualquer pergunta sobre os seus familiares feiticeiros . Calmamente , tentou dizer qualquer coisa em * serpentês * , mas as palavras não saíam . Parecia que era necessário estar frente_a_frente com uma cobra para poder fazê o . Mas eu sou um Gryffindor , pensou Harry , o chapéu seleccionador não me poria aqui se eu tivesse sangue de Slytherin ... - Ah ! - disse uma vozinha dentro de o seu cérebro . - Mas o chapéu seleccionador queria pôr te em os Slytherin , não te lembras ? Harry deu voltas e voltas a a cabeça . Em o dia seguinte , quando visse Justin em a aula de herbologia explicaria lhe que estava a afastar a serpente , não a atiçá a o que , aliás , pensou zangado , dando vários socos em a almofada , qualquer idiota teria percebido . Contudo , em a manhã seguinte , a neve que começara a cair durante a noite , transformara se em uma tempestade tão espessa que a última aula de herbologia de o período foi cancelada : a professora Sprout queria tapar as mandrágoras com peúgas e cachecóis , uma operação arriscada que ela não confiava a ninguém agora_que era tão importante que as mandrágoras crescessem depressa e reabilitassem Mrs._Norris e Colin_Creevey . Junto de a lareira de a sala comum de os Gryffindor , Harry matutava sobre o que se passara enquanto Ron e Hermione aproveitavam o foro para jogar xadrez de feitiçaria . - Com os diabos , Harry - disse Hermione exasperada quando um bispo derrubou um de os cavaleiros de o cavalo , arrastando o para fora de o tabuleiro . - Vai falar com o Justin , se isso é assim tão importante para ti . Harry levantou se e saiu por o buraco de o retrato , perguntando a si próprio onde poderia estar o Justin . O castelo estava mais escuro do_que era habitual durante o dia por causa de a neve espessa e cinzenta que cobria as janelas . A tremer , Harry passou por as salas onde estava a haver aulas , captando lampejos do_que sucedia lá dentro . A professora Mc_Gonagall gritava com alguém que , segundo lhe parecia por o som , transformara o parceiro em um texugo . Resistindo a a tentação de dar uma espreitadela , Harry afastou se pensando que Justin poderia estar a utilizar o tempo de o furo para fazer algum trabalho e resolveu , por isso , ir até a a biblioteca . Um grupo de alunos de os Hufflepuff , que deveriam ter estado em Herbologia , encontrava se , de facto , sentado em as traseiras de a biblioteca , mas não parecia estar a trabalhar . Entre as fileiras de as estantes altas , Harry pôde ver as suas cabeças muito juntas em aquilo que deveria ser uma conversa absorvente . Não conseguia perceber se Justin estaria em o meio de eles . Ia para se aproximar quando apanhou em o ar uma frase e parou para ouvir melhor , escondido em a secção de a invisibilidade . - Portanto - dizia um rapaz corpulento - eu disse a o Justin para se esconder em o nosso dormitório . Isto_é , se o Potter o escolheu como próxima vítima é melhor que ele tenha um * low profile * durante algum tempo . É claro que o Justin já estava a a espera que alguma coisa de o género acontecesse desde_que lhe escapou em uma conversa com o Potter que era filho de Muggles . O Justin disse lhe , inclusivamente , que tinha estado inscrito em Eton . Não é o tipo de coisa que se ande a dizer com o herdeiro de Slytherin a a solta por aí . - Achas mesmo_que é o Potter , Ernie ? - perguntou uma rapariga de tranças loiras , ansiosamente . - Hannah - disse com solenidade o rapaz corpulento . - Ele é um serpentês . Todos sabem que essa é a marca de um feiticeiro negro . Alguma vez ouviste falar de um feiticeiro decente que falasse com as cobras ? O Slytherin era conhecido por « Língua de serpente . . Houve alguns murmúrios antes de Ernie prosseguir : - Lembram se do_que estava escrito em a parede ? * _ Inimigos de o herdeiro , cuidado ! * . O Potter teve que ir a o gabinete de o Filch . E o que é_que acontece a seguir ? A gata de o Filch é atacada . O aluno de o primeiro ano , Creevey , estava a aborrecê o em a partida de Quidditch , a tirar lhe fotografias quando ele estava caído em a lama . E o que é_que acontece a seguir ? Creevey é atacado . - Mas ele parece sempre ser tão simpático - disse Hannah , cheia de dúvidas . - E , bem , foi ele que fez com que o Quem nós sabemos desaparecesse . Não pode ser assim tão mau , pois não ? Ernie baixou misteriosamente a voz . Os Hufflepuff inclinaram se mais uns para os outros e Harry aproximou se para conseguir apanhar as palavras de o Ernie . - Ninguém sabe como ele sobreviveu a aquele ataque de o Quem nós sabemos e , afinal , ainda era um bebé quando aquilo aconteceu . Era para ter explodido feito em estilhaços . Só um feiticeiro negro verdadeiramente poderoso teria sobrevivido a uma maldição de aquelas . - Baixou ainda mais a voz até esta ficar reduzida a um leve murmúrio e disse : - Talvez fosse por isso que o Quem nós sabemos o queria matar , para não ter outro feiticeiro negro a competir com ele . Gostava de saber que outros poderes ocultos terá o Potter . Harry não aguentou mais . Pigarreou alto e saiu detrás de as estantes . Se não estivesse tão zangado teria conseguido ver o lado cómico de a situação : cada_um de os Hufflepuff olhava para ele como_se tivesse sido petrificado , e a cor desaparecera de a cara de o Ernie . - Olá - disse Harry . - Estou a a procura de o Justin_Finch - _ Fletchley . Os piores receios de os Hufflepuff tinham se concretizado . Olharam apavorados para o Ernie . - O que queres de ele ? - perguntou Ernie em uma voz sumida . - Explicar lhe o que aconteceu com aquela cobra em o clube de os duelos - disse Harry . Ernie mordeu os lábios brancos e , em seguida , respirando fundo , respondeu : - Estávamos lá todos . Vimos o que aconteceu . - Então viram que depois de eu falar a serpente recuou - disse Harry . - O que eu vi - insistiu teimosamente Ernie , apesar_de tremer a cada palavra que proferia - foi tu a falares serpentês e a atiçares a cobra conta o Justin . - Eu não a aticei - gritou Harry enraivecido . - Ela nem lhe tocou . - Falhou por_pouco - disse Ernie . - E , para o caso de estares com ideias - acrescentou com má cara - posso dizer te que a minha família provem de nove gerações de bruxas e feiticeiros e que o meu sangue é tão puro como o de qualquer feiticeiro , portanto ... - Quero lá saber qual é o teu sangue - disse Harry furioso . - Porque iria eu atacar os filhos de os Muggles ? - Ouvi dizer que detestas os Muggles com quem vives - disse Ernie rapidamente . - Não é possível viver com os Dursley sem os detestar - explicou Harry . - Gostava de te ver lá em casa . Girou sobre os calcanhares e saiu furioso de a biblioteca sob o olhar reprovador de Madam_Prince que limpava a capa dourada de um enorme livro de encantamentos . Harry avançou a as cegas por os corredores , quase sem ver por_onde ia de tão furioso que estava . O resultado foi chocar com algo enorme e sólido que o fez recuar e cair a o chão . - Ah ! Olá , Hagrid - disse , olhando para_cima . Hagrid tinha o rosto completamente tapado com um lenço coberto de neve , mas não podia ser mais ninguém , enchendo assim o corredor dentro de o seu sobretudo de pele de toupeira . De uma de as enormes mãos enluvadas , pendia um galo morto . - Tudo bem , Harry ? - perguntou , afastando o lenço para poder falar . - Porque não estás em a aula ? - Foi cancelada - disse Harry , pondo se de pé . - O que estás a fazer aqui ? Hagrid mostrou lhe o galo inerte . - É o segundo qu'aparece morto este período - explicou . - Ou são raposas ou um vampiro chato e eu preciso d'autorização de o director p'ra fazer um feitiço em volta de a capoeira . Aproximou se e olhou mais de perto para o Harry , por debaixo de as suas sobrancelhas espessas e cheias de neve . - Tens a certeza que estás bem ? Pareces exaltado e preocupado . Harry não foi capaz de repetir o que Ernie e os outros Hufflepuff lhe tinham dito . - Não é nada , tenho de ir , Hagrid . A próxima aula é Transfiguração e preciso de ir buscar os meus livros . Afastou se , a cabeça cheia com tudo_o_que Ernie dissera a seu respeito . « * _ O_Justin já estava d espera que uma coisa de o género acontecesse desde_que deixou escapar , falando com o Potter , que era filho de Muggles * ... » Harry subiu as escadas a correr e entrou por um corredor que estava particularmente escuro . As tochas tinham sido apagadas por uma ventania gelada que entrava por uma janela de fecho estragado . Estava a meio de o corredor quando tropeçou em uma coisa que se encontrava em o chão . Olhou para ver o que era e sentiu como_se o estômago se tivesse dissolvido . Justin_Finch - _ Fletchley estava em o chão , rígido e frio com uma expressão de horror em o rosto e os olhos abertos voltados para o tecto . E não era tudo . Junto de ele estava mais alguém , a visão mais estranha que Harry tivera em toda_a sua vida . Era_o_Nick quase sem cabeça que não estava cor de pérola nem transparente e sim escuro como fumo . Flutuava imóvel , em a horizontal , 12 centímetros acima de o chão , a cabeça meio tombada e em o rosto uma expressão de choque idêntica a a de o Justin . Harry pôs se de pé com a respiração acelerada e o coração a bater como um tambor contra as costelas . Olhou desvairado para ambos os lados de o corredor deserto e viu uma fila de aranhas que corriam a_toda_a velocidade em a direcção oposta a a de os corpos . Os únicos sons eram as vozes abafadas de os professores em as aulas que decorriam de ambos os lados . Podia fugir e ninguém saberia que ali tinha estado , mas não era capaz de os abandonar assim . Tinha de ir procurar ajuda . Será que alguém acreditaria que ele não tivera nada que ver com aquilo ? Enquanto ali estava , em pânico , uma porta a o seu lado abriu se com grande estrondo . Peeves , o * poltergeist * , saiu a os gritos . - Oh ! É o Potter , olá , Potter - alardeou Peeves , lançando por o ar os óculos de o Harry quando passou por ele . - O que está o Potter a fazer ? Porque está o Potter escondido ? Peeves passou de cabeça para baixo , a meio de uma cambalhota em o ar , quando viu Justin e Nick quase sem cabeça . Com um movimento súbito endireitou se , encheu os pulmões de ar e , antes que Harry pudesse impedi o , gritou : __ ataque ! ataque ! outro ataque ! nenhum mortal ou fantasma está em segurança . corram , fujam , __ ataaaque ! Crac , Crac , Crac . Uma atrás de a outra , foram se abrindo todas_as portas a o longo de o corredor e as pessoas saíram para fora de as salas de aula . Durante alguns longos minutos houve uma tal confusão que Justin esteve em perigo de ser esmagado e as pessoas não paravam de chocar com o Nick quase sem cabeça . Harry deu por si colado a a parede enquanto os professores exigiam a os gritos que se fizesse silêncio . A professora Mc_Gonagall veio a correr , seguida por todos os alunos , um de os quais ainda trazia o cabelo a as riscas pretas e brancas . Usou a varinha para produzir um ruído que repôs o silêncio e mandou os alunos todos para dentro de as salas de aula . Mal lugar ficou desimpedido surgiu Ernie , o jovem Hufflepuff . - * _ Apanhado em flagrante ! * - gritou , com o rosto totalmente branco , apontando dramaticamente o dedo par Harry . - Basta_Mcmillan - disse , de forma cortante , a professora Mc_Gonagall . Peeves andava para_cima e para baixo , observando a cena com um sorriso maldoso . Sempre adorara o caos . Quando os professores se inclinaram sobre Justin e sobre o Nick quase sem cabeça para os examinar , iniciou uma cantilena : * _ Oh ! Potter , que fizeste , seu grande bandido * _ Tu matas os estudantes porque achas divertido . * - Basta , Peeves - rosnou a professora Mc_Gonagall e Peeves afastou se , deitando a língua de_fora a o Harry . Justin foi levado para a ala hospitalar por o professor Flitwick e por o professor Sinistra_do_Departamento_de_Astronomia , mas ninguém parecia saber o que fazer em relação a o Nick quase sem cabeça . Por fim , a professora Mc_Gonagall fez aparecer em o ar um enorme leque que entregou a Ernie com o encargo de conduzir , escadas acima , por os ares o Nick quase sem cabeça . Ernie assim fez , soprando Nick como_se fosse um aerodeslizador e deixando , de este modo , o Harry e a professora Mc_Gonagall a sós . - Por aqui , Potter - disse ela . - Professora , eu juro que não ... - Isso não é comigo , Potter - afirmou a professora Mc_Gonagall sinteticamente . Caminharam em silêncio até uma esquina e ela parou perante uma gárgula de pedra extremamente feia . - Refresco de limão - disse . Era obviamente uma senha porque a gárgula animou se subitamente e saltou para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes . Apesar_de estar apavorado com o que ia acontecer a seguir , Harry não conseguiu evitar um sentimento de fascínio . Por detrás de a parede estava uma escada em espiral que se movia lentamente para_cima como um elevador . E quando ele e a professora Mc_Gonagall puseram os pés em o primeiro degrau , Harry ouviu a parede fechar se atrás de eles . Subiram em círculos , cada_vez_mais alto até que , por fim , um_pouco tonto , Harry pôde ver uma porta de carvalho reluzente com um puxador de bronze em forma de abutre . Harry calculava onde estava a ser levado . Devia ser ali que morava Dumbledore . XII_A poção * polisuco * Saltaram de a escada de pedra lá mesmo em cima e a professora Mc_Gonagall bateu a a porta . Ela abriu se silenciosamente dando lhes entrada . A professora Mc_Gonagall disse lhe que esperasse e deixou o sozinho . Harry olhou em volta . Uma coisa era certa : de todos o escritórios de professores que conhecia , o de Dumbledor era , de longe , o mais interessante . Se não estivesse com um medo de morte de ser expulso teria adorado explorá o . Era uma sala grande e bonita em forma de círculo que estava cheia de barulhinhos estranhos . Havia um grande número de instrumentos prateados sobre várias mesas de pernas finas que zumbiam emitindo pequenas baforadas de fumo . As paredes estavam cobertas de fotografias de antigos directores e directoras , todos eles a dormir tranquilamente em as suas molduras . Havia ainda uma enorme secretária pés de garra . E , sobre uma prateleira atrás de ela , um chapéu de feiticeiro andrajoso e puído : * o chapéu seleccionador * . Harry hesitou . Lançou um olhar cauteloso a as bruxas e feiticeiros adormecidos a o longo de as paredes . Com certeza não fazia mal se lhe pegasse e o experimentasse só para ver ... só para ter a certeza de que ele o pusera em a equipa certa . Deu a volta a a secretária , retirou o chapéu de a prateleira e baixou o lentamente sobre a cabeça . Era demasiado grande e escorregou lhe para os olhos como de a outra_vez que o tinha posto . Harry olhou para o forro preto , enquanto esperava . Por fim , uma vozinha disse lhe a o ouvido : - Estás com macaquinhos em o sótão , Harry_Potter ? - Er ... sim - balbuciou Harry . - Er ... desculpa incomodar te , queria saber ... - Querias saber se te pus em a equipa certa - disse prontamente o chapéu . - Sim ... tu és particularmente difícil de seleccionar , mas eu mantenho o que disse antes . - O coração de Harry deu um salto . - Terias ficado bem em os Slytherin . Harry sentiu o estômago contorcer se . Agarrou o chapéu por a aba e tirou o de a cabeça . O chapéu seleccionador ficou pendurado em a mão de ele , inerte , desbotado e sujo . Harry voltou a pô o em a prateleira , sentindo se enjoado . - Estás enganado ! - disse em voz alta a o chapéu parado e silencioso , mas ele não se mexeu . Harry recuou para o observar melhor e foi então que ouviu um ruído estranho e grasnado atrás_de si que o fez dar uma volta . Não estava só , afinal_de_contas . Em um poleiro dourado atrás de a porta estava um pássaro de aspecto decrépito que parecia um peru meio depenado . Harry olhou para ele espantado e o pássaro olhou o também , grasnando de_novo . Harry achou que ele devia estar muito doente porque tinha os olhos parados e , enquanto olhava para ele , caíram lhe mais algumas penas de a cauda . Estava justamente a pensar que a única coisa que lhe faltava era que o pássaro de estimação de Dumbledore morresse quando ele estava ali sozinho com ele , em o escritório , quando a ave se incendiou . Harry gritou , em estado de choque , e recuou até a a secretária . Olhava nervosamente em volta , em busca de um jarro de água , mas não viu nenhum . O pássaro , entretanto , transformara se em uma bola de fogo , dera um guincho e , em seguida , desaparecera , deixando apenas um monte de cinzas em o chão . A porta de o escritório abriu se . Dumbledore entrou com ar taciturno . - Professor - gaguejou Harry . - O seu pássaro ... eu não pode fazer nada ... ele incendiou se . Para seu grande espanto , Dumbledore sorriu . - Já não era sem tempo . Estava com um aspecto horrível em os últimos dias . Fartei me de lhe dizer que fizesse qualquer coisa . Riu se entre dentes com a expressão em o rosto de Harry . - A Fawkes é uma fénix , Harry . As fénix ardem quando é altura de morrer e renascem de as cinzas , repara ... Harry olhou mesmo a_tempo_de ver um passarinho recém-nascido , todo enrugado , espetar a cabeça fora de as cinzas . Era quase tão feio como o antigo . - É uma pena que a tenhas conhecido em dia de arder - disse Dumbledore , passando para trás de a secretária . - É muito bonita a maior parte de o tempo , com uma plumagem vermelha e dourada . São criaturas fascinantes , as fénix . Podem transportar cargas pesadíssimas , as suas lágrimas têm propriedades curativas e são animais de estimação extremamente fiéis . Com o choque de a fénix a pegar fogo , Harry esquecera se de o motivo porque ali estava , mas tudo voltou rapidamente quando Dumbledore se instalou em a cadeira de espaldar alto e o fixou com os seus olhos azuis e penetrantes . Contudo , antes que ele tivesse tido tempo de falar , a porta de o escritório abriu se de par em par com um enorme estrondo e Hagrid entrou com um olhar tresloucado , o lenço todo torcido em volta de a cabeça hirsuta e o galo morto ainda pendurado em a mão . - Não foi Harry , professor Dumbledore - disse , aflito . - Eu tinha estado a falar com ele poucos segundos antes de o rapazinho ser encontrado , ele não teve tempo professor ... Dumbledore tentou dizer qualquer coisa , mas Hagrid continuou , abanando o galo em o meio de a sua agitação e espalhando penas por todo o lado . - Não pode ter sido ele . Eu juro em a frente de o ministro de a magia , se for preciso ... - Hagrid , eu ... -- Tem o rapaz errado , professor . Eu sei qu'o Harry nunca ... - Hagrid - disse Dumbledore , elevando a voz . - Eu não penso que o Harry tenha atacado aquelas pessoas . - Oh ! - disse Hagrid , com o galo pendendo inerte a o seu lado . - Certo , ' tão eu espero lá fora , director . E saiu com ar envergonhado . - O senhor não acha que tenha sido eu ? - repetiu Harry cheio de esperança , enquanto Dumbledore sacudia penas de galo de cima de a secretária . - Não , Harry , não acho - afirmou Dumbledore , apesar de a sua expressão ser de_novo sombria . - Mas mesmo_assim quero falar contigo . Harry esperou ansiosamente enquanto o director o observava com as pontas de os dedos longos unidas . - Tenho de saber uma coisa . Harry , há alguma pergunta que queiras fazer me , qualquer que ela seja ? Harry não soube o que dizer . Lembrou se de Malfoy a gritar * _ Vocês serão os próximos , sangues de lama * e de a poção * _ Polisuco * em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Depois pensou em a voz sem corpo que ouvira duas vezes e em o que o Ron dissera * _ Ouvir vozes que ninguém mais ouve não é bom sinal , nem mesmo em o mundo de a feitiçaria * . Pensou também em o que toda_a_gente dizia de ele e em o receio cada_vez maior de ter uma relação qualquer com Salazar_Slytherin ... - Não - disse por fim . - Não há nada , professor . O ataque duplo a Justin e a o Nick quase sem cabeça transformou o que até_então era nervosismo em verdadeiro pânico . Curiosamente fora o destino de o Nick quase sem cabeça o que mais preocupara as pessoas . Quem poderia ter feito aquilo a um fantasma ? - perguntavam uns a os outros . - Que poder terrível era aquele , capaz de afectar alguém que já tinha morrido ? Houve uma precipitação enorme em a marcação de os bilhetes em o Expresso_de_Hogwarts , pois todos os alunos quiseram ir passar o Natal a casa . - Por este caminho , vamos ser os únicos a ficar - disse o Ron a o Harry e a a Hermione . - Nós , o Malfoy , o Goyle e o Crabbe , que férias lindas que vão ser ! Crabbe e Goyle que faziam sempre o que Malfoy fazia , tinham se inscrito para ficar também durante as férias . Mas Harry estava contente por a maior parte se ir embora . Estava farto de ver gente a afastar se em os corredores como_se ele fosse mostrar os dentes ou cuspir veneno . Estava cansado de tantos segredinhos , de os ver apontar e segredar quando passava . O Fred e o George , esses achavam muito divertido . Vinham , de propósito , pôr se a a frente de ele e atravessavam os corredores a gritar : - Abram alas para o herdeiro de Slytherin , vai passar um feiticeiro verdadeiramente cruel . Percy discordava totalmente de este comportamento . - Não é um assunto para se brincar - dizia com frieza . - Sai mas é de o caminho , Percy - dizia o Fred . - O Harry está com pressa . - Sim , ele vai a a Câmara_dos_Segredos tomar uma chávena de chá com o seu servidor dentes de serpente - completava Fred com uma gargalhada . Ginny também não lhes achava graça . - Cala te - gritava ela sempre_que o Fred perguntava em voz alta a o Harry quem estava a pensar atacar a seguir , ou quando George fingia afastá o com um enorme dente de alho . Harry não se importava . Fazia o sentir se melhor o facto de constatar que , pelo_menos para o Fred e para o George , a ideia de ele ser o herdeiro de Slytherin era absolutamente ridícula . Mas as palhaçadas de eles pareciam ofender Draco_Malfoy que , de cada_vez que os via , ficava mais irritado . - É porque está ansioso por dizer que é mesmo ele - disse o Ron com ar conhecedor . - Sabes como ele detesta que alguém o ultrapasse e tu estás a receber todo o crédito por o seu trabalho sujo . - Não vai ser por muito_tempo - disse Hermione com uma voz satisfeita . - A poção * polisuco * está quase pronta . Um de estes dias arrancamos lhe a verdade . Finalmente , o período chegou a o seu termo e um silêncio profundo como a neve em os campos desceu sobre o castelo . Harry adorou a tranquilidade e apreciou o facto de ele , Hermione e os Weasley terem a torre de os Gryffindor por sua conta , poderem jogar a as explosões bem alto , sem incomodar ninguém e praticar duelos entre si . O Fred , o George e a Ginny tinham preferido ficar em a escola a ir com Mr. e Mrs._Weasley a o Egipto visitar o Bill . Percy que reprovava e considerava infantil a conduta de eles , não passava muito_tempo em a sala comum de os Gryffindor . Já lhes dissera pomposamente que só ficara ali em o Natal , por ser sua obrigação como prefeito apoiar os professores em aquela época agitada . A manhã de o dia de Natal clareou branca e fria . Harry e Ron , os únicos que estavam em o dormitório , foram acordados muito cedo por Hermione que entrou , toda vestida , transportando presentes para ambos . - Acordem - disse em voz alta , abrindo os cortinados . - Hermione , tu não devias estar aqui - exclamou o Ron , protegendo os olhos de a luz . - Feliz_Natal para ti também - disse Hermione , atirando lhe o presente que tinha para ele . - Estou acordada há quase uma hora , acrescentando mais asas de renda a a poção . Está pronta . Harry sentou se , subitamente acordado . - Tens a certeza ? - Absoluta - disse ela , afastando o rato Scrabbers para se sentar a os pés de a cama de dossel . - Se vamos mesmo tomá a , acho que devia ser logo a a noite . Em esse momentzo , a Hedwig entrou em o quarto , transportando em o bico um embrulho pequenino . - Olá - disse Harry , feliz a o vê a aterrar em a sua cama . - Já me falas outra_vez ? Ela mordiscou lhe a orelha de uma forma afectuosa que foi , de longe , um presente melhor do_que aquele que transportava e que era afinal de os Dursley . Tinham mandado a Harry um palito para os dentes com um cartão pedindo lhe que se informasse se não poderia ficar , também em o Verão , em Hogwarts . Os outros presentes que Harry recebeu foram bastante melhores . Hagrid mandara lhe uma lata grande de bombons de melaço que ele decidiu amolecer a o lume antes de comer , o Ron deu lhe um livro chamado * _ Voando com Canhões * , que narrava factos interessantes sobre a sua equipa favorita de Quidditch e Hermione trouxera lhe uma luxuosa pena de águia . Harry abriu o último presente onde vinha uma camisola novinha , feita a a mão por Mrs._Weasley e um grande bolo de passas . Pegou em o cartão com uma nova sensação de culpa , pensando em o carro de Mr._Weasley que não voltara a ser visto desde_que chocara contra o salgueiro zurzidor e em a quantidade de infracções que ele e o Ron tinham em mente . Ninguém , nem mesmo os que estavam cheios de medo por terem de tomar a poção * polisuco * a seguir , deixou de adorar o jantar de Natal em Hogwarts . O salão nobre estava magnífico . Não_só havia uma_dúzia de árvores de Natal , cobertas de geada e espessas serpentinas de azevinho e visco bravo cruzando se junto de o tecto como caia uma neve encantada quente e seca . Dumbledore conduziu os em uma de as suas canções de Natal preferidas enquanto Hagrid se agitava , falando cada_vez_mais alto , a cada gole de gemada que tomava . O Percy que não dera por_que Fred enfeitiçara o seu distintivo de prefeito , onde agora podia ler se « cabeça de alfinetes « , continuava a perguntar a todos para_onde estavam a olhar . Harry nem_sequer se importou com os comentários que Draco_Malfoy fazia bem alto , de a mesa de os Slytherin acerca de a sua camisola nova . Com alguma sorte , Malfoy iria ser desmascarado dentro_de algumas horas . Harry e Ron mal tinham acabado a terceira dose de pudim de Natal quando Hermione os fez sair de o salão a a pressa para acabarem de tratar de os planos para essa noite . - Ainda precisamos de um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos - disse com o ar mais natural de este mundo como_se estivesse a mandá os a o supermercado comprar detergente . - E , é claro que o ideal será conseguirmos alguma coisa de o Crabbe e de o Goyle , são os melhores amigos de o Malfoy , ele conta lhes tudo . E precisamos também de ter a certeza de que eles não vão entrar em a sala quando vocês estiverem a interrogar o Malfoy . - Eu tenho tudo pensado - prosseguiu ela , ignorando a expressão estupefacta de Harry e Ron . Pegou em dois apetitosos bolos de chocolate . - Pus lhes um encantamento de sono . Vocês só têm de fazer com que o Crabbe e o Goyle os encontrem . Sabem como eles são gulosos , vão logo comê os . Quando estiverem a dormir , tirem lhes alguns cabelos e escondam nos em uma despensa de vassouras . Harry e Ron olharam , incrédulos , um para o outro . -- Hermione , eu não creio que ... -- Isto pode correr muito mal ... Mas Hermione tinha um brilho inflexível em os olhos que não era muito diferente do_que costumavam ver em o olhar de a professora Mc_Gonagall . - A poção não nos serve de nada sem os cabelos de o Crabbe e de o Goyle - disse com firmeza . - Vocês querem mesmo descobrir coisas sobre o Malfoy , não querem ? - Pronto , está bem - disse Harry . - Mas , e tu , vais arranjar cabelos de quem ? - Eu já tenho esse assunto resolvido - disse Hermione sorridente , tirando um frasquinho de o bolso e mostrando lhes um cabelo que lá estava dentro . - Lembram se de a Millicent_Bulstrode que lutou comigo em o clube de os duelos ? Ela deixou isto em o meu manto quando tentava estrangular me . E foi passar o Natal a casa , portanto , basta me dizer a os Slytherins que decidi voltar . Quando Hermione saiu para verificar de_novo a poção polisuco , Ron voltou se para Harry com uma expressão lúgubre . - Alguma vez viste um plano onde tantas coisas pudessem correr mal ? Mas para grande espanto de ambos , a primeira fase de a operação decorreu tão naturalmente como Hermione previra . Eles esconderam se em o * hall * de entrada , depois de o lanche de Natal , a a espera de o Crabbe e de o Goyle que tinham ficado sozinhos a a mesa de os Slytherin , deitando abaixo a quarta dose de bolo inglês . Harry colocou os bolos de chocolate em o fim de o corrimão . Quando avistaram Crabbe e Goyle a sair de o salão , Harry e Ron esconderam se rapidamente atrás_de uma armadura que estava junto de a porta de entrada . - Como_se pode ser tão estúpido ? - murmurou Ron sem se mexer enquanto Crabbe apontava satisfeitíssimo , mostrando a Goyle os bolos e agarrando os . Com um riso estúpido , enfiaram nos inteiros em as bocas enormes . Durante um momento , ambos mastigaram avidamente com olhares vitoriosos em o rosto . Depois , sem que a expressão se alterasse , caíram para trás e estatelaram se em o chão . Mais difícil foi transportá os para a despensa de o outro lado de o * hall * . Uma_vez armazenados em o meio de os baldes e esfregões , Harry arrancou alguns de os pêlos que cobriam a cabeça de o Goyle e Ron tirou alguns cabelos a o Crabbe . Roubaram lhes também os sapatos porque os de eles eram demasiado pequenos para os enormes pés de o Crabbe e de o Goyle . Em seguida , ainda atordoados com o que tinham acabado de fazer , correram até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mal conseguiam ver com o fumo preto e espesso que saía de o cubículo onde Hermione mexia o caldeirão . Tapando o rosto com os mantos , Harry e Ron bateram a o de leve em a porta . - Hermione ? Ouviram o ruído de o trinco e Hermione apareceu com a cara lustrosa e um ar ansioso . Por trás de ela ouviam o gloop gloop de a poção espessa e gorgolejante . Em o banco de a casa_de_banho estavam três copos de vidro . - Conseguiram ? - perguntou Hermione quase sem fôlego . Harry mostrou lhe o cabelo de o Goyle . - _ óptimo . Eu tirei estes mantos suplementares de a lavandaria - disse ela , pegando em uma pequena saca . - Vocês vão precisar de tamanhos maiores se vão ser o Crabbe e o Goyle . Olharam os três para o caldeirão . Vista de perto , a poção parecia uma lama espessa e escura a borbulhar indolentemente . - Tenho a certeza que fiz tudo certo - disse Hermione nervosa , relendo a página manchada de * _ Moste_Potente_Potions * . - Tem o aspecto que o livro diz que deveria ter ... depois de a tomar temos precisamente uma hora antes de nos transformarmos de_novo em as pessoas que somos . - E agora ? - murmurou o Ron . - Separamos a em três copos e adicionamos os cabelos . Hermione encheu cada_um de os copos com uma concha de sopa . Em seguida , retirou com a mão a tremer o cabelo de Millicent_Bulstrode de dentro de o frasquinho e pô o em o primeiro copo . A poção chiou fortemente como uma chaleira a ferver e espumou como louca . Um segundo depois ganhara um tom de amarelo doentio . - Urgh ! Essência_de_Millicent_Bulstrode - disse Ron , olhando com repugnância . - Aposto que o sabor é nojento . - Deitem os vossos - disse Hermione . Harry deixou cair o cabelo de o Goyle em o copo de o meio e Ron lançou o de o Crabbe em o último . Ambos chiaram e espumaram : o de o Goyle ficou de um tom caqui , o de o Crabbe de um castanho-escuro algo tenebroso . - Esperem - pediu Harry quando Ron e Hermione pegaram em os copos . - Será melhor não os tomarmos aqui todos juntos em um cubículo ; quando em os transformarmos não vamos cá caber e Millicent_Bulstrode não é nenhum duende . - Bem pensado - admitiu o Ron , abrindo a porta . - Cada_um em seu cubículo . Com todo o cuidado , para não entornar nem uma gota de a poção polisuco , Harry esgueirou se para o cubículo de o meio . - Prontos ? - perguntou . - Prontos - responderam as vozes de o Ron e de a Hermione . - Um , dois , três . Tapando o nariz , Harry bebeu a poção em dois grandes tragos . Tinha o sabor de a couve demasiado cozida . Os seus interiores começaram imediatamente a contorcer se como_se tivesse engolido serpentes vivas . Dobrado , Harry perguntava a si próprio se iria vomitar . Depois , uma sensação de ardor espalhou se rapidamente de o estômago até a as pontas de os dedos de as mãos e de os pés . Em seguida , fazendo o sobressaltar se , sobreveio o sentimento horrível de estar a derreter enquanto a pele de todo o seu corpo borbulhava como cera quente e , perante os seus olhos , as mãos começaram a crescer , os dedos a engrossar , as unhas a alargar e as articulações a tornarem se protuberantes como ferrolhos . Os ombros retesaram se dolorosamente e uma comichão em a testa preveniu o de que o cabelo estava a rastejar em direcção a as sobrancelhas . As túnicas rasgaram se enquanto o tórax se expandia como um barril , rebentando com os seus anéis . Os pés estavam em grande sofrimento dentro_de sapatos quatro números abaixo . Tão depressa como começara , tudo parou . Harry estava caído em o chão de pedra fria , ouvindo a Murta_Queixosa gorgolejando taciturna em o cubículo de o fundo . Com alguma dificuldade tirou os sapatos e levantou se . Era então assim que o Goyle se sentia ! Com a mão enorme a tremer , despiu a sua túnica que lhe ficava 30 centímetros acima de os tornozelos , pegou em as túnicas suplementares e amarrou os atacadores de os sapatos abotinados de o Goyle . Quis escovar o cabelo para o afastar um_pouco de os olhos e deu apenas com os pêlos hirsutos que lhe cresciam em a testa . Apercebeu se então de que os óculos lhe toldavam a visão porque o Goyle , obviamente , não precisava de eles . Tirou os e gritou . - Vocês estão bem ? - De a sua boca saiu a voz baixa e grossa de o Goyle . - Sim - respondeu lhe o grunhido de o Crabbe , a a sua direita . Harry abriu a porta de o cubículo e dirigiu se a o espelho partido . O Goyle olhava o de o outro lado com os seus olhos parados . Harry coçou a orelha e Goyle fez o mesmo . A porta de o Ron abriu se . Olharam um para o outro . Harry estava pálido e chocado . O amigo não se distinguia de o Crabbe , desde o corte de cabelo em forma de tigela até a os longos braços de gorila . - É inacreditável - disse o Ron , aproximando se de o espelho e beliscando o nariz achatado de o Crabbe . - Inacreditável ! - É melhor irmos indo - disse Harry , alargando a pulseira de o relógio que lhe cortava o pulso . - Ainda temos de descobrir onde fica a sala comum de Slytherin . Só espero que encontremos alguém que vá para lá e que nós possamos seguir . Ron que tinha estado a olhar espantado para ele , comentou : - Não imaginas como é bizarro ver o Goyle a pensar - bateu em a porta de Hermione . - Vamos , temos que ir ... Respondeu lhe uma voz aguda : - Eu ... eu acho que afinal não vou . Vão vocês sem mim . - Hermione , nós sabemos que a Millicent_Bulstrode é feia , ninguém vai pensar que és tu . - Não , a sério , acho que não vou . Despachem se vocês os dois , estão a perder tempo . Harry olhou para Ron , baralhado . - Aquilo parece mais de o Goyle , é como ele fica sempre_que algum professor lhe faz uma pergunta . - Estás bem , Hermione ? - perguntou Harry , através de a porta . - _ óptima , estou óptima , vão se embora . Harry olhou para o relógio . Cinco preciosos minutos tinham já passado . - Encontramo nos aqui , está bem ? - disse . Os dois abriram a porta de a casa_de_banho com todo o cuidado , viram se o caminho estava livre e saíram . - Não balances assim os braços - disse o Harry a o Ron . - Hein ? - O Crabbe anda sempre com eles esticados . - Assim ? - Isso , assim está melhor . Desceram a escadaria de mármore . Só precisavam agora de um Slytherin que pudessem seguir até a a sala comum , mas não havia ninguém por perto . - Tens alguma ideia ? - perguntou Harry em um murmúrio . - Os Slytherin vêm sempre de ali para o pequeno-almoço - disse o Ron , apontando para a entrada de os calabouços . Mal tinha pronunciado estas palavras quando uma rapariga de cabelo comprido a os caracóis , apareceu . - Desculpa - disse o Ron , sem perder tempo . - Esquecemo nos de o caminho para a nossa sala comum . - Como ? - disse a rapariga com a maior frieza . - A * nossa * sala comum ? Eu sou uma Ravenclaw . Afastou se , olhando para eles , desconfiada . Harry e Ron desceram apressadamente os degraus de pedra até a a escuridão . Os passos ecoavam em o silêncio , à_medida_que os pés enormes de Crabbe e Goyle tocavam em o chão , fazendo os sentir que as coisas não iam ser tão fáceis como eles desejavam . Os corredores labirínticos estavam desertos . Andaram e tornaram a andar por os subterrâneos , olhando constantemente para os relógios para ver quanto tempo ainda lhes restava . Depois de um quarto de hora , quando começavam a ficar desesperados , ouviram um movimento súbito . - Olha - disse o Ron , agitadamente . - Agora é um de eles . A silhueta saía de uma sala , mas quando se aproximaram o coração de ambos esmoreceu . Não era um Slytherin , era Percy . - O que estás a fazer aqui em baixo ? - perguntou o Ron surpreendido . - Isso - disse ele friamente - não é de a tua conta . És o Crabbe , não és ? - Er ... sim , sim - respondeu o Ron . - Então vão para o vosso dormitório - ordenou Percy com firmeza . - Não é seguro andar a passear por os corredores escuros em os dias que correm . - Tu andas -- fez notar o Ron . - Eu - disse o Percy endireitando se - sou um prefeito . Nada vai atacar me . Ouviu se , de repente , uma voz por_detrás_de Harry e Ron . Era_Draco_Malfoy e , pela_primeira_vez em a vida , Harry ficou satisfeito a o vê o . - Aí estão vocês - disse de modo arrastado , olhando para eles . - Têm estado a chafurdar em o salão este tempo todo ? Tenho andado a a vossa procura , quero mostrar vos uma coisa muito divertida . Malfoy olhou misteriosamente para Percy . - E o que fazes tu aqui , Weasley ? - perguntou com ar de desprezo . Percy olhou , sentindo se ultrajado . - Fazes favor de mostrar um_pouco mais de respeito por um prefeito de a escola - disse . - Não gosto de o teu ar . Malfoy riu se e fez sinal a o Harry e a o Ron para que o seguissem . Harry quase ia pedindo desculpa a o Percy , mas deu se conta a tempo . Apressaram se a seguir o Malfoy que disse , mal viraram em o corredor seguinte : - Aquele Peter_Weasley ... - O Percy - corrigiu Ron automaticamente . - Ou isso - continuou Malfoy . - Ultimamente tenho o visto muitas_vezes a andar por aí sorrateiramente e aposto que sei o que ele quer . Pensa que vai apanhar o herdeiro de Slytherin sozinho . Deu uma pequena gargalhada ridícula . Harry e Ron trocaram olhares nervosos . Malfoy parou junto de uma parede de pedra húmida . - Qual é a senha ? - perguntou a o Harry . - Er ... - Ah ! sim , sangue puro - disse Malfoy sem ouvir e uma porta de pedra , oculta em a parede , abriu se . Malfoy entrou e Harry e Ron seguiram o . A sala comum de os Slytherin era uma ampla divisão subterrânea com espessas paredes de pedra e um tecto de o qual estavam pendurados por correntes vários candeeiros redondos que davam uma luz esverdeada . O fogo crepitava em uma lareira elaboradamente esculpida em frente de a qual se viam as silhuetas de vários Slytherins sentados em cadeiras igualmente esculpidas . - Esperem aí - disse Malfoy a o Harry e a o Ron , encaminhando os para um par de cadeiras vazias , longe de o lume . - Eu vou buscar o que o meu pai acaba de me mandar . Sem saber o que Malfoy iria mostrar lhes , Harry e Ron sentaram se , fazendo todos os possíveis por parecer a a vontade . Malfoy voltou um minuto depois , trazendo em a mão o que parecia ser um recorte de jornal . Pô o debaixo de o nariz de o Ron . - Vais te rir - disse . Harry viu os olhos de o Ron abrirem se como_se estivesse em estado de choque . Viu o ler o recorte rapidamente , dar uma gargalhada forçada e estender lhe o em seguida . Tinha sido retirado de o * _ Profeta_Diário * e dizia : inquérito em o ministério de a magia * _ Arthur_Weasley , chefe de o Gabinete_de_Mau_Uso_dos_Utensílios_dos_Muggles foi hoje multado em cinquenta galeões por ter enfeitiçado um carro de os Muggles . * _ O senhor Lucius_Malfoy , Membro_do_Conselho_Directivo_da_Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts , onde o carro enfeitiçado foi chocar em o princípio de este ano , exigiu hoje a demissão de Mr._Weasley . « * _ O_Weasley trouxe o descrédito a o Ministério « - declarou Mr._Malfoy a o nosso repórter . - « É claramente incompetente para fazer cumprir as leis e a sua protecção ridícula de os Muggles deveria ir imediatamente para a sucata . » * _ Mr._Weasley recusou se a fazer comentários , mas a sua mulher disse a os repórteres que desaparecessem de ali ou lançaria contra eles o vampiro de a família * . - Então - disse Malfoy impaciente quando Harry voltou a entregar lhe o recorte . - Não achas o_máximo ? - Ha , ha - fez Harry tristemente . - O Arthur_Weasley gosta tanto de os Muggles que era capaz de partir a sua varinha a o meio para se juntar a eles - disse Malfoy com desprezo . - Ninguém diria que os Weasley eram sangue puro a avaliar por o modo como_se comportam . A cara de o Ron , ou melhor , de o Crabbe , contorceu se de raiva . - O que é_que se passa ? - perguntou Malfoy . - Dores de estômago - gemeu o Ron . - Então vai a a ala hospitalar e dá a todos aqueles sangues de lama um pontapé de a minha parte - disse Malfoy com o seu riso escarninho . - Sabes que estou espantado por o * _ Profeta_Diário * ainda não se ter referido a todos estes ataques - continuou pensativamente . - Calculo que o Dumbledore deve estar a tentar abafar as coisas . Ele ainda é posto em a rua se isto não acaba depressa . O pai sempre disse que Dumbledore foi a pior coisa que aqui veio parar . Ele adora os filhos de os Muggles , um director decente nunca deixaria um lodo como o Creevey entrar em esta escola . Malfoy começou a fingir que tirava fotografias com uma máquina imaginária e fez uma imitação maldosa , mas bastante fiel de o Colin : - Potter , posso tirar te a fotografia ? Dás me um autógrafo ? Posso lamber te os sapatos , por favor , Potter ? Baixou as mãos e olhou para Harry e Ron . - O que é_que se passa com vocês os dois ? Um_pouco atrasados , Harry e Ron forçaram o riso e Malfoy pareceu satisfeito . Talvez Crabbe e Goyle fossem sempre de reacção lenta . - O santo Potter , amigo de os sangues de lama - disse Malfoy . - É outro que não tem os sentimentos de um feiticeiro a sério ou não andaria por aí com aquela empertigada sangue de lama Granger . E as pessoas a pensarem que ele é o herdeiro de Slytherin . Harry e Ron esperaram com a respiração entrecortada : o Malfoy ia certamente dizer lhes , dentro_de segundos , que era ele , mas então ... - Quem me dera saber quem ele é - disse o Malfoy , de forma petulante . - Podia ajudá o . O queixo de o Ron caiu de tal maneira que a cara de o Crabbe ficou ainda mais desajeitada do_que era habitual . Felizmente Malfoy não deu por nada e Harry , em um pensamento rápido , disse : - Deves ter alguma ideia de quem está por_detrás_de tudo ... - Sabes perfeitamente que não tenho , Goyle , quantas vezes é preciso dizer te ? - cortou Malfoy . - E o pai também não me diz nada sobre a última vez que a câmara foi aberta . É claro que foi há cinquenta anos , antes de ele cá andar , mas o pai sabe tudo a esse respeito e diz que as coisas foram mantidas em grande segredo e que pareceria suspeito se eu soubesse demasiado . Mas há uma coisa que eu sei : de a última vez que a câmara foi aberta , morreu um sangue de lama . Por isso , aposto que é uma questão de tempo até que um de eles seja morto . Só espero que seja a Granger - disse satisfeito . Ron fechara os punhos gigantescos de o Crabbe . Sentindo que deitaria tudo a perder se ele desse um soco a o Malfoy , Harry lançou lhe um olhar de aviso e disse : - Sabes se a pessoa que abriu a câmara de a última vez foi apanhada ? - Ah ! sim , essa pessoa foi expulsa - disse Malfoy . - Ainda deve estar em Azkaban . - Azkaban ? - repetiu Harry confuso . - Azkaban , a prisão de os feiticeiros , Goyle - disse Malfoy , olhando para ele incrédulo . - Francamente , se fosses mais lento andavas para trás . Esticou se intranquilo , em a cadeira e disse : - O pai diz para eu esfriar a cabeça e deixar que o herdeiro de Slytherin faça o seu trabalho . Acha que a escola precisa de se livrar de a escória de os sangues de lama , mas não quer que eu me envolva em nada . Claro que ele agora tem um prato cheio . Sabes que o Ministério de a magia fez uma busca a a nossa mansão em a semana passada ? Harry tentou forçar a cara de bronco de o Goyle a uma expressão preocupada . - Sim - continuou Malfoy . - É claro que não encontraram grande coisa . O pai guarda uns materiais de magia negra muito valiosos , mas , felizmente , temos a nossa câmara secreta debaixo de o soalho de a sala de visitas ... - Ah ! - disse o Ron . Malfoy olhou para ele . Harry também . Ron corou e até o cabelo começou a ficar vermelho . O nariz estava também a diminuir lentamente ... a hora tinha acabado . Ron estava a voltar a a sua forma habitual e por o olhar de horror que lançou a Harry certamente ele também estava . Puseram se rapidamente de pé . - Tenho de tomar o remédio para o estômago - grunhiu o Ron e sem mais explicações saíram ambos a correr de a sala comum de os Slytherin , precipitaram se para a parede de pedra e galgaram a passagem , pedindo a todos os santos que Malfoy não tivesse dado por nada . Harry sentia os pés a nadarem em os sapatos enormes de o Goyle e tinha de levantar o manto visto_que diminuíra de tamanho . Subiram os degraus a correr até a o * hall * escuro de entrada onde se ouvia um som abafado que vinha de a despensa onde tinham fechado o Crabbe e o Goyle . Deixando os sapatorros de os dois de o lado de_fora , subiram já com os respectivos sapatos a escadaria de mármore até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Bem , não foi uma total perda de tempo - disse o Ron ofegante , fechando atrás_de si a porta de a casa_de_banho . - É certo que ainda não descobrimos de quem vêm os ataques , mas vou escrever a o meu pai amanhã a dizer lhe que procure debaixo de o soalho de a sala de visitas de o Malfoy . Harry olhou para o espelho partido . Tinha voltado a o normal . Pôs os óculos enquanto Ron batia em a porta de o cubículo de Hermione . - Hermione , sai de aí , temos um monte de coisas para te contar ... - Vão se embora - guinchou Hermione . Harry e Ron olharam um para o outro . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron . - Tu já deves ter voltado a o normal como nós ... Mas a Murta_Queixosa saiu subitamente através de a porta de o cubículo com um ar divertido como nunca a tinham visto . - Oh ! Esperem até ver - disse ela . - É horrível ! Ouviram o trinco de a porta a abrir se e Hermione apareceu a soluçar , a túnica levantada a cobrir lhe o rosto . - O que foi ? - perguntou o Ron indistintamente . - Ainda tens o nariz de a Millicent ou alguma coisa assim ? Hermione deixou cair a roupa e Ron recuou rapidamente . O rosto de ela estava coberto de pêlo preto , os olhos tinham ganho uma cor amarela e as orelhas eram pontiagudas , saindo espetadas para fora de os cabelos . - Era um pêlo de g-gato - disse a chorar . - A Millicent_Bulstrode d-deve ter um gato e a poção não está preparada para transformação em animais . - Oh-oh - disse o Ron . - Vão te gozar horrivelmente - disse a Murta , felicíssima . - Não te preocupes , Hermione - tranquilizou a rapidamente o Harry . - Vamos levar te para a ala hospitalar , a Madam_Pomfrey nunca faz muitas perguntas ... Não foi fácil convencer Hermione a sair de a casa_de_banho . A Murta_Queixosa despediu se com uma gargalhadavigorosa e grosseira . - Espera até todos descobrirem que tens uma cauda ! XIII_O diário muito secreto Hermione ficou em a ala hospitalar durante várias semanas . Houve uma onda de boatos sobre o seu desaparecimento quando o resto de os alunos voltou de as férias de Natal porque , é claro , todos pensam que ela tinha sido atacada . Foram tantos os estudantes a rondar a ala hospitalar para espreitar a ver se a viam que Madam_Pomfrey desceu de_novo as cortinas de a cama de ela para a poupar a a vergonha de ser vista com pêlo em a cara . Harry e Ron iam visitá a todas_as tardes . Quando o segundo período começou passaram a levar lhe diariamente os trabalhos de casa . - Se eu tivesse o bigode a crescer , tinha uma folga de o trabalho - disse uma tarde o Ron enquanto colocava uma pilha de livros a a cabeceira de a cama de Hermione . - Não sejas parvo , Ron , eu tenho de me manter a par de as coisas - disse Hermione com vivacidade . O humor de ela melhorara bastante com o facto de lhe ter desaparecido todo o pêlo de o rosto e de os olhos estarem lentamente a retomar a cor castanha . - Calculo que não tenham novas pistas ? - disse em um murmúrio para evitar que Madam_Pomfrey os ouvisse . - Nada - disse Harry tristemente . - Eu tinha tanta certeza de que era o Malfoy - repetiu o Ron por a centésima vez . - O que é isso ? - perguntou Harry , apontando para uma coisa com brilho dourado que estava debaixo de a almofada de Hermione . - É só um cartão a desejar boas melhoras - disse ela precipitadamente , tentando escondê o , mas o Ron foi mais rápido . Pegou lhe , abriu o e leu em voz alta : * _ Para_Miss_Granger , desejando lhe uma rápida recuperação , com o interesse e estima de o professor Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , Terceiro grau , Membro_Honorário_da_Liga_de_Defesa contra as Artes_Negras e vencedor por cinco vezes de o prémio O sorriso mais charmoso de a semana de o Semanário_das_Bruxas * . Ron olhou desconsolado para Hermione . - Tu dormes com isto debaixo de a almofada ? Mas Hermione foi poupada a ter de responder por a entrada de Madam_Pomfrey que lhe trazia a dose de medicamento de a tarde . - Achas que o Lockhart é o tipo mais esperto que conheceste ? - perguntou o Ron a o Harry quando saíram de a enfermaria e começavam a subir as escadas para a torre de os Gryffindor . O Snape tinha lhes passado tanto trabalho para_casa que Harry pensou que ia chegar a o sexto ano antes de o ter acabado . Ron vinha a dizer que devia ter perguntado a a Hermione quantas caudas de rato deveria juntar se a uma poção para o crescimento de o cabelo quando um grito de raiva vindo de o andar de cima lhes chegou a os ouvidos . - É o Filch - murmurou Harry enquanto subiam apressadamente as escadas e paravam para ouvir melhor . - Terá mais alguém sido atacado ? - disse nervosamente o Ron . Ficaram parados com as cabeças inclinadas para a voz de o Filch que parecia quase histérica . -- ... * _ Ainda mais trabalho para mim . Toda_a noite a esfregar como_se não tivesse já trabalho de sobra . Não , isto foi a gota de água que fez transbordar o copo , vou falar com Dumbledore * ... Os passos afastaram se e ouviram uma porta fechar se com grande estrondo . Puseram as cabeças fora de a esquina . O Filch tinha obviamente estado a patrulhar o seu habitual posto de vigia : estavam novamente em o lugar onde Mrs._Norris fora atacada . Perceberam imediatamente qual o motivo de os gritos . Uma enorme poça de água enchia metade de o corredor e parecia escorrer de a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Agora_que o Filch se calara podiam ouvir os uivos de a Murta que faziam eco em as paredes de a casa_de_banho . - Mas o que se passará com ela ? - disse o Ron . - Vamos lá ver - sugeriu Harry e arregaçando as túnicas até a os tornozelos entraram , atravessando a enorme poça de água , em a casa_de_banho que tinha o letreiro a dizer « Fora de serviço » e que eles , como sempre , ignoraram . A Murta_Queixosa chorava , se possível , mais alto do_que nunca . Parecia estar escondida em o cubículo de o costume . Lá dentro estava escuro pois as velas tinham se apagado com a enchente de água que deixara as paredes e o chão ensopado . - O que se passa , Murta ? - quis saber o Harry . - Quem é ? - perguntou ela infelicíssima . - Vieste atirar me mais alguma coisa acima ? Harry caminhou com dificuldade por causa de a água até a o cubículo de ela e disse : - Porque te faríamos nós uma coisa de essas ? - Não me perguntem - gritou a Murta , emergindo em uma onda de água que molhou ainda mais o chão já ensopado . - Eu estou aqui metida em a minha morte e alguém acha muito engraçado atirar me com um caderno acima ... - Mas , não pode magoar te se alguém te atirar alguma coisa acima - disse Harry , tentando ser prático . - Isto_é , seja o que for passa através_de ti , não é assim ? Tinha dito a frase errada . A Murta encheu o peito de ar e gritou a plenos pulmões : - Vamos todos atirar cadernos a a Murta já_que ela não sente nada ! Dez pontos se lhe acertarem em o estômago , cinquenta se lhe atravessar a cabeça ! Hah hah hah , que jogo lindo , não acham ? - Quem te atirou um caderno , afinal ? - perguntou o Harry . - Não sei ... eu estava sentada em a sanita a pensar em a morte e caiu me em cima de a cabeça - disse a Murta , olhando para eles . - Está ali , ficou todo molhado . Harry e Ron olharam para o ponto que a Murta lhes apontava debaixo de o lavatório . Um caderno pequenino e fino estava caído em o chão . Tinha uma capa preta muito gasta e estava encharcado como tudo em aquela casa_de_banho . Harry deu um passo em frente para o apanhar , mas o Ron agarrou lhe precipitadamente o braço . - O que foi ? - perguntou Harry . - Estás doido - disse ele . - Pode ser perigoso . - Perigoso ? - riu se Harry . - Essa agora Ron , como é_que pode ser perigoso ? - Ficarias surpreendido ... - explicou ele , olhando com ar apreensivo para o caderno . - Entre os livros que o Ministério confiscou , contou me o meu pai , havia um que queimava os olhos a as pessoas . E todos os que leram os * _ Sonetos_de_Um_Feiticeiro * ficaram a falar em verso para o resto de a vida . Havia também uma bruxa em Bath que tinha um livro que quem o lesse nunca mais conseguia parar , tinha de andar por aí com o nariz enfiado em as folhas , a fazer todas_as coisas só com uma mão e ... - Já chega , já chega , já percebi a tua ideia - disse O_Harry . O caderninho continuava caído e ensopado . - Bem , nunca saberemos a_não_ser_que tenhamos a coragem de dar uma vista de olhos - disse e mergulhou apanhando o de o chão . Harry viu imediatamente que se tratava de um diário e a data meio apagada , em a capa , disse lhe que tinha cinquenta anos de idade . Abriu o ansiosamente . Em a primeira página podia ler se apenas o nome T._M._Riddle em tinta esborratada . - Espera aí - disse o Ron que se aproximara prudentemente e olhava por cima de o ombro de Harry . - Eu conheço esse nome ... T._M._Riddle recebeu um prémio por serviços especiais prestados a a escola há cinquenta anos atrás . - Como diabo sabes tu isso ? - perguntou Harry com grande espanto . - Porque o Filch mandou me limpar a taça de ele umas cinquenta vezes quando estive de castigo - disse o Ron ressentido . - Foi a taça em cima de a qual eu vomitei lesmas . Se tivesses tido que limpar o muco de um nome durante uma hora também te lembrarias . Harry separou umas de as outras as páginas molhadas . Estavam completamente em branco . Não havia o mais leve sinal de escrita em nenhuma , nem coisas como « Aniversário de a tia Mabel « ou « Dentista a as três_e_meia » . - Ele nunca escreveu nada aqui - disse Harry desapontado . - Porque quereria alguém atirá o fora ? - perguntou se o Ron com curiosidade . Harry voltou o caderno e viu , inscrito em a contra capa , o nome de uma tabacaria em Vauxhall_Road , Londres . - Ele devia ser filho de Muggle - disse Harry pensativo - para ter comprado um diário em Vauxhall_Road ... - Bem , não te serve de muito - Ron baixou a voz . - Cinquenta pontos se acertares em o nariz de a Murta . Harry , mesmo_assim , guardou o diário . Hermione saiu de a ala hospitalar desbigodada , sem cauda e sem pêlo em os primeiros dias de Fevereiro . Em a primeira noite em a torre de os Gryffindor , Harry mostrou lhe o diário de T._M._Riddle e contou lhe como o tinham encontrado . - Ooooh ! Deve ter poderes ocultos - disse ela entusiasticamente , pegando em o diário e examinando o de perto . - Se tem , esconde os muito bem - disse Ron . - Talvez fosse tímido . Não sei porque não deitas isso fora , Harry . - Gostava de perceber porque motivo alguém se quis livrar de ele - explicou Harry . - E também não me importava de saber como foi que o Riddle obteve esse prémio de serviços especiais prestados a Hogwarts . - Pode ter sido qualquer coisa - lançou o Ron . - Talvez tenha recebido 30 de nota final ou salvo um professor de a lula gigante . Se_calhar assassinou a Murta , isso teria sido um favor prestado a todos ... Mas Harry quase podia jurar , por o olhar suspenso em a cara de Hermione , que ela pensava o mesmo_que ele . - O que foi ? - perguntou Ron , olhando para um e para o outro . - Bem , a Câmara_dos_Segredos foi aberta há cinquenta anos , não foi isso que disse o Malfoy ? - Sim - respondeu Ron , lentamente . - E este diário tem cinquenta anos de idade - completou Hermione , dando lhe palmadinhas nervosas . - E de aí ? - Oh Ron , acorda - insistiu Hermione . - Sabemos que a pessoa que abriu a câmara de a outra_vez foi expulsa há cinquenta anos . E se o Riddle tivesse tido o prémio especial por apanhar o herdeiro de Slytherin ? O seu diário diria nos provavelmente tudo : onde é a Câmara_dos_Segredos , como abris a e que tipo de criatura vive lá . Achas que a pessoa que está por trás de os ataques desta_vez quereria o diário por aí ? - É uma teoria interessante , Hermione - disse o Ron . - Apenas com uma pequenina falha : o diário não tem nada Mas_Hermione já estava a tirar a varinha de o saco . - Pode ser tinta invisível - murmurou . Bateu três vezes em o diário e repetiu * _ Aparecium ! * Nada aconteceu . Intrépida , Hermione meteu a mão de_novo em o saco e tirou o que parecia ser uma borracha vermelha e brilhante . - É um * revelador * , comprei o em a Diagon - _ Al - disse . Apagou com força em 1_de_Janeiro . Não sucedeu nada . - Já vos disse , não há nada aí - repetiu o Ron . - O Riddle deve ter recebido um diário como prenda de Natal e nem se deu a o trabalho de escrever fosse o que fosse . Harry não conseguia explicar , nem a si próprio , porque motivo não deitara fora o diário de Riddle . A verdade é_que , mesmo depois de saber que ele estava em branco , continuou distraidamente a pegar lhe e a virar as páginas como_se quisesse chegar a o fim de uma história . E , apesar_de saber que nunca tinha ouvido o nome T._M._Riddle , continuava a ter a sensação de que lhe dizia alguma coisa , como_se Riddle fosse um amigo que ele tinha tido quando era muito pequeno e que estivesse meio esquecido . Mas era um absurdo . Nunca tivera amigos antes de Hogwarts , Dudley tivera esse cuidado . Ainda_assim , Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle , por isso em o dia seguinte foi até a a sala de os troféus para examinar a taça , acompanhado de Hermione que estava interessadíssima e de Ron que se mostrava profundamente incrédulo , dizendo que tinha ficado farto de aquela sala até a o fim de a vida . A taça dourada de Riddle estava arrecadada em um armário de canto . Não fornecia detalhes sobre o motivo por_que lhe fora dada ( felizmente , se fosse maior ainda hoje estava a limpá a , disse o Ron ) . Mas encontraram o nome de Riddle em uma antiga medalha de Mérito_Mágico e em uma lista de antigos chefes de turma . - Parece o Percy - comentou Ron , torcendo o nariz com aversão . - Prefeito , chefe de turma , provavelmente o melhor em todas_as disciplinas . - Dizes isso como_se fosse uma coisa má - fez lhe notar Hermione , em um tom de voz ressentido . Um sol fraco brilhava agora de_novo em Hogwarts . Dentro de o castelo , o ambiente estava bastante melhor . Não tinha havido novos ataques desde Justin e Nick quase sem cabeça e Madam_Pomfrey teve a satisfação de informar que as Mandrágoras começavam a ficar instáveis e dissimuladas , sinal de que estavam a abandonar rapidamente a infância . - Logo_que o acne desapareça estarão prontas para novo transplante - ouviu a Harry dizer amavelmente a o Filch . - E depois de isso , não demorará muito até podermos cortá as e estufá as . - Vai ter Mrs._Norris de volta , muito em_breve . Talvez o herdeiro ou herdeira de Slytherin tenha perdido a coragem , pensou Harry . Deve ser cada_vez_mais arriscado abrir a Câmara_dos_Segredos com a escola tão alerta e desconfiada . Talvez o monstro , qualquer_que_fosse , estivesse a preparar se para hibernar durante outros cinquenta anos . Ernie_Mcmillan_dos_Hufilepuff não aceitou esta visão optimista . Continuava convencido de que Harry era o culpado , que se tinha traído em o clube de os duelos . Peeves não ajudava nada : continuava a cantar por os corredores Potter , * seu bandido * ... agora acompanhado de um esquema de dança . Gilderoy_Lockhart parecia pensar que fora ele quem pusera fim a os ataques . Harry fartou se de o ouvir dizer isso a a professora Mc_Gonagall enquanto os Gryffindor formavam bicha para a aula de Transfiguração . - Não creio que volte a haver problemas , Minerva - disse , tocando em o nariz com ar conhecedor e piscando o olho . - Acho que desta_vez a câmara foi definitivamente selada . O culpado deve ter sabido que era uma questão de tempo até eu o apanhar e que era mais sensato parar agora antes que eu lhe tratasse de a saúde . Sabe , a escola está a precisar de um intensificador de animo para apagar as lembranças de o último período . Não vou dizer lhe mais_nada , por enquanto , mas julgo que sei o que ... Voltou a tocar em o nariz e afastou se a passos largos . A ideia de Lockhart de um intensificador de ânimo ficou bastante clara em o dia_14_de_Fevereiro , a o pequeno-almoço . Harry não dormira grande coisa devido a o treino de Quidditch em a noite anterior e chegou a o salão um_pouco atrasado . Pensou , por momentos , que se tinha enganado em a porta . As paredes estavam todas cobertas com enormes e medonhas flores cor-de-rosa . Pior ainda , * confettis * em forma de corações caíam de o tecto azul pálido . Harry dirigiu se a a mesa de os Gryffindor onde o Ron estava sentado com um ar enjoado junto de Hermione que parecia particularmente risonha . - O que se passa ? - perguntou lhes , sentando se e sacudindo os * confettis * de o seu bacon . Ron apontou para a mesa de os professores , com um ar demasiado repugnado para falar . Lockhart , em as suas vestes rosa vivo , a condizer com a decoração de o salão , fazia sinal para que se calassem . Os professores que o ladeavam tinham um ar estupefacto . De o seu lugar , Harry podia ver um músculo mover se em a bochecha de a professora Mc_Gonagall . Snape estava com ar de quem tomou uma imensa dose de xarope * skele-gro * . - Feliz dia de S._Valentim - gritou Lockhart . - E permitam me que agradeça a as quarenta_e_seis pessoas que até agora me enviaram cartões . Sim , fui eu quem tomou a liberdade de vos fazer esta pequena surpresa , e ela não acaba aqui ! Lockhart bateu as palmas e por as portas de o * hall * entraram a marchar cerca de uma_dúzia de duendes de aspecto carrancudo . Não eram uns duendes quaisquer , diga se de passagem . Lockhart fizera os usar asas douradas e transportar harpas . - Os meus amigos cupidos , portadores de os cartões ! gritou Lockhart . - Eles vão andar por a escola durante o dia de hoje , entregando os vossos cartões de S._Valentim . E o divertimento não acaba aqui . Tenho a certeza de que os meus colegas vão querer participar em este espírito de festa . Porque não pedir a o professor Snape que vos mostre como preparar rapidamente uma poção de amor . E , enquanto ele a prepara , está aqui o professor Flitwick que é de todos os feiticeiros que conheci aquele que mais sabe de encantamentos de sedução , o grande safado ! O professor Flitwick enterrou o rosto em as mãos . Snape olhava como_se quisesse dar veneno a a primeira pessoa que fosse pedir lhe a poção de o amor . - Por favor , Hermione , diz me que não foste uma de as quarenta_e_seis - pediu Ron quando saíram de o salão para a primeira aula . Mas Hermione ficou subitamente muito interessada em procurar o horário dentro de a mala e não lhe respondeu . Durante todo o dia os duendes não pararam de se intrometer em as aulas para entregar cartões , para grande aborrecimento de os professores e , ao_fim_da_tarde , quando os Gryffindor subiam as escadas para a aula de encantamentos , um de eles avistou o Harry . - Hei , tu , Harry_Potter ! - gritou um duende de aspecto particularmente lúgubre , dando cotoveladas a_toda_a gente para se aproximar de o Harry . Coradíssimo com a ideia de receber um cartão de S._Valentim diante_de uma fila de alunos de o primeiro ano que , por acaso , incluía Ginny_Weasley , Harry tentou escapar se . Mas o duende cortou lhe o caminho através de a multidão e agarrou o em três tempos . - Tenho uma mensagem musical para entregar a Harry_Potter em pessoa - disse , tangendo a harpa de forma ameaçadora . - Aqui não - disse baixinho o Harry , tentando escapar . - Fica quieto - grunhiu o duende , agarrando o saco de o Harry e puxando com força . - Larga me - disse ele rispidamente , dando um puxão . Com um ruído de tecido a rasgar se , o saco dividiu se em dois . Os livros de Harry , varinha , pergaminho e pena espalharam se por o chão enquanto o tinteiro se partia em cima de as outras coisas . Harry pôs se de gatas , tentando apanhar tudo antes que o duende começasse a cantar , provocando um engarrafamento em o corredor . - O que se passa aqui ? - perguntou a voz fria e afectada de Draco_Malfoy . Harry , nervosíssimo , começou a guardar tudo dentro de o saco rasgado , desesperado para sair de ali antes que Malfoy pudesse ouvir o seu S._Valentim musical . - Que confusão é esta ? - disse outra voz familiar . Percy_Weasley tinha chegado . De cabeça perdida , Harry tentou fugir , mas o duende agarrou o por os joelhos e fê lo cair a o chão . - Certo - disse , sentando se em os tornozelos de Harry . Eis o teu cartão musical : * _ Os olhos de ele são verdes como o sapo de o quintal * _ O seu cabelo é escuro como um temporal * _ É um desatino , oh ! ele é divino ! * _ O herói que venceu o Senhor_do_Mal * . Harry teria dado todo o ouro de Gringotts para se evaporar em aquele momento . Tentando corajosamente rir se com todos os outros , levantou se . Sentia os pés dormentes de o peso de o duende . Enquanto isso , Percy_Weasley fazia todos os possíveis por dispersar a multidão onde havia gente que chorava de hilaridade . - Vamos embora , vamos embora , a campainha tocou há cinco minutos para as aulas - dizia , enxotando alguns de os alunos mais novos . - E tu , Malfoy . Harry olhou e viu Malfoy inclinar se , apanhar qualquer coisa e com um olhar maldoso mostrá a a Crabbe e Goyle . Percebeu que era o diário de Riddle . - Dá cá isso - exigiu com toda_a calma . - O que será que o Potter escreveu aqui ? - disse Malfoy que obviamente não reparara em a data e pensou que tinha em as mãos o diário de o Harry . Houve uma agitação em os presentes . Ginny olhava apavorada para o diário e para Harry . - Dá lhe isso , Malfoy - disse Percy com firmeza . - Depois de dar uma vista de olhos - retorquiu Malfoy , acenando a Harry com o diário de forma provocatória . Percy disse : - Como Prefeito de a escola ... - mas Harry perdera a paciência . Pegou em a varinha e gritou * _ Expelliarmus * e assim_como Snape desarmara Lockhart , MalLoy viu o diário saltar lhe de as mãos e elevar se em o ar enquanto Ron o apanhava sorridente . - Harry - disse Percy levantando a voz . - Não quero magia em os corredores . Vou ter de participar isto , sabes perfeitamente . Mas Harry não se importou . Tinha ganho uma_vez a Malfoy e isso valia bem cinco pontos a menos para os Gryffindor . Malfoy estava furioso e quando a Ginny passou por ele a caminho de a sala de aula , gritou lhe com desprezo : - Não creio que o Potter tenha gostado lá muito de o teu cartão de S._Valentim . Ginny tapou a cara e correu para a aula . Aborrecido , Ron pegou também em a varinha , mas Harry afastou o . Era melhor que ele não passasse a aula de encantamentos a vomitar lesmas . Só quando entraram em a sala de aula de o professor Flitwick é_que Harry reparou em uma coisa bastante estranha em o diário de Riddle . Todos os outros livros estavam cheios de tinta vermelha , mas o diário mantinha se tão limpo como antes de o tinteiro se ter entornado em cima de ele . Tentou chamar a atenção de Ron para este facto , mas ele estava novamente a ter um problema com a varinha : de a extremidade saíam grandes bolhas roxas e ele não parecia interessado em mais_nada . Em essa noite , Harry foi deitar se antes de os outros companheiros de dormitório , em parte porque já não conseguia suportar o Fred e o George a cantarem * _ Os seus olhos são verdes como o sapo de o quintal * e em parte porque queria voltar a examinar o diário de Riddle e sabia que em a opinião de o Ron era uma pura perda de tempo . Sentou se em a cama de dossel e folheou as páginas em branco em as quais não se via uma única mancha de tinta escarlate . Tirou então outro tinteiro de o armário a o lado de a cama , molhou a pena e deixou cair um borrão em a primeira página de o diário . A tinta brilhou em o papel durante um segundo e , em seguida , como_se a página a tivesse sugado , desapareceu sem deixar rasto . Depois , finalmente , algo aconteceu . Deslizando sobre a página em a cor de a sua tinta , surgiram palavras que Harry não escrevera . - * _ Olá_Harry_Potter . O meu nome é Tom_Riddle . Como é_que encontraste o meu diário ? * Também estas palavras desapareceram , mas não sem que Harry tivesse respondido . - Alguém tentou lançá o em uma sanita . Esperou ansiosamente por a resposta de Riddle . - * _ Felizmente guardei as minhas memórias de uma forma mais duradoura do_que a tinta . Mas sempre soube que haveria quem não iria querer que o diário fosse lido . * - O que queres dizer com isso ? - escrevinhou Harry , borrando a página com o nervosismo . - * _ Quero dizer que este diário contém memórias de coisas terríveis . Coisas que foram abafadas . Coisas que aconteceram em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . * - É onde eu estou agora - escreveu Harry rapidamente . - Estou em Hogwarts e estão a acontecer coisas horríveis . Sabes alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? O coração parecia querer saltar lhe de o peito . A resposta de Riddle não se fez esperar , a letra tornara se mais desordenada como_se tivesse pressa em contar lhe tudo_o_que sabia . - * _ É claro que sei de a Câmara_dos_Segredos . Em o meu tempo diziam nos que era uma lenda , que não existia , mas era mentira . Quando eu estava em o quinto ano a Câmara_dos_Segredos foi aberta e o monstro atacou vários estudantes , acabando matar um . Eu apanhei a pessoa que abriu a câmara e ele foi expulso . Mas o director , o professor Dippet , envergonhado por uma coisa de aquelas ter acontecido em Hogwarts , proibiu me de contar a verdade . Foi divulgada uma história dizendo que a rapariga morrera de um acidente extravagante . Deram me um troféu brilhante com o meu nome gravado e avisaram me para ficar calado . Mas eu sabia que ia voltar a acontecer . O monstro sobreviveu e aquele que tinha o poder para o libertar não foi para a prisão . * Harry quase entornou o tinteiro em a pressa de responder . - Está a acontecer outra_vez . Houve três ataques e ninguém parece saber quem está por_detrás_de tudo_isto . Quem foi de a última vez ? - * _ Posso mostrar te , se quiseres * - foi a resposta de o Riddle . - * _ Não tens de acreditar só em a minha palavra . Posso levar te a o fundo de a minha memória de a noite em que o apanhei . * Harry hesitou com a pena em o ar sobre o diário . O que quereria ele dizer ? Como poderia entrar em a memória de outra pessoa ? Olhou inquieto para a porta de o dormitório que começava a ficar escuro . Quando pôs de_novo os olhos em o diário viu as palavras que se formavam . - * _ Deixa-me mostrar te . * Harry parou durante uma fracção de segundo e depois escreveu duas letras . - O. _ K._As páginas de o diário começaram a esvoaçar como_se tivessem sido apanhadas em uma ventania , parando a meio de o mês_de_Junho . Boquiaberto , Harry viu que o quadradinho de 13_de_Junho se transformara em um pequeno ecrã de televisão . Com as mãos ligeiramente trémulas levantou o livro para encostar os olhos a a janelinha e antes de perceber o que estava a passar se , deu consigo inclinado para a frente com a janela a abrir se . O corpo abandonava a cama e era lançado de cabeça , por a abertura de a página , em um turbilhão de cor e sombras . Sentiu os pés tocarem em terra firme e pôs se de pé a tremer enquanto as formas desfocadas se tornavam subitamente nítidas . Soube imediatamente onde estava . Aquela sala circular com os retratos adormecidos era o escritório de Dumbledore , mas não era Dumbledore quem estava atrás de a secretária . Um feiticeiro mirrado , de aspecto débil e quase careca lia uma carta a a luz de as velas . Harry nunca vira aquele homem antes . - Desculpe - disse com a voz a tremer . - Eu não queria intrometer me ... Mas o feiticeiro não olhou . Continuou a ler , franzindo levemente as sobrancelhas . Harry aproximou se de a secretária e gaguejou : - Er ... eu vou me embora , está bem ? E o feiticeiro continuou a ignorá o . Parecia nem_sequer ter ouvido . Pensando que talvez ele fosse surdo , Harry falou mais alto . - Desculpe tê o incomodado - disse quase a gritar . O feiticeiro dobrou a carta com um suspiro . Pôs se de pé , passou por Harry sem olhar para ele e foi abrir os cortinados de a janela . O céu , lá fora , estava vermelho-rubi . Devia ser o pôr de o Sol . O feiticeiro voltou para a secretária , sentou se e girou os polegares , olhando para a porta . Harry olhou em volta . Não viu Fawkes , a fénix , nem as engenhocas prateadas que sibilavam . Aquela Hogwarts era a que Riddle conhecera e , portanto , aquele feiticeiro desconhecido era o director de então , não Dumbledore e ele , Harry , era pouco mais que um fantasma , totalmente invisível a as pessoas de há cinquenta anos atrás . Alguém bateu a a porta . - Entre - disse o velho feiticeiro , em uma voz fraca . Um rapazinho de dezasseis anos entrou , tirando o chapéu pontiagudo . Em o seu peito brilhava um distintivo prateado de prefeito . Era muito mais alto do_que Harry , mas tinha , tal_como ele , cabelo preto asa de corvo . - Ah ! Riddle - disse o director . - Queria falar comigo , professor Dippet ? - perguntou ele com ar nervoso . - Senta te - disse Dippet . - Tenho estado a ler a carta que me mandaste . - Oh ! - exclamou Riddle , sentando se e apertando as mãos uma contra a outra . - Meu rapaz - disse Dippet amavelmente . - Eu não posso deixar te ficar em a escola durante o Verão . Com certeza queres ir para_casa em as férias ? - Não - respondeu Riddle , sem perder tempo . - Prefiro mil vezes ficar em Hogwarts a ter de voltar a aquela ... aquela ... - Tu vives em um orfanato de Muggles durante as férias , não é assim ? - perguntou Dippet com curiosidade . - Sim senhor - disse Riddle , corando um_pouco . - És filho de Muggles ? - Meio sangue , professor - explicou Riddle . - Pai_Muggle , mãe bruxa . - E o teu pai e a tua mãe ... - A minha mãe morreu pouco depois de eu nascer , professor , contaram me em o orfanato que só teve tempo de me dar o nome : Tom , como o meu pai , Marvolo como o meu avô . Dippet estalou a língua solidariamente . - O que acontece , Tom - suspirou - é_que ... podia ter se arranjado uma situação especial para ti , mas em as circunstâncias actuais ... - Refere se a os ataques , professor ? - perguntou Riddle e o coração de Harry deu um salto , aproximando se com medo de perder alguma coisa . - Precisamente - disse o director . - Meu rapaz , compreendes que seria uma imprudência de a minha parte deixar te ficar em o castelo quando o período acabar , principalmente a a luz de a recente tragédia ... a morte de aquela pobre moça ... estarás sem dúvida em maior segurança em o orfanato . Em a verdade , o ministro de a magia até fala em fechar a escola . Não estamos nada perto_de localizar ... er ... a fonte de toda esta história desagradável . Os olhos de Riddle tinham se aberto mais . - Professor , se essa pessoa fosse apanhada ... se tudo acabasse . . . - Que queres dizer com isso ? - perguntou Dippet com voz aguda , endireitando se em a cadeira . - Riddle , tu sabes alguma coisa sobre estes ataques ? - Não senhor - respondeu ele de imediato . Mas Harry sabia que era o mesmo tipo de « não » que ele dissera a Dumbledore . Dippet afundou se de_novo com um ar de profundo desapontamento . - Podes ir , Tom . Riddle esgueirou se de a cadeira e saiu de a sala . Harry seguiu o . Desceram por a escada em espiral , saindo junto de a gárgula em o corredor que escurecia . Riddle parou e Harry fez o mesmo , olhando para ele . Quase podia apostar que ele pensava seriamente em alguma coisa . Mordia o lábio e tinha as sobrancelhas franzidas . A certa altura , como_se tivesse acabado de tomar uma decisão , começou a andar mais depressa com Harry a segui o ruidosamente . Não viram mais ninguém , a não ser quando chegaram a o * hall * de entrada onde um feiticeiro alto de longos cabelos ruivos e barba chamou Riddle de a escadaria de mármore . - O que andas a fazer por aqui tão tarde , Tom ? Harry olhou para o feiticeiro . Não era outro senão Dumbledore com cinquenta anos a menos . - Tive de ir falar com o director - justificou se Riddle . - Bem , agora vai depressa para a cama - disse Dumbledore , olhando Riddle com aquele olhar penetrante que Harry conhecia tão bem . - É melhor não andar a passear por os corredores em os dias que correm , pelo_menos até ... Suspirou profundamente , deu as boas-noites a o Riddle e foi se embora . Riddle viu o desaparecer e , sem perder tempo , desceu os degraus de pedra até a os calabouços com Harry em a peugada . Mas para seu grande desconsolo , Riddle não o conduziu a nenhum corredor ou túnel secreto e sim a o calabouço onde ele costumava ter aulas de poções com o Snape . As tochas não tinham sido acesas e quando Riddle empurrou a porta quase fechada , Harry só conseguiu vê o a ele , de pé , quieto junto de a porta , olhando para o corredor . Pareceu a Harry que ficaram ali quase uma hora . Tudo_o_que via era a silhueta de Riddle junto de a porta , olhando fixamente através de a greta , a a espera . Como_se fosse uma estátua . E quando Harry tinha abandonado todas_as expectativas e começava a desejar voltar a o presente , ouviu alguma coisa que se movia atrás de a porta . Alguém avançava lentamente por o corredor . Ouviu a pessoa , quem quer que fosse , passar por o calabouço onde ele e Riddle estavam escondidos . Riddle , silencioso como uma sombra , esgueirou se por a porta e seguiu o com Harry em bicos de pés atrás de ele , esquecido de que podia fazer barulho a a vontade porque ninguém o ouvia . Durante cerca de cinco minutos seguiram lhe os passos até que Riddle parou repentinamente com a cabeça inclinada em a direcção de novos ruídos . Harry ouviu uma porta a abrir se e em seguida alguém falou em um murmúrio rouco . - Vá lá , temos que sair de aqui ... vá lá , dentro de a caixa ... Havia algo de familiar em aquela voz . Riddle deu subitamente uma volta e Harry seguiu o . Podia ver a silhueta escura de um rapaz enorme que estava inclinado em frente de a porta aberta , com uma grande caixa a o lado . - Boa noite , Rubeus - disse Riddle secamente . O rapaz fechou a porta e pôs se de pé . - O que estás a fazer aqui , Tom ? Riddle aproximou se . - Acabou se - disse . - Vou ter de entregar te , Rubeus . Falam em fechar Hogwarts se os ataques não terminarem . - O que é_que tu ... ? - Eu acho que tu não quiseste matar ninguém , mas os monstros não são os melhores animais domésticos . Tu só quiseste deixá o sair para andar um_pouco e ... - Ele não matou ninguém - disse o rapaz grande , recuando contra a porta fechada . Lá de dentro vinham uns estranhos roncos e rugidos . - Vamos , Rubeus - disse Riddle , aproximando se mais ainda . - Os pais de a rapariga que morreu estarão aqui amanhã . O mínimo que Hogwarts pode fazer é assegurar lhes que aquilo que matou a filha de eles foi abatido ... - Não foi ele - gemeu o rapaz cuja voz ecoou em o corredor escuro . - Ele não faria isso ... ele nunca ... - Afasta te - disse Riddle , pegando em a varinha . O encantamento iluminou o corredor com uma luz brilhante . A porta atrás de o rapaz grande abriu se de par em par com tanta força que o atirou contra a parede . E de lá de dentro saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito que ninguém mais ouviu a não ser ele próprio . Tinha um corpo imenso , magro e peludo e um emaranhado de pernas pretas , a cintilação de muitos olhos e um par de tenazes afiadas . Riddle levantou de_novo a varinha , mas era tarde de mais . A coisa deixara o atarantado e corria apressadamente , precipitando se por o corredor e desaparecendo . Riddle pôs se de pé , olhou a a procura de o monstro , levantou a varinha , mas o rapaz grande saltou sobre ele , tirou lhe a varinha de as mãos e lançou o a o chão , gritando : - Naaaaaão ! A cena rodopiou . A escuridão tornou se total . Harry sentiu se a cair e com um embate aterrou como uma águia de patas e asas abertas em a sua cama de dossel , em o dormitório de os Gryffindor , o diário de Riddle aberto sobre o estômago . Antes de ter tido tempo de normalizar a respiração , a porta de o dormitório abriu se e o Ron entrou . - Aí estás tu - disse . Harry sentou se . Transpirava e tremia . - O que se passa ? - perguntou Ron , olhando aflito para ele . - Foi o Hagrid , Ron . O Hagrid abriu a Câmara_dos_Segredos há cinquenta anos atrás . XIV_Cornelius_Fudge_Harry , Ron e Hermione sabiam há muito_tempo que Hagrid tinha uma triste predilecção por criaturas grandes e monstruosas . Em o primeiro ano que passaram em Hogwarts , ele tentara criar um dragão em a sua pequena cabana de madeira e levaram muito_tempo a esquecer o gigantesco cão de três cabeças que ele baptizara de « fofinho » . E se , em rapaz , Hagrid tinha ouvido dizer que havia um monstro escondido em o castelo , Harry tinha a certeza que ele teria feito os impossíveis por descobri o . Provavelmente achou que era uma injustiça o monstro estar fechado tanto tempo e pensou que ele merecia a oportunidade de esticar as suas muitas pernas . Harry imaginava perfeitamente o Hagrid a os treze anos a tentar pôr uma coleira e uma trela a o monstro . Mas tinha igualmente a certeza de que ele nunca teria querido matar ninguém . De certo modo , Harry desejava não ter descoberto como utilizar o diário de Riddle . Ron e Hermione fizeram o contar repetidas vezes o que vira até ele ficar farto de repetir o mesmo e farto de a conversa circular que se seguia . - O Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse , de essa vez , Hermione . - O monstro que atacava as pessoas podia ser outro .... - Quantos monstros achas tu que pode haver em este lugar ? - perguntou o Ron aborrecido . - Sempre soubemos que o Hagrid tinha sido expulso - disse Harry tristemente - E os ataques devem ter terminado quando ele foi expulso . Se não fosse assim , Riddle não teria recebido um prémio . Ron tentou um caminho diferente . - O Riddle parece o Percy , quem lhe pediu afinal que deitasse abaixo o Hagrid ? - Mas o monstro tinha morto uma pessoa , Ron - insistiu Hermione . - E o Riddle ia ter de voltar para um orfanato Muggle se Hogwarts fosse fechada - disse Harry . - Não posso culpá o por querer ficar aqui ... Ron mordeu o lábio e a seguir sugeriu : - Tu encontraste o Hagrid em a Rua * _ Bativolta * , não foi ? - Ele estava a comprar repelente para lesmas - disse Harry rapidamente . Ficaram os três em silêncio . Depois de uma longa pausa , Hermione , em uma voz hesitante , formulou a pergunta mais complicada de todas : - Não acham que devíamos ir ter com ele e perguntar lhe ? - Essa seria uma visita simpática - disse o Ron . - Olá , Hagrid , diz nos uma coisa , soltaste por acaso alguma coisa louca e peluda por o castelo em estes últimos tempos ? Por fim , decidiram não dizer nada a o Hagrid a_não_ser_que houvesse outro ataque e à_medida_que passava mais tempo sem murmúrios de a voz sem corpo começaram a acreditar , esperançosos , que nunca mais teriam de falar sobre o motivo por_que fora expulso . Tinham passado já quase quatro meses desde o dia em que o Justin e o Nick quase sem cabeça tinham sido petrificados e quase toda_a_gente parecia pensar que o atacante , quem quer que ele fosse , se retirara para sempre . Peeves fartara se de a sua canção * _ Oh_Potter , seu bandido * , Ernie_Mcmillan pediu educadamente a o Harry , em a aula de herbologia , que lhe passasse um balde de cogumelos saltitantes e , em Março , várias mandrágoras deram uma festa ruidosa e roufenha em a estufa número três . A professora Sprout estava muito satisfeita . - Mal elas comecem a tentar mover se para os vasos umas de as outras , saberemos que estão maduras - disse ela a o Harry . - Nessa_altura poderemos reanimar aquelas pobres criaturas que estão em a ala hospitalar . Os alunos de o segundo ano tinham agora uma coisa nova em que pensar durante as férias de a Páscoa . Chegara a altura de escolherem as matérias de o terceiro ano , um assunto que Hermione , pelo_menos , tomou muito a sério . - Pode afectar todo o nosso futuro - disse a o Harry e a o Ron a o vê os ler cuidadosamente as listas de as novas matérias e pôr um V em frente de cada uma . - Eu só quero ver me livre de as poções - disse Harry . - Não podemos - explicou Ron tristemente . - Mantemos todas_as matérias antigas ou eu teria me livrado de a Defesa contra as artes negras . - Mas é muito importante - disse Hermione chocada . - Não de a maneira como Lockhart a dá - insistiu Ron . - Não aprendi nada até agora a não ser a nunca mais libertar duendes . Neville_Longbottom recebera cartas de todas_as bruxas e feiticeiros de a família , cada_um dando um conselho diferente sobre o que ele deveria escolher . Confuso e preocupado , sentou se a ler a lista de matérias , dando estalinhos com a língua e perguntando a as pessoas se achavam que a aritmancia seria mais difícil do_que o estudo de as runas em a Antiguidade . Dean_Thomas que , tal_como Harry , fora criado com Muggles , acabou por fechar os olhos e atirar a varinha contra a lista , escolhendo as matérias onde ela aterrava . Hermione não pediu conselho a ninguém e inscreveu se em todas . Harry sorriu de si para consigo imaginando como seria uma conversa com o tio Vernon e com a tia Petúnia sobre a sua carreira em feitiçaria . Não que não tivesse tido orientação : Percy_Weasley estava ansioso por partilhar a sua experiência . - Tudo depende de o lugar para_onde queres ir , Harry - disse ele . - Nunca é cedo de mais para pensar em o futuro , por isso eu aconselho te a adivinhação . As pessoas dizem que os estudos de Muggles são uma opção leve mas eu , pessoalmente , acho que os feiticeiros deveriam ter uma compreensão profunda de a comunidade não mágica , muito especialmente se pensarem em trabalhar em íntimo contacto com eles . Vê o meu pai que tem de lidar com assuntos de os Muggles a_toda_a hora . O meu irmão Charles foi sempre mais um tipo de o exterior , por isso foi para o Centro_de_Cuidados com as Criaturas_Mágicas . Segue os teus sentimentos , Harry . Mas a única coisa em que Harry sentia que era mesmo bom era o Quidditch . Por fim , acabou por escolher as mesmas matérias que o Ron escolhera , pensando que se fosse péssimo em elas pelo_menos tinha alguém amigo para o ajudar . O próximo jogo de Quidditch_dos_Gryffindor era contra os Hufflepuff . Wood insistia em treinos de equipa todas_as noites depois de jantar , por isso Harry não tinha tempo para mais_nada a não ser para o Quidditch e para os trabalhos de casa . Mas as sessões de treino estavam a melhorar ou pelo_menos estavam mais secas e em a véspera de o jogo de sábado ele foi a o dormitório guardar a vassoura , sentindo que as hipóteses de os Gryffindor ganharem a taça de Quidditch nunca tinham sido tão boas . Mas a sua boa disposição não durou muito . Em o cimo de as escadas que levavam a o dormitório encontrou o Neville_Longbottom nervosíssimo . - Harry , não sei quem fez aquilo , eu fui encontrar ... Olhando receoso para Harry , Neville empurrou a porta . O conteúdo de a mala de Harry fora espalhado por toda_a divisão . O seu manto estava em o chão rasgado . A roupa de cama tinha sido puxada de a cama de dossel e a gaveta de o armário que se encontrava a a cabeceira de a cama fora arrancada , estando o seu conteúdo espalhado sobre o colchão . Harry aproximou se de a cama boquiaberto , pisando algumas páginas soltas de * _ Viagens com Duendes * . Quando ele e Neville estavam a puxar os cobertores para_cima , entraram o Ron e o Dean_Seamas . Dean praguejou alto . - O que é isto , Harry ? - Não faço ideia - disse ele . Mas o Ron estava a examinar as vestes de Harry e todos os bolsos estavam de o avesso . - Alguém andou a a procura de qualquer coisa - disse o Ron . - Dás por falta de alguma coisa ? Harry começou a apanhar o que estava caído , lançando tudo dentro de a mala . Só quando atirou o último livro de Lockhart é_que se apercebeu do_que faltava . - O diário de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a o Ron . - O quê ? Harry fez lhe sinal em direcção a a porta de o dormitório e apressaram se a chegar a a sala comum de os Gryffindor que estava quase vazia e onde foram encontrar Hermione sozinha a ler * _ As_Runas_Antigas a o Alcance_de_Todos * . Hermione ficou aterrada com as notícias . - Mas ... só um Gryffindor podia tê o roubado ... ninguém mais conhece a nossa senha ... - Exactamente - disse Harry . Acordaram em o dia seguinte com um sol brilhante e uma brisa agradável . - Condições ideais para o Quidditch ! - exclamou Wood , cheio de entusiasmo , a a mesa de os Gryffindor , enchendo os pratos de os elementos de a sua equipa de ovos mexidos . - Harry , anima te , precisas de um pequeno-almoço decente . Harry tinha estado a olhar para a mesa cheia de alunos de os Gryffindor , perguntando a si próprio se o novo dono de o diário de Riddle estaria ali mesmo em frente de os seus olhos . Hermione insistira para que ele participasse o roubo mas ele não gostou de a ideia . Teria de contar a um professor tudo sobre o diário , e quantas pessoas saberiam o motivo por_que Hagrid fora expulso há cinquenta anos ? Não queria ser ele a fazer com que relembrassem tudo aquilo . Quando saiu de o salão com o Ron e a Hermione para ir buscar o material de Quidditch , outra preocupação viera juntar se a a sua lista cada_vez maior . Tinha acabado de pisar os degraus de a escadaria de mármore quando ouviu de_novo a voz : - * _ Matar desta_vez ... deixem me rasgar ... romper * ... Deu um grito e Ron e Hermione saltaram alarmados . - A voz - disse Harry , olhando por cima de os ombros de eles . - Acabo de a ouvir de_novo , vocês não ouviram nada ? Ron abanou a cabeça de olhos muito abertos Mas_Hermione bateu com a mão em a testa . - Harry , acho que percebi uma coisa . Tenho que ir a a biblioteca . E disparou a correr por as escadas acima . - O que é_que ela percebeu ? - disse Harry distraidamente , ainda a olhar em volta , tentando determinar de onde vinha a voz . - Mas porque teve ela que ir a a biblioteca ? - Porque a Hermione é assim - disse o Ron , encolhendo os ombros - Quando tem uma dúvida , vai a a biblioteca . Harry manteve se hesitante , tentando captar novamente a voz mas as pessoas começavam a sair de o salão , falando alto , passando por a porta principal e encaminhando se para o estádio de Quidditch . - É melhor ires indo - aconselhou Ron . - São quase onze horas , olha o jogo . Harry deu uma corrida até a a torre de os Gryffindor , pegou em a sua Nimbus dois_mil e juntou se a a vasta multidão que enchia os campos , mas o seu pensamento estava ainda em o castelo , em aquela voz sem corpo e quando pôs as roupas vermelhas , o seu único conforto foi pensar que estavam todos lá fora para assistir a o jogo . As equipas entraram em campo a o som de um tumulto de aplausos . Oliver_Wood fez um voo de aquecimento em volta de os postes , Madam_Hooch soltou as bolas . Os Hufflepuff que tinham fatos amarelo-canário estavam reunidos em grupo em uma discussão de última hora sobre as tácticas . Harry subia para a vassoura quando a professora Mc_Gonagall atravessou o campo , meio a andar , meio a correr , transportando um enorme megafone roxo . O coração de Harry caiu lhe a os pés . - Este jogo foi cancelado - gritou por o megafone a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a o estádio apinhado . Ouviram se Uuuus e assobios . Oliver_Wood , com um ar infelicíssimo , aterrou e correu para a professora McGonagall sem sair de a vassoura . - Mas , professora - gritou - temos de jogar ... a taça ... os Gryffindor ... A professora Mc_Gonagall ignorou o e continuou a gritar por o megafone . - Pede se a os estudantes que regressem a as salas comuns de as respectivas equipas onde os chefes de equipa lhes darão mais informações . O mais depressa possível , se fazem favor ! Em seguida , baixou o megafone e fez sinal a o Harry para que se aproximasse . - Potter , é melhor vires comigo ... Perguntando a si próprio que suspeita poderia ela ter contra ele , desta_vez , Harry viu Ron desligar se de a multidão discordante e vir a correr juntar se lhes , enquanto eles se dirigiam para o castelo . Para sua grande surpresa Mc_Gonagall não pôs qualquer objecção . - Sim , talvez seja melhor vires também , Weasley . Alguns de os estudantes que os rodeavam reclamavam por o jogo ter sido cancelado , outros tinham um ar preocupado . Harry e Ron seguiram a professora Mc_Gonagall de volta a a escola e através de a escadaria de pedra . Mas desta_vez não foram levados a nenhum escritório . - Isto vai chocar vos um_pouco - disse a professora Mc_Gonagall em um tom de voz surpreendentemente suave quando estavam a aproximar se de a ala hospitalar . - Houve outro ataque ... outro ataque duplo . As vísceras de o Harry deram um salto mortal . A professora Mc_Gonagall abriu a porta e ele e Ron entraram . Madam_Pomfrey estava inclinada sobre uma rapariga de o quinto ano de cabelos longos a os caracóis que Harry reconheceu como sendo a colega de os Ravenclaw a quem , por engano , tinham perguntado o caminho para a sala comum de os Slytherin . E , em a cama a o lado de ela , estava ... - Hermione - gemeu o Ron . Hermione jazia totalmente quieta , os olhos abertos e vítreos . - Foram encontradas perto de a biblioteca - disse a professora Mc_Gonagall . - Calculo que nenhum de vocês possa explicar isto ? Estava em o chão , junto de ela . A professora tinha em as mãos um pequeno espelho redondo . Harry e Ron acenaram negativamente com as cabeças , ambos com os olhos fixos em Hermione . - Eu acompanho vos a a torre de os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall pesadamente . - De qualquer modo tenho de falar com os alunos . - Os alunos regressarão a as salas comuns de as respectivas equipas , todos_os_dias , a as seis_horas_da_tarde . Nenhum aluno deverá sair de os dormitórios depois de isso . Serão escoltados até a as aulas por um professor . Nenhum aluno deverá ir a a casa_de_banho sem um professor a acompanhá o . Todos os treinos e jogos de Quidditch estão suspensos a_partir_de agora . Não haverá mais actividades nocturnas . Os Gryffindor , que enchiam a sala comum , ouviram em silêncio a professora Mc_Gonagall . Ela enrolou o pergaminho que acabara de ler e disse em uma voz algo chocada : - Não é preciso acrescentar que nunca me senti tão desolada . É provável que a escola seja encerrada se não for apanhado o culpado de todos estes ataques . Quero pedir que se algum de vocês achar que sabe alguma coisa sobre eles venha imediatamente ter comigo . Mal ela subiu , de forma um_pouco desastrada , por o buraco de o retrato , os Gryffindor começaram logo a falar . - São dois Gryffindor a menos , sem contar com o fantasma de os Gryffindor , um Ravenclaw e um Hufflepuff - disse o amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , contando por os dedos . - Não terá nenhum de os professores reparado que os Slytherin estão a salvo ? Será que não é óbvio que tudo_isto vem de eles ? O herdeiro de Slytherin , o monstro de Slytherin , porque não expulsam todos os Slytherin ? - resmungou , recebendo acenos e aplausos de todos os lados . Percy_Weasley estava sentado em uma cadeira atrás_de Lee , mas por uma_vez não pareceu querer expor os seus pontos de vista . Estava pálido e aturdido . - O Percy está em estado de choque - disse o George baixinho a o Harry . - Aquela rapariga de os Ravenclaw , Penelope_Clearwater , é prefeita . Acho que ele nunca tinha pensado que o monstro pudesse atacar um prefeito . Mas Harry não estava a ouvi o com atenção . Não conseguia esquecer a imagem de Hermione deitada em a cama de o hospital , como_se estivesse esculpida em pedra . E se o culpado não fosse apanhado rapidamente tinha em a frente uma vida inteira com os Dursley . Tom_Riddle entregara o Hagrid porque fora confrontado com a possibilidade de um orfanato Muggle se a escola fechasse . Harry sabia exactamente o que ele sentira . - Que vamos nós fazer ? - disse lhe o Ron baixinho a o ouvido . - Achas que eles suspeitam de o Hagrid ? - Temos de falar com ele - disse Harry , tomando uma decisão . - Não acredito que tenha culpa desta_vez , mas se ele libertou o monstro há cinquenta anos , sabe com certeza como entrar em a Câmara_dos_Segredos , o que já é um princípio . - Mas a Gonagall disse que temos que ficar em a torre a_não_ser_que estejamos em as aulas ... - Eu acho - disse Harry ainda mais baixo - que chegou a altura de tirar outra_vez de a mala o manto de o meu pai . Harry herdara apenas uma coisa de o pai : o enorme manto prateado de a invisibilidade . Era a única maneira de poderem esgueirar se de a escola para fazer uma visita a o Hagrid , sem que ninguém de esse por isso . Deitaram se a a hora de o costume , esperaram que o Neville , o Dean e o Seamas adormecessem para se levantarem , vestirem se de_novo e taparem se com o manto . A viagem por os corredores de o castelo escuro e deserto não era nada agradável . Harry que vagueara por ali muitas_vezes durante a noite nunca vira tanta gente depois de o pôr de o Sol . Professores , prefeitos e fantasmas andavam por os corredores a os pares , olhando em volta , em busca de qualquer actividade fora de o habitual . O manto de a invisibilidade não impedia que fizessem barulho e houve um momento particularmente tenso em que o Ron deu uma topada a menos_de um metro de o lugar onde Snape se encontrava . Felizmente Snape espirrou em o preciso momento em que o Ron praguejava . Foi com grande alívio que chegaram a as portas de carvalho de a entrada principal . Estava uma noite clara e cheia de estrelas . Dirigiram se apressadamente para as janelas iluminadas de a casa de Hagrid e só tiraram o manto mesmo em frente de a porta . Poucos segundos depois de terem batido abriu se a porta . Ficaram frente_a_frente com Hagrid que lhes apontou uma besta enquanto Fang , o cão caçador de javalis , ladrava furiosamente atrás de ele . - Oh ! - disse , baixando a arma quando viu que eram eles . - O que estão vocês a fazer aqui ? - Para que é isso ? - perguntou Harry , apontando para a besta , enquanto entrava . - Nada , não é nada - murmurou Hagrid . - Tenho estado a a espera ... não tem importância , sentem se que eu vou fazer um chá . Dava a impressão de não saber o que fazia . Quase apagou a lareira , vertendo a água de a chaleira em o lume e em seguida esmagou o bule com um gesto de a sua mão maciça . - Estás bem , Hagrid ? - perguntou Harry . - Soubeste de a Hermione ? - Soube , sim - disse ele com um leve tremor em a voz . Continuava a olhar nervosamente para as janelas . Deu lhe os duas grandes canecas de água a ferver ( esquecera se de juntar o chá ) e estava a acabar de pôr em um prato uma fatia grossa de bolo de frutas quando alguém bateu energicamente a a porta . Hagrid deixou cair o bolo . Harry e Ron trocaram entre si olhares de pânico e , em seguida , cobriram se com o manto de a invisibilidade e esconderam se em um canto . Hagrid assegurou se de que eles estavam bem escondidos , pegou em a besta e abriu , mais_uma_vez , a porta . - Boa noite , Hagrid . Era_Dumbledore . Entrou com um ar muito sério , seguido de um homem bizarro . O estranho era um homenzinho pequenino , de porte majestoso com cabelos grisalhos desalinhados e uma expressão de ansiedade em o rosto . Usava uma inesperada mistura de roupas . Um fato a as riscas , uma gravata vermelho escarlate , um longo manto negro e umas botas roxas pontiagudas . Debaixo de o braço trazia um chapéu de coco verde lima . -- É o patrão de o meu pai - murmurou o Ron . Cornelius_Fudge , o ministro de a magia ! Harry deu lhe uma valente cotovelada para o fazer calar se . Hagrid tinha ficado suado e pálido . Deixou se cair em uma de as cadeiras e olhava de Dumbledore_para_Cornelius_Fudge . - Más notícias , Hagrid - disse Fudge em um tom bastante grave . - Muito más notícias . Tive de vir . Quatro ataques a filhos de Muggles , as coisas foram longe_de mais . O ministério tem que tomar uma atitude . - Eu nunca ... - disse Hagrid , parecendo implorar a Dumbledore . - O senhor sabe que eu nunca ... professor Dumbledore , o senhor ... - Quero que fique claro , Cornelius , que Hagrid tem a minha total confiança - afirmou Dumbledore , franzindo as sobrancelhas . - Olha , Albus - disse Fudge pouco a a vontade - a ficha de o Hagrid depõe contra ele . O ministério tem de fazer alguma coisa , o Conselho_Directivo de a escola tem se reunido ... - Mesmo_assim , Cornelius , devo dizer te mais_uma_vez que levar o Hagrid de aqui não vai ajudar em nada - afirmou Dumbledore com os olhos azuis com um fogo que Harry nunca vira antes . - Tenta compreender o meu ponto de vista - insistiu Fudge , brincando com o chapéu . - Estou a ser tremendamente pressionado , tenho de mostrar que faço alguma coisa . Se se provar que não foi o Hagrid , ele voltará e não se fala mais em o assunto . Mas tenho de levá o , tem de ser , não estaria a cumprir a minha obrigação se ... - Levar me ? - perguntou Hagrid a tremer . - Levar me para_onde ? - É uma pena curta - disse Fudge , sem o olhar em os olhos . - Não é um castigo , Hagrid , chamemos lhe antes uma precaução . Se mais alguém for apanhado , tu sais com todas_as nossas desculpas . - Não é para Azkaban ? - balbuciou Hagrid . Mas antes que Fudge tivesse tido tempo de responder , ouviu se bater mais_uma_vez a a porta . Dumbledore abriu . Foi a vez de Harry levar uma cotovelada em as costas : soltara um gemido audível . Mr._Lucius_Malfoy entrou em a cabana de o Hagrid embrulhado em uma longa capa preta de viagem , com um sorriso frio de satisfação . O Fang começou a rosnar . - Já está aqui , Fudge ? - disse de forma aprovadora . - Muito bem , muito bem ... - O que estás a fazer aqui ? - perguntou Hagrid furioso . - Sai imediatamente de a minha casa . - Meu bom homem , acredite que não tenho prazer nenhum em entrar em a sua ... er ... chamou lhe casa ? - disse Lucius_Malfoy , sorrindo sarcasticamente enquanto observava a pequena divisão . - Eu limitei me a ir a a escola e disseram me que o director estava aqui . - E o que queres de mim , Lucius ? - perguntou Dumbledore . O seu tom de voz era educado mas em os olhos azuis brilhava ainda o mesmo fogo . - Uma notícia horrível , Dumbledore - disse Mr._Malfoy de forma arrastada , pegando em um grande rolo de pergaminho . - Mas os membros de o conselho pensam que é altura de tu saíres . Isto_é uma ordem de suspensão , tens aí doze assinaturas . Lamento muito mas em a nossa opinião estás a perder a firmeza . Quantos ataques houve até agora ? Mais dois hoje a a tarde , não foi ? A este ritmo vão acabar todos os filhos de Muggles em Hogwarts e todos sabemos que seria uma terrível perda para a escola . - O que é isso , Lucius ? - protestou Fudge com ar alarmado . - O Dumbledore suspenso não ... não , seria a última coisa que desejaríamos em este momento ... - A nomeação ou suspensão , de o director é de a competência de os membros de o Conselho_Directivo , Fudge - disse suavemente Mr._Malfoy . - E como Dumbledore não foi capaz de pôr cobro a estes ataques ... - Oh ! Lucius , se Dumbledore não conseguiu - disse Fudge com o lábio superior a suar . - Quem irá conseguir ? - Isso está para se ver - disse Mr._Malfoy com um sorriso mesquinho . - Mas como os doze votamos ... Hagrid pôs se de pé em um salto , o cabelo preto hirsuto a roçar em o tecto . - E quantos tiveste de chantajar para concordarem contigo , Malfoy ? - Meu caro Hagrid , sabe que esse seu temperamento ainda acaba por lhe criar problemas um dia de estes - disse Mr._Malfoy . - Não o aconselho a gritar assim com os guardas de Azkaban . Eles não iriam gostar nada . - Não podes levar Dumbledore - gritou Hagrid , fazendo Fang , o cão caçador de javalis , agachar se e ganir em o seu cesto . - Sem ele , os filhos de os Muggles não têm qualquer hipótese . A seguir haverá mortes . - Acalma te , Hagrid - disse Dumbledore de forma cortante , olhando para Lucius_Malfoy . - Se os membros de o conselho querem substituir me , eu sairei , claro . - Mas - interrompeu Fudge . - Não - rosnou Hagrid . Dumbledore não tirara os seus olhos azuis brilhantes de os olhos cinzentos e frios de Lucius_Malfoy . - Contudo - disse , pronunciando cada palavra lenta e claramente para que nenhum de eles perdesse o seu sentido - verás que só deixarei verdadeiramente esta escola quando ninguém aqui me for leal . Descobrirás também que será sempre dada ajuda em Hogwarts a quem a pedir . Por um segundo , Harry teve quase a certeza de que os olhos de Dumbledore tremelaziram em direcção a o canto onde ele e Ron estavam escondidos . - Sentimentos admiráveis - disse Malfoy , fazendo uma vénia . - Todos nós vamos sentir a tua ... forma muito pessoal de fazer as coisas , Albus . Só espero que o teu sucessor consiga evitar qualquer ... crime . Dirigiu se a a porta de a cabana , abriu a e fez sinal a Dumbledore para que passasse a a sua frente . Fudge , mexendo nervosamente em o chapéu de coco , esperou que Hagrid fizesse o mesmo mas ele ficou quieto , respirou fundo e disse prudentemente : - Se alguém quiser descobrir alguma coisa , o que tem a fazer é seguir as aranhas . Elas indicarão o caminho , é tudo_o_que vos digo . Fudge olhou para ele espantado . - Está bem , eu vou - disse Hagrid , pegando em o seu sobretudo de pêlo de toupeira . Mas quando ia seguir o Fudge e sair por a porta , parou e disse em voz alta : - E alguém tem de dar de comer a o Fang enquanto eu não estiver cá . A porta fechou se ruidosamente e Ron tirou o manto de a invisibilidade . -- Estamos outra_vez em uma alhada - disse com voz rouca - Sem o Dumbledore podem fechar a escola já esta noite . Sem ele vai haver um ataque por dia . O Fang começou a ganir , arranhando a porta fechada . XV_Aragog_O_Verão insinuava se em os campos em volta de o castelo . O céu e o lago tinham se tornado de um azul-molusco e as flores , grandes como couves , começavam a florir em as estufas . Mas sem o Hagrid , que ele costumava avistar de o castelo , atravessando os campos com o Fang atrás , parecia a Harry que a paisagem não estava completa . Não era melhor dentro de o castelo onde tudo corria horrivelmente mal . O Harry e o Ron tinham tentado visitar a Hermione , mas as visitas a o hospital estavam proibidas . - Não vamos correr mais riscos - disse lhes Madam_Pomfrey com ar severo , através_de uma fresta de a porta de o hospital . Não , lamento , há muitas hipóteses de o atacante voltar para acabar de vez com estas pessoas ... Com Dumbledore longe , o medo espalhara se como nunca acontecera antes , de_tal_modo_que o sol que aquecia as paredes de o castelo por fora parecia parar junto de as janelas de pinázios . Não se via um único rosto em a escola que não andasse tenso e preocupado e qualquer gargalhada , em os corredores , se tornava incómoda e antinatural e era rapidamente abafada . Harry repetia constantemente , de si para consigo , as últimas palavras que ouvira a Dumbledore : - * _ Só terei verdadeiramente deixado esta escola quando ninguém me for leal ... será sempre dada ajuda , em Hogwarts , a quem a pedir * . Qual seria o significado exacto de aquelas palavras ? A quem deveria pedir ajuda quando todos estavam tão confusos assustados como ele ? A alusão de Hagrid a as aranhas era bastante mais fácil de entender . O problema era que parecia não ter restado uma única aranha em o castelo para eles a poderem seguir . Harry procurou por todo o lado com a ajuda relutante de o Ron . As coisas estavam dificultadas por o facto de não poderem andar sozinhos e terem de se deslocar em grupo dentro de o castelo , juntamente com outros Gryffindor . A maior parte de os alunos gostava de ser conduzida como carneiros de uma aula para a outra por os professores mas Harry achava horrível . Havia , contudo , uma pessoa que parecia apreciar aquela atmosfera de terror e suspeitas . Draco_Malfoy passeava empertigado por a escola como_se tivesse sido nomeado para chefe de turma . Harry só compreendeu o motivo de toda aquela boa disposição cerca de quinze_dias depois de Dumbledore e Hagrid se terem ido embora quando , em uma aula de poções , o ouviu falar com o Crabbe e o Goyle . - Sempre achei que seria o pai quem conseguiria livrar nos de o Dumbledore - disse sem a menor preocupação em baixar a voz . - Já vos disse , segundo ele , Dumbledore foi o pior director que a escola alguma vez teve . Talvez agora venha um director decente que não queira a Câmara_dos_Segredos fechada . A Mc_Gonagall não vai durar muito , está só a ... O Snape passou por Harry , sem fazer comentários a o caldeirão e a a cadeira vazia de Hermione . - Professor - disse Malfoy em voz alta . - Professor , porque não se candidata a o lugar de director ? - Ora , ora , Malfoy - respondeu Snape , sem conseguir esconder um meio sorriso . - O professor Dumbledore foi apenas suspenso por os membros de o conselho de direcção , certamente vai voltar um dia de estes . - Sim , claro - disse Malfoy com o seu sorriso escarninho . - Acho que se o professor quisesse candidatar se a o lugar teria o voto de o pai . Eu vou dizer lhe que o acho o melhor professor de a escola . Snape sorriu enquanto passeava de um lado para o outro em o calabouço , não tendo felizmente visto o Seamus_Finnigan que fingia vomitar para dentro de o caldeirão . - Estou espantado por ver que até agora os sangues de lama ainda não fizeram as malas e não desapareceram - prosseguiu Malfoy . - Aposto cinco galeões em como o próximo morre . Pena que não tenha sido a Granger ... A campainha tocou em esse momento o que foi uma sorte porque a o ouvir as últimas palavras de Malfoy , Ron deu um salto , mas em a barafunda de guardar os livros em os sacos , a sua tentativa de agarrar o Malfoy passou despercebida . - Deixem me - gritava o Ron enquanto o Harry e o Dean lhe agarravam os braços . - Não preciso de varinha , vou dar cabo de ele com as minhas mãos ... - Despachem se , tenho de conduzir vos a a aula de herbologia - praguejava o Snape acima de as cabeças de os alunos . E lá foram como cordeirinhos com Harry , Ron e Dean em a retaguarda , o Ron ainda a tentar libertar se . Só acharam seguro largá o quando Snape os deixou fora de o castelo e iniciaram o percurso por o meio de a horta em direcção a as estufas . A aula de herbologia estava reduzida . Tinha agora dois alunos a menos : Justin e Hermione . A professora Sprout pô os a trabalhar , podando as figueiras-da-abissínia . Harry foi despejar uma braçada de hastes secas em um monte de adubo e deu consigo cara a cara com Ernie_Mcmillan . Ernie respirou fundo . - Só quero dizer te , Harry que lamento ter suspeitado de ti . Sei que nunca atacarias a Hermione_Granger e peço te desculpa por todas_as coisas que disse . Estamos todos em o mesmo barco , agora e , bem ... Estendeu lhe uma mão rechonchuda que o Harry apertou . Ernie e a sua amiga Hannah foram trabalhar em a mesma figueira com o Harry e o Ron . - Aquele tipo , Draco_Malfoy - disse Ernie , partindo pequenos galhos - , parece muito satisfeito com isto tudo , não acham ? É bem possível que ele seja o herdeiro de Slytherin . - Uma observação inteligente de a tua parte - disse o Ron que parecia não ter desculpado Ernie tão facilmente como o Harry . - Acham que é ele ? - perguntou Ernie . - Não - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Hannah ficaram a olhar espantados . Um segundo depois , Harry avistou qualquer coisa que o levou a chamar a atenção de o Ron , batendo lhe em a mão com a tesoura de podar . - Au ... o que é_que tu ... ? Harry apontava para o chão , a poucos centímetros de distância . Várias aranhas grandes corriam precipitadamente por a terra fora . - Ah ! sim - disse o Ron , tentando , sem conseguir , mostrar se entusiasmado . - Mas não podemos seguis as agora ... Ernie e Hannah ouviam nos com curiosidade . Harry viu as aranhas desaparecerem . - Parecem ir em a direcção de a floresta proibida ... E o Ron ficou ainda mais infeliz a o ouvir aquilo . Em o final de a aula , o professor Snape acompanhou os alunos a a « Defesa contra as artes negras » . Harry e Ron foram atrás de os outros para poderem conversar sem serem ouvidos . - Temos de usar outra_vez o manto de a invisibilidade - disse Harry a o Ron . - Podemos levar connosco o Fang , ele está habituado a ir a a floresta com o Hagrid , pode ser uma boa ajuda . - Certo - disse o Ron , que fazia girar nervosamente a varinha em os dedos . - Er ... não costuma haver ... não costuma haver lobisomens em a floresta ? - acrescentou enquanto ocupavam os lugares de o costume em a aula de o Lockhart . Preferindo não responder a a pergunta , Harry disse : - Também há lá coisas boas . Os centauros são fixes e os unicórnios . Ron nunca estivera em a floresta proibida , Harry fora lá só uma_vez e desejara não ter de lá voltar . Lockhart deu um salto para dentro de a sala de aula e os alunos ficaram espantados a olhar para ele . Todos os outros professores andavam mais tristes do_que o habitual mas Lockhart parecia sentir se em as nuvens . - Então , então - exclamou , olhando em volta . - Porquê essas caras deprimidas ? Lançaram lhe olhares exasperados mas ninguém respondeu . - Não compreendem - disse , falando devagar como_se fossem todos um_pouco estúpidos - que o perigo já passou ? O culpado foi se embora . -- Quem disse ? - retorquiu Dean_Thomas em voz alta . -- Meu caro jovem , o ministro de a magia não teria levado Hagrid se não estivesse cem por_cento certo de que ele era o culpado - disse Lockhart como quem explica que um e um são dois . - Teria , sim - disse o Ron , em um tom de voz ainda mais alto do_que o de o Dean . - Eu julgo saber um_pouco mais sobre a prisão de o Hagrid do_que o senhor , Mr._Weasley - disse Lockhart com notória auto-satisfação . Ron começou a dizer que discordava mas foi interrompido por o Harry que lhe deu um forte pontapé por debaixo de a mesa . - Nós não estávamos lá , lembras te ? - murmurou . Mas a alegria revoltante de o Lockhart , as insinuações de que sempre tinha achado que o Hagrid não prestava , a sua certeza de que tudo aquilo estava a chegar a o fim , irritou Harry de tal maneira que teve vontade de lhe atirar as * _ Viagens com Vampiros * e de lhe acertar em aquela cara estúpida . Mas , em vez de isso , limitou se a escrevinhar um bilhete para o Ron : * _ Vamos lá hoje a a noite * . Ron leu a mensagem , engoliu em seco e olhou para o lugar onde Hermione costumava sentar se . A cadeira vazia pareceu ajudá o a decidir se e acenou afirmativamente . A sala comum de os Gryffindor estava agora sempre cheia porque , depois de as seis_da_tarde , os Gryffindor não tinham outro lugar para ir . Por outro lado , tinham imenso para conversar , por isso a sala comum mantinha se cheia de gente até depois de a meia-noite . Logo_a_seguir a o jantar , Harry foi buscar o manto de a invisibilidade a a mala onde estava guardado e passou todo o serão a a espera que a sala esvaziasse . O Fred e o George desafiaram o para alguns jogos de explosão e a Ginny sentou se , muito preocupada , a observá os , em a cadeira habitual de Hermione . Harry e Ron fartaram se de perder de propósito em uma tentativa de pôr rapidamente fim a os jogos mas , mesmo_assim , já passava bastante de a meia-noite quando o Fred , o George e a Ginny se foram , finalmente , deitar . Harry e Ron esperaram até ouvir as portas de os dois dormitórios fecharem se . Em seguida , pegaram em o manto , lançaram o sobre ambos e passaram por o buraco de o retrato . Era mais uma difícil travessia de o castelo , tendo de fintar todos os professores . Finalmente , chegaram a o * hall * de entrada , giraram o fecho de as portas de carvalho , esgueiraram se tentando não fazer barulho e aventuraram se nos campos iluminados por o luar . - É claro que - disse bruscamente o Ron , enquanto atravessavam os relvados negros - podemos perfeitamente chegar a a floresta e descobrir que não há nada para seguir . As aranhas podem não ter ido para lá . É certo que parecia que tomavam essa direcção , mas ... Felizmente a lengalenga não durou muito . Chegaram a a casa de o Hagrid que tinha um ar triste com as suas janelas vazias . Logo_que Harry empurrou a porta e a abriu , o Fang saltou , louco de alegria por os ver . Preocupados , não fosse ele acordar toda_a_gente em o castelo com o seu ladrar forte e agitado , deram lhe rapidamente a comer bombons de melaço que estavam em uma lata sobre a lareira e que lhe colaram os dentes de cima a os de baixo . Harry pousou o manto de a invisibilidade sobre a mesa de o Hagrid . Não iam precisar de ele em a floresta escura como breu . - Anda , Fang , vamos dar um passeio - disse Harry , batendo lhe a o de leve em a pata e Fang saiu feliz , a os saltos , atrás de eles . Precipitou se até a a orla de a floresta e levantou a perna contra uma enorme figueira-do-egipto . Harry pegou em a varinha , murmurou * _ Lumus * ! e uma pequenina luz surgiu em a ponta de a varinha , suficiente para lhes mostrar o caminho e ajudá os a descobrir a pista de as aranhas . - Bem pensado - disse o Ron . - Eu acendia também a minha mas , sabes como ela está , ainda estoirava ou qualquer coisa assim ... Harry tocou em o ombro de o Ron , apontando para as ervas . Duas aranhas solitárias fugiam de a luz de a varinha , aproximando se de a sombra de as árvores . - O. _ K. - disse o Ron , resignando se com o pior . - Estou pronto , vamos . Então , com o Fang a correr atrás de eles , cheirando as raízes de as árvores e as folhas , entraram em a floresta . Seguindo a luz de a varinha de o Harry seguiram a fila disciplinada de aranhas que se movia a o longo de o caminho . Andaram durante cerca de vinte minutos , sem falar , atentos a todos os ruídos que não fossem os de os ramos caídos e de as folhas secas . Então , quando as copas de as árvores se tinham tornado mais cerradas do_que nunca , de_tal_modo_que as estrelas em o céu já não eram visíveis e a varinha de o Harry brilhava isolada em um mar de escuridão , viram as aranhas que eles seguiam a abandonar o caminho . Harry parou , tentando ver para_onde iam mas tudo_o_que ficava longe de a sua pequenina luz era negro de breu . Ele nunca fora tão longe em a floresta . Lembrava se muito bem de Hagrid lhe ter dito , de a última vez que ali tinham estado , que nunca saísse de o caminho de a floresta . Mas Hagrid agora estava a muitos quilómetros de distância e ele também lhes dissera que seguissem as aranhas . Uma coisa húmida tocou em a mão de o Harry e ele deu um salto para trás , pisando o pé a o Ron . Mas afinal era apenas o focinho de o Fang . - O que é_que tu achas ? - perguntou ele a o Ron cujos olhos conseguia vislumbrar , reflectindo a luz de a varinha . - Já_que viemos até aqui - disse ele . Seguiram , portanto as sombras velozes de as aranhas em direcção a as árvores . Não podiam agora andar muito depressa . Tinham em a frente raízes de árvores e troncos cortados que mal se viam em aquela escuridão . Harry sentia o bafo quente de Fang em a mão . Por mais de uma_vez tiveram de parar para o Harry se baixar e descobrir as aranhas a a luz de a varinha . Andaram durante o que lhes pareceu ter sido pelo_menos meia_hora , com os mantos a roçarem em os ramos mais baixos e em as silvas . A o fim de algum tempo repararam que o chão parecia inclinar se para baixo embora as árvores continuassem cerradas . Foi então que o Fang soltou um latido que ecoou em volta , fazendo Harry e Ron darem um salto , ambos com os cabelos em pé . - O que foi ? - gritou o Ron , olhando em volta para a escuridão e agarrando Harry com força , por o cotovelo . - Há qualquer coisa ali a mexer se - murmurou Harry - Ouve ... parece ser grande . Ficaram a ouvir . Um_pouco para a direita algo de grandes dimensões partia os ramos enquanto abria caminho através de as árvores . - Oh ! não - disse o Ron . - Oh ! não , não ... - Cala te - insistiu o Harry , nervoso . - Seja o que for , vai acabar por te ouvir . - Ouvir me ? - disse o Ron , em um tom de voz muito pouco natural . - Já ouviu . Fang ! A escuridão parecia esmagar lhes os globos oculares enquanto ali ficaram apavorados , a a espera . Houve um estranho ruído , surdo e prolongado , e em seguida o silêncio . - O que estará a fazer ? - perguntou Harry . - Talvez esteja a preparar se para atacar - disse o Ron . Esperaram , a tremer , sem ousarem mexer se . - Achas que se foi embora ? - murmurou Harry . - Não sei . Em esse momento , de o lado direito veio um clarão de luz tão forte em o meio de o escuro que os dois levaram as mãos a a cara para proteger os olhos . O Fang ganiu e tentou fugir mas viu se envolvido em um emaranhado de espinhos e ganiu ainda mais alto . - Harry - gritou o Ron com grande alívio em a voz . - Harry , é o nosso carro . - O quê ? - Anda ver . Harry avançou a os tropeções atrás de o Ron , em direcção a a luz e em o momento seguinte estavam em uma clareira . O carro de Mr._Weasley ali estava , vazio , no_meio_de um círculo de árvores grossas , sob um telhado de ramos densos , os faróis de a frente resplandecentes . Quando Ron se aproximou de boca aberta , moveu se lentamente em direcção a ele como_se fosse um grande cão azul turquesa , cumprimentando o dono . - Tem estado aqui todo este tempo - disse o Ron satisfeitíssimo , aproximando se de o carro . - Olha para ele , a floresta tornou o selvagem ... O guarda-lamas estava riscado e cheio de lodo . Parecia que tinha andado a passear sozinho por a floresta . Fang não gostou lá muito de ele . Manteve se a o lado de o Harry que podia senti o a tremer . Com a respiração normalizada , Harry guardou a varinha em o manto . - E nós a pensarmos que ele nos ia atacar - disse o Ron , encostando se a o carro e dando lhe duas palmadinhas - As voltas que eu dei a a cabeça a pensar para_onde ele teria ido ! Harry olhava para todos os lados , em o chão iluminado , em busca de mais aranhas mas todas elas tinham fugido de o brilho de as luzes . - Perdemos as de vista - disse ele . - Anda , vamos procurá as . Ron não disse nada . Não se moveu . Tinha os olhos fixos em um ponto , três metros acima de o chão de a floresta , mesmo atrás de o Harry . O seu rosto estava lívido de terror . Harry nem teve tempo de se voltar . Ouviu se um ruído alto e seco e sentiu que alguma coisa longa e peluda o elevava em o ar com o rosto voltado para baixo . Debatendo se , apavorado , ouviu outro estalido e viu as pernas de o Ron serem também levantadas de o chão . Ouviu o Fang gemer e ganir e , em o momento seguinte , era levado para o meio de as árvores escuras . Com a cabeça a balouçar , Harry viu que a coisa que o transportava tinha seis enormes patas peludas e que as duas de a frente o agarravam com forca sob um par de tenazes pretas e brilhantes . Atrás_de si podia ouvir outra de aquelas criaturas que , sem dúvida , transportava o Ron . Encaminhavam se para o coração de a floresta . Harry ouvia o Fang a ladrar , tentando libertar se de um terceiro monstro mas Harry não podia gritar mesmo_que quisesse , parecia que tinha deixado a voz em a clareira , junto com o carro . Não soube quanto tempo esteve em as patas de a criatura , só se apercebeu que a escuridão se atenuara um_pouco , permitindo lhe ver que o chão coberto de folhas estava agora repleto de aranhas . Voltando a cabeça para o lado , deu se conta de que tinham chegado a a base de uma enorme cova , uma cova que fora limpa de árvores para que as estrelas iluminassem com o seu brilho a cena mais pavorosa que os seus olhos alguma vez tinham visto . Aranhas . Não aranhas pequeninas como aquelas que estavam sobre as folhas . Aranhas de o tamanho de enormes cavalos , com oito olhos , oito pernas pretas , peludas , gigantescas . O espécimen que transportava Harry desceu o terreno íngreme até uma teia brumosa em forma de cúpula que ficava mesmo em o meio de a cova , enquanto os companheiros se juntavam em volta , batendo excitadíssimos com as tenazes e olhando para o que eles traziam a as costas . Harry caiu em o chão de gatas quando a aranha o libertou . Ron e Fang foram cair perto de ele . O Fang já não gania . Estava agachado e muito quieto . Ron e Harry partilhavam o mesmo sentimento . O Ron tinha a boca aberta em uma espécie de grito silencioso e os olhos a saltarem lhe de as órbitas . Harry percebeu de repente que a aranha que o deitara a o chão estava a dizer qualquer coisa . Era difícil entender porque entre cada duas palavras , batia com as tenazes . - Aragog - chamou . - Aragog . E de o meio de a teia brumosa em forma de cúpula saiu muito lentamente uma aranha de o tamanho de um pequeno elefante . As costas e as pernas estavam cobertas de pêlo cinzento e , em a cabeça feia , munida de tenazes , estavam vários olhos , todos eles de um branco leitoso . Era cega . - O que foi ? - disse , batendo rapidamente com as tenazes uma em a outra . - Homens - respondeu a aranha que trouxera o Harry . - É o Hagrid ? - perguntou Aragog , aproximando se mais com os seus oito olhos leitosos a vaguear . - Estranhos - respondeu a aranha que trouxera o Ron . - Matem nos - disse Aragog , irritada . - Eu estava a dormir ... - Nós somos amigos de o Hagrid - gritou Harry . Parecia que o coração lhe saltava por a boca . Clic , clic , clic fizeram as tenazes de a aranha , em volta de a cova . Aragog parou . - O Hagrid nunca mandou homens a a nossa cova - disse lentamente . - O Hagrid está em perigo - explicou Harry , respirando muito depressa . - Foi por isso que eu vim . - Em perigo ? - repetiu a aranha idosa e pareceu a Harry sentir preocupação por detrás de as suas tenazes . - Mas porque vos mandou ele cá ? Harry pensou pôr se de pé mas achou melhor não arriscar . As pernas provavelmente não teriam força para o sustentar . Falou portanto de o chão , o mais calmamente que foi capaz . - Eles lá em a escola pensam que o Hagrid soltou qualquer coisa contra os estudantes . Mandaram o para Azkaban . Aragog bateu furiosamente com as tenazes e , em toda_a cova , o eco foi reproduzido por uma multidão de aranhas . Era uma espécie de aplauso com uma única diferença : os aplausos não costumavam fazer o Harry quase morrer de medo . - Mas isso foi há muitos anos - disse Aragog , maldisposta . - Há anos e anos . Lembro me muito bem . Foi por isso que o expulsaram de a escola . Eles pensaram que eu era o monstro que vive em aquilo a que eles chamam a Câmara_dos_Segredos . Pensaram que o Hagrid a tinha aberto para me libertar . - E tu ... não vieste de a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Harry que sentia a testa cheia de suores frios . - Eu - disse Aragog , batendo irritada com as tenazes - , eu não nasci em o castelo . Venho de uma terra distante . Um viajante ofereceu me a o Hagrid quando eu era ainda um ovo . Hagrid era um rapazinho mas tratou de mim , escondeu me em uma despensa dentro de o castelo e alimentava me com as migalhas que ficavam em as mesas . Hagrid é o meu bom amigo e um bom homem . Quando me encontraram e me culparam por a morte de uma rapariga , ele protegeu me . Desde_então , tenho vivido aqui em a floresta onde o Hagrid ainda vem visitar me . Ele até me arranjou uma esposa , Mosag , e estão a ver como a família cresceu , tudo graças a a bondade de o Hagrid ... Harry reuniu a coragem que lhe restava . - Então tu nunca atacaste ninguém ? - Nunca - resmungou a velha aranha . - Era esse o meu instinto , mas por respeito a Hagrid nunca fiz mal a nenhum humano . O corpo de a rapariga morta foi encontrado em uma casa_de_banho , ora eu nunca conheci mais do_que despensa de o castelo , onde cresci . Nós gostamos de o escuro de o silêncio . - Mas então ... sabes o que matou essa rapariga ? - perguntou Harry . - Porque seja o que for , está a atacar as pessoas outra_vez ... As suas palavras foram abafadas por uma audível explosão de tenazes a bater e por o ruge-ruge de muitas pernas longas , deslocando se iradas . Em volta de Harry começaram a mover se sombras escuras . - O que vive em o castelo - disse Aragog - é uma antiga criatura que nós , aranhas , tememos acima_de todas_as outras . Lembro me bem de o quanto insisti com Hagrid para que me deixasse sair de ali quando senti a criatura a andar por a escola . - O que é ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Mais tenazes a bater , mais pernas a moverem se . As aranhas pareciam estar a aproximar se . - Nós não falamos de isso - exclamou Aragog furiosa . - Não pronunciamos o seu nome . Eu nunca disse a o Hagrid o nome de a horrível criatura , apesar_de ele me ter perguntado vezes sem conta . Harry não quis insistir , principalmente com todas aquelas aranhas a aproximarem se de todos os lados . Aragog parecia ter se cansado de falar . Recuava lentamente para a teia em forma de cúpula , mas as companheiras continuavam a aproximar se ameaçadoramente de Harry e Ron . - Vamos embora , então - gritou Harry , desesperadamente a Aragog , enquanto ouvia as folhas secas a estalarem atrás_de si . - Embora ? - disse Aragog lentamente . - Não me parece ... - Mas , mas ... - Os meus filhos e filhas não fazem mal a o Hagrid por ordem minha . Mas não posso negar lhes carne fresca quando ela veio por vontade própria ter connosco . Adeus , amigo de o Hagrid . Harry deu meia volta . Poucos centímetros acima de ele , uma sólida parede de aranhas batia com as tenazes , os seus muitos olhos a brilharem em as horríveis caras pretas . Mesmo_que se servisse de a varinha , Harry sabia que não ia valer de nada . As aranhas eram demasiadas , mas quando tentava preparar se para morrer a lutar , ouviu se um som prolongado e um clarão de luz iluminou a cova . O carro de Mr._Weasley ribombava , descendo o declive , com os faróis acesos , a buzina a guinchar , afastando as aranhas . Muitas de elas ficaram voltadas ao_contrário com as várias pernas a agitar se em o ar . O carro buzinou com mais força em frente de Harry e Ron e as portas abriram se . - Agarra o Fang - gritou Harry , ajeitando se em o lugar de a frente . Ron agarrou o cão caçador de javalis e lançou o a ganir para o banco de trás . As portas fecharam se com estrondo . Ron não tocou em o acelerador mas o carro não precisou de isso . O motor fez se ouvir e levantaram voo , batendo em mais aranhas . Subiram o declive , saindo de a cova e pouco depois atravessavam a floresta , os ramos a baterem em os vidros enquanto o carro seguia habilmente através de os intervalos maiores , por um caminho que obviamente já conhecia . Harry olhou para o Ron , a o seu lado . Ele tinha ainda a boca aberta em o mesmo grito silencioso mas os olhos já não estavam salientes . - Estás bem ? Ron olhou em frente , incapaz de responder . Começavam a descer para terra firme com o Fang a soltar enormes ganidos em o banco de trás e Harry viu o espelho retrovisor saltar quando passaram rente a um enorme carvalho . Após dez minutos bastante ruidosos , as árvores começaram a ser mais finas e Harry pôde ver de_novo pedaços de o céu . O carro parou tão bruscamente que quase foram projectados por o vidro de a frente . Tinham chegado a a orla de a floresta . O Fang ia agitadíssimo a a janela e quando Harry abriu a porta , disparou a correr através de as árvores até a a casa de o Hagrid , de cauda entre as pernas . Harry saiu também e um minuto depois o Ron pareceu recuperar a força em os membros e seguiu o , ainda com um torcicolo e de olhos esbugalhados . Harry deu uma palmadinha de agradecimento a o carro antes de ele dar a volta e desaparecer em direcção a a floresta . Harry voltou a a cabana de o Hagrid para buscar o manto de a invisibilidade . O Fang tremia em o seu cesto , coberto por um cobertor . Quando saiu de_novo , viu o Ron a vomitar junto de as abóboras . - Sigam as aranhas - disse ele debilmente , limpando a boca a a manga . - Nunca vou perdoar a o Hagrid . É uma sorte ainda estarmos vivos . - Aposto que ele pensou que Aragog nunca faria mal a os seus amigos - justificou Harry . - Esse é justamente o problema de o Hagrid - interrompeu Ron , dando um soco em a parede de a cabana . - Ele acha sempre_que os monstros não são tão maus como os pintam e vê onde isso o levou , a uma cela em Azkaban - tremia agora descontroladamente . - Qual a ideia de ele a o mandar nos ali ? Gostava de saber o que é_que descobrimos . - Que o Hagrid nunca abriu a Câmara_dos_Segredos - disse Harry , lançando o manto sobre Ron e tocando lhe em o braço para o encorajar a andar . - Ele estava inocente . Ron resmungou em voz alta . Para ele , chocar Aragog em uma despensa não era propriamente estar inocente . Quando se aproximaram de o castelo , Harry esticou o manto para garantir que os pés de ambos ficavam cobertos . Em seguida , empurrou as portas de a frente que chiaram . Atravessaram com todo o cuidado o * hall * de entrada e subiram a escadaria de mármore , contendo a respiração em os corredores guardados por sentinelas atentos . Por fim , chegaram a a segurança de a sala de os Gryffindor onde o lume ardera até se transformar em brasas brilhantes . Tiraram o manto e subiram a escada serpenteante que os levava a o dormitório . Ron caiu em a cama sem sequer se despir mas Harry , apesar_de tudo , não tinha sono . Sentou se em a beirinha de a cama , pensando em todas_as coisas que Aragog dissera . A criatura que andava por o castelo , pensou , era uma espécie de monstro Voldemort , nem os outros monstros queriam pronunciar o seu nome . Mas ele e o Ron não estavam agora mais perto_de descobrir o que era nem como petrificava as suas vítimas . Se nem o Hagrid chegara a saber o que estava em a Câmara_dos_Segredos ... Harry balançou as pernas e atirou se para_cima de a cama . Encostado a as almofadas olhou a Lua que brilhava através de a janela de a torre . Não sabia que mais poderiam fazer . Só tinham encontrado portas fechadas . Riddle apanhara a pessoa errada . O herdeiro de Slytherin fugira e ninguém sabia se era a mesma pessoa ou uma outra que abrira , desta_vez , a Câmara_dos_Segredos . Não havia mais ninguém a quem fazer perguntas . Harry deitou se ainda a pensar em as palavras de Aragog . Estava a começar a ficar com sono quando aquilo que parecia ser uma última esperança lhe ocorreu , fazendo o sentar se muito direito em a cama . - Ron - sussurrou em o escuro . - Ron . Ron acordou com um ganido como os de o Fang . Olhou muito assustado em volta e viu o Harry . - Ron , a rapariga que morreu . Aragog contou nos que ela foi encontrada em uma casa_de_banho - disse , ignorando os roncos de o Neville em o outro canto de o quarto . - E se ela nunca tivesse saído de a casa_de_banho ? E se ainda lá estiver ? Ron esfregou os olhos , franzindo as sobrancelhas sob a luz de a Lua . E só então compreendeu . -- Não pensar que ... a Murta_Queixosa ? XVI_A_Câmara_dos_Segredos -- E estivemos nós tantas vezes em aquela casa_de_banho com ela apenas a três cubículos de distância - disse o Ron amargamente em o dia seguinte , a a mesa de o pequeno-almoço . - Podíamos ter lhe perguntado e agora ... Já fora bastante difícil procurar as aranhas . Escapar a os professores o tempo suficiente para ir até a a casa_de_banho de as raparigas , que ficava mesmo em frente de o lugar onde ocorrera o primeiro ataque , ia ser quase impossível . Mas alguma coisa aconteceu que fez com que a Câmara_dos_Segredos desaparecesse de os seus pensamentos pela_primeira_vez em várias semanas . A professora Mc_Gonagall comunicou lhes que os exames começariam a 1_de_Junho , uma semana depois . - Exames ? - gritou Seamus_Finnigan . - Nós mesmo_assim vamos ter exames ? Ouviu se um estrondo atrás de o Harry quando a varinha de o Neville_Longbottom lhe escapou de a mão , fazendo desaparecer uma de as pernas de a secretária . A professora Mc_Gonagall repô a com a sua varinha e voltou se com má cara para o Seamus . - Se temos a escola aberta em uma altura de estas é para vocês receberem instrução - disse com dureza . - Os exames terão lugar , portanto , como é costume e espero que todos vocês façam revisões até lá . Revisões . Não passara por a cabeça de o Harry que houvesse exames com o castelo em aquele estado . Houve uma série de murmúrios revoltados , o que fez com que a professora Mc_Gonagall ficasse ainda mais mal-humorada . - As instruções de o professor Dumbledore foram para manter a escola a funcionar o mais normalmente possível - disse . - E isso , não preciso de vos dizer , passa por uma avaliação de o quanto vocês aprenderam a o longo de este ano . Harry olhou para baixo , para o casal de coelhos brancos que ele deveria transformar em pantufas . Que tinha ele aprendido durante o ano ? Não era capaz de se lembrar de nada que fosse útil em um exame . Ron estava como_se tivessem acabado de lhe dizer que a partir de aquele momento tinha de ir viver para a floresta proibida . - Estás a ver me a ter exames com isto tudo ? - perguntou a o Harry enquanto pegava em a varinha que tinha começado a assobiar bastante alto . Três dias antes de o primeiro exame , a a hora de o pequeno almoço , a professora Mc_Gonagall fez outra comunicação . - Tenho boas notícias - disse , e o salão em_vez_de se calar , explodiu de contentamento . - Dumbledore vai regressar ! - gritaram várias pessoas cheias de alegria . - Apanharam o herdeiro de Slytherin - arriscou uma rapariga em a mesa de os Ravenclaw . - Temos outra_vez os jogos de Quidditch - bradou Wood , excitadíssimo . Quando a agitação passou , Mc_Gonagall disse : - A professora Sprout informou me que as mandrágoras estão finalmente prontas para serem cortadas . Hoje a a noite vamos poder reanimar as pessoas que foram petrificadas . Escusado será dizer que certamente uma de elas poderá revelar nos quem ou o que a atacou . Eu tenho esperança que este ano pavoroso acabe com a prisão de o culpado . Houve uma explosão de aplausos . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e não ficou nada surpreendido a o ver que Draco_Malfoy não aplaudia . O Ron , por outro lado , estava satisfeito como ninguém o via havia dias . - Não faz mal não termos perguntado a a Murta . A Hermione vai , com certeza , ter todas_as respostas quando acordarem . Vai também ficar fula quando souber que temos exames dentro_de três dias . Ela não pôde fazer revisões . Seria melhor deixarem a estar onde está até a o final de os exames . Nessa_altura , Ginny_Weasley veio sentar se junto de o Ron . Parecia nervosa e tensa e Harry reparou que torcia as mãos em o colo . - O que se passa ? - perguntou o Ron , servindo se de mais papa de aveia . Ginny não disse nada mas olhou para um lado e para o outro de a mesa de os Gryffindor , com um olhar assustado que lembrou a Harry alguém que não sabia bem quem era . - Vá lá , vomita - disse o Ron , olhando para ela . Harry percebeu subitamente quem a Ginny lhe lembrara . Ela balançava se ligeiramente para a frente e para trás em a cadeira , exactamente como o Dobby fazia quando estava hesitante , à_beira_de revelar uma informação proibida . - Tenho de te dizer uma coisa - balbuciou a Ginny receosa , sem olhar para Harry . - O que é ? - perguntou ele . Ginny parecia incapaz de encontrar as palavras certas . - O quê ? - insistiu Ron . Ginny abriu a boca mas não saiu nenhum som . Harry inclinou se para a frente e falou devagar para que só ela e Ron pudessem ouvi o . - É alguma coisa relacionada com a Câmara_dos_Segredos ? Viste alguma coisa ou alguém a agir de forma estranha ? Ginny respirou fundo e , em esse preciso momento , apareceu Percy_Weasley com um ar pálido e cansado . - Se já acabaste de comer eu fico com esse lugar , Ginny . Estou cheio de fome . Acabei agora o meu trabalho de patrulhamento . Ginny deu um salto como_se a cadeira tivesse acabado de ser electrificada , lançou a o Percy um olhar assustado e zarpou . Percy sentou se e tirou uma caneca de o meio de a mesa . -- Percy - disse o Ron aborrecido . - Ela ia agora mesmo contar nos uma coisa importante . A meio de um gole de chá , Percy estremeceu . - Que coisa ? - perguntou , tossindo . - Eu quis saber se ela tinha visto alguma coisa estranha e ela ia dizer ... - Ah ! isso ... não tem nada que ver com a Câmara_dos_Segredos - disse o Percy de imediato . - Como sabes ? - indagou o Ron , erguendo as sobrancelhas . - Bem ... er ... já_que perguntam , a Ginny ... er ... passou por mim em outro dia quando eu ... er ... não foi nada , o importante é_que ela viu me fazer uma coisa e eu ... um ... pedi lhe para não comentar com ninguém . Não pensei que ela cumprisse a palavra , verdade se diga . Não é nada importante , eu só ... Harry nunca vira o Percy tão pouco a a vontade . - O que estavas a fazer , Percy ? - riu se o Ron . - Vá lá , conta que nós não nos rimos . Percy ficou sério . - Passa me esses pãezinhos , Harry , estou cheio de fome . Harry sabia que todo o mistério poderia ser desvendado em o dia seguinte sem a ajuda de eles mas não ia deixar de falar com a Murta_Queixosa se a oportunidade surgisse . E , para sua grande satisfação , ela surgiu a meio de a manhã quando eram conduzidos a a aula de História_da_Magia_por_Gilderoy_Lockhart . Lockhart , que tantas vezes lhes assegurara que o perigo tinha passado , estava agora totalmente convencido de que acompanhar os alunos em os corredores era um trabalho inútil . O seu cabelo estava mais liso do_que de costume . Parecia ter passado toda_a noite acordado a vigiar o quarto andar . - Podem escrever o que eu digo - afirmou , acompanhando os até uma esquina . - As primeiras palavras que vão sair de a boca de aquelas pobres pessoas petrificadas serão - * _ Foi_o_Hagrid * . Francamente , estou espantado por a professora Mc_Gonagall considerar ainda necessárias estas medidas de segurança . - Concordo , professor - disse Harry , fazendo com que Ron , surpreendido , deixasse cair os livros a o chão . - Obrigado , Harry - disse Lockhart amavelmente , enquanto deixavam passar uma grande fila de Hufflepuffs . - verdade é_que os professores já têm bastante que fazer para andarem também a acompanhar os alunos a as aulas e a guardar os corredores a a noite ... - É verdade - disse o Ron , percebendo a ideia . - Porque não nos deixa aqui , professor , só falta mais um corredor . - Sabes , Weasley , sou mesmo capaz de fazer isso - disse Lockhart . - Preciso de preparar a minha próxima aula . E apressou se a seguir o seu caminho . - Preparar a aula - zombou o Ron . - Vai encaracolar o cabelo , é o mais certo . Deixaram os restantes Gryffindor passar lhes a a frente e por fim cortaram caminho em um corredor lateral e dirigiram se a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mas quando estavam a congratular se por o seu esquema brilhante ... - Potter , Weasley ! Que estão vocês a fazer aqui ? Era a professora Mc_Gonagall e a boca de ela estava mais fina do_que nunca . - Nós estávamos , estávamos - gaguejou o Ron . - Nós íamos ver , íamos ver ... - Hermione - completou Harry . A professora Mc_Gonagall e Ron olharam para ele . - Não a vemos há séculos , professora - prosseguiu Harry , pisando o pé a o Ron . - E pensamos ir espreitá a a a ala hospitalar e dizer lhe que as mandrágoras estão quase prontas , para ela não se preocupar . A professora Mc_Gonagall estava ainda a olhar para ele e , por um momento , Harry pensou que ela ia explodir mas , quando falou , fê lo em um tom de voz estranhamente rouco . - É claro - disse . E Harry , espantado , viu uma lágrima a brilhar lhe em o canto de um de os olhos . - É claro . Eu compreendo que tudo_isto tem sido muito duro para os amigos de aqueles que foram ... eu compreendo , sim , Potter . Podem ir visitar Miss_Granger . Eu mesma informarei o professor Binns de que vocês estão em o hospital . Digam a Madam_Pomfrey que vos dei autorização . Harry e Ron afastaram se , quase sem acreditar que tinham escapado a um castigo . Quando voltaram em uma esquina ouviram nitidamente a professora Mc_Gonagall a assoar se . - Esta - disse o Ron entusiasmado - foi a melhor história que tu alguma vez inventaste . Não tinham outro remédio senão ir a a ala hospitalar e dizer a Madam_Pomfrey que tinham autorização de a professora Mc_Gonagall para visitar Hermione . Madam_Pomfrey deixou os entrar com alguma relutância . - Não vale a pena falar com uma pessoa petrificada - disse , e ambos tiveram que admitir que ela tinha razão quando se sentaram junto de Hermione e constataram que ela não tinha a menor noção de estar acompanhada . Dizer lhe que não se preocupasse ou falar com o armário que estava a o lado de a cama era exactamente a mesma coisa . - Será que ela viu quem a atacou ? - perguntou o Ron , olhando com tristeza para o rosto rígido de Hermione . - Porque se a coisa saltou sobre eles , ficaremos todos sem saber de nada . Mas Harry não olhava para o rosto de Hermione . Estava mais interessado em a sua mão direita que se encontrava pousada sobre os cobertores e , inclinando se para ela , viu que tinha , fechado entre os dedos , um pedaço de papel . Assegurando se de que Madam_Pomfrey não dava por nada , fez sinal a o Ron . - Tenta tirá o - murmurou ele , colocando a cadeira de_modo_a que Madam_Pomfrey não pudesse ver o Harry . Não foi tarefa fácil . A mão de a Hermione estava fechada com uma força tal que Harry receou parti a . Enquanto Ron vigiava , ele forçou e torceu até que , por fim , depois de vários minutos bastante tensos , conseguiu tirar o papel . Era uma página retirada de um livro muito antigo de a biblioteca . Harry alisou a ansiosamente e Ron inclinou se para poder lês a também . * _ De todos os monstros assustadores que pairam a a face de a Terra , nenhum é tão curioso nem tão fatal como o Basilisk , também conhecido por o rei de as serpentes . Esta cobra que pode atingir proporções gigantescas e viver durante muitas centenas de anos nasce de um ovo de galinha que é chocado por um sapo . As suas formas de matar são pavorosas pois além de os dentes venenosos e mortais , o Basilisk tem um olhar criminoso e todos aqueles que ele fixa com os olhos tem morte instantânea . As aranhas fogem a sete pés de o Basilisk que é seu inimigo mortal , e o Basilisk foge apenas de o canto de o galo que para ele é fatal * . Por debaixo de isto uma única palavra fora escrita , em a letra que Harry reconheceu como sendo de Hermione : Canos . Foi como_se se tivesse acendido uma luz em o seu espírito . - Ron - murmurou - é isso . Está aqui a resposta . O monstro de a Câmara_dos_Segredos é um Basilisk , uma serpente gigante . Por isso , só eu tenho ouvido a sua voz em todos os lugares , porque eu compreendo * serpentês * ... Harry olhou para as camas em volta . - O Basilisk mata as pessoas fixando as com o olhar mas ninguém morreu , o que quer_dizer que ninguém o olhou directamente em os olhos . Colin viu o através de a lente de a máquina fotográfica e o Basilisk queimou o rolo que estava lá dentro mas o Colin ficou apenas petrificado . O Justin ... o Justin deve ter visto o Basilisk através de o Nick quase sem cabeça . O Nick é_que levou com o olhar mas não podia morrer outra_vez ... e perto de a Hermione e de a prefeita de os Ravenclaw foi encontrado um espelho . Hermione acabara de compreender que o monstro era um Basilisk . Aposto que preveniu a primeira pessoa que encontrou de que era melhor olhar por um espelho a o virar de cada esquina . E aquela rapariga puxou de o seu espelho e ... O Ron estava de queixo caído . - E Mrs._Norris ? - perguntou vivamente . Harry pensou um_pouco , tentando imaginar a cena em a noite de o Halloween . - A água . . . - disse lentamente . - A poça de água que saiu de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Aposto que Mrs._Norris só viu o reflexo de o monstro . Examinou a folha de papel que tinha em a mão . Quanto_mais olhava mais sentido faziam as coisas . - * _ O cantar de o galo é fatal para ele * - leu em voz alta . - Os galos de o Hagrid foram mortos . O herdeiro de Slytherin não queria um único galo perto de o castelo , com a câmara aberta . * _ As aranhas são as primeiras a fugir * . Tudo encaixa . - Mas , como tem o Basilisk andado por aí ? - disse o Ron . - Uma serpente horrível e enorme ... alguém a teria visto . Mas Harry apontou para a palavra que Hermione escrevinhara em o final de a página . - Canos - disse . - Canos ... Ron , ele tem usado a canalização . Eu ouvi sempre a voz dentro de as paredes ... Ron agarrou subitamente o braço de o Harry . - A entrada para a Câmara_dos_Segredos - disse em uma voz rouca . - E se for em uma casa_de_banho ? Se for em a ... - Em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa - completou Harry . Sentaram se , tomados de uma excitação enorme , mal querendo acreditar . - Isso significa que - disse o Harry - eu não posso ser o único em a escola a falar * serpentês * . Há também o herdeiro de Slytherin . É de esse modo que tem controlado o Basilisk . - O que vamos fazer ? - perguntou Ron com os olhos a faiscar . - Vamos falar com a Mc_Gonagall ? - Vamos até a a sala de os professores - disse Harry , dando um salto . - Ela estará lá dentro_de dez minutos , está quase em o intervalo . Desceram a escada a correr . Não querendo ser descobertos outra_vez a vaguear por os corredores foram directamente até a a sala de os professores que estava deserta . Era uma divisão ampla , toda forrada , com cadeiras de madeira escura . Harry e Ron passearam de um lado para o outro , demasiado nervosos para se sentarem . Mas a campainha anunciando o intervalo nunca mais tocava . Em vez de isso , ecoando em os corredores , ouviram a voz de a professora Mc_Gonagall incrivelmente ampliada . - * _ Todos os alunos devem regressar de imediato a os seus dormitórios . Todos os professores a a sala de professores . Imediatamente , por favor * . Harry deu meia volta e olhou para o Ron . - Não me digas que houve um novo ataque , não agora ! - Que vamos fazer ? - disse o Ron aterrado . - Voltar para o dormitório ? - Não - disse Harry , olhando e m volta . Havia uma espécie de armário a a sua esquerda cheio com os mantos de os professores . - Ali . Vamos ouvir o que se passa . A seguir poderemos contar lhes o que descobrimos . Esconderam se dentro de o armário , ouvindo a algazarra de centenas de pessoas e a porta de a sala de professores a abrir se . De o meio de a confusão de mantos bafientos , viram os professores encherem a sala . Alguns tinham um ar totalmente confuso , outros pareciam apavorados . Por fim , chegou a professora Mc_Gonagall . - Aconteceu - disse em o silêncio de a sala de professores . - O monstro levou uma aluna . Levou a mesmo para a câmara . O professor Flitwick soltou um grito agudo . A professora Sprout bateu com a mão em a boca . Snape agarrou com força as costas de uma cadeira e perguntou : - Como pode ter tanta certeza ? - O herdeiro de Slytherin - disse a professora Mc_Gonagall , muito pálida . - Deixou outra mensagem . Mesmo por baixo de a primeira : « * _ O esqueleto de ela ficará para sempre em a Câmara_dos_Segredos * . » O professor Flitwick desatou a chorar . - Quem é ela ? - quis saber Madam_Hooch que se afundara em uma cadeira . - Quem é a aluna ? - Ginny_Weasley - disse a professora Mc_Gonagall . Harry viu o Ron , a o seu lado , escorregar silenciosamente até a o chão de o armário . - Vamos ter que mandar todos os alunos embora amanhã - disse a professora Mc_Gonagall . Isto_é o fim de Hogwarts , Dumbledore sempre disse ... A porta de a sala de os professores voltou a abrir se . Por um breve momento , Harry pensou que fosse Dumbledore mas era Lockhart e vinha todo sorridente . - Peço desculpa , adormeci . Perdi alguma coisa ? Não pareceu reparar que os outros professores o olhavam com uma espécie de aversão . Snape deu um passo em frente . - O homem que faltava - disse . - O homem certo . O monstro raptou uma garota , Lockhart levou a para a Câmara_dos_Segredos . O seu momento chegou . - Isso mesmo , Lockhart - acrescentou a professora Sprout . - Não estavas a dizer ontem a a noite que sempre tinhas sabido onde era a entrada para a Câmara_dos_Segredos ? - Eu ... bem ... eu-disse atabalhoadamente Lockhart . - Sim , não me disseste que sabias exactamente o que estava lá dentro ? - disse com voz esganiçada o professor Flitwick . - Eu disse ? Não me lembro ... - Lembro me perfeitamente de o ouvir dizer que lamentava não ter feito uma tentativa com o monstro antes de o Hagrid ser preso - disse Snape . - Não disse que toda_a história tinha sido uma atrapalhação e que deveriam ter lhe dado carta branca desde o princípio ? Lockhart olhou em volta para a cara de espanto de os colegas . - Eu ... nunca ... eu de facto ... deve ter me compreendido mal . - Então vamos deixar te , Gilderoy - disse a professora Mc_Gonagall . - Esta noite será uma excelente oportunidade para actuares . Nós trataremos de assegurar que ninguém te atrapalha . Vais poder enfrentar o monstro sozinho . Finalmente tens carta branca . Lockhart olhou desesperado a a sua volta mas ninguém foi salvá o . Já não estava bem-parecido . O lábio tremia lhe e a ausência de o seu habitual sorriso de dentes brancos dava lhe um ar escanzelado . - M-muito bem - disse . - Vou até a o meu escritório para ... para me preparar . E saiu de a sala . - _ óptimo - exclamou a professora Mc_Gonagall com as narinas dilatadas . - Isto deve afastá o de o nosso caminho . Os chefes de casa devem ir agora comunicar a os respectivos alunos o que se passou e informá os de que o Expresso_de_Hogwarts os levará a casa amanhã de manhã . Os restantes certifiquem se , por favor , de que não há alunos fora de os dormitórios . Os professores levantaram se e saíram um a um . Foi talvez o dia pior de a vida de o Harry . Ele , Ron , Fred e George sentaram se juntos a um canto em a sala comum de os Gryffindor , incapazes de proferir uma palavra . Percy não estava lá . Tinha ido tratar de enviar uma coruja a Mr. e Mrs._Weasley e , em seguida , fechara se em o dormitório . Nunca uma tarde custara tanto a passar e nunca a torre de os Gryfffindor estivera tão cheia de gente e tão silenciosa . Fred e George foram para a cama quase a o pôr de o Sol , incapazes de ficar ali mais tempo . - Ela sabia qualquer coisa , Harry - disse o Ron , falando pela_primeira_vez desde_que tinham saído de o armário de a sala de os professores . - Por isso a levaram . Não era nenhuma parvoíce sobre o Percy , ela tinha descoberto qualquer coisa sobre a Câmara_dos_Segredos . Com certeza por isso é_que a ... - Ron esfregou os olhos , enervadíssimo . - Afinal ela era sangue puro , não pode haver outra explicação . Harry olhava para o sol que mergulhava de um vermelho cor de sangue em a linha de o horizonte . Era a pior coisa que lhe tinha acontecido . Se pelo_menos pudessem fazer alguma coisa . - Harry - disse o Ron . - Achas que há alguma possibilidade de ela não estar ... ? Sabes o que eu quero dizer . Harry não sabia que resposta dar . Não acreditava que a Ginny pudesse ainda estar viva . - Sabes uma coisa ? - disse o Ron . - Acho que devíamos ir ter com o Lockhart , contar lhe o que sabemos . Ele vai tentar entrar em a câmara , podemos dizer lhe onde achamos que fica a entrada e contar lhe que o monstro é um Basilisk . Como Harry não tinha nenhuma ideia melhor e como queria fazer alguma coisa , concordou . Os Gryffindor que os rodeavam estavam tão tristes e com tanta pena de os Weasley que ninguém tentou impedi os quando os viram levantar se , atravessar a sala e sair por o buraco de o retrato . A escuridão começava a instalar se quando chegaram a o escritório de Lockhart onde a actividade era muita . De o corredor ouvia se o ruído de coisas a serem deitadas fora , pancadas surdas e passos apressados . Harry bateu a a porta e houve um silêncio repentino . Em seguida abriu se uma fresta de a porta e viram um de os olhos de Lockhart a espreitar . - Oh ! ... Mr._Potter ... Mr._Weasley - disse entreabrindo a porta . - Estou um_pouco ocupado em este momento , se forem rápidos ... - Professor , nós temos informações para lhe dar - disse o Harry . - Acho que poderão ajudá o . - Er ... bem ... não é - o lado de a cara de Lockhart que conseguiam ver parecia muito pouco a a vontade . - Quer_dizer ... bem ... está bem . Abriu a porta e eles entraram . O escritório estava praticamente vazio . Em o chão estavam duas grandes malas abertas . Mantos verde-jade , lilás , azul-noite tinham sido apressadamente dobrados e guardados dentro_de uma de as malas . Os livros misturavam se todos dentro de a outra . As fotografias que antes cobriam as paredes estavam agora arrumadas em caixas , em cima de a secretária . - Vai a algum lado ? - perguntou Harry . - Er ... bem ... sim - disse Lockhart , arrancando de a porta um poster seu em tamanho natural , enquanto falava , e começando a enrolá o . - Uma chamada urgente ... inevitável ... tenho que ir . - E a minha irmã ? - perguntou o Ron bruscamente . - Bem , quanto_a isso foi uma pena - disse Lockhart , evitando olhá os em os olhos , abrindo uma gaveta e começando a despejar o seu conteúdo dentro_de um saco . - Ninguém lamenta mais do_que eu ... - O senhor é o professor de Defesa contra as artes negras - disse Harry . - Não pode ir se embora agora_que todas estas coisas de magia negra estão a acontecer aqui . - Bem , devo dizer te que ... quando aceitei o lugar ... - resmungou Lockhart , empilhando soquetes sobre os mantos - nada em a descrição de o meu trabalho fazia prever ... - Quer_dizer que vai fugir ? - perguntou Harry , incrédulo . - Depois de todas_as coisas que conta em os seus livros ? - Os livros podem ser enganadores - disse Lockhart delicadamente . - Mas foi o senhor que os escreveu - gritou Harry . - Meu rapaz - disse Lockhart , endireitando se e franzindo as sobrancelhas - usa o senso comum . Os meus livros não teriam vendido metade do_que venderam se as pessoas não acreditassem que eu tinha feito todas aquelas coisas . Ninguém está interessado em ler sobre um velho feiticeiro americano mesmo_que ele tenha salvo uma cidade inteira de os lobisomens , ficaria péssimo em a capa . E a bruxa que correu com a fada carpideira tinha um lábio leporino . Como vês . - Quer_dizer que ficou com os louros por tudo_o_que uma série de outras pessoas fizeram ? - perguntou Harry , sem querer acreditar . - Harry , Harry - disse Lockhart , abanando impacientemente a cabeça . - Não é tão simples assim . Envolveu muito trabalho . Tive de localizar todas essas pessoas , perguntar lhes em pormenor como tinham feito as coisas . Depois tive de lhes fazer um feitiço antimemória para que não voltassem a lembrar se do_que tinham feito . Se há uma coisa de que me orgulho é de os meus feitiços antimemória . Não , tive muito trabalho , Harry . Não foram só as sessões de autógrafos e as fotografias , sabes ? Quem quer ser famoso tem de estar preparado para um trabalho longo e fatigante . Fechou as malas a a chave . - Vejamos - disse . - Acho que está tudo . Sim , só falta uma coisa . - Empunhou a varinha e voltou se para eles . - Lamento muito , rapazes , mas vou ter de vos fazer um feitiço antimemória . Não posso deixar que vão por aí repetir os meus segredos . Não venderia nem mais um livro . Harry pegou em a varinha mesmo a tempo e Lockhart mal tinha levantado a de ele a o ar quando Harry gritou * _ Expelliarmus ! * Lockhart foi projectado de costas , indo cair em cima de a mala . A varinha voou por os ares . Ron agarrou a e atirou a por a janela aberta . - Não devia ter deixado o professor Snape ensinar nos esta - disse Harry furioso , dando um pontapé a uma de as malas . Lockhart olhava para ele , de_novo escanzelado . Harry apontava lhe a varinha . - O que queres que eu faça ? - perguntou debilmente . - Eu não sei onde fica a Câmara_dos_Segredos . Não posso fazer nada . - Está com sorte - disse Harry , forçando o com a varinha a pôr se de pé . - Nós julgamos saber onde é e o que está lá dentro . Vamos . Conduziram Lockhart para fora de o seu escritório , desceram com ele as escadas e seguiram por o corredor escuro em cuja parede brilhavam as mensagens , até a a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mandaram Lockhart a a frente . Harry gostou de ver que todo ele tremia . A Murta_Queixosa estava sentada em a cisterna de o cubículo de o fundo . - Ah ! são vocês - disse a o ver o Harry . - O que querem agora ? - Perguntar te como morreste - disse Harry . O aspecto de a Murta mudou por completo . Parecia que nunca lhe tinham feito uma pergunta tão lisonjeira . - Ooooh ! Foi horrível - disse satisfeita . - Aconteceu aqui mesmo . Morri em este cubículo . Lembro me tão bem . Estava escondida porque a Olive_Hornby andava a implicar comigo por causa de os meus óculos . A porta estava fechada e eu estava a chorar e , então , ouvi alguém entrar . Disseram qualquer coisa estranha em uma língua diferente , acho eu . Mas o que mais me espantou foi o ser um rapaz a falar . Por isso , abri a porta para lhe dizer que fosse a a casa_de_banho de eles e em esse momento - a Murta inchou com ar importante , o rosto a brilhar - morri . - Como ? - perguntou Harry . - Não faço ideia - disse a Murta em um tom de voz abafado . - Só me lembro de ver dois grandes olhos amarelos , de o meu corpo ficar preso e em seguida , sentir me a flutuar ... - olhou sonhadoramente para Harry . - E depois voltei . Estava disposta a vingar me de a Olive_Hornby , percebes ? Ela ia arrepender se de ter gozado com os meus óculos . - Onde foi exactamente que viste os tais olhos ? - perguntou Harry . - Algures por aí - disse a Murta , apontando vagamente para o lavatório em frente de o seu cubículo . Harry e Ron apressaram se . Lockhart estava de pé , mais atrás , com uma expressão de pavor em o rosto . O lavatório parecia perfeitamente vulgar . Examinaram o centímetro a centímetro , dentro e fora , incluindo os canos por baixo . E foi então que Harry reparou : de lado , rabiscada em uma de as torneiras de cobre , estava uma cobra pequenina . - Essa torneira nunca funcionou - disse vivamente a Murta enquanto ele tentava abri a . - Harry - sugeriu o Ron . - Diz qualquer coisa em * serpentês * . Mas , pensou Harry , as únicas vezes que conseguira falar * serpentês * tinham ocorrido quando confrontado com uma verdadeira serpente . Olhou , concentrado para a pequena cobra gravada em o cobre , tentando imaginá a como verdadeira . - Abre te - disse . Olhou para o Ron que abanou a cabeça . - Inglês - disse ele . Harry voltou a olhar para a cobra , forçando se a acreditar que estava viva . A luz de a vela fez parecer que se movia . - Abre te - repetiu . Mas desta_vez as palavras não foram o que ele ouviu . Um estranho sibilar escapou lhe de a boca e a torneira ganhou uma luz branca e brilhante e começou a rodar . Logo_a_seguir o lavatório mexeu se . Afastou se , melhor dizendo , saiu de o caminho , deixando um grande cano a a vista , um cano onde cabia um homem . Harry ouviu a respiração arquejante de o Ron e olhou de_novo para ele . Já decidira o que queria fazer . - Vou descer - disse . Não podia deixar de ir , agora_que acabavam de descobrir a entrada para a câmara , existindo uma possibilidade , por mais remota que fosse , de a Ginny ainda estar viva . - Eu também - disse o Ron . Houve uma pausa . - Bem , parece que não precisam mais de mim - apressou se Lockhart a dizer com uma réstia de sorriso . - Eu vou . . . Pôs a mão em o puxador de a porta mas Ron e Harry apontaram lhe ambos as varinhas . -- O senhor pode ir a a frente - disse rispidamente o Ron . Pálido e sem varinha , Lockhart aproximou se de a entrada . - Meus rapazes - disse em uma voz débil . - Meus rapazes , para quê tudo_isto ? Harry tocou lhe em as costas com a varinha e ele meteu as pernas em o cano . - Eu não me parece que ... - começou a dizer , mas o Ron deu lhe um empurrão e ele desapareceu por o cano abaixo . Harry foi rapidamente atrás . Introduziu se lentamente e deixou se cair . Era como escorregar em uma pista escura e interminável . Ele via outros canos , estendendo se em todas_as direcções mas nenhum tão largo como o de eles que se torcia e virava , inclinando se abruptamente . Harry sabia que estavam a chegar a um ponto muito abaixo de a escola e de os calabouços . Atrás_de si , ouvia o Ron gemendo em cada curva . E então , quando começava a preocupar se com o que iria acontecer quando tocassem em o chão , o cano tornou se horizontal e ele foi projectado com um ruído surdo , indo aterrar em o chão húmido de um túnel de pedra com altura suficiente para ele se pôr de pé . Lockhart estava a levantar se a alguma distancia , todo enlameado e pálido como um fantasma . Harry afastou se para deixar o Ron sair também de o cano . - Devemos estar quilómetros e quilómetros abaixo de a escola - disse o Harry cuja voz ecoou em o túnel negro . - Talvez até debaixo de o lago - arriscou o Ron , olhando em volta para as paredes escuras e viscosas . Voltaram se os três para olhar para a escuridão lá a o fundo . - * _ Lumus ! * - murmurou Harry a a varinha e ela voltou a acender se . - Vamos - disse a o Ron e a o Lockhart e avançaram , os passos a chapinharem ruidosamente em o chão molhado . O túnel era tão escuro que só conseguiam ver alguns centímetros a a frente . As suas sombras em as paredes molhadas pareciam monstruosas a a luz de a varinha . - Lembrem se - disse Harry baixinho enquanto caminhavam . - A o menor movimento fechem logo os olhos ... Mas o túnel era silencioso como um túmulo e o primeiro som inesperado que ouviram foi um grito de o Ron que escorregou em uma coisa que era afinal a cauda de um rato . Harry baixou a varinha para olhar para o chão e viu que estava cheio de pequenos ossos de animais . Fazendo um enorme esforço para evitar pensar em que estado iriam encontrar a Ginny , avançou até uma curva escura de o túnel . - Harry , está aqui qualquer coisa - disse o Ron com voz rouca , agarrando Harry por o ombro . Ficaram estáticos a olhar . Harry só conseguia ver a silhueta de algo enorme e curvo deitado em o túnel . Fosse o que fosse não se movia . - Talvez esteja a dormir - murmurou , olhando para os outros dois . Lockhart tapava os olhos com as mãos . Harry voltou se para olhar para a criatura com o coração a bater tanto que lhe doía em o peito . Lentamente , com os olhos quase fechados mas ainda conseguindo ver , Harry avançou com a varinha levantada . A luz deslizou sobre uma gigantesca pele de serpente , de um verde vivo e venenoso que estava vazia e enrolada em o chão de o túnel . A criatura que a abandonara devia ter , pelo_menos , seis metros e meio de comprimento . - Bolas - disse o Ron , perdendo as forças . Houve um movimento súbito atrás de eles . As pernas de Gilderoy_Lockhart cederam . - Levante se - disse o Ron de uma forma cortante , apontando lhe a varinha . Lockhart pôs se de pé . Em seguida empurrou o Ron , atirando o a o chão . Harry deu um salto , mas ... tarde de mais . Lockhart endireitava se com a varinha de o Ron em as mãos e um sorriso em o rosto . - A aventura acaba aqui , rapazes - disse . - Vou levar um bocado de esta pele de cobra para a escola , contar lhes que foi demasiado tarde para salvar a garota e que vocês os dois perderam tragicamente a memória com a visão de o seu corpinho mutilado . Digam adeus a as vossas recordações . Levantou a o ar a varinha avariada de o Ron e gritou * _ Obliviate ! * A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba . Harry pôs os braços sobre a cabeça e correu , escorregou em os anéis de a pele de cobra , afastando se de os grandes pedaços de tecto de o túnel que caíam em o chão com o ruído de trovões . Pouco depois estava sozinho , olhando para uma sólida parede de rocha partida . - Ron - gritou ele . - Estás bem , Ron ? - Estou aqui - respondeu a voz abafada de o Ron por detrás de a avalancha de rochas . - Eu estou bem mas este sujeito não . A varinha avariou o todo . Ouviu se um ruído surdo e um Oh ! gritado . Parecia que o Ron tinha acabado de dar a o Lockhart um pontapé em as canelas . - E agora ? - disse a voz de o Ron que parecia desesperada . - Não podemos passar , vai demorar séculos . Harry olhou para o tecto de o túnel onde tinham aparecido grandes fendas . Ele nunca tentara partir , através de a magia , nada tão grande como aquelas rochas e agora não lhe parecia ser o melhor momento para fazer experiências . E se o túnel abatesse ? Houve um ruído surdo e outro Oh ! atrás de as rochas . Estavam a perder tempo . A Ginny já estava havia duas horas em a Câmara_dos_Segredos . Harry sabia que só havia uma coisa a fazer . - Espera aqui - gritou a o Ron . - Fica com o Lockhart , eu vou lá . Se não voltar dentro_de uma hora ... Houve um silêncio cheio . - Eu vou ver se desloco um_pouco esta rocha - disse o Ron , tentando manter a voz firme . - Para tu poderes passar . E , Harry ... - Até já - disse o Harry , procurando injectar confiança em a sua voz trémula . E passou sozinho para lá de a imensa pele de serpente . Em_breve , o ruído de o Ron , tentando deslocar a rocha , deixou de se ouvir . O túnel virou uma e outra_vez . Os nervos de o corpo de o Harry tangiam de forma desagradável . Ele só queria que o túnel chegasse a o fim , fosse o que fosse que o aguardasse . E então , finalmente , quando atingiu a última curva , viu em a sua frente uma parede sólida que tinha gravadas duas serpentes enroladas uma em a outra , cujos olhos eram quatro esmeraldas , enormes e brilhantes . Harry aproximou se com a garganta seca . Não foi preciso imaginar que as serpentes eram autênticas . Os seus olhos pareciam estranhamente vivos . Foi fácil descobrir o que tinha de fazer . Pigarreou e os olhos de esmeraldas pareceram mexer se . - Abre te - disse Harry em um sibilar baixo . As serpentes desapareceram enquanto a parede se abria a o meio e , a tremer de os pés a a cabeça , Harry entrou . XVII_Herdeiro_de_Slytherin_Estava de pé em o fundo de uma divisão enorme , fracamente iluminada . Altíssimos pilares de pedra , cheios de serpentes gravadas que os enlaçavam , erguiam se , suportando um tecto que se perdia em a escuridão e que lançava sombras negras imensas através de a estranha luz esverdeada que enchia o local . Com o coração a bater descompassadamente , Harry ficou parado a ouvir aquele silêncio arrepiante . Estaria o Basilisk escondido em um canto cheio de sombras , atrás_de algum pilar ? E onde estaria Ginny ? Pegou em a varinha e avançou a o longo de as colunas serpenteantes . Cada_um de os seus passos provocava um enorme eco em as paredes sombrias . Harry tinha os olhos semicerrados e estava pronto para os fechar a o mais pequeno movimento . As órbitas de olhos fundos de as serpentes de pedra pareciam segui o . Por mais de uma_vez , com o estômago a dar um salto , Harry julgou vê os moverem se . Por fim , chegado a o nível de os dois últimos pilares , avistou uma estátua de a altura de a própria câmara que estava encostada a a parede de o fundo . Harry tinha de esticar o pescoço para olhar para_cima , para a cara de o gigante : era velho e com um ar simiesco , tinha uma barba enorme que lhe caía quase onde acabava a longa túnica de pedra . Os dois pés imensos e cinzentos pousavam em o chão de a câmara . E entre eles , voltada para baixo , estava uma figura pequenina vestida de preto com um cabelo flamejante . - Ginny - murmurou Harry , chegando perto de ela e ajoelhando se . - Ginny , por favor não estejas morta , não estejas morta ! Atirou a varinha para o lado , agarrou Ginny por os ombros e voltou a . O rosto de ela estava branco e frio como o mármore , contudo os olhos encontravam se fechados , portanto não estava petrificada . Mas então devia estar ... - Ginny , acorda por favor - repetiu Harry desesperado , sacudindo a . A cabeça de ela andava de um lado para o outro . - Ela não vai acordar - disse secamente uma voz . Harry deu um salto e girou sobre os joelhos . Um rapaz alto , de cabelo preto , estava encostado a o pilar mais próximo , a observá o . As sombras desfocavam o como_se Harry o visse através_de uma janela embaciada . Mas não havia como confundis o . - Tom , Tom_Riddle ? Riddle acenou , sem tirar os olhos de o rosto de Harry . - O que queres dizer com isso de ela não acordar ? - perguntou Harry desesperado . - Ela não está ... não está ? - Está viva - disse Riddle . - Mas , por um fio . Harry olhou fixamente para ele . Tom_Riddle estivera em Hogwarts há cinquenta anos atrás . Contudo , ali estava com uma luz estranha e desfocada a iluminá o , sem um dia a mais do_que os seus dezasseis anos . - És um fantasma ? - perguntou Harry . - Uma memória - disse Riddle . - Preservada em um diário durante cinquenta anos . Apontou para os pés de a estátua gigantesca . Ali , aberto em o chão , estava o pequeno diário de capa preta que Harry tinha encontrado em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Durante um segundo , Harry perguntou a si próprio como teria ido ali parar , mas havia coisas mais importantes a fazer . Preciso de a tua ajuda , Tom - disse Harry , levantando de_novo a cabeça de a Ginny . - Temos de sair de aqui . Há_um_Basilisk ... não sei onde está mas pode aparecer a qualquer momento . Por favor , ajuda me . Riddle não se mexeu . Harry , a transpirar , conseguiu levantar ligeiramente a Ginny de o solo e inclinou se para pegar em a varinha mas ela tinha desaparecido . - Viste a ... ? Olhou para_cima . Riddle continuava a olhá o , fazendo girar a varinha entre os dedos longos . - Obrigado - disse Harry , esticando o braço para a agarrar . Um sorriso surgiu então em os cantos de a boca de Riddle que continuou a olhar para ele , girando indolentemente a varinha . - Ouve , pá - disse Harry sem querer perder mais tempo , os joelhos a vergarem sob o peso morto de Ginny - temos de ir . Se o Basilisk aparece ... - Ele não vem enquanto não for chamado - disse Riddle com toda_a calma . Harry voltou a pousar Ginny em o chão , incapaz de a segurar por mais tempo . - Que queres dizer com isso ? - perguntou . - Dá me a minha varinha , posso precisar de ela . O sorriso de Riddle ampliou se . - Não vais precisar de ela - disse . Harry olhou o espantado . - O que queres dizer , não vou ? - Esperei muito_tempo por isto , Harry - disse Riddle . - Pela possibilidade de te ver , de falar contigo . - Olha , eu acho que tu não estás a perceber - disse Harry , perdendo a paciência . - Estamos em a Câmara_dos_Segredos , podemos conversar mais tarde . - Vamos conversar agora - disse Riddle , sorrindo de orelha a orelha e guardando a varinha de Harry em o bolso . Harry voltou a olhar para ele . Havia qualquer coisa de muito estranho em tudo aquilo . - Como é_que a Ginny ficou assim ? - perguntou pausadamente . - Bem , essa é uma pergunta interessante - disse Riddle , divertido . - E uma longa história , também . Julgo que o verdadeiro motivo que levou Ginny_Weasley a ficar assim foi o ter aberto o seu coração e revelado todos os seus segredos a um estranho ser invisível . - De quem estás a falar ? - perguntou Harry . - De o diário - disse Riddle . - De o meu diário . A Ginny escreve nele há meses e meses , contando me todas_as suas lamentáveis desgraças e atribulações : como os irmãos a arreliam , que teve de vir para a escola com manto , túnica e livros em segunda mão - os olhos de Riddle brilharam -- , que acha que o maravilhoso , o grande , o famoso Harry_Potter nunca vai gostar de ela ... Enquanto falava , nunca os olhos de Riddle se afastaram de a cara de o Harry . Havia em eles um olhar ávido . - É muito chato ter de ouvir as preocupações idiotas de uma garotinha de onze anos - prosseguiu . - Mas eu fui paciente . Respondi lhe , mostrei me simpático e amável . A Ginny pura e simplesmente adorou me . - * _ Nunca ninguém me compreendeu como tu , Tom ... estou tão feliz por ter este diário a quem me confiar ... é como ter um amigo que pode andar em o meu bolso * ... Riddle riu se . Um riso alto , frio , que não lhe ficava bem . Fez com que os cabelos de o pescoço de Harry se arrepiassem todos . - Verdade se diga que sempre consegui encantar as pessoas necessárias . Portanto a Ginny verteu em mim a sua alma e a alma de ela era precisamente o que eu queria . Fortaleceu me . Alimentei me de os seus medos mais profundos , de os seus mais obscuros segredos . Fui ficando cada_vez_mais forte e poderoso . Muito mais poderoso do_que a pequena Miss_Weasley até que comecei a transmitir lhe alguns de os meus segredos , a passar um_pouco de a minha alma para ela ... - O que queres dizer ? - perguntou Harry cuja boca ficara totalmente seca . - Ainda não descobriste , Harry_Potter ? - disse Riddle muito baixo . - Giony_Weasley abriu a Câmara_dos_Segredos , estrangulou os galos de a escola e escreveu mensagens assustadoras em as paredes . Atiçou a serpente de Slytherin contra quatro sangues de lama e contra o gato de o busca-pé . - Não - murmurou Harry . - Sim - disse calmamente Riddle . - É claro que a princípio não sabia o que estava a fazer . Era muito divertido . Gostava que visses as coisas que escreveu em o diário , começaram a ficar muito mais interessantes . * _ Querido_Tom * - recitou ele , olhando para a expressão horrorizada de o Harry . - * _ Acho que estou a perder a memória . Há penas de galo em todas_as minhas roupas e eu não sei como foram lá parar . Querido_Tom , não me lembro do_que fiz em a noite de o Hallowe'en mas foi atacada uma gata e eu estou cheia de tinta em a cara . Querido_Tom , o Percy não pára de me dizer que ando pálida e não pareço eu . Acho que ele suspeita de mim ... Houve outro ataque hoje e eu não sei onde estava . Tom , que vou eu fazer ? Acho que estou a ficar maluca ... acho que ando a atacar toda_a_gente , Tom ! * Harry tinha os punhos fechados , as unhas cravadas contra a palma de as mãos . - Levou muito_tempo até a pequenina estúpida deixar de confiar em o diário - disse Riddle . - Mas acabou por ficar desconfiada e tentou livrar se de ele . E é aí que tu entras , Harry . Tu encontraste o . E eu não poderia ter ficado mais satisfeito . De todas_as pessoas que poderiam ter ficado com ele , foste tu , aquele que eu ambicionava conhecer ... - E porque querias conhecer me ? - perguntou Harry . Começava a ser tomado por a raiva e fez um esforço para manter o tom de voz controlado . - Bem , a Ginny contou me tudo a teu respeito - disse Riddle . - A tua fascinante história . - Os seus olhos pousaram em a cicatriz em a testa de Harry e a sua expressão ganhou maior avidez . - Sabia que devia descobrir mais a teu respeito , falar te , encontrar me contigo se fosse possível . Por isso , para ganhar a tua confiança , resolvi mostrar te a famosa captura que fiz de aquele demente de o Hagrid . - O Hagrid é meu amigo - disse Harry já com a voz a tremer . - E tu tramaste o , não foi ? Pensei que tinha sido um engano , mas ... Ele riu se . O mesmo riso de antes . - Era a minha palavra contra a palavra de ele . Imagina a cara de o velho Armando_Dippet . De um lado Tom_Riddle , pobre mas brilhante , sem pais mas corajoso , prefeito de a escola , um modelo de aluno . De o outro lado , o Hagrid , grande e disparatado , arranjando problemas semana sim , semana não , tentando criar filhotes de lobisomens debaixo de a cama , escapando se para a floresta proibida para lutar com gigantes . Mas , devo admitir que até eu próprio fiquei admirado com os excelentes resultados de o meu plano . Pensei que alguém perceberia que o Hagrid nunca poderia ser o herdeiro de Slytherin . Demorei cinco anos inteirinhos até descobrir tudo_o_que me foi possível sobre a Câmara_dos_Segredos e a sua entrada secreta ... como_se o Hagrid tivesse cabeça ou poder ! - Só o professor de Transfiguração , Dumbledore , parecia achar que ele estava inocente . Convenceu Dippet a mantê o aqui e a treiná o como guarda de os campos . Sim , é natural que Dumbledore tenha adivinhado , nunca gostou de mim como os outros professores . - Aposto que Dumbledore viu através_de ti - disse Harry , de dentes cerrados . - Pelo_menos passou a vigiar me de perto , a partir de o momento em que o Hagrid foi expulso - disse Riddle descuidadamente . - Eu sabia que não era seguro voltar a abrir a câmara enquanto ainda estava em a escola mas não ia desperdiçar os longos anos que passara a pesquisar . Decidi , por isso , deixar um diário preservando em as suas páginas o meu ego de dezasseis anos para que um dia , com um_pouco de sorte , pudesse levar outro a seguir os meus passos e acabar o nobre trabalho de Salazar_Slytherin . - Bem , não o acabaste - disse Harry triunfante . - Ninguém morreu até agora , nem mesmo a gata . Dentro_de poucas horas a poção de mandrágoras estará pronta e todos os que foram petrificados voltarão de_novo a si . - Não acabei de te dizer que matar sangues de lama já não me interessa ? Há muitos meses que o meu alvo és tu . Harry olhou para ele . - Podes imaginar como fiquei furioso quando em outro dia o diário foi aberto e vi que era a Ginny quem estava a escrever e não tu . Ela viu te com o diário e entrou em pânico . E se tu descobrisses como trabalhar com ele e eu te repetisse todos os seus segredos ? Ainda pior , e se eu te contasse quem tinha andado a estrangular os galos ? Por isso , a grande palerma esperou que o teu dormitório estivesse deserto e foi lá roubá o . Mas eu sabia o que tinha de fazer . Estava muito claro para mim que a tua meta era o herdeiro de Slytherin . Por tudo_o_que a Ginny me contara a teu respeito , sabia que irias até onde fosse preciso para desvendar o mistério , principalmente se um de os teus melhores amigos tivesse sido atacado . E a Ginny disse me que a escola toda bichanava por tu falares * serpentês * ... Por isso , obriguei a Ginny a escrever a sua própria despedida em a parede , a vir até aqui e esperar . Ela debateu se e gritou e ficou muito chatinha . Mas , já não tem muita vida : pôs grande parte de ela em o diário , deu me a . O suficiente para eu abandonar , por fim , as suas páginas . Desde_que aqui cheguei que estou a a tua espera . Sabia que virias . Tenho muitas perguntas a fazer te , Harry_Potter . - Que perguntas ? - disse Harry com os punhos fechados . - Bem - prosseguiu Riddle , sorrindo de satisfação : - Como é_que um bebé sem especiais talentos de magia foi capaz de derrotar o maior feiticeiro de sempre ? Como conseguiste escapar só com uma cicatriz quando os poderes de Lord_Voldemort foram destruídos ? Havia agora em os seus olhos um brilho vermelho e irado . - O que é_que te interessa saber como eu escapei ? - disse Harry lentamente . - Voldemort veio depois de ti . - Voldemort - disse Riddle - é o meu passado , o meu presente e o meu futuro , Harry_Potter ... Tirou a varinha de o Harry de o bolso e começou a escrever em o ar três palavras brilhantes : TOM_MARVOLO_RIDDLE_Em seguida , fez um gesto com a varinha e as letras de o seu nome reagruparam se de outro modo . : __ eu sou lord __ voldemort ( I am Lord_Voldemort ) . - Vês ? - murmurou . - Era um nome que eu já usava em Hogwarts , para os meus amigos mais íntimos apenas , como é óbvio . Achas que ia usar para sempre o nome nojento de o meu pai Muggle ? Eu , em cujas veias , por o lado materno , corre o sangue de Salazar_Slytherin ? Eu , manter o nome de um Muggle tolo que me abandonou ainda antes de eu nascer só porque descobriu que a mulher com quem casara era uma bruxa ? Não , Harry , arranjei um novo nome , um nome que eu sabia que os feiticeiros de todo_o_mundo viriam um dia a ter medo de pronunciar , quando eu me tivesse tornado o maior feiticeiro de o mundo . A cabeça de Harry parecia bloqueada . Olhou como_que paralisado para Riddle , para o rapaz de o orfanato que depois de crescer iria matar os seus pais e tantos outros . Por fim , com algum esforço conseguiu falar . - Não és - disse em uma voz calma e cheia de ódio . - Não sou o quê ? - perguntou Riddle irritado . - Não és o maior feiticeiro de o mundo - disse Harry com a respiração acelerada . - Lamento desiludir te mas o maior feiticeiro de o mundo é Albus_Dumbledore . Toda_a_gente sabe . Mesmo tu , quando tinhas força , não ousavas tentar aproximar te de Hogwarts . Dumbledore viu através_de ti quando andavas em a escola e ainda agora te assusta onde quer que te escondas . O sorriso desaparecera de o rosto de Riddle , fora substituído por um olhar furioso . - Dumbledore foi afastado de este castelo por a minha simples memória - sibilou . - Ele não está tão longe como pensas - retorquiu Harry . Falava por falar , tentando assustar Riddle , desejando mais que assim fosse do_que acreditando em as suas palavras como uma verdade . Riddle abriu a boca mas não chegou a falar . Tinha começado a ouvir se uma música . Riddle deu uma volta , olhando para a câmara vazia . A música estava a ficar mais alta . Era misteriosa , arrepiante , sobrenatural . Fez_Harry ficar com os cabelos em pé e o coração aumentar lhe em o peito . Por fim , quando atingiu um ponto tão alto que Harry a sentiu vibrar dentro de as suas costelas , começaram a sair chamas de o topo de o pilar mais próximo . Uma ave carmesim de o tamanho de um cisne surgiu , assobiando a sua estranha melodia para o tecto em forma de abóbada . Tinha uma cauda dourada tão longa como a de um pavão e garras douradas e brilhantes que seguravam uma trouxa andrajosa . Segundos depois , a ave voava em direcção a Harry . Deixou cair a coisa andrajosa a os seus pés e pousou lhe pesadamente em o ombro . Quando abriu as enormes asas , Harry olhou para_cima e viu que tinha um longo bico afiado e olhos escuros pequenos e brilhantes . A ave parou de cantar . Ficou quieta junto de a cara de Harry , olhando fixamente para Riddle . - É uma fénix , disse Riddle , olhando sagazmente para ela . - Fawkes ? - murmurou Harry e sentiu as garras douradas apertarem lhe devagarinho o ombro . - E aquilo - disse Riddle , olhando para a coisa velha que Fawkes deixara em o chão - é o velho chapéu seleccionador , de a escola . Era , de facto . Amachucado , puído e sujo , o chapéu jazia imóvel a os pés de Harry . Riddle começou a rir . Riu se tanto que a câmara escura se lhe juntou em um eco tal que parecia que dez Riddles se riam ao_mesmo_tempo . - Eis o que Dumbledore envia a o seu defensor . Um pássaro que canta e um chapéu velho . Estás cheio de coragem , Harry_Potter ? Sentes te agora mais seguro ? Harry não respondeu . Podia não estar a ver a vantagem de a Fawkes ou de o chapéu seleccionador mas já não se sentia só , e esperou corajosamente que Riddle parasse de rir . - Vamos a o que importa , Harry - disse ele , ainda com um enorme sorriso . - Encontrámo nos duas vezes em o teu passado , em o meu futuro . E duas vezes falhei a o tentar matar te . Como foi que sobreviveste ? Conta me tudo . Quanto_mais falares , mais tempo tens de vida . Harry pensava rapidamente , medindo as suas possibilidades . Riddle tinha a varinha . Ele , Harry , tinha a Fawkes e o chapéu seleccionador que não lhe serviriam de muito em o combate . As coisas pareciam más , é certo . Mas quanto_mais tempo Riddle ali estivesse , mais vida retirava a a Ginny ... e , entretanto , Harry reparou que a silhueta de Riddle se tornava mais nítida , mais sólida . Se tinha de haver uma luta entre os dois , quanto_mais depressa melhor . - Ninguém sabe porque perdeste os poderes quando me atacaste - disse bruscamente . - Eu próprio não sei . Mas sei porque não conseguiste matar me . A minha mãe morreu para me salvar . A minha mãe , uma vulgar filha de Muggles - acrescentou , a tremer de raiva . - Ela impediu que tu me matasses . E eu vi te como tu és , em o ano passado . És um destroço , quase não existes . Foi onde o teu poder te levou . Estás sob um disfarce , és horrível e és louco . O rosto de Riddle contorceu se . Em seguida , forçou um sorriso pavoroso . - Quer_dizer , então , que a tua mãe morreu para te salvar . Sim , é um antifeitiço poderoso . Compreendo agora , afinal não há em ti nada de especial . Eu tinha curiosidade , sabes , porque há uma estranha semelhança entre nós , Harry_Potter . Até tu deves ter reparado . Somos ambos meio sangue , órfãos , educados com Muggles , provavelmente os dois únicos que falam * serpentês * desde o grande Slytherin , até nos parecemos um_pouco fisicamente ... mas afinal foi apenas uma questão de sorte que te salvou de mim . Era o que eu queria saber . Harry ficou parado , tenso , a a espera que Riddle levantasse a varinha mas o seu sorriso cínico ampliou se de_novo . - Agora , Harry , vou dar te uma pequena lição . Vamos confrontar os poderes de Lord_Voldemort , herdeiro de Salazar_Slytherin e de o famoso Harry_Potter , munido com as melhores armas que Dumbledore lhe deu . Lançou um olhar divertido a a Fawkes e a o chapéu seleccionador e , em seguida , afastou se . Harry com as pernas entorpecidas por o medo viu o parar entre dois pilares altos e olhar para a cara de pedra de Slytherin , lá em cima em a semi-obscuridade . Riddle abriu a boca e sibilou mas Harry compreendeu o que ele dizia . - * _ Responde-me , Slytherin , o maior de os quatro de Hogwarts * . Harry voltou se para olhar melhor para a estátua com Fawkes pousada em o ombro . A gigantesca cara de pedra de Slytherin movia se . Horrorizado , Harry viu a boca abrir se mais e mais até se transformar em um buraco negro . E algo se agitava dentro de a boca de a estátua . Algo se arrastava para fora de as suas entranhas . Harry recuou até a a parede escura de a câmara e enquanto fechava os olhos com força sentiu a asa de a Fawkes roçar lhe o rosto e levantar voo . Harry quis gritar : - Não me abandones ! - mas que possibilidades tinha uma fénix contra o rei de as serpentes ? Uma coisa enorme bateu em o chão de pedra que Harry sentiu estremecer . Sabia o que estava a acontecer , podia sentis o , quase podia ver a serpente gigantesca a sair de a boca de Slytherin . Foi então que ouviu a voz de Riddle sibilar : * _ Mata-o * . O Basilisk avançava em direcção a Harry . Ele ouvia o seu corpo enorme escorregar pesadamente por o chão cheio de pó . Com os olhos sempre fechados , Harry começou a correr para o lado , a as cegas , com as mãos abertas a tactear o caminho . Riddle ria se a as gargalhadas . Harry escorregou e caiu em o chão de pedra e a boca soube lhe a sangue . A serpente estava a poucos centímetros de ele . Podia ouvi a a aproximar se . Ouviu se um crepitar explosivo por cima de ele e alguma coisa pesada bateu lhe com tanta força que ele ficou encostado a a parede . Esperando que os dentes de a serpente lhe perfurassem o corpo , ouviu mais ruídos e qualquer coisa que se agitava com força contra os pilares . Não conseguiu evitar . Abriu bem os olhos para ver o que se passava . A enorme serpente , brilhante , de um verde veneno , espessa como o tronco de um carvalho , erguera se em o ar e a sua imensa cabeça agitava se de um lado para o outro , entre os dois pilares . Quando Harry , a tremer , se preparava para fechar de_novo os olhos , percebeu o que distraíra a cobra . Fawkes esvoaçava em volta de a sua cabeça e o Basilisk , furioso , tentava agarrá a com os dentes longos e afiados como sabres . Fawkes mergulhava . Harry deixou de ver o bico fino e dourado e uma brusca chuva de sangue escuro inundou o chão . A cauda de a serpente agitou se , não batendo em o Harry por_pouco e antes que ele pudesse fechar os olhos voltou se . Harry olhou lhe para a cara e viu que os seus olhos , os dois olhos amarelos e bolbosos tinham sido perfurados por a fénix . O sangue escorria por o chão e a serpente cuspia cheia de dores . - * _ Não * - Harry ouviu o grito de Riddle . - * _ Deixa a ave , deixa a ave , o rapaz está atrás_de ti , ainda podes cheirá o . Mata o ! * A serpente cega oscilou confusa , ainda em fúria . Fawkes andava a a volta de a cabeça de ela soprando a sua misteriosa cantilena , picando lhe aqui_e_ali o nariz cheio de escamas , enquanto o sangue jorrava de os seus olhos destruídos . - Ajudem me . Ajudem me - murmurava Harry aflito . - Alguém , ajude me . A cauda de a serpente chicoteou de_novo o chão . Harry baixou se . Algo macio tocou lhe em o rosto . O Basilisk lançara o chapéu seleccionador para os braços de o Harry que o agarrou . Era tudo_o_que tinha , a sua única esperança . Enfiou o em a cabeça e começou a ficar achatado contra o chão , enquanto a cauda de o Basilisk se lançava de_novo sobre ele . - Ajudem me , ajudem me - pensou Harry , os olhos comprimidos debaixo de o chapéu . - Por favor , ajudem me . Nenhuma voz lhe respondeu . Em vez de isso , o chapéu contraiu se como_se uma mão invisível o tivesse espalmado devagarinho . Alguma coisa muito dura e pesada caíra sobre a cabeça de Harry , conseguindo quase derrubá o . A ver estrelas em frente de os olhos , agarrou o chapéu para o puxar para baixo e sentiu lá dentro uma coisa longa e dura . Uma espada brilhante tinha surgido dentro de o chapéu . Tinha um cabo cravejado de rubis de o tamanho de pequenos ovos . - Mata o rapaz , deixa a ave . O rapaz está atrás_de ti . Cheira o ! Harry estava de pé , preparado . A cabeça de o Basilisk caía , o corpo serpenteava , batendo nos pilares quando se torcia para ficar de frente para ele . Harry podia ver as enormes órbitas ensanguentadas , a boca toda aberta , suficientemente grande para o engolir inteiro , munida de dentes tão longos como a sua espada , finos , brilhantes , venenosos ... Começou a atacar a as cegas . Harry baixou se e a serpente bateu em a parede de a câmara . Atacou de_novo e a sua língua bifurcada lambeu a parede ao_lado_de Harry que levantou a espada com ambas as mãos . O Basilisk investiu mais_uma_vez e agora a pontaria foi certa . Harry pôs todo o seu peso contra a espada e enterrou a até a os copos em o céu de a boca de a serpente . Mas quando o sangue quente lhe encheu os braços , sentiu uma dor aguda mesmo acima de o cotovelo . Um longo dente venenoso penetrava cada_vez_mais fundo em o seu braço , partindo se quando o Basilisk tombou para o lado , perdendo os sentidos . Harry escorregou a o longo de a parede , apertou com força o dente que estava a derramar veneno por todo o seu corpo e arrancou o de o braço . Mas sabia que era demasiado tarde . Uma dor quente emanava lenta e perseverantemente de a ferida . Quando deixou cair o dente e viu o seu próprio sangue manchando lhe as vestes , a vista começou a ficar turva e a câmara a diluir se em uma rotação ardente e colorida . Mas algo escarlate passou por ele e Harry ouviu a o seu lado um suave ruído de garras . - Fawkes - disse com a voz empastada . - Foste sensacional , Fawkes . - Sentiu o pássaro encostar a sua elegante cabeça a o sítio onde o dente de a serpente o tinha ferido . Ouviu passos ecoarem em o vazio e em seguida uma sombra escura moveu se em a sua frente . - Estás morto , Harry_Potter - disse a voz de Riddle , acima de ele . - Morto . Até o pássaro de Dumbledore sabe de isso . Vês o que ele está a fazer ? A chorar . Harry piscou os olhos . A cabeça de Fawkes ora estava focada , ora desfocada . Lágrimas grossas como pérolas escorriam de as suas penas . - Vou sentar me aqui a ver te morrer , Harry_Potter . Leva o teu tempo , eu não tenho pressa . Harry sentiu se sonolento . Tudo parecia girar a a sua volta . - E assim acaba o famoso Harry_Potter - disse a voz distante de Riddle . - Sozinho em a Câmara_dos_Segredos , esquecido por os amigos , finalmente derrotado por o Senhor de o mal que ele tão imprudentemente desafiou . Vais reunir te a a tua querida mãe sangue de lama , Harry ... Ela deu te doze anos de tempo emprestado ... Mas Lord_Voldemort apanhou te em o fim , como sabias que teria de acontecer . Se morrer é isto , pensou Harry , não é assim tão mau . Até a dor estava a desaparecer . Mas , estaria a morrer ? Em_vez_de ficar mais escura a câmara parecia voltar a estar nítida . Harry fez um pequeno gesto com a cabeça e viu a Fawkes ainda repousando a cabeça em o seu ombro . Uma fiada de pérolas brilhava em volta de a ferida , só que já não havia ferida . - Sai de aqui , pássaro - disse subitamente a voz de Riddle . - Afasta te de ele . Já te disse , sai de aqui ! Harry levantou a cabeça . Riddle apontava a sua varinha a Fawkes . Ouviu se um tiro que parecia de carabina e Fawkes levantou novamente voo em um rodopio de ouro e escarlate . - Lágrimas de fénix - disse Riddle em voz baixa , olhando para o braço de o Harry . - É claro ... poderes curativos ... esqueci me ... Olhou para a cara de Harry . - Mas não faz mal . Pensando bem , eu até prefiro assim . Tu e eu , Harry_Potter ... Tu e eu ... Levantou a varinha . Então , em um golpe de asa , Fawkes voou sobre as cabeças de ambos , deixando cair uma coisa em o colo de Harry : o diário . Durante uma fracção de segundo , tanto Harry como Riddle , ainda com a varinha levantada , ficaram a olhar para aquilo . Em seguida , sem pensar , sem ponderar , como_se pensasse fazê o desde o princípio , Harry agarrou o dente de o Basilisk que estava em o chão , junto de ele , e espetou o em o coração de o caderno . Ouviu se um grito longo e terrível . A tinta esguichou em torrentes de dentro de o diário , derramando se sobre as mãos de o Harry e inundando o chão . Riddle torcia se e contorcia se , agitando se a os gritos . E , por fim . Desapareceu . A varinha de Harry caiu a o chão com um ruído e fez se silêncio . Um silêncio apenas cortado por o ping ping de a tinta que ainda escorria de o diário . Com um leve crepitar , o veneno de o Basilisk abrira um buraco mesmo em o meio de o caderno . A tremer de os pés a a cabeça , Harry pôs se de pé . Sentia tudo a andar a a roda como_se tivesse viajado quilómetros e quilómetros com o pó de * _ Floo * . Lentamente apanhou a varinha e o chapéu seleccionador e com um grande estrondo retirou a espada de o céu de a boca de a serpente . Ouviu se então um gemido fraco a o fundo de a câmara . Ginny estava a mexer se . Quando Harry chegou junto de ela , sentou se . Os seus olhos abismados saltaram de o Basilisk morto para Harry em a sua roupa cheia de sangue e , em seguida , para o diário que ele tinha em as mãos . Soltou um enorme soluço e os seus olhos encheram se de lágrimas . - Harry , oh ! Harry , eu tentei dizer te a o pequeno-almoço mas não fui capaz em frente de o Percy . Era eu , Harry , mas eu ... eu ... juro que não queria ... o Riddle obrigou me , levou me e ... como é_que mataste esse bicho ? Onde está o Riddle ? A última coisa de que me lembro foi de o ver a sair de o diário ... - Está tudo bem - disse Harry , mostrando lhe o diário com o buraco de o dente . - O Riddle acabou , olha . Ele e o Basilisk . Anda , Ginny , vamos embora de aqui . - Vou com certeza ser expulsa - disse Ginny a chorar enquanto Harry a ajudava a pôr se de pé . - Desde_que o Bill veio para Hogwarts que eu sonhava vir também para cá e agora vou ter de me ir embora e ... O que vão a minha mãe e o meu pai dizer ? Fawkes esperava por eles , suspensa em o ar , a a entrada de a câmara . Harry fez a Ginny avançar , passaram sobre os anéis parados de o Basilisk , por a escuridão cheia de ecos e voltaram a o túnel . Harry ouviu as portas de pedra fecharem se atrás de eles com um leve sibilar . Depois de alguns minutos a caminhar por o túnel escuro , chegou a os ouvidos de Harry o som distante de o deslocar de uma rocha . - Ron - gritou ele , apressando se . - A Ginny está bem . Está aqui comigo ! Ouviu o Ron gritar de alegria e , voltando em a curva logo_a_seguir , viram a sua cara ansiosa a espreitar por a fresta que conseguira abrir durante a avalancha . - Ginny ! - Ron estendeu o braço por a fresta para a puxar primeiro . - Estás viva . Não posso acreditar . O que aconteceu ? Tentou abraçá a mas a Ginny afastou o , soluçando . - Mas estás bem , Ginny - disse o Ron , sorrindo para ela . - Já passou tudo ... De onde veio esse pássaro ? Fawkes passara por a abertura , atrás_de Ginny . - É de o Dumbledore - explicou Harry , espremendo se para caber também . - E como arranjaste uma espada ? - perguntou o Ron , olhando para a arma brilhante que Harry tinha em a mão . - Eu explico te tudo quando sairmos de aqui - disse Harry , lançando um olhar de esguelha a a Ginny . - Mas ... - Mais tarde - disse Harry rapidamente . Não lhe parecia uma boa ideia contar a o Ron quem tinha aberto a câmara , ali , em frente de a Ginny . - Onde está o Lockhart ? - Ali atrás - disse o Ron , a rir e a abanar a cabeça em direcção a o cano . - Está em muito mau estado . Anda ver . Conduzidos_pela_Fawkes , cujas grandes asas escarlates emitiam um suave dourado que brilhava em a escuridão , voltaram a o lugar onde o cano começava . Gilderoy_Lockhart estava sentado a falar sozinho . - Perdeu a memória - disse o Ron . - O feitiço de a memória fez ricochete . Não sabe quem é nem onde está , nem_sequer sabe quem nós somos . Eu disse lhe que viesse para aqui e esperasse . É um perigo para ele próprio . Lockhart olhou os bem-disposto . - Olá - disse . - Que lugar estranho , este . É aqui que vocês moram ? -- Não - respondeu o Ron , levantando as sobrancelhas para o Harry . Harry baixou se e observou o túnel escuro e longo . - Já pensaste como é_que vamos sair de aqui ? - perguntou a o Ron . O amigo abanou a cabeça mas Fawkes , a fénix , tinha passado por o Harry e estava agora em o ar , em frente de ele , os olhos como pérolas a brilharem em o escuro . Abanava as longas penas douradas de a cauda . Harry olhou para ela , inseguro . - Ela parece querer que a agarres - disse o Ron , perplexo . - Mas tu és muito pesado para um pássaro . - A Fawkes - disse Harry - não é um pássaro qualquer . Voltou se rapidamente para os companheiros . - Temos de nos agarrar uns a os outros . Ginny , agarra a mão de o Ron . O professor Lockhart ... - Ele está a falar consigo - disse o Ron secamente . - Agarre a outra mão de a Ginny . Harry guardou a espada e o chapéu seleccionador em o cinto . Ron deitou a mão a a roupa de Harry e Harry agarrou as penas de a cauda , estranhamente quentes , de a Fawkes . Sentiu uma extraordinária leveza apoderar se de todo o seu corpo e em seguida estavam todos a voar por o cano acima . Harry conseguia ouvir Lockhart , lá atrás , comentando : - Espantoso , isto parece mágico ! Ar frio batia em os cabelos de Harry e antes que ele deixasse de gostar de a viagem já ela acabara . Os quatro tinham chegado a o chão molhado de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa e , enquanto Lockhart endireitava o chapéu , o lavatório voltara a o seu lugar , tapando o cano . A Murta arregalou os olhos . - Vocês estão vivos - disse inexpressivamente a o Harry . - Não é preciso mostrares te tão desiludida - respondeu ele , muito sério , limpando as nódoas de sangue e lodo de os óculos . - Bem ... é_que eu pensei que se vocês morressem seriam bem-vindos a a minha casa_de_banho - disse a Murta com um rubor prateado . - Urgh ! - fez o Ron , quando saíram de ali para o corredor deserto . - Harry , acho que a Murta está a gostar de ti . Tens concorrência , Ginny ! A Ginny continuava a chorar silenciosamente . - Onde vamos agora ? - perguntou o Ron , olhando ansiosamente para ela . Harry apontou . Fawkes indicava o caminho , com o seu tom dourado que brilhava em o corredor . Seguiram a e pouco depois estavam em o escritório de a professora Mc_Gonagall . Harry bateu e empurrou a porta que estava encostada . XVIII_A recompensa de Dobby_Durante alguns momentos reinou o silêncio enquanto Harry , Ron , Ginny e Lockhart estavam em a entrada de a porta . Cobertos de pó e de lama e ( em o caso de o Harry ) sangue . Em seguida , ouviu se um grito . - Ginny ! Era_Mrs._Weasley que tinha estado a chorar , sentada em frente de o lume . Pôs se de pé em um salto , seguida de Mr._Weasley e precipitaram se ambos para a filha . Harry olhava para trás de eles . Dumbledore rejubilava junto de a lareira , a o lado de a professora Mc_Gonagall que , agarrada a o queixo , respirava com dificuldade . Fawkes rasou as orelhas de o Harry e foi instalar se em o ombro de Dumbledore , ao_mesmo_tempo que Harry dava por si em os braços de Mrs._Weasley . - Tu salvaste a ! Salvaste a ! : __ como foi que __ conseguiste ? - Acho que todos nós gostaríamos de saber - disse , sem energia , a professora Mc_Gonagall . Mrs._Weasley soltou o Harry , que hesitou um momento . Depois , foi até a a secretária e colocou sobre o tampo o chapéu seleccionador , a espada cravejada de rubis e o que restava de o diário de Riddle . Em seguida , contou lhes tudo . Falou durante quase um quarto de hora em o silêncio extasiado : contou lhes de a voz sem corpo que ouvia , como a Hermione acabara por descobrir que se tratava de um Basilisk que circulava em os canos , como ele e o Ron tinham seguido as aranhas até a a floresta , que Aragog lhes dissera que a última vítima de o Basilisk morrera , como tinham chegado a a conclusão que se tratava de a Murta_Queixosa e que a entrada para a Câmara_dos_Segredos devia ser em aquela casa_de_banho ... - Muito bem - elogiou a professora Mc_Gonagall quando ele se calou . - Então tu descobriste onde era a entrada , infringindo uma centena de regras de a escola por o caminho , devo dizer , mas como diabo saíram vocês vivos de lá de dentro ? Harry , com a voz já um_pouco rouca de falar tanto , contou lhes de a chegada de a Fawkes e de o chapéu seleccionador que lhe tinha dado a espada . Mas , chegando aí , hesitou . Até a o momento evitara referir se a o diário de Riddle ou a a Ginny . Ela tinha a cabeça encostada a o ombro de Mrs._Weasley e as lágrimas corriam lhe ainda por o rosto . E se a expulsassem ? - pensou Harry , tomado de pânico . O diário de Riddle já não funcionava ... quem poderia provar que fora ele que a obrigara a fazer tudo aquilo ? Olhou instintivamente para Dumbledore que sorria , o fogo iluminando lhe os óculos de meia-lua . - O que mais me interessa saber - disse Dumbledore amavelmente - é como conseguiu Lord_Voldemort enfeitiçar a Ginny quando as minhas fontes me dizem que ele se esconde habitualmente em as florestas de a Albânia . Um alívio , quente e glorioso percorreu Harry de a cabeça a os pés . - O quê ? - disse Mr._Weasley , em uma voz estupefacta . - O Quem nós sabemos enfeitiçou a Ginny ? Mas a Ginny não ... a Ginny não morr ... ? - Foi este diário - esclareceu Harry rapidamente . E mostrando o a Dumbledore . - O Riddle escreveu o quando tinha dezasseis anos . Dumbledore pegou em o diário e olhou atentamente por cima de o seu nariz longo e adunco para as páginas queimadas e húmidas . - Fantástico - disse em voz baixa . - É claro que ele deve ter sido o aluno mais brilhante que alguma vez passou por Hogwarts . - Olhou em volta para os Weasley que o observavam com um ar totalmente confuso . - Muito poucas pessoas sabem que Lord_Voldemort se chamou em tempos Tom_Riddle . Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos , em Hogwarts . Ele desapareceu depois de deixar a escola , viajou muito , mergulhou tão fundo em as artes de a magia negra , associado a os piores feiticeiros , realizou transformações mágicas tão perigosas que quando reapareceu como Lord_Voldemort estava totalmente irreconhecível . Ninguém o relacionou com o rapazinho inteligente e bonito que aqui foi , em tempos , chefe de turma . - Mas a Ginny - insistiu Mrs._Weasley . - O que tem a nossa Ginny que ver com ele ? - O diário - soluçou Ginny . - Eu andei todo o ano a escrever em o diário e ele respondia me ... - Ginny ! - repreendeu Mr._Weasley . - Não aprendeste nada do_que te ensinei ? Não me cansei de dizer te que nunca confiasses em nada que não pensasse por si próprio * se não conseguisses ver onde tinha o cérebro ? * Porque não me mostraste o diário , a mim ou a a tua mãe ? Um objecto suspeito como esse tinha de estar cheio de magia negra ! - Eu não sabia - soluçou Ginny . - Estava junto de os livros que a mãe me comprou . Pensei que alguém se tinha esquecido de ele ali . - É melhor Miss_Weasley ir imediatamente para a ala hospitalar - interrompeu Dumbledore com voz firme . - Foi sujeita a uma prova terrível . Não será castigada . Outros feiticeiros mais velhos do_que ela têm sido ludibriados por Lord_Voldemort . - Dirigiu se a a porta e abriu a . - Repouso , cama e talvez uma caneca de chocolate quente . A mim , anima me sempre - acrescentou , piscando lhe simpaticamente o olho . - Vais ver que Madam_Pomfrey ainda está acordada . Ela tem estado a dar o sumo de Mandrágora , julgo que as vítimas de o Basilisk estarão a acordar dentro_de momentos . de alegria . - Então a Hermione está bem ! - disse o Ron , cheio de alegria . - Não houve danos irreversíveis - disse Dumbledore . Mrs._Weasley saiu com a Ginny e Mr._Weasley seguiu as ainda bastante abalado . - Sabes , Minerva - disse pensativo o professor Dumbledore - acho que tudo_isto merece um banquete . Posso pedir te que previnas os cozinheiros ? - Certamente - disse animada a professora Mc_Gonagall , dirigindo se também a a porta . - Deixo te a tratar de as coisas com o Potter e o Weasley , está bem ? - Claro - disse Dumbledore . Saiu e os dois olharam inseguros para Dumbledore . Que quereria ela dizer com tratar de as coisas ? Certamente não iriam ser castigados ? - Lembro me de vos ter dito a ambos que teria de vos expulsar se voltassem a quebrar as regras de a escola - disse Dumbledore . Ron abriu a boca horrorizado . - O que vem mostrar nos que as melhores pessoas , às_vezes , têm de engolir as suas próprias palavras . - Dumbledore sorriu e continuou : - Vocês vão receber ambos uma recompensa especial por serviços prestados a a escola e ... deixem me ver , sim , acho que duzentos pontos cada_um para os Gryffindor . Ron ficou tão corado que parecia as flores de S._Valentim_do_Lockhart e voltou a fechar a boca . - Mas um de vós parece demasiado calado sobre a sua participação em esta perigosa aventura - acrescentou Dumbledore . - Porquê tanta modéstia , Gilderoy ? Harry estremeceu . Esquecera se por completo de Lockhart . Voltou se e viu o a um canto de a sala ainda com o mesmo sorriso vago . Quando Dumbledore se lhe dirigiu , olhou por cima de o ombro para ver com quem ele estava a falar . - Professor_Dumbledore - disse o Ron rapidamente - Houve um acidente lá em baixo , em a Câmara_dos_Segredos . O professor Lockhart - Eu sou um professor ? - perguntou Lockhart surpreendido . - E eu que pensei que era um inútil ! - Tentou fazer um feitiço antimemória e a varinha fez ricochete - explicou Ron_a_Dumbledore . - Incrível - disse Dumbledore , abanando a cabeça , o bigode prateado a tremer . - Trespassado por a tua própria espada , Gilderoy ! - Espada ? - disse Lockhart de forma imprecisa . - Eu não tenho espada . Esse rapaz é_que tem - apontou para Harry . - Ele empresta lhe uma . - Importas te de levar também o professor Lockhart até a a ala hospitalar , Ron ? - disse Dumbledore . - Eu gostava de falar um_pouco mais com o Harry . Lockhart saiu sem pressa . Antes de fechar a porta , Ron lançou um olhar curioso a Dumbledore e Harry . Dumbledore passou para uma de as cadeiras junto de o lume . - Senta te , Harry - disse . E Harry sentou se , sentindo se indescritivelmente nervoso . - Antes de mais , Harry , quero agradecer te - disse Dumbledore com os olhos a brilharem de_novo . - Deves ter demonstrado uma grande lealdade para comigo . Só isso poderia atrair a Fawkes para ir ajudar te . Deu uma palmadinha a a fénix que voara , entretanto , para_cima de os seus joelhos . Harry sorria acanhadamente sob o olhar observador de Dumbledore . - Encontraste , portanto , Tom_Riddle - disse o director amavelmente . - Calculo que ele estaria particularmente interessado em ti ... De repente , algo que Harry tinha engasgado saiu lhe descontroladamente de a boca para fora . - Professor_Dumbledore ... o Riddle disse que eu sou como ele , que há entre nós estranhas semelhanças ... - Ah ! sim ? - Dumbledore olhou pensativamente para ele , por debaixo de as espessas sobrancelhas prateadas . - E o que achas tu de isso ? - Eu não me considero parecido com ele - disse Harry mais alto do_que desejaria . - Isto_é , eu sou um Gryffindor , eu sou ... Mas calou se com uma dúvida a rondar lhe o espírito . - Professor - arriscou passado alguns momentos . - O chapéu seleccionador disse que eu ... teria ficado bem em os Slytherin ; durante algum tempo toda_a_gente pensou que eu era o herdeiro de Slytherin por falar * serpentês * ... - Tu falas * serpentês * , Harry - disse Dumbledore calmamente - porque Lord_Voldemort que é o mais recente antepassado de Salazar_Slytherin , fala * serpentês * . Ou eu me engano muito , ou ele transferiu para ti alguns de os seus poderes em a noite em que te fez essa cicatriz . Não que quisesse fazê o , claro , mas aconteceu . - Voldemort pôs um_pouco de si próprio em mim ? - disse Harry assombrado . - É o que parece ter acontecido . - Então eu deveria estar em os Slytherin - disse Harry , olhando desesperado para o rosto de Dumbledore . - O chapéu seleccionador viu em mim os poderes de Slytherin e ... -- Pôs te em os Gryffindor - concluiu tranquilamente Dumbledore . - Ouve , Harry , tu tens por acaso muitas de as capacidades que Salazar_Slytherin apreciava em os seus estudantes cuidadosamente seleccionados . O seu raro dom de falar * serpentês * , desenvoltura , determinação , um certo desprezo por as regras estabelecidas - acrescentou com o bigode a tremer de_novo . - Mas ainda_assim , o chapéu seleccionador pôs te em os Gryffindor . E sabes porquê ? Pensa um_pouco . - Só me pôs em os Gryffindor - disse Harry em uma voz débil - porque eu pedi para não ir para os Slytherin . - Exacto - disse Dumbledore a sorrir . - E isso torna te muito diferente de o Tom_Riddle . São as tuas escolhas , Harry , que mostram quem de facto tu és , mais do_que as tuas capacidades . Harry sentou se , imóvel e espantado , em a cadeira . - Se queres provas de que o teu lugar é em os Gryffindor , sugiro que vejas isto com mais atenção . Dumbledore aproximou se de a secretária de a professora Mc_Gonagall , pegou em a espada de prata ensanguentada e mostrou lhe a . Sem perceber , Harry voltou a ao_contrário . Os rubis brilharam a a luz de a lareira e foi então que ele reparou em o nome gravado mesmo por baixo de o copo de a espada . GODRIC_GRYFFINDOR . - Só um verdadeiro Gryffindor poderia ter tirado a espada de dentro de o chapéu , Harry - disse , com simplicidade , Dumbledore . Durante um minuto , nenhum de os dois falou . Depois , Dumbledore abriu uma de as gavetas de a secretária de a professora Mc_Gonagall e retirou de lá uma pena e um tinteiro . - Tu precisas de comer e ir dormir . Sugiro que desças para o banquete enquanto eu escrevo para Azkaban . Precisamos de recuperar o nosso guarda de os campos . E tenho de esboçar um anúncio para o * _ Profeta_Diário * - acrescentou pensativo . - Vamos precisar de um novo professor de Defesa contra as artes negras . É um problema , estamos sempre a perdê os . Harry levantou se e dirigiu se a a porta . Tinha acabado de estender a mão para o puxador quando ela se abriu tão violentamente que saltou de as dobradiças . Lucius_Malfoy estava de pé , furioso . E , debaixo de o braço , embrulhado em diversas ligaduras , estava Dobby . - Boa tarde , Lucius - disse Dumbledore , de forma amena . Mr._Malfoy quase derrubou Harry enquanto entrava em a sala . Dobby dava passos miudinhos atrás de ele , inclinado até a a bainha de o seu manto com um olhar apavorado em o rosto . - Então - disse Lucius_Malfoy com os olhos fixos em Dumbledore - voltaste . Os membros de o Conselho_Directivo suspenderam te , mas tu mesmo_assim sentiste te capaz de voltar a Hogwarts . - Bem vês , Lucius - disse Dumbledore , sorrindo serenamente . - Os outros membros de o Conselho contactaram me hoje . Fui envolvido em um redemoinho de corujas , todos queriam contar me a verdade . Ouviram dizer que a filha de Arthur_Weasley tinha sido morta e queriam me novamente aqui . Parece que me consideravam o melhor homem para o lugar . Contaram me algumas histórias muito estranhas . Alguns de eles tinham a impressão que tu tinhas ameaçado amaldiçoar lhes as famílias se não concordassem com a minha suspensão . Mr._Malfoy ficou ainda mais pálido do_que de costume , mas os olhos continuavam cheios de fúria . - Então já acabaste com os ataques ? - rosnou . - Apanhaste o culpado ? - Já , sim - disse Dumbledore com um sorriso . - E quem é ? - perguntou Malfoy secamente . - A mesma pessoa de a última vez , Lucius - disse Dumbledore . Mas desta_vez , Lord_Voldemort agiu através_de outra pessoa , por_meio_de um diário . Pegou em o pequeno caderno com o buraco em o meio , observando Mr._Malfoy de perto . Mas Harry olhava para Dobby . O elfo fazia um sinal muito estranho . Com os seus grandes olhos fixos em Harry , não parava de apontar para ó diário e , em seguida , para Mr._Malfoy , batendo logo_a_seguir com o punho em a cabeça . - Estou a ver ... - disse Mr._Malfoy lentamente a Dumbledore . - Um plano inteligente - afirmou o director em um tom de voz suave , continuando a olhar Mr._Malfoy directamente em os olhos . - Porque se não fosse aqui o Harry e o seu amigo Ron a descobrirem o diário , sem dúvida Ginny_Weasley teria ficado com todas_as culpas . Ninguém teria conseguido provar que ela agira contra a sua própria vontade . Mr._Malfoy não se pronunciou . O seu rosto parecia agora uma máscara . - E vê bem - continuou Dumbledore - o que poderia ter acontecido ... os Weasley são uma de as mais proeminentes famílias de feiticeiros de sangue puro , imagina o efeito em a imagem de Arthur_Weasley e em a sua acção de protecção a os Muggles , se a sua própria filha fosse acusada de atacar e matar filhos de Muggles . Foi uma sorte o diário ter sido descoberto e as memórias de Riddle apagadas . Quem sabe que consequências poderia ter tido ? Mr._Malfoy falou contra vontade . - Sim , foi uma sorte - disse secamente . E , em as suas costas , Dobby continuava a apontar para o diário e para Lucius_Malfoy , batendo depois com o punho em a cabeça . E Harry finalmente percebeu . Fez um sinal a Dobby que correu a esconder se em um canto , torcendo desta_vez as orelhas para se castigar . - Não quer saber como a Ginny obteve esse diário , Mr._Malfoy ? - perguntou Harry . Lucius_Malfoy voltou se para ele . - Como queres que eu saiba onde é_que a estúpida de a garota o arranjou ? - Porque foi o senhor quem lhe o deu - disse Harry . - Em a Flourish and Blotts . O senhor pegou em o livro velho de ela de Transfiguração e meteu o diário lá dentro , não foi ? Viu as mãos brancas de Mr._Malfoy abrirem se e fecharem se . - Prova isso - sibilou . - Oh ! ninguém vai poder prová o - disse Dumbledore sorrindo a o Harry . - Não agora_que o Riddle desapareceu de o caderno . Por outro lado , aconselharia te , Lucius , a não dares mais nenhuma de as coisas velhas de Lord_Voldemort . Se mais alguma for parar a as mãos de crianças inocentes , acho que o Arthur_Weasley fará com que se voltem com toda_a sua carga negativa contra ti . Lucius_Malfoy ficou calado um momento e Harry viu claramente a sua mão direita torcer se como_se desejasse chegar a a varinha . Em vez de isso , voltou se para o seu elfo doméstico . - Vamos , Dobby . Abriu a porta e quando o elfo se aproximou deu lhe um pontapé que o projectou para longe . Ouviram se em o escritório os gritos de dor de Dobby em o corredor . Harry pensou durante um momento e depois decidiu se . - Professor_Dumbledore - disse apressadamente . - Posso dar o diário outra_vez a Mr._Malfoy ? - Certamente , Harry - disse Dumbledore com toda_a calma . - Mas não demores , olha o banquete . Harry agarrou em o diário e saiu de o escritório . Os gritos de dor de Dobby afastavam se ao_longe . Sem perder tempo , perguntando a si próprio se o plano poderia resultar , Harry tirou um de os sapatos , puxou uma de as peúgas enlameadas e viscosas e meteu o diário lá dentro . Em seguida correu até a o fundo de o corredor escuro . Apanhou os em o topo de as escadas . - Mr._Malfoy - disse ofegante , parando . - Tenho uma coisa para si . E meteu a peúga mal cheirosa em a mão de Lucius_Malfoy . - O que é ... ? Mr._Malfoy tirou o diário de dentro de a peúga , deitou a fora e olhou furioso para o caderno estragado e para Harry - Ainda vais acabar por ter um fim igual a o de os teus pais um dia de estes , Harry_Potter - disse em voz baixa . - Eles também eram uns idiotas metediços . Voltou se para se ir embora . - Anda , Dobby , vem ! Mas Dobby não se mexeu . Tinha em as mãos a peúga nojenta de o Harry e olhava para ela como_se fosse um tesouro de valor incalculável . - O senhor deu uma peúga a o Dobby - disse o elfo maravilhado . - Deu a a o Dobby . - O que é isso ? - cuspiu Mr._Malfoy . - Que estás para aí a dizer ? - Dobby tem uma peúga - repetiu incrédulo . - O senhor deitou a fora e Dobby apanhou a e Dobby agora é livre ... Lucius_Malfoy ficou paralisado a olhar para o elfo . Em seguida precipitou se para Harry . - Fizeste me perder o meu servo , rapaz . Mas Dobby gritou : - Não pense que vai fazer mal a o Harry_Potter ! Ouviu se um enorme estrondo e Mr._Malfoy foi empurrado de costas , galgando os degraus de as escadas a três_e_três e indo aterrar lá em baixo todo embrulhado e amarrotado . Levantou se , o rosto lívido e pegou em a varinha , mas Dobby estendeu lhe um dedo ameaçador . - Vá se embora já - disse furioso , apontando para Mr._Malfoy . - Não tocará em o Harry_Potter . Vá se embora , já . Lucius_Malfoy não teve escolha . Lançando a os dois um último olhar de cólera , embrulhou se em o manto e desapareceu . - Harry_Potter libertou Dobby ! - disse o elfo com voz esganiçada , olhando para Harry , a luz de o luar reflectida em os seus grandes olhos em forma de globos . - Harry_Potter libertou Dobby . - Era o mínimo que eu podia fazer , Dobby - disse Harry a sorrir -- , mas promete me que não vais voltar a tentar salvar me a vida . A cara feia e escura de o elfo abriu se , mostrando os dentes , em um enorme sorriso . - Tenho uma pergunta a fazer te , Dobby - disse Harry enquanto o elfo pegava em a peúga de ele com as mãos a tremer . - Disseste me que tudo_isto não tinha nada que ver com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Lembras te ? - Era uma pista , senhor - disse Dobby com os olhos muito abertos como_se fosse absolutamente óbvio . - Dobby estava a dar lhe uma pista . Antes de o senhor de o mal mudar de nome , o seu nome podia ser pronunciado , está a ver ? - Certo - disse Harry sem grande convicção . - Bem , é melhor eu ir indo embora . Há um banquete e a minha amiga Hermione já deve ter acordado ... Dobby lançou os braços a a cintura de Harry e abraçou o . - Harry_Potter é muito maior do_que Dobby imaginava ! - soluçou . - Adeus , Harry_Potter . E com um estalido final , Dobby desapareceu . Harry assistira a diversos banquetes , mas nenhum que se parecesse com aquele . Estavam todos de pijama e a festa durou a noite inteira . Harry não sabia se o melhor tinha sido a Hermione a correr para ele e a gritar : - Tu conseguiste . Tu conseguiste ! , ou o Justin saindo disparado de a mesa de os Hufflepuff para lhe estender a mão , desfazendo se em desculpas por ter suspeitado de ele , ou o Hagrid que apareceu a as três_e_meia e que lhes deu palmadas com tanta força em os ombros que eles foram parar dentro de os pratos de bolo de creme , ou os quatrocentos pontos que ele e o Ron obtiveram para os Gryffindor , ganhando a taça de a equipa por a segunda vez consecutiva , ou a professora Mc_Gonagall de pé , a comunicar lhes que os exames tinham sido cancelados como medida de a escola ( Oh ! não ! exclamou Hermione ) , ou Dumbledore a anunciar que , infelizmente , o professor Lockhart não poderia voltar em o ano seguinte por ter de se ausentar a_fim_de recuperar a memória . Alguns de os professores juntaram se a os alunos que aplaudiram entusiasmados esta notícia . - Que pena - disse Ron , servindo se de um * dounut * de presunto . - E eu que começava a gostar de ele ... O resto de o período de Verão decorreu sob um sol escaldante . Hogwarts voltara a a normalidade , apenas com algumas pequenas diferenças : as aulas de Defesa contra as artes negras foram canceladas ( Mas nós tivemos imensa prática - disse o Ron vendo o descontentamento de Hermione ) e Lucius_Malfoy foi demitido de o Conselho_Directivo . Draco já não passeava por ali como_se fosse o dono de a escola . Pelo_contrário , tinha um ar melindrado e carrancudo . Por outro lado , Ginny_Weasley andava de_novo feliz de a vida . Em_breve chegou o dia de regressarem a casa em o Expresso_de_Hogwarts . Harry , Ron , Hermione , Fred , George e Ginny encheram um compartimento . Tiraram o_máximo partido de aquelas últimas horas em que lhes era permitido usar a magia antes de as férias . Brincaram a as explosões , gastaram o último fogo-de-artíficio Filibuster , de o Fred e de o George e treinaram o mútuo desarmamento através de a magia . Harry começava a ficar muito bom em aquilo . Já estavam perto de a estação de King's_Cross quando Harry se lembrou de uma coisa . - Ginny , o que foi que viste o Percy fazer que ele não queria que nos contasses ? - Ah ! isso - disse a Ginny a rir . - Bem , é_que o Percy tem uma namorada . Fred deixou cair uma pilha de livros em a cabeça de o George . - O quê ? - É aquela prefeita de os Ravenclaw ' Penelope_Clearwater - disse a Ginny . - Foi para ela que ele escreveu durante todo o Verão . Encontravam se em a escola em grande segredo . Eu apanhei os a beijarem se em uma sala de aula vazia e ele ficou tão aflito quando ela foi ... sabes ... atacada . Não vais aborrecê o , pois não ? - perguntou cheia de ansiedade . - Que ideia - respondeu Fred com uma tal satisfação em o rosto que parecia que o seu aniversário chegara mais cedo . - Claro que não - disse o George a rir se a a socapa . O Expresso_de_Hogwarts abrandou e finalmente parou . Harry tirou a pena e um_pouco de pergaminho e voltou se para Ron e Hermione . - Isto_é um número de telefone - disse ele a o Ron , escrevinhando o duas vezes , cortando o pergaminho a o meio e dando lhes os números . - Eu expliquei a o teu pai como usar um telefone em o Verão passado . Ele sabe fazer a chamada . Liga me para_casa de os Dursley , O. _ K. ? Não consigo suportar outros dois meses sem ter mais ninguém com quem falar ... - Mas a tua tia e o teu tio vão ficar orgulhosos de ti , não vão ? - perguntou Hermione quando saíram de o comboio e se misturaram em a multidão que se encontrava junto de a barreira encantada . - Quando souberem o que fizeste este ano . - Orgulhosos ? - disse Harry . - Estás doida ! Podendo eu ter morrido tantas vezes e tendo escapado ? Vão ficar é furiosos ... E juntos avançaram até a a entrada para o mundo de os Muggles . ----------------- J._K._Rowling_Harry_Potter e a Câmara_dos_Segredos_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Chamber of Secrets_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling 1998 Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 2000 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 2.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 Depósito legal : 143.569/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , a a Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Para_Séan_P._F._Harris , condutor imparável e um amigo de os diabos . I_O pior aniversário Não era a primeira vez que uma discussão estoirava a a mesa de o pequeno-almoço , em o número 4 de a Privet_Drive . Mr._Vernon_Dursley fora acordado de manhã cedo por o piar ruidoso que vinha de o quarto de o seu sobrinho Harry . - É a terceira vez esta semana ! - resmungou , a a mesa . - Se não consegues controlar essa coruja , ela não pode ficar aqui . Harry tentou , mais_uma_vez , explicar . - Ela está aborrecida . Estava habituada a voar livremente lá fora . Se eu pudesse , ao_menos , soltá a a a noite ... - Achas me com cara de idiota ? - perguntou rispidamente o tio Vernon , com um fio de ovo preso em o bigode farfalhudo . - Sei muito bem o que aconteceria se essa coruja fosse lá para fora . Trocou um olhar soturno com a mulher , a tia Petúnia . Harry tentou contra-argumentar , mas as suas palavras foram abafadas por um enorme arroto de o filho de os Dursleys , Dudley . - Quero mais bacon . - Há mais em a frigideira , fofinho - disse a tia Petúnia , lançando um olhar vago a o seu filho maciço . - Tens que te alimentar bem enquanto aqui estás , aquela comida de a tua escola não me cheira . - Disparate , Petúnia , eu nunca passei fome enquanto andei em Smeltings - afirmou com sinceridade o tio Vernon . - O Dudley tem que chegue . Não é verdade , filho ? Dudley , que era tão gordo que o rabo saía de os dois lados de a cadeira de a cozinha , sorriu laconicamente e voltou se para Harry . - Passa me a frigideira . -- Esqueceste te de a palavra mágica - disse Harry , irritado . O efeito que esta simples frase teve em o resto de a família foi inacreditável : Dudley começou a arfar e caiu de a cadeira com um estrondo que abalou a cozinha , Mrs._Dursley deu um gritinho e bateu com a mão em a boca , Mr._Dursley pôs se de pé com as veias de as têmporas dilatadas . - Eu queria dizer « por favor » - explicou Harry rapidamente . - Não me referia a ... - : __ o que é_que eu te __ disse - vociferou o tio , espalhando perdigotos sobre a mesa - : __ sobre pronunciar a palavra m . em esta __ casa ? - Mas eu ... - : __ como te atreves a ameaçar o __ dudley ! - rosnou o tio Vernon , batendo com o punho em a mesa . - Eu só ... - : __ estás avisado . não vou admitir referências a tua anormalidade debaixo de o tecto de a minha __ casa ! Harry olhou alternadamente para o rosto congestionado de o tio e para a palidez de a tia que tentava pôr o Dudley de pé . - Está bem - disse Harry . - Está bem ... O tio Vernon voltou a sentar se , respirando como um rinoceronte exausto e observando Harry de perto por o canto de os seus olhos pequeninos e penetrantes . Desde_que Harry regressara para as férias de Verão que o tio Vernon o tratava como_se ele fosse uma bomba , capaz de explodir a qualquer momento , porque Harry não era um rapazinho normal . Em a verdade , ele era o menos normal que é possível imaginar . Harry_Potter era um feiticeiro , um feiticeiro que acabara de concluir o primeiro ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts e a infelicidade que os Dursleys sentiam por ele estar lá em casa não era nada comparada com a de Harry . As saudades de Hogwarts eram tão intensas que se assemelhavam a uma constante dor em o estômago . Sentia a falta de o castelo com as suas passagens secretas e os seus fantasmas , de as aulas ( com excepção talvez de as de Snape , o professor de as poções ) , de o correio a chegar trazido por as corujas , de os banquetes em o salão nobre , de as noites em as camas de dossel em a camarata de a torre , de as visitas a Hagrid , o guarda de os campos em a sua casinha em o bosque , junto de a floresta proibida e , principalmente , sentia a falta de o Quidditch , o desporto mais popular de o mundo de os feiticeiros ( seis postes altos de golo , quatro bolas esvoaçantes e catorze jogadores em_cima_de vassoura ) . Todos os livros de feitiços de Harry , assim_como a varinha , os mantos , o caldeirão e a vassoura topo de gama Nimbus dois_mil tinham sido encerrados por o tio Vernon em a despensa que ficava debaixo de as escadas , em o momento em que Harry regressara a casa . O que é_que lhes interessava se ele perdia ou não o seu lugar em a equipa de Quidditch por não ter praticado durante todo o Verão ? Que importância tinha para eles que o Harry voltasse a a escola sem ter podido fazer os trabalhos de casa ? Os Dursleys eram aquilo que os feiticeiros chamam « Muggles » ( nem uma gota de sangue mágico em as veias ) e , para eles , ter um feiticeiro em a família era motivo de grande vergonha . O tio Vernon tinha , inclusivamente , fechado a cadeado a coruja de Harry , Hedwig , dentro de a gaiola , para evitar que ela transportasse mensagens para a gente de o mundo de a feitiçaria . Harry não se parecia em nada com o resto de a família . O tio Vernon era atarracado e sem pescoço , dotado de um enorme bigode preto ; a tia Petúnia tinha um rosto cavalar e era esquelética ; Dudley era loiro e rosado como um porquinho . Harry , pelo_contrário , era baixo e franzino , com os olhos verdes brilhantes e cabelo negro sempre desalinhado . Usava uns óculos redondos e tinha em a testa uma cicatriz em forma de relâmpago . Era essa cicatriz que o tornava tão invulgar , mesmo para um feiticeiro . Era a única alusão a o seu passado misterioso , a o motivo por o qual , onze anos antes , tinha sido deixado em o degrau de a porta de os Dursleys . Com um ano de idade , Harry sobrevivera a uma maldição de o maior feiticeiro negro de todos os tempos , Lord_Voldemort , cujo nome a maior parte de os feiticeiros e feiticeiras ainda receia pronunciar . Os pais de Harry tinham morrido em um ataque de Voldemort , mas ele escapara com a sua cicatriz em forma de relâmpago e estranhamente , ninguém compreendeu porquê , os poderes de Voldemort tinham sido destruídos em o momento em que não fora capaz de matar o Harry . Por isso , ele foi criado por a irmã de a sua falecida mãe e respectivo marido . Passou dez anos com os Dursleys , sem nunca compreender porque fazia com que acontecessem coisas estranhas , alheias a a sua vontade , acreditando em a história de os Dursleys de que aquela cicatriz fora resultado de um acidente de automóvel em que os pais tinham morrido . E um dia , precisamente um ano antes , Hogwarts escrevera lhe e fora então que tudo começara . Harry fora ocupar o seu lugar em a escola de feitiçaria , onde ele e a sua cicatriz eram famosas ... mas agora o ano escolar chegara a o fim e estava de_novo com os Dursleys . Durante o Verão , voltara a ser tratado como um cão malcheiroso . Os Dursleys nem se tinham lembrado que aquele era o dia de o seu décimo segundo aniversário . É claro que não tivera grandes expectativas : eles nunca lhe tinham dado um presente a sério , muito menos um bolo , mas ignorarem o por completo ... Em esse momento , o tio Vernon pigarreou com um ar importante e disse : - Como todos sabem , hoje é um dia muito importante . Harry olhou para ele , mal conseguindo acreditar . - Pode bem ser que eu faça hoje o maior negócio de toda_a minha vida - afirmou . Harry voltou novamente a atenção para a torrada . É claro , pensou amargamente , o tio Vernon referia se a a estúpida dinner-party . Havia quinze_dias que não falava de outra coisa . Um consultor qualquer cheio de massa e a mulher vinham jantar lá a casa e o tio Vernon tinha esperança de conseguir uma grande encomenda ( a empresa de o tio Vernon fabricava brocas ) . - Acho que devíamos recapitular mais_uma_vez - disse o tio Vernon . - Devemos estar todos a postos a as oito_horas_em_ponto . Petúnia , tu vais estar ... ? - Em o salão - respondeu a tia Petúnia prontamente - a a espera para lhes dar as boas-vindas a nossa casa . - Bom , bom . E o Dudley ? - Eu vou estar a a espera para abrir a porta . - Dudley esboçou um sorriso falso e afectado . - Dão me licença que vos guarde os casacos , Mr. e Mrs._Mason ? - Eles vão adorá o - exclamou arrebatadamente a tia Petúnia . - Excelente , Dudley - disse o tio Vernon . - A seguir voltou se para o Harry . - E tu ? - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - repetiu o Harry , de forma inexpressiva . - Exactamente - confirmou o tio Vernon , de um modo desagradável . - Eu conduzo os até a o salão , apresento te , Petúnia , e sirvo lhes as bebidas . _ a as oito_e_um_quarto . - Eu chamo para a mesa - disse a tia Petúnia . - E tu , Dudley , vais dizer ... - Dá me licença que lhe indique a casa de jantar , Mrs._Mason ? - repetiu o Dudley , oferecendo o seu braço gordo a uma mulher invisível . - O meu pequenino cavalheiro - fungou a tia Petúnia . - E tu ? - perguntou o tio Vernon a o Harry , em o mesmo tom desagradável . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho , fingindo que não estou lá - respondeu Harry aborrecido . - Isso mesmo . Agora , devíamos ter preparadas algumas frases amáveis para o jantar . Petúnia , alguma ideia ? - O Vernon disse me que o senhor é um excelente jogador de golfe , Mr._Mason ... Tem de me dizer onde comprou esse vestido , Mrs._Mason ... - Perfeito . Dudley ? - Que tal : Tivemos de fazer um trabalho para a escola sobre o nosso herói e eu escrevi sobre o senhor ... Foi de mais , tanto para a tia Petúnia como para o Harry . A tia debulhou se em lágrimas e abraçou o filho , enquanto Harry se esgueirava para debaixo de a mesa para ninguém o ver rir . - E tu , rapaz ? Harry fez um esforço para se mostrar inexpressivo quando emergiu . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - disse . - Vais sim senhor - afirmou o tio Vernon energicamente . - Os Mason não sabem nada a teu respeito e é assim que as coisas vão continuar . Quando o jantar terminar , tu trazes Mrs._Mason para o salão , onde vamos tomar café , Petúnia , e eu puxo o assunto de as brocas . Com um_pouco de sorte , tenho o contrato assinado antes de o noticiário de as dez . Amanhã por esta hora , vamos estar a fazer compras para umas férias em Maiorca . Harry não conseguia sentir o menor entusiasmo com aquilo . Não lhe parecia que os Dursleys gostassem mais de ele em Maiorca do_que em Privet_Drive . - Certo , eu vou a a cidade buscar os casacos para mim e para o Dudley . E tu - resmungou , apontando para Harry - não atrapalhes a tua tia enquanto ela estiver a limpar . Harry saiu por a porta de as traseiras . Estava um dia de sol lindo . Atravessou o relvado , deixou se cair em o banco de o jardim e cantarolou baixinho : - Parabéns para mim ... parabéns para mim ... Nem cartas nem presentes e tinha de passar a noite a fingir que não existia . Olhou infeliz para a sebe . Nunca se sentira tão só . Mais do_que tudo em o mundo , mais do_que de Hogwarts , mais até do_que de o jogo de Quidditch , Harry sentia a falta de os amigos Ron_Weasley e Hermione_Granger . Mas eles não pareciam sentir a falta de ele . Nenhum de os dois lhe escrevera durante todo o Verão apesar_de o Ron ter dito que ia convidá o para passar uns dias lá em casa . Inúmeras vezes Harry estivera quase a libertar magicamente Hedwig de a sua gaiola e mandá a levar uma carta a o Ron e a a Hermione mas não valia a pena correr o risco . Os feiticeiros menores de idade não tinham autorização para usar a magia fora de a escola . Harry não contara isto a os Dursleys . Ele sabia que era o medo de que ele os transformasse a todos em baratas que os impedia de o fecharem a a chave em a despensa debaixo de as escadas , juntamente com a varinha e a vassoura . Em as primeiras semanas Harry divertira se a murmurar baixinho palavras sem sentido e a ver o Dudley sair disparado de o quarto , tão rápido quanto as suas pernas gordas lhe permitiam . Mas o silêncio prolongado de Ron e Hermione tinham o feito sentir se tão longe de o mundo de a magia que até divertir se à_custa_de Dudley perdera o interesse . E agora o Ron e a Hermione tinham se esquecido de o seu aniversário . Quanto não daria ele por uma mensagem de Hogwarts ? De qualquer feiticeiro ou feiticeira ? Quase ficaria satisfeito com um sinal de o seu inimigo feroz , Draco_Malfoy , só para ter a certeza de que tudo aquilo não fora apenas um sonho ... Não que tudo durante o ano em Hogwarts tivesse sido divertido . Mesmo em o fim de o último período , Harry confrontara se nem mais nem menos do_que com o próprio Lord_Voldemort . Voldemort podia ter arruinado o seu ego inicial mas continuava a espalhar o terror , ainda astuto , ainda determinado a recuperar o poder . Harry escapara uma segunda vez a as suas garras mas fora por um triz e mesmo agora , algumas semanas decorridas , acordava de noite encharcado em suores frios , perguntando se onde estaria Voldemort , relembrando o seu rosto lívido , os seus olhos completamente loucos ... Harry sentou se subitamente , direito como um fuso , em o banco de o jardim . Tinha estado a olhar distraído para a sebe e a sebe estava a olhar para ele . Dois enormes olhos verdes surgiram por_entre a folhagem . Harry pôs se de pé ao_mesmo_tempo que uma voz sobrevoava a relva . - Eu sei que dia é hoje - cantarolava Dudley , bamboleando se enquanto se aproximava . Os olhos enormes piscaram e desapareceram . - O quê ? - perguntou Harry sem retirar os olhos de o lugar para_onde estava a olhar . - Eu sei que dia é hoje - repetiu , chegando junto de ele . - Ainda_bem - disse Harry . - Aprendeste finalmente os dias de a semana . - Hoje é o dia de os teus anos - troçou o Dudley . - Por_que é_que não recebeste nenhuma carta ? Não tens amigos em esse lugar esquisito ? - É melhor não deixares a tua mãe ouvir te falar de a minha escola - disse Harry calmamente . Dudley puxou para_cima as calças que estavam a escorregar lhe por o rabo gordo abaixo . - Porque estás a olhar para a sebe . ; - perguntou curioso . - Estou a pensar em as palavras que deverei pronunciar para lhe pegar fogo - disse Harry . Dudley recuou de imediato com um olhar de pânico em a cara rechonchuda . - Tu não p-p-odes , o pai disse que não podias fazer magia ou corria contigo aqui de casa e não tens mais nenhum lugar para_onde ir , não tens amigos que te convidem ... - * _ Jiggery pokery * ! - disse Harry com voz firme . - * _ Hocus pocus ... squiggly wiggly * ... - Maaaaaãe - gritou Dudley , tropeçando em os pés , enquanto se precipitava para dentro_de casa . Maaaãe , ele vai fazer aquela coisa ! Harry deu graças a os céus por aquele momento de gozo . Como não aconteceu nada de mal nem a o Dudley nem a a sebe , a tia Petúnia percebeu que ele não fizera magia nenhuma mas , mesmo_assim , Harry teve de se afastar quando ela lhe deu uma forte pancada em a cabeça com a frigideira cheia de detergente . A seguir distribuiu lhe trabalho e o castigo de só voltar a comer quando tivesse acabado tudo . Enquanto Dudley andava a flanar , olhando para o ar e comendo gelados , Harry limpou as janelas , lavou o carro , aparou a relva , adubou os canteiros , podou e regou as rosas e pintou de_novo o banco de o jardim . O sol ardia lá em cima , queimando lhe a parte de trás de o pescoço . Harry sabia que não devia ter provocado Dudley mas ele dissera precisamente aquilo que ele próprio pensava ... talvez não tivesse amigos em Hogwarts . Deviam ver agora o famoso Harry_Potter , pensou amargamente enquanto espalhava adubo em os canteiros , as costas a doerem lhe e o suor a escorrer lhe por o rosto . Eram sete_e_meia_da_tarde quando , por fim , exausto , ouviu a tia Petúnia a chamá o . - Anda para dentro e passa por cima de os jornais . Harry entrou satisfeito em a sombra de a cozinha que rebrilhava . Sobre o frigorífico estava o bolo de a noite : um enorme monte de crome batido coberto de violetas de açúcar . A carne de porco assava em o forno . - Come depressa , os Mason devem estar a chegar ! - exclamou bruscamente a tia Petúnia , apontando para duas fatias de pão e uma de queijo que estavam em cima de a mesa de a cozinha . Ela já tinha posto um vestido de * cocktail * cor de salmão . Harry lavou as mãos e comeu aquele triste jantar . Mal tinha terminado , a tia Petúnia tirou lhe o prato . - Lá para_cima , rápido ! A o passar por a porta de a sala , Harry vislumbrou o tio Vernon e Dudley de casaco e gravata . Tinha acabado de chegar a o cimo de as escadas quando a campainha de a porta tocou e a cara de o tio Vernon apareceu em o patamar . - Lembra te , rapaz , um ruído que seja ... Harry entrou em o quarto em bicos de pés , fechou a porta e preparou se para se meter em a cama . O problema é_que estava lá alguém sentado . II_O aviso de Dobby_Harry conseguiu não gritar , mas foi por_pouco . A pequena criatura que estava em a cama tinha umas orelhas grandes e largas e uns olhos verdes protuberantes de o tamanho de bolas de ténis . Harry percebeu imediatamente que fora para ele que tinha estado a olhar de manhã . Enquanto olhavam um para o outro , Harry ouviu a voz de Dudley em o * hall * . - Posso guardar os vossos casacos , Mr. e Mrs._Mason ? A criatura escorregou por a cama e curvou se tanto que a ponta de o seu enorme nariz tocou em o tapete . Harry reparou que ele tinha vestido uma espécie de fronha de almofada com buracos para os braços e pernas . - Er ... Olá - disse Harry , um_pouco nervoso . - Harry_Potter ! - exclamou a criatura em uma voz tão estridente que Harry calculou que poderia ouvir se lá em baixo . - Há tanto tempo que Dobby queria conhecê o , senhor . É uma enorme honra ... - Ob-obrigado - disse Harry , deslocando se a o longo de a parede e sentando se em a cadeira de a secretária , junto de Hedwig que dormia em a sua grande gaiola . Queria perguntar lhe « O que és tu ? » , mas pensou que seria má educação , por isso perguntou : - Quem és tu ? - Dobby , senhor . Apenas Dobby , o elfo de casa - afirmou a criatura . - Oh ! A sério ? - perguntou Harry . - Não quero ser mal-educado , mas esta não é a melhor altura para ter um elfo em o meu quarto . O riso falso de a tia Petúnia ouvia se em a sala de jantar . O elfo deixou cair a cabeça . - Não que eu não me sinta feliz por te conhecer - disse Harry rapidamente - mas , er ... estás aqui por algum motivo em especial ? - Oh , sim senhor - disse Dobby muito a sério . - Dobby veio dizer lhe que ... é difícil ... Dobby não sabe por_onde começar ... - Senta te - disse Harry educadamente , apontando lhe a cama . Para seu horror , o elfo debulhou se em lágrimas bastante ruidosas . -- S-senta-te ! - repetiu . - Nunca em toda_a minha vida ... Harry pareceu lhe ouvir as vozes lá em baixo vacilarem . - Desculpa - murmurou . - Eu não queria ofender te ... - Ofender Dobby ! - exclamou o elfo em um sufoco . - Nunca nenhum feiticeiro disse a o Dobby que se sentasse como um seu igual , senhor . Harry , tentando dizer lhe « Sch ... » e confortá o ao_mesmo_tempo , conduziu Dobby de_novo até a a cama onde ele se sentou a soluçar , parecendo uma grande boneca muito feia . Por fim , conseguiu controlar se e ficou quieto , com os seus grandes olhos fixos em Harry em uma expressão de absoluta adoração . - Não deves ter conhecido muitos feiticeiros sérios - disse lhe , tentando animá o . Dobby abanou a cabeça . Em seguida , sem qualquer aviso , saltou e começou a bater furiosamente com a cabeça em a janela , gritando : - Dobby é mau ! Dobby é mau ! - Pára , o que é_que estás a fazer ? - perguntou Harry em um murmúrio sibilante , dando um salto e puxando Dobby de_novo para a cama . Hedwig acordara com um pio particularmente agudo e batia agressivamente com as asas contra as grades de a gaiola . - Dobby tinha que se castigar , meu senhor - afirmou o elfo , que ficara ligeiramente estrábico . - Dobby quase falou mal de a família de ele ... - De a tua família ? - De a família de feiticeiros que Dobby serve , meu senhor ... O Dobby é um elfo de casa , obrigado a servir uma casa e uma família para sempre . - Eles sabem que estás aqui ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Dobby estremeceu . - Oh , não senhor , não ... Dobby vai ter que se castigar muito por ter vindo vê o . Dobby vai ter que entalar as orelhas em a porta de o forno por isto . Se eles soubessem , senhor ... - Mas achas que eles não vão reparar se tu entalares as orelhas em a porta de o forno ? - Dobby duvida , senhor . Dobby está sempre a ter de se castigar por qualquer coisa . Eles deixam que o Dobby se castigue . _ às_vezes até sugerem alguns castigos extra . - Mas por_que é_que não te vais embora , não foges ? - Um elfo de casa tem de ser libertado , senhor . E a família nunca libertará Dobby . Dobby servirá a família até morrer . Harry olhou para ele . - E eu que pensava que era infeliz por ter de ficar aqui mais quatro semanas - declarou . - Isto faz os Dursleys parecerem quase humanos . Será que ninguém te pode ajudar ? Poderei eu ? Em o mesmo momento , Harry desejou não ter aberto a boca . Dobby desfez se em ruidosos soluços de gratidão . - Por favor - murmurou Harry , inquieto . - Por favor , está calado . Se os Dursleys ouvem barulho , se eles sabem que estás aqui ... - Harry_Potter pergunta se pode ajudar Dobby . Dobby ouviu falar de a sua grandeza , mas de a sua bondade , Dobby nada sabia . Harry , que se sentia corar , disse : - Seja o que for que tenhas ouvido sobre a minha grandeza , é um disparate . Nem_sequer sou o melhor de o meu ano em Hogwarts . É a Hermione . Ela ... Mas calou se rapidamente porque pensar em Hermione era lhe doloroso . - Harry_Potter é humilde e modesto - disse Dobby reverentemente , com os seus olhos de globo avermelhados . - Harry_Potter não fala de a sua vitória sobre « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . - Voldemort ? - perguntou Harry . Dobby bateu com as mãos em as enormes orelhas e gemeu : - Ai não diga o nome , senhor . Não diga o nome ! - Desculpa - disse Harry muito depressa . - Eu sei que muita gente não gosta . O meu amigo Ron ... Calou se de_novo . Pensar em o Ron era igualmente doloroso . Dobby voltou para Harry os seus dois olhos grandes como candeeiros . - Dobby ouviu dizer - balbuciou com voz rouca - que Harry_Potter encontrou o Senhor_do_Mal uma segunda vez há poucas semanas atrás ... que Harry_Potter lhe escapou de_novo . Harry acenou e os olhos de Dobby encheram se de lágrimas . - Ah , senhor - disse em um sobressalto , limpando o rosto com a ponta de a fronha de almofada que tinha vestida . - Harry_Potter é valente e arrojado . Enfrentou tantos perigos ! Mas Dobby veio protegê o , avisar Harry_Potter , mesmo_que para isso tenha de entalar as orelhas em a porta de o forno , que Harry_Potter não deve voltar para Hogwarts . Houve um silêncio apenas quebrado por o ruído de os garfos e de as facas lá em baixo e por a voz distante de o tio Vernon . - O q-q-uê ? - gaguejou Harry . - Mas eu tenho de voltar , o ano começa em o dia um de Setembro . É a minha razão de viver . Tu não sabes como são as coisas aqui . Eu não pertenço a este lugar , o meu lugar é em Hogwarts . - Não , não , não - guinchou Dobby , sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas andavam de um lado para o outro . - Harry_Potter deve ficar aqui , onde se encontra a salvo . É demasiado grande , demasiado bom para se perder . Se Harry_Potter regressar a Hogwarts correrá perigo de vida . - Porquê ? - inquiriu Harry , surpreendido . - Há uma conspiração , Harry_Potter . Uma conspiração para fazer acontecer coisas terríveis este ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts - murmurou Dobby que começara a tremer de a cabeça a os pés . - Dobby sabe de isto há meses , senhor . Harry_Potter não deve expor se a o perigo . É demasiado importante . - Que coisas terríveis são essas ? - perguntou Harry sem perder tempo . - Quem está por detrás ? Dobby fez um ruído esquisito e começou a bater com a cabeça contra a parede como um louco . - Está bem - gritou Harry , agarrando o braço de o elfo para o fazer parar . - Não podes dizer , eu compreendo . Mas porque vieste avisar me ? - Um pensamento súbito e desagradável surgiu lhe . - Espera aí , isto tem alguma coisa que ver com o Vol , desculpa com o Quem nós sabemos ? Basta que faças sim ou não com a cabeça - acrescentou com vivacidade enquanto a cabeça de Dobby se inclinava de_novo a uma velocidade preocupante para a parede . Lentamente , Dobby abanou a cabeça . - Não , não é « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . Os olhos de Dobby estavam abertos como_se estivesse a tentar dar a Harry uma pista , mas Harry estava completamente a a nora . - Ele não tem nenhum irmão , ou tem ? Dobby abanou a cabeça , os olhos mais abertos do_que nunca . - Bem , em esse caso não estou a ver quem mais poderia ter a possibilidade de fazer acontecer coisas horríveis em Hogwarts - disse Harry . - Quero dizer , para já está lá o Dumbledore . Sabes quem é Dumbledore , não sabes ? Dobby baixou a cabeça . - Albus_Dumbledore é o melhor director que Hogwarts alguma vez teve . Dobby sabe , senhor . Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore rivalizam com os d'aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Mas , senhor - a voz de Dobby desceu a um urgente murmúrio - há poderes que Dumbledore não ... poderes que nenhum feiticeiro sério ... E antes que Harry conseguisse impedi o Dobby saltou de a cama , agarrou o candeeiro de secretária de Harry e começou a bater com a cabeça , dando uivos ensurdecedores . Fez se silêncio lá em baixo . Dois segundos mais tarde , Harry com o coração a bater como um louco , ouviu o tio Vernon chegar a o * hall * e dizer . - O Dudley deve ter deixado outra_vez a televisão ligada , o maroto ! - Depressa , para dentro de o guarda-fatos - gritou Harry , empurrando Dobby bem para o fundo , fechando a porta e metendo se a correr em a cama mesmo a_tempo_de ver a maçaneta de a porta a girar . - Que diabo estás tu a fazer ? - disse o tio Vernon entre dentes , o rosto assustadoramente próximo de o de Harry . - Acabas de estragar o ponto alto de a minha anedota de o golfista japonês . Eu que oiça mais um som e vais desejar nunca ter nascido , rapaz ! Abandonou o quarto com grandes passadas . A tremer , Harry deixou Dobby sair de o guarda-fatos . - Estás a ver como são as coisas por aqui ? - disse . - Vês porque tenho de voltar para Hogwarts ? É o único sítio onde eu tenho ... bem , onde eu acho que tenho amigos . - Amigos que nem_sequer escrevem a Harry_Potter ? - disse Dobby com ar manhoso . - Calculo que devem ter estado ... espera aí - disse Harry , franzindo a testa . - Como é_que tu sabes que os meus amigos não me têm escrito ? Dobby arrastou os pés . - Harry_Potter não deve zangar se com Dobby . Dobby fez o que achou melhor ... - Tu tens estado a interceptar me as cartas ? - Dobby tem as aqui , senhor - disse o elfo . Saltando para longe de o alcance de Harry , retirou de dentro de a fronha que usava um espesso saco cheio de envelopes . Harry reconheceu de imediato a caligrafia certinha de Hermione , a escrita desordenada de Ron e até uns gatafunhos que pareciam ser de o guarda de os campos de Hogwarts , Hagrid . Dobby piscava ansiosamente os olhos . - Harry_Potter não deve ficar zangado ... Dobby esperava que ... se Harry_Potter pensasse que os amigos o tinham esquecido ... Harry_Potter talvez não quisesse voltar a a escola , senhor . Harry não o ouvia . Fez um gesto para agarrar as cartas , mas Dobby deu um salto , afastando se . - Harry_Potter terá as cartas , senhor , se der a Dobby a sua palavra de não voltar a Hogwarts . Ah , senhor , é um risco que não deve correr . Diga que não volta , senhor ! - Não - afirmou Harry zangado . - Dá me as cartas de os meus amigos ! - Em esse caso , Harry_Potter deixa Dobby sem escolha - disse o elfo tristemente . Antes que Harry pudesse fazer um movimento , Dobby tinha aberto a porta de o quarto e descido a correr por as escadas abaixo . Com a boca seca e um aperto em o estômago , Harry correu atrás de ele , tentando não fazer barulho . Saltou os últimos seis degraus , aterrando como um gato em a carpete de o * hall * , olhando em volta a a procura de Dobby . De a sala de jantar , ouviu a voz de o tio Vernon : - Conte a a Petúnia aquela história engraçadíssima de os funileiros americanos , ela tem estado louca por ouvi a , Mr._Mason . Harry correu de o * hall * para a cozinha e sentiu o estômago ficar pequenino . O pudim , que era a a obra-prima de a tia Petúnia , a montanha de creme batido coberto de violetas de açúcar flutuava junto de o tecto . Em cima de o guarda-louça de o canto , Dobby inclinava se servilmente . - Não - suplicou Harry . - Por favor , eles matam me . - Harry_Potter deve dizer que não vai voltar a a escola ... - Dobby , por favor . - Diga , senhor . - Não posso . Dobby lançou lhe um olhar trágico . - Então , Dobby deve fazê o , senhor , para o bem de Harry_Potter . O pudim foi direito a o chão em uma queda que parecia um coração a parar . O crome esguichou para as janelas e para as paredes , enquanto o prato se despedaçava . Com o ruído de uma chicotada , Dobby desapareceu . Ouviram se gritos em a casa de jantar e o tio Vernon irrompeu por a cozinha onde foi dar com Harry coberto , de a cabeça a os pés , por o pudim de a tia Petúnia . A princípio parecia que o tio Vernon ia conseguir arranjar uma desculpa para aquilo tudo . ( É só o nosso sobrinho , muito perturbado ; conhecer pessoas estranhas deixa o muito nervoso , por isso deixamos o lá em cima ... ) Conduziu_os_Mason , bastante chocados , para a sala de jantar , garantindo a Harry que o esfolava vivo quando os Mason se fossem embora e pôs lhe em as mãos um esfregão . A tia Petúnia descobriu um resto de gelado em o frigorífico e Harry , ainda a tremer , começou a limpar a cozinha . O tio Vernon poderia ainda ter feito o negócio , se não fosse a coruja . Estava a tia Petúnia a circular com uma caixa de After-Eight , quando uma enorme coruja de celeiro fez a sua entrada vertiginosa através de a janela de a casa de jantar , deixando cair uma carta em a cabeça de Mr._Mason e desaparecendo logo_a_seguir . Mrs._Mason gritava como uma carpideira e corria por a casa praguejando contra os lunáticos . Mr._Mason ficou o tempo estritamente necessário para dizer a os Dursleys que a mulher tinha um medo pânico de pássaros de todas_as formas e tamanhos e perguntar lhes se aquela era alguma brincadeira de mau gosto . Harry não saiu de a cozinha , agarrando o esfregão como defesa , enquanto o tio Vernon avançava para ele com um brilho demoníaco em os olhos pequeninos . - Lê isso - ordenou maldosamente . Harry pegou em a carta . Não era a desejar lhe um bom aniversário . * _ Caro_Mr._Potter , * _ Recebermos hoje informações de que um feitiço de suspensão em o ar foi efectuado em sua casa esta noite , a as nove_horas_e_doze_minutos . * _ Como sabe , os feiticeiros menores não estão autorizados a praticar magia fora de a escola e , se efectuar mais um trabalho mágico , será expulso de a nossa escola . ( Decreto_de_Restrições_Razoáveis_para_Feitiçaria_de_Menores , 1875 , parágrafo C. ) * _ Pedimos-lhe também que se lembre que qualquer actividade que possa ser notada por membros alheios a a nossa comunidade ( Muggles ) constitui uma ofensa grave , segundo a secção 13 de a Confederação_Internacional_do_Estatuto_da_Magia_Secreta . * _ Tenha umas boas férias . * Atenciosamente_Mafalda_Hopkirk_Gabinete_da_Utilização_Imprópria_da_Magia_Ministério_da_Magia * . Harry olhou para a carta e engoliu em seco . - Tu não nos contaste que estavas proibido de usar magia fora de a escola - disse o tio Vernon com um brilho maldoso a dançar lhe em os olhos . - Esqueceste te de o mencionar , passou te , não foi ? Tinha se aproximado de Harry como um grande * bulldog * , com todos os dentes a a mostra . - Tenho boas notícias para ti , rapaz , vou fechar te a a chave e , se tentares sair através_de magia , nunca mais voltas a aquela escola , eles expulsam te . E rindo como um louco , arrastou Harry até a o andar de cima . O tio Vernon era mau como as cobras . Em a manhã seguinte pagou a um homem para colocar grades em a janela de o quarto de Harry . Ele próprio abriu um pequeno buraco em a porta de o quarto para que a comida pudesse ser introduzida três vezes por dia . Deixavam o Harry sair para ir a a casa_de_banho de manhã e a o final de a tarde . O resto de o tempo estava fechado em o quarto , a a espera que o tempo passasse . Três dias mais tarde , os Dursleys não mostravam qualquer intenção de abrandar o castigo e Harry não sabia como sair de aquela situação . Estava deitado em a cama , vendo o sol brilhar por_entre as grades de a janela e perguntando se tristemente o que viria a acontecer lhe . Qual era a vantagem de sair de ali por artes mágicas , se Hogwarts o expulsaria em seguida ? Contudo , a vida em Privet_Drive tinha atingido o seu nível mais baixo . Agora_que os Dursleys tinham a certeza que não iam acordar transformados em morcegos , ele perdera a única arma que tinha . O Dobby podia tê o salvo de acontecimentos terríveis em Hogwarts , mas de a maneira que as coisas estavam , ele morreria muito provavelmente a a fome . A portinhola rangeu e a mão de a tia Petúnia apareceu empurrando uma tigela de sopa de pacote para dentro de o quarto . Harry , que estava cheio de fome , saltou de a cama e agarrou a . A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um único trago . A seguir , atravessou o quarto até a a gaiola de Hedwig e pôs os legumes ensopados dentro de o seu pratinho vazio . Ela agitou as penas e olhou o com profunda repugnância . - Não vale de nada virares lhe as costas . É tudo_o_que temos - disse Harry , de modo severo . Colocou a tigela vazia em o chão junto de a portinhola e voltou para_cima de a cama , de certo modo com mais fome do_que antes de ter comido a sopa . Admitindo que estaria ainda vivo dentro_de quatro semanas o que aconteceria se ele não se apresentasse em Hogwarts ? Será que mandariam alguém obrigar os Dursleys a deixá o ir ? O quarto começava a escurecer . Exausto e com o estômago a dar horas , o cérebro a as voltas com as mesmas questões sem resposta , Harry caiu em um sono intranquilo . Sonhou que fazia parte de um espectáculo de o jardim zoológico . Preso a a jaula onde se encontrava estava um cartaz onde podia ler se « feiticeiro menor de idade « . As pessoas olhavam o com olhos protuberantes , enquanto ele jazia fraco e esfomeado em um leito de palha . Viu a cara de o Dobby em o meio de a multidão e gritou lhe , pedindo ajuda , mas o Dobby respondeu : - Harry_Potter está em segurança aí , senhor - e desapareceu . Em seguida vieram os Dursleys e Dudley bateu em as grades de a jaula , rindo se de ele . - Pára com isso - murmurou Harry como_se aquele ruído martelasse em a sua cabeça dorida . - Deixa me em paz , pára com isso , estou a tentar dormir . Abriu os olhos . O luar brilhava através de as grades de a janela . E lá fora alguém olhava de olhos arregalados para ele : alguém de rosto sardento , cabelo ruivo e nariz grande . Ron_Weasley estava de o lado de_fora de a janela . III « A toca » Ron ! - exclamou Harry , arrastando se até a a janela e empurrando a para poderem falar através de as grades . - Ron , como é_que tu , foi o ... ? Harry ficou de boca aberta , espantado com o que viu . Ron estava debruçado de a janela de trás de um velho automóvel azul-turquesa que se encontrava estacionado em o ar . Em os lugares de a frente , rindo se para Harry , estavam os irmãos mais velhos , os gémeos Fred e George . - Tudo bem , Harry ? - O que é_que se tem passado ? - perguntou o Ron . - Porque não respondeste a as minhas cartas ? Convidei te para vires ter comigo umas doze vezes e um dia o pai chegou a casa e comunicou nos que tu tinhas recebido um aviso oficial por usares magia diante de os Muggles ... - Não fui eu . E como é_que ele soube ? - Ele trabalha em o Ministério - disse o Ron . - Tu sabes que nós não podemos fazer feitiços fora de a escola . - Bem , isso vindo de ti ... - exclamou Harry , olhando para o carro flutuante . - Oh , isto não conta - disse Ron . - Foi o meu pai que o emprestou . Não o fizemos aparecer por magia . Mas usar magia em a frente de esses Muggles com quem tu vives ... - Já te disse que não fui eu , mas vai demorar muito_tempo a explicar te isso agora . És capaz de avisar em Hogwarts que os Dursleys me fecharam a a chave e que não querem deixar me voltar e obviamente eu não posso sair de aqui magicamente senão o Ministério vai achar que é a segunda vez em três dias e ... - Pára com essa conversa tola - disse o Ron . - Viemos para te levar connosco . - Mas tu também não podes tirar me de aqui utilizando processos mágicos ... - Não precisamos de isso - afirmou Ron , fazendo um sinal de cabeça para os lugares de a frente . - Esqueces te de quem está aqui comigo . - Amarra isso em volta de as grades - disse o Fred , lançando a Harry a ponta de uma corda . - Se os Dursleys acordam estou feito - lamentou se Harry enquanto dava um nó bem apertado com a corda em uma de as grades e o Fred arrancava com o carro . - Não te preocupes e chega te para trás . Harry recuou para a sombra , para junto de Hedwig que parecia ter se apercebido de a importância de tudo aquilo , mantendo se quieta e em silêncio . O carro puxou mais e mais e , subitamente , com um ruído de ferro a ceder , as grades foram arrancadas de a janela , enquanto Fred conduzia com o céu como estrada . Harry correu de_novo para a janela para ver as grades a balouçarem a poucos metros de o chão . Ofegante , Ron içou as para dentro de o carro . Harry escutou ansiosamente mas não vinha qualquer som de o quarto de os Dursleys . Quando as grades estavam em segurança em os lugares de trás junto de Ron , Fred aproximou se o_máximo que lhe foi possível de a janela . - Anda de aí - disse . - Mas , todas_as minhas coisas de Hogwarts , a minha varinha , a minha vassoura ... - Onde estão ? - Fechadas em a despensa debaixo de as escadas e eu não posso sair de este quarto . . - Não há azar - disse o George . - Sai de a frente , Harry . Fred e George treparam cautelosamente e entraram por a janela em o quarto de Harry . Tinhas que ter aberto a boca , pensou Harry enquanto George tirava de o bolso um vulgar gancho de cabelo e começava a tentar abrir a fechadura . - Muitos feiticeiros acham que é uma perda de tempo aprender os truques de os Muggles - disse o Fred . - Mas nós pensamos que há habilidades que é sempre útil conhecer apesar_de serem um_pouco lentas . Ouviu se um pequeno clique e a porta abriu se . - Pronto , vamos buscar as tuas coisas . Tu vai dando a o Ron aquilo que precisas de aí de o teu quarto - murmurou George . - Cuidado com o degrau de cima que range - sussurrou Harry enquanto os gémeos desapareciam em o escuro . Harry deu a volta a o quarto , recolhendo as suas coisas e passando as por a janela a o Ron . Em seguida , foi ajudar o Fred e o George a trazerem o resto por as escadas acima . Ouviu o tio Vernon tossir . Por fim , de língua de_fora , chegaram a o quarto , junto de a janela aberta . Fred trepou para o carro para puxar os volumes com o Ron enquanto Harry e George os empurravam de dentro de o quarto . Centímetro a centímetro o malão foi passando por a janela . O tio Vernon tossiu de_novo . - Mais um_pouco - disse o Fred que estava a puxar de dentro de o carro . Um bom empurrão , vá . Harry e George encostaram os ombros contra a mala e ela escorregou para a parte de trás de o carro . - O. _ K. , vamos embora - murmurou o George . Mas quando Harry trepava para o parapeito de a janela ouviu se um forte pio atrás de ele , imediatamente seguido de o vociferar de o tio Vernon . - Aquela maldita coruja ! - Esqueci me de a Hedwig ! Harry precipitou se de_novo para o quarto , enquanto a luz de o patamar se acendia . Agarrou a gaiola de Hedwig , correu para a janela e passou a a o Ron . Estava a subir para_cima de a cómoda quando o tio Vernon bateu em a porta , que não estava fechada , e esta se abriu completamente . Por uma fracção de segundo , o tio Vernon ficou estático junto de a porta . Em seguida , soltou um mugido como um boi zangado e avançou para Harry , agarrando o por o tornozelo . Ron , Fred e George seguraram o por os braços e puxaram o com toda_a força . - Petúnia - rosnou o tio Vernon . - Ele está a fugir ! : __ ele está a __ fugir ! Os Weasleys deram um puxão gigantesco e a perna de o Harry escapou a as garras de o tio Vernon . Logo_que Harry entrou em o carro e a porta se fechou , Ron gritou : - Acelera Fred ! - E o carro partiu subitamente em direcção a a lua . Harry mal podia acreditar que estava livre . Esticou se a a janela , o ar de a noite a fustigar lhe os cabelos e olhou para baixo , para os telhados apertados de Privet_Drive . O tio Vernon , a tia Petúnia e o Dudley estavam todos debruçados com cara de parvos , a a janela de o quarto de ele . - Até a o próximo Verão - gritou . Os Weasleys riam se a as gargalhadas e Harry esticou se para trás em o assento e pediu a o ouvido de Ron : - Deixa sair a Hedwig . Ela pode voar atrás_de nós . Há séculos que não tem uma oportunidade de esticar as asas . George passou a o Ron o gancho de cabelo e , um momento depois , a Hedwig saíra feliz por a janela , planando atrás de eles como um fantasma . - Então , qual é a história ? - perguntou Ron , impaciente . - O que é_que tem estado a acontecer ? Harry contou lhes tudo sobre o Dobby , o aviso de este e o fracasso de o pudim de violetas . Houve um longo silêncio quando ele se calou . - Isso cheira me a esturro - disse , por fim , o Fred . - Definitivamente misterioso - concordou George . - Então ele nem te disse quem está supostamente por detrás dessa trama toda ? - Acho que não podia - explicou Harry . - Já te disse , de cada_vez que estava quase a deixar escapar qualquer coisa , começava a bater com a cabeça em a parede . Viu Fred e George olharem um para o outro . - O quê ? Acham que ele estava a mentir me ? - perguntou Harry . - Bem - começou o Fred -- , coloquemos as coisas de o seguinte modo , os elfos de casa têm poderes mágicos próprios , mas geralmente não podem usá os sem a autorização de os seus donos . Eu acho que o bom de o Dobby foi enviado para evitar que voltasses para Hogwarts . Uma ideia de um engraçadinho . Haverá alguém em a escola com má vontade contra ti ? - Sim - responderam Harry e Ron , precisamente ao_mesmo_tempo . - Draco_Malfoy - explicou Harry . - Ele detesta me . - Draco_Malfoy ? - perguntou George , voltando se para trás . - O filho de o Lucius_Malfoy ? - Deve ser . Não é um nome muito vulgar , pois não ? - disse Harry . - Mas porquê ? - Ouvi o pai falar acerca de ele - confidenciou George . - Ele era um grande apoiante de o « Quem nós sabemos » . - E quando o « Quem nós sabemos » desapareceu - continuou o Fred , voltando a cara para olhar para Harry - o Lucius_Malfoy voltou , dizendo que não foi por vontade própria que fez o que fez . Monte de lixo . O pai acha que ele fazia parte de um círculo de amigos íntimos de o « Quem nós sabemos » . Harry já tinha ouvido esses boatos sobre a família de Malfoy e não o surpreenderam em absoluto . Malfoy fizera Dudley_Dursley parecer um rapazinho simpático , amável e sensível . - Não sei se os Malfoy têm um elfo de casa ... - afirmou Harry . - Bem , quem quer que o possua é sem dúvida uma antiga família de feiticeiros e deve ser rica - explicou Fred . - Sim . A mãe está sempre a desejar que pudéssemos ter um elfo de casa para passar a roupa a ferro - disse o George . - Mas só temos um velho vampiro piolhoso em o sótão e gnomos espalhados por o jardim . Os elfos de casa pertencem a as grandes casas senhoriais , a os castelos e lugares assim , não encontrarias um em a nossa casa ... Harry estava calado . Considerando que Draco_Malfoy tinha sempre as melhores coisas , que a sua família nadava em ouro de feiticeiros , era fácil imaginá o passeando se por uma enorme casa senhorial . Mandar o servo de a família evitar que Harry voltasse para Hogwarts também parecia exactamente o tipo de coisa que Malfoy poderia fazer . Teria Harry sido estúpido a o tomar Dobby a sério ? - De qualquer modo , ainda_bem que viemos buscar te - declarou Ron . - Eu começava a ficar seriamente preocupado por não responderes a nenhuma de as minhas cartas . A princípio pensei que a culpa fosse de a Errol ... - Quem é a Errol ? - A nossa coruja . Já é velhota . Não seria a primeira vez que adoecia durante uma entrega . Por isso , tentei pedir a Hermes emprestada ... - Quem ? - A coruja que os meus pais compraram a o Percy quando ele foi nomeado prefeito - respondeu Fred . - Mas o Percy não me a emprestou . Disse que precisava de ela . - O Percy tem andado com atitudes muito estranhas este Verão - comentou George franzindo a testa . - E tem mandado imensas cartas e passado um tempo infinito fechado em o quarto ... enfim , pode limpar se e polir um distintivo de prefeito todas_as vezes que se quiser ... Estás a conduzir demasiado para ocidente , Fred - acrescentou apontando para uma bússola em o painel de o automóvel . Fred girou o volante . - Então , o vosso pai sabe que têm o carro ? - perguntou Harry , quase adivinhando a resposta . - Er ... não - disse o Ron . - Ele tinha trabalho esta noite . Felizmente vamos poder pô o de_novo em a garagem , sem a mãe perceber que andámos a voar nele . - A propósito , o que faz o vosso pai em o Ministério_da_Magia ? - Trabalha em o Departamento mais chato - respondeu Ron . - A Divisão de utilização incorrecta de artefactos de os Muggles . - O quê ? - Relaciona se com objectos de feitiçaria que foram feitos por os Muggles ; sabes como é , se forem parar de_novo a uma loja de os Muggles , ou a uma casa , como em o ano passado , quando morreu uma bruxa velha e o bule de ela foi vendido a uma loja de antiguidades . Uma mulher Muggle comprou o , tentou servir chá a os amigos . Foi um pesadelo , o pai teve de fazer horas extraordinárias durante semanas . - O que é_que aconteceu ? - O bule parecia louco , esguichou chá a ferver para todos os lados e um de os homens foi parar a o hospital com a pinça de o açúcar presa em o nariz . O pai ficou nervosíssimo . É só ele e o velho feiticeiro Perkings em o gabinete e tiveram de localizar e descobrir todo o tipo de encantamentos para resolver o assunto . - Mas o teu pai ... este carro ... Fred riu se . - Sim , o pai é louco por tudo_o_que tem que ver com os Muggles . A nossa arrecadação está cheia de coisas de os Muggles . Ele separa as , lança lhes feitiços e volta a pô as em o lugar . Se ele fizesse uma busca a nossa casa teria de se prender a si mesmo . A minha mãe fica louca com tudo aquilo . - É a estrada principal - gritou o George , apontando para baixo através de a janela . - Dentro_de poucos minutos estamos lá , mesmo a tempo , está a começar a clarear . Um leve brilho rosado tingia o horizonte para leste . Fred trouxe o carro para baixo e Harry pôde ver uma manta de retalhos de campos escuros e matas de arbustos . - Estamos um_pouco longe de a vila - disse George . - Em Ottery_St . Catchpole ... O carro voador foi descendo a os poucos . A luz avermelhada brilhava agora por_entre as árvores . - Terra - disse o Fred , em o momento em que tocaram em o chão com um ligeiro solavanco . Tinham aterrado perto_de uma garagem em ruínas em um pequeno pátio e Harry viu pela_primeira_vez a casa de o Ron . Parecia ter sido em tempos uma pocilga de pedra . Mas os quartos que posteriormente lhe tinham sido acrescentados haviam a tornado bastante mais alta e o seu aspecto era tão curvado que parecia ter sido construída por artes mágicas ( o que , pensou Harry , era , muito provavelmente , verdade ) . De o telhado vermelho saíam quatro ou cinco chaminés . Junto de a entrada , fixa em o chão , podia ver se uma inscrição assimétrica que dizia « A toca » . A o lado de a porta principal estava uma contusão de botas de * _ Wellington * e um caldeirão completamente enferrujado . Por o pátio passeavam se várias galinhas castanhas e gordas . - Não é grande coisa - desculpou se o Ron . - É óptima - exclamou Harry , feliz , pensando em Privet_Drive . Saíram de o carro . - Agora vamos lá para_cima sem fazer barulho - disse o Fred . - E esperamos que a mãe nos chame para o pequeno-almoço . Depois tu , Ron , desces a escada entusiasmadíssimo . - Mãe , olha quem apareceu cá durante a noite ! - E ela vai sentir se felicíssima quando vir o Harry . Assim ninguém fica a saber que levámos o carro voador . - Certo - disse o Ron . - Vamos , Harry , eu durmo em o ... Ron ganhou uma cor de um pálido esverdeado , os olhos fixos em a casa . Os outros três fizeram meia volta . Mrs._Weasley avançava por o pátio , afugentando as galinhas e , para uma mulher baixa , roliça e simpática , era fantástico como conseguia parecer se com um tigre dentes-de-sabre . - Ah ! - suspirou o Fred . - Oh , oh ! - exclamou o George . Mrs._Weasley parou em frente de eles . As mãos em as ancas , saltando de um olhar culpado para o outro . Usava um avental a as flores , com uma varinha a sair lhe de o bolso . - Com que então - disse . - Bom dia , mãe - arriscou o George com uma voz que tentou que fosse alegre e bem-disposta . - Vocês têm alguma ideia de como tenho estado preocupada ? - perguntou Mrs._Weasley em um murmúrio fraco . - Desculpe , mãe , mas sabe , nós tivemos que ... Os três filhos de Mrs._Weasley eram mais altos do_que ela , mas tremiam quando a fúria de a mãe se abatia sobre eles . - Camas vazias ! Nem um bilhete ! O carro desaparecido ... Podiam ter tido um acidente , estou fora de mim com tanta preocupação e vocês nem se importam ... nunca , enquanto eu for viva ... esperem só até o vosso pai chegar , nunca tivemos problemas de estes com o Bill , com o Charlie ou com o Percy ... - O perfeito Percy - resmungou Fred . - : __ tu não vales um dedo de a mão de o __ percy ! - gritou Mrs._Weasley , espetando um dedo em o queixo de o Fred . - Podias ter morrido , podias ter sido visto , podias ter feito com que o teu pai perdesse o emprego ... Parecia nunca mais acabar . Mrs._Weasley tinha gritado até ficar ronca , antes de se voltar para o Harry , que recuou . - Estou muito contente por te ver , Harry - disse . - Entra e vem tomar o pequeno-almoço . Ela voltou se e regressou a casa e Harry , depois de trocar um olhar nervoso com o Ron , que lhe acenou , encorajando o , seguiu a . A cozinha era pequena e bastante estreita . A meio havia uma enfezada mesa de madeira e cadeiras em volta e Harry sentou se a a beirinha de o assento , olhando em volta . Era a primeira vez que entrava em uma casa de feiticeiros . O relógio em a parede em frente de ele , tinha apenas um ponteiro e nenhum número . Em volta , estavam escritas frases como « Hora de fazer o chá » , « Hora de dar de comer a as galinhas « e « Estás atrasado » . Empilhados em o rebordo de a lareira estavam livros com títulos como * _ Encanta o teu próprio queijo , Encantamento em a cozedura de o pão e Banquetes em um minuto - é mágico * ! E , a menos que os ouvidos de Harry estivessem a traí o , o velho rádio próximo de o lava-loiças acabara de anunciar que a seguir vinha a Hora de enfeitiçar com a popular feiticeira-cantora Celestina_Warbeck . Mrs._Weasley fazia barulho com os talheres , preparando o pequeno-almoço um bocado a o acaso , lançando olhares furiosos a os filhos , enquanto lançava as salsichas em a frigideira . De vez em quando murmurava coisas como : « Não sei o que vos passou por a cabeça « ou « nunca devia ter confiado em vocês » . - Eu não te culpo , filho - tranquilizou Harry , pondo lhe sete ou oito salsichas em o prato . - Eu e o Arthur temos estado preocupados contigo . Ainda ontem a a noite estivemos a dizer que te iríamos buscar nós próprios se não respondesses a o Ron até sexta-feira . Mas , em a verdade ( estava agora a acrescentar três ovos estrelados a o prato de ele ) , atravessar metade de o país a voar em um carro ilegal , qualquer um vos poderia ter visto ... Agitou maquinalmente a varinha em a direcção de o lava-loiças , onde a loiça começou a lavar se sozinha , tinindo baixinho lá atrás . - Estava enevoado , mãe ! - exclamou o Fred . - Boca fechada enquanto comes ! - interrompeu Mrs._Weasley . - Eles estavam a fazê o passar fome , mãe ! - disse o George . - E tu também ! - disse Mrs._Weasley , mas já foi com uma expressão mais doce que começou a cortar o pão para Harry e a barrá o com manteiga . Em esse momento , as atenções voltaram se para um pequenino volto de cabelos ruivos , em uma camisa de dormir até a os pés , que surgiu em a cozinha , deu um grito agudo e desapareceu de_novo . - É a Ginny - disse Ron baixinho a o Harry -- , a minha irmã . Tem falado de ti todo o Verão . - Sim , ela vai querer o teu autógrafo , Harry - riu se o Fred , mas o seu olhar cruzou se com o de a mãe e inclinou se para o prato , não voltando a abrir a boca . Ninguém falou até os quatro pratos estarem limpos , o que sucedeu a uma velocidade surpreendente . - Bolas , estou cansado - bocejou Fred , pousando a faca e o garfo . Acho que me vou deitar e ... - Não vais , não senhor - interrompeu Mrs._Weasley . - A culpa é tua se ficaste toda_a noite acordado . Vais fazer a des-gnomização de o jardim . Eles estão outra_vez a exagerar . - Oh , mãe ... - E vocês os dois o mesmo - dirigiu se a o Ron e a o Fred . - Tu podes ir para a cama , filho - disse a Harry . - Não lhes pediste que guiassem aquele carro miserável . Mas Harry , que se sentia acordadíssimo , respondeu prontamente : - Eu ajudo o Ron , nunca vi uma des-gnomização ... - É muito simpático de a tua parte , querido , mas é um trabalho chato - explicou Mrs._Weasley . - Vejamos o que o Lockhart tem a dizer acerca disto . E puxou de o rebordo de a lareira um livro pesadíssimo . George resmungou : - Mãe , nós sabemos * des-gnomizar * o jardim . Harry olhou para a capa de o livro de Mrs._Weasley . Em grandes letras douradas , que ocupavam grande parte de a capa , podia ler se Guia_de_Gilderoy_Lockhart para pragas caseiras . Via se também a grande fotografia de um feiticeiro bem-parecido , de cabelos loiros ondulados e olhos azuis brilhantes . Como sempre , em o mundo de os feiticeiros , a fotografia mexia se . O feiticeiro , que Harry calculou ser Gilderoy_Lockhart , não parava de lhes piscar os olhos descaradamente . Mrs._Weasley sorriu lhe . - Oh , ele é fantástico - disse . - Conhece bem as pragas caseiras . É um livro maravilhoso . - A mãe adora o - disse Fred em um murmúrio bastante audível . - Não sejas ridículo , Fred - repreendeu Mrs._Weasley com as bochechas coradas . - É claro que se achas que sabes mais do_que o Lockhart , podes ir fazer o trabalho e ai de ti se houver um único gnomo em o jardim quando eu for fazer a inspecção . A bocejar e a resmungar , os Weasley arrastaram se lá para fora com Harry atrás de eles . O jardim era grande e , em a opinião de Harry , exactamente como deveria ser um jardim . Os Dursleys não teriam gostado . Havia uma enorme quantidade de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada , mas havia árvores nodosas em volta de as paredes , plantas que Harry nunca vira , tombando de todos os canteiros e um grande lago verde cheio de rãs . - Os Muggles também têm gnomos de jardim , sabes - disse o Harry a o Ron , enquanto atravessavam a relva . - Sim , já vi essas coisas que eles pensam que são gnomos - disse o Ron todo dobrado , com a cabeça em uma moita de peónias . - Como os Pais_Natais gordinhos com canas de pesca ... Houve um tumulto ruidoso , a moita de peónias estremeceu e Ron endireitou se . - Isto_é um gnomo - declarou com um ar sério . - Larga eu ! Larga eu ! - guinchou o gnomo . Não se parecia em absoluto com o Pai_Natal . Era pequenino e parecia de couro , com uma grande cabeça protuberante e calva , precisamente como uma batata . Ron agarrou o a a distância de um braço , enquanto ele dava pontapés em o ar com os seus pézinhos que pareciam chifres . Agarrou o por os tornozelos e voltou o de pernas para o ar . - Isto_é o que tens de fazer - disse . Levantou o gnomo acima de a cabeça ( Larga eu ! ) e começou a balouçá o em grandes círculos , como os vaqueiros fazem com os laços . A o ver a expressão chocada de Harry , Ron explicou : - Não os mágoa . Só tens de os deixar bem tontos para que consigam encontrar o caminho de regresso a os buracos de os gnomos . Largou os tornozelos de o gnomo . Ele voou seiscentos metros e aterrou com um ruído surdo em o campo a o lado de a sebe . - Deplorável - afirmou o Fred . - Aposto que consigo lançar o meu para_além de aquele tronco . Harry aprendeu rapidamente a não sentir muita pena de os gnomos . Decidira largar o primeiro que apanhou para_além de a sebe , mas o gnomo , sentindo fraqueza , enfiou os seus dentinhos , aguçados como laminas , em o dedo de o Harry e não foi fácil sacudi o para ele o largar , até que ... - Uau , Harry , esse deve ter sido seiscentos metros ... O ar estava subitamente cheio de gnomos voadores . - Vês , eles não são muito espertos - afirmou o George , agarrando cinco ou seis de uma_vez . - Em o momento em que se apercebem que começou a * des-gnomização * , aparecem todos para espreitar . Era de esperar que já tivessem aprendido a ficar quietinhos . Rapidamente a multidão de gnomos começou a ir se embora , atravessando os campos em uma fila ordenada , com os pequeninos ombros arqueados . - Eles voltam - disse o Ron enquanto os via desaparecer em a sebe de o outro lado de o campo . - Eles adoram estar aqui ... o pai é muito mole com eles , acha lhes piada . Em esse momento , a porta de a frente bateu . - Ele já voltou ! - exclamou o George . - O pai já está em casa ! Apressaram se a entrar . Mr._Weasley tinha se afundado em uma de as cadeiras de a cozinha , sem óculos e com os olhos fechados . Era um homem magro , quase calvo , mas o pouco cabelo que tinha era tão ruivo como o de os filhos . Vestia um longo manto verde cheio de pó e estava cansado de a viagem . - Que noite - murmurou , tacteando em busca de o bule , enquanto todos se sentavam a a volta de ele . - Nove assaltos , nove ! E o velho Mundungs_Fletcher tentou lançar me um feitiço quando eu estava de costas . Mr._Weasley tomou um bom gole de chá e suspirou . - Encontrou alguma coisa , pai ? - perguntou Fred ansiosamente . - Só encontrei algumas chaves encolhidas e uma chaleira que mordia - bocejou Mr._Weasley . - Havia um material bastante mauzinho , mas não era de o meu departamento . O Mortlake foi levado para ser interrogado sobre uns furões extremamente antigos , mas isso pertence a a Comissão_dos_Feitiços_Experimentais , graças_a Deus . - Por_que é_que alguém ia dar se a o trabalho de fazer encolher chaves ? - perguntou George . - Para chatear os Muggles - suspirou Mr._Weasley . - Vende se lhes uma chave que não pára de encolher , até que desaparece , de_modo_a que nunca a encontrem quando precisam ... É claro que é muito difícil condenar alguém , porque nenhum Muggle é capaz de admitir que a sua chave está a encolher , insistem em que estão sempre a perdê a . Benditos sejam , vão até onde for preciso para ignorar a magia , mesmo_que ela esteja em frente de os seus narizes ... mas vocês não acreditariam em as coisas que o nosso grupo tem levado para enfeitiçar ... - : __ como carros , por __ exemplo ? Mrs._Weasley tinha aparecido , segurando um grande atiçador que parecia uma espada . Os olhos de Mr._Weasley abriram se de repente , fitando a mulher com um ar culpado . - C-carros , Molly querida ? - Sim , Artur , carros - afirmou Mrs._Weasley , os olhos a faiscar . - Imagina um feiticeiro a comprar um carro velho e enferrujado e dizer a a mulher que a única coisa que queria fazer com ele era desmontá o para ver como ele funcionava , enquanto em a verdade estava a enfeitiçá o para o fazer voar . Mr._Weasley piscou os olhos . - Bem , querida , acho que poderás constatar que não é ilegal fazer isso , embora , er , talvez ele devesse ter contado a verdade a a mulher ... Existe uma forma de tornear a lei , já_que ela diz que ... desde_que não se tenha a * intenção * de voar em o carro , o facto de ele poder voar , não ... - Arthur_Weasley tu arranjaste essa forma de tornear a lei quando a escreveste ! - gritou Mrs._Weasley . - Para poderes continuar a remexer em todo aquele lixo de os Muggles que tens em a arrecadação ! E , para tua informação , o Harry chegou hoje_de_manhã em o carro que tu não pretendias pôr a voar ! - Harry ? - perguntou Mr._Weasley sem expressão . - Qual Harry ? Olhou em volta , viu Harry e deu um salto . - Santo_Deus , é Harry_Potter ? Muito prazer , o Ron falou nos tanto de si ... - * _ O teu filho conduziu aquele carro até a a casa de o Harry e de volta até aqui em a noite passada ! * - gritou Mrs._Weasley . - O que tens a dizer a esse respeito ? - A sério ! ? - exclamou Mr._Weasley com vivacidade . - Correu tudo bem , quero dizer ... - vacilou a o ver os olhos de Mrs._Weasley que faiscavam . - Er , fizeram mal , rapazes , muito mal , mesmo ... - Vamos deixá os a os dois - murmurou o Ron , enquanto Mrs._Weasley inchava como um sapo gigantesco . - Vamos , vou mostrar te o meu quarto . Esgueiraram se de a cozinha e desceram uma passagem estreita que dava para uma escada desnivelada que ziguezagueava a o longo de a casa . Em o terceiro andar , estava uma porta entreaberta . Harry só teve tempo de ver um par de olhos castanhos brilhantes que o olhavam fixamente , antes de a porta se fechar com um estalido . - A Ginny - disse o Ron . - Não imaginas como é estranho vês a tão tímida , ela que quase nunca se cala ... Subiram mais dois andares , até chegarem a uma porta com a tinta a descascar e uma pequena placa dizendo : « Quarto_do_Ronald » . Harry entrou . A cabeça quase tocava em o tecto inclinado . Piscou os olhos . Era como entrar dentro_de uma fornalha : quase tudo em o quarto de o Ron tinha um violento matiz alaranjado : a colcha de a cama , as paredes , até o tecto . Em seguida , apercebeu se de que o Ron tinha coberto cada centímetro de o velho papel de parede com * posters * de as mesmas sete feiticeiras e feiticeiros , todos vestidos com brilhantes mantos cor de laranja , transportando vassouras e acenando entusiasticamente . - A tua equipa de Quidditch ? - perguntou Harry . - Os Chudley_Cannons - disse Ron , apontando para a colcha cor de laranja que tinha um brasão com dois C's gigantes e uma bala de canhão a_toda_a velocidade . - Nono em a Liga . Os livros de estudo de feitiços de Ron estavam empilhados desordenadamente a um canto , junto de um monte de B. _ D. , todas elas relativas a as * _ Aventuras_de_Martin_Miggs , o Muggle louco * . A varinha mágica de o Ron estava em_cima_de um aquário cheio de ovos de rã sobre o peitoril de a janela , junto de o seu rato gordo e cinzento , Scabbers , que dormia uma soneca a o sol . Harry passou por_cima_de um baralho de cartas de jogar com vontade própria , que estava caído em o chão , e olhou para fora de a janelinha . Em o campo , não muito longe , podia ver um grupo de gnomos a esgueirarem se , um a um , de_novo para a sebe de os Weasley . Em seguida , voltou se para Ron que o observava nervoso , como_se esperasse a opinião de ele . - É um_pouco pequeno - declarou o Ron muito depressa . - Não se parece nada com o quarto que tu tinhas em casa de os Muggles . E estou mesmo debaixo de o vampiro de o sótão . Ele anda sempre a bater nos canos e a gemer ... Mas Harry , com um grande sorriso , disse lhe : - Esta é a melhor casa em que eu já estive . As orelhas de Ron ficaram cor-de-rosa . IV_Na_Flourish and Blotts_A vida em a Toca era o mais diferente que é possível de a vida em Privet_Drive . Os Dursleys gostavam de tudo limpo e arrumado , em casa de os Weasleys explodia o estranho e o inesperado . Harry teve um choque de a primeira vez que olhou para o espelho que estava sobre a lareira de a cozinha e ele gritou : - Mete para dentro a camisa , * desmazelado ! * - O vampiro de o sótão gemia e batia nos canos , sempre_que sentia as coisas demasiado calmas e as pequenas explosões em o quarto de o Fred e de o George , eram consideradas perfeitamente normais . Mas o que o Harry achou mais bizarro em a vida em casa de o Ron , não foi o espelho que falava , nem o vampiro barulhento , foi o facto de todos ali em casa parecerem gostar de ele . Mrs._Weasley preocupava se com o estado de as suas meias e tentava obrigá o a servir se quatro vezes a cada refeição . Mr._Weasley gostava que Harry se sentasse a o lado de ele a a mesa para poder bombardeá o com perguntas sobre a vida com os Muggles , pedindo que lhe explicasse como funcionavam coisas como as canalizações e o serviço de os correios . - Fascinante ! - exclamava , enquanto Harry lhe explicava a utilização de o telefone . - Engenhoso , de facto , todas_as maneiras que os Muggles encontraram para passar sem a magia . Harry teve notícias de Hogwarts em uma manhã de sol , cerca de uma semana depois de ter chegado a a Toca . Quando , ele e o Ron desceram para tomar o pequeno-almoço , encontraram Mr. e Mrs._Weasley e Ginny já sentados a a mesa . Em o momento em que viu o Harry , Ginny entornou a tigela de os cereais , que caiu a o chão com grande espalhafato . Ginny entornava facilmente coisas sempre_que o Harry estava em a sala . Mergulhou debaixo de a mesa para apanhar a tigela e emergiu com o rosto a brilhar como o sol poente . Fingindo não ter dado por nada , Harry sentou se e aceitou a torrada que Mrs._Weasley lhe ofereceu . - Cartas de a escola - disse Mr._Weasley , passando a o Harry e a o Ron envelopes idênticos de pergaminho amarelado , com a morada escrita a tinta verde . - O Dumbledore já sabe que estás aqui , Harry , não perde nada aquele homem . Vocês os dois também - acrescentou , enquanto Fred e George deambulavam em a casa , ainda em pijama . Fez se silêncio durante alguns momentos , enquanto liam as respectivas cartas . A de o Harry dizia para apanhar o Expresso_de_Hogwarts , como sempre em a Estação_de_King's_Cross , em o dia_1_de_Setembro . Havia ainda uma lista de os livros que precisaria para o próximo ano . Os alunos de o segundo ano deverão ter : * _ O_Livro_Padrão_de_Feitiços , Grau 2 , por Miranda_Goshawk . * _ Ensinamentos_de_Uma_Fada_Carpideira , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Férias com Bruxas , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Duendes , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Lobisomens , por Gilderoy_Lockhart . * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves , por Gilderoy_Lockhart * . Fred , que terminara a sua própria lista , espreitou para a de o Harry . - Também te mandam comprar os livros de o Lockhart - disse . - A professora de defesa contra as artes negras deve ser fanática . Aposto que é uma bruxa . Nessa_altura , Fred percebeu o olhar de a mãe e apressou se a comer o doce de laranja . - Esse conjunto não vai ficar barato - disse George , olhando rapidamente para os pais . - Os livros de o Lockhart são de os mais dispendiosos ... - Cá nos havemos de arranjar - declarou Mrs._Weasley , mas parecia preocupada . - Espero que pelo_menos para a Ginny possamos arranjar uma data de coisas em segunda mão . - Ah , vais entrar este ano para Hogwarts ? - perguntou lhe Harry . Ela fez um aceno , corando até a a raiz de os cabelos ruivos e meteu o cotovelo em o pires de a manteiga . Felizmente ninguém deu por nada , a não ser o Harry , porque em esse momento o irmão mais velho de Ron , o Percy , entrou . Já estava vestido , com a placa de prefeito aplicada a a sua camisola de malha . - Bom dia a todos - disse , cheio de vivacidade . - Está um dia lindo . Puxou a única cadeira livre , mas deu um salto quando ia sentar se e , debaixo de ele , saltou um espanador cinzento de penas , pelo_menos , foi o que o Harry pensou até ver que ele respirava . - Errol ! - exclamou Ron , afastando a coruja de o Percy e retirando lhe debaixo de a asa uma carta . - Até que enfim , a resposta de a Hermione . Escrevi lhe a contar que íamos tentar raptar te de casa de os Dursleys . Levou Errol para um poleiro que havia junto a a porta de as traseiras e tentou colocá a lá em cima , mas Errol caiu redonda e Ron teve de a pôr em a pia , murmurando : - Patético . - Em seguida , abriu a carta de a Hermione e leu a em voz alta . * _ Querido_Ron e Harry , se aí estiveres . Espero que tudo tenha corrido bem , que o Harry esteja O. _ K. e que não tenham feito nada ilegal para conseguir trazes o , porque isso podia criar lhe problemas também a ele . Tenho estado muito preocupada e , se o Harry estiver bem , por favor digam me qualquer coisa rapidamente , mas talvez seja melhor usarem uma nova coruja , porque acho que outra entrega pode acabar como esta . * _ Estou muito atarefada com trabalho de a escola , claro * . - Como é possível ? - perguntou Ron , horrorizado . - Estamos em férias ! - * _ E vamos para Londres em a próxima quarta-feira para comprar os meus livros novos . Porque não nos encontramos em a Diagon-al ? * _ Dêem-me notícias vossas o mais depressa possível . * _ Carinhosamente_Hermione * - Bem , parece uma boa solução , podemos ir todos comprar as vossas coisas - disse Mrs._Weasley , começando a limpar a mesa . - O que vão fazer hoje ? Harry , Ron , Fred e George tinham planeado ir a o cimo de o monte a um pequeno cercado de cavalos que os Weasleys possuíam . Estava rodeado de árvores que lhe tapavam a vista de a cidade cá em baixo , o que quer_dizer que podiam praticar Quidditch , desde_que não voassem muito alto . Não podiam usar as verdadeiras bolas de Quidditch pois seria muito difícil explicar se elas escapassem e voassem sobre a cidade . Em vez de elas , lançavam maçãs para os outros apanharem . Faziam turnos para montar a Nimbus dois_mil , que era de longe a melhor vassoura . A velha Shooting_Star_de_Ron fora muitas_vezes ultrapassada por as borboletas que passavam . Cinco minutos mais tarde estavam a marchar por o monte acima , de vassouras a o ombro . Tinham perguntado a o Percy se ele queria juntar se a eles , mas ele alegara muito trabalho . Até esse dia , Harry só tinha visto Percy a a hora de as refeições , ele ficava em silêncio em o quarto o resto de o tempo . - Gostava de saber o que ele anda a fazer - afirmou Fred , de testa franzida . - Não parece o mesmo . O resultado de os exames veio um dia antes de tu chegares : doze N_F_V e ele nem se manifestou satisfeito . - Níveis_de_Feitiçaria_Vulgares - explicou o George , vendo o olhar atarantado de Harry . - Se não temos cuidado , ainda nos calha outro Chefe_de_Turma em a família . Acho que não suportaria a vergonha . Bill era o mais velho de os irmãos Weasley . Ele e o irmão a seguir , Charlie , já tinham saído de Hogwarts . Harry não conhecia nenhum de os dois , mas sabia que o Charlie estava em a Roménia a estudar dragões e o Bill em o Egipto a trabalhar em o banco de os feiticeiros : Gringotts . - Não sei como o pai e a mãe vão arranjar dinheiro para nos pagar o material escolar este ano - disse o George , passado um bocado . - Cinco conjuntos de livros de o Lockhart ! E a Ginny precisa de mantos e de uma varinha e tudo_isso ... Harry não disse nada . Sentiu se um_pouco incomodado . Fechada em um cofre subterrâneo , em o banco de Gringotts_de_Londres , estava uma pequena fortuna que os pais lhe tinham deixado . É claro que só tinha esse dinheiro em o mundo de os feiticeiros , não se podem usar Galeões , Leões e Janotas em as lojas de os Muggles . Ele nunca fizera referência a a sua conta bancária em Gringotts a os Dursleys . Não lhe parecia que o horror que eles sentiam por tudo_o_que se relacionava com a feitiçaria se estendesse a uma enorme pilha de barras de ouro . Mrs._Weasley acordou os a todos bem cedo , em a quarta-feira seguinte . Depois de comerem umas doze sanduíches de * bacon * cada_um , enfiaram os casacos e Mrs._Weasley tirou um vaso de a prateleira de o fogão de a cozinha e espreitou lá para dentro . - Está a acabar se , Arthur - suspirou . - Temos de comprar mais hoje ... Bem , os hóspedes primeiro . Passa , Harry querido ! E ofereceu lhe o vaso de flores . Harry olhou espantado enquanto todos eles o observavam . - O q-que é_que eu devo fazer ? - gaguejou . - Ele nunca viajou com o pó de Floo - disse o Ron subitamente . - Desculpa , Harry , esqueci me . - Nunca ? - perguntou Mrs._Weasley . - Mas então como chegaste a a Diagon - _ Al em o ano passado para comprar as tuas coisas ? -- Fui por o subterrâneo . - A sério ? - disse Mr._Weasley , entusiasmado . - Havia fugitivos ? Como é_que ... - Agora não , Arthur - disse Mrs . Weasley . - O pó de Floo é muito mais rápido , querido , mas , valha me Deus , se ele nunca o usou ... - Vai correr bem , mãe - disse o Fred . - Harry observa nos primeiro . Tirou uma pitada de pó brilhante de dentro de o vaso , aproximou se de o lume e lançou o pó em as chamas . Com um rugido , o fogo ficou verde-esmeralda e elevou se a uma altura superior a a de o Fred que avançou , gritando Diagon - _ Al ! E desapareceu . - Tens de falar claramente , filho - disse Mrs._Weasley a o Harry , ao_mesmo_tempo que George metia a mão em o vaso de as flores . - E vê se sais em o fogão certo . - Em o quê ? - perguntou Harry , nervoso , enquanto o lume crepitava e fazia George desaparecer também . - Bem , há imensos fogos de feiticeiros , mas desde_que te tenhas expressado claramente ... - Ele vai conseguir , Molly , não te preocupes - disse Mr._Weasley , tirando também ele algum pó . - Mas querido se ele se perde como é_que vamos justificar nos perante o tio e a tia de ele ... -- Eles não se importariam - tranquilizou a Harry . - O Dudley ia achar imensa piada se eu me perdesse em uma chaminé , não se preocupe . - Bem , em esse caso ... tu vais a seguir a o Arthur - disse Mrs._Weasley . - Logo_que entres em o fogo diz para_onde queres ir . - E mantém os cotovelos dobrados - preveniu o Ron . - E os olhos fechados - disse Mrs._Weasley . - A fuligem . - Não te enerves - disse o Ron . - Senão podes ir parar a a lareira errada . - Não entres em pânico e não queiras sair cedo de mais . Espera até veres o Fred e o George . Fazendo um enorme esforço por reter toda aquela informação , Harry tirou uma pitada de pó de Floo e avançou para a beirinha de o fogo . Respirou fundo , espalhou o pó em as chamas e entrou . O fogo parecia uma brisa quente . Abriu a boca e engoliu , de imediato , uma grande quantidade de cinzas quentes . D-dia-gon-al - tossiu . Sentiu se como_se estivesse a ser sugado para um buraco gigantesco . Como_se girasse muito depressa ... o ruído era ensurdecedor . Tentou manter os olhos abertos mas o turbilhão de chamas verdes fê lo enjoar ... algo duro bateu lhe em o cotovelo e dobrou o de imediato . Continuava a rodar , a rodar ... sentia se agora como_se várias mãos frias estivessem a bater lhe em a cara ... Espreitando através de os óculos , viu uma torrente imprecisa de fogões e captou lampejos de as salas que estavam por detrás ... as sanduíches de * bacon * davam lhe a volta dentro de o estômago ... fechou os olhos desejando que tudo aquilo parasse e então caiu , de cara em o chão , em a pedra fria e sentiu os óculos partirem se a os bocados . Desorientado e ferido , coberto de fuligem , pôs se cautelosamente de pé , levando a os olhos os óculos partidos . Estava completamente só e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava . Tudo_o_que podia dizer era que a o seu lado via uma lareira que lhe parecia ser a de uma enorme e indistinta loja de feitiçaria . Mas nenhum de os artigos que ali se encontravam tinham aspecto de fazer parte de a lista de a escola de Hogwarts . Em uma caixa de vidro podia ver se uma mão atrofiada que repousava sobre uma almofada , um baralho de cartas ensanguentado e um olho de vidro que o olhava fixamente . Máscaras de expressão maldosa enchiam as paredes , olhando de esguelha , uma enorme quantidade de ossos humanos estendia se sobre o balcão e , de o tecto , pendiam instrumentos aguçados com pontas de ferro e pregos enferrujados . Mas o pior é_que a rua estreita e escura , que Harry conseguia avistar através de a janela poeirenta de a loja , não era de modo algum a Diagon-al . Quanto_mais depressa saísse de ali , melhor . O nariz ainda a doer lhe em o sítio onde batera em o chão a o aterrar , Harry avançou rápida e silenciosamente em direcção a a porta , mas antes de conseguir chegar a meio caminho , duas pessoas apareceram de o lado de_fora de o vidro , e uma de elas era a última pessoa que Harry desejaria encontrar em o momento em que se encontrava perdido , coberto de fuligem e com os óculos partidos , Draco_Malfoy . Harry olhou rapidamente em volta e apercebeu se de a existência de um grande armário escuro a a sua esquerda , saltou lá para dentro e fechou as portas , deixando uma gretazinha para poder espreitar . Segundos depois , uma campainha tocava e Malfoy entrava em a loja . O homem que o acompanhava só podia ser o pai . Tinha o mesmo rosto pálido de feições agudas e os mesmos olhos cinzentos de gelo . Mr._Malfoy atravessou a loja , olhando maquinalmente para os artigos expostos e tocou a campainha de o balcão , antes de se voltar para o filho , dizendo : - Não mexas em nada , Draco . Malfoy , que vira o olho de vidro , disse : - Pensei que ias oferecer me um presente . - Eu prometi que ia comprar te uma vassoura de corrida - declarou o pai , tamborilando com os dedos sobre o balcão . - Para que é_que me serve , se não estou em a equipa de Quidditch ? - perguntou Malfoy , carrancudo e de mau humor . - O Harry_Potter teve uma Nimbus dois_mil o ano passado , com a autorização especial de o Dumbledor é para jogar em os Gryffindor . Ele nem é assim tão bom , é só por ser * famoso * ... famoso por ter uma estúpida cicatriz em a testa . Malfoy baixou se para observar uma prateleira cheia de crânios . - Todos acham que ele é tão esperto , o Potter maravilha , com a sua cicatriz e a sua vassoura ... - Já me disseste isso doze vezes pelo_menos - comentou Mr._Malfoy , olhando repressivamente para o filho . - E devo lembrar te que não é prudente parecer menos do_que amigo de Harry_Potter , quando a maior parte de a nossa gente vê em ele um herói que fez desaparecer o Senhor_do_Mal . Ah , Mr._Borgin . Um homem curvado surgiu por detrás de o balcão , puxando o cabelo gorduroso para trás . - Mr._Malfoy , que prazer vês o de_novo - disse Mr._Borgin , em uma voz tão untuosa como o cabelo . - Encantado , e o nosso jovem Malfoy também , encantado . Em que posso servi os ? Tenho que vos mostrar o que chegou hoje , a um preço muito razoável ... - Hoje não venho comprar , Mr._Borgin , e sim vender - afirmou Mr._Malfoy . - Vender ? - O sorriso apagou se lentamente em o rosto de Mr._Borgin . - Certamente ouviu dizer que o Ministério está a levar a cabo mais buscas - explicou o Mr._Malfoy , retirando de o bolso um rolo de pergaminho e desembrulhando o para Mr._Borgin o ler . - Eu tenho alguns , ah , artigos em casa que poderiam criar me problemas se o Ministério me batesse a porta . Mr._Borgin colocou em o nariz um par de * pince-nez * e olhou para a lista . - O Ministério não se lembraria de o incomodar certamente ... O lábio de Mr._Malfoy dobrou se . - Ainda não me fizeram nenhuma visita . O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito , mas o Ministério está a ficar cada_vez_mais intrometido . Há boatos sobre um novo decreto de protecção de os Muggles , sem dúvida que aquele mordido de as pulgas , adorador de os Muggles , que é o Arthur_Weasley deve estar por detrás de isso . Harry sentiu crescer a raiva . - E , como pode ver , alguns de estes venenos podiam dar a ideia ... - Compreendo perfeitamente , claro - disse Mr._Borgin . - Deixe me ver ... - Posso ter aquilo ? - interrompeu Draco , apontando para a mão raquítica que estava sobre a almofada . - Ah , a mão de a glória ! - exclamou Mr._Borgin , abandonando a lista de Mr._Malfoy e apressando se a responder a Draco . - Põe se lhe uma vela e ela só dá luz a quem a transporta ! A melhor amiga de os gatunos e de os salteadores , o seu filho tem gosto , senhor . - Espero que o meu filho venha a ser mais do_que gatuno ou salteador , Borgin - disse Mr._Malfoy friamente e Mr._Borgin respondeu logo : - Sem ofensa , senhor , sem querer ofender . - Embora , se as notas de a escola não melhorarem - disse Mr._Malfoy ainda mais friamente - esse possa vir a ser o único caminho possível para ele . - Não tenho culpa - retorquiu Draco . - Todos os professores têm os seus preferidos , aquela Hermione_Granger ... - Eu , em o teu lugar , teria vergonha que uma rapariga que nem_sequer pertence a famílias de feiticeiros , me passasse a a frente em todos os exames - interrompeu Mr._Malfoy . Ah - fez Harry baixinho , radiante por ver Draco atrapalhado e furioso . - É o mesmo em todo o lado - comentou Mr._Borgin em a sua voz untuosa . - O sangue de os feiticeiros conta cada_vez menos ... - Não para mim - afirmou Mr._Malfoy , com as longas narinas dilatadas . - Não senhor , nem para mim - concordou Mr._Borgin , inclinando se em uma vénia . - Em esse caso , talvez possamos voltar a a minha lista - disse Mr._Malfoy secamente . - Estou com alguma pressa , Borgin , tenho ainda hoje assuntos importantes a tratar em outro lado . Começaram a discutir os preços . Harry via nervosamente o Draco aproximar se de o seu esconderijo enquanto observava os objectos a a venda . Parou para examinar um enorme rolo de corda de carrasco e para ver , com um sorriso afectado , o cartão preso com um aparatoso laço de opalas onde podia ler se : * _ Cautela , não tocar . Amaldiçoado - reclama as vidas de dezanove donos , todos eles Muggles * . Draco voltou se e viu o armário mesmo em frente . Avançou , estendeu a mão para o puxador ... - Feito - disse Mr._Malfoy , a o balcão . - Vamos , Draco . Harry limpou a testa a a manga quando Draco se afastou . - Muito bom dia , Mr._Borgin . Espero por si amanhã em a mansão para ir buscar a mercadoria . Em o momento em que a porta se fechou , Mr._Borgin abandonou os seus modos subservientes . « Bom dia para o senhor , Mr._Malfoy , e , se as histórias que contam são verdadeiras , não me vendeu nem metade do_que tem escondido em a sua mansão ... » Murmurando de forma taciturna , Mr._Borgin desapareceu em uma sala escura . Harry esperou um minuto não fosse ele voltar e , em seguida , o mais silenciosamente possível , escapou se de o armário , passou por as caixas de vidro e saiu de a loja . Encostando os óculos partidos a o rosto , olhou em volta . Saíra em uma rua estreita e sombria que parecia composta exclusivamente de lojas dedicadas a as artes negras . Aquela de onde acabava de sair parecia ser a maior , mas em frente estava uma montra tétrica de cabeças encolhidas e duas portas abaixo podia ver se uma enorme caixa viva cheia de gigantescas aranhas pretas . Dois feiticeiros com aspecto pobre observavam o de a sombra de uma porta , murmurando entre si . Sentindo se nervoso , Harry pôs se a caminho , tentando agarrar os óculos a direito e não desistindo de a esperança de encontrar maneira de sair de ali . Por um cartaz de madeira , pendurado em a rua , indicando uma loja de venda de velas envenenadas , ficou a saber que se encontrava em a Rua * _ Bativolta * , mas isso não o ajudou pois Harry nunca ouvira falar em tal lugar . Calculou que não tinha pronunciado bem as palavras com a boca cheia de cinzas em a lareira de os Weasley . Tentando manter a calma perguntou a si mesmo o que havia de fazer . - Não estás perdido , pois não , meu menino ? - perguntou uma voz , mesmo junto de o seu ouvido , que o fez dar um salto . Uma bruxa idosa estava em a sua frente , segurando um tabuleiro de uma coisa que se parecia horrivelmente com unhas humanas . A mulher olhou o maldosamente , mostrando os dentes esverdeados . Harry recuou . - Estou bem , obrigado - disse . - Estou só ... - HARRY ! O qu'é que pensas que estás a fazer aqui ? O coração de Harry deu um salto , assim_como o de a bruxa . Um monte de unhas caíram lhe sobre os pés e ela praguejou , enquanto o corpo enorme de Hagrid , o guarda de os campos de Hogwarts , se aproximava de eles a passos largos com os olhos castanhos-escuros a faiscarem sobre a longa barba eriçada . - Hagrid - gritou Harry , aliviado . - Eu estava perdido ... o pó de Floo ... Hagrid agarrou Harry por o cachaço e puxou o para longe de a bruxa , tirando lhe o tabuleiro de as mãos . Os guinchos agudos de a feiticeira seguiram nos até a o fundo de a ruela serpenteante que ia dar a um lagar onde brilhava o sol . Harry avistou a a distância um edifício de mármore branco como a neve que lhe era familiar : o banco de Gringotts . Hagrid conduzira o até a a Diagon - _ Al . - ` _ tás em um péssimo estado ! - disse Hagrid bruscamente , sacudindo lhe a fuligem com tanta força que Harry quase caiu em um barril de estrume de dragão que se encontrava a a porta de um boticário . - A fugir , em a Rua * _ Bativolta * , eu não conheço esse lugar finório , Harry , não quero que ninguém te veja aqui em baixo . - Já percebi - disse Harry , baixando se quando Hagrid fez menção de o escovar melhor . - Já te disse que estava perdido . E o que é_que tu fazes aqui ? - ` _ Tou a a procura d'um repelente para as lesmas comedoras de legumes - resmungou Hagrid . - ` _ tão a destruir as couves todas de a escola . Tu não estás sozinho ? - Estou em casa de os Weasley , mas separámo nos explicou Harry . - Tenho que os encontrar . Desceram juntos a rua . - Por_que é_que nunca respondeste a as minhas cartas ? - perguntou Hagrid , enquanto Harry corria para o acompanhar ( tinha de dar três passos por cada enorme passada de Hagrid ) . Harry explicou lhe tudo sobre Dobby e os Dursleys . - Malditos_Muggles - rugiu Hagrid . - S'eu tivesse sabido ... - Harry ! Harry ! Aqui ! Harry olhou para_cima e viu Hermione_Granger em o topo de a escadaria de Gringotts . Desceu para vir a o encontro de ele , o cabelo castanho de caracóis , a esvoaçar atrás de ela . - O que aconteceu a os teus óculos ? Olá_Hagrid ... Oh , é maravilhoso ver vos outra_vez . Vens a Gringotts , Harry ? - Logo_que encontre os Weasley - respondeu ele . - Não vais ter d'esperar muito - riu se Hagrid . Harry e Hermione olharam em volta . Subindo a rua , em o meio de a multidão , vinham Ron , Fred , George , Percy e Mr._Weasley . - Harry - chamou Mr._Weasley , ofegante . - Tínhamos esperança que só tivesses ido um fogão mais longe ... - passou um pano em a sua calva reluzente . - A Molly está nervosíssima , aí vem ela . - Onde é_que tu saíste ? - perguntou o Ron . - Em a Rua * _ Bativolta * - disse o Hagrid , com um ar sério . - Sensacional ! - exclamaram Fred e George ao_mesmo_tempo . - Nunca nos deram autorização para lá ir - disse o Ron com uma pontinha de inveja . - E fizeram muito bem - grunhiu Hagrid . Mrs._Weasley chegou em aquele momento a correr , a mala a balouçar em uma de as mãos e Ginny quase pendurada em a outra . - Oh Harry , oh meu querido , podias ter ido parar a qualquer lugar ... Tentando recuperar o fôlego , tirou de a mala uma grande escova de roupa e começou a retirar a fuligem que Hagrid não conseguira expulsar . Mr._Weasley pegou em os óculos de Harry , deu lhes um toque de varinha e entregou lhe os como novos . - Bem , tenho de m'ir embora - disse Hagrid cuja mão estava a ser esmagada por Mrs._Weasley ( -- Rua * _ Bativolta * ! Se não o tivesses encontrado , Hagrid ! ) . - Vemo nos em Hogwarts . - E afastou se , os ombros e a cabeça acima de a multidão que enchia completamente a rua . - Adivinham quem eu vi em o Borgin and Burkes ? - perguntou Harry_a_Ron e a Hermione enquanto subiam as escadarias de Gringotts . - Malfoy e o pai . - O Lucius_Malfoy comprou alguma coisa ? - perguntou interessado Mr._Weasley que estava atrás de eles . - Não , estava a vender . - Então está preocupado - comentou Mr._Weasley com visível satisfação . - Ah , eu adorava apanhar o Lucius_Malfoy em alguma . . - Tem cuidado , Arthur - interrompeu Mrs._Weasley enquanto o gnomo porteiro lhes dava reverentemente entrada em o banco . - Isso é um problema de família . Não queiras ter mais olhos que barriga . - Queres dizer com isso que achas que eu não chego para o Malfoy ? - perguntou Mr._Weasley , indignado , mas foi rapidamente afastado de aqueles sentimentos a o avistar os pais de Hermione que estavam de pé , nervosamente encostados a o balcão que acompanhava a grande parede de mármore , a a espera que Hermione os apresentasse . - Mas vocês são Muggles ! - disse Mr._Weasley , encantado . - Temos de tomar uma bebida . O que é isso aí ? Ah , estão a trocar dinheiro de Muggle . Molly , olha - apontou cheio de excitação para as notas de dez libras que Mr._Granger tinha em a mão . - Encontramo nos aqui - disse Ron_a_Hermione , enquanto os Weasley e Harry eram conduzidos a os seus cofres em o subterrâneo de Gringotts . Para chegar a os cofres havia que tomar umas carrinhas conduzidas por gnomos que se deslocavam ao_longo_de carris de comboio de pequenas dimensões através de os túneis subterrâneos de o banco . Harry gostou de a viagem acidentada até a o cofre de os Weasley , mas sentiu se bastante mal , pior do_que em a Rua * _ Bativolta * , quando o cobre foi aberto . Havia lá dentro um pequenino monte de Leões de prata e apenas um Galeão de ouro . Mrs._Weasley foi com a mão a a procura em os cantos antes de , com um gesto rápido , varrer tudo para dentro de o saco . Harry sentiu se ainda pior quando chegaram a o seu cofre . Tentou evitar que vissem o conteúdo enquanto empurrava apressadamente mãos cheias de moedas para dentro_de uma sacola de cabedal . Lá fora , em as escadarias de mármore , separaram se . Percy murmurou vagamente que precisava de uma nova pena de escrever . Fred e George tinham avistado um amigo de Hogwarts , Lee_Jordan . Mrs._Weasley e Ginny iam a uma loja de mantos em segunda mão , Mr._Weasley continuava a insistir em levar os Grangers a o Caldeirão_Escoante para lhes pagar uma bebida . - Encontrarmo nos todos em a Flourish and Blotts dentro_de uma hora para comprar os vossos livros de estudo - disse Mrs._Weasley , afastando se com Ginny . - E nem um passo em direcção a a Rua * _ Bativolta * - gritou a os gémeos que estavam de costas . Harry , Ron e Hermione deambularam por a rua empedrada e sinuosa . O ouro , prata e bronze que tilintavam alegremente em o saco que Harry tinha em o bolso pareciam exigir ser gastos , por isso ele comprou três enormes gelados de morango e manteiga de amendoim que eles devoraram felizes enquanto vagueavam sem destino por a rua fora , observando as montras fantásticas de as lojas . Ron olhou longamente para um conjunto completo de mantos de o Chudley_Cannon , em as montras de o « Equipamento_de_Quidditch_de_Qualidade » até Hermione o arrastar de ali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos . Em a « Jogos_de_Feitiçaria_de_Gambol and Japes » encontraram o Fred , o George e o Lee_Jordan que estavam presos em a fabulosa partida debaixo_de chuva e em os fogos-de-artifício de o Dr._Filibuster . E em uma pequenina loja de velharias cheia de varinhas partidas , balanças instáveis de latão e mantos velhos cobertos de nódoas de poções encontraram Percy profundamente concentrado em um pequenino livro , bastante chato , chamado * _ Prefeitos que conquistam o poder * . - * _ Um estudo sobre os prefeitos de Hogwarts e as suas posteriores carreiras * - leu alto o Ron em a contracapa . - Deve ser fascinante ... - Desaparece - gritou Percy . - Claro , ele é muito ambicioso , já tem tudo planeado . Quer ser ministro de a magia - disse o Ron baixinho a o Harry e a a Hermione , enquanto deixavam Percy entregue a o livro . Uma hora mais tarde dirigiram se a a Flourish and Blotts . Não eram de modo algum os únicos a encaminhar se para a livraria . À_medida_que se aproximavam viram com grande surpresa uma grande multidão a a porta , tentando entrar em a loja . O motivo de tal confusão estava anunciado em um cartaz que se estendia a o longo de a montra superior . GILDEROY_LOCKHART_Assinará exemplares de a sua autobiografia " eu , o mágico " Hoje 12.30 - 16.30 - Vamos poder conhecê o ! - gritou Hermione . - Quero dizer , ele escreveu quase todos os livros de a nossa lista ! A multidão parecia ser maioritariamente composta por bruxas de a idade de Mrs._Weasley . Um feiticeiro bem-parecido estava de pé junto de a porta , dizendo : - Calma , minhas senhoras , não empurrem , cuidado com os livros . Harry , Ron e Hermione conseguiram furar e entrar . Uma longa fila serpenteava para as traseiras de a loja onde Gilderoy_Lockhart estava a assinar os seus livros . Cada_um de eles pegou em um exemplar de * _ ensinamentos de Uma Fada_Carpideira * e escaparam se de a fila indo ter a o lugar onde se encontravam os outros com Mr. e Mrs._Granger . - Ah , aí estão vocês . _ óptimo - disse Mrs._Weasley que parecia estar com falta de ar e não parava de mexer em o cabelo . - Vamos poder vês o dentro_de um minuto . Gilderoy_Lockhart veio lentamente até um lugar onde era visível para todos , sentou se a uma mesa , rodeado de grandes fotografias de o próprio rosto , todo ele sorrisos , mostrando a a multidão o brilho cintilante de os seus dentes . Lockhart usava uma túnica azul-noite que condizia a as mil maravilhas com a cor de os olhos , o chapéu pontiagudo de feiticeiro colocado lateralmente sobre o cabelo ondulado . Um homenzinho pequenino e irritante andava a dançar de um lado para o outro , tirando fotografias com uma grande máquina preta que lançava baforadas de fumo arroxeado em cada * flash * . - Sai de o caminho , tu aí - disse rispidamente a o Ron , mudando de lugar para ter um angulo melhor . - Este é para o * _ Profeta_Diário * . - Grande coisa ! - exclamou o Ron , esfregando os pés em o lugar que o fotógrafo pisara . Gilderoy_Lockhart ouviu o . Olhou , viu o Ron e em seguida Harry . Voltou a olhar , desta_vez com mais atenção . Em seguida , pôs se de pé e gritou : - Não pode ser , o Harry_Potter ? A multidão dividiu se entre murmúrios de excitação . Lockhart aproximou se , agarrou Harry por um braço e levou o para a frente . A multidão rebentou em aplausos . A cara de Harry ardia quando Lockhart lhe apertou a mão para o fotógrafo que disparava como um louco , lançando fumo espesso para_cima de os Weasley . - Belo sorriso , Harry - disse Lockhart através de os seus dentes brilhantes . - Tu e eu juntos merecemos a primeira página . Quando por fim lhe largou a mão , Harry quase não sentia os dedos . Tentou recuar para junto de os Weasley , mas Lockhart lançou lhe um braço por os ombros e prendeu o a o seu lado . - Minhas senhoras e meus senhores - disse bem alto , fazendo sinal para que se acalmassem . - Que momento extraordinário este ! O momento perfeito para eu anunciar algo que tenho vindo a guardar comigo desde_há algum tempo . - Quando o jovem Harry entrou em a Flourish and Blotts hoje , ele queria apenas comprar a minha autobiografia , que tenho agora o maior prazer em oferecer lhe - a multidão aplaudiu de_novo . - Ele não tinha ideia - continuou Lockhart , dando a o Harry um pequeno encontrão que fez com que os óculos lhe escorregassem para a ponta de o nariz - de que ia conseguir em_breve muito mais do_que o meu livro Eu , o mágico . Ele e os seus colegas de a escola vão receber , de facto , o verdadeiro * _ Eu , o mágico * . Sim , minhas senhoras e meus senhores , tenho o maior prazer em anunciar que em o mês_de_Setembro assumirei o lugar de professor de Defesa contra as artes negras em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts ! A multidão aplaudiu e bateu palmas e Harry deu consigo a ser presenteado com a obra completa de Gilderoy_Lockhart . Cambaleando ligeiramente sob o peso de os livros conseguiu abrir caminho para longe de os projectores até a a porta de a sala onde estava Ginny com o seu novo caldeirão . - Podes ficar com estes - murmurou Harry , enfiando os livros em o caldeirão . - Eu vou comprar os meus . - Aposto que adoraste aquilo , não adoraste , Potter ? - disse uma voz que Harry não teve qualquer dificuldade em reconhecer . Endireitou se e deu consigo frente_a_frente com Draco_Malfoy que exibia o seu habitual sorriso escarninho . - O famoso Harry_Potter - disse Malfoy . - Nem_sequer pode entrar em uma livraria sem se tornar primeira página . - Deixa o em paz , ele não queria nada de isso - defendeu a Ginny . Era a primeira vez que falava em frente de Harry . Olhava para Malfoy com um ar feroz . - Potter , arranjaste uma namorada ! - disse arrastadamente Malfoy . Ginny ficou vermelha como um pimentão enquanto Ron e Hermione tentavam abrir caminho , ambos carregando montes de livros de Lockhart . -- Ah és tu ? - disse Ron , olhando para Malfoy como_se ele fosse algo desagradável colado a a sola de o sapato . - Aposto que te surpreendeu ver o Harry aqui ? - Não tanto como a ti em uma loja , Weasley - retorquiu Malfoy . - Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo . Ron ficou tão vermelho quanto Ginny . Deixou também cair os livros em o caldeirão e avançou para Malfoy , mas Harry e Hermione agarraram o por as costas de o casaco . - Ron - disse Mrs._Weasley , aproximando se com Fred e George . - O que estás a fazer ? Isto está uma loucura aqui dentro , vamos lá para fora . - Olha quem ele é , Arthur_Weasley . - Era_Mr._Malfoy . Estava de pé com a mão sobre o ombro de Draco , com o mesmo sorriso escarninho . -- Lucius - disse Mr._Weasley , acenando friamente . -- Muito trabalho em o ministério , segundo me consta - disse Mr._Malfoy . - Todas essas buscas ... espero que te estejam a pagar horas extraordinárias . Meteu a mão em o caldeirão de a Ginny e tirou de o meio de os livros de Lockhart um exemplar muito velho e muito gasto de o * _ Guia_de_Transfiguração_para_Principiantes * . - Parece que não - disse . - Que diabo , qual a vantagem de ser uma nódoa entre os feiticeiros se nem_sequer te pagam bem por isso ? Mr._Weasley corou mais ainda do_que Ron ou Ginny . - Nós temos uma opinião diferente sobre quem são as nódoas entre os feiticeiros - disse . - É claro que ... - disse Mr._Malfoy , os olhos mortiços passando para Mr. e Mrs._Granger apreensivamente . - As companhias com quem tu andas ... e eu que pensava que já não conseguias descer mais baixo ... Ouviu se um tilintar de metal quando o caldeirão de a Ginny foi por os ares . Mr._Weasley lançara se sobre Mr._Malfoy atirando o para dentro_de uma estante . Dezenas_de livros de feitiços saltaram lá de cima , caindo lhes sobre as cabeças . Houve um grito de - Chega lhe , pai ! - de o Fred e de o George . Mrs._Weasley soltava gritos agudos : - Não_Arthur , não . A multidão recuava deitando mais prateleiras a o chão . - Meus senhores , por favor - gritava o encarregado , e então , mais alto do_que todos : - Parem com isso , gente , parem com isso . Hagrid aproximava se através_de um mar de livros . Em um segundo afastou Mr._Weasley e Mr._Malfoy . Mr._Weasley tinha um lábio cortado e Mr._Malfoy fora agredido em um olho por uma * _ Enciclopédia_de_Cogumelos_Venenosos * . Tinha ainda em a mão o livro velho de a Ginny sobre transfiguração . Atirou lhe o , com os olhos a brilhar de malvadez . - Toma o teu livro , garota . É o melhor que o teu pai pode oferecer te . Libertando se de Hagrid , conduziu Draco para fora e abandonaram a livraria . - Devias tê o ignorado , Arthur - disse Hagrid quase a pegar em Mr._Weasley a o colo enquanto lhe endireitava o manto . - São podres até a a raiz , todos eles . Tod'à gente sabe . Nenhum Malfoy vale a pena ser ouvido . Não prestam , ' tá-lhes em o sangue . Vá lá , vamos sair de aqui . O encarregado parecia querer impedis os , mas , olhando bem para Hagrid , pensou melhor . Subiram a rua , os Grangers a tremer de medo e Mrs._Weasley fora de si . - Um belo exemplo para as crianças ... andar a a pancada em público . O que terá pensado Gilderoy_Lockhart ? - Ele gostou - disse o Fred . - Não o ouviram quando ia a sair ? Estava a perguntar a aquele tipo de o Profeta_Diário se conseguia incluir a briga em a reportagem , disse que era boa publicidade . Mas foi um grupo deprimido que regressou a a lareira de o Caldeirão_Escoante onde Harry , os Weasley e todas_as suas compras iriam viajar de volta até a a Toca , usando o pó de Floo . Despediram se de os Grangers que iam sair de o * pub * por a rua de os Muggles , de o outro lado . Mr._Weasley começou a perguntar lhes como funcionavam as paragens de autocarros , mas calou se rapidamente a o ver a expressão de Mrs._Weasley . Harry tirou os óculos e guardou os cautelosamente em o bolso antes de utilizar o pó de Floo . Definitivamente não era a sua forma ideal de viajar . V_O salgueiro zurzidor O fim de as férias de Verão chegou demasiado depressa para o gosto de Harry . Ele desejara muito regressar a Hogwarts , mas aquele mês em a Toca tinha sido o mais feliz de toda_a sua vida . Era difícil não invejar o Ron quando pensava em os Dursleys e em as boas-vindas que ia receber de a próxima vez que pusesse os pés em Privet_Drive . Em a última noite , Mrs._Weasley preparou um jantar magnífico , que incluía os pratos favoritos de Harry e terminava com um pudim de melaço de fazer crescer água em a boca . Fred e George alegraram a noite com uma exibição de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que saltaram de o tecto para as paredes , durante pelo_menos meia_hora . Depois , foi a altura de tomarem uma caneca de chocolate quente e irem para a cama . Em a manhã seguinte , demoraram muito_tempo a preparar se . Levantaram se com o cantar de o galo , mas parecia lhes que ainda tinham muito para fazer . Mrs._Weasley andava de um lado para o outro , mal-humorada , a a procura de meias e penas , chocavam uns com os outros em as escadas , meio vestidos , meio despidos , com pedaços de torrada em as mãos e Mr._Weasley quase partiu o nariz quando tropeçou em uma galinha a o atravessar o pátio , para meter em o carro a mala de Ginny . Harry não percebia lá muito bem_como é_que oito pessoas , seis grandes malas , duas corujas e um rato , iam caber em um pequeno * _ Ford_Anglia * , isso , claro , antes de as artes mágicas que Mr._Weasley acrescentara . - Nem uma palavra a a Molly - murmurou ele a o Harry , enquanto abria a bagageira e lhe mostrava como ela se expandira para que as malas coubessem facilmente . Quando , por fim , se acomodaram todos em o carro , Mrs._Weasley olhou para o banco de trás , onde Harry , Ron , Fred , George e Percy estavam confortavelmente sentados uns a o lado de os outros e disse : - Os Muggles têm mais conhecimentos do_que aqueles que nós lhes atribuímos , não achas ? - Ela e a Ginny entraram para o lugar de a frente , que fora esticado e parecia um banco de jardim . - Quer_dizer , de_fora ninguém diria que este carro era espaçoso , não acham ? Mr._Weasley pôs o motor a funcionar e saíram de o pátio , Harry voltando se para trás para ver por a última vez a casa . Mal teve tempo de se questionar se iria voltar alguma vez e já estavam de volta : George esquecera se de a caixa de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Cinco minutos mais tarde tiveram de interromper de_novo a viagem e voltar a o pátio para o Fred ir a correr buscar a vassoura . Estavam quase a chegar a a auto-estrada , quando Ginny guinchou que se esquecera de o diário . Mas estava a fazer se muito tarde e os ânimos começavam a exaltar se . Mr._Weasley olhou para o relógio e , em seguida , para a mulher . - Molly , querida ... - Não , Arthur . - Ninguém ia ver . Este botãozinho é um transformador de invisibilidade que eu instalei , levava nos por o ar , subíamos acima de as nuvens . Estaríamos lá em dez minutos e ninguém daria por nada ... - Eu disse que não , Arthur . Durante o dia , não . Chegaram a King's_Cross , faltava um quarto para as onze . Mr._Weasley precipitou se em busca de um carrinho de transporte para as malas e correram todos para a estação . Harry apanhara o Expresso_de_Hogwarts em o ano anterior . A parte mais difícil era entrar em a plataforma nove_e_três quartos , que não era visível a os olhos de os Muggles . Era preciso avançar para a barreira sólida que dividia as plataformas nove e dez . Não doía nada , mas tinha de ser feito com cuidado para que nenhum de os Muggles de esse , por o desaparecimento . - O Percy em primeiro lugar - declarou Mrs._Weasley , olhando nervosamente para o relógio lá em cima , que mostrava que tinham apenas cinco minutos para desaparecer através de a barreira . Percy avançou a passos largos e desapareceu . Mr._Weasley foi a seguir e depois de ele Fred e George . - Eu levo a Ginny e vocês vêm atrás_de nós - disse Mrs._Weasley a o Harry e a o Ron , agarrando Ginny pela mão e seguindo em frente . Em um abrir e fechar de olhos , tinham passado . - Vamos passar juntos , só temos um minuto - disse Ron a o Harry . Harry assegurou se de que a gaiola de a Hedwig estava bem fixa em cima de a sua mala e empurrou o carrinho de encontro a a barreira . Estava perfeitamente confiante , aquilo era muito mais fácil do_que usar o pó de Floo . Puseram os dois as mãos em o puxador de os carrinhos e avançaram direitos a a barreira , ganhando velocidade . A um metro e pouco , começaram a correr e ... CRASH . Os dois carros bateram em a barreira e foram impelidos para trás . A mala de o Ron caiu com um enorme estrépito . Harry desequilibrou se e a gaiola de a Hedwig foi parar a o chão brilhante , enquanto ela rolava guinchando , indignada . As pessoas em volta olhavam fixamente e um guarda que estava ali perto gritou : - Que diabo pensam vocês que estão a fazer ? - Perdemos o controlo de o carro de transporte - respondeu o Harry , respirando com dificuldade , agarrando se a as costelas , enquanto se punha de pé . Ron correu a agarrar a Hedwig , que estava a fazer uma cena tal , que já se ouviam murmúrios em a multidão sobre a crueldade para com os animais . - Porque é_que não conseguimos passar ? - perguntou Harry a o Ron em um sussurro . - Não sei . Ron olhou descontroladamente em volta . Uma_dúzia de curiosos estavam ainda a observá os . - Vamos perder o comboio - murmurou o Ron . - Não compreendo porque motivo a cancela se fechou . Harry olhou para o relógio gigantesco com um sentimento de náusea em a boca de o estômago . Dez segundos , nove segundos ... Dirigiu o carrinho de transporte para a frente com toda_a força . O metal manteve se sólido . Três segundos ... dois segundos ... um segundo ... - Partiu - afirmou o Ron , que parecia estonteado . - O comboio foi se embora . E se a mãe e o pai não conseguem voltar para aqui ? Tens algum dinheiro de Muggle ? Harry deu uma gargalhada . - Os Dursleys não me dão um tostão há mais de seis anos ! Ron encostou o ouvido a a barreira . - Não se ouve nada - disse , bastante tenso . - O que vamos nós fazer ? Não sei quanto tempo o pai e a mãe vão demorar . Olharam em volta . As pessoas ainda estavam a observá os , principalmente devido a os contínuos guinchos de a Hedwig . - Acho que o melhor é sairmos de aqui e esperamos por eles junto de o carro - disse Harry . - Aqui estamos a atrair demasiado as aten ... - Harry - disse o Ron , com os olhos a brilhar . - É isso , o carro . - O que é_que tem ? - Podemos voar nele até Hogwarts ! - Mas eu pensei ... - Estamos em apuros , certo ? E temos de chegar a a escola , ou não ? E mesmo os feiticeiros menores de idade estão autorizados a usar a magia em uma emergência real , parágrafo dezanove , ou não sei quê , de a Restrição de ... O sentimento de pânico de Harry transformou se em entusiasmo . - E tu sabes voar nele ? - Não há problema - disse o Ron , andando com o carrinho a a volta e dirigindo se para a saída . - Anda de aí . Se em os apressarmos , conseguiremos sair atrás de o Expresso_de_Hogwarts . E afastaram se de o grupo de Muggles curiosos , abandonando a estação e voltando a a rua , onde o velho * _ Ford_Anglia * se encontrava estacionado . Ron abriu a bagageira com uma série de toques de varinha . Meteram lá dentro as malas , puseram a Hedwig em o assento de trás e entraram para a frente . - Verifica se ninguém está a ver - disse o Ron , ligando a ignição com outro toque de varinha . Harry pôs a cabeça fora de a janela : o trânsito enchia a avenida principal , mas a rua de eles estava vazia . - O. _ K. - disse . Ron carregou em um pequeno botão de o painel . Os carros em volta desapareceram assim_como eles . Harry sentia o assento a vibrar debaixo_de si , ouvia o motor , sentia as mãos sobre os joelhos e os óculos em o nariz , mas , tanto quanto conseguia ver , tornara se um par de olhos redondos flutuando um metro e pouco acima de o chão em uma rua suja , cheia de carros estacionados . - Vamos - disse a voz de o Ron , vinda de o seu lado direito . O chão e os prédios escuros de ambos os lados desapareceram de o seu ângulo de visão , mal o carro se elevou . Em poucos segundos toda_a cidade de Londres , enevoada e resplandecente , estava por baixo de eles . Em seguida , ouviu se um ruído que parecia o saltar de uma rolha e o carro , Harry e Ron , reapareceram . - Oh , oh - disse Ron , batendo em o intensificador de invisibilidade . - Está avariado ... Começaram os dois a bater em o botão . O carro desapareceu . Depois surgiu de forma intermitente . - Aguenta aí - gritou o Ron e carregou com o pé em o acelerador . Saltaram direitinhos para o meio de as nuvens mais baixas e tudo ficou sujo e enevoado . - E agora ? - exclamou Harry , piscando os olhos a a sólida massa de nuvens que os comprimia de todos os lados . - Precisamos de avistar o comboio para sabermos qual a direcção a tomar - explicou o Ron . - Desce rapidamente ... Desceram por o meio de as nuvens e voltaram se em os lugares , espreitando . - Estou a vê o - gritou Harry . - Mesmo em frente , ali . O Expresso_de_Hogwarts deslocava se a grande velocidade lá em baixo , como uma serpente vermelha . - Para Norte - disse o Ron , verificando a bússola de o painel . - O. _ k . , basta que verifiquemos de meia em meia_hora . Aguenta aí ... - e arrancaram por o meio de as nuvens . Em o minuto seguinte , tinham chegado a a luz brilhante de o Sol . Era um mundo diferente . Os pneus de o carro deslizavam sobre o mar de nuvens macias , o céu era de um azul infinito sob a luz , capaz de cegar , que irradiava de o Sol . - Agora só temos de nos preocupar com os aviões - disse o Ron . Olharam um para o outro e desataram a rir . Durante muito_tempo não conseguiram parar . Era como_se tivessem mergulhado em um sonho fabuloso . Aquela , pensou Harry , era certamente a única maneira de viajar : passando por turbilhões e torres de nuvens cor de neve , em um carro cheio de calor , o sol radioso , com um grande pacote de rebuçados em o porta-luvas e antegozando o ar de inveja de o Fred e de o George quando aterrassem suavemente e de forma espectacular em o relvado macio em frente de o castelo de Hogwarts . Espreitaram várias vezes o comboio enquanto voavam cada_vez_mais para norte . Cada descida entre as nuvens dava lhes uma perspectiva diferente . Londres depressa ficou para trás , substituída por campos verdejantes que , por sua vez , deram lugar a grandes pântanos arroxeados , aldeias com pequenas igrejas de brinquedo e uma grande cidade , cheia de vida , com carros que pareciam formigas multicores . Várias horas mais tarde sem acontecer nada de_novo , Harry teve de admitir que uma parte de o entusiasmo se esgotara . Os rebuçados tinham nos deixado cheios de sede e não havia nada para beber . Ele e o Ron tinham tirado as camisolas , mas a * _ T-shirt * de o Harry estava colada a as costas de o assento e os óculos não paravam de lhe escorregar para a ponta de o nariz . Deixara de reparar em as fabulosas formas de as nuvens e pensava com saudade em o comboio , milhas abaixo de eles , onde se podia comprar sumo fresquinho de abóboras em um carro empurrado por uma bruxa gordinha . Porque não teriam conseguido entrar em a plataforma nove_e_três quartos ? - Não pode ser muito mais longe , pois não ? - resmungou o Ron , horas mais tarde quando o Sol começava a enfiar se em o seu chão de nuvens , pintando as de um rosa profundo . - Estás pronto para outra espreitadela a o comboio ? Ainda ia mesmo por baixo de eles , abrindo caminho por_entre uma montanha com o topo coberto de neve . Estava muito mais escuro entre o dossel de nuvens . Ron pôs o pé em o acelerador e levou os de_novo para_cima , mas em esse momento o motor começou a chiar . Harry e Ron trocaram entre si olhares nervosos . - Deve estar só cansado - disse o Ron . - Nunca tinha vindo tão longe ... - E fingiram ambos que não davam por o gemido que se ia tornando maior à_medida_que o céu serenamente escurecia . As estrelas desabrochavam em a escuridão , Harry voltou a enfiar a camisola de lã , tentando ignorar os limpa pára-brisas que acenavam debilmente como_que a protestar . - Não devemos estar longe - disse Ron , dirigindo se mais a o carro do_que a o amigo . - Já não devemos estar longe - deu umas palmadinhas nervosas em o * tablier * . Pouco depois , quando voltaram a voar em o meio de as nuvens , tiveram de olhar de lado em a escuridão , em busca de um ponto de referência que conhecessem . - Ali - gritou Harry , fazendo o Ron e a Hedwig darem um salto . - Mesmo em frente . Recortados em o horizonte negro , sobre o rochedo de o outro lado de o lago , erguiam se as torres e torreões de o castelo de Hogwarts . Mas o carro tinha começado a estremecer e perdia a os poucos velocidade . - Vá lá - disse o Ron , dando a o volante um pequeno abanão bajulador . - Estamos quase a chegar , vá lá ... O motor gemeu . Pequenos jactos de vapor de água brotaram de o capo . Harry deu consigo agarrado com toda_a força a os bordos de o assento enquanto voavam direitos a o lago . O carro deu um solavanco feio . Espreitando por a janela , Harry viu a superfície negra , macia e espelhada de a água cerca de uma milha abaixo de eles . Os dedos de o Ron agarrados a o volante tinham as articulações brancas . O carro deu um novo esticão . - Vá lá - murmurou o Ron . Estavam sobre o lago ... o castelo ficava mesmo em frente . Ron fez força com o pé . Houve um ruído surdo , uma crepitação e o motor morreu por completo . - Oh ! oh ! - gemeu Ron em o silêncio . O nariz de o carro voltou se para baixo . Estavam a cair , ganhando velocidade em direcção a os muros sólidos de o castelo . - Naaaaão ! - gritou o Ron , girando o volante . Escaparam a a muralha de pedra negra por centímetros , quando o carro fez um grande arco , planando primeiro sobre as estufas , depois sobre o rectângulo plantado com vegetais e , por fim , sobre os relvados , perdendo sempre velocidade . Ron largou o volante por completo e tirou a varinha de o bolso de trás . - __ pára ! __ pára ! - gritou , batendo em o * tablier * e em o pára-brisas , mas eles continuavam a mergulhar , o chão a voar em direcção a eles . - : __ cuidado com essa __ árvore ! ! ! - bramiu Harry , deitando a mão a o volante , mas ... tarde de mais ... CRUNCH . Com um ruído ensurdecedor de metal e madeira , bateram em o tronco espesso de a árvore e caíram em o chão com um forte solavanco . O vapor era um mar debaixo de o capo amachucado . A Hedwig tremia apavorada . Em a cabeça de Harry surgira um alto de o tamanho de uma bola de golfe , quando ele batera em o pára-brisas , tombando em seguida para a direita . Ron soltou um gemido longo e desesperado . - Estás O. _ K ? - perguntou Harry , aflito . - A minha varinha - disse o Ron em uma voz trémula . - Olha para a minha varinha . Tinha se partido praticamente em duas , a ponta balouçava mole , presa por meia_dúzia de esquírolas . Harry abriu a boca para dizer que em a escola com certeza conseguiriam consertá a , mas nem chegou a começar a frase . Em esse preciso momento , algo bateu em o seu lado de o carro , com a força de um touro , projectando o para_cima de o Ron , ao_mesmo_tempo que um golpe igualmente forte se sentiu em o capô . - O que está a acontec ... Ron arfou , olhando fixamente por o pára-brisas e Harry olhou em volta , mesmo a_tempo_de ver uma ramada espessa como uma píton vir contra o vidro . A árvore em que tinham batido estava a atacá os . O tronco dobrara se quase a meio e os seus galhos rugosos davam uma tareia a cada centímetro de o carro que conseguiam atingir . - Ah ! - praguejou o Ron , quando outra pernada retorcida esmurrou a sua porta , amolgando a . O pára-brisas tremia agora sob uma saraivada de golpes vindos de galhos que pareciam patas de animais e uma ramada espessa como um aríete esmagava furiosamente o capo , que parecia estar a ceder ... - Corre ! - gritou o Ron , lançando o seu peso contra a porta , mas , em o momento seguinte , tinha sido atirado para trás , para o colo de Harry por um soco maldoso , dado de baixo para_cima , por outro ramo . - Estamos feitos ! - resmungou , enquanto o tecto descaía . Mas , de repente , o chão de o carro estava a vibrar , o motor pegara . - Marcha atrás - gritou o Harry e o carro deu um salto para trás . A árvore tentava ainda agredis os , ouviam as raízes chiar , enquanto quase se partiam esticando se para os alcançar . - Escapámos por_pouco ! - exclamou o Ron . - Muito bem , carro . Mas o carro tinha atingido o limite de as suas forças . Com dois estalidos , as portas abriram se e Harry sentiu o seu assento inclinar se para o lado . Quando deu por si , estava estatelado em o chão húmido . Ruídos surdos avisaram o de que o carro estava a ejectar as malas de a bagageira . A gaiola de a Hedwig voou por os ares e abriu se . Ela saiu a voar com um pio furioso e dirigiu se a o castelo , sem sequer olhar para trás . Em seguida , o carro , amolgado , arranhado e a fumegar , arrancou em o escuro , com os faróis traseiros ardendo de fúria . - Volta aqui ! - gritou o Ron , brandindo a varinha partida . - O meu pai mata me . Mas o carro desapareceu a perder de vista , com um último estoiro de o tubo de escape . - Já viste bem o nosso azar ! ? - exclamou o Ron em o meio de a sua infelicidade , baixando se para apanhar o rato Scabbers . - De todas_as árvores em que podíamos ter batido , tínhamos de ir dar a uma que bate também . Olhou por cima de o ombro para a velha árvore que ainda agitava os ramos ameaçadoramente . - Vamos - disse Harry , fatigado . - É melhor irmos andando para a escola ... Não foi , de modo algum , a chegada triunfal que tinham imaginado . Constrangidos , cheios de frio e magoados , pegaram em as malas e começaram a arrastá as por o relvado acima , em direcção a as grandes portadas de carvalho . - Acho que o banquete já começou - disse o Ron , largando a mala em os degraus de a entrada e atravessando devagarinho para espreitar por uma janela iluminada . - Harry , anda ver , é a distribuição . Harry apressou se e os dois , ele e o Ron , espreitaram para o Salão_Nobre . Um número infindável de velas pairava em o ar , sobre quatro mesas enormes cheias de gente , fazendo brilhar os pratos dourados e as taças . Em cima , o tecto encantado que espelhava o céu lá de_fora , brilhava cheio de estrelas . Por_entre a floresta de chapéus pretos pontiagudos de Hogwarts , Harry viu uma longa fila de alunos de o primeiro ano com olhares assustados que enchia o vestíbulo . Ginny estava entre eles , facilmente reconhecível devido a o seu chamativo cabelo Weasley . Enquanto isso , a professora Mc_Gonagall , uma bruxa de óculos com cabelo castanho apanhado em um carrapito , colocava o famoso chapéu seleccionador em um banco que se encontrava em frente de os novos alunos . Todos os anos , aquele velho chapéu , remendado , puído e cheio de pó , seleccionava alunos para as quatro equipas de Hogwarts ( Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin ) . Harry lembrava se bem de o ter colocado em a cabeça , precisamente um ano antes , e ter esperado petrificado por a sua decisão , enquanto ele lhe murmurava a o ouvido . Durante alguns horríveis segundos receara que o chapéu o mandasse para os Slytherin , a equipa que produzia maior número de feiticeiros e feiticeiras de magia negra , mas acabara por ficar em os Gryffindor , juntamente com Ron e Hermione e o resto de os Weasley . Em o último período , Harry e Ron tinham ajudado os Gryffindor a vencer o campeonato de a equipa , batendo os Slytherin pela_primeira_vez em sete anos . Um rapazito baixinho com cabelo de rato acabava de ser chamado para pôr o chapéu em a cabeça . Os olhos de Harry saltavam de ele para o lugar onde o professor Dumbledore , o director , estava sentado , observando a selecção de a mesa de os professores , com a sua longa barba cor de prata e óculos de meia-lua que brilhavam a a luz de as velas . Alguns lugares a a frente , Harry viu Gilderoy_Lockhart com um manto verde-azulado . E lá bem a o fundo estava Hagrid , enorme e cabeludo , bebendo satisfeito de a sua taça . - Espera aí - murmurou a o Ron . - Há um lugar vazio em a mesa de os professores . Onde estará o Snape ? Severus_Snape era o professor de quem Harry menos gostava . Harry era também o seu aluno menos querido . Cruel , sarcástico e detestado por todos com excepção de os alunos de a sua própria equipa ( Slytherin ) , Snape tinha a seu cargo a cadeira de Poções . - Talvez esteja doente - sugeriu Ron , cheio de esperança . - Talvez se tenha ido embora - lembrou Harry . - Por não lhe terem dado outra_vez a Defesa contra as artes negras . - Ou talvez tenha sido corrido - propôs Ron com entusiasmo . - Afinal , toda_a_gente o detesta ... - Ou talvez - disse uma voz gelada atrás de eles - esteja a a espera que vocês lhe expliquem por_que motivo não vieram em o comboio de a escola . Harry deu uma volta . Em a sua frente , com o manto negro a ondular em uma brisa fria , estava Severus_Snape . O professor era um homem magro , de pele descorada , nariz adunco e um cabelo preto oleoso que lhe caía sobre os ombros . E em aquele momento sorria de um modo tal que Harry sentiu que tanto ele como Ron estavam em sérios apuros . - Sigam me - disse Snape . Sem ousarem sequer olhar um para o outro , Harry e Ron seguiram Snape por as escadas até a o amplo * hall * de entrada que estava iluminado por as chamas de os archotes . De o salão nobre vinha um cheirinho delicioso a comida , mas Snape levou os para longe de a luz e de o calor , em direcção a uma escada estreita de pedra que conduzia a os calabouços . - Entrem - ordenou , abrindo uma porta a meio de o corredor e apontando . Entraram a tremer em o escritório de Snape . As paredes sombrias estavam cobertas de prateleiras cheias de jarros de vidro grosso onde flutuavam as coisas mais diversas e repugnantes , cujo nome Harry não queria de momento conhecer . A lareira estava escura e vazia . Snape fechou a porta e voltou se de frente para eles . - Com que então - disse com falsa suavidade - o comboio não serve para o famoso Harry_Potter e o seu fiel companheiro Weasley . Queriam chegar em grande estilo , não era rapazes ? - Não senhor , foi a barreira em King's_Cross , ela ... - Silêncio - disse Snape friamente . -- _ o que fizeram a o carro ? Ron engoliu em seco . Aquela não era a primeira vez que Snape dava a Harry a impressão de ser capaz de ler pensamentos . Mas , pouco depois , compreendeu tudo quando Snape desenrolou o exemplar de o Profeta_Vespertino . - Vocês foram vistos - afirmou , mostrando lhes o cabeçalho : : __ ford anglia voador confunde __ muggles . Começou a ler alto a notícia . - Dois Muggles em Londres convenceram se de que tinham visto um carro velho a voar sobre a torre de os correios ... a a tardinha em Norfolk , Mrs._Hetty_Bayliss , enquanto pendurava a roupa ... Mr._Angus_Fleet_de_Peebles informou a polícia ... seis ou sete Muggles a o todo . Julgo que o teu pai trabalha em o departamento de mau uso dado a os objectos de os Muggles ? - disse olhando para Ron e sorrindo de uma forma ainda mais sarcástica . - Que peninha , o próprio filho ... Harry sentiu se como_se tivesse levado um soco em o estômago de uma de as maiores pernadas de a árvore louca . E se alguém descobrisse que Mr._Weasley tinha enfeitiçado o carro ? Ele ainda nem tinha pensado em isso . - Reparei durante a minha volta por o jardim que foi feito um estrago considerável em um salgueiro zurzidor extremamente valioso - continuou Snape . - Essa árvore fez nos pior a nós do_que nós ... - deixou escapar Ron . - Silêncio - interrompeu Snape , de_novo . - Infelizmente vocês não fazem parte de a minha equipa e a decisão de vos expulsar não está em as minhas mãos . Vou , por isso , buscar as pessoas que possuem essa feliz possibilidade . Esperem aqui . Harry e Ron olharam , pálidos , um para o outro . Harry perdera a fome . Sentia se agora extremamente agoniado . Tentava não olhar para uma coisa viscosa , suspensa em um líquido verde que estava em uma prateleira por detrás de a secretária de Snape . Se ele fora buscar a professora Mc_Gonagall , chefe de a equipa de os Gryffindor , não estavam muito melhor . Ela era mais justa do_que Snape , mas extremamente severa . Dez minutos mais tarde , Snape voltou e era , de facto , a professora Mc_Gonagall quem o acompanhava . Harry vira a professora Mc_Gonagall zangada , mas , ou se tinha esquecido de como a boca de ela ficava fina , ou nunca a vira tão zangada como em aquele dia . Levantou a varinha em o momento em que entrou . Harry e Ron estremeceram , mas ela limitou se a apontá a para a lareira onde as chamas se elevaram subitamente . - Sentem se - ordenou , e os dois recuaram para as cadeiras junto de o lume . - Expliquem se - disse com os óculos a brilhar de uma forma ameaçadora . Ron enveredou por a história começando por a barreira de a estação que se recusara a deixá os passar . - Por isso não tínhamos escolha , professora , não podíamos chegar a o comboio . - Porque não nos mandaram uma carta por a coruja ? Julgo que tens uma coruja ? - disse friamente a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a Harry . Harry olhou para ela sem saber o que dizer . - Parece me - continuou ela - que seria a coisa mais adequada . - Eu ... não pensei ... - Isso - disse a professora Mc_Gonagall - é bastante óbvio . Ouviu se bater a a porta de o escritório e Snape , que parecia agora mais feliz do_que nunca , foi abrir . Era o director , o professor Dumbledore . Harry ficou totalmente paralisado . Dumbledore tinha uma expressão grave . Olhou para eles de cima de o seu nariz adunco e Harry desejou estar ainda com Ron a levar uma sova de o salgueiro zurzidor . Fez se um longo silêncio . Em seguida , Dumbledore disse lhes : - Por favor , expliquem porque fizeram isto . Teria sido melhor se gritasse . Harry detestou sentir a decepção em a sua voz . Inexplicavelmente era incapaz de olhar Dumbledore em os olhos e falou em direcção a os seus joelhos . Disse lhe tudo excepto que o carro enfeitiçado pertencia a Mr._Weasley , dando a ideia de que ele e o Ron o tinham encontrado estacionado fora de a estação . Sabia que Dumbledore ia ver para_além de isso , mas o director não fez perguntas sobre o carro . Quando Harry terminou continuou a olhar para ele através de os seus óculos . - Nós vamos buscar as nossas coisas - disse Ron em um tom de voz sem esperança . - Que disparate é esse ? - rosnou a professora Mc_Gonagall . -- Então , vão expulsar nos , não vão ? - disse o Ron . Harry olhou rapidamente para Dumbledore . - Ainda não , Mr._Weasley - afirmou Dumbledore . - Mas vou assinalar a gravidade do_que vocês fizeram . Hoje a a noite escreverei a as vossas famílias . Estão também prevenidos que se voltarem a fazer uma coisa como esta não terei outro remédio senão expulsar vos . A expressão de Snape era como_se o Natal tivesse sido cancelado . Pigarreou e disse : - Professor_Dumbledore , estes rapazes infringiram o decreto para a restrição de a feitiçaria de os menores , causaram estragos consideráveis a uma árvore antiga e valiosa ... sem dúvida , actos de esta natureza ... - Cabe a a professora Mc_Gonagall decidir sobre os castigos de os rapazes , Severus - afirmou Dumbledore com toda_a calma . - Pertencem a a equipa de ela e são , portanto , de a sua responsabilidade . - Voltou se para a professora Mc_Gonagall . - Tenho de regressar a o banquete , Minerva , devo dar algumas informações . Venha Severus , há uma tarte de leite e ovos com um aspecto delicioso que quero mostrar lhe . Snape lançou um olhar de puro veneno a o Harry e a o Ron enquanto permitia que o afastassem de o seu escritório , deixando os a sós com a professora Mc_Gonagall que ainda os olhava como uma águia em fúria . - É melhor ires até a a ala hospitalar , Weasley , estás a sangrar . - Não é nada - disse Ron , limpando o corte com a manga para que ela o visse . - Professora , eu gostava de ver a minha irmã ser seleccionada . - A cerimónia de a selecção terminou - disse a professora Mc_Gonagall . - A tua irmã está também em os Gryffindor . - _ óptimo - exclamou Ron . - E por falar em os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall de forma cortante , mas Harry interrompeu a : - Professora , quando tirámos o carro , o ano escolar ainda não tinha começado , por isso os Gryffindor não deveriam perder pontos , pois não ? - terminou olhando a ansiosamente . A professora Mc_Gonagall lançou lhe um olhar penetrante , mas ele era capaz de jurar que ela quase tinha sorrido . Pelo_menos a boca não parecia tão fina . - Não vou tirar pontos a os Gryffindor - tranquilizou o . E o coração de Harry ficou mais leve . - Mas vocês os dois vão ter um castigo . Foi melhor do_que Harry imaginara . O facto de Dumbledore escrever a os Dursley não tinha a menor importância . Harry sabia perfeitamente que eles só lamentariam que o salgueiro zurzidor não o tivesse esmigalhado . A professora Mc_Gonagall ergueu a varinha de_novo apontou a a a secretária de Snape . Um grande prato de sanduíches , duas taças de prata e um jarro com sumo de abóbora gelado apareceram em menos_de um segundo . - Vocês vão comer aqui e , em seguida , vão direitinhos para o vosso dormitório - disse . - Eu também tenho de voltar para a festa . Mal a porta se fechou atrás de ela , Ron soltou baixinho um assobio . - Pensei que estávamos feitos - confessou , agarrando uma sanduíche . - Também eu - disse o Harry , orando também uma . - Mas já viste bem a nossa pouca sorte ? - insistiu o Ron com a boca cheia de frango e fiambre . - O Fred e o George voaram em aquele carro cinco ou seis vezes e nenhum Muggle os viu - engoliu outro pedaço enorme de a sanduíche . - Porque será que não conseguimos passar a barreira ? Harry encolheu os ombros . - Mas temos de ter muito cuidado a_partir_de agora - disse bebendo um grande trago de sumo de abóbora . - Que pena não termos podido ir a o banquete . - Ela não quis que nos exibíssemos - afirmou Ron com prudência . - Não vão as pessoas pensar que é uma boa chegar aqui de carro voador . Quando já tinham comido todas_as sanduíches que queriam ( o prato ia voltando a encher se sozinho ) , levantaram se e saíram de o escritório , seguindo o caminho que lhes era familiar , para a torre de os Gryffindor . O castelo estava em silêncio . Parecia que o banquete tinha acabado . Passaram por retratos murmurantes e armaduras que gemiam e subiram os degraus estreitos de pedra até que , por fim , chegaram a a passagem onde a entrada secreta para a torre de os Gryffindor se encontrava oculta por detrás de o quadro a óleo de uma dama gorda em um vestido cor-de-rosa . - A senha ? - perguntou ela mal os dois se aproximaram . - Er ... Eles ainda não tinham estado com o prefeito de os Gryffindor e por isso ainda não conheciam a senha para o novo ano , mas a ajuda não se fez esperar . Ouviram passos apressados atrás de eles e quando se voltaram viram Hermione que se aproximava . - Aí estão vocês . Onde é_que se meteram ? Correm os boatos mais ridículos , alguém disse que vocês tinham sido expulsos por espatifarem um carro voador . - Bem , expulsos não fomos - tranquilizou a Harry . - Não estás a dizer me que voaram até aqui ? - perguntou Hermione em um tom quase tão severo como a professora Mc_Gonagall . - Dispensa se o sermão - interrompeu Ron impacientemente . - E diz nos a nova senha de passagem . - É crista de pássaro - disse Hermione não contendo a impaciência . - Mas o mais importante não é isso ... Contudo as palavras de ela foram interrompidas ao_mesmo_tempo que o retrato de a dama gorda se abria e se ouvia uma tempestade de aplausos . A o que parecia a equipa de os Gryffindor estava ainda acordada , dentro de a sala comum em forma de círculo , junto de as mesas assimétricas e de os cadeirões moles a a espera que eles chegassem para , de braços estendidos através de o buraco de o retrato , puxarem Harry e Ron para dentro deixando Hermione para o fim . - Sensacional - gritou Lee_Jordan . - Inspirado ! Que entrada ! Voar em um carro e aterrar em o salgueiro zurzidor . Toda_a_gente vai falar de isto durante anos e anos . - Muito bem - disse um aluno de o quinto ano com quem Harry nunca tinha falado . Alguém dava lhe palmadas em as costas como_se ele acabasse de vencer a maratona . Fred e George abriram caminho por_entre a multidão e disseram ao_mesmo_tempo : - Por_que é_que não nos chamaram , hein ? - Ron estava vermelho como um pimentão , sorrindo envergonhado , mas Harry via perfeitamente uma pessoa que não estava nada contente . Percy elevava se acima de as cabeças de os excitados alunos de o primeiro ano e parecia estar a tentar aproximar se para os repreender . Harry deu uma cotovelada a o Ron e apontou em direcção a Percy . Ron percebeu de imediato . - Temos de ir para_cima , um_pouco cansados ! - explicou e os dois começaram a abrir caminho em direcção a a porta que ficava de o outro lado de a sala e que dava para a escada em espiral e para os dormitórios . - ` _ Noite - despediu se Harry_de_Hermione que tinha um ar tão carrancudo como Percy . Conseguiram chegar a o outro lado de a sala comum sempre a levarem palmadas em as costas e alcançaram o sossego de as escadas . Apressaram se a subir e , por fim , chegaram a a porta de o dormitório que tinha agora um letreiro a dizer « Segundos_Anos » . Entraram em o quarto circular , que conheciam tão bem , com as suas cinco camas de dossel adornadas de velado vermelho e as suas janelas altas e estreitas . As malas tinham sido trazidas para_cima e colocadas a os pés de as camas . Ron fez um sorriso culpado . - Sei que não devia ter gostado de aquilo , mas ... A porta de o dormitório abriu se e os outros rapazes de os Gryffindor entraram ; eram eles o Seamus_Finnigan , o Dean_Thomas e o Neville_Loogbottom . - Inacreditável - aplaudiu Seamus . - Incrível - aprovou o Dean . - Espantoso - exclamou o Neville , aterrado . Harry não pôde evitar também um sorriso . VI_Gilderoy_Lockhart_No dia seguinte , contudo , Harry não conseguiu sorrir . As coisas começaram a correr mal logo em o salão durante o pequeno-almoço . Debaixo de o tecto encantado ( em aquele dia triste e cinzento ) estavam as quatro grandes mesas de as equipas e sobre elas , terrinas de papa de aveia , pratos de arenque defumado , montanhas de torradas e pratadas de ovos com * bacon * . Harry e Ron sentaram se em a mesa de os Gryffindor , junto de Hermione que tinha o seu exemplar de * _ Viagens com Vampiros * totalmente aberto , encostado a um jarro de leite . Havia uma certa rigidez em a maneira como ela disse : - ` _ Dia - que mostrou a Harry que continuava a desaprovar o modo como tinham chegado a a escola . Por seu turno , Neville_Longbottom saudou os entusiasticamente . Neville era um rapazinho de cara redonda , muito dado a acidentes , com a pior memória que Harry tinha conhecido . - A entrega de correio deve estar a chegar , acho que a minha avó me vai mandar umas quantas coisas de que me esqueci ... Harry tinha começado a comer as papas de aveia , quando se ouviu um ruído tumultuoso em o ar e umas cem corujas entraram ao_mesmo_tempo , sobrevoando o salão e deixando cair cartas e pacotes em o meio de a multidão faladora . Um embrulho grande e rugoso caiu em a cabeça de Neville e , um segundo depois , uma coisa larga e cinzenta caiu em o jarro de a Hermione , enchendo os a todos de leite e penas . - Errol - gritou o Ron , puxando a coruja esfarrapada por as patas . Errol caíra inconsciente sobre a mesa com as pernas para o ar e um envelope vermelho húmido em o bico . - Oh , não ! - sobressaltou se Ron . - Ela está bem , ainda está viva - tranquilizou o Hermione , tocando suavemente em a Errol com a ponta de o dedo . - Não é isso , é ... aquilo . Ron apontava para o envelope vermelho . Parecera perfeitamente vulgar a Harry , mas Ron e Neville estavam ambos a observá o como_se esperassem que explodisse . - Qual é o problema ? - perguntou Harry . - Ela . Ela mandou me um * gritador * - disse Ron , quase sem voz . - É melhor abrires - aconselhou Neville em um murmúrio tímido - senão é pior . A minha avó uma_vez mandou me um que eu ignorei e ... - engoliu em seco - foi horrível . Harry olhava , ora para as suas caras , ora para o envelope vermelho . - O que é um * gritador * ? - perguntou . - Mas toda_a atenção de o Ron estava fixa em a carta que começara a fumegar por os cantos . - Abre a - intimou o Neville . - De aqui a poucos minutos já passou tudo . Ron estendeu uma mão trémula , retirou o envelope de o bico de a Errol e começou a abri o . Neville pôs os dedos em os ouvidos . Após uma fracção de segundo , Harry compreendeu porquê . Pensou em o primeiro momento que ela explodira . Um ruído ensurdecedor encheu o enorme salão , fazendo cair pó de o tecto . - ... : __ roubar o carro ! não me surpreendia nada se te expulsassem . espera só até te pôr as mãos em cima . será que não paraste para pensar em a nossa aflição quando vimos que o carro tinha __ desaparecido ... Os gritos de Mrs._Weasley , ampliados cem vezes em relação a o seu normal , fizeram os pratos e as colheres chocalhar em a mesa e ecoaram de forma ensurdecedora em as paredes de pedra . Vinha gente de todos os lados espreitar quem tinha recebido o * gritador * e Ron afundou se tanto em a cadeira que só se lhe via a testa carmesim . - ... : __ uma carta de o dumbledore ontem a a noite , o teu pai quase morria de vergonha . não foi esta a educação que te demos , tu e o harry podiam ter __ morrido ... Harry estava a ver quando é_que o seu nome viria a a baila . Tentou o melhor que pôde agir como_se não ouvisse a voz , mas aquilo estava a fazer com que os tímpanos lhe latejassem . - ... : __ profundamente decepcionada , o teu pai vai ter de se confrontar com um inquérito em o trabalho , tudo por tua culpa e , se pisas mais_uma_vez o risco , trago te para __ casa ! Seguiu se um silêncio ressonante . O envelope vermelho , que caíra de as mãos de o Ron , incendiou se e encaracolou se em cinzas . Harry e Ron estavam sentados de boca aberta , como_se uma onda gigante lhes tivesse passado por cima . Algumas pessoas riam e , a os poucos , o ruído de as conversas recomeçou . Hermione fechou o * _ Viagens com Vampiros * e olhou para o topo de a cabeça de Ron . - Bem , não sei o que esperavas , Ron , mas tu ... - Não me venhas dizer que mereci - interrompeu Ron . Harry afastou as papas de aveia . O estômago ardia lhe de culpa . Mr._Weasley tinha um inquérito em o trabalho , depois de tudo_o_que Mr. e Mrs._Weasley tinham feito por ele durante o Verão ... Mas não teve muito_tempo para se demorar em aqueles pensamentos . A professora Mc_Gonagall circulava em volta de as mesas de os Gryffindor distribuindo horários . Harry pegou em o seu e viu que começavam por ter Herbologia , juntamente com os Hufflepuff . Harry , Ron e Hermione saíram juntos de o castelo , atravessaram as hortas e chegaram a as estufas , onde estavam guardadas as plantas mágicas . O * gritador * tivera pelo_menos uma vantagem : Hermione parecia achar que já tinham sido suficientemente castigados e estava de_novo perfeitamente calorosa . Quando estavam a chegar a as estufas viram o resto de a classe de pé , cá fora , a a espera de a professora Sprout . Harry , Ron e Hermione tinham acabado de se lhes juntar quando a viram aproximar se a passos largos por o relvado , acompanhada de Gilderoy_Lockhart . A professora Sprout era uma bruxa pequenina e atarracada que usava um chapéu a os remendos sobre o cabelo solto . As roupas que vestia estavam sempre cheias de terra e as suas unhas fariam a tia Petúnia desmaiar . Gilderoy_Lockhart , pelo_contrário , tinha um ar imaculado em as suas vestes azul-turquesa , o cabelo doirado a brilhar debaixo_de um chapéu azul-turquesa , com uma fita dourada , perfeitamente posicionado sobre a cabeça . - Olá a todos ! - gritou Lockhart , dirigindo se a o grupo de estudantes . - Estive a mostrar a a professora Sprout a maneira correcta de tratar um salgueiro . Mas não quero que fiquem com a ideia de que sou melhor do_que ela em Herbologia . Acontece que encontrei várias de estas plantas exóticas , durante as minhas viagens .... - Estufa número três hoje , meninos ! - disse a professora Sprout que estava visivelmente descontente , bem diferente de a sua habitual natureza bem-disposta . Houve um murmúrio de interesse . Eles só tinham estado uma_vez em a terceira estufa , que era uma estufa que abrigava plantas bem mais interessantes e perigosas . A professora Sprout tirou uma enorme chave de o cinto e abriu a porta . Harry sentiu o bafo de a terra húmida com adubo misturado e o perfume forte de umas flores gigantescas , de o tamanho de guarda-chuvas , que estavam penduradas de o tecto . Ia seguir Ron e Hermione , quando a mão de o Lockhart o travou . -- Harry ! Tenho querido ter uma palavrinha contigo . Não se importa se ele chegar uns minutos atrasado , pois não , professora Sprout ? A julgar por a expressão carregada de a professora Sprout , importava se sim , mas Lockhart disse : - Então até já - e fechou a porta de a estufa em a cara de ela . - Harry ! - disse Lockhart , com os dentes brancos a brilharem a o sol , enquanto abanava a cabeça . - Harry , Harry , Harry ! Harry , totalmente perplexo , não disse uma palavra . - Quando ouvi dizer , bem , é claro que eu tive muita culpa , deviam castigar me também ... Harry não fazia ideia de que estava ele a falar , quando Lockhart prosseguiu : - Nunca me lembro de ficar tão chocado . Fazer voar um automóvel até Hogwarts ! Bem , é claro que eu percebi logo porque o fizeste . Foi um destaque em grande . Harry , Harry , Harry ! Era notável como ele conseguia mostrar todos aqueles dentes brilhantes , mesmo quando não estava a falar . - Criei te o gosto por a publicidade , não foi ? - perguntou Lockhart . - Passei te o bichinho . Apareceste comigo em a primeira página e não podias esperar para aparecer outra_vez ... - Oh , não , professor , sabe é_que ... - Harry , Harry , Harry - disse Lockhart aproximando se e tocando lhe em o ombro . - * _ Eu compreendo * . É natural querer um_pouco mais quando se lhe tomou o gosto , e eu culpo me por te ter dado esse conhecimento , porque era natural que te subisse a a cabeça , mas vê uma coisa , rapazinho , tu não podes começar a fazer voar carros para tentares ser notícia . Tens de acalmar , está bem ? Tens muito_tempo quando fores mais velho . Sim , sim , eu sei o que estás a pensar ! É fácil para ele falar assim , já é um feiticeiro internacionalmente famoso ! Mas quando eu tinha doze anos era tão zé-ninguém como tu és hoje . Em a verdade , era ainda mais . De ti , já meia_dúzia de pessoas ouviram falar , não é ? Toda aquela história com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . - Olhou para a cicatriz luminosa em a testa de Harry . - Eu sei , eu sei , não é o mesmo_que vencer o Prémio de o sorriso de o feiticeiro de a semana cinco vezes seguidas , como eu venci , mas é um começo , Harry , é um começo . Lançou lhe uma piscadela de olhos cordial e foi se embora . Harry ficou atarantado durante alguns segundos . Depois , lembrando se que deveria estar em a estufa , abriu a porta e esgueirou se lá para dentro . A professora Sprout estava de pé , por_detrás_de uma espécie de mesa em o meio de a estufa . Em cima de a mesa estavam cerca de vinte pares de abafo de ouvidos de diferentes cores . Quando Harry estava já em o seu lugar , entre Ron e Hermione , ela disse : - Hoje vamos transplantar Mandrágoras . Muito bem , quem sabe dizer me as propriedades de a Mandrágora ? Não foi surpresa para ninguém que a mão de a Hermione fosse a primeira em o ar . - A Mandrágora tem um efeito reparador muito poderoso - disse Hermione , com o ar mais normal de este mundo , como_se tivesse engolido o livro de texto . - É usada para fazer voltar as pessoas , que foram transfiguradas ou amaldiçoadas , a o seu estado original . - Excelente . Dez pontos para os Gryffindor ! - exclamou a professora Sprout . - A Mandrágora é parte integrante de a maior parte de os antídotos , mas também é perigosa . Quem sabe dizer me porquê ? A mão de Hermione por_pouco não bateu em os óculos de Harry , quando se ergueu de_novo . - O grito de a Mandrágora é fatal para quem o ouve - disse prontamente . - Precisamente . Dou lhe mais dez pontos - disse a professora Sprout . - Agora vejamos , as Mandrágoras que aqui temos são ainda muito jovens . Enquanto falava , apontou para uma fila de tabuleiros com uma certa profundidade e todos se chegaram a a frente para ver melhor . Cerca de uma centena de plantinhas tufosas de um verde arroxeado cresciam em filas . Pareceram perfeitamente vulgares a Harry , que não fazia a menor ideia do_que Hermione queria dizer com o * grito * de a Mandrágora . - Cada_um de vocês pode tirar um par de abafo de ouvidos - disse a professora Sprout . Houve uma competição renhida porque ninguém queria os cor-de-rosa , cheios de penugem . - Quando eu vos disser para os colocar , assegurem se de que os vossos ouvidos estão completamente tapados - disse a professora Sprout . - Logo_que seja seguro retirá os , eu levanto os dedos . Certo , pôr os abafos de os ouvido . Harry pôs imediatamente os abafos em os ouvidos . Eles fecharam completamente o som . A professora Sprout colocou também um par de abafos cor-de-rosa com penugem em os de ela , arregaçou as mangas de a túnica , agarrou uma de as plantas tufosas e puxou com toda_a força . Harry soltou um grito de surpresa que ninguém ouviu . Em_vez_de raízes , um bebé pequenino , enlameado e extremamente feio , saiu de a terra . As folhas cresciam lhe em o alto de a cabeça , tinha uma pele pintalgada de um pálido esverdeado e estava nitidamente a berrar a plenos pulmões . A professora Sprout tirou debaixo de a mesa um grande vaso de plantas e mergulhou lá dentro a Mandrágora , enterrando a em a mistura escura e húmida , até que só as folhas ficassem visíveis . Em seguida , limpou a terra de as mãos , levantou os dedos e todos eles retiraram os abafos de os ouvidos . - Como as nossas Mandrágoras são muito novas , os seus gritos ainda não matam - disse ela com grande calma , como_se tivesse feito algo tão normal como regar uma begónia . - Contudo , podem pôr vos a dormir durante várias horas e , como com certeza nenhum de vocês quer perder o primeiro dia de aulas , vejam se os abafos estão bem colocados enquanto trabalham . Eu chamarei vos a atenção quando for altura de os retirar . - Quatro em cada fila , há aqui uma grande quantidade de vasos , a mistura de terra está em os sacos ali a o fundo e tenham cuidado com a * _ Venomous_Tentacula * , estão a nascer lhe os dentes . Enquanto falava , deu uma pancada seca a uma planta vermelha escura cheia de pontas eriçadas , fazendo a encolher as longas antenas que tinham estado a avançar lenta e dissimuladamente sobre o seu ombro . A Harry , Ron e Hermione veio juntar se em a fila um rapaz de cabelo encaracolado de os Hufflepuff que Harry conhecia de vista , mas com quem nunca tinha falado . - Justin_Finch - _ Fletchey - disse ele com vivacidade , apertando a mão de o Harry . - Conheço te , claro , o famoso Harry_Potter ... e tu és a Hermione_Granger , sempre a primeira em tudo ( Hermione brilhou em um sorriso , como_se ele lhe tivesse apertado a mão ) e Ron_Weasley . Não era teu o carro voador ? Ron não sorriu . Não lhe saía de a cabeça o * gritador * . - Aquele Lockhart é o_máximo , não acham ? - disse Justin satisfeito , enquanto começavam a encher os vasos com composto de adubo de dragão . - Terrivelmente corajoso . Leram os livros de ele ? Eu teria morrido de medo se um lobisomem me tivesse encurralado em uma cabina telefónica , mas ele manteve se calmo e ... zap ... fantástico ! « Eu estava inscrito em Eton , sabem , não imaginam como estou feliz de ter vindo antes para aqui . É claro que a minha mãe ficou um_pouco desiludida , mas depois de lhe ter dado os livros de Lockhart a ler , tenho a impressão de que ela começou a ver a utilidade de ter um feiticeiro bem treinado em a família ... Depois de isso , não tiveram grandes oportunidades para conversar . Voltaram a pôr os abafos de ouvidos e era preciso concentrarem se em as Mandrágoras . A professora Sprout fizera as coisas parecerem extremamente simples , mas não eram . As Mandrágoras não gostavam de sair de a terra mas também não pareciam querer voltar para lá . Elas contorceram se , deram pontapés , agitaram as mãozinhas finas e rangeram os dentes . Harry levou dez minutos inteirinhos a tentar meter uma Mandrágora particularmente gorda dentro_de um vaso . Em o final de a aula , Harry , como todos os outros , estava a suar , cheio de dores e coberto de terra . Regressaram a o castelo a pé para um banho rápido e , em seguida , os Gryffindor apressaram se para assistir a a aula de transfiguração . As aulas de a professora Mc_Gonagall eram sempre complicadas , mas a de aquele dia era particularmente difícil . Tudo_o_que o Harry aprendera em o ano anterior parecia ter se lhe apagado de a memória durante o Verão . Ele deveria ser capaz de transformar uma barata em um botão , mas , tudo_o_que conseguiu foi fazer a barata praticar um imenso exercício , enquanto corria apressadamente por o tampo de a secretária evitando a varinha . Ron estava a debater se com problemas bastante piores . Tinha atado a varinha com uma fita mágica , mas parecia que não havia reparação possível . Não parava de crepitar e lançar faíscas em os momentos mais estranhos e , sempre_que Ron tentava transfigurar a barata , via se envolvido em um fumo cinzento espesso que cheirava a ovos podres . Incapaz de ver o que estava a fazer , o Ron esmagou , por engano , a barata com o cotovelo e teve de ir pedir que lhe dessem outra , o que deixou a professora Mc_Gonagall muito pouco satisfeita . Harry ficou aliviado quando ouviu tocar a campainha para o almoço . Sentia a cabeça como uma esponja espremida . Todos os alunos saíram em fila de a aula excepto ele e Ron que dava furiosas varadas em a secretária . - Coisa estúpida e inútil . - Escreve a os teus pais a pedir outra - sugeriu Harry , enquanto a varinha disparava com estrondo um foguete explosivo . - Ah pois , e receber outro * gritador * em a volta de o correio - respondeu Ron , metendo a varinha que já assobiava , dentro de o saco . - * _ A culpa é toda tua se a varinha está estragada * ... Desceram para o almoço e aí a disposição de o Ron não iria melhorar com Hermione a mostrar lhe uma mão-cheia de botões de casaco , perfeitinhos , que produzira em a transfiguração . - O que temos esta tarde ? - quis saber Harry , mudando rapidamente de assunto . - Defesa contra as artes negras - disse Hermione , sem perder tempo . - Porque é_que tu ... - perguntou Ron , pegando em o horário de ela - desenhaste corações em volta de as aulas de o Lockhart ? Hermione arrancou lhe o horário de as mãos , corando furiosa . Acabaram de almoçar e foram para o pátio carregado de nuvens . Hermione sentou se em um degrau de pedra e enfiou de_novo o nariz em as * _ Viagens com Vampiros * . Harry e Ron ficaram a falar de Quidditch durante alguns minutos antes de Harry se aperceber de que estava a ser observado de perto . Olhando para_cima viu o rapazinho pequenino com cabelo de rato que ele vira experimentar o chapéu seleccionador em a noite anterior , olhando para ele com uma expressão petrificada . Estava agarrado a o que parecia ser uma vulgar máquina fotográfica de os Muggles e , em o momento em que Harry olhou para ele , ficou todo vermelho . - Tudo bem , Harry ? Eu sou Colin_Creevey - disse , faltando lhe o ar e adiantando se a qualquer pergunta . - Estou em os Gryffindor também . Não te importavas que eu tirasse uma fotografia ? - perguntou , levantando a máquina cheio de expectativa . - Uma fotografia ? - repetiu Harry , inexpressivo . - Para eu provar que te conheci - disse Colin_Creevey cheio de ansiedade , continuando : - Eu sei tudo a teu respeito . Toda_a_gente me tem contado como sobreviveste quando O_Quem nós sabemos tentou matar te , como ele desapareceu depois de isso e como ficaste com a cicatriz em forma de relâmpago em a testa ( os seus olhos procuraram a linha de cabelo de Harry ) e um rapaz de o meu dormitório disse que se eu revelasse o filme em a posição certa ele mexia . - Colin respirou fundo , estremecendo de excitação e disse : - Isto_é fantástico , aqui , não achas ? Eu não sabia que todas_as coisas estranhas que fazia eram magia até a o dia em que recebi uma carta de Hogwarts . O meu pai é leiteiro . Também ele não queria acreditar . Por isso estou a tirar montes de fotografias para lhe mandar e era mesmo bom se tivesse uma tua - parecia implorar . - Talvez o teu amigo pudesse tirá a e assim eu ficava a o teu lado . E depois , podias assiná a ? - Assinar fotografias ? Estás a dar fotos autografadas , Potter ? Alta e mordaz , a voz de Draco_Malfoy ecoou em o pátio . Estava parado mesmo atrás_de Colin , ladeado , como sempre andava em Hogwarts , por os seus fortes guarda-costas Crabbe e Goyle . - Ei gente , façam bicha - gritou Malfoy a a multidão . - Harry_Potter está a dar fotos autografadas ! - Não estou coisa nenhuma - disse Harry , zangado , com os punhos em o ar . - Cala a boca , Malfoy . - Tu tens é inveja - começou a dizer Colin , cujo corpo era de o tamanho de o pescoço de Crabbe . - Inveja - repetiu Malfoy que não precisava de gritar mais , metade de o pátio estava a ouvi o . - De quê ? Não preciso de uma cicatriz em a cabeça , muito obrigado . Não acho que ter um corte em a testa torne alguém especial . Crabbe e Goyle riram estupidamente - Vai pastar caracóis , Malfoy - disse o Ron furioso . Crabbe parou de rir e começou a esfregar os nós de os dedos enormes de uma forma ameaçadora . - Tem cuidado , Weasley - escarneceu Malfoy . - Com certeza não queres começar uma rixa ou a tua mãezinha tem de vir cá para te tirar de a escola - e com uma voz aguda e penetrante : - * _ Se voltas a pisar o risco * ... Um grupo de alunos de o quinto ano de os Slytherin que estava ali perto , riu se bastante alto . - O Weasley gostaria de ter uma foto tua autografada , Potter - escarneceu de_novo Malfoy . - Era capaz de valer mais do_que a casa onde ele mora com a família . Ron sacou de a sua varinha amarrada com fita , mas Hermione fechou as * Viagens com Vampiros * com um estrondo e avisou : - Atenção . - O que é isto , o que é isto ? - Gilderoy_Lockhart aproximava se com o seu manto azul-turquesa girando em torvelinho atrás de ele . - Quem está a dar fotos autografadas ? Harry ia começar a explicar , mas foi interrompido quando Lockhart lhe pôs jovialmente o braço em cima de os ombros . - Mas que pergunta a minha ! Cá estamos nós de_novo , Harry ! Preso ao_lado_de Lockhart e a arder de humilhação , Harry viu Malfoy deslizar com o seu sorriso desdenhoso por o meio de a multidão . - Vamos lá então , Mr._Creevey - disse Lockhart , dirigindo se a Colin . - Uma foto dupla , já viu a sua sorte ? E assinamos a os dois para si . Colin ajustou a máquina e tirou a fotografia em o preciso momento em que a campainha tocava para as aulas de a tarde . - Está em a hora , todos para dentro - gritou Lockhart a a multidão e regressou a o castelo levando a o seu lado o Harry que só lamentava não conhecer um feitiço que o fizesse desaparecer . - Uma palavra só , Harry - disse Lockhart paternalmente , enquanto entravam em o edifício por uma porta lateral . - Eu ajudei te há bocado com o jovem Creevey porque se ele estivesse a fotografar me também a mim os teus colegas não reparariam tanto que estavas a exibir te ... Indiferente a a gaguez de Harry , Lockhart arrastou o para um corredor ladeado de alunos que os olhavam espantados e subiram uma escada . - Deixa me só dizer te uma coisa : dar fotografias autografadas em esta fase de a tua carreira , francamente , não é sensato , Harry , parece um_pouco megalómano . Pode ser que um dia mais tarde , tal_como eu , sejas obrigado a assinar para multidões onde quer que vás , mas - fez uma pequena pausa - não me parece que seja o caso , por enquanto . Tinham chegado a a aula de Lockhart e ele largou finalmente o Harry que sacudiu a túnica e foi sentar se em um lugar bem lá atrás onde começou por empilhar os livros de Lockhart a a sua frente para evitar olhar para a criatura . O resto de a aula entrou ruidosamente e Ron e Hermione foram sentar se um de cada lado de Harry . - Tu estavas vermelho como um pimentão - disse o Ron . - Reza para que o Creevey não se torne amigo de a Ginny senão bem podem criar o clube de * fans * de Harry_Potter . - Cala a boca - interrompeu Harry . A última coisa que desejava era que o Lockhart ouvisse a expressão « clube de * fans * de Harry_Potter « . Quando todos estavam em os seus lugares , Lockhart pigarreou alto e fez se silêncio . Ele inclinou se para a frente , pegou em o exemplar de Neville_Longbottom de * _ viagens com Duendes * e levantou o para mostrar a sua fotografia a piscar os olhos em a capa . - Eu - disse apontando para a fotografia e piscando também os olhos - Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , terceiro ano , membro honorário de a Liga_de_Defesa contra as artes negras e cinco vezes vencedor de o prémio de o * _ Feiticeiro de a semana * por o sorriso mais charmoso . Mas não vamos falar de isso , não venci a fada carpideira de Bandon a sorrir para ela ! Esperou que eles se rissem . Alguns alunos sorriram timidamente . - Já vi que todos vocês compraram a minha obra completa . Muito bem . Pensei começar hoje com um pequeno interrogatório escrito . Nada de complicado , só para perceber se leram bem os meus livros e o que apreenderam ... Depois de distribuir as folhas de teste voltou se para os alunos e disse : - Têm trinta minutos . Comecem já . Harry olhou para o papel e leu : *1 . Qual é a cor preferida de Gilderoy_Lockhart ? *2 . Qual é a ambição secreta de Gilderoy_Lockhart ? *3 . Qual é , em a sua opinião , a maior realização de Gilderoy_Lockhart até a o momento ? * E_por_aí adiante , ao_longo_de três páginas , terminando com : *54 . Qual é o dia de aniversário de Gilderoy_Lockhart e qual seria o seu presente preferido ? * Meia_hora mais tarde , Lockhart recolheu os pontos e folhou os rapidamente em frente de os alunos . - Tut , tut , quase ninguém se lembrou que a minha cor preferida é o lilás . Eu digo o em * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves * . Alguns precisam de voltar a ler com mais cuidado * Fim-de - _ Semana com Um Lobisomem * . Eu afirmo claramente em o décimo segundo capítulo que o meu presente de aniversário preferido seria a harmonia entre todos os seres , mágicos e não mágicos , embora não me importasse de receber uma garrafa grande de * whisky * velho de a Ogden's_Old_Firewhisky . Piscou lhes o olho de_novo . Ron olhava para Lockhart com uma expressão de incredulidade em o rosto . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas que estavam sentados a a frente tremiam de tanto conter o riso . Hermione , contudo , ouvia Lockhart com extrema atenção e deu um salto quando ouviu o seu nome . - Mas Miss_Hermione_Granger sabia que a minha ambição secreta era libertar o mundo de o mal e pôr a a venda a minha gama de poções de tratamento de o cabelo . Muito bem - voltou o papel . - Nota máxima ! Onde está Miss_Hermione_Granger ? Hermione ergueu uma mão trémula . - Excelente - bradou Lockhart , exultante . - Leva dez pontos para os Gryffindor . E vamos a o trabalho . Baixou se atrás de a secretária e pegou em uma grande gaiola coberta . - Ficam desde_já a saber , a minha função é preparar vos contra as criaturas mais malignas que a feitiçaria conhece . Vocês podem ter que enfrentar os maiores medos em esta sala . Saibam que nenhum mal vos sucederá comigo aqui . Só vos peço que se mantenham calmos . Ultrapassando os seus sentimentos , Harry espreitou através de a pilha de livros para ver melhor a gaiola . Lockhart colocou uma mão em a tampa . Dean e Seamus tinham deixado de se rir . Neville estava agachado em o seu lugar de a fila de a frente . - Vou pedir vos que não façam barulho - disse Lockhart em voz baixa . - Podem assustá os . Enquanto a aula inteira continha a respiração , Lockhart tirou a cobertura . - Sim - disse em um tom dramático . - Duendes_da_Cornualha recém-capturados . Seamus_Finnigan não conseguiu controlar se . Soltou uma gargalhada que nem Lockhart poderia confundir com um grito de terror . - Sim ? - sorriu a Seamus . - Bem , eles não são , não são perigosos , pois não ? - perguntou a rir . -- Não tenhas tanta certeza de isso - afirmou Lockhart , aborrecido , abanando um dedo , em direcção a Seamus . - Podem ser maçadores e muito traiçoeiros . Os duendes eram de um azul-eléctrico e tinham cerca de vinte centímetros de altura com feições angulosas e umas vozes tão estridentes que era como ouvir uma discussão entre araras . Logo_que o pano foi retirado , começaram a fazer uma enorme algazarra , a andar de um lado para o outro , batendo em as grades e fazendo caretas a as pessoas que estavam mais perto . - Muito bem - disse Lockhart em voz alta . - Vamos então ver o que vocês conseguem fazer de eles - e abriu a gaiola . Foi um pandemónio . Os duendes dispararam em todas_as direcções como foguetes . Dois de eles agarraram o Neville por as orelhas e levantaram o a o ar . Vários outros foram direitos a a janela , fazendo chover vidros partidos até a a fila de trás . Os restantes decidiram destruir a sala com maior eficácia do_que um rinoceronte em fúria . Agarraram em os tinteiros e salpicaram tudo em volta , rasgaram a os bocados livros e papéis , arrancaram os quadros de as paredes , levantaram a o ar a gaiola vazia , agarraram livros e sacos e lançaram nos por a janela de vidros estilhaçados . Em poucos minutos , metade de a aula estava abrigada debaixo de as secretárias e o Neville pendurado em o candelabro de o tecto . - Vamos lá , agarrem nos , agarrem nos , são apenas duendes ... - gritava Lockhart . Arregaçou as mangas , bramiu a varinha e pronunciou * Peshipiksi_Pesternomi ! * As palavras não tiveram o menor efeito . Um de os duendes pegou em a varinha de Lockhart e atirou a também por a janela fora . Lockhart engoliu em seco e mergulhou debaixo de a secretária , não sendo , por um triz , esmagado por o Neville que caiu um segundo depois , quando o candelabro cedeu . A campainha tocou e houve uma louca precipitação para a porta . Em a calma relativa que se seguiu , Lockhart endireitou se , olhou para Harry , Ron e Hermione que estavam quase a chegar a a porta e disse : - Bem , vou pedir vos a os três que prendam o resto de os duendes em a gaiola - passou por eles e fechou rapidamente a porta atrás_de si . - Isto dá para acreditar ? - resmungou o Ron , enquanto um de os duendes lhe mordia com toda_a força uma de as orelhas . - Ele só quer dar nos uma ajuda , permitindo nos ganhar experiência - justificou Hermione , imobilizando dois duendes de uma_vez com um encantamento de paralisação e metendo os de_novo em a gaiola . - Experiência ? - disse Harry , tentando agarrar um duende que dançava com a língua de_fora . - Hermione , ele não sabia nada do_que estava a fazer . - Disparate - retorquiu Hermione . - Leste os livros de ele . Vê só as coisas que ele já fez ! - Que diz que fez - resmungou o Ron . VII_Sangue de lama e murmúrios Harry passou imenso tempo , em os dias que se seguiram , a fugir sempre_que via Gilderoy_Lockhart aproximar se em o corredor . Mais difícil de evitar era Colin_Creevey que parecia ter decorado o horário de Harry . Parecia que nada o emocionava mais do_que dizer : - Tudo bem , Harry ? - seis ou sete vezes por dia e ouvir : - Olá , Colin - por mais exasperado que Harry estivesse quando lhe respondia . A Hedwig ainda estava zangada com Harry por causa de a desastrosa viagem de automóvel e a varinha de o Ron continuava a não funcionar , tendo ultrapassado tudo em a sexta-feira de manhã quando lhe saltou de as mãos em a aula de encantamentos e foi agredir o velho e baixinho professor Flitwick mesmo entre os olhos , deixando uma enorme bolha latejante em o sítio onde tinha batido . Por tudo_isso Harry via chegar , com satisfação , o fim_de_semana Planeava ir em o Sábado de anhã , com Ron e Hermione visitar o Hagrid . Mas foi acordado várias horas mais cedo do_que desejaria por Oliver ood , treinador de a equipa de Quidditch_dos_Gryffindor . - _ o que é_que se passa ? - perguntou Harry , enrolando as palavras . - Treino_de_Quidditch - disse Wood . - Vamos embora . Harry lançou um olhar de esguelha a a janela . Uma neblina fina pairava em o céu rosa e dourado . Agora_que estava acordado não percebia como pudera dormir com a algazarra que os pássaros faziam . - Oliver resmungou Harry . - É de madrugada . - Exacto - respondeu Wood . Era um rapaz alto e corpulento de o sexto ano e em aquele momento os olhos brilhavam lhe loucamente de entusiasmo . - Faz parte de o nosso novo programa de treinos . Anda lá , vai buscar a vassoura e vamos embora - insistiu Wood empenhado . - Nenhuma de as outras equipas começou ainda a treinar . Vamos ser os primeiros este ano ... A bocejar e a tremer um_pouco , Harry saltou de a cama e tentou descobrir as suas túnicas de Quidditch . - Bem , encontramo nos em o campo , dentro_de quinze minutos . Depois de descobrir a sua roupa escarlate de equipa e pôr o manto por cima para se aquecer , Harry escreveu a o Ron um bilhete a explicar onde tinha ido e desceu por a escada de espiral para a sala comum com a sua Nimbos dois inil a o ombro . Tinha acabado de chegar junto de o buraco de o retrato quando ouviu um barulho atrás_de si e viu Colin_Creevey descer a escada de espiral com a máquina fotográfica pendurada a o pescoço a balouçar como louca e uma coisa em a mão . - Ouvi alguém chamar o teu nome em as escadas , Harry olha o que tenho aqui . Revelei a e queria mostrar te . Harry olhou assombrado para a fotografia que Colin lhe espetava em frente de o nariz . Um Lockhart a preto e branco movia se , puxando com toda_a força um braço que Harry reconheceu como sendo o seu . Ficou satisfeito a o constatar que estava a resistir bastante bem , recusando se a ser trazido para a vista de todos . Enquanto Harry observava , Lockhart desistiu e desinteressou se de lutar contra a parte branca de a fotografia . - Assinas para mim ? - pediu Colin entusiasmado . - Não - respondeu secamente Harry , olhando em volta para verificar se o caminho estava livre . - Desculpa_Colin , mas estou cheio de pressa , treino de Quidditch . Passou por o buraco de o retrato . - Oh Uau ! Espera por mim . Eu nunca vi um jogo de Quidditch . Colin trepou por o buraco de o retrato atrás de ele . - Vai ser uma chatice para ti - disse Harry rapidamente , mas Colin ignorou o comentário . Todo o seu rosto brilhava de satisfação . - Tu foste o jogador mais novo de a equipa em cem anos , não foste Harry ? Não foste ? - perguntava Colin , trotando para o acompanhar . - Deve ser fantástico . Eu nunca voei . É fácil ? Essa vassoura é a tua ? É a melhor que há ? Harry não sabia como ver se livre de ele . Era como ter uma sombra que não se calava . - Eu não percebo nada de Quidditch - disse Colin , já sem fôlego . - É verdade que há quatro bolas ? E que duas anda n a voar , tentando fazer os jogadores caírem de as vassouras ? - Sim - disse Harry lentamente , resignado com o ter de lhe explicar as complicadas regras de o Quidditch . - São as * bludgers * . Há dois * beaters * em cada equipa que têm bastões para bater em as * bludgers * e lançá as para o outro lado . O Fred e o George_Weasley são os * beaters * de os Gryffindor . - E para que servem as outras bolas ? - perguntou Colin , saltando uma série de degraus porque ia a olhar para o Harry de boca aberta . - Bem , a * quaffle * , que é a vermelha grandalhona , é a que marca os golos . Três * chasers * em cada equipa lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam fazes a entrar em as balizas que ficam em o extremo de o campo onde há três grandes postes com argolas em as pontas . - E a quarta bola ? - A * snitch * dourada - explicou Harry . - É muito pequenina e veloz e extremamente difícil de agarrar . Mas é isso que o * seeker * tem de fazer , porque o jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * for agarrada . E o * seeker * que conseguir agarrá a ganha para a sua equipa mais cento_e_cinquenta pontos . - E tu és o * seeker * de os Gryffindor , não és ? - perguntou Colin respeitosamente . - Sim - disse Harry enquanto saíam de o castelo e começavam a atravessar o relvado . - E há também o * keeper * que toma conta de os postes . É isto . Mas Colin não parou de fazer perguntas desde os relvados macios até a o campo de Quidditch e Harry só se viu livre de ele quando chegaram a os vestiários . Colin gritou em uma voz aguda : - Eu vou arranjar um lugar , Harry - e apressou se em direcção a as bancadas . O resto de a equipa de os Gryffindor já se encontrava em os vestiários . Wood era o único que tinha aspecto de estar bem acordado . Fred e George_Weasley estavam sentados com olhos de sono e cabelos desgrenhados junto de Alicia_Spinnet de o quarto ano que parecia inclinar se contra a parede que tinha atrás_de si . Os seus companheiros * chasers * , Katie_Bell e Angelina_Johnson bocejavam em frente de ela . - Até que enfim , Harry , porque é_que demoraste tanto ? - perguntou Wood cheio de actividade . - Eu queria ter uma pequena conversa convosco antes de entrarmos propriamente em campo porque passei o Verão a conjecturar um novo programa de treinos que acredito vai estabelecer grandes mudanças . Wood tinha em as mãos um grande mapa de um campo de Quidditch onde estavam desenhadas muitas linhas , setas e cruzes a tinta de várias cores . Pegou em a varinha , bateu com ela em o quadro e as setas começaram a mover se em o mapa como tractores . Enquanto Wood se lançava em um discurso sobre as suas novas técnicas , a cabeça de Fred_Weasley caiu sobre o ombro de Alicia_Spinnet e ele começou a ressonar . O primeiro mapa levou quase vinte minutos a explicar , mas debaixo de esse havia outro e ainda um terceiro . Harry caiu em uma letargia enquanto Wood continuava indefinidamente . - Então - disse por fim o treinador , arrancando Harry de a avidez de uma fantasia sobre o que poderia estar a comer se se encontrasse em aquele momento em o castelo . - Ficou tudo claro ? Alguma pergunta ? - Eu tenho uma pergunta , Oliver - disse George que acordou estremunhado . - Porque não nos explicaste tudo_isso ontem , quando estávamos acordados ? Wood não ficou nada satisfeito . - Ouçam bem , vocês todos - disse , voltando se para eles mal-humorado . - Nós deveríamos ter ganho a taça de Quidditch o ano passado . Somos de longe a melhor equipa , mas , infelizmente , devido_a circunstancias que estão para_além de o nosso controlo ... Harry mudou de posição em a cadeira sentindo se culpado . Estivera inconsciente em o hospital durante o campeonato final de o ano anterior o que fez com que os Gryffindor com um jogador a menos tivessem sofrido a pior derrota de os últimos trezentos anos . Wood levou um momento a controlar se . Era evidente que a última derrota ainda o torturava . - Portanto , este ano vamos fazer um treino mais duro , como nunca se fez . O. _ K. , vamos lá pôr as teorias em prática - gritou , pegando em a vassoura e conduzindo os para fora de o vestiário . Com as pernas trôpegas e ainda a bocejar , a equipa seguiu o . Tinham estado tanto tempo lá dentro que o sol já tinha nascido e brilhava em o céu embora uma réstia de neblina pairasse ainda sobre o relvado de o campo . Quando Harry entrou em campo viu Ron e Hermione sentados em as bancadas . - Ainda não acabaram ? - perguntou Ron em um tom incrédulo . - Ainda nem começamos - explicou Harry , olhando cheio de inveja para a torrada com doce de laranja que Ron e Hermione tinham trazido de o salão . - O Wood tem estado a ensinar nos as jogadas . Subiu para a vassoura e deu um pontapé em o chão , elevando se em o ar . O ar fresco de a manhã bateu lhe em o rosto fazendo o acordar com mais eficácia do_que o longo discurso de Wood . Era maravilhoso voltar a estar em o campo de Quidditch . Voou em volta de o estádio a toda a a velocidade competindo com Fred e George . - Que barulhinho estranho é aquele ? - perguntou o Fred quando deram a volta . Harry olhou para as bancadas . Colin estava sentado em um de os lugares mais altos com a máquina fotográfica em o ar , tirando fotografia sobre fotografia , o som estranhamente ampliado em o estádio deserto . - Olha para ali , Harry , para ali - gritava de forma estridente . - Quem é aquele ? - perguntou Fred . - Não faço ideia - mentiu Harry , disparando a_toda_a velocidade e distanciando se o mais possível de Colin . - O que se passa aí ? - perguntou Wood , franzindo a testa enquanto corria por os ares atrás de eles . - Porque está aquele aluno de o primeiro ano a tirar fotografias ? Não me agrada . Pode ser um espião de os Slytherin a tentar descobrir o nosso novo programa de treinos . - Ele é de os Gryffindor - disse Harry rapidamente . - E os Slytherin não precisam de um espião , Oliver - completou George . - Porque dizes isso ? - perguntou Wood irritado . - Porque estão aqui em peso - disse George , apontando com o dedo . Vários indivíduos com túnicas verdes vinham em aquele momento a entrar em o campo de vassouras em a mão . - Não posso acreditar - reagiu Wood , sentindo se ultrajado . - Eu reservei o estádio para hoje . Já vamos ver como é_que isto fica ! Wood baixou direito a o chão sendo levado por a fúria a aterrar com mais força do_que pretendia e a cambalear um_pouco quando começou a andar seguido de o Harry e de o Ron . - Flint - bradou para o treinador de os Slytherin . - Este é o nosso tempo de treino . Levantámo nos de propósito . Vocês têm de sair de aqui . Marcus_Flint era ainda mais corpulento do_que Wood . Tinha em o rosto uma expressão de duende travesso quando respondeu : - Há espaço para todos , Wood . Angelina , Alicia e Katie tinham vindo também . Em a equipa de os Slytherin não havia raparigas que enfrentassem a o lado de os rapazes os Gryffindor . - Mas eu reservei o estádio - repetiu Wood de modo afirmativo , cuspindo de raiva . - Reservei o . - Ah ! - exclamou Flint . - Mas eu tenho aqui uma licença especial assinada por o professor Snape . * _ Eu , professor Snape , autorizo a equipa de os Slytherin a praticar hoje em o campo de Quidditch devido a a necessidade de treinar o seu novo seeker . * - Têm um novo * seeker * ? - perguntou Wood perturbado . - Onde ? E detrás de as seis figuras corpulentas que tinham em a frente , viram surgir uma sétima : um rapaz mais pequeno com um sorriso afectado espelhado em o rosto pálido e anguloso . Era_Draco_Malfoy . - Não és o filho de o Lucius_Malfoy ? - perguntou Fred , olhando para ele com antipatia . - Curioso que refiras o pai de o Draco - disse Flint enquanto toda_a equipa de os Slytherin sorria de modo grosseiro . - Deixem me mostrar vos a generosa oferta que ele fez a a equipa de os Slytherin . Os sete exibiram as suas vassouras . Sete cabos novos , polidos , com inscrições em letras douradas de as palavras « Nimbus dois_mil_e_um « brilharam a o sol de a manhã , em frente de o nariz de os Gryffindor . - O último modelo . Só chegou em o mês passado - disse Flint , displicentemente , sacudindo a poeira de o cabo de a sua vassoura . - Julgo que ultrapassam de longe as velhas séries de dois_mil . Quanto a as Cleansweeps - sorriu de forma mesquinha para Fred e George que tinham ambos Cleansweep_Fives - essas já só servem para varrer . Nenhum de os Gryffindor foi capaz de abrir a boca em aquele momento . Malfoy sorria tanto que os seus olhos de gelo estavam reduzidos a duas rachas . - Oh vejam - disse Flint . - Uma invasão de o campo . Ron e Hermione atravessavam o relvado para ver o que se passava . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron a o Harry . - Porque não estão a jogar e o que faz ele aqui ? Olhava para Malfoy em as suas vestes de Quidditch . - Sou o novo * seeker * de os Slytherin , Weasley - disse Malfoy com ar presumido . - Têm estado todos a admirar as vassouras que o meu pai comprou para a nossa equipa . Ron olhou de boca aberta para as sete vassouras que tinha em a frente . - São boas , não são ? - disse Malfoy untuosamente . - Mas talvez a equipa de os Gryffindor consiga levantar algum ouro e comprar também vassouras novas . Vocês podiam levar essas Cleansweep_Fives a leilão , talvez algum museu esteja interessado . A equipa de os Slytherin riu se a bandeiras despregadas . - Pelo_menos em os Gryffindor ninguém teve de comprar a sua entrada - disse secamente Hermione . - Entraram todos por mérito próprio . O ar presumido de Malfoy desapareceu . - Ninguém pediu a tua opinião , sangue de lama - cuspiu Malfoy . Harry apercebeu se , de imediato , que Malfoy dissera algo muito grave porque houve uma tremenda algazarra em o seguimento de as suas palavras . Flint teve que se pôr a a frente de o Malfoy para evitar que Fred e George se atirassem a ele . Alicia bradou : - Como te atreves ? - E Ron meteu a mão em as vestes e sacou de a varinha mágica , gritando : - Vais pagar por o que disseste , Malfoy ! - e apontou a , furioso , por debaixo de o braço de Flint , a o rosto de Malfoy . Um enorme estrondo , ecoou em o estádio e um jacto de luz verde saiu por a extremidade errada de a varinha de Ron , atingindo o em o estômago e projectando o para trás em direcção a o relvado . - Ron ! Ron ! Estás bem ? - gritou Hermione . Ron abriu a boca para falar , mas nenhuma palavra saiu . Em vez de isso , teve um vómito imenso e várias lesmas saíram lhe de a boca , indo cair lhe em o colo . A equipa de os Slytherin ficou paralisada de riso . Flint estava dobrado , agarrado a a vassoura nova . Malfoy , a quatro , batia com o punho em a chão . Os Gryffindor rodeavam o Ron , que continuava a vomitar lesmas enormes e reluzentes . Ninguém queria tocar lhe . - É melhor levá o para_casa de o Hagrid . É o mais perto - disse Harry_a_Hermione , que acenou afirmativamente , e os dois arrastaram o Ron por os braços . - O que aconteceu , Harry ? O que aconteceu ? Ele está doente ? Mas tu podes curá o , não podes ? - Colin descera a correr de o lugar onde estava sentado e dançaricava em frente de eles , enquanto abandonavam o campo . Ron teve um novo arremesso e mais lesmas saíram de a sua boca . - Oooh ! - exclamou Colin fascinado , levantando a máquina fotográfica . - Podes mantê o quieto , Harry ? - Sai de a minha frente , Colin - gritou Harry zangado . Ele e a Hermione conseguiram levar o Ron para fora de o estádio , atravessar os campos e chegar a a beira de a floresta . - Está quase , Ron - disse Hermione , mal avistaram o casebre de o guarda de os campos . - Vais ficar bem dentro_de um minuto ... está quase ... Estavam a sessenta metros de a casa de Hagrid , quando a porta de a frente se abriu . Mas não foi Hagrid quem saiu de lá , e sim Gilderoy_Lockhart , em uma túnica cor de malva . - Rápido , vamos esconder nos aqui - sussurrou Harry , arrastando Ron para trás de um arbusto que havia ali perto . Hermione acompanhou o , embora um_pouco relutante . -- É muito simples quando se sabe o que se está fazer ! - gritava Lockhart_para_Hagrid . - Se precisar de ajuda , sabe onde estou . Vou dar lhe um exemplar de o meu livro . Espanta me que ainda não o tenha . Logo a a noite autografo o e envio lhe o . Bem . até a a próxima ! - e afastou se em direcção a o castelo . Harry esperou que Lockhart desaparecesse , antes de puxar o Ron de trás de o arbusto até a a casa de o Hagrid . Bateram ansiosamente . Hagrid apareceu logo com um ar mal-humorado , que se dissipou quando viu quem era . - Já me tinha perguntado quand'é que vocês vinham ver me , entrem , entrem , pensei qu'era outra_vez o professor Lockhart . Harry e Hermione ajudaram Ron a subir o degrau que dava acesso a a cabana de uma divisão com uma cama enorme a um de os cantos e uma lareira a crepitar alegremente em o outro . Hagrid não pareceu perturbado com o problema de as lesmas de o Ron que Harry lhe explicou precipitadamente , logo_que sentou o Ron em uma cadeira . - Melhor saírem de o qu'entrarem - disse , em um tom bem-disposto , colocando uma grande bacia de cobre em frente de ele . - Deita as todas fora , Ron . - Acho que não há mais_nada a fazer , a não ser esperar que isto pare - disse Hermione ansiosamente , vendo Ron inclinar se para a bacia . - É uma maldição muitas_vezes difícil , mas com uma varinha partida ... Hagrid andava de um lado para o outro a preparar o chá . O cão de ele , Fang , babava se em cima de o Harry . - O que é_que o Lockhart queria de ti ? - perguntou o Harry , coçando as orelhas de o Fang . - Ensinar me a tirar espíritos aquáticos com forma de cavalos d'uma nascente d'água - resmungou Hagrid , retirando de a mesa pequena um galo meio depenado e colocando em o seu lugar o bule . - Como s'eu não soubesse . E contar me uma peta qualquer d'uma fada carpideira que ele venceu . Engulo essa chaleira , se uma palavra do_que ele disse for verdade . Não era hábito de Hagrid criticar um professor de Hogwarts e Harry olhou para ele com alguma surpresa . Mas Hermione disse em uma voz mais aguda do_que de costume : - Acho que estás a ser injusto . O professor Dumbledore obviamente achou que era o melhor homem para o lugar ... - Era o único - explicou Hagrid , oferecendo lhes um prato de bombons de melaço enquanto Ron tossia para a bacia . - E não havia mais ninguém . Não é fácil encontrar quem queira dar Artes de magia negra . As pessoas não gostam de essa matéria . Começam a pensar que está amaldiçoada , ninguém ficou muito_tempo a dá a . Mas digam me lá - continuou Hagrid , inclinando a cabeça para Ron - quem é qu'ele estava a tentar amaldiçoar ? - O Malfoy chamou qualquer coisa a a Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si . - Foi grave , sim - disse o Ron com voz rouca , emergindo a a superfície de a mesa , pálido e transpirado . - O Malfoy chamou lhe sangue de lama , Hagrid . - Ron desapareceu outra_vez quando uma nova onda de lesmas fez o seu aparecimento . Hagrid estava indignado . - Não posso crer - exclamou , dirigindo se a Hermione . - Chamou sim - disse ela . - Mas eu não sei o que significa . Percebi que era má educação , claro ... - É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar - explicou Ron novamente . - Sangue de lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles , sabes , filho de pais não mágicos . Há alguns feiticeiros , como a família de o Malfoy que acham que são melhores do_que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro . - Teve um pequeno vómito e uma lesma isolada caiu lhe em a mão aberta . Ele atirou a para a bacia e continuou . -- É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma . Olha_o_Neville_Longbottom , é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito . - E ainda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer - afirmou Hagrid , orgulhoso , fazendo Hermione corar em tons de magenta . - É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém - disse o Ron , limpando o suor de a testa com a mão trémula . - Sangue sujo , sangue vulgar , é um disparate . A maior parte de os feiticeiros hoje_em_dia têm sangue misturado . Se não tivéssemos casado com Muggles tinha sido o nosso fim . Fez um esforço para vomitar e baixou se mais_uma_vez . - Bem , não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá o , Ron - disse Hagrid bem alto enquanto montes de lesmas caíam em a bacia . - Mas , se_calhar , não foi mau de todo teres a varinha a trabalhar ao_contrário . Acho que Lucius_Malfoy teria vindo logo a correr a a escola se tivesses amaldiçoado o filho . Assim , pelo_menos , não estás metido em nenhum sarilho . Harry teria referido que o problema não podia ser pior do_que deitar lesmas por a boca , mas não pôde . Os bombons de melaço tinham lhe colado os maxilares um_ao_outro . - Harry - disse de repente Hagrid como_que movido por um pensamento súbito . - Tens de me explicar uma coisa . Ouvi dizer que tens andado a dar fotografias autografadas . Porque é qu'eu não tenho nenhuma ? A fúria de Harry foi tão grande que os maxilares se libertaram . - Eu não tenho dado fotografias autografadas - disse com vivacidade . Se o Lockhart andou a espalhar isso ... Mas em esse momento viu que Hagrid se estava a rir . - ´ _ tou a brincar - disse , dando uma palmadinha em as costas de Harry e fazendo lhe sinal para se sentar a a mesa . -- Eu sabia que não tinhas . Disse a o Lockhart que tu não precisavas de isso . Es mais famoso do_que ele sem sequer , tentares . - Aposto que ele não gostou de ouvir isso - comentou Harry , sentando se e esfregando o queixo . - Acho que não gostou mesmo - prosseguiu Hagrid com os olhinhos a brilhar . - E disse lhe também que nunca tinha lido nenhum de os livros de ele e ele foi se embora . Um bombom de melaço , Ron ? - perguntou a o vê o reaparecer . - Não , obrigado - disse o Ron com uma voz fraca . - É melhor não arriscar . - Venham ver o qu'eu tenho estado a criar - disse Hagrid quando Harry e Hermione acabaram de tomar o chá . Em a pequena horta atrás de a casa estava uma_dúzia de as maiores abóboras que Harry alguma vez vira . Pareciam enormes blocos de pedra . - Estão a dar se bem , não achas ? - disse Hagrid , feliz . São para a festa de o * _ Hallow'en * . Devem estar bem grandes quando chegar a altura . - O que é_que lhes tens dado como alimento ? - perguntou Harry . Hagrid olhou por cima de o ombro para confirmar se estavam sós . - Bem , tenho estado a dar lhes ... uma pequena ajuda . Harry reparou em o guarda-chuva cor-de-rosa a as florzinhas que estava encostado contra a parede de a cabana . Tivera em o ano anterior motivos para crer que aquele guarda-chuva não era o que parecia . De facto , acreditava que a antiga varinha de escola de Hagrid se encontrava oculta dentro de ele . Hagrid não tinha autorização para usar magia . Fora expulso de Hogwarts em o terceiro ano embora Harry nunca tivesse descoberto o motivo . Qualquer referência a esta questão fazia Hagrid pigarrear bem alto e ficar misteriosamente surdo até mudarem de assunto . -- Um encantamento de absorção , imagino ? - comentou Hermione entre a desaprovação e o divertimento . - Bem , se assim foi , fizeste um bom trabalho . - Foi o que disse a tua irmãzinha - respondeu Hagrid acenando em direcção a Ron . - Encontrei a ontem . - Hagrid olhou de lado para Harry , a barba a contorcer se . - Disse que andava só a ver os campos , mas eu acho qu'ela esperava encontrar alguém em a minha casa - piscou o olho a o Harry . - Se queres que te diga acho qu'ela não recusaria uma fotografia autogr ... - Cala te com isso - disse Harry . Ron desatou a rir e o chão ficou cheio de lesmas . - Cuidado - resmungou Hagrid , afastando Ron de as suas preciosas abóboras . Estava quase em a hora de o almoço e , como o Harry só tinha provado um bombom de melaço desde manhã cedo , estava ansioso por chegar a a escola para ir comer . Despediram se de o Hagrid e regressaram a o castelo . O Ron a vomitar de vez em quando , mas deitando só duas pequenas lesmas . Mal tinham pisado a entrada de o vestíbulo quando ouviram uma voz . - Aí estão vocês , Potter , Weasley . - A professora Mc_Gonagall vinha em direcção a eles com o seu ar severo . - Vocês os dois vão ter as punições hoje a a tarde . - O que é_que vamos fazer , professora ? - perguntou o Ron nervoso , deixando cair uma lesma . - Tu vais limpar as pratas em a sala de os troféus com Mr._Filch - disse a professora Mc_Gonagall . - E nada de mágicas , Weasley , trabalho com esforço . Ron engoliu em seco . Argus_Filch , o encarregado , era odiado por todos os alunos de a escola . - E tu , Potter , vais ajudar o professor Lockhart a responder a as cartas de as suas fãs - ordenou a professora Mc_Gonagall . - Oh , não ! Não posso ir também trabalhar em a sala de os troféus ? - pediu Harry em desespero de causa . - Nem pensar em isso - respondeu a professora Mc_Gonagall , erguendo as sobrancelhas . - O professor Lockhart requisitou te especialmente a ti . _ a as oito_em_ponto , os dois . Harry e Ron entraram em o salão em um estado de profundo desanimo com a Hermione atrás , ostentando uma expressão de * bem-voces-quebraram-as-regras-da-escola * . Harry não saboreou o empadão de carne como teria desejado . Tanto ele como o Ron achavam que tinham tido o pior de os castigos . -- O Filch vai reter me lá toda_a noite - disse Ron , desanimado . - Sem mágica ! Deve haver umas cem taças em aquela sala , eu não sei fazer limpeza de Muggles . - Eu trocava contigo de boa_vontade - confessou Harry em uma voz surda . - Tive montes de prática com os Dursleys . Responder a o correio de fãs de o Lockhart , que pesadelo ... A tarde de sábado pareceu derreter se . Pouco depois eram já cinco para as oito e Harry arrastava se até a o corredor de o segundo andar onde ficava o escritório de o Lockhart . Rangendo os dentes , bateu a a porta . A porta abriu se imediatamente e Lockhart dirigiu se lhe . - Ah , cá está o patifório ! - exclamou . - Entra , Harry , entra . Em as paredes , brilhando à_luz_de muitas velas , podia ver se uma infinidade de fotografias de Lockhart . Algumas de elas até assinadas . Sobre a secretária estava outro monte enorme . - Podes pôr as moradas em os envelopes - disse Lockhart_a_Harry , como_se fosse uma grande ameaça . - O primeiro é para Gladys_Gudgeon , abençoada seja , uma grande fã minha . Os minutos passavam lentos . De vez em quando , Harry ouvia a voz de Lockhart dizendo : - Mmm - e - certo - e - sim . - De vez em quando , apanhava uma frase como : - A fama é versátil , amigo Harry - ou - Só é célebre quem faz por isso , nunca te esqueças . As velas ardiam cada_vez com maior lentidão , fazendo a luz dançar sobre as muitas caras de Lockhart que o olhavam . Harry passava a mão , já dorida , sobre o que devia ser o centésimo envelope , escrevendo a morada de Verónica_Smethley . « Deve estar quase em a hora de me ir embora » , pensou , sentindo se profundamente infeliz , « por favor , faz com que esteja em a hora ... » E então ouviu algo , algo totalmente diferente de o crepitar de as velas e de os ditos de Lockhart sobre as suas fãs . Era uma voz , uma voz de arrepiar os ossos , de cortar a respiração , de veneno frio . - * _ Vem ... vem ter comigo ... deixa me rasgar te ... cortar te ... matar te * ... Harry deu um salto e uma enorme mancha lilás surgiu em a rua de Verónica_Smethley . - O quê ? - disse ele em voz alta . - Eu sei - exclamou Lockhart . - Seis meses inteirinhos em o topo de a lista de * bestsellers * , bati todos os recordes ! - Não - disse Harry nervosíssimo - aquela voz ! - Como ? - perguntou Lockhart , com um ar confuso . - Que voz ? - Aquela , aquela voz que disse ... não ouviu ? Lockhart olhava para Harry com o maior espanto . - De que é_que estás a falar , Harry ? Estás a ficar com sono ? Meu Deus , olha , só estamos aqui há quase quatro horas , quem diria ? O tempo passou a correr , não é verdade ? Harry não respondeu , estava a fazer um esforço para ouvir de_novo a voz , mas o único som que ouviu foi Lockhart a dizer lhe que não esperasse um tratamento igual de as próximas vezes que fosse castigado . Harry saiu , sentindo se atordoado . Era tão tarde que a sala comum de os Gryffindor estava quase vazia . Harry foi directamente para o dormitório . Ron ainda não tinha voltado . Vestiu o pijama , meteu se em a cama e esperou . Meia_hora mais tarde , chegou o Ron agarrado a o braço direito e inundando o quarto escuro de um forte cheiro a limpa-pratas . - Doem me todos os músculos - resmungou , metendo se em a cama . - Ele fez me polir catorze vezes aquela taça de Quidditch até estar satisfeito . E depois tive outro vómito em_cima_de um troféu de Reconhecimento por serviços prestados a a escola . Demorei séculos a limpar o muco de as lesmas . Como correram as coisas com o Lockhart ? Em voz baixa para não acordar o Neville , o Dean e o Seamus , Harry contou lhe , palavra por palavra , o que tinha ouvido . - E Lockhart disse que não ouviu nada ? - perguntou o Ron . Harry viu o franzir a testa , a a luz de o luar . - Achas que estava a mentir ? Mas , não percebo , mesmo um ser invisível teria aberto a porta . - Eu sei - disse Harry , encostando se a a cama e olhando para o dossel . - Também não compreendo . VIII_A festa de o dia de os mortos Outubro chegou , espalhando um frio húmido por os campos e por os cantos de o castelo . Madam_Pomfrey , a enfermeira-chefe , esteve bastante ocupada com uma onda de constipações que afectou professores e alunos . A sua poção de pimentão entrou imediatamente em acção apesar_de deixar quem a tomava com fumo em os ouvidos durante várias horas . Ginny_Weasley , que andava com ar adoentado , foi convencida a tomá a por o Percy . O fumo que saía por debaixo de o seu cabelo ruivo dava a impressão de que toda_a cabeça estava em fogo . Gotas de chuva de o tamanho de balas agrediram as janelas de o castelo durante dias a fio . O lago rosado e os canteiros de flores tornaram se regatos lamacentos e as abóboras de o Hagrid incharam ficando de o tamanho de alpendres de jardim . Contudo , o entusiasmo de Oliver_Wood por as sessões de treino regular não foi abalado , motivo por o qual Harry iria regressar a a torre de os Gryffindor , em um sábado a a tarde de temporal , alguns dias antes de o * _ Hallowe'en * , ensopado até a os ossos e todo enlameado . Além de a chuva e de o vento , não fora um treino feliz . Fred e George que tinham andado a espiar a equipa de os Slytherin tinham visto com os seus próprios olhos a velocidade alucinante de aquelas novas Nimbus dois_mil_e_um e comentaram que a equipa em o ar parecia composta por sete manchas esverdeadas que disparavam a_toda_a velocidade como aviões a jacto . Enquanto Harry chapinhava a o longo de o corredor deserto , cruzou se com alguém que parecia tão preocupado como ele : Nick quase sem cabeça , o fantasma de a torre de os Gryffindor que olhava taciturno , por a janela , murmurando baixinho : - Não preenche os requisitos , um centímetro e meio se ... - Olá , Nick - cumprimentou Harry . - Olá , olá - disse o Nick quase sem cabeça , começando a olhar em volta . Usava um arrebatado chapéu de plumas sobre a longa cabeleira encaracolada e uma túnica com gola de tufos que disfarçava o facto de ter o pescoço quase totalmente separado de o corpo . Era pálido como o fumo e Harry podia ver através de ele o céu negro e a chuva torrencial , lá fora . - Pareces preocupado , jovem Potter - disse Nick , dobrando uma carta transparente , enquanto falava e escondendo a dentro de a jaqueta . - Tu também - retorquiu Harry . - Ah ! - o Nick quase sem cabeça acenou com a mão de forma elegante . - Uma questão sem importância . Não é_que eu quisesse realmente participar apesar_de me ter inscrito , mas , a o que parece , não preencho os requisitos . - Apesar de o seu tom jovial havia em o seu rosto uma grande amargura . - Mas era de esperar , ou não era - exclamou subitamente , tirando a carta de o bolso - que ter levado quarenta_e_cinco golpes em a cabeça com um machado ferrugento me qualificaria para entrar em o grupo de os Sem - _ Cabeça ? - Sim , sim - respondeu Harry que obviamente o outro esperava que concordasse . - Isto_é , ninguém mais do_que eu desejaria que tudo tivesse sido rápido e perfeito , poupava me muitas dores e ridículo . Mas ... O Nick quase sem cabeça abriu , furioso , a carta e leu : * _ Só podemos aceitar em o grupo homens cuja cabeça tenha sido separada de o corpo . Compreenderá que de outro modo seria impossível a os nossos membros participarem em actividades como equitação de malabarismos com a cabeça e pólo de cabeça . Lamentamos profundamente informá o de que não preenche os requisitos . * _ Os nossos melhores cumprimentos , Sir_Patrick_Delaney - _ Podmore * Furioso , o Nick quase sem cabeça atirou fora a carta . - Um centímetro de pele e tendões a segurarem me a cabeça , Harry ! A maior parte de as pessoas acharia que era mais do_que o suficiente , mas não serve para o senhor correctamente decapitado Podmore . Nick quase sem cabeça respirou fundo várias vezes e , por fim , em um tom bastante mais calmo perguntou : - Então o que é_que te preocupa ? Alguma coisa que eu possa fazer por ti ? - Não - respondeu Harry . - A_não_ser_que saibas onde posso arranjar sete Nimbus dois_mil_e_um , de_graça , para o nosso campeonato contra os Sly ... - o resto de a frase foi afogada por um miado agudo vindo de perto de os seus tornozelos . Olhou para baixo e deu consigo a fitar um par de olhos que pareciam duas lâmpadas amarelas . Era_Mrs._Norris , a gata cinzenta e esquelética usada por o encarregado Argus_Filch como uma espécie de polícia em a sua infindável batalha contra os estudantes . - É melhor saíres de aqui , Harry - preveniu Nick com toda_a calma . - O Filch não está nada bem-disposto . Anda engripado e alguns alunos de o terceiro ano , por acidente , encheram o tecto de o calabouço cinco de miolos de rã . Ele tem andado toda_a manhã a limpar e se te vê a encher tudo de lama ... - Certo - disse Harry , recuando e afastando se de o olhar acusador de Mrs._Norris , mas ... tarde de mais . Conduzido até ali por o misterioso poder que parecia ligá o a a gata , Argus_Filch entrou subitamente por uma tapeçaria que se encontrava a a direita de Harry , com a sua respiração asmática , olhando vivamente em volta em busca de o infractor . Tinha um lenço grosso , de xadrez , a a volta de a cabeça e o nariz invulgarmente arroxeado . - Imundície - gritou com os maxilares a tremer e os olhos a saltarem lhe de as órbitas , enquanto apontava para a poça de lama que pingara de a túnica de Quidditch_de_Harry . - Desarrumação e imundície em todo o lado . Estou farto disto , segue me , Potter . Harry despediu se de o Nick quase sem cabeça com um tímido aceno e seguiu Filch até lá abaixo , duplicando o número de pegadas lamacentas em o chão . Nunca entrara em o gabinete de o Filch . Era um lugar que a maior parte de os estudantes evitava . A divisão era sombria e sem janelas , iluminada por uma única lamparina de óleo que pendia de o tecto . Sentia se um vago cheiro a peixe frito . As paredes estavam forradas por ficheiros de madeira . Por as etiquetas Harry percebeu que continham os dados de todos os alunos que Filch tinha punido . Fred e George_Weasley tinham uma gaveta só para eles . Atrás de a secretária estava pendurada uma colecção bem polida de correntes e algemas . Todos sabiam que ele estava sempre a pedir a Dumbledore que o deixasse pendurar os alunos em o tecto por os tornozelos . Filch pegou em uma pena que estava sobre a secretária e começou a procurar o pergaminho . - Bosta - murmurou , furioso . - Bosta de dragão , miolos de rã , intestinos de ratazana ... eu tinha aqui bastante , onde está o form ... sim ... Tirou um enorme rolo de pergaminho de a gaveta de a secretária e estendeu o em a frente , molhando a longa pena em o tinteiro . - Nome : Harry_Potter . Crime ... - Foi só um bocadinho de lama - disse Harry . - É só um bocadinho de lama para ti , rapaz , mas para mim é mais de uma hora a esfregar - gritou Filch com um pingo a tremer de modo desagradável em a extremidade de o nariz bolboso . - Crime : manchar o castelo . Sentença proposta ... Esfregando o nariz que continuava a pingar , Filch olhou com má cara para Harry que esperava com a respiração entrecortada para ouvir a sentença . Mas quando Filch pegou em a pena ouviu se um estrondo enorme em o tecto que fez a lamparina apagar se . - PEEVES - resmungou Filch , pousando a pena , cheio de raiva . - Desta_vez apanho te . Apanho te ! E sem olhar para trás , saiu a correr a_toda_a velocidade de o gabinete , seguido de a gata , Mrs._Norris . Peeves era o * poltergeist * de a escola , uma ameaça de risota esvoaçante que vivia para fazer estragos e criar aflição . Harry não gostava lá muito de ele , mas desta_vez , não podia deixar de lhe estar grato . Na_melhor_das_hipóteses o que Peeves tivesse feito ( e parecia que agora ele destruíra qualquer coisa em grande ) distrairia Filch_de_Harry . Pensando que o melhor seria esperar que ele voltasse , Harry deixou se cair em uma cadeira carcomida por o tempo que se encontrava junto de a secretária . Havia uma coisa sobre o tampo : um grande envelope roxo e lustroso com letras prateadas em a frente . Lançando um olhar rápido a a porta para confirmar que Filch não estava de volta , Harry pegou lhe e leu : __ feitiço __ rápido Um curso por correspondência De iniciação a a magia Cheio de curiosidade , abriu o envelope e retirou o rolo de pergaminho . Uma letra curvilínea e prateada dizia : Sente se pouco a a vontade em o mundo de a magia moderna ? Dá consigo a arranjar desculpas para não fazer feitiços simples ? Tem sido censurado por o deplorável trabalho com a varinha ? Eis a resposta ! Feitiço rápido e um curso totalmente novo , infalível , de resultados rápidos e rápida aprendizagem . Centenas de bruxas e feiticeiros têm beneficiado de o método feitiço rápido ! Madam_Z._Nettles_de_Topsham escreve nos : Eu não conseguia fixar os encantamentos e as minhas poções eram alvo de risota em a família . Agora , depois de o curso feitiço rápido , tornei me o centro de as atenções em todas_as festas e os meus amigos não param de pedir me a receita de a minha brilhante solução ! O mágico D.J._Prod , de Disbury , afirma : A minha mulher costumava rir se de os meus fracos encantamentos , mas bastou um mês com o vosso fabuloso curso feitiço rápido e consegui transformá a em um iaque . Obrigado , feitiço rápido ! Fascinado , Harry folheou o resto de o conteúdo de o envelope . Para que diabo quereria o Filch um curso de feitiço rápido ? Não seria ele um feiticeiro a sério ? Harry estava a ler a lição número um : Pegando em a varinha ( algumas dicas úteis ) quando umas passadas arrastadas , lá fora , o preveniram de que Filch estava de volta . Metendo rapidamente o pergaminho dentro de o envelope , lançou o para_cima de a secretária em o preciso momento em que a porta se abriu . Filch ostentava um ar triunfante . - Aquele armário que desapareceu era extremamente valioso - vinha ele a dizer a a gata , Mrs._Norris . - Desta_vez vamos correr com o Peeves , minha linda . Os seus olhos recaíram sobre Harry e logo_a_seguir sobre o envelope de o feitiço rápido que , Harry apercebeu se tarde de mais , estava meio metro distanciado de o seu lagar inicial . O rosto pálido de Filch tornou se vermelho escarlate . Harry preparou se para uma nova onda de fúria . Filch coxeou até a a secretária , arrebatou o envelope e meteu o em uma gaveta . -- Chegaste a ... lê o ? - perguntou atabalhoadamente . - Não - mentiu Harry , sem perder tempo . As mãos nodosas de o Filch contorciam se ao_mesmo_tempo . - Se eu soubesse que ias ler a minha correspondência priv ... não que seja minha ... é para um amigo ... mesmo_assim ... Harry olhava para ele espantado . Nunca vira o Filch tão louco . Os olhos pareciam querer saltar lhe de as órbitas , com um tique em as bochechas e aquele lenço axadrezado que não ajudava nada ... - Muito bem , vai e não abras a boca sobre isto ... não que ... mesmo_assim ... se tu não leste ... vai te embora , tenho de escrever o relatório sobre o Peeves , vai . Atordoado com a sua sorte , Harry saiu de ali e largou a correr por o corredor fora e por as escadas acima . Sair de o gabinete de o Filch sem um castigo devia ser um recorde em a escola . - Harry , Harry , deu resultado ? O Nick quase sem cabeça saiu a brilhar de uma sala de aula . Atrás de ele , Harry pôde ver os destroços de um grande armário preto e dourado que parecia ter sido atirado de uma grande altura . - Convenci o Peeves a parti o mesmo em cima de o gabinete de o Filch - disse Nick entusiasmado . - Pensei que talvez o distraísse . - Foste tu ? - exclamou Harry , agradecido . - Funcionou sim . Ele não me deu nenhum castigo . Obrigado , Nick . Atravessaram o corredor juntos . O Nick quase sem cabeça , reparou Harry , ainda tinha em a mão a carta de Sir_Patrick . - Gostaria de poder fazer qualquer coisa sobre o grupo de os Sem - _ Cabeça - disse Harry . O Nick quase sem cabeça parou de repente e Harry passou através de ele . Antes não tivesse passado , foi como atravessar um duche gelado . - Mas há uma coisa que tu podes fazer por mim - disse Nick muito agitado . - Harry , seria pedir te de mais ... mas não , tu não ias querer ... - O quê ? - Bem , este ano em o * _ Hallowe'en * vai ser o meu meio milénio de dia de os mortos - disse o Nick quase sem cabeça endireitando se e adquirindo uma postura de grande dignidade . - Oh - respondeu Harry sem saber se deveria lamentar ou dar lhe os parabéns . - Certo . - Vou dar uma festa em um de os calabouços mais amplos . Vêm amigos meus de todo o país . Seria uma honra muito grande se tu aparecesses . Mr._Weasley e Miss_Granger seriam também muito bem-vindos , claro . Mas tu deves preferir o banquete de a escola , não é verdade ? - Olhou para Harry , aflito . - Não - assegurou ele rapidamente . - Eu vou . - Oh rapaz , Harry_Potter em a minha festa de os mortos - hesitou no_meio_de toda aquela excitação . - Achas que poderias referir a Sir_Patrick como me achas assustador e como te impressiono ? - É claro que sim - assegurou Harry . O Nick quase sem cabeça iluminou se em um sorriso . - Uma festa de os mortos ? - exclamou Hermione , entusiasmada , quando Harry , depois de mudar de roupa , se juntou a ela e a o Ron em a sala comum . - Aposto que não há muitas pessoas que possam gabar se de ter estado em uma festa de essas . Vai ser fantástico ! - Por_que é_que alguém se lembraria de festejar o dia em que morreu ? - perguntou o Ron que estava a meio de o seu trabalho de casa de poções e bastante maldisposto . - Parece me bastante mórbido . A chuva continuava a lamber as janelas que apresentavam agora um negro que parecia tinta , mas , lá dentro , era tudo claro e alegre . O fogo em a lareira brilhava sobre as inúmeras cadeiras de braços onde as pessoas estavam sentadas a ler , a conversar , a fazer os trabalhos de casa ou , no_caso_de Fred e George_Weasley , a tentar descobrir o que aconteceria se alimentassem uma salamandra com fogo-de-artíficio de o Filibuster . O Fred tinha « resgatado . o lagarto cor de laranja brilhante , morador de o fogo , de uma aula de tratamento de seres mágicos e ele estava agora a arder em fogo lento sobre uma mesa , rodeado de um grupo de curiosos . Harry ia começar a contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre o Filch e o curso de feitiço rápido quando a salamandra disparou por os ares , lançando faíscas e estoiros . A visão de Percy a gritar com Fred e George até ficar ronco , a fantástica exibição de estrelas cor de tangerina que choviam de a boca de a salamandra e a sua fuga para o lume acompanhada de explosões , fizeram com que Harry se esquecesse , em aquele momento , de Filch e de o curso de feitiço rápido . Quando chegou o * _ Hallowe'en * , Harry já lamentava a sua promessa imprudente de ir a a festa de os mortos . Toda_a escola antecipava , feliz , a sua festa de * _ Hallowe'en * . O salão nobre fora enfeitado com os habituais morcegos , as enormes abóboras de Hagrid tinham sido esculpidas em forma de lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro_de cada uma , e havia boatos de que Dumbledore contratara um grupo de esqueletos bailarinos para animar a festa . - Uma promessa é uma promessa - lembrou Hermione_a_Harry com o seu autoritarismo habitual . - Tu disseste que ias a a festa de os mortos . Portanto , a as sete_da_tarde , Harry , Ron e Hermione saíram , passando por a porta de o salão nobre que brilhava de modo convidativo com pratos dourados e velas e dirigiram os seus passos para os calabouços . O corredor que conduzia a a festa de o Nick quase sem cabeça tinha sido também ladeado de velas , embora o efeito estivesse longe_de ser alegre : estas eram velas muito esguias e estreitas , negras de breu , ardendo em um azul brilhante e lançando uma luz indistinta e espectral também sobre as caras de as pessoas vivas . A temperatura diminuía a cada degrau que desciam . Harry tremia e cingia a túnica a o corpo quando ouviu qualquer coisa que parecia uma centena de unhas a rasparem um enorme quadro preto . - Será que isto_é a música ? - murmurou Ron . Viraram uma esquina e viram o Nick quase sem cabeça junto de uma porta , todo vestido de veludo negro . - Meus queridos amigos - disse com ar de luto . - Bem-vindos , bem-vindos , ainda_bem que puderam vir . Em um gesto largo tirou o chapéu de plumas e fez lhes sinal para que entrassem . Era uma visão incrível . O calabouço estava cheio com centenas de pessoas de um branco pálido e translúcido , a maior parte de as quais era arrastada em uma pista de dança cheia , valsando a o som de trinta serrotes musicais . Os serrotes que compunham a orquestra encontravam se sobre um estrado enfeitado com panos negros . Um lustre lá em cima resplandecia de um azul nocturno com mais um_milhar de velas negras . A respiração de os três subiu em o ar como uma neblina . Parecia que tinham entrado em um congelador . - Vamos dar uma volta - sugeriu Harry em uma tentativa de aquecer os pés . - Cuidado , não atravessem nenhum de eles - avisou o Ron nervosamente e colocaram se em volta de a pista de dança . Passaram por um grupo escuro de freiras , por um homem esfarrapado e cheio de correntes e por o frade gordo , o divertido fantasma de os Hufflepuff que estava a conversar com um cavaleiro com uma seta enfiada em a testa . Harry não ficou nada surpreendido a o ver que o Barão sangrento , o fantasma lúgubre e berrante de os Slytherin , coberto de nódoas de sangue ; estava a ser totalmente evitado por os outros fantasmas . - Oh ! Não -- exclamou Hermione , parando bruscamente . - Voltem se , voltem se , não quero ter de cumprimentar a Murta_Queixosa . - Quem ? - perguntou Harry enquanto davam rapidamente meia volta . - Ela assombra a casa_de_banho de as raparigas de o primeiro andar - explicou Hermione . - Assombra uma casa_de_banho ? - Sim . Está inoperativa durante todo o ano porque ela tem constantes acessos de choro e inunda tudo . Eu só lá fui quando não pode mesmo evitar . É horrível tentar ir a a sanita com ela a gritar connosco . - Olhem , comida - disse o Ron . De o outro lado de o calabouço estava uma mesa igualmente coberta de velado negro . Iam para se aproximar entusiasmados , mas pararam com uma expressão de horror . O cheiro era nauseabundo . Enormes peixes podres enchiam as bonitas travessas de prata , os bolos estorricados como carvões amontoavam se em as salvas , havia uma grande quantidade de miúdos de macaco , uma tábua de queijos cobertos de bolor e , em o lugar de honra , um enorme bolo cinzento em forma de lápide com letras que pareciam alcatrão formando as palavras , * _ Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington_Morto em 31_de_Outubro , 1492 * . Harry olhou espantado quando um fantasma de porte majestoso se aproximou de a mesa inclinando se e passando através de ela com a boca aberta enquanto atravessava um salmão malcheiroso . - Consegue prová o passando através de ele ? - perguntou lhe Harry . - Quase - disse tristemente o fantasma antes de se afastar . - Devem ter deixado apodrecer tudo_isto para ter um sabor mais forte - comentou Hermione com ar de quem está bem informada , tapando o nariz e aproximando se para ver melhor os pútridos miúdos de macaco . - Podemos sair de aqui , estou a sentir me agoniado - disse o Ron . Mas mal tinham dado meia volta quando um homenzinho pequenino saiu inesperadamente de debaixo de a mesa e fez uma paragem em o ar em frente de eles . - Olá , Peeves - disse Harry cautelosamente . Ao_contrário de os outros fantasmas que os rodeavam , Peeves , o * poltergeist * era o oposto de pálido e transparente . Usava um chapéu festivo cor de laranja , um laço rotativo a o pescoço e tinha um sorriso grosseiro de malvadez , em o rosto . - Querem petiscar ? - perguntou delicadamente , oferecendo lhes uma taça de amendoins cobertos de fungos . - Não , obrigada - disse Hermione . - Ouvi te falar sobre a pobre Murta - disse Peeves com os olhos a bailar . - Que insensível que tu foste para com a pobre Murta - respirou fundo e gritou : - Oh Murta . - Oh ! Não , Peeves , não lhe contes o que eu disse , ela vai ficar muito aborrecida - murmurou Hermione bastante nervosa . - Eu não queria dizer que ... eu não me importo que ela , er , olá , Murta . O espectro atarracado de uma rapariga deslizara . Tinha o rosto mais carrancudo que Harry alguma vez vira , meio escondido por o cabelo liso e por os óculos grossos cor de pérola . - O que é ? - perguntou mal-humorada . - Como estás Murta ? - perguntou Hermione , em uma voz falsamente alegre . - É bom ver te fora de a casa_de_banho . Murta fungou . - Miss_Granger estava justamente a falar de ti - disse lhe Peeves baixinho a o ouvido . - A dizer , a dizer ... como estás bonita esta noite -- terminou Hermione , olhando irritada para Peeves . A Murta olhou para Hermione desconfiada . - Estão a divertir se a a minha custa - disse , com lágrimas de prata a encherem lhe rapidamente os olhos pequeninos . - Não , a sério , eu não estava a dizer vos como a Murta estava bonita esta noite ? - disse Hermione , dando uma palmada em as costas de o Harry e de o Ron . - Sim , sim . - Ela ... - Não me venham com mentiras - protestou a Murta , as lágrimas agora a descerem lhe por o rosto , enquanto Peeves ria baixinho por cima de o ombro de ela . - Julgam que eu não sei o que as pessoas me chamam em as minhas costas ? A Murta gorda , a Murta feia , a Murta queixosa , a Murta deprimida ! - Esqueceste te de « a Murta ponto negro » - sussurrou lhe Peeves a o ouvido . A Murta_Queixosa irrompeu em soluços de angústia e fugiu de o calabouço . Peeves disparou atrás de ela , lançando lhe uma chuva de amendoins cheios de bolor e gritando : Ponto negro ! Ponto negro ! - Oh , coitada ! - exclamou Hermione com tristeza . O Nick quase sem cabeça abria agora caminho entre a multidão para se aproximar de eles . - Estão a divertir se ? - Sim , sim - mentiram . - Uma afluência nada má - disse orgulhoso o Nick quase sem cabeça . - A viúva chorosa veio de Kent ... está quase em a hora de o meu discurso . É melhor ir avisar a orquestra . Mas a orquestra parou de tocar em esse preciso momento . Eles , e todos os outros em o calabouço , ficaram em silêncio total , olhando em volta cheios de excitação quando se ouviu uma trompa de a caça . - Lá vêm eles - disse o Nick quase sem cabeça , com alguma amargura em a voz . Por o calabouço irromperam uma_dúzia de , cavalos fantasmas , cada_um montado por um cavaleiro sem cabeça . A assistência aplaudiu vivamente . Harry começou também a bater palmas , mas parou rapidamente quando viu a cara de o Nick . Os cavalos galoparam até a o meio de a pista de dança e pararam , empinando se , dando pequenos passos para a frente e para trás , sobre as patas traseiras . Um fantasma grande em a frente , cuja cabeça barbuda estava debaixo de o braço , soprando a trompa , desmontou , levantou a cabeça bem em o ar para poder ver toda_a assistência ( todos se riam ) e dirigiu se a o Nick quase sem cabeça , comprimindo a cabeça contra o pescoço . - Bem-vindo , Patrick - disse o Nick , mantendo a sua postura rígida . - Gente viva ! - exclamou o Sir_Patrick , avistando Harry , Ron e Hermione e dando um salto de falso espanto , de_tal_modo_que a cabeça lhe caiu de_novo ( a multidão ria a bom rir ) . - Muito engraçado - disse o Nick quase sem cabeça com um ar soturno . - Não ligues a o Nick - gritou a cabeça de Sir_Patrick de o chão . - Ainda está aborrecido por não o deixarmos juntar se a o grupo . Mas olhem bem para ele ... - Eu acho - disse apressadamente Harry , a seguir a um olhar de o Nick - que o Nick é muito assustador e ... eu ... - Bah ! - gritou a cabeça de Sir_Patrick . - Aposto que ele te pediu que dissesses isso . - Gostaria de ter a vossa atenção . Chegou a altura de fazer o meu discurso - disse o Nick quase sem cabeça bem alto , dirigindo se a o pódio , subindo e parando , iluminado por uma luz azul . - Os meus sentimentos , senhores e senhoras , é com profundo pesar ... Mas já ninguém estava a ouvi o . Sir_Patrick e o resto de o grupo de os Sem - _ Cabeça tinham iniciado um jogo de hóquei de cabeça e a multidão voltara se para os observar . Nick quase sem cabeça tentou em vão recuperar a audiência , mas acabou por desistir quando a cabeça de Sir_Patrick passou por ele a_toda_a velocidade gritando vivas . Harry estava cheio de frio para não falar de a fome . - Não aguento mais isto - murmurou Ron a bater o dente enquanto a orquestra voltava a entrar em acção e os fantasmas enchiam de_novo a pista de dança . - Vamos embora - concordou Harry . Recuaram até a a porta , acenando e sorrindo a todos os que olhavam para eles e um minuto depois passavam apressadamente por a entrada cheia de velas negras . - Talvez o pudim ainda não tenha acabado - disse o Ron cheio de esperança , abrindo caminho em direcção a os degraus de o vestíbulo de a entrada . E foi então que Harry ouviu aquilo . - ... * _ Arrancar ... rasgar ... matar * ... Era a mesma voz , a mesma voz fria e assassina que ouvira em o escritório de Lockhart . Parou , agarrando se a a parede de pedra em a expectativa de ouvir melhor , olhando em volta , espreitando para_cima e para baixo de a passagem mal iluminada . - Harry que estás tu a ... ? - E aquela voz outra_vez , calem se um bocadinho . -- ... * _ Tanta fome ... há tanto tempo * ... - Ouçam insistiu Harry e Ron e Hermione ficaram estáticos a olhar para ele . - * _ Matar ... hora de matar * ... A voz ia ficando mais débil . Harry tinha a certeza de que ela estava a afastar se , a subir . Um misto de medo e excitação tomou posse de ele enquanto olhava para o tecto escuro . Como poderia ele subir ? Seria um fantasma para quem os tectos de pedra não contavam ? - Por aqui - gritou , começando a correr por as éscadas acima até a a entrada de o * hall * . Não havia hipótese de ouvir fosse o que fosse ali , o barulho de vozes que vinha de o banquete de o * _ Hallowe'en * ecoava cá fora . Harry subiu a correr a escadaria de mármore até a o primeiro andar com Ron e Hermione ruidosamente atrás . - Harry o que é_que nós ... ? - Sch ... Harry apurou o ouvido . Ao_longe , em o andar de cima , e ainda a enfraquecer , mesmo_assim ouviu a voz : - ... * Cheira-me a sangue ... cheira me a sangue ! * O estômago deu lhe uma volta . - Ele vai matar alguém - gritou e ignorando as caras perplexas de Ron e Hermione , correu , subindo mais um lanço de escadas , a três_e_três , tentando ouvir através de o ruído de os seus próprios passos . Harry correu a_toda_a velocidade pelo segundo andar com Ron e Hermione atrás e só parou quando viraram uma esquina para o último corredor abandonado . - Harry , o que foi aquilo tudo ? - perguntou o Ron , limpando o suor de o rosto . - Eu não ouvi nada ... Mas Hermione , em um sobressalto , apontou para o fundo de o corredor . - Olhem ! Alguma coisa brilhava em a parede em frente . Aproximaram se devagarinho , tentando ver em a escuridão . Alguém escrevera em letras garrafais em a parede entre duas janelas . As palavras brilhavam a a chama fraca de as tochas . : __ a câmara de os segredos foi aberta . inimigos de o herdeiro , __ cuidado . - O que é aquilo pendurado por baixo de as letras ? - perguntou Ron com um tremor em a voz . Quando se aproximaram , Harry quase escorregou . Havia uma grande poça de água em o chão . Ron e Hermione agarraram o e avançaram cautelosamente até a a mensagem , os olhos fixos em uma sombra escura , em baixo . Aperceberam se os três de imediato do_que se tratava e deram um salto para trás , salpicando tudo de água . Mrs._Norris , a gata de o encarregado , estava pendurada por a cauda em o suporte de a tocha . Tinha o corpo rígido como uma tábua e os olhos abertos . Durante alguns segundos ninguém se mexeu . Depois o Ron disse : - Vamos sair de aqui . - Não devíamos tentar ajudar ? - propôs Harry , sem graça . - Acredita - assegurou o Ron . - É melhor que não nos encontrem aqui . Mas era tarde de mais . Um ruído surdo e prolongado , como um trovejar distante , avisou os de que o festim tinha terminado . De ambos os lados de o corredor onde eles estavam , veio o som de centenas de pés a subirem a escadaria e as vozes alegres de gente bem alimentada . Em o momento seguinte os alunos chegavam junto de eles de ambos os lados . O burburinho morreu subitamente mal as pessoas avistaram a gata pendurada . Harry , Ron e Hermione estavam de pé , sozinhos , em o meio de o corredor quando se fez silêncio em a multidão de estudantes que se empurravam para observar aquele quadro macabro . Então alguém gritou , quebrando o silêncio . - Inimigos de o herdeiro , cuidado . Vocês serão os próximos , sangue de lama ! Era_Draco_Malfoy . Estava a a frente de a multidão com os olhos frios a brilhar , a sua cara habitualmente pálida agora afogueada , sorrindo a a vista de a gata pendurada e imóvel . IX_As palavras em a parede -- O que é_que se passa aqui ? O que é_que se passa ? Sem dúvida , atraído por o grito de Malfoy , Argus_Filch apareceu a coxear em o meio de a multidão . Quando viu Mrs._Norris , caiu para trás agarrando o rosto com verdadeiro horror . - A minha gata ! A minha gata ! O que aconteceu a Mrs._Norris ? - gritou . E os seus olhos rápidos caíram sobre Harry . - Tu - guinchou ele . - Mataste a minha gata ! Mataste a , vou dar cabo de ti , eu ... - Argus . Dumbledore tinha chegado a o lugar , seguido de alguns professores . Em poucos segundos tinha passado a a frente de Harry , Ron e Hermione e desatado Mrs._Norris de o suporte de a tocha . - Vem comigo , Argus - disse ele a o Filch . - Vocês também , Mr._Potter , Mr._Weasley e Miss_Granger . Lockhart deu rapidamente um passo em frente . - O meu escritório é o que está mais perto , senhor director , é já aqui em cima , por favor fiquem a a vontade . - Obrigado , Gilderoy - disse Dumbledore . A multidão silenciosa dividiu se para os deixar passar . Lockhart sentindo se excitado e importante , seguia Dumbledore assim_como a professora Mc_Gonagall e o professor Snape . Quando entraram em o escritório escuro de Lockhart houve uma grande agitação em as paredes . Harry viu várias imagens de Lockhart a esconderem se cheias de rolos em o cabelo . O Lockhart em pessoa acendeu as velas e chegou se mais para trás . Dumbledore pôs Mrs._Norris em a superfície polida de a secretária e começou a examiná a . Harry , Ron e Hermione trocaram olhares tensos entre si e deixaram se cair em as cadeiras que se encontravam longe de a luz , a observar . A ponta de o nariz longo e adunco de Dumbledore estava a menos_de dois centímetros de o pêlo de Mrs._Norris . Ele olhava a de perto através de os óculos de meia-lua , os dedos longos a palpar e tactear suavemente . A professora Mc_Gonagall estava quase tão perto como ele , com os olhos contraídos . Snape surgia mais atrás , meio em a sombra , com uma expressão estranha em o rosto , como_se tentasse a_toda_a força sorrir . E Lockhart andava de um lado para o outro a dar sugestões . - Foi sem dúvida uma maldição que a matou , provavelmente a tortura de a metamorfose . Vi a muitas_vezes ser usada , mas infelizmente eu não estava lá quando isto aconteceu . Conheço o antídoto para essa maldição , o que a teria salvo . Os comentários de Lockhart foram interrompidos por os soluços secos e violentos de Filch . Estava afundado em uma cadeira junto de a secretária , incapaz de olhar para Mrs._Norris , com o rosto em as mãos . Por mais que detestasse Filch , Harry não pôde deixar de sentir pena de ele embora não tanta quanto_a que sentia por si próprio . Se Dumbledore acreditasse em o Filch ele seria certamente expulso . O director estava agora a sussurrar umas palavras estranhas e batendo em Mrs._Norris com a varinha , mas não aconteceu nada , ela continuou com o mesmo aspecto , como_se tivesse sido empalhada . - ... Lembro me de uma coisa semelhante que aconteceu em Ouagadogou - disse LockLart . - Uma série de ataques . Conto essa história em a minha autobiografia . Eu dei a a gente de a cidade vários amuletos que resolveram logo a situação ... As fotografias de Lockhart em as paredes iam acenando afirmativamente com a cabeça enquanto ele falava . Uma de elas esquecera se de tirar os rolos de o cabelo . Por fim , Dumbledore endireitou se . - Ela não está morta , Argus - disse suavemente . Lockhart interrompeu bruscamente a contagem de os crimes que conseguira evitar . - Não está morta ? - disse Filch em um sufoco , olhando através de os dedos para Mrs._Norris . - Mas , porque está ela rígida e gelada ? - Foi petrificada - disse Dumbledore ( Ah ! foi o que eu pensei ! - comentou Lockhart ) mas como , não posso afirmar . - Pergunte lhe - gritou Filch , voltando a cara cheia de furúnculos e lágrimas para Harry . - Nenhum aluno de o segundo ano poderia ter feito isto - explicou Dumbledore . - Era preciso um grande conhecimento de magia negra . - Foi ele , foi ele - disse encolerizado o encarregado com a cara a ficar roxa . - O senhor viu o que ele escreveu em a parede . Ele descobriu em o meu gabinete , ele sabe que eu sou um ... - O rosto de Filch estava horrível . - Ele sabe que eu sou um * _ busca-pé * - disse por fim . - Eu não toquei em a Mrs._Norris - gritou Harry com todos os olhares a recaírem sobre ele , incluindo o de todos os Lockharts de a parede . - E eu nem sei o que é um * busca-pé * . - Mentira ! - gritou Filch . - Ele viu a minha carta de o feitiço rápido . - Se me permite que dê a minha opinião , senhor director - disse Snape , saindo de a sombra , e a sensação de mau presságio de Harry aumentou bastante . Certamente nada do_que Snape tinha para de dizer iria ajudá o . - O Potter e os amigos podiam estar simplesmente em o lugar errado em a altura errada - afirmou com um leve sorriso a torcer lhe a boca como_se tivesse as suas dúvidas . - Mas , temos aqui um conjunto de circunstâncias curiosas . Porque estavam eles afinal em o corredor ? Porque não estiveram presentes em a festa de o * _ Hallowe'en * ? Harry , Ron e Hermione começaram uma longa explicação sobre a festa de o dia de os mortos . - Estavam lá centenas de fantasmas , eles poderão confirmar que lá estivemos ... - Mas porque não foram a seguir a o banquete ? - perguntou Snape com os olhos pretos a brilharem a a luz de as velas . - Porquê ir até a aquele corredor ? Ron e Hermione olharam para Harry . - Porque , porque ... - balbuciou Harry , com o coração a querer saltar lhe de o peito , mas algo lhe disse que ia parecer muito rebuscado se lhes contasse que tinha sido levado até ali por uma voz sem corpo que só ele conseguia ouvir . - Porque estávamos cansados e queríamos ir para a cama - disse . - Sem jantar ? - inquiriu Snape com um sorriso triunfante a bailar lhe em o rosto lúgubre . - Não sabia que os fantasmas ofereciam em as suas festas comida para gente viva . - Não estávamos com fome - disse o Ron bem alto , enquanto o estômago se queixava de forma audível . O sorriso mesquinho de a Snape ampliou se . - Acho , senhor director , que Potter não está a dizer toda_a verdade - afirmou . - Talvez fosse boa ideia retirar lhe alguns privilégios , até ele estar disposto a contar nos a história toda . Pessoalmente , sugiro que seja retirado de a equipa de os Gryffindor até decidir ser honesto . - Francamente , Severus - exclamou a professora Mc_Gonagall com uma voz cortante . - Não vejo porquê impedir o rapaz de jogar Quidditch . Esta gata não levou pauladas em a cabeça dadas por nenhum cabo de vassoura . E não há provas de que o Potter tenha feito algo de mal . Dumbledore observava Harry com um olhar perscrutador . A voz tremeluzente de os seus olhos azuis fez Harry sentir que estava a ser passado a raios X. - Inocente até se provar que é culpado , Severus - disse com segurança . Snape estava furioso , assim_como Filch . - A minha gata foi petrificada ! - berrou , com os olhos a saltarem de as órbitas . - Quero ver um castigo ! - Vamos poder curá a , Argus - explicou pacientemente Dumbledore . - Madam_Sprout conseguiu arranjar algumas Mandrágoras . Logo_que tenham atingido o tamanho adulto , terei uma poção de Mandrágoras que reanimará Mrs._Norris . - Eu posso fazê a - interrompeu Lockhart . - Devo ter feito isso uma centena de vezes . Preparo uma golada de Mandrágora reconstituinte de olhos fechados ... - Perdão - disse Snape friamente -- , mas julgo que o professor de poções de esta escola ainda sou eu . Houve um silêncio bastante incómodo . - Vocês podem ir se embora - disse Dumbledore a o Harry , Ron e a Hermione . Eles saíram o mais depressa que puderam , sem ir a correr . Quando chegaram a o andar acima de o escritório de Lockhart , entraram em uma sala de aulas vazia e fecharam a porta devagarinho . Harry lançou um olhar de esguelha a as caras carrancudas de os amigos . - Acham que eu lhes devia ter falado de a voz que ouvi ? - Não - respondeu Ron , sem a mínima hesitação . - Ouvir vozes que mais ninguém ouve , não é bom sinal , nem em o mundo de os feiticeiros . Algo em a voz de Ron levou Harry a fazer a pergunta : - Tu acreditas em mim , não acreditas ? - Claro que sim - respondeu o Ron de imediato . - Mas tens de concordar que é esquisito ... - Eu sei que é esquisito - confirmou Harry . - É tudo esquisito . O que era aquilo escrito em a parede ? * _ A_Câmara foi aberta * , o que é_que significa ? - Sabes , faz me lembrar qualquer coisa - disse Ron lentamente . - Acho que alguém me contou uma história sobre uma câmara secreta em Hogwarts , talvez tenha sido o Bill ... - E que diabos é um * busca-pé * ? - perguntou Harry . Para sua surpresa , Ron abafou o riso . - Bem , em a verdade não tem graça nenhuma , mas como é o Filch ... - disse . - Um * busca-pé * é alguém que nasceu de uma família de feiticeiros , mas não tem poderes mágicos . É uma espécie de o oposto de os que vêm de famílias de Muggles , mas são feiticeiros . Os * busca-pé * são muito raros . Se o Filch está a tentar aprender magia em um curso rápido , acho que ele deve ser mesmo um busca-pé . Isso explicaria tudo , por_exemplo , porque detesta tanto os estudantes . - Ron sorriu satisfeito . - Tem inveja . Um relógio deu as horas , algures . - Meia-noite - disse Harry . - É melhor irmo nos deitar , antes que o Snape apareça e tente acusar nos de qualquer coisa . Durante alguns dias não se falou de outra coisa em a escola a não ser de o ataque a a gata , Mrs._Norris . Filch manteve o sucedido bem fresco em a memória de todos , andando de um lado para o outro em o lugar onde ela fora atacada , como_se esperasse por o responsável . Harry vira o esfregar a mensagem de a parede com a « solução removedora de toda_a porcaria mágica Mrs._Skower » , mas sem qualquer resultado . As palavras continuavam a brilhar tanto como antes sobre a pedra . Quando Filch não estava a patrulhar a cena de o crime , vagueava , de olhos avermelhados , por os corredores , perseguindo alunos insuspeitos e tentando aplicar lhes castigos por coisas como « respirar muito alto » ou « estar alegre » . Ginny_Weasley parecia muito perturbada com o destino de Mrs._Norris . Segundo Ron ela era uma amante de gatos . - Mas tu nem chegaste a conhecer bem Mrs._Norris - disse lhe Ron para a animar . - Com toda_a franqueza , estamos muito melhor sem ela . - O lábio de Ginny tremeu . - Não é costume acontecerem coisas de estas em Hogwarts - tranquilizou a . - Eles vão descobrir o safado que fez aquilo e põem o de aqui para fora em três tempos . - Só espero que tenha tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso . Estou a brincar , claro - acrescentou o Ron apressadamente a o ver a Ginny a empalidecer . O ataque afectara também Hermione . Era costume de ela passar muito_tempo a ler , mas agora parecia não fazer mais_nada . Nem respondia a o Harry e a o Ron quando lhe perguntavam o que estava a fazer e só acabaram por descobrir em a quarta-feira seguinte . Harry tivera de ficar até mais tarde em a sala de poções onde Snape o mandara raspar restos de larvas de as secretárias . Depois de um almoço comido a a pressa , ele foi lá acima encontrar se com Ron em a biblioteca e viu Justin_Finch - _ Fletchley , o rapaz de os Hufflepuff de herbologia que vinha em direcção a ele . Harry tinha acabado de abrir a boca para dizer um « Olá » quando Justin o viu , voltando se bruscamente e mudando de direcção . Harry foi encontrar o Ron em as traseiras de a biblioteca , a medir o trabalho de casa de história de a magia . O professor Binns pedira uma composição sobre a Assembleia_Medieval_de_Feiticeiros_Europeus com 90cm . De extensão . - Não posso crer que ainda me faltem 16cm - disse o Ron furioso , largando o pergaminho que se enrolou em forma de tubo - e que a Hermione fez um metro e trinta em aquela letra pequenina e apertadinha . - Onde está ela ? - perguntou Harry , agarrando em a fita métrica e desembrulhando o seu trabalho de casa . - Algures por aí - disse o Ron , apontando para as estantes . - _ a a procura de outro livro . Acho que ela está a tentar ler a biblioteca toda antes de o Natal . Harry contou a Ron que Justin_Finch - _ Fletchley tinha evitado falar lhe . - Não sei porque te preocupas com isso . Eu achei o um idiota - disse o Ron , escrevinhando e fazendo a letra o maior possível . - Todo aquele disparate sobre o Lockhart ser tão grande ... Hermione surgiu de o meio de as estantes . Parecia irritada e disposta , por fim , a falar com eles . - Todos os exemplares de * _ Hogwarts : Uma História * foram requisitados - disse , sentando se ao_lado_de Harry e Ron . - E há uma lista de espera de duas semanas . Quem me dera não ter deixado o meu exemplar em casa , mas não consegui que coubesse em a mala com todos os livros de o Lockhart . - Para que o queres ? - perguntou Harry . - Pelo mesmo motivo que toda_a_gente o quer - disse Hermione . - Para ler a lenda de a Câmara_dos_Segredos . - O que é isso ? - Precisamente . Não me lembro - disse Hermione , mordendo o lábio . - E não encontro a História em lugar nenhum . - Hermione , deixa me ler o teu trabalho - pediu Ron desesperado , olhando para o relógio . - Não , não deixo - respondeu Hermione com um ar severo . - Tiveste dez dias para o fazer . - Só preciso de mais quatro centímetros , vá lá ... A campainha tocou . Ron e Hermione encaminharam se para a História_da_Magia , discutindo . A História_da_Magia era a matéria mais chata de o programa . O professor Binns , que dava a cadeira , era o único professor fantasma e a coisa mais excitante que aconteceu em as suas aulas foi o dia em que entrou por o quadro preto . Já velho e enrugado , muita gente afirmava a seu respeito que ele não dera por_que tinha morrido . Pura e simplesmente levantara se um dia para ir dar aulas , deixando o corpo atrás , em um cadeirão em frente de a lareira de a sala de os professores . Desde esse dia a sua rotina mantivera se igual . Era hoje tão chato como fora sempre . Abriu as notas e começou a ler em um tom monocórdico como um velho aspirador até quase todos os alunos estarem em um estado de profunda dormência , acordando de vez em quando , para tomar nota de um nome ou de uma data , e voltando a adormecer . Estava a falar havia meia_hora quando aconteceu algo que nunca tinha acontecido . Hermione pôs o braço em o ar . O professor Binns olhou de relance , em o meio de a chatíssima aula sobre a Convenção_Internacional_de_Feiticeiros de 1289 , verdadeiramente espantado . - Miss ... er ... ? - Granger , professor . Poderia dizer nos alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Hermione em uma voz bem audível . O Dean_Thomas , que tinha estado sentado de boca aberta olhando para fora de a janela , saiu de o seu transe com um salto . A cabeça de Lavender_Brown saiu de os braços e o cotovelo de o Neville_Longbottom escorregou para fora de a secretária . O professor Binns piscou os olhos . - A minha matéria é História_da_Magia - disse em a sua voz seca e asmática . - Eu trato de factos , Miss_Granger , não de mitos e lendas - pigarreou produzindo um ruído que parecia o giz sobre o quadro e continuou : - Em Setembro de esse ano , uma subcomissão de feiticeiros de a Sardenha ... Parou de repente . A mão de Hermione estava de_novo em o ar . - Sim , Miss_Grant ? - Por favor , professor , as lendas não têm sempre um facto como base ? O professor Binns olhava para ela com tal espanto que Harry teve a certeza de que ele nunca , em tempo algum , fora interrompido por um aluno . - Bem - disse lentamente o professor Binns . - Sim , é uma afirmação que pode fazer se . - Olhou para Hermione como_se fosse a primeira vez que olhasse a sério para um estudante . - Contudo , a lenda de que me fala é tão extraordinária , mesmo grotesca ... Mas a aula inteira estava agora atenta a as palavras de o professor , que olhou indistintamente para todos eles . Harry poderia assegurar que ele estava absolutamente abismado por uma tão grande demonstração de interesse . - Muito bem - disse lentamente . - Ora vejamos ... a Câmara_dos_Segredos . Todos vocês sabem com certeza que Hogwarts foi fundada há mais de um_milhar de anos , não se conhece ao_certo a data , por os quatro maiores feiticeiros e feiticeiras de a época : Godric_Gryffindor , Helga_Hufflepuff , Rowena_Ravenclaw e Salazar_Slytherin . Construíram juntos este castelo , longe de os olhares curiosos de os Muggles porque em aquele tempo a magia era temida por as pessoas comuns e as bruxas e feiticeiros sofriam terríveis perseguições . Fez uma pausa , olhou indeciso em volta e prosseguiu : - Durante alguns anos , os fundadores trabalharam juntos em harmonia procurando outros mais novos que mostrassem sinais de possuir dotes mágicos e trazendo os para o castelo para aqui serem ensinados . Mas os desentendimentos surgiram entre eles . Começou a notar se uma divisão entre Slytherin e os outros . Salazar_Slytherin queria ser mais selectivo em relação a os alunos a serem admitidos em Hogwarts . Achava que os ensinamentos de magia deviam ficar dentro de as famílias de feiticeiros . Não lhe agradava a entrada em a escola de alunos de famílias Muggles porque os achava pouco dignos de confiança . Depois de algum tempo houve uma séria discussão sobre esse assunto entre Slytherin e Gryffindor e Slytherin abandonou a escola . O professor Binns fez uma nova pausa , fazendo beicinho o que o fazia parecer uma tartaruga enrugada . - Fontes fidedignas referem nos isto - disse . - Mas estes factos foram obscurecidos por a fantasiosa lenda de a Câmara_dos_Segredos . Conta a história que Slytherin construíra uma câmara oculta dentro de o castelo cuja existência os outros fundadores ignoravam . De_acordo com a lenda , Slytherin selou a Câmara_dos_Segredos para que ninguém pudesse abri a até o seu verdadeiro herdeiro chegar a a escola . O herdeiro , e apenas ele , poderia abrir a Câmara_dos_Segredos , libertar o horror que lá se encontrava e utilizá o para expurgar a escola de todos aqueles que eram indignos de aprender magia . Houve um silêncio quando ele se calou que não era o habitual silêncio de sono de as aulas de o professor Binns . Havia um desassossego em o ar enquanto todos continuavam a olhá o a a espera de mais . O professor Binns estava ligeiramente aborrecido . - A história toda é um disparate , claro - disse ele . - A escola foi revistada por várias vezes em busca de provas de a existência de essa câmara , por os feiticeiros e bruxas mais conhecedores . Não existe nada . Uma lenda que serviu apenas para assustar os ingénuos . A mão de Hermione estava novamente em o ar . - Professor , o que quer_dizer , ao_certo com « o horror que estava dentro de a câmara » ? - Acredita se que seja uma espécie de monstro que só o herdeiro de Slytherin pode controlar - disse o professor Binns em a sua voz seca e débil . A aula trocou entre si olhares inquietos . - Como vos digo , a coisa não existe - afirmou o professor Binns , desordenando as suas notas . - Não há câmara e não há monstro . - Mas , professor - disse Seamus_Finnigan . - Se a câmara só podia ser aberta por o herdeiro de Slytherin ninguém mais poderia encontrá a . Não é ? - Um disparate pegado - disse o professor Binns , em um tom de voz exasperado . - Se uma longa sucessão de directores e directoras de Hogwarts não a encontraram ... - Mas , professor - começou a dizer Parvati_Patil . Se_calhar é preciso usar magia negra para a abrir ... - Lá porque um feiticeiro não usa magia negra não quer_dizer que não possa , Miss_Pennyfeather - interrompeu o professor Binns . - Repito , se os antecessores de Dumbledore ... - Mas talvez seja preciso fazer parte de os Slytherin , por isso Dumbledore não podia ... - começou Dean_Thomas , mas o professor Binns já estava farto . - Já chega - disse , de modo cortante . - É um mito . Não existe . Não há uma única prova de que Slytherin tenha construído nem mesmo uma despensa para vassouras . Lamento ter vos contado esta história tola . Vamos voltar , se fazem o favor , a a História , a os factos sólidos , verificáveis , credíveis . E em menos_de cinco minutos toda_a classe mergulhara em a sua sonolência habitual . - Eu sempre ouvi dizer que Salazar_Slytherin era um velho retorcido e meio pateta - disse Ron_a_Harry e Hermione enquanto abriam caminho por os corredores cheios , em o final de a aula , para ir arrumar as malas antes de o jantar . - Mas não sabia que ele tinha começado esta coisa de o sangue puro . Eu não ia para os Slytherin nem que me pagassem . Se o chapéu seleccionador me tivesse posto lá , pegava em as malas e ia me embora ... Hermione acenou vivamente , mas Harry não abriu a boca . O estômago parecia ter dado uma volta . Harry nunca contara a o Ron e a a Hermione que o chapéu seleccionador tinha considerado seriamente a possibilidade de o colocar em os Slytherin . Lembrava se como_se tivesse sido em a véspera do_que a vozinha lhe dissera a o ouvido quando pôs o chapéu em a cabeça , um ano antes . * _ Podias vir a ser grande , sabes ? Está tudo aqui em a tua cabeça e Slytherin ajudaria te em o caminho para a grandeza , sem a menor dúvida * ... Mas Harry , que já ouvira falar de a fama de o grupo de os Slytherin de formar magos negros , pensou desesperadamente . - Em os Slytherin , não ! - E o chapéu tinha dito . - Bem , se tens assim tanta certeza ... será melhor os Gryfffndor . Enquanto eram empurrados por a multidão , Colin_Creevey passou por eles . - Olá , Harry ! - Olá , Colin - disse Harry automaticamente . - Harry , Harry , um rapaz de a minha turma tem andado a dizer que tu és ... Mas Colin era tão baixinho que não conseguiu lutar contra a maré de gente que o arrastou até a o vestíbulo . Ouviram o despedir se : - Adeus , Harry - e desaparecer . - O que é_que o rapaz de a turma de ele disse de ti ? - quis saber Hermione . - Que eu sou o herdeiro de Slytherin , imagino - disse Harry , com o estômago ainda a as voltas e lembrou se de repente de o Justin_Finch - _ Fletchley a fugir para não lhe falar , a a hora de o almoço . - As pessoas aqui acreditam em tudo - disse o Ron com repugnância . A multidão diminuiu e conseguiram subir as escadas sem dificuldade . - Achas mesmo_que existe uma Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Ron_a_Hermione . - Não sei - respondeu ela , franzindo a testa . - Dumbledore não conseguiu curar Mrs._Norris e isso leva me a pensar que o que a atacou pode não ser ... humano . Enquanto falava , voltaram uma esquina e encontraram se em o fim de aquele mesmo corredor onde o ataque tinha ocorrido . Pararam para olhar . Estava tudo igual a aquela outra noite , com excepção de a gata Mrs._Norris e havia uma cadeira vazia encostada a a parede , onde podia ler se a mensagem « : __ a câmara foi __ aberta » . - Foi aqui que o Filch montou a guarda - murmurou Ron . Olharam uns para os outros . O corredor estava deserto . - Não deve fazer mal dar uma olhadela aqui - disse Harry , deixando cair a mala e pondo se de quatro para poder gatinhar em busca de pistas . - Marcas de queimadura - disse - aqui e aqui ... - Venham ver isto ! - chamou Hermione . - Que estranho ... Harry levantou se e foi até a a janela que ficava junto de a mensagem . Hermione apontava para o vidro mais alto , onde cerca de uma vintena de aranhas se debatiam em uma aparente luta por atravessar por uma pequena brecha de vidro . Um longo fio prateado balouçava como uma corda , como_se todas tivessem trepado , em a ânsia de chegar lá fora . - Alguma vez viram aranhas agir assim ? - perguntou Hermione , curiosa . - Não - respondeu Harry . - E tu , Ron ? Ron ? Olhou por cima de o ombro . Ron estava de costas , bem lá atrás e parecia lutar contra o impulso de se virar . - O que é_que se passa ? - perguntou Harry . - Eu não gosto de aranhas - disse Ron , de modo tenso . - Nunca me tinhas dito - comentou Hermione , olhando para ele com surpresa . - Estás farto de usar aranhas em as poções ... - Não me importo quando estão mortas - explicou Ron que olhava cautelosamente para todos os lados , menos para a janela . - Não gosto de a maneira como_se mexem . Hermione riu se baixinho . - Não tem graça nenhuma - disse o Ron , furioso . - Se queres saber , quando eu tinha três anos , o Fred transformou o meu ursinho de pelúcia em uma enorme aranha nojenta , por eu lhe ter partido a vassoura de brinquedo . Tu também não gostarias de aranhas se estivesses agarrada a o teu ursinho e , de repente , ele tivesse uma data de pernas e ... Começou a tremer ... Hermione ainda estava a tentar conter o riso . Sentindo que era melhor mudarem de assunto , Harry perguntou : - Lembram se de a água que havia aqui em o chão ? De onde terá vindo ? Alguém a limpou . - Era por aqui - disse o Ron , já recuperado , avançando alguns passos em direcção a a cadeira de o Filch e apontando . - Junto de esta porta . Estendeu a mão para o puxador de a porta , mas retirou a de imediato , como_se se tivesse queimado . - O que foi ? - perguntou Harry . - Não posso entrar aí - disse o Ron bruscamente . - É a casa_de_banho de as raparigas . - Oh , Ron , não está aí ninguém - sossegou o Hermione enquanto se aproximava . - É o lugar de a Murta_Queixosa . Anda , vamos dar uma espreitadela . E ignorando o grande letreiro que dizia « Fora de serviço » Hermione abriu a porta . Era a casa_de_banho mais sombria e deprimente em que Harry tinha posto os pés durante toda_a sua vida . Debaixo_de um grande espelho partido e sujo podia ver se uma fila de lavatórios de pedra , rachados . O chão estava húmido e reflectia a luz fraca de os pavios de algumas velas que ardiam baixinho em os suportes . As portas de madeira de os cubículos estavam todas lascadas e riscadas e uma de elas balouçava fora de as dobradiças . Hermione levou os dedos a os lábios e foi até a o último cubículo . Quando lá chegou disse : - Olá , Murta , como estás ? Harry e Ron foram ver . A Murta_Queixosa flutuava em a cisterna de a casa_de_banho , tirando um ponto negro de o queixo . - Esta é a casa_de_banho de as raparigas - disse a o ver o Ron e o Harry . - Eles não são raparigas . - Não - concordou Hermione . - Eu só queria mostrar lhes como esta casa_de_banho é ... er ... simpática . Ela fez um aceno vago a o velho espelho sujo e a o chão húmido . - Pergunta lhe se viu alguma coisa - sussurrou o Ron a a Hermione . - Porque estão a dizer segredinhos ? - perguntou a Murta , fitando o . - Não é nada - disse Harry rapidamente . - Queríamos perguntar ... - Gostava que as pessoas parassem de falar em as minhas costas ! - desabafou a Murta em uma voz abafada por as lágrimas . - Eu tenho sentimentos , sabem , apesar_de estar morta . - Murta , ninguém quis aborrecer te - explicou Hermione . - O Harry só ... - A minha vida foi uma infelicidade em este lugar e agora as pessoas vêm estragar a minha morte . - Nós queríamos perguntar te se tinhas visto alguma coisa estranha ultimamente - disse Hermione sem perder tempo . - Porque foi atacada uma gata mesmo aqui a a frente de a tua porta em a noite de o * _ Hallowe'en * . - Viste alguém aqui perto em essa noite ? - insistiu Harry . - Não estava a prestar atenção - disse a Murta com ar dramático . - O Peeves aborreceu me tanto que vim aqui para tentar matar me . Só então me lembrei de que estou ... de que estou ... - Já morta - ajudou o Ron . A Murta soluçou tragicamente , elevou se em o ar , voltou se e mergulhou de cabeça em a sanita , espalhando água por_cima_de todos eles e desaparecendo . Por o som de os seus soluços abafados fora certamente descansar algures em o cano em forma de V._Harry e Ron ficaram de boca aberta , mas Hermione encolheu os ombros de cansaço e disse : - Se querem saber , para a Murta isto até foi alegre ... vá , vamos embora . Harry tinha acabado de fechar a porta deixando atrás os soluços gorgolejantes de a Murta quando uma voz forte o fez dar um salto . - RON ! Percy_Weasley estava parado em o cimo de as escadas com o seu distintivo de prefeito a brilhar e uma expressão chocadíssima em o rosto . - Isso é a casa_de_banho de as raparigas ... o que é_que vocês ... ? - Estávamos só a dar uma vista de olhos - exclamou o Ron - a a procura de pistas ... Percy engoliu em seco , de uma maneira que fez Harry lembrar se de Mrs._Weasley . - Saiam imediatamente de aqui - disse , aproximando se de eles a passos largos e gesticulando agitadamente . - Não se preocupam com as aparências ? Voltar aqui enquanto toda_a_gente está a jantar ... - Porque não havíamos de estar aqui ? - perguntou cheio de vivacidade o Ron , parando de repente e olhando Percy em os olhos . - Ouve lá , nós não tocamos em aquela gata . - Isso foi o que eu tentei explicar a a Ginny - respondeu Percy furioso - mas ela parece continuar a pensar que vocês vão ser expulsos . Nunca a vi tão aflita . Não pára de chorar . Devias pensar em ela . Todos os alunos de o primeiro ano andam superexcitados com esta história . - Tu não estás nada preocupado com a Ginny - disse o Ron já com as orelhas vermelhas . - O que te assusta é_que eu possa estragar as tuas possibilidades de ser chefe de turma . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor ! - bradou Percy , apontando elegantemente para o distintivo de prefeito . - E espero que te sirva de lição . Acabou se o trabalho de detective ou escrevo a a mãe a contar lhe . E voltou lhes as costas , a nuca tão vermelha como as orelhas de o Ron . Harry , Ron e Hermione , em essa noite , sentaram se em a sala comum o mais longe possível de Percy . Ron estava ainda muito maldisposto e não parava de esborratar o trabalho de casa de os encantamentos . Quando pegou distraidamente em a varinha para tirar as manchas incendiou o pergaminho . A deitar quase tanto fumo como o seu trabalho de casa , fechou bruscamente o * _ Livro_Padrão_de_Encantamentos de o 2.o Grau * . Para grande surpresa de Harry , Hermione fez o mesmo . - Mas quem poderia ser - perguntou ela baixinho como_se continuasse uma conversa que tinham acabado de ter . - Quem quereria todos os * busca-pés * e filhos de Muggles fora de Hogwarts ? - Vamos pensar - disse o Ron em a brincadeira , fingindo estar confuso . - Quem poderemos nós conhecer que ache que os familiares de Muggles são escumalha ? Olhou para Hermione . Ela olhou para ele pouco convencida . - Se estás a pensar em o Malfoy ... - Claro que estou - disse o Ron . - Tu ouviste o dizer : - Vocês serão os próximos , sangues de lama ! - Aliás , basta olhar para aquela cara de renegado para saber que ele é ... - Malfoy , o herdeiro de Slytherin ? - repetiu Hermione cepticamente . - Olha para a família de ele - disse Harry , fechando também os livros . - Todos eles estiveram em os Slytherin . O Draco está sempre a vangloriar se de isso . Podiam bem ser descendentes de Slytherin . O pai de ele é suficientemente mau . - Podiam perfeitamente ter tido a chave de a Câmara_dos_Segredos durante séculos - disse Ron - , fazendo a passar de pai para filho . - Bem - acedeu Hermione cautelosamente . - Seria possível ... - Mas como prová o ? - perguntou Harry tristemente . - Talvez haja um meio - sugeriu Hermione lentamente , baixando ainda mais a voz e lançando um olhar , através de a sala , a Percy . - É claro que não é fácil . E é perigoso , muito perigoso . Suponho que iríamos infringir cerca de cinquenta regras de a escola . - Se de aqui a um mês ou dois te decidires a explicar , avisa , está bem ? - disse Ron , que começava a ficar irritado . - Está bem - concordou Hermione friamente . - O que precisaríamos de fazer para entrar em a sala comum de os Slytherin e fazer algumas perguntas a o Malfoy , sem ele perceber que éramos nós ? - Mas isso é impossível - declarou Harry , enquanto Ron se ria . - Não , não é - continuou Hermione . - Só precisamos de um_pouco de poção * polisuco * . - O que é isso ? - perguntaram ao_mesmo_tempo Ron e Harry . - O Snape falou de ela em uma aula , há poucas semanas atrás . - Achas que não temos mais o que fazer do_que ouvir o Snape ? - murmurou o Ron . - Transforma nos em outra pessoa . Pensem em isso : podíamos transformar nos em três de os Slytherin . Ninguém saberia que éramos nós . É provável que o Malfoy nos contasse alguma coisa . Aposto que ele está a gabar se , em este momento , em a sala de os Slytherin , se ao_menos pudéssemos ouvi o . - Essa coisa de o * polisuco * cheira me um bocado mal - disse o Ron , franzindo as sobrancelhas . - E se ficarmos com a forma de os três Slytherin para sempre ? - Desaparece a o fim de algum tempo - disse Hermione , gesticulando impacientemente com a mão - mas conseguir a receita é muito difícil . O Snape disse que vinha em um livro chamado * _ As_Mais_Potentes_Poções * e está com certeza em a parte de os reservados de a biblioteca . Só havia uma maneira de obter o livro de os reservados : era com uma autorização assinada por um professor . - Não estou a ver porque quereríamos o livro - disse o Ron . - Se não para tentar fabricar uma de as poções . - Eu acho - sugeriu Hermione - que se fizéssemos parecer que o nosso interesse era apenas teórico , talvez conseguíssemos ... - Estás a sonhar , nenhum professor ia cair em essa - afirmou o Ron . - Só se fosse muito burro . X_A * bludger * perigosa Depois de o desastroso incidente de os duendes , o professor Lockhart não voltou a levar seres vivos para as aulas . Em vez de isso , lia a os alunos passagens de os seus livros e , por vezes , voltava a desempenhar alguns de os episódios mais dramáticos . Costumava chamar Harry para o ajudar em essas reconstruções . Até ali Harry fora obrigado a desempenhar o papel de um camponês de a Transilvânia que Lockhart curara de uma maldição murmurada , o abominável homem de as neves com dores de cabeça e um vampiro que depois de ter conhecido Lockhart tinha ficado incapaz de comer outra coisa que não fosse alfaces . Harry foi chamado para a frente de a classe durante a aula de Defesa contra as artes negras que se seguiu . Desta_vez para desempenhar o papel de um lobisomem . Se não tivesse um bom motivo para querer ver o Lockhart bem-disposto , teria se recusado . - Um uivo bem alto , excelente , Harry , isso mesmo . E foi então que , acreditem ou não , eu o ataquei de repente , assim . Atirei o a o chão , agarrei o com uma mão e com a outra consegui meter lhe a varinha em a garganta . Então , com a força que me restava pus em prática o complicadíssimo encantamento * _ Homorphus * . Harry soltou um uivo tristíssimo . - Vá lá , Harry , mais alto . Bom ... o pêlo desapareceu , os dentes diminuíram de tamanho e ele transformou se em um homem . Simples , mas eficaz e mais uma cidade ficará a lembrar se de mim para sempre como o herói que os libertou de os ataques mensais de o lobisomem . A campainha tocou e Lockhart pôs se de pé . - Trabalho para_casa : escrever um poema sobre a minha vitória sobre o lobisomem Wagga_Wagga . Há um exemplar autografado de * _ Eu , o Mágico * para o autor de o melhor poema . Os alunos começaram a sair . Harry voltou para trás e foi juntar se a o Ron e a a Hermione que estavam a a espera de ele . - Prontos ? - perguntou . - Espera até saírem todos - disse Hermione bastante nervosa . - Pronto ... Aproximou se de a secretária de Lockhart , apertando em a mão uma folha de papel , com o Ron e o Harry atrás . - Er ... professor Lockhart - gaguejou Hermione . - Eu queria requisitar este livro em a biblioteca , como leitura de apoio - entregou lhe o papel , com a mão ligeiramente trémula . - Só que faz parte de a secção de os reservados , por isso preciso de a assinatura de um professor . Acho que o livro me vai ajudar a compreender o que o senhor diz em * _ Passeios com Vampiros * acerca de os venenos de acção lenta ... - Ah , * _ Passeando com Vampiros * - disse Lockhart , pegando em a folha de papel de Hermione e sorrindo lhe abertamente . - E provavelmente o meu livro preferido . Gostou ? - Oh , muito - disse Hermione avidamente . - Tão inteligente o modo como apanhou o último com o passador de o chá . - Bem , tenho a certeza que ninguém se importará que eu dê uma ajudazinha suplementar a a melhor aluna de o segundo ano - disse Lockhart calorosamente , sacando de uma enorme pena de pavão . - É bonita , não é ? - comentou , adivinhando uma expressão de repulsa em a cara de o Ron . - Costumo guardas a para as minhas assinaturas de autógrafos . Rabiscou uma enorme assinatura cheia de altos e baixos e entregou a a Hermione . - Então , Harry - disse Lockhart enquanto Hermione dobrava a folha e a guardava em o saco . - Amanhã é a primeira partida de Quidditch de este ano , não é ? Gryffindor contra Slytherin . Ouvi dizer que és um jogador indispensável . Eu também fui * seeker * . Convidaram me inclusivamente para fazer parte de a Equipa_Nacional , mas eu preferi dedicar a minha vida a a erradicação de as forças de o mal . Mesmo_assim , se alguma vez precisares de um treino particular , não hesites em falar comigo , estou sempre disponível para partilhar a minha perícia com os jogadores menos dotados do_que eu . Harry fez um som indistinto com a garganta e saiu atrás_de Ron e Hermione . - Não acredito - disse quando os três examinavam a assinatura de Lockhart . - Ele nem viu que livro nós queríamos . - É porque é um idiota sem miolos - explicou o Ron . - Mas , quem se rala , temos o que queríamos . - Ele não é um idiota sem miolos - gritou Hermione com voz esganiçada enquanto se aproximavam quase a correr de a biblioteca . - Só porque ele disse que eras a melhor aluna de o segundo ano ... Baixaram as vozes a o entrar em a quietude abafada de a biblioteca . Madam_Prince , a bibliotecária , era uma mulher magra e irritável que parecia um abutre mal nutrido . - * _ Moste_Potente_Potions * ? - repetiu intrigada , tentando ficar com a folha de papel que Hermione se recusava a entregar lhe . - Gostava de a guardar para mim - disse sem fôlego . - Vá lá - intercedeu Ron , arrancando lhe a de as mãos e entregando a a Madam_Prince . - Nós arranjamos te outro autógrafo . O Lockhart assina tudo se aqui ficar muito_tempo . Madam_Prince pegou em o papel e voltou o em a direcção de a luz , decidida a descobrir uma falsificação , mas a assinatura passou em o teste . Desapareceu entre as estantes e voltou alguns minutos mais tarde , transportando um livro grande e de aspecto antiquado . Hermione meteu o com todo o cuidado em o saco e saíram , tentando não andar depressa de mais nem aparentar um ar culpado . Cinco minutos depois , estavam de_novo barricados em a casa_de_banho fora de serviço de a Murta_Queixosa . Hermione destruíra as objecções de Ron argumentando que aquele era o último lugar onde alguém em o seu juízo perfeito se lembraria de ir e que poderia assegurar lhes alguma privacidade . A Murta_Queixosa chorava ruidosamente em o seu cubículo , mas eles conseguiram ignorá a assim_como ela a eles . Hermione abriu * _ Moste_Potente_Potions * com todo o cuidado e inclinaram se os três sobre as páginas manchadas de humidade . Era fácil de perceber , logo à_primeira_vista de olhos , porque pertencia a a secção de os reservados . Algumas de as poções tinham efeitos quase impensáveis de tão macabros e havia ilustrações bastante desagradáveis , como , por_exemplo , aquela em que um homem parecia ter sido virado de o avesso e a de a bruxa com vários pares de braços suplementares a nascerem lhe em a cabeça . - Aqui está - disse Hermione excitadíssima a o encontrar a página intitulada « A poção * polisuco * « . Estava ilustrada com imagens de pessoas a meio de o processo de se transformarem em outras pessoas e Harry desejou ardentemente que a expressão de dor intensa que se lhes espelhava em o rosto fosse apenas produto de a imaginação de o artista desenhador . - Esta é a poção mais complicada que vi até hoje - disse Hermione enquanto examinava a receita . - Moscas asas de renda , sanguessugas , fluxo de cizânias e verdezelha - murmurou , acompanhando com o dedo a lista de ingredientes . - Bem , esses são relativamente simples , há os em a despensa de material de os estudantes , podemos tirar a a nossa vontade . Oh ! Vê só , pó de chifre de bicórneo ... não sei onde vamos arranjar isto ... e , é claro , um pedacinho de a pessoa em quem queremos transformar nos . - Como ? - perguntou Ron de forma cortante . - O que é_que queres dizer com um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos ? Eu não bebo nada que tenha lá dentro as unhas de os pés de o Crabbe ... Hermione continuou como_se não o tivesse ouvido . - Mas não temos que nos preocupar com isso por enquanto . Fica para o fim . Ron voltou se sem palavras para o Harry que tinha uma preocupação de outro tipo . - Já viste bem tudo_o_que vamos ter que roubar , Hermione ? Algumas coisas , não estão de certeza em a despensa de material de os alunos . O que é_que vamos fazer , arrombar os armários pessoais de o Snape ? Não sei se será uma boa ideia ... Hermione fechou o livro com um estrondo . - Bem , se vocês os dois se vão acagaçar , então está lindo - disse ela . Tinha as bochechas rosadas e os olhos mais brilhantes do_que era habitual . - Eu não gosto de quebrar regras , vocês sabem , mas acho que ameaçar os filhos de os Muggles é muito pior do_que construir uma poção difícil . Mas se vocês não querem descobrir se é o Malfoy , eu posso voltar já a a biblioteca e entregar o livro a Madam_Prince ... - Nunca pensei que chegaria o dia em que serias tu a convencer nos a quebrar regras - disse o Ron . - Está bem , vamos em essa , mas sem unhas de os pés , O. _ K. ? - Quanto tempo vai isso demorar a fazer , afinal ? - perguntou Harry quando Hermione , já com um ar mais satisfeito , voltou a abrir o livro . - Bem , como o fluxo de cizânias tem de ser recolhido durante a lua cheia e as asas de renda têm de ser abafadas durante vinte_e_um dias ... eu diria que se conseguirmos arranjar todos os ingredientes estará pronta dentro_de um mês . - Um mês ? - exclamou o Ron . - Nessa_altura já o Malfoy terá atacado metade de os filhos de Muggles ! - mas os olhos de Hermione contraíram se de_novo assustadoramente e ele acrescentou rapidamente . - Mas é o melhor plano que temos , por isso é melhor não olharmos para trás . Apesar_de tudo , enquanto Hermione verificava que não havia ninguém em os corredores e podiam sair de a casa_de_banho , Ron murmurou a Harry : - Seria muito mais simples se conseguisses , amanhã , atirar o Malfoy de a vassoura abaixo . Harry acordou cedo em o sábado de manhã e ficou um bocado a pensar em a partida de Quidditch que vinha a seguir . Estava nervoso , principalmente pelo que Wood diria se os Gryffindor perdessem , mas também com a ideia de enfrentar uma equipa apetrechada com as vassouras mais velozes que existiam . Nunca desejara tanto vencer os Slytherin como em aquele dia . Depois de meia_hora deitado com a barriga a dar horas , resolveu levantar se , vestir se e descer para tomar o pequeno-almoço . Lá em baixo , encontrou o resto de a equipa de os Gryffindor amontoada a o longo de a mesa comprida e vazia , todos eles com ar preocupado e sem vontade de conversar . Como_se aproximavam as onze horas , todos os alunos de a escola começaram a dirigir se para o estádio de Quidditch . O dia estava quente e húmido , com uma ameaça de trovoada em o ar . Ron e Hermione vieram apressadamente desejar a Harry boa sorte mal ele entrou em os vestiários . A equipa de os Gryffindor pôs os seus mantos vermelhos e sentou se para ouvir o discurso que Wood lhes fazia sempre antes de o jogo . - Os Slytherin têm vassouras melhores do_que nós - começou . - Não há como negá o . Mas nós temos gente melhor em cima de as vassouras . Treinámos mais do_que eles , voamos com todas_as condições climatéricas ( É bem verdade - murmurou George_Weasley - desde Agosto que não sei o que é estar seco ) . - E vamos fazê os engolir o dia em que deixaram aquele nojento de o Malfoy comprar a entrada em a equipa de eles . Com o peito agitado por a comoção , Wood voltou se par Harry . -- Cabe te a ti , Harry , mostrar lhes que um * seeker * tem de ter mais do_que um pai rico . Agarra a * snitch * antes d Malfoy ou morre a tentar porque temos absolutamente que vencer , hoje , Harry , temos que vencer . - Sem ansiedade , Harry - disse o Fred , piscando lhe o olho . Quando saíram em direcção a o campo , foram saudado por uma grande ovação principalmente de a parte de os Ravenclaw e de os Hufflepuff que estavam ansiosos por ver os Slytherin serem derrotados , mas os Slytherin que estavam entre a multidão também fizeram ouvir as suas vaias e pateadas . Madam_Hooch , a professora de Quidditch , pediu a Flin e Wood que apertassem as mãos o que eles fizeram , lançando um_ao_outro olhares ameaçadores , cada_um apertando a mão de o outro com mais força do_que aquela que seria necessário . - Atenção a o apito - disse Madam_Hooch . - Três , dois , um ... Com um bramido de a multidão para que subissem rapidamente , os catorze jogadores elevaram se em o céu cor de chumbo . Harry , mais alto do_que qualquer de os outros olhando para todos os lados em busca de a * snitch * . - Tudo bem , testa de cicatriz ? - gritou Malfoy , disparando por baixo de ele para lhe mostrar a velocidade de a sua vassoura . Harry não teve tempo de responder . Em esse preciso momento uma * bludger * preta e bem pesada veio direitinha a ele . Evitou a tão por um triz que ainda sentiu em os cabelos o ar que ela deslocara . - Foi por_pouco , Harry ! - exclamou o George , passando com grande rapidez , de bastão em a mão , pronto para lançar a * bludger * contra um Slytherin . Harry viu o dar a a * bludger * uma fortíssima pancada em direcção a Adrian_Pucey , mas a bola mudou de rumo em o meio de o ar e dirigiu se de_novo a Harry . Harry desceu rapidamente para se esquivar e George conseguiu lançá a contra Malfoy . Mais_uma_vez a * bludger * actuou como um * boomerang * e apontou a a cabeça de Harry . Harry ganhou velocidade e disparou contra o outro extremo de o campo . Ouvia o assobio de a * bludger * que o perseguia . O que era aquilo ? As * bludgers * nunca se concentravam assim em um único jogador , a sua função era tentar desmontar o maior número possível de intervenientes . Fred_Weasley esperava por a * bludger * em o extremo oposto . Harry baixou se quando o viu balançar se em frente de ela com toda_a garra . A * bludger * foi lançada para_fora_de campo . - Pronto , já está tudo resolvido - gritou Fred satisfeito , mas estava bastante enganado . Como_se fosse magneticamente atraída para Harry , a * bludger * lançou se de_novo contra ele e Harry teve de voar a_toda_a velocidade . Começara a chover . Harry sentia as gotas pesadas caírem lhe em o rosto , turvando lhe as lentes de os óculos . Não fazia ideia do_que se passava em o resto de o jogo , até ouvir Lee_Jordan que fazia o comentário dizer : - Os Slytherin vão a a frente com seis contra zero . As vassouras de qualidade superior de os Slytherin estavam obviamente a cumprir a sua função e enquanto isso , a * bludger * maluca fazia todos os possíveis para deitar abaixo o Harry . Fred e George voavam agora tão perto de ele , um de cada lado , que Harry não via senão os seus braços a balouçar e , se não conseguia ver a * snitch * , muito menos agarrá a . - Alguém enfeitiçou esta * bludger * - resmungou Fred , preparando o bastão com toda_a força quando ela se lançava de_novo contra Harry . - Precisamos de tempo - disse George , tentando fazer sinal a Wood enquanto evitava que a bola partisse o nariz a o Harry . Wood captou obviamente a mensagem . O apito de Madam_Hooch fez se ouvir e Harry , Fred e George desceram , tentando ainda evitar a * bludger * maluca . - O que é_que se passa ? - perguntou Wood enquanto a equipa de os Gryffindor se amontoava desordenadamente e os Slytherin , em o meio de a multidão , lançavam piadas . - Estamos a ser esmagados . Fred , George , onde estavam vocês quando aquela * bludger * impediu a Angelina de marcar ? - Estávamos seis metros acima , evitando que a outra * bludger * matasse o Harry , Oliver - gritou George furioso . - Alguém preparou isto , a bola não deixa o Harry em paz , ainda não perseguiu mais ninguém desde_que o jogo começou . Os Slytherin fizeram aqui qualquer coisa . - Mas as * bludgers * têm estado fechadas em o escritório de Madam_Hooch desde o último treino , e nessa_altura estava tudo bem ... - disse Wood ansiosamente . Madam_Hooch aproximava se . Por cima de o ombro de ela , Harry pôde ver a equipa de os Slytherin a escarnecer e apontar em a sua direcção . - Ouçam - disse o Harry , enquanto ela se aproximava . - Com vocês os dois a voarem sempre colados a mim , só vou apanhar a * snitch * se ela voar até a a minha manga . Voltem se para o resto de a equipa e deixem a tratante comigo . - Não sejas bronco - disse o Fred . - Ela arranca te a cabeça . Os olhos de Wood saltavam de Harry_para_os_Weasley . - Oliver , isto_é uma loucura - disse Alicia_Spinet , zangada . - Não podes deixar o Harry sozinho entregue a aquela coisa . Vamos pedir uma investigação . - Se pararmos agora , teremos de dar a partida como perdida e não vamos deixar os Slytherin ganhar , só por_causa_de uma * bludger * maluca . Vá lá , Oliver , diz lhes que me deixem sozinho . - A culpa é toda tua . * _ Agarra a snitch ou morre a tentar * , se isso é lá coisa que se diga . Madam_Hooch tinha se lhes juntado . - Prontos para retomar a partida ? - perguntou a Wood . Wood olhou para o ar determinado de Harry . - Deixem o sozinho , ele é capaz de lidar com a * bludger * . A chuva era agora mais pesada . A o apito de Madam_Hooch , Harry elevou se em os ares e ouviu o barulhinho de a * bludger * atrás_de si . Subiu cada_vez_mais alto . Fez acrobacias em espiral , descidas rápidas , ziguezagueou e rolou . Apesar_de ligeiramente estonteado , não deixou nunca de ter os olhos bem abertos . A chuva salpicava lhe os óculos e entrava lhe por as narinas , quando ele se voltou de cabeça para baixo , evitando outra forte investida de a * bludger * . Ouviu os risos de a multidão . Sabia que devia parecer ridículo , mas a * bludger * maluca era pesada e não podia mudar de direcção tão rapidamente quanto ele . Iniciou uma corrida que parecia de feira de diversões em volta de os extremos de o estádio , olhando de soslaio , através de os lençóis prateados de chuva , para os postes de os Gryffindor , onde Adrian_Pucey tentava passar por Wood . Um assobio junto de os ouvidos disse a Harry que a * bludger * falhara uma_vez_mais . Voltou se e voou rapidamente em a direcção oposta . - Estás a ensaiar * ballet * , Potter - gritou Malfoy quando Harry foi obrigado a fazer uma reviravolta estúpida em o ar para se esquivar mais_uma_vez de a * bludger * . Lá foi ele , com a * bludger * atrás a alguns metros de distância . E foi então que , olhando para Malfoy , furioso , a viu , a * snitch * de ouro . Flutuava alguns centímetros acima de os ouvidos de Malfoy que , de tão preocupado a escarnecer de Harry , nem dera por ela . Durante um momento angustiante , Harry ficou quieto em o ar , não ousando dirigir se a Malfoy , não fosse ele olhar para_cima e ver a * snitch * . PUM ! Tinha ficado parado tempo de mais . A * bludger * batera lhe , por fim , apanhando lhe o cotovelo e Harry sentiu o braço a partir se . Debilmente , desorientado por a dor cauterizante em o braço , Harry deslizou para um de os lados em a sua vassoura encharcada , um joelho ainda dobrado , o braço direito a balouçar , inútil , a o seu lado . A * bludger * veio de_novo , preparada para mais um ataque , desta_vez apontada a o seu rosto . Harry desviou se com uma intenção : chegar a Malfoy . Através_de uma nuvem de chuva e dor desceu até a o rosto tremeluzente e trocista e viu os olhos de ele dilatarem se de medo : Malfoy pensou que Harry ia atacá o . - Que diabo ... - resmungou , afastando se de o caminho . Harry tirou a outra mão de a vassoura e fez uma tentativa para agarrar qualquer coisa . Sentiu os dedos fecharem se em volta de a * snitch * dourada , mas conduzia agora a vassoura apenas com as pernas e ouviu se um grito de a multidão cá em baixo , quando ele fez a descida , tentando não desmaiar . Com um ruído seco caiu em a terra enlameada e rolou para fora de a vassoura . O braço tinha um ângulo um_pouco estranho . Torcendo se com dores , ouviu a a distância os assobios e os gritos . Concentrou se em a * snitch * que tinha fechada em a outra mão . - Ai - disse vagamente . - Ganhámos o jogo . E desmaiou . Voltou a si com a chuva a cair lhe em o rosto , ainda deitado em o campo , com alguém inclinado sobre ele . Viu um brilho de dentes brancos . - Oh , não , você não - gemeu . - Não sabe o que diz - afirmou Lockhart bem alto a a ansiosa multidão de Gryffindor que o comprimiam . - Não te preocupes , Harry , eu vou tratar de o teu braço . - Não - gritou Harry . - Eu fico com ele assim , obrigado . Tentou sentar se , mas a dor era enorme . Ouviu um « clique » familiar . - Não quero fotografias de isto , Colin - disse em voz alta . - Deita te para trás , Harry - insistiu Lockhart com toda_a calma . - É um encantamento muito simples que eu fiz imensas vezes . - Porque não me levam só para a ala hospitalar ? - perguntou Harry entredentes . - Seria o melhor , professor - disse a voz rouca de o Wood que não conseguia deixar de sorrir , apesar_de o seu * seeker * estar ferido . - Grande captura , Harry , verdadeiramente espectacular , a tua melhor jogada , em a minha opinião . Em o meio de a floresta de pernas que o rodeava , Harry avistou Fred e George_Weasley , metendo a * budger * perigosa em uma caixa . Continuava a dar uma luta enorme . - Para trás - ordenou Lockhart , que tinha arregaçado as mangas verde jade . - Não , eu não ... - protestou debilmente Harry , mas Lockhart tinha a varinha em a mão e , um segundo depois , apontava a para o braço de Harry . Uma sensação estranha e desagradável começou em o ombro e espalhou se , chegando a as pontas de os dedos . Parecia que o braço inteiro tinha sido esvaziado . Não foi capaz de olhar para o que estava a suceder . Tinha fechado os olhos , voltado o rosto para o outro lado , mas os seus maiores receios concretizaram se quando as pessoas lá em cima se sobressaltaram e Colin_Creevey começou a tirar fotografias como um louco . O braço deixara de lhe doer , mas parecia tudo menos um braço . - Ah ! - disse Lockhart . - Sim , bem isto às_vezes acontece . Mas o importante é_que os ossos já não estão partidos . Isso é o mais importante . Portanto , Harry , vai até a a ala hospitalar ... ah ! Mr._Weasley , Miss_Granger , poderiam levá o lá ? E Madam_Pomfrey poderá ... er ... arranjar um_pouco isso . Quando Harry se pôs de pé sentiu se estranhamente desequilibrado . Depois de respirar fundo , olhou para o lado direito e o que viu quase o fez desmaiar de_novo . Pendurado em a extremidade de a sua túnica estava o que parecia ser uma espessa e colorida luva de borracha . Tentou mexer os dedos mas ... em vão . Lockhart não consertara os ossos de Harry . Retirara os . M. dam Pomfrey não ficou nada satisfeita . - Devias ter vindo logo ter comigo - ralhou , segurando os restos tristes e moles de aquilo que antes fora um braço activo . - Eu conserto ossos em um segundo , mas fazê os crescer de_novo ... - Vai conseguir , não vai ? - perguntou Harry desesperado . - Sim , com certeza , mas vai ser doloroso - disse Madam_Pomfrey de modo severo , entregando lhe um pijama . - Vais ter que ficar cá esta noite ... Hermione esperou de o lado de_fora de a cortina que rodeava outra cama enquanto Ron ajudava Harry a vestir se . Levou algum tempo a enfiar o braço que parecia borracha dentro_de uma manga de o pijama . - Como é_que podes continuar a defender o Lockhart depois disto , Hermione ? - perguntou Ron através de as cortinas , enquanto puxava os dedos moles de o Harry por uma manga . - Se o Harry quisesse ser desossado , teria pedido . - Todos podem enganar se - disse Hermione . - E deixou de doer , não deixou , Harry ? - Sim - disse ele - mas também ficou incapaz de fazer seja o que for . Quando se meteu em a cama , o braço agitou se despropositadamente . Hermione e Madam_Pomfrey entraram . Madam_Pomfrey segurava uma grande garrafa com o rótulo * Skele - _ Gro * . - Vais ter uma noite difícil - preveniu , enchendo um pequeno copo fumegante e dando lhe a beber . - Fazer crescer ossos é uma coisa difícil . Tomar o * _ Skele - _ Gro * também . Queimou a boca e a garganta de o Harry a o descer , fazendo o tossir e cuspir . Resmungando sobre os desportos perigosos e os professores incapazes , Madam_Pomfrey retirou se , deixando Ron e Hermione a ajudar Harry a engolir um_pouco de água . - Mas ganhámos o jogo - disse o Ron com um sorriso em o rosto . - A tua jogada foi em grande . A cara de o Malfoy ... parecia que queria matar alguém . - Eu vou descobrir como é_que enfeitiçaram aquela * bludger * - disse Hermione com ar sombrio . - Podemos juntar essa pergunta a a lista de todas_as que queremos fazer a o Malfoy quando tomarmos a poção * _ Polisuco * - disse Harry , afundando se de_novo em as almofadas . - Espero que tenha um sabor melhor do_que esta coisa ... - Com um bocado de os Slytherin lá dentro , deves estar a brincar - disse o Ron . A porta de a ala hospitalar abriu se em esse momento e , completamente encharcados , entraram os restantes membros de a equipa de os Gryffindor , para ver o Harry . - Um voo inacreditável - disse George . - Acabei de ver Marcus_Flint a gritar com o Malfoy . Qualquer coisa sobre ter a * snitch * mesmo em cima de a cabeça e não ter dado por nada . O Malfoy não parecia nem um_pouco satisfeito . Tinham trazido bolos , rebuçados e garrafas de sumo de abóbora . Juntaram se em volta de a cama de Harry e estavam a dar início a o que prometia ser uma grande festa quando Madam_Pomfrey entrou a vociferar : - Este rapaz precisa de repouso . Tem trinta_e_três ossos a crescer . Fora de aqui . FORA ! E Harry ficou sozinho , sem nada que o distraísse de as dores agudas em o seu braço mole . Muitas horas mais tarde , Harry acordou subitamente em a escuridão total e soltou um pequeno grito de dor : sentia agora o braço cheio de estilhaços . Durante alguns segundos pensou que tinha sido a dor a acordá o . Depois , com um arrepio de horror , apercebeu se de que alguém estava a passar lhe uma esponja em a testa . - Sai de aqui - gritou , e em seguida : - Dobby ! Os olhos de o tamanho de bolas de ténis de o elfo doméstico estavam a olhá o em o escuro , uma lágrima grossa rolava por o seu enorme nariz . - Harry_Potter voltou a a escola - murmurou , infeliz . - Dobby avisou e voltou a avisar Harry_Potter . Ah ! senhor , porque não deu ouvidos a Dobby ? Porque não voltou Harry_Potter para_casa quando perdeu o comboio ? Harry ergueu se um_pouco , encostando se a as almofadas e afastou a esponja de o elfo . - O que estás a fazer aqui ? - perguntou . - E como sabes que eu perdi o comboio ? O lábio de Dobby tremeu e Harry foi assaltado por uma dúvida . - Foste tu . Tu impediste que a barreira nos deixasse passar . - Em a verdade fui eu , senhor - disse Dobby , acenando com a cabeça e com as orelhas a abanar . - Dobby escondeu se , esperou por Harry_Potter e selou a barreira . A seguir , Dobby teve de pôr as mãos em o ferro de engomar - mostrou a o Harry dez dedos longos embrulhados em ligaduras . - Mas Dobby não se importou , senhor , porque pensou que Harry_Potter estava a salvo e nunca Dobby sonhou que mesmo_assim ele viria para a escola ! Balançava se para a frente e para trás , sacudindo a cabeça feia . - Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry_Potter tinha voltado a a escola que deixou queimar o jantar de os seus donos . Dobby nunca tivera um castigo tão grande , senhor . Harry afundou se de_novo em as almofadas . - Quase conseguiste que nos expulsassem , a mim e a o Ron - disse furioso . - É melhor desapareceres de aqui antes que os meus ossos voltem a estar bem , Dobby , ou ainda te estrangulo . O elfo sorriu . - Dobby está habituado a ameaças de morte , senhor . Dobby recebe as cinco vezes por dia em a casa onde mora . Encostou o nariz a um canto de a fronha que usava , ficando tão ridículo que Harry sentiu a raiva desvanecer se , apesar_de tudo . - Porque usas essa coisa , Dobby ? - perguntou com curiosidade . - Isto , senhor ? - disse Dobby apontando para a fronha de almofada . - É uma prova de escravatura de o elfo doméstico , senhor . Dobby só pode ser libertado se os donos lhe derem roupa , senhor . A família tem o cuidado de não dar a o Dobby nem uma peúga , senhor , porque ele poderia ficar livre e deixar a casa para sempre . Dobby limpou os olhos protuberantes e disse subitamente : - Harry_Potter deve ir para_casa . Dobby achou que a sua * bludger * seria o suficiente para o fazer ... - A tua * bludger * ? - disse Harry com a raiva a crescer novamente dentro de ele . - Que queres tu dizer com a tua bludger * ? Foste tu quem fez com que aquela bola tentasse matar me ? - Matar não , senhor . Matar , nunca ! - disse o elho chocado . - Dobby quer salvar a vida de Harry_Potter . É melhor ir para_casa ferido do_que ficar aqui , senhor . Dobby só queria Harry_Potter suficientemente ferido para voltar para_casa . - Só isso ? - disse Harry furioso . - Imagino que não vais dizer me porque querias mandar me para_casa a os bocados ? - Ah ! se Harry_Potter soubesse ! - gemeu Dobby , com mais lágrimas a escorrerem lhe por a fronha esfarrapada . - Se pudesse saber o que significa para nós , para os humildes , os escravizados , nós , a escória social de o mundo mágico ! Dobby lembra se de como eram as coisas quando Aquele cujo nome não deve ser pronunciado estava em o auge de o poder , senhor ! Nós , os elfos domésticos éramos tratados como animais , senhor ! É claro que Dobby ainda é tratado assim - admitiu , secando o rosto em a fronha de almofada . - Mas , em a sua maioria , a vida melhorou bastante para os de a minha espécie desde_que Harry_Potter triunfou sobre Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Harry_Potter sobreviveu e o poder de os senhores de o Mal foi quebrado e veio uma nova alvorada , senhor , e Harry_Potter brilhou como um farol de esperança para aqueles de entre nós que já pensavam que a longa noite nunca mais teria fim , senhor ... e agora em Hogwarts vão acontecer coisas terríveis , talvez já esteiam a acontecer e Dobby não pode deixar Harry_Potter ficar aqui , agora_que a história vai repetir se , agora_que a Câmara_dos_Segredos está de_novo aberta . Dobby calou se horrorizado . Em seguida agarrou em o jarro de a água que Harry tinha a a cabeceira e bateu com ele em a própria cabeça , deixando se cair . Um segundo mais tarde voltou até junto de a cama , repetindo : - Mau , Dobby , muito mau , Dobby . - Quer_dizer , então , que existe mesmo a Câmara_dos_Segredos ? - murmurou Harry . - E dizes tu que já antes foi aberta ? Conta me , Dobby . Agarrou o pulso ossudo de o elfo quando a mão de ele se estendia para o jarro de a água . - Mas eu não sou filho de Muggles . Como posso estar em perigo por causa de a Câmara_dos_Segredos ? - Ah ! senhor , não pergunte a o pobre Dobby - lamentou se o elfo com os olhos enormes a brilharem em o escuro . - As forças de as trevas estão projectadas em este lugar , mas Harry_Potter não deve estar aqui quando as coisas acontecerem . Vá para_casa , Harry_Potter , vá para_casa . Harry_Potter não deve envolver se em isto , senhor , é demasiado perigoso ... - Quem é , Dobby ? - perguntou Harry , continuando a agarrar lhe o pulso com forca , impedindo que batesse de_novo em si próprio com o jarro . - Quem abriu a amara ? Quem a abriu de a última vez ? - Dobby não pode , senhor . Dobby não pode . Dobby não deve dizer - guinchou o elfo . - Vá se embora , Harry_Potter , vá se embora ! - Eu não vou para lugar nenhum - disse Harry , furioso . - Uma de as minhas melhores amigas é filha de Muggles , está em perigo se a câmara foi , de facto , aberta ... - Harry_Potter arrisca a própria vida por os amigos - gemeu Dobby em uma espécie de êxtase infeliz . - Tão nobre , tão corajoso , mas deve salvar se , Harry_Potter não deve ... Dobby calou se de repente com as orelhas de morcego a estremecerem . Harry também ouviu os passos que vinham lá fora , de o corredor . - Dobby tem de ir - balbuciou o elfo apavorado . Ouviu se um ruído e o pulso de Harry ficou subitamente fechado em o ar . Meteu se de_novo para baixo , em a cama , com os olhos fixos em a porta escura que dava entrada em a ala hospitalar enquanto os passos se aproximavam . Em o momento seguinte , Dumbledore estava a entrar , de costas , em o dormitório , vestindo uma longa túnica de lã e uma capa de noite . Transportava um extremo de aquilo que parecia ser uma estátua . A professora Mc_Gonagall surgiu um segundo mais tarde , pegando lhe em os pés . Os dois colocaram a em uma cama . - Chame Madam_Pomfrey - murmurou Dumbledore e a professora Mc_Gonagall passou por a cama de Harry , apressadamente , e desapareceu . Harry deixou se ficar muito quieto como_se estivesse a dormir . Ouviu vozes ansiosas e por fim a professora Mc_Gonagall apareceu de_novo , seguida de Madam_Pomfrey que vestia um casaco curto de lã sobre a camisa de dormir . Ouviu uma inspiração aguda . - O que aconteceu ? - murmurou Madam_Pomfrey_a_Dumbledore , inclinando se sobre a estátua que estava em a cama . - Outro ataque - disse Dumbledore . - A Minerva encontrou o em as escadas . Havia um cacho de uvas junto de ele . Acho que estava a tentar esgueirar se até aqui para vir visitar o Potter . O estômago de Harry deu uma reviravolta . Lenta e cuidadosamente ergueu se alguns centímetros para poder ver a estátua que estava sobre a cama . Um raio de luar iluminou lhe o rosto estático . Era_Colin_Creevey . Tinha os olhos abertos , e as mãos , em frente de a cara , seguravam a máquina fotográfica . -- Petrificado ? - murmurou Madam_Pomfrey . - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - Mas estou tentada a acreditar que ... se Albus não tivesse vindo cá abaixo tomar um chocolate quente ... quem sabe o que teria ... Os três olharam para Colin . Dumbledore inclinou se e retirou lhe a máquina de as mãos rígidas . - Será que ele conseguiu tirar a fotografia de o agressor ? - perguntou ansiosa a professora Mc_Gonagall . Dumbledore não respondeu . Abriu a parte detrás de a máquina . - Cruzes canhoto - disse Madam_Pomfrey . Um jacto de vapor tinha feito fervilhar a máquina . Harry , a três metros de distância , sentiu o cheiro tóxico de o plástico queimado . - Derretido - disse Madam_Pomfrey com grande espanto . - Tudo derretido . - O que significa isto , Albus ? - perguntou cada_vez_mais nervosa a professora Mc_Gonagall . - Significa - disse Dumbledore - que a Câmara_dos_Segredos está mesmo aberta outra_vez . Madam_Pomfrey levou uma mão a a boca . A professora Mc_Gonagall olhou assustada para Dumbledore . - Mas , Albus ... com certeza ... quem ? - A questão não é quem - disse Dumbledore com os olhos fixos em Colin . - A questão é como ... E pelo que Harry conseguiu ver de o rosto indistinto de a professora Mc_Gonagall , ela não compreendeu muito mais do_que ele . XI_O clube de os duelos Quando_Harry acordou , em o domingo de manhã , a enfermaria estava iluminada por um resplandecente sol de inverno e o seu braço tinha de_novo todos os ossos , apesar_de o sentir muito rígido . Sentou se rapidamente e olhou para a cama de Colin , mas ela fora isolada com as cortinas atrás de as quais se despira em a véspera . Vendo que ele tinha acordado , Madam_Pomfrey apareceu com um tabuleiro de pequeno-almoço e a seguir começou a apalpar lhe o braço e os dedos . - Tudo em ordem - disse , enquanto ele , com a mão esquerda , comia avidamente as papas de aveia . - Quando acabares de comer podes ir te embora . Harry vestiu se o mais depressa que pôde e dirigiu se a a pressa para a torre de os Gryffindor , ansioso por contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre Colin e Dobby , mas não os encontrou lá . Foi a a procura de eles , perguntando a si próprio onde teriam ido e sentindo se um_pouco magoado por o pouco interesse que demonstravam em saber se ele tinha recuperado os ossos . Quando passou por a biblioteca , Percy_Weasley vinha a sair com bastante melhor cara do_que de a última vez que se tinham encontrado . - Olá , olá , Harry - disse . - Excelente voo o de ontem , verdadeiramente sensacional . Os Gryffindor estão a a frente para a taça de a equipa . Ganhaste cinquenta pontos . - Não viste o Ron e a Hermione por aí ? - perguntou Harry . - Não , não vi - disse Percy com o sorriso a desaparecer . - Espero que o Ron não esteja outra_vez em a casa_de_banho de as raparigas ... Harry forçou um sorriso , viu Percy desaparecer e a seguir foi direitinho até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Não via lá muito bem por_que motivo o Ron e a Hermione lá estariam de_novo , mas , depois de se assegurar de que nem Filch nem nenhum de os prefeitos estavam por perto , abriu a porta e ouviu as vozes de eles que vinham de um cubículo fechado . - Sou eu - disse , fechando a porta atrás_de si . Ouviu se dentro de o cubículo um estrondo , um chapinhar e um sobressalto e ele viu o olho de a Hermione a espreitar por o buraco de a fechadura . - Harry - disse ela . - Pregaste nos um susto de morte . Entra . Como está o teu braço ? - _ óptimo - respondeu , apertando se dentro de o cubículo . Em cima de a sanita estava encarrapitado um velho caldeirão , e um crepitar a a superfície de a água disse a Harry que eles tinham acendido um fogo lá em baixo . Fazer aparecer fogos portáteis a a prova de água era uma de as especialidades de Hermione . - _ íamos visitar te , mas resolvemos começar a preparar a poção * _ Polisuco * - explicou Ron enquanto Harry fechava outra_vez a porta de o cubículo com alguma dificuldade . - Achámos que este era o lugar mais seguro para a esconder . Harry começou a contar lhes de o Colin , mas Hermione interrompeu o . - Nós já sabemos , ouvimos a professora Mc_Gonagall contar a o professor Flitwick hoje_de_manhã . Por isso resolvemos começar a ... - Quanto_mais depressa arrancarmos uma confissão a o Malfoy , melhor - rosnou o Ron . - Sabem o que eu penso ? Ele estava tão mal-humorado depois de o jogo de Quidditch que se vingou em o Colin . - Há outra coisa - disse Harry , vendo Hermione cortar molhos de verdezelha e lançá os dentro de a poção . - O Dobby foi visitar me a meio de a noite . Ron e Hermione olharam o espantados . Harry contou lhes tudo_o_que Dobby lhe dissera ... ou não dissera . Ron e Hermione ouviram o de boca aberta . - A Câmara_dos_Segredos já tinha sido aberta antes ? - repetiu Hermione . - Encaixa perfeitamente - disse Ron , em uma voz triunfante . - O Lucius_Malfoy deve ter aberto a Câmara_dos_Segredos quando andava em a escola e agora ensinou a o querido filhinho Draco como abris a . É óbvio , que pena o Dobby não te ter dito que tipo de monstro lá se encontra . Gostava de saber como é_que ninguém o viu andar por ai em a escola . - Talvez tenha a capacidade de se tornar invisível - sugeriu Hermione , picando sanguessugas para dentro de o caldeirão . - Ou talvez se disfarce , passando por uma armadura ou outra coisa de o género . Eu li umas coisas sobre vampiros camaleões ... - Tu lês de mais , Hermione - disse o Ron , deitando moscas asas de renda mortas por cima de as sanguessugas . Amarrotou o saco vazio de as asas de renda e olhou para Harry . - Então foi o Dobby que nos impediu de apanhar o comboio e te partiu o braço ... - abanou a cabeça . - Sabes o que eu acho ? Se ele não parar de tentar salvar te a vida ainda acaba por te matar . A notícia de que Colin_Creevey tinha sido atacado e estava agora em a ala hospitalar , como morto , espalhou se por toda_a escola em a segunda-feira de manhã . O ar ficou pesado e cheio de boatos e suspeitas . Os alunos de o primeiro ano começavam a andar por a escola em pequenos grupos , receando ser atacados se se aventurassem a andar isoladamente por os corredores . Ginny_Weasley , que era colega de carteira de o Colin em os encantamentos , estava perturbadíssima , mas Harry achou que Fred e George estavam a tentar animá a de a maneira errada . Revezavam se , mascarados com peles de animais e apareciam lhe subitamente detrás de as estátuas . Só pararam quando Percy , apopléctico de raiva , lhes disse que ia escrever a Mrs._Weasley a contar lhe que a Ginny andava a ter pesadelos . Enquanto isso , às_escondidas de os professores , uma panóplia de talismãs , amuletos e outros objectos de protecção ia enchendo a escola . Neville_Longbottom comprou uma enorme cebola verde que cheirava mal , um cristal pontiagudo cor de púrpura e uma cauda de tritão apodrecida antes de os outros rapazes de os Gryffindor lhe explicarem que ele não corria perigo : era um sangue puro e , portanto , muito pouco passível de ser atacado . - Eles foram a o Filch em primeiro lugar - disse Neville com o medo estampado em a cara redonda . - E toda_a_gente sabe que eu sou quase um * busca-pé * . Em a segunda semana de Dezembro , a professora Mc_Gonagall veio , como de costume , recolher os nomes de os alunos que ficavam em a escola durante o Natal . Harry , Ron e Hermione assinaram a lista . Tinham ouvido dizer que Malfoy ficava , o que lhes parecera muito suspeito . As férias seriam a altura ideal para usar a poção * _ Polisuco * e tentar arrancar lhe uma confissão . Infelizmente a poção estava a meio . Precisavam ainda de o chifre de bicórneo e o único lugar onde podiam arranjá o era em os depósitos privados de Snape . Harry , pessoalmente , preferia enfrentar o lendário monstro de os Slytherin do_que ser apanhado por o Snape a assaltar lhe o escritório . - O que precisamos - disse Hermione cheia de vivacidade quando se aproximava a aula conjunta de poções de quinta-feira a a tarde - para podermos entrar a a vontade em o escritório de o Snape , é de uma diversão . Harry e Ron olharam para ela , nervosos . - Acho que o melhor é ser eu a praticar o roubo - prosseguiu ela , em um tom perfeitamente casual . - Vocês os dois podem ser expulsos se forem apanhados e eu tenho uma folha limpa . Portanto , a única coisa que têm de fazer é distrair o Snape durante cerca de cinco minutos . Harry esboçou um meio sorriso . Provocar deliberadamente um estrago em a aula de poções de o Snape era tão seguro como ferir em um olho um dragão adormecido . As aulas de poções tinham lugar em um de os mais amplos calabouços . A de quinta-feira a a tarde não foi diferente de as outras . Vinte caldeirões fumegavam entre as secretárias de madeira , sobre as quais podia ver se laminas de latão e jarras com ingredientes . Snape deambulava por o meio de os fumos , fazendo reparos petulantes a o trabalho de os Gryffindor , enquanto os Slytherin riam a a socapa . Draco_Malfoy , que era o aluno preferido de Snape , não parava de lançar olhos de carneiro mal morto a o Ron e a o Harry , que sabiam que se retaliassem teriam um castigo , antes de poderem abrir a boca para dizer : - É injusto ! A solução de inchar de o Harry estava demasiado líquida , mas ele estava preocupado com coisas mais importantes . Esperava por o sinal de Hermione e mal deu por Snape se calar para ir espreitar a sua poção aguada . Quando o professor se voltou e foi implicar com o Neville , Hermione trocou um olhar com Harry e fez um aceno . Harry baixou se discretamente por detrás de o seu caldeirão , tirou de o bolso de trás um de os paus de fogo-de-artíficio Filibuster e deu lhe um toque de varinha . O fogo-de-artíficio começou a sibilar e a crepitar . Sabendo que tinha apenas alguns segundos , Harry endireitou se , ganhou coragem e lançou o a o ar . Aterrou certeiro em o caldeirão de o Goyle . A poção de o Goyle explodiu , salpicando toda_a aula . As pessoas gritavam , à_medida_que eram vítimas de os salpicos . Malfoy foi apanhado em a cara e o nariz começou a inchar como um balão . O Goyle tropeçava a as cegas , com as mãos em os olhos , que tinham ficado de o tamanho de pratos de sopa , enquanto o Snape tentava repor a calma e tentar perceber o que sucedera . Em o meio de a confusão , Harry viu Hermione esgueirar se a a socapa por a porta . - Silêncio ! silêncio ! - vociferou Snape . - Todos os que foram salpicados cheguem aqui para uma drenagem . Quando eu descobrir quem fez isto ... Harry fez um enorme esforço para não se rir a o ver Malfoy chegar apressadamente lá a a frente , a cabeça a tombar com o peso de o nariz , que parecia um pequeno melão . Quando metade de a aula se amontoava junto de a secretária de o Snape , alguns alunos vergados por o peso de os braços que pareciam mocas , outros incapazes de falar devido a o gigantesco inchaço de os lábios , Harry viu Hermione reentrar em o calabouço , a túnica mostrando a barriga protuberante . Quando todos os alunos tinham já tomado um gole de o antídoto e os vários inchaços tinham desaparecido , Snape precipitou se para o caldeirão de o Goyle e pescou os restos retorcidos de o fogo-de-artíficio . Houve um súbito silêncio . - Se eu descubro quem lançou isto - murmurou Snape - garanto que é expulsão por a certa . Harry compôs uma expressão de espanto . Snape olhava directamente para ele e a campainha , que tocou dez minutos mais tarde , não podia ser mais bem-vinda . - Ele soube que fui eu - disse Harry_a_Ron e a a Hermione , enquanto se dirigiam apressadamente para a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Tenho a certeza . Hermione lançou o novo ingrediente em o caldeirão e começou a mexer furiosamente . - Isto vai estar pronto dentro_de quinze_dias - afirmou , satisfeita . - O Snape não pode provar que foste tu - assegurou Ron , tranquilizando Harry . - Que pode ele fazer ? - Conhecendo o Snape , qualquer coisa louca - respondeu Harry , enquanto a poção borbulhava e espumava . Uma semana mais tarde , Harry , Ron e Hermione passavam por o vestíbulo de entrada , quando viram um pequeno grupo de pessoas reunidas em volta de o jornal de parede a lerem um pedaço de pergaminho que tinha acabado de ser afixado . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas acenaram lhes , entusiasmados . - Vão lançar um clube de duelos ! - exclamou Seamus . - Hoje a a noite é a primeira reunião . Eu não me importaria nada de ter aulas de duelo , podem vir a ser úteis um dia de estes ... - Porquê ? Achas que o monstro de os Slytherin sabe esgrimir ? - perguntou o Ron , mas , também ele , leu a notícia com interesse . - Pode ser útil - disse a o Harry e a a Hermione , quando foram jantar . - Vamos lá ? Harry e Hermione acharam óptimo , por isso , a as oito_da_noite voltaram a o salão . As longas mesas de refeição tinham desaparecido e um estrado dourado surgira , encostado a a parede . Sobre ele flutuavam milhares de velas . O tecto era , mais_uma_vez , de veludo negro e parecia que quase todos os alunos de a escola se encontravam ali , com as suas varinhas em a mão e com um ar entusiasmado . - Quem será que vai ensinar nos ? - perguntou Hermione , enquanto se misturavam em a multidão barulhenta . - Ouvi dizer que o Filitwick foi campeão de duelo em a juventude , talvez seja ele . - Desde_que não seja ... - começou Harry , mas terminou em um gemido : Gilderoy_Lockhart estava a subir a o estrado , resplandecente em as suas vestes cor de ameixa , acompanhado , nem mais nem menos , do_que de Snape que trajava , como sempre , de negro . Lockhart levantou um braço , pedindo silêncio , bradando : - Aproximem se , aproximem se , conseguem todos ver me e ouvir me ? Excelente ! - O professor Dumbledore deu me autorização para iniciar este pequeno curso de duelo para vos treinar a todos , caso algum dia precisem de se defender , como eu tenho feito em inúmeras ocasiões ; para mais detalhes , leiam os livros que tenho publicados . - Permitam que vos apresente o meu assistente , o professor Snape - disse Lockhart , abrindo um sorriso de orelha a orelha . - Ele diz me que sabe alguma coisa sobre duelos e aceitou desportivamente ajudar me em uma exibição de demonstração , antes de começarmos . Atenção , não quero que os mais novos fiquem preocupados , vão continuar a ter o vosso professor de poções depois de eu o vencer . Não tenham medo . - Não era óptimo se se liquidassem um_ao_outro ? - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . O lábio inferior de Snape estava curvo . Harry interrogou se sobre o motivo por_que Lockhart continuava a sorrir . Se o Snape olhasse de aquela maneira para ele , Harry estaria a correr a_toda_a velocidade para o mais longe possível . Lockhart e Snape voltaram se um para o outro e fizeram uma vénia , pelo_menos Lockhart fê la com muitas reviravoltas de mãos , enquanto Snape acenava , irritado , com a cabeça . Em seguida , ergueram as varinhas , como_se fossem espadas , em a frente . - Como podem ver , estamos a pegar em as varinhas em a posição de aceitação de combate - explicou Lockhart a a multidão silenciosa . - Quando contarmos até três , lançaremos os primeiros feitiços . Nenhum de nós tentará matar o outro , claro . - Eu não poria as mãos em o fogo - murmurou Harry , observando como Snape cerrava os dentes . -- Um , dois , três ... Os dois balançaram as varinhas acima de os ombros . Snape gritou : * _ Expelliarmus * ! Houve um clarão ofuscante de luz escarlate e Lockhart voou para trás , caindo de o estrado batendo contra a parede , escorregando e indo estatelar se em o chão . Malfoy e alguns de os outros Slytherin aplaudiram . Hermione estava em bicos de os pés . - Acham que ele está bem ? - gritou entredentes . - Quem se rala ? - disseram ao_mesmo_tempo o Ron e o Harry . Lockhart estava a pôr se , hesitante , de pé . O chapéu caíra lhe e o cabelo ondulado estava em um desalinho . - Bem , cá está ! - disse , cambaleando até a o estrado . - Este foi um encantamento para desarmar . Como podem ver , perdi a minha varinha . Ah , obrigado Miss_Brown . Sim , foi uma excelente ideia mostrar lhes isto , professor Snape , mas , se me permite que lhe diga , foi muito óbvio o que ia fazer . Se eu tivesse querido impedis o , teria o feito com a maior de as facilidades . Mas achei que seria educativo deixá os ver ... Snape tinha um ar assassino . Provavelmente Lockhart deu por isso , porque declarou : - Chega de demonstrações . Eu vou passar agora por o meio de vocês e criar duplas . Professor_Snape , se quiser ajudar me ... Entraram por o meio de a multidão , agrupando alunos . Lockhart pôs o Neville com Justin_Finch - _ Fletchley , mas Snape chegou primeiro junto de Harry e de Ron . - Tempo de separar a dupla ideal , parece me - rosnou . - Weasley , tu podes ficar com o Finnigan . Potter ... Harry voltou se automaticamente para Hermione . - Não me parece - disse Snape com o seu sorriso frio . - Mr._Malfoy , venha até aqui . Vamos ver o que faz com o famoso Potter . E a menina , Miss_Granger , pode emparceirar com Miss_Bulstrode . Malfoy aproximou se com o seu passo empertigado e o seu sorriso escarninho . Atrás de ele vinha uma rapariga de os Slytherin , que lembrou a Harry uma imagem que tinha visto em as * _ Férias com Bruxas_Velhas * . Era corpulenta e quadrada e os maxilares avançavam agressivamente . Hermione esboçou um meio sorriso , que ela não retribuiu . - Voltem se para os vossos parceiros - gritou Lockhart - e façam a vénia . Harry e Malfoy mal inclinaram as cabeças , não afastando os olhos um de o outro . - Varinhas preparadas ! - gritou Lockhart . - Quando eu disser três preparem os feitiços para desarmar o vosso opositor . Um ... dois ... três ... Harry levantou a varinha acima de o ombro , mas Malfoy começara logo em o « dois » : o seu feitiço apanhou Harry com tanta força que ele se sentiu como_se tivesse levado com uma frigideira em a cabeça . Tropeçou , mas ainda não estava fora de combate e , sem perder tempo , Harry apontou a varinha a Malfoy e gritou : - * _ Rictusempra ! * Um jacto de luz prateada atingiu Malfoy em o estômago , obrigando o a dobrar se , arfando . - Eu disse desarmar ! - gritava Lockhart sobre as cabeças de a multidão em lata , enquanto Malfoy caía de joelhos . Harry atingira o com o feitiço de as cócegas e ele mal conseguia mexer se para se rir . Harry hesitou com o vago sentimento de que seria pouco desportivo enfeitiçar Malfoy enquanto ele estava caído em o chão , mas ... foi um erro . Tentando respirar , Malfoy apontou a varinha a os joelhos de Harry , balbuciando : « * _ Tarantallegra ! * » e , um segundo depois , as pernas de o Harry tinham começado a mexer se , sem que ele pudesse controlá as , executando uma espécie de dança frenética . - Parem , parem - gritava Lockhart , quando Snape resolveu tomar controlo de a situação . - * _ Finite_Incantatem ! * - bradou . Os pés de o Harry pararam de dançar , Malfoy parou de rir e puderam olhar para_cima . Uma onda de fumo esverdeado pairava sobre todos eles . Neville e Justin estavam caídos em o chão , a arfar . Ron tentava fazer parar um Seamus com cara cor de cinza , pedindo lhe mil desculpas por o que a sua varinha partida eventualmente tivesse feito . Mas Hermione e Millicent_Bulstrode ainda não tinham acabado . Millicent tinha feito a Hermione uma prisão de cabeça e Hermione gritava de dor . As duas varinhas jaziam esquecidas em o chão . Harry deu um salto em frente e afastou Millicent . Não foi fácil , ela era bastante maior do_que ele . - Oh , gente ! - exclamou Lockhart , arrastando se por o meio de a multidão e olhando para os resultados de os duelos . - Vamos pôr de pé , Mcmillan ... cuidado , Miss_Fawcett ... belisque com força que pára logo de sangrar ... - Acho que o melhor é ensinar vos como bloquear feitiços pouco amigáveis - afirmou Lockhart que estava nervosíssimo em o meio de o salão . Olhou para Snape , cujos olhos pretos brilhavam e desviou rapidamente o olhar . - Vamos arranjar um par de voluntários . Longbottom e Finch - _ Fletchley , que tal serem vocês ? - Uma má ideia , professor Lockhart - disse Snape , deslizando como um morcego enorme e cruel . - Longbottom provoca devastação com o feitiço mais simples . Ainda temos de mandar o que restar de o Finch - _ Fletchley para a ala hospitalar dentro_de uma caixa de fósforos . - A cara redonda e rosada de Neville ficou ainda mais rosada . - Que tal o Malfoy e o Potter ? - sugeriu Snape com um sorriso retorcido . - Excelente ideia - disse Lockhart , fazendo sinal a os dois para que se aproximassem de o meio de o salão , enquanto a multidão recuava para lhes dar passagem . - Ouve bem , Harry - disse Lockhart . - Quando o Draco te apontar a varinha , tu fazes assim . Levantou a sua varinha , executando uma tentativa complicada de malabarismo e deixou a cair . Snape sorriu pretensiosamente , enquanto Lockhart a apanhava de o chão , dizendo : - Ups , a minha varinha está demasiado excitada . Snape aproximou se de Malfoy , inclinou se e disse lhe qualquer coisa a o ouvido . Malfoy sorriu também de forma afectada . Harry olhou , nervoso , para Lockhart e pediu : - Professor , podia mostrar me outra_vez aquela coisa para bloquear ? - Estás com medo ? - murmurou Malfoy baixinho , para que Lockhart não pudesse ouvir . - Querias ! - exclamou Harry por o canto de a boca . Lockhart deu um soco em o ombro de o Harry , em a brincadeira . - Basta que faças como eu fiz ! - O quê , deixar cair a varinha ? Mas Lockhart não estava a ouvir - Três , dois , um , zero ! - gritou . Malfoy levantou rapidamente a varinha a o ar e gritou : - * _ Serpensortia ! * A extremidade de a varinha explodiu . Harry viu , horrorizado , uma enorme serpente negra sair de ela , cair pesadamente em o chão a meio de os dois e erguer se disposta a atacar . Ouviram se gritos , enquanto a multidão se afastava , deixando o chão vazio . - Não te mexas , Potter - disse Snape vagarosamente , divertindo se claramente a ver Harry , parado , a olhar em os olhos a serpente . - Eu trato de ela ... - Permita me -- gritou Lockhart . Bramiu a varinha em direcção a a serpente e ouviu se um estoiro . A cobra , em_vez_de desaparecer , voou três metros acima de eles e voltou a cair em o chão com um estrondo enorme . Enraivecida , a sibilar de fúria , rastejou em direcção a Finch - _ Fletchley e pôs se de pé com os dentes a a mostra , pronta a atacar . Harry não soube ao_certo o que o levou a fazer aquilo . Não se lembrava sequer de ter tomado aquela decisão . Só soube que as pernas o fizeram avançar como_se tivesse rodas e que gritou a a serpente : - Larga o ! - E , milagrosa e inexplicavelmente , a serpente voltou a o chão , dócil como uma grande mangueira de jardim , preta e grossa , os olhos agora fixos em os olhos de Harry . Harry sentiu o medo a escoar se . Sabia que a cobra não atacaria mais ninguém , embora não pudesse explicar como sabia . Olhou para Justin a sorrir , esperando vê o aliviado , espantado , ou mesmo agradecido , mas nunca zangado ou assustado . - Que brincadeira é essa ? - gritou o outro e , antes que Harry tivesse tempo de dizer fosse o que fosse , voltou as costas e saiu de o salão . Snape deu um passo em frente , fez um gesto com a varinha e a serpente desapareceu em uma onda de fumo preto . Também ele , Snape , olhava para Harry de uma forma inesperada . Era um olhar arguto e calculista , de que Harry não gostou . Apercebeu se também vagamente de um murmúrio ameaçador que vinha de as paredes em volta . Depois , sentiu um puxão em a túnica . - Vamos - disse a voz de o Ron em o seu ouvido . - Mexe te , vá lá ... Ron arrastou o para fora de o salão . Hermione acompanhava os em a passada rápida . Quando cruzaram a porta , as pessoas que a rodeavam afastaram se , como_se tivessem medo de ser contagiadas . Harry não fazia a mais pequena ideia do_que estava a passar se e , nem Ron , nem Hermione lhe deram qualquer explicação , antes de o terem levado até a a sala comum de os Gryffindor , que se encontrava vazia . Aí , Ron empurrou Harry para uma cadeira de braços e disse : - Tu és um * serpentês * . Porque não nos disseste ? - Eu sou um quê ? - perguntou Harry . - Um * serpentês * ! - exclamou o Ron . - Falas com as cobras . - Eu sei - declarou Harry . - Quer_dizer , esta foi a segunda vez que o fiz . A outra foi há muito_tempo em o jardim zoológico , quando soltei uma Boa_Constrictor a o meu primo Dudley . É uma longa história , mas ela estava a dizer me que nunca tinha estado em o Brasil e eu acho que a libertei sem querer . Foi antes de saber que era feiticeiro . . . - Uma Boa_Constrictor disse te que nunca tinha estado em o Brasil ? - repetiu Ron , quase sem voz . - E então ? - disse o Harry . - Aposto que montes de pessoas aqui fazem o mesmo . - Não fazem , não - afirmou Ron . - Não é um dom muito frequente . Harry , isso é mau . - O que é_que é mau ? - perguntou Harry , que começava a ficar chateado . - O que é_que se passa com todos os outros ? Ouve bem , se eu não tivesse dito a aquela cobra para não atacar o Justin ... - Ah , foi isso que tu disseste ? - Que queres dizer ? Tu estavas lá , ouviste perfeitamente o que eu disse . - Eu ouvi te falar em serpentês - disse o Ron . - Língua de cobra . Podias estar a dizer lhe qualquer coisa . Não admira que o Justin tivesse entrado em pânico . Parecia que estavas a incitar a serpente . Foi assustador , sabes ? Harry olhou para ele espantado . - Eu falei uma língua diferente ? Mas não me apercebi , como posso falar uma língua , sem saber que a conheço ? Ron abanou a cabeça . Tanto ele como Hermione tinham um ar fúnebre . Harry não percebia o que havia em aquilo de tão trágico . - Será que me querem explicar o que há de mal em ter impedido que uma serpente enorme arrancasse a cabeça a o Justin ? - perguntou . - Porque é tão importante como o fiz , se evitei que o Justin fosse juntar se a grupo de os SEM_CABEÇA ? - Importa - disse por fim Hermione , em uma voz abafada . - Porque falar com serpentes era a arte por a qual Salazar_Slytherin ficou famoso . Por isso , o símbolo de os Slytherin é uma serpente . Harry ficou de boca aberta . - Exacto - disse o Ron . - E agora todos em a escola vão pensar que tu és descendente de ele . - Mas não sou - contrapôs Harry com um pânico que não conseguia explicar . - Não vai ser fácil prová o - disse Hermione . - Ele viveu há quase mil anos . Pelo que vimos , podias ser . Em essa noite , Harry ficou acordado durante horas . Por uma fresta de os cortinados de a cama de dossel , olhou para a neve que começava a cair de o lado de_fora de a janela de a torre e perguntou se se poderia ser descendente de Salazar_Slytherin . Afinal , não sabia nada de a família de o pai , os Dursley tinham sempre proibido qualquer pergunta sobre os seus familiares feiticeiros . Calmamente , tentou dizer qualquer coisa em * serpentês * , mas as palavras não saíam . Parecia que era necessário estar frente_a_frente com uma cobra para poder fazê o . Mas eu sou um Gryffindor , pensou Harry , o chapéu seleccionador não me poria aqui se eu tivesse sangue de Slytherin ... - Ah ! - disse uma vozinha dentro de o seu cérebro . - Mas o chapéu seleccionador queria pôr te em os Slytherin , não te lembras ? Harry deu voltas e voltas a a cabeça . Em o dia seguinte , quando visse Justin em a aula de herbologia explicaria lhe que estava a afastar a serpente , não a atiçá a o que , aliás , pensou zangado , dando vários socos em a almofada , qualquer idiota teria percebido . Contudo , em a manhã seguinte , a neve que começara a cair durante a noite , transformara se em uma tempestade tão espessa que a última aula de herbologia de o período foi cancelada : a professora Sprout queria tapar as mandrágoras com peúgas e cachecóis , uma operação arriscada que ela não confiava a ninguém agora_que era tão importante que as mandrágoras crescessem depressa e reabilitassem Mrs._Norris e Colin_Creevey . Junto de a lareira de a sala comum de os Gryffindor , Harry matutava sobre o que se passara enquanto Ron e Hermione aproveitavam o foro para jogar xadrez de feitiçaria . - Com os diabos , Harry - disse Hermione exasperada quando um bispo derrubou um de os cavaleiros de o cavalo , arrastando o para fora de o tabuleiro . - Vai falar com o Justin , se isso é assim tão importante para ti . Harry levantou se e saiu por o buraco de o retrato , perguntando a si próprio onde poderia estar o Justin . O castelo estava mais escuro do_que era habitual durante o dia por causa de a neve espessa e cinzenta que cobria as janelas . A tremer , Harry passou por as salas onde estava a haver aulas , captando lampejos do_que sucedia lá dentro . A professora Mc_Gonagall gritava com alguém que , segundo lhe parecia por o som , transformara o parceiro em um texugo . Resistindo a a tentação de dar uma espreitadela , Harry afastou se pensando que Justin poderia estar a utilizar o tempo de o furo para fazer algum trabalho e resolveu , por isso , ir até a a biblioteca . Um grupo de alunos de os Hufflepuff , que deveriam ter estado em Herbologia , encontrava se , de facto , sentado em as traseiras de a biblioteca , mas não parecia estar a trabalhar . Entre as fileiras de as estantes altas , Harry pôde ver as suas cabeças muito juntas em aquilo que deveria ser uma conversa absorvente . Não conseguia perceber se Justin estaria em o meio de eles . Ia para se aproximar quando apanhou em o ar uma frase e parou para ouvir melhor , escondido em a secção de a invisibilidade . - Portanto - dizia um rapaz corpulento - eu disse a o Justin para se esconder em o nosso dormitório . Isto_é , se o Potter o escolheu como próxima vítima é melhor que ele tenha um * low profile * durante algum tempo . É claro que o Justin já estava a a espera que alguma coisa de o género acontecesse desde_que lhe escapou em uma conversa com o Potter que era filho de Muggles . O Justin disse lhe , inclusivamente , que tinha estado inscrito em Eton . Não é o tipo de coisa que se ande a dizer com o herdeiro de Slytherin a a solta por aí . - Achas mesmo_que é o Potter , Ernie ? - perguntou uma rapariga de tranças loiras , ansiosamente . - Hannah - disse com solenidade o rapaz corpulento . - Ele é um serpentês . Todos sabem que essa é a marca de um feiticeiro negro . Alguma vez ouviste falar de um feiticeiro decente que falasse com as cobras ? O Slytherin era conhecido por « Língua de serpente . . Houve alguns murmúrios antes de Ernie prosseguir : - Lembram se do_que estava escrito em a parede ? * _ Inimigos de o herdeiro , cuidado ! * . O Potter teve que ir a o gabinete de o Filch . E o que é_que acontece a seguir ? A gata de o Filch é atacada . O aluno de o primeiro ano , Creevey , estava a aborrecê o em a partida de Quidditch , a tirar lhe fotografias quando ele estava caído em a lama . E o que é_que acontece a seguir ? Creevey é atacado . - Mas ele parece sempre ser tão simpático - disse Hannah , cheia de dúvidas . - E , bem , foi ele que fez com que o Quem nós sabemos desaparecesse . Não pode ser assim tão mau , pois não ? Ernie baixou misteriosamente a voz . Os Hufflepuff inclinaram se mais uns para os outros e Harry aproximou se para conseguir apanhar as palavras de o Ernie . - Ninguém sabe como ele sobreviveu a aquele ataque de o Quem nós sabemos e , afinal , ainda era um bebé quando aquilo aconteceu . Era para ter explodido feito em estilhaços . Só um feiticeiro negro verdadeiramente poderoso teria sobrevivido a uma maldição de aquelas . - Baixou ainda mais a voz até esta ficar reduzida a um leve murmúrio e disse : - Talvez fosse por isso que o Quem nós sabemos o queria matar , para não ter outro feiticeiro negro a competir com ele . Gostava de saber que outros poderes ocultos terá o Potter . Harry não aguentou mais . Pigarreou alto e saiu detrás de as estantes . Se não estivesse tão zangado teria conseguido ver o lado cómico de a situação : cada_um de os Hufflepuff olhava para ele como_se tivesse sido petrificado , e a cor desaparecera de a cara de o Ernie . - Olá - disse Harry . - Estou a a procura de o Justin_Finch - _ Fletchley . Os piores receios de os Hufflepuff tinham se concretizado . Olharam apavorados para o Ernie . - O que queres de ele ? - perguntou Ernie em uma voz sumida . - Explicar lhe o que aconteceu com aquela cobra em o clube de os duelos - disse Harry . Ernie mordeu os lábios brancos e , em seguida , respirando fundo , respondeu : - Estávamos lá todos . Vimos o que aconteceu . - Então viram que depois de eu falar a serpente recuou - disse Harry . - O que eu vi - insistiu teimosamente Ernie , apesar_de tremer a cada palavra que proferia - foi tu a falares serpentês e a atiçares a cobra conta o Justin . - Eu não a aticei - gritou Harry enraivecido . - Ela nem lhe tocou . - Falhou por_pouco - disse Ernie . - E , para o caso de estares com ideias - acrescentou com má cara - posso dizer te que a minha família provem de nove gerações de bruxas e feiticeiros e que o meu sangue é tão puro como o de qualquer feiticeiro , portanto ... - Quero lá saber qual é o teu sangue - disse Harry furioso . - Porque iria eu atacar os filhos de os Muggles ? - Ouvi dizer que detestas os Muggles com quem vives - disse Ernie rapidamente . - Não é possível viver com os Dursley sem os detestar - explicou Harry . - Gostava de te ver lá em casa . Girou sobre os calcanhares e saiu furioso de a biblioteca sob o olhar reprovador de Madam_Prince que limpava a capa dourada de um enorme livro de encantamentos . Harry avançou a as cegas por os corredores , quase sem ver por_onde ia de tão furioso que estava . O resultado foi chocar com algo enorme e sólido que o fez recuar e cair a o chão . - Ah ! Olá , Hagrid - disse , olhando para_cima . Hagrid tinha o rosto completamente tapado com um lenço coberto de neve , mas não podia ser mais ninguém , enchendo assim o corredor dentro de o seu sobretudo de pele de toupeira . De uma de as enormes mãos enluvadas , pendia um galo morto . - Tudo bem , Harry ? - perguntou , afastando o lenço para poder falar . - Porque não estás em a aula ? - Foi cancelada - disse Harry , pondo se de pé . - O que estás a fazer aqui ? Hagrid mostrou lhe o galo inerte . - É o segundo qu'aparece morto este período - explicou . - Ou são raposas ou um vampiro chato e eu preciso d'autorização de o director p'ra fazer um feitiço em volta de a capoeira . Aproximou se e olhou mais de perto para o Harry , por debaixo de as suas sobrancelhas espessas e cheias de neve . - Tens a certeza que estás bem ? Pareces exaltado e preocupado . Harry não foi capaz de repetir o que Ernie e os outros Hufflepuff lhe tinham dito . - Não é nada , tenho de ir , Hagrid . A próxima aula é Transfiguração e preciso de ir buscar os meus livros . Afastou se , a cabeça cheia com tudo_o_que Ernie dissera a seu respeito . « * _ O_Justin já estava d espera que uma coisa de o género acontecesse desde_que deixou escapar , falando com o Potter , que era filho de Muggles * ... » Harry subiu as escadas a correr e entrou por um corredor que estava particularmente escuro . As tochas tinham sido apagadas por uma ventania gelada que entrava por uma janela de fecho estragado . Estava a meio de o corredor quando tropeçou em uma coisa que se encontrava em o chão . Olhou para ver o que era e sentiu como_se o estômago se tivesse dissolvido . Justin_Finch - _ Fletchley estava em o chão , rígido e frio com uma expressão de horror em o rosto e os olhos abertos voltados para o tecto . E não era tudo . Junto de ele estava mais alguém , a visão mais estranha que Harry tivera em toda_a sua vida . Era_o_Nick quase sem cabeça que não estava cor de pérola nem transparente e sim escuro como fumo . Flutuava imóvel , em a horizontal , 12 centímetros acima de o chão , a cabeça meio tombada e em o rosto uma expressão de choque idêntica a a de o Justin . Harry pôs se de pé com a respiração acelerada e o coração a bater como um tambor contra as costelas . Olhou desvairado para ambos os lados de o corredor deserto e viu uma fila de aranhas que corriam a_toda_a velocidade em a direcção oposta a a de os corpos . Os únicos sons eram as vozes abafadas de os professores em as aulas que decorriam de ambos os lados . Podia fugir e ninguém saberia que ali tinha estado , mas não era capaz de os abandonar assim . Tinha de ir procurar ajuda . Será que alguém acreditaria que ele não tivera nada que ver com aquilo ? Enquanto ali estava , em pânico , uma porta a o seu lado abriu se com grande estrondo . Peeves , o * poltergeist * , saiu a os gritos . - Oh ! É o Potter , olá , Potter - alardeou Peeves , lançando por o ar os óculos de o Harry quando passou por ele . - O que está o Potter a fazer ? Porque está o Potter escondido ? Peeves passou de cabeça para baixo , a meio de uma cambalhota em o ar , quando viu Justin e Nick quase sem cabeça . Com um movimento súbito endireitou se , encheu os pulmões de ar e , antes que Harry pudesse impedi o , gritou : __ ataque ! ataque ! outro ataque ! nenhum mortal ou fantasma está em segurança . corram , fujam , __ ataaaque ! Crac , Crac , Crac . Uma atrás de a outra , foram se abrindo todas_as portas a o longo de o corredor e as pessoas saíram para fora de as salas de aula . Durante alguns longos minutos houve uma tal confusão que Justin esteve em perigo de ser esmagado e as pessoas não paravam de chocar com o Nick quase sem cabeça . Harry deu por si colado a a parede enquanto os professores exigiam a os gritos que se fizesse silêncio . A professora Mc_Gonagall veio a correr , seguida por todos os alunos , um de os quais ainda trazia o cabelo a as riscas pretas e brancas . Usou a varinha para produzir um ruído que repôs o silêncio e mandou os alunos todos para dentro de as salas de aula . Mal lugar ficou desimpedido surgiu Ernie , o jovem Hufflepuff . - * _ Apanhado em flagrante ! * - gritou , com o rosto totalmente branco , apontando dramaticamente o dedo par Harry . - Basta_Mcmillan - disse , de forma cortante , a professora Mc_Gonagall . Peeves andava para_cima e para baixo , observando a cena com um sorriso maldoso . Sempre adorara o caos . Quando os professores se inclinaram sobre Justin e sobre o Nick quase sem cabeça para os examinar , iniciou uma cantilena : * _ Oh ! Potter , que fizeste , seu grande bandido * _ Tu matas os estudantes porque achas divertido . * - Basta , Peeves - rosnou a professora Mc_Gonagall e Peeves afastou se , deitando a língua de_fora a o Harry . Justin foi levado para a ala hospitalar por o professor Flitwick e por o professor Sinistra_do_Departamento_de_Astronomia , mas ninguém parecia saber o que fazer em relação a o Nick quase sem cabeça . Por fim , a professora Mc_Gonagall fez aparecer em o ar um enorme leque que entregou a Ernie com o encargo de conduzir , escadas acima , por os ares o Nick quase sem cabeça . Ernie assim fez , soprando Nick como_se fosse um aerodeslizador e deixando , de este modo , o Harry e a professora Mc_Gonagall a sós . - Por aqui , Potter - disse ela . - Professora , eu juro que não ... - Isso não é comigo , Potter - afirmou a professora Mc_Gonagall sinteticamente . Caminharam em silêncio até uma esquina e ela parou perante uma gárgula de pedra extremamente feia . - Refresco de limão - disse . Era obviamente uma senha porque a gárgula animou se subitamente e saltou para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes . Apesar_de estar apavorado com o que ia acontecer a seguir , Harry não conseguiu evitar um sentimento de fascínio . Por detrás de a parede estava uma escada em espiral que se movia lentamente para_cima como um elevador . E quando ele e a professora Mc_Gonagall puseram os pés em o primeiro degrau , Harry ouviu a parede fechar se atrás de eles . Subiram em círculos , cada_vez_mais alto até que , por fim , um_pouco tonto , Harry pôde ver uma porta de carvalho reluzente com um puxador de bronze em forma de abutre . Harry calculava onde estava a ser levado . Devia ser ali que morava Dumbledore . XII_A poção * polisuco * Saltaram de a escada de pedra lá mesmo em cima e a professora Mc_Gonagall bateu a a porta . Ela abriu se silenciosamente dando lhes entrada . A professora Mc_Gonagall disse lhe que esperasse e deixou o sozinho . Harry olhou em volta . Uma coisa era certa : de todos o escritórios de professores que conhecia , o de Dumbledor era , de longe , o mais interessante . Se não estivesse com um medo de morte de ser expulso teria adorado explorá o . Era uma sala grande e bonita em forma de círculo que estava cheia de barulhinhos estranhos . Havia um grande número de instrumentos prateados sobre várias mesas de pernas finas que zumbiam emitindo pequenas baforadas de fumo . As paredes estavam cobertas de fotografias de antigos directores e directoras , todos eles a dormir tranquilamente em as suas molduras . Havia ainda uma enorme secretária pés de garra . E , sobre uma prateleira atrás de ela , um chapéu de feiticeiro andrajoso e puído : * o chapéu seleccionador * . Harry hesitou . Lançou um olhar cauteloso a as bruxas e feiticeiros adormecidos a o longo de as paredes . Com certeza não fazia mal se lhe pegasse e o experimentasse só para ver ... só para ter a certeza de que ele o pusera em a equipa certa . Deu a volta a a secretária , retirou o chapéu de a prateleira e baixou o lentamente sobre a cabeça . Era demasiado grande e escorregou lhe para os olhos como de a outra_vez que o tinha posto . Harry olhou para o forro preto , enquanto esperava . Por fim , uma vozinha disse lhe a o ouvido : - Estás com macaquinhos em o sótão , Harry_Potter ? - Er ... sim - balbuciou Harry . - Er ... desculpa incomodar te , queria saber ... - Querias saber se te pus em a equipa certa - disse prontamente o chapéu . - Sim ... tu és particularmente difícil de seleccionar , mas eu mantenho o que disse antes . - O coração de Harry deu um salto . - Terias ficado bem em os Slytherin . Harry sentiu o estômago contorcer se . Agarrou o chapéu por a aba e tirou o de a cabeça . O chapéu seleccionador ficou pendurado em a mão de ele , inerte , desbotado e sujo . Harry voltou a pô o em a prateleira , sentindo se enjoado . - Estás enganado ! - disse em voz alta a o chapéu parado e silencioso , mas ele não se mexeu . Harry recuou para o observar melhor e foi então que ouviu um ruído estranho e grasnado atrás_de si que o fez dar uma volta . Não estava só , afinal_de_contas . Em um poleiro dourado atrás de a porta estava um pássaro de aspecto decrépito que parecia um peru meio depenado . Harry olhou para ele espantado e o pássaro olhou o também , grasnando de_novo . Harry achou que ele devia estar muito doente porque tinha os olhos parados e , enquanto olhava para ele , caíram lhe mais algumas penas de a cauda . Estava justamente a pensar que a única coisa que lhe faltava era que o pássaro de estimação de Dumbledore morresse quando ele estava ali sozinho com ele , em o escritório , quando a ave se incendiou . Harry gritou , em estado de choque , e recuou até a a secretária . Olhava nervosamente em volta , em busca de um jarro de água , mas não viu nenhum . O pássaro , entretanto , transformara se em uma bola de fogo , dera um guincho e , em seguida , desaparecera , deixando apenas um monte de cinzas em o chão . A porta de o escritório abriu se . Dumbledore entrou com ar taciturno . - Professor - gaguejou Harry . - O seu pássaro ... eu não pode fazer nada ... ele incendiou se . Para seu grande espanto , Dumbledore sorriu . - Já não era sem tempo . Estava com um aspecto horrível em os últimos dias . Fartei me de lhe dizer que fizesse qualquer coisa . Riu se entre dentes com a expressão em o rosto de Harry . - A Fawkes é uma fénix , Harry . As fénix ardem quando é altura de morrer e renascem de as cinzas , repara ... Harry olhou mesmo a_tempo_de ver um passarinho recém-nascido , todo enrugado , espetar a cabeça fora de as cinzas . Era quase tão feio como o antigo . - É uma pena que a tenhas conhecido em dia de arder - disse Dumbledore , passando para trás de a secretária . - É muito bonita a maior parte de o tempo , com uma plumagem vermelha e dourada . São criaturas fascinantes , as fénix . Podem transportar cargas pesadíssimas , as suas lágrimas têm propriedades curativas e são animais de estimação extremamente fiéis . Com o choque de a fénix a pegar fogo , Harry esquecera se de o motivo porque ali estava , mas tudo voltou rapidamente quando Dumbledore se instalou em a cadeira de espaldar alto e o fixou com os seus olhos azuis e penetrantes . Contudo , antes que ele tivesse tido tempo de falar , a porta de o escritório abriu se de par em par com um enorme estrondo e Hagrid entrou com um olhar tresloucado , o lenço todo torcido em volta de a cabeça hirsuta e o galo morto ainda pendurado em a mão . - Não foi Harry , professor Dumbledore - disse , aflito . - Eu tinha estado a falar com ele poucos segundos antes de o rapazinho ser encontrado , ele não teve tempo professor ... Dumbledore tentou dizer qualquer coisa , mas Hagrid continuou , abanando o galo em o meio de a sua agitação e espalhando penas por todo o lado . - Não pode ter sido ele . Eu juro em a frente de o ministro de a magia , se for preciso ... - Hagrid , eu ... -- Tem o rapaz errado , professor . Eu sei qu'o Harry nunca ... - Hagrid - disse Dumbledore , elevando a voz . - Eu não penso que o Harry tenha atacado aquelas pessoas . - Oh ! - disse Hagrid , com o galo pendendo inerte a o seu lado . - Certo , ' tão eu espero lá fora , director . E saiu com ar envergonhado . - O senhor não acha que tenha sido eu ? - repetiu Harry cheio de esperança , enquanto Dumbledore sacudia penas de galo de cima de a secretária . - Não , Harry , não acho - afirmou Dumbledore , apesar de a sua expressão ser de_novo sombria . - Mas mesmo_assim quero falar contigo . Harry esperou ansiosamente enquanto o director o observava com as pontas de os dedos longos unidas . - Tenho de saber uma coisa . Harry , há alguma pergunta que queiras fazer me , qualquer que ela seja ? Harry não soube o que dizer . Lembrou se de Malfoy a gritar * _ Vocês serão os próximos , sangues de lama * e de a poção * _ Polisuco * em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Depois pensou em a voz sem corpo que ouvira duas vezes e em o que o Ron dissera * _ Ouvir vozes que ninguém mais ouve não é bom sinal , nem mesmo em o mundo de a feitiçaria * . Pensou também em o que toda_a_gente dizia de ele e em o receio cada_vez maior de ter uma relação qualquer com Salazar_Slytherin ... - Não - disse por fim . - Não há nada , professor . O ataque duplo a Justin e a o Nick quase sem cabeça transformou o que até_então era nervosismo em verdadeiro pânico . Curiosamente fora o destino de o Nick quase sem cabeça o que mais preocupara as pessoas . Quem poderia ter feito aquilo a um fantasma ? - perguntavam uns a os outros . - Que poder terrível era aquele , capaz de afectar alguém que já tinha morrido ? Houve uma precipitação enorme em a marcação de os bilhetes em o Expresso_de_Hogwarts , pois todos os alunos quiseram ir passar o Natal a casa . - Por este caminho , vamos ser os únicos a ficar - disse o Ron a o Harry e a a Hermione . - Nós , o Malfoy , o Goyle e o Crabbe , que férias lindas que vão ser ! Crabbe e Goyle que faziam sempre o que Malfoy fazia , tinham se inscrito para ficar também durante as férias . Mas Harry estava contente por a maior parte se ir embora . Estava farto de ver gente a afastar se em os corredores como_se ele fosse mostrar os dentes ou cuspir veneno . Estava cansado de tantos segredinhos , de os ver apontar e segredar quando passava . O Fred e o George , esses achavam muito divertido . Vinham , de propósito , pôr se a a frente de ele e atravessavam os corredores a gritar : - Abram alas para o herdeiro de Slytherin , vai passar um feiticeiro verdadeiramente cruel . Percy discordava totalmente de este comportamento . - Não é um assunto para se brincar - dizia com frieza . - Sai mas é de o caminho , Percy - dizia o Fred . - O Harry está com pressa . - Sim , ele vai a a Câmara_dos_Segredos tomar uma chávena de chá com o seu servidor dentes de serpente - completava Fred com uma gargalhada . Ginny também não lhes achava graça . - Cala te - gritava ela sempre_que o Fred perguntava em voz alta a o Harry quem estava a pensar atacar a seguir , ou quando George fingia afastá o com um enorme dente de alho . Harry não se importava . Fazia o sentir se melhor o facto de constatar que , pelo_menos para o Fred e para o George , a ideia de ele ser o herdeiro de Slytherin era absolutamente ridícula . Mas as palhaçadas de eles pareciam ofender Draco_Malfoy que , de cada_vez que os via , ficava mais irritado . - É porque está ansioso por dizer que é mesmo ele - disse o Ron com ar conhecedor . - Sabes como ele detesta que alguém o ultrapasse e tu estás a receber todo o crédito por o seu trabalho sujo . - Não vai ser por muito_tempo - disse Hermione com uma voz satisfeita . - A poção * polisuco * está quase pronta . Um de estes dias arrancamos lhe a verdade . Finalmente , o período chegou a o seu termo e um silêncio profundo como a neve em os campos desceu sobre o castelo . Harry adorou a tranquilidade e apreciou o facto de ele , Hermione e os Weasley terem a torre de os Gryffindor por sua conta , poderem jogar a as explosões bem alto , sem incomodar ninguém e praticar duelos entre si . O Fred , o George e a Ginny tinham preferido ficar em a escola a ir com Mr. e Mrs._Weasley a o Egipto visitar o Bill . Percy que reprovava e considerava infantil a conduta de eles , não passava muito_tempo em a sala comum de os Gryffindor . Já lhes dissera pomposamente que só ficara ali em o Natal , por ser sua obrigação como prefeito apoiar os professores em aquela época agitada . A manhã de o dia de Natal clareou branca e fria . Harry e Ron , os únicos que estavam em o dormitório , foram acordados muito cedo por Hermione que entrou , toda vestida , transportando presentes para ambos . - Acordem - disse em voz alta , abrindo os cortinados . - Hermione , tu não devias estar aqui - exclamou o Ron , protegendo os olhos de a luz . - Feliz_Natal para ti também - disse Hermione , atirando lhe o presente que tinha para ele . - Estou acordada há quase uma hora , acrescentando mais asas de renda a a poção . Está pronta . Harry sentou se , subitamente acordado . - Tens a certeza ? - Absoluta - disse ela , afastando o rato Scrabbers para se sentar a os pés de a cama de dossel . - Se vamos mesmo tomá a , acho que devia ser logo a a noite . Em esse momentzo , a Hedwig entrou em o quarto , transportando em o bico um embrulho pequenino . - Olá - disse Harry , feliz a o vê a aterrar em a sua cama . - Já me falas outra_vez ? Ela mordiscou lhe a orelha de uma forma afectuosa que foi , de longe , um presente melhor do_que aquele que transportava e que era afinal de os Dursley . Tinham mandado a Harry um palito para os dentes com um cartão pedindo lhe que se informasse se não poderia ficar , também em o Verão , em Hogwarts . Os outros presentes que Harry recebeu foram bastante melhores . Hagrid mandara lhe uma lata grande de bombons de melaço que ele decidiu amolecer a o lume antes de comer , o Ron deu lhe um livro chamado * _ Voando com Canhões * , que narrava factos interessantes sobre a sua equipa favorita de Quidditch e Hermione trouxera lhe uma luxuosa pena de águia . Harry abriu o último presente onde vinha uma camisola novinha , feita a a mão por Mrs._Weasley e um grande bolo de passas . Pegou em o cartão com uma nova sensação de culpa , pensando em o carro de Mr._Weasley que não voltara a ser visto desde_que chocara contra o salgueiro zurzidor e em a quantidade de infracções que ele e o Ron tinham em mente . Ninguém , nem mesmo os que estavam cheios de medo por terem de tomar a poção * polisuco * a seguir , deixou de adorar o jantar de Natal em Hogwarts . O salão nobre estava magnífico . Não_só havia uma_dúzia de árvores de Natal , cobertas de geada e espessas serpentinas de azevinho e visco bravo cruzando se junto de o tecto como caia uma neve encantada quente e seca . Dumbledore conduziu os em uma de as suas canções de Natal preferidas enquanto Hagrid se agitava , falando cada_vez_mais alto , a cada gole de gemada que tomava . O Percy que não dera por_que Fred enfeitiçara o seu distintivo de prefeito , onde agora podia ler se « cabeça de alfinetes « , continuava a perguntar a todos para_onde estavam a olhar . Harry nem_sequer se importou com os comentários que Draco_Malfoy fazia bem alto , de a mesa de os Slytherin acerca de a sua camisola nova . Com alguma sorte , Malfoy iria ser desmascarado dentro_de algumas horas . Harry e Ron mal tinham acabado a terceira dose de pudim de Natal quando Hermione os fez sair de o salão a a pressa para acabarem de tratar de os planos para essa noite . - Ainda precisamos de um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos - disse com o ar mais natural de este mundo como_se estivesse a mandá os a o supermercado comprar detergente . - E , é claro que o ideal será conseguirmos alguma coisa de o Crabbe e de o Goyle , são os melhores amigos de o Malfoy , ele conta lhes tudo . E precisamos também de ter a certeza de que eles não vão entrar em a sala quando vocês estiverem a interrogar o Malfoy . - Eu tenho tudo pensado - prosseguiu ela , ignorando a expressão estupefacta de Harry e Ron . Pegou em dois apetitosos bolos de chocolate . - Pus lhes um encantamento de sono . Vocês só têm de fazer com que o Crabbe e o Goyle os encontrem . Sabem como eles são gulosos , vão logo comê os . Quando estiverem a dormir , tirem lhes alguns cabelos e escondam nos em uma despensa de vassouras . Harry e Ron olharam , incrédulos , um para o outro . -- Hermione , eu não creio que ... -- Isto pode correr muito mal ... Mas Hermione tinha um brilho inflexível em os olhos que não era muito diferente do_que costumavam ver em o olhar de a professora Mc_Gonagall . - A poção não nos serve de nada sem os cabelos de o Crabbe e de o Goyle - disse com firmeza . - Vocês querem mesmo descobrir coisas sobre o Malfoy , não querem ? - Pronto , está bem - disse Harry . - Mas , e tu , vais arranjar cabelos de quem ? - Eu já tenho esse assunto resolvido - disse Hermione sorridente , tirando um frasquinho de o bolso e mostrando lhes um cabelo que lá estava dentro . - Lembram se de a Millicent_Bulstrode que lutou comigo em o clube de os duelos ? Ela deixou isto em o meu manto quando tentava estrangular me . E foi passar o Natal a casa , portanto , basta me dizer a os Slytherins que decidi voltar . Quando Hermione saiu para verificar de_novo a poção polisuco , Ron voltou se para Harry com uma expressão lúgubre . - Alguma vez viste um plano onde tantas coisas pudessem correr mal ? Mas para grande espanto de ambos , a primeira fase de a operação decorreu tão naturalmente como Hermione previra . Eles esconderam se em o * hall * de entrada , depois de o lanche de Natal , a a espera de o Crabbe e de o Goyle que tinham ficado sozinhos a a mesa de os Slytherin , deitando abaixo a quarta dose de bolo inglês . Harry colocou os bolos de chocolate em o fim de o corrimão . Quando avistaram Crabbe e Goyle a sair de o salão , Harry e Ron esconderam se rapidamente atrás_de uma armadura que estava junto de a porta de entrada . - Como_se pode ser tão estúpido ? - murmurou Ron sem se mexer enquanto Crabbe apontava satisfeitíssimo , mostrando a Goyle os bolos e agarrando os . Com um riso estúpido , enfiaram nos inteiros em as bocas enormes . Durante um momento , ambos mastigaram avidamente com olhares vitoriosos em o rosto . Depois , sem que a expressão se alterasse , caíram para trás e estatelaram se em o chão . Mais difícil foi transportá os para a despensa de o outro lado de o * hall * . Uma_vez armazenados em o meio de os baldes e esfregões , Harry arrancou alguns de os pêlos que cobriam a cabeça de o Goyle e Ron tirou alguns cabelos a o Crabbe . Roubaram lhes também os sapatos porque os de eles eram demasiado pequenos para os enormes pés de o Crabbe e de o Goyle . Em seguida , ainda atordoados com o que tinham acabado de fazer , correram até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mal conseguiam ver com o fumo preto e espesso que saía de o cubículo onde Hermione mexia o caldeirão . Tapando o rosto com os mantos , Harry e Ron bateram a o de leve em a porta . - Hermione ? Ouviram o ruído de o trinco e Hermione apareceu com a cara lustrosa e um ar ansioso . Por trás de ela ouviam o gloop gloop de a poção espessa e gorgolejante . Em o banco de a casa_de_banho estavam três copos de vidro . - Conseguiram ? - perguntou Hermione quase sem fôlego . Harry mostrou lhe o cabelo de o Goyle . - _ óptimo . Eu tirei estes mantos suplementares de a lavandaria - disse ela , pegando em uma pequena saca . - Vocês vão precisar de tamanhos maiores se vão ser o Crabbe e o Goyle . Olharam os três para o caldeirão . Vista de perto , a poção parecia uma lama espessa e escura a borbulhar indolentemente . - Tenho a certeza que fiz tudo certo - disse Hermione nervosa , relendo a página manchada de * _ Moste_Potente_Potions * . - Tem o aspecto que o livro diz que deveria ter ... depois de a tomar temos precisamente uma hora antes de nos transformarmos de_novo em as pessoas que somos . - E agora ? - murmurou o Ron . - Separamos a em três copos e adicionamos os cabelos . Hermione encheu cada_um de os copos com uma concha de sopa . Em seguida , retirou com a mão a tremer o cabelo de Millicent_Bulstrode de dentro de o frasquinho e pô o em o primeiro copo . A poção chiou fortemente como uma chaleira a ferver e espumou como louca . Um segundo depois ganhara um tom de amarelo doentio . - Urgh ! Essência_de_Millicent_Bulstrode - disse Ron , olhando com repugnância . - Aposto que o sabor é nojento . - Deitem os vossos - disse Hermione . Harry deixou cair o cabelo de o Goyle em o copo de o meio e Ron lançou o de o Crabbe em o último . Ambos chiaram e espumaram : o de o Goyle ficou de um tom caqui , o de o Crabbe de um castanho-escuro algo tenebroso . - Esperem - pediu Harry quando Ron e Hermione pegaram em os copos . - Será melhor não os tomarmos aqui todos juntos em um cubículo ; quando em os transformarmos não vamos cá caber e Millicent_Bulstrode não é nenhum duende . - Bem pensado - admitiu o Ron , abrindo a porta . - Cada_um em seu cubículo . Com todo o cuidado , para não entornar nem uma gota de a poção polisuco , Harry esgueirou se para o cubículo de o meio . - Prontos ? - perguntou . - Prontos - responderam as vozes de o Ron e de a Hermione . - Um , dois , três . Tapando o nariz , Harry bebeu a poção em dois grandes tragos . Tinha o sabor de a couve demasiado cozida . Os seus interiores começaram imediatamente a contorcer se como_se tivesse engolido serpentes vivas . Dobrado , Harry perguntava a si próprio se iria vomitar . Depois , uma sensação de ardor espalhou se rapidamente de o estômago até a as pontas de os dedos de as mãos e de os pés . Em seguida , fazendo o sobressaltar se , sobreveio o sentimento horrível de estar a derreter enquanto a pele de todo o seu corpo borbulhava como cera quente e , perante os seus olhos , as mãos começaram a crescer , os dedos a engrossar , as unhas a alargar e as articulações a tornarem se protuberantes como ferrolhos . Os ombros retesaram se dolorosamente e uma comichão em a testa preveniu o de que o cabelo estava a rastejar em direcção a as sobrancelhas . As túnicas rasgaram se enquanto o tórax se expandia como um barril , rebentando com os seus anéis . Os pés estavam em grande sofrimento dentro_de sapatos quatro números abaixo . Tão depressa como começara , tudo parou . Harry estava caído em o chão de pedra fria , ouvindo a Murta_Queixosa gorgolejando taciturna em o cubículo de o fundo . Com alguma dificuldade tirou os sapatos e levantou se . Era então assim que o Goyle se sentia ! Com a mão enorme a tremer , despiu a sua túnica que lhe ficava 30 centímetros acima de os tornozelos , pegou em as túnicas suplementares e amarrou os atacadores de os sapatos abotinados de o Goyle . Quis escovar o cabelo para o afastar um_pouco de os olhos e deu apenas com os pêlos hirsutos que lhe cresciam em a testa . Apercebeu se então de que os óculos lhe toldavam a visão porque o Goyle , obviamente , não precisava de eles . Tirou os e gritou . - Vocês estão bem ? - De a sua boca saiu a voz baixa e grossa de o Goyle . - Sim - respondeu lhe o grunhido de o Crabbe , a a sua direita . Harry abriu a porta de o cubículo e dirigiu se a o espelho partido . O Goyle olhava o de o outro lado com os seus olhos parados . Harry coçou a orelha e Goyle fez o mesmo . A porta de o Ron abriu se . Olharam um para o outro . Harry estava pálido e chocado . O amigo não se distinguia de o Crabbe , desde o corte de cabelo em forma de tigela até a os longos braços de gorila . - É inacreditável - disse o Ron , aproximando se de o espelho e beliscando o nariz achatado de o Crabbe . - Inacreditável ! - É melhor irmos indo - disse Harry , alargando a pulseira de o relógio que lhe cortava o pulso . - Ainda temos de descobrir onde fica a sala comum de Slytherin . Só espero que encontremos alguém que vá para lá e que nós possamos seguir . Ron que tinha estado a olhar espantado para ele , comentou : - Não imaginas como é bizarro ver o Goyle a pensar - bateu em a porta de Hermione . - Vamos , temos que ir ... Respondeu lhe uma voz aguda : - Eu ... eu acho que afinal não vou . Vão vocês sem mim . - Hermione , nós sabemos que a Millicent_Bulstrode é feia , ninguém vai pensar que és tu . - Não , a sério , acho que não vou . Despachem se vocês os dois , estão a perder tempo . Harry olhou para Ron , baralhado . - Aquilo parece mais de o Goyle , é como ele fica sempre_que algum professor lhe faz uma pergunta . - Estás bem , Hermione ? - perguntou Harry , através de a porta . - _ óptima , estou óptima , vão se embora . Harry olhou para o relógio . Cinco preciosos minutos tinham já passado . - Encontramo nos aqui , está bem ? - disse . Os dois abriram a porta de a casa_de_banho com todo o cuidado , viram se o caminho estava livre e saíram . - Não balances assim os braços - disse o Harry a o Ron . - Hein ? - O Crabbe anda sempre com eles esticados . - Assim ? - Isso , assim está melhor . Desceram a escadaria de mármore . Só precisavam agora de um Slytherin que pudessem seguir até a a sala comum , mas não havia ninguém por perto . - Tens alguma ideia ? - perguntou Harry em um murmúrio . - Os Slytherin vêm sempre de ali para o pequeno-almoço - disse o Ron , apontando para a entrada de os calabouços . Mal tinha pronunciado estas palavras quando uma rapariga de cabelo comprido a os caracóis , apareceu . - Desculpa - disse o Ron , sem perder tempo . - Esquecemo nos de o caminho para a nossa sala comum . - Como ? - disse a rapariga com a maior frieza . - A * nossa * sala comum ? Eu sou uma Ravenclaw . Afastou se , olhando para eles , desconfiada . Harry e Ron desceram apressadamente os degraus de pedra até a a escuridão . Os passos ecoavam em o silêncio , à_medida_que os pés enormes de Crabbe e Goyle tocavam em o chão , fazendo os sentir que as coisas não iam ser tão fáceis como eles desejavam . Os corredores labirínticos estavam desertos . Andaram e tornaram a andar por os subterrâneos , olhando constantemente para os relógios para ver quanto tempo ainda lhes restava . Depois de um quarto de hora , quando começavam a ficar desesperados , ouviram um movimento súbito . - Olha - disse o Ron , agitadamente . - Agora é um de eles . A silhueta saía de uma sala , mas quando se aproximaram o coração de ambos esmoreceu . Não era um Slytherin , era Percy . - O que estás a fazer aqui em baixo ? - perguntou o Ron surpreendido . - Isso - disse ele friamente - não é de a tua conta . És o Crabbe , não és ? - Er ... sim , sim - respondeu o Ron . - Então vão para o vosso dormitório - ordenou Percy com firmeza . - Não é seguro andar a passear por os corredores escuros em os dias que correm . - Tu andas -- fez notar o Ron . - Eu - disse o Percy endireitando se - sou um prefeito . Nada vai atacar me . Ouviu se , de repente , uma voz por_detrás_de Harry e Ron . Era_Draco_Malfoy e , pela_primeira_vez em a vida , Harry ficou satisfeito a o vê o . - Aí estão vocês - disse de modo arrastado , olhando para eles . - Têm estado a chafurdar em o salão este tempo todo ? Tenho andado a a vossa procura , quero mostrar vos uma coisa muito divertida . Malfoy olhou misteriosamente para Percy . - E o que fazes tu aqui , Weasley ? - perguntou com ar de desprezo . Percy olhou , sentindo se ultrajado . - Fazes favor de mostrar um_pouco mais de respeito por um prefeito de a escola - disse . - Não gosto de o teu ar . Malfoy riu se e fez sinal a o Harry e a o Ron para que o seguissem . Harry quase ia pedindo desculpa a o Percy , mas deu se conta a tempo . Apressaram se a seguir o Malfoy que disse , mal viraram em o corredor seguinte : - Aquele Peter_Weasley ... - O Percy - corrigiu Ron automaticamente . - Ou isso - continuou Malfoy . - Ultimamente tenho o visto muitas_vezes a andar por aí sorrateiramente e aposto que sei o que ele quer . Pensa que vai apanhar o herdeiro de Slytherin sozinho . Deu uma pequena gargalhada ridícula . Harry e Ron trocaram olhares nervosos . Malfoy parou junto de uma parede de pedra húmida . - Qual é a senha ? - perguntou a o Harry . - Er ... - Ah ! sim , sangue puro - disse Malfoy sem ouvir e uma porta de pedra , oculta em a parede , abriu se . Malfoy entrou e Harry e Ron seguiram o . A sala comum de os Slytherin era uma ampla divisão subterrânea com espessas paredes de pedra e um tecto de o qual estavam pendurados por correntes vários candeeiros redondos que davam uma luz esverdeada . O fogo crepitava em uma lareira elaboradamente esculpida em frente de a qual se viam as silhuetas de vários Slytherins sentados em cadeiras igualmente esculpidas . - Esperem aí - disse Malfoy a o Harry e a o Ron , encaminhando os para um par de cadeiras vazias , longe de o lume . - Eu vou buscar o que o meu pai acaba de me mandar . Sem saber o que Malfoy iria mostrar lhes , Harry e Ron sentaram se , fazendo todos os possíveis por parecer a a vontade . Malfoy voltou um minuto depois , trazendo em a mão o que parecia ser um recorte de jornal . Pô o debaixo de o nariz de o Ron . - Vais te rir - disse . Harry viu os olhos de o Ron abrirem se como_se estivesse em estado de choque . Viu o ler o recorte rapidamente , dar uma gargalhada forçada e estender lhe o em seguida . Tinha sido retirado de o * _ Profeta_Diário * e dizia : inquérito em o ministério de a magia * _ Arthur_Weasley , chefe de o Gabinete_de_Mau_Uso_dos_Utensílios_dos_Muggles foi hoje multado em cinquenta galeões por ter enfeitiçado um carro de os Muggles . * _ O senhor Lucius_Malfoy , Membro_do_Conselho_Directivo_da_Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts , onde o carro enfeitiçado foi chocar em o princípio de este ano , exigiu hoje a demissão de Mr._Weasley . « * _ O_Weasley trouxe o descrédito a o Ministério « - declarou Mr._Malfoy a o nosso repórter . - « É claramente incompetente para fazer cumprir as leis e a sua protecção ridícula de os Muggles deveria ir imediatamente para a sucata . » * _ Mr._Weasley recusou se a fazer comentários , mas a sua mulher disse a os repórteres que desaparecessem de ali ou lançaria contra eles o vampiro de a família * . - Então - disse Malfoy impaciente quando Harry voltou a entregar lhe o recorte . - Não achas o_máximo ? - Ha , ha - fez Harry tristemente . - O Arthur_Weasley gosta tanto de os Muggles que era capaz de partir a sua varinha a o meio para se juntar a eles - disse Malfoy com desprezo . - Ninguém diria que os Weasley eram sangue puro a avaliar por o modo como_se comportam . A cara de o Ron , ou melhor , de o Crabbe , contorceu se de raiva . - O que é_que se passa ? - perguntou Malfoy . - Dores de estômago - gemeu o Ron . - Então vai a a ala hospitalar e dá a todos aqueles sangues de lama um pontapé de a minha parte - disse Malfoy com o seu riso escarninho . - Sabes que estou espantado por o * _ Profeta_Diário * ainda não se ter referido a todos estes ataques - continuou pensativamente . - Calculo que o Dumbledore deve estar a tentar abafar as coisas . Ele ainda é posto em a rua se isto não acaba depressa . O pai sempre disse que Dumbledore foi a pior coisa que aqui veio parar . Ele adora os filhos de os Muggles , um director decente nunca deixaria um lodo como o Creevey entrar em esta escola . Malfoy começou a fingir que tirava fotografias com uma máquina imaginária e fez uma imitação maldosa , mas bastante fiel de o Colin : - Potter , posso tirar te a fotografia ? Dás me um autógrafo ? Posso lamber te os sapatos , por favor , Potter ? Baixou as mãos e olhou para Harry e Ron . - O que é_que se passa com vocês os dois ? Um_pouco atrasados , Harry e Ron forçaram o riso e Malfoy pareceu satisfeito . Talvez Crabbe e Goyle fossem sempre de reacção lenta . - O santo Potter , amigo de os sangues de lama - disse Malfoy . - É outro que não tem os sentimentos de um feiticeiro a sério ou não andaria por aí com aquela empertigada sangue de lama Granger . E as pessoas a pensarem que ele é o herdeiro de Slytherin . Harry e Ron esperaram com a respiração entrecortada : o Malfoy ia certamente dizer lhes , dentro_de segundos , que era ele , mas então ... - Quem me dera saber quem ele é - disse o Malfoy , de forma petulante . - Podia ajudá o . O queixo de o Ron caiu de tal maneira que a cara de o Crabbe ficou ainda mais desajeitada do_que era habitual . Felizmente Malfoy não deu por nada e Harry , em um pensamento rápido , disse : - Deves ter alguma ideia de quem está por_detrás_de tudo ... - Sabes perfeitamente que não tenho , Goyle , quantas vezes é preciso dizer te ? - cortou Malfoy . - E o pai também não me diz nada sobre a última vez que a câmara foi aberta . É claro que foi há cinquenta anos , antes de ele cá andar , mas o pai sabe tudo a esse respeito e diz que as coisas foram mantidas em grande segredo e que pareceria suspeito se eu soubesse demasiado . Mas há uma coisa que eu sei : de a última vez que a câmara foi aberta , morreu um sangue de lama . Por isso , aposto que é uma questão de tempo até que um de eles seja morto . Só espero que seja a Granger - disse satisfeito . Ron fechara os punhos gigantescos de o Crabbe . Sentindo que deitaria tudo a perder se ele desse um soco a o Malfoy , Harry lançou lhe um olhar de aviso e disse : - Sabes se a pessoa que abriu a câmara de a última vez foi apanhada ? - Ah ! sim , essa pessoa foi expulsa - disse Malfoy . - Ainda deve estar em Azkaban . - Azkaban ? - repetiu Harry confuso . - Azkaban , a prisão de os feiticeiros , Goyle - disse Malfoy , olhando para ele incrédulo . - Francamente , se fosses mais lento andavas para trás . Esticou se intranquilo , em a cadeira e disse : - O pai diz para eu esfriar a cabeça e deixar que o herdeiro de Slytherin faça o seu trabalho . Acha que a escola precisa de se livrar de a escória de os sangues de lama , mas não quer que eu me envolva em nada . Claro que ele agora tem um prato cheio . Sabes que o Ministério de a magia fez uma busca a a nossa mansão em a semana passada ? Harry tentou forçar a cara de bronco de o Goyle a uma expressão preocupada . - Sim - continuou Malfoy . - É claro que não encontraram grande coisa . O pai guarda uns materiais de magia negra muito valiosos , mas , felizmente , temos a nossa câmara secreta debaixo de o soalho de a sala de visitas ... - Ah ! - disse o Ron . Malfoy olhou para ele . Harry também . Ron corou e até o cabelo começou a ficar vermelho . O nariz estava também a diminuir lentamente ... a hora tinha acabado . Ron estava a voltar a a sua forma habitual e por o olhar de horror que lançou a Harry certamente ele também estava . Puseram se rapidamente de pé . - Tenho de tomar o remédio para o estômago - grunhiu o Ron e sem mais explicações saíram ambos a correr de a sala comum de os Slytherin , precipitaram se para a parede de pedra e galgaram a passagem , pedindo a todos os santos que Malfoy não tivesse dado por nada . Harry sentia os pés a nadarem em os sapatos enormes de o Goyle e tinha de levantar o manto visto_que diminuíra de tamanho . Subiram os degraus a correr até a o * hall * escuro de entrada onde se ouvia um som abafado que vinha de a despensa onde tinham fechado o Crabbe e o Goyle . Deixando os sapatorros de os dois de o lado de_fora , subiram já com os respectivos sapatos a escadaria de mármore até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Bem , não foi uma total perda de tempo - disse o Ron ofegante , fechando atrás_de si a porta de a casa_de_banho . - É certo que ainda não descobrimos de quem vêm os ataques , mas vou escrever a o meu pai amanhã a dizer lhe que procure debaixo de o soalho de a sala de visitas de o Malfoy . Harry olhou para o espelho partido . Tinha voltado a o normal . Pôs os óculos enquanto Ron batia em a porta de o cubículo de Hermione . - Hermione , sai de aí , temos um monte de coisas para te contar ... - Vão se embora - guinchou Hermione . Harry e Ron olharam um para o outro . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron . - Tu já deves ter voltado a o normal como nós ... Mas a Murta_Queixosa saiu subitamente através de a porta de o cubículo com um ar divertido como nunca a tinham visto . - Oh ! Esperem até ver - disse ela . - É horrível ! Ouviram o trinco de a porta a abrir se e Hermione apareceu a soluçar , a túnica levantada a cobrir lhe o rosto . - O que foi ? - perguntou o Ron indistintamente . - Ainda tens o nariz de a Millicent ou alguma coisa assim ? Hermione deixou cair a roupa e Ron recuou rapidamente . O rosto de ela estava coberto de pêlo preto , os olhos tinham ganho uma cor amarela e as orelhas eram pontiagudas , saindo espetadas para fora de os cabelos . - Era um pêlo de g-gato - disse a chorar . - A Millicent_Bulstrode d-deve ter um gato e a poção não está preparada para transformação em animais . - Oh-oh - disse o Ron . - Vão te gozar horrivelmente - disse a Murta , felicíssima . - Não te preocupes , Hermione - tranquilizou a rapidamente o Harry . - Vamos levar te para a ala hospitalar , a Madam_Pomfrey nunca faz muitas perguntas ... Não foi fácil convencer Hermione a sair de a casa_de_banho . A Murta_Queixosa despediu se com uma gargalhadavigorosa e grosseira . - Espera até todos descobrirem que tens uma cauda ! XIII_O diário muito secreto Hermione ficou em a ala hospitalar durante várias semanas . Houve uma onda de boatos sobre o seu desaparecimento quando o resto de os alunos voltou de as férias de Natal porque , é claro , todos pensam que ela tinha sido atacada . Foram tantos os estudantes a rondar a ala hospitalar para espreitar a ver se a viam que Madam_Pomfrey desceu de_novo as cortinas de a cama de ela para a poupar a a vergonha de ser vista com pêlo em a cara . Harry e Ron iam visitá a todas_as tardes . Quando o segundo período começou passaram a levar lhe diariamente os trabalhos de casa . - Se eu tivesse o bigode a crescer , tinha uma folga de o trabalho - disse uma tarde o Ron enquanto colocava uma pilha de livros a a cabeceira de a cama de Hermione . - Não sejas parvo , Ron , eu tenho de me manter a par de as coisas - disse Hermione com vivacidade . O humor de ela melhorara bastante com o facto de lhe ter desaparecido todo o pêlo de o rosto e de os olhos estarem lentamente a retomar a cor castanha . - Calculo que não tenham novas pistas ? - disse em um murmúrio para evitar que Madam_Pomfrey os ouvisse . - Nada - disse Harry tristemente . - Eu tinha tanta certeza de que era o Malfoy - repetiu o Ron por a centésima vez . - O que é isso ? - perguntou Harry , apontando para uma coisa com brilho dourado que estava debaixo de a almofada de Hermione . - É só um cartão a desejar boas melhoras - disse ela precipitadamente , tentando escondê o , mas o Ron foi mais rápido . Pegou lhe , abriu o e leu em voz alta : * _ Para_Miss_Granger , desejando lhe uma rápida recuperação , com o interesse e estima de o professor Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , Terceiro grau , Membro_Honorário_da_Liga_de_Defesa contra as Artes_Negras e vencedor por cinco vezes de o prémio O sorriso mais charmoso de a semana de o Semanário_das_Bruxas * . Ron olhou desconsolado para Hermione . - Tu dormes com isto debaixo de a almofada ? Mas Hermione foi poupada a ter de responder por a entrada de Madam_Pomfrey que lhe trazia a dose de medicamento de a tarde . - Achas que o Lockhart é o tipo mais esperto que conheceste ? - perguntou o Ron a o Harry quando saíram de a enfermaria e começavam a subir as escadas para a torre de os Gryffindor . O Snape tinha lhes passado tanto trabalho para_casa que Harry pensou que ia chegar a o sexto ano antes de o ter acabado . Ron vinha a dizer que devia ter perguntado a a Hermione quantas caudas de rato deveria juntar se a uma poção para o crescimento de o cabelo quando um grito de raiva vindo de o andar de cima lhes chegou a os ouvidos . - É o Filch - murmurou Harry enquanto subiam apressadamente as escadas e paravam para ouvir melhor . - Terá mais alguém sido atacado ? - disse nervosamente o Ron . Ficaram parados com as cabeças inclinadas para a voz de o Filch que parecia quase histérica . -- ... * _ Ainda mais trabalho para mim . Toda_a noite a esfregar como_se não tivesse já trabalho de sobra . Não , isto foi a gota de água que fez transbordar o copo , vou falar com Dumbledore * ... Os passos afastaram se e ouviram uma porta fechar se com grande estrondo . Puseram as cabeças fora de a esquina . O Filch tinha obviamente estado a patrulhar o seu habitual posto de vigia : estavam novamente em o lugar onde Mrs._Norris fora atacada . Perceberam imediatamente qual o motivo de os gritos . Uma enorme poça de água enchia metade de o corredor e parecia escorrer de a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Agora_que o Filch se calara podiam ouvir os uivos de a Murta que faziam eco em as paredes de a casa_de_banho . - Mas o que se passará com ela ? - disse o Ron . - Vamos lá ver - sugeriu Harry e arregaçando as túnicas até a os tornozelos entraram , atravessando a enorme poça de água , em a casa_de_banho que tinha o letreiro a dizer « Fora de serviço » e que eles , como sempre , ignoraram . A Murta_Queixosa chorava , se possível , mais alto do_que nunca . Parecia estar escondida em o cubículo de o costume . Lá dentro estava escuro pois as velas tinham se apagado com a enchente de água que deixara as paredes e o chão ensopado . - O que se passa , Murta ? - quis saber o Harry . - Quem é ? - perguntou ela infelicíssima . - Vieste atirar me mais alguma coisa acima ? Harry caminhou com dificuldade por causa de a água até a o cubículo de ela e disse : - Porque te faríamos nós uma coisa de essas ? - Não me perguntem - gritou a Murta , emergindo em uma onda de água que molhou ainda mais o chão já ensopado . - Eu estou aqui metida em a minha morte e alguém acha muito engraçado atirar me com um caderno acima ... - Mas , não pode magoar te se alguém te atirar alguma coisa acima - disse Harry , tentando ser prático . - Isto_é , seja o que for passa através_de ti , não é assim ? Tinha dito a frase errada . A Murta encheu o peito de ar e gritou a plenos pulmões : - Vamos todos atirar cadernos a a Murta já_que ela não sente nada ! Dez pontos se lhe acertarem em o estômago , cinquenta se lhe atravessar a cabeça ! Hah hah hah , que jogo lindo , não acham ? - Quem te atirou um caderno , afinal ? - perguntou o Harry . - Não sei ... eu estava sentada em a sanita a pensar em a morte e caiu me em cima de a cabeça - disse a Murta , olhando para eles . - Está ali , ficou todo molhado . Harry e Ron olharam para o ponto que a Murta lhes apontava debaixo de o lavatório . Um caderno pequenino e fino estava caído em o chão . Tinha uma capa preta muito gasta e estava encharcado como tudo em aquela casa_de_banho . Harry deu um passo em frente para o apanhar , mas o Ron agarrou lhe precipitadamente o braço . - O que foi ? - perguntou Harry . - Estás doido - disse ele . - Pode ser perigoso . - Perigoso ? - riu se Harry . - Essa agora Ron , como é_que pode ser perigoso ? - Ficarias surpreendido ... - explicou ele , olhando com ar apreensivo para o caderno . - Entre os livros que o Ministério confiscou , contou me o meu pai , havia um que queimava os olhos a as pessoas . E todos os que leram os * _ Sonetos_de_Um_Feiticeiro * ficaram a falar em verso para o resto de a vida . Havia também uma bruxa em Bath que tinha um livro que quem o lesse nunca mais conseguia parar , tinha de andar por aí com o nariz enfiado em as folhas , a fazer todas_as coisas só com uma mão e ... - Já chega , já chega , já percebi a tua ideia - disse O_Harry . O caderninho continuava caído e ensopado . - Bem , nunca saberemos a_não_ser_que tenhamos a coragem de dar uma vista de olhos - disse e mergulhou apanhando o de o chão . Harry viu imediatamente que se tratava de um diário e a data meio apagada , em a capa , disse lhe que tinha cinquenta anos de idade . Abriu o ansiosamente . Em a primeira página podia ler se apenas o nome T._M._Riddle em tinta esborratada . - Espera aí - disse o Ron que se aproximara prudentemente e olhava por cima de o ombro de Harry . - Eu conheço esse nome ... T._M._Riddle recebeu um prémio por serviços especiais prestados a a escola há cinquenta anos atrás . - Como diabo sabes tu isso ? - perguntou Harry com grande espanto . - Porque o Filch mandou me limpar a taça de ele umas cinquenta vezes quando estive de castigo - disse o Ron ressentido . - Foi a taça em cima de a qual eu vomitei lesmas . Se tivesses tido que limpar o muco de um nome durante uma hora também te lembrarias . Harry separou umas de as outras as páginas molhadas . Estavam completamente em branco . Não havia o mais leve sinal de escrita em nenhuma , nem coisas como « Aniversário de a tia Mabel « ou « Dentista a as três_e_meia » . - Ele nunca escreveu nada aqui - disse Harry desapontado . - Porque quereria alguém atirá o fora ? - perguntou se o Ron com curiosidade . Harry voltou o caderno e viu , inscrito em a contra capa , o nome de uma tabacaria em Vauxhall_Road , Londres . - Ele devia ser filho de Muggle - disse Harry pensativo - para ter comprado um diário em Vauxhall_Road ... - Bem , não te serve de muito - Ron baixou a voz . - Cinquenta pontos se acertares em o nariz de a Murta . Harry , mesmo_assim , guardou o diário . Hermione saiu de a ala hospitalar desbigodada , sem cauda e sem pêlo em os primeiros dias de Fevereiro . Em a primeira noite em a torre de os Gryffindor , Harry mostrou lhe o diário de T._M._Riddle e contou lhe como o tinham encontrado . - Ooooh ! Deve ter poderes ocultos - disse ela entusiasticamente , pegando em o diário e examinando o de perto . - Se tem , esconde os muito bem - disse Ron . - Talvez fosse tímido . Não sei porque não deitas isso fora , Harry . - Gostava de perceber porque motivo alguém se quis livrar de ele - explicou Harry . - E também não me importava de saber como foi que o Riddle obteve esse prémio de serviços especiais prestados a Hogwarts . - Pode ter sido qualquer coisa - lançou o Ron . - Talvez tenha recebido 30 de nota final ou salvo um professor de a lula gigante . Se_calhar assassinou a Murta , isso teria sido um favor prestado a todos ... Mas Harry quase podia jurar , por o olhar suspenso em a cara de Hermione , que ela pensava o mesmo_que ele . - O que foi ? - perguntou Ron , olhando para um e para o outro . - Bem , a Câmara_dos_Segredos foi aberta há cinquenta anos , não foi isso que disse o Malfoy ? - Sim - respondeu Ron , lentamente . - E este diário tem cinquenta anos de idade - completou Hermione , dando lhe palmadinhas nervosas . - E de aí ? - Oh Ron , acorda - insistiu Hermione . - Sabemos que a pessoa que abriu a câmara de a outra_vez foi expulsa há cinquenta anos . E se o Riddle tivesse tido o prémio especial por apanhar o herdeiro de Slytherin ? O seu diário diria nos provavelmente tudo : onde é a Câmara_dos_Segredos , como abris a e que tipo de criatura vive lá . Achas que a pessoa que está por trás de os ataques desta_vez quereria o diário por aí ? - É uma teoria interessante , Hermione - disse o Ron . - Apenas com uma pequenina falha : o diário não tem nada Mas_Hermione já estava a tirar a varinha de o saco . - Pode ser tinta invisível - murmurou . Bateu três vezes em o diário e repetiu * _ Aparecium ! * Nada aconteceu . Intrépida , Hermione meteu a mão de_novo em o saco e tirou o que parecia ser uma borracha vermelha e brilhante . - É um * revelador * , comprei o em a Diagon - _ Al - disse . Apagou com força em 1_de_Janeiro . Não sucedeu nada . - Já vos disse , não há nada aí - repetiu o Ron . - O Riddle deve ter recebido um diário como prenda de Natal e nem se deu a o trabalho de escrever fosse o que fosse . Harry não conseguia explicar , nem a si próprio , porque motivo não deitara fora o diário de Riddle . A verdade é_que , mesmo depois de saber que ele estava em branco , continuou distraidamente a pegar lhe e a virar as páginas como_se quisesse chegar a o fim de uma história . E , apesar_de saber que nunca tinha ouvido o nome T._M._Riddle , continuava a ter a sensação de que lhe dizia alguma coisa , como_se Riddle fosse um amigo que ele tinha tido quando era muito pequeno e que estivesse meio esquecido . Mas era um absurdo . Nunca tivera amigos antes de Hogwarts , Dudley tivera esse cuidado . Ainda_assim , Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle , por isso em o dia seguinte foi até a a sala de os troféus para examinar a taça , acompanhado de Hermione que estava interessadíssima e de Ron que se mostrava profundamente incrédulo , dizendo que tinha ficado farto de aquela sala até a o fim de a vida . A taça dourada de Riddle estava arrecadada em um armário de canto . Não fornecia detalhes sobre o motivo por_que lhe fora dada ( felizmente , se fosse maior ainda hoje estava a limpá a , disse o Ron ) . Mas encontraram o nome de Riddle em uma antiga medalha de Mérito_Mágico e em uma lista de antigos chefes de turma . - Parece o Percy - comentou Ron , torcendo o nariz com aversão . - Prefeito , chefe de turma , provavelmente o melhor em todas_as disciplinas . - Dizes isso como_se fosse uma coisa má - fez lhe notar Hermione , em um tom de voz ressentido . Um sol fraco brilhava agora de_novo em Hogwarts . Dentro de o castelo , o ambiente estava bastante melhor . Não tinha havido novos ataques desde Justin e Nick quase sem cabeça e Madam_Pomfrey teve a satisfação de informar que as Mandrágoras começavam a ficar instáveis e dissimuladas , sinal de que estavam a abandonar rapidamente a infância . - Logo_que o acne desapareça estarão prontas para novo transplante - ouviu a Harry dizer amavelmente a o Filch . - E depois de isso , não demorará muito até podermos cortá as e estufá as . - Vai ter Mrs._Norris de volta , muito em_breve . Talvez o herdeiro ou herdeira de Slytherin tenha perdido a coragem , pensou Harry . Deve ser cada_vez_mais arriscado abrir a Câmara_dos_Segredos com a escola tão alerta e desconfiada . Talvez o monstro , qualquer_que_fosse , estivesse a preparar se para hibernar durante outros cinquenta anos . Ernie_Mcmillan_dos_Hufilepuff não aceitou esta visão optimista . Continuava convencido de que Harry era o culpado , que se tinha traído em o clube de os duelos . Peeves não ajudava nada : continuava a cantar por os corredores Potter , * seu bandido * ... agora acompanhado de um esquema de dança . Gilderoy_Lockhart parecia pensar que fora ele quem pusera fim a os ataques . Harry fartou se de o ouvir dizer isso a a professora Mc_Gonagall enquanto os Gryffindor formavam bicha para a aula de Transfiguração . - Não creio que volte a haver problemas , Minerva - disse , tocando em o nariz com ar conhecedor e piscando o olho . - Acho que desta_vez a câmara foi definitivamente selada . O culpado deve ter sabido que era uma questão de tempo até eu o apanhar e que era mais sensato parar agora antes que eu lhe tratasse de a saúde . Sabe , a escola está a precisar de um intensificador de animo para apagar as lembranças de o último período . Não vou dizer lhe mais_nada , por enquanto , mas julgo que sei o que ... Voltou a tocar em o nariz e afastou se a passos largos . A ideia de Lockhart de um intensificador de ânimo ficou bastante clara em o dia_14_de_Fevereiro , a o pequeno-almoço . Harry não dormira grande coisa devido a o treino de Quidditch em a noite anterior e chegou a o salão um_pouco atrasado . Pensou , por momentos , que se tinha enganado em a porta . As paredes estavam todas cobertas com enormes e medonhas flores cor-de-rosa . Pior ainda , * confettis * em forma de corações caíam de o tecto azul pálido . Harry dirigiu se a a mesa de os Gryffindor onde o Ron estava sentado com um ar enjoado junto de Hermione que parecia particularmente risonha . - O que se passa ? - perguntou lhes , sentando se e sacudindo os * confettis * de o seu bacon . Ron apontou para a mesa de os professores , com um ar demasiado repugnado para falar . Lockhart , em as suas vestes rosa vivo , a condizer com a decoração de o salão , fazia sinal para que se calassem . Os professores que o ladeavam tinham um ar estupefacto . De o seu lugar , Harry podia ver um músculo mover se em a bochecha de a professora Mc_Gonagall . Snape estava com ar de quem tomou uma imensa dose de xarope * skele-gro * . - Feliz dia de S._Valentim - gritou Lockhart . - E permitam me que agradeça a as quarenta_e_seis pessoas que até agora me enviaram cartões . Sim , fui eu quem tomou a liberdade de vos fazer esta pequena surpresa , e ela não acaba aqui ! Lockhart bateu as palmas e por as portas de o * hall * entraram a marchar cerca de uma_dúzia de duendes de aspecto carrancudo . Não eram uns duendes quaisquer , diga se de passagem . Lockhart fizera os usar asas douradas e transportar harpas . - Os meus amigos cupidos , portadores de os cartões ! gritou Lockhart . - Eles vão andar por a escola durante o dia de hoje , entregando os vossos cartões de S._Valentim . E o divertimento não acaba aqui . Tenho a certeza de que os meus colegas vão querer participar em este espírito de festa . Porque não pedir a o professor Snape que vos mostre como preparar rapidamente uma poção de amor . E , enquanto ele a prepara , está aqui o professor Flitwick que é de todos os feiticeiros que conheci aquele que mais sabe de encantamentos de sedução , o grande safado ! O professor Flitwick enterrou o rosto em as mãos . Snape olhava como_se quisesse dar veneno a a primeira pessoa que fosse pedir lhe a poção de o amor . - Por favor , Hermione , diz me que não foste uma de as quarenta_e_seis - pediu Ron quando saíram de o salão para a primeira aula . Mas Hermione ficou subitamente muito interessada em procurar o horário dentro de a mala e não lhe respondeu . Durante todo o dia os duendes não pararam de se intrometer em as aulas para entregar cartões , para grande aborrecimento de os professores e , ao_fim_da_tarde , quando os Gryffindor subiam as escadas para a aula de encantamentos , um de eles avistou o Harry . - Hei , tu , Harry_Potter ! - gritou um duende de aspecto particularmente lúgubre , dando cotoveladas a_toda_a gente para se aproximar de o Harry . Coradíssimo com a ideia de receber um cartão de S._Valentim diante_de uma fila de alunos de o primeiro ano que , por acaso , incluía Ginny_Weasley , Harry tentou escapar se . Mas o duende cortou lhe o caminho através de a multidão e agarrou o em três tempos . - Tenho uma mensagem musical para entregar a Harry_Potter em pessoa - disse , tangendo a harpa de forma ameaçadora . - Aqui não - disse baixinho o Harry , tentando escapar . - Fica quieto - grunhiu o duende , agarrando o saco de o Harry e puxando com força . - Larga me - disse ele rispidamente , dando um puxão . Com um ruído de tecido a rasgar se , o saco dividiu se em dois . Os livros de Harry , varinha , pergaminho e pena espalharam se por o chão enquanto o tinteiro se partia em cima de as outras coisas . Harry pôs se de gatas , tentando apanhar tudo antes que o duende começasse a cantar , provocando um engarrafamento em o corredor . - O que se passa aqui ? - perguntou a voz fria e afectada de Draco_Malfoy . Harry , nervosíssimo , começou a guardar tudo dentro de o saco rasgado , desesperado para sair de ali antes que Malfoy pudesse ouvir o seu S._Valentim musical . - Que confusão é esta ? - disse outra voz familiar . Percy_Weasley tinha chegado . De cabeça perdida , Harry tentou fugir , mas o duende agarrou o por os joelhos e fê lo cair a o chão . - Certo - disse , sentando se em os tornozelos de Harry . Eis o teu cartão musical : * _ Os olhos de ele são verdes como o sapo de o quintal * _ O seu cabelo é escuro como um temporal * _ É um desatino , oh ! ele é divino ! * _ O herói que venceu o Senhor_do_Mal * . Harry teria dado todo o ouro de Gringotts para se evaporar em aquele momento . Tentando corajosamente rir se com todos os outros , levantou se . Sentia os pés dormentes de o peso de o duende . Enquanto isso , Percy_Weasley fazia todos os possíveis por dispersar a multidão onde havia gente que chorava de hilaridade . - Vamos embora , vamos embora , a campainha tocou há cinco minutos para as aulas - dizia , enxotando alguns de os alunos mais novos . - E tu , Malfoy . Harry olhou e viu Malfoy inclinar se , apanhar qualquer coisa e com um olhar maldoso mostrá a a Crabbe e Goyle . Percebeu que era o diário de Riddle . - Dá cá isso - exigiu com toda_a calma . - O que será que o Potter escreveu aqui ? - disse Malfoy que obviamente não reparara em a data e pensou que tinha em as mãos o diário de o Harry . Houve uma agitação em os presentes . Ginny olhava apavorada para o diário e para Harry . - Dá lhe isso , Malfoy - disse Percy com firmeza . - Depois de dar uma vista de olhos - retorquiu Malfoy , acenando a Harry com o diário de forma provocatória . Percy disse : - Como Prefeito de a escola ... - mas Harry perdera a paciência . Pegou em a varinha e gritou * _ Expelliarmus * e assim_como Snape desarmara Lockhart , MalLoy viu o diário saltar lhe de as mãos e elevar se em o ar enquanto Ron o apanhava sorridente . - Harry - disse Percy levantando a voz . - Não quero magia em os corredores . Vou ter de participar isto , sabes perfeitamente . Mas Harry não se importou . Tinha ganho uma_vez a Malfoy e isso valia bem cinco pontos a menos para os Gryffindor . Malfoy estava furioso e quando a Ginny passou por ele a caminho de a sala de aula , gritou lhe com desprezo : - Não creio que o Potter tenha gostado lá muito de o teu cartão de S._Valentim . Ginny tapou a cara e correu para a aula . Aborrecido , Ron pegou também em a varinha , mas Harry afastou o . Era melhor que ele não passasse a aula de encantamentos a vomitar lesmas . Só quando entraram em a sala de aula de o professor Flitwick é_que Harry reparou em uma coisa bastante estranha em o diário de Riddle . Todos os outros livros estavam cheios de tinta vermelha , mas o diário mantinha se tão limpo como antes de o tinteiro se ter entornado em cima de ele . Tentou chamar a atenção de Ron para este facto , mas ele estava novamente a ter um problema com a varinha : de a extremidade saíam grandes bolhas roxas e ele não parecia interessado em mais_nada . Em essa noite , Harry foi deitar se antes de os outros companheiros de dormitório , em parte porque já não conseguia suportar o Fred e o George a cantarem * _ Os seus olhos são verdes como o sapo de o quintal * e em parte porque queria voltar a examinar o diário de Riddle e sabia que em a opinião de o Ron era uma pura perda de tempo . Sentou se em a cama de dossel e folheou as páginas em branco em as quais não se via uma única mancha de tinta escarlate . Tirou então outro tinteiro de o armário a o lado de a cama , molhou a pena e deixou cair um borrão em a primeira página de o diário . A tinta brilhou em o papel durante um segundo e , em seguida , como_se a página a tivesse sugado , desapareceu sem deixar rasto . Depois , finalmente , algo aconteceu . Deslizando sobre a página em a cor de a sua tinta , surgiram palavras que Harry não escrevera . - * _ Olá_Harry_Potter . O meu nome é Tom_Riddle . Como é_que encontraste o meu diário ? * Também estas palavras desapareceram , mas não sem que Harry tivesse respondido . - Alguém tentou lançá o em uma sanita . Esperou ansiosamente por a resposta de Riddle . - * _ Felizmente guardei as minhas memórias de uma forma mais duradoura do_que a tinta . Mas sempre soube que haveria quem não iria querer que o diário fosse lido . * - O que queres dizer com isso ? - escrevinhou Harry , borrando a página com o nervosismo . - * _ Quero dizer que este diário contém memórias de coisas terríveis . Coisas que foram abafadas . Coisas que aconteceram em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . * - É onde eu estou agora - escreveu Harry rapidamente . - Estou em Hogwarts e estão a acontecer coisas horríveis . Sabes alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? O coração parecia querer saltar lhe de o peito . A resposta de Riddle não se fez esperar , a letra tornara se mais desordenada como_se tivesse pressa em contar lhe tudo_o_que sabia . - * _ É claro que sei de a Câmara_dos_Segredos . Em o meu tempo diziam nos que era uma lenda , que não existia , mas era mentira . Quando eu estava em o quinto ano a Câmara_dos_Segredos foi aberta e o monstro atacou vários estudantes , acabando matar um . Eu apanhei a pessoa que abriu a câmara e ele foi expulso . Mas o director , o professor Dippet , envergonhado por uma coisa de aquelas ter acontecido em Hogwarts , proibiu me de contar a verdade . Foi divulgada uma história dizendo que a rapariga morrera de um acidente extravagante . Deram me um troféu brilhante com o meu nome gravado e avisaram me para ficar calado . Mas eu sabia que ia voltar a acontecer . O monstro sobreviveu e aquele que tinha o poder para o libertar não foi para a prisão . * Harry quase entornou o tinteiro em a pressa de responder . - Está a acontecer outra_vez . Houve três ataques e ninguém parece saber quem está por_detrás_de tudo_isto . Quem foi de a última vez ? - * _ Posso mostrar te , se quiseres * - foi a resposta de o Riddle . - * _ Não tens de acreditar só em a minha palavra . Posso levar te a o fundo de a minha memória de a noite em que o apanhei . * Harry hesitou com a pena em o ar sobre o diário . O que quereria ele dizer ? Como poderia entrar em a memória de outra pessoa ? Olhou inquieto para a porta de o dormitório que começava a ficar escuro . Quando pôs de_novo os olhos em o diário viu as palavras que se formavam . - * _ Deixa-me mostrar te . * Harry parou durante uma fracção de segundo e depois escreveu duas letras . - O. _ K._As páginas de o diário começaram a esvoaçar como_se tivessem sido apanhadas em uma ventania , parando a meio de o mês_de_Junho . Boquiaberto , Harry viu que o quadradinho de 13_de_Junho se transformara em um pequeno ecrã de televisão . Com as mãos ligeiramente trémulas levantou o livro para encostar os olhos a a janelinha e antes de perceber o que estava a passar se , deu consigo inclinado para a frente com a janela a abrir se . O corpo abandonava a cama e era lançado de cabeça , por a abertura de a página , em um turbilhão de cor e sombras . Sentiu os pés tocarem em terra firme e pôs se de pé a tremer enquanto as formas desfocadas se tornavam subitamente nítidas . Soube imediatamente onde estava . Aquela sala circular com os retratos adormecidos era o escritório de Dumbledore , mas não era Dumbledore quem estava atrás de a secretária . Um feiticeiro mirrado , de aspecto débil e quase careca lia uma carta a a luz de as velas . Harry nunca vira aquele homem antes . - Desculpe - disse com a voz a tremer . - Eu não queria intrometer me ... Mas o feiticeiro não olhou . Continuou a ler , franzindo levemente as sobrancelhas . Harry aproximou se de a secretária e gaguejou : - Er ... eu vou me embora , está bem ? E o feiticeiro continuou a ignorá o . Parecia nem_sequer ter ouvido . Pensando que talvez ele fosse surdo , Harry falou mais alto . - Desculpe tê o incomodado - disse quase a gritar . O feiticeiro dobrou a carta com um suspiro . Pôs se de pé , passou por Harry sem olhar para ele e foi abrir os cortinados de a janela . O céu , lá fora , estava vermelho-rubi . Devia ser o pôr de o Sol . O feiticeiro voltou para a secretária , sentou se e girou os polegares , olhando para a porta . Harry olhou em volta . Não viu Fawkes , a fénix , nem as engenhocas prateadas que sibilavam . Aquela Hogwarts era a que Riddle conhecera e , portanto , aquele feiticeiro desconhecido era o director de então , não Dumbledore e ele , Harry , era pouco mais que um fantasma , totalmente invisível a as pessoas de há cinquenta anos atrás . Alguém bateu a a porta . - Entre - disse o velho feiticeiro , em uma voz fraca . Um rapazinho de dezasseis anos entrou , tirando o chapéu pontiagudo . Em o seu peito brilhava um distintivo prateado de prefeito . Era muito mais alto do_que Harry , mas tinha , tal_como ele , cabelo preto asa de corvo . - Ah ! Riddle - disse o director . - Queria falar comigo , professor Dippet ? - perguntou ele com ar nervoso . - Senta te - disse Dippet . - Tenho estado a ler a carta que me mandaste . - Oh ! - exclamou Riddle , sentando se e apertando as mãos uma contra a outra . - Meu rapaz - disse Dippet amavelmente . - Eu não posso deixar te ficar em a escola durante o Verão . Com certeza queres ir para_casa em as férias ? - Não - respondeu Riddle , sem perder tempo . - Prefiro mil vezes ficar em Hogwarts a ter de voltar a aquela ... aquela ... - Tu vives em um orfanato de Muggles durante as férias , não é assim ? - perguntou Dippet com curiosidade . - Sim senhor - disse Riddle , corando um_pouco . - És filho de Muggles ? - Meio sangue , professor - explicou Riddle . - Pai_Muggle , mãe bruxa . - E o teu pai e a tua mãe ... - A minha mãe morreu pouco depois de eu nascer , professor , contaram me em o orfanato que só teve tempo de me dar o nome : Tom , como o meu pai , Marvolo como o meu avô . Dippet estalou a língua solidariamente . - O que acontece , Tom - suspirou - é_que ... podia ter se arranjado uma situação especial para ti , mas em as circunstâncias actuais ... - Refere se a os ataques , professor ? - perguntou Riddle e o coração de Harry deu um salto , aproximando se com medo de perder alguma coisa . - Precisamente - disse o director . - Meu rapaz , compreendes que seria uma imprudência de a minha parte deixar te ficar em o castelo quando o período acabar , principalmente a a luz de a recente tragédia ... a morte de aquela pobre moça ... estarás sem dúvida em maior segurança em o orfanato . Em a verdade , o ministro de a magia até fala em fechar a escola . Não estamos nada perto_de localizar ... er ... a fonte de toda esta história desagradável . Os olhos de Riddle tinham se aberto mais . - Professor , se essa pessoa fosse apanhada ... se tudo acabasse . . . - Que queres dizer com isso ? - perguntou Dippet com voz aguda , endireitando se em a cadeira . - Riddle , tu sabes alguma coisa sobre estes ataques ? - Não senhor - respondeu ele de imediato . Mas Harry sabia que era o mesmo tipo de « não » que ele dissera a Dumbledore . Dippet afundou se de_novo com um ar de profundo desapontamento . - Podes ir , Tom . Riddle esgueirou se de a cadeira e saiu de a sala . Harry seguiu o . Desceram por a escada em espiral , saindo junto de a gárgula em o corredor que escurecia . Riddle parou e Harry fez o mesmo , olhando para ele . Quase podia apostar que ele pensava seriamente em alguma coisa . Mordia o lábio e tinha as sobrancelhas franzidas . A certa altura , como_se tivesse acabado de tomar uma decisão , começou a andar mais depressa com Harry a segui o ruidosamente . Não viram mais ninguém , a não ser quando chegaram a o * hall * de entrada onde um feiticeiro alto de longos cabelos ruivos e barba chamou Riddle de a escadaria de mármore . - O que andas a fazer por aqui tão tarde , Tom ? Harry olhou para o feiticeiro . Não era outro senão Dumbledore com cinquenta anos a menos . - Tive de ir falar com o director - justificou se Riddle . - Bem , agora vai depressa para a cama - disse Dumbledore , olhando Riddle com aquele olhar penetrante que Harry conhecia tão bem . - É melhor não andar a passear por os corredores em os dias que correm , pelo_menos até ... Suspirou profundamente , deu as boas-noites a o Riddle e foi se embora . Riddle viu o desaparecer e , sem perder tempo , desceu os degraus de pedra até a os calabouços com Harry em a peugada . Mas para seu grande desconsolo , Riddle não o conduziu a nenhum corredor ou túnel secreto e sim a o calabouço onde ele costumava ter aulas de poções com o Snape . As tochas não tinham sido acesas e quando Riddle empurrou a porta quase fechada , Harry só conseguiu vê o a ele , de pé , quieto junto de a porta , olhando para o corredor . Pareceu a Harry que ficaram ali quase uma hora . Tudo_o_que via era a silhueta de Riddle junto de a porta , olhando fixamente através de a greta , a a espera . Como_se fosse uma estátua . E quando Harry tinha abandonado todas_as expectativas e começava a desejar voltar a o presente , ouviu alguma coisa que se movia atrás de a porta . Alguém avançava lentamente por o corredor . Ouviu a pessoa , quem quer que fosse , passar por o calabouço onde ele e Riddle estavam escondidos . Riddle , silencioso como uma sombra , esgueirou se por a porta e seguiu o com Harry em bicos de pés atrás de ele , esquecido de que podia fazer barulho a a vontade porque ninguém o ouvia . Durante cerca de cinco minutos seguiram lhe os passos até que Riddle parou repentinamente com a cabeça inclinada em a direcção de novos ruídos . Harry ouviu uma porta a abrir se e em seguida alguém falou em um murmúrio rouco . - Vá lá , temos que sair de aqui ... vá lá , dentro de a caixa ... Havia algo de familiar em aquela voz . Riddle deu subitamente uma volta e Harry seguiu o . Podia ver a silhueta escura de um rapaz enorme que estava inclinado em frente de a porta aberta , com uma grande caixa a o lado . - Boa noite , Rubeus - disse Riddle secamente . O rapaz fechou a porta e pôs se de pé . - O que estás a fazer aqui , Tom ? Riddle aproximou se . - Acabou se - disse . - Vou ter de entregar te , Rubeus . Falam em fechar Hogwarts se os ataques não terminarem . - O que é_que tu ... ? - Eu acho que tu não quiseste matar ninguém , mas os monstros não são os melhores animais domésticos . Tu só quiseste deixá o sair para andar um_pouco e ... - Ele não matou ninguém - disse o rapaz grande , recuando contra a porta fechada . Lá de dentro vinham uns estranhos roncos e rugidos . - Vamos , Rubeus - disse Riddle , aproximando se mais ainda . - Os pais de a rapariga que morreu estarão aqui amanhã . O mínimo que Hogwarts pode fazer é assegurar lhes que aquilo que matou a filha de eles foi abatido ... - Não foi ele - gemeu o rapaz cuja voz ecoou em o corredor escuro . - Ele não faria isso ... ele nunca ... - Afasta te - disse Riddle , pegando em a varinha . O encantamento iluminou o corredor com uma luz brilhante . A porta atrás de o rapaz grande abriu se de par em par com tanta força que o atirou contra a parede . E de lá de dentro saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito que ninguém mais ouviu a não ser ele próprio . Tinha um corpo imenso , magro e peludo e um emaranhado de pernas pretas , a cintilação de muitos olhos e um par de tenazes afiadas . Riddle levantou de_novo a varinha , mas era tarde de mais . A coisa deixara o atarantado e corria apressadamente , precipitando se por o corredor e desaparecendo . Riddle pôs se de pé , olhou a a procura de o monstro , levantou a varinha , mas o rapaz grande saltou sobre ele , tirou lhe a varinha de as mãos e lançou o a o chão , gritando : - Naaaaaão ! A cena rodopiou . A escuridão tornou se total . Harry sentiu se a cair e com um embate aterrou como uma águia de patas e asas abertas em a sua cama de dossel , em o dormitório de os Gryffindor , o diário de Riddle aberto sobre o estômago . Antes de ter tido tempo de normalizar a respiração , a porta de o dormitório abriu se e o Ron entrou . - Aí estás tu - disse . Harry sentou se . Transpirava e tremia . - O que se passa ? - perguntou Ron , olhando aflito para ele . - Foi o Hagrid , Ron . O Hagrid abriu a Câmara_dos_Segredos há cinquenta anos atrás . XIV_Cornelius_Fudge_Harry , Ron e Hermione sabiam há muito_tempo que Hagrid tinha uma triste predilecção por criaturas grandes e monstruosas . Em o primeiro ano que passaram em Hogwarts , ele tentara criar um dragão em a sua pequena cabana de madeira e levaram muito_tempo a esquecer o gigantesco cão de três cabeças que ele baptizara de « fofinho » . E se , em rapaz , Hagrid tinha ouvido dizer que havia um monstro escondido em o castelo , Harry tinha a certeza que ele teria feito os impossíveis por descobri o . Provavelmente achou que era uma injustiça o monstro estar fechado tanto tempo e pensou que ele merecia a oportunidade de esticar as suas muitas pernas . Harry imaginava perfeitamente o Hagrid a os treze anos a tentar pôr uma coleira e uma trela a o monstro . Mas tinha igualmente a certeza de que ele nunca teria querido matar ninguém . De certo modo , Harry desejava não ter descoberto como utilizar o diário de Riddle . Ron e Hermione fizeram o contar repetidas vezes o que vira até ele ficar farto de repetir o mesmo e farto de a conversa circular que se seguia . - O Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse , de essa vez , Hermione . - O monstro que atacava as pessoas podia ser outro .... - Quantos monstros achas tu que pode haver em este lugar ? - perguntou o Ron aborrecido . - Sempre soubemos que o Hagrid tinha sido expulso - disse Harry tristemente - E os ataques devem ter terminado quando ele foi expulso . Se não fosse assim , Riddle não teria recebido um prémio . Ron tentou um caminho diferente . - O Riddle parece o Percy , quem lhe pediu afinal que deitasse abaixo o Hagrid ? - Mas o monstro tinha morto uma pessoa , Ron - insistiu Hermione . - E o Riddle ia ter de voltar para um orfanato Muggle se Hogwarts fosse fechada - disse Harry . - Não posso culpá o por querer ficar aqui ... Ron mordeu o lábio e a seguir sugeriu : - Tu encontraste o Hagrid em a Rua * _ Bativolta * , não foi ? - Ele estava a comprar repelente para lesmas - disse Harry rapidamente . Ficaram os três em silêncio . Depois de uma longa pausa , Hermione , em uma voz hesitante , formulou a pergunta mais complicada de todas : - Não acham que devíamos ir ter com ele e perguntar lhe ? - Essa seria uma visita simpática - disse o Ron . - Olá , Hagrid , diz nos uma coisa , soltaste por acaso alguma coisa louca e peluda por o castelo em estes últimos tempos ? Por fim , decidiram não dizer nada a o Hagrid a_não_ser_que houvesse outro ataque e à_medida_que passava mais tempo sem murmúrios de a voz sem corpo começaram a acreditar , esperançosos , que nunca mais teriam de falar sobre o motivo por_que fora expulso . Tinham passado já quase quatro meses desde o dia em que o Justin e o Nick quase sem cabeça tinham sido petrificados e quase toda_a_gente parecia pensar que o atacante , quem quer que ele fosse , se retirara para sempre . Peeves fartara se de a sua canção * _ Oh_Potter , seu bandido * , Ernie_Mcmillan pediu educadamente a o Harry , em a aula de herbologia , que lhe passasse um balde de cogumelos saltitantes e , em Março , várias mandrágoras deram uma festa ruidosa e roufenha em a estufa número três . A professora Sprout estava muito satisfeita . - Mal elas comecem a tentar mover se para os vasos umas de as outras , saberemos que estão maduras - disse ela a o Harry . - Nessa_altura poderemos reanimar aquelas pobres criaturas que estão em a ala hospitalar . Os alunos de o segundo ano tinham agora uma coisa nova em que pensar durante as férias de a Páscoa . Chegara a altura de escolherem as matérias de o terceiro ano , um assunto que Hermione , pelo_menos , tomou muito a sério . - Pode afectar todo o nosso futuro - disse a o Harry e a o Ron a o vê os ler cuidadosamente as listas de as novas matérias e pôr um V em frente de cada uma . - Eu só quero ver me livre de as poções - disse Harry . - Não podemos - explicou Ron tristemente . - Mantemos todas_as matérias antigas ou eu teria me livrado de a Defesa contra as artes negras . - Mas é muito importante - disse Hermione chocada . - Não de a maneira como Lockhart a dá - insistiu Ron . - Não aprendi nada até agora a não ser a nunca mais libertar duendes . Neville_Longbottom recebera cartas de todas_as bruxas e feiticeiros de a família , cada_um dando um conselho diferente sobre o que ele deveria escolher . Confuso e preocupado , sentou se a ler a lista de matérias , dando estalinhos com a língua e perguntando a as pessoas se achavam que a aritmancia seria mais difícil do_que o estudo de as runas em a Antiguidade . Dean_Thomas que , tal_como Harry , fora criado com Muggles , acabou por fechar os olhos e atirar a varinha contra a lista , escolhendo as matérias onde ela aterrava . Hermione não pediu conselho a ninguém e inscreveu se em todas . Harry sorriu de si para consigo imaginando como seria uma conversa com o tio Vernon e com a tia Petúnia sobre a sua carreira em feitiçaria . Não que não tivesse tido orientação : Percy_Weasley estava ansioso por partilhar a sua experiência . - Tudo depende de o lugar para_onde queres ir , Harry - disse ele . - Nunca é cedo de mais para pensar em o futuro , por isso eu aconselho te a adivinhação . As pessoas dizem que os estudos de Muggles são uma opção leve mas eu , pessoalmente , acho que os feiticeiros deveriam ter uma compreensão profunda de a comunidade não mágica , muito especialmente se pensarem em trabalhar em íntimo contacto com eles . Vê o meu pai que tem de lidar com assuntos de os Muggles a_toda_a hora . O meu irmão Charles foi sempre mais um tipo de o exterior , por isso foi para o Centro_de_Cuidados com as Criaturas_Mágicas . Segue os teus sentimentos , Harry . Mas a única coisa em que Harry sentia que era mesmo bom era o Quidditch . Por fim , acabou por escolher as mesmas matérias que o Ron escolhera , pensando que se fosse péssimo em elas pelo_menos tinha alguém amigo para o ajudar . O próximo jogo de Quidditch_dos_Gryffindor era contra os Hufflepuff . Wood insistia em treinos de equipa todas_as noites depois de jantar , por isso Harry não tinha tempo para mais_nada a não ser para o Quidditch e para os trabalhos de casa . Mas as sessões de treino estavam a melhorar ou pelo_menos estavam mais secas e em a véspera de o jogo de sábado ele foi a o dormitório guardar a vassoura , sentindo que as hipóteses de os Gryffindor ganharem a taça de Quidditch nunca tinham sido tão boas . Mas a sua boa disposição não durou muito . Em o cimo de as escadas que levavam a o dormitório encontrou o Neville_Longbottom nervosíssimo . - Harry , não sei quem fez aquilo , eu fui encontrar ... Olhando receoso para Harry , Neville empurrou a porta . O conteúdo de a mala de Harry fora espalhado por toda_a divisão . O seu manto estava em o chão rasgado . A roupa de cama tinha sido puxada de a cama de dossel e a gaveta de o armário que se encontrava a a cabeceira de a cama fora arrancada , estando o seu conteúdo espalhado sobre o colchão . Harry aproximou se de a cama boquiaberto , pisando algumas páginas soltas de * _ Viagens com Duendes * . Quando ele e Neville estavam a puxar os cobertores para_cima , entraram o Ron e o Dean_Seamas . Dean praguejou alto . - O que é isto , Harry ? - Não faço ideia - disse ele . Mas o Ron estava a examinar as vestes de Harry e todos os bolsos estavam de o avesso . - Alguém andou a a procura de qualquer coisa - disse o Ron . - Dás por falta de alguma coisa ? Harry começou a apanhar o que estava caído , lançando tudo dentro de a mala . Só quando atirou o último livro de Lockhart é_que se apercebeu do_que faltava . - O diário de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a o Ron . - O quê ? Harry fez lhe sinal em direcção a a porta de o dormitório e apressaram se a chegar a a sala comum de os Gryffindor que estava quase vazia e onde foram encontrar Hermione sozinha a ler * _ As_Runas_Antigas a o Alcance_de_Todos * . Hermione ficou aterrada com as notícias . - Mas ... só um Gryffindor podia tê o roubado ... ninguém mais conhece a nossa senha ... - Exactamente - disse Harry . Acordaram em o dia seguinte com um sol brilhante e uma brisa agradável . - Condições ideais para o Quidditch ! - exclamou Wood , cheio de entusiasmo , a a mesa de os Gryffindor , enchendo os pratos de os elementos de a sua equipa de ovos mexidos . - Harry , anima te , precisas de um pequeno-almoço decente . Harry tinha estado a olhar para a mesa cheia de alunos de os Gryffindor , perguntando a si próprio se o novo dono de o diário de Riddle estaria ali mesmo em frente de os seus olhos . Hermione insistira para que ele participasse o roubo mas ele não gostou de a ideia . Teria de contar a um professor tudo sobre o diário , e quantas pessoas saberiam o motivo por_que Hagrid fora expulso há cinquenta anos ? Não queria ser ele a fazer com que relembrassem tudo aquilo . Quando saiu de o salão com o Ron e a Hermione para ir buscar o material de Quidditch , outra preocupação viera juntar se a a sua lista cada_vez maior . Tinha acabado de pisar os degraus de a escadaria de mármore quando ouviu de_novo a voz : - * _ Matar desta_vez ... deixem me rasgar ... romper * ... Deu um grito e Ron e Hermione saltaram alarmados . - A voz - disse Harry , olhando por cima de os ombros de eles . - Acabo de a ouvir de_novo , vocês não ouviram nada ? Ron abanou a cabeça de olhos muito abertos Mas_Hermione bateu com a mão em a testa . - Harry , acho que percebi uma coisa . Tenho que ir a a biblioteca . E disparou a correr por as escadas acima . - O que é_que ela percebeu ? - disse Harry distraidamente , ainda a olhar em volta , tentando determinar de onde vinha a voz . - Mas porque teve ela que ir a a biblioteca ? - Porque a Hermione é assim - disse o Ron , encolhendo os ombros - Quando tem uma dúvida , vai a a biblioteca . Harry manteve se hesitante , tentando captar novamente a voz mas as pessoas começavam a sair de o salão , falando alto , passando por a porta principal e encaminhando se para o estádio de Quidditch . - É melhor ires indo - aconselhou Ron . - São quase onze horas , olha o jogo . Harry deu uma corrida até a a torre de os Gryffindor , pegou em a sua Nimbus dois_mil e juntou se a a vasta multidão que enchia os campos , mas o seu pensamento estava ainda em o castelo , em aquela voz sem corpo e quando pôs as roupas vermelhas , o seu único conforto foi pensar que estavam todos lá fora para assistir a o jogo . As equipas entraram em campo a o som de um tumulto de aplausos . Oliver_Wood fez um voo de aquecimento em volta de os postes , Madam_Hooch soltou as bolas . Os Hufflepuff que tinham fatos amarelo-canário estavam reunidos em grupo em uma discussão de última hora sobre as tácticas . Harry subia para a vassoura quando a professora Mc_Gonagall atravessou o campo , meio a andar , meio a correr , transportando um enorme megafone roxo . O coração de Harry caiu lhe a os pés . - Este jogo foi cancelado - gritou por o megafone a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a o estádio apinhado . Ouviram se Uuuus e assobios . Oliver_Wood , com um ar infelicíssimo , aterrou e correu para a professora McGonagall sem sair de a vassoura . - Mas , professora - gritou - temos de jogar ... a taça ... os Gryffindor ... A professora Mc_Gonagall ignorou o e continuou a gritar por o megafone . - Pede se a os estudantes que regressem a as salas comuns de as respectivas equipas onde os chefes de equipa lhes darão mais informações . O mais depressa possível , se fazem favor ! Em seguida , baixou o megafone e fez sinal a o Harry para que se aproximasse . - Potter , é melhor vires comigo ... Perguntando a si próprio que suspeita poderia ela ter contra ele , desta_vez , Harry viu Ron desligar se de a multidão discordante e vir a correr juntar se lhes , enquanto eles se dirigiam para o castelo . Para sua grande surpresa Mc_Gonagall não pôs qualquer objecção . - Sim , talvez seja melhor vires também , Weasley . Alguns de os estudantes que os rodeavam reclamavam por o jogo ter sido cancelado , outros tinham um ar preocupado . Harry e Ron seguiram a professora Mc_Gonagall de volta a a escola e através de a escadaria de pedra . Mas desta_vez não foram levados a nenhum escritório . - Isto vai chocar vos um_pouco - disse a professora Mc_Gonagall em um tom de voz surpreendentemente suave quando estavam a aproximar se de a ala hospitalar . - Houve outro ataque ... outro ataque duplo . As vísceras de o Harry deram um salto mortal . A professora Mc_Gonagall abriu a porta e ele e Ron entraram . Madam_Pomfrey estava inclinada sobre uma rapariga de o quinto ano de cabelos longos a os caracóis que Harry reconheceu como sendo a colega de os Ravenclaw a quem , por engano , tinham perguntado o caminho para a sala comum de os Slytherin . E , em a cama a o lado de ela , estava ... - Hermione - gemeu o Ron . Hermione jazia totalmente quieta , os olhos abertos e vítreos . - Foram encontradas perto de a biblioteca - disse a professora Mc_Gonagall . - Calculo que nenhum de vocês possa explicar isto ? Estava em o chão , junto de ela . A professora tinha em as mãos um pequeno espelho redondo . Harry e Ron acenaram negativamente com as cabeças , ambos com os olhos fixos em Hermione . - Eu acompanho vos a a torre de os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall pesadamente . - De qualquer modo tenho de falar com os alunos . - Os alunos regressarão a as salas comuns de as respectivas equipas , todos_os_dias , a as seis_horas_da_tarde . Nenhum aluno deverá sair de os dormitórios depois de isso . Serão escoltados até a as aulas por um professor . Nenhum aluno deverá ir a a casa_de_banho sem um professor a acompanhá o . Todos os treinos e jogos de Quidditch estão suspensos a_partir_de agora . Não haverá mais actividades nocturnas . Os Gryffindor , que enchiam a sala comum , ouviram em silêncio a professora Mc_Gonagall . Ela enrolou o pergaminho que acabara de ler e disse em uma voz algo chocada : - Não é preciso acrescentar que nunca me senti tão desolada . É provável que a escola seja encerrada se não for apanhado o culpado de todos estes ataques . Quero pedir que se algum de vocês achar que sabe alguma coisa sobre eles venha imediatamente ter comigo . Mal ela subiu , de forma um_pouco desastrada , por o buraco de o retrato , os Gryffindor começaram logo a falar . - São dois Gryffindor a menos , sem contar com o fantasma de os Gryffindor , um Ravenclaw e um Hufflepuff - disse o amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , contando por os dedos . - Não terá nenhum de os professores reparado que os Slytherin estão a salvo ? Será que não é óbvio que tudo_isto vem de eles ? O herdeiro de Slytherin , o monstro de Slytherin , porque não expulsam todos os Slytherin ? - resmungou , recebendo acenos e aplausos de todos os lados . Percy_Weasley estava sentado em uma cadeira atrás_de Lee , mas por uma_vez não pareceu querer expor os seus pontos de vista . Estava pálido e aturdido . - O Percy está em estado de choque - disse o George baixinho a o Harry . - Aquela rapariga de os Ravenclaw , Penelope_Clearwater , é prefeita . Acho que ele nunca tinha pensado que o monstro pudesse atacar um prefeito . Mas Harry não estava a ouvi o com atenção . Não conseguia esquecer a imagem de Hermione deitada em a cama de o hospital , como_se estivesse esculpida em pedra . E se o culpado não fosse apanhado rapidamente tinha em a frente uma vida inteira com os Dursley . Tom_Riddle entregara o Hagrid porque fora confrontado com a possibilidade de um orfanato Muggle se a escola fechasse . Harry sabia exactamente o que ele sentira . - Que vamos nós fazer ? - disse lhe o Ron baixinho a o ouvido . - Achas que eles suspeitam de o Hagrid ? - Temos de falar com ele - disse Harry , tomando uma decisão . - Não acredito que tenha culpa desta_vez , mas se ele libertou o monstro há cinquenta anos , sabe com certeza como entrar em a Câmara_dos_Segredos , o que já é um princípio . - Mas a Gonagall disse que temos que ficar em a torre a_não_ser_que estejamos em as aulas ... - Eu acho - disse Harry ainda mais baixo - que chegou a altura de tirar outra_vez de a mala o manto de o meu pai . Harry herdara apenas uma coisa de o pai : o enorme manto prateado de a invisibilidade . Era a única maneira de poderem esgueirar se de a escola para fazer uma visita a o Hagrid , sem que ninguém de esse por isso . Deitaram se a a hora de o costume , esperaram que o Neville , o Dean e o Seamas adormecessem para se levantarem , vestirem se de_novo e taparem se com o manto . A viagem por os corredores de o castelo escuro e deserto não era nada agradável . Harry que vagueara por ali muitas_vezes durante a noite nunca vira tanta gente depois de o pôr de o Sol . Professores , prefeitos e fantasmas andavam por os corredores a os pares , olhando em volta , em busca de qualquer actividade fora de o habitual . O manto de a invisibilidade não impedia que fizessem barulho e houve um momento particularmente tenso em que o Ron deu uma topada a menos_de um metro de o lugar onde Snape se encontrava . Felizmente Snape espirrou em o preciso momento em que o Ron praguejava . Foi com grande alívio que chegaram a as portas de carvalho de a entrada principal . Estava uma noite clara e cheia de estrelas . Dirigiram se apressadamente para as janelas iluminadas de a casa de Hagrid e só tiraram o manto mesmo em frente de a porta . Poucos segundos depois de terem batido abriu se a porta . Ficaram frente_a_frente com Hagrid que lhes apontou uma besta enquanto Fang , o cão caçador de javalis , ladrava furiosamente atrás de ele . - Oh ! - disse , baixando a arma quando viu que eram eles . - O que estão vocês a fazer aqui ? - Para que é isso ? - perguntou Harry , apontando para a besta , enquanto entrava . - Nada , não é nada - murmurou Hagrid . - Tenho estado a a espera ... não tem importância , sentem se que eu vou fazer um chá . Dava a impressão de não saber o que fazia . Quase apagou a lareira , vertendo a água de a chaleira em o lume e em seguida esmagou o bule com um gesto de a sua mão maciça . - Estás bem , Hagrid ? - perguntou Harry . - Soubeste de a Hermione ? - Soube , sim - disse ele com um leve tremor em a voz . Continuava a olhar nervosamente para as janelas . Deu lhe os duas grandes canecas de água a ferver ( esquecera se de juntar o chá ) e estava a acabar de pôr em um prato uma fatia grossa de bolo de frutas quando alguém bateu energicamente a a porta . Hagrid deixou cair o bolo . Harry e Ron trocaram entre si olhares de pânico e , em seguida , cobriram se com o manto de a invisibilidade e esconderam se em um canto . Hagrid assegurou se de que eles estavam bem escondidos , pegou em a besta e abriu , mais_uma_vez , a porta . - Boa noite , Hagrid . Era_Dumbledore . Entrou com um ar muito sério , seguido de um homem bizarro . O estranho era um homenzinho pequenino , de porte majestoso com cabelos grisalhos desalinhados e uma expressão de ansiedade em o rosto . Usava uma inesperada mistura de roupas . Um fato a as riscas , uma gravata vermelho escarlate , um longo manto negro e umas botas roxas pontiagudas . Debaixo de o braço trazia um chapéu de coco verde lima . -- É o patrão de o meu pai - murmurou o Ron . Cornelius_Fudge , o ministro de a magia ! Harry deu lhe uma valente cotovelada para o fazer calar se . Hagrid tinha ficado suado e pálido . Deixou se cair em uma de as cadeiras e olhava de Dumbledore_para_Cornelius_Fudge . - Más notícias , Hagrid - disse Fudge em um tom bastante grave . - Muito más notícias . Tive de vir . Quatro ataques a filhos de Muggles , as coisas foram longe_de mais . O ministério tem que tomar uma atitude . - Eu nunca ... - disse Hagrid , parecendo implorar a Dumbledore . - O senhor sabe que eu nunca ... professor Dumbledore , o senhor ... - Quero que fique claro , Cornelius , que Hagrid tem a minha total confiança - afirmou Dumbledore , franzindo as sobrancelhas . - Olha , Albus - disse Fudge pouco a a vontade - a ficha de o Hagrid depõe contra ele . O ministério tem de fazer alguma coisa , o Conselho_Directivo de a escola tem se reunido ... - Mesmo_assim , Cornelius , devo dizer te mais_uma_vez que levar o Hagrid de aqui não vai ajudar em nada - afirmou Dumbledore com os olhos azuis com um fogo que Harry nunca vira antes . - Tenta compreender o meu ponto de vista - insistiu Fudge , brincando com o chapéu . - Estou a ser tremendamente pressionado , tenho de mostrar que faço alguma coisa . Se se provar que não foi o Hagrid , ele voltará e não se fala mais em o assunto . Mas tenho de levá o , tem de ser , não estaria a cumprir a minha obrigação se ... - Levar me ? - perguntou Hagrid a tremer . - Levar me para_onde ? - É uma pena curta - disse Fudge , sem o olhar em os olhos . - Não é um castigo , Hagrid , chamemos lhe antes uma precaução . Se mais alguém for apanhado , tu sais com todas_as nossas desculpas . - Não é para Azkaban ? - balbuciou Hagrid . Mas antes que Fudge tivesse tido tempo de responder , ouviu se bater mais_uma_vez a a porta . Dumbledore abriu . Foi a vez de Harry levar uma cotovelada em as costas : soltara um gemido audível . Mr._Lucius_Malfoy entrou em a cabana de o Hagrid embrulhado em uma longa capa preta de viagem , com um sorriso frio de satisfação . O Fang começou a rosnar . - Já está aqui , Fudge ? - disse de forma aprovadora . - Muito bem , muito bem ... - O que estás a fazer aqui ? - perguntou Hagrid furioso . - Sai imediatamente de a minha casa . - Meu bom homem , acredite que não tenho prazer nenhum em entrar em a sua ... er ... chamou lhe casa ? - disse Lucius_Malfoy , sorrindo sarcasticamente enquanto observava a pequena divisão . - Eu limitei me a ir a a escola e disseram me que o director estava aqui . - E o que queres de mim , Lucius ? - perguntou Dumbledore . O seu tom de voz era educado mas em os olhos azuis brilhava ainda o mesmo fogo . - Uma notícia horrível , Dumbledore - disse Mr._Malfoy de forma arrastada , pegando em um grande rolo de pergaminho . - Mas os membros de o conselho pensam que é altura de tu saíres . Isto_é uma ordem de suspensão , tens aí doze assinaturas . Lamento muito mas em a nossa opinião estás a perder a firmeza . Quantos ataques houve até agora ? Mais dois hoje a a tarde , não foi ? A este ritmo vão acabar todos os filhos de Muggles em Hogwarts e todos sabemos que seria uma terrível perda para a escola . - O que é isso , Lucius ? - protestou Fudge com ar alarmado . - O Dumbledore suspenso não ... não , seria a última coisa que desejaríamos em este momento ... - A nomeação ou suspensão , de o director é de a competência de os membros de o Conselho_Directivo , Fudge - disse suavemente Mr._Malfoy . - E como Dumbledore não foi capaz de pôr cobro a estes ataques ... - Oh ! Lucius , se Dumbledore não conseguiu - disse Fudge com o lábio superior a suar . - Quem irá conseguir ? - Isso está para se ver - disse Mr._Malfoy com um sorriso mesquinho . - Mas como os doze votamos ... Hagrid pôs se de pé em um salto , o cabelo preto hirsuto a roçar em o tecto . - E quantos tiveste de chantajar para concordarem contigo , Malfoy ? - Meu caro Hagrid , sabe que esse seu temperamento ainda acaba por lhe criar problemas um dia de estes - disse Mr._Malfoy . - Não o aconselho a gritar assim com os guardas de Azkaban . Eles não iriam gostar nada . - Não podes levar Dumbledore - gritou Hagrid , fazendo Fang , o cão caçador de javalis , agachar se e ganir em o seu cesto . - Sem ele , os filhos de os Muggles não têm qualquer hipótese . A seguir haverá mortes . - Acalma te , Hagrid - disse Dumbledore de forma cortante , olhando para Lucius_Malfoy . - Se os membros de o conselho querem substituir me , eu sairei , claro . - Mas - interrompeu Fudge . - Não - rosnou Hagrid . Dumbledore não tirara os seus olhos azuis brilhantes de os olhos cinzentos e frios de Lucius_Malfoy . - Contudo - disse , pronunciando cada palavra lenta e claramente para que nenhum de eles perdesse o seu sentido - verás que só deixarei verdadeiramente esta escola quando ninguém aqui me for leal . Descobrirás também que será sempre dada ajuda em Hogwarts a quem a pedir . Por um segundo , Harry teve quase a certeza de que os olhos de Dumbledore tremelaziram em direcção a o canto onde ele e Ron estavam escondidos . - Sentimentos admiráveis - disse Malfoy , fazendo uma vénia . - Todos nós vamos sentir a tua ... forma muito pessoal de fazer as coisas , Albus . Só espero que o teu sucessor consiga evitar qualquer ... crime . Dirigiu se a a porta de a cabana , abriu a e fez sinal a Dumbledore para que passasse a a sua frente . Fudge , mexendo nervosamente em o chapéu de coco , esperou que Hagrid fizesse o mesmo mas ele ficou quieto , respirou fundo e disse prudentemente : - Se alguém quiser descobrir alguma coisa , o que tem a fazer é seguir as aranhas . Elas indicarão o caminho , é tudo_o_que vos digo . Fudge olhou para ele espantado . - Está bem , eu vou - disse Hagrid , pegando em o seu sobretudo de pêlo de toupeira . Mas quando ia seguir o Fudge e sair por a porta , parou e disse em voz alta : - E alguém tem de dar de comer a o Fang enquanto eu não estiver cá . A porta fechou se ruidosamente e Ron tirou o manto de a invisibilidade . -- Estamos outra_vez em uma alhada - disse com voz rouca - Sem o Dumbledore podem fechar a escola já esta noite . Sem ele vai haver um ataque por dia . O Fang começou a ganir , arranhando a porta fechada . XV_Aragog_O_Verão insinuava se em os campos em volta de o castelo . O céu e o lago tinham se tornado de um azul-molusco e as flores , grandes como couves , começavam a florir em as estufas . Mas sem o Hagrid , que ele costumava avistar de o castelo , atravessando os campos com o Fang atrás , parecia a Harry que a paisagem não estava completa . Não era melhor dentro de o castelo onde tudo corria horrivelmente mal . O Harry e o Ron tinham tentado visitar a Hermione , mas as visitas a o hospital estavam proibidas . - Não vamos correr mais riscos - disse lhes Madam_Pomfrey com ar severo , através_de uma fresta de a porta de o hospital . Não , lamento , há muitas hipóteses de o atacante voltar para acabar de vez com estas pessoas ... Com Dumbledore longe , o medo espalhara se como nunca acontecera antes , de_tal_modo_que o sol que aquecia as paredes de o castelo por fora parecia parar junto de as janelas de pinázios . Não se via um único rosto em a escola que não andasse tenso e preocupado e qualquer gargalhada , em os corredores , se tornava incómoda e antinatural e era rapidamente abafada . Harry repetia constantemente , de si para consigo , as últimas palavras que ouvira a Dumbledore : - * _ Só terei verdadeiramente deixado esta escola quando ninguém me for leal ... será sempre dada ajuda , em Hogwarts , a quem a pedir * . Qual seria o significado exacto de aquelas palavras ? A quem deveria pedir ajuda quando todos estavam tão confusos assustados como ele ? A alusão de Hagrid a as aranhas era bastante mais fácil de entender . O problema era que parecia não ter restado uma única aranha em o castelo para eles a poderem seguir . Harry procurou por todo o lado com a ajuda relutante de o Ron . As coisas estavam dificultadas por o facto de não poderem andar sozinhos e terem de se deslocar em grupo dentro de o castelo , juntamente com outros Gryffindor . A maior parte de os alunos gostava de ser conduzida como carneiros de uma aula para a outra por os professores mas Harry achava horrível . Havia , contudo , uma pessoa que parecia apreciar aquela atmosfera de terror e suspeitas . Draco_Malfoy passeava empertigado por a escola como_se tivesse sido nomeado para chefe de turma . Harry só compreendeu o motivo de toda aquela boa disposição cerca de quinze_dias depois de Dumbledore e Hagrid se terem ido embora quando , em uma aula de poções , o ouviu falar com o Crabbe e o Goyle . - Sempre achei que seria o pai quem conseguiria livrar nos de o Dumbledore - disse sem a menor preocupação em baixar a voz . - Já vos disse , segundo ele , Dumbledore foi o pior director que a escola alguma vez teve . Talvez agora venha um director decente que não queira a Câmara_dos_Segredos fechada . A Mc_Gonagall não vai durar muito , está só a ... O Snape passou por Harry , sem fazer comentários a o caldeirão e a a cadeira vazia de Hermione . - Professor - disse Malfoy em voz alta . - Professor , porque não se candidata a o lugar de director ? - Ora , ora , Malfoy - respondeu Snape , sem conseguir esconder um meio sorriso . - O professor Dumbledore foi apenas suspenso por os membros de o conselho de direcção , certamente vai voltar um dia de estes . - Sim , claro - disse Malfoy com o seu sorriso escarninho . - Acho que se o professor quisesse candidatar se a o lugar teria o voto de o pai . Eu vou dizer lhe que o acho o melhor professor de a escola . Snape sorriu enquanto passeava de um lado para o outro em o calabouço , não tendo felizmente visto o Seamus_Finnigan que fingia vomitar para dentro de o caldeirão . - Estou espantado por ver que até agora os sangues de lama ainda não fizeram as malas e não desapareceram - prosseguiu Malfoy . - Aposto cinco galeões em como o próximo morre . Pena que não tenha sido a Granger ... A campainha tocou em esse momento o que foi uma sorte porque a o ouvir as últimas palavras de Malfoy , Ron deu um salto , mas em a barafunda de guardar os livros em os sacos , a sua tentativa de agarrar o Malfoy passou despercebida . - Deixem me - gritava o Ron enquanto o Harry e o Dean lhe agarravam os braços . - Não preciso de varinha , vou dar cabo de ele com as minhas mãos ... - Despachem se , tenho de conduzir vos a a aula de herbologia - praguejava o Snape acima de as cabeças de os alunos . E lá foram como cordeirinhos com Harry , Ron e Dean em a retaguarda , o Ron ainda a tentar libertar se . Só acharam seguro largá o quando Snape os deixou fora de o castelo e iniciaram o percurso por o meio de a horta em direcção a as estufas . A aula de herbologia estava reduzida . Tinha agora dois alunos a menos : Justin e Hermione . A professora Sprout pô os a trabalhar , podando as figueiras-da-abissínia . Harry foi despejar uma braçada de hastes secas em um monte de adubo e deu consigo cara a cara com Ernie_Mcmillan . Ernie respirou fundo . - Só quero dizer te , Harry que lamento ter suspeitado de ti . Sei que nunca atacarias a Hermione_Granger e peço te desculpa por todas_as coisas que disse . Estamos todos em o mesmo barco , agora e , bem ... Estendeu lhe uma mão rechonchuda que o Harry apertou . Ernie e a sua amiga Hannah foram trabalhar em a mesma figueira com o Harry e o Ron . - Aquele tipo , Draco_Malfoy - disse Ernie , partindo pequenos galhos - , parece muito satisfeito com isto tudo , não acham ? É bem possível que ele seja o herdeiro de Slytherin . - Uma observação inteligente de a tua parte - disse o Ron que parecia não ter desculpado Ernie tão facilmente como o Harry . - Acham que é ele ? - perguntou Ernie . - Não - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Hannah ficaram a olhar espantados . Um segundo depois , Harry avistou qualquer coisa que o levou a chamar a atenção de o Ron , batendo lhe em a mão com a tesoura de podar . - Au ... o que é_que tu ... ? Harry apontava para o chão , a poucos centímetros de distância . Várias aranhas grandes corriam precipitadamente por a terra fora . - Ah ! sim - disse o Ron , tentando , sem conseguir , mostrar se entusiasmado . - Mas não podemos seguis as agora ... Ernie e Hannah ouviam nos com curiosidade . Harry viu as aranhas desaparecerem . - Parecem ir em a direcção de a floresta proibida ... E o Ron ficou ainda mais infeliz a o ouvir aquilo . Em o final de a aula , o professor Snape acompanhou os alunos a a « Defesa contra as artes negras » . Harry e Ron foram atrás de os outros para poderem conversar sem serem ouvidos . - Temos de usar outra_vez o manto de a invisibilidade - disse Harry a o Ron . - Podemos levar connosco o Fang , ele está habituado a ir a a floresta com o Hagrid , pode ser uma boa ajuda . - Certo - disse o Ron , que fazia girar nervosamente a varinha em os dedos . - Er ... não costuma haver ... não costuma haver lobisomens em a floresta ? - acrescentou enquanto ocupavam os lugares de o costume em a aula de o Lockhart . Preferindo não responder a a pergunta , Harry disse : - Também há lá coisas boas . Os centauros são fixes e os unicórnios . Ron nunca estivera em a floresta proibida , Harry fora lá só uma_vez e desejara não ter de lá voltar . Lockhart deu um salto para dentro de a sala de aula e os alunos ficaram espantados a olhar para ele . Todos os outros professores andavam mais tristes do_que o habitual mas Lockhart parecia sentir se em as nuvens . - Então , então - exclamou , olhando em volta . - Porquê essas caras deprimidas ? Lançaram lhe olhares exasperados mas ninguém respondeu . - Não compreendem - disse , falando devagar como_se fossem todos um_pouco estúpidos - que o perigo já passou ? O culpado foi se embora . -- Quem disse ? - retorquiu Dean_Thomas em voz alta . -- Meu caro jovem , o ministro de a magia não teria levado Hagrid se não estivesse cem por_cento certo de que ele era o culpado - disse Lockhart como quem explica que um e um são dois . - Teria , sim - disse o Ron , em um tom de voz ainda mais alto do_que o de o Dean . - Eu julgo saber um_pouco mais sobre a prisão de o Hagrid do_que o senhor , Mr._Weasley - disse Lockhart com notória auto-satisfação . Ron começou a dizer que discordava mas foi interrompido por o Harry que lhe deu um forte pontapé por debaixo de a mesa . - Nós não estávamos lá , lembras te ? - murmurou . Mas a alegria revoltante de o Lockhart , as insinuações de que sempre tinha achado que o Hagrid não prestava , a sua certeza de que tudo aquilo estava a chegar a o fim , irritou Harry de tal maneira que teve vontade de lhe atirar as * _ Viagens com Vampiros * e de lhe acertar em aquela cara estúpida . Mas , em vez de isso , limitou se a escrevinhar um bilhete para o Ron : * _ Vamos lá hoje a a noite * . Ron leu a mensagem , engoliu em seco e olhou para o lugar onde Hermione costumava sentar se . A cadeira vazia pareceu ajudá o a decidir se e acenou afirmativamente . A sala comum de os Gryffindor estava agora sempre cheia porque , depois de as seis_da_tarde , os Gryffindor não tinham outro lugar para ir . Por outro lado , tinham imenso para conversar , por isso a sala comum mantinha se cheia de gente até depois de a meia-noite . Logo_a_seguir a o jantar , Harry foi buscar o manto de a invisibilidade a a mala onde estava guardado e passou todo o serão a a espera que a sala esvaziasse . O Fred e o George desafiaram o para alguns jogos de explosão e a Ginny sentou se , muito preocupada , a observá os , em a cadeira habitual de Hermione . Harry e Ron fartaram se de perder de propósito em uma tentativa de pôr rapidamente fim a os jogos mas , mesmo_assim , já passava bastante de a meia-noite quando o Fred , o George e a Ginny se foram , finalmente , deitar . Harry e Ron esperaram até ouvir as portas de os dois dormitórios fecharem se . Em seguida , pegaram em o manto , lançaram o sobre ambos e passaram por o buraco de o retrato . Era mais uma difícil travessia de o castelo , tendo de fintar todos os professores . Finalmente , chegaram a o * hall * de entrada , giraram o fecho de as portas de carvalho , esgueiraram se tentando não fazer barulho e aventuraram se nos campos iluminados por o luar . - É claro que - disse bruscamente o Ron , enquanto atravessavam os relvados negros - podemos perfeitamente chegar a a floresta e descobrir que não há nada para seguir . As aranhas podem não ter ido para lá . É certo que parecia que tomavam essa direcção , mas ... Felizmente a lengalenga não durou muito . Chegaram a a casa de o Hagrid que tinha um ar triste com as suas janelas vazias . Logo_que Harry empurrou a porta e a abriu , o Fang saltou , louco de alegria por os ver . Preocupados , não fosse ele acordar toda_a_gente em o castelo com o seu ladrar forte e agitado , deram lhe rapidamente a comer bombons de melaço que estavam em uma lata sobre a lareira e que lhe colaram os dentes de cima a os de baixo . Harry pousou o manto de a invisibilidade sobre a mesa de o Hagrid . Não iam precisar de ele em a floresta escura como breu . - Anda , Fang , vamos dar um passeio - disse Harry , batendo lhe a o de leve em a pata e Fang saiu feliz , a os saltos , atrás de eles . Precipitou se até a a orla de a floresta e levantou a perna contra uma enorme figueira-do-egipto . Harry pegou em a varinha , murmurou * _ Lumus * ! e uma pequenina luz surgiu em a ponta de a varinha , suficiente para lhes mostrar o caminho e ajudá os a descobrir a pista de as aranhas . - Bem pensado - disse o Ron . - Eu acendia também a minha mas , sabes como ela está , ainda estoirava ou qualquer coisa assim ... Harry tocou em o ombro de o Ron , apontando para as ervas . Duas aranhas solitárias fugiam de a luz de a varinha , aproximando se de a sombra de as árvores . - O. _ K. - disse o Ron , resignando se com o pior . - Estou pronto , vamos . Então , com o Fang a correr atrás de eles , cheirando as raízes de as árvores e as folhas , entraram em a floresta . Seguindo a luz de a varinha de o Harry seguiram a fila disciplinada de aranhas que se movia a o longo de o caminho . Andaram durante cerca de vinte minutos , sem falar , atentos a todos os ruídos que não fossem os de os ramos caídos e de as folhas secas . Então , quando as copas de as árvores se tinham tornado mais cerradas do_que nunca , de_tal_modo_que as estrelas em o céu já não eram visíveis e a varinha de o Harry brilhava isolada em um mar de escuridão , viram as aranhas que eles seguiam a abandonar o caminho . Harry parou , tentando ver para_onde iam mas tudo_o_que ficava longe de a sua pequenina luz era negro de breu . Ele nunca fora tão longe em a floresta . Lembrava se muito bem de Hagrid lhe ter dito , de a última vez que ali tinham estado , que nunca saísse de o caminho de a floresta . Mas Hagrid agora estava a muitos quilómetros de distância e ele também lhes dissera que seguissem as aranhas . Uma coisa húmida tocou em a mão de o Harry e ele deu um salto para trás , pisando o pé a o Ron . Mas afinal era apenas o focinho de o Fang . - O que é_que tu achas ? - perguntou ele a o Ron cujos olhos conseguia vislumbrar , reflectindo a luz de a varinha . - Já_que viemos até aqui - disse ele . Seguiram , portanto as sombras velozes de as aranhas em direcção a as árvores . Não podiam agora andar muito depressa . Tinham em a frente raízes de árvores e troncos cortados que mal se viam em aquela escuridão . Harry sentia o bafo quente de Fang em a mão . Por mais de uma_vez tiveram de parar para o Harry se baixar e descobrir as aranhas a a luz de a varinha . Andaram durante o que lhes pareceu ter sido pelo_menos meia_hora , com os mantos a roçarem em os ramos mais baixos e em as silvas . A o fim de algum tempo repararam que o chão parecia inclinar se para baixo embora as árvores continuassem cerradas . Foi então que o Fang soltou um latido que ecoou em volta , fazendo Harry e Ron darem um salto , ambos com os cabelos em pé . - O que foi ? - gritou o Ron , olhando em volta para a escuridão e agarrando Harry com força , por o cotovelo . - Há qualquer coisa ali a mexer se - murmurou Harry - Ouve ... parece ser grande . Ficaram a ouvir . Um_pouco para a direita algo de grandes dimensões partia os ramos enquanto abria caminho através de as árvores . - Oh ! não - disse o Ron . - Oh ! não , não ... - Cala te - insistiu o Harry , nervoso . - Seja o que for , vai acabar por te ouvir . - Ouvir me ? - disse o Ron , em um tom de voz muito pouco natural . - Já ouviu . Fang ! A escuridão parecia esmagar lhes os globos oculares enquanto ali ficaram apavorados , a a espera . Houve um estranho ruído , surdo e prolongado , e em seguida o silêncio . - O que estará a fazer ? - perguntou Harry . - Talvez esteja a preparar se para atacar - disse o Ron . Esperaram , a tremer , sem ousarem mexer se . - Achas que se foi embora ? - murmurou Harry . - Não sei . Em esse momento , de o lado direito veio um clarão de luz tão forte em o meio de o escuro que os dois levaram as mãos a a cara para proteger os olhos . O Fang ganiu e tentou fugir mas viu se envolvido em um emaranhado de espinhos e ganiu ainda mais alto . - Harry - gritou o Ron com grande alívio em a voz . - Harry , é o nosso carro . - O quê ? - Anda ver . Harry avançou a os tropeções atrás de o Ron , em direcção a a luz e em o momento seguinte estavam em uma clareira . O carro de Mr._Weasley ali estava , vazio , no_meio_de um círculo de árvores grossas , sob um telhado de ramos densos , os faróis de a frente resplandecentes . Quando Ron se aproximou de boca aberta , moveu se lentamente em direcção a ele como_se fosse um grande cão azul turquesa , cumprimentando o dono . - Tem estado aqui todo este tempo - disse o Ron satisfeitíssimo , aproximando se de o carro . - Olha para ele , a floresta tornou o selvagem ... O guarda-lamas estava riscado e cheio de lodo . Parecia que tinha andado a passear sozinho por a floresta . Fang não gostou lá muito de ele . Manteve se a o lado de o Harry que podia senti o a tremer . Com a respiração normalizada , Harry guardou a varinha em o manto . - E nós a pensarmos que ele nos ia atacar - disse o Ron , encostando se a o carro e dando lhe duas palmadinhas - As voltas que eu dei a a cabeça a pensar para_onde ele teria ido ! Harry olhava para todos os lados , em o chão iluminado , em busca de mais aranhas mas todas elas tinham fugido de o brilho de as luzes . - Perdemos as de vista - disse ele . - Anda , vamos procurá as . Ron não disse nada . Não se moveu . Tinha os olhos fixos em um ponto , três metros acima de o chão de a floresta , mesmo atrás de o Harry . O seu rosto estava lívido de terror . Harry nem teve tempo de se voltar . Ouviu se um ruído alto e seco e sentiu que alguma coisa longa e peluda o elevava em o ar com o rosto voltado para baixo . Debatendo se , apavorado , ouviu outro estalido e viu as pernas de o Ron serem também levantadas de o chão . Ouviu o Fang gemer e ganir e , em o momento seguinte , era levado para o meio de as árvores escuras . Com a cabeça a balouçar , Harry viu que a coisa que o transportava tinha seis enormes patas peludas e que as duas de a frente o agarravam com forca sob um par de tenazes pretas e brilhantes . Atrás_de si podia ouvir outra de aquelas criaturas que , sem dúvida , transportava o Ron . Encaminhavam se para o coração de a floresta . Harry ouvia o Fang a ladrar , tentando libertar se de um terceiro monstro mas Harry não podia gritar mesmo_que quisesse , parecia que tinha deixado a voz em a clareira , junto com o carro . Não soube quanto tempo esteve em as patas de a criatura , só se apercebeu que a escuridão se atenuara um_pouco , permitindo lhe ver que o chão coberto de folhas estava agora repleto de aranhas . Voltando a cabeça para o lado , deu se conta de que tinham chegado a a base de uma enorme cova , uma cova que fora limpa de árvores para que as estrelas iluminassem com o seu brilho a cena mais pavorosa que os seus olhos alguma vez tinham visto . Aranhas . Não aranhas pequeninas como aquelas que estavam sobre as folhas . Aranhas de o tamanho de enormes cavalos , com oito olhos , oito pernas pretas , peludas , gigantescas . O espécimen que transportava Harry desceu o terreno íngreme até uma teia brumosa em forma de cúpula que ficava mesmo em o meio de a cova , enquanto os companheiros se juntavam em volta , batendo excitadíssimos com as tenazes e olhando para o que eles traziam a as costas . Harry caiu em o chão de gatas quando a aranha o libertou . Ron e Fang foram cair perto de ele . O Fang já não gania . Estava agachado e muito quieto . Ron e Harry partilhavam o mesmo sentimento . O Ron tinha a boca aberta em uma espécie de grito silencioso e os olhos a saltarem lhe de as órbitas . Harry percebeu de repente que a aranha que o deitara a o chão estava a dizer qualquer coisa . Era difícil entender porque entre cada duas palavras , batia com as tenazes . - Aragog - chamou . - Aragog . E de o meio de a teia brumosa em forma de cúpula saiu muito lentamente uma aranha de o tamanho de um pequeno elefante . As costas e as pernas estavam cobertas de pêlo cinzento e , em a cabeça feia , munida de tenazes , estavam vários olhos , todos eles de um branco leitoso . Era cega . - O que foi ? - disse , batendo rapidamente com as tenazes uma em a outra . - Homens - respondeu a aranha que trouxera o Harry . - É o Hagrid ? - perguntou Aragog , aproximando se mais com os seus oito olhos leitosos a vaguear . - Estranhos - respondeu a aranha que trouxera o Ron . - Matem nos - disse Aragog , irritada . - Eu estava a dormir ... - Nós somos amigos de o Hagrid - gritou Harry . Parecia que o coração lhe saltava por a boca . Clic , clic , clic fizeram as tenazes de a aranha , em volta de a cova . Aragog parou . - O Hagrid nunca mandou homens a a nossa cova - disse lentamente . - O Hagrid está em perigo - explicou Harry , respirando muito depressa . - Foi por isso que eu vim . - Em perigo ? - repetiu a aranha idosa e pareceu a Harry sentir preocupação por detrás de as suas tenazes . - Mas porque vos mandou ele cá ? Harry pensou pôr se de pé mas achou melhor não arriscar . As pernas provavelmente não teriam força para o sustentar . Falou portanto de o chão , o mais calmamente que foi capaz . - Eles lá em a escola pensam que o Hagrid soltou qualquer coisa contra os estudantes . Mandaram o para Azkaban . Aragog bateu furiosamente com as tenazes e , em toda_a cova , o eco foi reproduzido por uma multidão de aranhas . Era uma espécie de aplauso com uma única diferença : os aplausos não costumavam fazer o Harry quase morrer de medo . - Mas isso foi há muitos anos - disse Aragog , maldisposta . - Há anos e anos . Lembro me muito bem . Foi por isso que o expulsaram de a escola . Eles pensaram que eu era o monstro que vive em aquilo a que eles chamam a Câmara_dos_Segredos . Pensaram que o Hagrid a tinha aberto para me libertar . - E tu ... não vieste de a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Harry que sentia a testa cheia de suores frios . - Eu - disse Aragog , batendo irritada com as tenazes - , eu não nasci em o castelo . Venho de uma terra distante . Um viajante ofereceu me a o Hagrid quando eu era ainda um ovo . Hagrid era um rapazinho mas tratou de mim , escondeu me em uma despensa dentro de o castelo e alimentava me com as migalhas que ficavam em as mesas . Hagrid é o meu bom amigo e um bom homem . Quando me encontraram e me culparam por a morte de uma rapariga , ele protegeu me . Desde_então , tenho vivido aqui em a floresta onde o Hagrid ainda vem visitar me . Ele até me arranjou uma esposa , Mosag , e estão a ver como a família cresceu , tudo graças a a bondade de o Hagrid ... Harry reuniu a coragem que lhe restava . - Então tu nunca atacaste ninguém ? - Nunca - resmungou a velha aranha . - Era esse o meu instinto , mas por respeito a Hagrid nunca fiz mal a nenhum humano . O corpo de a rapariga morta foi encontrado em uma casa_de_banho , ora eu nunca conheci mais do_que despensa de o castelo , onde cresci . Nós gostamos de o escuro de o silêncio . - Mas então ... sabes o que matou essa rapariga ? - perguntou Harry . - Porque seja o que for , está a atacar as pessoas outra_vez ... As suas palavras foram abafadas por uma audível explosão de tenazes a bater e por o ruge-ruge de muitas pernas longas , deslocando se iradas . Em volta de Harry começaram a mover se sombras escuras . - O que vive em o castelo - disse Aragog - é uma antiga criatura que nós , aranhas , tememos acima_de todas_as outras . Lembro me bem de o quanto insisti com Hagrid para que me deixasse sair de ali quando senti a criatura a andar por a escola . - O que é ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Mais tenazes a bater , mais pernas a moverem se . As aranhas pareciam estar a aproximar se . - Nós não falamos de isso - exclamou Aragog furiosa . - Não pronunciamos o seu nome . Eu nunca disse a o Hagrid o nome de a horrível criatura , apesar_de ele me ter perguntado vezes sem conta . Harry não quis insistir , principalmente com todas aquelas aranhas a aproximarem se de todos os lados . Aragog parecia ter se cansado de falar . Recuava lentamente para a teia em forma de cúpula , mas as companheiras continuavam a aproximar se ameaçadoramente de Harry e Ron . - Vamos embora , então - gritou Harry , desesperadamente a Aragog , enquanto ouvia as folhas secas a estalarem atrás_de si . - Embora ? - disse Aragog lentamente . - Não me parece ... - Mas , mas ... - Os meus filhos e filhas não fazem mal a o Hagrid por ordem minha . Mas não posso negar lhes carne fresca quando ela veio por vontade própria ter connosco . Adeus , amigo de o Hagrid . Harry deu meia volta . Poucos centímetros acima de ele , uma sólida parede de aranhas batia com as tenazes , os seus muitos olhos a brilharem em as horríveis caras pretas . Mesmo_que se servisse de a varinha , Harry sabia que não ia valer de nada . As aranhas eram demasiadas , mas quando tentava preparar se para morrer a lutar , ouviu se um som prolongado e um clarão de luz iluminou a cova . O carro de Mr._Weasley ribombava , descendo o declive , com os faróis acesos , a buzina a guinchar , afastando as aranhas . Muitas de elas ficaram voltadas ao_contrário com as várias pernas a agitar se em o ar . O carro buzinou com mais força em frente de Harry e Ron e as portas abriram se . - Agarra o Fang - gritou Harry , ajeitando se em o lugar de a frente . Ron agarrou o cão caçador de javalis e lançou o a ganir para o banco de trás . As portas fecharam se com estrondo . Ron não tocou em o acelerador mas o carro não precisou de isso . O motor fez se ouvir e levantaram voo , batendo em mais aranhas . Subiram o declive , saindo de a cova e pouco depois atravessavam a floresta , os ramos a baterem em os vidros enquanto o carro seguia habilmente através de os intervalos maiores , por um caminho que obviamente já conhecia . Harry olhou para o Ron , a o seu lado . Ele tinha ainda a boca aberta em o mesmo grito silencioso mas os olhos já não estavam salientes . - Estás bem ? Ron olhou em frente , incapaz de responder . Começavam a descer para terra firme com o Fang a soltar enormes ganidos em o banco de trás e Harry viu o espelho retrovisor saltar quando passaram rente a um enorme carvalho . Após dez minutos bastante ruidosos , as árvores começaram a ser mais finas e Harry pôde ver de_novo pedaços de o céu . O carro parou tão bruscamente que quase foram projectados por o vidro de a frente . Tinham chegado a a orla de a floresta . O Fang ia agitadíssimo a a janela e quando Harry abriu a porta , disparou a correr através de as árvores até a a casa de o Hagrid , de cauda entre as pernas . Harry saiu também e um minuto depois o Ron pareceu recuperar a força em os membros e seguiu o , ainda com um torcicolo e de olhos esbugalhados . Harry deu uma palmadinha de agradecimento a o carro antes de ele dar a volta e desaparecer em direcção a a floresta . Harry voltou a a cabana de o Hagrid para buscar o manto de a invisibilidade . O Fang tremia em o seu cesto , coberto por um cobertor . Quando saiu de_novo , viu o Ron a vomitar junto de as abóboras . - Sigam as aranhas - disse ele debilmente , limpando a boca a a manga . - Nunca vou perdoar a o Hagrid . É uma sorte ainda estarmos vivos . - Aposto que ele pensou que Aragog nunca faria mal a os seus amigos - justificou Harry . - Esse é justamente o problema de o Hagrid - interrompeu Ron , dando um soco em a parede de a cabana . - Ele acha sempre_que os monstros não são tão maus como os pintam e vê onde isso o levou , a uma cela em Azkaban - tremia agora descontroladamente . - Qual a ideia de ele a o mandar nos ali ? Gostava de saber o que é_que descobrimos . - Que o Hagrid nunca abriu a Câmara_dos_Segredos - disse Harry , lançando o manto sobre Ron e tocando lhe em o braço para o encorajar a andar . - Ele estava inocente . Ron resmungou em voz alta . Para ele , chocar Aragog em uma despensa não era propriamente estar inocente . Quando se aproximaram de o castelo , Harry esticou o manto para garantir que os pés de ambos ficavam cobertos . Em seguida , empurrou as portas de a frente que chiaram . Atravessaram com todo o cuidado o * hall * de entrada e subiram a escadaria de mármore , contendo a respiração em os corredores guardados por sentinelas atentos . Por fim , chegaram a a segurança de a sala de os Gryffindor onde o lume ardera até se transformar em brasas brilhantes . Tiraram o manto e subiram a escada serpenteante que os levava a o dormitório . Ron caiu em a cama sem sequer se despir mas Harry , apesar_de tudo , não tinha sono . Sentou se em a beirinha de a cama , pensando em todas_as coisas que Aragog dissera . A criatura que andava por o castelo , pensou , era uma espécie de monstro Voldemort , nem os outros monstros queriam pronunciar o seu nome . Mas ele e o Ron não estavam agora mais perto_de descobrir o que era nem como petrificava as suas vítimas . Se nem o Hagrid chegara a saber o que estava em a Câmara_dos_Segredos ... Harry balançou as pernas e atirou se para_cima de a cama . Encostado a as almofadas olhou a Lua que brilhava através de a janela de a torre . Não sabia que mais poderiam fazer . Só tinham encontrado portas fechadas . Riddle apanhara a pessoa errada . O herdeiro de Slytherin fugira e ninguém sabia se era a mesma pessoa ou uma outra que abrira , desta_vez , a Câmara_dos_Segredos . Não havia mais ninguém a quem fazer perguntas . Harry deitou se ainda a pensar em as palavras de Aragog . Estava a começar a ficar com sono quando aquilo que parecia ser uma última esperança lhe ocorreu , fazendo o sentar se muito direito em a cama . - Ron - sussurrou em o escuro . - Ron . Ron acordou com um ganido como os de o Fang . Olhou muito assustado em volta e viu o Harry . - Ron , a rapariga que morreu . Aragog contou nos que ela foi encontrada em uma casa_de_banho - disse , ignorando os roncos de o Neville em o outro canto de o quarto . - E se ela nunca tivesse saído de a casa_de_banho ? E se ainda lá estiver ? Ron esfregou os olhos , franzindo as sobrancelhas sob a luz de a Lua . E só então compreendeu . -- Não pensar que ... a Murta_Queixosa ? XVI_A_Câmara_dos_Segredos -- E estivemos nós tantas vezes em aquela casa_de_banho com ela apenas a três cubículos de distância - disse o Ron amargamente em o dia seguinte , a a mesa de o pequeno-almoço . - Podíamos ter lhe perguntado e agora ... Já fora bastante difícil procurar as aranhas . Escapar a os professores o tempo suficiente para ir até a a casa_de_banho de as raparigas , que ficava mesmo em frente de o lugar onde ocorrera o primeiro ataque , ia ser quase impossível . Mas alguma coisa aconteceu que fez com que a Câmara_dos_Segredos desaparecesse de os seus pensamentos pela_primeira_vez em várias semanas . A professora Mc_Gonagall comunicou lhes que os exames começariam a 1_de_Junho , uma semana depois . - Exames ? - gritou Seamus_Finnigan . - Nós mesmo_assim vamos ter exames ? Ouviu se um estrondo atrás de o Harry quando a varinha de o Neville_Longbottom lhe escapou de a mão , fazendo desaparecer uma de as pernas de a secretária . A professora Mc_Gonagall repô a com a sua varinha e voltou se com má cara para o Seamus . - Se temos a escola aberta em uma altura de estas é para vocês receberem instrução - disse com dureza . - Os exames terão lugar , portanto , como é costume e espero que todos vocês façam revisões até lá . Revisões . Não passara por a cabeça de o Harry que houvesse exames com o castelo em aquele estado . Houve uma série de murmúrios revoltados , o que fez com que a professora Mc_Gonagall ficasse ainda mais mal-humorada . - As instruções de o professor Dumbledore foram para manter a escola a funcionar o mais normalmente possível - disse . - E isso , não preciso de vos dizer , passa por uma avaliação de o quanto vocês aprenderam a o longo de este ano . Harry olhou para baixo , para o casal de coelhos brancos que ele deveria transformar em pantufas . Que tinha ele aprendido durante o ano ? Não era capaz de se lembrar de nada que fosse útil em um exame . Ron estava como_se tivessem acabado de lhe dizer que a partir de aquele momento tinha de ir viver para a floresta proibida . - Estás a ver me a ter exames com isto tudo ? - perguntou a o Harry enquanto pegava em a varinha que tinha começado a assobiar bastante alto . Três dias antes de o primeiro exame , a a hora de o pequeno almoço , a professora Mc_Gonagall fez outra comunicação . - Tenho boas notícias - disse , e o salão em_vez_de se calar , explodiu de contentamento . - Dumbledore vai regressar ! - gritaram várias pessoas cheias de alegria . - Apanharam o herdeiro de Slytherin - arriscou uma rapariga em a mesa de os Ravenclaw . - Temos outra_vez os jogos de Quidditch - bradou Wood , excitadíssimo . Quando a agitação passou , Mc_Gonagall disse : - A professora Sprout informou me que as mandrágoras estão finalmente prontas para serem cortadas . Hoje a a noite vamos poder reanimar as pessoas que foram petrificadas . Escusado será dizer que certamente uma de elas poderá revelar nos quem ou o que a atacou . Eu tenho esperança que este ano pavoroso acabe com a prisão de o culpado . Houve uma explosão de aplausos . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e não ficou nada surpreendido a o ver que Draco_Malfoy não aplaudia . O Ron , por outro lado , estava satisfeito como ninguém o via havia dias . - Não faz mal não termos perguntado a a Murta . A Hermione vai , com certeza , ter todas_as respostas quando acordarem . Vai também ficar fula quando souber que temos exames dentro_de três dias . Ela não pôde fazer revisões . Seria melhor deixarem a estar onde está até a o final de os exames . Nessa_altura , Ginny_Weasley veio sentar se junto de o Ron . Parecia nervosa e tensa e Harry reparou que torcia as mãos em o colo . - O que se passa ? - perguntou o Ron , servindo se de mais papa de aveia . Ginny não disse nada mas olhou para um lado e para o outro de a mesa de os Gryffindor , com um olhar assustado que lembrou a Harry alguém que não sabia bem quem era . - Vá lá , vomita - disse o Ron , olhando para ela . Harry percebeu subitamente quem a Ginny lhe lembrara . Ela balançava se ligeiramente para a frente e para trás em a cadeira , exactamente como o Dobby fazia quando estava hesitante , à_beira_de revelar uma informação proibida . - Tenho de te dizer uma coisa - balbuciou a Ginny receosa , sem olhar para Harry . - O que é ? - perguntou ele . Ginny parecia incapaz de encontrar as palavras certas . - O quê ? - insistiu Ron . Ginny abriu a boca mas não saiu nenhum som . Harry inclinou se para a frente e falou devagar para que só ela e Ron pudessem ouvi o . - É alguma coisa relacionada com a Câmara_dos_Segredos ? Viste alguma coisa ou alguém a agir de forma estranha ? Ginny respirou fundo e , em esse preciso momento , apareceu Percy_Weasley com um ar pálido e cansado . - Se já acabaste de comer eu fico com esse lugar , Ginny . Estou cheio de fome . Acabei agora o meu trabalho de patrulhamento . Ginny deu um salto como_se a cadeira tivesse acabado de ser electrificada , lançou a o Percy um olhar assustado e zarpou . Percy sentou se e tirou uma caneca de o meio de a mesa . -- Percy - disse o Ron aborrecido . - Ela ia agora mesmo contar nos uma coisa importante . A meio de um gole de chá , Percy estremeceu . - Que coisa ? - perguntou , tossindo . - Eu quis saber se ela tinha visto alguma coisa estranha e ela ia dizer ... - Ah ! isso ... não tem nada que ver com a Câmara_dos_Segredos - disse o Percy de imediato . - Como sabes ? - indagou o Ron , erguendo as sobrancelhas . - Bem ... er ... já_que perguntam , a Ginny ... er ... passou por mim em outro dia quando eu ... er ... não foi nada , o importante é_que ela viu me fazer uma coisa e eu ... um ... pedi lhe para não comentar com ninguém . Não pensei que ela cumprisse a palavra , verdade se diga . Não é nada importante , eu só ... Harry nunca vira o Percy tão pouco a a vontade . - O que estavas a fazer , Percy ? - riu se o Ron . - Vá lá , conta que nós não nos rimos . Percy ficou sério . - Passa me esses pãezinhos , Harry , estou cheio de fome . Harry sabia que todo o mistério poderia ser desvendado em o dia seguinte sem a ajuda de eles mas não ia deixar de falar com a Murta_Queixosa se a oportunidade surgisse . E , para sua grande satisfação , ela surgiu a meio de a manhã quando eram conduzidos a a aula de História_da_Magia_por_Gilderoy_Lockhart . Lockhart , que tantas vezes lhes assegurara que o perigo tinha passado , estava agora totalmente convencido de que acompanhar os alunos em os corredores era um trabalho inútil . O seu cabelo estava mais liso do_que de costume . Parecia ter passado toda_a noite acordado a vigiar o quarto andar . - Podem escrever o que eu digo - afirmou , acompanhando os até uma esquina . - As primeiras palavras que vão sair de a boca de aquelas pobres pessoas petrificadas serão - * _ Foi_o_Hagrid * . Francamente , estou espantado por a professora Mc_Gonagall considerar ainda necessárias estas medidas de segurança . - Concordo , professor - disse Harry , fazendo com que Ron , surpreendido , deixasse cair os livros a o chão . - Obrigado , Harry - disse Lockhart amavelmente , enquanto deixavam passar uma grande fila de Hufflepuffs . - verdade é_que os professores já têm bastante que fazer para andarem também a acompanhar os alunos a as aulas e a guardar os corredores a a noite ... - É verdade - disse o Ron , percebendo a ideia . - Porque não nos deixa aqui , professor , só falta mais um corredor . - Sabes , Weasley , sou mesmo capaz de fazer isso - disse Lockhart . - Preciso de preparar a minha próxima aula . E apressou se a seguir o seu caminho . - Preparar a aula - zombou o Ron . - Vai encaracolar o cabelo , é o mais certo . Deixaram os restantes Gryffindor passar lhes a a frente e por fim cortaram caminho em um corredor lateral e dirigiram se a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mas quando estavam a congratular se por o seu esquema brilhante ... - Potter , Weasley ! Que estão vocês a fazer aqui ? Era a professora Mc_Gonagall e a boca de ela estava mais fina do_que nunca . - Nós estávamos , estávamos - gaguejou o Ron . - Nós íamos ver , íamos ver ... - Hermione - completou Harry . A professora Mc_Gonagall e Ron olharam para ele . - Não a vemos há séculos , professora - prosseguiu Harry , pisando o pé a o Ron . - E pensamos ir espreitá a a a ala hospitalar e dizer lhe que as mandrágoras estão quase prontas , para ela não se preocupar . A professora Mc_Gonagall estava ainda a olhar para ele e , por um momento , Harry pensou que ela ia explodir mas , quando falou , fê lo em um tom de voz estranhamente rouco . - É claro - disse . E Harry , espantado , viu uma lágrima a brilhar lhe em o canto de um de os olhos . - É claro . Eu compreendo que tudo_isto tem sido muito duro para os amigos de aqueles que foram ... eu compreendo , sim , Potter . Podem ir visitar Miss_Granger . Eu mesma informarei o professor Binns de que vocês estão em o hospital . Digam a Madam_Pomfrey que vos dei autorização . Harry e Ron afastaram se , quase sem acreditar que tinham escapado a um castigo . Quando voltaram em uma esquina ouviram nitidamente a professora Mc_Gonagall a assoar se . - Esta - disse o Ron entusiasmado - foi a melhor história que tu alguma vez inventaste . Não tinham outro remédio senão ir a a ala hospitalar e dizer a Madam_Pomfrey que tinham autorização de a professora Mc_Gonagall para visitar Hermione . Madam_Pomfrey deixou os entrar com alguma relutância . - Não vale a pena falar com uma pessoa petrificada - disse , e ambos tiveram que admitir que ela tinha razão quando se sentaram junto de Hermione e constataram que ela não tinha a menor noção de estar acompanhada . Dizer lhe que não se preocupasse ou falar com o armário que estava a o lado de a cama era exactamente a mesma coisa . - Será que ela viu quem a atacou ? - perguntou o Ron , olhando com tristeza para o rosto rígido de Hermione . - Porque se a coisa saltou sobre eles , ficaremos todos sem saber de nada . Mas Harry não olhava para o rosto de Hermione . Estava mais interessado em a sua mão direita que se encontrava pousada sobre os cobertores e , inclinando se para ela , viu que tinha , fechado entre os dedos , um pedaço de papel . Assegurando se de que Madam_Pomfrey não dava por nada , fez sinal a o Ron . - Tenta tirá o - murmurou ele , colocando a cadeira de_modo_a que Madam_Pomfrey não pudesse ver o Harry . Não foi tarefa fácil . A mão de a Hermione estava fechada com uma força tal que Harry receou parti a . Enquanto Ron vigiava , ele forçou e torceu até que , por fim , depois de vários minutos bastante tensos , conseguiu tirar o papel . Era uma página retirada de um livro muito antigo de a biblioteca . Harry alisou a ansiosamente e Ron inclinou se para poder lês a também . * _ De todos os monstros assustadores que pairam a a face de a Terra , nenhum é tão curioso nem tão fatal como o Basilisk , também conhecido por o rei de as serpentes . Esta cobra que pode atingir proporções gigantescas e viver durante muitas centenas de anos nasce de um ovo de galinha que é chocado por um sapo . As suas formas de matar são pavorosas pois além de os dentes venenosos e mortais , o Basilisk tem um olhar criminoso e todos aqueles que ele fixa com os olhos tem morte instantânea . As aranhas fogem a sete pés de o Basilisk que é seu inimigo mortal , e o Basilisk foge apenas de o canto de o galo que para ele é fatal * . Por debaixo de isto uma única palavra fora escrita , em a letra que Harry reconheceu como sendo de Hermione : Canos . Foi como_se se tivesse acendido uma luz em o seu espírito . - Ron - murmurou - é isso . Está aqui a resposta . O monstro de a Câmara_dos_Segredos é um Basilisk , uma serpente gigante . Por isso , só eu tenho ouvido a sua voz em todos os lugares , porque eu compreendo * serpentês * ... Harry olhou para as camas em volta . - O Basilisk mata as pessoas fixando as com o olhar mas ninguém morreu , o que quer_dizer que ninguém o olhou directamente em os olhos . Colin viu o através de a lente de a máquina fotográfica e o Basilisk queimou o rolo que estava lá dentro mas o Colin ficou apenas petrificado . O Justin ... o Justin deve ter visto o Basilisk através de o Nick quase sem cabeça . O Nick é_que levou com o olhar mas não podia morrer outra_vez ... e perto de a Hermione e de a prefeita de os Ravenclaw foi encontrado um espelho . Hermione acabara de compreender que o monstro era um Basilisk . Aposto que preveniu a primeira pessoa que encontrou de que era melhor olhar por um espelho a o virar de cada esquina . E aquela rapariga puxou de o seu espelho e ... O Ron estava de queixo caído . - E Mrs._Norris ? - perguntou vivamente . Harry pensou um_pouco , tentando imaginar a cena em a noite de o Halloween . - A água . . . - disse lentamente . - A poça de água que saiu de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Aposto que Mrs._Norris só viu o reflexo de o monstro . Examinou a folha de papel que tinha em a mão . Quanto_mais olhava mais sentido faziam as coisas . - * _ O cantar de o galo é fatal para ele * - leu em voz alta . - Os galos de o Hagrid foram mortos . O herdeiro de Slytherin não queria um único galo perto de o castelo , com a câmara aberta . * _ As aranhas são as primeiras a fugir * . Tudo encaixa . - Mas , como tem o Basilisk andado por aí ? - disse o Ron . - Uma serpente horrível e enorme ... alguém a teria visto . Mas Harry apontou para a palavra que Hermione escrevinhara em o final de a página . - Canos - disse . - Canos ... Ron , ele tem usado a canalização . Eu ouvi sempre a voz dentro de as paredes ... Ron agarrou subitamente o braço de o Harry . - A entrada para a Câmara_dos_Segredos - disse em uma voz rouca . - E se for em uma casa_de_banho ? Se for em a ... - Em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa - completou Harry . Sentaram se , tomados de uma excitação enorme , mal querendo acreditar . - Isso significa que - disse o Harry - eu não posso ser o único em a escola a falar * serpentês * . Há também o herdeiro de Slytherin . É de esse modo que tem controlado o Basilisk . - O que vamos fazer ? - perguntou Ron com os olhos a faiscar . - Vamos falar com a Mc_Gonagall ? - Vamos até a a sala de os professores - disse Harry , dando um salto . - Ela estará lá dentro_de dez minutos , está quase em o intervalo . Desceram a escada a correr . Não querendo ser descobertos outra_vez a vaguear por os corredores foram directamente até a a sala de os professores que estava deserta . Era uma divisão ampla , toda forrada , com cadeiras de madeira escura . Harry e Ron passearam de um lado para o outro , demasiado nervosos para se sentarem . Mas a campainha anunciando o intervalo nunca mais tocava . Em vez de isso , ecoando em os corredores , ouviram a voz de a professora Mc_Gonagall incrivelmente ampliada . - * _ Todos os alunos devem regressar de imediato a os seus dormitórios . Todos os professores a a sala de professores . Imediatamente , por favor * . Harry deu meia volta e olhou para o Ron . - Não me digas que houve um novo ataque , não agora ! - Que vamos fazer ? - disse o Ron aterrado . - Voltar para o dormitório ? - Não - disse Harry , olhando e m volta . Havia uma espécie de armário a a sua esquerda cheio com os mantos de os professores . - Ali . Vamos ouvir o que se passa . A seguir poderemos contar lhes o que descobrimos . Esconderam se dentro de o armário , ouvindo a algazarra de centenas de pessoas e a porta de a sala de professores a abrir se . De o meio de a confusão de mantos bafientos , viram os professores encherem a sala . Alguns tinham um ar totalmente confuso , outros pareciam apavorados . Por fim , chegou a professora Mc_Gonagall . - Aconteceu - disse em o silêncio de a sala de professores . - O monstro levou uma aluna . Levou a mesmo para a câmara . O professor Flitwick soltou um grito agudo . A professora Sprout bateu com a mão em a boca . Snape agarrou com força as costas de uma cadeira e perguntou : - Como pode ter tanta certeza ? - O herdeiro de Slytherin - disse a professora Mc_Gonagall , muito pálida . - Deixou outra mensagem . Mesmo por baixo de a primeira : « * _ O esqueleto de ela ficará para sempre em a Câmara_dos_Segredos * . » O professor Flitwick desatou a chorar . - Quem é ela ? - quis saber Madam_Hooch que se afundara em uma cadeira . - Quem é a aluna ? - Ginny_Weasley - disse a professora Mc_Gonagall . Harry viu o Ron , a o seu lado , escorregar silenciosamente até a o chão de o armário . - Vamos ter que mandar todos os alunos embora amanhã - disse a professora Mc_Gonagall . Isto_é o fim de Hogwarts , Dumbledore sempre disse ... A porta de a sala de os professores voltou a abrir se . Por um breve momento , Harry pensou que fosse Dumbledore mas era Lockhart e vinha todo sorridente . - Peço desculpa , adormeci . Perdi alguma coisa ? Não pareceu reparar que os outros professores o olhavam com uma espécie de aversão . Snape deu um passo em frente . - O homem que faltava - disse . - O homem certo . O monstro raptou uma garota , Lockhart levou a para a Câmara_dos_Segredos . O seu momento chegou . - Isso mesmo , Lockhart - acrescentou a professora Sprout . - Não estavas a dizer ontem a a noite que sempre tinhas sabido onde era a entrada para a Câmara_dos_Segredos ? - Eu ... bem ... eu-disse atabalhoadamente Lockhart . - Sim , não me disseste que sabias exactamente o que estava lá dentro ? - disse com voz esganiçada o professor Flitwick . - Eu disse ? Não me lembro ... - Lembro me perfeitamente de o ouvir dizer que lamentava não ter feito uma tentativa com o monstro antes de o Hagrid ser preso - disse Snape . - Não disse que toda_a história tinha sido uma atrapalhação e que deveriam ter lhe dado carta branca desde o princípio ? Lockhart olhou em volta para a cara de espanto de os colegas . - Eu ... nunca ... eu de facto ... deve ter me compreendido mal . - Então vamos deixar te , Gilderoy - disse a professora Mc_Gonagall . - Esta noite será uma excelente oportunidade para actuares . Nós trataremos de assegurar que ninguém te atrapalha . Vais poder enfrentar o monstro sozinho . Finalmente tens carta branca . Lockhart olhou desesperado a a sua volta mas ninguém foi salvá o . Já não estava bem-parecido . O lábio tremia lhe e a ausência de o seu habitual sorriso de dentes brancos dava lhe um ar escanzelado . - M-muito bem - disse . - Vou até a o meu escritório para ... para me preparar . E saiu de a sala . - _ óptimo - exclamou a professora Mc_Gonagall com as narinas dilatadas . - Isto deve afastá o de o nosso caminho . Os chefes de casa devem ir agora comunicar a os respectivos alunos o que se passou e informá os de que o Expresso_de_Hogwarts os levará a casa amanhã de manhã . Os restantes certifiquem se , por favor , de que não há alunos fora de os dormitórios . Os professores levantaram se e saíram um a um . Foi talvez o dia pior de a vida de o Harry . Ele , Ron , Fred e George sentaram se juntos a um canto em a sala comum de os Gryffindor , incapazes de proferir uma palavra . Percy não estava lá . Tinha ido tratar de enviar uma coruja a Mr. e Mrs._Weasley e , em seguida , fechara se em o dormitório . Nunca uma tarde custara tanto a passar e nunca a torre de os Gryfffindor estivera tão cheia de gente e tão silenciosa . Fred e George foram para a cama quase a o pôr de o Sol , incapazes de ficar ali mais tempo . - Ela sabia qualquer coisa , Harry - disse o Ron , falando pela_primeira_vez desde_que tinham saído de o armário de a sala de os professores . - Por isso a levaram . Não era nenhuma parvoíce sobre o Percy , ela tinha descoberto qualquer coisa sobre a Câmara_dos_Segredos . Com certeza por isso é_que a ... - Ron esfregou os olhos , enervadíssimo . - Afinal ela era sangue puro , não pode haver outra explicação . Harry olhava para o sol que mergulhava de um vermelho cor de sangue em a linha de o horizonte . Era a pior coisa que lhe tinha acontecido . Se pelo_menos pudessem fazer alguma coisa . - Harry - disse o Ron . - Achas que há alguma possibilidade de ela não estar ... ? Sabes o que eu quero dizer . Harry não sabia que resposta dar . Não acreditava que a Ginny pudesse ainda estar viva . - Sabes uma coisa ? - disse o Ron . - Acho que devíamos ir ter com o Lockhart , contar lhe o que sabemos . Ele vai tentar entrar em a câmara , podemos dizer lhe onde achamos que fica a entrada e contar lhe que o monstro é um Basilisk . Como Harry não tinha nenhuma ideia melhor e como queria fazer alguma coisa , concordou . Os Gryffindor que os rodeavam estavam tão tristes e com tanta pena de os Weasley que ninguém tentou impedi os quando os viram levantar se , atravessar a sala e sair por o buraco de o retrato . A escuridão começava a instalar se quando chegaram a o escritório de Lockhart onde a actividade era muita . De o corredor ouvia se o ruído de coisas a serem deitadas fora , pancadas surdas e passos apressados . Harry bateu a a porta e houve um silêncio repentino . Em seguida abriu se uma fresta de a porta e viram um de os olhos de Lockhart a espreitar . - Oh ! ... Mr._Potter ... Mr._Weasley - disse entreabrindo a porta . - Estou um_pouco ocupado em este momento , se forem rápidos ... - Professor , nós temos informações para lhe dar - disse o Harry . - Acho que poderão ajudá o . - Er ... bem ... não é - o lado de a cara de Lockhart que conseguiam ver parecia muito pouco a a vontade . - Quer_dizer ... bem ... está bem . Abriu a porta e eles entraram . O escritório estava praticamente vazio . Em o chão estavam duas grandes malas abertas . Mantos verde-jade , lilás , azul-noite tinham sido apressadamente dobrados e guardados dentro_de uma de as malas . Os livros misturavam se todos dentro de a outra . As fotografias que antes cobriam as paredes estavam agora arrumadas em caixas , em cima de a secretária . - Vai a algum lado ? - perguntou Harry . - Er ... bem ... sim - disse Lockhart , arrancando de a porta um poster seu em tamanho natural , enquanto falava , e começando a enrolá o . - Uma chamada urgente ... inevitável ... tenho que ir . - E a minha irmã ? - perguntou o Ron bruscamente . - Bem , quanto_a isso foi uma pena - disse Lockhart , evitando olhá os em os olhos , abrindo uma gaveta e começando a despejar o seu conteúdo dentro_de um saco . - Ninguém lamenta mais do_que eu ... - O senhor é o professor de Defesa contra as artes negras - disse Harry . - Não pode ir se embora agora_que todas estas coisas de magia negra estão a acontecer aqui . - Bem , devo dizer te que ... quando aceitei o lugar ... - resmungou Lockhart , empilhando soquetes sobre os mantos - nada em a descrição de o meu trabalho fazia prever ... - Quer_dizer que vai fugir ? - perguntou Harry , incrédulo . - Depois de todas_as coisas que conta em os seus livros ? - Os livros podem ser enganadores - disse Lockhart delicadamente . - Mas foi o senhor que os escreveu - gritou Harry . - Meu rapaz - disse Lockhart , endireitando se e franzindo as sobrancelhas - usa o senso comum . Os meus livros não teriam vendido metade do_que venderam se as pessoas não acreditassem que eu tinha feito todas aquelas coisas . Ninguém está interessado em ler sobre um velho feiticeiro americano mesmo_que ele tenha salvo uma cidade inteira de os lobisomens , ficaria péssimo em a capa . E a bruxa que correu com a fada carpideira tinha um lábio leporino . Como vês . - Quer_dizer que ficou com os louros por tudo_o_que uma série de outras pessoas fizeram ? - perguntou Harry , sem querer acreditar . - Harry , Harry - disse Lockhart , abanando impacientemente a cabeça . - Não é tão simples assim . Envolveu muito trabalho . Tive de localizar todas essas pessoas , perguntar lhes em pormenor como tinham feito as coisas . Depois tive de lhes fazer um feitiço antimemória para que não voltassem a lembrar se do_que tinham feito . Se há uma coisa de que me orgulho é de os meus feitiços antimemória . Não , tive muito trabalho , Harry . Não foram só as sessões de autógrafos e as fotografias , sabes ? Quem quer ser famoso tem de estar preparado para um trabalho longo e fatigante . Fechou as malas a a chave . - Vejamos - disse . - Acho que está tudo . Sim , só falta uma coisa . - Empunhou a varinha e voltou se para eles . - Lamento muito , rapazes , mas vou ter de vos fazer um feitiço antimemória . Não posso deixar que vão por aí repetir os meus segredos . Não venderia nem mais um livro . Harry pegou em a varinha mesmo a tempo e Lockhart mal tinha levantado a de ele a o ar quando Harry gritou * _ Expelliarmus ! * Lockhart foi projectado de costas , indo cair em cima de a mala . A varinha voou por os ares . Ron agarrou a e atirou a por a janela aberta . - Não devia ter deixado o professor Snape ensinar nos esta - disse Harry furioso , dando um pontapé a uma de as malas . Lockhart olhava para ele , de_novo escanzelado . Harry apontava lhe a varinha . - O que queres que eu faça ? - perguntou debilmente . - Eu não sei onde fica a Câmara_dos_Segredos . Não posso fazer nada . - Está com sorte - disse Harry , forçando o com a varinha a pôr se de pé . - Nós julgamos saber onde é e o que está lá dentro . Vamos . Conduziram Lockhart para fora de o seu escritório , desceram com ele as escadas e seguiram por o corredor escuro em cuja parede brilhavam as mensagens , até a a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mandaram Lockhart a a frente . Harry gostou de ver que todo ele tremia . A Murta_Queixosa estava sentada em a cisterna de o cubículo de o fundo . - Ah ! são vocês - disse a o ver o Harry . - O que querem agora ? - Perguntar te como morreste - disse Harry . O aspecto de a Murta mudou por completo . Parecia que nunca lhe tinham feito uma pergunta tão lisonjeira . - Ooooh ! Foi horrível - disse satisfeita . - Aconteceu aqui mesmo . Morri em este cubículo . Lembro me tão bem . Estava escondida porque a Olive_Hornby andava a implicar comigo por causa de os meus óculos . A porta estava fechada e eu estava a chorar e , então , ouvi alguém entrar . Disseram qualquer coisa estranha em uma língua diferente , acho eu . Mas o que mais me espantou foi o ser um rapaz a falar . Por isso , abri a porta para lhe dizer que fosse a a casa_de_banho de eles e em esse momento - a Murta inchou com ar importante , o rosto a brilhar - morri . - Como ? - perguntou Harry . - Não faço ideia - disse a Murta em um tom de voz abafado . - Só me lembro de ver dois grandes olhos amarelos , de o meu corpo ficar preso e em seguida , sentir me a flutuar ... - olhou sonhadoramente para Harry . - E depois voltei . Estava disposta a vingar me de a Olive_Hornby , percebes ? Ela ia arrepender se de ter gozado com os meus óculos . - Onde foi exactamente que viste os tais olhos ? - perguntou Harry . - Algures por aí - disse a Murta , apontando vagamente para o lavatório em frente de o seu cubículo . Harry e Ron apressaram se . Lockhart estava de pé , mais atrás , com uma expressão de pavor em o rosto . O lavatório parecia perfeitamente vulgar . Examinaram o centímetro a centímetro , dentro e fora , incluindo os canos por baixo . E foi então que Harry reparou : de lado , rabiscada em uma de as torneiras de cobre , estava uma cobra pequenina . - Essa torneira nunca funcionou - disse vivamente a Murta enquanto ele tentava abri a . - Harry - sugeriu o Ron . - Diz qualquer coisa em * serpentês * . Mas , pensou Harry , as únicas vezes que conseguira falar * serpentês * tinham ocorrido quando confrontado com uma verdadeira serpente . Olhou , concentrado para a pequena cobra gravada em o cobre , tentando imaginá a como verdadeira . - Abre te - disse . Olhou para o Ron que abanou a cabeça . - Inglês - disse ele . Harry voltou a olhar para a cobra , forçando se a acreditar que estava viva . A luz de a vela fez parecer que se movia . - Abre te - repetiu . Mas desta_vez as palavras não foram o que ele ouviu . Um estranho sibilar escapou lhe de a boca e a torneira ganhou uma luz branca e brilhante e começou a rodar . Logo_a_seguir o lavatório mexeu se . Afastou se , melhor dizendo , saiu de o caminho , deixando um grande cano a a vista , um cano onde cabia um homem . Harry ouviu a respiração arquejante de o Ron e olhou de_novo para ele . Já decidira o que queria fazer . - Vou descer - disse . Não podia deixar de ir , agora_que acabavam de descobrir a entrada para a câmara , existindo uma possibilidade , por mais remota que fosse , de a Ginny ainda estar viva . - Eu também - disse o Ron . Houve uma pausa . - Bem , parece que não precisam mais de mim - apressou se Lockhart a dizer com uma réstia de sorriso . - Eu vou . . . Pôs a mão em o puxador de a porta mas Ron e Harry apontaram lhe ambos as varinhas . -- O senhor pode ir a a frente - disse rispidamente o Ron . Pálido e sem varinha , Lockhart aproximou se de a entrada . - Meus rapazes - disse em uma voz débil . - Meus rapazes , para quê tudo_isto ? Harry tocou lhe em as costas com a varinha e ele meteu as pernas em o cano . - Eu não me parece que ... - começou a dizer , mas o Ron deu lhe um empurrão e ele desapareceu por o cano abaixo . Harry foi rapidamente atrás . Introduziu se lentamente e deixou se cair . Era como escorregar em uma pista escura e interminável . Ele via outros canos , estendendo se em todas_as direcções mas nenhum tão largo como o de eles que se torcia e virava , inclinando se abruptamente . Harry sabia que estavam a chegar a um ponto muito abaixo de a escola e de os calabouços . Atrás_de si , ouvia o Ron gemendo em cada curva . E então , quando começava a preocupar se com o que iria acontecer quando tocassem em o chão , o cano tornou se horizontal e ele foi projectado com um ruído surdo , indo aterrar em o chão húmido de um túnel de pedra com altura suficiente para ele se pôr de pé . Lockhart estava a levantar se a alguma distancia , todo enlameado e pálido como um fantasma . Harry afastou se para deixar o Ron sair também de o cano . - Devemos estar quilómetros e quilómetros abaixo de a escola - disse o Harry cuja voz ecoou em o túnel negro . - Talvez até debaixo de o lago - arriscou o Ron , olhando em volta para as paredes escuras e viscosas . Voltaram se os três para olhar para a escuridão lá a o fundo . - * _ Lumus ! * - murmurou Harry a a varinha e ela voltou a acender se . - Vamos - disse a o Ron e a o Lockhart e avançaram , os passos a chapinharem ruidosamente em o chão molhado . O túnel era tão escuro que só conseguiam ver alguns centímetros a a frente . As suas sombras em as paredes molhadas pareciam monstruosas a a luz de a varinha . - Lembrem se - disse Harry baixinho enquanto caminhavam . - A o menor movimento fechem logo os olhos ... Mas o túnel era silencioso como um túmulo e o primeiro som inesperado que ouviram foi um grito de o Ron que escorregou em uma coisa que era afinal a cauda de um rato . Harry baixou a varinha para olhar para o chão e viu que estava cheio de pequenos ossos de animais . Fazendo um enorme esforço para evitar pensar em que estado iriam encontrar a Ginny , avançou até uma curva escura de o túnel . - Harry , está aqui qualquer coisa - disse o Ron com voz rouca , agarrando Harry por o ombro . Ficaram estáticos a olhar . Harry só conseguia ver a silhueta de algo enorme e curvo deitado em o túnel . Fosse o que fosse não se movia . - Talvez esteja a dormir - murmurou , olhando para os outros dois . Lockhart tapava os olhos com as mãos . Harry voltou se para olhar para a criatura com o coração a bater tanto que lhe doía em o peito . Lentamente , com os olhos quase fechados mas ainda conseguindo ver , Harry avançou com a varinha levantada . A luz deslizou sobre uma gigantesca pele de serpente , de um verde vivo e venenoso que estava vazia e enrolada em o chão de o túnel . A criatura que a abandonara devia ter , pelo_menos , seis metros e meio de comprimento . - Bolas - disse o Ron , perdendo as forças . Houve um movimento súbito atrás de eles . As pernas de Gilderoy_Lockhart cederam . - Levante se - disse o Ron de uma forma cortante , apontando lhe a varinha . Lockhart pôs se de pé . Em seguida empurrou o Ron , atirando o a o chão . Harry deu um salto , mas ... tarde de mais . Lockhart endireitava se com a varinha de o Ron em as mãos e um sorriso em o rosto . - A aventura acaba aqui , rapazes - disse . - Vou levar um bocado de esta pele de cobra para a escola , contar lhes que foi demasiado tarde para salvar a garota e que vocês os dois perderam tragicamente a memória com a visão de o seu corpinho mutilado . Digam adeus a as vossas recordações . Levantou a o ar a varinha avariada de o Ron e gritou * _ Obliviate ! * A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba . Harry pôs os braços sobre a cabeça e correu , escorregou em os anéis de a pele de cobra , afastando se de os grandes pedaços de tecto de o túnel que caíam em o chão com o ruído de trovões . Pouco depois estava sozinho , olhando para uma sólida parede de rocha partida . - Ron - gritou ele . - Estás bem , Ron ? - Estou aqui - respondeu a voz abafada de o Ron por detrás de a avalancha de rochas . - Eu estou bem mas este sujeito não . A varinha avariou o todo . Ouviu se um ruído surdo e um Oh ! gritado . Parecia que o Ron tinha acabado de dar a o Lockhart um pontapé em as canelas . - E agora ? - disse a voz de o Ron que parecia desesperada . - Não podemos passar , vai demorar séculos . Harry olhou para o tecto de o túnel onde tinham aparecido grandes fendas . Ele nunca tentara partir , através de a magia , nada tão grande como aquelas rochas e agora não lhe parecia ser o melhor momento para fazer experiências . E se o túnel abatesse ? Houve um ruído surdo e outro Oh ! atrás de as rochas . Estavam a perder tempo . A Ginny já estava havia duas horas em a Câmara_dos_Segredos . Harry sabia que só havia uma coisa a fazer . - Espera aqui - gritou a o Ron . - Fica com o Lockhart , eu vou lá . Se não voltar dentro_de uma hora ... Houve um silêncio cheio . - Eu vou ver se desloco um_pouco esta rocha - disse o Ron , tentando manter a voz firme . - Para tu poderes passar . E , Harry ... - Até já - disse o Harry , procurando injectar confiança em a sua voz trémula . E passou sozinho para lá de a imensa pele de serpente . Em_breve , o ruído de o Ron , tentando deslocar a rocha , deixou de se ouvir . O túnel virou uma e outra_vez . Os nervos de o corpo de o Harry tangiam de forma desagradável . Ele só queria que o túnel chegasse a o fim , fosse o que fosse que o aguardasse . E então , finalmente , quando atingiu a última curva , viu em a sua frente uma parede sólida que tinha gravadas duas serpentes enroladas uma em a outra , cujos olhos eram quatro esmeraldas , enormes e brilhantes . Harry aproximou se com a garganta seca . Não foi preciso imaginar que as serpentes eram autênticas . Os seus olhos pareciam estranhamente vivos . Foi fácil descobrir o que tinha de fazer . Pigarreou e os olhos de esmeraldas pareceram mexer se . - Abre te - disse Harry em um sibilar baixo . As serpentes desapareceram enquanto a parede se abria a o meio e , a tremer de os pés a a cabeça , Harry entrou . XVII_Herdeiro_de_Slytherin_Estava de pé em o fundo de uma divisão enorme , fracamente iluminada . Altíssimos pilares de pedra , cheios de serpentes gravadas que os enlaçavam , erguiam se , suportando um tecto que se perdia em a escuridão e que lançava sombras negras imensas através de a estranha luz esverdeada que enchia o local . Com o coração a bater descompassadamente , Harry ficou parado a ouvir aquele silêncio arrepiante . Estaria o Basilisk escondido em um canto cheio de sombras , atrás_de algum pilar ? E onde estaria Ginny ? Pegou em a varinha e avançou a o longo de as colunas serpenteantes . Cada_um de os seus passos provocava um enorme eco em as paredes sombrias . Harry tinha os olhos semicerrados e estava pronto para os fechar a o mais pequeno movimento . As órbitas de olhos fundos de as serpentes de pedra pareciam segui o . Por mais de uma_vez , com o estômago a dar um salto , Harry julgou vê os moverem se . Por fim , chegado a o nível de os dois últimos pilares , avistou uma estátua de a altura de a própria câmara que estava encostada a a parede de o fundo . Harry tinha de esticar o pescoço para olhar para_cima , para a cara de o gigante : era velho e com um ar simiesco , tinha uma barba enorme que lhe caía quase onde acabava a longa túnica de pedra . Os dois pés imensos e cinzentos pousavam em o chão de a câmara . E entre eles , voltada para baixo , estava uma figura pequenina vestida de preto com um cabelo flamejante . - Ginny - murmurou Harry , chegando perto de ela e ajoelhando se . - Ginny , por favor não estejas morta , não estejas morta ! Atirou a varinha para o lado , agarrou Ginny por os ombros e voltou a . O rosto de ela estava branco e frio como o mármore , contudo os olhos encontravam se fechados , portanto não estava petrificada . Mas então devia estar ... - Ginny , acorda por favor - repetiu Harry desesperado , sacudindo a . A cabeça de ela andava de um lado para o outro . - Ela não vai acordar - disse secamente uma voz . Harry deu um salto e girou sobre os joelhos . Um rapaz alto , de cabelo preto , estava encostado a o pilar mais próximo , a observá o . As sombras desfocavam o como_se Harry o visse através_de uma janela embaciada . Mas não havia como confundis o . - Tom , Tom_Riddle ? Riddle acenou , sem tirar os olhos de o rosto de Harry . - O que queres dizer com isso de ela não acordar ? - perguntou Harry desesperado . - Ela não está ... não está ? - Está viva - disse Riddle . - Mas , por um fio . Harry olhou fixamente para ele . Tom_Riddle estivera em Hogwarts há cinquenta anos atrás . Contudo , ali estava com uma luz estranha e desfocada a iluminá o , sem um dia a mais do_que os seus dezasseis anos . - És um fantasma ? - perguntou Harry . - Uma memória - disse Riddle . - Preservada em um diário durante cinquenta anos . Apontou para os pés de a estátua gigantesca . Ali , aberto em o chão , estava o pequeno diário de capa preta que Harry tinha encontrado em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Durante um segundo , Harry perguntou a si próprio como teria ido ali parar , mas havia coisas mais importantes a fazer . Preciso de a tua ajuda , Tom - disse Harry , levantando de_novo a cabeça de a Ginny . - Temos de sair de aqui . Há_um_Basilisk ... não sei onde está mas pode aparecer a qualquer momento . Por favor , ajuda me . Riddle não se mexeu . Harry , a transpirar , conseguiu levantar ligeiramente a Ginny de o solo e inclinou se para pegar em a varinha mas ela tinha desaparecido . - Viste a ... ? Olhou para_cima . Riddle continuava a olhá o , fazendo girar a varinha entre os dedos longos . - Obrigado - disse Harry , esticando o braço para a agarrar . Um sorriso surgiu então em os cantos de a boca de Riddle que continuou a olhar para ele , girando indolentemente a varinha . - Ouve , pá - disse Harry sem querer perder mais tempo , os joelhos a vergarem sob o peso morto de Ginny - temos de ir . Se o Basilisk aparece ... - Ele não vem enquanto não for chamado - disse Riddle com toda_a calma . Harry voltou a pousar Ginny em o chão , incapaz de a segurar por mais tempo . - Que queres dizer com isso ? - perguntou . - Dá me a minha varinha , posso precisar de ela . O sorriso de Riddle ampliou se . - Não vais precisar de ela - disse . Harry olhou o espantado . - O que queres dizer , não vou ? - Esperei muito_tempo por isto , Harry - disse Riddle . - Pela possibilidade de te ver , de falar contigo . - Olha , eu acho que tu não estás a perceber - disse Harry , perdendo a paciência . - Estamos em a Câmara_dos_Segredos , podemos conversar mais tarde . - Vamos conversar agora - disse Riddle , sorrindo de orelha a orelha e guardando a varinha de Harry em o bolso . Harry voltou a olhar para ele . Havia qualquer coisa de muito estranho em tudo aquilo . - Como é_que a Ginny ficou assim ? - perguntou pausadamente . - Bem , essa é uma pergunta interessante - disse Riddle , divertido . - E uma longa história , também . Julgo que o verdadeiro motivo que levou Ginny_Weasley a ficar assim foi o ter aberto o seu coração e revelado todos os seus segredos a um estranho ser invisível . - De quem estás a falar ? - perguntou Harry . - De o diário - disse Riddle . - De o meu diário . A Ginny escreve nele há meses e meses , contando me todas_as suas lamentáveis desgraças e atribulações : como os irmãos a arreliam , que teve de vir para a escola com manto , túnica e livros em segunda mão - os olhos de Riddle brilharam -- , que acha que o maravilhoso , o grande , o famoso Harry_Potter nunca vai gostar de ela ... Enquanto falava , nunca os olhos de Riddle se afastaram de a cara de o Harry . Havia em eles um olhar ávido . - É muito chato ter de ouvir as preocupações idiotas de uma garotinha de onze anos - prosseguiu . - Mas eu fui paciente . Respondi lhe , mostrei me simpático e amável . A Ginny pura e simplesmente adorou me . - * _ Nunca ninguém me compreendeu como tu , Tom ... estou tão feliz por ter este diário a quem me confiar ... é como ter um amigo que pode andar em o meu bolso * ... Riddle riu se . Um riso alto , frio , que não lhe ficava bem . Fez com que os cabelos de o pescoço de Harry se arrepiassem todos . - Verdade se diga que sempre consegui encantar as pessoas necessárias . Portanto a Ginny verteu em mim a sua alma e a alma de ela era precisamente o que eu queria . Fortaleceu me . Alimentei me de os seus medos mais profundos , de os seus mais obscuros segredos . Fui ficando cada_vez_mais forte e poderoso . Muito mais poderoso do_que a pequena Miss_Weasley até que comecei a transmitir lhe alguns de os meus segredos , a passar um_pouco de a minha alma para ela ... - O que queres dizer ? - perguntou Harry cuja boca ficara totalmente seca . - Ainda não descobriste , Harry_Potter ? - disse Riddle muito baixo . - Giony_Weasley abriu a Câmara_dos_Segredos , estrangulou os galos de a escola e escreveu mensagens assustadoras em as paredes . Atiçou a serpente de Slytherin contra quatro sangues de lama e contra o gato de o busca-pé . - Não - murmurou Harry . - Sim - disse calmamente Riddle . - É claro que a princípio não sabia o que estava a fazer . Era muito divertido . Gostava que visses as coisas que escreveu em o diário , começaram a ficar muito mais interessantes . * _ Querido_Tom * - recitou ele , olhando para a expressão horrorizada de o Harry . - * _ Acho que estou a perder a memória . Há penas de galo em todas_as minhas roupas e eu não sei como foram lá parar . Querido_Tom , não me lembro do_que fiz em a noite de o Hallowe'en mas foi atacada uma gata e eu estou cheia de tinta em a cara . Querido_Tom , o Percy não pára de me dizer que ando pálida e não pareço eu . Acho que ele suspeita de mim ... Houve outro ataque hoje e eu não sei onde estava . Tom , que vou eu fazer ? Acho que estou a ficar maluca ... acho que ando a atacar toda_a_gente , Tom ! * Harry tinha os punhos fechados , as unhas cravadas contra a palma de as mãos . - Levou muito_tempo até a pequenina estúpida deixar de confiar em o diário - disse Riddle . - Mas acabou por ficar desconfiada e tentou livrar se de ele . E é aí que tu entras , Harry . Tu encontraste o . E eu não poderia ter ficado mais satisfeito . De todas_as pessoas que poderiam ter ficado com ele , foste tu , aquele que eu ambicionava conhecer ... - E porque querias conhecer me ? - perguntou Harry . Começava a ser tomado por a raiva e fez um esforço para manter o tom de voz controlado . - Bem , a Ginny contou me tudo a teu respeito - disse Riddle . - A tua fascinante história . - Os seus olhos pousaram em a cicatriz em a testa de Harry e a sua expressão ganhou maior avidez . - Sabia que devia descobrir mais a teu respeito , falar te , encontrar me contigo se fosse possível . Por isso , para ganhar a tua confiança , resolvi mostrar te a famosa captura que fiz de aquele demente de o Hagrid . - O Hagrid é meu amigo - disse Harry já com a voz a tremer . - E tu tramaste o , não foi ? Pensei que tinha sido um engano , mas ... Ele riu se . O mesmo riso de antes . - Era a minha palavra contra a palavra de ele . Imagina a cara de o velho Armando_Dippet . De um lado Tom_Riddle , pobre mas brilhante , sem pais mas corajoso , prefeito de a escola , um modelo de aluno . De o outro lado , o Hagrid , grande e disparatado , arranjando problemas semana sim , semana não , tentando criar filhotes de lobisomens debaixo de a cama , escapando se para a floresta proibida para lutar com gigantes . Mas , devo admitir que até eu próprio fiquei admirado com os excelentes resultados de o meu plano . Pensei que alguém perceberia que o Hagrid nunca poderia ser o herdeiro de Slytherin . Demorei cinco anos inteirinhos até descobrir tudo_o_que me foi possível sobre a Câmara_dos_Segredos e a sua entrada secreta ... como_se o Hagrid tivesse cabeça ou poder ! - Só o professor de Transfiguração , Dumbledore , parecia achar que ele estava inocente . Convenceu Dippet a mantê o aqui e a treiná o como guarda de os campos . Sim , é natural que Dumbledore tenha adivinhado , nunca gostou de mim como os outros professores . - Aposto que Dumbledore viu através_de ti - disse Harry , de dentes cerrados . - Pelo_menos passou a vigiar me de perto , a partir de o momento em que o Hagrid foi expulso - disse Riddle descuidadamente . - Eu sabia que não era seguro voltar a abrir a câmara enquanto ainda estava em a escola mas não ia desperdiçar os longos anos que passara a pesquisar . Decidi , por isso , deixar um diário preservando em as suas páginas o meu ego de dezasseis anos para que um dia , com um_pouco de sorte , pudesse levar outro a seguir os meus passos e acabar o nobre trabalho de Salazar_Slytherin . - Bem , não o acabaste - disse Harry triunfante . - Ninguém morreu até agora , nem mesmo a gata . Dentro_de poucas horas a poção de mandrágoras estará pronta e todos os que foram petrificados voltarão de_novo a si . - Não acabei de te dizer que matar sangues de lama já não me interessa ? Há muitos meses que o meu alvo és tu . Harry olhou para ele . - Podes imaginar como fiquei furioso quando em outro dia o diário foi aberto e vi que era a Ginny quem estava a escrever e não tu . Ela viu te com o diário e entrou em pânico . E se tu descobrisses como trabalhar com ele e eu te repetisse todos os seus segredos ? Ainda pior , e se eu te contasse quem tinha andado a estrangular os galos ? Por isso , a grande palerma esperou que o teu dormitório estivesse deserto e foi lá roubá o . Mas eu sabia o que tinha de fazer . Estava muito claro para mim que a tua meta era o herdeiro de Slytherin . Por tudo_o_que a Ginny me contara a teu respeito , sabia que irias até onde fosse preciso para desvendar o mistério , principalmente se um de os teus melhores amigos tivesse sido atacado . E a Ginny disse me que a escola toda bichanava por tu falares * serpentês * ... Por isso , obriguei a Ginny a escrever a sua própria despedida em a parede , a vir até aqui e esperar . Ela debateu se e gritou e ficou muito chatinha . Mas , já não tem muita vida : pôs grande parte de ela em o diário , deu me a . O suficiente para eu abandonar , por fim , as suas páginas . Desde_que aqui cheguei que estou a a tua espera . Sabia que virias . Tenho muitas perguntas a fazer te , Harry_Potter . - Que perguntas ? - disse Harry com os punhos fechados . - Bem - prosseguiu Riddle , sorrindo de satisfação : - Como é_que um bebé sem especiais talentos de magia foi capaz de derrotar o maior feiticeiro de sempre ? Como conseguiste escapar só com uma cicatriz quando os poderes de Lord_Voldemort foram destruídos ? Havia agora em os seus olhos um brilho vermelho e irado . - O que é_que te interessa saber como eu escapei ? - disse Harry lentamente . - Voldemort veio depois de ti . - Voldemort - disse Riddle - é o meu passado , o meu presente e o meu futuro , Harry_Potter ... Tirou a varinha de o Harry de o bolso e começou a escrever em o ar três palavras brilhantes : TOM_MARVOLO_RIDDLE_Em seguida , fez um gesto com a varinha e as letras de o seu nome reagruparam se de outro modo . : __ eu sou lord __ voldemort ( I am Lord_Voldemort ) . - Vês ? - murmurou . - Era um nome que eu já usava em Hogwarts , para os meus amigos mais íntimos apenas , como é óbvio . Achas que ia usar para sempre o nome nojento de o meu pai Muggle ? Eu , em cujas veias , por o lado materno , corre o sangue de Salazar_Slytherin ? Eu , manter o nome de um Muggle tolo que me abandonou ainda antes de eu nascer só porque descobriu que a mulher com quem casara era uma bruxa ? Não , Harry , arranjei um novo nome , um nome que eu sabia que os feiticeiros de todo_o_mundo viriam um dia a ter medo de pronunciar , quando eu me tivesse tornado o maior feiticeiro de o mundo . A cabeça de Harry parecia bloqueada . Olhou como_que paralisado para Riddle , para o rapaz de o orfanato que depois de crescer iria matar os seus pais e tantos outros . Por fim , com algum esforço conseguiu falar . - Não és - disse em uma voz calma e cheia de ódio . - Não sou o quê ? - perguntou Riddle irritado . - Não és o maior feiticeiro de o mundo - disse Harry com a respiração acelerada . - Lamento desiludir te mas o maior feiticeiro de o mundo é Albus_Dumbledore . Toda_a_gente sabe . Mesmo tu , quando tinhas força , não ousavas tentar aproximar te de Hogwarts . Dumbledore viu através_de ti quando andavas em a escola e ainda agora te assusta onde quer que te escondas . O sorriso desaparecera de o rosto de Riddle , fora substituído por um olhar furioso . - Dumbledore foi afastado de este castelo por a minha simples memória - sibilou . - Ele não está tão longe como pensas - retorquiu Harry . Falava por falar , tentando assustar Riddle , desejando mais que assim fosse do_que acreditando em as suas palavras como uma verdade . Riddle abriu a boca mas não chegou a falar . Tinha começado a ouvir se uma música . Riddle deu uma volta , olhando para a câmara vazia . A música estava a ficar mais alta . Era misteriosa , arrepiante , sobrenatural . Fez_Harry ficar com os cabelos em pé e o coração aumentar lhe em o peito . Por fim , quando atingiu um ponto tão alto que Harry a sentiu vibrar dentro de as suas costelas , começaram a sair chamas de o topo de o pilar mais próximo . Uma ave carmesim de o tamanho de um cisne surgiu , assobiando a sua estranha melodia para o tecto em forma de abóbada . Tinha uma cauda dourada tão longa como a de um pavão e garras douradas e brilhantes que seguravam uma trouxa andrajosa . Segundos depois , a ave voava em direcção a Harry . Deixou cair a coisa andrajosa a os seus pés e pousou lhe pesadamente em o ombro . Quando abriu as enormes asas , Harry olhou para_cima e viu que tinha um longo bico afiado e olhos escuros pequenos e brilhantes . A ave parou de cantar . Ficou quieta junto de a cara de Harry , olhando fixamente para Riddle . - É uma fénix , disse Riddle , olhando sagazmente para ela . - Fawkes ? - murmurou Harry e sentiu as garras douradas apertarem lhe devagarinho o ombro . - E aquilo - disse Riddle , olhando para a coisa velha que Fawkes deixara em o chão - é o velho chapéu seleccionador , de a escola . Era , de facto . Amachucado , puído e sujo , o chapéu jazia imóvel a os pés de Harry . Riddle começou a rir . Riu se tanto que a câmara escura se lhe juntou em um eco tal que parecia que dez Riddles se riam ao_mesmo_tempo . - Eis o que Dumbledore envia a o seu defensor . Um pássaro que canta e um chapéu velho . Estás cheio de coragem , Harry_Potter ? Sentes te agora mais seguro ? Harry não respondeu . Podia não estar a ver a vantagem de a Fawkes ou de o chapéu seleccionador mas já não se sentia só , e esperou corajosamente que Riddle parasse de rir . - Vamos a o que importa , Harry - disse ele , ainda com um enorme sorriso . - Encontrámo nos duas vezes em o teu passado , em o meu futuro . E duas vezes falhei a o tentar matar te . Como foi que sobreviveste ? Conta me tudo . Quanto_mais falares , mais tempo tens de vida . Harry pensava rapidamente , medindo as suas possibilidades . Riddle tinha a varinha . Ele , Harry , tinha a Fawkes e o chapéu seleccionador que não lhe serviriam de muito em o combate . As coisas pareciam más , é certo . Mas quanto_mais tempo Riddle ali estivesse , mais vida retirava a a Ginny ... e , entretanto , Harry reparou que a silhueta de Riddle se tornava mais nítida , mais sólida . Se tinha de haver uma luta entre os dois , quanto_mais depressa melhor . - Ninguém sabe porque perdeste os poderes quando me atacaste - disse bruscamente . - Eu próprio não sei . Mas sei porque não conseguiste matar me . A minha mãe morreu para me salvar . A minha mãe , uma vulgar filha de Muggles - acrescentou , a tremer de raiva . - Ela impediu que tu me matasses . E eu vi te como tu és , em o ano passado . És um destroço , quase não existes . Foi onde o teu poder te levou . Estás sob um disfarce , és horrível e és louco . O rosto de Riddle contorceu se . Em seguida , forçou um sorriso pavoroso . - Quer_dizer , então , que a tua mãe morreu para te salvar . Sim , é um antifeitiço poderoso . Compreendo agora , afinal não há em ti nada de especial . Eu tinha curiosidade , sabes , porque há uma estranha semelhança entre nós , Harry_Potter . Até tu deves ter reparado . Somos ambos meio sangue , órfãos , educados com Muggles , provavelmente os dois únicos que falam * serpentês * desde o grande Slytherin , até nos parecemos um_pouco fisicamente ... mas afinal foi apenas uma questão de sorte que te salvou de mim . Era o que eu queria saber . Harry ficou parado , tenso , a a espera que Riddle levantasse a varinha mas o seu sorriso cínico ampliou se de_novo . - Agora , Harry , vou dar te uma pequena lição . Vamos confrontar os poderes de Lord_Voldemort , herdeiro de Salazar_Slytherin e de o famoso Harry_Potter , munido com as melhores armas que Dumbledore lhe deu . Lançou um olhar divertido a a Fawkes e a o chapéu seleccionador e , em seguida , afastou se . Harry com as pernas entorpecidas por o medo viu o parar entre dois pilares altos e olhar para a cara de pedra de Slytherin , lá em cima em a semi-obscuridade . Riddle abriu a boca e sibilou mas Harry compreendeu o que ele dizia . - * _ Responde-me , Slytherin , o maior de os quatro de Hogwarts * . Harry voltou se para olhar melhor para a estátua com Fawkes pousada em o ombro . A gigantesca cara de pedra de Slytherin movia se . Horrorizado , Harry viu a boca abrir se mais e mais até se transformar em um buraco negro . E algo se agitava dentro de a boca de a estátua . Algo se arrastava para fora de as suas entranhas . Harry recuou até a a parede escura de a câmara e enquanto fechava os olhos com força sentiu a asa de a Fawkes roçar lhe o rosto e levantar voo . Harry quis gritar : - Não me abandones ! - mas que possibilidades tinha uma fénix contra o rei de as serpentes ? Uma coisa enorme bateu em o chão de pedra que Harry sentiu estremecer . Sabia o que estava a acontecer , podia sentis o , quase podia ver a serpente gigantesca a sair de a boca de Slytherin . Foi então que ouviu a voz de Riddle sibilar : * _ Mata-o * . O Basilisk avançava em direcção a Harry . Ele ouvia o seu corpo enorme escorregar pesadamente por o chão cheio de pó . Com os olhos sempre fechados , Harry começou a correr para o lado , a as cegas , com as mãos abertas a tactear o caminho . Riddle ria se a as gargalhadas . Harry escorregou e caiu em o chão de pedra e a boca soube lhe a sangue . A serpente estava a poucos centímetros de ele . Podia ouvi a a aproximar se . Ouviu se um crepitar explosivo por cima de ele e alguma coisa pesada bateu lhe com tanta força que ele ficou encostado a a parede . Esperando que os dentes de a serpente lhe perfurassem o corpo , ouviu mais ruídos e qualquer coisa que se agitava com força contra os pilares . Não conseguiu evitar . Abriu bem os olhos para ver o que se passava . A enorme serpente , brilhante , de um verde veneno , espessa como o tronco de um carvalho , erguera se em o ar e a sua imensa cabeça agitava se de um lado para o outro , entre os dois pilares . Quando Harry , a tremer , se preparava para fechar de_novo os olhos , percebeu o que distraíra a cobra . Fawkes esvoaçava em volta de a sua cabeça e o Basilisk , furioso , tentava agarrá a com os dentes longos e afiados como sabres . Fawkes mergulhava . Harry deixou de ver o bico fino e dourado e uma brusca chuva de sangue escuro inundou o chão . A cauda de a serpente agitou se , não batendo em o Harry por_pouco e antes que ele pudesse fechar os olhos voltou se . Harry olhou lhe para a cara e viu que os seus olhos , os dois olhos amarelos e bolbosos tinham sido perfurados por a fénix . O sangue escorria por o chão e a serpente cuspia cheia de dores . - * _ Não * - Harry ouviu o grito de Riddle . - * _ Deixa a ave , deixa a ave , o rapaz está atrás_de ti , ainda podes cheirá o . Mata o ! * A serpente cega oscilou confusa , ainda em fúria . Fawkes andava a a volta de a cabeça de ela soprando a sua misteriosa cantilena , picando lhe aqui_e_ali o nariz cheio de escamas , enquanto o sangue jorrava de os seus olhos destruídos . - Ajudem me . Ajudem me - murmurava Harry aflito . - Alguém , ajude me . A cauda de a serpente chicoteou de_novo o chão . Harry baixou se . Algo macio tocou lhe em o rosto . O Basilisk lançara o chapéu seleccionador para os braços de o Harry que o agarrou . Era tudo_o_que tinha , a sua única esperança . Enfiou o em a cabeça e começou a ficar achatado contra o chão , enquanto a cauda de o Basilisk se lançava de_novo sobre ele . - Ajudem me , ajudem me - pensou Harry , os olhos comprimidos debaixo de o chapéu . - Por favor , ajudem me . Nenhuma voz lhe respondeu . Em vez de isso , o chapéu contraiu se como_se uma mão invisível o tivesse espalmado devagarinho . Alguma coisa muito dura e pesada caíra sobre a cabeça de Harry , conseguindo quase derrubá o . A ver estrelas em frente de os olhos , agarrou o chapéu para o puxar para baixo e sentiu lá dentro uma coisa longa e dura . Uma espada brilhante tinha surgido dentro de o chapéu . Tinha um cabo cravejado de rubis de o tamanho de pequenos ovos . - Mata o rapaz , deixa a ave . O rapaz está atrás_de ti . Cheira o ! Harry estava de pé , preparado . A cabeça de o Basilisk caía , o corpo serpenteava , batendo nos pilares quando se torcia para ficar de frente para ele . Harry podia ver as enormes órbitas ensanguentadas , a boca toda aberta , suficientemente grande para o engolir inteiro , munida de dentes tão longos como a sua espada , finos , brilhantes , venenosos ... Começou a atacar a as cegas . Harry baixou se e a serpente bateu em a parede de a câmara . Atacou de_novo e a sua língua bifurcada lambeu a parede ao_lado_de Harry que levantou a espada com ambas as mãos . O Basilisk investiu mais_uma_vez e agora a pontaria foi certa . Harry pôs todo o seu peso contra a espada e enterrou a até a os copos em o céu de a boca de a serpente . Mas quando o sangue quente lhe encheu os braços , sentiu uma dor aguda mesmo acima de o cotovelo . Um longo dente venenoso penetrava cada_vez_mais fundo em o seu braço , partindo se quando o Basilisk tombou para o lado , perdendo os sentidos . Harry escorregou a o longo de a parede , apertou com força o dente que estava a derramar veneno por todo o seu corpo e arrancou o de o braço . Mas sabia que era demasiado tarde . Uma dor quente emanava lenta e perseverantemente de a ferida . Quando deixou cair o dente e viu o seu próprio sangue manchando lhe as vestes , a vista começou a ficar turva e a câmara a diluir se em uma rotação ardente e colorida . Mas algo escarlate passou por ele e Harry ouviu a o seu lado um suave ruído de garras . - Fawkes - disse com a voz empastada . - Foste sensacional , Fawkes . - Sentiu o pássaro encostar a sua elegante cabeça a o sítio onde o dente de a serpente o tinha ferido . Ouviu passos ecoarem em o vazio e em seguida uma sombra escura moveu se em a sua frente . - Estás morto , Harry_Potter - disse a voz de Riddle , acima de ele . - Morto . Até o pássaro de Dumbledore sabe de isso . Vês o que ele está a fazer ? A chorar . Harry piscou os olhos . A cabeça de Fawkes ora estava focada , ora desfocada . Lágrimas grossas como pérolas escorriam de as suas penas . - Vou sentar me aqui a ver te morrer , Harry_Potter . Leva o teu tempo , eu não tenho pressa . Harry sentiu se sonolento . Tudo parecia girar a a sua volta . - E assim acaba o famoso Harry_Potter - disse a voz distante de Riddle . - Sozinho em a Câmara_dos_Segredos , esquecido por os amigos , finalmente derrotado por o Senhor de o mal que ele tão imprudentemente desafiou . Vais reunir te a a tua querida mãe sangue de lama , Harry ... Ela deu te doze anos de tempo emprestado ... Mas Lord_Voldemort apanhou te em o fim , como sabias que teria de acontecer . Se morrer é isto , pensou Harry , não é assim tão mau . Até a dor estava a desaparecer . Mas , estaria a morrer ? Em_vez_de ficar mais escura a câmara parecia voltar a estar nítida . Harry fez um pequeno gesto com a cabeça e viu a Fawkes ainda repousando a cabeça em o seu ombro . Uma fiada de pérolas brilhava em volta de a ferida , só que já não havia ferida . - Sai de aqui , pássaro - disse subitamente a voz de Riddle . - Afasta te de ele . Já te disse , sai de aqui ! Harry levantou a cabeça . Riddle apontava a sua varinha a Fawkes . Ouviu se um tiro que parecia de carabina e Fawkes levantou novamente voo em um rodopio de ouro e escarlate . - Lágrimas de fénix - disse Riddle em voz baixa , olhando para o braço de o Harry . - É claro ... poderes curativos ... esqueci me ... Olhou para a cara de Harry . - Mas não faz mal . Pensando bem , eu até prefiro assim . Tu e eu , Harry_Potter ... Tu e eu ... Levantou a varinha . Então , em um golpe de asa , Fawkes voou sobre as cabeças de ambos , deixando cair uma coisa em o colo de Harry : o diário . Durante uma fracção de segundo , tanto Harry como Riddle , ainda com a varinha levantada , ficaram a olhar para aquilo . Em seguida , sem pensar , sem ponderar , como_se pensasse fazê o desde o princípio , Harry agarrou o dente de o Basilisk que estava em o chão , junto de ele , e espetou o em o coração de o caderno . Ouviu se um grito longo e terrível . A tinta esguichou em torrentes de dentro de o diário , derramando se sobre as mãos de o Harry e inundando o chão . Riddle torcia se e contorcia se , agitando se a os gritos . E , por fim . Desapareceu . A varinha de Harry caiu a o chão com um ruído e fez se silêncio . Um silêncio apenas cortado por o ping ping de a tinta que ainda escorria de o diário . Com um leve crepitar , o veneno de o Basilisk abrira um buraco mesmo em o meio de o caderno . A tremer de os pés a a cabeça , Harry pôs se de pé . Sentia tudo a andar a a roda como_se tivesse viajado quilómetros e quilómetros com o pó de * _ Floo * . Lentamente apanhou a varinha e o chapéu seleccionador e com um grande estrondo retirou a espada de o céu de a boca de a serpente . Ouviu se então um gemido fraco a o fundo de a câmara . Ginny estava a mexer se . Quando Harry chegou junto de ela , sentou se . Os seus olhos abismados saltaram de o Basilisk morto para Harry em a sua roupa cheia de sangue e , em seguida , para o diário que ele tinha em as mãos . Soltou um enorme soluço e os seus olhos encheram se de lágrimas . - Harry , oh ! Harry , eu tentei dizer te a o pequeno-almoço mas não fui capaz em frente de o Percy . Era eu , Harry , mas eu ... eu ... juro que não queria ... o Riddle obrigou me , levou me e ... como é_que mataste esse bicho ? Onde está o Riddle ? A última coisa de que me lembro foi de o ver a sair de o diário ... - Está tudo bem - disse Harry , mostrando lhe o diário com o buraco de o dente . - O Riddle acabou , olha . Ele e o Basilisk . Anda , Ginny , vamos embora de aqui . - Vou com certeza ser expulsa - disse Ginny a chorar enquanto Harry a ajudava a pôr se de pé . - Desde_que o Bill veio para Hogwarts que eu sonhava vir também para cá e agora vou ter de me ir embora e ... O que vão a minha mãe e o meu pai dizer ? Fawkes esperava por eles , suspensa em o ar , a a entrada de a câmara . Harry fez a Ginny avançar , passaram sobre os anéis parados de o Basilisk , por a escuridão cheia de ecos e voltaram a o túnel . Harry ouviu as portas de pedra fecharem se atrás de eles com um leve sibilar . Depois de alguns minutos a caminhar por o túnel escuro , chegou a os ouvidos de Harry o som distante de o deslocar de uma rocha . - Ron - gritou ele , apressando se . - A Ginny está bem . Está aqui comigo ! Ouviu o Ron gritar de alegria e , voltando em a curva logo_a_seguir , viram a sua cara ansiosa a espreitar por a fresta que conseguira abrir durante a avalancha . - Ginny ! - Ron estendeu o braço por a fresta para a puxar primeiro . - Estás viva . Não posso acreditar . O que aconteceu ? Tentou abraçá a mas a Ginny afastou o , soluçando . - Mas estás bem , Ginny - disse o Ron , sorrindo para ela . - Já passou tudo ... De onde veio esse pássaro ? Fawkes passara por a abertura , atrás_de Ginny . - É de o Dumbledore - explicou Harry , espremendo se para caber também . - E como arranjaste uma espada ? - perguntou o Ron , olhando para a arma brilhante que Harry tinha em a mão . - Eu explico te tudo quando sairmos de aqui - disse Harry , lançando um olhar de esguelha a a Ginny . - Mas ... - Mais tarde - disse Harry rapidamente . Não lhe parecia uma boa ideia contar a o Ron quem tinha aberto a câmara , ali , em frente de a Ginny . - Onde está o Lockhart ? - Ali atrás - disse o Ron , a rir e a abanar a cabeça em direcção a o cano . - Está em muito mau estado . Anda ver . Conduzidos_pela_Fawkes , cujas grandes asas escarlates emitiam um suave dourado que brilhava em a escuridão , voltaram a o lugar onde o cano começava . Gilderoy_Lockhart estava sentado a falar sozinho . - Perdeu a memória - disse o Ron . - O feitiço de a memória fez ricochete . Não sabe quem é nem onde está , nem_sequer sabe quem nós somos . Eu disse lhe que viesse para aqui e esperasse . É um perigo para ele próprio . Lockhart olhou os bem-disposto . - Olá - disse . - Que lugar estranho , este . É aqui que vocês moram ? -- Não - respondeu o Ron , levantando as sobrancelhas para o Harry . Harry baixou se e observou o túnel escuro e longo . - Já pensaste como é_que vamos sair de aqui ? - perguntou a o Ron . O amigo abanou a cabeça mas Fawkes , a fénix , tinha passado por o Harry e estava agora em o ar , em frente de ele , os olhos como pérolas a brilharem em o escuro . Abanava as longas penas douradas de a cauda . Harry olhou para ela , inseguro . - Ela parece querer que a agarres - disse o Ron , perplexo . - Mas tu és muito pesado para um pássaro . - A Fawkes - disse Harry - não é um pássaro qualquer . Voltou se rapidamente para os companheiros . - Temos de nos agarrar uns a os outros . Ginny , agarra a mão de o Ron . O professor Lockhart ... - Ele está a falar consigo - disse o Ron secamente . - Agarre a outra mão de a Ginny . Harry guardou a espada e o chapéu seleccionador em o cinto . Ron deitou a mão a a roupa de Harry e Harry agarrou as penas de a cauda , estranhamente quentes , de a Fawkes . Sentiu uma extraordinária leveza apoderar se de todo o seu corpo e em seguida estavam todos a voar por o cano acima . Harry conseguia ouvir Lockhart , lá atrás , comentando : - Espantoso , isto parece mágico ! Ar frio batia em os cabelos de Harry e antes que ele deixasse de gostar de a viagem já ela acabara . Os quatro tinham chegado a o chão molhado de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa e , enquanto Lockhart endireitava o chapéu , o lavatório voltara a o seu lugar , tapando o cano . A Murta arregalou os olhos . - Vocês estão vivos - disse inexpressivamente a o Harry . - Não é preciso mostrares te tão desiludida - respondeu ele , muito sério , limpando as nódoas de sangue e lodo de os óculos . - Bem ... é_que eu pensei que se vocês morressem seriam bem-vindos a a minha casa_de_banho - disse a Murta com um rubor prateado . - Urgh ! - fez o Ron , quando saíram de ali para o corredor deserto . - Harry , acho que a Murta está a gostar de ti . Tens concorrência , Ginny ! A Ginny continuava a chorar silenciosamente . - Onde vamos agora ? - perguntou o Ron , olhando ansiosamente para ela . Harry apontou . Fawkes indicava o caminho , com o seu tom dourado que brilhava em o corredor . Seguiram a e pouco depois estavam em o escritório de a professora Mc_Gonagall . Harry bateu e empurrou a porta que estava encostada . XVIII_A recompensa de Dobby_Durante alguns momentos reinou o silêncio enquanto Harry , Ron , Ginny e Lockhart estavam em a entrada de a porta . Cobertos de pó e de lama e ( em o caso de o Harry ) sangue . Em seguida , ouviu se um grito . - Ginny ! Era_Mrs._Weasley que tinha estado a chorar , sentada em frente de o lume . Pôs se de pé em um salto , seguida de Mr._Weasley e precipitaram se ambos para a filha . Harry olhava para trás de eles . Dumbledore rejubilava junto de a lareira , a o lado de a professora Mc_Gonagall que , agarrada a o queixo , respirava com dificuldade . Fawkes rasou as orelhas de o Harry e foi instalar se em o ombro de Dumbledore , ao_mesmo_tempo que Harry dava por si em os braços de Mrs._Weasley . - Tu salvaste a ! Salvaste a ! : __ como foi que __ conseguiste ? - Acho que todos nós gostaríamos de saber - disse , sem energia , a professora Mc_Gonagall . Mrs._Weasley soltou o Harry , que hesitou um momento . Depois , foi até a a secretária e colocou sobre o tampo o chapéu seleccionador , a espada cravejada de rubis e o que restava de o diário de Riddle . Em seguida , contou lhes tudo . Falou durante quase um quarto de hora em o silêncio extasiado : contou lhes de a voz sem corpo que ouvia , como a Hermione acabara por descobrir que se tratava de um Basilisk que circulava em os canos , como ele e o Ron tinham seguido as aranhas até a a floresta , que Aragog lhes dissera que a última vítima de o Basilisk morrera , como tinham chegado a a conclusão que se tratava de a Murta_Queixosa e que a entrada para a Câmara_dos_Segredos devia ser em aquela casa_de_banho ... - Muito bem - elogiou a professora Mc_Gonagall quando ele se calou . - Então tu descobriste onde era a entrada , infringindo uma centena de regras de a escola por o caminho , devo dizer , mas como diabo saíram vocês vivos de lá de dentro ? Harry , com a voz já um_pouco rouca de falar tanto , contou lhes de a chegada de a Fawkes e de o chapéu seleccionador que lhe tinha dado a espada . Mas , chegando aí , hesitou . Até a o momento evitara referir se a o diário de Riddle ou a a Ginny . Ela tinha a cabeça encostada a o ombro de Mrs._Weasley e as lágrimas corriam lhe ainda por o rosto . E se a expulsassem ? - pensou Harry , tomado de pânico . O diário de Riddle já não funcionava ... quem poderia provar que fora ele que a obrigara a fazer tudo aquilo ? Olhou instintivamente para Dumbledore que sorria , o fogo iluminando lhe os óculos de meia-lua . - O que mais me interessa saber - disse Dumbledore amavelmente - é como conseguiu Lord_Voldemort enfeitiçar a Ginny quando as minhas fontes me dizem que ele se esconde habitualmente em as florestas de a Albânia . Um alívio , quente e glorioso percorreu Harry de a cabeça a os pés . - O quê ? - disse Mr._Weasley , em uma voz estupefacta . - O Quem nós sabemos enfeitiçou a Ginny ? Mas a Ginny não ... a Ginny não morr ... ? - Foi este diário - esclareceu Harry rapidamente . E mostrando o a Dumbledore . - O Riddle escreveu o quando tinha dezasseis anos . Dumbledore pegou em o diário e olhou atentamente por cima de o seu nariz longo e adunco para as páginas queimadas e húmidas . - Fantástico - disse em voz baixa . - É claro que ele deve ter sido o aluno mais brilhante que alguma vez passou por Hogwarts . - Olhou em volta para os Weasley que o observavam com um ar totalmente confuso . - Muito poucas pessoas sabem que Lord_Voldemort se chamou em tempos Tom_Riddle . Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos , em Hogwarts . Ele desapareceu depois de deixar a escola , viajou muito , mergulhou tão fundo em as artes de a magia negra , associado a os piores feiticeiros , realizou transformações mágicas tão perigosas que quando reapareceu como Lord_Voldemort estava totalmente irreconhecível . Ninguém o relacionou com o rapazinho inteligente e bonito que aqui foi , em tempos , chefe de turma . - Mas a Ginny - insistiu Mrs._Weasley . - O que tem a nossa Ginny que ver com ele ? - O diário - soluçou Ginny . - Eu andei todo o ano a escrever em o diário e ele respondia me ... - Ginny ! - repreendeu Mr._Weasley . - Não aprendeste nada do_que te ensinei ? Não me cansei de dizer te que nunca confiasses em nada que não pensasse por si próprio * se não conseguisses ver onde tinha o cérebro ? * Porque não me mostraste o diário , a mim ou a a tua mãe ? Um objecto suspeito como esse tinha de estar cheio de magia negra ! - Eu não sabia - soluçou Ginny . - Estava junto de os livros que a mãe me comprou . Pensei que alguém se tinha esquecido de ele ali . - É melhor Miss_Weasley ir imediatamente para a ala hospitalar - interrompeu Dumbledore com voz firme . - Foi sujeita a uma prova terrível . Não será castigada . Outros feiticeiros mais velhos do_que ela têm sido ludibriados por Lord_Voldemort . - Dirigiu se a a porta e abriu a . - Repouso , cama e talvez uma caneca de chocolate quente . A mim , anima me sempre - acrescentou , piscando lhe simpaticamente o olho . - Vais ver que Madam_Pomfrey ainda está acordada . Ela tem estado a dar o sumo de Mandrágora , julgo que as vítimas de o Basilisk estarão a acordar dentro_de momentos . de alegria . - Então a Hermione está bem ! - disse o Ron , cheio de alegria . - Não houve danos irreversíveis - disse Dumbledore . Mrs._Weasley saiu com a Ginny e Mr._Weasley seguiu as ainda bastante abalado . - Sabes , Minerva - disse pensativo o professor Dumbledore - acho que tudo_isto merece um banquete . Posso pedir te que previnas os cozinheiros ? - Certamente - disse animada a professora Mc_Gonagall , dirigindo se também a a porta . - Deixo te a tratar de as coisas com o Potter e o Weasley , está bem ? - Claro - disse Dumbledore . Saiu e os dois olharam inseguros para Dumbledore . Que quereria ela dizer com tratar de as coisas ? Certamente não iriam ser castigados ? - Lembro me de vos ter dito a ambos que teria de vos expulsar se voltassem a quebrar as regras de a escola - disse Dumbledore . Ron abriu a boca horrorizado . - O que vem mostrar nos que as melhores pessoas , às_vezes , têm de engolir as suas próprias palavras . - Dumbledore sorriu e continuou : - Vocês vão receber ambos uma recompensa especial por serviços prestados a a escola e ... deixem me ver , sim , acho que duzentos pontos cada_um para os Gryffindor . Ron ficou tão corado que parecia as flores de S._Valentim_do_Lockhart e voltou a fechar a boca . - Mas um de vós parece demasiado calado sobre a sua participação em esta perigosa aventura - acrescentou Dumbledore . - Porquê tanta modéstia , Gilderoy ? Harry estremeceu . Esquecera se por completo de Lockhart . Voltou se e viu o a um canto de a sala ainda com o mesmo sorriso vago . Quando Dumbledore se lhe dirigiu , olhou por cima de o ombro para ver com quem ele estava a falar . - Professor_Dumbledore - disse o Ron rapidamente - Houve um acidente lá em baixo , em a Câmara_dos_Segredos . O professor Lockhart - Eu sou um professor ? - perguntou Lockhart surpreendido . - E eu que pensei que era um inútil ! - Tentou fazer um feitiço antimemória e a varinha fez ricochete - explicou Ron_a_Dumbledore . - Incrível - disse Dumbledore , abanando a cabeça , o bigode prateado a tremer . - Trespassado por a tua própria espada , Gilderoy ! - Espada ? - disse Lockhart de forma imprecisa . - Eu não tenho espada . Esse rapaz é_que tem - apontou para Harry . - Ele empresta lhe uma . - Importas te de levar também o professor Lockhart até a a ala hospitalar , Ron ? - disse Dumbledore . - Eu gostava de falar um_pouco mais com o Harry . Lockhart saiu sem pressa . Antes de fechar a porta , Ron lançou um olhar curioso a Dumbledore e Harry . Dumbledore passou para uma de as cadeiras junto de o lume . - Senta te , Harry - disse . E Harry sentou se , sentindo se indescritivelmente nervoso . - Antes de mais , Harry , quero agradecer te - disse Dumbledore com os olhos a brilharem de_novo . - Deves ter demonstrado uma grande lealdade para comigo . Só isso poderia atrair a Fawkes para ir ajudar te . Deu uma palmadinha a a fénix que voara , entretanto , para_cima de os seus joelhos . Harry sorria acanhadamente sob o olhar observador de Dumbledore . - Encontraste , portanto , Tom_Riddle - disse o director amavelmente . - Calculo que ele estaria particularmente interessado em ti ... De repente , algo que Harry tinha engasgado saiu lhe descontroladamente de a boca para fora . - Professor_Dumbledore ... o Riddle disse que eu sou como ele , que há entre nós estranhas semelhanças ... - Ah ! sim ? - Dumbledore olhou pensativamente para ele , por debaixo de as espessas sobrancelhas prateadas . - E o que achas tu de isso ? - Eu não me considero parecido com ele - disse Harry mais alto do_que desejaria . - Isto_é , eu sou um Gryffindor , eu sou ... Mas calou se com uma dúvida a rondar lhe o espírito . - Professor - arriscou passado alguns momentos . - O chapéu seleccionador disse que eu ... teria ficado bem em os Slytherin ; durante algum tempo toda_a_gente pensou que eu era o herdeiro de Slytherin por falar * serpentês * ... - Tu falas * serpentês * , Harry - disse Dumbledore calmamente - porque Lord_Voldemort que é o mais recente antepassado de Salazar_Slytherin , fala * serpentês * . Ou eu me engano muito , ou ele transferiu para ti alguns de os seus poderes em a noite em que te fez essa cicatriz . Não que quisesse fazê o , claro , mas aconteceu . - Voldemort pôs um_pouco de si próprio em mim ? - disse Harry assombrado . - É o que parece ter acontecido . - Então eu deveria estar em os Slytherin - disse Harry , olhando desesperado para o rosto de Dumbledore . - O chapéu seleccionador viu em mim os poderes de Slytherin e ... -- Pôs te em os Gryffindor - concluiu tranquilamente Dumbledore . - Ouve , Harry , tu tens por acaso muitas de as capacidades que Salazar_Slytherin apreciava em os seus estudantes cuidadosamente seleccionados . O seu raro dom de falar * serpentês * , desenvoltura , determinação , um certo desprezo por as regras estabelecidas - acrescentou com o bigode a tremer de_novo . - Mas ainda_assim , o chapéu seleccionador pôs te em os Gryffindor . E sabes porquê ? Pensa um_pouco . - Só me pôs em os Gryffindor - disse Harry em uma voz débil - porque eu pedi para não ir para os Slytherin . - Exacto - disse Dumbledore a sorrir . - E isso torna te muito diferente de o Tom_Riddle . São as tuas escolhas , Harry , que mostram quem de facto tu és , mais do_que as tuas capacidades . Harry sentou se , imóvel e espantado , em a cadeira . - Se queres provas de que o teu lugar é em os Gryffindor , sugiro que vejas isto com mais atenção . Dumbledore aproximou se de a secretária de a professora Mc_Gonagall , pegou em a espada de prata ensanguentada e mostrou lhe a . Sem perceber , Harry voltou a ao_contrário . Os rubis brilharam a a luz de a lareira e foi então que ele reparou em o nome gravado mesmo por baixo de o copo de a espada . GODRIC_GRYFFINDOR . - Só um verdadeiro Gryffindor poderia ter tirado a espada de dentro de o chapéu , Harry - disse , com simplicidade , Dumbledore . Durante um minuto , nenhum de os dois falou . Depois , Dumbledore abriu uma de as gavetas de a secretária de a professora Mc_Gonagall e retirou de lá uma pena e um tinteiro . - Tu precisas de comer e ir dormir . Sugiro que desças para o banquete enquanto eu escrevo para Azkaban . Precisamos de recuperar o nosso guarda de os campos . E tenho de esboçar um anúncio para o * _ Profeta_Diário * - acrescentou pensativo . - Vamos precisar de um novo professor de Defesa contra as artes negras . É um problema , estamos sempre a perdê os . Harry levantou se e dirigiu se a a porta . Tinha acabado de estender a mão para o puxador quando ela se abriu tão violentamente que saltou de as dobradiças . Lucius_Malfoy estava de pé , furioso . E , debaixo de o braço , embrulhado em diversas ligaduras , estava Dobby . - Boa tarde , Lucius - disse Dumbledore , de forma amena . Mr._Malfoy quase derrubou Harry enquanto entrava em a sala . Dobby dava passos miudinhos atrás de ele , inclinado até a a bainha de o seu manto com um olhar apavorado em o rosto . - Então - disse Lucius_Malfoy com os olhos fixos em Dumbledore - voltaste . Os membros de o Conselho_Directivo suspenderam te , mas tu mesmo_assim sentiste te capaz de voltar a Hogwarts . - Bem vês , Lucius - disse Dumbledore , sorrindo serenamente . - Os outros membros de o Conselho contactaram me hoje . Fui envolvido em um redemoinho de corujas , todos queriam contar me a verdade . Ouviram dizer que a filha de Arthur_Weasley tinha sido morta e queriam me novamente aqui . Parece que me consideravam o melhor homem para o lugar . Contaram me algumas histórias muito estranhas . Alguns de eles tinham a impressão que tu tinhas ameaçado amaldiçoar lhes as famílias se não concordassem com a minha suspensão . Mr._Malfoy ficou ainda mais pálido do_que de costume , mas os olhos continuavam cheios de fúria . - Então já acabaste com os ataques ? - rosnou . - Apanhaste o culpado ? - Já , sim - disse Dumbledore com um sorriso . - E quem é ? - perguntou Malfoy secamente . - A mesma pessoa de a última vez , Lucius - disse Dumbledore . Mas desta_vez , Lord_Voldemort agiu através_de outra pessoa , por_meio_de um diário . Pegou em o pequeno caderno com o buraco em o meio , observando Mr._Malfoy de perto . Mas Harry olhava para Dobby . O elfo fazia um sinal muito estranho . Com os seus grandes olhos fixos em Harry , não parava de apontar para ó diário e , em seguida , para Mr._Malfoy , batendo logo_a_seguir com o punho em a cabeça . - Estou a ver ... - disse Mr._Malfoy lentamente a Dumbledore . - Um plano inteligente - afirmou o director em um tom de voz suave , continuando a olhar Mr._Malfoy directamente em os olhos . - Porque se não fosse aqui o Harry e o seu amigo Ron a descobrirem o diário , sem dúvida Ginny_Weasley teria ficado com todas_as culpas . Ninguém teria conseguido provar que ela agira contra a sua própria vontade . Mr._Malfoy não se pronunciou . O seu rosto parecia agora uma máscara . - E vê bem - continuou Dumbledore - o que poderia ter acontecido ... os Weasley são uma de as mais proeminentes famílias de feiticeiros de sangue puro , imagina o efeito em a imagem de Arthur_Weasley e em a sua acção de protecção a os Muggles , se a sua própria filha fosse acusada de atacar e matar filhos de Muggles . Foi uma sorte o diário ter sido descoberto e as memórias de Riddle apagadas . Quem sabe que consequências poderia ter tido ? Mr._Malfoy falou contra vontade . - Sim , foi uma sorte - disse secamente . E , em as suas costas , Dobby continuava a apontar para o diário e para Lucius_Malfoy , batendo depois com o punho em a cabeça . E Harry finalmente percebeu . Fez um sinal a Dobby que correu a esconder se em um canto , torcendo desta_vez as orelhas para se castigar . - Não quer saber como a Ginny obteve esse diário , Mr._Malfoy ? - perguntou Harry . Lucius_Malfoy voltou se para ele . - Como queres que eu saiba onde é_que a estúpida de a garota o arranjou ? - Porque foi o senhor quem lhe o deu - disse Harry . - Em a Flourish and Blotts . O senhor pegou em o livro velho de ela de Transfiguração e meteu o diário lá dentro , não foi ? Viu as mãos brancas de Mr._Malfoy abrirem se e fecharem se . - Prova isso - sibilou . - Oh ! ninguém vai poder prová o - disse Dumbledore sorrindo a o Harry . - Não agora_que o Riddle desapareceu de o caderno . Por outro lado , aconselharia te , Lucius , a não dares mais nenhuma de as coisas velhas de Lord_Voldemort . Se mais alguma for parar a as mãos de crianças inocentes , acho que o Arthur_Weasley fará com que se voltem com toda_a sua carga negativa contra ti . Lucius_Malfoy ficou calado um momento e Harry viu claramente a sua mão direita torcer se como_se desejasse chegar a a varinha . Em vez de isso , voltou se para o seu elfo doméstico . - Vamos , Dobby . Abriu a porta e quando o elfo se aproximou deu lhe um pontapé que o projectou para longe . Ouviram se em o escritório os gritos de dor de Dobby em o corredor . Harry pensou durante um momento e depois decidiu se . - Professor_Dumbledore - disse apressadamente . - Posso dar o diário outra_vez a Mr._Malfoy ? - Certamente , Harry - disse Dumbledore com toda_a calma . - Mas não demores , olha o banquete . Harry agarrou em o diário e saiu de o escritório . Os gritos de dor de Dobby afastavam se ao_longe . Sem perder tempo , perguntando a si próprio se o plano poderia resultar , Harry tirou um de os sapatos , puxou uma de as peúgas enlameadas e viscosas e meteu o diário lá dentro . Em seguida correu até a o fundo de o corredor escuro . Apanhou os em o topo de as escadas . - Mr._Malfoy - disse ofegante , parando . - Tenho uma coisa para si . E meteu a peúga mal cheirosa em a mão de Lucius_Malfoy . - O que é ... ? Mr._Malfoy tirou o diário de dentro de a peúga , deitou a fora e olhou furioso para o caderno estragado e para Harry - Ainda vais acabar por ter um fim igual a o de os teus pais um dia de estes , Harry_Potter - disse em voz baixa . - Eles também eram uns idiotas metediços . Voltou se para se ir embora . - Anda , Dobby , vem ! Mas Dobby não se mexeu . Tinha em as mãos a peúga nojenta de o Harry e olhava para ela como_se fosse um tesouro de valor incalculável . - O senhor deu uma peúga a o Dobby - disse o elfo maravilhado . - Deu a a o Dobby . - O que é isso ? - cuspiu Mr._Malfoy . - Que estás para aí a dizer ? - Dobby tem uma peúga - repetiu incrédulo . - O senhor deitou a fora e Dobby apanhou a e Dobby agora é livre ... Lucius_Malfoy ficou paralisado a olhar para o elfo . Em seguida precipitou se para Harry . - Fizeste me perder o meu servo , rapaz . Mas Dobby gritou : - Não pense que vai fazer mal a o Harry_Potter ! Ouviu se um enorme estrondo e Mr._Malfoy foi empurrado de costas , galgando os degraus de as escadas a três_e_três e indo aterrar lá em baixo todo embrulhado e amarrotado . Levantou se , o rosto lívido e pegou em a varinha , mas Dobby estendeu lhe um dedo ameaçador . - Vá se embora já - disse furioso , apontando para Mr._Malfoy . - Não tocará em o Harry_Potter . Vá se embora , já . Lucius_Malfoy não teve escolha . Lançando a os dois um último olhar de cólera , embrulhou se em o manto e desapareceu . - Harry_Potter libertou Dobby ! - disse o elfo com voz esganiçada , olhando para Harry , a luz de o luar reflectida em os seus grandes olhos em forma de globos . - Harry_Potter libertou Dobby . - Era o mínimo que eu podia fazer , Dobby - disse Harry a sorrir -- , mas promete me que não vais voltar a tentar salvar me a vida . A cara feia e escura de o elfo abriu se , mostrando os dentes , em um enorme sorriso . - Tenho uma pergunta a fazer te , Dobby - disse Harry enquanto o elfo pegava em a peúga de ele com as mãos a tremer . - Disseste me que tudo_isto não tinha nada que ver com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Lembras te ? - Era uma pista , senhor - disse Dobby com os olhos muito abertos como_se fosse absolutamente óbvio . - Dobby estava a dar lhe uma pista . Antes de o senhor de o mal mudar de nome , o seu nome podia ser pronunciado , está a ver ? - Certo - disse Harry sem grande convicção . - Bem , é melhor eu ir indo embora . Há um banquete e a minha amiga Hermione já deve ter acordado ... Dobby lançou os braços a a cintura de Harry e abraçou o . - Harry_Potter é muito maior do_que Dobby imaginava ! - soluçou . - Adeus , Harry_Potter . E com um estalido final , Dobby desapareceu . Harry assistira a diversos banquetes , mas nenhum que se parecesse com aquele . Estavam todos de pijama e a festa durou a noite inteira . Harry não sabia se o melhor tinha sido a Hermione a correr para ele e a gritar : - Tu conseguiste . Tu conseguiste ! , ou o Justin saindo disparado de a mesa de os Hufflepuff para lhe estender a mão , desfazendo se em desculpas por ter suspeitado de ele , ou o Hagrid que apareceu a as três_e_meia e que lhes deu palmadas com tanta força em os ombros que eles foram parar dentro de os pratos de bolo de creme , ou os quatrocentos pontos que ele e o Ron obtiveram para os Gryffindor , ganhando a taça de a equipa por a segunda vez consecutiva , ou a professora Mc_Gonagall de pé , a comunicar lhes que os exames tinham sido cancelados como medida de a escola ( Oh ! não ! exclamou Hermione ) , ou Dumbledore a anunciar que , infelizmente , o professor Lockhart não poderia voltar em o ano seguinte por ter de se ausentar a_fim_de recuperar a memória . Alguns de os professores juntaram se a os alunos que aplaudiram entusiasmados esta notícia . - Que pena - disse Ron , servindo se de um * dounut * de presunto . - E eu que começava a gostar de ele ... O resto de o período de Verão decorreu sob um sol escaldante . Hogwarts voltara a a normalidade , apenas com algumas pequenas diferenças : as aulas de Defesa contra as artes negras foram canceladas ( Mas nós tivemos imensa prática - disse o Ron vendo o descontentamento de Hermione ) e Lucius_Malfoy foi demitido de o Conselho_Directivo . Draco já não passeava por ali como_se fosse o dono de a escola . Pelo_contrário , tinha um ar melindrado e carrancudo . Por outro lado , Ginny_Weasley andava de_novo feliz de a vida . Em_breve chegou o dia de regressarem a casa em o Expresso_de_Hogwarts . Harry , Ron , Hermione , Fred , George e Ginny encheram um compartimento . Tiraram o_máximo partido de aquelas últimas horas em que lhes era permitido usar a magia antes de as férias . Brincaram a as explosões , gastaram o último fogo-de-artíficio Filibuster , de o Fred e de o George e treinaram o mútuo desarmamento através de a magia . Harry começava a ficar muito bom em aquilo . Já estavam perto de a estação de King's_Cross quando Harry se lembrou de uma coisa . - Ginny , o que foi que viste o Percy fazer que ele não queria que nos contasses ? - Ah ! isso - disse a Ginny a rir . - Bem , é_que o Percy tem uma namorada . Fred deixou cair uma pilha de livros em a cabeça de o George . - O quê ? - É aquela prefeita de os Ravenclaw ' Penelope_Clearwater - disse a Ginny . - Foi para ela que ele escreveu durante todo o Verão . Encontravam se em a escola em grande segredo . Eu apanhei os a beijarem se em uma sala de aula vazia e ele ficou tão aflito quando ela foi ... sabes ... atacada . Não vais aborrecê o , pois não ? - perguntou cheia de ansiedade . - Que ideia - respondeu Fred com uma tal satisfação em o rosto que parecia que o seu aniversário chegara mais cedo . - Claro que não - disse o George a rir se a a socapa . O Expresso_de_Hogwarts abrandou e finalmente parou . Harry tirou a pena e um_pouco de pergaminho e voltou se para Ron e Hermione . - Isto_é um número de telefone - disse ele a o Ron , escrevinhando o duas vezes , cortando o pergaminho a o meio e dando lhes os números . - Eu expliquei a o teu pai como usar um telefone em o Verão passado . Ele sabe fazer a chamada . Liga me para_casa de os Dursley , O. _ K. ? Não consigo suportar outros dois meses sem ter mais ninguém com quem falar ... - Mas a tua tia e o teu tio vão ficar orgulhosos de ti , não vão ? - perguntou Hermione quando saíram de o comboio e se misturaram em a multidão que se encontrava junto de a barreira encantada . - Quando souberem o que fizeste este ano . - Orgulhosos ? - disse Harry . - Estás doida ! Podendo eu ter morrido tantas vezes e tendo escapado ? Vão ficar é furiosos ... E juntos avançaram até a a entrada para o mundo de os Muggles . ----------------- J._K._Rowling_Harry_Potter e a Câmara_dos_Segredos_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Chamber of Secrets_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling 1998 Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 2000 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 2.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 Depósito legal : 143.569/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , a a Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Para_Séan_P._F._Harris , condutor imparável e um amigo de os diabos . I_O pior aniversário Não era a primeira vez que uma discussão estoirava a a mesa de o pequeno-almoço , em o número 4 de a Privet_Drive . Mr._Vernon_Dursley fora acordado de manhã cedo por o piar ruidoso que vinha de o quarto de o seu sobrinho Harry . - É a terceira vez esta semana ! - resmungou , a a mesa . - Se não consegues controlar essa coruja , ela não pode ficar aqui . Harry tentou , mais_uma_vez , explicar . - Ela está aborrecida . Estava habituada a voar livremente lá fora . Se eu pudesse , ao_menos , soltá a a a noite ... - Achas me com cara de idiota ? - perguntou rispidamente o tio Vernon , com um fio de ovo preso em o bigode farfalhudo . - Sei muito bem o que aconteceria se essa coruja fosse lá para fora . Trocou um olhar soturno com a mulher , a tia Petúnia . Harry tentou contra-argumentar , mas as suas palavras foram abafadas por um enorme arroto de o filho de os Dursleys , Dudley . - Quero mais bacon . - Há mais em a frigideira , fofinho - disse a tia Petúnia , lançando um olhar vago a o seu filho maciço . - Tens que te alimentar bem enquanto aqui estás , aquela comida de a tua escola não me cheira . - Disparate , Petúnia , eu nunca passei fome enquanto andei em Smeltings - afirmou com sinceridade o tio Vernon . - O Dudley tem que chegue . Não é verdade , filho ? Dudley , que era tão gordo que o rabo saía de os dois lados de a cadeira de a cozinha , sorriu laconicamente e voltou se para Harry . - Passa me a frigideira . -- Esqueceste te de a palavra mágica - disse Harry , irritado . O efeito que esta simples frase teve em o resto de a família foi inacreditável : Dudley começou a arfar e caiu de a cadeira com um estrondo que abalou a cozinha , Mrs._Dursley deu um gritinho e bateu com a mão em a boca , Mr._Dursley pôs se de pé com as veias de as têmporas dilatadas . - Eu queria dizer « por favor » - explicou Harry rapidamente . - Não me referia a ... - : __ o que é_que eu te __ disse - vociferou o tio , espalhando perdigotos sobre a mesa - : __ sobre pronunciar a palavra m . em esta __ casa ? - Mas eu ... - : __ como te atreves a ameaçar o __ dudley ! - rosnou o tio Vernon , batendo com o punho em a mesa . - Eu só ... - : __ estás avisado . não vou admitir referências a tua anormalidade debaixo de o tecto de a minha __ casa ! Harry olhou alternadamente para o rosto congestionado de o tio e para a palidez de a tia que tentava pôr o Dudley de pé . - Está bem - disse Harry . - Está bem ... O tio Vernon voltou a sentar se , respirando como um rinoceronte exausto e observando Harry de perto por o canto de os seus olhos pequeninos e penetrantes . Desde_que Harry regressara para as férias de Verão que o tio Vernon o tratava como_se ele fosse uma bomba , capaz de explodir a qualquer momento , porque Harry não era um rapazinho normal . Em a verdade , ele era o menos normal que é possível imaginar . Harry_Potter era um feiticeiro , um feiticeiro que acabara de concluir o primeiro ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts e a infelicidade que os Dursleys sentiam por ele estar lá em casa não era nada comparada com a de Harry . As saudades de Hogwarts eram tão intensas que se assemelhavam a uma constante dor em o estômago . Sentia a falta de o castelo com as suas passagens secretas e os seus fantasmas , de as aulas ( com excepção talvez de as de Snape , o professor de as poções ) , de o correio a chegar trazido por as corujas , de os banquetes em o salão nobre , de as noites em as camas de dossel em a camarata de a torre , de as visitas a Hagrid , o guarda de os campos em a sua casinha em o bosque , junto de a floresta proibida e , principalmente , sentia a falta de o Quidditch , o desporto mais popular de o mundo de os feiticeiros ( seis postes altos de golo , quatro bolas esvoaçantes e catorze jogadores em_cima_de vassoura ) . Todos os livros de feitiços de Harry , assim_como a varinha , os mantos , o caldeirão e a vassoura topo de gama Nimbus dois_mil tinham sido encerrados por o tio Vernon em a despensa que ficava debaixo de as escadas , em o momento em que Harry regressara a casa . O que é_que lhes interessava se ele perdia ou não o seu lugar em a equipa de Quidditch por não ter praticado durante todo o Verão ? Que importância tinha para eles que o Harry voltasse a a escola sem ter podido fazer os trabalhos de casa ? Os Dursleys eram aquilo que os feiticeiros chamam « Muggles » ( nem uma gota de sangue mágico em as veias ) e , para eles , ter um feiticeiro em a família era motivo de grande vergonha . O tio Vernon tinha , inclusivamente , fechado a cadeado a coruja de Harry , Hedwig , dentro de a gaiola , para evitar que ela transportasse mensagens para a gente de o mundo de a feitiçaria . Harry não se parecia em nada com o resto de a família . O tio Vernon era atarracado e sem pescoço , dotado de um enorme bigode preto ; a tia Petúnia tinha um rosto cavalar e era esquelética ; Dudley era loiro e rosado como um porquinho . Harry , pelo_contrário , era baixo e franzino , com os olhos verdes brilhantes e cabelo negro sempre desalinhado . Usava uns óculos redondos e tinha em a testa uma cicatriz em forma de relâmpago . Era essa cicatriz que o tornava tão invulgar , mesmo para um feiticeiro . Era a única alusão a o seu passado misterioso , a o motivo por o qual , onze anos antes , tinha sido deixado em o degrau de a porta de os Dursleys . Com um ano de idade , Harry sobrevivera a uma maldição de o maior feiticeiro negro de todos os tempos , Lord_Voldemort , cujo nome a maior parte de os feiticeiros e feiticeiras ainda receia pronunciar . Os pais de Harry tinham morrido em um ataque de Voldemort , mas ele escapara com a sua cicatriz em forma de relâmpago e estranhamente , ninguém compreendeu porquê , os poderes de Voldemort tinham sido destruídos em o momento em que não fora capaz de matar o Harry . Por isso , ele foi criado por a irmã de a sua falecida mãe e respectivo marido . Passou dez anos com os Dursleys , sem nunca compreender porque fazia com que acontecessem coisas estranhas , alheias a a sua vontade , acreditando em a história de os Dursleys de que aquela cicatriz fora resultado de um acidente de automóvel em que os pais tinham morrido . E um dia , precisamente um ano antes , Hogwarts escrevera lhe e fora então que tudo começara . Harry fora ocupar o seu lugar em a escola de feitiçaria , onde ele e a sua cicatriz eram famosas ... mas agora o ano escolar chegara a o fim e estava de_novo com os Dursleys . Durante o Verão , voltara a ser tratado como um cão malcheiroso . Os Dursleys nem se tinham lembrado que aquele era o dia de o seu décimo segundo aniversário . É claro que não tivera grandes expectativas : eles nunca lhe tinham dado um presente a sério , muito menos um bolo , mas ignorarem o por completo ... Em esse momento , o tio Vernon pigarreou com um ar importante e disse : - Como todos sabem , hoje é um dia muito importante . Harry olhou para ele , mal conseguindo acreditar . - Pode bem ser que eu faça hoje o maior negócio de toda_a minha vida - afirmou . Harry voltou novamente a atenção para a torrada . É claro , pensou amargamente , o tio Vernon referia se a a estúpida dinner-party . Havia quinze_dias que não falava de outra coisa . Um consultor qualquer cheio de massa e a mulher vinham jantar lá a casa e o tio Vernon tinha esperança de conseguir uma grande encomenda ( a empresa de o tio Vernon fabricava brocas ) . - Acho que devíamos recapitular mais_uma_vez - disse o tio Vernon . - Devemos estar todos a postos a as oito_horas_em_ponto . Petúnia , tu vais estar ... ? - Em o salão - respondeu a tia Petúnia prontamente - a a espera para lhes dar as boas-vindas a nossa casa . - Bom , bom . E o Dudley ? - Eu vou estar a a espera para abrir a porta . - Dudley esboçou um sorriso falso e afectado . - Dão me licença que vos guarde os casacos , Mr. e Mrs._Mason ? - Eles vão adorá o - exclamou arrebatadamente a tia Petúnia . - Excelente , Dudley - disse o tio Vernon . - A seguir voltou se para o Harry . - E tu ? - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - repetiu o Harry , de forma inexpressiva . - Exactamente - confirmou o tio Vernon , de um modo desagradável . - Eu conduzo os até a o salão , apresento te , Petúnia , e sirvo lhes as bebidas . _ a as oito_e_um_quarto . - Eu chamo para a mesa - disse a tia Petúnia . - E tu , Dudley , vais dizer ... - Dá me licença que lhe indique a casa de jantar , Mrs._Mason ? - repetiu o Dudley , oferecendo o seu braço gordo a uma mulher invisível . - O meu pequenino cavalheiro - fungou a tia Petúnia . - E tu ? - perguntou o tio Vernon a o Harry , em o mesmo tom desagradável . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho , fingindo que não estou lá - respondeu Harry aborrecido . - Isso mesmo . Agora , devíamos ter preparadas algumas frases amáveis para o jantar . Petúnia , alguma ideia ? - O Vernon disse me que o senhor é um excelente jogador de golfe , Mr._Mason ... Tem de me dizer onde comprou esse vestido , Mrs._Mason ... - Perfeito . Dudley ? - Que tal : Tivemos de fazer um trabalho para a escola sobre o nosso herói e eu escrevi sobre o senhor ... Foi de mais , tanto para a tia Petúnia como para o Harry . A tia debulhou se em lágrimas e abraçou o filho , enquanto Harry se esgueirava para debaixo de a mesa para ninguém o ver rir . - E tu , rapaz ? Harry fez um esforço para se mostrar inexpressivo quando emergiu . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - disse . - Vais sim senhor - afirmou o tio Vernon energicamente . - Os Mason não sabem nada a teu respeito e é assim que as coisas vão continuar . Quando o jantar terminar , tu trazes Mrs._Mason para o salão , onde vamos tomar café , Petúnia , e eu puxo o assunto de as brocas . Com um_pouco de sorte , tenho o contrato assinado antes de o noticiário de as dez . Amanhã por esta hora , vamos estar a fazer compras para umas férias em Maiorca . Harry não conseguia sentir o menor entusiasmo com aquilo . Não lhe parecia que os Dursleys gostassem mais de ele em Maiorca do_que em Privet_Drive . - Certo , eu vou a a cidade buscar os casacos para mim e para o Dudley . E tu - resmungou , apontando para Harry - não atrapalhes a tua tia enquanto ela estiver a limpar . Harry saiu por a porta de as traseiras . Estava um dia de sol lindo . Atravessou o relvado , deixou se cair em o banco de o jardim e cantarolou baixinho : - Parabéns para mim ... parabéns para mim ... Nem cartas nem presentes e tinha de passar a noite a fingir que não existia . Olhou infeliz para a sebe . Nunca se sentira tão só . Mais do_que tudo em o mundo , mais do_que de Hogwarts , mais até do_que de o jogo de Quidditch , Harry sentia a falta de os amigos Ron_Weasley e Hermione_Granger . Mas eles não pareciam sentir a falta de ele . Nenhum de os dois lhe escrevera durante todo o Verão apesar_de o Ron ter dito que ia convidá o para passar uns dias lá em casa . Inúmeras vezes Harry estivera quase a libertar magicamente Hedwig de a sua gaiola e mandá a levar uma carta a o Ron e a a Hermione mas não valia a pena correr o risco . Os feiticeiros menores de idade não tinham autorização para usar a magia fora de a escola . Harry não contara isto a os Dursleys . Ele sabia que era o medo de que ele os transformasse a todos em baratas que os impedia de o fecharem a a chave em a despensa debaixo de as escadas , juntamente com a varinha e a vassoura . Em as primeiras semanas Harry divertira se a murmurar baixinho palavras sem sentido e a ver o Dudley sair disparado de o quarto , tão rápido quanto as suas pernas gordas lhe permitiam . Mas o silêncio prolongado de Ron e Hermione tinham o feito sentir se tão longe de o mundo de a magia que até divertir se à_custa_de Dudley perdera o interesse . E agora o Ron e a Hermione tinham se esquecido de o seu aniversário . Quanto não daria ele por uma mensagem de Hogwarts ? De qualquer feiticeiro ou feiticeira ? Quase ficaria satisfeito com um sinal de o seu inimigo feroz , Draco_Malfoy , só para ter a certeza de que tudo aquilo não fora apenas um sonho ... Não que tudo durante o ano em Hogwarts tivesse sido divertido . Mesmo em o fim de o último período , Harry confrontara se nem mais nem menos do_que com o próprio Lord_Voldemort . Voldemort podia ter arruinado o seu ego inicial mas continuava a espalhar o terror , ainda astuto , ainda determinado a recuperar o poder . Harry escapara uma segunda vez a as suas garras mas fora por um triz e mesmo agora , algumas semanas decorridas , acordava de noite encharcado em suores frios , perguntando se onde estaria Voldemort , relembrando o seu rosto lívido , os seus olhos completamente loucos ... Harry sentou se subitamente , direito como um fuso , em o banco de o jardim . Tinha estado a olhar distraído para a sebe e a sebe estava a olhar para ele . Dois enormes olhos verdes surgiram por_entre a folhagem . Harry pôs se de pé ao_mesmo_tempo que uma voz sobrevoava a relva . - Eu sei que dia é hoje - cantarolava Dudley , bamboleando se enquanto se aproximava . Os olhos enormes piscaram e desapareceram . - O quê ? - perguntou Harry sem retirar os olhos de o lugar para_onde estava a olhar . - Eu sei que dia é hoje - repetiu , chegando junto de ele . - Ainda_bem - disse Harry . - Aprendeste finalmente os dias de a semana . - Hoje é o dia de os teus anos - troçou o Dudley . - Por_que é_que não recebeste nenhuma carta ? Não tens amigos em esse lugar esquisito ? - É melhor não deixares a tua mãe ouvir te falar de a minha escola - disse Harry calmamente . Dudley puxou para_cima as calças que estavam a escorregar lhe por o rabo gordo abaixo . - Porque estás a olhar para a sebe . ; - perguntou curioso . - Estou a pensar em as palavras que deverei pronunciar para lhe pegar fogo - disse Harry . Dudley recuou de imediato com um olhar de pânico em a cara rechonchuda . - Tu não p-p-odes , o pai disse que não podias fazer magia ou corria contigo aqui de casa e não tens mais nenhum lugar para_onde ir , não tens amigos que te convidem ... - * _ Jiggery pokery * ! - disse Harry com voz firme . - * _ Hocus pocus ... squiggly wiggly * ... - Maaaaaãe - gritou Dudley , tropeçando em os pés , enquanto se precipitava para dentro_de casa . Maaaãe , ele vai fazer aquela coisa ! Harry deu graças a os céus por aquele momento de gozo . Como não aconteceu nada de mal nem a o Dudley nem a a sebe , a tia Petúnia percebeu que ele não fizera magia nenhuma mas , mesmo_assim , Harry teve de se afastar quando ela lhe deu uma forte pancada em a cabeça com a frigideira cheia de detergente . A seguir distribuiu lhe trabalho e o castigo de só voltar a comer quando tivesse acabado tudo . Enquanto Dudley andava a flanar , olhando para o ar e comendo gelados , Harry limpou as janelas , lavou o carro , aparou a relva , adubou os canteiros , podou e regou as rosas e pintou de_novo o banco de o jardim . O sol ardia lá em cima , queimando lhe a parte de trás de o pescoço . Harry sabia que não devia ter provocado Dudley mas ele dissera precisamente aquilo que ele próprio pensava ... talvez não tivesse amigos em Hogwarts . Deviam ver agora o famoso Harry_Potter , pensou amargamente enquanto espalhava adubo em os canteiros , as costas a doerem lhe e o suor a escorrer lhe por o rosto . Eram sete_e_meia_da_tarde quando , por fim , exausto , ouviu a tia Petúnia a chamá o . - Anda para dentro e passa por cima de os jornais . Harry entrou satisfeito em a sombra de a cozinha que rebrilhava . Sobre o frigorífico estava o bolo de a noite : um enorme monte de crome batido coberto de violetas de açúcar . A carne de porco assava em o forno . - Come depressa , os Mason devem estar a chegar ! - exclamou bruscamente a tia Petúnia , apontando para duas fatias de pão e uma de queijo que estavam em cima de a mesa de a cozinha . Ela já tinha posto um vestido de * cocktail * cor de salmão . Harry lavou as mãos e comeu aquele triste jantar . Mal tinha terminado , a tia Petúnia tirou lhe o prato . - Lá para_cima , rápido ! A o passar por a porta de a sala , Harry vislumbrou o tio Vernon e Dudley de casaco e gravata . Tinha acabado de chegar a o cimo de as escadas quando a campainha de a porta tocou e a cara de o tio Vernon apareceu em o patamar . - Lembra te , rapaz , um ruído que seja ... Harry entrou em o quarto em bicos de pés , fechou a porta e preparou se para se meter em a cama . O problema é_que estava lá alguém sentado . II_O aviso de Dobby_Harry conseguiu não gritar , mas foi por_pouco . A pequena criatura que estava em a cama tinha umas orelhas grandes e largas e uns olhos verdes protuberantes de o tamanho de bolas de ténis . Harry percebeu imediatamente que fora para ele que tinha estado a olhar de manhã . Enquanto olhavam um para o outro , Harry ouviu a voz de Dudley em o * hall * . - Posso guardar os vossos casacos , Mr. e Mrs._Mason ? A criatura escorregou por a cama e curvou se tanto que a ponta de o seu enorme nariz tocou em o tapete . Harry reparou que ele tinha vestido uma espécie de fronha de almofada com buracos para os braços e pernas . - Er ... Olá - disse Harry , um_pouco nervoso . - Harry_Potter ! - exclamou a criatura em uma voz tão estridente que Harry calculou que poderia ouvir se lá em baixo . - Há tanto tempo que Dobby queria conhecê o , senhor . É uma enorme honra ... - Ob-obrigado - disse Harry , deslocando se a o longo de a parede e sentando se em a cadeira de a secretária , junto de Hedwig que dormia em a sua grande gaiola . Queria perguntar lhe « O que és tu ? » , mas pensou que seria má educação , por isso perguntou : - Quem és tu ? - Dobby , senhor . Apenas Dobby , o elfo de casa - afirmou a criatura . - Oh ! A sério ? - perguntou Harry . - Não quero ser mal-educado , mas esta não é a melhor altura para ter um elfo em o meu quarto . O riso falso de a tia Petúnia ouvia se em a sala de jantar . O elfo deixou cair a cabeça . - Não que eu não me sinta feliz por te conhecer - disse Harry rapidamente - mas , er ... estás aqui por algum motivo em especial ? - Oh , sim senhor - disse Dobby muito a sério . - Dobby veio dizer lhe que ... é difícil ... Dobby não sabe por_onde começar ... - Senta te - disse Harry educadamente , apontando lhe a cama . Para seu horror , o elfo debulhou se em lágrimas bastante ruidosas . -- S-senta-te ! - repetiu . - Nunca em toda_a minha vida ... Harry pareceu lhe ouvir as vozes lá em baixo vacilarem . - Desculpa - murmurou . - Eu não queria ofender te ... - Ofender Dobby ! - exclamou o elfo em um sufoco . - Nunca nenhum feiticeiro disse a o Dobby que se sentasse como um seu igual , senhor . Harry , tentando dizer lhe « Sch ... » e confortá o ao_mesmo_tempo , conduziu Dobby de_novo até a a cama onde ele se sentou a soluçar , parecendo uma grande boneca muito feia . Por fim , conseguiu controlar se e ficou quieto , com os seus grandes olhos fixos em Harry em uma expressão de absoluta adoração . - Não deves ter conhecido muitos feiticeiros sérios - disse lhe , tentando animá o . Dobby abanou a cabeça . Em seguida , sem qualquer aviso , saltou e começou a bater furiosamente com a cabeça em a janela , gritando : - Dobby é mau ! Dobby é mau ! - Pára , o que é_que estás a fazer ? - perguntou Harry em um murmúrio sibilante , dando um salto e puxando Dobby de_novo para a cama . Hedwig acordara com um pio particularmente agudo e batia agressivamente com as asas contra as grades de a gaiola . - Dobby tinha que se castigar , meu senhor - afirmou o elfo , que ficara ligeiramente estrábico . - Dobby quase falou mal de a família de ele ... - De a tua família ? - De a família de feiticeiros que Dobby serve , meu senhor ... O Dobby é um elfo de casa , obrigado a servir uma casa e uma família para sempre . - Eles sabem que estás aqui ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Dobby estremeceu . - Oh , não senhor , não ... Dobby vai ter que se castigar muito por ter vindo vê o . Dobby vai ter que entalar as orelhas em a porta de o forno por isto . Se eles soubessem , senhor ... - Mas achas que eles não vão reparar se tu entalares as orelhas em a porta de o forno ? - Dobby duvida , senhor . Dobby está sempre a ter de se castigar por qualquer coisa . Eles deixam que o Dobby se castigue . _ às_vezes até sugerem alguns castigos extra . - Mas por_que é_que não te vais embora , não foges ? - Um elfo de casa tem de ser libertado , senhor . E a família nunca libertará Dobby . Dobby servirá a família até morrer . Harry olhou para ele . - E eu que pensava que era infeliz por ter de ficar aqui mais quatro semanas - declarou . - Isto faz os Dursleys parecerem quase humanos . Será que ninguém te pode ajudar ? Poderei eu ? Em o mesmo momento , Harry desejou não ter aberto a boca . Dobby desfez se em ruidosos soluços de gratidão . - Por favor - murmurou Harry , inquieto . - Por favor , está calado . Se os Dursleys ouvem barulho , se eles sabem que estás aqui ... - Harry_Potter pergunta se pode ajudar Dobby . Dobby ouviu falar de a sua grandeza , mas de a sua bondade , Dobby nada sabia . Harry , que se sentia corar , disse : - Seja o que for que tenhas ouvido sobre a minha grandeza , é um disparate . Nem_sequer sou o melhor de o meu ano em Hogwarts . É a Hermione . Ela ... Mas calou se rapidamente porque pensar em Hermione era lhe doloroso . - Harry_Potter é humilde e modesto - disse Dobby reverentemente , com os seus olhos de globo avermelhados . - Harry_Potter não fala de a sua vitória sobre « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . - Voldemort ? - perguntou Harry . Dobby bateu com as mãos em as enormes orelhas e gemeu : - Ai não diga o nome , senhor . Não diga o nome ! - Desculpa - disse Harry muito depressa . - Eu sei que muita gente não gosta . O meu amigo Ron ... Calou se de_novo . Pensar em o Ron era igualmente doloroso . Dobby voltou para Harry os seus dois olhos grandes como candeeiros . - Dobby ouviu dizer - balbuciou com voz rouca - que Harry_Potter encontrou o Senhor_do_Mal uma segunda vez há poucas semanas atrás ... que Harry_Potter lhe escapou de_novo . Harry acenou e os olhos de Dobby encheram se de lágrimas . - Ah , senhor - disse em um sobressalto , limpando o rosto com a ponta de a fronha de almofada que tinha vestida . - Harry_Potter é valente e arrojado . Enfrentou tantos perigos ! Mas Dobby veio protegê o , avisar Harry_Potter , mesmo_que para isso tenha de entalar as orelhas em a porta de o forno , que Harry_Potter não deve voltar para Hogwarts . Houve um silêncio apenas quebrado por o ruído de os garfos e de as facas lá em baixo e por a voz distante de o tio Vernon . - O q-q-uê ? - gaguejou Harry . - Mas eu tenho de voltar , o ano começa em o dia um de Setembro . É a minha razão de viver . Tu não sabes como são as coisas aqui . Eu não pertenço a este lugar , o meu lugar é em Hogwarts . - Não , não , não - guinchou Dobby , sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas andavam de um lado para o outro . - Harry_Potter deve ficar aqui , onde se encontra a salvo . É demasiado grande , demasiado bom para se perder . Se Harry_Potter regressar a Hogwarts correrá perigo de vida . - Porquê ? - inquiriu Harry , surpreendido . - Há uma conspiração , Harry_Potter . Uma conspiração para fazer acontecer coisas terríveis este ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts - murmurou Dobby que começara a tremer de a cabeça a os pés . - Dobby sabe de isto há meses , senhor . Harry_Potter não deve expor se a o perigo . É demasiado importante . - Que coisas terríveis são essas ? - perguntou Harry sem perder tempo . - Quem está por detrás ? Dobby fez um ruído esquisito e começou a bater com a cabeça contra a parede como um louco . - Está bem - gritou Harry , agarrando o braço de o elfo para o fazer parar . - Não podes dizer , eu compreendo . Mas porque vieste avisar me ? - Um pensamento súbito e desagradável surgiu lhe . - Espera aí , isto tem alguma coisa que ver com o Vol , desculpa com o Quem nós sabemos ? Basta que faças sim ou não com a cabeça - acrescentou com vivacidade enquanto a cabeça de Dobby se inclinava de_novo a uma velocidade preocupante para a parede . Lentamente , Dobby abanou a cabeça . - Não , não é « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . Os olhos de Dobby estavam abertos como_se estivesse a tentar dar a Harry uma pista , mas Harry estava completamente a a nora . - Ele não tem nenhum irmão , ou tem ? Dobby abanou a cabeça , os olhos mais abertos do_que nunca . - Bem , em esse caso não estou a ver quem mais poderia ter a possibilidade de fazer acontecer coisas horríveis em Hogwarts - disse Harry . - Quero dizer , para já está lá o Dumbledore . Sabes quem é Dumbledore , não sabes ? Dobby baixou a cabeça . - Albus_Dumbledore é o melhor director que Hogwarts alguma vez teve . Dobby sabe , senhor . Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore rivalizam com os d'aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Mas , senhor - a voz de Dobby desceu a um urgente murmúrio - há poderes que Dumbledore não ... poderes que nenhum feiticeiro sério ... E antes que Harry conseguisse impedi o Dobby saltou de a cama , agarrou o candeeiro de secretária de Harry e começou a bater com a cabeça , dando uivos ensurdecedores . Fez se silêncio lá em baixo . Dois segundos mais tarde , Harry com o coração a bater como um louco , ouviu o tio Vernon chegar a o * hall * e dizer . - O Dudley deve ter deixado outra_vez a televisão ligada , o maroto ! - Depressa , para dentro de o guarda-fatos - gritou Harry , empurrando Dobby bem para o fundo , fechando a porta e metendo se a correr em a cama mesmo a_tempo_de ver a maçaneta de a porta a girar . - Que diabo estás tu a fazer ? - disse o tio Vernon entre dentes , o rosto assustadoramente próximo de o de Harry . - Acabas de estragar o ponto alto de a minha anedota de o golfista japonês . Eu que oiça mais um som e vais desejar nunca ter nascido , rapaz ! Abandonou o quarto com grandes passadas . A tremer , Harry deixou Dobby sair de o guarda-fatos . - Estás a ver como são as coisas por aqui ? - disse . - Vês porque tenho de voltar para Hogwarts ? É o único sítio onde eu tenho ... bem , onde eu acho que tenho amigos . - Amigos que nem_sequer escrevem a Harry_Potter ? - disse Dobby com ar manhoso . - Calculo que devem ter estado ... espera aí - disse Harry , franzindo a testa . - Como é_que tu sabes que os meus amigos não me têm escrito ? Dobby arrastou os pés . - Harry_Potter não deve zangar se com Dobby . Dobby fez o que achou melhor ... - Tu tens estado a interceptar me as cartas ? - Dobby tem as aqui , senhor - disse o elfo . Saltando para longe de o alcance de Harry , retirou de dentro de a fronha que usava um espesso saco cheio de envelopes . Harry reconheceu de imediato a caligrafia certinha de Hermione , a escrita desordenada de Ron e até uns gatafunhos que pareciam ser de o guarda de os campos de Hogwarts , Hagrid . Dobby piscava ansiosamente os olhos . - Harry_Potter não deve ficar zangado ... Dobby esperava que ... se Harry_Potter pensasse que os amigos o tinham esquecido ... Harry_Potter talvez não quisesse voltar a a escola , senhor . Harry não o ouvia . Fez um gesto para agarrar as cartas , mas Dobby deu um salto , afastando se . - Harry_Potter terá as cartas , senhor , se der a Dobby a sua palavra de não voltar a Hogwarts . Ah , senhor , é um risco que não deve correr . Diga que não volta , senhor ! - Não - afirmou Harry zangado . - Dá me as cartas de os meus amigos ! - Em esse caso , Harry_Potter deixa Dobby sem escolha - disse o elfo tristemente . Antes que Harry pudesse fazer um movimento , Dobby tinha aberto a porta de o quarto e descido a correr por as escadas abaixo . Com a boca seca e um aperto em o estômago , Harry correu atrás de ele , tentando não fazer barulho . Saltou os últimos seis degraus , aterrando como um gato em a carpete de o * hall * , olhando em volta a a procura de Dobby . De a sala de jantar , ouviu a voz de o tio Vernon : - Conte a a Petúnia aquela história engraçadíssima de os funileiros americanos , ela tem estado louca por ouvi a , Mr._Mason . Harry correu de o * hall * para a cozinha e sentiu o estômago ficar pequenino . O pudim , que era a a obra-prima de a tia Petúnia , a montanha de creme batido coberto de violetas de açúcar flutuava junto de o tecto . Em cima de o guarda-louça de o canto , Dobby inclinava se servilmente . - Não - suplicou Harry . - Por favor , eles matam me . - Harry_Potter deve dizer que não vai voltar a a escola ... - Dobby , por favor . - Diga , senhor . - Não posso . Dobby lançou lhe um olhar trágico . - Então , Dobby deve fazê o , senhor , para o bem de Harry_Potter . O pudim foi direito a o chão em uma queda que parecia um coração a parar . O crome esguichou para as janelas e para as paredes , enquanto o prato se despedaçava . Com o ruído de uma chicotada , Dobby desapareceu . Ouviram se gritos em a casa de jantar e o tio Vernon irrompeu por a cozinha onde foi dar com Harry coberto , de a cabeça a os pés , por o pudim de a tia Petúnia . A princípio parecia que o tio Vernon ia conseguir arranjar uma desculpa para aquilo tudo . ( É só o nosso sobrinho , muito perturbado ; conhecer pessoas estranhas deixa o muito nervoso , por isso deixamos o lá em cima ... ) Conduziu_os_Mason , bastante chocados , para a sala de jantar , garantindo a Harry que o esfolava vivo quando os Mason se fossem embora e pôs lhe em as mãos um esfregão . A tia Petúnia descobriu um resto de gelado em o frigorífico e Harry , ainda a tremer , começou a limpar a cozinha . O tio Vernon poderia ainda ter feito o negócio , se não fosse a coruja . Estava a tia Petúnia a circular com uma caixa de After-Eight , quando uma enorme coruja de celeiro fez a sua entrada vertiginosa através de a janela de a casa de jantar , deixando cair uma carta em a cabeça de Mr._Mason e desaparecendo logo_a_seguir . Mrs._Mason gritava como uma carpideira e corria por a casa praguejando contra os lunáticos . Mr._Mason ficou o tempo estritamente necessário para dizer a os Dursleys que a mulher tinha um medo pânico de pássaros de todas_as formas e tamanhos e perguntar lhes se aquela era alguma brincadeira de mau gosto . Harry não saiu de a cozinha , agarrando o esfregão como defesa , enquanto o tio Vernon avançava para ele com um brilho demoníaco em os olhos pequeninos . - Lê isso - ordenou maldosamente . Harry pegou em a carta . Não era a desejar lhe um bom aniversário . * _ Caro_Mr._Potter , * _ Recebermos hoje informações de que um feitiço de suspensão em o ar foi efectuado em sua casa esta noite , a as nove_horas_e_doze_minutos . * _ Como sabe , os feiticeiros menores não estão autorizados a praticar magia fora de a escola e , se efectuar mais um trabalho mágico , será expulso de a nossa escola . ( Decreto_de_Restrições_Razoáveis_para_Feitiçaria_de_Menores , 1875 , parágrafo C. ) * _ Pedimos-lhe também que se lembre que qualquer actividade que possa ser notada por membros alheios a a nossa comunidade ( Muggles ) constitui uma ofensa grave , segundo a secção 13 de a Confederação_Internacional_do_Estatuto_da_Magia_Secreta . * _ Tenha umas boas férias . * Atenciosamente_Mafalda_Hopkirk_Gabinete_da_Utilização_Imprópria_da_Magia_Ministério_da_Magia * . Harry olhou para a carta e engoliu em seco . - Tu não nos contaste que estavas proibido de usar magia fora de a escola - disse o tio Vernon com um brilho maldoso a dançar lhe em os olhos . - Esqueceste te de o mencionar , passou te , não foi ? Tinha se aproximado de Harry como um grande * bulldog * , com todos os dentes a a mostra . - Tenho boas notícias para ti , rapaz , vou fechar te a a chave e , se tentares sair através_de magia , nunca mais voltas a aquela escola , eles expulsam te . E rindo como um louco , arrastou Harry até a o andar de cima . O tio Vernon era mau como as cobras . Em a manhã seguinte pagou a um homem para colocar grades em a janela de o quarto de Harry . Ele próprio abriu um pequeno buraco em a porta de o quarto para que a comida pudesse ser introduzida três vezes por dia . Deixavam o Harry sair para ir a a casa_de_banho de manhã e a o final de a tarde . O resto de o tempo estava fechado em o quarto , a a espera que o tempo passasse . Três dias mais tarde , os Dursleys não mostravam qualquer intenção de abrandar o castigo e Harry não sabia como sair de aquela situação . Estava deitado em a cama , vendo o sol brilhar por_entre as grades de a janela e perguntando se tristemente o que viria a acontecer lhe . Qual era a vantagem de sair de ali por artes mágicas , se Hogwarts o expulsaria em seguida ? Contudo , a vida em Privet_Drive tinha atingido o seu nível mais baixo . Agora_que os Dursleys tinham a certeza que não iam acordar transformados em morcegos , ele perdera a única arma que tinha . O Dobby podia tê o salvo de acontecimentos terríveis em Hogwarts , mas de a maneira que as coisas estavam , ele morreria muito provavelmente a a fome . A portinhola rangeu e a mão de a tia Petúnia apareceu empurrando uma tigela de sopa de pacote para dentro de o quarto . Harry , que estava cheio de fome , saltou de a cama e agarrou a . A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um único trago . A seguir , atravessou o quarto até a a gaiola de Hedwig e pôs os legumes ensopados dentro de o seu pratinho vazio . Ela agitou as penas e olhou o com profunda repugnância . - Não vale de nada virares lhe as costas . É tudo_o_que temos - disse Harry , de modo severo . Colocou a tigela vazia em o chão junto de a portinhola e voltou para_cima de a cama , de certo modo com mais fome do_que antes de ter comido a sopa . Admitindo que estaria ainda vivo dentro_de quatro semanas o que aconteceria se ele não se apresentasse em Hogwarts ? Será que mandariam alguém obrigar os Dursleys a deixá o ir ? O quarto começava a escurecer . Exausto e com o estômago a dar horas , o cérebro a as voltas com as mesmas questões sem resposta , Harry caiu em um sono intranquilo . Sonhou que fazia parte de um espectáculo de o jardim zoológico . Preso a a jaula onde se encontrava estava um cartaz onde podia ler se « feiticeiro menor de idade « . As pessoas olhavam o com olhos protuberantes , enquanto ele jazia fraco e esfomeado em um leito de palha . Viu a cara de o Dobby em o meio de a multidão e gritou lhe , pedindo ajuda , mas o Dobby respondeu : - Harry_Potter está em segurança aí , senhor - e desapareceu . Em seguida vieram os Dursleys e Dudley bateu em as grades de a jaula , rindo se de ele . - Pára com isso - murmurou Harry como_se aquele ruído martelasse em a sua cabeça dorida . - Deixa me em paz , pára com isso , estou a tentar dormir . Abriu os olhos . O luar brilhava através de as grades de a janela . E lá fora alguém olhava de olhos arregalados para ele : alguém de rosto sardento , cabelo ruivo e nariz grande . Ron_Weasley estava de o lado de_fora de a janela . III « A toca » Ron ! - exclamou Harry , arrastando se até a a janela e empurrando a para poderem falar através de as grades . - Ron , como é_que tu , foi o ... ? Harry ficou de boca aberta , espantado com o que viu . Ron estava debruçado de a janela de trás de um velho automóvel azul-turquesa que se encontrava estacionado em o ar . Em os lugares de a frente , rindo se para Harry , estavam os irmãos mais velhos , os gémeos Fred e George . - Tudo bem , Harry ? - O que é_que se tem passado ? - perguntou o Ron . - Porque não respondeste a as minhas cartas ? Convidei te para vires ter comigo umas doze vezes e um dia o pai chegou a casa e comunicou nos que tu tinhas recebido um aviso oficial por usares magia diante de os Muggles ... - Não fui eu . E como é_que ele soube ? - Ele trabalha em o Ministério - disse o Ron . - Tu sabes que nós não podemos fazer feitiços fora de a escola . - Bem , isso vindo de ti ... - exclamou Harry , olhando para o carro flutuante . - Oh , isto não conta - disse Ron . - Foi o meu pai que o emprestou . Não o fizemos aparecer por magia . Mas usar magia em a frente de esses Muggles com quem tu vives ... - Já te disse que não fui eu , mas vai demorar muito_tempo a explicar te isso agora . És capaz de avisar em Hogwarts que os Dursleys me fecharam a a chave e que não querem deixar me voltar e obviamente eu não posso sair de aqui magicamente senão o Ministério vai achar que é a segunda vez em três dias e ... - Pára com essa conversa tola - disse o Ron . - Viemos para te levar connosco . - Mas tu também não podes tirar me de aqui utilizando processos mágicos ... - Não precisamos de isso - afirmou Ron , fazendo um sinal de cabeça para os lugares de a frente . - Esqueces te de quem está aqui comigo . - Amarra isso em volta de as grades - disse o Fred , lançando a Harry a ponta de uma corda . - Se os Dursleys acordam estou feito - lamentou se Harry enquanto dava um nó bem apertado com a corda em uma de as grades e o Fred arrancava com o carro . - Não te preocupes e chega te para trás . Harry recuou para a sombra , para junto de Hedwig que parecia ter se apercebido de a importância de tudo aquilo , mantendo se quieta e em silêncio . O carro puxou mais e mais e , subitamente , com um ruído de ferro a ceder , as grades foram arrancadas de a janela , enquanto Fred conduzia com o céu como estrada . Harry correu de_novo para a janela para ver as grades a balouçarem a poucos metros de o chão . Ofegante , Ron içou as para dentro de o carro . Harry escutou ansiosamente mas não vinha qualquer som de o quarto de os Dursleys . Quando as grades estavam em segurança em os lugares de trás junto de Ron , Fred aproximou se o_máximo que lhe foi possível de a janela . - Anda de aí - disse . - Mas , todas_as minhas coisas de Hogwarts , a minha varinha , a minha vassoura ... - Onde estão ? - Fechadas em a despensa debaixo de as escadas e eu não posso sair de este quarto . . - Não há azar - disse o George . - Sai de a frente , Harry . Fred e George treparam cautelosamente e entraram por a janela em o quarto de Harry . Tinhas que ter aberto a boca , pensou Harry enquanto George tirava de o bolso um vulgar gancho de cabelo e começava a tentar abrir a fechadura . - Muitos feiticeiros acham que é uma perda de tempo aprender os truques de os Muggles - disse o Fred . - Mas nós pensamos que há habilidades que é sempre útil conhecer apesar_de serem um_pouco lentas . Ouviu se um pequeno clique e a porta abriu se . - Pronto , vamos buscar as tuas coisas . Tu vai dando a o Ron aquilo que precisas de aí de o teu quarto - murmurou George . - Cuidado com o degrau de cima que range - sussurrou Harry enquanto os gémeos desapareciam em o escuro . Harry deu a volta a o quarto , recolhendo as suas coisas e passando as por a janela a o Ron . Em seguida , foi ajudar o Fred e o George a trazerem o resto por as escadas acima . Ouviu o tio Vernon tossir . Por fim , de língua de_fora , chegaram a o quarto , junto de a janela aberta . Fred trepou para o carro para puxar os volumes com o Ron enquanto Harry e George os empurravam de dentro de o quarto . Centímetro a centímetro o malão foi passando por a janela . O tio Vernon tossiu de_novo . - Mais um_pouco - disse o Fred que estava a puxar de dentro de o carro . Um bom empurrão , vá . Harry e George encostaram os ombros contra a mala e ela escorregou para a parte de trás de o carro . - O. _ K. , vamos embora - murmurou o George . Mas quando Harry trepava para o parapeito de a janela ouviu se um forte pio atrás de ele , imediatamente seguido de o vociferar de o tio Vernon . - Aquela maldita coruja ! - Esqueci me de a Hedwig ! Harry precipitou se de_novo para o quarto , enquanto a luz de o patamar se acendia . Agarrou a gaiola de Hedwig , correu para a janela e passou a a o Ron . Estava a subir para_cima de a cómoda quando o tio Vernon bateu em a porta , que não estava fechada , e esta se abriu completamente . Por uma fracção de segundo , o tio Vernon ficou estático junto de a porta . Em seguida , soltou um mugido como um boi zangado e avançou para Harry , agarrando o por o tornozelo . Ron , Fred e George seguraram o por os braços e puxaram o com toda_a força . - Petúnia - rosnou o tio Vernon . - Ele está a fugir ! : __ ele está a __ fugir ! Os Weasleys deram um puxão gigantesco e a perna de o Harry escapou a as garras de o tio Vernon . Logo_que Harry entrou em o carro e a porta se fechou , Ron gritou : - Acelera Fred ! - E o carro partiu subitamente em direcção a a lua . Harry mal podia acreditar que estava livre . Esticou se a a janela , o ar de a noite a fustigar lhe os cabelos e olhou para baixo , para os telhados apertados de Privet_Drive . O tio Vernon , a tia Petúnia e o Dudley estavam todos debruçados com cara de parvos , a a janela de o quarto de ele . - Até a o próximo Verão - gritou . Os Weasleys riam se a as gargalhadas e Harry esticou se para trás em o assento e pediu a o ouvido de Ron : - Deixa sair a Hedwig . Ela pode voar atrás_de nós . Há séculos que não tem uma oportunidade de esticar as asas . George passou a o Ron o gancho de cabelo e , um momento depois , a Hedwig saíra feliz por a janela , planando atrás de eles como um fantasma . - Então , qual é a história ? - perguntou Ron , impaciente . - O que é_que tem estado a acontecer ? Harry contou lhes tudo sobre o Dobby , o aviso de este e o fracasso de o pudim de violetas . Houve um longo silêncio quando ele se calou . - Isso cheira me a esturro - disse , por fim , o Fred . - Definitivamente misterioso - concordou George . - Então ele nem te disse quem está supostamente por detrás dessa trama toda ? - Acho que não podia - explicou Harry . - Já te disse , de cada_vez que estava quase a deixar escapar qualquer coisa , começava a bater com a cabeça em a parede . Viu Fred e George olharem um para o outro . - O quê ? Acham que ele estava a mentir me ? - perguntou Harry . - Bem - começou o Fred -- , coloquemos as coisas de o seguinte modo , os elfos de casa têm poderes mágicos próprios , mas geralmente não podem usá os sem a autorização de os seus donos . Eu acho que o bom de o Dobby foi enviado para evitar que voltasses para Hogwarts . Uma ideia de um engraçadinho . Haverá alguém em a escola com má vontade contra ti ? - Sim - responderam Harry e Ron , precisamente ao_mesmo_tempo . - Draco_Malfoy - explicou Harry . - Ele detesta me . - Draco_Malfoy ? - perguntou George , voltando se para trás . - O filho de o Lucius_Malfoy ? - Deve ser . Não é um nome muito vulgar , pois não ? - disse Harry . - Mas porquê ? - Ouvi o pai falar acerca de ele - confidenciou George . - Ele era um grande apoiante de o « Quem nós sabemos » . - E quando o « Quem nós sabemos » desapareceu - continuou o Fred , voltando a cara para olhar para Harry - o Lucius_Malfoy voltou , dizendo que não foi por vontade própria que fez o que fez . Monte de lixo . O pai acha que ele fazia parte de um círculo de amigos íntimos de o « Quem nós sabemos » . Harry já tinha ouvido esses boatos sobre a família de Malfoy e não o surpreenderam em absoluto . Malfoy fizera Dudley_Dursley parecer um rapazinho simpático , amável e sensível . - Não sei se os Malfoy têm um elfo de casa ... - afirmou Harry . - Bem , quem quer que o possua é sem dúvida uma antiga família de feiticeiros e deve ser rica - explicou Fred . - Sim . A mãe está sempre a desejar que pudéssemos ter um elfo de casa para passar a roupa a ferro - disse o George . - Mas só temos um velho vampiro piolhoso em o sótão e gnomos espalhados por o jardim . Os elfos de casa pertencem a as grandes casas senhoriais , a os castelos e lugares assim , não encontrarias um em a nossa casa ... Harry estava calado . Considerando que Draco_Malfoy tinha sempre as melhores coisas , que a sua família nadava em ouro de feiticeiros , era fácil imaginá o passeando se por uma enorme casa senhorial . Mandar o servo de a família evitar que Harry voltasse para Hogwarts também parecia exactamente o tipo de coisa que Malfoy poderia fazer . Teria Harry sido estúpido a o tomar Dobby a sério ? - De qualquer modo , ainda_bem que viemos buscar te - declarou Ron . - Eu começava a ficar seriamente preocupado por não responderes a nenhuma de as minhas cartas . A princípio pensei que a culpa fosse de a Errol ... - Quem é a Errol ? - A nossa coruja . Já é velhota . Não seria a primeira vez que adoecia durante uma entrega . Por isso , tentei pedir a Hermes emprestada ... - Quem ? - A coruja que os meus pais compraram a o Percy quando ele foi nomeado prefeito - respondeu Fred . - Mas o Percy não me a emprestou . Disse que precisava de ela . - O Percy tem andado com atitudes muito estranhas este Verão - comentou George franzindo a testa . - E tem mandado imensas cartas e passado um tempo infinito fechado em o quarto ... enfim , pode limpar se e polir um distintivo de prefeito todas_as vezes que se quiser ... Estás a conduzir demasiado para ocidente , Fred - acrescentou apontando para uma bússola em o painel de o automóvel . Fred girou o volante . - Então , o vosso pai sabe que têm o carro ? - perguntou Harry , quase adivinhando a resposta . - Er ... não - disse o Ron . - Ele tinha trabalho esta noite . Felizmente vamos poder pô o de_novo em a garagem , sem a mãe perceber que andámos a voar nele . - A propósito , o que faz o vosso pai em o Ministério_da_Magia ? - Trabalha em o Departamento mais chato - respondeu Ron . - A Divisão de utilização incorrecta de artefactos de os Muggles . - O quê ? - Relaciona se com objectos de feitiçaria que foram feitos por os Muggles ; sabes como é , se forem parar de_novo a uma loja de os Muggles , ou a uma casa , como em o ano passado , quando morreu uma bruxa velha e o bule de ela foi vendido a uma loja de antiguidades . Uma mulher Muggle comprou o , tentou servir chá a os amigos . Foi um pesadelo , o pai teve de fazer horas extraordinárias durante semanas . - O que é_que aconteceu ? - O bule parecia louco , esguichou chá a ferver para todos os lados e um de os homens foi parar a o hospital com a pinça de o açúcar presa em o nariz . O pai ficou nervosíssimo . É só ele e o velho feiticeiro Perkings em o gabinete e tiveram de localizar e descobrir todo o tipo de encantamentos para resolver o assunto . - Mas o teu pai ... este carro ... Fred riu se . - Sim , o pai é louco por tudo_o_que tem que ver com os Muggles . A nossa arrecadação está cheia de coisas de os Muggles . Ele separa as , lança lhes feitiços e volta a pô as em o lugar . Se ele fizesse uma busca a nossa casa teria de se prender a si mesmo . A minha mãe fica louca com tudo aquilo . - É a estrada principal - gritou o George , apontando para baixo através de a janela . - Dentro_de poucos minutos estamos lá , mesmo a tempo , está a começar a clarear . Um leve brilho rosado tingia o horizonte para leste . Fred trouxe o carro para baixo e Harry pôde ver uma manta de retalhos de campos escuros e matas de arbustos . - Estamos um_pouco longe de a vila - disse George . - Em Ottery_St . Catchpole ... O carro voador foi descendo a os poucos . A luz avermelhada brilhava agora por_entre as árvores . - Terra - disse o Fred , em o momento em que tocaram em o chão com um ligeiro solavanco . Tinham aterrado perto_de uma garagem em ruínas em um pequeno pátio e Harry viu pela_primeira_vez a casa de o Ron . Parecia ter sido em tempos uma pocilga de pedra . Mas os quartos que posteriormente lhe tinham sido acrescentados haviam a tornado bastante mais alta e o seu aspecto era tão curvado que parecia ter sido construída por artes mágicas ( o que , pensou Harry , era , muito provavelmente , verdade ) . De o telhado vermelho saíam quatro ou cinco chaminés . Junto de a entrada , fixa em o chão , podia ver se uma inscrição assimétrica que dizia « A toca » . A o lado de a porta principal estava uma contusão de botas de * _ Wellington * e um caldeirão completamente enferrujado . Por o pátio passeavam se várias galinhas castanhas e gordas . - Não é grande coisa - desculpou se o Ron . - É óptima - exclamou Harry , feliz , pensando em Privet_Drive . Saíram de o carro . - Agora vamos lá para_cima sem fazer barulho - disse o Fred . - E esperamos que a mãe nos chame para o pequeno-almoço . Depois tu , Ron , desces a escada entusiasmadíssimo . - Mãe , olha quem apareceu cá durante a noite ! - E ela vai sentir se felicíssima quando vir o Harry . Assim ninguém fica a saber que levámos o carro voador . - Certo - disse o Ron . - Vamos , Harry , eu durmo em o ... Ron ganhou uma cor de um pálido esverdeado , os olhos fixos em a casa . Os outros três fizeram meia volta . Mrs._Weasley avançava por o pátio , afugentando as galinhas e , para uma mulher baixa , roliça e simpática , era fantástico como conseguia parecer se com um tigre dentes-de-sabre . - Ah ! - suspirou o Fred . - Oh , oh ! - exclamou o George . Mrs._Weasley parou em frente de eles . As mãos em as ancas , saltando de um olhar culpado para o outro . Usava um avental a as flores , com uma varinha a sair lhe de o bolso . - Com que então - disse . - Bom dia , mãe - arriscou o George com uma voz que tentou que fosse alegre e bem-disposta . - Vocês têm alguma ideia de como tenho estado preocupada ? - perguntou Mrs._Weasley em um murmúrio fraco . - Desculpe , mãe , mas sabe , nós tivemos que ... Os três filhos de Mrs._Weasley eram mais altos do_que ela , mas tremiam quando a fúria de a mãe se abatia sobre eles . - Camas vazias ! Nem um bilhete ! O carro desaparecido ... Podiam ter tido um acidente , estou fora de mim com tanta preocupação e vocês nem se importam ... nunca , enquanto eu for viva ... esperem só até o vosso pai chegar , nunca tivemos problemas de estes com o Bill , com o Charlie ou com o Percy ... - O perfeito Percy - resmungou Fred . - : __ tu não vales um dedo de a mão de o __ percy ! - gritou Mrs._Weasley , espetando um dedo em o queixo de o Fred . - Podias ter morrido , podias ter sido visto , podias ter feito com que o teu pai perdesse o emprego ... Parecia nunca mais acabar . Mrs._Weasley tinha gritado até ficar ronca , antes de se voltar para o Harry , que recuou . - Estou muito contente por te ver , Harry - disse . - Entra e vem tomar o pequeno-almoço . Ela voltou se e regressou a casa e Harry , depois de trocar um olhar nervoso com o Ron , que lhe acenou , encorajando o , seguiu a . A cozinha era pequena e bastante estreita . A meio havia uma enfezada mesa de madeira e cadeiras em volta e Harry sentou se a a beirinha de o assento , olhando em volta . Era a primeira vez que entrava em uma casa de feiticeiros . O relógio em a parede em frente de ele , tinha apenas um ponteiro e nenhum número . Em volta , estavam escritas frases como « Hora de fazer o chá » , « Hora de dar de comer a as galinhas « e « Estás atrasado » . Empilhados em o rebordo de a lareira estavam livros com títulos como * _ Encanta o teu próprio queijo , Encantamento em a cozedura de o pão e Banquetes em um minuto - é mágico * ! E , a menos que os ouvidos de Harry estivessem a traí o , o velho rádio próximo de o lava-loiças acabara de anunciar que a seguir vinha a Hora de enfeitiçar com a popular feiticeira-cantora Celestina_Warbeck . Mrs._Weasley fazia barulho com os talheres , preparando o pequeno-almoço um bocado a o acaso , lançando olhares furiosos a os filhos , enquanto lançava as salsichas em a frigideira . De vez em quando murmurava coisas como : « Não sei o que vos passou por a cabeça « ou « nunca devia ter confiado em vocês » . - Eu não te culpo , filho - tranquilizou Harry , pondo lhe sete ou oito salsichas em o prato . - Eu e o Arthur temos estado preocupados contigo . Ainda ontem a a noite estivemos a dizer que te iríamos buscar nós próprios se não respondesses a o Ron até sexta-feira . Mas , em a verdade ( estava agora a acrescentar três ovos estrelados a o prato de ele ) , atravessar metade de o país a voar em um carro ilegal , qualquer um vos poderia ter visto ... Agitou maquinalmente a varinha em a direcção de o lava-loiças , onde a loiça começou a lavar se sozinha , tinindo baixinho lá atrás . - Estava enevoado , mãe ! - exclamou o Fred . - Boca fechada enquanto comes ! - interrompeu Mrs._Weasley . - Eles estavam a fazê o passar fome , mãe ! - disse o George . - E tu também ! - disse Mrs._Weasley , mas já foi com uma expressão mais doce que começou a cortar o pão para Harry e a barrá o com manteiga . Em esse momento , as atenções voltaram se para um pequenino volto de cabelos ruivos , em uma camisa de dormir até a os pés , que surgiu em a cozinha , deu um grito agudo e desapareceu de_novo . - É a Ginny - disse Ron baixinho a o Harry -- , a minha irmã . Tem falado de ti todo o Verão . - Sim , ela vai querer o teu autógrafo , Harry - riu se o Fred , mas o seu olhar cruzou se com o de a mãe e inclinou se para o prato , não voltando a abrir a boca . Ninguém falou até os quatro pratos estarem limpos , o que sucedeu a uma velocidade surpreendente . - Bolas , estou cansado - bocejou Fred , pousando a faca e o garfo . Acho que me vou deitar e ... - Não vais , não senhor - interrompeu Mrs._Weasley . - A culpa é tua se ficaste toda_a noite acordado . Vais fazer a des-gnomização de o jardim . Eles estão outra_vez a exagerar . - Oh , mãe ... - E vocês os dois o mesmo - dirigiu se a o Ron e a o Fred . - Tu podes ir para a cama , filho - disse a Harry . - Não lhes pediste que guiassem aquele carro miserável . Mas Harry , que se sentia acordadíssimo , respondeu prontamente : - Eu ajudo o Ron , nunca vi uma des-gnomização ... - É muito simpático de a tua parte , querido , mas é um trabalho chato - explicou Mrs._Weasley . - Vejamos o que o Lockhart tem a dizer acerca disto . E puxou de o rebordo de a lareira um livro pesadíssimo . George resmungou : - Mãe , nós sabemos * des-gnomizar * o jardim . Harry olhou para a capa de o livro de Mrs._Weasley . Em grandes letras douradas , que ocupavam grande parte de a capa , podia ler se Guia_de_Gilderoy_Lockhart para pragas caseiras . Via se também a grande fotografia de um feiticeiro bem-parecido , de cabelos loiros ondulados e olhos azuis brilhantes . Como sempre , em o mundo de os feiticeiros , a fotografia mexia se . O feiticeiro , que Harry calculou ser Gilderoy_Lockhart , não parava de lhes piscar os olhos descaradamente . Mrs._Weasley sorriu lhe . - Oh , ele é fantástico - disse . - Conhece bem as pragas caseiras . É um livro maravilhoso . - A mãe adora o - disse Fred em um murmúrio bastante audível . - Não sejas ridículo , Fred - repreendeu Mrs._Weasley com as bochechas coradas . - É claro que se achas que sabes mais do_que o Lockhart , podes ir fazer o trabalho e ai de ti se houver um único gnomo em o jardim quando eu for fazer a inspecção . A bocejar e a resmungar , os Weasley arrastaram se lá para fora com Harry atrás de eles . O jardim era grande e , em a opinião de Harry , exactamente como deveria ser um jardim . Os Dursleys não teriam gostado . Havia uma enorme quantidade de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada , mas havia árvores nodosas em volta de as paredes , plantas que Harry nunca vira , tombando de todos os canteiros e um grande lago verde cheio de rãs . - Os Muggles também têm gnomos de jardim , sabes - disse o Harry a o Ron , enquanto atravessavam a relva . - Sim , já vi essas coisas que eles pensam que são gnomos - disse o Ron todo dobrado , com a cabeça em uma moita de peónias . - Como os Pais_Natais gordinhos com canas de pesca ... Houve um tumulto ruidoso , a moita de peónias estremeceu e Ron endireitou se . - Isto_é um gnomo - declarou com um ar sério . - Larga eu ! Larga eu ! - guinchou o gnomo . Não se parecia em absoluto com o Pai_Natal . Era pequenino e parecia de couro , com uma grande cabeça protuberante e calva , precisamente como uma batata . Ron agarrou o a a distância de um braço , enquanto ele dava pontapés em o ar com os seus pézinhos que pareciam chifres . Agarrou o por os tornozelos e voltou o de pernas para o ar . - Isto_é o que tens de fazer - disse . Levantou o gnomo acima de a cabeça ( Larga eu ! ) e começou a balouçá o em grandes círculos , como os vaqueiros fazem com os laços . A o ver a expressão chocada de Harry , Ron explicou : - Não os mágoa . Só tens de os deixar bem tontos para que consigam encontrar o caminho de regresso a os buracos de os gnomos . Largou os tornozelos de o gnomo . Ele voou seiscentos metros e aterrou com um ruído surdo em o campo a o lado de a sebe . - Deplorável - afirmou o Fred . - Aposto que consigo lançar o meu para_além de aquele tronco . Harry aprendeu rapidamente a não sentir muita pena de os gnomos . Decidira largar o primeiro que apanhou para_além de a sebe , mas o gnomo , sentindo fraqueza , enfiou os seus dentinhos , aguçados como laminas , em o dedo de o Harry e não foi fácil sacudi o para ele o largar , até que ... - Uau , Harry , esse deve ter sido seiscentos metros ... O ar estava subitamente cheio de gnomos voadores . - Vês , eles não são muito espertos - afirmou o George , agarrando cinco ou seis de uma_vez . - Em o momento em que se apercebem que começou a * des-gnomização * , aparecem todos para espreitar . Era de esperar que já tivessem aprendido a ficar quietinhos . Rapidamente a multidão de gnomos começou a ir se embora , atravessando os campos em uma fila ordenada , com os pequeninos ombros arqueados . - Eles voltam - disse o Ron enquanto os via desaparecer em a sebe de o outro lado de o campo . - Eles adoram estar aqui ... o pai é muito mole com eles , acha lhes piada . Em esse momento , a porta de a frente bateu . - Ele já voltou ! - exclamou o George . - O pai já está em casa ! Apressaram se a entrar . Mr._Weasley tinha se afundado em uma de as cadeiras de a cozinha , sem óculos e com os olhos fechados . Era um homem magro , quase calvo , mas o pouco cabelo que tinha era tão ruivo como o de os filhos . Vestia um longo manto verde cheio de pó e estava cansado de a viagem . - Que noite - murmurou , tacteando em busca de o bule , enquanto todos se sentavam a a volta de ele . - Nove assaltos , nove ! E o velho Mundungs_Fletcher tentou lançar me um feitiço quando eu estava de costas . Mr._Weasley tomou um bom gole de chá e suspirou . - Encontrou alguma coisa , pai ? - perguntou Fred ansiosamente . - Só encontrei algumas chaves encolhidas e uma chaleira que mordia - bocejou Mr._Weasley . - Havia um material bastante mauzinho , mas não era de o meu departamento . O Mortlake foi levado para ser interrogado sobre uns furões extremamente antigos , mas isso pertence a a Comissão_dos_Feitiços_Experimentais , graças_a Deus . - Por_que é_que alguém ia dar se a o trabalho de fazer encolher chaves ? - perguntou George . - Para chatear os Muggles - suspirou Mr._Weasley . - Vende se lhes uma chave que não pára de encolher , até que desaparece , de_modo_a que nunca a encontrem quando precisam ... É claro que é muito difícil condenar alguém , porque nenhum Muggle é capaz de admitir que a sua chave está a encolher , insistem em que estão sempre a perdê a . Benditos sejam , vão até onde for preciso para ignorar a magia , mesmo_que ela esteja em frente de os seus narizes ... mas vocês não acreditariam em as coisas que o nosso grupo tem levado para enfeitiçar ... - : __ como carros , por __ exemplo ? Mrs._Weasley tinha aparecido , segurando um grande atiçador que parecia uma espada . Os olhos de Mr._Weasley abriram se de repente , fitando a mulher com um ar culpado . - C-carros , Molly querida ? - Sim , Artur , carros - afirmou Mrs._Weasley , os olhos a faiscar . - Imagina um feiticeiro a comprar um carro velho e enferrujado e dizer a a mulher que a única coisa que queria fazer com ele era desmontá o para ver como ele funcionava , enquanto em a verdade estava a enfeitiçá o para o fazer voar . Mr._Weasley piscou os olhos . - Bem , querida , acho que poderás constatar que não é ilegal fazer isso , embora , er , talvez ele devesse ter contado a verdade a a mulher ... Existe uma forma de tornear a lei , já_que ela diz que ... desde_que não se tenha a * intenção * de voar em o carro , o facto de ele poder voar , não ... - Arthur_Weasley tu arranjaste essa forma de tornear a lei quando a escreveste ! - gritou Mrs._Weasley . - Para poderes continuar a remexer em todo aquele lixo de os Muggles que tens em a arrecadação ! E , para tua informação , o Harry chegou hoje_de_manhã em o carro que tu não pretendias pôr a voar ! - Harry ? - perguntou Mr._Weasley sem expressão . - Qual Harry ? Olhou em volta , viu Harry e deu um salto . - Santo_Deus , é Harry_Potter ? Muito prazer , o Ron falou nos tanto de si ... - * _ O teu filho conduziu aquele carro até a a casa de o Harry e de volta até aqui em a noite passada ! * - gritou Mrs._Weasley . - O que tens a dizer a esse respeito ? - A sério ! ? - exclamou Mr._Weasley com vivacidade . - Correu tudo bem , quero dizer ... - vacilou a o ver os olhos de Mrs._Weasley que faiscavam . - Er , fizeram mal , rapazes , muito mal , mesmo ... - Vamos deixá os a os dois - murmurou o Ron , enquanto Mrs._Weasley inchava como um sapo gigantesco . - Vamos , vou mostrar te o meu quarto . Esgueiraram se de a cozinha e desceram uma passagem estreita que dava para uma escada desnivelada que ziguezagueava a o longo de a casa . Em o terceiro andar , estava uma porta entreaberta . Harry só teve tempo de ver um par de olhos castanhos brilhantes que o olhavam fixamente , antes de a porta se fechar com um estalido . - A Ginny - disse o Ron . - Não imaginas como é estranho vês a tão tímida , ela que quase nunca se cala ... Subiram mais dois andares , até chegarem a uma porta com a tinta a descascar e uma pequena placa dizendo : « Quarto_do_Ronald » . Harry entrou . A cabeça quase tocava em o tecto inclinado . Piscou os olhos . Era como entrar dentro_de uma fornalha : quase tudo em o quarto de o Ron tinha um violento matiz alaranjado : a colcha de a cama , as paredes , até o tecto . Em seguida , apercebeu se de que o Ron tinha coberto cada centímetro de o velho papel de parede com * posters * de as mesmas sete feiticeiras e feiticeiros , todos vestidos com brilhantes mantos cor de laranja , transportando vassouras e acenando entusiasticamente . - A tua equipa de Quidditch ? - perguntou Harry . - Os Chudley_Cannons - disse Ron , apontando para a colcha cor de laranja que tinha um brasão com dois C's gigantes e uma bala de canhão a_toda_a velocidade . - Nono em a Liga . Os livros de estudo de feitiços de Ron estavam empilhados desordenadamente a um canto , junto de um monte de B. _ D. , todas elas relativas a as * _ Aventuras_de_Martin_Miggs , o Muggle louco * . A varinha mágica de o Ron estava em_cima_de um aquário cheio de ovos de rã sobre o peitoril de a janela , junto de o seu rato gordo e cinzento , Scabbers , que dormia uma soneca a o sol . Harry passou por_cima_de um baralho de cartas de jogar com vontade própria , que estava caído em o chão , e olhou para fora de a janelinha . Em o campo , não muito longe , podia ver um grupo de gnomos a esgueirarem se , um a um , de_novo para a sebe de os Weasley . Em seguida , voltou se para Ron que o observava nervoso , como_se esperasse a opinião de ele . - É um_pouco pequeno - declarou o Ron muito depressa . - Não se parece nada com o quarto que tu tinhas em casa de os Muggles . E estou mesmo debaixo de o vampiro de o sótão . Ele anda sempre a bater nos canos e a gemer ... Mas Harry , com um grande sorriso , disse lhe : - Esta é a melhor casa em que eu já estive . As orelhas de Ron ficaram cor-de-rosa . IV_Na_Flourish and Blotts_A vida em a Toca era o mais diferente que é possível de a vida em Privet_Drive . Os Dursleys gostavam de tudo limpo e arrumado , em casa de os Weasleys explodia o estranho e o inesperado . Harry teve um choque de a primeira vez que olhou para o espelho que estava sobre a lareira de a cozinha e ele gritou : - Mete para dentro a camisa , * desmazelado ! * - O vampiro de o sótão gemia e batia nos canos , sempre_que sentia as coisas demasiado calmas e as pequenas explosões em o quarto de o Fred e de o George , eram consideradas perfeitamente normais . Mas o que o Harry achou mais bizarro em a vida em casa de o Ron , não foi o espelho que falava , nem o vampiro barulhento , foi o facto de todos ali em casa parecerem gostar de ele . Mrs._Weasley preocupava se com o estado de as suas meias e tentava obrigá o a servir se quatro vezes a cada refeição . Mr._Weasley gostava que Harry se sentasse a o lado de ele a a mesa para poder bombardeá o com perguntas sobre a vida com os Muggles , pedindo que lhe explicasse como funcionavam coisas como as canalizações e o serviço de os correios . - Fascinante ! - exclamava , enquanto Harry lhe explicava a utilização de o telefone . - Engenhoso , de facto , todas_as maneiras que os Muggles encontraram para passar sem a magia . Harry teve notícias de Hogwarts em uma manhã de sol , cerca de uma semana depois de ter chegado a a Toca . Quando , ele e o Ron desceram para tomar o pequeno-almoço , encontraram Mr. e Mrs._Weasley e Ginny já sentados a a mesa . Em o momento em que viu o Harry , Ginny entornou a tigela de os cereais , que caiu a o chão com grande espalhafato . Ginny entornava facilmente coisas sempre_que o Harry estava em a sala . Mergulhou debaixo de a mesa para apanhar a tigela e emergiu com o rosto a brilhar como o sol poente . Fingindo não ter dado por nada , Harry sentou se e aceitou a torrada que Mrs._Weasley lhe ofereceu . - Cartas de a escola - disse Mr._Weasley , passando a o Harry e a o Ron envelopes idênticos de pergaminho amarelado , com a morada escrita a tinta verde . - O Dumbledore já sabe que estás aqui , Harry , não perde nada aquele homem . Vocês os dois também - acrescentou , enquanto Fred e George deambulavam em a casa , ainda em pijama . Fez se silêncio durante alguns momentos , enquanto liam as respectivas cartas . A de o Harry dizia para apanhar o Expresso_de_Hogwarts , como sempre em a Estação_de_King's_Cross , em o dia_1_de_Setembro . Havia ainda uma lista de os livros que precisaria para o próximo ano . Os alunos de o segundo ano deverão ter : * _ O_Livro_Padrão_de_Feitiços , Grau 2 , por Miranda_Goshawk . * _ Ensinamentos_de_Uma_Fada_Carpideira , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Férias com Bruxas , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Duendes , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Lobisomens , por Gilderoy_Lockhart . * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves , por Gilderoy_Lockhart * . Fred , que terminara a sua própria lista , espreitou para a de o Harry . - Também te mandam comprar os livros de o Lockhart - disse . - A professora de defesa contra as artes negras deve ser fanática . Aposto que é uma bruxa . Nessa_altura , Fred percebeu o olhar de a mãe e apressou se a comer o doce de laranja . - Esse conjunto não vai ficar barato - disse George , olhando rapidamente para os pais . - Os livros de o Lockhart são de os mais dispendiosos ... - Cá nos havemos de arranjar - declarou Mrs._Weasley , mas parecia preocupada . - Espero que pelo_menos para a Ginny possamos arranjar uma data de coisas em segunda mão . - Ah , vais entrar este ano para Hogwarts ? - perguntou lhe Harry . Ela fez um aceno , corando até a a raiz de os cabelos ruivos e meteu o cotovelo em o pires de a manteiga . Felizmente ninguém deu por nada , a não ser o Harry , porque em esse momento o irmão mais velho de Ron , o Percy , entrou . Já estava vestido , com a placa de prefeito aplicada a a sua camisola de malha . - Bom dia a todos - disse , cheio de vivacidade . - Está um dia lindo . Puxou a única cadeira livre , mas deu um salto quando ia sentar se e , debaixo de ele , saltou um espanador cinzento de penas , pelo_menos , foi o que o Harry pensou até ver que ele respirava . - Errol ! - exclamou Ron , afastando a coruja de o Percy e retirando lhe debaixo de a asa uma carta . - Até que enfim , a resposta de a Hermione . Escrevi lhe a contar que íamos tentar raptar te de casa de os Dursleys . Levou Errol para um poleiro que havia junto a a porta de as traseiras e tentou colocá a lá em cima , mas Errol caiu redonda e Ron teve de a pôr em a pia , murmurando : - Patético . - Em seguida , abriu a carta de a Hermione e leu a em voz alta . * _ Querido_Ron e Harry , se aí estiveres . Espero que tudo tenha corrido bem , que o Harry esteja O. _ K. e que não tenham feito nada ilegal para conseguir trazes o , porque isso podia criar lhe problemas também a ele . Tenho estado muito preocupada e , se o Harry estiver bem , por favor digam me qualquer coisa rapidamente , mas talvez seja melhor usarem uma nova coruja , porque acho que outra entrega pode acabar como esta . * _ Estou muito atarefada com trabalho de a escola , claro * . - Como é possível ? - perguntou Ron , horrorizado . - Estamos em férias ! - * _ E vamos para Londres em a próxima quarta-feira para comprar os meus livros novos . Porque não nos encontramos em a Diagon-al ? * _ Dêem-me notícias vossas o mais depressa possível . * _ Carinhosamente_Hermione * - Bem , parece uma boa solução , podemos ir todos comprar as vossas coisas - disse Mrs._Weasley , começando a limpar a mesa . - O que vão fazer hoje ? Harry , Ron , Fred e George tinham planeado ir a o cimo de o monte a um pequeno cercado de cavalos que os Weasleys possuíam . Estava rodeado de árvores que lhe tapavam a vista de a cidade cá em baixo , o que quer_dizer que podiam praticar Quidditch , desde_que não voassem muito alto . Não podiam usar as verdadeiras bolas de Quidditch pois seria muito difícil explicar se elas escapassem e voassem sobre a cidade . Em vez de elas , lançavam maçãs para os outros apanharem . Faziam turnos para montar a Nimbus dois_mil , que era de longe a melhor vassoura . A velha Shooting_Star_de_Ron fora muitas_vezes ultrapassada por as borboletas que passavam . Cinco minutos mais tarde estavam a marchar por o monte acima , de vassouras a o ombro . Tinham perguntado a o Percy se ele queria juntar se a eles , mas ele alegara muito trabalho . Até esse dia , Harry só tinha visto Percy a a hora de as refeições , ele ficava em silêncio em o quarto o resto de o tempo . - Gostava de saber o que ele anda a fazer - afirmou Fred , de testa franzida . - Não parece o mesmo . O resultado de os exames veio um dia antes de tu chegares : doze N_F_V e ele nem se manifestou satisfeito . - Níveis_de_Feitiçaria_Vulgares - explicou o George , vendo o olhar atarantado de Harry . - Se não temos cuidado , ainda nos calha outro Chefe_de_Turma em a família . Acho que não suportaria a vergonha . Bill era o mais velho de os irmãos Weasley . Ele e o irmão a seguir , Charlie , já tinham saído de Hogwarts . Harry não conhecia nenhum de os dois , mas sabia que o Charlie estava em a Roménia a estudar dragões e o Bill em o Egipto a trabalhar em o banco de os feiticeiros : Gringotts . - Não sei como o pai e a mãe vão arranjar dinheiro para nos pagar o material escolar este ano - disse o George , passado um bocado . - Cinco conjuntos de livros de o Lockhart ! E a Ginny precisa de mantos e de uma varinha e tudo_isso ... Harry não disse nada . Sentiu se um_pouco incomodado . Fechada em um cofre subterrâneo , em o banco de Gringotts_de_Londres , estava uma pequena fortuna que os pais lhe tinham deixado . É claro que só tinha esse dinheiro em o mundo de os feiticeiros , não se podem usar Galeões , Leões e Janotas em as lojas de os Muggles . Ele nunca fizera referência a a sua conta bancária em Gringotts a os Dursleys . Não lhe parecia que o horror que eles sentiam por tudo_o_que se relacionava com a feitiçaria se estendesse a uma enorme pilha de barras de ouro . Mrs._Weasley acordou os a todos bem cedo , em a quarta-feira seguinte . Depois de comerem umas doze sanduíches de * bacon * cada_um , enfiaram os casacos e Mrs._Weasley tirou um vaso de a prateleira de o fogão de a cozinha e espreitou lá para dentro . - Está a acabar se , Arthur - suspirou . - Temos de comprar mais hoje ... Bem , os hóspedes primeiro . Passa , Harry querido ! E ofereceu lhe o vaso de flores . Harry olhou espantado enquanto todos eles o observavam . - O q-que é_que eu devo fazer ? - gaguejou . - Ele nunca viajou com o pó de Floo - disse o Ron subitamente . - Desculpa , Harry , esqueci me . - Nunca ? - perguntou Mrs._Weasley . - Mas então como chegaste a a Diagon - _ Al em o ano passado para comprar as tuas coisas ? -- Fui por o subterrâneo . - A sério ? - disse Mr._Weasley , entusiasmado . - Havia fugitivos ? Como é_que ... - Agora não , Arthur - disse Mrs . Weasley . - O pó de Floo é muito mais rápido , querido , mas , valha me Deus , se ele nunca o usou ... - Vai correr bem , mãe - disse o Fred . - Harry observa nos primeiro . Tirou uma pitada de pó brilhante de dentro de o vaso , aproximou se de o lume e lançou o pó em as chamas . Com um rugido , o fogo ficou verde-esmeralda e elevou se a uma altura superior a a de o Fred que avançou , gritando Diagon - _ Al ! E desapareceu . - Tens de falar claramente , filho - disse Mrs._Weasley a o Harry , ao_mesmo_tempo que George metia a mão em o vaso de as flores . - E vê se sais em o fogão certo . - Em o quê ? - perguntou Harry , nervoso , enquanto o lume crepitava e fazia George desaparecer também . - Bem , há imensos fogos de feiticeiros , mas desde_que te tenhas expressado claramente ... - Ele vai conseguir , Molly , não te preocupes - disse Mr._Weasley , tirando também ele algum pó . - Mas querido se ele se perde como é_que vamos justificar nos perante o tio e a tia de ele ... -- Eles não se importariam - tranquilizou a Harry . - O Dudley ia achar imensa piada se eu me perdesse em uma chaminé , não se preocupe . - Bem , em esse caso ... tu vais a seguir a o Arthur - disse Mrs._Weasley . - Logo_que entres em o fogo diz para_onde queres ir . - E mantém os cotovelos dobrados - preveniu o Ron . - E os olhos fechados - disse Mrs._Weasley . - A fuligem . - Não te enerves - disse o Ron . - Senão podes ir parar a a lareira errada . - Não entres em pânico e não queiras sair cedo de mais . Espera até veres o Fred e o George . Fazendo um enorme esforço por reter toda aquela informação , Harry tirou uma pitada de pó de Floo e avançou para a beirinha de o fogo . Respirou fundo , espalhou o pó em as chamas e entrou . O fogo parecia uma brisa quente . Abriu a boca e engoliu , de imediato , uma grande quantidade de cinzas quentes . D-dia-gon-al - tossiu . Sentiu se como_se estivesse a ser sugado para um buraco gigantesco . Como_se girasse muito depressa ... o ruído era ensurdecedor . Tentou manter os olhos abertos mas o turbilhão de chamas verdes fê lo enjoar ... algo duro bateu lhe em o cotovelo e dobrou o de imediato . Continuava a rodar , a rodar ... sentia se agora como_se várias mãos frias estivessem a bater lhe em a cara ... Espreitando através de os óculos , viu uma torrente imprecisa de fogões e captou lampejos de as salas que estavam por detrás ... as sanduíches de * bacon * davam lhe a volta dentro de o estômago ... fechou os olhos desejando que tudo aquilo parasse e então caiu , de cara em o chão , em a pedra fria e sentiu os óculos partirem se a os bocados . Desorientado e ferido , coberto de fuligem , pôs se cautelosamente de pé , levando a os olhos os óculos partidos . Estava completamente só e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava . Tudo_o_que podia dizer era que a o seu lado via uma lareira que lhe parecia ser a de uma enorme e indistinta loja de feitiçaria . Mas nenhum de os artigos que ali se encontravam tinham aspecto de fazer parte de a lista de a escola de Hogwarts . Em uma caixa de vidro podia ver se uma mão atrofiada que repousava sobre uma almofada , um baralho de cartas ensanguentado e um olho de vidro que o olhava fixamente . Máscaras de expressão maldosa enchiam as paredes , olhando de esguelha , uma enorme quantidade de ossos humanos estendia se sobre o balcão e , de o tecto , pendiam instrumentos aguçados com pontas de ferro e pregos enferrujados . Mas o pior é_que a rua estreita e escura , que Harry conseguia avistar através de a janela poeirenta de a loja , não era de modo algum a Diagon-al . Quanto_mais depressa saísse de ali , melhor . O nariz ainda a doer lhe em o sítio onde batera em o chão a o aterrar , Harry avançou rápida e silenciosamente em direcção a a porta , mas antes de conseguir chegar a meio caminho , duas pessoas apareceram de o lado de_fora de o vidro , e uma de elas era a última pessoa que Harry desejaria encontrar em o momento em que se encontrava perdido , coberto de fuligem e com os óculos partidos , Draco_Malfoy . Harry olhou rapidamente em volta e apercebeu se de a existência de um grande armário escuro a a sua esquerda , saltou lá para dentro e fechou as portas , deixando uma gretazinha para poder espreitar . Segundos depois , uma campainha tocava e Malfoy entrava em a loja . O homem que o acompanhava só podia ser o pai . Tinha o mesmo rosto pálido de feições agudas e os mesmos olhos cinzentos de gelo . Mr._Malfoy atravessou a loja , olhando maquinalmente para os artigos expostos e tocou a campainha de o balcão , antes de se voltar para o filho , dizendo : - Não mexas em nada , Draco . Malfoy , que vira o olho de vidro , disse : - Pensei que ias oferecer me um presente . - Eu prometi que ia comprar te uma vassoura de corrida - declarou o pai , tamborilando com os dedos sobre o balcão . - Para que é_que me serve , se não estou em a equipa de Quidditch ? - perguntou Malfoy , carrancudo e de mau humor . - O Harry_Potter teve uma Nimbus dois_mil o ano passado , com a autorização especial de o Dumbledor é para jogar em os Gryffindor . Ele nem é assim tão bom , é só por ser * famoso * ... famoso por ter uma estúpida cicatriz em a testa . Malfoy baixou se para observar uma prateleira cheia de crânios . - Todos acham que ele é tão esperto , o Potter maravilha , com a sua cicatriz e a sua vassoura ... - Já me disseste isso doze vezes pelo_menos - comentou Mr._Malfoy , olhando repressivamente para o filho . - E devo lembrar te que não é prudente parecer menos do_que amigo de Harry_Potter , quando a maior parte de a nossa gente vê em ele um herói que fez desaparecer o Senhor_do_Mal . Ah , Mr._Borgin . Um homem curvado surgiu por detrás de o balcão , puxando o cabelo gorduroso para trás . - Mr._Malfoy , que prazer vês o de_novo - disse Mr._Borgin , em uma voz tão untuosa como o cabelo . - Encantado , e o nosso jovem Malfoy também , encantado . Em que posso servi os ? Tenho que vos mostrar o que chegou hoje , a um preço muito razoável ... - Hoje não venho comprar , Mr._Borgin , e sim vender - afirmou Mr._Malfoy . - Vender ? - O sorriso apagou se lentamente em o rosto de Mr._Borgin . - Certamente ouviu dizer que o Ministério está a levar a cabo mais buscas - explicou o Mr._Malfoy , retirando de o bolso um rolo de pergaminho e desembrulhando o para Mr._Borgin o ler . - Eu tenho alguns , ah , artigos em casa que poderiam criar me problemas se o Ministério me batesse a porta . Mr._Borgin colocou em o nariz um par de * pince-nez * e olhou para a lista . - O Ministério não se lembraria de o incomodar certamente ... O lábio de Mr._Malfoy dobrou se . - Ainda não me fizeram nenhuma visita . O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito , mas o Ministério está a ficar cada_vez_mais intrometido . Há boatos sobre um novo decreto de protecção de os Muggles , sem dúvida que aquele mordido de as pulgas , adorador de os Muggles , que é o Arthur_Weasley deve estar por detrás de isso . Harry sentiu crescer a raiva . - E , como pode ver , alguns de estes venenos podiam dar a ideia ... - Compreendo perfeitamente , claro - disse Mr._Borgin . - Deixe me ver ... - Posso ter aquilo ? - interrompeu Draco , apontando para a mão raquítica que estava sobre a almofada . - Ah , a mão de a glória ! - exclamou Mr._Borgin , abandonando a lista de Mr._Malfoy e apressando se a responder a Draco . - Põe se lhe uma vela e ela só dá luz a quem a transporta ! A melhor amiga de os gatunos e de os salteadores , o seu filho tem gosto , senhor . - Espero que o meu filho venha a ser mais do_que gatuno ou salteador , Borgin - disse Mr._Malfoy friamente e Mr._Borgin respondeu logo : - Sem ofensa , senhor , sem querer ofender . - Embora , se as notas de a escola não melhorarem - disse Mr._Malfoy ainda mais friamente - esse possa vir a ser o único caminho possível para ele . - Não tenho culpa - retorquiu Draco . - Todos os professores têm os seus preferidos , aquela Hermione_Granger ... - Eu , em o teu lugar , teria vergonha que uma rapariga que nem_sequer pertence a famílias de feiticeiros , me passasse a a frente em todos os exames - interrompeu Mr._Malfoy . Ah - fez Harry baixinho , radiante por ver Draco atrapalhado e furioso . - É o mesmo em todo o lado - comentou Mr._Borgin em a sua voz untuosa . - O sangue de os feiticeiros conta cada_vez menos ... - Não para mim - afirmou Mr._Malfoy , com as longas narinas dilatadas . - Não senhor , nem para mim - concordou Mr._Borgin , inclinando se em uma vénia . - Em esse caso , talvez possamos voltar a a minha lista - disse Mr._Malfoy secamente . - Estou com alguma pressa , Borgin , tenho ainda hoje assuntos importantes a tratar em outro lado . Começaram a discutir os preços . Harry via nervosamente o Draco aproximar se de o seu esconderijo enquanto observava os objectos a a venda . Parou para examinar um enorme rolo de corda de carrasco e para ver , com um sorriso afectado , o cartão preso com um aparatoso laço de opalas onde podia ler se : * _ Cautela , não tocar . Amaldiçoado - reclama as vidas de dezanove donos , todos eles Muggles * . Draco voltou se e viu o armário mesmo em frente . Avançou , estendeu a mão para o puxador ... - Feito - disse Mr._Malfoy , a o balcão . - Vamos , Draco . Harry limpou a testa a a manga quando Draco se afastou . - Muito bom dia , Mr._Borgin . Espero por si amanhã em a mansão para ir buscar a mercadoria . Em o momento em que a porta se fechou , Mr._Borgin abandonou os seus modos subservientes . « Bom dia para o senhor , Mr._Malfoy , e , se as histórias que contam são verdadeiras , não me vendeu nem metade do_que tem escondido em a sua mansão ... » Murmurando de forma taciturna , Mr._Borgin desapareceu em uma sala escura . Harry esperou um minuto não fosse ele voltar e , em seguida , o mais silenciosamente possível , escapou se de o armário , passou por as caixas de vidro e saiu de a loja . Encostando os óculos partidos a o rosto , olhou em volta . Saíra em uma rua estreita e sombria que parecia composta exclusivamente de lojas dedicadas a as artes negras . Aquela de onde acabava de sair parecia ser a maior , mas em frente estava uma montra tétrica de cabeças encolhidas e duas portas abaixo podia ver se uma enorme caixa viva cheia de gigantescas aranhas pretas . Dois feiticeiros com aspecto pobre observavam o de a sombra de uma porta , murmurando entre si . Sentindo se nervoso , Harry pôs se a caminho , tentando agarrar os óculos a direito e não desistindo de a esperança de encontrar maneira de sair de ali . Por um cartaz de madeira , pendurado em a rua , indicando uma loja de venda de velas envenenadas , ficou a saber que se encontrava em a Rua * _ Bativolta * , mas isso não o ajudou pois Harry nunca ouvira falar em tal lugar . Calculou que não tinha pronunciado bem as palavras com a boca cheia de cinzas em a lareira de os Weasley . Tentando manter a calma perguntou a si mesmo o que havia de fazer . - Não estás perdido , pois não , meu menino ? - perguntou uma voz , mesmo junto de o seu ouvido , que o fez dar um salto . Uma bruxa idosa estava em a sua frente , segurando um tabuleiro de uma coisa que se parecia horrivelmente com unhas humanas . A mulher olhou o maldosamente , mostrando os dentes esverdeados . Harry recuou . - Estou bem , obrigado - disse . - Estou só ... - HARRY ! O qu'é que pensas que estás a fazer aqui ? O coração de Harry deu um salto , assim_como o de a bruxa . Um monte de unhas caíram lhe sobre os pés e ela praguejou , enquanto o corpo enorme de Hagrid , o guarda de os campos de Hogwarts , se aproximava de eles a passos largos com os olhos castanhos-escuros a faiscarem sobre a longa barba eriçada . - Hagrid - gritou Harry , aliviado . - Eu estava perdido ... o pó de Floo ... Hagrid agarrou Harry por o cachaço e puxou o para longe de a bruxa , tirando lhe o tabuleiro de as mãos . Os guinchos agudos de a feiticeira seguiram nos até a o fundo de a ruela serpenteante que ia dar a um lagar onde brilhava o sol . Harry avistou a a distância um edifício de mármore branco como a neve que lhe era familiar : o banco de Gringotts . Hagrid conduzira o até a a Diagon - _ Al . - ` _ tás em um péssimo estado ! - disse Hagrid bruscamente , sacudindo lhe a fuligem com tanta força que Harry quase caiu em um barril de estrume de dragão que se encontrava a a porta de um boticário . - A fugir , em a Rua * _ Bativolta * , eu não conheço esse lugar finório , Harry , não quero que ninguém te veja aqui em baixo . - Já percebi - disse Harry , baixando se quando Hagrid fez menção de o escovar melhor . - Já te disse que estava perdido . E o que é_que tu fazes aqui ? - ` _ Tou a a procura d'um repelente para as lesmas comedoras de legumes - resmungou Hagrid . - ` _ tão a destruir as couves todas de a escola . Tu não estás sozinho ? - Estou em casa de os Weasley , mas separámo nos explicou Harry . - Tenho que os encontrar . Desceram juntos a rua . - Por_que é_que nunca respondeste a as minhas cartas ? - perguntou Hagrid , enquanto Harry corria para o acompanhar ( tinha de dar três passos por cada enorme passada de Hagrid ) . Harry explicou lhe tudo sobre Dobby e os Dursleys . - Malditos_Muggles - rugiu Hagrid . - S'eu tivesse sabido ... - Harry ! Harry ! Aqui ! Harry olhou para_cima e viu Hermione_Granger em o topo de a escadaria de Gringotts . Desceu para vir a o encontro de ele , o cabelo castanho de caracóis , a esvoaçar atrás de ela . - O que aconteceu a os teus óculos ? Olá_Hagrid ... Oh , é maravilhoso ver vos outra_vez . Vens a Gringotts , Harry ? - Logo_que encontre os Weasley - respondeu ele . - Não vais ter d'esperar muito - riu se Hagrid . Harry e Hermione olharam em volta . Subindo a rua , em o meio de a multidão , vinham Ron , Fred , George , Percy e Mr._Weasley . - Harry - chamou Mr._Weasley , ofegante . - Tínhamos esperança que só tivesses ido um fogão mais longe ... - passou um pano em a sua calva reluzente . - A Molly está nervosíssima , aí vem ela . - Onde é_que tu saíste ? - perguntou o Ron . - Em a Rua * _ Bativolta * - disse o Hagrid , com um ar sério . - Sensacional ! - exclamaram Fred e George ao_mesmo_tempo . - Nunca nos deram autorização para lá ir - disse o Ron com uma pontinha de inveja . - E fizeram muito bem - grunhiu Hagrid . Mrs._Weasley chegou em aquele momento a correr , a mala a balouçar em uma de as mãos e Ginny quase pendurada em a outra . - Oh Harry , oh meu querido , podias ter ido parar a qualquer lugar ... Tentando recuperar o fôlego , tirou de a mala uma grande escova de roupa e começou a retirar a fuligem que Hagrid não conseguira expulsar . Mr._Weasley pegou em os óculos de Harry , deu lhes um toque de varinha e entregou lhe os como novos . - Bem , tenho de m'ir embora - disse Hagrid cuja mão estava a ser esmagada por Mrs._Weasley ( -- Rua * _ Bativolta * ! Se não o tivesses encontrado , Hagrid ! ) . - Vemo nos em Hogwarts . - E afastou se , os ombros e a cabeça acima de a multidão que enchia completamente a rua . - Adivinham quem eu vi em o Borgin and Burkes ? - perguntou Harry_a_Ron e a Hermione enquanto subiam as escadarias de Gringotts . - Malfoy e o pai . - O Lucius_Malfoy comprou alguma coisa ? - perguntou interessado Mr._Weasley que estava atrás de eles . - Não , estava a vender . - Então está preocupado - comentou Mr._Weasley com visível satisfação . - Ah , eu adorava apanhar o Lucius_Malfoy em alguma . . - Tem cuidado , Arthur - interrompeu Mrs._Weasley enquanto o gnomo porteiro lhes dava reverentemente entrada em o banco . - Isso é um problema de família . Não queiras ter mais olhos que barriga . - Queres dizer com isso que achas que eu não chego para o Malfoy ? - perguntou Mr._Weasley , indignado , mas foi rapidamente afastado de aqueles sentimentos a o avistar os pais de Hermione que estavam de pé , nervosamente encostados a o balcão que acompanhava a grande parede de mármore , a a espera que Hermione os apresentasse . - Mas vocês são Muggles ! - disse Mr._Weasley , encantado . - Temos de tomar uma bebida . O que é isso aí ? Ah , estão a trocar dinheiro de Muggle . Molly , olha - apontou cheio de excitação para as notas de dez libras que Mr._Granger tinha em a mão . - Encontramo nos aqui - disse Ron_a_Hermione , enquanto os Weasley e Harry eram conduzidos a os seus cofres em o subterrâneo de Gringotts . Para chegar a os cofres havia que tomar umas carrinhas conduzidas por gnomos que se deslocavam ao_longo_de carris de comboio de pequenas dimensões através de os túneis subterrâneos de o banco . Harry gostou de a viagem acidentada até a o cofre de os Weasley , mas sentiu se bastante mal , pior do_que em a Rua * _ Bativolta * , quando o cobre foi aberto . Havia lá dentro um pequenino monte de Leões de prata e apenas um Galeão de ouro . Mrs._Weasley foi com a mão a a procura em os cantos antes de , com um gesto rápido , varrer tudo para dentro de o saco . Harry sentiu se ainda pior quando chegaram a o seu cofre . Tentou evitar que vissem o conteúdo enquanto empurrava apressadamente mãos cheias de moedas para dentro_de uma sacola de cabedal . Lá fora , em as escadarias de mármore , separaram se . Percy murmurou vagamente que precisava de uma nova pena de escrever . Fred e George tinham avistado um amigo de Hogwarts , Lee_Jordan . Mrs._Weasley e Ginny iam a uma loja de mantos em segunda mão , Mr._Weasley continuava a insistir em levar os Grangers a o Caldeirão_Escoante para lhes pagar uma bebida . - Encontrarmo nos todos em a Flourish and Blotts dentro_de uma hora para comprar os vossos livros de estudo - disse Mrs._Weasley , afastando se com Ginny . - E nem um passo em direcção a a Rua * _ Bativolta * - gritou a os gémeos que estavam de costas . Harry , Ron e Hermione deambularam por a rua empedrada e sinuosa . O ouro , prata e bronze que tilintavam alegremente em o saco que Harry tinha em o bolso pareciam exigir ser gastos , por isso ele comprou três enormes gelados de morango e manteiga de amendoim que eles devoraram felizes enquanto vagueavam sem destino por a rua fora , observando as montras fantásticas de as lojas . Ron olhou longamente para um conjunto completo de mantos de o Chudley_Cannon , em as montras de o « Equipamento_de_Quidditch_de_Qualidade » até Hermione o arrastar de ali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos . Em a « Jogos_de_Feitiçaria_de_Gambol and Japes » encontraram o Fred , o George e o Lee_Jordan que estavam presos em a fabulosa partida debaixo_de chuva e em os fogos-de-artifício de o Dr._Filibuster . E em uma pequenina loja de velharias cheia de varinhas partidas , balanças instáveis de latão e mantos velhos cobertos de nódoas de poções encontraram Percy profundamente concentrado em um pequenino livro , bastante chato , chamado * _ Prefeitos que conquistam o poder * . - * _ Um estudo sobre os prefeitos de Hogwarts e as suas posteriores carreiras * - leu alto o Ron em a contracapa . - Deve ser fascinante ... - Desaparece - gritou Percy . - Claro , ele é muito ambicioso , já tem tudo planeado . Quer ser ministro de a magia - disse o Ron baixinho a o Harry e a a Hermione , enquanto deixavam Percy entregue a o livro . Uma hora mais tarde dirigiram se a a Flourish and Blotts . Não eram de modo algum os únicos a encaminhar se para a livraria . À_medida_que se aproximavam viram com grande surpresa uma grande multidão a a porta , tentando entrar em a loja . O motivo de tal confusão estava anunciado em um cartaz que se estendia a o longo de a montra superior . GILDEROY_LOCKHART_Assinará exemplares de a sua autobiografia " eu , o mágico " Hoje 12.30 - 16.30 - Vamos poder conhecê o ! - gritou Hermione . - Quero dizer , ele escreveu quase todos os livros de a nossa lista ! A multidão parecia ser maioritariamente composta por bruxas de a idade de Mrs._Weasley . Um feiticeiro bem-parecido estava de pé junto de a porta , dizendo : - Calma , minhas senhoras , não empurrem , cuidado com os livros . Harry , Ron e Hermione conseguiram furar e entrar . Uma longa fila serpenteava para as traseiras de a loja onde Gilderoy_Lockhart estava a assinar os seus livros . Cada_um de eles pegou em um exemplar de * _ ensinamentos de Uma Fada_Carpideira * e escaparam se de a fila indo ter a o lugar onde se encontravam os outros com Mr. e Mrs._Granger . - Ah , aí estão vocês . _ óptimo - disse Mrs._Weasley que parecia estar com falta de ar e não parava de mexer em o cabelo . - Vamos poder vês o dentro_de um minuto . Gilderoy_Lockhart veio lentamente até um lugar onde era visível para todos , sentou se a uma mesa , rodeado de grandes fotografias de o próprio rosto , todo ele sorrisos , mostrando a a multidão o brilho cintilante de os seus dentes . Lockhart usava uma túnica azul-noite que condizia a as mil maravilhas com a cor de os olhos , o chapéu pontiagudo de feiticeiro colocado lateralmente sobre o cabelo ondulado . Um homenzinho pequenino e irritante andava a dançar de um lado para o outro , tirando fotografias com uma grande máquina preta que lançava baforadas de fumo arroxeado em cada * flash * . - Sai de o caminho , tu aí - disse rispidamente a o Ron , mudando de lugar para ter um angulo melhor . - Este é para o * _ Profeta_Diário * . - Grande coisa ! - exclamou o Ron , esfregando os pés em o lugar que o fotógrafo pisara . Gilderoy_Lockhart ouviu o . Olhou , viu o Ron e em seguida Harry . Voltou a olhar , desta_vez com mais atenção . Em seguida , pôs se de pé e gritou : - Não pode ser , o Harry_Potter ? A multidão dividiu se entre murmúrios de excitação . Lockhart aproximou se , agarrou Harry por um braço e levou o para a frente . A multidão rebentou em aplausos . A cara de Harry ardia quando Lockhart lhe apertou a mão para o fotógrafo que disparava como um louco , lançando fumo espesso para_cima de os Weasley . - Belo sorriso , Harry - disse Lockhart através de os seus dentes brilhantes . - Tu e eu juntos merecemos a primeira página . Quando por fim lhe largou a mão , Harry quase não sentia os dedos . Tentou recuar para junto de os Weasley , mas Lockhart lançou lhe um braço por os ombros e prendeu o a o seu lado . - Minhas senhoras e meus senhores - disse bem alto , fazendo sinal para que se acalmassem . - Que momento extraordinário este ! O momento perfeito para eu anunciar algo que tenho vindo a guardar comigo desde_há algum tempo . - Quando o jovem Harry entrou em a Flourish and Blotts hoje , ele queria apenas comprar a minha autobiografia , que tenho agora o maior prazer em oferecer lhe - a multidão aplaudiu de_novo . - Ele não tinha ideia - continuou Lockhart , dando a o Harry um pequeno encontrão que fez com que os óculos lhe escorregassem para a ponta de o nariz - de que ia conseguir em_breve muito mais do_que o meu livro Eu , o mágico . Ele e os seus colegas de a escola vão receber , de facto , o verdadeiro * _ Eu , o mágico * . Sim , minhas senhoras e meus senhores , tenho o maior prazer em anunciar que em o mês_de_Setembro assumirei o lugar de professor de Defesa contra as artes negras em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts ! A multidão aplaudiu e bateu palmas e Harry deu consigo a ser presenteado com a obra completa de Gilderoy_Lockhart . Cambaleando ligeiramente sob o peso de os livros conseguiu abrir caminho para longe de os projectores até a a porta de a sala onde estava Ginny com o seu novo caldeirão . - Podes ficar com estes - murmurou Harry , enfiando os livros em o caldeirão . - Eu vou comprar os meus . - Aposto que adoraste aquilo , não adoraste , Potter ? - disse uma voz que Harry não teve qualquer dificuldade em reconhecer . Endireitou se e deu consigo frente_a_frente com Draco_Malfoy que exibia o seu habitual sorriso escarninho . - O famoso Harry_Potter - disse Malfoy . - Nem_sequer pode entrar em uma livraria sem se tornar primeira página . - Deixa o em paz , ele não queria nada de isso - defendeu a Ginny . Era a primeira vez que falava em frente de Harry . Olhava para Malfoy com um ar feroz . - Potter , arranjaste uma namorada ! - disse arrastadamente Malfoy . Ginny ficou vermelha como um pimentão enquanto Ron e Hermione tentavam abrir caminho , ambos carregando montes de livros de Lockhart . -- Ah és tu ? - disse Ron , olhando para Malfoy como_se ele fosse algo desagradável colado a a sola de o sapato . - Aposto que te surpreendeu ver o Harry aqui ? - Não tanto como a ti em uma loja , Weasley - retorquiu Malfoy . - Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo . Ron ficou tão vermelho quanto Ginny . Deixou também cair os livros em o caldeirão e avançou para Malfoy , mas Harry e Hermione agarraram o por as costas de o casaco . - Ron - disse Mrs._Weasley , aproximando se com Fred e George . - O que estás a fazer ? Isto está uma loucura aqui dentro , vamos lá para fora . - Olha quem ele é , Arthur_Weasley . - Era_Mr._Malfoy . Estava de pé com a mão sobre o ombro de Draco , com o mesmo sorriso escarninho . -- Lucius - disse Mr._Weasley , acenando friamente . -- Muito trabalho em o ministério , segundo me consta - disse Mr._Malfoy . - Todas essas buscas ... espero que te estejam a pagar horas extraordinárias . Meteu a mão em o caldeirão de a Ginny e tirou de o meio de os livros de Lockhart um exemplar muito velho e muito gasto de o * _ Guia_de_Transfiguração_para_Principiantes * . - Parece que não - disse . - Que diabo , qual a vantagem de ser uma nódoa entre os feiticeiros se nem_sequer te pagam bem por isso ? Mr._Weasley corou mais ainda do_que Ron ou Ginny . - Nós temos uma opinião diferente sobre quem são as nódoas entre os feiticeiros - disse . - É claro que ... - disse Mr._Malfoy , os olhos mortiços passando para Mr. e Mrs._Granger apreensivamente . - As companhias com quem tu andas ... e eu que pensava que já não conseguias descer mais baixo ... Ouviu se um tilintar de metal quando o caldeirão de a Ginny foi por os ares . Mr._Weasley lançara se sobre Mr._Malfoy atirando o para dentro_de uma estante . Dezenas_de livros de feitiços saltaram lá de cima , caindo lhes sobre as cabeças . Houve um grito de - Chega lhe , pai ! - de o Fred e de o George . Mrs._Weasley soltava gritos agudos : - Não_Arthur , não . A multidão recuava deitando mais prateleiras a o chão . - Meus senhores , por favor - gritava o encarregado , e então , mais alto do_que todos : - Parem com isso , gente , parem com isso . Hagrid aproximava se através_de um mar de livros . Em um segundo afastou Mr._Weasley e Mr._Malfoy . Mr._Weasley tinha um lábio cortado e Mr._Malfoy fora agredido em um olho por uma * _ Enciclopédia_de_Cogumelos_Venenosos * . Tinha ainda em a mão o livro velho de a Ginny sobre transfiguração . Atirou lhe o , com os olhos a brilhar de malvadez . - Toma o teu livro , garota . É o melhor que o teu pai pode oferecer te . Libertando se de Hagrid , conduziu Draco para fora e abandonaram a livraria . - Devias tê o ignorado , Arthur - disse Hagrid quase a pegar em Mr._Weasley a o colo enquanto lhe endireitava o manto . - São podres até a a raiz , todos eles . Tod'à gente sabe . Nenhum Malfoy vale a pena ser ouvido . Não prestam , ' tá-lhes em o sangue . Vá lá , vamos sair de aqui . O encarregado parecia querer impedis os , mas , olhando bem para Hagrid , pensou melhor . Subiram a rua , os Grangers a tremer de medo e Mrs._Weasley fora de si . - Um belo exemplo para as crianças ... andar a a pancada em público . O que terá pensado Gilderoy_Lockhart ? - Ele gostou - disse o Fred . - Não o ouviram quando ia a sair ? Estava a perguntar a aquele tipo de o Profeta_Diário se conseguia incluir a briga em a reportagem , disse que era boa publicidade . Mas foi um grupo deprimido que regressou a a lareira de o Caldeirão_Escoante onde Harry , os Weasley e todas_as suas compras iriam viajar de volta até a a Toca , usando o pó de Floo . Despediram se de os Grangers que iam sair de o * pub * por a rua de os Muggles , de o outro lado . Mr._Weasley começou a perguntar lhes como funcionavam as paragens de autocarros , mas calou se rapidamente a o ver a expressão de Mrs._Weasley . Harry tirou os óculos e guardou os cautelosamente em o bolso antes de utilizar o pó de Floo . Definitivamente não era a sua forma ideal de viajar . V_O salgueiro zurzidor O fim de as férias de Verão chegou demasiado depressa para o gosto de Harry . Ele desejara muito regressar a Hogwarts , mas aquele mês em a Toca tinha sido o mais feliz de toda_a sua vida . Era difícil não invejar o Ron quando pensava em os Dursleys e em as boas-vindas que ia receber de a próxima vez que pusesse os pés em Privet_Drive . Em a última noite , Mrs._Weasley preparou um jantar magnífico , que incluía os pratos favoritos de Harry e terminava com um pudim de melaço de fazer crescer água em a boca . Fred e George alegraram a noite com uma exibição de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que saltaram de o tecto para as paredes , durante pelo_menos meia_hora . Depois , foi a altura de tomarem uma caneca de chocolate quente e irem para a cama . Em a manhã seguinte , demoraram muito_tempo a preparar se . Levantaram se com o cantar de o galo , mas parecia lhes que ainda tinham muito para fazer . Mrs._Weasley andava de um lado para o outro , mal-humorada , a a procura de meias e penas , chocavam uns com os outros em as escadas , meio vestidos , meio despidos , com pedaços de torrada em as mãos e Mr._Weasley quase partiu o nariz quando tropeçou em uma galinha a o atravessar o pátio , para meter em o carro a mala de Ginny . Harry não percebia lá muito bem_como é_que oito pessoas , seis grandes malas , duas corujas e um rato , iam caber em um pequeno * _ Ford_Anglia * , isso , claro , antes de as artes mágicas que Mr._Weasley acrescentara . - Nem uma palavra a a Molly - murmurou ele a o Harry , enquanto abria a bagageira e lhe mostrava como ela se expandira para que as malas coubessem facilmente . Quando , por fim , se acomodaram todos em o carro , Mrs._Weasley olhou para o banco de trás , onde Harry , Ron , Fred , George e Percy estavam confortavelmente sentados uns a o lado de os outros e disse : - Os Muggles têm mais conhecimentos do_que aqueles que nós lhes atribuímos , não achas ? - Ela e a Ginny entraram para o lugar de a frente , que fora esticado e parecia um banco de jardim . - Quer_dizer , de_fora ninguém diria que este carro era espaçoso , não acham ? Mr._Weasley pôs o motor a funcionar e saíram de o pátio , Harry voltando se para trás para ver por a última vez a casa . Mal teve tempo de se questionar se iria voltar alguma vez e já estavam de volta : George esquecera se de a caixa de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Cinco minutos mais tarde tiveram de interromper de_novo a viagem e voltar a o pátio para o Fred ir a correr buscar a vassoura . Estavam quase a chegar a a auto-estrada , quando Ginny guinchou que se esquecera de o diário . Mas estava a fazer se muito tarde e os ânimos começavam a exaltar se . Mr._Weasley olhou para o relógio e , em seguida , para a mulher . - Molly , querida ... - Não , Arthur . - Ninguém ia ver . Este botãozinho é um transformador de invisibilidade que eu instalei , levava nos por o ar , subíamos acima de as nuvens . Estaríamos lá em dez minutos e ninguém daria por nada ... - Eu disse que não , Arthur . Durante o dia , não . Chegaram a King's_Cross , faltava um quarto para as onze . Mr._Weasley precipitou se em busca de um carrinho de transporte para as malas e correram todos para a estação . Harry apanhara o Expresso_de_Hogwarts em o ano anterior . A parte mais difícil era entrar em a plataforma nove_e_três quartos , que não era visível a os olhos de os Muggles . Era preciso avançar para a barreira sólida que dividia as plataformas nove e dez . Não doía nada , mas tinha de ser feito com cuidado para que nenhum de os Muggles de esse , por o desaparecimento . - O Percy em primeiro lugar - declarou Mrs._Weasley , olhando nervosamente para o relógio lá em cima , que mostrava que tinham apenas cinco minutos para desaparecer através de a barreira . Percy avançou a passos largos e desapareceu . Mr._Weasley foi a seguir e depois de ele Fred e George . - Eu levo a Ginny e vocês vêm atrás_de nós - disse Mrs._Weasley a o Harry e a o Ron , agarrando Ginny pela mão e seguindo em frente . Em um abrir e fechar de olhos , tinham passado . - Vamos passar juntos , só temos um minuto - disse Ron a o Harry . Harry assegurou se de que a gaiola de a Hedwig estava bem fixa em cima de a sua mala e empurrou o carrinho de encontro a a barreira . Estava perfeitamente confiante , aquilo era muito mais fácil do_que usar o pó de Floo . Puseram os dois as mãos em o puxador de os carrinhos e avançaram direitos a a barreira , ganhando velocidade . A um metro e pouco , começaram a correr e ... CRASH . Os dois carros bateram em a barreira e foram impelidos para trás . A mala de o Ron caiu com um enorme estrépito . Harry desequilibrou se e a gaiola de a Hedwig foi parar a o chão brilhante , enquanto ela rolava guinchando , indignada . As pessoas em volta olhavam fixamente e um guarda que estava ali perto gritou : - Que diabo pensam vocês que estão a fazer ? - Perdemos o controlo de o carro de transporte - respondeu o Harry , respirando com dificuldade , agarrando se a as costelas , enquanto se punha de pé . Ron correu a agarrar a Hedwig , que estava a fazer uma cena tal , que já se ouviam murmúrios em a multidão sobre a crueldade para com os animais . - Porque é_que não conseguimos passar ? - perguntou Harry a o Ron em um sussurro . - Não sei . Ron olhou descontroladamente em volta . Uma_dúzia de curiosos estavam ainda a observá os . - Vamos perder o comboio - murmurou o Ron . - Não compreendo porque motivo a cancela se fechou . Harry olhou para o relógio gigantesco com um sentimento de náusea em a boca de o estômago . Dez segundos , nove segundos ... Dirigiu o carrinho de transporte para a frente com toda_a força . O metal manteve se sólido . Três segundos ... dois segundos ... um segundo ... - Partiu - afirmou o Ron , que parecia estonteado . - O comboio foi se embora . E se a mãe e o pai não conseguem voltar para aqui ? Tens algum dinheiro de Muggle ? Harry deu uma gargalhada . - Os Dursleys não me dão um tostão há mais de seis anos ! Ron encostou o ouvido a a barreira . - Não se ouve nada - disse , bastante tenso . - O que vamos nós fazer ? Não sei quanto tempo o pai e a mãe vão demorar . Olharam em volta . As pessoas ainda estavam a observá os , principalmente devido a os contínuos guinchos de a Hedwig . - Acho que o melhor é sairmos de aqui e esperamos por eles junto de o carro - disse Harry . - Aqui estamos a atrair demasiado as aten ... - Harry - disse o Ron , com os olhos a brilhar . - É isso , o carro . - O que é_que tem ? - Podemos voar nele até Hogwarts ! - Mas eu pensei ... - Estamos em apuros , certo ? E temos de chegar a a escola , ou não ? E mesmo os feiticeiros menores de idade estão autorizados a usar a magia em uma emergência real , parágrafo dezanove , ou não sei quê , de a Restrição de ... O sentimento de pânico de Harry transformou se em entusiasmo . - E tu sabes voar nele ? - Não há problema - disse o Ron , andando com o carrinho a a volta e dirigindo se para a saída . - Anda de aí . Se em os apressarmos , conseguiremos sair atrás de o Expresso_de_Hogwarts . E afastaram se de o grupo de Muggles curiosos , abandonando a estação e voltando a a rua , onde o velho * _ Ford_Anglia * se encontrava estacionado . Ron abriu a bagageira com uma série de toques de varinha . Meteram lá dentro as malas , puseram a Hedwig em o assento de trás e entraram para a frente . - Verifica se ninguém está a ver - disse o Ron , ligando a ignição com outro toque de varinha . Harry pôs a cabeça fora de a janela : o trânsito enchia a avenida principal , mas a rua de eles estava vazia . - O. _ K. - disse . Ron carregou em um pequeno botão de o painel . Os carros em volta desapareceram assim_como eles . Harry sentia o assento a vibrar debaixo_de si , ouvia o motor , sentia as mãos sobre os joelhos e os óculos em o nariz , mas , tanto quanto conseguia ver , tornara se um par de olhos redondos flutuando um metro e pouco acima de o chão em uma rua suja , cheia de carros estacionados . - Vamos - disse a voz de o Ron , vinda de o seu lado direito . O chão e os prédios escuros de ambos os lados desapareceram de o seu ângulo de visão , mal o carro se elevou . Em poucos segundos toda_a cidade de Londres , enevoada e resplandecente , estava por baixo de eles . Em seguida , ouviu se um ruído que parecia o saltar de uma rolha e o carro , Harry e Ron , reapareceram . - Oh , oh - disse Ron , batendo em o intensificador de invisibilidade . - Está avariado ... Começaram os dois a bater em o botão . O carro desapareceu . Depois surgiu de forma intermitente . - Aguenta aí - gritou o Ron e carregou com o pé em o acelerador . Saltaram direitinhos para o meio de as nuvens mais baixas e tudo ficou sujo e enevoado . - E agora ? - exclamou Harry , piscando os olhos a a sólida massa de nuvens que os comprimia de todos os lados . - Precisamos de avistar o comboio para sabermos qual a direcção a tomar - explicou o Ron . - Desce rapidamente ... Desceram por o meio de as nuvens e voltaram se em os lugares , espreitando . - Estou a vê o - gritou Harry . - Mesmo em frente , ali . O Expresso_de_Hogwarts deslocava se a grande velocidade lá em baixo , como uma serpente vermelha . - Para Norte - disse o Ron , verificando a bússola de o painel . - O. _ k . , basta que verifiquemos de meia em meia_hora . Aguenta aí ... - e arrancaram por o meio de as nuvens . Em o minuto seguinte , tinham chegado a a luz brilhante de o Sol . Era um mundo diferente . Os pneus de o carro deslizavam sobre o mar de nuvens macias , o céu era de um azul infinito sob a luz , capaz de cegar , que irradiava de o Sol . - Agora só temos de nos preocupar com os aviões - disse o Ron . Olharam um para o outro e desataram a rir . Durante muito_tempo não conseguiram parar . Era como_se tivessem mergulhado em um sonho fabuloso . Aquela , pensou Harry , era certamente a única maneira de viajar : passando por turbilhões e torres de nuvens cor de neve , em um carro cheio de calor , o sol radioso , com um grande pacote de rebuçados em o porta-luvas e antegozando o ar de inveja de o Fred e de o George quando aterrassem suavemente e de forma espectacular em o relvado macio em frente de o castelo de Hogwarts . Espreitaram várias vezes o comboio enquanto voavam cada_vez_mais para norte . Cada descida entre as nuvens dava lhes uma perspectiva diferente . Londres depressa ficou para trás , substituída por campos verdejantes que , por sua vez , deram lugar a grandes pântanos arroxeados , aldeias com pequenas igrejas de brinquedo e uma grande cidade , cheia de vida , com carros que pareciam formigas multicores . Várias horas mais tarde sem acontecer nada de_novo , Harry teve de admitir que uma parte de o entusiasmo se esgotara . Os rebuçados tinham nos deixado cheios de sede e não havia nada para beber . Ele e o Ron tinham tirado as camisolas , mas a * _ T-shirt * de o Harry estava colada a as costas de o assento e os óculos não paravam de lhe escorregar para a ponta de o nariz . Deixara de reparar em as fabulosas formas de as nuvens e pensava com saudade em o comboio , milhas abaixo de eles , onde se podia comprar sumo fresquinho de abóboras em um carro empurrado por uma bruxa gordinha . Porque não teriam conseguido entrar em a plataforma nove_e_três quartos ? - Não pode ser muito mais longe , pois não ? - resmungou o Ron , horas mais tarde quando o Sol começava a enfiar se em o seu chão de nuvens , pintando as de um rosa profundo . - Estás pronto para outra espreitadela a o comboio ? Ainda ia mesmo por baixo de eles , abrindo caminho por_entre uma montanha com o topo coberto de neve . Estava muito mais escuro entre o dossel de nuvens . Ron pôs o pé em o acelerador e levou os de_novo para_cima , mas em esse momento o motor começou a chiar . Harry e Ron trocaram entre si olhares nervosos . - Deve estar só cansado - disse o Ron . - Nunca tinha vindo tão longe ... - E fingiram ambos que não davam por o gemido que se ia tornando maior à_medida_que o céu serenamente escurecia . As estrelas desabrochavam em a escuridão , Harry voltou a enfiar a camisola de lã , tentando ignorar os limpa pára-brisas que acenavam debilmente como_que a protestar . - Não devemos estar longe - disse Ron , dirigindo se mais a o carro do_que a o amigo . - Já não devemos estar longe - deu umas palmadinhas nervosas em o * tablier * . Pouco depois , quando voltaram a voar em o meio de as nuvens , tiveram de olhar de lado em a escuridão , em busca de um ponto de referência que conhecessem . - Ali - gritou Harry , fazendo o Ron e a Hedwig darem um salto . - Mesmo em frente . Recortados em o horizonte negro , sobre o rochedo de o outro lado de o lago , erguiam se as torres e torreões de o castelo de Hogwarts . Mas o carro tinha começado a estremecer e perdia a os poucos velocidade . - Vá lá - disse o Ron , dando a o volante um pequeno abanão bajulador . - Estamos quase a chegar , vá lá ... O motor gemeu . Pequenos jactos de vapor de água brotaram de o capo . Harry deu consigo agarrado com toda_a força a os bordos de o assento enquanto voavam direitos a o lago . O carro deu um solavanco feio . Espreitando por a janela , Harry viu a superfície negra , macia e espelhada de a água cerca de uma milha abaixo de eles . Os dedos de o Ron agarrados a o volante tinham as articulações brancas . O carro deu um novo esticão . - Vá lá - murmurou o Ron . Estavam sobre o lago ... o castelo ficava mesmo em frente . Ron fez força com o pé . Houve um ruído surdo , uma crepitação e o motor morreu por completo . - Oh ! oh ! - gemeu Ron em o silêncio . O nariz de o carro voltou se para baixo . Estavam a cair , ganhando velocidade em direcção a os muros sólidos de o castelo . - Naaaaão ! - gritou o Ron , girando o volante . Escaparam a a muralha de pedra negra por centímetros , quando o carro fez um grande arco , planando primeiro sobre as estufas , depois sobre o rectângulo plantado com vegetais e , por fim , sobre os relvados , perdendo sempre velocidade . Ron largou o volante por completo e tirou a varinha de o bolso de trás . - __ pára ! __ pára ! - gritou , batendo em o * tablier * e em o pára-brisas , mas eles continuavam a mergulhar , o chão a voar em direcção a eles . - : __ cuidado com essa __ árvore ! ! ! - bramiu Harry , deitando a mão a o volante , mas ... tarde de mais ... CRUNCH . Com um ruído ensurdecedor de metal e madeira , bateram em o tronco espesso de a árvore e caíram em o chão com um forte solavanco . O vapor era um mar debaixo de o capo amachucado . A Hedwig tremia apavorada . Em a cabeça de Harry surgira um alto de o tamanho de uma bola de golfe , quando ele batera em o pára-brisas , tombando em seguida para a direita . Ron soltou um gemido longo e desesperado . - Estás O. _ K ? - perguntou Harry , aflito . - A minha varinha - disse o Ron em uma voz trémula . - Olha para a minha varinha . Tinha se partido praticamente em duas , a ponta balouçava mole , presa por meia_dúzia de esquírolas . Harry abriu a boca para dizer que em a escola com certeza conseguiriam consertá a , mas nem chegou a começar a frase . Em esse preciso momento , algo bateu em o seu lado de o carro , com a força de um touro , projectando o para_cima de o Ron , ao_mesmo_tempo que um golpe igualmente forte se sentiu em o capô . - O que está a acontec ... Ron arfou , olhando fixamente por o pára-brisas e Harry olhou em volta , mesmo a_tempo_de ver uma ramada espessa como uma píton vir contra o vidro . A árvore em que tinham batido estava a atacá os . O tronco dobrara se quase a meio e os seus galhos rugosos davam uma tareia a cada centímetro de o carro que conseguiam atingir . - Ah ! - praguejou o Ron , quando outra pernada retorcida esmurrou a sua porta , amolgando a . O pára-brisas tremia agora sob uma saraivada de golpes vindos de galhos que pareciam patas de animais e uma ramada espessa como um aríete esmagava furiosamente o capo , que parecia estar a ceder ... - Corre ! - gritou o Ron , lançando o seu peso contra a porta , mas , em o momento seguinte , tinha sido atirado para trás , para o colo de Harry por um soco maldoso , dado de baixo para_cima , por outro ramo . - Estamos feitos ! - resmungou , enquanto o tecto descaía . Mas , de repente , o chão de o carro estava a vibrar , o motor pegara . - Marcha atrás - gritou o Harry e o carro deu um salto para trás . A árvore tentava ainda agredis os , ouviam as raízes chiar , enquanto quase se partiam esticando se para os alcançar . - Escapámos por_pouco ! - exclamou o Ron . - Muito bem , carro . Mas o carro tinha atingido o limite de as suas forças . Com dois estalidos , as portas abriram se e Harry sentiu o seu assento inclinar se para o lado . Quando deu por si , estava estatelado em o chão húmido . Ruídos surdos avisaram o de que o carro estava a ejectar as malas de a bagageira . A gaiola de a Hedwig voou por os ares e abriu se . Ela saiu a voar com um pio furioso e dirigiu se a o castelo , sem sequer olhar para trás . Em seguida , o carro , amolgado , arranhado e a fumegar , arrancou em o escuro , com os faróis traseiros ardendo de fúria . - Volta aqui ! - gritou o Ron , brandindo a varinha partida . - O meu pai mata me . Mas o carro desapareceu a perder de vista , com um último estoiro de o tubo de escape . - Já viste bem o nosso azar ! ? - exclamou o Ron em o meio de a sua infelicidade , baixando se para apanhar o rato Scabbers . - De todas_as árvores em que podíamos ter batido , tínhamos de ir dar a uma que bate também . Olhou por cima de o ombro para a velha árvore que ainda agitava os ramos ameaçadoramente . - Vamos - disse Harry , fatigado . - É melhor irmos andando para a escola ... Não foi , de modo algum , a chegada triunfal que tinham imaginado . Constrangidos , cheios de frio e magoados , pegaram em as malas e começaram a arrastá as por o relvado acima , em direcção a as grandes portadas de carvalho . - Acho que o banquete já começou - disse o Ron , largando a mala em os degraus de a entrada e atravessando devagarinho para espreitar por uma janela iluminada . - Harry , anda ver , é a distribuição . Harry apressou se e os dois , ele e o Ron , espreitaram para o Salão_Nobre . Um número infindável de velas pairava em o ar , sobre quatro mesas enormes cheias de gente , fazendo brilhar os pratos dourados e as taças . Em cima , o tecto encantado que espelhava o céu lá de_fora , brilhava cheio de estrelas . Por_entre a floresta de chapéus pretos pontiagudos de Hogwarts , Harry viu uma longa fila de alunos de o primeiro ano com olhares assustados que enchia o vestíbulo . Ginny estava entre eles , facilmente reconhecível devido a o seu chamativo cabelo Weasley . Enquanto isso , a professora Mc_Gonagall , uma bruxa de óculos com cabelo castanho apanhado em um carrapito , colocava o famoso chapéu seleccionador em um banco que se encontrava em frente de os novos alunos . Todos os anos , aquele velho chapéu , remendado , puído e cheio de pó , seleccionava alunos para as quatro equipas de Hogwarts ( Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin ) . Harry lembrava se bem de o ter colocado em a cabeça , precisamente um ano antes , e ter esperado petrificado por a sua decisão , enquanto ele lhe murmurava a o ouvido . Durante alguns horríveis segundos receara que o chapéu o mandasse para os Slytherin , a equipa que produzia maior número de feiticeiros e feiticeiras de magia negra , mas acabara por ficar em os Gryffindor , juntamente com Ron e Hermione e o resto de os Weasley . Em o último período , Harry e Ron tinham ajudado os Gryffindor a vencer o campeonato de a equipa , batendo os Slytherin pela_primeira_vez em sete anos . Um rapazito baixinho com cabelo de rato acabava de ser chamado para pôr o chapéu em a cabeça . Os olhos de Harry saltavam de ele para o lugar onde o professor Dumbledore , o director , estava sentado , observando a selecção de a mesa de os professores , com a sua longa barba cor de prata e óculos de meia-lua que brilhavam a a luz de as velas . Alguns lugares a a frente , Harry viu Gilderoy_Lockhart com um manto verde-azulado . E lá bem a o fundo estava Hagrid , enorme e cabeludo , bebendo satisfeito de a sua taça . - Espera aí - murmurou a o Ron . - Há um lugar vazio em a mesa de os professores . Onde estará o Snape ? Severus_Snape era o professor de quem Harry menos gostava . Harry era também o seu aluno menos querido . Cruel , sarcástico e detestado por todos com excepção de os alunos de a sua própria equipa ( Slytherin ) , Snape tinha a seu cargo a cadeira de Poções . - Talvez esteja doente - sugeriu Ron , cheio de esperança . - Talvez se tenha ido embora - lembrou Harry . - Por não lhe terem dado outra_vez a Defesa contra as artes negras . - Ou talvez tenha sido corrido - propôs Ron com entusiasmo . - Afinal , toda_a_gente o detesta ... - Ou talvez - disse uma voz gelada atrás de eles - esteja a a espera que vocês lhe expliquem por_que motivo não vieram em o comboio de a escola . Harry deu uma volta . Em a sua frente , com o manto negro a ondular em uma brisa fria , estava Severus_Snape . O professor era um homem magro , de pele descorada , nariz adunco e um cabelo preto oleoso que lhe caía sobre os ombros . E em aquele momento sorria de um modo tal que Harry sentiu que tanto ele como Ron estavam em sérios apuros . - Sigam me - disse Snape . Sem ousarem sequer olhar um para o outro , Harry e Ron seguiram Snape por as escadas até a o amplo * hall * de entrada que estava iluminado por as chamas de os archotes . De o salão nobre vinha um cheirinho delicioso a comida , mas Snape levou os para longe de a luz e de o calor , em direcção a uma escada estreita de pedra que conduzia a os calabouços . - Entrem - ordenou , abrindo uma porta a meio de o corredor e apontando . Entraram a tremer em o escritório de Snape . As paredes sombrias estavam cobertas de prateleiras cheias de jarros de vidro grosso onde flutuavam as coisas mais diversas e repugnantes , cujo nome Harry não queria de momento conhecer . A lareira estava escura e vazia . Snape fechou a porta e voltou se de frente para eles . - Com que então - disse com falsa suavidade - o comboio não serve para o famoso Harry_Potter e o seu fiel companheiro Weasley . Queriam chegar em grande estilo , não era rapazes ? - Não senhor , foi a barreira em King's_Cross , ela ... - Silêncio - disse Snape friamente . -- _ o que fizeram a o carro ? Ron engoliu em seco . Aquela não era a primeira vez que Snape dava a Harry a impressão de ser capaz de ler pensamentos . Mas , pouco depois , compreendeu tudo quando Snape desenrolou o exemplar de o Profeta_Vespertino . - Vocês foram vistos - afirmou , mostrando lhes o cabeçalho : : __ ford anglia voador confunde __ muggles . Começou a ler alto a notícia . - Dois Muggles em Londres convenceram se de que tinham visto um carro velho a voar sobre a torre de os correios ... a a tardinha em Norfolk , Mrs._Hetty_Bayliss , enquanto pendurava a roupa ... Mr._Angus_Fleet_de_Peebles informou a polícia ... seis ou sete Muggles a o todo . Julgo que o teu pai trabalha em o departamento de mau uso dado a os objectos de os Muggles ? - disse olhando para Ron e sorrindo de uma forma ainda mais sarcástica . - Que peninha , o próprio filho ... Harry sentiu se como_se tivesse levado um soco em o estômago de uma de as maiores pernadas de a árvore louca . E se alguém descobrisse que Mr._Weasley tinha enfeitiçado o carro ? Ele ainda nem tinha pensado em isso . - Reparei durante a minha volta por o jardim que foi feito um estrago considerável em um salgueiro zurzidor extremamente valioso - continuou Snape . - Essa árvore fez nos pior a nós do_que nós ... - deixou escapar Ron . - Silêncio - interrompeu Snape , de_novo . - Infelizmente vocês não fazem parte de a minha equipa e a decisão de vos expulsar não está em as minhas mãos . Vou , por isso , buscar as pessoas que possuem essa feliz possibilidade . Esperem aqui . Harry e Ron olharam , pálidos , um para o outro . Harry perdera a fome . Sentia se agora extremamente agoniado . Tentava não olhar para uma coisa viscosa , suspensa em um líquido verde que estava em uma prateleira por detrás de a secretária de Snape . Se ele fora buscar a professora Mc_Gonagall , chefe de a equipa de os Gryffindor , não estavam muito melhor . Ela era mais justa do_que Snape , mas extremamente severa . Dez minutos mais tarde , Snape voltou e era , de facto , a professora Mc_Gonagall quem o acompanhava . Harry vira a professora Mc_Gonagall zangada , mas , ou se tinha esquecido de como a boca de ela ficava fina , ou nunca a vira tão zangada como em aquele dia . Levantou a varinha em o momento em que entrou . Harry e Ron estremeceram , mas ela limitou se a apontá a para a lareira onde as chamas se elevaram subitamente . - Sentem se - ordenou , e os dois recuaram para as cadeiras junto de o lume . - Expliquem se - disse com os óculos a brilhar de uma forma ameaçadora . Ron enveredou por a história começando por a barreira de a estação que se recusara a deixá os passar . - Por isso não tínhamos escolha , professora , não podíamos chegar a o comboio . - Porque não nos mandaram uma carta por a coruja ? Julgo que tens uma coruja ? - disse friamente a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a Harry . Harry olhou para ela sem saber o que dizer . - Parece me - continuou ela - que seria a coisa mais adequada . - Eu ... não pensei ... - Isso - disse a professora Mc_Gonagall - é bastante óbvio . Ouviu se bater a a porta de o escritório e Snape , que parecia agora mais feliz do_que nunca , foi abrir . Era o director , o professor Dumbledore . Harry ficou totalmente paralisado . Dumbledore tinha uma expressão grave . Olhou para eles de cima de o seu nariz adunco e Harry desejou estar ainda com Ron a levar uma sova de o salgueiro zurzidor . Fez se um longo silêncio . Em seguida , Dumbledore disse lhes : - Por favor , expliquem porque fizeram isto . Teria sido melhor se gritasse . Harry detestou sentir a decepção em a sua voz . Inexplicavelmente era incapaz de olhar Dumbledore em os olhos e falou em direcção a os seus joelhos . Disse lhe tudo excepto que o carro enfeitiçado pertencia a Mr._Weasley , dando a ideia de que ele e o Ron o tinham encontrado estacionado fora de a estação . Sabia que Dumbledore ia ver para_além de isso , mas o director não fez perguntas sobre o carro . Quando Harry terminou continuou a olhar para ele através de os seus óculos . - Nós vamos buscar as nossas coisas - disse Ron em um tom de voz sem esperança . - Que disparate é esse ? - rosnou a professora Mc_Gonagall . -- Então , vão expulsar nos , não vão ? - disse o Ron . Harry olhou rapidamente para Dumbledore . - Ainda não , Mr._Weasley - afirmou Dumbledore . - Mas vou assinalar a gravidade do_que vocês fizeram . Hoje a a noite escreverei a as vossas famílias . Estão também prevenidos que se voltarem a fazer uma coisa como esta não terei outro remédio senão expulsar vos . A expressão de Snape era como_se o Natal tivesse sido cancelado . Pigarreou e disse : - Professor_Dumbledore , estes rapazes infringiram o decreto para a restrição de a feitiçaria de os menores , causaram estragos consideráveis a uma árvore antiga e valiosa ... sem dúvida , actos de esta natureza ... - Cabe a a professora Mc_Gonagall decidir sobre os castigos de os rapazes , Severus - afirmou Dumbledore com toda_a calma . - Pertencem a a equipa de ela e são , portanto , de a sua responsabilidade . - Voltou se para a professora Mc_Gonagall . - Tenho de regressar a o banquete , Minerva , devo dar algumas informações . Venha Severus , há uma tarte de leite e ovos com um aspecto delicioso que quero mostrar lhe . Snape lançou um olhar de puro veneno a o Harry e a o Ron enquanto permitia que o afastassem de o seu escritório , deixando os a sós com a professora Mc_Gonagall que ainda os olhava como uma águia em fúria . - É melhor ires até a a ala hospitalar , Weasley , estás a sangrar . - Não é nada - disse Ron , limpando o corte com a manga para que ela o visse . - Professora , eu gostava de ver a minha irmã ser seleccionada . - A cerimónia de a selecção terminou - disse a professora Mc_Gonagall . - A tua irmã está também em os Gryffindor . - _ óptimo - exclamou Ron . - E por falar em os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall de forma cortante , mas Harry interrompeu a : - Professora , quando tirámos o carro , o ano escolar ainda não tinha começado , por isso os Gryffindor não deveriam perder pontos , pois não ? - terminou olhando a ansiosamente . A professora Mc_Gonagall lançou lhe um olhar penetrante , mas ele era capaz de jurar que ela quase tinha sorrido . Pelo_menos a boca não parecia tão fina . - Não vou tirar pontos a os Gryffindor - tranquilizou o . E o coração de Harry ficou mais leve . - Mas vocês os dois vão ter um castigo . Foi melhor do_que Harry imaginara . O facto de Dumbledore escrever a os Dursley não tinha a menor importância . Harry sabia perfeitamente que eles só lamentariam que o salgueiro zurzidor não o tivesse esmigalhado . A professora Mc_Gonagall ergueu a varinha de_novo apontou a a a secretária de Snape . Um grande prato de sanduíches , duas taças de prata e um jarro com sumo de abóbora gelado apareceram em menos_de um segundo . - Vocês vão comer aqui e , em seguida , vão direitinhos para o vosso dormitório - disse . - Eu também tenho de voltar para a festa . Mal a porta se fechou atrás de ela , Ron soltou baixinho um assobio . - Pensei que estávamos feitos - confessou , agarrando uma sanduíche . - Também eu - disse o Harry , orando também uma . - Mas já viste bem a nossa pouca sorte ? - insistiu o Ron com a boca cheia de frango e fiambre . - O Fred e o George voaram em aquele carro cinco ou seis vezes e nenhum Muggle os viu - engoliu outro pedaço enorme de a sanduíche . - Porque será que não conseguimos passar a barreira ? Harry encolheu os ombros . - Mas temos de ter muito cuidado a_partir_de agora - disse bebendo um grande trago de sumo de abóbora . - Que pena não termos podido ir a o banquete . - Ela não quis que nos exibíssemos - afirmou Ron com prudência . - Não vão as pessoas pensar que é uma boa chegar aqui de carro voador . Quando já tinham comido todas_as sanduíches que queriam ( o prato ia voltando a encher se sozinho ) , levantaram se e saíram de o escritório , seguindo o caminho que lhes era familiar , para a torre de os Gryffindor . O castelo estava em silêncio . Parecia que o banquete tinha acabado . Passaram por retratos murmurantes e armaduras que gemiam e subiram os degraus estreitos de pedra até que , por fim , chegaram a a passagem onde a entrada secreta para a torre de os Gryffindor se encontrava oculta por detrás de o quadro a óleo de uma dama gorda em um vestido cor-de-rosa . - A senha ? - perguntou ela mal os dois se aproximaram . - Er ... Eles ainda não tinham estado com o prefeito de os Gryffindor e por isso ainda não conheciam a senha para o novo ano , mas a ajuda não se fez esperar . Ouviram passos apressados atrás de eles e quando se voltaram viram Hermione que se aproximava . - Aí estão vocês . Onde é_que se meteram ? Correm os boatos mais ridículos , alguém disse que vocês tinham sido expulsos por espatifarem um carro voador . - Bem , expulsos não fomos - tranquilizou a Harry . - Não estás a dizer me que voaram até aqui ? - perguntou Hermione em um tom quase tão severo como a professora Mc_Gonagall . - Dispensa se o sermão - interrompeu Ron impacientemente . - E diz nos a nova senha de passagem . - É crista de pássaro - disse Hermione não contendo a impaciência . - Mas o mais importante não é isso ... Contudo as palavras de ela foram interrompidas ao_mesmo_tempo que o retrato de a dama gorda se abria e se ouvia uma tempestade de aplausos . A o que parecia a equipa de os Gryffindor estava ainda acordada , dentro de a sala comum em forma de círculo , junto de as mesas assimétricas e de os cadeirões moles a a espera que eles chegassem para , de braços estendidos através de o buraco de o retrato , puxarem Harry e Ron para dentro deixando Hermione para o fim . - Sensacional - gritou Lee_Jordan . - Inspirado ! Que entrada ! Voar em um carro e aterrar em o salgueiro zurzidor . Toda_a_gente vai falar de isto durante anos e anos . - Muito bem - disse um aluno de o quinto ano com quem Harry nunca tinha falado . Alguém dava lhe palmadas em as costas como_se ele acabasse de vencer a maratona . Fred e George abriram caminho por_entre a multidão e disseram ao_mesmo_tempo : - Por_que é_que não nos chamaram , hein ? - Ron estava vermelho como um pimentão , sorrindo envergonhado , mas Harry via perfeitamente uma pessoa que não estava nada contente . Percy elevava se acima de as cabeças de os excitados alunos de o primeiro ano e parecia estar a tentar aproximar se para os repreender . Harry deu uma cotovelada a o Ron e apontou em direcção a Percy . Ron percebeu de imediato . - Temos de ir para_cima , um_pouco cansados ! - explicou e os dois começaram a abrir caminho em direcção a a porta que ficava de o outro lado de a sala e que dava para a escada em espiral e para os dormitórios . - ` _ Noite - despediu se Harry_de_Hermione que tinha um ar tão carrancudo como Percy . Conseguiram chegar a o outro lado de a sala comum sempre a levarem palmadas em as costas e alcançaram o sossego de as escadas . Apressaram se a subir e , por fim , chegaram a a porta de o dormitório que tinha agora um letreiro a dizer « Segundos_Anos » . Entraram em o quarto circular , que conheciam tão bem , com as suas cinco camas de dossel adornadas de velado vermelho e as suas janelas altas e estreitas . As malas tinham sido trazidas para_cima e colocadas a os pés de as camas . Ron fez um sorriso culpado . - Sei que não devia ter gostado de aquilo , mas ... A porta de o dormitório abriu se e os outros rapazes de os Gryffindor entraram ; eram eles o Seamus_Finnigan , o Dean_Thomas e o Neville_Loogbottom . - Inacreditável - aplaudiu Seamus . - Incrível - aprovou o Dean . - Espantoso - exclamou o Neville , aterrado . Harry não pôde evitar também um sorriso . VI_Gilderoy_Lockhart_No dia seguinte , contudo , Harry não conseguiu sorrir . As coisas começaram a correr mal logo em o salão durante o pequeno-almoço . Debaixo de o tecto encantado ( em aquele dia triste e cinzento ) estavam as quatro grandes mesas de as equipas e sobre elas , terrinas de papa de aveia , pratos de arenque defumado , montanhas de torradas e pratadas de ovos com * bacon * . Harry e Ron sentaram se em a mesa de os Gryffindor , junto de Hermione que tinha o seu exemplar de * _ Viagens com Vampiros * totalmente aberto , encostado a um jarro de leite . Havia uma certa rigidez em a maneira como ela disse : - ` _ Dia - que mostrou a Harry que continuava a desaprovar o modo como tinham chegado a a escola . Por seu turno , Neville_Longbottom saudou os entusiasticamente . Neville era um rapazinho de cara redonda , muito dado a acidentes , com a pior memória que Harry tinha conhecido . - A entrega de correio deve estar a chegar , acho que a minha avó me vai mandar umas quantas coisas de que me esqueci ... Harry tinha começado a comer as papas de aveia , quando se ouviu um ruído tumultuoso em o ar e umas cem corujas entraram ao_mesmo_tempo , sobrevoando o salão e deixando cair cartas e pacotes em o meio de a multidão faladora . Um embrulho grande e rugoso caiu em a cabeça de Neville e , um segundo depois , uma coisa larga e cinzenta caiu em o jarro de a Hermione , enchendo os a todos de leite e penas . - Errol - gritou o Ron , puxando a coruja esfarrapada por as patas . Errol caíra inconsciente sobre a mesa com as pernas para o ar e um envelope vermelho húmido em o bico . - Oh , não ! - sobressaltou se Ron . - Ela está bem , ainda está viva - tranquilizou o Hermione , tocando suavemente em a Errol com a ponta de o dedo . - Não é isso , é ... aquilo . Ron apontava para o envelope vermelho . Parecera perfeitamente vulgar a Harry , mas Ron e Neville estavam ambos a observá o como_se esperassem que explodisse . - Qual é o problema ? - perguntou Harry . - Ela . Ela mandou me um * gritador * - disse Ron , quase sem voz . - É melhor abrires - aconselhou Neville em um murmúrio tímido - senão é pior . A minha avó uma_vez mandou me um que eu ignorei e ... - engoliu em seco - foi horrível . Harry olhava , ora para as suas caras , ora para o envelope vermelho . - O que é um * gritador * ? - perguntou . - Mas toda_a atenção de o Ron estava fixa em a carta que começara a fumegar por os cantos . - Abre a - intimou o Neville . - De aqui a poucos minutos já passou tudo . Ron estendeu uma mão trémula , retirou o envelope de o bico de a Errol e começou a abri o . Neville pôs os dedos em os ouvidos . Após uma fracção de segundo , Harry compreendeu porquê . Pensou em o primeiro momento que ela explodira . Um ruído ensurdecedor encheu o enorme salão , fazendo cair pó de o tecto . - ... : __ roubar o carro ! não me surpreendia nada se te expulsassem . espera só até te pôr as mãos em cima . será que não paraste para pensar em a nossa aflição quando vimos que o carro tinha __ desaparecido ... Os gritos de Mrs._Weasley , ampliados cem vezes em relação a o seu normal , fizeram os pratos e as colheres chocalhar em a mesa e ecoaram de forma ensurdecedora em as paredes de pedra . Vinha gente de todos os lados espreitar quem tinha recebido o * gritador * e Ron afundou se tanto em a cadeira que só se lhe via a testa carmesim . - ... : __ uma carta de o dumbledore ontem a a noite , o teu pai quase morria de vergonha . não foi esta a educação que te demos , tu e o harry podiam ter __ morrido ... Harry estava a ver quando é_que o seu nome viria a a baila . Tentou o melhor que pôde agir como_se não ouvisse a voz , mas aquilo estava a fazer com que os tímpanos lhe latejassem . - ... : __ profundamente decepcionada , o teu pai vai ter de se confrontar com um inquérito em o trabalho , tudo por tua culpa e , se pisas mais_uma_vez o risco , trago te para __ casa ! Seguiu se um silêncio ressonante . O envelope vermelho , que caíra de as mãos de o Ron , incendiou se e encaracolou se em cinzas . Harry e Ron estavam sentados de boca aberta , como_se uma onda gigante lhes tivesse passado por cima . Algumas pessoas riam e , a os poucos , o ruído de as conversas recomeçou . Hermione fechou o * _ Viagens com Vampiros * e olhou para o topo de a cabeça de Ron . - Bem , não sei o que esperavas , Ron , mas tu ... - Não me venhas dizer que mereci - interrompeu Ron . Harry afastou as papas de aveia . O estômago ardia lhe de culpa . Mr._Weasley tinha um inquérito em o trabalho , depois de tudo_o_que Mr. e Mrs._Weasley tinham feito por ele durante o Verão ... Mas não teve muito_tempo para se demorar em aqueles pensamentos . A professora Mc_Gonagall circulava em volta de as mesas de os Gryffindor distribuindo horários . Harry pegou em o seu e viu que começavam por ter Herbologia , juntamente com os Hufflepuff . Harry , Ron e Hermione saíram juntos de o castelo , atravessaram as hortas e chegaram a as estufas , onde estavam guardadas as plantas mágicas . O * gritador * tivera pelo_menos uma vantagem : Hermione parecia achar que já tinham sido suficientemente castigados e estava de_novo perfeitamente calorosa . Quando estavam a chegar a as estufas viram o resto de a classe de pé , cá fora , a a espera de a professora Sprout . Harry , Ron e Hermione tinham acabado de se lhes juntar quando a viram aproximar se a passos largos por o relvado , acompanhada de Gilderoy_Lockhart . A professora Sprout era uma bruxa pequenina e atarracada que usava um chapéu a os remendos sobre o cabelo solto . As roupas que vestia estavam sempre cheias de terra e as suas unhas fariam a tia Petúnia desmaiar . Gilderoy_Lockhart , pelo_contrário , tinha um ar imaculado em as suas vestes azul-turquesa , o cabelo doirado a brilhar debaixo_de um chapéu azul-turquesa , com uma fita dourada , perfeitamente posicionado sobre a cabeça . - Olá a todos ! - gritou Lockhart , dirigindo se a o grupo de estudantes . - Estive a mostrar a a professora Sprout a maneira correcta de tratar um salgueiro . Mas não quero que fiquem com a ideia de que sou melhor do_que ela em Herbologia . Acontece que encontrei várias de estas plantas exóticas , durante as minhas viagens .... - Estufa número três hoje , meninos ! - disse a professora Sprout que estava visivelmente descontente , bem diferente de a sua habitual natureza bem-disposta . Houve um murmúrio de interesse . Eles só tinham estado uma_vez em a terceira estufa , que era uma estufa que abrigava plantas bem mais interessantes e perigosas . A professora Sprout tirou uma enorme chave de o cinto e abriu a porta . Harry sentiu o bafo de a terra húmida com adubo misturado e o perfume forte de umas flores gigantescas , de o tamanho de guarda-chuvas , que estavam penduradas de o tecto . Ia seguir Ron e Hermione , quando a mão de o Lockhart o travou . -- Harry ! Tenho querido ter uma palavrinha contigo . Não se importa se ele chegar uns minutos atrasado , pois não , professora Sprout ? A julgar por a expressão carregada de a professora Sprout , importava se sim , mas Lockhart disse : - Então até já - e fechou a porta de a estufa em a cara de ela . - Harry ! - disse Lockhart , com os dentes brancos a brilharem a o sol , enquanto abanava a cabeça . - Harry , Harry , Harry ! Harry , totalmente perplexo , não disse uma palavra . - Quando ouvi dizer , bem , é claro que eu tive muita culpa , deviam castigar me também ... Harry não fazia ideia de que estava ele a falar , quando Lockhart prosseguiu : - Nunca me lembro de ficar tão chocado . Fazer voar um automóvel até Hogwarts ! Bem , é claro que eu percebi logo porque o fizeste . Foi um destaque em grande . Harry , Harry , Harry ! Era notável como ele conseguia mostrar todos aqueles dentes brilhantes , mesmo quando não estava a falar . - Criei te o gosto por a publicidade , não foi ? - perguntou Lockhart . - Passei te o bichinho . Apareceste comigo em a primeira página e não podias esperar para aparecer outra_vez ... - Oh , não , professor , sabe é_que ... - Harry , Harry , Harry - disse Lockhart aproximando se e tocando lhe em o ombro . - * _ Eu compreendo * . É natural querer um_pouco mais quando se lhe tomou o gosto , e eu culpo me por te ter dado esse conhecimento , porque era natural que te subisse a a cabeça , mas vê uma coisa , rapazinho , tu não podes começar a fazer voar carros para tentares ser notícia . Tens de acalmar , está bem ? Tens muito_tempo quando fores mais velho . Sim , sim , eu sei o que estás a pensar ! É fácil para ele falar assim , já é um feiticeiro internacionalmente famoso ! Mas quando eu tinha doze anos era tão zé-ninguém como tu és hoje . Em a verdade , era ainda mais . De ti , já meia_dúzia de pessoas ouviram falar , não é ? Toda aquela história com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . - Olhou para a cicatriz luminosa em a testa de Harry . - Eu sei , eu sei , não é o mesmo_que vencer o Prémio de o sorriso de o feiticeiro de a semana cinco vezes seguidas , como eu venci , mas é um começo , Harry , é um começo . Lançou lhe uma piscadela de olhos cordial e foi se embora . Harry ficou atarantado durante alguns segundos . Depois , lembrando se que deveria estar em a estufa , abriu a porta e esgueirou se lá para dentro . A professora Sprout estava de pé , por_detrás_de uma espécie de mesa em o meio de a estufa . Em cima de a mesa estavam cerca de vinte pares de abafo de ouvidos de diferentes cores . Quando Harry estava já em o seu lugar , entre Ron e Hermione , ela disse : - Hoje vamos transplantar Mandrágoras . Muito bem , quem sabe dizer me as propriedades de a Mandrágora ? Não foi surpresa para ninguém que a mão de a Hermione fosse a primeira em o ar . - A Mandrágora tem um efeito reparador muito poderoso - disse Hermione , com o ar mais normal de este mundo , como_se tivesse engolido o livro de texto . - É usada para fazer voltar as pessoas , que foram transfiguradas ou amaldiçoadas , a o seu estado original . - Excelente . Dez pontos para os Gryffindor ! - exclamou a professora Sprout . - A Mandrágora é parte integrante de a maior parte de os antídotos , mas também é perigosa . Quem sabe dizer me porquê ? A mão de Hermione por_pouco não bateu em os óculos de Harry , quando se ergueu de_novo . - O grito de a Mandrágora é fatal para quem o ouve - disse prontamente . - Precisamente . Dou lhe mais dez pontos - disse a professora Sprout . - Agora vejamos , as Mandrágoras que aqui temos são ainda muito jovens . Enquanto falava , apontou para uma fila de tabuleiros com uma certa profundidade e todos se chegaram a a frente para ver melhor . Cerca de uma centena de plantinhas tufosas de um verde arroxeado cresciam em filas . Pareceram perfeitamente vulgares a Harry , que não fazia a menor ideia do_que Hermione queria dizer com o * grito * de a Mandrágora . - Cada_um de vocês pode tirar um par de abafo de ouvidos - disse a professora Sprout . Houve uma competição renhida porque ninguém queria os cor-de-rosa , cheios de penugem . - Quando eu vos disser para os colocar , assegurem se de que os vossos ouvidos estão completamente tapados - disse a professora Sprout . - Logo_que seja seguro retirá os , eu levanto os dedos . Certo , pôr os abafos de os ouvido . Harry pôs imediatamente os abafos em os ouvidos . Eles fecharam completamente o som . A professora Sprout colocou também um par de abafos cor-de-rosa com penugem em os de ela , arregaçou as mangas de a túnica , agarrou uma de as plantas tufosas e puxou com toda_a força . Harry soltou um grito de surpresa que ninguém ouviu . Em_vez_de raízes , um bebé pequenino , enlameado e extremamente feio , saiu de a terra . As folhas cresciam lhe em o alto de a cabeça , tinha uma pele pintalgada de um pálido esverdeado e estava nitidamente a berrar a plenos pulmões . A professora Sprout tirou debaixo de a mesa um grande vaso de plantas e mergulhou lá dentro a Mandrágora , enterrando a em a mistura escura e húmida , até que só as folhas ficassem visíveis . Em seguida , limpou a terra de as mãos , levantou os dedos e todos eles retiraram os abafos de os ouvidos . - Como as nossas Mandrágoras são muito novas , os seus gritos ainda não matam - disse ela com grande calma , como_se tivesse feito algo tão normal como regar uma begónia . - Contudo , podem pôr vos a dormir durante várias horas e , como com certeza nenhum de vocês quer perder o primeiro dia de aulas , vejam se os abafos estão bem colocados enquanto trabalham . Eu chamarei vos a atenção quando for altura de os retirar . - Quatro em cada fila , há aqui uma grande quantidade de vasos , a mistura de terra está em os sacos ali a o fundo e tenham cuidado com a * _ Venomous_Tentacula * , estão a nascer lhe os dentes . Enquanto falava , deu uma pancada seca a uma planta vermelha escura cheia de pontas eriçadas , fazendo a encolher as longas antenas que tinham estado a avançar lenta e dissimuladamente sobre o seu ombro . A Harry , Ron e Hermione veio juntar se em a fila um rapaz de cabelo encaracolado de os Hufflepuff que Harry conhecia de vista , mas com quem nunca tinha falado . - Justin_Finch - _ Fletchey - disse ele com vivacidade , apertando a mão de o Harry . - Conheço te , claro , o famoso Harry_Potter ... e tu és a Hermione_Granger , sempre a primeira em tudo ( Hermione brilhou em um sorriso , como_se ele lhe tivesse apertado a mão ) e Ron_Weasley . Não era teu o carro voador ? Ron não sorriu . Não lhe saía de a cabeça o * gritador * . - Aquele Lockhart é o_máximo , não acham ? - disse Justin satisfeito , enquanto começavam a encher os vasos com composto de adubo de dragão . - Terrivelmente corajoso . Leram os livros de ele ? Eu teria morrido de medo se um lobisomem me tivesse encurralado em uma cabina telefónica , mas ele manteve se calmo e ... zap ... fantástico ! « Eu estava inscrito em Eton , sabem , não imaginam como estou feliz de ter vindo antes para aqui . É claro que a minha mãe ficou um_pouco desiludida , mas depois de lhe ter dado os livros de Lockhart a ler , tenho a impressão de que ela começou a ver a utilidade de ter um feiticeiro bem treinado em a família ... Depois de isso , não tiveram grandes oportunidades para conversar . Voltaram a pôr os abafos de ouvidos e era preciso concentrarem se em as Mandrágoras . A professora Sprout fizera as coisas parecerem extremamente simples , mas não eram . As Mandrágoras não gostavam de sair de a terra mas também não pareciam querer voltar para lá . Elas contorceram se , deram pontapés , agitaram as mãozinhas finas e rangeram os dentes . Harry levou dez minutos inteirinhos a tentar meter uma Mandrágora particularmente gorda dentro_de um vaso . Em o final de a aula , Harry , como todos os outros , estava a suar , cheio de dores e coberto de terra . Regressaram a o castelo a pé para um banho rápido e , em seguida , os Gryffindor apressaram se para assistir a a aula de transfiguração . As aulas de a professora Mc_Gonagall eram sempre complicadas , mas a de aquele dia era particularmente difícil . Tudo_o_que o Harry aprendera em o ano anterior parecia ter se lhe apagado de a memória durante o Verão . Ele deveria ser capaz de transformar uma barata em um botão , mas , tudo_o_que conseguiu foi fazer a barata praticar um imenso exercício , enquanto corria apressadamente por o tampo de a secretária evitando a varinha . Ron estava a debater se com problemas bastante piores . Tinha atado a varinha com uma fita mágica , mas parecia que não havia reparação possível . Não parava de crepitar e lançar faíscas em os momentos mais estranhos e , sempre_que Ron tentava transfigurar a barata , via se envolvido em um fumo cinzento espesso que cheirava a ovos podres . Incapaz de ver o que estava a fazer , o Ron esmagou , por engano , a barata com o cotovelo e teve de ir pedir que lhe dessem outra , o que deixou a professora Mc_Gonagall muito pouco satisfeita . Harry ficou aliviado quando ouviu tocar a campainha para o almoço . Sentia a cabeça como uma esponja espremida . Todos os alunos saíram em fila de a aula excepto ele e Ron que dava furiosas varadas em a secretária . - Coisa estúpida e inútil . - Escreve a os teus pais a pedir outra - sugeriu Harry , enquanto a varinha disparava com estrondo um foguete explosivo . - Ah pois , e receber outro * gritador * em a volta de o correio - respondeu Ron , metendo a varinha que já assobiava , dentro de o saco . - * _ A culpa é toda tua se a varinha está estragada * ... Desceram para o almoço e aí a disposição de o Ron não iria melhorar com Hermione a mostrar lhe uma mão-cheia de botões de casaco , perfeitinhos , que produzira em a transfiguração . - O que temos esta tarde ? - quis saber Harry , mudando rapidamente de assunto . - Defesa contra as artes negras - disse Hermione , sem perder tempo . - Porque é_que tu ... - perguntou Ron , pegando em o horário de ela - desenhaste corações em volta de as aulas de o Lockhart ? Hermione arrancou lhe o horário de as mãos , corando furiosa . Acabaram de almoçar e foram para o pátio carregado de nuvens . Hermione sentou se em um degrau de pedra e enfiou de_novo o nariz em as * _ Viagens com Vampiros * . Harry e Ron ficaram a falar de Quidditch durante alguns minutos antes de Harry se aperceber de que estava a ser observado de perto . Olhando para_cima viu o rapazinho pequenino com cabelo de rato que ele vira experimentar o chapéu seleccionador em a noite anterior , olhando para ele com uma expressão petrificada . Estava agarrado a o que parecia ser uma vulgar máquina fotográfica de os Muggles e , em o momento em que Harry olhou para ele , ficou todo vermelho . - Tudo bem , Harry ? Eu sou Colin_Creevey - disse , faltando lhe o ar e adiantando se a qualquer pergunta . - Estou em os Gryffindor também . Não te importavas que eu tirasse uma fotografia ? - perguntou , levantando a máquina cheio de expectativa . - Uma fotografia ? - repetiu Harry , inexpressivo . - Para eu provar que te conheci - disse Colin_Creevey cheio de ansiedade , continuando : - Eu sei tudo a teu respeito . Toda_a_gente me tem contado como sobreviveste quando O_Quem nós sabemos tentou matar te , como ele desapareceu depois de isso e como ficaste com a cicatriz em forma de relâmpago em a testa ( os seus olhos procuraram a linha de cabelo de Harry ) e um rapaz de o meu dormitório disse que se eu revelasse o filme em a posição certa ele mexia . - Colin respirou fundo , estremecendo de excitação e disse : - Isto_é fantástico , aqui , não achas ? Eu não sabia que todas_as coisas estranhas que fazia eram magia até a o dia em que recebi uma carta de Hogwarts . O meu pai é leiteiro . Também ele não queria acreditar . Por isso estou a tirar montes de fotografias para lhe mandar e era mesmo bom se tivesse uma tua - parecia implorar . - Talvez o teu amigo pudesse tirá a e assim eu ficava a o teu lado . E depois , podias assiná a ? - Assinar fotografias ? Estás a dar fotos autografadas , Potter ? Alta e mordaz , a voz de Draco_Malfoy ecoou em o pátio . Estava parado mesmo atrás_de Colin , ladeado , como sempre andava em Hogwarts , por os seus fortes guarda-costas Crabbe e Goyle . - Ei gente , façam bicha - gritou Malfoy a a multidão . - Harry_Potter está a dar fotos autografadas ! - Não estou coisa nenhuma - disse Harry , zangado , com os punhos em o ar . - Cala a boca , Malfoy . - Tu tens é inveja - começou a dizer Colin , cujo corpo era de o tamanho de o pescoço de Crabbe . - Inveja - repetiu Malfoy que não precisava de gritar mais , metade de o pátio estava a ouvi o . - De quê ? Não preciso de uma cicatriz em a cabeça , muito obrigado . Não acho que ter um corte em a testa torne alguém especial . Crabbe e Goyle riram estupidamente - Vai pastar caracóis , Malfoy - disse o Ron furioso . Crabbe parou de rir e começou a esfregar os nós de os dedos enormes de uma forma ameaçadora . - Tem cuidado , Weasley - escarneceu Malfoy . - Com certeza não queres começar uma rixa ou a tua mãezinha tem de vir cá para te tirar de a escola - e com uma voz aguda e penetrante : - * _ Se voltas a pisar o risco * ... Um grupo de alunos de o quinto ano de os Slytherin que estava ali perto , riu se bastante alto . - O Weasley gostaria de ter uma foto tua autografada , Potter - escarneceu de_novo Malfoy . - Era capaz de valer mais do_que a casa onde ele mora com a família . Ron sacou de a sua varinha amarrada com fita , mas Hermione fechou as * Viagens com Vampiros * com um estrondo e avisou : - Atenção . - O que é isto , o que é isto ? - Gilderoy_Lockhart aproximava se com o seu manto azul-turquesa girando em torvelinho atrás de ele . - Quem está a dar fotos autografadas ? Harry ia começar a explicar , mas foi interrompido quando Lockhart lhe pôs jovialmente o braço em cima de os ombros . - Mas que pergunta a minha ! Cá estamos nós de_novo , Harry ! Preso ao_lado_de Lockhart e a arder de humilhação , Harry viu Malfoy deslizar com o seu sorriso desdenhoso por o meio de a multidão . - Vamos lá então , Mr._Creevey - disse Lockhart , dirigindo se a Colin . - Uma foto dupla , já viu a sua sorte ? E assinamos a os dois para si . Colin ajustou a máquina e tirou a fotografia em o preciso momento em que a campainha tocava para as aulas de a tarde . - Está em a hora , todos para dentro - gritou Lockhart a a multidão e regressou a o castelo levando a o seu lado o Harry que só lamentava não conhecer um feitiço que o fizesse desaparecer . - Uma palavra só , Harry - disse Lockhart paternalmente , enquanto entravam em o edifício por uma porta lateral . - Eu ajudei te há bocado com o jovem Creevey porque se ele estivesse a fotografar me também a mim os teus colegas não reparariam tanto que estavas a exibir te ... Indiferente a a gaguez de Harry , Lockhart arrastou o para um corredor ladeado de alunos que os olhavam espantados e subiram uma escada . - Deixa me só dizer te uma coisa : dar fotografias autografadas em esta fase de a tua carreira , francamente , não é sensato , Harry , parece um_pouco megalómano . Pode ser que um dia mais tarde , tal_como eu , sejas obrigado a assinar para multidões onde quer que vás , mas - fez uma pequena pausa - não me parece que seja o caso , por enquanto . Tinham chegado a a aula de Lockhart e ele largou finalmente o Harry que sacudiu a túnica e foi sentar se em um lugar bem lá atrás onde começou por empilhar os livros de Lockhart a a sua frente para evitar olhar para a criatura . O resto de a aula entrou ruidosamente e Ron e Hermione foram sentar se um de cada lado de Harry . - Tu estavas vermelho como um pimentão - disse o Ron . - Reza para que o Creevey não se torne amigo de a Ginny senão bem podem criar o clube de * fans * de Harry_Potter . - Cala a boca - interrompeu Harry . A última coisa que desejava era que o Lockhart ouvisse a expressão « clube de * fans * de Harry_Potter « . Quando todos estavam em os seus lugares , Lockhart pigarreou alto e fez se silêncio . Ele inclinou se para a frente , pegou em o exemplar de Neville_Longbottom de * _ viagens com Duendes * e levantou o para mostrar a sua fotografia a piscar os olhos em a capa . - Eu - disse apontando para a fotografia e piscando também os olhos - Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , terceiro ano , membro honorário de a Liga_de_Defesa contra as artes negras e cinco vezes vencedor de o prémio de o * _ Feiticeiro de a semana * por o sorriso mais charmoso . Mas não vamos falar de isso , não venci a fada carpideira de Bandon a sorrir para ela ! Esperou que eles se rissem . Alguns alunos sorriram timidamente . - Já vi que todos vocês compraram a minha obra completa . Muito bem . Pensei começar hoje com um pequeno interrogatório escrito . Nada de complicado , só para perceber se leram bem os meus livros e o que apreenderam ... Depois de distribuir as folhas de teste voltou se para os alunos e disse : - Têm trinta minutos . Comecem já . Harry olhou para o papel e leu : *1 . Qual é a cor preferida de Gilderoy_Lockhart ? *2 . Qual é a ambição secreta de Gilderoy_Lockhart ? *3 . Qual é , em a sua opinião , a maior realização de Gilderoy_Lockhart até a o momento ? * E_por_aí adiante , ao_longo_de três páginas , terminando com : *54 . Qual é o dia de aniversário de Gilderoy_Lockhart e qual seria o seu presente preferido ? * Meia_hora mais tarde , Lockhart recolheu os pontos e folhou os rapidamente em frente de os alunos . - Tut , tut , quase ninguém se lembrou que a minha cor preferida é o lilás . Eu digo o em * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves * . Alguns precisam de voltar a ler com mais cuidado * Fim-de - _ Semana com Um Lobisomem * . Eu afirmo claramente em o décimo segundo capítulo que o meu presente de aniversário preferido seria a harmonia entre todos os seres , mágicos e não mágicos , embora não me importasse de receber uma garrafa grande de * whisky * velho de a Ogden's_Old_Firewhisky . Piscou lhes o olho de_novo . Ron olhava para Lockhart com uma expressão de incredulidade em o rosto . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas que estavam sentados a a frente tremiam de tanto conter o riso . Hermione , contudo , ouvia Lockhart com extrema atenção e deu um salto quando ouviu o seu nome . - Mas Miss_Hermione_Granger sabia que a minha ambição secreta era libertar o mundo de o mal e pôr a a venda a minha gama de poções de tratamento de o cabelo . Muito bem - voltou o papel . - Nota máxima ! Onde está Miss_Hermione_Granger ? Hermione ergueu uma mão trémula . - Excelente - bradou Lockhart , exultante . - Leva dez pontos para os Gryffindor . E vamos a o trabalho . Baixou se atrás de a secretária e pegou em uma grande gaiola coberta . - Ficam desde_já a saber , a minha função é preparar vos contra as criaturas mais malignas que a feitiçaria conhece . Vocês podem ter que enfrentar os maiores medos em esta sala . Saibam que nenhum mal vos sucederá comigo aqui . Só vos peço que se mantenham calmos . Ultrapassando os seus sentimentos , Harry espreitou através de a pilha de livros para ver melhor a gaiola . Lockhart colocou uma mão em a tampa . Dean e Seamus tinham deixado de se rir . Neville estava agachado em o seu lugar de a fila de a frente . - Vou pedir vos que não façam barulho - disse Lockhart em voz baixa . - Podem assustá os . Enquanto a aula inteira continha a respiração , Lockhart tirou a cobertura . - Sim - disse em um tom dramático . - Duendes_da_Cornualha recém-capturados . Seamus_Finnigan não conseguiu controlar se . Soltou uma gargalhada que nem Lockhart poderia confundir com um grito de terror . - Sim ? - sorriu a Seamus . - Bem , eles não são , não são perigosos , pois não ? - perguntou a rir . -- Não tenhas tanta certeza de isso - afirmou Lockhart , aborrecido , abanando um dedo , em direcção a Seamus . - Podem ser maçadores e muito traiçoeiros . Os duendes eram de um azul-eléctrico e tinham cerca de vinte centímetros de altura com feições angulosas e umas vozes tão estridentes que era como ouvir uma discussão entre araras . Logo_que o pano foi retirado , começaram a fazer uma enorme algazarra , a andar de um lado para o outro , batendo em as grades e fazendo caretas a as pessoas que estavam mais perto . - Muito bem - disse Lockhart em voz alta . - Vamos então ver o que vocês conseguem fazer de eles - e abriu a gaiola . Foi um pandemónio . Os duendes dispararam em todas_as direcções como foguetes . Dois de eles agarraram o Neville por as orelhas e levantaram o a o ar . Vários outros foram direitos a a janela , fazendo chover vidros partidos até a a fila de trás . Os restantes decidiram destruir a sala com maior eficácia do_que um rinoceronte em fúria . Agarraram em os tinteiros e salpicaram tudo em volta , rasgaram a os bocados livros e papéis , arrancaram os quadros de as paredes , levantaram a o ar a gaiola vazia , agarraram livros e sacos e lançaram nos por a janela de vidros estilhaçados . Em poucos minutos , metade de a aula estava abrigada debaixo de as secretárias e o Neville pendurado em o candelabro de o tecto . - Vamos lá , agarrem nos , agarrem nos , são apenas duendes ... - gritava Lockhart . Arregaçou as mangas , bramiu a varinha e pronunciou * Peshipiksi_Pesternomi ! * As palavras não tiveram o menor efeito . Um de os duendes pegou em a varinha de Lockhart e atirou a também por a janela fora . Lockhart engoliu em seco e mergulhou debaixo de a secretária , não sendo , por um triz , esmagado por o Neville que caiu um segundo depois , quando o candelabro cedeu . A campainha tocou e houve uma louca precipitação para a porta . Em a calma relativa que se seguiu , Lockhart endireitou se , olhou para Harry , Ron e Hermione que estavam quase a chegar a a porta e disse : - Bem , vou pedir vos a os três que prendam o resto de os duendes em a gaiola - passou por eles e fechou rapidamente a porta atrás_de si . - Isto dá para acreditar ? - resmungou o Ron , enquanto um de os duendes lhe mordia com toda_a força uma de as orelhas . - Ele só quer dar nos uma ajuda , permitindo nos ganhar experiência - justificou Hermione , imobilizando dois duendes de uma_vez com um encantamento de paralisação e metendo os de_novo em a gaiola . - Experiência ? - disse Harry , tentando agarrar um duende que dançava com a língua de_fora . - Hermione , ele não sabia nada do_que estava a fazer . - Disparate - retorquiu Hermione . - Leste os livros de ele . Vê só as coisas que ele já fez ! - Que diz que fez - resmungou o Ron . VII_Sangue de lama e murmúrios Harry passou imenso tempo , em os dias que se seguiram , a fugir sempre_que via Gilderoy_Lockhart aproximar se em o corredor . Mais difícil de evitar era Colin_Creevey que parecia ter decorado o horário de Harry . Parecia que nada o emocionava mais do_que dizer : - Tudo bem , Harry ? - seis ou sete vezes por dia e ouvir : - Olá , Colin - por mais exasperado que Harry estivesse quando lhe respondia . A Hedwig ainda estava zangada com Harry por causa de a desastrosa viagem de automóvel e a varinha de o Ron continuava a não funcionar , tendo ultrapassado tudo em a sexta-feira de manhã quando lhe saltou de as mãos em a aula de encantamentos e foi agredir o velho e baixinho professor Flitwick mesmo entre os olhos , deixando uma enorme bolha latejante em o sítio onde tinha batido . Por tudo_isso Harry via chegar , com satisfação , o fim_de_semana Planeava ir em o Sábado de anhã , com Ron e Hermione visitar o Hagrid . Mas foi acordado várias horas mais cedo do_que desejaria por Oliver ood , treinador de a equipa de Quidditch_dos_Gryffindor . - _ o que é_que se passa ? - perguntou Harry , enrolando as palavras . - Treino_de_Quidditch - disse Wood . - Vamos embora . Harry lançou um olhar de esguelha a a janela . Uma neblina fina pairava em o céu rosa e dourado . Agora_que estava acordado não percebia como pudera dormir com a algazarra que os pássaros faziam . - Oliver resmungou Harry . - É de madrugada . - Exacto - respondeu Wood . Era um rapaz alto e corpulento de o sexto ano e em aquele momento os olhos brilhavam lhe loucamente de entusiasmo . - Faz parte de o nosso novo programa de treinos . Anda lá , vai buscar a vassoura e vamos embora - insistiu Wood empenhado . - Nenhuma de as outras equipas começou ainda a treinar . Vamos ser os primeiros este ano ... A bocejar e a tremer um_pouco , Harry saltou de a cama e tentou descobrir as suas túnicas de Quidditch . - Bem , encontramo nos em o campo , dentro_de quinze minutos . Depois de descobrir a sua roupa escarlate de equipa e pôr o manto por cima para se aquecer , Harry escreveu a o Ron um bilhete a explicar onde tinha ido e desceu por a escada de espiral para a sala comum com a sua Nimbos dois inil a o ombro . Tinha acabado de chegar junto de o buraco de o retrato quando ouviu um barulho atrás_de si e viu Colin_Creevey descer a escada de espiral com a máquina fotográfica pendurada a o pescoço a balouçar como louca e uma coisa em a mão . - Ouvi alguém chamar o teu nome em as escadas , Harry olha o que tenho aqui . Revelei a e queria mostrar te . Harry olhou assombrado para a fotografia que Colin lhe espetava em frente de o nariz . Um Lockhart a preto e branco movia se , puxando com toda_a força um braço que Harry reconheceu como sendo o seu . Ficou satisfeito a o constatar que estava a resistir bastante bem , recusando se a ser trazido para a vista de todos . Enquanto Harry observava , Lockhart desistiu e desinteressou se de lutar contra a parte branca de a fotografia . - Assinas para mim ? - pediu Colin entusiasmado . - Não - respondeu secamente Harry , olhando em volta para verificar se o caminho estava livre . - Desculpa_Colin , mas estou cheio de pressa , treino de Quidditch . Passou por o buraco de o retrato . - Oh Uau ! Espera por mim . Eu nunca vi um jogo de Quidditch . Colin trepou por o buraco de o retrato atrás de ele . - Vai ser uma chatice para ti - disse Harry rapidamente , mas Colin ignorou o comentário . Todo o seu rosto brilhava de satisfação . - Tu foste o jogador mais novo de a equipa em cem anos , não foste Harry ? Não foste ? - perguntava Colin , trotando para o acompanhar . - Deve ser fantástico . Eu nunca voei . É fácil ? Essa vassoura é a tua ? É a melhor que há ? Harry não sabia como ver se livre de ele . Era como ter uma sombra que não se calava . - Eu não percebo nada de Quidditch - disse Colin , já sem fôlego . - É verdade que há quatro bolas ? E que duas anda n a voar , tentando fazer os jogadores caírem de as vassouras ? - Sim - disse Harry lentamente , resignado com o ter de lhe explicar as complicadas regras de o Quidditch . - São as * bludgers * . Há dois * beaters * em cada equipa que têm bastões para bater em as * bludgers * e lançá as para o outro lado . O Fred e o George_Weasley são os * beaters * de os Gryffindor . - E para que servem as outras bolas ? - perguntou Colin , saltando uma série de degraus porque ia a olhar para o Harry de boca aberta . - Bem , a * quaffle * , que é a vermelha grandalhona , é a que marca os golos . Três * chasers * em cada equipa lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam fazes a entrar em as balizas que ficam em o extremo de o campo onde há três grandes postes com argolas em as pontas . - E a quarta bola ? - A * snitch * dourada - explicou Harry . - É muito pequenina e veloz e extremamente difícil de agarrar . Mas é isso que o * seeker * tem de fazer , porque o jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * for agarrada . E o * seeker * que conseguir agarrá a ganha para a sua equipa mais cento_e_cinquenta pontos . - E tu és o * seeker * de os Gryffindor , não és ? - perguntou Colin respeitosamente . - Sim - disse Harry enquanto saíam de o castelo e começavam a atravessar o relvado . - E há também o * keeper * que toma conta de os postes . É isto . Mas Colin não parou de fazer perguntas desde os relvados macios até a o campo de Quidditch e Harry só se viu livre de ele quando chegaram a os vestiários . Colin gritou em uma voz aguda : - Eu vou arranjar um lugar , Harry - e apressou se em direcção a as bancadas . O resto de a equipa de os Gryffindor já se encontrava em os vestiários . Wood era o único que tinha aspecto de estar bem acordado . Fred e George_Weasley estavam sentados com olhos de sono e cabelos desgrenhados junto de Alicia_Spinnet de o quarto ano que parecia inclinar se contra a parede que tinha atrás_de si . Os seus companheiros * chasers * , Katie_Bell e Angelina_Johnson bocejavam em frente de ela . - Até que enfim , Harry , porque é_que demoraste tanto ? - perguntou Wood cheio de actividade . - Eu queria ter uma pequena conversa convosco antes de entrarmos propriamente em campo porque passei o Verão a conjecturar um novo programa de treinos que acredito vai estabelecer grandes mudanças . Wood tinha em as mãos um grande mapa de um campo de Quidditch onde estavam desenhadas muitas linhas , setas e cruzes a tinta de várias cores . Pegou em a varinha , bateu com ela em o quadro e as setas começaram a mover se em o mapa como tractores . Enquanto Wood se lançava em um discurso sobre as suas novas técnicas , a cabeça de Fred_Weasley caiu sobre o ombro de Alicia_Spinnet e ele começou a ressonar . O primeiro mapa levou quase vinte minutos a explicar , mas debaixo de esse havia outro e ainda um terceiro . Harry caiu em uma letargia enquanto Wood continuava indefinidamente . - Então - disse por fim o treinador , arrancando Harry de a avidez de uma fantasia sobre o que poderia estar a comer se se encontrasse em aquele momento em o castelo . - Ficou tudo claro ? Alguma pergunta ? - Eu tenho uma pergunta , Oliver - disse George que acordou estremunhado . - Porque não nos explicaste tudo_isso ontem , quando estávamos acordados ? Wood não ficou nada satisfeito . - Ouçam bem , vocês todos - disse , voltando se para eles mal-humorado . - Nós deveríamos ter ganho a taça de Quidditch o ano passado . Somos de longe a melhor equipa , mas , infelizmente , devido_a circunstancias que estão para_além de o nosso controlo ... Harry mudou de posição em a cadeira sentindo se culpado . Estivera inconsciente em o hospital durante o campeonato final de o ano anterior o que fez com que os Gryffindor com um jogador a menos tivessem sofrido a pior derrota de os últimos trezentos anos . Wood levou um momento a controlar se . Era evidente que a última derrota ainda o torturava . - Portanto , este ano vamos fazer um treino mais duro , como nunca se fez . O. _ K. , vamos lá pôr as teorias em prática - gritou , pegando em a vassoura e conduzindo os para fora de o vestiário . Com as pernas trôpegas e ainda a bocejar , a equipa seguiu o . Tinham estado tanto tempo lá dentro que o sol já tinha nascido e brilhava em o céu embora uma réstia de neblina pairasse ainda sobre o relvado de o campo . Quando Harry entrou em campo viu Ron e Hermione sentados em as bancadas . - Ainda não acabaram ? - perguntou Ron em um tom incrédulo . - Ainda nem começamos - explicou Harry , olhando cheio de inveja para a torrada com doce de laranja que Ron e Hermione tinham trazido de o salão . - O Wood tem estado a ensinar nos as jogadas . Subiu para a vassoura e deu um pontapé em o chão , elevando se em o ar . O ar fresco de a manhã bateu lhe em o rosto fazendo o acordar com mais eficácia do_que o longo discurso de Wood . Era maravilhoso voltar a estar em o campo de Quidditch . Voou em volta de o estádio a toda a a velocidade competindo com Fred e George . - Que barulhinho estranho é aquele ? - perguntou o Fred quando deram a volta . Harry olhou para as bancadas . Colin estava sentado em um de os lugares mais altos com a máquina fotográfica em o ar , tirando fotografia sobre fotografia , o som estranhamente ampliado em o estádio deserto . - Olha para ali , Harry , para ali - gritava de forma estridente . - Quem é aquele ? - perguntou Fred . - Não faço ideia - mentiu Harry , disparando a_toda_a velocidade e distanciando se o mais possível de Colin . - O que se passa aí ? - perguntou Wood , franzindo a testa enquanto corria por os ares atrás de eles . - Porque está aquele aluno de o primeiro ano a tirar fotografias ? Não me agrada . Pode ser um espião de os Slytherin a tentar descobrir o nosso novo programa de treinos . - Ele é de os Gryffindor - disse Harry rapidamente . - E os Slytherin não precisam de um espião , Oliver - completou George . - Porque dizes isso ? - perguntou Wood irritado . - Porque estão aqui em peso - disse George , apontando com o dedo . Vários indivíduos com túnicas verdes vinham em aquele momento a entrar em o campo de vassouras em a mão . - Não posso acreditar - reagiu Wood , sentindo se ultrajado . - Eu reservei o estádio para hoje . Já vamos ver como é_que isto fica ! Wood baixou direito a o chão sendo levado por a fúria a aterrar com mais força do_que pretendia e a cambalear um_pouco quando começou a andar seguido de o Harry e de o Ron . - Flint - bradou para o treinador de os Slytherin . - Este é o nosso tempo de treino . Levantámo nos de propósito . Vocês têm de sair de aqui . Marcus_Flint era ainda mais corpulento do_que Wood . Tinha em o rosto uma expressão de duende travesso quando respondeu : - Há espaço para todos , Wood . Angelina , Alicia e Katie tinham vindo também . Em a equipa de os Slytherin não havia raparigas que enfrentassem a o lado de os rapazes os Gryffindor . - Mas eu reservei o estádio - repetiu Wood de modo afirmativo , cuspindo de raiva . - Reservei o . - Ah ! - exclamou Flint . - Mas eu tenho aqui uma licença especial assinada por o professor Snape . * _ Eu , professor Snape , autorizo a equipa de os Slytherin a praticar hoje em o campo de Quidditch devido a a necessidade de treinar o seu novo seeker . * - Têm um novo * seeker * ? - perguntou Wood perturbado . - Onde ? E detrás de as seis figuras corpulentas que tinham em a frente , viram surgir uma sétima : um rapaz mais pequeno com um sorriso afectado espelhado em o rosto pálido e anguloso . Era_Draco_Malfoy . - Não és o filho de o Lucius_Malfoy ? - perguntou Fred , olhando para ele com antipatia . - Curioso que refiras o pai de o Draco - disse Flint enquanto toda_a equipa de os Slytherin sorria de modo grosseiro . - Deixem me mostrar vos a generosa oferta que ele fez a a equipa de os Slytherin . Os sete exibiram as suas vassouras . Sete cabos novos , polidos , com inscrições em letras douradas de as palavras « Nimbus dois_mil_e_um « brilharam a o sol de a manhã , em frente de o nariz de os Gryffindor . - O último modelo . Só chegou em o mês passado - disse Flint , displicentemente , sacudindo a poeira de o cabo de a sua vassoura . - Julgo que ultrapassam de longe as velhas séries de dois_mil . Quanto a as Cleansweeps - sorriu de forma mesquinha para Fred e George que tinham ambos Cleansweep_Fives - essas já só servem para varrer . Nenhum de os Gryffindor foi capaz de abrir a boca em aquele momento . Malfoy sorria tanto que os seus olhos de gelo estavam reduzidos a duas rachas . - Oh vejam - disse Flint . - Uma invasão de o campo . Ron e Hermione atravessavam o relvado para ver o que se passava . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron a o Harry . - Porque não estão a jogar e o que faz ele aqui ? Olhava para Malfoy em as suas vestes de Quidditch . - Sou o novo * seeker * de os Slytherin , Weasley - disse Malfoy com ar presumido . - Têm estado todos a admirar as vassouras que o meu pai comprou para a nossa equipa . Ron olhou de boca aberta para as sete vassouras que tinha em a frente . - São boas , não são ? - disse Malfoy untuosamente . - Mas talvez a equipa de os Gryffindor consiga levantar algum ouro e comprar também vassouras novas . Vocês podiam levar essas Cleansweep_Fives a leilão , talvez algum museu esteja interessado . A equipa de os Slytherin riu se a bandeiras despregadas . - Pelo_menos em os Gryffindor ninguém teve de comprar a sua entrada - disse secamente Hermione . - Entraram todos por mérito próprio . O ar presumido de Malfoy desapareceu . - Ninguém pediu a tua opinião , sangue de lama - cuspiu Malfoy . Harry apercebeu se , de imediato , que Malfoy dissera algo muito grave porque houve uma tremenda algazarra em o seguimento de as suas palavras . Flint teve que se pôr a a frente de o Malfoy para evitar que Fred e George se atirassem a ele . Alicia bradou : - Como te atreves ? - E Ron meteu a mão em as vestes e sacou de a varinha mágica , gritando : - Vais pagar por o que disseste , Malfoy ! - e apontou a , furioso , por debaixo de o braço de Flint , a o rosto de Malfoy . Um enorme estrondo , ecoou em o estádio e um jacto de luz verde saiu por a extremidade errada de a varinha de Ron , atingindo o em o estômago e projectando o para trás em direcção a o relvado . - Ron ! Ron ! Estás bem ? - gritou Hermione . Ron abriu a boca para falar , mas nenhuma palavra saiu . Em vez de isso , teve um vómito imenso e várias lesmas saíram lhe de a boca , indo cair lhe em o colo . A equipa de os Slytherin ficou paralisada de riso . Flint estava dobrado , agarrado a a vassoura nova . Malfoy , a quatro , batia com o punho em a chão . Os Gryffindor rodeavam o Ron , que continuava a vomitar lesmas enormes e reluzentes . Ninguém queria tocar lhe . - É melhor levá o para_casa de o Hagrid . É o mais perto - disse Harry_a_Hermione , que acenou afirmativamente , e os dois arrastaram o Ron por os braços . - O que aconteceu , Harry ? O que aconteceu ? Ele está doente ? Mas tu podes curá o , não podes ? - Colin descera a correr de o lugar onde estava sentado e dançaricava em frente de eles , enquanto abandonavam o campo . Ron teve um novo arremesso e mais lesmas saíram de a sua boca . - Oooh ! - exclamou Colin fascinado , levantando a máquina fotográfica . - Podes mantê o quieto , Harry ? - Sai de a minha frente , Colin - gritou Harry zangado . Ele e a Hermione conseguiram levar o Ron para fora de o estádio , atravessar os campos e chegar a a beira de a floresta . - Está quase , Ron - disse Hermione , mal avistaram o casebre de o guarda de os campos . - Vais ficar bem dentro_de um minuto ... está quase ... Estavam a sessenta metros de a casa de Hagrid , quando a porta de a frente se abriu . Mas não foi Hagrid quem saiu de lá , e sim Gilderoy_Lockhart , em uma túnica cor de malva . - Rápido , vamos esconder nos aqui - sussurrou Harry , arrastando Ron para trás de um arbusto que havia ali perto . Hermione acompanhou o , embora um_pouco relutante . -- É muito simples quando se sabe o que se está fazer ! - gritava Lockhart_para_Hagrid . - Se precisar de ajuda , sabe onde estou . Vou dar lhe um exemplar de o meu livro . Espanta me que ainda não o tenha . Logo a a noite autografo o e envio lhe o . Bem . até a a próxima ! - e afastou se em direcção a o castelo . Harry esperou que Lockhart desaparecesse , antes de puxar o Ron de trás de o arbusto até a a casa de o Hagrid . Bateram ansiosamente . Hagrid apareceu logo com um ar mal-humorado , que se dissipou quando viu quem era . - Já me tinha perguntado quand'é que vocês vinham ver me , entrem , entrem , pensei qu'era outra_vez o professor Lockhart . Harry e Hermione ajudaram Ron a subir o degrau que dava acesso a a cabana de uma divisão com uma cama enorme a um de os cantos e uma lareira a crepitar alegremente em o outro . Hagrid não pareceu perturbado com o problema de as lesmas de o Ron que Harry lhe explicou precipitadamente , logo_que sentou o Ron em uma cadeira . - Melhor saírem de o qu'entrarem - disse , em um tom bem-disposto , colocando uma grande bacia de cobre em frente de ele . - Deita as todas fora , Ron . - Acho que não há mais_nada a fazer , a não ser esperar que isto pare - disse Hermione ansiosamente , vendo Ron inclinar se para a bacia . - É uma maldição muitas_vezes difícil , mas com uma varinha partida ... Hagrid andava de um lado para o outro a preparar o chá . O cão de ele , Fang , babava se em cima de o Harry . - O que é_que o Lockhart queria de ti ? - perguntou o Harry , coçando as orelhas de o Fang . - Ensinar me a tirar espíritos aquáticos com forma de cavalos d'uma nascente d'água - resmungou Hagrid , retirando de a mesa pequena um galo meio depenado e colocando em o seu lugar o bule . - Como s'eu não soubesse . E contar me uma peta qualquer d'uma fada carpideira que ele venceu . Engulo essa chaleira , se uma palavra do_que ele disse for verdade . Não era hábito de Hagrid criticar um professor de Hogwarts e Harry olhou para ele com alguma surpresa . Mas Hermione disse em uma voz mais aguda do_que de costume : - Acho que estás a ser injusto . O professor Dumbledore obviamente achou que era o melhor homem para o lugar ... - Era o único - explicou Hagrid , oferecendo lhes um prato de bombons de melaço enquanto Ron tossia para a bacia . - E não havia mais ninguém . Não é fácil encontrar quem queira dar Artes de magia negra . As pessoas não gostam de essa matéria . Começam a pensar que está amaldiçoada , ninguém ficou muito_tempo a dá a . Mas digam me lá - continuou Hagrid , inclinando a cabeça para Ron - quem é qu'ele estava a tentar amaldiçoar ? - O Malfoy chamou qualquer coisa a a Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si . - Foi grave , sim - disse o Ron com voz rouca , emergindo a a superfície de a mesa , pálido e transpirado . - O Malfoy chamou lhe sangue de lama , Hagrid . - Ron desapareceu outra_vez quando uma nova onda de lesmas fez o seu aparecimento . Hagrid estava indignado . - Não posso crer - exclamou , dirigindo se a Hermione . - Chamou sim - disse ela . - Mas eu não sei o que significa . Percebi que era má educação , claro ... - É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar - explicou Ron novamente . - Sangue de lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles , sabes , filho de pais não mágicos . Há alguns feiticeiros , como a família de o Malfoy que acham que são melhores do_que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro . - Teve um pequeno vómito e uma lesma isolada caiu lhe em a mão aberta . Ele atirou a para a bacia e continuou . -- É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma . Olha_o_Neville_Longbottom , é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito . - E ainda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer - afirmou Hagrid , orgulhoso , fazendo Hermione corar em tons de magenta . - É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém - disse o Ron , limpando o suor de a testa com a mão trémula . - Sangue sujo , sangue vulgar , é um disparate . A maior parte de os feiticeiros hoje_em_dia têm sangue misturado . Se não tivéssemos casado com Muggles tinha sido o nosso fim . Fez um esforço para vomitar e baixou se mais_uma_vez . - Bem , não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá o , Ron - disse Hagrid bem alto enquanto montes de lesmas caíam em a bacia . - Mas , se_calhar , não foi mau de todo teres a varinha a trabalhar ao_contrário . Acho que Lucius_Malfoy teria vindo logo a correr a a escola se tivesses amaldiçoado o filho . Assim , pelo_menos , não estás metido em nenhum sarilho . Harry teria referido que o problema não podia ser pior do_que deitar lesmas por a boca , mas não pôde . Os bombons de melaço tinham lhe colado os maxilares um_ao_outro . - Harry - disse de repente Hagrid como_que movido por um pensamento súbito . - Tens de me explicar uma coisa . Ouvi dizer que tens andado a dar fotografias autografadas . Porque é qu'eu não tenho nenhuma ? A fúria de Harry foi tão grande que os maxilares se libertaram . - Eu não tenho dado fotografias autografadas - disse com vivacidade . Se o Lockhart andou a espalhar isso ... Mas em esse momento viu que Hagrid se estava a rir . - ´ _ tou a brincar - disse , dando uma palmadinha em as costas de Harry e fazendo lhe sinal para se sentar a a mesa . -- Eu sabia que não tinhas . Disse a o Lockhart que tu não precisavas de isso . Es mais famoso do_que ele sem sequer , tentares . - Aposto que ele não gostou de ouvir isso - comentou Harry , sentando se e esfregando o queixo . - Acho que não gostou mesmo - prosseguiu Hagrid com os olhinhos a brilhar . - E disse lhe também que nunca tinha lido nenhum de os livros de ele e ele foi se embora . Um bombom de melaço , Ron ? - perguntou a o vê o reaparecer . - Não , obrigado - disse o Ron com uma voz fraca . - É melhor não arriscar . - Venham ver o qu'eu tenho estado a criar - disse Hagrid quando Harry e Hermione acabaram de tomar o chá . Em a pequena horta atrás de a casa estava uma_dúzia de as maiores abóboras que Harry alguma vez vira . Pareciam enormes blocos de pedra . - Estão a dar se bem , não achas ? - disse Hagrid , feliz . São para a festa de o * _ Hallow'en * . Devem estar bem grandes quando chegar a altura . - O que é_que lhes tens dado como alimento ? - perguntou Harry . Hagrid olhou por cima de o ombro para confirmar se estavam sós . - Bem , tenho estado a dar lhes ... uma pequena ajuda . Harry reparou em o guarda-chuva cor-de-rosa a as florzinhas que estava encostado contra a parede de a cabana . Tivera em o ano anterior motivos para crer que aquele guarda-chuva não era o que parecia . De facto , acreditava que a antiga varinha de escola de Hagrid se encontrava oculta dentro de ele . Hagrid não tinha autorização para usar magia . Fora expulso de Hogwarts em o terceiro ano embora Harry nunca tivesse descoberto o motivo . Qualquer referência a esta questão fazia Hagrid pigarrear bem alto e ficar misteriosamente surdo até mudarem de assunto . -- Um encantamento de absorção , imagino ? - comentou Hermione entre a desaprovação e o divertimento . - Bem , se assim foi , fizeste um bom trabalho . - Foi o que disse a tua irmãzinha - respondeu Hagrid acenando em direcção a Ron . - Encontrei a ontem . - Hagrid olhou de lado para Harry , a barba a contorcer se . - Disse que andava só a ver os campos , mas eu acho qu'ela esperava encontrar alguém em a minha casa - piscou o olho a o Harry . - Se queres que te diga acho qu'ela não recusaria uma fotografia autogr ... - Cala te com isso - disse Harry . Ron desatou a rir e o chão ficou cheio de lesmas . - Cuidado - resmungou Hagrid , afastando Ron de as suas preciosas abóboras . Estava quase em a hora de o almoço e , como o Harry só tinha provado um bombom de melaço desde manhã cedo , estava ansioso por chegar a a escola para ir comer . Despediram se de o Hagrid e regressaram a o castelo . O Ron a vomitar de vez em quando , mas deitando só duas pequenas lesmas . Mal tinham pisado a entrada de o vestíbulo quando ouviram uma voz . - Aí estão vocês , Potter , Weasley . - A professora Mc_Gonagall vinha em direcção a eles com o seu ar severo . - Vocês os dois vão ter as punições hoje a a tarde . - O que é_que vamos fazer , professora ? - perguntou o Ron nervoso , deixando cair uma lesma . - Tu vais limpar as pratas em a sala de os troféus com Mr._Filch - disse a professora Mc_Gonagall . - E nada de mágicas , Weasley , trabalho com esforço . Ron engoliu em seco . Argus_Filch , o encarregado , era odiado por todos os alunos de a escola . - E tu , Potter , vais ajudar o professor Lockhart a responder a as cartas de as suas fãs - ordenou a professora Mc_Gonagall . - Oh , não ! Não posso ir também trabalhar em a sala de os troféus ? - pediu Harry em desespero de causa . - Nem pensar em isso - respondeu a professora Mc_Gonagall , erguendo as sobrancelhas . - O professor Lockhart requisitou te especialmente a ti . _ a as oito_em_ponto , os dois . Harry e Ron entraram em o salão em um estado de profundo desanimo com a Hermione atrás , ostentando uma expressão de * bem-voces-quebraram-as-regras-da-escola * . Harry não saboreou o empadão de carne como teria desejado . Tanto ele como o Ron achavam que tinham tido o pior de os castigos . -- O Filch vai reter me lá toda_a noite - disse Ron , desanimado . - Sem mágica ! Deve haver umas cem taças em aquela sala , eu não sei fazer limpeza de Muggles . - Eu trocava contigo de boa_vontade - confessou Harry em uma voz surda . - Tive montes de prática com os Dursleys . Responder a o correio de fãs de o Lockhart , que pesadelo ... A tarde de sábado pareceu derreter se . Pouco depois eram já cinco para as oito e Harry arrastava se até a o corredor de o segundo andar onde ficava o escritório de o Lockhart . Rangendo os dentes , bateu a a porta . A porta abriu se imediatamente e Lockhart dirigiu se lhe . - Ah , cá está o patifório ! - exclamou . - Entra , Harry , entra . Em as paredes , brilhando à_luz_de muitas velas , podia ver se uma infinidade de fotografias de Lockhart . Algumas de elas até assinadas . Sobre a secretária estava outro monte enorme . - Podes pôr as moradas em os envelopes - disse Lockhart_a_Harry , como_se fosse uma grande ameaça . - O primeiro é para Gladys_Gudgeon , abençoada seja , uma grande fã minha . Os minutos passavam lentos . De vez em quando , Harry ouvia a voz de Lockhart dizendo : - Mmm - e - certo - e - sim . - De vez em quando , apanhava uma frase como : - A fama é versátil , amigo Harry - ou - Só é célebre quem faz por isso , nunca te esqueças . As velas ardiam cada_vez com maior lentidão , fazendo a luz dançar sobre as muitas caras de Lockhart que o olhavam . Harry passava a mão , já dorida , sobre o que devia ser o centésimo envelope , escrevendo a morada de Verónica_Smethley . « Deve estar quase em a hora de me ir embora » , pensou , sentindo se profundamente infeliz , « por favor , faz com que esteja em a hora ... » E então ouviu algo , algo totalmente diferente de o crepitar de as velas e de os ditos de Lockhart sobre as suas fãs . Era uma voz , uma voz de arrepiar os ossos , de cortar a respiração , de veneno frio . - * _ Vem ... vem ter comigo ... deixa me rasgar te ... cortar te ... matar te * ... Harry deu um salto e uma enorme mancha lilás surgiu em a rua de Verónica_Smethley . - O quê ? - disse ele em voz alta . - Eu sei - exclamou Lockhart . - Seis meses inteirinhos em o topo de a lista de * bestsellers * , bati todos os recordes ! - Não - disse Harry nervosíssimo - aquela voz ! - Como ? - perguntou Lockhart , com um ar confuso . - Que voz ? - Aquela , aquela voz que disse ... não ouviu ? Lockhart olhava para Harry com o maior espanto . - De que é_que estás a falar , Harry ? Estás a ficar com sono ? Meu Deus , olha , só estamos aqui há quase quatro horas , quem diria ? O tempo passou a correr , não é verdade ? Harry não respondeu , estava a fazer um esforço para ouvir de_novo a voz , mas o único som que ouviu foi Lockhart a dizer lhe que não esperasse um tratamento igual de as próximas vezes que fosse castigado . Harry saiu , sentindo se atordoado . Era tão tarde que a sala comum de os Gryffindor estava quase vazia . Harry foi directamente para o dormitório . Ron ainda não tinha voltado . Vestiu o pijama , meteu se em a cama e esperou . Meia_hora mais tarde , chegou o Ron agarrado a o braço direito e inundando o quarto escuro de um forte cheiro a limpa-pratas . - Doem me todos os músculos - resmungou , metendo se em a cama . - Ele fez me polir catorze vezes aquela taça de Quidditch até estar satisfeito . E depois tive outro vómito em_cima_de um troféu de Reconhecimento por serviços prestados a a escola . Demorei séculos a limpar o muco de as lesmas . Como correram as coisas com o Lockhart ? Em voz baixa para não acordar o Neville , o Dean e o Seamus , Harry contou lhe , palavra por palavra , o que tinha ouvido . - E Lockhart disse que não ouviu nada ? - perguntou o Ron . Harry viu o franzir a testa , a a luz de o luar . - Achas que estava a mentir ? Mas , não percebo , mesmo um ser invisível teria aberto a porta . - Eu sei - disse Harry , encostando se a a cama e olhando para o dossel . - Também não compreendo . VIII_A festa de o dia de os mortos Outubro chegou , espalhando um frio húmido por os campos e por os cantos de o castelo . Madam_Pomfrey , a enfermeira-chefe , esteve bastante ocupada com uma onda de constipações que afectou professores e alunos . A sua poção de pimentão entrou imediatamente em acção apesar_de deixar quem a tomava com fumo em os ouvidos durante várias horas . Ginny_Weasley , que andava com ar adoentado , foi convencida a tomá a por o Percy . O fumo que saía por debaixo de o seu cabelo ruivo dava a impressão de que toda_a cabeça estava em fogo . Gotas de chuva de o tamanho de balas agrediram as janelas de o castelo durante dias a fio . O lago rosado e os canteiros de flores tornaram se regatos lamacentos e as abóboras de o Hagrid incharam ficando de o tamanho de alpendres de jardim . Contudo , o entusiasmo de Oliver_Wood por as sessões de treino regular não foi abalado , motivo por o qual Harry iria regressar a a torre de os Gryffindor , em um sábado a a tarde de temporal , alguns dias antes de o * _ Hallowe'en * , ensopado até a os ossos e todo enlameado . Além de a chuva e de o vento , não fora um treino feliz . Fred e George que tinham andado a espiar a equipa de os Slytherin tinham visto com os seus próprios olhos a velocidade alucinante de aquelas novas Nimbus dois_mil_e_um e comentaram que a equipa em o ar parecia composta por sete manchas esverdeadas que disparavam a_toda_a velocidade como aviões a jacto . Enquanto Harry chapinhava a o longo de o corredor deserto , cruzou se com alguém que parecia tão preocupado como ele : Nick quase sem cabeça , o fantasma de a torre de os Gryffindor que olhava taciturno , por a janela , murmurando baixinho : - Não preenche os requisitos , um centímetro e meio se ... - Olá , Nick - cumprimentou Harry . - Olá , olá - disse o Nick quase sem cabeça , começando a olhar em volta . Usava um arrebatado chapéu de plumas sobre a longa cabeleira encaracolada e uma túnica com gola de tufos que disfarçava o facto de ter o pescoço quase totalmente separado de o corpo . Era pálido como o fumo e Harry podia ver através de ele o céu negro e a chuva torrencial , lá fora . - Pareces preocupado , jovem Potter - disse Nick , dobrando uma carta transparente , enquanto falava e escondendo a dentro de a jaqueta . - Tu também - retorquiu Harry . - Ah ! - o Nick quase sem cabeça acenou com a mão de forma elegante . - Uma questão sem importância . Não é_que eu quisesse realmente participar apesar_de me ter inscrito , mas , a o que parece , não preencho os requisitos . - Apesar de o seu tom jovial havia em o seu rosto uma grande amargura . - Mas era de esperar , ou não era - exclamou subitamente , tirando a carta de o bolso - que ter levado quarenta_e_cinco golpes em a cabeça com um machado ferrugento me qualificaria para entrar em o grupo de os Sem - _ Cabeça ? - Sim , sim - respondeu Harry que obviamente o outro esperava que concordasse . - Isto_é , ninguém mais do_que eu desejaria que tudo tivesse sido rápido e perfeito , poupava me muitas dores e ridículo . Mas ... O Nick quase sem cabeça abriu , furioso , a carta e leu : * _ Só podemos aceitar em o grupo homens cuja cabeça tenha sido separada de o corpo . Compreenderá que de outro modo seria impossível a os nossos membros participarem em actividades como equitação de malabarismos com a cabeça e pólo de cabeça . Lamentamos profundamente informá o de que não preenche os requisitos . * _ Os nossos melhores cumprimentos , Sir_Patrick_Delaney - _ Podmore * Furioso , o Nick quase sem cabeça atirou fora a carta . - Um centímetro de pele e tendões a segurarem me a cabeça , Harry ! A maior parte de as pessoas acharia que era mais do_que o suficiente , mas não serve para o senhor correctamente decapitado Podmore . Nick quase sem cabeça respirou fundo várias vezes e , por fim , em um tom bastante mais calmo perguntou : - Então o que é_que te preocupa ? Alguma coisa que eu possa fazer por ti ? - Não - respondeu Harry . - A_não_ser_que saibas onde posso arranjar sete Nimbus dois_mil_e_um , de_graça , para o nosso campeonato contra os Sly ... - o resto de a frase foi afogada por um miado agudo vindo de perto de os seus tornozelos . Olhou para baixo e deu consigo a fitar um par de olhos que pareciam duas lâmpadas amarelas . Era_Mrs._Norris , a gata cinzenta e esquelética usada por o encarregado Argus_Filch como uma espécie de polícia em a sua infindável batalha contra os estudantes . - É melhor saíres de aqui , Harry - preveniu Nick com toda_a calma . - O Filch não está nada bem-disposto . Anda engripado e alguns alunos de o terceiro ano , por acidente , encheram o tecto de o calabouço cinco de miolos de rã . Ele tem andado toda_a manhã a limpar e se te vê a encher tudo de lama ... - Certo - disse Harry , recuando e afastando se de o olhar acusador de Mrs._Norris , mas ... tarde de mais . Conduzido até ali por o misterioso poder que parecia ligá o a a gata , Argus_Filch entrou subitamente por uma tapeçaria que se encontrava a a direita de Harry , com a sua respiração asmática , olhando vivamente em volta em busca de o infractor . Tinha um lenço grosso , de xadrez , a a volta de a cabeça e o nariz invulgarmente arroxeado . - Imundície - gritou com os maxilares a tremer e os olhos a saltarem lhe de as órbitas , enquanto apontava para a poça de lama que pingara de a túnica de Quidditch_de_Harry . - Desarrumação e imundície em todo o lado . Estou farto disto , segue me , Potter . Harry despediu se de o Nick quase sem cabeça com um tímido aceno e seguiu Filch até lá abaixo , duplicando o número de pegadas lamacentas em o chão . Nunca entrara em o gabinete de o Filch . Era um lugar que a maior parte de os estudantes evitava . A divisão era sombria e sem janelas , iluminada por uma única lamparina de óleo que pendia de o tecto . Sentia se um vago cheiro a peixe frito . As paredes estavam forradas por ficheiros de madeira . Por as etiquetas Harry percebeu que continham os dados de todos os alunos que Filch tinha punido . Fred e George_Weasley tinham uma gaveta só para eles . Atrás de a secretária estava pendurada uma colecção bem polida de correntes e algemas . Todos sabiam que ele estava sempre a pedir a Dumbledore que o deixasse pendurar os alunos em o tecto por os tornozelos . Filch pegou em uma pena que estava sobre a secretária e começou a procurar o pergaminho . - Bosta - murmurou , furioso . - Bosta de dragão , miolos de rã , intestinos de ratazana ... eu tinha aqui bastante , onde está o form ... sim ... Tirou um enorme rolo de pergaminho de a gaveta de a secretária e estendeu o em a frente , molhando a longa pena em o tinteiro . - Nome : Harry_Potter . Crime ... - Foi só um bocadinho de lama - disse Harry . - É só um bocadinho de lama para ti , rapaz , mas para mim é mais de uma hora a esfregar - gritou Filch com um pingo a tremer de modo desagradável em a extremidade de o nariz bolboso . - Crime : manchar o castelo . Sentença proposta ... Esfregando o nariz que continuava a pingar , Filch olhou com má cara para Harry que esperava com a respiração entrecortada para ouvir a sentença . Mas quando Filch pegou em a pena ouviu se um estrondo enorme em o tecto que fez a lamparina apagar se . - PEEVES - resmungou Filch , pousando a pena , cheio de raiva . - Desta_vez apanho te . Apanho te ! E sem olhar para trás , saiu a correr a_toda_a velocidade de o gabinete , seguido de a gata , Mrs._Norris . Peeves era o * poltergeist * de a escola , uma ameaça de risota esvoaçante que vivia para fazer estragos e criar aflição . Harry não gostava lá muito de ele , mas desta_vez , não podia deixar de lhe estar grato . Na_melhor_das_hipóteses o que Peeves tivesse feito ( e parecia que agora ele destruíra qualquer coisa em grande ) distrairia Filch_de_Harry . Pensando que o melhor seria esperar que ele voltasse , Harry deixou se cair em uma cadeira carcomida por o tempo que se encontrava junto de a secretária . Havia uma coisa sobre o tampo : um grande envelope roxo e lustroso com letras prateadas em a frente . Lançando um olhar rápido a a porta para confirmar que Filch não estava de volta , Harry pegou lhe e leu : __ feitiço __ rápido Um curso por correspondência De iniciação a a magia Cheio de curiosidade , abriu o envelope e retirou o rolo de pergaminho . Uma letra curvilínea e prateada dizia : Sente se pouco a a vontade em o mundo de a magia moderna ? Dá consigo a arranjar desculpas para não fazer feitiços simples ? Tem sido censurado por o deplorável trabalho com a varinha ? Eis a resposta ! Feitiço rápido e um curso totalmente novo , infalível , de resultados rápidos e rápida aprendizagem . Centenas de bruxas e feiticeiros têm beneficiado de o método feitiço rápido ! Madam_Z._Nettles_de_Topsham escreve nos : Eu não conseguia fixar os encantamentos e as minhas poções eram alvo de risota em a família . Agora , depois de o curso feitiço rápido , tornei me o centro de as atenções em todas_as festas e os meus amigos não param de pedir me a receita de a minha brilhante solução ! O mágico D.J._Prod , de Disbury , afirma : A minha mulher costumava rir se de os meus fracos encantamentos , mas bastou um mês com o vosso fabuloso curso feitiço rápido e consegui transformá a em um iaque . Obrigado , feitiço rápido ! Fascinado , Harry folheou o resto de o conteúdo de o envelope . Para que diabo quereria o Filch um curso de feitiço rápido ? Não seria ele um feiticeiro a sério ? Harry estava a ler a lição número um : Pegando em a varinha ( algumas dicas úteis ) quando umas passadas arrastadas , lá fora , o preveniram de que Filch estava de volta . Metendo rapidamente o pergaminho dentro de o envelope , lançou o para_cima de a secretária em o preciso momento em que a porta se abriu . Filch ostentava um ar triunfante . - Aquele armário que desapareceu era extremamente valioso - vinha ele a dizer a a gata , Mrs._Norris . - Desta_vez vamos correr com o Peeves , minha linda . Os seus olhos recaíram sobre Harry e logo_a_seguir sobre o envelope de o feitiço rápido que , Harry apercebeu se tarde de mais , estava meio metro distanciado de o seu lagar inicial . O rosto pálido de Filch tornou se vermelho escarlate . Harry preparou se para uma nova onda de fúria . Filch coxeou até a a secretária , arrebatou o envelope e meteu o em uma gaveta . -- Chegaste a ... lê o ? - perguntou atabalhoadamente . - Não - mentiu Harry , sem perder tempo . As mãos nodosas de o Filch contorciam se ao_mesmo_tempo . - Se eu soubesse que ias ler a minha correspondência priv ... não que seja minha ... é para um amigo ... mesmo_assim ... Harry olhava para ele espantado . Nunca vira o Filch tão louco . Os olhos pareciam querer saltar lhe de as órbitas , com um tique em as bochechas e aquele lenço axadrezado que não ajudava nada ... - Muito bem , vai e não abras a boca sobre isto ... não que ... mesmo_assim ... se tu não leste ... vai te embora , tenho de escrever o relatório sobre o Peeves , vai . Atordoado com a sua sorte , Harry saiu de ali e largou a correr por o corredor fora e por as escadas acima . Sair de o gabinete de o Filch sem um castigo devia ser um recorde em a escola . - Harry , Harry , deu resultado ? O Nick quase sem cabeça saiu a brilhar de uma sala de aula . Atrás de ele , Harry pôde ver os destroços de um grande armário preto e dourado que parecia ter sido atirado de uma grande altura . - Convenci o Peeves a parti o mesmo em cima de o gabinete de o Filch - disse Nick entusiasmado . - Pensei que talvez o distraísse . - Foste tu ? - exclamou Harry , agradecido . - Funcionou sim . Ele não me deu nenhum castigo . Obrigado , Nick . Atravessaram o corredor juntos . O Nick quase sem cabeça , reparou Harry , ainda tinha em a mão a carta de Sir_Patrick . - Gostaria de poder fazer qualquer coisa sobre o grupo de os Sem - _ Cabeça - disse Harry . O Nick quase sem cabeça parou de repente e Harry passou através de ele . Antes não tivesse passado , foi como atravessar um duche gelado . - Mas há uma coisa que tu podes fazer por mim - disse Nick muito agitado . - Harry , seria pedir te de mais ... mas não , tu não ias querer ... - O quê ? - Bem , este ano em o * _ Hallowe'en * vai ser o meu meio milénio de dia de os mortos - disse o Nick quase sem cabeça endireitando se e adquirindo uma postura de grande dignidade . - Oh - respondeu Harry sem saber se deveria lamentar ou dar lhe os parabéns . - Certo . - Vou dar uma festa em um de os calabouços mais amplos . Vêm amigos meus de todo o país . Seria uma honra muito grande se tu aparecesses . Mr._Weasley e Miss_Granger seriam também muito bem-vindos , claro . Mas tu deves preferir o banquete de a escola , não é verdade ? - Olhou para Harry , aflito . - Não - assegurou ele rapidamente . - Eu vou . - Oh rapaz , Harry_Potter em a minha festa de os mortos - hesitou no_meio_de toda aquela excitação . - Achas que poderias referir a Sir_Patrick como me achas assustador e como te impressiono ? - É claro que sim - assegurou Harry . O Nick quase sem cabeça iluminou se em um sorriso . - Uma festa de os mortos ? - exclamou Hermione , entusiasmada , quando Harry , depois de mudar de roupa , se juntou a ela e a o Ron em a sala comum . - Aposto que não há muitas pessoas que possam gabar se de ter estado em uma festa de essas . Vai ser fantástico ! - Por_que é_que alguém se lembraria de festejar o dia em que morreu ? - perguntou o Ron que estava a meio de o seu trabalho de casa de poções e bastante maldisposto . - Parece me bastante mórbido . A chuva continuava a lamber as janelas que apresentavam agora um negro que parecia tinta , mas , lá dentro , era tudo claro e alegre . O fogo em a lareira brilhava sobre as inúmeras cadeiras de braços onde as pessoas estavam sentadas a ler , a conversar , a fazer os trabalhos de casa ou , no_caso_de Fred e George_Weasley , a tentar descobrir o que aconteceria se alimentassem uma salamandra com fogo-de-artíficio de o Filibuster . O Fred tinha « resgatado . o lagarto cor de laranja brilhante , morador de o fogo , de uma aula de tratamento de seres mágicos e ele estava agora a arder em fogo lento sobre uma mesa , rodeado de um grupo de curiosos . Harry ia começar a contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre o Filch e o curso de feitiço rápido quando a salamandra disparou por os ares , lançando faíscas e estoiros . A visão de Percy a gritar com Fred e George até ficar ronco , a fantástica exibição de estrelas cor de tangerina que choviam de a boca de a salamandra e a sua fuga para o lume acompanhada de explosões , fizeram com que Harry se esquecesse , em aquele momento , de Filch e de o curso de feitiço rápido . Quando chegou o * _ Hallowe'en * , Harry já lamentava a sua promessa imprudente de ir a a festa de os mortos . Toda_a escola antecipava , feliz , a sua festa de * _ Hallowe'en * . O salão nobre fora enfeitado com os habituais morcegos , as enormes abóboras de Hagrid tinham sido esculpidas em forma de lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro_de cada uma , e havia boatos de que Dumbledore contratara um grupo de esqueletos bailarinos para animar a festa . - Uma promessa é uma promessa - lembrou Hermione_a_Harry com o seu autoritarismo habitual . - Tu disseste que ias a a festa de os mortos . Portanto , a as sete_da_tarde , Harry , Ron e Hermione saíram , passando por a porta de o salão nobre que brilhava de modo convidativo com pratos dourados e velas e dirigiram os seus passos para os calabouços . O corredor que conduzia a a festa de o Nick quase sem cabeça tinha sido também ladeado de velas , embora o efeito estivesse longe_de ser alegre : estas eram velas muito esguias e estreitas , negras de breu , ardendo em um azul brilhante e lançando uma luz indistinta e espectral também sobre as caras de as pessoas vivas . A temperatura diminuía a cada degrau que desciam . Harry tremia e cingia a túnica a o corpo quando ouviu qualquer coisa que parecia uma centena de unhas a rasparem um enorme quadro preto . - Será que isto_é a música ? - murmurou Ron . Viraram uma esquina e viram o Nick quase sem cabeça junto de uma porta , todo vestido de veludo negro . - Meus queridos amigos - disse com ar de luto . - Bem-vindos , bem-vindos , ainda_bem que puderam vir . Em um gesto largo tirou o chapéu de plumas e fez lhes sinal para que entrassem . Era uma visão incrível . O calabouço estava cheio com centenas de pessoas de um branco pálido e translúcido , a maior parte de as quais era arrastada em uma pista de dança cheia , valsando a o som de trinta serrotes musicais . Os serrotes que compunham a orquestra encontravam se sobre um estrado enfeitado com panos negros . Um lustre lá em cima resplandecia de um azul nocturno com mais um_milhar de velas negras . A respiração de os três subiu em o ar como uma neblina . Parecia que tinham entrado em um congelador . - Vamos dar uma volta - sugeriu Harry em uma tentativa de aquecer os pés . - Cuidado , não atravessem nenhum de eles - avisou o Ron nervosamente e colocaram se em volta de a pista de dança . Passaram por um grupo escuro de freiras , por um homem esfarrapado e cheio de correntes e por o frade gordo , o divertido fantasma de os Hufflepuff que estava a conversar com um cavaleiro com uma seta enfiada em a testa . Harry não ficou nada surpreendido a o ver que o Barão sangrento , o fantasma lúgubre e berrante de os Slytherin , coberto de nódoas de sangue ; estava a ser totalmente evitado por os outros fantasmas . - Oh ! Não -- exclamou Hermione , parando bruscamente . - Voltem se , voltem se , não quero ter de cumprimentar a Murta_Queixosa . - Quem ? - perguntou Harry enquanto davam rapidamente meia volta . - Ela assombra a casa_de_banho de as raparigas de o primeiro andar - explicou Hermione . - Assombra uma casa_de_banho ? - Sim . Está inoperativa durante todo o ano porque ela tem constantes acessos de choro e inunda tudo . Eu só lá fui quando não pode mesmo evitar . É horrível tentar ir a a sanita com ela a gritar connosco . - Olhem , comida - disse o Ron . De o outro lado de o calabouço estava uma mesa igualmente coberta de velado negro . Iam para se aproximar entusiasmados , mas pararam com uma expressão de horror . O cheiro era nauseabundo . Enormes peixes podres enchiam as bonitas travessas de prata , os bolos estorricados como carvões amontoavam se em as salvas , havia uma grande quantidade de miúdos de macaco , uma tábua de queijos cobertos de bolor e , em o lugar de honra , um enorme bolo cinzento em forma de lápide com letras que pareciam alcatrão formando as palavras , * _ Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington_Morto em 31_de_Outubro , 1492 * . Harry olhou espantado quando um fantasma de porte majestoso se aproximou de a mesa inclinando se e passando através de ela com a boca aberta enquanto atravessava um salmão malcheiroso . - Consegue prová o passando através de ele ? - perguntou lhe Harry . - Quase - disse tristemente o fantasma antes de se afastar . - Devem ter deixado apodrecer tudo_isto para ter um sabor mais forte - comentou Hermione com ar de quem está bem informada , tapando o nariz e aproximando se para ver melhor os pútridos miúdos de macaco . - Podemos sair de aqui , estou a sentir me agoniado - disse o Ron . Mas mal tinham dado meia volta quando um homenzinho pequenino saiu inesperadamente de debaixo de a mesa e fez uma paragem em o ar em frente de eles . - Olá , Peeves - disse Harry cautelosamente . Ao_contrário de os outros fantasmas que os rodeavam , Peeves , o * poltergeist * era o oposto de pálido e transparente . Usava um chapéu festivo cor de laranja , um laço rotativo a o pescoço e tinha um sorriso grosseiro de malvadez , em o rosto . - Querem petiscar ? - perguntou delicadamente , oferecendo lhes uma taça de amendoins cobertos de fungos . - Não , obrigada - disse Hermione . - Ouvi te falar sobre a pobre Murta - disse Peeves com os olhos a bailar . - Que insensível que tu foste para com a pobre Murta - respirou fundo e gritou : - Oh Murta . - Oh ! Não , Peeves , não lhe contes o que eu disse , ela vai ficar muito aborrecida - murmurou Hermione bastante nervosa . - Eu não queria dizer que ... eu não me importo que ela , er , olá , Murta . O espectro atarracado de uma rapariga deslizara . Tinha o rosto mais carrancudo que Harry alguma vez vira , meio escondido por o cabelo liso e por os óculos grossos cor de pérola . - O que é ? - perguntou mal-humorada . - Como estás Murta ? - perguntou Hermione , em uma voz falsamente alegre . - É bom ver te fora de a casa_de_banho . Murta fungou . - Miss_Granger estava justamente a falar de ti - disse lhe Peeves baixinho a o ouvido . - A dizer , a dizer ... como estás bonita esta noite -- terminou Hermione , olhando irritada para Peeves . A Murta olhou para Hermione desconfiada . - Estão a divertir se a a minha custa - disse , com lágrimas de prata a encherem lhe rapidamente os olhos pequeninos . - Não , a sério , eu não estava a dizer vos como a Murta estava bonita esta noite ? - disse Hermione , dando uma palmada em as costas de o Harry e de o Ron . - Sim , sim . - Ela ... - Não me venham com mentiras - protestou a Murta , as lágrimas agora a descerem lhe por o rosto , enquanto Peeves ria baixinho por cima de o ombro de ela . - Julgam que eu não sei o que as pessoas me chamam em as minhas costas ? A Murta gorda , a Murta feia , a Murta queixosa , a Murta deprimida ! - Esqueceste te de « a Murta ponto negro » - sussurrou lhe Peeves a o ouvido . A Murta_Queixosa irrompeu em soluços de angústia e fugiu de o calabouço . Peeves disparou atrás de ela , lançando lhe uma chuva de amendoins cheios de bolor e gritando : Ponto negro ! Ponto negro ! - Oh , coitada ! - exclamou Hermione com tristeza . O Nick quase sem cabeça abria agora caminho entre a multidão para se aproximar de eles . - Estão a divertir se ? - Sim , sim - mentiram . - Uma afluência nada má - disse orgulhoso o Nick quase sem cabeça . - A viúva chorosa veio de Kent ... está quase em a hora de o meu discurso . É melhor ir avisar a orquestra . Mas a orquestra parou de tocar em esse preciso momento . Eles , e todos os outros em o calabouço , ficaram em silêncio total , olhando em volta cheios de excitação quando se ouviu uma trompa de a caça . - Lá vêm eles - disse o Nick quase sem cabeça , com alguma amargura em a voz . Por o calabouço irromperam uma_dúzia de , cavalos fantasmas , cada_um montado por um cavaleiro sem cabeça . A assistência aplaudiu vivamente . Harry começou também a bater palmas , mas parou rapidamente quando viu a cara de o Nick . Os cavalos galoparam até a o meio de a pista de dança e pararam , empinando se , dando pequenos passos para a frente e para trás , sobre as patas traseiras . Um fantasma grande em a frente , cuja cabeça barbuda estava debaixo de o braço , soprando a trompa , desmontou , levantou a cabeça bem em o ar para poder ver toda_a assistência ( todos se riam ) e dirigiu se a o Nick quase sem cabeça , comprimindo a cabeça contra o pescoço . - Bem-vindo , Patrick - disse o Nick , mantendo a sua postura rígida . - Gente viva ! - exclamou o Sir_Patrick , avistando Harry , Ron e Hermione e dando um salto de falso espanto , de_tal_modo_que a cabeça lhe caiu de_novo ( a multidão ria a bom rir ) . - Muito engraçado - disse o Nick quase sem cabeça com um ar soturno . - Não ligues a o Nick - gritou a cabeça de Sir_Patrick de o chão . - Ainda está aborrecido por não o deixarmos juntar se a o grupo . Mas olhem bem para ele ... - Eu acho - disse apressadamente Harry , a seguir a um olhar de o Nick - que o Nick é muito assustador e ... eu ... - Bah ! - gritou a cabeça de Sir_Patrick . - Aposto que ele te pediu que dissesses isso . - Gostaria de ter a vossa atenção . Chegou a altura de fazer o meu discurso - disse o Nick quase sem cabeça bem alto , dirigindo se a o pódio , subindo e parando , iluminado por uma luz azul . - Os meus sentimentos , senhores e senhoras , é com profundo pesar ... Mas já ninguém estava a ouvi o . Sir_Patrick e o resto de o grupo de os Sem - _ Cabeça tinham iniciado um jogo de hóquei de cabeça e a multidão voltara se para os observar . Nick quase sem cabeça tentou em vão recuperar a audiência , mas acabou por desistir quando a cabeça de Sir_Patrick passou por ele a_toda_a velocidade gritando vivas . Harry estava cheio de frio para não falar de a fome . - Não aguento mais isto - murmurou Ron a bater o dente enquanto a orquestra voltava a entrar em acção e os fantasmas enchiam de_novo a pista de dança . - Vamos embora - concordou Harry . Recuaram até a a porta , acenando e sorrindo a todos os que olhavam para eles e um minuto depois passavam apressadamente por a entrada cheia de velas negras . - Talvez o pudim ainda não tenha acabado - disse o Ron cheio de esperança , abrindo caminho em direcção a os degraus de o vestíbulo de a entrada . E foi então que Harry ouviu aquilo . - ... * _ Arrancar ... rasgar ... matar * ... Era a mesma voz , a mesma voz fria e assassina que ouvira em o escritório de Lockhart . Parou , agarrando se a a parede de pedra em a expectativa de ouvir melhor , olhando em volta , espreitando para_cima e para baixo de a passagem mal iluminada . - Harry que estás tu a ... ? - E aquela voz outra_vez , calem se um bocadinho . -- ... * _ Tanta fome ... há tanto tempo * ... - Ouçam insistiu Harry e Ron e Hermione ficaram estáticos a olhar para ele . - * _ Matar ... hora de matar * ... A voz ia ficando mais débil . Harry tinha a certeza de que ela estava a afastar se , a subir . Um misto de medo e excitação tomou posse de ele enquanto olhava para o tecto escuro . Como poderia ele subir ? Seria um fantasma para quem os tectos de pedra não contavam ? - Por aqui - gritou , começando a correr por as éscadas acima até a a entrada de o * hall * . Não havia hipótese de ouvir fosse o que fosse ali , o barulho de vozes que vinha de o banquete de o * _ Hallowe'en * ecoava cá fora . Harry subiu a correr a escadaria de mármore até a o primeiro andar com Ron e Hermione ruidosamente atrás . - Harry o que é_que nós ... ? - Sch ... Harry apurou o ouvido . Ao_longe , em o andar de cima , e ainda a enfraquecer , mesmo_assim ouviu a voz : - ... * Cheira-me a sangue ... cheira me a sangue ! * O estômago deu lhe uma volta . - Ele vai matar alguém - gritou e ignorando as caras perplexas de Ron e Hermione , correu , subindo mais um lanço de escadas , a três_e_três , tentando ouvir através de o ruído de os seus próprios passos . Harry correu a_toda_a velocidade pelo segundo andar com Ron e Hermione atrás e só parou quando viraram uma esquina para o último corredor abandonado . - Harry , o que foi aquilo tudo ? - perguntou o Ron , limpando o suor de o rosto . - Eu não ouvi nada ... Mas Hermione , em um sobressalto , apontou para o fundo de o corredor . - Olhem ! Alguma coisa brilhava em a parede em frente . Aproximaram se devagarinho , tentando ver em a escuridão . Alguém escrevera em letras garrafais em a parede entre duas janelas . As palavras brilhavam a a chama fraca de as tochas . : __ a câmara de os segredos foi aberta . inimigos de o herdeiro , __ cuidado . - O que é aquilo pendurado por baixo de as letras ? - perguntou Ron com um tremor em a voz . Quando se aproximaram , Harry quase escorregou . Havia uma grande poça de água em o chão . Ron e Hermione agarraram o e avançaram cautelosamente até a a mensagem , os olhos fixos em uma sombra escura , em baixo . Aperceberam se os três de imediato do_que se tratava e deram um salto para trás , salpicando tudo de água . Mrs._Norris , a gata de o encarregado , estava pendurada por a cauda em o suporte de a tocha . Tinha o corpo rígido como uma tábua e os olhos abertos . Durante alguns segundos ninguém se mexeu . Depois o Ron disse : - Vamos sair de aqui . - Não devíamos tentar ajudar ? - propôs Harry , sem graça . - Acredita - assegurou o Ron . - É melhor que não nos encontrem aqui . Mas era tarde de mais . Um ruído surdo e prolongado , como um trovejar distante , avisou os de que o festim tinha terminado . De ambos os lados de o corredor onde eles estavam , veio o som de centenas de pés a subirem a escadaria e as vozes alegres de gente bem alimentada . Em o momento seguinte os alunos chegavam junto de eles de ambos os lados . O burburinho morreu subitamente mal as pessoas avistaram a gata pendurada . Harry , Ron e Hermione estavam de pé , sozinhos , em o meio de o corredor quando se fez silêncio em a multidão de estudantes que se empurravam para observar aquele quadro macabro . Então alguém gritou , quebrando o silêncio . - Inimigos de o herdeiro , cuidado . Vocês serão os próximos , sangue de lama ! Era_Draco_Malfoy . Estava a a frente de a multidão com os olhos frios a brilhar , a sua cara habitualmente pálida agora afogueada , sorrindo a a vista de a gata pendurada e imóvel . IX_As palavras em a parede -- O que é_que se passa aqui ? O que é_que se passa ? Sem dúvida , atraído por o grito de Malfoy , Argus_Filch apareceu a coxear em o meio de a multidão . Quando viu Mrs._Norris , caiu para trás agarrando o rosto com verdadeiro horror . - A minha gata ! A minha gata ! O que aconteceu a Mrs._Norris ? - gritou . E os seus olhos rápidos caíram sobre Harry . - Tu - guinchou ele . - Mataste a minha gata ! Mataste a , vou dar cabo de ti , eu ... - Argus . Dumbledore tinha chegado a o lugar , seguido de alguns professores . Em poucos segundos tinha passado a a frente de Harry , Ron e Hermione e desatado Mrs._Norris de o suporte de a tocha . - Vem comigo , Argus - disse ele a o Filch . - Vocês também , Mr._Potter , Mr._Weasley e Miss_Granger . Lockhart deu rapidamente um passo em frente . - O meu escritório é o que está mais perto , senhor director , é já aqui em cima , por favor fiquem a a vontade . - Obrigado , Gilderoy - disse Dumbledore . A multidão silenciosa dividiu se para os deixar passar . Lockhart sentindo se excitado e importante , seguia Dumbledore assim_como a professora Mc_Gonagall e o professor Snape . Quando entraram em o escritório escuro de Lockhart houve uma grande agitação em as paredes . Harry viu várias imagens de Lockhart a esconderem se cheias de rolos em o cabelo . O Lockhart em pessoa acendeu as velas e chegou se mais para trás . Dumbledore pôs Mrs._Norris em a superfície polida de a secretária e começou a examiná a . Harry , Ron e Hermione trocaram olhares tensos entre si e deixaram se cair em as cadeiras que se encontravam longe de a luz , a observar . A ponta de o nariz longo e adunco de Dumbledore estava a menos_de dois centímetros de o pêlo de Mrs._Norris . Ele olhava a de perto através de os óculos de meia-lua , os dedos longos a palpar e tactear suavemente . A professora Mc_Gonagall estava quase tão perto como ele , com os olhos contraídos . Snape surgia mais atrás , meio em a sombra , com uma expressão estranha em o rosto , como_se tentasse a_toda_a força sorrir . E Lockhart andava de um lado para o outro a dar sugestões . - Foi sem dúvida uma maldição que a matou , provavelmente a tortura de a metamorfose . Vi a muitas_vezes ser usada , mas infelizmente eu não estava lá quando isto aconteceu . Conheço o antídoto para essa maldição , o que a teria salvo . Os comentários de Lockhart foram interrompidos por os soluços secos e violentos de Filch . Estava afundado em uma cadeira junto de a secretária , incapaz de olhar para Mrs._Norris , com o rosto em as mãos . Por mais que detestasse Filch , Harry não pôde deixar de sentir pena de ele embora não tanta quanto_a que sentia por si próprio . Se Dumbledore acreditasse em o Filch ele seria certamente expulso . O director estava agora a sussurrar umas palavras estranhas e batendo em Mrs._Norris com a varinha , mas não aconteceu nada , ela continuou com o mesmo aspecto , como_se tivesse sido empalhada . - ... Lembro me de uma coisa semelhante que aconteceu em Ouagadogou - disse LockLart . - Uma série de ataques . Conto essa história em a minha autobiografia . Eu dei a a gente de a cidade vários amuletos que resolveram logo a situação ... As fotografias de Lockhart em as paredes iam acenando afirmativamente com a cabeça enquanto ele falava . Uma de elas esquecera se de tirar os rolos de o cabelo . Por fim , Dumbledore endireitou se . - Ela não está morta , Argus - disse suavemente . Lockhart interrompeu bruscamente a contagem de os crimes que conseguira evitar . - Não está morta ? - disse Filch em um sufoco , olhando através de os dedos para Mrs._Norris . - Mas , porque está ela rígida e gelada ? - Foi petrificada - disse Dumbledore ( Ah ! foi o que eu pensei ! - comentou Lockhart ) mas como , não posso afirmar . - Pergunte lhe - gritou Filch , voltando a cara cheia de furúnculos e lágrimas para Harry . - Nenhum aluno de o segundo ano poderia ter feito isto - explicou Dumbledore . - Era preciso um grande conhecimento de magia negra . - Foi ele , foi ele - disse encolerizado o encarregado com a cara a ficar roxa . - O senhor viu o que ele escreveu em a parede . Ele descobriu em o meu gabinete , ele sabe que eu sou um ... - O rosto de Filch estava horrível . - Ele sabe que eu sou um * _ busca-pé * - disse por fim . - Eu não toquei em a Mrs._Norris - gritou Harry com todos os olhares a recaírem sobre ele , incluindo o de todos os Lockharts de a parede . - E eu nem sei o que é um * busca-pé * . - Mentira ! - gritou Filch . - Ele viu a minha carta de o feitiço rápido . - Se me permite que dê a minha opinião , senhor director - disse Snape , saindo de a sombra , e a sensação de mau presságio de Harry aumentou bastante . Certamente nada do_que Snape tinha para de dizer iria ajudá o . - O Potter e os amigos podiam estar simplesmente em o lugar errado em a altura errada - afirmou com um leve sorriso a torcer lhe a boca como_se tivesse as suas dúvidas . - Mas , temos aqui um conjunto de circunstâncias curiosas . Porque estavam eles afinal em o corredor ? Porque não estiveram presentes em a festa de o * _ Hallowe'en * ? Harry , Ron e Hermione começaram uma longa explicação sobre a festa de o dia de os mortos . - Estavam lá centenas de fantasmas , eles poderão confirmar que lá estivemos ... - Mas porque não foram a seguir a o banquete ? - perguntou Snape com os olhos pretos a brilharem a a luz de as velas . - Porquê ir até a aquele corredor ? Ron e Hermione olharam para Harry . - Porque , porque ... - balbuciou Harry , com o coração a querer saltar lhe de o peito , mas algo lhe disse que ia parecer muito rebuscado se lhes contasse que tinha sido levado até ali por uma voz sem corpo que só ele conseguia ouvir . - Porque estávamos cansados e queríamos ir para a cama - disse . - Sem jantar ? - inquiriu Snape com um sorriso triunfante a bailar lhe em o rosto lúgubre . - Não sabia que os fantasmas ofereciam em as suas festas comida para gente viva . - Não estávamos com fome - disse o Ron bem alto , enquanto o estômago se queixava de forma audível . O sorriso mesquinho de a Snape ampliou se . - Acho , senhor director , que Potter não está a dizer toda_a verdade - afirmou . - Talvez fosse boa ideia retirar lhe alguns privilégios , até ele estar disposto a contar nos a história toda . Pessoalmente , sugiro que seja retirado de a equipa de os Gryffindor até decidir ser honesto . - Francamente , Severus - exclamou a professora Mc_Gonagall com uma voz cortante . - Não vejo porquê impedir o rapaz de jogar Quidditch . Esta gata não levou pauladas em a cabeça dadas por nenhum cabo de vassoura . E não há provas de que o Potter tenha feito algo de mal . Dumbledore observava Harry com um olhar perscrutador . A voz tremeluzente de os seus olhos azuis fez Harry sentir que estava a ser passado a raios X. - Inocente até se provar que é culpado , Severus - disse com segurança . Snape estava furioso , assim_como Filch . - A minha gata foi petrificada ! - berrou , com os olhos a saltarem de as órbitas . - Quero ver um castigo ! - Vamos poder curá a , Argus - explicou pacientemente Dumbledore . - Madam_Sprout conseguiu arranjar algumas Mandrágoras . Logo_que tenham atingido o tamanho adulto , terei uma poção de Mandrágoras que reanimará Mrs._Norris . - Eu posso fazê a - interrompeu Lockhart . - Devo ter feito isso uma centena de vezes . Preparo uma golada de Mandrágora reconstituinte de olhos fechados ... - Perdão - disse Snape friamente -- , mas julgo que o professor de poções de esta escola ainda sou eu . Houve um silêncio bastante incómodo . - Vocês podem ir se embora - disse Dumbledore a o Harry , Ron e a Hermione . Eles saíram o mais depressa que puderam , sem ir a correr . Quando chegaram a o andar acima de o escritório de Lockhart , entraram em uma sala de aulas vazia e fecharam a porta devagarinho . Harry lançou um olhar de esguelha a as caras carrancudas de os amigos . - Acham que eu lhes devia ter falado de a voz que ouvi ? - Não - respondeu Ron , sem a mínima hesitação . - Ouvir vozes que mais ninguém ouve , não é bom sinal , nem em o mundo de os feiticeiros . Algo em a voz de Ron levou Harry a fazer a pergunta : - Tu acreditas em mim , não acreditas ? - Claro que sim - respondeu o Ron de imediato . - Mas tens de concordar que é esquisito ... - Eu sei que é esquisito - confirmou Harry . - É tudo esquisito . O que era aquilo escrito em a parede ? * _ A_Câmara foi aberta * , o que é_que significa ? - Sabes , faz me lembrar qualquer coisa - disse Ron lentamente . - Acho que alguém me contou uma história sobre uma câmara secreta em Hogwarts , talvez tenha sido o Bill ... - E que diabos é um * busca-pé * ? - perguntou Harry . Para sua surpresa , Ron abafou o riso . - Bem , em a verdade não tem graça nenhuma , mas como é o Filch ... - disse . - Um * busca-pé * é alguém que nasceu de uma família de feiticeiros , mas não tem poderes mágicos . É uma espécie de o oposto de os que vêm de famílias de Muggles , mas são feiticeiros . Os * busca-pé * são muito raros . Se o Filch está a tentar aprender magia em um curso rápido , acho que ele deve ser mesmo um busca-pé . Isso explicaria tudo , por_exemplo , porque detesta tanto os estudantes . - Ron sorriu satisfeito . - Tem inveja . Um relógio deu as horas , algures . - Meia-noite - disse Harry . - É melhor irmo nos deitar , antes que o Snape apareça e tente acusar nos de qualquer coisa . Durante alguns dias não se falou de outra coisa em a escola a não ser de o ataque a a gata , Mrs._Norris . Filch manteve o sucedido bem fresco em a memória de todos , andando de um lado para o outro em o lugar onde ela fora atacada , como_se esperasse por o responsável . Harry vira o esfregar a mensagem de a parede com a « solução removedora de toda_a porcaria mágica Mrs._Skower » , mas sem qualquer resultado . As palavras continuavam a brilhar tanto como antes sobre a pedra . Quando Filch não estava a patrulhar a cena de o crime , vagueava , de olhos avermelhados , por os corredores , perseguindo alunos insuspeitos e tentando aplicar lhes castigos por coisas como « respirar muito alto » ou « estar alegre » . Ginny_Weasley parecia muito perturbada com o destino de Mrs._Norris . Segundo Ron ela era uma amante de gatos . - Mas tu nem chegaste a conhecer bem Mrs._Norris - disse lhe Ron para a animar . - Com toda_a franqueza , estamos muito melhor sem ela . - O lábio de Ginny tremeu . - Não é costume acontecerem coisas de estas em Hogwarts - tranquilizou a . - Eles vão descobrir o safado que fez aquilo e põem o de aqui para fora em três tempos . - Só espero que tenha tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso . Estou a brincar , claro - acrescentou o Ron apressadamente a o ver a Ginny a empalidecer . O ataque afectara também Hermione . Era costume de ela passar muito_tempo a ler , mas agora parecia não fazer mais_nada . Nem respondia a o Harry e a o Ron quando lhe perguntavam o que estava a fazer e só acabaram por descobrir em a quarta-feira seguinte . Harry tivera de ficar até mais tarde em a sala de poções onde Snape o mandara raspar restos de larvas de as secretárias . Depois de um almoço comido a a pressa , ele foi lá acima encontrar se com Ron em a biblioteca e viu Justin_Finch - _ Fletchley , o rapaz de os Hufflepuff de herbologia que vinha em direcção a ele . Harry tinha acabado de abrir a boca para dizer um « Olá » quando Justin o viu , voltando se bruscamente e mudando de direcção . Harry foi encontrar o Ron em as traseiras de a biblioteca , a medir o trabalho de casa de história de a magia . O professor Binns pedira uma composição sobre a Assembleia_Medieval_de_Feiticeiros_Europeus com 90cm . De extensão . - Não posso crer que ainda me faltem 16cm - disse o Ron furioso , largando o pergaminho que se enrolou em forma de tubo - e que a Hermione fez um metro e trinta em aquela letra pequenina e apertadinha . - Onde está ela ? - perguntou Harry , agarrando em a fita métrica e desembrulhando o seu trabalho de casa . - Algures por aí - disse o Ron , apontando para as estantes . - _ a a procura de outro livro . Acho que ela está a tentar ler a biblioteca toda antes de o Natal . Harry contou a Ron que Justin_Finch - _ Fletchley tinha evitado falar lhe . - Não sei porque te preocupas com isso . Eu achei o um idiota - disse o Ron , escrevinhando e fazendo a letra o maior possível . - Todo aquele disparate sobre o Lockhart ser tão grande ... Hermione surgiu de o meio de as estantes . Parecia irritada e disposta , por fim , a falar com eles . - Todos os exemplares de * _ Hogwarts : Uma História * foram requisitados - disse , sentando se ao_lado_de Harry e Ron . - E há uma lista de espera de duas semanas . Quem me dera não ter deixado o meu exemplar em casa , mas não consegui que coubesse em a mala com todos os livros de o Lockhart . - Para que o queres ? - perguntou Harry . - Pelo mesmo motivo que toda_a_gente o quer - disse Hermione . - Para ler a lenda de a Câmara_dos_Segredos . - O que é isso ? - Precisamente . Não me lembro - disse Hermione , mordendo o lábio . - E não encontro a História em lugar nenhum . - Hermione , deixa me ler o teu trabalho - pediu Ron desesperado , olhando para o relógio . - Não , não deixo - respondeu Hermione com um ar severo . - Tiveste dez dias para o fazer . - Só preciso de mais quatro centímetros , vá lá ... A campainha tocou . Ron e Hermione encaminharam se para a História_da_Magia , discutindo . A História_da_Magia era a matéria mais chata de o programa . O professor Binns , que dava a cadeira , era o único professor fantasma e a coisa mais excitante que aconteceu em as suas aulas foi o dia em que entrou por o quadro preto . Já velho e enrugado , muita gente afirmava a seu respeito que ele não dera por_que tinha morrido . Pura e simplesmente levantara se um dia para ir dar aulas , deixando o corpo atrás , em um cadeirão em frente de a lareira de a sala de os professores . Desde esse dia a sua rotina mantivera se igual . Era hoje tão chato como fora sempre . Abriu as notas e começou a ler em um tom monocórdico como um velho aspirador até quase todos os alunos estarem em um estado de profunda dormência , acordando de vez em quando , para tomar nota de um nome ou de uma data , e voltando a adormecer . Estava a falar havia meia_hora quando aconteceu algo que nunca tinha acontecido . Hermione pôs o braço em o ar . O professor Binns olhou de relance , em o meio de a chatíssima aula sobre a Convenção_Internacional_de_Feiticeiros de 1289 , verdadeiramente espantado . - Miss ... er ... ? - Granger , professor . Poderia dizer nos alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Hermione em uma voz bem audível . O Dean_Thomas , que tinha estado sentado de boca aberta olhando para fora de a janela , saiu de o seu transe com um salto . A cabeça de Lavender_Brown saiu de os braços e o cotovelo de o Neville_Longbottom escorregou para fora de a secretária . O professor Binns piscou os olhos . - A minha matéria é História_da_Magia - disse em a sua voz seca e asmática . - Eu trato de factos , Miss_Granger , não de mitos e lendas - pigarreou produzindo um ruído que parecia o giz sobre o quadro e continuou : - Em Setembro de esse ano , uma subcomissão de feiticeiros de a Sardenha ... Parou de repente . A mão de Hermione estava de_novo em o ar . - Sim , Miss_Grant ? - Por favor , professor , as lendas não têm sempre um facto como base ? O professor Binns olhava para ela com tal espanto que Harry teve a certeza de que ele nunca , em tempo algum , fora interrompido por um aluno . - Bem - disse lentamente o professor Binns . - Sim , é uma afirmação que pode fazer se . - Olhou para Hermione como_se fosse a primeira vez que olhasse a sério para um estudante . - Contudo , a lenda de que me fala é tão extraordinária , mesmo grotesca ... Mas a aula inteira estava agora atenta a as palavras de o professor , que olhou indistintamente para todos eles . Harry poderia assegurar que ele estava absolutamente abismado por uma tão grande demonstração de interesse . - Muito bem - disse lentamente . - Ora vejamos ... a Câmara_dos_Segredos . Todos vocês sabem com certeza que Hogwarts foi fundada há mais de um_milhar de anos , não se conhece ao_certo a data , por os quatro maiores feiticeiros e feiticeiras de a época : Godric_Gryffindor , Helga_Hufflepuff , Rowena_Ravenclaw e Salazar_Slytherin . Construíram juntos este castelo , longe de os olhares curiosos de os Muggles porque em aquele tempo a magia era temida por as pessoas comuns e as bruxas e feiticeiros sofriam terríveis perseguições . Fez uma pausa , olhou indeciso em volta e prosseguiu : - Durante alguns anos , os fundadores trabalharam juntos em harmonia procurando outros mais novos que mostrassem sinais de possuir dotes mágicos e trazendo os para o castelo para aqui serem ensinados . Mas os desentendimentos surgiram entre eles . Começou a notar se uma divisão entre Slytherin e os outros . Salazar_Slytherin queria ser mais selectivo em relação a os alunos a serem admitidos em Hogwarts . Achava que os ensinamentos de magia deviam ficar dentro de as famílias de feiticeiros . Não lhe agradava a entrada em a escola de alunos de famílias Muggles porque os achava pouco dignos de confiança . Depois de algum tempo houve uma séria discussão sobre esse assunto entre Slytherin e Gryffindor e Slytherin abandonou a escola . O professor Binns fez uma nova pausa , fazendo beicinho o que o fazia parecer uma tartaruga enrugada . - Fontes fidedignas referem nos isto - disse . - Mas estes factos foram obscurecidos por a fantasiosa lenda de a Câmara_dos_Segredos . Conta a história que Slytherin construíra uma câmara oculta dentro de o castelo cuja existência os outros fundadores ignoravam . De_acordo com a lenda , Slytherin selou a Câmara_dos_Segredos para que ninguém pudesse abri a até o seu verdadeiro herdeiro chegar a a escola . O herdeiro , e apenas ele , poderia abrir a Câmara_dos_Segredos , libertar o horror que lá se encontrava e utilizá o para expurgar a escola de todos aqueles que eram indignos de aprender magia . Houve um silêncio quando ele se calou que não era o habitual silêncio de sono de as aulas de o professor Binns . Havia um desassossego em o ar enquanto todos continuavam a olhá o a a espera de mais . O professor Binns estava ligeiramente aborrecido . - A história toda é um disparate , claro - disse ele . - A escola foi revistada por várias vezes em busca de provas de a existência de essa câmara , por os feiticeiros e bruxas mais conhecedores . Não existe nada . Uma lenda que serviu apenas para assustar os ingénuos . A mão de Hermione estava novamente em o ar . - Professor , o que quer_dizer , ao_certo com « o horror que estava dentro de a câmara » ? - Acredita se que seja uma espécie de monstro que só o herdeiro de Slytherin pode controlar - disse o professor Binns em a sua voz seca e débil . A aula trocou entre si olhares inquietos . - Como vos digo , a coisa não existe - afirmou o professor Binns , desordenando as suas notas . - Não há câmara e não há monstro . - Mas , professor - disse Seamus_Finnigan . - Se a câmara só podia ser aberta por o herdeiro de Slytherin ninguém mais poderia encontrá a . Não é ? - Um disparate pegado - disse o professor Binns , em um tom de voz exasperado . - Se uma longa sucessão de directores e directoras de Hogwarts não a encontraram ... - Mas , professor - começou a dizer Parvati_Patil . Se_calhar é preciso usar magia negra para a abrir ... - Lá porque um feiticeiro não usa magia negra não quer_dizer que não possa , Miss_Pennyfeather - interrompeu o professor Binns . - Repito , se os antecessores de Dumbledore ... - Mas talvez seja preciso fazer parte de os Slytherin , por isso Dumbledore não podia ... - começou Dean_Thomas , mas o professor Binns já estava farto . - Já chega - disse , de modo cortante . - É um mito . Não existe . Não há uma única prova de que Slytherin tenha construído nem mesmo uma despensa para vassouras . Lamento ter vos contado esta história tola . Vamos voltar , se fazem o favor , a a História , a os factos sólidos , verificáveis , credíveis . E em menos_de cinco minutos toda_a classe mergulhara em a sua sonolência habitual . - Eu sempre ouvi dizer que Salazar_Slytherin era um velho retorcido e meio pateta - disse Ron_a_Harry e Hermione enquanto abriam caminho por os corredores cheios , em o final de a aula , para ir arrumar as malas antes de o jantar . - Mas não sabia que ele tinha começado esta coisa de o sangue puro . Eu não ia para os Slytherin nem que me pagassem . Se o chapéu seleccionador me tivesse posto lá , pegava em as malas e ia me embora ... Hermione acenou vivamente , mas Harry não abriu a boca . O estômago parecia ter dado uma volta . Harry nunca contara a o Ron e a a Hermione que o chapéu seleccionador tinha considerado seriamente a possibilidade de o colocar em os Slytherin . Lembrava se como_se tivesse sido em a véspera do_que a vozinha lhe dissera a o ouvido quando pôs o chapéu em a cabeça , um ano antes . * _ Podias vir a ser grande , sabes ? Está tudo aqui em a tua cabeça e Slytherin ajudaria te em o caminho para a grandeza , sem a menor dúvida * ... Mas Harry , que já ouvira falar de a fama de o grupo de os Slytherin de formar magos negros , pensou desesperadamente . - Em os Slytherin , não ! - E o chapéu tinha dito . - Bem , se tens assim tanta certeza ... será melhor os Gryfffndor . Enquanto eram empurrados por a multidão , Colin_Creevey passou por eles . - Olá , Harry ! - Olá , Colin - disse Harry automaticamente . - Harry , Harry , um rapaz de a minha turma tem andado a dizer que tu és ... Mas Colin era tão baixinho que não conseguiu lutar contra a maré de gente que o arrastou até a o vestíbulo . Ouviram o despedir se : - Adeus , Harry - e desaparecer . - O que é_que o rapaz de a turma de ele disse de ti ? - quis saber Hermione . - Que eu sou o herdeiro de Slytherin , imagino - disse Harry , com o estômago ainda a as voltas e lembrou se de repente de o Justin_Finch - _ Fletchley a fugir para não lhe falar , a a hora de o almoço . - As pessoas aqui acreditam em tudo - disse o Ron com repugnância . A multidão diminuiu e conseguiram subir as escadas sem dificuldade . - Achas mesmo_que existe uma Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Ron_a_Hermione . - Não sei - respondeu ela , franzindo a testa . - Dumbledore não conseguiu curar Mrs._Norris e isso leva me a pensar que o que a atacou pode não ser ... humano . Enquanto falava , voltaram uma esquina e encontraram se em o fim de aquele mesmo corredor onde o ataque tinha ocorrido . Pararam para olhar . Estava tudo igual a aquela outra noite , com excepção de a gata Mrs._Norris e havia uma cadeira vazia encostada a a parede , onde podia ler se a mensagem « : __ a câmara foi __ aberta » . - Foi aqui que o Filch montou a guarda - murmurou Ron . Olharam uns para os outros . O corredor estava deserto . - Não deve fazer mal dar uma olhadela aqui - disse Harry , deixando cair a mala e pondo se de quatro para poder gatinhar em busca de pistas . - Marcas de queimadura - disse - aqui e aqui ... - Venham ver isto ! - chamou Hermione . - Que estranho ... Harry levantou se e foi até a a janela que ficava junto de a mensagem . Hermione apontava para o vidro mais alto , onde cerca de uma vintena de aranhas se debatiam em uma aparente luta por atravessar por uma pequena brecha de vidro . Um longo fio prateado balouçava como uma corda , como_se todas tivessem trepado , em a ânsia de chegar lá fora . - Alguma vez viram aranhas agir assim ? - perguntou Hermione , curiosa . - Não - respondeu Harry . - E tu , Ron ? Ron ? Olhou por cima de o ombro . Ron estava de costas , bem lá atrás e parecia lutar contra o impulso de se virar . - O que é_que se passa ? - perguntou Harry . - Eu não gosto de aranhas - disse Ron , de modo tenso . - Nunca me tinhas dito - comentou Hermione , olhando para ele com surpresa . - Estás farto de usar aranhas em as poções ... - Não me importo quando estão mortas - explicou Ron que olhava cautelosamente para todos os lados , menos para a janela . - Não gosto de a maneira como_se mexem . Hermione riu se baixinho . - Não tem graça nenhuma - disse o Ron , furioso . - Se queres saber , quando eu tinha três anos , o Fred transformou o meu ursinho de pelúcia em uma enorme aranha nojenta , por eu lhe ter partido a vassoura de brinquedo . Tu também não gostarias de aranhas se estivesses agarrada a o teu ursinho e , de repente , ele tivesse uma data de pernas e ... Começou a tremer ... Hermione ainda estava a tentar conter o riso . Sentindo que era melhor mudarem de assunto , Harry perguntou : - Lembram se de a água que havia aqui em o chão ? De onde terá vindo ? Alguém a limpou . - Era por aqui - disse o Ron , já recuperado , avançando alguns passos em direcção a a cadeira de o Filch e apontando . - Junto de esta porta . Estendeu a mão para o puxador de a porta , mas retirou a de imediato , como_se se tivesse queimado . - O que foi ? - perguntou Harry . - Não posso entrar aí - disse o Ron bruscamente . - É a casa_de_banho de as raparigas . - Oh , Ron , não está aí ninguém - sossegou o Hermione enquanto se aproximava . - É o lugar de a Murta_Queixosa . Anda , vamos dar uma espreitadela . E ignorando o grande letreiro que dizia « Fora de serviço » Hermione abriu a porta . Era a casa_de_banho mais sombria e deprimente em que Harry tinha posto os pés durante toda_a sua vida . Debaixo_de um grande espelho partido e sujo podia ver se uma fila de lavatórios de pedra , rachados . O chão estava húmido e reflectia a luz fraca de os pavios de algumas velas que ardiam baixinho em os suportes . As portas de madeira de os cubículos estavam todas lascadas e riscadas e uma de elas balouçava fora de as dobradiças . Hermione levou os dedos a os lábios e foi até a o último cubículo . Quando lá chegou disse : - Olá , Murta , como estás ? Harry e Ron foram ver . A Murta_Queixosa flutuava em a cisterna de a casa_de_banho , tirando um ponto negro de o queixo . - Esta é a casa_de_banho de as raparigas - disse a o ver o Ron e o Harry . - Eles não são raparigas . - Não - concordou Hermione . - Eu só queria mostrar lhes como esta casa_de_banho é ... er ... simpática . Ela fez um aceno vago a o velho espelho sujo e a o chão húmido . - Pergunta lhe se viu alguma coisa - sussurrou o Ron a a Hermione . - Porque estão a dizer segredinhos ? - perguntou a Murta , fitando o . - Não é nada - disse Harry rapidamente . - Queríamos perguntar ... - Gostava que as pessoas parassem de falar em as minhas costas ! - desabafou a Murta em uma voz abafada por as lágrimas . - Eu tenho sentimentos , sabem , apesar_de estar morta . - Murta , ninguém quis aborrecer te - explicou Hermione . - O Harry só ... - A minha vida foi uma infelicidade em este lugar e agora as pessoas vêm estragar a minha morte . - Nós queríamos perguntar te se tinhas visto alguma coisa estranha ultimamente - disse Hermione sem perder tempo . - Porque foi atacada uma gata mesmo aqui a a frente de a tua porta em a noite de o * _ Hallowe'en * . - Viste alguém aqui perto em essa noite ? - insistiu Harry . - Não estava a prestar atenção - disse a Murta com ar dramático . - O Peeves aborreceu me tanto que vim aqui para tentar matar me . Só então me lembrei de que estou ... de que estou ... - Já morta - ajudou o Ron . A Murta soluçou tragicamente , elevou se em o ar , voltou se e mergulhou de cabeça em a sanita , espalhando água por_cima_de todos eles e desaparecendo . Por o som de os seus soluços abafados fora certamente descansar algures em o cano em forma de V._Harry e Ron ficaram de boca aberta , mas Hermione encolheu os ombros de cansaço e disse : - Se querem saber , para a Murta isto até foi alegre ... vá , vamos embora . Harry tinha acabado de fechar a porta deixando atrás os soluços gorgolejantes de a Murta quando uma voz forte o fez dar um salto . - RON ! Percy_Weasley estava parado em o cimo de as escadas com o seu distintivo de prefeito a brilhar e uma expressão chocadíssima em o rosto . - Isso é a casa_de_banho de as raparigas ... o que é_que vocês ... ? - Estávamos só a dar uma vista de olhos - exclamou o Ron - a a procura de pistas ... Percy engoliu em seco , de uma maneira que fez Harry lembrar se de Mrs._Weasley . - Saiam imediatamente de aqui - disse , aproximando se de eles a passos largos e gesticulando agitadamente . - Não se preocupam com as aparências ? Voltar aqui enquanto toda_a_gente está a jantar ... - Porque não havíamos de estar aqui ? - perguntou cheio de vivacidade o Ron , parando de repente e olhando Percy em os olhos . - Ouve lá , nós não tocamos em aquela gata . - Isso foi o que eu tentei explicar a a Ginny - respondeu Percy furioso - mas ela parece continuar a pensar que vocês vão ser expulsos . Nunca a vi tão aflita . Não pára de chorar . Devias pensar em ela . Todos os alunos de o primeiro ano andam superexcitados com esta história . - Tu não estás nada preocupado com a Ginny - disse o Ron já com as orelhas vermelhas . - O que te assusta é_que eu possa estragar as tuas possibilidades de ser chefe de turma . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor ! - bradou Percy , apontando elegantemente para o distintivo de prefeito . - E espero que te sirva de lição . Acabou se o trabalho de detective ou escrevo a a mãe a contar lhe . E voltou lhes as costas , a nuca tão vermelha como as orelhas de o Ron . Harry , Ron e Hermione , em essa noite , sentaram se em a sala comum o mais longe possível de Percy . Ron estava ainda muito maldisposto e não parava de esborratar o trabalho de casa de os encantamentos . Quando pegou distraidamente em a varinha para tirar as manchas incendiou o pergaminho . A deitar quase tanto fumo como o seu trabalho de casa , fechou bruscamente o * _ Livro_Padrão_de_Encantamentos de o 2.o Grau * . Para grande surpresa de Harry , Hermione fez o mesmo . - Mas quem poderia ser - perguntou ela baixinho como_se continuasse uma conversa que tinham acabado de ter . - Quem quereria todos os * busca-pés * e filhos de Muggles fora de Hogwarts ? - Vamos pensar - disse o Ron em a brincadeira , fingindo estar confuso . - Quem poderemos nós conhecer que ache que os familiares de Muggles são escumalha ? Olhou para Hermione . Ela olhou para ele pouco convencida . - Se estás a pensar em o Malfoy ... - Claro que estou - disse o Ron . - Tu ouviste o dizer : - Vocês serão os próximos , sangues de lama ! - Aliás , basta olhar para aquela cara de renegado para saber que ele é ... - Malfoy , o herdeiro de Slytherin ? - repetiu Hermione cepticamente . - Olha para a família de ele - disse Harry , fechando também os livros . - Todos eles estiveram em os Slytherin . O Draco está sempre a vangloriar se de isso . Podiam bem ser descendentes de Slytherin . O pai de ele é suficientemente mau . - Podiam perfeitamente ter tido a chave de a Câmara_dos_Segredos durante séculos - disse Ron - , fazendo a passar de pai para filho . - Bem - acedeu Hermione cautelosamente . - Seria possível ... - Mas como prová o ? - perguntou Harry tristemente . - Talvez haja um meio - sugeriu Hermione lentamente , baixando ainda mais a voz e lançando um olhar , através de a sala , a Percy . - É claro que não é fácil . E é perigoso , muito perigoso . Suponho que iríamos infringir cerca de cinquenta regras de a escola . - Se de aqui a um mês ou dois te decidires a explicar , avisa , está bem ? - disse Ron , que começava a ficar irritado . - Está bem - concordou Hermione friamente . - O que precisaríamos de fazer para entrar em a sala comum de os Slytherin e fazer algumas perguntas a o Malfoy , sem ele perceber que éramos nós ? - Mas isso é impossível - declarou Harry , enquanto Ron se ria . - Não , não é - continuou Hermione . - Só precisamos de um_pouco de poção * polisuco * . - O que é isso ? - perguntaram ao_mesmo_tempo Ron e Harry . - O Snape falou de ela em uma aula , há poucas semanas atrás . - Achas que não temos mais o que fazer do_que ouvir o Snape ? - murmurou o Ron . - Transforma nos em outra pessoa . Pensem em isso : podíamos transformar nos em três de os Slytherin . Ninguém saberia que éramos nós . É provável que o Malfoy nos contasse alguma coisa . Aposto que ele está a gabar se , em este momento , em a sala de os Slytherin , se ao_menos pudéssemos ouvi o . - Essa coisa de o * polisuco * cheira me um bocado mal - disse o Ron , franzindo as sobrancelhas . - E se ficarmos com a forma de os três Slytherin para sempre ? - Desaparece a o fim de algum tempo - disse Hermione , gesticulando impacientemente com a mão - mas conseguir a receita é muito difícil . O Snape disse que vinha em um livro chamado * _ As_Mais_Potentes_Poções * e está com certeza em a parte de os reservados de a biblioteca . Só havia uma maneira de obter o livro de os reservados : era com uma autorização assinada por um professor . - Não estou a ver porque quereríamos o livro - disse o Ron . - Se não para tentar fabricar uma de as poções . - Eu acho - sugeriu Hermione - que se fizéssemos parecer que o nosso interesse era apenas teórico , talvez conseguíssemos ... - Estás a sonhar , nenhum professor ia cair em essa - afirmou o Ron . - Só se fosse muito burro . X_A * bludger * perigosa Depois de o desastroso incidente de os duendes , o professor Lockhart não voltou a levar seres vivos para as aulas . Em vez de isso , lia a os alunos passagens de os seus livros e , por vezes , voltava a desempenhar alguns de os episódios mais dramáticos . Costumava chamar Harry para o ajudar em essas reconstruções . Até ali Harry fora obrigado a desempenhar o papel de um camponês de a Transilvânia que Lockhart curara de uma maldição murmurada , o abominável homem de as neves com dores de cabeça e um vampiro que depois de ter conhecido Lockhart tinha ficado incapaz de comer outra coisa que não fosse alfaces . Harry foi chamado para a frente de a classe durante a aula de Defesa contra as artes negras que se seguiu . Desta_vez para desempenhar o papel de um lobisomem . Se não tivesse um bom motivo para querer ver o Lockhart bem-disposto , teria se recusado . - Um uivo bem alto , excelente , Harry , isso mesmo . E foi então que , acreditem ou não , eu o ataquei de repente , assim . Atirei o a o chão , agarrei o com uma mão e com a outra consegui meter lhe a varinha em a garganta . Então , com a força que me restava pus em prática o complicadíssimo encantamento * _ Homorphus * . Harry soltou um uivo tristíssimo . - Vá lá , Harry , mais alto . Bom ... o pêlo desapareceu , os dentes diminuíram de tamanho e ele transformou se em um homem . Simples , mas eficaz e mais uma cidade ficará a lembrar se de mim para sempre como o herói que os libertou de os ataques mensais de o lobisomem . A campainha tocou e Lockhart pôs se de pé . - Trabalho para_casa : escrever um poema sobre a minha vitória sobre o lobisomem Wagga_Wagga . Há um exemplar autografado de * _ Eu , o Mágico * para o autor de o melhor poema . Os alunos começaram a sair . Harry voltou para trás e foi juntar se a o Ron e a a Hermione que estavam a a espera de ele . - Prontos ? - perguntou . - Espera até saírem todos - disse Hermione bastante nervosa . - Pronto ... Aproximou se de a secretária de Lockhart , apertando em a mão uma folha de papel , com o Ron e o Harry atrás . - Er ... professor Lockhart - gaguejou Hermione . - Eu queria requisitar este livro em a biblioteca , como leitura de apoio - entregou lhe o papel , com a mão ligeiramente trémula . - Só que faz parte de a secção de os reservados , por isso preciso de a assinatura de um professor . Acho que o livro me vai ajudar a compreender o que o senhor diz em * _ Passeios com Vampiros * acerca de os venenos de acção lenta ... - Ah , * _ Passeando com Vampiros * - disse Lockhart , pegando em a folha de papel de Hermione e sorrindo lhe abertamente . - E provavelmente o meu livro preferido . Gostou ? - Oh , muito - disse Hermione avidamente . - Tão inteligente o modo como apanhou o último com o passador de o chá . - Bem , tenho a certeza que ninguém se importará que eu dê uma ajudazinha suplementar a a melhor aluna de o segundo ano - disse Lockhart calorosamente , sacando de uma enorme pena de pavão . - É bonita , não é ? - comentou , adivinhando uma expressão de repulsa em a cara de o Ron . - Costumo guardas a para as minhas assinaturas de autógrafos . Rabiscou uma enorme assinatura cheia de altos e baixos e entregou a a Hermione . - Então , Harry - disse Lockhart enquanto Hermione dobrava a folha e a guardava em o saco . - Amanhã é a primeira partida de Quidditch de este ano , não é ? Gryffindor contra Slytherin . Ouvi dizer que és um jogador indispensável . Eu também fui * seeker * . Convidaram me inclusivamente para fazer parte de a Equipa_Nacional , mas eu preferi dedicar a minha vida a a erradicação de as forças de o mal . Mesmo_assim , se alguma vez precisares de um treino particular , não hesites em falar comigo , estou sempre disponível para partilhar a minha perícia com os jogadores menos dotados do_que eu . Harry fez um som indistinto com a garganta e saiu atrás_de Ron e Hermione . - Não acredito - disse quando os três examinavam a assinatura de Lockhart . - Ele nem viu que livro nós queríamos . - É porque é um idiota sem miolos - explicou o Ron . - Mas , quem se rala , temos o que queríamos . - Ele não é um idiota sem miolos - gritou Hermione com voz esganiçada enquanto se aproximavam quase a correr de a biblioteca . - Só porque ele disse que eras a melhor aluna de o segundo ano ... Baixaram as vozes a o entrar em a quietude abafada de a biblioteca . Madam_Prince , a bibliotecária , era uma mulher magra e irritável que parecia um abutre mal nutrido . - * _ Moste_Potente_Potions * ? - repetiu intrigada , tentando ficar com a folha de papel que Hermione se recusava a entregar lhe . - Gostava de a guardar para mim - disse sem fôlego . - Vá lá - intercedeu Ron , arrancando lhe a de as mãos e entregando a a Madam_Prince . - Nós arranjamos te outro autógrafo . O Lockhart assina tudo se aqui ficar muito_tempo . Madam_Prince pegou em o papel e voltou o em a direcção de a luz , decidida a descobrir uma falsificação , mas a assinatura passou em o teste . Desapareceu entre as estantes e voltou alguns minutos mais tarde , transportando um livro grande e de aspecto antiquado . Hermione meteu o com todo o cuidado em o saco e saíram , tentando não andar depressa de mais nem aparentar um ar culpado . Cinco minutos depois , estavam de_novo barricados em a casa_de_banho fora de serviço de a Murta_Queixosa . Hermione destruíra as objecções de Ron argumentando que aquele era o último lugar onde alguém em o seu juízo perfeito se lembraria de ir e que poderia assegurar lhes alguma privacidade . A Murta_Queixosa chorava ruidosamente em o seu cubículo , mas eles conseguiram ignorá a assim_como ela a eles . Hermione abriu * _ Moste_Potente_Potions * com todo o cuidado e inclinaram se os três sobre as páginas manchadas de humidade . Era fácil de perceber , logo à_primeira_vista de olhos , porque pertencia a a secção de os reservados . Algumas de as poções tinham efeitos quase impensáveis de tão macabros e havia ilustrações bastante desagradáveis , como , por_exemplo , aquela em que um homem parecia ter sido virado de o avesso e a de a bruxa com vários pares de braços suplementares a nascerem lhe em a cabeça . - Aqui está - disse Hermione excitadíssima a o encontrar a página intitulada « A poção * polisuco * « . Estava ilustrada com imagens de pessoas a meio de o processo de se transformarem em outras pessoas e Harry desejou ardentemente que a expressão de dor intensa que se lhes espelhava em o rosto fosse apenas produto de a imaginação de o artista desenhador . - Esta é a poção mais complicada que vi até hoje - disse Hermione enquanto examinava a receita . - Moscas asas de renda , sanguessugas , fluxo de cizânias e verdezelha - murmurou , acompanhando com o dedo a lista de ingredientes . - Bem , esses são relativamente simples , há os em a despensa de material de os estudantes , podemos tirar a a nossa vontade . Oh ! Vê só , pó de chifre de bicórneo ... não sei onde vamos arranjar isto ... e , é claro , um pedacinho de a pessoa em quem queremos transformar nos . - Como ? - perguntou Ron de forma cortante . - O que é_que queres dizer com um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos ? Eu não bebo nada que tenha lá dentro as unhas de os pés de o Crabbe ... Hermione continuou como_se não o tivesse ouvido . - Mas não temos que nos preocupar com isso por enquanto . Fica para o fim . Ron voltou se sem palavras para o Harry que tinha uma preocupação de outro tipo . - Já viste bem tudo_o_que vamos ter que roubar , Hermione ? Algumas coisas , não estão de certeza em a despensa de material de os alunos . O que é_que vamos fazer , arrombar os armários pessoais de o Snape ? Não sei se será uma boa ideia ... Hermione fechou o livro com um estrondo . - Bem , se vocês os dois se vão acagaçar , então está lindo - disse ela . Tinha as bochechas rosadas e os olhos mais brilhantes do_que era habitual . - Eu não gosto de quebrar regras , vocês sabem , mas acho que ameaçar os filhos de os Muggles é muito pior do_que construir uma poção difícil . Mas se vocês não querem descobrir se é o Malfoy , eu posso voltar já a a biblioteca e entregar o livro a Madam_Prince ... - Nunca pensei que chegaria o dia em que serias tu a convencer nos a quebrar regras - disse o Ron . - Está bem , vamos em essa , mas sem unhas de os pés , O. _ K. ? - Quanto tempo vai isso demorar a fazer , afinal ? - perguntou Harry quando Hermione , já com um ar mais satisfeito , voltou a abrir o livro . - Bem , como o fluxo de cizânias tem de ser recolhido durante a lua cheia e as asas de renda têm de ser abafadas durante vinte_e_um dias ... eu diria que se conseguirmos arranjar todos os ingredientes estará pronta dentro_de um mês . - Um mês ? - exclamou o Ron . - Nessa_altura já o Malfoy terá atacado metade de os filhos de Muggles ! - mas os olhos de Hermione contraíram se de_novo assustadoramente e ele acrescentou rapidamente . - Mas é o melhor plano que temos , por isso é melhor não olharmos para trás . Apesar_de tudo , enquanto Hermione verificava que não havia ninguém em os corredores e podiam sair de a casa_de_banho , Ron murmurou a Harry : - Seria muito mais simples se conseguisses , amanhã , atirar o Malfoy de a vassoura abaixo . Harry acordou cedo em o sábado de manhã e ficou um bocado a pensar em a partida de Quidditch que vinha a seguir . Estava nervoso , principalmente pelo que Wood diria se os Gryffindor perdessem , mas também com a ideia de enfrentar uma equipa apetrechada com as vassouras mais velozes que existiam . Nunca desejara tanto vencer os Slytherin como em aquele dia . Depois de meia_hora deitado com a barriga a dar horas , resolveu levantar se , vestir se e descer para tomar o pequeno-almoço . Lá em baixo , encontrou o resto de a equipa de os Gryffindor amontoada a o longo de a mesa comprida e vazia , todos eles com ar preocupado e sem vontade de conversar . Como_se aproximavam as onze horas , todos os alunos de a escola começaram a dirigir se para o estádio de Quidditch . O dia estava quente e húmido , com uma ameaça de trovoada em o ar . Ron e Hermione vieram apressadamente desejar a Harry boa sorte mal ele entrou em os vestiários . A equipa de os Gryffindor pôs os seus mantos vermelhos e sentou se para ouvir o discurso que Wood lhes fazia sempre antes de o jogo . - Os Slytherin têm vassouras melhores do_que nós - começou . - Não há como negá o . Mas nós temos gente melhor em cima de as vassouras . Treinámos mais do_que eles , voamos com todas_as condições climatéricas ( É bem verdade - murmurou George_Weasley - desde Agosto que não sei o que é estar seco ) . - E vamos fazê os engolir o dia em que deixaram aquele nojento de o Malfoy comprar a entrada em a equipa de eles . Com o peito agitado por a comoção , Wood voltou se par Harry . -- Cabe te a ti , Harry , mostrar lhes que um * seeker * tem de ter mais do_que um pai rico . Agarra a * snitch * antes d Malfoy ou morre a tentar porque temos absolutamente que vencer , hoje , Harry , temos que vencer . - Sem ansiedade , Harry - disse o Fred , piscando lhe o olho . Quando saíram em direcção a o campo , foram saudado por uma grande ovação principalmente de a parte de os Ravenclaw e de os Hufflepuff que estavam ansiosos por ver os Slytherin serem derrotados , mas os Slytherin que estavam entre a multidão também fizeram ouvir as suas vaias e pateadas . Madam_Hooch , a professora de Quidditch , pediu a Flin e Wood que apertassem as mãos o que eles fizeram , lançando um_ao_outro olhares ameaçadores , cada_um apertando a mão de o outro com mais força do_que aquela que seria necessário . - Atenção a o apito - disse Madam_Hooch . - Três , dois , um ... Com um bramido de a multidão para que subissem rapidamente , os catorze jogadores elevaram se em o céu cor de chumbo . Harry , mais alto do_que qualquer de os outros olhando para todos os lados em busca de a * snitch * . - Tudo bem , testa de cicatriz ? - gritou Malfoy , disparando por baixo de ele para lhe mostrar a velocidade de a sua vassoura . Harry não teve tempo de responder . Em esse preciso momento uma * bludger * preta e bem pesada veio direitinha a ele . Evitou a tão por um triz que ainda sentiu em os cabelos o ar que ela deslocara . - Foi por_pouco , Harry ! - exclamou o George , passando com grande rapidez , de bastão em a mão , pronto para lançar a * bludger * contra um Slytherin . Harry viu o dar a a * bludger * uma fortíssima pancada em direcção a Adrian_Pucey , mas a bola mudou de rumo em o meio de o ar e dirigiu se de_novo a Harry . Harry desceu rapidamente para se esquivar e George conseguiu lançá a contra Malfoy . Mais_uma_vez a * bludger * actuou como um * boomerang * e apontou a a cabeça de Harry . Harry ganhou velocidade e disparou contra o outro extremo de o campo . Ouvia o assobio de a * bludger * que o perseguia . O que era aquilo ? As * bludgers * nunca se concentravam assim em um único jogador , a sua função era tentar desmontar o maior número possível de intervenientes . Fred_Weasley esperava por a * bludger * em o extremo oposto . Harry baixou se quando o viu balançar se em frente de ela com toda_a garra . A * bludger * foi lançada para_fora_de campo . - Pronto , já está tudo resolvido - gritou Fred satisfeito , mas estava bastante enganado . Como_se fosse magneticamente atraída para Harry , a * bludger * lançou se de_novo contra ele e Harry teve de voar a_toda_a velocidade . Começara a chover . Harry sentia as gotas pesadas caírem lhe em o rosto , turvando lhe as lentes de os óculos . Não fazia ideia do_que se passava em o resto de o jogo , até ouvir Lee_Jordan que fazia o comentário dizer : - Os Slytherin vão a a frente com seis contra zero . As vassouras de qualidade superior de os Slytherin estavam obviamente a cumprir a sua função e enquanto isso , a * bludger * maluca fazia todos os possíveis para deitar abaixo o Harry . Fred e George voavam agora tão perto de ele , um de cada lado , que Harry não via senão os seus braços a balouçar e , se não conseguia ver a * snitch * , muito menos agarrá a . - Alguém enfeitiçou esta * bludger * - resmungou Fred , preparando o bastão com toda_a força quando ela se lançava de_novo contra Harry . - Precisamos de tempo - disse George , tentando fazer sinal a Wood enquanto evitava que a bola partisse o nariz a o Harry . Wood captou obviamente a mensagem . O apito de Madam_Hooch fez se ouvir e Harry , Fred e George desceram , tentando ainda evitar a * bludger * maluca . - O que é_que se passa ? - perguntou Wood enquanto a equipa de os Gryffindor se amontoava desordenadamente e os Slytherin , em o meio de a multidão , lançavam piadas . - Estamos a ser esmagados . Fred , George , onde estavam vocês quando aquela * bludger * impediu a Angelina de marcar ? - Estávamos seis metros acima , evitando que a outra * bludger * matasse o Harry , Oliver - gritou George furioso . - Alguém preparou isto , a bola não deixa o Harry em paz , ainda não perseguiu mais ninguém desde_que o jogo começou . Os Slytherin fizeram aqui qualquer coisa . - Mas as * bludgers * têm estado fechadas em o escritório de Madam_Hooch desde o último treino , e nessa_altura estava tudo bem ... - disse Wood ansiosamente . Madam_Hooch aproximava se . Por cima de o ombro de ela , Harry pôde ver a equipa de os Slytherin a escarnecer e apontar em a sua direcção . - Ouçam - disse o Harry , enquanto ela se aproximava . - Com vocês os dois a voarem sempre colados a mim , só vou apanhar a * snitch * se ela voar até a a minha manga . Voltem se para o resto de a equipa e deixem a tratante comigo . - Não sejas bronco - disse o Fred . - Ela arranca te a cabeça . Os olhos de Wood saltavam de Harry_para_os_Weasley . - Oliver , isto_é uma loucura - disse Alicia_Spinet , zangada . - Não podes deixar o Harry sozinho entregue a aquela coisa . Vamos pedir uma investigação . - Se pararmos agora , teremos de dar a partida como perdida e não vamos deixar os Slytherin ganhar , só por_causa_de uma * bludger * maluca . Vá lá , Oliver , diz lhes que me deixem sozinho . - A culpa é toda tua . * _ Agarra a snitch ou morre a tentar * , se isso é lá coisa que se diga . Madam_Hooch tinha se lhes juntado . - Prontos para retomar a partida ? - perguntou a Wood . Wood olhou para o ar determinado de Harry . - Deixem o sozinho , ele é capaz de lidar com a * bludger * . A chuva era agora mais pesada . A o apito de Madam_Hooch , Harry elevou se em os ares e ouviu o barulhinho de a * bludger * atrás_de si . Subiu cada_vez_mais alto . Fez acrobacias em espiral , descidas rápidas , ziguezagueou e rolou . Apesar_de ligeiramente estonteado , não deixou nunca de ter os olhos bem abertos . A chuva salpicava lhe os óculos e entrava lhe por as narinas , quando ele se voltou de cabeça para baixo , evitando outra forte investida de a * bludger * . Ouviu os risos de a multidão . Sabia que devia parecer ridículo , mas a * bludger * maluca era pesada e não podia mudar de direcção tão rapidamente quanto ele . Iniciou uma corrida que parecia de feira de diversões em volta de os extremos de o estádio , olhando de soslaio , através de os lençóis prateados de chuva , para os postes de os Gryffindor , onde Adrian_Pucey tentava passar por Wood . Um assobio junto de os ouvidos disse a Harry que a * bludger * falhara uma_vez_mais . Voltou se e voou rapidamente em a direcção oposta . - Estás a ensaiar * ballet * , Potter - gritou Malfoy quando Harry foi obrigado a fazer uma reviravolta estúpida em o ar para se esquivar mais_uma_vez de a * bludger * . Lá foi ele , com a * bludger * atrás a alguns metros de distância . E foi então que , olhando para Malfoy , furioso , a viu , a * snitch * de ouro . Flutuava alguns centímetros acima de os ouvidos de Malfoy que , de tão preocupado a escarnecer de Harry , nem dera por ela . Durante um momento angustiante , Harry ficou quieto em o ar , não ousando dirigir se a Malfoy , não fosse ele olhar para_cima e ver a * snitch * . PUM ! Tinha ficado parado tempo de mais . A * bludger * batera lhe , por fim , apanhando lhe o cotovelo e Harry sentiu o braço a partir se . Debilmente , desorientado por a dor cauterizante em o braço , Harry deslizou para um de os lados em a sua vassoura encharcada , um joelho ainda dobrado , o braço direito a balouçar , inútil , a o seu lado . A * bludger * veio de_novo , preparada para mais um ataque , desta_vez apontada a o seu rosto . Harry desviou se com uma intenção : chegar a Malfoy . Através_de uma nuvem de chuva e dor desceu até a o rosto tremeluzente e trocista e viu os olhos de ele dilatarem se de medo : Malfoy pensou que Harry ia atacá o . - Que diabo ... - resmungou , afastando se de o caminho . Harry tirou a outra mão de a vassoura e fez uma tentativa para agarrar qualquer coisa . Sentiu os dedos fecharem se em volta de a * snitch * dourada , mas conduzia agora a vassoura apenas com as pernas e ouviu se um grito de a multidão cá em baixo , quando ele fez a descida , tentando não desmaiar . Com um ruído seco caiu em a terra enlameada e rolou para fora de a vassoura . O braço tinha um ângulo um_pouco estranho . Torcendo se com dores , ouviu a a distância os assobios e os gritos . Concentrou se em a * snitch * que tinha fechada em a outra mão . - Ai - disse vagamente . - Ganhámos o jogo . E desmaiou . Voltou a si com a chuva a cair lhe em o rosto , ainda deitado em o campo , com alguém inclinado sobre ele . Viu um brilho de dentes brancos . - Oh , não , você não - gemeu . - Não sabe o que diz - afirmou Lockhart bem alto a a ansiosa multidão de Gryffindor que o comprimiam . - Não te preocupes , Harry , eu vou tratar de o teu braço . - Não - gritou Harry . - Eu fico com ele assim , obrigado . Tentou sentar se , mas a dor era enorme . Ouviu um « clique » familiar . - Não quero fotografias de isto , Colin - disse em voz alta . - Deita te para trás , Harry - insistiu Lockhart com toda_a calma . - É um encantamento muito simples que eu fiz imensas vezes . - Porque não me levam só para a ala hospitalar ? - perguntou Harry entredentes . - Seria o melhor , professor - disse a voz rouca de o Wood que não conseguia deixar de sorrir , apesar_de o seu * seeker * estar ferido . - Grande captura , Harry , verdadeiramente espectacular , a tua melhor jogada , em a minha opinião . Em o meio de a floresta de pernas que o rodeava , Harry avistou Fred e George_Weasley , metendo a * budger * perigosa em uma caixa . Continuava a dar uma luta enorme . - Para trás - ordenou Lockhart , que tinha arregaçado as mangas verde jade . - Não , eu não ... - protestou debilmente Harry , mas Lockhart tinha a varinha em a mão e , um segundo depois , apontava a para o braço de Harry . Uma sensação estranha e desagradável começou em o ombro e espalhou se , chegando a as pontas de os dedos . Parecia que o braço inteiro tinha sido esvaziado . Não foi capaz de olhar para o que estava a suceder . Tinha fechado os olhos , voltado o rosto para o outro lado , mas os seus maiores receios concretizaram se quando as pessoas lá em cima se sobressaltaram e Colin_Creevey começou a tirar fotografias como um louco . O braço deixara de lhe doer , mas parecia tudo menos um braço . - Ah ! - disse Lockhart . - Sim , bem isto às_vezes acontece . Mas o importante é_que os ossos já não estão partidos . Isso é o mais importante . Portanto , Harry , vai até a a ala hospitalar ... ah ! Mr._Weasley , Miss_Granger , poderiam levá o lá ? E Madam_Pomfrey poderá ... er ... arranjar um_pouco isso . Quando Harry se pôs de pé sentiu se estranhamente desequilibrado . Depois de respirar fundo , olhou para o lado direito e o que viu quase o fez desmaiar de_novo . Pendurado em a extremidade de a sua túnica estava o que parecia ser uma espessa e colorida luva de borracha . Tentou mexer os dedos mas ... em vão . Lockhart não consertara os ossos de Harry . Retirara os . M. dam Pomfrey não ficou nada satisfeita . - Devias ter vindo logo ter comigo - ralhou , segurando os restos tristes e moles de aquilo que antes fora um braço activo . - Eu conserto ossos em um segundo , mas fazê os crescer de_novo ... - Vai conseguir , não vai ? - perguntou Harry desesperado . - Sim , com certeza , mas vai ser doloroso - disse Madam_Pomfrey de modo severo , entregando lhe um pijama . - Vais ter que ficar cá esta noite ... Hermione esperou de o lado de_fora de a cortina que rodeava outra cama enquanto Ron ajudava Harry a vestir se . Levou algum tempo a enfiar o braço que parecia borracha dentro_de uma manga de o pijama . - Como é_que podes continuar a defender o Lockhart depois disto , Hermione ? - perguntou Ron através de as cortinas , enquanto puxava os dedos moles de o Harry por uma manga . - Se o Harry quisesse ser desossado , teria pedido . - Todos podem enganar se - disse Hermione . - E deixou de doer , não deixou , Harry ? - Sim - disse ele - mas também ficou incapaz de fazer seja o que for . Quando se meteu em a cama , o braço agitou se despropositadamente . Hermione e Madam_Pomfrey entraram . Madam_Pomfrey segurava uma grande garrafa com o rótulo * Skele - _ Gro * . - Vais ter uma noite difícil - preveniu , enchendo um pequeno copo fumegante e dando lhe a beber . - Fazer crescer ossos é uma coisa difícil . Tomar o * _ Skele - _ Gro * também . Queimou a boca e a garganta de o Harry a o descer , fazendo o tossir e cuspir . Resmungando sobre os desportos perigosos e os professores incapazes , Madam_Pomfrey retirou se , deixando Ron e Hermione a ajudar Harry a engolir um_pouco de água . - Mas ganhámos o jogo - disse o Ron com um sorriso em o rosto . - A tua jogada foi em grande . A cara de o Malfoy ... parecia que queria matar alguém . - Eu vou descobrir como é_que enfeitiçaram aquela * bludger * - disse Hermione com ar sombrio . - Podemos juntar essa pergunta a a lista de todas_as que queremos fazer a o Malfoy quando tomarmos a poção * _ Polisuco * - disse Harry , afundando se de_novo em as almofadas . - Espero que tenha um sabor melhor do_que esta coisa ... - Com um bocado de os Slytherin lá dentro , deves estar a brincar - disse o Ron . A porta de a ala hospitalar abriu se em esse momento e , completamente encharcados , entraram os restantes membros de a equipa de os Gryffindor , para ver o Harry . - Um voo inacreditável - disse George . - Acabei de ver Marcus_Flint a gritar com o Malfoy . Qualquer coisa sobre ter a * snitch * mesmo em cima de a cabeça e não ter dado por nada . O Malfoy não parecia nem um_pouco satisfeito . Tinham trazido bolos , rebuçados e garrafas de sumo de abóbora . Juntaram se em volta de a cama de Harry e estavam a dar início a o que prometia ser uma grande festa quando Madam_Pomfrey entrou a vociferar : - Este rapaz precisa de repouso . Tem trinta_e_três ossos a crescer . Fora de aqui . FORA ! E Harry ficou sozinho , sem nada que o distraísse de as dores agudas em o seu braço mole . Muitas horas mais tarde , Harry acordou subitamente em a escuridão total e soltou um pequeno grito de dor : sentia agora o braço cheio de estilhaços . Durante alguns segundos pensou que tinha sido a dor a acordá o . Depois , com um arrepio de horror , apercebeu se de que alguém estava a passar lhe uma esponja em a testa . - Sai de aqui - gritou , e em seguida : - Dobby ! Os olhos de o tamanho de bolas de ténis de o elfo doméstico estavam a olhá o em o escuro , uma lágrima grossa rolava por o seu enorme nariz . - Harry_Potter voltou a a escola - murmurou , infeliz . - Dobby avisou e voltou a avisar Harry_Potter . Ah ! senhor , porque não deu ouvidos a Dobby ? Porque não voltou Harry_Potter para_casa quando perdeu o comboio ? Harry ergueu se um_pouco , encostando se a as almofadas e afastou a esponja de o elfo . - O que estás a fazer aqui ? - perguntou . - E como sabes que eu perdi o comboio ? O lábio de Dobby tremeu e Harry foi assaltado por uma dúvida . - Foste tu . Tu impediste que a barreira nos deixasse passar . - Em a verdade fui eu , senhor - disse Dobby , acenando com a cabeça e com as orelhas a abanar . - Dobby escondeu se , esperou por Harry_Potter e selou a barreira . A seguir , Dobby teve de pôr as mãos em o ferro de engomar - mostrou a o Harry dez dedos longos embrulhados em ligaduras . - Mas Dobby não se importou , senhor , porque pensou que Harry_Potter estava a salvo e nunca Dobby sonhou que mesmo_assim ele viria para a escola ! Balançava se para a frente e para trás , sacudindo a cabeça feia . - Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry_Potter tinha voltado a a escola que deixou queimar o jantar de os seus donos . Dobby nunca tivera um castigo tão grande , senhor . Harry afundou se de_novo em as almofadas . - Quase conseguiste que nos expulsassem , a mim e a o Ron - disse furioso . - É melhor desapareceres de aqui antes que os meus ossos voltem a estar bem , Dobby , ou ainda te estrangulo . O elfo sorriu . - Dobby está habituado a ameaças de morte , senhor . Dobby recebe as cinco vezes por dia em a casa onde mora . Encostou o nariz a um canto de a fronha que usava , ficando tão ridículo que Harry sentiu a raiva desvanecer se , apesar_de tudo . - Porque usas essa coisa , Dobby ? - perguntou com curiosidade . - Isto , senhor ? - disse Dobby apontando para a fronha de almofada . - É uma prova de escravatura de o elfo doméstico , senhor . Dobby só pode ser libertado se os donos lhe derem roupa , senhor . A família tem o cuidado de não dar a o Dobby nem uma peúga , senhor , porque ele poderia ficar livre e deixar a casa para sempre . Dobby limpou os olhos protuberantes e disse subitamente : - Harry_Potter deve ir para_casa . Dobby achou que a sua * bludger * seria o suficiente para o fazer ... - A tua * bludger * ? - disse Harry com a raiva a crescer novamente dentro de ele . - Que queres tu dizer com a tua bludger * ? Foste tu quem fez com que aquela bola tentasse matar me ? - Matar não , senhor . Matar , nunca ! - disse o elho chocado . - Dobby quer salvar a vida de Harry_Potter . É melhor ir para_casa ferido do_que ficar aqui , senhor . Dobby só queria Harry_Potter suficientemente ferido para voltar para_casa . - Só isso ? - disse Harry furioso . - Imagino que não vais dizer me porque querias mandar me para_casa a os bocados ? - Ah ! se Harry_Potter soubesse ! - gemeu Dobby , com mais lágrimas a escorrerem lhe por a fronha esfarrapada . - Se pudesse saber o que significa para nós , para os humildes , os escravizados , nós , a escória social de o mundo mágico ! Dobby lembra se de como eram as coisas quando Aquele cujo nome não deve ser pronunciado estava em o auge de o poder , senhor ! Nós , os elfos domésticos éramos tratados como animais , senhor ! É claro que Dobby ainda é tratado assim - admitiu , secando o rosto em a fronha de almofada . - Mas , em a sua maioria , a vida melhorou bastante para os de a minha espécie desde_que Harry_Potter triunfou sobre Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Harry_Potter sobreviveu e o poder de os senhores de o Mal foi quebrado e veio uma nova alvorada , senhor , e Harry_Potter brilhou como um farol de esperança para aqueles de entre nós que já pensavam que a longa noite nunca mais teria fim , senhor ... e agora em Hogwarts vão acontecer coisas terríveis , talvez já esteiam a acontecer e Dobby não pode deixar Harry_Potter ficar aqui , agora_que a história vai repetir se , agora_que a Câmara_dos_Segredos está de_novo aberta . Dobby calou se horrorizado . Em seguida agarrou em o jarro de a água que Harry tinha a a cabeceira e bateu com ele em a própria cabeça , deixando se cair . Um segundo mais tarde voltou até junto de a cama , repetindo : - Mau , Dobby , muito mau , Dobby . - Quer_dizer , então , que existe mesmo a Câmara_dos_Segredos ? - murmurou Harry . - E dizes tu que já antes foi aberta ? Conta me , Dobby . Agarrou o pulso ossudo de o elfo quando a mão de ele se estendia para o jarro de a água . - Mas eu não sou filho de Muggles . Como posso estar em perigo por causa de a Câmara_dos_Segredos ? - Ah ! senhor , não pergunte a o pobre Dobby - lamentou se o elfo com os olhos enormes a brilharem em o escuro . - As forças de as trevas estão projectadas em este lugar , mas Harry_Potter não deve estar aqui quando as coisas acontecerem . Vá para_casa , Harry_Potter , vá para_casa . Harry_Potter não deve envolver se em isto , senhor , é demasiado perigoso ... - Quem é , Dobby ? - perguntou Harry , continuando a agarrar lhe o pulso com forca , impedindo que batesse de_novo em si próprio com o jarro . - Quem abriu a amara ? Quem a abriu de a última vez ? - Dobby não pode , senhor . Dobby não pode . Dobby não deve dizer - guinchou o elfo . - Vá se embora , Harry_Potter , vá se embora ! - Eu não vou para lugar nenhum - disse Harry , furioso . - Uma de as minhas melhores amigas é filha de Muggles , está em perigo se a câmara foi , de facto , aberta ... - Harry_Potter arrisca a própria vida por os amigos - gemeu Dobby em uma espécie de êxtase infeliz . - Tão nobre , tão corajoso , mas deve salvar se , Harry_Potter não deve ... Dobby calou se de repente com as orelhas de morcego a estremecerem . Harry também ouviu os passos que vinham lá fora , de o corredor . - Dobby tem de ir - balbuciou o elfo apavorado . Ouviu se um ruído e o pulso de Harry ficou subitamente fechado em o ar . Meteu se de_novo para baixo , em a cama , com os olhos fixos em a porta escura que dava entrada em a ala hospitalar enquanto os passos se aproximavam . Em o momento seguinte , Dumbledore estava a entrar , de costas , em o dormitório , vestindo uma longa túnica de lã e uma capa de noite . Transportava um extremo de aquilo que parecia ser uma estátua . A professora Mc_Gonagall surgiu um segundo mais tarde , pegando lhe em os pés . Os dois colocaram a em uma cama . - Chame Madam_Pomfrey - murmurou Dumbledore e a professora Mc_Gonagall passou por a cama de Harry , apressadamente , e desapareceu . Harry deixou se ficar muito quieto como_se estivesse a dormir . Ouviu vozes ansiosas e por fim a professora Mc_Gonagall apareceu de_novo , seguida de Madam_Pomfrey que vestia um casaco curto de lã sobre a camisa de dormir . Ouviu uma inspiração aguda . - O que aconteceu ? - murmurou Madam_Pomfrey_a_Dumbledore , inclinando se sobre a estátua que estava em a cama . - Outro ataque - disse Dumbledore . - A Minerva encontrou o em as escadas . Havia um cacho de uvas junto de ele . Acho que estava a tentar esgueirar se até aqui para vir visitar o Potter . O estômago de Harry deu uma reviravolta . Lenta e cuidadosamente ergueu se alguns centímetros para poder ver a estátua que estava sobre a cama . Um raio de luar iluminou lhe o rosto estático . Era_Colin_Creevey . Tinha os olhos abertos , e as mãos , em frente de a cara , seguravam a máquina fotográfica . -- Petrificado ? - murmurou Madam_Pomfrey . - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - Mas estou tentada a acreditar que ... se Albus não tivesse vindo cá abaixo tomar um chocolate quente ... quem sabe o que teria ... Os três olharam para Colin . Dumbledore inclinou se e retirou lhe a máquina de as mãos rígidas . - Será que ele conseguiu tirar a fotografia de o agressor ? - perguntou ansiosa a professora Mc_Gonagall . Dumbledore não respondeu . Abriu a parte detrás de a máquina . - Cruzes canhoto - disse Madam_Pomfrey . Um jacto de vapor tinha feito fervilhar a máquina . Harry , a três metros de distância , sentiu o cheiro tóxico de o plástico queimado . - Derretido - disse Madam_Pomfrey com grande espanto . - Tudo derretido . - O que significa isto , Albus ? - perguntou cada_vez_mais nervosa a professora Mc_Gonagall . - Significa - disse Dumbledore - que a Câmara_dos_Segredos está mesmo aberta outra_vez . Madam_Pomfrey levou uma mão a a boca . A professora Mc_Gonagall olhou assustada para Dumbledore . - Mas , Albus ... com certeza ... quem ? - A questão não é quem - disse Dumbledore com os olhos fixos em Colin . - A questão é como ... E pelo que Harry conseguiu ver de o rosto indistinto de a professora Mc_Gonagall , ela não compreendeu muito mais do_que ele . XI_O clube de os duelos Quando_Harry acordou , em o domingo de manhã , a enfermaria estava iluminada por um resplandecente sol de inverno e o seu braço tinha de_novo todos os ossos , apesar_de o sentir muito rígido . Sentou se rapidamente e olhou para a cama de Colin , mas ela fora isolada com as cortinas atrás de as quais se despira em a véspera . Vendo que ele tinha acordado , Madam_Pomfrey apareceu com um tabuleiro de pequeno-almoço e a seguir começou a apalpar lhe o braço e os dedos . - Tudo em ordem - disse , enquanto ele , com a mão esquerda , comia avidamente as papas de aveia . - Quando acabares de comer podes ir te embora . Harry vestiu se o mais depressa que pôde e dirigiu se a a pressa para a torre de os Gryffindor , ansioso por contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre Colin e Dobby , mas não os encontrou lá . Foi a a procura de eles , perguntando a si próprio onde teriam ido e sentindo se um_pouco magoado por o pouco interesse que demonstravam em saber se ele tinha recuperado os ossos . Quando passou por a biblioteca , Percy_Weasley vinha a sair com bastante melhor cara do_que de a última vez que se tinham encontrado . - Olá , olá , Harry - disse . - Excelente voo o de ontem , verdadeiramente sensacional . Os Gryffindor estão a a frente para a taça de a equipa . Ganhaste cinquenta pontos . - Não viste o Ron e a Hermione por aí ? - perguntou Harry . - Não , não vi - disse Percy com o sorriso a desaparecer . - Espero que o Ron não esteja outra_vez em a casa_de_banho de as raparigas ... Harry forçou um sorriso , viu Percy desaparecer e a seguir foi direitinho até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Não via lá muito bem por_que motivo o Ron e a Hermione lá estariam de_novo , mas , depois de se assegurar de que nem Filch nem nenhum de os prefeitos estavam por perto , abriu a porta e ouviu as vozes de eles que vinham de um cubículo fechado . - Sou eu - disse , fechando a porta atrás_de si . Ouviu se dentro de o cubículo um estrondo , um chapinhar e um sobressalto e ele viu o olho de a Hermione a espreitar por o buraco de a fechadura . - Harry - disse ela . - Pregaste nos um susto de morte . Entra . Como está o teu braço ? - _ óptimo - respondeu , apertando se dentro de o cubículo . Em cima de a sanita estava encarrapitado um velho caldeirão , e um crepitar a a superfície de a água disse a Harry que eles tinham acendido um fogo lá em baixo . Fazer aparecer fogos portáteis a a prova de água era uma de as especialidades de Hermione . - _ íamos visitar te , mas resolvemos começar a preparar a poção * _ Polisuco * - explicou Ron enquanto Harry fechava outra_vez a porta de o cubículo com alguma dificuldade . - Achámos que este era o lugar mais seguro para a esconder . Harry começou a contar lhes de o Colin , mas Hermione interrompeu o . - Nós já sabemos , ouvimos a professora Mc_Gonagall contar a o professor Flitwick hoje_de_manhã . Por isso resolvemos começar a ... - Quanto_mais depressa arrancarmos uma confissão a o Malfoy , melhor - rosnou o Ron . - Sabem o que eu penso ? Ele estava tão mal-humorado depois de o jogo de Quidditch que se vingou em o Colin . - Há outra coisa - disse Harry , vendo Hermione cortar molhos de verdezelha e lançá os dentro de a poção . - O Dobby foi visitar me a meio de a noite . Ron e Hermione olharam o espantados . Harry contou lhes tudo_o_que Dobby lhe dissera ... ou não dissera . Ron e Hermione ouviram o de boca aberta . - A Câmara_dos_Segredos já tinha sido aberta antes ? - repetiu Hermione . - Encaixa perfeitamente - disse Ron , em uma voz triunfante . - O Lucius_Malfoy deve ter aberto a Câmara_dos_Segredos quando andava em a escola e agora ensinou a o querido filhinho Draco como abris a . É óbvio , que pena o Dobby não te ter dito que tipo de monstro lá se encontra . Gostava de saber como é_que ninguém o viu andar por ai em a escola . - Talvez tenha a capacidade de se tornar invisível - sugeriu Hermione , picando sanguessugas para dentro de o caldeirão . - Ou talvez se disfarce , passando por uma armadura ou outra coisa de o género . Eu li umas coisas sobre vampiros camaleões ... - Tu lês de mais , Hermione - disse o Ron , deitando moscas asas de renda mortas por cima de as sanguessugas . Amarrotou o saco vazio de as asas de renda e olhou para Harry . - Então foi o Dobby que nos impediu de apanhar o comboio e te partiu o braço ... - abanou a cabeça . - Sabes o que eu acho ? Se ele não parar de tentar salvar te a vida ainda acaba por te matar . A notícia de que Colin_Creevey tinha sido atacado e estava agora em a ala hospitalar , como morto , espalhou se por toda_a escola em a segunda-feira de manhã . O ar ficou pesado e cheio de boatos e suspeitas . Os alunos de o primeiro ano começavam a andar por a escola em pequenos grupos , receando ser atacados se se aventurassem a andar isoladamente por os corredores . Ginny_Weasley , que era colega de carteira de o Colin em os encantamentos , estava perturbadíssima , mas Harry achou que Fred e George estavam a tentar animá a de a maneira errada . Revezavam se , mascarados com peles de animais e apareciam lhe subitamente detrás de as estátuas . Só pararam quando Percy , apopléctico de raiva , lhes disse que ia escrever a Mrs._Weasley a contar lhe que a Ginny andava a ter pesadelos . Enquanto isso , às_escondidas de os professores , uma panóplia de talismãs , amuletos e outros objectos de protecção ia enchendo a escola . Neville_Longbottom comprou uma enorme cebola verde que cheirava mal , um cristal pontiagudo cor de púrpura e uma cauda de tritão apodrecida antes de os outros rapazes de os Gryffindor lhe explicarem que ele não corria perigo : era um sangue puro e , portanto , muito pouco passível de ser atacado . - Eles foram a o Filch em primeiro lugar - disse Neville com o medo estampado em a cara redonda . - E toda_a_gente sabe que eu sou quase um * busca-pé * . Em a segunda semana de Dezembro , a professora Mc_Gonagall veio , como de costume , recolher os nomes de os alunos que ficavam em a escola durante o Natal . Harry , Ron e Hermione assinaram a lista . Tinham ouvido dizer que Malfoy ficava , o que lhes parecera muito suspeito . As férias seriam a altura ideal para usar a poção * _ Polisuco * e tentar arrancar lhe uma confissão . Infelizmente a poção estava a meio . Precisavam ainda de o chifre de bicórneo e o único lugar onde podiam arranjá o era em os depósitos privados de Snape . Harry , pessoalmente , preferia enfrentar o lendário monstro de os Slytherin do_que ser apanhado por o Snape a assaltar lhe o escritório . - O que precisamos - disse Hermione cheia de vivacidade quando se aproximava a aula conjunta de poções de quinta-feira a a tarde - para podermos entrar a a vontade em o escritório de o Snape , é de uma diversão . Harry e Ron olharam para ela , nervosos . - Acho que o melhor é ser eu a praticar o roubo - prosseguiu ela , em um tom perfeitamente casual . - Vocês os dois podem ser expulsos se forem apanhados e eu tenho uma folha limpa . Portanto , a única coisa que têm de fazer é distrair o Snape durante cerca de cinco minutos . Harry esboçou um meio sorriso . Provocar deliberadamente um estrago em a aula de poções de o Snape era tão seguro como ferir em um olho um dragão adormecido . As aulas de poções tinham lugar em um de os mais amplos calabouços . A de quinta-feira a a tarde não foi diferente de as outras . Vinte caldeirões fumegavam entre as secretárias de madeira , sobre as quais podia ver se laminas de latão e jarras com ingredientes . Snape deambulava por o meio de os fumos , fazendo reparos petulantes a o trabalho de os Gryffindor , enquanto os Slytherin riam a a socapa . Draco_Malfoy , que era o aluno preferido de Snape , não parava de lançar olhos de carneiro mal morto a o Ron e a o Harry , que sabiam que se retaliassem teriam um castigo , antes de poderem abrir a boca para dizer : - É injusto ! A solução de inchar de o Harry estava demasiado líquida , mas ele estava preocupado com coisas mais importantes . Esperava por o sinal de Hermione e mal deu por Snape se calar para ir espreitar a sua poção aguada . Quando o professor se voltou e foi implicar com o Neville , Hermione trocou um olhar com Harry e fez um aceno . Harry baixou se discretamente por detrás de o seu caldeirão , tirou de o bolso de trás um de os paus de fogo-de-artíficio Filibuster e deu lhe um toque de varinha . O fogo-de-artíficio começou a sibilar e a crepitar . Sabendo que tinha apenas alguns segundos , Harry endireitou se , ganhou coragem e lançou o a o ar . Aterrou certeiro em o caldeirão de o Goyle . A poção de o Goyle explodiu , salpicando toda_a aula . As pessoas gritavam , à_medida_que eram vítimas de os salpicos . Malfoy foi apanhado em a cara e o nariz começou a inchar como um balão . O Goyle tropeçava a as cegas , com as mãos em os olhos , que tinham ficado de o tamanho de pratos de sopa , enquanto o Snape tentava repor a calma e tentar perceber o que sucedera . Em o meio de a confusão , Harry viu Hermione esgueirar se a a socapa por a porta . - Silêncio ! silêncio ! - vociferou Snape . - Todos os que foram salpicados cheguem aqui para uma drenagem . Quando eu descobrir quem fez isto ... Harry fez um enorme esforço para não se rir a o ver Malfoy chegar apressadamente lá a a frente , a cabeça a tombar com o peso de o nariz , que parecia um pequeno melão . Quando metade de a aula se amontoava junto de a secretária de o Snape , alguns alunos vergados por o peso de os braços que pareciam mocas , outros incapazes de falar devido a o gigantesco inchaço de os lábios , Harry viu Hermione reentrar em o calabouço , a túnica mostrando a barriga protuberante . Quando todos os alunos tinham já tomado um gole de o antídoto e os vários inchaços tinham desaparecido , Snape precipitou se para o caldeirão de o Goyle e pescou os restos retorcidos de o fogo-de-artíficio . Houve um súbito silêncio . - Se eu descubro quem lançou isto - murmurou Snape - garanto que é expulsão por a certa . Harry compôs uma expressão de espanto . Snape olhava directamente para ele e a campainha , que tocou dez minutos mais tarde , não podia ser mais bem-vinda . - Ele soube que fui eu - disse Harry_a_Ron e a a Hermione , enquanto se dirigiam apressadamente para a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Tenho a certeza . Hermione lançou o novo ingrediente em o caldeirão e começou a mexer furiosamente . - Isto vai estar pronto dentro_de quinze_dias - afirmou , satisfeita . - O Snape não pode provar que foste tu - assegurou Ron , tranquilizando Harry . - Que pode ele fazer ? - Conhecendo o Snape , qualquer coisa louca - respondeu Harry , enquanto a poção borbulhava e espumava . Uma semana mais tarde , Harry , Ron e Hermione passavam por o vestíbulo de entrada , quando viram um pequeno grupo de pessoas reunidas em volta de o jornal de parede a lerem um pedaço de pergaminho que tinha acabado de ser afixado . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas acenaram lhes , entusiasmados . - Vão lançar um clube de duelos ! - exclamou Seamus . - Hoje a a noite é a primeira reunião . Eu não me importaria nada de ter aulas de duelo , podem vir a ser úteis um dia de estes ... - Porquê ? Achas que o monstro de os Slytherin sabe esgrimir ? - perguntou o Ron , mas , também ele , leu a notícia com interesse . - Pode ser útil - disse a o Harry e a a Hermione , quando foram jantar . - Vamos lá ? Harry e Hermione acharam óptimo , por isso , a as oito_da_noite voltaram a o salão . As longas mesas de refeição tinham desaparecido e um estrado dourado surgira , encostado a a parede . Sobre ele flutuavam milhares de velas . O tecto era , mais_uma_vez , de veludo negro e parecia que quase todos os alunos de a escola se encontravam ali , com as suas varinhas em a mão e com um ar entusiasmado . - Quem será que vai ensinar nos ? - perguntou Hermione , enquanto se misturavam em a multidão barulhenta . - Ouvi dizer que o Filitwick foi campeão de duelo em a juventude , talvez seja ele . - Desde_que não seja ... - começou Harry , mas terminou em um gemido : Gilderoy_Lockhart estava a subir a o estrado , resplandecente em as suas vestes cor de ameixa , acompanhado , nem mais nem menos , do_que de Snape que trajava , como sempre , de negro . Lockhart levantou um braço , pedindo silêncio , bradando : - Aproximem se , aproximem se , conseguem todos ver me e ouvir me ? Excelente ! - O professor Dumbledore deu me autorização para iniciar este pequeno curso de duelo para vos treinar a todos , caso algum dia precisem de se defender , como eu tenho feito em inúmeras ocasiões ; para mais detalhes , leiam os livros que tenho publicados . - Permitam que vos apresente o meu assistente , o professor Snape - disse Lockhart , abrindo um sorriso de orelha a orelha . - Ele diz me que sabe alguma coisa sobre duelos e aceitou desportivamente ajudar me em uma exibição de demonstração , antes de começarmos . Atenção , não quero que os mais novos fiquem preocupados , vão continuar a ter o vosso professor de poções depois de eu o vencer . Não tenham medo . - Não era óptimo se se liquidassem um_ao_outro ? - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . O lábio inferior de Snape estava curvo . Harry interrogou se sobre o motivo por_que Lockhart continuava a sorrir . Se o Snape olhasse de aquela maneira para ele , Harry estaria a correr a_toda_a velocidade para o mais longe possível . Lockhart e Snape voltaram se um para o outro e fizeram uma vénia , pelo_menos Lockhart fê la com muitas reviravoltas de mãos , enquanto Snape acenava , irritado , com a cabeça . Em seguida , ergueram as varinhas , como_se fossem espadas , em a frente . - Como podem ver , estamos a pegar em as varinhas em a posição de aceitação de combate - explicou Lockhart a a multidão silenciosa . - Quando contarmos até três , lançaremos os primeiros feitiços . Nenhum de nós tentará matar o outro , claro . - Eu não poria as mãos em o fogo - murmurou Harry , observando como Snape cerrava os dentes . -- Um , dois , três ... Os dois balançaram as varinhas acima de os ombros . Snape gritou : * _ Expelliarmus * ! Houve um clarão ofuscante de luz escarlate e Lockhart voou para trás , caindo de o estrado batendo contra a parede , escorregando e indo estatelar se em o chão . Malfoy e alguns de os outros Slytherin aplaudiram . Hermione estava em bicos de os pés . - Acham que ele está bem ? - gritou entredentes . - Quem se rala ? - disseram ao_mesmo_tempo o Ron e o Harry . Lockhart estava a pôr se , hesitante , de pé . O chapéu caíra lhe e o cabelo ondulado estava em um desalinho . - Bem , cá está ! - disse , cambaleando até a o estrado . - Este foi um encantamento para desarmar . Como podem ver , perdi a minha varinha . Ah , obrigado Miss_Brown . Sim , foi uma excelente ideia mostrar lhes isto , professor Snape , mas , se me permite que lhe diga , foi muito óbvio o que ia fazer . Se eu tivesse querido impedis o , teria o feito com a maior de as facilidades . Mas achei que seria educativo deixá os ver ... Snape tinha um ar assassino . Provavelmente Lockhart deu por isso , porque declarou : - Chega de demonstrações . Eu vou passar agora por o meio de vocês e criar duplas . Professor_Snape , se quiser ajudar me ... Entraram por o meio de a multidão , agrupando alunos . Lockhart pôs o Neville com Justin_Finch - _ Fletchley , mas Snape chegou primeiro junto de Harry e de Ron . - Tempo de separar a dupla ideal , parece me - rosnou . - Weasley , tu podes ficar com o Finnigan . Potter ... Harry voltou se automaticamente para Hermione . - Não me parece - disse Snape com o seu sorriso frio . - Mr._Malfoy , venha até aqui . Vamos ver o que faz com o famoso Potter . E a menina , Miss_Granger , pode emparceirar com Miss_Bulstrode . Malfoy aproximou se com o seu passo empertigado e o seu sorriso escarninho . Atrás de ele vinha uma rapariga de os Slytherin , que lembrou a Harry uma imagem que tinha visto em as * _ Férias com Bruxas_Velhas * . Era corpulenta e quadrada e os maxilares avançavam agressivamente . Hermione esboçou um meio sorriso , que ela não retribuiu . - Voltem se para os vossos parceiros - gritou Lockhart - e façam a vénia . Harry e Malfoy mal inclinaram as cabeças , não afastando os olhos um de o outro . - Varinhas preparadas ! - gritou Lockhart . - Quando eu disser três preparem os feitiços para desarmar o vosso opositor . Um ... dois ... três ... Harry levantou a varinha acima de o ombro , mas Malfoy começara logo em o « dois » : o seu feitiço apanhou Harry com tanta força que ele se sentiu como_se tivesse levado com uma frigideira em a cabeça . Tropeçou , mas ainda não estava fora de combate e , sem perder tempo , Harry apontou a varinha a Malfoy e gritou : - * _ Rictusempra ! * Um jacto de luz prateada atingiu Malfoy em o estômago , obrigando o a dobrar se , arfando . - Eu disse desarmar ! - gritava Lockhart sobre as cabeças de a multidão em lata , enquanto Malfoy caía de joelhos . Harry atingira o com o feitiço de as cócegas e ele mal conseguia mexer se para se rir . Harry hesitou com o vago sentimento de que seria pouco desportivo enfeitiçar Malfoy enquanto ele estava caído em o chão , mas ... foi um erro . Tentando respirar , Malfoy apontou a varinha a os joelhos de Harry , balbuciando : « * _ Tarantallegra ! * » e , um segundo depois , as pernas de o Harry tinham começado a mexer se , sem que ele pudesse controlá as , executando uma espécie de dança frenética . - Parem , parem - gritava Lockhart , quando Snape resolveu tomar controlo de a situação . - * _ Finite_Incantatem ! * - bradou . Os pés de o Harry pararam de dançar , Malfoy parou de rir e puderam olhar para_cima . Uma onda de fumo esverdeado pairava sobre todos eles . Neville e Justin estavam caídos em o chão , a arfar . Ron tentava fazer parar um Seamus com cara cor de cinza , pedindo lhe mil desculpas por o que a sua varinha partida eventualmente tivesse feito . Mas Hermione e Millicent_Bulstrode ainda não tinham acabado . Millicent tinha feito a Hermione uma prisão de cabeça e Hermione gritava de dor . As duas varinhas jaziam esquecidas em o chão . Harry deu um salto em frente e afastou Millicent . Não foi fácil , ela era bastante maior do_que ele . - Oh , gente ! - exclamou Lockhart , arrastando se por o meio de a multidão e olhando para os resultados de os duelos . - Vamos pôr de pé , Mcmillan ... cuidado , Miss_Fawcett ... belisque com força que pára logo de sangrar ... - Acho que o melhor é ensinar vos como bloquear feitiços pouco amigáveis - afirmou Lockhart que estava nervosíssimo em o meio de o salão . Olhou para Snape , cujos olhos pretos brilhavam e desviou rapidamente o olhar . - Vamos arranjar um par de voluntários . Longbottom e Finch - _ Fletchley , que tal serem vocês ? - Uma má ideia , professor Lockhart - disse Snape , deslizando como um morcego enorme e cruel . - Longbottom provoca devastação com o feitiço mais simples . Ainda temos de mandar o que restar de o Finch - _ Fletchley para a ala hospitalar dentro_de uma caixa de fósforos . - A cara redonda e rosada de Neville ficou ainda mais rosada . - Que tal o Malfoy e o Potter ? - sugeriu Snape com um sorriso retorcido . - Excelente ideia - disse Lockhart , fazendo sinal a os dois para que se aproximassem de o meio de o salão , enquanto a multidão recuava para lhes dar passagem . - Ouve bem , Harry - disse Lockhart . - Quando o Draco te apontar a varinha , tu fazes assim . Levantou a sua varinha , executando uma tentativa complicada de malabarismo e deixou a cair . Snape sorriu pretensiosamente , enquanto Lockhart a apanhava de o chão , dizendo : - Ups , a minha varinha está demasiado excitada . Snape aproximou se de Malfoy , inclinou se e disse lhe qualquer coisa a o ouvido . Malfoy sorriu também de forma afectada . Harry olhou , nervoso , para Lockhart e pediu : - Professor , podia mostrar me outra_vez aquela coisa para bloquear ? - Estás com medo ? - murmurou Malfoy baixinho , para que Lockhart não pudesse ouvir . - Querias ! - exclamou Harry por o canto de a boca . Lockhart deu um soco em o ombro de o Harry , em a brincadeira . - Basta que faças como eu fiz ! - O quê , deixar cair a varinha ? Mas Lockhart não estava a ouvir - Três , dois , um , zero ! - gritou . Malfoy levantou rapidamente a varinha a o ar e gritou : - * _ Serpensortia ! * A extremidade de a varinha explodiu . Harry viu , horrorizado , uma enorme serpente negra sair de ela , cair pesadamente em o chão a meio de os dois e erguer se disposta a atacar . Ouviram se gritos , enquanto a multidão se afastava , deixando o chão vazio . - Não te mexas , Potter - disse Snape vagarosamente , divertindo se claramente a ver Harry , parado , a olhar em os olhos a serpente . - Eu trato de ela ... - Permita me -- gritou Lockhart . Bramiu a varinha em direcção a a serpente e ouviu se um estoiro . A cobra , em_vez_de desaparecer , voou três metros acima de eles e voltou a cair em o chão com um estrondo enorme . Enraivecida , a sibilar de fúria , rastejou em direcção a Finch - _ Fletchley e pôs se de pé com os dentes a a mostra , pronta a atacar . Harry não soube ao_certo o que o levou a fazer aquilo . Não se lembrava sequer de ter tomado aquela decisão . Só soube que as pernas o fizeram avançar como_se tivesse rodas e que gritou a a serpente : - Larga o ! - E , milagrosa e inexplicavelmente , a serpente voltou a o chão , dócil como uma grande mangueira de jardim , preta e grossa , os olhos agora fixos em os olhos de Harry . Harry sentiu o medo a escoar se . Sabia que a cobra não atacaria mais ninguém , embora não pudesse explicar como sabia . Olhou para Justin a sorrir , esperando vê o aliviado , espantado , ou mesmo agradecido , mas nunca zangado ou assustado . - Que brincadeira é essa ? - gritou o outro e , antes que Harry tivesse tempo de dizer fosse o que fosse , voltou as costas e saiu de o salão . Snape deu um passo em frente , fez um gesto com a varinha e a serpente desapareceu em uma onda de fumo preto . Também ele , Snape , olhava para Harry de uma forma inesperada . Era um olhar arguto e calculista , de que Harry não gostou . Apercebeu se também vagamente de um murmúrio ameaçador que vinha de as paredes em volta . Depois , sentiu um puxão em a túnica . - Vamos - disse a voz de o Ron em o seu ouvido . - Mexe te , vá lá ... Ron arrastou o para fora de o salão . Hermione acompanhava os em a passada rápida . Quando cruzaram a porta , as pessoas que a rodeavam afastaram se , como_se tivessem medo de ser contagiadas . Harry não fazia a mais pequena ideia do_que estava a passar se e , nem Ron , nem Hermione lhe deram qualquer explicação , antes de o terem levado até a a sala comum de os Gryffindor , que se encontrava vazia . Aí , Ron empurrou Harry para uma cadeira de braços e disse : - Tu és um * serpentês * . Porque não nos disseste ? - Eu sou um quê ? - perguntou Harry . - Um * serpentês * ! - exclamou o Ron . - Falas com as cobras . - Eu sei - declarou Harry . - Quer_dizer , esta foi a segunda vez que o fiz . A outra foi há muito_tempo em o jardim zoológico , quando soltei uma Boa_Constrictor a o meu primo Dudley . É uma longa história , mas ela estava a dizer me que nunca tinha estado em o Brasil e eu acho que a libertei sem querer . Foi antes de saber que era feiticeiro . . . - Uma Boa_Constrictor disse te que nunca tinha estado em o Brasil ? - repetiu Ron , quase sem voz . - E então ? - disse o Harry . - Aposto que montes de pessoas aqui fazem o mesmo . - Não fazem , não - afirmou Ron . - Não é um dom muito frequente . Harry , isso é mau . - O que é_que é mau ? - perguntou Harry , que começava a ficar chateado . - O que é_que se passa com todos os outros ? Ouve bem , se eu não tivesse dito a aquela cobra para não atacar o Justin ... - Ah , foi isso que tu disseste ? - Que queres dizer ? Tu estavas lá , ouviste perfeitamente o que eu disse . - Eu ouvi te falar em serpentês - disse o Ron . - Língua de cobra . Podias estar a dizer lhe qualquer coisa . Não admira que o Justin tivesse entrado em pânico . Parecia que estavas a incitar a serpente . Foi assustador , sabes ? Harry olhou para ele espantado . - Eu falei uma língua diferente ? Mas não me apercebi , como posso falar uma língua , sem saber que a conheço ? Ron abanou a cabeça . Tanto ele como Hermione tinham um ar fúnebre . Harry não percebia o que havia em aquilo de tão trágico . - Será que me querem explicar o que há de mal em ter impedido que uma serpente enorme arrancasse a cabeça a o Justin ? - perguntou . - Porque é tão importante como o fiz , se evitei que o Justin fosse juntar se a grupo de os SEM_CABEÇA ? - Importa - disse por fim Hermione , em uma voz abafada . - Porque falar com serpentes era a arte por a qual Salazar_Slytherin ficou famoso . Por isso , o símbolo de os Slytherin é uma serpente . Harry ficou de boca aberta . - Exacto - disse o Ron . - E agora todos em a escola vão pensar que tu és descendente de ele . - Mas não sou - contrapôs Harry com um pânico que não conseguia explicar . - Não vai ser fácil prová o - disse Hermione . - Ele viveu há quase mil anos . Pelo que vimos , podias ser . Em essa noite , Harry ficou acordado durante horas . Por uma fresta de os cortinados de a cama de dossel , olhou para a neve que começava a cair de o lado de_fora de a janela de a torre e perguntou se se poderia ser descendente de Salazar_Slytherin . Afinal , não sabia nada de a família de o pai , os Dursley tinham sempre proibido qualquer pergunta sobre os seus familiares feiticeiros . Calmamente , tentou dizer qualquer coisa em * serpentês * , mas as palavras não saíam . Parecia que era necessário estar frente_a_frente com uma cobra para poder fazê o . Mas eu sou um Gryffindor , pensou Harry , o chapéu seleccionador não me poria aqui se eu tivesse sangue de Slytherin ... - Ah ! - disse uma vozinha dentro de o seu cérebro . - Mas o chapéu seleccionador queria pôr te em os Slytherin , não te lembras ? Harry deu voltas e voltas a a cabeça . Em o dia seguinte , quando visse Justin em a aula de herbologia explicaria lhe que estava a afastar a serpente , não a atiçá a o que , aliás , pensou zangado , dando vários socos em a almofada , qualquer idiota teria percebido . Contudo , em a manhã seguinte , a neve que começara a cair durante a noite , transformara se em uma tempestade tão espessa que a última aula de herbologia de o período foi cancelada : a professora Sprout queria tapar as mandrágoras com peúgas e cachecóis , uma operação arriscada que ela não confiava a ninguém agora_que era tão importante que as mandrágoras crescessem depressa e reabilitassem Mrs._Norris e Colin_Creevey . Junto de a lareira de a sala comum de os Gryffindor , Harry matutava sobre o que se passara enquanto Ron e Hermione aproveitavam o foro para jogar xadrez de feitiçaria . - Com os diabos , Harry - disse Hermione exasperada quando um bispo derrubou um de os cavaleiros de o cavalo , arrastando o para fora de o tabuleiro . - Vai falar com o Justin , se isso é assim tão importante para ti . Harry levantou se e saiu por o buraco de o retrato , perguntando a si próprio onde poderia estar o Justin . O castelo estava mais escuro do_que era habitual durante o dia por causa de a neve espessa e cinzenta que cobria as janelas . A tremer , Harry passou por as salas onde estava a haver aulas , captando lampejos do_que sucedia lá dentro . A professora Mc_Gonagall gritava com alguém que , segundo lhe parecia por o som , transformara o parceiro em um texugo . Resistindo a a tentação de dar uma espreitadela , Harry afastou se pensando que Justin poderia estar a utilizar o tempo de o furo para fazer algum trabalho e resolveu , por isso , ir até a a biblioteca . Um grupo de alunos de os Hufflepuff , que deveriam ter estado em Herbologia , encontrava se , de facto , sentado em as traseiras de a biblioteca , mas não parecia estar a trabalhar . Entre as fileiras de as estantes altas , Harry pôde ver as suas cabeças muito juntas em aquilo que deveria ser uma conversa absorvente . Não conseguia perceber se Justin estaria em o meio de eles . Ia para se aproximar quando apanhou em o ar uma frase e parou para ouvir melhor , escondido em a secção de a invisibilidade . - Portanto - dizia um rapaz corpulento - eu disse a o Justin para se esconder em o nosso dormitório . Isto_é , se o Potter o escolheu como próxima vítima é melhor que ele tenha um * low profile * durante algum tempo . É claro que o Justin já estava a a espera que alguma coisa de o género acontecesse desde_que lhe escapou em uma conversa com o Potter que era filho de Muggles . O Justin disse lhe , inclusivamente , que tinha estado inscrito em Eton . Não é o tipo de coisa que se ande a dizer com o herdeiro de Slytherin a a solta por aí . - Achas mesmo_que é o Potter , Ernie ? - perguntou uma rapariga de tranças loiras , ansiosamente . - Hannah - disse com solenidade o rapaz corpulento . - Ele é um serpentês . Todos sabem que essa é a marca de um feiticeiro negro . Alguma vez ouviste falar de um feiticeiro decente que falasse com as cobras ? O Slytherin era conhecido por « Língua de serpente . . Houve alguns murmúrios antes de Ernie prosseguir : - Lembram se do_que estava escrito em a parede ? * _ Inimigos de o herdeiro , cuidado ! * . O Potter teve que ir a o gabinete de o Filch . E o que é_que acontece a seguir ? A gata de o Filch é atacada . O aluno de o primeiro ano , Creevey , estava a aborrecê o em a partida de Quidditch , a tirar lhe fotografias quando ele estava caído em a lama . E o que é_que acontece a seguir ? Creevey é atacado . - Mas ele parece sempre ser tão simpático - disse Hannah , cheia de dúvidas . - E , bem , foi ele que fez com que o Quem nós sabemos desaparecesse . Não pode ser assim tão mau , pois não ? Ernie baixou misteriosamente a voz . Os Hufflepuff inclinaram se mais uns para os outros e Harry aproximou se para conseguir apanhar as palavras de o Ernie . - Ninguém sabe como ele sobreviveu a aquele ataque de o Quem nós sabemos e , afinal , ainda era um bebé quando aquilo aconteceu . Era para ter explodido feito em estilhaços . Só um feiticeiro negro verdadeiramente poderoso teria sobrevivido a uma maldição de aquelas . - Baixou ainda mais a voz até esta ficar reduzida a um leve murmúrio e disse : - Talvez fosse por isso que o Quem nós sabemos o queria matar , para não ter outro feiticeiro negro a competir com ele . Gostava de saber que outros poderes ocultos terá o Potter . Harry não aguentou mais . Pigarreou alto e saiu detrás de as estantes . Se não estivesse tão zangado teria conseguido ver o lado cómico de a situação : cada_um de os Hufflepuff olhava para ele como_se tivesse sido petrificado , e a cor desaparecera de a cara de o Ernie . - Olá - disse Harry . - Estou a a procura de o Justin_Finch - _ Fletchley . Os piores receios de os Hufflepuff tinham se concretizado . Olharam apavorados para o Ernie . - O que queres de ele ? - perguntou Ernie em uma voz sumida . - Explicar lhe o que aconteceu com aquela cobra em o clube de os duelos - disse Harry . Ernie mordeu os lábios brancos e , em seguida , respirando fundo , respondeu : - Estávamos lá todos . Vimos o que aconteceu . - Então viram que depois de eu falar a serpente recuou - disse Harry . - O que eu vi - insistiu teimosamente Ernie , apesar_de tremer a cada palavra que proferia - foi tu a falares serpentês e a atiçares a cobra conta o Justin . - Eu não a aticei - gritou Harry enraivecido . - Ela nem lhe tocou . - Falhou por_pouco - disse Ernie . - E , para o caso de estares com ideias - acrescentou com má cara - posso dizer te que a minha família provem de nove gerações de bruxas e feiticeiros e que o meu sangue é tão puro como o de qualquer feiticeiro , portanto ... - Quero lá saber qual é o teu sangue - disse Harry furioso . - Porque iria eu atacar os filhos de os Muggles ? - Ouvi dizer que detestas os Muggles com quem vives - disse Ernie rapidamente . - Não é possível viver com os Dursley sem os detestar - explicou Harry . - Gostava de te ver lá em casa . Girou sobre os calcanhares e saiu furioso de a biblioteca sob o olhar reprovador de Madam_Prince que limpava a capa dourada de um enorme livro de encantamentos . Harry avançou a as cegas por os corredores , quase sem ver por_onde ia de tão furioso que estava . O resultado foi chocar com algo enorme e sólido que o fez recuar e cair a o chão . - Ah ! Olá , Hagrid - disse , olhando para_cima . Hagrid tinha o rosto completamente tapado com um lenço coberto de neve , mas não podia ser mais ninguém , enchendo assim o corredor dentro de o seu sobretudo de pele de toupeira . De uma de as enormes mãos enluvadas , pendia um galo morto . - Tudo bem , Harry ? - perguntou , afastando o lenço para poder falar . - Porque não estás em a aula ? - Foi cancelada - disse Harry , pondo se de pé . - O que estás a fazer aqui ? Hagrid mostrou lhe o galo inerte . - É o segundo qu'aparece morto este período - explicou . - Ou são raposas ou um vampiro chato e eu preciso d'autorização de o director p'ra fazer um feitiço em volta de a capoeira . Aproximou se e olhou mais de perto para o Harry , por debaixo de as suas sobrancelhas espessas e cheias de neve . - Tens a certeza que estás bem ? Pareces exaltado e preocupado . Harry não foi capaz de repetir o que Ernie e os outros Hufflepuff lhe tinham dito . - Não é nada , tenho de ir , Hagrid . A próxima aula é Transfiguração e preciso de ir buscar os meus livros . Afastou se , a cabeça cheia com tudo_o_que Ernie dissera a seu respeito . « * _ O_Justin já estava d espera que uma coisa de o género acontecesse desde_que deixou escapar , falando com o Potter , que era filho de Muggles * ... » Harry subiu as escadas a correr e entrou por um corredor que estava particularmente escuro . As tochas tinham sido apagadas por uma ventania gelada que entrava por uma janela de fecho estragado . Estava a meio de o corredor quando tropeçou em uma coisa que se encontrava em o chão . Olhou para ver o que era e sentiu como_se o estômago se tivesse dissolvido . Justin_Finch - _ Fletchley estava em o chão , rígido e frio com uma expressão de horror em o rosto e os olhos abertos voltados para o tecto . E não era tudo . Junto de ele estava mais alguém , a visão mais estranha que Harry tivera em toda_a sua vida . Era_o_Nick quase sem cabeça que não estava cor de pérola nem transparente e sim escuro como fumo . Flutuava imóvel , em a horizontal , 12 centímetros acima de o chão , a cabeça meio tombada e em o rosto uma expressão de choque idêntica a a de o Justin . Harry pôs se de pé com a respiração acelerada e o coração a bater como um tambor contra as costelas . Olhou desvairado para ambos os lados de o corredor deserto e viu uma fila de aranhas que corriam a_toda_a velocidade em a direcção oposta a a de os corpos . Os únicos sons eram as vozes abafadas de os professores em as aulas que decorriam de ambos os lados . Podia fugir e ninguém saberia que ali tinha estado , mas não era capaz de os abandonar assim . Tinha de ir procurar ajuda . Será que alguém acreditaria que ele não tivera nada que ver com aquilo ? Enquanto ali estava , em pânico , uma porta a o seu lado abriu se com grande estrondo . Peeves , o * poltergeist * , saiu a os gritos . - Oh ! É o Potter , olá , Potter - alardeou Peeves , lançando por o ar os óculos de o Harry quando passou por ele . - O que está o Potter a fazer ? Porque está o Potter escondido ? Peeves passou de cabeça para baixo , a meio de uma cambalhota em o ar , quando viu Justin e Nick quase sem cabeça . Com um movimento súbito endireitou se , encheu os pulmões de ar e , antes que Harry pudesse impedi o , gritou : __ ataque ! ataque ! outro ataque ! nenhum mortal ou fantasma está em segurança . corram , fujam , __ ataaaque ! Crac , Crac , Crac . Uma atrás de a outra , foram se abrindo todas_as portas a o longo de o corredor e as pessoas saíram para fora de as salas de aula . Durante alguns longos minutos houve uma tal confusão que Justin esteve em perigo de ser esmagado e as pessoas não paravam de chocar com o Nick quase sem cabeça . Harry deu por si colado a a parede enquanto os professores exigiam a os gritos que se fizesse silêncio . A professora Mc_Gonagall veio a correr , seguida por todos os alunos , um de os quais ainda trazia o cabelo a as riscas pretas e brancas . Usou a varinha para produzir um ruído que repôs o silêncio e mandou os alunos todos para dentro de as salas de aula . Mal lugar ficou desimpedido surgiu Ernie , o jovem Hufflepuff . - * _ Apanhado em flagrante ! * - gritou , com o rosto totalmente branco , apontando dramaticamente o dedo par Harry . - Basta_Mcmillan - disse , de forma cortante , a professora Mc_Gonagall . Peeves andava para_cima e para baixo , observando a cena com um sorriso maldoso . Sempre adorara o caos . Quando os professores se inclinaram sobre Justin e sobre o Nick quase sem cabeça para os examinar , iniciou uma cantilena : * _ Oh ! Potter , que fizeste , seu grande bandido * _ Tu matas os estudantes porque achas divertido . * - Basta , Peeves - rosnou a professora Mc_Gonagall e Peeves afastou se , deitando a língua de_fora a o Harry . Justin foi levado para a ala hospitalar por o professor Flitwick e por o professor Sinistra_do_Departamento_de_Astronomia , mas ninguém parecia saber o que fazer em relação a o Nick quase sem cabeça . Por fim , a professora Mc_Gonagall fez aparecer em o ar um enorme leque que entregou a Ernie com o encargo de conduzir , escadas acima , por os ares o Nick quase sem cabeça . Ernie assim fez , soprando Nick como_se fosse um aerodeslizador e deixando , de este modo , o Harry e a professora Mc_Gonagall a sós . - Por aqui , Potter - disse ela . - Professora , eu juro que não ... - Isso não é comigo , Potter - afirmou a professora Mc_Gonagall sinteticamente . Caminharam em silêncio até uma esquina e ela parou perante uma gárgula de pedra extremamente feia . - Refresco de limão - disse . Era obviamente uma senha porque a gárgula animou se subitamente e saltou para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes . Apesar_de estar apavorado com o que ia acontecer a seguir , Harry não conseguiu evitar um sentimento de fascínio . Por detrás de a parede estava uma escada em espiral que se movia lentamente para_cima como um elevador . E quando ele e a professora Mc_Gonagall puseram os pés em o primeiro degrau , Harry ouviu a parede fechar se atrás de eles . Subiram em círculos , cada_vez_mais alto até que , por fim , um_pouco tonto , Harry pôde ver uma porta de carvalho reluzente com um puxador de bronze em forma de abutre . Harry calculava onde estava a ser levado . Devia ser ali que morava Dumbledore . XII_A poção * polisuco * Saltaram de a escada de pedra lá mesmo em cima e a professora Mc_Gonagall bateu a a porta . Ela abriu se silenciosamente dando lhes entrada . A professora Mc_Gonagall disse lhe que esperasse e deixou o sozinho . Harry olhou em volta . Uma coisa era certa : de todos o escritórios de professores que conhecia , o de Dumbledor era , de longe , o mais interessante . Se não estivesse com um medo de morte de ser expulso teria adorado explorá o . Era uma sala grande e bonita em forma de círculo que estava cheia de barulhinhos estranhos . Havia um grande número de instrumentos prateados sobre várias mesas de pernas finas que zumbiam emitindo pequenas baforadas de fumo . As paredes estavam cobertas de fotografias de antigos directores e directoras , todos eles a dormir tranquilamente em as suas molduras . Havia ainda uma enorme secretária pés de garra . E , sobre uma prateleira atrás de ela , um chapéu de feiticeiro andrajoso e puído : * o chapéu seleccionador * . Harry hesitou . Lançou um olhar cauteloso a as bruxas e feiticeiros adormecidos a o longo de as paredes . Com certeza não fazia mal se lhe pegasse e o experimentasse só para ver ... só para ter a certeza de que ele o pusera em a equipa certa . Deu a volta a a secretária , retirou o chapéu de a prateleira e baixou o lentamente sobre a cabeça . Era demasiado grande e escorregou lhe para os olhos como de a outra_vez que o tinha posto . Harry olhou para o forro preto , enquanto esperava . Por fim , uma vozinha disse lhe a o ouvido : - Estás com macaquinhos em o sótão , Harry_Potter ? - Er ... sim - balbuciou Harry . - Er ... desculpa incomodar te , queria saber ... - Querias saber se te pus em a equipa certa - disse prontamente o chapéu . - Sim ... tu és particularmente difícil de seleccionar , mas eu mantenho o que disse antes . - O coração de Harry deu um salto . - Terias ficado bem em os Slytherin . Harry sentiu o estômago contorcer se . Agarrou o chapéu por a aba e tirou o de a cabeça . O chapéu seleccionador ficou pendurado em a mão de ele , inerte , desbotado e sujo . Harry voltou a pô o em a prateleira , sentindo se enjoado . - Estás enganado ! - disse em voz alta a o chapéu parado e silencioso , mas ele não se mexeu . Harry recuou para o observar melhor e foi então que ouviu um ruído estranho e grasnado atrás_de si que o fez dar uma volta . Não estava só , afinal_de_contas . Em um poleiro dourado atrás de a porta estava um pássaro de aspecto decrépito que parecia um peru meio depenado . Harry olhou para ele espantado e o pássaro olhou o também , grasnando de_novo . Harry achou que ele devia estar muito doente porque tinha os olhos parados e , enquanto olhava para ele , caíram lhe mais algumas penas de a cauda . Estava justamente a pensar que a única coisa que lhe faltava era que o pássaro de estimação de Dumbledore morresse quando ele estava ali sozinho com ele , em o escritório , quando a ave se incendiou . Harry gritou , em estado de choque , e recuou até a a secretária . Olhava nervosamente em volta , em busca de um jarro de água , mas não viu nenhum . O pássaro , entretanto , transformara se em uma bola de fogo , dera um guincho e , em seguida , desaparecera , deixando apenas um monte de cinzas em o chão . A porta de o escritório abriu se . Dumbledore entrou com ar taciturno . - Professor - gaguejou Harry . - O seu pássaro ... eu não pode fazer nada ... ele incendiou se . Para seu grande espanto , Dumbledore sorriu . - Já não era sem tempo . Estava com um aspecto horrível em os últimos dias . Fartei me de lhe dizer que fizesse qualquer coisa . Riu se entre dentes com a expressão em o rosto de Harry . - A Fawkes é uma fénix , Harry . As fénix ardem quando é altura de morrer e renascem de as cinzas , repara ... Harry olhou mesmo a_tempo_de ver um passarinho recém-nascido , todo enrugado , espetar a cabeça fora de as cinzas . Era quase tão feio como o antigo . - É uma pena que a tenhas conhecido em dia de arder - disse Dumbledore , passando para trás de a secretária . - É muito bonita a maior parte de o tempo , com uma plumagem vermelha e dourada . São criaturas fascinantes , as fénix . Podem transportar cargas pesadíssimas , as suas lágrimas têm propriedades curativas e são animais de estimação extremamente fiéis . Com o choque de a fénix a pegar fogo , Harry esquecera se de o motivo porque ali estava , mas tudo voltou rapidamente quando Dumbledore se instalou em a cadeira de espaldar alto e o fixou com os seus olhos azuis e penetrantes . Contudo , antes que ele tivesse tido tempo de falar , a porta de o escritório abriu se de par em par com um enorme estrondo e Hagrid entrou com um olhar tresloucado , o lenço todo torcido em volta de a cabeça hirsuta e o galo morto ainda pendurado em a mão . - Não foi Harry , professor Dumbledore - disse , aflito . - Eu tinha estado a falar com ele poucos segundos antes de o rapazinho ser encontrado , ele não teve tempo professor ... Dumbledore tentou dizer qualquer coisa , mas Hagrid continuou , abanando o galo em o meio de a sua agitação e espalhando penas por todo o lado . - Não pode ter sido ele . Eu juro em a frente de o ministro de a magia , se for preciso ... - Hagrid , eu ... -- Tem o rapaz errado , professor . Eu sei qu'o Harry nunca ... - Hagrid - disse Dumbledore , elevando a voz . - Eu não penso que o Harry tenha atacado aquelas pessoas . - Oh ! - disse Hagrid , com o galo pendendo inerte a o seu lado . - Certo , ' tão eu espero lá fora , director . E saiu com ar envergonhado . - O senhor não acha que tenha sido eu ? - repetiu Harry cheio de esperança , enquanto Dumbledore sacudia penas de galo de cima de a secretária . - Não , Harry , não acho - afirmou Dumbledore , apesar de a sua expressão ser de_novo sombria . - Mas mesmo_assim quero falar contigo . Harry esperou ansiosamente enquanto o director o observava com as pontas de os dedos longos unidas . - Tenho de saber uma coisa . Harry , há alguma pergunta que queiras fazer me , qualquer que ela seja ? Harry não soube o que dizer . Lembrou se de Malfoy a gritar * _ Vocês serão os próximos , sangues de lama * e de a poção * _ Polisuco * em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Depois pensou em a voz sem corpo que ouvira duas vezes e em o que o Ron dissera * _ Ouvir vozes que ninguém mais ouve não é bom sinal , nem mesmo em o mundo de a feitiçaria * . Pensou também em o que toda_a_gente dizia de ele e em o receio cada_vez maior de ter uma relação qualquer com Salazar_Slytherin ... - Não - disse por fim . - Não há nada , professor . O ataque duplo a Justin e a o Nick quase sem cabeça transformou o que até_então era nervosismo em verdadeiro pânico . Curiosamente fora o destino de o Nick quase sem cabeça o que mais preocupara as pessoas . Quem poderia ter feito aquilo a um fantasma ? - perguntavam uns a os outros . - Que poder terrível era aquele , capaz de afectar alguém que já tinha morrido ? Houve uma precipitação enorme em a marcação de os bilhetes em o Expresso_de_Hogwarts , pois todos os alunos quiseram ir passar o Natal a casa . - Por este caminho , vamos ser os únicos a ficar - disse o Ron a o Harry e a a Hermione . - Nós , o Malfoy , o Goyle e o Crabbe , que férias lindas que vão ser ! Crabbe e Goyle que faziam sempre o que Malfoy fazia , tinham se inscrito para ficar também durante as férias . Mas Harry estava contente por a maior parte se ir embora . Estava farto de ver gente a afastar se em os corredores como_se ele fosse mostrar os dentes ou cuspir veneno . Estava cansado de tantos segredinhos , de os ver apontar e segredar quando passava . O Fred e o George , esses achavam muito divertido . Vinham , de propósito , pôr se a a frente de ele e atravessavam os corredores a gritar : - Abram alas para o herdeiro de Slytherin , vai passar um feiticeiro verdadeiramente cruel . Percy discordava totalmente de este comportamento . - Não é um assunto para se brincar - dizia com frieza . - Sai mas é de o caminho , Percy - dizia o Fred . - O Harry está com pressa . - Sim , ele vai a a Câmara_dos_Segredos tomar uma chávena de chá com o seu servidor dentes de serpente - completava Fred com uma gargalhada . Ginny também não lhes achava graça . - Cala te - gritava ela sempre_que o Fred perguntava em voz alta a o Harry quem estava a pensar atacar a seguir , ou quando George fingia afastá o com um enorme dente de alho . Harry não se importava . Fazia o sentir se melhor o facto de constatar que , pelo_menos para o Fred e para o George , a ideia de ele ser o herdeiro de Slytherin era absolutamente ridícula . Mas as palhaçadas de eles pareciam ofender Draco_Malfoy que , de cada_vez que os via , ficava mais irritado . - É porque está ansioso por dizer que é mesmo ele - disse o Ron com ar conhecedor . - Sabes como ele detesta que alguém o ultrapasse e tu estás a receber todo o crédito por o seu trabalho sujo . - Não vai ser por muito_tempo - disse Hermione com uma voz satisfeita . - A poção * polisuco * está quase pronta . Um de estes dias arrancamos lhe a verdade . Finalmente , o período chegou a o seu termo e um silêncio profundo como a neve em os campos desceu sobre o castelo . Harry adorou a tranquilidade e apreciou o facto de ele , Hermione e os Weasley terem a torre de os Gryffindor por sua conta , poderem jogar a as explosões bem alto , sem incomodar ninguém e praticar duelos entre si . O Fred , o George e a Ginny tinham preferido ficar em a escola a ir com Mr. e Mrs._Weasley a o Egipto visitar o Bill . Percy que reprovava e considerava infantil a conduta de eles , não passava muito_tempo em a sala comum de os Gryffindor . Já lhes dissera pomposamente que só ficara ali em o Natal , por ser sua obrigação como prefeito apoiar os professores em aquela época agitada . A manhã de o dia de Natal clareou branca e fria . Harry e Ron , os únicos que estavam em o dormitório , foram acordados muito cedo por Hermione que entrou , toda vestida , transportando presentes para ambos . - Acordem - disse em voz alta , abrindo os cortinados . - Hermione , tu não devias estar aqui - exclamou o Ron , protegendo os olhos de a luz . - Feliz_Natal para ti também - disse Hermione , atirando lhe o presente que tinha para ele . - Estou acordada há quase uma hora , acrescentando mais asas de renda a a poção . Está pronta . Harry sentou se , subitamente acordado . - Tens a certeza ? - Absoluta - disse ela , afastando o rato Scrabbers para se sentar a os pés de a cama de dossel . - Se vamos mesmo tomá a , acho que devia ser logo a a noite . Em esse momentzo , a Hedwig entrou em o quarto , transportando em o bico um embrulho pequenino . - Olá - disse Harry , feliz a o vê a aterrar em a sua cama . - Já me falas outra_vez ? Ela mordiscou lhe a orelha de uma forma afectuosa que foi , de longe , um presente melhor do_que aquele que transportava e que era afinal de os Dursley . Tinham mandado a Harry um palito para os dentes com um cartão pedindo lhe que se informasse se não poderia ficar , também em o Verão , em Hogwarts . Os outros presentes que Harry recebeu foram bastante melhores . Hagrid mandara lhe uma lata grande de bombons de melaço que ele decidiu amolecer a o lume antes de comer , o Ron deu lhe um livro chamado * _ Voando com Canhões * , que narrava factos interessantes sobre a sua equipa favorita de Quidditch e Hermione trouxera lhe uma luxuosa pena de águia . Harry abriu o último presente onde vinha uma camisola novinha , feita a a mão por Mrs._Weasley e um grande bolo de passas . Pegou em o cartão com uma nova sensação de culpa , pensando em o carro de Mr._Weasley que não voltara a ser visto desde_que chocara contra o salgueiro zurzidor e em a quantidade de infracções que ele e o Ron tinham em mente . Ninguém , nem mesmo os que estavam cheios de medo por terem de tomar a poção * polisuco * a seguir , deixou de adorar o jantar de Natal em Hogwarts . O salão nobre estava magnífico . Não_só havia uma_dúzia de árvores de Natal , cobertas de geada e espessas serpentinas de azevinho e visco bravo cruzando se junto de o tecto como caia uma neve encantada quente e seca . Dumbledore conduziu os em uma de as suas canções de Natal preferidas enquanto Hagrid se agitava , falando cada_vez_mais alto , a cada gole de gemada que tomava . O Percy que não dera por_que Fred enfeitiçara o seu distintivo de prefeito , onde agora podia ler se « cabeça de alfinetes « , continuava a perguntar a todos para_onde estavam a olhar . Harry nem_sequer se importou com os comentários que Draco_Malfoy fazia bem alto , de a mesa de os Slytherin acerca de a sua camisola nova . Com alguma sorte , Malfoy iria ser desmascarado dentro_de algumas horas . Harry e Ron mal tinham acabado a terceira dose de pudim de Natal quando Hermione os fez sair de o salão a a pressa para acabarem de tratar de os planos para essa noite . - Ainda precisamos de um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos - disse com o ar mais natural de este mundo como_se estivesse a mandá os a o supermercado comprar detergente . - E , é claro que o ideal será conseguirmos alguma coisa de o Crabbe e de o Goyle , são os melhores amigos de o Malfoy , ele conta lhes tudo . E precisamos também de ter a certeza de que eles não vão entrar em a sala quando vocês estiverem a interrogar o Malfoy . - Eu tenho tudo pensado - prosseguiu ela , ignorando a expressão estupefacta de Harry e Ron . Pegou em dois apetitosos bolos de chocolate . - Pus lhes um encantamento de sono . Vocês só têm de fazer com que o Crabbe e o Goyle os encontrem . Sabem como eles são gulosos , vão logo comê os . Quando estiverem a dormir , tirem lhes alguns cabelos e escondam nos em uma despensa de vassouras . Harry e Ron olharam , incrédulos , um para o outro . -- Hermione , eu não creio que ... -- Isto pode correr muito mal ... Mas Hermione tinha um brilho inflexível em os olhos que não era muito diferente do_que costumavam ver em o olhar de a professora Mc_Gonagall . - A poção não nos serve de nada sem os cabelos de o Crabbe e de o Goyle - disse com firmeza . - Vocês querem mesmo descobrir coisas sobre o Malfoy , não querem ? - Pronto , está bem - disse Harry . - Mas , e tu , vais arranjar cabelos de quem ? - Eu já tenho esse assunto resolvido - disse Hermione sorridente , tirando um frasquinho de o bolso e mostrando lhes um cabelo que lá estava dentro . - Lembram se de a Millicent_Bulstrode que lutou comigo em o clube de os duelos ? Ela deixou isto em o meu manto quando tentava estrangular me . E foi passar o Natal a casa , portanto , basta me dizer a os Slytherins que decidi voltar . Quando Hermione saiu para verificar de_novo a poção polisuco , Ron voltou se para Harry com uma expressão lúgubre . - Alguma vez viste um plano onde tantas coisas pudessem correr mal ? Mas para grande espanto de ambos , a primeira fase de a operação decorreu tão naturalmente como Hermione previra . Eles esconderam se em o * hall * de entrada , depois de o lanche de Natal , a a espera de o Crabbe e de o Goyle que tinham ficado sozinhos a a mesa de os Slytherin , deitando abaixo a quarta dose de bolo inglês . Harry colocou os bolos de chocolate em o fim de o corrimão . Quando avistaram Crabbe e Goyle a sair de o salão , Harry e Ron esconderam se rapidamente atrás_de uma armadura que estava junto de a porta de entrada . - Como_se pode ser tão estúpido ? - murmurou Ron sem se mexer enquanto Crabbe apontava satisfeitíssimo , mostrando a Goyle os bolos e agarrando os . Com um riso estúpido , enfiaram nos inteiros em as bocas enormes . Durante um momento , ambos mastigaram avidamente com olhares vitoriosos em o rosto . Depois , sem que a expressão se alterasse , caíram para trás e estatelaram se em o chão . Mais difícil foi transportá os para a despensa de o outro lado de o * hall * . Uma_vez armazenados em o meio de os baldes e esfregões , Harry arrancou alguns de os pêlos que cobriam a cabeça de o Goyle e Ron tirou alguns cabelos a o Crabbe . Roubaram lhes também os sapatos porque os de eles eram demasiado pequenos para os enormes pés de o Crabbe e de o Goyle . Em seguida , ainda atordoados com o que tinham acabado de fazer , correram até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mal conseguiam ver com o fumo preto e espesso que saía de o cubículo onde Hermione mexia o caldeirão . Tapando o rosto com os mantos , Harry e Ron bateram a o de leve em a porta . - Hermione ? Ouviram o ruído de o trinco e Hermione apareceu com a cara lustrosa e um ar ansioso . Por trás de ela ouviam o gloop gloop de a poção espessa e gorgolejante . Em o banco de a casa_de_banho estavam três copos de vidro . - Conseguiram ? - perguntou Hermione quase sem fôlego . Harry mostrou lhe o cabelo de o Goyle . - _ óptimo . Eu tirei estes mantos suplementares de a lavandaria - disse ela , pegando em uma pequena saca . - Vocês vão precisar de tamanhos maiores se vão ser o Crabbe e o Goyle . Olharam os três para o caldeirão . Vista de perto , a poção parecia uma lama espessa e escura a borbulhar indolentemente . - Tenho a certeza que fiz tudo certo - disse Hermione nervosa , relendo a página manchada de * _ Moste_Potente_Potions * . - Tem o aspecto que o livro diz que deveria ter ... depois de a tomar temos precisamente uma hora antes de nos transformarmos de_novo em as pessoas que somos . - E agora ? - murmurou o Ron . - Separamos a em três copos e adicionamos os cabelos . Hermione encheu cada_um de os copos com uma concha de sopa . Em seguida , retirou com a mão a tremer o cabelo de Millicent_Bulstrode de dentro de o frasquinho e pô o em o primeiro copo . A poção chiou fortemente como uma chaleira a ferver e espumou como louca . Um segundo depois ganhara um tom de amarelo doentio . - Urgh ! Essência_de_Millicent_Bulstrode - disse Ron , olhando com repugnância . - Aposto que o sabor é nojento . - Deitem os vossos - disse Hermione . Harry deixou cair o cabelo de o Goyle em o copo de o meio e Ron lançou o de o Crabbe em o último . Ambos chiaram e espumaram : o de o Goyle ficou de um tom caqui , o de o Crabbe de um castanho-escuro algo tenebroso . - Esperem - pediu Harry quando Ron e Hermione pegaram em os copos . - Será melhor não os tomarmos aqui todos juntos em um cubículo ; quando em os transformarmos não vamos cá caber e Millicent_Bulstrode não é nenhum duende . - Bem pensado - admitiu o Ron , abrindo a porta . - Cada_um em seu cubículo . Com todo o cuidado , para não entornar nem uma gota de a poção polisuco , Harry esgueirou se para o cubículo de o meio . - Prontos ? - perguntou . - Prontos - responderam as vozes de o Ron e de a Hermione . - Um , dois , três . Tapando o nariz , Harry bebeu a poção em dois grandes tragos . Tinha o sabor de a couve demasiado cozida . Os seus interiores começaram imediatamente a contorcer se como_se tivesse engolido serpentes vivas . Dobrado , Harry perguntava a si próprio se iria vomitar . Depois , uma sensação de ardor espalhou se rapidamente de o estômago até a as pontas de os dedos de as mãos e de os pés . Em seguida , fazendo o sobressaltar se , sobreveio o sentimento horrível de estar a derreter enquanto a pele de todo o seu corpo borbulhava como cera quente e , perante os seus olhos , as mãos começaram a crescer , os dedos a engrossar , as unhas a alargar e as articulações a tornarem se protuberantes como ferrolhos . Os ombros retesaram se dolorosamente e uma comichão em a testa preveniu o de que o cabelo estava a rastejar em direcção a as sobrancelhas . As túnicas rasgaram se enquanto o tórax se expandia como um barril , rebentando com os seus anéis . Os pés estavam em grande sofrimento dentro_de sapatos quatro números abaixo . Tão depressa como começara , tudo parou . Harry estava caído em o chão de pedra fria , ouvindo a Murta_Queixosa gorgolejando taciturna em o cubículo de o fundo . Com alguma dificuldade tirou os sapatos e levantou se . Era então assim que o Goyle se sentia ! Com a mão enorme a tremer , despiu a sua túnica que lhe ficava 30 centímetros acima de os tornozelos , pegou em as túnicas suplementares e amarrou os atacadores de os sapatos abotinados de o Goyle . Quis escovar o cabelo para o afastar um_pouco de os olhos e deu apenas com os pêlos hirsutos que lhe cresciam em a testa . Apercebeu se então de que os óculos lhe toldavam a visão porque o Goyle , obviamente , não precisava de eles . Tirou os e gritou . - Vocês estão bem ? - De a sua boca saiu a voz baixa e grossa de o Goyle . - Sim - respondeu lhe o grunhido de o Crabbe , a a sua direita . Harry abriu a porta de o cubículo e dirigiu se a o espelho partido . O Goyle olhava o de o outro lado com os seus olhos parados . Harry coçou a orelha e Goyle fez o mesmo . A porta de o Ron abriu se . Olharam um para o outro . Harry estava pálido e chocado . O amigo não se distinguia de o Crabbe , desde o corte de cabelo em forma de tigela até a os longos braços de gorila . - É inacreditável - disse o Ron , aproximando se de o espelho e beliscando o nariz achatado de o Crabbe . - Inacreditável ! - É melhor irmos indo - disse Harry , alargando a pulseira de o relógio que lhe cortava o pulso . - Ainda temos de descobrir onde fica a sala comum de Slytherin . Só espero que encontremos alguém que vá para lá e que nós possamos seguir . Ron que tinha estado a olhar espantado para ele , comentou : - Não imaginas como é bizarro ver o Goyle a pensar - bateu em a porta de Hermione . - Vamos , temos que ir ... Respondeu lhe uma voz aguda : - Eu ... eu acho que afinal não vou . Vão vocês sem mim . - Hermione , nós sabemos que a Millicent_Bulstrode é feia , ninguém vai pensar que és tu . - Não , a sério , acho que não vou . Despachem se vocês os dois , estão a perder tempo . Harry olhou para Ron , baralhado . - Aquilo parece mais de o Goyle , é como ele fica sempre_que algum professor lhe faz uma pergunta . - Estás bem , Hermione ? - perguntou Harry , através de a porta . - _ óptima , estou óptima , vão se embora . Harry olhou para o relógio . Cinco preciosos minutos tinham já passado . - Encontramo nos aqui , está bem ? - disse . Os dois abriram a porta de a casa_de_banho com todo o cuidado , viram se o caminho estava livre e saíram . - Não balances assim os braços - disse o Harry a o Ron . - Hein ? - O Crabbe anda sempre com eles esticados . - Assim ? - Isso , assim está melhor . Desceram a escadaria de mármore . Só precisavam agora de um Slytherin que pudessem seguir até a a sala comum , mas não havia ninguém por perto . - Tens alguma ideia ? - perguntou Harry em um murmúrio . - Os Slytherin vêm sempre de ali para o pequeno-almoço - disse o Ron , apontando para a entrada de os calabouços . Mal tinha pronunciado estas palavras quando uma rapariga de cabelo comprido a os caracóis , apareceu . - Desculpa - disse o Ron , sem perder tempo . - Esquecemo nos de o caminho para a nossa sala comum . - Como ? - disse a rapariga com a maior frieza . - A * nossa * sala comum ? Eu sou uma Ravenclaw . Afastou se , olhando para eles , desconfiada . Harry e Ron desceram apressadamente os degraus de pedra até a a escuridão . Os passos ecoavam em o silêncio , à_medida_que os pés enormes de Crabbe e Goyle tocavam em o chão , fazendo os sentir que as coisas não iam ser tão fáceis como eles desejavam . Os corredores labirínticos estavam desertos . Andaram e tornaram a andar por os subterrâneos , olhando constantemente para os relógios para ver quanto tempo ainda lhes restava . Depois de um quarto de hora , quando começavam a ficar desesperados , ouviram um movimento súbito . - Olha - disse o Ron , agitadamente . - Agora é um de eles . A silhueta saía de uma sala , mas quando se aproximaram o coração de ambos esmoreceu . Não era um Slytherin , era Percy . - O que estás a fazer aqui em baixo ? - perguntou o Ron surpreendido . - Isso - disse ele friamente - não é de a tua conta . És o Crabbe , não és ? - Er ... sim , sim - respondeu o Ron . - Então vão para o vosso dormitório - ordenou Percy com firmeza . - Não é seguro andar a passear por os corredores escuros em os dias que correm . - Tu andas -- fez notar o Ron . - Eu - disse o Percy endireitando se - sou um prefeito . Nada vai atacar me . Ouviu se , de repente , uma voz por_detrás_de Harry e Ron . Era_Draco_Malfoy e , pela_primeira_vez em a vida , Harry ficou satisfeito a o vê o . - Aí estão vocês - disse de modo arrastado , olhando para eles . - Têm estado a chafurdar em o salão este tempo todo ? Tenho andado a a vossa procura , quero mostrar vos uma coisa muito divertida . Malfoy olhou misteriosamente para Percy . - E o que fazes tu aqui , Weasley ? - perguntou com ar de desprezo . Percy olhou , sentindo se ultrajado . - Fazes favor de mostrar um_pouco mais de respeito por um prefeito de a escola - disse . - Não gosto de o teu ar . Malfoy riu se e fez sinal a o Harry e a o Ron para que o seguissem . Harry quase ia pedindo desculpa a o Percy , mas deu se conta a tempo . Apressaram se a seguir o Malfoy que disse , mal viraram em o corredor seguinte : - Aquele Peter_Weasley ... - O Percy - corrigiu Ron automaticamente . - Ou isso - continuou Malfoy . - Ultimamente tenho o visto muitas_vezes a andar por aí sorrateiramente e aposto que sei o que ele quer . Pensa que vai apanhar o herdeiro de Slytherin sozinho . Deu uma pequena gargalhada ridícula . Harry e Ron trocaram olhares nervosos . Malfoy parou junto de uma parede de pedra húmida . - Qual é a senha ? - perguntou a o Harry . - Er ... - Ah ! sim , sangue puro - disse Malfoy sem ouvir e uma porta de pedra , oculta em a parede , abriu se . Malfoy entrou e Harry e Ron seguiram o . A sala comum de os Slytherin era uma ampla divisão subterrânea com espessas paredes de pedra e um tecto de o qual estavam pendurados por correntes vários candeeiros redondos que davam uma luz esverdeada . O fogo crepitava em uma lareira elaboradamente esculpida em frente de a qual se viam as silhuetas de vários Slytherins sentados em cadeiras igualmente esculpidas . - Esperem aí - disse Malfoy a o Harry e a o Ron , encaminhando os para um par de cadeiras vazias , longe de o lume . - Eu vou buscar o que o meu pai acaba de me mandar . Sem saber o que Malfoy iria mostrar lhes , Harry e Ron sentaram se , fazendo todos os possíveis por parecer a a vontade . Malfoy voltou um minuto depois , trazendo em a mão o que parecia ser um recorte de jornal . Pô o debaixo de o nariz de o Ron . - Vais te rir - disse . Harry viu os olhos de o Ron abrirem se como_se estivesse em estado de choque . Viu o ler o recorte rapidamente , dar uma gargalhada forçada e estender lhe o em seguida . Tinha sido retirado de o * _ Profeta_Diário * e dizia : inquérito em o ministério de a magia * _ Arthur_Weasley , chefe de o Gabinete_de_Mau_Uso_dos_Utensílios_dos_Muggles foi hoje multado em cinquenta galeões por ter enfeitiçado um carro de os Muggles . * _ O senhor Lucius_Malfoy , Membro_do_Conselho_Directivo_da_Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts , onde o carro enfeitiçado foi chocar em o princípio de este ano , exigiu hoje a demissão de Mr._Weasley . « * _ O_Weasley trouxe o descrédito a o Ministério « - declarou Mr._Malfoy a o nosso repórter . - « É claramente incompetente para fazer cumprir as leis e a sua protecção ridícula de os Muggles deveria ir imediatamente para a sucata . » * _ Mr._Weasley recusou se a fazer comentários , mas a sua mulher disse a os repórteres que desaparecessem de ali ou lançaria contra eles o vampiro de a família * . - Então - disse Malfoy impaciente quando Harry voltou a entregar lhe o recorte . - Não achas o_máximo ? - Ha , ha - fez Harry tristemente . - O Arthur_Weasley gosta tanto de os Muggles que era capaz de partir a sua varinha a o meio para se juntar a eles - disse Malfoy com desprezo . - Ninguém diria que os Weasley eram sangue puro a avaliar por o modo como_se comportam . A cara de o Ron , ou melhor , de o Crabbe , contorceu se de raiva . - O que é_que se passa ? - perguntou Malfoy . - Dores de estômago - gemeu o Ron . - Então vai a a ala hospitalar e dá a todos aqueles sangues de lama um pontapé de a minha parte - disse Malfoy com o seu riso escarninho . - Sabes que estou espantado por o * _ Profeta_Diário * ainda não se ter referido a todos estes ataques - continuou pensativamente . - Calculo que o Dumbledore deve estar a tentar abafar as coisas . Ele ainda é posto em a rua se isto não acaba depressa . O pai sempre disse que Dumbledore foi a pior coisa que aqui veio parar . Ele adora os filhos de os Muggles , um director decente nunca deixaria um lodo como o Creevey entrar em esta escola . Malfoy começou a fingir que tirava fotografias com uma máquina imaginária e fez uma imitação maldosa , mas bastante fiel de o Colin : - Potter , posso tirar te a fotografia ? Dás me um autógrafo ? Posso lamber te os sapatos , por favor , Potter ? Baixou as mãos e olhou para Harry e Ron . - O que é_que se passa com vocês os dois ? Um_pouco atrasados , Harry e Ron forçaram o riso e Malfoy pareceu satisfeito . Talvez Crabbe e Goyle fossem sempre de reacção lenta . - O santo Potter , amigo de os sangues de lama - disse Malfoy . - É outro que não tem os sentimentos de um feiticeiro a sério ou não andaria por aí com aquela empertigada sangue de lama Granger . E as pessoas a pensarem que ele é o herdeiro de Slytherin . Harry e Ron esperaram com a respiração entrecortada : o Malfoy ia certamente dizer lhes , dentro_de segundos , que era ele , mas então ... - Quem me dera saber quem ele é - disse o Malfoy , de forma petulante . - Podia ajudá o . O queixo de o Ron caiu de tal maneira que a cara de o Crabbe ficou ainda mais desajeitada do_que era habitual . Felizmente Malfoy não deu por nada e Harry , em um pensamento rápido , disse : - Deves ter alguma ideia de quem está por_detrás_de tudo ... - Sabes perfeitamente que não tenho , Goyle , quantas vezes é preciso dizer te ? - cortou Malfoy . - E o pai também não me diz nada sobre a última vez que a câmara foi aberta . É claro que foi há cinquenta anos , antes de ele cá andar , mas o pai sabe tudo a esse respeito e diz que as coisas foram mantidas em grande segredo e que pareceria suspeito se eu soubesse demasiado . Mas há uma coisa que eu sei : de a última vez que a câmara foi aberta , morreu um sangue de lama . Por isso , aposto que é uma questão de tempo até que um de eles seja morto . Só espero que seja a Granger - disse satisfeito . Ron fechara os punhos gigantescos de o Crabbe . Sentindo que deitaria tudo a perder se ele desse um soco a o Malfoy , Harry lançou lhe um olhar de aviso e disse : - Sabes se a pessoa que abriu a câmara de a última vez foi apanhada ? - Ah ! sim , essa pessoa foi expulsa - disse Malfoy . - Ainda deve estar em Azkaban . - Azkaban ? - repetiu Harry confuso . - Azkaban , a prisão de os feiticeiros , Goyle - disse Malfoy , olhando para ele incrédulo . - Francamente , se fosses mais lento andavas para trás . Esticou se intranquilo , em a cadeira e disse : - O pai diz para eu esfriar a cabeça e deixar que o herdeiro de Slytherin faça o seu trabalho . Acha que a escola precisa de se livrar de a escória de os sangues de lama , mas não quer que eu me envolva em nada . Claro que ele agora tem um prato cheio . Sabes que o Ministério de a magia fez uma busca a a nossa mansão em a semana passada ? Harry tentou forçar a cara de bronco de o Goyle a uma expressão preocupada . - Sim - continuou Malfoy . - É claro que não encontraram grande coisa . O pai guarda uns materiais de magia negra muito valiosos , mas , felizmente , temos a nossa câmara secreta debaixo de o soalho de a sala de visitas ... - Ah ! - disse o Ron . Malfoy olhou para ele . Harry também . Ron corou e até o cabelo começou a ficar vermelho . O nariz estava também a diminuir lentamente ... a hora tinha acabado . Ron estava a voltar a a sua forma habitual e por o olhar de horror que lançou a Harry certamente ele também estava . Puseram se rapidamente de pé . - Tenho de tomar o remédio para o estômago - grunhiu o Ron e sem mais explicações saíram ambos a correr de a sala comum de os Slytherin , precipitaram se para a parede de pedra e galgaram a passagem , pedindo a todos os santos que Malfoy não tivesse dado por nada . Harry sentia os pés a nadarem em os sapatos enormes de o Goyle e tinha de levantar o manto visto_que diminuíra de tamanho . Subiram os degraus a correr até a o * hall * escuro de entrada onde se ouvia um som abafado que vinha de a despensa onde tinham fechado o Crabbe e o Goyle . Deixando os sapatorros de os dois de o lado de_fora , subiram já com os respectivos sapatos a escadaria de mármore até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Bem , não foi uma total perda de tempo - disse o Ron ofegante , fechando atrás_de si a porta de a casa_de_banho . - É certo que ainda não descobrimos de quem vêm os ataques , mas vou escrever a o meu pai amanhã a dizer lhe que procure debaixo de o soalho de a sala de visitas de o Malfoy . Harry olhou para o espelho partido . Tinha voltado a o normal . Pôs os óculos enquanto Ron batia em a porta de o cubículo de Hermione . - Hermione , sai de aí , temos um monte de coisas para te contar ... - Vão se embora - guinchou Hermione . Harry e Ron olharam um para o outro . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron . - Tu já deves ter voltado a o normal como nós ... Mas a Murta_Queixosa saiu subitamente através de a porta de o cubículo com um ar divertido como nunca a tinham visto . - Oh ! Esperem até ver - disse ela . - É horrível ! Ouviram o trinco de a porta a abrir se e Hermione apareceu a soluçar , a túnica levantada a cobrir lhe o rosto . - O que foi ? - perguntou o Ron indistintamente . - Ainda tens o nariz de a Millicent ou alguma coisa assim ? Hermione deixou cair a roupa e Ron recuou rapidamente . O rosto de ela estava coberto de pêlo preto , os olhos tinham ganho uma cor amarela e as orelhas eram pontiagudas , saindo espetadas para fora de os cabelos . - Era um pêlo de g-gato - disse a chorar . - A Millicent_Bulstrode d-deve ter um gato e a poção não está preparada para transformação em animais . - Oh-oh - disse o Ron . - Vão te gozar horrivelmente - disse a Murta , felicíssima . - Não te preocupes , Hermione - tranquilizou a rapidamente o Harry . - Vamos levar te para a ala hospitalar , a Madam_Pomfrey nunca faz muitas perguntas ... Não foi fácil convencer Hermione a sair de a casa_de_banho . A Murta_Queixosa despediu se com uma gargalhadavigorosa e grosseira . - Espera até todos descobrirem que tens uma cauda ! XIII_O diário muito secreto Hermione ficou em a ala hospitalar durante várias semanas . Houve uma onda de boatos sobre o seu desaparecimento quando o resto de os alunos voltou de as férias de Natal porque , é claro , todos pensam que ela tinha sido atacada . Foram tantos os estudantes a rondar a ala hospitalar para espreitar a ver se a viam que Madam_Pomfrey desceu de_novo as cortinas de a cama de ela para a poupar a a vergonha de ser vista com pêlo em a cara . Harry e Ron iam visitá a todas_as tardes . Quando o segundo período começou passaram a levar lhe diariamente os trabalhos de casa . - Se eu tivesse o bigode a crescer , tinha uma folga de o trabalho - disse uma tarde o Ron enquanto colocava uma pilha de livros a a cabeceira de a cama de Hermione . - Não sejas parvo , Ron , eu tenho de me manter a par de as coisas - disse Hermione com vivacidade . O humor de ela melhorara bastante com o facto de lhe ter desaparecido todo o pêlo de o rosto e de os olhos estarem lentamente a retomar a cor castanha . - Calculo que não tenham novas pistas ? - disse em um murmúrio para evitar que Madam_Pomfrey os ouvisse . - Nada - disse Harry tristemente . - Eu tinha tanta certeza de que era o Malfoy - repetiu o Ron por a centésima vez . - O que é isso ? - perguntou Harry , apontando para uma coisa com brilho dourado que estava debaixo de a almofada de Hermione . - É só um cartão a desejar boas melhoras - disse ela precipitadamente , tentando escondê o , mas o Ron foi mais rápido . Pegou lhe , abriu o e leu em voz alta : * _ Para_Miss_Granger , desejando lhe uma rápida recuperação , com o interesse e estima de o professor Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , Terceiro grau , Membro_Honorário_da_Liga_de_Defesa contra as Artes_Negras e vencedor por cinco vezes de o prémio O sorriso mais charmoso de a semana de o Semanário_das_Bruxas * . Ron olhou desconsolado para Hermione . - Tu dormes com isto debaixo de a almofada ? Mas Hermione foi poupada a ter de responder por a entrada de Madam_Pomfrey que lhe trazia a dose de medicamento de a tarde . - Achas que o Lockhart é o tipo mais esperto que conheceste ? - perguntou o Ron a o Harry quando saíram de a enfermaria e começavam a subir as escadas para a torre de os Gryffindor . O Snape tinha lhes passado tanto trabalho para_casa que Harry pensou que ia chegar a o sexto ano antes de o ter acabado . Ron vinha a dizer que devia ter perguntado a a Hermione quantas caudas de rato deveria juntar se a uma poção para o crescimento de o cabelo quando um grito de raiva vindo de o andar de cima lhes chegou a os ouvidos . - É o Filch - murmurou Harry enquanto subiam apressadamente as escadas e paravam para ouvir melhor . - Terá mais alguém sido atacado ? - disse nervosamente o Ron . Ficaram parados com as cabeças inclinadas para a voz de o Filch que parecia quase histérica . -- ... * _ Ainda mais trabalho para mim . Toda_a noite a esfregar como_se não tivesse já trabalho de sobra . Não , isto foi a gota de água que fez transbordar o copo , vou falar com Dumbledore * ... Os passos afastaram se e ouviram uma porta fechar se com grande estrondo . Puseram as cabeças fora de a esquina . O Filch tinha obviamente estado a patrulhar o seu habitual posto de vigia : estavam novamente em o lugar onde Mrs._Norris fora atacada . Perceberam imediatamente qual o motivo de os gritos . Uma enorme poça de água enchia metade de o corredor e parecia escorrer de a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Agora_que o Filch se calara podiam ouvir os uivos de a Murta que faziam eco em as paredes de a casa_de_banho . - Mas o que se passará com ela ? - disse o Ron . - Vamos lá ver - sugeriu Harry e arregaçando as túnicas até a os tornozelos entraram , atravessando a enorme poça de água , em a casa_de_banho que tinha o letreiro a dizer « Fora de serviço » e que eles , como sempre , ignoraram . A Murta_Queixosa chorava , se possível , mais alto do_que nunca . Parecia estar escondida em o cubículo de o costume . Lá dentro estava escuro pois as velas tinham se apagado com a enchente de água que deixara as paredes e o chão ensopado . - O que se passa , Murta ? - quis saber o Harry . - Quem é ? - perguntou ela infelicíssima . - Vieste atirar me mais alguma coisa acima ? Harry caminhou com dificuldade por causa de a água até a o cubículo de ela e disse : - Porque te faríamos nós uma coisa de essas ? - Não me perguntem - gritou a Murta , emergindo em uma onda de água que molhou ainda mais o chão já ensopado . - Eu estou aqui metida em a minha morte e alguém acha muito engraçado atirar me com um caderno acima ... - Mas , não pode magoar te se alguém te atirar alguma coisa acima - disse Harry , tentando ser prático . - Isto_é , seja o que for passa através_de ti , não é assim ? Tinha dito a frase errada . A Murta encheu o peito de ar e gritou a plenos pulmões : - Vamos todos atirar cadernos a a Murta já_que ela não sente nada ! Dez pontos se lhe acertarem em o estômago , cinquenta se lhe atravessar a cabeça ! Hah hah hah , que jogo lindo , não acham ? - Quem te atirou um caderno , afinal ? - perguntou o Harry . - Não sei ... eu estava sentada em a sanita a pensar em a morte e caiu me em cima de a cabeça - disse a Murta , olhando para eles . - Está ali , ficou todo molhado . Harry e Ron olharam para o ponto que a Murta lhes apontava debaixo de o lavatório . Um caderno pequenino e fino estava caído em o chão . Tinha uma capa preta muito gasta e estava encharcado como tudo em aquela casa_de_banho . Harry deu um passo em frente para o apanhar , mas o Ron agarrou lhe precipitadamente o braço . - O que foi ? - perguntou Harry . - Estás doido - disse ele . - Pode ser perigoso . - Perigoso ? - riu se Harry . - Essa agora Ron , como é_que pode ser perigoso ? - Ficarias surpreendido ... - explicou ele , olhando com ar apreensivo para o caderno . - Entre os livros que o Ministério confiscou , contou me o meu pai , havia um que queimava os olhos a as pessoas . E todos os que leram os * _ Sonetos_de_Um_Feiticeiro * ficaram a falar em verso para o resto de a vida . Havia também uma bruxa em Bath que tinha um livro que quem o lesse nunca mais conseguia parar , tinha de andar por aí com o nariz enfiado em as folhas , a fazer todas_as coisas só com uma mão e ... - Já chega , já chega , já percebi a tua ideia - disse O_Harry . O caderninho continuava caído e ensopado . - Bem , nunca saberemos a_não_ser_que tenhamos a coragem de dar uma vista de olhos - disse e mergulhou apanhando o de o chão . Harry viu imediatamente que se tratava de um diário e a data meio apagada , em a capa , disse lhe que tinha cinquenta anos de idade . Abriu o ansiosamente . Em a primeira página podia ler se apenas o nome T._M._Riddle em tinta esborratada . - Espera aí - disse o Ron que se aproximara prudentemente e olhava por cima de o ombro de Harry . - Eu conheço esse nome ... T._M._Riddle recebeu um prémio por serviços especiais prestados a a escola há cinquenta anos atrás . - Como diabo sabes tu isso ? - perguntou Harry com grande espanto . - Porque o Filch mandou me limpar a taça de ele umas cinquenta vezes quando estive de castigo - disse o Ron ressentido . - Foi a taça em cima de a qual eu vomitei lesmas . Se tivesses tido que limpar o muco de um nome durante uma hora também te lembrarias . Harry separou umas de as outras as páginas molhadas . Estavam completamente em branco . Não havia o mais leve sinal de escrita em nenhuma , nem coisas como « Aniversário de a tia Mabel « ou « Dentista a as três_e_meia » . - Ele nunca escreveu nada aqui - disse Harry desapontado . - Porque quereria alguém atirá o fora ? - perguntou se o Ron com curiosidade . Harry voltou o caderno e viu , inscrito em a contra capa , o nome de uma tabacaria em Vauxhall_Road , Londres . - Ele devia ser filho de Muggle - disse Harry pensativo - para ter comprado um diário em Vauxhall_Road ... - Bem , não te serve de muito - Ron baixou a voz . - Cinquenta pontos se acertares em o nariz de a Murta . Harry , mesmo_assim , guardou o diário . Hermione saiu de a ala hospitalar desbigodada , sem cauda e sem pêlo em os primeiros dias de Fevereiro . Em a primeira noite em a torre de os Gryffindor , Harry mostrou lhe o diário de T._M._Riddle e contou lhe como o tinham encontrado . - Ooooh ! Deve ter poderes ocultos - disse ela entusiasticamente , pegando em o diário e examinando o de perto . - Se tem , esconde os muito bem - disse Ron . - Talvez fosse tímido . Não sei porque não deitas isso fora , Harry . - Gostava de perceber porque motivo alguém se quis livrar de ele - explicou Harry . - E também não me importava de saber como foi que o Riddle obteve esse prémio de serviços especiais prestados a Hogwarts . - Pode ter sido qualquer coisa - lançou o Ron . - Talvez tenha recebido 30 de nota final ou salvo um professor de a lula gigante . Se_calhar assassinou a Murta , isso teria sido um favor prestado a todos ... Mas Harry quase podia jurar , por o olhar suspenso em a cara de Hermione , que ela pensava o mesmo_que ele . - O que foi ? - perguntou Ron , olhando para um e para o outro . - Bem , a Câmara_dos_Segredos foi aberta há cinquenta anos , não foi isso que disse o Malfoy ? - Sim - respondeu Ron , lentamente . - E este diário tem cinquenta anos de idade - completou Hermione , dando lhe palmadinhas nervosas . - E de aí ? - Oh Ron , acorda - insistiu Hermione . - Sabemos que a pessoa que abriu a câmara de a outra_vez foi expulsa há cinquenta anos . E se o Riddle tivesse tido o prémio especial por apanhar o herdeiro de Slytherin ? O seu diário diria nos provavelmente tudo : onde é a Câmara_dos_Segredos , como abris a e que tipo de criatura vive lá . Achas que a pessoa que está por trás de os ataques desta_vez quereria o diário por aí ? - É uma teoria interessante , Hermione - disse o Ron . - Apenas com uma pequenina falha : o diário não tem nada Mas_Hermione já estava a tirar a varinha de o saco . - Pode ser tinta invisível - murmurou . Bateu três vezes em o diário e repetiu * _ Aparecium ! * Nada aconteceu . Intrépida , Hermione meteu a mão de_novo em o saco e tirou o que parecia ser uma borracha vermelha e brilhante . - É um * revelador * , comprei o em a Diagon - _ Al - disse . Apagou com força em 1_de_Janeiro . Não sucedeu nada . - Já vos disse , não há nada aí - repetiu o Ron . - O Riddle deve ter recebido um diário como prenda de Natal e nem se deu a o trabalho de escrever fosse o que fosse . Harry não conseguia explicar , nem a si próprio , porque motivo não deitara fora o diário de Riddle . A verdade é_que , mesmo depois de saber que ele estava em branco , continuou distraidamente a pegar lhe e a virar as páginas como_se quisesse chegar a o fim de uma história . E , apesar_de saber que nunca tinha ouvido o nome T._M._Riddle , continuava a ter a sensação de que lhe dizia alguma coisa , como_se Riddle fosse um amigo que ele tinha tido quando era muito pequeno e que estivesse meio esquecido . Mas era um absurdo . Nunca tivera amigos antes de Hogwarts , Dudley tivera esse cuidado . Ainda_assim , Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle , por isso em o dia seguinte foi até a a sala de os troféus para examinar a taça , acompanhado de Hermione que estava interessadíssima e de Ron que se mostrava profundamente incrédulo , dizendo que tinha ficado farto de aquela sala até a o fim de a vida . A taça dourada de Riddle estava arrecadada em um armário de canto . Não fornecia detalhes sobre o motivo por_que lhe fora dada ( felizmente , se fosse maior ainda hoje estava a limpá a , disse o Ron ) . Mas encontraram o nome de Riddle em uma antiga medalha de Mérito_Mágico e em uma lista de antigos chefes de turma . - Parece o Percy - comentou Ron , torcendo o nariz com aversão . - Prefeito , chefe de turma , provavelmente o melhor em todas_as disciplinas . - Dizes isso como_se fosse uma coisa má - fez lhe notar Hermione , em um tom de voz ressentido . Um sol fraco brilhava agora de_novo em Hogwarts . Dentro de o castelo , o ambiente estava bastante melhor . Não tinha havido novos ataques desde Justin e Nick quase sem cabeça e Madam_Pomfrey teve a satisfação de informar que as Mandrágoras começavam a ficar instáveis e dissimuladas , sinal de que estavam a abandonar rapidamente a infância . - Logo_que o acne desapareça estarão prontas para novo transplante - ouviu a Harry dizer amavelmente a o Filch . - E depois de isso , não demorará muito até podermos cortá as e estufá as . - Vai ter Mrs._Norris de volta , muito em_breve . Talvez o herdeiro ou herdeira de Slytherin tenha perdido a coragem , pensou Harry . Deve ser cada_vez_mais arriscado abrir a Câmara_dos_Segredos com a escola tão alerta e desconfiada . Talvez o monstro , qualquer_que_fosse , estivesse a preparar se para hibernar durante outros cinquenta anos . Ernie_Mcmillan_dos_Hufilepuff não aceitou esta visão optimista . Continuava convencido de que Harry era o culpado , que se tinha traído em o clube de os duelos . Peeves não ajudava nada : continuava a cantar por os corredores Potter , * seu bandido * ... agora acompanhado de um esquema de dança . Gilderoy_Lockhart parecia pensar que fora ele quem pusera fim a os ataques . Harry fartou se de o ouvir dizer isso a a professora Mc_Gonagall enquanto os Gryffindor formavam bicha para a aula de Transfiguração . - Não creio que volte a haver problemas , Minerva - disse , tocando em o nariz com ar conhecedor e piscando o olho . - Acho que desta_vez a câmara foi definitivamente selada . O culpado deve ter sabido que era uma questão de tempo até eu o apanhar e que era mais sensato parar agora antes que eu lhe tratasse de a saúde . Sabe , a escola está a precisar de um intensificador de animo para apagar as lembranças de o último período . Não vou dizer lhe mais_nada , por enquanto , mas julgo que sei o que ... Voltou a tocar em o nariz e afastou se a passos largos . A ideia de Lockhart de um intensificador de ânimo ficou bastante clara em o dia_14_de_Fevereiro , a o pequeno-almoço . Harry não dormira grande coisa devido a o treino de Quidditch em a noite anterior e chegou a o salão um_pouco atrasado . Pensou , por momentos , que se tinha enganado em a porta . As paredes estavam todas cobertas com enormes e medonhas flores cor-de-rosa . Pior ainda , * confettis * em forma de corações caíam de o tecto azul pálido . Harry dirigiu se a a mesa de os Gryffindor onde o Ron estava sentado com um ar enjoado junto de Hermione que parecia particularmente risonha . - O que se passa ? - perguntou lhes , sentando se e sacudindo os * confettis * de o seu bacon . Ron apontou para a mesa de os professores , com um ar demasiado repugnado para falar . Lockhart , em as suas vestes rosa vivo , a condizer com a decoração de o salão , fazia sinal para que se calassem . Os professores que o ladeavam tinham um ar estupefacto . De o seu lugar , Harry podia ver um músculo mover se em a bochecha de a professora Mc_Gonagall . Snape estava com ar de quem tomou uma imensa dose de xarope * skele-gro * . - Feliz dia de S._Valentim - gritou Lockhart . - E permitam me que agradeça a as quarenta_e_seis pessoas que até agora me enviaram cartões . Sim , fui eu quem tomou a liberdade de vos fazer esta pequena surpresa , e ela não acaba aqui ! Lockhart bateu as palmas e por as portas de o * hall * entraram a marchar cerca de uma_dúzia de duendes de aspecto carrancudo . Não eram uns duendes quaisquer , diga se de passagem . Lockhart fizera os usar asas douradas e transportar harpas . - Os meus amigos cupidos , portadores de os cartões ! gritou Lockhart . - Eles vão andar por a escola durante o dia de hoje , entregando os vossos cartões de S._Valentim . E o divertimento não acaba aqui . Tenho a certeza de que os meus colegas vão querer participar em este espírito de festa . Porque não pedir a o professor Snape que vos mostre como preparar rapidamente uma poção de amor . E , enquanto ele a prepara , está aqui o professor Flitwick que é de todos os feiticeiros que conheci aquele que mais sabe de encantamentos de sedução , o grande safado ! O professor Flitwick enterrou o rosto em as mãos . Snape olhava como_se quisesse dar veneno a a primeira pessoa que fosse pedir lhe a poção de o amor . - Por favor , Hermione , diz me que não foste uma de as quarenta_e_seis - pediu Ron quando saíram de o salão para a primeira aula . Mas Hermione ficou subitamente muito interessada em procurar o horário dentro de a mala e não lhe respondeu . Durante todo o dia os duendes não pararam de se intrometer em as aulas para entregar cartões , para grande aborrecimento de os professores e , ao_fim_da_tarde , quando os Gryffindor subiam as escadas para a aula de encantamentos , um de eles avistou o Harry . - Hei , tu , Harry_Potter ! - gritou um duende de aspecto particularmente lúgubre , dando cotoveladas a_toda_a gente para se aproximar de o Harry . Coradíssimo com a ideia de receber um cartão de S._Valentim diante_de uma fila de alunos de o primeiro ano que , por acaso , incluía Ginny_Weasley , Harry tentou escapar se . Mas o duende cortou lhe o caminho através de a multidão e agarrou o em três tempos . - Tenho uma mensagem musical para entregar a Harry_Potter em pessoa - disse , tangendo a harpa de forma ameaçadora . - Aqui não - disse baixinho o Harry , tentando escapar . - Fica quieto - grunhiu o duende , agarrando o saco de o Harry e puxando com força . - Larga me - disse ele rispidamente , dando um puxão . Com um ruído de tecido a rasgar se , o saco dividiu se em dois . Os livros de Harry , varinha , pergaminho e pena espalharam se por o chão enquanto o tinteiro se partia em cima de as outras coisas . Harry pôs se de gatas , tentando apanhar tudo antes que o duende começasse a cantar , provocando um engarrafamento em o corredor . - O que se passa aqui ? - perguntou a voz fria e afectada de Draco_Malfoy . Harry , nervosíssimo , começou a guardar tudo dentro de o saco rasgado , desesperado para sair de ali antes que Malfoy pudesse ouvir o seu S._Valentim musical . - Que confusão é esta ? - disse outra voz familiar . Percy_Weasley tinha chegado . De cabeça perdida , Harry tentou fugir , mas o duende agarrou o por os joelhos e fê lo cair a o chão . - Certo - disse , sentando se em os tornozelos de Harry . Eis o teu cartão musical : * _ Os olhos de ele são verdes como o sapo de o quintal * _ O seu cabelo é escuro como um temporal * _ É um desatino , oh ! ele é divino ! * _ O herói que venceu o Senhor_do_Mal * . Harry teria dado todo o ouro de Gringotts para se evaporar em aquele momento . Tentando corajosamente rir se com todos os outros , levantou se . Sentia os pés dormentes de o peso de o duende . Enquanto isso , Percy_Weasley fazia todos os possíveis por dispersar a multidão onde havia gente que chorava de hilaridade . - Vamos embora , vamos embora , a campainha tocou há cinco minutos para as aulas - dizia , enxotando alguns de os alunos mais novos . - E tu , Malfoy . Harry olhou e viu Malfoy inclinar se , apanhar qualquer coisa e com um olhar maldoso mostrá a a Crabbe e Goyle . Percebeu que era o diário de Riddle . - Dá cá isso - exigiu com toda_a calma . - O que será que o Potter escreveu aqui ? - disse Malfoy que obviamente não reparara em a data e pensou que tinha em as mãos o diário de o Harry . Houve uma agitação em os presentes . Ginny olhava apavorada para o diário e para Harry . - Dá lhe isso , Malfoy - disse Percy com firmeza . - Depois de dar uma vista de olhos - retorquiu Malfoy , acenando a Harry com o diário de forma provocatória . Percy disse : - Como Prefeito de a escola ... - mas Harry perdera a paciência . Pegou em a varinha e gritou * _ Expelliarmus * e assim_como Snape desarmara Lockhart , MalLoy viu o diário saltar lhe de as mãos e elevar se em o ar enquanto Ron o apanhava sorridente . - Harry - disse Percy levantando a voz . - Não quero magia em os corredores . Vou ter de participar isto , sabes perfeitamente . Mas Harry não se importou . Tinha ganho uma_vez a Malfoy e isso valia bem cinco pontos a menos para os Gryffindor . Malfoy estava furioso e quando a Ginny passou por ele a caminho de a sala de aula , gritou lhe com desprezo : - Não creio que o Potter tenha gostado lá muito de o teu cartão de S._Valentim . Ginny tapou a cara e correu para a aula . Aborrecido , Ron pegou também em a varinha , mas Harry afastou o . Era melhor que ele não passasse a aula de encantamentos a vomitar lesmas . Só quando entraram em a sala de aula de o professor Flitwick é_que Harry reparou em uma coisa bastante estranha em o diário de Riddle . Todos os outros livros estavam cheios de tinta vermelha , mas o diário mantinha se tão limpo como antes de o tinteiro se ter entornado em cima de ele . Tentou chamar a atenção de Ron para este facto , mas ele estava novamente a ter um problema com a varinha : de a extremidade saíam grandes bolhas roxas e ele não parecia interessado em mais_nada . Em essa noite , Harry foi deitar se antes de os outros companheiros de dormitório , em parte porque já não conseguia suportar o Fred e o George a cantarem * _ Os seus olhos são verdes como o sapo de o quintal * e em parte porque queria voltar a examinar o diário de Riddle e sabia que em a opinião de o Ron era uma pura perda de tempo . Sentou se em a cama de dossel e folheou as páginas em branco em as quais não se via uma única mancha de tinta escarlate . Tirou então outro tinteiro de o armário a o lado de a cama , molhou a pena e deixou cair um borrão em a primeira página de o diário . A tinta brilhou em o papel durante um segundo e , em seguida , como_se a página a tivesse sugado , desapareceu sem deixar rasto . Depois , finalmente , algo aconteceu . Deslizando sobre a página em a cor de a sua tinta , surgiram palavras que Harry não escrevera . - * _ Olá_Harry_Potter . O meu nome é Tom_Riddle . Como é_que encontraste o meu diário ? * Também estas palavras desapareceram , mas não sem que Harry tivesse respondido . - Alguém tentou lançá o em uma sanita . Esperou ansiosamente por a resposta de Riddle . - * _ Felizmente guardei as minhas memórias de uma forma mais duradoura do_que a tinta . Mas sempre soube que haveria quem não iria querer que o diário fosse lido . * - O que queres dizer com isso ? - escrevinhou Harry , borrando a página com o nervosismo . - * _ Quero dizer que este diário contém memórias de coisas terríveis . Coisas que foram abafadas . Coisas que aconteceram em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . * - É onde eu estou agora - escreveu Harry rapidamente . - Estou em Hogwarts e estão a acontecer coisas horríveis . Sabes alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? O coração parecia querer saltar lhe de o peito . A resposta de Riddle não se fez esperar , a letra tornara se mais desordenada como_se tivesse pressa em contar lhe tudo_o_que sabia . - * _ É claro que sei de a Câmara_dos_Segredos . Em o meu tempo diziam nos que era uma lenda , que não existia , mas era mentira . Quando eu estava em o quinto ano a Câmara_dos_Segredos foi aberta e o monstro atacou vários estudantes , acabando matar um . Eu apanhei a pessoa que abriu a câmara e ele foi expulso . Mas o director , o professor Dippet , envergonhado por uma coisa de aquelas ter acontecido em Hogwarts , proibiu me de contar a verdade . Foi divulgada uma história dizendo que a rapariga morrera de um acidente extravagante . Deram me um troféu brilhante com o meu nome gravado e avisaram me para ficar calado . Mas eu sabia que ia voltar a acontecer . O monstro sobreviveu e aquele que tinha o poder para o libertar não foi para a prisão . * Harry quase entornou o tinteiro em a pressa de responder . - Está a acontecer outra_vez . Houve três ataques e ninguém parece saber quem está por_detrás_de tudo_isto . Quem foi de a última vez ? - * _ Posso mostrar te , se quiseres * - foi a resposta de o Riddle . - * _ Não tens de acreditar só em a minha palavra . Posso levar te a o fundo de a minha memória de a noite em que o apanhei . * Harry hesitou com a pena em o ar sobre o diário . O que quereria ele dizer ? Como poderia entrar em a memória de outra pessoa ? Olhou inquieto para a porta de o dormitório que começava a ficar escuro . Quando pôs de_novo os olhos em o diário viu as palavras que se formavam . - * _ Deixa-me mostrar te . * Harry parou durante uma fracção de segundo e depois escreveu duas letras . - O. _ K._As páginas de o diário começaram a esvoaçar como_se tivessem sido apanhadas em uma ventania , parando a meio de o mês_de_Junho . Boquiaberto , Harry viu que o quadradinho de 13_de_Junho se transformara em um pequeno ecrã de televisão . Com as mãos ligeiramente trémulas levantou o livro para encostar os olhos a a janelinha e antes de perceber o que estava a passar se , deu consigo inclinado para a frente com a janela a abrir se . O corpo abandonava a cama e era lançado de cabeça , por a abertura de a página , em um turbilhão de cor e sombras . Sentiu os pés tocarem em terra firme e pôs se de pé a tremer enquanto as formas desfocadas se tornavam subitamente nítidas . Soube imediatamente onde estava . Aquela sala circular com os retratos adormecidos era o escritório de Dumbledore , mas não era Dumbledore quem estava atrás de a secretária . Um feiticeiro mirrado , de aspecto débil e quase careca lia uma carta a a luz de as velas . Harry nunca vira aquele homem antes . - Desculpe - disse com a voz a tremer . - Eu não queria intrometer me ... Mas o feiticeiro não olhou . Continuou a ler , franzindo levemente as sobrancelhas . Harry aproximou se de a secretária e gaguejou : - Er ... eu vou me embora , está bem ? E o feiticeiro continuou a ignorá o . Parecia nem_sequer ter ouvido . Pensando que talvez ele fosse surdo , Harry falou mais alto . - Desculpe tê o incomodado - disse quase a gritar . O feiticeiro dobrou a carta com um suspiro . Pôs se de pé , passou por Harry sem olhar para ele e foi abrir os cortinados de a janela . O céu , lá fora , estava vermelho-rubi . Devia ser o pôr de o Sol . O feiticeiro voltou para a secretária , sentou se e girou os polegares , olhando para a porta . Harry olhou em volta . Não viu Fawkes , a fénix , nem as engenhocas prateadas que sibilavam . Aquela Hogwarts era a que Riddle conhecera e , portanto , aquele feiticeiro desconhecido era o director de então , não Dumbledore e ele , Harry , era pouco mais que um fantasma , totalmente invisível a as pessoas de há cinquenta anos atrás . Alguém bateu a a porta . - Entre - disse o velho feiticeiro , em uma voz fraca . Um rapazinho de dezasseis anos entrou , tirando o chapéu pontiagudo . Em o seu peito brilhava um distintivo prateado de prefeito . Era muito mais alto do_que Harry , mas tinha , tal_como ele , cabelo preto asa de corvo . - Ah ! Riddle - disse o director . - Queria falar comigo , professor Dippet ? - perguntou ele com ar nervoso . - Senta te - disse Dippet . - Tenho estado a ler a carta que me mandaste . - Oh ! - exclamou Riddle , sentando se e apertando as mãos uma contra a outra . - Meu rapaz - disse Dippet amavelmente . - Eu não posso deixar te ficar em a escola durante o Verão . Com certeza queres ir para_casa em as férias ? - Não - respondeu Riddle , sem perder tempo . - Prefiro mil vezes ficar em Hogwarts a ter de voltar a aquela ... aquela ... - Tu vives em um orfanato de Muggles durante as férias , não é assim ? - perguntou Dippet com curiosidade . - Sim senhor - disse Riddle , corando um_pouco . - És filho de Muggles ? - Meio sangue , professor - explicou Riddle . - Pai_Muggle , mãe bruxa . - E o teu pai e a tua mãe ... - A minha mãe morreu pouco depois de eu nascer , professor , contaram me em o orfanato que só teve tempo de me dar o nome : Tom , como o meu pai , Marvolo como o meu avô . Dippet estalou a língua solidariamente . - O que acontece , Tom - suspirou - é_que ... podia ter se arranjado uma situação especial para ti , mas em as circunstâncias actuais ... - Refere se a os ataques , professor ? - perguntou Riddle e o coração de Harry deu um salto , aproximando se com medo de perder alguma coisa . - Precisamente - disse o director . - Meu rapaz , compreendes que seria uma imprudência de a minha parte deixar te ficar em o castelo quando o período acabar , principalmente a a luz de a recente tragédia ... a morte de aquela pobre moça ... estarás sem dúvida em maior segurança em o orfanato . Em a verdade , o ministro de a magia até fala em fechar a escola . Não estamos nada perto_de localizar ... er ... a fonte de toda esta história desagradável . Os olhos de Riddle tinham se aberto mais . - Professor , se essa pessoa fosse apanhada ... se tudo acabasse . . . - Que queres dizer com isso ? - perguntou Dippet com voz aguda , endireitando se em a cadeira . - Riddle , tu sabes alguma coisa sobre estes ataques ? - Não senhor - respondeu ele de imediato . Mas Harry sabia que era o mesmo tipo de « não » que ele dissera a Dumbledore . Dippet afundou se de_novo com um ar de profundo desapontamento . - Podes ir , Tom . Riddle esgueirou se de a cadeira e saiu de a sala . Harry seguiu o . Desceram por a escada em espiral , saindo junto de a gárgula em o corredor que escurecia . Riddle parou e Harry fez o mesmo , olhando para ele . Quase podia apostar que ele pensava seriamente em alguma coisa . Mordia o lábio e tinha as sobrancelhas franzidas . A certa altura , como_se tivesse acabado de tomar uma decisão , começou a andar mais depressa com Harry a segui o ruidosamente . Não viram mais ninguém , a não ser quando chegaram a o * hall * de entrada onde um feiticeiro alto de longos cabelos ruivos e barba chamou Riddle de a escadaria de mármore . - O que andas a fazer por aqui tão tarde , Tom ? Harry olhou para o feiticeiro . Não era outro senão Dumbledore com cinquenta anos a menos . - Tive de ir falar com o director - justificou se Riddle . - Bem , agora vai depressa para a cama - disse Dumbledore , olhando Riddle com aquele olhar penetrante que Harry conhecia tão bem . - É melhor não andar a passear por os corredores em os dias que correm , pelo_menos até ... Suspirou profundamente , deu as boas-noites a o Riddle e foi se embora . Riddle viu o desaparecer e , sem perder tempo , desceu os degraus de pedra até a os calabouços com Harry em a peugada . Mas para seu grande desconsolo , Riddle não o conduziu a nenhum corredor ou túnel secreto e sim a o calabouço onde ele costumava ter aulas de poções com o Snape . As tochas não tinham sido acesas e quando Riddle empurrou a porta quase fechada , Harry só conseguiu vê o a ele , de pé , quieto junto de a porta , olhando para o corredor . Pareceu a Harry que ficaram ali quase uma hora . Tudo_o_que via era a silhueta de Riddle junto de a porta , olhando fixamente através de a greta , a a espera . Como_se fosse uma estátua . E quando Harry tinha abandonado todas_as expectativas e começava a desejar voltar a o presente , ouviu alguma coisa que se movia atrás de a porta . Alguém avançava lentamente por o corredor . Ouviu a pessoa , quem quer que fosse , passar por o calabouço onde ele e Riddle estavam escondidos . Riddle , silencioso como uma sombra , esgueirou se por a porta e seguiu o com Harry em bicos de pés atrás de ele , esquecido de que podia fazer barulho a a vontade porque ninguém o ouvia . Durante cerca de cinco minutos seguiram lhe os passos até que Riddle parou repentinamente com a cabeça inclinada em a direcção de novos ruídos . Harry ouviu uma porta a abrir se e em seguida alguém falou em um murmúrio rouco . - Vá lá , temos que sair de aqui ... vá lá , dentro de a caixa ... Havia algo de familiar em aquela voz . Riddle deu subitamente uma volta e Harry seguiu o . Podia ver a silhueta escura de um rapaz enorme que estava inclinado em frente de a porta aberta , com uma grande caixa a o lado . - Boa noite , Rubeus - disse Riddle secamente . O rapaz fechou a porta e pôs se de pé . - O que estás a fazer aqui , Tom ? Riddle aproximou se . - Acabou se - disse . - Vou ter de entregar te , Rubeus . Falam em fechar Hogwarts se os ataques não terminarem . - O que é_que tu ... ? - Eu acho que tu não quiseste matar ninguém , mas os monstros não são os melhores animais domésticos . Tu só quiseste deixá o sair para andar um_pouco e ... - Ele não matou ninguém - disse o rapaz grande , recuando contra a porta fechada . Lá de dentro vinham uns estranhos roncos e rugidos . - Vamos , Rubeus - disse Riddle , aproximando se mais ainda . - Os pais de a rapariga que morreu estarão aqui amanhã . O mínimo que Hogwarts pode fazer é assegurar lhes que aquilo que matou a filha de eles foi abatido ... - Não foi ele - gemeu o rapaz cuja voz ecoou em o corredor escuro . - Ele não faria isso ... ele nunca ... - Afasta te - disse Riddle , pegando em a varinha . O encantamento iluminou o corredor com uma luz brilhante . A porta atrás de o rapaz grande abriu se de par em par com tanta força que o atirou contra a parede . E de lá de dentro saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito que ninguém mais ouviu a não ser ele próprio . Tinha um corpo imenso , magro e peludo e um emaranhado de pernas pretas , a cintilação de muitos olhos e um par de tenazes afiadas . Riddle levantou de_novo a varinha , mas era tarde de mais . A coisa deixara o atarantado e corria apressadamente , precipitando se por o corredor e desaparecendo . Riddle pôs se de pé , olhou a a procura de o monstro , levantou a varinha , mas o rapaz grande saltou sobre ele , tirou lhe a varinha de as mãos e lançou o a o chão , gritando : - Naaaaaão ! A cena rodopiou . A escuridão tornou se total . Harry sentiu se a cair e com um embate aterrou como uma águia de patas e asas abertas em a sua cama de dossel , em o dormitório de os Gryffindor , o diário de Riddle aberto sobre o estômago . Antes de ter tido tempo de normalizar a respiração , a porta de o dormitório abriu se e o Ron entrou . - Aí estás tu - disse . Harry sentou se . Transpirava e tremia . - O que se passa ? - perguntou Ron , olhando aflito para ele . - Foi o Hagrid , Ron . O Hagrid abriu a Câmara_dos_Segredos há cinquenta anos atrás . XIV_Cornelius_Fudge_Harry , Ron e Hermione sabiam há muito_tempo que Hagrid tinha uma triste predilecção por criaturas grandes e monstruosas . Em o primeiro ano que passaram em Hogwarts , ele tentara criar um dragão em a sua pequena cabana de madeira e levaram muito_tempo a esquecer o gigantesco cão de três cabeças que ele baptizara de « fofinho » . E se , em rapaz , Hagrid tinha ouvido dizer que havia um monstro escondido em o castelo , Harry tinha a certeza que ele teria feito os impossíveis por descobri o . Provavelmente achou que era uma injustiça o monstro estar fechado tanto tempo e pensou que ele merecia a oportunidade de esticar as suas muitas pernas . Harry imaginava perfeitamente o Hagrid a os treze anos a tentar pôr uma coleira e uma trela a o monstro . Mas tinha igualmente a certeza de que ele nunca teria querido matar ninguém . De certo modo , Harry desejava não ter descoberto como utilizar o diário de Riddle . Ron e Hermione fizeram o contar repetidas vezes o que vira até ele ficar farto de repetir o mesmo e farto de a conversa circular que se seguia . - O Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse , de essa vez , Hermione . - O monstro que atacava as pessoas podia ser outro .... - Quantos monstros achas tu que pode haver em este lugar ? - perguntou o Ron aborrecido . - Sempre soubemos que o Hagrid tinha sido expulso - disse Harry tristemente - E os ataques devem ter terminado quando ele foi expulso . Se não fosse assim , Riddle não teria recebido um prémio . Ron tentou um caminho diferente . - O Riddle parece o Percy , quem lhe pediu afinal que deitasse abaixo o Hagrid ? - Mas o monstro tinha morto uma pessoa , Ron - insistiu Hermione . - E o Riddle ia ter de voltar para um orfanato Muggle se Hogwarts fosse fechada - disse Harry . - Não posso culpá o por querer ficar aqui ... Ron mordeu o lábio e a seguir sugeriu : - Tu encontraste o Hagrid em a Rua * _ Bativolta * , não foi ? - Ele estava a comprar repelente para lesmas - disse Harry rapidamente . Ficaram os três em silêncio . Depois de uma longa pausa , Hermione , em uma voz hesitante , formulou a pergunta mais complicada de todas : - Não acham que devíamos ir ter com ele e perguntar lhe ? - Essa seria uma visita simpática - disse o Ron . - Olá , Hagrid , diz nos uma coisa , soltaste por acaso alguma coisa louca e peluda por o castelo em estes últimos tempos ? Por fim , decidiram não dizer nada a o Hagrid a_não_ser_que houvesse outro ataque e à_medida_que passava mais tempo sem murmúrios de a voz sem corpo começaram a acreditar , esperançosos , que nunca mais teriam de falar sobre o motivo por_que fora expulso . Tinham passado já quase quatro meses desde o dia em que o Justin e o Nick quase sem cabeça tinham sido petrificados e quase toda_a_gente parecia pensar que o atacante , quem quer que ele fosse , se retirara para sempre . Peeves fartara se de a sua canção * _ Oh_Potter , seu bandido * , Ernie_Mcmillan pediu educadamente a o Harry , em a aula de herbologia , que lhe passasse um balde de cogumelos saltitantes e , em Março , várias mandrágoras deram uma festa ruidosa e roufenha em a estufa número três . A professora Sprout estava muito satisfeita . - Mal elas comecem a tentar mover se para os vasos umas de as outras , saberemos que estão maduras - disse ela a o Harry . - Nessa_altura poderemos reanimar aquelas pobres criaturas que estão em a ala hospitalar . Os alunos de o segundo ano tinham agora uma coisa nova em que pensar durante as férias de a Páscoa . Chegara a altura de escolherem as matérias de o terceiro ano , um assunto que Hermione , pelo_menos , tomou muito a sério . - Pode afectar todo o nosso futuro - disse a o Harry e a o Ron a o vê os ler cuidadosamente as listas de as novas matérias e pôr um V em frente de cada uma . - Eu só quero ver me livre de as poções - disse Harry . - Não podemos - explicou Ron tristemente . - Mantemos todas_as matérias antigas ou eu teria me livrado de a Defesa contra as artes negras . - Mas é muito importante - disse Hermione chocada . - Não de a maneira como Lockhart a dá - insistiu Ron . - Não aprendi nada até agora a não ser a nunca mais libertar duendes . Neville_Longbottom recebera cartas de todas_as bruxas e feiticeiros de a família , cada_um dando um conselho diferente sobre o que ele deveria escolher . Confuso e preocupado , sentou se a ler a lista de matérias , dando estalinhos com a língua e perguntando a as pessoas se achavam que a aritmancia seria mais difícil do_que o estudo de as runas em a Antiguidade . Dean_Thomas que , tal_como Harry , fora criado com Muggles , acabou por fechar os olhos e atirar a varinha contra a lista , escolhendo as matérias onde ela aterrava . Hermione não pediu conselho a ninguém e inscreveu se em todas . Harry sorriu de si para consigo imaginando como seria uma conversa com o tio Vernon e com a tia Petúnia sobre a sua carreira em feitiçaria . Não que não tivesse tido orientação : Percy_Weasley estava ansioso por partilhar a sua experiência . - Tudo depende de o lugar para_onde queres ir , Harry - disse ele . - Nunca é cedo de mais para pensar em o futuro , por isso eu aconselho te a adivinhação . As pessoas dizem que os estudos de Muggles são uma opção leve mas eu , pessoalmente , acho que os feiticeiros deveriam ter uma compreensão profunda de a comunidade não mágica , muito especialmente se pensarem em trabalhar em íntimo contacto com eles . Vê o meu pai que tem de lidar com assuntos de os Muggles a_toda_a hora . O meu irmão Charles foi sempre mais um tipo de o exterior , por isso foi para o Centro_de_Cuidados com as Criaturas_Mágicas . Segue os teus sentimentos , Harry . Mas a única coisa em que Harry sentia que era mesmo bom era o Quidditch . Por fim , acabou por escolher as mesmas matérias que o Ron escolhera , pensando que se fosse péssimo em elas pelo_menos tinha alguém amigo para o ajudar . O próximo jogo de Quidditch_dos_Gryffindor era contra os Hufflepuff . Wood insistia em treinos de equipa todas_as noites depois de jantar , por isso Harry não tinha tempo para mais_nada a não ser para o Quidditch e para os trabalhos de casa . Mas as sessões de treino estavam a melhorar ou pelo_menos estavam mais secas e em a véspera de o jogo de sábado ele foi a o dormitório guardar a vassoura , sentindo que as hipóteses de os Gryffindor ganharem a taça de Quidditch nunca tinham sido tão boas . Mas a sua boa disposição não durou muito . Em o cimo de as escadas que levavam a o dormitório encontrou o Neville_Longbottom nervosíssimo . - Harry , não sei quem fez aquilo , eu fui encontrar ... Olhando receoso para Harry , Neville empurrou a porta . O conteúdo de a mala de Harry fora espalhado por toda_a divisão . O seu manto estava em o chão rasgado . A roupa de cama tinha sido puxada de a cama de dossel e a gaveta de o armário que se encontrava a a cabeceira de a cama fora arrancada , estando o seu conteúdo espalhado sobre o colchão . Harry aproximou se de a cama boquiaberto , pisando algumas páginas soltas de * _ Viagens com Duendes * . Quando ele e Neville estavam a puxar os cobertores para_cima , entraram o Ron e o Dean_Seamas . Dean praguejou alto . - O que é isto , Harry ? - Não faço ideia - disse ele . Mas o Ron estava a examinar as vestes de Harry e todos os bolsos estavam de o avesso . - Alguém andou a a procura de qualquer coisa - disse o Ron . - Dás por falta de alguma coisa ? Harry começou a apanhar o que estava caído , lançando tudo dentro de a mala . Só quando atirou o último livro de Lockhart é_que se apercebeu do_que faltava . - O diário de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a o Ron . - O quê ? Harry fez lhe sinal em direcção a a porta de o dormitório e apressaram se a chegar a a sala comum de os Gryffindor que estava quase vazia e onde foram encontrar Hermione sozinha a ler * _ As_Runas_Antigas a o Alcance_de_Todos * . Hermione ficou aterrada com as notícias . - Mas ... só um Gryffindor podia tê o roubado ... ninguém mais conhece a nossa senha ... - Exactamente - disse Harry . Acordaram em o dia seguinte com um sol brilhante e uma brisa agradável . - Condições ideais para o Quidditch ! - exclamou Wood , cheio de entusiasmo , a a mesa de os Gryffindor , enchendo os pratos de os elementos de a sua equipa de ovos mexidos . - Harry , anima te , precisas de um pequeno-almoço decente . Harry tinha estado a olhar para a mesa cheia de alunos de os Gryffindor , perguntando a si próprio se o novo dono de o diário de Riddle estaria ali mesmo em frente de os seus olhos . Hermione insistira para que ele participasse o roubo mas ele não gostou de a ideia . Teria de contar a um professor tudo sobre o diário , e quantas pessoas saberiam o motivo por_que Hagrid fora expulso há cinquenta anos ? Não queria ser ele a fazer com que relembrassem tudo aquilo . Quando saiu de o salão com o Ron e a Hermione para ir buscar o material de Quidditch , outra preocupação viera juntar se a a sua lista cada_vez maior . Tinha acabado de pisar os degraus de a escadaria de mármore quando ouviu de_novo a voz : - * _ Matar desta_vez ... deixem me rasgar ... romper * ... Deu um grito e Ron e Hermione saltaram alarmados . - A voz - disse Harry , olhando por cima de os ombros de eles . - Acabo de a ouvir de_novo , vocês não ouviram nada ? Ron abanou a cabeça de olhos muito abertos Mas_Hermione bateu com a mão em a testa . - Harry , acho que percebi uma coisa . Tenho que ir a a biblioteca . E disparou a correr por as escadas acima . - O que é_que ela percebeu ? - disse Harry distraidamente , ainda a olhar em volta , tentando determinar de onde vinha a voz . - Mas porque teve ela que ir a a biblioteca ? - Porque a Hermione é assim - disse o Ron , encolhendo os ombros - Quando tem uma dúvida , vai a a biblioteca . Harry manteve se hesitante , tentando captar novamente a voz mas as pessoas começavam a sair de o salão , falando alto , passando por a porta principal e encaminhando se para o estádio de Quidditch . - É melhor ires indo - aconselhou Ron . - São quase onze horas , olha o jogo . Harry deu uma corrida até a a torre de os Gryffindor , pegou em a sua Nimbus dois_mil e juntou se a a vasta multidão que enchia os campos , mas o seu pensamento estava ainda em o castelo , em aquela voz sem corpo e quando pôs as roupas vermelhas , o seu único conforto foi pensar que estavam todos lá fora para assistir a o jogo . As equipas entraram em campo a o som de um tumulto de aplausos . Oliver_Wood fez um voo de aquecimento em volta de os postes , Madam_Hooch soltou as bolas . Os Hufflepuff que tinham fatos amarelo-canário estavam reunidos em grupo em uma discussão de última hora sobre as tácticas . Harry subia para a vassoura quando a professora Mc_Gonagall atravessou o campo , meio a andar , meio a correr , transportando um enorme megafone roxo . O coração de Harry caiu lhe a os pés . - Este jogo foi cancelado - gritou por o megafone a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a o estádio apinhado . Ouviram se Uuuus e assobios . Oliver_Wood , com um ar infelicíssimo , aterrou e correu para a professora McGonagall sem sair de a vassoura . - Mas , professora - gritou - temos de jogar ... a taça ... os Gryffindor ... A professora Mc_Gonagall ignorou o e continuou a gritar por o megafone . - Pede se a os estudantes que regressem a as salas comuns de as respectivas equipas onde os chefes de equipa lhes darão mais informações . O mais depressa possível , se fazem favor ! Em seguida , baixou o megafone e fez sinal a o Harry para que se aproximasse . - Potter , é melhor vires comigo ... Perguntando a si próprio que suspeita poderia ela ter contra ele , desta_vez , Harry viu Ron desligar se de a multidão discordante e vir a correr juntar se lhes , enquanto eles se dirigiam para o castelo . Para sua grande surpresa Mc_Gonagall não pôs qualquer objecção . - Sim , talvez seja melhor vires também , Weasley . Alguns de os estudantes que os rodeavam reclamavam por o jogo ter sido cancelado , outros tinham um ar preocupado . Harry e Ron seguiram a professora Mc_Gonagall de volta a a escola e através de a escadaria de pedra . Mas desta_vez não foram levados a nenhum escritório . - Isto vai chocar vos um_pouco - disse a professora Mc_Gonagall em um tom de voz surpreendentemente suave quando estavam a aproximar se de a ala hospitalar . - Houve outro ataque ... outro ataque duplo . As vísceras de o Harry deram um salto mortal . A professora Mc_Gonagall abriu a porta e ele e Ron entraram . Madam_Pomfrey estava inclinada sobre uma rapariga de o quinto ano de cabelos longos a os caracóis que Harry reconheceu como sendo a colega de os Ravenclaw a quem , por engano , tinham perguntado o caminho para a sala comum de os Slytherin . E , em a cama a o lado de ela , estava ... - Hermione - gemeu o Ron . Hermione jazia totalmente quieta , os olhos abertos e vítreos . - Foram encontradas perto de a biblioteca - disse a professora Mc_Gonagall . - Calculo que nenhum de vocês possa explicar isto ? Estava em o chão , junto de ela . A professora tinha em as mãos um pequeno espelho redondo . Harry e Ron acenaram negativamente com as cabeças , ambos com os olhos fixos em Hermione . - Eu acompanho vos a a torre de os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall pesadamente . - De qualquer modo tenho de falar com os alunos . - Os alunos regressarão a as salas comuns de as respectivas equipas , todos_os_dias , a as seis_horas_da_tarde . Nenhum aluno deverá sair de os dormitórios depois de isso . Serão escoltados até a as aulas por um professor . Nenhum aluno deverá ir a a casa_de_banho sem um professor a acompanhá o . Todos os treinos e jogos de Quidditch estão suspensos a_partir_de agora . Não haverá mais actividades nocturnas . Os Gryffindor , que enchiam a sala comum , ouviram em silêncio a professora Mc_Gonagall . Ela enrolou o pergaminho que acabara de ler e disse em uma voz algo chocada : - Não é preciso acrescentar que nunca me senti tão desolada . É provável que a escola seja encerrada se não for apanhado o culpado de todos estes ataques . Quero pedir que se algum de vocês achar que sabe alguma coisa sobre eles venha imediatamente ter comigo . Mal ela subiu , de forma um_pouco desastrada , por o buraco de o retrato , os Gryffindor começaram logo a falar . - São dois Gryffindor a menos , sem contar com o fantasma de os Gryffindor , um Ravenclaw e um Hufflepuff - disse o amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , contando por os dedos . - Não terá nenhum de os professores reparado que os Slytherin estão a salvo ? Será que não é óbvio que tudo_isto vem de eles ? O herdeiro de Slytherin , o monstro de Slytherin , porque não expulsam todos os Slytherin ? - resmungou , recebendo acenos e aplausos de todos os lados . Percy_Weasley estava sentado em uma cadeira atrás_de Lee , mas por uma_vez não pareceu querer expor os seus pontos de vista . Estava pálido e aturdido . - O Percy está em estado de choque - disse o George baixinho a o Harry . - Aquela rapariga de os Ravenclaw , Penelope_Clearwater , é prefeita . Acho que ele nunca tinha pensado que o monstro pudesse atacar um prefeito . Mas Harry não estava a ouvi o com atenção . Não conseguia esquecer a imagem de Hermione deitada em a cama de o hospital , como_se estivesse esculpida em pedra . E se o culpado não fosse apanhado rapidamente tinha em a frente uma vida inteira com os Dursley . Tom_Riddle entregara o Hagrid porque fora confrontado com a possibilidade de um orfanato Muggle se a escola fechasse . Harry sabia exactamente o que ele sentira . - Que vamos nós fazer ? - disse lhe o Ron baixinho a o ouvido . - Achas que eles suspeitam de o Hagrid ? - Temos de falar com ele - disse Harry , tomando uma decisão . - Não acredito que tenha culpa desta_vez , mas se ele libertou o monstro há cinquenta anos , sabe com certeza como entrar em a Câmara_dos_Segredos , o que já é um princípio . - Mas a Gonagall disse que temos que ficar em a torre a_não_ser_que estejamos em as aulas ... - Eu acho - disse Harry ainda mais baixo - que chegou a altura de tirar outra_vez de a mala o manto de o meu pai . Harry herdara apenas uma coisa de o pai : o enorme manto prateado de a invisibilidade . Era a única maneira de poderem esgueirar se de a escola para fazer uma visita a o Hagrid , sem que ninguém de esse por isso . Deitaram se a a hora de o costume , esperaram que o Neville , o Dean e o Seamas adormecessem para se levantarem , vestirem se de_novo e taparem se com o manto . A viagem por os corredores de o castelo escuro e deserto não era nada agradável . Harry que vagueara por ali muitas_vezes durante a noite nunca vira tanta gente depois de o pôr de o Sol . Professores , prefeitos e fantasmas andavam por os corredores a os pares , olhando em volta , em busca de qualquer actividade fora de o habitual . O manto de a invisibilidade não impedia que fizessem barulho e houve um momento particularmente tenso em que o Ron deu uma topada a menos_de um metro de o lugar onde Snape se encontrava . Felizmente Snape espirrou em o preciso momento em que o Ron praguejava . Foi com grande alívio que chegaram a as portas de carvalho de a entrada principal . Estava uma noite clara e cheia de estrelas . Dirigiram se apressadamente para as janelas iluminadas de a casa de Hagrid e só tiraram o manto mesmo em frente de a porta . Poucos segundos depois de terem batido abriu se a porta . Ficaram frente_a_frente com Hagrid que lhes apontou uma besta enquanto Fang , o cão caçador de javalis , ladrava furiosamente atrás de ele . - Oh ! - disse , baixando a arma quando viu que eram eles . - O que estão vocês a fazer aqui ? - Para que é isso ? - perguntou Harry , apontando para a besta , enquanto entrava . - Nada , não é nada - murmurou Hagrid . - Tenho estado a a espera ... não tem importância , sentem se que eu vou fazer um chá . Dava a impressão de não saber o que fazia . Quase apagou a lareira , vertendo a água de a chaleira em o lume e em seguida esmagou o bule com um gesto de a sua mão maciça . - Estás bem , Hagrid ? - perguntou Harry . - Soubeste de a Hermione ? - Soube , sim - disse ele com um leve tremor em a voz . Continuava a olhar nervosamente para as janelas . Deu lhe os duas grandes canecas de água a ferver ( esquecera se de juntar o chá ) e estava a acabar de pôr em um prato uma fatia grossa de bolo de frutas quando alguém bateu energicamente a a porta . Hagrid deixou cair o bolo . Harry e Ron trocaram entre si olhares de pânico e , em seguida , cobriram se com o manto de a invisibilidade e esconderam se em um canto . Hagrid assegurou se de que eles estavam bem escondidos , pegou em a besta e abriu , mais_uma_vez , a porta . - Boa noite , Hagrid . Era_Dumbledore . Entrou com um ar muito sério , seguido de um homem bizarro . O estranho era um homenzinho pequenino , de porte majestoso com cabelos grisalhos desalinhados e uma expressão de ansiedade em o rosto . Usava uma inesperada mistura de roupas . Um fato a as riscas , uma gravata vermelho escarlate , um longo manto negro e umas botas roxas pontiagudas . Debaixo de o braço trazia um chapéu de coco verde lima . -- É o patrão de o meu pai - murmurou o Ron . Cornelius_Fudge , o ministro de a magia ! Harry deu lhe uma valente cotovelada para o fazer calar se . Hagrid tinha ficado suado e pálido . Deixou se cair em uma de as cadeiras e olhava de Dumbledore_para_Cornelius_Fudge . - Más notícias , Hagrid - disse Fudge em um tom bastante grave . - Muito más notícias . Tive de vir . Quatro ataques a filhos de Muggles , as coisas foram longe_de mais . O ministério tem que tomar uma atitude . - Eu nunca ... - disse Hagrid , parecendo implorar a Dumbledore . - O senhor sabe que eu nunca ... professor Dumbledore , o senhor ... - Quero que fique claro , Cornelius , que Hagrid tem a minha total confiança - afirmou Dumbledore , franzindo as sobrancelhas . - Olha , Albus - disse Fudge pouco a a vontade - a ficha de o Hagrid depõe contra ele . O ministério tem de fazer alguma coisa , o Conselho_Directivo de a escola tem se reunido ... - Mesmo_assim , Cornelius , devo dizer te mais_uma_vez que levar o Hagrid de aqui não vai ajudar em nada - afirmou Dumbledore com os olhos azuis com um fogo que Harry nunca vira antes . - Tenta compreender o meu ponto de vista - insistiu Fudge , brincando com o chapéu . - Estou a ser tremendamente pressionado , tenho de mostrar que faço alguma coisa . Se se provar que não foi o Hagrid , ele voltará e não se fala mais em o assunto . Mas tenho de levá o , tem de ser , não estaria a cumprir a minha obrigação se ... - Levar me ? - perguntou Hagrid a tremer . - Levar me para_onde ? - É uma pena curta - disse Fudge , sem o olhar em os olhos . - Não é um castigo , Hagrid , chamemos lhe antes uma precaução . Se mais alguém for apanhado , tu sais com todas_as nossas desculpas . - Não é para Azkaban ? - balbuciou Hagrid . Mas antes que Fudge tivesse tido tempo de responder , ouviu se bater mais_uma_vez a a porta . Dumbledore abriu . Foi a vez de Harry levar uma cotovelada em as costas : soltara um gemido audível . Mr._Lucius_Malfoy entrou em a cabana de o Hagrid embrulhado em uma longa capa preta de viagem , com um sorriso frio de satisfação . O Fang começou a rosnar . - Já está aqui , Fudge ? - disse de forma aprovadora . - Muito bem , muito bem ... - O que estás a fazer aqui ? - perguntou Hagrid furioso . - Sai imediatamente de a minha casa . - Meu bom homem , acredite que não tenho prazer nenhum em entrar em a sua ... er ... chamou lhe casa ? - disse Lucius_Malfoy , sorrindo sarcasticamente enquanto observava a pequena divisão . - Eu limitei me a ir a a escola e disseram me que o director estava aqui . - E o que queres de mim , Lucius ? - perguntou Dumbledore . O seu tom de voz era educado mas em os olhos azuis brilhava ainda o mesmo fogo . - Uma notícia horrível , Dumbledore - disse Mr._Malfoy de forma arrastada , pegando em um grande rolo de pergaminho . - Mas os membros de o conselho pensam que é altura de tu saíres . Isto_é uma ordem de suspensão , tens aí doze assinaturas . Lamento muito mas em a nossa opinião estás a perder a firmeza . Quantos ataques houve até agora ? Mais dois hoje a a tarde , não foi ? A este ritmo vão acabar todos os filhos de Muggles em Hogwarts e todos sabemos que seria uma terrível perda para a escola . - O que é isso , Lucius ? - protestou Fudge com ar alarmado . - O Dumbledore suspenso não ... não , seria a última coisa que desejaríamos em este momento ... - A nomeação ou suspensão , de o director é de a competência de os membros de o Conselho_Directivo , Fudge - disse suavemente Mr._Malfoy . - E como Dumbledore não foi capaz de pôr cobro a estes ataques ... - Oh ! Lucius , se Dumbledore não conseguiu - disse Fudge com o lábio superior a suar . - Quem irá conseguir ? - Isso está para se ver - disse Mr._Malfoy com um sorriso mesquinho . - Mas como os doze votamos ... Hagrid pôs se de pé em um salto , o cabelo preto hirsuto a roçar em o tecto . - E quantos tiveste de chantajar para concordarem contigo , Malfoy ? - Meu caro Hagrid , sabe que esse seu temperamento ainda acaba por lhe criar problemas um dia de estes - disse Mr._Malfoy . - Não o aconselho a gritar assim com os guardas de Azkaban . Eles não iriam gostar nada . - Não podes levar Dumbledore - gritou Hagrid , fazendo Fang , o cão caçador de javalis , agachar se e ganir em o seu cesto . - Sem ele , os filhos de os Muggles não têm qualquer hipótese . A seguir haverá mortes . - Acalma te , Hagrid - disse Dumbledore de forma cortante , olhando para Lucius_Malfoy . - Se os membros de o conselho querem substituir me , eu sairei , claro . - Mas - interrompeu Fudge . - Não - rosnou Hagrid . Dumbledore não tirara os seus olhos azuis brilhantes de os olhos cinzentos e frios de Lucius_Malfoy . - Contudo - disse , pronunciando cada palavra lenta e claramente para que nenhum de eles perdesse o seu sentido - verás que só deixarei verdadeiramente esta escola quando ninguém aqui me for leal . Descobrirás também que será sempre dada ajuda em Hogwarts a quem a pedir . Por um segundo , Harry teve quase a certeza de que os olhos de Dumbledore tremelaziram em direcção a o canto onde ele e Ron estavam escondidos . - Sentimentos admiráveis - disse Malfoy , fazendo uma vénia . - Todos nós vamos sentir a tua ... forma muito pessoal de fazer as coisas , Albus . Só espero que o teu sucessor consiga evitar qualquer ... crime . Dirigiu se a a porta de a cabana , abriu a e fez sinal a Dumbledore para que passasse a a sua frente . Fudge , mexendo nervosamente em o chapéu de coco , esperou que Hagrid fizesse o mesmo mas ele ficou quieto , respirou fundo e disse prudentemente : - Se alguém quiser descobrir alguma coisa , o que tem a fazer é seguir as aranhas . Elas indicarão o caminho , é tudo_o_que vos digo . Fudge olhou para ele espantado . - Está bem , eu vou - disse Hagrid , pegando em o seu sobretudo de pêlo de toupeira . Mas quando ia seguir o Fudge e sair por a porta , parou e disse em voz alta : - E alguém tem de dar de comer a o Fang enquanto eu não estiver cá . A porta fechou se ruidosamente e Ron tirou o manto de a invisibilidade . -- Estamos outra_vez em uma alhada - disse com voz rouca - Sem o Dumbledore podem fechar a escola já esta noite . Sem ele vai haver um ataque por dia . O Fang começou a ganir , arranhando a porta fechada . XV_Aragog_O_Verão insinuava se em os campos em volta de o castelo . O céu e o lago tinham se tornado de um azul-molusco e as flores , grandes como couves , começavam a florir em as estufas . Mas sem o Hagrid , que ele costumava avistar de o castelo , atravessando os campos com o Fang atrás , parecia a Harry que a paisagem não estava completa . Não era melhor dentro de o castelo onde tudo corria horrivelmente mal . O Harry e o Ron tinham tentado visitar a Hermione , mas as visitas a o hospital estavam proibidas . - Não vamos correr mais riscos - disse lhes Madam_Pomfrey com ar severo , através_de uma fresta de a porta de o hospital . Não , lamento , há muitas hipóteses de o atacante voltar para acabar de vez com estas pessoas ... Com Dumbledore longe , o medo espalhara se como nunca acontecera antes , de_tal_modo_que o sol que aquecia as paredes de o castelo por fora parecia parar junto de as janelas de pinázios . Não se via um único rosto em a escola que não andasse tenso e preocupado e qualquer gargalhada , em os corredores , se tornava incómoda e antinatural e era rapidamente abafada . Harry repetia constantemente , de si para consigo , as últimas palavras que ouvira a Dumbledore : - * _ Só terei verdadeiramente deixado esta escola quando ninguém me for leal ... será sempre dada ajuda , em Hogwarts , a quem a pedir * . Qual seria o significado exacto de aquelas palavras ? A quem deveria pedir ajuda quando todos estavam tão confusos assustados como ele ? A alusão de Hagrid a as aranhas era bastante mais fácil de entender . O problema era que parecia não ter restado uma única aranha em o castelo para eles a poderem seguir . Harry procurou por todo o lado com a ajuda relutante de o Ron . As coisas estavam dificultadas por o facto de não poderem andar sozinhos e terem de se deslocar em grupo dentro de o castelo , juntamente com outros Gryffindor . A maior parte de os alunos gostava de ser conduzida como carneiros de uma aula para a outra por os professores mas Harry achava horrível . Havia , contudo , uma pessoa que parecia apreciar aquela atmosfera de terror e suspeitas . Draco_Malfoy passeava empertigado por a escola como_se tivesse sido nomeado para chefe de turma . Harry só compreendeu o motivo de toda aquela boa disposição cerca de quinze_dias depois de Dumbledore e Hagrid se terem ido embora quando , em uma aula de poções , o ouviu falar com o Crabbe e o Goyle . - Sempre achei que seria o pai quem conseguiria livrar nos de o Dumbledore - disse sem a menor preocupação em baixar a voz . - Já vos disse , segundo ele , Dumbledore foi o pior director que a escola alguma vez teve . Talvez agora venha um director decente que não queira a Câmara_dos_Segredos fechada . A Mc_Gonagall não vai durar muito , está só a ... O Snape passou por Harry , sem fazer comentários a o caldeirão e a a cadeira vazia de Hermione . - Professor - disse Malfoy em voz alta . - Professor , porque não se candidata a o lugar de director ? - Ora , ora , Malfoy - respondeu Snape , sem conseguir esconder um meio sorriso . - O professor Dumbledore foi apenas suspenso por os membros de o conselho de direcção , certamente vai voltar um dia de estes . - Sim , claro - disse Malfoy com o seu sorriso escarninho . - Acho que se o professor quisesse candidatar se a o lugar teria o voto de o pai . Eu vou dizer lhe que o acho o melhor professor de a escola . Snape sorriu enquanto passeava de um lado para o outro em o calabouço , não tendo felizmente visto o Seamus_Finnigan que fingia vomitar para dentro de o caldeirão . - Estou espantado por ver que até agora os sangues de lama ainda não fizeram as malas e não desapareceram - prosseguiu Malfoy . - Aposto cinco galeões em como o próximo morre . Pena que não tenha sido a Granger ... A campainha tocou em esse momento o que foi uma sorte porque a o ouvir as últimas palavras de Malfoy , Ron deu um salto , mas em a barafunda de guardar os livros em os sacos , a sua tentativa de agarrar o Malfoy passou despercebida . - Deixem me - gritava o Ron enquanto o Harry e o Dean lhe agarravam os braços . - Não preciso de varinha , vou dar cabo de ele com as minhas mãos ... - Despachem se , tenho de conduzir vos a a aula de herbologia - praguejava o Snape acima de as cabeças de os alunos . E lá foram como cordeirinhos com Harry , Ron e Dean em a retaguarda , o Ron ainda a tentar libertar se . Só acharam seguro largá o quando Snape os deixou fora de o castelo e iniciaram o percurso por o meio de a horta em direcção a as estufas . A aula de herbologia estava reduzida . Tinha agora dois alunos a menos : Justin e Hermione . A professora Sprout pô os a trabalhar , podando as figueiras-da-abissínia . Harry foi despejar uma braçada de hastes secas em um monte de adubo e deu consigo cara a cara com Ernie_Mcmillan . Ernie respirou fundo . - Só quero dizer te , Harry que lamento ter suspeitado de ti . Sei que nunca atacarias a Hermione_Granger e peço te desculpa por todas_as coisas que disse . Estamos todos em o mesmo barco , agora e , bem ... Estendeu lhe uma mão rechonchuda que o Harry apertou . Ernie e a sua amiga Hannah foram trabalhar em a mesma figueira com o Harry e o Ron . - Aquele tipo , Draco_Malfoy - disse Ernie , partindo pequenos galhos - , parece muito satisfeito com isto tudo , não acham ? É bem possível que ele seja o herdeiro de Slytherin . - Uma observação inteligente de a tua parte - disse o Ron que parecia não ter desculpado Ernie tão facilmente como o Harry . - Acham que é ele ? - perguntou Ernie . - Não - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Hannah ficaram a olhar espantados . Um segundo depois , Harry avistou qualquer coisa que o levou a chamar a atenção de o Ron , batendo lhe em a mão com a tesoura de podar . - Au ... o que é_que tu ... ? Harry apontava para o chão , a poucos centímetros de distância . Várias aranhas grandes corriam precipitadamente por a terra fora . - Ah ! sim - disse o Ron , tentando , sem conseguir , mostrar se entusiasmado . - Mas não podemos seguis as agora ... Ernie e Hannah ouviam nos com curiosidade . Harry viu as aranhas desaparecerem . - Parecem ir em a direcção de a floresta proibida ... E o Ron ficou ainda mais infeliz a o ouvir aquilo . Em o final de a aula , o professor Snape acompanhou os alunos a a « Defesa contra as artes negras » . Harry e Ron foram atrás de os outros para poderem conversar sem serem ouvidos . - Temos de usar outra_vez o manto de a invisibilidade - disse Harry a o Ron . - Podemos levar connosco o Fang , ele está habituado a ir a a floresta com o Hagrid , pode ser uma boa ajuda . - Certo - disse o Ron , que fazia girar nervosamente a varinha em os dedos . - Er ... não costuma haver ... não costuma haver lobisomens em a floresta ? - acrescentou enquanto ocupavam os lugares de o costume em a aula de o Lockhart . Preferindo não responder a a pergunta , Harry disse : - Também há lá coisas boas . Os centauros são fixes e os unicórnios . Ron nunca estivera em a floresta proibida , Harry fora lá só uma_vez e desejara não ter de lá voltar . Lockhart deu um salto para dentro de a sala de aula e os alunos ficaram espantados a olhar para ele . Todos os outros professores andavam mais tristes do_que o habitual mas Lockhart parecia sentir se em as nuvens . - Então , então - exclamou , olhando em volta . - Porquê essas caras deprimidas ? Lançaram lhe olhares exasperados mas ninguém respondeu . - Não compreendem - disse , falando devagar como_se fossem todos um_pouco estúpidos - que o perigo já passou ? O culpado foi se embora . -- Quem disse ? - retorquiu Dean_Thomas em voz alta . -- Meu caro jovem , o ministro de a magia não teria levado Hagrid se não estivesse cem por_cento certo de que ele era o culpado - disse Lockhart como quem explica que um e um são dois . - Teria , sim - disse o Ron , em um tom de voz ainda mais alto do_que o de o Dean . - Eu julgo saber um_pouco mais sobre a prisão de o Hagrid do_que o senhor , Mr._Weasley - disse Lockhart com notória auto-satisfação . Ron começou a dizer que discordava mas foi interrompido por o Harry que lhe deu um forte pontapé por debaixo de a mesa . - Nós não estávamos lá , lembras te ? - murmurou . Mas a alegria revoltante de o Lockhart , as insinuações de que sempre tinha achado que o Hagrid não prestava , a sua certeza de que tudo aquilo estava a chegar a o fim , irritou Harry de tal maneira que teve vontade de lhe atirar as * _ Viagens com Vampiros * e de lhe acertar em aquela cara estúpida . Mas , em vez de isso , limitou se a escrevinhar um bilhete para o Ron : * _ Vamos lá hoje a a noite * . Ron leu a mensagem , engoliu em seco e olhou para o lugar onde Hermione costumava sentar se . A cadeira vazia pareceu ajudá o a decidir se e acenou afirmativamente . A sala comum de os Gryffindor estava agora sempre cheia porque , depois de as seis_da_tarde , os Gryffindor não tinham outro lugar para ir . Por outro lado , tinham imenso para conversar , por isso a sala comum mantinha se cheia de gente até depois de a meia-noite . Logo_a_seguir a o jantar , Harry foi buscar o manto de a invisibilidade a a mala onde estava guardado e passou todo o serão a a espera que a sala esvaziasse . O Fred e o George desafiaram o para alguns jogos de explosão e a Ginny sentou se , muito preocupada , a observá os , em a cadeira habitual de Hermione . Harry e Ron fartaram se de perder de propósito em uma tentativa de pôr rapidamente fim a os jogos mas , mesmo_assim , já passava bastante de a meia-noite quando o Fred , o George e a Ginny se foram , finalmente , deitar . Harry e Ron esperaram até ouvir as portas de os dois dormitórios fecharem se . Em seguida , pegaram em o manto , lançaram o sobre ambos e passaram por o buraco de o retrato . Era mais uma difícil travessia de o castelo , tendo de fintar todos os professores . Finalmente , chegaram a o * hall * de entrada , giraram o fecho de as portas de carvalho , esgueiraram se tentando não fazer barulho e aventuraram se nos campos iluminados por o luar . - É claro que - disse bruscamente o Ron , enquanto atravessavam os relvados negros - podemos perfeitamente chegar a a floresta e descobrir que não há nada para seguir . As aranhas podem não ter ido para lá . É certo que parecia que tomavam essa direcção , mas ... Felizmente a lengalenga não durou muito . Chegaram a a casa de o Hagrid que tinha um ar triste com as suas janelas vazias . Logo_que Harry empurrou a porta e a abriu , o Fang saltou , louco de alegria por os ver . Preocupados , não fosse ele acordar toda_a_gente em o castelo com o seu ladrar forte e agitado , deram lhe rapidamente a comer bombons de melaço que estavam em uma lata sobre a lareira e que lhe colaram os dentes de cima a os de baixo . Harry pousou o manto de a invisibilidade sobre a mesa de o Hagrid . Não iam precisar de ele em a floresta escura como breu . - Anda , Fang , vamos dar um passeio - disse Harry , batendo lhe a o de leve em a pata e Fang saiu feliz , a os saltos , atrás de eles . Precipitou se até a a orla de a floresta e levantou a perna contra uma enorme figueira-do-egipto . Harry pegou em a varinha , murmurou * _ Lumus * ! e uma pequenina luz surgiu em a ponta de a varinha , suficiente para lhes mostrar o caminho e ajudá os a descobrir a pista de as aranhas . - Bem pensado - disse o Ron . - Eu acendia também a minha mas , sabes como ela está , ainda estoirava ou qualquer coisa assim ... Harry tocou em o ombro de o Ron , apontando para as ervas . Duas aranhas solitárias fugiam de a luz de a varinha , aproximando se de a sombra de as árvores . - O. _ K. - disse o Ron , resignando se com o pior . - Estou pronto , vamos . Então , com o Fang a correr atrás de eles , cheirando as raízes de as árvores e as folhas , entraram em a floresta . Seguindo a luz de a varinha de o Harry seguiram a fila disciplinada de aranhas que se movia a o longo de o caminho . Andaram durante cerca de vinte minutos , sem falar , atentos a todos os ruídos que não fossem os de os ramos caídos e de as folhas secas . Então , quando as copas de as árvores se tinham tornado mais cerradas do_que nunca , de_tal_modo_que as estrelas em o céu já não eram visíveis e a varinha de o Harry brilhava isolada em um mar de escuridão , viram as aranhas que eles seguiam a abandonar o caminho . Harry parou , tentando ver para_onde iam mas tudo_o_que ficava longe de a sua pequenina luz era negro de breu . Ele nunca fora tão longe em a floresta . Lembrava se muito bem de Hagrid lhe ter dito , de a última vez que ali tinham estado , que nunca saísse de o caminho de a floresta . Mas Hagrid agora estava a muitos quilómetros de distância e ele também lhes dissera que seguissem as aranhas . Uma coisa húmida tocou em a mão de o Harry e ele deu um salto para trás , pisando o pé a o Ron . Mas afinal era apenas o focinho de o Fang . - O que é_que tu achas ? - perguntou ele a o Ron cujos olhos conseguia vislumbrar , reflectindo a luz de a varinha . - Já_que viemos até aqui - disse ele . Seguiram , portanto as sombras velozes de as aranhas em direcção a as árvores . Não podiam agora andar muito depressa . Tinham em a frente raízes de árvores e troncos cortados que mal se viam em aquela escuridão . Harry sentia o bafo quente de Fang em a mão . Por mais de uma_vez tiveram de parar para o Harry se baixar e descobrir as aranhas a a luz de a varinha . Andaram durante o que lhes pareceu ter sido pelo_menos meia_hora , com os mantos a roçarem em os ramos mais baixos e em as silvas . A o fim de algum tempo repararam que o chão parecia inclinar se para baixo embora as árvores continuassem cerradas . Foi então que o Fang soltou um latido que ecoou em volta , fazendo Harry e Ron darem um salto , ambos com os cabelos em pé . - O que foi ? - gritou o Ron , olhando em volta para a escuridão e agarrando Harry com força , por o cotovelo . - Há qualquer coisa ali a mexer se - murmurou Harry - Ouve ... parece ser grande . Ficaram a ouvir . Um_pouco para a direita algo de grandes dimensões partia os ramos enquanto abria caminho através de as árvores . - Oh ! não - disse o Ron . - Oh ! não , não ... - Cala te - insistiu o Harry , nervoso . - Seja o que for , vai acabar por te ouvir . - Ouvir me ? - disse o Ron , em um tom de voz muito pouco natural . - Já ouviu . Fang ! A escuridão parecia esmagar lhes os globos oculares enquanto ali ficaram apavorados , a a espera . Houve um estranho ruído , surdo e prolongado , e em seguida o silêncio . - O que estará a fazer ? - perguntou Harry . - Talvez esteja a preparar se para atacar - disse o Ron . Esperaram , a tremer , sem ousarem mexer se . - Achas que se foi embora ? - murmurou Harry . - Não sei . Em esse momento , de o lado direito veio um clarão de luz tão forte em o meio de o escuro que os dois levaram as mãos a a cara para proteger os olhos . O Fang ganiu e tentou fugir mas viu se envolvido em um emaranhado de espinhos e ganiu ainda mais alto . - Harry - gritou o Ron com grande alívio em a voz . - Harry , é o nosso carro . - O quê ? - Anda ver . Harry avançou a os tropeções atrás de o Ron , em direcção a a luz e em o momento seguinte estavam em uma clareira . O carro de Mr._Weasley ali estava , vazio , no_meio_de um círculo de árvores grossas , sob um telhado de ramos densos , os faróis de a frente resplandecentes . Quando Ron se aproximou de boca aberta , moveu se lentamente em direcção a ele como_se fosse um grande cão azul turquesa , cumprimentando o dono . - Tem estado aqui todo este tempo - disse o Ron satisfeitíssimo , aproximando se de o carro . - Olha para ele , a floresta tornou o selvagem ... O guarda-lamas estava riscado e cheio de lodo . Parecia que tinha andado a passear sozinho por a floresta . Fang não gostou lá muito de ele . Manteve se a o lado de o Harry que podia senti o a tremer . Com a respiração normalizada , Harry guardou a varinha em o manto . - E nós a pensarmos que ele nos ia atacar - disse o Ron , encostando se a o carro e dando lhe duas palmadinhas - As voltas que eu dei a a cabeça a pensar para_onde ele teria ido ! Harry olhava para todos os lados , em o chão iluminado , em busca de mais aranhas mas todas elas tinham fugido de o brilho de as luzes . - Perdemos as de vista - disse ele . - Anda , vamos procurá as . Ron não disse nada . Não se moveu . Tinha os olhos fixos em um ponto , três metros acima de o chão de a floresta , mesmo atrás de o Harry . O seu rosto estava lívido de terror . Harry nem teve tempo de se voltar . Ouviu se um ruído alto e seco e sentiu que alguma coisa longa e peluda o elevava em o ar com o rosto voltado para baixo . Debatendo se , apavorado , ouviu outro estalido e viu as pernas de o Ron serem também levantadas de o chão . Ouviu o Fang gemer e ganir e , em o momento seguinte , era levado para o meio de as árvores escuras . Com a cabeça a balouçar , Harry viu que a coisa que o transportava tinha seis enormes patas peludas e que as duas de a frente o agarravam com forca sob um par de tenazes pretas e brilhantes . Atrás_de si podia ouvir outra de aquelas criaturas que , sem dúvida , transportava o Ron . Encaminhavam se para o coração de a floresta . Harry ouvia o Fang a ladrar , tentando libertar se de um terceiro monstro mas Harry não podia gritar mesmo_que quisesse , parecia que tinha deixado a voz em a clareira , junto com o carro . Não soube quanto tempo esteve em as patas de a criatura , só se apercebeu que a escuridão se atenuara um_pouco , permitindo lhe ver que o chão coberto de folhas estava agora repleto de aranhas . Voltando a cabeça para o lado , deu se conta de que tinham chegado a a base de uma enorme cova , uma cova que fora limpa de árvores para que as estrelas iluminassem com o seu brilho a cena mais pavorosa que os seus olhos alguma vez tinham visto . Aranhas . Não aranhas pequeninas como aquelas que estavam sobre as folhas . Aranhas de o tamanho de enormes cavalos , com oito olhos , oito pernas pretas , peludas , gigantescas . O espécimen que transportava Harry desceu o terreno íngreme até uma teia brumosa em forma de cúpula que ficava mesmo em o meio de a cova , enquanto os companheiros se juntavam em volta , batendo excitadíssimos com as tenazes e olhando para o que eles traziam a as costas . Harry caiu em o chão de gatas quando a aranha o libertou . Ron e Fang foram cair perto de ele . O Fang já não gania . Estava agachado e muito quieto . Ron e Harry partilhavam o mesmo sentimento . O Ron tinha a boca aberta em uma espécie de grito silencioso e os olhos a saltarem lhe de as órbitas . Harry percebeu de repente que a aranha que o deitara a o chão estava a dizer qualquer coisa . Era difícil entender porque entre cada duas palavras , batia com as tenazes . - Aragog - chamou . - Aragog . E de o meio de a teia brumosa em forma de cúpula saiu muito lentamente uma aranha de o tamanho de um pequeno elefante . As costas e as pernas estavam cobertas de pêlo cinzento e , em a cabeça feia , munida de tenazes , estavam vários olhos , todos eles de um branco leitoso . Era cega . - O que foi ? - disse , batendo rapidamente com as tenazes uma em a outra . - Homens - respondeu a aranha que trouxera o Harry . - É o Hagrid ? - perguntou Aragog , aproximando se mais com os seus oito olhos leitosos a vaguear . - Estranhos - respondeu a aranha que trouxera o Ron . - Matem nos - disse Aragog , irritada . - Eu estava a dormir ... - Nós somos amigos de o Hagrid - gritou Harry . Parecia que o coração lhe saltava por a boca . Clic , clic , clic fizeram as tenazes de a aranha , em volta de a cova . Aragog parou . - O Hagrid nunca mandou homens a a nossa cova - disse lentamente . - O Hagrid está em perigo - explicou Harry , respirando muito depressa . - Foi por isso que eu vim . - Em perigo ? - repetiu a aranha idosa e pareceu a Harry sentir preocupação por detrás de as suas tenazes . - Mas porque vos mandou ele cá ? Harry pensou pôr se de pé mas achou melhor não arriscar . As pernas provavelmente não teriam força para o sustentar . Falou portanto de o chão , o mais calmamente que foi capaz . - Eles lá em a escola pensam que o Hagrid soltou qualquer coisa contra os estudantes . Mandaram o para Azkaban . Aragog bateu furiosamente com as tenazes e , em toda_a cova , o eco foi reproduzido por uma multidão de aranhas . Era uma espécie de aplauso com uma única diferença : os aplausos não costumavam fazer o Harry quase morrer de medo . - Mas isso foi há muitos anos - disse Aragog , maldisposta . - Há anos e anos . Lembro me muito bem . Foi por isso que o expulsaram de a escola . Eles pensaram que eu era o monstro que vive em aquilo a que eles chamam a Câmara_dos_Segredos . Pensaram que o Hagrid a tinha aberto para me libertar . - E tu ... não vieste de a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Harry que sentia a testa cheia de suores frios . - Eu - disse Aragog , batendo irritada com as tenazes - , eu não nasci em o castelo . Venho de uma terra distante . Um viajante ofereceu me a o Hagrid quando eu era ainda um ovo . Hagrid era um rapazinho mas tratou de mim , escondeu me em uma despensa dentro de o castelo e alimentava me com as migalhas que ficavam em as mesas . Hagrid é o meu bom amigo e um bom homem . Quando me encontraram e me culparam por a morte de uma rapariga , ele protegeu me . Desde_então , tenho vivido aqui em a floresta onde o Hagrid ainda vem visitar me . Ele até me arranjou uma esposa , Mosag , e estão a ver como a família cresceu , tudo graças a a bondade de o Hagrid ... Harry reuniu a coragem que lhe restava . - Então tu nunca atacaste ninguém ? - Nunca - resmungou a velha aranha . - Era esse o meu instinto , mas por respeito a Hagrid nunca fiz mal a nenhum humano . O corpo de a rapariga morta foi encontrado em uma casa_de_banho , ora eu nunca conheci mais do_que despensa de o castelo , onde cresci . Nós gostamos de o escuro de o silêncio . - Mas então ... sabes o que matou essa rapariga ? - perguntou Harry . - Porque seja o que for , está a atacar as pessoas outra_vez ... As suas palavras foram abafadas por uma audível explosão de tenazes a bater e por o ruge-ruge de muitas pernas longas , deslocando se iradas . Em volta de Harry começaram a mover se sombras escuras . - O que vive em o castelo - disse Aragog - é uma antiga criatura que nós , aranhas , tememos acima_de todas_as outras . Lembro me bem de o quanto insisti com Hagrid para que me deixasse sair de ali quando senti a criatura a andar por a escola . - O que é ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Mais tenazes a bater , mais pernas a moverem se . As aranhas pareciam estar a aproximar se . - Nós não falamos de isso - exclamou Aragog furiosa . - Não pronunciamos o seu nome . Eu nunca disse a o Hagrid o nome de a horrível criatura , apesar_de ele me ter perguntado vezes sem conta . Harry não quis insistir , principalmente com todas aquelas aranhas a aproximarem se de todos os lados . Aragog parecia ter se cansado de falar . Recuava lentamente para a teia em forma de cúpula , mas as companheiras continuavam a aproximar se ameaçadoramente de Harry e Ron . - Vamos embora , então - gritou Harry , desesperadamente a Aragog , enquanto ouvia as folhas secas a estalarem atrás_de si . - Embora ? - disse Aragog lentamente . - Não me parece ... - Mas , mas ... - Os meus filhos e filhas não fazem mal a o Hagrid por ordem minha . Mas não posso negar lhes carne fresca quando ela veio por vontade própria ter connosco . Adeus , amigo de o Hagrid . Harry deu meia volta . Poucos centímetros acima de ele , uma sólida parede de aranhas batia com as tenazes , os seus muitos olhos a brilharem em as horríveis caras pretas . Mesmo_que se servisse de a varinha , Harry sabia que não ia valer de nada . As aranhas eram demasiadas , mas quando tentava preparar se para morrer a lutar , ouviu se um som prolongado e um clarão de luz iluminou a cova . O carro de Mr._Weasley ribombava , descendo o declive , com os faróis acesos , a buzina a guinchar , afastando as aranhas . Muitas de elas ficaram voltadas ao_contrário com as várias pernas a agitar se em o ar . O carro buzinou com mais força em frente de Harry e Ron e as portas abriram se . - Agarra o Fang - gritou Harry , ajeitando se em o lugar de a frente . Ron agarrou o cão caçador de javalis e lançou o a ganir para o banco de trás . As portas fecharam se com estrondo . Ron não tocou em o acelerador mas o carro não precisou de isso . O motor fez se ouvir e levantaram voo , batendo em mais aranhas . Subiram o declive , saindo de a cova e pouco depois atravessavam a floresta , os ramos a baterem em os vidros enquanto o carro seguia habilmente através de os intervalos maiores , por um caminho que obviamente já conhecia . Harry olhou para o Ron , a o seu lado . Ele tinha ainda a boca aberta em o mesmo grito silencioso mas os olhos já não estavam salientes . - Estás bem ? Ron olhou em frente , incapaz de responder . Começavam a descer para terra firme com o Fang a soltar enormes ganidos em o banco de trás e Harry viu o espelho retrovisor saltar quando passaram rente a um enorme carvalho . Após dez minutos bastante ruidosos , as árvores começaram a ser mais finas e Harry pôde ver de_novo pedaços de o céu . O carro parou tão bruscamente que quase foram projectados por o vidro de a frente . Tinham chegado a a orla de a floresta . O Fang ia agitadíssimo a a janela e quando Harry abriu a porta , disparou a correr através de as árvores até a a casa de o Hagrid , de cauda entre as pernas . Harry saiu também e um minuto depois o Ron pareceu recuperar a força em os membros e seguiu o , ainda com um torcicolo e de olhos esbugalhados . Harry deu uma palmadinha de agradecimento a o carro antes de ele dar a volta e desaparecer em direcção a a floresta . Harry voltou a a cabana de o Hagrid para buscar o manto de a invisibilidade . O Fang tremia em o seu cesto , coberto por um cobertor . Quando saiu de_novo , viu o Ron a vomitar junto de as abóboras . - Sigam as aranhas - disse ele debilmente , limpando a boca a a manga . - Nunca vou perdoar a o Hagrid . É uma sorte ainda estarmos vivos . - Aposto que ele pensou que Aragog nunca faria mal a os seus amigos - justificou Harry . - Esse é justamente o problema de o Hagrid - interrompeu Ron , dando um soco em a parede de a cabana . - Ele acha sempre_que os monstros não são tão maus como os pintam e vê onde isso o levou , a uma cela em Azkaban - tremia agora descontroladamente . - Qual a ideia de ele a o mandar nos ali ? Gostava de saber o que é_que descobrimos . - Que o Hagrid nunca abriu a Câmara_dos_Segredos - disse Harry , lançando o manto sobre Ron e tocando lhe em o braço para o encorajar a andar . - Ele estava inocente . Ron resmungou em voz alta . Para ele , chocar Aragog em uma despensa não era propriamente estar inocente . Quando se aproximaram de o castelo , Harry esticou o manto para garantir que os pés de ambos ficavam cobertos . Em seguida , empurrou as portas de a frente que chiaram . Atravessaram com todo o cuidado o * hall * de entrada e subiram a escadaria de mármore , contendo a respiração em os corredores guardados por sentinelas atentos . Por fim , chegaram a a segurança de a sala de os Gryffindor onde o lume ardera até se transformar em brasas brilhantes . Tiraram o manto e subiram a escada serpenteante que os levava a o dormitório . Ron caiu em a cama sem sequer se despir mas Harry , apesar_de tudo , não tinha sono . Sentou se em a beirinha de a cama , pensando em todas_as coisas que Aragog dissera . A criatura que andava por o castelo , pensou , era uma espécie de monstro Voldemort , nem os outros monstros queriam pronunciar o seu nome . Mas ele e o Ron não estavam agora mais perto_de descobrir o que era nem como petrificava as suas vítimas . Se nem o Hagrid chegara a saber o que estava em a Câmara_dos_Segredos ... Harry balançou as pernas e atirou se para_cima de a cama . Encostado a as almofadas olhou a Lua que brilhava através de a janela de a torre . Não sabia que mais poderiam fazer . Só tinham encontrado portas fechadas . Riddle apanhara a pessoa errada . O herdeiro de Slytherin fugira e ninguém sabia se era a mesma pessoa ou uma outra que abrira , desta_vez , a Câmara_dos_Segredos . Não havia mais ninguém a quem fazer perguntas . Harry deitou se ainda a pensar em as palavras de Aragog . Estava a começar a ficar com sono quando aquilo que parecia ser uma última esperança lhe ocorreu , fazendo o sentar se muito direito em a cama . - Ron - sussurrou em o escuro . - Ron . Ron acordou com um ganido como os de o Fang . Olhou muito assustado em volta e viu o Harry . - Ron , a rapariga que morreu . Aragog contou nos que ela foi encontrada em uma casa_de_banho - disse , ignorando os roncos de o Neville em o outro canto de o quarto . - E se ela nunca tivesse saído de a casa_de_banho ? E se ainda lá estiver ? Ron esfregou os olhos , franzindo as sobrancelhas sob a luz de a Lua . E só então compreendeu . -- Não pensar que ... a Murta_Queixosa ? XVI_A_Câmara_dos_Segredos -- E estivemos nós tantas vezes em aquela casa_de_banho com ela apenas a três cubículos de distância - disse o Ron amargamente em o dia seguinte , a a mesa de o pequeno-almoço . - Podíamos ter lhe perguntado e agora ... Já fora bastante difícil procurar as aranhas . Escapar a os professores o tempo suficiente para ir até a a casa_de_banho de as raparigas , que ficava mesmo em frente de o lugar onde ocorrera o primeiro ataque , ia ser quase impossível . Mas alguma coisa aconteceu que fez com que a Câmara_dos_Segredos desaparecesse de os seus pensamentos pela_primeira_vez em várias semanas . A professora Mc_Gonagall comunicou lhes que os exames começariam a 1_de_Junho , uma semana depois . - Exames ? - gritou Seamus_Finnigan . - Nós mesmo_assim vamos ter exames ? Ouviu se um estrondo atrás de o Harry quando a varinha de o Neville_Longbottom lhe escapou de a mão , fazendo desaparecer uma de as pernas de a secretária . A professora Mc_Gonagall repô a com a sua varinha e voltou se com má cara para o Seamus . - Se temos a escola aberta em uma altura de estas é para vocês receberem instrução - disse com dureza . - Os exames terão lugar , portanto , como é costume e espero que todos vocês façam revisões até lá . Revisões . Não passara por a cabeça de o Harry que houvesse exames com o castelo em aquele estado . Houve uma série de murmúrios revoltados , o que fez com que a professora Mc_Gonagall ficasse ainda mais mal-humorada . - As instruções de o professor Dumbledore foram para manter a escola a funcionar o mais normalmente possível - disse . - E isso , não preciso de vos dizer , passa por uma avaliação de o quanto vocês aprenderam a o longo de este ano . Harry olhou para baixo , para o casal de coelhos brancos que ele deveria transformar em pantufas . Que tinha ele aprendido durante o ano ? Não era capaz de se lembrar de nada que fosse útil em um exame . Ron estava como_se tivessem acabado de lhe dizer que a partir de aquele momento tinha de ir viver para a floresta proibida . - Estás a ver me a ter exames com isto tudo ? - perguntou a o Harry enquanto pegava em a varinha que tinha começado a assobiar bastante alto . Três dias antes de o primeiro exame , a a hora de o pequeno almoço , a professora Mc_Gonagall fez outra comunicação . - Tenho boas notícias - disse , e o salão em_vez_de se calar , explodiu de contentamento . - Dumbledore vai regressar ! - gritaram várias pessoas cheias de alegria . - Apanharam o herdeiro de Slytherin - arriscou uma rapariga em a mesa de os Ravenclaw . - Temos outra_vez os jogos de Quidditch - bradou Wood , excitadíssimo . Quando a agitação passou , Mc_Gonagall disse : - A professora Sprout informou me que as mandrágoras estão finalmente prontas para serem cortadas . Hoje a a noite vamos poder reanimar as pessoas que foram petrificadas . Escusado será dizer que certamente uma de elas poderá revelar nos quem ou o que a atacou . Eu tenho esperança que este ano pavoroso acabe com a prisão de o culpado . Houve uma explosão de aplausos . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e não ficou nada surpreendido a o ver que Draco_Malfoy não aplaudia . O Ron , por outro lado , estava satisfeito como ninguém o via havia dias . - Não faz mal não termos perguntado a a Murta . A Hermione vai , com certeza , ter todas_as respostas quando acordarem . Vai também ficar fula quando souber que temos exames dentro_de três dias . Ela não pôde fazer revisões . Seria melhor deixarem a estar onde está até a o final de os exames . Nessa_altura , Ginny_Weasley veio sentar se junto de o Ron . Parecia nervosa e tensa e Harry reparou que torcia as mãos em o colo . - O que se passa ? - perguntou o Ron , servindo se de mais papa de aveia . Ginny não disse nada mas olhou para um lado e para o outro de a mesa de os Gryffindor , com um olhar assustado que lembrou a Harry alguém que não sabia bem quem era . - Vá lá , vomita - disse o Ron , olhando para ela . Harry percebeu subitamente quem a Ginny lhe lembrara . Ela balançava se ligeiramente para a frente e para trás em a cadeira , exactamente como o Dobby fazia quando estava hesitante , à_beira_de revelar uma informação proibida . - Tenho de te dizer uma coisa - balbuciou a Ginny receosa , sem olhar para Harry . - O que é ? - perguntou ele . Ginny parecia incapaz de encontrar as palavras certas . - O quê ? - insistiu Ron . Ginny abriu a boca mas não saiu nenhum som . Harry inclinou se para a frente e falou devagar para que só ela e Ron pudessem ouvi o . - É alguma coisa relacionada com a Câmara_dos_Segredos ? Viste alguma coisa ou alguém a agir de forma estranha ? Ginny respirou fundo e , em esse preciso momento , apareceu Percy_Weasley com um ar pálido e cansado . - Se já acabaste de comer eu fico com esse lugar , Ginny . Estou cheio de fome . Acabei agora o meu trabalho de patrulhamento . Ginny deu um salto como_se a cadeira tivesse acabado de ser electrificada , lançou a o Percy um olhar assustado e zarpou . Percy sentou se e tirou uma caneca de o meio de a mesa . -- Percy - disse o Ron aborrecido . - Ela ia agora mesmo contar nos uma coisa importante . A meio de um gole de chá , Percy estremeceu . - Que coisa ? - perguntou , tossindo . - Eu quis saber se ela tinha visto alguma coisa estranha e ela ia dizer ... - Ah ! isso ... não tem nada que ver com a Câmara_dos_Segredos - disse o Percy de imediato . - Como sabes ? - indagou o Ron , erguendo as sobrancelhas . - Bem ... er ... já_que perguntam , a Ginny ... er ... passou por mim em outro dia quando eu ... er ... não foi nada , o importante é_que ela viu me fazer uma coisa e eu ... um ... pedi lhe para não comentar com ninguém . Não pensei que ela cumprisse a palavra , verdade se diga . Não é nada importante , eu só ... Harry nunca vira o Percy tão pouco a a vontade . - O que estavas a fazer , Percy ? - riu se o Ron . - Vá lá , conta que nós não nos rimos . Percy ficou sério . - Passa me esses pãezinhos , Harry , estou cheio de fome . Harry sabia que todo o mistério poderia ser desvendado em o dia seguinte sem a ajuda de eles mas não ia deixar de falar com a Murta_Queixosa se a oportunidade surgisse . E , para sua grande satisfação , ela surgiu a meio de a manhã quando eram conduzidos a a aula de História_da_Magia_por_Gilderoy_Lockhart . Lockhart , que tantas vezes lhes assegurara que o perigo tinha passado , estava agora totalmente convencido de que acompanhar os alunos em os corredores era um trabalho inútil . O seu cabelo estava mais liso do_que de costume . Parecia ter passado toda_a noite acordado a vigiar o quarto andar . - Podem escrever o que eu digo - afirmou , acompanhando os até uma esquina . - As primeiras palavras que vão sair de a boca de aquelas pobres pessoas petrificadas serão - * _ Foi_o_Hagrid * . Francamente , estou espantado por a professora Mc_Gonagall considerar ainda necessárias estas medidas de segurança . - Concordo , professor - disse Harry , fazendo com que Ron , surpreendido , deixasse cair os livros a o chão . - Obrigado , Harry - disse Lockhart amavelmente , enquanto deixavam passar uma grande fila de Hufflepuffs . - verdade é_que os professores já têm bastante que fazer para andarem também a acompanhar os alunos a as aulas e a guardar os corredores a a noite ... - É verdade - disse o Ron , percebendo a ideia . - Porque não nos deixa aqui , professor , só falta mais um corredor . - Sabes , Weasley , sou mesmo capaz de fazer isso - disse Lockhart . - Preciso de preparar a minha próxima aula . E apressou se a seguir o seu caminho . - Preparar a aula - zombou o Ron . - Vai encaracolar o cabelo , é o mais certo . Deixaram os restantes Gryffindor passar lhes a a frente e por fim cortaram caminho em um corredor lateral e dirigiram se a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mas quando estavam a congratular se por o seu esquema brilhante ... - Potter , Weasley ! Que estão vocês a fazer aqui ? Era a professora Mc_Gonagall e a boca de ela estava mais fina do_que nunca . - Nós estávamos , estávamos - gaguejou o Ron . - Nós íamos ver , íamos ver ... - Hermione - completou Harry . A professora Mc_Gonagall e Ron olharam para ele . - Não a vemos há séculos , professora - prosseguiu Harry , pisando o pé a o Ron . - E pensamos ir espreitá a a a ala hospitalar e dizer lhe que as mandrágoras estão quase prontas , para ela não se preocupar . A professora Mc_Gonagall estava ainda a olhar para ele e , por um momento , Harry pensou que ela ia explodir mas , quando falou , fê lo em um tom de voz estranhamente rouco . - É claro - disse . E Harry , espantado , viu uma lágrima a brilhar lhe em o canto de um de os olhos . - É claro . Eu compreendo que tudo_isto tem sido muito duro para os amigos de aqueles que foram ... eu compreendo , sim , Potter . Podem ir visitar Miss_Granger . Eu mesma informarei o professor Binns de que vocês estão em o hospital . Digam a Madam_Pomfrey que vos dei autorização . Harry e Ron afastaram se , quase sem acreditar que tinham escapado a um castigo . Quando voltaram em uma esquina ouviram nitidamente a professora Mc_Gonagall a assoar se . - Esta - disse o Ron entusiasmado - foi a melhor história que tu alguma vez inventaste . Não tinham outro remédio senão ir a a ala hospitalar e dizer a Madam_Pomfrey que tinham autorização de a professora Mc_Gonagall para visitar Hermione . Madam_Pomfrey deixou os entrar com alguma relutância . - Não vale a pena falar com uma pessoa petrificada - disse , e ambos tiveram que admitir que ela tinha razão quando se sentaram junto de Hermione e constataram que ela não tinha a menor noção de estar acompanhada . Dizer lhe que não se preocupasse ou falar com o armário que estava a o lado de a cama era exactamente a mesma coisa . - Será que ela viu quem a atacou ? - perguntou o Ron , olhando com tristeza para o rosto rígido de Hermione . - Porque se a coisa saltou sobre eles , ficaremos todos sem saber de nada . Mas Harry não olhava para o rosto de Hermione . Estava mais interessado em a sua mão direita que se encontrava pousada sobre os cobertores e , inclinando se para ela , viu que tinha , fechado entre os dedos , um pedaço de papel . Assegurando se de que Madam_Pomfrey não dava por nada , fez sinal a o Ron . - Tenta tirá o - murmurou ele , colocando a cadeira de_modo_a que Madam_Pomfrey não pudesse ver o Harry . Não foi tarefa fácil . A mão de a Hermione estava fechada com uma força tal que Harry receou parti a . Enquanto Ron vigiava , ele forçou e torceu até que , por fim , depois de vários minutos bastante tensos , conseguiu tirar o papel . Era uma página retirada de um livro muito antigo de a biblioteca . Harry alisou a ansiosamente e Ron inclinou se para poder lês a também . * _ De todos os monstros assustadores que pairam a a face de a Terra , nenhum é tão curioso nem tão fatal como o Basilisk , também conhecido por o rei de as serpentes . Esta cobra que pode atingir proporções gigantescas e viver durante muitas centenas de anos nasce de um ovo de galinha que é chocado por um sapo . As suas formas de matar são pavorosas pois além de os dentes venenosos e mortais , o Basilisk tem um olhar criminoso e todos aqueles que ele fixa com os olhos tem morte instantânea . As aranhas fogem a sete pés de o Basilisk que é seu inimigo mortal , e o Basilisk foge apenas de o canto de o galo que para ele é fatal * . Por debaixo de isto uma única palavra fora escrita , em a letra que Harry reconheceu como sendo de Hermione : Canos . Foi como_se se tivesse acendido uma luz em o seu espírito . - Ron - murmurou - é isso . Está aqui a resposta . O monstro de a Câmara_dos_Segredos é um Basilisk , uma serpente gigante . Por isso , só eu tenho ouvido a sua voz em todos os lugares , porque eu compreendo * serpentês * ... Harry olhou para as camas em volta . - O Basilisk mata as pessoas fixando as com o olhar mas ninguém morreu , o que quer_dizer que ninguém o olhou directamente em os olhos . Colin viu o através de a lente de a máquina fotográfica e o Basilisk queimou o rolo que estava lá dentro mas o Colin ficou apenas petrificado . O Justin ... o Justin deve ter visto o Basilisk através de o Nick quase sem cabeça . O Nick é_que levou com o olhar mas não podia morrer outra_vez ... e perto de a Hermione e de a prefeita de os Ravenclaw foi encontrado um espelho . Hermione acabara de compreender que o monstro era um Basilisk . Aposto que preveniu a primeira pessoa que encontrou de que era melhor olhar por um espelho a o virar de cada esquina . E aquela rapariga puxou de o seu espelho e ... O Ron estava de queixo caído . - E Mrs._Norris ? - perguntou vivamente . Harry pensou um_pouco , tentando imaginar a cena em a noite de o Halloween . - A água . . . - disse lentamente . - A poça de água que saiu de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Aposto que Mrs._Norris só viu o reflexo de o monstro . Examinou a folha de papel que tinha em a mão . Quanto_mais olhava mais sentido faziam as coisas . - * _ O cantar de o galo é fatal para ele * - leu em voz alta . - Os galos de o Hagrid foram mortos . O herdeiro de Slytherin não queria um único galo perto de o castelo , com a câmara aberta . * _ As aranhas são as primeiras a fugir * . Tudo encaixa . - Mas , como tem o Basilisk andado por aí ? - disse o Ron . - Uma serpente horrível e enorme ... alguém a teria visto . Mas Harry apontou para a palavra que Hermione escrevinhara em o final de a página . - Canos - disse . - Canos ... Ron , ele tem usado a canalização . Eu ouvi sempre a voz dentro de as paredes ... Ron agarrou subitamente o braço de o Harry . - A entrada para a Câmara_dos_Segredos - disse em uma voz rouca . - E se for em uma casa_de_banho ? Se for em a ... - Em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa - completou Harry . Sentaram se , tomados de uma excitação enorme , mal querendo acreditar . - Isso significa que - disse o Harry - eu não posso ser o único em a escola a falar * serpentês * . Há também o herdeiro de Slytherin . É de esse modo que tem controlado o Basilisk . - O que vamos fazer ? - perguntou Ron com os olhos a faiscar . - Vamos falar com a Mc_Gonagall ? - Vamos até a a sala de os professores - disse Harry , dando um salto . - Ela estará lá dentro_de dez minutos , está quase em o intervalo . Desceram a escada a correr . Não querendo ser descobertos outra_vez a vaguear por os corredores foram directamente até a a sala de os professores que estava deserta . Era uma divisão ampla , toda forrada , com cadeiras de madeira escura . Harry e Ron passearam de um lado para o outro , demasiado nervosos para se sentarem . Mas a campainha anunciando o intervalo nunca mais tocava . Em vez de isso , ecoando em os corredores , ouviram a voz de a professora Mc_Gonagall incrivelmente ampliada . - * _ Todos os alunos devem regressar de imediato a os seus dormitórios . Todos os professores a a sala de professores . Imediatamente , por favor * . Harry deu meia volta e olhou para o Ron . - Não me digas que houve um novo ataque , não agora ! - Que vamos fazer ? - disse o Ron aterrado . - Voltar para o dormitório ? - Não - disse Harry , olhando e m volta . Havia uma espécie de armário a a sua esquerda cheio com os mantos de os professores . - Ali . Vamos ouvir o que se passa . A seguir poderemos contar lhes o que descobrimos . Esconderam se dentro de o armário , ouvindo a algazarra de centenas de pessoas e a porta de a sala de professores a abrir se . De o meio de a confusão de mantos bafientos , viram os professores encherem a sala . Alguns tinham um ar totalmente confuso , outros pareciam apavorados . Por fim , chegou a professora Mc_Gonagall . - Aconteceu - disse em o silêncio de a sala de professores . - O monstro levou uma aluna . Levou a mesmo para a câmara . O professor Flitwick soltou um grito agudo . A professora Sprout bateu com a mão em a boca . Snape agarrou com força as costas de uma cadeira e perguntou : - Como pode ter tanta certeza ? - O herdeiro de Slytherin - disse a professora Mc_Gonagall , muito pálida . - Deixou outra mensagem . Mesmo por baixo de a primeira : « * _ O esqueleto de ela ficará para sempre em a Câmara_dos_Segredos * . » O professor Flitwick desatou a chorar . - Quem é ela ? - quis saber Madam_Hooch que se afundara em uma cadeira . - Quem é a aluna ? - Ginny_Weasley - disse a professora Mc_Gonagall . Harry viu o Ron , a o seu lado , escorregar silenciosamente até a o chão de o armário . - Vamos ter que mandar todos os alunos embora amanhã - disse a professora Mc_Gonagall . Isto_é o fim de Hogwarts , Dumbledore sempre disse ... A porta de a sala de os professores voltou a abrir se . Por um breve momento , Harry pensou que fosse Dumbledore mas era Lockhart e vinha todo sorridente . - Peço desculpa , adormeci . Perdi alguma coisa ? Não pareceu reparar que os outros professores o olhavam com uma espécie de aversão . Snape deu um passo em frente . - O homem que faltava - disse . - O homem certo . O monstro raptou uma garota , Lockhart levou a para a Câmara_dos_Segredos . O seu momento chegou . - Isso mesmo , Lockhart - acrescentou a professora Sprout . - Não estavas a dizer ontem a a noite que sempre tinhas sabido onde era a entrada para a Câmara_dos_Segredos ? - Eu ... bem ... eu-disse atabalhoadamente Lockhart . - Sim , não me disseste que sabias exactamente o que estava lá dentro ? - disse com voz esganiçada o professor Flitwick . - Eu disse ? Não me lembro ... - Lembro me perfeitamente de o ouvir dizer que lamentava não ter feito uma tentativa com o monstro antes de o Hagrid ser preso - disse Snape . - Não disse que toda_a história tinha sido uma atrapalhação e que deveriam ter lhe dado carta branca desde o princípio ? Lockhart olhou em volta para a cara de espanto de os colegas . - Eu ... nunca ... eu de facto ... deve ter me compreendido mal . - Então vamos deixar te , Gilderoy - disse a professora Mc_Gonagall . - Esta noite será uma excelente oportunidade para actuares . Nós trataremos de assegurar que ninguém te atrapalha . Vais poder enfrentar o monstro sozinho . Finalmente tens carta branca . Lockhart olhou desesperado a a sua volta mas ninguém foi salvá o . Já não estava bem-parecido . O lábio tremia lhe e a ausência de o seu habitual sorriso de dentes brancos dava lhe um ar escanzelado . - M-muito bem - disse . - Vou até a o meu escritório para ... para me preparar . E saiu de a sala . - _ óptimo - exclamou a professora Mc_Gonagall com as narinas dilatadas . - Isto deve afastá o de o nosso caminho . Os chefes de casa devem ir agora comunicar a os respectivos alunos o que se passou e informá os de que o Expresso_de_Hogwarts os levará a casa amanhã de manhã . Os restantes certifiquem se , por favor , de que não há alunos fora de os dormitórios . Os professores levantaram se e saíram um a um . Foi talvez o dia pior de a vida de o Harry . Ele , Ron , Fred e George sentaram se juntos a um canto em a sala comum de os Gryffindor , incapazes de proferir uma palavra . Percy não estava lá . Tinha ido tratar de enviar uma coruja a Mr. e Mrs._Weasley e , em seguida , fechara se em o dormitório . Nunca uma tarde custara tanto a passar e nunca a torre de os Gryfffindor estivera tão cheia de gente e tão silenciosa . Fred e George foram para a cama quase a o pôr de o Sol , incapazes de ficar ali mais tempo . - Ela sabia qualquer coisa , Harry - disse o Ron , falando pela_primeira_vez desde_que tinham saído de o armário de a sala de os professores . - Por isso a levaram . Não era nenhuma parvoíce sobre o Percy , ela tinha descoberto qualquer coisa sobre a Câmara_dos_Segredos . Com certeza por isso é_que a ... - Ron esfregou os olhos , enervadíssimo . - Afinal ela era sangue puro , não pode haver outra explicação . Harry olhava para o sol que mergulhava de um vermelho cor de sangue em a linha de o horizonte . Era a pior coisa que lhe tinha acontecido . Se pelo_menos pudessem fazer alguma coisa . - Harry - disse o Ron . - Achas que há alguma possibilidade de ela não estar ... ? Sabes o que eu quero dizer . Harry não sabia que resposta dar . Não acreditava que a Ginny pudesse ainda estar viva . - Sabes uma coisa ? - disse o Ron . - Acho que devíamos ir ter com o Lockhart , contar lhe o que sabemos . Ele vai tentar entrar em a câmara , podemos dizer lhe onde achamos que fica a entrada e contar lhe que o monstro é um Basilisk . Como Harry não tinha nenhuma ideia melhor e como queria fazer alguma coisa , concordou . Os Gryffindor que os rodeavam estavam tão tristes e com tanta pena de os Weasley que ninguém tentou impedi os quando os viram levantar se , atravessar a sala e sair por o buraco de o retrato . A escuridão começava a instalar se quando chegaram a o escritório de Lockhart onde a actividade era muita . De o corredor ouvia se o ruído de coisas a serem deitadas fora , pancadas surdas e passos apressados . Harry bateu a a porta e houve um silêncio repentino . Em seguida abriu se uma fresta de a porta e viram um de os olhos de Lockhart a espreitar . - Oh ! ... Mr._Potter ... Mr._Weasley - disse entreabrindo a porta . - Estou um_pouco ocupado em este momento , se forem rápidos ... - Professor , nós temos informações para lhe dar - disse o Harry . - Acho que poderão ajudá o . - Er ... bem ... não é - o lado de a cara de Lockhart que conseguiam ver parecia muito pouco a a vontade . - Quer_dizer ... bem ... está bem . Abriu a porta e eles entraram . O escritório estava praticamente vazio . Em o chão estavam duas grandes malas abertas . Mantos verde-jade , lilás , azul-noite tinham sido apressadamente dobrados e guardados dentro_de uma de as malas . Os livros misturavam se todos dentro de a outra . As fotografias que antes cobriam as paredes estavam agora arrumadas em caixas , em cima de a secretária . - Vai a algum lado ? - perguntou Harry . - Er ... bem ... sim - disse Lockhart , arrancando de a porta um poster seu em tamanho natural , enquanto falava , e começando a enrolá o . - Uma chamada urgente ... inevitável ... tenho que ir . - E a minha irmã ? - perguntou o Ron bruscamente . - Bem , quanto_a isso foi uma pena - disse Lockhart , evitando olhá os em os olhos , abrindo uma gaveta e começando a despejar o seu conteúdo dentro_de um saco . - Ninguém lamenta mais do_que eu ... - O senhor é o professor de Defesa contra as artes negras - disse Harry . - Não pode ir se embora agora_que todas estas coisas de magia negra estão a acontecer aqui . - Bem , devo dizer te que ... quando aceitei o lugar ... - resmungou Lockhart , empilhando soquetes sobre os mantos - nada em a descrição de o meu trabalho fazia prever ... - Quer_dizer que vai fugir ? - perguntou Harry , incrédulo . - Depois de todas_as coisas que conta em os seus livros ? - Os livros podem ser enganadores - disse Lockhart delicadamente . - Mas foi o senhor que os escreveu - gritou Harry . - Meu rapaz - disse Lockhart , endireitando se e franzindo as sobrancelhas - usa o senso comum . Os meus livros não teriam vendido metade do_que venderam se as pessoas não acreditassem que eu tinha feito todas aquelas coisas . Ninguém está interessado em ler sobre um velho feiticeiro americano mesmo_que ele tenha salvo uma cidade inteira de os lobisomens , ficaria péssimo em a capa . E a bruxa que correu com a fada carpideira tinha um lábio leporino . Como vês . - Quer_dizer que ficou com os louros por tudo_o_que uma série de outras pessoas fizeram ? - perguntou Harry , sem querer acreditar . - Harry , Harry - disse Lockhart , abanando impacientemente a cabeça . - Não é tão simples assim . Envolveu muito trabalho . Tive de localizar todas essas pessoas , perguntar lhes em pormenor como tinham feito as coisas . Depois tive de lhes fazer um feitiço antimemória para que não voltassem a lembrar se do_que tinham feito . Se há uma coisa de que me orgulho é de os meus feitiços antimemória . Não , tive muito trabalho , Harry . Não foram só as sessões de autógrafos e as fotografias , sabes ? Quem quer ser famoso tem de estar preparado para um trabalho longo e fatigante . Fechou as malas a a chave . - Vejamos - disse . - Acho que está tudo . Sim , só falta uma coisa . - Empunhou a varinha e voltou se para eles . - Lamento muito , rapazes , mas vou ter de vos fazer um feitiço antimemória . Não posso deixar que vão por aí repetir os meus segredos . Não venderia nem mais um livro . Harry pegou em a varinha mesmo a tempo e Lockhart mal tinha levantado a de ele a o ar quando Harry gritou * _ Expelliarmus ! * Lockhart foi projectado de costas , indo cair em cima de a mala . A varinha voou por os ares . Ron agarrou a e atirou a por a janela aberta . - Não devia ter deixado o professor Snape ensinar nos esta - disse Harry furioso , dando um pontapé a uma de as malas . Lockhart olhava para ele , de_novo escanzelado . Harry apontava lhe a varinha . - O que queres que eu faça ? - perguntou debilmente . - Eu não sei onde fica a Câmara_dos_Segredos . Não posso fazer nada . - Está com sorte - disse Harry , forçando o com a varinha a pôr se de pé . - Nós julgamos saber onde é e o que está lá dentro . Vamos . Conduziram Lockhart para fora de o seu escritório , desceram com ele as escadas e seguiram por o corredor escuro em cuja parede brilhavam as mensagens , até a a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mandaram Lockhart a a frente . Harry gostou de ver que todo ele tremia . A Murta_Queixosa estava sentada em a cisterna de o cubículo de o fundo . - Ah ! são vocês - disse a o ver o Harry . - O que querem agora ? - Perguntar te como morreste - disse Harry . O aspecto de a Murta mudou por completo . Parecia que nunca lhe tinham feito uma pergunta tão lisonjeira . - Ooooh ! Foi horrível - disse satisfeita . - Aconteceu aqui mesmo . Morri em este cubículo . Lembro me tão bem . Estava escondida porque a Olive_Hornby andava a implicar comigo por causa de os meus óculos . A porta estava fechada e eu estava a chorar e , então , ouvi alguém entrar . Disseram qualquer coisa estranha em uma língua diferente , acho eu . Mas o que mais me espantou foi o ser um rapaz a falar . Por isso , abri a porta para lhe dizer que fosse a a casa_de_banho de eles e em esse momento - a Murta inchou com ar importante , o rosto a brilhar - morri . - Como ? - perguntou Harry . - Não faço ideia - disse a Murta em um tom de voz abafado . - Só me lembro de ver dois grandes olhos amarelos , de o meu corpo ficar preso e em seguida , sentir me a flutuar ... - olhou sonhadoramente para Harry . - E depois voltei . Estava disposta a vingar me de a Olive_Hornby , percebes ? Ela ia arrepender se de ter gozado com os meus óculos . - Onde foi exactamente que viste os tais olhos ? - perguntou Harry . - Algures por aí - disse a Murta , apontando vagamente para o lavatório em frente de o seu cubículo . Harry e Ron apressaram se . Lockhart estava de pé , mais atrás , com uma expressão de pavor em o rosto . O lavatório parecia perfeitamente vulgar . Examinaram o centímetro a centímetro , dentro e fora , incluindo os canos por baixo . E foi então que Harry reparou : de lado , rabiscada em uma de as torneiras de cobre , estava uma cobra pequenina . - Essa torneira nunca funcionou - disse vivamente a Murta enquanto ele tentava abri a . - Harry - sugeriu o Ron . - Diz qualquer coisa em * serpentês * . Mas , pensou Harry , as únicas vezes que conseguira falar * serpentês * tinham ocorrido quando confrontado com uma verdadeira serpente . Olhou , concentrado para a pequena cobra gravada em o cobre , tentando imaginá a como verdadeira . - Abre te - disse . Olhou para o Ron que abanou a cabeça . - Inglês - disse ele . Harry voltou a olhar para a cobra , forçando se a acreditar que estava viva . A luz de a vela fez parecer que se movia . - Abre te - repetiu . Mas desta_vez as palavras não foram o que ele ouviu . Um estranho sibilar escapou lhe de a boca e a torneira ganhou uma luz branca e brilhante e começou a rodar . Logo_a_seguir o lavatório mexeu se . Afastou se , melhor dizendo , saiu de o caminho , deixando um grande cano a a vista , um cano onde cabia um homem . Harry ouviu a respiração arquejante de o Ron e olhou de_novo para ele . Já decidira o que queria fazer . - Vou descer - disse . Não podia deixar de ir , agora_que acabavam de descobrir a entrada para a câmara , existindo uma possibilidade , por mais remota que fosse , de a Ginny ainda estar viva . - Eu também - disse o Ron . Houve uma pausa . - Bem , parece que não precisam mais de mim - apressou se Lockhart a dizer com uma réstia de sorriso . - Eu vou . . . Pôs a mão em o puxador de a porta mas Ron e Harry apontaram lhe ambos as varinhas . -- O senhor pode ir a a frente - disse rispidamente o Ron . Pálido e sem varinha , Lockhart aproximou se de a entrada . - Meus rapazes - disse em uma voz débil . - Meus rapazes , para quê tudo_isto ? Harry tocou lhe em as costas com a varinha e ele meteu as pernas em o cano . - Eu não me parece que ... - começou a dizer , mas o Ron deu lhe um empurrão e ele desapareceu por o cano abaixo . Harry foi rapidamente atrás . Introduziu se lentamente e deixou se cair . Era como escorregar em uma pista escura e interminável . Ele via outros canos , estendendo se em todas_as direcções mas nenhum tão largo como o de eles que se torcia e virava , inclinando se abruptamente . Harry sabia que estavam a chegar a um ponto muito abaixo de a escola e de os calabouços . Atrás_de si , ouvia o Ron gemendo em cada curva . E então , quando começava a preocupar se com o que iria acontecer quando tocassem em o chão , o cano tornou se horizontal e ele foi projectado com um ruído surdo , indo aterrar em o chão húmido de um túnel de pedra com altura suficiente para ele se pôr de pé . Lockhart estava a levantar se a alguma distancia , todo enlameado e pálido como um fantasma . Harry afastou se para deixar o Ron sair também de o cano . - Devemos estar quilómetros e quilómetros abaixo de a escola - disse o Harry cuja voz ecoou em o túnel negro . - Talvez até debaixo de o lago - arriscou o Ron , olhando em volta para as paredes escuras e viscosas . Voltaram se os três para olhar para a escuridão lá a o fundo . - * _ Lumus ! * - murmurou Harry a a varinha e ela voltou a acender se . - Vamos - disse a o Ron e a o Lockhart e avançaram , os passos a chapinharem ruidosamente em o chão molhado . O túnel era tão escuro que só conseguiam ver alguns centímetros a a frente . As suas sombras em as paredes molhadas pareciam monstruosas a a luz de a varinha . - Lembrem se - disse Harry baixinho enquanto caminhavam . - A o menor movimento fechem logo os olhos ... Mas o túnel era silencioso como um túmulo e o primeiro som inesperado que ouviram foi um grito de o Ron que escorregou em uma coisa que era afinal a cauda de um rato . Harry baixou a varinha para olhar para o chão e viu que estava cheio de pequenos ossos de animais . Fazendo um enorme esforço para evitar pensar em que estado iriam encontrar a Ginny , avançou até uma curva escura de o túnel . - Harry , está aqui qualquer coisa - disse o Ron com voz rouca , agarrando Harry por o ombro . Ficaram estáticos a olhar . Harry só conseguia ver a silhueta de algo enorme e curvo deitado em o túnel . Fosse o que fosse não se movia . - Talvez esteja a dormir - murmurou , olhando para os outros dois . Lockhart tapava os olhos com as mãos . Harry voltou se para olhar para a criatura com o coração a bater tanto que lhe doía em o peito . Lentamente , com os olhos quase fechados mas ainda conseguindo ver , Harry avançou com a varinha levantada . A luz deslizou sobre uma gigantesca pele de serpente , de um verde vivo e venenoso que estava vazia e enrolada em o chão de o túnel . A criatura que a abandonara devia ter , pelo_menos , seis metros e meio de comprimento . - Bolas - disse o Ron , perdendo as forças . Houve um movimento súbito atrás de eles . As pernas de Gilderoy_Lockhart cederam . - Levante se - disse o Ron de uma forma cortante , apontando lhe a varinha . Lockhart pôs se de pé . Em seguida empurrou o Ron , atirando o a o chão . Harry deu um salto , mas ... tarde de mais . Lockhart endireitava se com a varinha de o Ron em as mãos e um sorriso em o rosto . - A aventura acaba aqui , rapazes - disse . - Vou levar um bocado de esta pele de cobra para a escola , contar lhes que foi demasiado tarde para salvar a garota e que vocês os dois perderam tragicamente a memória com a visão de o seu corpinho mutilado . Digam adeus a as vossas recordações . Levantou a o ar a varinha avariada de o Ron e gritou * _ Obliviate ! * A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba . Harry pôs os braços sobre a cabeça e correu , escorregou em os anéis de a pele de cobra , afastando se de os grandes pedaços de tecto de o túnel que caíam em o chão com o ruído de trovões . Pouco depois estava sozinho , olhando para uma sólida parede de rocha partida . - Ron - gritou ele . - Estás bem , Ron ? - Estou aqui - respondeu a voz abafada de o Ron por detrás de a avalancha de rochas . - Eu estou bem mas este sujeito não . A varinha avariou o todo . Ouviu se um ruído surdo e um Oh ! gritado . Parecia que o Ron tinha acabado de dar a o Lockhart um pontapé em as canelas . - E agora ? - disse a voz de o Ron que parecia desesperada . - Não podemos passar , vai demorar séculos . Harry olhou para o tecto de o túnel onde tinham aparecido grandes fendas . Ele nunca tentara partir , através de a magia , nada tão grande como aquelas rochas e agora não lhe parecia ser o melhor momento para fazer experiências . E se o túnel abatesse ? Houve um ruído surdo e outro Oh ! atrás de as rochas . Estavam a perder tempo . A Ginny já estava havia duas horas em a Câmara_dos_Segredos . Harry sabia que só havia uma coisa a fazer . - Espera aqui - gritou a o Ron . - Fica com o Lockhart , eu vou lá . Se não voltar dentro_de uma hora ... Houve um silêncio cheio . - Eu vou ver se desloco um_pouco esta rocha - disse o Ron , tentando manter a voz firme . - Para tu poderes passar . E , Harry ... - Até já - disse o Harry , procurando injectar confiança em a sua voz trémula . E passou sozinho para lá de a imensa pele de serpente . Em_breve , o ruído de o Ron , tentando deslocar a rocha , deixou de se ouvir . O túnel virou uma e outra_vez . Os nervos de o corpo de o Harry tangiam de forma desagradável . Ele só queria que o túnel chegasse a o fim , fosse o que fosse que o aguardasse . E então , finalmente , quando atingiu a última curva , viu em a sua frente uma parede sólida que tinha gravadas duas serpentes enroladas uma em a outra , cujos olhos eram quatro esmeraldas , enormes e brilhantes . Harry aproximou se com a garganta seca . Não foi preciso imaginar que as serpentes eram autênticas . Os seus olhos pareciam estranhamente vivos . Foi fácil descobrir o que tinha de fazer . Pigarreou e os olhos de esmeraldas pareceram mexer se . - Abre te - disse Harry em um sibilar baixo . As serpentes desapareceram enquanto a parede se abria a o meio e , a tremer de os pés a a cabeça , Harry entrou . XVII_Herdeiro_de_Slytherin_Estava de pé em o fundo de uma divisão enorme , fracamente iluminada . Altíssimos pilares de pedra , cheios de serpentes gravadas que os enlaçavam , erguiam se , suportando um tecto que se perdia em a escuridão e que lançava sombras negras imensas através de a estranha luz esverdeada que enchia o local . Com o coração a bater descompassadamente , Harry ficou parado a ouvir aquele silêncio arrepiante . Estaria o Basilisk escondido em um canto cheio de sombras , atrás_de algum pilar ? E onde estaria Ginny ? Pegou em a varinha e avançou a o longo de as colunas serpenteantes . Cada_um de os seus passos provocava um enorme eco em as paredes sombrias . Harry tinha os olhos semicerrados e estava pronto para os fechar a o mais pequeno movimento . As órbitas de olhos fundos de as serpentes de pedra pareciam segui o . Por mais de uma_vez , com o estômago a dar um salto , Harry julgou vê os moverem se . Por fim , chegado a o nível de os dois últimos pilares , avistou uma estátua de a altura de a própria câmara que estava encostada a a parede de o fundo . Harry tinha de esticar o pescoço para olhar para_cima , para a cara de o gigante : era velho e com um ar simiesco , tinha uma barba enorme que lhe caía quase onde acabava a longa túnica de pedra . Os dois pés imensos e cinzentos pousavam em o chão de a câmara . E entre eles , voltada para baixo , estava uma figura pequenina vestida de preto com um cabelo flamejante . - Ginny - murmurou Harry , chegando perto de ela e ajoelhando se . - Ginny , por favor não estejas morta , não estejas morta ! Atirou a varinha para o lado , agarrou Ginny por os ombros e voltou a . O rosto de ela estava branco e frio como o mármore , contudo os olhos encontravam se fechados , portanto não estava petrificada . Mas então devia estar ... - Ginny , acorda por favor - repetiu Harry desesperado , sacudindo a . A cabeça de ela andava de um lado para o outro . - Ela não vai acordar - disse secamente uma voz . Harry deu um salto e girou sobre os joelhos . Um rapaz alto , de cabelo preto , estava encostado a o pilar mais próximo , a observá o . As sombras desfocavam o como_se Harry o visse através_de uma janela embaciada . Mas não havia como confundis o . - Tom , Tom_Riddle ? Riddle acenou , sem tirar os olhos de o rosto de Harry . - O que queres dizer com isso de ela não acordar ? - perguntou Harry desesperado . - Ela não está ... não está ? - Está viva - disse Riddle . - Mas , por um fio . Harry olhou fixamente para ele . Tom_Riddle estivera em Hogwarts há cinquenta anos atrás . Contudo , ali estava com uma luz estranha e desfocada a iluminá o , sem um dia a mais do_que os seus dezasseis anos . - És um fantasma ? - perguntou Harry . - Uma memória - disse Riddle . - Preservada em um diário durante cinquenta anos . Apontou para os pés de a estátua gigantesca . Ali , aberto em o chão , estava o pequeno diário de capa preta que Harry tinha encontrado em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Durante um segundo , Harry perguntou a si próprio como teria ido ali parar , mas havia coisas mais importantes a fazer . Preciso de a tua ajuda , Tom - disse Harry , levantando de_novo a cabeça de a Ginny . - Temos de sair de aqui . Há_um_Basilisk ... não sei onde está mas pode aparecer a qualquer momento . Por favor , ajuda me . Riddle não se mexeu . Harry , a transpirar , conseguiu levantar ligeiramente a Ginny de o solo e inclinou se para pegar em a varinha mas ela tinha desaparecido . - Viste a ... ? Olhou para_cima . Riddle continuava a olhá o , fazendo girar a varinha entre os dedos longos . - Obrigado - disse Harry , esticando o braço para a agarrar . Um sorriso surgiu então em os cantos de a boca de Riddle que continuou a olhar para ele , girando indolentemente a varinha . - Ouve , pá - disse Harry sem querer perder mais tempo , os joelhos a vergarem sob o peso morto de Ginny - temos de ir . Se o Basilisk aparece ... - Ele não vem enquanto não for chamado - disse Riddle com toda_a calma . Harry voltou a pousar Ginny em o chão , incapaz de a segurar por mais tempo . - Que queres dizer com isso ? - perguntou . - Dá me a minha varinha , posso precisar de ela . O sorriso de Riddle ampliou se . - Não vais precisar de ela - disse . Harry olhou o espantado . - O que queres dizer , não vou ? - Esperei muito_tempo por isto , Harry - disse Riddle . - Pela possibilidade de te ver , de falar contigo . - Olha , eu acho que tu não estás a perceber - disse Harry , perdendo a paciência . - Estamos em a Câmara_dos_Segredos , podemos conversar mais tarde . - Vamos conversar agora - disse Riddle , sorrindo de orelha a orelha e guardando a varinha de Harry em o bolso . Harry voltou a olhar para ele . Havia qualquer coisa de muito estranho em tudo aquilo . - Como é_que a Ginny ficou assim ? - perguntou pausadamente . - Bem , essa é uma pergunta interessante - disse Riddle , divertido . - E uma longa história , também . Julgo que o verdadeiro motivo que levou Ginny_Weasley a ficar assim foi o ter aberto o seu coração e revelado todos os seus segredos a um estranho ser invisível . - De quem estás a falar ? - perguntou Harry . - De o diário - disse Riddle . - De o meu diário . A Ginny escreve nele há meses e meses , contando me todas_as suas lamentáveis desgraças e atribulações : como os irmãos a arreliam , que teve de vir para a escola com manto , túnica e livros em segunda mão - os olhos de Riddle brilharam -- , que acha que o maravilhoso , o grande , o famoso Harry_Potter nunca vai gostar de ela ... Enquanto falava , nunca os olhos de Riddle se afastaram de a cara de o Harry . Havia em eles um olhar ávido . - É muito chato ter de ouvir as preocupações idiotas de uma garotinha de onze anos - prosseguiu . - Mas eu fui paciente . Respondi lhe , mostrei me simpático e amável . A Ginny pura e simplesmente adorou me . - * _ Nunca ninguém me compreendeu como tu , Tom ... estou tão feliz por ter este diário a quem me confiar ... é como ter um amigo que pode andar em o meu bolso * ... Riddle riu se . Um riso alto , frio , que não lhe ficava bem . Fez com que os cabelos de o pescoço de Harry se arrepiassem todos . - Verdade se diga que sempre consegui encantar as pessoas necessárias . Portanto a Ginny verteu em mim a sua alma e a alma de ela era precisamente o que eu queria . Fortaleceu me . Alimentei me de os seus medos mais profundos , de os seus mais obscuros segredos . Fui ficando cada_vez_mais forte e poderoso . Muito mais poderoso do_que a pequena Miss_Weasley até que comecei a transmitir lhe alguns de os meus segredos , a passar um_pouco de a minha alma para ela ... - O que queres dizer ? - perguntou Harry cuja boca ficara totalmente seca . - Ainda não descobriste , Harry_Potter ? - disse Riddle muito baixo . - Giony_Weasley abriu a Câmara_dos_Segredos , estrangulou os galos de a escola e escreveu mensagens assustadoras em as paredes . Atiçou a serpente de Slytherin contra quatro sangues de lama e contra o gato de o busca-pé . - Não - murmurou Harry . - Sim - disse calmamente Riddle . - É claro que a princípio não sabia o que estava a fazer . Era muito divertido . Gostava que visses as coisas que escreveu em o diário , começaram a ficar muito mais interessantes . * _ Querido_Tom * - recitou ele , olhando para a expressão horrorizada de o Harry . - * _ Acho que estou a perder a memória . Há penas de galo em todas_as minhas roupas e eu não sei como foram lá parar . Querido_Tom , não me lembro do_que fiz em a noite de o Hallowe'en mas foi atacada uma gata e eu estou cheia de tinta em a cara . Querido_Tom , o Percy não pára de me dizer que ando pálida e não pareço eu . Acho que ele suspeita de mim ... Houve outro ataque hoje e eu não sei onde estava . Tom , que vou eu fazer ? Acho que estou a ficar maluca ... acho que ando a atacar toda_a_gente , Tom ! * Harry tinha os punhos fechados , as unhas cravadas contra a palma de as mãos . - Levou muito_tempo até a pequenina estúpida deixar de confiar em o diário - disse Riddle . - Mas acabou por ficar desconfiada e tentou livrar se de ele . E é aí que tu entras , Harry . Tu encontraste o . E eu não poderia ter ficado mais satisfeito . De todas_as pessoas que poderiam ter ficado com ele , foste tu , aquele que eu ambicionava conhecer ... - E porque querias conhecer me ? - perguntou Harry . Começava a ser tomado por a raiva e fez um esforço para manter o tom de voz controlado . - Bem , a Ginny contou me tudo a teu respeito - disse Riddle . - A tua fascinante história . - Os seus olhos pousaram em a cicatriz em a testa de Harry e a sua expressão ganhou maior avidez . - Sabia que devia descobrir mais a teu respeito , falar te , encontrar me contigo se fosse possível . Por isso , para ganhar a tua confiança , resolvi mostrar te a famosa captura que fiz de aquele demente de o Hagrid . - O Hagrid é meu amigo - disse Harry já com a voz a tremer . - E tu tramaste o , não foi ? Pensei que tinha sido um engano , mas ... Ele riu se . O mesmo riso de antes . - Era a minha palavra contra a palavra de ele . Imagina a cara de o velho Armando_Dippet . De um lado Tom_Riddle , pobre mas brilhante , sem pais mas corajoso , prefeito de a escola , um modelo de aluno . De o outro lado , o Hagrid , grande e disparatado , arranjando problemas semana sim , semana não , tentando criar filhotes de lobisomens debaixo de a cama , escapando se para a floresta proibida para lutar com gigantes . Mas , devo admitir que até eu próprio fiquei admirado com os excelentes resultados de o meu plano . Pensei que alguém perceberia que o Hagrid nunca poderia ser o herdeiro de Slytherin . Demorei cinco anos inteirinhos até descobrir tudo_o_que me foi possível sobre a Câmara_dos_Segredos e a sua entrada secreta ... como_se o Hagrid tivesse cabeça ou poder ! - Só o professor de Transfiguração , Dumbledore , parecia achar que ele estava inocente . Convenceu Dippet a mantê o aqui e a treiná o como guarda de os campos . Sim , é natural que Dumbledore tenha adivinhado , nunca gostou de mim como os outros professores . - Aposto que Dumbledore viu através_de ti - disse Harry , de dentes cerrados . - Pelo_menos passou a vigiar me de perto , a partir de o momento em que o Hagrid foi expulso - disse Riddle descuidadamente . - Eu sabia que não era seguro voltar a abrir a câmara enquanto ainda estava em a escola mas não ia desperdiçar os longos anos que passara a pesquisar . Decidi , por isso , deixar um diário preservando em as suas páginas o meu ego de dezasseis anos para que um dia , com um_pouco de sorte , pudesse levar outro a seguir os meus passos e acabar o nobre trabalho de Salazar_Slytherin . - Bem , não o acabaste - disse Harry triunfante . - Ninguém morreu até agora , nem mesmo a gata . Dentro_de poucas horas a poção de mandrágoras estará pronta e todos os que foram petrificados voltarão de_novo a si . - Não acabei de te dizer que matar sangues de lama já não me interessa ? Há muitos meses que o meu alvo és tu . Harry olhou para ele . - Podes imaginar como fiquei furioso quando em outro dia o diário foi aberto e vi que era a Ginny quem estava a escrever e não tu . Ela viu te com o diário e entrou em pânico . E se tu descobrisses como trabalhar com ele e eu te repetisse todos os seus segredos ? Ainda pior , e se eu te contasse quem tinha andado a estrangular os galos ? Por isso , a grande palerma esperou que o teu dormitório estivesse deserto e foi lá roubá o . Mas eu sabia o que tinha de fazer . Estava muito claro para mim que a tua meta era o herdeiro de Slytherin . Por tudo_o_que a Ginny me contara a teu respeito , sabia que irias até onde fosse preciso para desvendar o mistério , principalmente se um de os teus melhores amigos tivesse sido atacado . E a Ginny disse me que a escola toda bichanava por tu falares * serpentês * ... Por isso , obriguei a Ginny a escrever a sua própria despedida em a parede , a vir até aqui e esperar . Ela debateu se e gritou e ficou muito chatinha . Mas , já não tem muita vida : pôs grande parte de ela em o diário , deu me a . O suficiente para eu abandonar , por fim , as suas páginas . Desde_que aqui cheguei que estou a a tua espera . Sabia que virias . Tenho muitas perguntas a fazer te , Harry_Potter . - Que perguntas ? - disse Harry com os punhos fechados . - Bem - prosseguiu Riddle , sorrindo de satisfação : - Como é_que um bebé sem especiais talentos de magia foi capaz de derrotar o maior feiticeiro de sempre ? Como conseguiste escapar só com uma cicatriz quando os poderes de Lord_Voldemort foram destruídos ? Havia agora em os seus olhos um brilho vermelho e irado . - O que é_que te interessa saber como eu escapei ? - disse Harry lentamente . - Voldemort veio depois de ti . - Voldemort - disse Riddle - é o meu passado , o meu presente e o meu futuro , Harry_Potter ... Tirou a varinha de o Harry de o bolso e começou a escrever em o ar três palavras brilhantes : TOM_MARVOLO_RIDDLE_Em seguida , fez um gesto com a varinha e as letras de o seu nome reagruparam se de outro modo . : __ eu sou lord __ voldemort ( I am Lord_Voldemort ) . - Vês ? - murmurou . - Era um nome que eu já usava em Hogwarts , para os meus amigos mais íntimos apenas , como é óbvio . Achas que ia usar para sempre o nome nojento de o meu pai Muggle ? Eu , em cujas veias , por o lado materno , corre o sangue de Salazar_Slytherin ? Eu , manter o nome de um Muggle tolo que me abandonou ainda antes de eu nascer só porque descobriu que a mulher com quem casara era uma bruxa ? Não , Harry , arranjei um novo nome , um nome que eu sabia que os feiticeiros de todo_o_mundo viriam um dia a ter medo de pronunciar , quando eu me tivesse tornado o maior feiticeiro de o mundo . A cabeça de Harry parecia bloqueada . Olhou como_que paralisado para Riddle , para o rapaz de o orfanato que depois de crescer iria matar os seus pais e tantos outros . Por fim , com algum esforço conseguiu falar . - Não és - disse em uma voz calma e cheia de ódio . - Não sou o quê ? - perguntou Riddle irritado . - Não és o maior feiticeiro de o mundo - disse Harry com a respiração acelerada . - Lamento desiludir te mas o maior feiticeiro de o mundo é Albus_Dumbledore . Toda_a_gente sabe . Mesmo tu , quando tinhas força , não ousavas tentar aproximar te de Hogwarts . Dumbledore viu através_de ti quando andavas em a escola e ainda agora te assusta onde quer que te escondas . O sorriso desaparecera de o rosto de Riddle , fora substituído por um olhar furioso . - Dumbledore foi afastado de este castelo por a minha simples memória - sibilou . - Ele não está tão longe como pensas - retorquiu Harry . Falava por falar , tentando assustar Riddle , desejando mais que assim fosse do_que acreditando em as suas palavras como uma verdade . Riddle abriu a boca mas não chegou a falar . Tinha começado a ouvir se uma música . Riddle deu uma volta , olhando para a câmara vazia . A música estava a ficar mais alta . Era misteriosa , arrepiante , sobrenatural . Fez_Harry ficar com os cabelos em pé e o coração aumentar lhe em o peito . Por fim , quando atingiu um ponto tão alto que Harry a sentiu vibrar dentro de as suas costelas , começaram a sair chamas de o topo de o pilar mais próximo . Uma ave carmesim de o tamanho de um cisne surgiu , assobiando a sua estranha melodia para o tecto em forma de abóbada . Tinha uma cauda dourada tão longa como a de um pavão e garras douradas e brilhantes que seguravam uma trouxa andrajosa . Segundos depois , a ave voava em direcção a Harry . Deixou cair a coisa andrajosa a os seus pés e pousou lhe pesadamente em o ombro . Quando abriu as enormes asas , Harry olhou para_cima e viu que tinha um longo bico afiado e olhos escuros pequenos e brilhantes . A ave parou de cantar . Ficou quieta junto de a cara de Harry , olhando fixamente para Riddle . - É uma fénix , disse Riddle , olhando sagazmente para ela . - Fawkes ? - murmurou Harry e sentiu as garras douradas apertarem lhe devagarinho o ombro . - E aquilo - disse Riddle , olhando para a coisa velha que Fawkes deixara em o chão - é o velho chapéu seleccionador , de a escola . Era , de facto . Amachucado , puído e sujo , o chapéu jazia imóvel a os pés de Harry . Riddle começou a rir . Riu se tanto que a câmara escura se lhe juntou em um eco tal que parecia que dez Riddles se riam ao_mesmo_tempo . - Eis o que Dumbledore envia a o seu defensor . Um pássaro que canta e um chapéu velho . Estás cheio de coragem , Harry_Potter ? Sentes te agora mais seguro ? Harry não respondeu . Podia não estar a ver a vantagem de a Fawkes ou de o chapéu seleccionador mas já não se sentia só , e esperou corajosamente que Riddle parasse de rir . - Vamos a o que importa , Harry - disse ele , ainda com um enorme sorriso . - Encontrámo nos duas vezes em o teu passado , em o meu futuro . E duas vezes falhei a o tentar matar te . Como foi que sobreviveste ? Conta me tudo . Quanto_mais falares , mais tempo tens de vida . Harry pensava rapidamente , medindo as suas possibilidades . Riddle tinha a varinha . Ele , Harry , tinha a Fawkes e o chapéu seleccionador que não lhe serviriam de muito em o combate . As coisas pareciam más , é certo . Mas quanto_mais tempo Riddle ali estivesse , mais vida retirava a a Ginny ... e , entretanto , Harry reparou que a silhueta de Riddle se tornava mais nítida , mais sólida . Se tinha de haver uma luta entre os dois , quanto_mais depressa melhor . - Ninguém sabe porque perdeste os poderes quando me atacaste - disse bruscamente . - Eu próprio não sei . Mas sei porque não conseguiste matar me . A minha mãe morreu para me salvar . A minha mãe , uma vulgar filha de Muggles - acrescentou , a tremer de raiva . - Ela impediu que tu me matasses . E eu vi te como tu és , em o ano passado . És um destroço , quase não existes . Foi onde o teu poder te levou . Estás sob um disfarce , és horrível e és louco . O rosto de Riddle contorceu se . Em seguida , forçou um sorriso pavoroso . - Quer_dizer , então , que a tua mãe morreu para te salvar . Sim , é um antifeitiço poderoso . Compreendo agora , afinal não há em ti nada de especial . Eu tinha curiosidade , sabes , porque há uma estranha semelhança entre nós , Harry_Potter . Até tu deves ter reparado . Somos ambos meio sangue , órfãos , educados com Muggles , provavelmente os dois únicos que falam * serpentês * desde o grande Slytherin , até nos parecemos um_pouco fisicamente ... mas afinal foi apenas uma questão de sorte que te salvou de mim . Era o que eu queria saber . Harry ficou parado , tenso , a a espera que Riddle levantasse a varinha mas o seu sorriso cínico ampliou se de_novo . - Agora , Harry , vou dar te uma pequena lição . Vamos confrontar os poderes de Lord_Voldemort , herdeiro de Salazar_Slytherin e de o famoso Harry_Potter , munido com as melhores armas que Dumbledore lhe deu . Lançou um olhar divertido a a Fawkes e a o chapéu seleccionador e , em seguida , afastou se . Harry com as pernas entorpecidas por o medo viu o parar entre dois pilares altos e olhar para a cara de pedra de Slytherin , lá em cima em a semi-obscuridade . Riddle abriu a boca e sibilou mas Harry compreendeu o que ele dizia . - * _ Responde-me , Slytherin , o maior de os quatro de Hogwarts * . Harry voltou se para olhar melhor para a estátua com Fawkes pousada em o ombro . A gigantesca cara de pedra de Slytherin movia se . Horrorizado , Harry viu a boca abrir se mais e mais até se transformar em um buraco negro . E algo se agitava dentro de a boca de a estátua . Algo se arrastava para fora de as suas entranhas . Harry recuou até a a parede escura de a câmara e enquanto fechava os olhos com força sentiu a asa de a Fawkes roçar lhe o rosto e levantar voo . Harry quis gritar : - Não me abandones ! - mas que possibilidades tinha uma fénix contra o rei de as serpentes ? Uma coisa enorme bateu em o chão de pedra que Harry sentiu estremecer . Sabia o que estava a acontecer , podia sentis o , quase podia ver a serpente gigantesca a sair de a boca de Slytherin . Foi então que ouviu a voz de Riddle sibilar : * _ Mata-o * . O Basilisk avançava em direcção a Harry . Ele ouvia o seu corpo enorme escorregar pesadamente por o chão cheio de pó . Com os olhos sempre fechados , Harry começou a correr para o lado , a as cegas , com as mãos abertas a tactear o caminho . Riddle ria se a as gargalhadas . Harry escorregou e caiu em o chão de pedra e a boca soube lhe a sangue . A serpente estava a poucos centímetros de ele . Podia ouvi a a aproximar se . Ouviu se um crepitar explosivo por cima de ele e alguma coisa pesada bateu lhe com tanta força que ele ficou encostado a a parede . Esperando que os dentes de a serpente lhe perfurassem o corpo , ouviu mais ruídos e qualquer coisa que se agitava com força contra os pilares . Não conseguiu evitar . Abriu bem os olhos para ver o que se passava . A enorme serpente , brilhante , de um verde veneno , espessa como o tronco de um carvalho , erguera se em o ar e a sua imensa cabeça agitava se de um lado para o outro , entre os dois pilares . Quando Harry , a tremer , se preparava para fechar de_novo os olhos , percebeu o que distraíra a cobra . Fawkes esvoaçava em volta de a sua cabeça e o Basilisk , furioso , tentava agarrá a com os dentes longos e afiados como sabres . Fawkes mergulhava . Harry deixou de ver o bico fino e dourado e uma brusca chuva de sangue escuro inundou o chão . A cauda de a serpente agitou se , não batendo em o Harry por_pouco e antes que ele pudesse fechar os olhos voltou se . Harry olhou lhe para a cara e viu que os seus olhos , os dois olhos amarelos e bolbosos tinham sido perfurados por a fénix . O sangue escorria por o chão e a serpente cuspia cheia de dores . - * _ Não * - Harry ouviu o grito de Riddle . - * _ Deixa a ave , deixa a ave , o rapaz está atrás_de ti , ainda podes cheirá o . Mata o ! * A serpente cega oscilou confusa , ainda em fúria . Fawkes andava a a volta de a cabeça de ela soprando a sua misteriosa cantilena , picando lhe aqui_e_ali o nariz cheio de escamas , enquanto o sangue jorrava de os seus olhos destruídos . - Ajudem me . Ajudem me - murmurava Harry aflito . - Alguém , ajude me . A cauda de a serpente chicoteou de_novo o chão . Harry baixou se . Algo macio tocou lhe em o rosto . O Basilisk lançara o chapéu seleccionador para os braços de o Harry que o agarrou . Era tudo_o_que tinha , a sua única esperança . Enfiou o em a cabeça e começou a ficar achatado contra o chão , enquanto a cauda de o Basilisk se lançava de_novo sobre ele . - Ajudem me , ajudem me - pensou Harry , os olhos comprimidos debaixo de o chapéu . - Por favor , ajudem me . Nenhuma voz lhe respondeu . Em vez de isso , o chapéu contraiu se como_se uma mão invisível o tivesse espalmado devagarinho . Alguma coisa muito dura e pesada caíra sobre a cabeça de Harry , conseguindo quase derrubá o . A ver estrelas em frente de os olhos , agarrou o chapéu para o puxar para baixo e sentiu lá dentro uma coisa longa e dura . Uma espada brilhante tinha surgido dentro de o chapéu . Tinha um cabo cravejado de rubis de o tamanho de pequenos ovos . - Mata o rapaz , deixa a ave . O rapaz está atrás_de ti . Cheira o ! Harry estava de pé , preparado . A cabeça de o Basilisk caía , o corpo serpenteava , batendo nos pilares quando se torcia para ficar de frente para ele . Harry podia ver as enormes órbitas ensanguentadas , a boca toda aberta , suficientemente grande para o engolir inteiro , munida de dentes tão longos como a sua espada , finos , brilhantes , venenosos ... Começou a atacar a as cegas . Harry baixou se e a serpente bateu em a parede de a câmara . Atacou de_novo e a sua língua bifurcada lambeu a parede ao_lado_de Harry que levantou a espada com ambas as mãos . O Basilisk investiu mais_uma_vez e agora a pontaria foi certa . Harry pôs todo o seu peso contra a espada e enterrou a até a os copos em o céu de a boca de a serpente . Mas quando o sangue quente lhe encheu os braços , sentiu uma dor aguda mesmo acima de o cotovelo . Um longo dente venenoso penetrava cada_vez_mais fundo em o seu braço , partindo se quando o Basilisk tombou para o lado , perdendo os sentidos . Harry escorregou a o longo de a parede , apertou com força o dente que estava a derramar veneno por todo o seu corpo e arrancou o de o braço . Mas sabia que era demasiado tarde . Uma dor quente emanava lenta e perseverantemente de a ferida . Quando deixou cair o dente e viu o seu próprio sangue manchando lhe as vestes , a vista começou a ficar turva e a câmara a diluir se em uma rotação ardente e colorida . Mas algo escarlate passou por ele e Harry ouviu a o seu lado um suave ruído de garras . - Fawkes - disse com a voz empastada . - Foste sensacional , Fawkes . - Sentiu o pássaro encostar a sua elegante cabeça a o sítio onde o dente de a serpente o tinha ferido . Ouviu passos ecoarem em o vazio e em seguida uma sombra escura moveu se em a sua frente . - Estás morto , Harry_Potter - disse a voz de Riddle , acima de ele . - Morto . Até o pássaro de Dumbledore sabe de isso . Vês o que ele está a fazer ? A chorar . Harry piscou os olhos . A cabeça de Fawkes ora estava focada , ora desfocada . Lágrimas grossas como pérolas escorriam de as suas penas . - Vou sentar me aqui a ver te morrer , Harry_Potter . Leva o teu tempo , eu não tenho pressa . Harry sentiu se sonolento . Tudo parecia girar a a sua volta . - E assim acaba o famoso Harry_Potter - disse a voz distante de Riddle . - Sozinho em a Câmara_dos_Segredos , esquecido por os amigos , finalmente derrotado por o Senhor de o mal que ele tão imprudentemente desafiou . Vais reunir te a a tua querida mãe sangue de lama , Harry ... Ela deu te doze anos de tempo emprestado ... Mas Lord_Voldemort apanhou te em o fim , como sabias que teria de acontecer . Se morrer é isto , pensou Harry , não é assim tão mau . Até a dor estava a desaparecer . Mas , estaria a morrer ? Em_vez_de ficar mais escura a câmara parecia voltar a estar nítida . Harry fez um pequeno gesto com a cabeça e viu a Fawkes ainda repousando a cabeça em o seu ombro . Uma fiada de pérolas brilhava em volta de a ferida , só que já não havia ferida . - Sai de aqui , pássaro - disse subitamente a voz de Riddle . - Afasta te de ele . Já te disse , sai de aqui ! Harry levantou a cabeça . Riddle apontava a sua varinha a Fawkes . Ouviu se um tiro que parecia de carabina e Fawkes levantou novamente voo em um rodopio de ouro e escarlate . - Lágrimas de fénix - disse Riddle em voz baixa , olhando para o braço de o Harry . - É claro ... poderes curativos ... esqueci me ... Olhou para a cara de Harry . - Mas não faz mal . Pensando bem , eu até prefiro assim . Tu e eu , Harry_Potter ... Tu e eu ... Levantou a varinha . Então , em um golpe de asa , Fawkes voou sobre as cabeças de ambos , deixando cair uma coisa em o colo de Harry : o diário . Durante uma fracção de segundo , tanto Harry como Riddle , ainda com a varinha levantada , ficaram a olhar para aquilo . Em seguida , sem pensar , sem ponderar , como_se pensasse fazê o desde o princípio , Harry agarrou o dente de o Basilisk que estava em o chão , junto de ele , e espetou o em o coração de o caderno . Ouviu se um grito longo e terrível . A tinta esguichou em torrentes de dentro de o diário , derramando se sobre as mãos de o Harry e inundando o chão . Riddle torcia se e contorcia se , agitando se a os gritos . E , por fim . Desapareceu . A varinha de Harry caiu a o chão com um ruído e fez se silêncio . Um silêncio apenas cortado por o ping ping de a tinta que ainda escorria de o diário . Com um leve crepitar , o veneno de o Basilisk abrira um buraco mesmo em o meio de o caderno . A tremer de os pés a a cabeça , Harry pôs se de pé . Sentia tudo a andar a a roda como_se tivesse viajado quilómetros e quilómetros com o pó de * _ Floo * . Lentamente apanhou a varinha e o chapéu seleccionador e com um grande estrondo retirou a espada de o céu de a boca de a serpente . Ouviu se então um gemido fraco a o fundo de a câmara . Ginny estava a mexer se . Quando Harry chegou junto de ela , sentou se . Os seus olhos abismados saltaram de o Basilisk morto para Harry em a sua roupa cheia de sangue e , em seguida , para o diário que ele tinha em as mãos . Soltou um enorme soluço e os seus olhos encheram se de lágrimas . - Harry , oh ! Harry , eu tentei dizer te a o pequeno-almoço mas não fui capaz em frente de o Percy . Era eu , Harry , mas eu ... eu ... juro que não queria ... o Riddle obrigou me , levou me e ... como é_que mataste esse bicho ? Onde está o Riddle ? A última coisa de que me lembro foi de o ver a sair de o diário ... - Está tudo bem - disse Harry , mostrando lhe o diário com o buraco de o dente . - O Riddle acabou , olha . Ele e o Basilisk . Anda , Ginny , vamos embora de aqui . - Vou com certeza ser expulsa - disse Ginny a chorar enquanto Harry a ajudava a pôr se de pé . - Desde_que o Bill veio para Hogwarts que eu sonhava vir também para cá e agora vou ter de me ir embora e ... O que vão a minha mãe e o meu pai dizer ? Fawkes esperava por eles , suspensa em o ar , a a entrada de a câmara . Harry fez a Ginny avançar , passaram sobre os anéis parados de o Basilisk , por a escuridão cheia de ecos e voltaram a o túnel . Harry ouviu as portas de pedra fecharem se atrás de eles com um leve sibilar . Depois de alguns minutos a caminhar por o túnel escuro , chegou a os ouvidos de Harry o som distante de o deslocar de uma rocha . - Ron - gritou ele , apressando se . - A Ginny está bem . Está aqui comigo ! Ouviu o Ron gritar de alegria e , voltando em a curva logo_a_seguir , viram a sua cara ansiosa a espreitar por a fresta que conseguira abrir durante a avalancha . - Ginny ! - Ron estendeu o braço por a fresta para a puxar primeiro . - Estás viva . Não posso acreditar . O que aconteceu ? Tentou abraçá a mas a Ginny afastou o , soluçando . - Mas estás bem , Ginny - disse o Ron , sorrindo para ela . - Já passou tudo ... De onde veio esse pássaro ? Fawkes passara por a abertura , atrás_de Ginny . - É de o Dumbledore - explicou Harry , espremendo se para caber também . - E como arranjaste uma espada ? - perguntou o Ron , olhando para a arma brilhante que Harry tinha em a mão . - Eu explico te tudo quando sairmos de aqui - disse Harry , lançando um olhar de esguelha a a Ginny . - Mas ... - Mais tarde - disse Harry rapidamente . Não lhe parecia uma boa ideia contar a o Ron quem tinha aberto a câmara , ali , em frente de a Ginny . - Onde está o Lockhart ? - Ali atrás - disse o Ron , a rir e a abanar a cabeça em direcção a o cano . - Está em muito mau estado . Anda ver . Conduzidos_pela_Fawkes , cujas grandes asas escarlates emitiam um suave dourado que brilhava em a escuridão , voltaram a o lugar onde o cano começava . Gilderoy_Lockhart estava sentado a falar sozinho . - Perdeu a memória - disse o Ron . - O feitiço de a memória fez ricochete . Não sabe quem é nem onde está , nem_sequer sabe quem nós somos . Eu disse lhe que viesse para aqui e esperasse . É um perigo para ele próprio . Lockhart olhou os bem-disposto . - Olá - disse . - Que lugar estranho , este . É aqui que vocês moram ? -- Não - respondeu o Ron , levantando as sobrancelhas para o Harry . Harry baixou se e observou o túnel escuro e longo . - Já pensaste como é_que vamos sair de aqui ? - perguntou a o Ron . O amigo abanou a cabeça mas Fawkes , a fénix , tinha passado por o Harry e estava agora em o ar , em frente de ele , os olhos como pérolas a brilharem em o escuro . Abanava as longas penas douradas de a cauda . Harry olhou para ela , inseguro . - Ela parece querer que a agarres - disse o Ron , perplexo . - Mas tu és muito pesado para um pássaro . - A Fawkes - disse Harry - não é um pássaro qualquer . Voltou se rapidamente para os companheiros . - Temos de nos agarrar uns a os outros . Ginny , agarra a mão de o Ron . O professor Lockhart ... - Ele está a falar consigo - disse o Ron secamente . - Agarre a outra mão de a Ginny . Harry guardou a espada e o chapéu seleccionador em o cinto . Ron deitou a mão a a roupa de Harry e Harry agarrou as penas de a cauda , estranhamente quentes , de a Fawkes . Sentiu uma extraordinária leveza apoderar se de todo o seu corpo e em seguida estavam todos a voar por o cano acima . Harry conseguia ouvir Lockhart , lá atrás , comentando : - Espantoso , isto parece mágico ! Ar frio batia em os cabelos de Harry e antes que ele deixasse de gostar de a viagem já ela acabara . Os quatro tinham chegado a o chão molhado de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa e , enquanto Lockhart endireitava o chapéu , o lavatório voltara a o seu lugar , tapando o cano . A Murta arregalou os olhos . - Vocês estão vivos - disse inexpressivamente a o Harry . - Não é preciso mostrares te tão desiludida - respondeu ele , muito sério , limpando as nódoas de sangue e lodo de os óculos . - Bem ... é_que eu pensei que se vocês morressem seriam bem-vindos a a minha casa_de_banho - disse a Murta com um rubor prateado . - Urgh ! - fez o Ron , quando saíram de ali para o corredor deserto . - Harry , acho que a Murta está a gostar de ti . Tens concorrência , Ginny ! A Ginny continuava a chorar silenciosamente . - Onde vamos agora ? - perguntou o Ron , olhando ansiosamente para ela . Harry apontou . Fawkes indicava o caminho , com o seu tom dourado que brilhava em o corredor . Seguiram a e pouco depois estavam em o escritório de a professora Mc_Gonagall . Harry bateu e empurrou a porta que estava encostada . XVIII_A recompensa de Dobby_Durante alguns momentos reinou o silêncio enquanto Harry , Ron , Ginny e Lockhart estavam em a entrada de a porta . Cobertos de pó e de lama e ( em o caso de o Harry ) sangue . Em seguida , ouviu se um grito . - Ginny ! Era_Mrs._Weasley que tinha estado a chorar , sentada em frente de o lume . Pôs se de pé em um salto , seguida de Mr._Weasley e precipitaram se ambos para a filha . Harry olhava para trás de eles . Dumbledore rejubilava junto de a lareira , a o lado de a professora Mc_Gonagall que , agarrada a o queixo , respirava com dificuldade . Fawkes rasou as orelhas de o Harry e foi instalar se em o ombro de Dumbledore , ao_mesmo_tempo que Harry dava por si em os braços de Mrs._Weasley . - Tu salvaste a ! Salvaste a ! : __ como foi que __ conseguiste ? - Acho que todos nós gostaríamos de saber - disse , sem energia , a professora Mc_Gonagall . Mrs._Weasley soltou o Harry , que hesitou um momento . Depois , foi até a a secretária e colocou sobre o tampo o chapéu seleccionador , a espada cravejada de rubis e o que restava de o diário de Riddle . Em seguida , contou lhes tudo . Falou durante quase um quarto de hora em o silêncio extasiado : contou lhes de a voz sem corpo que ouvia , como a Hermione acabara por descobrir que se tratava de um Basilisk que circulava em os canos , como ele e o Ron tinham seguido as aranhas até a a floresta , que Aragog lhes dissera que a última vítima de o Basilisk morrera , como tinham chegado a a conclusão que se tratava de a Murta_Queixosa e que a entrada para a Câmara_dos_Segredos devia ser em aquela casa_de_banho ... - Muito bem - elogiou a professora Mc_Gonagall quando ele se calou . - Então tu descobriste onde era a entrada , infringindo uma centena de regras de a escola por o caminho , devo dizer , mas como diabo saíram vocês vivos de lá de dentro ? Harry , com a voz já um_pouco rouca de falar tanto , contou lhes de a chegada de a Fawkes e de o chapéu seleccionador que lhe tinha dado a espada . Mas , chegando aí , hesitou . Até a o momento evitara referir se a o diário de Riddle ou a a Ginny . Ela tinha a cabeça encostada a o ombro de Mrs._Weasley e as lágrimas corriam lhe ainda por o rosto . E se a expulsassem ? - pensou Harry , tomado de pânico . O diário de Riddle já não funcionava ... quem poderia provar que fora ele que a obrigara a fazer tudo aquilo ? Olhou instintivamente para Dumbledore que sorria , o fogo iluminando lhe os óculos de meia-lua . - O que mais me interessa saber - disse Dumbledore amavelmente - é como conseguiu Lord_Voldemort enfeitiçar a Ginny quando as minhas fontes me dizem que ele se esconde habitualmente em as florestas de a Albânia . Um alívio , quente e glorioso percorreu Harry de a cabeça a os pés . - O quê ? - disse Mr._Weasley , em uma voz estupefacta . - O Quem nós sabemos enfeitiçou a Ginny ? Mas a Ginny não ... a Ginny não morr ... ? - Foi este diário - esclareceu Harry rapidamente . E mostrando o a Dumbledore . - O Riddle escreveu o quando tinha dezasseis anos . Dumbledore pegou em o diário e olhou atentamente por cima de o seu nariz longo e adunco para as páginas queimadas e húmidas . - Fantástico - disse em voz baixa . - É claro que ele deve ter sido o aluno mais brilhante que alguma vez passou por Hogwarts . - Olhou em volta para os Weasley que o observavam com um ar totalmente confuso . - Muito poucas pessoas sabem que Lord_Voldemort se chamou em tempos Tom_Riddle . Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos , em Hogwarts . Ele desapareceu depois de deixar a escola , viajou muito , mergulhou tão fundo em as artes de a magia negra , associado a os piores feiticeiros , realizou transformações mágicas tão perigosas que quando reapareceu como Lord_Voldemort estava totalmente irreconhecível . Ninguém o relacionou com o rapazinho inteligente e bonito que aqui foi , em tempos , chefe de turma . - Mas a Ginny - insistiu Mrs._Weasley . - O que tem a nossa Ginny que ver com ele ? - O diário - soluçou Ginny . - Eu andei todo o ano a escrever em o diário e ele respondia me ... - Ginny ! - repreendeu Mr._Weasley . - Não aprendeste nada do_que te ensinei ? Não me cansei de dizer te que nunca confiasses em nada que não pensasse por si próprio * se não conseguisses ver onde tinha o cérebro ? * Porque não me mostraste o diário , a mim ou a a tua mãe ? Um objecto suspeito como esse tinha de estar cheio de magia negra ! - Eu não sabia - soluçou Ginny . - Estava junto de os livros que a mãe me comprou . Pensei que alguém se tinha esquecido de ele ali . - É melhor Miss_Weasley ir imediatamente para a ala hospitalar - interrompeu Dumbledore com voz firme . - Foi sujeita a uma prova terrível . Não será castigada . Outros feiticeiros mais velhos do_que ela têm sido ludibriados por Lord_Voldemort . - Dirigiu se a a porta e abriu a . - Repouso , cama e talvez uma caneca de chocolate quente . A mim , anima me sempre - acrescentou , piscando lhe simpaticamente o olho . - Vais ver que Madam_Pomfrey ainda está acordada . Ela tem estado a dar o sumo de Mandrágora , julgo que as vítimas de o Basilisk estarão a acordar dentro_de momentos . de alegria . - Então a Hermione está bem ! - disse o Ron , cheio de alegria . - Não houve danos irreversíveis - disse Dumbledore . Mrs._Weasley saiu com a Ginny e Mr._Weasley seguiu as ainda bastante abalado . - Sabes , Minerva - disse pensativo o professor Dumbledore - acho que tudo_isto merece um banquete . Posso pedir te que previnas os cozinheiros ? - Certamente - disse animada a professora Mc_Gonagall , dirigindo se também a a porta . - Deixo te a tratar de as coisas com o Potter e o Weasley , está bem ? - Claro - disse Dumbledore . Saiu e os dois olharam inseguros para Dumbledore . Que quereria ela dizer com tratar de as coisas ? Certamente não iriam ser castigados ? - Lembro me de vos ter dito a ambos que teria de vos expulsar se voltassem a quebrar as regras de a escola - disse Dumbledore . Ron abriu a boca horrorizado . - O que vem mostrar nos que as melhores pessoas , às_vezes , têm de engolir as suas próprias palavras . - Dumbledore sorriu e continuou : - Vocês vão receber ambos uma recompensa especial por serviços prestados a a escola e ... deixem me ver , sim , acho que duzentos pontos cada_um para os Gryffindor . Ron ficou tão corado que parecia as flores de S._Valentim_do_Lockhart e voltou a fechar a boca . - Mas um de vós parece demasiado calado sobre a sua participação em esta perigosa aventura - acrescentou Dumbledore . - Porquê tanta modéstia , Gilderoy ? Harry estremeceu . Esquecera se por completo de Lockhart . Voltou se e viu o a um canto de a sala ainda com o mesmo sorriso vago . Quando Dumbledore se lhe dirigiu , olhou por cima de o ombro para ver com quem ele estava a falar . - Professor_Dumbledore - disse o Ron rapidamente - Houve um acidente lá em baixo , em a Câmara_dos_Segredos . O professor Lockhart - Eu sou um professor ? - perguntou Lockhart surpreendido . - E eu que pensei que era um inútil ! - Tentou fazer um feitiço antimemória e a varinha fez ricochete - explicou Ron_a_Dumbledore . - Incrível - disse Dumbledore , abanando a cabeça , o bigode prateado a tremer . - Trespassado por a tua própria espada , Gilderoy ! - Espada ? - disse Lockhart de forma imprecisa . - Eu não tenho espada . Esse rapaz é_que tem - apontou para Harry . - Ele empresta lhe uma . - Importas te de levar também o professor Lockhart até a a ala hospitalar , Ron ? - disse Dumbledore . - Eu gostava de falar um_pouco mais com o Harry . Lockhart saiu sem pressa . Antes de fechar a porta , Ron lançou um olhar curioso a Dumbledore e Harry . Dumbledore passou para uma de as cadeiras junto de o lume . - Senta te , Harry - disse . E Harry sentou se , sentindo se indescritivelmente nervoso . - Antes de mais , Harry , quero agradecer te - disse Dumbledore com os olhos a brilharem de_novo . - Deves ter demonstrado uma grande lealdade para comigo . Só isso poderia atrair a Fawkes para ir ajudar te . Deu uma palmadinha a a fénix que voara , entretanto , para_cima de os seus joelhos . Harry sorria acanhadamente sob o olhar observador de Dumbledore . - Encontraste , portanto , Tom_Riddle - disse o director amavelmente . - Calculo que ele estaria particularmente interessado em ti ... De repente , algo que Harry tinha engasgado saiu lhe descontroladamente de a boca para fora . - Professor_Dumbledore ... o Riddle disse que eu sou como ele , que há entre nós estranhas semelhanças ... - Ah ! sim ? - Dumbledore olhou pensativamente para ele , por debaixo de as espessas sobrancelhas prateadas . - E o que achas tu de isso ? - Eu não me considero parecido com ele - disse Harry mais alto do_que desejaria . - Isto_é , eu sou um Gryffindor , eu sou ... Mas calou se com uma dúvida a rondar lhe o espírito . - Professor - arriscou passado alguns momentos . - O chapéu seleccionador disse que eu ... teria ficado bem em os Slytherin ; durante algum tempo toda_a_gente pensou que eu era o herdeiro de Slytherin por falar * serpentês * ... - Tu falas * serpentês * , Harry - disse Dumbledore calmamente - porque Lord_Voldemort que é o mais recente antepassado de Salazar_Slytherin , fala * serpentês * . Ou eu me engano muito , ou ele transferiu para ti alguns de os seus poderes em a noite em que te fez essa cicatriz . Não que quisesse fazê o , claro , mas aconteceu . - Voldemort pôs um_pouco de si próprio em mim ? - disse Harry assombrado . - É o que parece ter acontecido . - Então eu deveria estar em os Slytherin - disse Harry , olhando desesperado para o rosto de Dumbledore . - O chapéu seleccionador viu em mim os poderes de Slytherin e ... -- Pôs te em os Gryffindor - concluiu tranquilamente Dumbledore . - Ouve , Harry , tu tens por acaso muitas de as capacidades que Salazar_Slytherin apreciava em os seus estudantes cuidadosamente seleccionados . O seu raro dom de falar * serpentês * , desenvoltura , determinação , um certo desprezo por as regras estabelecidas - acrescentou com o bigode a tremer de_novo . - Mas ainda_assim , o chapéu seleccionador pôs te em os Gryffindor . E sabes porquê ? Pensa um_pouco . - Só me pôs em os Gryffindor - disse Harry em uma voz débil - porque eu pedi para não ir para os Slytherin . - Exacto - disse Dumbledore a sorrir . - E isso torna te muito diferente de o Tom_Riddle . São as tuas escolhas , Harry , que mostram quem de facto tu és , mais do_que as tuas capacidades . Harry sentou se , imóvel e espantado , em a cadeira . - Se queres provas de que o teu lugar é em os Gryffindor , sugiro que vejas isto com mais atenção . Dumbledore aproximou se de a secretária de a professora Mc_Gonagall , pegou em a espada de prata ensanguentada e mostrou lhe a . Sem perceber , Harry voltou a ao_contrário . Os rubis brilharam a a luz de a lareira e foi então que ele reparou em o nome gravado mesmo por baixo de o copo de a espada . GODRIC_GRYFFINDOR . - Só um verdadeiro Gryffindor poderia ter tirado a espada de dentro de o chapéu , Harry - disse , com simplicidade , Dumbledore . Durante um minuto , nenhum de os dois falou . Depois , Dumbledore abriu uma de as gavetas de a secretária de a professora Mc_Gonagall e retirou de lá uma pena e um tinteiro . - Tu precisas de comer e ir dormir . Sugiro que desças para o banquete enquanto eu escrevo para Azkaban . Precisamos de recuperar o nosso guarda de os campos . E tenho de esboçar um anúncio para o * _ Profeta_Diário * - acrescentou pensativo . - Vamos precisar de um novo professor de Defesa contra as artes negras . É um problema , estamos sempre a perdê os . Harry levantou se e dirigiu se a a porta . Tinha acabado de estender a mão para o puxador quando ela se abriu tão violentamente que saltou de as dobradiças . Lucius_Malfoy estava de pé , furioso . E , debaixo de o braço , embrulhado em diversas ligaduras , estava Dobby . - Boa tarde , Lucius - disse Dumbledore , de forma amena . Mr._Malfoy quase derrubou Harry enquanto entrava em a sala . Dobby dava passos miudinhos atrás de ele , inclinado até a a bainha de o seu manto com um olhar apavorado em o rosto . - Então - disse Lucius_Malfoy com os olhos fixos em Dumbledore - voltaste . Os membros de o Conselho_Directivo suspenderam te , mas tu mesmo_assim sentiste te capaz de voltar a Hogwarts . - Bem vês , Lucius - disse Dumbledore , sorrindo serenamente . - Os outros membros de o Conselho contactaram me hoje . Fui envolvido em um redemoinho de corujas , todos queriam contar me a verdade . Ouviram dizer que a filha de Arthur_Weasley tinha sido morta e queriam me novamente aqui . Parece que me consideravam o melhor homem para o lugar . Contaram me algumas histórias muito estranhas . Alguns de eles tinham a impressão que tu tinhas ameaçado amaldiçoar lhes as famílias se não concordassem com a minha suspensão . Mr._Malfoy ficou ainda mais pálido do_que de costume , mas os olhos continuavam cheios de fúria . - Então já acabaste com os ataques ? - rosnou . - Apanhaste o culpado ? - Já , sim - disse Dumbledore com um sorriso . - E quem é ? - perguntou Malfoy secamente . - A mesma pessoa de a última vez , Lucius - disse Dumbledore . Mas desta_vez , Lord_Voldemort agiu através_de outra pessoa , por_meio_de um diário . Pegou em o pequeno caderno com o buraco em o meio , observando Mr._Malfoy de perto . Mas Harry olhava para Dobby . O elfo fazia um sinal muito estranho . Com os seus grandes olhos fixos em Harry , não parava de apontar para ó diário e , em seguida , para Mr._Malfoy , batendo logo_a_seguir com o punho em a cabeça . - Estou a ver ... - disse Mr._Malfoy lentamente a Dumbledore . - Um plano inteligente - afirmou o director em um tom de voz suave , continuando a olhar Mr._Malfoy directamente em os olhos . - Porque se não fosse aqui o Harry e o seu amigo Ron a descobrirem o diário , sem dúvida Ginny_Weasley teria ficado com todas_as culpas . Ninguém teria conseguido provar que ela agira contra a sua própria vontade . Mr._Malfoy não se pronunciou . O seu rosto parecia agora uma máscara . - E vê bem - continuou Dumbledore - o que poderia ter acontecido ... os Weasley são uma de as mais proeminentes famílias de feiticeiros de sangue puro , imagina o efeito em a imagem de Arthur_Weasley e em a sua acção de protecção a os Muggles , se a sua própria filha fosse acusada de atacar e matar filhos de Muggles . Foi uma sorte o diário ter sido descoberto e as memórias de Riddle apagadas . Quem sabe que consequências poderia ter tido ? Mr._Malfoy falou contra vontade . - Sim , foi uma sorte - disse secamente . E , em as suas costas , Dobby continuava a apontar para o diário e para Lucius_Malfoy , batendo depois com o punho em a cabeça . E Harry finalmente percebeu . Fez um sinal a Dobby que correu a esconder se em um canto , torcendo desta_vez as orelhas para se castigar . - Não quer saber como a Ginny obteve esse diário , Mr._Malfoy ? - perguntou Harry . Lucius_Malfoy voltou se para ele . - Como queres que eu saiba onde é_que a estúpida de a garota o arranjou ? - Porque foi o senhor quem lhe o deu - disse Harry . - Em a Flourish and Blotts . O senhor pegou em o livro velho de ela de Transfiguração e meteu o diário lá dentro , não foi ? Viu as mãos brancas de Mr._Malfoy abrirem se e fecharem se . - Prova isso - sibilou . - Oh ! ninguém vai poder prová o - disse Dumbledore sorrindo a o Harry . - Não agora_que o Riddle desapareceu de o caderno . Por outro lado , aconselharia te , Lucius , a não dares mais nenhuma de as coisas velhas de Lord_Voldemort . Se mais alguma for parar a as mãos de crianças inocentes , acho que o Arthur_Weasley fará com que se voltem com toda_a sua carga negativa contra ti . Lucius_Malfoy ficou calado um momento e Harry viu claramente a sua mão direita torcer se como_se desejasse chegar a a varinha . Em vez de isso , voltou se para o seu elfo doméstico . - Vamos , Dobby . Abriu a porta e quando o elfo se aproximou deu lhe um pontapé que o projectou para longe . Ouviram se em o escritório os gritos de dor de Dobby em o corredor . Harry pensou durante um momento e depois decidiu se . - Professor_Dumbledore - disse apressadamente . - Posso dar o diário outra_vez a Mr._Malfoy ? - Certamente , Harry - disse Dumbledore com toda_a calma . - Mas não demores , olha o banquete . Harry agarrou em o diário e saiu de o escritório . Os gritos de dor de Dobby afastavam se ao_longe . Sem perder tempo , perguntando a si próprio se o plano poderia resultar , Harry tirou um de os sapatos , puxou uma de as peúgas enlameadas e viscosas e meteu o diário lá dentro . Em seguida correu até a o fundo de o corredor escuro . Apanhou os em o topo de as escadas . - Mr._Malfoy - disse ofegante , parando . - Tenho uma coisa para si . E meteu a peúga mal cheirosa em a mão de Lucius_Malfoy . - O que é ... ? Mr._Malfoy tirou o diário de dentro de a peúga , deitou a fora e olhou furioso para o caderno estragado e para Harry - Ainda vais acabar por ter um fim igual a o de os teus pais um dia de estes , Harry_Potter - disse em voz baixa . - Eles também eram uns idiotas metediços . Voltou se para se ir embora . - Anda , Dobby , vem ! Mas Dobby não se mexeu . Tinha em as mãos a peúga nojenta de o Harry e olhava para ela como_se fosse um tesouro de valor incalculável . - O senhor deu uma peúga a o Dobby - disse o elfo maravilhado . - Deu a a o Dobby . - O que é isso ? - cuspiu Mr._Malfoy . - Que estás para aí a dizer ? - Dobby tem uma peúga - repetiu incrédulo . - O senhor deitou a fora e Dobby apanhou a e Dobby agora é livre ... Lucius_Malfoy ficou paralisado a olhar para o elfo . Em seguida precipitou se para Harry . - Fizeste me perder o meu servo , rapaz . Mas Dobby gritou : - Não pense que vai fazer mal a o Harry_Potter ! Ouviu se um enorme estrondo e Mr._Malfoy foi empurrado de costas , galgando os degraus de as escadas a três_e_três e indo aterrar lá em baixo todo embrulhado e amarrotado . Levantou se , o rosto lívido e pegou em a varinha , mas Dobby estendeu lhe um dedo ameaçador . - Vá se embora já - disse furioso , apontando para Mr._Malfoy . - Não tocará em o Harry_Potter . Vá se embora , já . Lucius_Malfoy não teve escolha . Lançando a os dois um último olhar de cólera , embrulhou se em o manto e desapareceu . - Harry_Potter libertou Dobby ! - disse o elfo com voz esganiçada , olhando para Harry , a luz de o luar reflectida em os seus grandes olhos em forma de globos . - Harry_Potter libertou Dobby . - Era o mínimo que eu podia fazer , Dobby - disse Harry a sorrir -- , mas promete me que não vais voltar a tentar salvar me a vida . A cara feia e escura de o elfo abriu se , mostrando os dentes , em um enorme sorriso . - Tenho uma pergunta a fazer te , Dobby - disse Harry enquanto o elfo pegava em a peúga de ele com as mãos a tremer . - Disseste me que tudo_isto não tinha nada que ver com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Lembras te ? - Era uma pista , senhor - disse Dobby com os olhos muito abertos como_se fosse absolutamente óbvio . - Dobby estava a dar lhe uma pista . Antes de o senhor de o mal mudar de nome , o seu nome podia ser pronunciado , está a ver ? - Certo - disse Harry sem grande convicção . - Bem , é melhor eu ir indo embora . Há um banquete e a minha amiga Hermione já deve ter acordado ... Dobby lançou os braços a a cintura de Harry e abraçou o . - Harry_Potter é muito maior do_que Dobby imaginava ! - soluçou . - Adeus , Harry_Potter . E com um estalido final , Dobby desapareceu . Harry assistira a diversos banquetes , mas nenhum que se parecesse com aquele . Estavam todos de pijama e a festa durou a noite inteira . Harry não sabia se o melhor tinha sido a Hermione a correr para ele e a gritar : - Tu conseguiste . Tu conseguiste ! , ou o Justin saindo disparado de a mesa de os Hufflepuff para lhe estender a mão , desfazendo se em desculpas por ter suspeitado de ele , ou o Hagrid que apareceu a as três_e_meia e que lhes deu palmadas com tanta força em os ombros que eles foram parar dentro de os pratos de bolo de creme , ou os quatrocentos pontos que ele e o Ron obtiveram para os Gryffindor , ganhando a taça de a equipa por a segunda vez consecutiva , ou a professora Mc_Gonagall de pé , a comunicar lhes que os exames tinham sido cancelados como medida de a escola ( Oh ! não ! exclamou Hermione ) , ou Dumbledore a anunciar que , infelizmente , o professor Lockhart não poderia voltar em o ano seguinte por ter de se ausentar a_fim_de recuperar a memória . Alguns de os professores juntaram se a os alunos que aplaudiram entusiasmados esta notícia . - Que pena - disse Ron , servindo se de um * dounut * de presunto . - E eu que começava a gostar de ele ... O resto de o período de Verão decorreu sob um sol escaldante . Hogwarts voltara a a normalidade , apenas com algumas pequenas diferenças : as aulas de Defesa contra as artes negras foram canceladas ( Mas nós tivemos imensa prática - disse o Ron vendo o descontentamento de Hermione ) e Lucius_Malfoy foi demitido de o Conselho_Directivo . Draco já não passeava por ali como_se fosse o dono de a escola . Pelo_contrário , tinha um ar melindrado e carrancudo . Por outro lado , Ginny_Weasley andava de_novo feliz de a vida . Em_breve chegou o dia de regressarem a casa em o Expresso_de_Hogwarts . Harry , Ron , Hermione , Fred , George e Ginny encheram um compartimento . Tiraram o_máximo partido de aquelas últimas horas em que lhes era permitido usar a magia antes de as férias . Brincaram a as explosões , gastaram o último fogo-de-artíficio Filibuster , de o Fred e de o George e treinaram o mútuo desarmamento através de a magia . Harry começava a ficar muito bom em aquilo . Já estavam perto de a estação de King's_Cross quando Harry se lembrou de uma coisa . - Ginny , o que foi que viste o Percy fazer que ele não queria que nos contasses ? - Ah ! isso - disse a Ginny a rir . - Bem , é_que o Percy tem uma namorada . Fred deixou cair uma pilha de livros em a cabeça de o George . - O quê ? - É aquela prefeita de os Ravenclaw ' Penelope_Clearwater - disse a Ginny . - Foi para ela que ele escreveu durante todo o Verão . Encontravam se em a escola em grande segredo . Eu apanhei os a beijarem se em uma sala de aula vazia e ele ficou tão aflito quando ela foi ... sabes ... atacada . Não vais aborrecê o , pois não ? - perguntou cheia de ansiedade . - Que ideia - respondeu Fred com uma tal satisfação em o rosto que parecia que o seu aniversário chegara mais cedo . - Claro que não - disse o George a rir se a a socapa . O Expresso_de_Hogwarts abrandou e finalmente parou . Harry tirou a pena e um_pouco de pergaminho e voltou se para Ron e Hermione . - Isto_é um número de telefone - disse ele a o Ron , escrevinhando o duas vezes , cortando o pergaminho a o meio e dando lhes os números . - Eu expliquei a o teu pai como usar um telefone em o Verão passado . Ele sabe fazer a chamada . Liga me para_casa de os Dursley , O. _ K. ? Não consigo suportar outros dois meses sem ter mais ninguém com quem falar ... - Mas a tua tia e o teu tio vão ficar orgulhosos de ti , não vão ? - perguntou Hermione quando saíram de o comboio e se misturaram em a multidão que se encontrava junto de a barreira encantada . - Quando souberem o que fizeste este ano . - Orgulhosos ? - disse Harry . - Estás doida ! Podendo eu ter morrido tantas vezes e tendo escapado ? Vão ficar é furiosos ... E juntos avançaram até a a entrada para o mundo de os Muggles . ----------------- J._K._Rowling_Harry_Potter e a Câmara_dos_Segredos_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Chamber of Secrets_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling 1998 Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 2000 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 2.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 Depósito legal : 143.569/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , a a Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Para_Séan_P._F._Harris , condutor imparável e um amigo de os diabos . I_O pior aniversário Não era a primeira vez que uma discussão estoirava a a mesa de o pequeno-almoço , em o número 4 de a Privet_Drive . Mr._Vernon_Dursley fora acordado de manhã cedo por o piar ruidoso que vinha de o quarto de o seu sobrinho Harry . - É a terceira vez esta semana ! - resmungou , a a mesa . - Se não consegues controlar essa coruja , ela não pode ficar aqui . Harry tentou , mais_uma_vez , explicar . - Ela está aborrecida . Estava habituada a voar livremente lá fora . Se eu pudesse , ao_menos , soltá a a a noite ... - Achas me com cara de idiota ? - perguntou rispidamente o tio Vernon , com um fio de ovo preso em o bigode farfalhudo . - Sei muito bem o que aconteceria se essa coruja fosse lá para fora . Trocou um olhar soturno com a mulher , a tia Petúnia . Harry tentou contra-argumentar , mas as suas palavras foram abafadas por um enorme arroto de o filho de os Dursleys , Dudley . - Quero mais bacon . - Há mais em a frigideira , fofinho - disse a tia Petúnia , lançando um olhar vago a o seu filho maciço . - Tens que te alimentar bem enquanto aqui estás , aquela comida de a tua escola não me cheira . - Disparate , Petúnia , eu nunca passei fome enquanto andei em Smeltings - afirmou com sinceridade o tio Vernon . - O Dudley tem que chegue . Não é verdade , filho ? Dudley , que era tão gordo que o rabo saía de os dois lados de a cadeira de a cozinha , sorriu laconicamente e voltou se para Harry . - Passa me a frigideira . -- Esqueceste te de a palavra mágica - disse Harry , irritado . O efeito que esta simples frase teve em o resto de a família foi inacreditável : Dudley começou a arfar e caiu de a cadeira com um estrondo que abalou a cozinha , Mrs._Dursley deu um gritinho e bateu com a mão em a boca , Mr._Dursley pôs se de pé com as veias de as têmporas dilatadas . - Eu queria dizer « por favor » - explicou Harry rapidamente . - Não me referia a ... - : __ o que é_que eu te __ disse - vociferou o tio , espalhando perdigotos sobre a mesa - : __ sobre pronunciar a palavra m . em esta __ casa ? - Mas eu ... - : __ como te atreves a ameaçar o __ dudley ! - rosnou o tio Vernon , batendo com o punho em a mesa . - Eu só ... - : __ estás avisado . não vou admitir referências a tua anormalidade debaixo de o tecto de a minha __ casa ! Harry olhou alternadamente para o rosto congestionado de o tio e para a palidez de a tia que tentava pôr o Dudley de pé . - Está bem - disse Harry . - Está bem ... O tio Vernon voltou a sentar se , respirando como um rinoceronte exausto e observando Harry de perto por o canto de os seus olhos pequeninos e penetrantes . Desde_que Harry regressara para as férias de Verão que o tio Vernon o tratava como_se ele fosse uma bomba , capaz de explodir a qualquer momento , porque Harry não era um rapazinho normal . Em a verdade , ele era o menos normal que é possível imaginar . Harry_Potter era um feiticeiro , um feiticeiro que acabara de concluir o primeiro ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts e a infelicidade que os Dursleys sentiam por ele estar lá em casa não era nada comparada com a de Harry . As saudades de Hogwarts eram tão intensas que se assemelhavam a uma constante dor em o estômago . Sentia a falta de o castelo com as suas passagens secretas e os seus fantasmas , de as aulas ( com excepção talvez de as de Snape , o professor de as poções ) , de o correio a chegar trazido por as corujas , de os banquetes em o salão nobre , de as noites em as camas de dossel em a camarata de a torre , de as visitas a Hagrid , o guarda de os campos em a sua casinha em o bosque , junto de a floresta proibida e , principalmente , sentia a falta de o Quidditch , o desporto mais popular de o mundo de os feiticeiros ( seis postes altos de golo , quatro bolas esvoaçantes e catorze jogadores em_cima_de vassoura ) . Todos os livros de feitiços de Harry , assim_como a varinha , os mantos , o caldeirão e a vassoura topo de gama Nimbus dois_mil tinham sido encerrados por o tio Vernon em a despensa que ficava debaixo de as escadas , em o momento em que Harry regressara a casa . O que é_que lhes interessava se ele perdia ou não o seu lugar em a equipa de Quidditch por não ter praticado durante todo o Verão ? Que importância tinha para eles que o Harry voltasse a a escola sem ter podido fazer os trabalhos de casa ? Os Dursleys eram aquilo que os feiticeiros chamam « Muggles » ( nem uma gota de sangue mágico em as veias ) e , para eles , ter um feiticeiro em a família era motivo de grande vergonha . O tio Vernon tinha , inclusivamente , fechado a cadeado a coruja de Harry , Hedwig , dentro de a gaiola , para evitar que ela transportasse mensagens para a gente de o mundo de a feitiçaria . Harry não se parecia em nada com o resto de a família . O tio Vernon era atarracado e sem pescoço , dotado de um enorme bigode preto ; a tia Petúnia tinha um rosto cavalar e era esquelética ; Dudley era loiro e rosado como um porquinho . Harry , pelo_contrário , era baixo e franzino , com os olhos verdes brilhantes e cabelo negro sempre desalinhado . Usava uns óculos redondos e tinha em a testa uma cicatriz em forma de relâmpago . Era essa cicatriz que o tornava tão invulgar , mesmo para um feiticeiro . Era a única alusão a o seu passado misterioso , a o motivo por o qual , onze anos antes , tinha sido deixado em o degrau de a porta de os Dursleys . Com um ano de idade , Harry sobrevivera a uma maldição de o maior feiticeiro negro de todos os tempos , Lord_Voldemort , cujo nome a maior parte de os feiticeiros e feiticeiras ainda receia pronunciar . Os pais de Harry tinham morrido em um ataque de Voldemort , mas ele escapara com a sua cicatriz em forma de relâmpago e estranhamente , ninguém compreendeu porquê , os poderes de Voldemort tinham sido destruídos em o momento em que não fora capaz de matar o Harry . Por isso , ele foi criado por a irmã de a sua falecida mãe e respectivo marido . Passou dez anos com os Dursleys , sem nunca compreender porque fazia com que acontecessem coisas estranhas , alheias a a sua vontade , acreditando em a história de os Dursleys de que aquela cicatriz fora resultado de um acidente de automóvel em que os pais tinham morrido . E um dia , precisamente um ano antes , Hogwarts escrevera lhe e fora então que tudo começara . Harry fora ocupar o seu lugar em a escola de feitiçaria , onde ele e a sua cicatriz eram famosas ... mas agora o ano escolar chegara a o fim e estava de_novo com os Dursleys . Durante o Verão , voltara a ser tratado como um cão malcheiroso . Os Dursleys nem se tinham lembrado que aquele era o dia de o seu décimo segundo aniversário . É claro que não tivera grandes expectativas : eles nunca lhe tinham dado um presente a sério , muito menos um bolo , mas ignorarem o por completo ... Em esse momento , o tio Vernon pigarreou com um ar importante e disse : - Como todos sabem , hoje é um dia muito importante . Harry olhou para ele , mal conseguindo acreditar . - Pode bem ser que eu faça hoje o maior negócio de toda_a minha vida - afirmou . Harry voltou novamente a atenção para a torrada . É claro , pensou amargamente , o tio Vernon referia se a a estúpida dinner-party . Havia quinze_dias que não falava de outra coisa . Um consultor qualquer cheio de massa e a mulher vinham jantar lá a casa e o tio Vernon tinha esperança de conseguir uma grande encomenda ( a empresa de o tio Vernon fabricava brocas ) . - Acho que devíamos recapitular mais_uma_vez - disse o tio Vernon . - Devemos estar todos a postos a as oito_horas_em_ponto . Petúnia , tu vais estar ... ? - Em o salão - respondeu a tia Petúnia prontamente - a a espera para lhes dar as boas-vindas a nossa casa . - Bom , bom . E o Dudley ? - Eu vou estar a a espera para abrir a porta . - Dudley esboçou um sorriso falso e afectado . - Dão me licença que vos guarde os casacos , Mr. e Mrs._Mason ? - Eles vão adorá o - exclamou arrebatadamente a tia Petúnia . - Excelente , Dudley - disse o tio Vernon . - A seguir voltou se para o Harry . - E tu ? - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - repetiu o Harry , de forma inexpressiva . - Exactamente - confirmou o tio Vernon , de um modo desagradável . - Eu conduzo os até a o salão , apresento te , Petúnia , e sirvo lhes as bebidas . _ a as oito_e_um_quarto . - Eu chamo para a mesa - disse a tia Petúnia . - E tu , Dudley , vais dizer ... - Dá me licença que lhe indique a casa de jantar , Mrs._Mason ? - repetiu o Dudley , oferecendo o seu braço gordo a uma mulher invisível . - O meu pequenino cavalheiro - fungou a tia Petúnia . - E tu ? - perguntou o tio Vernon a o Harry , em o mesmo tom desagradável . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho , fingindo que não estou lá - respondeu Harry aborrecido . - Isso mesmo . Agora , devíamos ter preparadas algumas frases amáveis para o jantar . Petúnia , alguma ideia ? - O Vernon disse me que o senhor é um excelente jogador de golfe , Mr._Mason ... Tem de me dizer onde comprou esse vestido , Mrs._Mason ... - Perfeito . Dudley ? - Que tal : Tivemos de fazer um trabalho para a escola sobre o nosso herói e eu escrevi sobre o senhor ... Foi de mais , tanto para a tia Petúnia como para o Harry . A tia debulhou se em lágrimas e abraçou o filho , enquanto Harry se esgueirava para debaixo de a mesa para ninguém o ver rir . - E tu , rapaz ? Harry fez um esforço para se mostrar inexpressivo quando emergiu . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - disse . - Vais sim senhor - afirmou o tio Vernon energicamente . - Os Mason não sabem nada a teu respeito e é assim que as coisas vão continuar . Quando o jantar terminar , tu trazes Mrs._Mason para o salão , onde vamos tomar café , Petúnia , e eu puxo o assunto de as brocas . Com um_pouco de sorte , tenho o contrato assinado antes de o noticiário de as dez . Amanhã por esta hora , vamos estar a fazer compras para umas férias em Maiorca . Harry não conseguia sentir o menor entusiasmo com aquilo . Não lhe parecia que os Dursleys gostassem mais de ele em Maiorca do_que em Privet_Drive . - Certo , eu vou a a cidade buscar os casacos para mim e para o Dudley . E tu - resmungou , apontando para Harry - não atrapalhes a tua tia enquanto ela estiver a limpar . Harry saiu por a porta de as traseiras . Estava um dia de sol lindo . Atravessou o relvado , deixou se cair em o banco de o jardim e cantarolou baixinho : - Parabéns para mim ... parabéns para mim ... Nem cartas nem presentes e tinha de passar a noite a fingir que não existia . Olhou infeliz para a sebe . Nunca se sentira tão só . Mais do_que tudo em o mundo , mais do_que de Hogwarts , mais até do_que de o jogo de Quidditch , Harry sentia a falta de os amigos Ron_Weasley e Hermione_Granger . Mas eles não pareciam sentir a falta de ele . Nenhum de os dois lhe escrevera durante todo o Verão apesar_de o Ron ter dito que ia convidá o para passar uns dias lá em casa . Inúmeras vezes Harry estivera quase a libertar magicamente Hedwig de a sua gaiola e mandá a levar uma carta a o Ron e a a Hermione mas não valia a pena correr o risco . Os feiticeiros menores de idade não tinham autorização para usar a magia fora de a escola . Harry não contara isto a os Dursleys . Ele sabia que era o medo de que ele os transformasse a todos em baratas que os impedia de o fecharem a a chave em a despensa debaixo de as escadas , juntamente com a varinha e a vassoura . Em as primeiras semanas Harry divertira se a murmurar baixinho palavras sem sentido e a ver o Dudley sair disparado de o quarto , tão rápido quanto as suas pernas gordas lhe permitiam . Mas o silêncio prolongado de Ron e Hermione tinham o feito sentir se tão longe de o mundo de a magia que até divertir se à_custa_de Dudley perdera o interesse . E agora o Ron e a Hermione tinham se esquecido de o seu aniversário . Quanto não daria ele por uma mensagem de Hogwarts ? De qualquer feiticeiro ou feiticeira ? Quase ficaria satisfeito com um sinal de o seu inimigo feroz , Draco_Malfoy , só para ter a certeza de que tudo aquilo não fora apenas um sonho ... Não que tudo durante o ano em Hogwarts tivesse sido divertido . Mesmo em o fim de o último período , Harry confrontara se nem mais nem menos do_que com o próprio Lord_Voldemort . Voldemort podia ter arruinado o seu ego inicial mas continuava a espalhar o terror , ainda astuto , ainda determinado a recuperar o poder . Harry escapara uma segunda vez a as suas garras mas fora por um triz e mesmo agora , algumas semanas decorridas , acordava de noite encharcado em suores frios , perguntando se onde estaria Voldemort , relembrando o seu rosto lívido , os seus olhos completamente loucos ... Harry sentou se subitamente , direito como um fuso , em o banco de o jardim . Tinha estado a olhar distraído para a sebe e a sebe estava a olhar para ele . Dois enormes olhos verdes surgiram por_entre a folhagem . Harry pôs se de pé ao_mesmo_tempo que uma voz sobrevoava a relva . - Eu sei que dia é hoje - cantarolava Dudley , bamboleando se enquanto se aproximava . Os olhos enormes piscaram e desapareceram . - O quê ? - perguntou Harry sem retirar os olhos de o lugar para_onde estava a olhar . - Eu sei que dia é hoje - repetiu , chegando junto de ele . - Ainda_bem - disse Harry . - Aprendeste finalmente os dias de a semana . - Hoje é o dia de os teus anos - troçou o Dudley . - Por_que é_que não recebeste nenhuma carta ? Não tens amigos em esse lugar esquisito ? - É melhor não deixares a tua mãe ouvir te falar de a minha escola - disse Harry calmamente . Dudley puxou para_cima as calças que estavam a escorregar lhe por o rabo gordo abaixo . - Porque estás a olhar para a sebe . ; - perguntou curioso . - Estou a pensar em as palavras que deverei pronunciar para lhe pegar fogo - disse Harry . Dudley recuou de imediato com um olhar de pânico em a cara rechonchuda . - Tu não p-p-odes , o pai disse que não podias fazer magia ou corria contigo aqui de casa e não tens mais nenhum lugar para_onde ir , não tens amigos que te convidem ... - * _ Jiggery pokery * ! - disse Harry com voz firme . - * _ Hocus pocus ... squiggly wiggly * ... - Maaaaaãe - gritou Dudley , tropeçando em os pés , enquanto se precipitava para dentro_de casa . Maaaãe , ele vai fazer aquela coisa ! Harry deu graças a os céus por aquele momento de gozo . Como não aconteceu nada de mal nem a o Dudley nem a a sebe , a tia Petúnia percebeu que ele não fizera magia nenhuma mas , mesmo_assim , Harry teve de se afastar quando ela lhe deu uma forte pancada em a cabeça com a frigideira cheia de detergente . A seguir distribuiu lhe trabalho e o castigo de só voltar a comer quando tivesse acabado tudo . Enquanto Dudley andava a flanar , olhando para o ar e comendo gelados , Harry limpou as janelas , lavou o carro , aparou a relva , adubou os canteiros , podou e regou as rosas e pintou de_novo o banco de o jardim . O sol ardia lá em cima , queimando lhe a parte de trás de o pescoço . Harry sabia que não devia ter provocado Dudley mas ele dissera precisamente aquilo que ele próprio pensava ... talvez não tivesse amigos em Hogwarts . Deviam ver agora o famoso Harry_Potter , pensou amargamente enquanto espalhava adubo em os canteiros , as costas a doerem lhe e o suor a escorrer lhe por o rosto . Eram sete_e_meia_da_tarde quando , por fim , exausto , ouviu a tia Petúnia a chamá o . - Anda para dentro e passa por cima de os jornais . Harry entrou satisfeito em a sombra de a cozinha que rebrilhava . Sobre o frigorífico estava o bolo de a noite : um enorme monte de crome batido coberto de violetas de açúcar . A carne de porco assava em o forno . - Come depressa , os Mason devem estar a chegar ! - exclamou bruscamente a tia Petúnia , apontando para duas fatias de pão e uma de queijo que estavam em cima de a mesa de a cozinha . Ela já tinha posto um vestido de * cocktail * cor de salmão . Harry lavou as mãos e comeu aquele triste jantar . Mal tinha terminado , a tia Petúnia tirou lhe o prato . - Lá para_cima , rápido ! A o passar por a porta de a sala , Harry vislumbrou o tio Vernon e Dudley de casaco e gravata . Tinha acabado de chegar a o cimo de as escadas quando a campainha de a porta tocou e a cara de o tio Vernon apareceu em o patamar . - Lembra te , rapaz , um ruído que seja ... Harry entrou em o quarto em bicos de pés , fechou a porta e preparou se para se meter em a cama . O problema é_que estava lá alguém sentado . II_O aviso de Dobby_Harry conseguiu não gritar , mas foi por_pouco . A pequena criatura que estava em a cama tinha umas orelhas grandes e largas e uns olhos verdes protuberantes de o tamanho de bolas de ténis . Harry percebeu imediatamente que fora para ele que tinha estado a olhar de manhã . Enquanto olhavam um para o outro , Harry ouviu a voz de Dudley em o * hall * . - Posso guardar os vossos casacos , Mr. e Mrs._Mason ? A criatura escorregou por a cama e curvou se tanto que a ponta de o seu enorme nariz tocou em o tapete . Harry reparou que ele tinha vestido uma espécie de fronha de almofada com buracos para os braços e pernas . - Er ... Olá - disse Harry , um_pouco nervoso . - Harry_Potter ! - exclamou a criatura em uma voz tão estridente que Harry calculou que poderia ouvir se lá em baixo . - Há tanto tempo que Dobby queria conhecê o , senhor . É uma enorme honra ... - Ob-obrigado - disse Harry , deslocando se a o longo de a parede e sentando se em a cadeira de a secretária , junto de Hedwig que dormia em a sua grande gaiola . Queria perguntar lhe « O que és tu ? » , mas pensou que seria má educação , por isso perguntou : - Quem és tu ? - Dobby , senhor . Apenas Dobby , o elfo de casa - afirmou a criatura . - Oh ! A sério ? - perguntou Harry . - Não quero ser mal-educado , mas esta não é a melhor altura para ter um elfo em o meu quarto . O riso falso de a tia Petúnia ouvia se em a sala de jantar . O elfo deixou cair a cabeça . - Não que eu não me sinta feliz por te conhecer - disse Harry rapidamente - mas , er ... estás aqui por algum motivo em especial ? - Oh , sim senhor - disse Dobby muito a sério . - Dobby veio dizer lhe que ... é difícil ... Dobby não sabe por_onde começar ... - Senta te - disse Harry educadamente , apontando lhe a cama . Para seu horror , o elfo debulhou se em lágrimas bastante ruidosas . -- S-senta-te ! - repetiu . - Nunca em toda_a minha vida ... Harry pareceu lhe ouvir as vozes lá em baixo vacilarem . - Desculpa - murmurou . - Eu não queria ofender te ... - Ofender Dobby ! - exclamou o elfo em um sufoco . - Nunca nenhum feiticeiro disse a o Dobby que se sentasse como um seu igual , senhor . Harry , tentando dizer lhe « Sch ... » e confortá o ao_mesmo_tempo , conduziu Dobby de_novo até a a cama onde ele se sentou a soluçar , parecendo uma grande boneca muito feia . Por fim , conseguiu controlar se e ficou quieto , com os seus grandes olhos fixos em Harry em uma expressão de absoluta adoração . - Não deves ter conhecido muitos feiticeiros sérios - disse lhe , tentando animá o . Dobby abanou a cabeça . Em seguida , sem qualquer aviso , saltou e começou a bater furiosamente com a cabeça em a janela , gritando : - Dobby é mau ! Dobby é mau ! - Pára , o que é_que estás a fazer ? - perguntou Harry em um murmúrio sibilante , dando um salto e puxando Dobby de_novo para a cama . Hedwig acordara com um pio particularmente agudo e batia agressivamente com as asas contra as grades de a gaiola . - Dobby tinha que se castigar , meu senhor - afirmou o elfo , que ficara ligeiramente estrábico . - Dobby quase falou mal de a família de ele ... - De a tua família ? - De a família de feiticeiros que Dobby serve , meu senhor ... O Dobby é um elfo de casa , obrigado a servir uma casa e uma família para sempre . - Eles sabem que estás aqui ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Dobby estremeceu . - Oh , não senhor , não ... Dobby vai ter que se castigar muito por ter vindo vê o . Dobby vai ter que entalar as orelhas em a porta de o forno por isto . Se eles soubessem , senhor ... - Mas achas que eles não vão reparar se tu entalares as orelhas em a porta de o forno ? - Dobby duvida , senhor . Dobby está sempre a ter de se castigar por qualquer coisa . Eles deixam que o Dobby se castigue . _ às_vezes até sugerem alguns castigos extra . - Mas por_que é_que não te vais embora , não foges ? - Um elfo de casa tem de ser libertado , senhor . E a família nunca libertará Dobby . Dobby servirá a família até morrer . Harry olhou para ele . - E eu que pensava que era infeliz por ter de ficar aqui mais quatro semanas - declarou . - Isto faz os Dursleys parecerem quase humanos . Será que ninguém te pode ajudar ? Poderei eu ? Em o mesmo momento , Harry desejou não ter aberto a boca . Dobby desfez se em ruidosos soluços de gratidão . - Por favor - murmurou Harry , inquieto . - Por favor , está calado . Se os Dursleys ouvem barulho , se eles sabem que estás aqui ... - Harry_Potter pergunta se pode ajudar Dobby . Dobby ouviu falar de a sua grandeza , mas de a sua bondade , Dobby nada sabia . Harry , que se sentia corar , disse : - Seja o que for que tenhas ouvido sobre a minha grandeza , é um disparate . Nem_sequer sou o melhor de o meu ano em Hogwarts . É a Hermione . Ela ... Mas calou se rapidamente porque pensar em Hermione era lhe doloroso . - Harry_Potter é humilde e modesto - disse Dobby reverentemente , com os seus olhos de globo avermelhados . - Harry_Potter não fala de a sua vitória sobre « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . - Voldemort ? - perguntou Harry . Dobby bateu com as mãos em as enormes orelhas e gemeu : - Ai não diga o nome , senhor . Não diga o nome ! - Desculpa - disse Harry muito depressa . - Eu sei que muita gente não gosta . O meu amigo Ron ... Calou se de_novo . Pensar em o Ron era igualmente doloroso . Dobby voltou para Harry os seus dois olhos grandes como candeeiros . - Dobby ouviu dizer - balbuciou com voz rouca - que Harry_Potter encontrou o Senhor_do_Mal uma segunda vez há poucas semanas atrás ... que Harry_Potter lhe escapou de_novo . Harry acenou e os olhos de Dobby encheram se de lágrimas . - Ah , senhor - disse em um sobressalto , limpando o rosto com a ponta de a fronha de almofada que tinha vestida . - Harry_Potter é valente e arrojado . Enfrentou tantos perigos ! Mas Dobby veio protegê o , avisar Harry_Potter , mesmo_que para isso tenha de entalar as orelhas em a porta de o forno , que Harry_Potter não deve voltar para Hogwarts . Houve um silêncio apenas quebrado por o ruído de os garfos e de as facas lá em baixo e por a voz distante de o tio Vernon . - O q-q-uê ? - gaguejou Harry . - Mas eu tenho de voltar , o ano começa em o dia um de Setembro . É a minha razão de viver . Tu não sabes como são as coisas aqui . Eu não pertenço a este lugar , o meu lugar é em Hogwarts . - Não , não , não - guinchou Dobby , sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas andavam de um lado para o outro . - Harry_Potter deve ficar aqui , onde se encontra a salvo . É demasiado grande , demasiado bom para se perder . Se Harry_Potter regressar a Hogwarts correrá perigo de vida . - Porquê ? - inquiriu Harry , surpreendido . - Há uma conspiração , Harry_Potter . Uma conspiração para fazer acontecer coisas terríveis este ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts - murmurou Dobby que começara a tremer de a cabeça a os pés . - Dobby sabe de isto há meses , senhor . Harry_Potter não deve expor se a o perigo . É demasiado importante . - Que coisas terríveis são essas ? - perguntou Harry sem perder tempo . - Quem está por detrás ? Dobby fez um ruído esquisito e começou a bater com a cabeça contra a parede como um louco . - Está bem - gritou Harry , agarrando o braço de o elfo para o fazer parar . - Não podes dizer , eu compreendo . Mas porque vieste avisar me ? - Um pensamento súbito e desagradável surgiu lhe . - Espera aí , isto tem alguma coisa que ver com o Vol , desculpa com o Quem nós sabemos ? Basta que faças sim ou não com a cabeça - acrescentou com vivacidade enquanto a cabeça de Dobby se inclinava de_novo a uma velocidade preocupante para a parede . Lentamente , Dobby abanou a cabeça . - Não , não é « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . Os olhos de Dobby estavam abertos como_se estivesse a tentar dar a Harry uma pista , mas Harry estava completamente a a nora . - Ele não tem nenhum irmão , ou tem ? Dobby abanou a cabeça , os olhos mais abertos do_que nunca . - Bem , em esse caso não estou a ver quem mais poderia ter a possibilidade de fazer acontecer coisas horríveis em Hogwarts - disse Harry . - Quero dizer , para já está lá o Dumbledore . Sabes quem é Dumbledore , não sabes ? Dobby baixou a cabeça . - Albus_Dumbledore é o melhor director que Hogwarts alguma vez teve . Dobby sabe , senhor . Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore rivalizam com os d'aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Mas , senhor - a voz de Dobby desceu a um urgente murmúrio - há poderes que Dumbledore não ... poderes que nenhum feiticeiro sério ... E antes que Harry conseguisse impedi o Dobby saltou de a cama , agarrou o candeeiro de secretária de Harry e começou a bater com a cabeça , dando uivos ensurdecedores . Fez se silêncio lá em baixo . Dois segundos mais tarde , Harry com o coração a bater como um louco , ouviu o tio Vernon chegar a o * hall * e dizer . - O Dudley deve ter deixado outra_vez a televisão ligada , o maroto ! - Depressa , para dentro de o guarda-fatos - gritou Harry , empurrando Dobby bem para o fundo , fechando a porta e metendo se a correr em a cama mesmo a_tempo_de ver a maçaneta de a porta a girar . - Que diabo estás tu a fazer ? - disse o tio Vernon entre dentes , o rosto assustadoramente próximo de o de Harry . - Acabas de estragar o ponto alto de a minha anedota de o golfista japonês . Eu que oiça mais um som e vais desejar nunca ter nascido , rapaz ! Abandonou o quarto com grandes passadas . A tremer , Harry deixou Dobby sair de o guarda-fatos . - Estás a ver como são as coisas por aqui ? - disse . - Vês porque tenho de voltar para Hogwarts ? É o único sítio onde eu tenho ... bem , onde eu acho que tenho amigos . - Amigos que nem_sequer escrevem a Harry_Potter ? - disse Dobby com ar manhoso . - Calculo que devem ter estado ... espera aí - disse Harry , franzindo a testa . - Como é_que tu sabes que os meus amigos não me têm escrito ? Dobby arrastou os pés . - Harry_Potter não deve zangar se com Dobby . Dobby fez o que achou melhor ... - Tu tens estado a interceptar me as cartas ? - Dobby tem as aqui , senhor - disse o elfo . Saltando para longe de o alcance de Harry , retirou de dentro de a fronha que usava um espesso saco cheio de envelopes . Harry reconheceu de imediato a caligrafia certinha de Hermione , a escrita desordenada de Ron e até uns gatafunhos que pareciam ser de o guarda de os campos de Hogwarts , Hagrid . Dobby piscava ansiosamente os olhos . - Harry_Potter não deve ficar zangado ... Dobby esperava que ... se Harry_Potter pensasse que os amigos o tinham esquecido ... Harry_Potter talvez não quisesse voltar a a escola , senhor . Harry não o ouvia . Fez um gesto para agarrar as cartas , mas Dobby deu um salto , afastando se . - Harry_Potter terá as cartas , senhor , se der a Dobby a sua palavra de não voltar a Hogwarts . Ah , senhor , é um risco que não deve correr . Diga que não volta , senhor ! - Não - afirmou Harry zangado . - Dá me as cartas de os meus amigos ! - Em esse caso , Harry_Potter deixa Dobby sem escolha - disse o elfo tristemente . Antes que Harry pudesse fazer um movimento , Dobby tinha aberto a porta de o quarto e descido a correr por as escadas abaixo . Com a boca seca e um aperto em o estômago , Harry correu atrás de ele , tentando não fazer barulho . Saltou os últimos seis degraus , aterrando como um gato em a carpete de o * hall * , olhando em volta a a procura de Dobby . De a sala de jantar , ouviu a voz de o tio Vernon : - Conte a a Petúnia aquela história engraçadíssima de os funileiros americanos , ela tem estado louca por ouvi a , Mr._Mason . Harry correu de o * hall * para a cozinha e sentiu o estômago ficar pequenino . O pudim , que era a a obra-prima de a tia Petúnia , a montanha de creme batido coberto de violetas de açúcar flutuava junto de o tecto . Em cima de o guarda-louça de o canto , Dobby inclinava se servilmente . - Não - suplicou Harry . - Por favor , eles matam me . - Harry_Potter deve dizer que não vai voltar a a escola ... - Dobby , por favor . - Diga , senhor . - Não posso . Dobby lançou lhe um olhar trágico . - Então , Dobby deve fazê o , senhor , para o bem de Harry_Potter . O pudim foi direito a o chão em uma queda que parecia um coração a parar . O crome esguichou para as janelas e para as paredes , enquanto o prato se despedaçava . Com o ruído de uma chicotada , Dobby desapareceu . Ouviram se gritos em a casa de jantar e o tio Vernon irrompeu por a cozinha onde foi dar com Harry coberto , de a cabeça a os pés , por o pudim de a tia Petúnia . A princípio parecia que o tio Vernon ia conseguir arranjar uma desculpa para aquilo tudo . ( É só o nosso sobrinho , muito perturbado ; conhecer pessoas estranhas deixa o muito nervoso , por isso deixamos o lá em cima ... ) Conduziu_os_Mason , bastante chocados , para a sala de jantar , garantindo a Harry que o esfolava vivo quando os Mason se fossem embora e pôs lhe em as mãos um esfregão . A tia Petúnia descobriu um resto de gelado em o frigorífico e Harry , ainda a tremer , começou a limpar a cozinha . O tio Vernon poderia ainda ter feito o negócio , se não fosse a coruja . Estava a tia Petúnia a circular com uma caixa de After-Eight , quando uma enorme coruja de celeiro fez a sua entrada vertiginosa através de a janela de a casa de jantar , deixando cair uma carta em a cabeça de Mr._Mason e desaparecendo logo_a_seguir . Mrs._Mason gritava como uma carpideira e corria por a casa praguejando contra os lunáticos . Mr._Mason ficou o tempo estritamente necessário para dizer a os Dursleys que a mulher tinha um medo pânico de pássaros de todas_as formas e tamanhos e perguntar lhes se aquela era alguma brincadeira de mau gosto . Harry não saiu de a cozinha , agarrando o esfregão como defesa , enquanto o tio Vernon avançava para ele com um brilho demoníaco em os olhos pequeninos . - Lê isso - ordenou maldosamente . Harry pegou em a carta . Não era a desejar lhe um bom aniversário . * _ Caro_Mr._Potter , * _ Recebermos hoje informações de que um feitiço de suspensão em o ar foi efectuado em sua casa esta noite , a as nove_horas_e_doze_minutos . * _ Como sabe , os feiticeiros menores não estão autorizados a praticar magia fora de a escola e , se efectuar mais um trabalho mágico , será expulso de a nossa escola . ( Decreto_de_Restrições_Razoáveis_para_Feitiçaria_de_Menores , 1875 , parágrafo C. ) * _ Pedimos-lhe também que se lembre que qualquer actividade que possa ser notada por membros alheios a a nossa comunidade ( Muggles ) constitui uma ofensa grave , segundo a secção 13 de a Confederação_Internacional_do_Estatuto_da_Magia_Secreta . * _ Tenha umas boas férias . * Atenciosamente_Mafalda_Hopkirk_Gabinete_da_Utilização_Imprópria_da_Magia_Ministério_da_Magia * . Harry olhou para a carta e engoliu em seco . - Tu não nos contaste que estavas proibido de usar magia fora de a escola - disse o tio Vernon com um brilho maldoso a dançar lhe em os olhos . - Esqueceste te de o mencionar , passou te , não foi ? Tinha se aproximado de Harry como um grande * bulldog * , com todos os dentes a a mostra . - Tenho boas notícias para ti , rapaz , vou fechar te a a chave e , se tentares sair através_de magia , nunca mais voltas a aquela escola , eles expulsam te . E rindo como um louco , arrastou Harry até a o andar de cima . O tio Vernon era mau como as cobras . Em a manhã seguinte pagou a um homem para colocar grades em a janela de o quarto de Harry . Ele próprio abriu um pequeno buraco em a porta de o quarto para que a comida pudesse ser introduzida três vezes por dia . Deixavam o Harry sair para ir a a casa_de_banho de manhã e a o final de a tarde . O resto de o tempo estava fechado em o quarto , a a espera que o tempo passasse . Três dias mais tarde , os Dursleys não mostravam qualquer intenção de abrandar o castigo e Harry não sabia como sair de aquela situação . Estava deitado em a cama , vendo o sol brilhar por_entre as grades de a janela e perguntando se tristemente o que viria a acontecer lhe . Qual era a vantagem de sair de ali por artes mágicas , se Hogwarts o expulsaria em seguida ? Contudo , a vida em Privet_Drive tinha atingido o seu nível mais baixo . Agora_que os Dursleys tinham a certeza que não iam acordar transformados em morcegos , ele perdera a única arma que tinha . O Dobby podia tê o salvo de acontecimentos terríveis em Hogwarts , mas de a maneira que as coisas estavam , ele morreria muito provavelmente a a fome . A portinhola rangeu e a mão de a tia Petúnia apareceu empurrando uma tigela de sopa de pacote para dentro de o quarto . Harry , que estava cheio de fome , saltou de a cama e agarrou a . A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um único trago . A seguir , atravessou o quarto até a a gaiola de Hedwig e pôs os legumes ensopados dentro de o seu pratinho vazio . Ela agitou as penas e olhou o com profunda repugnância . - Não vale de nada virares lhe as costas . É tudo_o_que temos - disse Harry , de modo severo . Colocou a tigela vazia em o chão junto de a portinhola e voltou para_cima de a cama , de certo modo com mais fome do_que antes de ter comido a sopa . Admitindo que estaria ainda vivo dentro_de quatro semanas o que aconteceria se ele não se apresentasse em Hogwarts ? Será que mandariam alguém obrigar os Dursleys a deixá o ir ? O quarto começava a escurecer . Exausto e com o estômago a dar horas , o cérebro a as voltas com as mesmas questões sem resposta , Harry caiu em um sono intranquilo . Sonhou que fazia parte de um espectáculo de o jardim zoológico . Preso a a jaula onde se encontrava estava um cartaz onde podia ler se « feiticeiro menor de idade « . As pessoas olhavam o com olhos protuberantes , enquanto ele jazia fraco e esfomeado em um leito de palha . Viu a cara de o Dobby em o meio de a multidão e gritou lhe , pedindo ajuda , mas o Dobby respondeu : - Harry_Potter está em segurança aí , senhor - e desapareceu . Em seguida vieram os Dursleys e Dudley bateu em as grades de a jaula , rindo se de ele . - Pára com isso - murmurou Harry como_se aquele ruído martelasse em a sua cabeça dorida . - Deixa me em paz , pára com isso , estou a tentar dormir . Abriu os olhos . O luar brilhava através de as grades de a janela . E lá fora alguém olhava de olhos arregalados para ele : alguém de rosto sardento , cabelo ruivo e nariz grande . Ron_Weasley estava de o lado de_fora de a janela . III « A toca » Ron ! - exclamou Harry , arrastando se até a a janela e empurrando a para poderem falar através de as grades . - Ron , como é_que tu , foi o ... ? Harry ficou de boca aberta , espantado com o que viu . Ron estava debruçado de a janela de trás de um velho automóvel azul-turquesa que se encontrava estacionado em o ar . Em os lugares de a frente , rindo se para Harry , estavam os irmãos mais velhos , os gémeos Fred e George . - Tudo bem , Harry ? - O que é_que se tem passado ? - perguntou o Ron . - Porque não respondeste a as minhas cartas ? Convidei te para vires ter comigo umas doze vezes e um dia o pai chegou a casa e comunicou nos que tu tinhas recebido um aviso oficial por usares magia diante de os Muggles ... - Não fui eu . E como é_que ele soube ? - Ele trabalha em o Ministério - disse o Ron . - Tu sabes que nós não podemos fazer feitiços fora de a escola . - Bem , isso vindo de ti ... - exclamou Harry , olhando para o carro flutuante . - Oh , isto não conta - disse Ron . - Foi o meu pai que o emprestou . Não o fizemos aparecer por magia . Mas usar magia em a frente de esses Muggles com quem tu vives ... - Já te disse que não fui eu , mas vai demorar muito_tempo a explicar te isso agora . És capaz de avisar em Hogwarts que os Dursleys me fecharam a a chave e que não querem deixar me voltar e obviamente eu não posso sair de aqui magicamente senão o Ministério vai achar que é a segunda vez em três dias e ... - Pára com essa conversa tola - disse o Ron . - Viemos para te levar connosco . - Mas tu também não podes tirar me de aqui utilizando processos mágicos ... - Não precisamos de isso - afirmou Ron , fazendo um sinal de cabeça para os lugares de a frente . - Esqueces te de quem está aqui comigo . - Amarra isso em volta de as grades - disse o Fred , lançando a Harry a ponta de uma corda . - Se os Dursleys acordam estou feito - lamentou se Harry enquanto dava um nó bem apertado com a corda em uma de as grades e o Fred arrancava com o carro . - Não te preocupes e chega te para trás . Harry recuou para a sombra , para junto de Hedwig que parecia ter se apercebido de a importância de tudo aquilo , mantendo se quieta e em silêncio . O carro puxou mais e mais e , subitamente , com um ruído de ferro a ceder , as grades foram arrancadas de a janela , enquanto Fred conduzia com o céu como estrada . Harry correu de_novo para a janela para ver as grades a balouçarem a poucos metros de o chão . Ofegante , Ron içou as para dentro de o carro . Harry escutou ansiosamente mas não vinha qualquer som de o quarto de os Dursleys . Quando as grades estavam em segurança em os lugares de trás junto de Ron , Fred aproximou se o_máximo que lhe foi possível de a janela . - Anda de aí - disse . - Mas , todas_as minhas coisas de Hogwarts , a minha varinha , a minha vassoura ... - Onde estão ? - Fechadas em a despensa debaixo de as escadas e eu não posso sair de este quarto . . - Não há azar - disse o George . - Sai de a frente , Harry . Fred e George treparam cautelosamente e entraram por a janela em o quarto de Harry . Tinhas que ter aberto a boca , pensou Harry enquanto George tirava de o bolso um vulgar gancho de cabelo e começava a tentar abrir a fechadura . - Muitos feiticeiros acham que é uma perda de tempo aprender os truques de os Muggles - disse o Fred . - Mas nós pensamos que há habilidades que é sempre útil conhecer apesar_de serem um_pouco lentas . Ouviu se um pequeno clique e a porta abriu se . - Pronto , vamos buscar as tuas coisas . Tu vai dando a o Ron aquilo que precisas de aí de o teu quarto - murmurou George . - Cuidado com o degrau de cima que range - sussurrou Harry enquanto os gémeos desapareciam em o escuro . Harry deu a volta a o quarto , recolhendo as suas coisas e passando as por a janela a o Ron . Em seguida , foi ajudar o Fred e o George a trazerem o resto por as escadas acima . Ouviu o tio Vernon tossir . Por fim , de língua de_fora , chegaram a o quarto , junto de a janela aberta . Fred trepou para o carro para puxar os volumes com o Ron enquanto Harry e George os empurravam de dentro de o quarto . Centímetro a centímetro o malão foi passando por a janela . O tio Vernon tossiu de_novo . - Mais um_pouco - disse o Fred que estava a puxar de dentro de o carro . Um bom empurrão , vá . Harry e George encostaram os ombros contra a mala e ela escorregou para a parte de trás de o carro . - O. _ K. , vamos embora - murmurou o George . Mas quando Harry trepava para o parapeito de a janela ouviu se um forte pio atrás de ele , imediatamente seguido de o vociferar de o tio Vernon . - Aquela maldita coruja ! - Esqueci me de a Hedwig ! Harry precipitou se de_novo para o quarto , enquanto a luz de o patamar se acendia . Agarrou a gaiola de Hedwig , correu para a janela e passou a a o Ron . Estava a subir para_cima de a cómoda quando o tio Vernon bateu em a porta , que não estava fechada , e esta se abriu completamente . Por uma fracção de segundo , o tio Vernon ficou estático junto de a porta . Em seguida , soltou um mugido como um boi zangado e avançou para Harry , agarrando o por o tornozelo . Ron , Fred e George seguraram o por os braços e puxaram o com toda_a força . - Petúnia - rosnou o tio Vernon . - Ele está a fugir ! : __ ele está a __ fugir ! Os Weasleys deram um puxão gigantesco e a perna de o Harry escapou a as garras de o tio Vernon . Logo_que Harry entrou em o carro e a porta se fechou , Ron gritou : - Acelera Fred ! - E o carro partiu subitamente em direcção a a lua . Harry mal podia acreditar que estava livre . Esticou se a a janela , o ar de a noite a fustigar lhe os cabelos e olhou para baixo , para os telhados apertados de Privet_Drive . O tio Vernon , a tia Petúnia e o Dudley estavam todos debruçados com cara de parvos , a a janela de o quarto de ele . - Até a o próximo Verão - gritou . Os Weasleys riam se a as gargalhadas e Harry esticou se para trás em o assento e pediu a o ouvido de Ron : - Deixa sair a Hedwig . Ela pode voar atrás_de nós . Há séculos que não tem uma oportunidade de esticar as asas . George passou a o Ron o gancho de cabelo e , um momento depois , a Hedwig saíra feliz por a janela , planando atrás de eles como um fantasma . - Então , qual é a história ? - perguntou Ron , impaciente . - O que é_que tem estado a acontecer ? Harry contou lhes tudo sobre o Dobby , o aviso de este e o fracasso de o pudim de violetas . Houve um longo silêncio quando ele se calou . - Isso cheira me a esturro - disse , por fim , o Fred . - Definitivamente misterioso - concordou George . - Então ele nem te disse quem está supostamente por detrás dessa trama toda ? - Acho que não podia - explicou Harry . - Já te disse , de cada_vez que estava quase a deixar escapar qualquer coisa , começava a bater com a cabeça em a parede . Viu Fred e George olharem um para o outro . - O quê ? Acham que ele estava a mentir me ? - perguntou Harry . - Bem - começou o Fred -- , coloquemos as coisas de o seguinte modo , os elfos de casa têm poderes mágicos próprios , mas geralmente não podem usá os sem a autorização de os seus donos . Eu acho que o bom de o Dobby foi enviado para evitar que voltasses para Hogwarts . Uma ideia de um engraçadinho . Haverá alguém em a escola com má vontade contra ti ? - Sim - responderam Harry e Ron , precisamente ao_mesmo_tempo . - Draco_Malfoy - explicou Harry . - Ele detesta me . - Draco_Malfoy ? - perguntou George , voltando se para trás . - O filho de o Lucius_Malfoy ? - Deve ser . Não é um nome muito vulgar , pois não ? - disse Harry . - Mas porquê ? - Ouvi o pai falar acerca de ele - confidenciou George . - Ele era um grande apoiante de o « Quem nós sabemos » . - E quando o « Quem nós sabemos » desapareceu - continuou o Fred , voltando a cara para olhar para Harry - o Lucius_Malfoy voltou , dizendo que não foi por vontade própria que fez o que fez . Monte de lixo . O pai acha que ele fazia parte de um círculo de amigos íntimos de o « Quem nós sabemos » . Harry já tinha ouvido esses boatos sobre a família de Malfoy e não o surpreenderam em absoluto . Malfoy fizera Dudley_Dursley parecer um rapazinho simpático , amável e sensível . - Não sei se os Malfoy têm um elfo de casa ... - afirmou Harry . - Bem , quem quer que o possua é sem dúvida uma antiga família de feiticeiros e deve ser rica - explicou Fred . - Sim . A mãe está sempre a desejar que pudéssemos ter um elfo de casa para passar a roupa a ferro - disse o George . - Mas só temos um velho vampiro piolhoso em o sótão e gnomos espalhados por o jardim . Os elfos de casa pertencem a as grandes casas senhoriais , a os castelos e lugares assim , não encontrarias um em a nossa casa ... Harry estava calado . Considerando que Draco_Malfoy tinha sempre as melhores coisas , que a sua família nadava em ouro de feiticeiros , era fácil imaginá o passeando se por uma enorme casa senhorial . Mandar o servo de a família evitar que Harry voltasse para Hogwarts também parecia exactamente o tipo de coisa que Malfoy poderia fazer . Teria Harry sido estúpido a o tomar Dobby a sério ? - De qualquer modo , ainda_bem que viemos buscar te - declarou Ron . - Eu começava a ficar seriamente preocupado por não responderes a nenhuma de as minhas cartas . A princípio pensei que a culpa fosse de a Errol ... - Quem é a Errol ? - A nossa coruja . Já é velhota . Não seria a primeira vez que adoecia durante uma entrega . Por isso , tentei pedir a Hermes emprestada ... - Quem ? - A coruja que os meus pais compraram a o Percy quando ele foi nomeado prefeito - respondeu Fred . - Mas o Percy não me a emprestou . Disse que precisava de ela . - O Percy tem andado com atitudes muito estranhas este Verão - comentou George franzindo a testa . - E tem mandado imensas cartas e passado um tempo infinito fechado em o quarto ... enfim , pode limpar se e polir um distintivo de prefeito todas_as vezes que se quiser ... Estás a conduzir demasiado para ocidente , Fred - acrescentou apontando para uma bússola em o painel de o automóvel . Fred girou o volante . - Então , o vosso pai sabe que têm o carro ? - perguntou Harry , quase adivinhando a resposta . - Er ... não - disse o Ron . - Ele tinha trabalho esta noite . Felizmente vamos poder pô o de_novo em a garagem , sem a mãe perceber que andámos a voar nele . - A propósito , o que faz o vosso pai em o Ministério_da_Magia ? - Trabalha em o Departamento mais chato - respondeu Ron . - A Divisão de utilização incorrecta de artefactos de os Muggles . - O quê ? - Relaciona se com objectos de feitiçaria que foram feitos por os Muggles ; sabes como é , se forem parar de_novo a uma loja de os Muggles , ou a uma casa , como em o ano passado , quando morreu uma bruxa velha e o bule de ela foi vendido a uma loja de antiguidades . Uma mulher Muggle comprou o , tentou servir chá a os amigos . Foi um pesadelo , o pai teve de fazer horas extraordinárias durante semanas . - O que é_que aconteceu ? - O bule parecia louco , esguichou chá a ferver para todos os lados e um de os homens foi parar a o hospital com a pinça de o açúcar presa em o nariz . O pai ficou nervosíssimo . É só ele e o velho feiticeiro Perkings em o gabinete e tiveram de localizar e descobrir todo o tipo de encantamentos para resolver o assunto . - Mas o teu pai ... este carro ... Fred riu se . - Sim , o pai é louco por tudo_o_que tem que ver com os Muggles . A nossa arrecadação está cheia de coisas de os Muggles . Ele separa as , lança lhes feitiços e volta a pô as em o lugar . Se ele fizesse uma busca a nossa casa teria de se prender a si mesmo . A minha mãe fica louca com tudo aquilo . - É a estrada principal - gritou o George , apontando para baixo através de a janela . - Dentro_de poucos minutos estamos lá , mesmo a tempo , está a começar a clarear . Um leve brilho rosado tingia o horizonte para leste . Fred trouxe o carro para baixo e Harry pôde ver uma manta de retalhos de campos escuros e matas de arbustos . - Estamos um_pouco longe de a vila - disse George . - Em Ottery_St . Catchpole ... O carro voador foi descendo a os poucos . A luz avermelhada brilhava agora por_entre as árvores . - Terra - disse o Fred , em o momento em que tocaram em o chão com um ligeiro solavanco . Tinham aterrado perto_de uma garagem em ruínas em um pequeno pátio e Harry viu pela_primeira_vez a casa de o Ron . Parecia ter sido em tempos uma pocilga de pedra . Mas os quartos que posteriormente lhe tinham sido acrescentados haviam a tornado bastante mais alta e o seu aspecto era tão curvado que parecia ter sido construída por artes mágicas ( o que , pensou Harry , era , muito provavelmente , verdade ) . De o telhado vermelho saíam quatro ou cinco chaminés . Junto de a entrada , fixa em o chão , podia ver se uma inscrição assimétrica que dizia « A toca » . A o lado de a porta principal estava uma contusão de botas de * _ Wellington * e um caldeirão completamente enferrujado . Por o pátio passeavam se várias galinhas castanhas e gordas . - Não é grande coisa - desculpou se o Ron . - É óptima - exclamou Harry , feliz , pensando em Privet_Drive . Saíram de o carro . - Agora vamos lá para_cima sem fazer barulho - disse o Fred . - E esperamos que a mãe nos chame para o pequeno-almoço . Depois tu , Ron , desces a escada entusiasmadíssimo . - Mãe , olha quem apareceu cá durante a noite ! - E ela vai sentir se felicíssima quando vir o Harry . Assim ninguém fica a saber que levámos o carro voador . - Certo - disse o Ron . - Vamos , Harry , eu durmo em o ... Ron ganhou uma cor de um pálido esverdeado , os olhos fixos em a casa . Os outros três fizeram meia volta . Mrs._Weasley avançava por o pátio , afugentando as galinhas e , para uma mulher baixa , roliça e simpática , era fantástico como conseguia parecer se com um tigre dentes-de-sabre . - Ah ! - suspirou o Fred . - Oh , oh ! - exclamou o George . Mrs._Weasley parou em frente de eles . As mãos em as ancas , saltando de um olhar culpado para o outro . Usava um avental a as flores , com uma varinha a sair lhe de o bolso . - Com que então - disse . - Bom dia , mãe - arriscou o George com uma voz que tentou que fosse alegre e bem-disposta . - Vocês têm alguma ideia de como tenho estado preocupada ? - perguntou Mrs._Weasley em um murmúrio fraco . - Desculpe , mãe , mas sabe , nós tivemos que ... Os três filhos de Mrs._Weasley eram mais altos do_que ela , mas tremiam quando a fúria de a mãe se abatia sobre eles . - Camas vazias ! Nem um bilhete ! O carro desaparecido ... Podiam ter tido um acidente , estou fora de mim com tanta preocupação e vocês nem se importam ... nunca , enquanto eu for viva ... esperem só até o vosso pai chegar , nunca tivemos problemas de estes com o Bill , com o Charlie ou com o Percy ... - O perfeito Percy - resmungou Fred . - : __ tu não vales um dedo de a mão de o __ percy ! - gritou Mrs._Weasley , espetando um dedo em o queixo de o Fred . - Podias ter morrido , podias ter sido visto , podias ter feito com que o teu pai perdesse o emprego ... Parecia nunca mais acabar . Mrs._Weasley tinha gritado até ficar ronca , antes de se voltar para o Harry , que recuou . - Estou muito contente por te ver , Harry - disse . - Entra e vem tomar o pequeno-almoço . Ela voltou se e regressou a casa e Harry , depois de trocar um olhar nervoso com o Ron , que lhe acenou , encorajando o , seguiu a . A cozinha era pequena e bastante estreita . A meio havia uma enfezada mesa de madeira e cadeiras em volta e Harry sentou se a a beirinha de o assento , olhando em volta . Era a primeira vez que entrava em uma casa de feiticeiros . O relógio em a parede em frente de ele , tinha apenas um ponteiro e nenhum número . Em volta , estavam escritas frases como « Hora de fazer o chá » , « Hora de dar de comer a as galinhas « e « Estás atrasado » . Empilhados em o rebordo de a lareira estavam livros com títulos como * _ Encanta o teu próprio queijo , Encantamento em a cozedura de o pão e Banquetes em um minuto - é mágico * ! E , a menos que os ouvidos de Harry estivessem a traí o , o velho rádio próximo de o lava-loiças acabara de anunciar que a seguir vinha a Hora de enfeitiçar com a popular feiticeira-cantora Celestina_Warbeck . Mrs._Weasley fazia barulho com os talheres , preparando o pequeno-almoço um bocado a o acaso , lançando olhares furiosos a os filhos , enquanto lançava as salsichas em a frigideira . De vez em quando murmurava coisas como : « Não sei o que vos passou por a cabeça « ou « nunca devia ter confiado em vocês » . - Eu não te culpo , filho - tranquilizou Harry , pondo lhe sete ou oito salsichas em o prato . - Eu e o Arthur temos estado preocupados contigo . Ainda ontem a a noite estivemos a dizer que te iríamos buscar nós próprios se não respondesses a o Ron até sexta-feira . Mas , em a verdade ( estava agora a acrescentar três ovos estrelados a o prato de ele ) , atravessar metade de o país a voar em um carro ilegal , qualquer um vos poderia ter visto ... Agitou maquinalmente a varinha em a direcção de o lava-loiças , onde a loiça começou a lavar se sozinha , tinindo baixinho lá atrás . - Estava enevoado , mãe ! - exclamou o Fred . - Boca fechada enquanto comes ! - interrompeu Mrs._Weasley . - Eles estavam a fazê o passar fome , mãe ! - disse o George . - E tu também ! - disse Mrs._Weasley , mas já foi com uma expressão mais doce que começou a cortar o pão para Harry e a barrá o com manteiga . Em esse momento , as atenções voltaram se para um pequenino volto de cabelos ruivos , em uma camisa de dormir até a os pés , que surgiu em a cozinha , deu um grito agudo e desapareceu de_novo . - É a Ginny - disse Ron baixinho a o Harry -- , a minha irmã . Tem falado de ti todo o Verão . - Sim , ela vai querer o teu autógrafo , Harry - riu se o Fred , mas o seu olhar cruzou se com o de a mãe e inclinou se para o prato , não voltando a abrir a boca . Ninguém falou até os quatro pratos estarem limpos , o que sucedeu a uma velocidade surpreendente . - Bolas , estou cansado - bocejou Fred , pousando a faca e o garfo . Acho que me vou deitar e ... - Não vais , não senhor - interrompeu Mrs._Weasley . - A culpa é tua se ficaste toda_a noite acordado . Vais fazer a des-gnomização de o jardim . Eles estão outra_vez a exagerar . - Oh , mãe ... - E vocês os dois o mesmo - dirigiu se a o Ron e a o Fred . - Tu podes ir para a cama , filho - disse a Harry . - Não lhes pediste que guiassem aquele carro miserável . Mas Harry , que se sentia acordadíssimo , respondeu prontamente : - Eu ajudo o Ron , nunca vi uma des-gnomização ... - É muito simpático de a tua parte , querido , mas é um trabalho chato - explicou Mrs._Weasley . - Vejamos o que o Lockhart tem a dizer acerca disto . E puxou de o rebordo de a lareira um livro pesadíssimo . George resmungou : - Mãe , nós sabemos * des-gnomizar * o jardim . Harry olhou para a capa de o livro de Mrs._Weasley . Em grandes letras douradas , que ocupavam grande parte de a capa , podia ler se Guia_de_Gilderoy_Lockhart para pragas caseiras . Via se também a grande fotografia de um feiticeiro bem-parecido , de cabelos loiros ondulados e olhos azuis brilhantes . Como sempre , em o mundo de os feiticeiros , a fotografia mexia se . O feiticeiro , que Harry calculou ser Gilderoy_Lockhart , não parava de lhes piscar os olhos descaradamente . Mrs._Weasley sorriu lhe . - Oh , ele é fantástico - disse . - Conhece bem as pragas caseiras . É um livro maravilhoso . - A mãe adora o - disse Fred em um murmúrio bastante audível . - Não sejas ridículo , Fred - repreendeu Mrs._Weasley com as bochechas coradas . - É claro que se achas que sabes mais do_que o Lockhart , podes ir fazer o trabalho e ai de ti se houver um único gnomo em o jardim quando eu for fazer a inspecção . A bocejar e a resmungar , os Weasley arrastaram se lá para fora com Harry atrás de eles . O jardim era grande e , em a opinião de Harry , exactamente como deveria ser um jardim . Os Dursleys não teriam gostado . Havia uma enorme quantidade de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada , mas havia árvores nodosas em volta de as paredes , plantas que Harry nunca vira , tombando de todos os canteiros e um grande lago verde cheio de rãs . - Os Muggles também têm gnomos de jardim , sabes - disse o Harry a o Ron , enquanto atravessavam a relva . - Sim , já vi essas coisas que eles pensam que são gnomos - disse o Ron todo dobrado , com a cabeça em uma moita de peónias . - Como os Pais_Natais gordinhos com canas de pesca ... Houve um tumulto ruidoso , a moita de peónias estremeceu e Ron endireitou se . - Isto_é um gnomo - declarou com um ar sério . - Larga eu ! Larga eu ! - guinchou o gnomo . Não se parecia em absoluto com o Pai_Natal . Era pequenino e parecia de couro , com uma grande cabeça protuberante e calva , precisamente como uma batata . Ron agarrou o a a distância de um braço , enquanto ele dava pontapés em o ar com os seus pézinhos que pareciam chifres . Agarrou o por os tornozelos e voltou o de pernas para o ar . - Isto_é o que tens de fazer - disse . Levantou o gnomo acima de a cabeça ( Larga eu ! ) e começou a balouçá o em grandes círculos , como os vaqueiros fazem com os laços . A o ver a expressão chocada de Harry , Ron explicou : - Não os mágoa . Só tens de os deixar bem tontos para que consigam encontrar o caminho de regresso a os buracos de os gnomos . Largou os tornozelos de o gnomo . Ele voou seiscentos metros e aterrou com um ruído surdo em o campo a o lado de a sebe . - Deplorável - afirmou o Fred . - Aposto que consigo lançar o meu para_além de aquele tronco . Harry aprendeu rapidamente a não sentir muita pena de os gnomos . Decidira largar o primeiro que apanhou para_além de a sebe , mas o gnomo , sentindo fraqueza , enfiou os seus dentinhos , aguçados como laminas , em o dedo de o Harry e não foi fácil sacudi o para ele o largar , até que ... - Uau , Harry , esse deve ter sido seiscentos metros ... O ar estava subitamente cheio de gnomos voadores . - Vês , eles não são muito espertos - afirmou o George , agarrando cinco ou seis de uma_vez . - Em o momento em que se apercebem que começou a * des-gnomização * , aparecem todos para espreitar . Era de esperar que já tivessem aprendido a ficar quietinhos . Rapidamente a multidão de gnomos começou a ir se embora , atravessando os campos em uma fila ordenada , com os pequeninos ombros arqueados . - Eles voltam - disse o Ron enquanto os via desaparecer em a sebe de o outro lado de o campo . - Eles adoram estar aqui ... o pai é muito mole com eles , acha lhes piada . Em esse momento , a porta de a frente bateu . - Ele já voltou ! - exclamou o George . - O pai já está em casa ! Apressaram se a entrar . Mr._Weasley tinha se afundado em uma de as cadeiras de a cozinha , sem óculos e com os olhos fechados . Era um homem magro , quase calvo , mas o pouco cabelo que tinha era tão ruivo como o de os filhos . Vestia um longo manto verde cheio de pó e estava cansado de a viagem . - Que noite - murmurou , tacteando em busca de o bule , enquanto todos se sentavam a a volta de ele . - Nove assaltos , nove ! E o velho Mundungs_Fletcher tentou lançar me um feitiço quando eu estava de costas . Mr._Weasley tomou um bom gole de chá e suspirou . - Encontrou alguma coisa , pai ? - perguntou Fred ansiosamente . - Só encontrei algumas chaves encolhidas e uma chaleira que mordia - bocejou Mr._Weasley . - Havia um material bastante mauzinho , mas não era de o meu departamento . O Mortlake foi levado para ser interrogado sobre uns furões extremamente antigos , mas isso pertence a a Comissão_dos_Feitiços_Experimentais , graças_a Deus . - Por_que é_que alguém ia dar se a o trabalho de fazer encolher chaves ? - perguntou George . - Para chatear os Muggles - suspirou Mr._Weasley . - Vende se lhes uma chave que não pára de encolher , até que desaparece , de_modo_a que nunca a encontrem quando precisam ... É claro que é muito difícil condenar alguém , porque nenhum Muggle é capaz de admitir que a sua chave está a encolher , insistem em que estão sempre a perdê a . Benditos sejam , vão até onde for preciso para ignorar a magia , mesmo_que ela esteja em frente de os seus narizes ... mas vocês não acreditariam em as coisas que o nosso grupo tem levado para enfeitiçar ... - : __ como carros , por __ exemplo ? Mrs._Weasley tinha aparecido , segurando um grande atiçador que parecia uma espada . Os olhos de Mr._Weasley abriram se de repente , fitando a mulher com um ar culpado . - C-carros , Molly querida ? - Sim , Artur , carros - afirmou Mrs._Weasley , os olhos a faiscar . - Imagina um feiticeiro a comprar um carro velho e enferrujado e dizer a a mulher que a única coisa que queria fazer com ele era desmontá o para ver como ele funcionava , enquanto em a verdade estava a enfeitiçá o para o fazer voar . Mr._Weasley piscou os olhos . - Bem , querida , acho que poderás constatar que não é ilegal fazer isso , embora , er , talvez ele devesse ter contado a verdade a a mulher ... Existe uma forma de tornear a lei , já_que ela diz que ... desde_que não se tenha a * intenção * de voar em o carro , o facto de ele poder voar , não ... - Arthur_Weasley tu arranjaste essa forma de tornear a lei quando a escreveste ! - gritou Mrs._Weasley . - Para poderes continuar a remexer em todo aquele lixo de os Muggles que tens em a arrecadação ! E , para tua informação , o Harry chegou hoje_de_manhã em o carro que tu não pretendias pôr a voar ! - Harry ? - perguntou Mr._Weasley sem expressão . - Qual Harry ? Olhou em volta , viu Harry e deu um salto . - Santo_Deus , é Harry_Potter ? Muito prazer , o Ron falou nos tanto de si ... - * _ O teu filho conduziu aquele carro até a a casa de o Harry e de volta até aqui em a noite passada ! * - gritou Mrs._Weasley . - O que tens a dizer a esse respeito ? - A sério ! ? - exclamou Mr._Weasley com vivacidade . - Correu tudo bem , quero dizer ... - vacilou a o ver os olhos de Mrs._Weasley que faiscavam . - Er , fizeram mal , rapazes , muito mal , mesmo ... - Vamos deixá os a os dois - murmurou o Ron , enquanto Mrs._Weasley inchava como um sapo gigantesco . - Vamos , vou mostrar te o meu quarto . Esgueiraram se de a cozinha e desceram uma passagem estreita que dava para uma escada desnivelada que ziguezagueava a o longo de a casa . Em o terceiro andar , estava uma porta entreaberta . Harry só teve tempo de ver um par de olhos castanhos brilhantes que o olhavam fixamente , antes de a porta se fechar com um estalido . - A Ginny - disse o Ron . - Não imaginas como é estranho vês a tão tímida , ela que quase nunca se cala ... Subiram mais dois andares , até chegarem a uma porta com a tinta a descascar e uma pequena placa dizendo : « Quarto_do_Ronald » . Harry entrou . A cabeça quase tocava em o tecto inclinado . Piscou os olhos . Era como entrar dentro_de uma fornalha : quase tudo em o quarto de o Ron tinha um violento matiz alaranjado : a colcha de a cama , as paredes , até o tecto . Em seguida , apercebeu se de que o Ron tinha coberto cada centímetro de o velho papel de parede com * posters * de as mesmas sete feiticeiras e feiticeiros , todos vestidos com brilhantes mantos cor de laranja , transportando vassouras e acenando entusiasticamente . - A tua equipa de Quidditch ? - perguntou Harry . - Os Chudley_Cannons - disse Ron , apontando para a colcha cor de laranja que tinha um brasão com dois C's gigantes e uma bala de canhão a_toda_a velocidade . - Nono em a Liga . Os livros de estudo de feitiços de Ron estavam empilhados desordenadamente a um canto , junto de um monte de B. _ D. , todas elas relativas a as * _ Aventuras_de_Martin_Miggs , o Muggle louco * . A varinha mágica de o Ron estava em_cima_de um aquário cheio de ovos de rã sobre o peitoril de a janela , junto de o seu rato gordo e cinzento , Scabbers , que dormia uma soneca a o sol . Harry passou por_cima_de um baralho de cartas de jogar com vontade própria , que estava caído em o chão , e olhou para fora de a janelinha . Em o campo , não muito longe , podia ver um grupo de gnomos a esgueirarem se , um a um , de_novo para a sebe de os Weasley . Em seguida , voltou se para Ron que o observava nervoso , como_se esperasse a opinião de ele . - É um_pouco pequeno - declarou o Ron muito depressa . - Não se parece nada com o quarto que tu tinhas em casa de os Muggles . E estou mesmo debaixo de o vampiro de o sótão . Ele anda sempre a bater nos canos e a gemer ... Mas Harry , com um grande sorriso , disse lhe : - Esta é a melhor casa em que eu já estive . As orelhas de Ron ficaram cor-de-rosa . IV_Na_Flourish and Blotts_A vida em a Toca era o mais diferente que é possível de a vida em Privet_Drive . Os Dursleys gostavam de tudo limpo e arrumado , em casa de os Weasleys explodia o estranho e o inesperado . Harry teve um choque de a primeira vez que olhou para o espelho que estava sobre a lareira de a cozinha e ele gritou : - Mete para dentro a camisa , * desmazelado ! * - O vampiro de o sótão gemia e batia nos canos , sempre_que sentia as coisas demasiado calmas e as pequenas explosões em o quarto de o Fred e de o George , eram consideradas perfeitamente normais . Mas o que o Harry achou mais bizarro em a vida em casa de o Ron , não foi o espelho que falava , nem o vampiro barulhento , foi o facto de todos ali em casa parecerem gostar de ele . Mrs._Weasley preocupava se com o estado de as suas meias e tentava obrigá o a servir se quatro vezes a cada refeição . Mr._Weasley gostava que Harry se sentasse a o lado de ele a a mesa para poder bombardeá o com perguntas sobre a vida com os Muggles , pedindo que lhe explicasse como funcionavam coisas como as canalizações e o serviço de os correios . - Fascinante ! - exclamava , enquanto Harry lhe explicava a utilização de o telefone . - Engenhoso , de facto , todas_as maneiras que os Muggles encontraram para passar sem a magia . Harry teve notícias de Hogwarts em uma manhã de sol , cerca de uma semana depois de ter chegado a a Toca . Quando , ele e o Ron desceram para tomar o pequeno-almoço , encontraram Mr. e Mrs._Weasley e Ginny já sentados a a mesa . Em o momento em que viu o Harry , Ginny entornou a tigela de os cereais , que caiu a o chão com grande espalhafato . Ginny entornava facilmente coisas sempre_que o Harry estava em a sala . Mergulhou debaixo de a mesa para apanhar a tigela e emergiu com o rosto a brilhar como o sol poente . Fingindo não ter dado por nada , Harry sentou se e aceitou a torrada que Mrs._Weasley lhe ofereceu . - Cartas de a escola - disse Mr._Weasley , passando a o Harry e a o Ron envelopes idênticos de pergaminho amarelado , com a morada escrita a tinta verde . - O Dumbledore já sabe que estás aqui , Harry , não perde nada aquele homem . Vocês os dois também - acrescentou , enquanto Fred e George deambulavam em a casa , ainda em pijama . Fez se silêncio durante alguns momentos , enquanto liam as respectivas cartas . A de o Harry dizia para apanhar o Expresso_de_Hogwarts , como sempre em a Estação_de_King's_Cross , em o dia_1_de_Setembro . Havia ainda uma lista de os livros que precisaria para o próximo ano . Os alunos de o segundo ano deverão ter : * _ O_Livro_Padrão_de_Feitiços , Grau 2 , por Miranda_Goshawk . * _ Ensinamentos_de_Uma_Fada_Carpideira , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Férias com Bruxas , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Duendes , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Lobisomens , por Gilderoy_Lockhart . * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves , por Gilderoy_Lockhart * . Fred , que terminara a sua própria lista , espreitou para a de o Harry . - Também te mandam comprar os livros de o Lockhart - disse . - A professora de defesa contra as artes negras deve ser fanática . Aposto que é uma bruxa . Nessa_altura , Fred percebeu o olhar de a mãe e apressou se a comer o doce de laranja . - Esse conjunto não vai ficar barato - disse George , olhando rapidamente para os pais . - Os livros de o Lockhart são de os mais dispendiosos ... - Cá nos havemos de arranjar - declarou Mrs._Weasley , mas parecia preocupada . - Espero que pelo_menos para a Ginny possamos arranjar uma data de coisas em segunda mão . - Ah , vais entrar este ano para Hogwarts ? - perguntou lhe Harry . Ela fez um aceno , corando até a a raiz de os cabelos ruivos e meteu o cotovelo em o pires de a manteiga . Felizmente ninguém deu por nada , a não ser o Harry , porque em esse momento o irmão mais velho de Ron , o Percy , entrou . Já estava vestido , com a placa de prefeito aplicada a a sua camisola de malha . - Bom dia a todos - disse , cheio de vivacidade . - Está um dia lindo . Puxou a única cadeira livre , mas deu um salto quando ia sentar se e , debaixo de ele , saltou um espanador cinzento de penas , pelo_menos , foi o que o Harry pensou até ver que ele respirava . - Errol ! - exclamou Ron , afastando a coruja de o Percy e retirando lhe debaixo de a asa uma carta . - Até que enfim , a resposta de a Hermione . Escrevi lhe a contar que íamos tentar raptar te de casa de os Dursleys . Levou Errol para um poleiro que havia junto a a porta de as traseiras e tentou colocá a lá em cima , mas Errol caiu redonda e Ron teve de a pôr em a pia , murmurando : - Patético . - Em seguida , abriu a carta de a Hermione e leu a em voz alta . * _ Querido_Ron e Harry , se aí estiveres . Espero que tudo tenha corrido bem , que o Harry esteja O. _ K. e que não tenham feito nada ilegal para conseguir trazes o , porque isso podia criar lhe problemas também a ele . Tenho estado muito preocupada e , se o Harry estiver bem , por favor digam me qualquer coisa rapidamente , mas talvez seja melhor usarem uma nova coruja , porque acho que outra entrega pode acabar como esta . * _ Estou muito atarefada com trabalho de a escola , claro * . - Como é possível ? - perguntou Ron , horrorizado . - Estamos em férias ! - * _ E vamos para Londres em a próxima quarta-feira para comprar os meus livros novos . Porque não nos encontramos em a Diagon-al ? * _ Dêem-me notícias vossas o mais depressa possível . * _ Carinhosamente_Hermione * - Bem , parece uma boa solução , podemos ir todos comprar as vossas coisas - disse Mrs._Weasley , começando a limpar a mesa . - O que vão fazer hoje ? Harry , Ron , Fred e George tinham planeado ir a o cimo de o monte a um pequeno cercado de cavalos que os Weasleys possuíam . Estava rodeado de árvores que lhe tapavam a vista de a cidade cá em baixo , o que quer_dizer que podiam praticar Quidditch , desde_que não voassem muito alto . Não podiam usar as verdadeiras bolas de Quidditch pois seria muito difícil explicar se elas escapassem e voassem sobre a cidade . Em vez de elas , lançavam maçãs para os outros apanharem . Faziam turnos para montar a Nimbus dois_mil , que era de longe a melhor vassoura . A velha Shooting_Star_de_Ron fora muitas_vezes ultrapassada por as borboletas que passavam . Cinco minutos mais tarde estavam a marchar por o monte acima , de vassouras a o ombro . Tinham perguntado a o Percy se ele queria juntar se a eles , mas ele alegara muito trabalho . Até esse dia , Harry só tinha visto Percy a a hora de as refeições , ele ficava em silêncio em o quarto o resto de o tempo . - Gostava de saber o que ele anda a fazer - afirmou Fred , de testa franzida . - Não parece o mesmo . O resultado de os exames veio um dia antes de tu chegares : doze N_F_V e ele nem se manifestou satisfeito . - Níveis_de_Feitiçaria_Vulgares - explicou o George , vendo o olhar atarantado de Harry . - Se não temos cuidado , ainda nos calha outro Chefe_de_Turma em a família . Acho que não suportaria a vergonha . Bill era o mais velho de os irmãos Weasley . Ele e o irmão a seguir , Charlie , já tinham saído de Hogwarts . Harry não conhecia nenhum de os dois , mas sabia que o Charlie estava em a Roménia a estudar dragões e o Bill em o Egipto a trabalhar em o banco de os feiticeiros : Gringotts . - Não sei como o pai e a mãe vão arranjar dinheiro para nos pagar o material escolar este ano - disse o George , passado um bocado . - Cinco conjuntos de livros de o Lockhart ! E a Ginny precisa de mantos e de uma varinha e tudo_isso ... Harry não disse nada . Sentiu se um_pouco incomodado . Fechada em um cofre subterrâneo , em o banco de Gringotts_de_Londres , estava uma pequena fortuna que os pais lhe tinham deixado . É claro que só tinha esse dinheiro em o mundo de os feiticeiros , não se podem usar Galeões , Leões e Janotas em as lojas de os Muggles . Ele nunca fizera referência a a sua conta bancária em Gringotts a os Dursleys . Não lhe parecia que o horror que eles sentiam por tudo_o_que se relacionava com a feitiçaria se estendesse a uma enorme pilha de barras de ouro . Mrs._Weasley acordou os a todos bem cedo , em a quarta-feira seguinte . Depois de comerem umas doze sanduíches de * bacon * cada_um , enfiaram os casacos e Mrs._Weasley tirou um vaso de a prateleira de o fogão de a cozinha e espreitou lá para dentro . - Está a acabar se , Arthur - suspirou . - Temos de comprar mais hoje ... Bem , os hóspedes primeiro . Passa , Harry querido ! E ofereceu lhe o vaso de flores . Harry olhou espantado enquanto todos eles o observavam . - O q-que é_que eu devo fazer ? - gaguejou . - Ele nunca viajou com o pó de Floo - disse o Ron subitamente . - Desculpa , Harry , esqueci me . - Nunca ? - perguntou Mrs._Weasley . - Mas então como chegaste a a Diagon - _ Al em o ano passado para comprar as tuas coisas ? -- Fui por o subterrâneo . - A sério ? - disse Mr._Weasley , entusiasmado . - Havia fugitivos ? Como é_que ... - Agora não , Arthur - disse Mrs . Weasley . - O pó de Floo é muito mais rápido , querido , mas , valha me Deus , se ele nunca o usou ... - Vai correr bem , mãe - disse o Fred . - Harry observa nos primeiro . Tirou uma pitada de pó brilhante de dentro de o vaso , aproximou se de o lume e lançou o pó em as chamas . Com um rugido , o fogo ficou verde-esmeralda e elevou se a uma altura superior a a de o Fred que avançou , gritando Diagon - _ Al ! E desapareceu . - Tens de falar claramente , filho - disse Mrs._Weasley a o Harry , ao_mesmo_tempo que George metia a mão em o vaso de as flores . - E vê se sais em o fogão certo . - Em o quê ? - perguntou Harry , nervoso , enquanto o lume crepitava e fazia George desaparecer também . - Bem , há imensos fogos de feiticeiros , mas desde_que te tenhas expressado claramente ... - Ele vai conseguir , Molly , não te preocupes - disse Mr._Weasley , tirando também ele algum pó . - Mas querido se ele se perde como é_que vamos justificar nos perante o tio e a tia de ele ... -- Eles não se importariam - tranquilizou a Harry . - O Dudley ia achar imensa piada se eu me perdesse em uma chaminé , não se preocupe . - Bem , em esse caso ... tu vais a seguir a o Arthur - disse Mrs._Weasley . - Logo_que entres em o fogo diz para_onde queres ir . - E mantém os cotovelos dobrados - preveniu o Ron . - E os olhos fechados - disse Mrs._Weasley . - A fuligem . - Não te enerves - disse o Ron . - Senão podes ir parar a a lareira errada . - Não entres em pânico e não queiras sair cedo de mais . Espera até veres o Fred e o George . Fazendo um enorme esforço por reter toda aquela informação , Harry tirou uma pitada de pó de Floo e avançou para a beirinha de o fogo . Respirou fundo , espalhou o pó em as chamas e entrou . O fogo parecia uma brisa quente . Abriu a boca e engoliu , de imediato , uma grande quantidade de cinzas quentes . D-dia-gon-al - tossiu . Sentiu se como_se estivesse a ser sugado para um buraco gigantesco . Como_se girasse muito depressa ... o ruído era ensurdecedor . Tentou manter os olhos abertos mas o turbilhão de chamas verdes fê lo enjoar ... algo duro bateu lhe em o cotovelo e dobrou o de imediato . Continuava a rodar , a rodar ... sentia se agora como_se várias mãos frias estivessem a bater lhe em a cara ... Espreitando através de os óculos , viu uma torrente imprecisa de fogões e captou lampejos de as salas que estavam por detrás ... as sanduíches de * bacon * davam lhe a volta dentro de o estômago ... fechou os olhos desejando que tudo aquilo parasse e então caiu , de cara em o chão , em a pedra fria e sentiu os óculos partirem se a os bocados . Desorientado e ferido , coberto de fuligem , pôs se cautelosamente de pé , levando a os olhos os óculos partidos . Estava completamente só e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava . Tudo_o_que podia dizer era que a o seu lado via uma lareira que lhe parecia ser a de uma enorme e indistinta loja de feitiçaria . Mas nenhum de os artigos que ali se encontravam tinham aspecto de fazer parte de a lista de a escola de Hogwarts . Em uma caixa de vidro podia ver se uma mão atrofiada que repousava sobre uma almofada , um baralho de cartas ensanguentado e um olho de vidro que o olhava fixamente . Máscaras de expressão maldosa enchiam as paredes , olhando de esguelha , uma enorme quantidade de ossos humanos estendia se sobre o balcão e , de o tecto , pendiam instrumentos aguçados com pontas de ferro e pregos enferrujados . Mas o pior é_que a rua estreita e escura , que Harry conseguia avistar através de a janela poeirenta de a loja , não era de modo algum a Diagon-al . Quanto_mais depressa saísse de ali , melhor . O nariz ainda a doer lhe em o sítio onde batera em o chão a o aterrar , Harry avançou rápida e silenciosamente em direcção a a porta , mas antes de conseguir chegar a meio caminho , duas pessoas apareceram de o lado de_fora de o vidro , e uma de elas era a última pessoa que Harry desejaria encontrar em o momento em que se encontrava perdido , coberto de fuligem e com os óculos partidos , Draco_Malfoy . Harry olhou rapidamente em volta e apercebeu se de a existência de um grande armário escuro a a sua esquerda , saltou lá para dentro e fechou as portas , deixando uma gretazinha para poder espreitar . Segundos depois , uma campainha tocava e Malfoy entrava em a loja . O homem que o acompanhava só podia ser o pai . Tinha o mesmo rosto pálido de feições agudas e os mesmos olhos cinzentos de gelo . Mr._Malfoy atravessou a loja , olhando maquinalmente para os artigos expostos e tocou a campainha de o balcão , antes de se voltar para o filho , dizendo : - Não mexas em nada , Draco . Malfoy , que vira o olho de vidro , disse : - Pensei que ias oferecer me um presente . - Eu prometi que ia comprar te uma vassoura de corrida - declarou o pai , tamborilando com os dedos sobre o balcão . - Para que é_que me serve , se não estou em a equipa de Quidditch ? - perguntou Malfoy , carrancudo e de mau humor . - O Harry_Potter teve uma Nimbus dois_mil o ano passado , com a autorização especial de o Dumbledor é para jogar em os Gryffindor . Ele nem é assim tão bom , é só por ser * famoso * ... famoso por ter uma estúpida cicatriz em a testa . Malfoy baixou se para observar uma prateleira cheia de crânios . - Todos acham que ele é tão esperto , o Potter maravilha , com a sua cicatriz e a sua vassoura ... - Já me disseste isso doze vezes pelo_menos - comentou Mr._Malfoy , olhando repressivamente para o filho . - E devo lembrar te que não é prudente parecer menos do_que amigo de Harry_Potter , quando a maior parte de a nossa gente vê em ele um herói que fez desaparecer o Senhor_do_Mal . Ah , Mr._Borgin . Um homem curvado surgiu por detrás de o balcão , puxando o cabelo gorduroso para trás . - Mr._Malfoy , que prazer vês o de_novo - disse Mr._Borgin , em uma voz tão untuosa como o cabelo . - Encantado , e o nosso jovem Malfoy também , encantado . Em que posso servi os ? Tenho que vos mostrar o que chegou hoje , a um preço muito razoável ... - Hoje não venho comprar , Mr._Borgin , e sim vender - afirmou Mr._Malfoy . - Vender ? - O sorriso apagou se lentamente em o rosto de Mr._Borgin . - Certamente ouviu dizer que o Ministério está a levar a cabo mais buscas - explicou o Mr._Malfoy , retirando de o bolso um rolo de pergaminho e desembrulhando o para Mr._Borgin o ler . - Eu tenho alguns , ah , artigos em casa que poderiam criar me problemas se o Ministério me batesse a porta . Mr._Borgin colocou em o nariz um par de * pince-nez * e olhou para a lista . - O Ministério não se lembraria de o incomodar certamente ... O lábio de Mr._Malfoy dobrou se . - Ainda não me fizeram nenhuma visita . O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito , mas o Ministério está a ficar cada_vez_mais intrometido . Há boatos sobre um novo decreto de protecção de os Muggles , sem dúvida que aquele mordido de as pulgas , adorador de os Muggles , que é o Arthur_Weasley deve estar por detrás de isso . Harry sentiu crescer a raiva . - E , como pode ver , alguns de estes venenos podiam dar a ideia ... - Compreendo perfeitamente , claro - disse Mr._Borgin . - Deixe me ver ... - Posso ter aquilo ? - interrompeu Draco , apontando para a mão raquítica que estava sobre a almofada . - Ah , a mão de a glória ! - exclamou Mr._Borgin , abandonando a lista de Mr._Malfoy e apressando se a responder a Draco . - Põe se lhe uma vela e ela só dá luz a quem a transporta ! A melhor amiga de os gatunos e de os salteadores , o seu filho tem gosto , senhor . - Espero que o meu filho venha a ser mais do_que gatuno ou salteador , Borgin - disse Mr._Malfoy friamente e Mr._Borgin respondeu logo : - Sem ofensa , senhor , sem querer ofender . - Embora , se as notas de a escola não melhorarem - disse Mr._Malfoy ainda mais friamente - esse possa vir a ser o único caminho possível para ele . - Não tenho culpa - retorquiu Draco . - Todos os professores têm os seus preferidos , aquela Hermione_Granger ... - Eu , em o teu lugar , teria vergonha que uma rapariga que nem_sequer pertence a famílias de feiticeiros , me passasse a a frente em todos os exames - interrompeu Mr._Malfoy . Ah - fez Harry baixinho , radiante por ver Draco atrapalhado e furioso . - É o mesmo em todo o lado - comentou Mr._Borgin em a sua voz untuosa . - O sangue de os feiticeiros conta cada_vez menos ... - Não para mim - afirmou Mr._Malfoy , com as longas narinas dilatadas . - Não senhor , nem para mim - concordou Mr._Borgin , inclinando se em uma vénia . - Em esse caso , talvez possamos voltar a a minha lista - disse Mr._Malfoy secamente . - Estou com alguma pressa , Borgin , tenho ainda hoje assuntos importantes a tratar em outro lado . Começaram a discutir os preços . Harry via nervosamente o Draco aproximar se de o seu esconderijo enquanto observava os objectos a a venda . Parou para examinar um enorme rolo de corda de carrasco e para ver , com um sorriso afectado , o cartão preso com um aparatoso laço de opalas onde podia ler se : * _ Cautela , não tocar . Amaldiçoado - reclama as vidas de dezanove donos , todos eles Muggles * . Draco voltou se e viu o armário mesmo em frente . Avançou , estendeu a mão para o puxador ... - Feito - disse Mr._Malfoy , a o balcão . - Vamos , Draco . Harry limpou a testa a a manga quando Draco se afastou . - Muito bom dia , Mr._Borgin . Espero por si amanhã em a mansão para ir buscar a mercadoria . Em o momento em que a porta se fechou , Mr._Borgin abandonou os seus modos subservientes . « Bom dia para o senhor , Mr._Malfoy , e , se as histórias que contam são verdadeiras , não me vendeu nem metade do_que tem escondido em a sua mansão ... » Murmurando de forma taciturna , Mr._Borgin desapareceu em uma sala escura . Harry esperou um minuto não fosse ele voltar e , em seguida , o mais silenciosamente possível , escapou se de o armário , passou por as caixas de vidro e saiu de a loja . Encostando os óculos partidos a o rosto , olhou em volta . Saíra em uma rua estreita e sombria que parecia composta exclusivamente de lojas dedicadas a as artes negras . Aquela de onde acabava de sair parecia ser a maior , mas em frente estava uma montra tétrica de cabeças encolhidas e duas portas abaixo podia ver se uma enorme caixa viva cheia de gigantescas aranhas pretas . Dois feiticeiros com aspecto pobre observavam o de a sombra de uma porta , murmurando entre si . Sentindo se nervoso , Harry pôs se a caminho , tentando agarrar os óculos a direito e não desistindo de a esperança de encontrar maneira de sair de ali . Por um cartaz de madeira , pendurado em a rua , indicando uma loja de venda de velas envenenadas , ficou a saber que se encontrava em a Rua * _ Bativolta * , mas isso não o ajudou pois Harry nunca ouvira falar em tal lugar . Calculou que não tinha pronunciado bem as palavras com a boca cheia de cinzas em a lareira de os Weasley . Tentando manter a calma perguntou a si mesmo o que havia de fazer . - Não estás perdido , pois não , meu menino ? - perguntou uma voz , mesmo junto de o seu ouvido , que o fez dar um salto . Uma bruxa idosa estava em a sua frente , segurando um tabuleiro de uma coisa que se parecia horrivelmente com unhas humanas . A mulher olhou o maldosamente , mostrando os dentes esverdeados . Harry recuou . - Estou bem , obrigado - disse . - Estou só ... - HARRY ! O qu'é que pensas que estás a fazer aqui ? O coração de Harry deu um salto , assim_como o de a bruxa . Um monte de unhas caíram lhe sobre os pés e ela praguejou , enquanto o corpo enorme de Hagrid , o guarda de os campos de Hogwarts , se aproximava de eles a passos largos com os olhos castanhos-escuros a faiscarem sobre a longa barba eriçada . - Hagrid - gritou Harry , aliviado . - Eu estava perdido ... o pó de Floo ... Hagrid agarrou Harry por o cachaço e puxou o para longe de a bruxa , tirando lhe o tabuleiro de as mãos . Os guinchos agudos de a feiticeira seguiram nos até a o fundo de a ruela serpenteante que ia dar a um lagar onde brilhava o sol . Harry avistou a a distância um edifício de mármore branco como a neve que lhe era familiar : o banco de Gringotts . Hagrid conduzira o até a a Diagon - _ Al . - ` _ tás em um péssimo estado ! - disse Hagrid bruscamente , sacudindo lhe a fuligem com tanta força que Harry quase caiu em um barril de estrume de dragão que se encontrava a a porta de um boticário . - A fugir , em a Rua * _ Bativolta * , eu não conheço esse lugar finório , Harry , não quero que ninguém te veja aqui em baixo . - Já percebi - disse Harry , baixando se quando Hagrid fez menção de o escovar melhor . - Já te disse que estava perdido . E o que é_que tu fazes aqui ? - ` _ Tou a a procura d'um repelente para as lesmas comedoras de legumes - resmungou Hagrid . - ` _ tão a destruir as couves todas de a escola . Tu não estás sozinho ? - Estou em casa de os Weasley , mas separámo nos explicou Harry . - Tenho que os encontrar . Desceram juntos a rua . - Por_que é_que nunca respondeste a as minhas cartas ? - perguntou Hagrid , enquanto Harry corria para o acompanhar ( tinha de dar três passos por cada enorme passada de Hagrid ) . Harry explicou lhe tudo sobre Dobby e os Dursleys . - Malditos_Muggles - rugiu Hagrid . - S'eu tivesse sabido ... - Harry ! Harry ! Aqui ! Harry olhou para_cima e viu Hermione_Granger em o topo de a escadaria de Gringotts . Desceu para vir a o encontro de ele , o cabelo castanho de caracóis , a esvoaçar atrás de ela . - O que aconteceu a os teus óculos ? Olá_Hagrid ... Oh , é maravilhoso ver vos outra_vez . Vens a Gringotts , Harry ? - Logo_que encontre os Weasley - respondeu ele . - Não vais ter d'esperar muito - riu se Hagrid . Harry e Hermione olharam em volta . Subindo a rua , em o meio de a multidão , vinham Ron , Fred , George , Percy e Mr._Weasley . - Harry - chamou Mr._Weasley , ofegante . - Tínhamos esperança que só tivesses ido um fogão mais longe ... - passou um pano em a sua calva reluzente . - A Molly está nervosíssima , aí vem ela . - Onde é_que tu saíste ? - perguntou o Ron . - Em a Rua * _ Bativolta * - disse o Hagrid , com um ar sério . - Sensacional ! - exclamaram Fred e George ao_mesmo_tempo . - Nunca nos deram autorização para lá ir - disse o Ron com uma pontinha de inveja . - E fizeram muito bem - grunhiu Hagrid . Mrs._Weasley chegou em aquele momento a correr , a mala a balouçar em uma de as mãos e Ginny quase pendurada em a outra . - Oh Harry , oh meu querido , podias ter ido parar a qualquer lugar ... Tentando recuperar o fôlego , tirou de a mala uma grande escova de roupa e começou a retirar a fuligem que Hagrid não conseguira expulsar . Mr._Weasley pegou em os óculos de Harry , deu lhes um toque de varinha e entregou lhe os como novos . - Bem , tenho de m'ir embora - disse Hagrid cuja mão estava a ser esmagada por Mrs._Weasley ( -- Rua * _ Bativolta * ! Se não o tivesses encontrado , Hagrid ! ) . - Vemo nos em Hogwarts . - E afastou se , os ombros e a cabeça acima de a multidão que enchia completamente a rua . - Adivinham quem eu vi em o Borgin and Burkes ? - perguntou Harry_a_Ron e a Hermione enquanto subiam as escadarias de Gringotts . - Malfoy e o pai . - O Lucius_Malfoy comprou alguma coisa ? - perguntou interessado Mr._Weasley que estava atrás de eles . - Não , estava a vender . - Então está preocupado - comentou Mr._Weasley com visível satisfação . - Ah , eu adorava apanhar o Lucius_Malfoy em alguma . . - Tem cuidado , Arthur - interrompeu Mrs._Weasley enquanto o gnomo porteiro lhes dava reverentemente entrada em o banco . - Isso é um problema de família . Não queiras ter mais olhos que barriga . - Queres dizer com isso que achas que eu não chego para o Malfoy ? - perguntou Mr._Weasley , indignado , mas foi rapidamente afastado de aqueles sentimentos a o avistar os pais de Hermione que estavam de pé , nervosamente encostados a o balcão que acompanhava a grande parede de mármore , a a espera que Hermione os apresentasse . - Mas vocês são Muggles ! - disse Mr._Weasley , encantado . - Temos de tomar uma bebida . O que é isso aí ? Ah , estão a trocar dinheiro de Muggle . Molly , olha - apontou cheio de excitação para as notas de dez libras que Mr._Granger tinha em a mão . - Encontramo nos aqui - disse Ron_a_Hermione , enquanto os Weasley e Harry eram conduzidos a os seus cofres em o subterrâneo de Gringotts . Para chegar a os cofres havia que tomar umas carrinhas conduzidas por gnomos que se deslocavam ao_longo_de carris de comboio de pequenas dimensões através de os túneis subterrâneos de o banco . Harry gostou de a viagem acidentada até a o cofre de os Weasley , mas sentiu se bastante mal , pior do_que em a Rua * _ Bativolta * , quando o cobre foi aberto . Havia lá dentro um pequenino monte de Leões de prata e apenas um Galeão de ouro . Mrs._Weasley foi com a mão a a procura em os cantos antes de , com um gesto rápido , varrer tudo para dentro de o saco . Harry sentiu se ainda pior quando chegaram a o seu cofre . Tentou evitar que vissem o conteúdo enquanto empurrava apressadamente mãos cheias de moedas para dentro_de uma sacola de cabedal . Lá fora , em as escadarias de mármore , separaram se . Percy murmurou vagamente que precisava de uma nova pena de escrever . Fred e George tinham avistado um amigo de Hogwarts , Lee_Jordan . Mrs._Weasley e Ginny iam a uma loja de mantos em segunda mão , Mr._Weasley continuava a insistir em levar os Grangers a o Caldeirão_Escoante para lhes pagar uma bebida . - Encontrarmo nos todos em a Flourish and Blotts dentro_de uma hora para comprar os vossos livros de estudo - disse Mrs._Weasley , afastando se com Ginny . - E nem um passo em direcção a a Rua * _ Bativolta * - gritou a os gémeos que estavam de costas . Harry , Ron e Hermione deambularam por a rua empedrada e sinuosa . O ouro , prata e bronze que tilintavam alegremente em o saco que Harry tinha em o bolso pareciam exigir ser gastos , por isso ele comprou três enormes gelados de morango e manteiga de amendoim que eles devoraram felizes enquanto vagueavam sem destino por a rua fora , observando as montras fantásticas de as lojas . Ron olhou longamente para um conjunto completo de mantos de o Chudley_Cannon , em as montras de o « Equipamento_de_Quidditch_de_Qualidade » até Hermione o arrastar de ali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos . Em a « Jogos_de_Feitiçaria_de_Gambol and Japes » encontraram o Fred , o George e o Lee_Jordan que estavam presos em a fabulosa partida debaixo_de chuva e em os fogos-de-artifício de o Dr._Filibuster . E em uma pequenina loja de velharias cheia de varinhas partidas , balanças instáveis de latão e mantos velhos cobertos de nódoas de poções encontraram Percy profundamente concentrado em um pequenino livro , bastante chato , chamado * _ Prefeitos que conquistam o poder * . - * _ Um estudo sobre os prefeitos de Hogwarts e as suas posteriores carreiras * - leu alto o Ron em a contracapa . - Deve ser fascinante ... - Desaparece - gritou Percy . - Claro , ele é muito ambicioso , já tem tudo planeado . Quer ser ministro de a magia - disse o Ron baixinho a o Harry e a a Hermione , enquanto deixavam Percy entregue a o livro . Uma hora mais tarde dirigiram se a a Flourish and Blotts . Não eram de modo algum os únicos a encaminhar se para a livraria . À_medida_que se aproximavam viram com grande surpresa uma grande multidão a a porta , tentando entrar em a loja . O motivo de tal confusão estava anunciado em um cartaz que se estendia a o longo de a montra superior . GILDEROY_LOCKHART_Assinará exemplares de a sua autobiografia " eu , o mágico " Hoje 12.30 - 16.30 - Vamos poder conhecê o ! - gritou Hermione . - Quero dizer , ele escreveu quase todos os livros de a nossa lista ! A multidão parecia ser maioritariamente composta por bruxas de a idade de Mrs._Weasley . Um feiticeiro bem-parecido estava de pé junto de a porta , dizendo : - Calma , minhas senhoras , não empurrem , cuidado com os livros . Harry , Ron e Hermione conseguiram furar e entrar . Uma longa fila serpenteava para as traseiras de a loja onde Gilderoy_Lockhart estava a assinar os seus livros . Cada_um de eles pegou em um exemplar de * _ ensinamentos de Uma Fada_Carpideira * e escaparam se de a fila indo ter a o lugar onde se encontravam os outros com Mr. e Mrs._Granger . - Ah , aí estão vocês . _ óptimo - disse Mrs._Weasley que parecia estar com falta de ar e não parava de mexer em o cabelo . - Vamos poder vês o dentro_de um minuto . Gilderoy_Lockhart veio lentamente até um lugar onde era visível para todos , sentou se a uma mesa , rodeado de grandes fotografias de o próprio rosto , todo ele sorrisos , mostrando a a multidão o brilho cintilante de os seus dentes . Lockhart usava uma túnica azul-noite que condizia a as mil maravilhas com a cor de os olhos , o chapéu pontiagudo de feiticeiro colocado lateralmente sobre o cabelo ondulado . Um homenzinho pequenino e irritante andava a dançar de um lado para o outro , tirando fotografias com uma grande máquina preta que lançava baforadas de fumo arroxeado em cada * flash * . - Sai de o caminho , tu aí - disse rispidamente a o Ron , mudando de lugar para ter um angulo melhor . - Este é para o * _ Profeta_Diário * . - Grande coisa ! - exclamou o Ron , esfregando os pés em o lugar que o fotógrafo pisara . Gilderoy_Lockhart ouviu o . Olhou , viu o Ron e em seguida Harry . Voltou a olhar , desta_vez com mais atenção . Em seguida , pôs se de pé e gritou : - Não pode ser , o Harry_Potter ? A multidão dividiu se entre murmúrios de excitação . Lockhart aproximou se , agarrou Harry por um braço e levou o para a frente . A multidão rebentou em aplausos . A cara de Harry ardia quando Lockhart lhe apertou a mão para o fotógrafo que disparava como um louco , lançando fumo espesso para_cima de os Weasley . - Belo sorriso , Harry - disse Lockhart através de os seus dentes brilhantes . - Tu e eu juntos merecemos a primeira página . Quando por fim lhe largou a mão , Harry quase não sentia os dedos . Tentou recuar para junto de os Weasley , mas Lockhart lançou lhe um braço por os ombros e prendeu o a o seu lado . - Minhas senhoras e meus senhores - disse bem alto , fazendo sinal para que se acalmassem . - Que momento extraordinário este ! O momento perfeito para eu anunciar algo que tenho vindo a guardar comigo desde_há algum tempo . - Quando o jovem Harry entrou em a Flourish and Blotts hoje , ele queria apenas comprar a minha autobiografia , que tenho agora o maior prazer em oferecer lhe - a multidão aplaudiu de_novo . - Ele não tinha ideia - continuou Lockhart , dando a o Harry um pequeno encontrão que fez com que os óculos lhe escorregassem para a ponta de o nariz - de que ia conseguir em_breve muito mais do_que o meu livro Eu , o mágico . Ele e os seus colegas de a escola vão receber , de facto , o verdadeiro * _ Eu , o mágico * . Sim , minhas senhoras e meus senhores , tenho o maior prazer em anunciar que em o mês_de_Setembro assumirei o lugar de professor de Defesa contra as artes negras em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts ! A multidão aplaudiu e bateu palmas e Harry deu consigo a ser presenteado com a obra completa de Gilderoy_Lockhart . Cambaleando ligeiramente sob o peso de os livros conseguiu abrir caminho para longe de os projectores até a a porta de a sala onde estava Ginny com o seu novo caldeirão . - Podes ficar com estes - murmurou Harry , enfiando os livros em o caldeirão . - Eu vou comprar os meus . - Aposto que adoraste aquilo , não adoraste , Potter ? - disse uma voz que Harry não teve qualquer dificuldade em reconhecer . Endireitou se e deu consigo frente_a_frente com Draco_Malfoy que exibia o seu habitual sorriso escarninho . - O famoso Harry_Potter - disse Malfoy . - Nem_sequer pode entrar em uma livraria sem se tornar primeira página . - Deixa o em paz , ele não queria nada de isso - defendeu a Ginny . Era a primeira vez que falava em frente de Harry . Olhava para Malfoy com um ar feroz . - Potter , arranjaste uma namorada ! - disse arrastadamente Malfoy . Ginny ficou vermelha como um pimentão enquanto Ron e Hermione tentavam abrir caminho , ambos carregando montes de livros de Lockhart . -- Ah és tu ? - disse Ron , olhando para Malfoy como_se ele fosse algo desagradável colado a a sola de o sapato . - Aposto que te surpreendeu ver o Harry aqui ? - Não tanto como a ti em uma loja , Weasley - retorquiu Malfoy . - Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo . Ron ficou tão vermelho quanto Ginny . Deixou também cair os livros em o caldeirão e avançou para Malfoy , mas Harry e Hermione agarraram o por as costas de o casaco . - Ron - disse Mrs._Weasley , aproximando se com Fred e George . - O que estás a fazer ? Isto está uma loucura aqui dentro , vamos lá para fora . - Olha quem ele é , Arthur_Weasley . - Era_Mr._Malfoy . Estava de pé com a mão sobre o ombro de Draco , com o mesmo sorriso escarninho . -- Lucius - disse Mr._Weasley , acenando friamente . -- Muito trabalho em o ministério , segundo me consta - disse Mr._Malfoy . - Todas essas buscas ... espero que te estejam a pagar horas extraordinárias . Meteu a mão em o caldeirão de a Ginny e tirou de o meio de os livros de Lockhart um exemplar muito velho e muito gasto de o * _ Guia_de_Transfiguração_para_Principiantes * . - Parece que não - disse . - Que diabo , qual a vantagem de ser uma nódoa entre os feiticeiros se nem_sequer te pagam bem por isso ? Mr._Weasley corou mais ainda do_que Ron ou Ginny . - Nós temos uma opinião diferente sobre quem são as nódoas entre os feiticeiros - disse . - É claro que ... - disse Mr._Malfoy , os olhos mortiços passando para Mr. e Mrs._Granger apreensivamente . - As companhias com quem tu andas ... e eu que pensava que já não conseguias descer mais baixo ... Ouviu se um tilintar de metal quando o caldeirão de a Ginny foi por os ares . Mr._Weasley lançara se sobre Mr._Malfoy atirando o para dentro_de uma estante . Dezenas_de livros de feitiços saltaram lá de cima , caindo lhes sobre as cabeças . Houve um grito de - Chega lhe , pai ! - de o Fred e de o George . Mrs._Weasley soltava gritos agudos : - Não_Arthur , não . A multidão recuava deitando mais prateleiras a o chão . - Meus senhores , por favor - gritava o encarregado , e então , mais alto do_que todos : - Parem com isso , gente , parem com isso . Hagrid aproximava se através_de um mar de livros . Em um segundo afastou Mr._Weasley e Mr._Malfoy . Mr._Weasley tinha um lábio cortado e Mr._Malfoy fora agredido em um olho por uma * _ Enciclopédia_de_Cogumelos_Venenosos * . Tinha ainda em a mão o livro velho de a Ginny sobre transfiguração . Atirou lhe o , com os olhos a brilhar de malvadez . - Toma o teu livro , garota . É o melhor que o teu pai pode oferecer te . Libertando se de Hagrid , conduziu Draco para fora e abandonaram a livraria . - Devias tê o ignorado , Arthur - disse Hagrid quase a pegar em Mr._Weasley a o colo enquanto lhe endireitava o manto . - São podres até a a raiz , todos eles . Tod'à gente sabe . Nenhum Malfoy vale a pena ser ouvido . Não prestam , ' tá-lhes em o sangue . Vá lá , vamos sair de aqui . O encarregado parecia querer impedis os , mas , olhando bem para Hagrid , pensou melhor . Subiram a rua , os Grangers a tremer de medo e Mrs._Weasley fora de si . - Um belo exemplo para as crianças ... andar a a pancada em público . O que terá pensado Gilderoy_Lockhart ? - Ele gostou - disse o Fred . - Não o ouviram quando ia a sair ? Estava a perguntar a aquele tipo de o Profeta_Diário se conseguia incluir a briga em a reportagem , disse que era boa publicidade . Mas foi um grupo deprimido que regressou a a lareira de o Caldeirão_Escoante onde Harry , os Weasley e todas_as suas compras iriam viajar de volta até a a Toca , usando o pó de Floo . Despediram se de os Grangers que iam sair de o * pub * por a rua de os Muggles , de o outro lado . Mr._Weasley começou a perguntar lhes como funcionavam as paragens de autocarros , mas calou se rapidamente a o ver a expressão de Mrs._Weasley . Harry tirou os óculos e guardou os cautelosamente em o bolso antes de utilizar o pó de Floo . Definitivamente não era a sua forma ideal de viajar . V_O salgueiro zurzidor O fim de as férias de Verão chegou demasiado depressa para o gosto de Harry . Ele desejara muito regressar a Hogwarts , mas aquele mês em a Toca tinha sido o mais feliz de toda_a sua vida . Era difícil não invejar o Ron quando pensava em os Dursleys e em as boas-vindas que ia receber de a próxima vez que pusesse os pés em Privet_Drive . Em a última noite , Mrs._Weasley preparou um jantar magnífico , que incluía os pratos favoritos de Harry e terminava com um pudim de melaço de fazer crescer água em a boca . Fred e George alegraram a noite com uma exibição de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que saltaram de o tecto para as paredes , durante pelo_menos meia_hora . Depois , foi a altura de tomarem uma caneca de chocolate quente e irem para a cama . Em a manhã seguinte , demoraram muito_tempo a preparar se . Levantaram se com o cantar de o galo , mas parecia lhes que ainda tinham muito para fazer . Mrs._Weasley andava de um lado para o outro , mal-humorada , a a procura de meias e penas , chocavam uns com os outros em as escadas , meio vestidos , meio despidos , com pedaços de torrada em as mãos e Mr._Weasley quase partiu o nariz quando tropeçou em uma galinha a o atravessar o pátio , para meter em o carro a mala de Ginny . Harry não percebia lá muito bem_como é_que oito pessoas , seis grandes malas , duas corujas e um rato , iam caber em um pequeno * _ Ford_Anglia * , isso , claro , antes de as artes mágicas que Mr._Weasley acrescentara . - Nem uma palavra a a Molly - murmurou ele a o Harry , enquanto abria a bagageira e lhe mostrava como ela se expandira para que as malas coubessem facilmente . Quando , por fim , se acomodaram todos em o carro , Mrs._Weasley olhou para o banco de trás , onde Harry , Ron , Fred , George e Percy estavam confortavelmente sentados uns a o lado de os outros e disse : - Os Muggles têm mais conhecimentos do_que aqueles que nós lhes atribuímos , não achas ? - Ela e a Ginny entraram para o lugar de a frente , que fora esticado e parecia um banco de jardim . - Quer_dizer , de_fora ninguém diria que este carro era espaçoso , não acham ? Mr._Weasley pôs o motor a funcionar e saíram de o pátio , Harry voltando se para trás para ver por a última vez a casa . Mal teve tempo de se questionar se iria voltar alguma vez e já estavam de volta : George esquecera se de a caixa de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Cinco minutos mais tarde tiveram de interromper de_novo a viagem e voltar a o pátio para o Fred ir a correr buscar a vassoura . Estavam quase a chegar a a auto-estrada , quando Ginny guinchou que se esquecera de o diário . Mas estava a fazer se muito tarde e os ânimos começavam a exaltar se . Mr._Weasley olhou para o relógio e , em seguida , para a mulher . - Molly , querida ... - Não , Arthur . - Ninguém ia ver . Este botãozinho é um transformador de invisibilidade que eu instalei , levava nos por o ar , subíamos acima de as nuvens . Estaríamos lá em dez minutos e ninguém daria por nada ... - Eu disse que não , Arthur . Durante o dia , não . Chegaram a King's_Cross , faltava um quarto para as onze . Mr._Weasley precipitou se em busca de um carrinho de transporte para as malas e correram todos para a estação . Harry apanhara o Expresso_de_Hogwarts em o ano anterior . A parte mais difícil era entrar em a plataforma nove_e_três quartos , que não era visível a os olhos de os Muggles . Era preciso avançar para a barreira sólida que dividia as plataformas nove e dez . Não doía nada , mas tinha de ser feito com cuidado para que nenhum de os Muggles de esse , por o desaparecimento . - O Percy em primeiro lugar - declarou Mrs._Weasley , olhando nervosamente para o relógio lá em cima , que mostrava que tinham apenas cinco minutos para desaparecer através de a barreira . Percy avançou a passos largos e desapareceu . Mr._Weasley foi a seguir e depois de ele Fred e George . - Eu levo a Ginny e vocês vêm atrás_de nós - disse Mrs._Weasley a o Harry e a o Ron , agarrando Ginny pela mão e seguindo em frente . Em um abrir e fechar de olhos , tinham passado . - Vamos passar juntos , só temos um minuto - disse Ron a o Harry . Harry assegurou se de que a gaiola de a Hedwig estava bem fixa em cima de a sua mala e empurrou o carrinho de encontro a a barreira . Estava perfeitamente confiante , aquilo era muito mais fácil do_que usar o pó de Floo . Puseram os dois as mãos em o puxador de os carrinhos e avançaram direitos a a barreira , ganhando velocidade . A um metro e pouco , começaram a correr e ... CRASH . Os dois carros bateram em a barreira e foram impelidos para trás . A mala de o Ron caiu com um enorme estrépito . Harry desequilibrou se e a gaiola de a Hedwig foi parar a o chão brilhante , enquanto ela rolava guinchando , indignada . As pessoas em volta olhavam fixamente e um guarda que estava ali perto gritou : - Que diabo pensam vocês que estão a fazer ? - Perdemos o controlo de o carro de transporte - respondeu o Harry , respirando com dificuldade , agarrando se a as costelas , enquanto se punha de pé . Ron correu a agarrar a Hedwig , que estava a fazer uma cena tal , que já se ouviam murmúrios em a multidão sobre a crueldade para com os animais . - Porque é_que não conseguimos passar ? - perguntou Harry a o Ron em um sussurro . - Não sei . Ron olhou descontroladamente em volta . Uma_dúzia de curiosos estavam ainda a observá os . - Vamos perder o comboio - murmurou o Ron . - Não compreendo porque motivo a cancela se fechou . Harry olhou para o relógio gigantesco com um sentimento de náusea em a boca de o estômago . Dez segundos , nove segundos ... Dirigiu o carrinho de transporte para a frente com toda_a força . O metal manteve se sólido . Três segundos ... dois segundos ... um segundo ... - Partiu - afirmou o Ron , que parecia estonteado . - O comboio foi se embora . E se a mãe e o pai não conseguem voltar para aqui ? Tens algum dinheiro de Muggle ? Harry deu uma gargalhada . - Os Dursleys não me dão um tostão há mais de seis anos ! Ron encostou o ouvido a a barreira . - Não se ouve nada - disse , bastante tenso . - O que vamos nós fazer ? Não sei quanto tempo o pai e a mãe vão demorar . Olharam em volta . As pessoas ainda estavam a observá os , principalmente devido a os contínuos guinchos de a Hedwig . - Acho que o melhor é sairmos de aqui e esperamos por eles junto de o carro - disse Harry . - Aqui estamos a atrair demasiado as aten ... - Harry - disse o Ron , com os olhos a brilhar . - É isso , o carro . - O que é_que tem ? - Podemos voar nele até Hogwarts ! - Mas eu pensei ... - Estamos em apuros , certo ? E temos de chegar a a escola , ou não ? E mesmo os feiticeiros menores de idade estão autorizados a usar a magia em uma emergência real , parágrafo dezanove , ou não sei quê , de a Restrição de ... O sentimento de pânico de Harry transformou se em entusiasmo . - E tu sabes voar nele ? - Não há problema - disse o Ron , andando com o carrinho a a volta e dirigindo se para a saída . - Anda de aí . Se em os apressarmos , conseguiremos sair atrás de o Expresso_de_Hogwarts . E afastaram se de o grupo de Muggles curiosos , abandonando a estação e voltando a a rua , onde o velho * _ Ford_Anglia * se encontrava estacionado . Ron abriu a bagageira com uma série de toques de varinha . Meteram lá dentro as malas , puseram a Hedwig em o assento de trás e entraram para a frente . - Verifica se ninguém está a ver - disse o Ron , ligando a ignição com outro toque de varinha . Harry pôs a cabeça fora de a janela : o trânsito enchia a avenida principal , mas a rua de eles estava vazia . - O. _ K. - disse . Ron carregou em um pequeno botão de o painel . Os carros em volta desapareceram assim_como eles . Harry sentia o assento a vibrar debaixo_de si , ouvia o motor , sentia as mãos sobre os joelhos e os óculos em o nariz , mas , tanto quanto conseguia ver , tornara se um par de olhos redondos flutuando um metro e pouco acima de o chão em uma rua suja , cheia de carros estacionados . - Vamos - disse a voz de o Ron , vinda de o seu lado direito . O chão e os prédios escuros de ambos os lados desapareceram de o seu ângulo de visão , mal o carro se elevou . Em poucos segundos toda_a cidade de Londres , enevoada e resplandecente , estava por baixo de eles . Em seguida , ouviu se um ruído que parecia o saltar de uma rolha e o carro , Harry e Ron , reapareceram . - Oh , oh - disse Ron , batendo em o intensificador de invisibilidade . - Está avariado ... Começaram os dois a bater em o botão . O carro desapareceu . Depois surgiu de forma intermitente . - Aguenta aí - gritou o Ron e carregou com o pé em o acelerador . Saltaram direitinhos para o meio de as nuvens mais baixas e tudo ficou sujo e enevoado . - E agora ? - exclamou Harry , piscando os olhos a a sólida massa de nuvens que os comprimia de todos os lados . - Precisamos de avistar o comboio para sabermos qual a direcção a tomar - explicou o Ron . - Desce rapidamente ... Desceram por o meio de as nuvens e voltaram se em os lugares , espreitando . - Estou a vê o - gritou Harry . - Mesmo em frente , ali . O Expresso_de_Hogwarts deslocava se a grande velocidade lá em baixo , como uma serpente vermelha . - Para Norte - disse o Ron , verificando a bússola de o painel . - O. _ k . , basta que verifiquemos de meia em meia_hora . Aguenta aí ... - e arrancaram por o meio de as nuvens . Em o minuto seguinte , tinham chegado a a luz brilhante de o Sol . Era um mundo diferente . Os pneus de o carro deslizavam sobre o mar de nuvens macias , o céu era de um azul infinito sob a luz , capaz de cegar , que irradiava de o Sol . - Agora só temos de nos preocupar com os aviões - disse o Ron . Olharam um para o outro e desataram a rir . Durante muito_tempo não conseguiram parar . Era como_se tivessem mergulhado em um sonho fabuloso . Aquela , pensou Harry , era certamente a única maneira de viajar : passando por turbilhões e torres de nuvens cor de neve , em um carro cheio de calor , o sol radioso , com um grande pacote de rebuçados em o porta-luvas e antegozando o ar de inveja de o Fred e de o George quando aterrassem suavemente e de forma espectacular em o relvado macio em frente de o castelo de Hogwarts . Espreitaram várias vezes o comboio enquanto voavam cada_vez_mais para norte . Cada descida entre as nuvens dava lhes uma perspectiva diferente . Londres depressa ficou para trás , substituída por campos verdejantes que , por sua vez , deram lugar a grandes pântanos arroxeados , aldeias com pequenas igrejas de brinquedo e uma grande cidade , cheia de vida , com carros que pareciam formigas multicores . Várias horas mais tarde sem acontecer nada de_novo , Harry teve de admitir que uma parte de o entusiasmo se esgotara . Os rebuçados tinham nos deixado cheios de sede e não havia nada para beber . Ele e o Ron tinham tirado as camisolas , mas a * _ T-shirt * de o Harry estava colada a as costas de o assento e os óculos não paravam de lhe escorregar para a ponta de o nariz . Deixara de reparar em as fabulosas formas de as nuvens e pensava com saudade em o comboio , milhas abaixo de eles , onde se podia comprar sumo fresquinho de abóboras em um carro empurrado por uma bruxa gordinha . Porque não teriam conseguido entrar em a plataforma nove_e_três quartos ? - Não pode ser muito mais longe , pois não ? - resmungou o Ron , horas mais tarde quando o Sol começava a enfiar se em o seu chão de nuvens , pintando as de um rosa profundo . - Estás pronto para outra espreitadela a o comboio ? Ainda ia mesmo por baixo de eles , abrindo caminho por_entre uma montanha com o topo coberto de neve . Estava muito mais escuro entre o dossel de nuvens . Ron pôs o pé em o acelerador e levou os de_novo para_cima , mas em esse momento o motor começou a chiar . Harry e Ron trocaram entre si olhares nervosos . - Deve estar só cansado - disse o Ron . - Nunca tinha vindo tão longe ... - E fingiram ambos que não davam por o gemido que se ia tornando maior à_medida_que o céu serenamente escurecia . As estrelas desabrochavam em a escuridão , Harry voltou a enfiar a camisola de lã , tentando ignorar os limpa pára-brisas que acenavam debilmente como_que a protestar . - Não devemos estar longe - disse Ron , dirigindo se mais a o carro do_que a o amigo . - Já não devemos estar longe - deu umas palmadinhas nervosas em o * tablier * . Pouco depois , quando voltaram a voar em o meio de as nuvens , tiveram de olhar de lado em a escuridão , em busca de um ponto de referência que conhecessem . - Ali - gritou Harry , fazendo o Ron e a Hedwig darem um salto . - Mesmo em frente . Recortados em o horizonte negro , sobre o rochedo de o outro lado de o lago , erguiam se as torres e torreões de o castelo de Hogwarts . Mas o carro tinha começado a estremecer e perdia a os poucos velocidade . - Vá lá - disse o Ron , dando a o volante um pequeno abanão bajulador . - Estamos quase a chegar , vá lá ... O motor gemeu . Pequenos jactos de vapor de água brotaram de o capo . Harry deu consigo agarrado com toda_a força a os bordos de o assento enquanto voavam direitos a o lago . O carro deu um solavanco feio . Espreitando por a janela , Harry viu a superfície negra , macia e espelhada de a água cerca de uma milha abaixo de eles . Os dedos de o Ron agarrados a o volante tinham as articulações brancas . O carro deu um novo esticão . - Vá lá - murmurou o Ron . Estavam sobre o lago ... o castelo ficava mesmo em frente . Ron fez força com o pé . Houve um ruído surdo , uma crepitação e o motor morreu por completo . - Oh ! oh ! - gemeu Ron em o silêncio . O nariz de o carro voltou se para baixo . Estavam a cair , ganhando velocidade em direcção a os muros sólidos de o castelo . - Naaaaão ! - gritou o Ron , girando o volante . Escaparam a a muralha de pedra negra por centímetros , quando o carro fez um grande arco , planando primeiro sobre as estufas , depois sobre o rectângulo plantado com vegetais e , por fim , sobre os relvados , perdendo sempre velocidade . Ron largou o volante por completo e tirou a varinha de o bolso de trás . - __ pára ! __ pára ! - gritou , batendo em o * tablier * e em o pára-brisas , mas eles continuavam a mergulhar , o chão a voar em direcção a eles . - : __ cuidado com essa __ árvore ! ! ! - bramiu Harry , deitando a mão a o volante , mas ... tarde de mais ... CRUNCH . Com um ruído ensurdecedor de metal e madeira , bateram em o tronco espesso de a árvore e caíram em o chão com um forte solavanco . O vapor era um mar debaixo de o capo amachucado . A Hedwig tremia apavorada . Em a cabeça de Harry surgira um alto de o tamanho de uma bola de golfe , quando ele batera em o pára-brisas , tombando em seguida para a direita . Ron soltou um gemido longo e desesperado . - Estás O. _ K ? - perguntou Harry , aflito . - A minha varinha - disse o Ron em uma voz trémula . - Olha para a minha varinha . Tinha se partido praticamente em duas , a ponta balouçava mole , presa por meia_dúzia de esquírolas . Harry abriu a boca para dizer que em a escola com certeza conseguiriam consertá a , mas nem chegou a começar a frase . Em esse preciso momento , algo bateu em o seu lado de o carro , com a força de um touro , projectando o para_cima de o Ron , ao_mesmo_tempo que um golpe igualmente forte se sentiu em o capô . - O que está a acontec ... Ron arfou , olhando fixamente por o pára-brisas e Harry olhou em volta , mesmo a_tempo_de ver uma ramada espessa como uma píton vir contra o vidro . A árvore em que tinham batido estava a atacá os . O tronco dobrara se quase a meio e os seus galhos rugosos davam uma tareia a cada centímetro de o carro que conseguiam atingir . - Ah ! - praguejou o Ron , quando outra pernada retorcida esmurrou a sua porta , amolgando a . O pára-brisas tremia agora sob uma saraivada de golpes vindos de galhos que pareciam patas de animais e uma ramada espessa como um aríete esmagava furiosamente o capo , que parecia estar a ceder ... - Corre ! - gritou o Ron , lançando o seu peso contra a porta , mas , em o momento seguinte , tinha sido atirado para trás , para o colo de Harry por um soco maldoso , dado de baixo para_cima , por outro ramo . - Estamos feitos ! - resmungou , enquanto o tecto descaía . Mas , de repente , o chão de o carro estava a vibrar , o motor pegara . - Marcha atrás - gritou o Harry e o carro deu um salto para trás . A árvore tentava ainda agredis os , ouviam as raízes chiar , enquanto quase se partiam esticando se para os alcançar . - Escapámos por_pouco ! - exclamou o Ron . - Muito bem , carro . Mas o carro tinha atingido o limite de as suas forças . Com dois estalidos , as portas abriram se e Harry sentiu o seu assento inclinar se para o lado . Quando deu por si , estava estatelado em o chão húmido . Ruídos surdos avisaram o de que o carro estava a ejectar as malas de a bagageira . A gaiola de a Hedwig voou por os ares e abriu se . Ela saiu a voar com um pio furioso e dirigiu se a o castelo , sem sequer olhar para trás . Em seguida , o carro , amolgado , arranhado e a fumegar , arrancou em o escuro , com os faróis traseiros ardendo de fúria . - Volta aqui ! - gritou o Ron , brandindo a varinha partida . - O meu pai mata me . Mas o carro desapareceu a perder de vista , com um último estoiro de o tubo de escape . - Já viste bem o nosso azar ! ? - exclamou o Ron em o meio de a sua infelicidade , baixando se para apanhar o rato Scabbers . - De todas_as árvores em que podíamos ter batido , tínhamos de ir dar a uma que bate também . Olhou por cima de o ombro para a velha árvore que ainda agitava os ramos ameaçadoramente . - Vamos - disse Harry , fatigado . - É melhor irmos andando para a escola ... Não foi , de modo algum , a chegada triunfal que tinham imaginado . Constrangidos , cheios de frio e magoados , pegaram em as malas e começaram a arrastá as por o relvado acima , em direcção a as grandes portadas de carvalho . - Acho que o banquete já começou - disse o Ron , largando a mala em os degraus de a entrada e atravessando devagarinho para espreitar por uma janela iluminada . - Harry , anda ver , é a distribuição . Harry apressou se e os dois , ele e o Ron , espreitaram para o Salão_Nobre . Um número infindável de velas pairava em o ar , sobre quatro mesas enormes cheias de gente , fazendo brilhar os pratos dourados e as taças . Em cima , o tecto encantado que espelhava o céu lá de_fora , brilhava cheio de estrelas . Por_entre a floresta de chapéus pretos pontiagudos de Hogwarts , Harry viu uma longa fila de alunos de o primeiro ano com olhares assustados que enchia o vestíbulo . Ginny estava entre eles , facilmente reconhecível devido a o seu chamativo cabelo Weasley . Enquanto isso , a professora Mc_Gonagall , uma bruxa de óculos com cabelo castanho apanhado em um carrapito , colocava o famoso chapéu seleccionador em um banco que se encontrava em frente de os novos alunos . Todos os anos , aquele velho chapéu , remendado , puído e cheio de pó , seleccionava alunos para as quatro equipas de Hogwarts ( Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin ) . Harry lembrava se bem de o ter colocado em a cabeça , precisamente um ano antes , e ter esperado petrificado por a sua decisão , enquanto ele lhe murmurava a o ouvido . Durante alguns horríveis segundos receara que o chapéu o mandasse para os Slytherin , a equipa que produzia maior número de feiticeiros e feiticeiras de magia negra , mas acabara por ficar em os Gryffindor , juntamente com Ron e Hermione e o resto de os Weasley . Em o último período , Harry e Ron tinham ajudado os Gryffindor a vencer o campeonato de a equipa , batendo os Slytherin pela_primeira_vez em sete anos . Um rapazito baixinho com cabelo de rato acabava de ser chamado para pôr o chapéu em a cabeça . Os olhos de Harry saltavam de ele para o lugar onde o professor Dumbledore , o director , estava sentado , observando a selecção de a mesa de os professores , com a sua longa barba cor de prata e óculos de meia-lua que brilhavam a a luz de as velas . Alguns lugares a a frente , Harry viu Gilderoy_Lockhart com um manto verde-azulado . E lá bem a o fundo estava Hagrid , enorme e cabeludo , bebendo satisfeito de a sua taça . - Espera aí - murmurou a o Ron . - Há um lugar vazio em a mesa de os professores . Onde estará o Snape ? Severus_Snape era o professor de quem Harry menos gostava . Harry era também o seu aluno menos querido . Cruel , sarcástico e detestado por todos com excepção de os alunos de a sua própria equipa ( Slytherin ) , Snape tinha a seu cargo a cadeira de Poções . - Talvez esteja doente - sugeriu Ron , cheio de esperança . - Talvez se tenha ido embora - lembrou Harry . - Por não lhe terem dado outra_vez a Defesa contra as artes negras . - Ou talvez tenha sido corrido - propôs Ron com entusiasmo . - Afinal , toda_a_gente o detesta ... - Ou talvez - disse uma voz gelada atrás de eles - esteja a a espera que vocês lhe expliquem por_que motivo não vieram em o comboio de a escola . Harry deu uma volta . Em a sua frente , com o manto negro a ondular em uma brisa fria , estava Severus_Snape . O professor era um homem magro , de pele descorada , nariz adunco e um cabelo preto oleoso que lhe caía sobre os ombros . E em aquele momento sorria de um modo tal que Harry sentiu que tanto ele como Ron estavam em sérios apuros . - Sigam me - disse Snape . Sem ousarem sequer olhar um para o outro , Harry e Ron seguiram Snape por as escadas até a o amplo * hall * de entrada que estava iluminado por as chamas de os archotes . De o salão nobre vinha um cheirinho delicioso a comida , mas Snape levou os para longe de a luz e de o calor , em direcção a uma escada estreita de pedra que conduzia a os calabouços . - Entrem - ordenou , abrindo uma porta a meio de o corredor e apontando . Entraram a tremer em o escritório de Snape . As paredes sombrias estavam cobertas de prateleiras cheias de jarros de vidro grosso onde flutuavam as coisas mais diversas e repugnantes , cujo nome Harry não queria de momento conhecer . A lareira estava escura e vazia . Snape fechou a porta e voltou se de frente para eles . - Com que então - disse com falsa suavidade - o comboio não serve para o famoso Harry_Potter e o seu fiel companheiro Weasley . Queriam chegar em grande estilo , não era rapazes ? - Não senhor , foi a barreira em King's_Cross , ela ... - Silêncio - disse Snape friamente . -- _ o que fizeram a o carro ? Ron engoliu em seco . Aquela não era a primeira vez que Snape dava a Harry a impressão de ser capaz de ler pensamentos . Mas , pouco depois , compreendeu tudo quando Snape desenrolou o exemplar de o Profeta_Vespertino . - Vocês foram vistos - afirmou , mostrando lhes o cabeçalho : : __ ford anglia voador confunde __ muggles . Começou a ler alto a notícia . - Dois Muggles em Londres convenceram se de que tinham visto um carro velho a voar sobre a torre de os correios ... a a tardinha em Norfolk , Mrs._Hetty_Bayliss , enquanto pendurava a roupa ... Mr._Angus_Fleet_de_Peebles informou a polícia ... seis ou sete Muggles a o todo . Julgo que o teu pai trabalha em o departamento de mau uso dado a os objectos de os Muggles ? - disse olhando para Ron e sorrindo de uma forma ainda mais sarcástica . - Que peninha , o próprio filho ... Harry sentiu se como_se tivesse levado um soco em o estômago de uma de as maiores pernadas de a árvore louca . E se alguém descobrisse que Mr._Weasley tinha enfeitiçado o carro ? Ele ainda nem tinha pensado em isso . - Reparei durante a minha volta por o jardim que foi feito um estrago considerável em um salgueiro zurzidor extremamente valioso - continuou Snape . - Essa árvore fez nos pior a nós do_que nós ... - deixou escapar Ron . - Silêncio - interrompeu Snape , de_novo . - Infelizmente vocês não fazem parte de a minha equipa e a decisão de vos expulsar não está em as minhas mãos . Vou , por isso , buscar as pessoas que possuem essa feliz possibilidade . Esperem aqui . Harry e Ron olharam , pálidos , um para o outro . Harry perdera a fome . Sentia se agora extremamente agoniado . Tentava não olhar para uma coisa viscosa , suspensa em um líquido verde que estava em uma prateleira por detrás de a secretária de Snape . Se ele fora buscar a professora Mc_Gonagall , chefe de a equipa de os Gryffindor , não estavam muito melhor . Ela era mais justa do_que Snape , mas extremamente severa . Dez minutos mais tarde , Snape voltou e era , de facto , a professora Mc_Gonagall quem o acompanhava . Harry vira a professora Mc_Gonagall zangada , mas , ou se tinha esquecido de como a boca de ela ficava fina , ou nunca a vira tão zangada como em aquele dia . Levantou a varinha em o momento em que entrou . Harry e Ron estremeceram , mas ela limitou se a apontá a para a lareira onde as chamas se elevaram subitamente . - Sentem se - ordenou , e os dois recuaram para as cadeiras junto de o lume . - Expliquem se - disse com os óculos a brilhar de uma forma ameaçadora . Ron enveredou por a história começando por a barreira de a estação que se recusara a deixá os passar . - Por isso não tínhamos escolha , professora , não podíamos chegar a o comboio . - Porque não nos mandaram uma carta por a coruja ? Julgo que tens uma coruja ? - disse friamente a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a Harry . Harry olhou para ela sem saber o que dizer . - Parece me - continuou ela - que seria a coisa mais adequada . - Eu ... não pensei ... - Isso - disse a professora Mc_Gonagall - é bastante óbvio . Ouviu se bater a a porta de o escritório e Snape , que parecia agora mais feliz do_que nunca , foi abrir . Era o director , o professor Dumbledore . Harry ficou totalmente paralisado . Dumbledore tinha uma expressão grave . Olhou para eles de cima de o seu nariz adunco e Harry desejou estar ainda com Ron a levar uma sova de o salgueiro zurzidor . Fez se um longo silêncio . Em seguida , Dumbledore disse lhes : - Por favor , expliquem porque fizeram isto . Teria sido melhor se gritasse . Harry detestou sentir a decepção em a sua voz . Inexplicavelmente era incapaz de olhar Dumbledore em os olhos e falou em direcção a os seus joelhos . Disse lhe tudo excepto que o carro enfeitiçado pertencia a Mr._Weasley , dando a ideia de que ele e o Ron o tinham encontrado estacionado fora de a estação . Sabia que Dumbledore ia ver para_além de isso , mas o director não fez perguntas sobre o carro . Quando Harry terminou continuou a olhar para ele através de os seus óculos . - Nós vamos buscar as nossas coisas - disse Ron em um tom de voz sem esperança . - Que disparate é esse ? - rosnou a professora Mc_Gonagall . -- Então , vão expulsar nos , não vão ? - disse o Ron . Harry olhou rapidamente para Dumbledore . - Ainda não , Mr._Weasley - afirmou Dumbledore . - Mas vou assinalar a gravidade do_que vocês fizeram . Hoje a a noite escreverei a as vossas famílias . Estão também prevenidos que se voltarem a fazer uma coisa como esta não terei outro remédio senão expulsar vos . A expressão de Snape era como_se o Natal tivesse sido cancelado . Pigarreou e disse : - Professor_Dumbledore , estes rapazes infringiram o decreto para a restrição de a feitiçaria de os menores , causaram estragos consideráveis a uma árvore antiga e valiosa ... sem dúvida , actos de esta natureza ... - Cabe a a professora Mc_Gonagall decidir sobre os castigos de os rapazes , Severus - afirmou Dumbledore com toda_a calma . - Pertencem a a equipa de ela e são , portanto , de a sua responsabilidade . - Voltou se para a professora Mc_Gonagall . - Tenho de regressar a o banquete , Minerva , devo dar algumas informações . Venha Severus , há uma tarte de leite e ovos com um aspecto delicioso que quero mostrar lhe . Snape lançou um olhar de puro veneno a o Harry e a o Ron enquanto permitia que o afastassem de o seu escritório , deixando os a sós com a professora Mc_Gonagall que ainda os olhava como uma águia em fúria . - É melhor ires até a a ala hospitalar , Weasley , estás a sangrar . - Não é nada - disse Ron , limpando o corte com a manga para que ela o visse . - Professora , eu gostava de ver a minha irmã ser seleccionada . - A cerimónia de a selecção terminou - disse a professora Mc_Gonagall . - A tua irmã está também em os Gryffindor . - _ óptimo - exclamou Ron . - E por falar em os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall de forma cortante , mas Harry interrompeu a : - Professora , quando tirámos o carro , o ano escolar ainda não tinha começado , por isso os Gryffindor não deveriam perder pontos , pois não ? - terminou olhando a ansiosamente . A professora Mc_Gonagall lançou lhe um olhar penetrante , mas ele era capaz de jurar que ela quase tinha sorrido . Pelo_menos a boca não parecia tão fina . - Não vou tirar pontos a os Gryffindor - tranquilizou o . E o coração de Harry ficou mais leve . - Mas vocês os dois vão ter um castigo . Foi melhor do_que Harry imaginara . O facto de Dumbledore escrever a os Dursley não tinha a menor importância . Harry sabia perfeitamente que eles só lamentariam que o salgueiro zurzidor não o tivesse esmigalhado . A professora Mc_Gonagall ergueu a varinha de_novo apontou a a a secretária de Snape . Um grande prato de sanduíches , duas taças de prata e um jarro com sumo de abóbora gelado apareceram em menos_de um segundo . - Vocês vão comer aqui e , em seguida , vão direitinhos para o vosso dormitório - disse . - Eu também tenho de voltar para a festa . Mal a porta se fechou atrás de ela , Ron soltou baixinho um assobio . - Pensei que estávamos feitos - confessou , agarrando uma sanduíche . - Também eu - disse o Harry , orando também uma . - Mas já viste bem a nossa pouca sorte ? - insistiu o Ron com a boca cheia de frango e fiambre . - O Fred e o George voaram em aquele carro cinco ou seis vezes e nenhum Muggle os viu - engoliu outro pedaço enorme de a sanduíche . - Porque será que não conseguimos passar a barreira ? Harry encolheu os ombros . - Mas temos de ter muito cuidado a_partir_de agora - disse bebendo um grande trago de sumo de abóbora . - Que pena não termos podido ir a o banquete . - Ela não quis que nos exibíssemos - afirmou Ron com prudência . - Não vão as pessoas pensar que é uma boa chegar aqui de carro voador . Quando já tinham comido todas_as sanduíches que queriam ( o prato ia voltando a encher se sozinho ) , levantaram se e saíram de o escritório , seguindo o caminho que lhes era familiar , para a torre de os Gryffindor . O castelo estava em silêncio . Parecia que o banquete tinha acabado . Passaram por retratos murmurantes e armaduras que gemiam e subiram os degraus estreitos de pedra até que , por fim , chegaram a a passagem onde a entrada secreta para a torre de os Gryffindor se encontrava oculta por detrás de o quadro a óleo de uma dama gorda em um vestido cor-de-rosa . - A senha ? - perguntou ela mal os dois se aproximaram . - Er ... Eles ainda não tinham estado com o prefeito de os Gryffindor e por isso ainda não conheciam a senha para o novo ano , mas a ajuda não se fez esperar . Ouviram passos apressados atrás de eles e quando se voltaram viram Hermione que se aproximava . - Aí estão vocês . Onde é_que se meteram ? Correm os boatos mais ridículos , alguém disse que vocês tinham sido expulsos por espatifarem um carro voador . - Bem , expulsos não fomos - tranquilizou a Harry . - Não estás a dizer me que voaram até aqui ? - perguntou Hermione em um tom quase tão severo como a professora Mc_Gonagall . - Dispensa se o sermão - interrompeu Ron impacientemente . - E diz nos a nova senha de passagem . - É crista de pássaro - disse Hermione não contendo a impaciência . - Mas o mais importante não é isso ... Contudo as palavras de ela foram interrompidas ao_mesmo_tempo que o retrato de a dama gorda se abria e se ouvia uma tempestade de aplausos . A o que parecia a equipa de os Gryffindor estava ainda acordada , dentro de a sala comum em forma de círculo , junto de as mesas assimétricas e de os cadeirões moles a a espera que eles chegassem para , de braços estendidos através de o buraco de o retrato , puxarem Harry e Ron para dentro deixando Hermione para o fim . - Sensacional - gritou Lee_Jordan . - Inspirado ! Que entrada ! Voar em um carro e aterrar em o salgueiro zurzidor . Toda_a_gente vai falar de isto durante anos e anos . - Muito bem - disse um aluno de o quinto ano com quem Harry nunca tinha falado . Alguém dava lhe palmadas em as costas como_se ele acabasse de vencer a maratona . Fred e George abriram caminho por_entre a multidão e disseram ao_mesmo_tempo : - Por_que é_que não nos chamaram , hein ? - Ron estava vermelho como um pimentão , sorrindo envergonhado , mas Harry via perfeitamente uma pessoa que não estava nada contente . Percy elevava se acima de as cabeças de os excitados alunos de o primeiro ano e parecia estar a tentar aproximar se para os repreender . Harry deu uma cotovelada a o Ron e apontou em direcção a Percy . Ron percebeu de imediato . - Temos de ir para_cima , um_pouco cansados ! - explicou e os dois começaram a abrir caminho em direcção a a porta que ficava de o outro lado de a sala e que dava para a escada em espiral e para os dormitórios . - ` _ Noite - despediu se Harry_de_Hermione que tinha um ar tão carrancudo como Percy . Conseguiram chegar a o outro lado de a sala comum sempre a levarem palmadas em as costas e alcançaram o sossego de as escadas . Apressaram se a subir e , por fim , chegaram a a porta de o dormitório que tinha agora um letreiro a dizer « Segundos_Anos » . Entraram em o quarto circular , que conheciam tão bem , com as suas cinco camas de dossel adornadas de velado vermelho e as suas janelas altas e estreitas . As malas tinham sido trazidas para_cima e colocadas a os pés de as camas . Ron fez um sorriso culpado . - Sei que não devia ter gostado de aquilo , mas ... A porta de o dormitório abriu se e os outros rapazes de os Gryffindor entraram ; eram eles o Seamus_Finnigan , o Dean_Thomas e o Neville_Loogbottom . - Inacreditável - aplaudiu Seamus . - Incrível - aprovou o Dean . - Espantoso - exclamou o Neville , aterrado . Harry não pôde evitar também um sorriso . VI_Gilderoy_Lockhart_No dia seguinte , contudo , Harry não conseguiu sorrir . As coisas começaram a correr mal logo em o salão durante o pequeno-almoço . Debaixo de o tecto encantado ( em aquele dia triste e cinzento ) estavam as quatro grandes mesas de as equipas e sobre elas , terrinas de papa de aveia , pratos de arenque defumado , montanhas de torradas e pratadas de ovos com * bacon * . Harry e Ron sentaram se em a mesa de os Gryffindor , junto de Hermione que tinha o seu exemplar de * _ Viagens com Vampiros * totalmente aberto , encostado a um jarro de leite . Havia uma certa rigidez em a maneira como ela disse : - ` _ Dia - que mostrou a Harry que continuava a desaprovar o modo como tinham chegado a a escola . Por seu turno , Neville_Longbottom saudou os entusiasticamente . Neville era um rapazinho de cara redonda , muito dado a acidentes , com a pior memória que Harry tinha conhecido . - A entrega de correio deve estar a chegar , acho que a minha avó me vai mandar umas quantas coisas de que me esqueci ... Harry tinha começado a comer as papas de aveia , quando se ouviu um ruído tumultuoso em o ar e umas cem corujas entraram ao_mesmo_tempo , sobrevoando o salão e deixando cair cartas e pacotes em o meio de a multidão faladora . Um embrulho grande e rugoso caiu em a cabeça de Neville e , um segundo depois , uma coisa larga e cinzenta caiu em o jarro de a Hermione , enchendo os a todos de leite e penas . - Errol - gritou o Ron , puxando a coruja esfarrapada por as patas . Errol caíra inconsciente sobre a mesa com as pernas para o ar e um envelope vermelho húmido em o bico . - Oh , não ! - sobressaltou se Ron . - Ela está bem , ainda está viva - tranquilizou o Hermione , tocando suavemente em a Errol com a ponta de o dedo . - Não é isso , é ... aquilo . Ron apontava para o envelope vermelho . Parecera perfeitamente vulgar a Harry , mas Ron e Neville estavam ambos a observá o como_se esperassem que explodisse . - Qual é o problema ? - perguntou Harry . - Ela . Ela mandou me um * gritador * - disse Ron , quase sem voz . - É melhor abrires - aconselhou Neville em um murmúrio tímido - senão é pior . A minha avó uma_vez mandou me um que eu ignorei e ... - engoliu em seco - foi horrível . Harry olhava , ora para as suas caras , ora para o envelope vermelho . - O que é um * gritador * ? - perguntou . - Mas toda_a atenção de o Ron estava fixa em a carta que começara a fumegar por os cantos . - Abre a - intimou o Neville . - De aqui a poucos minutos já passou tudo . Ron estendeu uma mão trémula , retirou o envelope de o bico de a Errol e começou a abri o . Neville pôs os dedos em os ouvidos . Após uma fracção de segundo , Harry compreendeu porquê . Pensou em o primeiro momento que ela explodira . Um ruído ensurdecedor encheu o enorme salão , fazendo cair pó de o tecto . - ... : __ roubar o carro ! não me surpreendia nada se te expulsassem . espera só até te pôr as mãos em cima . será que não paraste para pensar em a nossa aflição quando vimos que o carro tinha __ desaparecido ... Os gritos de Mrs._Weasley , ampliados cem vezes em relação a o seu normal , fizeram os pratos e as colheres chocalhar em a mesa e ecoaram de forma ensurdecedora em as paredes de pedra . Vinha gente de todos os lados espreitar quem tinha recebido o * gritador * e Ron afundou se tanto em a cadeira que só se lhe via a testa carmesim . - ... : __ uma carta de o dumbledore ontem a a noite , o teu pai quase morria de vergonha . não foi esta a educação que te demos , tu e o harry podiam ter __ morrido ... Harry estava a ver quando é_que o seu nome viria a a baila . Tentou o melhor que pôde agir como_se não ouvisse a voz , mas aquilo estava a fazer com que os tímpanos lhe latejassem . - ... : __ profundamente decepcionada , o teu pai vai ter de se confrontar com um inquérito em o trabalho , tudo por tua culpa e , se pisas mais_uma_vez o risco , trago te para __ casa ! Seguiu se um silêncio ressonante . O envelope vermelho , que caíra de as mãos de o Ron , incendiou se e encaracolou se em cinzas . Harry e Ron estavam sentados de boca aberta , como_se uma onda gigante lhes tivesse passado por cima . Algumas pessoas riam e , a os poucos , o ruído de as conversas recomeçou . Hermione fechou o * _ Viagens com Vampiros * e olhou para o topo de a cabeça de Ron . - Bem , não sei o que esperavas , Ron , mas tu ... - Não me venhas dizer que mereci - interrompeu Ron . Harry afastou as papas de aveia . O estômago ardia lhe de culpa . Mr._Weasley tinha um inquérito em o trabalho , depois de tudo_o_que Mr. e Mrs._Weasley tinham feito por ele durante o Verão ... Mas não teve muito_tempo para se demorar em aqueles pensamentos . A professora Mc_Gonagall circulava em volta de as mesas de os Gryffindor distribuindo horários . Harry pegou em o seu e viu que começavam por ter Herbologia , juntamente com os Hufflepuff . Harry , Ron e Hermione saíram juntos de o castelo , atravessaram as hortas e chegaram a as estufas , onde estavam guardadas as plantas mágicas . O * gritador * tivera pelo_menos uma vantagem : Hermione parecia achar que já tinham sido suficientemente castigados e estava de_novo perfeitamente calorosa . Quando estavam a chegar a as estufas viram o resto de a classe de pé , cá fora , a a espera de a professora Sprout . Harry , Ron e Hermione tinham acabado de se lhes juntar quando a viram aproximar se a passos largos por o relvado , acompanhada de Gilderoy_Lockhart . A professora Sprout era uma bruxa pequenina e atarracada que usava um chapéu a os remendos sobre o cabelo solto . As roupas que vestia estavam sempre cheias de terra e as suas unhas fariam a tia Petúnia desmaiar . Gilderoy_Lockhart , pelo_contrário , tinha um ar imaculado em as suas vestes azul-turquesa , o cabelo doirado a brilhar debaixo_de um chapéu azul-turquesa , com uma fita dourada , perfeitamente posicionado sobre a cabeça . - Olá a todos ! - gritou Lockhart , dirigindo se a o grupo de estudantes . - Estive a mostrar a a professora Sprout a maneira correcta de tratar um salgueiro . Mas não quero que fiquem com a ideia de que sou melhor do_que ela em Herbologia . Acontece que encontrei várias de estas plantas exóticas , durante as minhas viagens .... - Estufa número três hoje , meninos ! - disse a professora Sprout que estava visivelmente descontente , bem diferente de a sua habitual natureza bem-disposta . Houve um murmúrio de interesse . Eles só tinham estado uma_vez em a terceira estufa , que era uma estufa que abrigava plantas bem mais interessantes e perigosas . A professora Sprout tirou uma enorme chave de o cinto e abriu a porta . Harry sentiu o bafo de a terra húmida com adubo misturado e o perfume forte de umas flores gigantescas , de o tamanho de guarda-chuvas , que estavam penduradas de o tecto . Ia seguir Ron e Hermione , quando a mão de o Lockhart o travou . -- Harry ! Tenho querido ter uma palavrinha contigo . Não se importa se ele chegar uns minutos atrasado , pois não , professora Sprout ? A julgar por a expressão carregada de a professora Sprout , importava se sim , mas Lockhart disse : - Então até já - e fechou a porta de a estufa em a cara de ela . - Harry ! - disse Lockhart , com os dentes brancos a brilharem a o sol , enquanto abanava a cabeça . - Harry , Harry , Harry ! Harry , totalmente perplexo , não disse uma palavra . - Quando ouvi dizer , bem , é claro que eu tive muita culpa , deviam castigar me também ... Harry não fazia ideia de que estava ele a falar , quando Lockhart prosseguiu : - Nunca me lembro de ficar tão chocado . Fazer voar um automóvel até Hogwarts ! Bem , é claro que eu percebi logo porque o fizeste . Foi um destaque em grande . Harry , Harry , Harry ! Era notável como ele conseguia mostrar todos aqueles dentes brilhantes , mesmo quando não estava a falar . - Criei te o gosto por a publicidade , não foi ? - perguntou Lockhart . - Passei te o bichinho . Apareceste comigo em a primeira página e não podias esperar para aparecer outra_vez ... - Oh , não , professor , sabe é_que ... - Harry , Harry , Harry - disse Lockhart aproximando se e tocando lhe em o ombro . - * _ Eu compreendo * . É natural querer um_pouco mais quando se lhe tomou o gosto , e eu culpo me por te ter dado esse conhecimento , porque era natural que te subisse a a cabeça , mas vê uma coisa , rapazinho , tu não podes começar a fazer voar carros para tentares ser notícia . Tens de acalmar , está bem ? Tens muito_tempo quando fores mais velho . Sim , sim , eu sei o que estás a pensar ! É fácil para ele falar assim , já é um feiticeiro internacionalmente famoso ! Mas quando eu tinha doze anos era tão zé-ninguém como tu és hoje . Em a verdade , era ainda mais . De ti , já meia_dúzia de pessoas ouviram falar , não é ? Toda aquela história com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . - Olhou para a cicatriz luminosa em a testa de Harry . - Eu sei , eu sei , não é o mesmo_que vencer o Prémio de o sorriso de o feiticeiro de a semana cinco vezes seguidas , como eu venci , mas é um começo , Harry , é um começo . Lançou lhe uma piscadela de olhos cordial e foi se embora . Harry ficou atarantado durante alguns segundos . Depois , lembrando se que deveria estar em a estufa , abriu a porta e esgueirou se lá para dentro . A professora Sprout estava de pé , por_detrás_de uma espécie de mesa em o meio de a estufa . Em cima de a mesa estavam cerca de vinte pares de abafo de ouvidos de diferentes cores . Quando Harry estava já em o seu lugar , entre Ron e Hermione , ela disse : - Hoje vamos transplantar Mandrágoras . Muito bem , quem sabe dizer me as propriedades de a Mandrágora ? Não foi surpresa para ninguém que a mão de a Hermione fosse a primeira em o ar . - A Mandrágora tem um efeito reparador muito poderoso - disse Hermione , com o ar mais normal de este mundo , como_se tivesse engolido o livro de texto . - É usada para fazer voltar as pessoas , que foram transfiguradas ou amaldiçoadas , a o seu estado original . - Excelente . Dez pontos para os Gryffindor ! - exclamou a professora Sprout . - A Mandrágora é parte integrante de a maior parte de os antídotos , mas também é perigosa . Quem sabe dizer me porquê ? A mão de Hermione por_pouco não bateu em os óculos de Harry , quando se ergueu de_novo . - O grito de a Mandrágora é fatal para quem o ouve - disse prontamente . - Precisamente . Dou lhe mais dez pontos - disse a professora Sprout . - Agora vejamos , as Mandrágoras que aqui temos são ainda muito jovens . Enquanto falava , apontou para uma fila de tabuleiros com uma certa profundidade e todos se chegaram a a frente para ver melhor . Cerca de uma centena de plantinhas tufosas de um verde arroxeado cresciam em filas . Pareceram perfeitamente vulgares a Harry , que não fazia a menor ideia do_que Hermione queria dizer com o * grito * de a Mandrágora . - Cada_um de vocês pode tirar um par de abafo de ouvidos - disse a professora Sprout . Houve uma competição renhida porque ninguém queria os cor-de-rosa , cheios de penugem . - Quando eu vos disser para os colocar , assegurem se de que os vossos ouvidos estão completamente tapados - disse a professora Sprout . - Logo_que seja seguro retirá os , eu levanto os dedos . Certo , pôr os abafos de os ouvido . Harry pôs imediatamente os abafos em os ouvidos . Eles fecharam completamente o som . A professora Sprout colocou também um par de abafos cor-de-rosa com penugem em os de ela , arregaçou as mangas de a túnica , agarrou uma de as plantas tufosas e puxou com toda_a força . Harry soltou um grito de surpresa que ninguém ouviu . Em_vez_de raízes , um bebé pequenino , enlameado e extremamente feio , saiu de a terra . As folhas cresciam lhe em o alto de a cabeça , tinha uma pele pintalgada de um pálido esverdeado e estava nitidamente a berrar a plenos pulmões . A professora Sprout tirou debaixo de a mesa um grande vaso de plantas e mergulhou lá dentro a Mandrágora , enterrando a em a mistura escura e húmida , até que só as folhas ficassem visíveis . Em seguida , limpou a terra de as mãos , levantou os dedos e todos eles retiraram os abafos de os ouvidos . - Como as nossas Mandrágoras são muito novas , os seus gritos ainda não matam - disse ela com grande calma , como_se tivesse feito algo tão normal como regar uma begónia . - Contudo , podem pôr vos a dormir durante várias horas e , como com certeza nenhum de vocês quer perder o primeiro dia de aulas , vejam se os abafos estão bem colocados enquanto trabalham . Eu chamarei vos a atenção quando for altura de os retirar . - Quatro em cada fila , há aqui uma grande quantidade de vasos , a mistura de terra está em os sacos ali a o fundo e tenham cuidado com a * _ Venomous_Tentacula * , estão a nascer lhe os dentes . Enquanto falava , deu uma pancada seca a uma planta vermelha escura cheia de pontas eriçadas , fazendo a encolher as longas antenas que tinham estado a avançar lenta e dissimuladamente sobre o seu ombro . A Harry , Ron e Hermione veio juntar se em a fila um rapaz de cabelo encaracolado de os Hufflepuff que Harry conhecia de vista , mas com quem nunca tinha falado . - Justin_Finch - _ Fletchey - disse ele com vivacidade , apertando a mão de o Harry . - Conheço te , claro , o famoso Harry_Potter ... e tu és a Hermione_Granger , sempre a primeira em tudo ( Hermione brilhou em um sorriso , como_se ele lhe tivesse apertado a mão ) e Ron_Weasley . Não era teu o carro voador ? Ron não sorriu . Não lhe saía de a cabeça o * gritador * . - Aquele Lockhart é o_máximo , não acham ? - disse Justin satisfeito , enquanto começavam a encher os vasos com composto de adubo de dragão . - Terrivelmente corajoso . Leram os livros de ele ? Eu teria morrido de medo se um lobisomem me tivesse encurralado em uma cabina telefónica , mas ele manteve se calmo e ... zap ... fantástico ! « Eu estava inscrito em Eton , sabem , não imaginam como estou feliz de ter vindo antes para aqui . É claro que a minha mãe ficou um_pouco desiludida , mas depois de lhe ter dado os livros de Lockhart a ler , tenho a impressão de que ela começou a ver a utilidade de ter um feiticeiro bem treinado em a família ... Depois de isso , não tiveram grandes oportunidades para conversar . Voltaram a pôr os abafos de ouvidos e era preciso concentrarem se em as Mandrágoras . A professora Sprout fizera as coisas parecerem extremamente simples , mas não eram . As Mandrágoras não gostavam de sair de a terra mas também não pareciam querer voltar para lá . Elas contorceram se , deram pontapés , agitaram as mãozinhas finas e rangeram os dentes . Harry levou dez minutos inteirinhos a tentar meter uma Mandrágora particularmente gorda dentro_de um vaso . Em o final de a aula , Harry , como todos os outros , estava a suar , cheio de dores e coberto de terra . Regressaram a o castelo a pé para um banho rápido e , em seguida , os Gryffindor apressaram se para assistir a a aula de transfiguração . As aulas de a professora Mc_Gonagall eram sempre complicadas , mas a de aquele dia era particularmente difícil . Tudo_o_que o Harry aprendera em o ano anterior parecia ter se lhe apagado de a memória durante o Verão . Ele deveria ser capaz de transformar uma barata em um botão , mas , tudo_o_que conseguiu foi fazer a barata praticar um imenso exercício , enquanto corria apressadamente por o tampo de a secretária evitando a varinha . Ron estava a debater se com problemas bastante piores . Tinha atado a varinha com uma fita mágica , mas parecia que não havia reparação possível . Não parava de crepitar e lançar faíscas em os momentos mais estranhos e , sempre_que Ron tentava transfigurar a barata , via se envolvido em um fumo cinzento espesso que cheirava a ovos podres . Incapaz de ver o que estava a fazer , o Ron esmagou , por engano , a barata com o cotovelo e teve de ir pedir que lhe dessem outra , o que deixou a professora Mc_Gonagall muito pouco satisfeita . Harry ficou aliviado quando ouviu tocar a campainha para o almoço . Sentia a cabeça como uma esponja espremida . Todos os alunos saíram em fila de a aula excepto ele e Ron que dava furiosas varadas em a secretária . - Coisa estúpida e inútil . - Escreve a os teus pais a pedir outra - sugeriu Harry , enquanto a varinha disparava com estrondo um foguete explosivo . - Ah pois , e receber outro * gritador * em a volta de o correio - respondeu Ron , metendo a varinha que já assobiava , dentro de o saco . - * _ A culpa é toda tua se a varinha está estragada * ... Desceram para o almoço e aí a disposição de o Ron não iria melhorar com Hermione a mostrar lhe uma mão-cheia de botões de casaco , perfeitinhos , que produzira em a transfiguração . - O que temos esta tarde ? - quis saber Harry , mudando rapidamente de assunto . - Defesa contra as artes negras - disse Hermione , sem perder tempo . - Porque é_que tu ... - perguntou Ron , pegando em o horário de ela - desenhaste corações em volta de as aulas de o Lockhart ? Hermione arrancou lhe o horário de as mãos , corando furiosa . Acabaram de almoçar e foram para o pátio carregado de nuvens . Hermione sentou se em um degrau de pedra e enfiou de_novo o nariz em as * _ Viagens com Vampiros * . Harry e Ron ficaram a falar de Quidditch durante alguns minutos antes de Harry se aperceber de que estava a ser observado de perto . Olhando para_cima viu o rapazinho pequenino com cabelo de rato que ele vira experimentar o chapéu seleccionador em a noite anterior , olhando para ele com uma expressão petrificada . Estava agarrado a o que parecia ser uma vulgar máquina fotográfica de os Muggles e , em o momento em que Harry olhou para ele , ficou todo vermelho . - Tudo bem , Harry ? Eu sou Colin_Creevey - disse , faltando lhe o ar e adiantando se a qualquer pergunta . - Estou em os Gryffindor também . Não te importavas que eu tirasse uma fotografia ? - perguntou , levantando a máquina cheio de expectativa . - Uma fotografia ? - repetiu Harry , inexpressivo . - Para eu provar que te conheci - disse Colin_Creevey cheio de ansiedade , continuando : - Eu sei tudo a teu respeito . Toda_a_gente me tem contado como sobreviveste quando O_Quem nós sabemos tentou matar te , como ele desapareceu depois de isso e como ficaste com a cicatriz em forma de relâmpago em a testa ( os seus olhos procuraram a linha de cabelo de Harry ) e um rapaz de o meu dormitório disse que se eu revelasse o filme em a posição certa ele mexia . - Colin respirou fundo , estremecendo de excitação e disse : - Isto_é fantástico , aqui , não achas ? Eu não sabia que todas_as coisas estranhas que fazia eram magia até a o dia em que recebi uma carta de Hogwarts . O meu pai é leiteiro . Também ele não queria acreditar . Por isso estou a tirar montes de fotografias para lhe mandar e era mesmo bom se tivesse uma tua - parecia implorar . - Talvez o teu amigo pudesse tirá a e assim eu ficava a o teu lado . E depois , podias assiná a ? - Assinar fotografias ? Estás a dar fotos autografadas , Potter ? Alta e mordaz , a voz de Draco_Malfoy ecoou em o pátio . Estava parado mesmo atrás_de Colin , ladeado , como sempre andava em Hogwarts , por os seus fortes guarda-costas Crabbe e Goyle . - Ei gente , façam bicha - gritou Malfoy a a multidão . - Harry_Potter está a dar fotos autografadas ! - Não estou coisa nenhuma - disse Harry , zangado , com os punhos em o ar . - Cala a boca , Malfoy . - Tu tens é inveja - começou a dizer Colin , cujo corpo era de o tamanho de o pescoço de Crabbe . - Inveja - repetiu Malfoy que não precisava de gritar mais , metade de o pátio estava a ouvi o . - De quê ? Não preciso de uma cicatriz em a cabeça , muito obrigado . Não acho que ter um corte em a testa torne alguém especial . Crabbe e Goyle riram estupidamente - Vai pastar caracóis , Malfoy - disse o Ron furioso . Crabbe parou de rir e começou a esfregar os nós de os dedos enormes de uma forma ameaçadora . - Tem cuidado , Weasley - escarneceu Malfoy . - Com certeza não queres começar uma rixa ou a tua mãezinha tem de vir cá para te tirar de a escola - e com uma voz aguda e penetrante : - * _ Se voltas a pisar o risco * ... Um grupo de alunos de o quinto ano de os Slytherin que estava ali perto , riu se bastante alto . - O Weasley gostaria de ter uma foto tua autografada , Potter - escarneceu de_novo Malfoy . - Era capaz de valer mais do_que a casa onde ele mora com a família . Ron sacou de a sua varinha amarrada com fita , mas Hermione fechou as * Viagens com Vampiros * com um estrondo e avisou : - Atenção . - O que é isto , o que é isto ? - Gilderoy_Lockhart aproximava se com o seu manto azul-turquesa girando em torvelinho atrás de ele . - Quem está a dar fotos autografadas ? Harry ia começar a explicar , mas foi interrompido quando Lockhart lhe pôs jovialmente o braço em cima de os ombros . - Mas que pergunta a minha ! Cá estamos nós de_novo , Harry ! Preso ao_lado_de Lockhart e a arder de humilhação , Harry viu Malfoy deslizar com o seu sorriso desdenhoso por o meio de a multidão . - Vamos lá então , Mr._Creevey - disse Lockhart , dirigindo se a Colin . - Uma foto dupla , já viu a sua sorte ? E assinamos a os dois para si . Colin ajustou a máquina e tirou a fotografia em o preciso momento em que a campainha tocava para as aulas de a tarde . - Está em a hora , todos para dentro - gritou Lockhart a a multidão e regressou a o castelo levando a o seu lado o Harry que só lamentava não conhecer um feitiço que o fizesse desaparecer . - Uma palavra só , Harry - disse Lockhart paternalmente , enquanto entravam em o edifício por uma porta lateral . - Eu ajudei te há bocado com o jovem Creevey porque se ele estivesse a fotografar me também a mim os teus colegas não reparariam tanto que estavas a exibir te ... Indiferente a a gaguez de Harry , Lockhart arrastou o para um corredor ladeado de alunos que os olhavam espantados e subiram uma escada . - Deixa me só dizer te uma coisa : dar fotografias autografadas em esta fase de a tua carreira , francamente , não é sensato , Harry , parece um_pouco megalómano . Pode ser que um dia mais tarde , tal_como eu , sejas obrigado a assinar para multidões onde quer que vás , mas - fez uma pequena pausa - não me parece que seja o caso , por enquanto . Tinham chegado a a aula de Lockhart e ele largou finalmente o Harry que sacudiu a túnica e foi sentar se em um lugar bem lá atrás onde começou por empilhar os livros de Lockhart a a sua frente para evitar olhar para a criatura . O resto de a aula entrou ruidosamente e Ron e Hermione foram sentar se um de cada lado de Harry . - Tu estavas vermelho como um pimentão - disse o Ron . - Reza para que o Creevey não se torne amigo de a Ginny senão bem podem criar o clube de * fans * de Harry_Potter . - Cala a boca - interrompeu Harry . A última coisa que desejava era que o Lockhart ouvisse a expressão « clube de * fans * de Harry_Potter « . Quando todos estavam em os seus lugares , Lockhart pigarreou alto e fez se silêncio . Ele inclinou se para a frente , pegou em o exemplar de Neville_Longbottom de * _ viagens com Duendes * e levantou o para mostrar a sua fotografia a piscar os olhos em a capa . - Eu - disse apontando para a fotografia e piscando também os olhos - Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , terceiro ano , membro honorário de a Liga_de_Defesa contra as artes negras e cinco vezes vencedor de o prémio de o * _ Feiticeiro de a semana * por o sorriso mais charmoso . Mas não vamos falar de isso , não venci a fada carpideira de Bandon a sorrir para ela ! Esperou que eles se rissem . Alguns alunos sorriram timidamente . - Já vi que todos vocês compraram a minha obra completa . Muito bem . Pensei começar hoje com um pequeno interrogatório escrito . Nada de complicado , só para perceber se leram bem os meus livros e o que apreenderam ... Depois de distribuir as folhas de teste voltou se para os alunos e disse : - Têm trinta minutos . Comecem já . Harry olhou para o papel e leu : *1 . Qual é a cor preferida de Gilderoy_Lockhart ? *2 . Qual é a ambição secreta de Gilderoy_Lockhart ? *3 . Qual é , em a sua opinião , a maior realização de Gilderoy_Lockhart até a o momento ? * E_por_aí adiante , ao_longo_de três páginas , terminando com : *54 . Qual é o dia de aniversário de Gilderoy_Lockhart e qual seria o seu presente preferido ? * Meia_hora mais tarde , Lockhart recolheu os pontos e folhou os rapidamente em frente de os alunos . - Tut , tut , quase ninguém se lembrou que a minha cor preferida é o lilás . Eu digo o em * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves * . Alguns precisam de voltar a ler com mais cuidado * Fim-de - _ Semana com Um Lobisomem * . Eu afirmo claramente em o décimo segundo capítulo que o meu presente de aniversário preferido seria a harmonia entre todos os seres , mágicos e não mágicos , embora não me importasse de receber uma garrafa grande de * whisky * velho de a Ogden's_Old_Firewhisky . Piscou lhes o olho de_novo . Ron olhava para Lockhart com uma expressão de incredulidade em o rosto . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas que estavam sentados a a frente tremiam de tanto conter o riso . Hermione , contudo , ouvia Lockhart com extrema atenção e deu um salto quando ouviu o seu nome . - Mas Miss_Hermione_Granger sabia que a minha ambição secreta era libertar o mundo de o mal e pôr a a venda a minha gama de poções de tratamento de o cabelo . Muito bem - voltou o papel . - Nota máxima ! Onde está Miss_Hermione_Granger ? Hermione ergueu uma mão trémula . - Excelente - bradou Lockhart , exultante . - Leva dez pontos para os Gryffindor . E vamos a o trabalho . Baixou se atrás de a secretária e pegou em uma grande gaiola coberta . - Ficam desde_já a saber , a minha função é preparar vos contra as criaturas mais malignas que a feitiçaria conhece . Vocês podem ter que enfrentar os maiores medos em esta sala . Saibam que nenhum mal vos sucederá comigo aqui . Só vos peço que se mantenham calmos . Ultrapassando os seus sentimentos , Harry espreitou através de a pilha de livros para ver melhor a gaiola . Lockhart colocou uma mão em a tampa . Dean e Seamus tinham deixado de se rir . Neville estava agachado em o seu lugar de a fila de a frente . - Vou pedir vos que não façam barulho - disse Lockhart em voz baixa . - Podem assustá os . Enquanto a aula inteira continha a respiração , Lockhart tirou a cobertura . - Sim - disse em um tom dramático . - Duendes_da_Cornualha recém-capturados . Seamus_Finnigan não conseguiu controlar se . Soltou uma gargalhada que nem Lockhart poderia confundir com um grito de terror . - Sim ? - sorriu a Seamus . - Bem , eles não são , não são perigosos , pois não ? - perguntou a rir . -- Não tenhas tanta certeza de isso - afirmou Lockhart , aborrecido , abanando um dedo , em direcção a Seamus . - Podem ser maçadores e muito traiçoeiros . Os duendes eram de um azul-eléctrico e tinham cerca de vinte centímetros de altura com feições angulosas e umas vozes tão estridentes que era como ouvir uma discussão entre araras . Logo_que o pano foi retirado , começaram a fazer uma enorme algazarra , a andar de um lado para o outro , batendo em as grades e fazendo caretas a as pessoas que estavam mais perto . - Muito bem - disse Lockhart em voz alta . - Vamos então ver o que vocês conseguem fazer de eles - e abriu a gaiola . Foi um pandemónio . Os duendes dispararam em todas_as direcções como foguetes . Dois de eles agarraram o Neville por as orelhas e levantaram o a o ar . Vários outros foram direitos a a janela , fazendo chover vidros partidos até a a fila de trás . Os restantes decidiram destruir a sala com maior eficácia do_que um rinoceronte em fúria . Agarraram em os tinteiros e salpicaram tudo em volta , rasgaram a os bocados livros e papéis , arrancaram os quadros de as paredes , levantaram a o ar a gaiola vazia , agarraram livros e sacos e lançaram nos por a janela de vidros estilhaçados . Em poucos minutos , metade de a aula estava abrigada debaixo de as secretárias e o Neville pendurado em o candelabro de o tecto . - Vamos lá , agarrem nos , agarrem nos , são apenas duendes ... - gritava Lockhart . Arregaçou as mangas , bramiu a varinha e pronunciou * Peshipiksi_Pesternomi ! * As palavras não tiveram o menor efeito . Um de os duendes pegou em a varinha de Lockhart e atirou a também por a janela fora . Lockhart engoliu em seco e mergulhou debaixo de a secretária , não sendo , por um triz , esmagado por o Neville que caiu um segundo depois , quando o candelabro cedeu . A campainha tocou e houve uma louca precipitação para a porta . Em a calma relativa que se seguiu , Lockhart endireitou se , olhou para Harry , Ron e Hermione que estavam quase a chegar a a porta e disse : - Bem , vou pedir vos a os três que prendam o resto de os duendes em a gaiola - passou por eles e fechou rapidamente a porta atrás_de si . - Isto dá para acreditar ? - resmungou o Ron , enquanto um de os duendes lhe mordia com toda_a força uma de as orelhas . - Ele só quer dar nos uma ajuda , permitindo nos ganhar experiência - justificou Hermione , imobilizando dois duendes de uma_vez com um encantamento de paralisação e metendo os de_novo em a gaiola . - Experiência ? - disse Harry , tentando agarrar um duende que dançava com a língua de_fora . - Hermione , ele não sabia nada do_que estava a fazer . - Disparate - retorquiu Hermione . - Leste os livros de ele . Vê só as coisas que ele já fez ! - Que diz que fez - resmungou o Ron . VII_Sangue de lama e murmúrios Harry passou imenso tempo , em os dias que se seguiram , a fugir sempre_que via Gilderoy_Lockhart aproximar se em o corredor . Mais difícil de evitar era Colin_Creevey que parecia ter decorado o horário de Harry . Parecia que nada o emocionava mais do_que dizer : - Tudo bem , Harry ? - seis ou sete vezes por dia e ouvir : - Olá , Colin - por mais exasperado que Harry estivesse quando lhe respondia . A Hedwig ainda estava zangada com Harry por causa de a desastrosa viagem de automóvel e a varinha de o Ron continuava a não funcionar , tendo ultrapassado tudo em a sexta-feira de manhã quando lhe saltou de as mãos em a aula de encantamentos e foi agredir o velho e baixinho professor Flitwick mesmo entre os olhos , deixando uma enorme bolha latejante em o sítio onde tinha batido . Por tudo_isso Harry via chegar , com satisfação , o fim_de_semana Planeava ir em o Sábado de anhã , com Ron e Hermione visitar o Hagrid . Mas foi acordado várias horas mais cedo do_que desejaria por Oliver ood , treinador de a equipa de Quidditch_dos_Gryffindor . - _ o que é_que se passa ? - perguntou Harry , enrolando as palavras . - Treino_de_Quidditch - disse Wood . - Vamos embora . Harry lançou um olhar de esguelha a a janela . Uma neblina fina pairava em o céu rosa e dourado . Agora_que estava acordado não percebia como pudera dormir com a algazarra que os pássaros faziam . - Oliver resmungou Harry . - É de madrugada . - Exacto - respondeu Wood . Era um rapaz alto e corpulento de o sexto ano e em aquele momento os olhos brilhavam lhe loucamente de entusiasmo . - Faz parte de o nosso novo programa de treinos . Anda lá , vai buscar a vassoura e vamos embora - insistiu Wood empenhado . - Nenhuma de as outras equipas começou ainda a treinar . Vamos ser os primeiros este ano ... A bocejar e a tremer um_pouco , Harry saltou de a cama e tentou descobrir as suas túnicas de Quidditch . - Bem , encontramo nos em o campo , dentro_de quinze minutos . Depois de descobrir a sua roupa escarlate de equipa e pôr o manto por cima para se aquecer , Harry escreveu a o Ron um bilhete a explicar onde tinha ido e desceu por a escada de espiral para a sala comum com a sua Nimbos dois inil a o ombro . Tinha acabado de chegar junto de o buraco de o retrato quando ouviu um barulho atrás_de si e viu Colin_Creevey descer a escada de espiral com a máquina fotográfica pendurada a o pescoço a balouçar como louca e uma coisa em a mão . - Ouvi alguém chamar o teu nome em as escadas , Harry olha o que tenho aqui . Revelei a e queria mostrar te . Harry olhou assombrado para a fotografia que Colin lhe espetava em frente de o nariz . Um Lockhart a preto e branco movia se , puxando com toda_a força um braço que Harry reconheceu como sendo o seu . Ficou satisfeito a o constatar que estava a resistir bastante bem , recusando se a ser trazido para a vista de todos . Enquanto Harry observava , Lockhart desistiu e desinteressou se de lutar contra a parte branca de a fotografia . - Assinas para mim ? - pediu Colin entusiasmado . - Não - respondeu secamente Harry , olhando em volta para verificar se o caminho estava livre . - Desculpa_Colin , mas estou cheio de pressa , treino de Quidditch . Passou por o buraco de o retrato . - Oh Uau ! Espera por mim . Eu nunca vi um jogo de Quidditch . Colin trepou por o buraco de o retrato atrás de ele . - Vai ser uma chatice para ti - disse Harry rapidamente , mas Colin ignorou o comentário . Todo o seu rosto brilhava de satisfação . - Tu foste o jogador mais novo de a equipa em cem anos , não foste Harry ? Não foste ? - perguntava Colin , trotando para o acompanhar . - Deve ser fantástico . Eu nunca voei . É fácil ? Essa vassoura é a tua ? É a melhor que há ? Harry não sabia como ver se livre de ele . Era como ter uma sombra que não se calava . - Eu não percebo nada de Quidditch - disse Colin , já sem fôlego . - É verdade que há quatro bolas ? E que duas anda n a voar , tentando fazer os jogadores caírem de as vassouras ? - Sim - disse Harry lentamente , resignado com o ter de lhe explicar as complicadas regras de o Quidditch . - São as * bludgers * . Há dois * beaters * em cada equipa que têm bastões para bater em as * bludgers * e lançá as para o outro lado . O Fred e o George_Weasley são os * beaters * de os Gryffindor . - E para que servem as outras bolas ? - perguntou Colin , saltando uma série de degraus porque ia a olhar para o Harry de boca aberta . - Bem , a * quaffle * , que é a vermelha grandalhona , é a que marca os golos . Três * chasers * em cada equipa lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam fazes a entrar em as balizas que ficam em o extremo de o campo onde há três grandes postes com argolas em as pontas . - E a quarta bola ? - A * snitch * dourada - explicou Harry . - É muito pequenina e veloz e extremamente difícil de agarrar . Mas é isso que o * seeker * tem de fazer , porque o jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * for agarrada . E o * seeker * que conseguir agarrá a ganha para a sua equipa mais cento_e_cinquenta pontos . - E tu és o * seeker * de os Gryffindor , não és ? - perguntou Colin respeitosamente . - Sim - disse Harry enquanto saíam de o castelo e começavam a atravessar o relvado . - E há também o * keeper * que toma conta de os postes . É isto . Mas Colin não parou de fazer perguntas desde os relvados macios até a o campo de Quidditch e Harry só se viu livre de ele quando chegaram a os vestiários . Colin gritou em uma voz aguda : - Eu vou arranjar um lugar , Harry - e apressou se em direcção a as bancadas . O resto de a equipa de os Gryffindor já se encontrava em os vestiários . Wood era o único que tinha aspecto de estar bem acordado . Fred e George_Weasley estavam sentados com olhos de sono e cabelos desgrenhados junto de Alicia_Spinnet de o quarto ano que parecia inclinar se contra a parede que tinha atrás_de si . Os seus companheiros * chasers * , Katie_Bell e Angelina_Johnson bocejavam em frente de ela . - Até que enfim , Harry , porque é_que demoraste tanto ? - perguntou Wood cheio de actividade . - Eu queria ter uma pequena conversa convosco antes de entrarmos propriamente em campo porque passei o Verão a conjecturar um novo programa de treinos que acredito vai estabelecer grandes mudanças . Wood tinha em as mãos um grande mapa de um campo de Quidditch onde estavam desenhadas muitas linhas , setas e cruzes a tinta de várias cores . Pegou em a varinha , bateu com ela em o quadro e as setas começaram a mover se em o mapa como tractores . Enquanto Wood se lançava em um discurso sobre as suas novas técnicas , a cabeça de Fred_Weasley caiu sobre o ombro de Alicia_Spinnet e ele começou a ressonar . O primeiro mapa levou quase vinte minutos a explicar , mas debaixo de esse havia outro e ainda um terceiro . Harry caiu em uma letargia enquanto Wood continuava indefinidamente . - Então - disse por fim o treinador , arrancando Harry de a avidez de uma fantasia sobre o que poderia estar a comer se se encontrasse em aquele momento em o castelo . - Ficou tudo claro ? Alguma pergunta ? - Eu tenho uma pergunta , Oliver - disse George que acordou estremunhado . - Porque não nos explicaste tudo_isso ontem , quando estávamos acordados ? Wood não ficou nada satisfeito . - Ouçam bem , vocês todos - disse , voltando se para eles mal-humorado . - Nós deveríamos ter ganho a taça de Quidditch o ano passado . Somos de longe a melhor equipa , mas , infelizmente , devido_a circunstancias que estão para_além de o nosso controlo ... Harry mudou de posição em a cadeira sentindo se culpado . Estivera inconsciente em o hospital durante o campeonato final de o ano anterior o que fez com que os Gryffindor com um jogador a menos tivessem sofrido a pior derrota de os últimos trezentos anos . Wood levou um momento a controlar se . Era evidente que a última derrota ainda o torturava . - Portanto , este ano vamos fazer um treino mais duro , como nunca se fez . O. _ K. , vamos lá pôr as teorias em prática - gritou , pegando em a vassoura e conduzindo os para fora de o vestiário . Com as pernas trôpegas e ainda a bocejar , a equipa seguiu o . Tinham estado tanto tempo lá dentro que o sol já tinha nascido e brilhava em o céu embora uma réstia de neblina pairasse ainda sobre o relvado de o campo . Quando Harry entrou em campo viu Ron e Hermione sentados em as bancadas . - Ainda não acabaram ? - perguntou Ron em um tom incrédulo . - Ainda nem começamos - explicou Harry , olhando cheio de inveja para a torrada com doce de laranja que Ron e Hermione tinham trazido de o salão . - O Wood tem estado a ensinar nos as jogadas . Subiu para a vassoura e deu um pontapé em o chão , elevando se em o ar . O ar fresco de a manhã bateu lhe em o rosto fazendo o acordar com mais eficácia do_que o longo discurso de Wood . Era maravilhoso voltar a estar em o campo de Quidditch . Voou em volta de o estádio a toda a a velocidade competindo com Fred e George . - Que barulhinho estranho é aquele ? - perguntou o Fred quando deram a volta . Harry olhou para as bancadas . Colin estava sentado em um de os lugares mais altos com a máquina fotográfica em o ar , tirando fotografia sobre fotografia , o som estranhamente ampliado em o estádio deserto . - Olha para ali , Harry , para ali - gritava de forma estridente . - Quem é aquele ? - perguntou Fred . - Não faço ideia - mentiu Harry , disparando a_toda_a velocidade e distanciando se o mais possível de Colin . - O que se passa aí ? - perguntou Wood , franzindo a testa enquanto corria por os ares atrás de eles . - Porque está aquele aluno de o primeiro ano a tirar fotografias ? Não me agrada . Pode ser um espião de os Slytherin a tentar descobrir o nosso novo programa de treinos . - Ele é de os Gryffindor - disse Harry rapidamente . - E os Slytherin não precisam de um espião , Oliver - completou George . - Porque dizes isso ? - perguntou Wood irritado . - Porque estão aqui em peso - disse George , apontando com o dedo . Vários indivíduos com túnicas verdes vinham em aquele momento a entrar em o campo de vassouras em a mão . - Não posso acreditar - reagiu Wood , sentindo se ultrajado . - Eu reservei o estádio para hoje . Já vamos ver como é_que isto fica ! Wood baixou direito a o chão sendo levado por a fúria a aterrar com mais força do_que pretendia e a cambalear um_pouco quando começou a andar seguido de o Harry e de o Ron . - Flint - bradou para o treinador de os Slytherin . - Este é o nosso tempo de treino . Levantámo nos de propósito . Vocês têm de sair de aqui . Marcus_Flint era ainda mais corpulento do_que Wood . Tinha em o rosto uma expressão de duende travesso quando respondeu : - Há espaço para todos , Wood . Angelina , Alicia e Katie tinham vindo também . Em a equipa de os Slytherin não havia raparigas que enfrentassem a o lado de os rapazes os Gryffindor . - Mas eu reservei o estádio - repetiu Wood de modo afirmativo , cuspindo de raiva . - Reservei o . - Ah ! - exclamou Flint . - Mas eu tenho aqui uma licença especial assinada por o professor Snape . * _ Eu , professor Snape , autorizo a equipa de os Slytherin a praticar hoje em o campo de Quidditch devido a a necessidade de treinar o seu novo seeker . * - Têm um novo * seeker * ? - perguntou Wood perturbado . - Onde ? E detrás de as seis figuras corpulentas que tinham em a frente , viram surgir uma sétima : um rapaz mais pequeno com um sorriso afectado espelhado em o rosto pálido e anguloso . Era_Draco_Malfoy . - Não és o filho de o Lucius_Malfoy ? - perguntou Fred , olhando para ele com antipatia . - Curioso que refiras o pai de o Draco - disse Flint enquanto toda_a equipa de os Slytherin sorria de modo grosseiro . - Deixem me mostrar vos a generosa oferta que ele fez a a equipa de os Slytherin . Os sete exibiram as suas vassouras . Sete cabos novos , polidos , com inscrições em letras douradas de as palavras « Nimbus dois_mil_e_um « brilharam a o sol de a manhã , em frente de o nariz de os Gryffindor . - O último modelo . Só chegou em o mês passado - disse Flint , displicentemente , sacudindo a poeira de o cabo de a sua vassoura . - Julgo que ultrapassam de longe as velhas séries de dois_mil . Quanto a as Cleansweeps - sorriu de forma mesquinha para Fred e George que tinham ambos Cleansweep_Fives - essas já só servem para varrer . Nenhum de os Gryffindor foi capaz de abrir a boca em aquele momento . Malfoy sorria tanto que os seus olhos de gelo estavam reduzidos a duas rachas . - Oh vejam - disse Flint . - Uma invasão de o campo . Ron e Hermione atravessavam o relvado para ver o que se passava . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron a o Harry . - Porque não estão a jogar e o que faz ele aqui ? Olhava para Malfoy em as suas vestes de Quidditch . - Sou o novo * seeker * de os Slytherin , Weasley - disse Malfoy com ar presumido . - Têm estado todos a admirar as vassouras que o meu pai comprou para a nossa equipa . Ron olhou de boca aberta para as sete vassouras que tinha em a frente . - São boas , não são ? - disse Malfoy untuosamente . - Mas talvez a equipa de os Gryffindor consiga levantar algum ouro e comprar também vassouras novas . Vocês podiam levar essas Cleansweep_Fives a leilão , talvez algum museu esteja interessado . A equipa de os Slytherin riu se a bandeiras despregadas . - Pelo_menos em os Gryffindor ninguém teve de comprar a sua entrada - disse secamente Hermione . - Entraram todos por mérito próprio . O ar presumido de Malfoy desapareceu . - Ninguém pediu a tua opinião , sangue de lama - cuspiu Malfoy . Harry apercebeu se , de imediato , que Malfoy dissera algo muito grave porque houve uma tremenda algazarra em o seguimento de as suas palavras . Flint teve que se pôr a a frente de o Malfoy para evitar que Fred e George se atirassem a ele . Alicia bradou : - Como te atreves ? - E Ron meteu a mão em as vestes e sacou de a varinha mágica , gritando : - Vais pagar por o que disseste , Malfoy ! - e apontou a , furioso , por debaixo de o braço de Flint , a o rosto de Malfoy . Um enorme estrondo , ecoou em o estádio e um jacto de luz verde saiu por a extremidade errada de a varinha de Ron , atingindo o em o estômago e projectando o para trás em direcção a o relvado . - Ron ! Ron ! Estás bem ? - gritou Hermione . Ron abriu a boca para falar , mas nenhuma palavra saiu . Em vez de isso , teve um vómito imenso e várias lesmas saíram lhe de a boca , indo cair lhe em o colo . A equipa de os Slytherin ficou paralisada de riso . Flint estava dobrado , agarrado a a vassoura nova . Malfoy , a quatro , batia com o punho em a chão . Os Gryffindor rodeavam o Ron , que continuava a vomitar lesmas enormes e reluzentes . Ninguém queria tocar lhe . - É melhor levá o para_casa de o Hagrid . É o mais perto - disse Harry_a_Hermione , que acenou afirmativamente , e os dois arrastaram o Ron por os braços . - O que aconteceu , Harry ? O que aconteceu ? Ele está doente ? Mas tu podes curá o , não podes ? - Colin descera a correr de o lugar onde estava sentado e dançaricava em frente de eles , enquanto abandonavam o campo . Ron teve um novo arremesso e mais lesmas saíram de a sua boca . - Oooh ! - exclamou Colin fascinado , levantando a máquina fotográfica . - Podes mantê o quieto , Harry ? - Sai de a minha frente , Colin - gritou Harry zangado . Ele e a Hermione conseguiram levar o Ron para fora de o estádio , atravessar os campos e chegar a a beira de a floresta . - Está quase , Ron - disse Hermione , mal avistaram o casebre de o guarda de os campos . - Vais ficar bem dentro_de um minuto ... está quase ... Estavam a sessenta metros de a casa de Hagrid , quando a porta de a frente se abriu . Mas não foi Hagrid quem saiu de lá , e sim Gilderoy_Lockhart , em uma túnica cor de malva . - Rápido , vamos esconder nos aqui - sussurrou Harry , arrastando Ron para trás de um arbusto que havia ali perto . Hermione acompanhou o , embora um_pouco relutante . -- É muito simples quando se sabe o que se está fazer ! - gritava Lockhart_para_Hagrid . - Se precisar de ajuda , sabe onde estou . Vou dar lhe um exemplar de o meu livro . Espanta me que ainda não o tenha . Logo a a noite autografo o e envio lhe o . Bem . até a a próxima ! - e afastou se em direcção a o castelo . Harry esperou que Lockhart desaparecesse , antes de puxar o Ron de trás de o arbusto até a a casa de o Hagrid . Bateram ansiosamente . Hagrid apareceu logo com um ar mal-humorado , que se dissipou quando viu quem era . - Já me tinha perguntado quand'é que vocês vinham ver me , entrem , entrem , pensei qu'era outra_vez o professor Lockhart . Harry e Hermione ajudaram Ron a subir o degrau que dava acesso a a cabana de uma divisão com uma cama enorme a um de os cantos e uma lareira a crepitar alegremente em o outro . Hagrid não pareceu perturbado com o problema de as lesmas de o Ron que Harry lhe explicou precipitadamente , logo_que sentou o Ron em uma cadeira . - Melhor saírem de o qu'entrarem - disse , em um tom bem-disposto , colocando uma grande bacia de cobre em frente de ele . - Deita as todas fora , Ron . - Acho que não há mais_nada a fazer , a não ser esperar que isto pare - disse Hermione ansiosamente , vendo Ron inclinar se para a bacia . - É uma maldição muitas_vezes difícil , mas com uma varinha partida ... Hagrid andava de um lado para o outro a preparar o chá . O cão de ele , Fang , babava se em cima de o Harry . - O que é_que o Lockhart queria de ti ? - perguntou o Harry , coçando as orelhas de o Fang . - Ensinar me a tirar espíritos aquáticos com forma de cavalos d'uma nascente d'água - resmungou Hagrid , retirando de a mesa pequena um galo meio depenado e colocando em o seu lugar o bule . - Como s'eu não soubesse . E contar me uma peta qualquer d'uma fada carpideira que ele venceu . Engulo essa chaleira , se uma palavra do_que ele disse for verdade . Não era hábito de Hagrid criticar um professor de Hogwarts e Harry olhou para ele com alguma surpresa . Mas Hermione disse em uma voz mais aguda do_que de costume : - Acho que estás a ser injusto . O professor Dumbledore obviamente achou que era o melhor homem para o lugar ... - Era o único - explicou Hagrid , oferecendo lhes um prato de bombons de melaço enquanto Ron tossia para a bacia . - E não havia mais ninguém . Não é fácil encontrar quem queira dar Artes de magia negra . As pessoas não gostam de essa matéria . Começam a pensar que está amaldiçoada , ninguém ficou muito_tempo a dá a . Mas digam me lá - continuou Hagrid , inclinando a cabeça para Ron - quem é qu'ele estava a tentar amaldiçoar ? - O Malfoy chamou qualquer coisa a a Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si . - Foi grave , sim - disse o Ron com voz rouca , emergindo a a superfície de a mesa , pálido e transpirado . - O Malfoy chamou lhe sangue de lama , Hagrid . - Ron desapareceu outra_vez quando uma nova onda de lesmas fez o seu aparecimento . Hagrid estava indignado . - Não posso crer - exclamou , dirigindo se a Hermione . - Chamou sim - disse ela . - Mas eu não sei o que significa . Percebi que era má educação , claro ... - É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar - explicou Ron novamente . - Sangue de lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles , sabes , filho de pais não mágicos . Há alguns feiticeiros , como a família de o Malfoy que acham que são melhores do_que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro . - Teve um pequeno vómito e uma lesma isolada caiu lhe em a mão aberta . Ele atirou a para a bacia e continuou . -- É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma . Olha_o_Neville_Longbottom , é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito . - E ainda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer - afirmou Hagrid , orgulhoso , fazendo Hermione corar em tons de magenta . - É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém - disse o Ron , limpando o suor de a testa com a mão trémula . - Sangue sujo , sangue vulgar , é um disparate . A maior parte de os feiticeiros hoje_em_dia têm sangue misturado . Se não tivéssemos casado com Muggles tinha sido o nosso fim . Fez um esforço para vomitar e baixou se mais_uma_vez . - Bem , não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá o , Ron - disse Hagrid bem alto enquanto montes de lesmas caíam em a bacia . - Mas , se_calhar , não foi mau de todo teres a varinha a trabalhar ao_contrário . Acho que Lucius_Malfoy teria vindo logo a correr a a escola se tivesses amaldiçoado o filho . Assim , pelo_menos , não estás metido em nenhum sarilho . Harry teria referido que o problema não podia ser pior do_que deitar lesmas por a boca , mas não pôde . Os bombons de melaço tinham lhe colado os maxilares um_ao_outro . - Harry - disse de repente Hagrid como_que movido por um pensamento súbito . - Tens de me explicar uma coisa . Ouvi dizer que tens andado a dar fotografias autografadas . Porque é qu'eu não tenho nenhuma ? A fúria de Harry foi tão grande que os maxilares se libertaram . - Eu não tenho dado fotografias autografadas - disse com vivacidade . Se o Lockhart andou a espalhar isso ... Mas em esse momento viu que Hagrid se estava a rir . - ´ _ tou a brincar - disse , dando uma palmadinha em as costas de Harry e fazendo lhe sinal para se sentar a a mesa . -- Eu sabia que não tinhas . Disse a o Lockhart que tu não precisavas de isso . Es mais famoso do_que ele sem sequer , tentares . - Aposto que ele não gostou de ouvir isso - comentou Harry , sentando se e esfregando o queixo . - Acho que não gostou mesmo - prosseguiu Hagrid com os olhinhos a brilhar . - E disse lhe também que nunca tinha lido nenhum de os livros de ele e ele foi se embora . Um bombom de melaço , Ron ? - perguntou a o vê o reaparecer . - Não , obrigado - disse o Ron com uma voz fraca . - É melhor não arriscar . - Venham ver o qu'eu tenho estado a criar - disse Hagrid quando Harry e Hermione acabaram de tomar o chá . Em a pequena horta atrás de a casa estava uma_dúzia de as maiores abóboras que Harry alguma vez vira . Pareciam enormes blocos de pedra . - Estão a dar se bem , não achas ? - disse Hagrid , feliz . São para a festa de o * _ Hallow'en * . Devem estar bem grandes quando chegar a altura . - O que é_que lhes tens dado como alimento ? - perguntou Harry . Hagrid olhou por cima de o ombro para confirmar se estavam sós . - Bem , tenho estado a dar lhes ... uma pequena ajuda . Harry reparou em o guarda-chuva cor-de-rosa a as florzinhas que estava encostado contra a parede de a cabana . Tivera em o ano anterior motivos para crer que aquele guarda-chuva não era o que parecia . De facto , acreditava que a antiga varinha de escola de Hagrid se encontrava oculta dentro de ele . Hagrid não tinha autorização para usar magia . Fora expulso de Hogwarts em o terceiro ano embora Harry nunca tivesse descoberto o motivo . Qualquer referência a esta questão fazia Hagrid pigarrear bem alto e ficar misteriosamente surdo até mudarem de assunto . -- Um encantamento de absorção , imagino ? - comentou Hermione entre a desaprovação e o divertimento . - Bem , se assim foi , fizeste um bom trabalho . - Foi o que disse a tua irmãzinha - respondeu Hagrid acenando em direcção a Ron . - Encontrei a ontem . - Hagrid olhou de lado para Harry , a barba a contorcer se . - Disse que andava só a ver os campos , mas eu acho qu'ela esperava encontrar alguém em a minha casa - piscou o olho a o Harry . - Se queres que te diga acho qu'ela não recusaria uma fotografia autogr ... - Cala te com isso - disse Harry . Ron desatou a rir e o chão ficou cheio de lesmas . - Cuidado - resmungou Hagrid , afastando Ron de as suas preciosas abóboras . Estava quase em a hora de o almoço e , como o Harry só tinha provado um bombom de melaço desde manhã cedo , estava ansioso por chegar a a escola para ir comer . Despediram se de o Hagrid e regressaram a o castelo . O Ron a vomitar de vez em quando , mas deitando só duas pequenas lesmas . Mal tinham pisado a entrada de o vestíbulo quando ouviram uma voz . - Aí estão vocês , Potter , Weasley . - A professora Mc_Gonagall vinha em direcção a eles com o seu ar severo . - Vocês os dois vão ter as punições hoje a a tarde . - O que é_que vamos fazer , professora ? - perguntou o Ron nervoso , deixando cair uma lesma . - Tu vais limpar as pratas em a sala de os troféus com Mr._Filch - disse a professora Mc_Gonagall . - E nada de mágicas , Weasley , trabalho com esforço . Ron engoliu em seco . Argus_Filch , o encarregado , era odiado por todos os alunos de a escola . - E tu , Potter , vais ajudar o professor Lockhart a responder a as cartas de as suas fãs - ordenou a professora Mc_Gonagall . - Oh , não ! Não posso ir também trabalhar em a sala de os troféus ? - pediu Harry em desespero de causa . - Nem pensar em isso - respondeu a professora Mc_Gonagall , erguendo as sobrancelhas . - O professor Lockhart requisitou te especialmente a ti . _ a as oito_em_ponto , os dois . Harry e Ron entraram em o salão em um estado de profundo desanimo com a Hermione atrás , ostentando uma expressão de * bem-voces-quebraram-as-regras-da-escola * . Harry não saboreou o empadão de carne como teria desejado . Tanto ele como o Ron achavam que tinham tido o pior de os castigos . -- O Filch vai reter me lá toda_a noite - disse Ron , desanimado . - Sem mágica ! Deve haver umas cem taças em aquela sala , eu não sei fazer limpeza de Muggles . - Eu trocava contigo de boa_vontade - confessou Harry em uma voz surda . - Tive montes de prática com os Dursleys . Responder a o correio de fãs de o Lockhart , que pesadelo ... A tarde de sábado pareceu derreter se . Pouco depois eram já cinco para as oito e Harry arrastava se até a o corredor de o segundo andar onde ficava o escritório de o Lockhart . Rangendo os dentes , bateu a a porta . A porta abriu se imediatamente e Lockhart dirigiu se lhe . - Ah , cá está o patifório ! - exclamou . - Entra , Harry , entra . Em as paredes , brilhando à_luz_de muitas velas , podia ver se uma infinidade de fotografias de Lockhart . Algumas de elas até assinadas . Sobre a secretária estava outro monte enorme . - Podes pôr as moradas em os envelopes - disse Lockhart_a_Harry , como_se fosse uma grande ameaça . - O primeiro é para Gladys_Gudgeon , abençoada seja , uma grande fã minha . Os minutos passavam lentos . De vez em quando , Harry ouvia a voz de Lockhart dizendo : - Mmm - e - certo - e - sim . - De vez em quando , apanhava uma frase como : - A fama é versátil , amigo Harry - ou - Só é célebre quem faz por isso , nunca te esqueças . As velas ardiam cada_vez com maior lentidão , fazendo a luz dançar sobre as muitas caras de Lockhart que o olhavam . Harry passava a mão , já dorida , sobre o que devia ser o centésimo envelope , escrevendo a morada de Verónica_Smethley . « Deve estar quase em a hora de me ir embora » , pensou , sentindo se profundamente infeliz , « por favor , faz com que esteja em a hora ... » E então ouviu algo , algo totalmente diferente de o crepitar de as velas e de os ditos de Lockhart sobre as suas fãs . Era uma voz , uma voz de arrepiar os ossos , de cortar a respiração , de veneno frio . - * _ Vem ... vem ter comigo ... deixa me rasgar te ... cortar te ... matar te * ... Harry deu um salto e uma enorme mancha lilás surgiu em a rua de Verónica_Smethley . - O quê ? - disse ele em voz alta . - Eu sei - exclamou Lockhart . - Seis meses inteirinhos em o topo de a lista de * bestsellers * , bati todos os recordes ! - Não - disse Harry nervosíssimo - aquela voz ! - Como ? - perguntou Lockhart , com um ar confuso . - Que voz ? - Aquela , aquela voz que disse ... não ouviu ? Lockhart olhava para Harry com o maior espanto . - De que é_que estás a falar , Harry ? Estás a ficar com sono ? Meu Deus , olha , só estamos aqui há quase quatro horas , quem diria ? O tempo passou a correr , não é verdade ? Harry não respondeu , estava a fazer um esforço para ouvir de_novo a voz , mas o único som que ouviu foi Lockhart a dizer lhe que não esperasse um tratamento igual de as próximas vezes que fosse castigado . Harry saiu , sentindo se atordoado . Era tão tarde que a sala comum de os Gryffindor estava quase vazia . Harry foi directamente para o dormitório . Ron ainda não tinha voltado . Vestiu o pijama , meteu se em a cama e esperou . Meia_hora mais tarde , chegou o Ron agarrado a o braço direito e inundando o quarto escuro de um forte cheiro a limpa-pratas . - Doem me todos os músculos - resmungou , metendo se em a cama . - Ele fez me polir catorze vezes aquela taça de Quidditch até estar satisfeito . E depois tive outro vómito em_cima_de um troféu de Reconhecimento por serviços prestados a a escola . Demorei séculos a limpar o muco de as lesmas . Como correram as coisas com o Lockhart ? Em voz baixa para não acordar o Neville , o Dean e o Seamus , Harry contou lhe , palavra por palavra , o que tinha ouvido . - E Lockhart disse que não ouviu nada ? - perguntou o Ron . Harry viu o franzir a testa , a a luz de o luar . - Achas que estava a mentir ? Mas , não percebo , mesmo um ser invisível teria aberto a porta . - Eu sei - disse Harry , encostando se a a cama e olhando para o dossel . - Também não compreendo . VIII_A festa de o dia de os mortos Outubro chegou , espalhando um frio húmido por os campos e por os cantos de o castelo . Madam_Pomfrey , a enfermeira-chefe , esteve bastante ocupada com uma onda de constipações que afectou professores e alunos . A sua poção de pimentão entrou imediatamente em acção apesar_de deixar quem a tomava com fumo em os ouvidos durante várias horas . Ginny_Weasley , que andava com ar adoentado , foi convencida a tomá a por o Percy . O fumo que saía por debaixo de o seu cabelo ruivo dava a impressão de que toda_a cabeça estava em fogo . Gotas de chuva de o tamanho de balas agrediram as janelas de o castelo durante dias a fio . O lago rosado e os canteiros de flores tornaram se regatos lamacentos e as abóboras de o Hagrid incharam ficando de o tamanho de alpendres de jardim . Contudo , o entusiasmo de Oliver_Wood por as sessões de treino regular não foi abalado , motivo por o qual Harry iria regressar a a torre de os Gryffindor , em um sábado a a tarde de temporal , alguns dias antes de o * _ Hallowe'en * , ensopado até a os ossos e todo enlameado . Além de a chuva e de o vento , não fora um treino feliz . Fred e George que tinham andado a espiar a equipa de os Slytherin tinham visto com os seus próprios olhos a velocidade alucinante de aquelas novas Nimbus dois_mil_e_um e comentaram que a equipa em o ar parecia composta por sete manchas esverdeadas que disparavam a_toda_a velocidade como aviões a jacto . Enquanto Harry chapinhava a o longo de o corredor deserto , cruzou se com alguém que parecia tão preocupado como ele : Nick quase sem cabeça , o fantasma de a torre de os Gryffindor que olhava taciturno , por a janela , murmurando baixinho : - Não preenche os requisitos , um centímetro e meio se ... - Olá , Nick - cumprimentou Harry . - Olá , olá - disse o Nick quase sem cabeça , começando a olhar em volta . Usava um arrebatado chapéu de plumas sobre a longa cabeleira encaracolada e uma túnica com gola de tufos que disfarçava o facto de ter o pescoço quase totalmente separado de o corpo . Era pálido como o fumo e Harry podia ver através de ele o céu negro e a chuva torrencial , lá fora . - Pareces preocupado , jovem Potter - disse Nick , dobrando uma carta transparente , enquanto falava e escondendo a dentro de a jaqueta . - Tu também - retorquiu Harry . - Ah ! - o Nick quase sem cabeça acenou com a mão de forma elegante . - Uma questão sem importância . Não é_que eu quisesse realmente participar apesar_de me ter inscrito , mas , a o que parece , não preencho os requisitos . - Apesar de o seu tom jovial havia em o seu rosto uma grande amargura . - Mas era de esperar , ou não era - exclamou subitamente , tirando a carta de o bolso - que ter levado quarenta_e_cinco golpes em a cabeça com um machado ferrugento me qualificaria para entrar em o grupo de os Sem - _ Cabeça ? - Sim , sim - respondeu Harry que obviamente o outro esperava que concordasse . - Isto_é , ninguém mais do_que eu desejaria que tudo tivesse sido rápido e perfeito , poupava me muitas dores e ridículo . Mas ... O Nick quase sem cabeça abriu , furioso , a carta e leu : * _ Só podemos aceitar em o grupo homens cuja cabeça tenha sido separada de o corpo . Compreenderá que de outro modo seria impossível a os nossos membros participarem em actividades como equitação de malabarismos com a cabeça e pólo de cabeça . Lamentamos profundamente informá o de que não preenche os requisitos . * _ Os nossos melhores cumprimentos , Sir_Patrick_Delaney - _ Podmore * Furioso , o Nick quase sem cabeça atirou fora a carta . - Um centímetro de pele e tendões a segurarem me a cabeça , Harry ! A maior parte de as pessoas acharia que era mais do_que o suficiente , mas não serve para o senhor correctamente decapitado Podmore . Nick quase sem cabeça respirou fundo várias vezes e , por fim , em um tom bastante mais calmo perguntou : - Então o que é_que te preocupa ? Alguma coisa que eu possa fazer por ti ? - Não - respondeu Harry . - A_não_ser_que saibas onde posso arranjar sete Nimbus dois_mil_e_um , de_graça , para o nosso campeonato contra os Sly ... - o resto de a frase foi afogada por um miado agudo vindo de perto de os seus tornozelos . Olhou para baixo e deu consigo a fitar um par de olhos que pareciam duas lâmpadas amarelas . Era_Mrs._Norris , a gata cinzenta e esquelética usada por o encarregado Argus_Filch como uma espécie de polícia em a sua infindável batalha contra os estudantes . - É melhor saíres de aqui , Harry - preveniu Nick com toda_a calma . - O Filch não está nada bem-disposto . Anda engripado e alguns alunos de o terceiro ano , por acidente , encheram o tecto de o calabouço cinco de miolos de rã . Ele tem andado toda_a manhã a limpar e se te vê a encher tudo de lama ... - Certo - disse Harry , recuando e afastando se de o olhar acusador de Mrs._Norris , mas ... tarde de mais . Conduzido até ali por o misterioso poder que parecia ligá o a a gata , Argus_Filch entrou subitamente por uma tapeçaria que se encontrava a a direita de Harry , com a sua respiração asmática , olhando vivamente em volta em busca de o infractor . Tinha um lenço grosso , de xadrez , a a volta de a cabeça e o nariz invulgarmente arroxeado . - Imundície - gritou com os maxilares a tremer e os olhos a saltarem lhe de as órbitas , enquanto apontava para a poça de lama que pingara de a túnica de Quidditch_de_Harry . - Desarrumação e imundície em todo o lado . Estou farto disto , segue me , Potter . Harry despediu se de o Nick quase sem cabeça com um tímido aceno e seguiu Filch até lá abaixo , duplicando o número de pegadas lamacentas em o chão . Nunca entrara em o gabinete de o Filch . Era um lugar que a maior parte de os estudantes evitava . A divisão era sombria e sem janelas , iluminada por uma única lamparina de óleo que pendia de o tecto . Sentia se um vago cheiro a peixe frito . As paredes estavam forradas por ficheiros de madeira . Por as etiquetas Harry percebeu que continham os dados de todos os alunos que Filch tinha punido . Fred e George_Weasley tinham uma gaveta só para eles . Atrás de a secretária estava pendurada uma colecção bem polida de correntes e algemas . Todos sabiam que ele estava sempre a pedir a Dumbledore que o deixasse pendurar os alunos em o tecto por os tornozelos . Filch pegou em uma pena que estava sobre a secretária e começou a procurar o pergaminho . - Bosta - murmurou , furioso . - Bosta de dragão , miolos de rã , intestinos de ratazana ... eu tinha aqui bastante , onde está o form ... sim ... Tirou um enorme rolo de pergaminho de a gaveta de a secretária e estendeu o em a frente , molhando a longa pena em o tinteiro . - Nome : Harry_Potter . Crime ... - Foi só um bocadinho de lama - disse Harry . - É só um bocadinho de lama para ti , rapaz , mas para mim é mais de uma hora a esfregar - gritou Filch com um pingo a tremer de modo desagradável em a extremidade de o nariz bolboso . - Crime : manchar o castelo . Sentença proposta ... Esfregando o nariz que continuava a pingar , Filch olhou com má cara para Harry que esperava com a respiração entrecortada para ouvir a sentença . Mas quando Filch pegou em a pena ouviu se um estrondo enorme em o tecto que fez a lamparina apagar se . - PEEVES - resmungou Filch , pousando a pena , cheio de raiva . - Desta_vez apanho te . Apanho te ! E sem olhar para trás , saiu a correr a_toda_a velocidade de o gabinete , seguido de a gata , Mrs._Norris . Peeves era o * poltergeist * de a escola , uma ameaça de risota esvoaçante que vivia para fazer estragos e criar aflição . Harry não gostava lá muito de ele , mas desta_vez , não podia deixar de lhe estar grato . Na_melhor_das_hipóteses o que Peeves tivesse feito ( e parecia que agora ele destruíra qualquer coisa em grande ) distrairia Filch_de_Harry . Pensando que o melhor seria esperar que ele voltasse , Harry deixou se cair em uma cadeira carcomida por o tempo que se encontrava junto de a secretária . Havia uma coisa sobre o tampo : um grande envelope roxo e lustroso com letras prateadas em a frente . Lançando um olhar rápido a a porta para confirmar que Filch não estava de volta , Harry pegou lhe e leu : __ feitiço __ rápido Um curso por correspondência De iniciação a a magia Cheio de curiosidade , abriu o envelope e retirou o rolo de pergaminho . Uma letra curvilínea e prateada dizia : Sente se pouco a a vontade em o mundo de a magia moderna ? Dá consigo a arranjar desculpas para não fazer feitiços simples ? Tem sido censurado por o deplorável trabalho com a varinha ? Eis a resposta ! Feitiço rápido e um curso totalmente novo , infalível , de resultados rápidos e rápida aprendizagem . Centenas de bruxas e feiticeiros têm beneficiado de o método feitiço rápido ! Madam_Z._Nettles_de_Topsham escreve nos : Eu não conseguia fixar os encantamentos e as minhas poções eram alvo de risota em a família . Agora , depois de o curso feitiço rápido , tornei me o centro de as atenções em todas_as festas e os meus amigos não param de pedir me a receita de a minha brilhante solução ! O mágico D.J._Prod , de Disbury , afirma : A minha mulher costumava rir se de os meus fracos encantamentos , mas bastou um mês com o vosso fabuloso curso feitiço rápido e consegui transformá a em um iaque . Obrigado , feitiço rápido ! Fascinado , Harry folheou o resto de o conteúdo de o envelope . Para que diabo quereria o Filch um curso de feitiço rápido ? Não seria ele um feiticeiro a sério ? Harry estava a ler a lição número um : Pegando em a varinha ( algumas dicas úteis ) quando umas passadas arrastadas , lá fora , o preveniram de que Filch estava de volta . Metendo rapidamente o pergaminho dentro de o envelope , lançou o para_cima de a secretária em o preciso momento em que a porta se abriu . Filch ostentava um ar triunfante . - Aquele armário que desapareceu era extremamente valioso - vinha ele a dizer a a gata , Mrs._Norris . - Desta_vez vamos correr com o Peeves , minha linda . Os seus olhos recaíram sobre Harry e logo_a_seguir sobre o envelope de o feitiço rápido que , Harry apercebeu se tarde de mais , estava meio metro distanciado de o seu lagar inicial . O rosto pálido de Filch tornou se vermelho escarlate . Harry preparou se para uma nova onda de fúria . Filch coxeou até a a secretária , arrebatou o envelope e meteu o em uma gaveta . -- Chegaste a ... lê o ? - perguntou atabalhoadamente . - Não - mentiu Harry , sem perder tempo . As mãos nodosas de o Filch contorciam se ao_mesmo_tempo . - Se eu soubesse que ias ler a minha correspondência priv ... não que seja minha ... é para um amigo ... mesmo_assim ... Harry olhava para ele espantado . Nunca vira o Filch tão louco . Os olhos pareciam querer saltar lhe de as órbitas , com um tique em as bochechas e aquele lenço axadrezado que não ajudava nada ... - Muito bem , vai e não abras a boca sobre isto ... não que ... mesmo_assim ... se tu não leste ... vai te embora , tenho de escrever o relatório sobre o Peeves , vai . Atordoado com a sua sorte , Harry saiu de ali e largou a correr por o corredor fora e por as escadas acima . Sair de o gabinete de o Filch sem um castigo devia ser um recorde em a escola . - Harry , Harry , deu resultado ? O Nick quase sem cabeça saiu a brilhar de uma sala de aula . Atrás de ele , Harry pôde ver os destroços de um grande armário preto e dourado que parecia ter sido atirado de uma grande altura . - Convenci o Peeves a parti o mesmo em cima de o gabinete de o Filch - disse Nick entusiasmado . - Pensei que talvez o distraísse . - Foste tu ? - exclamou Harry , agradecido . - Funcionou sim . Ele não me deu nenhum castigo . Obrigado , Nick . Atravessaram o corredor juntos . O Nick quase sem cabeça , reparou Harry , ainda tinha em a mão a carta de Sir_Patrick . - Gostaria de poder fazer qualquer coisa sobre o grupo de os Sem - _ Cabeça - disse Harry . O Nick quase sem cabeça parou de repente e Harry passou através de ele . Antes não tivesse passado , foi como atravessar um duche gelado . - Mas há uma coisa que tu podes fazer por mim - disse Nick muito agitado . - Harry , seria pedir te de mais ... mas não , tu não ias querer ... - O quê ? - Bem , este ano em o * _ Hallowe'en * vai ser o meu meio milénio de dia de os mortos - disse o Nick quase sem cabeça endireitando se e adquirindo uma postura de grande dignidade . - Oh - respondeu Harry sem saber se deveria lamentar ou dar lhe os parabéns . - Certo . - Vou dar uma festa em um de os calabouços mais amplos . Vêm amigos meus de todo o país . Seria uma honra muito grande se tu aparecesses . Mr._Weasley e Miss_Granger seriam também muito bem-vindos , claro . Mas tu deves preferir o banquete de a escola , não é verdade ? - Olhou para Harry , aflito . - Não - assegurou ele rapidamente . - Eu vou . - Oh rapaz , Harry_Potter em a minha festa de os mortos - hesitou no_meio_de toda aquela excitação . - Achas que poderias referir a Sir_Patrick como me achas assustador e como te impressiono ? - É claro que sim - assegurou Harry . O Nick quase sem cabeça iluminou se em um sorriso . - Uma festa de os mortos ? - exclamou Hermione , entusiasmada , quando Harry , depois de mudar de roupa , se juntou a ela e a o Ron em a sala comum . - Aposto que não há muitas pessoas que possam gabar se de ter estado em uma festa de essas . Vai ser fantástico ! - Por_que é_que alguém se lembraria de festejar o dia em que morreu ? - perguntou o Ron que estava a meio de o seu trabalho de casa de poções e bastante maldisposto . - Parece me bastante mórbido . A chuva continuava a lamber as janelas que apresentavam agora um negro que parecia tinta , mas , lá dentro , era tudo claro e alegre . O fogo em a lareira brilhava sobre as inúmeras cadeiras de braços onde as pessoas estavam sentadas a ler , a conversar , a fazer os trabalhos de casa ou , no_caso_de Fred e George_Weasley , a tentar descobrir o que aconteceria se alimentassem uma salamandra com fogo-de-artíficio de o Filibuster . O Fred tinha « resgatado . o lagarto cor de laranja brilhante , morador de o fogo , de uma aula de tratamento de seres mágicos e ele estava agora a arder em fogo lento sobre uma mesa , rodeado de um grupo de curiosos . Harry ia começar a contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre o Filch e o curso de feitiço rápido quando a salamandra disparou por os ares , lançando faíscas e estoiros . A visão de Percy a gritar com Fred e George até ficar ronco , a fantástica exibição de estrelas cor de tangerina que choviam de a boca de a salamandra e a sua fuga para o lume acompanhada de explosões , fizeram com que Harry se esquecesse , em aquele momento , de Filch e de o curso de feitiço rápido . Quando chegou o * _ Hallowe'en * , Harry já lamentava a sua promessa imprudente de ir a a festa de os mortos . Toda_a escola antecipava , feliz , a sua festa de * _ Hallowe'en * . O salão nobre fora enfeitado com os habituais morcegos , as enormes abóboras de Hagrid tinham sido esculpidas em forma de lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro_de cada uma , e havia boatos de que Dumbledore contratara um grupo de esqueletos bailarinos para animar a festa . - Uma promessa é uma promessa - lembrou Hermione_a_Harry com o seu autoritarismo habitual . - Tu disseste que ias a a festa de os mortos . Portanto , a as sete_da_tarde , Harry , Ron e Hermione saíram , passando por a porta de o salão nobre que brilhava de modo convidativo com pratos dourados e velas e dirigiram os seus passos para os calabouços . O corredor que conduzia a a festa de o Nick quase sem cabeça tinha sido também ladeado de velas , embora o efeito estivesse longe_de ser alegre : estas eram velas muito esguias e estreitas , negras de breu , ardendo em um azul brilhante e lançando uma luz indistinta e espectral também sobre as caras de as pessoas vivas . A temperatura diminuía a cada degrau que desciam . Harry tremia e cingia a túnica a o corpo quando ouviu qualquer coisa que parecia uma centena de unhas a rasparem um enorme quadro preto . - Será que isto_é a música ? - murmurou Ron . Viraram uma esquina e viram o Nick quase sem cabeça junto de uma porta , todo vestido de veludo negro . - Meus queridos amigos - disse com ar de luto . - Bem-vindos , bem-vindos , ainda_bem que puderam vir . Em um gesto largo tirou o chapéu de plumas e fez lhes sinal para que entrassem . Era uma visão incrível . O calabouço estava cheio com centenas de pessoas de um branco pálido e translúcido , a maior parte de as quais era arrastada em uma pista de dança cheia , valsando a o som de trinta serrotes musicais . Os serrotes que compunham a orquestra encontravam se sobre um estrado enfeitado com panos negros . Um lustre lá em cima resplandecia de um azul nocturno com mais um_milhar de velas negras . A respiração de os três subiu em o ar como uma neblina . Parecia que tinham entrado em um congelador . - Vamos dar uma volta - sugeriu Harry em uma tentativa de aquecer os pés . - Cuidado , não atravessem nenhum de eles - avisou o Ron nervosamente e colocaram se em volta de a pista de dança . Passaram por um grupo escuro de freiras , por um homem esfarrapado e cheio de correntes e por o frade gordo , o divertido fantasma de os Hufflepuff que estava a conversar com um cavaleiro com uma seta enfiada em a testa . Harry não ficou nada surpreendido a o ver que o Barão sangrento , o fantasma lúgubre e berrante de os Slytherin , coberto de nódoas de sangue ; estava a ser totalmente evitado por os outros fantasmas . - Oh ! Não -- exclamou Hermione , parando bruscamente . - Voltem se , voltem se , não quero ter de cumprimentar a Murta_Queixosa . - Quem ? - perguntou Harry enquanto davam rapidamente meia volta . - Ela assombra a casa_de_banho de as raparigas de o primeiro andar - explicou Hermione . - Assombra uma casa_de_banho ? - Sim . Está inoperativa durante todo o ano porque ela tem constantes acessos de choro e inunda tudo . Eu só lá fui quando não pode mesmo evitar . É horrível tentar ir a a sanita com ela a gritar connosco . - Olhem , comida - disse o Ron . De o outro lado de o calabouço estava uma mesa igualmente coberta de velado negro . Iam para se aproximar entusiasmados , mas pararam com uma expressão de horror . O cheiro era nauseabundo . Enormes peixes podres enchiam as bonitas travessas de prata , os bolos estorricados como carvões amontoavam se em as salvas , havia uma grande quantidade de miúdos de macaco , uma tábua de queijos cobertos de bolor e , em o lugar de honra , um enorme bolo cinzento em forma de lápide com letras que pareciam alcatrão formando as palavras , * _ Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington_Morto em 31_de_Outubro , 1492 * . Harry olhou espantado quando um fantasma de porte majestoso se aproximou de a mesa inclinando se e passando através de ela com a boca aberta enquanto atravessava um salmão malcheiroso . - Consegue prová o passando através de ele ? - perguntou lhe Harry . - Quase - disse tristemente o fantasma antes de se afastar . - Devem ter deixado apodrecer tudo_isto para ter um sabor mais forte - comentou Hermione com ar de quem está bem informada , tapando o nariz e aproximando se para ver melhor os pútridos miúdos de macaco . - Podemos sair de aqui , estou a sentir me agoniado - disse o Ron . Mas mal tinham dado meia volta quando um homenzinho pequenino saiu inesperadamente de debaixo de a mesa e fez uma paragem em o ar em frente de eles . - Olá , Peeves - disse Harry cautelosamente . Ao_contrário de os outros fantasmas que os rodeavam , Peeves , o * poltergeist * era o oposto de pálido e transparente . Usava um chapéu festivo cor de laranja , um laço rotativo a o pescoço e tinha um sorriso grosseiro de malvadez , em o rosto . - Querem petiscar ? - perguntou delicadamente , oferecendo lhes uma taça de amendoins cobertos de fungos . - Não , obrigada - disse Hermione . - Ouvi te falar sobre a pobre Murta - disse Peeves com os olhos a bailar . - Que insensível que tu foste para com a pobre Murta - respirou fundo e gritou : - Oh Murta . - Oh ! Não , Peeves , não lhe contes o que eu disse , ela vai ficar muito aborrecida - murmurou Hermione bastante nervosa . - Eu não queria dizer que ... eu não me importo que ela , er , olá , Murta . O espectro atarracado de uma rapariga deslizara . Tinha o rosto mais carrancudo que Harry alguma vez vira , meio escondido por o cabelo liso e por os óculos grossos cor de pérola . - O que é ? - perguntou mal-humorada . - Como estás Murta ? - perguntou Hermione , em uma voz falsamente alegre . - É bom ver te fora de a casa_de_banho . Murta fungou . - Miss_Granger estava justamente a falar de ti - disse lhe Peeves baixinho a o ouvido . - A dizer , a dizer ... como estás bonita esta noite -- terminou Hermione , olhando irritada para Peeves . A Murta olhou para Hermione desconfiada . - Estão a divertir se a a minha custa - disse , com lágrimas de prata a encherem lhe rapidamente os olhos pequeninos . - Não , a sério , eu não estava a dizer vos como a Murta estava bonita esta noite ? - disse Hermione , dando uma palmada em as costas de o Harry e de o Ron . - Sim , sim . - Ela ... - Não me venham com mentiras - protestou a Murta , as lágrimas agora a descerem lhe por o rosto , enquanto Peeves ria baixinho por cima de o ombro de ela . - Julgam que eu não sei o que as pessoas me chamam em as minhas costas ? A Murta gorda , a Murta feia , a Murta queixosa , a Murta deprimida ! - Esqueceste te de « a Murta ponto negro » - sussurrou lhe Peeves a o ouvido . A Murta_Queixosa irrompeu em soluços de angústia e fugiu de o calabouço . Peeves disparou atrás de ela , lançando lhe uma chuva de amendoins cheios de bolor e gritando : Ponto negro ! Ponto negro ! - Oh , coitada ! - exclamou Hermione com tristeza . O Nick quase sem cabeça abria agora caminho entre a multidão para se aproximar de eles . - Estão a divertir se ? - Sim , sim - mentiram . - Uma afluência nada má - disse orgulhoso o Nick quase sem cabeça . - A viúva chorosa veio de Kent ... está quase em a hora de o meu discurso . É melhor ir avisar a orquestra . Mas a orquestra parou de tocar em esse preciso momento . Eles , e todos os outros em o calabouço , ficaram em silêncio total , olhando em volta cheios de excitação quando se ouviu uma trompa de a caça . - Lá vêm eles - disse o Nick quase sem cabeça , com alguma amargura em a voz . Por o calabouço irromperam uma_dúzia de , cavalos fantasmas , cada_um montado por um cavaleiro sem cabeça . A assistência aplaudiu vivamente . Harry começou também a bater palmas , mas parou rapidamente quando viu a cara de o Nick . Os cavalos galoparam até a o meio de a pista de dança e pararam , empinando se , dando pequenos passos para a frente e para trás , sobre as patas traseiras . Um fantasma grande em a frente , cuja cabeça barbuda estava debaixo de o braço , soprando a trompa , desmontou , levantou a cabeça bem em o ar para poder ver toda_a assistência ( todos se riam ) e dirigiu se a o Nick quase sem cabeça , comprimindo a cabeça contra o pescoço . - Bem-vindo , Patrick - disse o Nick , mantendo a sua postura rígida . - Gente viva ! - exclamou o Sir_Patrick , avistando Harry , Ron e Hermione e dando um salto de falso espanto , de_tal_modo_que a cabeça lhe caiu de_novo ( a multidão ria a bom rir ) . - Muito engraçado - disse o Nick quase sem cabeça com um ar soturno . - Não ligues a o Nick - gritou a cabeça de Sir_Patrick de o chão . - Ainda está aborrecido por não o deixarmos juntar se a o grupo . Mas olhem bem para ele ... - Eu acho - disse apressadamente Harry , a seguir a um olhar de o Nick - que o Nick é muito assustador e ... eu ... - Bah ! - gritou a cabeça de Sir_Patrick . - Aposto que ele te pediu que dissesses isso . - Gostaria de ter a vossa atenção . Chegou a altura de fazer o meu discurso - disse o Nick quase sem cabeça bem alto , dirigindo se a o pódio , subindo e parando , iluminado por uma luz azul . - Os meus sentimentos , senhores e senhoras , é com profundo pesar ... Mas já ninguém estava a ouvi o . Sir_Patrick e o resto de o grupo de os Sem - _ Cabeça tinham iniciado um jogo de hóquei de cabeça e a multidão voltara se para os observar . Nick quase sem cabeça tentou em vão recuperar a audiência , mas acabou por desistir quando a cabeça de Sir_Patrick passou por ele a_toda_a velocidade gritando vivas . Harry estava cheio de frio para não falar de a fome . - Não aguento mais isto - murmurou Ron a bater o dente enquanto a orquestra voltava a entrar em acção e os fantasmas enchiam de_novo a pista de dança . - Vamos embora - concordou Harry . Recuaram até a a porta , acenando e sorrindo a todos os que olhavam para eles e um minuto depois passavam apressadamente por a entrada cheia de velas negras . - Talvez o pudim ainda não tenha acabado - disse o Ron cheio de esperança , abrindo caminho em direcção a os degraus de o vestíbulo de a entrada . E foi então que Harry ouviu aquilo . - ... * _ Arrancar ... rasgar ... matar * ... Era a mesma voz , a mesma voz fria e assassina que ouvira em o escritório de Lockhart . Parou , agarrando se a a parede de pedra em a expectativa de ouvir melhor , olhando em volta , espreitando para_cima e para baixo de a passagem mal iluminada . - Harry que estás tu a ... ? - E aquela voz outra_vez , calem se um bocadinho . -- ... * _ Tanta fome ... há tanto tempo * ... - Ouçam insistiu Harry e Ron e Hermione ficaram estáticos a olhar para ele . - * _ Matar ... hora de matar * ... A voz ia ficando mais débil . Harry tinha a certeza de que ela estava a afastar se , a subir . Um misto de medo e excitação tomou posse de ele enquanto olhava para o tecto escuro . Como poderia ele subir ? Seria um fantasma para quem os tectos de pedra não contavam ? - Por aqui - gritou , começando a correr por as éscadas acima até a a entrada de o * hall * . Não havia hipótese de ouvir fosse o que fosse ali , o barulho de vozes que vinha de o banquete de o * _ Hallowe'en * ecoava cá fora . Harry subiu a correr a escadaria de mármore até a o primeiro andar com Ron e Hermione ruidosamente atrás . - Harry o que é_que nós ... ? - Sch ... Harry apurou o ouvido . Ao_longe , em o andar de cima , e ainda a enfraquecer , mesmo_assim ouviu a voz : - ... * Cheira-me a sangue ... cheira me a sangue ! * O estômago deu lhe uma volta . - Ele vai matar alguém - gritou e ignorando as caras perplexas de Ron e Hermione , correu , subindo mais um lanço de escadas , a três_e_três , tentando ouvir através de o ruído de os seus próprios passos . Harry correu a_toda_a velocidade pelo segundo andar com Ron e Hermione atrás e só parou quando viraram uma esquina para o último corredor abandonado . - Harry , o que foi aquilo tudo ? - perguntou o Ron , limpando o suor de o rosto . - Eu não ouvi nada ... Mas Hermione , em um sobressalto , apontou para o fundo de o corredor . - Olhem ! Alguma coisa brilhava em a parede em frente . Aproximaram se devagarinho , tentando ver em a escuridão . Alguém escrevera em letras garrafais em a parede entre duas janelas . As palavras brilhavam a a chama fraca de as tochas . : __ a câmara de os segredos foi aberta . inimigos de o herdeiro , __ cuidado . - O que é aquilo pendurado por baixo de as letras ? - perguntou Ron com um tremor em a voz . Quando se aproximaram , Harry quase escorregou . Havia uma grande poça de água em o chão . Ron e Hermione agarraram o e avançaram cautelosamente até a a mensagem , os olhos fixos em uma sombra escura , em baixo . Aperceberam se os três de imediato do_que se tratava e deram um salto para trás , salpicando tudo de água . Mrs._Norris , a gata de o encarregado , estava pendurada por a cauda em o suporte de a tocha . Tinha o corpo rígido como uma tábua e os olhos abertos . Durante alguns segundos ninguém se mexeu . Depois o Ron disse : - Vamos sair de aqui . - Não devíamos tentar ajudar ? - propôs Harry , sem graça . - Acredita - assegurou o Ron . - É melhor que não nos encontrem aqui . Mas era tarde de mais . Um ruído surdo e prolongado , como um trovejar distante , avisou os de que o festim tinha terminado . De ambos os lados de o corredor onde eles estavam , veio o som de centenas de pés a subirem a escadaria e as vozes alegres de gente bem alimentada . Em o momento seguinte os alunos chegavam junto de eles de ambos os lados . O burburinho morreu subitamente mal as pessoas avistaram a gata pendurada . Harry , Ron e Hermione estavam de pé , sozinhos , em o meio de o corredor quando se fez silêncio em a multidão de estudantes que se empurravam para observar aquele quadro macabro . Então alguém gritou , quebrando o silêncio . - Inimigos de o herdeiro , cuidado . Vocês serão os próximos , sangue de lama ! Era_Draco_Malfoy . Estava a a frente de a multidão com os olhos frios a brilhar , a sua cara habitualmente pálida agora afogueada , sorrindo a a vista de a gata pendurada e imóvel . IX_As palavras em a parede -- O que é_que se passa aqui ? O que é_que se passa ? Sem dúvida , atraído por o grito de Malfoy , Argus_Filch apareceu a coxear em o meio de a multidão . Quando viu Mrs._Norris , caiu para trás agarrando o rosto com verdadeiro horror . - A minha gata ! A minha gata ! O que aconteceu a Mrs._Norris ? - gritou . E os seus olhos rápidos caíram sobre Harry . - Tu - guinchou ele . - Mataste a minha gata ! Mataste a , vou dar cabo de ti , eu ... - Argus . Dumbledore tinha chegado a o lugar , seguido de alguns professores . Em poucos segundos tinha passado a a frente de Harry , Ron e Hermione e desatado Mrs._Norris de o suporte de a tocha . - Vem comigo , Argus - disse ele a o Filch . - Vocês também , Mr._Potter , Mr._Weasley e Miss_Granger . Lockhart deu rapidamente um passo em frente . - O meu escritório é o que está mais perto , senhor director , é já aqui em cima , por favor fiquem a a vontade . - Obrigado , Gilderoy - disse Dumbledore . A multidão silenciosa dividiu se para os deixar passar . Lockhart sentindo se excitado e importante , seguia Dumbledore assim_como a professora Mc_Gonagall e o professor Snape . Quando entraram em o escritório escuro de Lockhart houve uma grande agitação em as paredes . Harry viu várias imagens de Lockhart a esconderem se cheias de rolos em o cabelo . O Lockhart em pessoa acendeu as velas e chegou se mais para trás . Dumbledore pôs Mrs._Norris em a superfície polida de a secretária e começou a examiná a . Harry , Ron e Hermione trocaram olhares tensos entre si e deixaram se cair em as cadeiras que se encontravam longe de a luz , a observar . A ponta de o nariz longo e adunco de Dumbledore estava a menos_de dois centímetros de o pêlo de Mrs._Norris . Ele olhava a de perto através de os óculos de meia-lua , os dedos longos a palpar e tactear suavemente . A professora Mc_Gonagall estava quase tão perto como ele , com os olhos contraídos . Snape surgia mais atrás , meio em a sombra , com uma expressão estranha em o rosto , como_se tentasse a_toda_a força sorrir . E Lockhart andava de um lado para o outro a dar sugestões . - Foi sem dúvida uma maldição que a matou , provavelmente a tortura de a metamorfose . Vi a muitas_vezes ser usada , mas infelizmente eu não estava lá quando isto aconteceu . Conheço o antídoto para essa maldição , o que a teria salvo . Os comentários de Lockhart foram interrompidos por os soluços secos e violentos de Filch . Estava afundado em uma cadeira junto de a secretária , incapaz de olhar para Mrs._Norris , com o rosto em as mãos . Por mais que detestasse Filch , Harry não pôde deixar de sentir pena de ele embora não tanta quanto_a que sentia por si próprio . Se Dumbledore acreditasse em o Filch ele seria certamente expulso . O director estava agora a sussurrar umas palavras estranhas e batendo em Mrs._Norris com a varinha , mas não aconteceu nada , ela continuou com o mesmo aspecto , como_se tivesse sido empalhada . - ... Lembro me de uma coisa semelhante que aconteceu em Ouagadogou - disse LockLart . - Uma série de ataques . Conto essa história em a minha autobiografia . Eu dei a a gente de a cidade vários amuletos que resolveram logo a situação ... As fotografias de Lockhart em as paredes iam acenando afirmativamente com a cabeça enquanto ele falava . Uma de elas esquecera se de tirar os rolos de o cabelo . Por fim , Dumbledore endireitou se . - Ela não está morta , Argus - disse suavemente . Lockhart interrompeu bruscamente a contagem de os crimes que conseguira evitar . - Não está morta ? - disse Filch em um sufoco , olhando através de os dedos para Mrs._Norris . - Mas , porque está ela rígida e gelada ? - Foi petrificada - disse Dumbledore ( Ah ! foi o que eu pensei ! - comentou Lockhart ) mas como , não posso afirmar . - Pergunte lhe - gritou Filch , voltando a cara cheia de furúnculos e lágrimas para Harry . - Nenhum aluno de o segundo ano poderia ter feito isto - explicou Dumbledore . - Era preciso um grande conhecimento de magia negra . - Foi ele , foi ele - disse encolerizado o encarregado com a cara a ficar roxa . - O senhor viu o que ele escreveu em a parede . Ele descobriu em o meu gabinete , ele sabe que eu sou um ... - O rosto de Filch estava horrível . - Ele sabe que eu sou um * _ busca-pé * - disse por fim . - Eu não toquei em a Mrs._Norris - gritou Harry com todos os olhares a recaírem sobre ele , incluindo o de todos os Lockharts de a parede . - E eu nem sei o que é um * busca-pé * . - Mentira ! - gritou Filch . - Ele viu a minha carta de o feitiço rápido . - Se me permite que dê a minha opinião , senhor director - disse Snape , saindo de a sombra , e a sensação de mau presságio de Harry aumentou bastante . Certamente nada do_que Snape tinha para de dizer iria ajudá o . - O Potter e os amigos podiam estar simplesmente em o lugar errado em a altura errada - afirmou com um leve sorriso a torcer lhe a boca como_se tivesse as suas dúvidas . - Mas , temos aqui um conjunto de circunstâncias curiosas . Porque estavam eles afinal em o corredor ? Porque não estiveram presentes em a festa de o * _ Hallowe'en * ? Harry , Ron e Hermione começaram uma longa explicação sobre a festa de o dia de os mortos . - Estavam lá centenas de fantasmas , eles poderão confirmar que lá estivemos ... - Mas porque não foram a seguir a o banquete ? - perguntou Snape com os olhos pretos a brilharem a a luz de as velas . - Porquê ir até a aquele corredor ? Ron e Hermione olharam para Harry . - Porque , porque ... - balbuciou Harry , com o coração a querer saltar lhe de o peito , mas algo lhe disse que ia parecer muito rebuscado se lhes contasse que tinha sido levado até ali por uma voz sem corpo que só ele conseguia ouvir . - Porque estávamos cansados e queríamos ir para a cama - disse . - Sem jantar ? - inquiriu Snape com um sorriso triunfante a bailar lhe em o rosto lúgubre . - Não sabia que os fantasmas ofereciam em as suas festas comida para gente viva . - Não estávamos com fome - disse o Ron bem alto , enquanto o estômago se queixava de forma audível . O sorriso mesquinho de a Snape ampliou se . - Acho , senhor director , que Potter não está a dizer toda_a verdade - afirmou . - Talvez fosse boa ideia retirar lhe alguns privilégios , até ele estar disposto a contar nos a história toda . Pessoalmente , sugiro que seja retirado de a equipa de os Gryffindor até decidir ser honesto . - Francamente , Severus - exclamou a professora Mc_Gonagall com uma voz cortante . - Não vejo porquê impedir o rapaz de jogar Quidditch . Esta gata não levou pauladas em a cabeça dadas por nenhum cabo de vassoura . E não há provas de que o Potter tenha feito algo de mal . Dumbledore observava Harry com um olhar perscrutador . A voz tremeluzente de os seus olhos azuis fez Harry sentir que estava a ser passado a raios X. - Inocente até se provar que é culpado , Severus - disse com segurança . Snape estava furioso , assim_como Filch . - A minha gata foi petrificada ! - berrou , com os olhos a saltarem de as órbitas . - Quero ver um castigo ! - Vamos poder curá a , Argus - explicou pacientemente Dumbledore . - Madam_Sprout conseguiu arranjar algumas Mandrágoras . Logo_que tenham atingido o tamanho adulto , terei uma poção de Mandrágoras que reanimará Mrs._Norris . - Eu posso fazê a - interrompeu Lockhart . - Devo ter feito isso uma centena de vezes . Preparo uma golada de Mandrágora reconstituinte de olhos fechados ... - Perdão - disse Snape friamente -- , mas julgo que o professor de poções de esta escola ainda sou eu . Houve um silêncio bastante incómodo . - Vocês podem ir se embora - disse Dumbledore a o Harry , Ron e a Hermione . Eles saíram o mais depressa que puderam , sem ir a correr . Quando chegaram a o andar acima de o escritório de Lockhart , entraram em uma sala de aulas vazia e fecharam a porta devagarinho . Harry lançou um olhar de esguelha a as caras carrancudas de os amigos . - Acham que eu lhes devia ter falado de a voz que ouvi ? - Não - respondeu Ron , sem a mínima hesitação . - Ouvir vozes que mais ninguém ouve , não é bom sinal , nem em o mundo de os feiticeiros . Algo em a voz de Ron levou Harry a fazer a pergunta : - Tu acreditas em mim , não acreditas ? - Claro que sim - respondeu o Ron de imediato . - Mas tens de concordar que é esquisito ... - Eu sei que é esquisito - confirmou Harry . - É tudo esquisito . O que era aquilo escrito em a parede ? * _ A_Câmara foi aberta * , o que é_que significa ? - Sabes , faz me lembrar qualquer coisa - disse Ron lentamente . - Acho que alguém me contou uma história sobre uma câmara secreta em Hogwarts , talvez tenha sido o Bill ... - E que diabos é um * busca-pé * ? - perguntou Harry . Para sua surpresa , Ron abafou o riso . - Bem , em a verdade não tem graça nenhuma , mas como é o Filch ... - disse . - Um * busca-pé * é alguém que nasceu de uma família de feiticeiros , mas não tem poderes mágicos . É uma espécie de o oposto de os que vêm de famílias de Muggles , mas são feiticeiros . Os * busca-pé * são muito raros . Se o Filch está a tentar aprender magia em um curso rápido , acho que ele deve ser mesmo um busca-pé . Isso explicaria tudo , por_exemplo , porque detesta tanto os estudantes . - Ron sorriu satisfeito . - Tem inveja . Um relógio deu as horas , algures . - Meia-noite - disse Harry . - É melhor irmo nos deitar , antes que o Snape apareça e tente acusar nos de qualquer coisa . Durante alguns dias não se falou de outra coisa em a escola a não ser de o ataque a a gata , Mrs._Norris . Filch manteve o sucedido bem fresco em a memória de todos , andando de um lado para o outro em o lugar onde ela fora atacada , como_se esperasse por o responsável . Harry vira o esfregar a mensagem de a parede com a « solução removedora de toda_a porcaria mágica Mrs._Skower » , mas sem qualquer resultado . As palavras continuavam a brilhar tanto como antes sobre a pedra . Quando Filch não estava a patrulhar a cena de o crime , vagueava , de olhos avermelhados , por os corredores , perseguindo alunos insuspeitos e tentando aplicar lhes castigos por coisas como « respirar muito alto » ou « estar alegre » . Ginny_Weasley parecia muito perturbada com o destino de Mrs._Norris . Segundo Ron ela era uma amante de gatos . - Mas tu nem chegaste a conhecer bem Mrs._Norris - disse lhe Ron para a animar . - Com toda_a franqueza , estamos muito melhor sem ela . - O lábio de Ginny tremeu . - Não é costume acontecerem coisas de estas em Hogwarts - tranquilizou a . - Eles vão descobrir o safado que fez aquilo e põem o de aqui para fora em três tempos . - Só espero que tenha tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso . Estou a brincar , claro - acrescentou o Ron apressadamente a o ver a Ginny a empalidecer . O ataque afectara também Hermione . Era costume de ela passar muito_tempo a ler , mas agora parecia não fazer mais_nada . Nem respondia a o Harry e a o Ron quando lhe perguntavam o que estava a fazer e só acabaram por descobrir em a quarta-feira seguinte . Harry tivera de ficar até mais tarde em a sala de poções onde Snape o mandara raspar restos de larvas de as secretárias . Depois de um almoço comido a a pressa , ele foi lá acima encontrar se com Ron em a biblioteca e viu Justin_Finch - _ Fletchley , o rapaz de os Hufflepuff de herbologia que vinha em direcção a ele . Harry tinha acabado de abrir a boca para dizer um « Olá » quando Justin o viu , voltando se bruscamente e mudando de direcção . Harry foi encontrar o Ron em as traseiras de a biblioteca , a medir o trabalho de casa de história de a magia . O professor Binns pedira uma composição sobre a Assembleia_Medieval_de_Feiticeiros_Europeus com 90cm . De extensão . - Não posso crer que ainda me faltem 16cm - disse o Ron furioso , largando o pergaminho que se enrolou em forma de tubo - e que a Hermione fez um metro e trinta em aquela letra pequenina e apertadinha . - Onde está ela ? - perguntou Harry , agarrando em a fita métrica e desembrulhando o seu trabalho de casa . - Algures por aí - disse o Ron , apontando para as estantes . - _ a a procura de outro livro . Acho que ela está a tentar ler a biblioteca toda antes de o Natal . Harry contou a Ron que Justin_Finch - _ Fletchley tinha evitado falar lhe . - Não sei porque te preocupas com isso . Eu achei o um idiota - disse o Ron , escrevinhando e fazendo a letra o maior possível . - Todo aquele disparate sobre o Lockhart ser tão grande ... Hermione surgiu de o meio de as estantes . Parecia irritada e disposta , por fim , a falar com eles . - Todos os exemplares de * _ Hogwarts : Uma História * foram requisitados - disse , sentando se ao_lado_de Harry e Ron . - E há uma lista de espera de duas semanas . Quem me dera não ter deixado o meu exemplar em casa , mas não consegui que coubesse em a mala com todos os livros de o Lockhart . - Para que o queres ? - perguntou Harry . - Pelo mesmo motivo que toda_a_gente o quer - disse Hermione . - Para ler a lenda de a Câmara_dos_Segredos . - O que é isso ? - Precisamente . Não me lembro - disse Hermione , mordendo o lábio . - E não encontro a História em lugar nenhum . - Hermione , deixa me ler o teu trabalho - pediu Ron desesperado , olhando para o relógio . - Não , não deixo - respondeu Hermione com um ar severo . - Tiveste dez dias para o fazer . - Só preciso de mais quatro centímetros , vá lá ... A campainha tocou . Ron e Hermione encaminharam se para a História_da_Magia , discutindo . A História_da_Magia era a matéria mais chata de o programa . O professor Binns , que dava a cadeira , era o único professor fantasma e a coisa mais excitante que aconteceu em as suas aulas foi o dia em que entrou por o quadro preto . Já velho e enrugado , muita gente afirmava a seu respeito que ele não dera por_que tinha morrido . Pura e simplesmente levantara se um dia para ir dar aulas , deixando o corpo atrás , em um cadeirão em frente de a lareira de a sala de os professores . Desde esse dia a sua rotina mantivera se igual . Era hoje tão chato como fora sempre . Abriu as notas e começou a ler em um tom monocórdico como um velho aspirador até quase todos os alunos estarem em um estado de profunda dormência , acordando de vez em quando , para tomar nota de um nome ou de uma data , e voltando a adormecer . Estava a falar havia meia_hora quando aconteceu algo que nunca tinha acontecido . Hermione pôs o braço em o ar . O professor Binns olhou de relance , em o meio de a chatíssima aula sobre a Convenção_Internacional_de_Feiticeiros de 1289 , verdadeiramente espantado . - Miss ... er ... ? - Granger , professor . Poderia dizer nos alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Hermione em uma voz bem audível . O Dean_Thomas , que tinha estado sentado de boca aberta olhando para fora de a janela , saiu de o seu transe com um salto . A cabeça de Lavender_Brown saiu de os braços e o cotovelo de o Neville_Longbottom escorregou para fora de a secretária . O professor Binns piscou os olhos . - A minha matéria é História_da_Magia - disse em a sua voz seca e asmática . - Eu trato de factos , Miss_Granger , não de mitos e lendas - pigarreou produzindo um ruído que parecia o giz sobre o quadro e continuou : - Em Setembro de esse ano , uma subcomissão de feiticeiros de a Sardenha ... Parou de repente . A mão de Hermione estava de_novo em o ar . - Sim , Miss_Grant ? - Por favor , professor , as lendas não têm sempre um facto como base ? O professor Binns olhava para ela com tal espanto que Harry teve a certeza de que ele nunca , em tempo algum , fora interrompido por um aluno . - Bem - disse lentamente o professor Binns . - Sim , é uma afirmação que pode fazer se . - Olhou para Hermione como_se fosse a primeira vez que olhasse a sério para um estudante . - Contudo , a lenda de que me fala é tão extraordinária , mesmo grotesca ... Mas a aula inteira estava agora atenta a as palavras de o professor , que olhou indistintamente para todos eles . Harry poderia assegurar que ele estava absolutamente abismado por uma tão grande demonstração de interesse . - Muito bem - disse lentamente . - Ora vejamos ... a Câmara_dos_Segredos . Todos vocês sabem com certeza que Hogwarts foi fundada há mais de um_milhar de anos , não se conhece ao_certo a data , por os quatro maiores feiticeiros e feiticeiras de a época : Godric_Gryffindor , Helga_Hufflepuff , Rowena_Ravenclaw e Salazar_Slytherin . Construíram juntos este castelo , longe de os olhares curiosos de os Muggles porque em aquele tempo a magia era temida por as pessoas comuns e as bruxas e feiticeiros sofriam terríveis perseguições . Fez uma pausa , olhou indeciso em volta e prosseguiu : - Durante alguns anos , os fundadores trabalharam juntos em harmonia procurando outros mais novos que mostrassem sinais de possuir dotes mágicos e trazendo os para o castelo para aqui serem ensinados . Mas os desentendimentos surgiram entre eles . Começou a notar se uma divisão entre Slytherin e os outros . Salazar_Slytherin queria ser mais selectivo em relação a os alunos a serem admitidos em Hogwarts . Achava que os ensinamentos de magia deviam ficar dentro de as famílias de feiticeiros . Não lhe agradava a entrada em a escola de alunos de famílias Muggles porque os achava pouco dignos de confiança . Depois de algum tempo houve uma séria discussão sobre esse assunto entre Slytherin e Gryffindor e Slytherin abandonou a escola . O professor Binns fez uma nova pausa , fazendo beicinho o que o fazia parecer uma tartaruga enrugada . - Fontes fidedignas referem nos isto - disse . - Mas estes factos foram obscurecidos por a fantasiosa lenda de a Câmara_dos_Segredos . Conta a história que Slytherin construíra uma câmara oculta dentro de o castelo cuja existência os outros fundadores ignoravam . De_acordo com a lenda , Slytherin selou a Câmara_dos_Segredos para que ninguém pudesse abri a até o seu verdadeiro herdeiro chegar a a escola . O herdeiro , e apenas ele , poderia abrir a Câmara_dos_Segredos , libertar o horror que lá se encontrava e utilizá o para expurgar a escola de todos aqueles que eram indignos de aprender magia . Houve um silêncio quando ele se calou que não era o habitual silêncio de sono de as aulas de o professor Binns . Havia um desassossego em o ar enquanto todos continuavam a olhá o a a espera de mais . O professor Binns estava ligeiramente aborrecido . - A história toda é um disparate , claro - disse ele . - A escola foi revistada por várias vezes em busca de provas de a existência de essa câmara , por os feiticeiros e bruxas mais conhecedores . Não existe nada . Uma lenda que serviu apenas para assustar os ingénuos . A mão de Hermione estava novamente em o ar . - Professor , o que quer_dizer , ao_certo com « o horror que estava dentro de a câmara » ? - Acredita se que seja uma espécie de monstro que só o herdeiro de Slytherin pode controlar - disse o professor Binns em a sua voz seca e débil . A aula trocou entre si olhares inquietos . - Como vos digo , a coisa não existe - afirmou o professor Binns , desordenando as suas notas . - Não há câmara e não há monstro . - Mas , professor - disse Seamus_Finnigan . - Se a câmara só podia ser aberta por o herdeiro de Slytherin ninguém mais poderia encontrá a . Não é ? - Um disparate pegado - disse o professor Binns , em um tom de voz exasperado . - Se uma longa sucessão de directores e directoras de Hogwarts não a encontraram ... - Mas , professor - começou a dizer Parvati_Patil . Se_calhar é preciso usar magia negra para a abrir ... - Lá porque um feiticeiro não usa magia negra não quer_dizer que não possa , Miss_Pennyfeather - interrompeu o professor Binns . - Repito , se os antecessores de Dumbledore ... - Mas talvez seja preciso fazer parte de os Slytherin , por isso Dumbledore não podia ... - começou Dean_Thomas , mas o professor Binns já estava farto . - Já chega - disse , de modo cortante . - É um mito . Não existe . Não há uma única prova de que Slytherin tenha construído nem mesmo uma despensa para vassouras . Lamento ter vos contado esta história tola . Vamos voltar , se fazem o favor , a a História , a os factos sólidos , verificáveis , credíveis . E em menos_de cinco minutos toda_a classe mergulhara em a sua sonolência habitual . - Eu sempre ouvi dizer que Salazar_Slytherin era um velho retorcido e meio pateta - disse Ron_a_Harry e Hermione enquanto abriam caminho por os corredores cheios , em o final de a aula , para ir arrumar as malas antes de o jantar . - Mas não sabia que ele tinha começado esta coisa de o sangue puro . Eu não ia para os Slytherin nem que me pagassem . Se o chapéu seleccionador me tivesse posto lá , pegava em as malas e ia me embora ... Hermione acenou vivamente , mas Harry não abriu a boca . O estômago parecia ter dado uma volta . Harry nunca contara a o Ron e a a Hermione que o chapéu seleccionador tinha considerado seriamente a possibilidade de o colocar em os Slytherin . Lembrava se como_se tivesse sido em a véspera do_que a vozinha lhe dissera a o ouvido quando pôs o chapéu em a cabeça , um ano antes . * _ Podias vir a ser grande , sabes ? Está tudo aqui em a tua cabeça e Slytherin ajudaria te em o caminho para a grandeza , sem a menor dúvida * ... Mas Harry , que já ouvira falar de a fama de o grupo de os Slytherin de formar magos negros , pensou desesperadamente . - Em os Slytherin , não ! - E o chapéu tinha dito . - Bem , se tens assim tanta certeza ... será melhor os Gryfffndor . Enquanto eram empurrados por a multidão , Colin_Creevey passou por eles . - Olá , Harry ! - Olá , Colin - disse Harry automaticamente . - Harry , Harry , um rapaz de a minha turma tem andado a dizer que tu és ... Mas Colin era tão baixinho que não conseguiu lutar contra a maré de gente que o arrastou até a o vestíbulo . Ouviram o despedir se : - Adeus , Harry - e desaparecer . - O que é_que o rapaz de a turma de ele disse de ti ? - quis saber Hermione . - Que eu sou o herdeiro de Slytherin , imagino - disse Harry , com o estômago ainda a as voltas e lembrou se de repente de o Justin_Finch - _ Fletchley a fugir para não lhe falar , a a hora de o almoço . - As pessoas aqui acreditam em tudo - disse o Ron com repugnância . A multidão diminuiu e conseguiram subir as escadas sem dificuldade . - Achas mesmo_que existe uma Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Ron_a_Hermione . - Não sei - respondeu ela , franzindo a testa . - Dumbledore não conseguiu curar Mrs._Norris e isso leva me a pensar que o que a atacou pode não ser ... humano . Enquanto falava , voltaram uma esquina e encontraram se em o fim de aquele mesmo corredor onde o ataque tinha ocorrido . Pararam para olhar . Estava tudo igual a aquela outra noite , com excepção de a gata Mrs._Norris e havia uma cadeira vazia encostada a a parede , onde podia ler se a mensagem « : __ a câmara foi __ aberta » . - Foi aqui que o Filch montou a guarda - murmurou Ron . Olharam uns para os outros . O corredor estava deserto . - Não deve fazer mal dar uma olhadela aqui - disse Harry , deixando cair a mala e pondo se de quatro para poder gatinhar em busca de pistas . - Marcas de queimadura - disse - aqui e aqui ... - Venham ver isto ! - chamou Hermione . - Que estranho ... Harry levantou se e foi até a a janela que ficava junto de a mensagem . Hermione apontava para o vidro mais alto , onde cerca de uma vintena de aranhas se debatiam em uma aparente luta por atravessar por uma pequena brecha de vidro . Um longo fio prateado balouçava como uma corda , como_se todas tivessem trepado , em a ânsia de chegar lá fora . - Alguma vez viram aranhas agir assim ? - perguntou Hermione , curiosa . - Não - respondeu Harry . - E tu , Ron ? Ron ? Olhou por cima de o ombro . Ron estava de costas , bem lá atrás e parecia lutar contra o impulso de se virar . - O que é_que se passa ? - perguntou Harry . - Eu não gosto de aranhas - disse Ron , de modo tenso . - Nunca me tinhas dito - comentou Hermione , olhando para ele com surpresa . - Estás farto de usar aranhas em as poções ... - Não me importo quando estão mortas - explicou Ron que olhava cautelosamente para todos os lados , menos para a janela . - Não gosto de a maneira como_se mexem . Hermione riu se baixinho . - Não tem graça nenhuma - disse o Ron , furioso . - Se queres saber , quando eu tinha três anos , o Fred transformou o meu ursinho de pelúcia em uma enorme aranha nojenta , por eu lhe ter partido a vassoura de brinquedo . Tu também não gostarias de aranhas se estivesses agarrada a o teu ursinho e , de repente , ele tivesse uma data de pernas e ... Começou a tremer ... Hermione ainda estava a tentar conter o riso . Sentindo que era melhor mudarem de assunto , Harry perguntou : - Lembram se de a água que havia aqui em o chão ? De onde terá vindo ? Alguém a limpou . - Era por aqui - disse o Ron , já recuperado , avançando alguns passos em direcção a a cadeira de o Filch e apontando . - Junto de esta porta . Estendeu a mão para o puxador de a porta , mas retirou a de imediato , como_se se tivesse queimado . - O que foi ? - perguntou Harry . - Não posso entrar aí - disse o Ron bruscamente . - É a casa_de_banho de as raparigas . - Oh , Ron , não está aí ninguém - sossegou o Hermione enquanto se aproximava . - É o lugar de a Murta_Queixosa . Anda , vamos dar uma espreitadela . E ignorando o grande letreiro que dizia « Fora de serviço » Hermione abriu a porta . Era a casa_de_banho mais sombria e deprimente em que Harry tinha posto os pés durante toda_a sua vida . Debaixo_de um grande espelho partido e sujo podia ver se uma fila de lavatórios de pedra , rachados . O chão estava húmido e reflectia a luz fraca de os pavios de algumas velas que ardiam baixinho em os suportes . As portas de madeira de os cubículos estavam todas lascadas e riscadas e uma de elas balouçava fora de as dobradiças . Hermione levou os dedos a os lábios e foi até a o último cubículo . Quando lá chegou disse : - Olá , Murta , como estás ? Harry e Ron foram ver . A Murta_Queixosa flutuava em a cisterna de a casa_de_banho , tirando um ponto negro de o queixo . - Esta é a casa_de_banho de as raparigas - disse a o ver o Ron e o Harry . - Eles não são raparigas . - Não - concordou Hermione . - Eu só queria mostrar lhes como esta casa_de_banho é ... er ... simpática . Ela fez um aceno vago a o velho espelho sujo e a o chão húmido . - Pergunta lhe se viu alguma coisa - sussurrou o Ron a a Hermione . - Porque estão a dizer segredinhos ? - perguntou a Murta , fitando o . - Não é nada - disse Harry rapidamente . - Queríamos perguntar ... - Gostava que as pessoas parassem de falar em as minhas costas ! - desabafou a Murta em uma voz abafada por as lágrimas . - Eu tenho sentimentos , sabem , apesar_de estar morta . - Murta , ninguém quis aborrecer te - explicou Hermione . - O Harry só ... - A minha vida foi uma infelicidade em este lugar e agora as pessoas vêm estragar a minha morte . - Nós queríamos perguntar te se tinhas visto alguma coisa estranha ultimamente - disse Hermione sem perder tempo . - Porque foi atacada uma gata mesmo aqui a a frente de a tua porta em a noite de o * _ Hallowe'en * . - Viste alguém aqui perto em essa noite ? - insistiu Harry . - Não estava a prestar atenção - disse a Murta com ar dramático . - O Peeves aborreceu me tanto que vim aqui para tentar matar me . Só então me lembrei de que estou ... de que estou ... - Já morta - ajudou o Ron . A Murta soluçou tragicamente , elevou se em o ar , voltou se e mergulhou de cabeça em a sanita , espalhando água por_cima_de todos eles e desaparecendo . Por o som de os seus soluços abafados fora certamente descansar algures em o cano em forma de V._Harry e Ron ficaram de boca aberta , mas Hermione encolheu os ombros de cansaço e disse : - Se querem saber , para a Murta isto até foi alegre ... vá , vamos embora . Harry tinha acabado de fechar a porta deixando atrás os soluços gorgolejantes de a Murta quando uma voz forte o fez dar um salto . - RON ! Percy_Weasley estava parado em o cimo de as escadas com o seu distintivo de prefeito a brilhar e uma expressão chocadíssima em o rosto . - Isso é a casa_de_banho de as raparigas ... o que é_que vocês ... ? - Estávamos só a dar uma vista de olhos - exclamou o Ron - a a procura de pistas ... Percy engoliu em seco , de uma maneira que fez Harry lembrar se de Mrs._Weasley . - Saiam imediatamente de aqui - disse , aproximando se de eles a passos largos e gesticulando agitadamente . - Não se preocupam com as aparências ? Voltar aqui enquanto toda_a_gente está a jantar ... - Porque não havíamos de estar aqui ? - perguntou cheio de vivacidade o Ron , parando de repente e olhando Percy em os olhos . - Ouve lá , nós não tocamos em aquela gata . - Isso foi o que eu tentei explicar a a Ginny - respondeu Percy furioso - mas ela parece continuar a pensar que vocês vão ser expulsos . Nunca a vi tão aflita . Não pára de chorar . Devias pensar em ela . Todos os alunos de o primeiro ano andam superexcitados com esta história . - Tu não estás nada preocupado com a Ginny - disse o Ron já com as orelhas vermelhas . - O que te assusta é_que eu possa estragar as tuas possibilidades de ser chefe de turma . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor ! - bradou Percy , apontando elegantemente para o distintivo de prefeito . - E espero que te sirva de lição . Acabou se o trabalho de detective ou escrevo a a mãe a contar lhe . E voltou lhes as costas , a nuca tão vermelha como as orelhas de o Ron . Harry , Ron e Hermione , em essa noite , sentaram se em a sala comum o mais longe possível de Percy . Ron estava ainda muito maldisposto e não parava de esborratar o trabalho de casa de os encantamentos . Quando pegou distraidamente em a varinha para tirar as manchas incendiou o pergaminho . A deitar quase tanto fumo como o seu trabalho de casa , fechou bruscamente o * _ Livro_Padrão_de_Encantamentos de o 2.o Grau * . Para grande surpresa de Harry , Hermione fez o mesmo . - Mas quem poderia ser - perguntou ela baixinho como_se continuasse uma conversa que tinham acabado de ter . - Quem quereria todos os * busca-pés * e filhos de Muggles fora de Hogwarts ? - Vamos pensar - disse o Ron em a brincadeira , fingindo estar confuso . - Quem poderemos nós conhecer que ache que os familiares de Muggles são escumalha ? Olhou para Hermione . Ela olhou para ele pouco convencida . - Se estás a pensar em o Malfoy ... - Claro que estou - disse o Ron . - Tu ouviste o dizer : - Vocês serão os próximos , sangues de lama ! - Aliás , basta olhar para aquela cara de renegado para saber que ele é ... - Malfoy , o herdeiro de Slytherin ? - repetiu Hermione cepticamente . - Olha para a família de ele - disse Harry , fechando também os livros . - Todos eles estiveram em os Slytherin . O Draco está sempre a vangloriar se de isso . Podiam bem ser descendentes de Slytherin . O pai de ele é suficientemente mau . - Podiam perfeitamente ter tido a chave de a Câmara_dos_Segredos durante séculos - disse Ron - , fazendo a passar de pai para filho . - Bem - acedeu Hermione cautelosamente . - Seria possível ... - Mas como prová o ? - perguntou Harry tristemente . - Talvez haja um meio - sugeriu Hermione lentamente , baixando ainda mais a voz e lançando um olhar , através de a sala , a Percy . - É claro que não é fácil . E é perigoso , muito perigoso . Suponho que iríamos infringir cerca de cinquenta regras de a escola . - Se de aqui a um mês ou dois te decidires a explicar , avisa , está bem ? - disse Ron , que começava a ficar irritado . - Está bem - concordou Hermione friamente . - O que precisaríamos de fazer para entrar em a sala comum de os Slytherin e fazer algumas perguntas a o Malfoy , sem ele perceber que éramos nós ? - Mas isso é impossível - declarou Harry , enquanto Ron se ria . - Não , não é - continuou Hermione . - Só precisamos de um_pouco de poção * polisuco * . - O que é isso ? - perguntaram ao_mesmo_tempo Ron e Harry . - O Snape falou de ela em uma aula , há poucas semanas atrás . - Achas que não temos mais o que fazer do_que ouvir o Snape ? - murmurou o Ron . - Transforma nos em outra pessoa . Pensem em isso : podíamos transformar nos em três de os Slytherin . Ninguém saberia que éramos nós . É provável que o Malfoy nos contasse alguma coisa . Aposto que ele está a gabar se , em este momento , em a sala de os Slytherin , se ao_menos pudéssemos ouvi o . - Essa coisa de o * polisuco * cheira me um bocado mal - disse o Ron , franzindo as sobrancelhas . - E se ficarmos com a forma de os três Slytherin para sempre ? - Desaparece a o fim de algum tempo - disse Hermione , gesticulando impacientemente com a mão - mas conseguir a receita é muito difícil . O Snape disse que vinha em um livro chamado * _ As_Mais_Potentes_Poções * e está com certeza em a parte de os reservados de a biblioteca . Só havia uma maneira de obter o livro de os reservados : era com uma autorização assinada por um professor . - Não estou a ver porque quereríamos o livro - disse o Ron . - Se não para tentar fabricar uma de as poções . - Eu acho - sugeriu Hermione - que se fizéssemos parecer que o nosso interesse era apenas teórico , talvez conseguíssemos ... - Estás a sonhar , nenhum professor ia cair em essa - afirmou o Ron . - Só se fosse muito burro . X_A * bludger * perigosa Depois de o desastroso incidente de os duendes , o professor Lockhart não voltou a levar seres vivos para as aulas . Em vez de isso , lia a os alunos passagens de os seus livros e , por vezes , voltava a desempenhar alguns de os episódios mais dramáticos . Costumava chamar Harry para o ajudar em essas reconstruções . Até ali Harry fora obrigado a desempenhar o papel de um camponês de a Transilvânia que Lockhart curara de uma maldição murmurada , o abominável homem de as neves com dores de cabeça e um vampiro que depois de ter conhecido Lockhart tinha ficado incapaz de comer outra coisa que não fosse alfaces . Harry foi chamado para a frente de a classe durante a aula de Defesa contra as artes negras que se seguiu . Desta_vez para desempenhar o papel de um lobisomem . Se não tivesse um bom motivo para querer ver o Lockhart bem-disposto , teria se recusado . - Um uivo bem alto , excelente , Harry , isso mesmo . E foi então que , acreditem ou não , eu o ataquei de repente , assim . Atirei o a o chão , agarrei o com uma mão e com a outra consegui meter lhe a varinha em a garganta . Então , com a força que me restava pus em prática o complicadíssimo encantamento * _ Homorphus * . Harry soltou um uivo tristíssimo . - Vá lá , Harry , mais alto . Bom ... o pêlo desapareceu , os dentes diminuíram de tamanho e ele transformou se em um homem . Simples , mas eficaz e mais uma cidade ficará a lembrar se de mim para sempre como o herói que os libertou de os ataques mensais de o lobisomem . A campainha tocou e Lockhart pôs se de pé . - Trabalho para_casa : escrever um poema sobre a minha vitória sobre o lobisomem Wagga_Wagga . Há um exemplar autografado de * _ Eu , o Mágico * para o autor de o melhor poema . Os alunos começaram a sair . Harry voltou para trás e foi juntar se a o Ron e a a Hermione que estavam a a espera de ele . - Prontos ? - perguntou . - Espera até saírem todos - disse Hermione bastante nervosa . - Pronto ... Aproximou se de a secretária de Lockhart , apertando em a mão uma folha de papel , com o Ron e o Harry atrás . - Er ... professor Lockhart - gaguejou Hermione . - Eu queria requisitar este livro em a biblioteca , como leitura de apoio - entregou lhe o papel , com a mão ligeiramente trémula . - Só que faz parte de a secção de os reservados , por isso preciso de a assinatura de um professor . Acho que o livro me vai ajudar a compreender o que o senhor diz em * _ Passeios com Vampiros * acerca de os venenos de acção lenta ... - Ah , * _ Passeando com Vampiros * - disse Lockhart , pegando em a folha de papel de Hermione e sorrindo lhe abertamente . - E provavelmente o meu livro preferido . Gostou ? - Oh , muito - disse Hermione avidamente . - Tão inteligente o modo como apanhou o último com o passador de o chá . - Bem , tenho a certeza que ninguém se importará que eu dê uma ajudazinha suplementar a a melhor aluna de o segundo ano - disse Lockhart calorosamente , sacando de uma enorme pena de pavão . - É bonita , não é ? - comentou , adivinhando uma expressão de repulsa em a cara de o Ron . - Costumo guardas a para as minhas assinaturas de autógrafos . Rabiscou uma enorme assinatura cheia de altos e baixos e entregou a a Hermione . - Então , Harry - disse Lockhart enquanto Hermione dobrava a folha e a guardava em o saco . - Amanhã é a primeira partida de Quidditch de este ano , não é ? Gryffindor contra Slytherin . Ouvi dizer que és um jogador indispensável . Eu também fui * seeker * . Convidaram me inclusivamente para fazer parte de a Equipa_Nacional , mas eu preferi dedicar a minha vida a a erradicação de as forças de o mal . Mesmo_assim , se alguma vez precisares de um treino particular , não hesites em falar comigo , estou sempre disponível para partilhar a minha perícia com os jogadores menos dotados do_que eu . Harry fez um som indistinto com a garganta e saiu atrás_de Ron e Hermione . - Não acredito - disse quando os três examinavam a assinatura de Lockhart . - Ele nem viu que livro nós queríamos . - É porque é um idiota sem miolos - explicou o Ron . - Mas , quem se rala , temos o que queríamos . - Ele não é um idiota sem miolos - gritou Hermione com voz esganiçada enquanto se aproximavam quase a correr de a biblioteca . - Só porque ele disse que eras a melhor aluna de o segundo ano ... Baixaram as vozes a o entrar em a quietude abafada de a biblioteca . Madam_Prince , a bibliotecária , era uma mulher magra e irritável que parecia um abutre mal nutrido . - * _ Moste_Potente_Potions * ? - repetiu intrigada , tentando ficar com a folha de papel que Hermione se recusava a entregar lhe . - Gostava de a guardar para mim - disse sem fôlego . - Vá lá - intercedeu Ron , arrancando lhe a de as mãos e entregando a a Madam_Prince . - Nós arranjamos te outro autógrafo . O Lockhart assina tudo se aqui ficar muito_tempo . Madam_Prince pegou em o papel e voltou o em a direcção de a luz , decidida a descobrir uma falsificação , mas a assinatura passou em o teste . Desapareceu entre as estantes e voltou alguns minutos mais tarde , transportando um livro grande e de aspecto antiquado . Hermione meteu o com todo o cuidado em o saco e saíram , tentando não andar depressa de mais nem aparentar um ar culpado . Cinco minutos depois , estavam de_novo barricados em a casa_de_banho fora de serviço de a Murta_Queixosa . Hermione destruíra as objecções de Ron argumentando que aquele era o último lugar onde alguém em o seu juízo perfeito se lembraria de ir e que poderia assegurar lhes alguma privacidade . A Murta_Queixosa chorava ruidosamente em o seu cubículo , mas eles conseguiram ignorá a assim_como ela a eles . Hermione abriu * _ Moste_Potente_Potions * com todo o cuidado e inclinaram se os três sobre as páginas manchadas de humidade . Era fácil de perceber , logo à_primeira_vista de olhos , porque pertencia a a secção de os reservados . Algumas de as poções tinham efeitos quase impensáveis de tão macabros e havia ilustrações bastante desagradáveis , como , por_exemplo , aquela em que um homem parecia ter sido virado de o avesso e a de a bruxa com vários pares de braços suplementares a nascerem lhe em a cabeça . - Aqui está - disse Hermione excitadíssima a o encontrar a página intitulada « A poção * polisuco * « . Estava ilustrada com imagens de pessoas a meio de o processo de se transformarem em outras pessoas e Harry desejou ardentemente que a expressão de dor intensa que se lhes espelhava em o rosto fosse apenas produto de a imaginação de o artista desenhador . - Esta é a poção mais complicada que vi até hoje - disse Hermione enquanto examinava a receita . - Moscas asas de renda , sanguessugas , fluxo de cizânias e verdezelha - murmurou , acompanhando com o dedo a lista de ingredientes . - Bem , esses são relativamente simples , há os em a despensa de material de os estudantes , podemos tirar a a nossa vontade . Oh ! Vê só , pó de chifre de bicórneo ... não sei onde vamos arranjar isto ... e , é claro , um pedacinho de a pessoa em quem queremos transformar nos . - Como ? - perguntou Ron de forma cortante . - O que é_que queres dizer com um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos ? Eu não bebo nada que tenha lá dentro as unhas de os pés de o Crabbe ... Hermione continuou como_se não o tivesse ouvido . - Mas não temos que nos preocupar com isso por enquanto . Fica para o fim . Ron voltou se sem palavras para o Harry que tinha uma preocupação de outro tipo . - Já viste bem tudo_o_que vamos ter que roubar , Hermione ? Algumas coisas , não estão de certeza em a despensa de material de os alunos . O que é_que vamos fazer , arrombar os armários pessoais de o Snape ? Não sei se será uma boa ideia ... Hermione fechou o livro com um estrondo . - Bem , se vocês os dois se vão acagaçar , então está lindo - disse ela . Tinha as bochechas rosadas e os olhos mais brilhantes do_que era habitual . - Eu não gosto de quebrar regras , vocês sabem , mas acho que ameaçar os filhos de os Muggles é muito pior do_que construir uma poção difícil . Mas se vocês não querem descobrir se é o Malfoy , eu posso voltar já a a biblioteca e entregar o livro a Madam_Prince ... - Nunca pensei que chegaria o dia em que serias tu a convencer nos a quebrar regras - disse o Ron . - Está bem , vamos em essa , mas sem unhas de os pés , O. _ K. ? - Quanto tempo vai isso demorar a fazer , afinal ? - perguntou Harry quando Hermione , já com um ar mais satisfeito , voltou a abrir o livro . - Bem , como o fluxo de cizânias tem de ser recolhido durante a lua cheia e as asas de renda têm de ser abafadas durante vinte_e_um dias ... eu diria que se conseguirmos arranjar todos os ingredientes estará pronta dentro_de um mês . - Um mês ? - exclamou o Ron . - Nessa_altura já o Malfoy terá atacado metade de os filhos de Muggles ! - mas os olhos de Hermione contraíram se de_novo assustadoramente e ele acrescentou rapidamente . - Mas é o melhor plano que temos , por isso é melhor não olharmos para trás . Apesar_de tudo , enquanto Hermione verificava que não havia ninguém em os corredores e podiam sair de a casa_de_banho , Ron murmurou a Harry : - Seria muito mais simples se conseguisses , amanhã , atirar o Malfoy de a vassoura abaixo . Harry acordou cedo em o sábado de manhã e ficou um bocado a pensar em a partida de Quidditch que vinha a seguir . Estava nervoso , principalmente pelo que Wood diria se os Gryffindor perdessem , mas também com a ideia de enfrentar uma equipa apetrechada com as vassouras mais velozes que existiam . Nunca desejara tanto vencer os Slytherin como em aquele dia . Depois de meia_hora deitado com a barriga a dar horas , resolveu levantar se , vestir se e descer para tomar o pequeno-almoço . Lá em baixo , encontrou o resto de a equipa de os Gryffindor amontoada a o longo de a mesa comprida e vazia , todos eles com ar preocupado e sem vontade de conversar . Como_se aproximavam as onze horas , todos os alunos de a escola começaram a dirigir se para o estádio de Quidditch . O dia estava quente e húmido , com uma ameaça de trovoada em o ar . Ron e Hermione vieram apressadamente desejar a Harry boa sorte mal ele entrou em os vestiários . A equipa de os Gryffindor pôs os seus mantos vermelhos e sentou se para ouvir o discurso que Wood lhes fazia sempre antes de o jogo . - Os Slytherin têm vassouras melhores do_que nós - começou . - Não há como negá o . Mas nós temos gente melhor em cima de as vassouras . Treinámos mais do_que eles , voamos com todas_as condições climatéricas ( É bem verdade - murmurou George_Weasley - desde Agosto que não sei o que é estar seco ) . - E vamos fazê os engolir o dia em que deixaram aquele nojento de o Malfoy comprar a entrada em a equipa de eles . Com o peito agitado por a comoção , Wood voltou se par Harry . -- Cabe te a ti , Harry , mostrar lhes que um * seeker * tem de ter mais do_que um pai rico . Agarra a * snitch * antes d Malfoy ou morre a tentar porque temos absolutamente que vencer , hoje , Harry , temos que vencer . - Sem ansiedade , Harry - disse o Fred , piscando lhe o olho . Quando saíram em direcção a o campo , foram saudado por uma grande ovação principalmente de a parte de os Ravenclaw e de os Hufflepuff que estavam ansiosos por ver os Slytherin serem derrotados , mas os Slytherin que estavam entre a multidão também fizeram ouvir as suas vaias e pateadas . Madam_Hooch , a professora de Quidditch , pediu a Flin e Wood que apertassem as mãos o que eles fizeram , lançando um_ao_outro olhares ameaçadores , cada_um apertando a mão de o outro com mais força do_que aquela que seria necessário . - Atenção a o apito - disse Madam_Hooch . - Três , dois , um ... Com um bramido de a multidão para que subissem rapidamente , os catorze jogadores elevaram se em o céu cor de chumbo . Harry , mais alto do_que qualquer de os outros olhando para todos os lados em busca de a * snitch * . - Tudo bem , testa de cicatriz ? - gritou Malfoy , disparando por baixo de ele para lhe mostrar a velocidade de a sua vassoura . Harry não teve tempo de responder . Em esse preciso momento uma * bludger * preta e bem pesada veio direitinha a ele . Evitou a tão por um triz que ainda sentiu em os cabelos o ar que ela deslocara . - Foi por_pouco , Harry ! - exclamou o George , passando com grande rapidez , de bastão em a mão , pronto para lançar a * bludger * contra um Slytherin . Harry viu o dar a a * bludger * uma fortíssima pancada em direcção a Adrian_Pucey , mas a bola mudou de rumo em o meio de o ar e dirigiu se de_novo a Harry . Harry desceu rapidamente para se esquivar e George conseguiu lançá a contra Malfoy . Mais_uma_vez a * bludger * actuou como um * boomerang * e apontou a a cabeça de Harry . Harry ganhou velocidade e disparou contra o outro extremo de o campo . Ouvia o assobio de a * bludger * que o perseguia . O que era aquilo ? As * bludgers * nunca se concentravam assim em um único jogador , a sua função era tentar desmontar o maior número possível de intervenientes . Fred_Weasley esperava por a * bludger * em o extremo oposto . Harry baixou se quando o viu balançar se em frente de ela com toda_a garra . A * bludger * foi lançada para_fora_de campo . - Pronto , já está tudo resolvido - gritou Fred satisfeito , mas estava bastante enganado . Como_se fosse magneticamente atraída para Harry , a * bludger * lançou se de_novo contra ele e Harry teve de voar a_toda_a velocidade . Começara a chover . Harry sentia as gotas pesadas caírem lhe em o rosto , turvando lhe as lentes de os óculos . Não fazia ideia do_que se passava em o resto de o jogo , até ouvir Lee_Jordan que fazia o comentário dizer : - Os Slytherin vão a a frente com seis contra zero . As vassouras de qualidade superior de os Slytherin estavam obviamente a cumprir a sua função e enquanto isso , a * bludger * maluca fazia todos os possíveis para deitar abaixo o Harry . Fred e George voavam agora tão perto de ele , um de cada lado , que Harry não via senão os seus braços a balouçar e , se não conseguia ver a * snitch * , muito menos agarrá a . - Alguém enfeitiçou esta * bludger * - resmungou Fred , preparando o bastão com toda_a força quando ela se lançava de_novo contra Harry . - Precisamos de tempo - disse George , tentando fazer sinal a Wood enquanto evitava que a bola partisse o nariz a o Harry . Wood captou obviamente a mensagem . O apito de Madam_Hooch fez se ouvir e Harry , Fred e George desceram , tentando ainda evitar a * bludger * maluca . - O que é_que se passa ? - perguntou Wood enquanto a equipa de os Gryffindor se amontoava desordenadamente e os Slytherin , em o meio de a multidão , lançavam piadas . - Estamos a ser esmagados . Fred , George , onde estavam vocês quando aquela * bludger * impediu a Angelina de marcar ? - Estávamos seis metros acima , evitando que a outra * bludger * matasse o Harry , Oliver - gritou George furioso . - Alguém preparou isto , a bola não deixa o Harry em paz , ainda não perseguiu mais ninguém desde_que o jogo começou . Os Slytherin fizeram aqui qualquer coisa . - Mas as * bludgers * têm estado fechadas em o escritório de Madam_Hooch desde o último treino , e nessa_altura estava tudo bem ... - disse Wood ansiosamente . Madam_Hooch aproximava se . Por cima de o ombro de ela , Harry pôde ver a equipa de os Slytherin a escarnecer e apontar em a sua direcção . - Ouçam - disse o Harry , enquanto ela se aproximava . - Com vocês os dois a voarem sempre colados a mim , só vou apanhar a * snitch * se ela voar até a a minha manga . Voltem se para o resto de a equipa e deixem a tratante comigo . - Não sejas bronco - disse o Fred . - Ela arranca te a cabeça . Os olhos de Wood saltavam de Harry_para_os_Weasley . - Oliver , isto_é uma loucura - disse Alicia_Spinet , zangada . - Não podes deixar o Harry sozinho entregue a aquela coisa . Vamos pedir uma investigação . - Se pararmos agora , teremos de dar a partida como perdida e não vamos deixar os Slytherin ganhar , só por_causa_de uma * bludger * maluca . Vá lá , Oliver , diz lhes que me deixem sozinho . - A culpa é toda tua . * _ Agarra a snitch ou morre a tentar * , se isso é lá coisa que se diga . Madam_Hooch tinha se lhes juntado . - Prontos para retomar a partida ? - perguntou a Wood . Wood olhou para o ar determinado de Harry . - Deixem o sozinho , ele é capaz de lidar com a * bludger * . A chuva era agora mais pesada . A o apito de Madam_Hooch , Harry elevou se em os ares e ouviu o barulhinho de a * bludger * atrás_de si . Subiu cada_vez_mais alto . Fez acrobacias em espiral , descidas rápidas , ziguezagueou e rolou . Apesar_de ligeiramente estonteado , não deixou nunca de ter os olhos bem abertos . A chuva salpicava lhe os óculos e entrava lhe por as narinas , quando ele se voltou de cabeça para baixo , evitando outra forte investida de a * bludger * . Ouviu os risos de a multidão . Sabia que devia parecer ridículo , mas a * bludger * maluca era pesada e não podia mudar de direcção tão rapidamente quanto ele . Iniciou uma corrida que parecia de feira de diversões em volta de os extremos de o estádio , olhando de soslaio , através de os lençóis prateados de chuva , para os postes de os Gryffindor , onde Adrian_Pucey tentava passar por Wood . Um assobio junto de os ouvidos disse a Harry que a * bludger * falhara uma_vez_mais . Voltou se e voou rapidamente em a direcção oposta . - Estás a ensaiar * ballet * , Potter - gritou Malfoy quando Harry foi obrigado a fazer uma reviravolta estúpida em o ar para se esquivar mais_uma_vez de a * bludger * . Lá foi ele , com a * bludger * atrás a alguns metros de distância . E foi então que , olhando para Malfoy , furioso , a viu , a * snitch * de ouro . Flutuava alguns centímetros acima de os ouvidos de Malfoy que , de tão preocupado a escarnecer de Harry , nem dera por ela . Durante um momento angustiante , Harry ficou quieto em o ar , não ousando dirigir se a Malfoy , não fosse ele olhar para_cima e ver a * snitch * . PUM ! Tinha ficado parado tempo de mais . A * bludger * batera lhe , por fim , apanhando lhe o cotovelo e Harry sentiu o braço a partir se . Debilmente , desorientado por a dor cauterizante em o braço , Harry deslizou para um de os lados em a sua vassoura encharcada , um joelho ainda dobrado , o braço direito a balouçar , inútil , a o seu lado . A * bludger * veio de_novo , preparada para mais um ataque , desta_vez apontada a o seu rosto . Harry desviou se com uma intenção : chegar a Malfoy . Através_de uma nuvem de chuva e dor desceu até a o rosto tremeluzente e trocista e viu os olhos de ele dilatarem se de medo : Malfoy pensou que Harry ia atacá o . - Que diabo ... - resmungou , afastando se de o caminho . Harry tirou a outra mão de a vassoura e fez uma tentativa para agarrar qualquer coisa . Sentiu os dedos fecharem se em volta de a * snitch * dourada , mas conduzia agora a vassoura apenas com as pernas e ouviu se um grito de a multidão cá em baixo , quando ele fez a descida , tentando não desmaiar . Com um ruído seco caiu em a terra enlameada e rolou para fora de a vassoura . O braço tinha um ângulo um_pouco estranho . Torcendo se com dores , ouviu a a distância os assobios e os gritos . Concentrou se em a * snitch * que tinha fechada em a outra mão . - Ai - disse vagamente . - Ganhámos o jogo . E desmaiou . Voltou a si com a chuva a cair lhe em o rosto , ainda deitado em o campo , com alguém inclinado sobre ele . Viu um brilho de dentes brancos . - Oh , não , você não - gemeu . - Não sabe o que diz - afirmou Lockhart bem alto a a ansiosa multidão de Gryffindor que o comprimiam . - Não te preocupes , Harry , eu vou tratar de o teu braço . - Não - gritou Harry . - Eu fico com ele assim , obrigado . Tentou sentar se , mas a dor era enorme . Ouviu um « clique » familiar . - Não quero fotografias de isto , Colin - disse em voz alta . - Deita te para trás , Harry - insistiu Lockhart com toda_a calma . - É um encantamento muito simples que eu fiz imensas vezes . - Porque não me levam só para a ala hospitalar ? - perguntou Harry entredentes . - Seria o melhor , professor - disse a voz rouca de o Wood que não conseguia deixar de sorrir , apesar_de o seu * seeker * estar ferido . - Grande captura , Harry , verdadeiramente espectacular , a tua melhor jogada , em a minha opinião . Em o meio de a floresta de pernas que o rodeava , Harry avistou Fred e George_Weasley , metendo a * budger * perigosa em uma caixa . Continuava a dar uma luta enorme . - Para trás - ordenou Lockhart , que tinha arregaçado as mangas verde jade . - Não , eu não ... - protestou debilmente Harry , mas Lockhart tinha a varinha em a mão e , um segundo depois , apontava a para o braço de Harry . Uma sensação estranha e desagradável começou em o ombro e espalhou se , chegando a as pontas de os dedos . Parecia que o braço inteiro tinha sido esvaziado . Não foi capaz de olhar para o que estava a suceder . Tinha fechado os olhos , voltado o rosto para o outro lado , mas os seus maiores receios concretizaram se quando as pessoas lá em cima se sobressaltaram e Colin_Creevey começou a tirar fotografias como um louco . O braço deixara de lhe doer , mas parecia tudo menos um braço . - Ah ! - disse Lockhart . - Sim , bem isto às_vezes acontece . Mas o importante é_que os ossos já não estão partidos . Isso é o mais importante . Portanto , Harry , vai até a a ala hospitalar ... ah ! Mr._Weasley , Miss_Granger , poderiam levá o lá ? E Madam_Pomfrey poderá ... er ... arranjar um_pouco isso . Quando Harry se pôs de pé sentiu se estranhamente desequilibrado . Depois de respirar fundo , olhou para o lado direito e o que viu quase o fez desmaiar de_novo . Pendurado em a extremidade de a sua túnica estava o que parecia ser uma espessa e colorida luva de borracha . Tentou mexer os dedos mas ... em vão . Lockhart não consertara os ossos de Harry . Retirara os . M. dam Pomfrey não ficou nada satisfeita . - Devias ter vindo logo ter comigo - ralhou , segurando os restos tristes e moles de aquilo que antes fora um braço activo . - Eu conserto ossos em um segundo , mas fazê os crescer de_novo ... - Vai conseguir , não vai ? - perguntou Harry desesperado . - Sim , com certeza , mas vai ser doloroso - disse Madam_Pomfrey de modo severo , entregando lhe um pijama . - Vais ter que ficar cá esta noite ... Hermione esperou de o lado de_fora de a cortina que rodeava outra cama enquanto Ron ajudava Harry a vestir se . Levou algum tempo a enfiar o braço que parecia borracha dentro_de uma manga de o pijama . - Como é_que podes continuar a defender o Lockhart depois disto , Hermione ? - perguntou Ron através de as cortinas , enquanto puxava os dedos moles de o Harry por uma manga . - Se o Harry quisesse ser desossado , teria pedido . - Todos podem enganar se - disse Hermione . - E deixou de doer , não deixou , Harry ? - Sim - disse ele - mas também ficou incapaz de fazer seja o que for . Quando se meteu em a cama , o braço agitou se despropositadamente . Hermione e Madam_Pomfrey entraram . Madam_Pomfrey segurava uma grande garrafa com o rótulo * Skele - _ Gro * . - Vais ter uma noite difícil - preveniu , enchendo um pequeno copo fumegante e dando lhe a beber . - Fazer crescer ossos é uma coisa difícil . Tomar o * _ Skele - _ Gro * também . Queimou a boca e a garganta de o Harry a o descer , fazendo o tossir e cuspir . Resmungando sobre os desportos perigosos e os professores incapazes , Madam_Pomfrey retirou se , deixando Ron e Hermione a ajudar Harry a engolir um_pouco de água . - Mas ganhámos o jogo - disse o Ron com um sorriso em o rosto . - A tua jogada foi em grande . A cara de o Malfoy ... parecia que queria matar alguém . - Eu vou descobrir como é_que enfeitiçaram aquela * bludger * - disse Hermione com ar sombrio . - Podemos juntar essa pergunta a a lista de todas_as que queremos fazer a o Malfoy quando tomarmos a poção * _ Polisuco * - disse Harry , afundando se de_novo em as almofadas . - Espero que tenha um sabor melhor do_que esta coisa ... - Com um bocado de os Slytherin lá dentro , deves estar a brincar - disse o Ron . A porta de a ala hospitalar abriu se em esse momento e , completamente encharcados , entraram os restantes membros de a equipa de os Gryffindor , para ver o Harry . - Um voo inacreditável - disse George . - Acabei de ver Marcus_Flint a gritar com o Malfoy . Qualquer coisa sobre ter a * snitch * mesmo em cima de a cabeça e não ter dado por nada . O Malfoy não parecia nem um_pouco satisfeito . Tinham trazido bolos , rebuçados e garrafas de sumo de abóbora . Juntaram se em volta de a cama de Harry e estavam a dar início a o que prometia ser uma grande festa quando Madam_Pomfrey entrou a vociferar : - Este rapaz precisa de repouso . Tem trinta_e_três ossos a crescer . Fora de aqui . FORA ! E Harry ficou sozinho , sem nada que o distraísse de as dores agudas em o seu braço mole . Muitas horas mais tarde , Harry acordou subitamente em a escuridão total e soltou um pequeno grito de dor : sentia agora o braço cheio de estilhaços . Durante alguns segundos pensou que tinha sido a dor a acordá o . Depois , com um arrepio de horror , apercebeu se de que alguém estava a passar lhe uma esponja em a testa . - Sai de aqui - gritou , e em seguida : - Dobby ! Os olhos de o tamanho de bolas de ténis de o elfo doméstico estavam a olhá o em o escuro , uma lágrima grossa rolava por o seu enorme nariz . - Harry_Potter voltou a a escola - murmurou , infeliz . - Dobby avisou e voltou a avisar Harry_Potter . Ah ! senhor , porque não deu ouvidos a Dobby ? Porque não voltou Harry_Potter para_casa quando perdeu o comboio ? Harry ergueu se um_pouco , encostando se a as almofadas e afastou a esponja de o elfo . - O que estás a fazer aqui ? - perguntou . - E como sabes que eu perdi o comboio ? O lábio de Dobby tremeu e Harry foi assaltado por uma dúvida . - Foste tu . Tu impediste que a barreira nos deixasse passar . - Em a verdade fui eu , senhor - disse Dobby , acenando com a cabeça e com as orelhas a abanar . - Dobby escondeu se , esperou por Harry_Potter e selou a barreira . A seguir , Dobby teve de pôr as mãos em o ferro de engomar - mostrou a o Harry dez dedos longos embrulhados em ligaduras . - Mas Dobby não se importou , senhor , porque pensou que Harry_Potter estava a salvo e nunca Dobby sonhou que mesmo_assim ele viria para a escola ! Balançava se para a frente e para trás , sacudindo a cabeça feia . - Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry_Potter tinha voltado a a escola que deixou queimar o jantar de os seus donos . Dobby nunca tivera um castigo tão grande , senhor . Harry afundou se de_novo em as almofadas . - Quase conseguiste que nos expulsassem , a mim e a o Ron - disse furioso . - É melhor desapareceres de aqui antes que os meus ossos voltem a estar bem , Dobby , ou ainda te estrangulo . O elfo sorriu . - Dobby está habituado a ameaças de morte , senhor . Dobby recebe as cinco vezes por dia em a casa onde mora . Encostou o nariz a um canto de a fronha que usava , ficando tão ridículo que Harry sentiu a raiva desvanecer se , apesar_de tudo . - Porque usas essa coisa , Dobby ? - perguntou com curiosidade . - Isto , senhor ? - disse Dobby apontando para a fronha de almofada . - É uma prova de escravatura de o elfo doméstico , senhor . Dobby só pode ser libertado se os donos lhe derem roupa , senhor . A família tem o cuidado de não dar a o Dobby nem uma peúga , senhor , porque ele poderia ficar livre e deixar a casa para sempre . Dobby limpou os olhos protuberantes e disse subitamente : - Harry_Potter deve ir para_casa . Dobby achou que a sua * bludger * seria o suficiente para o fazer ... - A tua * bludger * ? - disse Harry com a raiva a crescer novamente dentro de ele . - Que queres tu dizer com a tua bludger * ? Foste tu quem fez com que aquela bola tentasse matar me ? - Matar não , senhor . Matar , nunca ! - disse o elho chocado . - Dobby quer salvar a vida de Harry_Potter . É melhor ir para_casa ferido do_que ficar aqui , senhor . Dobby só queria Harry_Potter suficientemente ferido para voltar para_casa . - Só isso ? - disse Harry furioso . - Imagino que não vais dizer me porque querias mandar me para_casa a os bocados ? - Ah ! se Harry_Potter soubesse ! - gemeu Dobby , com mais lágrimas a escorrerem lhe por a fronha esfarrapada . - Se pudesse saber o que significa para nós , para os humildes , os escravizados , nós , a escória social de o mundo mágico ! Dobby lembra se de como eram as coisas quando Aquele cujo nome não deve ser pronunciado estava em o auge de o poder , senhor ! Nós , os elfos domésticos éramos tratados como animais , senhor ! É claro que Dobby ainda é tratado assim - admitiu , secando o rosto em a fronha de almofada . - Mas , em a sua maioria , a vida melhorou bastante para os de a minha espécie desde_que Harry_Potter triunfou sobre Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Harry_Potter sobreviveu e o poder de os senhores de o Mal foi quebrado e veio uma nova alvorada , senhor , e Harry_Potter brilhou como um farol de esperança para aqueles de entre nós que já pensavam que a longa noite nunca mais teria fim , senhor ... e agora em Hogwarts vão acontecer coisas terríveis , talvez já esteiam a acontecer e Dobby não pode deixar Harry_Potter ficar aqui , agora_que a história vai repetir se , agora_que a Câmara_dos_Segredos está de_novo aberta . Dobby calou se horrorizado . Em seguida agarrou em o jarro de a água que Harry tinha a a cabeceira e bateu com ele em a própria cabeça , deixando se cair . Um segundo mais tarde voltou até junto de a cama , repetindo : - Mau , Dobby , muito mau , Dobby . - Quer_dizer , então , que existe mesmo a Câmara_dos_Segredos ? - murmurou Harry . - E dizes tu que já antes foi aberta ? Conta me , Dobby . Agarrou o pulso ossudo de o elfo quando a mão de ele se estendia para o jarro de a água . - Mas eu não sou filho de Muggles . Como posso estar em perigo por causa de a Câmara_dos_Segredos ? - Ah ! senhor , não pergunte a o pobre Dobby - lamentou se o elfo com os olhos enormes a brilharem em o escuro . - As forças de as trevas estão projectadas em este lugar , mas Harry_Potter não deve estar aqui quando as coisas acontecerem . Vá para_casa , Harry_Potter , vá para_casa . Harry_Potter não deve envolver se em isto , senhor , é demasiado perigoso ... - Quem é , Dobby ? - perguntou Harry , continuando a agarrar lhe o pulso com forca , impedindo que batesse de_novo em si próprio com o jarro . - Quem abriu a amara ? Quem a abriu de a última vez ? - Dobby não pode , senhor . Dobby não pode . Dobby não deve dizer - guinchou o elfo . - Vá se embora , Harry_Potter , vá se embora ! - Eu não vou para lugar nenhum - disse Harry , furioso . - Uma de as minhas melhores amigas é filha de Muggles , está em perigo se a câmara foi , de facto , aberta ... - Harry_Potter arrisca a própria vida por os amigos - gemeu Dobby em uma espécie de êxtase infeliz . - Tão nobre , tão corajoso , mas deve salvar se , Harry_Potter não deve ... Dobby calou se de repente com as orelhas de morcego a estremecerem . Harry também ouviu os passos que vinham lá fora , de o corredor . - Dobby tem de ir - balbuciou o elfo apavorado . Ouviu se um ruído e o pulso de Harry ficou subitamente fechado em o ar . Meteu se de_novo para baixo , em a cama , com os olhos fixos em a porta escura que dava entrada em a ala hospitalar enquanto os passos se aproximavam . Em o momento seguinte , Dumbledore estava a entrar , de costas , em o dormitório , vestindo uma longa túnica de lã e uma capa de noite . Transportava um extremo de aquilo que parecia ser uma estátua . A professora Mc_Gonagall surgiu um segundo mais tarde , pegando lhe em os pés . Os dois colocaram a em uma cama . - Chame Madam_Pomfrey - murmurou Dumbledore e a professora Mc_Gonagall passou por a cama de Harry , apressadamente , e desapareceu . Harry deixou se ficar muito quieto como_se estivesse a dormir . Ouviu vozes ansiosas e por fim a professora Mc_Gonagall apareceu de_novo , seguida de Madam_Pomfrey que vestia um casaco curto de lã sobre a camisa de dormir . Ouviu uma inspiração aguda . - O que aconteceu ? - murmurou Madam_Pomfrey_a_Dumbledore , inclinando se sobre a estátua que estava em a cama . - Outro ataque - disse Dumbledore . - A Minerva encontrou o em as escadas . Havia um cacho de uvas junto de ele . Acho que estava a tentar esgueirar se até aqui para vir visitar o Potter . O estômago de Harry deu uma reviravolta . Lenta e cuidadosamente ergueu se alguns centímetros para poder ver a estátua que estava sobre a cama . Um raio de luar iluminou lhe o rosto estático . Era_Colin_Creevey . Tinha os olhos abertos , e as mãos , em frente de a cara , seguravam a máquina fotográfica . -- Petrificado ? - murmurou Madam_Pomfrey . - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - Mas estou tentada a acreditar que ... se Albus não tivesse vindo cá abaixo tomar um chocolate quente ... quem sabe o que teria ... Os três olharam para Colin . Dumbledore inclinou se e retirou lhe a máquina de as mãos rígidas . - Será que ele conseguiu tirar a fotografia de o agressor ? - perguntou ansiosa a professora Mc_Gonagall . Dumbledore não respondeu . Abriu a parte detrás de a máquina . - Cruzes canhoto - disse Madam_Pomfrey . Um jacto de vapor tinha feito fervilhar a máquina . Harry , a três metros de distância , sentiu o cheiro tóxico de o plástico queimado . - Derretido - disse Madam_Pomfrey com grande espanto . - Tudo derretido . - O que significa isto , Albus ? - perguntou cada_vez_mais nervosa a professora Mc_Gonagall . - Significa - disse Dumbledore - que a Câmara_dos_Segredos está mesmo aberta outra_vez . Madam_Pomfrey levou uma mão a a boca . A professora Mc_Gonagall olhou assustada para Dumbledore . - Mas , Albus ... com certeza ... quem ? - A questão não é quem - disse Dumbledore com os olhos fixos em Colin . - A questão é como ... E pelo que Harry conseguiu ver de o rosto indistinto de a professora Mc_Gonagall , ela não compreendeu muito mais do_que ele . XI_O clube de os duelos Quando_Harry acordou , em o domingo de manhã , a enfermaria estava iluminada por um resplandecente sol de inverno e o seu braço tinha de_novo todos os ossos , apesar_de o sentir muito rígido . Sentou se rapidamente e olhou para a cama de Colin , mas ela fora isolada com as cortinas atrás de as quais se despira em a véspera . Vendo que ele tinha acordado , Madam_Pomfrey apareceu com um tabuleiro de pequeno-almoço e a seguir começou a apalpar lhe o braço e os dedos . - Tudo em ordem - disse , enquanto ele , com a mão esquerda , comia avidamente as papas de aveia . - Quando acabares de comer podes ir te embora . Harry vestiu se o mais depressa que pôde e dirigiu se a a pressa para a torre de os Gryffindor , ansioso por contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre Colin e Dobby , mas não os encontrou lá . Foi a a procura de eles , perguntando a si próprio onde teriam ido e sentindo se um_pouco magoado por o pouco interesse que demonstravam em saber se ele tinha recuperado os ossos . Quando passou por a biblioteca , Percy_Weasley vinha a sair com bastante melhor cara do_que de a última vez que se tinham encontrado . - Olá , olá , Harry - disse . - Excelente voo o de ontem , verdadeiramente sensacional . Os Gryffindor estão a a frente para a taça de a equipa . Ganhaste cinquenta pontos . - Não viste o Ron e a Hermione por aí ? - perguntou Harry . - Não , não vi - disse Percy com o sorriso a desaparecer . - Espero que o Ron não esteja outra_vez em a casa_de_banho de as raparigas ... Harry forçou um sorriso , viu Percy desaparecer e a seguir foi direitinho até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Não via lá muito bem por_que motivo o Ron e a Hermione lá estariam de_novo , mas , depois de se assegurar de que nem Filch nem nenhum de os prefeitos estavam por perto , abriu a porta e ouviu as vozes de eles que vinham de um cubículo fechado . - Sou eu - disse , fechando a porta atrás_de si . Ouviu se dentro de o cubículo um estrondo , um chapinhar e um sobressalto e ele viu o olho de a Hermione a espreitar por o buraco de a fechadura . - Harry - disse ela . - Pregaste nos um susto de morte . Entra . Como está o teu braço ? - _ óptimo - respondeu , apertando se dentro de o cubículo . Em cima de a sanita estava encarrapitado um velho caldeirão , e um crepitar a a superfície de a água disse a Harry que eles tinham acendido um fogo lá em baixo . Fazer aparecer fogos portáteis a a prova de água era uma de as especialidades de Hermione . - _ íamos visitar te , mas resolvemos começar a preparar a poção * _ Polisuco * - explicou Ron enquanto Harry fechava outra_vez a porta de o cubículo com alguma dificuldade . - Achámos que este era o lugar mais seguro para a esconder . Harry começou a contar lhes de o Colin , mas Hermione interrompeu o . - Nós já sabemos , ouvimos a professora Mc_Gonagall contar a o professor Flitwick hoje_de_manhã . Por isso resolvemos começar a ... - Quanto_mais depressa arrancarmos uma confissão a o Malfoy , melhor - rosnou o Ron . - Sabem o que eu penso ? Ele estava tão mal-humorado depois de o jogo de Quidditch que se vingou em o Colin . - Há outra coisa - disse Harry , vendo Hermione cortar molhos de verdezelha e lançá os dentro de a poção . - O Dobby foi visitar me a meio de a noite . Ron e Hermione olharam o espantados . Harry contou lhes tudo_o_que Dobby lhe dissera ... ou não dissera . Ron e Hermione ouviram o de boca aberta . - A Câmara_dos_Segredos já tinha sido aberta antes ? - repetiu Hermione . - Encaixa perfeitamente - disse Ron , em uma voz triunfante . - O Lucius_Malfoy deve ter aberto a Câmara_dos_Segredos quando andava em a escola e agora ensinou a o querido filhinho Draco como abris a . É óbvio , que pena o Dobby não te ter dito que tipo de monstro lá se encontra . Gostava de saber como é_que ninguém o viu andar por ai em a escola . - Talvez tenha a capacidade de se tornar invisível - sugeriu Hermione , picando sanguessugas para dentro de o caldeirão . - Ou talvez se disfarce , passando por uma armadura ou outra coisa de o género . Eu li umas coisas sobre vampiros camaleões ... - Tu lês de mais , Hermione - disse o Ron , deitando moscas asas de renda mortas por cima de as sanguessugas . Amarrotou o saco vazio de as asas de renda e olhou para Harry . - Então foi o Dobby que nos impediu de apanhar o comboio e te partiu o braço ... - abanou a cabeça . - Sabes o que eu acho ? Se ele não parar de tentar salvar te a vida ainda acaba por te matar . A notícia de que Colin_Creevey tinha sido atacado e estava agora em a ala hospitalar , como morto , espalhou se por toda_a escola em a segunda-feira de manhã . O ar ficou pesado e cheio de boatos e suspeitas . Os alunos de o primeiro ano começavam a andar por a escola em pequenos grupos , receando ser atacados se se aventurassem a andar isoladamente por os corredores . Ginny_Weasley , que era colega de carteira de o Colin em os encantamentos , estava perturbadíssima , mas Harry achou que Fred e George estavam a tentar animá a de a maneira errada . Revezavam se , mascarados com peles de animais e apareciam lhe subitamente detrás de as estátuas . Só pararam quando Percy , apopléctico de raiva , lhes disse que ia escrever a Mrs._Weasley a contar lhe que a Ginny andava a ter pesadelos . Enquanto isso , às_escondidas de os professores , uma panóplia de talismãs , amuletos e outros objectos de protecção ia enchendo a escola . Neville_Longbottom comprou uma enorme cebola verde que cheirava mal , um cristal pontiagudo cor de púrpura e uma cauda de tritão apodrecida antes de os outros rapazes de os Gryffindor lhe explicarem que ele não corria perigo : era um sangue puro e , portanto , muito pouco passível de ser atacado . - Eles foram a o Filch em primeiro lugar - disse Neville com o medo estampado em a cara redonda . - E toda_a_gente sabe que eu sou quase um * busca-pé * . Em a segunda semana de Dezembro , a professora Mc_Gonagall veio , como de costume , recolher os nomes de os alunos que ficavam em a escola durante o Natal . Harry , Ron e Hermione assinaram a lista . Tinham ouvido dizer que Malfoy ficava , o que lhes parecera muito suspeito . As férias seriam a altura ideal para usar a poção * _ Polisuco * e tentar arrancar lhe uma confissão . Infelizmente a poção estava a meio . Precisavam ainda de o chifre de bicórneo e o único lugar onde podiam arranjá o era em os depósitos privados de Snape . Harry , pessoalmente , preferia enfrentar o lendário monstro de os Slytherin do_que ser apanhado por o Snape a assaltar lhe o escritório . - O que precisamos - disse Hermione cheia de vivacidade quando se aproximava a aula conjunta de poções de quinta-feira a a tarde - para podermos entrar a a vontade em o escritório de o Snape , é de uma diversão . Harry e Ron olharam para ela , nervosos . - Acho que o melhor é ser eu a praticar o roubo - prosseguiu ela , em um tom perfeitamente casual . - Vocês os dois podem ser expulsos se forem apanhados e eu tenho uma folha limpa . Portanto , a única coisa que têm de fazer é distrair o Snape durante cerca de cinco minutos . Harry esboçou um meio sorriso . Provocar deliberadamente um estrago em a aula de poções de o Snape era tão seguro como ferir em um olho um dragão adormecido . As aulas de poções tinham lugar em um de os mais amplos calabouços . A de quinta-feira a a tarde não foi diferente de as outras . Vinte caldeirões fumegavam entre as secretárias de madeira , sobre as quais podia ver se laminas de latão e jarras com ingredientes . Snape deambulava por o meio de os fumos , fazendo reparos petulantes a o trabalho de os Gryffindor , enquanto os Slytherin riam a a socapa . Draco_Malfoy , que era o aluno preferido de Snape , não parava de lançar olhos de carneiro mal morto a o Ron e a o Harry , que sabiam que se retaliassem teriam um castigo , antes de poderem abrir a boca para dizer : - É injusto ! A solução de inchar de o Harry estava demasiado líquida , mas ele estava preocupado com coisas mais importantes . Esperava por o sinal de Hermione e mal deu por Snape se calar para ir espreitar a sua poção aguada . Quando o professor se voltou e foi implicar com o Neville , Hermione trocou um olhar com Harry e fez um aceno . Harry baixou se discretamente por detrás de o seu caldeirão , tirou de o bolso de trás um de os paus de fogo-de-artíficio Filibuster e deu lhe um toque de varinha . O fogo-de-artíficio começou a sibilar e a crepitar . Sabendo que tinha apenas alguns segundos , Harry endireitou se , ganhou coragem e lançou o a o ar . Aterrou certeiro em o caldeirão de o Goyle . A poção de o Goyle explodiu , salpicando toda_a aula . As pessoas gritavam , à_medida_que eram vítimas de os salpicos . Malfoy foi apanhado em a cara e o nariz começou a inchar como um balão . O Goyle tropeçava a as cegas , com as mãos em os olhos , que tinham ficado de o tamanho de pratos de sopa , enquanto o Snape tentava repor a calma e tentar perceber o que sucedera . Em o meio de a confusão , Harry viu Hermione esgueirar se a a socapa por a porta . - Silêncio ! silêncio ! - vociferou Snape . - Todos os que foram salpicados cheguem aqui para uma drenagem . Quando eu descobrir quem fez isto ... Harry fez um enorme esforço para não se rir a o ver Malfoy chegar apressadamente lá a a frente , a cabeça a tombar com o peso de o nariz , que parecia um pequeno melão . Quando metade de a aula se amontoava junto de a secretária de o Snape , alguns alunos vergados por o peso de os braços que pareciam mocas , outros incapazes de falar devido a o gigantesco inchaço de os lábios , Harry viu Hermione reentrar em o calabouço , a túnica mostrando a barriga protuberante . Quando todos os alunos tinham já tomado um gole de o antídoto e os vários inchaços tinham desaparecido , Snape precipitou se para o caldeirão de o Goyle e pescou os restos retorcidos de o fogo-de-artíficio . Houve um súbito silêncio . - Se eu descubro quem lançou isto - murmurou Snape - garanto que é expulsão por a certa . Harry compôs uma expressão de espanto . Snape olhava directamente para ele e a campainha , que tocou dez minutos mais tarde , não podia ser mais bem-vinda . - Ele soube que fui eu - disse Harry_a_Ron e a a Hermione , enquanto se dirigiam apressadamente para a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Tenho a certeza . Hermione lançou o novo ingrediente em o caldeirão e começou a mexer furiosamente . - Isto vai estar pronto dentro_de quinze_dias - afirmou , satisfeita . - O Snape não pode provar que foste tu - assegurou Ron , tranquilizando Harry . - Que pode ele fazer ? - Conhecendo o Snape , qualquer coisa louca - respondeu Harry , enquanto a poção borbulhava e espumava . Uma semana mais tarde , Harry , Ron e Hermione passavam por o vestíbulo de entrada , quando viram um pequeno grupo de pessoas reunidas em volta de o jornal de parede a lerem um pedaço de pergaminho que tinha acabado de ser afixado . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas acenaram lhes , entusiasmados . - Vão lançar um clube de duelos ! - exclamou Seamus . - Hoje a a noite é a primeira reunião . Eu não me importaria nada de ter aulas de duelo , podem vir a ser úteis um dia de estes ... - Porquê ? Achas que o monstro de os Slytherin sabe esgrimir ? - perguntou o Ron , mas , também ele , leu a notícia com interesse . - Pode ser útil - disse a o Harry e a a Hermione , quando foram jantar . - Vamos lá ? Harry e Hermione acharam óptimo , por isso , a as oito_da_noite voltaram a o salão . As longas mesas de refeição tinham desaparecido e um estrado dourado surgira , encostado a a parede . Sobre ele flutuavam milhares de velas . O tecto era , mais_uma_vez , de veludo negro e parecia que quase todos os alunos de a escola se encontravam ali , com as suas varinhas em a mão e com um ar entusiasmado . - Quem será que vai ensinar nos ? - perguntou Hermione , enquanto se misturavam em a multidão barulhenta . - Ouvi dizer que o Filitwick foi campeão de duelo em a juventude , talvez seja ele . - Desde_que não seja ... - começou Harry , mas terminou em um gemido : Gilderoy_Lockhart estava a subir a o estrado , resplandecente em as suas vestes cor de ameixa , acompanhado , nem mais nem menos , do_que de Snape que trajava , como sempre , de negro . Lockhart levantou um braço , pedindo silêncio , bradando : - Aproximem se , aproximem se , conseguem todos ver me e ouvir me ? Excelente ! - O professor Dumbledore deu me autorização para iniciar este pequeno curso de duelo para vos treinar a todos , caso algum dia precisem de se defender , como eu tenho feito em inúmeras ocasiões ; para mais detalhes , leiam os livros que tenho publicados . - Permitam que vos apresente o meu assistente , o professor Snape - disse Lockhart , abrindo um sorriso de orelha a orelha . - Ele diz me que sabe alguma coisa sobre duelos e aceitou desportivamente ajudar me em uma exibição de demonstração , antes de começarmos . Atenção , não quero que os mais novos fiquem preocupados , vão continuar a ter o vosso professor de poções depois de eu o vencer . Não tenham medo . - Não era óptimo se se liquidassem um_ao_outro ? - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . O lábio inferior de Snape estava curvo . Harry interrogou se sobre o motivo por_que Lockhart continuava a sorrir . Se o Snape olhasse de aquela maneira para ele , Harry estaria a correr a_toda_a velocidade para o mais longe possível . Lockhart e Snape voltaram se um para o outro e fizeram uma vénia , pelo_menos Lockhart fê la com muitas reviravoltas de mãos , enquanto Snape acenava , irritado , com a cabeça . Em seguida , ergueram as varinhas , como_se fossem espadas , em a frente . - Como podem ver , estamos a pegar em as varinhas em a posição de aceitação de combate - explicou Lockhart a a multidão silenciosa . - Quando contarmos até três , lançaremos os primeiros feitiços . Nenhum de nós tentará matar o outro , claro . - Eu não poria as mãos em o fogo - murmurou Harry , observando como Snape cerrava os dentes . -- Um , dois , três ... Os dois balançaram as varinhas acima de os ombros . Snape gritou : * _ Expelliarmus * ! Houve um clarão ofuscante de luz escarlate e Lockhart voou para trás , caindo de o estrado batendo contra a parede , escorregando e indo estatelar se em o chão . Malfoy e alguns de os outros Slytherin aplaudiram . Hermione estava em bicos de os pés . - Acham que ele está bem ? - gritou entredentes . - Quem se rala ? - disseram ao_mesmo_tempo o Ron e o Harry . Lockhart estava a pôr se , hesitante , de pé . O chapéu caíra lhe e o cabelo ondulado estava em um desalinho . - Bem , cá está ! - disse , cambaleando até a o estrado . - Este foi um encantamento para desarmar . Como podem ver , perdi a minha varinha . Ah , obrigado Miss_Brown . Sim , foi uma excelente ideia mostrar lhes isto , professor Snape , mas , se me permite que lhe diga , foi muito óbvio o que ia fazer . Se eu tivesse querido impedis o , teria o feito com a maior de as facilidades . Mas achei que seria educativo deixá os ver ... Snape tinha um ar assassino . Provavelmente Lockhart deu por isso , porque declarou : - Chega de demonstrações . Eu vou passar agora por o meio de vocês e criar duplas . Professor_Snape , se quiser ajudar me ... Entraram por o meio de a multidão , agrupando alunos . Lockhart pôs o Neville com Justin_Finch - _ Fletchley , mas Snape chegou primeiro junto de Harry e de Ron . - Tempo de separar a dupla ideal , parece me - rosnou . - Weasley , tu podes ficar com o Finnigan . Potter ... Harry voltou se automaticamente para Hermione . - Não me parece - disse Snape com o seu sorriso frio . - Mr._Malfoy , venha até aqui . Vamos ver o que faz com o famoso Potter . E a menina , Miss_Granger , pode emparceirar com Miss_Bulstrode . Malfoy aproximou se com o seu passo empertigado e o seu sorriso escarninho . Atrás de ele vinha uma rapariga de os Slytherin , que lembrou a Harry uma imagem que tinha visto em as * _ Férias com Bruxas_Velhas * . Era corpulenta e quadrada e os maxilares avançavam agressivamente . Hermione esboçou um meio sorriso , que ela não retribuiu . - Voltem se para os vossos parceiros - gritou Lockhart - e façam a vénia . Harry e Malfoy mal inclinaram as cabeças , não afastando os olhos um de o outro . - Varinhas preparadas ! - gritou Lockhart . - Quando eu disser três preparem os feitiços para desarmar o vosso opositor . Um ... dois ... três ... Harry levantou a varinha acima de o ombro , mas Malfoy começara logo em o « dois » : o seu feitiço apanhou Harry com tanta força que ele se sentiu como_se tivesse levado com uma frigideira em a cabeça . Tropeçou , mas ainda não estava fora de combate e , sem perder tempo , Harry apontou a varinha a Malfoy e gritou : - * _ Rictusempra ! * Um jacto de luz prateada atingiu Malfoy em o estômago , obrigando o a dobrar se , arfando . - Eu disse desarmar ! - gritava Lockhart sobre as cabeças de a multidão em lata , enquanto Malfoy caía de joelhos . Harry atingira o com o feitiço de as cócegas e ele mal conseguia mexer se para se rir . Harry hesitou com o vago sentimento de que seria pouco desportivo enfeitiçar Malfoy enquanto ele estava caído em o chão , mas ... foi um erro . Tentando respirar , Malfoy apontou a varinha a os joelhos de Harry , balbuciando : « * _ Tarantallegra ! * » e , um segundo depois , as pernas de o Harry tinham começado a mexer se , sem que ele pudesse controlá as , executando uma espécie de dança frenética . - Parem , parem - gritava Lockhart , quando Snape resolveu tomar controlo de a situação . - * _ Finite_Incantatem ! * - bradou . Os pés de o Harry pararam de dançar , Malfoy parou de rir e puderam olhar para_cima . Uma onda de fumo esverdeado pairava sobre todos eles . Neville e Justin estavam caídos em o chão , a arfar . Ron tentava fazer parar um Seamus com cara cor de cinza , pedindo lhe mil desculpas por o que a sua varinha partida eventualmente tivesse feito . Mas Hermione e Millicent_Bulstrode ainda não tinham acabado . Millicent tinha feito a Hermione uma prisão de cabeça e Hermione gritava de dor . As duas varinhas jaziam esquecidas em o chão . Harry deu um salto em frente e afastou Millicent . Não foi fácil , ela era bastante maior do_que ele . - Oh , gente ! - exclamou Lockhart , arrastando se por o meio de a multidão e olhando para os resultados de os duelos . - Vamos pôr de pé , Mcmillan ... cuidado , Miss_Fawcett ... belisque com força que pára logo de sangrar ... - Acho que o melhor é ensinar vos como bloquear feitiços pouco amigáveis - afirmou Lockhart que estava nervosíssimo em o meio de o salão . Olhou para Snape , cujos olhos pretos brilhavam e desviou rapidamente o olhar . - Vamos arranjar um par de voluntários . Longbottom e Finch - _ Fletchley , que tal serem vocês ? - Uma má ideia , professor Lockhart - disse Snape , deslizando como um morcego enorme e cruel . - Longbottom provoca devastação com o feitiço mais simples . Ainda temos de mandar o que restar de o Finch - _ Fletchley para a ala hospitalar dentro_de uma caixa de fósforos . - A cara redonda e rosada de Neville ficou ainda mais rosada . - Que tal o Malfoy e o Potter ? - sugeriu Snape com um sorriso retorcido . - Excelente ideia - disse Lockhart , fazendo sinal a os dois para que se aproximassem de o meio de o salão , enquanto a multidão recuava para lhes dar passagem . - Ouve bem , Harry - disse Lockhart . - Quando o Draco te apontar a varinha , tu fazes assim . Levantou a sua varinha , executando uma tentativa complicada de malabarismo e deixou a cair . Snape sorriu pretensiosamente , enquanto Lockhart a apanhava de o chão , dizendo : - Ups , a minha varinha está demasiado excitada . Snape aproximou se de Malfoy , inclinou se e disse lhe qualquer coisa a o ouvido . Malfoy sorriu também de forma afectada . Harry olhou , nervoso , para Lockhart e pediu : - Professor , podia mostrar me outra_vez aquela coisa para bloquear ? - Estás com medo ? - murmurou Malfoy baixinho , para que Lockhart não pudesse ouvir . - Querias ! - exclamou Harry por o canto de a boca . Lockhart deu um soco em o ombro de o Harry , em a brincadeira . - Basta que faças como eu fiz ! - O quê , deixar cair a varinha ? Mas Lockhart não estava a ouvir - Três , dois , um , zero ! - gritou . Malfoy levantou rapidamente a varinha a o ar e gritou : - * _ Serpensortia ! * A extremidade de a varinha explodiu . Harry viu , horrorizado , uma enorme serpente negra sair de ela , cair pesadamente em o chão a meio de os dois e erguer se disposta a atacar . Ouviram se gritos , enquanto a multidão se afastava , deixando o chão vazio . - Não te mexas , Potter - disse Snape vagarosamente , divertindo se claramente a ver Harry , parado , a olhar em os olhos a serpente . - Eu trato de ela ... - Permita me -- gritou Lockhart . Bramiu a varinha em direcção a a serpente e ouviu se um estoiro . A cobra , em_vez_de desaparecer , voou três metros acima de eles e voltou a cair em o chão com um estrondo enorme . Enraivecida , a sibilar de fúria , rastejou em direcção a Finch - _ Fletchley e pôs se de pé com os dentes a a mostra , pronta a atacar . Harry não soube ao_certo o que o levou a fazer aquilo . Não se lembrava sequer de ter tomado aquela decisão . Só soube que as pernas o fizeram avançar como_se tivesse rodas e que gritou a a serpente : - Larga o ! - E , milagrosa e inexplicavelmente , a serpente voltou a o chão , dócil como uma grande mangueira de jardim , preta e grossa , os olhos agora fixos em os olhos de Harry . Harry sentiu o medo a escoar se . Sabia que a cobra não atacaria mais ninguém , embora não pudesse explicar como sabia . Olhou para Justin a sorrir , esperando vê o aliviado , espantado , ou mesmo agradecido , mas nunca zangado ou assustado . - Que brincadeira é essa ? - gritou o outro e , antes que Harry tivesse tempo de dizer fosse o que fosse , voltou as costas e saiu de o salão . Snape deu um passo em frente , fez um gesto com a varinha e a serpente desapareceu em uma onda de fumo preto . Também ele , Snape , olhava para Harry de uma forma inesperada . Era um olhar arguto e calculista , de que Harry não gostou . Apercebeu se também vagamente de um murmúrio ameaçador que vinha de as paredes em volta . Depois , sentiu um puxão em a túnica . - Vamos - disse a voz de o Ron em o seu ouvido . - Mexe te , vá lá ... Ron arrastou o para fora de o salão . Hermione acompanhava os em a passada rápida . Quando cruzaram a porta , as pessoas que a rodeavam afastaram se , como_se tivessem medo de ser contagiadas . Harry não fazia a mais pequena ideia do_que estava a passar se e , nem Ron , nem Hermione lhe deram qualquer explicação , antes de o terem levado até a a sala comum de os Gryffindor , que se encontrava vazia . Aí , Ron empurrou Harry para uma cadeira de braços e disse : - Tu és um * serpentês * . Porque não nos disseste ? - Eu sou um quê ? - perguntou Harry . - Um * serpentês * ! - exclamou o Ron . - Falas com as cobras . - Eu sei - declarou Harry . - Quer_dizer , esta foi a segunda vez que o fiz . A outra foi há muito_tempo em o jardim zoológico , quando soltei uma Boa_Constrictor a o meu primo Dudley . É uma longa história , mas ela estava a dizer me que nunca tinha estado em o Brasil e eu acho que a libertei sem querer . Foi antes de saber que era feiticeiro . . . - Uma Boa_Constrictor disse te que nunca tinha estado em o Brasil ? - repetiu Ron , quase sem voz . - E então ? - disse o Harry . - Aposto que montes de pessoas aqui fazem o mesmo . - Não fazem , não - afirmou Ron . - Não é um dom muito frequente . Harry , isso é mau . - O que é_que é mau ? - perguntou Harry , que começava a ficar chateado . - O que é_que se passa com todos os outros ? Ouve bem , se eu não tivesse dito a aquela cobra para não atacar o Justin ... - Ah , foi isso que tu disseste ? - Que queres dizer ? Tu estavas lá , ouviste perfeitamente o que eu disse . - Eu ouvi te falar em serpentês - disse o Ron . - Língua de cobra . Podias estar a dizer lhe qualquer coisa . Não admira que o Justin tivesse entrado em pânico . Parecia que estavas a incitar a serpente . Foi assustador , sabes ? Harry olhou para ele espantado . - Eu falei uma língua diferente ? Mas não me apercebi , como posso falar uma língua , sem saber que a conheço ? Ron abanou a cabeça . Tanto ele como Hermione tinham um ar fúnebre . Harry não percebia o que havia em aquilo de tão trágico . - Será que me querem explicar o que há de mal em ter impedido que uma serpente enorme arrancasse a cabeça a o Justin ? - perguntou . - Porque é tão importante como o fiz , se evitei que o Justin fosse juntar se a grupo de os SEM_CABEÇA ? - Importa - disse por fim Hermione , em uma voz abafada . - Porque falar com serpentes era a arte por a qual Salazar_Slytherin ficou famoso . Por isso , o símbolo de os Slytherin é uma serpente . Harry ficou de boca aberta . - Exacto - disse o Ron . - E agora todos em a escola vão pensar que tu és descendente de ele . - Mas não sou - contrapôs Harry com um pânico que não conseguia explicar . - Não vai ser fácil prová o - disse Hermione . - Ele viveu há quase mil anos . Pelo que vimos , podias ser . Em essa noite , Harry ficou acordado durante horas . Por uma fresta de os cortinados de a cama de dossel , olhou para a neve que começava a cair de o lado de_fora de a janela de a torre e perguntou se se poderia ser descendente de Salazar_Slytherin . Afinal , não sabia nada de a família de o pai , os Dursley tinham sempre proibido qualquer pergunta sobre os seus familiares feiticeiros . Calmamente , tentou dizer qualquer coisa em * serpentês * , mas as palavras não saíam . Parecia que era necessário estar frente_a_frente com uma cobra para poder fazê o . Mas eu sou um Gryffindor , pensou Harry , o chapéu seleccionador não me poria aqui se eu tivesse sangue de Slytherin ... - Ah ! - disse uma vozinha dentro de o seu cérebro . - Mas o chapéu seleccionador queria pôr te em os Slytherin , não te lembras ? Harry deu voltas e voltas a a cabeça . Em o dia seguinte , quando visse Justin em a aula de herbologia explicaria lhe que estava a afastar a serpente , não a atiçá a o que , aliás , pensou zangado , dando vários socos em a almofada , qualquer idiota teria percebido . Contudo , em a manhã seguinte , a neve que começara a cair durante a noite , transformara se em uma tempestade tão espessa que a última aula de herbologia de o período foi cancelada : a professora Sprout queria tapar as mandrágoras com peúgas e cachecóis , uma operação arriscada que ela não confiava a ninguém agora_que era tão importante que as mandrágoras crescessem depressa e reabilitassem Mrs._Norris e Colin_Creevey . Junto de a lareira de a sala comum de os Gryffindor , Harry matutava sobre o que se passara enquanto Ron e Hermione aproveitavam o foro para jogar xadrez de feitiçaria . - Com os diabos , Harry - disse Hermione exasperada quando um bispo derrubou um de os cavaleiros de o cavalo , arrastando o para fora de o tabuleiro . - Vai falar com o Justin , se isso é assim tão importante para ti . Harry levantou se e saiu por o buraco de o retrato , perguntando a si próprio onde poderia estar o Justin . O castelo estava mais escuro do_que era habitual durante o dia por causa de a neve espessa e cinzenta que cobria as janelas . A tremer , Harry passou por as salas onde estava a haver aulas , captando lampejos do_que sucedia lá dentro . A professora Mc_Gonagall gritava com alguém que , segundo lhe parecia por o som , transformara o parceiro em um texugo . Resistindo a a tentação de dar uma espreitadela , Harry afastou se pensando que Justin poderia estar a utilizar o tempo de o furo para fazer algum trabalho e resolveu , por isso , ir até a a biblioteca . Um grupo de alunos de os Hufflepuff , que deveriam ter estado em Herbologia , encontrava se , de facto , sentado em as traseiras de a biblioteca , mas não parecia estar a trabalhar . Entre as fileiras de as estantes altas , Harry pôde ver as suas cabeças muito juntas em aquilo que deveria ser uma conversa absorvente . Não conseguia perceber se Justin estaria em o meio de eles . Ia para se aproximar quando apanhou em o ar uma frase e parou para ouvir melhor , escondido em a secção de a invisibilidade . - Portanto - dizia um rapaz corpulento - eu disse a o Justin para se esconder em o nosso dormitório . Isto_é , se o Potter o escolheu como próxima vítima é melhor que ele tenha um * low profile * durante algum tempo . É claro que o Justin já estava a a espera que alguma coisa de o género acontecesse desde_que lhe escapou em uma conversa com o Potter que era filho de Muggles . O Justin disse lhe , inclusivamente , que tinha estado inscrito em Eton . Não é o tipo de coisa que se ande a dizer com o herdeiro de Slytherin a a solta por aí . - Achas mesmo_que é o Potter , Ernie ? - perguntou uma rapariga de tranças loiras , ansiosamente . - Hannah - disse com solenidade o rapaz corpulento . - Ele é um serpentês . Todos sabem que essa é a marca de um feiticeiro negro . Alguma vez ouviste falar de um feiticeiro decente que falasse com as cobras ? O Slytherin era conhecido por « Língua de serpente . . Houve alguns murmúrios antes de Ernie prosseguir : - Lembram se do_que estava escrito em a parede ? * _ Inimigos de o herdeiro , cuidado ! * . O Potter teve que ir a o gabinete de o Filch . E o que é_que acontece a seguir ? A gata de o Filch é atacada . O aluno de o primeiro ano , Creevey , estava a aborrecê o em a partida de Quidditch , a tirar lhe fotografias quando ele estava caído em a lama . E o que é_que acontece a seguir ? Creevey é atacado . - Mas ele parece sempre ser tão simpático - disse Hannah , cheia de dúvidas . - E , bem , foi ele que fez com que o Quem nós sabemos desaparecesse . Não pode ser assim tão mau , pois não ? Ernie baixou misteriosamente a voz . Os Hufflepuff inclinaram se mais uns para os outros e Harry aproximou se para conseguir apanhar as palavras de o Ernie . - Ninguém sabe como ele sobreviveu a aquele ataque de o Quem nós sabemos e , afinal , ainda era um bebé quando aquilo aconteceu . Era para ter explodido feito em estilhaços . Só um feiticeiro negro verdadeiramente poderoso teria sobrevivido a uma maldição de aquelas . - Baixou ainda mais a voz até esta ficar reduzida a um leve murmúrio e disse : - Talvez fosse por isso que o Quem nós sabemos o queria matar , para não ter outro feiticeiro negro a competir com ele . Gostava de saber que outros poderes ocultos terá o Potter . Harry não aguentou mais . Pigarreou alto e saiu detrás de as estantes . Se não estivesse tão zangado teria conseguido ver o lado cómico de a situação : cada_um de os Hufflepuff olhava para ele como_se tivesse sido petrificado , e a cor desaparecera de a cara de o Ernie . - Olá - disse Harry . - Estou a a procura de o Justin_Finch - _ Fletchley . Os piores receios de os Hufflepuff tinham se concretizado . Olharam apavorados para o Ernie . - O que queres de ele ? - perguntou Ernie em uma voz sumida . - Explicar lhe o que aconteceu com aquela cobra em o clube de os duelos - disse Harry . Ernie mordeu os lábios brancos e , em seguida , respirando fundo , respondeu : - Estávamos lá todos . Vimos o que aconteceu . - Então viram que depois de eu falar a serpente recuou - disse Harry . - O que eu vi - insistiu teimosamente Ernie , apesar_de tremer a cada palavra que proferia - foi tu a falares serpentês e a atiçares a cobra conta o Justin . - Eu não a aticei - gritou Harry enraivecido . - Ela nem lhe tocou . - Falhou por_pouco - disse Ernie . - E , para o caso de estares com ideias - acrescentou com má cara - posso dizer te que a minha família provem de nove gerações de bruxas e feiticeiros e que o meu sangue é tão puro como o de qualquer feiticeiro , portanto ... - Quero lá saber qual é o teu sangue - disse Harry furioso . - Porque iria eu atacar os filhos de os Muggles ? - Ouvi dizer que detestas os Muggles com quem vives - disse Ernie rapidamente . - Não é possível viver com os Dursley sem os detestar - explicou Harry . - Gostava de te ver lá em casa . Girou sobre os calcanhares e saiu furioso de a biblioteca sob o olhar reprovador de Madam_Prince que limpava a capa dourada de um enorme livro de encantamentos . Harry avançou a as cegas por os corredores , quase sem ver por_onde ia de tão furioso que estava . O resultado foi chocar com algo enorme e sólido que o fez recuar e cair a o chão . - Ah ! Olá , Hagrid - disse , olhando para_cima . Hagrid tinha o rosto completamente tapado com um lenço coberto de neve , mas não podia ser mais ninguém , enchendo assim o corredor dentro de o seu sobretudo de pele de toupeira . De uma de as enormes mãos enluvadas , pendia um galo morto . - Tudo bem , Harry ? - perguntou , afastando o lenço para poder falar . - Porque não estás em a aula ? - Foi cancelada - disse Harry , pondo se de pé . - O que estás a fazer aqui ? Hagrid mostrou lhe o galo inerte . - É o segundo qu'aparece morto este período - explicou . - Ou são raposas ou um vampiro chato e eu preciso d'autorização de o director p'ra fazer um feitiço em volta de a capoeira . Aproximou se e olhou mais de perto para o Harry , por debaixo de as suas sobrancelhas espessas e cheias de neve . - Tens a certeza que estás bem ? Pareces exaltado e preocupado . Harry não foi capaz de repetir o que Ernie e os outros Hufflepuff lhe tinham dito . - Não é nada , tenho de ir , Hagrid . A próxima aula é Transfiguração e preciso de ir buscar os meus livros . Afastou se , a cabeça cheia com tudo_o_que Ernie dissera a seu respeito . « * _ O_Justin já estava d espera que uma coisa de o género acontecesse desde_que deixou escapar , falando com o Potter , que era filho de Muggles * ... » Harry subiu as escadas a correr e entrou por um corredor que estava particularmente escuro . As tochas tinham sido apagadas por uma ventania gelada que entrava por uma janela de fecho estragado . Estava a meio de o corredor quando tropeçou em uma coisa que se encontrava em o chão . Olhou para ver o que era e sentiu como_se o estômago se tivesse dissolvido . Justin_Finch - _ Fletchley estava em o chão , rígido e frio com uma expressão de horror em o rosto e os olhos abertos voltados para o tecto . E não era tudo . Junto de ele estava mais alguém , a visão mais estranha que Harry tivera em toda_a sua vida . Era_o_Nick quase sem cabeça que não estava cor de pérola nem transparente e sim escuro como fumo . Flutuava imóvel , em a horizontal , 12 centímetros acima de o chão , a cabeça meio tombada e em o rosto uma expressão de choque idêntica a a de o Justin . Harry pôs se de pé com a respiração acelerada e o coração a bater como um tambor contra as costelas . Olhou desvairado para ambos os lados de o corredor deserto e viu uma fila de aranhas que corriam a_toda_a velocidade em a direcção oposta a a de os corpos . Os únicos sons eram as vozes abafadas de os professores em as aulas que decorriam de ambos os lados . Podia fugir e ninguém saberia que ali tinha estado , mas não era capaz de os abandonar assim . Tinha de ir procurar ajuda . Será que alguém acreditaria que ele não tivera nada que ver com aquilo ? Enquanto ali estava , em pânico , uma porta a o seu lado abriu se com grande estrondo . Peeves , o * poltergeist * , saiu a os gritos . - Oh ! É o Potter , olá , Potter - alardeou Peeves , lançando por o ar os óculos de o Harry quando passou por ele . - O que está o Potter a fazer ? Porque está o Potter escondido ? Peeves passou de cabeça para baixo , a meio de uma cambalhota em o ar , quando viu Justin e Nick quase sem cabeça . Com um movimento súbito endireitou se , encheu os pulmões de ar e , antes que Harry pudesse impedi o , gritou : __ ataque ! ataque ! outro ataque ! nenhum mortal ou fantasma está em segurança . corram , fujam , __ ataaaque ! Crac , Crac , Crac . Uma atrás de a outra , foram se abrindo todas_as portas a o longo de o corredor e as pessoas saíram para fora de as salas de aula . Durante alguns longos minutos houve uma tal confusão que Justin esteve em perigo de ser esmagado e as pessoas não paravam de chocar com o Nick quase sem cabeça . Harry deu por si colado a a parede enquanto os professores exigiam a os gritos que se fizesse silêncio . A professora Mc_Gonagall veio a correr , seguida por todos os alunos , um de os quais ainda trazia o cabelo a as riscas pretas e brancas . Usou a varinha para produzir um ruído que repôs o silêncio e mandou os alunos todos para dentro de as salas de aula . Mal lugar ficou desimpedido surgiu Ernie , o jovem Hufflepuff . - * _ Apanhado em flagrante ! * - gritou , com o rosto totalmente branco , apontando dramaticamente o dedo par Harry . - Basta_Mcmillan - disse , de forma cortante , a professora Mc_Gonagall . Peeves andava para_cima e para baixo , observando a cena com um sorriso maldoso . Sempre adorara o caos . Quando os professores se inclinaram sobre Justin e sobre o Nick quase sem cabeça para os examinar , iniciou uma cantilena : * _ Oh ! Potter , que fizeste , seu grande bandido * _ Tu matas os estudantes porque achas divertido . * - Basta , Peeves - rosnou a professora Mc_Gonagall e Peeves afastou se , deitando a língua de_fora a o Harry . Justin foi levado para a ala hospitalar por o professor Flitwick e por o professor Sinistra_do_Departamento_de_Astronomia , mas ninguém parecia saber o que fazer em relação a o Nick quase sem cabeça . Por fim , a professora Mc_Gonagall fez aparecer em o ar um enorme leque que entregou a Ernie com o encargo de conduzir , escadas acima , por os ares o Nick quase sem cabeça . Ernie assim fez , soprando Nick como_se fosse um aerodeslizador e deixando , de este modo , o Harry e a professora Mc_Gonagall a sós . - Por aqui , Potter - disse ela . - Professora , eu juro que não ... - Isso não é comigo , Potter - afirmou a professora Mc_Gonagall sinteticamente . Caminharam em silêncio até uma esquina e ela parou perante uma gárgula de pedra extremamente feia . - Refresco de limão - disse . Era obviamente uma senha porque a gárgula animou se subitamente e saltou para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes . Apesar_de estar apavorado com o que ia acontecer a seguir , Harry não conseguiu evitar um sentimento de fascínio . Por detrás de a parede estava uma escada em espiral que se movia lentamente para_cima como um elevador . E quando ele e a professora Mc_Gonagall puseram os pés em o primeiro degrau , Harry ouviu a parede fechar se atrás de eles . Subiram em círculos , cada_vez_mais alto até que , por fim , um_pouco tonto , Harry pôde ver uma porta de carvalho reluzente com um puxador de bronze em forma de abutre . Harry calculava onde estava a ser levado . Devia ser ali que morava Dumbledore . XII_A poção * polisuco * Saltaram de a escada de pedra lá mesmo em cima e a professora Mc_Gonagall bateu a a porta . Ela abriu se silenciosamente dando lhes entrada . A professora Mc_Gonagall disse lhe que esperasse e deixou o sozinho . Harry olhou em volta . Uma coisa era certa : de todos o escritórios de professores que conhecia , o de Dumbledor era , de longe , o mais interessante . Se não estivesse com um medo de morte de ser expulso teria adorado explorá o . Era uma sala grande e bonita em forma de círculo que estava cheia de barulhinhos estranhos . Havia um grande número de instrumentos prateados sobre várias mesas de pernas finas que zumbiam emitindo pequenas baforadas de fumo . As paredes estavam cobertas de fotografias de antigos directores e directoras , todos eles a dormir tranquilamente em as suas molduras . Havia ainda uma enorme secretária pés de garra . E , sobre uma prateleira atrás de ela , um chapéu de feiticeiro andrajoso e puído : * o chapéu seleccionador * . Harry hesitou . Lançou um olhar cauteloso a as bruxas e feiticeiros adormecidos a o longo de as paredes . Com certeza não fazia mal se lhe pegasse e o experimentasse só para ver ... só para ter a certeza de que ele o pusera em a equipa certa . Deu a volta a a secretária , retirou o chapéu de a prateleira e baixou o lentamente sobre a cabeça . Era demasiado grande e escorregou lhe para os olhos como de a outra_vez que o tinha posto . Harry olhou para o forro preto , enquanto esperava . Por fim , uma vozinha disse lhe a o ouvido : - Estás com macaquinhos em o sótão , Harry_Potter ? - Er ... sim - balbuciou Harry . - Er ... desculpa incomodar te , queria saber ... - Querias saber se te pus em a equipa certa - disse prontamente o chapéu . - Sim ... tu és particularmente difícil de seleccionar , mas eu mantenho o que disse antes . - O coração de Harry deu um salto . - Terias ficado bem em os Slytherin . Harry sentiu o estômago contorcer se . Agarrou o chapéu por a aba e tirou o de a cabeça . O chapéu seleccionador ficou pendurado em a mão de ele , inerte , desbotado e sujo . Harry voltou a pô o em a prateleira , sentindo se enjoado . - Estás enganado ! - disse em voz alta a o chapéu parado e silencioso , mas ele não se mexeu . Harry recuou para o observar melhor e foi então que ouviu um ruído estranho e grasnado atrás_de si que o fez dar uma volta . Não estava só , afinal_de_contas . Em um poleiro dourado atrás de a porta estava um pássaro de aspecto decrépito que parecia um peru meio depenado . Harry olhou para ele espantado e o pássaro olhou o também , grasnando de_novo . Harry achou que ele devia estar muito doente porque tinha os olhos parados e , enquanto olhava para ele , caíram lhe mais algumas penas de a cauda . Estava justamente a pensar que a única coisa que lhe faltava era que o pássaro de estimação de Dumbledore morresse quando ele estava ali sozinho com ele , em o escritório , quando a ave se incendiou . Harry gritou , em estado de choque , e recuou até a a secretária . Olhava nervosamente em volta , em busca de um jarro de água , mas não viu nenhum . O pássaro , entretanto , transformara se em uma bola de fogo , dera um guincho e , em seguida , desaparecera , deixando apenas um monte de cinzas em o chão . A porta de o escritório abriu se . Dumbledore entrou com ar taciturno . - Professor - gaguejou Harry . - O seu pássaro ... eu não pode fazer nada ... ele incendiou se . Para seu grande espanto , Dumbledore sorriu . - Já não era sem tempo . Estava com um aspecto horrível em os últimos dias . Fartei me de lhe dizer que fizesse qualquer coisa . Riu se entre dentes com a expressão em o rosto de Harry . - A Fawkes é uma fénix , Harry . As fénix ardem quando é altura de morrer e renascem de as cinzas , repara ... Harry olhou mesmo a_tempo_de ver um passarinho recém-nascido , todo enrugado , espetar a cabeça fora de as cinzas . Era quase tão feio como o antigo . - É uma pena que a tenhas conhecido em dia de arder - disse Dumbledore , passando para trás de a secretária . - É muito bonita a maior parte de o tempo , com uma plumagem vermelha e dourada . São criaturas fascinantes , as fénix . Podem transportar cargas pesadíssimas , as suas lágrimas têm propriedades curativas e são animais de estimação extremamente fiéis . Com o choque de a fénix a pegar fogo , Harry esquecera se de o motivo porque ali estava , mas tudo voltou rapidamente quando Dumbledore se instalou em a cadeira de espaldar alto e o fixou com os seus olhos azuis e penetrantes . Contudo , antes que ele tivesse tido tempo de falar , a porta de o escritório abriu se de par em par com um enorme estrondo e Hagrid entrou com um olhar tresloucado , o lenço todo torcido em volta de a cabeça hirsuta e o galo morto ainda pendurado em a mão . - Não foi Harry , professor Dumbledore - disse , aflito . - Eu tinha estado a falar com ele poucos segundos antes de o rapazinho ser encontrado , ele não teve tempo professor ... Dumbledore tentou dizer qualquer coisa , mas Hagrid continuou , abanando o galo em o meio de a sua agitação e espalhando penas por todo o lado . - Não pode ter sido ele . Eu juro em a frente de o ministro de a magia , se for preciso ... - Hagrid , eu ... -- Tem o rapaz errado , professor . Eu sei qu'o Harry nunca ... - Hagrid - disse Dumbledore , elevando a voz . - Eu não penso que o Harry tenha atacado aquelas pessoas . - Oh ! - disse Hagrid , com o galo pendendo inerte a o seu lado . - Certo , ' tão eu espero lá fora , director . E saiu com ar envergonhado . - O senhor não acha que tenha sido eu ? - repetiu Harry cheio de esperança , enquanto Dumbledore sacudia penas de galo de cima de a secretária . - Não , Harry , não acho - afirmou Dumbledore , apesar de a sua expressão ser de_novo sombria . - Mas mesmo_assim quero falar contigo . Harry esperou ansiosamente enquanto o director o observava com as pontas de os dedos longos unidas . - Tenho de saber uma coisa . Harry , há alguma pergunta que queiras fazer me , qualquer que ela seja ? Harry não soube o que dizer . Lembrou se de Malfoy a gritar * _ Vocês serão os próximos , sangues de lama * e de a poção * _ Polisuco * em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Depois pensou em a voz sem corpo que ouvira duas vezes e em o que o Ron dissera * _ Ouvir vozes que ninguém mais ouve não é bom sinal , nem mesmo em o mundo de a feitiçaria * . Pensou também em o que toda_a_gente dizia de ele e em o receio cada_vez maior de ter uma relação qualquer com Salazar_Slytherin ... - Não - disse por fim . - Não há nada , professor . O ataque duplo a Justin e a o Nick quase sem cabeça transformou o que até_então era nervosismo em verdadeiro pânico . Curiosamente fora o destino de o Nick quase sem cabeça o que mais preocupara as pessoas . Quem poderia ter feito aquilo a um fantasma ? - perguntavam uns a os outros . - Que poder terrível era aquele , capaz de afectar alguém que já tinha morrido ? Houve uma precipitação enorme em a marcação de os bilhetes em o Expresso_de_Hogwarts , pois todos os alunos quiseram ir passar o Natal a casa . - Por este caminho , vamos ser os únicos a ficar - disse o Ron a o Harry e a a Hermione . - Nós , o Malfoy , o Goyle e o Crabbe , que férias lindas que vão ser ! Crabbe e Goyle que faziam sempre o que Malfoy fazia , tinham se inscrito para ficar também durante as férias . Mas Harry estava contente por a maior parte se ir embora . Estava farto de ver gente a afastar se em os corredores como_se ele fosse mostrar os dentes ou cuspir veneno . Estava cansado de tantos segredinhos , de os ver apontar e segredar quando passava . O Fred e o George , esses achavam muito divertido . Vinham , de propósito , pôr se a a frente de ele e atravessavam os corredores a gritar : - Abram alas para o herdeiro de Slytherin , vai passar um feiticeiro verdadeiramente cruel . Percy discordava totalmente de este comportamento . - Não é um assunto para se brincar - dizia com frieza . - Sai mas é de o caminho , Percy - dizia o Fred . - O Harry está com pressa . - Sim , ele vai a a Câmara_dos_Segredos tomar uma chávena de chá com o seu servidor dentes de serpente - completava Fred com uma gargalhada . Ginny também não lhes achava graça . - Cala te - gritava ela sempre_que o Fred perguntava em voz alta a o Harry quem estava a pensar atacar a seguir , ou quando George fingia afastá o com um enorme dente de alho . Harry não se importava . Fazia o sentir se melhor o facto de constatar que , pelo_menos para o Fred e para o George , a ideia de ele ser o herdeiro de Slytherin era absolutamente ridícula . Mas as palhaçadas de eles pareciam ofender Draco_Malfoy que , de cada_vez que os via , ficava mais irritado . - É porque está ansioso por dizer que é mesmo ele - disse o Ron com ar conhecedor . - Sabes como ele detesta que alguém o ultrapasse e tu estás a receber todo o crédito por o seu trabalho sujo . - Não vai ser por muito_tempo - disse Hermione com uma voz satisfeita . - A poção * polisuco * está quase pronta . Um de estes dias arrancamos lhe a verdade . Finalmente , o período chegou a o seu termo e um silêncio profundo como a neve em os campos desceu sobre o castelo . Harry adorou a tranquilidade e apreciou o facto de ele , Hermione e os Weasley terem a torre de os Gryffindor por sua conta , poderem jogar a as explosões bem alto , sem incomodar ninguém e praticar duelos entre si . O Fred , o George e a Ginny tinham preferido ficar em a escola a ir com Mr. e Mrs._Weasley a o Egipto visitar o Bill . Percy que reprovava e considerava infantil a conduta de eles , não passava muito_tempo em a sala comum de os Gryffindor . Já lhes dissera pomposamente que só ficara ali em o Natal , por ser sua obrigação como prefeito apoiar os professores em aquela época agitada . A manhã de o dia de Natal clareou branca e fria . Harry e Ron , os únicos que estavam em o dormitório , foram acordados muito cedo por Hermione que entrou , toda vestida , transportando presentes para ambos . - Acordem - disse em voz alta , abrindo os cortinados . - Hermione , tu não devias estar aqui - exclamou o Ron , protegendo os olhos de a luz . - Feliz_Natal para ti também - disse Hermione , atirando lhe o presente que tinha para ele . - Estou acordada há quase uma hora , acrescentando mais asas de renda a a poção . Está pronta . Harry sentou se , subitamente acordado . - Tens a certeza ? - Absoluta - disse ela , afastando o rato Scrabbers para se sentar a os pés de a cama de dossel . - Se vamos mesmo tomá a , acho que devia ser logo a a noite . Em esse momentzo , a Hedwig entrou em o quarto , transportando em o bico um embrulho pequenino . - Olá - disse Harry , feliz a o vê a aterrar em a sua cama . - Já me falas outra_vez ? Ela mordiscou lhe a orelha de uma forma afectuosa que foi , de longe , um presente melhor do_que aquele que transportava e que era afinal de os Dursley . Tinham mandado a Harry um palito para os dentes com um cartão pedindo lhe que se informasse se não poderia ficar , também em o Verão , em Hogwarts . Os outros presentes que Harry recebeu foram bastante melhores . Hagrid mandara lhe uma lata grande de bombons de melaço que ele decidiu amolecer a o lume antes de comer , o Ron deu lhe um livro chamado * _ Voando com Canhões * , que narrava factos interessantes sobre a sua equipa favorita de Quidditch e Hermione trouxera lhe uma luxuosa pena de águia . Harry abriu o último presente onde vinha uma camisola novinha , feita a a mão por Mrs._Weasley e um grande bolo de passas . Pegou em o cartão com uma nova sensação de culpa , pensando em o carro de Mr._Weasley que não voltara a ser visto desde_que chocara contra o salgueiro zurzidor e em a quantidade de infracções que ele e o Ron tinham em mente . Ninguém , nem mesmo os que estavam cheios de medo por terem de tomar a poção * polisuco * a seguir , deixou de adorar o jantar de Natal em Hogwarts . O salão nobre estava magnífico . Não_só havia uma_dúzia de árvores de Natal , cobertas de geada e espessas serpentinas de azevinho e visco bravo cruzando se junto de o tecto como caia uma neve encantada quente e seca . Dumbledore conduziu os em uma de as suas canções de Natal preferidas enquanto Hagrid se agitava , falando cada_vez_mais alto , a cada gole de gemada que tomava . O Percy que não dera por_que Fred enfeitiçara o seu distintivo de prefeito , onde agora podia ler se « cabeça de alfinetes « , continuava a perguntar a todos para_onde estavam a olhar . Harry nem_sequer se importou com os comentários que Draco_Malfoy fazia bem alto , de a mesa de os Slytherin acerca de a sua camisola nova . Com alguma sorte , Malfoy iria ser desmascarado dentro_de algumas horas . Harry e Ron mal tinham acabado a terceira dose de pudim de Natal quando Hermione os fez sair de o salão a a pressa para acabarem de tratar de os planos para essa noite . - Ainda precisamos de um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos - disse com o ar mais natural de este mundo como_se estivesse a mandá os a o supermercado comprar detergente . - E , é claro que o ideal será conseguirmos alguma coisa de o Crabbe e de o Goyle , são os melhores amigos de o Malfoy , ele conta lhes tudo . E precisamos também de ter a certeza de que eles não vão entrar em a sala quando vocês estiverem a interrogar o Malfoy . - Eu tenho tudo pensado - prosseguiu ela , ignorando a expressão estupefacta de Harry e Ron . Pegou em dois apetitosos bolos de chocolate . - Pus lhes um encantamento de sono . Vocês só têm de fazer com que o Crabbe e o Goyle os encontrem . Sabem como eles são gulosos , vão logo comê os . Quando estiverem a dormir , tirem lhes alguns cabelos e escondam nos em uma despensa de vassouras . Harry e Ron olharam , incrédulos , um para o outro . -- Hermione , eu não creio que ... -- Isto pode correr muito mal ... Mas Hermione tinha um brilho inflexível em os olhos que não era muito diferente do_que costumavam ver em o olhar de a professora Mc_Gonagall . - A poção não nos serve de nada sem os cabelos de o Crabbe e de o Goyle - disse com firmeza . - Vocês querem mesmo descobrir coisas sobre o Malfoy , não querem ? - Pronto , está bem - disse Harry . - Mas , e tu , vais arranjar cabelos de quem ? - Eu já tenho esse assunto resolvido - disse Hermione sorridente , tirando um frasquinho de o bolso e mostrando lhes um cabelo que lá estava dentro . - Lembram se de a Millicent_Bulstrode que lutou comigo em o clube de os duelos ? Ela deixou isto em o meu manto quando tentava estrangular me . E foi passar o Natal a casa , portanto , basta me dizer a os Slytherins que decidi voltar . Quando Hermione saiu para verificar de_novo a poção polisuco , Ron voltou se para Harry com uma expressão lúgubre . - Alguma vez viste um plano onde tantas coisas pudessem correr mal ? Mas para grande espanto de ambos , a primeira fase de a operação decorreu tão naturalmente como Hermione previra . Eles esconderam se em o * hall * de entrada , depois de o lanche de Natal , a a espera de o Crabbe e de o Goyle que tinham ficado sozinhos a a mesa de os Slytherin , deitando abaixo a quarta dose de bolo inglês . Harry colocou os bolos de chocolate em o fim de o corrimão . Quando avistaram Crabbe e Goyle a sair de o salão , Harry e Ron esconderam se rapidamente atrás_de uma armadura que estava junto de a porta de entrada . - Como_se pode ser tão estúpido ? - murmurou Ron sem se mexer enquanto Crabbe apontava satisfeitíssimo , mostrando a Goyle os bolos e agarrando os . Com um riso estúpido , enfiaram nos inteiros em as bocas enormes . Durante um momento , ambos mastigaram avidamente com olhares vitoriosos em o rosto . Depois , sem que a expressão se alterasse , caíram para trás e estatelaram se em o chão . Mais difícil foi transportá os para a despensa de o outro lado de o * hall * . Uma_vez armazenados em o meio de os baldes e esfregões , Harry arrancou alguns de os pêlos que cobriam a cabeça de o Goyle e Ron tirou alguns cabelos a o Crabbe . Roubaram lhes também os sapatos porque os de eles eram demasiado pequenos para os enormes pés de o Crabbe e de o Goyle . Em seguida , ainda atordoados com o que tinham acabado de fazer , correram até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mal conseguiam ver com o fumo preto e espesso que saía de o cubículo onde Hermione mexia o caldeirão . Tapando o rosto com os mantos , Harry e Ron bateram a o de leve em a porta . - Hermione ? Ouviram o ruído de o trinco e Hermione apareceu com a cara lustrosa e um ar ansioso . Por trás de ela ouviam o gloop gloop de a poção espessa e gorgolejante . Em o banco de a casa_de_banho estavam três copos de vidro . - Conseguiram ? - perguntou Hermione quase sem fôlego . Harry mostrou lhe o cabelo de o Goyle . - _ óptimo . Eu tirei estes mantos suplementares de a lavandaria - disse ela , pegando em uma pequena saca . - Vocês vão precisar de tamanhos maiores se vão ser o Crabbe e o Goyle . Olharam os três para o caldeirão . Vista de perto , a poção parecia uma lama espessa e escura a borbulhar indolentemente . - Tenho a certeza que fiz tudo certo - disse Hermione nervosa , relendo a página manchada de * _ Moste_Potente_Potions * . - Tem o aspecto que o livro diz que deveria ter ... depois de a tomar temos precisamente uma hora antes de nos transformarmos de_novo em as pessoas que somos . - E agora ? - murmurou o Ron . - Separamos a em três copos e adicionamos os cabelos . Hermione encheu cada_um de os copos com uma concha de sopa . Em seguida , retirou com a mão a tremer o cabelo de Millicent_Bulstrode de dentro de o frasquinho e pô o em o primeiro copo . A poção chiou fortemente como uma chaleira a ferver e espumou como louca . Um segundo depois ganhara um tom de amarelo doentio . - Urgh ! Essência_de_Millicent_Bulstrode - disse Ron , olhando com repugnância . - Aposto que o sabor é nojento . - Deitem os vossos - disse Hermione . Harry deixou cair o cabelo de o Goyle em o copo de o meio e Ron lançou o de o Crabbe em o último . Ambos chiaram e espumaram : o de o Goyle ficou de um tom caqui , o de o Crabbe de um castanho-escuro algo tenebroso . - Esperem - pediu Harry quando Ron e Hermione pegaram em os copos . - Será melhor não os tomarmos aqui todos juntos em um cubículo ; quando em os transformarmos não vamos cá caber e Millicent_Bulstrode não é nenhum duende . - Bem pensado - admitiu o Ron , abrindo a porta . - Cada_um em seu cubículo . Com todo o cuidado , para não entornar nem uma gota de a poção polisuco , Harry esgueirou se para o cubículo de o meio . - Prontos ? - perguntou . - Prontos - responderam as vozes de o Ron e de a Hermione . - Um , dois , três . Tapando o nariz , Harry bebeu a poção em dois grandes tragos . Tinha o sabor de a couve demasiado cozida . Os seus interiores começaram imediatamente a contorcer se como_se tivesse engolido serpentes vivas . Dobrado , Harry perguntava a si próprio se iria vomitar . Depois , uma sensação de ardor espalhou se rapidamente de o estômago até a as pontas de os dedos de as mãos e de os pés . Em seguida , fazendo o sobressaltar se , sobreveio o sentimento horrível de estar a derreter enquanto a pele de todo o seu corpo borbulhava como cera quente e , perante os seus olhos , as mãos começaram a crescer , os dedos a engrossar , as unhas a alargar e as articulações a tornarem se protuberantes como ferrolhos . Os ombros retesaram se dolorosamente e uma comichão em a testa preveniu o de que o cabelo estava a rastejar em direcção a as sobrancelhas . As túnicas rasgaram se enquanto o tórax se expandia como um barril , rebentando com os seus anéis . Os pés estavam em grande sofrimento dentro_de sapatos quatro números abaixo . Tão depressa como começara , tudo parou . Harry estava caído em o chão de pedra fria , ouvindo a Murta_Queixosa gorgolejando taciturna em o cubículo de o fundo . Com alguma dificuldade tirou os sapatos e levantou se . Era então assim que o Goyle se sentia ! Com a mão enorme a tremer , despiu a sua túnica que lhe ficava 30 centímetros acima de os tornozelos , pegou em as túnicas suplementares e amarrou os atacadores de os sapatos abotinados de o Goyle . Quis escovar o cabelo para o afastar um_pouco de os olhos e deu apenas com os pêlos hirsutos que lhe cresciam em a testa . Apercebeu se então de que os óculos lhe toldavam a visão porque o Goyle , obviamente , não precisava de eles . Tirou os e gritou . - Vocês estão bem ? - De a sua boca saiu a voz baixa e grossa de o Goyle . - Sim - respondeu lhe o grunhido de o Crabbe , a a sua direita . Harry abriu a porta de o cubículo e dirigiu se a o espelho partido . O Goyle olhava o de o outro lado com os seus olhos parados . Harry coçou a orelha e Goyle fez o mesmo . A porta de o Ron abriu se . Olharam um para o outro . Harry estava pálido e chocado . O amigo não se distinguia de o Crabbe , desde o corte de cabelo em forma de tigela até a os longos braços de gorila . - É inacreditável - disse o Ron , aproximando se de o espelho e beliscando o nariz achatado de o Crabbe . - Inacreditável ! - É melhor irmos indo - disse Harry , alargando a pulseira de o relógio que lhe cortava o pulso . - Ainda temos de descobrir onde fica a sala comum de Slytherin . Só espero que encontremos alguém que vá para lá e que nós possamos seguir . Ron que tinha estado a olhar espantado para ele , comentou : - Não imaginas como é bizarro ver o Goyle a pensar - bateu em a porta de Hermione . - Vamos , temos que ir ... Respondeu lhe uma voz aguda : - Eu ... eu acho que afinal não vou . Vão vocês sem mim . - Hermione , nós sabemos que a Millicent_Bulstrode é feia , ninguém vai pensar que és tu . - Não , a sério , acho que não vou . Despachem se vocês os dois , estão a perder tempo . Harry olhou para Ron , baralhado . - Aquilo parece mais de o Goyle , é como ele fica sempre_que algum professor lhe faz uma pergunta . - Estás bem , Hermione ? - perguntou Harry , através de a porta . - _ óptima , estou óptima , vão se embora . Harry olhou para o relógio . Cinco preciosos minutos tinham já passado . - Encontramo nos aqui , está bem ? - disse . Os dois abriram a porta de a casa_de_banho com todo o cuidado , viram se o caminho estava livre e saíram . - Não balances assim os braços - disse o Harry a o Ron . - Hein ? - O Crabbe anda sempre com eles esticados . - Assim ? - Isso , assim está melhor . Desceram a escadaria de mármore . Só precisavam agora de um Slytherin que pudessem seguir até a a sala comum , mas não havia ninguém por perto . - Tens alguma ideia ? - perguntou Harry em um murmúrio . - Os Slytherin vêm sempre de ali para o pequeno-almoço - disse o Ron , apontando para a entrada de os calabouços . Mal tinha pronunciado estas palavras quando uma rapariga de cabelo comprido a os caracóis , apareceu . - Desculpa - disse o Ron , sem perder tempo . - Esquecemo nos de o caminho para a nossa sala comum . - Como ? - disse a rapariga com a maior frieza . - A * nossa * sala comum ? Eu sou uma Ravenclaw . Afastou se , olhando para eles , desconfiada . Harry e Ron desceram apressadamente os degraus de pedra até a a escuridão . Os passos ecoavam em o silêncio , à_medida_que os pés enormes de Crabbe e Goyle tocavam em o chão , fazendo os sentir que as coisas não iam ser tão fáceis como eles desejavam . Os corredores labirínticos estavam desertos . Andaram e tornaram a andar por os subterrâneos , olhando constantemente para os relógios para ver quanto tempo ainda lhes restava . Depois de um quarto de hora , quando começavam a ficar desesperados , ouviram um movimento súbito . - Olha - disse o Ron , agitadamente . - Agora é um de eles . A silhueta saía de uma sala , mas quando se aproximaram o coração de ambos esmoreceu . Não era um Slytherin , era Percy . - O que estás a fazer aqui em baixo ? - perguntou o Ron surpreendido . - Isso - disse ele friamente - não é de a tua conta . És o Crabbe , não és ? - Er ... sim , sim - respondeu o Ron . - Então vão para o vosso dormitório - ordenou Percy com firmeza . - Não é seguro andar a passear por os corredores escuros em os dias que correm . - Tu andas -- fez notar o Ron . - Eu - disse o Percy endireitando se - sou um prefeito . Nada vai atacar me . Ouviu se , de repente , uma voz por_detrás_de Harry e Ron . Era_Draco_Malfoy e , pela_primeira_vez em a vida , Harry ficou satisfeito a o vê o . - Aí estão vocês - disse de modo arrastado , olhando para eles . - Têm estado a chafurdar em o salão este tempo todo ? Tenho andado a a vossa procura , quero mostrar vos uma coisa muito divertida . Malfoy olhou misteriosamente para Percy . - E o que fazes tu aqui , Weasley ? - perguntou com ar de desprezo . Percy olhou , sentindo se ultrajado . - Fazes favor de mostrar um_pouco mais de respeito por um prefeito de a escola - disse . - Não gosto de o teu ar . Malfoy riu se e fez sinal a o Harry e a o Ron para que o seguissem . Harry quase ia pedindo desculpa a o Percy , mas deu se conta a tempo . Apressaram se a seguir o Malfoy que disse , mal viraram em o corredor seguinte : - Aquele Peter_Weasley ... - O Percy - corrigiu Ron automaticamente . - Ou isso - continuou Malfoy . - Ultimamente tenho o visto muitas_vezes a andar por aí sorrateiramente e aposto que sei o que ele quer . Pensa que vai apanhar o herdeiro de Slytherin sozinho . Deu uma pequena gargalhada ridícula . Harry e Ron trocaram olhares nervosos . Malfoy parou junto de uma parede de pedra húmida . - Qual é a senha ? - perguntou a o Harry . - Er ... - Ah ! sim , sangue puro - disse Malfoy sem ouvir e uma porta de pedra , oculta em a parede , abriu se . Malfoy entrou e Harry e Ron seguiram o . A sala comum de os Slytherin era uma ampla divisão subterrânea com espessas paredes de pedra e um tecto de o qual estavam pendurados por correntes vários candeeiros redondos que davam uma luz esverdeada . O fogo crepitava em uma lareira elaboradamente esculpida em frente de a qual se viam as silhuetas de vários Slytherins sentados em cadeiras igualmente esculpidas . - Esperem aí - disse Malfoy a o Harry e a o Ron , encaminhando os para um par de cadeiras vazias , longe de o lume . - Eu vou buscar o que o meu pai acaba de me mandar . Sem saber o que Malfoy iria mostrar lhes , Harry e Ron sentaram se , fazendo todos os possíveis por parecer a a vontade . Malfoy voltou um minuto depois , trazendo em a mão o que parecia ser um recorte de jornal . Pô o debaixo de o nariz de o Ron . - Vais te rir - disse . Harry viu os olhos de o Ron abrirem se como_se estivesse em estado de choque . Viu o ler o recorte rapidamente , dar uma gargalhada forçada e estender lhe o em seguida . Tinha sido retirado de o * _ Profeta_Diário * e dizia : inquérito em o ministério de a magia * _ Arthur_Weasley , chefe de o Gabinete_de_Mau_Uso_dos_Utensílios_dos_Muggles foi hoje multado em cinquenta galeões por ter enfeitiçado um carro de os Muggles . * _ O senhor Lucius_Malfoy , Membro_do_Conselho_Directivo_da_Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts , onde o carro enfeitiçado foi chocar em o princípio de este ano , exigiu hoje a demissão de Mr._Weasley . « * _ O_Weasley trouxe o descrédito a o Ministério « - declarou Mr._Malfoy a o nosso repórter . - « É claramente incompetente para fazer cumprir as leis e a sua protecção ridícula de os Muggles deveria ir imediatamente para a sucata . » * _ Mr._Weasley recusou se a fazer comentários , mas a sua mulher disse a os repórteres que desaparecessem de ali ou lançaria contra eles o vampiro de a família * . - Então - disse Malfoy impaciente quando Harry voltou a entregar lhe o recorte . - Não achas o_máximo ? - Ha , ha - fez Harry tristemente . - O Arthur_Weasley gosta tanto de os Muggles que era capaz de partir a sua varinha a o meio para se juntar a eles - disse Malfoy com desprezo . - Ninguém diria que os Weasley eram sangue puro a avaliar por o modo como_se comportam . A cara de o Ron , ou melhor , de o Crabbe , contorceu se de raiva . - O que é_que se passa ? - perguntou Malfoy . - Dores de estômago - gemeu o Ron . - Então vai a a ala hospitalar e dá a todos aqueles sangues de lama um pontapé de a minha parte - disse Malfoy com o seu riso escarninho . - Sabes que estou espantado por o * _ Profeta_Diário * ainda não se ter referido a todos estes ataques - continuou pensativamente . - Calculo que o Dumbledore deve estar a tentar abafar as coisas . Ele ainda é posto em a rua se isto não acaba depressa . O pai sempre disse que Dumbledore foi a pior coisa que aqui veio parar . Ele adora os filhos de os Muggles , um director decente nunca deixaria um lodo como o Creevey entrar em esta escola . Malfoy começou a fingir que tirava fotografias com uma máquina imaginária e fez uma imitação maldosa , mas bastante fiel de o Colin : - Potter , posso tirar te a fotografia ? Dás me um autógrafo ? Posso lamber te os sapatos , por favor , Potter ? Baixou as mãos e olhou para Harry e Ron . - O que é_que se passa com vocês os dois ? Um_pouco atrasados , Harry e Ron forçaram o riso e Malfoy pareceu satisfeito . Talvez Crabbe e Goyle fossem sempre de reacção lenta . - O santo Potter , amigo de os sangues de lama - disse Malfoy . - É outro que não tem os sentimentos de um feiticeiro a sério ou não andaria por aí com aquela empertigada sangue de lama Granger . E as pessoas a pensarem que ele é o herdeiro de Slytherin . Harry e Ron esperaram com a respiração entrecortada : o Malfoy ia certamente dizer lhes , dentro_de segundos , que era ele , mas então ... - Quem me dera saber quem ele é - disse o Malfoy , de forma petulante . - Podia ajudá o . O queixo de o Ron caiu de tal maneira que a cara de o Crabbe ficou ainda mais desajeitada do_que era habitual . Felizmente Malfoy não deu por nada e Harry , em um pensamento rápido , disse : - Deves ter alguma ideia de quem está por_detrás_de tudo ... - Sabes perfeitamente que não tenho , Goyle , quantas vezes é preciso dizer te ? - cortou Malfoy . - E o pai também não me diz nada sobre a última vez que a câmara foi aberta . É claro que foi há cinquenta anos , antes de ele cá andar , mas o pai sabe tudo a esse respeito e diz que as coisas foram mantidas em grande segredo e que pareceria suspeito se eu soubesse demasiado . Mas há uma coisa que eu sei : de a última vez que a câmara foi aberta , morreu um sangue de lama . Por isso , aposto que é uma questão de tempo até que um de eles seja morto . Só espero que seja a Granger - disse satisfeito . Ron fechara os punhos gigantescos de o Crabbe . Sentindo que deitaria tudo a perder se ele desse um soco a o Malfoy , Harry lançou lhe um olhar de aviso e disse : - Sabes se a pessoa que abriu a câmara de a última vez foi apanhada ? - Ah ! sim , essa pessoa foi expulsa - disse Malfoy . - Ainda deve estar em Azkaban . - Azkaban ? - repetiu Harry confuso . - Azkaban , a prisão de os feiticeiros , Goyle - disse Malfoy , olhando para ele incrédulo . - Francamente , se fosses mais lento andavas para trás . Esticou se intranquilo , em a cadeira e disse : - O pai diz para eu esfriar a cabeça e deixar que o herdeiro de Slytherin faça o seu trabalho . Acha que a escola precisa de se livrar de a escória de os sangues de lama , mas não quer que eu me envolva em nada . Claro que ele agora tem um prato cheio . Sabes que o Ministério de a magia fez uma busca a a nossa mansão em a semana passada ? Harry tentou forçar a cara de bronco de o Goyle a uma expressão preocupada . - Sim - continuou Malfoy . - É claro que não encontraram grande coisa . O pai guarda uns materiais de magia negra muito valiosos , mas , felizmente , temos a nossa câmara secreta debaixo de o soalho de a sala de visitas ... - Ah ! - disse o Ron . Malfoy olhou para ele . Harry também . Ron corou e até o cabelo começou a ficar vermelho . O nariz estava também a diminuir lentamente ... a hora tinha acabado . Ron estava a voltar a a sua forma habitual e por o olhar de horror que lançou a Harry certamente ele também estava . Puseram se rapidamente de pé . - Tenho de tomar o remédio para o estômago - grunhiu o Ron e sem mais explicações saíram ambos a correr de a sala comum de os Slytherin , precipitaram se para a parede de pedra e galgaram a passagem , pedindo a todos os santos que Malfoy não tivesse dado por nada . Harry sentia os pés a nadarem em os sapatos enormes de o Goyle e tinha de levantar o manto visto_que diminuíra de tamanho . Subiram os degraus a correr até a o * hall * escuro de entrada onde se ouvia um som abafado que vinha de a despensa onde tinham fechado o Crabbe e o Goyle . Deixando os sapatorros de os dois de o lado de_fora , subiram já com os respectivos sapatos a escadaria de mármore até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Bem , não foi uma total perda de tempo - disse o Ron ofegante , fechando atrás_de si a porta de a casa_de_banho . - É certo que ainda não descobrimos de quem vêm os ataques , mas vou escrever a o meu pai amanhã a dizer lhe que procure debaixo de o soalho de a sala de visitas de o Malfoy . Harry olhou para o espelho partido . Tinha voltado a o normal . Pôs os óculos enquanto Ron batia em a porta de o cubículo de Hermione . - Hermione , sai de aí , temos um monte de coisas para te contar ... - Vão se embora - guinchou Hermione . Harry e Ron olharam um para o outro . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron . - Tu já deves ter voltado a o normal como nós ... Mas a Murta_Queixosa saiu subitamente através de a porta de o cubículo com um ar divertido como nunca a tinham visto . - Oh ! Esperem até ver - disse ela . - É horrível ! Ouviram o trinco de a porta a abrir se e Hermione apareceu a soluçar , a túnica levantada a cobrir lhe o rosto . - O que foi ? - perguntou o Ron indistintamente . - Ainda tens o nariz de a Millicent ou alguma coisa assim ? Hermione deixou cair a roupa e Ron recuou rapidamente . O rosto de ela estava coberto de pêlo preto , os olhos tinham ganho uma cor amarela e as orelhas eram pontiagudas , saindo espetadas para fora de os cabelos . - Era um pêlo de g-gato - disse a chorar . - A Millicent_Bulstrode d-deve ter um gato e a poção não está preparada para transformação em animais . - Oh-oh - disse o Ron . - Vão te gozar horrivelmente - disse a Murta , felicíssima . - Não te preocupes , Hermione - tranquilizou a rapidamente o Harry . - Vamos levar te para a ala hospitalar , a Madam_Pomfrey nunca faz muitas perguntas ... Não foi fácil convencer Hermione a sair de a casa_de_banho . A Murta_Queixosa despediu se com uma gargalhadavigorosa e grosseira . - Espera até todos descobrirem que tens uma cauda ! XIII_O diário muito secreto Hermione ficou em a ala hospitalar durante várias semanas . Houve uma onda de boatos sobre o seu desaparecimento quando o resto de os alunos voltou de as férias de Natal porque , é claro , todos pensam que ela tinha sido atacada . Foram tantos os estudantes a rondar a ala hospitalar para espreitar a ver se a viam que Madam_Pomfrey desceu de_novo as cortinas de a cama de ela para a poupar a a vergonha de ser vista com pêlo em a cara . Harry e Ron iam visitá a todas_as tardes . Quando o segundo período começou passaram a levar lhe diariamente os trabalhos de casa . - Se eu tivesse o bigode a crescer , tinha uma folga de o trabalho - disse uma tarde o Ron enquanto colocava uma pilha de livros a a cabeceira de a cama de Hermione . - Não sejas parvo , Ron , eu tenho de me manter a par de as coisas - disse Hermione com vivacidade . O humor de ela melhorara bastante com o facto de lhe ter desaparecido todo o pêlo de o rosto e de os olhos estarem lentamente a retomar a cor castanha . - Calculo que não tenham novas pistas ? - disse em um murmúrio para evitar que Madam_Pomfrey os ouvisse . - Nada - disse Harry tristemente . - Eu tinha tanta certeza de que era o Malfoy - repetiu o Ron por a centésima vez . - O que é isso ? - perguntou Harry , apontando para uma coisa com brilho dourado que estava debaixo de a almofada de Hermione . - É só um cartão a desejar boas melhoras - disse ela precipitadamente , tentando escondê o , mas o Ron foi mais rápido . Pegou lhe , abriu o e leu em voz alta : * _ Para_Miss_Granger , desejando lhe uma rápida recuperação , com o interesse e estima de o professor Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , Terceiro grau , Membro_Honorário_da_Liga_de_Defesa contra as Artes_Negras e vencedor por cinco vezes de o prémio O sorriso mais charmoso de a semana de o Semanário_das_Bruxas * . Ron olhou desconsolado para Hermione . - Tu dormes com isto debaixo de a almofada ? Mas Hermione foi poupada a ter de responder por a entrada de Madam_Pomfrey que lhe trazia a dose de medicamento de a tarde . - Achas que o Lockhart é o tipo mais esperto que conheceste ? - perguntou o Ron a o Harry quando saíram de a enfermaria e começavam a subir as escadas para a torre de os Gryffindor . O Snape tinha lhes passado tanto trabalho para_casa que Harry pensou que ia chegar a o sexto ano antes de o ter acabado . Ron vinha a dizer que devia ter perguntado a a Hermione quantas caudas de rato deveria juntar se a uma poção para o crescimento de o cabelo quando um grito de raiva vindo de o andar de cima lhes chegou a os ouvidos . - É o Filch - murmurou Harry enquanto subiam apressadamente as escadas e paravam para ouvir melhor . - Terá mais alguém sido atacado ? - disse nervosamente o Ron . Ficaram parados com as cabeças inclinadas para a voz de o Filch que parecia quase histérica . -- ... * _ Ainda mais trabalho para mim . Toda_a noite a esfregar como_se não tivesse já trabalho de sobra . Não , isto foi a gota de água que fez transbordar o copo , vou falar com Dumbledore * ... Os passos afastaram se e ouviram uma porta fechar se com grande estrondo . Puseram as cabeças fora de a esquina . O Filch tinha obviamente estado a patrulhar o seu habitual posto de vigia : estavam novamente em o lugar onde Mrs._Norris fora atacada . Perceberam imediatamente qual o motivo de os gritos . Uma enorme poça de água enchia metade de o corredor e parecia escorrer de a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Agora_que o Filch se calara podiam ouvir os uivos de a Murta que faziam eco em as paredes de a casa_de_banho . - Mas o que se passará com ela ? - disse o Ron . - Vamos lá ver - sugeriu Harry e arregaçando as túnicas até a os tornozelos entraram , atravessando a enorme poça de água , em a casa_de_banho que tinha o letreiro a dizer « Fora de serviço » e que eles , como sempre , ignoraram . A Murta_Queixosa chorava , se possível , mais alto do_que nunca . Parecia estar escondida em o cubículo de o costume . Lá dentro estava escuro pois as velas tinham se apagado com a enchente de água que deixara as paredes e o chão ensopado . - O que se passa , Murta ? - quis saber o Harry . - Quem é ? - perguntou ela infelicíssima . - Vieste atirar me mais alguma coisa acima ? Harry caminhou com dificuldade por causa de a água até a o cubículo de ela e disse : - Porque te faríamos nós uma coisa de essas ? - Não me perguntem - gritou a Murta , emergindo em uma onda de água que molhou ainda mais o chão já ensopado . - Eu estou aqui metida em a minha morte e alguém acha muito engraçado atirar me com um caderno acima ... - Mas , não pode magoar te se alguém te atirar alguma coisa acima - disse Harry , tentando ser prático . - Isto_é , seja o que for passa através_de ti , não é assim ? Tinha dito a frase errada . A Murta encheu o peito de ar e gritou a plenos pulmões : - Vamos todos atirar cadernos a a Murta já_que ela não sente nada ! Dez pontos se lhe acertarem em o estômago , cinquenta se lhe atravessar a cabeça ! Hah hah hah , que jogo lindo , não acham ? - Quem te atirou um caderno , afinal ? - perguntou o Harry . - Não sei ... eu estava sentada em a sanita a pensar em a morte e caiu me em cima de a cabeça - disse a Murta , olhando para eles . - Está ali , ficou todo molhado . Harry e Ron olharam para o ponto que a Murta lhes apontava debaixo de o lavatório . Um caderno pequenino e fino estava caído em o chão . Tinha uma capa preta muito gasta e estava encharcado como tudo em aquela casa_de_banho . Harry deu um passo em frente para o apanhar , mas o Ron agarrou lhe precipitadamente o braço . - O que foi ? - perguntou Harry . - Estás doido - disse ele . - Pode ser perigoso . - Perigoso ? - riu se Harry . - Essa agora Ron , como é_que pode ser perigoso ? - Ficarias surpreendido ... - explicou ele , olhando com ar apreensivo para o caderno . - Entre os livros que o Ministério confiscou , contou me o meu pai , havia um que queimava os olhos a as pessoas . E todos os que leram os * _ Sonetos_de_Um_Feiticeiro * ficaram a falar em verso para o resto de a vida . Havia também uma bruxa em Bath que tinha um livro que quem o lesse nunca mais conseguia parar , tinha de andar por aí com o nariz enfiado em as folhas , a fazer todas_as coisas só com uma mão e ... - Já chega , já chega , já percebi a tua ideia - disse O_Harry . O caderninho continuava caído e ensopado . - Bem , nunca saberemos a_não_ser_que tenhamos a coragem de dar uma vista de olhos - disse e mergulhou apanhando o de o chão . Harry viu imediatamente que se tratava de um diário e a data meio apagada , em a capa , disse lhe que tinha cinquenta anos de idade . Abriu o ansiosamente . Em a primeira página podia ler se apenas o nome T._M._Riddle em tinta esborratada . - Espera aí - disse o Ron que se aproximara prudentemente e olhava por cima de o ombro de Harry . - Eu conheço esse nome ... T._M._Riddle recebeu um prémio por serviços especiais prestados a a escola há cinquenta anos atrás . - Como diabo sabes tu isso ? - perguntou Harry com grande espanto . - Porque o Filch mandou me limpar a taça de ele umas cinquenta vezes quando estive de castigo - disse o Ron ressentido . - Foi a taça em cima de a qual eu vomitei lesmas . Se tivesses tido que limpar o muco de um nome durante uma hora também te lembrarias . Harry separou umas de as outras as páginas molhadas . Estavam completamente em branco . Não havia o mais leve sinal de escrita em nenhuma , nem coisas como « Aniversário de a tia Mabel « ou « Dentista a as três_e_meia » . - Ele nunca escreveu nada aqui - disse Harry desapontado . - Porque quereria alguém atirá o fora ? - perguntou se o Ron com curiosidade . Harry voltou o caderno e viu , inscrito em a contra capa , o nome de uma tabacaria em Vauxhall_Road , Londres . - Ele devia ser filho de Muggle - disse Harry pensativo - para ter comprado um diário em Vauxhall_Road ... - Bem , não te serve de muito - Ron baixou a voz . - Cinquenta pontos se acertares em o nariz de a Murta . Harry , mesmo_assim , guardou o diário . Hermione saiu de a ala hospitalar desbigodada , sem cauda e sem pêlo em os primeiros dias de Fevereiro . Em a primeira noite em a torre de os Gryffindor , Harry mostrou lhe o diário de T._M._Riddle e contou lhe como o tinham encontrado . - Ooooh ! Deve ter poderes ocultos - disse ela entusiasticamente , pegando em o diário e examinando o de perto . - Se tem , esconde os muito bem - disse Ron . - Talvez fosse tímido . Não sei porque não deitas isso fora , Harry . - Gostava de perceber porque motivo alguém se quis livrar de ele - explicou Harry . - E também não me importava de saber como foi que o Riddle obteve esse prémio de serviços especiais prestados a Hogwarts . - Pode ter sido qualquer coisa - lançou o Ron . - Talvez tenha recebido 30 de nota final ou salvo um professor de a lula gigante . Se_calhar assassinou a Murta , isso teria sido um favor prestado a todos ... Mas Harry quase podia jurar , por o olhar suspenso em a cara de Hermione , que ela pensava o mesmo_que ele . - O que foi ? - perguntou Ron , olhando para um e para o outro . - Bem , a Câmara_dos_Segredos foi aberta há cinquenta anos , não foi isso que disse o Malfoy ? - Sim - respondeu Ron , lentamente . - E este diário tem cinquenta anos de idade - completou Hermione , dando lhe palmadinhas nervosas . - E de aí ? - Oh Ron , acorda - insistiu Hermione . - Sabemos que a pessoa que abriu a câmara de a outra_vez foi expulsa há cinquenta anos . E se o Riddle tivesse tido o prémio especial por apanhar o herdeiro de Slytherin ? O seu diário diria nos provavelmente tudo : onde é a Câmara_dos_Segredos , como abris a e que tipo de criatura vive lá . Achas que a pessoa que está por trás de os ataques desta_vez quereria o diário por aí ? - É uma teoria interessante , Hermione - disse o Ron . - Apenas com uma pequenina falha : o diário não tem nada Mas_Hermione já estava a tirar a varinha de o saco . - Pode ser tinta invisível - murmurou . Bateu três vezes em o diário e repetiu * _ Aparecium ! * Nada aconteceu . Intrépida , Hermione meteu a mão de_novo em o saco e tirou o que parecia ser uma borracha vermelha e brilhante . - É um * revelador * , comprei o em a Diagon - _ Al - disse . Apagou com força em 1_de_Janeiro . Não sucedeu nada . - Já vos disse , não há nada aí - repetiu o Ron . - O Riddle deve ter recebido um diário como prenda de Natal e nem se deu a o trabalho de escrever fosse o que fosse . Harry não conseguia explicar , nem a si próprio , porque motivo não deitara fora o diário de Riddle . A verdade é_que , mesmo depois de saber que ele estava em branco , continuou distraidamente a pegar lhe e a virar as páginas como_se quisesse chegar a o fim de uma história . E , apesar_de saber que nunca tinha ouvido o nome T._M._Riddle , continuava a ter a sensação de que lhe dizia alguma coisa , como_se Riddle fosse um amigo que ele tinha tido quando era muito pequeno e que estivesse meio esquecido . Mas era um absurdo . Nunca tivera amigos antes de Hogwarts , Dudley tivera esse cuidado . Ainda_assim , Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle , por isso em o dia seguinte foi até a a sala de os troféus para examinar a taça , acompanhado de Hermione que estava interessadíssima e de Ron que se mostrava profundamente incrédulo , dizendo que tinha ficado farto de aquela sala até a o fim de a vida . A taça dourada de Riddle estava arrecadada em um armário de canto . Não fornecia detalhes sobre o motivo por_que lhe fora dada ( felizmente , se fosse maior ainda hoje estava a limpá a , disse o Ron ) . Mas encontraram o nome de Riddle em uma antiga medalha de Mérito_Mágico e em uma lista de antigos chefes de turma . - Parece o Percy - comentou Ron , torcendo o nariz com aversão . - Prefeito , chefe de turma , provavelmente o melhor em todas_as disciplinas . - Dizes isso como_se fosse uma coisa má - fez lhe notar Hermione , em um tom de voz ressentido . Um sol fraco brilhava agora de_novo em Hogwarts . Dentro de o castelo , o ambiente estava bastante melhor . Não tinha havido novos ataques desde Justin e Nick quase sem cabeça e Madam_Pomfrey teve a satisfação de informar que as Mandrágoras começavam a ficar instáveis e dissimuladas , sinal de que estavam a abandonar rapidamente a infância . - Logo_que o acne desapareça estarão prontas para novo transplante - ouviu a Harry dizer amavelmente a o Filch . - E depois de isso , não demorará muito até podermos cortá as e estufá as . - Vai ter Mrs._Norris de volta , muito em_breve . Talvez o herdeiro ou herdeira de Slytherin tenha perdido a coragem , pensou Harry . Deve ser cada_vez_mais arriscado abrir a Câmara_dos_Segredos com a escola tão alerta e desconfiada . Talvez o monstro , qualquer_que_fosse , estivesse a preparar se para hibernar durante outros cinquenta anos . Ernie_Mcmillan_dos_Hufilepuff não aceitou esta visão optimista . Continuava convencido de que Harry era o culpado , que se tinha traído em o clube de os duelos . Peeves não ajudava nada : continuava a cantar por os corredores Potter , * seu bandido * ... agora acompanhado de um esquema de dança . Gilderoy_Lockhart parecia pensar que fora ele quem pusera fim a os ataques . Harry fartou se de o ouvir dizer isso a a professora Mc_Gonagall enquanto os Gryffindor formavam bicha para a aula de Transfiguração . - Não creio que volte a haver problemas , Minerva - disse , tocando em o nariz com ar conhecedor e piscando o olho . - Acho que desta_vez a câmara foi definitivamente selada . O culpado deve ter sabido que era uma questão de tempo até eu o apanhar e que era mais sensato parar agora antes que eu lhe tratasse de a saúde . Sabe , a escola está a precisar de um intensificador de animo para apagar as lembranças de o último período . Não vou dizer lhe mais_nada , por enquanto , mas julgo que sei o que ... Voltou a tocar em o nariz e afastou se a passos largos . A ideia de Lockhart de um intensificador de ânimo ficou bastante clara em o dia_14_de_Fevereiro , a o pequeno-almoço . Harry não dormira grande coisa devido a o treino de Quidditch em a noite anterior e chegou a o salão um_pouco atrasado . Pensou , por momentos , que se tinha enganado em a porta . As paredes estavam todas cobertas com enormes e medonhas flores cor-de-rosa . Pior ainda , * confettis * em forma de corações caíam de o tecto azul pálido . Harry dirigiu se a a mesa de os Gryffindor onde o Ron estava sentado com um ar enjoado junto de Hermione que parecia particularmente risonha . - O que se passa ? - perguntou lhes , sentando se e sacudindo os * confettis * de o seu bacon . Ron apontou para a mesa de os professores , com um ar demasiado repugnado para falar . Lockhart , em as suas vestes rosa vivo , a condizer com a decoração de o salão , fazia sinal para que se calassem . Os professores que o ladeavam tinham um ar estupefacto . De o seu lugar , Harry podia ver um músculo mover se em a bochecha de a professora Mc_Gonagall . Snape estava com ar de quem tomou uma imensa dose de xarope * skele-gro * . - Feliz dia de S._Valentim - gritou Lockhart . - E permitam me que agradeça a as quarenta_e_seis pessoas que até agora me enviaram cartões . Sim , fui eu quem tomou a liberdade de vos fazer esta pequena surpresa , e ela não acaba aqui ! Lockhart bateu as palmas e por as portas de o * hall * entraram a marchar cerca de uma_dúzia de duendes de aspecto carrancudo . Não eram uns duendes quaisquer , diga se de passagem . Lockhart fizera os usar asas douradas e transportar harpas . - Os meus amigos cupidos , portadores de os cartões ! gritou Lockhart . - Eles vão andar por a escola durante o dia de hoje , entregando os vossos cartões de S._Valentim . E o divertimento não acaba aqui . Tenho a certeza de que os meus colegas vão querer participar em este espírito de festa . Porque não pedir a o professor Snape que vos mostre como preparar rapidamente uma poção de amor . E , enquanto ele a prepara , está aqui o professor Flitwick que é de todos os feiticeiros que conheci aquele que mais sabe de encantamentos de sedução , o grande safado ! O professor Flitwick enterrou o rosto em as mãos . Snape olhava como_se quisesse dar veneno a a primeira pessoa que fosse pedir lhe a poção de o amor . - Por favor , Hermione , diz me que não foste uma de as quarenta_e_seis - pediu Ron quando saíram de o salão para a primeira aula . Mas Hermione ficou subitamente muito interessada em procurar o horário dentro de a mala e não lhe respondeu . Durante todo o dia os duendes não pararam de se intrometer em as aulas para entregar cartões , para grande aborrecimento de os professores e , ao_fim_da_tarde , quando os Gryffindor subiam as escadas para a aula de encantamentos , um de eles avistou o Harry . - Hei , tu , Harry_Potter ! - gritou um duende de aspecto particularmente lúgubre , dando cotoveladas a_toda_a gente para se aproximar de o Harry . Coradíssimo com a ideia de receber um cartão de S._Valentim diante_de uma fila de alunos de o primeiro ano que , por acaso , incluía Ginny_Weasley , Harry tentou escapar se . Mas o duende cortou lhe o caminho através de a multidão e agarrou o em três tempos . - Tenho uma mensagem musical para entregar a Harry_Potter em pessoa - disse , tangendo a harpa de forma ameaçadora . - Aqui não - disse baixinho o Harry , tentando escapar . - Fica quieto - grunhiu o duende , agarrando o saco de o Harry e puxando com força . - Larga me - disse ele rispidamente , dando um puxão . Com um ruído de tecido a rasgar se , o saco dividiu se em dois . Os livros de Harry , varinha , pergaminho e pena espalharam se por o chão enquanto o tinteiro se partia em cima de as outras coisas . Harry pôs se de gatas , tentando apanhar tudo antes que o duende começasse a cantar , provocando um engarrafamento em o corredor . - O que se passa aqui ? - perguntou a voz fria e afectada de Draco_Malfoy . Harry , nervosíssimo , começou a guardar tudo dentro de o saco rasgado , desesperado para sair de ali antes que Malfoy pudesse ouvir o seu S._Valentim musical . - Que confusão é esta ? - disse outra voz familiar . Percy_Weasley tinha chegado . De cabeça perdida , Harry tentou fugir , mas o duende agarrou o por os joelhos e fê lo cair a o chão . - Certo - disse , sentando se em os tornozelos de Harry . Eis o teu cartão musical : * _ Os olhos de ele são verdes como o sapo de o quintal * _ O seu cabelo é escuro como um temporal * _ É um desatino , oh ! ele é divino ! * _ O herói que venceu o Senhor_do_Mal * . Harry teria dado todo o ouro de Gringotts para se evaporar em aquele momento . Tentando corajosamente rir se com todos os outros , levantou se . Sentia os pés dormentes de o peso de o duende . Enquanto isso , Percy_Weasley fazia todos os possíveis por dispersar a multidão onde havia gente que chorava de hilaridade . - Vamos embora , vamos embora , a campainha tocou há cinco minutos para as aulas - dizia , enxotando alguns de os alunos mais novos . - E tu , Malfoy . Harry olhou e viu Malfoy inclinar se , apanhar qualquer coisa e com um olhar maldoso mostrá a a Crabbe e Goyle . Percebeu que era o diário de Riddle . - Dá cá isso - exigiu com toda_a calma . - O que será que o Potter escreveu aqui ? - disse Malfoy que obviamente não reparara em a data e pensou que tinha em as mãos o diário de o Harry . Houve uma agitação em os presentes . Ginny olhava apavorada para o diário e para Harry . - Dá lhe isso , Malfoy - disse Percy com firmeza . - Depois de dar uma vista de olhos - retorquiu Malfoy , acenando a Harry com o diário de forma provocatória . Percy disse : - Como Prefeito de a escola ... - mas Harry perdera a paciência . Pegou em a varinha e gritou * _ Expelliarmus * e assim_como Snape desarmara Lockhart , MalLoy viu o diário saltar lhe de as mãos e elevar se em o ar enquanto Ron o apanhava sorridente . - Harry - disse Percy levantando a voz . - Não quero magia em os corredores . Vou ter de participar isto , sabes perfeitamente . Mas Harry não se importou . Tinha ganho uma_vez a Malfoy e isso valia bem cinco pontos a menos para os Gryffindor . Malfoy estava furioso e quando a Ginny passou por ele a caminho de a sala de aula , gritou lhe com desprezo : - Não creio que o Potter tenha gostado lá muito de o teu cartão de S._Valentim . Ginny tapou a cara e correu para a aula . Aborrecido , Ron pegou também em a varinha , mas Harry afastou o . Era melhor que ele não passasse a aula de encantamentos a vomitar lesmas . Só quando entraram em a sala de aula de o professor Flitwick é_que Harry reparou em uma coisa bastante estranha em o diário de Riddle . Todos os outros livros estavam cheios de tinta vermelha , mas o diário mantinha se tão limpo como antes de o tinteiro se ter entornado em cima de ele . Tentou chamar a atenção de Ron para este facto , mas ele estava novamente a ter um problema com a varinha : de a extremidade saíam grandes bolhas roxas e ele não parecia interessado em mais_nada . Em essa noite , Harry foi deitar se antes de os outros companheiros de dormitório , em parte porque já não conseguia suportar o Fred e o George a cantarem * _ Os seus olhos são verdes como o sapo de o quintal * e em parte porque queria voltar a examinar o diário de Riddle e sabia que em a opinião de o Ron era uma pura perda de tempo . Sentou se em a cama de dossel e folheou as páginas em branco em as quais não se via uma única mancha de tinta escarlate . Tirou então outro tinteiro de o armário a o lado de a cama , molhou a pena e deixou cair um borrão em a primeira página de o diário . A tinta brilhou em o papel durante um segundo e , em seguida , como_se a página a tivesse sugado , desapareceu sem deixar rasto . Depois , finalmente , algo aconteceu . Deslizando sobre a página em a cor de a sua tinta , surgiram palavras que Harry não escrevera . - * _ Olá_Harry_Potter . O meu nome é Tom_Riddle . Como é_que encontraste o meu diário ? * Também estas palavras desapareceram , mas não sem que Harry tivesse respondido . - Alguém tentou lançá o em uma sanita . Esperou ansiosamente por a resposta de Riddle . - * _ Felizmente guardei as minhas memórias de uma forma mais duradoura do_que a tinta . Mas sempre soube que haveria quem não iria querer que o diário fosse lido . * - O que queres dizer com isso ? - escrevinhou Harry , borrando a página com o nervosismo . - * _ Quero dizer que este diário contém memórias de coisas terríveis . Coisas que foram abafadas . Coisas que aconteceram em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . * - É onde eu estou agora - escreveu Harry rapidamente . - Estou em Hogwarts e estão a acontecer coisas horríveis . Sabes alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? O coração parecia querer saltar lhe de o peito . A resposta de Riddle não se fez esperar , a letra tornara se mais desordenada como_se tivesse pressa em contar lhe tudo_o_que sabia . - * _ É claro que sei de a Câmara_dos_Segredos . Em o meu tempo diziam nos que era uma lenda , que não existia , mas era mentira . Quando eu estava em o quinto ano a Câmara_dos_Segredos foi aberta e o monstro atacou vários estudantes , acabando matar um . Eu apanhei a pessoa que abriu a câmara e ele foi expulso . Mas o director , o professor Dippet , envergonhado por uma coisa de aquelas ter acontecido em Hogwarts , proibiu me de contar a verdade . Foi divulgada uma história dizendo que a rapariga morrera de um acidente extravagante . Deram me um troféu brilhante com o meu nome gravado e avisaram me para ficar calado . Mas eu sabia que ia voltar a acontecer . O monstro sobreviveu e aquele que tinha o poder para o libertar não foi para a prisão . * Harry quase entornou o tinteiro em a pressa de responder . - Está a acontecer outra_vez . Houve três ataques e ninguém parece saber quem está por_detrás_de tudo_isto . Quem foi de a última vez ? - * _ Posso mostrar te , se quiseres * - foi a resposta de o Riddle . - * _ Não tens de acreditar só em a minha palavra . Posso levar te a o fundo de a minha memória de a noite em que o apanhei . * Harry hesitou com a pena em o ar sobre o diário . O que quereria ele dizer ? Como poderia entrar em a memória de outra pessoa ? Olhou inquieto para a porta de o dormitório que começava a ficar escuro . Quando pôs de_novo os olhos em o diário viu as palavras que se formavam . - * _ Deixa-me mostrar te . * Harry parou durante uma fracção de segundo e depois escreveu duas letras . - O. _ K._As páginas de o diário começaram a esvoaçar como_se tivessem sido apanhadas em uma ventania , parando a meio de o mês_de_Junho . Boquiaberto , Harry viu que o quadradinho de 13_de_Junho se transformara em um pequeno ecrã de televisão . Com as mãos ligeiramente trémulas levantou o livro para encostar os olhos a a janelinha e antes de perceber o que estava a passar se , deu consigo inclinado para a frente com a janela a abrir se . O corpo abandonava a cama e era lançado de cabeça , por a abertura de a página , em um turbilhão de cor e sombras . Sentiu os pés tocarem em terra firme e pôs se de pé a tremer enquanto as formas desfocadas se tornavam subitamente nítidas . Soube imediatamente onde estava . Aquela sala circular com os retratos adormecidos era o escritório de Dumbledore , mas não era Dumbledore quem estava atrás de a secretária . Um feiticeiro mirrado , de aspecto débil e quase careca lia uma carta a a luz de as velas . Harry nunca vira aquele homem antes . - Desculpe - disse com a voz a tremer . - Eu não queria intrometer me ... Mas o feiticeiro não olhou . Continuou a ler , franzindo levemente as sobrancelhas . Harry aproximou se de a secretária e gaguejou : - Er ... eu vou me embora , está bem ? E o feiticeiro continuou a ignorá o . Parecia nem_sequer ter ouvido . Pensando que talvez ele fosse surdo , Harry falou mais alto . - Desculpe tê o incomodado - disse quase a gritar . O feiticeiro dobrou a carta com um suspiro . Pôs se de pé , passou por Harry sem olhar para ele e foi abrir os cortinados de a janela . O céu , lá fora , estava vermelho-rubi . Devia ser o pôr de o Sol . O feiticeiro voltou para a secretária , sentou se e girou os polegares , olhando para a porta . Harry olhou em volta . Não viu Fawkes , a fénix , nem as engenhocas prateadas que sibilavam . Aquela Hogwarts era a que Riddle conhecera e , portanto , aquele feiticeiro desconhecido era o director de então , não Dumbledore e ele , Harry , era pouco mais que um fantasma , totalmente invisível a as pessoas de há cinquenta anos atrás . Alguém bateu a a porta . - Entre - disse o velho feiticeiro , em uma voz fraca . Um rapazinho de dezasseis anos entrou , tirando o chapéu pontiagudo . Em o seu peito brilhava um distintivo prateado de prefeito . Era muito mais alto do_que Harry , mas tinha , tal_como ele , cabelo preto asa de corvo . - Ah ! Riddle - disse o director . - Queria falar comigo , professor Dippet ? - perguntou ele com ar nervoso . - Senta te - disse Dippet . - Tenho estado a ler a carta que me mandaste . - Oh ! - exclamou Riddle , sentando se e apertando as mãos uma contra a outra . - Meu rapaz - disse Dippet amavelmente . - Eu não posso deixar te ficar em a escola durante o Verão . Com certeza queres ir para_casa em as férias ? - Não - respondeu Riddle , sem perder tempo . - Prefiro mil vezes ficar em Hogwarts a ter de voltar a aquela ... aquela ... - Tu vives em um orfanato de Muggles durante as férias , não é assim ? - perguntou Dippet com curiosidade . - Sim senhor - disse Riddle , corando um_pouco . - És filho de Muggles ? - Meio sangue , professor - explicou Riddle . - Pai_Muggle , mãe bruxa . - E o teu pai e a tua mãe ... - A minha mãe morreu pouco depois de eu nascer , professor , contaram me em o orfanato que só teve tempo de me dar o nome : Tom , como o meu pai , Marvolo como o meu avô . Dippet estalou a língua solidariamente . - O que acontece , Tom - suspirou - é_que ... podia ter se arranjado uma situação especial para ti , mas em as circunstâncias actuais ... - Refere se a os ataques , professor ? - perguntou Riddle e o coração de Harry deu um salto , aproximando se com medo de perder alguma coisa . - Precisamente - disse o director . - Meu rapaz , compreendes que seria uma imprudência de a minha parte deixar te ficar em o castelo quando o período acabar , principalmente a a luz de a recente tragédia ... a morte de aquela pobre moça ... estarás sem dúvida em maior segurança em o orfanato . Em a verdade , o ministro de a magia até fala em fechar a escola . Não estamos nada perto_de localizar ... er ... a fonte de toda esta história desagradável . Os olhos de Riddle tinham se aberto mais . - Professor , se essa pessoa fosse apanhada ... se tudo acabasse . . . - Que queres dizer com isso ? - perguntou Dippet com voz aguda , endireitando se em a cadeira . - Riddle , tu sabes alguma coisa sobre estes ataques ? - Não senhor - respondeu ele de imediato . Mas Harry sabia que era o mesmo tipo de « não » que ele dissera a Dumbledore . Dippet afundou se de_novo com um ar de profundo desapontamento . - Podes ir , Tom . Riddle esgueirou se de a cadeira e saiu de a sala . Harry seguiu o . Desceram por a escada em espiral , saindo junto de a gárgula em o corredor que escurecia . Riddle parou e Harry fez o mesmo , olhando para ele . Quase podia apostar que ele pensava seriamente em alguma coisa . Mordia o lábio e tinha as sobrancelhas franzidas . A certa altura , como_se tivesse acabado de tomar uma decisão , começou a andar mais depressa com Harry a segui o ruidosamente . Não viram mais ninguém , a não ser quando chegaram a o * hall * de entrada onde um feiticeiro alto de longos cabelos ruivos e barba chamou Riddle de a escadaria de mármore . - O que andas a fazer por aqui tão tarde , Tom ? Harry olhou para o feiticeiro . Não era outro senão Dumbledore com cinquenta anos a menos . - Tive de ir falar com o director - justificou se Riddle . - Bem , agora vai depressa para a cama - disse Dumbledore , olhando Riddle com aquele olhar penetrante que Harry conhecia tão bem . - É melhor não andar a passear por os corredores em os dias que correm , pelo_menos até ... Suspirou profundamente , deu as boas-noites a o Riddle e foi se embora . Riddle viu o desaparecer e , sem perder tempo , desceu os degraus de pedra até a os calabouços com Harry em a peugada . Mas para seu grande desconsolo , Riddle não o conduziu a nenhum corredor ou túnel secreto e sim a o calabouço onde ele costumava ter aulas de poções com o Snape . As tochas não tinham sido acesas e quando Riddle empurrou a porta quase fechada , Harry só conseguiu vê o a ele , de pé , quieto junto de a porta , olhando para o corredor . Pareceu a Harry que ficaram ali quase uma hora . Tudo_o_que via era a silhueta de Riddle junto de a porta , olhando fixamente através de a greta , a a espera . Como_se fosse uma estátua . E quando Harry tinha abandonado todas_as expectativas e começava a desejar voltar a o presente , ouviu alguma coisa que se movia atrás de a porta . Alguém avançava lentamente por o corredor . Ouviu a pessoa , quem quer que fosse , passar por o calabouço onde ele e Riddle estavam escondidos . Riddle , silencioso como uma sombra , esgueirou se por a porta e seguiu o com Harry em bicos de pés atrás de ele , esquecido de que podia fazer barulho a a vontade porque ninguém o ouvia . Durante cerca de cinco minutos seguiram lhe os passos até que Riddle parou repentinamente com a cabeça inclinada em a direcção de novos ruídos . Harry ouviu uma porta a abrir se e em seguida alguém falou em um murmúrio rouco . - Vá lá , temos que sair de aqui ... vá lá , dentro de a caixa ... Havia algo de familiar em aquela voz . Riddle deu subitamente uma volta e Harry seguiu o . Podia ver a silhueta escura de um rapaz enorme que estava inclinado em frente de a porta aberta , com uma grande caixa a o lado . - Boa noite , Rubeus - disse Riddle secamente . O rapaz fechou a porta e pôs se de pé . - O que estás a fazer aqui , Tom ? Riddle aproximou se . - Acabou se - disse . - Vou ter de entregar te , Rubeus . Falam em fechar Hogwarts se os ataques não terminarem . - O que é_que tu ... ? - Eu acho que tu não quiseste matar ninguém , mas os monstros não são os melhores animais domésticos . Tu só quiseste deixá o sair para andar um_pouco e ... - Ele não matou ninguém - disse o rapaz grande , recuando contra a porta fechada . Lá de dentro vinham uns estranhos roncos e rugidos . - Vamos , Rubeus - disse Riddle , aproximando se mais ainda . - Os pais de a rapariga que morreu estarão aqui amanhã . O mínimo que Hogwarts pode fazer é assegurar lhes que aquilo que matou a filha de eles foi abatido ... - Não foi ele - gemeu o rapaz cuja voz ecoou em o corredor escuro . - Ele não faria isso ... ele nunca ... - Afasta te - disse Riddle , pegando em a varinha . O encantamento iluminou o corredor com uma luz brilhante . A porta atrás de o rapaz grande abriu se de par em par com tanta força que o atirou contra a parede . E de lá de dentro saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito que ninguém mais ouviu a não ser ele próprio . Tinha um corpo imenso , magro e peludo e um emaranhado de pernas pretas , a cintilação de muitos olhos e um par de tenazes afiadas . Riddle levantou de_novo a varinha , mas era tarde de mais . A coisa deixara o atarantado e corria apressadamente , precipitando se por o corredor e desaparecendo . Riddle pôs se de pé , olhou a a procura de o monstro , levantou a varinha , mas o rapaz grande saltou sobre ele , tirou lhe a varinha de as mãos e lançou o a o chão , gritando : - Naaaaaão ! A cena rodopiou . A escuridão tornou se total . Harry sentiu se a cair e com um embate aterrou como uma águia de patas e asas abertas em a sua cama de dossel , em o dormitório de os Gryffindor , o diário de Riddle aberto sobre o estômago . Antes de ter tido tempo de normalizar a respiração , a porta de o dormitório abriu se e o Ron entrou . - Aí estás tu - disse . Harry sentou se . Transpirava e tremia . - O que se passa ? - perguntou Ron , olhando aflito para ele . - Foi o Hagrid , Ron . O Hagrid abriu a Câmara_dos_Segredos há cinquenta anos atrás . XIV_Cornelius_Fudge_Harry , Ron e Hermione sabiam há muito_tempo que Hagrid tinha uma triste predilecção por criaturas grandes e monstruosas . Em o primeiro ano que passaram em Hogwarts , ele tentara criar um dragão em a sua pequena cabana de madeira e levaram muito_tempo a esquecer o gigantesco cão de três cabeças que ele baptizara de « fofinho » . E se , em rapaz , Hagrid tinha ouvido dizer que havia um monstro escondido em o castelo , Harry tinha a certeza que ele teria feito os impossíveis por descobri o . Provavelmente achou que era uma injustiça o monstro estar fechado tanto tempo e pensou que ele merecia a oportunidade de esticar as suas muitas pernas . Harry imaginava perfeitamente o Hagrid a os treze anos a tentar pôr uma coleira e uma trela a o monstro . Mas tinha igualmente a certeza de que ele nunca teria querido matar ninguém . De certo modo , Harry desejava não ter descoberto como utilizar o diário de Riddle . Ron e Hermione fizeram o contar repetidas vezes o que vira até ele ficar farto de repetir o mesmo e farto de a conversa circular que se seguia . - O Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse , de essa vez , Hermione . - O monstro que atacava as pessoas podia ser outro .... - Quantos monstros achas tu que pode haver em este lugar ? - perguntou o Ron aborrecido . - Sempre soubemos que o Hagrid tinha sido expulso - disse Harry tristemente - E os ataques devem ter terminado quando ele foi expulso . Se não fosse assim , Riddle não teria recebido um prémio . Ron tentou um caminho diferente . - O Riddle parece o Percy , quem lhe pediu afinal que deitasse abaixo o Hagrid ? - Mas o monstro tinha morto uma pessoa , Ron - insistiu Hermione . - E o Riddle ia ter de voltar para um orfanato Muggle se Hogwarts fosse fechada - disse Harry . - Não posso culpá o por querer ficar aqui ... Ron mordeu o lábio e a seguir sugeriu : - Tu encontraste o Hagrid em a Rua * _ Bativolta * , não foi ? - Ele estava a comprar repelente para lesmas - disse Harry rapidamente . Ficaram os três em silêncio . Depois de uma longa pausa , Hermione , em uma voz hesitante , formulou a pergunta mais complicada de todas : - Não acham que devíamos ir ter com ele e perguntar lhe ? - Essa seria uma visita simpática - disse o Ron . - Olá , Hagrid , diz nos uma coisa , soltaste por acaso alguma coisa louca e peluda por o castelo em estes últimos tempos ? Por fim , decidiram não dizer nada a o Hagrid a_não_ser_que houvesse outro ataque e à_medida_que passava mais tempo sem murmúrios de a voz sem corpo começaram a acreditar , esperançosos , que nunca mais teriam de falar sobre o motivo por_que fora expulso . Tinham passado já quase quatro meses desde o dia em que o Justin e o Nick quase sem cabeça tinham sido petrificados e quase toda_a_gente parecia pensar que o atacante , quem quer que ele fosse , se retirara para sempre . Peeves fartara se de a sua canção * _ Oh_Potter , seu bandido * , Ernie_Mcmillan pediu educadamente a o Harry , em a aula de herbologia , que lhe passasse um balde de cogumelos saltitantes e , em Março , várias mandrágoras deram uma festa ruidosa e roufenha em a estufa número três . A professora Sprout estava muito satisfeita . - Mal elas comecem a tentar mover se para os vasos umas de as outras , saberemos que estão maduras - disse ela a o Harry . - Nessa_altura poderemos reanimar aquelas pobres criaturas que estão em a ala hospitalar . Os alunos de o segundo ano tinham agora uma coisa nova em que pensar durante as férias de a Páscoa . Chegara a altura de escolherem as matérias de o terceiro ano , um assunto que Hermione , pelo_menos , tomou muito a sério . - Pode afectar todo o nosso futuro - disse a o Harry e a o Ron a o vê os ler cuidadosamente as listas de as novas matérias e pôr um V em frente de cada uma . - Eu só quero ver me livre de as poções - disse Harry . - Não podemos - explicou Ron tristemente . - Mantemos todas_as matérias antigas ou eu teria me livrado de a Defesa contra as artes negras . - Mas é muito importante - disse Hermione chocada . - Não de a maneira como Lockhart a dá - insistiu Ron . - Não aprendi nada até agora a não ser a nunca mais libertar duendes . Neville_Longbottom recebera cartas de todas_as bruxas e feiticeiros de a família , cada_um dando um conselho diferente sobre o que ele deveria escolher . Confuso e preocupado , sentou se a ler a lista de matérias , dando estalinhos com a língua e perguntando a as pessoas se achavam que a aritmancia seria mais difícil do_que o estudo de as runas em a Antiguidade . Dean_Thomas que , tal_como Harry , fora criado com Muggles , acabou por fechar os olhos e atirar a varinha contra a lista , escolhendo as matérias onde ela aterrava . Hermione não pediu conselho a ninguém e inscreveu se em todas . Harry sorriu de si para consigo imaginando como seria uma conversa com o tio Vernon e com a tia Petúnia sobre a sua carreira em feitiçaria . Não que não tivesse tido orientação : Percy_Weasley estava ansioso por partilhar a sua experiência . - Tudo depende de o lugar para_onde queres ir , Harry - disse ele . - Nunca é cedo de mais para pensar em o futuro , por isso eu aconselho te a adivinhação . As pessoas dizem que os estudos de Muggles são uma opção leve mas eu , pessoalmente , acho que os feiticeiros deveriam ter uma compreensão profunda de a comunidade não mágica , muito especialmente se pensarem em trabalhar em íntimo contacto com eles . Vê o meu pai que tem de lidar com assuntos de os Muggles a_toda_a hora . O meu irmão Charles foi sempre mais um tipo de o exterior , por isso foi para o Centro_de_Cuidados com as Criaturas_Mágicas . Segue os teus sentimentos , Harry . Mas a única coisa em que Harry sentia que era mesmo bom era o Quidditch . Por fim , acabou por escolher as mesmas matérias que o Ron escolhera , pensando que se fosse péssimo em elas pelo_menos tinha alguém amigo para o ajudar . O próximo jogo de Quidditch_dos_Gryffindor era contra os Hufflepuff . Wood insistia em treinos de equipa todas_as noites depois de jantar , por isso Harry não tinha tempo para mais_nada a não ser para o Quidditch e para os trabalhos de casa . Mas as sessões de treino estavam a melhorar ou pelo_menos estavam mais secas e em a véspera de o jogo de sábado ele foi a o dormitório guardar a vassoura , sentindo que as hipóteses de os Gryffindor ganharem a taça de Quidditch nunca tinham sido tão boas . Mas a sua boa disposição não durou muito . Em o cimo de as escadas que levavam a o dormitório encontrou o Neville_Longbottom nervosíssimo . - Harry , não sei quem fez aquilo , eu fui encontrar ... Olhando receoso para Harry , Neville empurrou a porta . O conteúdo de a mala de Harry fora espalhado por toda_a divisão . O seu manto estava em o chão rasgado . A roupa de cama tinha sido puxada de a cama de dossel e a gaveta de o armário que se encontrava a a cabeceira de a cama fora arrancada , estando o seu conteúdo espalhado sobre o colchão . Harry aproximou se de a cama boquiaberto , pisando algumas páginas soltas de * _ Viagens com Duendes * . Quando ele e Neville estavam a puxar os cobertores para_cima , entraram o Ron e o Dean_Seamas . Dean praguejou alto . - O que é isto , Harry ? - Não faço ideia - disse ele . Mas o Ron estava a examinar as vestes de Harry e todos os bolsos estavam de o avesso . - Alguém andou a a procura de qualquer coisa - disse o Ron . - Dás por falta de alguma coisa ? Harry começou a apanhar o que estava caído , lançando tudo dentro de a mala . Só quando atirou o último livro de Lockhart é_que se apercebeu do_que faltava . - O diário de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a o Ron . - O quê ? Harry fez lhe sinal em direcção a a porta de o dormitório e apressaram se a chegar a a sala comum de os Gryffindor que estava quase vazia e onde foram encontrar Hermione sozinha a ler * _ As_Runas_Antigas a o Alcance_de_Todos * . Hermione ficou aterrada com as notícias . - Mas ... só um Gryffindor podia tê o roubado ... ninguém mais conhece a nossa senha ... - Exactamente - disse Harry . Acordaram em o dia seguinte com um sol brilhante e uma brisa agradável . - Condições ideais para o Quidditch ! - exclamou Wood , cheio de entusiasmo , a a mesa de os Gryffindor , enchendo os pratos de os elementos de a sua equipa de ovos mexidos . - Harry , anima te , precisas de um pequeno-almoço decente . Harry tinha estado a olhar para a mesa cheia de alunos de os Gryffindor , perguntando a si próprio se o novo dono de o diário de Riddle estaria ali mesmo em frente de os seus olhos . Hermione insistira para que ele participasse o roubo mas ele não gostou de a ideia . Teria de contar a um professor tudo sobre o diário , e quantas pessoas saberiam o motivo por_que Hagrid fora expulso há cinquenta anos ? Não queria ser ele a fazer com que relembrassem tudo aquilo . Quando saiu de o salão com o Ron e a Hermione para ir buscar o material de Quidditch , outra preocupação viera juntar se a a sua lista cada_vez maior . Tinha acabado de pisar os degraus de a escadaria de mármore quando ouviu de_novo a voz : - * _ Matar desta_vez ... deixem me rasgar ... romper * ... Deu um grito e Ron e Hermione saltaram alarmados . - A voz - disse Harry , olhando por cima de os ombros de eles . - Acabo de a ouvir de_novo , vocês não ouviram nada ? Ron abanou a cabeça de olhos muito abertos Mas_Hermione bateu com a mão em a testa . - Harry , acho que percebi uma coisa . Tenho que ir a a biblioteca . E disparou a correr por as escadas acima . - O que é_que ela percebeu ? - disse Harry distraidamente , ainda a olhar em volta , tentando determinar de onde vinha a voz . - Mas porque teve ela que ir a a biblioteca ? - Porque a Hermione é assim - disse o Ron , encolhendo os ombros - Quando tem uma dúvida , vai a a biblioteca . Harry manteve se hesitante , tentando captar novamente a voz mas as pessoas começavam a sair de o salão , falando alto , passando por a porta principal e encaminhando se para o estádio de Quidditch . - É melhor ires indo - aconselhou Ron . - São quase onze horas , olha o jogo . Harry deu uma corrida até a a torre de os Gryffindor , pegou em a sua Nimbus dois_mil e juntou se a a vasta multidão que enchia os campos , mas o seu pensamento estava ainda em o castelo , em aquela voz sem corpo e quando pôs as roupas vermelhas , o seu único conforto foi pensar que estavam todos lá fora para assistir a o jogo . As equipas entraram em campo a o som de um tumulto de aplausos . Oliver_Wood fez um voo de aquecimento em volta de os postes , Madam_Hooch soltou as bolas . Os Hufflepuff que tinham fatos amarelo-canário estavam reunidos em grupo em uma discussão de última hora sobre as tácticas . Harry subia para a vassoura quando a professora Mc_Gonagall atravessou o campo , meio a andar , meio a correr , transportando um enorme megafone roxo . O coração de Harry caiu lhe a os pés . - Este jogo foi cancelado - gritou por o megafone a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a o estádio apinhado . Ouviram se Uuuus e assobios . Oliver_Wood , com um ar infelicíssimo , aterrou e correu para a professora McGonagall sem sair de a vassoura . - Mas , professora - gritou - temos de jogar ... a taça ... os Gryffindor ... A professora Mc_Gonagall ignorou o e continuou a gritar por o megafone . - Pede se a os estudantes que regressem a as salas comuns de as respectivas equipas onde os chefes de equipa lhes darão mais informações . O mais depressa possível , se fazem favor ! Em seguida , baixou o megafone e fez sinal a o Harry para que se aproximasse . - Potter , é melhor vires comigo ... Perguntando a si próprio que suspeita poderia ela ter contra ele , desta_vez , Harry viu Ron desligar se de a multidão discordante e vir a correr juntar se lhes , enquanto eles se dirigiam para o castelo . Para sua grande surpresa Mc_Gonagall não pôs qualquer objecção . - Sim , talvez seja melhor vires também , Weasley . Alguns de os estudantes que os rodeavam reclamavam por o jogo ter sido cancelado , outros tinham um ar preocupado . Harry e Ron seguiram a professora Mc_Gonagall de volta a a escola e através de a escadaria de pedra . Mas desta_vez não foram levados a nenhum escritório . - Isto vai chocar vos um_pouco - disse a professora Mc_Gonagall em um tom de voz surpreendentemente suave quando estavam a aproximar se de a ala hospitalar . - Houve outro ataque ... outro ataque duplo . As vísceras de o Harry deram um salto mortal . A professora Mc_Gonagall abriu a porta e ele e Ron entraram . Madam_Pomfrey estava inclinada sobre uma rapariga de o quinto ano de cabelos longos a os caracóis que Harry reconheceu como sendo a colega de os Ravenclaw a quem , por engano , tinham perguntado o caminho para a sala comum de os Slytherin . E , em a cama a o lado de ela , estava ... - Hermione - gemeu o Ron . Hermione jazia totalmente quieta , os olhos abertos e vítreos . - Foram encontradas perto de a biblioteca - disse a professora Mc_Gonagall . - Calculo que nenhum de vocês possa explicar isto ? Estava em o chão , junto de ela . A professora tinha em as mãos um pequeno espelho redondo . Harry e Ron acenaram negativamente com as cabeças , ambos com os olhos fixos em Hermione . - Eu acompanho vos a a torre de os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall pesadamente . - De qualquer modo tenho de falar com os alunos . - Os alunos regressarão a as salas comuns de as respectivas equipas , todos_os_dias , a as seis_horas_da_tarde . Nenhum aluno deverá sair de os dormitórios depois de isso . Serão escoltados até a as aulas por um professor . Nenhum aluno deverá ir a a casa_de_banho sem um professor a acompanhá o . Todos os treinos e jogos de Quidditch estão suspensos a_partir_de agora . Não haverá mais actividades nocturnas . Os Gryffindor , que enchiam a sala comum , ouviram em silêncio a professora Mc_Gonagall . Ela enrolou o pergaminho que acabara de ler e disse em uma voz algo chocada : - Não é preciso acrescentar que nunca me senti tão desolada . É provável que a escola seja encerrada se não for apanhado o culpado de todos estes ataques . Quero pedir que se algum de vocês achar que sabe alguma coisa sobre eles venha imediatamente ter comigo . Mal ela subiu , de forma um_pouco desastrada , por o buraco de o retrato , os Gryffindor começaram logo a falar . - São dois Gryffindor a menos , sem contar com o fantasma de os Gryffindor , um Ravenclaw e um Hufflepuff - disse o amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , contando por os dedos . - Não terá nenhum de os professores reparado que os Slytherin estão a salvo ? Será que não é óbvio que tudo_isto vem de eles ? O herdeiro de Slytherin , o monstro de Slytherin , porque não expulsam todos os Slytherin ? - resmungou , recebendo acenos e aplausos de todos os lados . Percy_Weasley estava sentado em uma cadeira atrás_de Lee , mas por uma_vez não pareceu querer expor os seus pontos de vista . Estava pálido e aturdido . - O Percy está em estado de choque - disse o George baixinho a o Harry . - Aquela rapariga de os Ravenclaw , Penelope_Clearwater , é prefeita . Acho que ele nunca tinha pensado que o monstro pudesse atacar um prefeito . Mas Harry não estava a ouvi o com atenção . Não conseguia esquecer a imagem de Hermione deitada em a cama de o hospital , como_se estivesse esculpida em pedra . E se o culpado não fosse apanhado rapidamente tinha em a frente uma vida inteira com os Dursley . Tom_Riddle entregara o Hagrid porque fora confrontado com a possibilidade de um orfanato Muggle se a escola fechasse . Harry sabia exactamente o que ele sentira . - Que vamos nós fazer ? - disse lhe o Ron baixinho a o ouvido . - Achas que eles suspeitam de o Hagrid ? - Temos de falar com ele - disse Harry , tomando uma decisão . - Não acredito que tenha culpa desta_vez , mas se ele libertou o monstro há cinquenta anos , sabe com certeza como entrar em a Câmara_dos_Segredos , o que já é um princípio . - Mas a Gonagall disse que temos que ficar em a torre a_não_ser_que estejamos em as aulas ... - Eu acho - disse Harry ainda mais baixo - que chegou a altura de tirar outra_vez de a mala o manto de o meu pai . Harry herdara apenas uma coisa de o pai : o enorme manto prateado de a invisibilidade . Era a única maneira de poderem esgueirar se de a escola para fazer uma visita a o Hagrid , sem que ninguém de esse por isso . Deitaram se a a hora de o costume , esperaram que o Neville , o Dean e o Seamas adormecessem para se levantarem , vestirem se de_novo e taparem se com o manto . A viagem por os corredores de o castelo escuro e deserto não era nada agradável . Harry que vagueara por ali muitas_vezes durante a noite nunca vira tanta gente depois de o pôr de o Sol . Professores , prefeitos e fantasmas andavam por os corredores a os pares , olhando em volta , em busca de qualquer actividade fora de o habitual . O manto de a invisibilidade não impedia que fizessem barulho e houve um momento particularmente tenso em que o Ron deu uma topada a menos_de um metro de o lugar onde Snape se encontrava . Felizmente Snape espirrou em o preciso momento em que o Ron praguejava . Foi com grande alívio que chegaram a as portas de carvalho de a entrada principal . Estava uma noite clara e cheia de estrelas . Dirigiram se apressadamente para as janelas iluminadas de a casa de Hagrid e só tiraram o manto mesmo em frente de a porta . Poucos segundos depois de terem batido abriu se a porta . Ficaram frente_a_frente com Hagrid que lhes apontou uma besta enquanto Fang , o cão caçador de javalis , ladrava furiosamente atrás de ele . - Oh ! - disse , baixando a arma quando viu que eram eles . - O que estão vocês a fazer aqui ? - Para que é isso ? - perguntou Harry , apontando para a besta , enquanto entrava . - Nada , não é nada - murmurou Hagrid . - Tenho estado a a espera ... não tem importância , sentem se que eu vou fazer um chá . Dava a impressão de não saber o que fazia . Quase apagou a lareira , vertendo a água de a chaleira em o lume e em seguida esmagou o bule com um gesto de a sua mão maciça . - Estás bem , Hagrid ? - perguntou Harry . - Soubeste de a Hermione ? - Soube , sim - disse ele com um leve tremor em a voz . Continuava a olhar nervosamente para as janelas . Deu lhe os duas grandes canecas de água a ferver ( esquecera se de juntar o chá ) e estava a acabar de pôr em um prato uma fatia grossa de bolo de frutas quando alguém bateu energicamente a a porta . Hagrid deixou cair o bolo . Harry e Ron trocaram entre si olhares de pânico e , em seguida , cobriram se com o manto de a invisibilidade e esconderam se em um canto . Hagrid assegurou se de que eles estavam bem escondidos , pegou em a besta e abriu , mais_uma_vez , a porta . - Boa noite , Hagrid . Era_Dumbledore . Entrou com um ar muito sério , seguido de um homem bizarro . O estranho era um homenzinho pequenino , de porte majestoso com cabelos grisalhos desalinhados e uma expressão de ansiedade em o rosto . Usava uma inesperada mistura de roupas . Um fato a as riscas , uma gravata vermelho escarlate , um longo manto negro e umas botas roxas pontiagudas . Debaixo de o braço trazia um chapéu de coco verde lima . -- É o patrão de o meu pai - murmurou o Ron . Cornelius_Fudge , o ministro de a magia ! Harry deu lhe uma valente cotovelada para o fazer calar se . Hagrid tinha ficado suado e pálido . Deixou se cair em uma de as cadeiras e olhava de Dumbledore_para_Cornelius_Fudge . - Más notícias , Hagrid - disse Fudge em um tom bastante grave . - Muito más notícias . Tive de vir . Quatro ataques a filhos de Muggles , as coisas foram longe_de mais . O ministério tem que tomar uma atitude . - Eu nunca ... - disse Hagrid , parecendo implorar a Dumbledore . - O senhor sabe que eu nunca ... professor Dumbledore , o senhor ... - Quero que fique claro , Cornelius , que Hagrid tem a minha total confiança - afirmou Dumbledore , franzindo as sobrancelhas . - Olha , Albus - disse Fudge pouco a a vontade - a ficha de o Hagrid depõe contra ele . O ministério tem de fazer alguma coisa , o Conselho_Directivo de a escola tem se reunido ... - Mesmo_assim , Cornelius , devo dizer te mais_uma_vez que levar o Hagrid de aqui não vai ajudar em nada - afirmou Dumbledore com os olhos azuis com um fogo que Harry nunca vira antes . - Tenta compreender o meu ponto de vista - insistiu Fudge , brincando com o chapéu . - Estou a ser tremendamente pressionado , tenho de mostrar que faço alguma coisa . Se se provar que não foi o Hagrid , ele voltará e não se fala mais em o assunto . Mas tenho de levá o , tem de ser , não estaria a cumprir a minha obrigação se ... - Levar me ? - perguntou Hagrid a tremer . - Levar me para_onde ? - É uma pena curta - disse Fudge , sem o olhar em os olhos . - Não é um castigo , Hagrid , chamemos lhe antes uma precaução . Se mais alguém for apanhado , tu sais com todas_as nossas desculpas . - Não é para Azkaban ? - balbuciou Hagrid . Mas antes que Fudge tivesse tido tempo de responder , ouviu se bater mais_uma_vez a a porta . Dumbledore abriu . Foi a vez de Harry levar uma cotovelada em as costas : soltara um gemido audível . Mr._Lucius_Malfoy entrou em a cabana de o Hagrid embrulhado em uma longa capa preta de viagem , com um sorriso frio de satisfação . O Fang começou a rosnar . - Já está aqui , Fudge ? - disse de forma aprovadora . - Muito bem , muito bem ... - O que estás a fazer aqui ? - perguntou Hagrid furioso . - Sai imediatamente de a minha casa . - Meu bom homem , acredite que não tenho prazer nenhum em entrar em a sua ... er ... chamou lhe casa ? - disse Lucius_Malfoy , sorrindo sarcasticamente enquanto observava a pequena divisão . - Eu limitei me a ir a a escola e disseram me que o director estava aqui . - E o que queres de mim , Lucius ? - perguntou Dumbledore . O seu tom de voz era educado mas em os olhos azuis brilhava ainda o mesmo fogo . - Uma notícia horrível , Dumbledore - disse Mr._Malfoy de forma arrastada , pegando em um grande rolo de pergaminho . - Mas os membros de o conselho pensam que é altura de tu saíres . Isto_é uma ordem de suspensão , tens aí doze assinaturas . Lamento muito mas em a nossa opinião estás a perder a firmeza . Quantos ataques houve até agora ? Mais dois hoje a a tarde , não foi ? A este ritmo vão acabar todos os filhos de Muggles em Hogwarts e todos sabemos que seria uma terrível perda para a escola . - O que é isso , Lucius ? - protestou Fudge com ar alarmado . - O Dumbledore suspenso não ... não , seria a última coisa que desejaríamos em este momento ... - A nomeação ou suspensão , de o director é de a competência de os membros de o Conselho_Directivo , Fudge - disse suavemente Mr._Malfoy . - E como Dumbledore não foi capaz de pôr cobro a estes ataques ... - Oh ! Lucius , se Dumbledore não conseguiu - disse Fudge com o lábio superior a suar . - Quem irá conseguir ? - Isso está para se ver - disse Mr._Malfoy com um sorriso mesquinho . - Mas como os doze votamos ... Hagrid pôs se de pé em um salto , o cabelo preto hirsuto a roçar em o tecto . - E quantos tiveste de chantajar para concordarem contigo , Malfoy ? - Meu caro Hagrid , sabe que esse seu temperamento ainda acaba por lhe criar problemas um dia de estes - disse Mr._Malfoy . - Não o aconselho a gritar assim com os guardas de Azkaban . Eles não iriam gostar nada . - Não podes levar Dumbledore - gritou Hagrid , fazendo Fang , o cão caçador de javalis , agachar se e ganir em o seu cesto . - Sem ele , os filhos de os Muggles não têm qualquer hipótese . A seguir haverá mortes . - Acalma te , Hagrid - disse Dumbledore de forma cortante , olhando para Lucius_Malfoy . - Se os membros de o conselho querem substituir me , eu sairei , claro . - Mas - interrompeu Fudge . - Não - rosnou Hagrid . Dumbledore não tirara os seus olhos azuis brilhantes de os olhos cinzentos e frios de Lucius_Malfoy . - Contudo - disse , pronunciando cada palavra lenta e claramente para que nenhum de eles perdesse o seu sentido - verás que só deixarei verdadeiramente esta escola quando ninguém aqui me for leal . Descobrirás também que será sempre dada ajuda em Hogwarts a quem a pedir . Por um segundo , Harry teve quase a certeza de que os olhos de Dumbledore tremelaziram em direcção a o canto onde ele e Ron estavam escondidos . - Sentimentos admiráveis - disse Malfoy , fazendo uma vénia . - Todos nós vamos sentir a tua ... forma muito pessoal de fazer as coisas , Albus . Só espero que o teu sucessor consiga evitar qualquer ... crime . Dirigiu se a a porta de a cabana , abriu a e fez sinal a Dumbledore para que passasse a a sua frente . Fudge , mexendo nervosamente em o chapéu de coco , esperou que Hagrid fizesse o mesmo mas ele ficou quieto , respirou fundo e disse prudentemente : - Se alguém quiser descobrir alguma coisa , o que tem a fazer é seguir as aranhas . Elas indicarão o caminho , é tudo_o_que vos digo . Fudge olhou para ele espantado . - Está bem , eu vou - disse Hagrid , pegando em o seu sobretudo de pêlo de toupeira . Mas quando ia seguir o Fudge e sair por a porta , parou e disse em voz alta : - E alguém tem de dar de comer a o Fang enquanto eu não estiver cá . A porta fechou se ruidosamente e Ron tirou o manto de a invisibilidade . -- Estamos outra_vez em uma alhada - disse com voz rouca - Sem o Dumbledore podem fechar a escola já esta noite . Sem ele vai haver um ataque por dia . O Fang começou a ganir , arranhando a porta fechada . XV_Aragog_O_Verão insinuava se em os campos em volta de o castelo . O céu e o lago tinham se tornado de um azul-molusco e as flores , grandes como couves , começavam a florir em as estufas . Mas sem o Hagrid , que ele costumava avistar de o castelo , atravessando os campos com o Fang atrás , parecia a Harry que a paisagem não estava completa . Não era melhor dentro de o castelo onde tudo corria horrivelmente mal . O Harry e o Ron tinham tentado visitar a Hermione , mas as visitas a o hospital estavam proibidas . - Não vamos correr mais riscos - disse lhes Madam_Pomfrey com ar severo , através_de uma fresta de a porta de o hospital . Não , lamento , há muitas hipóteses de o atacante voltar para acabar de vez com estas pessoas ... Com Dumbledore longe , o medo espalhara se como nunca acontecera antes , de_tal_modo_que o sol que aquecia as paredes de o castelo por fora parecia parar junto de as janelas de pinázios . Não se via um único rosto em a escola que não andasse tenso e preocupado e qualquer gargalhada , em os corredores , se tornava incómoda e antinatural e era rapidamente abafada . Harry repetia constantemente , de si para consigo , as últimas palavras que ouvira a Dumbledore : - * _ Só terei verdadeiramente deixado esta escola quando ninguém me for leal ... será sempre dada ajuda , em Hogwarts , a quem a pedir * . Qual seria o significado exacto de aquelas palavras ? A quem deveria pedir ajuda quando todos estavam tão confusos assustados como ele ? A alusão de Hagrid a as aranhas era bastante mais fácil de entender . O problema era que parecia não ter restado uma única aranha em o castelo para eles a poderem seguir . Harry procurou por todo o lado com a ajuda relutante de o Ron . As coisas estavam dificultadas por o facto de não poderem andar sozinhos e terem de se deslocar em grupo dentro de o castelo , juntamente com outros Gryffindor . A maior parte de os alunos gostava de ser conduzida como carneiros de uma aula para a outra por os professores mas Harry achava horrível . Havia , contudo , uma pessoa que parecia apreciar aquela atmosfera de terror e suspeitas . Draco_Malfoy passeava empertigado por a escola como_se tivesse sido nomeado para chefe de turma . Harry só compreendeu o motivo de toda aquela boa disposição cerca de quinze_dias depois de Dumbledore e Hagrid se terem ido embora quando , em uma aula de poções , o ouviu falar com o Crabbe e o Goyle . - Sempre achei que seria o pai quem conseguiria livrar nos de o Dumbledore - disse sem a menor preocupação em baixar a voz . - Já vos disse , segundo ele , Dumbledore foi o pior director que a escola alguma vez teve . Talvez agora venha um director decente que não queira a Câmara_dos_Segredos fechada . A Mc_Gonagall não vai durar muito , está só a ... O Snape passou por Harry , sem fazer comentários a o caldeirão e a a cadeira vazia de Hermione . - Professor - disse Malfoy em voz alta . - Professor , porque não se candidata a o lugar de director ? - Ora , ora , Malfoy - respondeu Snape , sem conseguir esconder um meio sorriso . - O professor Dumbledore foi apenas suspenso por os membros de o conselho de direcção , certamente vai voltar um dia de estes . - Sim , claro - disse Malfoy com o seu sorriso escarninho . - Acho que se o professor quisesse candidatar se a o lugar teria o voto de o pai . Eu vou dizer lhe que o acho o melhor professor de a escola . Snape sorriu enquanto passeava de um lado para o outro em o calabouço , não tendo felizmente visto o Seamus_Finnigan que fingia vomitar para dentro de o caldeirão . - Estou espantado por ver que até agora os sangues de lama ainda não fizeram as malas e não desapareceram - prosseguiu Malfoy . - Aposto cinco galeões em como o próximo morre . Pena que não tenha sido a Granger ... A campainha tocou em esse momento o que foi uma sorte porque a o ouvir as últimas palavras de Malfoy , Ron deu um salto , mas em a barafunda de guardar os livros em os sacos , a sua tentativa de agarrar o Malfoy passou despercebida . - Deixem me - gritava o Ron enquanto o Harry e o Dean lhe agarravam os braços . - Não preciso de varinha , vou dar cabo de ele com as minhas mãos ... - Despachem se , tenho de conduzir vos a a aula de herbologia - praguejava o Snape acima de as cabeças de os alunos . E lá foram como cordeirinhos com Harry , Ron e Dean em a retaguarda , o Ron ainda a tentar libertar se . Só acharam seguro largá o quando Snape os deixou fora de o castelo e iniciaram o percurso por o meio de a horta em direcção a as estufas . A aula de herbologia estava reduzida . Tinha agora dois alunos a menos : Justin e Hermione . A professora Sprout pô os a trabalhar , podando as figueiras-da-abissínia . Harry foi despejar uma braçada de hastes secas em um monte de adubo e deu consigo cara a cara com Ernie_Mcmillan . Ernie respirou fundo . - Só quero dizer te , Harry que lamento ter suspeitado de ti . Sei que nunca atacarias a Hermione_Granger e peço te desculpa por todas_as coisas que disse . Estamos todos em o mesmo barco , agora e , bem ... Estendeu lhe uma mão rechonchuda que o Harry apertou . Ernie e a sua amiga Hannah foram trabalhar em a mesma figueira com o Harry e o Ron . - Aquele tipo , Draco_Malfoy - disse Ernie , partindo pequenos galhos - , parece muito satisfeito com isto tudo , não acham ? É bem possível que ele seja o herdeiro de Slytherin . - Uma observação inteligente de a tua parte - disse o Ron que parecia não ter desculpado Ernie tão facilmente como o Harry . - Acham que é ele ? - perguntou Ernie . - Não - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Hannah ficaram a olhar espantados . Um segundo depois , Harry avistou qualquer coisa que o levou a chamar a atenção de o Ron , batendo lhe em a mão com a tesoura de podar . - Au ... o que é_que tu ... ? Harry apontava para o chão , a poucos centímetros de distância . Várias aranhas grandes corriam precipitadamente por a terra fora . - Ah ! sim - disse o Ron , tentando , sem conseguir , mostrar se entusiasmado . - Mas não podemos seguis as agora ... Ernie e Hannah ouviam nos com curiosidade . Harry viu as aranhas desaparecerem . - Parecem ir em a direcção de a floresta proibida ... E o Ron ficou ainda mais infeliz a o ouvir aquilo . Em o final de a aula , o professor Snape acompanhou os alunos a a « Defesa contra as artes negras » . Harry e Ron foram atrás de os outros para poderem conversar sem serem ouvidos . - Temos de usar outra_vez o manto de a invisibilidade - disse Harry a o Ron . - Podemos levar connosco o Fang , ele está habituado a ir a a floresta com o Hagrid , pode ser uma boa ajuda . - Certo - disse o Ron , que fazia girar nervosamente a varinha em os dedos . - Er ... não costuma haver ... não costuma haver lobisomens em a floresta ? - acrescentou enquanto ocupavam os lugares de o costume em a aula de o Lockhart . Preferindo não responder a a pergunta , Harry disse : - Também há lá coisas boas . Os centauros são fixes e os unicórnios . Ron nunca estivera em a floresta proibida , Harry fora lá só uma_vez e desejara não ter de lá voltar . Lockhart deu um salto para dentro de a sala de aula e os alunos ficaram espantados a olhar para ele . Todos os outros professores andavam mais tristes do_que o habitual mas Lockhart parecia sentir se em as nuvens . - Então , então - exclamou , olhando em volta . - Porquê essas caras deprimidas ? Lançaram lhe olhares exasperados mas ninguém respondeu . - Não compreendem - disse , falando devagar como_se fossem todos um_pouco estúpidos - que o perigo já passou ? O culpado foi se embora . -- Quem disse ? - retorquiu Dean_Thomas em voz alta . -- Meu caro jovem , o ministro de a magia não teria levado Hagrid se não estivesse cem por_cento certo de que ele era o culpado - disse Lockhart como quem explica que um e um são dois . - Teria , sim - disse o Ron , em um tom de voz ainda mais alto do_que o de o Dean . - Eu julgo saber um_pouco mais sobre a prisão de o Hagrid do_que o senhor , Mr._Weasley - disse Lockhart com notória auto-satisfação . Ron começou a dizer que discordava mas foi interrompido por o Harry que lhe deu um forte pontapé por debaixo de a mesa . - Nós não estávamos lá , lembras te ? - murmurou . Mas a alegria revoltante de o Lockhart , as insinuações de que sempre tinha achado que o Hagrid não prestava , a sua certeza de que tudo aquilo estava a chegar a o fim , irritou Harry de tal maneira que teve vontade de lhe atirar as * _ Viagens com Vampiros * e de lhe acertar em aquela cara estúpida . Mas , em vez de isso , limitou se a escrevinhar um bilhete para o Ron : * _ Vamos lá hoje a a noite * . Ron leu a mensagem , engoliu em seco e olhou para o lugar onde Hermione costumava sentar se . A cadeira vazia pareceu ajudá o a decidir se e acenou afirmativamente . A sala comum de os Gryffindor estava agora sempre cheia porque , depois de as seis_da_tarde , os Gryffindor não tinham outro lugar para ir . Por outro lado , tinham imenso para conversar , por isso a sala comum mantinha se cheia de gente até depois de a meia-noite . Logo_a_seguir a o jantar , Harry foi buscar o manto de a invisibilidade a a mala onde estava guardado e passou todo o serão a a espera que a sala esvaziasse . O Fred e o George desafiaram o para alguns jogos de explosão e a Ginny sentou se , muito preocupada , a observá os , em a cadeira habitual de Hermione . Harry e Ron fartaram se de perder de propósito em uma tentativa de pôr rapidamente fim a os jogos mas , mesmo_assim , já passava bastante de a meia-noite quando o Fred , o George e a Ginny se foram , finalmente , deitar . Harry e Ron esperaram até ouvir as portas de os dois dormitórios fecharem se . Em seguida , pegaram em o manto , lançaram o sobre ambos e passaram por o buraco de o retrato . Era mais uma difícil travessia de o castelo , tendo de fintar todos os professores . Finalmente , chegaram a o * hall * de entrada , giraram o fecho de as portas de carvalho , esgueiraram se tentando não fazer barulho e aventuraram se nos campos iluminados por o luar . - É claro que - disse bruscamente o Ron , enquanto atravessavam os relvados negros - podemos perfeitamente chegar a a floresta e descobrir que não há nada para seguir . As aranhas podem não ter ido para lá . É certo que parecia que tomavam essa direcção , mas ... Felizmente a lengalenga não durou muito . Chegaram a a casa de o Hagrid que tinha um ar triste com as suas janelas vazias . Logo_que Harry empurrou a porta e a abriu , o Fang saltou , louco de alegria por os ver . Preocupados , não fosse ele acordar toda_a_gente em o castelo com o seu ladrar forte e agitado , deram lhe rapidamente a comer bombons de melaço que estavam em uma lata sobre a lareira e que lhe colaram os dentes de cima a os de baixo . Harry pousou o manto de a invisibilidade sobre a mesa de o Hagrid . Não iam precisar de ele em a floresta escura como breu . - Anda , Fang , vamos dar um passeio - disse Harry , batendo lhe a o de leve em a pata e Fang saiu feliz , a os saltos , atrás de eles . Precipitou se até a a orla de a floresta e levantou a perna contra uma enorme figueira-do-egipto . Harry pegou em a varinha , murmurou * _ Lumus * ! e uma pequenina luz surgiu em a ponta de a varinha , suficiente para lhes mostrar o caminho e ajudá os a descobrir a pista de as aranhas . - Bem pensado - disse o Ron . - Eu acendia também a minha mas , sabes como ela está , ainda estoirava ou qualquer coisa assim ... Harry tocou em o ombro de o Ron , apontando para as ervas . Duas aranhas solitárias fugiam de a luz de a varinha , aproximando se de a sombra de as árvores . - O. _ K. - disse o Ron , resignando se com o pior . - Estou pronto , vamos . Então , com o Fang a correr atrás de eles , cheirando as raízes de as árvores e as folhas , entraram em a floresta . Seguindo a luz de a varinha de o Harry seguiram a fila disciplinada de aranhas que se movia a o longo de o caminho . Andaram durante cerca de vinte minutos , sem falar , atentos a todos os ruídos que não fossem os de os ramos caídos e de as folhas secas . Então , quando as copas de as árvores se tinham tornado mais cerradas do_que nunca , de_tal_modo_que as estrelas em o céu já não eram visíveis e a varinha de o Harry brilhava isolada em um mar de escuridão , viram as aranhas que eles seguiam a abandonar o caminho . Harry parou , tentando ver para_onde iam mas tudo_o_que ficava longe de a sua pequenina luz era negro de breu . Ele nunca fora tão longe em a floresta . Lembrava se muito bem de Hagrid lhe ter dito , de a última vez que ali tinham estado , que nunca saísse de o caminho de a floresta . Mas Hagrid agora estava a muitos quilómetros de distância e ele também lhes dissera que seguissem as aranhas . Uma coisa húmida tocou em a mão de o Harry e ele deu um salto para trás , pisando o pé a o Ron . Mas afinal era apenas o focinho de o Fang . - O que é_que tu achas ? - perguntou ele a o Ron cujos olhos conseguia vislumbrar , reflectindo a luz de a varinha . - Já_que viemos até aqui - disse ele . Seguiram , portanto as sombras velozes de as aranhas em direcção a as árvores . Não podiam agora andar muito depressa . Tinham em a frente raízes de árvores e troncos cortados que mal se viam em aquela escuridão . Harry sentia o bafo quente de Fang em a mão . Por mais de uma_vez tiveram de parar para o Harry se baixar e descobrir as aranhas a a luz de a varinha . Andaram durante o que lhes pareceu ter sido pelo_menos meia_hora , com os mantos a roçarem em os ramos mais baixos e em as silvas . A o fim de algum tempo repararam que o chão parecia inclinar se para baixo embora as árvores continuassem cerradas . Foi então que o Fang soltou um latido que ecoou em volta , fazendo Harry e Ron darem um salto , ambos com os cabelos em pé . - O que foi ? - gritou o Ron , olhando em volta para a escuridão e agarrando Harry com força , por o cotovelo . - Há qualquer coisa ali a mexer se - murmurou Harry - Ouve ... parece ser grande . Ficaram a ouvir . Um_pouco para a direita algo de grandes dimensões partia os ramos enquanto abria caminho através de as árvores . - Oh ! não - disse o Ron . - Oh ! não , não ... - Cala te - insistiu o Harry , nervoso . - Seja o que for , vai acabar por te ouvir . - Ouvir me ? - disse o Ron , em um tom de voz muito pouco natural . - Já ouviu . Fang ! A escuridão parecia esmagar lhes os globos oculares enquanto ali ficaram apavorados , a a espera . Houve um estranho ruído , surdo e prolongado , e em seguida o silêncio . - O que estará a fazer ? - perguntou Harry . - Talvez esteja a preparar se para atacar - disse o Ron . Esperaram , a tremer , sem ousarem mexer se . - Achas que se foi embora ? - murmurou Harry . - Não sei . Em esse momento , de o lado direito veio um clarão de luz tão forte em o meio de o escuro que os dois levaram as mãos a a cara para proteger os olhos . O Fang ganiu e tentou fugir mas viu se envolvido em um emaranhado de espinhos e ganiu ainda mais alto . - Harry - gritou o Ron com grande alívio em a voz . - Harry , é o nosso carro . - O quê ? - Anda ver . Harry avançou a os tropeções atrás de o Ron , em direcção a a luz e em o momento seguinte estavam em uma clareira . O carro de Mr._Weasley ali estava , vazio , no_meio_de um círculo de árvores grossas , sob um telhado de ramos densos , os faróis de a frente resplandecentes . Quando Ron se aproximou de boca aberta , moveu se lentamente em direcção a ele como_se fosse um grande cão azul turquesa , cumprimentando o dono . - Tem estado aqui todo este tempo - disse o Ron satisfeitíssimo , aproximando se de o carro . - Olha para ele , a floresta tornou o selvagem ... O guarda-lamas estava riscado e cheio de lodo . Parecia que tinha andado a passear sozinho por a floresta . Fang não gostou lá muito de ele . Manteve se a o lado de o Harry que podia senti o a tremer . Com a respiração normalizada , Harry guardou a varinha em o manto . - E nós a pensarmos que ele nos ia atacar - disse o Ron , encostando se a o carro e dando lhe duas palmadinhas - As voltas que eu dei a a cabeça a pensar para_onde ele teria ido ! Harry olhava para todos os lados , em o chão iluminado , em busca de mais aranhas mas todas elas tinham fugido de o brilho de as luzes . - Perdemos as de vista - disse ele . - Anda , vamos procurá as . Ron não disse nada . Não se moveu . Tinha os olhos fixos em um ponto , três metros acima de o chão de a floresta , mesmo atrás de o Harry . O seu rosto estava lívido de terror . Harry nem teve tempo de se voltar . Ouviu se um ruído alto e seco e sentiu que alguma coisa longa e peluda o elevava em o ar com o rosto voltado para baixo . Debatendo se , apavorado , ouviu outro estalido e viu as pernas de o Ron serem também levantadas de o chão . Ouviu o Fang gemer e ganir e , em o momento seguinte , era levado para o meio de as árvores escuras . Com a cabeça a balouçar , Harry viu que a coisa que o transportava tinha seis enormes patas peludas e que as duas de a frente o agarravam com forca sob um par de tenazes pretas e brilhantes . Atrás_de si podia ouvir outra de aquelas criaturas que , sem dúvida , transportava o Ron . Encaminhavam se para o coração de a floresta . Harry ouvia o Fang a ladrar , tentando libertar se de um terceiro monstro mas Harry não podia gritar mesmo_que quisesse , parecia que tinha deixado a voz em a clareira , junto com o carro . Não soube quanto tempo esteve em as patas de a criatura , só se apercebeu que a escuridão se atenuara um_pouco , permitindo lhe ver que o chão coberto de folhas estava agora repleto de aranhas . Voltando a cabeça para o lado , deu se conta de que tinham chegado a a base de uma enorme cova , uma cova que fora limpa de árvores para que as estrelas iluminassem com o seu brilho a cena mais pavorosa que os seus olhos alguma vez tinham visto . Aranhas . Não aranhas pequeninas como aquelas que estavam sobre as folhas . Aranhas de o tamanho de enormes cavalos , com oito olhos , oito pernas pretas , peludas , gigantescas . O espécimen que transportava Harry desceu o terreno íngreme até uma teia brumosa em forma de cúpula que ficava mesmo em o meio de a cova , enquanto os companheiros se juntavam em volta , batendo excitadíssimos com as tenazes e olhando para o que eles traziam a as costas . Harry caiu em o chão de gatas quando a aranha o libertou . Ron e Fang foram cair perto de ele . O Fang já não gania . Estava agachado e muito quieto . Ron e Harry partilhavam o mesmo sentimento . O Ron tinha a boca aberta em uma espécie de grito silencioso e os olhos a saltarem lhe de as órbitas . Harry percebeu de repente que a aranha que o deitara a o chão estava a dizer qualquer coisa . Era difícil entender porque entre cada duas palavras , batia com as tenazes . - Aragog - chamou . - Aragog . E de o meio de a teia brumosa em forma de cúpula saiu muito lentamente uma aranha de o tamanho de um pequeno elefante . As costas e as pernas estavam cobertas de pêlo cinzento e , em a cabeça feia , munida de tenazes , estavam vários olhos , todos eles de um branco leitoso . Era cega . - O que foi ? - disse , batendo rapidamente com as tenazes uma em a outra . - Homens - respondeu a aranha que trouxera o Harry . - É o Hagrid ? - perguntou Aragog , aproximando se mais com os seus oito olhos leitosos a vaguear . - Estranhos - respondeu a aranha que trouxera o Ron . - Matem nos - disse Aragog , irritada . - Eu estava a dormir ... - Nós somos amigos de o Hagrid - gritou Harry . Parecia que o coração lhe saltava por a boca . Clic , clic , clic fizeram as tenazes de a aranha , em volta de a cova . Aragog parou . - O Hagrid nunca mandou homens a a nossa cova - disse lentamente . - O Hagrid está em perigo - explicou Harry , respirando muito depressa . - Foi por isso que eu vim . - Em perigo ? - repetiu a aranha idosa e pareceu a Harry sentir preocupação por detrás de as suas tenazes . - Mas porque vos mandou ele cá ? Harry pensou pôr se de pé mas achou melhor não arriscar . As pernas provavelmente não teriam força para o sustentar . Falou portanto de o chão , o mais calmamente que foi capaz . - Eles lá em a escola pensam que o Hagrid soltou qualquer coisa contra os estudantes . Mandaram o para Azkaban . Aragog bateu furiosamente com as tenazes e , em toda_a cova , o eco foi reproduzido por uma multidão de aranhas . Era uma espécie de aplauso com uma única diferença : os aplausos não costumavam fazer o Harry quase morrer de medo . - Mas isso foi há muitos anos - disse Aragog , maldisposta . - Há anos e anos . Lembro me muito bem . Foi por isso que o expulsaram de a escola . Eles pensaram que eu era o monstro que vive em aquilo a que eles chamam a Câmara_dos_Segredos . Pensaram que o Hagrid a tinha aberto para me libertar . - E tu ... não vieste de a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Harry que sentia a testa cheia de suores frios . - Eu - disse Aragog , batendo irritada com as tenazes - , eu não nasci em o castelo . Venho de uma terra distante . Um viajante ofereceu me a o Hagrid quando eu era ainda um ovo . Hagrid era um rapazinho mas tratou de mim , escondeu me em uma despensa dentro de o castelo e alimentava me com as migalhas que ficavam em as mesas . Hagrid é o meu bom amigo e um bom homem . Quando me encontraram e me culparam por a morte de uma rapariga , ele protegeu me . Desde_então , tenho vivido aqui em a floresta onde o Hagrid ainda vem visitar me . Ele até me arranjou uma esposa , Mosag , e estão a ver como a família cresceu , tudo graças a a bondade de o Hagrid ... Harry reuniu a coragem que lhe restava . - Então tu nunca atacaste ninguém ? - Nunca - resmungou a velha aranha . - Era esse o meu instinto , mas por respeito a Hagrid nunca fiz mal a nenhum humano . O corpo de a rapariga morta foi encontrado em uma casa_de_banho , ora eu nunca conheci mais do_que despensa de o castelo , onde cresci . Nós gostamos de o escuro de o silêncio . - Mas então ... sabes o que matou essa rapariga ? - perguntou Harry . - Porque seja o que for , está a atacar as pessoas outra_vez ... As suas palavras foram abafadas por uma audível explosão de tenazes a bater e por o ruge-ruge de muitas pernas longas , deslocando se iradas . Em volta de Harry começaram a mover se sombras escuras . - O que vive em o castelo - disse Aragog - é uma antiga criatura que nós , aranhas , tememos acima_de todas_as outras . Lembro me bem de o quanto insisti com Hagrid para que me deixasse sair de ali quando senti a criatura a andar por a escola . - O que é ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Mais tenazes a bater , mais pernas a moverem se . As aranhas pareciam estar a aproximar se . - Nós não falamos de isso - exclamou Aragog furiosa . - Não pronunciamos o seu nome . Eu nunca disse a o Hagrid o nome de a horrível criatura , apesar_de ele me ter perguntado vezes sem conta . Harry não quis insistir , principalmente com todas aquelas aranhas a aproximarem se de todos os lados . Aragog parecia ter se cansado de falar . Recuava lentamente para a teia em forma de cúpula , mas as companheiras continuavam a aproximar se ameaçadoramente de Harry e Ron . - Vamos embora , então - gritou Harry , desesperadamente a Aragog , enquanto ouvia as folhas secas a estalarem atrás_de si . - Embora ? - disse Aragog lentamente . - Não me parece ... - Mas , mas ... - Os meus filhos e filhas não fazem mal a o Hagrid por ordem minha . Mas não posso negar lhes carne fresca quando ela veio por vontade própria ter connosco . Adeus , amigo de o Hagrid . Harry deu meia volta . Poucos centímetros acima de ele , uma sólida parede de aranhas batia com as tenazes , os seus muitos olhos a brilharem em as horríveis caras pretas . Mesmo_que se servisse de a varinha , Harry sabia que não ia valer de nada . As aranhas eram demasiadas , mas quando tentava preparar se para morrer a lutar , ouviu se um som prolongado e um clarão de luz iluminou a cova . O carro de Mr._Weasley ribombava , descendo o declive , com os faróis acesos , a buzina a guinchar , afastando as aranhas . Muitas de elas ficaram voltadas ao_contrário com as várias pernas a agitar se em o ar . O carro buzinou com mais força em frente de Harry e Ron e as portas abriram se . - Agarra o Fang - gritou Harry , ajeitando se em o lugar de a frente . Ron agarrou o cão caçador de javalis e lançou o a ganir para o banco de trás . As portas fecharam se com estrondo . Ron não tocou em o acelerador mas o carro não precisou de isso . O motor fez se ouvir e levantaram voo , batendo em mais aranhas . Subiram o declive , saindo de a cova e pouco depois atravessavam a floresta , os ramos a baterem em os vidros enquanto o carro seguia habilmente através de os intervalos maiores , por um caminho que obviamente já conhecia . Harry olhou para o Ron , a o seu lado . Ele tinha ainda a boca aberta em o mesmo grito silencioso mas os olhos já não estavam salientes . - Estás bem ? Ron olhou em frente , incapaz de responder . Começavam a descer para terra firme com o Fang a soltar enormes ganidos em o banco de trás e Harry viu o espelho retrovisor saltar quando passaram rente a um enorme carvalho . Após dez minutos bastante ruidosos , as árvores começaram a ser mais finas e Harry pôde ver de_novo pedaços de o céu . O carro parou tão bruscamente que quase foram projectados por o vidro de a frente . Tinham chegado a a orla de a floresta . O Fang ia agitadíssimo a a janela e quando Harry abriu a porta , disparou a correr através de as árvores até a a casa de o Hagrid , de cauda entre as pernas . Harry saiu também e um minuto depois o Ron pareceu recuperar a força em os membros e seguiu o , ainda com um torcicolo e de olhos esbugalhados . Harry deu uma palmadinha de agradecimento a o carro antes de ele dar a volta e desaparecer em direcção a a floresta . Harry voltou a a cabana de o Hagrid para buscar o manto de a invisibilidade . O Fang tremia em o seu cesto , coberto por um cobertor . Quando saiu de_novo , viu o Ron a vomitar junto de as abóboras . - Sigam as aranhas - disse ele debilmente , limpando a boca a a manga . - Nunca vou perdoar a o Hagrid . É uma sorte ainda estarmos vivos . - Aposto que ele pensou que Aragog nunca faria mal a os seus amigos - justificou Harry . - Esse é justamente o problema de o Hagrid - interrompeu Ron , dando um soco em a parede de a cabana . - Ele acha sempre_que os monstros não são tão maus como os pintam e vê onde isso o levou , a uma cela em Azkaban - tremia agora descontroladamente . - Qual a ideia de ele a o mandar nos ali ? Gostava de saber o que é_que descobrimos . - Que o Hagrid nunca abriu a Câmara_dos_Segredos - disse Harry , lançando o manto sobre Ron e tocando lhe em o braço para o encorajar a andar . - Ele estava inocente . Ron resmungou em voz alta . Para ele , chocar Aragog em uma despensa não era propriamente estar inocente . Quando se aproximaram de o castelo , Harry esticou o manto para garantir que os pés de ambos ficavam cobertos . Em seguida , empurrou as portas de a frente que chiaram . Atravessaram com todo o cuidado o * hall * de entrada e subiram a escadaria de mármore , contendo a respiração em os corredores guardados por sentinelas atentos . Por fim , chegaram a a segurança de a sala de os Gryffindor onde o lume ardera até se transformar em brasas brilhantes . Tiraram o manto e subiram a escada serpenteante que os levava a o dormitório . Ron caiu em a cama sem sequer se despir mas Harry , apesar_de tudo , não tinha sono . Sentou se em a beirinha de a cama , pensando em todas_as coisas que Aragog dissera . A criatura que andava por o castelo , pensou , era uma espécie de monstro Voldemort , nem os outros monstros queriam pronunciar o seu nome . Mas ele e o Ron não estavam agora mais perto_de descobrir o que era nem como petrificava as suas vítimas . Se nem o Hagrid chegara a saber o que estava em a Câmara_dos_Segredos ... Harry balançou as pernas e atirou se para_cima de a cama . Encostado a as almofadas olhou a Lua que brilhava através de a janela de a torre . Não sabia que mais poderiam fazer . Só tinham encontrado portas fechadas . Riddle apanhara a pessoa errada . O herdeiro de Slytherin fugira e ninguém sabia se era a mesma pessoa ou uma outra que abrira , desta_vez , a Câmara_dos_Segredos . Não havia mais ninguém a quem fazer perguntas . Harry deitou se ainda a pensar em as palavras de Aragog . Estava a começar a ficar com sono quando aquilo que parecia ser uma última esperança lhe ocorreu , fazendo o sentar se muito direito em a cama . - Ron - sussurrou em o escuro . - Ron . Ron acordou com um ganido como os de o Fang . Olhou muito assustado em volta e viu o Harry . - Ron , a rapariga que morreu . Aragog contou nos que ela foi encontrada em uma casa_de_banho - disse , ignorando os roncos de o Neville em o outro canto de o quarto . - E se ela nunca tivesse saído de a casa_de_banho ? E se ainda lá estiver ? Ron esfregou os olhos , franzindo as sobrancelhas sob a luz de a Lua . E só então compreendeu . -- Não pensar que ... a Murta_Queixosa ? XVI_A_Câmara_dos_Segredos -- E estivemos nós tantas vezes em aquela casa_de_banho com ela apenas a três cubículos de distância - disse o Ron amargamente em o dia seguinte , a a mesa de o pequeno-almoço . - Podíamos ter lhe perguntado e agora ... Já fora bastante difícil procurar as aranhas . Escapar a os professores o tempo suficiente para ir até a a casa_de_banho de as raparigas , que ficava mesmo em frente de o lugar onde ocorrera o primeiro ataque , ia ser quase impossível . Mas alguma coisa aconteceu que fez com que a Câmara_dos_Segredos desaparecesse de os seus pensamentos pela_primeira_vez em várias semanas . A professora Mc_Gonagall comunicou lhes que os exames começariam a 1_de_Junho , uma semana depois . - Exames ? - gritou Seamus_Finnigan . - Nós mesmo_assim vamos ter exames ? Ouviu se um estrondo atrás de o Harry quando a varinha de o Neville_Longbottom lhe escapou de a mão , fazendo desaparecer uma de as pernas de a secretária . A professora Mc_Gonagall repô a com a sua varinha e voltou se com má cara para o Seamus . - Se temos a escola aberta em uma altura de estas é para vocês receberem instrução - disse com dureza . - Os exames terão lugar , portanto , como é costume e espero que todos vocês façam revisões até lá . Revisões . Não passara por a cabeça de o Harry que houvesse exames com o castelo em aquele estado . Houve uma série de murmúrios revoltados , o que fez com que a professora Mc_Gonagall ficasse ainda mais mal-humorada . - As instruções de o professor Dumbledore foram para manter a escola a funcionar o mais normalmente possível - disse . - E isso , não preciso de vos dizer , passa por uma avaliação de o quanto vocês aprenderam a o longo de este ano . Harry olhou para baixo , para o casal de coelhos brancos que ele deveria transformar em pantufas . Que tinha ele aprendido durante o ano ? Não era capaz de se lembrar de nada que fosse útil em um exame . Ron estava como_se tivessem acabado de lhe dizer que a partir de aquele momento tinha de ir viver para a floresta proibida . - Estás a ver me a ter exames com isto tudo ? - perguntou a o Harry enquanto pegava em a varinha que tinha começado a assobiar bastante alto . Três dias antes de o primeiro exame , a a hora de o pequeno almoço , a professora Mc_Gonagall fez outra comunicação . - Tenho boas notícias - disse , e o salão em_vez_de se calar , explodiu de contentamento . - Dumbledore vai regressar ! - gritaram várias pessoas cheias de alegria . - Apanharam o herdeiro de Slytherin - arriscou uma rapariga em a mesa de os Ravenclaw . - Temos outra_vez os jogos de Quidditch - bradou Wood , excitadíssimo . Quando a agitação passou , Mc_Gonagall disse : - A professora Sprout informou me que as mandrágoras estão finalmente prontas para serem cortadas . Hoje a a noite vamos poder reanimar as pessoas que foram petrificadas . Escusado será dizer que certamente uma de elas poderá revelar nos quem ou o que a atacou . Eu tenho esperança que este ano pavoroso acabe com a prisão de o culpado . Houve uma explosão de aplausos . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e não ficou nada surpreendido a o ver que Draco_Malfoy não aplaudia . O Ron , por outro lado , estava satisfeito como ninguém o via havia dias . - Não faz mal não termos perguntado a a Murta . A Hermione vai , com certeza , ter todas_as respostas quando acordarem . Vai também ficar fula quando souber que temos exames dentro_de três dias . Ela não pôde fazer revisões . Seria melhor deixarem a estar onde está até a o final de os exames . Nessa_altura , Ginny_Weasley veio sentar se junto de o Ron . Parecia nervosa e tensa e Harry reparou que torcia as mãos em o colo . - O que se passa ? - perguntou o Ron , servindo se de mais papa de aveia . Ginny não disse nada mas olhou para um lado e para o outro de a mesa de os Gryffindor , com um olhar assustado que lembrou a Harry alguém que não sabia bem quem era . - Vá lá , vomita - disse o Ron , olhando para ela . Harry percebeu subitamente quem a Ginny lhe lembrara . Ela balançava se ligeiramente para a frente e para trás em a cadeira , exactamente como o Dobby fazia quando estava hesitante , à_beira_de revelar uma informação proibida . - Tenho de te dizer uma coisa - balbuciou a Ginny receosa , sem olhar para Harry . - O que é ? - perguntou ele . Ginny parecia incapaz de encontrar as palavras certas . - O quê ? - insistiu Ron . Ginny abriu a boca mas não saiu nenhum som . Harry inclinou se para a frente e falou devagar para que só ela e Ron pudessem ouvi o . - É alguma coisa relacionada com a Câmara_dos_Segredos ? Viste alguma coisa ou alguém a agir de forma estranha ? Ginny respirou fundo e , em esse preciso momento , apareceu Percy_Weasley com um ar pálido e cansado . - Se já acabaste de comer eu fico com esse lugar , Ginny . Estou cheio de fome . Acabei agora o meu trabalho de patrulhamento . Ginny deu um salto como_se a cadeira tivesse acabado de ser electrificada , lançou a o Percy um olhar assustado e zarpou . Percy sentou se e tirou uma caneca de o meio de a mesa . -- Percy - disse o Ron aborrecido . - Ela ia agora mesmo contar nos uma coisa importante . A meio de um gole de chá , Percy estremeceu . - Que coisa ? - perguntou , tossindo . - Eu quis saber se ela tinha visto alguma coisa estranha e ela ia dizer ... - Ah ! isso ... não tem nada que ver com a Câmara_dos_Segredos - disse o Percy de imediato . - Como sabes ? - indagou o Ron , erguendo as sobrancelhas . - Bem ... er ... já_que perguntam , a Ginny ... er ... passou por mim em outro dia quando eu ... er ... não foi nada , o importante é_que ela viu me fazer uma coisa e eu ... um ... pedi lhe para não comentar com ninguém . Não pensei que ela cumprisse a palavra , verdade se diga . Não é nada importante , eu só ... Harry nunca vira o Percy tão pouco a a vontade . - O que estavas a fazer , Percy ? - riu se o Ron . - Vá lá , conta que nós não nos rimos . Percy ficou sério . - Passa me esses pãezinhos , Harry , estou cheio de fome . Harry sabia que todo o mistério poderia ser desvendado em o dia seguinte sem a ajuda de eles mas não ia deixar de falar com a Murta_Queixosa se a oportunidade surgisse . E , para sua grande satisfação , ela surgiu a meio de a manhã quando eram conduzidos a a aula de História_da_Magia_por_Gilderoy_Lockhart . Lockhart , que tantas vezes lhes assegurara que o perigo tinha passado , estava agora totalmente convencido de que acompanhar os alunos em os corredores era um trabalho inútil . O seu cabelo estava mais liso do_que de costume . Parecia ter passado toda_a noite acordado a vigiar o quarto andar . - Podem escrever o que eu digo - afirmou , acompanhando os até uma esquina . - As primeiras palavras que vão sair de a boca de aquelas pobres pessoas petrificadas serão - * _ Foi_o_Hagrid * . Francamente , estou espantado por a professora Mc_Gonagall considerar ainda necessárias estas medidas de segurança . - Concordo , professor - disse Harry , fazendo com que Ron , surpreendido , deixasse cair os livros a o chão . - Obrigado , Harry - disse Lockhart amavelmente , enquanto deixavam passar uma grande fila de Hufflepuffs . - verdade é_que os professores já têm bastante que fazer para andarem também a acompanhar os alunos a as aulas e a guardar os corredores a a noite ... - É verdade - disse o Ron , percebendo a ideia . - Porque não nos deixa aqui , professor , só falta mais um corredor . - Sabes , Weasley , sou mesmo capaz de fazer isso - disse Lockhart . - Preciso de preparar a minha próxima aula . E apressou se a seguir o seu caminho . - Preparar a aula - zombou o Ron . - Vai encaracolar o cabelo , é o mais certo . Deixaram os restantes Gryffindor passar lhes a a frente e por fim cortaram caminho em um corredor lateral e dirigiram se a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mas quando estavam a congratular se por o seu esquema brilhante ... - Potter , Weasley ! Que estão vocês a fazer aqui ? Era a professora Mc_Gonagall e a boca de ela estava mais fina do_que nunca . - Nós estávamos , estávamos - gaguejou o Ron . - Nós íamos ver , íamos ver ... - Hermione - completou Harry . A professora Mc_Gonagall e Ron olharam para ele . - Não a vemos há séculos , professora - prosseguiu Harry , pisando o pé a o Ron . - E pensamos ir espreitá a a a ala hospitalar e dizer lhe que as mandrágoras estão quase prontas , para ela não se preocupar . A professora Mc_Gonagall estava ainda a olhar para ele e , por um momento , Harry pensou que ela ia explodir mas , quando falou , fê lo em um tom de voz estranhamente rouco . - É claro - disse . E Harry , espantado , viu uma lágrima a brilhar lhe em o canto de um de os olhos . - É claro . Eu compreendo que tudo_isto tem sido muito duro para os amigos de aqueles que foram ... eu compreendo , sim , Potter . Podem ir visitar Miss_Granger . Eu mesma informarei o professor Binns de que vocês estão em o hospital . Digam a Madam_Pomfrey que vos dei autorização . Harry e Ron afastaram se , quase sem acreditar que tinham escapado a um castigo . Quando voltaram em uma esquina ouviram nitidamente a professora Mc_Gonagall a assoar se . - Esta - disse o Ron entusiasmado - foi a melhor história que tu alguma vez inventaste . Não tinham outro remédio senão ir a a ala hospitalar e dizer a Madam_Pomfrey que tinham autorização de a professora Mc_Gonagall para visitar Hermione . Madam_Pomfrey deixou os entrar com alguma relutância . - Não vale a pena falar com uma pessoa petrificada - disse , e ambos tiveram que admitir que ela tinha razão quando se sentaram junto de Hermione e constataram que ela não tinha a menor noção de estar acompanhada . Dizer lhe que não se preocupasse ou falar com o armário que estava a o lado de a cama era exactamente a mesma coisa . - Será que ela viu quem a atacou ? - perguntou o Ron , olhando com tristeza para o rosto rígido de Hermione . - Porque se a coisa saltou sobre eles , ficaremos todos sem saber de nada . Mas Harry não olhava para o rosto de Hermione . Estava mais interessado em a sua mão direita que se encontrava pousada sobre os cobertores e , inclinando se para ela , viu que tinha , fechado entre os dedos , um pedaço de papel . Assegurando se de que Madam_Pomfrey não dava por nada , fez sinal a o Ron . - Tenta tirá o - murmurou ele , colocando a cadeira de_modo_a que Madam_Pomfrey não pudesse ver o Harry . Não foi tarefa fácil . A mão de a Hermione estava fechada com uma força tal que Harry receou parti a . Enquanto Ron vigiava , ele forçou e torceu até que , por fim , depois de vários minutos bastante tensos , conseguiu tirar o papel . Era uma página retirada de um livro muito antigo de a biblioteca . Harry alisou a ansiosamente e Ron inclinou se para poder lês a também . * _ De todos os monstros assustadores que pairam a a face de a Terra , nenhum é tão curioso nem tão fatal como o Basilisk , também conhecido por o rei de as serpentes . Esta cobra que pode atingir proporções gigantescas e viver durante muitas centenas de anos nasce de um ovo de galinha que é chocado por um sapo . As suas formas de matar são pavorosas pois além de os dentes venenosos e mortais , o Basilisk tem um olhar criminoso e todos aqueles que ele fixa com os olhos tem morte instantânea . As aranhas fogem a sete pés de o Basilisk que é seu inimigo mortal , e o Basilisk foge apenas de o canto de o galo que para ele é fatal * . Por debaixo de isto uma única palavra fora escrita , em a letra que Harry reconheceu como sendo de Hermione : Canos . Foi como_se se tivesse acendido uma luz em o seu espírito . - Ron - murmurou - é isso . Está aqui a resposta . O monstro de a Câmara_dos_Segredos é um Basilisk , uma serpente gigante . Por isso , só eu tenho ouvido a sua voz em todos os lugares , porque eu compreendo * serpentês * ... Harry olhou para as camas em volta . - O Basilisk mata as pessoas fixando as com o olhar mas ninguém morreu , o que quer_dizer que ninguém o olhou directamente em os olhos . Colin viu o através de a lente de a máquina fotográfica e o Basilisk queimou o rolo que estava lá dentro mas o Colin ficou apenas petrificado . O Justin ... o Justin deve ter visto o Basilisk através de o Nick quase sem cabeça . O Nick é_que levou com o olhar mas não podia morrer outra_vez ... e perto de a Hermione e de a prefeita de os Ravenclaw foi encontrado um espelho . Hermione acabara de compreender que o monstro era um Basilisk . Aposto que preveniu a primeira pessoa que encontrou de que era melhor olhar por um espelho a o virar de cada esquina . E aquela rapariga puxou de o seu espelho e ... O Ron estava de queixo caído . - E Mrs._Norris ? - perguntou vivamente . Harry pensou um_pouco , tentando imaginar a cena em a noite de o Halloween . - A água . . . - disse lentamente . - A poça de água que saiu de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Aposto que Mrs._Norris só viu o reflexo de o monstro . Examinou a folha de papel que tinha em a mão . Quanto_mais olhava mais sentido faziam as coisas . - * _ O cantar de o galo é fatal para ele * - leu em voz alta . - Os galos de o Hagrid foram mortos . O herdeiro de Slytherin não queria um único galo perto de o castelo , com a câmara aberta . * _ As aranhas são as primeiras a fugir * . Tudo encaixa . - Mas , como tem o Basilisk andado por aí ? - disse o Ron . - Uma serpente horrível e enorme ... alguém a teria visto . Mas Harry apontou para a palavra que Hermione escrevinhara em o final de a página . - Canos - disse . - Canos ... Ron , ele tem usado a canalização . Eu ouvi sempre a voz dentro de as paredes ... Ron agarrou subitamente o braço de o Harry . - A entrada para a Câmara_dos_Segredos - disse em uma voz rouca . - E se for em uma casa_de_banho ? Se for em a ... - Em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa - completou Harry . Sentaram se , tomados de uma excitação enorme , mal querendo acreditar . - Isso significa que - disse o Harry - eu não posso ser o único em a escola a falar * serpentês * . Há também o herdeiro de Slytherin . É de esse modo que tem controlado o Basilisk . - O que vamos fazer ? - perguntou Ron com os olhos a faiscar . - Vamos falar com a Mc_Gonagall ? - Vamos até a a sala de os professores - disse Harry , dando um salto . - Ela estará lá dentro_de dez minutos , está quase em o intervalo . Desceram a escada a correr . Não querendo ser descobertos outra_vez a vaguear por os corredores foram directamente até a a sala de os professores que estava deserta . Era uma divisão ampla , toda forrada , com cadeiras de madeira escura . Harry e Ron passearam de um lado para o outro , demasiado nervosos para se sentarem . Mas a campainha anunciando o intervalo nunca mais tocava . Em vez de isso , ecoando em os corredores , ouviram a voz de a professora Mc_Gonagall incrivelmente ampliada . - * _ Todos os alunos devem regressar de imediato a os seus dormitórios . Todos os professores a a sala de professores . Imediatamente , por favor * . Harry deu meia volta e olhou para o Ron . - Não me digas que houve um novo ataque , não agora ! - Que vamos fazer ? - disse o Ron aterrado . - Voltar para o dormitório ? - Não - disse Harry , olhando e m volta . Havia uma espécie de armário a a sua esquerda cheio com os mantos de os professores . - Ali . Vamos ouvir o que se passa . A seguir poderemos contar lhes o que descobrimos . Esconderam se dentro de o armário , ouvindo a algazarra de centenas de pessoas e a porta de a sala de professores a abrir se . De o meio de a confusão de mantos bafientos , viram os professores encherem a sala . Alguns tinham um ar totalmente confuso , outros pareciam apavorados . Por fim , chegou a professora Mc_Gonagall . - Aconteceu - disse em o silêncio de a sala de professores . - O monstro levou uma aluna . Levou a mesmo para a câmara . O professor Flitwick soltou um grito agudo . A professora Sprout bateu com a mão em a boca . Snape agarrou com força as costas de uma cadeira e perguntou : - Como pode ter tanta certeza ? - O herdeiro de Slytherin - disse a professora Mc_Gonagall , muito pálida . - Deixou outra mensagem . Mesmo por baixo de a primeira : « * _ O esqueleto de ela ficará para sempre em a Câmara_dos_Segredos * . » O professor Flitwick desatou a chorar . - Quem é ela ? - quis saber Madam_Hooch que se afundara em uma cadeira . - Quem é a aluna ? - Ginny_Weasley - disse a professora Mc_Gonagall . Harry viu o Ron , a o seu lado , escorregar silenciosamente até a o chão de o armário . - Vamos ter que mandar todos os alunos embora amanhã - disse a professora Mc_Gonagall . Isto_é o fim de Hogwarts , Dumbledore sempre disse ... A porta de a sala de os professores voltou a abrir se . Por um breve momento , Harry pensou que fosse Dumbledore mas era Lockhart e vinha todo sorridente . - Peço desculpa , adormeci . Perdi alguma coisa ? Não pareceu reparar que os outros professores o olhavam com uma espécie de aversão . Snape deu um passo em frente . - O homem que faltava - disse . - O homem certo . O monstro raptou uma garota , Lockhart levou a para a Câmara_dos_Segredos . O seu momento chegou . - Isso mesmo , Lockhart - acrescentou a professora Sprout . - Não estavas a dizer ontem a a noite que sempre tinhas sabido onde era a entrada para a Câmara_dos_Segredos ? - Eu ... bem ... eu-disse atabalhoadamente Lockhart . - Sim , não me disseste que sabias exactamente o que estava lá dentro ? - disse com voz esganiçada o professor Flitwick . - Eu disse ? Não me lembro ... - Lembro me perfeitamente de o ouvir dizer que lamentava não ter feito uma tentativa com o monstro antes de o Hagrid ser preso - disse Snape . - Não disse que toda_a história tinha sido uma atrapalhação e que deveriam ter lhe dado carta branca desde o princípio ? Lockhart olhou em volta para a cara de espanto de os colegas . - Eu ... nunca ... eu de facto ... deve ter me compreendido mal . - Então vamos deixar te , Gilderoy - disse a professora Mc_Gonagall . - Esta noite será uma excelente oportunidade para actuares . Nós trataremos de assegurar que ninguém te atrapalha . Vais poder enfrentar o monstro sozinho . Finalmente tens carta branca . Lockhart olhou desesperado a a sua volta mas ninguém foi salvá o . Já não estava bem-parecido . O lábio tremia lhe e a ausência de o seu habitual sorriso de dentes brancos dava lhe um ar escanzelado . - M-muito bem - disse . - Vou até a o meu escritório para ... para me preparar . E saiu de a sala . - _ óptimo - exclamou a professora Mc_Gonagall com as narinas dilatadas . - Isto deve afastá o de o nosso caminho . Os chefes de casa devem ir agora comunicar a os respectivos alunos o que se passou e informá os de que o Expresso_de_Hogwarts os levará a casa amanhã de manhã . Os restantes certifiquem se , por favor , de que não há alunos fora de os dormitórios . Os professores levantaram se e saíram um a um . Foi talvez o dia pior de a vida de o Harry . Ele , Ron , Fred e George sentaram se juntos a um canto em a sala comum de os Gryffindor , incapazes de proferir uma palavra . Percy não estava lá . Tinha ido tratar de enviar uma coruja a Mr. e Mrs._Weasley e , em seguida , fechara se em o dormitório . Nunca uma tarde custara tanto a passar e nunca a torre de os Gryfffindor estivera tão cheia de gente e tão silenciosa . Fred e George foram para a cama quase a o pôr de o Sol , incapazes de ficar ali mais tempo . - Ela sabia qualquer coisa , Harry - disse o Ron , falando pela_primeira_vez desde_que tinham saído de o armário de a sala de os professores . - Por isso a levaram . Não era nenhuma parvoíce sobre o Percy , ela tinha descoberto qualquer coisa sobre a Câmara_dos_Segredos . Com certeza por isso é_que a ... - Ron esfregou os olhos , enervadíssimo . - Afinal ela era sangue puro , não pode haver outra explicação . Harry olhava para o sol que mergulhava de um vermelho cor de sangue em a linha de o horizonte . Era a pior coisa que lhe tinha acontecido . Se pelo_menos pudessem fazer alguma coisa . - Harry - disse o Ron . - Achas que há alguma possibilidade de ela não estar ... ? Sabes o que eu quero dizer . Harry não sabia que resposta dar . Não acreditava que a Ginny pudesse ainda estar viva . - Sabes uma coisa ? - disse o Ron . - Acho que devíamos ir ter com o Lockhart , contar lhe o que sabemos . Ele vai tentar entrar em a câmara , podemos dizer lhe onde achamos que fica a entrada e contar lhe que o monstro é um Basilisk . Como Harry não tinha nenhuma ideia melhor e como queria fazer alguma coisa , concordou . Os Gryffindor que os rodeavam estavam tão tristes e com tanta pena de os Weasley que ninguém tentou impedi os quando os viram levantar se , atravessar a sala e sair por o buraco de o retrato . A escuridão começava a instalar se quando chegaram a o escritório de Lockhart onde a actividade era muita . De o corredor ouvia se o ruído de coisas a serem deitadas fora , pancadas surdas e passos apressados . Harry bateu a a porta e houve um silêncio repentino . Em seguida abriu se uma fresta de a porta e viram um de os olhos de Lockhart a espreitar . - Oh ! ... Mr._Potter ... Mr._Weasley - disse entreabrindo a porta . - Estou um_pouco ocupado em este momento , se forem rápidos ... - Professor , nós temos informações para lhe dar - disse o Harry . - Acho que poderão ajudá o . - Er ... bem ... não é - o lado de a cara de Lockhart que conseguiam ver parecia muito pouco a a vontade . - Quer_dizer ... bem ... está bem . Abriu a porta e eles entraram . O escritório estava praticamente vazio . Em o chão estavam duas grandes malas abertas . Mantos verde-jade , lilás , azul-noite tinham sido apressadamente dobrados e guardados dentro_de uma de as malas . Os livros misturavam se todos dentro de a outra . As fotografias que antes cobriam as paredes estavam agora arrumadas em caixas , em cima de a secretária . - Vai a algum lado ? - perguntou Harry . - Er ... bem ... sim - disse Lockhart , arrancando de a porta um poster seu em tamanho natural , enquanto falava , e começando a enrolá o . - Uma chamada urgente ... inevitável ... tenho que ir . - E a minha irmã ? - perguntou o Ron bruscamente . - Bem , quanto_a isso foi uma pena - disse Lockhart , evitando olhá os em os olhos , abrindo uma gaveta e começando a despejar o seu conteúdo dentro_de um saco . - Ninguém lamenta mais do_que eu ... - O senhor é o professor de Defesa contra as artes negras - disse Harry . - Não pode ir se embora agora_que todas estas coisas de magia negra estão a acontecer aqui . - Bem , devo dizer te que ... quando aceitei o lugar ... - resmungou Lockhart , empilhando soquetes sobre os mantos - nada em a descrição de o meu trabalho fazia prever ... - Quer_dizer que vai fugir ? - perguntou Harry , incrédulo . - Depois de todas_as coisas que conta em os seus livros ? - Os livros podem ser enganadores - disse Lockhart delicadamente . - Mas foi o senhor que os escreveu - gritou Harry . - Meu rapaz - disse Lockhart , endireitando se e franzindo as sobrancelhas - usa o senso comum . Os meus livros não teriam vendido metade do_que venderam se as pessoas não acreditassem que eu tinha feito todas aquelas coisas . Ninguém está interessado em ler sobre um velho feiticeiro americano mesmo_que ele tenha salvo uma cidade inteira de os lobisomens , ficaria péssimo em a capa . E a bruxa que correu com a fada carpideira tinha um lábio leporino . Como vês . - Quer_dizer que ficou com os louros por tudo_o_que uma série de outras pessoas fizeram ? - perguntou Harry , sem querer acreditar . - Harry , Harry - disse Lockhart , abanando impacientemente a cabeça . - Não é tão simples assim . Envolveu muito trabalho . Tive de localizar todas essas pessoas , perguntar lhes em pormenor como tinham feito as coisas . Depois tive de lhes fazer um feitiço antimemória para que não voltassem a lembrar se do_que tinham feito . Se há uma coisa de que me orgulho é de os meus feitiços antimemória . Não , tive muito trabalho , Harry . Não foram só as sessões de autógrafos e as fotografias , sabes ? Quem quer ser famoso tem de estar preparado para um trabalho longo e fatigante . Fechou as malas a a chave . - Vejamos - disse . - Acho que está tudo . Sim , só falta uma coisa . - Empunhou a varinha e voltou se para eles . - Lamento muito , rapazes , mas vou ter de vos fazer um feitiço antimemória . Não posso deixar que vão por aí repetir os meus segredos . Não venderia nem mais um livro . Harry pegou em a varinha mesmo a tempo e Lockhart mal tinha levantado a de ele a o ar quando Harry gritou * _ Expelliarmus ! * Lockhart foi projectado de costas , indo cair em cima de a mala . A varinha voou por os ares . Ron agarrou a e atirou a por a janela aberta . - Não devia ter deixado o professor Snape ensinar nos esta - disse Harry furioso , dando um pontapé a uma de as malas . Lockhart olhava para ele , de_novo escanzelado . Harry apontava lhe a varinha . - O que queres que eu faça ? - perguntou debilmente . - Eu não sei onde fica a Câmara_dos_Segredos . Não posso fazer nada . - Está com sorte - disse Harry , forçando o com a varinha a pôr se de pé . - Nós julgamos saber onde é e o que está lá dentro . Vamos . Conduziram Lockhart para fora de o seu escritório , desceram com ele as escadas e seguiram por o corredor escuro em cuja parede brilhavam as mensagens , até a a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mandaram Lockhart a a frente . Harry gostou de ver que todo ele tremia . A Murta_Queixosa estava sentada em a cisterna de o cubículo de o fundo . - Ah ! são vocês - disse a o ver o Harry . - O que querem agora ? - Perguntar te como morreste - disse Harry . O aspecto de a Murta mudou por completo . Parecia que nunca lhe tinham feito uma pergunta tão lisonjeira . - Ooooh ! Foi horrível - disse satisfeita . - Aconteceu aqui mesmo . Morri em este cubículo . Lembro me tão bem . Estava escondida porque a Olive_Hornby andava a implicar comigo por causa de os meus óculos . A porta estava fechada e eu estava a chorar e , então , ouvi alguém entrar . Disseram qualquer coisa estranha em uma língua diferente , acho eu . Mas o que mais me espantou foi o ser um rapaz a falar . Por isso , abri a porta para lhe dizer que fosse a a casa_de_banho de eles e em esse momento - a Murta inchou com ar importante , o rosto a brilhar - morri . - Como ? - perguntou Harry . - Não faço ideia - disse a Murta em um tom de voz abafado . - Só me lembro de ver dois grandes olhos amarelos , de o meu corpo ficar preso e em seguida , sentir me a flutuar ... - olhou sonhadoramente para Harry . - E depois voltei . Estava disposta a vingar me de a Olive_Hornby , percebes ? Ela ia arrepender se de ter gozado com os meus óculos . - Onde foi exactamente que viste os tais olhos ? - perguntou Harry . - Algures por aí - disse a Murta , apontando vagamente para o lavatório em frente de o seu cubículo . Harry e Ron apressaram se . Lockhart estava de pé , mais atrás , com uma expressão de pavor em o rosto . O lavatório parecia perfeitamente vulgar . Examinaram o centímetro a centímetro , dentro e fora , incluindo os canos por baixo . E foi então que Harry reparou : de lado , rabiscada em uma de as torneiras de cobre , estava uma cobra pequenina . - Essa torneira nunca funcionou - disse vivamente a Murta enquanto ele tentava abri a . - Harry - sugeriu o Ron . - Diz qualquer coisa em * serpentês * . Mas , pensou Harry , as únicas vezes que conseguira falar * serpentês * tinham ocorrido quando confrontado com uma verdadeira serpente . Olhou , concentrado para a pequena cobra gravada em o cobre , tentando imaginá a como verdadeira . - Abre te - disse . Olhou para o Ron que abanou a cabeça . - Inglês - disse ele . Harry voltou a olhar para a cobra , forçando se a acreditar que estava viva . A luz de a vela fez parecer que se movia . - Abre te - repetiu . Mas desta_vez as palavras não foram o que ele ouviu . Um estranho sibilar escapou lhe de a boca e a torneira ganhou uma luz branca e brilhante e começou a rodar . Logo_a_seguir o lavatório mexeu se . Afastou se , melhor dizendo , saiu de o caminho , deixando um grande cano a a vista , um cano onde cabia um homem . Harry ouviu a respiração arquejante de o Ron e olhou de_novo para ele . Já decidira o que queria fazer . - Vou descer - disse . Não podia deixar de ir , agora_que acabavam de descobrir a entrada para a câmara , existindo uma possibilidade , por mais remota que fosse , de a Ginny ainda estar viva . - Eu também - disse o Ron . Houve uma pausa . - Bem , parece que não precisam mais de mim - apressou se Lockhart a dizer com uma réstia de sorriso . - Eu vou . . . Pôs a mão em o puxador de a porta mas Ron e Harry apontaram lhe ambos as varinhas . -- O senhor pode ir a a frente - disse rispidamente o Ron . Pálido e sem varinha , Lockhart aproximou se de a entrada . - Meus rapazes - disse em uma voz débil . - Meus rapazes , para quê tudo_isto ? Harry tocou lhe em as costas com a varinha e ele meteu as pernas em o cano . - Eu não me parece que ... - começou a dizer , mas o Ron deu lhe um empurrão e ele desapareceu por o cano abaixo . Harry foi rapidamente atrás . Introduziu se lentamente e deixou se cair . Era como escorregar em uma pista escura e interminável . Ele via outros canos , estendendo se em todas_as direcções mas nenhum tão largo como o de eles que se torcia e virava , inclinando se abruptamente . Harry sabia que estavam a chegar a um ponto muito abaixo de a escola e de os calabouços . Atrás_de si , ouvia o Ron gemendo em cada curva . E então , quando começava a preocupar se com o que iria acontecer quando tocassem em o chão , o cano tornou se horizontal e ele foi projectado com um ruído surdo , indo aterrar em o chão húmido de um túnel de pedra com altura suficiente para ele se pôr de pé . Lockhart estava a levantar se a alguma distancia , todo enlameado e pálido como um fantasma . Harry afastou se para deixar o Ron sair também de o cano . - Devemos estar quilómetros e quilómetros abaixo de a escola - disse o Harry cuja voz ecoou em o túnel negro . - Talvez até debaixo de o lago - arriscou o Ron , olhando em volta para as paredes escuras e viscosas . Voltaram se os três para olhar para a escuridão lá a o fundo . - * _ Lumus ! * - murmurou Harry a a varinha e ela voltou a acender se . - Vamos - disse a o Ron e a o Lockhart e avançaram , os passos a chapinharem ruidosamente em o chão molhado . O túnel era tão escuro que só conseguiam ver alguns centímetros a a frente . As suas sombras em as paredes molhadas pareciam monstruosas a a luz de a varinha . - Lembrem se - disse Harry baixinho enquanto caminhavam . - A o menor movimento fechem logo os olhos ... Mas o túnel era silencioso como um túmulo e o primeiro som inesperado que ouviram foi um grito de o Ron que escorregou em uma coisa que era afinal a cauda de um rato . Harry baixou a varinha para olhar para o chão e viu que estava cheio de pequenos ossos de animais . Fazendo um enorme esforço para evitar pensar em que estado iriam encontrar a Ginny , avançou até uma curva escura de o túnel . - Harry , está aqui qualquer coisa - disse o Ron com voz rouca , agarrando Harry por o ombro . Ficaram estáticos a olhar . Harry só conseguia ver a silhueta de algo enorme e curvo deitado em o túnel . Fosse o que fosse não se movia . - Talvez esteja a dormir - murmurou , olhando para os outros dois . Lockhart tapava os olhos com as mãos . Harry voltou se para olhar para a criatura com o coração a bater tanto que lhe doía em o peito . Lentamente , com os olhos quase fechados mas ainda conseguindo ver , Harry avançou com a varinha levantada . A luz deslizou sobre uma gigantesca pele de serpente , de um verde vivo e venenoso que estava vazia e enrolada em o chão de o túnel . A criatura que a abandonara devia ter , pelo_menos , seis metros e meio de comprimento . - Bolas - disse o Ron , perdendo as forças . Houve um movimento súbito atrás de eles . As pernas de Gilderoy_Lockhart cederam . - Levante se - disse o Ron de uma forma cortante , apontando lhe a varinha . Lockhart pôs se de pé . Em seguida empurrou o Ron , atirando o a o chão . Harry deu um salto , mas ... tarde de mais . Lockhart endireitava se com a varinha de o Ron em as mãos e um sorriso em o rosto . - A aventura acaba aqui , rapazes - disse . - Vou levar um bocado de esta pele de cobra para a escola , contar lhes que foi demasiado tarde para salvar a garota e que vocês os dois perderam tragicamente a memória com a visão de o seu corpinho mutilado . Digam adeus a as vossas recordações . Levantou a o ar a varinha avariada de o Ron e gritou * _ Obliviate ! * A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba . Harry pôs os braços sobre a cabeça e correu , escorregou em os anéis de a pele de cobra , afastando se de os grandes pedaços de tecto de o túnel que caíam em o chão com o ruído de trovões . Pouco depois estava sozinho , olhando para uma sólida parede de rocha partida . - Ron - gritou ele . - Estás bem , Ron ? - Estou aqui - respondeu a voz abafada de o Ron por detrás de a avalancha de rochas . - Eu estou bem mas este sujeito não . A varinha avariou o todo . Ouviu se um ruído surdo e um Oh ! gritado . Parecia que o Ron tinha acabado de dar a o Lockhart um pontapé em as canelas . - E agora ? - disse a voz de o Ron que parecia desesperada . - Não podemos passar , vai demorar séculos . Harry olhou para o tecto de o túnel onde tinham aparecido grandes fendas . Ele nunca tentara partir , através de a magia , nada tão grande como aquelas rochas e agora não lhe parecia ser o melhor momento para fazer experiências . E se o túnel abatesse ? Houve um ruído surdo e outro Oh ! atrás de as rochas . Estavam a perder tempo . A Ginny já estava havia duas horas em a Câmara_dos_Segredos . Harry sabia que só havia uma coisa a fazer . - Espera aqui - gritou a o Ron . - Fica com o Lockhart , eu vou lá . Se não voltar dentro_de uma hora ... Houve um silêncio cheio . - Eu vou ver se desloco um_pouco esta rocha - disse o Ron , tentando manter a voz firme . - Para tu poderes passar . E , Harry ... - Até já - disse o Harry , procurando injectar confiança em a sua voz trémula . E passou sozinho para lá de a imensa pele de serpente . Em_breve , o ruído de o Ron , tentando deslocar a rocha , deixou de se ouvir . O túnel virou uma e outra_vez . Os nervos de o corpo de o Harry tangiam de forma desagradável . Ele só queria que o túnel chegasse a o fim , fosse o que fosse que o aguardasse . E então , finalmente , quando atingiu a última curva , viu em a sua frente uma parede sólida que tinha gravadas duas serpentes enroladas uma em a outra , cujos olhos eram quatro esmeraldas , enormes e brilhantes . Harry aproximou se com a garganta seca . Não foi preciso imaginar que as serpentes eram autênticas . Os seus olhos pareciam estranhamente vivos . Foi fácil descobrir o que tinha de fazer . Pigarreou e os olhos de esmeraldas pareceram mexer se . - Abre te - disse Harry em um sibilar baixo . As serpentes desapareceram enquanto a parede se abria a o meio e , a tremer de os pés a a cabeça , Harry entrou . XVII_Herdeiro_de_Slytherin_Estava de pé em o fundo de uma divisão enorme , fracamente iluminada . Altíssimos pilares de pedra , cheios de serpentes gravadas que os enlaçavam , erguiam se , suportando um tecto que se perdia em a escuridão e que lançava sombras negras imensas através de a estranha luz esverdeada que enchia o local . Com o coração a bater descompassadamente , Harry ficou parado a ouvir aquele silêncio arrepiante . Estaria o Basilisk escondido em um canto cheio de sombras , atrás_de algum pilar ? E onde estaria Ginny ? Pegou em a varinha e avançou a o longo de as colunas serpenteantes . Cada_um de os seus passos provocava um enorme eco em as paredes sombrias . Harry tinha os olhos semicerrados e estava pronto para os fechar a o mais pequeno movimento . As órbitas de olhos fundos de as serpentes de pedra pareciam segui o . Por mais de uma_vez , com o estômago a dar um salto , Harry julgou vê os moverem se . Por fim , chegado a o nível de os dois últimos pilares , avistou uma estátua de a altura de a própria câmara que estava encostada a a parede de o fundo . Harry tinha de esticar o pescoço para olhar para_cima , para a cara de o gigante : era velho e com um ar simiesco , tinha uma barba enorme que lhe caía quase onde acabava a longa túnica de pedra . Os dois pés imensos e cinzentos pousavam em o chão de a câmara . E entre eles , voltada para baixo , estava uma figura pequenina vestida de preto com um cabelo flamejante . - Ginny - murmurou Harry , chegando perto de ela e ajoelhando se . - Ginny , por favor não estejas morta , não estejas morta ! Atirou a varinha para o lado , agarrou Ginny por os ombros e voltou a . O rosto de ela estava branco e frio como o mármore , contudo os olhos encontravam se fechados , portanto não estava petrificada . Mas então devia estar ... - Ginny , acorda por favor - repetiu Harry desesperado , sacudindo a . A cabeça de ela andava de um lado para o outro . - Ela não vai acordar - disse secamente uma voz . Harry deu um salto e girou sobre os joelhos . Um rapaz alto , de cabelo preto , estava encostado a o pilar mais próximo , a observá o . As sombras desfocavam o como_se Harry o visse através_de uma janela embaciada . Mas não havia como confundis o . - Tom , Tom_Riddle ? Riddle acenou , sem tirar os olhos de o rosto de Harry . - O que queres dizer com isso de ela não acordar ? - perguntou Harry desesperado . - Ela não está ... não está ? - Está viva - disse Riddle . - Mas , por um fio . Harry olhou fixamente para ele . Tom_Riddle estivera em Hogwarts há cinquenta anos atrás . Contudo , ali estava com uma luz estranha e desfocada a iluminá o , sem um dia a mais do_que os seus dezasseis anos . - És um fantasma ? - perguntou Harry . - Uma memória - disse Riddle . - Preservada em um diário durante cinquenta anos . Apontou para os pés de a estátua gigantesca . Ali , aberto em o chão , estava o pequeno diário de capa preta que Harry tinha encontrado em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Durante um segundo , Harry perguntou a si próprio como teria ido ali parar , mas havia coisas mais importantes a fazer . Preciso de a tua ajuda , Tom - disse Harry , levantando de_novo a cabeça de a Ginny . - Temos de sair de aqui . Há_um_Basilisk ... não sei onde está mas pode aparecer a qualquer momento . Por favor , ajuda me . Riddle não se mexeu . Harry , a transpirar , conseguiu levantar ligeiramente a Ginny de o solo e inclinou se para pegar em a varinha mas ela tinha desaparecido . - Viste a ... ? Olhou para_cima . Riddle continuava a olhá o , fazendo girar a varinha entre os dedos longos . - Obrigado - disse Harry , esticando o braço para a agarrar . Um sorriso surgiu então em os cantos de a boca de Riddle que continuou a olhar para ele , girando indolentemente a varinha . - Ouve , pá - disse Harry sem querer perder mais tempo , os joelhos a vergarem sob o peso morto de Ginny - temos de ir . Se o Basilisk aparece ... - Ele não vem enquanto não for chamado - disse Riddle com toda_a calma . Harry voltou a pousar Ginny em o chão , incapaz de a segurar por mais tempo . - Que queres dizer com isso ? - perguntou . - Dá me a minha varinha , posso precisar de ela . O sorriso de Riddle ampliou se . - Não vais precisar de ela - disse . Harry olhou o espantado . - O que queres dizer , não vou ? - Esperei muito_tempo por isto , Harry - disse Riddle . - Pela possibilidade de te ver , de falar contigo . - Olha , eu acho que tu não estás a perceber - disse Harry , perdendo a paciência . - Estamos em a Câmara_dos_Segredos , podemos conversar mais tarde . - Vamos conversar agora - disse Riddle , sorrindo de orelha a orelha e guardando a varinha de Harry em o bolso . Harry voltou a olhar para ele . Havia qualquer coisa de muito estranho em tudo aquilo . - Como é_que a Ginny ficou assim ? - perguntou pausadamente . - Bem , essa é uma pergunta interessante - disse Riddle , divertido . - E uma longa história , também . Julgo que o verdadeiro motivo que levou Ginny_Weasley a ficar assim foi o ter aberto o seu coração e revelado todos os seus segredos a um estranho ser invisível . - De quem estás a falar ? - perguntou Harry . - De o diário - disse Riddle . - De o meu diário . A Ginny escreve nele há meses e meses , contando me todas_as suas lamentáveis desgraças e atribulações : como os irmãos a arreliam , que teve de vir para a escola com manto , túnica e livros em segunda mão - os olhos de Riddle brilharam -- , que acha que o maravilhoso , o grande , o famoso Harry_Potter nunca vai gostar de ela ... Enquanto falava , nunca os olhos de Riddle se afastaram de a cara de o Harry . Havia em eles um olhar ávido . - É muito chato ter de ouvir as preocupações idiotas de uma garotinha de onze anos - prosseguiu . - Mas eu fui paciente . Respondi lhe , mostrei me simpático e amável . A Ginny pura e simplesmente adorou me . - * _ Nunca ninguém me compreendeu como tu , Tom ... estou tão feliz por ter este diário a quem me confiar ... é como ter um amigo que pode andar em o meu bolso * ... Riddle riu se . Um riso alto , frio , que não lhe ficava bem . Fez com que os cabelos de o pescoço de Harry se arrepiassem todos . - Verdade se diga que sempre consegui encantar as pessoas necessárias . Portanto a Ginny verteu em mim a sua alma e a alma de ela era precisamente o que eu queria . Fortaleceu me . Alimentei me de os seus medos mais profundos , de os seus mais obscuros segredos . Fui ficando cada_vez_mais forte e poderoso . Muito mais poderoso do_que a pequena Miss_Weasley até que comecei a transmitir lhe alguns de os meus segredos , a passar um_pouco de a minha alma para ela ... - O que queres dizer ? - perguntou Harry cuja boca ficara totalmente seca . - Ainda não descobriste , Harry_Potter ? - disse Riddle muito baixo . - Giony_Weasley abriu a Câmara_dos_Segredos , estrangulou os galos de a escola e escreveu mensagens assustadoras em as paredes . Atiçou a serpente de Slytherin contra quatro sangues de lama e contra o gato de o busca-pé . - Não - murmurou Harry . - Sim - disse calmamente Riddle . - É claro que a princípio não sabia o que estava a fazer . Era muito divertido . Gostava que visses as coisas que escreveu em o diário , começaram a ficar muito mais interessantes . * _ Querido_Tom * - recitou ele , olhando para a expressão horrorizada de o Harry . - * _ Acho que estou a perder a memória . Há penas de galo em todas_as minhas roupas e eu não sei como foram lá parar . Querido_Tom , não me lembro do_que fiz em a noite de o Hallowe'en mas foi atacada uma gata e eu estou cheia de tinta em a cara . Querido_Tom , o Percy não pára de me dizer que ando pálida e não pareço eu . Acho que ele suspeita de mim ... Houve outro ataque hoje e eu não sei onde estava . Tom , que vou eu fazer ? Acho que estou a ficar maluca ... acho que ando a atacar toda_a_gente , Tom ! * Harry tinha os punhos fechados , as unhas cravadas contra a palma de as mãos . - Levou muito_tempo até a pequenina estúpida deixar de confiar em o diário - disse Riddle . - Mas acabou por ficar desconfiada e tentou livrar se de ele . E é aí que tu entras , Harry . Tu encontraste o . E eu não poderia ter ficado mais satisfeito . De todas_as pessoas que poderiam ter ficado com ele , foste tu , aquele que eu ambicionava conhecer ... - E porque querias conhecer me ? - perguntou Harry . Começava a ser tomado por a raiva e fez um esforço para manter o tom de voz controlado . - Bem , a Ginny contou me tudo a teu respeito - disse Riddle . - A tua fascinante história . - Os seus olhos pousaram em a cicatriz em a testa de Harry e a sua expressão ganhou maior avidez . - Sabia que devia descobrir mais a teu respeito , falar te , encontrar me contigo se fosse possível . Por isso , para ganhar a tua confiança , resolvi mostrar te a famosa captura que fiz de aquele demente de o Hagrid . - O Hagrid é meu amigo - disse Harry já com a voz a tremer . - E tu tramaste o , não foi ? Pensei que tinha sido um engano , mas ... Ele riu se . O mesmo riso de antes . - Era a minha palavra contra a palavra de ele . Imagina a cara de o velho Armando_Dippet . De um lado Tom_Riddle , pobre mas brilhante , sem pais mas corajoso , prefeito de a escola , um modelo de aluno . De o outro lado , o Hagrid , grande e disparatado , arranjando problemas semana sim , semana não , tentando criar filhotes de lobisomens debaixo de a cama , escapando se para a floresta proibida para lutar com gigantes . Mas , devo admitir que até eu próprio fiquei admirado com os excelentes resultados de o meu plano . Pensei que alguém perceberia que o Hagrid nunca poderia ser o herdeiro de Slytherin . Demorei cinco anos inteirinhos até descobrir tudo_o_que me foi possível sobre a Câmara_dos_Segredos e a sua entrada secreta ... como_se o Hagrid tivesse cabeça ou poder ! - Só o professor de Transfiguração , Dumbledore , parecia achar que ele estava inocente . Convenceu Dippet a mantê o aqui e a treiná o como guarda de os campos . Sim , é natural que Dumbledore tenha adivinhado , nunca gostou de mim como os outros professores . - Aposto que Dumbledore viu através_de ti - disse Harry , de dentes cerrados . - Pelo_menos passou a vigiar me de perto , a partir de o momento em que o Hagrid foi expulso - disse Riddle descuidadamente . - Eu sabia que não era seguro voltar a abrir a câmara enquanto ainda estava em a escola mas não ia desperdiçar os longos anos que passara a pesquisar . Decidi , por isso , deixar um diário preservando em as suas páginas o meu ego de dezasseis anos para que um dia , com um_pouco de sorte , pudesse levar outro a seguir os meus passos e acabar o nobre trabalho de Salazar_Slytherin . - Bem , não o acabaste - disse Harry triunfante . - Ninguém morreu até agora , nem mesmo a gata . Dentro_de poucas horas a poção de mandrágoras estará pronta e todos os que foram petrificados voltarão de_novo a si . - Não acabei de te dizer que matar sangues de lama já não me interessa ? Há muitos meses que o meu alvo és tu . Harry olhou para ele . - Podes imaginar como fiquei furioso quando em outro dia o diário foi aberto e vi que era a Ginny quem estava a escrever e não tu . Ela viu te com o diário e entrou em pânico . E se tu descobrisses como trabalhar com ele e eu te repetisse todos os seus segredos ? Ainda pior , e se eu te contasse quem tinha andado a estrangular os galos ? Por isso , a grande palerma esperou que o teu dormitório estivesse deserto e foi lá roubá o . Mas eu sabia o que tinha de fazer . Estava muito claro para mim que a tua meta era o herdeiro de Slytherin . Por tudo_o_que a Ginny me contara a teu respeito , sabia que irias até onde fosse preciso para desvendar o mistério , principalmente se um de os teus melhores amigos tivesse sido atacado . E a Ginny disse me que a escola toda bichanava por tu falares * serpentês * ... Por isso , obriguei a Ginny a escrever a sua própria despedida em a parede , a vir até aqui e esperar . Ela debateu se e gritou e ficou muito chatinha . Mas , já não tem muita vida : pôs grande parte de ela em o diário , deu me a . O suficiente para eu abandonar , por fim , as suas páginas . Desde_que aqui cheguei que estou a a tua espera . Sabia que virias . Tenho muitas perguntas a fazer te , Harry_Potter . - Que perguntas ? - disse Harry com os punhos fechados . - Bem - prosseguiu Riddle , sorrindo de satisfação : - Como é_que um bebé sem especiais talentos de magia foi capaz de derrotar o maior feiticeiro de sempre ? Como conseguiste escapar só com uma cicatriz quando os poderes de Lord_Voldemort foram destruídos ? Havia agora em os seus olhos um brilho vermelho e irado . - O que é_que te interessa saber como eu escapei ? - disse Harry lentamente . - Voldemort veio depois de ti . - Voldemort - disse Riddle - é o meu passado , o meu presente e o meu futuro , Harry_Potter ... Tirou a varinha de o Harry de o bolso e começou a escrever em o ar três palavras brilhantes : TOM_MARVOLO_RIDDLE_Em seguida , fez um gesto com a varinha e as letras de o seu nome reagruparam se de outro modo . : __ eu sou lord __ voldemort ( I am Lord_Voldemort ) . - Vês ? - murmurou . - Era um nome que eu já usava em Hogwarts , para os meus amigos mais íntimos apenas , como é óbvio . Achas que ia usar para sempre o nome nojento de o meu pai Muggle ? Eu , em cujas veias , por o lado materno , corre o sangue de Salazar_Slytherin ? Eu , manter o nome de um Muggle tolo que me abandonou ainda antes de eu nascer só porque descobriu que a mulher com quem casara era uma bruxa ? Não , Harry , arranjei um novo nome , um nome que eu sabia que os feiticeiros de todo_o_mundo viriam um dia a ter medo de pronunciar , quando eu me tivesse tornado o maior feiticeiro de o mundo . A cabeça de Harry parecia bloqueada . Olhou como_que paralisado para Riddle , para o rapaz de o orfanato que depois de crescer iria matar os seus pais e tantos outros . Por fim , com algum esforço conseguiu falar . - Não és - disse em uma voz calma e cheia de ódio . - Não sou o quê ? - perguntou Riddle irritado . - Não és o maior feiticeiro de o mundo - disse Harry com a respiração acelerada . - Lamento desiludir te mas o maior feiticeiro de o mundo é Albus_Dumbledore . Toda_a_gente sabe . Mesmo tu , quando tinhas força , não ousavas tentar aproximar te de Hogwarts . Dumbledore viu através_de ti quando andavas em a escola e ainda agora te assusta onde quer que te escondas . O sorriso desaparecera de o rosto de Riddle , fora substituído por um olhar furioso . - Dumbledore foi afastado de este castelo por a minha simples memória - sibilou . - Ele não está tão longe como pensas - retorquiu Harry . Falava por falar , tentando assustar Riddle , desejando mais que assim fosse do_que acreditando em as suas palavras como uma verdade . Riddle abriu a boca mas não chegou a falar . Tinha começado a ouvir se uma música . Riddle deu uma volta , olhando para a câmara vazia . A música estava a ficar mais alta . Era misteriosa , arrepiante , sobrenatural . Fez_Harry ficar com os cabelos em pé e o coração aumentar lhe em o peito . Por fim , quando atingiu um ponto tão alto que Harry a sentiu vibrar dentro de as suas costelas , começaram a sair chamas de o topo de o pilar mais próximo . Uma ave carmesim de o tamanho de um cisne surgiu , assobiando a sua estranha melodia para o tecto em forma de abóbada . Tinha uma cauda dourada tão longa como a de um pavão e garras douradas e brilhantes que seguravam uma trouxa andrajosa . Segundos depois , a ave voava em direcção a Harry . Deixou cair a coisa andrajosa a os seus pés e pousou lhe pesadamente em o ombro . Quando abriu as enormes asas , Harry olhou para_cima e viu que tinha um longo bico afiado e olhos escuros pequenos e brilhantes . A ave parou de cantar . Ficou quieta junto de a cara de Harry , olhando fixamente para Riddle . - É uma fénix , disse Riddle , olhando sagazmente para ela . - Fawkes ? - murmurou Harry e sentiu as garras douradas apertarem lhe devagarinho o ombro . - E aquilo - disse Riddle , olhando para a coisa velha que Fawkes deixara em o chão - é o velho chapéu seleccionador , de a escola . Era , de facto . Amachucado , puído e sujo , o chapéu jazia imóvel a os pés de Harry . Riddle começou a rir . Riu se tanto que a câmara escura se lhe juntou em um eco tal que parecia que dez Riddles se riam ao_mesmo_tempo . - Eis o que Dumbledore envia a o seu defensor . Um pássaro que canta e um chapéu velho . Estás cheio de coragem , Harry_Potter ? Sentes te agora mais seguro ? Harry não respondeu . Podia não estar a ver a vantagem de a Fawkes ou de o chapéu seleccionador mas já não se sentia só , e esperou corajosamente que Riddle parasse de rir . - Vamos a o que importa , Harry - disse ele , ainda com um enorme sorriso . - Encontrámo nos duas vezes em o teu passado , em o meu futuro . E duas vezes falhei a o tentar matar te . Como foi que sobreviveste ? Conta me tudo . Quanto_mais falares , mais tempo tens de vida . Harry pensava rapidamente , medindo as suas possibilidades . Riddle tinha a varinha . Ele , Harry , tinha a Fawkes e o chapéu seleccionador que não lhe serviriam de muito em o combate . As coisas pareciam más , é certo . Mas quanto_mais tempo Riddle ali estivesse , mais vida retirava a a Ginny ... e , entretanto , Harry reparou que a silhueta de Riddle se tornava mais nítida , mais sólida . Se tinha de haver uma luta entre os dois , quanto_mais depressa melhor . - Ninguém sabe porque perdeste os poderes quando me atacaste - disse bruscamente . - Eu próprio não sei . Mas sei porque não conseguiste matar me . A minha mãe morreu para me salvar . A minha mãe , uma vulgar filha de Muggles - acrescentou , a tremer de raiva . - Ela impediu que tu me matasses . E eu vi te como tu és , em o ano passado . És um destroço , quase não existes . Foi onde o teu poder te levou . Estás sob um disfarce , és horrível e és louco . O rosto de Riddle contorceu se . Em seguida , forçou um sorriso pavoroso . - Quer_dizer , então , que a tua mãe morreu para te salvar . Sim , é um antifeitiço poderoso . Compreendo agora , afinal não há em ti nada de especial . Eu tinha curiosidade , sabes , porque há uma estranha semelhança entre nós , Harry_Potter . Até tu deves ter reparado . Somos ambos meio sangue , órfãos , educados com Muggles , provavelmente os dois únicos que falam * serpentês * desde o grande Slytherin , até nos parecemos um_pouco fisicamente ... mas afinal foi apenas uma questão de sorte que te salvou de mim . Era o que eu queria saber . Harry ficou parado , tenso , a a espera que Riddle levantasse a varinha mas o seu sorriso cínico ampliou se de_novo . - Agora , Harry , vou dar te uma pequena lição . Vamos confrontar os poderes de Lord_Voldemort , herdeiro de Salazar_Slytherin e de o famoso Harry_Potter , munido com as melhores armas que Dumbledore lhe deu . Lançou um olhar divertido a a Fawkes e a o chapéu seleccionador e , em seguida , afastou se . Harry com as pernas entorpecidas por o medo viu o parar entre dois pilares altos e olhar para a cara de pedra de Slytherin , lá em cima em a semi-obscuridade . Riddle abriu a boca e sibilou mas Harry compreendeu o que ele dizia . - * _ Responde-me , Slytherin , o maior de os quatro de Hogwarts * . Harry voltou se para olhar melhor para a estátua com Fawkes pousada em o ombro . A gigantesca cara de pedra de Slytherin movia se . Horrorizado , Harry viu a boca abrir se mais e mais até se transformar em um buraco negro . E algo se agitava dentro de a boca de a estátua . Algo se arrastava para fora de as suas entranhas . Harry recuou até a a parede escura de a câmara e enquanto fechava os olhos com força sentiu a asa de a Fawkes roçar lhe o rosto e levantar voo . Harry quis gritar : - Não me abandones ! - mas que possibilidades tinha uma fénix contra o rei de as serpentes ? Uma coisa enorme bateu em o chão de pedra que Harry sentiu estremecer . Sabia o que estava a acontecer , podia sentis o , quase podia ver a serpente gigantesca a sair de a boca de Slytherin . Foi então que ouviu a voz de Riddle sibilar : * _ Mata-o * . O Basilisk avançava em direcção a Harry . Ele ouvia o seu corpo enorme escorregar pesadamente por o chão cheio de pó . Com os olhos sempre fechados , Harry começou a correr para o lado , a as cegas , com as mãos abertas a tactear o caminho . Riddle ria se a as gargalhadas . Harry escorregou e caiu em o chão de pedra e a boca soube lhe a sangue . A serpente estava a poucos centímetros de ele . Podia ouvi a a aproximar se . Ouviu se um crepitar explosivo por cima de ele e alguma coisa pesada bateu lhe com tanta força que ele ficou encostado a a parede . Esperando que os dentes de a serpente lhe perfurassem o corpo , ouviu mais ruídos e qualquer coisa que se agitava com força contra os pilares . Não conseguiu evitar . Abriu bem os olhos para ver o que se passava . A enorme serpente , brilhante , de um verde veneno , espessa como o tronco de um carvalho , erguera se em o ar e a sua imensa cabeça agitava se de um lado para o outro , entre os dois pilares . Quando Harry , a tremer , se preparava para fechar de_novo os olhos , percebeu o que distraíra a cobra . Fawkes esvoaçava em volta de a sua cabeça e o Basilisk , furioso , tentava agarrá a com os dentes longos e afiados como sabres . Fawkes mergulhava . Harry deixou de ver o bico fino e dourado e uma brusca chuva de sangue escuro inundou o chão . A cauda de a serpente agitou se , não batendo em o Harry por_pouco e antes que ele pudesse fechar os olhos voltou se . Harry olhou lhe para a cara e viu que os seus olhos , os dois olhos amarelos e bolbosos tinham sido perfurados por a fénix . O sangue escorria por o chão e a serpente cuspia cheia de dores . - * _ Não * - Harry ouviu o grito de Riddle . - * _ Deixa a ave , deixa a ave , o rapaz está atrás_de ti , ainda podes cheirá o . Mata o ! * A serpente cega oscilou confusa , ainda em fúria . Fawkes andava a a volta de a cabeça de ela soprando a sua misteriosa cantilena , picando lhe aqui_e_ali o nariz cheio de escamas , enquanto o sangue jorrava de os seus olhos destruídos . - Ajudem me . Ajudem me - murmurava Harry aflito . - Alguém , ajude me . A cauda de a serpente chicoteou de_novo o chão . Harry baixou se . Algo macio tocou lhe em o rosto . O Basilisk lançara o chapéu seleccionador para os braços de o Harry que o agarrou . Era tudo_o_que tinha , a sua única esperança . Enfiou o em a cabeça e começou a ficar achatado contra o chão , enquanto a cauda de o Basilisk se lançava de_novo sobre ele . - Ajudem me , ajudem me - pensou Harry , os olhos comprimidos debaixo de o chapéu . - Por favor , ajudem me . Nenhuma voz lhe respondeu . Em vez de isso , o chapéu contraiu se como_se uma mão invisível o tivesse espalmado devagarinho . Alguma coisa muito dura e pesada caíra sobre a cabeça de Harry , conseguindo quase derrubá o . A ver estrelas em frente de os olhos , agarrou o chapéu para o puxar para baixo e sentiu lá dentro uma coisa longa e dura . Uma espada brilhante tinha surgido dentro de o chapéu . Tinha um cabo cravejado de rubis de o tamanho de pequenos ovos . - Mata o rapaz , deixa a ave . O rapaz está atrás_de ti . Cheira o ! Harry estava de pé , preparado . A cabeça de o Basilisk caía , o corpo serpenteava , batendo nos pilares quando se torcia para ficar de frente para ele . Harry podia ver as enormes órbitas ensanguentadas , a boca toda aberta , suficientemente grande para o engolir inteiro , munida de dentes tão longos como a sua espada , finos , brilhantes , venenosos ... Começou a atacar a as cegas . Harry baixou se e a serpente bateu em a parede de a câmara . Atacou de_novo e a sua língua bifurcada lambeu a parede ao_lado_de Harry que levantou a espada com ambas as mãos . O Basilisk investiu mais_uma_vez e agora a pontaria foi certa . Harry pôs todo o seu peso contra a espada e enterrou a até a os copos em o céu de a boca de a serpente . Mas quando o sangue quente lhe encheu os braços , sentiu uma dor aguda mesmo acima de o cotovelo . Um longo dente venenoso penetrava cada_vez_mais fundo em o seu braço , partindo se quando o Basilisk tombou para o lado , perdendo os sentidos . Harry escorregou a o longo de a parede , apertou com força o dente que estava a derramar veneno por todo o seu corpo e arrancou o de o braço . Mas sabia que era demasiado tarde . Uma dor quente emanava lenta e perseverantemente de a ferida . Quando deixou cair o dente e viu o seu próprio sangue manchando lhe as vestes , a vista começou a ficar turva e a câmara a diluir se em uma rotação ardente e colorida . Mas algo escarlate passou por ele e Harry ouviu a o seu lado um suave ruído de garras . - Fawkes - disse com a voz empastada . - Foste sensacional , Fawkes . - Sentiu o pássaro encostar a sua elegante cabeça a o sítio onde o dente de a serpente o tinha ferido . Ouviu passos ecoarem em o vazio e em seguida uma sombra escura moveu se em a sua frente . - Estás morto , Harry_Potter - disse a voz de Riddle , acima de ele . - Morto . Até o pássaro de Dumbledore sabe de isso . Vês o que ele está a fazer ? A chorar . Harry piscou os olhos . A cabeça de Fawkes ora estava focada , ora desfocada . Lágrimas grossas como pérolas escorriam de as suas penas . - Vou sentar me aqui a ver te morrer , Harry_Potter . Leva o teu tempo , eu não tenho pressa . Harry sentiu se sonolento . Tudo parecia girar a a sua volta . - E assim acaba o famoso Harry_Potter - disse a voz distante de Riddle . - Sozinho em a Câmara_dos_Segredos , esquecido por os amigos , finalmente derrotado por o Senhor de o mal que ele tão imprudentemente desafiou . Vais reunir te a a tua querida mãe sangue de lama , Harry ... Ela deu te doze anos de tempo emprestado ... Mas Lord_Voldemort apanhou te em o fim , como sabias que teria de acontecer . Se morrer é isto , pensou Harry , não é assim tão mau . Até a dor estava a desaparecer . Mas , estaria a morrer ? Em_vez_de ficar mais escura a câmara parecia voltar a estar nítida . Harry fez um pequeno gesto com a cabeça e viu a Fawkes ainda repousando a cabeça em o seu ombro . Uma fiada de pérolas brilhava em volta de a ferida , só que já não havia ferida . - Sai de aqui , pássaro - disse subitamente a voz de Riddle . - Afasta te de ele . Já te disse , sai de aqui ! Harry levantou a cabeça . Riddle apontava a sua varinha a Fawkes . Ouviu se um tiro que parecia de carabina e Fawkes levantou novamente voo em um rodopio de ouro e escarlate . - Lágrimas de fénix - disse Riddle em voz baixa , olhando para o braço de o Harry . - É claro ... poderes curativos ... esqueci me ... Olhou para a cara de Harry . - Mas não faz mal . Pensando bem , eu até prefiro assim . Tu e eu , Harry_Potter ... Tu e eu ... Levantou a varinha . Então , em um golpe de asa , Fawkes voou sobre as cabeças de ambos , deixando cair uma coisa em o colo de Harry : o diário . Durante uma fracção de segundo , tanto Harry como Riddle , ainda com a varinha levantada , ficaram a olhar para aquilo . Em seguida , sem pensar , sem ponderar , como_se pensasse fazê o desde o princípio , Harry agarrou o dente de o Basilisk que estava em o chão , junto de ele , e espetou o em o coração de o caderno . Ouviu se um grito longo e terrível . A tinta esguichou em torrentes de dentro de o diário , derramando se sobre as mãos de o Harry e inundando o chão . Riddle torcia se e contorcia se , agitando se a os gritos . E , por fim . Desapareceu . A varinha de Harry caiu a o chão com um ruído e fez se silêncio . Um silêncio apenas cortado por o ping ping de a tinta que ainda escorria de o diário . Com um leve crepitar , o veneno de o Basilisk abrira um buraco mesmo em o meio de o caderno . A tremer de os pés a a cabeça , Harry pôs se de pé . Sentia tudo a andar a a roda como_se tivesse viajado quilómetros e quilómetros com o pó de * _ Floo * . Lentamente apanhou a varinha e o chapéu seleccionador e com um grande estrondo retirou a espada de o céu de a boca de a serpente . Ouviu se então um gemido fraco a o fundo de a câmara . Ginny estava a mexer se . Quando Harry chegou junto de ela , sentou se . Os seus olhos abismados saltaram de o Basilisk morto para Harry em a sua roupa cheia de sangue e , em seguida , para o diário que ele tinha em as mãos . Soltou um enorme soluço e os seus olhos encheram se de lágrimas . - Harry , oh ! Harry , eu tentei dizer te a o pequeno-almoço mas não fui capaz em frente de o Percy . Era eu , Harry , mas eu ... eu ... juro que não queria ... o Riddle obrigou me , levou me e ... como é_que mataste esse bicho ? Onde está o Riddle ? A última coisa de que me lembro foi de o ver a sair de o diário ... - Está tudo bem - disse Harry , mostrando lhe o diário com o buraco de o dente . - O Riddle acabou , olha . Ele e o Basilisk . Anda , Ginny , vamos embora de aqui . - Vou com certeza ser expulsa - disse Ginny a chorar enquanto Harry a ajudava a pôr se de pé . - Desde_que o Bill veio para Hogwarts que eu sonhava vir também para cá e agora vou ter de me ir embora e ... O que vão a minha mãe e o meu pai dizer ? Fawkes esperava por eles , suspensa em o ar , a a entrada de a câmara . Harry fez a Ginny avançar , passaram sobre os anéis parados de o Basilisk , por a escuridão cheia de ecos e voltaram a o túnel . Harry ouviu as portas de pedra fecharem se atrás de eles com um leve sibilar . Depois de alguns minutos a caminhar por o túnel escuro , chegou a os ouvidos de Harry o som distante de o deslocar de uma rocha . - Ron - gritou ele , apressando se . - A Ginny está bem . Está aqui comigo ! Ouviu o Ron gritar de alegria e , voltando em a curva logo_a_seguir , viram a sua cara ansiosa a espreitar por a fresta que conseguira abrir durante a avalancha . - Ginny ! - Ron estendeu o braço por a fresta para a puxar primeiro . - Estás viva . Não posso acreditar . O que aconteceu ? Tentou abraçá a mas a Ginny afastou o , soluçando . - Mas estás bem , Ginny - disse o Ron , sorrindo para ela . - Já passou tudo ... De onde veio esse pássaro ? Fawkes passara por a abertura , atrás_de Ginny . - É de o Dumbledore - explicou Harry , espremendo se para caber também . - E como arranjaste uma espada ? - perguntou o Ron , olhando para a arma brilhante que Harry tinha em a mão . - Eu explico te tudo quando sairmos de aqui - disse Harry , lançando um olhar de esguelha a a Ginny . - Mas ... - Mais tarde - disse Harry rapidamente . Não lhe parecia uma boa ideia contar a o Ron quem tinha aberto a câmara , ali , em frente de a Ginny . - Onde está o Lockhart ? - Ali atrás - disse o Ron , a rir e a abanar a cabeça em direcção a o cano . - Está em muito mau estado . Anda ver . Conduzidos_pela_Fawkes , cujas grandes asas escarlates emitiam um suave dourado que brilhava em a escuridão , voltaram a o lugar onde o cano começava . Gilderoy_Lockhart estava sentado a falar sozinho . - Perdeu a memória - disse o Ron . - O feitiço de a memória fez ricochete . Não sabe quem é nem onde está , nem_sequer sabe quem nós somos . Eu disse lhe que viesse para aqui e esperasse . É um perigo para ele próprio . Lockhart olhou os bem-disposto . - Olá - disse . - Que lugar estranho , este . É aqui que vocês moram ? -- Não - respondeu o Ron , levantando as sobrancelhas para o Harry . Harry baixou se e observou o túnel escuro e longo . - Já pensaste como é_que vamos sair de aqui ? - perguntou a o Ron . O amigo abanou a cabeça mas Fawkes , a fénix , tinha passado por o Harry e estava agora em o ar , em frente de ele , os olhos como pérolas a brilharem em o escuro . Abanava as longas penas douradas de a cauda . Harry olhou para ela , inseguro . - Ela parece querer que a agarres - disse o Ron , perplexo . - Mas tu és muito pesado para um pássaro . - A Fawkes - disse Harry - não é um pássaro qualquer . Voltou se rapidamente para os companheiros . - Temos de nos agarrar uns a os outros . Ginny , agarra a mão de o Ron . O professor Lockhart ... - Ele está a falar consigo - disse o Ron secamente . - Agarre a outra mão de a Ginny . Harry guardou a espada e o chapéu seleccionador em o cinto . Ron deitou a mão a a roupa de Harry e Harry agarrou as penas de a cauda , estranhamente quentes , de a Fawkes . Sentiu uma extraordinária leveza apoderar se de todo o seu corpo e em seguida estavam todos a voar por o cano acima . Harry conseguia ouvir Lockhart , lá atrás , comentando : - Espantoso , isto parece mágico ! Ar frio batia em os cabelos de Harry e antes que ele deixasse de gostar de a viagem já ela acabara . Os quatro tinham chegado a o chão molhado de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa e , enquanto Lockhart endireitava o chapéu , o lavatório voltara a o seu lugar , tapando o cano . A Murta arregalou os olhos . - Vocês estão vivos - disse inexpressivamente a o Harry . - Não é preciso mostrares te tão desiludida - respondeu ele , muito sério , limpando as nódoas de sangue e lodo de os óculos . - Bem ... é_que eu pensei que se vocês morressem seriam bem-vindos a a minha casa_de_banho - disse a Murta com um rubor prateado . - Urgh ! - fez o Ron , quando saíram de ali para o corredor deserto . - Harry , acho que a Murta está a gostar de ti . Tens concorrência , Ginny ! A Ginny continuava a chorar silenciosamente . - Onde vamos agora ? - perguntou o Ron , olhando ansiosamente para ela . Harry apontou . Fawkes indicava o caminho , com o seu tom dourado que brilhava em o corredor . Seguiram a e pouco depois estavam em o escritório de a professora Mc_Gonagall . Harry bateu e empurrou a porta que estava encostada . XVIII_A recompensa de Dobby_Durante alguns momentos reinou o silêncio enquanto Harry , Ron , Ginny e Lockhart estavam em a entrada de a porta . Cobertos de pó e de lama e ( em o caso de o Harry ) sangue . Em seguida , ouviu se um grito . - Ginny ! Era_Mrs._Weasley que tinha estado a chorar , sentada em frente de o lume . Pôs se de pé em um salto , seguida de Mr._Weasley e precipitaram se ambos para a filha . Harry olhava para trás de eles . Dumbledore rejubilava junto de a lareira , a o lado de a professora Mc_Gonagall que , agarrada a o queixo , respirava com dificuldade . Fawkes rasou as orelhas de o Harry e foi instalar se em o ombro de Dumbledore , ao_mesmo_tempo que Harry dava por si em os braços de Mrs._Weasley . - Tu salvaste a ! Salvaste a ! : __ como foi que __ conseguiste ? - Acho que todos nós gostaríamos de saber - disse , sem energia , a professora Mc_Gonagall . Mrs._Weasley soltou o Harry , que hesitou um momento . Depois , foi até a a secretária e colocou sobre o tampo o chapéu seleccionador , a espada cravejada de rubis e o que restava de o diário de Riddle . Em seguida , contou lhes tudo . Falou durante quase um quarto de hora em o silêncio extasiado : contou lhes de a voz sem corpo que ouvia , como a Hermione acabara por descobrir que se tratava de um Basilisk que circulava em os canos , como ele e o Ron tinham seguido as aranhas até a a floresta , que Aragog lhes dissera que a última vítima de o Basilisk morrera , como tinham chegado a a conclusão que se tratava de a Murta_Queixosa e que a entrada para a Câmara_dos_Segredos devia ser em aquela casa_de_banho ... - Muito bem - elogiou a professora Mc_Gonagall quando ele se calou . - Então tu descobriste onde era a entrada , infringindo uma centena de regras de a escola por o caminho , devo dizer , mas como diabo saíram vocês vivos de lá de dentro ? Harry , com a voz já um_pouco rouca de falar tanto , contou lhes de a chegada de a Fawkes e de o chapéu seleccionador que lhe tinha dado a espada . Mas , chegando aí , hesitou . Até a o momento evitara referir se a o diário de Riddle ou a a Ginny . Ela tinha a cabeça encostada a o ombro de Mrs._Weasley e as lágrimas corriam lhe ainda por o rosto . E se a expulsassem ? - pensou Harry , tomado de pânico . O diário de Riddle já não funcionava ... quem poderia provar que fora ele que a obrigara a fazer tudo aquilo ? Olhou instintivamente para Dumbledore que sorria , o fogo iluminando lhe os óculos de meia-lua . - O que mais me interessa saber - disse Dumbledore amavelmente - é como conseguiu Lord_Voldemort enfeitiçar a Ginny quando as minhas fontes me dizem que ele se esconde habitualmente em as florestas de a Albânia . Um alívio , quente e glorioso percorreu Harry de a cabeça a os pés . - O quê ? - disse Mr._Weasley , em uma voz estupefacta . - O Quem nós sabemos enfeitiçou a Ginny ? Mas a Ginny não ... a Ginny não morr ... ? - Foi este diário - esclareceu Harry rapidamente . E mostrando o a Dumbledore . - O Riddle escreveu o quando tinha dezasseis anos . Dumbledore pegou em o diário e olhou atentamente por cima de o seu nariz longo e adunco para as páginas queimadas e húmidas . - Fantástico - disse em voz baixa . - É claro que ele deve ter sido o aluno mais brilhante que alguma vez passou por Hogwarts . - Olhou em volta para os Weasley que o observavam com um ar totalmente confuso . - Muito poucas pessoas sabem que Lord_Voldemort se chamou em tempos Tom_Riddle . Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos , em Hogwarts . Ele desapareceu depois de deixar a escola , viajou muito , mergulhou tão fundo em as artes de a magia negra , associado a os piores feiticeiros , realizou transformações mágicas tão perigosas que quando reapareceu como Lord_Voldemort estava totalmente irreconhecível . Ninguém o relacionou com o rapazinho inteligente e bonito que aqui foi , em tempos , chefe de turma . - Mas a Ginny - insistiu Mrs._Weasley . - O que tem a nossa Ginny que ver com ele ? - O diário - soluçou Ginny . - Eu andei todo o ano a escrever em o diário e ele respondia me ... - Ginny ! - repreendeu Mr._Weasley . - Não aprendeste nada do_que te ensinei ? Não me cansei de dizer te que nunca confiasses em nada que não pensasse por si próprio * se não conseguisses ver onde tinha o cérebro ? * Porque não me mostraste o diário , a mim ou a a tua mãe ? Um objecto suspeito como esse tinha de estar cheio de magia negra ! - Eu não sabia - soluçou Ginny . - Estava junto de os livros que a mãe me comprou . Pensei que alguém se tinha esquecido de ele ali . - É melhor Miss_Weasley ir imediatamente para a ala hospitalar - interrompeu Dumbledore com voz firme . - Foi sujeita a uma prova terrível . Não será castigada . Outros feiticeiros mais velhos do_que ela têm sido ludibriados por Lord_Voldemort . - Dirigiu se a a porta e abriu a . - Repouso , cama e talvez uma caneca de chocolate quente . A mim , anima me sempre - acrescentou , piscando lhe simpaticamente o olho . - Vais ver que Madam_Pomfrey ainda está acordada . Ela tem estado a dar o sumo de Mandrágora , julgo que as vítimas de o Basilisk estarão a acordar dentro_de momentos . de alegria . - Então a Hermione está bem ! - disse o Ron , cheio de alegria . - Não houve danos irreversíveis - disse Dumbledore . Mrs._Weasley saiu com a Ginny e Mr._Weasley seguiu as ainda bastante abalado . - Sabes , Minerva - disse pensativo o professor Dumbledore - acho que tudo_isto merece um banquete . Posso pedir te que previnas os cozinheiros ? - Certamente - disse animada a professora Mc_Gonagall , dirigindo se também a a porta . - Deixo te a tratar de as coisas com o Potter e o Weasley , está bem ? - Claro - disse Dumbledore . Saiu e os dois olharam inseguros para Dumbledore . Que quereria ela dizer com tratar de as coisas ? Certamente não iriam ser castigados ? - Lembro me de vos ter dito a ambos que teria de vos expulsar se voltassem a quebrar as regras de a escola - disse Dumbledore . Ron abriu a boca horrorizado . - O que vem mostrar nos que as melhores pessoas , às_vezes , têm de engolir as suas próprias palavras . - Dumbledore sorriu e continuou : - Vocês vão receber ambos uma recompensa especial por serviços prestados a a escola e ... deixem me ver , sim , acho que duzentos pontos cada_um para os Gryffindor . Ron ficou tão corado que parecia as flores de S._Valentim_do_Lockhart e voltou a fechar a boca . - Mas um de vós parece demasiado calado sobre a sua participação em esta perigosa aventura - acrescentou Dumbledore . - Porquê tanta modéstia , Gilderoy ? Harry estremeceu . Esquecera se por completo de Lockhart . Voltou se e viu o a um canto de a sala ainda com o mesmo sorriso vago . Quando Dumbledore se lhe dirigiu , olhou por cima de o ombro para ver com quem ele estava a falar . - Professor_Dumbledore - disse o Ron rapidamente - Houve um acidente lá em baixo , em a Câmara_dos_Segredos . O professor Lockhart - Eu sou um professor ? - perguntou Lockhart surpreendido . - E eu que pensei que era um inútil ! - Tentou fazer um feitiço antimemória e a varinha fez ricochete - explicou Ron_a_Dumbledore . - Incrível - disse Dumbledore , abanando a cabeça , o bigode prateado a tremer . - Trespassado por a tua própria espada , Gilderoy ! - Espada ? - disse Lockhart de forma imprecisa . - Eu não tenho espada . Esse rapaz é_que tem - apontou para Harry . - Ele empresta lhe uma . - Importas te de levar também o professor Lockhart até a a ala hospitalar , Ron ? - disse Dumbledore . - Eu gostava de falar um_pouco mais com o Harry . Lockhart saiu sem pressa . Antes de fechar a porta , Ron lançou um olhar curioso a Dumbledore e Harry . Dumbledore passou para uma de as cadeiras junto de o lume . - Senta te , Harry - disse . E Harry sentou se , sentindo se indescritivelmente nervoso . - Antes de mais , Harry , quero agradecer te - disse Dumbledore com os olhos a brilharem de_novo . - Deves ter demonstrado uma grande lealdade para comigo . Só isso poderia atrair a Fawkes para ir ajudar te . Deu uma palmadinha a a fénix que voara , entretanto , para_cima de os seus joelhos . Harry sorria acanhadamente sob o olhar observador de Dumbledore . - Encontraste , portanto , Tom_Riddle - disse o director amavelmente . - Calculo que ele estaria particularmente interessado em ti ... De repente , algo que Harry tinha engasgado saiu lhe descontroladamente de a boca para fora . - Professor_Dumbledore ... o Riddle disse que eu sou como ele , que há entre nós estranhas semelhanças ... - Ah ! sim ? - Dumbledore olhou pensativamente para ele , por debaixo de as espessas sobrancelhas prateadas . - E o que achas tu de isso ? - Eu não me considero parecido com ele - disse Harry mais alto do_que desejaria . - Isto_é , eu sou um Gryffindor , eu sou ... Mas calou se com uma dúvida a rondar lhe o espírito . - Professor - arriscou passado alguns momentos . - O chapéu seleccionador disse que eu ... teria ficado bem em os Slytherin ; durante algum tempo toda_a_gente pensou que eu era o herdeiro de Slytherin por falar * serpentês * ... - Tu falas * serpentês * , Harry - disse Dumbledore calmamente - porque Lord_Voldemort que é o mais recente antepassado de Salazar_Slytherin , fala * serpentês * . Ou eu me engano muito , ou ele transferiu para ti alguns de os seus poderes em a noite em que te fez essa cicatriz . Não que quisesse fazê o , claro , mas aconteceu . - Voldemort pôs um_pouco de si próprio em mim ? - disse Harry assombrado . - É o que parece ter acontecido . - Então eu deveria estar em os Slytherin - disse Harry , olhando desesperado para o rosto de Dumbledore . - O chapéu seleccionador viu em mim os poderes de Slytherin e ... -- Pôs te em os Gryffindor - concluiu tranquilamente Dumbledore . - Ouve , Harry , tu tens por acaso muitas de as capacidades que Salazar_Slytherin apreciava em os seus estudantes cuidadosamente seleccionados . O seu raro dom de falar * serpentês * , desenvoltura , determinação , um certo desprezo por as regras estabelecidas - acrescentou com o bigode a tremer de_novo . - Mas ainda_assim , o chapéu seleccionador pôs te em os Gryffindor . E sabes porquê ? Pensa um_pouco . - Só me pôs em os Gryffindor - disse Harry em uma voz débil - porque eu pedi para não ir para os Slytherin . - Exacto - disse Dumbledore a sorrir . - E isso torna te muito diferente de o Tom_Riddle . São as tuas escolhas , Harry , que mostram quem de facto tu és , mais do_que as tuas capacidades . Harry sentou se , imóvel e espantado , em a cadeira . - Se queres provas de que o teu lugar é em os Gryffindor , sugiro que vejas isto com mais atenção . Dumbledore aproximou se de a secretária de a professora Mc_Gonagall , pegou em a espada de prata ensanguentada e mostrou lhe a . Sem perceber , Harry voltou a ao_contrário . Os rubis brilharam a a luz de a lareira e foi então que ele reparou em o nome gravado mesmo por baixo de o copo de a espada . GODRIC_GRYFFINDOR . - Só um verdadeiro Gryffindor poderia ter tirado a espada de dentro de o chapéu , Harry - disse , com simplicidade , Dumbledore . Durante um minuto , nenhum de os dois falou . Depois , Dumbledore abriu uma de as gavetas de a secretária de a professora Mc_Gonagall e retirou de lá uma pena e um tinteiro . - Tu precisas de comer e ir dormir . Sugiro que desças para o banquete enquanto eu escrevo para Azkaban . Precisamos de recuperar o nosso guarda de os campos . E tenho de esboçar um anúncio para o * _ Profeta_Diário * - acrescentou pensativo . - Vamos precisar de um novo professor de Defesa contra as artes negras . É um problema , estamos sempre a perdê os . Harry levantou se e dirigiu se a a porta . Tinha acabado de estender a mão para o puxador quando ela se abriu tão violentamente que saltou de as dobradiças . Lucius_Malfoy estava de pé , furioso . E , debaixo de o braço , embrulhado em diversas ligaduras , estava Dobby . - Boa tarde , Lucius - disse Dumbledore , de forma amena . Mr._Malfoy quase derrubou Harry enquanto entrava em a sala . Dobby dava passos miudinhos atrás de ele , inclinado até a a bainha de o seu manto com um olhar apavorado em o rosto . - Então - disse Lucius_Malfoy com os olhos fixos em Dumbledore - voltaste . Os membros de o Conselho_Directivo suspenderam te , mas tu mesmo_assim sentiste te capaz de voltar a Hogwarts . - Bem vês , Lucius - disse Dumbledore , sorrindo serenamente . - Os outros membros de o Conselho contactaram me hoje . Fui envolvido em um redemoinho de corujas , todos queriam contar me a verdade . Ouviram dizer que a filha de Arthur_Weasley tinha sido morta e queriam me novamente aqui . Parece que me consideravam o melhor homem para o lugar . Contaram me algumas histórias muito estranhas . Alguns de eles tinham a impressão que tu tinhas ameaçado amaldiçoar lhes as famílias se não concordassem com a minha suspensão . Mr._Malfoy ficou ainda mais pálido do_que de costume , mas os olhos continuavam cheios de fúria . - Então já acabaste com os ataques ? - rosnou . - Apanhaste o culpado ? - Já , sim - disse Dumbledore com um sorriso . - E quem é ? - perguntou Malfoy secamente . - A mesma pessoa de a última vez , Lucius - disse Dumbledore . Mas desta_vez , Lord_Voldemort agiu através_de outra pessoa , por_meio_de um diário . Pegou em o pequeno caderno com o buraco em o meio , observando Mr._Malfoy de perto . Mas Harry olhava para Dobby . O elfo fazia um sinal muito estranho . Com os seus grandes olhos fixos em Harry , não parava de apontar para ó diário e , em seguida , para Mr._Malfoy , batendo logo_a_seguir com o punho em a cabeça . - Estou a ver ... - disse Mr._Malfoy lentamente a Dumbledore . - Um plano inteligente - afirmou o director em um tom de voz suave , continuando a olhar Mr._Malfoy directamente em os olhos . - Porque se não fosse aqui o Harry e o seu amigo Ron a descobrirem o diário , sem dúvida Ginny_Weasley teria ficado com todas_as culpas . Ninguém teria conseguido provar que ela agira contra a sua própria vontade . Mr._Malfoy não se pronunciou . O seu rosto parecia agora uma máscara . - E vê bem - continuou Dumbledore - o que poderia ter acontecido ... os Weasley são uma de as mais proeminentes famílias de feiticeiros de sangue puro , imagina o efeito em a imagem de Arthur_Weasley e em a sua acção de protecção a os Muggles , se a sua própria filha fosse acusada de atacar e matar filhos de Muggles . Foi uma sorte o diário ter sido descoberto e as memórias de Riddle apagadas . Quem sabe que consequências poderia ter tido ? Mr._Malfoy falou contra vontade . - Sim , foi uma sorte - disse secamente . E , em as suas costas , Dobby continuava a apontar para o diário e para Lucius_Malfoy , batendo depois com o punho em a cabeça . E Harry finalmente percebeu . Fez um sinal a Dobby que correu a esconder se em um canto , torcendo desta_vez as orelhas para se castigar . - Não quer saber como a Ginny obteve esse diário , Mr._Malfoy ? - perguntou Harry . Lucius_Malfoy voltou se para ele . - Como queres que eu saiba onde é_que a estúpida de a garota o arranjou ? - Porque foi o senhor quem lhe o deu - disse Harry . - Em a Flourish and Blotts . O senhor pegou em o livro velho de ela de Transfiguração e meteu o diário lá dentro , não foi ? Viu as mãos brancas de Mr._Malfoy abrirem se e fecharem se . - Prova isso - sibilou . - Oh ! ninguém vai poder prová o - disse Dumbledore sorrindo a o Harry . - Não agora_que o Riddle desapareceu de o caderno . Por outro lado , aconselharia te , Lucius , a não dares mais nenhuma de as coisas velhas de Lord_Voldemort . Se mais alguma for parar a as mãos de crianças inocentes , acho que o Arthur_Weasley fará com que se voltem com toda_a sua carga negativa contra ti . Lucius_Malfoy ficou calado um momento e Harry viu claramente a sua mão direita torcer se como_se desejasse chegar a a varinha . Em vez de isso , voltou se para o seu elfo doméstico . - Vamos , Dobby . Abriu a porta e quando o elfo se aproximou deu lhe um pontapé que o projectou para longe . Ouviram se em o escritório os gritos de dor de Dobby em o corredor . Harry pensou durante um momento e depois decidiu se . - Professor_Dumbledore - disse apressadamente . - Posso dar o diário outra_vez a Mr._Malfoy ? - Certamente , Harry - disse Dumbledore com toda_a calma . - Mas não demores , olha o banquete . Harry agarrou em o diário e saiu de o escritório . Os gritos de dor de Dobby afastavam se ao_longe . Sem perder tempo , perguntando a si próprio se o plano poderia resultar , Harry tirou um de os sapatos , puxou uma de as peúgas enlameadas e viscosas e meteu o diário lá dentro . Em seguida correu até a o fundo de o corredor escuro . Apanhou os em o topo de as escadas . - Mr._Malfoy - disse ofegante , parando . - Tenho uma coisa para si . E meteu a peúga mal cheirosa em a mão de Lucius_Malfoy . - O que é ... ? Mr._Malfoy tirou o diário de dentro de a peúga , deitou a fora e olhou furioso para o caderno estragado e para Harry - Ainda vais acabar por ter um fim igual a o de os teus pais um dia de estes , Harry_Potter - disse em voz baixa . - Eles também eram uns idiotas metediços . Voltou se para se ir embora . - Anda , Dobby , vem ! Mas Dobby não se mexeu . Tinha em as mãos a peúga nojenta de o Harry e olhava para ela como_se fosse um tesouro de valor incalculável . - O senhor deu uma peúga a o Dobby - disse o elfo maravilhado . - Deu a a o Dobby . - O que é isso ? - cuspiu Mr._Malfoy . - Que estás para aí a dizer ? - Dobby tem uma peúga - repetiu incrédulo . - O senhor deitou a fora e Dobby apanhou a e Dobby agora é livre ... Lucius_Malfoy ficou paralisado a olhar para o elfo . Em seguida precipitou se para Harry . - Fizeste me perder o meu servo , rapaz . Mas Dobby gritou : - Não pense que vai fazer mal a o Harry_Potter ! Ouviu se um enorme estrondo e Mr._Malfoy foi empurrado de costas , galgando os degraus de as escadas a três_e_três e indo aterrar lá em baixo todo embrulhado e amarrotado . Levantou se , o rosto lívido e pegou em a varinha , mas Dobby estendeu lhe um dedo ameaçador . - Vá se embora já - disse furioso , apontando para Mr._Malfoy . - Não tocará em o Harry_Potter . Vá se embora , já . Lucius_Malfoy não teve escolha . Lançando a os dois um último olhar de cólera , embrulhou se em o manto e desapareceu . - Harry_Potter libertou Dobby ! - disse o elfo com voz esganiçada , olhando para Harry , a luz de o luar reflectida em os seus grandes olhos em forma de globos . - Harry_Potter libertou Dobby . - Era o mínimo que eu podia fazer , Dobby - disse Harry a sorrir -- , mas promete me que não vais voltar a tentar salvar me a vida . A cara feia e escura de o elfo abriu se , mostrando os dentes , em um enorme sorriso . - Tenho uma pergunta a fazer te , Dobby - disse Harry enquanto o elfo pegava em a peúga de ele com as mãos a tremer . - Disseste me que tudo_isto não tinha nada que ver com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Lembras te ? - Era uma pista , senhor - disse Dobby com os olhos muito abertos como_se fosse absolutamente óbvio . - Dobby estava a dar lhe uma pista . Antes de o senhor de o mal mudar de nome , o seu nome podia ser pronunciado , está a ver ? - Certo - disse Harry sem grande convicção . - Bem , é melhor eu ir indo embora . Há um banquete e a minha amiga Hermione já deve ter acordado ... Dobby lançou os braços a a cintura de Harry e abraçou o . - Harry_Potter é muito maior do_que Dobby imaginava ! - soluçou . - Adeus , Harry_Potter . E com um estalido final , Dobby desapareceu . Harry assistira a diversos banquetes , mas nenhum que se parecesse com aquele . Estavam todos de pijama e a festa durou a noite inteira . Harry não sabia se o melhor tinha sido a Hermione a correr para ele e a gritar : - Tu conseguiste . Tu conseguiste ! , ou o Justin saindo disparado de a mesa de os Hufflepuff para lhe estender a mão , desfazendo se em desculpas por ter suspeitado de ele , ou o Hagrid que apareceu a as três_e_meia e que lhes deu palmadas com tanta força em os ombros que eles foram parar dentro de os pratos de bolo de creme , ou os quatrocentos pontos que ele e o Ron obtiveram para os Gryffindor , ganhando a taça de a equipa por a segunda vez consecutiva , ou a professora Mc_Gonagall de pé , a comunicar lhes que os exames tinham sido cancelados como medida de a escola ( Oh ! não ! exclamou Hermione ) , ou Dumbledore a anunciar que , infelizmente , o professor Lockhart não poderia voltar em o ano seguinte por ter de se ausentar a_fim_de recuperar a memória . Alguns de os professores juntaram se a os alunos que aplaudiram entusiasmados esta notícia . - Que pena - disse Ron , servindo se de um * dounut * de presunto . - E eu que começava a gostar de ele ... O resto de o período de Verão decorreu sob um sol escaldante . Hogwarts voltara a a normalidade , apenas com algumas pequenas diferenças : as aulas de Defesa contra as artes negras foram canceladas ( Mas nós tivemos imensa prática - disse o Ron vendo o descontentamento de Hermione ) e Lucius_Malfoy foi demitido de o Conselho_Directivo . Draco já não passeava por ali como_se fosse o dono de a escola . Pelo_contrário , tinha um ar melindrado e carrancudo . Por outro lado , Ginny_Weasley andava de_novo feliz de a vida . Em_breve chegou o dia de regressarem a casa em o Expresso_de_Hogwarts . Harry , Ron , Hermione , Fred , George e Ginny encheram um compartimento . Tiraram o_máximo partido de aquelas últimas horas em que lhes era permitido usar a magia antes de as férias . Brincaram a as explosões , gastaram o último fogo-de-artíficio Filibuster , de o Fred e de o George e treinaram o mútuo desarmamento através de a magia . Harry começava a ficar muito bom em aquilo . Já estavam perto de a estação de King's_Cross quando Harry se lembrou de uma coisa . - Ginny , o que foi que viste o Percy fazer que ele não queria que nos contasses ? - Ah ! isso - disse a Ginny a rir . - Bem , é_que o Percy tem uma namorada . Fred deixou cair uma pilha de livros em a cabeça de o George . - O quê ? - É aquela prefeita de os Ravenclaw ' Penelope_Clearwater - disse a Ginny . - Foi para ela que ele escreveu durante todo o Verão . Encontravam se em a escola em grande segredo . Eu apanhei os a beijarem se em uma sala de aula vazia e ele ficou tão aflito quando ela foi ... sabes ... atacada . Não vais aborrecê o , pois não ? - perguntou cheia de ansiedade . - Que ideia - respondeu Fred com uma tal satisfação em o rosto que parecia que o seu aniversário chegara mais cedo . - Claro que não - disse o George a rir se a a socapa . O Expresso_de_Hogwarts abrandou e finalmente parou . Harry tirou a pena e um_pouco de pergaminho e voltou se para Ron e Hermione . - Isto_é um número de telefone - disse ele a o Ron , escrevinhando o duas vezes , cortando o pergaminho a o meio e dando lhes os números . - Eu expliquei a o teu pai como usar um telefone em o Verão passado . Ele sabe fazer a chamada . Liga me para_casa de os Dursley , O. _ K. ? Não consigo suportar outros dois meses sem ter mais ninguém com quem falar ... - Mas a tua tia e o teu tio vão ficar orgulhosos de ti , não vão ? - perguntou Hermione quando saíram de o comboio e se misturaram em a multidão que se encontrava junto de a barreira encantada . - Quando souberem o que fizeste este ano . - Orgulhosos ? - disse Harry . - Estás doida ! Podendo eu ter morrido tantas vezes e tendo escapado ? Vão ficar é furiosos ... E juntos avançaram até a a entrada para o mundo de os Muggles . ----------------- J._K._Rowling_Harry_Potter e a Câmara_dos_Segredos_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Chamber of Secrets_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling 1998 Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 2000 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 2.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 Depósito legal : 143.569/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , a a Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Para_Séan_P._F._Harris , condutor imparável e um amigo de os diabos . I_O pior aniversário Não era a primeira vez que uma discussão estoirava a a mesa de o pequeno-almoço , em o número 4 de a Privet_Drive . Mr._Vernon_Dursley fora acordado de manhã cedo por o piar ruidoso que vinha de o quarto de o seu sobrinho Harry . - É a terceira vez esta semana ! - resmungou , a a mesa . - Se não consegues controlar essa coruja , ela não pode ficar aqui . Harry tentou , mais_uma_vez , explicar . - Ela está aborrecida . Estava habituada a voar livremente lá fora . Se eu pudesse , ao_menos , soltá a a a noite ... - Achas me com cara de idiota ? - perguntou rispidamente o tio Vernon , com um fio de ovo preso em o bigode farfalhudo . - Sei muito bem o que aconteceria se essa coruja fosse lá para fora . Trocou um olhar soturno com a mulher , a tia Petúnia . Harry tentou contra-argumentar , mas as suas palavras foram abafadas por um enorme arroto de o filho de os Dursleys , Dudley . - Quero mais bacon . - Há mais em a frigideira , fofinho - disse a tia Petúnia , lançando um olhar vago a o seu filho maciço . - Tens que te alimentar bem enquanto aqui estás , aquela comida de a tua escola não me cheira . - Disparate , Petúnia , eu nunca passei fome enquanto andei em Smeltings - afirmou com sinceridade o tio Vernon . - O Dudley tem que chegue . Não é verdade , filho ? Dudley , que era tão gordo que o rabo saía de os dois lados de a cadeira de a cozinha , sorriu laconicamente e voltou se para Harry . - Passa me a frigideira . -- Esqueceste te de a palavra mágica - disse Harry , irritado . O efeito que esta simples frase teve em o resto de a família foi inacreditável : Dudley começou a arfar e caiu de a cadeira com um estrondo que abalou a cozinha , Mrs._Dursley deu um gritinho e bateu com a mão em a boca , Mr._Dursley pôs se de pé com as veias de as têmporas dilatadas . - Eu queria dizer « por favor » - explicou Harry rapidamente . - Não me referia a ... - : __ o que é_que eu te __ disse - vociferou o tio , espalhando perdigotos sobre a mesa - : __ sobre pronunciar a palavra m . em esta __ casa ? - Mas eu ... - : __ como te atreves a ameaçar o __ dudley ! - rosnou o tio Vernon , batendo com o punho em a mesa . - Eu só ... - : __ estás avisado . não vou admitir referências a tua anormalidade debaixo de o tecto de a minha __ casa ! Harry olhou alternadamente para o rosto congestionado de o tio e para a palidez de a tia que tentava pôr o Dudley de pé . - Está bem - disse Harry . - Está bem ... O tio Vernon voltou a sentar se , respirando como um rinoceronte exausto e observando Harry de perto por o canto de os seus olhos pequeninos e penetrantes . Desde_que Harry regressara para as férias de Verão que o tio Vernon o tratava como_se ele fosse uma bomba , capaz de explodir a qualquer momento , porque Harry não era um rapazinho normal . Em a verdade , ele era o menos normal que é possível imaginar . Harry_Potter era um feiticeiro , um feiticeiro que acabara de concluir o primeiro ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts e a infelicidade que os Dursleys sentiam por ele estar lá em casa não era nada comparada com a de Harry . As saudades de Hogwarts eram tão intensas que se assemelhavam a uma constante dor em o estômago . Sentia a falta de o castelo com as suas passagens secretas e os seus fantasmas , de as aulas ( com excepção talvez de as de Snape , o professor de as poções ) , de o correio a chegar trazido por as corujas , de os banquetes em o salão nobre , de as noites em as camas de dossel em a camarata de a torre , de as visitas a Hagrid , o guarda de os campos em a sua casinha em o bosque , junto de a floresta proibida e , principalmente , sentia a falta de o Quidditch , o desporto mais popular de o mundo de os feiticeiros ( seis postes altos de golo , quatro bolas esvoaçantes e catorze jogadores em_cima_de vassoura ) . Todos os livros de feitiços de Harry , assim_como a varinha , os mantos , o caldeirão e a vassoura topo de gama Nimbus dois_mil tinham sido encerrados por o tio Vernon em a despensa que ficava debaixo de as escadas , em o momento em que Harry regressara a casa . O que é_que lhes interessava se ele perdia ou não o seu lugar em a equipa de Quidditch por não ter praticado durante todo o Verão ? Que importância tinha para eles que o Harry voltasse a a escola sem ter podido fazer os trabalhos de casa ? Os Dursleys eram aquilo que os feiticeiros chamam « Muggles » ( nem uma gota de sangue mágico em as veias ) e , para eles , ter um feiticeiro em a família era motivo de grande vergonha . O tio Vernon tinha , inclusivamente , fechado a cadeado a coruja de Harry , Hedwig , dentro de a gaiola , para evitar que ela transportasse mensagens para a gente de o mundo de a feitiçaria . Harry não se parecia em nada com o resto de a família . O tio Vernon era atarracado e sem pescoço , dotado de um enorme bigode preto ; a tia Petúnia tinha um rosto cavalar e era esquelética ; Dudley era loiro e rosado como um porquinho . Harry , pelo_contrário , era baixo e franzino , com os olhos verdes brilhantes e cabelo negro sempre desalinhado . Usava uns óculos redondos e tinha em a testa uma cicatriz em forma de relâmpago . Era essa cicatriz que o tornava tão invulgar , mesmo para um feiticeiro . Era a única alusão a o seu passado misterioso , a o motivo por o qual , onze anos antes , tinha sido deixado em o degrau de a porta de os Dursleys . Com um ano de idade , Harry sobrevivera a uma maldição de o maior feiticeiro negro de todos os tempos , Lord_Voldemort , cujo nome a maior parte de os feiticeiros e feiticeiras ainda receia pronunciar . Os pais de Harry tinham morrido em um ataque de Voldemort , mas ele escapara com a sua cicatriz em forma de relâmpago e estranhamente , ninguém compreendeu porquê , os poderes de Voldemort tinham sido destruídos em o momento em que não fora capaz de matar o Harry . Por isso , ele foi criado por a irmã de a sua falecida mãe e respectivo marido . Passou dez anos com os Dursleys , sem nunca compreender porque fazia com que acontecessem coisas estranhas , alheias a a sua vontade , acreditando em a história de os Dursleys de que aquela cicatriz fora resultado de um acidente de automóvel em que os pais tinham morrido . E um dia , precisamente um ano antes , Hogwarts escrevera lhe e fora então que tudo começara . Harry fora ocupar o seu lugar em a escola de feitiçaria , onde ele e a sua cicatriz eram famosas ... mas agora o ano escolar chegara a o fim e estava de_novo com os Dursleys . Durante o Verão , voltara a ser tratado como um cão malcheiroso . Os Dursleys nem se tinham lembrado que aquele era o dia de o seu décimo segundo aniversário . É claro que não tivera grandes expectativas : eles nunca lhe tinham dado um presente a sério , muito menos um bolo , mas ignorarem o por completo ... Em esse momento , o tio Vernon pigarreou com um ar importante e disse : - Como todos sabem , hoje é um dia muito importante . Harry olhou para ele , mal conseguindo acreditar . - Pode bem ser que eu faça hoje o maior negócio de toda_a minha vida - afirmou . Harry voltou novamente a atenção para a torrada . É claro , pensou amargamente , o tio Vernon referia se a a estúpida dinner-party . Havia quinze_dias que não falava de outra coisa . Um consultor qualquer cheio de massa e a mulher vinham jantar lá a casa e o tio Vernon tinha esperança de conseguir uma grande encomenda ( a empresa de o tio Vernon fabricava brocas ) . - Acho que devíamos recapitular mais_uma_vez - disse o tio Vernon . - Devemos estar todos a postos a as oito_horas_em_ponto . Petúnia , tu vais estar ... ? - Em o salão - respondeu a tia Petúnia prontamente - a a espera para lhes dar as boas-vindas a nossa casa . - Bom , bom . E o Dudley ? - Eu vou estar a a espera para abrir a porta . - Dudley esboçou um sorriso falso e afectado . - Dão me licença que vos guarde os casacos , Mr. e Mrs._Mason ? - Eles vão adorá o - exclamou arrebatadamente a tia Petúnia . - Excelente , Dudley - disse o tio Vernon . - A seguir voltou se para o Harry . - E tu ? - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - repetiu o Harry , de forma inexpressiva . - Exactamente - confirmou o tio Vernon , de um modo desagradável . - Eu conduzo os até a o salão , apresento te , Petúnia , e sirvo lhes as bebidas . _ a as oito_e_um_quarto . - Eu chamo para a mesa - disse a tia Petúnia . - E tu , Dudley , vais dizer ... - Dá me licença que lhe indique a casa de jantar , Mrs._Mason ? - repetiu o Dudley , oferecendo o seu braço gordo a uma mulher invisível . - O meu pequenino cavalheiro - fungou a tia Petúnia . - E tu ? - perguntou o tio Vernon a o Harry , em o mesmo tom desagradável . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho , fingindo que não estou lá - respondeu Harry aborrecido . - Isso mesmo . Agora , devíamos ter preparadas algumas frases amáveis para o jantar . Petúnia , alguma ideia ? - O Vernon disse me que o senhor é um excelente jogador de golfe , Mr._Mason ... Tem de me dizer onde comprou esse vestido , Mrs._Mason ... - Perfeito . Dudley ? - Que tal : Tivemos de fazer um trabalho para a escola sobre o nosso herói e eu escrevi sobre o senhor ... Foi de mais , tanto para a tia Petúnia como para o Harry . A tia debulhou se em lágrimas e abraçou o filho , enquanto Harry se esgueirava para debaixo de a mesa para ninguém o ver rir . - E tu , rapaz ? Harry fez um esforço para se mostrar inexpressivo quando emergiu . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - disse . - Vais sim senhor - afirmou o tio Vernon energicamente . - Os Mason não sabem nada a teu respeito e é assim que as coisas vão continuar . Quando o jantar terminar , tu trazes Mrs._Mason para o salão , onde vamos tomar café , Petúnia , e eu puxo o assunto de as brocas . Com um_pouco de sorte , tenho o contrato assinado antes de o noticiário de as dez . Amanhã por esta hora , vamos estar a fazer compras para umas férias em Maiorca . Harry não conseguia sentir o menor entusiasmo com aquilo . Não lhe parecia que os Dursleys gostassem mais de ele em Maiorca do_que em Privet_Drive . - Certo , eu vou a a cidade buscar os casacos para mim e para o Dudley . E tu - resmungou , apontando para Harry - não atrapalhes a tua tia enquanto ela estiver a limpar . Harry saiu por a porta de as traseiras . Estava um dia de sol lindo . Atravessou o relvado , deixou se cair em o banco de o jardim e cantarolou baixinho : - Parabéns para mim ... parabéns para mim ... Nem cartas nem presentes e tinha de passar a noite a fingir que não existia . Olhou infeliz para a sebe . Nunca se sentira tão só . Mais do_que tudo em o mundo , mais do_que de Hogwarts , mais até do_que de o jogo de Quidditch , Harry sentia a falta de os amigos Ron_Weasley e Hermione_Granger . Mas eles não pareciam sentir a falta de ele . Nenhum de os dois lhe escrevera durante todo o Verão apesar_de o Ron ter dito que ia convidá o para passar uns dias lá em casa . Inúmeras vezes Harry estivera quase a libertar magicamente Hedwig de a sua gaiola e mandá a levar uma carta a o Ron e a a Hermione mas não valia a pena correr o risco . Os feiticeiros menores de idade não tinham autorização para usar a magia fora de a escola . Harry não contara isto a os Dursleys . Ele sabia que era o medo de que ele os transformasse a todos em baratas que os impedia de o fecharem a a chave em a despensa debaixo de as escadas , juntamente com a varinha e a vassoura . Em as primeiras semanas Harry divertira se a murmurar baixinho palavras sem sentido e a ver o Dudley sair disparado de o quarto , tão rápido quanto as suas pernas gordas lhe permitiam . Mas o silêncio prolongado de Ron e Hermione tinham o feito sentir se tão longe de o mundo de a magia que até divertir se à_custa_de Dudley perdera o interesse . E agora o Ron e a Hermione tinham se esquecido de o seu aniversário . Quanto não daria ele por uma mensagem de Hogwarts ? De qualquer feiticeiro ou feiticeira ? Quase ficaria satisfeito com um sinal de o seu inimigo feroz , Draco_Malfoy , só para ter a certeza de que tudo aquilo não fora apenas um sonho ... Não que tudo durante o ano em Hogwarts tivesse sido divertido . Mesmo em o fim de o último período , Harry confrontara se nem mais nem menos do_que com o próprio Lord_Voldemort . Voldemort podia ter arruinado o seu ego inicial mas continuava a espalhar o terror , ainda astuto , ainda determinado a recuperar o poder . Harry escapara uma segunda vez a as suas garras mas fora por um triz e mesmo agora , algumas semanas decorridas , acordava de noite encharcado em suores frios , perguntando se onde estaria Voldemort , relembrando o seu rosto lívido , os seus olhos completamente loucos ... Harry sentou se subitamente , direito como um fuso , em o banco de o jardim . Tinha estado a olhar distraído para a sebe e a sebe estava a olhar para ele . Dois enormes olhos verdes surgiram por_entre a folhagem . Harry pôs se de pé ao_mesmo_tempo que uma voz sobrevoava a relva . - Eu sei que dia é hoje - cantarolava Dudley , bamboleando se enquanto se aproximava . Os olhos enormes piscaram e desapareceram . - O quê ? - perguntou Harry sem retirar os olhos de o lugar para_onde estava a olhar . - Eu sei que dia é hoje - repetiu , chegando junto de ele . - Ainda_bem - disse Harry . - Aprendeste finalmente os dias de a semana . - Hoje é o dia de os teus anos - troçou o Dudley . - Por_que é_que não recebeste nenhuma carta ? Não tens amigos em esse lugar esquisito ? - É melhor não deixares a tua mãe ouvir te falar de a minha escola - disse Harry calmamente . Dudley puxou para_cima as calças que estavam a escorregar lhe por o rabo gordo abaixo . - Porque estás a olhar para a sebe . ; - perguntou curioso . - Estou a pensar em as palavras que deverei pronunciar para lhe pegar fogo - disse Harry . Dudley recuou de imediato com um olhar de pânico em a cara rechonchuda . - Tu não p-p-odes , o pai disse que não podias fazer magia ou corria contigo aqui de casa e não tens mais nenhum lugar para_onde ir , não tens amigos que te convidem ... - * _ Jiggery pokery * ! - disse Harry com voz firme . - * _ Hocus pocus ... squiggly wiggly * ... - Maaaaaãe - gritou Dudley , tropeçando em os pés , enquanto se precipitava para dentro_de casa . Maaaãe , ele vai fazer aquela coisa ! Harry deu graças a os céus por aquele momento de gozo . Como não aconteceu nada de mal nem a o Dudley nem a a sebe , a tia Petúnia percebeu que ele não fizera magia nenhuma mas , mesmo_assim , Harry teve de se afastar quando ela lhe deu uma forte pancada em a cabeça com a frigideira cheia de detergente . A seguir distribuiu lhe trabalho e o castigo de só voltar a comer quando tivesse acabado tudo . Enquanto Dudley andava a flanar , olhando para o ar e comendo gelados , Harry limpou as janelas , lavou o carro , aparou a relva , adubou os canteiros , podou e regou as rosas e pintou de_novo o banco de o jardim . O sol ardia lá em cima , queimando lhe a parte de trás de o pescoço . Harry sabia que não devia ter provocado Dudley mas ele dissera precisamente aquilo que ele próprio pensava ... talvez não tivesse amigos em Hogwarts . Deviam ver agora o famoso Harry_Potter , pensou amargamente enquanto espalhava adubo em os canteiros , as costas a doerem lhe e o suor a escorrer lhe por o rosto . Eram sete_e_meia_da_tarde quando , por fim , exausto , ouviu a tia Petúnia a chamá o . - Anda para dentro e passa por cima de os jornais . Harry entrou satisfeito em a sombra de a cozinha que rebrilhava . Sobre o frigorífico estava o bolo de a noite : um enorme monte de crome batido coberto de violetas de açúcar . A carne de porco assava em o forno . - Come depressa , os Mason devem estar a chegar ! - exclamou bruscamente a tia Petúnia , apontando para duas fatias de pão e uma de queijo que estavam em cima de a mesa de a cozinha . Ela já tinha posto um vestido de * cocktail * cor de salmão . Harry lavou as mãos e comeu aquele triste jantar . Mal tinha terminado , a tia Petúnia tirou lhe o prato . - Lá para_cima , rápido ! A o passar por a porta de a sala , Harry vislumbrou o tio Vernon e Dudley de casaco e gravata . Tinha acabado de chegar a o cimo de as escadas quando a campainha de a porta tocou e a cara de o tio Vernon apareceu em o patamar . - Lembra te , rapaz , um ruído que seja ... Harry entrou em o quarto em bicos de pés , fechou a porta e preparou se para se meter em a cama . O problema é_que estava lá alguém sentado . II_O aviso de Dobby_Harry conseguiu não gritar , mas foi por_pouco . A pequena criatura que estava em a cama tinha umas orelhas grandes e largas e uns olhos verdes protuberantes de o tamanho de bolas de ténis . Harry percebeu imediatamente que fora para ele que tinha estado a olhar de manhã . Enquanto olhavam um para o outro , Harry ouviu a voz de Dudley em o * hall * . - Posso guardar os vossos casacos , Mr. e Mrs._Mason ? A criatura escorregou por a cama e curvou se tanto que a ponta de o seu enorme nariz tocou em o tapete . Harry reparou que ele tinha vestido uma espécie de fronha de almofada com buracos para os braços e pernas . - Er ... Olá - disse Harry , um_pouco nervoso . - Harry_Potter ! - exclamou a criatura em uma voz tão estridente que Harry calculou que poderia ouvir se lá em baixo . - Há tanto tempo que Dobby queria conhecê o , senhor . É uma enorme honra ... - Ob-obrigado - disse Harry , deslocando se a o longo de a parede e sentando se em a cadeira de a secretária , junto de Hedwig que dormia em a sua grande gaiola . Queria perguntar lhe « O que és tu ? » , mas pensou que seria má educação , por isso perguntou : - Quem és tu ? - Dobby , senhor . Apenas Dobby , o elfo de casa - afirmou a criatura . - Oh ! A sério ? - perguntou Harry . - Não quero ser mal-educado , mas esta não é a melhor altura para ter um elfo em o meu quarto . O riso falso de a tia Petúnia ouvia se em a sala de jantar . O elfo deixou cair a cabeça . - Não que eu não me sinta feliz por te conhecer - disse Harry rapidamente - mas , er ... estás aqui por algum motivo em especial ? - Oh , sim senhor - disse Dobby muito a sério . - Dobby veio dizer lhe que ... é difícil ... Dobby não sabe por_onde começar ... - Senta te - disse Harry educadamente , apontando lhe a cama . Para seu horror , o elfo debulhou se em lágrimas bastante ruidosas . -- S-senta-te ! - repetiu . - Nunca em toda_a minha vida ... Harry pareceu lhe ouvir as vozes lá em baixo vacilarem . - Desculpa - murmurou . - Eu não queria ofender te ... - Ofender Dobby ! - exclamou o elfo em um sufoco . - Nunca nenhum feiticeiro disse a o Dobby que se sentasse como um seu igual , senhor . Harry , tentando dizer lhe « Sch ... » e confortá o ao_mesmo_tempo , conduziu Dobby de_novo até a a cama onde ele se sentou a soluçar , parecendo uma grande boneca muito feia . Por fim , conseguiu controlar se e ficou quieto , com os seus grandes olhos fixos em Harry em uma expressão de absoluta adoração . - Não deves ter conhecido muitos feiticeiros sérios - disse lhe , tentando animá o . Dobby abanou a cabeça . Em seguida , sem qualquer aviso , saltou e começou a bater furiosamente com a cabeça em a janela , gritando : - Dobby é mau ! Dobby é mau ! - Pára , o que é_que estás a fazer ? - perguntou Harry em um murmúrio sibilante , dando um salto e puxando Dobby de_novo para a cama . Hedwig acordara com um pio particularmente agudo e batia agressivamente com as asas contra as grades de a gaiola . - Dobby tinha que se castigar , meu senhor - afirmou o elfo , que ficara ligeiramente estrábico . - Dobby quase falou mal de a família de ele ... - De a tua família ? - De a família de feiticeiros que Dobby serve , meu senhor ... O Dobby é um elfo de casa , obrigado a servir uma casa e uma família para sempre . - Eles sabem que estás aqui ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Dobby estremeceu . - Oh , não senhor , não ... Dobby vai ter que se castigar muito por ter vindo vê o . Dobby vai ter que entalar as orelhas em a porta de o forno por isto . Se eles soubessem , senhor ... - Mas achas que eles não vão reparar se tu entalares as orelhas em a porta de o forno ? - Dobby duvida , senhor . Dobby está sempre a ter de se castigar por qualquer coisa . Eles deixam que o Dobby se castigue . _ às_vezes até sugerem alguns castigos extra . - Mas por_que é_que não te vais embora , não foges ? - Um elfo de casa tem de ser libertado , senhor . E a família nunca libertará Dobby . Dobby servirá a família até morrer . Harry olhou para ele . - E eu que pensava que era infeliz por ter de ficar aqui mais quatro semanas - declarou . - Isto faz os Dursleys parecerem quase humanos . Será que ninguém te pode ajudar ? Poderei eu ? Em o mesmo momento , Harry desejou não ter aberto a boca . Dobby desfez se em ruidosos soluços de gratidão . - Por favor - murmurou Harry , inquieto . - Por favor , está calado . Se os Dursleys ouvem barulho , se eles sabem que estás aqui ... - Harry_Potter pergunta se pode ajudar Dobby . Dobby ouviu falar de a sua grandeza , mas de a sua bondade , Dobby nada sabia . Harry , que se sentia corar , disse : - Seja o que for que tenhas ouvido sobre a minha grandeza , é um disparate . Nem_sequer sou o melhor de o meu ano em Hogwarts . É a Hermione . Ela ... Mas calou se rapidamente porque pensar em Hermione era lhe doloroso . - Harry_Potter é humilde e modesto - disse Dobby reverentemente , com os seus olhos de globo avermelhados . - Harry_Potter não fala de a sua vitória sobre « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . - Voldemort ? - perguntou Harry . Dobby bateu com as mãos em as enormes orelhas e gemeu : - Ai não diga o nome , senhor . Não diga o nome ! - Desculpa - disse Harry muito depressa . - Eu sei que muita gente não gosta . O meu amigo Ron ... Calou se de_novo . Pensar em o Ron era igualmente doloroso . Dobby voltou para Harry os seus dois olhos grandes como candeeiros . - Dobby ouviu dizer - balbuciou com voz rouca - que Harry_Potter encontrou o Senhor_do_Mal uma segunda vez há poucas semanas atrás ... que Harry_Potter lhe escapou de_novo . Harry acenou e os olhos de Dobby encheram se de lágrimas . - Ah , senhor - disse em um sobressalto , limpando o rosto com a ponta de a fronha de almofada que tinha vestida . - Harry_Potter é valente e arrojado . Enfrentou tantos perigos ! Mas Dobby veio protegê o , avisar Harry_Potter , mesmo_que para isso tenha de entalar as orelhas em a porta de o forno , que Harry_Potter não deve voltar para Hogwarts . Houve um silêncio apenas quebrado por o ruído de os garfos e de as facas lá em baixo e por a voz distante de o tio Vernon . - O q-q-uê ? - gaguejou Harry . - Mas eu tenho de voltar , o ano começa em o dia um de Setembro . É a minha razão de viver . Tu não sabes como são as coisas aqui . Eu não pertenço a este lugar , o meu lugar é em Hogwarts . - Não , não , não - guinchou Dobby , sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas andavam de um lado para o outro . - Harry_Potter deve ficar aqui , onde se encontra a salvo . É demasiado grande , demasiado bom para se perder . Se Harry_Potter regressar a Hogwarts correrá perigo de vida . - Porquê ? - inquiriu Harry , surpreendido . - Há uma conspiração , Harry_Potter . Uma conspiração para fazer acontecer coisas terríveis este ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts - murmurou Dobby que começara a tremer de a cabeça a os pés . - Dobby sabe de isto há meses , senhor . Harry_Potter não deve expor se a o perigo . É demasiado importante . - Que coisas terríveis são essas ? - perguntou Harry sem perder tempo . - Quem está por detrás ? Dobby fez um ruído esquisito e começou a bater com a cabeça contra a parede como um louco . - Está bem - gritou Harry , agarrando o braço de o elfo para o fazer parar . - Não podes dizer , eu compreendo . Mas porque vieste avisar me ? - Um pensamento súbito e desagradável surgiu lhe . - Espera aí , isto tem alguma coisa que ver com o Vol , desculpa com o Quem nós sabemos ? Basta que faças sim ou não com a cabeça - acrescentou com vivacidade enquanto a cabeça de Dobby se inclinava de_novo a uma velocidade preocupante para a parede . Lentamente , Dobby abanou a cabeça . - Não , não é « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . Os olhos de Dobby estavam abertos como_se estivesse a tentar dar a Harry uma pista , mas Harry estava completamente a a nora . - Ele não tem nenhum irmão , ou tem ? Dobby abanou a cabeça , os olhos mais abertos do_que nunca . - Bem , em esse caso não estou a ver quem mais poderia ter a possibilidade de fazer acontecer coisas horríveis em Hogwarts - disse Harry . - Quero dizer , para já está lá o Dumbledore . Sabes quem é Dumbledore , não sabes ? Dobby baixou a cabeça . - Albus_Dumbledore é o melhor director que Hogwarts alguma vez teve . Dobby sabe , senhor . Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore rivalizam com os d'aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Mas , senhor - a voz de Dobby desceu a um urgente murmúrio - há poderes que Dumbledore não ... poderes que nenhum feiticeiro sério ... E antes que Harry conseguisse impedi o Dobby saltou de a cama , agarrou o candeeiro de secretária de Harry e começou a bater com a cabeça , dando uivos ensurdecedores . Fez se silêncio lá em baixo . Dois segundos mais tarde , Harry com o coração a bater como um louco , ouviu o tio Vernon chegar a o * hall * e dizer . - O Dudley deve ter deixado outra_vez a televisão ligada , o maroto ! - Depressa , para dentro de o guarda-fatos - gritou Harry , empurrando Dobby bem para o fundo , fechando a porta e metendo se a correr em a cama mesmo a_tempo_de ver a maçaneta de a porta a girar . - Que diabo estás tu a fazer ? - disse o tio Vernon entre dentes , o rosto assustadoramente próximo de o de Harry . - Acabas de estragar o ponto alto de a minha anedota de o golfista japonês . Eu que oiça mais um som e vais desejar nunca ter nascido , rapaz ! Abandonou o quarto com grandes passadas . A tremer , Harry deixou Dobby sair de o guarda-fatos . - Estás a ver como são as coisas por aqui ? - disse . - Vês porque tenho de voltar para Hogwarts ? É o único sítio onde eu tenho ... bem , onde eu acho que tenho amigos . - Amigos que nem_sequer escrevem a Harry_Potter ? - disse Dobby com ar manhoso . - Calculo que devem ter estado ... espera aí - disse Harry , franzindo a testa . - Como é_que tu sabes que os meus amigos não me têm escrito ? Dobby arrastou os pés . - Harry_Potter não deve zangar se com Dobby . Dobby fez o que achou melhor ... - Tu tens estado a interceptar me as cartas ? - Dobby tem as aqui , senhor - disse o elfo . Saltando para longe de o alcance de Harry , retirou de dentro de a fronha que usava um espesso saco cheio de envelopes . Harry reconheceu de imediato a caligrafia certinha de Hermione , a escrita desordenada de Ron e até uns gatafunhos que pareciam ser de o guarda de os campos de Hogwarts , Hagrid . Dobby piscava ansiosamente os olhos . - Harry_Potter não deve ficar zangado ... Dobby esperava que ... se Harry_Potter pensasse que os amigos o tinham esquecido ... Harry_Potter talvez não quisesse voltar a a escola , senhor . Harry não o ouvia . Fez um gesto para agarrar as cartas , mas Dobby deu um salto , afastando se . - Harry_Potter terá as cartas , senhor , se der a Dobby a sua palavra de não voltar a Hogwarts . Ah , senhor , é um risco que não deve correr . Diga que não volta , senhor ! - Não - afirmou Harry zangado . - Dá me as cartas de os meus amigos ! - Em esse caso , Harry_Potter deixa Dobby sem escolha - disse o elfo tristemente . Antes que Harry pudesse fazer um movimento , Dobby tinha aberto a porta de o quarto e descido a correr por as escadas abaixo . Com a boca seca e um aperto em o estômago , Harry correu atrás de ele , tentando não fazer barulho . Saltou os últimos seis degraus , aterrando como um gato em a carpete de o * hall * , olhando em volta a a procura de Dobby . De a sala de jantar , ouviu a voz de o tio Vernon : - Conte a a Petúnia aquela história engraçadíssima de os funileiros americanos , ela tem estado louca por ouvi a , Mr._Mason . Harry correu de o * hall * para a cozinha e sentiu o estômago ficar pequenino . O pudim , que era a a obra-prima de a tia Petúnia , a montanha de creme batido coberto de violetas de açúcar flutuava junto de o tecto . Em cima de o guarda-louça de o canto , Dobby inclinava se servilmente . - Não - suplicou Harry . - Por favor , eles matam me . - Harry_Potter deve dizer que não vai voltar a a escola ... - Dobby , por favor . - Diga , senhor . - Não posso . Dobby lançou lhe um olhar trágico . - Então , Dobby deve fazê o , senhor , para o bem de Harry_Potter . O pudim foi direito a o chão em uma queda que parecia um coração a parar . O crome esguichou para as janelas e para as paredes , enquanto o prato se despedaçava . Com o ruído de uma chicotada , Dobby desapareceu . Ouviram se gritos em a casa de jantar e o tio Vernon irrompeu por a cozinha onde foi dar com Harry coberto , de a cabeça a os pés , por o pudim de a tia Petúnia . A princípio parecia que o tio Vernon ia conseguir arranjar uma desculpa para aquilo tudo . ( É só o nosso sobrinho , muito perturbado ; conhecer pessoas estranhas deixa o muito nervoso , por isso deixamos o lá em cima ... ) Conduziu_os_Mason , bastante chocados , para a sala de jantar , garantindo a Harry que o esfolava vivo quando os Mason se fossem embora e pôs lhe em as mãos um esfregão . A tia Petúnia descobriu um resto de gelado em o frigorífico e Harry , ainda a tremer , começou a limpar a cozinha . O tio Vernon poderia ainda ter feito o negócio , se não fosse a coruja . Estava a tia Petúnia a circular com uma caixa de After-Eight , quando uma enorme coruja de celeiro fez a sua entrada vertiginosa através de a janela de a casa de jantar , deixando cair uma carta em a cabeça de Mr._Mason e desaparecendo logo_a_seguir . Mrs._Mason gritava como uma carpideira e corria por a casa praguejando contra os lunáticos . Mr._Mason ficou o tempo estritamente necessário para dizer a os Dursleys que a mulher tinha um medo pânico de pássaros de todas_as formas e tamanhos e perguntar lhes se aquela era alguma brincadeira de mau gosto . Harry não saiu de a cozinha , agarrando o esfregão como defesa , enquanto o tio Vernon avançava para ele com um brilho demoníaco em os olhos pequeninos . - Lê isso - ordenou maldosamente . Harry pegou em a carta . Não era a desejar lhe um bom aniversário . * _ Caro_Mr._Potter , * _ Recebermos hoje informações de que um feitiço de suspensão em o ar foi efectuado em sua casa esta noite , a as nove_horas_e_doze_minutos . * _ Como sabe , os feiticeiros menores não estão autorizados a praticar magia fora de a escola e , se efectuar mais um trabalho mágico , será expulso de a nossa escola . ( Decreto_de_Restrições_Razoáveis_para_Feitiçaria_de_Menores , 1875 , parágrafo C. ) * _ Pedimos-lhe também que se lembre que qualquer actividade que possa ser notada por membros alheios a a nossa comunidade ( Muggles ) constitui uma ofensa grave , segundo a secção 13 de a Confederação_Internacional_do_Estatuto_da_Magia_Secreta . * _ Tenha umas boas férias . * Atenciosamente_Mafalda_Hopkirk_Gabinete_da_Utilização_Imprópria_da_Magia_Ministério_da_Magia * . Harry olhou para a carta e engoliu em seco . - Tu não nos contaste que estavas proibido de usar magia fora de a escola - disse o tio Vernon com um brilho maldoso a dançar lhe em os olhos . - Esqueceste te de o mencionar , passou te , não foi ? Tinha se aproximado de Harry como um grande * bulldog * , com todos os dentes a a mostra . - Tenho boas notícias para ti , rapaz , vou fechar te a a chave e , se tentares sair através_de magia , nunca mais voltas a aquela escola , eles expulsam te . E rindo como um louco , arrastou Harry até a o andar de cima . O tio Vernon era mau como as cobras . Em a manhã seguinte pagou a um homem para colocar grades em a janela de o quarto de Harry . Ele próprio abriu um pequeno buraco em a porta de o quarto para que a comida pudesse ser introduzida três vezes por dia . Deixavam o Harry sair para ir a a casa_de_banho de manhã e a o final de a tarde . O resto de o tempo estava fechado em o quarto , a a espera que o tempo passasse . Três dias mais tarde , os Dursleys não mostravam qualquer intenção de abrandar o castigo e Harry não sabia como sair de aquela situação . Estava deitado em a cama , vendo o sol brilhar por_entre as grades de a janela e perguntando se tristemente o que viria a acontecer lhe . Qual era a vantagem de sair de ali por artes mágicas , se Hogwarts o expulsaria em seguida ? Contudo , a vida em Privet_Drive tinha atingido o seu nível mais baixo . Agora_que os Dursleys tinham a certeza que não iam acordar transformados em morcegos , ele perdera a única arma que tinha . O Dobby podia tê o salvo de acontecimentos terríveis em Hogwarts , mas de a maneira que as coisas estavam , ele morreria muito provavelmente a a fome . A portinhola rangeu e a mão de a tia Petúnia apareceu empurrando uma tigela de sopa de pacote para dentro de o quarto . Harry , que estava cheio de fome , saltou de a cama e agarrou a . A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um único trago . A seguir , atravessou o quarto até a a gaiola de Hedwig e pôs os legumes ensopados dentro de o seu pratinho vazio . Ela agitou as penas e olhou o com profunda repugnância . - Não vale de nada virares lhe as costas . É tudo_o_que temos - disse Harry , de modo severo . Colocou a tigela vazia em o chão junto de a portinhola e voltou para_cima de a cama , de certo modo com mais fome do_que antes de ter comido a sopa . Admitindo que estaria ainda vivo dentro_de quatro semanas o que aconteceria se ele não se apresentasse em Hogwarts ? Será que mandariam alguém obrigar os Dursleys a deixá o ir ? O quarto começava a escurecer . Exausto e com o estômago a dar horas , o cérebro a as voltas com as mesmas questões sem resposta , Harry caiu em um sono intranquilo . Sonhou que fazia parte de um espectáculo de o jardim zoológico . Preso a a jaula onde se encontrava estava um cartaz onde podia ler se « feiticeiro menor de idade « . As pessoas olhavam o com olhos protuberantes , enquanto ele jazia fraco e esfomeado em um leito de palha . Viu a cara de o Dobby em o meio de a multidão e gritou lhe , pedindo ajuda , mas o Dobby respondeu : - Harry_Potter está em segurança aí , senhor - e desapareceu . Em seguida vieram os Dursleys e Dudley bateu em as grades de a jaula , rindo se de ele . - Pára com isso - murmurou Harry como_se aquele ruído martelasse em a sua cabeça dorida . - Deixa me em paz , pára com isso , estou a tentar dormir . Abriu os olhos . O luar brilhava através de as grades de a janela . E lá fora alguém olhava de olhos arregalados para ele : alguém de rosto sardento , cabelo ruivo e nariz grande . Ron_Weasley estava de o lado de_fora de a janela . III « A toca » Ron ! - exclamou Harry , arrastando se até a a janela e empurrando a para poderem falar através de as grades . - Ron , como é_que tu , foi o ... ? Harry ficou de boca aberta , espantado com o que viu . Ron estava debruçado de a janela de trás de um velho automóvel azul-turquesa que se encontrava estacionado em o ar . Em os lugares de a frente , rindo se para Harry , estavam os irmãos mais velhos , os gémeos Fred e George . - Tudo bem , Harry ? - O que é_que se tem passado ? - perguntou o Ron . - Porque não respondeste a as minhas cartas ? Convidei te para vires ter comigo umas doze vezes e um dia o pai chegou a casa e comunicou nos que tu tinhas recebido um aviso oficial por usares magia diante de os Muggles ... - Não fui eu . E como é_que ele soube ? - Ele trabalha em o Ministério - disse o Ron . - Tu sabes que nós não podemos fazer feitiços fora de a escola . - Bem , isso vindo de ti ... - exclamou Harry , olhando para o carro flutuante . - Oh , isto não conta - disse Ron . - Foi o meu pai que o emprestou . Não o fizemos aparecer por magia . Mas usar magia em a frente de esses Muggles com quem tu vives ... - Já te disse que não fui eu , mas vai demorar muito_tempo a explicar te isso agora . És capaz de avisar em Hogwarts que os Dursleys me fecharam a a chave e que não querem deixar me voltar e obviamente eu não posso sair de aqui magicamente senão o Ministério vai achar que é a segunda vez em três dias e ... - Pára com essa conversa tola - disse o Ron . - Viemos para te levar connosco . - Mas tu também não podes tirar me de aqui utilizando processos mágicos ... - Não precisamos de isso - afirmou Ron , fazendo um sinal de cabeça para os lugares de a frente . - Esqueces te de quem está aqui comigo . - Amarra isso em volta de as grades - disse o Fred , lançando a Harry a ponta de uma corda . - Se os Dursleys acordam estou feito - lamentou se Harry enquanto dava um nó bem apertado com a corda em uma de as grades e o Fred arrancava com o carro . - Não te preocupes e chega te para trás . Harry recuou para a sombra , para junto de Hedwig que parecia ter se apercebido de a importância de tudo aquilo , mantendo se quieta e em silêncio . O carro puxou mais e mais e , subitamente , com um ruído de ferro a ceder , as grades foram arrancadas de a janela , enquanto Fred conduzia com o céu como estrada . Harry correu de_novo para a janela para ver as grades a balouçarem a poucos metros de o chão . Ofegante , Ron içou as para dentro de o carro . Harry escutou ansiosamente mas não vinha qualquer som de o quarto de os Dursleys . Quando as grades estavam em segurança em os lugares de trás junto de Ron , Fred aproximou se o_máximo que lhe foi possível de a janela . - Anda de aí - disse . - Mas , todas_as minhas coisas de Hogwarts , a minha varinha , a minha vassoura ... - Onde estão ? - Fechadas em a despensa debaixo de as escadas e eu não posso sair de este quarto . . - Não há azar - disse o George . - Sai de a frente , Harry . Fred e George treparam cautelosamente e entraram por a janela em o quarto de Harry . Tinhas que ter aberto a boca , pensou Harry enquanto George tirava de o bolso um vulgar gancho de cabelo e começava a tentar abrir a fechadura . - Muitos feiticeiros acham que é uma perda de tempo aprender os truques de os Muggles - disse o Fred . - Mas nós pensamos que há habilidades que é sempre útil conhecer apesar_de serem um_pouco lentas . Ouviu se um pequeno clique e a porta abriu se . - Pronto , vamos buscar as tuas coisas . Tu vai dando a o Ron aquilo que precisas de aí de o teu quarto - murmurou George . - Cuidado com o degrau de cima que range - sussurrou Harry enquanto os gémeos desapareciam em o escuro . Harry deu a volta a o quarto , recolhendo as suas coisas e passando as por a janela a o Ron . Em seguida , foi ajudar o Fred e o George a trazerem o resto por as escadas acima . Ouviu o tio Vernon tossir . Por fim , de língua de_fora , chegaram a o quarto , junto de a janela aberta . Fred trepou para o carro para puxar os volumes com o Ron enquanto Harry e George os empurravam de dentro de o quarto . Centímetro a centímetro o malão foi passando por a janela . O tio Vernon tossiu de_novo . - Mais um_pouco - disse o Fred que estava a puxar de dentro de o carro . Um bom empurrão , vá . Harry e George encostaram os ombros contra a mala e ela escorregou para a parte de trás de o carro . - O. _ K. , vamos embora - murmurou o George . Mas quando Harry trepava para o parapeito de a janela ouviu se um forte pio atrás de ele , imediatamente seguido de o vociferar de o tio Vernon . - Aquela maldita coruja ! - Esqueci me de a Hedwig ! Harry precipitou se de_novo para o quarto , enquanto a luz de o patamar se acendia . Agarrou a gaiola de Hedwig , correu para a janela e passou a a o Ron . Estava a subir para_cima de a cómoda quando o tio Vernon bateu em a porta , que não estava fechada , e esta se abriu completamente . Por uma fracção de segundo , o tio Vernon ficou estático junto de a porta . Em seguida , soltou um mugido como um boi zangado e avançou para Harry , agarrando o por o tornozelo . Ron , Fred e George seguraram o por os braços e puxaram o com toda_a força . - Petúnia - rosnou o tio Vernon . - Ele está a fugir ! : __ ele está a __ fugir ! Os Weasleys deram um puxão gigantesco e a perna de o Harry escapou a as garras de o tio Vernon . Logo_que Harry entrou em o carro e a porta se fechou , Ron gritou : - Acelera Fred ! - E o carro partiu subitamente em direcção a a lua . Harry mal podia acreditar que estava livre . Esticou se a a janela , o ar de a noite a fustigar lhe os cabelos e olhou para baixo , para os telhados apertados de Privet_Drive . O tio Vernon , a tia Petúnia e o Dudley estavam todos debruçados com cara de parvos , a a janela de o quarto de ele . - Até a o próximo Verão - gritou . Os Weasleys riam se a as gargalhadas e Harry esticou se para trás em o assento e pediu a o ouvido de Ron : - Deixa sair a Hedwig . Ela pode voar atrás_de nós . Há séculos que não tem uma oportunidade de esticar as asas . George passou a o Ron o gancho de cabelo e , um momento depois , a Hedwig saíra feliz por a janela , planando atrás de eles como um fantasma . - Então , qual é a história ? - perguntou Ron , impaciente . - O que é_que tem estado a acontecer ? Harry contou lhes tudo sobre o Dobby , o aviso de este e o fracasso de o pudim de violetas . Houve um longo silêncio quando ele se calou . - Isso cheira me a esturro - disse , por fim , o Fred . - Definitivamente misterioso - concordou George . - Então ele nem te disse quem está supostamente por detrás dessa trama toda ? - Acho que não podia - explicou Harry . - Já te disse , de cada_vez que estava quase a deixar escapar qualquer coisa , começava a bater com a cabeça em a parede . Viu Fred e George olharem um para o outro . - O quê ? Acham que ele estava a mentir me ? - perguntou Harry . - Bem - começou o Fred -- , coloquemos as coisas de o seguinte modo , os elfos de casa têm poderes mágicos próprios , mas geralmente não podem usá os sem a autorização de os seus donos . Eu acho que o bom de o Dobby foi enviado para evitar que voltasses para Hogwarts . Uma ideia de um engraçadinho . Haverá alguém em a escola com má vontade contra ti ? - Sim - responderam Harry e Ron , precisamente ao_mesmo_tempo . - Draco_Malfoy - explicou Harry . - Ele detesta me . - Draco_Malfoy ? - perguntou George , voltando se para trás . - O filho de o Lucius_Malfoy ? - Deve ser . Não é um nome muito vulgar , pois não ? - disse Harry . - Mas porquê ? - Ouvi o pai falar acerca de ele - confidenciou George . - Ele era um grande apoiante de o « Quem nós sabemos » . - E quando o « Quem nós sabemos » desapareceu - continuou o Fred , voltando a cara para olhar para Harry - o Lucius_Malfoy voltou , dizendo que não foi por vontade própria que fez o que fez . Monte de lixo . O pai acha que ele fazia parte de um círculo de amigos íntimos de o « Quem nós sabemos » . Harry já tinha ouvido esses boatos sobre a família de Malfoy e não o surpreenderam em absoluto . Malfoy fizera Dudley_Dursley parecer um rapazinho simpático , amável e sensível . - Não sei se os Malfoy têm um elfo de casa ... - afirmou Harry . - Bem , quem quer que o possua é sem dúvida uma antiga família de feiticeiros e deve ser rica - explicou Fred . - Sim . A mãe está sempre a desejar que pudéssemos ter um elfo de casa para passar a roupa a ferro - disse o George . - Mas só temos um velho vampiro piolhoso em o sótão e gnomos espalhados por o jardim . Os elfos de casa pertencem a as grandes casas senhoriais , a os castelos e lugares assim , não encontrarias um em a nossa casa ... Harry estava calado . Considerando que Draco_Malfoy tinha sempre as melhores coisas , que a sua família nadava em ouro de feiticeiros , era fácil imaginá o passeando se por uma enorme casa senhorial . Mandar o servo de a família evitar que Harry voltasse para Hogwarts também parecia exactamente o tipo de coisa que Malfoy poderia fazer . Teria Harry sido estúpido a o tomar Dobby a sério ? - De qualquer modo , ainda_bem que viemos buscar te - declarou Ron . - Eu começava a ficar seriamente preocupado por não responderes a nenhuma de as minhas cartas . A princípio pensei que a culpa fosse de a Errol ... - Quem é a Errol ? - A nossa coruja . Já é velhota . Não seria a primeira vez que adoecia durante uma entrega . Por isso , tentei pedir a Hermes emprestada ... - Quem ? - A coruja que os meus pais compraram a o Percy quando ele foi nomeado prefeito - respondeu Fred . - Mas o Percy não me a emprestou . Disse que precisava de ela . - O Percy tem andado com atitudes muito estranhas este Verão - comentou George franzindo a testa . - E tem mandado imensas cartas e passado um tempo infinito fechado em o quarto ... enfim , pode limpar se e polir um distintivo de prefeito todas_as vezes que se quiser ... Estás a conduzir demasiado para ocidente , Fred - acrescentou apontando para uma bússola em o painel de o automóvel . Fred girou o volante . - Então , o vosso pai sabe que têm o carro ? - perguntou Harry , quase adivinhando a resposta . - Er ... não - disse o Ron . - Ele tinha trabalho esta noite . Felizmente vamos poder pô o de_novo em a garagem , sem a mãe perceber que andámos a voar nele . - A propósito , o que faz o vosso pai em o Ministério_da_Magia ? - Trabalha em o Departamento mais chato - respondeu Ron . - A Divisão de utilização incorrecta de artefactos de os Muggles . - O quê ? - Relaciona se com objectos de feitiçaria que foram feitos por os Muggles ; sabes como é , se forem parar de_novo a uma loja de os Muggles , ou a uma casa , como em o ano passado , quando morreu uma bruxa velha e o bule de ela foi vendido a uma loja de antiguidades . Uma mulher Muggle comprou o , tentou servir chá a os amigos . Foi um pesadelo , o pai teve de fazer horas extraordinárias durante semanas . - O que é_que aconteceu ? - O bule parecia louco , esguichou chá a ferver para todos os lados e um de os homens foi parar a o hospital com a pinça de o açúcar presa em o nariz . O pai ficou nervosíssimo . É só ele e o velho feiticeiro Perkings em o gabinete e tiveram de localizar e descobrir todo o tipo de encantamentos para resolver o assunto . - Mas o teu pai ... este carro ... Fred riu se . - Sim , o pai é louco por tudo_o_que tem que ver com os Muggles . A nossa arrecadação está cheia de coisas de os Muggles . Ele separa as , lança lhes feitiços e volta a pô as em o lugar . Se ele fizesse uma busca a nossa casa teria de se prender a si mesmo . A minha mãe fica louca com tudo aquilo . - É a estrada principal - gritou o George , apontando para baixo através de a janela . - Dentro_de poucos minutos estamos lá , mesmo a tempo , está a começar a clarear . Um leve brilho rosado tingia o horizonte para leste . Fred trouxe o carro para baixo e Harry pôde ver uma manta de retalhos de campos escuros e matas de arbustos . - Estamos um_pouco longe de a vila - disse George . - Em Ottery_St . Catchpole ... O carro voador foi descendo a os poucos . A luz avermelhada brilhava agora por_entre as árvores . - Terra - disse o Fred , em o momento em que tocaram em o chão com um ligeiro solavanco . Tinham aterrado perto_de uma garagem em ruínas em um pequeno pátio e Harry viu pela_primeira_vez a casa de o Ron . Parecia ter sido em tempos uma pocilga de pedra . Mas os quartos que posteriormente lhe tinham sido acrescentados haviam a tornado bastante mais alta e o seu aspecto era tão curvado que parecia ter sido construída por artes mágicas ( o que , pensou Harry , era , muito provavelmente , verdade ) . De o telhado vermelho saíam quatro ou cinco chaminés . Junto de a entrada , fixa em o chão , podia ver se uma inscrição assimétrica que dizia « A toca » . A o lado de a porta principal estava uma contusão de botas de * _ Wellington * e um caldeirão completamente enferrujado . Por o pátio passeavam se várias galinhas castanhas e gordas . - Não é grande coisa - desculpou se o Ron . - É óptima - exclamou Harry , feliz , pensando em Privet_Drive . Saíram de o carro . - Agora vamos lá para_cima sem fazer barulho - disse o Fred . - E esperamos que a mãe nos chame para o pequeno-almoço . Depois tu , Ron , desces a escada entusiasmadíssimo . - Mãe , olha quem apareceu cá durante a noite ! - E ela vai sentir se felicíssima quando vir o Harry . Assim ninguém fica a saber que levámos o carro voador . - Certo - disse o Ron . - Vamos , Harry , eu durmo em o ... Ron ganhou uma cor de um pálido esverdeado , os olhos fixos em a casa . Os outros três fizeram meia volta . Mrs._Weasley avançava por o pátio , afugentando as galinhas e , para uma mulher baixa , roliça e simpática , era fantástico como conseguia parecer se com um tigre dentes-de-sabre . - Ah ! - suspirou o Fred . - Oh , oh ! - exclamou o George . Mrs._Weasley parou em frente de eles . As mãos em as ancas , saltando de um olhar culpado para o outro . Usava um avental a as flores , com uma varinha a sair lhe de o bolso . - Com que então - disse . - Bom dia , mãe - arriscou o George com uma voz que tentou que fosse alegre e bem-disposta . - Vocês têm alguma ideia de como tenho estado preocupada ? - perguntou Mrs._Weasley em um murmúrio fraco . - Desculpe , mãe , mas sabe , nós tivemos que ... Os três filhos de Mrs._Weasley eram mais altos do_que ela , mas tremiam quando a fúria de a mãe se abatia sobre eles . - Camas vazias ! Nem um bilhete ! O carro desaparecido ... Podiam ter tido um acidente , estou fora de mim com tanta preocupação e vocês nem se importam ... nunca , enquanto eu for viva ... esperem só até o vosso pai chegar , nunca tivemos problemas de estes com o Bill , com o Charlie ou com o Percy ... - O perfeito Percy - resmungou Fred . - : __ tu não vales um dedo de a mão de o __ percy ! - gritou Mrs._Weasley , espetando um dedo em o queixo de o Fred . - Podias ter morrido , podias ter sido visto , podias ter feito com que o teu pai perdesse o emprego ... Parecia nunca mais acabar . Mrs._Weasley tinha gritado até ficar ronca , antes de se voltar para o Harry , que recuou . - Estou muito contente por te ver , Harry - disse . - Entra e vem tomar o pequeno-almoço . Ela voltou se e regressou a casa e Harry , depois de trocar um olhar nervoso com o Ron , que lhe acenou , encorajando o , seguiu a . A cozinha era pequena e bastante estreita . A meio havia uma enfezada mesa de madeira e cadeiras em volta e Harry sentou se a a beirinha de o assento , olhando em volta . Era a primeira vez que entrava em uma casa de feiticeiros . O relógio em a parede em frente de ele , tinha apenas um ponteiro e nenhum número . Em volta , estavam escritas frases como « Hora de fazer o chá » , « Hora de dar de comer a as galinhas « e « Estás atrasado » . Empilhados em o rebordo de a lareira estavam livros com títulos como * _ Encanta o teu próprio queijo , Encantamento em a cozedura de o pão e Banquetes em um minuto - é mágico * ! E , a menos que os ouvidos de Harry estivessem a traí o , o velho rádio próximo de o lava-loiças acabara de anunciar que a seguir vinha a Hora de enfeitiçar com a popular feiticeira-cantora Celestina_Warbeck . Mrs._Weasley fazia barulho com os talheres , preparando o pequeno-almoço um bocado a o acaso , lançando olhares furiosos a os filhos , enquanto lançava as salsichas em a frigideira . De vez em quando murmurava coisas como : « Não sei o que vos passou por a cabeça « ou « nunca devia ter confiado em vocês » . - Eu não te culpo , filho - tranquilizou Harry , pondo lhe sete ou oito salsichas em o prato . - Eu e o Arthur temos estado preocupados contigo . Ainda ontem a a noite estivemos a dizer que te iríamos buscar nós próprios se não respondesses a o Ron até sexta-feira . Mas , em a verdade ( estava agora a acrescentar três ovos estrelados a o prato de ele ) , atravessar metade de o país a voar em um carro ilegal , qualquer um vos poderia ter visto ... Agitou maquinalmente a varinha em a direcção de o lava-loiças , onde a loiça começou a lavar se sozinha , tinindo baixinho lá atrás . - Estava enevoado , mãe ! - exclamou o Fred . - Boca fechada enquanto comes ! - interrompeu Mrs._Weasley . - Eles estavam a fazê o passar fome , mãe ! - disse o George . - E tu também ! - disse Mrs._Weasley , mas já foi com uma expressão mais doce que começou a cortar o pão para Harry e a barrá o com manteiga . Em esse momento , as atenções voltaram se para um pequenino volto de cabelos ruivos , em uma camisa de dormir até a os pés , que surgiu em a cozinha , deu um grito agudo e desapareceu de_novo . - É a Ginny - disse Ron baixinho a o Harry -- , a minha irmã . Tem falado de ti todo o Verão . - Sim , ela vai querer o teu autógrafo , Harry - riu se o Fred , mas o seu olhar cruzou se com o de a mãe e inclinou se para o prato , não voltando a abrir a boca . Ninguém falou até os quatro pratos estarem limpos , o que sucedeu a uma velocidade surpreendente . - Bolas , estou cansado - bocejou Fred , pousando a faca e o garfo . Acho que me vou deitar e ... - Não vais , não senhor - interrompeu Mrs._Weasley . - A culpa é tua se ficaste toda_a noite acordado . Vais fazer a des-gnomização de o jardim . Eles estão outra_vez a exagerar . - Oh , mãe ... - E vocês os dois o mesmo - dirigiu se a o Ron e a o Fred . - Tu podes ir para a cama , filho - disse a Harry . - Não lhes pediste que guiassem aquele carro miserável . Mas Harry , que se sentia acordadíssimo , respondeu prontamente : - Eu ajudo o Ron , nunca vi uma des-gnomização ... - É muito simpático de a tua parte , querido , mas é um trabalho chato - explicou Mrs._Weasley . - Vejamos o que o Lockhart tem a dizer acerca disto . E puxou de o rebordo de a lareira um livro pesadíssimo . George resmungou : - Mãe , nós sabemos * des-gnomizar * o jardim . Harry olhou para a capa de o livro de Mrs._Weasley . Em grandes letras douradas , que ocupavam grande parte de a capa , podia ler se Guia_de_Gilderoy_Lockhart para pragas caseiras . Via se também a grande fotografia de um feiticeiro bem-parecido , de cabelos loiros ondulados e olhos azuis brilhantes . Como sempre , em o mundo de os feiticeiros , a fotografia mexia se . O feiticeiro , que Harry calculou ser Gilderoy_Lockhart , não parava de lhes piscar os olhos descaradamente . Mrs._Weasley sorriu lhe . - Oh , ele é fantástico - disse . - Conhece bem as pragas caseiras . É um livro maravilhoso . - A mãe adora o - disse Fred em um murmúrio bastante audível . - Não sejas ridículo , Fred - repreendeu Mrs._Weasley com as bochechas coradas . - É claro que se achas que sabes mais do_que o Lockhart , podes ir fazer o trabalho e ai de ti se houver um único gnomo em o jardim quando eu for fazer a inspecção . A bocejar e a resmungar , os Weasley arrastaram se lá para fora com Harry atrás de eles . O jardim era grande e , em a opinião de Harry , exactamente como deveria ser um jardim . Os Dursleys não teriam gostado . Havia uma enorme quantidade de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada , mas havia árvores nodosas em volta de as paredes , plantas que Harry nunca vira , tombando de todos os canteiros e um grande lago verde cheio de rãs . - Os Muggles também têm gnomos de jardim , sabes - disse o Harry a o Ron , enquanto atravessavam a relva . - Sim , já vi essas coisas que eles pensam que são gnomos - disse o Ron todo dobrado , com a cabeça em uma moita de peónias . - Como os Pais_Natais gordinhos com canas de pesca ... Houve um tumulto ruidoso , a moita de peónias estremeceu e Ron endireitou se . - Isto_é um gnomo - declarou com um ar sério . - Larga eu ! Larga eu ! - guinchou o gnomo . Não se parecia em absoluto com o Pai_Natal . Era pequenino e parecia de couro , com uma grande cabeça protuberante e calva , precisamente como uma batata . Ron agarrou o a a distância de um braço , enquanto ele dava pontapés em o ar com os seus pézinhos que pareciam chifres . Agarrou o por os tornozelos e voltou o de pernas para o ar . - Isto_é o que tens de fazer - disse . Levantou o gnomo acima de a cabeça ( Larga eu ! ) e começou a balouçá o em grandes círculos , como os vaqueiros fazem com os laços . A o ver a expressão chocada de Harry , Ron explicou : - Não os mágoa . Só tens de os deixar bem tontos para que consigam encontrar o caminho de regresso a os buracos de os gnomos . Largou os tornozelos de o gnomo . Ele voou seiscentos metros e aterrou com um ruído surdo em o campo a o lado de a sebe . - Deplorável - afirmou o Fred . - Aposto que consigo lançar o meu para_além de aquele tronco . Harry aprendeu rapidamente a não sentir muita pena de os gnomos . Decidira largar o primeiro que apanhou para_além de a sebe , mas o gnomo , sentindo fraqueza , enfiou os seus dentinhos , aguçados como laminas , em o dedo de o Harry e não foi fácil sacudi o para ele o largar , até que ... - Uau , Harry , esse deve ter sido seiscentos metros ... O ar estava subitamente cheio de gnomos voadores . - Vês , eles não são muito espertos - afirmou o George , agarrando cinco ou seis de uma_vez . - Em o momento em que se apercebem que começou a * des-gnomização * , aparecem todos para espreitar . Era de esperar que já tivessem aprendido a ficar quietinhos . Rapidamente a multidão de gnomos começou a ir se embora , atravessando os campos em uma fila ordenada , com os pequeninos ombros arqueados . - Eles voltam - disse o Ron enquanto os via desaparecer em a sebe de o outro lado de o campo . - Eles adoram estar aqui ... o pai é muito mole com eles , acha lhes piada . Em esse momento , a porta de a frente bateu . - Ele já voltou ! - exclamou o George . - O pai já está em casa ! Apressaram se a entrar . Mr._Weasley tinha se afundado em uma de as cadeiras de a cozinha , sem óculos e com os olhos fechados . Era um homem magro , quase calvo , mas o pouco cabelo que tinha era tão ruivo como o de os filhos . Vestia um longo manto verde cheio de pó e estava cansado de a viagem . - Que noite - murmurou , tacteando em busca de o bule , enquanto todos se sentavam a a volta de ele . - Nove assaltos , nove ! E o velho Mundungs_Fletcher tentou lançar me um feitiço quando eu estava de costas . Mr._Weasley tomou um bom gole de chá e suspirou . - Encontrou alguma coisa , pai ? - perguntou Fred ansiosamente . - Só encontrei algumas chaves encolhidas e uma chaleira que mordia - bocejou Mr._Weasley . - Havia um material bastante mauzinho , mas não era de o meu departamento . O Mortlake foi levado para ser interrogado sobre uns furões extremamente antigos , mas isso pertence a a Comissão_dos_Feitiços_Experimentais , graças_a Deus . - Por_que é_que alguém ia dar se a o trabalho de fazer encolher chaves ? - perguntou George . - Para chatear os Muggles - suspirou Mr._Weasley . - Vende se lhes uma chave que não pára de encolher , até que desaparece , de_modo_a que nunca a encontrem quando precisam ... É claro que é muito difícil condenar alguém , porque nenhum Muggle é capaz de admitir que a sua chave está a encolher , insistem em que estão sempre a perdê a . Benditos sejam , vão até onde for preciso para ignorar a magia , mesmo_que ela esteja em frente de os seus narizes ... mas vocês não acreditariam em as coisas que o nosso grupo tem levado para enfeitiçar ... - : __ como carros , por __ exemplo ? Mrs._Weasley tinha aparecido , segurando um grande atiçador que parecia uma espada . Os olhos de Mr._Weasley abriram se de repente , fitando a mulher com um ar culpado . - C-carros , Molly querida ? - Sim , Artur , carros - afirmou Mrs._Weasley , os olhos a faiscar . - Imagina um feiticeiro a comprar um carro velho e enferrujado e dizer a a mulher que a única coisa que queria fazer com ele era desmontá o para ver como ele funcionava , enquanto em a verdade estava a enfeitiçá o para o fazer voar . Mr._Weasley piscou os olhos . - Bem , querida , acho que poderás constatar que não é ilegal fazer isso , embora , er , talvez ele devesse ter contado a verdade a a mulher ... Existe uma forma de tornear a lei , já_que ela diz que ... desde_que não se tenha a * intenção * de voar em o carro , o facto de ele poder voar , não ... - Arthur_Weasley tu arranjaste essa forma de tornear a lei quando a escreveste ! - gritou Mrs._Weasley . - Para poderes continuar a remexer em todo aquele lixo de os Muggles que tens em a arrecadação ! E , para tua informação , o Harry chegou hoje_de_manhã em o carro que tu não pretendias pôr a voar ! - Harry ? - perguntou Mr._Weasley sem expressão . - Qual Harry ? Olhou em volta , viu Harry e deu um salto . - Santo_Deus , é Harry_Potter ? Muito prazer , o Ron falou nos tanto de si ... - * _ O teu filho conduziu aquele carro até a a casa de o Harry e de volta até aqui em a noite passada ! * - gritou Mrs._Weasley . - O que tens a dizer a esse respeito ? - A sério ! ? - exclamou Mr._Weasley com vivacidade . - Correu tudo bem , quero dizer ... - vacilou a o ver os olhos de Mrs._Weasley que faiscavam . - Er , fizeram mal , rapazes , muito mal , mesmo ... - Vamos deixá os a os dois - murmurou o Ron , enquanto Mrs._Weasley inchava como um sapo gigantesco . - Vamos , vou mostrar te o meu quarto . Esgueiraram se de a cozinha e desceram uma passagem estreita que dava para uma escada desnivelada que ziguezagueava a o longo de a casa . Em o terceiro andar , estava uma porta entreaberta . Harry só teve tempo de ver um par de olhos castanhos brilhantes que o olhavam fixamente , antes de a porta se fechar com um estalido . - A Ginny - disse o Ron . - Não imaginas como é estranho vês a tão tímida , ela que quase nunca se cala ... Subiram mais dois andares , até chegarem a uma porta com a tinta a descascar e uma pequena placa dizendo : « Quarto_do_Ronald » . Harry entrou . A cabeça quase tocava em o tecto inclinado . Piscou os olhos . Era como entrar dentro_de uma fornalha : quase tudo em o quarto de o Ron tinha um violento matiz alaranjado : a colcha de a cama , as paredes , até o tecto . Em seguida , apercebeu se de que o Ron tinha coberto cada centímetro de o velho papel de parede com * posters * de as mesmas sete feiticeiras e feiticeiros , todos vestidos com brilhantes mantos cor de laranja , transportando vassouras e acenando entusiasticamente . - A tua equipa de Quidditch ? - perguntou Harry . - Os Chudley_Cannons - disse Ron , apontando para a colcha cor de laranja que tinha um brasão com dois C's gigantes e uma bala de canhão a_toda_a velocidade . - Nono em a Liga . Os livros de estudo de feitiços de Ron estavam empilhados desordenadamente a um canto , junto de um monte de B. _ D. , todas elas relativas a as * _ Aventuras_de_Martin_Miggs , o Muggle louco * . A varinha mágica de o Ron estava em_cima_de um aquário cheio de ovos de rã sobre o peitoril de a janela , junto de o seu rato gordo e cinzento , Scabbers , que dormia uma soneca a o sol . Harry passou por_cima_de um baralho de cartas de jogar com vontade própria , que estava caído em o chão , e olhou para fora de a janelinha . Em o campo , não muito longe , podia ver um grupo de gnomos a esgueirarem se , um a um , de_novo para a sebe de os Weasley . Em seguida , voltou se para Ron que o observava nervoso , como_se esperasse a opinião de ele . - É um_pouco pequeno - declarou o Ron muito depressa . - Não se parece nada com o quarto que tu tinhas em casa de os Muggles . E estou mesmo debaixo de o vampiro de o sótão . Ele anda sempre a bater nos canos e a gemer ... Mas Harry , com um grande sorriso , disse lhe : - Esta é a melhor casa em que eu já estive . As orelhas de Ron ficaram cor-de-rosa . IV_Na_Flourish and Blotts_A vida em a Toca era o mais diferente que é possível de a vida em Privet_Drive . Os Dursleys gostavam de tudo limpo e arrumado , em casa de os Weasleys explodia o estranho e o inesperado . Harry teve um choque de a primeira vez que olhou para o espelho que estava sobre a lareira de a cozinha e ele gritou : - Mete para dentro a camisa , * desmazelado ! * - O vampiro de o sótão gemia e batia nos canos , sempre_que sentia as coisas demasiado calmas e as pequenas explosões em o quarto de o Fred e de o George , eram consideradas perfeitamente normais . Mas o que o Harry achou mais bizarro em a vida em casa de o Ron , não foi o espelho que falava , nem o vampiro barulhento , foi o facto de todos ali em casa parecerem gostar de ele . Mrs._Weasley preocupava se com o estado de as suas meias e tentava obrigá o a servir se quatro vezes a cada refeição . Mr._Weasley gostava que Harry se sentasse a o lado de ele a a mesa para poder bombardeá o com perguntas sobre a vida com os Muggles , pedindo que lhe explicasse como funcionavam coisas como as canalizações e o serviço de os correios . - Fascinante ! - exclamava , enquanto Harry lhe explicava a utilização de o telefone . - Engenhoso , de facto , todas_as maneiras que os Muggles encontraram para passar sem a magia . Harry teve notícias de Hogwarts em uma manhã de sol , cerca de uma semana depois de ter chegado a a Toca . Quando , ele e o Ron desceram para tomar o pequeno-almoço , encontraram Mr. e Mrs._Weasley e Ginny já sentados a a mesa . Em o momento em que viu o Harry , Ginny entornou a tigela de os cereais , que caiu a o chão com grande espalhafato . Ginny entornava facilmente coisas sempre_que o Harry estava em a sala . Mergulhou debaixo de a mesa para apanhar a tigela e emergiu com o rosto a brilhar como o sol poente . Fingindo não ter dado por nada , Harry sentou se e aceitou a torrada que Mrs._Weasley lhe ofereceu . - Cartas de a escola - disse Mr._Weasley , passando a o Harry e a o Ron envelopes idênticos de pergaminho amarelado , com a morada escrita a tinta verde . - O Dumbledore já sabe que estás aqui , Harry , não perde nada aquele homem . Vocês os dois também - acrescentou , enquanto Fred e George deambulavam em a casa , ainda em pijama . Fez se silêncio durante alguns momentos , enquanto liam as respectivas cartas . A de o Harry dizia para apanhar o Expresso_de_Hogwarts , como sempre em a Estação_de_King's_Cross , em o dia_1_de_Setembro . Havia ainda uma lista de os livros que precisaria para o próximo ano . Os alunos de o segundo ano deverão ter : * _ O_Livro_Padrão_de_Feitiços , Grau 2 , por Miranda_Goshawk . * _ Ensinamentos_de_Uma_Fada_Carpideira , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Férias com Bruxas , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Duendes , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Lobisomens , por Gilderoy_Lockhart . * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves , por Gilderoy_Lockhart * . Fred , que terminara a sua própria lista , espreitou para a de o Harry . - Também te mandam comprar os livros de o Lockhart - disse . - A professora de defesa contra as artes negras deve ser fanática . Aposto que é uma bruxa . Nessa_altura , Fred percebeu o olhar de a mãe e apressou se a comer o doce de laranja . - Esse conjunto não vai ficar barato - disse George , olhando rapidamente para os pais . - Os livros de o Lockhart são de os mais dispendiosos ... - Cá nos havemos de arranjar - declarou Mrs._Weasley , mas parecia preocupada . - Espero que pelo_menos para a Ginny possamos arranjar uma data de coisas em segunda mão . - Ah , vais entrar este ano para Hogwarts ? - perguntou lhe Harry . Ela fez um aceno , corando até a a raiz de os cabelos ruivos e meteu o cotovelo em o pires de a manteiga . Felizmente ninguém deu por nada , a não ser o Harry , porque em esse momento o irmão mais velho de Ron , o Percy , entrou . Já estava vestido , com a placa de prefeito aplicada a a sua camisola de malha . - Bom dia a todos - disse , cheio de vivacidade . - Está um dia lindo . Puxou a única cadeira livre , mas deu um salto quando ia sentar se e , debaixo de ele , saltou um espanador cinzento de penas , pelo_menos , foi o que o Harry pensou até ver que ele respirava . - Errol ! - exclamou Ron , afastando a coruja de o Percy e retirando lhe debaixo de a asa uma carta . - Até que enfim , a resposta de a Hermione . Escrevi lhe a contar que íamos tentar raptar te de casa de os Dursleys . Levou Errol para um poleiro que havia junto a a porta de as traseiras e tentou colocá a lá em cima , mas Errol caiu redonda e Ron teve de a pôr em a pia , murmurando : - Patético . - Em seguida , abriu a carta de a Hermione e leu a em voz alta . * _ Querido_Ron e Harry , se aí estiveres . Espero que tudo tenha corrido bem , que o Harry esteja O. _ K. e que não tenham feito nada ilegal para conseguir trazes o , porque isso podia criar lhe problemas também a ele . Tenho estado muito preocupada e , se o Harry estiver bem , por favor digam me qualquer coisa rapidamente , mas talvez seja melhor usarem uma nova coruja , porque acho que outra entrega pode acabar como esta . * _ Estou muito atarefada com trabalho de a escola , claro * . - Como é possível ? - perguntou Ron , horrorizado . - Estamos em férias ! - * _ E vamos para Londres em a próxima quarta-feira para comprar os meus livros novos . Porque não nos encontramos em a Diagon-al ? * _ Dêem-me notícias vossas o mais depressa possível . * _ Carinhosamente_Hermione * - Bem , parece uma boa solução , podemos ir todos comprar as vossas coisas - disse Mrs._Weasley , começando a limpar a mesa . - O que vão fazer hoje ? Harry , Ron , Fred e George tinham planeado ir a o cimo de o monte a um pequeno cercado de cavalos que os Weasleys possuíam . Estava rodeado de árvores que lhe tapavam a vista de a cidade cá em baixo , o que quer_dizer que podiam praticar Quidditch , desde_que não voassem muito alto . Não podiam usar as verdadeiras bolas de Quidditch pois seria muito difícil explicar se elas escapassem e voassem sobre a cidade . Em vez de elas , lançavam maçãs para os outros apanharem . Faziam turnos para montar a Nimbus dois_mil , que era de longe a melhor vassoura . A velha Shooting_Star_de_Ron fora muitas_vezes ultrapassada por as borboletas que passavam . Cinco minutos mais tarde estavam a marchar por o monte acima , de vassouras a o ombro . Tinham perguntado a o Percy se ele queria juntar se a eles , mas ele alegara muito trabalho . Até esse dia , Harry só tinha visto Percy a a hora de as refeições , ele ficava em silêncio em o quarto o resto de o tempo . - Gostava de saber o que ele anda a fazer - afirmou Fred , de testa franzida . - Não parece o mesmo . O resultado de os exames veio um dia antes de tu chegares : doze N_F_V e ele nem se manifestou satisfeito . - Níveis_de_Feitiçaria_Vulgares - explicou o George , vendo o olhar atarantado de Harry . - Se não temos cuidado , ainda nos calha outro Chefe_de_Turma em a família . Acho que não suportaria a vergonha . Bill era o mais velho de os irmãos Weasley . Ele e o irmão a seguir , Charlie , já tinham saído de Hogwarts . Harry não conhecia nenhum de os dois , mas sabia que o Charlie estava em a Roménia a estudar dragões e o Bill em o Egipto a trabalhar em o banco de os feiticeiros : Gringotts . - Não sei como o pai e a mãe vão arranjar dinheiro para nos pagar o material escolar este ano - disse o George , passado um bocado . - Cinco conjuntos de livros de o Lockhart ! E a Ginny precisa de mantos e de uma varinha e tudo_isso ... Harry não disse nada . Sentiu se um_pouco incomodado . Fechada em um cofre subterrâneo , em o banco de Gringotts_de_Londres , estava uma pequena fortuna que os pais lhe tinham deixado . É claro que só tinha esse dinheiro em o mundo de os feiticeiros , não se podem usar Galeões , Leões e Janotas em as lojas de os Muggles . Ele nunca fizera referência a a sua conta bancária em Gringotts a os Dursleys . Não lhe parecia que o horror que eles sentiam por tudo_o_que se relacionava com a feitiçaria se estendesse a uma enorme pilha de barras de ouro . Mrs._Weasley acordou os a todos bem cedo , em a quarta-feira seguinte . Depois de comerem umas doze sanduíches de * bacon * cada_um , enfiaram os casacos e Mrs._Weasley tirou um vaso de a prateleira de o fogão de a cozinha e espreitou lá para dentro . - Está a acabar se , Arthur - suspirou . - Temos de comprar mais hoje ... Bem , os hóspedes primeiro . Passa , Harry querido ! E ofereceu lhe o vaso de flores . Harry olhou espantado enquanto todos eles o observavam . - O q-que é_que eu devo fazer ? - gaguejou . - Ele nunca viajou com o pó de Floo - disse o Ron subitamente . - Desculpa , Harry , esqueci me . - Nunca ? - perguntou Mrs._Weasley . - Mas então como chegaste a a Diagon - _ Al em o ano passado para comprar as tuas coisas ? -- Fui por o subterrâneo . - A sério ? - disse Mr._Weasley , entusiasmado . - Havia fugitivos ? Como é_que ... - Agora não , Arthur - disse Mrs . Weasley . - O pó de Floo é muito mais rápido , querido , mas , valha me Deus , se ele nunca o usou ... - Vai correr bem , mãe - disse o Fred . - Harry observa nos primeiro . Tirou uma pitada de pó brilhante de dentro de o vaso , aproximou se de o lume e lançou o pó em as chamas . Com um rugido , o fogo ficou verde-esmeralda e elevou se a uma altura superior a a de o Fred que avançou , gritando Diagon - _ Al ! E desapareceu . - Tens de falar claramente , filho - disse Mrs._Weasley a o Harry , ao_mesmo_tempo que George metia a mão em o vaso de as flores . - E vê se sais em o fogão certo . - Em o quê ? - perguntou Harry , nervoso , enquanto o lume crepitava e fazia George desaparecer também . - Bem , há imensos fogos de feiticeiros , mas desde_que te tenhas expressado claramente ... - Ele vai conseguir , Molly , não te preocupes - disse Mr._Weasley , tirando também ele algum pó . - Mas querido se ele se perde como é_que vamos justificar nos perante o tio e a tia de ele ... -- Eles não se importariam - tranquilizou a Harry . - O Dudley ia achar imensa piada se eu me perdesse em uma chaminé , não se preocupe . - Bem , em esse caso ... tu vais a seguir a o Arthur - disse Mrs._Weasley . - Logo_que entres em o fogo diz para_onde queres ir . - E mantém os cotovelos dobrados - preveniu o Ron . - E os olhos fechados - disse Mrs._Weasley . - A fuligem . - Não te enerves - disse o Ron . - Senão podes ir parar a a lareira errada . - Não entres em pânico e não queiras sair cedo de mais . Espera até veres o Fred e o George . Fazendo um enorme esforço por reter toda aquela informação , Harry tirou uma pitada de pó de Floo e avançou para a beirinha de o fogo . Respirou fundo , espalhou o pó em as chamas e entrou . O fogo parecia uma brisa quente . Abriu a boca e engoliu , de imediato , uma grande quantidade de cinzas quentes . D-dia-gon-al - tossiu . Sentiu se como_se estivesse a ser sugado para um buraco gigantesco . Como_se girasse muito depressa ... o ruído era ensurdecedor . Tentou manter os olhos abertos mas o turbilhão de chamas verdes fê lo enjoar ... algo duro bateu lhe em o cotovelo e dobrou o de imediato . Continuava a rodar , a rodar ... sentia se agora como_se várias mãos frias estivessem a bater lhe em a cara ... Espreitando através de os óculos , viu uma torrente imprecisa de fogões e captou lampejos de as salas que estavam por detrás ... as sanduíches de * bacon * davam lhe a volta dentro de o estômago ... fechou os olhos desejando que tudo aquilo parasse e então caiu , de cara em o chão , em a pedra fria e sentiu os óculos partirem se a os bocados . Desorientado e ferido , coberto de fuligem , pôs se cautelosamente de pé , levando a os olhos os óculos partidos . Estava completamente só e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava . Tudo_o_que podia dizer era que a o seu lado via uma lareira que lhe parecia ser a de uma enorme e indistinta loja de feitiçaria . Mas nenhum de os artigos que ali se encontravam tinham aspecto de fazer parte de a lista de a escola de Hogwarts . Em uma caixa de vidro podia ver se uma mão atrofiada que repousava sobre uma almofada , um baralho de cartas ensanguentado e um olho de vidro que o olhava fixamente . Máscaras de expressão maldosa enchiam as paredes , olhando de esguelha , uma enorme quantidade de ossos humanos estendia se sobre o balcão e , de o tecto , pendiam instrumentos aguçados com pontas de ferro e pregos enferrujados . Mas o pior é_que a rua estreita e escura , que Harry conseguia avistar através de a janela poeirenta de a loja , não era de modo algum a Diagon-al . Quanto_mais depressa saísse de ali , melhor . O nariz ainda a doer lhe em o sítio onde batera em o chão a o aterrar , Harry avançou rápida e silenciosamente em direcção a a porta , mas antes de conseguir chegar a meio caminho , duas pessoas apareceram de o lado de_fora de o vidro , e uma de elas era a última pessoa que Harry desejaria encontrar em o momento em que se encontrava perdido , coberto de fuligem e com os óculos partidos , Draco_Malfoy . Harry olhou rapidamente em volta e apercebeu se de a existência de um grande armário escuro a a sua esquerda , saltou lá para dentro e fechou as portas , deixando uma gretazinha para poder espreitar . Segundos depois , uma campainha tocava e Malfoy entrava em a loja . O homem que o acompanhava só podia ser o pai . Tinha o mesmo rosto pálido de feições agudas e os mesmos olhos cinzentos de gelo . Mr._Malfoy atravessou a loja , olhando maquinalmente para os artigos expostos e tocou a campainha de o balcão , antes de se voltar para o filho , dizendo : - Não mexas em nada , Draco . Malfoy , que vira o olho de vidro , disse : - Pensei que ias oferecer me um presente . - Eu prometi que ia comprar te uma vassoura de corrida - declarou o pai , tamborilando com os dedos sobre o balcão . - Para que é_que me serve , se não estou em a equipa de Quidditch ? - perguntou Malfoy , carrancudo e de mau humor . - O Harry_Potter teve uma Nimbus dois_mil o ano passado , com a autorização especial de o Dumbledor é para jogar em os Gryffindor . Ele nem é assim tão bom , é só por ser * famoso * ... famoso por ter uma estúpida cicatriz em a testa . Malfoy baixou se para observar uma prateleira cheia de crânios . - Todos acham que ele é tão esperto , o Potter maravilha , com a sua cicatriz e a sua vassoura ... - Já me disseste isso doze vezes pelo_menos - comentou Mr._Malfoy , olhando repressivamente para o filho . - E devo lembrar te que não é prudente parecer menos do_que amigo de Harry_Potter , quando a maior parte de a nossa gente vê em ele um herói que fez desaparecer o Senhor_do_Mal . Ah , Mr._Borgin . Um homem curvado surgiu por detrás de o balcão , puxando o cabelo gorduroso para trás . - Mr._Malfoy , que prazer vês o de_novo - disse Mr._Borgin , em uma voz tão untuosa como o cabelo . - Encantado , e o nosso jovem Malfoy também , encantado . Em que posso servi os ? Tenho que vos mostrar o que chegou hoje , a um preço muito razoável ... - Hoje não venho comprar , Mr._Borgin , e sim vender - afirmou Mr._Malfoy . - Vender ? - O sorriso apagou se lentamente em o rosto de Mr._Borgin . - Certamente ouviu dizer que o Ministério está a levar a cabo mais buscas - explicou o Mr._Malfoy , retirando de o bolso um rolo de pergaminho e desembrulhando o para Mr._Borgin o ler . - Eu tenho alguns , ah , artigos em casa que poderiam criar me problemas se o Ministério me batesse a porta . Mr._Borgin colocou em o nariz um par de * pince-nez * e olhou para a lista . - O Ministério não se lembraria de o incomodar certamente ... O lábio de Mr._Malfoy dobrou se . - Ainda não me fizeram nenhuma visita . O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito , mas o Ministério está a ficar cada_vez_mais intrometido . Há boatos sobre um novo decreto de protecção de os Muggles , sem dúvida que aquele mordido de as pulgas , adorador de os Muggles , que é o Arthur_Weasley deve estar por detrás de isso . Harry sentiu crescer a raiva . - E , como pode ver , alguns de estes venenos podiam dar a ideia ... - Compreendo perfeitamente , claro - disse Mr._Borgin . - Deixe me ver ... - Posso ter aquilo ? - interrompeu Draco , apontando para a mão raquítica que estava sobre a almofada . - Ah , a mão de a glória ! - exclamou Mr._Borgin , abandonando a lista de Mr._Malfoy e apressando se a responder a Draco . - Põe se lhe uma vela e ela só dá luz a quem a transporta ! A melhor amiga de os gatunos e de os salteadores , o seu filho tem gosto , senhor . - Espero que o meu filho venha a ser mais do_que gatuno ou salteador , Borgin - disse Mr._Malfoy friamente e Mr._Borgin respondeu logo : - Sem ofensa , senhor , sem querer ofender . - Embora , se as notas de a escola não melhorarem - disse Mr._Malfoy ainda mais friamente - esse possa vir a ser o único caminho possível para ele . - Não tenho culpa - retorquiu Draco . - Todos os professores têm os seus preferidos , aquela Hermione_Granger ... - Eu , em o teu lugar , teria vergonha que uma rapariga que nem_sequer pertence a famílias de feiticeiros , me passasse a a frente em todos os exames - interrompeu Mr._Malfoy . Ah - fez Harry baixinho , radiante por ver Draco atrapalhado e furioso . - É o mesmo em todo o lado - comentou Mr._Borgin em a sua voz untuosa . - O sangue de os feiticeiros conta cada_vez menos ... - Não para mim - afirmou Mr._Malfoy , com as longas narinas dilatadas . - Não senhor , nem para mim - concordou Mr._Borgin , inclinando se em uma vénia . - Em esse caso , talvez possamos voltar a a minha lista - disse Mr._Malfoy secamente . - Estou com alguma pressa , Borgin , tenho ainda hoje assuntos importantes a tratar em outro lado . Começaram a discutir os preços . Harry via nervosamente o Draco aproximar se de o seu esconderijo enquanto observava os objectos a a venda . Parou para examinar um enorme rolo de corda de carrasco e para ver , com um sorriso afectado , o cartão preso com um aparatoso laço de opalas onde podia ler se : * _ Cautela , não tocar . Amaldiçoado - reclama as vidas de dezanove donos , todos eles Muggles * . Draco voltou se e viu o armário mesmo em frente . Avançou , estendeu a mão para o puxador ... - Feito - disse Mr._Malfoy , a o balcão . - Vamos , Draco . Harry limpou a testa a a manga quando Draco se afastou . - Muito bom dia , Mr._Borgin . Espero por si amanhã em a mansão para ir buscar a mercadoria . Em o momento em que a porta se fechou , Mr._Borgin abandonou os seus modos subservientes . « Bom dia para o senhor , Mr._Malfoy , e , se as histórias que contam são verdadeiras , não me vendeu nem metade do_que tem escondido em a sua mansão ... » Murmurando de forma taciturna , Mr._Borgin desapareceu em uma sala escura . Harry esperou um minuto não fosse ele voltar e , em seguida , o mais silenciosamente possível , escapou se de o armário , passou por as caixas de vidro e saiu de a loja . Encostando os óculos partidos a o rosto , olhou em volta . Saíra em uma rua estreita e sombria que parecia composta exclusivamente de lojas dedicadas a as artes negras . Aquela de onde acabava de sair parecia ser a maior , mas em frente estava uma montra tétrica de cabeças encolhidas e duas portas abaixo podia ver se uma enorme caixa viva cheia de gigantescas aranhas pretas . Dois feiticeiros com aspecto pobre observavam o de a sombra de uma porta , murmurando entre si . Sentindo se nervoso , Harry pôs se a caminho , tentando agarrar os óculos a direito e não desistindo de a esperança de encontrar maneira de sair de ali . Por um cartaz de madeira , pendurado em a rua , indicando uma loja de venda de velas envenenadas , ficou a saber que se encontrava em a Rua * _ Bativolta * , mas isso não o ajudou pois Harry nunca ouvira falar em tal lugar . Calculou que não tinha pronunciado bem as palavras com a boca cheia de cinzas em a lareira de os Weasley . Tentando manter a calma perguntou a si mesmo o que havia de fazer . - Não estás perdido , pois não , meu menino ? - perguntou uma voz , mesmo junto de o seu ouvido , que o fez dar um salto . Uma bruxa idosa estava em a sua frente , segurando um tabuleiro de uma coisa que se parecia horrivelmente com unhas humanas . A mulher olhou o maldosamente , mostrando os dentes esverdeados . Harry recuou . - Estou bem , obrigado - disse . - Estou só ... - HARRY ! O qu'é que pensas que estás a fazer aqui ? O coração de Harry deu um salto , assim_como o de a bruxa . Um monte de unhas caíram lhe sobre os pés e ela praguejou , enquanto o corpo enorme de Hagrid , o guarda de os campos de Hogwarts , se aproximava de eles a passos largos com os olhos castanhos-escuros a faiscarem sobre a longa barba eriçada . - Hagrid - gritou Harry , aliviado . - Eu estava perdido ... o pó de Floo ... Hagrid agarrou Harry por o cachaço e puxou o para longe de a bruxa , tirando lhe o tabuleiro de as mãos . Os guinchos agudos de a feiticeira seguiram nos até a o fundo de a ruela serpenteante que ia dar a um lagar onde brilhava o sol . Harry avistou a a distância um edifício de mármore branco como a neve que lhe era familiar : o banco de Gringotts . Hagrid conduzira o até a a Diagon - _ Al . - ` _ tás em um péssimo estado ! - disse Hagrid bruscamente , sacudindo lhe a fuligem com tanta força que Harry quase caiu em um barril de estrume de dragão que se encontrava a a porta de um boticário . - A fugir , em a Rua * _ Bativolta * , eu não conheço esse lugar finório , Harry , não quero que ninguém te veja aqui em baixo . - Já percebi - disse Harry , baixando se quando Hagrid fez menção de o escovar melhor . - Já te disse que estava perdido . E o que é_que tu fazes aqui ? - ` _ Tou a a procura d'um repelente para as lesmas comedoras de legumes - resmungou Hagrid . - ` _ tão a destruir as couves todas de a escola . Tu não estás sozinho ? - Estou em casa de os Weasley , mas separámo nos explicou Harry . - Tenho que os encontrar . Desceram juntos a rua . - Por_que é_que nunca respondeste a as minhas cartas ? - perguntou Hagrid , enquanto Harry corria para o acompanhar ( tinha de dar três passos por cada enorme passada de Hagrid ) . Harry explicou lhe tudo sobre Dobby e os Dursleys . - Malditos_Muggles - rugiu Hagrid . - S'eu tivesse sabido ... - Harry ! Harry ! Aqui ! Harry olhou para_cima e viu Hermione_Granger em o topo de a escadaria de Gringotts . Desceu para vir a o encontro de ele , o cabelo castanho de caracóis , a esvoaçar atrás de ela . - O que aconteceu a os teus óculos ? Olá_Hagrid ... Oh , é maravilhoso ver vos outra_vez . Vens a Gringotts , Harry ? - Logo_que encontre os Weasley - respondeu ele . - Não vais ter d'esperar muito - riu se Hagrid . Harry e Hermione olharam em volta . Subindo a rua , em o meio de a multidão , vinham Ron , Fred , George , Percy e Mr._Weasley . - Harry - chamou Mr._Weasley , ofegante . - Tínhamos esperança que só tivesses ido um fogão mais longe ... - passou um pano em a sua calva reluzente . - A Molly está nervosíssima , aí vem ela . - Onde é_que tu saíste ? - perguntou o Ron . - Em a Rua * _ Bativolta * - disse o Hagrid , com um ar sério . - Sensacional ! - exclamaram Fred e George ao_mesmo_tempo . - Nunca nos deram autorização para lá ir - disse o Ron com uma pontinha de inveja . - E fizeram muito bem - grunhiu Hagrid . Mrs._Weasley chegou em aquele momento a correr , a mala a balouçar em uma de as mãos e Ginny quase pendurada em a outra . - Oh Harry , oh meu querido , podias ter ido parar a qualquer lugar ... Tentando recuperar o fôlego , tirou de a mala uma grande escova de roupa e começou a retirar a fuligem que Hagrid não conseguira expulsar . Mr._Weasley pegou em os óculos de Harry , deu lhes um toque de varinha e entregou lhe os como novos . - Bem , tenho de m'ir embora - disse Hagrid cuja mão estava a ser esmagada por Mrs._Weasley ( -- Rua * _ Bativolta * ! Se não o tivesses encontrado , Hagrid ! ) . - Vemo nos em Hogwarts . - E afastou se , os ombros e a cabeça acima de a multidão que enchia completamente a rua . - Adivinham quem eu vi em o Borgin and Burkes ? - perguntou Harry_a_Ron e a Hermione enquanto subiam as escadarias de Gringotts . - Malfoy e o pai . - O Lucius_Malfoy comprou alguma coisa ? - perguntou interessado Mr._Weasley que estava atrás de eles . - Não , estava a vender . - Então está preocupado - comentou Mr._Weasley com visível satisfação . - Ah , eu adorava apanhar o Lucius_Malfoy em alguma . . - Tem cuidado , Arthur - interrompeu Mrs._Weasley enquanto o gnomo porteiro lhes dava reverentemente entrada em o banco . - Isso é um problema de família . Não queiras ter mais olhos que barriga . - Queres dizer com isso que achas que eu não chego para o Malfoy ? - perguntou Mr._Weasley , indignado , mas foi rapidamente afastado de aqueles sentimentos a o avistar os pais de Hermione que estavam de pé , nervosamente encostados a o balcão que acompanhava a grande parede de mármore , a a espera que Hermione os apresentasse . - Mas vocês são Muggles ! - disse Mr._Weasley , encantado . - Temos de tomar uma bebida . O que é isso aí ? Ah , estão a trocar dinheiro de Muggle . Molly , olha - apontou cheio de excitação para as notas de dez libras que Mr._Granger tinha em a mão . - Encontramo nos aqui - disse Ron_a_Hermione , enquanto os Weasley e Harry eram conduzidos a os seus cofres em o subterrâneo de Gringotts . Para chegar a os cofres havia que tomar umas carrinhas conduzidas por gnomos que se deslocavam ao_longo_de carris de comboio de pequenas dimensões através de os túneis subterrâneos de o banco . Harry gostou de a viagem acidentada até a o cofre de os Weasley , mas sentiu se bastante mal , pior do_que em a Rua * _ Bativolta * , quando o cobre foi aberto . Havia lá dentro um pequenino monte de Leões de prata e apenas um Galeão de ouro . Mrs._Weasley foi com a mão a a procura em os cantos antes de , com um gesto rápido , varrer tudo para dentro de o saco . Harry sentiu se ainda pior quando chegaram a o seu cofre . Tentou evitar que vissem o conteúdo enquanto empurrava apressadamente mãos cheias de moedas para dentro_de uma sacola de cabedal . Lá fora , em as escadarias de mármore , separaram se . Percy murmurou vagamente que precisava de uma nova pena de escrever . Fred e George tinham avistado um amigo de Hogwarts , Lee_Jordan . Mrs._Weasley e Ginny iam a uma loja de mantos em segunda mão , Mr._Weasley continuava a insistir em levar os Grangers a o Caldeirão_Escoante para lhes pagar uma bebida . - Encontrarmo nos todos em a Flourish and Blotts dentro_de uma hora para comprar os vossos livros de estudo - disse Mrs._Weasley , afastando se com Ginny . - E nem um passo em direcção a a Rua * _ Bativolta * - gritou a os gémeos que estavam de costas . Harry , Ron e Hermione deambularam por a rua empedrada e sinuosa . O ouro , prata e bronze que tilintavam alegremente em o saco que Harry tinha em o bolso pareciam exigir ser gastos , por isso ele comprou três enormes gelados de morango e manteiga de amendoim que eles devoraram felizes enquanto vagueavam sem destino por a rua fora , observando as montras fantásticas de as lojas . Ron olhou longamente para um conjunto completo de mantos de o Chudley_Cannon , em as montras de o « Equipamento_de_Quidditch_de_Qualidade » até Hermione o arrastar de ali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos . Em a « Jogos_de_Feitiçaria_de_Gambol and Japes » encontraram o Fred , o George e o Lee_Jordan que estavam presos em a fabulosa partida debaixo_de chuva e em os fogos-de-artifício de o Dr._Filibuster . E em uma pequenina loja de velharias cheia de varinhas partidas , balanças instáveis de latão e mantos velhos cobertos de nódoas de poções encontraram Percy profundamente concentrado em um pequenino livro , bastante chato , chamado * _ Prefeitos que conquistam o poder * . - * _ Um estudo sobre os prefeitos de Hogwarts e as suas posteriores carreiras * - leu alto o Ron em a contracapa . - Deve ser fascinante ... - Desaparece - gritou Percy . - Claro , ele é muito ambicioso , já tem tudo planeado . Quer ser ministro de a magia - disse o Ron baixinho a o Harry e a a Hermione , enquanto deixavam Percy entregue a o livro . Uma hora mais tarde dirigiram se a a Flourish and Blotts . Não eram de modo algum os únicos a encaminhar se para a livraria . À_medida_que se aproximavam viram com grande surpresa uma grande multidão a a porta , tentando entrar em a loja . O motivo de tal confusão estava anunciado em um cartaz que se estendia a o longo de a montra superior . GILDEROY_LOCKHART_Assinará exemplares de a sua autobiografia " eu , o mágico " Hoje 12.30 - 16.30 - Vamos poder conhecê o ! - gritou Hermione . - Quero dizer , ele escreveu quase todos os livros de a nossa lista ! A multidão parecia ser maioritariamente composta por bruxas de a idade de Mrs._Weasley . Um feiticeiro bem-parecido estava de pé junto de a porta , dizendo : - Calma , minhas senhoras , não empurrem , cuidado com os livros . Harry , Ron e Hermione conseguiram furar e entrar . Uma longa fila serpenteava para as traseiras de a loja onde Gilderoy_Lockhart estava a assinar os seus livros . Cada_um de eles pegou em um exemplar de * _ ensinamentos de Uma Fada_Carpideira * e escaparam se de a fila indo ter a o lugar onde se encontravam os outros com Mr. e Mrs._Granger . - Ah , aí estão vocês . _ óptimo - disse Mrs._Weasley que parecia estar com falta de ar e não parava de mexer em o cabelo . - Vamos poder vês o dentro_de um minuto . Gilderoy_Lockhart veio lentamente até um lugar onde era visível para todos , sentou se a uma mesa , rodeado de grandes fotografias de o próprio rosto , todo ele sorrisos , mostrando a a multidão o brilho cintilante de os seus dentes . Lockhart usava uma túnica azul-noite que condizia a as mil maravilhas com a cor de os olhos , o chapéu pontiagudo de feiticeiro colocado lateralmente sobre o cabelo ondulado . Um homenzinho pequenino e irritante andava a dançar de um lado para o outro , tirando fotografias com uma grande máquina preta que lançava baforadas de fumo arroxeado em cada * flash * . - Sai de o caminho , tu aí - disse rispidamente a o Ron , mudando de lugar para ter um angulo melhor . - Este é para o * _ Profeta_Diário * . - Grande coisa ! - exclamou o Ron , esfregando os pés em o lugar que o fotógrafo pisara . Gilderoy_Lockhart ouviu o . Olhou , viu o Ron e em seguida Harry . Voltou a olhar , desta_vez com mais atenção . Em seguida , pôs se de pé e gritou : - Não pode ser , o Harry_Potter ? A multidão dividiu se entre murmúrios de excitação . Lockhart aproximou se , agarrou Harry por um braço e levou o para a frente . A multidão rebentou em aplausos . A cara de Harry ardia quando Lockhart lhe apertou a mão para o fotógrafo que disparava como um louco , lançando fumo espesso para_cima de os Weasley . - Belo sorriso , Harry - disse Lockhart através de os seus dentes brilhantes . - Tu e eu juntos merecemos a primeira página . Quando por fim lhe largou a mão , Harry quase não sentia os dedos . Tentou recuar para junto de os Weasley , mas Lockhart lançou lhe um braço por os ombros e prendeu o a o seu lado . - Minhas senhoras e meus senhores - disse bem alto , fazendo sinal para que se acalmassem . - Que momento extraordinário este ! O momento perfeito para eu anunciar algo que tenho vindo a guardar comigo desde_há algum tempo . - Quando o jovem Harry entrou em a Flourish and Blotts hoje , ele queria apenas comprar a minha autobiografia , que tenho agora o maior prazer em oferecer lhe - a multidão aplaudiu de_novo . - Ele não tinha ideia - continuou Lockhart , dando a o Harry um pequeno encontrão que fez com que os óculos lhe escorregassem para a ponta de o nariz - de que ia conseguir em_breve muito mais do_que o meu livro Eu , o mágico . Ele e os seus colegas de a escola vão receber , de facto , o verdadeiro * _ Eu , o mágico * . Sim , minhas senhoras e meus senhores , tenho o maior prazer em anunciar que em o mês_de_Setembro assumirei o lugar de professor de Defesa contra as artes negras em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts ! A multidão aplaudiu e bateu palmas e Harry deu consigo a ser presenteado com a obra completa de Gilderoy_Lockhart . Cambaleando ligeiramente sob o peso de os livros conseguiu abrir caminho para longe de os projectores até a a porta de a sala onde estava Ginny com o seu novo caldeirão . - Podes ficar com estes - murmurou Harry , enfiando os livros em o caldeirão . - Eu vou comprar os meus . - Aposto que adoraste aquilo , não adoraste , Potter ? - disse uma voz que Harry não teve qualquer dificuldade em reconhecer . Endireitou se e deu consigo frente_a_frente com Draco_Malfoy que exibia o seu habitual sorriso escarninho . - O famoso Harry_Potter - disse Malfoy . - Nem_sequer pode entrar em uma livraria sem se tornar primeira página . - Deixa o em paz , ele não queria nada de isso - defendeu a Ginny . Era a primeira vez que falava em frente de Harry . Olhava para Malfoy com um ar feroz . - Potter , arranjaste uma namorada ! - disse arrastadamente Malfoy . Ginny ficou vermelha como um pimentão enquanto Ron e Hermione tentavam abrir caminho , ambos carregando montes de livros de Lockhart . -- Ah és tu ? - disse Ron , olhando para Malfoy como_se ele fosse algo desagradável colado a a sola de o sapato . - Aposto que te surpreendeu ver o Harry aqui ? - Não tanto como a ti em uma loja , Weasley - retorquiu Malfoy . - Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo . Ron ficou tão vermelho quanto Ginny . Deixou também cair os livros em o caldeirão e avançou para Malfoy , mas Harry e Hermione agarraram o por as costas de o casaco . - Ron - disse Mrs._Weasley , aproximando se com Fred e George . - O que estás a fazer ? Isto está uma loucura aqui dentro , vamos lá para fora . - Olha quem ele é , Arthur_Weasley . - Era_Mr._Malfoy . Estava de pé com a mão sobre o ombro de Draco , com o mesmo sorriso escarninho . -- Lucius - disse Mr._Weasley , acenando friamente . -- Muito trabalho em o ministério , segundo me consta - disse Mr._Malfoy . - Todas essas buscas ... espero que te estejam a pagar horas extraordinárias . Meteu a mão em o caldeirão de a Ginny e tirou de o meio de os livros de Lockhart um exemplar muito velho e muito gasto de o * _ Guia_de_Transfiguração_para_Principiantes * . - Parece que não - disse . - Que diabo , qual a vantagem de ser uma nódoa entre os feiticeiros se nem_sequer te pagam bem por isso ? Mr._Weasley corou mais ainda do_que Ron ou Ginny . - Nós temos uma opinião diferente sobre quem são as nódoas entre os feiticeiros - disse . - É claro que ... - disse Mr._Malfoy , os olhos mortiços passando para Mr. e Mrs._Granger apreensivamente . - As companhias com quem tu andas ... e eu que pensava que já não conseguias descer mais baixo ... Ouviu se um tilintar de metal quando o caldeirão de a Ginny foi por os ares . Mr._Weasley lançara se sobre Mr._Malfoy atirando o para dentro_de uma estante . Dezenas_de livros de feitiços saltaram lá de cima , caindo lhes sobre as cabeças . Houve um grito de - Chega lhe , pai ! - de o Fred e de o George . Mrs._Weasley soltava gritos agudos : - Não_Arthur , não . A multidão recuava deitando mais prateleiras a o chão . - Meus senhores , por favor - gritava o encarregado , e então , mais alto do_que todos : - Parem com isso , gente , parem com isso . Hagrid aproximava se através_de um mar de livros . Em um segundo afastou Mr._Weasley e Mr._Malfoy . Mr._Weasley tinha um lábio cortado e Mr._Malfoy fora agredido em um olho por uma * _ Enciclopédia_de_Cogumelos_Venenosos * . Tinha ainda em a mão o livro velho de a Ginny sobre transfiguração . Atirou lhe o , com os olhos a brilhar de malvadez . - Toma o teu livro , garota . É o melhor que o teu pai pode oferecer te . Libertando se de Hagrid , conduziu Draco para fora e abandonaram a livraria . - Devias tê o ignorado , Arthur - disse Hagrid quase a pegar em Mr._Weasley a o colo enquanto lhe endireitava o manto . - São podres até a a raiz , todos eles . Tod'à gente sabe . Nenhum Malfoy vale a pena ser ouvido . Não prestam , ' tá-lhes em o sangue . Vá lá , vamos sair de aqui . O encarregado parecia querer impedis os , mas , olhando bem para Hagrid , pensou melhor . Subiram a rua , os Grangers a tremer de medo e Mrs._Weasley fora de si . - Um belo exemplo para as crianças ... andar a a pancada em público . O que terá pensado Gilderoy_Lockhart ? - Ele gostou - disse o Fred . - Não o ouviram quando ia a sair ? Estava a perguntar a aquele tipo de o Profeta_Diário se conseguia incluir a briga em a reportagem , disse que era boa publicidade . Mas foi um grupo deprimido que regressou a a lareira de o Caldeirão_Escoante onde Harry , os Weasley e todas_as suas compras iriam viajar de volta até a a Toca , usando o pó de Floo . Despediram se de os Grangers que iam sair de o * pub * por a rua de os Muggles , de o outro lado . Mr._Weasley começou a perguntar lhes como funcionavam as paragens de autocarros , mas calou se rapidamente a o ver a expressão de Mrs._Weasley . Harry tirou os óculos e guardou os cautelosamente em o bolso antes de utilizar o pó de Floo . Definitivamente não era a sua forma ideal de viajar . V_O salgueiro zurzidor O fim de as férias de Verão chegou demasiado depressa para o gosto de Harry . Ele desejara muito regressar a Hogwarts , mas aquele mês em a Toca tinha sido o mais feliz de toda_a sua vida . Era difícil não invejar o Ron quando pensava em os Dursleys e em as boas-vindas que ia receber de a próxima vez que pusesse os pés em Privet_Drive . Em a última noite , Mrs._Weasley preparou um jantar magnífico , que incluía os pratos favoritos de Harry e terminava com um pudim de melaço de fazer crescer água em a boca . Fred e George alegraram a noite com uma exibição de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que saltaram de o tecto para as paredes , durante pelo_menos meia_hora . Depois , foi a altura de tomarem uma caneca de chocolate quente e irem para a cama . Em a manhã seguinte , demoraram muito_tempo a preparar se . Levantaram se com o cantar de o galo , mas parecia lhes que ainda tinham muito para fazer . Mrs._Weasley andava de um lado para o outro , mal-humorada , a a procura de meias e penas , chocavam uns com os outros em as escadas , meio vestidos , meio despidos , com pedaços de torrada em as mãos e Mr._Weasley quase partiu o nariz quando tropeçou em uma galinha a o atravessar o pátio , para meter em o carro a mala de Ginny . Harry não percebia lá muito bem_como é_que oito pessoas , seis grandes malas , duas corujas e um rato , iam caber em um pequeno * _ Ford_Anglia * , isso , claro , antes de as artes mágicas que Mr._Weasley acrescentara . - Nem uma palavra a a Molly - murmurou ele a o Harry , enquanto abria a bagageira e lhe mostrava como ela se expandira para que as malas coubessem facilmente . Quando , por fim , se acomodaram todos em o carro , Mrs._Weasley olhou para o banco de trás , onde Harry , Ron , Fred , George e Percy estavam confortavelmente sentados uns a o lado de os outros e disse : - Os Muggles têm mais conhecimentos do_que aqueles que nós lhes atribuímos , não achas ? - Ela e a Ginny entraram para o lugar de a frente , que fora esticado e parecia um banco de jardim . - Quer_dizer , de_fora ninguém diria que este carro era espaçoso , não acham ? Mr._Weasley pôs o motor a funcionar e saíram de o pátio , Harry voltando se para trás para ver por a última vez a casa . Mal teve tempo de se questionar se iria voltar alguma vez e já estavam de volta : George esquecera se de a caixa de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Cinco minutos mais tarde tiveram de interromper de_novo a viagem e voltar a o pátio para o Fred ir a correr buscar a vassoura . Estavam quase a chegar a a auto-estrada , quando Ginny guinchou que se esquecera de o diário . Mas estava a fazer se muito tarde e os ânimos começavam a exaltar se . Mr._Weasley olhou para o relógio e , em seguida , para a mulher . - Molly , querida ... - Não , Arthur . - Ninguém ia ver . Este botãozinho é um transformador de invisibilidade que eu instalei , levava nos por o ar , subíamos acima de as nuvens . Estaríamos lá em dez minutos e ninguém daria por nada ... - Eu disse que não , Arthur . Durante o dia , não . Chegaram a King's_Cross , faltava um quarto para as onze . Mr._Weasley precipitou se em busca de um carrinho de transporte para as malas e correram todos para a estação . Harry apanhara o Expresso_de_Hogwarts em o ano anterior . A parte mais difícil era entrar em a plataforma nove_e_três quartos , que não era visível a os olhos de os Muggles . Era preciso avançar para a barreira sólida que dividia as plataformas nove e dez . Não doía nada , mas tinha de ser feito com cuidado para que nenhum de os Muggles de esse , por o desaparecimento . - O Percy em primeiro lugar - declarou Mrs._Weasley , olhando nervosamente para o relógio lá em cima , que mostrava que tinham apenas cinco minutos para desaparecer através de a barreira . Percy avançou a passos largos e desapareceu . Mr._Weasley foi a seguir e depois de ele Fred e George . - Eu levo a Ginny e vocês vêm atrás_de nós - disse Mrs._Weasley a o Harry e a o Ron , agarrando Ginny pela mão e seguindo em frente . Em um abrir e fechar de olhos , tinham passado . - Vamos passar juntos , só temos um minuto - disse Ron a o Harry . Harry assegurou se de que a gaiola de a Hedwig estava bem fixa em cima de a sua mala e empurrou o carrinho de encontro a a barreira . Estava perfeitamente confiante , aquilo era muito mais fácil do_que usar o pó de Floo . Puseram os dois as mãos em o puxador de os carrinhos e avançaram direitos a a barreira , ganhando velocidade . A um metro e pouco , começaram a correr e ... CRASH . Os dois carros bateram em a barreira e foram impelidos para trás . A mala de o Ron caiu com um enorme estrépito . Harry desequilibrou se e a gaiola de a Hedwig foi parar a o chão brilhante , enquanto ela rolava guinchando , indignada . As pessoas em volta olhavam fixamente e um guarda que estava ali perto gritou : - Que diabo pensam vocês que estão a fazer ? - Perdemos o controlo de o carro de transporte - respondeu o Harry , respirando com dificuldade , agarrando se a as costelas , enquanto se punha de pé . Ron correu a agarrar a Hedwig , que estava a fazer uma cena tal , que já se ouviam murmúrios em a multidão sobre a crueldade para com os animais . - Porque é_que não conseguimos passar ? - perguntou Harry a o Ron em um sussurro . - Não sei . Ron olhou descontroladamente em volta . Uma_dúzia de curiosos estavam ainda a observá os . - Vamos perder o comboio - murmurou o Ron . - Não compreendo porque motivo a cancela se fechou . Harry olhou para o relógio gigantesco com um sentimento de náusea em a boca de o estômago . Dez segundos , nove segundos ... Dirigiu o carrinho de transporte para a frente com toda_a força . O metal manteve se sólido . Três segundos ... dois segundos ... um segundo ... - Partiu - afirmou o Ron , que parecia estonteado . - O comboio foi se embora . E se a mãe e o pai não conseguem voltar para aqui ? Tens algum dinheiro de Muggle ? Harry deu uma gargalhada . - Os Dursleys não me dão um tostão há mais de seis anos ! Ron encostou o ouvido a a barreira . - Não se ouve nada - disse , bastante tenso . - O que vamos nós fazer ? Não sei quanto tempo o pai e a mãe vão demorar . Olharam em volta . As pessoas ainda estavam a observá os , principalmente devido a os contínuos guinchos de a Hedwig . - Acho que o melhor é sairmos de aqui e esperamos por eles junto de o carro - disse Harry . - Aqui estamos a atrair demasiado as aten ... - Harry - disse o Ron , com os olhos a brilhar . - É isso , o carro . - O que é_que tem ? - Podemos voar nele até Hogwarts ! - Mas eu pensei ... - Estamos em apuros , certo ? E temos de chegar a a escola , ou não ? E mesmo os feiticeiros menores de idade estão autorizados a usar a magia em uma emergência real , parágrafo dezanove , ou não sei quê , de a Restrição de ... O sentimento de pânico de Harry transformou se em entusiasmo . - E tu sabes voar nele ? - Não há problema - disse o Ron , andando com o carrinho a a volta e dirigindo se para a saída . - Anda de aí . Se em os apressarmos , conseguiremos sair atrás de o Expresso_de_Hogwarts . E afastaram se de o grupo de Muggles curiosos , abandonando a estação e voltando a a rua , onde o velho * _ Ford_Anglia * se encontrava estacionado . Ron abriu a bagageira com uma série de toques de varinha . Meteram lá dentro as malas , puseram a Hedwig em o assento de trás e entraram para a frente . - Verifica se ninguém está a ver - disse o Ron , ligando a ignição com outro toque de varinha . Harry pôs a cabeça fora de a janela : o trânsito enchia a avenida principal , mas a rua de eles estava vazia . - O. _ K. - disse . Ron carregou em um pequeno botão de o painel . Os carros em volta desapareceram assim_como eles . Harry sentia o assento a vibrar debaixo_de si , ouvia o motor , sentia as mãos sobre os joelhos e os óculos em o nariz , mas , tanto quanto conseguia ver , tornara se um par de olhos redondos flutuando um metro e pouco acima de o chão em uma rua suja , cheia de carros estacionados . - Vamos - disse a voz de o Ron , vinda de o seu lado direito . O chão e os prédios escuros de ambos os lados desapareceram de o seu ângulo de visão , mal o carro se elevou . Em poucos segundos toda_a cidade de Londres , enevoada e resplandecente , estava por baixo de eles . Em seguida , ouviu se um ruído que parecia o saltar de uma rolha e o carro , Harry e Ron , reapareceram . - Oh , oh - disse Ron , batendo em o intensificador de invisibilidade . - Está avariado ... Começaram os dois a bater em o botão . O carro desapareceu . Depois surgiu de forma intermitente . - Aguenta aí - gritou o Ron e carregou com o pé em o acelerador . Saltaram direitinhos para o meio de as nuvens mais baixas e tudo ficou sujo e enevoado . - E agora ? - exclamou Harry , piscando os olhos a a sólida massa de nuvens que os comprimia de todos os lados . - Precisamos de avistar o comboio para sabermos qual a direcção a tomar - explicou o Ron . - Desce rapidamente ... Desceram por o meio de as nuvens e voltaram se em os lugares , espreitando . - Estou a vê o - gritou Harry . - Mesmo em frente , ali . O Expresso_de_Hogwarts deslocava se a grande velocidade lá em baixo , como uma serpente vermelha . - Para Norte - disse o Ron , verificando a bússola de o painel . - O. _ k . , basta que verifiquemos de meia em meia_hora . Aguenta aí ... - e arrancaram por o meio de as nuvens . Em o minuto seguinte , tinham chegado a a luz brilhante de o Sol . Era um mundo diferente . Os pneus de o carro deslizavam sobre o mar de nuvens macias , o céu era de um azul infinito sob a luz , capaz de cegar , que irradiava de o Sol . - Agora só temos de nos preocupar com os aviões - disse o Ron . Olharam um para o outro e desataram a rir . Durante muito_tempo não conseguiram parar . Era como_se tivessem mergulhado em um sonho fabuloso . Aquela , pensou Harry , era certamente a única maneira de viajar : passando por turbilhões e torres de nuvens cor de neve , em um carro cheio de calor , o sol radioso , com um grande pacote de rebuçados em o porta-luvas e antegozando o ar de inveja de o Fred e de o George quando aterrassem suavemente e de forma espectacular em o relvado macio em frente de o castelo de Hogwarts . Espreitaram várias vezes o comboio enquanto voavam cada_vez_mais para norte . Cada descida entre as nuvens dava lhes uma perspectiva diferente . Londres depressa ficou para trás , substituída por campos verdejantes que , por sua vez , deram lugar a grandes pântanos arroxeados , aldeias com pequenas igrejas de brinquedo e uma grande cidade , cheia de vida , com carros que pareciam formigas multicores . Várias horas mais tarde sem acontecer nada de_novo , Harry teve de admitir que uma parte de o entusiasmo se esgotara . Os rebuçados tinham nos deixado cheios de sede e não havia nada para beber . Ele e o Ron tinham tirado as camisolas , mas a * _ T-shirt * de o Harry estava colada a as costas de o assento e os óculos não paravam de lhe escorregar para a ponta de o nariz . Deixara de reparar em as fabulosas formas de as nuvens e pensava com saudade em o comboio , milhas abaixo de eles , onde se podia comprar sumo fresquinho de abóboras em um carro empurrado por uma bruxa gordinha . Porque não teriam conseguido entrar em a plataforma nove_e_três quartos ? - Não pode ser muito mais longe , pois não ? - resmungou o Ron , horas mais tarde quando o Sol começava a enfiar se em o seu chão de nuvens , pintando as de um rosa profundo . - Estás pronto para outra espreitadela a o comboio ? Ainda ia mesmo por baixo de eles , abrindo caminho por_entre uma montanha com o topo coberto de neve . Estava muito mais escuro entre o dossel de nuvens . Ron pôs o pé em o acelerador e levou os de_novo para_cima , mas em esse momento o motor começou a chiar . Harry e Ron trocaram entre si olhares nervosos . - Deve estar só cansado - disse o Ron . - Nunca tinha vindo tão longe ... - E fingiram ambos que não davam por o gemido que se ia tornando maior à_medida_que o céu serenamente escurecia . As estrelas desabrochavam em a escuridão , Harry voltou a enfiar a camisola de lã , tentando ignorar os limpa pára-brisas que acenavam debilmente como_que a protestar . - Não devemos estar longe - disse Ron , dirigindo se mais a o carro do_que a o amigo . - Já não devemos estar longe - deu umas palmadinhas nervosas em o * tablier * . Pouco depois , quando voltaram a voar em o meio de as nuvens , tiveram de olhar de lado em a escuridão , em busca de um ponto de referência que conhecessem . - Ali - gritou Harry , fazendo o Ron e a Hedwig darem um salto . - Mesmo em frente . Recortados em o horizonte negro , sobre o rochedo de o outro lado de o lago , erguiam se as torres e torreões de o castelo de Hogwarts . Mas o carro tinha começado a estremecer e perdia a os poucos velocidade . - Vá lá - disse o Ron , dando a o volante um pequeno abanão bajulador . - Estamos quase a chegar , vá lá ... O motor gemeu . Pequenos jactos de vapor de água brotaram de o capo . Harry deu consigo agarrado com toda_a força a os bordos de o assento enquanto voavam direitos a o lago . O carro deu um solavanco feio . Espreitando por a janela , Harry viu a superfície negra , macia e espelhada de a água cerca de uma milha abaixo de eles . Os dedos de o Ron agarrados a o volante tinham as articulações brancas . O carro deu um novo esticão . - Vá lá - murmurou o Ron . Estavam sobre o lago ... o castelo ficava mesmo em frente . Ron fez força com o pé . Houve um ruído surdo , uma crepitação e o motor morreu por completo . - Oh ! oh ! - gemeu Ron em o silêncio . O nariz de o carro voltou se para baixo . Estavam a cair , ganhando velocidade em direcção a os muros sólidos de o castelo . - Naaaaão ! - gritou o Ron , girando o volante . Escaparam a a muralha de pedra negra por centímetros , quando o carro fez um grande arco , planando primeiro sobre as estufas , depois sobre o rectângulo plantado com vegetais e , por fim , sobre os relvados , perdendo sempre velocidade . Ron largou o volante por completo e tirou a varinha de o bolso de trás . - __ pára ! __ pára ! - gritou , batendo em o * tablier * e em o pára-brisas , mas eles continuavam a mergulhar , o chão a voar em direcção a eles . - : __ cuidado com essa __ árvore ! ! ! - bramiu Harry , deitando a mão a o volante , mas ... tarde de mais ... CRUNCH . Com um ruído ensurdecedor de metal e madeira , bateram em o tronco espesso de a árvore e caíram em o chão com um forte solavanco . O vapor era um mar debaixo de o capo amachucado . A Hedwig tremia apavorada . Em a cabeça de Harry surgira um alto de o tamanho de uma bola de golfe , quando ele batera em o pára-brisas , tombando em seguida para a direita . Ron soltou um gemido longo e desesperado . - Estás O. _ K ? - perguntou Harry , aflito . - A minha varinha - disse o Ron em uma voz trémula . - Olha para a minha varinha . Tinha se partido praticamente em duas , a ponta balouçava mole , presa por meia_dúzia de esquírolas . Harry abriu a boca para dizer que em a escola com certeza conseguiriam consertá a , mas nem chegou a começar a frase . Em esse preciso momento , algo bateu em o seu lado de o carro , com a força de um touro , projectando o para_cima de o Ron , ao_mesmo_tempo que um golpe igualmente forte se sentiu em o capô . - O que está a acontec ... Ron arfou , olhando fixamente por o pára-brisas e Harry olhou em volta , mesmo a_tempo_de ver uma ramada espessa como uma píton vir contra o vidro . A árvore em que tinham batido estava a atacá os . O tronco dobrara se quase a meio e os seus galhos rugosos davam uma tareia a cada centímetro de o carro que conseguiam atingir . - Ah ! - praguejou o Ron , quando outra pernada retorcida esmurrou a sua porta , amolgando a . O pára-brisas tremia agora sob uma saraivada de golpes vindos de galhos que pareciam patas de animais e uma ramada espessa como um aríete esmagava furiosamente o capo , que parecia estar a ceder ... - Corre ! - gritou o Ron , lançando o seu peso contra a porta , mas , em o momento seguinte , tinha sido atirado para trás , para o colo de Harry por um soco maldoso , dado de baixo para_cima , por outro ramo . - Estamos feitos ! - resmungou , enquanto o tecto descaía . Mas , de repente , o chão de o carro estava a vibrar , o motor pegara . - Marcha atrás - gritou o Harry e o carro deu um salto para trás . A árvore tentava ainda agredis os , ouviam as raízes chiar , enquanto quase se partiam esticando se para os alcançar . - Escapámos por_pouco ! - exclamou o Ron . - Muito bem , carro . Mas o carro tinha atingido o limite de as suas forças . Com dois estalidos , as portas abriram se e Harry sentiu o seu assento inclinar se para o lado . Quando deu por si , estava estatelado em o chão húmido . Ruídos surdos avisaram o de que o carro estava a ejectar as malas de a bagageira . A gaiola de a Hedwig voou por os ares e abriu se . Ela saiu a voar com um pio furioso e dirigiu se a o castelo , sem sequer olhar para trás . Em seguida , o carro , amolgado , arranhado e a fumegar , arrancou em o escuro , com os faróis traseiros ardendo de fúria . - Volta aqui ! - gritou o Ron , brandindo a varinha partida . - O meu pai mata me . Mas o carro desapareceu a perder de vista , com um último estoiro de o tubo de escape . - Já viste bem o nosso azar ! ? - exclamou o Ron em o meio de a sua infelicidade , baixando se para apanhar o rato Scabbers . - De todas_as árvores em que podíamos ter batido , tínhamos de ir dar a uma que bate também . Olhou por cima de o ombro para a velha árvore que ainda agitava os ramos ameaçadoramente . - Vamos - disse Harry , fatigado . - É melhor irmos andando para a escola ... Não foi , de modo algum , a chegada triunfal que tinham imaginado . Constrangidos , cheios de frio e magoados , pegaram em as malas e começaram a arrastá as por o relvado acima , em direcção a as grandes portadas de carvalho . - Acho que o banquete já começou - disse o Ron , largando a mala em os degraus de a entrada e atravessando devagarinho para espreitar por uma janela iluminada . - Harry , anda ver , é a distribuição . Harry apressou se e os dois , ele e o Ron , espreitaram para o Salão_Nobre . Um número infindável de velas pairava em o ar , sobre quatro mesas enormes cheias de gente , fazendo brilhar os pratos dourados e as taças . Em cima , o tecto encantado que espelhava o céu lá de_fora , brilhava cheio de estrelas . Por_entre a floresta de chapéus pretos pontiagudos de Hogwarts , Harry viu uma longa fila de alunos de o primeiro ano com olhares assustados que enchia o vestíbulo . Ginny estava entre eles , facilmente reconhecível devido a o seu chamativo cabelo Weasley . Enquanto isso , a professora Mc_Gonagall , uma bruxa de óculos com cabelo castanho apanhado em um carrapito , colocava o famoso chapéu seleccionador em um banco que se encontrava em frente de os novos alunos . Todos os anos , aquele velho chapéu , remendado , puído e cheio de pó , seleccionava alunos para as quatro equipas de Hogwarts ( Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin ) . Harry lembrava se bem de o ter colocado em a cabeça , precisamente um ano antes , e ter esperado petrificado por a sua decisão , enquanto ele lhe murmurava a o ouvido . Durante alguns horríveis segundos receara que o chapéu o mandasse para os Slytherin , a equipa que produzia maior número de feiticeiros e feiticeiras de magia negra , mas acabara por ficar em os Gryffindor , juntamente com Ron e Hermione e o resto de os Weasley . Em o último período , Harry e Ron tinham ajudado os Gryffindor a vencer o campeonato de a equipa , batendo os Slytherin pela_primeira_vez em sete anos . Um rapazito baixinho com cabelo de rato acabava de ser chamado para pôr o chapéu em a cabeça . Os olhos de Harry saltavam de ele para o lugar onde o professor Dumbledore , o director , estava sentado , observando a selecção de a mesa de os professores , com a sua longa barba cor de prata e óculos de meia-lua que brilhavam a a luz de as velas . Alguns lugares a a frente , Harry viu Gilderoy_Lockhart com um manto verde-azulado . E lá bem a o fundo estava Hagrid , enorme e cabeludo , bebendo satisfeito de a sua taça . - Espera aí - murmurou a o Ron . - Há um lugar vazio em a mesa de os professores . Onde estará o Snape ? Severus_Snape era o professor de quem Harry menos gostava . Harry era também o seu aluno menos querido . Cruel , sarcástico e detestado por todos com excepção de os alunos de a sua própria equipa ( Slytherin ) , Snape tinha a seu cargo a cadeira de Poções . - Talvez esteja doente - sugeriu Ron , cheio de esperança . - Talvez se tenha ido embora - lembrou Harry . - Por não lhe terem dado outra_vez a Defesa contra as artes negras . - Ou talvez tenha sido corrido - propôs Ron com entusiasmo . - Afinal , toda_a_gente o detesta ... - Ou talvez - disse uma voz gelada atrás de eles - esteja a a espera que vocês lhe expliquem por_que motivo não vieram em o comboio de a escola . Harry deu uma volta . Em a sua frente , com o manto negro a ondular em uma brisa fria , estava Severus_Snape . O professor era um homem magro , de pele descorada , nariz adunco e um cabelo preto oleoso que lhe caía sobre os ombros . E em aquele momento sorria de um modo tal que Harry sentiu que tanto ele como Ron estavam em sérios apuros . - Sigam me - disse Snape . Sem ousarem sequer olhar um para o outro , Harry e Ron seguiram Snape por as escadas até a o amplo * hall * de entrada que estava iluminado por as chamas de os archotes . De o salão nobre vinha um cheirinho delicioso a comida , mas Snape levou os para longe de a luz e de o calor , em direcção a uma escada estreita de pedra que conduzia a os calabouços . - Entrem - ordenou , abrindo uma porta a meio de o corredor e apontando . Entraram a tremer em o escritório de Snape . As paredes sombrias estavam cobertas de prateleiras cheias de jarros de vidro grosso onde flutuavam as coisas mais diversas e repugnantes , cujo nome Harry não queria de momento conhecer . A lareira estava escura e vazia . Snape fechou a porta e voltou se de frente para eles . - Com que então - disse com falsa suavidade - o comboio não serve para o famoso Harry_Potter e o seu fiel companheiro Weasley . Queriam chegar em grande estilo , não era rapazes ? - Não senhor , foi a barreira em King's_Cross , ela ... - Silêncio - disse Snape friamente . -- _ o que fizeram a o carro ? Ron engoliu em seco . Aquela não era a primeira vez que Snape dava a Harry a impressão de ser capaz de ler pensamentos . Mas , pouco depois , compreendeu tudo quando Snape desenrolou o exemplar de o Profeta_Vespertino . - Vocês foram vistos - afirmou , mostrando lhes o cabeçalho : : __ ford anglia voador confunde __ muggles . Começou a ler alto a notícia . - Dois Muggles em Londres convenceram se de que tinham visto um carro velho a voar sobre a torre de os correios ... a a tardinha em Norfolk , Mrs._Hetty_Bayliss , enquanto pendurava a roupa ... Mr._Angus_Fleet_de_Peebles informou a polícia ... seis ou sete Muggles a o todo . Julgo que o teu pai trabalha em o departamento de mau uso dado a os objectos de os Muggles ? - disse olhando para Ron e sorrindo de uma forma ainda mais sarcástica . - Que peninha , o próprio filho ... Harry sentiu se como_se tivesse levado um soco em o estômago de uma de as maiores pernadas de a árvore louca . E se alguém descobrisse que Mr._Weasley tinha enfeitiçado o carro ? Ele ainda nem tinha pensado em isso . - Reparei durante a minha volta por o jardim que foi feito um estrago considerável em um salgueiro zurzidor extremamente valioso - continuou Snape . - Essa árvore fez nos pior a nós do_que nós ... - deixou escapar Ron . - Silêncio - interrompeu Snape , de_novo . - Infelizmente vocês não fazem parte de a minha equipa e a decisão de vos expulsar não está em as minhas mãos . Vou , por isso , buscar as pessoas que possuem essa feliz possibilidade . Esperem aqui . Harry e Ron olharam , pálidos , um para o outro . Harry perdera a fome . Sentia se agora extremamente agoniado . Tentava não olhar para uma coisa viscosa , suspensa em um líquido verde que estava em uma prateleira por detrás de a secretária de Snape . Se ele fora buscar a professora Mc_Gonagall , chefe de a equipa de os Gryffindor , não estavam muito melhor . Ela era mais justa do_que Snape , mas extremamente severa . Dez minutos mais tarde , Snape voltou e era , de facto , a professora Mc_Gonagall quem o acompanhava . Harry vira a professora Mc_Gonagall zangada , mas , ou se tinha esquecido de como a boca de ela ficava fina , ou nunca a vira tão zangada como em aquele dia . Levantou a varinha em o momento em que entrou . Harry e Ron estremeceram , mas ela limitou se a apontá a para a lareira onde as chamas se elevaram subitamente . - Sentem se - ordenou , e os dois recuaram para as cadeiras junto de o lume . - Expliquem se - disse com os óculos a brilhar de uma forma ameaçadora . Ron enveredou por a história começando por a barreira de a estação que se recusara a deixá os passar . - Por isso não tínhamos escolha , professora , não podíamos chegar a o comboio . - Porque não nos mandaram uma carta por a coruja ? Julgo que tens uma coruja ? - disse friamente a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a Harry . Harry olhou para ela sem saber o que dizer . - Parece me - continuou ela - que seria a coisa mais adequada . - Eu ... não pensei ... - Isso - disse a professora Mc_Gonagall - é bastante óbvio . Ouviu se bater a a porta de o escritório e Snape , que parecia agora mais feliz do_que nunca , foi abrir . Era o director , o professor Dumbledore . Harry ficou totalmente paralisado . Dumbledore tinha uma expressão grave . Olhou para eles de cima de o seu nariz adunco e Harry desejou estar ainda com Ron a levar uma sova de o salgueiro zurzidor . Fez se um longo silêncio . Em seguida , Dumbledore disse lhes : - Por favor , expliquem porque fizeram isto . Teria sido melhor se gritasse . Harry detestou sentir a decepção em a sua voz . Inexplicavelmente era incapaz de olhar Dumbledore em os olhos e falou em direcção a os seus joelhos . Disse lhe tudo excepto que o carro enfeitiçado pertencia a Mr._Weasley , dando a ideia de que ele e o Ron o tinham encontrado estacionado fora de a estação . Sabia que Dumbledore ia ver para_além de isso , mas o director não fez perguntas sobre o carro . Quando Harry terminou continuou a olhar para ele através de os seus óculos . - Nós vamos buscar as nossas coisas - disse Ron em um tom de voz sem esperança . - Que disparate é esse ? - rosnou a professora Mc_Gonagall . -- Então , vão expulsar nos , não vão ? - disse o Ron . Harry olhou rapidamente para Dumbledore . - Ainda não , Mr._Weasley - afirmou Dumbledore . - Mas vou assinalar a gravidade do_que vocês fizeram . Hoje a a noite escreverei a as vossas famílias . Estão também prevenidos que se voltarem a fazer uma coisa como esta não terei outro remédio senão expulsar vos . A expressão de Snape era como_se o Natal tivesse sido cancelado . Pigarreou e disse : - Professor_Dumbledore , estes rapazes infringiram o decreto para a restrição de a feitiçaria de os menores , causaram estragos consideráveis a uma árvore antiga e valiosa ... sem dúvida , actos de esta natureza ... - Cabe a a professora Mc_Gonagall decidir sobre os castigos de os rapazes , Severus - afirmou Dumbledore com toda_a calma . - Pertencem a a equipa de ela e são , portanto , de a sua responsabilidade . - Voltou se para a professora Mc_Gonagall . - Tenho de regressar a o banquete , Minerva , devo dar algumas informações . Venha Severus , há uma tarte de leite e ovos com um aspecto delicioso que quero mostrar lhe . Snape lançou um olhar de puro veneno a o Harry e a o Ron enquanto permitia que o afastassem de o seu escritório , deixando os a sós com a professora Mc_Gonagall que ainda os olhava como uma águia em fúria . - É melhor ires até a a ala hospitalar , Weasley , estás a sangrar . - Não é nada - disse Ron , limpando o corte com a manga para que ela o visse . - Professora , eu gostava de ver a minha irmã ser seleccionada . - A cerimónia de a selecção terminou - disse a professora Mc_Gonagall . - A tua irmã está também em os Gryffindor . - _ óptimo - exclamou Ron . - E por falar em os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall de forma cortante , mas Harry interrompeu a : - Professora , quando tirámos o carro , o ano escolar ainda não tinha começado , por isso os Gryffindor não deveriam perder pontos , pois não ? - terminou olhando a ansiosamente . A professora Mc_Gonagall lançou lhe um olhar penetrante , mas ele era capaz de jurar que ela quase tinha sorrido . Pelo_menos a boca não parecia tão fina . - Não vou tirar pontos a os Gryffindor - tranquilizou o . E o coração de Harry ficou mais leve . - Mas vocês os dois vão ter um castigo . Foi melhor do_que Harry imaginara . O facto de Dumbledore escrever a os Dursley não tinha a menor importância . Harry sabia perfeitamente que eles só lamentariam que o salgueiro zurzidor não o tivesse esmigalhado . A professora Mc_Gonagall ergueu a varinha de_novo apontou a a a secretária de Snape . Um grande prato de sanduíches , duas taças de prata e um jarro com sumo de abóbora gelado apareceram em menos_de um segundo . - Vocês vão comer aqui e , em seguida , vão direitinhos para o vosso dormitório - disse . - Eu também tenho de voltar para a festa . Mal a porta se fechou atrás de ela , Ron soltou baixinho um assobio . - Pensei que estávamos feitos - confessou , agarrando uma sanduíche . - Também eu - disse o Harry , orando também uma . - Mas já viste bem a nossa pouca sorte ? - insistiu o Ron com a boca cheia de frango e fiambre . - O Fred e o George voaram em aquele carro cinco ou seis vezes e nenhum Muggle os viu - engoliu outro pedaço enorme de a sanduíche . - Porque será que não conseguimos passar a barreira ? Harry encolheu os ombros . - Mas temos de ter muito cuidado a_partir_de agora - disse bebendo um grande trago de sumo de abóbora . - Que pena não termos podido ir a o banquete . - Ela não quis que nos exibíssemos - afirmou Ron com prudência . - Não vão as pessoas pensar que é uma boa chegar aqui de carro voador . Quando já tinham comido todas_as sanduíches que queriam ( o prato ia voltando a encher se sozinho ) , levantaram se e saíram de o escritório , seguindo o caminho que lhes era familiar , para a torre de os Gryffindor . O castelo estava em silêncio . Parecia que o banquete tinha acabado . Passaram por retratos murmurantes e armaduras que gemiam e subiram os degraus estreitos de pedra até que , por fim , chegaram a a passagem onde a entrada secreta para a torre de os Gryffindor se encontrava oculta por detrás de o quadro a óleo de uma dama gorda em um vestido cor-de-rosa . - A senha ? - perguntou ela mal os dois se aproximaram . - Er ... Eles ainda não tinham estado com o prefeito de os Gryffindor e por isso ainda não conheciam a senha para o novo ano , mas a ajuda não se fez esperar . Ouviram passos apressados atrás de eles e quando se voltaram viram Hermione que se aproximava . - Aí estão vocês . Onde é_que se meteram ? Correm os boatos mais ridículos , alguém disse que vocês tinham sido expulsos por espatifarem um carro voador . - Bem , expulsos não fomos - tranquilizou a Harry . - Não estás a dizer me que voaram até aqui ? - perguntou Hermione em um tom quase tão severo como a professora Mc_Gonagall . - Dispensa se o sermão - interrompeu Ron impacientemente . - E diz nos a nova senha de passagem . - É crista de pássaro - disse Hermione não contendo a impaciência . - Mas o mais importante não é isso ... Contudo as palavras de ela foram interrompidas ao_mesmo_tempo que o retrato de a dama gorda se abria e se ouvia uma tempestade de aplausos . A o que parecia a equipa de os Gryffindor estava ainda acordada , dentro de a sala comum em forma de círculo , junto de as mesas assimétricas e de os cadeirões moles a a espera que eles chegassem para , de braços estendidos através de o buraco de o retrato , puxarem Harry e Ron para dentro deixando Hermione para o fim . - Sensacional - gritou Lee_Jordan . - Inspirado ! Que entrada ! Voar em um carro e aterrar em o salgueiro zurzidor . Toda_a_gente vai falar de isto durante anos e anos . - Muito bem - disse um aluno de o quinto ano com quem Harry nunca tinha falado . Alguém dava lhe palmadas em as costas como_se ele acabasse de vencer a maratona . Fred e George abriram caminho por_entre a multidão e disseram ao_mesmo_tempo : - Por_que é_que não nos chamaram , hein ? - Ron estava vermelho como um pimentão , sorrindo envergonhado , mas Harry via perfeitamente uma pessoa que não estava nada contente . Percy elevava se acima de as cabeças de os excitados alunos de o primeiro ano e parecia estar a tentar aproximar se para os repreender . Harry deu uma cotovelada a o Ron e apontou em direcção a Percy . Ron percebeu de imediato . - Temos de ir para_cima , um_pouco cansados ! - explicou e os dois começaram a abrir caminho em direcção a a porta que ficava de o outro lado de a sala e que dava para a escada em espiral e para os dormitórios . - ` _ Noite - despediu se Harry_de_Hermione que tinha um ar tão carrancudo como Percy . Conseguiram chegar a o outro lado de a sala comum sempre a levarem palmadas em as costas e alcançaram o sossego de as escadas . Apressaram se a subir e , por fim , chegaram a a porta de o dormitório que tinha agora um letreiro a dizer « Segundos_Anos » . Entraram em o quarto circular , que conheciam tão bem , com as suas cinco camas de dossel adornadas de velado vermelho e as suas janelas altas e estreitas . As malas tinham sido trazidas para_cima e colocadas a os pés de as camas . Ron fez um sorriso culpado . - Sei que não devia ter gostado de aquilo , mas ... A porta de o dormitório abriu se e os outros rapazes de os Gryffindor entraram ; eram eles o Seamus_Finnigan , o Dean_Thomas e o Neville_Loogbottom . - Inacreditável - aplaudiu Seamus . - Incrível - aprovou o Dean . - Espantoso - exclamou o Neville , aterrado . Harry não pôde evitar também um sorriso . VI_Gilderoy_Lockhart_No dia seguinte , contudo , Harry não conseguiu sorrir . As coisas começaram a correr mal logo em o salão durante o pequeno-almoço . Debaixo de o tecto encantado ( em aquele dia triste e cinzento ) estavam as quatro grandes mesas de as equipas e sobre elas , terrinas de papa de aveia , pratos de arenque defumado , montanhas de torradas e pratadas de ovos com * bacon * . Harry e Ron sentaram se em a mesa de os Gryffindor , junto de Hermione que tinha o seu exemplar de * _ Viagens com Vampiros * totalmente aberto , encostado a um jarro de leite . Havia uma certa rigidez em a maneira como ela disse : - ` _ Dia - que mostrou a Harry que continuava a desaprovar o modo como tinham chegado a a escola . Por seu turno , Neville_Longbottom saudou os entusiasticamente . Neville era um rapazinho de cara redonda , muito dado a acidentes , com a pior memória que Harry tinha conhecido . - A entrega de correio deve estar a chegar , acho que a minha avó me vai mandar umas quantas coisas de que me esqueci ... Harry tinha começado a comer as papas de aveia , quando se ouviu um ruído tumultuoso em o ar e umas cem corujas entraram ao_mesmo_tempo , sobrevoando o salão e deixando cair cartas e pacotes em o meio de a multidão faladora . Um embrulho grande e rugoso caiu em a cabeça de Neville e , um segundo depois , uma coisa larga e cinzenta caiu em o jarro de a Hermione , enchendo os a todos de leite e penas . - Errol - gritou o Ron , puxando a coruja esfarrapada por as patas . Errol caíra inconsciente sobre a mesa com as pernas para o ar e um envelope vermelho húmido em o bico . - Oh , não ! - sobressaltou se Ron . - Ela está bem , ainda está viva - tranquilizou o Hermione , tocando suavemente em a Errol com a ponta de o dedo . - Não é isso , é ... aquilo . Ron apontava para o envelope vermelho . Parecera perfeitamente vulgar a Harry , mas Ron e Neville estavam ambos a observá o como_se esperassem que explodisse . - Qual é o problema ? - perguntou Harry . - Ela . Ela mandou me um * gritador * - disse Ron , quase sem voz . - É melhor abrires - aconselhou Neville em um murmúrio tímido - senão é pior . A minha avó uma_vez mandou me um que eu ignorei e ... - engoliu em seco - foi horrível . Harry olhava , ora para as suas caras , ora para o envelope vermelho . - O que é um * gritador * ? - perguntou . - Mas toda_a atenção de o Ron estava fixa em a carta que começara a fumegar por os cantos . - Abre a - intimou o Neville . - De aqui a poucos minutos já passou tudo . Ron estendeu uma mão trémula , retirou o envelope de o bico de a Errol e começou a abri o . Neville pôs os dedos em os ouvidos . Após uma fracção de segundo , Harry compreendeu porquê . Pensou em o primeiro momento que ela explodira . Um ruído ensurdecedor encheu o enorme salão , fazendo cair pó de o tecto . - ... : __ roubar o carro ! não me surpreendia nada se te expulsassem . espera só até te pôr as mãos em cima . será que não paraste para pensar em a nossa aflição quando vimos que o carro tinha __ desaparecido ... Os gritos de Mrs._Weasley , ampliados cem vezes em relação a o seu normal , fizeram os pratos e as colheres chocalhar em a mesa e ecoaram de forma ensurdecedora em as paredes de pedra . Vinha gente de todos os lados espreitar quem tinha recebido o * gritador * e Ron afundou se tanto em a cadeira que só se lhe via a testa carmesim . - ... : __ uma carta de o dumbledore ontem a a noite , o teu pai quase morria de vergonha . não foi esta a educação que te demos , tu e o harry podiam ter __ morrido ... Harry estava a ver quando é_que o seu nome viria a a baila . Tentou o melhor que pôde agir como_se não ouvisse a voz , mas aquilo estava a fazer com que os tímpanos lhe latejassem . - ... : __ profundamente decepcionada , o teu pai vai ter de se confrontar com um inquérito em o trabalho , tudo por tua culpa e , se pisas mais_uma_vez o risco , trago te para __ casa ! Seguiu se um silêncio ressonante . O envelope vermelho , que caíra de as mãos de o Ron , incendiou se e encaracolou se em cinzas . Harry e Ron estavam sentados de boca aberta , como_se uma onda gigante lhes tivesse passado por cima . Algumas pessoas riam e , a os poucos , o ruído de as conversas recomeçou . Hermione fechou o * _ Viagens com Vampiros * e olhou para o topo de a cabeça de Ron . - Bem , não sei o que esperavas , Ron , mas tu ... - Não me venhas dizer que mereci - interrompeu Ron . Harry afastou as papas de aveia . O estômago ardia lhe de culpa . Mr._Weasley tinha um inquérito em o trabalho , depois de tudo_o_que Mr. e Mrs._Weasley tinham feito por ele durante o Verão ... Mas não teve muito_tempo para se demorar em aqueles pensamentos . A professora Mc_Gonagall circulava em volta de as mesas de os Gryffindor distribuindo horários . Harry pegou em o seu e viu que começavam por ter Herbologia , juntamente com os Hufflepuff . Harry , Ron e Hermione saíram juntos de o castelo , atravessaram as hortas e chegaram a as estufas , onde estavam guardadas as plantas mágicas . O * gritador * tivera pelo_menos uma vantagem : Hermione parecia achar que já tinham sido suficientemente castigados e estava de_novo perfeitamente calorosa . Quando estavam a chegar a as estufas viram o resto de a classe de pé , cá fora , a a espera de a professora Sprout . Harry , Ron e Hermione tinham acabado de se lhes juntar quando a viram aproximar se a passos largos por o relvado , acompanhada de Gilderoy_Lockhart . A professora Sprout era uma bruxa pequenina e atarracada que usava um chapéu a os remendos sobre o cabelo solto . As roupas que vestia estavam sempre cheias de terra e as suas unhas fariam a tia Petúnia desmaiar . Gilderoy_Lockhart , pelo_contrário , tinha um ar imaculado em as suas vestes azul-turquesa , o cabelo doirado a brilhar debaixo_de um chapéu azul-turquesa , com uma fita dourada , perfeitamente posicionado sobre a cabeça . - Olá a todos ! - gritou Lockhart , dirigindo se a o grupo de estudantes . - Estive a mostrar a a professora Sprout a maneira correcta de tratar um salgueiro . Mas não quero que fiquem com a ideia de que sou melhor do_que ela em Herbologia . Acontece que encontrei várias de estas plantas exóticas , durante as minhas viagens .... - Estufa número três hoje , meninos ! - disse a professora Sprout que estava visivelmente descontente , bem diferente de a sua habitual natureza bem-disposta . Houve um murmúrio de interesse . Eles só tinham estado uma_vez em a terceira estufa , que era uma estufa que abrigava plantas bem mais interessantes e perigosas . A professora Sprout tirou uma enorme chave de o cinto e abriu a porta . Harry sentiu o bafo de a terra húmida com adubo misturado e o perfume forte de umas flores gigantescas , de o tamanho de guarda-chuvas , que estavam penduradas de o tecto . Ia seguir Ron e Hermione , quando a mão de o Lockhart o travou . -- Harry ! Tenho querido ter uma palavrinha contigo . Não se importa se ele chegar uns minutos atrasado , pois não , professora Sprout ? A julgar por a expressão carregada de a professora Sprout , importava se sim , mas Lockhart disse : - Então até já - e fechou a porta de a estufa em a cara de ela . - Harry ! - disse Lockhart , com os dentes brancos a brilharem a o sol , enquanto abanava a cabeça . - Harry , Harry , Harry ! Harry , totalmente perplexo , não disse uma palavra . - Quando ouvi dizer , bem , é claro que eu tive muita culpa , deviam castigar me também ... Harry não fazia ideia de que estava ele a falar , quando Lockhart prosseguiu : - Nunca me lembro de ficar tão chocado . Fazer voar um automóvel até Hogwarts ! Bem , é claro que eu percebi logo porque o fizeste . Foi um destaque em grande . Harry , Harry , Harry ! Era notável como ele conseguia mostrar todos aqueles dentes brilhantes , mesmo quando não estava a falar . - Criei te o gosto por a publicidade , não foi ? - perguntou Lockhart . - Passei te o bichinho . Apareceste comigo em a primeira página e não podias esperar para aparecer outra_vez ... - Oh , não , professor , sabe é_que ... - Harry , Harry , Harry - disse Lockhart aproximando se e tocando lhe em o ombro . - * _ Eu compreendo * . É natural querer um_pouco mais quando se lhe tomou o gosto , e eu culpo me por te ter dado esse conhecimento , porque era natural que te subisse a a cabeça , mas vê uma coisa , rapazinho , tu não podes começar a fazer voar carros para tentares ser notícia . Tens de acalmar , está bem ? Tens muito_tempo quando fores mais velho . Sim , sim , eu sei o que estás a pensar ! É fácil para ele falar assim , já é um feiticeiro internacionalmente famoso ! Mas quando eu tinha doze anos era tão zé-ninguém como tu és hoje . Em a verdade , era ainda mais . De ti , já meia_dúzia de pessoas ouviram falar , não é ? Toda aquela história com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . - Olhou para a cicatriz luminosa em a testa de Harry . - Eu sei , eu sei , não é o mesmo_que vencer o Prémio de o sorriso de o feiticeiro de a semana cinco vezes seguidas , como eu venci , mas é um começo , Harry , é um começo . Lançou lhe uma piscadela de olhos cordial e foi se embora . Harry ficou atarantado durante alguns segundos . Depois , lembrando se que deveria estar em a estufa , abriu a porta e esgueirou se lá para dentro . A professora Sprout estava de pé , por_detrás_de uma espécie de mesa em o meio de a estufa . Em cima de a mesa estavam cerca de vinte pares de abafo de ouvidos de diferentes cores . Quando Harry estava já em o seu lugar , entre Ron e Hermione , ela disse : - Hoje vamos transplantar Mandrágoras . Muito bem , quem sabe dizer me as propriedades de a Mandrágora ? Não foi surpresa para ninguém que a mão de a Hermione fosse a primeira em o ar . - A Mandrágora tem um efeito reparador muito poderoso - disse Hermione , com o ar mais normal de este mundo , como_se tivesse engolido o livro de texto . - É usada para fazer voltar as pessoas , que foram transfiguradas ou amaldiçoadas , a o seu estado original . - Excelente . Dez pontos para os Gryffindor ! - exclamou a professora Sprout . - A Mandrágora é parte integrante de a maior parte de os antídotos , mas também é perigosa . Quem sabe dizer me porquê ? A mão de Hermione por_pouco não bateu em os óculos de Harry , quando se ergueu de_novo . - O grito de a Mandrágora é fatal para quem o ouve - disse prontamente . - Precisamente . Dou lhe mais dez pontos - disse a professora Sprout . - Agora vejamos , as Mandrágoras que aqui temos são ainda muito jovens . Enquanto falava , apontou para uma fila de tabuleiros com uma certa profundidade e todos se chegaram a a frente para ver melhor . Cerca de uma centena de plantinhas tufosas de um verde arroxeado cresciam em filas . Pareceram perfeitamente vulgares a Harry , que não fazia a menor ideia do_que Hermione queria dizer com o * grito * de a Mandrágora . - Cada_um de vocês pode tirar um par de abafo de ouvidos - disse a professora Sprout . Houve uma competição renhida porque ninguém queria os cor-de-rosa , cheios de penugem . - Quando eu vos disser para os colocar , assegurem se de que os vossos ouvidos estão completamente tapados - disse a professora Sprout . - Logo_que seja seguro retirá os , eu levanto os dedos . Certo , pôr os abafos de os ouvido . Harry pôs imediatamente os abafos em os ouvidos . Eles fecharam completamente o som . A professora Sprout colocou também um par de abafos cor-de-rosa com penugem em os de ela , arregaçou as mangas de a túnica , agarrou uma de as plantas tufosas e puxou com toda_a força . Harry soltou um grito de surpresa que ninguém ouviu . Em_vez_de raízes , um bebé pequenino , enlameado e extremamente feio , saiu de a terra . As folhas cresciam lhe em o alto de a cabeça , tinha uma pele pintalgada de um pálido esverdeado e estava nitidamente a berrar a plenos pulmões . A professora Sprout tirou debaixo de a mesa um grande vaso de plantas e mergulhou lá dentro a Mandrágora , enterrando a em a mistura escura e húmida , até que só as folhas ficassem visíveis . Em seguida , limpou a terra de as mãos , levantou os dedos e todos eles retiraram os abafos de os ouvidos . - Como as nossas Mandrágoras são muito novas , os seus gritos ainda não matam - disse ela com grande calma , como_se tivesse feito algo tão normal como regar uma begónia . - Contudo , podem pôr vos a dormir durante várias horas e , como com certeza nenhum de vocês quer perder o primeiro dia de aulas , vejam se os abafos estão bem colocados enquanto trabalham . Eu chamarei vos a atenção quando for altura de os retirar . - Quatro em cada fila , há aqui uma grande quantidade de vasos , a mistura de terra está em os sacos ali a o fundo e tenham cuidado com a * _ Venomous_Tentacula * , estão a nascer lhe os dentes . Enquanto falava , deu uma pancada seca a uma planta vermelha escura cheia de pontas eriçadas , fazendo a encolher as longas antenas que tinham estado a avançar lenta e dissimuladamente sobre o seu ombro . A Harry , Ron e Hermione veio juntar se em a fila um rapaz de cabelo encaracolado de os Hufflepuff que Harry conhecia de vista , mas com quem nunca tinha falado . - Justin_Finch - _ Fletchey - disse ele com vivacidade , apertando a mão de o Harry . - Conheço te , claro , o famoso Harry_Potter ... e tu és a Hermione_Granger , sempre a primeira em tudo ( Hermione brilhou em um sorriso , como_se ele lhe tivesse apertado a mão ) e Ron_Weasley . Não era teu o carro voador ? Ron não sorriu . Não lhe saía de a cabeça o * gritador * . - Aquele Lockhart é o_máximo , não acham ? - disse Justin satisfeito , enquanto começavam a encher os vasos com composto de adubo de dragão . - Terrivelmente corajoso . Leram os livros de ele ? Eu teria morrido de medo se um lobisomem me tivesse encurralado em uma cabina telefónica , mas ele manteve se calmo e ... zap ... fantástico ! « Eu estava inscrito em Eton , sabem , não imaginam como estou feliz de ter vindo antes para aqui . É claro que a minha mãe ficou um_pouco desiludida , mas depois de lhe ter dado os livros de Lockhart a ler , tenho a impressão de que ela começou a ver a utilidade de ter um feiticeiro bem treinado em a família ... Depois de isso , não tiveram grandes oportunidades para conversar . Voltaram a pôr os abafos de ouvidos e era preciso concentrarem se em as Mandrágoras . A professora Sprout fizera as coisas parecerem extremamente simples , mas não eram . As Mandrágoras não gostavam de sair de a terra mas também não pareciam querer voltar para lá . Elas contorceram se , deram pontapés , agitaram as mãozinhas finas e rangeram os dentes . Harry levou dez minutos inteirinhos a tentar meter uma Mandrágora particularmente gorda dentro_de um vaso . Em o final de a aula , Harry , como todos os outros , estava a suar , cheio de dores e coberto de terra . Regressaram a o castelo a pé para um banho rápido e , em seguida , os Gryffindor apressaram se para assistir a a aula de transfiguração . As aulas de a professora Mc_Gonagall eram sempre complicadas , mas a de aquele dia era particularmente difícil . Tudo_o_que o Harry aprendera em o ano anterior parecia ter se lhe apagado de a memória durante o Verão . Ele deveria ser capaz de transformar uma barata em um botão , mas , tudo_o_que conseguiu foi fazer a barata praticar um imenso exercício , enquanto corria apressadamente por o tampo de a secretária evitando a varinha . Ron estava a debater se com problemas bastante piores . Tinha atado a varinha com uma fita mágica , mas parecia que não havia reparação possível . Não parava de crepitar e lançar faíscas em os momentos mais estranhos e , sempre_que Ron tentava transfigurar a barata , via se envolvido em um fumo cinzento espesso que cheirava a ovos podres . Incapaz de ver o que estava a fazer , o Ron esmagou , por engano , a barata com o cotovelo e teve de ir pedir que lhe dessem outra , o que deixou a professora Mc_Gonagall muito pouco satisfeita . Harry ficou aliviado quando ouviu tocar a campainha para o almoço . Sentia a cabeça como uma esponja espremida . Todos os alunos saíram em fila de a aula excepto ele e Ron que dava furiosas varadas em a secretária . - Coisa estúpida e inútil . - Escreve a os teus pais a pedir outra - sugeriu Harry , enquanto a varinha disparava com estrondo um foguete explosivo . - Ah pois , e receber outro * gritador * em a volta de o correio - respondeu Ron , metendo a varinha que já assobiava , dentro de o saco . - * _ A culpa é toda tua se a varinha está estragada * ... Desceram para o almoço e aí a disposição de o Ron não iria melhorar com Hermione a mostrar lhe uma mão-cheia de botões de casaco , perfeitinhos , que produzira em a transfiguração . - O que temos esta tarde ? - quis saber Harry , mudando rapidamente de assunto . - Defesa contra as artes negras - disse Hermione , sem perder tempo . - Porque é_que tu ... - perguntou Ron , pegando em o horário de ela - desenhaste corações em volta de as aulas de o Lockhart ? Hermione arrancou lhe o horário de as mãos , corando furiosa . Acabaram de almoçar e foram para o pátio carregado de nuvens . Hermione sentou se em um degrau de pedra e enfiou de_novo o nariz em as * _ Viagens com Vampiros * . Harry e Ron ficaram a falar de Quidditch durante alguns minutos antes de Harry se aperceber de que estava a ser observado de perto . Olhando para_cima viu o rapazinho pequenino com cabelo de rato que ele vira experimentar o chapéu seleccionador em a noite anterior , olhando para ele com uma expressão petrificada . Estava agarrado a o que parecia ser uma vulgar máquina fotográfica de os Muggles e , em o momento em que Harry olhou para ele , ficou todo vermelho . - Tudo bem , Harry ? Eu sou Colin_Creevey - disse , faltando lhe o ar e adiantando se a qualquer pergunta . - Estou em os Gryffindor também . Não te importavas que eu tirasse uma fotografia ? - perguntou , levantando a máquina cheio de expectativa . - Uma fotografia ? - repetiu Harry , inexpressivo . - Para eu provar que te conheci - disse Colin_Creevey cheio de ansiedade , continuando : - Eu sei tudo a teu respeito . Toda_a_gente me tem contado como sobreviveste quando O_Quem nós sabemos tentou matar te , como ele desapareceu depois de isso e como ficaste com a cicatriz em forma de relâmpago em a testa ( os seus olhos procuraram a linha de cabelo de Harry ) e um rapaz de o meu dormitório disse que se eu revelasse o filme em a posição certa ele mexia . - Colin respirou fundo , estremecendo de excitação e disse : - Isto_é fantástico , aqui , não achas ? Eu não sabia que todas_as coisas estranhas que fazia eram magia até a o dia em que recebi uma carta de Hogwarts . O meu pai é leiteiro . Também ele não queria acreditar . Por isso estou a tirar montes de fotografias para lhe mandar e era mesmo bom se tivesse uma tua - parecia implorar . - Talvez o teu amigo pudesse tirá a e assim eu ficava a o teu lado . E depois , podias assiná a ? - Assinar fotografias ? Estás a dar fotos autografadas , Potter ? Alta e mordaz , a voz de Draco_Malfoy ecoou em o pátio . Estava parado mesmo atrás_de Colin , ladeado , como sempre andava em Hogwarts , por os seus fortes guarda-costas Crabbe e Goyle . - Ei gente , façam bicha - gritou Malfoy a a multidão . - Harry_Potter está a dar fotos autografadas ! - Não estou coisa nenhuma - disse Harry , zangado , com os punhos em o ar . - Cala a boca , Malfoy . - Tu tens é inveja - começou a dizer Colin , cujo corpo era de o tamanho de o pescoço de Crabbe . - Inveja - repetiu Malfoy que não precisava de gritar mais , metade de o pátio estava a ouvi o . - De quê ? Não preciso de uma cicatriz em a cabeça , muito obrigado . Não acho que ter um corte em a testa torne alguém especial . Crabbe e Goyle riram estupidamente - Vai pastar caracóis , Malfoy - disse o Ron furioso . Crabbe parou de rir e começou a esfregar os nós de os dedos enormes de uma forma ameaçadora . - Tem cuidado , Weasley - escarneceu Malfoy . - Com certeza não queres começar uma rixa ou a tua mãezinha tem de vir cá para te tirar de a escola - e com uma voz aguda e penetrante : - * _ Se voltas a pisar o risco * ... Um grupo de alunos de o quinto ano de os Slytherin que estava ali perto , riu se bastante alto . - O Weasley gostaria de ter uma foto tua autografada , Potter - escarneceu de_novo Malfoy . - Era capaz de valer mais do_que a casa onde ele mora com a família . Ron sacou de a sua varinha amarrada com fita , mas Hermione fechou as * Viagens com Vampiros * com um estrondo e avisou : - Atenção . - O que é isto , o que é isto ? - Gilderoy_Lockhart aproximava se com o seu manto azul-turquesa girando em torvelinho atrás de ele . - Quem está a dar fotos autografadas ? Harry ia começar a explicar , mas foi interrompido quando Lockhart lhe pôs jovialmente o braço em cima de os ombros . - Mas que pergunta a minha ! Cá estamos nós de_novo , Harry ! Preso ao_lado_de Lockhart e a arder de humilhação , Harry viu Malfoy deslizar com o seu sorriso desdenhoso por o meio de a multidão . - Vamos lá então , Mr._Creevey - disse Lockhart , dirigindo se a Colin . - Uma foto dupla , já viu a sua sorte ? E assinamos a os dois para si . Colin ajustou a máquina e tirou a fotografia em o preciso momento em que a campainha tocava para as aulas de a tarde . - Está em a hora , todos para dentro - gritou Lockhart a a multidão e regressou a o castelo levando a o seu lado o Harry que só lamentava não conhecer um feitiço que o fizesse desaparecer . - Uma palavra só , Harry - disse Lockhart paternalmente , enquanto entravam em o edifício por uma porta lateral . - Eu ajudei te há bocado com o jovem Creevey porque se ele estivesse a fotografar me também a mim os teus colegas não reparariam tanto que estavas a exibir te ... Indiferente a a gaguez de Harry , Lockhart arrastou o para um corredor ladeado de alunos que os olhavam espantados e subiram uma escada . - Deixa me só dizer te uma coisa : dar fotografias autografadas em esta fase de a tua carreira , francamente , não é sensato , Harry , parece um_pouco megalómano . Pode ser que um dia mais tarde , tal_como eu , sejas obrigado a assinar para multidões onde quer que vás , mas - fez uma pequena pausa - não me parece que seja o caso , por enquanto . Tinham chegado a a aula de Lockhart e ele largou finalmente o Harry que sacudiu a túnica e foi sentar se em um lugar bem lá atrás onde começou por empilhar os livros de Lockhart a a sua frente para evitar olhar para a criatura . O resto de a aula entrou ruidosamente e Ron e Hermione foram sentar se um de cada lado de Harry . - Tu estavas vermelho como um pimentão - disse o Ron . - Reza para que o Creevey não se torne amigo de a Ginny senão bem podem criar o clube de * fans * de Harry_Potter . - Cala a boca - interrompeu Harry . A última coisa que desejava era que o Lockhart ouvisse a expressão « clube de * fans * de Harry_Potter « . Quando todos estavam em os seus lugares , Lockhart pigarreou alto e fez se silêncio . Ele inclinou se para a frente , pegou em o exemplar de Neville_Longbottom de * _ viagens com Duendes * e levantou o para mostrar a sua fotografia a piscar os olhos em a capa . - Eu - disse apontando para a fotografia e piscando também os olhos - Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , terceiro ano , membro honorário de a Liga_de_Defesa contra as artes negras e cinco vezes vencedor de o prémio de o * _ Feiticeiro de a semana * por o sorriso mais charmoso . Mas não vamos falar de isso , não venci a fada carpideira de Bandon a sorrir para ela ! Esperou que eles se rissem . Alguns alunos sorriram timidamente . - Já vi que todos vocês compraram a minha obra completa . Muito bem . Pensei começar hoje com um pequeno interrogatório escrito . Nada de complicado , só para perceber se leram bem os meus livros e o que apreenderam ... Depois de distribuir as folhas de teste voltou se para os alunos e disse : - Têm trinta minutos . Comecem já . Harry olhou para o papel e leu : *1 . Qual é a cor preferida de Gilderoy_Lockhart ? *2 . Qual é a ambição secreta de Gilderoy_Lockhart ? *3 . Qual é , em a sua opinião , a maior realização de Gilderoy_Lockhart até a o momento ? * E_por_aí adiante , ao_longo_de três páginas , terminando com : *54 . Qual é o dia de aniversário de Gilderoy_Lockhart e qual seria o seu presente preferido ? * Meia_hora mais tarde , Lockhart recolheu os pontos e folhou os rapidamente em frente de os alunos . - Tut , tut , quase ninguém se lembrou que a minha cor preferida é o lilás . Eu digo o em * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves * . Alguns precisam de voltar a ler com mais cuidado * Fim-de - _ Semana com Um Lobisomem * . Eu afirmo claramente em o décimo segundo capítulo que o meu presente de aniversário preferido seria a harmonia entre todos os seres , mágicos e não mágicos , embora não me importasse de receber uma garrafa grande de * whisky * velho de a Ogden's_Old_Firewhisky . Piscou lhes o olho de_novo . Ron olhava para Lockhart com uma expressão de incredulidade em o rosto . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas que estavam sentados a a frente tremiam de tanto conter o riso . Hermione , contudo , ouvia Lockhart com extrema atenção e deu um salto quando ouviu o seu nome . - Mas Miss_Hermione_Granger sabia que a minha ambição secreta era libertar o mundo de o mal e pôr a a venda a minha gama de poções de tratamento de o cabelo . Muito bem - voltou o papel . - Nota máxima ! Onde está Miss_Hermione_Granger ? Hermione ergueu uma mão trémula . - Excelente - bradou Lockhart , exultante . - Leva dez pontos para os Gryffindor . E vamos a o trabalho . Baixou se atrás de a secretária e pegou em uma grande gaiola coberta . - Ficam desde_já a saber , a minha função é preparar vos contra as criaturas mais malignas que a feitiçaria conhece . Vocês podem ter que enfrentar os maiores medos em esta sala . Saibam que nenhum mal vos sucederá comigo aqui . Só vos peço que se mantenham calmos . Ultrapassando os seus sentimentos , Harry espreitou através de a pilha de livros para ver melhor a gaiola . Lockhart colocou uma mão em a tampa . Dean e Seamus tinham deixado de se rir . Neville estava agachado em o seu lugar de a fila de a frente . - Vou pedir vos que não façam barulho - disse Lockhart em voz baixa . - Podem assustá os . Enquanto a aula inteira continha a respiração , Lockhart tirou a cobertura . - Sim - disse em um tom dramático . - Duendes_da_Cornualha recém-capturados . Seamus_Finnigan não conseguiu controlar se . Soltou uma gargalhada que nem Lockhart poderia confundir com um grito de terror . - Sim ? - sorriu a Seamus . - Bem , eles não são , não são perigosos , pois não ? - perguntou a rir . -- Não tenhas tanta certeza de isso - afirmou Lockhart , aborrecido , abanando um dedo , em direcção a Seamus . - Podem ser maçadores e muito traiçoeiros . Os duendes eram de um azul-eléctrico e tinham cerca de vinte centímetros de altura com feições angulosas e umas vozes tão estridentes que era como ouvir uma discussão entre araras . Logo_que o pano foi retirado , começaram a fazer uma enorme algazarra , a andar de um lado para o outro , batendo em as grades e fazendo caretas a as pessoas que estavam mais perto . - Muito bem - disse Lockhart em voz alta . - Vamos então ver o que vocês conseguem fazer de eles - e abriu a gaiola . Foi um pandemónio . Os duendes dispararam em todas_as direcções como foguetes . Dois de eles agarraram o Neville por as orelhas e levantaram o a o ar . Vários outros foram direitos a a janela , fazendo chover vidros partidos até a a fila de trás . Os restantes decidiram destruir a sala com maior eficácia do_que um rinoceronte em fúria . Agarraram em os tinteiros e salpicaram tudo em volta , rasgaram a os bocados livros e papéis , arrancaram os quadros de as paredes , levantaram a o ar a gaiola vazia , agarraram livros e sacos e lançaram nos por a janela de vidros estilhaçados . Em poucos minutos , metade de a aula estava abrigada debaixo de as secretárias e o Neville pendurado em o candelabro de o tecto . - Vamos lá , agarrem nos , agarrem nos , são apenas duendes ... - gritava Lockhart . Arregaçou as mangas , bramiu a varinha e pronunciou * Peshipiksi_Pesternomi ! * As palavras não tiveram o menor efeito . Um de os duendes pegou em a varinha de Lockhart e atirou a também por a janela fora . Lockhart engoliu em seco e mergulhou debaixo de a secretária , não sendo , por um triz , esmagado por o Neville que caiu um segundo depois , quando o candelabro cedeu . A campainha tocou e houve uma louca precipitação para a porta . Em a calma relativa que se seguiu , Lockhart endireitou se , olhou para Harry , Ron e Hermione que estavam quase a chegar a a porta e disse : - Bem , vou pedir vos a os três que prendam o resto de os duendes em a gaiola - passou por eles e fechou rapidamente a porta atrás_de si . - Isto dá para acreditar ? - resmungou o Ron , enquanto um de os duendes lhe mordia com toda_a força uma de as orelhas . - Ele só quer dar nos uma ajuda , permitindo nos ganhar experiência - justificou Hermione , imobilizando dois duendes de uma_vez com um encantamento de paralisação e metendo os de_novo em a gaiola . - Experiência ? - disse Harry , tentando agarrar um duende que dançava com a língua de_fora . - Hermione , ele não sabia nada do_que estava a fazer . - Disparate - retorquiu Hermione . - Leste os livros de ele . Vê só as coisas que ele já fez ! - Que diz que fez - resmungou o Ron . VII_Sangue de lama e murmúrios Harry passou imenso tempo , em os dias que se seguiram , a fugir sempre_que via Gilderoy_Lockhart aproximar se em o corredor . Mais difícil de evitar era Colin_Creevey que parecia ter decorado o horário de Harry . Parecia que nada o emocionava mais do_que dizer : - Tudo bem , Harry ? - seis ou sete vezes por dia e ouvir : - Olá , Colin - por mais exasperado que Harry estivesse quando lhe respondia . A Hedwig ainda estava zangada com Harry por causa de a desastrosa viagem de automóvel e a varinha de o Ron continuava a não funcionar , tendo ultrapassado tudo em a sexta-feira de manhã quando lhe saltou de as mãos em a aula de encantamentos e foi agredir o velho e baixinho professor Flitwick mesmo entre os olhos , deixando uma enorme bolha latejante em o sítio onde tinha batido . Por tudo_isso Harry via chegar , com satisfação , o fim_de_semana Planeava ir em o Sábado de anhã , com Ron e Hermione visitar o Hagrid . Mas foi acordado várias horas mais cedo do_que desejaria por Oliver ood , treinador de a equipa de Quidditch_dos_Gryffindor . - _ o que é_que se passa ? - perguntou Harry , enrolando as palavras . - Treino_de_Quidditch - disse Wood . - Vamos embora . Harry lançou um olhar de esguelha a a janela . Uma neblina fina pairava em o céu rosa e dourado . Agora_que estava acordado não percebia como pudera dormir com a algazarra que os pássaros faziam . - Oliver resmungou Harry . - É de madrugada . - Exacto - respondeu Wood . Era um rapaz alto e corpulento de o sexto ano e em aquele momento os olhos brilhavam lhe loucamente de entusiasmo . - Faz parte de o nosso novo programa de treinos . Anda lá , vai buscar a vassoura e vamos embora - insistiu Wood empenhado . - Nenhuma de as outras equipas começou ainda a treinar . Vamos ser os primeiros este ano ... A bocejar e a tremer um_pouco , Harry saltou de a cama e tentou descobrir as suas túnicas de Quidditch . - Bem , encontramo nos em o campo , dentro_de quinze minutos . Depois de descobrir a sua roupa escarlate de equipa e pôr o manto por cima para se aquecer , Harry escreveu a o Ron um bilhete a explicar onde tinha ido e desceu por a escada de espiral para a sala comum com a sua Nimbos dois inil a o ombro . Tinha acabado de chegar junto de o buraco de o retrato quando ouviu um barulho atrás_de si e viu Colin_Creevey descer a escada de espiral com a máquina fotográfica pendurada a o pescoço a balouçar como louca e uma coisa em a mão . - Ouvi alguém chamar o teu nome em as escadas , Harry olha o que tenho aqui . Revelei a e queria mostrar te . Harry olhou assombrado para a fotografia que Colin lhe espetava em frente de o nariz . Um Lockhart a preto e branco movia se , puxando com toda_a força um braço que Harry reconheceu como sendo o seu . Ficou satisfeito a o constatar que estava a resistir bastante bem , recusando se a ser trazido para a vista de todos . Enquanto Harry observava , Lockhart desistiu e desinteressou se de lutar contra a parte branca de a fotografia . - Assinas para mim ? - pediu Colin entusiasmado . - Não - respondeu secamente Harry , olhando em volta para verificar se o caminho estava livre . - Desculpa_Colin , mas estou cheio de pressa , treino de Quidditch . Passou por o buraco de o retrato . - Oh Uau ! Espera por mim . Eu nunca vi um jogo de Quidditch . Colin trepou por o buraco de o retrato atrás de ele . - Vai ser uma chatice para ti - disse Harry rapidamente , mas Colin ignorou o comentário . Todo o seu rosto brilhava de satisfação . - Tu foste o jogador mais novo de a equipa em cem anos , não foste Harry ? Não foste ? - perguntava Colin , trotando para o acompanhar . - Deve ser fantástico . Eu nunca voei . É fácil ? Essa vassoura é a tua ? É a melhor que há ? Harry não sabia como ver se livre de ele . Era como ter uma sombra que não se calava . - Eu não percebo nada de Quidditch - disse Colin , já sem fôlego . - É verdade que há quatro bolas ? E que duas anda n a voar , tentando fazer os jogadores caírem de as vassouras ? - Sim - disse Harry lentamente , resignado com o ter de lhe explicar as complicadas regras de o Quidditch . - São as * bludgers * . Há dois * beaters * em cada equipa que têm bastões para bater em as * bludgers * e lançá as para o outro lado . O Fred e o George_Weasley são os * beaters * de os Gryffindor . - E para que servem as outras bolas ? - perguntou Colin , saltando uma série de degraus porque ia a olhar para o Harry de boca aberta . - Bem , a * quaffle * , que é a vermelha grandalhona , é a que marca os golos . Três * chasers * em cada equipa lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam fazes a entrar em as balizas que ficam em o extremo de o campo onde há três grandes postes com argolas em as pontas . - E a quarta bola ? - A * snitch * dourada - explicou Harry . - É muito pequenina e veloz e extremamente difícil de agarrar . Mas é isso que o * seeker * tem de fazer , porque o jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * for agarrada . E o * seeker * que conseguir agarrá a ganha para a sua equipa mais cento_e_cinquenta pontos . - E tu és o * seeker * de os Gryffindor , não és ? - perguntou Colin respeitosamente . - Sim - disse Harry enquanto saíam de o castelo e começavam a atravessar o relvado . - E há também o * keeper * que toma conta de os postes . É isto . Mas Colin não parou de fazer perguntas desde os relvados macios até a o campo de Quidditch e Harry só se viu livre de ele quando chegaram a os vestiários . Colin gritou em uma voz aguda : - Eu vou arranjar um lugar , Harry - e apressou se em direcção a as bancadas . O resto de a equipa de os Gryffindor já se encontrava em os vestiários . Wood era o único que tinha aspecto de estar bem acordado . Fred e George_Weasley estavam sentados com olhos de sono e cabelos desgrenhados junto de Alicia_Spinnet de o quarto ano que parecia inclinar se contra a parede que tinha atrás_de si . Os seus companheiros * chasers * , Katie_Bell e Angelina_Johnson bocejavam em frente de ela . - Até que enfim , Harry , porque é_que demoraste tanto ? - perguntou Wood cheio de actividade . - Eu queria ter uma pequena conversa convosco antes de entrarmos propriamente em campo porque passei o Verão a conjecturar um novo programa de treinos que acredito vai estabelecer grandes mudanças . Wood tinha em as mãos um grande mapa de um campo de Quidditch onde estavam desenhadas muitas linhas , setas e cruzes a tinta de várias cores . Pegou em a varinha , bateu com ela em o quadro e as setas começaram a mover se em o mapa como tractores . Enquanto Wood se lançava em um discurso sobre as suas novas técnicas , a cabeça de Fred_Weasley caiu sobre o ombro de Alicia_Spinnet e ele começou a ressonar . O primeiro mapa levou quase vinte minutos a explicar , mas debaixo de esse havia outro e ainda um terceiro . Harry caiu em uma letargia enquanto Wood continuava indefinidamente . - Então - disse por fim o treinador , arrancando Harry de a avidez de uma fantasia sobre o que poderia estar a comer se se encontrasse em aquele momento em o castelo . - Ficou tudo claro ? Alguma pergunta ? - Eu tenho uma pergunta , Oliver - disse George que acordou estremunhado . - Porque não nos explicaste tudo_isso ontem , quando estávamos acordados ? Wood não ficou nada satisfeito . - Ouçam bem , vocês todos - disse , voltando se para eles mal-humorado . - Nós deveríamos ter ganho a taça de Quidditch o ano passado . Somos de longe a melhor equipa , mas , infelizmente , devido_a circunstancias que estão para_além de o nosso controlo ... Harry mudou de posição em a cadeira sentindo se culpado . Estivera inconsciente em o hospital durante o campeonato final de o ano anterior o que fez com que os Gryffindor com um jogador a menos tivessem sofrido a pior derrota de os últimos trezentos anos . Wood levou um momento a controlar se . Era evidente que a última derrota ainda o torturava . - Portanto , este ano vamos fazer um treino mais duro , como nunca se fez . O. _ K. , vamos lá pôr as teorias em prática - gritou , pegando em a vassoura e conduzindo os para fora de o vestiário . Com as pernas trôpegas e ainda a bocejar , a equipa seguiu o . Tinham estado tanto tempo lá dentro que o sol já tinha nascido e brilhava em o céu embora uma réstia de neblina pairasse ainda sobre o relvado de o campo . Quando Harry entrou em campo viu Ron e Hermione sentados em as bancadas . - Ainda não acabaram ? - perguntou Ron em um tom incrédulo . - Ainda nem começamos - explicou Harry , olhando cheio de inveja para a torrada com doce de laranja que Ron e Hermione tinham trazido de o salão . - O Wood tem estado a ensinar nos as jogadas . Subiu para a vassoura e deu um pontapé em o chão , elevando se em o ar . O ar fresco de a manhã bateu lhe em o rosto fazendo o acordar com mais eficácia do_que o longo discurso de Wood . Era maravilhoso voltar a estar em o campo de Quidditch . Voou em volta de o estádio a toda a a velocidade competindo com Fred e George . - Que barulhinho estranho é aquele ? - perguntou o Fred quando deram a volta . Harry olhou para as bancadas . Colin estava sentado em um de os lugares mais altos com a máquina fotográfica em o ar , tirando fotografia sobre fotografia , o som estranhamente ampliado em o estádio deserto . - Olha para ali , Harry , para ali - gritava de forma estridente . - Quem é aquele ? - perguntou Fred . - Não faço ideia - mentiu Harry , disparando a_toda_a velocidade e distanciando se o mais possível de Colin . - O que se passa aí ? - perguntou Wood , franzindo a testa enquanto corria por os ares atrás de eles . - Porque está aquele aluno de o primeiro ano a tirar fotografias ? Não me agrada . Pode ser um espião de os Slytherin a tentar descobrir o nosso novo programa de treinos . - Ele é de os Gryffindor - disse Harry rapidamente . - E os Slytherin não precisam de um espião , Oliver - completou George . - Porque dizes isso ? - perguntou Wood irritado . - Porque estão aqui em peso - disse George , apontando com o dedo . Vários indivíduos com túnicas verdes vinham em aquele momento a entrar em o campo de vassouras em a mão . - Não posso acreditar - reagiu Wood , sentindo se ultrajado . - Eu reservei o estádio para hoje . Já vamos ver como é_que isto fica ! Wood baixou direito a o chão sendo levado por a fúria a aterrar com mais força do_que pretendia e a cambalear um_pouco quando começou a andar seguido de o Harry e de o Ron . - Flint - bradou para o treinador de os Slytherin . - Este é o nosso tempo de treino . Levantámo nos de propósito . Vocês têm de sair de aqui . Marcus_Flint era ainda mais corpulento do_que Wood . Tinha em o rosto uma expressão de duende travesso quando respondeu : - Há espaço para todos , Wood . Angelina , Alicia e Katie tinham vindo também . Em a equipa de os Slytherin não havia raparigas que enfrentassem a o lado de os rapazes os Gryffindor . - Mas eu reservei o estádio - repetiu Wood de modo afirmativo , cuspindo de raiva . - Reservei o . - Ah ! - exclamou Flint . - Mas eu tenho aqui uma licença especial assinada por o professor Snape . * _ Eu , professor Snape , autorizo a equipa de os Slytherin a praticar hoje em o campo de Quidditch devido a a necessidade de treinar o seu novo seeker . * - Têm um novo * seeker * ? - perguntou Wood perturbado . - Onde ? E detrás de as seis figuras corpulentas que tinham em a frente , viram surgir uma sétima : um rapaz mais pequeno com um sorriso afectado espelhado em o rosto pálido e anguloso . Era_Draco_Malfoy . - Não és o filho de o Lucius_Malfoy ? - perguntou Fred , olhando para ele com antipatia . - Curioso que refiras o pai de o Draco - disse Flint enquanto toda_a equipa de os Slytherin sorria de modo grosseiro . - Deixem me mostrar vos a generosa oferta que ele fez a a equipa de os Slytherin . Os sete exibiram as suas vassouras . Sete cabos novos , polidos , com inscrições em letras douradas de as palavras « Nimbus dois_mil_e_um « brilharam a o sol de a manhã , em frente de o nariz de os Gryffindor . - O último modelo . Só chegou em o mês passado - disse Flint , displicentemente , sacudindo a poeira de o cabo de a sua vassoura . - Julgo que ultrapassam de longe as velhas séries de dois_mil . Quanto a as Cleansweeps - sorriu de forma mesquinha para Fred e George que tinham ambos Cleansweep_Fives - essas já só servem para varrer . Nenhum de os Gryffindor foi capaz de abrir a boca em aquele momento . Malfoy sorria tanto que os seus olhos de gelo estavam reduzidos a duas rachas . - Oh vejam - disse Flint . - Uma invasão de o campo . Ron e Hermione atravessavam o relvado para ver o que se passava . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron a o Harry . - Porque não estão a jogar e o que faz ele aqui ? Olhava para Malfoy em as suas vestes de Quidditch . - Sou o novo * seeker * de os Slytherin , Weasley - disse Malfoy com ar presumido . - Têm estado todos a admirar as vassouras que o meu pai comprou para a nossa equipa . Ron olhou de boca aberta para as sete vassouras que tinha em a frente . - São boas , não são ? - disse Malfoy untuosamente . - Mas talvez a equipa de os Gryffindor consiga levantar algum ouro e comprar também vassouras novas . Vocês podiam levar essas Cleansweep_Fives a leilão , talvez algum museu esteja interessado . A equipa de os Slytherin riu se a bandeiras despregadas . - Pelo_menos em os Gryffindor ninguém teve de comprar a sua entrada - disse secamente Hermione . - Entraram todos por mérito próprio . O ar presumido de Malfoy desapareceu . - Ninguém pediu a tua opinião , sangue de lama - cuspiu Malfoy . Harry apercebeu se , de imediato , que Malfoy dissera algo muito grave porque houve uma tremenda algazarra em o seguimento de as suas palavras . Flint teve que se pôr a a frente de o Malfoy para evitar que Fred e George se atirassem a ele . Alicia bradou : - Como te atreves ? - E Ron meteu a mão em as vestes e sacou de a varinha mágica , gritando : - Vais pagar por o que disseste , Malfoy ! - e apontou a , furioso , por debaixo de o braço de Flint , a o rosto de Malfoy . Um enorme estrondo , ecoou em o estádio e um jacto de luz verde saiu por a extremidade errada de a varinha de Ron , atingindo o em o estômago e projectando o para trás em direcção a o relvado . - Ron ! Ron ! Estás bem ? - gritou Hermione . Ron abriu a boca para falar , mas nenhuma palavra saiu . Em vez de isso , teve um vómito imenso e várias lesmas saíram lhe de a boca , indo cair lhe em o colo . A equipa de os Slytherin ficou paralisada de riso . Flint estava dobrado , agarrado a a vassoura nova . Malfoy , a quatro , batia com o punho em a chão . Os Gryffindor rodeavam o Ron , que continuava a vomitar lesmas enormes e reluzentes . Ninguém queria tocar lhe . - É melhor levá o para_casa de o Hagrid . É o mais perto - disse Harry_a_Hermione , que acenou afirmativamente , e os dois arrastaram o Ron por os braços . - O que aconteceu , Harry ? O que aconteceu ? Ele está doente ? Mas tu podes curá o , não podes ? - Colin descera a correr de o lugar onde estava sentado e dançaricava em frente de eles , enquanto abandonavam o campo . Ron teve um novo arremesso e mais lesmas saíram de a sua boca . - Oooh ! - exclamou Colin fascinado , levantando a máquina fotográfica . - Podes mantê o quieto , Harry ? - Sai de a minha frente , Colin - gritou Harry zangado . Ele e a Hermione conseguiram levar o Ron para fora de o estádio , atravessar os campos e chegar a a beira de a floresta . - Está quase , Ron - disse Hermione , mal avistaram o casebre de o guarda de os campos . - Vais ficar bem dentro_de um minuto ... está quase ... Estavam a sessenta metros de a casa de Hagrid , quando a porta de a frente se abriu . Mas não foi Hagrid quem saiu de lá , e sim Gilderoy_Lockhart , em uma túnica cor de malva . - Rápido , vamos esconder nos aqui - sussurrou Harry , arrastando Ron para trás de um arbusto que havia ali perto . Hermione acompanhou o , embora um_pouco relutante . -- É muito simples quando se sabe o que se está fazer ! - gritava Lockhart_para_Hagrid . - Se precisar de ajuda , sabe onde estou . Vou dar lhe um exemplar de o meu livro . Espanta me que ainda não o tenha . Logo a a noite autografo o e envio lhe o . Bem . até a a próxima ! - e afastou se em direcção a o castelo . Harry esperou que Lockhart desaparecesse , antes de puxar o Ron de trás de o arbusto até a a casa de o Hagrid . Bateram ansiosamente . Hagrid apareceu logo com um ar mal-humorado , que se dissipou quando viu quem era . - Já me tinha perguntado quand'é que vocês vinham ver me , entrem , entrem , pensei qu'era outra_vez o professor Lockhart . Harry e Hermione ajudaram Ron a subir o degrau que dava acesso a a cabana de uma divisão com uma cama enorme a um de os cantos e uma lareira a crepitar alegremente em o outro . Hagrid não pareceu perturbado com o problema de as lesmas de o Ron que Harry lhe explicou precipitadamente , logo_que sentou o Ron em uma cadeira . - Melhor saírem de o qu'entrarem - disse , em um tom bem-disposto , colocando uma grande bacia de cobre em frente de ele . - Deita as todas fora , Ron . - Acho que não há mais_nada a fazer , a não ser esperar que isto pare - disse Hermione ansiosamente , vendo Ron inclinar se para a bacia . - É uma maldição muitas_vezes difícil , mas com uma varinha partida ... Hagrid andava de um lado para o outro a preparar o chá . O cão de ele , Fang , babava se em cima de o Harry . - O que é_que o Lockhart queria de ti ? - perguntou o Harry , coçando as orelhas de o Fang . - Ensinar me a tirar espíritos aquáticos com forma de cavalos d'uma nascente d'água - resmungou Hagrid , retirando de a mesa pequena um galo meio depenado e colocando em o seu lugar o bule . - Como s'eu não soubesse . E contar me uma peta qualquer d'uma fada carpideira que ele venceu . Engulo essa chaleira , se uma palavra do_que ele disse for verdade . Não era hábito de Hagrid criticar um professor de Hogwarts e Harry olhou para ele com alguma surpresa . Mas Hermione disse em uma voz mais aguda do_que de costume : - Acho que estás a ser injusto . O professor Dumbledore obviamente achou que era o melhor homem para o lugar ... - Era o único - explicou Hagrid , oferecendo lhes um prato de bombons de melaço enquanto Ron tossia para a bacia . - E não havia mais ninguém . Não é fácil encontrar quem queira dar Artes de magia negra . As pessoas não gostam de essa matéria . Começam a pensar que está amaldiçoada , ninguém ficou muito_tempo a dá a . Mas digam me lá - continuou Hagrid , inclinando a cabeça para Ron - quem é qu'ele estava a tentar amaldiçoar ? - O Malfoy chamou qualquer coisa a a Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si . - Foi grave , sim - disse o Ron com voz rouca , emergindo a a superfície de a mesa , pálido e transpirado . - O Malfoy chamou lhe sangue de lama , Hagrid . - Ron desapareceu outra_vez quando uma nova onda de lesmas fez o seu aparecimento . Hagrid estava indignado . - Não posso crer - exclamou , dirigindo se a Hermione . - Chamou sim - disse ela . - Mas eu não sei o que significa . Percebi que era má educação , claro ... - É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar - explicou Ron novamente . - Sangue de lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles , sabes , filho de pais não mágicos . Há alguns feiticeiros , como a família de o Malfoy que acham que são melhores do_que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro . - Teve um pequeno vómito e uma lesma isolada caiu lhe em a mão aberta . Ele atirou a para a bacia e continuou . -- É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma . Olha_o_Neville_Longbottom , é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito . - E ainda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer - afirmou Hagrid , orgulhoso , fazendo Hermione corar em tons de magenta . - É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém - disse o Ron , limpando o suor de a testa com a mão trémula . - Sangue sujo , sangue vulgar , é um disparate . A maior parte de os feiticeiros hoje_em_dia têm sangue misturado . Se não tivéssemos casado com Muggles tinha sido o nosso fim . Fez um esforço para vomitar e baixou se mais_uma_vez . - Bem , não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá o , Ron - disse Hagrid bem alto enquanto montes de lesmas caíam em a bacia . - Mas , se_calhar , não foi mau de todo teres a varinha a trabalhar ao_contrário . Acho que Lucius_Malfoy teria vindo logo a correr a a escola se tivesses amaldiçoado o filho . Assim , pelo_menos , não estás metido em nenhum sarilho . Harry teria referido que o problema não podia ser pior do_que deitar lesmas por a boca , mas não pôde . Os bombons de melaço tinham lhe colado os maxilares um_ao_outro . - Harry - disse de repente Hagrid como_que movido por um pensamento súbito . - Tens de me explicar uma coisa . Ouvi dizer que tens andado a dar fotografias autografadas . Porque é qu'eu não tenho nenhuma ? A fúria de Harry foi tão grande que os maxilares se libertaram . - Eu não tenho dado fotografias autografadas - disse com vivacidade . Se o Lockhart andou a espalhar isso ... Mas em esse momento viu que Hagrid se estava a rir . - ´ _ tou a brincar - disse , dando uma palmadinha em as costas de Harry e fazendo lhe sinal para se sentar a a mesa . -- Eu sabia que não tinhas . Disse a o Lockhart que tu não precisavas de isso . Es mais famoso do_que ele sem sequer , tentares . - Aposto que ele não gostou de ouvir isso - comentou Harry , sentando se e esfregando o queixo . - Acho que não gostou mesmo - prosseguiu Hagrid com os olhinhos a brilhar . - E disse lhe também que nunca tinha lido nenhum de os livros de ele e ele foi se embora . Um bombom de melaço , Ron ? - perguntou a o vê o reaparecer . - Não , obrigado - disse o Ron com uma voz fraca . - É melhor não arriscar . - Venham ver o qu'eu tenho estado a criar - disse Hagrid quando Harry e Hermione acabaram de tomar o chá . Em a pequena horta atrás de a casa estava uma_dúzia de as maiores abóboras que Harry alguma vez vira . Pareciam enormes blocos de pedra . - Estão a dar se bem , não achas ? - disse Hagrid , feliz . São para a festa de o * _ Hallow'en * . Devem estar bem grandes quando chegar a altura . - O que é_que lhes tens dado como alimento ? - perguntou Harry . Hagrid olhou por cima de o ombro para confirmar se estavam sós . - Bem , tenho estado a dar lhes ... uma pequena ajuda . Harry reparou em o guarda-chuva cor-de-rosa a as florzinhas que estava encostado contra a parede de a cabana . Tivera em o ano anterior motivos para crer que aquele guarda-chuva não era o que parecia . De facto , acreditava que a antiga varinha de escola de Hagrid se encontrava oculta dentro de ele . Hagrid não tinha autorização para usar magia . Fora expulso de Hogwarts em o terceiro ano embora Harry nunca tivesse descoberto o motivo . Qualquer referência a esta questão fazia Hagrid pigarrear bem alto e ficar misteriosamente surdo até mudarem de assunto . -- Um encantamento de absorção , imagino ? - comentou Hermione entre a desaprovação e o divertimento . - Bem , se assim foi , fizeste um bom trabalho . - Foi o que disse a tua irmãzinha - respondeu Hagrid acenando em direcção a Ron . - Encontrei a ontem . - Hagrid olhou de lado para Harry , a barba a contorcer se . - Disse que andava só a ver os campos , mas eu acho qu'ela esperava encontrar alguém em a minha casa - piscou o olho a o Harry . - Se queres que te diga acho qu'ela não recusaria uma fotografia autogr ... - Cala te com isso - disse Harry . Ron desatou a rir e o chão ficou cheio de lesmas . - Cuidado - resmungou Hagrid , afastando Ron de as suas preciosas abóboras . Estava quase em a hora de o almoço e , como o Harry só tinha provado um bombom de melaço desde manhã cedo , estava ansioso por chegar a a escola para ir comer . Despediram se de o Hagrid e regressaram a o castelo . O Ron a vomitar de vez em quando , mas deitando só duas pequenas lesmas . Mal tinham pisado a entrada de o vestíbulo quando ouviram uma voz . - Aí estão vocês , Potter , Weasley . - A professora Mc_Gonagall vinha em direcção a eles com o seu ar severo . - Vocês os dois vão ter as punições hoje a a tarde . - O que é_que vamos fazer , professora ? - perguntou o Ron nervoso , deixando cair uma lesma . - Tu vais limpar as pratas em a sala de os troféus com Mr._Filch - disse a professora Mc_Gonagall . - E nada de mágicas , Weasley , trabalho com esforço . Ron engoliu em seco . Argus_Filch , o encarregado , era odiado por todos os alunos de a escola . - E tu , Potter , vais ajudar o professor Lockhart a responder a as cartas de as suas fãs - ordenou a professora Mc_Gonagall . - Oh , não ! Não posso ir também trabalhar em a sala de os troféus ? - pediu Harry em desespero de causa . - Nem pensar em isso - respondeu a professora Mc_Gonagall , erguendo as sobrancelhas . - O professor Lockhart requisitou te especialmente a ti . _ a as oito_em_ponto , os dois . Harry e Ron entraram em o salão em um estado de profundo desanimo com a Hermione atrás , ostentando uma expressão de * bem-voces-quebraram-as-regras-da-escola * . Harry não saboreou o empadão de carne como teria desejado . Tanto ele como o Ron achavam que tinham tido o pior de os castigos . -- O Filch vai reter me lá toda_a noite - disse Ron , desanimado . - Sem mágica ! Deve haver umas cem taças em aquela sala , eu não sei fazer limpeza de Muggles . - Eu trocava contigo de boa_vontade - confessou Harry em uma voz surda . - Tive montes de prática com os Dursleys . Responder a o correio de fãs de o Lockhart , que pesadelo ... A tarde de sábado pareceu derreter se . Pouco depois eram já cinco para as oito e Harry arrastava se até a o corredor de o segundo andar onde ficava o escritório de o Lockhart . Rangendo os dentes , bateu a a porta . A porta abriu se imediatamente e Lockhart dirigiu se lhe . - Ah , cá está o patifório ! - exclamou . - Entra , Harry , entra . Em as paredes , brilhando à_luz_de muitas velas , podia ver se uma infinidade de fotografias de Lockhart . Algumas de elas até assinadas . Sobre a secretária estava outro monte enorme . - Podes pôr as moradas em os envelopes - disse Lockhart_a_Harry , como_se fosse uma grande ameaça . - O primeiro é para Gladys_Gudgeon , abençoada seja , uma grande fã minha . Os minutos passavam lentos . De vez em quando , Harry ouvia a voz de Lockhart dizendo : - Mmm - e - certo - e - sim . - De vez em quando , apanhava uma frase como : - A fama é versátil , amigo Harry - ou - Só é célebre quem faz por isso , nunca te esqueças . As velas ardiam cada_vez com maior lentidão , fazendo a luz dançar sobre as muitas caras de Lockhart que o olhavam . Harry passava a mão , já dorida , sobre o que devia ser o centésimo envelope , escrevendo a morada de Verónica_Smethley . « Deve estar quase em a hora de me ir embora » , pensou , sentindo se profundamente infeliz , « por favor , faz com que esteja em a hora ... » E então ouviu algo , algo totalmente diferente de o crepitar de as velas e de os ditos de Lockhart sobre as suas fãs . Era uma voz , uma voz de arrepiar os ossos , de cortar a respiração , de veneno frio . - * _ Vem ... vem ter comigo ... deixa me rasgar te ... cortar te ... matar te * ... Harry deu um salto e uma enorme mancha lilás surgiu em a rua de Verónica_Smethley . - O quê ? - disse ele em voz alta . - Eu sei - exclamou Lockhart . - Seis meses inteirinhos em o topo de a lista de * bestsellers * , bati todos os recordes ! - Não - disse Harry nervosíssimo - aquela voz ! - Como ? - perguntou Lockhart , com um ar confuso . - Que voz ? - Aquela , aquela voz que disse ... não ouviu ? Lockhart olhava para Harry com o maior espanto . - De que é_que estás a falar , Harry ? Estás a ficar com sono ? Meu Deus , olha , só estamos aqui há quase quatro horas , quem diria ? O tempo passou a correr , não é verdade ? Harry não respondeu , estava a fazer um esforço para ouvir de_novo a voz , mas o único som que ouviu foi Lockhart a dizer lhe que não esperasse um tratamento igual de as próximas vezes que fosse castigado . Harry saiu , sentindo se atordoado . Era tão tarde que a sala comum de os Gryffindor estava quase vazia . Harry foi directamente para o dormitório . Ron ainda não tinha voltado . Vestiu o pijama , meteu se em a cama e esperou . Meia_hora mais tarde , chegou o Ron agarrado a o braço direito e inundando o quarto escuro de um forte cheiro a limpa-pratas . - Doem me todos os músculos - resmungou , metendo se em a cama . - Ele fez me polir catorze vezes aquela taça de Quidditch até estar satisfeito . E depois tive outro vómito em_cima_de um troféu de Reconhecimento por serviços prestados a a escola . Demorei séculos a limpar o muco de as lesmas . Como correram as coisas com o Lockhart ? Em voz baixa para não acordar o Neville , o Dean e o Seamus , Harry contou lhe , palavra por palavra , o que tinha ouvido . - E Lockhart disse que não ouviu nada ? - perguntou o Ron . Harry viu o franzir a testa , a a luz de o luar . - Achas que estava a mentir ? Mas , não percebo , mesmo um ser invisível teria aberto a porta . - Eu sei - disse Harry , encostando se a a cama e olhando para o dossel . - Também não compreendo . VIII_A festa de o dia de os mortos Outubro chegou , espalhando um frio húmido por os campos e por os cantos de o castelo . Madam_Pomfrey , a enfermeira-chefe , esteve bastante ocupada com uma onda de constipações que afectou professores e alunos . A sua poção de pimentão entrou imediatamente em acção apesar_de deixar quem a tomava com fumo em os ouvidos durante várias horas . Ginny_Weasley , que andava com ar adoentado , foi convencida a tomá a por o Percy . O fumo que saía por debaixo de o seu cabelo ruivo dava a impressão de que toda_a cabeça estava em fogo . Gotas de chuva de o tamanho de balas agrediram as janelas de o castelo durante dias a fio . O lago rosado e os canteiros de flores tornaram se regatos lamacentos e as abóboras de o Hagrid incharam ficando de o tamanho de alpendres de jardim . Contudo , o entusiasmo de Oliver_Wood por as sessões de treino regular não foi abalado , motivo por o qual Harry iria regressar a a torre de os Gryffindor , em um sábado a a tarde de temporal , alguns dias antes de o * _ Hallowe'en * , ensopado até a os ossos e todo enlameado . Além de a chuva e de o vento , não fora um treino feliz . Fred e George que tinham andado a espiar a equipa de os Slytherin tinham visto com os seus próprios olhos a velocidade alucinante de aquelas novas Nimbus dois_mil_e_um e comentaram que a equipa em o ar parecia composta por sete manchas esverdeadas que disparavam a_toda_a velocidade como aviões a jacto . Enquanto Harry chapinhava a o longo de o corredor deserto , cruzou se com alguém que parecia tão preocupado como ele : Nick quase sem cabeça , o fantasma de a torre de os Gryffindor que olhava taciturno , por a janela , murmurando baixinho : - Não preenche os requisitos , um centímetro e meio se ... - Olá , Nick - cumprimentou Harry . - Olá , olá - disse o Nick quase sem cabeça , começando a olhar em volta . Usava um arrebatado chapéu de plumas sobre a longa cabeleira encaracolada e uma túnica com gola de tufos que disfarçava o facto de ter o pescoço quase totalmente separado de o corpo . Era pálido como o fumo e Harry podia ver através de ele o céu negro e a chuva torrencial , lá fora . - Pareces preocupado , jovem Potter - disse Nick , dobrando uma carta transparente , enquanto falava e escondendo a dentro de a jaqueta . - Tu também - retorquiu Harry . - Ah ! - o Nick quase sem cabeça acenou com a mão de forma elegante . - Uma questão sem importância . Não é_que eu quisesse realmente participar apesar_de me ter inscrito , mas , a o que parece , não preencho os requisitos . - Apesar de o seu tom jovial havia em o seu rosto uma grande amargura . - Mas era de esperar , ou não era - exclamou subitamente , tirando a carta de o bolso - que ter levado quarenta_e_cinco golpes em a cabeça com um machado ferrugento me qualificaria para entrar em o grupo de os Sem - _ Cabeça ? - Sim , sim - respondeu Harry que obviamente o outro esperava que concordasse . - Isto_é , ninguém mais do_que eu desejaria que tudo tivesse sido rápido e perfeito , poupava me muitas dores e ridículo . Mas ... O Nick quase sem cabeça abriu , furioso , a carta e leu : * _ Só podemos aceitar em o grupo homens cuja cabeça tenha sido separada de o corpo . Compreenderá que de outro modo seria impossível a os nossos membros participarem em actividades como equitação de malabarismos com a cabeça e pólo de cabeça . Lamentamos profundamente informá o de que não preenche os requisitos . * _ Os nossos melhores cumprimentos , Sir_Patrick_Delaney - _ Podmore * Furioso , o Nick quase sem cabeça atirou fora a carta . - Um centímetro de pele e tendões a segurarem me a cabeça , Harry ! A maior parte de as pessoas acharia que era mais do_que o suficiente , mas não serve para o senhor correctamente decapitado Podmore . Nick quase sem cabeça respirou fundo várias vezes e , por fim , em um tom bastante mais calmo perguntou : - Então o que é_que te preocupa ? Alguma coisa que eu possa fazer por ti ? - Não - respondeu Harry . - A_não_ser_que saibas onde posso arranjar sete Nimbus dois_mil_e_um , de_graça , para o nosso campeonato contra os Sly ... - o resto de a frase foi afogada por um miado agudo vindo de perto de os seus tornozelos . Olhou para baixo e deu consigo a fitar um par de olhos que pareciam duas lâmpadas amarelas . Era_Mrs._Norris , a gata cinzenta e esquelética usada por o encarregado Argus_Filch como uma espécie de polícia em a sua infindável batalha contra os estudantes . - É melhor saíres de aqui , Harry - preveniu Nick com toda_a calma . - O Filch não está nada bem-disposto . Anda engripado e alguns alunos de o terceiro ano , por acidente , encheram o tecto de o calabouço cinco de miolos de rã . Ele tem andado toda_a manhã a limpar e se te vê a encher tudo de lama ... - Certo - disse Harry , recuando e afastando se de o olhar acusador de Mrs._Norris , mas ... tarde de mais . Conduzido até ali por o misterioso poder que parecia ligá o a a gata , Argus_Filch entrou subitamente por uma tapeçaria que se encontrava a a direita de Harry , com a sua respiração asmática , olhando vivamente em volta em busca de o infractor . Tinha um lenço grosso , de xadrez , a a volta de a cabeça e o nariz invulgarmente arroxeado . - Imundície - gritou com os maxilares a tremer e os olhos a saltarem lhe de as órbitas , enquanto apontava para a poça de lama que pingara de a túnica de Quidditch_de_Harry . - Desarrumação e imundície em todo o lado . Estou farto disto , segue me , Potter . Harry despediu se de o Nick quase sem cabeça com um tímido aceno e seguiu Filch até lá abaixo , duplicando o número de pegadas lamacentas em o chão . Nunca entrara em o gabinete de o Filch . Era um lugar que a maior parte de os estudantes evitava . A divisão era sombria e sem janelas , iluminada por uma única lamparina de óleo que pendia de o tecto . Sentia se um vago cheiro a peixe frito . As paredes estavam forradas por ficheiros de madeira . Por as etiquetas Harry percebeu que continham os dados de todos os alunos que Filch tinha punido . Fred e George_Weasley tinham uma gaveta só para eles . Atrás de a secretária estava pendurada uma colecção bem polida de correntes e algemas . Todos sabiam que ele estava sempre a pedir a Dumbledore que o deixasse pendurar os alunos em o tecto por os tornozelos . Filch pegou em uma pena que estava sobre a secretária e começou a procurar o pergaminho . - Bosta - murmurou , furioso . - Bosta de dragão , miolos de rã , intestinos de ratazana ... eu tinha aqui bastante , onde está o form ... sim ... Tirou um enorme rolo de pergaminho de a gaveta de a secretária e estendeu o em a frente , molhando a longa pena em o tinteiro . - Nome : Harry_Potter . Crime ... - Foi só um bocadinho de lama - disse Harry . - É só um bocadinho de lama para ti , rapaz , mas para mim é mais de uma hora a esfregar - gritou Filch com um pingo a tremer de modo desagradável em a extremidade de o nariz bolboso . - Crime : manchar o castelo . Sentença proposta ... Esfregando o nariz que continuava a pingar , Filch olhou com má cara para Harry que esperava com a respiração entrecortada para ouvir a sentença . Mas quando Filch pegou em a pena ouviu se um estrondo enorme em o tecto que fez a lamparina apagar se . - PEEVES - resmungou Filch , pousando a pena , cheio de raiva . - Desta_vez apanho te . Apanho te ! E sem olhar para trás , saiu a correr a_toda_a velocidade de o gabinete , seguido de a gata , Mrs._Norris . Peeves era o * poltergeist * de a escola , uma ameaça de risota esvoaçante que vivia para fazer estragos e criar aflição . Harry não gostava lá muito de ele , mas desta_vez , não podia deixar de lhe estar grato . Na_melhor_das_hipóteses o que Peeves tivesse feito ( e parecia que agora ele destruíra qualquer coisa em grande ) distrairia Filch_de_Harry . Pensando que o melhor seria esperar que ele voltasse , Harry deixou se cair em uma cadeira carcomida por o tempo que se encontrava junto de a secretária . Havia uma coisa sobre o tampo : um grande envelope roxo e lustroso com letras prateadas em a frente . Lançando um olhar rápido a a porta para confirmar que Filch não estava de volta , Harry pegou lhe e leu : __ feitiço __ rápido Um curso por correspondência De iniciação a a magia Cheio de curiosidade , abriu o envelope e retirou o rolo de pergaminho . Uma letra curvilínea e prateada dizia : Sente se pouco a a vontade em o mundo de a magia moderna ? Dá consigo a arranjar desculpas para não fazer feitiços simples ? Tem sido censurado por o deplorável trabalho com a varinha ? Eis a resposta ! Feitiço rápido e um curso totalmente novo , infalível , de resultados rápidos e rápida aprendizagem . Centenas de bruxas e feiticeiros têm beneficiado de o método feitiço rápido ! Madam_Z._Nettles_de_Topsham escreve nos : Eu não conseguia fixar os encantamentos e as minhas poções eram alvo de risota em a família . Agora , depois de o curso feitiço rápido , tornei me o centro de as atenções em todas_as festas e os meus amigos não param de pedir me a receita de a minha brilhante solução ! O mágico D.J._Prod , de Disbury , afirma : A minha mulher costumava rir se de os meus fracos encantamentos , mas bastou um mês com o vosso fabuloso curso feitiço rápido e consegui transformá a em um iaque . Obrigado , feitiço rápido ! Fascinado , Harry folheou o resto de o conteúdo de o envelope . Para que diabo quereria o Filch um curso de feitiço rápido ? Não seria ele um feiticeiro a sério ? Harry estava a ler a lição número um : Pegando em a varinha ( algumas dicas úteis ) quando umas passadas arrastadas , lá fora , o preveniram de que Filch estava de volta . Metendo rapidamente o pergaminho dentro de o envelope , lançou o para_cima de a secretária em o preciso momento em que a porta se abriu . Filch ostentava um ar triunfante . - Aquele armário que desapareceu era extremamente valioso - vinha ele a dizer a a gata , Mrs._Norris . - Desta_vez vamos correr com o Peeves , minha linda . Os seus olhos recaíram sobre Harry e logo_a_seguir sobre o envelope de o feitiço rápido que , Harry apercebeu se tarde de mais , estava meio metro distanciado de o seu lagar inicial . O rosto pálido de Filch tornou se vermelho escarlate . Harry preparou se para uma nova onda de fúria . Filch coxeou até a a secretária , arrebatou o envelope e meteu o em uma gaveta . -- Chegaste a ... lê o ? - perguntou atabalhoadamente . - Não - mentiu Harry , sem perder tempo . As mãos nodosas de o Filch contorciam se ao_mesmo_tempo . - Se eu soubesse que ias ler a minha correspondência priv ... não que seja minha ... é para um amigo ... mesmo_assim ... Harry olhava para ele espantado . Nunca vira o Filch tão louco . Os olhos pareciam querer saltar lhe de as órbitas , com um tique em as bochechas e aquele lenço axadrezado que não ajudava nada ... - Muito bem , vai e não abras a boca sobre isto ... não que ... mesmo_assim ... se tu não leste ... vai te embora , tenho de escrever o relatório sobre o Peeves , vai . Atordoado com a sua sorte , Harry saiu de ali e largou a correr por o corredor fora e por as escadas acima . Sair de o gabinete de o Filch sem um castigo devia ser um recorde em a escola . - Harry , Harry , deu resultado ? O Nick quase sem cabeça saiu a brilhar de uma sala de aula . Atrás de ele , Harry pôde ver os destroços de um grande armário preto e dourado que parecia ter sido atirado de uma grande altura . - Convenci o Peeves a parti o mesmo em cima de o gabinete de o Filch - disse Nick entusiasmado . - Pensei que talvez o distraísse . - Foste tu ? - exclamou Harry , agradecido . - Funcionou sim . Ele não me deu nenhum castigo . Obrigado , Nick . Atravessaram o corredor juntos . O Nick quase sem cabeça , reparou Harry , ainda tinha em a mão a carta de Sir_Patrick . - Gostaria de poder fazer qualquer coisa sobre o grupo de os Sem - _ Cabeça - disse Harry . O Nick quase sem cabeça parou de repente e Harry passou através de ele . Antes não tivesse passado , foi como atravessar um duche gelado . - Mas há uma coisa que tu podes fazer por mim - disse Nick muito agitado . - Harry , seria pedir te de mais ... mas não , tu não ias querer ... - O quê ? - Bem , este ano em o * _ Hallowe'en * vai ser o meu meio milénio de dia de os mortos - disse o Nick quase sem cabeça endireitando se e adquirindo uma postura de grande dignidade . - Oh - respondeu Harry sem saber se deveria lamentar ou dar lhe os parabéns . - Certo . - Vou dar uma festa em um de os calabouços mais amplos . Vêm amigos meus de todo o país . Seria uma honra muito grande se tu aparecesses . Mr._Weasley e Miss_Granger seriam também muito bem-vindos , claro . Mas tu deves preferir o banquete de a escola , não é verdade ? - Olhou para Harry , aflito . - Não - assegurou ele rapidamente . - Eu vou . - Oh rapaz , Harry_Potter em a minha festa de os mortos - hesitou no_meio_de toda aquela excitação . - Achas que poderias referir a Sir_Patrick como me achas assustador e como te impressiono ? - É claro que sim - assegurou Harry . O Nick quase sem cabeça iluminou se em um sorriso . - Uma festa de os mortos ? - exclamou Hermione , entusiasmada , quando Harry , depois de mudar de roupa , se juntou a ela e a o Ron em a sala comum . - Aposto que não há muitas pessoas que possam gabar se de ter estado em uma festa de essas . Vai ser fantástico ! - Por_que é_que alguém se lembraria de festejar o dia em que morreu ? - perguntou o Ron que estava a meio de o seu trabalho de casa de poções e bastante maldisposto . - Parece me bastante mórbido . A chuva continuava a lamber as janelas que apresentavam agora um negro que parecia tinta , mas , lá dentro , era tudo claro e alegre . O fogo em a lareira brilhava sobre as inúmeras cadeiras de braços onde as pessoas estavam sentadas a ler , a conversar , a fazer os trabalhos de casa ou , no_caso_de Fred e George_Weasley , a tentar descobrir o que aconteceria se alimentassem uma salamandra com fogo-de-artíficio de o Filibuster . O Fred tinha « resgatado . o lagarto cor de laranja brilhante , morador de o fogo , de uma aula de tratamento de seres mágicos e ele estava agora a arder em fogo lento sobre uma mesa , rodeado de um grupo de curiosos . Harry ia começar a contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre o Filch e o curso de feitiço rápido quando a salamandra disparou por os ares , lançando faíscas e estoiros . A visão de Percy a gritar com Fred e George até ficar ronco , a fantástica exibição de estrelas cor de tangerina que choviam de a boca de a salamandra e a sua fuga para o lume acompanhada de explosões , fizeram com que Harry se esquecesse , em aquele momento , de Filch e de o curso de feitiço rápido . Quando chegou o * _ Hallowe'en * , Harry já lamentava a sua promessa imprudente de ir a a festa de os mortos . Toda_a escola antecipava , feliz , a sua festa de * _ Hallowe'en * . O salão nobre fora enfeitado com os habituais morcegos , as enormes abóboras de Hagrid tinham sido esculpidas em forma de lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro_de cada uma , e havia boatos de que Dumbledore contratara um grupo de esqueletos bailarinos para animar a festa . - Uma promessa é uma promessa - lembrou Hermione_a_Harry com o seu autoritarismo habitual . - Tu disseste que ias a a festa de os mortos . Portanto , a as sete_da_tarde , Harry , Ron e Hermione saíram , passando por a porta de o salão nobre que brilhava de modo convidativo com pratos dourados e velas e dirigiram os seus passos para os calabouços . O corredor que conduzia a a festa de o Nick quase sem cabeça tinha sido também ladeado de velas , embora o efeito estivesse longe_de ser alegre : estas eram velas muito esguias e estreitas , negras de breu , ardendo em um azul brilhante e lançando uma luz indistinta e espectral também sobre as caras de as pessoas vivas . A temperatura diminuía a cada degrau que desciam . Harry tremia e cingia a túnica a o corpo quando ouviu qualquer coisa que parecia uma centena de unhas a rasparem um enorme quadro preto . - Será que isto_é a música ? - murmurou Ron . Viraram uma esquina e viram o Nick quase sem cabeça junto de uma porta , todo vestido de veludo negro . - Meus queridos amigos - disse com ar de luto . - Bem-vindos , bem-vindos , ainda_bem que puderam vir . Em um gesto largo tirou o chapéu de plumas e fez lhes sinal para que entrassem . Era uma visão incrível . O calabouço estava cheio com centenas de pessoas de um branco pálido e translúcido , a maior parte de as quais era arrastada em uma pista de dança cheia , valsando a o som de trinta serrotes musicais . Os serrotes que compunham a orquestra encontravam se sobre um estrado enfeitado com panos negros . Um lustre lá em cima resplandecia de um azul nocturno com mais um_milhar de velas negras . A respiração de os três subiu em o ar como uma neblina . Parecia que tinham entrado em um congelador . - Vamos dar uma volta - sugeriu Harry em uma tentativa de aquecer os pés . - Cuidado , não atravessem nenhum de eles - avisou o Ron nervosamente e colocaram se em volta de a pista de dança . Passaram por um grupo escuro de freiras , por um homem esfarrapado e cheio de correntes e por o frade gordo , o divertido fantasma de os Hufflepuff que estava a conversar com um cavaleiro com uma seta enfiada em a testa . Harry não ficou nada surpreendido a o ver que o Barão sangrento , o fantasma lúgubre e berrante de os Slytherin , coberto de nódoas de sangue ; estava a ser totalmente evitado por os outros fantasmas . - Oh ! Não -- exclamou Hermione , parando bruscamente . - Voltem se , voltem se , não quero ter de cumprimentar a Murta_Queixosa . - Quem ? - perguntou Harry enquanto davam rapidamente meia volta . - Ela assombra a casa_de_banho de as raparigas de o primeiro andar - explicou Hermione . - Assombra uma casa_de_banho ? - Sim . Está inoperativa durante todo o ano porque ela tem constantes acessos de choro e inunda tudo . Eu só lá fui quando não pode mesmo evitar . É horrível tentar ir a a sanita com ela a gritar connosco . - Olhem , comida - disse o Ron . De o outro lado de o calabouço estava uma mesa igualmente coberta de velado negro . Iam para se aproximar entusiasmados , mas pararam com uma expressão de horror . O cheiro era nauseabundo . Enormes peixes podres enchiam as bonitas travessas de prata , os bolos estorricados como carvões amontoavam se em as salvas , havia uma grande quantidade de miúdos de macaco , uma tábua de queijos cobertos de bolor e , em o lugar de honra , um enorme bolo cinzento em forma de lápide com letras que pareciam alcatrão formando as palavras , * _ Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington_Morto em 31_de_Outubro , 1492 * . Harry olhou espantado quando um fantasma de porte majestoso se aproximou de a mesa inclinando se e passando através de ela com a boca aberta enquanto atravessava um salmão malcheiroso . - Consegue prová o passando através de ele ? - perguntou lhe Harry . - Quase - disse tristemente o fantasma antes de se afastar . - Devem ter deixado apodrecer tudo_isto para ter um sabor mais forte - comentou Hermione com ar de quem está bem informada , tapando o nariz e aproximando se para ver melhor os pútridos miúdos de macaco . - Podemos sair de aqui , estou a sentir me agoniado - disse o Ron . Mas mal tinham dado meia volta quando um homenzinho pequenino saiu inesperadamente de debaixo de a mesa e fez uma paragem em o ar em frente de eles . - Olá , Peeves - disse Harry cautelosamente . Ao_contrário de os outros fantasmas que os rodeavam , Peeves , o * poltergeist * era o oposto de pálido e transparente . Usava um chapéu festivo cor de laranja , um laço rotativo a o pescoço e tinha um sorriso grosseiro de malvadez , em o rosto . - Querem petiscar ? - perguntou delicadamente , oferecendo lhes uma taça de amendoins cobertos de fungos . - Não , obrigada - disse Hermione . - Ouvi te falar sobre a pobre Murta - disse Peeves com os olhos a bailar . - Que insensível que tu foste para com a pobre Murta - respirou fundo e gritou : - Oh Murta . - Oh ! Não , Peeves , não lhe contes o que eu disse , ela vai ficar muito aborrecida - murmurou Hermione bastante nervosa . - Eu não queria dizer que ... eu não me importo que ela , er , olá , Murta . O espectro atarracado de uma rapariga deslizara . Tinha o rosto mais carrancudo que Harry alguma vez vira , meio escondido por o cabelo liso e por os óculos grossos cor de pérola . - O que é ? - perguntou mal-humorada . - Como estás Murta ? - perguntou Hermione , em uma voz falsamente alegre . - É bom ver te fora de a casa_de_banho . Murta fungou . - Miss_Granger estava justamente a falar de ti - disse lhe Peeves baixinho a o ouvido . - A dizer , a dizer ... como estás bonita esta noite -- terminou Hermione , olhando irritada para Peeves . A Murta olhou para Hermione desconfiada . - Estão a divertir se a a minha custa - disse , com lágrimas de prata a encherem lhe rapidamente os olhos pequeninos . - Não , a sério , eu não estava a dizer vos como a Murta estava bonita esta noite ? - disse Hermione , dando uma palmada em as costas de o Harry e de o Ron . - Sim , sim . - Ela ... - Não me venham com mentiras - protestou a Murta , as lágrimas agora a descerem lhe por o rosto , enquanto Peeves ria baixinho por cima de o ombro de ela . - Julgam que eu não sei o que as pessoas me chamam em as minhas costas ? A Murta gorda , a Murta feia , a Murta queixosa , a Murta deprimida ! - Esqueceste te de « a Murta ponto negro » - sussurrou lhe Peeves a o ouvido . A Murta_Queixosa irrompeu em soluços de angústia e fugiu de o calabouço . Peeves disparou atrás de ela , lançando lhe uma chuva de amendoins cheios de bolor e gritando : Ponto negro ! Ponto negro ! - Oh , coitada ! - exclamou Hermione com tristeza . O Nick quase sem cabeça abria agora caminho entre a multidão para se aproximar de eles . - Estão a divertir se ? - Sim , sim - mentiram . - Uma afluência nada má - disse orgulhoso o Nick quase sem cabeça . - A viúva chorosa veio de Kent ... está quase em a hora de o meu discurso . É melhor ir avisar a orquestra . Mas a orquestra parou de tocar em esse preciso momento . Eles , e todos os outros em o calabouço , ficaram em silêncio total , olhando em volta cheios de excitação quando se ouviu uma trompa de a caça . - Lá vêm eles - disse o Nick quase sem cabeça , com alguma amargura em a voz . Por o calabouço irromperam uma_dúzia de , cavalos fantasmas , cada_um montado por um cavaleiro sem cabeça . A assistência aplaudiu vivamente . Harry começou também a bater palmas , mas parou rapidamente quando viu a cara de o Nick . Os cavalos galoparam até a o meio de a pista de dança e pararam , empinando se , dando pequenos passos para a frente e para trás , sobre as patas traseiras . Um fantasma grande em a frente , cuja cabeça barbuda estava debaixo de o braço , soprando a trompa , desmontou , levantou a cabeça bem em o ar para poder ver toda_a assistência ( todos se riam ) e dirigiu se a o Nick quase sem cabeça , comprimindo a cabeça contra o pescoço . - Bem-vindo , Patrick - disse o Nick , mantendo a sua postura rígida . - Gente viva ! - exclamou o Sir_Patrick , avistando Harry , Ron e Hermione e dando um salto de falso espanto , de_tal_modo_que a cabeça lhe caiu de_novo ( a multidão ria a bom rir ) . - Muito engraçado - disse o Nick quase sem cabeça com um ar soturno . - Não ligues a o Nick - gritou a cabeça de Sir_Patrick de o chão . - Ainda está aborrecido por não o deixarmos juntar se a o grupo . Mas olhem bem para ele ... - Eu acho - disse apressadamente Harry , a seguir a um olhar de o Nick - que o Nick é muito assustador e ... eu ... - Bah ! - gritou a cabeça de Sir_Patrick . - Aposto que ele te pediu que dissesses isso . - Gostaria de ter a vossa atenção . Chegou a altura de fazer o meu discurso - disse o Nick quase sem cabeça bem alto , dirigindo se a o pódio , subindo e parando , iluminado por uma luz azul . - Os meus sentimentos , senhores e senhoras , é com profundo pesar ... Mas já ninguém estava a ouvi o . Sir_Patrick e o resto de o grupo de os Sem - _ Cabeça tinham iniciado um jogo de hóquei de cabeça e a multidão voltara se para os observar . Nick quase sem cabeça tentou em vão recuperar a audiência , mas acabou por desistir quando a cabeça de Sir_Patrick passou por ele a_toda_a velocidade gritando vivas . Harry estava cheio de frio para não falar de a fome . - Não aguento mais isto - murmurou Ron a bater o dente enquanto a orquestra voltava a entrar em acção e os fantasmas enchiam de_novo a pista de dança . - Vamos embora - concordou Harry . Recuaram até a a porta , acenando e sorrindo a todos os que olhavam para eles e um minuto depois passavam apressadamente por a entrada cheia de velas negras . - Talvez o pudim ainda não tenha acabado - disse o Ron cheio de esperança , abrindo caminho em direcção a os degraus de o vestíbulo de a entrada . E foi então que Harry ouviu aquilo . - ... * _ Arrancar ... rasgar ... matar * ... Era a mesma voz , a mesma voz fria e assassina que ouvira em o escritório de Lockhart . Parou , agarrando se a a parede de pedra em a expectativa de ouvir melhor , olhando em volta , espreitando para_cima e para baixo de a passagem mal iluminada . - Harry que estás tu a ... ? - E aquela voz outra_vez , calem se um bocadinho . -- ... * _ Tanta fome ... há tanto tempo * ... - Ouçam insistiu Harry e Ron e Hermione ficaram estáticos a olhar para ele . - * _ Matar ... hora de matar * ... A voz ia ficando mais débil . Harry tinha a certeza de que ela estava a afastar se , a subir . Um misto de medo e excitação tomou posse de ele enquanto olhava para o tecto escuro . Como poderia ele subir ? Seria um fantasma para quem os tectos de pedra não contavam ? - Por aqui - gritou , começando a correr por as éscadas acima até a a entrada de o * hall * . Não havia hipótese de ouvir fosse o que fosse ali , o barulho de vozes que vinha de o banquete de o * _ Hallowe'en * ecoava cá fora . Harry subiu a correr a escadaria de mármore até a o primeiro andar com Ron e Hermione ruidosamente atrás . - Harry o que é_que nós ... ? - Sch ... Harry apurou o ouvido . Ao_longe , em o andar de cima , e ainda a enfraquecer , mesmo_assim ouviu a voz : - ... * Cheira-me a sangue ... cheira me a sangue ! * O estômago deu lhe uma volta . - Ele vai matar alguém - gritou e ignorando as caras perplexas de Ron e Hermione , correu , subindo mais um lanço de escadas , a três_e_três , tentando ouvir através de o ruído de os seus próprios passos . Harry correu a_toda_a velocidade pelo segundo andar com Ron e Hermione atrás e só parou quando viraram uma esquina para o último corredor abandonado . - Harry , o que foi aquilo tudo ? - perguntou o Ron , limpando o suor de o rosto . - Eu não ouvi nada ... Mas Hermione , em um sobressalto , apontou para o fundo de o corredor . - Olhem ! Alguma coisa brilhava em a parede em frente . Aproximaram se devagarinho , tentando ver em a escuridão . Alguém escrevera em letras garrafais em a parede entre duas janelas . As palavras brilhavam a a chama fraca de as tochas . : __ a câmara de os segredos foi aberta . inimigos de o herdeiro , __ cuidado . - O que é aquilo pendurado por baixo de as letras ? - perguntou Ron com um tremor em a voz . Quando se aproximaram , Harry quase escorregou . Havia uma grande poça de água em o chão . Ron e Hermione agarraram o e avançaram cautelosamente até a a mensagem , os olhos fixos em uma sombra escura , em baixo . Aperceberam se os três de imediato do_que se tratava e deram um salto para trás , salpicando tudo de água . Mrs._Norris , a gata de o encarregado , estava pendurada por a cauda em o suporte de a tocha . Tinha o corpo rígido como uma tábua e os olhos abertos . Durante alguns segundos ninguém se mexeu . Depois o Ron disse : - Vamos sair de aqui . - Não devíamos tentar ajudar ? - propôs Harry , sem graça . - Acredita - assegurou o Ron . - É melhor que não nos encontrem aqui . Mas era tarde de mais . Um ruído surdo e prolongado , como um trovejar distante , avisou os de que o festim tinha terminado . De ambos os lados de o corredor onde eles estavam , veio o som de centenas de pés a subirem a escadaria e as vozes alegres de gente bem alimentada . Em o momento seguinte os alunos chegavam junto de eles de ambos os lados . O burburinho morreu subitamente mal as pessoas avistaram a gata pendurada . Harry , Ron e Hermione estavam de pé , sozinhos , em o meio de o corredor quando se fez silêncio em a multidão de estudantes que se empurravam para observar aquele quadro macabro . Então alguém gritou , quebrando o silêncio . - Inimigos de o herdeiro , cuidado . Vocês serão os próximos , sangue de lama ! Era_Draco_Malfoy . Estava a a frente de a multidão com os olhos frios a brilhar , a sua cara habitualmente pálida agora afogueada , sorrindo a a vista de a gata pendurada e imóvel . IX_As palavras em a parede -- O que é_que se passa aqui ? O que é_que se passa ? Sem dúvida , atraído por o grito de Malfoy , Argus_Filch apareceu a coxear em o meio de a multidão . Quando viu Mrs._Norris , caiu para trás agarrando o rosto com verdadeiro horror . - A minha gata ! A minha gata ! O que aconteceu a Mrs._Norris ? - gritou . E os seus olhos rápidos caíram sobre Harry . - Tu - guinchou ele . - Mataste a minha gata ! Mataste a , vou dar cabo de ti , eu ... - Argus . Dumbledore tinha chegado a o lugar , seguido de alguns professores . Em poucos segundos tinha passado a a frente de Harry , Ron e Hermione e desatado Mrs._Norris de o suporte de a tocha . - Vem comigo , Argus - disse ele a o Filch . - Vocês também , Mr._Potter , Mr._Weasley e Miss_Granger . Lockhart deu rapidamente um passo em frente . - O meu escritório é o que está mais perto , senhor director , é já aqui em cima , por favor fiquem a a vontade . - Obrigado , Gilderoy - disse Dumbledore . A multidão silenciosa dividiu se para os deixar passar . Lockhart sentindo se excitado e importante , seguia Dumbledore assim_como a professora Mc_Gonagall e o professor Snape . Quando entraram em o escritório escuro de Lockhart houve uma grande agitação em as paredes . Harry viu várias imagens de Lockhart a esconderem se cheias de rolos em o cabelo . O Lockhart em pessoa acendeu as velas e chegou se mais para trás . Dumbledore pôs Mrs._Norris em a superfície polida de a secretária e começou a examiná a . Harry , Ron e Hermione trocaram olhares tensos entre si e deixaram se cair em as cadeiras que se encontravam longe de a luz , a observar . A ponta de o nariz longo e adunco de Dumbledore estava a menos_de dois centímetros de o pêlo de Mrs._Norris . Ele olhava a de perto através de os óculos de meia-lua , os dedos longos a palpar e tactear suavemente . A professora Mc_Gonagall estava quase tão perto como ele , com os olhos contraídos . Snape surgia mais atrás , meio em a sombra , com uma expressão estranha em o rosto , como_se tentasse a_toda_a força sorrir . E Lockhart andava de um lado para o outro a dar sugestões . - Foi sem dúvida uma maldição que a matou , provavelmente a tortura de a metamorfose . Vi a muitas_vezes ser usada , mas infelizmente eu não estava lá quando isto aconteceu . Conheço o antídoto para essa maldição , o que a teria salvo . Os comentários de Lockhart foram interrompidos por os soluços secos e violentos de Filch . Estava afundado em uma cadeira junto de a secretária , incapaz de olhar para Mrs._Norris , com o rosto em as mãos . Por mais que detestasse Filch , Harry não pôde deixar de sentir pena de ele embora não tanta quanto_a que sentia por si próprio . Se Dumbledore acreditasse em o Filch ele seria certamente expulso . O director estava agora a sussurrar umas palavras estranhas e batendo em Mrs._Norris com a varinha , mas não aconteceu nada , ela continuou com o mesmo aspecto , como_se tivesse sido empalhada . - ... Lembro me de uma coisa semelhante que aconteceu em Ouagadogou - disse LockLart . - Uma série de ataques . Conto essa história em a minha autobiografia . Eu dei a a gente de a cidade vários amuletos que resolveram logo a situação ... As fotografias de Lockhart em as paredes iam acenando afirmativamente com a cabeça enquanto ele falava . Uma de elas esquecera se de tirar os rolos de o cabelo . Por fim , Dumbledore endireitou se . - Ela não está morta , Argus - disse suavemente . Lockhart interrompeu bruscamente a contagem de os crimes que conseguira evitar . - Não está morta ? - disse Filch em um sufoco , olhando através de os dedos para Mrs._Norris . - Mas , porque está ela rígida e gelada ? - Foi petrificada - disse Dumbledore ( Ah ! foi o que eu pensei ! - comentou Lockhart ) mas como , não posso afirmar . - Pergunte lhe - gritou Filch , voltando a cara cheia de furúnculos e lágrimas para Harry . - Nenhum aluno de o segundo ano poderia ter feito isto - explicou Dumbledore . - Era preciso um grande conhecimento de magia negra . - Foi ele , foi ele - disse encolerizado o encarregado com a cara a ficar roxa . - O senhor viu o que ele escreveu em a parede . Ele descobriu em o meu gabinete , ele sabe que eu sou um ... - O rosto de Filch estava horrível . - Ele sabe que eu sou um * _ busca-pé * - disse por fim . - Eu não toquei em a Mrs._Norris - gritou Harry com todos os olhares a recaírem sobre ele , incluindo o de todos os Lockharts de a parede . - E eu nem sei o que é um * busca-pé * . - Mentira ! - gritou Filch . - Ele viu a minha carta de o feitiço rápido . - Se me permite que dê a minha opinião , senhor director - disse Snape , saindo de a sombra , e a sensação de mau presságio de Harry aumentou bastante . Certamente nada do_que Snape tinha para de dizer iria ajudá o . - O Potter e os amigos podiam estar simplesmente em o lugar errado em a altura errada - afirmou com um leve sorriso a torcer lhe a boca como_se tivesse as suas dúvidas . - Mas , temos aqui um conjunto de circunstâncias curiosas . Porque estavam eles afinal em o corredor ? Porque não estiveram presentes em a festa de o * _ Hallowe'en * ? Harry , Ron e Hermione começaram uma longa explicação sobre a festa de o dia de os mortos . - Estavam lá centenas de fantasmas , eles poderão confirmar que lá estivemos ... - Mas porque não foram a seguir a o banquete ? - perguntou Snape com os olhos pretos a brilharem a a luz de as velas . - Porquê ir até a aquele corredor ? Ron e Hermione olharam para Harry . - Porque , porque ... - balbuciou Harry , com o coração a querer saltar lhe de o peito , mas algo lhe disse que ia parecer muito rebuscado se lhes contasse que tinha sido levado até ali por uma voz sem corpo que só ele conseguia ouvir . - Porque estávamos cansados e queríamos ir para a cama - disse . - Sem jantar ? - inquiriu Snape com um sorriso triunfante a bailar lhe em o rosto lúgubre . - Não sabia que os fantasmas ofereciam em as suas festas comida para gente viva . - Não estávamos com fome - disse o Ron bem alto , enquanto o estômago se queixava de forma audível . O sorriso mesquinho de a Snape ampliou se . - Acho , senhor director , que Potter não está a dizer toda_a verdade - afirmou . - Talvez fosse boa ideia retirar lhe alguns privilégios , até ele estar disposto a contar nos a história toda . Pessoalmente , sugiro que seja retirado de a equipa de os Gryffindor até decidir ser honesto . - Francamente , Severus - exclamou a professora Mc_Gonagall com uma voz cortante . - Não vejo porquê impedir o rapaz de jogar Quidditch . Esta gata não levou pauladas em a cabeça dadas por nenhum cabo de vassoura . E não há provas de que o Potter tenha feito algo de mal . Dumbledore observava Harry com um olhar perscrutador . A voz tremeluzente de os seus olhos azuis fez Harry sentir que estava a ser passado a raios X. - Inocente até se provar que é culpado , Severus - disse com segurança . Snape estava furioso , assim_como Filch . - A minha gata foi petrificada ! - berrou , com os olhos a saltarem de as órbitas . - Quero ver um castigo ! - Vamos poder curá a , Argus - explicou pacientemente Dumbledore . - Madam_Sprout conseguiu arranjar algumas Mandrágoras . Logo_que tenham atingido o tamanho adulto , terei uma poção de Mandrágoras que reanimará Mrs._Norris . - Eu posso fazê a - interrompeu Lockhart . - Devo ter feito isso uma centena de vezes . Preparo uma golada de Mandrágora reconstituinte de olhos fechados ... - Perdão - disse Snape friamente -- , mas julgo que o professor de poções de esta escola ainda sou eu . Houve um silêncio bastante incómodo . - Vocês podem ir se embora - disse Dumbledore a o Harry , Ron e a Hermione . Eles saíram o mais depressa que puderam , sem ir a correr . Quando chegaram a o andar acima de o escritório de Lockhart , entraram em uma sala de aulas vazia e fecharam a porta devagarinho . Harry lançou um olhar de esguelha a as caras carrancudas de os amigos . - Acham que eu lhes devia ter falado de a voz que ouvi ? - Não - respondeu Ron , sem a mínima hesitação . - Ouvir vozes que mais ninguém ouve , não é bom sinal , nem em o mundo de os feiticeiros . Algo em a voz de Ron levou Harry a fazer a pergunta : - Tu acreditas em mim , não acreditas ? - Claro que sim - respondeu o Ron de imediato . - Mas tens de concordar que é esquisito ... - Eu sei que é esquisito - confirmou Harry . - É tudo esquisito . O que era aquilo escrito em a parede ? * _ A_Câmara foi aberta * , o que é_que significa ? - Sabes , faz me lembrar qualquer coisa - disse Ron lentamente . - Acho que alguém me contou uma história sobre uma câmara secreta em Hogwarts , talvez tenha sido o Bill ... - E que diabos é um * busca-pé * ? - perguntou Harry . Para sua surpresa , Ron abafou o riso . - Bem , em a verdade não tem graça nenhuma , mas como é o Filch ... - disse . - Um * busca-pé * é alguém que nasceu de uma família de feiticeiros , mas não tem poderes mágicos . É uma espécie de o oposto de os que vêm de famílias de Muggles , mas são feiticeiros . Os * busca-pé * são muito raros . Se o Filch está a tentar aprender magia em um curso rápido , acho que ele deve ser mesmo um busca-pé . Isso explicaria tudo , por_exemplo , porque detesta tanto os estudantes . - Ron sorriu satisfeito . - Tem inveja . Um relógio deu as horas , algures . - Meia-noite - disse Harry . - É melhor irmo nos deitar , antes que o Snape apareça e tente acusar nos de qualquer coisa . Durante alguns dias não se falou de outra coisa em a escola a não ser de o ataque a a gata , Mrs._Norris . Filch manteve o sucedido bem fresco em a memória de todos , andando de um lado para o outro em o lugar onde ela fora atacada , como_se esperasse por o responsável . Harry vira o esfregar a mensagem de a parede com a « solução removedora de toda_a porcaria mágica Mrs._Skower » , mas sem qualquer resultado . As palavras continuavam a brilhar tanto como antes sobre a pedra . Quando Filch não estava a patrulhar a cena de o crime , vagueava , de olhos avermelhados , por os corredores , perseguindo alunos insuspeitos e tentando aplicar lhes castigos por coisas como « respirar muito alto » ou « estar alegre » . Ginny_Weasley parecia muito perturbada com o destino de Mrs._Norris . Segundo Ron ela era uma amante de gatos . - Mas tu nem chegaste a conhecer bem Mrs._Norris - disse lhe Ron para a animar . - Com toda_a franqueza , estamos muito melhor sem ela . - O lábio de Ginny tremeu . - Não é costume acontecerem coisas de estas em Hogwarts - tranquilizou a . - Eles vão descobrir o safado que fez aquilo e põem o de aqui para fora em três tempos . - Só espero que tenha tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso . Estou a brincar , claro - acrescentou o Ron apressadamente a o ver a Ginny a empalidecer . O ataque afectara também Hermione . Era costume de ela passar muito_tempo a ler , mas agora parecia não fazer mais_nada . Nem respondia a o Harry e a o Ron quando lhe perguntavam o que estava a fazer e só acabaram por descobrir em a quarta-feira seguinte . Harry tivera de ficar até mais tarde em a sala de poções onde Snape o mandara raspar restos de larvas de as secretárias . Depois de um almoço comido a a pressa , ele foi lá acima encontrar se com Ron em a biblioteca e viu Justin_Finch - _ Fletchley , o rapaz de os Hufflepuff de herbologia que vinha em direcção a ele . Harry tinha acabado de abrir a boca para dizer um « Olá » quando Justin o viu , voltando se bruscamente e mudando de direcção . Harry foi encontrar o Ron em as traseiras de a biblioteca , a medir o trabalho de casa de história de a magia . O professor Binns pedira uma composição sobre a Assembleia_Medieval_de_Feiticeiros_Europeus com 90cm . De extensão . - Não posso crer que ainda me faltem 16cm - disse o Ron furioso , largando o pergaminho que se enrolou em forma de tubo - e que a Hermione fez um metro e trinta em aquela letra pequenina e apertadinha . - Onde está ela ? - perguntou Harry , agarrando em a fita métrica e desembrulhando o seu trabalho de casa . - Algures por aí - disse o Ron , apontando para as estantes . - _ a a procura de outro livro . Acho que ela está a tentar ler a biblioteca toda antes de o Natal . Harry contou a Ron que Justin_Finch - _ Fletchley tinha evitado falar lhe . - Não sei porque te preocupas com isso . Eu achei o um idiota - disse o Ron , escrevinhando e fazendo a letra o maior possível . - Todo aquele disparate sobre o Lockhart ser tão grande ... Hermione surgiu de o meio de as estantes . Parecia irritada e disposta , por fim , a falar com eles . - Todos os exemplares de * _ Hogwarts : Uma História * foram requisitados - disse , sentando se ao_lado_de Harry e Ron . - E há uma lista de espera de duas semanas . Quem me dera não ter deixado o meu exemplar em casa , mas não consegui que coubesse em a mala com todos os livros de o Lockhart . - Para que o queres ? - perguntou Harry . - Pelo mesmo motivo que toda_a_gente o quer - disse Hermione . - Para ler a lenda de a Câmara_dos_Segredos . - O que é isso ? - Precisamente . Não me lembro - disse Hermione , mordendo o lábio . - E não encontro a História em lugar nenhum . - Hermione , deixa me ler o teu trabalho - pediu Ron desesperado , olhando para o relógio . - Não , não deixo - respondeu Hermione com um ar severo . - Tiveste dez dias para o fazer . - Só preciso de mais quatro centímetros , vá lá ... A campainha tocou . Ron e Hermione encaminharam se para a História_da_Magia , discutindo . A História_da_Magia era a matéria mais chata de o programa . O professor Binns , que dava a cadeira , era o único professor fantasma e a coisa mais excitante que aconteceu em as suas aulas foi o dia em que entrou por o quadro preto . Já velho e enrugado , muita gente afirmava a seu respeito que ele não dera por_que tinha morrido . Pura e simplesmente levantara se um dia para ir dar aulas , deixando o corpo atrás , em um cadeirão em frente de a lareira de a sala de os professores . Desde esse dia a sua rotina mantivera se igual . Era hoje tão chato como fora sempre . Abriu as notas e começou a ler em um tom monocórdico como um velho aspirador até quase todos os alunos estarem em um estado de profunda dormência , acordando de vez em quando , para tomar nota de um nome ou de uma data , e voltando a adormecer . Estava a falar havia meia_hora quando aconteceu algo que nunca tinha acontecido . Hermione pôs o braço em o ar . O professor Binns olhou de relance , em o meio de a chatíssima aula sobre a Convenção_Internacional_de_Feiticeiros de 1289 , verdadeiramente espantado . - Miss ... er ... ? - Granger , professor . Poderia dizer nos alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Hermione em uma voz bem audível . O Dean_Thomas , que tinha estado sentado de boca aberta olhando para fora de a janela , saiu de o seu transe com um salto . A cabeça de Lavender_Brown saiu de os braços e o cotovelo de o Neville_Longbottom escorregou para fora de a secretária . O professor Binns piscou os olhos . - A minha matéria é História_da_Magia - disse em a sua voz seca e asmática . - Eu trato de factos , Miss_Granger , não de mitos e lendas - pigarreou produzindo um ruído que parecia o giz sobre o quadro e continuou : - Em Setembro de esse ano , uma subcomissão de feiticeiros de a Sardenha ... Parou de repente . A mão de Hermione estava de_novo em o ar . - Sim , Miss_Grant ? - Por favor , professor , as lendas não têm sempre um facto como base ? O professor Binns olhava para ela com tal espanto que Harry teve a certeza de que ele nunca , em tempo algum , fora interrompido por um aluno . - Bem - disse lentamente o professor Binns . - Sim , é uma afirmação que pode fazer se . - Olhou para Hermione como_se fosse a primeira vez que olhasse a sério para um estudante . - Contudo , a lenda de que me fala é tão extraordinária , mesmo grotesca ... Mas a aula inteira estava agora atenta a as palavras de o professor , que olhou indistintamente para todos eles . Harry poderia assegurar que ele estava absolutamente abismado por uma tão grande demonstração de interesse . - Muito bem - disse lentamente . - Ora vejamos ... a Câmara_dos_Segredos . Todos vocês sabem com certeza que Hogwarts foi fundada há mais de um_milhar de anos , não se conhece ao_certo a data , por os quatro maiores feiticeiros e feiticeiras de a época : Godric_Gryffindor , Helga_Hufflepuff , Rowena_Ravenclaw e Salazar_Slytherin . Construíram juntos este castelo , longe de os olhares curiosos de os Muggles porque em aquele tempo a magia era temida por as pessoas comuns e as bruxas e feiticeiros sofriam terríveis perseguições . Fez uma pausa , olhou indeciso em volta e prosseguiu : - Durante alguns anos , os fundadores trabalharam juntos em harmonia procurando outros mais novos que mostrassem sinais de possuir dotes mágicos e trazendo os para o castelo para aqui serem ensinados . Mas os desentendimentos surgiram entre eles . Começou a notar se uma divisão entre Slytherin e os outros . Salazar_Slytherin queria ser mais selectivo em relação a os alunos a serem admitidos em Hogwarts . Achava que os ensinamentos de magia deviam ficar dentro de as famílias de feiticeiros . Não lhe agradava a entrada em a escola de alunos de famílias Muggles porque os achava pouco dignos de confiança . Depois de algum tempo houve uma séria discussão sobre esse assunto entre Slytherin e Gryffindor e Slytherin abandonou a escola . O professor Binns fez uma nova pausa , fazendo beicinho o que o fazia parecer uma tartaruga enrugada . - Fontes fidedignas referem nos isto - disse . - Mas estes factos foram obscurecidos por a fantasiosa lenda de a Câmara_dos_Segredos . Conta a história que Slytherin construíra uma câmara oculta dentro de o castelo cuja existência os outros fundadores ignoravam . De_acordo com a lenda , Slytherin selou a Câmara_dos_Segredos para que ninguém pudesse abri a até o seu verdadeiro herdeiro chegar a a escola . O herdeiro , e apenas ele , poderia abrir a Câmara_dos_Segredos , libertar o horror que lá se encontrava e utilizá o para expurgar a escola de todos aqueles que eram indignos de aprender magia . Houve um silêncio quando ele se calou que não era o habitual silêncio de sono de as aulas de o professor Binns . Havia um desassossego em o ar enquanto todos continuavam a olhá o a a espera de mais . O professor Binns estava ligeiramente aborrecido . - A história toda é um disparate , claro - disse ele . - A escola foi revistada por várias vezes em busca de provas de a existência de essa câmara , por os feiticeiros e bruxas mais conhecedores . Não existe nada . Uma lenda que serviu apenas para assustar os ingénuos . A mão de Hermione estava novamente em o ar . - Professor , o que quer_dizer , ao_certo com « o horror que estava dentro de a câmara » ? - Acredita se que seja uma espécie de monstro que só o herdeiro de Slytherin pode controlar - disse o professor Binns em a sua voz seca e débil . A aula trocou entre si olhares inquietos . - Como vos digo , a coisa não existe - afirmou o professor Binns , desordenando as suas notas . - Não há câmara e não há monstro . - Mas , professor - disse Seamus_Finnigan . - Se a câmara só podia ser aberta por o herdeiro de Slytherin ninguém mais poderia encontrá a . Não é ? - Um disparate pegado - disse o professor Binns , em um tom de voz exasperado . - Se uma longa sucessão de directores e directoras de Hogwarts não a encontraram ... - Mas , professor - começou a dizer Parvati_Patil . Se_calhar é preciso usar magia negra para a abrir ... - Lá porque um feiticeiro não usa magia negra não quer_dizer que não possa , Miss_Pennyfeather - interrompeu o professor Binns . - Repito , se os antecessores de Dumbledore ... - Mas talvez seja preciso fazer parte de os Slytherin , por isso Dumbledore não podia ... - começou Dean_Thomas , mas o professor Binns já estava farto . - Já chega - disse , de modo cortante . - É um mito . Não existe . Não há uma única prova de que Slytherin tenha construído nem mesmo uma despensa para vassouras . Lamento ter vos contado esta história tola . Vamos voltar , se fazem o favor , a a História , a os factos sólidos , verificáveis , credíveis . E em menos_de cinco minutos toda_a classe mergulhara em a sua sonolência habitual . - Eu sempre ouvi dizer que Salazar_Slytherin era um velho retorcido e meio pateta - disse Ron_a_Harry e Hermione enquanto abriam caminho por os corredores cheios , em o final de a aula , para ir arrumar as malas antes de o jantar . - Mas não sabia que ele tinha começado esta coisa de o sangue puro . Eu não ia para os Slytherin nem que me pagassem . Se o chapéu seleccionador me tivesse posto lá , pegava em as malas e ia me embora ... Hermione acenou vivamente , mas Harry não abriu a boca . O estômago parecia ter dado uma volta . Harry nunca contara a o Ron e a a Hermione que o chapéu seleccionador tinha considerado seriamente a possibilidade de o colocar em os Slytherin . Lembrava se como_se tivesse sido em a véspera do_que a vozinha lhe dissera a o ouvido quando pôs o chapéu em a cabeça , um ano antes . * _ Podias vir a ser grande , sabes ? Está tudo aqui em a tua cabeça e Slytherin ajudaria te em o caminho para a grandeza , sem a menor dúvida * ... Mas Harry , que já ouvira falar de a fama de o grupo de os Slytherin de formar magos negros , pensou desesperadamente . - Em os Slytherin , não ! - E o chapéu tinha dito . - Bem , se tens assim tanta certeza ... será melhor os Gryfffndor . Enquanto eram empurrados por a multidão , Colin_Creevey passou por eles . - Olá , Harry ! - Olá , Colin - disse Harry automaticamente . - Harry , Harry , um rapaz de a minha turma tem andado a dizer que tu és ... Mas Colin era tão baixinho que não conseguiu lutar contra a maré de gente que o arrastou até a o vestíbulo . Ouviram o despedir se : - Adeus , Harry - e desaparecer . - O que é_que o rapaz de a turma de ele disse de ti ? - quis saber Hermione . - Que eu sou o herdeiro de Slytherin , imagino - disse Harry , com o estômago ainda a as voltas e lembrou se de repente de o Justin_Finch - _ Fletchley a fugir para não lhe falar , a a hora de o almoço . - As pessoas aqui acreditam em tudo - disse o Ron com repugnância . A multidão diminuiu e conseguiram subir as escadas sem dificuldade . - Achas mesmo_que existe uma Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Ron_a_Hermione . - Não sei - respondeu ela , franzindo a testa . - Dumbledore não conseguiu curar Mrs._Norris e isso leva me a pensar que o que a atacou pode não ser ... humano . Enquanto falava , voltaram uma esquina e encontraram se em o fim de aquele mesmo corredor onde o ataque tinha ocorrido . Pararam para olhar . Estava tudo igual a aquela outra noite , com excepção de a gata Mrs._Norris e havia uma cadeira vazia encostada a a parede , onde podia ler se a mensagem « : __ a câmara foi __ aberta » . - Foi aqui que o Filch montou a guarda - murmurou Ron . Olharam uns para os outros . O corredor estava deserto . - Não deve fazer mal dar uma olhadela aqui - disse Harry , deixando cair a mala e pondo se de quatro para poder gatinhar em busca de pistas . - Marcas de queimadura - disse - aqui e aqui ... - Venham ver isto ! - chamou Hermione . - Que estranho ... Harry levantou se e foi até a a janela que ficava junto de a mensagem . Hermione apontava para o vidro mais alto , onde cerca de uma vintena de aranhas se debatiam em uma aparente luta por atravessar por uma pequena brecha de vidro . Um longo fio prateado balouçava como uma corda , como_se todas tivessem trepado , em a ânsia de chegar lá fora . - Alguma vez viram aranhas agir assim ? - perguntou Hermione , curiosa . - Não - respondeu Harry . - E tu , Ron ? Ron ? Olhou por cima de o ombro . Ron estava de costas , bem lá atrás e parecia lutar contra o impulso de se virar . - O que é_que se passa ? - perguntou Harry . - Eu não gosto de aranhas - disse Ron , de modo tenso . - Nunca me tinhas dito - comentou Hermione , olhando para ele com surpresa . - Estás farto de usar aranhas em as poções ... - Não me importo quando estão mortas - explicou Ron que olhava cautelosamente para todos os lados , menos para a janela . - Não gosto de a maneira como_se mexem . Hermione riu se baixinho . - Não tem graça nenhuma - disse o Ron , furioso . - Se queres saber , quando eu tinha três anos , o Fred transformou o meu ursinho de pelúcia em uma enorme aranha nojenta , por eu lhe ter partido a vassoura de brinquedo . Tu também não gostarias de aranhas se estivesses agarrada a o teu ursinho e , de repente , ele tivesse uma data de pernas e ... Começou a tremer ... Hermione ainda estava a tentar conter o riso . Sentindo que era melhor mudarem de assunto , Harry perguntou : - Lembram se de a água que havia aqui em o chão ? De onde terá vindo ? Alguém a limpou . - Era por aqui - disse o Ron , já recuperado , avançando alguns passos em direcção a a cadeira de o Filch e apontando . - Junto de esta porta . Estendeu a mão para o puxador de a porta , mas retirou a de imediato , como_se se tivesse queimado . - O que foi ? - perguntou Harry . - Não posso entrar aí - disse o Ron bruscamente . - É a casa_de_banho de as raparigas . - Oh , Ron , não está aí ninguém - sossegou o Hermione enquanto se aproximava . - É o lugar de a Murta_Queixosa . Anda , vamos dar uma espreitadela . E ignorando o grande letreiro que dizia « Fora de serviço » Hermione abriu a porta . Era a casa_de_banho mais sombria e deprimente em que Harry tinha posto os pés durante toda_a sua vida . Debaixo_de um grande espelho partido e sujo podia ver se uma fila de lavatórios de pedra , rachados . O chão estava húmido e reflectia a luz fraca de os pavios de algumas velas que ardiam baixinho em os suportes . As portas de madeira de os cubículos estavam todas lascadas e riscadas e uma de elas balouçava fora de as dobradiças . Hermione levou os dedos a os lábios e foi até a o último cubículo . Quando lá chegou disse : - Olá , Murta , como estás ? Harry e Ron foram ver . A Murta_Queixosa flutuava em a cisterna de a casa_de_banho , tirando um ponto negro de o queixo . - Esta é a casa_de_banho de as raparigas - disse a o ver o Ron e o Harry . - Eles não são raparigas . - Não - concordou Hermione . - Eu só queria mostrar lhes como esta casa_de_banho é ... er ... simpática . Ela fez um aceno vago a o velho espelho sujo e a o chão húmido . - Pergunta lhe se viu alguma coisa - sussurrou o Ron a a Hermione . - Porque estão a dizer segredinhos ? - perguntou a Murta , fitando o . - Não é nada - disse Harry rapidamente . - Queríamos perguntar ... - Gostava que as pessoas parassem de falar em as minhas costas ! - desabafou a Murta em uma voz abafada por as lágrimas . - Eu tenho sentimentos , sabem , apesar_de estar morta . - Murta , ninguém quis aborrecer te - explicou Hermione . - O Harry só ... - A minha vida foi uma infelicidade em este lugar e agora as pessoas vêm estragar a minha morte . - Nós queríamos perguntar te se tinhas visto alguma coisa estranha ultimamente - disse Hermione sem perder tempo . - Porque foi atacada uma gata mesmo aqui a a frente de a tua porta em a noite de o * _ Hallowe'en * . - Viste alguém aqui perto em essa noite ? - insistiu Harry . - Não estava a prestar atenção - disse a Murta com ar dramático . - O Peeves aborreceu me tanto que vim aqui para tentar matar me . Só então me lembrei de que estou ... de que estou ... - Já morta - ajudou o Ron . A Murta soluçou tragicamente , elevou se em o ar , voltou se e mergulhou de cabeça em a sanita , espalhando água por_cima_de todos eles e desaparecendo . Por o som de os seus soluços abafados fora certamente descansar algures em o cano em forma de V._Harry e Ron ficaram de boca aberta , mas Hermione encolheu os ombros de cansaço e disse : - Se querem saber , para a Murta isto até foi alegre ... vá , vamos embora . Harry tinha acabado de fechar a porta deixando atrás os soluços gorgolejantes de a Murta quando uma voz forte o fez dar um salto . - RON ! Percy_Weasley estava parado em o cimo de as escadas com o seu distintivo de prefeito a brilhar e uma expressão chocadíssima em o rosto . - Isso é a casa_de_banho de as raparigas ... o que é_que vocês ... ? - Estávamos só a dar uma vista de olhos - exclamou o Ron - a a procura de pistas ... Percy engoliu em seco , de uma maneira que fez Harry lembrar se de Mrs._Weasley . - Saiam imediatamente de aqui - disse , aproximando se de eles a passos largos e gesticulando agitadamente . - Não se preocupam com as aparências ? Voltar aqui enquanto toda_a_gente está a jantar ... - Porque não havíamos de estar aqui ? - perguntou cheio de vivacidade o Ron , parando de repente e olhando Percy em os olhos . - Ouve lá , nós não tocamos em aquela gata . - Isso foi o que eu tentei explicar a a Ginny - respondeu Percy furioso - mas ela parece continuar a pensar que vocês vão ser expulsos . Nunca a vi tão aflita . Não pára de chorar . Devias pensar em ela . Todos os alunos de o primeiro ano andam superexcitados com esta história . - Tu não estás nada preocupado com a Ginny - disse o Ron já com as orelhas vermelhas . - O que te assusta é_que eu possa estragar as tuas possibilidades de ser chefe de turma . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor ! - bradou Percy , apontando elegantemente para o distintivo de prefeito . - E espero que te sirva de lição . Acabou se o trabalho de detective ou escrevo a a mãe a contar lhe . E voltou lhes as costas , a nuca tão vermelha como as orelhas de o Ron . Harry , Ron e Hermione , em essa noite , sentaram se em a sala comum o mais longe possível de Percy . Ron estava ainda muito maldisposto e não parava de esborratar o trabalho de casa de os encantamentos . Quando pegou distraidamente em a varinha para tirar as manchas incendiou o pergaminho . A deitar quase tanto fumo como o seu trabalho de casa , fechou bruscamente o * _ Livro_Padrão_de_Encantamentos de o 2.o Grau * . Para grande surpresa de Harry , Hermione fez o mesmo . - Mas quem poderia ser - perguntou ela baixinho como_se continuasse uma conversa que tinham acabado de ter . - Quem quereria todos os * busca-pés * e filhos de Muggles fora de Hogwarts ? - Vamos pensar - disse o Ron em a brincadeira , fingindo estar confuso . - Quem poderemos nós conhecer que ache que os familiares de Muggles são escumalha ? Olhou para Hermione . Ela olhou para ele pouco convencida . - Se estás a pensar em o Malfoy ... - Claro que estou - disse o Ron . - Tu ouviste o dizer : - Vocês serão os próximos , sangues de lama ! - Aliás , basta olhar para aquela cara de renegado para saber que ele é ... - Malfoy , o herdeiro de Slytherin ? - repetiu Hermione cepticamente . - Olha para a família de ele - disse Harry , fechando também os livros . - Todos eles estiveram em os Slytherin . O Draco está sempre a vangloriar se de isso . Podiam bem ser descendentes de Slytherin . O pai de ele é suficientemente mau . - Podiam perfeitamente ter tido a chave de a Câmara_dos_Segredos durante séculos - disse Ron - , fazendo a passar de pai para filho . - Bem - acedeu Hermione cautelosamente . - Seria possível ... - Mas como prová o ? - perguntou Harry tristemente . - Talvez haja um meio - sugeriu Hermione lentamente , baixando ainda mais a voz e lançando um olhar , através de a sala , a Percy . - É claro que não é fácil . E é perigoso , muito perigoso . Suponho que iríamos infringir cerca de cinquenta regras de a escola . - Se de aqui a um mês ou dois te decidires a explicar , avisa , está bem ? - disse Ron , que começava a ficar irritado . - Está bem - concordou Hermione friamente . - O que precisaríamos de fazer para entrar em a sala comum de os Slytherin e fazer algumas perguntas a o Malfoy , sem ele perceber que éramos nós ? - Mas isso é impossível - declarou Harry , enquanto Ron se ria . - Não , não é - continuou Hermione . - Só precisamos de um_pouco de poção * polisuco * . - O que é isso ? - perguntaram ao_mesmo_tempo Ron e Harry . - O Snape falou de ela em uma aula , há poucas semanas atrás . - Achas que não temos mais o que fazer do_que ouvir o Snape ? - murmurou o Ron . - Transforma nos em outra pessoa . Pensem em isso : podíamos transformar nos em três de os Slytherin . Ninguém saberia que éramos nós . É provável que o Malfoy nos contasse alguma coisa . Aposto que ele está a gabar se , em este momento , em a sala de os Slytherin , se ao_menos pudéssemos ouvi o . - Essa coisa de o * polisuco * cheira me um bocado mal - disse o Ron , franzindo as sobrancelhas . - E se ficarmos com a forma de os três Slytherin para sempre ? - Desaparece a o fim de algum tempo - disse Hermione , gesticulando impacientemente com a mão - mas conseguir a receita é muito difícil . O Snape disse que vinha em um livro chamado * _ As_Mais_Potentes_Poções * e está com certeza em a parte de os reservados de a biblioteca . Só havia uma maneira de obter o livro de os reservados : era com uma autorização assinada por um professor . - Não estou a ver porque quereríamos o livro - disse o Ron . - Se não para tentar fabricar uma de as poções . - Eu acho - sugeriu Hermione - que se fizéssemos parecer que o nosso interesse era apenas teórico , talvez conseguíssemos ... - Estás a sonhar , nenhum professor ia cair em essa - afirmou o Ron . - Só se fosse muito burro . X_A * bludger * perigosa Depois de o desastroso incidente de os duendes , o professor Lockhart não voltou a levar seres vivos para as aulas . Em vez de isso , lia a os alunos passagens de os seus livros e , por vezes , voltava a desempenhar alguns de os episódios mais dramáticos . Costumava chamar Harry para o ajudar em essas reconstruções . Até ali Harry fora obrigado a desempenhar o papel de um camponês de a Transilvânia que Lockhart curara de uma maldição murmurada , o abominável homem de as neves com dores de cabeça e um vampiro que depois de ter conhecido Lockhart tinha ficado incapaz de comer outra coisa que não fosse alfaces . Harry foi chamado para a frente de a classe durante a aula de Defesa contra as artes negras que se seguiu . Desta_vez para desempenhar o papel de um lobisomem . Se não tivesse um bom motivo para querer ver o Lockhart bem-disposto , teria se recusado . - Um uivo bem alto , excelente , Harry , isso mesmo . E foi então que , acreditem ou não , eu o ataquei de repente , assim . Atirei o a o chão , agarrei o com uma mão e com a outra consegui meter lhe a varinha em a garganta . Então , com a força que me restava pus em prática o complicadíssimo encantamento * _ Homorphus * . Harry soltou um uivo tristíssimo . - Vá lá , Harry , mais alto . Bom ... o pêlo desapareceu , os dentes diminuíram de tamanho e ele transformou se em um homem . Simples , mas eficaz e mais uma cidade ficará a lembrar se de mim para sempre como o herói que os libertou de os ataques mensais de o lobisomem . A campainha tocou e Lockhart pôs se de pé . - Trabalho para_casa : escrever um poema sobre a minha vitória sobre o lobisomem Wagga_Wagga . Há um exemplar autografado de * _ Eu , o Mágico * para o autor de o melhor poema . Os alunos começaram a sair . Harry voltou para trás e foi juntar se a o Ron e a a Hermione que estavam a a espera de ele . - Prontos ? - perguntou . - Espera até saírem todos - disse Hermione bastante nervosa . - Pronto ... Aproximou se de a secretária de Lockhart , apertando em a mão uma folha de papel , com o Ron e o Harry atrás . - Er ... professor Lockhart - gaguejou Hermione . - Eu queria requisitar este livro em a biblioteca , como leitura de apoio - entregou lhe o papel , com a mão ligeiramente trémula . - Só que faz parte de a secção de os reservados , por isso preciso de a assinatura de um professor . Acho que o livro me vai ajudar a compreender o que o senhor diz em * _ Passeios com Vampiros * acerca de os venenos de acção lenta ... - Ah , * _ Passeando com Vampiros * - disse Lockhart , pegando em a folha de papel de Hermione e sorrindo lhe abertamente . - E provavelmente o meu livro preferido . Gostou ? - Oh , muito - disse Hermione avidamente . - Tão inteligente o modo como apanhou o último com o passador de o chá . - Bem , tenho a certeza que ninguém se importará que eu dê uma ajudazinha suplementar a a melhor aluna de o segundo ano - disse Lockhart calorosamente , sacando de uma enorme pena de pavão . - É bonita , não é ? - comentou , adivinhando uma expressão de repulsa em a cara de o Ron . - Costumo guardas a para as minhas assinaturas de autógrafos . Rabiscou uma enorme assinatura cheia de altos e baixos e entregou a a Hermione . - Então , Harry - disse Lockhart enquanto Hermione dobrava a folha e a guardava em o saco . - Amanhã é a primeira partida de Quidditch de este ano , não é ? Gryffindor contra Slytherin . Ouvi dizer que és um jogador indispensável . Eu também fui * seeker * . Convidaram me inclusivamente para fazer parte de a Equipa_Nacional , mas eu preferi dedicar a minha vida a a erradicação de as forças de o mal . Mesmo_assim , se alguma vez precisares de um treino particular , não hesites em falar comigo , estou sempre disponível para partilhar a minha perícia com os jogadores menos dotados do_que eu . Harry fez um som indistinto com a garganta e saiu atrás_de Ron e Hermione . - Não acredito - disse quando os três examinavam a assinatura de Lockhart . - Ele nem viu que livro nós queríamos . - É porque é um idiota sem miolos - explicou o Ron . - Mas , quem se rala , temos o que queríamos . - Ele não é um idiota sem miolos - gritou Hermione com voz esganiçada enquanto se aproximavam quase a correr de a biblioteca . - Só porque ele disse que eras a melhor aluna de o segundo ano ... Baixaram as vozes a o entrar em a quietude abafada de a biblioteca . Madam_Prince , a bibliotecária , era uma mulher magra e irritável que parecia um abutre mal nutrido . - * _ Moste_Potente_Potions * ? - repetiu intrigada , tentando ficar com a folha de papel que Hermione se recusava a entregar lhe . - Gostava de a guardar para mim - disse sem fôlego . - Vá lá - intercedeu Ron , arrancando lhe a de as mãos e entregando a a Madam_Prince . - Nós arranjamos te outro autógrafo . O Lockhart assina tudo se aqui ficar muito_tempo . Madam_Prince pegou em o papel e voltou o em a direcção de a luz , decidida a descobrir uma falsificação , mas a assinatura passou em o teste . Desapareceu entre as estantes e voltou alguns minutos mais tarde , transportando um livro grande e de aspecto antiquado . Hermione meteu o com todo o cuidado em o saco e saíram , tentando não andar depressa de mais nem aparentar um ar culpado . Cinco minutos depois , estavam de_novo barricados em a casa_de_banho fora de serviço de a Murta_Queixosa . Hermione destruíra as objecções de Ron argumentando que aquele era o último lugar onde alguém em o seu juízo perfeito se lembraria de ir e que poderia assegurar lhes alguma privacidade . A Murta_Queixosa chorava ruidosamente em o seu cubículo , mas eles conseguiram ignorá a assim_como ela a eles . Hermione abriu * _ Moste_Potente_Potions * com todo o cuidado e inclinaram se os três sobre as páginas manchadas de humidade . Era fácil de perceber , logo à_primeira_vista de olhos , porque pertencia a a secção de os reservados . Algumas de as poções tinham efeitos quase impensáveis de tão macabros e havia ilustrações bastante desagradáveis , como , por_exemplo , aquela em que um homem parecia ter sido virado de o avesso e a de a bruxa com vários pares de braços suplementares a nascerem lhe em a cabeça . - Aqui está - disse Hermione excitadíssima a o encontrar a página intitulada « A poção * polisuco * « . Estava ilustrada com imagens de pessoas a meio de o processo de se transformarem em outras pessoas e Harry desejou ardentemente que a expressão de dor intensa que se lhes espelhava em o rosto fosse apenas produto de a imaginação de o artista desenhador . - Esta é a poção mais complicada que vi até hoje - disse Hermione enquanto examinava a receita . - Moscas asas de renda , sanguessugas , fluxo de cizânias e verdezelha - murmurou , acompanhando com o dedo a lista de ingredientes . - Bem , esses são relativamente simples , há os em a despensa de material de os estudantes , podemos tirar a a nossa vontade . Oh ! Vê só , pó de chifre de bicórneo ... não sei onde vamos arranjar isto ... e , é claro , um pedacinho de a pessoa em quem queremos transformar nos . - Como ? - perguntou Ron de forma cortante . - O que é_que queres dizer com um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos ? Eu não bebo nada que tenha lá dentro as unhas de os pés de o Crabbe ... Hermione continuou como_se não o tivesse ouvido . - Mas não temos que nos preocupar com isso por enquanto . Fica para o fim . Ron voltou se sem palavras para o Harry que tinha uma preocupação de outro tipo . - Já viste bem tudo_o_que vamos ter que roubar , Hermione ? Algumas coisas , não estão de certeza em a despensa de material de os alunos . O que é_que vamos fazer , arrombar os armários pessoais de o Snape ? Não sei se será uma boa ideia ... Hermione fechou o livro com um estrondo . - Bem , se vocês os dois se vão acagaçar , então está lindo - disse ela . Tinha as bochechas rosadas e os olhos mais brilhantes do_que era habitual . - Eu não gosto de quebrar regras , vocês sabem , mas acho que ameaçar os filhos de os Muggles é muito pior do_que construir uma poção difícil . Mas se vocês não querem descobrir se é o Malfoy , eu posso voltar já a a biblioteca e entregar o livro a Madam_Prince ... - Nunca pensei que chegaria o dia em que serias tu a convencer nos a quebrar regras - disse o Ron . - Está bem , vamos em essa , mas sem unhas de os pés , O. _ K. ? - Quanto tempo vai isso demorar a fazer , afinal ? - perguntou Harry quando Hermione , já com um ar mais satisfeito , voltou a abrir o livro . - Bem , como o fluxo de cizânias tem de ser recolhido durante a lua cheia e as asas de renda têm de ser abafadas durante vinte_e_um dias ... eu diria que se conseguirmos arranjar todos os ingredientes estará pronta dentro_de um mês . - Um mês ? - exclamou o Ron . - Nessa_altura já o Malfoy terá atacado metade de os filhos de Muggles ! - mas os olhos de Hermione contraíram se de_novo assustadoramente e ele acrescentou rapidamente . - Mas é o melhor plano que temos , por isso é melhor não olharmos para trás . Apesar_de tudo , enquanto Hermione verificava que não havia ninguém em os corredores e podiam sair de a casa_de_banho , Ron murmurou a Harry : - Seria muito mais simples se conseguisses , amanhã , atirar o Malfoy de a vassoura abaixo . Harry acordou cedo em o sábado de manhã e ficou um bocado a pensar em a partida de Quidditch que vinha a seguir . Estava nervoso , principalmente pelo que Wood diria se os Gryffindor perdessem , mas também com a ideia de enfrentar uma equipa apetrechada com as vassouras mais velozes que existiam . Nunca desejara tanto vencer os Slytherin como em aquele dia . Depois de meia_hora deitado com a barriga a dar horas , resolveu levantar se , vestir se e descer para tomar o pequeno-almoço . Lá em baixo , encontrou o resto de a equipa de os Gryffindor amontoada a o longo de a mesa comprida e vazia , todos eles com ar preocupado e sem vontade de conversar . Como_se aproximavam as onze horas , todos os alunos de a escola começaram a dirigir se para o estádio de Quidditch . O dia estava quente e húmido , com uma ameaça de trovoada em o ar . Ron e Hermione vieram apressadamente desejar a Harry boa sorte mal ele entrou em os vestiários . A equipa de os Gryffindor pôs os seus mantos vermelhos e sentou se para ouvir o discurso que Wood lhes fazia sempre antes de o jogo . - Os Slytherin têm vassouras melhores do_que nós - começou . - Não há como negá o . Mas nós temos gente melhor em cima de as vassouras . Treinámos mais do_que eles , voamos com todas_as condições climatéricas ( É bem verdade - murmurou George_Weasley - desde Agosto que não sei o que é estar seco ) . - E vamos fazê os engolir o dia em que deixaram aquele nojento de o Malfoy comprar a entrada em a equipa de eles . Com o peito agitado por a comoção , Wood voltou se par Harry . -- Cabe te a ti , Harry , mostrar lhes que um * seeker * tem de ter mais do_que um pai rico . Agarra a * snitch * antes d Malfoy ou morre a tentar porque temos absolutamente que vencer , hoje , Harry , temos que vencer . - Sem ansiedade , Harry - disse o Fred , piscando lhe o olho . Quando saíram em direcção a o campo , foram saudado por uma grande ovação principalmente de a parte de os Ravenclaw e de os Hufflepuff que estavam ansiosos por ver os Slytherin serem derrotados , mas os Slytherin que estavam entre a multidão também fizeram ouvir as suas vaias e pateadas . Madam_Hooch , a professora de Quidditch , pediu a Flin e Wood que apertassem as mãos o que eles fizeram , lançando um_ao_outro olhares ameaçadores , cada_um apertando a mão de o outro com mais força do_que aquela que seria necessário . - Atenção a o apito - disse Madam_Hooch . - Três , dois , um ... Com um bramido de a multidão para que subissem rapidamente , os catorze jogadores elevaram se em o céu cor de chumbo . Harry , mais alto do_que qualquer de os outros olhando para todos os lados em busca de a * snitch * . - Tudo bem , testa de cicatriz ? - gritou Malfoy , disparando por baixo de ele para lhe mostrar a velocidade de a sua vassoura . Harry não teve tempo de responder . Em esse preciso momento uma * bludger * preta e bem pesada veio direitinha a ele . Evitou a tão por um triz que ainda sentiu em os cabelos o ar que ela deslocara . - Foi por_pouco , Harry ! - exclamou o George , passando com grande rapidez , de bastão em a mão , pronto para lançar a * bludger * contra um Slytherin . Harry viu o dar a a * bludger * uma fortíssima pancada em direcção a Adrian_Pucey , mas a bola mudou de rumo em o meio de o ar e dirigiu se de_novo a Harry . Harry desceu rapidamente para se esquivar e George conseguiu lançá a contra Malfoy . Mais_uma_vez a * bludger * actuou como um * boomerang * e apontou a a cabeça de Harry . Harry ganhou velocidade e disparou contra o outro extremo de o campo . Ouvia o assobio de a * bludger * que o perseguia . O que era aquilo ? As * bludgers * nunca se concentravam assim em um único jogador , a sua função era tentar desmontar o maior número possível de intervenientes . Fred_Weasley esperava por a * bludger * em o extremo oposto . Harry baixou se quando o viu balançar se em frente de ela com toda_a garra . A * bludger * foi lançada para_fora_de campo . - Pronto , já está tudo resolvido - gritou Fred satisfeito , mas estava bastante enganado . Como_se fosse magneticamente atraída para Harry , a * bludger * lançou se de_novo contra ele e Harry teve de voar a_toda_a velocidade . Começara a chover . Harry sentia as gotas pesadas caírem lhe em o rosto , turvando lhe as lentes de os óculos . Não fazia ideia do_que se passava em o resto de o jogo , até ouvir Lee_Jordan que fazia o comentário dizer : - Os Slytherin vão a a frente com seis contra zero . As vassouras de qualidade superior de os Slytherin estavam obviamente a cumprir a sua função e enquanto isso , a * bludger * maluca fazia todos os possíveis para deitar abaixo o Harry . Fred e George voavam agora tão perto de ele , um de cada lado , que Harry não via senão os seus braços a balouçar e , se não conseguia ver a * snitch * , muito menos agarrá a . - Alguém enfeitiçou esta * bludger * - resmungou Fred , preparando o bastão com toda_a força quando ela se lançava de_novo contra Harry . - Precisamos de tempo - disse George , tentando fazer sinal a Wood enquanto evitava que a bola partisse o nariz a o Harry . Wood captou obviamente a mensagem . O apito de Madam_Hooch fez se ouvir e Harry , Fred e George desceram , tentando ainda evitar a * bludger * maluca . - O que é_que se passa ? - perguntou Wood enquanto a equipa de os Gryffindor se amontoava desordenadamente e os Slytherin , em o meio de a multidão , lançavam piadas . - Estamos a ser esmagados . Fred , George , onde estavam vocês quando aquela * bludger * impediu a Angelina de marcar ? - Estávamos seis metros acima , evitando que a outra * bludger * matasse o Harry , Oliver - gritou George furioso . - Alguém preparou isto , a bola não deixa o Harry em paz , ainda não perseguiu mais ninguém desde_que o jogo começou . Os Slytherin fizeram aqui qualquer coisa . - Mas as * bludgers * têm estado fechadas em o escritório de Madam_Hooch desde o último treino , e nessa_altura estava tudo bem ... - disse Wood ansiosamente . Madam_Hooch aproximava se . Por cima de o ombro de ela , Harry pôde ver a equipa de os Slytherin a escarnecer e apontar em a sua direcção . - Ouçam - disse o Harry , enquanto ela se aproximava . - Com vocês os dois a voarem sempre colados a mim , só vou apanhar a * snitch * se ela voar até a a minha manga . Voltem se para o resto de a equipa e deixem a tratante comigo . - Não sejas bronco - disse o Fred . - Ela arranca te a cabeça . Os olhos de Wood saltavam de Harry_para_os_Weasley . - Oliver , isto_é uma loucura - disse Alicia_Spinet , zangada . - Não podes deixar o Harry sozinho entregue a aquela coisa . Vamos pedir uma investigação . - Se pararmos agora , teremos de dar a partida como perdida e não vamos deixar os Slytherin ganhar , só por_causa_de uma * bludger * maluca . Vá lá , Oliver , diz lhes que me deixem sozinho . - A culpa é toda tua . * _ Agarra a snitch ou morre a tentar * , se isso é lá coisa que se diga . Madam_Hooch tinha se lhes juntado . - Prontos para retomar a partida ? - perguntou a Wood . Wood olhou para o ar determinado de Harry . - Deixem o sozinho , ele é capaz de lidar com a * bludger * . A chuva era agora mais pesada . A o apito de Madam_Hooch , Harry elevou se em os ares e ouviu o barulhinho de a * bludger * atrás_de si . Subiu cada_vez_mais alto . Fez acrobacias em espiral , descidas rápidas , ziguezagueou e rolou . Apesar_de ligeiramente estonteado , não deixou nunca de ter os olhos bem abertos . A chuva salpicava lhe os óculos e entrava lhe por as narinas , quando ele se voltou de cabeça para baixo , evitando outra forte investida de a * bludger * . Ouviu os risos de a multidão . Sabia que devia parecer ridículo , mas a * bludger * maluca era pesada e não podia mudar de direcção tão rapidamente quanto ele . Iniciou uma corrida que parecia de feira de diversões em volta de os extremos de o estádio , olhando de soslaio , através de os lençóis prateados de chuva , para os postes de os Gryffindor , onde Adrian_Pucey tentava passar por Wood . Um assobio junto de os ouvidos disse a Harry que a * bludger * falhara uma_vez_mais . Voltou se e voou rapidamente em a direcção oposta . - Estás a ensaiar * ballet * , Potter - gritou Malfoy quando Harry foi obrigado a fazer uma reviravolta estúpida em o ar para se esquivar mais_uma_vez de a * bludger * . Lá foi ele , com a * bludger * atrás a alguns metros de distância . E foi então que , olhando para Malfoy , furioso , a viu , a * snitch * de ouro . Flutuava alguns centímetros acima de os ouvidos de Malfoy que , de tão preocupado a escarnecer de Harry , nem dera por ela . Durante um momento angustiante , Harry ficou quieto em o ar , não ousando dirigir se a Malfoy , não fosse ele olhar para_cima e ver a * snitch * . PUM ! Tinha ficado parado tempo de mais . A * bludger * batera lhe , por fim , apanhando lhe o cotovelo e Harry sentiu o braço a partir se . Debilmente , desorientado por a dor cauterizante em o braço , Harry deslizou para um de os lados em a sua vassoura encharcada , um joelho ainda dobrado , o braço direito a balouçar , inútil , a o seu lado . A * bludger * veio de_novo , preparada para mais um ataque , desta_vez apontada a o seu rosto . Harry desviou se com uma intenção : chegar a Malfoy . Através_de uma nuvem de chuva e dor desceu até a o rosto tremeluzente e trocista e viu os olhos de ele dilatarem se de medo : Malfoy pensou que Harry ia atacá o . - Que diabo ... - resmungou , afastando se de o caminho . Harry tirou a outra mão de a vassoura e fez uma tentativa para agarrar qualquer coisa . Sentiu os dedos fecharem se em volta de a * snitch * dourada , mas conduzia agora a vassoura apenas com as pernas e ouviu se um grito de a multidão cá em baixo , quando ele fez a descida , tentando não desmaiar . Com um ruído seco caiu em a terra enlameada e rolou para fora de a vassoura . O braço tinha um ângulo um_pouco estranho . Torcendo se com dores , ouviu a a distância os assobios e os gritos . Concentrou se em a * snitch * que tinha fechada em a outra mão . - Ai - disse vagamente . - Ganhámos o jogo . E desmaiou . Voltou a si com a chuva a cair lhe em o rosto , ainda deitado em o campo , com alguém inclinado sobre ele . Viu um brilho de dentes brancos . - Oh , não , você não - gemeu . - Não sabe o que diz - afirmou Lockhart bem alto a a ansiosa multidão de Gryffindor que o comprimiam . - Não te preocupes , Harry , eu vou tratar de o teu braço . - Não - gritou Harry . - Eu fico com ele assim , obrigado . Tentou sentar se , mas a dor era enorme . Ouviu um « clique » familiar . - Não quero fotografias de isto , Colin - disse em voz alta . - Deita te para trás , Harry - insistiu Lockhart com toda_a calma . - É um encantamento muito simples que eu fiz imensas vezes . - Porque não me levam só para a ala hospitalar ? - perguntou Harry entredentes . - Seria o melhor , professor - disse a voz rouca de o Wood que não conseguia deixar de sorrir , apesar_de o seu * seeker * estar ferido . - Grande captura , Harry , verdadeiramente espectacular , a tua melhor jogada , em a minha opinião . Em o meio de a floresta de pernas que o rodeava , Harry avistou Fred e George_Weasley , metendo a * budger * perigosa em uma caixa . Continuava a dar uma luta enorme . - Para trás - ordenou Lockhart , que tinha arregaçado as mangas verde jade . - Não , eu não ... - protestou debilmente Harry , mas Lockhart tinha a varinha em a mão e , um segundo depois , apontava a para o braço de Harry . Uma sensação estranha e desagradável começou em o ombro e espalhou se , chegando a as pontas de os dedos . Parecia que o braço inteiro tinha sido esvaziado . Não foi capaz de olhar para o que estava a suceder . Tinha fechado os olhos , voltado o rosto para o outro lado , mas os seus maiores receios concretizaram se quando as pessoas lá em cima se sobressaltaram e Colin_Creevey começou a tirar fotografias como um louco . O braço deixara de lhe doer , mas parecia tudo menos um braço . - Ah ! - disse Lockhart . - Sim , bem isto às_vezes acontece . Mas o importante é_que os ossos já não estão partidos . Isso é o mais importante . Portanto , Harry , vai até a a ala hospitalar ... ah ! Mr._Weasley , Miss_Granger , poderiam levá o lá ? E Madam_Pomfrey poderá ... er ... arranjar um_pouco isso . Quando Harry se pôs de pé sentiu se estranhamente desequilibrado . Depois de respirar fundo , olhou para o lado direito e o que viu quase o fez desmaiar de_novo . Pendurado em a extremidade de a sua túnica estava o que parecia ser uma espessa e colorida luva de borracha . Tentou mexer os dedos mas ... em vão . Lockhart não consertara os ossos de Harry . Retirara os . M. dam Pomfrey não ficou nada satisfeita . - Devias ter vindo logo ter comigo - ralhou , segurando os restos tristes e moles de aquilo que antes fora um braço activo . - Eu conserto ossos em um segundo , mas fazê os crescer de_novo ... - Vai conseguir , não vai ? - perguntou Harry desesperado . - Sim , com certeza , mas vai ser doloroso - disse Madam_Pomfrey de modo severo , entregando lhe um pijama . - Vais ter que ficar cá esta noite ... Hermione esperou de o lado de_fora de a cortina que rodeava outra cama enquanto Ron ajudava Harry a vestir se . Levou algum tempo a enfiar o braço que parecia borracha dentro_de uma manga de o pijama . - Como é_que podes continuar a defender o Lockhart depois disto , Hermione ? - perguntou Ron através de as cortinas , enquanto puxava os dedos moles de o Harry por uma manga . - Se o Harry quisesse ser desossado , teria pedido . - Todos podem enganar se - disse Hermione . - E deixou de doer , não deixou , Harry ? - Sim - disse ele - mas também ficou incapaz de fazer seja o que for . Quando se meteu em a cama , o braço agitou se despropositadamente . Hermione e Madam_Pomfrey entraram . Madam_Pomfrey segurava uma grande garrafa com o rótulo * Skele - _ Gro * . - Vais ter uma noite difícil - preveniu , enchendo um pequeno copo fumegante e dando lhe a beber . - Fazer crescer ossos é uma coisa difícil . Tomar o * _ Skele - _ Gro * também . Queimou a boca e a garganta de o Harry a o descer , fazendo o tossir e cuspir . Resmungando sobre os desportos perigosos e os professores incapazes , Madam_Pomfrey retirou se , deixando Ron e Hermione a ajudar Harry a engolir um_pouco de água . - Mas ganhámos o jogo - disse o Ron com um sorriso em o rosto . - A tua jogada foi em grande . A cara de o Malfoy ... parecia que queria matar alguém . - Eu vou descobrir como é_que enfeitiçaram aquela * bludger * - disse Hermione com ar sombrio . - Podemos juntar essa pergunta a a lista de todas_as que queremos fazer a o Malfoy quando tomarmos a poção * _ Polisuco * - disse Harry , afundando se de_novo em as almofadas . - Espero que tenha um sabor melhor do_que esta coisa ... - Com um bocado de os Slytherin lá dentro , deves estar a brincar - disse o Ron . A porta de a ala hospitalar abriu se em esse momento e , completamente encharcados , entraram os restantes membros de a equipa de os Gryffindor , para ver o Harry . - Um voo inacreditável - disse George . - Acabei de ver Marcus_Flint a gritar com o Malfoy . Qualquer coisa sobre ter a * snitch * mesmo em cima de a cabeça e não ter dado por nada . O Malfoy não parecia nem um_pouco satisfeito . Tinham trazido bolos , rebuçados e garrafas de sumo de abóbora . Juntaram se em volta de a cama de Harry e estavam a dar início a o que prometia ser uma grande festa quando Madam_Pomfrey entrou a vociferar : - Este rapaz precisa de repouso . Tem trinta_e_três ossos a crescer . Fora de aqui . FORA ! E Harry ficou sozinho , sem nada que o distraísse de as dores agudas em o seu braço mole . Muitas horas mais tarde , Harry acordou subitamente em a escuridão total e soltou um pequeno grito de dor : sentia agora o braço cheio de estilhaços . Durante alguns segundos pensou que tinha sido a dor a acordá o . Depois , com um arrepio de horror , apercebeu se de que alguém estava a passar lhe uma esponja em a testa . - Sai de aqui - gritou , e em seguida : - Dobby ! Os olhos de o tamanho de bolas de ténis de o elfo doméstico estavam a olhá o em o escuro , uma lágrima grossa rolava por o seu enorme nariz . - Harry_Potter voltou a a escola - murmurou , infeliz . - Dobby avisou e voltou a avisar Harry_Potter . Ah ! senhor , porque não deu ouvidos a Dobby ? Porque não voltou Harry_Potter para_casa quando perdeu o comboio ? Harry ergueu se um_pouco , encostando se a as almofadas e afastou a esponja de o elfo . - O que estás a fazer aqui ? - perguntou . - E como sabes que eu perdi o comboio ? O lábio de Dobby tremeu e Harry foi assaltado por uma dúvida . - Foste tu . Tu impediste que a barreira nos deixasse passar . - Em a verdade fui eu , senhor - disse Dobby , acenando com a cabeça e com as orelhas a abanar . - Dobby escondeu se , esperou por Harry_Potter e selou a barreira . A seguir , Dobby teve de pôr as mãos em o ferro de engomar - mostrou a o Harry dez dedos longos embrulhados em ligaduras . - Mas Dobby não se importou , senhor , porque pensou que Harry_Potter estava a salvo e nunca Dobby sonhou que mesmo_assim ele viria para a escola ! Balançava se para a frente e para trás , sacudindo a cabeça feia . - Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry_Potter tinha voltado a a escola que deixou queimar o jantar de os seus donos . Dobby nunca tivera um castigo tão grande , senhor . Harry afundou se de_novo em as almofadas . - Quase conseguiste que nos expulsassem , a mim e a o Ron - disse furioso . - É melhor desapareceres de aqui antes que os meus ossos voltem a estar bem , Dobby , ou ainda te estrangulo . O elfo sorriu . - Dobby está habituado a ameaças de morte , senhor . Dobby recebe as cinco vezes por dia em a casa onde mora . Encostou o nariz a um canto de a fronha que usava , ficando tão ridículo que Harry sentiu a raiva desvanecer se , apesar_de tudo . - Porque usas essa coisa , Dobby ? - perguntou com curiosidade . - Isto , senhor ? - disse Dobby apontando para a fronha de almofada . - É uma prova de escravatura de o elfo doméstico , senhor . Dobby só pode ser libertado se os donos lhe derem roupa , senhor . A família tem o cuidado de não dar a o Dobby nem uma peúga , senhor , porque ele poderia ficar livre e deixar a casa para sempre . Dobby limpou os olhos protuberantes e disse subitamente : - Harry_Potter deve ir para_casa . Dobby achou que a sua * bludger * seria o suficiente para o fazer ... - A tua * bludger * ? - disse Harry com a raiva a crescer novamente dentro de ele . - Que queres tu dizer com a tua bludger * ? Foste tu quem fez com que aquela bola tentasse matar me ? - Matar não , senhor . Matar , nunca ! - disse o elho chocado . - Dobby quer salvar a vida de Harry_Potter . É melhor ir para_casa ferido do_que ficar aqui , senhor . Dobby só queria Harry_Potter suficientemente ferido para voltar para_casa . - Só isso ? - disse Harry furioso . - Imagino que não vais dizer me porque querias mandar me para_casa a os bocados ? - Ah ! se Harry_Potter soubesse ! - gemeu Dobby , com mais lágrimas a escorrerem lhe por a fronha esfarrapada . - Se pudesse saber o que significa para nós , para os humildes , os escravizados , nós , a escória social de o mundo mágico ! Dobby lembra se de como eram as coisas quando Aquele cujo nome não deve ser pronunciado estava em o auge de o poder , senhor ! Nós , os elfos domésticos éramos tratados como animais , senhor ! É claro que Dobby ainda é tratado assim - admitiu , secando o rosto em a fronha de almofada . - Mas , em a sua maioria , a vida melhorou bastante para os de a minha espécie desde_que Harry_Potter triunfou sobre Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Harry_Potter sobreviveu e o poder de os senhores de o Mal foi quebrado e veio uma nova alvorada , senhor , e Harry_Potter brilhou como um farol de esperança para aqueles de entre nós que já pensavam que a longa noite nunca mais teria fim , senhor ... e agora em Hogwarts vão acontecer coisas terríveis , talvez já esteiam a acontecer e Dobby não pode deixar Harry_Potter ficar aqui , agora_que a história vai repetir se , agora_que a Câmara_dos_Segredos está de_novo aberta . Dobby calou se horrorizado . Em seguida agarrou em o jarro de a água que Harry tinha a a cabeceira e bateu com ele em a própria cabeça , deixando se cair . Um segundo mais tarde voltou até junto de a cama , repetindo : - Mau , Dobby , muito mau , Dobby . - Quer_dizer , então , que existe mesmo a Câmara_dos_Segredos ? - murmurou Harry . - E dizes tu que já antes foi aberta ? Conta me , Dobby . Agarrou o pulso ossudo de o elfo quando a mão de ele se estendia para o jarro de a água . - Mas eu não sou filho de Muggles . Como posso estar em perigo por causa de a Câmara_dos_Segredos ? - Ah ! senhor , não pergunte a o pobre Dobby - lamentou se o elfo com os olhos enormes a brilharem em o escuro . - As forças de as trevas estão projectadas em este lugar , mas Harry_Potter não deve estar aqui quando as coisas acontecerem . Vá para_casa , Harry_Potter , vá para_casa . Harry_Potter não deve envolver se em isto , senhor , é demasiado perigoso ... - Quem é , Dobby ? - perguntou Harry , continuando a agarrar lhe o pulso com forca , impedindo que batesse de_novo em si próprio com o jarro . - Quem abriu a amara ? Quem a abriu de a última vez ? - Dobby não pode , senhor . Dobby não pode . Dobby não deve dizer - guinchou o elfo . - Vá se embora , Harry_Potter , vá se embora ! - Eu não vou para lugar nenhum - disse Harry , furioso . - Uma de as minhas melhores amigas é filha de Muggles , está em perigo se a câmara foi , de facto , aberta ... - Harry_Potter arrisca a própria vida por os amigos - gemeu Dobby em uma espécie de êxtase infeliz . - Tão nobre , tão corajoso , mas deve salvar se , Harry_Potter não deve ... Dobby calou se de repente com as orelhas de morcego a estremecerem . Harry também ouviu os passos que vinham lá fora , de o corredor . - Dobby tem de ir - balbuciou o elfo apavorado . Ouviu se um ruído e o pulso de Harry ficou subitamente fechado em o ar . Meteu se de_novo para baixo , em a cama , com os olhos fixos em a porta escura que dava entrada em a ala hospitalar enquanto os passos se aproximavam . Em o momento seguinte , Dumbledore estava a entrar , de costas , em o dormitório , vestindo uma longa túnica de lã e uma capa de noite . Transportava um extremo de aquilo que parecia ser uma estátua . A professora Mc_Gonagall surgiu um segundo mais tarde , pegando lhe em os pés . Os dois colocaram a em uma cama . - Chame Madam_Pomfrey - murmurou Dumbledore e a professora Mc_Gonagall passou por a cama de Harry , apressadamente , e desapareceu . Harry deixou se ficar muito quieto como_se estivesse a dormir . Ouviu vozes ansiosas e por fim a professora Mc_Gonagall apareceu de_novo , seguida de Madam_Pomfrey que vestia um casaco curto de lã sobre a camisa de dormir . Ouviu uma inspiração aguda . - O que aconteceu ? - murmurou Madam_Pomfrey_a_Dumbledore , inclinando se sobre a estátua que estava em a cama . - Outro ataque - disse Dumbledore . - A Minerva encontrou o em as escadas . Havia um cacho de uvas junto de ele . Acho que estava a tentar esgueirar se até aqui para vir visitar o Potter . O estômago de Harry deu uma reviravolta . Lenta e cuidadosamente ergueu se alguns centímetros para poder ver a estátua que estava sobre a cama . Um raio de luar iluminou lhe o rosto estático . Era_Colin_Creevey . Tinha os olhos abertos , e as mãos , em frente de a cara , seguravam a máquina fotográfica . -- Petrificado ? - murmurou Madam_Pomfrey . - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - Mas estou tentada a acreditar que ... se Albus não tivesse vindo cá abaixo tomar um chocolate quente ... quem sabe o que teria ... Os três olharam para Colin . Dumbledore inclinou se e retirou lhe a máquina de as mãos rígidas . - Será que ele conseguiu tirar a fotografia de o agressor ? - perguntou ansiosa a professora Mc_Gonagall . Dumbledore não respondeu . Abriu a parte detrás de a máquina . - Cruzes canhoto - disse Madam_Pomfrey . Um jacto de vapor tinha feito fervilhar a máquina . Harry , a três metros de distância , sentiu o cheiro tóxico de o plástico queimado . - Derretido - disse Madam_Pomfrey com grande espanto . - Tudo derretido . - O que significa isto , Albus ? - perguntou cada_vez_mais nervosa a professora Mc_Gonagall . - Significa - disse Dumbledore - que a Câmara_dos_Segredos está mesmo aberta outra_vez . Madam_Pomfrey levou uma mão a a boca . A professora Mc_Gonagall olhou assustada para Dumbledore . - Mas , Albus ... com certeza ... quem ? - A questão não é quem - disse Dumbledore com os olhos fixos em Colin . - A questão é como ... E pelo que Harry conseguiu ver de o rosto indistinto de a professora Mc_Gonagall , ela não compreendeu muito mais do_que ele . XI_O clube de os duelos Quando_Harry acordou , em o domingo de manhã , a enfermaria estava iluminada por um resplandecente sol de inverno e o seu braço tinha de_novo todos os ossos , apesar_de o sentir muito rígido . Sentou se rapidamente e olhou para a cama de Colin , mas ela fora isolada com as cortinas atrás de as quais se despira em a véspera . Vendo que ele tinha acordado , Madam_Pomfrey apareceu com um tabuleiro de pequeno-almoço e a seguir começou a apalpar lhe o braço e os dedos . - Tudo em ordem - disse , enquanto ele , com a mão esquerda , comia avidamente as papas de aveia . - Quando acabares de comer podes ir te embora . Harry vestiu se o mais depressa que pôde e dirigiu se a a pressa para a torre de os Gryffindor , ansioso por contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre Colin e Dobby , mas não os encontrou lá . Foi a a procura de eles , perguntando a si próprio onde teriam ido e sentindo se um_pouco magoado por o pouco interesse que demonstravam em saber se ele tinha recuperado os ossos . Quando passou por a biblioteca , Percy_Weasley vinha a sair com bastante melhor cara do_que de a última vez que se tinham encontrado . - Olá , olá , Harry - disse . - Excelente voo o de ontem , verdadeiramente sensacional . Os Gryffindor estão a a frente para a taça de a equipa . Ganhaste cinquenta pontos . - Não viste o Ron e a Hermione por aí ? - perguntou Harry . - Não , não vi - disse Percy com o sorriso a desaparecer . - Espero que o Ron não esteja outra_vez em a casa_de_banho de as raparigas ... Harry forçou um sorriso , viu Percy desaparecer e a seguir foi direitinho até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Não via lá muito bem por_que motivo o Ron e a Hermione lá estariam de_novo , mas , depois de se assegurar de que nem Filch nem nenhum de os prefeitos estavam por perto , abriu a porta e ouviu as vozes de eles que vinham de um cubículo fechado . - Sou eu - disse , fechando a porta atrás_de si . Ouviu se dentro de o cubículo um estrondo , um chapinhar e um sobressalto e ele viu o olho de a Hermione a espreitar por o buraco de a fechadura . - Harry - disse ela . - Pregaste nos um susto de morte . Entra . Como está o teu braço ? - _ óptimo - respondeu , apertando se dentro de o cubículo . Em cima de a sanita estava encarrapitado um velho caldeirão , e um crepitar a a superfície de a água disse a Harry que eles tinham acendido um fogo lá em baixo . Fazer aparecer fogos portáteis a a prova de água era uma de as especialidades de Hermione . - _ íamos visitar te , mas resolvemos começar a preparar a poção * _ Polisuco * - explicou Ron enquanto Harry fechava outra_vez a porta de o cubículo com alguma dificuldade . - Achámos que este era o lugar mais seguro para a esconder . Harry começou a contar lhes de o Colin , mas Hermione interrompeu o . - Nós já sabemos , ouvimos a professora Mc_Gonagall contar a o professor Flitwick hoje_de_manhã . Por isso resolvemos começar a ... - Quanto_mais depressa arrancarmos uma confissão a o Malfoy , melhor - rosnou o Ron . - Sabem o que eu penso ? Ele estava tão mal-humorado depois de o jogo de Quidditch que se vingou em o Colin . - Há outra coisa - disse Harry , vendo Hermione cortar molhos de verdezelha e lançá os dentro de a poção . - O Dobby foi visitar me a meio de a noite . Ron e Hermione olharam o espantados . Harry contou lhes tudo_o_que Dobby lhe dissera ... ou não dissera . Ron e Hermione ouviram o de boca aberta . - A Câmara_dos_Segredos já tinha sido aberta antes ? - repetiu Hermione . - Encaixa perfeitamente - disse Ron , em uma voz triunfante . - O Lucius_Malfoy deve ter aberto a Câmara_dos_Segredos quando andava em a escola e agora ensinou a o querido filhinho Draco como abris a . É óbvio , que pena o Dobby não te ter dito que tipo de monstro lá se encontra . Gostava de saber como é_que ninguém o viu andar por ai em a escola . - Talvez tenha a capacidade de se tornar invisível - sugeriu Hermione , picando sanguessugas para dentro de o caldeirão . - Ou talvez se disfarce , passando por uma armadura ou outra coisa de o género . Eu li umas coisas sobre vampiros camaleões ... - Tu lês de mais , Hermione - disse o Ron , deitando moscas asas de renda mortas por cima de as sanguessugas . Amarrotou o saco vazio de as asas de renda e olhou para Harry . - Então foi o Dobby que nos impediu de apanhar o comboio e te partiu o braço ... - abanou a cabeça . - Sabes o que eu acho ? Se ele não parar de tentar salvar te a vida ainda acaba por te matar . A notícia de que Colin_Creevey tinha sido atacado e estava agora em a ala hospitalar , como morto , espalhou se por toda_a escola em a segunda-feira de manhã . O ar ficou pesado e cheio de boatos e suspeitas . Os alunos de o primeiro ano começavam a andar por a escola em pequenos grupos , receando ser atacados se se aventurassem a andar isoladamente por os corredores . Ginny_Weasley , que era colega de carteira de o Colin em os encantamentos , estava perturbadíssima , mas Harry achou que Fred e George estavam a tentar animá a de a maneira errada . Revezavam se , mascarados com peles de animais e apareciam lhe subitamente detrás de as estátuas . Só pararam quando Percy , apopléctico de raiva , lhes disse que ia escrever a Mrs._Weasley a contar lhe que a Ginny andava a ter pesadelos . Enquanto isso , às_escondidas de os professores , uma panóplia de talismãs , amuletos e outros objectos de protecção ia enchendo a escola . Neville_Longbottom comprou uma enorme cebola verde que cheirava mal , um cristal pontiagudo cor de púrpura e uma cauda de tritão apodrecida antes de os outros rapazes de os Gryffindor lhe explicarem que ele não corria perigo : era um sangue puro e , portanto , muito pouco passível de ser atacado . - Eles foram a o Filch em primeiro lugar - disse Neville com o medo estampado em a cara redonda . - E toda_a_gente sabe que eu sou quase um * busca-pé * . Em a segunda semana de Dezembro , a professora Mc_Gonagall veio , como de costume , recolher os nomes de os alunos que ficavam em a escola durante o Natal . Harry , Ron e Hermione assinaram a lista . Tinham ouvido dizer que Malfoy ficava , o que lhes parecera muito suspeito . As férias seriam a altura ideal para usar a poção * _ Polisuco * e tentar arrancar lhe uma confissão . Infelizmente a poção estava a meio . Precisavam ainda de o chifre de bicórneo e o único lugar onde podiam arranjá o era em os depósitos privados de Snape . Harry , pessoalmente , preferia enfrentar o lendário monstro de os Slytherin do_que ser apanhado por o Snape a assaltar lhe o escritório . - O que precisamos - disse Hermione cheia de vivacidade quando se aproximava a aula conjunta de poções de quinta-feira a a tarde - para podermos entrar a a vontade em o escritório de o Snape , é de uma diversão . Harry e Ron olharam para ela , nervosos . - Acho que o melhor é ser eu a praticar o roubo - prosseguiu ela , em um tom perfeitamente casual . - Vocês os dois podem ser expulsos se forem apanhados e eu tenho uma folha limpa . Portanto , a única coisa que têm de fazer é distrair o Snape durante cerca de cinco minutos . Harry esboçou um meio sorriso . Provocar deliberadamente um estrago em a aula de poções de o Snape era tão seguro como ferir em um olho um dragão adormecido . As aulas de poções tinham lugar em um de os mais amplos calabouços . A de quinta-feira a a tarde não foi diferente de as outras . Vinte caldeirões fumegavam entre as secretárias de madeira , sobre as quais podia ver se laminas de latão e jarras com ingredientes . Snape deambulava por o meio de os fumos , fazendo reparos petulantes a o trabalho de os Gryffindor , enquanto os Slytherin riam a a socapa . Draco_Malfoy , que era o aluno preferido de Snape , não parava de lançar olhos de carneiro mal morto a o Ron e a o Harry , que sabiam que se retaliassem teriam um castigo , antes de poderem abrir a boca para dizer : - É injusto ! A solução de inchar de o Harry estava demasiado líquida , mas ele estava preocupado com coisas mais importantes . Esperava por o sinal de Hermione e mal deu por Snape se calar para ir espreitar a sua poção aguada . Quando o professor se voltou e foi implicar com o Neville , Hermione trocou um olhar com Harry e fez um aceno . Harry baixou se discretamente por detrás de o seu caldeirão , tirou de o bolso de trás um de os paus de fogo-de-artíficio Filibuster e deu lhe um toque de varinha . O fogo-de-artíficio começou a sibilar e a crepitar . Sabendo que tinha apenas alguns segundos , Harry endireitou se , ganhou coragem e lançou o a o ar . Aterrou certeiro em o caldeirão de o Goyle . A poção de o Goyle explodiu , salpicando toda_a aula . As pessoas gritavam , à_medida_que eram vítimas de os salpicos . Malfoy foi apanhado em a cara e o nariz começou a inchar como um balão . O Goyle tropeçava a as cegas , com as mãos em os olhos , que tinham ficado de o tamanho de pratos de sopa , enquanto o Snape tentava repor a calma e tentar perceber o que sucedera . Em o meio de a confusão , Harry viu Hermione esgueirar se a a socapa por a porta . - Silêncio ! silêncio ! - vociferou Snape . - Todos os que foram salpicados cheguem aqui para uma drenagem . Quando eu descobrir quem fez isto ... Harry fez um enorme esforço para não se rir a o ver Malfoy chegar apressadamente lá a a frente , a cabeça a tombar com o peso de o nariz , que parecia um pequeno melão . Quando metade de a aula se amontoava junto de a secretária de o Snape , alguns alunos vergados por o peso de os braços que pareciam mocas , outros incapazes de falar devido a o gigantesco inchaço de os lábios , Harry viu Hermione reentrar em o calabouço , a túnica mostrando a barriga protuberante . Quando todos os alunos tinham já tomado um gole de o antídoto e os vários inchaços tinham desaparecido , Snape precipitou se para o caldeirão de o Goyle e pescou os restos retorcidos de o fogo-de-artíficio . Houve um súbito silêncio . - Se eu descubro quem lançou isto - murmurou Snape - garanto que é expulsão por a certa . Harry compôs uma expressão de espanto . Snape olhava directamente para ele e a campainha , que tocou dez minutos mais tarde , não podia ser mais bem-vinda . - Ele soube que fui eu - disse Harry_a_Ron e a a Hermione , enquanto se dirigiam apressadamente para a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Tenho a certeza . Hermione lançou o novo ingrediente em o caldeirão e começou a mexer furiosamente . - Isto vai estar pronto dentro_de quinze_dias - afirmou , satisfeita . - O Snape não pode provar que foste tu - assegurou Ron , tranquilizando Harry . - Que pode ele fazer ? - Conhecendo o Snape , qualquer coisa louca - respondeu Harry , enquanto a poção borbulhava e espumava . Uma semana mais tarde , Harry , Ron e Hermione passavam por o vestíbulo de entrada , quando viram um pequeno grupo de pessoas reunidas em volta de o jornal de parede a lerem um pedaço de pergaminho que tinha acabado de ser afixado . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas acenaram lhes , entusiasmados . - Vão lançar um clube de duelos ! - exclamou Seamus . - Hoje a a noite é a primeira reunião . Eu não me importaria nada de ter aulas de duelo , podem vir a ser úteis um dia de estes ... - Porquê ? Achas que o monstro de os Slytherin sabe esgrimir ? - perguntou o Ron , mas , também ele , leu a notícia com interesse . - Pode ser útil - disse a o Harry e a a Hermione , quando foram jantar . - Vamos lá ? Harry e Hermione acharam óptimo , por isso , a as oito_da_noite voltaram a o salão . As longas mesas de refeição tinham desaparecido e um estrado dourado surgira , encostado a a parede . Sobre ele flutuavam milhares de velas . O tecto era , mais_uma_vez , de veludo negro e parecia que quase todos os alunos de a escola se encontravam ali , com as suas varinhas em a mão e com um ar entusiasmado . - Quem será que vai ensinar nos ? - perguntou Hermione , enquanto se misturavam em a multidão barulhenta . - Ouvi dizer que o Filitwick foi campeão de duelo em a juventude , talvez seja ele . - Desde_que não seja ... - começou Harry , mas terminou em um gemido : Gilderoy_Lockhart estava a subir a o estrado , resplandecente em as suas vestes cor de ameixa , acompanhado , nem mais nem menos , do_que de Snape que trajava , como sempre , de negro . Lockhart levantou um braço , pedindo silêncio , bradando : - Aproximem se , aproximem se , conseguem todos ver me e ouvir me ? Excelente ! - O professor Dumbledore deu me autorização para iniciar este pequeno curso de duelo para vos treinar a todos , caso algum dia precisem de se defender , como eu tenho feito em inúmeras ocasiões ; para mais detalhes , leiam os livros que tenho publicados . - Permitam que vos apresente o meu assistente , o professor Snape - disse Lockhart , abrindo um sorriso de orelha a orelha . - Ele diz me que sabe alguma coisa sobre duelos e aceitou desportivamente ajudar me em uma exibição de demonstração , antes de começarmos . Atenção , não quero que os mais novos fiquem preocupados , vão continuar a ter o vosso professor de poções depois de eu o vencer . Não tenham medo . - Não era óptimo se se liquidassem um_ao_outro ? - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . O lábio inferior de Snape estava curvo . Harry interrogou se sobre o motivo por_que Lockhart continuava a sorrir . Se o Snape olhasse de aquela maneira para ele , Harry estaria a correr a_toda_a velocidade para o mais longe possível . Lockhart e Snape voltaram se um para o outro e fizeram uma vénia , pelo_menos Lockhart fê la com muitas reviravoltas de mãos , enquanto Snape acenava , irritado , com a cabeça . Em seguida , ergueram as varinhas , como_se fossem espadas , em a frente . - Como podem ver , estamos a pegar em as varinhas em a posição de aceitação de combate - explicou Lockhart a a multidão silenciosa . - Quando contarmos até três , lançaremos os primeiros feitiços . Nenhum de nós tentará matar o outro , claro . - Eu não poria as mãos em o fogo - murmurou Harry , observando como Snape cerrava os dentes . -- Um , dois , três ... Os dois balançaram as varinhas acima de os ombros . Snape gritou : * _ Expelliarmus * ! Houve um clarão ofuscante de luz escarlate e Lockhart voou para trás , caindo de o estrado batendo contra a parede , escorregando e indo estatelar se em o chão . Malfoy e alguns de os outros Slytherin aplaudiram . Hermione estava em bicos de os pés . - Acham que ele está bem ? - gritou entredentes . - Quem se rala ? - disseram ao_mesmo_tempo o Ron e o Harry . Lockhart estava a pôr se , hesitante , de pé . O chapéu caíra lhe e o cabelo ondulado estava em um desalinho . - Bem , cá está ! - disse , cambaleando até a o estrado . - Este foi um encantamento para desarmar . Como podem ver , perdi a minha varinha . Ah , obrigado Miss_Brown . Sim , foi uma excelente ideia mostrar lhes isto , professor Snape , mas , se me permite que lhe diga , foi muito óbvio o que ia fazer . Se eu tivesse querido impedis o , teria o feito com a maior de as facilidades . Mas achei que seria educativo deixá os ver ... Snape tinha um ar assassino . Provavelmente Lockhart deu por isso , porque declarou : - Chega de demonstrações . Eu vou passar agora por o meio de vocês e criar duplas . Professor_Snape , se quiser ajudar me ... Entraram por o meio de a multidão , agrupando alunos . Lockhart pôs o Neville com Justin_Finch - _ Fletchley , mas Snape chegou primeiro junto de Harry e de Ron . - Tempo de separar a dupla ideal , parece me - rosnou . - Weasley , tu podes ficar com o Finnigan . Potter ... Harry voltou se automaticamente para Hermione . - Não me parece - disse Snape com o seu sorriso frio . - Mr._Malfoy , venha até aqui . Vamos ver o que faz com o famoso Potter . E a menina , Miss_Granger , pode emparceirar com Miss_Bulstrode . Malfoy aproximou se com o seu passo empertigado e o seu sorriso escarninho . Atrás de ele vinha uma rapariga de os Slytherin , que lembrou a Harry uma imagem que tinha visto em as * _ Férias com Bruxas_Velhas * . Era corpulenta e quadrada e os maxilares avançavam agressivamente . Hermione esboçou um meio sorriso , que ela não retribuiu . - Voltem se para os vossos parceiros - gritou Lockhart - e façam a vénia . Harry e Malfoy mal inclinaram as cabeças , não afastando os olhos um de o outro . - Varinhas preparadas ! - gritou Lockhart . - Quando eu disser três preparem os feitiços para desarmar o vosso opositor . Um ... dois ... três ... Harry levantou a varinha acima de o ombro , mas Malfoy começara logo em o « dois » : o seu feitiço apanhou Harry com tanta força que ele se sentiu como_se tivesse levado com uma frigideira em a cabeça . Tropeçou , mas ainda não estava fora de combate e , sem perder tempo , Harry apontou a varinha a Malfoy e gritou : - * _ Rictusempra ! * Um jacto de luz prateada atingiu Malfoy em o estômago , obrigando o a dobrar se , arfando . - Eu disse desarmar ! - gritava Lockhart sobre as cabeças de a multidão em lata , enquanto Malfoy caía de joelhos . Harry atingira o com o feitiço de as cócegas e ele mal conseguia mexer se para se rir . Harry hesitou com o vago sentimento de que seria pouco desportivo enfeitiçar Malfoy enquanto ele estava caído em o chão , mas ... foi um erro . Tentando respirar , Malfoy apontou a varinha a os joelhos de Harry , balbuciando : « * _ Tarantallegra ! * » e , um segundo depois , as pernas de o Harry tinham começado a mexer se , sem que ele pudesse controlá as , executando uma espécie de dança frenética . - Parem , parem - gritava Lockhart , quando Snape resolveu tomar controlo de a situação . - * _ Finite_Incantatem ! * - bradou . Os pés de o Harry pararam de dançar , Malfoy parou de rir e puderam olhar para_cima . Uma onda de fumo esverdeado pairava sobre todos eles . Neville e Justin estavam caídos em o chão , a arfar . Ron tentava fazer parar um Seamus com cara cor de cinza , pedindo lhe mil desculpas por o que a sua varinha partida eventualmente tivesse feito . Mas Hermione e Millicent_Bulstrode ainda não tinham acabado . Millicent tinha feito a Hermione uma prisão de cabeça e Hermione gritava de dor . As duas varinhas jaziam esquecidas em o chão . Harry deu um salto em frente e afastou Millicent . Não foi fácil , ela era bastante maior do_que ele . - Oh , gente ! - exclamou Lockhart , arrastando se por o meio de a multidão e olhando para os resultados de os duelos . - Vamos pôr de pé , Mcmillan ... cuidado , Miss_Fawcett ... belisque com força que pára logo de sangrar ... - Acho que o melhor é ensinar vos como bloquear feitiços pouco amigáveis - afirmou Lockhart que estava nervosíssimo em o meio de o salão . Olhou para Snape , cujos olhos pretos brilhavam e desviou rapidamente o olhar . - Vamos arranjar um par de voluntários . Longbottom e Finch - _ Fletchley , que tal serem vocês ? - Uma má ideia , professor Lockhart - disse Snape , deslizando como um morcego enorme e cruel . - Longbottom provoca devastação com o feitiço mais simples . Ainda temos de mandar o que restar de o Finch - _ Fletchley para a ala hospitalar dentro_de uma caixa de fósforos . - A cara redonda e rosada de Neville ficou ainda mais rosada . - Que tal o Malfoy e o Potter ? - sugeriu Snape com um sorriso retorcido . - Excelente ideia - disse Lockhart , fazendo sinal a os dois para que se aproximassem de o meio de o salão , enquanto a multidão recuava para lhes dar passagem . - Ouve bem , Harry - disse Lockhart . - Quando o Draco te apontar a varinha , tu fazes assim . Levantou a sua varinha , executando uma tentativa complicada de malabarismo e deixou a cair . Snape sorriu pretensiosamente , enquanto Lockhart a apanhava de o chão , dizendo : - Ups , a minha varinha está demasiado excitada . Snape aproximou se de Malfoy , inclinou se e disse lhe qualquer coisa a o ouvido . Malfoy sorriu também de forma afectada . Harry olhou , nervoso , para Lockhart e pediu : - Professor , podia mostrar me outra_vez aquela coisa para bloquear ? - Estás com medo ? - murmurou Malfoy baixinho , para que Lockhart não pudesse ouvir . - Querias ! - exclamou Harry por o canto de a boca . Lockhart deu um soco em o ombro de o Harry , em a brincadeira . - Basta que faças como eu fiz ! - O quê , deixar cair a varinha ? Mas Lockhart não estava a ouvir - Três , dois , um , zero ! - gritou . Malfoy levantou rapidamente a varinha a o ar e gritou : - * _ Serpensortia ! * A extremidade de a varinha explodiu . Harry viu , horrorizado , uma enorme serpente negra sair de ela , cair pesadamente em o chão a meio de os dois e erguer se disposta a atacar . Ouviram se gritos , enquanto a multidão se afastava , deixando o chão vazio . - Não te mexas , Potter - disse Snape vagarosamente , divertindo se claramente a ver Harry , parado , a olhar em os olhos a serpente . - Eu trato de ela ... - Permita me -- gritou Lockhart . Bramiu a varinha em direcção a a serpente e ouviu se um estoiro . A cobra , em_vez_de desaparecer , voou três metros acima de eles e voltou a cair em o chão com um estrondo enorme . Enraivecida , a sibilar de fúria , rastejou em direcção a Finch - _ Fletchley e pôs se de pé com os dentes a a mostra , pronta a atacar . Harry não soube ao_certo o que o levou a fazer aquilo . Não se lembrava sequer de ter tomado aquela decisão . Só soube que as pernas o fizeram avançar como_se tivesse rodas e que gritou a a serpente : - Larga o ! - E , milagrosa e inexplicavelmente , a serpente voltou a o chão , dócil como uma grande mangueira de jardim , preta e grossa , os olhos agora fixos em os olhos de Harry . Harry sentiu o medo a escoar se . Sabia que a cobra não atacaria mais ninguém , embora não pudesse explicar como sabia . Olhou para Justin a sorrir , esperando vê o aliviado , espantado , ou mesmo agradecido , mas nunca zangado ou assustado . - Que brincadeira é essa ? - gritou o outro e , antes que Harry tivesse tempo de dizer fosse o que fosse , voltou as costas e saiu de o salão . Snape deu um passo em frente , fez um gesto com a varinha e a serpente desapareceu em uma onda de fumo preto . Também ele , Snape , olhava para Harry de uma forma inesperada . Era um olhar arguto e calculista , de que Harry não gostou . Apercebeu se também vagamente de um murmúrio ameaçador que vinha de as paredes em volta . Depois , sentiu um puxão em a túnica . - Vamos - disse a voz de o Ron em o seu ouvido . - Mexe te , vá lá ... Ron arrastou o para fora de o salão . Hermione acompanhava os em a passada rápida . Quando cruzaram a porta , as pessoas que a rodeavam afastaram se , como_se tivessem medo de ser contagiadas . Harry não fazia a mais pequena ideia do_que estava a passar se e , nem Ron , nem Hermione lhe deram qualquer explicação , antes de o terem levado até a a sala comum de os Gryffindor , que se encontrava vazia . Aí , Ron empurrou Harry para uma cadeira de braços e disse : - Tu és um * serpentês * . Porque não nos disseste ? - Eu sou um quê ? - perguntou Harry . - Um * serpentês * ! - exclamou o Ron . - Falas com as cobras . - Eu sei - declarou Harry . - Quer_dizer , esta foi a segunda vez que o fiz . A outra foi há muito_tempo em o jardim zoológico , quando soltei uma Boa_Constrictor a o meu primo Dudley . É uma longa história , mas ela estava a dizer me que nunca tinha estado em o Brasil e eu acho que a libertei sem querer . Foi antes de saber que era feiticeiro . . . - Uma Boa_Constrictor disse te que nunca tinha estado em o Brasil ? - repetiu Ron , quase sem voz . - E então ? - disse o Harry . - Aposto que montes de pessoas aqui fazem o mesmo . - Não fazem , não - afirmou Ron . - Não é um dom muito frequente . Harry , isso é mau . - O que é_que é mau ? - perguntou Harry , que começava a ficar chateado . - O que é_que se passa com todos os outros ? Ouve bem , se eu não tivesse dito a aquela cobra para não atacar o Justin ... - Ah , foi isso que tu disseste ? - Que queres dizer ? Tu estavas lá , ouviste perfeitamente o que eu disse . - Eu ouvi te falar em serpentês - disse o Ron . - Língua de cobra . Podias estar a dizer lhe qualquer coisa . Não admira que o Justin tivesse entrado em pânico . Parecia que estavas a incitar a serpente . Foi assustador , sabes ? Harry olhou para ele espantado . - Eu falei uma língua diferente ? Mas não me apercebi , como posso falar uma língua , sem saber que a conheço ? Ron abanou a cabeça . Tanto ele como Hermione tinham um ar fúnebre . Harry não percebia o que havia em aquilo de tão trágico . - Será que me querem explicar o que há de mal em ter impedido que uma serpente enorme arrancasse a cabeça a o Justin ? - perguntou . - Porque é tão importante como o fiz , se evitei que o Justin fosse juntar se a grupo de os SEM_CABEÇA ? - Importa - disse por fim Hermione , em uma voz abafada . - Porque falar com serpentes era a arte por a qual Salazar_Slytherin ficou famoso . Por isso , o símbolo de os Slytherin é uma serpente . Harry ficou de boca aberta . - Exacto - disse o Ron . - E agora todos em a escola vão pensar que tu és descendente de ele . - Mas não sou - contrapôs Harry com um pânico que não conseguia explicar . - Não vai ser fácil prová o - disse Hermione . - Ele viveu há quase mil anos . Pelo que vimos , podias ser . Em essa noite , Harry ficou acordado durante horas . Por uma fresta de os cortinados de a cama de dossel , olhou para a neve que começava a cair de o lado de_fora de a janela de a torre e perguntou se se poderia ser descendente de Salazar_Slytherin . Afinal , não sabia nada de a família de o pai , os Dursley tinham sempre proibido qualquer pergunta sobre os seus familiares feiticeiros . Calmamente , tentou dizer qualquer coisa em * serpentês * , mas as palavras não saíam . Parecia que era necessário estar frente_a_frente com uma cobra para poder fazê o . Mas eu sou um Gryffindor , pensou Harry , o chapéu seleccionador não me poria aqui se eu tivesse sangue de Slytherin ... - Ah ! - disse uma vozinha dentro de o seu cérebro . - Mas o chapéu seleccionador queria pôr te em os Slytherin , não te lembras ? Harry deu voltas e voltas a a cabeça . Em o dia seguinte , quando visse Justin em a aula de herbologia explicaria lhe que estava a afastar a serpente , não a atiçá a o que , aliás , pensou zangado , dando vários socos em a almofada , qualquer idiota teria percebido . Contudo , em a manhã seguinte , a neve que começara a cair durante a noite , transformara se em uma tempestade tão espessa que a última aula de herbologia de o período foi cancelada : a professora Sprout queria tapar as mandrágoras com peúgas e cachecóis , uma operação arriscada que ela não confiava a ninguém agora_que era tão importante que as mandrágoras crescessem depressa e reabilitassem Mrs._Norris e Colin_Creevey . Junto de a lareira de a sala comum de os Gryffindor , Harry matutava sobre o que se passara enquanto Ron e Hermione aproveitavam o foro para jogar xadrez de feitiçaria . - Com os diabos , Harry - disse Hermione exasperada quando um bispo derrubou um de os cavaleiros de o cavalo , arrastando o para fora de o tabuleiro . - Vai falar com o Justin , se isso é assim tão importante para ti . Harry levantou se e saiu por o buraco de o retrato , perguntando a si próprio onde poderia estar o Justin . O castelo estava mais escuro do_que era habitual durante o dia por causa de a neve espessa e cinzenta que cobria as janelas . A tremer , Harry passou por as salas onde estava a haver aulas , captando lampejos do_que sucedia lá dentro . A professora Mc_Gonagall gritava com alguém que , segundo lhe parecia por o som , transformara o parceiro em um texugo . Resistindo a a tentação de dar uma espreitadela , Harry afastou se pensando que Justin poderia estar a utilizar o tempo de o furo para fazer algum trabalho e resolveu , por isso , ir até a a biblioteca . Um grupo de alunos de os Hufflepuff , que deveriam ter estado em Herbologia , encontrava se , de facto , sentado em as traseiras de a biblioteca , mas não parecia estar a trabalhar . Entre as fileiras de as estantes altas , Harry pôde ver as suas cabeças muito juntas em aquilo que deveria ser uma conversa absorvente . Não conseguia perceber se Justin estaria em o meio de eles . Ia para se aproximar quando apanhou em o ar uma frase e parou para ouvir melhor , escondido em a secção de a invisibilidade . - Portanto - dizia um rapaz corpulento - eu disse a o Justin para se esconder em o nosso dormitório . Isto_é , se o Potter o escolheu como próxima vítima é melhor que ele tenha um * low profile * durante algum tempo . É claro que o Justin já estava a a espera que alguma coisa de o género acontecesse desde_que lhe escapou em uma conversa com o Potter que era filho de Muggles . O Justin disse lhe , inclusivamente , que tinha estado inscrito em Eton . Não é o tipo de coisa que se ande a dizer com o herdeiro de Slytherin a a solta por aí . - Achas mesmo_que é o Potter , Ernie ? - perguntou uma rapariga de tranças loiras , ansiosamente . - Hannah - disse com solenidade o rapaz corpulento . - Ele é um serpentês . Todos sabem que essa é a marca de um feiticeiro negro . Alguma vez ouviste falar de um feiticeiro decente que falasse com as cobras ? O Slytherin era conhecido por « Língua de serpente . . Houve alguns murmúrios antes de Ernie prosseguir : - Lembram se do_que estava escrito em a parede ? * _ Inimigos de o herdeiro , cuidado ! * . O Potter teve que ir a o gabinete de o Filch . E o que é_que acontece a seguir ? A gata de o Filch é atacada . O aluno de o primeiro ano , Creevey , estava a aborrecê o em a partida de Quidditch , a tirar lhe fotografias quando ele estava caído em a lama . E o que é_que acontece a seguir ? Creevey é atacado . - Mas ele parece sempre ser tão simpático - disse Hannah , cheia de dúvidas . - E , bem , foi ele que fez com que o Quem nós sabemos desaparecesse . Não pode ser assim tão mau , pois não ? Ernie baixou misteriosamente a voz . Os Hufflepuff inclinaram se mais uns para os outros e Harry aproximou se para conseguir apanhar as palavras de o Ernie . - Ninguém sabe como ele sobreviveu a aquele ataque de o Quem nós sabemos e , afinal , ainda era um bebé quando aquilo aconteceu . Era para ter explodido feito em estilhaços . Só um feiticeiro negro verdadeiramente poderoso teria sobrevivido a uma maldição de aquelas . - Baixou ainda mais a voz até esta ficar reduzida a um leve murmúrio e disse : - Talvez fosse por isso que o Quem nós sabemos o queria matar , para não ter outro feiticeiro negro a competir com ele . Gostava de saber que outros poderes ocultos terá o Potter . Harry não aguentou mais . Pigarreou alto e saiu detrás de as estantes . Se não estivesse tão zangado teria conseguido ver o lado cómico de a situação : cada_um de os Hufflepuff olhava para ele como_se tivesse sido petrificado , e a cor desaparecera de a cara de o Ernie . - Olá - disse Harry . - Estou a a procura de o Justin_Finch - _ Fletchley . Os piores receios de os Hufflepuff tinham se concretizado . Olharam apavorados para o Ernie . - O que queres de ele ? - perguntou Ernie em uma voz sumida . - Explicar lhe o que aconteceu com aquela cobra em o clube de os duelos - disse Harry . Ernie mordeu os lábios brancos e , em seguida , respirando fundo , respondeu : - Estávamos lá todos . Vimos o que aconteceu . - Então viram que depois de eu falar a serpente recuou - disse Harry . - O que eu vi - insistiu teimosamente Ernie , apesar_de tremer a cada palavra que proferia - foi tu a falares serpentês e a atiçares a cobra conta o Justin . - Eu não a aticei - gritou Harry enraivecido . - Ela nem lhe tocou . - Falhou por_pouco - disse Ernie . - E , para o caso de estares com ideias - acrescentou com má cara - posso dizer te que a minha família provem de nove gerações de bruxas e feiticeiros e que o meu sangue é tão puro como o de qualquer feiticeiro , portanto ... - Quero lá saber qual é o teu sangue - disse Harry furioso . - Porque iria eu atacar os filhos de os Muggles ? - Ouvi dizer que detestas os Muggles com quem vives - disse Ernie rapidamente . - Não é possível viver com os Dursley sem os detestar - explicou Harry . - Gostava de te ver lá em casa . Girou sobre os calcanhares e saiu furioso de a biblioteca sob o olhar reprovador de Madam_Prince que limpava a capa dourada de um enorme livro de encantamentos . Harry avançou a as cegas por os corredores , quase sem ver por_onde ia de tão furioso que estava . O resultado foi chocar com algo enorme e sólido que o fez recuar e cair a o chão . - Ah ! Olá , Hagrid - disse , olhando para_cima . Hagrid tinha o rosto completamente tapado com um lenço coberto de neve , mas não podia ser mais ninguém , enchendo assim o corredor dentro de o seu sobretudo de pele de toupeira . De uma de as enormes mãos enluvadas , pendia um galo morto . - Tudo bem , Harry ? - perguntou , afastando o lenço para poder falar . - Porque não estás em a aula ? - Foi cancelada - disse Harry , pondo se de pé . - O que estás a fazer aqui ? Hagrid mostrou lhe o galo inerte . - É o segundo qu'aparece morto este período - explicou . - Ou são raposas ou um vampiro chato e eu preciso d'autorização de o director p'ra fazer um feitiço em volta de a capoeira . Aproximou se e olhou mais de perto para o Harry , por debaixo de as suas sobrancelhas espessas e cheias de neve . - Tens a certeza que estás bem ? Pareces exaltado e preocupado . Harry não foi capaz de repetir o que Ernie e os outros Hufflepuff lhe tinham dito . - Não é nada , tenho de ir , Hagrid . A próxima aula é Transfiguração e preciso de ir buscar os meus livros . Afastou se , a cabeça cheia com tudo_o_que Ernie dissera a seu respeito . « * _ O_Justin já estava d espera que uma coisa de o género acontecesse desde_que deixou escapar , falando com o Potter , que era filho de Muggles * ... » Harry subiu as escadas a correr e entrou por um corredor que estava particularmente escuro . As tochas tinham sido apagadas por uma ventania gelada que entrava por uma janela de fecho estragado . Estava a meio de o corredor quando tropeçou em uma coisa que se encontrava em o chão . Olhou para ver o que era e sentiu como_se o estômago se tivesse dissolvido . Justin_Finch - _ Fletchley estava em o chão , rígido e frio com uma expressão de horror em o rosto e os olhos abertos voltados para o tecto . E não era tudo . Junto de ele estava mais alguém , a visão mais estranha que Harry tivera em toda_a sua vida . Era_o_Nick quase sem cabeça que não estava cor de pérola nem transparente e sim escuro como fumo . Flutuava imóvel , em a horizontal , 12 centímetros acima de o chão , a cabeça meio tombada e em o rosto uma expressão de choque idêntica a a de o Justin . Harry pôs se de pé com a respiração acelerada e o coração a bater como um tambor contra as costelas . Olhou desvairado para ambos os lados de o corredor deserto e viu uma fila de aranhas que corriam a_toda_a velocidade em a direcção oposta a a de os corpos . Os únicos sons eram as vozes abafadas de os professores em as aulas que decorriam de ambos os lados . Podia fugir e ninguém saberia que ali tinha estado , mas não era capaz de os abandonar assim . Tinha de ir procurar ajuda . Será que alguém acreditaria que ele não tivera nada que ver com aquilo ? Enquanto ali estava , em pânico , uma porta a o seu lado abriu se com grande estrondo . Peeves , o * poltergeist * , saiu a os gritos . - Oh ! É o Potter , olá , Potter - alardeou Peeves , lançando por o ar os óculos de o Harry quando passou por ele . - O que está o Potter a fazer ? Porque está o Potter escondido ? Peeves passou de cabeça para baixo , a meio de uma cambalhota em o ar , quando viu Justin e Nick quase sem cabeça . Com um movimento súbito endireitou se , encheu os pulmões de ar e , antes que Harry pudesse impedi o , gritou : __ ataque ! ataque ! outro ataque ! nenhum mortal ou fantasma está em segurança . corram , fujam , __ ataaaque ! Crac , Crac , Crac . Uma atrás de a outra , foram se abrindo todas_as portas a o longo de o corredor e as pessoas saíram para fora de as salas de aula . Durante alguns longos minutos houve uma tal confusão que Justin esteve em perigo de ser esmagado e as pessoas não paravam de chocar com o Nick quase sem cabeça . Harry deu por si colado a a parede enquanto os professores exigiam a os gritos que se fizesse silêncio . A professora Mc_Gonagall veio a correr , seguida por todos os alunos , um de os quais ainda trazia o cabelo a as riscas pretas e brancas . Usou a varinha para produzir um ruído que repôs o silêncio e mandou os alunos todos para dentro de as salas de aula . Mal lugar ficou desimpedido surgiu Ernie , o jovem Hufflepuff . - * _ Apanhado em flagrante ! * - gritou , com o rosto totalmente branco , apontando dramaticamente o dedo par Harry . - Basta_Mcmillan - disse , de forma cortante , a professora Mc_Gonagall . Peeves andava para_cima e para baixo , observando a cena com um sorriso maldoso . Sempre adorara o caos . Quando os professores se inclinaram sobre Justin e sobre o Nick quase sem cabeça para os examinar , iniciou uma cantilena : * _ Oh ! Potter , que fizeste , seu grande bandido * _ Tu matas os estudantes porque achas divertido . * - Basta , Peeves - rosnou a professora Mc_Gonagall e Peeves afastou se , deitando a língua de_fora a o Harry . Justin foi levado para a ala hospitalar por o professor Flitwick e por o professor Sinistra_do_Departamento_de_Astronomia , mas ninguém parecia saber o que fazer em relação a o Nick quase sem cabeça . Por fim , a professora Mc_Gonagall fez aparecer em o ar um enorme leque que entregou a Ernie com o encargo de conduzir , escadas acima , por os ares o Nick quase sem cabeça . Ernie assim fez , soprando Nick como_se fosse um aerodeslizador e deixando , de este modo , o Harry e a professora Mc_Gonagall a sós . - Por aqui , Potter - disse ela . - Professora , eu juro que não ... - Isso não é comigo , Potter - afirmou a professora Mc_Gonagall sinteticamente . Caminharam em silêncio até uma esquina e ela parou perante uma gárgula de pedra extremamente feia . - Refresco de limão - disse . Era obviamente uma senha porque a gárgula animou se subitamente e saltou para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes . Apesar_de estar apavorado com o que ia acontecer a seguir , Harry não conseguiu evitar um sentimento de fascínio . Por detrás de a parede estava uma escada em espiral que se movia lentamente para_cima como um elevador . E quando ele e a professora Mc_Gonagall puseram os pés em o primeiro degrau , Harry ouviu a parede fechar se atrás de eles . Subiram em círculos , cada_vez_mais alto até que , por fim , um_pouco tonto , Harry pôde ver uma porta de carvalho reluzente com um puxador de bronze em forma de abutre . Harry calculava onde estava a ser levado . Devia ser ali que morava Dumbledore . XII_A poção * polisuco * Saltaram de a escada de pedra lá mesmo em cima e a professora Mc_Gonagall bateu a a porta . Ela abriu se silenciosamente dando lhes entrada . A professora Mc_Gonagall disse lhe que esperasse e deixou o sozinho . Harry olhou em volta . Uma coisa era certa : de todos o escritórios de professores que conhecia , o de Dumbledor era , de longe , o mais interessante . Se não estivesse com um medo de morte de ser expulso teria adorado explorá o . Era uma sala grande e bonita em forma de círculo que estava cheia de barulhinhos estranhos . Havia um grande número de instrumentos prateados sobre várias mesas de pernas finas que zumbiam emitindo pequenas baforadas de fumo . As paredes estavam cobertas de fotografias de antigos directores e directoras , todos eles a dormir tranquilamente em as suas molduras . Havia ainda uma enorme secretária pés de garra . E , sobre uma prateleira atrás de ela , um chapéu de feiticeiro andrajoso e puído : * o chapéu seleccionador * . Harry hesitou . Lançou um olhar cauteloso a as bruxas e feiticeiros adormecidos a o longo de as paredes . Com certeza não fazia mal se lhe pegasse e o experimentasse só para ver ... só para ter a certeza de que ele o pusera em a equipa certa . Deu a volta a a secretária , retirou o chapéu de a prateleira e baixou o lentamente sobre a cabeça . Era demasiado grande e escorregou lhe para os olhos como de a outra_vez que o tinha posto . Harry olhou para o forro preto , enquanto esperava . Por fim , uma vozinha disse lhe a o ouvido : - Estás com macaquinhos em o sótão , Harry_Potter ? - Er ... sim - balbuciou Harry . - Er ... desculpa incomodar te , queria saber ... - Querias saber se te pus em a equipa certa - disse prontamente o chapéu . - Sim ... tu és particularmente difícil de seleccionar , mas eu mantenho o que disse antes . - O coração de Harry deu um salto . - Terias ficado bem em os Slytherin . Harry sentiu o estômago contorcer se . Agarrou o chapéu por a aba e tirou o de a cabeça . O chapéu seleccionador ficou pendurado em a mão de ele , inerte , desbotado e sujo . Harry voltou a pô o em a prateleira , sentindo se enjoado . - Estás enganado ! - disse em voz alta a o chapéu parado e silencioso , mas ele não se mexeu . Harry recuou para o observar melhor e foi então que ouviu um ruído estranho e grasnado atrás_de si que o fez dar uma volta . Não estava só , afinal_de_contas . Em um poleiro dourado atrás de a porta estava um pássaro de aspecto decrépito que parecia um peru meio depenado . Harry olhou para ele espantado e o pássaro olhou o também , grasnando de_novo . Harry achou que ele devia estar muito doente porque tinha os olhos parados e , enquanto olhava para ele , caíram lhe mais algumas penas de a cauda . Estava justamente a pensar que a única coisa que lhe faltava era que o pássaro de estimação de Dumbledore morresse quando ele estava ali sozinho com ele , em o escritório , quando a ave se incendiou . Harry gritou , em estado de choque , e recuou até a a secretária . Olhava nervosamente em volta , em busca de um jarro de água , mas não viu nenhum . O pássaro , entretanto , transformara se em uma bola de fogo , dera um guincho e , em seguida , desaparecera , deixando apenas um monte de cinzas em o chão . A porta de o escritório abriu se . Dumbledore entrou com ar taciturno . - Professor - gaguejou Harry . - O seu pássaro ... eu não pode fazer nada ... ele incendiou se . Para seu grande espanto , Dumbledore sorriu . - Já não era sem tempo . Estava com um aspecto horrível em os últimos dias . Fartei me de lhe dizer que fizesse qualquer coisa . Riu se entre dentes com a expressão em o rosto de Harry . - A Fawkes é uma fénix , Harry . As fénix ardem quando é altura de morrer e renascem de as cinzas , repara ... Harry olhou mesmo a_tempo_de ver um passarinho recém-nascido , todo enrugado , espetar a cabeça fora de as cinzas . Era quase tão feio como o antigo . - É uma pena que a tenhas conhecido em dia de arder - disse Dumbledore , passando para trás de a secretária . - É muito bonita a maior parte de o tempo , com uma plumagem vermelha e dourada . São criaturas fascinantes , as fénix . Podem transportar cargas pesadíssimas , as suas lágrimas têm propriedades curativas e são animais de estimação extremamente fiéis . Com o choque de a fénix a pegar fogo , Harry esquecera se de o motivo porque ali estava , mas tudo voltou rapidamente quando Dumbledore se instalou em a cadeira de espaldar alto e o fixou com os seus olhos azuis e penetrantes . Contudo , antes que ele tivesse tido tempo de falar , a porta de o escritório abriu se de par em par com um enorme estrondo e Hagrid entrou com um olhar tresloucado , o lenço todo torcido em volta de a cabeça hirsuta e o galo morto ainda pendurado em a mão . - Não foi Harry , professor Dumbledore - disse , aflito . - Eu tinha estado a falar com ele poucos segundos antes de o rapazinho ser encontrado , ele não teve tempo professor ... Dumbledore tentou dizer qualquer coisa , mas Hagrid continuou , abanando o galo em o meio de a sua agitação e espalhando penas por todo o lado . - Não pode ter sido ele . Eu juro em a frente de o ministro de a magia , se for preciso ... - Hagrid , eu ... -- Tem o rapaz errado , professor . Eu sei qu'o Harry nunca ... - Hagrid - disse Dumbledore , elevando a voz . - Eu não penso que o Harry tenha atacado aquelas pessoas . - Oh ! - disse Hagrid , com o galo pendendo inerte a o seu lado . - Certo , ' tão eu espero lá fora , director . E saiu com ar envergonhado . - O senhor não acha que tenha sido eu ? - repetiu Harry cheio de esperança , enquanto Dumbledore sacudia penas de galo de cima de a secretária . - Não , Harry , não acho - afirmou Dumbledore , apesar de a sua expressão ser de_novo sombria . - Mas mesmo_assim quero falar contigo . Harry esperou ansiosamente enquanto o director o observava com as pontas de os dedos longos unidas . - Tenho de saber uma coisa . Harry , há alguma pergunta que queiras fazer me , qualquer que ela seja ? Harry não soube o que dizer . Lembrou se de Malfoy a gritar * _ Vocês serão os próximos , sangues de lama * e de a poção * _ Polisuco * em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Depois pensou em a voz sem corpo que ouvira duas vezes e em o que o Ron dissera * _ Ouvir vozes que ninguém mais ouve não é bom sinal , nem mesmo em o mundo de a feitiçaria * . Pensou também em o que toda_a_gente dizia de ele e em o receio cada_vez maior de ter uma relação qualquer com Salazar_Slytherin ... - Não - disse por fim . - Não há nada , professor . O ataque duplo a Justin e a o Nick quase sem cabeça transformou o que até_então era nervosismo em verdadeiro pânico . Curiosamente fora o destino de o Nick quase sem cabeça o que mais preocupara as pessoas . Quem poderia ter feito aquilo a um fantasma ? - perguntavam uns a os outros . - Que poder terrível era aquele , capaz de afectar alguém que já tinha morrido ? Houve uma precipitação enorme em a marcação de os bilhetes em o Expresso_de_Hogwarts , pois todos os alunos quiseram ir passar o Natal a casa . - Por este caminho , vamos ser os únicos a ficar - disse o Ron a o Harry e a a Hermione . - Nós , o Malfoy , o Goyle e o Crabbe , que férias lindas que vão ser ! Crabbe e Goyle que faziam sempre o que Malfoy fazia , tinham se inscrito para ficar também durante as férias . Mas Harry estava contente por a maior parte se ir embora . Estava farto de ver gente a afastar se em os corredores como_se ele fosse mostrar os dentes ou cuspir veneno . Estava cansado de tantos segredinhos , de os ver apontar e segredar quando passava . O Fred e o George , esses achavam muito divertido . Vinham , de propósito , pôr se a a frente de ele e atravessavam os corredores a gritar : - Abram alas para o herdeiro de Slytherin , vai passar um feiticeiro verdadeiramente cruel . Percy discordava totalmente de este comportamento . - Não é um assunto para se brincar - dizia com frieza . - Sai mas é de o caminho , Percy - dizia o Fred . - O Harry está com pressa . - Sim , ele vai a a Câmara_dos_Segredos tomar uma chávena de chá com o seu servidor dentes de serpente - completava Fred com uma gargalhada . Ginny também não lhes achava graça . - Cala te - gritava ela sempre_que o Fred perguntava em voz alta a o Harry quem estava a pensar atacar a seguir , ou quando George fingia afastá o com um enorme dente de alho . Harry não se importava . Fazia o sentir se melhor o facto de constatar que , pelo_menos para o Fred e para o George , a ideia de ele ser o herdeiro de Slytherin era absolutamente ridícula . Mas as palhaçadas de eles pareciam ofender Draco_Malfoy que , de cada_vez que os via , ficava mais irritado . - É porque está ansioso por dizer que é mesmo ele - disse o Ron com ar conhecedor . - Sabes como ele detesta que alguém o ultrapasse e tu estás a receber todo o crédito por o seu trabalho sujo . - Não vai ser por muito_tempo - disse Hermione com uma voz satisfeita . - A poção * polisuco * está quase pronta . Um de estes dias arrancamos lhe a verdade . Finalmente , o período chegou a o seu termo e um silêncio profundo como a neve em os campos desceu sobre o castelo . Harry adorou a tranquilidade e apreciou o facto de ele , Hermione e os Weasley terem a torre de os Gryffindor por sua conta , poderem jogar a as explosões bem alto , sem incomodar ninguém e praticar duelos entre si . O Fred , o George e a Ginny tinham preferido ficar em a escola a ir com Mr. e Mrs._Weasley a o Egipto visitar o Bill . Percy que reprovava e considerava infantil a conduta de eles , não passava muito_tempo em a sala comum de os Gryffindor . Já lhes dissera pomposamente que só ficara ali em o Natal , por ser sua obrigação como prefeito apoiar os professores em aquela época agitada . A manhã de o dia de Natal clareou branca e fria . Harry e Ron , os únicos que estavam em o dormitório , foram acordados muito cedo por Hermione que entrou , toda vestida , transportando presentes para ambos . - Acordem - disse em voz alta , abrindo os cortinados . - Hermione , tu não devias estar aqui - exclamou o Ron , protegendo os olhos de a luz . - Feliz_Natal para ti também - disse Hermione , atirando lhe o presente que tinha para ele . - Estou acordada há quase uma hora , acrescentando mais asas de renda a a poção . Está pronta . Harry sentou se , subitamente acordado . - Tens a certeza ? - Absoluta - disse ela , afastando o rato Scrabbers para se sentar a os pés de a cama de dossel . - Se vamos mesmo tomá a , acho que devia ser logo a a noite . Em esse momentzo , a Hedwig entrou em o quarto , transportando em o bico um embrulho pequenino . - Olá - disse Harry , feliz a o vê a aterrar em a sua cama . - Já me falas outra_vez ? Ela mordiscou lhe a orelha de uma forma afectuosa que foi , de longe , um presente melhor do_que aquele que transportava e que era afinal de os Dursley . Tinham mandado a Harry um palito para os dentes com um cartão pedindo lhe que se informasse se não poderia ficar , também em o Verão , em Hogwarts . Os outros presentes que Harry recebeu foram bastante melhores . Hagrid mandara lhe uma lata grande de bombons de melaço que ele decidiu amolecer a o lume antes de comer , o Ron deu lhe um livro chamado * _ Voando com Canhões * , que narrava factos interessantes sobre a sua equipa favorita de Quidditch e Hermione trouxera lhe uma luxuosa pena de águia . Harry abriu o último presente onde vinha uma camisola novinha , feita a a mão por Mrs._Weasley e um grande bolo de passas . Pegou em o cartão com uma nova sensação de culpa , pensando em o carro de Mr._Weasley que não voltara a ser visto desde_que chocara contra o salgueiro zurzidor e em a quantidade de infracções que ele e o Ron tinham em mente . Ninguém , nem mesmo os que estavam cheios de medo por terem de tomar a poção * polisuco * a seguir , deixou de adorar o jantar de Natal em Hogwarts . O salão nobre estava magnífico . Não_só havia uma_dúzia de árvores de Natal , cobertas de geada e espessas serpentinas de azevinho e visco bravo cruzando se junto de o tecto como caia uma neve encantada quente e seca . Dumbledore conduziu os em uma de as suas canções de Natal preferidas enquanto Hagrid se agitava , falando cada_vez_mais alto , a cada gole de gemada que tomava . O Percy que não dera por_que Fred enfeitiçara o seu distintivo de prefeito , onde agora podia ler se « cabeça de alfinetes « , continuava a perguntar a todos para_onde estavam a olhar . Harry nem_sequer se importou com os comentários que Draco_Malfoy fazia bem alto , de a mesa de os Slytherin acerca de a sua camisola nova . Com alguma sorte , Malfoy iria ser desmascarado dentro_de algumas horas . Harry e Ron mal tinham acabado a terceira dose de pudim de Natal quando Hermione os fez sair de o salão a a pressa para acabarem de tratar de os planos para essa noite . - Ainda precisamos de um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos - disse com o ar mais natural de este mundo como_se estivesse a mandá os a o supermercado comprar detergente . - E , é claro que o ideal será conseguirmos alguma coisa de o Crabbe e de o Goyle , são os melhores amigos de o Malfoy , ele conta lhes tudo . E precisamos também de ter a certeza de que eles não vão entrar em a sala quando vocês estiverem a interrogar o Malfoy . - Eu tenho tudo pensado - prosseguiu ela , ignorando a expressão estupefacta de Harry e Ron . Pegou em dois apetitosos bolos de chocolate . - Pus lhes um encantamento de sono . Vocês só têm de fazer com que o Crabbe e o Goyle os encontrem . Sabem como eles são gulosos , vão logo comê os . Quando estiverem a dormir , tirem lhes alguns cabelos e escondam nos em uma despensa de vassouras . Harry e Ron olharam , incrédulos , um para o outro . -- Hermione , eu não creio que ... -- Isto pode correr muito mal ... Mas Hermione tinha um brilho inflexível em os olhos que não era muito diferente do_que costumavam ver em o olhar de a professora Mc_Gonagall . - A poção não nos serve de nada sem os cabelos de o Crabbe e de o Goyle - disse com firmeza . - Vocês querem mesmo descobrir coisas sobre o Malfoy , não querem ? - Pronto , está bem - disse Harry . - Mas , e tu , vais arranjar cabelos de quem ? - Eu já tenho esse assunto resolvido - disse Hermione sorridente , tirando um frasquinho de o bolso e mostrando lhes um cabelo que lá estava dentro . - Lembram se de a Millicent_Bulstrode que lutou comigo em o clube de os duelos ? Ela deixou isto em o meu manto quando tentava estrangular me . E foi passar o Natal a casa , portanto , basta me dizer a os Slytherins que decidi voltar . Quando Hermione saiu para verificar de_novo a poção polisuco , Ron voltou se para Harry com uma expressão lúgubre . - Alguma vez viste um plano onde tantas coisas pudessem correr mal ? Mas para grande espanto de ambos , a primeira fase de a operação decorreu tão naturalmente como Hermione previra . Eles esconderam se em o * hall * de entrada , depois de o lanche de Natal , a a espera de o Crabbe e de o Goyle que tinham ficado sozinhos a a mesa de os Slytherin , deitando abaixo a quarta dose de bolo inglês . Harry colocou os bolos de chocolate em o fim de o corrimão . Quando avistaram Crabbe e Goyle a sair de o salão , Harry e Ron esconderam se rapidamente atrás_de uma armadura que estava junto de a porta de entrada . - Como_se pode ser tão estúpido ? - murmurou Ron sem se mexer enquanto Crabbe apontava satisfeitíssimo , mostrando a Goyle os bolos e agarrando os . Com um riso estúpido , enfiaram nos inteiros em as bocas enormes . Durante um momento , ambos mastigaram avidamente com olhares vitoriosos em o rosto . Depois , sem que a expressão se alterasse , caíram para trás e estatelaram se em o chão . Mais difícil foi transportá os para a despensa de o outro lado de o * hall * . Uma_vez armazenados em o meio de os baldes e esfregões , Harry arrancou alguns de os pêlos que cobriam a cabeça de o Goyle e Ron tirou alguns cabelos a o Crabbe . Roubaram lhes também os sapatos porque os de eles eram demasiado pequenos para os enormes pés de o Crabbe e de o Goyle . Em seguida , ainda atordoados com o que tinham acabado de fazer , correram até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mal conseguiam ver com o fumo preto e espesso que saía de o cubículo onde Hermione mexia o caldeirão . Tapando o rosto com os mantos , Harry e Ron bateram a o de leve em a porta . - Hermione ? Ouviram o ruído de o trinco e Hermione apareceu com a cara lustrosa e um ar ansioso . Por trás de ela ouviam o gloop gloop de a poção espessa e gorgolejante . Em o banco de a casa_de_banho estavam três copos de vidro . - Conseguiram ? - perguntou Hermione quase sem fôlego . Harry mostrou lhe o cabelo de o Goyle . - _ óptimo . Eu tirei estes mantos suplementares de a lavandaria - disse ela , pegando em uma pequena saca . - Vocês vão precisar de tamanhos maiores se vão ser o Crabbe e o Goyle . Olharam os três para o caldeirão . Vista de perto , a poção parecia uma lama espessa e escura a borbulhar indolentemente . - Tenho a certeza que fiz tudo certo - disse Hermione nervosa , relendo a página manchada de * _ Moste_Potente_Potions * . - Tem o aspecto que o livro diz que deveria ter ... depois de a tomar temos precisamente uma hora antes de nos transformarmos de_novo em as pessoas que somos . - E agora ? - murmurou o Ron . - Separamos a em três copos e adicionamos os cabelos . Hermione encheu cada_um de os copos com uma concha de sopa . Em seguida , retirou com a mão a tremer o cabelo de Millicent_Bulstrode de dentro de o frasquinho e pô o em o primeiro copo . A poção chiou fortemente como uma chaleira a ferver e espumou como louca . Um segundo depois ganhara um tom de amarelo doentio . - Urgh ! Essência_de_Millicent_Bulstrode - disse Ron , olhando com repugnância . - Aposto que o sabor é nojento . - Deitem os vossos - disse Hermione . Harry deixou cair o cabelo de o Goyle em o copo de o meio e Ron lançou o de o Crabbe em o último . Ambos chiaram e espumaram : o de o Goyle ficou de um tom caqui , o de o Crabbe de um castanho-escuro algo tenebroso . - Esperem - pediu Harry quando Ron e Hermione pegaram em os copos . - Será melhor não os tomarmos aqui todos juntos em um cubículo ; quando em os transformarmos não vamos cá caber e Millicent_Bulstrode não é nenhum duende . - Bem pensado - admitiu o Ron , abrindo a porta . - Cada_um em seu cubículo . Com todo o cuidado , para não entornar nem uma gota de a poção polisuco , Harry esgueirou se para o cubículo de o meio . - Prontos ? - perguntou . - Prontos - responderam as vozes de o Ron e de a Hermione . - Um , dois , três . Tapando o nariz , Harry bebeu a poção em dois grandes tragos . Tinha o sabor de a couve demasiado cozida . Os seus interiores começaram imediatamente a contorcer se como_se tivesse engolido serpentes vivas . Dobrado , Harry perguntava a si próprio se iria vomitar . Depois , uma sensação de ardor espalhou se rapidamente de o estômago até a as pontas de os dedos de as mãos e de os pés . Em seguida , fazendo o sobressaltar se , sobreveio o sentimento horrível de estar a derreter enquanto a pele de todo o seu corpo borbulhava como cera quente e , perante os seus olhos , as mãos começaram a crescer , os dedos a engrossar , as unhas a alargar e as articulações a tornarem se protuberantes como ferrolhos . Os ombros retesaram se dolorosamente e uma comichão em a testa preveniu o de que o cabelo estava a rastejar em direcção a as sobrancelhas . As túnicas rasgaram se enquanto o tórax se expandia como um barril , rebentando com os seus anéis . Os pés estavam em grande sofrimento dentro_de sapatos quatro números abaixo . Tão depressa como começara , tudo parou . Harry estava caído em o chão de pedra fria , ouvindo a Murta_Queixosa gorgolejando taciturna em o cubículo de o fundo . Com alguma dificuldade tirou os sapatos e levantou se . Era então assim que o Goyle se sentia ! Com a mão enorme a tremer , despiu a sua túnica que lhe ficava 30 centímetros acima de os tornozelos , pegou em as túnicas suplementares e amarrou os atacadores de os sapatos abotinados de o Goyle . Quis escovar o cabelo para o afastar um_pouco de os olhos e deu apenas com os pêlos hirsutos que lhe cresciam em a testa . Apercebeu se então de que os óculos lhe toldavam a visão porque o Goyle , obviamente , não precisava de eles . Tirou os e gritou . - Vocês estão bem ? - De a sua boca saiu a voz baixa e grossa de o Goyle . - Sim - respondeu lhe o grunhido de o Crabbe , a a sua direita . Harry abriu a porta de o cubículo e dirigiu se a o espelho partido . O Goyle olhava o de o outro lado com os seus olhos parados . Harry coçou a orelha e Goyle fez o mesmo . A porta de o Ron abriu se . Olharam um para o outro . Harry estava pálido e chocado . O amigo não se distinguia de o Crabbe , desde o corte de cabelo em forma de tigela até a os longos braços de gorila . - É inacreditável - disse o Ron , aproximando se de o espelho e beliscando o nariz achatado de o Crabbe . - Inacreditável ! - É melhor irmos indo - disse Harry , alargando a pulseira de o relógio que lhe cortava o pulso . - Ainda temos de descobrir onde fica a sala comum de Slytherin . Só espero que encontremos alguém que vá para lá e que nós possamos seguir . Ron que tinha estado a olhar espantado para ele , comentou : - Não imaginas como é bizarro ver o Goyle a pensar - bateu em a porta de Hermione . - Vamos , temos que ir ... Respondeu lhe uma voz aguda : - Eu ... eu acho que afinal não vou . Vão vocês sem mim . - Hermione , nós sabemos que a Millicent_Bulstrode é feia , ninguém vai pensar que és tu . - Não , a sério , acho que não vou . Despachem se vocês os dois , estão a perder tempo . Harry olhou para Ron , baralhado . - Aquilo parece mais de o Goyle , é como ele fica sempre_que algum professor lhe faz uma pergunta . - Estás bem , Hermione ? - perguntou Harry , através de a porta . - _ óptima , estou óptima , vão se embora . Harry olhou para o relógio . Cinco preciosos minutos tinham já passado . - Encontramo nos aqui , está bem ? - disse . Os dois abriram a porta de a casa_de_banho com todo o cuidado , viram se o caminho estava livre e saíram . - Não balances assim os braços - disse o Harry a o Ron . - Hein ? - O Crabbe anda sempre com eles esticados . - Assim ? - Isso , assim está melhor . Desceram a escadaria de mármore . Só precisavam agora de um Slytherin que pudessem seguir até a a sala comum , mas não havia ninguém por perto . - Tens alguma ideia ? - perguntou Harry em um murmúrio . - Os Slytherin vêm sempre de ali para o pequeno-almoço - disse o Ron , apontando para a entrada de os calabouços . Mal tinha pronunciado estas palavras quando uma rapariga de cabelo comprido a os caracóis , apareceu . - Desculpa - disse o Ron , sem perder tempo . - Esquecemo nos de o caminho para a nossa sala comum . - Como ? - disse a rapariga com a maior frieza . - A * nossa * sala comum ? Eu sou uma Ravenclaw . Afastou se , olhando para eles , desconfiada . Harry e Ron desceram apressadamente os degraus de pedra até a a escuridão . Os passos ecoavam em o silêncio , à_medida_que os pés enormes de Crabbe e Goyle tocavam em o chão , fazendo os sentir que as coisas não iam ser tão fáceis como eles desejavam . Os corredores labirínticos estavam desertos . Andaram e tornaram a andar por os subterrâneos , olhando constantemente para os relógios para ver quanto tempo ainda lhes restava . Depois de um quarto de hora , quando começavam a ficar desesperados , ouviram um movimento súbito . - Olha - disse o Ron , agitadamente . - Agora é um de eles . A silhueta saía de uma sala , mas quando se aproximaram o coração de ambos esmoreceu . Não era um Slytherin , era Percy . - O que estás a fazer aqui em baixo ? - perguntou o Ron surpreendido . - Isso - disse ele friamente - não é de a tua conta . És o Crabbe , não és ? - Er ... sim , sim - respondeu o Ron . - Então vão para o vosso dormitório - ordenou Percy com firmeza . - Não é seguro andar a passear por os corredores escuros em os dias que correm . - Tu andas -- fez notar o Ron . - Eu - disse o Percy endireitando se - sou um prefeito . Nada vai atacar me . Ouviu se , de repente , uma voz por_detrás_de Harry e Ron . Era_Draco_Malfoy e , pela_primeira_vez em a vida , Harry ficou satisfeito a o vê o . - Aí estão vocês - disse de modo arrastado , olhando para eles . - Têm estado a chafurdar em o salão este tempo todo ? Tenho andado a a vossa procura , quero mostrar vos uma coisa muito divertida . Malfoy olhou misteriosamente para Percy . - E o que fazes tu aqui , Weasley ? - perguntou com ar de desprezo . Percy olhou , sentindo se ultrajado . - Fazes favor de mostrar um_pouco mais de respeito por um prefeito de a escola - disse . - Não gosto de o teu ar . Malfoy riu se e fez sinal a o Harry e a o Ron para que o seguissem . Harry quase ia pedindo desculpa a o Percy , mas deu se conta a tempo . Apressaram se a seguir o Malfoy que disse , mal viraram em o corredor seguinte : - Aquele Peter_Weasley ... - O Percy - corrigiu Ron automaticamente . - Ou isso - continuou Malfoy . - Ultimamente tenho o visto muitas_vezes a andar por aí sorrateiramente e aposto que sei o que ele quer . Pensa que vai apanhar o herdeiro de Slytherin sozinho . Deu uma pequena gargalhada ridícula . Harry e Ron trocaram olhares nervosos . Malfoy parou junto de uma parede de pedra húmida . - Qual é a senha ? - perguntou a o Harry . - Er ... - Ah ! sim , sangue puro - disse Malfoy sem ouvir e uma porta de pedra , oculta em a parede , abriu se . Malfoy entrou e Harry e Ron seguiram o . A sala comum de os Slytherin era uma ampla divisão subterrânea com espessas paredes de pedra e um tecto de o qual estavam pendurados por correntes vários candeeiros redondos que davam uma luz esverdeada . O fogo crepitava em uma lareira elaboradamente esculpida em frente de a qual se viam as silhuetas de vários Slytherins sentados em cadeiras igualmente esculpidas . - Esperem aí - disse Malfoy a o Harry e a o Ron , encaminhando os para um par de cadeiras vazias , longe de o lume . - Eu vou buscar o que o meu pai acaba de me mandar . Sem saber o que Malfoy iria mostrar lhes , Harry e Ron sentaram se , fazendo todos os possíveis por parecer a a vontade . Malfoy voltou um minuto depois , trazendo em a mão o que parecia ser um recorte de jornal . Pô o debaixo de o nariz de o Ron . - Vais te rir - disse . Harry viu os olhos de o Ron abrirem se como_se estivesse em estado de choque . Viu o ler o recorte rapidamente , dar uma gargalhada forçada e estender lhe o em seguida . Tinha sido retirado de o * _ Profeta_Diário * e dizia : inquérito em o ministério de a magia * _ Arthur_Weasley , chefe de o Gabinete_de_Mau_Uso_dos_Utensílios_dos_Muggles foi hoje multado em cinquenta galeões por ter enfeitiçado um carro de os Muggles . * _ O senhor Lucius_Malfoy , Membro_do_Conselho_Directivo_da_Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts , onde o carro enfeitiçado foi chocar em o princípio de este ano , exigiu hoje a demissão de Mr._Weasley . « * _ O_Weasley trouxe o descrédito a o Ministério « - declarou Mr._Malfoy a o nosso repórter . - « É claramente incompetente para fazer cumprir as leis e a sua protecção ridícula de os Muggles deveria ir imediatamente para a sucata . » * _ Mr._Weasley recusou se a fazer comentários , mas a sua mulher disse a os repórteres que desaparecessem de ali ou lançaria contra eles o vampiro de a família * . - Então - disse Malfoy impaciente quando Harry voltou a entregar lhe o recorte . - Não achas o_máximo ? - Ha , ha - fez Harry tristemente . - O Arthur_Weasley gosta tanto de os Muggles que era capaz de partir a sua varinha a o meio para se juntar a eles - disse Malfoy com desprezo . - Ninguém diria que os Weasley eram sangue puro a avaliar por o modo como_se comportam . A cara de o Ron , ou melhor , de o Crabbe , contorceu se de raiva . - O que é_que se passa ? - perguntou Malfoy . - Dores de estômago - gemeu o Ron . - Então vai a a ala hospitalar e dá a todos aqueles sangues de lama um pontapé de a minha parte - disse Malfoy com o seu riso escarninho . - Sabes que estou espantado por o * _ Profeta_Diário * ainda não se ter referido a todos estes ataques - continuou pensativamente . - Calculo que o Dumbledore deve estar a tentar abafar as coisas . Ele ainda é posto em a rua se isto não acaba depressa . O pai sempre disse que Dumbledore foi a pior coisa que aqui veio parar . Ele adora os filhos de os Muggles , um director decente nunca deixaria um lodo como o Creevey entrar em esta escola . Malfoy começou a fingir que tirava fotografias com uma máquina imaginária e fez uma imitação maldosa , mas bastante fiel de o Colin : - Potter , posso tirar te a fotografia ? Dás me um autógrafo ? Posso lamber te os sapatos , por favor , Potter ? Baixou as mãos e olhou para Harry e Ron . - O que é_que se passa com vocês os dois ? Um_pouco atrasados , Harry e Ron forçaram o riso e Malfoy pareceu satisfeito . Talvez Crabbe e Goyle fossem sempre de reacção lenta . - O santo Potter , amigo de os sangues de lama - disse Malfoy . - É outro que não tem os sentimentos de um feiticeiro a sério ou não andaria por aí com aquela empertigada sangue de lama Granger . E as pessoas a pensarem que ele é o herdeiro de Slytherin . Harry e Ron esperaram com a respiração entrecortada : o Malfoy ia certamente dizer lhes , dentro_de segundos , que era ele , mas então ... - Quem me dera saber quem ele é - disse o Malfoy , de forma petulante . - Podia ajudá o . O queixo de o Ron caiu de tal maneira que a cara de o Crabbe ficou ainda mais desajeitada do_que era habitual . Felizmente Malfoy não deu por nada e Harry , em um pensamento rápido , disse : - Deves ter alguma ideia de quem está por_detrás_de tudo ... - Sabes perfeitamente que não tenho , Goyle , quantas vezes é preciso dizer te ? - cortou Malfoy . - E o pai também não me diz nada sobre a última vez que a câmara foi aberta . É claro que foi há cinquenta anos , antes de ele cá andar , mas o pai sabe tudo a esse respeito e diz que as coisas foram mantidas em grande segredo e que pareceria suspeito se eu soubesse demasiado . Mas há uma coisa que eu sei : de a última vez que a câmara foi aberta , morreu um sangue de lama . Por isso , aposto que é uma questão de tempo até que um de eles seja morto . Só espero que seja a Granger - disse satisfeito . Ron fechara os punhos gigantescos de o Crabbe . Sentindo que deitaria tudo a perder se ele desse um soco a o Malfoy , Harry lançou lhe um olhar de aviso e disse : - Sabes se a pessoa que abriu a câmara de a última vez foi apanhada ? - Ah ! sim , essa pessoa foi expulsa - disse Malfoy . - Ainda deve estar em Azkaban . - Azkaban ? - repetiu Harry confuso . - Azkaban , a prisão de os feiticeiros , Goyle - disse Malfoy , olhando para ele incrédulo . - Francamente , se fosses mais lento andavas para trás . Esticou se intranquilo , em a cadeira e disse : - O pai diz para eu esfriar a cabeça e deixar que o herdeiro de Slytherin faça o seu trabalho . Acha que a escola precisa de se livrar de a escória de os sangues de lama , mas não quer que eu me envolva em nada . Claro que ele agora tem um prato cheio . Sabes que o Ministério de a magia fez uma busca a a nossa mansão em a semana passada ? Harry tentou forçar a cara de bronco de o Goyle a uma expressão preocupada . - Sim - continuou Malfoy . - É claro que não encontraram grande coisa . O pai guarda uns materiais de magia negra muito valiosos , mas , felizmente , temos a nossa câmara secreta debaixo de o soalho de a sala de visitas ... - Ah ! - disse o Ron . Malfoy olhou para ele . Harry também . Ron corou e até o cabelo começou a ficar vermelho . O nariz estava também a diminuir lentamente ... a hora tinha acabado . Ron estava a voltar a a sua forma habitual e por o olhar de horror que lançou a Harry certamente ele também estava . Puseram se rapidamente de pé . - Tenho de tomar o remédio para o estômago - grunhiu o Ron e sem mais explicações saíram ambos a correr de a sala comum de os Slytherin , precipitaram se para a parede de pedra e galgaram a passagem , pedindo a todos os santos que Malfoy não tivesse dado por nada . Harry sentia os pés a nadarem em os sapatos enormes de o Goyle e tinha de levantar o manto visto_que diminuíra de tamanho . Subiram os degraus a correr até a o * hall * escuro de entrada onde se ouvia um som abafado que vinha de a despensa onde tinham fechado o Crabbe e o Goyle . Deixando os sapatorros de os dois de o lado de_fora , subiram já com os respectivos sapatos a escadaria de mármore até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Bem , não foi uma total perda de tempo - disse o Ron ofegante , fechando atrás_de si a porta de a casa_de_banho . - É certo que ainda não descobrimos de quem vêm os ataques , mas vou escrever a o meu pai amanhã a dizer lhe que procure debaixo de o soalho de a sala de visitas de o Malfoy . Harry olhou para o espelho partido . Tinha voltado a o normal . Pôs os óculos enquanto Ron batia em a porta de o cubículo de Hermione . - Hermione , sai de aí , temos um monte de coisas para te contar ... - Vão se embora - guinchou Hermione . Harry e Ron olharam um para o outro . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron . - Tu já deves ter voltado a o normal como nós ... Mas a Murta_Queixosa saiu subitamente através de a porta de o cubículo com um ar divertido como nunca a tinham visto . - Oh ! Esperem até ver - disse ela . - É horrível ! Ouviram o trinco de a porta a abrir se e Hermione apareceu a soluçar , a túnica levantada a cobrir lhe o rosto . - O que foi ? - perguntou o Ron indistintamente . - Ainda tens o nariz de a Millicent ou alguma coisa assim ? Hermione deixou cair a roupa e Ron recuou rapidamente . O rosto de ela estava coberto de pêlo preto , os olhos tinham ganho uma cor amarela e as orelhas eram pontiagudas , saindo espetadas para fora de os cabelos . - Era um pêlo de g-gato - disse a chorar . - A Millicent_Bulstrode d-deve ter um gato e a poção não está preparada para transformação em animais . - Oh-oh - disse o Ron . - Vão te gozar horrivelmente - disse a Murta , felicíssima . - Não te preocupes , Hermione - tranquilizou a rapidamente o Harry . - Vamos levar te para a ala hospitalar , a Madam_Pomfrey nunca faz muitas perguntas ... Não foi fácil convencer Hermione a sair de a casa_de_banho . A Murta_Queixosa despediu se com uma gargalhadavigorosa e grosseira . - Espera até todos descobrirem que tens uma cauda ! XIII_O diário muito secreto Hermione ficou em a ala hospitalar durante várias semanas . Houve uma onda de boatos sobre o seu desaparecimento quando o resto de os alunos voltou de as férias de Natal porque , é claro , todos pensam que ela tinha sido atacada . Foram tantos os estudantes a rondar a ala hospitalar para espreitar a ver se a viam que Madam_Pomfrey desceu de_novo as cortinas de a cama de ela para a poupar a a vergonha de ser vista com pêlo em a cara . Harry e Ron iam visitá a todas_as tardes . Quando o segundo período começou passaram a levar lhe diariamente os trabalhos de casa . - Se eu tivesse o bigode a crescer , tinha uma folga de o trabalho - disse uma tarde o Ron enquanto colocava uma pilha de livros a a cabeceira de a cama de Hermione . - Não sejas parvo , Ron , eu tenho de me manter a par de as coisas - disse Hermione com vivacidade . O humor de ela melhorara bastante com o facto de lhe ter desaparecido todo o pêlo de o rosto e de os olhos estarem lentamente a retomar a cor castanha . - Calculo que não tenham novas pistas ? - disse em um murmúrio para evitar que Madam_Pomfrey os ouvisse . - Nada - disse Harry tristemente . - Eu tinha tanta certeza de que era o Malfoy - repetiu o Ron por a centésima vez . - O que é isso ? - perguntou Harry , apontando para uma coisa com brilho dourado que estava debaixo de a almofada de Hermione . - É só um cartão a desejar boas melhoras - disse ela precipitadamente , tentando escondê o , mas o Ron foi mais rápido . Pegou lhe , abriu o e leu em voz alta : * _ Para_Miss_Granger , desejando lhe uma rápida recuperação , com o interesse e estima de o professor Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , Terceiro grau , Membro_Honorário_da_Liga_de_Defesa contra as Artes_Negras e vencedor por cinco vezes de o prémio O sorriso mais charmoso de a semana de o Semanário_das_Bruxas * . Ron olhou desconsolado para Hermione . - Tu dormes com isto debaixo de a almofada ? Mas Hermione foi poupada a ter de responder por a entrada de Madam_Pomfrey que lhe trazia a dose de medicamento de a tarde . - Achas que o Lockhart é o tipo mais esperto que conheceste ? - perguntou o Ron a o Harry quando saíram de a enfermaria e começavam a subir as escadas para a torre de os Gryffindor . O Snape tinha lhes passado tanto trabalho para_casa que Harry pensou que ia chegar a o sexto ano antes de o ter acabado . Ron vinha a dizer que devia ter perguntado a a Hermione quantas caudas de rato deveria juntar se a uma poção para o crescimento de o cabelo quando um grito de raiva vindo de o andar de cima lhes chegou a os ouvidos . - É o Filch - murmurou Harry enquanto subiam apressadamente as escadas e paravam para ouvir melhor . - Terá mais alguém sido atacado ? - disse nervosamente o Ron . Ficaram parados com as cabeças inclinadas para a voz de o Filch que parecia quase histérica . -- ... * _ Ainda mais trabalho para mim . Toda_a noite a esfregar como_se não tivesse já trabalho de sobra . Não , isto foi a gota de água que fez transbordar o copo , vou falar com Dumbledore * ... Os passos afastaram se e ouviram uma porta fechar se com grande estrondo . Puseram as cabeças fora de a esquina . O Filch tinha obviamente estado a patrulhar o seu habitual posto de vigia : estavam novamente em o lugar onde Mrs._Norris fora atacada . Perceberam imediatamente qual o motivo de os gritos . Uma enorme poça de água enchia metade de o corredor e parecia escorrer de a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Agora_que o Filch se calara podiam ouvir os uivos de a Murta que faziam eco em as paredes de a casa_de_banho . - Mas o que se passará com ela ? - disse o Ron . - Vamos lá ver - sugeriu Harry e arregaçando as túnicas até a os tornozelos entraram , atravessando a enorme poça de água , em a casa_de_banho que tinha o letreiro a dizer « Fora de serviço » e que eles , como sempre , ignoraram . A Murta_Queixosa chorava , se possível , mais alto do_que nunca . Parecia estar escondida em o cubículo de o costume . Lá dentro estava escuro pois as velas tinham se apagado com a enchente de água que deixara as paredes e o chão ensopado . - O que se passa , Murta ? - quis saber o Harry . - Quem é ? - perguntou ela infelicíssima . - Vieste atirar me mais alguma coisa acima ? Harry caminhou com dificuldade por causa de a água até a o cubículo de ela e disse : - Porque te faríamos nós uma coisa de essas ? - Não me perguntem - gritou a Murta , emergindo em uma onda de água que molhou ainda mais o chão já ensopado . - Eu estou aqui metida em a minha morte e alguém acha muito engraçado atirar me com um caderno acima ... - Mas , não pode magoar te se alguém te atirar alguma coisa acima - disse Harry , tentando ser prático . - Isto_é , seja o que for passa através_de ti , não é assim ? Tinha dito a frase errada . A Murta encheu o peito de ar e gritou a plenos pulmões : - Vamos todos atirar cadernos a a Murta já_que ela não sente nada ! Dez pontos se lhe acertarem em o estômago , cinquenta se lhe atravessar a cabeça ! Hah hah hah , que jogo lindo , não acham ? - Quem te atirou um caderno , afinal ? - perguntou o Harry . - Não sei ... eu estava sentada em a sanita a pensar em a morte e caiu me em cima de a cabeça - disse a Murta , olhando para eles . - Está ali , ficou todo molhado . Harry e Ron olharam para o ponto que a Murta lhes apontava debaixo de o lavatório . Um caderno pequenino e fino estava caído em o chão . Tinha uma capa preta muito gasta e estava encharcado como tudo em aquela casa_de_banho . Harry deu um passo em frente para o apanhar , mas o Ron agarrou lhe precipitadamente o braço . - O que foi ? - perguntou Harry . - Estás doido - disse ele . - Pode ser perigoso . - Perigoso ? - riu se Harry . - Essa agora Ron , como é_que pode ser perigoso ? - Ficarias surpreendido ... - explicou ele , olhando com ar apreensivo para o caderno . - Entre os livros que o Ministério confiscou , contou me o meu pai , havia um que queimava os olhos a as pessoas . E todos os que leram os * _ Sonetos_de_Um_Feiticeiro * ficaram a falar em verso para o resto de a vida . Havia também uma bruxa em Bath que tinha um livro que quem o lesse nunca mais conseguia parar , tinha de andar por aí com o nariz enfiado em as folhas , a fazer todas_as coisas só com uma mão e ... - Já chega , já chega , já percebi a tua ideia - disse O_Harry . O caderninho continuava caído e ensopado . - Bem , nunca saberemos a_não_ser_que tenhamos a coragem de dar uma vista de olhos - disse e mergulhou apanhando o de o chão . Harry viu imediatamente que se tratava de um diário e a data meio apagada , em a capa , disse lhe que tinha cinquenta anos de idade . Abriu o ansiosamente . Em a primeira página podia ler se apenas o nome T._M._Riddle em tinta esborratada . - Espera aí - disse o Ron que se aproximara prudentemente e olhava por cima de o ombro de Harry . - Eu conheço esse nome ... T._M._Riddle recebeu um prémio por serviços especiais prestados a a escola há cinquenta anos atrás . - Como diabo sabes tu isso ? - perguntou Harry com grande espanto . - Porque o Filch mandou me limpar a taça de ele umas cinquenta vezes quando estive de castigo - disse o Ron ressentido . - Foi a taça em cima de a qual eu vomitei lesmas . Se tivesses tido que limpar o muco de um nome durante uma hora também te lembrarias . Harry separou umas de as outras as páginas molhadas . Estavam completamente em branco . Não havia o mais leve sinal de escrita em nenhuma , nem coisas como « Aniversário de a tia Mabel « ou « Dentista a as três_e_meia » . - Ele nunca escreveu nada aqui - disse Harry desapontado . - Porque quereria alguém atirá o fora ? - perguntou se o Ron com curiosidade . Harry voltou o caderno e viu , inscrito em a contra capa , o nome de uma tabacaria em Vauxhall_Road , Londres . - Ele devia ser filho de Muggle - disse Harry pensativo - para ter comprado um diário em Vauxhall_Road ... - Bem , não te serve de muito - Ron baixou a voz . - Cinquenta pontos se acertares em o nariz de a Murta . Harry , mesmo_assim , guardou o diário . Hermione saiu de a ala hospitalar desbigodada , sem cauda e sem pêlo em os primeiros dias de Fevereiro . Em a primeira noite em a torre de os Gryffindor , Harry mostrou lhe o diário de T._M._Riddle e contou lhe como o tinham encontrado . - Ooooh ! Deve ter poderes ocultos - disse ela entusiasticamente , pegando em o diário e examinando o de perto . - Se tem , esconde os muito bem - disse Ron . - Talvez fosse tímido . Não sei porque não deitas isso fora , Harry . - Gostava de perceber porque motivo alguém se quis livrar de ele - explicou Harry . - E também não me importava de saber como foi que o Riddle obteve esse prémio de serviços especiais prestados a Hogwarts . - Pode ter sido qualquer coisa - lançou o Ron . - Talvez tenha recebido 30 de nota final ou salvo um professor de a lula gigante . Se_calhar assassinou a Murta , isso teria sido um favor prestado a todos ... Mas Harry quase podia jurar , por o olhar suspenso em a cara de Hermione , que ela pensava o mesmo_que ele . - O que foi ? - perguntou Ron , olhando para um e para o outro . - Bem , a Câmara_dos_Segredos foi aberta há cinquenta anos , não foi isso que disse o Malfoy ? - Sim - respondeu Ron , lentamente . - E este diário tem cinquenta anos de idade - completou Hermione , dando lhe palmadinhas nervosas . - E de aí ? - Oh Ron , acorda - insistiu Hermione . - Sabemos que a pessoa que abriu a câmara de a outra_vez foi expulsa há cinquenta anos . E se o Riddle tivesse tido o prémio especial por apanhar o herdeiro de Slytherin ? O seu diário diria nos provavelmente tudo : onde é a Câmara_dos_Segredos , como abris a e que tipo de criatura vive lá . Achas que a pessoa que está por trás de os ataques desta_vez quereria o diário por aí ? - É uma teoria interessante , Hermione - disse o Ron . - Apenas com uma pequenina falha : o diário não tem nada Mas_Hermione já estava a tirar a varinha de o saco . - Pode ser tinta invisível - murmurou . Bateu três vezes em o diário e repetiu * _ Aparecium ! * Nada aconteceu . Intrépida , Hermione meteu a mão de_novo em o saco e tirou o que parecia ser uma borracha vermelha e brilhante . - É um * revelador * , comprei o em a Diagon - _ Al - disse . Apagou com força em 1_de_Janeiro . Não sucedeu nada . - Já vos disse , não há nada aí - repetiu o Ron . - O Riddle deve ter recebido um diário como prenda de Natal e nem se deu a o trabalho de escrever fosse o que fosse . Harry não conseguia explicar , nem a si próprio , porque motivo não deitara fora o diário de Riddle . A verdade é_que , mesmo depois de saber que ele estava em branco , continuou distraidamente a pegar lhe e a virar as páginas como_se quisesse chegar a o fim de uma história . E , apesar_de saber que nunca tinha ouvido o nome T._M._Riddle , continuava a ter a sensação de que lhe dizia alguma coisa , como_se Riddle fosse um amigo que ele tinha tido quando era muito pequeno e que estivesse meio esquecido . Mas era um absurdo . Nunca tivera amigos antes de Hogwarts , Dudley tivera esse cuidado . Ainda_assim , Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle , por isso em o dia seguinte foi até a a sala de os troféus para examinar a taça , acompanhado de Hermione que estava interessadíssima e de Ron que se mostrava profundamente incrédulo , dizendo que tinha ficado farto de aquela sala até a o fim de a vida . A taça dourada de Riddle estava arrecadada em um armário de canto . Não fornecia detalhes sobre o motivo por_que lhe fora dada ( felizmente , se fosse maior ainda hoje estava a limpá a , disse o Ron ) . Mas encontraram o nome de Riddle em uma antiga medalha de Mérito_Mágico e em uma lista de antigos chefes de turma . - Parece o Percy - comentou Ron , torcendo o nariz com aversão . - Prefeito , chefe de turma , provavelmente o melhor em todas_as disciplinas . - Dizes isso como_se fosse uma coisa má - fez lhe notar Hermione , em um tom de voz ressentido . Um sol fraco brilhava agora de_novo em Hogwarts . Dentro de o castelo , o ambiente estava bastante melhor . Não tinha havido novos ataques desde Justin e Nick quase sem cabeça e Madam_Pomfrey teve a satisfação de informar que as Mandrágoras começavam a ficar instáveis e dissimuladas , sinal de que estavam a abandonar rapidamente a infância . - Logo_que o acne desapareça estarão prontas para novo transplante - ouviu a Harry dizer amavelmente a o Filch . - E depois de isso , não demorará muito até podermos cortá as e estufá as . - Vai ter Mrs._Norris de volta , muito em_breve . Talvez o herdeiro ou herdeira de Slytherin tenha perdido a coragem , pensou Harry . Deve ser cada_vez_mais arriscado abrir a Câmara_dos_Segredos com a escola tão alerta e desconfiada . Talvez o monstro , qualquer_que_fosse , estivesse a preparar se para hibernar durante outros cinquenta anos . Ernie_Mcmillan_dos_Hufilepuff não aceitou esta visão optimista . Continuava convencido de que Harry era o culpado , que se tinha traído em o clube de os duelos . Peeves não ajudava nada : continuava a cantar por os corredores Potter , * seu bandido * ... agora acompanhado de um esquema de dança . Gilderoy_Lockhart parecia pensar que fora ele quem pusera fim a os ataques . Harry fartou se de o ouvir dizer isso a a professora Mc_Gonagall enquanto os Gryffindor formavam bicha para a aula de Transfiguração . - Não creio que volte a haver problemas , Minerva - disse , tocando em o nariz com ar conhecedor e piscando o olho . - Acho que desta_vez a câmara foi definitivamente selada . O culpado deve ter sabido que era uma questão de tempo até eu o apanhar e que era mais sensato parar agora antes que eu lhe tratasse de a saúde . Sabe , a escola está a precisar de um intensificador de animo para apagar as lembranças de o último período . Não vou dizer lhe mais_nada , por enquanto , mas julgo que sei o que ... Voltou a tocar em o nariz e afastou se a passos largos . A ideia de Lockhart de um intensificador de ânimo ficou bastante clara em o dia_14_de_Fevereiro , a o pequeno-almoço . Harry não dormira grande coisa devido a o treino de Quidditch em a noite anterior e chegou a o salão um_pouco atrasado . Pensou , por momentos , que se tinha enganado em a porta . As paredes estavam todas cobertas com enormes e medonhas flores cor-de-rosa . Pior ainda , * confettis * em forma de corações caíam de o tecto azul pálido . Harry dirigiu se a a mesa de os Gryffindor onde o Ron estava sentado com um ar enjoado junto de Hermione que parecia particularmente risonha . - O que se passa ? - perguntou lhes , sentando se e sacudindo os * confettis * de o seu bacon . Ron apontou para a mesa de os professores , com um ar demasiado repugnado para falar . Lockhart , em as suas vestes rosa vivo , a condizer com a decoração de o salão , fazia sinal para que se calassem . Os professores que o ladeavam tinham um ar estupefacto . De o seu lugar , Harry podia ver um músculo mover se em a bochecha de a professora Mc_Gonagall . Snape estava com ar de quem tomou uma imensa dose de xarope * skele-gro * . - Feliz dia de S._Valentim - gritou Lockhart . - E permitam me que agradeça a as quarenta_e_seis pessoas que até agora me enviaram cartões . Sim , fui eu quem tomou a liberdade de vos fazer esta pequena surpresa , e ela não acaba aqui ! Lockhart bateu as palmas e por as portas de o * hall * entraram a marchar cerca de uma_dúzia de duendes de aspecto carrancudo . Não eram uns duendes quaisquer , diga se de passagem . Lockhart fizera os usar asas douradas e transportar harpas . - Os meus amigos cupidos , portadores de os cartões ! gritou Lockhart . - Eles vão andar por a escola durante o dia de hoje , entregando os vossos cartões de S._Valentim . E o divertimento não acaba aqui . Tenho a certeza de que os meus colegas vão querer participar em este espírito de festa . Porque não pedir a o professor Snape que vos mostre como preparar rapidamente uma poção de amor . E , enquanto ele a prepara , está aqui o professor Flitwick que é de todos os feiticeiros que conheci aquele que mais sabe de encantamentos de sedução , o grande safado ! O professor Flitwick enterrou o rosto em as mãos . Snape olhava como_se quisesse dar veneno a a primeira pessoa que fosse pedir lhe a poção de o amor . - Por favor , Hermione , diz me que não foste uma de as quarenta_e_seis - pediu Ron quando saíram de o salão para a primeira aula . Mas Hermione ficou subitamente muito interessada em procurar o horário dentro de a mala e não lhe respondeu . Durante todo o dia os duendes não pararam de se intrometer em as aulas para entregar cartões , para grande aborrecimento de os professores e , ao_fim_da_tarde , quando os Gryffindor subiam as escadas para a aula de encantamentos , um de eles avistou o Harry . - Hei , tu , Harry_Potter ! - gritou um duende de aspecto particularmente lúgubre , dando cotoveladas a_toda_a gente para se aproximar de o Harry . Coradíssimo com a ideia de receber um cartão de S._Valentim diante_de uma fila de alunos de o primeiro ano que , por acaso , incluía Ginny_Weasley , Harry tentou escapar se . Mas o duende cortou lhe o caminho através de a multidão e agarrou o em três tempos . - Tenho uma mensagem musical para entregar a Harry_Potter em pessoa - disse , tangendo a harpa de forma ameaçadora . - Aqui não - disse baixinho o Harry , tentando escapar . - Fica quieto - grunhiu o duende , agarrando o saco de o Harry e puxando com força . - Larga me - disse ele rispidamente , dando um puxão . Com um ruído de tecido a rasgar se , o saco dividiu se em dois . Os livros de Harry , varinha , pergaminho e pena espalharam se por o chão enquanto o tinteiro se partia em cima de as outras coisas . Harry pôs se de gatas , tentando apanhar tudo antes que o duende começasse a cantar , provocando um engarrafamento em o corredor . - O que se passa aqui ? - perguntou a voz fria e afectada de Draco_Malfoy . Harry , nervosíssimo , começou a guardar tudo dentro de o saco rasgado , desesperado para sair de ali antes que Malfoy pudesse ouvir o seu S._Valentim musical . - Que confusão é esta ? - disse outra voz familiar . Percy_Weasley tinha chegado . De cabeça perdida , Harry tentou fugir , mas o duende agarrou o por os joelhos e fê lo cair a o chão . - Certo - disse , sentando se em os tornozelos de Harry . Eis o teu cartão musical : * _ Os olhos de ele são verdes como o sapo de o quintal * _ O seu cabelo é escuro como um temporal * _ É um desatino , oh ! ele é divino ! * _ O herói que venceu o Senhor_do_Mal * . Harry teria dado todo o ouro de Gringotts para se evaporar em aquele momento . Tentando corajosamente rir se com todos os outros , levantou se . Sentia os pés dormentes de o peso de o duende . Enquanto isso , Percy_Weasley fazia todos os possíveis por dispersar a multidão onde havia gente que chorava de hilaridade . - Vamos embora , vamos embora , a campainha tocou há cinco minutos para as aulas - dizia , enxotando alguns de os alunos mais novos . - E tu , Malfoy . Harry olhou e viu Malfoy inclinar se , apanhar qualquer coisa e com um olhar maldoso mostrá a a Crabbe e Goyle . Percebeu que era o diário de Riddle . - Dá cá isso - exigiu com toda_a calma . - O que será que o Potter escreveu aqui ? - disse Malfoy que obviamente não reparara em a data e pensou que tinha em as mãos o diário de o Harry . Houve uma agitação em os presentes . Ginny olhava apavorada para o diário e para Harry . - Dá lhe isso , Malfoy - disse Percy com firmeza . - Depois de dar uma vista de olhos - retorquiu Malfoy , acenando a Harry com o diário de forma provocatória . Percy disse : - Como Prefeito de a escola ... - mas Harry perdera a paciência . Pegou em a varinha e gritou * _ Expelliarmus * e assim_como Snape desarmara Lockhart , MalLoy viu o diário saltar lhe de as mãos e elevar se em o ar enquanto Ron o apanhava sorridente . - Harry - disse Percy levantando a voz . - Não quero magia em os corredores . Vou ter de participar isto , sabes perfeitamente . Mas Harry não se importou . Tinha ganho uma_vez a Malfoy e isso valia bem cinco pontos a menos para os Gryffindor . Malfoy estava furioso e quando a Ginny passou por ele a caminho de a sala de aula , gritou lhe com desprezo : - Não creio que o Potter tenha gostado lá muito de o teu cartão de S._Valentim . Ginny tapou a cara e correu para a aula . Aborrecido , Ron pegou também em a varinha , mas Harry afastou o . Era melhor que ele não passasse a aula de encantamentos a vomitar lesmas . Só quando entraram em a sala de aula de o professor Flitwick é_que Harry reparou em uma coisa bastante estranha em o diário de Riddle . Todos os outros livros estavam cheios de tinta vermelha , mas o diário mantinha se tão limpo como antes de o tinteiro se ter entornado em cima de ele . Tentou chamar a atenção de Ron para este facto , mas ele estava novamente a ter um problema com a varinha : de a extremidade saíam grandes bolhas roxas e ele não parecia interessado em mais_nada . Em essa noite , Harry foi deitar se antes de os outros companheiros de dormitório , em parte porque já não conseguia suportar o Fred e o George a cantarem * _ Os seus olhos são verdes como o sapo de o quintal * e em parte porque queria voltar a examinar o diário de Riddle e sabia que em a opinião de o Ron era uma pura perda de tempo . Sentou se em a cama de dossel e folheou as páginas em branco em as quais não se via uma única mancha de tinta escarlate . Tirou então outro tinteiro de o armário a o lado de a cama , molhou a pena e deixou cair um borrão em a primeira página de o diário . A tinta brilhou em o papel durante um segundo e , em seguida , como_se a página a tivesse sugado , desapareceu sem deixar rasto . Depois , finalmente , algo aconteceu . Deslizando sobre a página em a cor de a sua tinta , surgiram palavras que Harry não escrevera . - * _ Olá_Harry_Potter . O meu nome é Tom_Riddle . Como é_que encontraste o meu diário ? * Também estas palavras desapareceram , mas não sem que Harry tivesse respondido . - Alguém tentou lançá o em uma sanita . Esperou ansiosamente por a resposta de Riddle . - * _ Felizmente guardei as minhas memórias de uma forma mais duradoura do_que a tinta . Mas sempre soube que haveria quem não iria querer que o diário fosse lido . * - O que queres dizer com isso ? - escrevinhou Harry , borrando a página com o nervosismo . - * _ Quero dizer que este diário contém memórias de coisas terríveis . Coisas que foram abafadas . Coisas que aconteceram em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . * - É onde eu estou agora - escreveu Harry rapidamente . - Estou em Hogwarts e estão a acontecer coisas horríveis . Sabes alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? O coração parecia querer saltar lhe de o peito . A resposta de Riddle não se fez esperar , a letra tornara se mais desordenada como_se tivesse pressa em contar lhe tudo_o_que sabia . - * _ É claro que sei de a Câmara_dos_Segredos . Em o meu tempo diziam nos que era uma lenda , que não existia , mas era mentira . Quando eu estava em o quinto ano a Câmara_dos_Segredos foi aberta e o monstro atacou vários estudantes , acabando matar um . Eu apanhei a pessoa que abriu a câmara e ele foi expulso . Mas o director , o professor Dippet , envergonhado por uma coisa de aquelas ter acontecido em Hogwarts , proibiu me de contar a verdade . Foi divulgada uma história dizendo que a rapariga morrera de um acidente extravagante . Deram me um troféu brilhante com o meu nome gravado e avisaram me para ficar calado . Mas eu sabia que ia voltar a acontecer . O monstro sobreviveu e aquele que tinha o poder para o libertar não foi para a prisão . * Harry quase entornou o tinteiro em a pressa de responder . - Está a acontecer outra_vez . Houve três ataques e ninguém parece saber quem está por_detrás_de tudo_isto . Quem foi de a última vez ? - * _ Posso mostrar te , se quiseres * - foi a resposta de o Riddle . - * _ Não tens de acreditar só em a minha palavra . Posso levar te a o fundo de a minha memória de a noite em que o apanhei . * Harry hesitou com a pena em o ar sobre o diário . O que quereria ele dizer ? Como poderia entrar em a memória de outra pessoa ? Olhou inquieto para a porta de o dormitório que começava a ficar escuro . Quando pôs de_novo os olhos em o diário viu as palavras que se formavam . - * _ Deixa-me mostrar te . * Harry parou durante uma fracção de segundo e depois escreveu duas letras . - O. _ K._As páginas de o diário começaram a esvoaçar como_se tivessem sido apanhadas em uma ventania , parando a meio de o mês_de_Junho . Boquiaberto , Harry viu que o quadradinho de 13_de_Junho se transformara em um pequeno ecrã de televisão . Com as mãos ligeiramente trémulas levantou o livro para encostar os olhos a a janelinha e antes de perceber o que estava a passar se , deu consigo inclinado para a frente com a janela a abrir se . O corpo abandonava a cama e era lançado de cabeça , por a abertura de a página , em um turbilhão de cor e sombras . Sentiu os pés tocarem em terra firme e pôs se de pé a tremer enquanto as formas desfocadas se tornavam subitamente nítidas . Soube imediatamente onde estava . Aquela sala circular com os retratos adormecidos era o escritório de Dumbledore , mas não era Dumbledore quem estava atrás de a secretária . Um feiticeiro mirrado , de aspecto débil e quase careca lia uma carta a a luz de as velas . Harry nunca vira aquele homem antes . - Desculpe - disse com a voz a tremer . - Eu não queria intrometer me ... Mas o feiticeiro não olhou . Continuou a ler , franzindo levemente as sobrancelhas . Harry aproximou se de a secretária e gaguejou : - Er ... eu vou me embora , está bem ? E o feiticeiro continuou a ignorá o . Parecia nem_sequer ter ouvido . Pensando que talvez ele fosse surdo , Harry falou mais alto . - Desculpe tê o incomodado - disse quase a gritar . O feiticeiro dobrou a carta com um suspiro . Pôs se de pé , passou por Harry sem olhar para ele e foi abrir os cortinados de a janela . O céu , lá fora , estava vermelho-rubi . Devia ser o pôr de o Sol . O feiticeiro voltou para a secretária , sentou se e girou os polegares , olhando para a porta . Harry olhou em volta . Não viu Fawkes , a fénix , nem as engenhocas prateadas que sibilavam . Aquela Hogwarts era a que Riddle conhecera e , portanto , aquele feiticeiro desconhecido era o director de então , não Dumbledore e ele , Harry , era pouco mais que um fantasma , totalmente invisível a as pessoas de há cinquenta anos atrás . Alguém bateu a a porta . - Entre - disse o velho feiticeiro , em uma voz fraca . Um rapazinho de dezasseis anos entrou , tirando o chapéu pontiagudo . Em o seu peito brilhava um distintivo prateado de prefeito . Era muito mais alto do_que Harry , mas tinha , tal_como ele , cabelo preto asa de corvo . - Ah ! Riddle - disse o director . - Queria falar comigo , professor Dippet ? - perguntou ele com ar nervoso . - Senta te - disse Dippet . - Tenho estado a ler a carta que me mandaste . - Oh ! - exclamou Riddle , sentando se e apertando as mãos uma contra a outra . - Meu rapaz - disse Dippet amavelmente . - Eu não posso deixar te ficar em a escola durante o Verão . Com certeza queres ir para_casa em as férias ? - Não - respondeu Riddle , sem perder tempo . - Prefiro mil vezes ficar em Hogwarts a ter de voltar a aquela ... aquela ... - Tu vives em um orfanato de Muggles durante as férias , não é assim ? - perguntou Dippet com curiosidade . - Sim senhor - disse Riddle , corando um_pouco . - És filho de Muggles ? - Meio sangue , professor - explicou Riddle . - Pai_Muggle , mãe bruxa . - E o teu pai e a tua mãe ... - A minha mãe morreu pouco depois de eu nascer , professor , contaram me em o orfanato que só teve tempo de me dar o nome : Tom , como o meu pai , Marvolo como o meu avô . Dippet estalou a língua solidariamente . - O que acontece , Tom - suspirou - é_que ... podia ter se arranjado uma situação especial para ti , mas em as circunstâncias actuais ... - Refere se a os ataques , professor ? - perguntou Riddle e o coração de Harry deu um salto , aproximando se com medo de perder alguma coisa . - Precisamente - disse o director . - Meu rapaz , compreendes que seria uma imprudência de a minha parte deixar te ficar em o castelo quando o período acabar , principalmente a a luz de a recente tragédia ... a morte de aquela pobre moça ... estarás sem dúvida em maior segurança em o orfanato . Em a verdade , o ministro de a magia até fala em fechar a escola . Não estamos nada perto_de localizar ... er ... a fonte de toda esta história desagradável . Os olhos de Riddle tinham se aberto mais . - Professor , se essa pessoa fosse apanhada ... se tudo acabasse . . . - Que queres dizer com isso ? - perguntou Dippet com voz aguda , endireitando se em a cadeira . - Riddle , tu sabes alguma coisa sobre estes ataques ? - Não senhor - respondeu ele de imediato . Mas Harry sabia que era o mesmo tipo de « não » que ele dissera a Dumbledore . Dippet afundou se de_novo com um ar de profundo desapontamento . - Podes ir , Tom . Riddle esgueirou se de a cadeira e saiu de a sala . Harry seguiu o . Desceram por a escada em espiral , saindo junto de a gárgula em o corredor que escurecia . Riddle parou e Harry fez o mesmo , olhando para ele . Quase podia apostar que ele pensava seriamente em alguma coisa . Mordia o lábio e tinha as sobrancelhas franzidas . A certa altura , como_se tivesse acabado de tomar uma decisão , começou a andar mais depressa com Harry a segui o ruidosamente . Não viram mais ninguém , a não ser quando chegaram a o * hall * de entrada onde um feiticeiro alto de longos cabelos ruivos e barba chamou Riddle de a escadaria de mármore . - O que andas a fazer por aqui tão tarde , Tom ? Harry olhou para o feiticeiro . Não era outro senão Dumbledore com cinquenta anos a menos . - Tive de ir falar com o director - justificou se Riddle . - Bem , agora vai depressa para a cama - disse Dumbledore , olhando Riddle com aquele olhar penetrante que Harry conhecia tão bem . - É melhor não andar a passear por os corredores em os dias que correm , pelo_menos até ... Suspirou profundamente , deu as boas-noites a o Riddle e foi se embora . Riddle viu o desaparecer e , sem perder tempo , desceu os degraus de pedra até a os calabouços com Harry em a peugada . Mas para seu grande desconsolo , Riddle não o conduziu a nenhum corredor ou túnel secreto e sim a o calabouço onde ele costumava ter aulas de poções com o Snape . As tochas não tinham sido acesas e quando Riddle empurrou a porta quase fechada , Harry só conseguiu vê o a ele , de pé , quieto junto de a porta , olhando para o corredor . Pareceu a Harry que ficaram ali quase uma hora . Tudo_o_que via era a silhueta de Riddle junto de a porta , olhando fixamente através de a greta , a a espera . Como_se fosse uma estátua . E quando Harry tinha abandonado todas_as expectativas e começava a desejar voltar a o presente , ouviu alguma coisa que se movia atrás de a porta . Alguém avançava lentamente por o corredor . Ouviu a pessoa , quem quer que fosse , passar por o calabouço onde ele e Riddle estavam escondidos . Riddle , silencioso como uma sombra , esgueirou se por a porta e seguiu o com Harry em bicos de pés atrás de ele , esquecido de que podia fazer barulho a a vontade porque ninguém o ouvia . Durante cerca de cinco minutos seguiram lhe os passos até que Riddle parou repentinamente com a cabeça inclinada em a direcção de novos ruídos . Harry ouviu uma porta a abrir se e em seguida alguém falou em um murmúrio rouco . - Vá lá , temos que sair de aqui ... vá lá , dentro de a caixa ... Havia algo de familiar em aquela voz . Riddle deu subitamente uma volta e Harry seguiu o . Podia ver a silhueta escura de um rapaz enorme que estava inclinado em frente de a porta aberta , com uma grande caixa a o lado . - Boa noite , Rubeus - disse Riddle secamente . O rapaz fechou a porta e pôs se de pé . - O que estás a fazer aqui , Tom ? Riddle aproximou se . - Acabou se - disse . - Vou ter de entregar te , Rubeus . Falam em fechar Hogwarts se os ataques não terminarem . - O que é_que tu ... ? - Eu acho que tu não quiseste matar ninguém , mas os monstros não são os melhores animais domésticos . Tu só quiseste deixá o sair para andar um_pouco e ... - Ele não matou ninguém - disse o rapaz grande , recuando contra a porta fechada . Lá de dentro vinham uns estranhos roncos e rugidos . - Vamos , Rubeus - disse Riddle , aproximando se mais ainda . - Os pais de a rapariga que morreu estarão aqui amanhã . O mínimo que Hogwarts pode fazer é assegurar lhes que aquilo que matou a filha de eles foi abatido ... - Não foi ele - gemeu o rapaz cuja voz ecoou em o corredor escuro . - Ele não faria isso ... ele nunca ... - Afasta te - disse Riddle , pegando em a varinha . O encantamento iluminou o corredor com uma luz brilhante . A porta atrás de o rapaz grande abriu se de par em par com tanta força que o atirou contra a parede . E de lá de dentro saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito que ninguém mais ouviu a não ser ele próprio . Tinha um corpo imenso , magro e peludo e um emaranhado de pernas pretas , a cintilação de muitos olhos e um par de tenazes afiadas . Riddle levantou de_novo a varinha , mas era tarde de mais . A coisa deixara o atarantado e corria apressadamente , precipitando se por o corredor e desaparecendo . Riddle pôs se de pé , olhou a a procura de o monstro , levantou a varinha , mas o rapaz grande saltou sobre ele , tirou lhe a varinha de as mãos e lançou o a o chão , gritando : - Naaaaaão ! A cena rodopiou . A escuridão tornou se total . Harry sentiu se a cair e com um embate aterrou como uma águia de patas e asas abertas em a sua cama de dossel , em o dormitório de os Gryffindor , o diário de Riddle aberto sobre o estômago . Antes de ter tido tempo de normalizar a respiração , a porta de o dormitório abriu se e o Ron entrou . - Aí estás tu - disse . Harry sentou se . Transpirava e tremia . - O que se passa ? - perguntou Ron , olhando aflito para ele . - Foi o Hagrid , Ron . O Hagrid abriu a Câmara_dos_Segredos há cinquenta anos atrás . XIV_Cornelius_Fudge_Harry , Ron e Hermione sabiam há muito_tempo que Hagrid tinha uma triste predilecção por criaturas grandes e monstruosas . Em o primeiro ano que passaram em Hogwarts , ele tentara criar um dragão em a sua pequena cabana de madeira e levaram muito_tempo a esquecer o gigantesco cão de três cabeças que ele baptizara de « fofinho » . E se , em rapaz , Hagrid tinha ouvido dizer que havia um monstro escondido em o castelo , Harry tinha a certeza que ele teria feito os impossíveis por descobri o . Provavelmente achou que era uma injustiça o monstro estar fechado tanto tempo e pensou que ele merecia a oportunidade de esticar as suas muitas pernas . Harry imaginava perfeitamente o Hagrid a os treze anos a tentar pôr uma coleira e uma trela a o monstro . Mas tinha igualmente a certeza de que ele nunca teria querido matar ninguém . De certo modo , Harry desejava não ter descoberto como utilizar o diário de Riddle . Ron e Hermione fizeram o contar repetidas vezes o que vira até ele ficar farto de repetir o mesmo e farto de a conversa circular que se seguia . - O Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse , de essa vez , Hermione . - O monstro que atacava as pessoas podia ser outro .... - Quantos monstros achas tu que pode haver em este lugar ? - perguntou o Ron aborrecido . - Sempre soubemos que o Hagrid tinha sido expulso - disse Harry tristemente - E os ataques devem ter terminado quando ele foi expulso . Se não fosse assim , Riddle não teria recebido um prémio . Ron tentou um caminho diferente . - O Riddle parece o Percy , quem lhe pediu afinal que deitasse abaixo o Hagrid ? - Mas o monstro tinha morto uma pessoa , Ron - insistiu Hermione . - E o Riddle ia ter de voltar para um orfanato Muggle se Hogwarts fosse fechada - disse Harry . - Não posso culpá o por querer ficar aqui ... Ron mordeu o lábio e a seguir sugeriu : - Tu encontraste o Hagrid em a Rua * _ Bativolta * , não foi ? - Ele estava a comprar repelente para lesmas - disse Harry rapidamente . Ficaram os três em silêncio . Depois de uma longa pausa , Hermione , em uma voz hesitante , formulou a pergunta mais complicada de todas : - Não acham que devíamos ir ter com ele e perguntar lhe ? - Essa seria uma visita simpática - disse o Ron . - Olá , Hagrid , diz nos uma coisa , soltaste por acaso alguma coisa louca e peluda por o castelo em estes últimos tempos ? Por fim , decidiram não dizer nada a o Hagrid a_não_ser_que houvesse outro ataque e à_medida_que passava mais tempo sem murmúrios de a voz sem corpo começaram a acreditar , esperançosos , que nunca mais teriam de falar sobre o motivo por_que fora expulso . Tinham passado já quase quatro meses desde o dia em que o Justin e o Nick quase sem cabeça tinham sido petrificados e quase toda_a_gente parecia pensar que o atacante , quem quer que ele fosse , se retirara para sempre . Peeves fartara se de a sua canção * _ Oh_Potter , seu bandido * , Ernie_Mcmillan pediu educadamente a o Harry , em a aula de herbologia , que lhe passasse um balde de cogumelos saltitantes e , em Março , várias mandrágoras deram uma festa ruidosa e roufenha em a estufa número três . A professora Sprout estava muito satisfeita . - Mal elas comecem a tentar mover se para os vasos umas de as outras , saberemos que estão maduras - disse ela a o Harry . - Nessa_altura poderemos reanimar aquelas pobres criaturas que estão em a ala hospitalar . Os alunos de o segundo ano tinham agora uma coisa nova em que pensar durante as férias de a Páscoa . Chegara a altura de escolherem as matérias de o terceiro ano , um assunto que Hermione , pelo_menos , tomou muito a sério . - Pode afectar todo o nosso futuro - disse a o Harry e a o Ron a o vê os ler cuidadosamente as listas de as novas matérias e pôr um V em frente de cada uma . - Eu só quero ver me livre de as poções - disse Harry . - Não podemos - explicou Ron tristemente . - Mantemos todas_as matérias antigas ou eu teria me livrado de a Defesa contra as artes negras . - Mas é muito importante - disse Hermione chocada . - Não de a maneira como Lockhart a dá - insistiu Ron . - Não aprendi nada até agora a não ser a nunca mais libertar duendes . Neville_Longbottom recebera cartas de todas_as bruxas e feiticeiros de a família , cada_um dando um conselho diferente sobre o que ele deveria escolher . Confuso e preocupado , sentou se a ler a lista de matérias , dando estalinhos com a língua e perguntando a as pessoas se achavam que a aritmancia seria mais difícil do_que o estudo de as runas em a Antiguidade . Dean_Thomas que , tal_como Harry , fora criado com Muggles , acabou por fechar os olhos e atirar a varinha contra a lista , escolhendo as matérias onde ela aterrava . Hermione não pediu conselho a ninguém e inscreveu se em todas . Harry sorriu de si para consigo imaginando como seria uma conversa com o tio Vernon e com a tia Petúnia sobre a sua carreira em feitiçaria . Não que não tivesse tido orientação : Percy_Weasley estava ansioso por partilhar a sua experiência . - Tudo depende de o lugar para_onde queres ir , Harry - disse ele . - Nunca é cedo de mais para pensar em o futuro , por isso eu aconselho te a adivinhação . As pessoas dizem que os estudos de Muggles são uma opção leve mas eu , pessoalmente , acho que os feiticeiros deveriam ter uma compreensão profunda de a comunidade não mágica , muito especialmente se pensarem em trabalhar em íntimo contacto com eles . Vê o meu pai que tem de lidar com assuntos de os Muggles a_toda_a hora . O meu irmão Charles foi sempre mais um tipo de o exterior , por isso foi para o Centro_de_Cuidados com as Criaturas_Mágicas . Segue os teus sentimentos , Harry . Mas a única coisa em que Harry sentia que era mesmo bom era o Quidditch . Por fim , acabou por escolher as mesmas matérias que o Ron escolhera , pensando que se fosse péssimo em elas pelo_menos tinha alguém amigo para o ajudar . O próximo jogo de Quidditch_dos_Gryffindor era contra os Hufflepuff . Wood insistia em treinos de equipa todas_as noites depois de jantar , por isso Harry não tinha tempo para mais_nada a não ser para o Quidditch e para os trabalhos de casa . Mas as sessões de treino estavam a melhorar ou pelo_menos estavam mais secas e em a véspera de o jogo de sábado ele foi a o dormitório guardar a vassoura , sentindo que as hipóteses de os Gryffindor ganharem a taça de Quidditch nunca tinham sido tão boas . Mas a sua boa disposição não durou muito . Em o cimo de as escadas que levavam a o dormitório encontrou o Neville_Longbottom nervosíssimo . - Harry , não sei quem fez aquilo , eu fui encontrar ... Olhando receoso para Harry , Neville empurrou a porta . O conteúdo de a mala de Harry fora espalhado por toda_a divisão . O seu manto estava em o chão rasgado . A roupa de cama tinha sido puxada de a cama de dossel e a gaveta de o armário que se encontrava a a cabeceira de a cama fora arrancada , estando o seu conteúdo espalhado sobre o colchão . Harry aproximou se de a cama boquiaberto , pisando algumas páginas soltas de * _ Viagens com Duendes * . Quando ele e Neville estavam a puxar os cobertores para_cima , entraram o Ron e o Dean_Seamas . Dean praguejou alto . - O que é isto , Harry ? - Não faço ideia - disse ele . Mas o Ron estava a examinar as vestes de Harry e todos os bolsos estavam de o avesso . - Alguém andou a a procura de qualquer coisa - disse o Ron . - Dás por falta de alguma coisa ? Harry começou a apanhar o que estava caído , lançando tudo dentro de a mala . Só quando atirou o último livro de Lockhart é_que se apercebeu do_que faltava . - O diário de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a o Ron . - O quê ? Harry fez lhe sinal em direcção a a porta de o dormitório e apressaram se a chegar a a sala comum de os Gryffindor que estava quase vazia e onde foram encontrar Hermione sozinha a ler * _ As_Runas_Antigas a o Alcance_de_Todos * . Hermione ficou aterrada com as notícias . - Mas ... só um Gryffindor podia tê o roubado ... ninguém mais conhece a nossa senha ... - Exactamente - disse Harry . Acordaram em o dia seguinte com um sol brilhante e uma brisa agradável . - Condições ideais para o Quidditch ! - exclamou Wood , cheio de entusiasmo , a a mesa de os Gryffindor , enchendo os pratos de os elementos de a sua equipa de ovos mexidos . - Harry , anima te , precisas de um pequeno-almoço decente . Harry tinha estado a olhar para a mesa cheia de alunos de os Gryffindor , perguntando a si próprio se o novo dono de o diário de Riddle estaria ali mesmo em frente de os seus olhos . Hermione insistira para que ele participasse o roubo mas ele não gostou de a ideia . Teria de contar a um professor tudo sobre o diário , e quantas pessoas saberiam o motivo por_que Hagrid fora expulso há cinquenta anos ? Não queria ser ele a fazer com que relembrassem tudo aquilo . Quando saiu de o salão com o Ron e a Hermione para ir buscar o material de Quidditch , outra preocupação viera juntar se a a sua lista cada_vez maior . Tinha acabado de pisar os degraus de a escadaria de mármore quando ouviu de_novo a voz : - * _ Matar desta_vez ... deixem me rasgar ... romper * ... Deu um grito e Ron e Hermione saltaram alarmados . - A voz - disse Harry , olhando por cima de os ombros de eles . - Acabo de a ouvir de_novo , vocês não ouviram nada ? Ron abanou a cabeça de olhos muito abertos Mas_Hermione bateu com a mão em a testa . - Harry , acho que percebi uma coisa . Tenho que ir a a biblioteca . E disparou a correr por as escadas acima . - O que é_que ela percebeu ? - disse Harry distraidamente , ainda a olhar em volta , tentando determinar de onde vinha a voz . - Mas porque teve ela que ir a a biblioteca ? - Porque a Hermione é assim - disse o Ron , encolhendo os ombros - Quando tem uma dúvida , vai a a biblioteca . Harry manteve se hesitante , tentando captar novamente a voz mas as pessoas começavam a sair de o salão , falando alto , passando por a porta principal e encaminhando se para o estádio de Quidditch . - É melhor ires indo - aconselhou Ron . - São quase onze horas , olha o jogo . Harry deu uma corrida até a a torre de os Gryffindor , pegou em a sua Nimbus dois_mil e juntou se a a vasta multidão que enchia os campos , mas o seu pensamento estava ainda em o castelo , em aquela voz sem corpo e quando pôs as roupas vermelhas , o seu único conforto foi pensar que estavam todos lá fora para assistir a o jogo . As equipas entraram em campo a o som de um tumulto de aplausos . Oliver_Wood fez um voo de aquecimento em volta de os postes , Madam_Hooch soltou as bolas . Os Hufflepuff que tinham fatos amarelo-canário estavam reunidos em grupo em uma discussão de última hora sobre as tácticas . Harry subia para a vassoura quando a professora Mc_Gonagall atravessou o campo , meio a andar , meio a correr , transportando um enorme megafone roxo . O coração de Harry caiu lhe a os pés . - Este jogo foi cancelado - gritou por o megafone a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a o estádio apinhado . Ouviram se Uuuus e assobios . Oliver_Wood , com um ar infelicíssimo , aterrou e correu para a professora McGonagall sem sair de a vassoura . - Mas , professora - gritou - temos de jogar ... a taça ... os Gryffindor ... A professora Mc_Gonagall ignorou o e continuou a gritar por o megafone . - Pede se a os estudantes que regressem a as salas comuns de as respectivas equipas onde os chefes de equipa lhes darão mais informações . O mais depressa possível , se fazem favor ! Em seguida , baixou o megafone e fez sinal a o Harry para que se aproximasse . - Potter , é melhor vires comigo ... Perguntando a si próprio que suspeita poderia ela ter contra ele , desta_vez , Harry viu Ron desligar se de a multidão discordante e vir a correr juntar se lhes , enquanto eles se dirigiam para o castelo . Para sua grande surpresa Mc_Gonagall não pôs qualquer objecção . - Sim , talvez seja melhor vires também , Weasley . Alguns de os estudantes que os rodeavam reclamavam por o jogo ter sido cancelado , outros tinham um ar preocupado . Harry e Ron seguiram a professora Mc_Gonagall de volta a a escola e através de a escadaria de pedra . Mas desta_vez não foram levados a nenhum escritório . - Isto vai chocar vos um_pouco - disse a professora Mc_Gonagall em um tom de voz surpreendentemente suave quando estavam a aproximar se de a ala hospitalar . - Houve outro ataque ... outro ataque duplo . As vísceras de o Harry deram um salto mortal . A professora Mc_Gonagall abriu a porta e ele e Ron entraram . Madam_Pomfrey estava inclinada sobre uma rapariga de o quinto ano de cabelos longos a os caracóis que Harry reconheceu como sendo a colega de os Ravenclaw a quem , por engano , tinham perguntado o caminho para a sala comum de os Slytherin . E , em a cama a o lado de ela , estava ... - Hermione - gemeu o Ron . Hermione jazia totalmente quieta , os olhos abertos e vítreos . - Foram encontradas perto de a biblioteca - disse a professora Mc_Gonagall . - Calculo que nenhum de vocês possa explicar isto ? Estava em o chão , junto de ela . A professora tinha em as mãos um pequeno espelho redondo . Harry e Ron acenaram negativamente com as cabeças , ambos com os olhos fixos em Hermione . - Eu acompanho vos a a torre de os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall pesadamente . - De qualquer modo tenho de falar com os alunos . - Os alunos regressarão a as salas comuns de as respectivas equipas , todos_os_dias , a as seis_horas_da_tarde . Nenhum aluno deverá sair de os dormitórios depois de isso . Serão escoltados até a as aulas por um professor . Nenhum aluno deverá ir a a casa_de_banho sem um professor a acompanhá o . Todos os treinos e jogos de Quidditch estão suspensos a_partir_de agora . Não haverá mais actividades nocturnas . Os Gryffindor , que enchiam a sala comum , ouviram em silêncio a professora Mc_Gonagall . Ela enrolou o pergaminho que acabara de ler e disse em uma voz algo chocada : - Não é preciso acrescentar que nunca me senti tão desolada . É provável que a escola seja encerrada se não for apanhado o culpado de todos estes ataques . Quero pedir que se algum de vocês achar que sabe alguma coisa sobre eles venha imediatamente ter comigo . Mal ela subiu , de forma um_pouco desastrada , por o buraco de o retrato , os Gryffindor começaram logo a falar . - São dois Gryffindor a menos , sem contar com o fantasma de os Gryffindor , um Ravenclaw e um Hufflepuff - disse o amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , contando por os dedos . - Não terá nenhum de os professores reparado que os Slytherin estão a salvo ? Será que não é óbvio que tudo_isto vem de eles ? O herdeiro de Slytherin , o monstro de Slytherin , porque não expulsam todos os Slytherin ? - resmungou , recebendo acenos e aplausos de todos os lados . Percy_Weasley estava sentado em uma cadeira atrás_de Lee , mas por uma_vez não pareceu querer expor os seus pontos de vista . Estava pálido e aturdido . - O Percy está em estado de choque - disse o George baixinho a o Harry . - Aquela rapariga de os Ravenclaw , Penelope_Clearwater , é prefeita . Acho que ele nunca tinha pensado que o monstro pudesse atacar um prefeito . Mas Harry não estava a ouvi o com atenção . Não conseguia esquecer a imagem de Hermione deitada em a cama de o hospital , como_se estivesse esculpida em pedra . E se o culpado não fosse apanhado rapidamente tinha em a frente uma vida inteira com os Dursley . Tom_Riddle entregara o Hagrid porque fora confrontado com a possibilidade de um orfanato Muggle se a escola fechasse . Harry sabia exactamente o que ele sentira . - Que vamos nós fazer ? - disse lhe o Ron baixinho a o ouvido . - Achas que eles suspeitam de o Hagrid ? - Temos de falar com ele - disse Harry , tomando uma decisão . - Não acredito que tenha culpa desta_vez , mas se ele libertou o monstro há cinquenta anos , sabe com certeza como entrar em a Câmara_dos_Segredos , o que já é um princípio . - Mas a Gonagall disse que temos que ficar em a torre a_não_ser_que estejamos em as aulas ... - Eu acho - disse Harry ainda mais baixo - que chegou a altura de tirar outra_vez de a mala o manto de o meu pai . Harry herdara apenas uma coisa de o pai : o enorme manto prateado de a invisibilidade . Era a única maneira de poderem esgueirar se de a escola para fazer uma visita a o Hagrid , sem que ninguém de esse por isso . Deitaram se a a hora de o costume , esperaram que o Neville , o Dean e o Seamas adormecessem para se levantarem , vestirem se de_novo e taparem se com o manto . A viagem por os corredores de o castelo escuro e deserto não era nada agradável . Harry que vagueara por ali muitas_vezes durante a noite nunca vira tanta gente depois de o pôr de o Sol . Professores , prefeitos e fantasmas andavam por os corredores a os pares , olhando em volta , em busca de qualquer actividade fora de o habitual . O manto de a invisibilidade não impedia que fizessem barulho e houve um momento particularmente tenso em que o Ron deu uma topada a menos_de um metro de o lugar onde Snape se encontrava . Felizmente Snape espirrou em o preciso momento em que o Ron praguejava . Foi com grande alívio que chegaram a as portas de carvalho de a entrada principal . Estava uma noite clara e cheia de estrelas . Dirigiram se apressadamente para as janelas iluminadas de a casa de Hagrid e só tiraram o manto mesmo em frente de a porta . Poucos segundos depois de terem batido abriu se a porta . Ficaram frente_a_frente com Hagrid que lhes apontou uma besta enquanto Fang , o cão caçador de javalis , ladrava furiosamente atrás de ele . - Oh ! - disse , baixando a arma quando viu que eram eles . - O que estão vocês a fazer aqui ? - Para que é isso ? - perguntou Harry , apontando para a besta , enquanto entrava . - Nada , não é nada - murmurou Hagrid . - Tenho estado a a espera ... não tem importância , sentem se que eu vou fazer um chá . Dava a impressão de não saber o que fazia . Quase apagou a lareira , vertendo a água de a chaleira em o lume e em seguida esmagou o bule com um gesto de a sua mão maciça . - Estás bem , Hagrid ? - perguntou Harry . - Soubeste de a Hermione ? - Soube , sim - disse ele com um leve tremor em a voz . Continuava a olhar nervosamente para as janelas . Deu lhe os duas grandes canecas de água a ferver ( esquecera se de juntar o chá ) e estava a acabar de pôr em um prato uma fatia grossa de bolo de frutas quando alguém bateu energicamente a a porta . Hagrid deixou cair o bolo . Harry e Ron trocaram entre si olhares de pânico e , em seguida , cobriram se com o manto de a invisibilidade e esconderam se em um canto . Hagrid assegurou se de que eles estavam bem escondidos , pegou em a besta e abriu , mais_uma_vez , a porta . - Boa noite , Hagrid . Era_Dumbledore . Entrou com um ar muito sério , seguido de um homem bizarro . O estranho era um homenzinho pequenino , de porte majestoso com cabelos grisalhos desalinhados e uma expressão de ansiedade em o rosto . Usava uma inesperada mistura de roupas . Um fato a as riscas , uma gravata vermelho escarlate , um longo manto negro e umas botas roxas pontiagudas . Debaixo de o braço trazia um chapéu de coco verde lima . -- É o patrão de o meu pai - murmurou o Ron . Cornelius_Fudge , o ministro de a magia ! Harry deu lhe uma valente cotovelada para o fazer calar se . Hagrid tinha ficado suado e pálido . Deixou se cair em uma de as cadeiras e olhava de Dumbledore_para_Cornelius_Fudge . - Más notícias , Hagrid - disse Fudge em um tom bastante grave . - Muito más notícias . Tive de vir . Quatro ataques a filhos de Muggles , as coisas foram longe_de mais . O ministério tem que tomar uma atitude . - Eu nunca ... - disse Hagrid , parecendo implorar a Dumbledore . - O senhor sabe que eu nunca ... professor Dumbledore , o senhor ... - Quero que fique claro , Cornelius , que Hagrid tem a minha total confiança - afirmou Dumbledore , franzindo as sobrancelhas . - Olha , Albus - disse Fudge pouco a a vontade - a ficha de o Hagrid depõe contra ele . O ministério tem de fazer alguma coisa , o Conselho_Directivo de a escola tem se reunido ... - Mesmo_assim , Cornelius , devo dizer te mais_uma_vez que levar o Hagrid de aqui não vai ajudar em nada - afirmou Dumbledore com os olhos azuis com um fogo que Harry nunca vira antes . - Tenta compreender o meu ponto de vista - insistiu Fudge , brincando com o chapéu . - Estou a ser tremendamente pressionado , tenho de mostrar que faço alguma coisa . Se se provar que não foi o Hagrid , ele voltará e não se fala mais em o assunto . Mas tenho de levá o , tem de ser , não estaria a cumprir a minha obrigação se ... - Levar me ? - perguntou Hagrid a tremer . - Levar me para_onde ? - É uma pena curta - disse Fudge , sem o olhar em os olhos . - Não é um castigo , Hagrid , chamemos lhe antes uma precaução . Se mais alguém for apanhado , tu sais com todas_as nossas desculpas . - Não é para Azkaban ? - balbuciou Hagrid . Mas antes que Fudge tivesse tido tempo de responder , ouviu se bater mais_uma_vez a a porta . Dumbledore abriu . Foi a vez de Harry levar uma cotovelada em as costas : soltara um gemido audível . Mr._Lucius_Malfoy entrou em a cabana de o Hagrid embrulhado em uma longa capa preta de viagem , com um sorriso frio de satisfação . O Fang começou a rosnar . - Já está aqui , Fudge ? - disse de forma aprovadora . - Muito bem , muito bem ... - O que estás a fazer aqui ? - perguntou Hagrid furioso . - Sai imediatamente de a minha casa . - Meu bom homem , acredite que não tenho prazer nenhum em entrar em a sua ... er ... chamou lhe casa ? - disse Lucius_Malfoy , sorrindo sarcasticamente enquanto observava a pequena divisão . - Eu limitei me a ir a a escola e disseram me que o director estava aqui . - E o que queres de mim , Lucius ? - perguntou Dumbledore . O seu tom de voz era educado mas em os olhos azuis brilhava ainda o mesmo fogo . - Uma notícia horrível , Dumbledore - disse Mr._Malfoy de forma arrastada , pegando em um grande rolo de pergaminho . - Mas os membros de o conselho pensam que é altura de tu saíres . Isto_é uma ordem de suspensão , tens aí doze assinaturas . Lamento muito mas em a nossa opinião estás a perder a firmeza . Quantos ataques houve até agora ? Mais dois hoje a a tarde , não foi ? A este ritmo vão acabar todos os filhos de Muggles em Hogwarts e todos sabemos que seria uma terrível perda para a escola . - O que é isso , Lucius ? - protestou Fudge com ar alarmado . - O Dumbledore suspenso não ... não , seria a última coisa que desejaríamos em este momento ... - A nomeação ou suspensão , de o director é de a competência de os membros de o Conselho_Directivo , Fudge - disse suavemente Mr._Malfoy . - E como Dumbledore não foi capaz de pôr cobro a estes ataques ... - Oh ! Lucius , se Dumbledore não conseguiu - disse Fudge com o lábio superior a suar . - Quem irá conseguir ? - Isso está para se ver - disse Mr._Malfoy com um sorriso mesquinho . - Mas como os doze votamos ... Hagrid pôs se de pé em um salto , o cabelo preto hirsuto a roçar em o tecto . - E quantos tiveste de chantajar para concordarem contigo , Malfoy ? - Meu caro Hagrid , sabe que esse seu temperamento ainda acaba por lhe criar problemas um dia de estes - disse Mr._Malfoy . - Não o aconselho a gritar assim com os guardas de Azkaban . Eles não iriam gostar nada . - Não podes levar Dumbledore - gritou Hagrid , fazendo Fang , o cão caçador de javalis , agachar se e ganir em o seu cesto . - Sem ele , os filhos de os Muggles não têm qualquer hipótese . A seguir haverá mortes . - Acalma te , Hagrid - disse Dumbledore de forma cortante , olhando para Lucius_Malfoy . - Se os membros de o conselho querem substituir me , eu sairei , claro . - Mas - interrompeu Fudge . - Não - rosnou Hagrid . Dumbledore não tirara os seus olhos azuis brilhantes de os olhos cinzentos e frios de Lucius_Malfoy . - Contudo - disse , pronunciando cada palavra lenta e claramente para que nenhum de eles perdesse o seu sentido - verás que só deixarei verdadeiramente esta escola quando ninguém aqui me for leal . Descobrirás também que será sempre dada ajuda em Hogwarts a quem a pedir . Por um segundo , Harry teve quase a certeza de que os olhos de Dumbledore tremelaziram em direcção a o canto onde ele e Ron estavam escondidos . - Sentimentos admiráveis - disse Malfoy , fazendo uma vénia . - Todos nós vamos sentir a tua ... forma muito pessoal de fazer as coisas , Albus . Só espero que o teu sucessor consiga evitar qualquer ... crime . Dirigiu se a a porta de a cabana , abriu a e fez sinal a Dumbledore para que passasse a a sua frente . Fudge , mexendo nervosamente em o chapéu de coco , esperou que Hagrid fizesse o mesmo mas ele ficou quieto , respirou fundo e disse prudentemente : - Se alguém quiser descobrir alguma coisa , o que tem a fazer é seguir as aranhas . Elas indicarão o caminho , é tudo_o_que vos digo . Fudge olhou para ele espantado . - Está bem , eu vou - disse Hagrid , pegando em o seu sobretudo de pêlo de toupeira . Mas quando ia seguir o Fudge e sair por a porta , parou e disse em voz alta : - E alguém tem de dar de comer a o Fang enquanto eu não estiver cá . A porta fechou se ruidosamente e Ron tirou o manto de a invisibilidade . -- Estamos outra_vez em uma alhada - disse com voz rouca - Sem o Dumbledore podem fechar a escola já esta noite . Sem ele vai haver um ataque por dia . O Fang começou a ganir , arranhando a porta fechada . XV_Aragog_O_Verão insinuava se em os campos em volta de o castelo . O céu e o lago tinham se tornado de um azul-molusco e as flores , grandes como couves , começavam a florir em as estufas . Mas sem o Hagrid , que ele costumava avistar de o castelo , atravessando os campos com o Fang atrás , parecia a Harry que a paisagem não estava completa . Não era melhor dentro de o castelo onde tudo corria horrivelmente mal . O Harry e o Ron tinham tentado visitar a Hermione , mas as visitas a o hospital estavam proibidas . - Não vamos correr mais riscos - disse lhes Madam_Pomfrey com ar severo , através_de uma fresta de a porta de o hospital . Não , lamento , há muitas hipóteses de o atacante voltar para acabar de vez com estas pessoas ... Com Dumbledore longe , o medo espalhara se como nunca acontecera antes , de_tal_modo_que o sol que aquecia as paredes de o castelo por fora parecia parar junto de as janelas de pinázios . Não se via um único rosto em a escola que não andasse tenso e preocupado e qualquer gargalhada , em os corredores , se tornava incómoda e antinatural e era rapidamente abafada . Harry repetia constantemente , de si para consigo , as últimas palavras que ouvira a Dumbledore : - * _ Só terei verdadeiramente deixado esta escola quando ninguém me for leal ... será sempre dada ajuda , em Hogwarts , a quem a pedir * . Qual seria o significado exacto de aquelas palavras ? A quem deveria pedir ajuda quando todos estavam tão confusos assustados como ele ? A alusão de Hagrid a as aranhas era bastante mais fácil de entender . O problema era que parecia não ter restado uma única aranha em o castelo para eles a poderem seguir . Harry procurou por todo o lado com a ajuda relutante de o Ron . As coisas estavam dificultadas por o facto de não poderem andar sozinhos e terem de se deslocar em grupo dentro de o castelo , juntamente com outros Gryffindor . A maior parte de os alunos gostava de ser conduzida como carneiros de uma aula para a outra por os professores mas Harry achava horrível . Havia , contudo , uma pessoa que parecia apreciar aquela atmosfera de terror e suspeitas . Draco_Malfoy passeava empertigado por a escola como_se tivesse sido nomeado para chefe de turma . Harry só compreendeu o motivo de toda aquela boa disposição cerca de quinze_dias depois de Dumbledore e Hagrid se terem ido embora quando , em uma aula de poções , o ouviu falar com o Crabbe e o Goyle . - Sempre achei que seria o pai quem conseguiria livrar nos de o Dumbledore - disse sem a menor preocupação em baixar a voz . - Já vos disse , segundo ele , Dumbledore foi o pior director que a escola alguma vez teve . Talvez agora venha um director decente que não queira a Câmara_dos_Segredos fechada . A Mc_Gonagall não vai durar muito , está só a ... O Snape passou por Harry , sem fazer comentários a o caldeirão e a a cadeira vazia de Hermione . - Professor - disse Malfoy em voz alta . - Professor , porque não se candidata a o lugar de director ? - Ora , ora , Malfoy - respondeu Snape , sem conseguir esconder um meio sorriso . - O professor Dumbledore foi apenas suspenso por os membros de o conselho de direcção , certamente vai voltar um dia de estes . - Sim , claro - disse Malfoy com o seu sorriso escarninho . - Acho que se o professor quisesse candidatar se a o lugar teria o voto de o pai . Eu vou dizer lhe que o acho o melhor professor de a escola . Snape sorriu enquanto passeava de um lado para o outro em o calabouço , não tendo felizmente visto o Seamus_Finnigan que fingia vomitar para dentro de o caldeirão . - Estou espantado por ver que até agora os sangues de lama ainda não fizeram as malas e não desapareceram - prosseguiu Malfoy . - Aposto cinco galeões em como o próximo morre . Pena que não tenha sido a Granger ... A campainha tocou em esse momento o que foi uma sorte porque a o ouvir as últimas palavras de Malfoy , Ron deu um salto , mas em a barafunda de guardar os livros em os sacos , a sua tentativa de agarrar o Malfoy passou despercebida . - Deixem me - gritava o Ron enquanto o Harry e o Dean lhe agarravam os braços . - Não preciso de varinha , vou dar cabo de ele com as minhas mãos ... - Despachem se , tenho de conduzir vos a a aula de herbologia - praguejava o Snape acima de as cabeças de os alunos . E lá foram como cordeirinhos com Harry , Ron e Dean em a retaguarda , o Ron ainda a tentar libertar se . Só acharam seguro largá o quando Snape os deixou fora de o castelo e iniciaram o percurso por o meio de a horta em direcção a as estufas . A aula de herbologia estava reduzida . Tinha agora dois alunos a menos : Justin e Hermione . A professora Sprout pô os a trabalhar , podando as figueiras-da-abissínia . Harry foi despejar uma braçada de hastes secas em um monte de adubo e deu consigo cara a cara com Ernie_Mcmillan . Ernie respirou fundo . - Só quero dizer te , Harry que lamento ter suspeitado de ti . Sei que nunca atacarias a Hermione_Granger e peço te desculpa por todas_as coisas que disse . Estamos todos em o mesmo barco , agora e , bem ... Estendeu lhe uma mão rechonchuda que o Harry apertou . Ernie e a sua amiga Hannah foram trabalhar em a mesma figueira com o Harry e o Ron . - Aquele tipo , Draco_Malfoy - disse Ernie , partindo pequenos galhos - , parece muito satisfeito com isto tudo , não acham ? É bem possível que ele seja o herdeiro de Slytherin . - Uma observação inteligente de a tua parte - disse o Ron que parecia não ter desculpado Ernie tão facilmente como o Harry . - Acham que é ele ? - perguntou Ernie . - Não - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Hannah ficaram a olhar espantados . Um segundo depois , Harry avistou qualquer coisa que o levou a chamar a atenção de o Ron , batendo lhe em a mão com a tesoura de podar . - Au ... o que é_que tu ... ? Harry apontava para o chão , a poucos centímetros de distância . Várias aranhas grandes corriam precipitadamente por a terra fora . - Ah ! sim - disse o Ron , tentando , sem conseguir , mostrar se entusiasmado . - Mas não podemos seguis as agora ... Ernie e Hannah ouviam nos com curiosidade . Harry viu as aranhas desaparecerem . - Parecem ir em a direcção de a floresta proibida ... E o Ron ficou ainda mais infeliz a o ouvir aquilo . Em o final de a aula , o professor Snape acompanhou os alunos a a « Defesa contra as artes negras » . Harry e Ron foram atrás de os outros para poderem conversar sem serem ouvidos . - Temos de usar outra_vez o manto de a invisibilidade - disse Harry a o Ron . - Podemos levar connosco o Fang , ele está habituado a ir a a floresta com o Hagrid , pode ser uma boa ajuda . - Certo - disse o Ron , que fazia girar nervosamente a varinha em os dedos . - Er ... não costuma haver ... não costuma haver lobisomens em a floresta ? - acrescentou enquanto ocupavam os lugares de o costume em a aula de o Lockhart . Preferindo não responder a a pergunta , Harry disse : - Também há lá coisas boas . Os centauros são fixes e os unicórnios . Ron nunca estivera em a floresta proibida , Harry fora lá só uma_vez e desejara não ter de lá voltar . Lockhart deu um salto para dentro de a sala de aula e os alunos ficaram espantados a olhar para ele . Todos os outros professores andavam mais tristes do_que o habitual mas Lockhart parecia sentir se em as nuvens . - Então , então - exclamou , olhando em volta . - Porquê essas caras deprimidas ? Lançaram lhe olhares exasperados mas ninguém respondeu . - Não compreendem - disse , falando devagar como_se fossem todos um_pouco estúpidos - que o perigo já passou ? O culpado foi se embora . -- Quem disse ? - retorquiu Dean_Thomas em voz alta . -- Meu caro jovem , o ministro de a magia não teria levado Hagrid se não estivesse cem por_cento certo de que ele era o culpado - disse Lockhart como quem explica que um e um são dois . - Teria , sim - disse o Ron , em um tom de voz ainda mais alto do_que o de o Dean . - Eu julgo saber um_pouco mais sobre a prisão de o Hagrid do_que o senhor , Mr._Weasley - disse Lockhart com notória auto-satisfação . Ron começou a dizer que discordava mas foi interrompido por o Harry que lhe deu um forte pontapé por debaixo de a mesa . - Nós não estávamos lá , lembras te ? - murmurou . Mas a alegria revoltante de o Lockhart , as insinuações de que sempre tinha achado que o Hagrid não prestava , a sua certeza de que tudo aquilo estava a chegar a o fim , irritou Harry de tal maneira que teve vontade de lhe atirar as * _ Viagens com Vampiros * e de lhe acertar em aquela cara estúpida . Mas , em vez de isso , limitou se a escrevinhar um bilhete para o Ron : * _ Vamos lá hoje a a noite * . Ron leu a mensagem , engoliu em seco e olhou para o lugar onde Hermione costumava sentar se . A cadeira vazia pareceu ajudá o a decidir se e acenou afirmativamente . A sala comum de os Gryffindor estava agora sempre cheia porque , depois de as seis_da_tarde , os Gryffindor não tinham outro lugar para ir . Por outro lado , tinham imenso para conversar , por isso a sala comum mantinha se cheia de gente até depois de a meia-noite . Logo_a_seguir a o jantar , Harry foi buscar o manto de a invisibilidade a a mala onde estava guardado e passou todo o serão a a espera que a sala esvaziasse . O Fred e o George desafiaram o para alguns jogos de explosão e a Ginny sentou se , muito preocupada , a observá os , em a cadeira habitual de Hermione . Harry e Ron fartaram se de perder de propósito em uma tentativa de pôr rapidamente fim a os jogos mas , mesmo_assim , já passava bastante de a meia-noite quando o Fred , o George e a Ginny se foram , finalmente , deitar . Harry e Ron esperaram até ouvir as portas de os dois dormitórios fecharem se . Em seguida , pegaram em o manto , lançaram o sobre ambos e passaram por o buraco de o retrato . Era mais uma difícil travessia de o castelo , tendo de fintar todos os professores . Finalmente , chegaram a o * hall * de entrada , giraram o fecho de as portas de carvalho , esgueiraram se tentando não fazer barulho e aventuraram se nos campos iluminados por o luar . - É claro que - disse bruscamente o Ron , enquanto atravessavam os relvados negros - podemos perfeitamente chegar a a floresta e descobrir que não há nada para seguir . As aranhas podem não ter ido para lá . É certo que parecia que tomavam essa direcção , mas ... Felizmente a lengalenga não durou muito . Chegaram a a casa de o Hagrid que tinha um ar triste com as suas janelas vazias . Logo_que Harry empurrou a porta e a abriu , o Fang saltou , louco de alegria por os ver . Preocupados , não fosse ele acordar toda_a_gente em o castelo com o seu ladrar forte e agitado , deram lhe rapidamente a comer bombons de melaço que estavam em uma lata sobre a lareira e que lhe colaram os dentes de cima a os de baixo . Harry pousou o manto de a invisibilidade sobre a mesa de o Hagrid . Não iam precisar de ele em a floresta escura como breu . - Anda , Fang , vamos dar um passeio - disse Harry , batendo lhe a o de leve em a pata e Fang saiu feliz , a os saltos , atrás de eles . Precipitou se até a a orla de a floresta e levantou a perna contra uma enorme figueira-do-egipto . Harry pegou em a varinha , murmurou * _ Lumus * ! e uma pequenina luz surgiu em a ponta de a varinha , suficiente para lhes mostrar o caminho e ajudá os a descobrir a pista de as aranhas . - Bem pensado - disse o Ron . - Eu acendia também a minha mas , sabes como ela está , ainda estoirava ou qualquer coisa assim ... Harry tocou em o ombro de o Ron , apontando para as ervas . Duas aranhas solitárias fugiam de a luz de a varinha , aproximando se de a sombra de as árvores . - O. _ K. - disse o Ron , resignando se com o pior . - Estou pronto , vamos . Então , com o Fang a correr atrás de eles , cheirando as raízes de as árvores e as folhas , entraram em a floresta . Seguindo a luz de a varinha de o Harry seguiram a fila disciplinada de aranhas que se movia a o longo de o caminho . Andaram durante cerca de vinte minutos , sem falar , atentos a todos os ruídos que não fossem os de os ramos caídos e de as folhas secas . Então , quando as copas de as árvores se tinham tornado mais cerradas do_que nunca , de_tal_modo_que as estrelas em o céu já não eram visíveis e a varinha de o Harry brilhava isolada em um mar de escuridão , viram as aranhas que eles seguiam a abandonar o caminho . Harry parou , tentando ver para_onde iam mas tudo_o_que ficava longe de a sua pequenina luz era negro de breu . Ele nunca fora tão longe em a floresta . Lembrava se muito bem de Hagrid lhe ter dito , de a última vez que ali tinham estado , que nunca saísse de o caminho de a floresta . Mas Hagrid agora estava a muitos quilómetros de distância e ele também lhes dissera que seguissem as aranhas . Uma coisa húmida tocou em a mão de o Harry e ele deu um salto para trás , pisando o pé a o Ron . Mas afinal era apenas o focinho de o Fang . - O que é_que tu achas ? - perguntou ele a o Ron cujos olhos conseguia vislumbrar , reflectindo a luz de a varinha . - Já_que viemos até aqui - disse ele . Seguiram , portanto as sombras velozes de as aranhas em direcção a as árvores . Não podiam agora andar muito depressa . Tinham em a frente raízes de árvores e troncos cortados que mal se viam em aquela escuridão . Harry sentia o bafo quente de Fang em a mão . Por mais de uma_vez tiveram de parar para o Harry se baixar e descobrir as aranhas a a luz de a varinha . Andaram durante o que lhes pareceu ter sido pelo_menos meia_hora , com os mantos a roçarem em os ramos mais baixos e em as silvas . A o fim de algum tempo repararam que o chão parecia inclinar se para baixo embora as árvores continuassem cerradas . Foi então que o Fang soltou um latido que ecoou em volta , fazendo Harry e Ron darem um salto , ambos com os cabelos em pé . - O que foi ? - gritou o Ron , olhando em volta para a escuridão e agarrando Harry com força , por o cotovelo . - Há qualquer coisa ali a mexer se - murmurou Harry - Ouve ... parece ser grande . Ficaram a ouvir . Um_pouco para a direita algo de grandes dimensões partia os ramos enquanto abria caminho através de as árvores . - Oh ! não - disse o Ron . - Oh ! não , não ... - Cala te - insistiu o Harry , nervoso . - Seja o que for , vai acabar por te ouvir . - Ouvir me ? - disse o Ron , em um tom de voz muito pouco natural . - Já ouviu . Fang ! A escuridão parecia esmagar lhes os globos oculares enquanto ali ficaram apavorados , a a espera . Houve um estranho ruído , surdo e prolongado , e em seguida o silêncio . - O que estará a fazer ? - perguntou Harry . - Talvez esteja a preparar se para atacar - disse o Ron . Esperaram , a tremer , sem ousarem mexer se . - Achas que se foi embora ? - murmurou Harry . - Não sei . Em esse momento , de o lado direito veio um clarão de luz tão forte em o meio de o escuro que os dois levaram as mãos a a cara para proteger os olhos . O Fang ganiu e tentou fugir mas viu se envolvido em um emaranhado de espinhos e ganiu ainda mais alto . - Harry - gritou o Ron com grande alívio em a voz . - Harry , é o nosso carro . - O quê ? - Anda ver . Harry avançou a os tropeções atrás de o Ron , em direcção a a luz e em o momento seguinte estavam em uma clareira . O carro de Mr._Weasley ali estava , vazio , no_meio_de um círculo de árvores grossas , sob um telhado de ramos densos , os faróis de a frente resplandecentes . Quando Ron se aproximou de boca aberta , moveu se lentamente em direcção a ele como_se fosse um grande cão azul turquesa , cumprimentando o dono . - Tem estado aqui todo este tempo - disse o Ron satisfeitíssimo , aproximando se de o carro . - Olha para ele , a floresta tornou o selvagem ... O guarda-lamas estava riscado e cheio de lodo . Parecia que tinha andado a passear sozinho por a floresta . Fang não gostou lá muito de ele . Manteve se a o lado de o Harry que podia senti o a tremer . Com a respiração normalizada , Harry guardou a varinha em o manto . - E nós a pensarmos que ele nos ia atacar - disse o Ron , encostando se a o carro e dando lhe duas palmadinhas - As voltas que eu dei a a cabeça a pensar para_onde ele teria ido ! Harry olhava para todos os lados , em o chão iluminado , em busca de mais aranhas mas todas elas tinham fugido de o brilho de as luzes . - Perdemos as de vista - disse ele . - Anda , vamos procurá as . Ron não disse nada . Não se moveu . Tinha os olhos fixos em um ponto , três metros acima de o chão de a floresta , mesmo atrás de o Harry . O seu rosto estava lívido de terror . Harry nem teve tempo de se voltar . Ouviu se um ruído alto e seco e sentiu que alguma coisa longa e peluda o elevava em o ar com o rosto voltado para baixo . Debatendo se , apavorado , ouviu outro estalido e viu as pernas de o Ron serem também levantadas de o chão . Ouviu o Fang gemer e ganir e , em o momento seguinte , era levado para o meio de as árvores escuras . Com a cabeça a balouçar , Harry viu que a coisa que o transportava tinha seis enormes patas peludas e que as duas de a frente o agarravam com forca sob um par de tenazes pretas e brilhantes . Atrás_de si podia ouvir outra de aquelas criaturas que , sem dúvida , transportava o Ron . Encaminhavam se para o coração de a floresta . Harry ouvia o Fang a ladrar , tentando libertar se de um terceiro monstro mas Harry não podia gritar mesmo_que quisesse , parecia que tinha deixado a voz em a clareira , junto com o carro . Não soube quanto tempo esteve em as patas de a criatura , só se apercebeu que a escuridão se atenuara um_pouco , permitindo lhe ver que o chão coberto de folhas estava agora repleto de aranhas . Voltando a cabeça para o lado , deu se conta de que tinham chegado a a base de uma enorme cova , uma cova que fora limpa de árvores para que as estrelas iluminassem com o seu brilho a cena mais pavorosa que os seus olhos alguma vez tinham visto . Aranhas . Não aranhas pequeninas como aquelas que estavam sobre as folhas . Aranhas de o tamanho de enormes cavalos , com oito olhos , oito pernas pretas , peludas , gigantescas . O espécimen que transportava Harry desceu o terreno íngreme até uma teia brumosa em forma de cúpula que ficava mesmo em o meio de a cova , enquanto os companheiros se juntavam em volta , batendo excitadíssimos com as tenazes e olhando para o que eles traziam a as costas . Harry caiu em o chão de gatas quando a aranha o libertou . Ron e Fang foram cair perto de ele . O Fang já não gania . Estava agachado e muito quieto . Ron e Harry partilhavam o mesmo sentimento . O Ron tinha a boca aberta em uma espécie de grito silencioso e os olhos a saltarem lhe de as órbitas . Harry percebeu de repente que a aranha que o deitara a o chão estava a dizer qualquer coisa . Era difícil entender porque entre cada duas palavras , batia com as tenazes . - Aragog - chamou . - Aragog . E de o meio de a teia brumosa em forma de cúpula saiu muito lentamente uma aranha de o tamanho de um pequeno elefante . As costas e as pernas estavam cobertas de pêlo cinzento e , em a cabeça feia , munida de tenazes , estavam vários olhos , todos eles de um branco leitoso . Era cega . - O que foi ? - disse , batendo rapidamente com as tenazes uma em a outra . - Homens - respondeu a aranha que trouxera o Harry . - É o Hagrid ? - perguntou Aragog , aproximando se mais com os seus oito olhos leitosos a vaguear . - Estranhos - respondeu a aranha que trouxera o Ron . - Matem nos - disse Aragog , irritada . - Eu estava a dormir ... - Nós somos amigos de o Hagrid - gritou Harry . Parecia que o coração lhe saltava por a boca . Clic , clic , clic fizeram as tenazes de a aranha , em volta de a cova . Aragog parou . - O Hagrid nunca mandou homens a a nossa cova - disse lentamente . - O Hagrid está em perigo - explicou Harry , respirando muito depressa . - Foi por isso que eu vim . - Em perigo ? - repetiu a aranha idosa e pareceu a Harry sentir preocupação por detrás de as suas tenazes . - Mas porque vos mandou ele cá ? Harry pensou pôr se de pé mas achou melhor não arriscar . As pernas provavelmente não teriam força para o sustentar . Falou portanto de o chão , o mais calmamente que foi capaz . - Eles lá em a escola pensam que o Hagrid soltou qualquer coisa contra os estudantes . Mandaram o para Azkaban . Aragog bateu furiosamente com as tenazes e , em toda_a cova , o eco foi reproduzido por uma multidão de aranhas . Era uma espécie de aplauso com uma única diferença : os aplausos não costumavam fazer o Harry quase morrer de medo . - Mas isso foi há muitos anos - disse Aragog , maldisposta . - Há anos e anos . Lembro me muito bem . Foi por isso que o expulsaram de a escola . Eles pensaram que eu era o monstro que vive em aquilo a que eles chamam a Câmara_dos_Segredos . Pensaram que o Hagrid a tinha aberto para me libertar . - E tu ... não vieste de a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Harry que sentia a testa cheia de suores frios . - Eu - disse Aragog , batendo irritada com as tenazes - , eu não nasci em o castelo . Venho de uma terra distante . Um viajante ofereceu me a o Hagrid quando eu era ainda um ovo . Hagrid era um rapazinho mas tratou de mim , escondeu me em uma despensa dentro de o castelo e alimentava me com as migalhas que ficavam em as mesas . Hagrid é o meu bom amigo e um bom homem . Quando me encontraram e me culparam por a morte de uma rapariga , ele protegeu me . Desde_então , tenho vivido aqui em a floresta onde o Hagrid ainda vem visitar me . Ele até me arranjou uma esposa , Mosag , e estão a ver como a família cresceu , tudo graças a a bondade de o Hagrid ... Harry reuniu a coragem que lhe restava . - Então tu nunca atacaste ninguém ? - Nunca - resmungou a velha aranha . - Era esse o meu instinto , mas por respeito a Hagrid nunca fiz mal a nenhum humano . O corpo de a rapariga morta foi encontrado em uma casa_de_banho , ora eu nunca conheci mais do_que despensa de o castelo , onde cresci . Nós gostamos de o escuro de o silêncio . - Mas então ... sabes o que matou essa rapariga ? - perguntou Harry . - Porque seja o que for , está a atacar as pessoas outra_vez ... As suas palavras foram abafadas por uma audível explosão de tenazes a bater e por o ruge-ruge de muitas pernas longas , deslocando se iradas . Em volta de Harry começaram a mover se sombras escuras . - O que vive em o castelo - disse Aragog - é uma antiga criatura que nós , aranhas , tememos acima_de todas_as outras . Lembro me bem de o quanto insisti com Hagrid para que me deixasse sair de ali quando senti a criatura a andar por a escola . - O que é ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Mais tenazes a bater , mais pernas a moverem se . As aranhas pareciam estar a aproximar se . - Nós não falamos de isso - exclamou Aragog furiosa . - Não pronunciamos o seu nome . Eu nunca disse a o Hagrid o nome de a horrível criatura , apesar_de ele me ter perguntado vezes sem conta . Harry não quis insistir , principalmente com todas aquelas aranhas a aproximarem se de todos os lados . Aragog parecia ter se cansado de falar . Recuava lentamente para a teia em forma de cúpula , mas as companheiras continuavam a aproximar se ameaçadoramente de Harry e Ron . - Vamos embora , então - gritou Harry , desesperadamente a Aragog , enquanto ouvia as folhas secas a estalarem atrás_de si . - Embora ? - disse Aragog lentamente . - Não me parece ... - Mas , mas ... - Os meus filhos e filhas não fazem mal a o Hagrid por ordem minha . Mas não posso negar lhes carne fresca quando ela veio por vontade própria ter connosco . Adeus , amigo de o Hagrid . Harry deu meia volta . Poucos centímetros acima de ele , uma sólida parede de aranhas batia com as tenazes , os seus muitos olhos a brilharem em as horríveis caras pretas . Mesmo_que se servisse de a varinha , Harry sabia que não ia valer de nada . As aranhas eram demasiadas , mas quando tentava preparar se para morrer a lutar , ouviu se um som prolongado e um clarão de luz iluminou a cova . O carro de Mr._Weasley ribombava , descendo o declive , com os faróis acesos , a buzina a guinchar , afastando as aranhas . Muitas de elas ficaram voltadas ao_contrário com as várias pernas a agitar se em o ar . O carro buzinou com mais força em frente de Harry e Ron e as portas abriram se . - Agarra o Fang - gritou Harry , ajeitando se em o lugar de a frente . Ron agarrou o cão caçador de javalis e lançou o a ganir para o banco de trás . As portas fecharam se com estrondo . Ron não tocou em o acelerador mas o carro não precisou de isso . O motor fez se ouvir e levantaram voo , batendo em mais aranhas . Subiram o declive , saindo de a cova e pouco depois atravessavam a floresta , os ramos a baterem em os vidros enquanto o carro seguia habilmente através de os intervalos maiores , por um caminho que obviamente já conhecia . Harry olhou para o Ron , a o seu lado . Ele tinha ainda a boca aberta em o mesmo grito silencioso mas os olhos já não estavam salientes . - Estás bem ? Ron olhou em frente , incapaz de responder . Começavam a descer para terra firme com o Fang a soltar enormes ganidos em o banco de trás e Harry viu o espelho retrovisor saltar quando passaram rente a um enorme carvalho . Após dez minutos bastante ruidosos , as árvores começaram a ser mais finas e Harry pôde ver de_novo pedaços de o céu . O carro parou tão bruscamente que quase foram projectados por o vidro de a frente . Tinham chegado a a orla de a floresta . O Fang ia agitadíssimo a a janela e quando Harry abriu a porta , disparou a correr através de as árvores até a a casa de o Hagrid , de cauda entre as pernas . Harry saiu também e um minuto depois o Ron pareceu recuperar a força em os membros e seguiu o , ainda com um torcicolo e de olhos esbugalhados . Harry deu uma palmadinha de agradecimento a o carro antes de ele dar a volta e desaparecer em direcção a a floresta . Harry voltou a a cabana de o Hagrid para buscar o manto de a invisibilidade . O Fang tremia em o seu cesto , coberto por um cobertor . Quando saiu de_novo , viu o Ron a vomitar junto de as abóboras . - Sigam as aranhas - disse ele debilmente , limpando a boca a a manga . - Nunca vou perdoar a o Hagrid . É uma sorte ainda estarmos vivos . - Aposto que ele pensou que Aragog nunca faria mal a os seus amigos - justificou Harry . - Esse é justamente o problema de o Hagrid - interrompeu Ron , dando um soco em a parede de a cabana . - Ele acha sempre_que os monstros não são tão maus como os pintam e vê onde isso o levou , a uma cela em Azkaban - tremia agora descontroladamente . - Qual a ideia de ele a o mandar nos ali ? Gostava de saber o que é_que descobrimos . - Que o Hagrid nunca abriu a Câmara_dos_Segredos - disse Harry , lançando o manto sobre Ron e tocando lhe em o braço para o encorajar a andar . - Ele estava inocente . Ron resmungou em voz alta . Para ele , chocar Aragog em uma despensa não era propriamente estar inocente . Quando se aproximaram de o castelo , Harry esticou o manto para garantir que os pés de ambos ficavam cobertos . Em seguida , empurrou as portas de a frente que chiaram . Atravessaram com todo o cuidado o * hall * de entrada e subiram a escadaria de mármore , contendo a respiração em os corredores guardados por sentinelas atentos . Por fim , chegaram a a segurança de a sala de os Gryffindor onde o lume ardera até se transformar em brasas brilhantes . Tiraram o manto e subiram a escada serpenteante que os levava a o dormitório . Ron caiu em a cama sem sequer se despir mas Harry , apesar_de tudo , não tinha sono . Sentou se em a beirinha de a cama , pensando em todas_as coisas que Aragog dissera . A criatura que andava por o castelo , pensou , era uma espécie de monstro Voldemort , nem os outros monstros queriam pronunciar o seu nome . Mas ele e o Ron não estavam agora mais perto_de descobrir o que era nem como petrificava as suas vítimas . Se nem o Hagrid chegara a saber o que estava em a Câmara_dos_Segredos ... Harry balançou as pernas e atirou se para_cima de a cama . Encostado a as almofadas olhou a Lua que brilhava através de a janela de a torre . Não sabia que mais poderiam fazer . Só tinham encontrado portas fechadas . Riddle apanhara a pessoa errada . O herdeiro de Slytherin fugira e ninguém sabia se era a mesma pessoa ou uma outra que abrira , desta_vez , a Câmara_dos_Segredos . Não havia mais ninguém a quem fazer perguntas . Harry deitou se ainda a pensar em as palavras de Aragog . Estava a começar a ficar com sono quando aquilo que parecia ser uma última esperança lhe ocorreu , fazendo o sentar se muito direito em a cama . - Ron - sussurrou em o escuro . - Ron . Ron acordou com um ganido como os de o Fang . Olhou muito assustado em volta e viu o Harry . - Ron , a rapariga que morreu . Aragog contou nos que ela foi encontrada em uma casa_de_banho - disse , ignorando os roncos de o Neville em o outro canto de o quarto . - E se ela nunca tivesse saído de a casa_de_banho ? E se ainda lá estiver ? Ron esfregou os olhos , franzindo as sobrancelhas sob a luz de a Lua . E só então compreendeu . -- Não pensar que ... a Murta_Queixosa ? XVI_A_Câmara_dos_Segredos -- E estivemos nós tantas vezes em aquela casa_de_banho com ela apenas a três cubículos de distância - disse o Ron amargamente em o dia seguinte , a a mesa de o pequeno-almoço . - Podíamos ter lhe perguntado e agora ... Já fora bastante difícil procurar as aranhas . Escapar a os professores o tempo suficiente para ir até a a casa_de_banho de as raparigas , que ficava mesmo em frente de o lugar onde ocorrera o primeiro ataque , ia ser quase impossível . Mas alguma coisa aconteceu que fez com que a Câmara_dos_Segredos desaparecesse de os seus pensamentos pela_primeira_vez em várias semanas . A professora Mc_Gonagall comunicou lhes que os exames começariam a 1_de_Junho , uma semana depois . - Exames ? - gritou Seamus_Finnigan . - Nós mesmo_assim vamos ter exames ? Ouviu se um estrondo atrás de o Harry quando a varinha de o Neville_Longbottom lhe escapou de a mão , fazendo desaparecer uma de as pernas de a secretária . A professora Mc_Gonagall repô a com a sua varinha e voltou se com má cara para o Seamus . - Se temos a escola aberta em uma altura de estas é para vocês receberem instrução - disse com dureza . - Os exames terão lugar , portanto , como é costume e espero que todos vocês façam revisões até lá . Revisões . Não passara por a cabeça de o Harry que houvesse exames com o castelo em aquele estado . Houve uma série de murmúrios revoltados , o que fez com que a professora Mc_Gonagall ficasse ainda mais mal-humorada . - As instruções de o professor Dumbledore foram para manter a escola a funcionar o mais normalmente possível - disse . - E isso , não preciso de vos dizer , passa por uma avaliação de o quanto vocês aprenderam a o longo de este ano . Harry olhou para baixo , para o casal de coelhos brancos que ele deveria transformar em pantufas . Que tinha ele aprendido durante o ano ? Não era capaz de se lembrar de nada que fosse útil em um exame . Ron estava como_se tivessem acabado de lhe dizer que a partir de aquele momento tinha de ir viver para a floresta proibida . - Estás a ver me a ter exames com isto tudo ? - perguntou a o Harry enquanto pegava em a varinha que tinha começado a assobiar bastante alto . Três dias antes de o primeiro exame , a a hora de o pequeno almoço , a professora Mc_Gonagall fez outra comunicação . - Tenho boas notícias - disse , e o salão em_vez_de se calar , explodiu de contentamento . - Dumbledore vai regressar ! - gritaram várias pessoas cheias de alegria . - Apanharam o herdeiro de Slytherin - arriscou uma rapariga em a mesa de os Ravenclaw . - Temos outra_vez os jogos de Quidditch - bradou Wood , excitadíssimo . Quando a agitação passou , Mc_Gonagall disse : - A professora Sprout informou me que as mandrágoras estão finalmente prontas para serem cortadas . Hoje a a noite vamos poder reanimar as pessoas que foram petrificadas . Escusado será dizer que certamente uma de elas poderá revelar nos quem ou o que a atacou . Eu tenho esperança que este ano pavoroso acabe com a prisão de o culpado . Houve uma explosão de aplausos . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e não ficou nada surpreendido a o ver que Draco_Malfoy não aplaudia . O Ron , por outro lado , estava satisfeito como ninguém o via havia dias . - Não faz mal não termos perguntado a a Murta . A Hermione vai , com certeza , ter todas_as respostas quando acordarem . Vai também ficar fula quando souber que temos exames dentro_de três dias . Ela não pôde fazer revisões . Seria melhor deixarem a estar onde está até a o final de os exames . Nessa_altura , Ginny_Weasley veio sentar se junto de o Ron . Parecia nervosa e tensa e Harry reparou que torcia as mãos em o colo . - O que se passa ? - perguntou o Ron , servindo se de mais papa de aveia . Ginny não disse nada mas olhou para um lado e para o outro de a mesa de os Gryffindor , com um olhar assustado que lembrou a Harry alguém que não sabia bem quem era . - Vá lá , vomita - disse o Ron , olhando para ela . Harry percebeu subitamente quem a Ginny lhe lembrara . Ela balançava se ligeiramente para a frente e para trás em a cadeira , exactamente como o Dobby fazia quando estava hesitante , à_beira_de revelar uma informação proibida . - Tenho de te dizer uma coisa - balbuciou a Ginny receosa , sem olhar para Harry . - O que é ? - perguntou ele . Ginny parecia incapaz de encontrar as palavras certas . - O quê ? - insistiu Ron . Ginny abriu a boca mas não saiu nenhum som . Harry inclinou se para a frente e falou devagar para que só ela e Ron pudessem ouvi o . - É alguma coisa relacionada com a Câmara_dos_Segredos ? Viste alguma coisa ou alguém a agir de forma estranha ? Ginny respirou fundo e , em esse preciso momento , apareceu Percy_Weasley com um ar pálido e cansado . - Se já acabaste de comer eu fico com esse lugar , Ginny . Estou cheio de fome . Acabei agora o meu trabalho de patrulhamento . Ginny deu um salto como_se a cadeira tivesse acabado de ser electrificada , lançou a o Percy um olhar assustado e zarpou . Percy sentou se e tirou uma caneca de o meio de a mesa . -- Percy - disse o Ron aborrecido . - Ela ia agora mesmo contar nos uma coisa importante . A meio de um gole de chá , Percy estremeceu . - Que coisa ? - perguntou , tossindo . - Eu quis saber se ela tinha visto alguma coisa estranha e ela ia dizer ... - Ah ! isso ... não tem nada que ver com a Câmara_dos_Segredos - disse o Percy de imediato . - Como sabes ? - indagou o Ron , erguendo as sobrancelhas . - Bem ... er ... já_que perguntam , a Ginny ... er ... passou por mim em outro dia quando eu ... er ... não foi nada , o importante é_que ela viu me fazer uma coisa e eu ... um ... pedi lhe para não comentar com ninguém . Não pensei que ela cumprisse a palavra , verdade se diga . Não é nada importante , eu só ... Harry nunca vira o Percy tão pouco a a vontade . - O que estavas a fazer , Percy ? - riu se o Ron . - Vá lá , conta que nós não nos rimos . Percy ficou sério . - Passa me esses pãezinhos , Harry , estou cheio de fome . Harry sabia que todo o mistério poderia ser desvendado em o dia seguinte sem a ajuda de eles mas não ia deixar de falar com a Murta_Queixosa se a oportunidade surgisse . E , para sua grande satisfação , ela surgiu a meio de a manhã quando eram conduzidos a a aula de História_da_Magia_por_Gilderoy_Lockhart . Lockhart , que tantas vezes lhes assegurara que o perigo tinha passado , estava agora totalmente convencido de que acompanhar os alunos em os corredores era um trabalho inútil . O seu cabelo estava mais liso do_que de costume . Parecia ter passado toda_a noite acordado a vigiar o quarto andar . - Podem escrever o que eu digo - afirmou , acompanhando os até uma esquina . - As primeiras palavras que vão sair de a boca de aquelas pobres pessoas petrificadas serão - * _ Foi_o_Hagrid * . Francamente , estou espantado por a professora Mc_Gonagall considerar ainda necessárias estas medidas de segurança . - Concordo , professor - disse Harry , fazendo com que Ron , surpreendido , deixasse cair os livros a o chão . - Obrigado , Harry - disse Lockhart amavelmente , enquanto deixavam passar uma grande fila de Hufflepuffs . - verdade é_que os professores já têm bastante que fazer para andarem também a acompanhar os alunos a as aulas e a guardar os corredores a a noite ... - É verdade - disse o Ron , percebendo a ideia . - Porque não nos deixa aqui , professor , só falta mais um corredor . - Sabes , Weasley , sou mesmo capaz de fazer isso - disse Lockhart . - Preciso de preparar a minha próxima aula . E apressou se a seguir o seu caminho . - Preparar a aula - zombou o Ron . - Vai encaracolar o cabelo , é o mais certo . Deixaram os restantes Gryffindor passar lhes a a frente e por fim cortaram caminho em um corredor lateral e dirigiram se a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mas quando estavam a congratular se por o seu esquema brilhante ... - Potter , Weasley ! Que estão vocês a fazer aqui ? Era a professora Mc_Gonagall e a boca de ela estava mais fina do_que nunca . - Nós estávamos , estávamos - gaguejou o Ron . - Nós íamos ver , íamos ver ... - Hermione - completou Harry . A professora Mc_Gonagall e Ron olharam para ele . - Não a vemos há séculos , professora - prosseguiu Harry , pisando o pé a o Ron . - E pensamos ir espreitá a a a ala hospitalar e dizer lhe que as mandrágoras estão quase prontas , para ela não se preocupar . A professora Mc_Gonagall estava ainda a olhar para ele e , por um momento , Harry pensou que ela ia explodir mas , quando falou , fê lo em um tom de voz estranhamente rouco . - É claro - disse . E Harry , espantado , viu uma lágrima a brilhar lhe em o canto de um de os olhos . - É claro . Eu compreendo que tudo_isto tem sido muito duro para os amigos de aqueles que foram ... eu compreendo , sim , Potter . Podem ir visitar Miss_Granger . Eu mesma informarei o professor Binns de que vocês estão em o hospital . Digam a Madam_Pomfrey que vos dei autorização . Harry e Ron afastaram se , quase sem acreditar que tinham escapado a um castigo . Quando voltaram em uma esquina ouviram nitidamente a professora Mc_Gonagall a assoar se . - Esta - disse o Ron entusiasmado - foi a melhor história que tu alguma vez inventaste . Não tinham outro remédio senão ir a a ala hospitalar e dizer a Madam_Pomfrey que tinham autorização de a professora Mc_Gonagall para visitar Hermione . Madam_Pomfrey deixou os entrar com alguma relutância . - Não vale a pena falar com uma pessoa petrificada - disse , e ambos tiveram que admitir que ela tinha razão quando se sentaram junto de Hermione e constataram que ela não tinha a menor noção de estar acompanhada . Dizer lhe que não se preocupasse ou falar com o armário que estava a o lado de a cama era exactamente a mesma coisa . - Será que ela viu quem a atacou ? - perguntou o Ron , olhando com tristeza para o rosto rígido de Hermione . - Porque se a coisa saltou sobre eles , ficaremos todos sem saber de nada . Mas Harry não olhava para o rosto de Hermione . Estava mais interessado em a sua mão direita que se encontrava pousada sobre os cobertores e , inclinando se para ela , viu que tinha , fechado entre os dedos , um pedaço de papel . Assegurando se de que Madam_Pomfrey não dava por nada , fez sinal a o Ron . - Tenta tirá o - murmurou ele , colocando a cadeira de_modo_a que Madam_Pomfrey não pudesse ver o Harry . Não foi tarefa fácil . A mão de a Hermione estava fechada com uma força tal que Harry receou parti a . Enquanto Ron vigiava , ele forçou e torceu até que , por fim , depois de vários minutos bastante tensos , conseguiu tirar o papel . Era uma página retirada de um livro muito antigo de a biblioteca . Harry alisou a ansiosamente e Ron inclinou se para poder lês a também . * _ De todos os monstros assustadores que pairam a a face de a Terra , nenhum é tão curioso nem tão fatal como o Basilisk , também conhecido por o rei de as serpentes . Esta cobra que pode atingir proporções gigantescas e viver durante muitas centenas de anos nasce de um ovo de galinha que é chocado por um sapo . As suas formas de matar são pavorosas pois além de os dentes venenosos e mortais , o Basilisk tem um olhar criminoso e todos aqueles que ele fixa com os olhos tem morte instantânea . As aranhas fogem a sete pés de o Basilisk que é seu inimigo mortal , e o Basilisk foge apenas de o canto de o galo que para ele é fatal * . Por debaixo de isto uma única palavra fora escrita , em a letra que Harry reconheceu como sendo de Hermione : Canos . Foi como_se se tivesse acendido uma luz em o seu espírito . - Ron - murmurou - é isso . Está aqui a resposta . O monstro de a Câmara_dos_Segredos é um Basilisk , uma serpente gigante . Por isso , só eu tenho ouvido a sua voz em todos os lugares , porque eu compreendo * serpentês * ... Harry olhou para as camas em volta . - O Basilisk mata as pessoas fixando as com o olhar mas ninguém morreu , o que quer_dizer que ninguém o olhou directamente em os olhos . Colin viu o através de a lente de a máquina fotográfica e o Basilisk queimou o rolo que estava lá dentro mas o Colin ficou apenas petrificado . O Justin ... o Justin deve ter visto o Basilisk através de o Nick quase sem cabeça . O Nick é_que levou com o olhar mas não podia morrer outra_vez ... e perto de a Hermione e de a prefeita de os Ravenclaw foi encontrado um espelho . Hermione acabara de compreender que o monstro era um Basilisk . Aposto que preveniu a primeira pessoa que encontrou de que era melhor olhar por um espelho a o virar de cada esquina . E aquela rapariga puxou de o seu espelho e ... O Ron estava de queixo caído . - E Mrs._Norris ? - perguntou vivamente . Harry pensou um_pouco , tentando imaginar a cena em a noite de o Halloween . - A água . . . - disse lentamente . - A poça de água que saiu de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Aposto que Mrs._Norris só viu o reflexo de o monstro . Examinou a folha de papel que tinha em a mão . Quanto_mais olhava mais sentido faziam as coisas . - * _ O cantar de o galo é fatal para ele * - leu em voz alta . - Os galos de o Hagrid foram mortos . O herdeiro de Slytherin não queria um único galo perto de o castelo , com a câmara aberta . * _ As aranhas são as primeiras a fugir * . Tudo encaixa . - Mas , como tem o Basilisk andado por aí ? - disse o Ron . - Uma serpente horrível e enorme ... alguém a teria visto . Mas Harry apontou para a palavra que Hermione escrevinhara em o final de a página . - Canos - disse . - Canos ... Ron , ele tem usado a canalização . Eu ouvi sempre a voz dentro de as paredes ... Ron agarrou subitamente o braço de o Harry . - A entrada para a Câmara_dos_Segredos - disse em uma voz rouca . - E se for em uma casa_de_banho ? Se for em a ... - Em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa - completou Harry . Sentaram se , tomados de uma excitação enorme , mal querendo acreditar . - Isso significa que - disse o Harry - eu não posso ser o único em a escola a falar * serpentês * . Há também o herdeiro de Slytherin . É de esse modo que tem controlado o Basilisk . - O que vamos fazer ? - perguntou Ron com os olhos a faiscar . - Vamos falar com a Mc_Gonagall ? - Vamos até a a sala de os professores - disse Harry , dando um salto . - Ela estará lá dentro_de dez minutos , está quase em o intervalo . Desceram a escada a correr . Não querendo ser descobertos outra_vez a vaguear por os corredores foram directamente até a a sala de os professores que estava deserta . Era uma divisão ampla , toda forrada , com cadeiras de madeira escura . Harry e Ron passearam de um lado para o outro , demasiado nervosos para se sentarem . Mas a campainha anunciando o intervalo nunca mais tocava . Em vez de isso , ecoando em os corredores , ouviram a voz de a professora Mc_Gonagall incrivelmente ampliada . - * _ Todos os alunos devem regressar de imediato a os seus dormitórios . Todos os professores a a sala de professores . Imediatamente , por favor * . Harry deu meia volta e olhou para o Ron . - Não me digas que houve um novo ataque , não agora ! - Que vamos fazer ? - disse o Ron aterrado . - Voltar para o dormitório ? - Não - disse Harry , olhando e m volta . Havia uma espécie de armário a a sua esquerda cheio com os mantos de os professores . - Ali . Vamos ouvir o que se passa . A seguir poderemos contar lhes o que descobrimos . Esconderam se dentro de o armário , ouvindo a algazarra de centenas de pessoas e a porta de a sala de professores a abrir se . De o meio de a confusão de mantos bafientos , viram os professores encherem a sala . Alguns tinham um ar totalmente confuso , outros pareciam apavorados . Por fim , chegou a professora Mc_Gonagall . - Aconteceu - disse em o silêncio de a sala de professores . - O monstro levou uma aluna . Levou a mesmo para a câmara . O professor Flitwick soltou um grito agudo . A professora Sprout bateu com a mão em a boca . Snape agarrou com força as costas de uma cadeira e perguntou : - Como pode ter tanta certeza ? - O herdeiro de Slytherin - disse a professora Mc_Gonagall , muito pálida . - Deixou outra mensagem . Mesmo por baixo de a primeira : « * _ O esqueleto de ela ficará para sempre em a Câmara_dos_Segredos * . » O professor Flitwick desatou a chorar . - Quem é ela ? - quis saber Madam_Hooch que se afundara em uma cadeira . - Quem é a aluna ? - Ginny_Weasley - disse a professora Mc_Gonagall . Harry viu o Ron , a o seu lado , escorregar silenciosamente até a o chão de o armário . - Vamos ter que mandar todos os alunos embora amanhã - disse a professora Mc_Gonagall . Isto_é o fim de Hogwarts , Dumbledore sempre disse ... A porta de a sala de os professores voltou a abrir se . Por um breve momento , Harry pensou que fosse Dumbledore mas era Lockhart e vinha todo sorridente . - Peço desculpa , adormeci . Perdi alguma coisa ? Não pareceu reparar que os outros professores o olhavam com uma espécie de aversão . Snape deu um passo em frente . - O homem que faltava - disse . - O homem certo . O monstro raptou uma garota , Lockhart levou a para a Câmara_dos_Segredos . O seu momento chegou . - Isso mesmo , Lockhart - acrescentou a professora Sprout . - Não estavas a dizer ontem a a noite que sempre tinhas sabido onde era a entrada para a Câmara_dos_Segredos ? - Eu ... bem ... eu-disse atabalhoadamente Lockhart . - Sim , não me disseste que sabias exactamente o que estava lá dentro ? - disse com voz esganiçada o professor Flitwick . - Eu disse ? Não me lembro ... - Lembro me perfeitamente de o ouvir dizer que lamentava não ter feito uma tentativa com o monstro antes de o Hagrid ser preso - disse Snape . - Não disse que toda_a história tinha sido uma atrapalhação e que deveriam ter lhe dado carta branca desde o princípio ? Lockhart olhou em volta para a cara de espanto de os colegas . - Eu ... nunca ... eu de facto ... deve ter me compreendido mal . - Então vamos deixar te , Gilderoy - disse a professora Mc_Gonagall . - Esta noite será uma excelente oportunidade para actuares . Nós trataremos de assegurar que ninguém te atrapalha . Vais poder enfrentar o monstro sozinho . Finalmente tens carta branca . Lockhart olhou desesperado a a sua volta mas ninguém foi salvá o . Já não estava bem-parecido . O lábio tremia lhe e a ausência de o seu habitual sorriso de dentes brancos dava lhe um ar escanzelado . - M-muito bem - disse . - Vou até a o meu escritório para ... para me preparar . E saiu de a sala . - _ óptimo - exclamou a professora Mc_Gonagall com as narinas dilatadas . - Isto deve afastá o de o nosso caminho . Os chefes de casa devem ir agora comunicar a os respectivos alunos o que se passou e informá os de que o Expresso_de_Hogwarts os levará a casa amanhã de manhã . Os restantes certifiquem se , por favor , de que não há alunos fora de os dormitórios . Os professores levantaram se e saíram um a um . Foi talvez o dia pior de a vida de o Harry . Ele , Ron , Fred e George sentaram se juntos a um canto em a sala comum de os Gryffindor , incapazes de proferir uma palavra . Percy não estava lá . Tinha ido tratar de enviar uma coruja a Mr. e Mrs._Weasley e , em seguida , fechara se em o dormitório . Nunca uma tarde custara tanto a passar e nunca a torre de os Gryfffindor estivera tão cheia de gente e tão silenciosa . Fred e George foram para a cama quase a o pôr de o Sol , incapazes de ficar ali mais tempo . - Ela sabia qualquer coisa , Harry - disse o Ron , falando pela_primeira_vez desde_que tinham saído de o armário de a sala de os professores . - Por isso a levaram . Não era nenhuma parvoíce sobre o Percy , ela tinha descoberto qualquer coisa sobre a Câmara_dos_Segredos . Com certeza por isso é_que a ... - Ron esfregou os olhos , enervadíssimo . - Afinal ela era sangue puro , não pode haver outra explicação . Harry olhava para o sol que mergulhava de um vermelho cor de sangue em a linha de o horizonte . Era a pior coisa que lhe tinha acontecido . Se pelo_menos pudessem fazer alguma coisa . - Harry - disse o Ron . - Achas que há alguma possibilidade de ela não estar ... ? Sabes o que eu quero dizer . Harry não sabia que resposta dar . Não acreditava que a Ginny pudesse ainda estar viva . - Sabes uma coisa ? - disse o Ron . - Acho que devíamos ir ter com o Lockhart , contar lhe o que sabemos . Ele vai tentar entrar em a câmara , podemos dizer lhe onde achamos que fica a entrada e contar lhe que o monstro é um Basilisk . Como Harry não tinha nenhuma ideia melhor e como queria fazer alguma coisa , concordou . Os Gryffindor que os rodeavam estavam tão tristes e com tanta pena de os Weasley que ninguém tentou impedi os quando os viram levantar se , atravessar a sala e sair por o buraco de o retrato . A escuridão começava a instalar se quando chegaram a o escritório de Lockhart onde a actividade era muita . De o corredor ouvia se o ruído de coisas a serem deitadas fora , pancadas surdas e passos apressados . Harry bateu a a porta e houve um silêncio repentino . Em seguida abriu se uma fresta de a porta e viram um de os olhos de Lockhart a espreitar . - Oh ! ... Mr._Potter ... Mr._Weasley - disse entreabrindo a porta . - Estou um_pouco ocupado em este momento , se forem rápidos ... - Professor , nós temos informações para lhe dar - disse o Harry . - Acho que poderão ajudá o . - Er ... bem ... não é - o lado de a cara de Lockhart que conseguiam ver parecia muito pouco a a vontade . - Quer_dizer ... bem ... está bem . Abriu a porta e eles entraram . O escritório estava praticamente vazio . Em o chão estavam duas grandes malas abertas . Mantos verde-jade , lilás , azul-noite tinham sido apressadamente dobrados e guardados dentro_de uma de as malas . Os livros misturavam se todos dentro de a outra . As fotografias que antes cobriam as paredes estavam agora arrumadas em caixas , em cima de a secretária . - Vai a algum lado ? - perguntou Harry . - Er ... bem ... sim - disse Lockhart , arrancando de a porta um poster seu em tamanho natural , enquanto falava , e começando a enrolá o . - Uma chamada urgente ... inevitável ... tenho que ir . - E a minha irmã ? - perguntou o Ron bruscamente . - Bem , quanto_a isso foi uma pena - disse Lockhart , evitando olhá os em os olhos , abrindo uma gaveta e começando a despejar o seu conteúdo dentro_de um saco . - Ninguém lamenta mais do_que eu ... - O senhor é o professor de Defesa contra as artes negras - disse Harry . - Não pode ir se embora agora_que todas estas coisas de magia negra estão a acontecer aqui . - Bem , devo dizer te que ... quando aceitei o lugar ... - resmungou Lockhart , empilhando soquetes sobre os mantos - nada em a descrição de o meu trabalho fazia prever ... - Quer_dizer que vai fugir ? - perguntou Harry , incrédulo . - Depois de todas_as coisas que conta em os seus livros ? - Os livros podem ser enganadores - disse Lockhart delicadamente . - Mas foi o senhor que os escreveu - gritou Harry . - Meu rapaz - disse Lockhart , endireitando se e franzindo as sobrancelhas - usa o senso comum . Os meus livros não teriam vendido metade do_que venderam se as pessoas não acreditassem que eu tinha feito todas aquelas coisas . Ninguém está interessado em ler sobre um velho feiticeiro americano mesmo_que ele tenha salvo uma cidade inteira de os lobisomens , ficaria péssimo em a capa . E a bruxa que correu com a fada carpideira tinha um lábio leporino . Como vês . - Quer_dizer que ficou com os louros por tudo_o_que uma série de outras pessoas fizeram ? - perguntou Harry , sem querer acreditar . - Harry , Harry - disse Lockhart , abanando impacientemente a cabeça . - Não é tão simples assim . Envolveu muito trabalho . Tive de localizar todas essas pessoas , perguntar lhes em pormenor como tinham feito as coisas . Depois tive de lhes fazer um feitiço antimemória para que não voltassem a lembrar se do_que tinham feito . Se há uma coisa de que me orgulho é de os meus feitiços antimemória . Não , tive muito trabalho , Harry . Não foram só as sessões de autógrafos e as fotografias , sabes ? Quem quer ser famoso tem de estar preparado para um trabalho longo e fatigante . Fechou as malas a a chave . - Vejamos - disse . - Acho que está tudo . Sim , só falta uma coisa . - Empunhou a varinha e voltou se para eles . - Lamento muito , rapazes , mas vou ter de vos fazer um feitiço antimemória . Não posso deixar que vão por aí repetir os meus segredos . Não venderia nem mais um livro . Harry pegou em a varinha mesmo a tempo e Lockhart mal tinha levantado a de ele a o ar quando Harry gritou * _ Expelliarmus ! * Lockhart foi projectado de costas , indo cair em cima de a mala . A varinha voou por os ares . Ron agarrou a e atirou a por a janela aberta . - Não devia ter deixado o professor Snape ensinar nos esta - disse Harry furioso , dando um pontapé a uma de as malas . Lockhart olhava para ele , de_novo escanzelado . Harry apontava lhe a varinha . - O que queres que eu faça ? - perguntou debilmente . - Eu não sei onde fica a Câmara_dos_Segredos . Não posso fazer nada . - Está com sorte - disse Harry , forçando o com a varinha a pôr se de pé . - Nós julgamos saber onde é e o que está lá dentro . Vamos . Conduziram Lockhart para fora de o seu escritório , desceram com ele as escadas e seguiram por o corredor escuro em cuja parede brilhavam as mensagens , até a a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mandaram Lockhart a a frente . Harry gostou de ver que todo ele tremia . A Murta_Queixosa estava sentada em a cisterna de o cubículo de o fundo . - Ah ! são vocês - disse a o ver o Harry . - O que querem agora ? - Perguntar te como morreste - disse Harry . O aspecto de a Murta mudou por completo . Parecia que nunca lhe tinham feito uma pergunta tão lisonjeira . - Ooooh ! Foi horrível - disse satisfeita . - Aconteceu aqui mesmo . Morri em este cubículo . Lembro me tão bem . Estava escondida porque a Olive_Hornby andava a implicar comigo por causa de os meus óculos . A porta estava fechada e eu estava a chorar e , então , ouvi alguém entrar . Disseram qualquer coisa estranha em uma língua diferente , acho eu . Mas o que mais me espantou foi o ser um rapaz a falar . Por isso , abri a porta para lhe dizer que fosse a a casa_de_banho de eles e em esse momento - a Murta inchou com ar importante , o rosto a brilhar - morri . - Como ? - perguntou Harry . - Não faço ideia - disse a Murta em um tom de voz abafado . - Só me lembro de ver dois grandes olhos amarelos , de o meu corpo ficar preso e em seguida , sentir me a flutuar ... - olhou sonhadoramente para Harry . - E depois voltei . Estava disposta a vingar me de a Olive_Hornby , percebes ? Ela ia arrepender se de ter gozado com os meus óculos . - Onde foi exactamente que viste os tais olhos ? - perguntou Harry . - Algures por aí - disse a Murta , apontando vagamente para o lavatório em frente de o seu cubículo . Harry e Ron apressaram se . Lockhart estava de pé , mais atrás , com uma expressão de pavor em o rosto . O lavatório parecia perfeitamente vulgar . Examinaram o centímetro a centímetro , dentro e fora , incluindo os canos por baixo . E foi então que Harry reparou : de lado , rabiscada em uma de as torneiras de cobre , estava uma cobra pequenina . - Essa torneira nunca funcionou - disse vivamente a Murta enquanto ele tentava abri a . - Harry - sugeriu o Ron . - Diz qualquer coisa em * serpentês * . Mas , pensou Harry , as únicas vezes que conseguira falar * serpentês * tinham ocorrido quando confrontado com uma verdadeira serpente . Olhou , concentrado para a pequena cobra gravada em o cobre , tentando imaginá a como verdadeira . - Abre te - disse . Olhou para o Ron que abanou a cabeça . - Inglês - disse ele . Harry voltou a olhar para a cobra , forçando se a acreditar que estava viva . A luz de a vela fez parecer que se movia . - Abre te - repetiu . Mas desta_vez as palavras não foram o que ele ouviu . Um estranho sibilar escapou lhe de a boca e a torneira ganhou uma luz branca e brilhante e começou a rodar . Logo_a_seguir o lavatório mexeu se . Afastou se , melhor dizendo , saiu de o caminho , deixando um grande cano a a vista , um cano onde cabia um homem . Harry ouviu a respiração arquejante de o Ron e olhou de_novo para ele . Já decidira o que queria fazer . - Vou descer - disse . Não podia deixar de ir , agora_que acabavam de descobrir a entrada para a câmara , existindo uma possibilidade , por mais remota que fosse , de a Ginny ainda estar viva . - Eu também - disse o Ron . Houve uma pausa . - Bem , parece que não precisam mais de mim - apressou se Lockhart a dizer com uma réstia de sorriso . - Eu vou . . . Pôs a mão em o puxador de a porta mas Ron e Harry apontaram lhe ambos as varinhas . -- O senhor pode ir a a frente - disse rispidamente o Ron . Pálido e sem varinha , Lockhart aproximou se de a entrada . - Meus rapazes - disse em uma voz débil . - Meus rapazes , para quê tudo_isto ? Harry tocou lhe em as costas com a varinha e ele meteu as pernas em o cano . - Eu não me parece que ... - começou a dizer , mas o Ron deu lhe um empurrão e ele desapareceu por o cano abaixo . Harry foi rapidamente atrás . Introduziu se lentamente e deixou se cair . Era como escorregar em uma pista escura e interminável . Ele via outros canos , estendendo se em todas_as direcções mas nenhum tão largo como o de eles que se torcia e virava , inclinando se abruptamente . Harry sabia que estavam a chegar a um ponto muito abaixo de a escola e de os calabouços . Atrás_de si , ouvia o Ron gemendo em cada curva . E então , quando começava a preocupar se com o que iria acontecer quando tocassem em o chão , o cano tornou se horizontal e ele foi projectado com um ruído surdo , indo aterrar em o chão húmido de um túnel de pedra com altura suficiente para ele se pôr de pé . Lockhart estava a levantar se a alguma distancia , todo enlameado e pálido como um fantasma . Harry afastou se para deixar o Ron sair também de o cano . - Devemos estar quilómetros e quilómetros abaixo de a escola - disse o Harry cuja voz ecoou em o túnel negro . - Talvez até debaixo de o lago - arriscou o Ron , olhando em volta para as paredes escuras e viscosas . Voltaram se os três para olhar para a escuridão lá a o fundo . - * _ Lumus ! * - murmurou Harry a a varinha e ela voltou a acender se . - Vamos - disse a o Ron e a o Lockhart e avançaram , os passos a chapinharem ruidosamente em o chão molhado . O túnel era tão escuro que só conseguiam ver alguns centímetros a a frente . As suas sombras em as paredes molhadas pareciam monstruosas a a luz de a varinha . - Lembrem se - disse Harry baixinho enquanto caminhavam . - A o menor movimento fechem logo os olhos ... Mas o túnel era silencioso como um túmulo e o primeiro som inesperado que ouviram foi um grito de o Ron que escorregou em uma coisa que era afinal a cauda de um rato . Harry baixou a varinha para olhar para o chão e viu que estava cheio de pequenos ossos de animais . Fazendo um enorme esforço para evitar pensar em que estado iriam encontrar a Ginny , avançou até uma curva escura de o túnel . - Harry , está aqui qualquer coisa - disse o Ron com voz rouca , agarrando Harry por o ombro . Ficaram estáticos a olhar . Harry só conseguia ver a silhueta de algo enorme e curvo deitado em o túnel . Fosse o que fosse não se movia . - Talvez esteja a dormir - murmurou , olhando para os outros dois . Lockhart tapava os olhos com as mãos . Harry voltou se para olhar para a criatura com o coração a bater tanto que lhe doía em o peito . Lentamente , com os olhos quase fechados mas ainda conseguindo ver , Harry avançou com a varinha levantada . A luz deslizou sobre uma gigantesca pele de serpente , de um verde vivo e venenoso que estava vazia e enrolada em o chão de o túnel . A criatura que a abandonara devia ter , pelo_menos , seis metros e meio de comprimento . - Bolas - disse o Ron , perdendo as forças . Houve um movimento súbito atrás de eles . As pernas de Gilderoy_Lockhart cederam . - Levante se - disse o Ron de uma forma cortante , apontando lhe a varinha . Lockhart pôs se de pé . Em seguida empurrou o Ron , atirando o a o chão . Harry deu um salto , mas ... tarde de mais . Lockhart endireitava se com a varinha de o Ron em as mãos e um sorriso em o rosto . - A aventura acaba aqui , rapazes - disse . - Vou levar um bocado de esta pele de cobra para a escola , contar lhes que foi demasiado tarde para salvar a garota e que vocês os dois perderam tragicamente a memória com a visão de o seu corpinho mutilado . Digam adeus a as vossas recordações . Levantou a o ar a varinha avariada de o Ron e gritou * _ Obliviate ! * A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba . Harry pôs os braços sobre a cabeça e correu , escorregou em os anéis de a pele de cobra , afastando se de os grandes pedaços de tecto de o túnel que caíam em o chão com o ruído de trovões . Pouco depois estava sozinho , olhando para uma sólida parede de rocha partida . - Ron - gritou ele . - Estás bem , Ron ? - Estou aqui - respondeu a voz abafada de o Ron por detrás de a avalancha de rochas . - Eu estou bem mas este sujeito não . A varinha avariou o todo . Ouviu se um ruído surdo e um Oh ! gritado . Parecia que o Ron tinha acabado de dar a o Lockhart um pontapé em as canelas . - E agora ? - disse a voz de o Ron que parecia desesperada . - Não podemos passar , vai demorar séculos . Harry olhou para o tecto de o túnel onde tinham aparecido grandes fendas . Ele nunca tentara partir , através de a magia , nada tão grande como aquelas rochas e agora não lhe parecia ser o melhor momento para fazer experiências . E se o túnel abatesse ? Houve um ruído surdo e outro Oh ! atrás de as rochas . Estavam a perder tempo . A Ginny já estava havia duas horas em a Câmara_dos_Segredos . Harry sabia que só havia uma coisa a fazer . - Espera aqui - gritou a o Ron . - Fica com o Lockhart , eu vou lá . Se não voltar dentro_de uma hora ... Houve um silêncio cheio . - Eu vou ver se desloco um_pouco esta rocha - disse o Ron , tentando manter a voz firme . - Para tu poderes passar . E , Harry ... - Até já - disse o Harry , procurando injectar confiança em a sua voz trémula . E passou sozinho para lá de a imensa pele de serpente . Em_breve , o ruído de o Ron , tentando deslocar a rocha , deixou de se ouvir . O túnel virou uma e outra_vez . Os nervos de o corpo de o Harry tangiam de forma desagradável . Ele só queria que o túnel chegasse a o fim , fosse o que fosse que o aguardasse . E então , finalmente , quando atingiu a última curva , viu em a sua frente uma parede sólida que tinha gravadas duas serpentes enroladas uma em a outra , cujos olhos eram quatro esmeraldas , enormes e brilhantes . Harry aproximou se com a garganta seca . Não foi preciso imaginar que as serpentes eram autênticas . Os seus olhos pareciam estranhamente vivos . Foi fácil descobrir o que tinha de fazer . Pigarreou e os olhos de esmeraldas pareceram mexer se . - Abre te - disse Harry em um sibilar baixo . As serpentes desapareceram enquanto a parede se abria a o meio e , a tremer de os pés a a cabeça , Harry entrou . XVII_Herdeiro_de_Slytherin_Estava de pé em o fundo de uma divisão enorme , fracamente iluminada . Altíssimos pilares de pedra , cheios de serpentes gravadas que os enlaçavam , erguiam se , suportando um tecto que se perdia em a escuridão e que lançava sombras negras imensas através de a estranha luz esverdeada que enchia o local . Com o coração a bater descompassadamente , Harry ficou parado a ouvir aquele silêncio arrepiante . Estaria o Basilisk escondido em um canto cheio de sombras , atrás_de algum pilar ? E onde estaria Ginny ? Pegou em a varinha e avançou a o longo de as colunas serpenteantes . Cada_um de os seus passos provocava um enorme eco em as paredes sombrias . Harry tinha os olhos semicerrados e estava pronto para os fechar a o mais pequeno movimento . As órbitas de olhos fundos de as serpentes de pedra pareciam segui o . Por mais de uma_vez , com o estômago a dar um salto , Harry julgou vê os moverem se . Por fim , chegado a o nível de os dois últimos pilares , avistou uma estátua de a altura de a própria câmara que estava encostada a a parede de o fundo . Harry tinha de esticar o pescoço para olhar para_cima , para a cara de o gigante : era velho e com um ar simiesco , tinha uma barba enorme que lhe caía quase onde acabava a longa túnica de pedra . Os dois pés imensos e cinzentos pousavam em o chão de a câmara . E entre eles , voltada para baixo , estava uma figura pequenina vestida de preto com um cabelo flamejante . - Ginny - murmurou Harry , chegando perto de ela e ajoelhando se . - Ginny , por favor não estejas morta , não estejas morta ! Atirou a varinha para o lado , agarrou Ginny por os ombros e voltou a . O rosto de ela estava branco e frio como o mármore , contudo os olhos encontravam se fechados , portanto não estava petrificada . Mas então devia estar ... - Ginny , acorda por favor - repetiu Harry desesperado , sacudindo a . A cabeça de ela andava de um lado para o outro . - Ela não vai acordar - disse secamente uma voz . Harry deu um salto e girou sobre os joelhos . Um rapaz alto , de cabelo preto , estava encostado a o pilar mais próximo , a observá o . As sombras desfocavam o como_se Harry o visse através_de uma janela embaciada . Mas não havia como confundis o . - Tom , Tom_Riddle ? Riddle acenou , sem tirar os olhos de o rosto de Harry . - O que queres dizer com isso de ela não acordar ? - perguntou Harry desesperado . - Ela não está ... não está ? - Está viva - disse Riddle . - Mas , por um fio . Harry olhou fixamente para ele . Tom_Riddle estivera em Hogwarts há cinquenta anos atrás . Contudo , ali estava com uma luz estranha e desfocada a iluminá o , sem um dia a mais do_que os seus dezasseis anos . - És um fantasma ? - perguntou Harry . - Uma memória - disse Riddle . - Preservada em um diário durante cinquenta anos . Apontou para os pés de a estátua gigantesca . Ali , aberto em o chão , estava o pequeno diário de capa preta que Harry tinha encontrado em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Durante um segundo , Harry perguntou a si próprio como teria ido ali parar , mas havia coisas mais importantes a fazer . Preciso de a tua ajuda , Tom - disse Harry , levantando de_novo a cabeça de a Ginny . - Temos de sair de aqui . Há_um_Basilisk ... não sei onde está mas pode aparecer a qualquer momento . Por favor , ajuda me . Riddle não se mexeu . Harry , a transpirar , conseguiu levantar ligeiramente a Ginny de o solo e inclinou se para pegar em a varinha mas ela tinha desaparecido . - Viste a ... ? Olhou para_cima . Riddle continuava a olhá o , fazendo girar a varinha entre os dedos longos . - Obrigado - disse Harry , esticando o braço para a agarrar . Um sorriso surgiu então em os cantos de a boca de Riddle que continuou a olhar para ele , girando indolentemente a varinha . - Ouve , pá - disse Harry sem querer perder mais tempo , os joelhos a vergarem sob o peso morto de Ginny - temos de ir . Se o Basilisk aparece ... - Ele não vem enquanto não for chamado - disse Riddle com toda_a calma . Harry voltou a pousar Ginny em o chão , incapaz de a segurar por mais tempo . - Que queres dizer com isso ? - perguntou . - Dá me a minha varinha , posso precisar de ela . O sorriso de Riddle ampliou se . - Não vais precisar de ela - disse . Harry olhou o espantado . - O que queres dizer , não vou ? - Esperei muito_tempo por isto , Harry - disse Riddle . - Pela possibilidade de te ver , de falar contigo . - Olha , eu acho que tu não estás a perceber - disse Harry , perdendo a paciência . - Estamos em a Câmara_dos_Segredos , podemos conversar mais tarde . - Vamos conversar agora - disse Riddle , sorrindo de orelha a orelha e guardando a varinha de Harry em o bolso . Harry voltou a olhar para ele . Havia qualquer coisa de muito estranho em tudo aquilo . - Como é_que a Ginny ficou assim ? - perguntou pausadamente . - Bem , essa é uma pergunta interessante - disse Riddle , divertido . - E uma longa história , também . Julgo que o verdadeiro motivo que levou Ginny_Weasley a ficar assim foi o ter aberto o seu coração e revelado todos os seus segredos a um estranho ser invisível . - De quem estás a falar ? - perguntou Harry . - De o diário - disse Riddle . - De o meu diário . A Ginny escreve nele há meses e meses , contando me todas_as suas lamentáveis desgraças e atribulações : como os irmãos a arreliam , que teve de vir para a escola com manto , túnica e livros em segunda mão - os olhos de Riddle brilharam -- , que acha que o maravilhoso , o grande , o famoso Harry_Potter nunca vai gostar de ela ... Enquanto falava , nunca os olhos de Riddle se afastaram de a cara de o Harry . Havia em eles um olhar ávido . - É muito chato ter de ouvir as preocupações idiotas de uma garotinha de onze anos - prosseguiu . - Mas eu fui paciente . Respondi lhe , mostrei me simpático e amável . A Ginny pura e simplesmente adorou me . - * _ Nunca ninguém me compreendeu como tu , Tom ... estou tão feliz por ter este diário a quem me confiar ... é como ter um amigo que pode andar em o meu bolso * ... Riddle riu se . Um riso alto , frio , que não lhe ficava bem . Fez com que os cabelos de o pescoço de Harry se arrepiassem todos . - Verdade se diga que sempre consegui encantar as pessoas necessárias . Portanto a Ginny verteu em mim a sua alma e a alma de ela era precisamente o que eu queria . Fortaleceu me . Alimentei me de os seus medos mais profundos , de os seus mais obscuros segredos . Fui ficando cada_vez_mais forte e poderoso . Muito mais poderoso do_que a pequena Miss_Weasley até que comecei a transmitir lhe alguns de os meus segredos , a passar um_pouco de a minha alma para ela ... - O que queres dizer ? - perguntou Harry cuja boca ficara totalmente seca . - Ainda não descobriste , Harry_Potter ? - disse Riddle muito baixo . - Giony_Weasley abriu a Câmara_dos_Segredos , estrangulou os galos de a escola e escreveu mensagens assustadoras em as paredes . Atiçou a serpente de Slytherin contra quatro sangues de lama e contra o gato de o busca-pé . - Não - murmurou Harry . - Sim - disse calmamente Riddle . - É claro que a princípio não sabia o que estava a fazer . Era muito divertido . Gostava que visses as coisas que escreveu em o diário , começaram a ficar muito mais interessantes . * _ Querido_Tom * - recitou ele , olhando para a expressão horrorizada de o Harry . - * _ Acho que estou a perder a memória . Há penas de galo em todas_as minhas roupas e eu não sei como foram lá parar . Querido_Tom , não me lembro do_que fiz em a noite de o Hallowe'en mas foi atacada uma gata e eu estou cheia de tinta em a cara . Querido_Tom , o Percy não pára de me dizer que ando pálida e não pareço eu . Acho que ele suspeita de mim ... Houve outro ataque hoje e eu não sei onde estava . Tom , que vou eu fazer ? Acho que estou a ficar maluca ... acho que ando a atacar toda_a_gente , Tom ! * Harry tinha os punhos fechados , as unhas cravadas contra a palma de as mãos . - Levou muito_tempo até a pequenina estúpida deixar de confiar em o diário - disse Riddle . - Mas acabou por ficar desconfiada e tentou livrar se de ele . E é aí que tu entras , Harry . Tu encontraste o . E eu não poderia ter ficado mais satisfeito . De todas_as pessoas que poderiam ter ficado com ele , foste tu , aquele que eu ambicionava conhecer ... - E porque querias conhecer me ? - perguntou Harry . Começava a ser tomado por a raiva e fez um esforço para manter o tom de voz controlado . - Bem , a Ginny contou me tudo a teu respeito - disse Riddle . - A tua fascinante história . - Os seus olhos pousaram em a cicatriz em a testa de Harry e a sua expressão ganhou maior avidez . - Sabia que devia descobrir mais a teu respeito , falar te , encontrar me contigo se fosse possível . Por isso , para ganhar a tua confiança , resolvi mostrar te a famosa captura que fiz de aquele demente de o Hagrid . - O Hagrid é meu amigo - disse Harry já com a voz a tremer . - E tu tramaste o , não foi ? Pensei que tinha sido um engano , mas ... Ele riu se . O mesmo riso de antes . - Era a minha palavra contra a palavra de ele . Imagina a cara de o velho Armando_Dippet . De um lado Tom_Riddle , pobre mas brilhante , sem pais mas corajoso , prefeito de a escola , um modelo de aluno . De o outro lado , o Hagrid , grande e disparatado , arranjando problemas semana sim , semana não , tentando criar filhotes de lobisomens debaixo de a cama , escapando se para a floresta proibida para lutar com gigantes . Mas , devo admitir que até eu próprio fiquei admirado com os excelentes resultados de o meu plano . Pensei que alguém perceberia que o Hagrid nunca poderia ser o herdeiro de Slytherin . Demorei cinco anos inteirinhos até descobrir tudo_o_que me foi possível sobre a Câmara_dos_Segredos e a sua entrada secreta ... como_se o Hagrid tivesse cabeça ou poder ! - Só o professor de Transfiguração , Dumbledore , parecia achar que ele estava inocente . Convenceu Dippet a mantê o aqui e a treiná o como guarda de os campos . Sim , é natural que Dumbledore tenha adivinhado , nunca gostou de mim como os outros professores . - Aposto que Dumbledore viu através_de ti - disse Harry , de dentes cerrados . - Pelo_menos passou a vigiar me de perto , a partir de o momento em que o Hagrid foi expulso - disse Riddle descuidadamente . - Eu sabia que não era seguro voltar a abrir a câmara enquanto ainda estava em a escola mas não ia desperdiçar os longos anos que passara a pesquisar . Decidi , por isso , deixar um diário preservando em as suas páginas o meu ego de dezasseis anos para que um dia , com um_pouco de sorte , pudesse levar outro a seguir os meus passos e acabar o nobre trabalho de Salazar_Slytherin . - Bem , não o acabaste - disse Harry triunfante . - Ninguém morreu até agora , nem mesmo a gata . Dentro_de poucas horas a poção de mandrágoras estará pronta e todos os que foram petrificados voltarão de_novo a si . - Não acabei de te dizer que matar sangues de lama já não me interessa ? Há muitos meses que o meu alvo és tu . Harry olhou para ele . - Podes imaginar como fiquei furioso quando em outro dia o diário foi aberto e vi que era a Ginny quem estava a escrever e não tu . Ela viu te com o diário e entrou em pânico . E se tu descobrisses como trabalhar com ele e eu te repetisse todos os seus segredos ? Ainda pior , e se eu te contasse quem tinha andado a estrangular os galos ? Por isso , a grande palerma esperou que o teu dormitório estivesse deserto e foi lá roubá o . Mas eu sabia o que tinha de fazer . Estava muito claro para mim que a tua meta era o herdeiro de Slytherin . Por tudo_o_que a Ginny me contara a teu respeito , sabia que irias até onde fosse preciso para desvendar o mistério , principalmente se um de os teus melhores amigos tivesse sido atacado . E a Ginny disse me que a escola toda bichanava por tu falares * serpentês * ... Por isso , obriguei a Ginny a escrever a sua própria despedida em a parede , a vir até aqui e esperar . Ela debateu se e gritou e ficou muito chatinha . Mas , já não tem muita vida : pôs grande parte de ela em o diário , deu me a . O suficiente para eu abandonar , por fim , as suas páginas . Desde_que aqui cheguei que estou a a tua espera . Sabia que virias . Tenho muitas perguntas a fazer te , Harry_Potter . - Que perguntas ? - disse Harry com os punhos fechados . - Bem - prosseguiu Riddle , sorrindo de satisfação : - Como é_que um bebé sem especiais talentos de magia foi capaz de derrotar o maior feiticeiro de sempre ? Como conseguiste escapar só com uma cicatriz quando os poderes de Lord_Voldemort foram destruídos ? Havia agora em os seus olhos um brilho vermelho e irado . - O que é_que te interessa saber como eu escapei ? - disse Harry lentamente . - Voldemort veio depois de ti . - Voldemort - disse Riddle - é o meu passado , o meu presente e o meu futuro , Harry_Potter ... Tirou a varinha de o Harry de o bolso e começou a escrever em o ar três palavras brilhantes : TOM_MARVOLO_RIDDLE_Em seguida , fez um gesto com a varinha e as letras de o seu nome reagruparam se de outro modo . : __ eu sou lord __ voldemort ( I am Lord_Voldemort ) . - Vês ? - murmurou . - Era um nome que eu já usava em Hogwarts , para os meus amigos mais íntimos apenas , como é óbvio . Achas que ia usar para sempre o nome nojento de o meu pai Muggle ? Eu , em cujas veias , por o lado materno , corre o sangue de Salazar_Slytherin ? Eu , manter o nome de um Muggle tolo que me abandonou ainda antes de eu nascer só porque descobriu que a mulher com quem casara era uma bruxa ? Não , Harry , arranjei um novo nome , um nome que eu sabia que os feiticeiros de todo_o_mundo viriam um dia a ter medo de pronunciar , quando eu me tivesse tornado o maior feiticeiro de o mundo . A cabeça de Harry parecia bloqueada . Olhou como_que paralisado para Riddle , para o rapaz de o orfanato que depois de crescer iria matar os seus pais e tantos outros . Por fim , com algum esforço conseguiu falar . - Não és - disse em uma voz calma e cheia de ódio . - Não sou o quê ? - perguntou Riddle irritado . - Não és o maior feiticeiro de o mundo - disse Harry com a respiração acelerada . - Lamento desiludir te mas o maior feiticeiro de o mundo é Albus_Dumbledore . Toda_a_gente sabe . Mesmo tu , quando tinhas força , não ousavas tentar aproximar te de Hogwarts . Dumbledore viu através_de ti quando andavas em a escola e ainda agora te assusta onde quer que te escondas . O sorriso desaparecera de o rosto de Riddle , fora substituído por um olhar furioso . - Dumbledore foi afastado de este castelo por a minha simples memória - sibilou . - Ele não está tão longe como pensas - retorquiu Harry . Falava por falar , tentando assustar Riddle , desejando mais que assim fosse do_que acreditando em as suas palavras como uma verdade . Riddle abriu a boca mas não chegou a falar . Tinha começado a ouvir se uma música . Riddle deu uma volta , olhando para a câmara vazia . A música estava a ficar mais alta . Era misteriosa , arrepiante , sobrenatural . Fez_Harry ficar com os cabelos em pé e o coração aumentar lhe em o peito . Por fim , quando atingiu um ponto tão alto que Harry a sentiu vibrar dentro de as suas costelas , começaram a sair chamas de o topo de o pilar mais próximo . Uma ave carmesim de o tamanho de um cisne surgiu , assobiando a sua estranha melodia para o tecto em forma de abóbada . Tinha uma cauda dourada tão longa como a de um pavão e garras douradas e brilhantes que seguravam uma trouxa andrajosa . Segundos depois , a ave voava em direcção a Harry . Deixou cair a coisa andrajosa a os seus pés e pousou lhe pesadamente em o ombro . Quando abriu as enormes asas , Harry olhou para_cima e viu que tinha um longo bico afiado e olhos escuros pequenos e brilhantes . A ave parou de cantar . Ficou quieta junto de a cara de Harry , olhando fixamente para Riddle . - É uma fénix , disse Riddle , olhando sagazmente para ela . - Fawkes ? - murmurou Harry e sentiu as garras douradas apertarem lhe devagarinho o ombro . - E aquilo - disse Riddle , olhando para a coisa velha que Fawkes deixara em o chão - é o velho chapéu seleccionador , de a escola . Era , de facto . Amachucado , puído e sujo , o chapéu jazia imóvel a os pés de Harry . Riddle começou a rir . Riu se tanto que a câmara escura se lhe juntou em um eco tal que parecia que dez Riddles se riam ao_mesmo_tempo . - Eis o que Dumbledore envia a o seu defensor . Um pássaro que canta e um chapéu velho . Estás cheio de coragem , Harry_Potter ? Sentes te agora mais seguro ? Harry não respondeu . Podia não estar a ver a vantagem de a Fawkes ou de o chapéu seleccionador mas já não se sentia só , e esperou corajosamente que Riddle parasse de rir . - Vamos a o que importa , Harry - disse ele , ainda com um enorme sorriso . - Encontrámo nos duas vezes em o teu passado , em o meu futuro . E duas vezes falhei a o tentar matar te . Como foi que sobreviveste ? Conta me tudo . Quanto_mais falares , mais tempo tens de vida . Harry pensava rapidamente , medindo as suas possibilidades . Riddle tinha a varinha . Ele , Harry , tinha a Fawkes e o chapéu seleccionador que não lhe serviriam de muito em o combate . As coisas pareciam más , é certo . Mas quanto_mais tempo Riddle ali estivesse , mais vida retirava a a Ginny ... e , entretanto , Harry reparou que a silhueta de Riddle se tornava mais nítida , mais sólida . Se tinha de haver uma luta entre os dois , quanto_mais depressa melhor . - Ninguém sabe porque perdeste os poderes quando me atacaste - disse bruscamente . - Eu próprio não sei . Mas sei porque não conseguiste matar me . A minha mãe morreu para me salvar . A minha mãe , uma vulgar filha de Muggles - acrescentou , a tremer de raiva . - Ela impediu que tu me matasses . E eu vi te como tu és , em o ano passado . És um destroço , quase não existes . Foi onde o teu poder te levou . Estás sob um disfarce , és horrível e és louco . O rosto de Riddle contorceu se . Em seguida , forçou um sorriso pavoroso . - Quer_dizer , então , que a tua mãe morreu para te salvar . Sim , é um antifeitiço poderoso . Compreendo agora , afinal não há em ti nada de especial . Eu tinha curiosidade , sabes , porque há uma estranha semelhança entre nós , Harry_Potter . Até tu deves ter reparado . Somos ambos meio sangue , órfãos , educados com Muggles , provavelmente os dois únicos que falam * serpentês * desde o grande Slytherin , até nos parecemos um_pouco fisicamente ... mas afinal foi apenas uma questão de sorte que te salvou de mim . Era o que eu queria saber . Harry ficou parado , tenso , a a espera que Riddle levantasse a varinha mas o seu sorriso cínico ampliou se de_novo . - Agora , Harry , vou dar te uma pequena lição . Vamos confrontar os poderes de Lord_Voldemort , herdeiro de Salazar_Slytherin e de o famoso Harry_Potter , munido com as melhores armas que Dumbledore lhe deu . Lançou um olhar divertido a a Fawkes e a o chapéu seleccionador e , em seguida , afastou se . Harry com as pernas entorpecidas por o medo viu o parar entre dois pilares altos e olhar para a cara de pedra de Slytherin , lá em cima em a semi-obscuridade . Riddle abriu a boca e sibilou mas Harry compreendeu o que ele dizia . - * _ Responde-me , Slytherin , o maior de os quatro de Hogwarts * . Harry voltou se para olhar melhor para a estátua com Fawkes pousada em o ombro . A gigantesca cara de pedra de Slytherin movia se . Horrorizado , Harry viu a boca abrir se mais e mais até se transformar em um buraco negro . E algo se agitava dentro de a boca de a estátua . Algo se arrastava para fora de as suas entranhas . Harry recuou até a a parede escura de a câmara e enquanto fechava os olhos com força sentiu a asa de a Fawkes roçar lhe o rosto e levantar voo . Harry quis gritar : - Não me abandones ! - mas que possibilidades tinha uma fénix contra o rei de as serpentes ? Uma coisa enorme bateu em o chão de pedra que Harry sentiu estremecer . Sabia o que estava a acontecer , podia sentis o , quase podia ver a serpente gigantesca a sair de a boca de Slytherin . Foi então que ouviu a voz de Riddle sibilar : * _ Mata-o * . O Basilisk avançava em direcção a Harry . Ele ouvia o seu corpo enorme escorregar pesadamente por o chão cheio de pó . Com os olhos sempre fechados , Harry começou a correr para o lado , a as cegas , com as mãos abertas a tactear o caminho . Riddle ria se a as gargalhadas . Harry escorregou e caiu em o chão de pedra e a boca soube lhe a sangue . A serpente estava a poucos centímetros de ele . Podia ouvi a a aproximar se . Ouviu se um crepitar explosivo por cima de ele e alguma coisa pesada bateu lhe com tanta força que ele ficou encostado a a parede . Esperando que os dentes de a serpente lhe perfurassem o corpo , ouviu mais ruídos e qualquer coisa que se agitava com força contra os pilares . Não conseguiu evitar . Abriu bem os olhos para ver o que se passava . A enorme serpente , brilhante , de um verde veneno , espessa como o tronco de um carvalho , erguera se em o ar e a sua imensa cabeça agitava se de um lado para o outro , entre os dois pilares . Quando Harry , a tremer , se preparava para fechar de_novo os olhos , percebeu o que distraíra a cobra . Fawkes esvoaçava em volta de a sua cabeça e o Basilisk , furioso , tentava agarrá a com os dentes longos e afiados como sabres . Fawkes mergulhava . Harry deixou de ver o bico fino e dourado e uma brusca chuva de sangue escuro inundou o chão . A cauda de a serpente agitou se , não batendo em o Harry por_pouco e antes que ele pudesse fechar os olhos voltou se . Harry olhou lhe para a cara e viu que os seus olhos , os dois olhos amarelos e bolbosos tinham sido perfurados por a fénix . O sangue escorria por o chão e a serpente cuspia cheia de dores . - * _ Não * - Harry ouviu o grito de Riddle . - * _ Deixa a ave , deixa a ave , o rapaz está atrás_de ti , ainda podes cheirá o . Mata o ! * A serpente cega oscilou confusa , ainda em fúria . Fawkes andava a a volta de a cabeça de ela soprando a sua misteriosa cantilena , picando lhe aqui_e_ali o nariz cheio de escamas , enquanto o sangue jorrava de os seus olhos destruídos . - Ajudem me . Ajudem me - murmurava Harry aflito . - Alguém , ajude me . A cauda de a serpente chicoteou de_novo o chão . Harry baixou se . Algo macio tocou lhe em o rosto . O Basilisk lançara o chapéu seleccionador para os braços de o Harry que o agarrou . Era tudo_o_que tinha , a sua única esperança . Enfiou o em a cabeça e começou a ficar achatado contra o chão , enquanto a cauda de o Basilisk se lançava de_novo sobre ele . - Ajudem me , ajudem me - pensou Harry , os olhos comprimidos debaixo de o chapéu . - Por favor , ajudem me . Nenhuma voz lhe respondeu . Em vez de isso , o chapéu contraiu se como_se uma mão invisível o tivesse espalmado devagarinho . Alguma coisa muito dura e pesada caíra sobre a cabeça de Harry , conseguindo quase derrubá o . A ver estrelas em frente de os olhos , agarrou o chapéu para o puxar para baixo e sentiu lá dentro uma coisa longa e dura . Uma espada brilhante tinha surgido dentro de o chapéu . Tinha um cabo cravejado de rubis de o tamanho de pequenos ovos . - Mata o rapaz , deixa a ave . O rapaz está atrás_de ti . Cheira o ! Harry estava de pé , preparado . A cabeça de o Basilisk caía , o corpo serpenteava , batendo nos pilares quando se torcia para ficar de frente para ele . Harry podia ver as enormes órbitas ensanguentadas , a boca toda aberta , suficientemente grande para o engolir inteiro , munida de dentes tão longos como a sua espada , finos , brilhantes , venenosos ... Começou a atacar a as cegas . Harry baixou se e a serpente bateu em a parede de a câmara . Atacou de_novo e a sua língua bifurcada lambeu a parede ao_lado_de Harry que levantou a espada com ambas as mãos . O Basilisk investiu mais_uma_vez e agora a pontaria foi certa . Harry pôs todo o seu peso contra a espada e enterrou a até a os copos em o céu de a boca de a serpente . Mas quando o sangue quente lhe encheu os braços , sentiu uma dor aguda mesmo acima de o cotovelo . Um longo dente venenoso penetrava cada_vez_mais fundo em o seu braço , partindo se quando o Basilisk tombou para o lado , perdendo os sentidos . Harry escorregou a o longo de a parede , apertou com força o dente que estava a derramar veneno por todo o seu corpo e arrancou o de o braço . Mas sabia que era demasiado tarde . Uma dor quente emanava lenta e perseverantemente de a ferida . Quando deixou cair o dente e viu o seu próprio sangue manchando lhe as vestes , a vista começou a ficar turva e a câmara a diluir se em uma rotação ardente e colorida . Mas algo escarlate passou por ele e Harry ouviu a o seu lado um suave ruído de garras . - Fawkes - disse com a voz empastada . - Foste sensacional , Fawkes . - Sentiu o pássaro encostar a sua elegante cabeça a o sítio onde o dente de a serpente o tinha ferido . Ouviu passos ecoarem em o vazio e em seguida uma sombra escura moveu se em a sua frente . - Estás morto , Harry_Potter - disse a voz de Riddle , acima de ele . - Morto . Até o pássaro de Dumbledore sabe de isso . Vês o que ele está a fazer ? A chorar . Harry piscou os olhos . A cabeça de Fawkes ora estava focada , ora desfocada . Lágrimas grossas como pérolas escorriam de as suas penas . - Vou sentar me aqui a ver te morrer , Harry_Potter . Leva o teu tempo , eu não tenho pressa . Harry sentiu se sonolento . Tudo parecia girar a a sua volta . - E assim acaba o famoso Harry_Potter - disse a voz distante de Riddle . - Sozinho em a Câmara_dos_Segredos , esquecido por os amigos , finalmente derrotado por o Senhor de o mal que ele tão imprudentemente desafiou . Vais reunir te a a tua querida mãe sangue de lama , Harry ... Ela deu te doze anos de tempo emprestado ... Mas Lord_Voldemort apanhou te em o fim , como sabias que teria de acontecer . Se morrer é isto , pensou Harry , não é assim tão mau . Até a dor estava a desaparecer . Mas , estaria a morrer ? Em_vez_de ficar mais escura a câmara parecia voltar a estar nítida . Harry fez um pequeno gesto com a cabeça e viu a Fawkes ainda repousando a cabeça em o seu ombro . Uma fiada de pérolas brilhava em volta de a ferida , só que já não havia ferida . - Sai de aqui , pássaro - disse subitamente a voz de Riddle . - Afasta te de ele . Já te disse , sai de aqui ! Harry levantou a cabeça . Riddle apontava a sua varinha a Fawkes . Ouviu se um tiro que parecia de carabina e Fawkes levantou novamente voo em um rodopio de ouro e escarlate . - Lágrimas de fénix - disse Riddle em voz baixa , olhando para o braço de o Harry . - É claro ... poderes curativos ... esqueci me ... Olhou para a cara de Harry . - Mas não faz mal . Pensando bem , eu até prefiro assim . Tu e eu , Harry_Potter ... Tu e eu ... Levantou a varinha . Então , em um golpe de asa , Fawkes voou sobre as cabeças de ambos , deixando cair uma coisa em o colo de Harry : o diário . Durante uma fracção de segundo , tanto Harry como Riddle , ainda com a varinha levantada , ficaram a olhar para aquilo . Em seguida , sem pensar , sem ponderar , como_se pensasse fazê o desde o princípio , Harry agarrou o dente de o Basilisk que estava em o chão , junto de ele , e espetou o em o coração de o caderno . Ouviu se um grito longo e terrível . A tinta esguichou em torrentes de dentro de o diário , derramando se sobre as mãos de o Harry e inundando o chão . Riddle torcia se e contorcia se , agitando se a os gritos . E , por fim . Desapareceu . A varinha de Harry caiu a o chão com um ruído e fez se silêncio . Um silêncio apenas cortado por o ping ping de a tinta que ainda escorria de o diário . Com um leve crepitar , o veneno de o Basilisk abrira um buraco mesmo em o meio de o caderno . A tremer de os pés a a cabeça , Harry pôs se de pé . Sentia tudo a andar a a roda como_se tivesse viajado quilómetros e quilómetros com o pó de * _ Floo * . Lentamente apanhou a varinha e o chapéu seleccionador e com um grande estrondo retirou a espada de o céu de a boca de a serpente . Ouviu se então um gemido fraco a o fundo de a câmara . Ginny estava a mexer se . Quando Harry chegou junto de ela , sentou se . Os seus olhos abismados saltaram de o Basilisk morto para Harry em a sua roupa cheia de sangue e , em seguida , para o diário que ele tinha em as mãos . Soltou um enorme soluço e os seus olhos encheram se de lágrimas . - Harry , oh ! Harry , eu tentei dizer te a o pequeno-almoço mas não fui capaz em frente de o Percy . Era eu , Harry , mas eu ... eu ... juro que não queria ... o Riddle obrigou me , levou me e ... como é_que mataste esse bicho ? Onde está o Riddle ? A última coisa de que me lembro foi de o ver a sair de o diário ... - Está tudo bem - disse Harry , mostrando lhe o diário com o buraco de o dente . - O Riddle acabou , olha . Ele e o Basilisk . Anda , Ginny , vamos embora de aqui . - Vou com certeza ser expulsa - disse Ginny a chorar enquanto Harry a ajudava a pôr se de pé . - Desde_que o Bill veio para Hogwarts que eu sonhava vir também para cá e agora vou ter de me ir embora e ... O que vão a minha mãe e o meu pai dizer ? Fawkes esperava por eles , suspensa em o ar , a a entrada de a câmara . Harry fez a Ginny avançar , passaram sobre os anéis parados de o Basilisk , por a escuridão cheia de ecos e voltaram a o túnel . Harry ouviu as portas de pedra fecharem se atrás de eles com um leve sibilar . Depois de alguns minutos a caminhar por o túnel escuro , chegou a os ouvidos de Harry o som distante de o deslocar de uma rocha . - Ron - gritou ele , apressando se . - A Ginny está bem . Está aqui comigo ! Ouviu o Ron gritar de alegria e , voltando em a curva logo_a_seguir , viram a sua cara ansiosa a espreitar por a fresta que conseguira abrir durante a avalancha . - Ginny ! - Ron estendeu o braço por a fresta para a puxar primeiro . - Estás viva . Não posso acreditar . O que aconteceu ? Tentou abraçá a mas a Ginny afastou o , soluçando . - Mas estás bem , Ginny - disse o Ron , sorrindo para ela . - Já passou tudo ... De onde veio esse pássaro ? Fawkes passara por a abertura , atrás_de Ginny . - É de o Dumbledore - explicou Harry , espremendo se para caber também . - E como arranjaste uma espada ? - perguntou o Ron , olhando para a arma brilhante que Harry tinha em a mão . - Eu explico te tudo quando sairmos de aqui - disse Harry , lançando um olhar de esguelha a a Ginny . - Mas ... - Mais tarde - disse Harry rapidamente . Não lhe parecia uma boa ideia contar a o Ron quem tinha aberto a câmara , ali , em frente de a Ginny . - Onde está o Lockhart ? - Ali atrás - disse o Ron , a rir e a abanar a cabeça em direcção a o cano . - Está em muito mau estado . Anda ver . Conduzidos_pela_Fawkes , cujas grandes asas escarlates emitiam um suave dourado que brilhava em a escuridão , voltaram a o lugar onde o cano começava . Gilderoy_Lockhart estava sentado a falar sozinho . - Perdeu a memória - disse o Ron . - O feitiço de a memória fez ricochete . Não sabe quem é nem onde está , nem_sequer sabe quem nós somos . Eu disse lhe que viesse para aqui e esperasse . É um perigo para ele próprio . Lockhart olhou os bem-disposto . - Olá - disse . - Que lugar estranho , este . É aqui que vocês moram ? -- Não - respondeu o Ron , levantando as sobrancelhas para o Harry . Harry baixou se e observou o túnel escuro e longo . - Já pensaste como é_que vamos sair de aqui ? - perguntou a o Ron . O amigo abanou a cabeça mas Fawkes , a fénix , tinha passado por o Harry e estava agora em o ar , em frente de ele , os olhos como pérolas a brilharem em o escuro . Abanava as longas penas douradas de a cauda . Harry olhou para ela , inseguro . - Ela parece querer que a agarres - disse o Ron , perplexo . - Mas tu és muito pesado para um pássaro . - A Fawkes - disse Harry - não é um pássaro qualquer . Voltou se rapidamente para os companheiros . - Temos de nos agarrar uns a os outros . Ginny , agarra a mão de o Ron . O professor Lockhart ... - Ele está a falar consigo - disse o Ron secamente . - Agarre a outra mão de a Ginny . Harry guardou a espada e o chapéu seleccionador em o cinto . Ron deitou a mão a a roupa de Harry e Harry agarrou as penas de a cauda , estranhamente quentes , de a Fawkes . Sentiu uma extraordinária leveza apoderar se de todo o seu corpo e em seguida estavam todos a voar por o cano acima . Harry conseguia ouvir Lockhart , lá atrás , comentando : - Espantoso , isto parece mágico ! Ar frio batia em os cabelos de Harry e antes que ele deixasse de gostar de a viagem já ela acabara . Os quatro tinham chegado a o chão molhado de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa e , enquanto Lockhart endireitava o chapéu , o lavatório voltara a o seu lugar , tapando o cano . A Murta arregalou os olhos . - Vocês estão vivos - disse inexpressivamente a o Harry . - Não é preciso mostrares te tão desiludida - respondeu ele , muito sério , limpando as nódoas de sangue e lodo de os óculos . - Bem ... é_que eu pensei que se vocês morressem seriam bem-vindos a a minha casa_de_banho - disse a Murta com um rubor prateado . - Urgh ! - fez o Ron , quando saíram de ali para o corredor deserto . - Harry , acho que a Murta está a gostar de ti . Tens concorrência , Ginny ! A Ginny continuava a chorar silenciosamente . - Onde vamos agora ? - perguntou o Ron , olhando ansiosamente para ela . Harry apontou . Fawkes indicava o caminho , com o seu tom dourado que brilhava em o corredor . Seguiram a e pouco depois estavam em o escritório de a professora Mc_Gonagall . Harry bateu e empurrou a porta que estava encostada . XVIII_A recompensa de Dobby_Durante alguns momentos reinou o silêncio enquanto Harry , Ron , Ginny e Lockhart estavam em a entrada de a porta . Cobertos de pó e de lama e ( em o caso de o Harry ) sangue . Em seguida , ouviu se um grito . - Ginny ! Era_Mrs._Weasley que tinha estado a chorar , sentada em frente de o lume . Pôs se de pé em um salto , seguida de Mr._Weasley e precipitaram se ambos para a filha . Harry olhava para trás de eles . Dumbledore rejubilava junto de a lareira , a o lado de a professora Mc_Gonagall que , agarrada a o queixo , respirava com dificuldade . Fawkes rasou as orelhas de o Harry e foi instalar se em o ombro de Dumbledore , ao_mesmo_tempo que Harry dava por si em os braços de Mrs._Weasley . - Tu salvaste a ! Salvaste a ! : __ como foi que __ conseguiste ? - Acho que todos nós gostaríamos de saber - disse , sem energia , a professora Mc_Gonagall . Mrs._Weasley soltou o Harry , que hesitou um momento . Depois , foi até a a secretária e colocou sobre o tampo o chapéu seleccionador , a espada cravejada de rubis e o que restava de o diário de Riddle . Em seguida , contou lhes tudo . Falou durante quase um quarto de hora em o silêncio extasiado : contou lhes de a voz sem corpo que ouvia , como a Hermione acabara por descobrir que se tratava de um Basilisk que circulava em os canos , como ele e o Ron tinham seguido as aranhas até a a floresta , que Aragog lhes dissera que a última vítima de o Basilisk morrera , como tinham chegado a a conclusão que se tratava de a Murta_Queixosa e que a entrada para a Câmara_dos_Segredos devia ser em aquela casa_de_banho ... - Muito bem - elogiou a professora Mc_Gonagall quando ele se calou . - Então tu descobriste onde era a entrada , infringindo uma centena de regras de a escola por o caminho , devo dizer , mas como diabo saíram vocês vivos de lá de dentro ? Harry , com a voz já um_pouco rouca de falar tanto , contou lhes de a chegada de a Fawkes e de o chapéu seleccionador que lhe tinha dado a espada . Mas , chegando aí , hesitou . Até a o momento evitara referir se a o diário de Riddle ou a a Ginny . Ela tinha a cabeça encostada a o ombro de Mrs._Weasley e as lágrimas corriam lhe ainda por o rosto . E se a expulsassem ? - pensou Harry , tomado de pânico . O diário de Riddle já não funcionava ... quem poderia provar que fora ele que a obrigara a fazer tudo aquilo ? Olhou instintivamente para Dumbledore que sorria , o fogo iluminando lhe os óculos de meia-lua . - O que mais me interessa saber - disse Dumbledore amavelmente - é como conseguiu Lord_Voldemort enfeitiçar a Ginny quando as minhas fontes me dizem que ele se esconde habitualmente em as florestas de a Albânia . Um alívio , quente e glorioso percorreu Harry de a cabeça a os pés . - O quê ? - disse Mr._Weasley , em uma voz estupefacta . - O Quem nós sabemos enfeitiçou a Ginny ? Mas a Ginny não ... a Ginny não morr ... ? - Foi este diário - esclareceu Harry rapidamente . E mostrando o a Dumbledore . - O Riddle escreveu o quando tinha dezasseis anos . Dumbledore pegou em o diário e olhou atentamente por cima de o seu nariz longo e adunco para as páginas queimadas e húmidas . - Fantástico - disse em voz baixa . - É claro que ele deve ter sido o aluno mais brilhante que alguma vez passou por Hogwarts . - Olhou em volta para os Weasley que o observavam com um ar totalmente confuso . - Muito poucas pessoas sabem que Lord_Voldemort se chamou em tempos Tom_Riddle . Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos , em Hogwarts . Ele desapareceu depois de deixar a escola , viajou muito , mergulhou tão fundo em as artes de a magia negra , associado a os piores feiticeiros , realizou transformações mágicas tão perigosas que quando reapareceu como Lord_Voldemort estava totalmente irreconhecível . Ninguém o relacionou com o rapazinho inteligente e bonito que aqui foi , em tempos , chefe de turma . - Mas a Ginny - insistiu Mrs._Weasley . - O que tem a nossa Ginny que ver com ele ? - O diário - soluçou Ginny . - Eu andei todo o ano a escrever em o diário e ele respondia me ... - Ginny ! - repreendeu Mr._Weasley . - Não aprendeste nada do_que te ensinei ? Não me cansei de dizer te que nunca confiasses em nada que não pensasse por si próprio * se não conseguisses ver onde tinha o cérebro ? * Porque não me mostraste o diário , a mim ou a a tua mãe ? Um objecto suspeito como esse tinha de estar cheio de magia negra ! - Eu não sabia - soluçou Ginny . - Estava junto de os livros que a mãe me comprou . Pensei que alguém se tinha esquecido de ele ali . - É melhor Miss_Weasley ir imediatamente para a ala hospitalar - interrompeu Dumbledore com voz firme . - Foi sujeita a uma prova terrível . Não será castigada . Outros feiticeiros mais velhos do_que ela têm sido ludibriados por Lord_Voldemort . - Dirigiu se a a porta e abriu a . - Repouso , cama e talvez uma caneca de chocolate quente . A mim , anima me sempre - acrescentou , piscando lhe simpaticamente o olho . - Vais ver que Madam_Pomfrey ainda está acordada . Ela tem estado a dar o sumo de Mandrágora , julgo que as vítimas de o Basilisk estarão a acordar dentro_de momentos . de alegria . - Então a Hermione está bem ! - disse o Ron , cheio de alegria . - Não houve danos irreversíveis - disse Dumbledore . Mrs._Weasley saiu com a Ginny e Mr._Weasley seguiu as ainda bastante abalado . - Sabes , Minerva - disse pensativo o professor Dumbledore - acho que tudo_isto merece um banquete . Posso pedir te que previnas os cozinheiros ? - Certamente - disse animada a professora Mc_Gonagall , dirigindo se também a a porta . - Deixo te a tratar de as coisas com o Potter e o Weasley , está bem ? - Claro - disse Dumbledore . Saiu e os dois olharam inseguros para Dumbledore . Que quereria ela dizer com tratar de as coisas ? Certamente não iriam ser castigados ? - Lembro me de vos ter dito a ambos que teria de vos expulsar se voltassem a quebrar as regras de a escola - disse Dumbledore . Ron abriu a boca horrorizado . - O que vem mostrar nos que as melhores pessoas , às_vezes , têm de engolir as suas próprias palavras . - Dumbledore sorriu e continuou : - Vocês vão receber ambos uma recompensa especial por serviços prestados a a escola e ... deixem me ver , sim , acho que duzentos pontos cada_um para os Gryffindor . Ron ficou tão corado que parecia as flores de S._Valentim_do_Lockhart e voltou a fechar a boca . - Mas um de vós parece demasiado calado sobre a sua participação em esta perigosa aventura - acrescentou Dumbledore . - Porquê tanta modéstia , Gilderoy ? Harry estremeceu . Esquecera se por completo de Lockhart . Voltou se e viu o a um canto de a sala ainda com o mesmo sorriso vago . Quando Dumbledore se lhe dirigiu , olhou por cima de o ombro para ver com quem ele estava a falar . - Professor_Dumbledore - disse o Ron rapidamente - Houve um acidente lá em baixo , em a Câmara_dos_Segredos . O professor Lockhart - Eu sou um professor ? - perguntou Lockhart surpreendido . - E eu que pensei que era um inútil ! - Tentou fazer um feitiço antimemória e a varinha fez ricochete - explicou Ron_a_Dumbledore . - Incrível - disse Dumbledore , abanando a cabeça , o bigode prateado a tremer . - Trespassado por a tua própria espada , Gilderoy ! - Espada ? - disse Lockhart de forma imprecisa . - Eu não tenho espada . Esse rapaz é_que tem - apontou para Harry . - Ele empresta lhe uma . - Importas te de levar também o professor Lockhart até a a ala hospitalar , Ron ? - disse Dumbledore . - Eu gostava de falar um_pouco mais com o Harry . Lockhart saiu sem pressa . Antes de fechar a porta , Ron lançou um olhar curioso a Dumbledore e Harry . Dumbledore passou para uma de as cadeiras junto de o lume . - Senta te , Harry - disse . E Harry sentou se , sentindo se indescritivelmente nervoso . - Antes de mais , Harry , quero agradecer te - disse Dumbledore com os olhos a brilharem de_novo . - Deves ter demonstrado uma grande lealdade para comigo . Só isso poderia atrair a Fawkes para ir ajudar te . Deu uma palmadinha a a fénix que voara , entretanto , para_cima de os seus joelhos . Harry sorria acanhadamente sob o olhar observador de Dumbledore . - Encontraste , portanto , Tom_Riddle - disse o director amavelmente . - Calculo que ele estaria particularmente interessado em ti ... De repente , algo que Harry tinha engasgado saiu lhe descontroladamente de a boca para fora . - Professor_Dumbledore ... o Riddle disse que eu sou como ele , que há entre nós estranhas semelhanças ... - Ah ! sim ? - Dumbledore olhou pensativamente para ele , por debaixo de as espessas sobrancelhas prateadas . - E o que achas tu de isso ? - Eu não me considero parecido com ele - disse Harry mais alto do_que desejaria . - Isto_é , eu sou um Gryffindor , eu sou ... Mas calou se com uma dúvida a rondar lhe o espírito . - Professor - arriscou passado alguns momentos . - O chapéu seleccionador disse que eu ... teria ficado bem em os Slytherin ; durante algum tempo toda_a_gente pensou que eu era o herdeiro de Slytherin por falar * serpentês * ... - Tu falas * serpentês * , Harry - disse Dumbledore calmamente - porque Lord_Voldemort que é o mais recente antepassado de Salazar_Slytherin , fala * serpentês * . Ou eu me engano muito , ou ele transferiu para ti alguns de os seus poderes em a noite em que te fez essa cicatriz . Não que quisesse fazê o , claro , mas aconteceu . - Voldemort pôs um_pouco de si próprio em mim ? - disse Harry assombrado . - É o que parece ter acontecido . - Então eu deveria estar em os Slytherin - disse Harry , olhando desesperado para o rosto de Dumbledore . - O chapéu seleccionador viu em mim os poderes de Slytherin e ... -- Pôs te em os Gryffindor - concluiu tranquilamente Dumbledore . - Ouve , Harry , tu tens por acaso muitas de as capacidades que Salazar_Slytherin apreciava em os seus estudantes cuidadosamente seleccionados . O seu raro dom de falar * serpentês * , desenvoltura , determinação , um certo desprezo por as regras estabelecidas - acrescentou com o bigode a tremer de_novo . - Mas ainda_assim , o chapéu seleccionador pôs te em os Gryffindor . E sabes porquê ? Pensa um_pouco . - Só me pôs em os Gryffindor - disse Harry em uma voz débil - porque eu pedi para não ir para os Slytherin . - Exacto - disse Dumbledore a sorrir . - E isso torna te muito diferente de o Tom_Riddle . São as tuas escolhas , Harry , que mostram quem de facto tu és , mais do_que as tuas capacidades . Harry sentou se , imóvel e espantado , em a cadeira . - Se queres provas de que o teu lugar é em os Gryffindor , sugiro que vejas isto com mais atenção . Dumbledore aproximou se de a secretária de a professora Mc_Gonagall , pegou em a espada de prata ensanguentada e mostrou lhe a . Sem perceber , Harry voltou a ao_contrário . Os rubis brilharam a a luz de a lareira e foi então que ele reparou em o nome gravado mesmo por baixo de o copo de a espada . GODRIC_GRYFFINDOR . - Só um verdadeiro Gryffindor poderia ter tirado a espada de dentro de o chapéu , Harry - disse , com simplicidade , Dumbledore . Durante um minuto , nenhum de os dois falou . Depois , Dumbledore abriu uma de as gavetas de a secretária de a professora Mc_Gonagall e retirou de lá uma pena e um tinteiro . - Tu precisas de comer e ir dormir . Sugiro que desças para o banquete enquanto eu escrevo para Azkaban . Precisamos de recuperar o nosso guarda de os campos . E tenho de esboçar um anúncio para o * _ Profeta_Diário * - acrescentou pensativo . - Vamos precisar de um novo professor de Defesa contra as artes negras . É um problema , estamos sempre a perdê os . Harry levantou se e dirigiu se a a porta . Tinha acabado de estender a mão para o puxador quando ela se abriu tão violentamente que saltou de as dobradiças . Lucius_Malfoy estava de pé , furioso . E , debaixo de o braço , embrulhado em diversas ligaduras , estava Dobby . - Boa tarde , Lucius - disse Dumbledore , de forma amena . Mr._Malfoy quase derrubou Harry enquanto entrava em a sala . Dobby dava passos miudinhos atrás de ele , inclinado até a a bainha de o seu manto com um olhar apavorado em o rosto . - Então - disse Lucius_Malfoy com os olhos fixos em Dumbledore - voltaste . Os membros de o Conselho_Directivo suspenderam te , mas tu mesmo_assim sentiste te capaz de voltar a Hogwarts . - Bem vês , Lucius - disse Dumbledore , sorrindo serenamente . - Os outros membros de o Conselho contactaram me hoje . Fui envolvido em um redemoinho de corujas , todos queriam contar me a verdade . Ouviram dizer que a filha de Arthur_Weasley tinha sido morta e queriam me novamente aqui . Parece que me consideravam o melhor homem para o lugar . Contaram me algumas histórias muito estranhas . Alguns de eles tinham a impressão que tu tinhas ameaçado amaldiçoar lhes as famílias se não concordassem com a minha suspensão . Mr._Malfoy ficou ainda mais pálido do_que de costume , mas os olhos continuavam cheios de fúria . - Então já acabaste com os ataques ? - rosnou . - Apanhaste o culpado ? - Já , sim - disse Dumbledore com um sorriso . - E quem é ? - perguntou Malfoy secamente . - A mesma pessoa de a última vez , Lucius - disse Dumbledore . Mas desta_vez , Lord_Voldemort agiu através_de outra pessoa , por_meio_de um diário . Pegou em o pequeno caderno com o buraco em o meio , observando Mr._Malfoy de perto . Mas Harry olhava para Dobby . O elfo fazia um sinal muito estranho . Com os seus grandes olhos fixos em Harry , não parava de apontar para ó diário e , em seguida , para Mr._Malfoy , batendo logo_a_seguir com o punho em a cabeça . - Estou a ver ... - disse Mr._Malfoy lentamente a Dumbledore . - Um plano inteligente - afirmou o director em um tom de voz suave , continuando a olhar Mr._Malfoy directamente em os olhos . - Porque se não fosse aqui o Harry e o seu amigo Ron a descobrirem o diário , sem dúvida Ginny_Weasley teria ficado com todas_as culpas . Ninguém teria conseguido provar que ela agira contra a sua própria vontade . Mr._Malfoy não se pronunciou . O seu rosto parecia agora uma máscara . - E vê bem - continuou Dumbledore - o que poderia ter acontecido ... os Weasley são uma de as mais proeminentes famílias de feiticeiros de sangue puro , imagina o efeito em a imagem de Arthur_Weasley e em a sua acção de protecção a os Muggles , se a sua própria filha fosse acusada de atacar e matar filhos de Muggles . Foi uma sorte o diário ter sido descoberto e as memórias de Riddle apagadas . Quem sabe que consequências poderia ter tido ? Mr._Malfoy falou contra vontade . - Sim , foi uma sorte - disse secamente . E , em as suas costas , Dobby continuava a apontar para o diário e para Lucius_Malfoy , batendo depois com o punho em a cabeça . E Harry finalmente percebeu . Fez um sinal a Dobby que correu a esconder se em um canto , torcendo desta_vez as orelhas para se castigar . - Não quer saber como a Ginny obteve esse diário , Mr._Malfoy ? - perguntou Harry . Lucius_Malfoy voltou se para ele . - Como queres que eu saiba onde é_que a estúpida de a garota o arranjou ? - Porque foi o senhor quem lhe o deu - disse Harry . - Em a Flourish and Blotts . O senhor pegou em o livro velho de ela de Transfiguração e meteu o diário lá dentro , não foi ? Viu as mãos brancas de Mr._Malfoy abrirem se e fecharem se . - Prova isso - sibilou . - Oh ! ninguém vai poder prová o - disse Dumbledore sorrindo a o Harry . - Não agora_que o Riddle desapareceu de o caderno . Por outro lado , aconselharia te , Lucius , a não dares mais nenhuma de as coisas velhas de Lord_Voldemort . Se mais alguma for parar a as mãos de crianças inocentes , acho que o Arthur_Weasley fará com que se voltem com toda_a sua carga negativa contra ti . Lucius_Malfoy ficou calado um momento e Harry viu claramente a sua mão direita torcer se como_se desejasse chegar a a varinha . Em vez de isso , voltou se para o seu elfo doméstico . - Vamos , Dobby . Abriu a porta e quando o elfo se aproximou deu lhe um pontapé que o projectou para longe . Ouviram se em o escritório os gritos de dor de Dobby em o corredor . Harry pensou durante um momento e depois decidiu se . - Professor_Dumbledore - disse apressadamente . - Posso dar o diário outra_vez a Mr._Malfoy ? - Certamente , Harry - disse Dumbledore com toda_a calma . - Mas não demores , olha o banquete . Harry agarrou em o diário e saiu de o escritório . Os gritos de dor de Dobby afastavam se ao_longe . Sem perder tempo , perguntando a si próprio se o plano poderia resultar , Harry tirou um de os sapatos , puxou uma de as peúgas enlameadas e viscosas e meteu o diário lá dentro . Em seguida correu até a o fundo de o corredor escuro . Apanhou os em o topo de as escadas . - Mr._Malfoy - disse ofegante , parando . - Tenho uma coisa para si . E meteu a peúga mal cheirosa em a mão de Lucius_Malfoy . - O que é ... ? Mr._Malfoy tirou o diário de dentro de a peúga , deitou a fora e olhou furioso para o caderno estragado e para Harry - Ainda vais acabar por ter um fim igual a o de os teus pais um dia de estes , Harry_Potter - disse em voz baixa . - Eles também eram uns idiotas metediços . Voltou se para se ir embora . - Anda , Dobby , vem ! Mas Dobby não se mexeu . Tinha em as mãos a peúga nojenta de o Harry e olhava para ela como_se fosse um tesouro de valor incalculável . - O senhor deu uma peúga a o Dobby - disse o elfo maravilhado . - Deu a a o Dobby . - O que é isso ? - cuspiu Mr._Malfoy . - Que estás para aí a dizer ? - Dobby tem uma peúga - repetiu incrédulo . - O senhor deitou a fora e Dobby apanhou a e Dobby agora é livre ... Lucius_Malfoy ficou paralisado a olhar para o elfo . Em seguida precipitou se para Harry . - Fizeste me perder o meu servo , rapaz . Mas Dobby gritou : - Não pense que vai fazer mal a o Harry_Potter ! Ouviu se um enorme estrondo e Mr._Malfoy foi empurrado de costas , galgando os degraus de as escadas a três_e_três e indo aterrar lá em baixo todo embrulhado e amarrotado . Levantou se , o rosto lívido e pegou em a varinha , mas Dobby estendeu lhe um dedo ameaçador . - Vá se embora já - disse furioso , apontando para Mr._Malfoy . - Não tocará em o Harry_Potter . Vá se embora , já . Lucius_Malfoy não teve escolha . Lançando a os dois um último olhar de cólera , embrulhou se em o manto e desapareceu . - Harry_Potter libertou Dobby ! - disse o elfo com voz esganiçada , olhando para Harry , a luz de o luar reflectida em os seus grandes olhos em forma de globos . - Harry_Potter libertou Dobby . - Era o mínimo que eu podia fazer , Dobby - disse Harry a sorrir -- , mas promete me que não vais voltar a tentar salvar me a vida . A cara feia e escura de o elfo abriu se , mostrando os dentes , em um enorme sorriso . - Tenho uma pergunta a fazer te , Dobby - disse Harry enquanto o elfo pegava em a peúga de ele com as mãos a tremer . - Disseste me que tudo_isto não tinha nada que ver com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Lembras te ? - Era uma pista , senhor - disse Dobby com os olhos muito abertos como_se fosse absolutamente óbvio . - Dobby estava a dar lhe uma pista . Antes de o senhor de o mal mudar de nome , o seu nome podia ser pronunciado , está a ver ? - Certo - disse Harry sem grande convicção . - Bem , é melhor eu ir indo embora . Há um banquete e a minha amiga Hermione já deve ter acordado ... Dobby lançou os braços a a cintura de Harry e abraçou o . - Harry_Potter é muito maior do_que Dobby imaginava ! - soluçou . - Adeus , Harry_Potter . E com um estalido final , Dobby desapareceu . Harry assistira a diversos banquetes , mas nenhum que se parecesse com aquele . Estavam todos de pijama e a festa durou a noite inteira . Harry não sabia se o melhor tinha sido a Hermione a correr para ele e a gritar : - Tu conseguiste . Tu conseguiste ! , ou o Justin saindo disparado de a mesa de os Hufflepuff para lhe estender a mão , desfazendo se em desculpas por ter suspeitado de ele , ou o Hagrid que apareceu a as três_e_meia e que lhes deu palmadas com tanta força em os ombros que eles foram parar dentro de os pratos de bolo de creme , ou os quatrocentos pontos que ele e o Ron obtiveram para os Gryffindor , ganhando a taça de a equipa por a segunda vez consecutiva , ou a professora Mc_Gonagall de pé , a comunicar lhes que os exames tinham sido cancelados como medida de a escola ( Oh ! não ! exclamou Hermione ) , ou Dumbledore a anunciar que , infelizmente , o professor Lockhart não poderia voltar em o ano seguinte por ter de se ausentar a_fim_de recuperar a memória . Alguns de os professores juntaram se a os alunos que aplaudiram entusiasmados esta notícia . - Que pena - disse Ron , servindo se de um * dounut * de presunto . - E eu que começava a gostar de ele ... O resto de o período de Verão decorreu sob um sol escaldante . Hogwarts voltara a a normalidade , apenas com algumas pequenas diferenças : as aulas de Defesa contra as artes negras foram canceladas ( Mas nós tivemos imensa prática - disse o Ron vendo o descontentamento de Hermione ) e Lucius_Malfoy foi demitido de o Conselho_Directivo . Draco já não passeava por ali como_se fosse o dono de a escola . Pelo_contrário , tinha um ar melindrado e carrancudo . Por outro lado , Ginny_Weasley andava de_novo feliz de a vida . Em_breve chegou o dia de regressarem a casa em o Expresso_de_Hogwarts . Harry , Ron , Hermione , Fred , George e Ginny encheram um compartimento . Tiraram o_máximo partido de aquelas últimas horas em que lhes era permitido usar a magia antes de as férias . Brincaram a as explosões , gastaram o último fogo-de-artíficio Filibuster , de o Fred e de o George e treinaram o mútuo desarmamento através de a magia . Harry começava a ficar muito bom em aquilo . Já estavam perto de a estação de King's_Cross quando Harry se lembrou de uma coisa . - Ginny , o que foi que viste o Percy fazer que ele não queria que nos contasses ? - Ah ! isso - disse a Ginny a rir . - Bem , é_que o Percy tem uma namorada . Fred deixou cair uma pilha de livros em a cabeça de o George . - O quê ? - É aquela prefeita de os Ravenclaw ' Penelope_Clearwater - disse a Ginny . - Foi para ela que ele escreveu durante todo o Verão . Encontravam se em a escola em grande segredo . Eu apanhei os a beijarem se em uma sala de aula vazia e ele ficou tão aflito quando ela foi ... sabes ... atacada . Não vais aborrecê o , pois não ? - perguntou cheia de ansiedade . - Que ideia - respondeu Fred com uma tal satisfação em o rosto que parecia que o seu aniversário chegara mais cedo . - Claro que não - disse o George a rir se a a socapa . O Expresso_de_Hogwarts abrandou e finalmente parou . Harry tirou a pena e um_pouco de pergaminho e voltou se para Ron e Hermione . - Isto_é um número de telefone - disse ele a o Ron , escrevinhando o duas vezes , cortando o pergaminho a o meio e dando lhes os números . - Eu expliquei a o teu pai como usar um telefone em o Verão passado . Ele sabe fazer a chamada . Liga me para_casa de os Dursley , O. _ K. ? Não consigo suportar outros dois meses sem ter mais ninguém com quem falar ... - Mas a tua tia e o teu tio vão ficar orgulhosos de ti , não vão ? - perguntou Hermione quando saíram de o comboio e se misturaram em a multidão que se encontrava junto de a barreira encantada . - Quando souberem o que fizeste este ano . - Orgulhosos ? - disse Harry . - Estás doida ! Podendo eu ter morrido tantas vezes e tendo escapado ? Vão ficar é furiosos ... E juntos avançaram até a a entrada para o mundo de os Muggles . ----------------- J._K._Rowling_Harry_Potter e a Câmara_dos_Segredos_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Chamber of Secrets_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling 1998 Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 2000 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 2.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 Depósito legal : 143.569/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , a a Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Para_Séan_P._F._Harris , condutor imparável e um amigo de os diabos . I_O pior aniversário Não era a primeira vez que uma discussão estoirava a a mesa de o pequeno-almoço , em o número 4 de a Privet_Drive . Mr._Vernon_Dursley fora acordado de manhã cedo por o piar ruidoso que vinha de o quarto de o seu sobrinho Harry . - É a terceira vez esta semana ! - resmungou , a a mesa . - Se não consegues controlar essa coruja , ela não pode ficar aqui . Harry tentou , mais_uma_vez , explicar . - Ela está aborrecida . Estava habituada a voar livremente lá fora . Se eu pudesse , ao_menos , soltá a a a noite ... - Achas me com cara de idiota ? - perguntou rispidamente o tio Vernon , com um fio de ovo preso em o bigode farfalhudo . - Sei muito bem o que aconteceria se essa coruja fosse lá para fora . Trocou um olhar soturno com a mulher , a tia Petúnia . Harry tentou contra-argumentar , mas as suas palavras foram abafadas por um enorme arroto de o filho de os Dursleys , Dudley . - Quero mais bacon . - Há mais em a frigideira , fofinho - disse a tia Petúnia , lançando um olhar vago a o seu filho maciço . - Tens que te alimentar bem enquanto aqui estás , aquela comida de a tua escola não me cheira . - Disparate , Petúnia , eu nunca passei fome enquanto andei em Smeltings - afirmou com sinceridade o tio Vernon . - O Dudley tem que chegue . Não é verdade , filho ? Dudley , que era tão gordo que o rabo saía de os dois lados de a cadeira de a cozinha , sorriu laconicamente e voltou se para Harry . - Passa me a frigideira . -- Esqueceste te de a palavra mágica - disse Harry , irritado . O efeito que esta simples frase teve em o resto de a família foi inacreditável : Dudley começou a arfar e caiu de a cadeira com um estrondo que abalou a cozinha , Mrs._Dursley deu um gritinho e bateu com a mão em a boca , Mr._Dursley pôs se de pé com as veias de as têmporas dilatadas . - Eu queria dizer « por favor » - explicou Harry rapidamente . - Não me referia a ... - : __ o que é_que eu te __ disse - vociferou o tio , espalhando perdigotos sobre a mesa - : __ sobre pronunciar a palavra m . em esta __ casa ? - Mas eu ... - : __ como te atreves a ameaçar o __ dudley ! - rosnou o tio Vernon , batendo com o punho em a mesa . - Eu só ... - : __ estás avisado . não vou admitir referências a tua anormalidade debaixo de o tecto de a minha __ casa ! Harry olhou alternadamente para o rosto congestionado de o tio e para a palidez de a tia que tentava pôr o Dudley de pé . - Está bem - disse Harry . - Está bem ... O tio Vernon voltou a sentar se , respirando como um rinoceronte exausto e observando Harry de perto por o canto de os seus olhos pequeninos e penetrantes . Desde_que Harry regressara para as férias de Verão que o tio Vernon o tratava como_se ele fosse uma bomba , capaz de explodir a qualquer momento , porque Harry não era um rapazinho normal . Em a verdade , ele era o menos normal que é possível imaginar . Harry_Potter era um feiticeiro , um feiticeiro que acabara de concluir o primeiro ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts e a infelicidade que os Dursleys sentiam por ele estar lá em casa não era nada comparada com a de Harry . As saudades de Hogwarts eram tão intensas que se assemelhavam a uma constante dor em o estômago . Sentia a falta de o castelo com as suas passagens secretas e os seus fantasmas , de as aulas ( com excepção talvez de as de Snape , o professor de as poções ) , de o correio a chegar trazido por as corujas , de os banquetes em o salão nobre , de as noites em as camas de dossel em a camarata de a torre , de as visitas a Hagrid , o guarda de os campos em a sua casinha em o bosque , junto de a floresta proibida e , principalmente , sentia a falta de o Quidditch , o desporto mais popular de o mundo de os feiticeiros ( seis postes altos de golo , quatro bolas esvoaçantes e catorze jogadores em_cima_de vassoura ) . Todos os livros de feitiços de Harry , assim_como a varinha , os mantos , o caldeirão e a vassoura topo de gama Nimbus dois_mil tinham sido encerrados por o tio Vernon em a despensa que ficava debaixo de as escadas , em o momento em que Harry regressara a casa . O que é_que lhes interessava se ele perdia ou não o seu lugar em a equipa de Quidditch por não ter praticado durante todo o Verão ? Que importância tinha para eles que o Harry voltasse a a escola sem ter podido fazer os trabalhos de casa ? Os Dursleys eram aquilo que os feiticeiros chamam « Muggles » ( nem uma gota de sangue mágico em as veias ) e , para eles , ter um feiticeiro em a família era motivo de grande vergonha . O tio Vernon tinha , inclusivamente , fechado a cadeado a coruja de Harry , Hedwig , dentro de a gaiola , para evitar que ela transportasse mensagens para a gente de o mundo de a feitiçaria . Harry não se parecia em nada com o resto de a família . O tio Vernon era atarracado e sem pescoço , dotado de um enorme bigode preto ; a tia Petúnia tinha um rosto cavalar e era esquelética ; Dudley era loiro e rosado como um porquinho . Harry , pelo_contrário , era baixo e franzino , com os olhos verdes brilhantes e cabelo negro sempre desalinhado . Usava uns óculos redondos e tinha em a testa uma cicatriz em forma de relâmpago . Era essa cicatriz que o tornava tão invulgar , mesmo para um feiticeiro . Era a única alusão a o seu passado misterioso , a o motivo por o qual , onze anos antes , tinha sido deixado em o degrau de a porta de os Dursleys . Com um ano de idade , Harry sobrevivera a uma maldição de o maior feiticeiro negro de todos os tempos , Lord_Voldemort , cujo nome a maior parte de os feiticeiros e feiticeiras ainda receia pronunciar . Os pais de Harry tinham morrido em um ataque de Voldemort , mas ele escapara com a sua cicatriz em forma de relâmpago e estranhamente , ninguém compreendeu porquê , os poderes de Voldemort tinham sido destruídos em o momento em que não fora capaz de matar o Harry . Por isso , ele foi criado por a irmã de a sua falecida mãe e respectivo marido . Passou dez anos com os Dursleys , sem nunca compreender porque fazia com que acontecessem coisas estranhas , alheias a a sua vontade , acreditando em a história de os Dursleys de que aquela cicatriz fora resultado de um acidente de automóvel em que os pais tinham morrido . E um dia , precisamente um ano antes , Hogwarts escrevera lhe e fora então que tudo começara . Harry fora ocupar o seu lugar em a escola de feitiçaria , onde ele e a sua cicatriz eram famosas ... mas agora o ano escolar chegara a o fim e estava de_novo com os Dursleys . Durante o Verão , voltara a ser tratado como um cão malcheiroso . Os Dursleys nem se tinham lembrado que aquele era o dia de o seu décimo segundo aniversário . É claro que não tivera grandes expectativas : eles nunca lhe tinham dado um presente a sério , muito menos um bolo , mas ignorarem o por completo ... Em esse momento , o tio Vernon pigarreou com um ar importante e disse : - Como todos sabem , hoje é um dia muito importante . Harry olhou para ele , mal conseguindo acreditar . - Pode bem ser que eu faça hoje o maior negócio de toda_a minha vida - afirmou . Harry voltou novamente a atenção para a torrada . É claro , pensou amargamente , o tio Vernon referia se a a estúpida dinner-party . Havia quinze_dias que não falava de outra coisa . Um consultor qualquer cheio de massa e a mulher vinham jantar lá a casa e o tio Vernon tinha esperança de conseguir uma grande encomenda ( a empresa de o tio Vernon fabricava brocas ) . - Acho que devíamos recapitular mais_uma_vez - disse o tio Vernon . - Devemos estar todos a postos a as oito_horas_em_ponto . Petúnia , tu vais estar ... ? - Em o salão - respondeu a tia Petúnia prontamente - a a espera para lhes dar as boas-vindas a nossa casa . - Bom , bom . E o Dudley ? - Eu vou estar a a espera para abrir a porta . - Dudley esboçou um sorriso falso e afectado . - Dão me licença que vos guarde os casacos , Mr. e Mrs._Mason ? - Eles vão adorá o - exclamou arrebatadamente a tia Petúnia . - Excelente , Dudley - disse o tio Vernon . - A seguir voltou se para o Harry . - E tu ? - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - repetiu o Harry , de forma inexpressiva . - Exactamente - confirmou o tio Vernon , de um modo desagradável . - Eu conduzo os até a o salão , apresento te , Petúnia , e sirvo lhes as bebidas . _ a as oito_e_um_quarto . - Eu chamo para a mesa - disse a tia Petúnia . - E tu , Dudley , vais dizer ... - Dá me licença que lhe indique a casa de jantar , Mrs._Mason ? - repetiu o Dudley , oferecendo o seu braço gordo a uma mulher invisível . - O meu pequenino cavalheiro - fungou a tia Petúnia . - E tu ? - perguntou o tio Vernon a o Harry , em o mesmo tom desagradável . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho , fingindo que não estou lá - respondeu Harry aborrecido . - Isso mesmo . Agora , devíamos ter preparadas algumas frases amáveis para o jantar . Petúnia , alguma ideia ? - O Vernon disse me que o senhor é um excelente jogador de golfe , Mr._Mason ... Tem de me dizer onde comprou esse vestido , Mrs._Mason ... - Perfeito . Dudley ? - Que tal : Tivemos de fazer um trabalho para a escola sobre o nosso herói e eu escrevi sobre o senhor ... Foi de mais , tanto para a tia Petúnia como para o Harry . A tia debulhou se em lágrimas e abraçou o filho , enquanto Harry se esgueirava para debaixo de a mesa para ninguém o ver rir . - E tu , rapaz ? Harry fez um esforço para se mostrar inexpressivo quando emergiu . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - disse . - Vais sim senhor - afirmou o tio Vernon energicamente . - Os Mason não sabem nada a teu respeito e é assim que as coisas vão continuar . Quando o jantar terminar , tu trazes Mrs._Mason para o salão , onde vamos tomar café , Petúnia , e eu puxo o assunto de as brocas . Com um_pouco de sorte , tenho o contrato assinado antes de o noticiário de as dez . Amanhã por esta hora , vamos estar a fazer compras para umas férias em Maiorca . Harry não conseguia sentir o menor entusiasmo com aquilo . Não lhe parecia que os Dursleys gostassem mais de ele em Maiorca do_que em Privet_Drive . - Certo , eu vou a a cidade buscar os casacos para mim e para o Dudley . E tu - resmungou , apontando para Harry - não atrapalhes a tua tia enquanto ela estiver a limpar . Harry saiu por a porta de as traseiras . Estava um dia de sol lindo . Atravessou o relvado , deixou se cair em o banco de o jardim e cantarolou baixinho : - Parabéns para mim ... parabéns para mim ... Nem cartas nem presentes e tinha de passar a noite a fingir que não existia . Olhou infeliz para a sebe . Nunca se sentira tão só . Mais do_que tudo em o mundo , mais do_que de Hogwarts , mais até do_que de o jogo de Quidditch , Harry sentia a falta de os amigos Ron_Weasley e Hermione_Granger . Mas eles não pareciam sentir a falta de ele . Nenhum de os dois lhe escrevera durante todo o Verão apesar_de o Ron ter dito que ia convidá o para passar uns dias lá em casa . Inúmeras vezes Harry estivera quase a libertar magicamente Hedwig de a sua gaiola e mandá a levar uma carta a o Ron e a a Hermione mas não valia a pena correr o risco . Os feiticeiros menores de idade não tinham autorização para usar a magia fora de a escola . Harry não contara isto a os Dursleys . Ele sabia que era o medo de que ele os transformasse a todos em baratas que os impedia de o fecharem a a chave em a despensa debaixo de as escadas , juntamente com a varinha e a vassoura . Em as primeiras semanas Harry divertira se a murmurar baixinho palavras sem sentido e a ver o Dudley sair disparado de o quarto , tão rápido quanto as suas pernas gordas lhe permitiam . Mas o silêncio prolongado de Ron e Hermione tinham o feito sentir se tão longe de o mundo de a magia que até divertir se à_custa_de Dudley perdera o interesse . E agora o Ron e a Hermione tinham se esquecido de o seu aniversário . Quanto não daria ele por uma mensagem de Hogwarts ? De qualquer feiticeiro ou feiticeira ? Quase ficaria satisfeito com um sinal de o seu inimigo feroz , Draco_Malfoy , só para ter a certeza de que tudo aquilo não fora apenas um sonho ... Não que tudo durante o ano em Hogwarts tivesse sido divertido . Mesmo em o fim de o último período , Harry confrontara se nem mais nem menos do_que com o próprio Lord_Voldemort . Voldemort podia ter arruinado o seu ego inicial mas continuava a espalhar o terror , ainda astuto , ainda determinado a recuperar o poder . Harry escapara uma segunda vez a as suas garras mas fora por um triz e mesmo agora , algumas semanas decorridas , acordava de noite encharcado em suores frios , perguntando se onde estaria Voldemort , relembrando o seu rosto lívido , os seus olhos completamente loucos ... Harry sentou se subitamente , direito como um fuso , em o banco de o jardim . Tinha estado a olhar distraído para a sebe e a sebe estava a olhar para ele . Dois enormes olhos verdes surgiram por_entre a folhagem . Harry pôs se de pé ao_mesmo_tempo que uma voz sobrevoava a relva . - Eu sei que dia é hoje - cantarolava Dudley , bamboleando se enquanto se aproximava . Os olhos enormes piscaram e desapareceram . - O quê ? - perguntou Harry sem retirar os olhos de o lugar para_onde estava a olhar . - Eu sei que dia é hoje - repetiu , chegando junto de ele . - Ainda_bem - disse Harry . - Aprendeste finalmente os dias de a semana . - Hoje é o dia de os teus anos - troçou o Dudley . - Por_que é_que não recebeste nenhuma carta ? Não tens amigos em esse lugar esquisito ? - É melhor não deixares a tua mãe ouvir te falar de a minha escola - disse Harry calmamente . Dudley puxou para_cima as calças que estavam a escorregar lhe por o rabo gordo abaixo . - Porque estás a olhar para a sebe . ; - perguntou curioso . - Estou a pensar em as palavras que deverei pronunciar para lhe pegar fogo - disse Harry . Dudley recuou de imediato com um olhar de pânico em a cara rechonchuda . - Tu não p-p-odes , o pai disse que não podias fazer magia ou corria contigo aqui de casa e não tens mais nenhum lugar para_onde ir , não tens amigos que te convidem ... - * _ Jiggery pokery * ! - disse Harry com voz firme . - * _ Hocus pocus ... squiggly wiggly * ... - Maaaaaãe - gritou Dudley , tropeçando em os pés , enquanto se precipitava para dentro_de casa . Maaaãe , ele vai fazer aquela coisa ! Harry deu graças a os céus por aquele momento de gozo . Como não aconteceu nada de mal nem a o Dudley nem a a sebe , a tia Petúnia percebeu que ele não fizera magia nenhuma mas , mesmo_assim , Harry teve de se afastar quando ela lhe deu uma forte pancada em a cabeça com a frigideira cheia de detergente . A seguir distribuiu lhe trabalho e o castigo de só voltar a comer quando tivesse acabado tudo . Enquanto Dudley andava a flanar , olhando para o ar e comendo gelados , Harry limpou as janelas , lavou o carro , aparou a relva , adubou os canteiros , podou e regou as rosas e pintou de_novo o banco de o jardim . O sol ardia lá em cima , queimando lhe a parte de trás de o pescoço . Harry sabia que não devia ter provocado Dudley mas ele dissera precisamente aquilo que ele próprio pensava ... talvez não tivesse amigos em Hogwarts . Deviam ver agora o famoso Harry_Potter , pensou amargamente enquanto espalhava adubo em os canteiros , as costas a doerem lhe e o suor a escorrer lhe por o rosto . Eram sete_e_meia_da_tarde quando , por fim , exausto , ouviu a tia Petúnia a chamá o . - Anda para dentro e passa por cima de os jornais . Harry entrou satisfeito em a sombra de a cozinha que rebrilhava . Sobre o frigorífico estava o bolo de a noite : um enorme monte de crome batido coberto de violetas de açúcar . A carne de porco assava em o forno . - Come depressa , os Mason devem estar a chegar ! - exclamou bruscamente a tia Petúnia , apontando para duas fatias de pão e uma de queijo que estavam em cima de a mesa de a cozinha . Ela já tinha posto um vestido de * cocktail * cor de salmão . Harry lavou as mãos e comeu aquele triste jantar . Mal tinha terminado , a tia Petúnia tirou lhe o prato . - Lá para_cima , rápido ! A o passar por a porta de a sala , Harry vislumbrou o tio Vernon e Dudley de casaco e gravata . Tinha acabado de chegar a o cimo de as escadas quando a campainha de a porta tocou e a cara de o tio Vernon apareceu em o patamar . - Lembra te , rapaz , um ruído que seja ... Harry entrou em o quarto em bicos de pés , fechou a porta e preparou se para se meter em a cama . O problema é_que estava lá alguém sentado . II_O aviso de Dobby_Harry conseguiu não gritar , mas foi por_pouco . A pequena criatura que estava em a cama tinha umas orelhas grandes e largas e uns olhos verdes protuberantes de o tamanho de bolas de ténis . Harry percebeu imediatamente que fora para ele que tinha estado a olhar de manhã . Enquanto olhavam um para o outro , Harry ouviu a voz de Dudley em o * hall * . - Posso guardar os vossos casacos , Mr. e Mrs._Mason ? A criatura escorregou por a cama e curvou se tanto que a ponta de o seu enorme nariz tocou em o tapete . Harry reparou que ele tinha vestido uma espécie de fronha de almofada com buracos para os braços e pernas . - Er ... Olá - disse Harry , um_pouco nervoso . - Harry_Potter ! - exclamou a criatura em uma voz tão estridente que Harry calculou que poderia ouvir se lá em baixo . - Há tanto tempo que Dobby queria conhecê o , senhor . É uma enorme honra ... - Ob-obrigado - disse Harry , deslocando se a o longo de a parede e sentando se em a cadeira de a secretária , junto de Hedwig que dormia em a sua grande gaiola . Queria perguntar lhe « O que és tu ? » , mas pensou que seria má educação , por isso perguntou : - Quem és tu ? - Dobby , senhor . Apenas Dobby , o elfo de casa - afirmou a criatura . - Oh ! A sério ? - perguntou Harry . - Não quero ser mal-educado , mas esta não é a melhor altura para ter um elfo em o meu quarto . O riso falso de a tia Petúnia ouvia se em a sala de jantar . O elfo deixou cair a cabeça . - Não que eu não me sinta feliz por te conhecer - disse Harry rapidamente - mas , er ... estás aqui por algum motivo em especial ? - Oh , sim senhor - disse Dobby muito a sério . - Dobby veio dizer lhe que ... é difícil ... Dobby não sabe por_onde começar ... - Senta te - disse Harry educadamente , apontando lhe a cama . Para seu horror , o elfo debulhou se em lágrimas bastante ruidosas . -- S-senta-te ! - repetiu . - Nunca em toda_a minha vida ... Harry pareceu lhe ouvir as vozes lá em baixo vacilarem . - Desculpa - murmurou . - Eu não queria ofender te ... - Ofender Dobby ! - exclamou o elfo em um sufoco . - Nunca nenhum feiticeiro disse a o Dobby que se sentasse como um seu igual , senhor . Harry , tentando dizer lhe « Sch ... » e confortá o ao_mesmo_tempo , conduziu Dobby de_novo até a a cama onde ele se sentou a soluçar , parecendo uma grande boneca muito feia . Por fim , conseguiu controlar se e ficou quieto , com os seus grandes olhos fixos em Harry em uma expressão de absoluta adoração . - Não deves ter conhecido muitos feiticeiros sérios - disse lhe , tentando animá o . Dobby abanou a cabeça . Em seguida , sem qualquer aviso , saltou e começou a bater furiosamente com a cabeça em a janela , gritando : - Dobby é mau ! Dobby é mau ! - Pára , o que é_que estás a fazer ? - perguntou Harry em um murmúrio sibilante , dando um salto e puxando Dobby de_novo para a cama . Hedwig acordara com um pio particularmente agudo e batia agressivamente com as asas contra as grades de a gaiola . - Dobby tinha que se castigar , meu senhor - afirmou o elfo , que ficara ligeiramente estrábico . - Dobby quase falou mal de a família de ele ... - De a tua família ? - De a família de feiticeiros que Dobby serve , meu senhor ... O Dobby é um elfo de casa , obrigado a servir uma casa e uma família para sempre . - Eles sabem que estás aqui ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Dobby estremeceu . - Oh , não senhor , não ... Dobby vai ter que se castigar muito por ter vindo vê o . Dobby vai ter que entalar as orelhas em a porta de o forno por isto . Se eles soubessem , senhor ... - Mas achas que eles não vão reparar se tu entalares as orelhas em a porta de o forno ? - Dobby duvida , senhor . Dobby está sempre a ter de se castigar por qualquer coisa . Eles deixam que o Dobby se castigue . _ às_vezes até sugerem alguns castigos extra . - Mas por_que é_que não te vais embora , não foges ? - Um elfo de casa tem de ser libertado , senhor . E a família nunca libertará Dobby . Dobby servirá a família até morrer . Harry olhou para ele . - E eu que pensava que era infeliz por ter de ficar aqui mais quatro semanas - declarou . - Isto faz os Dursleys parecerem quase humanos . Será que ninguém te pode ajudar ? Poderei eu ? Em o mesmo momento , Harry desejou não ter aberto a boca . Dobby desfez se em ruidosos soluços de gratidão . - Por favor - murmurou Harry , inquieto . - Por favor , está calado . Se os Dursleys ouvem barulho , se eles sabem que estás aqui ... - Harry_Potter pergunta se pode ajudar Dobby . Dobby ouviu falar de a sua grandeza , mas de a sua bondade , Dobby nada sabia . Harry , que se sentia corar , disse : - Seja o que for que tenhas ouvido sobre a minha grandeza , é um disparate . Nem_sequer sou o melhor de o meu ano em Hogwarts . É a Hermione . Ela ... Mas calou se rapidamente porque pensar em Hermione era lhe doloroso . - Harry_Potter é humilde e modesto - disse Dobby reverentemente , com os seus olhos de globo avermelhados . - Harry_Potter não fala de a sua vitória sobre « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . - Voldemort ? - perguntou Harry . Dobby bateu com as mãos em as enormes orelhas e gemeu : - Ai não diga o nome , senhor . Não diga o nome ! - Desculpa - disse Harry muito depressa . - Eu sei que muita gente não gosta . O meu amigo Ron ... Calou se de_novo . Pensar em o Ron era igualmente doloroso . Dobby voltou para Harry os seus dois olhos grandes como candeeiros . - Dobby ouviu dizer - balbuciou com voz rouca - que Harry_Potter encontrou o Senhor_do_Mal uma segunda vez há poucas semanas atrás ... que Harry_Potter lhe escapou de_novo . Harry acenou e os olhos de Dobby encheram se de lágrimas . - Ah , senhor - disse em um sobressalto , limpando o rosto com a ponta de a fronha de almofada que tinha vestida . - Harry_Potter é valente e arrojado . Enfrentou tantos perigos ! Mas Dobby veio protegê o , avisar Harry_Potter , mesmo_que para isso tenha de entalar as orelhas em a porta de o forno , que Harry_Potter não deve voltar para Hogwarts . Houve um silêncio apenas quebrado por o ruído de os garfos e de as facas lá em baixo e por a voz distante de o tio Vernon . - O q-q-uê ? - gaguejou Harry . - Mas eu tenho de voltar , o ano começa em o dia um de Setembro . É a minha razão de viver . Tu não sabes como são as coisas aqui . Eu não pertenço a este lugar , o meu lugar é em Hogwarts . - Não , não , não - guinchou Dobby , sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas andavam de um lado para o outro . - Harry_Potter deve ficar aqui , onde se encontra a salvo . É demasiado grande , demasiado bom para se perder . Se Harry_Potter regressar a Hogwarts correrá perigo de vida . - Porquê ? - inquiriu Harry , surpreendido . - Há uma conspiração , Harry_Potter . Uma conspiração para fazer acontecer coisas terríveis este ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts - murmurou Dobby que começara a tremer de a cabeça a os pés . - Dobby sabe de isto há meses , senhor . Harry_Potter não deve expor se a o perigo . É demasiado importante . - Que coisas terríveis são essas ? - perguntou Harry sem perder tempo . - Quem está por detrás ? Dobby fez um ruído esquisito e começou a bater com a cabeça contra a parede como um louco . - Está bem - gritou Harry , agarrando o braço de o elfo para o fazer parar . - Não podes dizer , eu compreendo . Mas porque vieste avisar me ? - Um pensamento súbito e desagradável surgiu lhe . - Espera aí , isto tem alguma coisa que ver com o Vol , desculpa com o Quem nós sabemos ? Basta que faças sim ou não com a cabeça - acrescentou com vivacidade enquanto a cabeça de Dobby se inclinava de_novo a uma velocidade preocupante para a parede . Lentamente , Dobby abanou a cabeça . - Não , não é « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . Os olhos de Dobby estavam abertos como_se estivesse a tentar dar a Harry uma pista , mas Harry estava completamente a a nora . - Ele não tem nenhum irmão , ou tem ? Dobby abanou a cabeça , os olhos mais abertos do_que nunca . - Bem , em esse caso não estou a ver quem mais poderia ter a possibilidade de fazer acontecer coisas horríveis em Hogwarts - disse Harry . - Quero dizer , para já está lá o Dumbledore . Sabes quem é Dumbledore , não sabes ? Dobby baixou a cabeça . - Albus_Dumbledore é o melhor director que Hogwarts alguma vez teve . Dobby sabe , senhor . Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore rivalizam com os d'aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Mas , senhor - a voz de Dobby desceu a um urgente murmúrio - há poderes que Dumbledore não ... poderes que nenhum feiticeiro sério ... E antes que Harry conseguisse impedi o Dobby saltou de a cama , agarrou o candeeiro de secretária de Harry e começou a bater com a cabeça , dando uivos ensurdecedores . Fez se silêncio lá em baixo . Dois segundos mais tarde , Harry com o coração a bater como um louco , ouviu o tio Vernon chegar a o * hall * e dizer . - O Dudley deve ter deixado outra_vez a televisão ligada , o maroto ! - Depressa , para dentro de o guarda-fatos - gritou Harry , empurrando Dobby bem para o fundo , fechando a porta e metendo se a correr em a cama mesmo a_tempo_de ver a maçaneta de a porta a girar . - Que diabo estás tu a fazer ? - disse o tio Vernon entre dentes , o rosto assustadoramente próximo de o de Harry . - Acabas de estragar o ponto alto de a minha anedota de o golfista japonês . Eu que oiça mais um som e vais desejar nunca ter nascido , rapaz ! Abandonou o quarto com grandes passadas . A tremer , Harry deixou Dobby sair de o guarda-fatos . - Estás a ver como são as coisas por aqui ? - disse . - Vês porque tenho de voltar para Hogwarts ? É o único sítio onde eu tenho ... bem , onde eu acho que tenho amigos . - Amigos que nem_sequer escrevem a Harry_Potter ? - disse Dobby com ar manhoso . - Calculo que devem ter estado ... espera aí - disse Harry , franzindo a testa . - Como é_que tu sabes que os meus amigos não me têm escrito ? Dobby arrastou os pés . - Harry_Potter não deve zangar se com Dobby . Dobby fez o que achou melhor ... - Tu tens estado a interceptar me as cartas ? - Dobby tem as aqui , senhor - disse o elfo . Saltando para longe de o alcance de Harry , retirou de dentro de a fronha que usava um espesso saco cheio de envelopes . Harry reconheceu de imediato a caligrafia certinha de Hermione , a escrita desordenada de Ron e até uns gatafunhos que pareciam ser de o guarda de os campos de Hogwarts , Hagrid . Dobby piscava ansiosamente os olhos . - Harry_Potter não deve ficar zangado ... Dobby esperava que ... se Harry_Potter pensasse que os amigos o tinham esquecido ... Harry_Potter talvez não quisesse voltar a a escola , senhor . Harry não o ouvia . Fez um gesto para agarrar as cartas , mas Dobby deu um salto , afastando se . - Harry_Potter terá as cartas , senhor , se der a Dobby a sua palavra de não voltar a Hogwarts . Ah , senhor , é um risco que não deve correr . Diga que não volta , senhor ! - Não - afirmou Harry zangado . - Dá me as cartas de os meus amigos ! - Em esse caso , Harry_Potter deixa Dobby sem escolha - disse o elfo tristemente . Antes que Harry pudesse fazer um movimento , Dobby tinha aberto a porta de o quarto e descido a correr por as escadas abaixo . Com a boca seca e um aperto em o estômago , Harry correu atrás de ele , tentando não fazer barulho . Saltou os últimos seis degraus , aterrando como um gato em a carpete de o * hall * , olhando em volta a a procura de Dobby . De a sala de jantar , ouviu a voz de o tio Vernon : - Conte a a Petúnia aquela história engraçadíssima de os funileiros americanos , ela tem estado louca por ouvi a , Mr._Mason . Harry correu de o * hall * para a cozinha e sentiu o estômago ficar pequenino . O pudim , que era a a obra-prima de a tia Petúnia , a montanha de creme batido coberto de violetas de açúcar flutuava junto de o tecto . Em cima de o guarda-louça de o canto , Dobby inclinava se servilmente . - Não - suplicou Harry . - Por favor , eles matam me . - Harry_Potter deve dizer que não vai voltar a a escola ... - Dobby , por favor . - Diga , senhor . - Não posso . Dobby lançou lhe um olhar trágico . - Então , Dobby deve fazê o , senhor , para o bem de Harry_Potter . O pudim foi direito a o chão em uma queda que parecia um coração a parar . O crome esguichou para as janelas e para as paredes , enquanto o prato se despedaçava . Com o ruído de uma chicotada , Dobby desapareceu . Ouviram se gritos em a casa de jantar e o tio Vernon irrompeu por a cozinha onde foi dar com Harry coberto , de a cabeça a os pés , por o pudim de a tia Petúnia . A princípio parecia que o tio Vernon ia conseguir arranjar uma desculpa para aquilo tudo . ( É só o nosso sobrinho , muito perturbado ; conhecer pessoas estranhas deixa o muito nervoso , por isso deixamos o lá em cima ... ) Conduziu_os_Mason , bastante chocados , para a sala de jantar , garantindo a Harry que o esfolava vivo quando os Mason se fossem embora e pôs lhe em as mãos um esfregão . A tia Petúnia descobriu um resto de gelado em o frigorífico e Harry , ainda a tremer , começou a limpar a cozinha . O tio Vernon poderia ainda ter feito o negócio , se não fosse a coruja . Estava a tia Petúnia a circular com uma caixa de After-Eight , quando uma enorme coruja de celeiro fez a sua entrada vertiginosa através de a janela de a casa de jantar , deixando cair uma carta em a cabeça de Mr._Mason e desaparecendo logo_a_seguir . Mrs._Mason gritava como uma carpideira e corria por a casa praguejando contra os lunáticos . Mr._Mason ficou o tempo estritamente necessário para dizer a os Dursleys que a mulher tinha um medo pânico de pássaros de todas_as formas e tamanhos e perguntar lhes se aquela era alguma brincadeira de mau gosto . Harry não saiu de a cozinha , agarrando o esfregão como defesa , enquanto o tio Vernon avançava para ele com um brilho demoníaco em os olhos pequeninos . - Lê isso - ordenou maldosamente . Harry pegou em a carta . Não era a desejar lhe um bom aniversário . * _ Caro_Mr._Potter , * _ Recebermos hoje informações de que um feitiço de suspensão em o ar foi efectuado em sua casa esta noite , a as nove_horas_e_doze_minutos . * _ Como sabe , os feiticeiros menores não estão autorizados a praticar magia fora de a escola e , se efectuar mais um trabalho mágico , será expulso de a nossa escola . ( Decreto_de_Restrições_Razoáveis_para_Feitiçaria_de_Menores , 1875 , parágrafo C. ) * _ Pedimos-lhe também que se lembre que qualquer actividade que possa ser notada por membros alheios a a nossa comunidade ( Muggles ) constitui uma ofensa grave , segundo a secção 13 de a Confederação_Internacional_do_Estatuto_da_Magia_Secreta . * _ Tenha umas boas férias . * Atenciosamente_Mafalda_Hopkirk_Gabinete_da_Utilização_Imprópria_da_Magia_Ministério_da_Magia * . Harry olhou para a carta e engoliu em seco . - Tu não nos contaste que estavas proibido de usar magia fora de a escola - disse o tio Vernon com um brilho maldoso a dançar lhe em os olhos . - Esqueceste te de o mencionar , passou te , não foi ? Tinha se aproximado de Harry como um grande * bulldog * , com todos os dentes a a mostra . - Tenho boas notícias para ti , rapaz , vou fechar te a a chave e , se tentares sair através_de magia , nunca mais voltas a aquela escola , eles expulsam te . E rindo como um louco , arrastou Harry até a o andar de cima . O tio Vernon era mau como as cobras . Em a manhã seguinte pagou a um homem para colocar grades em a janela de o quarto de Harry . Ele próprio abriu um pequeno buraco em a porta de o quarto para que a comida pudesse ser introduzida três vezes por dia . Deixavam o Harry sair para ir a a casa_de_banho de manhã e a o final de a tarde . O resto de o tempo estava fechado em o quarto , a a espera que o tempo passasse . Três dias mais tarde , os Dursleys não mostravam qualquer intenção de abrandar o castigo e Harry não sabia como sair de aquela situação . Estava deitado em a cama , vendo o sol brilhar por_entre as grades de a janela e perguntando se tristemente o que viria a acontecer lhe . Qual era a vantagem de sair de ali por artes mágicas , se Hogwarts o expulsaria em seguida ? Contudo , a vida em Privet_Drive tinha atingido o seu nível mais baixo . Agora_que os Dursleys tinham a certeza que não iam acordar transformados em morcegos , ele perdera a única arma que tinha . O Dobby podia tê o salvo de acontecimentos terríveis em Hogwarts , mas de a maneira que as coisas estavam , ele morreria muito provavelmente a a fome . A portinhola rangeu e a mão de a tia Petúnia apareceu empurrando uma tigela de sopa de pacote para dentro de o quarto . Harry , que estava cheio de fome , saltou de a cama e agarrou a . A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um único trago . A seguir , atravessou o quarto até a a gaiola de Hedwig e pôs os legumes ensopados dentro de o seu pratinho vazio . Ela agitou as penas e olhou o com profunda repugnância . - Não vale de nada virares lhe as costas . É tudo_o_que temos - disse Harry , de modo severo . Colocou a tigela vazia em o chão junto de a portinhola e voltou para_cima de a cama , de certo modo com mais fome do_que antes de ter comido a sopa . Admitindo que estaria ainda vivo dentro_de quatro semanas o que aconteceria se ele não se apresentasse em Hogwarts ? Será que mandariam alguém obrigar os Dursleys a deixá o ir ? O quarto começava a escurecer . Exausto e com o estômago a dar horas , o cérebro a as voltas com as mesmas questões sem resposta , Harry caiu em um sono intranquilo . Sonhou que fazia parte de um espectáculo de o jardim zoológico . Preso a a jaula onde se encontrava estava um cartaz onde podia ler se « feiticeiro menor de idade « . As pessoas olhavam o com olhos protuberantes , enquanto ele jazia fraco e esfomeado em um leito de palha . Viu a cara de o Dobby em o meio de a multidão e gritou lhe , pedindo ajuda , mas o Dobby respondeu : - Harry_Potter está em segurança aí , senhor - e desapareceu . Em seguida vieram os Dursleys e Dudley bateu em as grades de a jaula , rindo se de ele . - Pára com isso - murmurou Harry como_se aquele ruído martelasse em a sua cabeça dorida . - Deixa me em paz , pára com isso , estou a tentar dormir . Abriu os olhos . O luar brilhava através de as grades de a janela . E lá fora alguém olhava de olhos arregalados para ele : alguém de rosto sardento , cabelo ruivo e nariz grande . Ron_Weasley estava de o lado de_fora de a janela . III « A toca » Ron ! - exclamou Harry , arrastando se até a a janela e empurrando a para poderem falar através de as grades . - Ron , como é_que tu , foi o ... ? Harry ficou de boca aberta , espantado com o que viu . Ron estava debruçado de a janela de trás de um velho automóvel azul-turquesa que se encontrava estacionado em o ar . Em os lugares de a frente , rindo se para Harry , estavam os irmãos mais velhos , os gémeos Fred e George . - Tudo bem , Harry ? - O que é_que se tem passado ? - perguntou o Ron . - Porque não respondeste a as minhas cartas ? Convidei te para vires ter comigo umas doze vezes e um dia o pai chegou a casa e comunicou nos que tu tinhas recebido um aviso oficial por usares magia diante de os Muggles ... - Não fui eu . E como é_que ele soube ? - Ele trabalha em o Ministério - disse o Ron . - Tu sabes que nós não podemos fazer feitiços fora de a escola . - Bem , isso vindo de ti ... - exclamou Harry , olhando para o carro flutuante . - Oh , isto não conta - disse Ron . - Foi o meu pai que o emprestou . Não o fizemos aparecer por magia . Mas usar magia em a frente de esses Muggles com quem tu vives ... - Já te disse que não fui eu , mas vai demorar muito_tempo a explicar te isso agora . És capaz de avisar em Hogwarts que os Dursleys me fecharam a a chave e que não querem deixar me voltar e obviamente eu não posso sair de aqui magicamente senão o Ministério vai achar que é a segunda vez em três dias e ... - Pára com essa conversa tola - disse o Ron . - Viemos para te levar connosco . - Mas tu também não podes tirar me de aqui utilizando processos mágicos ... - Não precisamos de isso - afirmou Ron , fazendo um sinal de cabeça para os lugares de a frente . - Esqueces te de quem está aqui comigo . - Amarra isso em volta de as grades - disse o Fred , lançando a Harry a ponta de uma corda . - Se os Dursleys acordam estou feito - lamentou se Harry enquanto dava um nó bem apertado com a corda em uma de as grades e o Fred arrancava com o carro . - Não te preocupes e chega te para trás . Harry recuou para a sombra , para junto de Hedwig que parecia ter se apercebido de a importância de tudo aquilo , mantendo se quieta e em silêncio . O carro puxou mais e mais e , subitamente , com um ruído de ferro a ceder , as grades foram arrancadas de a janela , enquanto Fred conduzia com o céu como estrada . Harry correu de_novo para a janela para ver as grades a balouçarem a poucos metros de o chão . Ofegante , Ron içou as para dentro de o carro . Harry escutou ansiosamente mas não vinha qualquer som de o quarto de os Dursleys . Quando as grades estavam em segurança em os lugares de trás junto de Ron , Fred aproximou se o_máximo que lhe foi possível de a janela . - Anda de aí - disse . - Mas , todas_as minhas coisas de Hogwarts , a minha varinha , a minha vassoura ... - Onde estão ? - Fechadas em a despensa debaixo de as escadas e eu não posso sair de este quarto . . - Não há azar - disse o George . - Sai de a frente , Harry . Fred e George treparam cautelosamente e entraram por a janela em o quarto de Harry . Tinhas que ter aberto a boca , pensou Harry enquanto George tirava de o bolso um vulgar gancho de cabelo e começava a tentar abrir a fechadura . - Muitos feiticeiros acham que é uma perda de tempo aprender os truques de os Muggles - disse o Fred . - Mas nós pensamos que há habilidades que é sempre útil conhecer apesar_de serem um_pouco lentas . Ouviu se um pequeno clique e a porta abriu se . - Pronto , vamos buscar as tuas coisas . Tu vai dando a o Ron aquilo que precisas de aí de o teu quarto - murmurou George . - Cuidado com o degrau de cima que range - sussurrou Harry enquanto os gémeos desapareciam em o escuro . Harry deu a volta a o quarto , recolhendo as suas coisas e passando as por a janela a o Ron . Em seguida , foi ajudar o Fred e o George a trazerem o resto por as escadas acima . Ouviu o tio Vernon tossir . Por fim , de língua de_fora , chegaram a o quarto , junto de a janela aberta . Fred trepou para o carro para puxar os volumes com o Ron enquanto Harry e George os empurravam de dentro de o quarto . Centímetro a centímetro o malão foi passando por a janela . O tio Vernon tossiu de_novo . - Mais um_pouco - disse o Fred que estava a puxar de dentro de o carro . Um bom empurrão , vá . Harry e George encostaram os ombros contra a mala e ela escorregou para a parte de trás de o carro . - O. _ K. , vamos embora - murmurou o George . Mas quando Harry trepava para o parapeito de a janela ouviu se um forte pio atrás de ele , imediatamente seguido de o vociferar de o tio Vernon . - Aquela maldita coruja ! - Esqueci me de a Hedwig ! Harry precipitou se de_novo para o quarto , enquanto a luz de o patamar se acendia . Agarrou a gaiola de Hedwig , correu para a janela e passou a a o Ron . Estava a subir para_cima de a cómoda quando o tio Vernon bateu em a porta , que não estava fechada , e esta se abriu completamente . Por uma fracção de segundo , o tio Vernon ficou estático junto de a porta . Em seguida , soltou um mugido como um boi zangado e avançou para Harry , agarrando o por o tornozelo . Ron , Fred e George seguraram o por os braços e puxaram o com toda_a força . - Petúnia - rosnou o tio Vernon . - Ele está a fugir ! : __ ele está a __ fugir ! Os Weasleys deram um puxão gigantesco e a perna de o Harry escapou a as garras de o tio Vernon . Logo_que Harry entrou em o carro e a porta se fechou , Ron gritou : - Acelera Fred ! - E o carro partiu subitamente em direcção a a lua . Harry mal podia acreditar que estava livre . Esticou se a a janela , o ar de a noite a fustigar lhe os cabelos e olhou para baixo , para os telhados apertados de Privet_Drive . O tio Vernon , a tia Petúnia e o Dudley estavam todos debruçados com cara de parvos , a a janela de o quarto de ele . - Até a o próximo Verão - gritou . Os Weasleys riam se a as gargalhadas e Harry esticou se para trás em o assento e pediu a o ouvido de Ron : - Deixa sair a Hedwig . Ela pode voar atrás_de nós . Há séculos que não tem uma oportunidade de esticar as asas . George passou a o Ron o gancho de cabelo e , um momento depois , a Hedwig saíra feliz por a janela , planando atrás de eles como um fantasma . - Então , qual é a história ? - perguntou Ron , impaciente . - O que é_que tem estado a acontecer ? Harry contou lhes tudo sobre o Dobby , o aviso de este e o fracasso de o pudim de violetas . Houve um longo silêncio quando ele se calou . - Isso cheira me a esturro - disse , por fim , o Fred . - Definitivamente misterioso - concordou George . - Então ele nem te disse quem está supostamente por detrás dessa trama toda ? - Acho que não podia - explicou Harry . - Já te disse , de cada_vez que estava quase a deixar escapar qualquer coisa , começava a bater com a cabeça em a parede . Viu Fred e George olharem um para o outro . - O quê ? Acham que ele estava a mentir me ? - perguntou Harry . - Bem - começou o Fred -- , coloquemos as coisas de o seguinte modo , os elfos de casa têm poderes mágicos próprios , mas geralmente não podem usá os sem a autorização de os seus donos . Eu acho que o bom de o Dobby foi enviado para evitar que voltasses para Hogwarts . Uma ideia de um engraçadinho . Haverá alguém em a escola com má vontade contra ti ? - Sim - responderam Harry e Ron , precisamente ao_mesmo_tempo . - Draco_Malfoy - explicou Harry . - Ele detesta me . - Draco_Malfoy ? - perguntou George , voltando se para trás . - O filho de o Lucius_Malfoy ? - Deve ser . Não é um nome muito vulgar , pois não ? - disse Harry . - Mas porquê ? - Ouvi o pai falar acerca de ele - confidenciou George . - Ele era um grande apoiante de o « Quem nós sabemos » . - E quando o « Quem nós sabemos » desapareceu - continuou o Fred , voltando a cara para olhar para Harry - o Lucius_Malfoy voltou , dizendo que não foi por vontade própria que fez o que fez . Monte de lixo . O pai acha que ele fazia parte de um círculo de amigos íntimos de o « Quem nós sabemos » . Harry já tinha ouvido esses boatos sobre a família de Malfoy e não o surpreenderam em absoluto . Malfoy fizera Dudley_Dursley parecer um rapazinho simpático , amável e sensível . - Não sei se os Malfoy têm um elfo de casa ... - afirmou Harry . - Bem , quem quer que o possua é sem dúvida uma antiga família de feiticeiros e deve ser rica - explicou Fred . - Sim . A mãe está sempre a desejar que pudéssemos ter um elfo de casa para passar a roupa a ferro - disse o George . - Mas só temos um velho vampiro piolhoso em o sótão e gnomos espalhados por o jardim . Os elfos de casa pertencem a as grandes casas senhoriais , a os castelos e lugares assim , não encontrarias um em a nossa casa ... Harry estava calado . Considerando que Draco_Malfoy tinha sempre as melhores coisas , que a sua família nadava em ouro de feiticeiros , era fácil imaginá o passeando se por uma enorme casa senhorial . Mandar o servo de a família evitar que Harry voltasse para Hogwarts também parecia exactamente o tipo de coisa que Malfoy poderia fazer . Teria Harry sido estúpido a o tomar Dobby a sério ? - De qualquer modo , ainda_bem que viemos buscar te - declarou Ron . - Eu começava a ficar seriamente preocupado por não responderes a nenhuma de as minhas cartas . A princípio pensei que a culpa fosse de a Errol ... - Quem é a Errol ? - A nossa coruja . Já é velhota . Não seria a primeira vez que adoecia durante uma entrega . Por isso , tentei pedir a Hermes emprestada ... - Quem ? - A coruja que os meus pais compraram a o Percy quando ele foi nomeado prefeito - respondeu Fred . - Mas o Percy não me a emprestou . Disse que precisava de ela . - O Percy tem andado com atitudes muito estranhas este Verão - comentou George franzindo a testa . - E tem mandado imensas cartas e passado um tempo infinito fechado em o quarto ... enfim , pode limpar se e polir um distintivo de prefeito todas_as vezes que se quiser ... Estás a conduzir demasiado para ocidente , Fred - acrescentou apontando para uma bússola em o painel de o automóvel . Fred girou o volante . - Então , o vosso pai sabe que têm o carro ? - perguntou Harry , quase adivinhando a resposta . - Er ... não - disse o Ron . - Ele tinha trabalho esta noite . Felizmente vamos poder pô o de_novo em a garagem , sem a mãe perceber que andámos a voar nele . - A propósito , o que faz o vosso pai em o Ministério_da_Magia ? - Trabalha em o Departamento mais chato - respondeu Ron . - A Divisão de utilização incorrecta de artefactos de os Muggles . - O quê ? - Relaciona se com objectos de feitiçaria que foram feitos por os Muggles ; sabes como é , se forem parar de_novo a uma loja de os Muggles , ou a uma casa , como em o ano passado , quando morreu uma bruxa velha e o bule de ela foi vendido a uma loja de antiguidades . Uma mulher Muggle comprou o , tentou servir chá a os amigos . Foi um pesadelo , o pai teve de fazer horas extraordinárias durante semanas . - O que é_que aconteceu ? - O bule parecia louco , esguichou chá a ferver para todos os lados e um de os homens foi parar a o hospital com a pinça de o açúcar presa em o nariz . O pai ficou nervosíssimo . É só ele e o velho feiticeiro Perkings em o gabinete e tiveram de localizar e descobrir todo o tipo de encantamentos para resolver o assunto . - Mas o teu pai ... este carro ... Fred riu se . - Sim , o pai é louco por tudo_o_que tem que ver com os Muggles . A nossa arrecadação está cheia de coisas de os Muggles . Ele separa as , lança lhes feitiços e volta a pô as em o lugar . Se ele fizesse uma busca a nossa casa teria de se prender a si mesmo . A minha mãe fica louca com tudo aquilo . - É a estrada principal - gritou o George , apontando para baixo através de a janela . - Dentro_de poucos minutos estamos lá , mesmo a tempo , está a começar a clarear . Um leve brilho rosado tingia o horizonte para leste . Fred trouxe o carro para baixo e Harry pôde ver uma manta de retalhos de campos escuros e matas de arbustos . - Estamos um_pouco longe de a vila - disse George . - Em Ottery_St . Catchpole ... O carro voador foi descendo a os poucos . A luz avermelhada brilhava agora por_entre as árvores . - Terra - disse o Fred , em o momento em que tocaram em o chão com um ligeiro solavanco . Tinham aterrado perto_de uma garagem em ruínas em um pequeno pátio e Harry viu pela_primeira_vez a casa de o Ron . Parecia ter sido em tempos uma pocilga de pedra . Mas os quartos que posteriormente lhe tinham sido acrescentados haviam a tornado bastante mais alta e o seu aspecto era tão curvado que parecia ter sido construída por artes mágicas ( o que , pensou Harry , era , muito provavelmente , verdade ) . De o telhado vermelho saíam quatro ou cinco chaminés . Junto de a entrada , fixa em o chão , podia ver se uma inscrição assimétrica que dizia « A toca » . A o lado de a porta principal estava uma contusão de botas de * _ Wellington * e um caldeirão completamente enferrujado . Por o pátio passeavam se várias galinhas castanhas e gordas . - Não é grande coisa - desculpou se o Ron . - É óptima - exclamou Harry , feliz , pensando em Privet_Drive . Saíram de o carro . - Agora vamos lá para_cima sem fazer barulho - disse o Fred . - E esperamos que a mãe nos chame para o pequeno-almoço . Depois tu , Ron , desces a escada entusiasmadíssimo . - Mãe , olha quem apareceu cá durante a noite ! - E ela vai sentir se felicíssima quando vir o Harry . Assim ninguém fica a saber que levámos o carro voador . - Certo - disse o Ron . - Vamos , Harry , eu durmo em o ... Ron ganhou uma cor de um pálido esverdeado , os olhos fixos em a casa . Os outros três fizeram meia volta . Mrs._Weasley avançava por o pátio , afugentando as galinhas e , para uma mulher baixa , roliça e simpática , era fantástico como conseguia parecer se com um tigre dentes-de-sabre . - Ah ! - suspirou o Fred . - Oh , oh ! - exclamou o George . Mrs._Weasley parou em frente de eles . As mãos em as ancas , saltando de um olhar culpado para o outro . Usava um avental a as flores , com uma varinha a sair lhe de o bolso . - Com que então - disse . - Bom dia , mãe - arriscou o George com uma voz que tentou que fosse alegre e bem-disposta . - Vocês têm alguma ideia de como tenho estado preocupada ? - perguntou Mrs._Weasley em um murmúrio fraco . - Desculpe , mãe , mas sabe , nós tivemos que ... Os três filhos de Mrs._Weasley eram mais altos do_que ela , mas tremiam quando a fúria de a mãe se abatia sobre eles . - Camas vazias ! Nem um bilhete ! O carro desaparecido ... Podiam ter tido um acidente , estou fora de mim com tanta preocupação e vocês nem se importam ... nunca , enquanto eu for viva ... esperem só até o vosso pai chegar , nunca tivemos problemas de estes com o Bill , com o Charlie ou com o Percy ... - O perfeito Percy - resmungou Fred . - : __ tu não vales um dedo de a mão de o __ percy ! - gritou Mrs._Weasley , espetando um dedo em o queixo de o Fred . - Podias ter morrido , podias ter sido visto , podias ter feito com que o teu pai perdesse o emprego ... Parecia nunca mais acabar . Mrs._Weasley tinha gritado até ficar ronca , antes de se voltar para o Harry , que recuou . - Estou muito contente por te ver , Harry - disse . - Entra e vem tomar o pequeno-almoço . Ela voltou se e regressou a casa e Harry , depois de trocar um olhar nervoso com o Ron , que lhe acenou , encorajando o , seguiu a . A cozinha era pequena e bastante estreita . A meio havia uma enfezada mesa de madeira e cadeiras em volta e Harry sentou se a a beirinha de o assento , olhando em volta . Era a primeira vez que entrava em uma casa de feiticeiros . O relógio em a parede em frente de ele , tinha apenas um ponteiro e nenhum número . Em volta , estavam escritas frases como « Hora de fazer o chá » , « Hora de dar de comer a as galinhas « e « Estás atrasado » . Empilhados em o rebordo de a lareira estavam livros com títulos como * _ Encanta o teu próprio queijo , Encantamento em a cozedura de o pão e Banquetes em um minuto - é mágico * ! E , a menos que os ouvidos de Harry estivessem a traí o , o velho rádio próximo de o lava-loiças acabara de anunciar que a seguir vinha a Hora de enfeitiçar com a popular feiticeira-cantora Celestina_Warbeck . Mrs._Weasley fazia barulho com os talheres , preparando o pequeno-almoço um bocado a o acaso , lançando olhares furiosos a os filhos , enquanto lançava as salsichas em a frigideira . De vez em quando murmurava coisas como : « Não sei o que vos passou por a cabeça « ou « nunca devia ter confiado em vocês » . - Eu não te culpo , filho - tranquilizou Harry , pondo lhe sete ou oito salsichas em o prato . - Eu e o Arthur temos estado preocupados contigo . Ainda ontem a a noite estivemos a dizer que te iríamos buscar nós próprios se não respondesses a o Ron até sexta-feira . Mas , em a verdade ( estava agora a acrescentar três ovos estrelados a o prato de ele ) , atravessar metade de o país a voar em um carro ilegal , qualquer um vos poderia ter visto ... Agitou maquinalmente a varinha em a direcção de o lava-loiças , onde a loiça começou a lavar se sozinha , tinindo baixinho lá atrás . - Estava enevoado , mãe ! - exclamou o Fred . - Boca fechada enquanto comes ! - interrompeu Mrs._Weasley . - Eles estavam a fazê o passar fome , mãe ! - disse o George . - E tu também ! - disse Mrs._Weasley , mas já foi com uma expressão mais doce que começou a cortar o pão para Harry e a barrá o com manteiga . Em esse momento , as atenções voltaram se para um pequenino volto de cabelos ruivos , em uma camisa de dormir até a os pés , que surgiu em a cozinha , deu um grito agudo e desapareceu de_novo . - É a Ginny - disse Ron baixinho a o Harry -- , a minha irmã . Tem falado de ti todo o Verão . - Sim , ela vai querer o teu autógrafo , Harry - riu se o Fred , mas o seu olhar cruzou se com o de a mãe e inclinou se para o prato , não voltando a abrir a boca . Ninguém falou até os quatro pratos estarem limpos , o que sucedeu a uma velocidade surpreendente . - Bolas , estou cansado - bocejou Fred , pousando a faca e o garfo . Acho que me vou deitar e ... - Não vais , não senhor - interrompeu Mrs._Weasley . - A culpa é tua se ficaste toda_a noite acordado . Vais fazer a des-gnomização de o jardim . Eles estão outra_vez a exagerar . - Oh , mãe ... - E vocês os dois o mesmo - dirigiu se a o Ron e a o Fred . - Tu podes ir para a cama , filho - disse a Harry . - Não lhes pediste que guiassem aquele carro miserável . Mas Harry , que se sentia acordadíssimo , respondeu prontamente : - Eu ajudo o Ron , nunca vi uma des-gnomização ... - É muito simpático de a tua parte , querido , mas é um trabalho chato - explicou Mrs._Weasley . - Vejamos o que o Lockhart tem a dizer acerca disto . E puxou de o rebordo de a lareira um livro pesadíssimo . George resmungou : - Mãe , nós sabemos * des-gnomizar * o jardim . Harry olhou para a capa de o livro de Mrs._Weasley . Em grandes letras douradas , que ocupavam grande parte de a capa , podia ler se Guia_de_Gilderoy_Lockhart para pragas caseiras . Via se também a grande fotografia de um feiticeiro bem-parecido , de cabelos loiros ondulados e olhos azuis brilhantes . Como sempre , em o mundo de os feiticeiros , a fotografia mexia se . O feiticeiro , que Harry calculou ser Gilderoy_Lockhart , não parava de lhes piscar os olhos descaradamente . Mrs._Weasley sorriu lhe . - Oh , ele é fantástico - disse . - Conhece bem as pragas caseiras . É um livro maravilhoso . - A mãe adora o - disse Fred em um murmúrio bastante audível . - Não sejas ridículo , Fred - repreendeu Mrs._Weasley com as bochechas coradas . - É claro que se achas que sabes mais do_que o Lockhart , podes ir fazer o trabalho e ai de ti se houver um único gnomo em o jardim quando eu for fazer a inspecção . A bocejar e a resmungar , os Weasley arrastaram se lá para fora com Harry atrás de eles . O jardim era grande e , em a opinião de Harry , exactamente como deveria ser um jardim . Os Dursleys não teriam gostado . Havia uma enorme quantidade de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada , mas havia árvores nodosas em volta de as paredes , plantas que Harry nunca vira , tombando de todos os canteiros e um grande lago verde cheio de rãs . - Os Muggles também têm gnomos de jardim , sabes - disse o Harry a o Ron , enquanto atravessavam a relva . - Sim , já vi essas coisas que eles pensam que são gnomos - disse o Ron todo dobrado , com a cabeça em uma moita de peónias . - Como os Pais_Natais gordinhos com canas de pesca ... Houve um tumulto ruidoso , a moita de peónias estremeceu e Ron endireitou se . - Isto_é um gnomo - declarou com um ar sério . - Larga eu ! Larga eu ! - guinchou o gnomo . Não se parecia em absoluto com o Pai_Natal . Era pequenino e parecia de couro , com uma grande cabeça protuberante e calva , precisamente como uma batata . Ron agarrou o a a distância de um braço , enquanto ele dava pontapés em o ar com os seus pézinhos que pareciam chifres . Agarrou o por os tornozelos e voltou o de pernas para o ar . - Isto_é o que tens de fazer - disse . Levantou o gnomo acima de a cabeça ( Larga eu ! ) e começou a balouçá o em grandes círculos , como os vaqueiros fazem com os laços . A o ver a expressão chocada de Harry , Ron explicou : - Não os mágoa . Só tens de os deixar bem tontos para que consigam encontrar o caminho de regresso a os buracos de os gnomos . Largou os tornozelos de o gnomo . Ele voou seiscentos metros e aterrou com um ruído surdo em o campo a o lado de a sebe . - Deplorável - afirmou o Fred . - Aposto que consigo lançar o meu para_além de aquele tronco . Harry aprendeu rapidamente a não sentir muita pena de os gnomos . Decidira largar o primeiro que apanhou para_além de a sebe , mas o gnomo , sentindo fraqueza , enfiou os seus dentinhos , aguçados como laminas , em o dedo de o Harry e não foi fácil sacudi o para ele o largar , até que ... - Uau , Harry , esse deve ter sido seiscentos metros ... O ar estava subitamente cheio de gnomos voadores . - Vês , eles não são muito espertos - afirmou o George , agarrando cinco ou seis de uma_vez . - Em o momento em que se apercebem que começou a * des-gnomização * , aparecem todos para espreitar . Era de esperar que já tivessem aprendido a ficar quietinhos . Rapidamente a multidão de gnomos começou a ir se embora , atravessando os campos em uma fila ordenada , com os pequeninos ombros arqueados . - Eles voltam - disse o Ron enquanto os via desaparecer em a sebe de o outro lado de o campo . - Eles adoram estar aqui ... o pai é muito mole com eles , acha lhes piada . Em esse momento , a porta de a frente bateu . - Ele já voltou ! - exclamou o George . - O pai já está em casa ! Apressaram se a entrar . Mr._Weasley tinha se afundado em uma de as cadeiras de a cozinha , sem óculos e com os olhos fechados . Era um homem magro , quase calvo , mas o pouco cabelo que tinha era tão ruivo como o de os filhos . Vestia um longo manto verde cheio de pó e estava cansado de a viagem . - Que noite - murmurou , tacteando em busca de o bule , enquanto todos se sentavam a a volta de ele . - Nove assaltos , nove ! E o velho Mundungs_Fletcher tentou lançar me um feitiço quando eu estava de costas . Mr._Weasley tomou um bom gole de chá e suspirou . - Encontrou alguma coisa , pai ? - perguntou Fred ansiosamente . - Só encontrei algumas chaves encolhidas e uma chaleira que mordia - bocejou Mr._Weasley . - Havia um material bastante mauzinho , mas não era de o meu departamento . O Mortlake foi levado para ser interrogado sobre uns furões extremamente antigos , mas isso pertence a a Comissão_dos_Feitiços_Experimentais , graças_a Deus . - Por_que é_que alguém ia dar se a o trabalho de fazer encolher chaves ? - perguntou George . - Para chatear os Muggles - suspirou Mr._Weasley . - Vende se lhes uma chave que não pára de encolher , até que desaparece , de_modo_a que nunca a encontrem quando precisam ... É claro que é muito difícil condenar alguém , porque nenhum Muggle é capaz de admitir que a sua chave está a encolher , insistem em que estão sempre a perdê a . Benditos sejam , vão até onde for preciso para ignorar a magia , mesmo_que ela esteja em frente de os seus narizes ... mas vocês não acreditariam em as coisas que o nosso grupo tem levado para enfeitiçar ... - : __ como carros , por __ exemplo ? Mrs._Weasley tinha aparecido , segurando um grande atiçador que parecia uma espada . Os olhos de Mr._Weasley abriram se de repente , fitando a mulher com um ar culpado . - C-carros , Molly querida ? - Sim , Artur , carros - afirmou Mrs._Weasley , os olhos a faiscar . - Imagina um feiticeiro a comprar um carro velho e enferrujado e dizer a a mulher que a única coisa que queria fazer com ele era desmontá o para ver como ele funcionava , enquanto em a verdade estava a enfeitiçá o para o fazer voar . Mr._Weasley piscou os olhos . - Bem , querida , acho que poderás constatar que não é ilegal fazer isso , embora , er , talvez ele devesse ter contado a verdade a a mulher ... Existe uma forma de tornear a lei , já_que ela diz que ... desde_que não se tenha a * intenção * de voar em o carro , o facto de ele poder voar , não ... - Arthur_Weasley tu arranjaste essa forma de tornear a lei quando a escreveste ! - gritou Mrs._Weasley . - Para poderes continuar a remexer em todo aquele lixo de os Muggles que tens em a arrecadação ! E , para tua informação , o Harry chegou hoje_de_manhã em o carro que tu não pretendias pôr a voar ! - Harry ? - perguntou Mr._Weasley sem expressão . - Qual Harry ? Olhou em volta , viu Harry e deu um salto . - Santo_Deus , é Harry_Potter ? Muito prazer , o Ron falou nos tanto de si ... - * _ O teu filho conduziu aquele carro até a a casa de o Harry e de volta até aqui em a noite passada ! * - gritou Mrs._Weasley . - O que tens a dizer a esse respeito ? - A sério ! ? - exclamou Mr._Weasley com vivacidade . - Correu tudo bem , quero dizer ... - vacilou a o ver os olhos de Mrs._Weasley que faiscavam . - Er , fizeram mal , rapazes , muito mal , mesmo ... - Vamos deixá os a os dois - murmurou o Ron , enquanto Mrs._Weasley inchava como um sapo gigantesco . - Vamos , vou mostrar te o meu quarto . Esgueiraram se de a cozinha e desceram uma passagem estreita que dava para uma escada desnivelada que ziguezagueava a o longo de a casa . Em o terceiro andar , estava uma porta entreaberta . Harry só teve tempo de ver um par de olhos castanhos brilhantes que o olhavam fixamente , antes de a porta se fechar com um estalido . - A Ginny - disse o Ron . - Não imaginas como é estranho vês a tão tímida , ela que quase nunca se cala ... Subiram mais dois andares , até chegarem a uma porta com a tinta a descascar e uma pequena placa dizendo : « Quarto_do_Ronald » . Harry entrou . A cabeça quase tocava em o tecto inclinado . Piscou os olhos . Era como entrar dentro_de uma fornalha : quase tudo em o quarto de o Ron tinha um violento matiz alaranjado : a colcha de a cama , as paredes , até o tecto . Em seguida , apercebeu se de que o Ron tinha coberto cada centímetro de o velho papel de parede com * posters * de as mesmas sete feiticeiras e feiticeiros , todos vestidos com brilhantes mantos cor de laranja , transportando vassouras e acenando entusiasticamente . - A tua equipa de Quidditch ? - perguntou Harry . - Os Chudley_Cannons - disse Ron , apontando para a colcha cor de laranja que tinha um brasão com dois C's gigantes e uma bala de canhão a_toda_a velocidade . - Nono em a Liga . Os livros de estudo de feitiços de Ron estavam empilhados desordenadamente a um canto , junto de um monte de B. _ D. , todas elas relativas a as * _ Aventuras_de_Martin_Miggs , o Muggle louco * . A varinha mágica de o Ron estava em_cima_de um aquário cheio de ovos de rã sobre o peitoril de a janela , junto de o seu rato gordo e cinzento , Scabbers , que dormia uma soneca a o sol . Harry passou por_cima_de um baralho de cartas de jogar com vontade própria , que estava caído em o chão , e olhou para fora de a janelinha . Em o campo , não muito longe , podia ver um grupo de gnomos a esgueirarem se , um a um , de_novo para a sebe de os Weasley . Em seguida , voltou se para Ron que o observava nervoso , como_se esperasse a opinião de ele . - É um_pouco pequeno - declarou o Ron muito depressa . - Não se parece nada com o quarto que tu tinhas em casa de os Muggles . E estou mesmo debaixo de o vampiro de o sótão . Ele anda sempre a bater nos canos e a gemer ... Mas Harry , com um grande sorriso , disse lhe : - Esta é a melhor casa em que eu já estive . As orelhas de Ron ficaram cor-de-rosa . IV_Na_Flourish and Blotts_A vida em a Toca era o mais diferente que é possível de a vida em Privet_Drive . Os Dursleys gostavam de tudo limpo e arrumado , em casa de os Weasleys explodia o estranho e o inesperado . Harry teve um choque de a primeira vez que olhou para o espelho que estava sobre a lareira de a cozinha e ele gritou : - Mete para dentro a camisa , * desmazelado ! * - O vampiro de o sótão gemia e batia nos canos , sempre_que sentia as coisas demasiado calmas e as pequenas explosões em o quarto de o Fred e de o George , eram consideradas perfeitamente normais . Mas o que o Harry achou mais bizarro em a vida em casa de o Ron , não foi o espelho que falava , nem o vampiro barulhento , foi o facto de todos ali em casa parecerem gostar de ele . Mrs._Weasley preocupava se com o estado de as suas meias e tentava obrigá o a servir se quatro vezes a cada refeição . Mr._Weasley gostava que Harry se sentasse a o lado de ele a a mesa para poder bombardeá o com perguntas sobre a vida com os Muggles , pedindo que lhe explicasse como funcionavam coisas como as canalizações e o serviço de os correios . - Fascinante ! - exclamava , enquanto Harry lhe explicava a utilização de o telefone . - Engenhoso , de facto , todas_as maneiras que os Muggles encontraram para passar sem a magia . Harry teve notícias de Hogwarts em uma manhã de sol , cerca de uma semana depois de ter chegado a a Toca . Quando , ele e o Ron desceram para tomar o pequeno-almoço , encontraram Mr. e Mrs._Weasley e Ginny já sentados a a mesa . Em o momento em que viu o Harry , Ginny entornou a tigela de os cereais , que caiu a o chão com grande espalhafato . Ginny entornava facilmente coisas sempre_que o Harry estava em a sala . Mergulhou debaixo de a mesa para apanhar a tigela e emergiu com o rosto a brilhar como o sol poente . Fingindo não ter dado por nada , Harry sentou se e aceitou a torrada que Mrs._Weasley lhe ofereceu . - Cartas de a escola - disse Mr._Weasley , passando a o Harry e a o Ron envelopes idênticos de pergaminho amarelado , com a morada escrita a tinta verde . - O Dumbledore já sabe que estás aqui , Harry , não perde nada aquele homem . Vocês os dois também - acrescentou , enquanto Fred e George deambulavam em a casa , ainda em pijama . Fez se silêncio durante alguns momentos , enquanto liam as respectivas cartas . A de o Harry dizia para apanhar o Expresso_de_Hogwarts , como sempre em a Estação_de_King's_Cross , em o dia_1_de_Setembro . Havia ainda uma lista de os livros que precisaria para o próximo ano . Os alunos de o segundo ano deverão ter : * _ O_Livro_Padrão_de_Feitiços , Grau 2 , por Miranda_Goshawk . * _ Ensinamentos_de_Uma_Fada_Carpideira , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Férias com Bruxas , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Duendes , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Lobisomens , por Gilderoy_Lockhart . * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves , por Gilderoy_Lockhart * . Fred , que terminara a sua própria lista , espreitou para a de o Harry . - Também te mandam comprar os livros de o Lockhart - disse . - A professora de defesa contra as artes negras deve ser fanática . Aposto que é uma bruxa . Nessa_altura , Fred percebeu o olhar de a mãe e apressou se a comer o doce de laranja . - Esse conjunto não vai ficar barato - disse George , olhando rapidamente para os pais . - Os livros de o Lockhart são de os mais dispendiosos ... - Cá nos havemos de arranjar - declarou Mrs._Weasley , mas parecia preocupada . - Espero que pelo_menos para a Ginny possamos arranjar uma data de coisas em segunda mão . - Ah , vais entrar este ano para Hogwarts ? - perguntou lhe Harry . Ela fez um aceno , corando até a a raiz de os cabelos ruivos e meteu o cotovelo em o pires de a manteiga . Felizmente ninguém deu por nada , a não ser o Harry , porque em esse momento o irmão mais velho de Ron , o Percy , entrou . Já estava vestido , com a placa de prefeito aplicada a a sua camisola de malha . - Bom dia a todos - disse , cheio de vivacidade . - Está um dia lindo . Puxou a única cadeira livre , mas deu um salto quando ia sentar se e , debaixo de ele , saltou um espanador cinzento de penas , pelo_menos , foi o que o Harry pensou até ver que ele respirava . - Errol ! - exclamou Ron , afastando a coruja de o Percy e retirando lhe debaixo de a asa uma carta . - Até que enfim , a resposta de a Hermione . Escrevi lhe a contar que íamos tentar raptar te de casa de os Dursleys . Levou Errol para um poleiro que havia junto a a porta de as traseiras e tentou colocá a lá em cima , mas Errol caiu redonda e Ron teve de a pôr em a pia , murmurando : - Patético . - Em seguida , abriu a carta de a Hermione e leu a em voz alta . * _ Querido_Ron e Harry , se aí estiveres . Espero que tudo tenha corrido bem , que o Harry esteja O. _ K. e que não tenham feito nada ilegal para conseguir trazes o , porque isso podia criar lhe problemas também a ele . Tenho estado muito preocupada e , se o Harry estiver bem , por favor digam me qualquer coisa rapidamente , mas talvez seja melhor usarem uma nova coruja , porque acho que outra entrega pode acabar como esta . * _ Estou muito atarefada com trabalho de a escola , claro * . - Como é possível ? - perguntou Ron , horrorizado . - Estamos em férias ! - * _ E vamos para Londres em a próxima quarta-feira para comprar os meus livros novos . Porque não nos encontramos em a Diagon-al ? * _ Dêem-me notícias vossas o mais depressa possível . * _ Carinhosamente_Hermione * - Bem , parece uma boa solução , podemos ir todos comprar as vossas coisas - disse Mrs._Weasley , começando a limpar a mesa . - O que vão fazer hoje ? Harry , Ron , Fred e George tinham planeado ir a o cimo de o monte a um pequeno cercado de cavalos que os Weasleys possuíam . Estava rodeado de árvores que lhe tapavam a vista de a cidade cá em baixo , o que quer_dizer que podiam praticar Quidditch , desde_que não voassem muito alto . Não podiam usar as verdadeiras bolas de Quidditch pois seria muito difícil explicar se elas escapassem e voassem sobre a cidade . Em vez de elas , lançavam maçãs para os outros apanharem . Faziam turnos para montar a Nimbus dois_mil , que era de longe a melhor vassoura . A velha Shooting_Star_de_Ron fora muitas_vezes ultrapassada por as borboletas que passavam . Cinco minutos mais tarde estavam a marchar por o monte acima , de vassouras a o ombro . Tinham perguntado a o Percy se ele queria juntar se a eles , mas ele alegara muito trabalho . Até esse dia , Harry só tinha visto Percy a a hora de as refeições , ele ficava em silêncio em o quarto o resto de o tempo . - Gostava de saber o que ele anda a fazer - afirmou Fred , de testa franzida . - Não parece o mesmo . O resultado de os exames veio um dia antes de tu chegares : doze N_F_V e ele nem se manifestou satisfeito . - Níveis_de_Feitiçaria_Vulgares - explicou o George , vendo o olhar atarantado de Harry . - Se não temos cuidado , ainda nos calha outro Chefe_de_Turma em a família . Acho que não suportaria a vergonha . Bill era o mais velho de os irmãos Weasley . Ele e o irmão a seguir , Charlie , já tinham saído de Hogwarts . Harry não conhecia nenhum de os dois , mas sabia que o Charlie estava em a Roménia a estudar dragões e o Bill em o Egipto a trabalhar em o banco de os feiticeiros : Gringotts . - Não sei como o pai e a mãe vão arranjar dinheiro para nos pagar o material escolar este ano - disse o George , passado um bocado . - Cinco conjuntos de livros de o Lockhart ! E a Ginny precisa de mantos e de uma varinha e tudo_isso ... Harry não disse nada . Sentiu se um_pouco incomodado . Fechada em um cofre subterrâneo , em o banco de Gringotts_de_Londres , estava uma pequena fortuna que os pais lhe tinham deixado . É claro que só tinha esse dinheiro em o mundo de os feiticeiros , não se podem usar Galeões , Leões e Janotas em as lojas de os Muggles . Ele nunca fizera referência a a sua conta bancária em Gringotts a os Dursleys . Não lhe parecia que o horror que eles sentiam por tudo_o_que se relacionava com a feitiçaria se estendesse a uma enorme pilha de barras de ouro . Mrs._Weasley acordou os a todos bem cedo , em a quarta-feira seguinte . Depois de comerem umas doze sanduíches de * bacon * cada_um , enfiaram os casacos e Mrs._Weasley tirou um vaso de a prateleira de o fogão de a cozinha e espreitou lá para dentro . - Está a acabar se , Arthur - suspirou . - Temos de comprar mais hoje ... Bem , os hóspedes primeiro . Passa , Harry querido ! E ofereceu lhe o vaso de flores . Harry olhou espantado enquanto todos eles o observavam . - O q-que é_que eu devo fazer ? - gaguejou . - Ele nunca viajou com o pó de Floo - disse o Ron subitamente . - Desculpa , Harry , esqueci me . - Nunca ? - perguntou Mrs._Weasley . - Mas então como chegaste a a Diagon - _ Al em o ano passado para comprar as tuas coisas ? -- Fui por o subterrâneo . - A sério ? - disse Mr._Weasley , entusiasmado . - Havia fugitivos ? Como é_que ... - Agora não , Arthur - disse Mrs . Weasley . - O pó de Floo é muito mais rápido , querido , mas , valha me Deus , se ele nunca o usou ... - Vai correr bem , mãe - disse o Fred . - Harry observa nos primeiro . Tirou uma pitada de pó brilhante de dentro de o vaso , aproximou se de o lume e lançou o pó em as chamas . Com um rugido , o fogo ficou verde-esmeralda e elevou se a uma altura superior a a de o Fred que avançou , gritando Diagon - _ Al ! E desapareceu . - Tens de falar claramente , filho - disse Mrs._Weasley a o Harry , ao_mesmo_tempo que George metia a mão em o vaso de as flores . - E vê se sais em o fogão certo . - Em o quê ? - perguntou Harry , nervoso , enquanto o lume crepitava e fazia George desaparecer também . - Bem , há imensos fogos de feiticeiros , mas desde_que te tenhas expressado claramente ... - Ele vai conseguir , Molly , não te preocupes - disse Mr._Weasley , tirando também ele algum pó . - Mas querido se ele se perde como é_que vamos justificar nos perante o tio e a tia de ele ... -- Eles não se importariam - tranquilizou a Harry . - O Dudley ia achar imensa piada se eu me perdesse em uma chaminé , não se preocupe . - Bem , em esse caso ... tu vais a seguir a o Arthur - disse Mrs._Weasley . - Logo_que entres em o fogo diz para_onde queres ir . - E mantém os cotovelos dobrados - preveniu o Ron . - E os olhos fechados - disse Mrs._Weasley . - A fuligem . - Não te enerves - disse o Ron . - Senão podes ir parar a a lareira errada . - Não entres em pânico e não queiras sair cedo de mais . Espera até veres o Fred e o George . Fazendo um enorme esforço por reter toda aquela informação , Harry tirou uma pitada de pó de Floo e avançou para a beirinha de o fogo . Respirou fundo , espalhou o pó em as chamas e entrou . O fogo parecia uma brisa quente . Abriu a boca e engoliu , de imediato , uma grande quantidade de cinzas quentes . D-dia-gon-al - tossiu . Sentiu se como_se estivesse a ser sugado para um buraco gigantesco . Como_se girasse muito depressa ... o ruído era ensurdecedor . Tentou manter os olhos abertos mas o turbilhão de chamas verdes fê lo enjoar ... algo duro bateu lhe em o cotovelo e dobrou o de imediato . Continuava a rodar , a rodar ... sentia se agora como_se várias mãos frias estivessem a bater lhe em a cara ... Espreitando através de os óculos , viu uma torrente imprecisa de fogões e captou lampejos de as salas que estavam por detrás ... as sanduíches de * bacon * davam lhe a volta dentro de o estômago ... fechou os olhos desejando que tudo aquilo parasse e então caiu , de cara em o chão , em a pedra fria e sentiu os óculos partirem se a os bocados . Desorientado e ferido , coberto de fuligem , pôs se cautelosamente de pé , levando a os olhos os óculos partidos . Estava completamente só e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava . Tudo_o_que podia dizer era que a o seu lado via uma lareira que lhe parecia ser a de uma enorme e indistinta loja de feitiçaria . Mas nenhum de os artigos que ali se encontravam tinham aspecto de fazer parte de a lista de a escola de Hogwarts . Em uma caixa de vidro podia ver se uma mão atrofiada que repousava sobre uma almofada , um baralho de cartas ensanguentado e um olho de vidro que o olhava fixamente . Máscaras de expressão maldosa enchiam as paredes , olhando de esguelha , uma enorme quantidade de ossos humanos estendia se sobre o balcão e , de o tecto , pendiam instrumentos aguçados com pontas de ferro e pregos enferrujados . Mas o pior é_que a rua estreita e escura , que Harry conseguia avistar através de a janela poeirenta de a loja , não era de modo algum a Diagon-al . Quanto_mais depressa saísse de ali , melhor . O nariz ainda a doer lhe em o sítio onde batera em o chão a o aterrar , Harry avançou rápida e silenciosamente em direcção a a porta , mas antes de conseguir chegar a meio caminho , duas pessoas apareceram de o lado de_fora de o vidro , e uma de elas era a última pessoa que Harry desejaria encontrar em o momento em que se encontrava perdido , coberto de fuligem e com os óculos partidos , Draco_Malfoy . Harry olhou rapidamente em volta e apercebeu se de a existência de um grande armário escuro a a sua esquerda , saltou lá para dentro e fechou as portas , deixando uma gretazinha para poder espreitar . Segundos depois , uma campainha tocava e Malfoy entrava em a loja . O homem que o acompanhava só podia ser o pai . Tinha o mesmo rosto pálido de feições agudas e os mesmos olhos cinzentos de gelo . Mr._Malfoy atravessou a loja , olhando maquinalmente para os artigos expostos e tocou a campainha de o balcão , antes de se voltar para o filho , dizendo : - Não mexas em nada , Draco . Malfoy , que vira o olho de vidro , disse : - Pensei que ias oferecer me um presente . - Eu prometi que ia comprar te uma vassoura de corrida - declarou o pai , tamborilando com os dedos sobre o balcão . - Para que é_que me serve , se não estou em a equipa de Quidditch ? - perguntou Malfoy , carrancudo e de mau humor . - O Harry_Potter teve uma Nimbus dois_mil o ano passado , com a autorização especial de o Dumbledor é para jogar em os Gryffindor . Ele nem é assim tão bom , é só por ser * famoso * ... famoso por ter uma estúpida cicatriz em a testa . Malfoy baixou se para observar uma prateleira cheia de crânios . - Todos acham que ele é tão esperto , o Potter maravilha , com a sua cicatriz e a sua vassoura ... - Já me disseste isso doze vezes pelo_menos - comentou Mr._Malfoy , olhando repressivamente para o filho . - E devo lembrar te que não é prudente parecer menos do_que amigo de Harry_Potter , quando a maior parte de a nossa gente vê em ele um herói que fez desaparecer o Senhor_do_Mal . Ah , Mr._Borgin . Um homem curvado surgiu por detrás de o balcão , puxando o cabelo gorduroso para trás . - Mr._Malfoy , que prazer vês o de_novo - disse Mr._Borgin , em uma voz tão untuosa como o cabelo . - Encantado , e o nosso jovem Malfoy também , encantado . Em que posso servi os ? Tenho que vos mostrar o que chegou hoje , a um preço muito razoável ... - Hoje não venho comprar , Mr._Borgin , e sim vender - afirmou Mr._Malfoy . - Vender ? - O sorriso apagou se lentamente em o rosto de Mr._Borgin . - Certamente ouviu dizer que o Ministério está a levar a cabo mais buscas - explicou o Mr._Malfoy , retirando de o bolso um rolo de pergaminho e desembrulhando o para Mr._Borgin o ler . - Eu tenho alguns , ah , artigos em casa que poderiam criar me problemas se o Ministério me batesse a porta . Mr._Borgin colocou em o nariz um par de * pince-nez * e olhou para a lista . - O Ministério não se lembraria de o incomodar certamente ... O lábio de Mr._Malfoy dobrou se . - Ainda não me fizeram nenhuma visita . O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito , mas o Ministério está a ficar cada_vez_mais intrometido . Há boatos sobre um novo decreto de protecção de os Muggles , sem dúvida que aquele mordido de as pulgas , adorador de os Muggles , que é o Arthur_Weasley deve estar por detrás de isso . Harry sentiu crescer a raiva . - E , como pode ver , alguns de estes venenos podiam dar a ideia ... - Compreendo perfeitamente , claro - disse Mr._Borgin . - Deixe me ver ... - Posso ter aquilo ? - interrompeu Draco , apontando para a mão raquítica que estava sobre a almofada . - Ah , a mão de a glória ! - exclamou Mr._Borgin , abandonando a lista de Mr._Malfoy e apressando se a responder a Draco . - Põe se lhe uma vela e ela só dá luz a quem a transporta ! A melhor amiga de os gatunos e de os salteadores , o seu filho tem gosto , senhor . - Espero que o meu filho venha a ser mais do_que gatuno ou salteador , Borgin - disse Mr._Malfoy friamente e Mr._Borgin respondeu logo : - Sem ofensa , senhor , sem querer ofender . - Embora , se as notas de a escola não melhorarem - disse Mr._Malfoy ainda mais friamente - esse possa vir a ser o único caminho possível para ele . - Não tenho culpa - retorquiu Draco . - Todos os professores têm os seus preferidos , aquela Hermione_Granger ... - Eu , em o teu lugar , teria vergonha que uma rapariga que nem_sequer pertence a famílias de feiticeiros , me passasse a a frente em todos os exames - interrompeu Mr._Malfoy . Ah - fez Harry baixinho , radiante por ver Draco atrapalhado e furioso . - É o mesmo em todo o lado - comentou Mr._Borgin em a sua voz untuosa . - O sangue de os feiticeiros conta cada_vez menos ... - Não para mim - afirmou Mr._Malfoy , com as longas narinas dilatadas . - Não senhor , nem para mim - concordou Mr._Borgin , inclinando se em uma vénia . - Em esse caso , talvez possamos voltar a a minha lista - disse Mr._Malfoy secamente . - Estou com alguma pressa , Borgin , tenho ainda hoje assuntos importantes a tratar em outro lado . Começaram a discutir os preços . Harry via nervosamente o Draco aproximar se de o seu esconderijo enquanto observava os objectos a a venda . Parou para examinar um enorme rolo de corda de carrasco e para ver , com um sorriso afectado , o cartão preso com um aparatoso laço de opalas onde podia ler se : * _ Cautela , não tocar . Amaldiçoado - reclama as vidas de dezanove donos , todos eles Muggles * . Draco voltou se e viu o armário mesmo em frente . Avançou , estendeu a mão para o puxador ... - Feito - disse Mr._Malfoy , a o balcão . - Vamos , Draco . Harry limpou a testa a a manga quando Draco se afastou . - Muito bom dia , Mr._Borgin . Espero por si amanhã em a mansão para ir buscar a mercadoria . Em o momento em que a porta se fechou , Mr._Borgin abandonou os seus modos subservientes . « Bom dia para o senhor , Mr._Malfoy , e , se as histórias que contam são verdadeiras , não me vendeu nem metade do_que tem escondido em a sua mansão ... » Murmurando de forma taciturna , Mr._Borgin desapareceu em uma sala escura . Harry esperou um minuto não fosse ele voltar e , em seguida , o mais silenciosamente possível , escapou se de o armário , passou por as caixas de vidro e saiu de a loja . Encostando os óculos partidos a o rosto , olhou em volta . Saíra em uma rua estreita e sombria que parecia composta exclusivamente de lojas dedicadas a as artes negras . Aquela de onde acabava de sair parecia ser a maior , mas em frente estava uma montra tétrica de cabeças encolhidas e duas portas abaixo podia ver se uma enorme caixa viva cheia de gigantescas aranhas pretas . Dois feiticeiros com aspecto pobre observavam o de a sombra de uma porta , murmurando entre si . Sentindo se nervoso , Harry pôs se a caminho , tentando agarrar os óculos a direito e não desistindo de a esperança de encontrar maneira de sair de ali . Por um cartaz de madeira , pendurado em a rua , indicando uma loja de venda de velas envenenadas , ficou a saber que se encontrava em a Rua * _ Bativolta * , mas isso não o ajudou pois Harry nunca ouvira falar em tal lugar . Calculou que não tinha pronunciado bem as palavras com a boca cheia de cinzas em a lareira de os Weasley . Tentando manter a calma perguntou a si mesmo o que havia de fazer . - Não estás perdido , pois não , meu menino ? - perguntou uma voz , mesmo junto de o seu ouvido , que o fez dar um salto . Uma bruxa idosa estava em a sua frente , segurando um tabuleiro de uma coisa que se parecia horrivelmente com unhas humanas . A mulher olhou o maldosamente , mostrando os dentes esverdeados . Harry recuou . - Estou bem , obrigado - disse . - Estou só ... - HARRY ! O qu'é que pensas que estás a fazer aqui ? O coração de Harry deu um salto , assim_como o de a bruxa . Um monte de unhas caíram lhe sobre os pés e ela praguejou , enquanto o corpo enorme de Hagrid , o guarda de os campos de Hogwarts , se aproximava de eles a passos largos com os olhos castanhos-escuros a faiscarem sobre a longa barba eriçada . - Hagrid - gritou Harry , aliviado . - Eu estava perdido ... o pó de Floo ... Hagrid agarrou Harry por o cachaço e puxou o para longe de a bruxa , tirando lhe o tabuleiro de as mãos . Os guinchos agudos de a feiticeira seguiram nos até a o fundo de a ruela serpenteante que ia dar a um lagar onde brilhava o sol . Harry avistou a a distância um edifício de mármore branco como a neve que lhe era familiar : o banco de Gringotts . Hagrid conduzira o até a a Diagon - _ Al . - ` _ tás em um péssimo estado ! - disse Hagrid bruscamente , sacudindo lhe a fuligem com tanta força que Harry quase caiu em um barril de estrume de dragão que se encontrava a a porta de um boticário . - A fugir , em a Rua * _ Bativolta * , eu não conheço esse lugar finório , Harry , não quero que ninguém te veja aqui em baixo . - Já percebi - disse Harry , baixando se quando Hagrid fez menção de o escovar melhor . - Já te disse que estava perdido . E o que é_que tu fazes aqui ? - ` _ Tou a a procura d'um repelente para as lesmas comedoras de legumes - resmungou Hagrid . - ` _ tão a destruir as couves todas de a escola . Tu não estás sozinho ? - Estou em casa de os Weasley , mas separámo nos explicou Harry . - Tenho que os encontrar . Desceram juntos a rua . - Por_que é_que nunca respondeste a as minhas cartas ? - perguntou Hagrid , enquanto Harry corria para o acompanhar ( tinha de dar três passos por cada enorme passada de Hagrid ) . Harry explicou lhe tudo sobre Dobby e os Dursleys . - Malditos_Muggles - rugiu Hagrid . - S'eu tivesse sabido ... - Harry ! Harry ! Aqui ! Harry olhou para_cima e viu Hermione_Granger em o topo de a escadaria de Gringotts . Desceu para vir a o encontro de ele , o cabelo castanho de caracóis , a esvoaçar atrás de ela . - O que aconteceu a os teus óculos ? Olá_Hagrid ... Oh , é maravilhoso ver vos outra_vez . Vens a Gringotts , Harry ? - Logo_que encontre os Weasley - respondeu ele . - Não vais ter d'esperar muito - riu se Hagrid . Harry e Hermione olharam em volta . Subindo a rua , em o meio de a multidão , vinham Ron , Fred , George , Percy e Mr._Weasley . - Harry - chamou Mr._Weasley , ofegante . - Tínhamos esperança que só tivesses ido um fogão mais longe ... - passou um pano em a sua calva reluzente . - A Molly está nervosíssima , aí vem ela . - Onde é_que tu saíste ? - perguntou o Ron . - Em a Rua * _ Bativolta * - disse o Hagrid , com um ar sério . - Sensacional ! - exclamaram Fred e George ao_mesmo_tempo . - Nunca nos deram autorização para lá ir - disse o Ron com uma pontinha de inveja . - E fizeram muito bem - grunhiu Hagrid . Mrs._Weasley chegou em aquele momento a correr , a mala a balouçar em uma de as mãos e Ginny quase pendurada em a outra . - Oh Harry , oh meu querido , podias ter ido parar a qualquer lugar ... Tentando recuperar o fôlego , tirou de a mala uma grande escova de roupa e começou a retirar a fuligem que Hagrid não conseguira expulsar . Mr._Weasley pegou em os óculos de Harry , deu lhes um toque de varinha e entregou lhe os como novos . - Bem , tenho de m'ir embora - disse Hagrid cuja mão estava a ser esmagada por Mrs._Weasley ( -- Rua * _ Bativolta * ! Se não o tivesses encontrado , Hagrid ! ) . - Vemo nos em Hogwarts . - E afastou se , os ombros e a cabeça acima de a multidão que enchia completamente a rua . - Adivinham quem eu vi em o Borgin and Burkes ? - perguntou Harry_a_Ron e a Hermione enquanto subiam as escadarias de Gringotts . - Malfoy e o pai . - O Lucius_Malfoy comprou alguma coisa ? - perguntou interessado Mr._Weasley que estava atrás de eles . - Não , estava a vender . - Então está preocupado - comentou Mr._Weasley com visível satisfação . - Ah , eu adorava apanhar o Lucius_Malfoy em alguma . . - Tem cuidado , Arthur - interrompeu Mrs._Weasley enquanto o gnomo porteiro lhes dava reverentemente entrada em o banco . - Isso é um problema de família . Não queiras ter mais olhos que barriga . - Queres dizer com isso que achas que eu não chego para o Malfoy ? - perguntou Mr._Weasley , indignado , mas foi rapidamente afastado de aqueles sentimentos a o avistar os pais de Hermione que estavam de pé , nervosamente encostados a o balcão que acompanhava a grande parede de mármore , a a espera que Hermione os apresentasse . - Mas vocês são Muggles ! - disse Mr._Weasley , encantado . - Temos de tomar uma bebida . O que é isso aí ? Ah , estão a trocar dinheiro de Muggle . Molly , olha - apontou cheio de excitação para as notas de dez libras que Mr._Granger tinha em a mão . - Encontramo nos aqui - disse Ron_a_Hermione , enquanto os Weasley e Harry eram conduzidos a os seus cofres em o subterrâneo de Gringotts . Para chegar a os cofres havia que tomar umas carrinhas conduzidas por gnomos que se deslocavam ao_longo_de carris de comboio de pequenas dimensões através de os túneis subterrâneos de o banco . Harry gostou de a viagem acidentada até a o cofre de os Weasley , mas sentiu se bastante mal , pior do_que em a Rua * _ Bativolta * , quando o cobre foi aberto . Havia lá dentro um pequenino monte de Leões de prata e apenas um Galeão de ouro . Mrs._Weasley foi com a mão a a procura em os cantos antes de , com um gesto rápido , varrer tudo para dentro de o saco . Harry sentiu se ainda pior quando chegaram a o seu cofre . Tentou evitar que vissem o conteúdo enquanto empurrava apressadamente mãos cheias de moedas para dentro_de uma sacola de cabedal . Lá fora , em as escadarias de mármore , separaram se . Percy murmurou vagamente que precisava de uma nova pena de escrever . Fred e George tinham avistado um amigo de Hogwarts , Lee_Jordan . Mrs._Weasley e Ginny iam a uma loja de mantos em segunda mão , Mr._Weasley continuava a insistir em levar os Grangers a o Caldeirão_Escoante para lhes pagar uma bebida . - Encontrarmo nos todos em a Flourish and Blotts dentro_de uma hora para comprar os vossos livros de estudo - disse Mrs._Weasley , afastando se com Ginny . - E nem um passo em direcção a a Rua * _ Bativolta * - gritou a os gémeos que estavam de costas . Harry , Ron e Hermione deambularam por a rua empedrada e sinuosa . O ouro , prata e bronze que tilintavam alegremente em o saco que Harry tinha em o bolso pareciam exigir ser gastos , por isso ele comprou três enormes gelados de morango e manteiga de amendoim que eles devoraram felizes enquanto vagueavam sem destino por a rua fora , observando as montras fantásticas de as lojas . Ron olhou longamente para um conjunto completo de mantos de o Chudley_Cannon , em as montras de o « Equipamento_de_Quidditch_de_Qualidade » até Hermione o arrastar de ali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos . Em a « Jogos_de_Feitiçaria_de_Gambol and Japes » encontraram o Fred , o George e o Lee_Jordan que estavam presos em a fabulosa partida debaixo_de chuva e em os fogos-de-artifício de o Dr._Filibuster . E em uma pequenina loja de velharias cheia de varinhas partidas , balanças instáveis de latão e mantos velhos cobertos de nódoas de poções encontraram Percy profundamente concentrado em um pequenino livro , bastante chato , chamado * _ Prefeitos que conquistam o poder * . - * _ Um estudo sobre os prefeitos de Hogwarts e as suas posteriores carreiras * - leu alto o Ron em a contracapa . - Deve ser fascinante ... - Desaparece - gritou Percy . - Claro , ele é muito ambicioso , já tem tudo planeado . Quer ser ministro de a magia - disse o Ron baixinho a o Harry e a a Hermione , enquanto deixavam Percy entregue a o livro . Uma hora mais tarde dirigiram se a a Flourish and Blotts . Não eram de modo algum os únicos a encaminhar se para a livraria . À_medida_que se aproximavam viram com grande surpresa uma grande multidão a a porta , tentando entrar em a loja . O motivo de tal confusão estava anunciado em um cartaz que se estendia a o longo de a montra superior . GILDEROY_LOCKHART_Assinará exemplares de a sua autobiografia " eu , o mágico " Hoje 12.30 - 16.30 - Vamos poder conhecê o ! - gritou Hermione . - Quero dizer , ele escreveu quase todos os livros de a nossa lista ! A multidão parecia ser maioritariamente composta por bruxas de a idade de Mrs._Weasley . Um feiticeiro bem-parecido estava de pé junto de a porta , dizendo : - Calma , minhas senhoras , não empurrem , cuidado com os livros . Harry , Ron e Hermione conseguiram furar e entrar . Uma longa fila serpenteava para as traseiras de a loja onde Gilderoy_Lockhart estava a assinar os seus livros . Cada_um de eles pegou em um exemplar de * _ ensinamentos de Uma Fada_Carpideira * e escaparam se de a fila indo ter a o lugar onde se encontravam os outros com Mr. e Mrs._Granger . - Ah , aí estão vocês . _ óptimo - disse Mrs._Weasley que parecia estar com falta de ar e não parava de mexer em o cabelo . - Vamos poder vês o dentro_de um minuto . Gilderoy_Lockhart veio lentamente até um lugar onde era visível para todos , sentou se a uma mesa , rodeado de grandes fotografias de o próprio rosto , todo ele sorrisos , mostrando a a multidão o brilho cintilante de os seus dentes . Lockhart usava uma túnica azul-noite que condizia a as mil maravilhas com a cor de os olhos , o chapéu pontiagudo de feiticeiro colocado lateralmente sobre o cabelo ondulado . Um homenzinho pequenino e irritante andava a dançar de um lado para o outro , tirando fotografias com uma grande máquina preta que lançava baforadas de fumo arroxeado em cada * flash * . - Sai de o caminho , tu aí - disse rispidamente a o Ron , mudando de lugar para ter um angulo melhor . - Este é para o * _ Profeta_Diário * . - Grande coisa ! - exclamou o Ron , esfregando os pés em o lugar que o fotógrafo pisara . Gilderoy_Lockhart ouviu o . Olhou , viu o Ron e em seguida Harry . Voltou a olhar , desta_vez com mais atenção . Em seguida , pôs se de pé e gritou : - Não pode ser , o Harry_Potter ? A multidão dividiu se entre murmúrios de excitação . Lockhart aproximou se , agarrou Harry por um braço e levou o para a frente . A multidão rebentou em aplausos . A cara de Harry ardia quando Lockhart lhe apertou a mão para o fotógrafo que disparava como um louco , lançando fumo espesso para_cima de os Weasley . - Belo sorriso , Harry - disse Lockhart através de os seus dentes brilhantes . - Tu e eu juntos merecemos a primeira página . Quando por fim lhe largou a mão , Harry quase não sentia os dedos . Tentou recuar para junto de os Weasley , mas Lockhart lançou lhe um braço por os ombros e prendeu o a o seu lado . - Minhas senhoras e meus senhores - disse bem alto , fazendo sinal para que se acalmassem . - Que momento extraordinário este ! O momento perfeito para eu anunciar algo que tenho vindo a guardar comigo desde_há algum tempo . - Quando o jovem Harry entrou em a Flourish and Blotts hoje , ele queria apenas comprar a minha autobiografia , que tenho agora o maior prazer em oferecer lhe - a multidão aplaudiu de_novo . - Ele não tinha ideia - continuou Lockhart , dando a o Harry um pequeno encontrão que fez com que os óculos lhe escorregassem para a ponta de o nariz - de que ia conseguir em_breve muito mais do_que o meu livro Eu , o mágico . Ele e os seus colegas de a escola vão receber , de facto , o verdadeiro * _ Eu , o mágico * . Sim , minhas senhoras e meus senhores , tenho o maior prazer em anunciar que em o mês_de_Setembro assumirei o lugar de professor de Defesa contra as artes negras em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts ! A multidão aplaudiu e bateu palmas e Harry deu consigo a ser presenteado com a obra completa de Gilderoy_Lockhart . Cambaleando ligeiramente sob o peso de os livros conseguiu abrir caminho para longe de os projectores até a a porta de a sala onde estava Ginny com o seu novo caldeirão . - Podes ficar com estes - murmurou Harry , enfiando os livros em o caldeirão . - Eu vou comprar os meus . - Aposto que adoraste aquilo , não adoraste , Potter ? - disse uma voz que Harry não teve qualquer dificuldade em reconhecer . Endireitou se e deu consigo frente_a_frente com Draco_Malfoy que exibia o seu habitual sorriso escarninho . - O famoso Harry_Potter - disse Malfoy . - Nem_sequer pode entrar em uma livraria sem se tornar primeira página . - Deixa o em paz , ele não queria nada de isso - defendeu a Ginny . Era a primeira vez que falava em frente de Harry . Olhava para Malfoy com um ar feroz . - Potter , arranjaste uma namorada ! - disse arrastadamente Malfoy . Ginny ficou vermelha como um pimentão enquanto Ron e Hermione tentavam abrir caminho , ambos carregando montes de livros de Lockhart . -- Ah és tu ? - disse Ron , olhando para Malfoy como_se ele fosse algo desagradável colado a a sola de o sapato . - Aposto que te surpreendeu ver o Harry aqui ? - Não tanto como a ti em uma loja , Weasley - retorquiu Malfoy . - Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo . Ron ficou tão vermelho quanto Ginny . Deixou também cair os livros em o caldeirão e avançou para Malfoy , mas Harry e Hermione agarraram o por as costas de o casaco . - Ron - disse Mrs._Weasley , aproximando se com Fred e George . - O que estás a fazer ? Isto está uma loucura aqui dentro , vamos lá para fora . - Olha quem ele é , Arthur_Weasley . - Era_Mr._Malfoy . Estava de pé com a mão sobre o ombro de Draco , com o mesmo sorriso escarninho . -- Lucius - disse Mr._Weasley , acenando friamente . -- Muito trabalho em o ministério , segundo me consta - disse Mr._Malfoy . - Todas essas buscas ... espero que te estejam a pagar horas extraordinárias . Meteu a mão em o caldeirão de a Ginny e tirou de o meio de os livros de Lockhart um exemplar muito velho e muito gasto de o * _ Guia_de_Transfiguração_para_Principiantes * . - Parece que não - disse . - Que diabo , qual a vantagem de ser uma nódoa entre os feiticeiros se nem_sequer te pagam bem por isso ? Mr._Weasley corou mais ainda do_que Ron ou Ginny . - Nós temos uma opinião diferente sobre quem são as nódoas entre os feiticeiros - disse . - É claro que ... - disse Mr._Malfoy , os olhos mortiços passando para Mr. e Mrs._Granger apreensivamente . - As companhias com quem tu andas ... e eu que pensava que já não conseguias descer mais baixo ... Ouviu se um tilintar de metal quando o caldeirão de a Ginny foi por os ares . Mr._Weasley lançara se sobre Mr._Malfoy atirando o para dentro_de uma estante . Dezenas_de livros de feitiços saltaram lá de cima , caindo lhes sobre as cabeças . Houve um grito de - Chega lhe , pai ! - de o Fred e de o George . Mrs._Weasley soltava gritos agudos : - Não_Arthur , não . A multidão recuava deitando mais prateleiras a o chão . - Meus senhores , por favor - gritava o encarregado , e então , mais alto do_que todos : - Parem com isso , gente , parem com isso . Hagrid aproximava se através_de um mar de livros . Em um segundo afastou Mr._Weasley e Mr._Malfoy . Mr._Weasley tinha um lábio cortado e Mr._Malfoy fora agredido em um olho por uma * _ Enciclopédia_de_Cogumelos_Venenosos * . Tinha ainda em a mão o livro velho de a Ginny sobre transfiguração . Atirou lhe o , com os olhos a brilhar de malvadez . - Toma o teu livro , garota . É o melhor que o teu pai pode oferecer te . Libertando se de Hagrid , conduziu Draco para fora e abandonaram a livraria . - Devias tê o ignorado , Arthur - disse Hagrid quase a pegar em Mr._Weasley a o colo enquanto lhe endireitava o manto . - São podres até a a raiz , todos eles . Tod'à gente sabe . Nenhum Malfoy vale a pena ser ouvido . Não prestam , ' tá-lhes em o sangue . Vá lá , vamos sair de aqui . O encarregado parecia querer impedis os , mas , olhando bem para Hagrid , pensou melhor . Subiram a rua , os Grangers a tremer de medo e Mrs._Weasley fora de si . - Um belo exemplo para as crianças ... andar a a pancada em público . O que terá pensado Gilderoy_Lockhart ? - Ele gostou - disse o Fred . - Não o ouviram quando ia a sair ? Estava a perguntar a aquele tipo de o Profeta_Diário se conseguia incluir a briga em a reportagem , disse que era boa publicidade . Mas foi um grupo deprimido que regressou a a lareira de o Caldeirão_Escoante onde Harry , os Weasley e todas_as suas compras iriam viajar de volta até a a Toca , usando o pó de Floo . Despediram se de os Grangers que iam sair de o * pub * por a rua de os Muggles , de o outro lado . Mr._Weasley começou a perguntar lhes como funcionavam as paragens de autocarros , mas calou se rapidamente a o ver a expressão de Mrs._Weasley . Harry tirou os óculos e guardou os cautelosamente em o bolso antes de utilizar o pó de Floo . Definitivamente não era a sua forma ideal de viajar . V_O salgueiro zurzidor O fim de as férias de Verão chegou demasiado depressa para o gosto de Harry . Ele desejara muito regressar a Hogwarts , mas aquele mês em a Toca tinha sido o mais feliz de toda_a sua vida . Era difícil não invejar o Ron quando pensava em os Dursleys e em as boas-vindas que ia receber de a próxima vez que pusesse os pés em Privet_Drive . Em a última noite , Mrs._Weasley preparou um jantar magnífico , que incluía os pratos favoritos de Harry e terminava com um pudim de melaço de fazer crescer água em a boca . Fred e George alegraram a noite com uma exibição de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que saltaram de o tecto para as paredes , durante pelo_menos meia_hora . Depois , foi a altura de tomarem uma caneca de chocolate quente e irem para a cama . Em a manhã seguinte , demoraram muito_tempo a preparar se . Levantaram se com o cantar de o galo , mas parecia lhes que ainda tinham muito para fazer . Mrs._Weasley andava de um lado para o outro , mal-humorada , a a procura de meias e penas , chocavam uns com os outros em as escadas , meio vestidos , meio despidos , com pedaços de torrada em as mãos e Mr._Weasley quase partiu o nariz quando tropeçou em uma galinha a o atravessar o pátio , para meter em o carro a mala de Ginny . Harry não percebia lá muito bem_como é_que oito pessoas , seis grandes malas , duas corujas e um rato , iam caber em um pequeno * _ Ford_Anglia * , isso , claro , antes de as artes mágicas que Mr._Weasley acrescentara . - Nem uma palavra a a Molly - murmurou ele a o Harry , enquanto abria a bagageira e lhe mostrava como ela se expandira para que as malas coubessem facilmente . Quando , por fim , se acomodaram todos em o carro , Mrs._Weasley olhou para o banco de trás , onde Harry , Ron , Fred , George e Percy estavam confortavelmente sentados uns a o lado de os outros e disse : - Os Muggles têm mais conhecimentos do_que aqueles que nós lhes atribuímos , não achas ? - Ela e a Ginny entraram para o lugar de a frente , que fora esticado e parecia um banco de jardim . - Quer_dizer , de_fora ninguém diria que este carro era espaçoso , não acham ? Mr._Weasley pôs o motor a funcionar e saíram de o pátio , Harry voltando se para trás para ver por a última vez a casa . Mal teve tempo de se questionar se iria voltar alguma vez e já estavam de volta : George esquecera se de a caixa de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Cinco minutos mais tarde tiveram de interromper de_novo a viagem e voltar a o pátio para o Fred ir a correr buscar a vassoura . Estavam quase a chegar a a auto-estrada , quando Ginny guinchou que se esquecera de o diário . Mas estava a fazer se muito tarde e os ânimos começavam a exaltar se . Mr._Weasley olhou para o relógio e , em seguida , para a mulher . - Molly , querida ... - Não , Arthur . - Ninguém ia ver . Este botãozinho é um transformador de invisibilidade que eu instalei , levava nos por o ar , subíamos acima de as nuvens . Estaríamos lá em dez minutos e ninguém daria por nada ... - Eu disse que não , Arthur . Durante o dia , não . Chegaram a King's_Cross , faltava um quarto para as onze . Mr._Weasley precipitou se em busca de um carrinho de transporte para as malas e correram todos para a estação . Harry apanhara o Expresso_de_Hogwarts em o ano anterior . A parte mais difícil era entrar em a plataforma nove_e_três quartos , que não era visível a os olhos de os Muggles . Era preciso avançar para a barreira sólida que dividia as plataformas nove e dez . Não doía nada , mas tinha de ser feito com cuidado para que nenhum de os Muggles de esse , por o desaparecimento . - O Percy em primeiro lugar - declarou Mrs._Weasley , olhando nervosamente para o relógio lá em cima , que mostrava que tinham apenas cinco minutos para desaparecer através de a barreira . Percy avançou a passos largos e desapareceu . Mr._Weasley foi a seguir e depois de ele Fred e George . - Eu levo a Ginny e vocês vêm atrás_de nós - disse Mrs._Weasley a o Harry e a o Ron , agarrando Ginny pela mão e seguindo em frente . Em um abrir e fechar de olhos , tinham passado . - Vamos passar juntos , só temos um minuto - disse Ron a o Harry . Harry assegurou se de que a gaiola de a Hedwig estava bem fixa em cima de a sua mala e empurrou o carrinho de encontro a a barreira . Estava perfeitamente confiante , aquilo era muito mais fácil do_que usar o pó de Floo . Puseram os dois as mãos em o puxador de os carrinhos e avançaram direitos a a barreira , ganhando velocidade . A um metro e pouco , começaram a correr e ... CRASH . Os dois carros bateram em a barreira e foram impelidos para trás . A mala de o Ron caiu com um enorme estrépito . Harry desequilibrou se e a gaiola de a Hedwig foi parar a o chão brilhante , enquanto ela rolava guinchando , indignada . As pessoas em volta olhavam fixamente e um guarda que estava ali perto gritou : - Que diabo pensam vocês que estão a fazer ? - Perdemos o controlo de o carro de transporte - respondeu o Harry , respirando com dificuldade , agarrando se a as costelas , enquanto se punha de pé . Ron correu a agarrar a Hedwig , que estava a fazer uma cena tal , que já se ouviam murmúrios em a multidão sobre a crueldade para com os animais . - Porque é_que não conseguimos passar ? - perguntou Harry a o Ron em um sussurro . - Não sei . Ron olhou descontroladamente em volta . Uma_dúzia de curiosos estavam ainda a observá os . - Vamos perder o comboio - murmurou o Ron . - Não compreendo porque motivo a cancela se fechou . Harry olhou para o relógio gigantesco com um sentimento de náusea em a boca de o estômago . Dez segundos , nove segundos ... Dirigiu o carrinho de transporte para a frente com toda_a força . O metal manteve se sólido . Três segundos ... dois segundos ... um segundo ... - Partiu - afirmou o Ron , que parecia estonteado . - O comboio foi se embora . E se a mãe e o pai não conseguem voltar para aqui ? Tens algum dinheiro de Muggle ? Harry deu uma gargalhada . - Os Dursleys não me dão um tostão há mais de seis anos ! Ron encostou o ouvido a a barreira . - Não se ouve nada - disse , bastante tenso . - O que vamos nós fazer ? Não sei quanto tempo o pai e a mãe vão demorar . Olharam em volta . As pessoas ainda estavam a observá os , principalmente devido a os contínuos guinchos de a Hedwig . - Acho que o melhor é sairmos de aqui e esperamos por eles junto de o carro - disse Harry . - Aqui estamos a atrair demasiado as aten ... - Harry - disse o Ron , com os olhos a brilhar . - É isso , o carro . - O que é_que tem ? - Podemos voar nele até Hogwarts ! - Mas eu pensei ... - Estamos em apuros , certo ? E temos de chegar a a escola , ou não ? E mesmo os feiticeiros menores de idade estão autorizados a usar a magia em uma emergência real , parágrafo dezanove , ou não sei quê , de a Restrição de ... O sentimento de pânico de Harry transformou se em entusiasmo . - E tu sabes voar nele ? - Não há problema - disse o Ron , andando com o carrinho a a volta e dirigindo se para a saída . - Anda de aí . Se em os apressarmos , conseguiremos sair atrás de o Expresso_de_Hogwarts . E afastaram se de o grupo de Muggles curiosos , abandonando a estação e voltando a a rua , onde o velho * _ Ford_Anglia * se encontrava estacionado . Ron abriu a bagageira com uma série de toques de varinha . Meteram lá dentro as malas , puseram a Hedwig em o assento de trás e entraram para a frente . - Verifica se ninguém está a ver - disse o Ron , ligando a ignição com outro toque de varinha . Harry pôs a cabeça fora de a janela : o trânsito enchia a avenida principal , mas a rua de eles estava vazia . - O. _ K. - disse . Ron carregou em um pequeno botão de o painel . Os carros em volta desapareceram assim_como eles . Harry sentia o assento a vibrar debaixo_de si , ouvia o motor , sentia as mãos sobre os joelhos e os óculos em o nariz , mas , tanto quanto conseguia ver , tornara se um par de olhos redondos flutuando um metro e pouco acima de o chão em uma rua suja , cheia de carros estacionados . - Vamos - disse a voz de o Ron , vinda de o seu lado direito . O chão e os prédios escuros de ambos os lados desapareceram de o seu ângulo de visão , mal o carro se elevou . Em poucos segundos toda_a cidade de Londres , enevoada e resplandecente , estava por baixo de eles . Em seguida , ouviu se um ruído que parecia o saltar de uma rolha e o carro , Harry e Ron , reapareceram . - Oh , oh - disse Ron , batendo em o intensificador de invisibilidade . - Está avariado ... Começaram os dois a bater em o botão . O carro desapareceu . Depois surgiu de forma intermitente . - Aguenta aí - gritou o Ron e carregou com o pé em o acelerador . Saltaram direitinhos para o meio de as nuvens mais baixas e tudo ficou sujo e enevoado . - E agora ? - exclamou Harry , piscando os olhos a a sólida massa de nuvens que os comprimia de todos os lados . - Precisamos de avistar o comboio para sabermos qual a direcção a tomar - explicou o Ron . - Desce rapidamente ... Desceram por o meio de as nuvens e voltaram se em os lugares , espreitando . - Estou a vê o - gritou Harry . - Mesmo em frente , ali . O Expresso_de_Hogwarts deslocava se a grande velocidade lá em baixo , como uma serpente vermelha . - Para Norte - disse o Ron , verificando a bússola de o painel . - O. _ k . , basta que verifiquemos de meia em meia_hora . Aguenta aí ... - e arrancaram por o meio de as nuvens . Em o minuto seguinte , tinham chegado a a luz brilhante de o Sol . Era um mundo diferente . Os pneus de o carro deslizavam sobre o mar de nuvens macias , o céu era de um azul infinito sob a luz , capaz de cegar , que irradiava de o Sol . - Agora só temos de nos preocupar com os aviões - disse o Ron . Olharam um para o outro e desataram a rir . Durante muito_tempo não conseguiram parar . Era como_se tivessem mergulhado em um sonho fabuloso . Aquela , pensou Harry , era certamente a única maneira de viajar : passando por turbilhões e torres de nuvens cor de neve , em um carro cheio de calor , o sol radioso , com um grande pacote de rebuçados em o porta-luvas e antegozando o ar de inveja de o Fred e de o George quando aterrassem suavemente e de forma espectacular em o relvado macio em frente de o castelo de Hogwarts . Espreitaram várias vezes o comboio enquanto voavam cada_vez_mais para norte . Cada descida entre as nuvens dava lhes uma perspectiva diferente . Londres depressa ficou para trás , substituída por campos verdejantes que , por sua vez , deram lugar a grandes pântanos arroxeados , aldeias com pequenas igrejas de brinquedo e uma grande cidade , cheia de vida , com carros que pareciam formigas multicores . Várias horas mais tarde sem acontecer nada de_novo , Harry teve de admitir que uma parte de o entusiasmo se esgotara . Os rebuçados tinham nos deixado cheios de sede e não havia nada para beber . Ele e o Ron tinham tirado as camisolas , mas a * _ T-shirt * de o Harry estava colada a as costas de o assento e os óculos não paravam de lhe escorregar para a ponta de o nariz . Deixara de reparar em as fabulosas formas de as nuvens e pensava com saudade em o comboio , milhas abaixo de eles , onde se podia comprar sumo fresquinho de abóboras em um carro empurrado por uma bruxa gordinha . Porque não teriam conseguido entrar em a plataforma nove_e_três quartos ? - Não pode ser muito mais longe , pois não ? - resmungou o Ron , horas mais tarde quando o Sol começava a enfiar se em o seu chão de nuvens , pintando as de um rosa profundo . - Estás pronto para outra espreitadela a o comboio ? Ainda ia mesmo por baixo de eles , abrindo caminho por_entre uma montanha com o topo coberto de neve . Estava muito mais escuro entre o dossel de nuvens . Ron pôs o pé em o acelerador e levou os de_novo para_cima , mas em esse momento o motor começou a chiar . Harry e Ron trocaram entre si olhares nervosos . - Deve estar só cansado - disse o Ron . - Nunca tinha vindo tão longe ... - E fingiram ambos que não davam por o gemido que se ia tornando maior à_medida_que o céu serenamente escurecia . As estrelas desabrochavam em a escuridão , Harry voltou a enfiar a camisola de lã , tentando ignorar os limpa pára-brisas que acenavam debilmente como_que a protestar . - Não devemos estar longe - disse Ron , dirigindo se mais a o carro do_que a o amigo . - Já não devemos estar longe - deu umas palmadinhas nervosas em o * tablier * . Pouco depois , quando voltaram a voar em o meio de as nuvens , tiveram de olhar de lado em a escuridão , em busca de um ponto de referência que conhecessem . - Ali - gritou Harry , fazendo o Ron e a Hedwig darem um salto . - Mesmo em frente . Recortados em o horizonte negro , sobre o rochedo de o outro lado de o lago , erguiam se as torres e torreões de o castelo de Hogwarts . Mas o carro tinha começado a estremecer e perdia a os poucos velocidade . - Vá lá - disse o Ron , dando a o volante um pequeno abanão bajulador . - Estamos quase a chegar , vá lá ... O motor gemeu . Pequenos jactos de vapor de água brotaram de o capo . Harry deu consigo agarrado com toda_a força a os bordos de o assento enquanto voavam direitos a o lago . O carro deu um solavanco feio . Espreitando por a janela , Harry viu a superfície negra , macia e espelhada de a água cerca de uma milha abaixo de eles . Os dedos de o Ron agarrados a o volante tinham as articulações brancas . O carro deu um novo esticão . - Vá lá - murmurou o Ron . Estavam sobre o lago ... o castelo ficava mesmo em frente . Ron fez força com o pé . Houve um ruído surdo , uma crepitação e o motor morreu por completo . - Oh ! oh ! - gemeu Ron em o silêncio . O nariz de o carro voltou se para baixo . Estavam a cair , ganhando velocidade em direcção a os muros sólidos de o castelo . - Naaaaão ! - gritou o Ron , girando o volante . Escaparam a a muralha de pedra negra por centímetros , quando o carro fez um grande arco , planando primeiro sobre as estufas , depois sobre o rectângulo plantado com vegetais e , por fim , sobre os relvados , perdendo sempre velocidade . Ron largou o volante por completo e tirou a varinha de o bolso de trás . - __ pára ! __ pára ! - gritou , batendo em o * tablier * e em o pára-brisas , mas eles continuavam a mergulhar , o chão a voar em direcção a eles . - : __ cuidado com essa __ árvore ! ! ! - bramiu Harry , deitando a mão a o volante , mas ... tarde de mais ... CRUNCH . Com um ruído ensurdecedor de metal e madeira , bateram em o tronco espesso de a árvore e caíram em o chão com um forte solavanco . O vapor era um mar debaixo de o capo amachucado . A Hedwig tremia apavorada . Em a cabeça de Harry surgira um alto de o tamanho de uma bola de golfe , quando ele batera em o pára-brisas , tombando em seguida para a direita . Ron soltou um gemido longo e desesperado . - Estás O. _ K ? - perguntou Harry , aflito . - A minha varinha - disse o Ron em uma voz trémula . - Olha para a minha varinha . Tinha se partido praticamente em duas , a ponta balouçava mole , presa por meia_dúzia de esquírolas . Harry abriu a boca para dizer que em a escola com certeza conseguiriam consertá a , mas nem chegou a começar a frase . Em esse preciso momento , algo bateu em o seu lado de o carro , com a força de um touro , projectando o para_cima de o Ron , ao_mesmo_tempo que um golpe igualmente forte se sentiu em o capô . - O que está a acontec ... Ron arfou , olhando fixamente por o pára-brisas e Harry olhou em volta , mesmo a_tempo_de ver uma ramada espessa como uma píton vir contra o vidro . A árvore em que tinham batido estava a atacá os . O tronco dobrara se quase a meio e os seus galhos rugosos davam uma tareia a cada centímetro de o carro que conseguiam atingir . - Ah ! - praguejou o Ron , quando outra pernada retorcida esmurrou a sua porta , amolgando a . O pára-brisas tremia agora sob uma saraivada de golpes vindos de galhos que pareciam patas de animais e uma ramada espessa como um aríete esmagava furiosamente o capo , que parecia estar a ceder ... - Corre ! - gritou o Ron , lançando o seu peso contra a porta , mas , em o momento seguinte , tinha sido atirado para trás , para o colo de Harry por um soco maldoso , dado de baixo para_cima , por outro ramo . - Estamos feitos ! - resmungou , enquanto o tecto descaía . Mas , de repente , o chão de o carro estava a vibrar , o motor pegara . - Marcha atrás - gritou o Harry e o carro deu um salto para trás . A árvore tentava ainda agredis os , ouviam as raízes chiar , enquanto quase se partiam esticando se para os alcançar . - Escapámos por_pouco ! - exclamou o Ron . - Muito bem , carro . Mas o carro tinha atingido o limite de as suas forças . Com dois estalidos , as portas abriram se e Harry sentiu o seu assento inclinar se para o lado . Quando deu por si , estava estatelado em o chão húmido . Ruídos surdos avisaram o de que o carro estava a ejectar as malas de a bagageira . A gaiola de a Hedwig voou por os ares e abriu se . Ela saiu a voar com um pio furioso e dirigiu se a o castelo , sem sequer olhar para trás . Em seguida , o carro , amolgado , arranhado e a fumegar , arrancou em o escuro , com os faróis traseiros ardendo de fúria . - Volta aqui ! - gritou o Ron , brandindo a varinha partida . - O meu pai mata me . Mas o carro desapareceu a perder de vista , com um último estoiro de o tubo de escape . - Já viste bem o nosso azar ! ? - exclamou o Ron em o meio de a sua infelicidade , baixando se para apanhar o rato Scabbers . - De todas_as árvores em que podíamos ter batido , tínhamos de ir dar a uma que bate também . Olhou por cima de o ombro para a velha árvore que ainda agitava os ramos ameaçadoramente . - Vamos - disse Harry , fatigado . - É melhor irmos andando para a escola ... Não foi , de modo algum , a chegada triunfal que tinham imaginado . Constrangidos , cheios de frio e magoados , pegaram em as malas e começaram a arrastá as por o relvado acima , em direcção a as grandes portadas de carvalho . - Acho que o banquete já começou - disse o Ron , largando a mala em os degraus de a entrada e atravessando devagarinho para espreitar por uma janela iluminada . - Harry , anda ver , é a distribuição . Harry apressou se e os dois , ele e o Ron , espreitaram para o Salão_Nobre . Um número infindável de velas pairava em o ar , sobre quatro mesas enormes cheias de gente , fazendo brilhar os pratos dourados e as taças . Em cima , o tecto encantado que espelhava o céu lá de_fora , brilhava cheio de estrelas . Por_entre a floresta de chapéus pretos pontiagudos de Hogwarts , Harry viu uma longa fila de alunos de o primeiro ano com olhares assustados que enchia o vestíbulo . Ginny estava entre eles , facilmente reconhecível devido a o seu chamativo cabelo Weasley . Enquanto isso , a professora Mc_Gonagall , uma bruxa de óculos com cabelo castanho apanhado em um carrapito , colocava o famoso chapéu seleccionador em um banco que se encontrava em frente de os novos alunos . Todos os anos , aquele velho chapéu , remendado , puído e cheio de pó , seleccionava alunos para as quatro equipas de Hogwarts ( Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin ) . Harry lembrava se bem de o ter colocado em a cabeça , precisamente um ano antes , e ter esperado petrificado por a sua decisão , enquanto ele lhe murmurava a o ouvido . Durante alguns horríveis segundos receara que o chapéu o mandasse para os Slytherin , a equipa que produzia maior número de feiticeiros e feiticeiras de magia negra , mas acabara por ficar em os Gryffindor , juntamente com Ron e Hermione e o resto de os Weasley . Em o último período , Harry e Ron tinham ajudado os Gryffindor a vencer o campeonato de a equipa , batendo os Slytherin pela_primeira_vez em sete anos . Um rapazito baixinho com cabelo de rato acabava de ser chamado para pôr o chapéu em a cabeça . Os olhos de Harry saltavam de ele para o lugar onde o professor Dumbledore , o director , estava sentado , observando a selecção de a mesa de os professores , com a sua longa barba cor de prata e óculos de meia-lua que brilhavam a a luz de as velas . Alguns lugares a a frente , Harry viu Gilderoy_Lockhart com um manto verde-azulado . E lá bem a o fundo estava Hagrid , enorme e cabeludo , bebendo satisfeito de a sua taça . - Espera aí - murmurou a o Ron . - Há um lugar vazio em a mesa de os professores . Onde estará o Snape ? Severus_Snape era o professor de quem Harry menos gostava . Harry era também o seu aluno menos querido . Cruel , sarcástico e detestado por todos com excepção de os alunos de a sua própria equipa ( Slytherin ) , Snape tinha a seu cargo a cadeira de Poções . - Talvez esteja doente - sugeriu Ron , cheio de esperança . - Talvez se tenha ido embora - lembrou Harry . - Por não lhe terem dado outra_vez a Defesa contra as artes negras . - Ou talvez tenha sido corrido - propôs Ron com entusiasmo . - Afinal , toda_a_gente o detesta ... - Ou talvez - disse uma voz gelada atrás de eles - esteja a a espera que vocês lhe expliquem por_que motivo não vieram em o comboio de a escola . Harry deu uma volta . Em a sua frente , com o manto negro a ondular em uma brisa fria , estava Severus_Snape . O professor era um homem magro , de pele descorada , nariz adunco e um cabelo preto oleoso que lhe caía sobre os ombros . E em aquele momento sorria de um modo tal que Harry sentiu que tanto ele como Ron estavam em sérios apuros . - Sigam me - disse Snape . Sem ousarem sequer olhar um para o outro , Harry e Ron seguiram Snape por as escadas até a o amplo * hall * de entrada que estava iluminado por as chamas de os archotes . De o salão nobre vinha um cheirinho delicioso a comida , mas Snape levou os para longe de a luz e de o calor , em direcção a uma escada estreita de pedra que conduzia a os calabouços . - Entrem - ordenou , abrindo uma porta a meio de o corredor e apontando . Entraram a tremer em o escritório de Snape . As paredes sombrias estavam cobertas de prateleiras cheias de jarros de vidro grosso onde flutuavam as coisas mais diversas e repugnantes , cujo nome Harry não queria de momento conhecer . A lareira estava escura e vazia . Snape fechou a porta e voltou se de frente para eles . - Com que então - disse com falsa suavidade - o comboio não serve para o famoso Harry_Potter e o seu fiel companheiro Weasley . Queriam chegar em grande estilo , não era rapazes ? - Não senhor , foi a barreira em King's_Cross , ela ... - Silêncio - disse Snape friamente . -- _ o que fizeram a o carro ? Ron engoliu em seco . Aquela não era a primeira vez que Snape dava a Harry a impressão de ser capaz de ler pensamentos . Mas , pouco depois , compreendeu tudo quando Snape desenrolou o exemplar de o Profeta_Vespertino . - Vocês foram vistos - afirmou , mostrando lhes o cabeçalho : : __ ford anglia voador confunde __ muggles . Começou a ler alto a notícia . - Dois Muggles em Londres convenceram se de que tinham visto um carro velho a voar sobre a torre de os correios ... a a tardinha em Norfolk , Mrs._Hetty_Bayliss , enquanto pendurava a roupa ... Mr._Angus_Fleet_de_Peebles informou a polícia ... seis ou sete Muggles a o todo . Julgo que o teu pai trabalha em o departamento de mau uso dado a os objectos de os Muggles ? - disse olhando para Ron e sorrindo de uma forma ainda mais sarcástica . - Que peninha , o próprio filho ... Harry sentiu se como_se tivesse levado um soco em o estômago de uma de as maiores pernadas de a árvore louca . E se alguém descobrisse que Mr._Weasley tinha enfeitiçado o carro ? Ele ainda nem tinha pensado em isso . - Reparei durante a minha volta por o jardim que foi feito um estrago considerável em um salgueiro zurzidor extremamente valioso - continuou Snape . - Essa árvore fez nos pior a nós do_que nós ... - deixou escapar Ron . - Silêncio - interrompeu Snape , de_novo . - Infelizmente vocês não fazem parte de a minha equipa e a decisão de vos expulsar não está em as minhas mãos . Vou , por isso , buscar as pessoas que possuem essa feliz possibilidade . Esperem aqui . Harry e Ron olharam , pálidos , um para o outro . Harry perdera a fome . Sentia se agora extremamente agoniado . Tentava não olhar para uma coisa viscosa , suspensa em um líquido verde que estava em uma prateleira por detrás de a secretária de Snape . Se ele fora buscar a professora Mc_Gonagall , chefe de a equipa de os Gryffindor , não estavam muito melhor . Ela era mais justa do_que Snape , mas extremamente severa . Dez minutos mais tarde , Snape voltou e era , de facto , a professora Mc_Gonagall quem o acompanhava . Harry vira a professora Mc_Gonagall zangada , mas , ou se tinha esquecido de como a boca de ela ficava fina , ou nunca a vira tão zangada como em aquele dia . Levantou a varinha em o momento em que entrou . Harry e Ron estremeceram , mas ela limitou se a apontá a para a lareira onde as chamas se elevaram subitamente . - Sentem se - ordenou , e os dois recuaram para as cadeiras junto de o lume . - Expliquem se - disse com os óculos a brilhar de uma forma ameaçadora . Ron enveredou por a história começando por a barreira de a estação que se recusara a deixá os passar . - Por isso não tínhamos escolha , professora , não podíamos chegar a o comboio . - Porque não nos mandaram uma carta por a coruja ? Julgo que tens uma coruja ? - disse friamente a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a Harry . Harry olhou para ela sem saber o que dizer . - Parece me - continuou ela - que seria a coisa mais adequada . - Eu ... não pensei ... - Isso - disse a professora Mc_Gonagall - é bastante óbvio . Ouviu se bater a a porta de o escritório e Snape , que parecia agora mais feliz do_que nunca , foi abrir . Era o director , o professor Dumbledore . Harry ficou totalmente paralisado . Dumbledore tinha uma expressão grave . Olhou para eles de cima de o seu nariz adunco e Harry desejou estar ainda com Ron a levar uma sova de o salgueiro zurzidor . Fez se um longo silêncio . Em seguida , Dumbledore disse lhes : - Por favor , expliquem porque fizeram isto . Teria sido melhor se gritasse . Harry detestou sentir a decepção em a sua voz . Inexplicavelmente era incapaz de olhar Dumbledore em os olhos e falou em direcção a os seus joelhos . Disse lhe tudo excepto que o carro enfeitiçado pertencia a Mr._Weasley , dando a ideia de que ele e o Ron o tinham encontrado estacionado fora de a estação . Sabia que Dumbledore ia ver para_além de isso , mas o director não fez perguntas sobre o carro . Quando Harry terminou continuou a olhar para ele através de os seus óculos . - Nós vamos buscar as nossas coisas - disse Ron em um tom de voz sem esperança . - Que disparate é esse ? - rosnou a professora Mc_Gonagall . -- Então , vão expulsar nos , não vão ? - disse o Ron . Harry olhou rapidamente para Dumbledore . - Ainda não , Mr._Weasley - afirmou Dumbledore . - Mas vou assinalar a gravidade do_que vocês fizeram . Hoje a a noite escreverei a as vossas famílias . Estão também prevenidos que se voltarem a fazer uma coisa como esta não terei outro remédio senão expulsar vos . A expressão de Snape era como_se o Natal tivesse sido cancelado . Pigarreou e disse : - Professor_Dumbledore , estes rapazes infringiram o decreto para a restrição de a feitiçaria de os menores , causaram estragos consideráveis a uma árvore antiga e valiosa ... sem dúvida , actos de esta natureza ... - Cabe a a professora Mc_Gonagall decidir sobre os castigos de os rapazes , Severus - afirmou Dumbledore com toda_a calma . - Pertencem a a equipa de ela e são , portanto , de a sua responsabilidade . - Voltou se para a professora Mc_Gonagall . - Tenho de regressar a o banquete , Minerva , devo dar algumas informações . Venha Severus , há uma tarte de leite e ovos com um aspecto delicioso que quero mostrar lhe . Snape lançou um olhar de puro veneno a o Harry e a o Ron enquanto permitia que o afastassem de o seu escritório , deixando os a sós com a professora Mc_Gonagall que ainda os olhava como uma águia em fúria . - É melhor ires até a a ala hospitalar , Weasley , estás a sangrar . - Não é nada - disse Ron , limpando o corte com a manga para que ela o visse . - Professora , eu gostava de ver a minha irmã ser seleccionada . - A cerimónia de a selecção terminou - disse a professora Mc_Gonagall . - A tua irmã está também em os Gryffindor . - _ óptimo - exclamou Ron . - E por falar em os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall de forma cortante , mas Harry interrompeu a : - Professora , quando tirámos o carro , o ano escolar ainda não tinha começado , por isso os Gryffindor não deveriam perder pontos , pois não ? - terminou olhando a ansiosamente . A professora Mc_Gonagall lançou lhe um olhar penetrante , mas ele era capaz de jurar que ela quase tinha sorrido . Pelo_menos a boca não parecia tão fina . - Não vou tirar pontos a os Gryffindor - tranquilizou o . E o coração de Harry ficou mais leve . - Mas vocês os dois vão ter um castigo . Foi melhor do_que Harry imaginara . O facto de Dumbledore escrever a os Dursley não tinha a menor importância . Harry sabia perfeitamente que eles só lamentariam que o salgueiro zurzidor não o tivesse esmigalhado . A professora Mc_Gonagall ergueu a varinha de_novo apontou a a a secretária de Snape . Um grande prato de sanduíches , duas taças de prata e um jarro com sumo de abóbora gelado apareceram em menos_de um segundo . - Vocês vão comer aqui e , em seguida , vão direitinhos para o vosso dormitório - disse . - Eu também tenho de voltar para a festa . Mal a porta se fechou atrás de ela , Ron soltou baixinho um assobio . - Pensei que estávamos feitos - confessou , agarrando uma sanduíche . - Também eu - disse o Harry , orando também uma . - Mas já viste bem a nossa pouca sorte ? - insistiu o Ron com a boca cheia de frango e fiambre . - O Fred e o George voaram em aquele carro cinco ou seis vezes e nenhum Muggle os viu - engoliu outro pedaço enorme de a sanduíche . - Porque será que não conseguimos passar a barreira ? Harry encolheu os ombros . - Mas temos de ter muito cuidado a_partir_de agora - disse bebendo um grande trago de sumo de abóbora . - Que pena não termos podido ir a o banquete . - Ela não quis que nos exibíssemos - afirmou Ron com prudência . - Não vão as pessoas pensar que é uma boa chegar aqui de carro voador . Quando já tinham comido todas_as sanduíches que queriam ( o prato ia voltando a encher se sozinho ) , levantaram se e saíram de o escritório , seguindo o caminho que lhes era familiar , para a torre de os Gryffindor . O castelo estava em silêncio . Parecia que o banquete tinha acabado . Passaram por retratos murmurantes e armaduras que gemiam e subiram os degraus estreitos de pedra até que , por fim , chegaram a a passagem onde a entrada secreta para a torre de os Gryffindor se encontrava oculta por detrás de o quadro a óleo de uma dama gorda em um vestido cor-de-rosa . - A senha ? - perguntou ela mal os dois se aproximaram . - Er ... Eles ainda não tinham estado com o prefeito de os Gryffindor e por isso ainda não conheciam a senha para o novo ano , mas a ajuda não se fez esperar . Ouviram passos apressados atrás de eles e quando se voltaram viram Hermione que se aproximava . - Aí estão vocês . Onde é_que se meteram ? Correm os boatos mais ridículos , alguém disse que vocês tinham sido expulsos por espatifarem um carro voador . - Bem , expulsos não fomos - tranquilizou a Harry . - Não estás a dizer me que voaram até aqui ? - perguntou Hermione em um tom quase tão severo como a professora Mc_Gonagall . - Dispensa se o sermão - interrompeu Ron impacientemente . - E diz nos a nova senha de passagem . - É crista de pássaro - disse Hermione não contendo a impaciência . - Mas o mais importante não é isso ... Contudo as palavras de ela foram interrompidas ao_mesmo_tempo que o retrato de a dama gorda se abria e se ouvia uma tempestade de aplausos . A o que parecia a equipa de os Gryffindor estava ainda acordada , dentro de a sala comum em forma de círculo , junto de as mesas assimétricas e de os cadeirões moles a a espera que eles chegassem para , de braços estendidos através de o buraco de o retrato , puxarem Harry e Ron para dentro deixando Hermione para o fim . - Sensacional - gritou Lee_Jordan . - Inspirado ! Que entrada ! Voar em um carro e aterrar em o salgueiro zurzidor . Toda_a_gente vai falar de isto durante anos e anos . - Muito bem - disse um aluno de o quinto ano com quem Harry nunca tinha falado . Alguém dava lhe palmadas em as costas como_se ele acabasse de vencer a maratona . Fred e George abriram caminho por_entre a multidão e disseram ao_mesmo_tempo : - Por_que é_que não nos chamaram , hein ? - Ron estava vermelho como um pimentão , sorrindo envergonhado , mas Harry via perfeitamente uma pessoa que não estava nada contente . Percy elevava se acima de as cabeças de os excitados alunos de o primeiro ano e parecia estar a tentar aproximar se para os repreender . Harry deu uma cotovelada a o Ron e apontou em direcção a Percy . Ron percebeu de imediato . - Temos de ir para_cima , um_pouco cansados ! - explicou e os dois começaram a abrir caminho em direcção a a porta que ficava de o outro lado de a sala e que dava para a escada em espiral e para os dormitórios . - ` _ Noite - despediu se Harry_de_Hermione que tinha um ar tão carrancudo como Percy . Conseguiram chegar a o outro lado de a sala comum sempre a levarem palmadas em as costas e alcançaram o sossego de as escadas . Apressaram se a subir e , por fim , chegaram a a porta de o dormitório que tinha agora um letreiro a dizer « Segundos_Anos » . Entraram em o quarto circular , que conheciam tão bem , com as suas cinco camas de dossel adornadas de velado vermelho e as suas janelas altas e estreitas . As malas tinham sido trazidas para_cima e colocadas a os pés de as camas . Ron fez um sorriso culpado . - Sei que não devia ter gostado de aquilo , mas ... A porta de o dormitório abriu se e os outros rapazes de os Gryffindor entraram ; eram eles o Seamus_Finnigan , o Dean_Thomas e o Neville_Loogbottom . - Inacreditável - aplaudiu Seamus . - Incrível - aprovou o Dean . - Espantoso - exclamou o Neville , aterrado . Harry não pôde evitar também um sorriso . VI_Gilderoy_Lockhart_No dia seguinte , contudo , Harry não conseguiu sorrir . As coisas começaram a correr mal logo em o salão durante o pequeno-almoço . Debaixo de o tecto encantado ( em aquele dia triste e cinzento ) estavam as quatro grandes mesas de as equipas e sobre elas , terrinas de papa de aveia , pratos de arenque defumado , montanhas de torradas e pratadas de ovos com * bacon * . Harry e Ron sentaram se em a mesa de os Gryffindor , junto de Hermione que tinha o seu exemplar de * _ Viagens com Vampiros * totalmente aberto , encostado a um jarro de leite . Havia uma certa rigidez em a maneira como ela disse : - ` _ Dia - que mostrou a Harry que continuava a desaprovar o modo como tinham chegado a a escola . Por seu turno , Neville_Longbottom saudou os entusiasticamente . Neville era um rapazinho de cara redonda , muito dado a acidentes , com a pior memória que Harry tinha conhecido . - A entrega de correio deve estar a chegar , acho que a minha avó me vai mandar umas quantas coisas de que me esqueci ... Harry tinha começado a comer as papas de aveia , quando se ouviu um ruído tumultuoso em o ar e umas cem corujas entraram ao_mesmo_tempo , sobrevoando o salão e deixando cair cartas e pacotes em o meio de a multidão faladora . Um embrulho grande e rugoso caiu em a cabeça de Neville e , um segundo depois , uma coisa larga e cinzenta caiu em o jarro de a Hermione , enchendo os a todos de leite e penas . - Errol - gritou o Ron , puxando a coruja esfarrapada por as patas . Errol caíra inconsciente sobre a mesa com as pernas para o ar e um envelope vermelho húmido em o bico . - Oh , não ! - sobressaltou se Ron . - Ela está bem , ainda está viva - tranquilizou o Hermione , tocando suavemente em a Errol com a ponta de o dedo . - Não é isso , é ... aquilo . Ron apontava para o envelope vermelho . Parecera perfeitamente vulgar a Harry , mas Ron e Neville estavam ambos a observá o como_se esperassem que explodisse . - Qual é o problema ? - perguntou Harry . - Ela . Ela mandou me um * gritador * - disse Ron , quase sem voz . - É melhor abrires - aconselhou Neville em um murmúrio tímido - senão é pior . A minha avó uma_vez mandou me um que eu ignorei e ... - engoliu em seco - foi horrível . Harry olhava , ora para as suas caras , ora para o envelope vermelho . - O que é um * gritador * ? - perguntou . - Mas toda_a atenção de o Ron estava fixa em a carta que começara a fumegar por os cantos . - Abre a - intimou o Neville . - De aqui a poucos minutos já passou tudo . Ron estendeu uma mão trémula , retirou o envelope de o bico de a Errol e começou a abri o . Neville pôs os dedos em os ouvidos . Após uma fracção de segundo , Harry compreendeu porquê . Pensou em o primeiro momento que ela explodira . Um ruído ensurdecedor encheu o enorme salão , fazendo cair pó de o tecto . - ... : __ roubar o carro ! não me surpreendia nada se te expulsassem . espera só até te pôr as mãos em cima . será que não paraste para pensar em a nossa aflição quando vimos que o carro tinha __ desaparecido ... Os gritos de Mrs._Weasley , ampliados cem vezes em relação a o seu normal , fizeram os pratos e as colheres chocalhar em a mesa e ecoaram de forma ensurdecedora em as paredes de pedra . Vinha gente de todos os lados espreitar quem tinha recebido o * gritador * e Ron afundou se tanto em a cadeira que só se lhe via a testa carmesim . - ... : __ uma carta de o dumbledore ontem a a noite , o teu pai quase morria de vergonha . não foi esta a educação que te demos , tu e o harry podiam ter __ morrido ... Harry estava a ver quando é_que o seu nome viria a a baila . Tentou o melhor que pôde agir como_se não ouvisse a voz , mas aquilo estava a fazer com que os tímpanos lhe latejassem . - ... : __ profundamente decepcionada , o teu pai vai ter de se confrontar com um inquérito em o trabalho , tudo por tua culpa e , se pisas mais_uma_vez o risco , trago te para __ casa ! Seguiu se um silêncio ressonante . O envelope vermelho , que caíra de as mãos de o Ron , incendiou se e encaracolou se em cinzas . Harry e Ron estavam sentados de boca aberta , como_se uma onda gigante lhes tivesse passado por cima . Algumas pessoas riam e , a os poucos , o ruído de as conversas recomeçou . Hermione fechou o * _ Viagens com Vampiros * e olhou para o topo de a cabeça de Ron . - Bem , não sei o que esperavas , Ron , mas tu ... - Não me venhas dizer que mereci - interrompeu Ron . Harry afastou as papas de aveia . O estômago ardia lhe de culpa . Mr._Weasley tinha um inquérito em o trabalho , depois de tudo_o_que Mr. e Mrs._Weasley tinham feito por ele durante o Verão ... Mas não teve muito_tempo para se demorar em aqueles pensamentos . A professora Mc_Gonagall circulava em volta de as mesas de os Gryffindor distribuindo horários . Harry pegou em o seu e viu que começavam por ter Herbologia , juntamente com os Hufflepuff . Harry , Ron e Hermione saíram juntos de o castelo , atravessaram as hortas e chegaram a as estufas , onde estavam guardadas as plantas mágicas . O * gritador * tivera pelo_menos uma vantagem : Hermione parecia achar que já tinham sido suficientemente castigados e estava de_novo perfeitamente calorosa . Quando estavam a chegar a as estufas viram o resto de a classe de pé , cá fora , a a espera de a professora Sprout . Harry , Ron e Hermione tinham acabado de se lhes juntar quando a viram aproximar se a passos largos por o relvado , acompanhada de Gilderoy_Lockhart . A professora Sprout era uma bruxa pequenina e atarracada que usava um chapéu a os remendos sobre o cabelo solto . As roupas que vestia estavam sempre cheias de terra e as suas unhas fariam a tia Petúnia desmaiar . Gilderoy_Lockhart , pelo_contrário , tinha um ar imaculado em as suas vestes azul-turquesa , o cabelo doirado a brilhar debaixo_de um chapéu azul-turquesa , com uma fita dourada , perfeitamente posicionado sobre a cabeça . - Olá a todos ! - gritou Lockhart , dirigindo se a o grupo de estudantes . - Estive a mostrar a a professora Sprout a maneira correcta de tratar um salgueiro . Mas não quero que fiquem com a ideia de que sou melhor do_que ela em Herbologia . Acontece que encontrei várias de estas plantas exóticas , durante as minhas viagens .... - Estufa número três hoje , meninos ! - disse a professora Sprout que estava visivelmente descontente , bem diferente de a sua habitual natureza bem-disposta . Houve um murmúrio de interesse . Eles só tinham estado uma_vez em a terceira estufa , que era uma estufa que abrigava plantas bem mais interessantes e perigosas . A professora Sprout tirou uma enorme chave de o cinto e abriu a porta . Harry sentiu o bafo de a terra húmida com adubo misturado e o perfume forte de umas flores gigantescas , de o tamanho de guarda-chuvas , que estavam penduradas de o tecto . Ia seguir Ron e Hermione , quando a mão de o Lockhart o travou . -- Harry ! Tenho querido ter uma palavrinha contigo . Não se importa se ele chegar uns minutos atrasado , pois não , professora Sprout ? A julgar por a expressão carregada de a professora Sprout , importava se sim , mas Lockhart disse : - Então até já - e fechou a porta de a estufa em a cara de ela . - Harry ! - disse Lockhart , com os dentes brancos a brilharem a o sol , enquanto abanava a cabeça . - Harry , Harry , Harry ! Harry , totalmente perplexo , não disse uma palavra . - Quando ouvi dizer , bem , é claro que eu tive muita culpa , deviam castigar me também ... Harry não fazia ideia de que estava ele a falar , quando Lockhart prosseguiu : - Nunca me lembro de ficar tão chocado . Fazer voar um automóvel até Hogwarts ! Bem , é claro que eu percebi logo porque o fizeste . Foi um destaque em grande . Harry , Harry , Harry ! Era notável como ele conseguia mostrar todos aqueles dentes brilhantes , mesmo quando não estava a falar . - Criei te o gosto por a publicidade , não foi ? - perguntou Lockhart . - Passei te o bichinho . Apareceste comigo em a primeira página e não podias esperar para aparecer outra_vez ... - Oh , não , professor , sabe é_que ... - Harry , Harry , Harry - disse Lockhart aproximando se e tocando lhe em o ombro . - * _ Eu compreendo * . É natural querer um_pouco mais quando se lhe tomou o gosto , e eu culpo me por te ter dado esse conhecimento , porque era natural que te subisse a a cabeça , mas vê uma coisa , rapazinho , tu não podes começar a fazer voar carros para tentares ser notícia . Tens de acalmar , está bem ? Tens muito_tempo quando fores mais velho . Sim , sim , eu sei o que estás a pensar ! É fácil para ele falar assim , já é um feiticeiro internacionalmente famoso ! Mas quando eu tinha doze anos era tão zé-ninguém como tu és hoje . Em a verdade , era ainda mais . De ti , já meia_dúzia de pessoas ouviram falar , não é ? Toda aquela história com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . - Olhou para a cicatriz luminosa em a testa de Harry . - Eu sei , eu sei , não é o mesmo_que vencer o Prémio de o sorriso de o feiticeiro de a semana cinco vezes seguidas , como eu venci , mas é um começo , Harry , é um começo . Lançou lhe uma piscadela de olhos cordial e foi se embora . Harry ficou atarantado durante alguns segundos . Depois , lembrando se que deveria estar em a estufa , abriu a porta e esgueirou se lá para dentro . A professora Sprout estava de pé , por_detrás_de uma espécie de mesa em o meio de a estufa . Em cima de a mesa estavam cerca de vinte pares de abafo de ouvidos de diferentes cores . Quando Harry estava já em o seu lugar , entre Ron e Hermione , ela disse : - Hoje vamos transplantar Mandrágoras . Muito bem , quem sabe dizer me as propriedades de a Mandrágora ? Não foi surpresa para ninguém que a mão de a Hermione fosse a primeira em o ar . - A Mandrágora tem um efeito reparador muito poderoso - disse Hermione , com o ar mais normal de este mundo , como_se tivesse engolido o livro de texto . - É usada para fazer voltar as pessoas , que foram transfiguradas ou amaldiçoadas , a o seu estado original . - Excelente . Dez pontos para os Gryffindor ! - exclamou a professora Sprout . - A Mandrágora é parte integrante de a maior parte de os antídotos , mas também é perigosa . Quem sabe dizer me porquê ? A mão de Hermione por_pouco não bateu em os óculos de Harry , quando se ergueu de_novo . - O grito de a Mandrágora é fatal para quem o ouve - disse prontamente . - Precisamente . Dou lhe mais dez pontos - disse a professora Sprout . - Agora vejamos , as Mandrágoras que aqui temos são ainda muito jovens . Enquanto falava , apontou para uma fila de tabuleiros com uma certa profundidade e todos se chegaram a a frente para ver melhor . Cerca de uma centena de plantinhas tufosas de um verde arroxeado cresciam em filas . Pareceram perfeitamente vulgares a Harry , que não fazia a menor ideia do_que Hermione queria dizer com o * grito * de a Mandrágora . - Cada_um de vocês pode tirar um par de abafo de ouvidos - disse a professora Sprout . Houve uma competição renhida porque ninguém queria os cor-de-rosa , cheios de penugem . - Quando eu vos disser para os colocar , assegurem se de que os vossos ouvidos estão completamente tapados - disse a professora Sprout . - Logo_que seja seguro retirá os , eu levanto os dedos . Certo , pôr os abafos de os ouvido . Harry pôs imediatamente os abafos em os ouvidos . Eles fecharam completamente o som . A professora Sprout colocou também um par de abafos cor-de-rosa com penugem em os de ela , arregaçou as mangas de a túnica , agarrou uma de as plantas tufosas e puxou com toda_a força . Harry soltou um grito de surpresa que ninguém ouviu . Em_vez_de raízes , um bebé pequenino , enlameado e extremamente feio , saiu de a terra . As folhas cresciam lhe em o alto de a cabeça , tinha uma pele pintalgada de um pálido esverdeado e estava nitidamente a berrar a plenos pulmões . A professora Sprout tirou debaixo de a mesa um grande vaso de plantas e mergulhou lá dentro a Mandrágora , enterrando a em a mistura escura e húmida , até que só as folhas ficassem visíveis . Em seguida , limpou a terra de as mãos , levantou os dedos e todos eles retiraram os abafos de os ouvidos . - Como as nossas Mandrágoras são muito novas , os seus gritos ainda não matam - disse ela com grande calma , como_se tivesse feito algo tão normal como regar uma begónia . - Contudo , podem pôr vos a dormir durante várias horas e , como com certeza nenhum de vocês quer perder o primeiro dia de aulas , vejam se os abafos estão bem colocados enquanto trabalham . Eu chamarei vos a atenção quando for altura de os retirar . - Quatro em cada fila , há aqui uma grande quantidade de vasos , a mistura de terra está em os sacos ali a o fundo e tenham cuidado com a * _ Venomous_Tentacula * , estão a nascer lhe os dentes . Enquanto falava , deu uma pancada seca a uma planta vermelha escura cheia de pontas eriçadas , fazendo a encolher as longas antenas que tinham estado a avançar lenta e dissimuladamente sobre o seu ombro . A Harry , Ron e Hermione veio juntar se em a fila um rapaz de cabelo encaracolado de os Hufflepuff que Harry conhecia de vista , mas com quem nunca tinha falado . - Justin_Finch - _ Fletchey - disse ele com vivacidade , apertando a mão de o Harry . - Conheço te , claro , o famoso Harry_Potter ... e tu és a Hermione_Granger , sempre a primeira em tudo ( Hermione brilhou em um sorriso , como_se ele lhe tivesse apertado a mão ) e Ron_Weasley . Não era teu o carro voador ? Ron não sorriu . Não lhe saía de a cabeça o * gritador * . - Aquele Lockhart é o_máximo , não acham ? - disse Justin satisfeito , enquanto começavam a encher os vasos com composto de adubo de dragão . - Terrivelmente corajoso . Leram os livros de ele ? Eu teria morrido de medo se um lobisomem me tivesse encurralado em uma cabina telefónica , mas ele manteve se calmo e ... zap ... fantástico ! « Eu estava inscrito em Eton , sabem , não imaginam como estou feliz de ter vindo antes para aqui . É claro que a minha mãe ficou um_pouco desiludida , mas depois de lhe ter dado os livros de Lockhart a ler , tenho a impressão de que ela começou a ver a utilidade de ter um feiticeiro bem treinado em a família ... Depois de isso , não tiveram grandes oportunidades para conversar . Voltaram a pôr os abafos de ouvidos e era preciso concentrarem se em as Mandrágoras . A professora Sprout fizera as coisas parecerem extremamente simples , mas não eram . As Mandrágoras não gostavam de sair de a terra mas também não pareciam querer voltar para lá . Elas contorceram se , deram pontapés , agitaram as mãozinhas finas e rangeram os dentes . Harry levou dez minutos inteirinhos a tentar meter uma Mandrágora particularmente gorda dentro_de um vaso . Em o final de a aula , Harry , como todos os outros , estava a suar , cheio de dores e coberto de terra . Regressaram a o castelo a pé para um banho rápido e , em seguida , os Gryffindor apressaram se para assistir a a aula de transfiguração . As aulas de a professora Mc_Gonagall eram sempre complicadas , mas a de aquele dia era particularmente difícil . Tudo_o_que o Harry aprendera em o ano anterior parecia ter se lhe apagado de a memória durante o Verão . Ele deveria ser capaz de transformar uma barata em um botão , mas , tudo_o_que conseguiu foi fazer a barata praticar um imenso exercício , enquanto corria apressadamente por o tampo de a secretária evitando a varinha . Ron estava a debater se com problemas bastante piores . Tinha atado a varinha com uma fita mágica , mas parecia que não havia reparação possível . Não parava de crepitar e lançar faíscas em os momentos mais estranhos e , sempre_que Ron tentava transfigurar a barata , via se envolvido em um fumo cinzento espesso que cheirava a ovos podres . Incapaz de ver o que estava a fazer , o Ron esmagou , por engano , a barata com o cotovelo e teve de ir pedir que lhe dessem outra , o que deixou a professora Mc_Gonagall muito pouco satisfeita . Harry ficou aliviado quando ouviu tocar a campainha para o almoço . Sentia a cabeça como uma esponja espremida . Todos os alunos saíram em fila de a aula excepto ele e Ron que dava furiosas varadas em a secretária . - Coisa estúpida e inútil . - Escreve a os teus pais a pedir outra - sugeriu Harry , enquanto a varinha disparava com estrondo um foguete explosivo . - Ah pois , e receber outro * gritador * em a volta de o correio - respondeu Ron , metendo a varinha que já assobiava , dentro de o saco . - * _ A culpa é toda tua se a varinha está estragada * ... Desceram para o almoço e aí a disposição de o Ron não iria melhorar com Hermione a mostrar lhe uma mão-cheia de botões de casaco , perfeitinhos , que produzira em a transfiguração . - O que temos esta tarde ? - quis saber Harry , mudando rapidamente de assunto . - Defesa contra as artes negras - disse Hermione , sem perder tempo . - Porque é_que tu ... - perguntou Ron , pegando em o horário de ela - desenhaste corações em volta de as aulas de o Lockhart ? Hermione arrancou lhe o horário de as mãos , corando furiosa . Acabaram de almoçar e foram para o pátio carregado de nuvens . Hermione sentou se em um degrau de pedra e enfiou de_novo o nariz em as * _ Viagens com Vampiros * . Harry e Ron ficaram a falar de Quidditch durante alguns minutos antes de Harry se aperceber de que estava a ser observado de perto . Olhando para_cima viu o rapazinho pequenino com cabelo de rato que ele vira experimentar o chapéu seleccionador em a noite anterior , olhando para ele com uma expressão petrificada . Estava agarrado a o que parecia ser uma vulgar máquina fotográfica de os Muggles e , em o momento em que Harry olhou para ele , ficou todo vermelho . - Tudo bem , Harry ? Eu sou Colin_Creevey - disse , faltando lhe o ar e adiantando se a qualquer pergunta . - Estou em os Gryffindor também . Não te importavas que eu tirasse uma fotografia ? - perguntou , levantando a máquina cheio de expectativa . - Uma fotografia ? - repetiu Harry , inexpressivo . - Para eu provar que te conheci - disse Colin_Creevey cheio de ansiedade , continuando : - Eu sei tudo a teu respeito . Toda_a_gente me tem contado como sobreviveste quando O_Quem nós sabemos tentou matar te , como ele desapareceu depois de isso e como ficaste com a cicatriz em forma de relâmpago em a testa ( os seus olhos procuraram a linha de cabelo de Harry ) e um rapaz de o meu dormitório disse que se eu revelasse o filme em a posição certa ele mexia . - Colin respirou fundo , estremecendo de excitação e disse : - Isto_é fantástico , aqui , não achas ? Eu não sabia que todas_as coisas estranhas que fazia eram magia até a o dia em que recebi uma carta de Hogwarts . O meu pai é leiteiro . Também ele não queria acreditar . Por isso estou a tirar montes de fotografias para lhe mandar e era mesmo bom se tivesse uma tua - parecia implorar . - Talvez o teu amigo pudesse tirá a e assim eu ficava a o teu lado . E depois , podias assiná a ? - Assinar fotografias ? Estás a dar fotos autografadas , Potter ? Alta e mordaz , a voz de Draco_Malfoy ecoou em o pátio . Estava parado mesmo atrás_de Colin , ladeado , como sempre andava em Hogwarts , por os seus fortes guarda-costas Crabbe e Goyle . - Ei gente , façam bicha - gritou Malfoy a a multidão . - Harry_Potter está a dar fotos autografadas ! - Não estou coisa nenhuma - disse Harry , zangado , com os punhos em o ar . - Cala a boca , Malfoy . - Tu tens é inveja - começou a dizer Colin , cujo corpo era de o tamanho de o pescoço de Crabbe . - Inveja - repetiu Malfoy que não precisava de gritar mais , metade de o pátio estava a ouvi o . - De quê ? Não preciso de uma cicatriz em a cabeça , muito obrigado . Não acho que ter um corte em a testa torne alguém especial . Crabbe e Goyle riram estupidamente - Vai pastar caracóis , Malfoy - disse o Ron furioso . Crabbe parou de rir e começou a esfregar os nós de os dedos enormes de uma forma ameaçadora . - Tem cuidado , Weasley - escarneceu Malfoy . - Com certeza não queres começar uma rixa ou a tua mãezinha tem de vir cá para te tirar de a escola - e com uma voz aguda e penetrante : - * _ Se voltas a pisar o risco * ... Um grupo de alunos de o quinto ano de os Slytherin que estava ali perto , riu se bastante alto . - O Weasley gostaria de ter uma foto tua autografada , Potter - escarneceu de_novo Malfoy . - Era capaz de valer mais do_que a casa onde ele mora com a família . Ron sacou de a sua varinha amarrada com fita , mas Hermione fechou as * Viagens com Vampiros * com um estrondo e avisou : - Atenção . - O que é isto , o que é isto ? - Gilderoy_Lockhart aproximava se com o seu manto azul-turquesa girando em torvelinho atrás de ele . - Quem está a dar fotos autografadas ? Harry ia começar a explicar , mas foi interrompido quando Lockhart lhe pôs jovialmente o braço em cima de os ombros . - Mas que pergunta a minha ! Cá estamos nós de_novo , Harry ! Preso ao_lado_de Lockhart e a arder de humilhação , Harry viu Malfoy deslizar com o seu sorriso desdenhoso por o meio de a multidão . - Vamos lá então , Mr._Creevey - disse Lockhart , dirigindo se a Colin . - Uma foto dupla , já viu a sua sorte ? E assinamos a os dois para si . Colin ajustou a máquina e tirou a fotografia em o preciso momento em que a campainha tocava para as aulas de a tarde . - Está em a hora , todos para dentro - gritou Lockhart a a multidão e regressou a o castelo levando a o seu lado o Harry que só lamentava não conhecer um feitiço que o fizesse desaparecer . - Uma palavra só , Harry - disse Lockhart paternalmente , enquanto entravam em o edifício por uma porta lateral . - Eu ajudei te há bocado com o jovem Creevey porque se ele estivesse a fotografar me também a mim os teus colegas não reparariam tanto que estavas a exibir te ... Indiferente a a gaguez de Harry , Lockhart arrastou o para um corredor ladeado de alunos que os olhavam espantados e subiram uma escada . - Deixa me só dizer te uma coisa : dar fotografias autografadas em esta fase de a tua carreira , francamente , não é sensato , Harry , parece um_pouco megalómano . Pode ser que um dia mais tarde , tal_como eu , sejas obrigado a assinar para multidões onde quer que vás , mas - fez uma pequena pausa - não me parece que seja o caso , por enquanto . Tinham chegado a a aula de Lockhart e ele largou finalmente o Harry que sacudiu a túnica e foi sentar se em um lugar bem lá atrás onde começou por empilhar os livros de Lockhart a a sua frente para evitar olhar para a criatura . O resto de a aula entrou ruidosamente e Ron e Hermione foram sentar se um de cada lado de Harry . - Tu estavas vermelho como um pimentão - disse o Ron . - Reza para que o Creevey não se torne amigo de a Ginny senão bem podem criar o clube de * fans * de Harry_Potter . - Cala a boca - interrompeu Harry . A última coisa que desejava era que o Lockhart ouvisse a expressão « clube de * fans * de Harry_Potter « . Quando todos estavam em os seus lugares , Lockhart pigarreou alto e fez se silêncio . Ele inclinou se para a frente , pegou em o exemplar de Neville_Longbottom de * _ viagens com Duendes * e levantou o para mostrar a sua fotografia a piscar os olhos em a capa . - Eu - disse apontando para a fotografia e piscando também os olhos - Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , terceiro ano , membro honorário de a Liga_de_Defesa contra as artes negras e cinco vezes vencedor de o prémio de o * _ Feiticeiro de a semana * por o sorriso mais charmoso . Mas não vamos falar de isso , não venci a fada carpideira de Bandon a sorrir para ela ! Esperou que eles se rissem . Alguns alunos sorriram timidamente . - Já vi que todos vocês compraram a minha obra completa . Muito bem . Pensei começar hoje com um pequeno interrogatório escrito . Nada de complicado , só para perceber se leram bem os meus livros e o que apreenderam ... Depois de distribuir as folhas de teste voltou se para os alunos e disse : - Têm trinta minutos . Comecem já . Harry olhou para o papel e leu : *1 . Qual é a cor preferida de Gilderoy_Lockhart ? *2 . Qual é a ambição secreta de Gilderoy_Lockhart ? *3 . Qual é , em a sua opinião , a maior realização de Gilderoy_Lockhart até a o momento ? * E_por_aí adiante , ao_longo_de três páginas , terminando com : *54 . Qual é o dia de aniversário de Gilderoy_Lockhart e qual seria o seu presente preferido ? * Meia_hora mais tarde , Lockhart recolheu os pontos e folhou os rapidamente em frente de os alunos . - Tut , tut , quase ninguém se lembrou que a minha cor preferida é o lilás . Eu digo o em * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves * . Alguns precisam de voltar a ler com mais cuidado * Fim-de - _ Semana com Um Lobisomem * . Eu afirmo claramente em o décimo segundo capítulo que o meu presente de aniversário preferido seria a harmonia entre todos os seres , mágicos e não mágicos , embora não me importasse de receber uma garrafa grande de * whisky * velho de a Ogden's_Old_Firewhisky . Piscou lhes o olho de_novo . Ron olhava para Lockhart com uma expressão de incredulidade em o rosto . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas que estavam sentados a a frente tremiam de tanto conter o riso . Hermione , contudo , ouvia Lockhart com extrema atenção e deu um salto quando ouviu o seu nome . - Mas Miss_Hermione_Granger sabia que a minha ambição secreta era libertar o mundo de o mal e pôr a a venda a minha gama de poções de tratamento de o cabelo . Muito bem - voltou o papel . - Nota máxima ! Onde está Miss_Hermione_Granger ? Hermione ergueu uma mão trémula . - Excelente - bradou Lockhart , exultante . - Leva dez pontos para os Gryffindor . E vamos a o trabalho . Baixou se atrás de a secretária e pegou em uma grande gaiola coberta . - Ficam desde_já a saber , a minha função é preparar vos contra as criaturas mais malignas que a feitiçaria conhece . Vocês podem ter que enfrentar os maiores medos em esta sala . Saibam que nenhum mal vos sucederá comigo aqui . Só vos peço que se mantenham calmos . Ultrapassando os seus sentimentos , Harry espreitou através de a pilha de livros para ver melhor a gaiola . Lockhart colocou uma mão em a tampa . Dean e Seamus tinham deixado de se rir . Neville estava agachado em o seu lugar de a fila de a frente . - Vou pedir vos que não façam barulho - disse Lockhart em voz baixa . - Podem assustá os . Enquanto a aula inteira continha a respiração , Lockhart tirou a cobertura . - Sim - disse em um tom dramático . - Duendes_da_Cornualha recém-capturados . Seamus_Finnigan não conseguiu controlar se . Soltou uma gargalhada que nem Lockhart poderia confundir com um grito de terror . - Sim ? - sorriu a Seamus . - Bem , eles não são , não são perigosos , pois não ? - perguntou a rir . -- Não tenhas tanta certeza de isso - afirmou Lockhart , aborrecido , abanando um dedo , em direcção a Seamus . - Podem ser maçadores e muito traiçoeiros . Os duendes eram de um azul-eléctrico e tinham cerca de vinte centímetros de altura com feições angulosas e umas vozes tão estridentes que era como ouvir uma discussão entre araras . Logo_que o pano foi retirado , começaram a fazer uma enorme algazarra , a andar de um lado para o outro , batendo em as grades e fazendo caretas a as pessoas que estavam mais perto . - Muito bem - disse Lockhart em voz alta . - Vamos então ver o que vocês conseguem fazer de eles - e abriu a gaiola . Foi um pandemónio . Os duendes dispararam em todas_as direcções como foguetes . Dois de eles agarraram o Neville por as orelhas e levantaram o a o ar . Vários outros foram direitos a a janela , fazendo chover vidros partidos até a a fila de trás . Os restantes decidiram destruir a sala com maior eficácia do_que um rinoceronte em fúria . Agarraram em os tinteiros e salpicaram tudo em volta , rasgaram a os bocados livros e papéis , arrancaram os quadros de as paredes , levantaram a o ar a gaiola vazia , agarraram livros e sacos e lançaram nos por a janela de vidros estilhaçados . Em poucos minutos , metade de a aula estava abrigada debaixo de as secretárias e o Neville pendurado em o candelabro de o tecto . - Vamos lá , agarrem nos , agarrem nos , são apenas duendes ... - gritava Lockhart . Arregaçou as mangas , bramiu a varinha e pronunciou * Peshipiksi_Pesternomi ! * As palavras não tiveram o menor efeito . Um de os duendes pegou em a varinha de Lockhart e atirou a também por a janela fora . Lockhart engoliu em seco e mergulhou debaixo de a secretária , não sendo , por um triz , esmagado por o Neville que caiu um segundo depois , quando o candelabro cedeu . A campainha tocou e houve uma louca precipitação para a porta . Em a calma relativa que se seguiu , Lockhart endireitou se , olhou para Harry , Ron e Hermione que estavam quase a chegar a a porta e disse : - Bem , vou pedir vos a os três que prendam o resto de os duendes em a gaiola - passou por eles e fechou rapidamente a porta atrás_de si . - Isto dá para acreditar ? - resmungou o Ron , enquanto um de os duendes lhe mordia com toda_a força uma de as orelhas . - Ele só quer dar nos uma ajuda , permitindo nos ganhar experiência - justificou Hermione , imobilizando dois duendes de uma_vez com um encantamento de paralisação e metendo os de_novo em a gaiola . - Experiência ? - disse Harry , tentando agarrar um duende que dançava com a língua de_fora . - Hermione , ele não sabia nada do_que estava a fazer . - Disparate - retorquiu Hermione . - Leste os livros de ele . Vê só as coisas que ele já fez ! - Que diz que fez - resmungou o Ron . VII_Sangue de lama e murmúrios Harry passou imenso tempo , em os dias que se seguiram , a fugir sempre_que via Gilderoy_Lockhart aproximar se em o corredor . Mais difícil de evitar era Colin_Creevey que parecia ter decorado o horário de Harry . Parecia que nada o emocionava mais do_que dizer : - Tudo bem , Harry ? - seis ou sete vezes por dia e ouvir : - Olá , Colin - por mais exasperado que Harry estivesse quando lhe respondia . A Hedwig ainda estava zangada com Harry por causa de a desastrosa viagem de automóvel e a varinha de o Ron continuava a não funcionar , tendo ultrapassado tudo em a sexta-feira de manhã quando lhe saltou de as mãos em a aula de encantamentos e foi agredir o velho e baixinho professor Flitwick mesmo entre os olhos , deixando uma enorme bolha latejante em o sítio onde tinha batido . Por tudo_isso Harry via chegar , com satisfação , o fim_de_semana Planeava ir em o Sábado de anhã , com Ron e Hermione visitar o Hagrid . Mas foi acordado várias horas mais cedo do_que desejaria por Oliver ood , treinador de a equipa de Quidditch_dos_Gryffindor . - _ o que é_que se passa ? - perguntou Harry , enrolando as palavras . - Treino_de_Quidditch - disse Wood . - Vamos embora . Harry lançou um olhar de esguelha a a janela . Uma neblina fina pairava em o céu rosa e dourado . Agora_que estava acordado não percebia como pudera dormir com a algazarra que os pássaros faziam . - Oliver resmungou Harry . - É de madrugada . - Exacto - respondeu Wood . Era um rapaz alto e corpulento de o sexto ano e em aquele momento os olhos brilhavam lhe loucamente de entusiasmo . - Faz parte de o nosso novo programa de treinos . Anda lá , vai buscar a vassoura e vamos embora - insistiu Wood empenhado . - Nenhuma de as outras equipas começou ainda a treinar . Vamos ser os primeiros este ano ... A bocejar e a tremer um_pouco , Harry saltou de a cama e tentou descobrir as suas túnicas de Quidditch . - Bem , encontramo nos em o campo , dentro_de quinze minutos . Depois de descobrir a sua roupa escarlate de equipa e pôr o manto por cima para se aquecer , Harry escreveu a o Ron um bilhete a explicar onde tinha ido e desceu por a escada de espiral para a sala comum com a sua Nimbos dois inil a o ombro . Tinha acabado de chegar junto de o buraco de o retrato quando ouviu um barulho atrás_de si e viu Colin_Creevey descer a escada de espiral com a máquina fotográfica pendurada a o pescoço a balouçar como louca e uma coisa em a mão . - Ouvi alguém chamar o teu nome em as escadas , Harry olha o que tenho aqui . Revelei a e queria mostrar te . Harry olhou assombrado para a fotografia que Colin lhe espetava em frente de o nariz . Um Lockhart a preto e branco movia se , puxando com toda_a força um braço que Harry reconheceu como sendo o seu . Ficou satisfeito a o constatar que estava a resistir bastante bem , recusando se a ser trazido para a vista de todos . Enquanto Harry observava , Lockhart desistiu e desinteressou se de lutar contra a parte branca de a fotografia . - Assinas para mim ? - pediu Colin entusiasmado . - Não - respondeu secamente Harry , olhando em volta para verificar se o caminho estava livre . - Desculpa_Colin , mas estou cheio de pressa , treino de Quidditch . Passou por o buraco de o retrato . - Oh Uau ! Espera por mim . Eu nunca vi um jogo de Quidditch . Colin trepou por o buraco de o retrato atrás de ele . - Vai ser uma chatice para ti - disse Harry rapidamente , mas Colin ignorou o comentário . Todo o seu rosto brilhava de satisfação . - Tu foste o jogador mais novo de a equipa em cem anos , não foste Harry ? Não foste ? - perguntava Colin , trotando para o acompanhar . - Deve ser fantástico . Eu nunca voei . É fácil ? Essa vassoura é a tua ? É a melhor que há ? Harry não sabia como ver se livre de ele . Era como ter uma sombra que não se calava . - Eu não percebo nada de Quidditch - disse Colin , já sem fôlego . - É verdade que há quatro bolas ? E que duas anda n a voar , tentando fazer os jogadores caírem de as vassouras ? - Sim - disse Harry lentamente , resignado com o ter de lhe explicar as complicadas regras de o Quidditch . - São as * bludgers * . Há dois * beaters * em cada equipa que têm bastões para bater em as * bludgers * e lançá as para o outro lado . O Fred e o George_Weasley são os * beaters * de os Gryffindor . - E para que servem as outras bolas ? - perguntou Colin , saltando uma série de degraus porque ia a olhar para o Harry de boca aberta . - Bem , a * quaffle * , que é a vermelha grandalhona , é a que marca os golos . Três * chasers * em cada equipa lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam fazes a entrar em as balizas que ficam em o extremo de o campo onde há três grandes postes com argolas em as pontas . - E a quarta bola ? - A * snitch * dourada - explicou Harry . - É muito pequenina e veloz e extremamente difícil de agarrar . Mas é isso que o * seeker * tem de fazer , porque o jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * for agarrada . E o * seeker * que conseguir agarrá a ganha para a sua equipa mais cento_e_cinquenta pontos . - E tu és o * seeker * de os Gryffindor , não és ? - perguntou Colin respeitosamente . - Sim - disse Harry enquanto saíam de o castelo e começavam a atravessar o relvado . - E há também o * keeper * que toma conta de os postes . É isto . Mas Colin não parou de fazer perguntas desde os relvados macios até a o campo de Quidditch e Harry só se viu livre de ele quando chegaram a os vestiários . Colin gritou em uma voz aguda : - Eu vou arranjar um lugar , Harry - e apressou se em direcção a as bancadas . O resto de a equipa de os Gryffindor já se encontrava em os vestiários . Wood era o único que tinha aspecto de estar bem acordado . Fred e George_Weasley estavam sentados com olhos de sono e cabelos desgrenhados junto de Alicia_Spinnet de o quarto ano que parecia inclinar se contra a parede que tinha atrás_de si . Os seus companheiros * chasers * , Katie_Bell e Angelina_Johnson bocejavam em frente de ela . - Até que enfim , Harry , porque é_que demoraste tanto ? - perguntou Wood cheio de actividade . - Eu queria ter uma pequena conversa convosco antes de entrarmos propriamente em campo porque passei o Verão a conjecturar um novo programa de treinos que acredito vai estabelecer grandes mudanças . Wood tinha em as mãos um grande mapa de um campo de Quidditch onde estavam desenhadas muitas linhas , setas e cruzes a tinta de várias cores . Pegou em a varinha , bateu com ela em o quadro e as setas começaram a mover se em o mapa como tractores . Enquanto Wood se lançava em um discurso sobre as suas novas técnicas , a cabeça de Fred_Weasley caiu sobre o ombro de Alicia_Spinnet e ele começou a ressonar . O primeiro mapa levou quase vinte minutos a explicar , mas debaixo de esse havia outro e ainda um terceiro . Harry caiu em uma letargia enquanto Wood continuava indefinidamente . - Então - disse por fim o treinador , arrancando Harry de a avidez de uma fantasia sobre o que poderia estar a comer se se encontrasse em aquele momento em o castelo . - Ficou tudo claro ? Alguma pergunta ? - Eu tenho uma pergunta , Oliver - disse George que acordou estremunhado . - Porque não nos explicaste tudo_isso ontem , quando estávamos acordados ? Wood não ficou nada satisfeito . - Ouçam bem , vocês todos - disse , voltando se para eles mal-humorado . - Nós deveríamos ter ganho a taça de Quidditch o ano passado . Somos de longe a melhor equipa , mas , infelizmente , devido_a circunstancias que estão para_além de o nosso controlo ... Harry mudou de posição em a cadeira sentindo se culpado . Estivera inconsciente em o hospital durante o campeonato final de o ano anterior o que fez com que os Gryffindor com um jogador a menos tivessem sofrido a pior derrota de os últimos trezentos anos . Wood levou um momento a controlar se . Era evidente que a última derrota ainda o torturava . - Portanto , este ano vamos fazer um treino mais duro , como nunca se fez . O. _ K. , vamos lá pôr as teorias em prática - gritou , pegando em a vassoura e conduzindo os para fora de o vestiário . Com as pernas trôpegas e ainda a bocejar , a equipa seguiu o . Tinham estado tanto tempo lá dentro que o sol já tinha nascido e brilhava em o céu embora uma réstia de neblina pairasse ainda sobre o relvado de o campo . Quando Harry entrou em campo viu Ron e Hermione sentados em as bancadas . - Ainda não acabaram ? - perguntou Ron em um tom incrédulo . - Ainda nem começamos - explicou Harry , olhando cheio de inveja para a torrada com doce de laranja que Ron e Hermione tinham trazido de o salão . - O Wood tem estado a ensinar nos as jogadas . Subiu para a vassoura e deu um pontapé em o chão , elevando se em o ar . O ar fresco de a manhã bateu lhe em o rosto fazendo o acordar com mais eficácia do_que o longo discurso de Wood . Era maravilhoso voltar a estar em o campo de Quidditch . Voou em volta de o estádio a toda a a velocidade competindo com Fred e George . - Que barulhinho estranho é aquele ? - perguntou o Fred quando deram a volta . Harry olhou para as bancadas . Colin estava sentado em um de os lugares mais altos com a máquina fotográfica em o ar , tirando fotografia sobre fotografia , o som estranhamente ampliado em o estádio deserto . - Olha para ali , Harry , para ali - gritava de forma estridente . - Quem é aquele ? - perguntou Fred . - Não faço ideia - mentiu Harry , disparando a_toda_a velocidade e distanciando se o mais possível de Colin . - O que se passa aí ? - perguntou Wood , franzindo a testa enquanto corria por os ares atrás de eles . - Porque está aquele aluno de o primeiro ano a tirar fotografias ? Não me agrada . Pode ser um espião de os Slytherin a tentar descobrir o nosso novo programa de treinos . - Ele é de os Gryffindor - disse Harry rapidamente . - E os Slytherin não precisam de um espião , Oliver - completou George . - Porque dizes isso ? - perguntou Wood irritado . - Porque estão aqui em peso - disse George , apontando com o dedo . Vários indivíduos com túnicas verdes vinham em aquele momento a entrar em o campo de vassouras em a mão . - Não posso acreditar - reagiu Wood , sentindo se ultrajado . - Eu reservei o estádio para hoje . Já vamos ver como é_que isto fica ! Wood baixou direito a o chão sendo levado por a fúria a aterrar com mais força do_que pretendia e a cambalear um_pouco quando começou a andar seguido de o Harry e de o Ron . - Flint - bradou para o treinador de os Slytherin . - Este é o nosso tempo de treino . Levantámo nos de propósito . Vocês têm de sair de aqui . Marcus_Flint era ainda mais corpulento do_que Wood . Tinha em o rosto uma expressão de duende travesso quando respondeu : - Há espaço para todos , Wood . Angelina , Alicia e Katie tinham vindo também . Em a equipa de os Slytherin não havia raparigas que enfrentassem a o lado de os rapazes os Gryffindor . - Mas eu reservei o estádio - repetiu Wood de modo afirmativo , cuspindo de raiva . - Reservei o . - Ah ! - exclamou Flint . - Mas eu tenho aqui uma licença especial assinada por o professor Snape . * _ Eu , professor Snape , autorizo a equipa de os Slytherin a praticar hoje em o campo de Quidditch devido a a necessidade de treinar o seu novo seeker . * - Têm um novo * seeker * ? - perguntou Wood perturbado . - Onde ? E detrás de as seis figuras corpulentas que tinham em a frente , viram surgir uma sétima : um rapaz mais pequeno com um sorriso afectado espelhado em o rosto pálido e anguloso . Era_Draco_Malfoy . - Não és o filho de o Lucius_Malfoy ? - perguntou Fred , olhando para ele com antipatia . - Curioso que refiras o pai de o Draco - disse Flint enquanto toda_a equipa de os Slytherin sorria de modo grosseiro . - Deixem me mostrar vos a generosa oferta que ele fez a a equipa de os Slytherin . Os sete exibiram as suas vassouras . Sete cabos novos , polidos , com inscrições em letras douradas de as palavras « Nimbus dois_mil_e_um « brilharam a o sol de a manhã , em frente de o nariz de os Gryffindor . - O último modelo . Só chegou em o mês passado - disse Flint , displicentemente , sacudindo a poeira de o cabo de a sua vassoura . - Julgo que ultrapassam de longe as velhas séries de dois_mil . Quanto a as Cleansweeps - sorriu de forma mesquinha para Fred e George que tinham ambos Cleansweep_Fives - essas já só servem para varrer . Nenhum de os Gryffindor foi capaz de abrir a boca em aquele momento . Malfoy sorria tanto que os seus olhos de gelo estavam reduzidos a duas rachas . - Oh vejam - disse Flint . - Uma invasão de o campo . Ron e Hermione atravessavam o relvado para ver o que se passava . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron a o Harry . - Porque não estão a jogar e o que faz ele aqui ? Olhava para Malfoy em as suas vestes de Quidditch . - Sou o novo * seeker * de os Slytherin , Weasley - disse Malfoy com ar presumido . - Têm estado todos a admirar as vassouras que o meu pai comprou para a nossa equipa . Ron olhou de boca aberta para as sete vassouras que tinha em a frente . - São boas , não são ? - disse Malfoy untuosamente . - Mas talvez a equipa de os Gryffindor consiga levantar algum ouro e comprar também vassouras novas . Vocês podiam levar essas Cleansweep_Fives a leilão , talvez algum museu esteja interessado . A equipa de os Slytherin riu se a bandeiras despregadas . - Pelo_menos em os Gryffindor ninguém teve de comprar a sua entrada - disse secamente Hermione . - Entraram todos por mérito próprio . O ar presumido de Malfoy desapareceu . - Ninguém pediu a tua opinião , sangue de lama - cuspiu Malfoy . Harry apercebeu se , de imediato , que Malfoy dissera algo muito grave porque houve uma tremenda algazarra em o seguimento de as suas palavras . Flint teve que se pôr a a frente de o Malfoy para evitar que Fred e George se atirassem a ele . Alicia bradou : - Como te atreves ? - E Ron meteu a mão em as vestes e sacou de a varinha mágica , gritando : - Vais pagar por o que disseste , Malfoy ! - e apontou a , furioso , por debaixo de o braço de Flint , a o rosto de Malfoy . Um enorme estrondo , ecoou em o estádio e um jacto de luz verde saiu por a extremidade errada de a varinha de Ron , atingindo o em o estômago e projectando o para trás em direcção a o relvado . - Ron ! Ron ! Estás bem ? - gritou Hermione . Ron abriu a boca para falar , mas nenhuma palavra saiu . Em vez de isso , teve um vómito imenso e várias lesmas saíram lhe de a boca , indo cair lhe em o colo . A equipa de os Slytherin ficou paralisada de riso . Flint estava dobrado , agarrado a a vassoura nova . Malfoy , a quatro , batia com o punho em a chão . Os Gryffindor rodeavam o Ron , que continuava a vomitar lesmas enormes e reluzentes . Ninguém queria tocar lhe . - É melhor levá o para_casa de o Hagrid . É o mais perto - disse Harry_a_Hermione , que acenou afirmativamente , e os dois arrastaram o Ron por os braços . - O que aconteceu , Harry ? O que aconteceu ? Ele está doente ? Mas tu podes curá o , não podes ? - Colin descera a correr de o lugar onde estava sentado e dançaricava em frente de eles , enquanto abandonavam o campo . Ron teve um novo arremesso e mais lesmas saíram de a sua boca . - Oooh ! - exclamou Colin fascinado , levantando a máquina fotográfica . - Podes mantê o quieto , Harry ? - Sai de a minha frente , Colin - gritou Harry zangado . Ele e a Hermione conseguiram levar o Ron para fora de o estádio , atravessar os campos e chegar a a beira de a floresta . - Está quase , Ron - disse Hermione , mal avistaram o casebre de o guarda de os campos . - Vais ficar bem dentro_de um minuto ... está quase ... Estavam a sessenta metros de a casa de Hagrid , quando a porta de a frente se abriu . Mas não foi Hagrid quem saiu de lá , e sim Gilderoy_Lockhart , em uma túnica cor de malva . - Rápido , vamos esconder nos aqui - sussurrou Harry , arrastando Ron para trás de um arbusto que havia ali perto . Hermione acompanhou o , embora um_pouco relutante . -- É muito simples quando se sabe o que se está fazer ! - gritava Lockhart_para_Hagrid . - Se precisar de ajuda , sabe onde estou . Vou dar lhe um exemplar de o meu livro . Espanta me que ainda não o tenha . Logo a a noite autografo o e envio lhe o . Bem . até a a próxima ! - e afastou se em direcção a o castelo . Harry esperou que Lockhart desaparecesse , antes de puxar o Ron de trás de o arbusto até a a casa de o Hagrid . Bateram ansiosamente . Hagrid apareceu logo com um ar mal-humorado , que se dissipou quando viu quem era . - Já me tinha perguntado quand'é que vocês vinham ver me , entrem , entrem , pensei qu'era outra_vez o professor Lockhart . Harry e Hermione ajudaram Ron a subir o degrau que dava acesso a a cabana de uma divisão com uma cama enorme a um de os cantos e uma lareira a crepitar alegremente em o outro . Hagrid não pareceu perturbado com o problema de as lesmas de o Ron que Harry lhe explicou precipitadamente , logo_que sentou o Ron em uma cadeira . - Melhor saírem de o qu'entrarem - disse , em um tom bem-disposto , colocando uma grande bacia de cobre em frente de ele . - Deita as todas fora , Ron . - Acho que não há mais_nada a fazer , a não ser esperar que isto pare - disse Hermione ansiosamente , vendo Ron inclinar se para a bacia . - É uma maldição muitas_vezes difícil , mas com uma varinha partida ... Hagrid andava de um lado para o outro a preparar o chá . O cão de ele , Fang , babava se em cima de o Harry . - O que é_que o Lockhart queria de ti ? - perguntou o Harry , coçando as orelhas de o Fang . - Ensinar me a tirar espíritos aquáticos com forma de cavalos d'uma nascente d'água - resmungou Hagrid , retirando de a mesa pequena um galo meio depenado e colocando em o seu lugar o bule . - Como s'eu não soubesse . E contar me uma peta qualquer d'uma fada carpideira que ele venceu . Engulo essa chaleira , se uma palavra do_que ele disse for verdade . Não era hábito de Hagrid criticar um professor de Hogwarts e Harry olhou para ele com alguma surpresa . Mas Hermione disse em uma voz mais aguda do_que de costume : - Acho que estás a ser injusto . O professor Dumbledore obviamente achou que era o melhor homem para o lugar ... - Era o único - explicou Hagrid , oferecendo lhes um prato de bombons de melaço enquanto Ron tossia para a bacia . - E não havia mais ninguém . Não é fácil encontrar quem queira dar Artes de magia negra . As pessoas não gostam de essa matéria . Começam a pensar que está amaldiçoada , ninguém ficou muito_tempo a dá a . Mas digam me lá - continuou Hagrid , inclinando a cabeça para Ron - quem é qu'ele estava a tentar amaldiçoar ? - O Malfoy chamou qualquer coisa a a Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si . - Foi grave , sim - disse o Ron com voz rouca , emergindo a a superfície de a mesa , pálido e transpirado . - O Malfoy chamou lhe sangue de lama , Hagrid . - Ron desapareceu outra_vez quando uma nova onda de lesmas fez o seu aparecimento . Hagrid estava indignado . - Não posso crer - exclamou , dirigindo se a Hermione . - Chamou sim - disse ela . - Mas eu não sei o que significa . Percebi que era má educação , claro ... - É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar - explicou Ron novamente . - Sangue de lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles , sabes , filho de pais não mágicos . Há alguns feiticeiros , como a família de o Malfoy que acham que são melhores do_que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro . - Teve um pequeno vómito e uma lesma isolada caiu lhe em a mão aberta . Ele atirou a para a bacia e continuou . -- É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma . Olha_o_Neville_Longbottom , é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito . - E ainda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer - afirmou Hagrid , orgulhoso , fazendo Hermione corar em tons de magenta . - É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém - disse o Ron , limpando o suor de a testa com a mão trémula . - Sangue sujo , sangue vulgar , é um disparate . A maior parte de os feiticeiros hoje_em_dia têm sangue misturado . Se não tivéssemos casado com Muggles tinha sido o nosso fim . Fez um esforço para vomitar e baixou se mais_uma_vez . - Bem , não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá o , Ron - disse Hagrid bem alto enquanto montes de lesmas caíam em a bacia . - Mas , se_calhar , não foi mau de todo teres a varinha a trabalhar ao_contrário . Acho que Lucius_Malfoy teria vindo logo a correr a a escola se tivesses amaldiçoado o filho . Assim , pelo_menos , não estás metido em nenhum sarilho . Harry teria referido que o problema não podia ser pior do_que deitar lesmas por a boca , mas não pôde . Os bombons de melaço tinham lhe colado os maxilares um_ao_outro . - Harry - disse de repente Hagrid como_que movido por um pensamento súbito . - Tens de me explicar uma coisa . Ouvi dizer que tens andado a dar fotografias autografadas . Porque é qu'eu não tenho nenhuma ? A fúria de Harry foi tão grande que os maxilares se libertaram . - Eu não tenho dado fotografias autografadas - disse com vivacidade . Se o Lockhart andou a espalhar isso ... Mas em esse momento viu que Hagrid se estava a rir . - ´ _ tou a brincar - disse , dando uma palmadinha em as costas de Harry e fazendo lhe sinal para se sentar a a mesa . -- Eu sabia que não tinhas . Disse a o Lockhart que tu não precisavas de isso . Es mais famoso do_que ele sem sequer , tentares . - Aposto que ele não gostou de ouvir isso - comentou Harry , sentando se e esfregando o queixo . - Acho que não gostou mesmo - prosseguiu Hagrid com os olhinhos a brilhar . - E disse lhe também que nunca tinha lido nenhum de os livros de ele e ele foi se embora . Um bombom de melaço , Ron ? - perguntou a o vê o reaparecer . - Não , obrigado - disse o Ron com uma voz fraca . - É melhor não arriscar . - Venham ver o qu'eu tenho estado a criar - disse Hagrid quando Harry e Hermione acabaram de tomar o chá . Em a pequena horta atrás de a casa estava uma_dúzia de as maiores abóboras que Harry alguma vez vira . Pareciam enormes blocos de pedra . - Estão a dar se bem , não achas ? - disse Hagrid , feliz . São para a festa de o * _ Hallow'en * . Devem estar bem grandes quando chegar a altura . - O que é_que lhes tens dado como alimento ? - perguntou Harry . Hagrid olhou por cima de o ombro para confirmar se estavam sós . - Bem , tenho estado a dar lhes ... uma pequena ajuda . Harry reparou em o guarda-chuva cor-de-rosa a as florzinhas que estava encostado contra a parede de a cabana . Tivera em o ano anterior motivos para crer que aquele guarda-chuva não era o que parecia . De facto , acreditava que a antiga varinha de escola de Hagrid se encontrava oculta dentro de ele . Hagrid não tinha autorização para usar magia . Fora expulso de Hogwarts em o terceiro ano embora Harry nunca tivesse descoberto o motivo . Qualquer referência a esta questão fazia Hagrid pigarrear bem alto e ficar misteriosamente surdo até mudarem de assunto . -- Um encantamento de absorção , imagino ? - comentou Hermione entre a desaprovação e o divertimento . - Bem , se assim foi , fizeste um bom trabalho . - Foi o que disse a tua irmãzinha - respondeu Hagrid acenando em direcção a Ron . - Encontrei a ontem . - Hagrid olhou de lado para Harry , a barba a contorcer se . - Disse que andava só a ver os campos , mas eu acho qu'ela esperava encontrar alguém em a minha casa - piscou o olho a o Harry . - Se queres que te diga acho qu'ela não recusaria uma fotografia autogr ... - Cala te com isso - disse Harry . Ron desatou a rir e o chão ficou cheio de lesmas . - Cuidado - resmungou Hagrid , afastando Ron de as suas preciosas abóboras . Estava quase em a hora de o almoço e , como o Harry só tinha provado um bombom de melaço desde manhã cedo , estava ansioso por chegar a a escola para ir comer . Despediram se de o Hagrid e regressaram a o castelo . O Ron a vomitar de vez em quando , mas deitando só duas pequenas lesmas . Mal tinham pisado a entrada de o vestíbulo quando ouviram uma voz . - Aí estão vocês , Potter , Weasley . - A professora Mc_Gonagall vinha em direcção a eles com o seu ar severo . - Vocês os dois vão ter as punições hoje a a tarde . - O que é_que vamos fazer , professora ? - perguntou o Ron nervoso , deixando cair uma lesma . - Tu vais limpar as pratas em a sala de os troféus com Mr._Filch - disse a professora Mc_Gonagall . - E nada de mágicas , Weasley , trabalho com esforço . Ron engoliu em seco . Argus_Filch , o encarregado , era odiado por todos os alunos de a escola . - E tu , Potter , vais ajudar o professor Lockhart a responder a as cartas de as suas fãs - ordenou a professora Mc_Gonagall . - Oh , não ! Não posso ir também trabalhar em a sala de os troféus ? - pediu Harry em desespero de causa . - Nem pensar em isso - respondeu a professora Mc_Gonagall , erguendo as sobrancelhas . - O professor Lockhart requisitou te especialmente a ti . _ a as oito_em_ponto , os dois . Harry e Ron entraram em o salão em um estado de profundo desanimo com a Hermione atrás , ostentando uma expressão de * bem-voces-quebraram-as-regras-da-escola * . Harry não saboreou o empadão de carne como teria desejado . Tanto ele como o Ron achavam que tinham tido o pior de os castigos . -- O Filch vai reter me lá toda_a noite - disse Ron , desanimado . - Sem mágica ! Deve haver umas cem taças em aquela sala , eu não sei fazer limpeza de Muggles . - Eu trocava contigo de boa_vontade - confessou Harry em uma voz surda . - Tive montes de prática com os Dursleys . Responder a o correio de fãs de o Lockhart , que pesadelo ... A tarde de sábado pareceu derreter se . Pouco depois eram já cinco para as oito e Harry arrastava se até a o corredor de o segundo andar onde ficava o escritório de o Lockhart . Rangendo os dentes , bateu a a porta . A porta abriu se imediatamente e Lockhart dirigiu se lhe . - Ah , cá está o patifório ! - exclamou . - Entra , Harry , entra . Em as paredes , brilhando à_luz_de muitas velas , podia ver se uma infinidade de fotografias de Lockhart . Algumas de elas até assinadas . Sobre a secretária estava outro monte enorme . - Podes pôr as moradas em os envelopes - disse Lockhart_a_Harry , como_se fosse uma grande ameaça . - O primeiro é para Gladys_Gudgeon , abençoada seja , uma grande fã minha . Os minutos passavam lentos . De vez em quando , Harry ouvia a voz de Lockhart dizendo : - Mmm - e - certo - e - sim . - De vez em quando , apanhava uma frase como : - A fama é versátil , amigo Harry - ou - Só é célebre quem faz por isso , nunca te esqueças . As velas ardiam cada_vez com maior lentidão , fazendo a luz dançar sobre as muitas caras de Lockhart que o olhavam . Harry passava a mão , já dorida , sobre o que devia ser o centésimo envelope , escrevendo a morada de Verónica_Smethley . « Deve estar quase em a hora de me ir embora » , pensou , sentindo se profundamente infeliz , « por favor , faz com que esteja em a hora ... » E então ouviu algo , algo totalmente diferente de o crepitar de as velas e de os ditos de Lockhart sobre as suas fãs . Era uma voz , uma voz de arrepiar os ossos , de cortar a respiração , de veneno frio . - * _ Vem ... vem ter comigo ... deixa me rasgar te ... cortar te ... matar te * ... Harry deu um salto e uma enorme mancha lilás surgiu em a rua de Verónica_Smethley . - O quê ? - disse ele em voz alta . - Eu sei - exclamou Lockhart . - Seis meses inteirinhos em o topo de a lista de * bestsellers * , bati todos os recordes ! - Não - disse Harry nervosíssimo - aquela voz ! - Como ? - perguntou Lockhart , com um ar confuso . - Que voz ? - Aquela , aquela voz que disse ... não ouviu ? Lockhart olhava para Harry com o maior espanto . - De que é_que estás a falar , Harry ? Estás a ficar com sono ? Meu Deus , olha , só estamos aqui há quase quatro horas , quem diria ? O tempo passou a correr , não é verdade ? Harry não respondeu , estava a fazer um esforço para ouvir de_novo a voz , mas o único som que ouviu foi Lockhart a dizer lhe que não esperasse um tratamento igual de as próximas vezes que fosse castigado . Harry saiu , sentindo se atordoado . Era tão tarde que a sala comum de os Gryffindor estava quase vazia . Harry foi directamente para o dormitório . Ron ainda não tinha voltado . Vestiu o pijama , meteu se em a cama e esperou . Meia_hora mais tarde , chegou o Ron agarrado a o braço direito e inundando o quarto escuro de um forte cheiro a limpa-pratas . - Doem me todos os músculos - resmungou , metendo se em a cama . - Ele fez me polir catorze vezes aquela taça de Quidditch até estar satisfeito . E depois tive outro vómito em_cima_de um troféu de Reconhecimento por serviços prestados a a escola . Demorei séculos a limpar o muco de as lesmas . Como correram as coisas com o Lockhart ? Em voz baixa para não acordar o Neville , o Dean e o Seamus , Harry contou lhe , palavra por palavra , o que tinha ouvido . - E Lockhart disse que não ouviu nada ? - perguntou o Ron . Harry viu o franzir a testa , a a luz de o luar . - Achas que estava a mentir ? Mas , não percebo , mesmo um ser invisível teria aberto a porta . - Eu sei - disse Harry , encostando se a a cama e olhando para o dossel . - Também não compreendo . VIII_A festa de o dia de os mortos Outubro chegou , espalhando um frio húmido por os campos e por os cantos de o castelo . Madam_Pomfrey , a enfermeira-chefe , esteve bastante ocupada com uma onda de constipações que afectou professores e alunos . A sua poção de pimentão entrou imediatamente em acção apesar_de deixar quem a tomava com fumo em os ouvidos durante várias horas . Ginny_Weasley , que andava com ar adoentado , foi convencida a tomá a por o Percy . O fumo que saía por debaixo de o seu cabelo ruivo dava a impressão de que toda_a cabeça estava em fogo . Gotas de chuva de o tamanho de balas agrediram as janelas de o castelo durante dias a fio . O lago rosado e os canteiros de flores tornaram se regatos lamacentos e as abóboras de o Hagrid incharam ficando de o tamanho de alpendres de jardim . Contudo , o entusiasmo de Oliver_Wood por as sessões de treino regular não foi abalado , motivo por o qual Harry iria regressar a a torre de os Gryffindor , em um sábado a a tarde de temporal , alguns dias antes de o * _ Hallowe'en * , ensopado até a os ossos e todo enlameado . Além de a chuva e de o vento , não fora um treino feliz . Fred e George que tinham andado a espiar a equipa de os Slytherin tinham visto com os seus próprios olhos a velocidade alucinante de aquelas novas Nimbus dois_mil_e_um e comentaram que a equipa em o ar parecia composta por sete manchas esverdeadas que disparavam a_toda_a velocidade como aviões a jacto . Enquanto Harry chapinhava a o longo de o corredor deserto , cruzou se com alguém que parecia tão preocupado como ele : Nick quase sem cabeça , o fantasma de a torre de os Gryffindor que olhava taciturno , por a janela , murmurando baixinho : - Não preenche os requisitos , um centímetro e meio se ... - Olá , Nick - cumprimentou Harry . - Olá , olá - disse o Nick quase sem cabeça , começando a olhar em volta . Usava um arrebatado chapéu de plumas sobre a longa cabeleira encaracolada e uma túnica com gola de tufos que disfarçava o facto de ter o pescoço quase totalmente separado de o corpo . Era pálido como o fumo e Harry podia ver através de ele o céu negro e a chuva torrencial , lá fora . - Pareces preocupado , jovem Potter - disse Nick , dobrando uma carta transparente , enquanto falava e escondendo a dentro de a jaqueta . - Tu também - retorquiu Harry . - Ah ! - o Nick quase sem cabeça acenou com a mão de forma elegante . - Uma questão sem importância . Não é_que eu quisesse realmente participar apesar_de me ter inscrito , mas , a o que parece , não preencho os requisitos . - Apesar de o seu tom jovial havia em o seu rosto uma grande amargura . - Mas era de esperar , ou não era - exclamou subitamente , tirando a carta de o bolso - que ter levado quarenta_e_cinco golpes em a cabeça com um machado ferrugento me qualificaria para entrar em o grupo de os Sem - _ Cabeça ? - Sim , sim - respondeu Harry que obviamente o outro esperava que concordasse . - Isto_é , ninguém mais do_que eu desejaria que tudo tivesse sido rápido e perfeito , poupava me muitas dores e ridículo . Mas ... O Nick quase sem cabeça abriu , furioso , a carta e leu : * _ Só podemos aceitar em o grupo homens cuja cabeça tenha sido separada de o corpo . Compreenderá que de outro modo seria impossível a os nossos membros participarem em actividades como equitação de malabarismos com a cabeça e pólo de cabeça . Lamentamos profundamente informá o de que não preenche os requisitos . * _ Os nossos melhores cumprimentos , Sir_Patrick_Delaney - _ Podmore * Furioso , o Nick quase sem cabeça atirou fora a carta . - Um centímetro de pele e tendões a segurarem me a cabeça , Harry ! A maior parte de as pessoas acharia que era mais do_que o suficiente , mas não serve para o senhor correctamente decapitado Podmore . Nick quase sem cabeça respirou fundo várias vezes e , por fim , em um tom bastante mais calmo perguntou : - Então o que é_que te preocupa ? Alguma coisa que eu possa fazer por ti ? - Não - respondeu Harry . - A_não_ser_que saibas onde posso arranjar sete Nimbus dois_mil_e_um , de_graça , para o nosso campeonato contra os Sly ... - o resto de a frase foi afogada por um miado agudo vindo de perto de os seus tornozelos . Olhou para baixo e deu consigo a fitar um par de olhos que pareciam duas lâmpadas amarelas . Era_Mrs._Norris , a gata cinzenta e esquelética usada por o encarregado Argus_Filch como uma espécie de polícia em a sua infindável batalha contra os estudantes . - É melhor saíres de aqui , Harry - preveniu Nick com toda_a calma . - O Filch não está nada bem-disposto . Anda engripado e alguns alunos de o terceiro ano , por acidente , encheram o tecto de o calabouço cinco de miolos de rã . Ele tem andado toda_a manhã a limpar e se te vê a encher tudo de lama ... - Certo - disse Harry , recuando e afastando se de o olhar acusador de Mrs._Norris , mas ... tarde de mais . Conduzido até ali por o misterioso poder que parecia ligá o a a gata , Argus_Filch entrou subitamente por uma tapeçaria que se encontrava a a direita de Harry , com a sua respiração asmática , olhando vivamente em volta em busca de o infractor . Tinha um lenço grosso , de xadrez , a a volta de a cabeça e o nariz invulgarmente arroxeado . - Imundície - gritou com os maxilares a tremer e os olhos a saltarem lhe de as órbitas , enquanto apontava para a poça de lama que pingara de a túnica de Quidditch_de_Harry . - Desarrumação e imundície em todo o lado . Estou farto disto , segue me , Potter . Harry despediu se de o Nick quase sem cabeça com um tímido aceno e seguiu Filch até lá abaixo , duplicando o número de pegadas lamacentas em o chão . Nunca entrara em o gabinete de o Filch . Era um lugar que a maior parte de os estudantes evitava . A divisão era sombria e sem janelas , iluminada por uma única lamparina de óleo que pendia de o tecto . Sentia se um vago cheiro a peixe frito . As paredes estavam forradas por ficheiros de madeira . Por as etiquetas Harry percebeu que continham os dados de todos os alunos que Filch tinha punido . Fred e George_Weasley tinham uma gaveta só para eles . Atrás de a secretária estava pendurada uma colecção bem polida de correntes e algemas . Todos sabiam que ele estava sempre a pedir a Dumbledore que o deixasse pendurar os alunos em o tecto por os tornozelos . Filch pegou em uma pena que estava sobre a secretária e começou a procurar o pergaminho . - Bosta - murmurou , furioso . - Bosta de dragão , miolos de rã , intestinos de ratazana ... eu tinha aqui bastante , onde está o form ... sim ... Tirou um enorme rolo de pergaminho de a gaveta de a secretária e estendeu o em a frente , molhando a longa pena em o tinteiro . - Nome : Harry_Potter . Crime ... - Foi só um bocadinho de lama - disse Harry . - É só um bocadinho de lama para ti , rapaz , mas para mim é mais de uma hora a esfregar - gritou Filch com um pingo a tremer de modo desagradável em a extremidade de o nariz bolboso . - Crime : manchar o castelo . Sentença proposta ... Esfregando o nariz que continuava a pingar , Filch olhou com má cara para Harry que esperava com a respiração entrecortada para ouvir a sentença . Mas quando Filch pegou em a pena ouviu se um estrondo enorme em o tecto que fez a lamparina apagar se . - PEEVES - resmungou Filch , pousando a pena , cheio de raiva . - Desta_vez apanho te . Apanho te ! E sem olhar para trás , saiu a correr a_toda_a velocidade de o gabinete , seguido de a gata , Mrs._Norris . Peeves era o * poltergeist * de a escola , uma ameaça de risota esvoaçante que vivia para fazer estragos e criar aflição . Harry não gostava lá muito de ele , mas desta_vez , não podia deixar de lhe estar grato . Na_melhor_das_hipóteses o que Peeves tivesse feito ( e parecia que agora ele destruíra qualquer coisa em grande ) distrairia Filch_de_Harry . Pensando que o melhor seria esperar que ele voltasse , Harry deixou se cair em uma cadeira carcomida por o tempo que se encontrava junto de a secretária . Havia uma coisa sobre o tampo : um grande envelope roxo e lustroso com letras prateadas em a frente . Lançando um olhar rápido a a porta para confirmar que Filch não estava de volta , Harry pegou lhe e leu : __ feitiço __ rápido Um curso por correspondência De iniciação a a magia Cheio de curiosidade , abriu o envelope e retirou o rolo de pergaminho . Uma letra curvilínea e prateada dizia : Sente se pouco a a vontade em o mundo de a magia moderna ? Dá consigo a arranjar desculpas para não fazer feitiços simples ? Tem sido censurado por o deplorável trabalho com a varinha ? Eis a resposta ! Feitiço rápido e um curso totalmente novo , infalível , de resultados rápidos e rápida aprendizagem . Centenas de bruxas e feiticeiros têm beneficiado de o método feitiço rápido ! Madam_Z._Nettles_de_Topsham escreve nos : Eu não conseguia fixar os encantamentos e as minhas poções eram alvo de risota em a família . Agora , depois de o curso feitiço rápido , tornei me o centro de as atenções em todas_as festas e os meus amigos não param de pedir me a receita de a minha brilhante solução ! O mágico D.J._Prod , de Disbury , afirma : A minha mulher costumava rir se de os meus fracos encantamentos , mas bastou um mês com o vosso fabuloso curso feitiço rápido e consegui transformá a em um iaque . Obrigado , feitiço rápido ! Fascinado , Harry folheou o resto de o conteúdo de o envelope . Para que diabo quereria o Filch um curso de feitiço rápido ? Não seria ele um feiticeiro a sério ? Harry estava a ler a lição número um : Pegando em a varinha ( algumas dicas úteis ) quando umas passadas arrastadas , lá fora , o preveniram de que Filch estava de volta . Metendo rapidamente o pergaminho dentro de o envelope , lançou o para_cima de a secretária em o preciso momento em que a porta se abriu . Filch ostentava um ar triunfante . - Aquele armário que desapareceu era extremamente valioso - vinha ele a dizer a a gata , Mrs._Norris . - Desta_vez vamos correr com o Peeves , minha linda . Os seus olhos recaíram sobre Harry e logo_a_seguir sobre o envelope de o feitiço rápido que , Harry apercebeu se tarde de mais , estava meio metro distanciado de o seu lagar inicial . O rosto pálido de Filch tornou se vermelho escarlate . Harry preparou se para uma nova onda de fúria . Filch coxeou até a a secretária , arrebatou o envelope e meteu o em uma gaveta . -- Chegaste a ... lê o ? - perguntou atabalhoadamente . - Não - mentiu Harry , sem perder tempo . As mãos nodosas de o Filch contorciam se ao_mesmo_tempo . - Se eu soubesse que ias ler a minha correspondência priv ... não que seja minha ... é para um amigo ... mesmo_assim ... Harry olhava para ele espantado . Nunca vira o Filch tão louco . Os olhos pareciam querer saltar lhe de as órbitas , com um tique em as bochechas e aquele lenço axadrezado que não ajudava nada ... - Muito bem , vai e não abras a boca sobre isto ... não que ... mesmo_assim ... se tu não leste ... vai te embora , tenho de escrever o relatório sobre o Peeves , vai . Atordoado com a sua sorte , Harry saiu de ali e largou a correr por o corredor fora e por as escadas acima . Sair de o gabinete de o Filch sem um castigo devia ser um recorde em a escola . - Harry , Harry , deu resultado ? O Nick quase sem cabeça saiu a brilhar de uma sala de aula . Atrás de ele , Harry pôde ver os destroços de um grande armário preto e dourado que parecia ter sido atirado de uma grande altura . - Convenci o Peeves a parti o mesmo em cima de o gabinete de o Filch - disse Nick entusiasmado . - Pensei que talvez o distraísse . - Foste tu ? - exclamou Harry , agradecido . - Funcionou sim . Ele não me deu nenhum castigo . Obrigado , Nick . Atravessaram o corredor juntos . O Nick quase sem cabeça , reparou Harry , ainda tinha em a mão a carta de Sir_Patrick . - Gostaria de poder fazer qualquer coisa sobre o grupo de os Sem - _ Cabeça - disse Harry . O Nick quase sem cabeça parou de repente e Harry passou através de ele . Antes não tivesse passado , foi como atravessar um duche gelado . - Mas há uma coisa que tu podes fazer por mim - disse Nick muito agitado . - Harry , seria pedir te de mais ... mas não , tu não ias querer ... - O quê ? - Bem , este ano em o * _ Hallowe'en * vai ser o meu meio milénio de dia de os mortos - disse o Nick quase sem cabeça endireitando se e adquirindo uma postura de grande dignidade . - Oh - respondeu Harry sem saber se deveria lamentar ou dar lhe os parabéns . - Certo . - Vou dar uma festa em um de os calabouços mais amplos . Vêm amigos meus de todo o país . Seria uma honra muito grande se tu aparecesses . Mr._Weasley e Miss_Granger seriam também muito bem-vindos , claro . Mas tu deves preferir o banquete de a escola , não é verdade ? - Olhou para Harry , aflito . - Não - assegurou ele rapidamente . - Eu vou . - Oh rapaz , Harry_Potter em a minha festa de os mortos - hesitou no_meio_de toda aquela excitação . - Achas que poderias referir a Sir_Patrick como me achas assustador e como te impressiono ? - É claro que sim - assegurou Harry . O Nick quase sem cabeça iluminou se em um sorriso . - Uma festa de os mortos ? - exclamou Hermione , entusiasmada , quando Harry , depois de mudar de roupa , se juntou a ela e a o Ron em a sala comum . - Aposto que não há muitas pessoas que possam gabar se de ter estado em uma festa de essas . Vai ser fantástico ! - Por_que é_que alguém se lembraria de festejar o dia em que morreu ? - perguntou o Ron que estava a meio de o seu trabalho de casa de poções e bastante maldisposto . - Parece me bastante mórbido . A chuva continuava a lamber as janelas que apresentavam agora um negro que parecia tinta , mas , lá dentro , era tudo claro e alegre . O fogo em a lareira brilhava sobre as inúmeras cadeiras de braços onde as pessoas estavam sentadas a ler , a conversar , a fazer os trabalhos de casa ou , no_caso_de Fred e George_Weasley , a tentar descobrir o que aconteceria se alimentassem uma salamandra com fogo-de-artíficio de o Filibuster . O Fred tinha « resgatado . o lagarto cor de laranja brilhante , morador de o fogo , de uma aula de tratamento de seres mágicos e ele estava agora a arder em fogo lento sobre uma mesa , rodeado de um grupo de curiosos . Harry ia começar a contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre o Filch e o curso de feitiço rápido quando a salamandra disparou por os ares , lançando faíscas e estoiros . A visão de Percy a gritar com Fred e George até ficar ronco , a fantástica exibição de estrelas cor de tangerina que choviam de a boca de a salamandra e a sua fuga para o lume acompanhada de explosões , fizeram com que Harry se esquecesse , em aquele momento , de Filch e de o curso de feitiço rápido . Quando chegou o * _ Hallowe'en * , Harry já lamentava a sua promessa imprudente de ir a a festa de os mortos . Toda_a escola antecipava , feliz , a sua festa de * _ Hallowe'en * . O salão nobre fora enfeitado com os habituais morcegos , as enormes abóboras de Hagrid tinham sido esculpidas em forma de lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro_de cada uma , e havia boatos de que Dumbledore contratara um grupo de esqueletos bailarinos para animar a festa . - Uma promessa é uma promessa - lembrou Hermione_a_Harry com o seu autoritarismo habitual . - Tu disseste que ias a a festa de os mortos . Portanto , a as sete_da_tarde , Harry , Ron e Hermione saíram , passando por a porta de o salão nobre que brilhava de modo convidativo com pratos dourados e velas e dirigiram os seus passos para os calabouços . O corredor que conduzia a a festa de o Nick quase sem cabeça tinha sido também ladeado de velas , embora o efeito estivesse longe_de ser alegre : estas eram velas muito esguias e estreitas , negras de breu , ardendo em um azul brilhante e lançando uma luz indistinta e espectral também sobre as caras de as pessoas vivas . A temperatura diminuía a cada degrau que desciam . Harry tremia e cingia a túnica a o corpo quando ouviu qualquer coisa que parecia uma centena de unhas a rasparem um enorme quadro preto . - Será que isto_é a música ? - murmurou Ron . Viraram uma esquina e viram o Nick quase sem cabeça junto de uma porta , todo vestido de veludo negro . - Meus queridos amigos - disse com ar de luto . - Bem-vindos , bem-vindos , ainda_bem que puderam vir . Em um gesto largo tirou o chapéu de plumas e fez lhes sinal para que entrassem . Era uma visão incrível . O calabouço estava cheio com centenas de pessoas de um branco pálido e translúcido , a maior parte de as quais era arrastada em uma pista de dança cheia , valsando a o som de trinta serrotes musicais . Os serrotes que compunham a orquestra encontravam se sobre um estrado enfeitado com panos negros . Um lustre lá em cima resplandecia de um azul nocturno com mais um_milhar de velas negras . A respiração de os três subiu em o ar como uma neblina . Parecia que tinham entrado em um congelador . - Vamos dar uma volta - sugeriu Harry em uma tentativa de aquecer os pés . - Cuidado , não atravessem nenhum de eles - avisou o Ron nervosamente e colocaram se em volta de a pista de dança . Passaram por um grupo escuro de freiras , por um homem esfarrapado e cheio de correntes e por o frade gordo , o divertido fantasma de os Hufflepuff que estava a conversar com um cavaleiro com uma seta enfiada em a testa . Harry não ficou nada surpreendido a o ver que o Barão sangrento , o fantasma lúgubre e berrante de os Slytherin , coberto de nódoas de sangue ; estava a ser totalmente evitado por os outros fantasmas . - Oh ! Não -- exclamou Hermione , parando bruscamente . - Voltem se , voltem se , não quero ter de cumprimentar a Murta_Queixosa . - Quem ? - perguntou Harry enquanto davam rapidamente meia volta . - Ela assombra a casa_de_banho de as raparigas de o primeiro andar - explicou Hermione . - Assombra uma casa_de_banho ? - Sim . Está inoperativa durante todo o ano porque ela tem constantes acessos de choro e inunda tudo . Eu só lá fui quando não pode mesmo evitar . É horrível tentar ir a a sanita com ela a gritar connosco . - Olhem , comida - disse o Ron . De o outro lado de o calabouço estava uma mesa igualmente coberta de velado negro . Iam para se aproximar entusiasmados , mas pararam com uma expressão de horror . O cheiro era nauseabundo . Enormes peixes podres enchiam as bonitas travessas de prata , os bolos estorricados como carvões amontoavam se em as salvas , havia uma grande quantidade de miúdos de macaco , uma tábua de queijos cobertos de bolor e , em o lugar de honra , um enorme bolo cinzento em forma de lápide com letras que pareciam alcatrão formando as palavras , * _ Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington_Morto em 31_de_Outubro , 1492 * . Harry olhou espantado quando um fantasma de porte majestoso se aproximou de a mesa inclinando se e passando através de ela com a boca aberta enquanto atravessava um salmão malcheiroso . - Consegue prová o passando através de ele ? - perguntou lhe Harry . - Quase - disse tristemente o fantasma antes de se afastar . - Devem ter deixado apodrecer tudo_isto para ter um sabor mais forte - comentou Hermione com ar de quem está bem informada , tapando o nariz e aproximando se para ver melhor os pútridos miúdos de macaco . - Podemos sair de aqui , estou a sentir me agoniado - disse o Ron . Mas mal tinham dado meia volta quando um homenzinho pequenino saiu inesperadamente de debaixo de a mesa e fez uma paragem em o ar em frente de eles . - Olá , Peeves - disse Harry cautelosamente . Ao_contrário de os outros fantasmas que os rodeavam , Peeves , o * poltergeist * era o oposto de pálido e transparente . Usava um chapéu festivo cor de laranja , um laço rotativo a o pescoço e tinha um sorriso grosseiro de malvadez , em o rosto . - Querem petiscar ? - perguntou delicadamente , oferecendo lhes uma taça de amendoins cobertos de fungos . - Não , obrigada - disse Hermione . - Ouvi te falar sobre a pobre Murta - disse Peeves com os olhos a bailar . - Que insensível que tu foste para com a pobre Murta - respirou fundo e gritou : - Oh Murta . - Oh ! Não , Peeves , não lhe contes o que eu disse , ela vai ficar muito aborrecida - murmurou Hermione bastante nervosa . - Eu não queria dizer que ... eu não me importo que ela , er , olá , Murta . O espectro atarracado de uma rapariga deslizara . Tinha o rosto mais carrancudo que Harry alguma vez vira , meio escondido por o cabelo liso e por os óculos grossos cor de pérola . - O que é ? - perguntou mal-humorada . - Como estás Murta ? - perguntou Hermione , em uma voz falsamente alegre . - É bom ver te fora de a casa_de_banho . Murta fungou . - Miss_Granger estava justamente a falar de ti - disse lhe Peeves baixinho a o ouvido . - A dizer , a dizer ... como estás bonita esta noite -- terminou Hermione , olhando irritada para Peeves . A Murta olhou para Hermione desconfiada . - Estão a divertir se a a minha custa - disse , com lágrimas de prata a encherem lhe rapidamente os olhos pequeninos . - Não , a sério , eu não estava a dizer vos como a Murta estava bonita esta noite ? - disse Hermione , dando uma palmada em as costas de o Harry e de o Ron . - Sim , sim . - Ela ... - Não me venham com mentiras - protestou a Murta , as lágrimas agora a descerem lhe por o rosto , enquanto Peeves ria baixinho por cima de o ombro de ela . - Julgam que eu não sei o que as pessoas me chamam em as minhas costas ? A Murta gorda , a Murta feia , a Murta queixosa , a Murta deprimida ! - Esqueceste te de « a Murta ponto negro » - sussurrou lhe Peeves a o ouvido . A Murta_Queixosa irrompeu em soluços de angústia e fugiu de o calabouço . Peeves disparou atrás de ela , lançando lhe uma chuva de amendoins cheios de bolor e gritando : Ponto negro ! Ponto negro ! - Oh , coitada ! - exclamou Hermione com tristeza . O Nick quase sem cabeça abria agora caminho entre a multidão para se aproximar de eles . - Estão a divertir se ? - Sim , sim - mentiram . - Uma afluência nada má - disse orgulhoso o Nick quase sem cabeça . - A viúva chorosa veio de Kent ... está quase em a hora de o meu discurso . É melhor ir avisar a orquestra . Mas a orquestra parou de tocar em esse preciso momento . Eles , e todos os outros em o calabouço , ficaram em silêncio total , olhando em volta cheios de excitação quando se ouviu uma trompa de a caça . - Lá vêm eles - disse o Nick quase sem cabeça , com alguma amargura em a voz . Por o calabouço irromperam uma_dúzia de , cavalos fantasmas , cada_um montado por um cavaleiro sem cabeça . A assistência aplaudiu vivamente . Harry começou também a bater palmas , mas parou rapidamente quando viu a cara de o Nick . Os cavalos galoparam até a o meio de a pista de dança e pararam , empinando se , dando pequenos passos para a frente e para trás , sobre as patas traseiras . Um fantasma grande em a frente , cuja cabeça barbuda estava debaixo de o braço , soprando a trompa , desmontou , levantou a cabeça bem em o ar para poder ver toda_a assistência ( todos se riam ) e dirigiu se a o Nick quase sem cabeça , comprimindo a cabeça contra o pescoço . - Bem-vindo , Patrick - disse o Nick , mantendo a sua postura rígida . - Gente viva ! - exclamou o Sir_Patrick , avistando Harry , Ron e Hermione e dando um salto de falso espanto , de_tal_modo_que a cabeça lhe caiu de_novo ( a multidão ria a bom rir ) . - Muito engraçado - disse o Nick quase sem cabeça com um ar soturno . - Não ligues a o Nick - gritou a cabeça de Sir_Patrick de o chão . - Ainda está aborrecido por não o deixarmos juntar se a o grupo . Mas olhem bem para ele ... - Eu acho - disse apressadamente Harry , a seguir a um olhar de o Nick - que o Nick é muito assustador e ... eu ... - Bah ! - gritou a cabeça de Sir_Patrick . - Aposto que ele te pediu que dissesses isso . - Gostaria de ter a vossa atenção . Chegou a altura de fazer o meu discurso - disse o Nick quase sem cabeça bem alto , dirigindo se a o pódio , subindo e parando , iluminado por uma luz azul . - Os meus sentimentos , senhores e senhoras , é com profundo pesar ... Mas já ninguém estava a ouvi o . Sir_Patrick e o resto de o grupo de os Sem - _ Cabeça tinham iniciado um jogo de hóquei de cabeça e a multidão voltara se para os observar . Nick quase sem cabeça tentou em vão recuperar a audiência , mas acabou por desistir quando a cabeça de Sir_Patrick passou por ele a_toda_a velocidade gritando vivas . Harry estava cheio de frio para não falar de a fome . - Não aguento mais isto - murmurou Ron a bater o dente enquanto a orquestra voltava a entrar em acção e os fantasmas enchiam de_novo a pista de dança . - Vamos embora - concordou Harry . Recuaram até a a porta , acenando e sorrindo a todos os que olhavam para eles e um minuto depois passavam apressadamente por a entrada cheia de velas negras . - Talvez o pudim ainda não tenha acabado - disse o Ron cheio de esperança , abrindo caminho em direcção a os degraus de o vestíbulo de a entrada . E foi então que Harry ouviu aquilo . - ... * _ Arrancar ... rasgar ... matar * ... Era a mesma voz , a mesma voz fria e assassina que ouvira em o escritório de Lockhart . Parou , agarrando se a a parede de pedra em a expectativa de ouvir melhor , olhando em volta , espreitando para_cima e para baixo de a passagem mal iluminada . - Harry que estás tu a ... ? - E aquela voz outra_vez , calem se um bocadinho . -- ... * _ Tanta fome ... há tanto tempo * ... - Ouçam insistiu Harry e Ron e Hermione ficaram estáticos a olhar para ele . - * _ Matar ... hora de matar * ... A voz ia ficando mais débil . Harry tinha a certeza de que ela estava a afastar se , a subir . Um misto de medo e excitação tomou posse de ele enquanto olhava para o tecto escuro . Como poderia ele subir ? Seria um fantasma para quem os tectos de pedra não contavam ? - Por aqui - gritou , começando a correr por as éscadas acima até a a entrada de o * hall * . Não havia hipótese de ouvir fosse o que fosse ali , o barulho de vozes que vinha de o banquete de o * _ Hallowe'en * ecoava cá fora . Harry subiu a correr a escadaria de mármore até a o primeiro andar com Ron e Hermione ruidosamente atrás . - Harry o que é_que nós ... ? - Sch ... Harry apurou o ouvido . Ao_longe , em o andar de cima , e ainda a enfraquecer , mesmo_assim ouviu a voz : - ... * Cheira-me a sangue ... cheira me a sangue ! * O estômago deu lhe uma volta . - Ele vai matar alguém - gritou e ignorando as caras perplexas de Ron e Hermione , correu , subindo mais um lanço de escadas , a três_e_três , tentando ouvir através de o ruído de os seus próprios passos . Harry correu a_toda_a velocidade pelo segundo andar com Ron e Hermione atrás e só parou quando viraram uma esquina para o último corredor abandonado . - Harry , o que foi aquilo tudo ? - perguntou o Ron , limpando o suor de o rosto . - Eu não ouvi nada ... Mas Hermione , em um sobressalto , apontou para o fundo de o corredor . - Olhem ! Alguma coisa brilhava em a parede em frente . Aproximaram se devagarinho , tentando ver em a escuridão . Alguém escrevera em letras garrafais em a parede entre duas janelas . As palavras brilhavam a a chama fraca de as tochas . : __ a câmara de os segredos foi aberta . inimigos de o herdeiro , __ cuidado . - O que é aquilo pendurado por baixo de as letras ? - perguntou Ron com um tremor em a voz . Quando se aproximaram , Harry quase escorregou . Havia uma grande poça de água em o chão . Ron e Hermione agarraram o e avançaram cautelosamente até a a mensagem , os olhos fixos em uma sombra escura , em baixo . Aperceberam se os três de imediato do_que se tratava e deram um salto para trás , salpicando tudo de água . Mrs._Norris , a gata de o encarregado , estava pendurada por a cauda em o suporte de a tocha . Tinha o corpo rígido como uma tábua e os olhos abertos . Durante alguns segundos ninguém se mexeu . Depois o Ron disse : - Vamos sair de aqui . - Não devíamos tentar ajudar ? - propôs Harry , sem graça . - Acredita - assegurou o Ron . - É melhor que não nos encontrem aqui . Mas era tarde de mais . Um ruído surdo e prolongado , como um trovejar distante , avisou os de que o festim tinha terminado . De ambos os lados de o corredor onde eles estavam , veio o som de centenas de pés a subirem a escadaria e as vozes alegres de gente bem alimentada . Em o momento seguinte os alunos chegavam junto de eles de ambos os lados . O burburinho morreu subitamente mal as pessoas avistaram a gata pendurada . Harry , Ron e Hermione estavam de pé , sozinhos , em o meio de o corredor quando se fez silêncio em a multidão de estudantes que se empurravam para observar aquele quadro macabro . Então alguém gritou , quebrando o silêncio . - Inimigos de o herdeiro , cuidado . Vocês serão os próximos , sangue de lama ! Era_Draco_Malfoy . Estava a a frente de a multidão com os olhos frios a brilhar , a sua cara habitualmente pálida agora afogueada , sorrindo a a vista de a gata pendurada e imóvel . IX_As palavras em a parede -- O que é_que se passa aqui ? O que é_que se passa ? Sem dúvida , atraído por o grito de Malfoy , Argus_Filch apareceu a coxear em o meio de a multidão . Quando viu Mrs._Norris , caiu para trás agarrando o rosto com verdadeiro horror . - A minha gata ! A minha gata ! O que aconteceu a Mrs._Norris ? - gritou . E os seus olhos rápidos caíram sobre Harry . - Tu - guinchou ele . - Mataste a minha gata ! Mataste a , vou dar cabo de ti , eu ... - Argus . Dumbledore tinha chegado a o lugar , seguido de alguns professores . Em poucos segundos tinha passado a a frente de Harry , Ron e Hermione e desatado Mrs._Norris de o suporte de a tocha . - Vem comigo , Argus - disse ele a o Filch . - Vocês também , Mr._Potter , Mr._Weasley e Miss_Granger . Lockhart deu rapidamente um passo em frente . - O meu escritório é o que está mais perto , senhor director , é já aqui em cima , por favor fiquem a a vontade . - Obrigado , Gilderoy - disse Dumbledore . A multidão silenciosa dividiu se para os deixar passar . Lockhart sentindo se excitado e importante , seguia Dumbledore assim_como a professora Mc_Gonagall e o professor Snape . Quando entraram em o escritório escuro de Lockhart houve uma grande agitação em as paredes . Harry viu várias imagens de Lockhart a esconderem se cheias de rolos em o cabelo . O Lockhart em pessoa acendeu as velas e chegou se mais para trás . Dumbledore pôs Mrs._Norris em a superfície polida de a secretária e começou a examiná a . Harry , Ron e Hermione trocaram olhares tensos entre si e deixaram se cair em as cadeiras que se encontravam longe de a luz , a observar . A ponta de o nariz longo e adunco de Dumbledore estava a menos_de dois centímetros de o pêlo de Mrs._Norris . Ele olhava a de perto através de os óculos de meia-lua , os dedos longos a palpar e tactear suavemente . A professora Mc_Gonagall estava quase tão perto como ele , com os olhos contraídos . Snape surgia mais atrás , meio em a sombra , com uma expressão estranha em o rosto , como_se tentasse a_toda_a força sorrir . E Lockhart andava de um lado para o outro a dar sugestões . - Foi sem dúvida uma maldição que a matou , provavelmente a tortura de a metamorfose . Vi a muitas_vezes ser usada , mas infelizmente eu não estava lá quando isto aconteceu . Conheço o antídoto para essa maldição , o que a teria salvo . Os comentários de Lockhart foram interrompidos por os soluços secos e violentos de Filch . Estava afundado em uma cadeira junto de a secretária , incapaz de olhar para Mrs._Norris , com o rosto em as mãos . Por mais que detestasse Filch , Harry não pôde deixar de sentir pena de ele embora não tanta quanto_a que sentia por si próprio . Se Dumbledore acreditasse em o Filch ele seria certamente expulso . O director estava agora a sussurrar umas palavras estranhas e batendo em Mrs._Norris com a varinha , mas não aconteceu nada , ela continuou com o mesmo aspecto , como_se tivesse sido empalhada . - ... Lembro me de uma coisa semelhante que aconteceu em Ouagadogou - disse LockLart . - Uma série de ataques . Conto essa história em a minha autobiografia . Eu dei a a gente de a cidade vários amuletos que resolveram logo a situação ... As fotografias de Lockhart em as paredes iam acenando afirmativamente com a cabeça enquanto ele falava . Uma de elas esquecera se de tirar os rolos de o cabelo . Por fim , Dumbledore endireitou se . - Ela não está morta , Argus - disse suavemente . Lockhart interrompeu bruscamente a contagem de os crimes que conseguira evitar . - Não está morta ? - disse Filch em um sufoco , olhando através de os dedos para Mrs._Norris . - Mas , porque está ela rígida e gelada ? - Foi petrificada - disse Dumbledore ( Ah ! foi o que eu pensei ! - comentou Lockhart ) mas como , não posso afirmar . - Pergunte lhe - gritou Filch , voltando a cara cheia de furúnculos e lágrimas para Harry . - Nenhum aluno de o segundo ano poderia ter feito isto - explicou Dumbledore . - Era preciso um grande conhecimento de magia negra . - Foi ele , foi ele - disse encolerizado o encarregado com a cara a ficar roxa . - O senhor viu o que ele escreveu em a parede . Ele descobriu em o meu gabinete , ele sabe que eu sou um ... - O rosto de Filch estava horrível . - Ele sabe que eu sou um * _ busca-pé * - disse por fim . - Eu não toquei em a Mrs._Norris - gritou Harry com todos os olhares a recaírem sobre ele , incluindo o de todos os Lockharts de a parede . - E eu nem sei o que é um * busca-pé * . - Mentira ! - gritou Filch . - Ele viu a minha carta de o feitiço rápido . - Se me permite que dê a minha opinião , senhor director - disse Snape , saindo de a sombra , e a sensação de mau presságio de Harry aumentou bastante . Certamente nada do_que Snape tinha para de dizer iria ajudá o . - O Potter e os amigos podiam estar simplesmente em o lugar errado em a altura errada - afirmou com um leve sorriso a torcer lhe a boca como_se tivesse as suas dúvidas . - Mas , temos aqui um conjunto de circunstâncias curiosas . Porque estavam eles afinal em o corredor ? Porque não estiveram presentes em a festa de o * _ Hallowe'en * ? Harry , Ron e Hermione começaram uma longa explicação sobre a festa de o dia de os mortos . - Estavam lá centenas de fantasmas , eles poderão confirmar que lá estivemos ... - Mas porque não foram a seguir a o banquete ? - perguntou Snape com os olhos pretos a brilharem a a luz de as velas . - Porquê ir até a aquele corredor ? Ron e Hermione olharam para Harry . - Porque , porque ... - balbuciou Harry , com o coração a querer saltar lhe de o peito , mas algo lhe disse que ia parecer muito rebuscado se lhes contasse que tinha sido levado até ali por uma voz sem corpo que só ele conseguia ouvir . - Porque estávamos cansados e queríamos ir para a cama - disse . - Sem jantar ? - inquiriu Snape com um sorriso triunfante a bailar lhe em o rosto lúgubre . - Não sabia que os fantasmas ofereciam em as suas festas comida para gente viva . - Não estávamos com fome - disse o Ron bem alto , enquanto o estômago se queixava de forma audível . O sorriso mesquinho de a Snape ampliou se . - Acho , senhor director , que Potter não está a dizer toda_a verdade - afirmou . - Talvez fosse boa ideia retirar lhe alguns privilégios , até ele estar disposto a contar nos a história toda . Pessoalmente , sugiro que seja retirado de a equipa de os Gryffindor até decidir ser honesto . - Francamente , Severus - exclamou a professora Mc_Gonagall com uma voz cortante . - Não vejo porquê impedir o rapaz de jogar Quidditch . Esta gata não levou pauladas em a cabeça dadas por nenhum cabo de vassoura . E não há provas de que o Potter tenha feito algo de mal . Dumbledore observava Harry com um olhar perscrutador . A voz tremeluzente de os seus olhos azuis fez Harry sentir que estava a ser passado a raios X. - Inocente até se provar que é culpado , Severus - disse com segurança . Snape estava furioso , assim_como Filch . - A minha gata foi petrificada ! - berrou , com os olhos a saltarem de as órbitas . - Quero ver um castigo ! - Vamos poder curá a , Argus - explicou pacientemente Dumbledore . - Madam_Sprout conseguiu arranjar algumas Mandrágoras . Logo_que tenham atingido o tamanho adulto , terei uma poção de Mandrágoras que reanimará Mrs._Norris . - Eu posso fazê a - interrompeu Lockhart . - Devo ter feito isso uma centena de vezes . Preparo uma golada de Mandrágora reconstituinte de olhos fechados ... - Perdão - disse Snape friamente -- , mas julgo que o professor de poções de esta escola ainda sou eu . Houve um silêncio bastante incómodo . - Vocês podem ir se embora - disse Dumbledore a o Harry , Ron e a Hermione . Eles saíram o mais depressa que puderam , sem ir a correr . Quando chegaram a o andar acima de o escritório de Lockhart , entraram em uma sala de aulas vazia e fecharam a porta devagarinho . Harry lançou um olhar de esguelha a as caras carrancudas de os amigos . - Acham que eu lhes devia ter falado de a voz que ouvi ? - Não - respondeu Ron , sem a mínima hesitação . - Ouvir vozes que mais ninguém ouve , não é bom sinal , nem em o mundo de os feiticeiros . Algo em a voz de Ron levou Harry a fazer a pergunta : - Tu acreditas em mim , não acreditas ? - Claro que sim - respondeu o Ron de imediato . - Mas tens de concordar que é esquisito ... - Eu sei que é esquisito - confirmou Harry . - É tudo esquisito . O que era aquilo escrito em a parede ? * _ A_Câmara foi aberta * , o que é_que significa ? - Sabes , faz me lembrar qualquer coisa - disse Ron lentamente . - Acho que alguém me contou uma história sobre uma câmara secreta em Hogwarts , talvez tenha sido o Bill ... - E que diabos é um * busca-pé * ? - perguntou Harry . Para sua surpresa , Ron abafou o riso . - Bem , em a verdade não tem graça nenhuma , mas como é o Filch ... - disse . - Um * busca-pé * é alguém que nasceu de uma família de feiticeiros , mas não tem poderes mágicos . É uma espécie de o oposto de os que vêm de famílias de Muggles , mas são feiticeiros . Os * busca-pé * são muito raros . Se o Filch está a tentar aprender magia em um curso rápido , acho que ele deve ser mesmo um busca-pé . Isso explicaria tudo , por_exemplo , porque detesta tanto os estudantes . - Ron sorriu satisfeito . - Tem inveja . Um relógio deu as horas , algures . - Meia-noite - disse Harry . - É melhor irmo nos deitar , antes que o Snape apareça e tente acusar nos de qualquer coisa . Durante alguns dias não se falou de outra coisa em a escola a não ser de o ataque a a gata , Mrs._Norris . Filch manteve o sucedido bem fresco em a memória de todos , andando de um lado para o outro em o lugar onde ela fora atacada , como_se esperasse por o responsável . Harry vira o esfregar a mensagem de a parede com a « solução removedora de toda_a porcaria mágica Mrs._Skower » , mas sem qualquer resultado . As palavras continuavam a brilhar tanto como antes sobre a pedra . Quando Filch não estava a patrulhar a cena de o crime , vagueava , de olhos avermelhados , por os corredores , perseguindo alunos insuspeitos e tentando aplicar lhes castigos por coisas como « respirar muito alto » ou « estar alegre » . Ginny_Weasley parecia muito perturbada com o destino de Mrs._Norris . Segundo Ron ela era uma amante de gatos . - Mas tu nem chegaste a conhecer bem Mrs._Norris - disse lhe Ron para a animar . - Com toda_a franqueza , estamos muito melhor sem ela . - O lábio de Ginny tremeu . - Não é costume acontecerem coisas de estas em Hogwarts - tranquilizou a . - Eles vão descobrir o safado que fez aquilo e põem o de aqui para fora em três tempos . - Só espero que tenha tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso . Estou a brincar , claro - acrescentou o Ron apressadamente a o ver a Ginny a empalidecer . O ataque afectara também Hermione . Era costume de ela passar muito_tempo a ler , mas agora parecia não fazer mais_nada . Nem respondia a o Harry e a o Ron quando lhe perguntavam o que estava a fazer e só acabaram por descobrir em a quarta-feira seguinte . Harry tivera de ficar até mais tarde em a sala de poções onde Snape o mandara raspar restos de larvas de as secretárias . Depois de um almoço comido a a pressa , ele foi lá acima encontrar se com Ron em a biblioteca e viu Justin_Finch - _ Fletchley , o rapaz de os Hufflepuff de herbologia que vinha em direcção a ele . Harry tinha acabado de abrir a boca para dizer um « Olá » quando Justin o viu , voltando se bruscamente e mudando de direcção . Harry foi encontrar o Ron em as traseiras de a biblioteca , a medir o trabalho de casa de história de a magia . O professor Binns pedira uma composição sobre a Assembleia_Medieval_de_Feiticeiros_Europeus com 90cm . De extensão . - Não posso crer que ainda me faltem 16cm - disse o Ron furioso , largando o pergaminho que se enrolou em forma de tubo - e que a Hermione fez um metro e trinta em aquela letra pequenina e apertadinha . - Onde está ela ? - perguntou Harry , agarrando em a fita métrica e desembrulhando o seu trabalho de casa . - Algures por aí - disse o Ron , apontando para as estantes . - _ a a procura de outro livro . Acho que ela está a tentar ler a biblioteca toda antes de o Natal . Harry contou a Ron que Justin_Finch - _ Fletchley tinha evitado falar lhe . - Não sei porque te preocupas com isso . Eu achei o um idiota - disse o Ron , escrevinhando e fazendo a letra o maior possível . - Todo aquele disparate sobre o Lockhart ser tão grande ... Hermione surgiu de o meio de as estantes . Parecia irritada e disposta , por fim , a falar com eles . - Todos os exemplares de * _ Hogwarts : Uma História * foram requisitados - disse , sentando se ao_lado_de Harry e Ron . - E há uma lista de espera de duas semanas . Quem me dera não ter deixado o meu exemplar em casa , mas não consegui que coubesse em a mala com todos os livros de o Lockhart . - Para que o queres ? - perguntou Harry . - Pelo mesmo motivo que toda_a_gente o quer - disse Hermione . - Para ler a lenda de a Câmara_dos_Segredos . - O que é isso ? - Precisamente . Não me lembro - disse Hermione , mordendo o lábio . - E não encontro a História em lugar nenhum . - Hermione , deixa me ler o teu trabalho - pediu Ron desesperado , olhando para o relógio . - Não , não deixo - respondeu Hermione com um ar severo . - Tiveste dez dias para o fazer . - Só preciso de mais quatro centímetros , vá lá ... A campainha tocou . Ron e Hermione encaminharam se para a História_da_Magia , discutindo . A História_da_Magia era a matéria mais chata de o programa . O professor Binns , que dava a cadeira , era o único professor fantasma e a coisa mais excitante que aconteceu em as suas aulas foi o dia em que entrou por o quadro preto . Já velho e enrugado , muita gente afirmava a seu respeito que ele não dera por_que tinha morrido . Pura e simplesmente levantara se um dia para ir dar aulas , deixando o corpo atrás , em um cadeirão em frente de a lareira de a sala de os professores . Desde esse dia a sua rotina mantivera se igual . Era hoje tão chato como fora sempre . Abriu as notas e começou a ler em um tom monocórdico como um velho aspirador até quase todos os alunos estarem em um estado de profunda dormência , acordando de vez em quando , para tomar nota de um nome ou de uma data , e voltando a adormecer . Estava a falar havia meia_hora quando aconteceu algo que nunca tinha acontecido . Hermione pôs o braço em o ar . O professor Binns olhou de relance , em o meio de a chatíssima aula sobre a Convenção_Internacional_de_Feiticeiros de 1289 , verdadeiramente espantado . - Miss ... er ... ? - Granger , professor . Poderia dizer nos alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Hermione em uma voz bem audível . O Dean_Thomas , que tinha estado sentado de boca aberta olhando para fora de a janela , saiu de o seu transe com um salto . A cabeça de Lavender_Brown saiu de os braços e o cotovelo de o Neville_Longbottom escorregou para fora de a secretária . O professor Binns piscou os olhos . - A minha matéria é História_da_Magia - disse em a sua voz seca e asmática . - Eu trato de factos , Miss_Granger , não de mitos e lendas - pigarreou produzindo um ruído que parecia o giz sobre o quadro e continuou : - Em Setembro de esse ano , uma subcomissão de feiticeiros de a Sardenha ... Parou de repente . A mão de Hermione estava de_novo em o ar . - Sim , Miss_Grant ? - Por favor , professor , as lendas não têm sempre um facto como base ? O professor Binns olhava para ela com tal espanto que Harry teve a certeza de que ele nunca , em tempo algum , fora interrompido por um aluno . - Bem - disse lentamente o professor Binns . - Sim , é uma afirmação que pode fazer se . - Olhou para Hermione como_se fosse a primeira vez que olhasse a sério para um estudante . - Contudo , a lenda de que me fala é tão extraordinária , mesmo grotesca ... Mas a aula inteira estava agora atenta a as palavras de o professor , que olhou indistintamente para todos eles . Harry poderia assegurar que ele estava absolutamente abismado por uma tão grande demonstração de interesse . - Muito bem - disse lentamente . - Ora vejamos ... a Câmara_dos_Segredos . Todos vocês sabem com certeza que Hogwarts foi fundada há mais de um_milhar de anos , não se conhece ao_certo a data , por os quatro maiores feiticeiros e feiticeiras de a época : Godric_Gryffindor , Helga_Hufflepuff , Rowena_Ravenclaw e Salazar_Slytherin . Construíram juntos este castelo , longe de os olhares curiosos de os Muggles porque em aquele tempo a magia era temida por as pessoas comuns e as bruxas e feiticeiros sofriam terríveis perseguições . Fez uma pausa , olhou indeciso em volta e prosseguiu : - Durante alguns anos , os fundadores trabalharam juntos em harmonia procurando outros mais novos que mostrassem sinais de possuir dotes mágicos e trazendo os para o castelo para aqui serem ensinados . Mas os desentendimentos surgiram entre eles . Começou a notar se uma divisão entre Slytherin e os outros . Salazar_Slytherin queria ser mais selectivo em relação a os alunos a serem admitidos em Hogwarts . Achava que os ensinamentos de magia deviam ficar dentro de as famílias de feiticeiros . Não lhe agradava a entrada em a escola de alunos de famílias Muggles porque os achava pouco dignos de confiança . Depois de algum tempo houve uma séria discussão sobre esse assunto entre Slytherin e Gryffindor e Slytherin abandonou a escola . O professor Binns fez uma nova pausa , fazendo beicinho o que o fazia parecer uma tartaruga enrugada . - Fontes fidedignas referem nos isto - disse . - Mas estes factos foram obscurecidos por a fantasiosa lenda de a Câmara_dos_Segredos . Conta a história que Slytherin construíra uma câmara oculta dentro de o castelo cuja existência os outros fundadores ignoravam . De_acordo com a lenda , Slytherin selou a Câmara_dos_Segredos para que ninguém pudesse abri a até o seu verdadeiro herdeiro chegar a a escola . O herdeiro , e apenas ele , poderia abrir a Câmara_dos_Segredos , libertar o horror que lá se encontrava e utilizá o para expurgar a escola de todos aqueles que eram indignos de aprender magia . Houve um silêncio quando ele se calou que não era o habitual silêncio de sono de as aulas de o professor Binns . Havia um desassossego em o ar enquanto todos continuavam a olhá o a a espera de mais . O professor Binns estava ligeiramente aborrecido . - A história toda é um disparate , claro - disse ele . - A escola foi revistada por várias vezes em busca de provas de a existência de essa câmara , por os feiticeiros e bruxas mais conhecedores . Não existe nada . Uma lenda que serviu apenas para assustar os ingénuos . A mão de Hermione estava novamente em o ar . - Professor , o que quer_dizer , ao_certo com « o horror que estava dentro de a câmara » ? - Acredita se que seja uma espécie de monstro que só o herdeiro de Slytherin pode controlar - disse o professor Binns em a sua voz seca e débil . A aula trocou entre si olhares inquietos . - Como vos digo , a coisa não existe - afirmou o professor Binns , desordenando as suas notas . - Não há câmara e não há monstro . - Mas , professor - disse Seamus_Finnigan . - Se a câmara só podia ser aberta por o herdeiro de Slytherin ninguém mais poderia encontrá a . Não é ? - Um disparate pegado - disse o professor Binns , em um tom de voz exasperado . - Se uma longa sucessão de directores e directoras de Hogwarts não a encontraram ... - Mas , professor - começou a dizer Parvati_Patil . Se_calhar é preciso usar magia negra para a abrir ... - Lá porque um feiticeiro não usa magia negra não quer_dizer que não possa , Miss_Pennyfeather - interrompeu o professor Binns . - Repito , se os antecessores de Dumbledore ... - Mas talvez seja preciso fazer parte de os Slytherin , por isso Dumbledore não podia ... - começou Dean_Thomas , mas o professor Binns já estava farto . - Já chega - disse , de modo cortante . - É um mito . Não existe . Não há uma única prova de que Slytherin tenha construído nem mesmo uma despensa para vassouras . Lamento ter vos contado esta história tola . Vamos voltar , se fazem o favor , a a História , a os factos sólidos , verificáveis , credíveis . E em menos_de cinco minutos toda_a classe mergulhara em a sua sonolência habitual . - Eu sempre ouvi dizer que Salazar_Slytherin era um velho retorcido e meio pateta - disse Ron_a_Harry e Hermione enquanto abriam caminho por os corredores cheios , em o final de a aula , para ir arrumar as malas antes de o jantar . - Mas não sabia que ele tinha começado esta coisa de o sangue puro . Eu não ia para os Slytherin nem que me pagassem . Se o chapéu seleccionador me tivesse posto lá , pegava em as malas e ia me embora ... Hermione acenou vivamente , mas Harry não abriu a boca . O estômago parecia ter dado uma volta . Harry nunca contara a o Ron e a a Hermione que o chapéu seleccionador tinha considerado seriamente a possibilidade de o colocar em os Slytherin . Lembrava se como_se tivesse sido em a véspera do_que a vozinha lhe dissera a o ouvido quando pôs o chapéu em a cabeça , um ano antes . * _ Podias vir a ser grande , sabes ? Está tudo aqui em a tua cabeça e Slytherin ajudaria te em o caminho para a grandeza , sem a menor dúvida * ... Mas Harry , que já ouvira falar de a fama de o grupo de os Slytherin de formar magos negros , pensou desesperadamente . - Em os Slytherin , não ! - E o chapéu tinha dito . - Bem , se tens assim tanta certeza ... será melhor os Gryfffndor . Enquanto eram empurrados por a multidão , Colin_Creevey passou por eles . - Olá , Harry ! - Olá , Colin - disse Harry automaticamente . - Harry , Harry , um rapaz de a minha turma tem andado a dizer que tu és ... Mas Colin era tão baixinho que não conseguiu lutar contra a maré de gente que o arrastou até a o vestíbulo . Ouviram o despedir se : - Adeus , Harry - e desaparecer . - O que é_que o rapaz de a turma de ele disse de ti ? - quis saber Hermione . - Que eu sou o herdeiro de Slytherin , imagino - disse Harry , com o estômago ainda a as voltas e lembrou se de repente de o Justin_Finch - _ Fletchley a fugir para não lhe falar , a a hora de o almoço . - As pessoas aqui acreditam em tudo - disse o Ron com repugnância . A multidão diminuiu e conseguiram subir as escadas sem dificuldade . - Achas mesmo_que existe uma Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Ron_a_Hermione . - Não sei - respondeu ela , franzindo a testa . - Dumbledore não conseguiu curar Mrs._Norris e isso leva me a pensar que o que a atacou pode não ser ... humano . Enquanto falava , voltaram uma esquina e encontraram se em o fim de aquele mesmo corredor onde o ataque tinha ocorrido . Pararam para olhar . Estava tudo igual a aquela outra noite , com excepção de a gata Mrs._Norris e havia uma cadeira vazia encostada a a parede , onde podia ler se a mensagem « : __ a câmara foi __ aberta » . - Foi aqui que o Filch montou a guarda - murmurou Ron . Olharam uns para os outros . O corredor estava deserto . - Não deve fazer mal dar uma olhadela aqui - disse Harry , deixando cair a mala e pondo se de quatro para poder gatinhar em busca de pistas . - Marcas de queimadura - disse - aqui e aqui ... - Venham ver isto ! - chamou Hermione . - Que estranho ... Harry levantou se e foi até a a janela que ficava junto de a mensagem . Hermione apontava para o vidro mais alto , onde cerca de uma vintena de aranhas se debatiam em uma aparente luta por atravessar por uma pequena brecha de vidro . Um longo fio prateado balouçava como uma corda , como_se todas tivessem trepado , em a ânsia de chegar lá fora . - Alguma vez viram aranhas agir assim ? - perguntou Hermione , curiosa . - Não - respondeu Harry . - E tu , Ron ? Ron ? Olhou por cima de o ombro . Ron estava de costas , bem lá atrás e parecia lutar contra o impulso de se virar . - O que é_que se passa ? - perguntou Harry . - Eu não gosto de aranhas - disse Ron , de modo tenso . - Nunca me tinhas dito - comentou Hermione , olhando para ele com surpresa . - Estás farto de usar aranhas em as poções ... - Não me importo quando estão mortas - explicou Ron que olhava cautelosamente para todos os lados , menos para a janela . - Não gosto de a maneira como_se mexem . Hermione riu se baixinho . - Não tem graça nenhuma - disse o Ron , furioso . - Se queres saber , quando eu tinha três anos , o Fred transformou o meu ursinho de pelúcia em uma enorme aranha nojenta , por eu lhe ter partido a vassoura de brinquedo . Tu também não gostarias de aranhas se estivesses agarrada a o teu ursinho e , de repente , ele tivesse uma data de pernas e ... Começou a tremer ... Hermione ainda estava a tentar conter o riso . Sentindo que era melhor mudarem de assunto , Harry perguntou : - Lembram se de a água que havia aqui em o chão ? De onde terá vindo ? Alguém a limpou . - Era por aqui - disse o Ron , já recuperado , avançando alguns passos em direcção a a cadeira de o Filch e apontando . - Junto de esta porta . Estendeu a mão para o puxador de a porta , mas retirou a de imediato , como_se se tivesse queimado . - O que foi ? - perguntou Harry . - Não posso entrar aí - disse o Ron bruscamente . - É a casa_de_banho de as raparigas . - Oh , Ron , não está aí ninguém - sossegou o Hermione enquanto se aproximava . - É o lugar de a Murta_Queixosa . Anda , vamos dar uma espreitadela . E ignorando o grande letreiro que dizia « Fora de serviço » Hermione abriu a porta . Era a casa_de_banho mais sombria e deprimente em que Harry tinha posto os pés durante toda_a sua vida . Debaixo_de um grande espelho partido e sujo podia ver se uma fila de lavatórios de pedra , rachados . O chão estava húmido e reflectia a luz fraca de os pavios de algumas velas que ardiam baixinho em os suportes . As portas de madeira de os cubículos estavam todas lascadas e riscadas e uma de elas balouçava fora de as dobradiças . Hermione levou os dedos a os lábios e foi até a o último cubículo . Quando lá chegou disse : - Olá , Murta , como estás ? Harry e Ron foram ver . A Murta_Queixosa flutuava em a cisterna de a casa_de_banho , tirando um ponto negro de o queixo . - Esta é a casa_de_banho de as raparigas - disse a o ver o Ron e o Harry . - Eles não são raparigas . - Não - concordou Hermione . - Eu só queria mostrar lhes como esta casa_de_banho é ... er ... simpática . Ela fez um aceno vago a o velho espelho sujo e a o chão húmido . - Pergunta lhe se viu alguma coisa - sussurrou o Ron a a Hermione . - Porque estão a dizer segredinhos ? - perguntou a Murta , fitando o . - Não é nada - disse Harry rapidamente . - Queríamos perguntar ... - Gostava que as pessoas parassem de falar em as minhas costas ! - desabafou a Murta em uma voz abafada por as lágrimas . - Eu tenho sentimentos , sabem , apesar_de estar morta . - Murta , ninguém quis aborrecer te - explicou Hermione . - O Harry só ... - A minha vida foi uma infelicidade em este lugar e agora as pessoas vêm estragar a minha morte . - Nós queríamos perguntar te se tinhas visto alguma coisa estranha ultimamente - disse Hermione sem perder tempo . - Porque foi atacada uma gata mesmo aqui a a frente de a tua porta em a noite de o * _ Hallowe'en * . - Viste alguém aqui perto em essa noite ? - insistiu Harry . - Não estava a prestar atenção - disse a Murta com ar dramático . - O Peeves aborreceu me tanto que vim aqui para tentar matar me . Só então me lembrei de que estou ... de que estou ... - Já morta - ajudou o Ron . A Murta soluçou tragicamente , elevou se em o ar , voltou se e mergulhou de cabeça em a sanita , espalhando água por_cima_de todos eles e desaparecendo . Por o som de os seus soluços abafados fora certamente descansar algures em o cano em forma de V._Harry e Ron ficaram de boca aberta , mas Hermione encolheu os ombros de cansaço e disse : - Se querem saber , para a Murta isto até foi alegre ... vá , vamos embora . Harry tinha acabado de fechar a porta deixando atrás os soluços gorgolejantes de a Murta quando uma voz forte o fez dar um salto . - RON ! Percy_Weasley estava parado em o cimo de as escadas com o seu distintivo de prefeito a brilhar e uma expressão chocadíssima em o rosto . - Isso é a casa_de_banho de as raparigas ... o que é_que vocês ... ? - Estávamos só a dar uma vista de olhos - exclamou o Ron - a a procura de pistas ... Percy engoliu em seco , de uma maneira que fez Harry lembrar se de Mrs._Weasley . - Saiam imediatamente de aqui - disse , aproximando se de eles a passos largos e gesticulando agitadamente . - Não se preocupam com as aparências ? Voltar aqui enquanto toda_a_gente está a jantar ... - Porque não havíamos de estar aqui ? - perguntou cheio de vivacidade o Ron , parando de repente e olhando Percy em os olhos . - Ouve lá , nós não tocamos em aquela gata . - Isso foi o que eu tentei explicar a a Ginny - respondeu Percy furioso - mas ela parece continuar a pensar que vocês vão ser expulsos . Nunca a vi tão aflita . Não pára de chorar . Devias pensar em ela . Todos os alunos de o primeiro ano andam superexcitados com esta história . - Tu não estás nada preocupado com a Ginny - disse o Ron já com as orelhas vermelhas . - O que te assusta é_que eu possa estragar as tuas possibilidades de ser chefe de turma . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor ! - bradou Percy , apontando elegantemente para o distintivo de prefeito . - E espero que te sirva de lição . Acabou se o trabalho de detective ou escrevo a a mãe a contar lhe . E voltou lhes as costas , a nuca tão vermelha como as orelhas de o Ron . Harry , Ron e Hermione , em essa noite , sentaram se em a sala comum o mais longe possível de Percy . Ron estava ainda muito maldisposto e não parava de esborratar o trabalho de casa de os encantamentos . Quando pegou distraidamente em a varinha para tirar as manchas incendiou o pergaminho . A deitar quase tanto fumo como o seu trabalho de casa , fechou bruscamente o * _ Livro_Padrão_de_Encantamentos de o 2.o Grau * . Para grande surpresa de Harry , Hermione fez o mesmo . - Mas quem poderia ser - perguntou ela baixinho como_se continuasse uma conversa que tinham acabado de ter . - Quem quereria todos os * busca-pés * e filhos de Muggles fora de Hogwarts ? - Vamos pensar - disse o Ron em a brincadeira , fingindo estar confuso . - Quem poderemos nós conhecer que ache que os familiares de Muggles são escumalha ? Olhou para Hermione . Ela olhou para ele pouco convencida . - Se estás a pensar em o Malfoy ... - Claro que estou - disse o Ron . - Tu ouviste o dizer : - Vocês serão os próximos , sangues de lama ! - Aliás , basta olhar para aquela cara de renegado para saber que ele é ... - Malfoy , o herdeiro de Slytherin ? - repetiu Hermione cepticamente . - Olha para a família de ele - disse Harry , fechando também os livros . - Todos eles estiveram em os Slytherin . O Draco está sempre a vangloriar se de isso . Podiam bem ser descendentes de Slytherin . O pai de ele é suficientemente mau . - Podiam perfeitamente ter tido a chave de a Câmara_dos_Segredos durante séculos - disse Ron - , fazendo a passar de pai para filho . - Bem - acedeu Hermione cautelosamente . - Seria possível ... - Mas como prová o ? - perguntou Harry tristemente . - Talvez haja um meio - sugeriu Hermione lentamente , baixando ainda mais a voz e lançando um olhar , através de a sala , a Percy . - É claro que não é fácil . E é perigoso , muito perigoso . Suponho que iríamos infringir cerca de cinquenta regras de a escola . - Se de aqui a um mês ou dois te decidires a explicar , avisa , está bem ? - disse Ron , que começava a ficar irritado . - Está bem - concordou Hermione friamente . - O que precisaríamos de fazer para entrar em a sala comum de os Slytherin e fazer algumas perguntas a o Malfoy , sem ele perceber que éramos nós ? - Mas isso é impossível - declarou Harry , enquanto Ron se ria . - Não , não é - continuou Hermione . - Só precisamos de um_pouco de poção * polisuco * . - O que é isso ? - perguntaram ao_mesmo_tempo Ron e Harry . - O Snape falou de ela em uma aula , há poucas semanas atrás . - Achas que não temos mais o que fazer do_que ouvir o Snape ? - murmurou o Ron . - Transforma nos em outra pessoa . Pensem em isso : podíamos transformar nos em três de os Slytherin . Ninguém saberia que éramos nós . É provável que o Malfoy nos contasse alguma coisa . Aposto que ele está a gabar se , em este momento , em a sala de os Slytherin , se ao_menos pudéssemos ouvi o . - Essa coisa de o * polisuco * cheira me um bocado mal - disse o Ron , franzindo as sobrancelhas . - E se ficarmos com a forma de os três Slytherin para sempre ? - Desaparece a o fim de algum tempo - disse Hermione , gesticulando impacientemente com a mão - mas conseguir a receita é muito difícil . O Snape disse que vinha em um livro chamado * _ As_Mais_Potentes_Poções * e está com certeza em a parte de os reservados de a biblioteca . Só havia uma maneira de obter o livro de os reservados : era com uma autorização assinada por um professor . - Não estou a ver porque quereríamos o livro - disse o Ron . - Se não para tentar fabricar uma de as poções . - Eu acho - sugeriu Hermione - que se fizéssemos parecer que o nosso interesse era apenas teórico , talvez conseguíssemos ... - Estás a sonhar , nenhum professor ia cair em essa - afirmou o Ron . - Só se fosse muito burro . X_A * bludger * perigosa Depois de o desastroso incidente de os duendes , o professor Lockhart não voltou a levar seres vivos para as aulas . Em vez de isso , lia a os alunos passagens de os seus livros e , por vezes , voltava a desempenhar alguns de os episódios mais dramáticos . Costumava chamar Harry para o ajudar em essas reconstruções . Até ali Harry fora obrigado a desempenhar o papel de um camponês de a Transilvânia que Lockhart curara de uma maldição murmurada , o abominável homem de as neves com dores de cabeça e um vampiro que depois de ter conhecido Lockhart tinha ficado incapaz de comer outra coisa que não fosse alfaces . Harry foi chamado para a frente de a classe durante a aula de Defesa contra as artes negras que se seguiu . Desta_vez para desempenhar o papel de um lobisomem . Se não tivesse um bom motivo para querer ver o Lockhart bem-disposto , teria se recusado . - Um uivo bem alto , excelente , Harry , isso mesmo . E foi então que , acreditem ou não , eu o ataquei de repente , assim . Atirei o a o chão , agarrei o com uma mão e com a outra consegui meter lhe a varinha em a garganta . Então , com a força que me restava pus em prática o complicadíssimo encantamento * _ Homorphus * . Harry soltou um uivo tristíssimo . - Vá lá , Harry , mais alto . Bom ... o pêlo desapareceu , os dentes diminuíram de tamanho e ele transformou se em um homem . Simples , mas eficaz e mais uma cidade ficará a lembrar se de mim para sempre como o herói que os libertou de os ataques mensais de o lobisomem . A campainha tocou e Lockhart pôs se de pé . - Trabalho para_casa : escrever um poema sobre a minha vitória sobre o lobisomem Wagga_Wagga . Há um exemplar autografado de * _ Eu , o Mágico * para o autor de o melhor poema . Os alunos começaram a sair . Harry voltou para trás e foi juntar se a o Ron e a a Hermione que estavam a a espera de ele . - Prontos ? - perguntou . - Espera até saírem todos - disse Hermione bastante nervosa . - Pronto ... Aproximou se de a secretária de Lockhart , apertando em a mão uma folha de papel , com o Ron e o Harry atrás . - Er ... professor Lockhart - gaguejou Hermione . - Eu queria requisitar este livro em a biblioteca , como leitura de apoio - entregou lhe o papel , com a mão ligeiramente trémula . - Só que faz parte de a secção de os reservados , por isso preciso de a assinatura de um professor . Acho que o livro me vai ajudar a compreender o que o senhor diz em * _ Passeios com Vampiros * acerca de os venenos de acção lenta ... - Ah , * _ Passeando com Vampiros * - disse Lockhart , pegando em a folha de papel de Hermione e sorrindo lhe abertamente . - E provavelmente o meu livro preferido . Gostou ? - Oh , muito - disse Hermione avidamente . - Tão inteligente o modo como apanhou o último com o passador de o chá . - Bem , tenho a certeza que ninguém se importará que eu dê uma ajudazinha suplementar a a melhor aluna de o segundo ano - disse Lockhart calorosamente , sacando de uma enorme pena de pavão . - É bonita , não é ? - comentou , adivinhando uma expressão de repulsa em a cara de o Ron . - Costumo guardas a para as minhas assinaturas de autógrafos . Rabiscou uma enorme assinatura cheia de altos e baixos e entregou a a Hermione . - Então , Harry - disse Lockhart enquanto Hermione dobrava a folha e a guardava em o saco . - Amanhã é a primeira partida de Quidditch de este ano , não é ? Gryffindor contra Slytherin . Ouvi dizer que és um jogador indispensável . Eu também fui * seeker * . Convidaram me inclusivamente para fazer parte de a Equipa_Nacional , mas eu preferi dedicar a minha vida a a erradicação de as forças de o mal . Mesmo_assim , se alguma vez precisares de um treino particular , não hesites em falar comigo , estou sempre disponível para partilhar a minha perícia com os jogadores menos dotados do_que eu . Harry fez um som indistinto com a garganta e saiu atrás_de Ron e Hermione . - Não acredito - disse quando os três examinavam a assinatura de Lockhart . - Ele nem viu que livro nós queríamos . - É porque é um idiota sem miolos - explicou o Ron . - Mas , quem se rala , temos o que queríamos . - Ele não é um idiota sem miolos - gritou Hermione com voz esganiçada enquanto se aproximavam quase a correr de a biblioteca . - Só porque ele disse que eras a melhor aluna de o segundo ano ... Baixaram as vozes a o entrar em a quietude abafada de a biblioteca . Madam_Prince , a bibliotecária , era uma mulher magra e irritável que parecia um abutre mal nutrido . - * _ Moste_Potente_Potions * ? - repetiu intrigada , tentando ficar com a folha de papel que Hermione se recusava a entregar lhe . - Gostava de a guardar para mim - disse sem fôlego . - Vá lá - intercedeu Ron , arrancando lhe a de as mãos e entregando a a Madam_Prince . - Nós arranjamos te outro autógrafo . O Lockhart assina tudo se aqui ficar muito_tempo . Madam_Prince pegou em o papel e voltou o em a direcção de a luz , decidida a descobrir uma falsificação , mas a assinatura passou em o teste . Desapareceu entre as estantes e voltou alguns minutos mais tarde , transportando um livro grande e de aspecto antiquado . Hermione meteu o com todo o cuidado em o saco e saíram , tentando não andar depressa de mais nem aparentar um ar culpado . Cinco minutos depois , estavam de_novo barricados em a casa_de_banho fora de serviço de a Murta_Queixosa . Hermione destruíra as objecções de Ron argumentando que aquele era o último lugar onde alguém em o seu juízo perfeito se lembraria de ir e que poderia assegurar lhes alguma privacidade . A Murta_Queixosa chorava ruidosamente em o seu cubículo , mas eles conseguiram ignorá a assim_como ela a eles . Hermione abriu * _ Moste_Potente_Potions * com todo o cuidado e inclinaram se os três sobre as páginas manchadas de humidade . Era fácil de perceber , logo à_primeira_vista de olhos , porque pertencia a a secção de os reservados . Algumas de as poções tinham efeitos quase impensáveis de tão macabros e havia ilustrações bastante desagradáveis , como , por_exemplo , aquela em que um homem parecia ter sido virado de o avesso e a de a bruxa com vários pares de braços suplementares a nascerem lhe em a cabeça . - Aqui está - disse Hermione excitadíssima a o encontrar a página intitulada « A poção * polisuco * « . Estava ilustrada com imagens de pessoas a meio de o processo de se transformarem em outras pessoas e Harry desejou ardentemente que a expressão de dor intensa que se lhes espelhava em o rosto fosse apenas produto de a imaginação de o artista desenhador . - Esta é a poção mais complicada que vi até hoje - disse Hermione enquanto examinava a receita . - Moscas asas de renda , sanguessugas , fluxo de cizânias e verdezelha - murmurou , acompanhando com o dedo a lista de ingredientes . - Bem , esses são relativamente simples , há os em a despensa de material de os estudantes , podemos tirar a a nossa vontade . Oh ! Vê só , pó de chifre de bicórneo ... não sei onde vamos arranjar isto ... e , é claro , um pedacinho de a pessoa em quem queremos transformar nos . - Como ? - perguntou Ron de forma cortante . - O que é_que queres dizer com um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos ? Eu não bebo nada que tenha lá dentro as unhas de os pés de o Crabbe ... Hermione continuou como_se não o tivesse ouvido . - Mas não temos que nos preocupar com isso por enquanto . Fica para o fim . Ron voltou se sem palavras para o Harry que tinha uma preocupação de outro tipo . - Já viste bem tudo_o_que vamos ter que roubar , Hermione ? Algumas coisas , não estão de certeza em a despensa de material de os alunos . O que é_que vamos fazer , arrombar os armários pessoais de o Snape ? Não sei se será uma boa ideia ... Hermione fechou o livro com um estrondo . - Bem , se vocês os dois se vão acagaçar , então está lindo - disse ela . Tinha as bochechas rosadas e os olhos mais brilhantes do_que era habitual . - Eu não gosto de quebrar regras , vocês sabem , mas acho que ameaçar os filhos de os Muggles é muito pior do_que construir uma poção difícil . Mas se vocês não querem descobrir se é o Malfoy , eu posso voltar já a a biblioteca e entregar o livro a Madam_Prince ... - Nunca pensei que chegaria o dia em que serias tu a convencer nos a quebrar regras - disse o Ron . - Está bem , vamos em essa , mas sem unhas de os pés , O. _ K. ? - Quanto tempo vai isso demorar a fazer , afinal ? - perguntou Harry quando Hermione , já com um ar mais satisfeito , voltou a abrir o livro . - Bem , como o fluxo de cizânias tem de ser recolhido durante a lua cheia e as asas de renda têm de ser abafadas durante vinte_e_um dias ... eu diria que se conseguirmos arranjar todos os ingredientes estará pronta dentro_de um mês . - Um mês ? - exclamou o Ron . - Nessa_altura já o Malfoy terá atacado metade de os filhos de Muggles ! - mas os olhos de Hermione contraíram se de_novo assustadoramente e ele acrescentou rapidamente . - Mas é o melhor plano que temos , por isso é melhor não olharmos para trás . Apesar_de tudo , enquanto Hermione verificava que não havia ninguém em os corredores e podiam sair de a casa_de_banho , Ron murmurou a Harry : - Seria muito mais simples se conseguisses , amanhã , atirar o Malfoy de a vassoura abaixo . Harry acordou cedo em o sábado de manhã e ficou um bocado a pensar em a partida de Quidditch que vinha a seguir . Estava nervoso , principalmente pelo que Wood diria se os Gryffindor perdessem , mas também com a ideia de enfrentar uma equipa apetrechada com as vassouras mais velozes que existiam . Nunca desejara tanto vencer os Slytherin como em aquele dia . Depois de meia_hora deitado com a barriga a dar horas , resolveu levantar se , vestir se e descer para tomar o pequeno-almoço . Lá em baixo , encontrou o resto de a equipa de os Gryffindor amontoada a o longo de a mesa comprida e vazia , todos eles com ar preocupado e sem vontade de conversar . Como_se aproximavam as onze horas , todos os alunos de a escola começaram a dirigir se para o estádio de Quidditch . O dia estava quente e húmido , com uma ameaça de trovoada em o ar . Ron e Hermione vieram apressadamente desejar a Harry boa sorte mal ele entrou em os vestiários . A equipa de os Gryffindor pôs os seus mantos vermelhos e sentou se para ouvir o discurso que Wood lhes fazia sempre antes de o jogo . - Os Slytherin têm vassouras melhores do_que nós - começou . - Não há como negá o . Mas nós temos gente melhor em cima de as vassouras . Treinámos mais do_que eles , voamos com todas_as condições climatéricas ( É bem verdade - murmurou George_Weasley - desde Agosto que não sei o que é estar seco ) . - E vamos fazê os engolir o dia em que deixaram aquele nojento de o Malfoy comprar a entrada em a equipa de eles . Com o peito agitado por a comoção , Wood voltou se par Harry . -- Cabe te a ti , Harry , mostrar lhes que um * seeker * tem de ter mais do_que um pai rico . Agarra a * snitch * antes d Malfoy ou morre a tentar porque temos absolutamente que vencer , hoje , Harry , temos que vencer . - Sem ansiedade , Harry - disse o Fred , piscando lhe o olho . Quando saíram em direcção a o campo , foram saudado por uma grande ovação principalmente de a parte de os Ravenclaw e de os Hufflepuff que estavam ansiosos por ver os Slytherin serem derrotados , mas os Slytherin que estavam entre a multidão também fizeram ouvir as suas vaias e pateadas . Madam_Hooch , a professora de Quidditch , pediu a Flin e Wood que apertassem as mãos o que eles fizeram , lançando um_ao_outro olhares ameaçadores , cada_um apertando a mão de o outro com mais força do_que aquela que seria necessário . - Atenção a o apito - disse Madam_Hooch . - Três , dois , um ... Com um bramido de a multidão para que subissem rapidamente , os catorze jogadores elevaram se em o céu cor de chumbo . Harry , mais alto do_que qualquer de os outros olhando para todos os lados em busca de a * snitch * . - Tudo bem , testa de cicatriz ? - gritou Malfoy , disparando por baixo de ele para lhe mostrar a velocidade de a sua vassoura . Harry não teve tempo de responder . Em esse preciso momento uma * bludger * preta e bem pesada veio direitinha a ele . Evitou a tão por um triz que ainda sentiu em os cabelos o ar que ela deslocara . - Foi por_pouco , Harry ! - exclamou o George , passando com grande rapidez , de bastão em a mão , pronto para lançar a * bludger * contra um Slytherin . Harry viu o dar a a * bludger * uma fortíssima pancada em direcção a Adrian_Pucey , mas a bola mudou de rumo em o meio de o ar e dirigiu se de_novo a Harry . Harry desceu rapidamente para se esquivar e George conseguiu lançá a contra Malfoy . Mais_uma_vez a * bludger * actuou como um * boomerang * e apontou a a cabeça de Harry . Harry ganhou velocidade e disparou contra o outro extremo de o campo . Ouvia o assobio de a * bludger * que o perseguia . O que era aquilo ? As * bludgers * nunca se concentravam assim em um único jogador , a sua função era tentar desmontar o maior número possível de intervenientes . Fred_Weasley esperava por a * bludger * em o extremo oposto . Harry baixou se quando o viu balançar se em frente de ela com toda_a garra . A * bludger * foi lançada para_fora_de campo . - Pronto , já está tudo resolvido - gritou Fred satisfeito , mas estava bastante enganado . Como_se fosse magneticamente atraída para Harry , a * bludger * lançou se de_novo contra ele e Harry teve de voar a_toda_a velocidade . Começara a chover . Harry sentia as gotas pesadas caírem lhe em o rosto , turvando lhe as lentes de os óculos . Não fazia ideia do_que se passava em o resto de o jogo , até ouvir Lee_Jordan que fazia o comentário dizer : - Os Slytherin vão a a frente com seis contra zero . As vassouras de qualidade superior de os Slytherin estavam obviamente a cumprir a sua função e enquanto isso , a * bludger * maluca fazia todos os possíveis para deitar abaixo o Harry . Fred e George voavam agora tão perto de ele , um de cada lado , que Harry não via senão os seus braços a balouçar e , se não conseguia ver a * snitch * , muito menos agarrá a . - Alguém enfeitiçou esta * bludger * - resmungou Fred , preparando o bastão com toda_a força quando ela se lançava de_novo contra Harry . - Precisamos de tempo - disse George , tentando fazer sinal a Wood enquanto evitava que a bola partisse o nariz a o Harry . Wood captou obviamente a mensagem . O apito de Madam_Hooch fez se ouvir e Harry , Fred e George desceram , tentando ainda evitar a * bludger * maluca . - O que é_que se passa ? - perguntou Wood enquanto a equipa de os Gryffindor se amontoava desordenadamente e os Slytherin , em o meio de a multidão , lançavam piadas . - Estamos a ser esmagados . Fred , George , onde estavam vocês quando aquela * bludger * impediu a Angelina de marcar ? - Estávamos seis metros acima , evitando que a outra * bludger * matasse o Harry , Oliver - gritou George furioso . - Alguém preparou isto , a bola não deixa o Harry em paz , ainda não perseguiu mais ninguém desde_que o jogo começou . Os Slytherin fizeram aqui qualquer coisa . - Mas as * bludgers * têm estado fechadas em o escritório de Madam_Hooch desde o último treino , e nessa_altura estava tudo bem ... - disse Wood ansiosamente . Madam_Hooch aproximava se . Por cima de o ombro de ela , Harry pôde ver a equipa de os Slytherin a escarnecer e apontar em a sua direcção . - Ouçam - disse o Harry , enquanto ela se aproximava . - Com vocês os dois a voarem sempre colados a mim , só vou apanhar a * snitch * se ela voar até a a minha manga . Voltem se para o resto de a equipa e deixem a tratante comigo . - Não sejas bronco - disse o Fred . - Ela arranca te a cabeça . Os olhos de Wood saltavam de Harry_para_os_Weasley . - Oliver , isto_é uma loucura - disse Alicia_Spinet , zangada . - Não podes deixar o Harry sozinho entregue a aquela coisa . Vamos pedir uma investigação . - Se pararmos agora , teremos de dar a partida como perdida e não vamos deixar os Slytherin ganhar , só por_causa_de uma * bludger * maluca . Vá lá , Oliver , diz lhes que me deixem sozinho . - A culpa é toda tua . * _ Agarra a snitch ou morre a tentar * , se isso é lá coisa que se diga . Madam_Hooch tinha se lhes juntado . - Prontos para retomar a partida ? - perguntou a Wood . Wood olhou para o ar determinado de Harry . - Deixem o sozinho , ele é capaz de lidar com a * bludger * . A chuva era agora mais pesada . A o apito de Madam_Hooch , Harry elevou se em os ares e ouviu o barulhinho de a * bludger * atrás_de si . Subiu cada_vez_mais alto . Fez acrobacias em espiral , descidas rápidas , ziguezagueou e rolou . Apesar_de ligeiramente estonteado , não deixou nunca de ter os olhos bem abertos . A chuva salpicava lhe os óculos e entrava lhe por as narinas , quando ele se voltou de cabeça para baixo , evitando outra forte investida de a * bludger * . Ouviu os risos de a multidão . Sabia que devia parecer ridículo , mas a * bludger * maluca era pesada e não podia mudar de direcção tão rapidamente quanto ele . Iniciou uma corrida que parecia de feira de diversões em volta de os extremos de o estádio , olhando de soslaio , através de os lençóis prateados de chuva , para os postes de os Gryffindor , onde Adrian_Pucey tentava passar por Wood . Um assobio junto de os ouvidos disse a Harry que a * bludger * falhara uma_vez_mais . Voltou se e voou rapidamente em a direcção oposta . - Estás a ensaiar * ballet * , Potter - gritou Malfoy quando Harry foi obrigado a fazer uma reviravolta estúpida em o ar para se esquivar mais_uma_vez de a * bludger * . Lá foi ele , com a * bludger * atrás a alguns metros de distância . E foi então que , olhando para Malfoy , furioso , a viu , a * snitch * de ouro . Flutuava alguns centímetros acima de os ouvidos de Malfoy que , de tão preocupado a escarnecer de Harry , nem dera por ela . Durante um momento angustiante , Harry ficou quieto em o ar , não ousando dirigir se a Malfoy , não fosse ele olhar para_cima e ver a * snitch * . PUM ! Tinha ficado parado tempo de mais . A * bludger * batera lhe , por fim , apanhando lhe o cotovelo e Harry sentiu o braço a partir se . Debilmente , desorientado por a dor cauterizante em o braço , Harry deslizou para um de os lados em a sua vassoura encharcada , um joelho ainda dobrado , o braço direito a balouçar , inútil , a o seu lado . A * bludger * veio de_novo , preparada para mais um ataque , desta_vez apontada a o seu rosto . Harry desviou se com uma intenção : chegar a Malfoy . Através_de uma nuvem de chuva e dor desceu até a o rosto tremeluzente e trocista e viu os olhos de ele dilatarem se de medo : Malfoy pensou que Harry ia atacá o . - Que diabo ... - resmungou , afastando se de o caminho . Harry tirou a outra mão de a vassoura e fez uma tentativa para agarrar qualquer coisa . Sentiu os dedos fecharem se em volta de a * snitch * dourada , mas conduzia agora a vassoura apenas com as pernas e ouviu se um grito de a multidão cá em baixo , quando ele fez a descida , tentando não desmaiar . Com um ruído seco caiu em a terra enlameada e rolou para fora de a vassoura . O braço tinha um ângulo um_pouco estranho . Torcendo se com dores , ouviu a a distância os assobios e os gritos . Concentrou se em a * snitch * que tinha fechada em a outra mão . - Ai - disse vagamente . - Ganhámos o jogo . E desmaiou . Voltou a si com a chuva a cair lhe em o rosto , ainda deitado em o campo , com alguém inclinado sobre ele . Viu um brilho de dentes brancos . - Oh , não , você não - gemeu . - Não sabe o que diz - afirmou Lockhart bem alto a a ansiosa multidão de Gryffindor que o comprimiam . - Não te preocupes , Harry , eu vou tratar de o teu braço . - Não - gritou Harry . - Eu fico com ele assim , obrigado . Tentou sentar se , mas a dor era enorme . Ouviu um « clique » familiar . - Não quero fotografias de isto , Colin - disse em voz alta . - Deita te para trás , Harry - insistiu Lockhart com toda_a calma . - É um encantamento muito simples que eu fiz imensas vezes . - Porque não me levam só para a ala hospitalar ? - perguntou Harry entredentes . - Seria o melhor , professor - disse a voz rouca de o Wood que não conseguia deixar de sorrir , apesar_de o seu * seeker * estar ferido . - Grande captura , Harry , verdadeiramente espectacular , a tua melhor jogada , em a minha opinião . Em o meio de a floresta de pernas que o rodeava , Harry avistou Fred e George_Weasley , metendo a * budger * perigosa em uma caixa . Continuava a dar uma luta enorme . - Para trás - ordenou Lockhart , que tinha arregaçado as mangas verde jade . - Não , eu não ... - protestou debilmente Harry , mas Lockhart tinha a varinha em a mão e , um segundo depois , apontava a para o braço de Harry . Uma sensação estranha e desagradável começou em o ombro e espalhou se , chegando a as pontas de os dedos . Parecia que o braço inteiro tinha sido esvaziado . Não foi capaz de olhar para o que estava a suceder . Tinha fechado os olhos , voltado o rosto para o outro lado , mas os seus maiores receios concretizaram se quando as pessoas lá em cima se sobressaltaram e Colin_Creevey começou a tirar fotografias como um louco . O braço deixara de lhe doer , mas parecia tudo menos um braço . - Ah ! - disse Lockhart . - Sim , bem isto às_vezes acontece . Mas o importante é_que os ossos já não estão partidos . Isso é o mais importante . Portanto , Harry , vai até a a ala hospitalar ... ah ! Mr._Weasley , Miss_Granger , poderiam levá o lá ? E Madam_Pomfrey poderá ... er ... arranjar um_pouco isso . Quando Harry se pôs de pé sentiu se estranhamente desequilibrado . Depois de respirar fundo , olhou para o lado direito e o que viu quase o fez desmaiar de_novo . Pendurado em a extremidade de a sua túnica estava o que parecia ser uma espessa e colorida luva de borracha . Tentou mexer os dedos mas ... em vão . Lockhart não consertara os ossos de Harry . Retirara os . M. dam Pomfrey não ficou nada satisfeita . - Devias ter vindo logo ter comigo - ralhou , segurando os restos tristes e moles de aquilo que antes fora um braço activo . - Eu conserto ossos em um segundo , mas fazê os crescer de_novo ... - Vai conseguir , não vai ? - perguntou Harry desesperado . - Sim , com certeza , mas vai ser doloroso - disse Madam_Pomfrey de modo severo , entregando lhe um pijama . - Vais ter que ficar cá esta noite ... Hermione esperou de o lado de_fora de a cortina que rodeava outra cama enquanto Ron ajudava Harry a vestir se . Levou algum tempo a enfiar o braço que parecia borracha dentro_de uma manga de o pijama . - Como é_que podes continuar a defender o Lockhart depois disto , Hermione ? - perguntou Ron através de as cortinas , enquanto puxava os dedos moles de o Harry por uma manga . - Se o Harry quisesse ser desossado , teria pedido . - Todos podem enganar se - disse Hermione . - E deixou de doer , não deixou , Harry ? - Sim - disse ele - mas também ficou incapaz de fazer seja o que for . Quando se meteu em a cama , o braço agitou se despropositadamente . Hermione e Madam_Pomfrey entraram . Madam_Pomfrey segurava uma grande garrafa com o rótulo * Skele - _ Gro * . - Vais ter uma noite difícil - preveniu , enchendo um pequeno copo fumegante e dando lhe a beber . - Fazer crescer ossos é uma coisa difícil . Tomar o * _ Skele - _ Gro * também . Queimou a boca e a garganta de o Harry a o descer , fazendo o tossir e cuspir . Resmungando sobre os desportos perigosos e os professores incapazes , Madam_Pomfrey retirou se , deixando Ron e Hermione a ajudar Harry a engolir um_pouco de água . - Mas ganhámos o jogo - disse o Ron com um sorriso em o rosto . - A tua jogada foi em grande . A cara de o Malfoy ... parecia que queria matar alguém . - Eu vou descobrir como é_que enfeitiçaram aquela * bludger * - disse Hermione com ar sombrio . - Podemos juntar essa pergunta a a lista de todas_as que queremos fazer a o Malfoy quando tomarmos a poção * _ Polisuco * - disse Harry , afundando se de_novo em as almofadas . - Espero que tenha um sabor melhor do_que esta coisa ... - Com um bocado de os Slytherin lá dentro , deves estar a brincar - disse o Ron . A porta de a ala hospitalar abriu se em esse momento e , completamente encharcados , entraram os restantes membros de a equipa de os Gryffindor , para ver o Harry . - Um voo inacreditável - disse George . - Acabei de ver Marcus_Flint a gritar com o Malfoy . Qualquer coisa sobre ter a * snitch * mesmo em cima de a cabeça e não ter dado por nada . O Malfoy não parecia nem um_pouco satisfeito . Tinham trazido bolos , rebuçados e garrafas de sumo de abóbora . Juntaram se em volta de a cama de Harry e estavam a dar início a o que prometia ser uma grande festa quando Madam_Pomfrey entrou a vociferar : - Este rapaz precisa de repouso . Tem trinta_e_três ossos a crescer . Fora de aqui . FORA ! E Harry ficou sozinho , sem nada que o distraísse de as dores agudas em o seu braço mole . Muitas horas mais tarde , Harry acordou subitamente em a escuridão total e soltou um pequeno grito de dor : sentia agora o braço cheio de estilhaços . Durante alguns segundos pensou que tinha sido a dor a acordá o . Depois , com um arrepio de horror , apercebeu se de que alguém estava a passar lhe uma esponja em a testa . - Sai de aqui - gritou , e em seguida : - Dobby ! Os olhos de o tamanho de bolas de ténis de o elfo doméstico estavam a olhá o em o escuro , uma lágrima grossa rolava por o seu enorme nariz . - Harry_Potter voltou a a escola - murmurou , infeliz . - Dobby avisou e voltou a avisar Harry_Potter . Ah ! senhor , porque não deu ouvidos a Dobby ? Porque não voltou Harry_Potter para_casa quando perdeu o comboio ? Harry ergueu se um_pouco , encostando se a as almofadas e afastou a esponja de o elfo . - O que estás a fazer aqui ? - perguntou . - E como sabes que eu perdi o comboio ? O lábio de Dobby tremeu e Harry foi assaltado por uma dúvida . - Foste tu . Tu impediste que a barreira nos deixasse passar . - Em a verdade fui eu , senhor - disse Dobby , acenando com a cabeça e com as orelhas a abanar . - Dobby escondeu se , esperou por Harry_Potter e selou a barreira . A seguir , Dobby teve de pôr as mãos em o ferro de engomar - mostrou a o Harry dez dedos longos embrulhados em ligaduras . - Mas Dobby não se importou , senhor , porque pensou que Harry_Potter estava a salvo e nunca Dobby sonhou que mesmo_assim ele viria para a escola ! Balançava se para a frente e para trás , sacudindo a cabeça feia . - Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry_Potter tinha voltado a a escola que deixou queimar o jantar de os seus donos . Dobby nunca tivera um castigo tão grande , senhor . Harry afundou se de_novo em as almofadas . - Quase conseguiste que nos expulsassem , a mim e a o Ron - disse furioso . - É melhor desapareceres de aqui antes que os meus ossos voltem a estar bem , Dobby , ou ainda te estrangulo . O elfo sorriu . - Dobby está habituado a ameaças de morte , senhor . Dobby recebe as cinco vezes por dia em a casa onde mora . Encostou o nariz a um canto de a fronha que usava , ficando tão ridículo que Harry sentiu a raiva desvanecer se , apesar_de tudo . - Porque usas essa coisa , Dobby ? - perguntou com curiosidade . - Isto , senhor ? - disse Dobby apontando para a fronha de almofada . - É uma prova de escravatura de o elfo doméstico , senhor . Dobby só pode ser libertado se os donos lhe derem roupa , senhor . A família tem o cuidado de não dar a o Dobby nem uma peúga , senhor , porque ele poderia ficar livre e deixar a casa para sempre . Dobby limpou os olhos protuberantes e disse subitamente : - Harry_Potter deve ir para_casa . Dobby achou que a sua * bludger * seria o suficiente para o fazer ... - A tua * bludger * ? - disse Harry com a raiva a crescer novamente dentro de ele . - Que queres tu dizer com a tua bludger * ? Foste tu quem fez com que aquela bola tentasse matar me ? - Matar não , senhor . Matar , nunca ! - disse o elho chocado . - Dobby quer salvar a vida de Harry_Potter . É melhor ir para_casa ferido do_que ficar aqui , senhor . Dobby só queria Harry_Potter suficientemente ferido para voltar para_casa . - Só isso ? - disse Harry furioso . - Imagino que não vais dizer me porque querias mandar me para_casa a os bocados ? - Ah ! se Harry_Potter soubesse ! - gemeu Dobby , com mais lágrimas a escorrerem lhe por a fronha esfarrapada . - Se pudesse saber o que significa para nós , para os humildes , os escravizados , nós , a escória social de o mundo mágico ! Dobby lembra se de como eram as coisas quando Aquele cujo nome não deve ser pronunciado estava em o auge de o poder , senhor ! Nós , os elfos domésticos éramos tratados como animais , senhor ! É claro que Dobby ainda é tratado assim - admitiu , secando o rosto em a fronha de almofada . - Mas , em a sua maioria , a vida melhorou bastante para os de a minha espécie desde_que Harry_Potter triunfou sobre Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Harry_Potter sobreviveu e o poder de os senhores de o Mal foi quebrado e veio uma nova alvorada , senhor , e Harry_Potter brilhou como um farol de esperança para aqueles de entre nós que já pensavam que a longa noite nunca mais teria fim , senhor ... e agora em Hogwarts vão acontecer coisas terríveis , talvez já esteiam a acontecer e Dobby não pode deixar Harry_Potter ficar aqui , agora_que a história vai repetir se , agora_que a Câmara_dos_Segredos está de_novo aberta . Dobby calou se horrorizado . Em seguida agarrou em o jarro de a água que Harry tinha a a cabeceira e bateu com ele em a própria cabeça , deixando se cair . Um segundo mais tarde voltou até junto de a cama , repetindo : - Mau , Dobby , muito mau , Dobby . - Quer_dizer , então , que existe mesmo a Câmara_dos_Segredos ? - murmurou Harry . - E dizes tu que já antes foi aberta ? Conta me , Dobby . Agarrou o pulso ossudo de o elfo quando a mão de ele se estendia para o jarro de a água . - Mas eu não sou filho de Muggles . Como posso estar em perigo por causa de a Câmara_dos_Segredos ? - Ah ! senhor , não pergunte a o pobre Dobby - lamentou se o elfo com os olhos enormes a brilharem em o escuro . - As forças de as trevas estão projectadas em este lugar , mas Harry_Potter não deve estar aqui quando as coisas acontecerem . Vá para_casa , Harry_Potter , vá para_casa . Harry_Potter não deve envolver se em isto , senhor , é demasiado perigoso ... - Quem é , Dobby ? - perguntou Harry , continuando a agarrar lhe o pulso com forca , impedindo que batesse de_novo em si próprio com o jarro . - Quem abriu a amara ? Quem a abriu de a última vez ? - Dobby não pode , senhor . Dobby não pode . Dobby não deve dizer - guinchou o elfo . - Vá se embora , Harry_Potter , vá se embora ! - Eu não vou para lugar nenhum - disse Harry , furioso . - Uma de as minhas melhores amigas é filha de Muggles , está em perigo se a câmara foi , de facto , aberta ... - Harry_Potter arrisca a própria vida por os amigos - gemeu Dobby em uma espécie de êxtase infeliz . - Tão nobre , tão corajoso , mas deve salvar se , Harry_Potter não deve ... Dobby calou se de repente com as orelhas de morcego a estremecerem . Harry também ouviu os passos que vinham lá fora , de o corredor . - Dobby tem de ir - balbuciou o elfo apavorado . Ouviu se um ruído e o pulso de Harry ficou subitamente fechado em o ar . Meteu se de_novo para baixo , em a cama , com os olhos fixos em a porta escura que dava entrada em a ala hospitalar enquanto os passos se aproximavam . Em o momento seguinte , Dumbledore estava a entrar , de costas , em o dormitório , vestindo uma longa túnica de lã e uma capa de noite . Transportava um extremo de aquilo que parecia ser uma estátua . A professora Mc_Gonagall surgiu um segundo mais tarde , pegando lhe em os pés . Os dois colocaram a em uma cama . - Chame Madam_Pomfrey - murmurou Dumbledore e a professora Mc_Gonagall passou por a cama de Harry , apressadamente , e desapareceu . Harry deixou se ficar muito quieto como_se estivesse a dormir . Ouviu vozes ansiosas e por fim a professora Mc_Gonagall apareceu de_novo , seguida de Madam_Pomfrey que vestia um casaco curto de lã sobre a camisa de dormir . Ouviu uma inspiração aguda . - O que aconteceu ? - murmurou Madam_Pomfrey_a_Dumbledore , inclinando se sobre a estátua que estava em a cama . - Outro ataque - disse Dumbledore . - A Minerva encontrou o em as escadas . Havia um cacho de uvas junto de ele . Acho que estava a tentar esgueirar se até aqui para vir visitar o Potter . O estômago de Harry deu uma reviravolta . Lenta e cuidadosamente ergueu se alguns centímetros para poder ver a estátua que estava sobre a cama . Um raio de luar iluminou lhe o rosto estático . Era_Colin_Creevey . Tinha os olhos abertos , e as mãos , em frente de a cara , seguravam a máquina fotográfica . -- Petrificado ? - murmurou Madam_Pomfrey . - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - Mas estou tentada a acreditar que ... se Albus não tivesse vindo cá abaixo tomar um chocolate quente ... quem sabe o que teria ... Os três olharam para Colin . Dumbledore inclinou se e retirou lhe a máquina de as mãos rígidas . - Será que ele conseguiu tirar a fotografia de o agressor ? - perguntou ansiosa a professora Mc_Gonagall . Dumbledore não respondeu . Abriu a parte detrás de a máquina . - Cruzes canhoto - disse Madam_Pomfrey . Um jacto de vapor tinha feito fervilhar a máquina . Harry , a três metros de distância , sentiu o cheiro tóxico de o plástico queimado . - Derretido - disse Madam_Pomfrey com grande espanto . - Tudo derretido . - O que significa isto , Albus ? - perguntou cada_vez_mais nervosa a professora Mc_Gonagall . - Significa - disse Dumbledore - que a Câmara_dos_Segredos está mesmo aberta outra_vez . Madam_Pomfrey levou uma mão a a boca . A professora Mc_Gonagall olhou assustada para Dumbledore . - Mas , Albus ... com certeza ... quem ? - A questão não é quem - disse Dumbledore com os olhos fixos em Colin . - A questão é como ... E pelo que Harry conseguiu ver de o rosto indistinto de a professora Mc_Gonagall , ela não compreendeu muito mais do_que ele . XI_O clube de os duelos Quando_Harry acordou , em o domingo de manhã , a enfermaria estava iluminada por um resplandecente sol de inverno e o seu braço tinha de_novo todos os ossos , apesar_de o sentir muito rígido . Sentou se rapidamente e olhou para a cama de Colin , mas ela fora isolada com as cortinas atrás de as quais se despira em a véspera . Vendo que ele tinha acordado , Madam_Pomfrey apareceu com um tabuleiro de pequeno-almoço e a seguir começou a apalpar lhe o braço e os dedos . - Tudo em ordem - disse , enquanto ele , com a mão esquerda , comia avidamente as papas de aveia . - Quando acabares de comer podes ir te embora . Harry vestiu se o mais depressa que pôde e dirigiu se a a pressa para a torre de os Gryffindor , ansioso por contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre Colin e Dobby , mas não os encontrou lá . Foi a a procura de eles , perguntando a si próprio onde teriam ido e sentindo se um_pouco magoado por o pouco interesse que demonstravam em saber se ele tinha recuperado os ossos . Quando passou por a biblioteca , Percy_Weasley vinha a sair com bastante melhor cara do_que de a última vez que se tinham encontrado . - Olá , olá , Harry - disse . - Excelente voo o de ontem , verdadeiramente sensacional . Os Gryffindor estão a a frente para a taça de a equipa . Ganhaste cinquenta pontos . - Não viste o Ron e a Hermione por aí ? - perguntou Harry . - Não , não vi - disse Percy com o sorriso a desaparecer . - Espero que o Ron não esteja outra_vez em a casa_de_banho de as raparigas ... Harry forçou um sorriso , viu Percy desaparecer e a seguir foi direitinho até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Não via lá muito bem por_que motivo o Ron e a Hermione lá estariam de_novo , mas , depois de se assegurar de que nem Filch nem nenhum de os prefeitos estavam por perto , abriu a porta e ouviu as vozes de eles que vinham de um cubículo fechado . - Sou eu - disse , fechando a porta atrás_de si . Ouviu se dentro de o cubículo um estrondo , um chapinhar e um sobressalto e ele viu o olho de a Hermione a espreitar por o buraco de a fechadura . - Harry - disse ela . - Pregaste nos um susto de morte . Entra . Como está o teu braço ? - _ óptimo - respondeu , apertando se dentro de o cubículo . Em cima de a sanita estava encarrapitado um velho caldeirão , e um crepitar a a superfície de a água disse a Harry que eles tinham acendido um fogo lá em baixo . Fazer aparecer fogos portáteis a a prova de água era uma de as especialidades de Hermione . - _ íamos visitar te , mas resolvemos começar a preparar a poção * _ Polisuco * - explicou Ron enquanto Harry fechava outra_vez a porta de o cubículo com alguma dificuldade . - Achámos que este era o lugar mais seguro para a esconder . Harry começou a contar lhes de o Colin , mas Hermione interrompeu o . - Nós já sabemos , ouvimos a professora Mc_Gonagall contar a o professor Flitwick hoje_de_manhã . Por isso resolvemos começar a ... - Quanto_mais depressa arrancarmos uma confissão a o Malfoy , melhor - rosnou o Ron . - Sabem o que eu penso ? Ele estava tão mal-humorado depois de o jogo de Quidditch que se vingou em o Colin . - Há outra coisa - disse Harry , vendo Hermione cortar molhos de verdezelha e lançá os dentro de a poção . - O Dobby foi visitar me a meio de a noite . Ron e Hermione olharam o espantados . Harry contou lhes tudo_o_que Dobby lhe dissera ... ou não dissera . Ron e Hermione ouviram o de boca aberta . - A Câmara_dos_Segredos já tinha sido aberta antes ? - repetiu Hermione . - Encaixa perfeitamente - disse Ron , em uma voz triunfante . - O Lucius_Malfoy deve ter aberto a Câmara_dos_Segredos quando andava em a escola e agora ensinou a o querido filhinho Draco como abris a . É óbvio , que pena o Dobby não te ter dito que tipo de monstro lá se encontra . Gostava de saber como é_que ninguém o viu andar por ai em a escola . - Talvez tenha a capacidade de se tornar invisível - sugeriu Hermione , picando sanguessugas para dentro de o caldeirão . - Ou talvez se disfarce , passando por uma armadura ou outra coisa de o género . Eu li umas coisas sobre vampiros camaleões ... - Tu lês de mais , Hermione - disse o Ron , deitando moscas asas de renda mortas por cima de as sanguessugas . Amarrotou o saco vazio de as asas de renda e olhou para Harry . - Então foi o Dobby que nos impediu de apanhar o comboio e te partiu o braço ... - abanou a cabeça . - Sabes o que eu acho ? Se ele não parar de tentar salvar te a vida ainda acaba por te matar . A notícia de que Colin_Creevey tinha sido atacado e estava agora em a ala hospitalar , como morto , espalhou se por toda_a escola em a segunda-feira de manhã . O ar ficou pesado e cheio de boatos e suspeitas . Os alunos de o primeiro ano começavam a andar por a escola em pequenos grupos , receando ser atacados se se aventurassem a andar isoladamente por os corredores . Ginny_Weasley , que era colega de carteira de o Colin em os encantamentos , estava perturbadíssima , mas Harry achou que Fred e George estavam a tentar animá a de a maneira errada . Revezavam se , mascarados com peles de animais e apareciam lhe subitamente detrás de as estátuas . Só pararam quando Percy , apopléctico de raiva , lhes disse que ia escrever a Mrs._Weasley a contar lhe que a Ginny andava a ter pesadelos . Enquanto isso , às_escondidas de os professores , uma panóplia de talismãs , amuletos e outros objectos de protecção ia enchendo a escola . Neville_Longbottom comprou uma enorme cebola verde que cheirava mal , um cristal pontiagudo cor de púrpura e uma cauda de tritão apodrecida antes de os outros rapazes de os Gryffindor lhe explicarem que ele não corria perigo : era um sangue puro e , portanto , muito pouco passível de ser atacado . - Eles foram a o Filch em primeiro lugar - disse Neville com o medo estampado em a cara redonda . - E toda_a_gente sabe que eu sou quase um * busca-pé * . Em a segunda semana de Dezembro , a professora Mc_Gonagall veio , como de costume , recolher os nomes de os alunos que ficavam em a escola durante o Natal . Harry , Ron e Hermione assinaram a lista . Tinham ouvido dizer que Malfoy ficava , o que lhes parecera muito suspeito . As férias seriam a altura ideal para usar a poção * _ Polisuco * e tentar arrancar lhe uma confissão . Infelizmente a poção estava a meio . Precisavam ainda de o chifre de bicórneo e o único lugar onde podiam arranjá o era em os depósitos privados de Snape . Harry , pessoalmente , preferia enfrentar o lendário monstro de os Slytherin do_que ser apanhado por o Snape a assaltar lhe o escritório . - O que precisamos - disse Hermione cheia de vivacidade quando se aproximava a aula conjunta de poções de quinta-feira a a tarde - para podermos entrar a a vontade em o escritório de o Snape , é de uma diversão . Harry e Ron olharam para ela , nervosos . - Acho que o melhor é ser eu a praticar o roubo - prosseguiu ela , em um tom perfeitamente casual . - Vocês os dois podem ser expulsos se forem apanhados e eu tenho uma folha limpa . Portanto , a única coisa que têm de fazer é distrair o Snape durante cerca de cinco minutos . Harry esboçou um meio sorriso . Provocar deliberadamente um estrago em a aula de poções de o Snape era tão seguro como ferir em um olho um dragão adormecido . As aulas de poções tinham lugar em um de os mais amplos calabouços . A de quinta-feira a a tarde não foi diferente de as outras . Vinte caldeirões fumegavam entre as secretárias de madeira , sobre as quais podia ver se laminas de latão e jarras com ingredientes . Snape deambulava por o meio de os fumos , fazendo reparos petulantes a o trabalho de os Gryffindor , enquanto os Slytherin riam a a socapa . Draco_Malfoy , que era o aluno preferido de Snape , não parava de lançar olhos de carneiro mal morto a o Ron e a o Harry , que sabiam que se retaliassem teriam um castigo , antes de poderem abrir a boca para dizer : - É injusto ! A solução de inchar de o Harry estava demasiado líquida , mas ele estava preocupado com coisas mais importantes . Esperava por o sinal de Hermione e mal deu por Snape se calar para ir espreitar a sua poção aguada . Quando o professor se voltou e foi implicar com o Neville , Hermione trocou um olhar com Harry e fez um aceno . Harry baixou se discretamente por detrás de o seu caldeirão , tirou de o bolso de trás um de os paus de fogo-de-artíficio Filibuster e deu lhe um toque de varinha . O fogo-de-artíficio começou a sibilar e a crepitar . Sabendo que tinha apenas alguns segundos , Harry endireitou se , ganhou coragem e lançou o a o ar . Aterrou certeiro em o caldeirão de o Goyle . A poção de o Goyle explodiu , salpicando toda_a aula . As pessoas gritavam , à_medida_que eram vítimas de os salpicos . Malfoy foi apanhado em a cara e o nariz começou a inchar como um balão . O Goyle tropeçava a as cegas , com as mãos em os olhos , que tinham ficado de o tamanho de pratos de sopa , enquanto o Snape tentava repor a calma e tentar perceber o que sucedera . Em o meio de a confusão , Harry viu Hermione esgueirar se a a socapa por a porta . - Silêncio ! silêncio ! - vociferou Snape . - Todos os que foram salpicados cheguem aqui para uma drenagem . Quando eu descobrir quem fez isto ... Harry fez um enorme esforço para não se rir a o ver Malfoy chegar apressadamente lá a a frente , a cabeça a tombar com o peso de o nariz , que parecia um pequeno melão . Quando metade de a aula se amontoava junto de a secretária de o Snape , alguns alunos vergados por o peso de os braços que pareciam mocas , outros incapazes de falar devido a o gigantesco inchaço de os lábios , Harry viu Hermione reentrar em o calabouço , a túnica mostrando a barriga protuberante . Quando todos os alunos tinham já tomado um gole de o antídoto e os vários inchaços tinham desaparecido , Snape precipitou se para o caldeirão de o Goyle e pescou os restos retorcidos de o fogo-de-artíficio . Houve um súbito silêncio . - Se eu descubro quem lançou isto - murmurou Snape - garanto que é expulsão por a certa . Harry compôs uma expressão de espanto . Snape olhava directamente para ele e a campainha , que tocou dez minutos mais tarde , não podia ser mais bem-vinda . - Ele soube que fui eu - disse Harry_a_Ron e a a Hermione , enquanto se dirigiam apressadamente para a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Tenho a certeza . Hermione lançou o novo ingrediente em o caldeirão e começou a mexer furiosamente . - Isto vai estar pronto dentro_de quinze_dias - afirmou , satisfeita . - O Snape não pode provar que foste tu - assegurou Ron , tranquilizando Harry . - Que pode ele fazer ? - Conhecendo o Snape , qualquer coisa louca - respondeu Harry , enquanto a poção borbulhava e espumava . Uma semana mais tarde , Harry , Ron e Hermione passavam por o vestíbulo de entrada , quando viram um pequeno grupo de pessoas reunidas em volta de o jornal de parede a lerem um pedaço de pergaminho que tinha acabado de ser afixado . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas acenaram lhes , entusiasmados . - Vão lançar um clube de duelos ! - exclamou Seamus . - Hoje a a noite é a primeira reunião . Eu não me importaria nada de ter aulas de duelo , podem vir a ser úteis um dia de estes ... - Porquê ? Achas que o monstro de os Slytherin sabe esgrimir ? - perguntou o Ron , mas , também ele , leu a notícia com interesse . - Pode ser útil - disse a o Harry e a a Hermione , quando foram jantar . - Vamos lá ? Harry e Hermione acharam óptimo , por isso , a as oito_da_noite voltaram a o salão . As longas mesas de refeição tinham desaparecido e um estrado dourado surgira , encostado a a parede . Sobre ele flutuavam milhares de velas . O tecto era , mais_uma_vez , de veludo negro e parecia que quase todos os alunos de a escola se encontravam ali , com as suas varinhas em a mão e com um ar entusiasmado . - Quem será que vai ensinar nos ? - perguntou Hermione , enquanto se misturavam em a multidão barulhenta . - Ouvi dizer que o Filitwick foi campeão de duelo em a juventude , talvez seja ele . - Desde_que não seja ... - começou Harry , mas terminou em um gemido : Gilderoy_Lockhart estava a subir a o estrado , resplandecente em as suas vestes cor de ameixa , acompanhado , nem mais nem menos , do_que de Snape que trajava , como sempre , de negro . Lockhart levantou um braço , pedindo silêncio , bradando : - Aproximem se , aproximem se , conseguem todos ver me e ouvir me ? Excelente ! - O professor Dumbledore deu me autorização para iniciar este pequeno curso de duelo para vos treinar a todos , caso algum dia precisem de se defender , como eu tenho feito em inúmeras ocasiões ; para mais detalhes , leiam os livros que tenho publicados . - Permitam que vos apresente o meu assistente , o professor Snape - disse Lockhart , abrindo um sorriso de orelha a orelha . - Ele diz me que sabe alguma coisa sobre duelos e aceitou desportivamente ajudar me em uma exibição de demonstração , antes de começarmos . Atenção , não quero que os mais novos fiquem preocupados , vão continuar a ter o vosso professor de poções depois de eu o vencer . Não tenham medo . - Não era óptimo se se liquidassem um_ao_outro ? - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . O lábio inferior de Snape estava curvo . Harry interrogou se sobre o motivo por_que Lockhart continuava a sorrir . Se o Snape olhasse de aquela maneira para ele , Harry estaria a correr a_toda_a velocidade para o mais longe possível . Lockhart e Snape voltaram se um para o outro e fizeram uma vénia , pelo_menos Lockhart fê la com muitas reviravoltas de mãos , enquanto Snape acenava , irritado , com a cabeça . Em seguida , ergueram as varinhas , como_se fossem espadas , em a frente . - Como podem ver , estamos a pegar em as varinhas em a posição de aceitação de combate - explicou Lockhart a a multidão silenciosa . - Quando contarmos até três , lançaremos os primeiros feitiços . Nenhum de nós tentará matar o outro , claro . - Eu não poria as mãos em o fogo - murmurou Harry , observando como Snape cerrava os dentes . -- Um , dois , três ... Os dois balançaram as varinhas acima de os ombros . Snape gritou : * _ Expelliarmus * ! Houve um clarão ofuscante de luz escarlate e Lockhart voou para trás , caindo de o estrado batendo contra a parede , escorregando e indo estatelar se em o chão . Malfoy e alguns de os outros Slytherin aplaudiram . Hermione estava em bicos de os pés . - Acham que ele está bem ? - gritou entredentes . - Quem se rala ? - disseram ao_mesmo_tempo o Ron e o Harry . Lockhart estava a pôr se , hesitante , de pé . O chapéu caíra lhe e o cabelo ondulado estava em um desalinho . - Bem , cá está ! - disse , cambaleando até a o estrado . - Este foi um encantamento para desarmar . Como podem ver , perdi a minha varinha . Ah , obrigado Miss_Brown . Sim , foi uma excelente ideia mostrar lhes isto , professor Snape , mas , se me permite que lhe diga , foi muito óbvio o que ia fazer . Se eu tivesse querido impedis o , teria o feito com a maior de as facilidades . Mas achei que seria educativo deixá os ver ... Snape tinha um ar assassino . Provavelmente Lockhart deu por isso , porque declarou : - Chega de demonstrações . Eu vou passar agora por o meio de vocês e criar duplas . Professor_Snape , se quiser ajudar me ... Entraram por o meio de a multidão , agrupando alunos . Lockhart pôs o Neville com Justin_Finch - _ Fletchley , mas Snape chegou primeiro junto de Harry e de Ron . - Tempo de separar a dupla ideal , parece me - rosnou . - Weasley , tu podes ficar com o Finnigan . Potter ... Harry voltou se automaticamente para Hermione . - Não me parece - disse Snape com o seu sorriso frio . - Mr._Malfoy , venha até aqui . Vamos ver o que faz com o famoso Potter . E a menina , Miss_Granger , pode emparceirar com Miss_Bulstrode . Malfoy aproximou se com o seu passo empertigado e o seu sorriso escarninho . Atrás de ele vinha uma rapariga de os Slytherin , que lembrou a Harry uma imagem que tinha visto em as * _ Férias com Bruxas_Velhas * . Era corpulenta e quadrada e os maxilares avançavam agressivamente . Hermione esboçou um meio sorriso , que ela não retribuiu . - Voltem se para os vossos parceiros - gritou Lockhart - e façam a vénia . Harry e Malfoy mal inclinaram as cabeças , não afastando os olhos um de o outro . - Varinhas preparadas ! - gritou Lockhart . - Quando eu disser três preparem os feitiços para desarmar o vosso opositor . Um ... dois ... três ... Harry levantou a varinha acima de o ombro , mas Malfoy começara logo em o « dois » : o seu feitiço apanhou Harry com tanta força que ele se sentiu como_se tivesse levado com uma frigideira em a cabeça . Tropeçou , mas ainda não estava fora de combate e , sem perder tempo , Harry apontou a varinha a Malfoy e gritou : - * _ Rictusempra ! * Um jacto de luz prateada atingiu Malfoy em o estômago , obrigando o a dobrar se , arfando . - Eu disse desarmar ! - gritava Lockhart sobre as cabeças de a multidão em lata , enquanto Malfoy caía de joelhos . Harry atingira o com o feitiço de as cócegas e ele mal conseguia mexer se para se rir . Harry hesitou com o vago sentimento de que seria pouco desportivo enfeitiçar Malfoy enquanto ele estava caído em o chão , mas ... foi um erro . Tentando respirar , Malfoy apontou a varinha a os joelhos de Harry , balbuciando : « * _ Tarantallegra ! * » e , um segundo depois , as pernas de o Harry tinham começado a mexer se , sem que ele pudesse controlá as , executando uma espécie de dança frenética . - Parem , parem - gritava Lockhart , quando Snape resolveu tomar controlo de a situação . - * _ Finite_Incantatem ! * - bradou . Os pés de o Harry pararam de dançar , Malfoy parou de rir e puderam olhar para_cima . Uma onda de fumo esverdeado pairava sobre todos eles . Neville e Justin estavam caídos em o chão , a arfar . Ron tentava fazer parar um Seamus com cara cor de cinza , pedindo lhe mil desculpas por o que a sua varinha partida eventualmente tivesse feito . Mas Hermione e Millicent_Bulstrode ainda não tinham acabado . Millicent tinha feito a Hermione uma prisão de cabeça e Hermione gritava de dor . As duas varinhas jaziam esquecidas em o chão . Harry deu um salto em frente e afastou Millicent . Não foi fácil , ela era bastante maior do_que ele . - Oh , gente ! - exclamou Lockhart , arrastando se por o meio de a multidão e olhando para os resultados de os duelos . - Vamos pôr de pé , Mcmillan ... cuidado , Miss_Fawcett ... belisque com força que pára logo de sangrar ... - Acho que o melhor é ensinar vos como bloquear feitiços pouco amigáveis - afirmou Lockhart que estava nervosíssimo em o meio de o salão . Olhou para Snape , cujos olhos pretos brilhavam e desviou rapidamente o olhar . - Vamos arranjar um par de voluntários . Longbottom e Finch - _ Fletchley , que tal serem vocês ? - Uma má ideia , professor Lockhart - disse Snape , deslizando como um morcego enorme e cruel . - Longbottom provoca devastação com o feitiço mais simples . Ainda temos de mandar o que restar de o Finch - _ Fletchley para a ala hospitalar dentro_de uma caixa de fósforos . - A cara redonda e rosada de Neville ficou ainda mais rosada . - Que tal o Malfoy e o Potter ? - sugeriu Snape com um sorriso retorcido . - Excelente ideia - disse Lockhart , fazendo sinal a os dois para que se aproximassem de o meio de o salão , enquanto a multidão recuava para lhes dar passagem . - Ouve bem , Harry - disse Lockhart . - Quando o Draco te apontar a varinha , tu fazes assim . Levantou a sua varinha , executando uma tentativa complicada de malabarismo e deixou a cair . Snape sorriu pretensiosamente , enquanto Lockhart a apanhava de o chão , dizendo : - Ups , a minha varinha está demasiado excitada . Snape aproximou se de Malfoy , inclinou se e disse lhe qualquer coisa a o ouvido . Malfoy sorriu também de forma afectada . Harry olhou , nervoso , para Lockhart e pediu : - Professor , podia mostrar me outra_vez aquela coisa para bloquear ? - Estás com medo ? - murmurou Malfoy baixinho , para que Lockhart não pudesse ouvir . - Querias ! - exclamou Harry por o canto de a boca . Lockhart deu um soco em o ombro de o Harry , em a brincadeira . - Basta que faças como eu fiz ! - O quê , deixar cair a varinha ? Mas Lockhart não estava a ouvir - Três , dois , um , zero ! - gritou . Malfoy levantou rapidamente a varinha a o ar e gritou : - * _ Serpensortia ! * A extremidade de a varinha explodiu . Harry viu , horrorizado , uma enorme serpente negra sair de ela , cair pesadamente em o chão a meio de os dois e erguer se disposta a atacar . Ouviram se gritos , enquanto a multidão se afastava , deixando o chão vazio . - Não te mexas , Potter - disse Snape vagarosamente , divertindo se claramente a ver Harry , parado , a olhar em os olhos a serpente . - Eu trato de ela ... - Permita me -- gritou Lockhart . Bramiu a varinha em direcção a a serpente e ouviu se um estoiro . A cobra , em_vez_de desaparecer , voou três metros acima de eles e voltou a cair em o chão com um estrondo enorme . Enraivecida , a sibilar de fúria , rastejou em direcção a Finch - _ Fletchley e pôs se de pé com os dentes a a mostra , pronta a atacar . Harry não soube ao_certo o que o levou a fazer aquilo . Não se lembrava sequer de ter tomado aquela decisão . Só soube que as pernas o fizeram avançar como_se tivesse rodas e que gritou a a serpente : - Larga o ! - E , milagrosa e inexplicavelmente , a serpente voltou a o chão , dócil como uma grande mangueira de jardim , preta e grossa , os olhos agora fixos em os olhos de Harry . Harry sentiu o medo a escoar se . Sabia que a cobra não atacaria mais ninguém , embora não pudesse explicar como sabia . Olhou para Justin a sorrir , esperando vê o aliviado , espantado , ou mesmo agradecido , mas nunca zangado ou assustado . - Que brincadeira é essa ? - gritou o outro e , antes que Harry tivesse tempo de dizer fosse o que fosse , voltou as costas e saiu de o salão . Snape deu um passo em frente , fez um gesto com a varinha e a serpente desapareceu em uma onda de fumo preto . Também ele , Snape , olhava para Harry de uma forma inesperada . Era um olhar arguto e calculista , de que Harry não gostou . Apercebeu se também vagamente de um murmúrio ameaçador que vinha de as paredes em volta . Depois , sentiu um puxão em a túnica . - Vamos - disse a voz de o Ron em o seu ouvido . - Mexe te , vá lá ... Ron arrastou o para fora de o salão . Hermione acompanhava os em a passada rápida . Quando cruzaram a porta , as pessoas que a rodeavam afastaram se , como_se tivessem medo de ser contagiadas . Harry não fazia a mais pequena ideia do_que estava a passar se e , nem Ron , nem Hermione lhe deram qualquer explicação , antes de o terem levado até a a sala comum de os Gryffindor , que se encontrava vazia . Aí , Ron empurrou Harry para uma cadeira de braços e disse : - Tu és um * serpentês * . Porque não nos disseste ? - Eu sou um quê ? - perguntou Harry . - Um * serpentês * ! - exclamou o Ron . - Falas com as cobras . - Eu sei - declarou Harry . - Quer_dizer , esta foi a segunda vez que o fiz . A outra foi há muito_tempo em o jardim zoológico , quando soltei uma Boa_Constrictor a o meu primo Dudley . É uma longa história , mas ela estava a dizer me que nunca tinha estado em o Brasil e eu acho que a libertei sem querer . Foi antes de saber que era feiticeiro . . . - Uma Boa_Constrictor disse te que nunca tinha estado em o Brasil ? - repetiu Ron , quase sem voz . - E então ? - disse o Harry . - Aposto que montes de pessoas aqui fazem o mesmo . - Não fazem , não - afirmou Ron . - Não é um dom muito frequente . Harry , isso é mau . - O que é_que é mau ? - perguntou Harry , que começava a ficar chateado . - O que é_que se passa com todos os outros ? Ouve bem , se eu não tivesse dito a aquela cobra para não atacar o Justin ... - Ah , foi isso que tu disseste ? - Que queres dizer ? Tu estavas lá , ouviste perfeitamente o que eu disse . - Eu ouvi te falar em serpentês - disse o Ron . - Língua de cobra . Podias estar a dizer lhe qualquer coisa . Não admira que o Justin tivesse entrado em pânico . Parecia que estavas a incitar a serpente . Foi assustador , sabes ? Harry olhou para ele espantado . - Eu falei uma língua diferente ? Mas não me apercebi , como posso falar uma língua , sem saber que a conheço ? Ron abanou a cabeça . Tanto ele como Hermione tinham um ar fúnebre . Harry não percebia o que havia em aquilo de tão trágico . - Será que me querem explicar o que há de mal em ter impedido que uma serpente enorme arrancasse a cabeça a o Justin ? - perguntou . - Porque é tão importante como o fiz , se evitei que o Justin fosse juntar se a grupo de os SEM_CABEÇA ? - Importa - disse por fim Hermione , em uma voz abafada . - Porque falar com serpentes era a arte por a qual Salazar_Slytherin ficou famoso . Por isso , o símbolo de os Slytherin é uma serpente . Harry ficou de boca aberta . - Exacto - disse o Ron . - E agora todos em a escola vão pensar que tu és descendente de ele . - Mas não sou - contrapôs Harry com um pânico que não conseguia explicar . - Não vai ser fácil prová o - disse Hermione . - Ele viveu há quase mil anos . Pelo que vimos , podias ser . Em essa noite , Harry ficou acordado durante horas . Por uma fresta de os cortinados de a cama de dossel , olhou para a neve que começava a cair de o lado de_fora de a janela de a torre e perguntou se se poderia ser descendente de Salazar_Slytherin . Afinal , não sabia nada de a família de o pai , os Dursley tinham sempre proibido qualquer pergunta sobre os seus familiares feiticeiros . Calmamente , tentou dizer qualquer coisa em * serpentês * , mas as palavras não saíam . Parecia que era necessário estar frente_a_frente com uma cobra para poder fazê o . Mas eu sou um Gryffindor , pensou Harry , o chapéu seleccionador não me poria aqui se eu tivesse sangue de Slytherin ... - Ah ! - disse uma vozinha dentro de o seu cérebro . - Mas o chapéu seleccionador queria pôr te em os Slytherin , não te lembras ? Harry deu voltas e voltas a a cabeça . Em o dia seguinte , quando visse Justin em a aula de herbologia explicaria lhe que estava a afastar a serpente , não a atiçá a o que , aliás , pensou zangado , dando vários socos em a almofada , qualquer idiota teria percebido . Contudo , em a manhã seguinte , a neve que começara a cair durante a noite , transformara se em uma tempestade tão espessa que a última aula de herbologia de o período foi cancelada : a professora Sprout queria tapar as mandrágoras com peúgas e cachecóis , uma operação arriscada que ela não confiava a ninguém agora_que era tão importante que as mandrágoras crescessem depressa e reabilitassem Mrs._Norris e Colin_Creevey . Junto de a lareira de a sala comum de os Gryffindor , Harry matutava sobre o que se passara enquanto Ron e Hermione aproveitavam o foro para jogar xadrez de feitiçaria . - Com os diabos , Harry - disse Hermione exasperada quando um bispo derrubou um de os cavaleiros de o cavalo , arrastando o para fora de o tabuleiro . - Vai falar com o Justin , se isso é assim tão importante para ti . Harry levantou se e saiu por o buraco de o retrato , perguntando a si próprio onde poderia estar o Justin . O castelo estava mais escuro do_que era habitual durante o dia por causa de a neve espessa e cinzenta que cobria as janelas . A tremer , Harry passou por as salas onde estava a haver aulas , captando lampejos do_que sucedia lá dentro . A professora Mc_Gonagall gritava com alguém que , segundo lhe parecia por o som , transformara o parceiro em um texugo . Resistindo a a tentação de dar uma espreitadela , Harry afastou se pensando que Justin poderia estar a utilizar o tempo de o furo para fazer algum trabalho e resolveu , por isso , ir até a a biblioteca . Um grupo de alunos de os Hufflepuff , que deveriam ter estado em Herbologia , encontrava se , de facto , sentado em as traseiras de a biblioteca , mas não parecia estar a trabalhar . Entre as fileiras de as estantes altas , Harry pôde ver as suas cabeças muito juntas em aquilo que deveria ser uma conversa absorvente . Não conseguia perceber se Justin estaria em o meio de eles . Ia para se aproximar quando apanhou em o ar uma frase e parou para ouvir melhor , escondido em a secção de a invisibilidade . - Portanto - dizia um rapaz corpulento - eu disse a o Justin para se esconder em o nosso dormitório . Isto_é , se o Potter o escolheu como próxima vítima é melhor que ele tenha um * low profile * durante algum tempo . É claro que o Justin já estava a a espera que alguma coisa de o género acontecesse desde_que lhe escapou em uma conversa com o Potter que era filho de Muggles . O Justin disse lhe , inclusivamente , que tinha estado inscrito em Eton . Não é o tipo de coisa que se ande a dizer com o herdeiro de Slytherin a a solta por aí . - Achas mesmo_que é o Potter , Ernie ? - perguntou uma rapariga de tranças loiras , ansiosamente . - Hannah - disse com solenidade o rapaz corpulento . - Ele é um serpentês . Todos sabem que essa é a marca de um feiticeiro negro . Alguma vez ouviste falar de um feiticeiro decente que falasse com as cobras ? O Slytherin era conhecido por « Língua de serpente . . Houve alguns murmúrios antes de Ernie prosseguir : - Lembram se do_que estava escrito em a parede ? * _ Inimigos de o herdeiro , cuidado ! * . O Potter teve que ir a o gabinete de o Filch . E o que é_que acontece a seguir ? A gata de o Filch é atacada . O aluno de o primeiro ano , Creevey , estava a aborrecê o em a partida de Quidditch , a tirar lhe fotografias quando ele estava caído em a lama . E o que é_que acontece a seguir ? Creevey é atacado . - Mas ele parece sempre ser tão simpático - disse Hannah , cheia de dúvidas . - E , bem , foi ele que fez com que o Quem nós sabemos desaparecesse . Não pode ser assim tão mau , pois não ? Ernie baixou misteriosamente a voz . Os Hufflepuff inclinaram se mais uns para os outros e Harry aproximou se para conseguir apanhar as palavras de o Ernie . - Ninguém sabe como ele sobreviveu a aquele ataque de o Quem nós sabemos e , afinal , ainda era um bebé quando aquilo aconteceu . Era para ter explodido feito em estilhaços . Só um feiticeiro negro verdadeiramente poderoso teria sobrevivido a uma maldição de aquelas . - Baixou ainda mais a voz até esta ficar reduzida a um leve murmúrio e disse : - Talvez fosse por isso que o Quem nós sabemos o queria matar , para não ter outro feiticeiro negro a competir com ele . Gostava de saber que outros poderes ocultos terá o Potter . Harry não aguentou mais . Pigarreou alto e saiu detrás de as estantes . Se não estivesse tão zangado teria conseguido ver o lado cómico de a situação : cada_um de os Hufflepuff olhava para ele como_se tivesse sido petrificado , e a cor desaparecera de a cara de o Ernie . - Olá - disse Harry . - Estou a a procura de o Justin_Finch - _ Fletchley . Os piores receios de os Hufflepuff tinham se concretizado . Olharam apavorados para o Ernie . - O que queres de ele ? - perguntou Ernie em uma voz sumida . - Explicar lhe o que aconteceu com aquela cobra em o clube de os duelos - disse Harry . Ernie mordeu os lábios brancos e , em seguida , respirando fundo , respondeu : - Estávamos lá todos . Vimos o que aconteceu . - Então viram que depois de eu falar a serpente recuou - disse Harry . - O que eu vi - insistiu teimosamente Ernie , apesar_de tremer a cada palavra que proferia - foi tu a falares serpentês e a atiçares a cobra conta o Justin . - Eu não a aticei - gritou Harry enraivecido . - Ela nem lhe tocou . - Falhou por_pouco - disse Ernie . - E , para o caso de estares com ideias - acrescentou com má cara - posso dizer te que a minha família provem de nove gerações de bruxas e feiticeiros e que o meu sangue é tão puro como o de qualquer feiticeiro , portanto ... - Quero lá saber qual é o teu sangue - disse Harry furioso . - Porque iria eu atacar os filhos de os Muggles ? - Ouvi dizer que detestas os Muggles com quem vives - disse Ernie rapidamente . - Não é possível viver com os Dursley sem os detestar - explicou Harry . - Gostava de te ver lá em casa . Girou sobre os calcanhares e saiu furioso de a biblioteca sob o olhar reprovador de Madam_Prince que limpava a capa dourada de um enorme livro de encantamentos . Harry avançou a as cegas por os corredores , quase sem ver por_onde ia de tão furioso que estava . O resultado foi chocar com algo enorme e sólido que o fez recuar e cair a o chão . - Ah ! Olá , Hagrid - disse , olhando para_cima . Hagrid tinha o rosto completamente tapado com um lenço coberto de neve , mas não podia ser mais ninguém , enchendo assim o corredor dentro de o seu sobretudo de pele de toupeira . De uma de as enormes mãos enluvadas , pendia um galo morto . - Tudo bem , Harry ? - perguntou , afastando o lenço para poder falar . - Porque não estás em a aula ? - Foi cancelada - disse Harry , pondo se de pé . - O que estás a fazer aqui ? Hagrid mostrou lhe o galo inerte . - É o segundo qu'aparece morto este período - explicou . - Ou são raposas ou um vampiro chato e eu preciso d'autorização de o director p'ra fazer um feitiço em volta de a capoeira . Aproximou se e olhou mais de perto para o Harry , por debaixo de as suas sobrancelhas espessas e cheias de neve . - Tens a certeza que estás bem ? Pareces exaltado e preocupado . Harry não foi capaz de repetir o que Ernie e os outros Hufflepuff lhe tinham dito . - Não é nada , tenho de ir , Hagrid . A próxima aula é Transfiguração e preciso de ir buscar os meus livros . Afastou se , a cabeça cheia com tudo_o_que Ernie dissera a seu respeito . « * _ O_Justin já estava d espera que uma coisa de o género acontecesse desde_que deixou escapar , falando com o Potter , que era filho de Muggles * ... » Harry subiu as escadas a correr e entrou por um corredor que estava particularmente escuro . As tochas tinham sido apagadas por uma ventania gelada que entrava por uma janela de fecho estragado . Estava a meio de o corredor quando tropeçou em uma coisa que se encontrava em o chão . Olhou para ver o que era e sentiu como_se o estômago se tivesse dissolvido . Justin_Finch - _ Fletchley estava em o chão , rígido e frio com uma expressão de horror em o rosto e os olhos abertos voltados para o tecto . E não era tudo . Junto de ele estava mais alguém , a visão mais estranha que Harry tivera em toda_a sua vida . Era_o_Nick quase sem cabeça que não estava cor de pérola nem transparente e sim escuro como fumo . Flutuava imóvel , em a horizontal , 12 centímetros acima de o chão , a cabeça meio tombada e em o rosto uma expressão de choque idêntica a a de o Justin . Harry pôs se de pé com a respiração acelerada e o coração a bater como um tambor contra as costelas . Olhou desvairado para ambos os lados de o corredor deserto e viu uma fila de aranhas que corriam a_toda_a velocidade em a direcção oposta a a de os corpos . Os únicos sons eram as vozes abafadas de os professores em as aulas que decorriam de ambos os lados . Podia fugir e ninguém saberia que ali tinha estado , mas não era capaz de os abandonar assim . Tinha de ir procurar ajuda . Será que alguém acreditaria que ele não tivera nada que ver com aquilo ? Enquanto ali estava , em pânico , uma porta a o seu lado abriu se com grande estrondo . Peeves , o * poltergeist * , saiu a os gritos . - Oh ! É o Potter , olá , Potter - alardeou Peeves , lançando por o ar os óculos de o Harry quando passou por ele . - O que está o Potter a fazer ? Porque está o Potter escondido ? Peeves passou de cabeça para baixo , a meio de uma cambalhota em o ar , quando viu Justin e Nick quase sem cabeça . Com um movimento súbito endireitou se , encheu os pulmões de ar e , antes que Harry pudesse impedi o , gritou : __ ataque ! ataque ! outro ataque ! nenhum mortal ou fantasma está em segurança . corram , fujam , __ ataaaque ! Crac , Crac , Crac . Uma atrás de a outra , foram se abrindo todas_as portas a o longo de o corredor e as pessoas saíram para fora de as salas de aula . Durante alguns longos minutos houve uma tal confusão que Justin esteve em perigo de ser esmagado e as pessoas não paravam de chocar com o Nick quase sem cabeça . Harry deu por si colado a a parede enquanto os professores exigiam a os gritos que se fizesse silêncio . A professora Mc_Gonagall veio a correr , seguida por todos os alunos , um de os quais ainda trazia o cabelo a as riscas pretas e brancas . Usou a varinha para produzir um ruído que repôs o silêncio e mandou os alunos todos para dentro de as salas de aula . Mal lugar ficou desimpedido surgiu Ernie , o jovem Hufflepuff . - * _ Apanhado em flagrante ! * - gritou , com o rosto totalmente branco , apontando dramaticamente o dedo par Harry . - Basta_Mcmillan - disse , de forma cortante , a professora Mc_Gonagall . Peeves andava para_cima e para baixo , observando a cena com um sorriso maldoso . Sempre adorara o caos . Quando os professores se inclinaram sobre Justin e sobre o Nick quase sem cabeça para os examinar , iniciou uma cantilena : * _ Oh ! Potter , que fizeste , seu grande bandido * _ Tu matas os estudantes porque achas divertido . * - Basta , Peeves - rosnou a professora Mc_Gonagall e Peeves afastou se , deitando a língua de_fora a o Harry . Justin foi levado para a ala hospitalar por o professor Flitwick e por o professor Sinistra_do_Departamento_de_Astronomia , mas ninguém parecia saber o que fazer em relação a o Nick quase sem cabeça . Por fim , a professora Mc_Gonagall fez aparecer em o ar um enorme leque que entregou a Ernie com o encargo de conduzir , escadas acima , por os ares o Nick quase sem cabeça . Ernie assim fez , soprando Nick como_se fosse um aerodeslizador e deixando , de este modo , o Harry e a professora Mc_Gonagall a sós . - Por aqui , Potter - disse ela . - Professora , eu juro que não ... - Isso não é comigo , Potter - afirmou a professora Mc_Gonagall sinteticamente . Caminharam em silêncio até uma esquina e ela parou perante uma gárgula de pedra extremamente feia . - Refresco de limão - disse . Era obviamente uma senha porque a gárgula animou se subitamente e saltou para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes . Apesar_de estar apavorado com o que ia acontecer a seguir , Harry não conseguiu evitar um sentimento de fascínio . Por detrás de a parede estava uma escada em espiral que se movia lentamente para_cima como um elevador . E quando ele e a professora Mc_Gonagall puseram os pés em o primeiro degrau , Harry ouviu a parede fechar se atrás de eles . Subiram em círculos , cada_vez_mais alto até que , por fim , um_pouco tonto , Harry pôde ver uma porta de carvalho reluzente com um puxador de bronze em forma de abutre . Harry calculava onde estava a ser levado . Devia ser ali que morava Dumbledore . XII_A poção * polisuco * Saltaram de a escada de pedra lá mesmo em cima e a professora Mc_Gonagall bateu a a porta . Ela abriu se silenciosamente dando lhes entrada . A professora Mc_Gonagall disse lhe que esperasse e deixou o sozinho . Harry olhou em volta . Uma coisa era certa : de todos o escritórios de professores que conhecia , o de Dumbledor era , de longe , o mais interessante . Se não estivesse com um medo de morte de ser expulso teria adorado explorá o . Era uma sala grande e bonita em forma de círculo que estava cheia de barulhinhos estranhos . Havia um grande número de instrumentos prateados sobre várias mesas de pernas finas que zumbiam emitindo pequenas baforadas de fumo . As paredes estavam cobertas de fotografias de antigos directores e directoras , todos eles a dormir tranquilamente em as suas molduras . Havia ainda uma enorme secretária pés de garra . E , sobre uma prateleira atrás de ela , um chapéu de feiticeiro andrajoso e puído : * o chapéu seleccionador * . Harry hesitou . Lançou um olhar cauteloso a as bruxas e feiticeiros adormecidos a o longo de as paredes . Com certeza não fazia mal se lhe pegasse e o experimentasse só para ver ... só para ter a certeza de que ele o pusera em a equipa certa . Deu a volta a a secretária , retirou o chapéu de a prateleira e baixou o lentamente sobre a cabeça . Era demasiado grande e escorregou lhe para os olhos como de a outra_vez que o tinha posto . Harry olhou para o forro preto , enquanto esperava . Por fim , uma vozinha disse lhe a o ouvido : - Estás com macaquinhos em o sótão , Harry_Potter ? - Er ... sim - balbuciou Harry . - Er ... desculpa incomodar te , queria saber ... - Querias saber se te pus em a equipa certa - disse prontamente o chapéu . - Sim ... tu és particularmente difícil de seleccionar , mas eu mantenho o que disse antes . - O coração de Harry deu um salto . - Terias ficado bem em os Slytherin . Harry sentiu o estômago contorcer se . Agarrou o chapéu por a aba e tirou o de a cabeça . O chapéu seleccionador ficou pendurado em a mão de ele , inerte , desbotado e sujo . Harry voltou a pô o em a prateleira , sentindo se enjoado . - Estás enganado ! - disse em voz alta a o chapéu parado e silencioso , mas ele não se mexeu . Harry recuou para o observar melhor e foi então que ouviu um ruído estranho e grasnado atrás_de si que o fez dar uma volta . Não estava só , afinal_de_contas . Em um poleiro dourado atrás de a porta estava um pássaro de aspecto decrépito que parecia um peru meio depenado . Harry olhou para ele espantado e o pássaro olhou o também , grasnando de_novo . Harry achou que ele devia estar muito doente porque tinha os olhos parados e , enquanto olhava para ele , caíram lhe mais algumas penas de a cauda . Estava justamente a pensar que a única coisa que lhe faltava era que o pássaro de estimação de Dumbledore morresse quando ele estava ali sozinho com ele , em o escritório , quando a ave se incendiou . Harry gritou , em estado de choque , e recuou até a a secretária . Olhava nervosamente em volta , em busca de um jarro de água , mas não viu nenhum . O pássaro , entretanto , transformara se em uma bola de fogo , dera um guincho e , em seguida , desaparecera , deixando apenas um monte de cinzas em o chão . A porta de o escritório abriu se . Dumbledore entrou com ar taciturno . - Professor - gaguejou Harry . - O seu pássaro ... eu não pode fazer nada ... ele incendiou se . Para seu grande espanto , Dumbledore sorriu . - Já não era sem tempo . Estava com um aspecto horrível em os últimos dias . Fartei me de lhe dizer que fizesse qualquer coisa . Riu se entre dentes com a expressão em o rosto de Harry . - A Fawkes é uma fénix , Harry . As fénix ardem quando é altura de morrer e renascem de as cinzas , repara ... Harry olhou mesmo a_tempo_de ver um passarinho recém-nascido , todo enrugado , espetar a cabeça fora de as cinzas . Era quase tão feio como o antigo . - É uma pena que a tenhas conhecido em dia de arder - disse Dumbledore , passando para trás de a secretária . - É muito bonita a maior parte de o tempo , com uma plumagem vermelha e dourada . São criaturas fascinantes , as fénix . Podem transportar cargas pesadíssimas , as suas lágrimas têm propriedades curativas e são animais de estimação extremamente fiéis . Com o choque de a fénix a pegar fogo , Harry esquecera se de o motivo porque ali estava , mas tudo voltou rapidamente quando Dumbledore se instalou em a cadeira de espaldar alto e o fixou com os seus olhos azuis e penetrantes . Contudo , antes que ele tivesse tido tempo de falar , a porta de o escritório abriu se de par em par com um enorme estrondo e Hagrid entrou com um olhar tresloucado , o lenço todo torcido em volta de a cabeça hirsuta e o galo morto ainda pendurado em a mão . - Não foi Harry , professor Dumbledore - disse , aflito . - Eu tinha estado a falar com ele poucos segundos antes de o rapazinho ser encontrado , ele não teve tempo professor ... Dumbledore tentou dizer qualquer coisa , mas Hagrid continuou , abanando o galo em o meio de a sua agitação e espalhando penas por todo o lado . - Não pode ter sido ele . Eu juro em a frente de o ministro de a magia , se for preciso ... - Hagrid , eu ... -- Tem o rapaz errado , professor . Eu sei qu'o Harry nunca ... - Hagrid - disse Dumbledore , elevando a voz . - Eu não penso que o Harry tenha atacado aquelas pessoas . - Oh ! - disse Hagrid , com o galo pendendo inerte a o seu lado . - Certo , ' tão eu espero lá fora , director . E saiu com ar envergonhado . - O senhor não acha que tenha sido eu ? - repetiu Harry cheio de esperança , enquanto Dumbledore sacudia penas de galo de cima de a secretária . - Não , Harry , não acho - afirmou Dumbledore , apesar de a sua expressão ser de_novo sombria . - Mas mesmo_assim quero falar contigo . Harry esperou ansiosamente enquanto o director o observava com as pontas de os dedos longos unidas . - Tenho de saber uma coisa . Harry , há alguma pergunta que queiras fazer me , qualquer que ela seja ? Harry não soube o que dizer . Lembrou se de Malfoy a gritar * _ Vocês serão os próximos , sangues de lama * e de a poção * _ Polisuco * em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Depois pensou em a voz sem corpo que ouvira duas vezes e em o que o Ron dissera * _ Ouvir vozes que ninguém mais ouve não é bom sinal , nem mesmo em o mundo de a feitiçaria * . Pensou também em o que toda_a_gente dizia de ele e em o receio cada_vez maior de ter uma relação qualquer com Salazar_Slytherin ... - Não - disse por fim . - Não há nada , professor . O ataque duplo a Justin e a o Nick quase sem cabeça transformou o que até_então era nervosismo em verdadeiro pânico . Curiosamente fora o destino de o Nick quase sem cabeça o que mais preocupara as pessoas . Quem poderia ter feito aquilo a um fantasma ? - perguntavam uns a os outros . - Que poder terrível era aquele , capaz de afectar alguém que já tinha morrido ? Houve uma precipitação enorme em a marcação de os bilhetes em o Expresso_de_Hogwarts , pois todos os alunos quiseram ir passar o Natal a casa . - Por este caminho , vamos ser os únicos a ficar - disse o Ron a o Harry e a a Hermione . - Nós , o Malfoy , o Goyle e o Crabbe , que férias lindas que vão ser ! Crabbe e Goyle que faziam sempre o que Malfoy fazia , tinham se inscrito para ficar também durante as férias . Mas Harry estava contente por a maior parte se ir embora . Estava farto de ver gente a afastar se em os corredores como_se ele fosse mostrar os dentes ou cuspir veneno . Estava cansado de tantos segredinhos , de os ver apontar e segredar quando passava . O Fred e o George , esses achavam muito divertido . Vinham , de propósito , pôr se a a frente de ele e atravessavam os corredores a gritar : - Abram alas para o herdeiro de Slytherin , vai passar um feiticeiro verdadeiramente cruel . Percy discordava totalmente de este comportamento . - Não é um assunto para se brincar - dizia com frieza . - Sai mas é de o caminho , Percy - dizia o Fred . - O Harry está com pressa . - Sim , ele vai a a Câmara_dos_Segredos tomar uma chávena de chá com o seu servidor dentes de serpente - completava Fred com uma gargalhada . Ginny também não lhes achava graça . - Cala te - gritava ela sempre_que o Fred perguntava em voz alta a o Harry quem estava a pensar atacar a seguir , ou quando George fingia afastá o com um enorme dente de alho . Harry não se importava . Fazia o sentir se melhor o facto de constatar que , pelo_menos para o Fred e para o George , a ideia de ele ser o herdeiro de Slytherin era absolutamente ridícula . Mas as palhaçadas de eles pareciam ofender Draco_Malfoy que , de cada_vez que os via , ficava mais irritado . - É porque está ansioso por dizer que é mesmo ele - disse o Ron com ar conhecedor . - Sabes como ele detesta que alguém o ultrapasse e tu estás a receber todo o crédito por o seu trabalho sujo . - Não vai ser por muito_tempo - disse Hermione com uma voz satisfeita . - A poção * polisuco * está quase pronta . Um de estes dias arrancamos lhe a verdade . Finalmente , o período chegou a o seu termo e um silêncio profundo como a neve em os campos desceu sobre o castelo . Harry adorou a tranquilidade e apreciou o facto de ele , Hermione e os Weasley terem a torre de os Gryffindor por sua conta , poderem jogar a as explosões bem alto , sem incomodar ninguém e praticar duelos entre si . O Fred , o George e a Ginny tinham preferido ficar em a escola a ir com Mr. e Mrs._Weasley a o Egipto visitar o Bill . Percy que reprovava e considerava infantil a conduta de eles , não passava muito_tempo em a sala comum de os Gryffindor . Já lhes dissera pomposamente que só ficara ali em o Natal , por ser sua obrigação como prefeito apoiar os professores em aquela época agitada . A manhã de o dia de Natal clareou branca e fria . Harry e Ron , os únicos que estavam em o dormitório , foram acordados muito cedo por Hermione que entrou , toda vestida , transportando presentes para ambos . - Acordem - disse em voz alta , abrindo os cortinados . - Hermione , tu não devias estar aqui - exclamou o Ron , protegendo os olhos de a luz . - Feliz_Natal para ti também - disse Hermione , atirando lhe o presente que tinha para ele . - Estou acordada há quase uma hora , acrescentando mais asas de renda a a poção . Está pronta . Harry sentou se , subitamente acordado . - Tens a certeza ? - Absoluta - disse ela , afastando o rato Scrabbers para se sentar a os pés de a cama de dossel . - Se vamos mesmo tomá a , acho que devia ser logo a a noite . Em esse momentzo , a Hedwig entrou em o quarto , transportando em o bico um embrulho pequenino . - Olá - disse Harry , feliz a o vê a aterrar em a sua cama . - Já me falas outra_vez ? Ela mordiscou lhe a orelha de uma forma afectuosa que foi , de longe , um presente melhor do_que aquele que transportava e que era afinal de os Dursley . Tinham mandado a Harry um palito para os dentes com um cartão pedindo lhe que se informasse se não poderia ficar , também em o Verão , em Hogwarts . Os outros presentes que Harry recebeu foram bastante melhores . Hagrid mandara lhe uma lata grande de bombons de melaço que ele decidiu amolecer a o lume antes de comer , o Ron deu lhe um livro chamado * _ Voando com Canhões * , que narrava factos interessantes sobre a sua equipa favorita de Quidditch e Hermione trouxera lhe uma luxuosa pena de águia . Harry abriu o último presente onde vinha uma camisola novinha , feita a a mão por Mrs._Weasley e um grande bolo de passas . Pegou em o cartão com uma nova sensação de culpa , pensando em o carro de Mr._Weasley que não voltara a ser visto desde_que chocara contra o salgueiro zurzidor e em a quantidade de infracções que ele e o Ron tinham em mente . Ninguém , nem mesmo os que estavam cheios de medo por terem de tomar a poção * polisuco * a seguir , deixou de adorar o jantar de Natal em Hogwarts . O salão nobre estava magnífico . Não_só havia uma_dúzia de árvores de Natal , cobertas de geada e espessas serpentinas de azevinho e visco bravo cruzando se junto de o tecto como caia uma neve encantada quente e seca . Dumbledore conduziu os em uma de as suas canções de Natal preferidas enquanto Hagrid se agitava , falando cada_vez_mais alto , a cada gole de gemada que tomava . O Percy que não dera por_que Fred enfeitiçara o seu distintivo de prefeito , onde agora podia ler se « cabeça de alfinetes « , continuava a perguntar a todos para_onde estavam a olhar . Harry nem_sequer se importou com os comentários que Draco_Malfoy fazia bem alto , de a mesa de os Slytherin acerca de a sua camisola nova . Com alguma sorte , Malfoy iria ser desmascarado dentro_de algumas horas . Harry e Ron mal tinham acabado a terceira dose de pudim de Natal quando Hermione os fez sair de o salão a a pressa para acabarem de tratar de os planos para essa noite . - Ainda precisamos de um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos - disse com o ar mais natural de este mundo como_se estivesse a mandá os a o supermercado comprar detergente . - E , é claro que o ideal será conseguirmos alguma coisa de o Crabbe e de o Goyle , são os melhores amigos de o Malfoy , ele conta lhes tudo . E precisamos também de ter a certeza de que eles não vão entrar em a sala quando vocês estiverem a interrogar o Malfoy . - Eu tenho tudo pensado - prosseguiu ela , ignorando a expressão estupefacta de Harry e Ron . Pegou em dois apetitosos bolos de chocolate . - Pus lhes um encantamento de sono . Vocês só têm de fazer com que o Crabbe e o Goyle os encontrem . Sabem como eles são gulosos , vão logo comê os . Quando estiverem a dormir , tirem lhes alguns cabelos e escondam nos em uma despensa de vassouras . Harry e Ron olharam , incrédulos , um para o outro . -- Hermione , eu não creio que ... -- Isto pode correr muito mal ... Mas Hermione tinha um brilho inflexível em os olhos que não era muito diferente do_que costumavam ver em o olhar de a professora Mc_Gonagall . - A poção não nos serve de nada sem os cabelos de o Crabbe e de o Goyle - disse com firmeza . - Vocês querem mesmo descobrir coisas sobre o Malfoy , não querem ? - Pronto , está bem - disse Harry . - Mas , e tu , vais arranjar cabelos de quem ? - Eu já tenho esse assunto resolvido - disse Hermione sorridente , tirando um frasquinho de o bolso e mostrando lhes um cabelo que lá estava dentro . - Lembram se de a Millicent_Bulstrode que lutou comigo em o clube de os duelos ? Ela deixou isto em o meu manto quando tentava estrangular me . E foi passar o Natal a casa , portanto , basta me dizer a os Slytherins que decidi voltar . Quando Hermione saiu para verificar de_novo a poção polisuco , Ron voltou se para Harry com uma expressão lúgubre . - Alguma vez viste um plano onde tantas coisas pudessem correr mal ? Mas para grande espanto de ambos , a primeira fase de a operação decorreu tão naturalmente como Hermione previra . Eles esconderam se em o * hall * de entrada , depois de o lanche de Natal , a a espera de o Crabbe e de o Goyle que tinham ficado sozinhos a a mesa de os Slytherin , deitando abaixo a quarta dose de bolo inglês . Harry colocou os bolos de chocolate em o fim de o corrimão . Quando avistaram Crabbe e Goyle a sair de o salão , Harry e Ron esconderam se rapidamente atrás_de uma armadura que estava junto de a porta de entrada . - Como_se pode ser tão estúpido ? - murmurou Ron sem se mexer enquanto Crabbe apontava satisfeitíssimo , mostrando a Goyle os bolos e agarrando os . Com um riso estúpido , enfiaram nos inteiros em as bocas enormes . Durante um momento , ambos mastigaram avidamente com olhares vitoriosos em o rosto . Depois , sem que a expressão se alterasse , caíram para trás e estatelaram se em o chão . Mais difícil foi transportá os para a despensa de o outro lado de o * hall * . Uma_vez armazenados em o meio de os baldes e esfregões , Harry arrancou alguns de os pêlos que cobriam a cabeça de o Goyle e Ron tirou alguns cabelos a o Crabbe . Roubaram lhes também os sapatos porque os de eles eram demasiado pequenos para os enormes pés de o Crabbe e de o Goyle . Em seguida , ainda atordoados com o que tinham acabado de fazer , correram até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mal conseguiam ver com o fumo preto e espesso que saía de o cubículo onde Hermione mexia o caldeirão . Tapando o rosto com os mantos , Harry e Ron bateram a o de leve em a porta . - Hermione ? Ouviram o ruído de o trinco e Hermione apareceu com a cara lustrosa e um ar ansioso . Por trás de ela ouviam o gloop gloop de a poção espessa e gorgolejante . Em o banco de a casa_de_banho estavam três copos de vidro . - Conseguiram ? - perguntou Hermione quase sem fôlego . Harry mostrou lhe o cabelo de o Goyle . - _ óptimo . Eu tirei estes mantos suplementares de a lavandaria - disse ela , pegando em uma pequena saca . - Vocês vão precisar de tamanhos maiores se vão ser o Crabbe e o Goyle . Olharam os três para o caldeirão . Vista de perto , a poção parecia uma lama espessa e escura a borbulhar indolentemente . - Tenho a certeza que fiz tudo certo - disse Hermione nervosa , relendo a página manchada de * _ Moste_Potente_Potions * . - Tem o aspecto que o livro diz que deveria ter ... depois de a tomar temos precisamente uma hora antes de nos transformarmos de_novo em as pessoas que somos . - E agora ? - murmurou o Ron . - Separamos a em três copos e adicionamos os cabelos . Hermione encheu cada_um de os copos com uma concha de sopa . Em seguida , retirou com a mão a tremer o cabelo de Millicent_Bulstrode de dentro de o frasquinho e pô o em o primeiro copo . A poção chiou fortemente como uma chaleira a ferver e espumou como louca . Um segundo depois ganhara um tom de amarelo doentio . - Urgh ! Essência_de_Millicent_Bulstrode - disse Ron , olhando com repugnância . - Aposto que o sabor é nojento . - Deitem os vossos - disse Hermione . Harry deixou cair o cabelo de o Goyle em o copo de o meio e Ron lançou o de o Crabbe em o último . Ambos chiaram e espumaram : o de o Goyle ficou de um tom caqui , o de o Crabbe de um castanho-escuro algo tenebroso . - Esperem - pediu Harry quando Ron e Hermione pegaram em os copos . - Será melhor não os tomarmos aqui todos juntos em um cubículo ; quando em os transformarmos não vamos cá caber e Millicent_Bulstrode não é nenhum duende . - Bem pensado - admitiu o Ron , abrindo a porta . - Cada_um em seu cubículo . Com todo o cuidado , para não entornar nem uma gota de a poção polisuco , Harry esgueirou se para o cubículo de o meio . - Prontos ? - perguntou . - Prontos - responderam as vozes de o Ron e de a Hermione . - Um , dois , três . Tapando o nariz , Harry bebeu a poção em dois grandes tragos . Tinha o sabor de a couve demasiado cozida . Os seus interiores começaram imediatamente a contorcer se como_se tivesse engolido serpentes vivas . Dobrado , Harry perguntava a si próprio se iria vomitar . Depois , uma sensação de ardor espalhou se rapidamente de o estômago até a as pontas de os dedos de as mãos e de os pés . Em seguida , fazendo o sobressaltar se , sobreveio o sentimento horrível de estar a derreter enquanto a pele de todo o seu corpo borbulhava como cera quente e , perante os seus olhos , as mãos começaram a crescer , os dedos a engrossar , as unhas a alargar e as articulações a tornarem se protuberantes como ferrolhos . Os ombros retesaram se dolorosamente e uma comichão em a testa preveniu o de que o cabelo estava a rastejar em direcção a as sobrancelhas . As túnicas rasgaram se enquanto o tórax se expandia como um barril , rebentando com os seus anéis . Os pés estavam em grande sofrimento dentro_de sapatos quatro números abaixo . Tão depressa como começara , tudo parou . Harry estava caído em o chão de pedra fria , ouvindo a Murta_Queixosa gorgolejando taciturna em o cubículo de o fundo . Com alguma dificuldade tirou os sapatos e levantou se . Era então assim que o Goyle se sentia ! Com a mão enorme a tremer , despiu a sua túnica que lhe ficava 30 centímetros acima de os tornozelos , pegou em as túnicas suplementares e amarrou os atacadores de os sapatos abotinados de o Goyle . Quis escovar o cabelo para o afastar um_pouco de os olhos e deu apenas com os pêlos hirsutos que lhe cresciam em a testa . Apercebeu se então de que os óculos lhe toldavam a visão porque o Goyle , obviamente , não precisava de eles . Tirou os e gritou . - Vocês estão bem ? - De a sua boca saiu a voz baixa e grossa de o Goyle . - Sim - respondeu lhe o grunhido de o Crabbe , a a sua direita . Harry abriu a porta de o cubículo e dirigiu se a o espelho partido . O Goyle olhava o de o outro lado com os seus olhos parados . Harry coçou a orelha e Goyle fez o mesmo . A porta de o Ron abriu se . Olharam um para o outro . Harry estava pálido e chocado . O amigo não se distinguia de o Crabbe , desde o corte de cabelo em forma de tigela até a os longos braços de gorila . - É inacreditável - disse o Ron , aproximando se de o espelho e beliscando o nariz achatado de o Crabbe . - Inacreditável ! - É melhor irmos indo - disse Harry , alargando a pulseira de o relógio que lhe cortava o pulso . - Ainda temos de descobrir onde fica a sala comum de Slytherin . Só espero que encontremos alguém que vá para lá e que nós possamos seguir . Ron que tinha estado a olhar espantado para ele , comentou : - Não imaginas como é bizarro ver o Goyle a pensar - bateu em a porta de Hermione . - Vamos , temos que ir ... Respondeu lhe uma voz aguda : - Eu ... eu acho que afinal não vou . Vão vocês sem mim . - Hermione , nós sabemos que a Millicent_Bulstrode é feia , ninguém vai pensar que és tu . - Não , a sério , acho que não vou . Despachem se vocês os dois , estão a perder tempo . Harry olhou para Ron , baralhado . - Aquilo parece mais de o Goyle , é como ele fica sempre_que algum professor lhe faz uma pergunta . - Estás bem , Hermione ? - perguntou Harry , através de a porta . - _ óptima , estou óptima , vão se embora . Harry olhou para o relógio . Cinco preciosos minutos tinham já passado . - Encontramo nos aqui , está bem ? - disse . Os dois abriram a porta de a casa_de_banho com todo o cuidado , viram se o caminho estava livre e saíram . - Não balances assim os braços - disse o Harry a o Ron . - Hein ? - O Crabbe anda sempre com eles esticados . - Assim ? - Isso , assim está melhor . Desceram a escadaria de mármore . Só precisavam agora de um Slytherin que pudessem seguir até a a sala comum , mas não havia ninguém por perto . - Tens alguma ideia ? - perguntou Harry em um murmúrio . - Os Slytherin vêm sempre de ali para o pequeno-almoço - disse o Ron , apontando para a entrada de os calabouços . Mal tinha pronunciado estas palavras quando uma rapariga de cabelo comprido a os caracóis , apareceu . - Desculpa - disse o Ron , sem perder tempo . - Esquecemo nos de o caminho para a nossa sala comum . - Como ? - disse a rapariga com a maior frieza . - A * nossa * sala comum ? Eu sou uma Ravenclaw . Afastou se , olhando para eles , desconfiada . Harry e Ron desceram apressadamente os degraus de pedra até a a escuridão . Os passos ecoavam em o silêncio , à_medida_que os pés enormes de Crabbe e Goyle tocavam em o chão , fazendo os sentir que as coisas não iam ser tão fáceis como eles desejavam . Os corredores labirínticos estavam desertos . Andaram e tornaram a andar por os subterrâneos , olhando constantemente para os relógios para ver quanto tempo ainda lhes restava . Depois de um quarto de hora , quando começavam a ficar desesperados , ouviram um movimento súbito . - Olha - disse o Ron , agitadamente . - Agora é um de eles . A silhueta saía de uma sala , mas quando se aproximaram o coração de ambos esmoreceu . Não era um Slytherin , era Percy . - O que estás a fazer aqui em baixo ? - perguntou o Ron surpreendido . - Isso - disse ele friamente - não é de a tua conta . És o Crabbe , não és ? - Er ... sim , sim - respondeu o Ron . - Então vão para o vosso dormitório - ordenou Percy com firmeza . - Não é seguro andar a passear por os corredores escuros em os dias que correm . - Tu andas -- fez notar o Ron . - Eu - disse o Percy endireitando se - sou um prefeito . Nada vai atacar me . Ouviu se , de repente , uma voz por_detrás_de Harry e Ron . Era_Draco_Malfoy e , pela_primeira_vez em a vida , Harry ficou satisfeito a o vê o . - Aí estão vocês - disse de modo arrastado , olhando para eles . - Têm estado a chafurdar em o salão este tempo todo ? Tenho andado a a vossa procura , quero mostrar vos uma coisa muito divertida . Malfoy olhou misteriosamente para Percy . - E o que fazes tu aqui , Weasley ? - perguntou com ar de desprezo . Percy olhou , sentindo se ultrajado . - Fazes favor de mostrar um_pouco mais de respeito por um prefeito de a escola - disse . - Não gosto de o teu ar . Malfoy riu se e fez sinal a o Harry e a o Ron para que o seguissem . Harry quase ia pedindo desculpa a o Percy , mas deu se conta a tempo . Apressaram se a seguir o Malfoy que disse , mal viraram em o corredor seguinte : - Aquele Peter_Weasley ... - O Percy - corrigiu Ron automaticamente . - Ou isso - continuou Malfoy . - Ultimamente tenho o visto muitas_vezes a andar por aí sorrateiramente e aposto que sei o que ele quer . Pensa que vai apanhar o herdeiro de Slytherin sozinho . Deu uma pequena gargalhada ridícula . Harry e Ron trocaram olhares nervosos . Malfoy parou junto de uma parede de pedra húmida . - Qual é a senha ? - perguntou a o Harry . - Er ... - Ah ! sim , sangue puro - disse Malfoy sem ouvir e uma porta de pedra , oculta em a parede , abriu se . Malfoy entrou e Harry e Ron seguiram o . A sala comum de os Slytherin era uma ampla divisão subterrânea com espessas paredes de pedra e um tecto de o qual estavam pendurados por correntes vários candeeiros redondos que davam uma luz esverdeada . O fogo crepitava em uma lareira elaboradamente esculpida em frente de a qual se viam as silhuetas de vários Slytherins sentados em cadeiras igualmente esculpidas . - Esperem aí - disse Malfoy a o Harry e a o Ron , encaminhando os para um par de cadeiras vazias , longe de o lume . - Eu vou buscar o que o meu pai acaba de me mandar . Sem saber o que Malfoy iria mostrar lhes , Harry e Ron sentaram se , fazendo todos os possíveis por parecer a a vontade . Malfoy voltou um minuto depois , trazendo em a mão o que parecia ser um recorte de jornal . Pô o debaixo de o nariz de o Ron . - Vais te rir - disse . Harry viu os olhos de o Ron abrirem se como_se estivesse em estado de choque . Viu o ler o recorte rapidamente , dar uma gargalhada forçada e estender lhe o em seguida . Tinha sido retirado de o * _ Profeta_Diário * e dizia : inquérito em o ministério de a magia * _ Arthur_Weasley , chefe de o Gabinete_de_Mau_Uso_dos_Utensílios_dos_Muggles foi hoje multado em cinquenta galeões por ter enfeitiçado um carro de os Muggles . * _ O senhor Lucius_Malfoy , Membro_do_Conselho_Directivo_da_Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts , onde o carro enfeitiçado foi chocar em o princípio de este ano , exigiu hoje a demissão de Mr._Weasley . « * _ O_Weasley trouxe o descrédito a o Ministério « - declarou Mr._Malfoy a o nosso repórter . - « É claramente incompetente para fazer cumprir as leis e a sua protecção ridícula de os Muggles deveria ir imediatamente para a sucata . » * _ Mr._Weasley recusou se a fazer comentários , mas a sua mulher disse a os repórteres que desaparecessem de ali ou lançaria contra eles o vampiro de a família * . - Então - disse Malfoy impaciente quando Harry voltou a entregar lhe o recorte . - Não achas o_máximo ? - Ha , ha - fez Harry tristemente . - O Arthur_Weasley gosta tanto de os Muggles que era capaz de partir a sua varinha a o meio para se juntar a eles - disse Malfoy com desprezo . - Ninguém diria que os Weasley eram sangue puro a avaliar por o modo como_se comportam . A cara de o Ron , ou melhor , de o Crabbe , contorceu se de raiva . - O que é_que se passa ? - perguntou Malfoy . - Dores de estômago - gemeu o Ron . - Então vai a a ala hospitalar e dá a todos aqueles sangues de lama um pontapé de a minha parte - disse Malfoy com o seu riso escarninho . - Sabes que estou espantado por o * _ Profeta_Diário * ainda não se ter referido a todos estes ataques - continuou pensativamente . - Calculo que o Dumbledore deve estar a tentar abafar as coisas . Ele ainda é posto em a rua se isto não acaba depressa . O pai sempre disse que Dumbledore foi a pior coisa que aqui veio parar . Ele adora os filhos de os Muggles , um director decente nunca deixaria um lodo como o Creevey entrar em esta escola . Malfoy começou a fingir que tirava fotografias com uma máquina imaginária e fez uma imitação maldosa , mas bastante fiel de o Colin : - Potter , posso tirar te a fotografia ? Dás me um autógrafo ? Posso lamber te os sapatos , por favor , Potter ? Baixou as mãos e olhou para Harry e Ron . - O que é_que se passa com vocês os dois ? Um_pouco atrasados , Harry e Ron forçaram o riso e Malfoy pareceu satisfeito . Talvez Crabbe e Goyle fossem sempre de reacção lenta . - O santo Potter , amigo de os sangues de lama - disse Malfoy . - É outro que não tem os sentimentos de um feiticeiro a sério ou não andaria por aí com aquela empertigada sangue de lama Granger . E as pessoas a pensarem que ele é o herdeiro de Slytherin . Harry e Ron esperaram com a respiração entrecortada : o Malfoy ia certamente dizer lhes , dentro_de segundos , que era ele , mas então ... - Quem me dera saber quem ele é - disse o Malfoy , de forma petulante . - Podia ajudá o . O queixo de o Ron caiu de tal maneira que a cara de o Crabbe ficou ainda mais desajeitada do_que era habitual . Felizmente Malfoy não deu por nada e Harry , em um pensamento rápido , disse : - Deves ter alguma ideia de quem está por_detrás_de tudo ... - Sabes perfeitamente que não tenho , Goyle , quantas vezes é preciso dizer te ? - cortou Malfoy . - E o pai também não me diz nada sobre a última vez que a câmara foi aberta . É claro que foi há cinquenta anos , antes de ele cá andar , mas o pai sabe tudo a esse respeito e diz que as coisas foram mantidas em grande segredo e que pareceria suspeito se eu soubesse demasiado . Mas há uma coisa que eu sei : de a última vez que a câmara foi aberta , morreu um sangue de lama . Por isso , aposto que é uma questão de tempo até que um de eles seja morto . Só espero que seja a Granger - disse satisfeito . Ron fechara os punhos gigantescos de o Crabbe . Sentindo que deitaria tudo a perder se ele desse um soco a o Malfoy , Harry lançou lhe um olhar de aviso e disse : - Sabes se a pessoa que abriu a câmara de a última vez foi apanhada ? - Ah ! sim , essa pessoa foi expulsa - disse Malfoy . - Ainda deve estar em Azkaban . - Azkaban ? - repetiu Harry confuso . - Azkaban , a prisão de os feiticeiros , Goyle - disse Malfoy , olhando para ele incrédulo . - Francamente , se fosses mais lento andavas para trás . Esticou se intranquilo , em a cadeira e disse : - O pai diz para eu esfriar a cabeça e deixar que o herdeiro de Slytherin faça o seu trabalho . Acha que a escola precisa de se livrar de a escória de os sangues de lama , mas não quer que eu me envolva em nada . Claro que ele agora tem um prato cheio . Sabes que o Ministério de a magia fez uma busca a a nossa mansão em a semana passada ? Harry tentou forçar a cara de bronco de o Goyle a uma expressão preocupada . - Sim - continuou Malfoy . - É claro que não encontraram grande coisa . O pai guarda uns materiais de magia negra muito valiosos , mas , felizmente , temos a nossa câmara secreta debaixo de o soalho de a sala de visitas ... - Ah ! - disse o Ron . Malfoy olhou para ele . Harry também . Ron corou e até o cabelo começou a ficar vermelho . O nariz estava também a diminuir lentamente ... a hora tinha acabado . Ron estava a voltar a a sua forma habitual e por o olhar de horror que lançou a Harry certamente ele também estava . Puseram se rapidamente de pé . - Tenho de tomar o remédio para o estômago - grunhiu o Ron e sem mais explicações saíram ambos a correr de a sala comum de os Slytherin , precipitaram se para a parede de pedra e galgaram a passagem , pedindo a todos os santos que Malfoy não tivesse dado por nada . Harry sentia os pés a nadarem em os sapatos enormes de o Goyle e tinha de levantar o manto visto_que diminuíra de tamanho . Subiram os degraus a correr até a o * hall * escuro de entrada onde se ouvia um som abafado que vinha de a despensa onde tinham fechado o Crabbe e o Goyle . Deixando os sapatorros de os dois de o lado de_fora , subiram já com os respectivos sapatos a escadaria de mármore até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Bem , não foi uma total perda de tempo - disse o Ron ofegante , fechando atrás_de si a porta de a casa_de_banho . - É certo que ainda não descobrimos de quem vêm os ataques , mas vou escrever a o meu pai amanhã a dizer lhe que procure debaixo de o soalho de a sala de visitas de o Malfoy . Harry olhou para o espelho partido . Tinha voltado a o normal . Pôs os óculos enquanto Ron batia em a porta de o cubículo de Hermione . - Hermione , sai de aí , temos um monte de coisas para te contar ... - Vão se embora - guinchou Hermione . Harry e Ron olharam um para o outro . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron . - Tu já deves ter voltado a o normal como nós ... Mas a Murta_Queixosa saiu subitamente através de a porta de o cubículo com um ar divertido como nunca a tinham visto . - Oh ! Esperem até ver - disse ela . - É horrível ! Ouviram o trinco de a porta a abrir se e Hermione apareceu a soluçar , a túnica levantada a cobrir lhe o rosto . - O que foi ? - perguntou o Ron indistintamente . - Ainda tens o nariz de a Millicent ou alguma coisa assim ? Hermione deixou cair a roupa e Ron recuou rapidamente . O rosto de ela estava coberto de pêlo preto , os olhos tinham ganho uma cor amarela e as orelhas eram pontiagudas , saindo espetadas para fora de os cabelos . - Era um pêlo de g-gato - disse a chorar . - A Millicent_Bulstrode d-deve ter um gato e a poção não está preparada para transformação em animais . - Oh-oh - disse o Ron . - Vão te gozar horrivelmente - disse a Murta , felicíssima . - Não te preocupes , Hermione - tranquilizou a rapidamente o Harry . - Vamos levar te para a ala hospitalar , a Madam_Pomfrey nunca faz muitas perguntas ... Não foi fácil convencer Hermione a sair de a casa_de_banho . A Murta_Queixosa despediu se com uma gargalhadavigorosa e grosseira . - Espera até todos descobrirem que tens uma cauda ! XIII_O diário muito secreto Hermione ficou em a ala hospitalar durante várias semanas . Houve uma onda de boatos sobre o seu desaparecimento quando o resto de os alunos voltou de as férias de Natal porque , é claro , todos pensam que ela tinha sido atacada . Foram tantos os estudantes a rondar a ala hospitalar para espreitar a ver se a viam que Madam_Pomfrey desceu de_novo as cortinas de a cama de ela para a poupar a a vergonha de ser vista com pêlo em a cara . Harry e Ron iam visitá a todas_as tardes . Quando o segundo período começou passaram a levar lhe diariamente os trabalhos de casa . - Se eu tivesse o bigode a crescer , tinha uma folga de o trabalho - disse uma tarde o Ron enquanto colocava uma pilha de livros a a cabeceira de a cama de Hermione . - Não sejas parvo , Ron , eu tenho de me manter a par de as coisas - disse Hermione com vivacidade . O humor de ela melhorara bastante com o facto de lhe ter desaparecido todo o pêlo de o rosto e de os olhos estarem lentamente a retomar a cor castanha . - Calculo que não tenham novas pistas ? - disse em um murmúrio para evitar que Madam_Pomfrey os ouvisse . - Nada - disse Harry tristemente . - Eu tinha tanta certeza de que era o Malfoy - repetiu o Ron por a centésima vez . - O que é isso ? - perguntou Harry , apontando para uma coisa com brilho dourado que estava debaixo de a almofada de Hermione . - É só um cartão a desejar boas melhoras - disse ela precipitadamente , tentando escondê o , mas o Ron foi mais rápido . Pegou lhe , abriu o e leu em voz alta : * _ Para_Miss_Granger , desejando lhe uma rápida recuperação , com o interesse e estima de o professor Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , Terceiro grau , Membro_Honorário_da_Liga_de_Defesa contra as Artes_Negras e vencedor por cinco vezes de o prémio O sorriso mais charmoso de a semana de o Semanário_das_Bruxas * . Ron olhou desconsolado para Hermione . - Tu dormes com isto debaixo de a almofada ? Mas Hermione foi poupada a ter de responder por a entrada de Madam_Pomfrey que lhe trazia a dose de medicamento de a tarde . - Achas que o Lockhart é o tipo mais esperto que conheceste ? - perguntou o Ron a o Harry quando saíram de a enfermaria e começavam a subir as escadas para a torre de os Gryffindor . O Snape tinha lhes passado tanto trabalho para_casa que Harry pensou que ia chegar a o sexto ano antes de o ter acabado . Ron vinha a dizer que devia ter perguntado a a Hermione quantas caudas de rato deveria juntar se a uma poção para o crescimento de o cabelo quando um grito de raiva vindo de o andar de cima lhes chegou a os ouvidos . - É o Filch - murmurou Harry enquanto subiam apressadamente as escadas e paravam para ouvir melhor . - Terá mais alguém sido atacado ? - disse nervosamente o Ron . Ficaram parados com as cabeças inclinadas para a voz de o Filch que parecia quase histérica . -- ... * _ Ainda mais trabalho para mim . Toda_a noite a esfregar como_se não tivesse já trabalho de sobra . Não , isto foi a gota de água que fez transbordar o copo , vou falar com Dumbledore * ... Os passos afastaram se e ouviram uma porta fechar se com grande estrondo . Puseram as cabeças fora de a esquina . O Filch tinha obviamente estado a patrulhar o seu habitual posto de vigia : estavam novamente em o lugar onde Mrs._Norris fora atacada . Perceberam imediatamente qual o motivo de os gritos . Uma enorme poça de água enchia metade de o corredor e parecia escorrer de a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Agora_que o Filch se calara podiam ouvir os uivos de a Murta que faziam eco em as paredes de a casa_de_banho . - Mas o que se passará com ela ? - disse o Ron . - Vamos lá ver - sugeriu Harry e arregaçando as túnicas até a os tornozelos entraram , atravessando a enorme poça de água , em a casa_de_banho que tinha o letreiro a dizer « Fora de serviço » e que eles , como sempre , ignoraram . A Murta_Queixosa chorava , se possível , mais alto do_que nunca . Parecia estar escondida em o cubículo de o costume . Lá dentro estava escuro pois as velas tinham se apagado com a enchente de água que deixara as paredes e o chão ensopado . - O que se passa , Murta ? - quis saber o Harry . - Quem é ? - perguntou ela infelicíssima . - Vieste atirar me mais alguma coisa acima ? Harry caminhou com dificuldade por causa de a água até a o cubículo de ela e disse : - Porque te faríamos nós uma coisa de essas ? - Não me perguntem - gritou a Murta , emergindo em uma onda de água que molhou ainda mais o chão já ensopado . - Eu estou aqui metida em a minha morte e alguém acha muito engraçado atirar me com um caderno acima ... - Mas , não pode magoar te se alguém te atirar alguma coisa acima - disse Harry , tentando ser prático . - Isto_é , seja o que for passa através_de ti , não é assim ? Tinha dito a frase errada . A Murta encheu o peito de ar e gritou a plenos pulmões : - Vamos todos atirar cadernos a a Murta já_que ela não sente nada ! Dez pontos se lhe acertarem em o estômago , cinquenta se lhe atravessar a cabeça ! Hah hah hah , que jogo lindo , não acham ? - Quem te atirou um caderno , afinal ? - perguntou o Harry . - Não sei ... eu estava sentada em a sanita a pensar em a morte e caiu me em cima de a cabeça - disse a Murta , olhando para eles . - Está ali , ficou todo molhado . Harry e Ron olharam para o ponto que a Murta lhes apontava debaixo de o lavatório . Um caderno pequenino e fino estava caído em o chão . Tinha uma capa preta muito gasta e estava encharcado como tudo em aquela casa_de_banho . Harry deu um passo em frente para o apanhar , mas o Ron agarrou lhe precipitadamente o braço . - O que foi ? - perguntou Harry . - Estás doido - disse ele . - Pode ser perigoso . - Perigoso ? - riu se Harry . - Essa agora Ron , como é_que pode ser perigoso ? - Ficarias surpreendido ... - explicou ele , olhando com ar apreensivo para o caderno . - Entre os livros que o Ministério confiscou , contou me o meu pai , havia um que queimava os olhos a as pessoas . E todos os que leram os * _ Sonetos_de_Um_Feiticeiro * ficaram a falar em verso para o resto de a vida . Havia também uma bruxa em Bath que tinha um livro que quem o lesse nunca mais conseguia parar , tinha de andar por aí com o nariz enfiado em as folhas , a fazer todas_as coisas só com uma mão e ... - Já chega , já chega , já percebi a tua ideia - disse O_Harry . O caderninho continuava caído e ensopado . - Bem , nunca saberemos a_não_ser_que tenhamos a coragem de dar uma vista de olhos - disse e mergulhou apanhando o de o chão . Harry viu imediatamente que se tratava de um diário e a data meio apagada , em a capa , disse lhe que tinha cinquenta anos de idade . Abriu o ansiosamente . Em a primeira página podia ler se apenas o nome T._M._Riddle em tinta esborratada . - Espera aí - disse o Ron que se aproximara prudentemente e olhava por cima de o ombro de Harry . - Eu conheço esse nome ... T._M._Riddle recebeu um prémio por serviços especiais prestados a a escola há cinquenta anos atrás . - Como diabo sabes tu isso ? - perguntou Harry com grande espanto . - Porque o Filch mandou me limpar a taça de ele umas cinquenta vezes quando estive de castigo - disse o Ron ressentido . - Foi a taça em cima de a qual eu vomitei lesmas . Se tivesses tido que limpar o muco de um nome durante uma hora também te lembrarias . Harry separou umas de as outras as páginas molhadas . Estavam completamente em branco . Não havia o mais leve sinal de escrita em nenhuma , nem coisas como « Aniversário de a tia Mabel « ou « Dentista a as três_e_meia » . - Ele nunca escreveu nada aqui - disse Harry desapontado . - Porque quereria alguém atirá o fora ? - perguntou se o Ron com curiosidade . Harry voltou o caderno e viu , inscrito em a contra capa , o nome de uma tabacaria em Vauxhall_Road , Londres . - Ele devia ser filho de Muggle - disse Harry pensativo - para ter comprado um diário em Vauxhall_Road ... - Bem , não te serve de muito - Ron baixou a voz . - Cinquenta pontos se acertares em o nariz de a Murta . Harry , mesmo_assim , guardou o diário . Hermione saiu de a ala hospitalar desbigodada , sem cauda e sem pêlo em os primeiros dias de Fevereiro . Em a primeira noite em a torre de os Gryffindor , Harry mostrou lhe o diário de T._M._Riddle e contou lhe como o tinham encontrado . - Ooooh ! Deve ter poderes ocultos - disse ela entusiasticamente , pegando em o diário e examinando o de perto . - Se tem , esconde os muito bem - disse Ron . - Talvez fosse tímido . Não sei porque não deitas isso fora , Harry . - Gostava de perceber porque motivo alguém se quis livrar de ele - explicou Harry . - E também não me importava de saber como foi que o Riddle obteve esse prémio de serviços especiais prestados a Hogwarts . - Pode ter sido qualquer coisa - lançou o Ron . - Talvez tenha recebido 30 de nota final ou salvo um professor de a lula gigante . Se_calhar assassinou a Murta , isso teria sido um favor prestado a todos ... Mas Harry quase podia jurar , por o olhar suspenso em a cara de Hermione , que ela pensava o mesmo_que ele . - O que foi ? - perguntou Ron , olhando para um e para o outro . - Bem , a Câmara_dos_Segredos foi aberta há cinquenta anos , não foi isso que disse o Malfoy ? - Sim - respondeu Ron , lentamente . - E este diário tem cinquenta anos de idade - completou Hermione , dando lhe palmadinhas nervosas . - E de aí ? - Oh Ron , acorda - insistiu Hermione . - Sabemos que a pessoa que abriu a câmara de a outra_vez foi expulsa há cinquenta anos . E se o Riddle tivesse tido o prémio especial por apanhar o herdeiro de Slytherin ? O seu diário diria nos provavelmente tudo : onde é a Câmara_dos_Segredos , como abris a e que tipo de criatura vive lá . Achas que a pessoa que está por trás de os ataques desta_vez quereria o diário por aí ? - É uma teoria interessante , Hermione - disse o Ron . - Apenas com uma pequenina falha : o diário não tem nada Mas_Hermione já estava a tirar a varinha de o saco . - Pode ser tinta invisível - murmurou . Bateu três vezes em o diário e repetiu * _ Aparecium ! * Nada aconteceu . Intrépida , Hermione meteu a mão de_novo em o saco e tirou o que parecia ser uma borracha vermelha e brilhante . - É um * revelador * , comprei o em a Diagon - _ Al - disse . Apagou com força em 1_de_Janeiro . Não sucedeu nada . - Já vos disse , não há nada aí - repetiu o Ron . - O Riddle deve ter recebido um diário como prenda de Natal e nem se deu a o trabalho de escrever fosse o que fosse . Harry não conseguia explicar , nem a si próprio , porque motivo não deitara fora o diário de Riddle . A verdade é_que , mesmo depois de saber que ele estava em branco , continuou distraidamente a pegar lhe e a virar as páginas como_se quisesse chegar a o fim de uma história . E , apesar_de saber que nunca tinha ouvido o nome T._M._Riddle , continuava a ter a sensação de que lhe dizia alguma coisa , como_se Riddle fosse um amigo que ele tinha tido quando era muito pequeno e que estivesse meio esquecido . Mas era um absurdo . Nunca tivera amigos antes de Hogwarts , Dudley tivera esse cuidado . Ainda_assim , Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle , por isso em o dia seguinte foi até a a sala de os troféus para examinar a taça , acompanhado de Hermione que estava interessadíssima e de Ron que se mostrava profundamente incrédulo , dizendo que tinha ficado farto de aquela sala até a o fim de a vida . A taça dourada de Riddle estava arrecadada em um armário de canto . Não fornecia detalhes sobre o motivo por_que lhe fora dada ( felizmente , se fosse maior ainda hoje estava a limpá a , disse o Ron ) . Mas encontraram o nome de Riddle em uma antiga medalha de Mérito_Mágico e em uma lista de antigos chefes de turma . - Parece o Percy - comentou Ron , torcendo o nariz com aversão . - Prefeito , chefe de turma , provavelmente o melhor em todas_as disciplinas . - Dizes isso como_se fosse uma coisa má - fez lhe notar Hermione , em um tom de voz ressentido . Um sol fraco brilhava agora de_novo em Hogwarts . Dentro de o castelo , o ambiente estava bastante melhor . Não tinha havido novos ataques desde Justin e Nick quase sem cabeça e Madam_Pomfrey teve a satisfação de informar que as Mandrágoras começavam a ficar instáveis e dissimuladas , sinal de que estavam a abandonar rapidamente a infância . - Logo_que o acne desapareça estarão prontas para novo transplante - ouviu a Harry dizer amavelmente a o Filch . - E depois de isso , não demorará muito até podermos cortá as e estufá as . - Vai ter Mrs._Norris de volta , muito em_breve . Talvez o herdeiro ou herdeira de Slytherin tenha perdido a coragem , pensou Harry . Deve ser cada_vez_mais arriscado abrir a Câmara_dos_Segredos com a escola tão alerta e desconfiada . Talvez o monstro , qualquer_que_fosse , estivesse a preparar se para hibernar durante outros cinquenta anos . Ernie_Mcmillan_dos_Hufilepuff não aceitou esta visão optimista . Continuava convencido de que Harry era o culpado , que se tinha traído em o clube de os duelos . Peeves não ajudava nada : continuava a cantar por os corredores Potter , * seu bandido * ... agora acompanhado de um esquema de dança . Gilderoy_Lockhart parecia pensar que fora ele quem pusera fim a os ataques . Harry fartou se de o ouvir dizer isso a a professora Mc_Gonagall enquanto os Gryffindor formavam bicha para a aula de Transfiguração . - Não creio que volte a haver problemas , Minerva - disse , tocando em o nariz com ar conhecedor e piscando o olho . - Acho que desta_vez a câmara foi definitivamente selada . O culpado deve ter sabido que era uma questão de tempo até eu o apanhar e que era mais sensato parar agora antes que eu lhe tratasse de a saúde . Sabe , a escola está a precisar de um intensificador de animo para apagar as lembranças de o último período . Não vou dizer lhe mais_nada , por enquanto , mas julgo que sei o que ... Voltou a tocar em o nariz e afastou se a passos largos . A ideia de Lockhart de um intensificador de ânimo ficou bastante clara em o dia_14_de_Fevereiro , a o pequeno-almoço . Harry não dormira grande coisa devido a o treino de Quidditch em a noite anterior e chegou a o salão um_pouco atrasado . Pensou , por momentos , que se tinha enganado em a porta . As paredes estavam todas cobertas com enormes e medonhas flores cor-de-rosa . Pior ainda , * confettis * em forma de corações caíam de o tecto azul pálido . Harry dirigiu se a a mesa de os Gryffindor onde o Ron estava sentado com um ar enjoado junto de Hermione que parecia particularmente risonha . - O que se passa ? - perguntou lhes , sentando se e sacudindo os * confettis * de o seu bacon . Ron apontou para a mesa de os professores , com um ar demasiado repugnado para falar . Lockhart , em as suas vestes rosa vivo , a condizer com a decoração de o salão , fazia sinal para que se calassem . Os professores que o ladeavam tinham um ar estupefacto . De o seu lugar , Harry podia ver um músculo mover se em a bochecha de a professora Mc_Gonagall . Snape estava com ar de quem tomou uma imensa dose de xarope * skele-gro * . - Feliz dia de S._Valentim - gritou Lockhart . - E permitam me que agradeça a as quarenta_e_seis pessoas que até agora me enviaram cartões . Sim , fui eu quem tomou a liberdade de vos fazer esta pequena surpresa , e ela não acaba aqui ! Lockhart bateu as palmas e por as portas de o * hall * entraram a marchar cerca de uma_dúzia de duendes de aspecto carrancudo . Não eram uns duendes quaisquer , diga se de passagem . Lockhart fizera os usar asas douradas e transportar harpas . - Os meus amigos cupidos , portadores de os cartões ! gritou Lockhart . - Eles vão andar por a escola durante o dia de hoje , entregando os vossos cartões de S._Valentim . E o divertimento não acaba aqui . Tenho a certeza de que os meus colegas vão querer participar em este espírito de festa . Porque não pedir a o professor Snape que vos mostre como preparar rapidamente uma poção de amor . E , enquanto ele a prepara , está aqui o professor Flitwick que é de todos os feiticeiros que conheci aquele que mais sabe de encantamentos de sedução , o grande safado ! O professor Flitwick enterrou o rosto em as mãos . Snape olhava como_se quisesse dar veneno a a primeira pessoa que fosse pedir lhe a poção de o amor . - Por favor , Hermione , diz me que não foste uma de as quarenta_e_seis - pediu Ron quando saíram de o salão para a primeira aula . Mas Hermione ficou subitamente muito interessada em procurar o horário dentro de a mala e não lhe respondeu . Durante todo o dia os duendes não pararam de se intrometer em as aulas para entregar cartões , para grande aborrecimento de os professores e , ao_fim_da_tarde , quando os Gryffindor subiam as escadas para a aula de encantamentos , um de eles avistou o Harry . - Hei , tu , Harry_Potter ! - gritou um duende de aspecto particularmente lúgubre , dando cotoveladas a_toda_a gente para se aproximar de o Harry . Coradíssimo com a ideia de receber um cartão de S._Valentim diante_de uma fila de alunos de o primeiro ano que , por acaso , incluía Ginny_Weasley , Harry tentou escapar se . Mas o duende cortou lhe o caminho através de a multidão e agarrou o em três tempos . - Tenho uma mensagem musical para entregar a Harry_Potter em pessoa - disse , tangendo a harpa de forma ameaçadora . - Aqui não - disse baixinho o Harry , tentando escapar . - Fica quieto - grunhiu o duende , agarrando o saco de o Harry e puxando com força . - Larga me - disse ele rispidamente , dando um puxão . Com um ruído de tecido a rasgar se , o saco dividiu se em dois . Os livros de Harry , varinha , pergaminho e pena espalharam se por o chão enquanto o tinteiro se partia em cima de as outras coisas . Harry pôs se de gatas , tentando apanhar tudo antes que o duende começasse a cantar , provocando um engarrafamento em o corredor . - O que se passa aqui ? - perguntou a voz fria e afectada de Draco_Malfoy . Harry , nervosíssimo , começou a guardar tudo dentro de o saco rasgado , desesperado para sair de ali antes que Malfoy pudesse ouvir o seu S._Valentim musical . - Que confusão é esta ? - disse outra voz familiar . Percy_Weasley tinha chegado . De cabeça perdida , Harry tentou fugir , mas o duende agarrou o por os joelhos e fê lo cair a o chão . - Certo - disse , sentando se em os tornozelos de Harry . Eis o teu cartão musical : * _ Os olhos de ele são verdes como o sapo de o quintal * _ O seu cabelo é escuro como um temporal * _ É um desatino , oh ! ele é divino ! * _ O herói que venceu o Senhor_do_Mal * . Harry teria dado todo o ouro de Gringotts para se evaporar em aquele momento . Tentando corajosamente rir se com todos os outros , levantou se . Sentia os pés dormentes de o peso de o duende . Enquanto isso , Percy_Weasley fazia todos os possíveis por dispersar a multidão onde havia gente que chorava de hilaridade . - Vamos embora , vamos embora , a campainha tocou há cinco minutos para as aulas - dizia , enxotando alguns de os alunos mais novos . - E tu , Malfoy . Harry olhou e viu Malfoy inclinar se , apanhar qualquer coisa e com um olhar maldoso mostrá a a Crabbe e Goyle . Percebeu que era o diário de Riddle . - Dá cá isso - exigiu com toda_a calma . - O que será que o Potter escreveu aqui ? - disse Malfoy que obviamente não reparara em a data e pensou que tinha em as mãos o diário de o Harry . Houve uma agitação em os presentes . Ginny olhava apavorada para o diário e para Harry . - Dá lhe isso , Malfoy - disse Percy com firmeza . - Depois de dar uma vista de olhos - retorquiu Malfoy , acenando a Harry com o diário de forma provocatória . Percy disse : - Como Prefeito de a escola ... - mas Harry perdera a paciência . Pegou em a varinha e gritou * _ Expelliarmus * e assim_como Snape desarmara Lockhart , MalLoy viu o diário saltar lhe de as mãos e elevar se em o ar enquanto Ron o apanhava sorridente . - Harry - disse Percy levantando a voz . - Não quero magia em os corredores . Vou ter de participar isto , sabes perfeitamente . Mas Harry não se importou . Tinha ganho uma_vez a Malfoy e isso valia bem cinco pontos a menos para os Gryffindor . Malfoy estava furioso e quando a Ginny passou por ele a caminho de a sala de aula , gritou lhe com desprezo : - Não creio que o Potter tenha gostado lá muito de o teu cartão de S._Valentim . Ginny tapou a cara e correu para a aula . Aborrecido , Ron pegou também em a varinha , mas Harry afastou o . Era melhor que ele não passasse a aula de encantamentos a vomitar lesmas . Só quando entraram em a sala de aula de o professor Flitwick é_que Harry reparou em uma coisa bastante estranha em o diário de Riddle . Todos os outros livros estavam cheios de tinta vermelha , mas o diário mantinha se tão limpo como antes de o tinteiro se ter entornado em cima de ele . Tentou chamar a atenção de Ron para este facto , mas ele estava novamente a ter um problema com a varinha : de a extremidade saíam grandes bolhas roxas e ele não parecia interessado em mais_nada . Em essa noite , Harry foi deitar se antes de os outros companheiros de dormitório , em parte porque já não conseguia suportar o Fred e o George a cantarem * _ Os seus olhos são verdes como o sapo de o quintal * e em parte porque queria voltar a examinar o diário de Riddle e sabia que em a opinião de o Ron era uma pura perda de tempo . Sentou se em a cama de dossel e folheou as páginas em branco em as quais não se via uma única mancha de tinta escarlate . Tirou então outro tinteiro de o armário a o lado de a cama , molhou a pena e deixou cair um borrão em a primeira página de o diário . A tinta brilhou em o papel durante um segundo e , em seguida , como_se a página a tivesse sugado , desapareceu sem deixar rasto . Depois , finalmente , algo aconteceu . Deslizando sobre a página em a cor de a sua tinta , surgiram palavras que Harry não escrevera . - * _ Olá_Harry_Potter . O meu nome é Tom_Riddle . Como é_que encontraste o meu diário ? * Também estas palavras desapareceram , mas não sem que Harry tivesse respondido . - Alguém tentou lançá o em uma sanita . Esperou ansiosamente por a resposta de Riddle . - * _ Felizmente guardei as minhas memórias de uma forma mais duradoura do_que a tinta . Mas sempre soube que haveria quem não iria querer que o diário fosse lido . * - O que queres dizer com isso ? - escrevinhou Harry , borrando a página com o nervosismo . - * _ Quero dizer que este diário contém memórias de coisas terríveis . Coisas que foram abafadas . Coisas que aconteceram em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . * - É onde eu estou agora - escreveu Harry rapidamente . - Estou em Hogwarts e estão a acontecer coisas horríveis . Sabes alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? O coração parecia querer saltar lhe de o peito . A resposta de Riddle não se fez esperar , a letra tornara se mais desordenada como_se tivesse pressa em contar lhe tudo_o_que sabia . - * _ É claro que sei de a Câmara_dos_Segredos . Em o meu tempo diziam nos que era uma lenda , que não existia , mas era mentira . Quando eu estava em o quinto ano a Câmara_dos_Segredos foi aberta e o monstro atacou vários estudantes , acabando matar um . Eu apanhei a pessoa que abriu a câmara e ele foi expulso . Mas o director , o professor Dippet , envergonhado por uma coisa de aquelas ter acontecido em Hogwarts , proibiu me de contar a verdade . Foi divulgada uma história dizendo que a rapariga morrera de um acidente extravagante . Deram me um troféu brilhante com o meu nome gravado e avisaram me para ficar calado . Mas eu sabia que ia voltar a acontecer . O monstro sobreviveu e aquele que tinha o poder para o libertar não foi para a prisão . * Harry quase entornou o tinteiro em a pressa de responder . - Está a acontecer outra_vez . Houve três ataques e ninguém parece saber quem está por_detrás_de tudo_isto . Quem foi de a última vez ? - * _ Posso mostrar te , se quiseres * - foi a resposta de o Riddle . - * _ Não tens de acreditar só em a minha palavra . Posso levar te a o fundo de a minha memória de a noite em que o apanhei . * Harry hesitou com a pena em o ar sobre o diário . O que quereria ele dizer ? Como poderia entrar em a memória de outra pessoa ? Olhou inquieto para a porta de o dormitório que começava a ficar escuro . Quando pôs de_novo os olhos em o diário viu as palavras que se formavam . - * _ Deixa-me mostrar te . * Harry parou durante uma fracção de segundo e depois escreveu duas letras . - O. _ K._As páginas de o diário começaram a esvoaçar como_se tivessem sido apanhadas em uma ventania , parando a meio de o mês_de_Junho . Boquiaberto , Harry viu que o quadradinho de 13_de_Junho se transformara em um pequeno ecrã de televisão . Com as mãos ligeiramente trémulas levantou o livro para encostar os olhos a a janelinha e antes de perceber o que estava a passar se , deu consigo inclinado para a frente com a janela a abrir se . O corpo abandonava a cama e era lançado de cabeça , por a abertura de a página , em um turbilhão de cor e sombras . Sentiu os pés tocarem em terra firme e pôs se de pé a tremer enquanto as formas desfocadas se tornavam subitamente nítidas . Soube imediatamente onde estava . Aquela sala circular com os retratos adormecidos era o escritório de Dumbledore , mas não era Dumbledore quem estava atrás de a secretária . Um feiticeiro mirrado , de aspecto débil e quase careca lia uma carta a a luz de as velas . Harry nunca vira aquele homem antes . - Desculpe - disse com a voz a tremer . - Eu não queria intrometer me ... Mas o feiticeiro não olhou . Continuou a ler , franzindo levemente as sobrancelhas . Harry aproximou se de a secretária e gaguejou : - Er ... eu vou me embora , está bem ? E o feiticeiro continuou a ignorá o . Parecia nem_sequer ter ouvido . Pensando que talvez ele fosse surdo , Harry falou mais alto . - Desculpe tê o incomodado - disse quase a gritar . O feiticeiro dobrou a carta com um suspiro . Pôs se de pé , passou por Harry sem olhar para ele e foi abrir os cortinados de a janela . O céu , lá fora , estava vermelho-rubi . Devia ser o pôr de o Sol . O feiticeiro voltou para a secretária , sentou se e girou os polegares , olhando para a porta . Harry olhou em volta . Não viu Fawkes , a fénix , nem as engenhocas prateadas que sibilavam . Aquela Hogwarts era a que Riddle conhecera e , portanto , aquele feiticeiro desconhecido era o director de então , não Dumbledore e ele , Harry , era pouco mais que um fantasma , totalmente invisível a as pessoas de há cinquenta anos atrás . Alguém bateu a a porta . - Entre - disse o velho feiticeiro , em uma voz fraca . Um rapazinho de dezasseis anos entrou , tirando o chapéu pontiagudo . Em o seu peito brilhava um distintivo prateado de prefeito . Era muito mais alto do_que Harry , mas tinha , tal_como ele , cabelo preto asa de corvo . - Ah ! Riddle - disse o director . - Queria falar comigo , professor Dippet ? - perguntou ele com ar nervoso . - Senta te - disse Dippet . - Tenho estado a ler a carta que me mandaste . - Oh ! - exclamou Riddle , sentando se e apertando as mãos uma contra a outra . - Meu rapaz - disse Dippet amavelmente . - Eu não posso deixar te ficar em a escola durante o Verão . Com certeza queres ir para_casa em as férias ? - Não - respondeu Riddle , sem perder tempo . - Prefiro mil vezes ficar em Hogwarts a ter de voltar a aquela ... aquela ... - Tu vives em um orfanato de Muggles durante as férias , não é assim ? - perguntou Dippet com curiosidade . - Sim senhor - disse Riddle , corando um_pouco . - És filho de Muggles ? - Meio sangue , professor - explicou Riddle . - Pai_Muggle , mãe bruxa . - E o teu pai e a tua mãe ... - A minha mãe morreu pouco depois de eu nascer , professor , contaram me em o orfanato que só teve tempo de me dar o nome : Tom , como o meu pai , Marvolo como o meu avô . Dippet estalou a língua solidariamente . - O que acontece , Tom - suspirou - é_que ... podia ter se arranjado uma situação especial para ti , mas em as circunstâncias actuais ... - Refere se a os ataques , professor ? - perguntou Riddle e o coração de Harry deu um salto , aproximando se com medo de perder alguma coisa . - Precisamente - disse o director . - Meu rapaz , compreendes que seria uma imprudência de a minha parte deixar te ficar em o castelo quando o período acabar , principalmente a a luz de a recente tragédia ... a morte de aquela pobre moça ... estarás sem dúvida em maior segurança em o orfanato . Em a verdade , o ministro de a magia até fala em fechar a escola . Não estamos nada perto_de localizar ... er ... a fonte de toda esta história desagradável . Os olhos de Riddle tinham se aberto mais . - Professor , se essa pessoa fosse apanhada ... se tudo acabasse . . . - Que queres dizer com isso ? - perguntou Dippet com voz aguda , endireitando se em a cadeira . - Riddle , tu sabes alguma coisa sobre estes ataques ? - Não senhor - respondeu ele de imediato . Mas Harry sabia que era o mesmo tipo de « não » que ele dissera a Dumbledore . Dippet afundou se de_novo com um ar de profundo desapontamento . - Podes ir , Tom . Riddle esgueirou se de a cadeira e saiu de a sala . Harry seguiu o . Desceram por a escada em espiral , saindo junto de a gárgula em o corredor que escurecia . Riddle parou e Harry fez o mesmo , olhando para ele . Quase podia apostar que ele pensava seriamente em alguma coisa . Mordia o lábio e tinha as sobrancelhas franzidas . A certa altura , como_se tivesse acabado de tomar uma decisão , começou a andar mais depressa com Harry a segui o ruidosamente . Não viram mais ninguém , a não ser quando chegaram a o * hall * de entrada onde um feiticeiro alto de longos cabelos ruivos e barba chamou Riddle de a escadaria de mármore . - O que andas a fazer por aqui tão tarde , Tom ? Harry olhou para o feiticeiro . Não era outro senão Dumbledore com cinquenta anos a menos . - Tive de ir falar com o director - justificou se Riddle . - Bem , agora vai depressa para a cama - disse Dumbledore , olhando Riddle com aquele olhar penetrante que Harry conhecia tão bem . - É melhor não andar a passear por os corredores em os dias que correm , pelo_menos até ... Suspirou profundamente , deu as boas-noites a o Riddle e foi se embora . Riddle viu o desaparecer e , sem perder tempo , desceu os degraus de pedra até a os calabouços com Harry em a peugada . Mas para seu grande desconsolo , Riddle não o conduziu a nenhum corredor ou túnel secreto e sim a o calabouço onde ele costumava ter aulas de poções com o Snape . As tochas não tinham sido acesas e quando Riddle empurrou a porta quase fechada , Harry só conseguiu vê o a ele , de pé , quieto junto de a porta , olhando para o corredor . Pareceu a Harry que ficaram ali quase uma hora . Tudo_o_que via era a silhueta de Riddle junto de a porta , olhando fixamente através de a greta , a a espera . Como_se fosse uma estátua . E quando Harry tinha abandonado todas_as expectativas e começava a desejar voltar a o presente , ouviu alguma coisa que se movia atrás de a porta . Alguém avançava lentamente por o corredor . Ouviu a pessoa , quem quer que fosse , passar por o calabouço onde ele e Riddle estavam escondidos . Riddle , silencioso como uma sombra , esgueirou se por a porta e seguiu o com Harry em bicos de pés atrás de ele , esquecido de que podia fazer barulho a a vontade porque ninguém o ouvia . Durante cerca de cinco minutos seguiram lhe os passos até que Riddle parou repentinamente com a cabeça inclinada em a direcção de novos ruídos . Harry ouviu uma porta a abrir se e em seguida alguém falou em um murmúrio rouco . - Vá lá , temos que sair de aqui ... vá lá , dentro de a caixa ... Havia algo de familiar em aquela voz . Riddle deu subitamente uma volta e Harry seguiu o . Podia ver a silhueta escura de um rapaz enorme que estava inclinado em frente de a porta aberta , com uma grande caixa a o lado . - Boa noite , Rubeus - disse Riddle secamente . O rapaz fechou a porta e pôs se de pé . - O que estás a fazer aqui , Tom ? Riddle aproximou se . - Acabou se - disse . - Vou ter de entregar te , Rubeus . Falam em fechar Hogwarts se os ataques não terminarem . - O que é_que tu ... ? - Eu acho que tu não quiseste matar ninguém , mas os monstros não são os melhores animais domésticos . Tu só quiseste deixá o sair para andar um_pouco e ... - Ele não matou ninguém - disse o rapaz grande , recuando contra a porta fechada . Lá de dentro vinham uns estranhos roncos e rugidos . - Vamos , Rubeus - disse Riddle , aproximando se mais ainda . - Os pais de a rapariga que morreu estarão aqui amanhã . O mínimo que Hogwarts pode fazer é assegurar lhes que aquilo que matou a filha de eles foi abatido ... - Não foi ele - gemeu o rapaz cuja voz ecoou em o corredor escuro . - Ele não faria isso ... ele nunca ... - Afasta te - disse Riddle , pegando em a varinha . O encantamento iluminou o corredor com uma luz brilhante . A porta atrás de o rapaz grande abriu se de par em par com tanta força que o atirou contra a parede . E de lá de dentro saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito que ninguém mais ouviu a não ser ele próprio . Tinha um corpo imenso , magro e peludo e um emaranhado de pernas pretas , a cintilação de muitos olhos e um par de tenazes afiadas . Riddle levantou de_novo a varinha , mas era tarde de mais . A coisa deixara o atarantado e corria apressadamente , precipitando se por o corredor e desaparecendo . Riddle pôs se de pé , olhou a a procura de o monstro , levantou a varinha , mas o rapaz grande saltou sobre ele , tirou lhe a varinha de as mãos e lançou o a o chão , gritando : - Naaaaaão ! A cena rodopiou . A escuridão tornou se total . Harry sentiu se a cair e com um embate aterrou como uma águia de patas e asas abertas em a sua cama de dossel , em o dormitório de os Gryffindor , o diário de Riddle aberto sobre o estômago . Antes de ter tido tempo de normalizar a respiração , a porta de o dormitório abriu se e o Ron entrou . - Aí estás tu - disse . Harry sentou se . Transpirava e tremia . - O que se passa ? - perguntou Ron , olhando aflito para ele . - Foi o Hagrid , Ron . O Hagrid abriu a Câmara_dos_Segredos há cinquenta anos atrás . XIV_Cornelius_Fudge_Harry , Ron e Hermione sabiam há muito_tempo que Hagrid tinha uma triste predilecção por criaturas grandes e monstruosas . Em o primeiro ano que passaram em Hogwarts , ele tentara criar um dragão em a sua pequena cabana de madeira e levaram muito_tempo a esquecer o gigantesco cão de três cabeças que ele baptizara de « fofinho » . E se , em rapaz , Hagrid tinha ouvido dizer que havia um monstro escondido em o castelo , Harry tinha a certeza que ele teria feito os impossíveis por descobri o . Provavelmente achou que era uma injustiça o monstro estar fechado tanto tempo e pensou que ele merecia a oportunidade de esticar as suas muitas pernas . Harry imaginava perfeitamente o Hagrid a os treze anos a tentar pôr uma coleira e uma trela a o monstro . Mas tinha igualmente a certeza de que ele nunca teria querido matar ninguém . De certo modo , Harry desejava não ter descoberto como utilizar o diário de Riddle . Ron e Hermione fizeram o contar repetidas vezes o que vira até ele ficar farto de repetir o mesmo e farto de a conversa circular que se seguia . - O Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse , de essa vez , Hermione . - O monstro que atacava as pessoas podia ser outro .... - Quantos monstros achas tu que pode haver em este lugar ? - perguntou o Ron aborrecido . - Sempre soubemos que o Hagrid tinha sido expulso - disse Harry tristemente - E os ataques devem ter terminado quando ele foi expulso . Se não fosse assim , Riddle não teria recebido um prémio . Ron tentou um caminho diferente . - O Riddle parece o Percy , quem lhe pediu afinal que deitasse abaixo o Hagrid ? - Mas o monstro tinha morto uma pessoa , Ron - insistiu Hermione . - E o Riddle ia ter de voltar para um orfanato Muggle se Hogwarts fosse fechada - disse Harry . - Não posso culpá o por querer ficar aqui ... Ron mordeu o lábio e a seguir sugeriu : - Tu encontraste o Hagrid em a Rua * _ Bativolta * , não foi ? - Ele estava a comprar repelente para lesmas - disse Harry rapidamente . Ficaram os três em silêncio . Depois de uma longa pausa , Hermione , em uma voz hesitante , formulou a pergunta mais complicada de todas : - Não acham que devíamos ir ter com ele e perguntar lhe ? - Essa seria uma visita simpática - disse o Ron . - Olá , Hagrid , diz nos uma coisa , soltaste por acaso alguma coisa louca e peluda por o castelo em estes últimos tempos ? Por fim , decidiram não dizer nada a o Hagrid a_não_ser_que houvesse outro ataque e à_medida_que passava mais tempo sem murmúrios de a voz sem corpo começaram a acreditar , esperançosos , que nunca mais teriam de falar sobre o motivo por_que fora expulso . Tinham passado já quase quatro meses desde o dia em que o Justin e o Nick quase sem cabeça tinham sido petrificados e quase toda_a_gente parecia pensar que o atacante , quem quer que ele fosse , se retirara para sempre . Peeves fartara se de a sua canção * _ Oh_Potter , seu bandido * , Ernie_Mcmillan pediu educadamente a o Harry , em a aula de herbologia , que lhe passasse um balde de cogumelos saltitantes e , em Março , várias mandrágoras deram uma festa ruidosa e roufenha em a estufa número três . A professora Sprout estava muito satisfeita . - Mal elas comecem a tentar mover se para os vasos umas de as outras , saberemos que estão maduras - disse ela a o Harry . - Nessa_altura poderemos reanimar aquelas pobres criaturas que estão em a ala hospitalar . Os alunos de o segundo ano tinham agora uma coisa nova em que pensar durante as férias de a Páscoa . Chegara a altura de escolherem as matérias de o terceiro ano , um assunto que Hermione , pelo_menos , tomou muito a sério . - Pode afectar todo o nosso futuro - disse a o Harry e a o Ron a o vê os ler cuidadosamente as listas de as novas matérias e pôr um V em frente de cada uma . - Eu só quero ver me livre de as poções - disse Harry . - Não podemos - explicou Ron tristemente . - Mantemos todas_as matérias antigas ou eu teria me livrado de a Defesa contra as artes negras . - Mas é muito importante - disse Hermione chocada . - Não de a maneira como Lockhart a dá - insistiu Ron . - Não aprendi nada até agora a não ser a nunca mais libertar duendes . Neville_Longbottom recebera cartas de todas_as bruxas e feiticeiros de a família , cada_um dando um conselho diferente sobre o que ele deveria escolher . Confuso e preocupado , sentou se a ler a lista de matérias , dando estalinhos com a língua e perguntando a as pessoas se achavam que a aritmancia seria mais difícil do_que o estudo de as runas em a Antiguidade . Dean_Thomas que , tal_como Harry , fora criado com Muggles , acabou por fechar os olhos e atirar a varinha contra a lista , escolhendo as matérias onde ela aterrava . Hermione não pediu conselho a ninguém e inscreveu se em todas . Harry sorriu de si para consigo imaginando como seria uma conversa com o tio Vernon e com a tia Petúnia sobre a sua carreira em feitiçaria . Não que não tivesse tido orientação : Percy_Weasley estava ansioso por partilhar a sua experiência . - Tudo depende de o lugar para_onde queres ir , Harry - disse ele . - Nunca é cedo de mais para pensar em o futuro , por isso eu aconselho te a adivinhação . As pessoas dizem que os estudos de Muggles são uma opção leve mas eu , pessoalmente , acho que os feiticeiros deveriam ter uma compreensão profunda de a comunidade não mágica , muito especialmente se pensarem em trabalhar em íntimo contacto com eles . Vê o meu pai que tem de lidar com assuntos de os Muggles a_toda_a hora . O meu irmão Charles foi sempre mais um tipo de o exterior , por isso foi para o Centro_de_Cuidados com as Criaturas_Mágicas . Segue os teus sentimentos , Harry . Mas a única coisa em que Harry sentia que era mesmo bom era o Quidditch . Por fim , acabou por escolher as mesmas matérias que o Ron escolhera , pensando que se fosse péssimo em elas pelo_menos tinha alguém amigo para o ajudar . O próximo jogo de Quidditch_dos_Gryffindor era contra os Hufflepuff . Wood insistia em treinos de equipa todas_as noites depois de jantar , por isso Harry não tinha tempo para mais_nada a não ser para o Quidditch e para os trabalhos de casa . Mas as sessões de treino estavam a melhorar ou pelo_menos estavam mais secas e em a véspera de o jogo de sábado ele foi a o dormitório guardar a vassoura , sentindo que as hipóteses de os Gryffindor ganharem a taça de Quidditch nunca tinham sido tão boas . Mas a sua boa disposição não durou muito . Em o cimo de as escadas que levavam a o dormitório encontrou o Neville_Longbottom nervosíssimo . - Harry , não sei quem fez aquilo , eu fui encontrar ... Olhando receoso para Harry , Neville empurrou a porta . O conteúdo de a mala de Harry fora espalhado por toda_a divisão . O seu manto estava em o chão rasgado . A roupa de cama tinha sido puxada de a cama de dossel e a gaveta de o armário que se encontrava a a cabeceira de a cama fora arrancada , estando o seu conteúdo espalhado sobre o colchão . Harry aproximou se de a cama boquiaberto , pisando algumas páginas soltas de * _ Viagens com Duendes * . Quando ele e Neville estavam a puxar os cobertores para_cima , entraram o Ron e o Dean_Seamas . Dean praguejou alto . - O que é isto , Harry ? - Não faço ideia - disse ele . Mas o Ron estava a examinar as vestes de Harry e todos os bolsos estavam de o avesso . - Alguém andou a a procura de qualquer coisa - disse o Ron . - Dás por falta de alguma coisa ? Harry começou a apanhar o que estava caído , lançando tudo dentro de a mala . Só quando atirou o último livro de Lockhart é_que se apercebeu do_que faltava . - O diário de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a o Ron . - O quê ? Harry fez lhe sinal em direcção a a porta de o dormitório e apressaram se a chegar a a sala comum de os Gryffindor que estava quase vazia e onde foram encontrar Hermione sozinha a ler * _ As_Runas_Antigas a o Alcance_de_Todos * . Hermione ficou aterrada com as notícias . - Mas ... só um Gryffindor podia tê o roubado ... ninguém mais conhece a nossa senha ... - Exactamente - disse Harry . Acordaram em o dia seguinte com um sol brilhante e uma brisa agradável . - Condições ideais para o Quidditch ! - exclamou Wood , cheio de entusiasmo , a a mesa de os Gryffindor , enchendo os pratos de os elementos de a sua equipa de ovos mexidos . - Harry , anima te , precisas de um pequeno-almoço decente . Harry tinha estado a olhar para a mesa cheia de alunos de os Gryffindor , perguntando a si próprio se o novo dono de o diário de Riddle estaria ali mesmo em frente de os seus olhos . Hermione insistira para que ele participasse o roubo mas ele não gostou de a ideia . Teria de contar a um professor tudo sobre o diário , e quantas pessoas saberiam o motivo por_que Hagrid fora expulso há cinquenta anos ? Não queria ser ele a fazer com que relembrassem tudo aquilo . Quando saiu de o salão com o Ron e a Hermione para ir buscar o material de Quidditch , outra preocupação viera juntar se a a sua lista cada_vez maior . Tinha acabado de pisar os degraus de a escadaria de mármore quando ouviu de_novo a voz : - * _ Matar desta_vez ... deixem me rasgar ... romper * ... Deu um grito e Ron e Hermione saltaram alarmados . - A voz - disse Harry , olhando por cima de os ombros de eles . - Acabo de a ouvir de_novo , vocês não ouviram nada ? Ron abanou a cabeça de olhos muito abertos Mas_Hermione bateu com a mão em a testa . - Harry , acho que percebi uma coisa . Tenho que ir a a biblioteca . E disparou a correr por as escadas acima . - O que é_que ela percebeu ? - disse Harry distraidamente , ainda a olhar em volta , tentando determinar de onde vinha a voz . - Mas porque teve ela que ir a a biblioteca ? - Porque a Hermione é assim - disse o Ron , encolhendo os ombros - Quando tem uma dúvida , vai a a biblioteca . Harry manteve se hesitante , tentando captar novamente a voz mas as pessoas começavam a sair de o salão , falando alto , passando por a porta principal e encaminhando se para o estádio de Quidditch . - É melhor ires indo - aconselhou Ron . - São quase onze horas , olha o jogo . Harry deu uma corrida até a a torre de os Gryffindor , pegou em a sua Nimbus dois_mil e juntou se a a vasta multidão que enchia os campos , mas o seu pensamento estava ainda em o castelo , em aquela voz sem corpo e quando pôs as roupas vermelhas , o seu único conforto foi pensar que estavam todos lá fora para assistir a o jogo . As equipas entraram em campo a o som de um tumulto de aplausos . Oliver_Wood fez um voo de aquecimento em volta de os postes , Madam_Hooch soltou as bolas . Os Hufflepuff que tinham fatos amarelo-canário estavam reunidos em grupo em uma discussão de última hora sobre as tácticas . Harry subia para a vassoura quando a professora Mc_Gonagall atravessou o campo , meio a andar , meio a correr , transportando um enorme megafone roxo . O coração de Harry caiu lhe a os pés . - Este jogo foi cancelado - gritou por o megafone a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a o estádio apinhado . Ouviram se Uuuus e assobios . Oliver_Wood , com um ar infelicíssimo , aterrou e correu para a professora McGonagall sem sair de a vassoura . - Mas , professora - gritou - temos de jogar ... a taça ... os Gryffindor ... A professora Mc_Gonagall ignorou o e continuou a gritar por o megafone . - Pede se a os estudantes que regressem a as salas comuns de as respectivas equipas onde os chefes de equipa lhes darão mais informações . O mais depressa possível , se fazem favor ! Em seguida , baixou o megafone e fez sinal a o Harry para que se aproximasse . - Potter , é melhor vires comigo ... Perguntando a si próprio que suspeita poderia ela ter contra ele , desta_vez , Harry viu Ron desligar se de a multidão discordante e vir a correr juntar se lhes , enquanto eles se dirigiam para o castelo . Para sua grande surpresa Mc_Gonagall não pôs qualquer objecção . - Sim , talvez seja melhor vires também , Weasley . Alguns de os estudantes que os rodeavam reclamavam por o jogo ter sido cancelado , outros tinham um ar preocupado . Harry e Ron seguiram a professora Mc_Gonagall de volta a a escola e através de a escadaria de pedra . Mas desta_vez não foram levados a nenhum escritório . - Isto vai chocar vos um_pouco - disse a professora Mc_Gonagall em um tom de voz surpreendentemente suave quando estavam a aproximar se de a ala hospitalar . - Houve outro ataque ... outro ataque duplo . As vísceras de o Harry deram um salto mortal . A professora Mc_Gonagall abriu a porta e ele e Ron entraram . Madam_Pomfrey estava inclinada sobre uma rapariga de o quinto ano de cabelos longos a os caracóis que Harry reconheceu como sendo a colega de os Ravenclaw a quem , por engano , tinham perguntado o caminho para a sala comum de os Slytherin . E , em a cama a o lado de ela , estava ... - Hermione - gemeu o Ron . Hermione jazia totalmente quieta , os olhos abertos e vítreos . - Foram encontradas perto de a biblioteca - disse a professora Mc_Gonagall . - Calculo que nenhum de vocês possa explicar isto ? Estava em o chão , junto de ela . A professora tinha em as mãos um pequeno espelho redondo . Harry e Ron acenaram negativamente com as cabeças , ambos com os olhos fixos em Hermione . - Eu acompanho vos a a torre de os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall pesadamente . - De qualquer modo tenho de falar com os alunos . - Os alunos regressarão a as salas comuns de as respectivas equipas , todos_os_dias , a as seis_horas_da_tarde . Nenhum aluno deverá sair de os dormitórios depois de isso . Serão escoltados até a as aulas por um professor . Nenhum aluno deverá ir a a casa_de_banho sem um professor a acompanhá o . Todos os treinos e jogos de Quidditch estão suspensos a_partir_de agora . Não haverá mais actividades nocturnas . Os Gryffindor , que enchiam a sala comum , ouviram em silêncio a professora Mc_Gonagall . Ela enrolou o pergaminho que acabara de ler e disse em uma voz algo chocada : - Não é preciso acrescentar que nunca me senti tão desolada . É provável que a escola seja encerrada se não for apanhado o culpado de todos estes ataques . Quero pedir que se algum de vocês achar que sabe alguma coisa sobre eles venha imediatamente ter comigo . Mal ela subiu , de forma um_pouco desastrada , por o buraco de o retrato , os Gryffindor começaram logo a falar . - São dois Gryffindor a menos , sem contar com o fantasma de os Gryffindor , um Ravenclaw e um Hufflepuff - disse o amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , contando por os dedos . - Não terá nenhum de os professores reparado que os Slytherin estão a salvo ? Será que não é óbvio que tudo_isto vem de eles ? O herdeiro de Slytherin , o monstro de Slytherin , porque não expulsam todos os Slytherin ? - resmungou , recebendo acenos e aplausos de todos os lados . Percy_Weasley estava sentado em uma cadeira atrás_de Lee , mas por uma_vez não pareceu querer expor os seus pontos de vista . Estava pálido e aturdido . - O Percy está em estado de choque - disse o George baixinho a o Harry . - Aquela rapariga de os Ravenclaw , Penelope_Clearwater , é prefeita . Acho que ele nunca tinha pensado que o monstro pudesse atacar um prefeito . Mas Harry não estava a ouvi o com atenção . Não conseguia esquecer a imagem de Hermione deitada em a cama de o hospital , como_se estivesse esculpida em pedra . E se o culpado não fosse apanhado rapidamente tinha em a frente uma vida inteira com os Dursley . Tom_Riddle entregara o Hagrid porque fora confrontado com a possibilidade de um orfanato Muggle se a escola fechasse . Harry sabia exactamente o que ele sentira . - Que vamos nós fazer ? - disse lhe o Ron baixinho a o ouvido . - Achas que eles suspeitam de o Hagrid ? - Temos de falar com ele - disse Harry , tomando uma decisão . - Não acredito que tenha culpa desta_vez , mas se ele libertou o monstro há cinquenta anos , sabe com certeza como entrar em a Câmara_dos_Segredos , o que já é um princípio . - Mas a Gonagall disse que temos que ficar em a torre a_não_ser_que estejamos em as aulas ... - Eu acho - disse Harry ainda mais baixo - que chegou a altura de tirar outra_vez de a mala o manto de o meu pai . Harry herdara apenas uma coisa de o pai : o enorme manto prateado de a invisibilidade . Era a única maneira de poderem esgueirar se de a escola para fazer uma visita a o Hagrid , sem que ninguém de esse por isso . Deitaram se a a hora de o costume , esperaram que o Neville , o Dean e o Seamas adormecessem para se levantarem , vestirem se de_novo e taparem se com o manto . A viagem por os corredores de o castelo escuro e deserto não era nada agradável . Harry que vagueara por ali muitas_vezes durante a noite nunca vira tanta gente depois de o pôr de o Sol . Professores , prefeitos e fantasmas andavam por os corredores a os pares , olhando em volta , em busca de qualquer actividade fora de o habitual . O manto de a invisibilidade não impedia que fizessem barulho e houve um momento particularmente tenso em que o Ron deu uma topada a menos_de um metro de o lugar onde Snape se encontrava . Felizmente Snape espirrou em o preciso momento em que o Ron praguejava . Foi com grande alívio que chegaram a as portas de carvalho de a entrada principal . Estava uma noite clara e cheia de estrelas . Dirigiram se apressadamente para as janelas iluminadas de a casa de Hagrid e só tiraram o manto mesmo em frente de a porta . Poucos segundos depois de terem batido abriu se a porta . Ficaram frente_a_frente com Hagrid que lhes apontou uma besta enquanto Fang , o cão caçador de javalis , ladrava furiosamente atrás de ele . - Oh ! - disse , baixando a arma quando viu que eram eles . - O que estão vocês a fazer aqui ? - Para que é isso ? - perguntou Harry , apontando para a besta , enquanto entrava . - Nada , não é nada - murmurou Hagrid . - Tenho estado a a espera ... não tem importância , sentem se que eu vou fazer um chá . Dava a impressão de não saber o que fazia . Quase apagou a lareira , vertendo a água de a chaleira em o lume e em seguida esmagou o bule com um gesto de a sua mão maciça . - Estás bem , Hagrid ? - perguntou Harry . - Soubeste de a Hermione ? - Soube , sim - disse ele com um leve tremor em a voz . Continuava a olhar nervosamente para as janelas . Deu lhe os duas grandes canecas de água a ferver ( esquecera se de juntar o chá ) e estava a acabar de pôr em um prato uma fatia grossa de bolo de frutas quando alguém bateu energicamente a a porta . Hagrid deixou cair o bolo . Harry e Ron trocaram entre si olhares de pânico e , em seguida , cobriram se com o manto de a invisibilidade e esconderam se em um canto . Hagrid assegurou se de que eles estavam bem escondidos , pegou em a besta e abriu , mais_uma_vez , a porta . - Boa noite , Hagrid . Era_Dumbledore . Entrou com um ar muito sério , seguido de um homem bizarro . O estranho era um homenzinho pequenino , de porte majestoso com cabelos grisalhos desalinhados e uma expressão de ansiedade em o rosto . Usava uma inesperada mistura de roupas . Um fato a as riscas , uma gravata vermelho escarlate , um longo manto negro e umas botas roxas pontiagudas . Debaixo de o braço trazia um chapéu de coco verde lima . -- É o patrão de o meu pai - murmurou o Ron . Cornelius_Fudge , o ministro de a magia ! Harry deu lhe uma valente cotovelada para o fazer calar se . Hagrid tinha ficado suado e pálido . Deixou se cair em uma de as cadeiras e olhava de Dumbledore_para_Cornelius_Fudge . - Más notícias , Hagrid - disse Fudge em um tom bastante grave . - Muito más notícias . Tive de vir . Quatro ataques a filhos de Muggles , as coisas foram longe_de mais . O ministério tem que tomar uma atitude . - Eu nunca ... - disse Hagrid , parecendo implorar a Dumbledore . - O senhor sabe que eu nunca ... professor Dumbledore , o senhor ... - Quero que fique claro , Cornelius , que Hagrid tem a minha total confiança - afirmou Dumbledore , franzindo as sobrancelhas . - Olha , Albus - disse Fudge pouco a a vontade - a ficha de o Hagrid depõe contra ele . O ministério tem de fazer alguma coisa , o Conselho_Directivo de a escola tem se reunido ... - Mesmo_assim , Cornelius , devo dizer te mais_uma_vez que levar o Hagrid de aqui não vai ajudar em nada - afirmou Dumbledore com os olhos azuis com um fogo que Harry nunca vira antes . - Tenta compreender o meu ponto de vista - insistiu Fudge , brincando com o chapéu . - Estou a ser tremendamente pressionado , tenho de mostrar que faço alguma coisa . Se se provar que não foi o Hagrid , ele voltará e não se fala mais em o assunto . Mas tenho de levá o , tem de ser , não estaria a cumprir a minha obrigação se ... - Levar me ? - perguntou Hagrid a tremer . - Levar me para_onde ? - É uma pena curta - disse Fudge , sem o olhar em os olhos . - Não é um castigo , Hagrid , chamemos lhe antes uma precaução . Se mais alguém for apanhado , tu sais com todas_as nossas desculpas . - Não é para Azkaban ? - balbuciou Hagrid . Mas antes que Fudge tivesse tido tempo de responder , ouviu se bater mais_uma_vez a a porta . Dumbledore abriu . Foi a vez de Harry levar uma cotovelada em as costas : soltara um gemido audível . Mr._Lucius_Malfoy entrou em a cabana de o Hagrid embrulhado em uma longa capa preta de viagem , com um sorriso frio de satisfação . O Fang começou a rosnar . - Já está aqui , Fudge ? - disse de forma aprovadora . - Muito bem , muito bem ... - O que estás a fazer aqui ? - perguntou Hagrid furioso . - Sai imediatamente de a minha casa . - Meu bom homem , acredite que não tenho prazer nenhum em entrar em a sua ... er ... chamou lhe casa ? - disse Lucius_Malfoy , sorrindo sarcasticamente enquanto observava a pequena divisão . - Eu limitei me a ir a a escola e disseram me que o director estava aqui . - E o que queres de mim , Lucius ? - perguntou Dumbledore . O seu tom de voz era educado mas em os olhos azuis brilhava ainda o mesmo fogo . - Uma notícia horrível , Dumbledore - disse Mr._Malfoy de forma arrastada , pegando em um grande rolo de pergaminho . - Mas os membros de o conselho pensam que é altura de tu saíres . Isto_é uma ordem de suspensão , tens aí doze assinaturas . Lamento muito mas em a nossa opinião estás a perder a firmeza . Quantos ataques houve até agora ? Mais dois hoje a a tarde , não foi ? A este ritmo vão acabar todos os filhos de Muggles em Hogwarts e todos sabemos que seria uma terrível perda para a escola . - O que é isso , Lucius ? - protestou Fudge com ar alarmado . - O Dumbledore suspenso não ... não , seria a última coisa que desejaríamos em este momento ... - A nomeação ou suspensão , de o director é de a competência de os membros de o Conselho_Directivo , Fudge - disse suavemente Mr._Malfoy . - E como Dumbledore não foi capaz de pôr cobro a estes ataques ... - Oh ! Lucius , se Dumbledore não conseguiu - disse Fudge com o lábio superior a suar . - Quem irá conseguir ? - Isso está para se ver - disse Mr._Malfoy com um sorriso mesquinho . - Mas como os doze votamos ... Hagrid pôs se de pé em um salto , o cabelo preto hirsuto a roçar em o tecto . - E quantos tiveste de chantajar para concordarem contigo , Malfoy ? - Meu caro Hagrid , sabe que esse seu temperamento ainda acaba por lhe criar problemas um dia de estes - disse Mr._Malfoy . - Não o aconselho a gritar assim com os guardas de Azkaban . Eles não iriam gostar nada . - Não podes levar Dumbledore - gritou Hagrid , fazendo Fang , o cão caçador de javalis , agachar se e ganir em o seu cesto . - Sem ele , os filhos de os Muggles não têm qualquer hipótese . A seguir haverá mortes . - Acalma te , Hagrid - disse Dumbledore de forma cortante , olhando para Lucius_Malfoy . - Se os membros de o conselho querem substituir me , eu sairei , claro . - Mas - interrompeu Fudge . - Não - rosnou Hagrid . Dumbledore não tirara os seus olhos azuis brilhantes de os olhos cinzentos e frios de Lucius_Malfoy . - Contudo - disse , pronunciando cada palavra lenta e claramente para que nenhum de eles perdesse o seu sentido - verás que só deixarei verdadeiramente esta escola quando ninguém aqui me for leal . Descobrirás também que será sempre dada ajuda em Hogwarts a quem a pedir . Por um segundo , Harry teve quase a certeza de que os olhos de Dumbledore tremelaziram em direcção a o canto onde ele e Ron estavam escondidos . - Sentimentos admiráveis - disse Malfoy , fazendo uma vénia . - Todos nós vamos sentir a tua ... forma muito pessoal de fazer as coisas , Albus . Só espero que o teu sucessor consiga evitar qualquer ... crime . Dirigiu se a a porta de a cabana , abriu a e fez sinal a Dumbledore para que passasse a a sua frente . Fudge , mexendo nervosamente em o chapéu de coco , esperou que Hagrid fizesse o mesmo mas ele ficou quieto , respirou fundo e disse prudentemente : - Se alguém quiser descobrir alguma coisa , o que tem a fazer é seguir as aranhas . Elas indicarão o caminho , é tudo_o_que vos digo . Fudge olhou para ele espantado . - Está bem , eu vou - disse Hagrid , pegando em o seu sobretudo de pêlo de toupeira . Mas quando ia seguir o Fudge e sair por a porta , parou e disse em voz alta : - E alguém tem de dar de comer a o Fang enquanto eu não estiver cá . A porta fechou se ruidosamente e Ron tirou o manto de a invisibilidade . -- Estamos outra_vez em uma alhada - disse com voz rouca - Sem o Dumbledore podem fechar a escola já esta noite . Sem ele vai haver um ataque por dia . O Fang começou a ganir , arranhando a porta fechada . XV_Aragog_O_Verão insinuava se em os campos em volta de o castelo . O céu e o lago tinham se tornado de um azul-molusco e as flores , grandes como couves , começavam a florir em as estufas . Mas sem o Hagrid , que ele costumava avistar de o castelo , atravessando os campos com o Fang atrás , parecia a Harry que a paisagem não estava completa . Não era melhor dentro de o castelo onde tudo corria horrivelmente mal . O Harry e o Ron tinham tentado visitar a Hermione , mas as visitas a o hospital estavam proibidas . - Não vamos correr mais riscos - disse lhes Madam_Pomfrey com ar severo , através_de uma fresta de a porta de o hospital . Não , lamento , há muitas hipóteses de o atacante voltar para acabar de vez com estas pessoas ... Com Dumbledore longe , o medo espalhara se como nunca acontecera antes , de_tal_modo_que o sol que aquecia as paredes de o castelo por fora parecia parar junto de as janelas de pinázios . Não se via um único rosto em a escola que não andasse tenso e preocupado e qualquer gargalhada , em os corredores , se tornava incómoda e antinatural e era rapidamente abafada . Harry repetia constantemente , de si para consigo , as últimas palavras que ouvira a Dumbledore : - * _ Só terei verdadeiramente deixado esta escola quando ninguém me for leal ... será sempre dada ajuda , em Hogwarts , a quem a pedir * . Qual seria o significado exacto de aquelas palavras ? A quem deveria pedir ajuda quando todos estavam tão confusos assustados como ele ? A alusão de Hagrid a as aranhas era bastante mais fácil de entender . O problema era que parecia não ter restado uma única aranha em o castelo para eles a poderem seguir . Harry procurou por todo o lado com a ajuda relutante de o Ron . As coisas estavam dificultadas por o facto de não poderem andar sozinhos e terem de se deslocar em grupo dentro de o castelo , juntamente com outros Gryffindor . A maior parte de os alunos gostava de ser conduzida como carneiros de uma aula para a outra por os professores mas Harry achava horrível . Havia , contudo , uma pessoa que parecia apreciar aquela atmosfera de terror e suspeitas . Draco_Malfoy passeava empertigado por a escola como_se tivesse sido nomeado para chefe de turma . Harry só compreendeu o motivo de toda aquela boa disposição cerca de quinze_dias depois de Dumbledore e Hagrid se terem ido embora quando , em uma aula de poções , o ouviu falar com o Crabbe e o Goyle . - Sempre achei que seria o pai quem conseguiria livrar nos de o Dumbledore - disse sem a menor preocupação em baixar a voz . - Já vos disse , segundo ele , Dumbledore foi o pior director que a escola alguma vez teve . Talvez agora venha um director decente que não queira a Câmara_dos_Segredos fechada . A Mc_Gonagall não vai durar muito , está só a ... O Snape passou por Harry , sem fazer comentários a o caldeirão e a a cadeira vazia de Hermione . - Professor - disse Malfoy em voz alta . - Professor , porque não se candidata a o lugar de director ? - Ora , ora , Malfoy - respondeu Snape , sem conseguir esconder um meio sorriso . - O professor Dumbledore foi apenas suspenso por os membros de o conselho de direcção , certamente vai voltar um dia de estes . - Sim , claro - disse Malfoy com o seu sorriso escarninho . - Acho que se o professor quisesse candidatar se a o lugar teria o voto de o pai . Eu vou dizer lhe que o acho o melhor professor de a escola . Snape sorriu enquanto passeava de um lado para o outro em o calabouço , não tendo felizmente visto o Seamus_Finnigan que fingia vomitar para dentro de o caldeirão . - Estou espantado por ver que até agora os sangues de lama ainda não fizeram as malas e não desapareceram - prosseguiu Malfoy . - Aposto cinco galeões em como o próximo morre . Pena que não tenha sido a Granger ... A campainha tocou em esse momento o que foi uma sorte porque a o ouvir as últimas palavras de Malfoy , Ron deu um salto , mas em a barafunda de guardar os livros em os sacos , a sua tentativa de agarrar o Malfoy passou despercebida . - Deixem me - gritava o Ron enquanto o Harry e o Dean lhe agarravam os braços . - Não preciso de varinha , vou dar cabo de ele com as minhas mãos ... - Despachem se , tenho de conduzir vos a a aula de herbologia - praguejava o Snape acima de as cabeças de os alunos . E lá foram como cordeirinhos com Harry , Ron e Dean em a retaguarda , o Ron ainda a tentar libertar se . Só acharam seguro largá o quando Snape os deixou fora de o castelo e iniciaram o percurso por o meio de a horta em direcção a as estufas . A aula de herbologia estava reduzida . Tinha agora dois alunos a menos : Justin e Hermione . A professora Sprout pô os a trabalhar , podando as figueiras-da-abissínia . Harry foi despejar uma braçada de hastes secas em um monte de adubo e deu consigo cara a cara com Ernie_Mcmillan . Ernie respirou fundo . - Só quero dizer te , Harry que lamento ter suspeitado de ti . Sei que nunca atacarias a Hermione_Granger e peço te desculpa por todas_as coisas que disse . Estamos todos em o mesmo barco , agora e , bem ... Estendeu lhe uma mão rechonchuda que o Harry apertou . Ernie e a sua amiga Hannah foram trabalhar em a mesma figueira com o Harry e o Ron . - Aquele tipo , Draco_Malfoy - disse Ernie , partindo pequenos galhos - , parece muito satisfeito com isto tudo , não acham ? É bem possível que ele seja o herdeiro de Slytherin . - Uma observação inteligente de a tua parte - disse o Ron que parecia não ter desculpado Ernie tão facilmente como o Harry . - Acham que é ele ? - perguntou Ernie . - Não - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Hannah ficaram a olhar espantados . Um segundo depois , Harry avistou qualquer coisa que o levou a chamar a atenção de o Ron , batendo lhe em a mão com a tesoura de podar . - Au ... o que é_que tu ... ? Harry apontava para o chão , a poucos centímetros de distância . Várias aranhas grandes corriam precipitadamente por a terra fora . - Ah ! sim - disse o Ron , tentando , sem conseguir , mostrar se entusiasmado . - Mas não podemos seguis as agora ... Ernie e Hannah ouviam nos com curiosidade . Harry viu as aranhas desaparecerem . - Parecem ir em a direcção de a floresta proibida ... E o Ron ficou ainda mais infeliz a o ouvir aquilo . Em o final de a aula , o professor Snape acompanhou os alunos a a « Defesa contra as artes negras » . Harry e Ron foram atrás de os outros para poderem conversar sem serem ouvidos . - Temos de usar outra_vez o manto de a invisibilidade - disse Harry a o Ron . - Podemos levar connosco o Fang , ele está habituado a ir a a floresta com o Hagrid , pode ser uma boa ajuda . - Certo - disse o Ron , que fazia girar nervosamente a varinha em os dedos . - Er ... não costuma haver ... não costuma haver lobisomens em a floresta ? - acrescentou enquanto ocupavam os lugares de o costume em a aula de o Lockhart . Preferindo não responder a a pergunta , Harry disse : - Também há lá coisas boas . Os centauros são fixes e os unicórnios . Ron nunca estivera em a floresta proibida , Harry fora lá só uma_vez e desejara não ter de lá voltar . Lockhart deu um salto para dentro de a sala de aula e os alunos ficaram espantados a olhar para ele . Todos os outros professores andavam mais tristes do_que o habitual mas Lockhart parecia sentir se em as nuvens . - Então , então - exclamou , olhando em volta . - Porquê essas caras deprimidas ? Lançaram lhe olhares exasperados mas ninguém respondeu . - Não compreendem - disse , falando devagar como_se fossem todos um_pouco estúpidos - que o perigo já passou ? O culpado foi se embora . -- Quem disse ? - retorquiu Dean_Thomas em voz alta . -- Meu caro jovem , o ministro de a magia não teria levado Hagrid se não estivesse cem por_cento certo de que ele era o culpado - disse Lockhart como quem explica que um e um são dois . - Teria , sim - disse o Ron , em um tom de voz ainda mais alto do_que o de o Dean . - Eu julgo saber um_pouco mais sobre a prisão de o Hagrid do_que o senhor , Mr._Weasley - disse Lockhart com notória auto-satisfação . Ron começou a dizer que discordava mas foi interrompido por o Harry que lhe deu um forte pontapé por debaixo de a mesa . - Nós não estávamos lá , lembras te ? - murmurou . Mas a alegria revoltante de o Lockhart , as insinuações de que sempre tinha achado que o Hagrid não prestava , a sua certeza de que tudo aquilo estava a chegar a o fim , irritou Harry de tal maneira que teve vontade de lhe atirar as * _ Viagens com Vampiros * e de lhe acertar em aquela cara estúpida . Mas , em vez de isso , limitou se a escrevinhar um bilhete para o Ron : * _ Vamos lá hoje a a noite * . Ron leu a mensagem , engoliu em seco e olhou para o lugar onde Hermione costumava sentar se . A cadeira vazia pareceu ajudá o a decidir se e acenou afirmativamente . A sala comum de os Gryffindor estava agora sempre cheia porque , depois de as seis_da_tarde , os Gryffindor não tinham outro lugar para ir . Por outro lado , tinham imenso para conversar , por isso a sala comum mantinha se cheia de gente até depois de a meia-noite . Logo_a_seguir a o jantar , Harry foi buscar o manto de a invisibilidade a a mala onde estava guardado e passou todo o serão a a espera que a sala esvaziasse . O Fred e o George desafiaram o para alguns jogos de explosão e a Ginny sentou se , muito preocupada , a observá os , em a cadeira habitual de Hermione . Harry e Ron fartaram se de perder de propósito em uma tentativa de pôr rapidamente fim a os jogos mas , mesmo_assim , já passava bastante de a meia-noite quando o Fred , o George e a Ginny se foram , finalmente , deitar . Harry e Ron esperaram até ouvir as portas de os dois dormitórios fecharem se . Em seguida , pegaram em o manto , lançaram o sobre ambos e passaram por o buraco de o retrato . Era mais uma difícil travessia de o castelo , tendo de fintar todos os professores . Finalmente , chegaram a o * hall * de entrada , giraram o fecho de as portas de carvalho , esgueiraram se tentando não fazer barulho e aventuraram se nos campos iluminados por o luar . - É claro que - disse bruscamente o Ron , enquanto atravessavam os relvados negros - podemos perfeitamente chegar a a floresta e descobrir que não há nada para seguir . As aranhas podem não ter ido para lá . É certo que parecia que tomavam essa direcção , mas ... Felizmente a lengalenga não durou muito . Chegaram a a casa de o Hagrid que tinha um ar triste com as suas janelas vazias . Logo_que Harry empurrou a porta e a abriu , o Fang saltou , louco de alegria por os ver . Preocupados , não fosse ele acordar toda_a_gente em o castelo com o seu ladrar forte e agitado , deram lhe rapidamente a comer bombons de melaço que estavam em uma lata sobre a lareira e que lhe colaram os dentes de cima a os de baixo . Harry pousou o manto de a invisibilidade sobre a mesa de o Hagrid . Não iam precisar de ele em a floresta escura como breu . - Anda , Fang , vamos dar um passeio - disse Harry , batendo lhe a o de leve em a pata e Fang saiu feliz , a os saltos , atrás de eles . Precipitou se até a a orla de a floresta e levantou a perna contra uma enorme figueira-do-egipto . Harry pegou em a varinha , murmurou * _ Lumus * ! e uma pequenina luz surgiu em a ponta de a varinha , suficiente para lhes mostrar o caminho e ajudá os a descobrir a pista de as aranhas . - Bem pensado - disse o Ron . - Eu acendia também a minha mas , sabes como ela está , ainda estoirava ou qualquer coisa assim ... Harry tocou em o ombro de o Ron , apontando para as ervas . Duas aranhas solitárias fugiam de a luz de a varinha , aproximando se de a sombra de as árvores . - O. _ K. - disse o Ron , resignando se com o pior . - Estou pronto , vamos . Então , com o Fang a correr atrás de eles , cheirando as raízes de as árvores e as folhas , entraram em a floresta . Seguindo a luz de a varinha de o Harry seguiram a fila disciplinada de aranhas que se movia a o longo de o caminho . Andaram durante cerca de vinte minutos , sem falar , atentos a todos os ruídos que não fossem os de os ramos caídos e de as folhas secas . Então , quando as copas de as árvores se tinham tornado mais cerradas do_que nunca , de_tal_modo_que as estrelas em o céu já não eram visíveis e a varinha de o Harry brilhava isolada em um mar de escuridão , viram as aranhas que eles seguiam a abandonar o caminho . Harry parou , tentando ver para_onde iam mas tudo_o_que ficava longe de a sua pequenina luz era negro de breu . Ele nunca fora tão longe em a floresta . Lembrava se muito bem de Hagrid lhe ter dito , de a última vez que ali tinham estado , que nunca saísse de o caminho de a floresta . Mas Hagrid agora estava a muitos quilómetros de distância e ele também lhes dissera que seguissem as aranhas . Uma coisa húmida tocou em a mão de o Harry e ele deu um salto para trás , pisando o pé a o Ron . Mas afinal era apenas o focinho de o Fang . - O que é_que tu achas ? - perguntou ele a o Ron cujos olhos conseguia vislumbrar , reflectindo a luz de a varinha . - Já_que viemos até aqui - disse ele . Seguiram , portanto as sombras velozes de as aranhas em direcção a as árvores . Não podiam agora andar muito depressa . Tinham em a frente raízes de árvores e troncos cortados que mal se viam em aquela escuridão . Harry sentia o bafo quente de Fang em a mão . Por mais de uma_vez tiveram de parar para o Harry se baixar e descobrir as aranhas a a luz de a varinha . Andaram durante o que lhes pareceu ter sido pelo_menos meia_hora , com os mantos a roçarem em os ramos mais baixos e em as silvas . A o fim de algum tempo repararam que o chão parecia inclinar se para baixo embora as árvores continuassem cerradas . Foi então que o Fang soltou um latido que ecoou em volta , fazendo Harry e Ron darem um salto , ambos com os cabelos em pé . - O que foi ? - gritou o Ron , olhando em volta para a escuridão e agarrando Harry com força , por o cotovelo . - Há qualquer coisa ali a mexer se - murmurou Harry - Ouve ... parece ser grande . Ficaram a ouvir . Um_pouco para a direita algo de grandes dimensões partia os ramos enquanto abria caminho através de as árvores . - Oh ! não - disse o Ron . - Oh ! não , não ... - Cala te - insistiu o Harry , nervoso . - Seja o que for , vai acabar por te ouvir . - Ouvir me ? - disse o Ron , em um tom de voz muito pouco natural . - Já ouviu . Fang ! A escuridão parecia esmagar lhes os globos oculares enquanto ali ficaram apavorados , a a espera . Houve um estranho ruído , surdo e prolongado , e em seguida o silêncio . - O que estará a fazer ? - perguntou Harry . - Talvez esteja a preparar se para atacar - disse o Ron . Esperaram , a tremer , sem ousarem mexer se . - Achas que se foi embora ? - murmurou Harry . - Não sei . Em esse momento , de o lado direito veio um clarão de luz tão forte em o meio de o escuro que os dois levaram as mãos a a cara para proteger os olhos . O Fang ganiu e tentou fugir mas viu se envolvido em um emaranhado de espinhos e ganiu ainda mais alto . - Harry - gritou o Ron com grande alívio em a voz . - Harry , é o nosso carro . - O quê ? - Anda ver . Harry avançou a os tropeções atrás de o Ron , em direcção a a luz e em o momento seguinte estavam em uma clareira . O carro de Mr._Weasley ali estava , vazio , no_meio_de um círculo de árvores grossas , sob um telhado de ramos densos , os faróis de a frente resplandecentes . Quando Ron se aproximou de boca aberta , moveu se lentamente em direcção a ele como_se fosse um grande cão azul turquesa , cumprimentando o dono . - Tem estado aqui todo este tempo - disse o Ron satisfeitíssimo , aproximando se de o carro . - Olha para ele , a floresta tornou o selvagem ... O guarda-lamas estava riscado e cheio de lodo . Parecia que tinha andado a passear sozinho por a floresta . Fang não gostou lá muito de ele . Manteve se a o lado de o Harry que podia senti o a tremer . Com a respiração normalizada , Harry guardou a varinha em o manto . - E nós a pensarmos que ele nos ia atacar - disse o Ron , encostando se a o carro e dando lhe duas palmadinhas - As voltas que eu dei a a cabeça a pensar para_onde ele teria ido ! Harry olhava para todos os lados , em o chão iluminado , em busca de mais aranhas mas todas elas tinham fugido de o brilho de as luzes . - Perdemos as de vista - disse ele . - Anda , vamos procurá as . Ron não disse nada . Não se moveu . Tinha os olhos fixos em um ponto , três metros acima de o chão de a floresta , mesmo atrás de o Harry . O seu rosto estava lívido de terror . Harry nem teve tempo de se voltar . Ouviu se um ruído alto e seco e sentiu que alguma coisa longa e peluda o elevava em o ar com o rosto voltado para baixo . Debatendo se , apavorado , ouviu outro estalido e viu as pernas de o Ron serem também levantadas de o chão . Ouviu o Fang gemer e ganir e , em o momento seguinte , era levado para o meio de as árvores escuras . Com a cabeça a balouçar , Harry viu que a coisa que o transportava tinha seis enormes patas peludas e que as duas de a frente o agarravam com forca sob um par de tenazes pretas e brilhantes . Atrás_de si podia ouvir outra de aquelas criaturas que , sem dúvida , transportava o Ron . Encaminhavam se para o coração de a floresta . Harry ouvia o Fang a ladrar , tentando libertar se de um terceiro monstro mas Harry não podia gritar mesmo_que quisesse , parecia que tinha deixado a voz em a clareira , junto com o carro . Não soube quanto tempo esteve em as patas de a criatura , só se apercebeu que a escuridão se atenuara um_pouco , permitindo lhe ver que o chão coberto de folhas estava agora repleto de aranhas . Voltando a cabeça para o lado , deu se conta de que tinham chegado a a base de uma enorme cova , uma cova que fora limpa de árvores para que as estrelas iluminassem com o seu brilho a cena mais pavorosa que os seus olhos alguma vez tinham visto . Aranhas . Não aranhas pequeninas como aquelas que estavam sobre as folhas . Aranhas de o tamanho de enormes cavalos , com oito olhos , oito pernas pretas , peludas , gigantescas . O espécimen que transportava Harry desceu o terreno íngreme até uma teia brumosa em forma de cúpula que ficava mesmo em o meio de a cova , enquanto os companheiros se juntavam em volta , batendo excitadíssimos com as tenazes e olhando para o que eles traziam a as costas . Harry caiu em o chão de gatas quando a aranha o libertou . Ron e Fang foram cair perto de ele . O Fang já não gania . Estava agachado e muito quieto . Ron e Harry partilhavam o mesmo sentimento . O Ron tinha a boca aberta em uma espécie de grito silencioso e os olhos a saltarem lhe de as órbitas . Harry percebeu de repente que a aranha que o deitara a o chão estava a dizer qualquer coisa . Era difícil entender porque entre cada duas palavras , batia com as tenazes . - Aragog - chamou . - Aragog . E de o meio de a teia brumosa em forma de cúpula saiu muito lentamente uma aranha de o tamanho de um pequeno elefante . As costas e as pernas estavam cobertas de pêlo cinzento e , em a cabeça feia , munida de tenazes , estavam vários olhos , todos eles de um branco leitoso . Era cega . - O que foi ? - disse , batendo rapidamente com as tenazes uma em a outra . - Homens - respondeu a aranha que trouxera o Harry . - É o Hagrid ? - perguntou Aragog , aproximando se mais com os seus oito olhos leitosos a vaguear . - Estranhos - respondeu a aranha que trouxera o Ron . - Matem nos - disse Aragog , irritada . - Eu estava a dormir ... - Nós somos amigos de o Hagrid - gritou Harry . Parecia que o coração lhe saltava por a boca . Clic , clic , clic fizeram as tenazes de a aranha , em volta de a cova . Aragog parou . - O Hagrid nunca mandou homens a a nossa cova - disse lentamente . - O Hagrid está em perigo - explicou Harry , respirando muito depressa . - Foi por isso que eu vim . - Em perigo ? - repetiu a aranha idosa e pareceu a Harry sentir preocupação por detrás de as suas tenazes . - Mas porque vos mandou ele cá ? Harry pensou pôr se de pé mas achou melhor não arriscar . As pernas provavelmente não teriam força para o sustentar . Falou portanto de o chão , o mais calmamente que foi capaz . - Eles lá em a escola pensam que o Hagrid soltou qualquer coisa contra os estudantes . Mandaram o para Azkaban . Aragog bateu furiosamente com as tenazes e , em toda_a cova , o eco foi reproduzido por uma multidão de aranhas . Era uma espécie de aplauso com uma única diferença : os aplausos não costumavam fazer o Harry quase morrer de medo . - Mas isso foi há muitos anos - disse Aragog , maldisposta . - Há anos e anos . Lembro me muito bem . Foi por isso que o expulsaram de a escola . Eles pensaram que eu era o monstro que vive em aquilo a que eles chamam a Câmara_dos_Segredos . Pensaram que o Hagrid a tinha aberto para me libertar . - E tu ... não vieste de a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Harry que sentia a testa cheia de suores frios . - Eu - disse Aragog , batendo irritada com as tenazes - , eu não nasci em o castelo . Venho de uma terra distante . Um viajante ofereceu me a o Hagrid quando eu era ainda um ovo . Hagrid era um rapazinho mas tratou de mim , escondeu me em uma despensa dentro de o castelo e alimentava me com as migalhas que ficavam em as mesas . Hagrid é o meu bom amigo e um bom homem . Quando me encontraram e me culparam por a morte de uma rapariga , ele protegeu me . Desde_então , tenho vivido aqui em a floresta onde o Hagrid ainda vem visitar me . Ele até me arranjou uma esposa , Mosag , e estão a ver como a família cresceu , tudo graças a a bondade de o Hagrid ... Harry reuniu a coragem que lhe restava . - Então tu nunca atacaste ninguém ? - Nunca - resmungou a velha aranha . - Era esse o meu instinto , mas por respeito a Hagrid nunca fiz mal a nenhum humano . O corpo de a rapariga morta foi encontrado em uma casa_de_banho , ora eu nunca conheci mais do_que despensa de o castelo , onde cresci . Nós gostamos de o escuro de o silêncio . - Mas então ... sabes o que matou essa rapariga ? - perguntou Harry . - Porque seja o que for , está a atacar as pessoas outra_vez ... As suas palavras foram abafadas por uma audível explosão de tenazes a bater e por o ruge-ruge de muitas pernas longas , deslocando se iradas . Em volta de Harry começaram a mover se sombras escuras . - O que vive em o castelo - disse Aragog - é uma antiga criatura que nós , aranhas , tememos acima_de todas_as outras . Lembro me bem de o quanto insisti com Hagrid para que me deixasse sair de ali quando senti a criatura a andar por a escola . - O que é ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Mais tenazes a bater , mais pernas a moverem se . As aranhas pareciam estar a aproximar se . - Nós não falamos de isso - exclamou Aragog furiosa . - Não pronunciamos o seu nome . Eu nunca disse a o Hagrid o nome de a horrível criatura , apesar_de ele me ter perguntado vezes sem conta . Harry não quis insistir , principalmente com todas aquelas aranhas a aproximarem se de todos os lados . Aragog parecia ter se cansado de falar . Recuava lentamente para a teia em forma de cúpula , mas as companheiras continuavam a aproximar se ameaçadoramente de Harry e Ron . - Vamos embora , então - gritou Harry , desesperadamente a Aragog , enquanto ouvia as folhas secas a estalarem atrás_de si . - Embora ? - disse Aragog lentamente . - Não me parece ... - Mas , mas ... - Os meus filhos e filhas não fazem mal a o Hagrid por ordem minha . Mas não posso negar lhes carne fresca quando ela veio por vontade própria ter connosco . Adeus , amigo de o Hagrid . Harry deu meia volta . Poucos centímetros acima de ele , uma sólida parede de aranhas batia com as tenazes , os seus muitos olhos a brilharem em as horríveis caras pretas . Mesmo_que se servisse de a varinha , Harry sabia que não ia valer de nada . As aranhas eram demasiadas , mas quando tentava preparar se para morrer a lutar , ouviu se um som prolongado e um clarão de luz iluminou a cova . O carro de Mr._Weasley ribombava , descendo o declive , com os faróis acesos , a buzina a guinchar , afastando as aranhas . Muitas de elas ficaram voltadas ao_contrário com as várias pernas a agitar se em o ar . O carro buzinou com mais força em frente de Harry e Ron e as portas abriram se . - Agarra o Fang - gritou Harry , ajeitando se em o lugar de a frente . Ron agarrou o cão caçador de javalis e lançou o a ganir para o banco de trás . As portas fecharam se com estrondo . Ron não tocou em o acelerador mas o carro não precisou de isso . O motor fez se ouvir e levantaram voo , batendo em mais aranhas . Subiram o declive , saindo de a cova e pouco depois atravessavam a floresta , os ramos a baterem em os vidros enquanto o carro seguia habilmente através de os intervalos maiores , por um caminho que obviamente já conhecia . Harry olhou para o Ron , a o seu lado . Ele tinha ainda a boca aberta em o mesmo grito silencioso mas os olhos já não estavam salientes . - Estás bem ? Ron olhou em frente , incapaz de responder . Começavam a descer para terra firme com o Fang a soltar enormes ganidos em o banco de trás e Harry viu o espelho retrovisor saltar quando passaram rente a um enorme carvalho . Após dez minutos bastante ruidosos , as árvores começaram a ser mais finas e Harry pôde ver de_novo pedaços de o céu . O carro parou tão bruscamente que quase foram projectados por o vidro de a frente . Tinham chegado a a orla de a floresta . O Fang ia agitadíssimo a a janela e quando Harry abriu a porta , disparou a correr através de as árvores até a a casa de o Hagrid , de cauda entre as pernas . Harry saiu também e um minuto depois o Ron pareceu recuperar a força em os membros e seguiu o , ainda com um torcicolo e de olhos esbugalhados . Harry deu uma palmadinha de agradecimento a o carro antes de ele dar a volta e desaparecer em direcção a a floresta . Harry voltou a a cabana de o Hagrid para buscar o manto de a invisibilidade . O Fang tremia em o seu cesto , coberto por um cobertor . Quando saiu de_novo , viu o Ron a vomitar junto de as abóboras . - Sigam as aranhas - disse ele debilmente , limpando a boca a a manga . - Nunca vou perdoar a o Hagrid . É uma sorte ainda estarmos vivos . - Aposto que ele pensou que Aragog nunca faria mal a os seus amigos - justificou Harry . - Esse é justamente o problema de o Hagrid - interrompeu Ron , dando um soco em a parede de a cabana . - Ele acha sempre_que os monstros não são tão maus como os pintam e vê onde isso o levou , a uma cela em Azkaban - tremia agora descontroladamente . - Qual a ideia de ele a o mandar nos ali ? Gostava de saber o que é_que descobrimos . - Que o Hagrid nunca abriu a Câmara_dos_Segredos - disse Harry , lançando o manto sobre Ron e tocando lhe em o braço para o encorajar a andar . - Ele estava inocente . Ron resmungou em voz alta . Para ele , chocar Aragog em uma despensa não era propriamente estar inocente . Quando se aproximaram de o castelo , Harry esticou o manto para garantir que os pés de ambos ficavam cobertos . Em seguida , empurrou as portas de a frente que chiaram . Atravessaram com todo o cuidado o * hall * de entrada e subiram a escadaria de mármore , contendo a respiração em os corredores guardados por sentinelas atentos . Por fim , chegaram a a segurança de a sala de os Gryffindor onde o lume ardera até se transformar em brasas brilhantes . Tiraram o manto e subiram a escada serpenteante que os levava a o dormitório . Ron caiu em a cama sem sequer se despir mas Harry , apesar_de tudo , não tinha sono . Sentou se em a beirinha de a cama , pensando em todas_as coisas que Aragog dissera . A criatura que andava por o castelo , pensou , era uma espécie de monstro Voldemort , nem os outros monstros queriam pronunciar o seu nome . Mas ele e o Ron não estavam agora mais perto_de descobrir o que era nem como petrificava as suas vítimas . Se nem o Hagrid chegara a saber o que estava em a Câmara_dos_Segredos ... Harry balançou as pernas e atirou se para_cima de a cama . Encostado a as almofadas olhou a Lua que brilhava através de a janela de a torre . Não sabia que mais poderiam fazer . Só tinham encontrado portas fechadas . Riddle apanhara a pessoa errada . O herdeiro de Slytherin fugira e ninguém sabia se era a mesma pessoa ou uma outra que abrira , desta_vez , a Câmara_dos_Segredos . Não havia mais ninguém a quem fazer perguntas . Harry deitou se ainda a pensar em as palavras de Aragog . Estava a começar a ficar com sono quando aquilo que parecia ser uma última esperança lhe ocorreu , fazendo o sentar se muito direito em a cama . - Ron - sussurrou em o escuro . - Ron . Ron acordou com um ganido como os de o Fang . Olhou muito assustado em volta e viu o Harry . - Ron , a rapariga que morreu . Aragog contou nos que ela foi encontrada em uma casa_de_banho - disse , ignorando os roncos de o Neville em o outro canto de o quarto . - E se ela nunca tivesse saído de a casa_de_banho ? E se ainda lá estiver ? Ron esfregou os olhos , franzindo as sobrancelhas sob a luz de a Lua . E só então compreendeu . -- Não pensar que ... a Murta_Queixosa ? XVI_A_Câmara_dos_Segredos -- E estivemos nós tantas vezes em aquela casa_de_banho com ela apenas a três cubículos de distância - disse o Ron amargamente em o dia seguinte , a a mesa de o pequeno-almoço . - Podíamos ter lhe perguntado e agora ... Já fora bastante difícil procurar as aranhas . Escapar a os professores o tempo suficiente para ir até a a casa_de_banho de as raparigas , que ficava mesmo em frente de o lugar onde ocorrera o primeiro ataque , ia ser quase impossível . Mas alguma coisa aconteceu que fez com que a Câmara_dos_Segredos desaparecesse de os seus pensamentos pela_primeira_vez em várias semanas . A professora Mc_Gonagall comunicou lhes que os exames começariam a 1_de_Junho , uma semana depois . - Exames ? - gritou Seamus_Finnigan . - Nós mesmo_assim vamos ter exames ? Ouviu se um estrondo atrás de o Harry quando a varinha de o Neville_Longbottom lhe escapou de a mão , fazendo desaparecer uma de as pernas de a secretária . A professora Mc_Gonagall repô a com a sua varinha e voltou se com má cara para o Seamus . - Se temos a escola aberta em uma altura de estas é para vocês receberem instrução - disse com dureza . - Os exames terão lugar , portanto , como é costume e espero que todos vocês façam revisões até lá . Revisões . Não passara por a cabeça de o Harry que houvesse exames com o castelo em aquele estado . Houve uma série de murmúrios revoltados , o que fez com que a professora Mc_Gonagall ficasse ainda mais mal-humorada . - As instruções de o professor Dumbledore foram para manter a escola a funcionar o mais normalmente possível - disse . - E isso , não preciso de vos dizer , passa por uma avaliação de o quanto vocês aprenderam a o longo de este ano . Harry olhou para baixo , para o casal de coelhos brancos que ele deveria transformar em pantufas . Que tinha ele aprendido durante o ano ? Não era capaz de se lembrar de nada que fosse útil em um exame . Ron estava como_se tivessem acabado de lhe dizer que a partir de aquele momento tinha de ir viver para a floresta proibida . - Estás a ver me a ter exames com isto tudo ? - perguntou a o Harry enquanto pegava em a varinha que tinha começado a assobiar bastante alto . Três dias antes de o primeiro exame , a a hora de o pequeno almoço , a professora Mc_Gonagall fez outra comunicação . - Tenho boas notícias - disse , e o salão em_vez_de se calar , explodiu de contentamento . - Dumbledore vai regressar ! - gritaram várias pessoas cheias de alegria . - Apanharam o herdeiro de Slytherin - arriscou uma rapariga em a mesa de os Ravenclaw . - Temos outra_vez os jogos de Quidditch - bradou Wood , excitadíssimo . Quando a agitação passou , Mc_Gonagall disse : - A professora Sprout informou me que as mandrágoras estão finalmente prontas para serem cortadas . Hoje a a noite vamos poder reanimar as pessoas que foram petrificadas . Escusado será dizer que certamente uma de elas poderá revelar nos quem ou o que a atacou . Eu tenho esperança que este ano pavoroso acabe com a prisão de o culpado . Houve uma explosão de aplausos . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e não ficou nada surpreendido a o ver que Draco_Malfoy não aplaudia . O Ron , por outro lado , estava satisfeito como ninguém o via havia dias . - Não faz mal não termos perguntado a a Murta . A Hermione vai , com certeza , ter todas_as respostas quando acordarem . Vai também ficar fula quando souber que temos exames dentro_de três dias . Ela não pôde fazer revisões . Seria melhor deixarem a estar onde está até a o final de os exames . Nessa_altura , Ginny_Weasley veio sentar se junto de o Ron . Parecia nervosa e tensa e Harry reparou que torcia as mãos em o colo . - O que se passa ? - perguntou o Ron , servindo se de mais papa de aveia . Ginny não disse nada mas olhou para um lado e para o outro de a mesa de os Gryffindor , com um olhar assustado que lembrou a Harry alguém que não sabia bem quem era . - Vá lá , vomita - disse o Ron , olhando para ela . Harry percebeu subitamente quem a Ginny lhe lembrara . Ela balançava se ligeiramente para a frente e para trás em a cadeira , exactamente como o Dobby fazia quando estava hesitante , à_beira_de revelar uma informação proibida . - Tenho de te dizer uma coisa - balbuciou a Ginny receosa , sem olhar para Harry . - O que é ? - perguntou ele . Ginny parecia incapaz de encontrar as palavras certas . - O quê ? - insistiu Ron . Ginny abriu a boca mas não saiu nenhum som . Harry inclinou se para a frente e falou devagar para que só ela e Ron pudessem ouvi o . - É alguma coisa relacionada com a Câmara_dos_Segredos ? Viste alguma coisa ou alguém a agir de forma estranha ? Ginny respirou fundo e , em esse preciso momento , apareceu Percy_Weasley com um ar pálido e cansado . - Se já acabaste de comer eu fico com esse lugar , Ginny . Estou cheio de fome . Acabei agora o meu trabalho de patrulhamento . Ginny deu um salto como_se a cadeira tivesse acabado de ser electrificada , lançou a o Percy um olhar assustado e zarpou . Percy sentou se e tirou uma caneca de o meio de a mesa . -- Percy - disse o Ron aborrecido . - Ela ia agora mesmo contar nos uma coisa importante . A meio de um gole de chá , Percy estremeceu . - Que coisa ? - perguntou , tossindo . - Eu quis saber se ela tinha visto alguma coisa estranha e ela ia dizer ... - Ah ! isso ... não tem nada que ver com a Câmara_dos_Segredos - disse o Percy de imediato . - Como sabes ? - indagou o Ron , erguendo as sobrancelhas . - Bem ... er ... já_que perguntam , a Ginny ... er ... passou por mim em outro dia quando eu ... er ... não foi nada , o importante é_que ela viu me fazer uma coisa e eu ... um ... pedi lhe para não comentar com ninguém . Não pensei que ela cumprisse a palavra , verdade se diga . Não é nada importante , eu só ... Harry nunca vira o Percy tão pouco a a vontade . - O que estavas a fazer , Percy ? - riu se o Ron . - Vá lá , conta que nós não nos rimos . Percy ficou sério . - Passa me esses pãezinhos , Harry , estou cheio de fome . Harry sabia que todo o mistério poderia ser desvendado em o dia seguinte sem a ajuda de eles mas não ia deixar de falar com a Murta_Queixosa se a oportunidade surgisse . E , para sua grande satisfação , ela surgiu a meio de a manhã quando eram conduzidos a a aula de História_da_Magia_por_Gilderoy_Lockhart . Lockhart , que tantas vezes lhes assegurara que o perigo tinha passado , estava agora totalmente convencido de que acompanhar os alunos em os corredores era um trabalho inútil . O seu cabelo estava mais liso do_que de costume . Parecia ter passado toda_a noite acordado a vigiar o quarto andar . - Podem escrever o que eu digo - afirmou , acompanhando os até uma esquina . - As primeiras palavras que vão sair de a boca de aquelas pobres pessoas petrificadas serão - * _ Foi_o_Hagrid * . Francamente , estou espantado por a professora Mc_Gonagall considerar ainda necessárias estas medidas de segurança . - Concordo , professor - disse Harry , fazendo com que Ron , surpreendido , deixasse cair os livros a o chão . - Obrigado , Harry - disse Lockhart amavelmente , enquanto deixavam passar uma grande fila de Hufflepuffs . - verdade é_que os professores já têm bastante que fazer para andarem também a acompanhar os alunos a as aulas e a guardar os corredores a a noite ... - É verdade - disse o Ron , percebendo a ideia . - Porque não nos deixa aqui , professor , só falta mais um corredor . - Sabes , Weasley , sou mesmo capaz de fazer isso - disse Lockhart . - Preciso de preparar a minha próxima aula . E apressou se a seguir o seu caminho . - Preparar a aula - zombou o Ron . - Vai encaracolar o cabelo , é o mais certo . Deixaram os restantes Gryffindor passar lhes a a frente e por fim cortaram caminho em um corredor lateral e dirigiram se a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mas quando estavam a congratular se por o seu esquema brilhante ... - Potter , Weasley ! Que estão vocês a fazer aqui ? Era a professora Mc_Gonagall e a boca de ela estava mais fina do_que nunca . - Nós estávamos , estávamos - gaguejou o Ron . - Nós íamos ver , íamos ver ... - Hermione - completou Harry . A professora Mc_Gonagall e Ron olharam para ele . - Não a vemos há séculos , professora - prosseguiu Harry , pisando o pé a o Ron . - E pensamos ir espreitá a a a ala hospitalar e dizer lhe que as mandrágoras estão quase prontas , para ela não se preocupar . A professora Mc_Gonagall estava ainda a olhar para ele e , por um momento , Harry pensou que ela ia explodir mas , quando falou , fê lo em um tom de voz estranhamente rouco . - É claro - disse . E Harry , espantado , viu uma lágrima a brilhar lhe em o canto de um de os olhos . - É claro . Eu compreendo que tudo_isto tem sido muito duro para os amigos de aqueles que foram ... eu compreendo , sim , Potter . Podem ir visitar Miss_Granger . Eu mesma informarei o professor Binns de que vocês estão em o hospital . Digam a Madam_Pomfrey que vos dei autorização . Harry e Ron afastaram se , quase sem acreditar que tinham escapado a um castigo . Quando voltaram em uma esquina ouviram nitidamente a professora Mc_Gonagall a assoar se . - Esta - disse o Ron entusiasmado - foi a melhor história que tu alguma vez inventaste . Não tinham outro remédio senão ir a a ala hospitalar e dizer a Madam_Pomfrey que tinham autorização de a professora Mc_Gonagall para visitar Hermione . Madam_Pomfrey deixou os entrar com alguma relutância . - Não vale a pena falar com uma pessoa petrificada - disse , e ambos tiveram que admitir que ela tinha razão quando se sentaram junto de Hermione e constataram que ela não tinha a menor noção de estar acompanhada . Dizer lhe que não se preocupasse ou falar com o armário que estava a o lado de a cama era exactamente a mesma coisa . - Será que ela viu quem a atacou ? - perguntou o Ron , olhando com tristeza para o rosto rígido de Hermione . - Porque se a coisa saltou sobre eles , ficaremos todos sem saber de nada . Mas Harry não olhava para o rosto de Hermione . Estava mais interessado em a sua mão direita que se encontrava pousada sobre os cobertores e , inclinando se para ela , viu que tinha , fechado entre os dedos , um pedaço de papel . Assegurando se de que Madam_Pomfrey não dava por nada , fez sinal a o Ron . - Tenta tirá o - murmurou ele , colocando a cadeira de_modo_a que Madam_Pomfrey não pudesse ver o Harry . Não foi tarefa fácil . A mão de a Hermione estava fechada com uma força tal que Harry receou parti a . Enquanto Ron vigiava , ele forçou e torceu até que , por fim , depois de vários minutos bastante tensos , conseguiu tirar o papel . Era uma página retirada de um livro muito antigo de a biblioteca . Harry alisou a ansiosamente e Ron inclinou se para poder lês a também . * _ De todos os monstros assustadores que pairam a a face de a Terra , nenhum é tão curioso nem tão fatal como o Basilisk , também conhecido por o rei de as serpentes . Esta cobra que pode atingir proporções gigantescas e viver durante muitas centenas de anos nasce de um ovo de galinha que é chocado por um sapo . As suas formas de matar são pavorosas pois além de os dentes venenosos e mortais , o Basilisk tem um olhar criminoso e todos aqueles que ele fixa com os olhos tem morte instantânea . As aranhas fogem a sete pés de o Basilisk que é seu inimigo mortal , e o Basilisk foge apenas de o canto de o galo que para ele é fatal * . Por debaixo de isto uma única palavra fora escrita , em a letra que Harry reconheceu como sendo de Hermione : Canos . Foi como_se se tivesse acendido uma luz em o seu espírito . - Ron - murmurou - é isso . Está aqui a resposta . O monstro de a Câmara_dos_Segredos é um Basilisk , uma serpente gigante . Por isso , só eu tenho ouvido a sua voz em todos os lugares , porque eu compreendo * serpentês * ... Harry olhou para as camas em volta . - O Basilisk mata as pessoas fixando as com o olhar mas ninguém morreu , o que quer_dizer que ninguém o olhou directamente em os olhos . Colin viu o através de a lente de a máquina fotográfica e o Basilisk queimou o rolo que estava lá dentro mas o Colin ficou apenas petrificado . O Justin ... o Justin deve ter visto o Basilisk através de o Nick quase sem cabeça . O Nick é_que levou com o olhar mas não podia morrer outra_vez ... e perto de a Hermione e de a prefeita de os Ravenclaw foi encontrado um espelho . Hermione acabara de compreender que o monstro era um Basilisk . Aposto que preveniu a primeira pessoa que encontrou de que era melhor olhar por um espelho a o virar de cada esquina . E aquela rapariga puxou de o seu espelho e ... O Ron estava de queixo caído . - E Mrs._Norris ? - perguntou vivamente . Harry pensou um_pouco , tentando imaginar a cena em a noite de o Halloween . - A água . . . - disse lentamente . - A poça de água que saiu de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Aposto que Mrs._Norris só viu o reflexo de o monstro . Examinou a folha de papel que tinha em a mão . Quanto_mais olhava mais sentido faziam as coisas . - * _ O cantar de o galo é fatal para ele * - leu em voz alta . - Os galos de o Hagrid foram mortos . O herdeiro de Slytherin não queria um único galo perto de o castelo , com a câmara aberta . * _ As aranhas são as primeiras a fugir * . Tudo encaixa . - Mas , como tem o Basilisk andado por aí ? - disse o Ron . - Uma serpente horrível e enorme ... alguém a teria visto . Mas Harry apontou para a palavra que Hermione escrevinhara em o final de a página . - Canos - disse . - Canos ... Ron , ele tem usado a canalização . Eu ouvi sempre a voz dentro de as paredes ... Ron agarrou subitamente o braço de o Harry . - A entrada para a Câmara_dos_Segredos - disse em uma voz rouca . - E se for em uma casa_de_banho ? Se for em a ... - Em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa - completou Harry . Sentaram se , tomados de uma excitação enorme , mal querendo acreditar . - Isso significa que - disse o Harry - eu não posso ser o único em a escola a falar * serpentês * . Há também o herdeiro de Slytherin . É de esse modo que tem controlado o Basilisk . - O que vamos fazer ? - perguntou Ron com os olhos a faiscar . - Vamos falar com a Mc_Gonagall ? - Vamos até a a sala de os professores - disse Harry , dando um salto . - Ela estará lá dentro_de dez minutos , está quase em o intervalo . Desceram a escada a correr . Não querendo ser descobertos outra_vez a vaguear por os corredores foram directamente até a a sala de os professores que estava deserta . Era uma divisão ampla , toda forrada , com cadeiras de madeira escura . Harry e Ron passearam de um lado para o outro , demasiado nervosos para se sentarem . Mas a campainha anunciando o intervalo nunca mais tocava . Em vez de isso , ecoando em os corredores , ouviram a voz de a professora Mc_Gonagall incrivelmente ampliada . - * _ Todos os alunos devem regressar de imediato a os seus dormitórios . Todos os professores a a sala de professores . Imediatamente , por favor * . Harry deu meia volta e olhou para o Ron . - Não me digas que houve um novo ataque , não agora ! - Que vamos fazer ? - disse o Ron aterrado . - Voltar para o dormitório ? - Não - disse Harry , olhando e m volta . Havia uma espécie de armário a a sua esquerda cheio com os mantos de os professores . - Ali . Vamos ouvir o que se passa . A seguir poderemos contar lhes o que descobrimos . Esconderam se dentro de o armário , ouvindo a algazarra de centenas de pessoas e a porta de a sala de professores a abrir se . De o meio de a confusão de mantos bafientos , viram os professores encherem a sala . Alguns tinham um ar totalmente confuso , outros pareciam apavorados . Por fim , chegou a professora Mc_Gonagall . - Aconteceu - disse em o silêncio de a sala de professores . - O monstro levou uma aluna . Levou a mesmo para a câmara . O professor Flitwick soltou um grito agudo . A professora Sprout bateu com a mão em a boca . Snape agarrou com força as costas de uma cadeira e perguntou : - Como pode ter tanta certeza ? - O herdeiro de Slytherin - disse a professora Mc_Gonagall , muito pálida . - Deixou outra mensagem . Mesmo por baixo de a primeira : « * _ O esqueleto de ela ficará para sempre em a Câmara_dos_Segredos * . » O professor Flitwick desatou a chorar . - Quem é ela ? - quis saber Madam_Hooch que se afundara em uma cadeira . - Quem é a aluna ? - Ginny_Weasley - disse a professora Mc_Gonagall . Harry viu o Ron , a o seu lado , escorregar silenciosamente até a o chão de o armário . - Vamos ter que mandar todos os alunos embora amanhã - disse a professora Mc_Gonagall . Isto_é o fim de Hogwarts , Dumbledore sempre disse ... A porta de a sala de os professores voltou a abrir se . Por um breve momento , Harry pensou que fosse Dumbledore mas era Lockhart e vinha todo sorridente . - Peço desculpa , adormeci . Perdi alguma coisa ? Não pareceu reparar que os outros professores o olhavam com uma espécie de aversão . Snape deu um passo em frente . - O homem que faltava - disse . - O homem certo . O monstro raptou uma garota , Lockhart levou a para a Câmara_dos_Segredos . O seu momento chegou . - Isso mesmo , Lockhart - acrescentou a professora Sprout . - Não estavas a dizer ontem a a noite que sempre tinhas sabido onde era a entrada para a Câmara_dos_Segredos ? - Eu ... bem ... eu-disse atabalhoadamente Lockhart . - Sim , não me disseste que sabias exactamente o que estava lá dentro ? - disse com voz esganiçada o professor Flitwick . - Eu disse ? Não me lembro ... - Lembro me perfeitamente de o ouvir dizer que lamentava não ter feito uma tentativa com o monstro antes de o Hagrid ser preso - disse Snape . - Não disse que toda_a história tinha sido uma atrapalhação e que deveriam ter lhe dado carta branca desde o princípio ? Lockhart olhou em volta para a cara de espanto de os colegas . - Eu ... nunca ... eu de facto ... deve ter me compreendido mal . - Então vamos deixar te , Gilderoy - disse a professora Mc_Gonagall . - Esta noite será uma excelente oportunidade para actuares . Nós trataremos de assegurar que ninguém te atrapalha . Vais poder enfrentar o monstro sozinho . Finalmente tens carta branca . Lockhart olhou desesperado a a sua volta mas ninguém foi salvá o . Já não estava bem-parecido . O lábio tremia lhe e a ausência de o seu habitual sorriso de dentes brancos dava lhe um ar escanzelado . - M-muito bem - disse . - Vou até a o meu escritório para ... para me preparar . E saiu de a sala . - _ óptimo - exclamou a professora Mc_Gonagall com as narinas dilatadas . - Isto deve afastá o de o nosso caminho . Os chefes de casa devem ir agora comunicar a os respectivos alunos o que se passou e informá os de que o Expresso_de_Hogwarts os levará a casa amanhã de manhã . Os restantes certifiquem se , por favor , de que não há alunos fora de os dormitórios . Os professores levantaram se e saíram um a um . Foi talvez o dia pior de a vida de o Harry . Ele , Ron , Fred e George sentaram se juntos a um canto em a sala comum de os Gryffindor , incapazes de proferir uma palavra . Percy não estava lá . Tinha ido tratar de enviar uma coruja a Mr. e Mrs._Weasley e , em seguida , fechara se em o dormitório . Nunca uma tarde custara tanto a passar e nunca a torre de os Gryfffindor estivera tão cheia de gente e tão silenciosa . Fred e George foram para a cama quase a o pôr de o Sol , incapazes de ficar ali mais tempo . - Ela sabia qualquer coisa , Harry - disse o Ron , falando pela_primeira_vez desde_que tinham saído de o armário de a sala de os professores . - Por isso a levaram . Não era nenhuma parvoíce sobre o Percy , ela tinha descoberto qualquer coisa sobre a Câmara_dos_Segredos . Com certeza por isso é_que a ... - Ron esfregou os olhos , enervadíssimo . - Afinal ela era sangue puro , não pode haver outra explicação . Harry olhava para o sol que mergulhava de um vermelho cor de sangue em a linha de o horizonte . Era a pior coisa que lhe tinha acontecido . Se pelo_menos pudessem fazer alguma coisa . - Harry - disse o Ron . - Achas que há alguma possibilidade de ela não estar ... ? Sabes o que eu quero dizer . Harry não sabia que resposta dar . Não acreditava que a Ginny pudesse ainda estar viva . - Sabes uma coisa ? - disse o Ron . - Acho que devíamos ir ter com o Lockhart , contar lhe o que sabemos . Ele vai tentar entrar em a câmara , podemos dizer lhe onde achamos que fica a entrada e contar lhe que o monstro é um Basilisk . Como Harry não tinha nenhuma ideia melhor e como queria fazer alguma coisa , concordou . Os Gryffindor que os rodeavam estavam tão tristes e com tanta pena de os Weasley que ninguém tentou impedi os quando os viram levantar se , atravessar a sala e sair por o buraco de o retrato . A escuridão começava a instalar se quando chegaram a o escritório de Lockhart onde a actividade era muita . De o corredor ouvia se o ruído de coisas a serem deitadas fora , pancadas surdas e passos apressados . Harry bateu a a porta e houve um silêncio repentino . Em seguida abriu se uma fresta de a porta e viram um de os olhos de Lockhart a espreitar . - Oh ! ... Mr._Potter ... Mr._Weasley - disse entreabrindo a porta . - Estou um_pouco ocupado em este momento , se forem rápidos ... - Professor , nós temos informações para lhe dar - disse o Harry . - Acho que poderão ajudá o . - Er ... bem ... não é - o lado de a cara de Lockhart que conseguiam ver parecia muito pouco a a vontade . - Quer_dizer ... bem ... está bem . Abriu a porta e eles entraram . O escritório estava praticamente vazio . Em o chão estavam duas grandes malas abertas . Mantos verde-jade , lilás , azul-noite tinham sido apressadamente dobrados e guardados dentro_de uma de as malas . Os livros misturavam se todos dentro de a outra . As fotografias que antes cobriam as paredes estavam agora arrumadas em caixas , em cima de a secretária . - Vai a algum lado ? - perguntou Harry . - Er ... bem ... sim - disse Lockhart , arrancando de a porta um poster seu em tamanho natural , enquanto falava , e começando a enrolá o . - Uma chamada urgente ... inevitável ... tenho que ir . - E a minha irmã ? - perguntou o Ron bruscamente . - Bem , quanto_a isso foi uma pena - disse Lockhart , evitando olhá os em os olhos , abrindo uma gaveta e começando a despejar o seu conteúdo dentro_de um saco . - Ninguém lamenta mais do_que eu ... - O senhor é o professor de Defesa contra as artes negras - disse Harry . - Não pode ir se embora agora_que todas estas coisas de magia negra estão a acontecer aqui . - Bem , devo dizer te que ... quando aceitei o lugar ... - resmungou Lockhart , empilhando soquetes sobre os mantos - nada em a descrição de o meu trabalho fazia prever ... - Quer_dizer que vai fugir ? - perguntou Harry , incrédulo . - Depois de todas_as coisas que conta em os seus livros ? - Os livros podem ser enganadores - disse Lockhart delicadamente . - Mas foi o senhor que os escreveu - gritou Harry . - Meu rapaz - disse Lockhart , endireitando se e franzindo as sobrancelhas - usa o senso comum . Os meus livros não teriam vendido metade do_que venderam se as pessoas não acreditassem que eu tinha feito todas aquelas coisas . Ninguém está interessado em ler sobre um velho feiticeiro americano mesmo_que ele tenha salvo uma cidade inteira de os lobisomens , ficaria péssimo em a capa . E a bruxa que correu com a fada carpideira tinha um lábio leporino . Como vês . - Quer_dizer que ficou com os louros por tudo_o_que uma série de outras pessoas fizeram ? - perguntou Harry , sem querer acreditar . - Harry , Harry - disse Lockhart , abanando impacientemente a cabeça . - Não é tão simples assim . Envolveu muito trabalho . Tive de localizar todas essas pessoas , perguntar lhes em pormenor como tinham feito as coisas . Depois tive de lhes fazer um feitiço antimemória para que não voltassem a lembrar se do_que tinham feito . Se há uma coisa de que me orgulho é de os meus feitiços antimemória . Não , tive muito trabalho , Harry . Não foram só as sessões de autógrafos e as fotografias , sabes ? Quem quer ser famoso tem de estar preparado para um trabalho longo e fatigante . Fechou as malas a a chave . - Vejamos - disse . - Acho que está tudo . Sim , só falta uma coisa . - Empunhou a varinha e voltou se para eles . - Lamento muito , rapazes , mas vou ter de vos fazer um feitiço antimemória . Não posso deixar que vão por aí repetir os meus segredos . Não venderia nem mais um livro . Harry pegou em a varinha mesmo a tempo e Lockhart mal tinha levantado a de ele a o ar quando Harry gritou * _ Expelliarmus ! * Lockhart foi projectado de costas , indo cair em cima de a mala . A varinha voou por os ares . Ron agarrou a e atirou a por a janela aberta . - Não devia ter deixado o professor Snape ensinar nos esta - disse Harry furioso , dando um pontapé a uma de as malas . Lockhart olhava para ele , de_novo escanzelado . Harry apontava lhe a varinha . - O que queres que eu faça ? - perguntou debilmente . - Eu não sei onde fica a Câmara_dos_Segredos . Não posso fazer nada . - Está com sorte - disse Harry , forçando o com a varinha a pôr se de pé . - Nós julgamos saber onde é e o que está lá dentro . Vamos . Conduziram Lockhart para fora de o seu escritório , desceram com ele as escadas e seguiram por o corredor escuro em cuja parede brilhavam as mensagens , até a a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mandaram Lockhart a a frente . Harry gostou de ver que todo ele tremia . A Murta_Queixosa estava sentada em a cisterna de o cubículo de o fundo . - Ah ! são vocês - disse a o ver o Harry . - O que querem agora ? - Perguntar te como morreste - disse Harry . O aspecto de a Murta mudou por completo . Parecia que nunca lhe tinham feito uma pergunta tão lisonjeira . - Ooooh ! Foi horrível - disse satisfeita . - Aconteceu aqui mesmo . Morri em este cubículo . Lembro me tão bem . Estava escondida porque a Olive_Hornby andava a implicar comigo por causa de os meus óculos . A porta estava fechada e eu estava a chorar e , então , ouvi alguém entrar . Disseram qualquer coisa estranha em uma língua diferente , acho eu . Mas o que mais me espantou foi o ser um rapaz a falar . Por isso , abri a porta para lhe dizer que fosse a a casa_de_banho de eles e em esse momento - a Murta inchou com ar importante , o rosto a brilhar - morri . - Como ? - perguntou Harry . - Não faço ideia - disse a Murta em um tom de voz abafado . - Só me lembro de ver dois grandes olhos amarelos , de o meu corpo ficar preso e em seguida , sentir me a flutuar ... - olhou sonhadoramente para Harry . - E depois voltei . Estava disposta a vingar me de a Olive_Hornby , percebes ? Ela ia arrepender se de ter gozado com os meus óculos . - Onde foi exactamente que viste os tais olhos ? - perguntou Harry . - Algures por aí - disse a Murta , apontando vagamente para o lavatório em frente de o seu cubículo . Harry e Ron apressaram se . Lockhart estava de pé , mais atrás , com uma expressão de pavor em o rosto . O lavatório parecia perfeitamente vulgar . Examinaram o centímetro a centímetro , dentro e fora , incluindo os canos por baixo . E foi então que Harry reparou : de lado , rabiscada em uma de as torneiras de cobre , estava uma cobra pequenina . - Essa torneira nunca funcionou - disse vivamente a Murta enquanto ele tentava abri a . - Harry - sugeriu o Ron . - Diz qualquer coisa em * serpentês * . Mas , pensou Harry , as únicas vezes que conseguira falar * serpentês * tinham ocorrido quando confrontado com uma verdadeira serpente . Olhou , concentrado para a pequena cobra gravada em o cobre , tentando imaginá a como verdadeira . - Abre te - disse . Olhou para o Ron que abanou a cabeça . - Inglês - disse ele . Harry voltou a olhar para a cobra , forçando se a acreditar que estava viva . A luz de a vela fez parecer que se movia . - Abre te - repetiu . Mas desta_vez as palavras não foram o que ele ouviu . Um estranho sibilar escapou lhe de a boca e a torneira ganhou uma luz branca e brilhante e começou a rodar . Logo_a_seguir o lavatório mexeu se . Afastou se , melhor dizendo , saiu de o caminho , deixando um grande cano a a vista , um cano onde cabia um homem . Harry ouviu a respiração arquejante de o Ron e olhou de_novo para ele . Já decidira o que queria fazer . - Vou descer - disse . Não podia deixar de ir , agora_que acabavam de descobrir a entrada para a câmara , existindo uma possibilidade , por mais remota que fosse , de a Ginny ainda estar viva . - Eu também - disse o Ron . Houve uma pausa . - Bem , parece que não precisam mais de mim - apressou se Lockhart a dizer com uma réstia de sorriso . - Eu vou . . . Pôs a mão em o puxador de a porta mas Ron e Harry apontaram lhe ambos as varinhas . -- O senhor pode ir a a frente - disse rispidamente o Ron . Pálido e sem varinha , Lockhart aproximou se de a entrada . - Meus rapazes - disse em uma voz débil . - Meus rapazes , para quê tudo_isto ? Harry tocou lhe em as costas com a varinha e ele meteu as pernas em o cano . - Eu não me parece que ... - começou a dizer , mas o Ron deu lhe um empurrão e ele desapareceu por o cano abaixo . Harry foi rapidamente atrás . Introduziu se lentamente e deixou se cair . Era como escorregar em uma pista escura e interminável . Ele via outros canos , estendendo se em todas_as direcções mas nenhum tão largo como o de eles que se torcia e virava , inclinando se abruptamente . Harry sabia que estavam a chegar a um ponto muito abaixo de a escola e de os calabouços . Atrás_de si , ouvia o Ron gemendo em cada curva . E então , quando começava a preocupar se com o que iria acontecer quando tocassem em o chão , o cano tornou se horizontal e ele foi projectado com um ruído surdo , indo aterrar em o chão húmido de um túnel de pedra com altura suficiente para ele se pôr de pé . Lockhart estava a levantar se a alguma distancia , todo enlameado e pálido como um fantasma . Harry afastou se para deixar o Ron sair também de o cano . - Devemos estar quilómetros e quilómetros abaixo de a escola - disse o Harry cuja voz ecoou em o túnel negro . - Talvez até debaixo de o lago - arriscou o Ron , olhando em volta para as paredes escuras e viscosas . Voltaram se os três para olhar para a escuridão lá a o fundo . - * _ Lumus ! * - murmurou Harry a a varinha e ela voltou a acender se . - Vamos - disse a o Ron e a o Lockhart e avançaram , os passos a chapinharem ruidosamente em o chão molhado . O túnel era tão escuro que só conseguiam ver alguns centímetros a a frente . As suas sombras em as paredes molhadas pareciam monstruosas a a luz de a varinha . - Lembrem se - disse Harry baixinho enquanto caminhavam . - A o menor movimento fechem logo os olhos ... Mas o túnel era silencioso como um túmulo e o primeiro som inesperado que ouviram foi um grito de o Ron que escorregou em uma coisa que era afinal a cauda de um rato . Harry baixou a varinha para olhar para o chão e viu que estava cheio de pequenos ossos de animais . Fazendo um enorme esforço para evitar pensar em que estado iriam encontrar a Ginny , avançou até uma curva escura de o túnel . - Harry , está aqui qualquer coisa - disse o Ron com voz rouca , agarrando Harry por o ombro . Ficaram estáticos a olhar . Harry só conseguia ver a silhueta de algo enorme e curvo deitado em o túnel . Fosse o que fosse não se movia . - Talvez esteja a dormir - murmurou , olhando para os outros dois . Lockhart tapava os olhos com as mãos . Harry voltou se para olhar para a criatura com o coração a bater tanto que lhe doía em o peito . Lentamente , com os olhos quase fechados mas ainda conseguindo ver , Harry avançou com a varinha levantada . A luz deslizou sobre uma gigantesca pele de serpente , de um verde vivo e venenoso que estava vazia e enrolada em o chão de o túnel . A criatura que a abandonara devia ter , pelo_menos , seis metros e meio de comprimento . - Bolas - disse o Ron , perdendo as forças . Houve um movimento súbito atrás de eles . As pernas de Gilderoy_Lockhart cederam . - Levante se - disse o Ron de uma forma cortante , apontando lhe a varinha . Lockhart pôs se de pé . Em seguida empurrou o Ron , atirando o a o chão . Harry deu um salto , mas ... tarde de mais . Lockhart endireitava se com a varinha de o Ron em as mãos e um sorriso em o rosto . - A aventura acaba aqui , rapazes - disse . - Vou levar um bocado de esta pele de cobra para a escola , contar lhes que foi demasiado tarde para salvar a garota e que vocês os dois perderam tragicamente a memória com a visão de o seu corpinho mutilado . Digam adeus a as vossas recordações . Levantou a o ar a varinha avariada de o Ron e gritou * _ Obliviate ! * A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba . Harry pôs os braços sobre a cabeça e correu , escorregou em os anéis de a pele de cobra , afastando se de os grandes pedaços de tecto de o túnel que caíam em o chão com o ruído de trovões . Pouco depois estava sozinho , olhando para uma sólida parede de rocha partida . - Ron - gritou ele . - Estás bem , Ron ? - Estou aqui - respondeu a voz abafada de o Ron por detrás de a avalancha de rochas . - Eu estou bem mas este sujeito não . A varinha avariou o todo . Ouviu se um ruído surdo e um Oh ! gritado . Parecia que o Ron tinha acabado de dar a o Lockhart um pontapé em as canelas . - E agora ? - disse a voz de o Ron que parecia desesperada . - Não podemos passar , vai demorar séculos . Harry olhou para o tecto de o túnel onde tinham aparecido grandes fendas . Ele nunca tentara partir , através de a magia , nada tão grande como aquelas rochas e agora não lhe parecia ser o melhor momento para fazer experiências . E se o túnel abatesse ? Houve um ruído surdo e outro Oh ! atrás de as rochas . Estavam a perder tempo . A Ginny já estava havia duas horas em a Câmara_dos_Segredos . Harry sabia que só havia uma coisa a fazer . - Espera aqui - gritou a o Ron . - Fica com o Lockhart , eu vou lá . Se não voltar dentro_de uma hora ... Houve um silêncio cheio . - Eu vou ver se desloco um_pouco esta rocha - disse o Ron , tentando manter a voz firme . - Para tu poderes passar . E , Harry ... - Até já - disse o Harry , procurando injectar confiança em a sua voz trémula . E passou sozinho para lá de a imensa pele de serpente . Em_breve , o ruído de o Ron , tentando deslocar a rocha , deixou de se ouvir . O túnel virou uma e outra_vez . Os nervos de o corpo de o Harry tangiam de forma desagradável . Ele só queria que o túnel chegasse a o fim , fosse o que fosse que o aguardasse . E então , finalmente , quando atingiu a última curva , viu em a sua frente uma parede sólida que tinha gravadas duas serpentes enroladas uma em a outra , cujos olhos eram quatro esmeraldas , enormes e brilhantes . Harry aproximou se com a garganta seca . Não foi preciso imaginar que as serpentes eram autênticas . Os seus olhos pareciam estranhamente vivos . Foi fácil descobrir o que tinha de fazer . Pigarreou e os olhos de esmeraldas pareceram mexer se . - Abre te - disse Harry em um sibilar baixo . As serpentes desapareceram enquanto a parede se abria a o meio e , a tremer de os pés a a cabeça , Harry entrou . XVII_Herdeiro_de_Slytherin_Estava de pé em o fundo de uma divisão enorme , fracamente iluminada . Altíssimos pilares de pedra , cheios de serpentes gravadas que os enlaçavam , erguiam se , suportando um tecto que se perdia em a escuridão e que lançava sombras negras imensas através de a estranha luz esverdeada que enchia o local . Com o coração a bater descompassadamente , Harry ficou parado a ouvir aquele silêncio arrepiante . Estaria o Basilisk escondido em um canto cheio de sombras , atrás_de algum pilar ? E onde estaria Ginny ? Pegou em a varinha e avançou a o longo de as colunas serpenteantes . Cada_um de os seus passos provocava um enorme eco em as paredes sombrias . Harry tinha os olhos semicerrados e estava pronto para os fechar a o mais pequeno movimento . As órbitas de olhos fundos de as serpentes de pedra pareciam segui o . Por mais de uma_vez , com o estômago a dar um salto , Harry julgou vê os moverem se . Por fim , chegado a o nível de os dois últimos pilares , avistou uma estátua de a altura de a própria câmara que estava encostada a a parede de o fundo . Harry tinha de esticar o pescoço para olhar para_cima , para a cara de o gigante : era velho e com um ar simiesco , tinha uma barba enorme que lhe caía quase onde acabava a longa túnica de pedra . Os dois pés imensos e cinzentos pousavam em o chão de a câmara . E entre eles , voltada para baixo , estava uma figura pequenina vestida de preto com um cabelo flamejante . - Ginny - murmurou Harry , chegando perto de ela e ajoelhando se . - Ginny , por favor não estejas morta , não estejas morta ! Atirou a varinha para o lado , agarrou Ginny por os ombros e voltou a . O rosto de ela estava branco e frio como o mármore , contudo os olhos encontravam se fechados , portanto não estava petrificada . Mas então devia estar ... - Ginny , acorda por favor - repetiu Harry desesperado , sacudindo a . A cabeça de ela andava de um lado para o outro . - Ela não vai acordar - disse secamente uma voz . Harry deu um salto e girou sobre os joelhos . Um rapaz alto , de cabelo preto , estava encostado a o pilar mais próximo , a observá o . As sombras desfocavam o como_se Harry o visse através_de uma janela embaciada . Mas não havia como confundis o . - Tom , Tom_Riddle ? Riddle acenou , sem tirar os olhos de o rosto de Harry . - O que queres dizer com isso de ela não acordar ? - perguntou Harry desesperado . - Ela não está ... não está ? - Está viva - disse Riddle . - Mas , por um fio . Harry olhou fixamente para ele . Tom_Riddle estivera em Hogwarts há cinquenta anos atrás . Contudo , ali estava com uma luz estranha e desfocada a iluminá o , sem um dia a mais do_que os seus dezasseis anos . - És um fantasma ? - perguntou Harry . - Uma memória - disse Riddle . - Preservada em um diário durante cinquenta anos . Apontou para os pés de a estátua gigantesca . Ali , aberto em o chão , estava o pequeno diário de capa preta que Harry tinha encontrado em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Durante um segundo , Harry perguntou a si próprio como teria ido ali parar , mas havia coisas mais importantes a fazer . Preciso de a tua ajuda , Tom - disse Harry , levantando de_novo a cabeça de a Ginny . - Temos de sair de aqui . Há_um_Basilisk ... não sei onde está mas pode aparecer a qualquer momento . Por favor , ajuda me . Riddle não se mexeu . Harry , a transpirar , conseguiu levantar ligeiramente a Ginny de o solo e inclinou se para pegar em a varinha mas ela tinha desaparecido . - Viste a ... ? Olhou para_cima . Riddle continuava a olhá o , fazendo girar a varinha entre os dedos longos . - Obrigado - disse Harry , esticando o braço para a agarrar . Um sorriso surgiu então em os cantos de a boca de Riddle que continuou a olhar para ele , girando indolentemente a varinha . - Ouve , pá - disse Harry sem querer perder mais tempo , os joelhos a vergarem sob o peso morto de Ginny - temos de ir . Se o Basilisk aparece ... - Ele não vem enquanto não for chamado - disse Riddle com toda_a calma . Harry voltou a pousar Ginny em o chão , incapaz de a segurar por mais tempo . - Que queres dizer com isso ? - perguntou . - Dá me a minha varinha , posso precisar de ela . O sorriso de Riddle ampliou se . - Não vais precisar de ela - disse . Harry olhou o espantado . - O que queres dizer , não vou ? - Esperei muito_tempo por isto , Harry - disse Riddle . - Pela possibilidade de te ver , de falar contigo . - Olha , eu acho que tu não estás a perceber - disse Harry , perdendo a paciência . - Estamos em a Câmara_dos_Segredos , podemos conversar mais tarde . - Vamos conversar agora - disse Riddle , sorrindo de orelha a orelha e guardando a varinha de Harry em o bolso . Harry voltou a olhar para ele . Havia qualquer coisa de muito estranho em tudo aquilo . - Como é_que a Ginny ficou assim ? - perguntou pausadamente . - Bem , essa é uma pergunta interessante - disse Riddle , divertido . - E uma longa história , também . Julgo que o verdadeiro motivo que levou Ginny_Weasley a ficar assim foi o ter aberto o seu coração e revelado todos os seus segredos a um estranho ser invisível . - De quem estás a falar ? - perguntou Harry . - De o diário - disse Riddle . - De o meu diário . A Ginny escreve nele há meses e meses , contando me todas_as suas lamentáveis desgraças e atribulações : como os irmãos a arreliam , que teve de vir para a escola com manto , túnica e livros em segunda mão - os olhos de Riddle brilharam -- , que acha que o maravilhoso , o grande , o famoso Harry_Potter nunca vai gostar de ela ... Enquanto falava , nunca os olhos de Riddle se afastaram de a cara de o Harry . Havia em eles um olhar ávido . - É muito chato ter de ouvir as preocupações idiotas de uma garotinha de onze anos - prosseguiu . - Mas eu fui paciente . Respondi lhe , mostrei me simpático e amável . A Ginny pura e simplesmente adorou me . - * _ Nunca ninguém me compreendeu como tu , Tom ... estou tão feliz por ter este diário a quem me confiar ... é como ter um amigo que pode andar em o meu bolso * ... Riddle riu se . Um riso alto , frio , que não lhe ficava bem . Fez com que os cabelos de o pescoço de Harry se arrepiassem todos . - Verdade se diga que sempre consegui encantar as pessoas necessárias . Portanto a Ginny verteu em mim a sua alma e a alma de ela era precisamente o que eu queria . Fortaleceu me . Alimentei me de os seus medos mais profundos , de os seus mais obscuros segredos . Fui ficando cada_vez_mais forte e poderoso . Muito mais poderoso do_que a pequena Miss_Weasley até que comecei a transmitir lhe alguns de os meus segredos , a passar um_pouco de a minha alma para ela ... - O que queres dizer ? - perguntou Harry cuja boca ficara totalmente seca . - Ainda não descobriste , Harry_Potter ? - disse Riddle muito baixo . - Giony_Weasley abriu a Câmara_dos_Segredos , estrangulou os galos de a escola e escreveu mensagens assustadoras em as paredes . Atiçou a serpente de Slytherin contra quatro sangues de lama e contra o gato de o busca-pé . - Não - murmurou Harry . - Sim - disse calmamente Riddle . - É claro que a princípio não sabia o que estava a fazer . Era muito divertido . Gostava que visses as coisas que escreveu em o diário , começaram a ficar muito mais interessantes . * _ Querido_Tom * - recitou ele , olhando para a expressão horrorizada de o Harry . - * _ Acho que estou a perder a memória . Há penas de galo em todas_as minhas roupas e eu não sei como foram lá parar . Querido_Tom , não me lembro do_que fiz em a noite de o Hallowe'en mas foi atacada uma gata e eu estou cheia de tinta em a cara . Querido_Tom , o Percy não pára de me dizer que ando pálida e não pareço eu . Acho que ele suspeita de mim ... Houve outro ataque hoje e eu não sei onde estava . Tom , que vou eu fazer ? Acho que estou a ficar maluca ... acho que ando a atacar toda_a_gente , Tom ! * Harry tinha os punhos fechados , as unhas cravadas contra a palma de as mãos . - Levou muito_tempo até a pequenina estúpida deixar de confiar em o diário - disse Riddle . - Mas acabou por ficar desconfiada e tentou livrar se de ele . E é aí que tu entras , Harry . Tu encontraste o . E eu não poderia ter ficado mais satisfeito . De todas_as pessoas que poderiam ter ficado com ele , foste tu , aquele que eu ambicionava conhecer ... - E porque querias conhecer me ? - perguntou Harry . Começava a ser tomado por a raiva e fez um esforço para manter o tom de voz controlado . - Bem , a Ginny contou me tudo a teu respeito - disse Riddle . - A tua fascinante história . - Os seus olhos pousaram em a cicatriz em a testa de Harry e a sua expressão ganhou maior avidez . - Sabia que devia descobrir mais a teu respeito , falar te , encontrar me contigo se fosse possível . Por isso , para ganhar a tua confiança , resolvi mostrar te a famosa captura que fiz de aquele demente de o Hagrid . - O Hagrid é meu amigo - disse Harry já com a voz a tremer . - E tu tramaste o , não foi ? Pensei que tinha sido um engano , mas ... Ele riu se . O mesmo riso de antes . - Era a minha palavra contra a palavra de ele . Imagina a cara de o velho Armando_Dippet . De um lado Tom_Riddle , pobre mas brilhante , sem pais mas corajoso , prefeito de a escola , um modelo de aluno . De o outro lado , o Hagrid , grande e disparatado , arranjando problemas semana sim , semana não , tentando criar filhotes de lobisomens debaixo de a cama , escapando se para a floresta proibida para lutar com gigantes . Mas , devo admitir que até eu próprio fiquei admirado com os excelentes resultados de o meu plano . Pensei que alguém perceberia que o Hagrid nunca poderia ser o herdeiro de Slytherin . Demorei cinco anos inteirinhos até descobrir tudo_o_que me foi possível sobre a Câmara_dos_Segredos e a sua entrada secreta ... como_se o Hagrid tivesse cabeça ou poder ! - Só o professor de Transfiguração , Dumbledore , parecia achar que ele estava inocente . Convenceu Dippet a mantê o aqui e a treiná o como guarda de os campos . Sim , é natural que Dumbledore tenha adivinhado , nunca gostou de mim como os outros professores . - Aposto que Dumbledore viu através_de ti - disse Harry , de dentes cerrados . - Pelo_menos passou a vigiar me de perto , a partir de o momento em que o Hagrid foi expulso - disse Riddle descuidadamente . - Eu sabia que não era seguro voltar a abrir a câmara enquanto ainda estava em a escola mas não ia desperdiçar os longos anos que passara a pesquisar . Decidi , por isso , deixar um diário preservando em as suas páginas o meu ego de dezasseis anos para que um dia , com um_pouco de sorte , pudesse levar outro a seguir os meus passos e acabar o nobre trabalho de Salazar_Slytherin . - Bem , não o acabaste - disse Harry triunfante . - Ninguém morreu até agora , nem mesmo a gata . Dentro_de poucas horas a poção de mandrágoras estará pronta e todos os que foram petrificados voltarão de_novo a si . - Não acabei de te dizer que matar sangues de lama já não me interessa ? Há muitos meses que o meu alvo és tu . Harry olhou para ele . - Podes imaginar como fiquei furioso quando em outro dia o diário foi aberto e vi que era a Ginny quem estava a escrever e não tu . Ela viu te com o diário e entrou em pânico . E se tu descobrisses como trabalhar com ele e eu te repetisse todos os seus segredos ? Ainda pior , e se eu te contasse quem tinha andado a estrangular os galos ? Por isso , a grande palerma esperou que o teu dormitório estivesse deserto e foi lá roubá o . Mas eu sabia o que tinha de fazer . Estava muito claro para mim que a tua meta era o herdeiro de Slytherin . Por tudo_o_que a Ginny me contara a teu respeito , sabia que irias até onde fosse preciso para desvendar o mistério , principalmente se um de os teus melhores amigos tivesse sido atacado . E a Ginny disse me que a escola toda bichanava por tu falares * serpentês * ... Por isso , obriguei a Ginny a escrever a sua própria despedida em a parede , a vir até aqui e esperar . Ela debateu se e gritou e ficou muito chatinha . Mas , já não tem muita vida : pôs grande parte de ela em o diário , deu me a . O suficiente para eu abandonar , por fim , as suas páginas . Desde_que aqui cheguei que estou a a tua espera . Sabia que virias . Tenho muitas perguntas a fazer te , Harry_Potter . - Que perguntas ? - disse Harry com os punhos fechados . - Bem - prosseguiu Riddle , sorrindo de satisfação : - Como é_que um bebé sem especiais talentos de magia foi capaz de derrotar o maior feiticeiro de sempre ? Como conseguiste escapar só com uma cicatriz quando os poderes de Lord_Voldemort foram destruídos ? Havia agora em os seus olhos um brilho vermelho e irado . - O que é_que te interessa saber como eu escapei ? - disse Harry lentamente . - Voldemort veio depois de ti . - Voldemort - disse Riddle - é o meu passado , o meu presente e o meu futuro , Harry_Potter ... Tirou a varinha de o Harry de o bolso e começou a escrever em o ar três palavras brilhantes : TOM_MARVOLO_RIDDLE_Em seguida , fez um gesto com a varinha e as letras de o seu nome reagruparam se de outro modo . : __ eu sou lord __ voldemort ( I am Lord_Voldemort ) . - Vês ? - murmurou . - Era um nome que eu já usava em Hogwarts , para os meus amigos mais íntimos apenas , como é óbvio . Achas que ia usar para sempre o nome nojento de o meu pai Muggle ? Eu , em cujas veias , por o lado materno , corre o sangue de Salazar_Slytherin ? Eu , manter o nome de um Muggle tolo que me abandonou ainda antes de eu nascer só porque descobriu que a mulher com quem casara era uma bruxa ? Não , Harry , arranjei um novo nome , um nome que eu sabia que os feiticeiros de todo_o_mundo viriam um dia a ter medo de pronunciar , quando eu me tivesse tornado o maior feiticeiro de o mundo . A cabeça de Harry parecia bloqueada . Olhou como_que paralisado para Riddle , para o rapaz de o orfanato que depois de crescer iria matar os seus pais e tantos outros . Por fim , com algum esforço conseguiu falar . - Não és - disse em uma voz calma e cheia de ódio . - Não sou o quê ? - perguntou Riddle irritado . - Não és o maior feiticeiro de o mundo - disse Harry com a respiração acelerada . - Lamento desiludir te mas o maior feiticeiro de o mundo é Albus_Dumbledore . Toda_a_gente sabe . Mesmo tu , quando tinhas força , não ousavas tentar aproximar te de Hogwarts . Dumbledore viu através_de ti quando andavas em a escola e ainda agora te assusta onde quer que te escondas . O sorriso desaparecera de o rosto de Riddle , fora substituído por um olhar furioso . - Dumbledore foi afastado de este castelo por a minha simples memória - sibilou . - Ele não está tão longe como pensas - retorquiu Harry . Falava por falar , tentando assustar Riddle , desejando mais que assim fosse do_que acreditando em as suas palavras como uma verdade . Riddle abriu a boca mas não chegou a falar . Tinha começado a ouvir se uma música . Riddle deu uma volta , olhando para a câmara vazia . A música estava a ficar mais alta . Era misteriosa , arrepiante , sobrenatural . Fez_Harry ficar com os cabelos em pé e o coração aumentar lhe em o peito . Por fim , quando atingiu um ponto tão alto que Harry a sentiu vibrar dentro de as suas costelas , começaram a sair chamas de o topo de o pilar mais próximo . Uma ave carmesim de o tamanho de um cisne surgiu , assobiando a sua estranha melodia para o tecto em forma de abóbada . Tinha uma cauda dourada tão longa como a de um pavão e garras douradas e brilhantes que seguravam uma trouxa andrajosa . Segundos depois , a ave voava em direcção a Harry . Deixou cair a coisa andrajosa a os seus pés e pousou lhe pesadamente em o ombro . Quando abriu as enormes asas , Harry olhou para_cima e viu que tinha um longo bico afiado e olhos escuros pequenos e brilhantes . A ave parou de cantar . Ficou quieta junto de a cara de Harry , olhando fixamente para Riddle . - É uma fénix , disse Riddle , olhando sagazmente para ela . - Fawkes ? - murmurou Harry e sentiu as garras douradas apertarem lhe devagarinho o ombro . - E aquilo - disse Riddle , olhando para a coisa velha que Fawkes deixara em o chão - é o velho chapéu seleccionador , de a escola . Era , de facto . Amachucado , puído e sujo , o chapéu jazia imóvel a os pés de Harry . Riddle começou a rir . Riu se tanto que a câmara escura se lhe juntou em um eco tal que parecia que dez Riddles se riam ao_mesmo_tempo . - Eis o que Dumbledore envia a o seu defensor . Um pássaro que canta e um chapéu velho . Estás cheio de coragem , Harry_Potter ? Sentes te agora mais seguro ? Harry não respondeu . Podia não estar a ver a vantagem de a Fawkes ou de o chapéu seleccionador mas já não se sentia só , e esperou corajosamente que Riddle parasse de rir . - Vamos a o que importa , Harry - disse ele , ainda com um enorme sorriso . - Encontrámo nos duas vezes em o teu passado , em o meu futuro . E duas vezes falhei a o tentar matar te . Como foi que sobreviveste ? Conta me tudo . Quanto_mais falares , mais tempo tens de vida . Harry pensava rapidamente , medindo as suas possibilidades . Riddle tinha a varinha . Ele , Harry , tinha a Fawkes e o chapéu seleccionador que não lhe serviriam de muito em o combate . As coisas pareciam más , é certo . Mas quanto_mais tempo Riddle ali estivesse , mais vida retirava a a Ginny ... e , entretanto , Harry reparou que a silhueta de Riddle se tornava mais nítida , mais sólida . Se tinha de haver uma luta entre os dois , quanto_mais depressa melhor . - Ninguém sabe porque perdeste os poderes quando me atacaste - disse bruscamente . - Eu próprio não sei . Mas sei porque não conseguiste matar me . A minha mãe morreu para me salvar . A minha mãe , uma vulgar filha de Muggles - acrescentou , a tremer de raiva . - Ela impediu que tu me matasses . E eu vi te como tu és , em o ano passado . És um destroço , quase não existes . Foi onde o teu poder te levou . Estás sob um disfarce , és horrível e és louco . O rosto de Riddle contorceu se . Em seguida , forçou um sorriso pavoroso . - Quer_dizer , então , que a tua mãe morreu para te salvar . Sim , é um antifeitiço poderoso . Compreendo agora , afinal não há em ti nada de especial . Eu tinha curiosidade , sabes , porque há uma estranha semelhança entre nós , Harry_Potter . Até tu deves ter reparado . Somos ambos meio sangue , órfãos , educados com Muggles , provavelmente os dois únicos que falam * serpentês * desde o grande Slytherin , até nos parecemos um_pouco fisicamente ... mas afinal foi apenas uma questão de sorte que te salvou de mim . Era o que eu queria saber . Harry ficou parado , tenso , a a espera que Riddle levantasse a varinha mas o seu sorriso cínico ampliou se de_novo . - Agora , Harry , vou dar te uma pequena lição . Vamos confrontar os poderes de Lord_Voldemort , herdeiro de Salazar_Slytherin e de o famoso Harry_Potter , munido com as melhores armas que Dumbledore lhe deu . Lançou um olhar divertido a a Fawkes e a o chapéu seleccionador e , em seguida , afastou se . Harry com as pernas entorpecidas por o medo viu o parar entre dois pilares altos e olhar para a cara de pedra de Slytherin , lá em cima em a semi-obscuridade . Riddle abriu a boca e sibilou mas Harry compreendeu o que ele dizia . - * _ Responde-me , Slytherin , o maior de os quatro de Hogwarts * . Harry voltou se para olhar melhor para a estátua com Fawkes pousada em o ombro . A gigantesca cara de pedra de Slytherin movia se . Horrorizado , Harry viu a boca abrir se mais e mais até se transformar em um buraco negro . E algo se agitava dentro de a boca de a estátua . Algo se arrastava para fora de as suas entranhas . Harry recuou até a a parede escura de a câmara e enquanto fechava os olhos com força sentiu a asa de a Fawkes roçar lhe o rosto e levantar voo . Harry quis gritar : - Não me abandones ! - mas que possibilidades tinha uma fénix contra o rei de as serpentes ? Uma coisa enorme bateu em o chão de pedra que Harry sentiu estremecer . Sabia o que estava a acontecer , podia sentis o , quase podia ver a serpente gigantesca a sair de a boca de Slytherin . Foi então que ouviu a voz de Riddle sibilar : * _ Mata-o * . O Basilisk avançava em direcção a Harry . Ele ouvia o seu corpo enorme escorregar pesadamente por o chão cheio de pó . Com os olhos sempre fechados , Harry começou a correr para o lado , a as cegas , com as mãos abertas a tactear o caminho . Riddle ria se a as gargalhadas . Harry escorregou e caiu em o chão de pedra e a boca soube lhe a sangue . A serpente estava a poucos centímetros de ele . Podia ouvi a a aproximar se . Ouviu se um crepitar explosivo por cima de ele e alguma coisa pesada bateu lhe com tanta força que ele ficou encostado a a parede . Esperando que os dentes de a serpente lhe perfurassem o corpo , ouviu mais ruídos e qualquer coisa que se agitava com força contra os pilares . Não conseguiu evitar . Abriu bem os olhos para ver o que se passava . A enorme serpente , brilhante , de um verde veneno , espessa como o tronco de um carvalho , erguera se em o ar e a sua imensa cabeça agitava se de um lado para o outro , entre os dois pilares . Quando Harry , a tremer , se preparava para fechar de_novo os olhos , percebeu o que distraíra a cobra . Fawkes esvoaçava em volta de a sua cabeça e o Basilisk , furioso , tentava agarrá a com os dentes longos e afiados como sabres . Fawkes mergulhava . Harry deixou de ver o bico fino e dourado e uma brusca chuva de sangue escuro inundou o chão . A cauda de a serpente agitou se , não batendo em o Harry por_pouco e antes que ele pudesse fechar os olhos voltou se . Harry olhou lhe para a cara e viu que os seus olhos , os dois olhos amarelos e bolbosos tinham sido perfurados por a fénix . O sangue escorria por o chão e a serpente cuspia cheia de dores . - * _ Não * - Harry ouviu o grito de Riddle . - * _ Deixa a ave , deixa a ave , o rapaz está atrás_de ti , ainda podes cheirá o . Mata o ! * A serpente cega oscilou confusa , ainda em fúria . Fawkes andava a a volta de a cabeça de ela soprando a sua misteriosa cantilena , picando lhe aqui_e_ali o nariz cheio de escamas , enquanto o sangue jorrava de os seus olhos destruídos . - Ajudem me . Ajudem me - murmurava Harry aflito . - Alguém , ajude me . A cauda de a serpente chicoteou de_novo o chão . Harry baixou se . Algo macio tocou lhe em o rosto . O Basilisk lançara o chapéu seleccionador para os braços de o Harry que o agarrou . Era tudo_o_que tinha , a sua única esperança . Enfiou o em a cabeça e começou a ficar achatado contra o chão , enquanto a cauda de o Basilisk se lançava de_novo sobre ele . - Ajudem me , ajudem me - pensou Harry , os olhos comprimidos debaixo de o chapéu . - Por favor , ajudem me . Nenhuma voz lhe respondeu . Em vez de isso , o chapéu contraiu se como_se uma mão invisível o tivesse espalmado devagarinho . Alguma coisa muito dura e pesada caíra sobre a cabeça de Harry , conseguindo quase derrubá o . A ver estrelas em frente de os olhos , agarrou o chapéu para o puxar para baixo e sentiu lá dentro uma coisa longa e dura . Uma espada brilhante tinha surgido dentro de o chapéu . Tinha um cabo cravejado de rubis de o tamanho de pequenos ovos . - Mata o rapaz , deixa a ave . O rapaz está atrás_de ti . Cheira o ! Harry estava de pé , preparado . A cabeça de o Basilisk caía , o corpo serpenteava , batendo nos pilares quando se torcia para ficar de frente para ele . Harry podia ver as enormes órbitas ensanguentadas , a boca toda aberta , suficientemente grande para o engolir inteiro , munida de dentes tão longos como a sua espada , finos , brilhantes , venenosos ... Começou a atacar a as cegas . Harry baixou se e a serpente bateu em a parede de a câmara . Atacou de_novo e a sua língua bifurcada lambeu a parede ao_lado_de Harry que levantou a espada com ambas as mãos . O Basilisk investiu mais_uma_vez e agora a pontaria foi certa . Harry pôs todo o seu peso contra a espada e enterrou a até a os copos em o céu de a boca de a serpente . Mas quando o sangue quente lhe encheu os braços , sentiu uma dor aguda mesmo acima de o cotovelo . Um longo dente venenoso penetrava cada_vez_mais fundo em o seu braço , partindo se quando o Basilisk tombou para o lado , perdendo os sentidos . Harry escorregou a o longo de a parede , apertou com força o dente que estava a derramar veneno por todo o seu corpo e arrancou o de o braço . Mas sabia que era demasiado tarde . Uma dor quente emanava lenta e perseverantemente de a ferida . Quando deixou cair o dente e viu o seu próprio sangue manchando lhe as vestes , a vista começou a ficar turva e a câmara a diluir se em uma rotação ardente e colorida . Mas algo escarlate passou por ele e Harry ouviu a o seu lado um suave ruído de garras . - Fawkes - disse com a voz empastada . - Foste sensacional , Fawkes . - Sentiu o pássaro encostar a sua elegante cabeça a o sítio onde o dente de a serpente o tinha ferido . Ouviu passos ecoarem em o vazio e em seguida uma sombra escura moveu se em a sua frente . - Estás morto , Harry_Potter - disse a voz de Riddle , acima de ele . - Morto . Até o pássaro de Dumbledore sabe de isso . Vês o que ele está a fazer ? A chorar . Harry piscou os olhos . A cabeça de Fawkes ora estava focada , ora desfocada . Lágrimas grossas como pérolas escorriam de as suas penas . - Vou sentar me aqui a ver te morrer , Harry_Potter . Leva o teu tempo , eu não tenho pressa . Harry sentiu se sonolento . Tudo parecia girar a a sua volta . - E assim acaba o famoso Harry_Potter - disse a voz distante de Riddle . - Sozinho em a Câmara_dos_Segredos , esquecido por os amigos , finalmente derrotado por o Senhor de o mal que ele tão imprudentemente desafiou . Vais reunir te a a tua querida mãe sangue de lama , Harry ... Ela deu te doze anos de tempo emprestado ... Mas Lord_Voldemort apanhou te em o fim , como sabias que teria de acontecer . Se morrer é isto , pensou Harry , não é assim tão mau . Até a dor estava a desaparecer . Mas , estaria a morrer ? Em_vez_de ficar mais escura a câmara parecia voltar a estar nítida . Harry fez um pequeno gesto com a cabeça e viu a Fawkes ainda repousando a cabeça em o seu ombro . Uma fiada de pérolas brilhava em volta de a ferida , só que já não havia ferida . - Sai de aqui , pássaro - disse subitamente a voz de Riddle . - Afasta te de ele . Já te disse , sai de aqui ! Harry levantou a cabeça . Riddle apontava a sua varinha a Fawkes . Ouviu se um tiro que parecia de carabina e Fawkes levantou novamente voo em um rodopio de ouro e escarlate . - Lágrimas de fénix - disse Riddle em voz baixa , olhando para o braço de o Harry . - É claro ... poderes curativos ... esqueci me ... Olhou para a cara de Harry . - Mas não faz mal . Pensando bem , eu até prefiro assim . Tu e eu , Harry_Potter ... Tu e eu ... Levantou a varinha . Então , em um golpe de asa , Fawkes voou sobre as cabeças de ambos , deixando cair uma coisa em o colo de Harry : o diário . Durante uma fracção de segundo , tanto Harry como Riddle , ainda com a varinha levantada , ficaram a olhar para aquilo . Em seguida , sem pensar , sem ponderar , como_se pensasse fazê o desde o princípio , Harry agarrou o dente de o Basilisk que estava em o chão , junto de ele , e espetou o em o coração de o caderno . Ouviu se um grito longo e terrível . A tinta esguichou em torrentes de dentro de o diário , derramando se sobre as mãos de o Harry e inundando o chão . Riddle torcia se e contorcia se , agitando se a os gritos . E , por fim . Desapareceu . A varinha de Harry caiu a o chão com um ruído e fez se silêncio . Um silêncio apenas cortado por o ping ping de a tinta que ainda escorria de o diário . Com um leve crepitar , o veneno de o Basilisk abrira um buraco mesmo em o meio de o caderno . A tremer de os pés a a cabeça , Harry pôs se de pé . Sentia tudo a andar a a roda como_se tivesse viajado quilómetros e quilómetros com o pó de * _ Floo * . Lentamente apanhou a varinha e o chapéu seleccionador e com um grande estrondo retirou a espada de o céu de a boca de a serpente . Ouviu se então um gemido fraco a o fundo de a câmara . Ginny estava a mexer se . Quando Harry chegou junto de ela , sentou se . Os seus olhos abismados saltaram de o Basilisk morto para Harry em a sua roupa cheia de sangue e , em seguida , para o diário que ele tinha em as mãos . Soltou um enorme soluço e os seus olhos encheram se de lágrimas . - Harry , oh ! Harry , eu tentei dizer te a o pequeno-almoço mas não fui capaz em frente de o Percy . Era eu , Harry , mas eu ... eu ... juro que não queria ... o Riddle obrigou me , levou me e ... como é_que mataste esse bicho ? Onde está o Riddle ? A última coisa de que me lembro foi de o ver a sair de o diário ... - Está tudo bem - disse Harry , mostrando lhe o diário com o buraco de o dente . - O Riddle acabou , olha . Ele e o Basilisk . Anda , Ginny , vamos embora de aqui . - Vou com certeza ser expulsa - disse Ginny a chorar enquanto Harry a ajudava a pôr se de pé . - Desde_que o Bill veio para Hogwarts que eu sonhava vir também para cá e agora vou ter de me ir embora e ... O que vão a minha mãe e o meu pai dizer ? Fawkes esperava por eles , suspensa em o ar , a a entrada de a câmara . Harry fez a Ginny avançar , passaram sobre os anéis parados de o Basilisk , por a escuridão cheia de ecos e voltaram a o túnel . Harry ouviu as portas de pedra fecharem se atrás de eles com um leve sibilar . Depois de alguns minutos a caminhar por o túnel escuro , chegou a os ouvidos de Harry o som distante de o deslocar de uma rocha . - Ron - gritou ele , apressando se . - A Ginny está bem . Está aqui comigo ! Ouviu o Ron gritar de alegria e , voltando em a curva logo_a_seguir , viram a sua cara ansiosa a espreitar por a fresta que conseguira abrir durante a avalancha . - Ginny ! - Ron estendeu o braço por a fresta para a puxar primeiro . - Estás viva . Não posso acreditar . O que aconteceu ? Tentou abraçá a mas a Ginny afastou o , soluçando . - Mas estás bem , Ginny - disse o Ron , sorrindo para ela . - Já passou tudo ... De onde veio esse pássaro ? Fawkes passara por a abertura , atrás_de Ginny . - É de o Dumbledore - explicou Harry , espremendo se para caber também . - E como arranjaste uma espada ? - perguntou o Ron , olhando para a arma brilhante que Harry tinha em a mão . - Eu explico te tudo quando sairmos de aqui - disse Harry , lançando um olhar de esguelha a a Ginny . - Mas ... - Mais tarde - disse Harry rapidamente . Não lhe parecia uma boa ideia contar a o Ron quem tinha aberto a câmara , ali , em frente de a Ginny . - Onde está o Lockhart ? - Ali atrás - disse o Ron , a rir e a abanar a cabeça em direcção a o cano . - Está em muito mau estado . Anda ver . Conduzidos_pela_Fawkes , cujas grandes asas escarlates emitiam um suave dourado que brilhava em a escuridão , voltaram a o lugar onde o cano começava . Gilderoy_Lockhart estava sentado a falar sozinho . - Perdeu a memória - disse o Ron . - O feitiço de a memória fez ricochete . Não sabe quem é nem onde está , nem_sequer sabe quem nós somos . Eu disse lhe que viesse para aqui e esperasse . É um perigo para ele próprio . Lockhart olhou os bem-disposto . - Olá - disse . - Que lugar estranho , este . É aqui que vocês moram ? -- Não - respondeu o Ron , levantando as sobrancelhas para o Harry . Harry baixou se e observou o túnel escuro e longo . - Já pensaste como é_que vamos sair de aqui ? - perguntou a o Ron . O amigo abanou a cabeça mas Fawkes , a fénix , tinha passado por o Harry e estava agora em o ar , em frente de ele , os olhos como pérolas a brilharem em o escuro . Abanava as longas penas douradas de a cauda . Harry olhou para ela , inseguro . - Ela parece querer que a agarres - disse o Ron , perplexo . - Mas tu és muito pesado para um pássaro . - A Fawkes - disse Harry - não é um pássaro qualquer . Voltou se rapidamente para os companheiros . - Temos de nos agarrar uns a os outros . Ginny , agarra a mão de o Ron . O professor Lockhart ... - Ele está a falar consigo - disse o Ron secamente . - Agarre a outra mão de a Ginny . Harry guardou a espada e o chapéu seleccionador em o cinto . Ron deitou a mão a a roupa de Harry e Harry agarrou as penas de a cauda , estranhamente quentes , de a Fawkes . Sentiu uma extraordinária leveza apoderar se de todo o seu corpo e em seguida estavam todos a voar por o cano acima . Harry conseguia ouvir Lockhart , lá atrás , comentando : - Espantoso , isto parece mágico ! Ar frio batia em os cabelos de Harry e antes que ele deixasse de gostar de a viagem já ela acabara . Os quatro tinham chegado a o chão molhado de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa e , enquanto Lockhart endireitava o chapéu , o lavatório voltara a o seu lugar , tapando o cano . A Murta arregalou os olhos . - Vocês estão vivos - disse inexpressivamente a o Harry . - Não é preciso mostrares te tão desiludida - respondeu ele , muito sério , limpando as nódoas de sangue e lodo de os óculos . - Bem ... é_que eu pensei que se vocês morressem seriam bem-vindos a a minha casa_de_banho - disse a Murta com um rubor prateado . - Urgh ! - fez o Ron , quando saíram de ali para o corredor deserto . - Harry , acho que a Murta está a gostar de ti . Tens concorrência , Ginny ! A Ginny continuava a chorar silenciosamente . - Onde vamos agora ? - perguntou o Ron , olhando ansiosamente para ela . Harry apontou . Fawkes indicava o caminho , com o seu tom dourado que brilhava em o corredor . Seguiram a e pouco depois estavam em o escritório de a professora Mc_Gonagall . Harry bateu e empurrou a porta que estava encostada . XVIII_A recompensa de Dobby_Durante alguns momentos reinou o silêncio enquanto Harry , Ron , Ginny e Lockhart estavam em a entrada de a porta . Cobertos de pó e de lama e ( em o caso de o Harry ) sangue . Em seguida , ouviu se um grito . - Ginny ! Era_Mrs._Weasley que tinha estado a chorar , sentada em frente de o lume . Pôs se de pé em um salto , seguida de Mr._Weasley e precipitaram se ambos para a filha . Harry olhava para trás de eles . Dumbledore rejubilava junto de a lareira , a o lado de a professora Mc_Gonagall que , agarrada a o queixo , respirava com dificuldade . Fawkes rasou as orelhas de o Harry e foi instalar se em o ombro de Dumbledore , ao_mesmo_tempo que Harry dava por si em os braços de Mrs._Weasley . - Tu salvaste a ! Salvaste a ! : __ como foi que __ conseguiste ? - Acho que todos nós gostaríamos de saber - disse , sem energia , a professora Mc_Gonagall . Mrs._Weasley soltou o Harry , que hesitou um momento . Depois , foi até a a secretária e colocou sobre o tampo o chapéu seleccionador , a espada cravejada de rubis e o que restava de o diário de Riddle . Em seguida , contou lhes tudo . Falou durante quase um quarto de hora em o silêncio extasiado : contou lhes de a voz sem corpo que ouvia , como a Hermione acabara por descobrir que se tratava de um Basilisk que circulava em os canos , como ele e o Ron tinham seguido as aranhas até a a floresta , que Aragog lhes dissera que a última vítima de o Basilisk morrera , como tinham chegado a a conclusão que se tratava de a Murta_Queixosa e que a entrada para a Câmara_dos_Segredos devia ser em aquela casa_de_banho ... - Muito bem - elogiou a professora Mc_Gonagall quando ele se calou . - Então tu descobriste onde era a entrada , infringindo uma centena de regras de a escola por o caminho , devo dizer , mas como diabo saíram vocês vivos de lá de dentro ? Harry , com a voz já um_pouco rouca de falar tanto , contou lhes de a chegada de a Fawkes e de o chapéu seleccionador que lhe tinha dado a espada . Mas , chegando aí , hesitou . Até a o momento evitara referir se a o diário de Riddle ou a a Ginny . Ela tinha a cabeça encostada a o ombro de Mrs._Weasley e as lágrimas corriam lhe ainda por o rosto . E se a expulsassem ? - pensou Harry , tomado de pânico . O diário de Riddle já não funcionava ... quem poderia provar que fora ele que a obrigara a fazer tudo aquilo ? Olhou instintivamente para Dumbledore que sorria , o fogo iluminando lhe os óculos de meia-lua . - O que mais me interessa saber - disse Dumbledore amavelmente - é como conseguiu Lord_Voldemort enfeitiçar a Ginny quando as minhas fontes me dizem que ele se esconde habitualmente em as florestas de a Albânia . Um alívio , quente e glorioso percorreu Harry de a cabeça a os pés . - O quê ? - disse Mr._Weasley , em uma voz estupefacta . - O Quem nós sabemos enfeitiçou a Ginny ? Mas a Ginny não ... a Ginny não morr ... ? - Foi este diário - esclareceu Harry rapidamente . E mostrando o a Dumbledore . - O Riddle escreveu o quando tinha dezasseis anos . Dumbledore pegou em o diário e olhou atentamente por cima de o seu nariz longo e adunco para as páginas queimadas e húmidas . - Fantástico - disse em voz baixa . - É claro que ele deve ter sido o aluno mais brilhante que alguma vez passou por Hogwarts . - Olhou em volta para os Weasley que o observavam com um ar totalmente confuso . - Muito poucas pessoas sabem que Lord_Voldemort se chamou em tempos Tom_Riddle . Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos , em Hogwarts . Ele desapareceu depois de deixar a escola , viajou muito , mergulhou tão fundo em as artes de a magia negra , associado a os piores feiticeiros , realizou transformações mágicas tão perigosas que quando reapareceu como Lord_Voldemort estava totalmente irreconhecível . Ninguém o relacionou com o rapazinho inteligente e bonito que aqui foi , em tempos , chefe de turma . - Mas a Ginny - insistiu Mrs._Weasley . - O que tem a nossa Ginny que ver com ele ? - O diário - soluçou Ginny . - Eu andei todo o ano a escrever em o diário e ele respondia me ... - Ginny ! - repreendeu Mr._Weasley . - Não aprendeste nada do_que te ensinei ? Não me cansei de dizer te que nunca confiasses em nada que não pensasse por si próprio * se não conseguisses ver onde tinha o cérebro ? * Porque não me mostraste o diário , a mim ou a a tua mãe ? Um objecto suspeito como esse tinha de estar cheio de magia negra ! - Eu não sabia - soluçou Ginny . - Estava junto de os livros que a mãe me comprou . Pensei que alguém se tinha esquecido de ele ali . - É melhor Miss_Weasley ir imediatamente para a ala hospitalar - interrompeu Dumbledore com voz firme . - Foi sujeita a uma prova terrível . Não será castigada . Outros feiticeiros mais velhos do_que ela têm sido ludibriados por Lord_Voldemort . - Dirigiu se a a porta e abriu a . - Repouso , cama e talvez uma caneca de chocolate quente . A mim , anima me sempre - acrescentou , piscando lhe simpaticamente o olho . - Vais ver que Madam_Pomfrey ainda está acordada . Ela tem estado a dar o sumo de Mandrágora , julgo que as vítimas de o Basilisk estarão a acordar dentro_de momentos . de alegria . - Então a Hermione está bem ! - disse o Ron , cheio de alegria . - Não houve danos irreversíveis - disse Dumbledore . Mrs._Weasley saiu com a Ginny e Mr._Weasley seguiu as ainda bastante abalado . - Sabes , Minerva - disse pensativo o professor Dumbledore - acho que tudo_isto merece um banquete . Posso pedir te que previnas os cozinheiros ? - Certamente - disse animada a professora Mc_Gonagall , dirigindo se também a a porta . - Deixo te a tratar de as coisas com o Potter e o Weasley , está bem ? - Claro - disse Dumbledore . Saiu e os dois olharam inseguros para Dumbledore . Que quereria ela dizer com tratar de as coisas ? Certamente não iriam ser castigados ? - Lembro me de vos ter dito a ambos que teria de vos expulsar se voltassem a quebrar as regras de a escola - disse Dumbledore . Ron abriu a boca horrorizado . - O que vem mostrar nos que as melhores pessoas , às_vezes , têm de engolir as suas próprias palavras . - Dumbledore sorriu e continuou : - Vocês vão receber ambos uma recompensa especial por serviços prestados a a escola e ... deixem me ver , sim , acho que duzentos pontos cada_um para os Gryffindor . Ron ficou tão corado que parecia as flores de S._Valentim_do_Lockhart e voltou a fechar a boca . - Mas um de vós parece demasiado calado sobre a sua participação em esta perigosa aventura - acrescentou Dumbledore . - Porquê tanta modéstia , Gilderoy ? Harry estremeceu . Esquecera se por completo de Lockhart . Voltou se e viu o a um canto de a sala ainda com o mesmo sorriso vago . Quando Dumbledore se lhe dirigiu , olhou por cima de o ombro para ver com quem ele estava a falar . - Professor_Dumbledore - disse o Ron rapidamente - Houve um acidente lá em baixo , em a Câmara_dos_Segredos . O professor Lockhart - Eu sou um professor ? - perguntou Lockhart surpreendido . - E eu que pensei que era um inútil ! - Tentou fazer um feitiço antimemória e a varinha fez ricochete - explicou Ron_a_Dumbledore . - Incrível - disse Dumbledore , abanando a cabeça , o bigode prateado a tremer . - Trespassado por a tua própria espada , Gilderoy ! - Espada ? - disse Lockhart de forma imprecisa . - Eu não tenho espada . Esse rapaz é_que tem - apontou para Harry . - Ele empresta lhe uma . - Importas te de levar também o professor Lockhart até a a ala hospitalar , Ron ? - disse Dumbledore . - Eu gostava de falar um_pouco mais com o Harry . Lockhart saiu sem pressa . Antes de fechar a porta , Ron lançou um olhar curioso a Dumbledore e Harry . Dumbledore passou para uma de as cadeiras junto de o lume . - Senta te , Harry - disse . E Harry sentou se , sentindo se indescritivelmente nervoso . - Antes de mais , Harry , quero agradecer te - disse Dumbledore com os olhos a brilharem de_novo . - Deves ter demonstrado uma grande lealdade para comigo . Só isso poderia atrair a Fawkes para ir ajudar te . Deu uma palmadinha a a fénix que voara , entretanto , para_cima de os seus joelhos . Harry sorria acanhadamente sob o olhar observador de Dumbledore . - Encontraste , portanto , Tom_Riddle - disse o director amavelmente . - Calculo que ele estaria particularmente interessado em ti ... De repente , algo que Harry tinha engasgado saiu lhe descontroladamente de a boca para fora . - Professor_Dumbledore ... o Riddle disse que eu sou como ele , que há entre nós estranhas semelhanças ... - Ah ! sim ? - Dumbledore olhou pensativamente para ele , por debaixo de as espessas sobrancelhas prateadas . - E o que achas tu de isso ? - Eu não me considero parecido com ele - disse Harry mais alto do_que desejaria . - Isto_é , eu sou um Gryffindor , eu sou ... Mas calou se com uma dúvida a rondar lhe o espírito . - Professor - arriscou passado alguns momentos . - O chapéu seleccionador disse que eu ... teria ficado bem em os Slytherin ; durante algum tempo toda_a_gente pensou que eu era o herdeiro de Slytherin por falar * serpentês * ... - Tu falas * serpentês * , Harry - disse Dumbledore calmamente - porque Lord_Voldemort que é o mais recente antepassado de Salazar_Slytherin , fala * serpentês * . Ou eu me engano muito , ou ele transferiu para ti alguns de os seus poderes em a noite em que te fez essa cicatriz . Não que quisesse fazê o , claro , mas aconteceu . - Voldemort pôs um_pouco de si próprio em mim ? - disse Harry assombrado . - É o que parece ter acontecido . - Então eu deveria estar em os Slytherin - disse Harry , olhando desesperado para o rosto de Dumbledore . - O chapéu seleccionador viu em mim os poderes de Slytherin e ... -- Pôs te em os Gryffindor - concluiu tranquilamente Dumbledore . - Ouve , Harry , tu tens por acaso muitas de as capacidades que Salazar_Slytherin apreciava em os seus estudantes cuidadosamente seleccionados . O seu raro dom de falar * serpentês * , desenvoltura , determinação , um certo desprezo por as regras estabelecidas - acrescentou com o bigode a tremer de_novo . - Mas ainda_assim , o chapéu seleccionador pôs te em os Gryffindor . E sabes porquê ? Pensa um_pouco . - Só me pôs em os Gryffindor - disse Harry em uma voz débil - porque eu pedi para não ir para os Slytherin . - Exacto - disse Dumbledore a sorrir . - E isso torna te muito diferente de o Tom_Riddle . São as tuas escolhas , Harry , que mostram quem de facto tu és , mais do_que as tuas capacidades . Harry sentou se , imóvel e espantado , em a cadeira . - Se queres provas de que o teu lugar é em os Gryffindor , sugiro que vejas isto com mais atenção . Dumbledore aproximou se de a secretária de a professora Mc_Gonagall , pegou em a espada de prata ensanguentada e mostrou lhe a . Sem perceber , Harry voltou a ao_contrário . Os rubis brilharam a a luz de a lareira e foi então que ele reparou em o nome gravado mesmo por baixo de o copo de a espada . GODRIC_GRYFFINDOR . - Só um verdadeiro Gryffindor poderia ter tirado a espada de dentro de o chapéu , Harry - disse , com simplicidade , Dumbledore . Durante um minuto , nenhum de os dois falou . Depois , Dumbledore abriu uma de as gavetas de a secretária de a professora Mc_Gonagall e retirou de lá uma pena e um tinteiro . - Tu precisas de comer e ir dormir . Sugiro que desças para o banquete enquanto eu escrevo para Azkaban . Precisamos de recuperar o nosso guarda de os campos . E tenho de esboçar um anúncio para o * _ Profeta_Diário * - acrescentou pensativo . - Vamos precisar de um novo professor de Defesa contra as artes negras . É um problema , estamos sempre a perdê os . Harry levantou se e dirigiu se a a porta . Tinha acabado de estender a mão para o puxador quando ela se abriu tão violentamente que saltou de as dobradiças . Lucius_Malfoy estava de pé , furioso . E , debaixo de o braço , embrulhado em diversas ligaduras , estava Dobby . - Boa tarde , Lucius - disse Dumbledore , de forma amena . Mr._Malfoy quase derrubou Harry enquanto entrava em a sala . Dobby dava passos miudinhos atrás de ele , inclinado até a a bainha de o seu manto com um olhar apavorado em o rosto . - Então - disse Lucius_Malfoy com os olhos fixos em Dumbledore - voltaste . Os membros de o Conselho_Directivo suspenderam te , mas tu mesmo_assim sentiste te capaz de voltar a Hogwarts . - Bem vês , Lucius - disse Dumbledore , sorrindo serenamente . - Os outros membros de o Conselho contactaram me hoje . Fui envolvido em um redemoinho de corujas , todos queriam contar me a verdade . Ouviram dizer que a filha de Arthur_Weasley tinha sido morta e queriam me novamente aqui . Parece que me consideravam o melhor homem para o lugar . Contaram me algumas histórias muito estranhas . Alguns de eles tinham a impressão que tu tinhas ameaçado amaldiçoar lhes as famílias se não concordassem com a minha suspensão . Mr._Malfoy ficou ainda mais pálido do_que de costume , mas os olhos continuavam cheios de fúria . - Então já acabaste com os ataques ? - rosnou . - Apanhaste o culpado ? - Já , sim - disse Dumbledore com um sorriso . - E quem é ? - perguntou Malfoy secamente . - A mesma pessoa de a última vez , Lucius - disse Dumbledore . Mas desta_vez , Lord_Voldemort agiu através_de outra pessoa , por_meio_de um diário . Pegou em o pequeno caderno com o buraco em o meio , observando Mr._Malfoy de perto . Mas Harry olhava para Dobby . O elfo fazia um sinal muito estranho . Com os seus grandes olhos fixos em Harry , não parava de apontar para ó diário e , em seguida , para Mr._Malfoy , batendo logo_a_seguir com o punho em a cabeça . - Estou a ver ... - disse Mr._Malfoy lentamente a Dumbledore . - Um plano inteligente - afirmou o director em um tom de voz suave , continuando a olhar Mr._Malfoy directamente em os olhos . - Porque se não fosse aqui o Harry e o seu amigo Ron a descobrirem o diário , sem dúvida Ginny_Weasley teria ficado com todas_as culpas . Ninguém teria conseguido provar que ela agira contra a sua própria vontade . Mr._Malfoy não se pronunciou . O seu rosto parecia agora uma máscara . - E vê bem - continuou Dumbledore - o que poderia ter acontecido ... os Weasley são uma de as mais proeminentes famílias de feiticeiros de sangue puro , imagina o efeito em a imagem de Arthur_Weasley e em a sua acção de protecção a os Muggles , se a sua própria filha fosse acusada de atacar e matar filhos de Muggles . Foi uma sorte o diário ter sido descoberto e as memórias de Riddle apagadas . Quem sabe que consequências poderia ter tido ? Mr._Malfoy falou contra vontade . - Sim , foi uma sorte - disse secamente . E , em as suas costas , Dobby continuava a apontar para o diário e para Lucius_Malfoy , batendo depois com o punho em a cabeça . E Harry finalmente percebeu . Fez um sinal a Dobby que correu a esconder se em um canto , torcendo desta_vez as orelhas para se castigar . - Não quer saber como a Ginny obteve esse diário , Mr._Malfoy ? - perguntou Harry . Lucius_Malfoy voltou se para ele . - Como queres que eu saiba onde é_que a estúpida de a garota o arranjou ? - Porque foi o senhor quem lhe o deu - disse Harry . - Em a Flourish and Blotts . O senhor pegou em o livro velho de ela de Transfiguração e meteu o diário lá dentro , não foi ? Viu as mãos brancas de Mr._Malfoy abrirem se e fecharem se . - Prova isso - sibilou . - Oh ! ninguém vai poder prová o - disse Dumbledore sorrindo a o Harry . - Não agora_que o Riddle desapareceu de o caderno . Por outro lado , aconselharia te , Lucius , a não dares mais nenhuma de as coisas velhas de Lord_Voldemort . Se mais alguma for parar a as mãos de crianças inocentes , acho que o Arthur_Weasley fará com que se voltem com toda_a sua carga negativa contra ti . Lucius_Malfoy ficou calado um momento e Harry viu claramente a sua mão direita torcer se como_se desejasse chegar a a varinha . Em vez de isso , voltou se para o seu elfo doméstico . - Vamos , Dobby . Abriu a porta e quando o elfo se aproximou deu lhe um pontapé que o projectou para longe . Ouviram se em o escritório os gritos de dor de Dobby em o corredor . Harry pensou durante um momento e depois decidiu se . - Professor_Dumbledore - disse apressadamente . - Posso dar o diário outra_vez a Mr._Malfoy ? - Certamente , Harry - disse Dumbledore com toda_a calma . - Mas não demores , olha o banquete . Harry agarrou em o diário e saiu de o escritório . Os gritos de dor de Dobby afastavam se ao_longe . Sem perder tempo , perguntando a si próprio se o plano poderia resultar , Harry tirou um de os sapatos , puxou uma de as peúgas enlameadas e viscosas e meteu o diário lá dentro . Em seguida correu até a o fundo de o corredor escuro . Apanhou os em o topo de as escadas . - Mr._Malfoy - disse ofegante , parando . - Tenho uma coisa para si . E meteu a peúga mal cheirosa em a mão de Lucius_Malfoy . - O que é ... ? Mr._Malfoy tirou o diário de dentro de a peúga , deitou a fora e olhou furioso para o caderno estragado e para Harry - Ainda vais acabar por ter um fim igual a o de os teus pais um dia de estes , Harry_Potter - disse em voz baixa . - Eles também eram uns idiotas metediços . Voltou se para se ir embora . - Anda , Dobby , vem ! Mas Dobby não se mexeu . Tinha em as mãos a peúga nojenta de o Harry e olhava para ela como_se fosse um tesouro de valor incalculável . - O senhor deu uma peúga a o Dobby - disse o elfo maravilhado . - Deu a a o Dobby . - O que é isso ? - cuspiu Mr._Malfoy . - Que estás para aí a dizer ? - Dobby tem uma peúga - repetiu incrédulo . - O senhor deitou a fora e Dobby apanhou a e Dobby agora é livre ... Lucius_Malfoy ficou paralisado a olhar para o elfo . Em seguida precipitou se para Harry . - Fizeste me perder o meu servo , rapaz . Mas Dobby gritou : - Não pense que vai fazer mal a o Harry_Potter ! Ouviu se um enorme estrondo e Mr._Malfoy foi empurrado de costas , galgando os degraus de as escadas a três_e_três e indo aterrar lá em baixo todo embrulhado e amarrotado . Levantou se , o rosto lívido e pegou em a varinha , mas Dobby estendeu lhe um dedo ameaçador . - Vá se embora já - disse furioso , apontando para Mr._Malfoy . - Não tocará em o Harry_Potter . Vá se embora , já . Lucius_Malfoy não teve escolha . Lançando a os dois um último olhar de cólera , embrulhou se em o manto e desapareceu . - Harry_Potter libertou Dobby ! - disse o elfo com voz esganiçada , olhando para Harry , a luz de o luar reflectida em os seus grandes olhos em forma de globos . - Harry_Potter libertou Dobby . - Era o mínimo que eu podia fazer , Dobby - disse Harry a sorrir -- , mas promete me que não vais voltar a tentar salvar me a vida . A cara feia e escura de o elfo abriu se , mostrando os dentes , em um enorme sorriso . - Tenho uma pergunta a fazer te , Dobby - disse Harry enquanto o elfo pegava em a peúga de ele com as mãos a tremer . - Disseste me que tudo_isto não tinha nada que ver com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Lembras te ? - Era uma pista , senhor - disse Dobby com os olhos muito abertos como_se fosse absolutamente óbvio . - Dobby estava a dar lhe uma pista . Antes de o senhor de o mal mudar de nome , o seu nome podia ser pronunciado , está a ver ? - Certo - disse Harry sem grande convicção . - Bem , é melhor eu ir indo embora . Há um banquete e a minha amiga Hermione já deve ter acordado ... Dobby lançou os braços a a cintura de Harry e abraçou o . - Harry_Potter é muito maior do_que Dobby imaginava ! - soluçou . - Adeus , Harry_Potter . E com um estalido final , Dobby desapareceu . Harry assistira a diversos banquetes , mas nenhum que se parecesse com aquele . Estavam todos de pijama e a festa durou a noite inteira . Harry não sabia se o melhor tinha sido a Hermione a correr para ele e a gritar : - Tu conseguiste . Tu conseguiste ! , ou o Justin saindo disparado de a mesa de os Hufflepuff para lhe estender a mão , desfazendo se em desculpas por ter suspeitado de ele , ou o Hagrid que apareceu a as três_e_meia e que lhes deu palmadas com tanta força em os ombros que eles foram parar dentro de os pratos de bolo de creme , ou os quatrocentos pontos que ele e o Ron obtiveram para os Gryffindor , ganhando a taça de a equipa por a segunda vez consecutiva , ou a professora Mc_Gonagall de pé , a comunicar lhes que os exames tinham sido cancelados como medida de a escola ( Oh ! não ! exclamou Hermione ) , ou Dumbledore a anunciar que , infelizmente , o professor Lockhart não poderia voltar em o ano seguinte por ter de se ausentar a_fim_de recuperar a memória . Alguns de os professores juntaram se a os alunos que aplaudiram entusiasmados esta notícia . - Que pena - disse Ron , servindo se de um * dounut * de presunto . - E eu que começava a gostar de ele ... O resto de o período de Verão decorreu sob um sol escaldante . Hogwarts voltara a a normalidade , apenas com algumas pequenas diferenças : as aulas de Defesa contra as artes negras foram canceladas ( Mas nós tivemos imensa prática - disse o Ron vendo o descontentamento de Hermione ) e Lucius_Malfoy foi demitido de o Conselho_Directivo . Draco já não passeava por ali como_se fosse o dono de a escola . Pelo_contrário , tinha um ar melindrado e carrancudo . Por outro lado , Ginny_Weasley andava de_novo feliz de a vida . Em_breve chegou o dia de regressarem a casa em o Expresso_de_Hogwarts . Harry , Ron , Hermione , Fred , George e Ginny encheram um compartimento . Tiraram o_máximo partido de aquelas últimas horas em que lhes era permitido usar a magia antes de as férias . Brincaram a as explosões , gastaram o último fogo-de-artíficio Filibuster , de o Fred e de o George e treinaram o mútuo desarmamento através de a magia . Harry começava a ficar muito bom em aquilo . Já estavam perto de a estação de King's_Cross quando Harry se lembrou de uma coisa . - Ginny , o que foi que viste o Percy fazer que ele não queria que nos contasses ? - Ah ! isso - disse a Ginny a rir . - Bem , é_que o Percy tem uma namorada . Fred deixou cair uma pilha de livros em a cabeça de o George . - O quê ? - É aquela prefeita de os Ravenclaw ' Penelope_Clearwater - disse a Ginny . - Foi para ela que ele escreveu durante todo o Verão . Encontravam se em a escola em grande segredo . Eu apanhei os a beijarem se em uma sala de aula vazia e ele ficou tão aflito quando ela foi ... sabes ... atacada . Não vais aborrecê o , pois não ? - perguntou cheia de ansiedade . - Que ideia - respondeu Fred com uma tal satisfação em o rosto que parecia que o seu aniversário chegara mais cedo . - Claro que não - disse o George a rir se a a socapa . O Expresso_de_Hogwarts abrandou e finalmente parou . Harry tirou a pena e um_pouco de pergaminho e voltou se para Ron e Hermione . - Isto_é um número de telefone - disse ele a o Ron , escrevinhando o duas vezes , cortando o pergaminho a o meio e dando lhes os números . - Eu expliquei a o teu pai como usar um telefone em o Verão passado . Ele sabe fazer a chamada . Liga me para_casa de os Dursley , O. _ K. ? Não consigo suportar outros dois meses sem ter mais ninguém com quem falar ... - Mas a tua tia e o teu tio vão ficar orgulhosos de ti , não vão ? - perguntou Hermione quando saíram de o comboio e se misturaram em a multidão que se encontrava junto de a barreira encantada . - Quando souberem o que fizeste este ano . - Orgulhosos ? - disse Harry . - Estás doida ! Podendo eu ter morrido tantas vezes e tendo escapado ? Vão ficar é furiosos ... E juntos avançaram até a a entrada para o mundo de os Muggles . ----------------- J._K._Rowling_Harry_Potter e a Câmara_dos_Segredos_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Chamber of Secrets_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling 1998 Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 2000 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 2.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 Depósito legal : 143.569/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , a a Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Para_Séan_P._F._Harris , condutor imparável e um amigo de os diabos . I_O pior aniversário Não era a primeira vez que uma discussão estoirava a a mesa de o pequeno-almoço , em o número 4 de a Privet_Drive . Mr._Vernon_Dursley fora acordado de manhã cedo por o piar ruidoso que vinha de o quarto de o seu sobrinho Harry . - É a terceira vez esta semana ! - resmungou , a a mesa . - Se não consegues controlar essa coruja , ela não pode ficar aqui . Harry tentou , mais_uma_vez , explicar . - Ela está aborrecida . Estava habituada a voar livremente lá fora . Se eu pudesse , ao_menos , soltá a a a noite ... - Achas me com cara de idiota ? - perguntou rispidamente o tio Vernon , com um fio de ovo preso em o bigode farfalhudo . - Sei muito bem o que aconteceria se essa coruja fosse lá para fora . Trocou um olhar soturno com a mulher , a tia Petúnia . Harry tentou contra-argumentar , mas as suas palavras foram abafadas por um enorme arroto de o filho de os Dursleys , Dudley . - Quero mais bacon . - Há mais em a frigideira , fofinho - disse a tia Petúnia , lançando um olhar vago a o seu filho maciço . - Tens que te alimentar bem enquanto aqui estás , aquela comida de a tua escola não me cheira . - Disparate , Petúnia , eu nunca passei fome enquanto andei em Smeltings - afirmou com sinceridade o tio Vernon . - O Dudley tem que chegue . Não é verdade , filho ? Dudley , que era tão gordo que o rabo saía de os dois lados de a cadeira de a cozinha , sorriu laconicamente e voltou se para Harry . - Passa me a frigideira . -- Esqueceste te de a palavra mágica - disse Harry , irritado . O efeito que esta simples frase teve em o resto de a família foi inacreditável : Dudley começou a arfar e caiu de a cadeira com um estrondo que abalou a cozinha , Mrs._Dursley deu um gritinho e bateu com a mão em a boca , Mr._Dursley pôs se de pé com as veias de as têmporas dilatadas . - Eu queria dizer « por favor » - explicou Harry rapidamente . - Não me referia a ... - : __ o que é_que eu te __ disse - vociferou o tio , espalhando perdigotos sobre a mesa - : __ sobre pronunciar a palavra m . em esta __ casa ? - Mas eu ... - : __ como te atreves a ameaçar o __ dudley ! - rosnou o tio Vernon , batendo com o punho em a mesa . - Eu só ... - : __ estás avisado . não vou admitir referências a tua anormalidade debaixo de o tecto de a minha __ casa ! Harry olhou alternadamente para o rosto congestionado de o tio e para a palidez de a tia que tentava pôr o Dudley de pé . - Está bem - disse Harry . - Está bem ... O tio Vernon voltou a sentar se , respirando como um rinoceronte exausto e observando Harry de perto por o canto de os seus olhos pequeninos e penetrantes . Desde_que Harry regressara para as férias de Verão que o tio Vernon o tratava como_se ele fosse uma bomba , capaz de explodir a qualquer momento , porque Harry não era um rapazinho normal . Em a verdade , ele era o menos normal que é possível imaginar . Harry_Potter era um feiticeiro , um feiticeiro que acabara de concluir o primeiro ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts e a infelicidade que os Dursleys sentiam por ele estar lá em casa não era nada comparada com a de Harry . As saudades de Hogwarts eram tão intensas que se assemelhavam a uma constante dor em o estômago . Sentia a falta de o castelo com as suas passagens secretas e os seus fantasmas , de as aulas ( com excepção talvez de as de Snape , o professor de as poções ) , de o correio a chegar trazido por as corujas , de os banquetes em o salão nobre , de as noites em as camas de dossel em a camarata de a torre , de as visitas a Hagrid , o guarda de os campos em a sua casinha em o bosque , junto de a floresta proibida e , principalmente , sentia a falta de o Quidditch , o desporto mais popular de o mundo de os feiticeiros ( seis postes altos de golo , quatro bolas esvoaçantes e catorze jogadores em_cima_de vassoura ) . Todos os livros de feitiços de Harry , assim_como a varinha , os mantos , o caldeirão e a vassoura topo de gama Nimbus dois_mil tinham sido encerrados por o tio Vernon em a despensa que ficava debaixo de as escadas , em o momento em que Harry regressara a casa . O que é_que lhes interessava se ele perdia ou não o seu lugar em a equipa de Quidditch por não ter praticado durante todo o Verão ? Que importância tinha para eles que o Harry voltasse a a escola sem ter podido fazer os trabalhos de casa ? Os Dursleys eram aquilo que os feiticeiros chamam « Muggles » ( nem uma gota de sangue mágico em as veias ) e , para eles , ter um feiticeiro em a família era motivo de grande vergonha . O tio Vernon tinha , inclusivamente , fechado a cadeado a coruja de Harry , Hedwig , dentro de a gaiola , para evitar que ela transportasse mensagens para a gente de o mundo de a feitiçaria . Harry não se parecia em nada com o resto de a família . O tio Vernon era atarracado e sem pescoço , dotado de um enorme bigode preto ; a tia Petúnia tinha um rosto cavalar e era esquelética ; Dudley era loiro e rosado como um porquinho . Harry , pelo_contrário , era baixo e franzino , com os olhos verdes brilhantes e cabelo negro sempre desalinhado . Usava uns óculos redondos e tinha em a testa uma cicatriz em forma de relâmpago . Era essa cicatriz que o tornava tão invulgar , mesmo para um feiticeiro . Era a única alusão a o seu passado misterioso , a o motivo por o qual , onze anos antes , tinha sido deixado em o degrau de a porta de os Dursleys . Com um ano de idade , Harry sobrevivera a uma maldição de o maior feiticeiro negro de todos os tempos , Lord_Voldemort , cujo nome a maior parte de os feiticeiros e feiticeiras ainda receia pronunciar . Os pais de Harry tinham morrido em um ataque de Voldemort , mas ele escapara com a sua cicatriz em forma de relâmpago e estranhamente , ninguém compreendeu porquê , os poderes de Voldemort tinham sido destruídos em o momento em que não fora capaz de matar o Harry . Por isso , ele foi criado por a irmã de a sua falecida mãe e respectivo marido . Passou dez anos com os Dursleys , sem nunca compreender porque fazia com que acontecessem coisas estranhas , alheias a a sua vontade , acreditando em a história de os Dursleys de que aquela cicatriz fora resultado de um acidente de automóvel em que os pais tinham morrido . E um dia , precisamente um ano antes , Hogwarts escrevera lhe e fora então que tudo começara . Harry fora ocupar o seu lugar em a escola de feitiçaria , onde ele e a sua cicatriz eram famosas ... mas agora o ano escolar chegara a o fim e estava de_novo com os Dursleys . Durante o Verão , voltara a ser tratado como um cão malcheiroso . Os Dursleys nem se tinham lembrado que aquele era o dia de o seu décimo segundo aniversário . É claro que não tivera grandes expectativas : eles nunca lhe tinham dado um presente a sério , muito menos um bolo , mas ignorarem o por completo ... Em esse momento , o tio Vernon pigarreou com um ar importante e disse : - Como todos sabem , hoje é um dia muito importante . Harry olhou para ele , mal conseguindo acreditar . - Pode bem ser que eu faça hoje o maior negócio de toda_a minha vida - afirmou . Harry voltou novamente a atenção para a torrada . É claro , pensou amargamente , o tio Vernon referia se a a estúpida dinner-party . Havia quinze_dias que não falava de outra coisa . Um consultor qualquer cheio de massa e a mulher vinham jantar lá a casa e o tio Vernon tinha esperança de conseguir uma grande encomenda ( a empresa de o tio Vernon fabricava brocas ) . - Acho que devíamos recapitular mais_uma_vez - disse o tio Vernon . - Devemos estar todos a postos a as oito_horas_em_ponto . Petúnia , tu vais estar ... ? - Em o salão - respondeu a tia Petúnia prontamente - a a espera para lhes dar as boas-vindas a nossa casa . - Bom , bom . E o Dudley ? - Eu vou estar a a espera para abrir a porta . - Dudley esboçou um sorriso falso e afectado . - Dão me licença que vos guarde os casacos , Mr. e Mrs._Mason ? - Eles vão adorá o - exclamou arrebatadamente a tia Petúnia . - Excelente , Dudley - disse o tio Vernon . - A seguir voltou se para o Harry . - E tu ? - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - repetiu o Harry , de forma inexpressiva . - Exactamente - confirmou o tio Vernon , de um modo desagradável . - Eu conduzo os até a o salão , apresento te , Petúnia , e sirvo lhes as bebidas . _ a as oito_e_um_quarto . - Eu chamo para a mesa - disse a tia Petúnia . - E tu , Dudley , vais dizer ... - Dá me licença que lhe indique a casa de jantar , Mrs._Mason ? - repetiu o Dudley , oferecendo o seu braço gordo a uma mulher invisível . - O meu pequenino cavalheiro - fungou a tia Petúnia . - E tu ? - perguntou o tio Vernon a o Harry , em o mesmo tom desagradável . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho , fingindo que não estou lá - respondeu Harry aborrecido . - Isso mesmo . Agora , devíamos ter preparadas algumas frases amáveis para o jantar . Petúnia , alguma ideia ? - O Vernon disse me que o senhor é um excelente jogador de golfe , Mr._Mason ... Tem de me dizer onde comprou esse vestido , Mrs._Mason ... - Perfeito . Dudley ? - Que tal : Tivemos de fazer um trabalho para a escola sobre o nosso herói e eu escrevi sobre o senhor ... Foi de mais , tanto para a tia Petúnia como para o Harry . A tia debulhou se em lágrimas e abraçou o filho , enquanto Harry se esgueirava para debaixo de a mesa para ninguém o ver rir . - E tu , rapaz ? Harry fez um esforço para se mostrar inexpressivo quando emergiu . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - disse . - Vais sim senhor - afirmou o tio Vernon energicamente . - Os Mason não sabem nada a teu respeito e é assim que as coisas vão continuar . Quando o jantar terminar , tu trazes Mrs._Mason para o salão , onde vamos tomar café , Petúnia , e eu puxo o assunto de as brocas . Com um_pouco de sorte , tenho o contrato assinado antes de o noticiário de as dez . Amanhã por esta hora , vamos estar a fazer compras para umas férias em Maiorca . Harry não conseguia sentir o menor entusiasmo com aquilo . Não lhe parecia que os Dursleys gostassem mais de ele em Maiorca do_que em Privet_Drive . - Certo , eu vou a a cidade buscar os casacos para mim e para o Dudley . E tu - resmungou , apontando para Harry - não atrapalhes a tua tia enquanto ela estiver a limpar . Harry saiu por a porta de as traseiras . Estava um dia de sol lindo . Atravessou o relvado , deixou se cair em o banco de o jardim e cantarolou baixinho : - Parabéns para mim ... parabéns para mim ... Nem cartas nem presentes e tinha de passar a noite a fingir que não existia . Olhou infeliz para a sebe . Nunca se sentira tão só . Mais do_que tudo em o mundo , mais do_que de Hogwarts , mais até do_que de o jogo de Quidditch , Harry sentia a falta de os amigos Ron_Weasley e Hermione_Granger . Mas eles não pareciam sentir a falta de ele . Nenhum de os dois lhe escrevera durante todo o Verão apesar_de o Ron ter dito que ia convidá o para passar uns dias lá em casa . Inúmeras vezes Harry estivera quase a libertar magicamente Hedwig de a sua gaiola e mandá a levar uma carta a o Ron e a a Hermione mas não valia a pena correr o risco . Os feiticeiros menores de idade não tinham autorização para usar a magia fora de a escola . Harry não contara isto a os Dursleys . Ele sabia que era o medo de que ele os transformasse a todos em baratas que os impedia de o fecharem a a chave em a despensa debaixo de as escadas , juntamente com a varinha e a vassoura . Em as primeiras semanas Harry divertira se a murmurar baixinho palavras sem sentido e a ver o Dudley sair disparado de o quarto , tão rápido quanto as suas pernas gordas lhe permitiam . Mas o silêncio prolongado de Ron e Hermione tinham o feito sentir se tão longe de o mundo de a magia que até divertir se à_custa_de Dudley perdera o interesse . E agora o Ron e a Hermione tinham se esquecido de o seu aniversário . Quanto não daria ele por uma mensagem de Hogwarts ? De qualquer feiticeiro ou feiticeira ? Quase ficaria satisfeito com um sinal de o seu inimigo feroz , Draco_Malfoy , só para ter a certeza de que tudo aquilo não fora apenas um sonho ... Não que tudo durante o ano em Hogwarts tivesse sido divertido . Mesmo em o fim de o último período , Harry confrontara se nem mais nem menos do_que com o próprio Lord_Voldemort . Voldemort podia ter arruinado o seu ego inicial mas continuava a espalhar o terror , ainda astuto , ainda determinado a recuperar o poder . Harry escapara uma segunda vez a as suas garras mas fora por um triz e mesmo agora , algumas semanas decorridas , acordava de noite encharcado em suores frios , perguntando se onde estaria Voldemort , relembrando o seu rosto lívido , os seus olhos completamente loucos ... Harry sentou se subitamente , direito como um fuso , em o banco de o jardim . Tinha estado a olhar distraído para a sebe e a sebe estava a olhar para ele . Dois enormes olhos verdes surgiram por_entre a folhagem . Harry pôs se de pé ao_mesmo_tempo que uma voz sobrevoava a relva . - Eu sei que dia é hoje - cantarolava Dudley , bamboleando se enquanto se aproximava . Os olhos enormes piscaram e desapareceram . - O quê ? - perguntou Harry sem retirar os olhos de o lugar para_onde estava a olhar . - Eu sei que dia é hoje - repetiu , chegando junto de ele . - Ainda_bem - disse Harry . - Aprendeste finalmente os dias de a semana . - Hoje é o dia de os teus anos - troçou o Dudley . - Por_que é_que não recebeste nenhuma carta ? Não tens amigos em esse lugar esquisito ? - É melhor não deixares a tua mãe ouvir te falar de a minha escola - disse Harry calmamente . Dudley puxou para_cima as calças que estavam a escorregar lhe por o rabo gordo abaixo . - Porque estás a olhar para a sebe . ; - perguntou curioso . - Estou a pensar em as palavras que deverei pronunciar para lhe pegar fogo - disse Harry . Dudley recuou de imediato com um olhar de pânico em a cara rechonchuda . - Tu não p-p-odes , o pai disse que não podias fazer magia ou corria contigo aqui de casa e não tens mais nenhum lugar para_onde ir , não tens amigos que te convidem ... - * _ Jiggery pokery * ! - disse Harry com voz firme . - * _ Hocus pocus ... squiggly wiggly * ... - Maaaaaãe - gritou Dudley , tropeçando em os pés , enquanto se precipitava para dentro_de casa . Maaaãe , ele vai fazer aquela coisa ! Harry deu graças a os céus por aquele momento de gozo . Como não aconteceu nada de mal nem a o Dudley nem a a sebe , a tia Petúnia percebeu que ele não fizera magia nenhuma mas , mesmo_assim , Harry teve de se afastar quando ela lhe deu uma forte pancada em a cabeça com a frigideira cheia de detergente . A seguir distribuiu lhe trabalho e o castigo de só voltar a comer quando tivesse acabado tudo . Enquanto Dudley andava a flanar , olhando para o ar e comendo gelados , Harry limpou as janelas , lavou o carro , aparou a relva , adubou os canteiros , podou e regou as rosas e pintou de_novo o banco de o jardim . O sol ardia lá em cima , queimando lhe a parte de trás de o pescoço . Harry sabia que não devia ter provocado Dudley mas ele dissera precisamente aquilo que ele próprio pensava ... talvez não tivesse amigos em Hogwarts . Deviam ver agora o famoso Harry_Potter , pensou amargamente enquanto espalhava adubo em os canteiros , as costas a doerem lhe e o suor a escorrer lhe por o rosto . Eram sete_e_meia_da_tarde quando , por fim , exausto , ouviu a tia Petúnia a chamá o . - Anda para dentro e passa por cima de os jornais . Harry entrou satisfeito em a sombra de a cozinha que rebrilhava . Sobre o frigorífico estava o bolo de a noite : um enorme monte de crome batido coberto de violetas de açúcar . A carne de porco assava em o forno . - Come depressa , os Mason devem estar a chegar ! - exclamou bruscamente a tia Petúnia , apontando para duas fatias de pão e uma de queijo que estavam em cima de a mesa de a cozinha . Ela já tinha posto um vestido de * cocktail * cor de salmão . Harry lavou as mãos e comeu aquele triste jantar . Mal tinha terminado , a tia Petúnia tirou lhe o prato . - Lá para_cima , rápido ! A o passar por a porta de a sala , Harry vislumbrou o tio Vernon e Dudley de casaco e gravata . Tinha acabado de chegar a o cimo de as escadas quando a campainha de a porta tocou e a cara de o tio Vernon apareceu em o patamar . - Lembra te , rapaz , um ruído que seja ... Harry entrou em o quarto em bicos de pés , fechou a porta e preparou se para se meter em a cama . O problema é_que estava lá alguém sentado . II_O aviso de Dobby_Harry conseguiu não gritar , mas foi por_pouco . A pequena criatura que estava em a cama tinha umas orelhas grandes e largas e uns olhos verdes protuberantes de o tamanho de bolas de ténis . Harry percebeu imediatamente que fora para ele que tinha estado a olhar de manhã . Enquanto olhavam um para o outro , Harry ouviu a voz de Dudley em o * hall * . - Posso guardar os vossos casacos , Mr. e Mrs._Mason ? A criatura escorregou por a cama e curvou se tanto que a ponta de o seu enorme nariz tocou em o tapete . Harry reparou que ele tinha vestido uma espécie de fronha de almofada com buracos para os braços e pernas . - Er ... Olá - disse Harry , um_pouco nervoso . - Harry_Potter ! - exclamou a criatura em uma voz tão estridente que Harry calculou que poderia ouvir se lá em baixo . - Há tanto tempo que Dobby queria conhecê o , senhor . É uma enorme honra ... - Ob-obrigado - disse Harry , deslocando se a o longo de a parede e sentando se em a cadeira de a secretária , junto de Hedwig que dormia em a sua grande gaiola . Queria perguntar lhe « O que és tu ? » , mas pensou que seria má educação , por isso perguntou : - Quem és tu ? - Dobby , senhor . Apenas Dobby , o elfo de casa - afirmou a criatura . - Oh ! A sério ? - perguntou Harry . - Não quero ser mal-educado , mas esta não é a melhor altura para ter um elfo em o meu quarto . O riso falso de a tia Petúnia ouvia se em a sala de jantar . O elfo deixou cair a cabeça . - Não que eu não me sinta feliz por te conhecer - disse Harry rapidamente - mas , er ... estás aqui por algum motivo em especial ? - Oh , sim senhor - disse Dobby muito a sério . - Dobby veio dizer lhe que ... é difícil ... Dobby não sabe por_onde começar ... - Senta te - disse Harry educadamente , apontando lhe a cama . Para seu horror , o elfo debulhou se em lágrimas bastante ruidosas . -- S-senta-te ! - repetiu . - Nunca em toda_a minha vida ... Harry pareceu lhe ouvir as vozes lá em baixo vacilarem . - Desculpa - murmurou . - Eu não queria ofender te ... - Ofender Dobby ! - exclamou o elfo em um sufoco . - Nunca nenhum feiticeiro disse a o Dobby que se sentasse como um seu igual , senhor . Harry , tentando dizer lhe « Sch ... » e confortá o ao_mesmo_tempo , conduziu Dobby de_novo até a a cama onde ele se sentou a soluçar , parecendo uma grande boneca muito feia . Por fim , conseguiu controlar se e ficou quieto , com os seus grandes olhos fixos em Harry em uma expressão de absoluta adoração . - Não deves ter conhecido muitos feiticeiros sérios - disse lhe , tentando animá o . Dobby abanou a cabeça . Em seguida , sem qualquer aviso , saltou e começou a bater furiosamente com a cabeça em a janela , gritando : - Dobby é mau ! Dobby é mau ! - Pára , o que é_que estás a fazer ? - perguntou Harry em um murmúrio sibilante , dando um salto e puxando Dobby de_novo para a cama . Hedwig acordara com um pio particularmente agudo e batia agressivamente com as asas contra as grades de a gaiola . - Dobby tinha que se castigar , meu senhor - afirmou o elfo , que ficara ligeiramente estrábico . - Dobby quase falou mal de a família de ele ... - De a tua família ? - De a família de feiticeiros que Dobby serve , meu senhor ... O Dobby é um elfo de casa , obrigado a servir uma casa e uma família para sempre . - Eles sabem que estás aqui ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Dobby estremeceu . - Oh , não senhor , não ... Dobby vai ter que se castigar muito por ter vindo vê o . Dobby vai ter que entalar as orelhas em a porta de o forno por isto . Se eles soubessem , senhor ... - Mas achas que eles não vão reparar se tu entalares as orelhas em a porta de o forno ? - Dobby duvida , senhor . Dobby está sempre a ter de se castigar por qualquer coisa . Eles deixam que o Dobby se castigue . _ às_vezes até sugerem alguns castigos extra . - Mas por_que é_que não te vais embora , não foges ? - Um elfo de casa tem de ser libertado , senhor . E a família nunca libertará Dobby . Dobby servirá a família até morrer . Harry olhou para ele . - E eu que pensava que era infeliz por ter de ficar aqui mais quatro semanas - declarou . - Isto faz os Dursleys parecerem quase humanos . Será que ninguém te pode ajudar ? Poderei eu ? Em o mesmo momento , Harry desejou não ter aberto a boca . Dobby desfez se em ruidosos soluços de gratidão . - Por favor - murmurou Harry , inquieto . - Por favor , está calado . Se os Dursleys ouvem barulho , se eles sabem que estás aqui ... - Harry_Potter pergunta se pode ajudar Dobby . Dobby ouviu falar de a sua grandeza , mas de a sua bondade , Dobby nada sabia . Harry , que se sentia corar , disse : - Seja o que for que tenhas ouvido sobre a minha grandeza , é um disparate . Nem_sequer sou o melhor de o meu ano em Hogwarts . É a Hermione . Ela ... Mas calou se rapidamente porque pensar em Hermione era lhe doloroso . - Harry_Potter é humilde e modesto - disse Dobby reverentemente , com os seus olhos de globo avermelhados . - Harry_Potter não fala de a sua vitória sobre « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . - Voldemort ? - perguntou Harry . Dobby bateu com as mãos em as enormes orelhas e gemeu : - Ai não diga o nome , senhor . Não diga o nome ! - Desculpa - disse Harry muito depressa . - Eu sei que muita gente não gosta . O meu amigo Ron ... Calou se de_novo . Pensar em o Ron era igualmente doloroso . Dobby voltou para Harry os seus dois olhos grandes como candeeiros . - Dobby ouviu dizer - balbuciou com voz rouca - que Harry_Potter encontrou o Senhor_do_Mal uma segunda vez há poucas semanas atrás ... que Harry_Potter lhe escapou de_novo . Harry acenou e os olhos de Dobby encheram se de lágrimas . - Ah , senhor - disse em um sobressalto , limpando o rosto com a ponta de a fronha de almofada que tinha vestida . - Harry_Potter é valente e arrojado . Enfrentou tantos perigos ! Mas Dobby veio protegê o , avisar Harry_Potter , mesmo_que para isso tenha de entalar as orelhas em a porta de o forno , que Harry_Potter não deve voltar para Hogwarts . Houve um silêncio apenas quebrado por o ruído de os garfos e de as facas lá em baixo e por a voz distante de o tio Vernon . - O q-q-uê ? - gaguejou Harry . - Mas eu tenho de voltar , o ano começa em o dia um de Setembro . É a minha razão de viver . Tu não sabes como são as coisas aqui . Eu não pertenço a este lugar , o meu lugar é em Hogwarts . - Não , não , não - guinchou Dobby , sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas andavam de um lado para o outro . - Harry_Potter deve ficar aqui , onde se encontra a salvo . É demasiado grande , demasiado bom para se perder . Se Harry_Potter regressar a Hogwarts correrá perigo de vida . - Porquê ? - inquiriu Harry , surpreendido . - Há uma conspiração , Harry_Potter . Uma conspiração para fazer acontecer coisas terríveis este ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts - murmurou Dobby que começara a tremer de a cabeça a os pés . - Dobby sabe de isto há meses , senhor . Harry_Potter não deve expor se a o perigo . É demasiado importante . - Que coisas terríveis são essas ? - perguntou Harry sem perder tempo . - Quem está por detrás ? Dobby fez um ruído esquisito e começou a bater com a cabeça contra a parede como um louco . - Está bem - gritou Harry , agarrando o braço de o elfo para o fazer parar . - Não podes dizer , eu compreendo . Mas porque vieste avisar me ? - Um pensamento súbito e desagradável surgiu lhe . - Espera aí , isto tem alguma coisa que ver com o Vol , desculpa com o Quem nós sabemos ? Basta que faças sim ou não com a cabeça - acrescentou com vivacidade enquanto a cabeça de Dobby se inclinava de_novo a uma velocidade preocupante para a parede . Lentamente , Dobby abanou a cabeça . - Não , não é « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . Os olhos de Dobby estavam abertos como_se estivesse a tentar dar a Harry uma pista , mas Harry estava completamente a a nora . - Ele não tem nenhum irmão , ou tem ? Dobby abanou a cabeça , os olhos mais abertos do_que nunca . - Bem , em esse caso não estou a ver quem mais poderia ter a possibilidade de fazer acontecer coisas horríveis em Hogwarts - disse Harry . - Quero dizer , para já está lá o Dumbledore . Sabes quem é Dumbledore , não sabes ? Dobby baixou a cabeça . - Albus_Dumbledore é o melhor director que Hogwarts alguma vez teve . Dobby sabe , senhor . Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore rivalizam com os d'aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Mas , senhor - a voz de Dobby desceu a um urgente murmúrio - há poderes que Dumbledore não ... poderes que nenhum feiticeiro sério ... E antes que Harry conseguisse impedi o Dobby saltou de a cama , agarrou o candeeiro de secretária de Harry e começou a bater com a cabeça , dando uivos ensurdecedores . Fez se silêncio lá em baixo . Dois segundos mais tarde , Harry com o coração a bater como um louco , ouviu o tio Vernon chegar a o * hall * e dizer . - O Dudley deve ter deixado outra_vez a televisão ligada , o maroto ! - Depressa , para dentro de o guarda-fatos - gritou Harry , empurrando Dobby bem para o fundo , fechando a porta e metendo se a correr em a cama mesmo a_tempo_de ver a maçaneta de a porta a girar . - Que diabo estás tu a fazer ? - disse o tio Vernon entre dentes , o rosto assustadoramente próximo de o de Harry . - Acabas de estragar o ponto alto de a minha anedota de o golfista japonês . Eu que oiça mais um som e vais desejar nunca ter nascido , rapaz ! Abandonou o quarto com grandes passadas . A tremer , Harry deixou Dobby sair de o guarda-fatos . - Estás a ver como são as coisas por aqui ? - disse . - Vês porque tenho de voltar para Hogwarts ? É o único sítio onde eu tenho ... bem , onde eu acho que tenho amigos . - Amigos que nem_sequer escrevem a Harry_Potter ? - disse Dobby com ar manhoso . - Calculo que devem ter estado ... espera aí - disse Harry , franzindo a testa . - Como é_que tu sabes que os meus amigos não me têm escrito ? Dobby arrastou os pés . - Harry_Potter não deve zangar se com Dobby . Dobby fez o que achou melhor ... - Tu tens estado a interceptar me as cartas ? - Dobby tem as aqui , senhor - disse o elfo . Saltando para longe de o alcance de Harry , retirou de dentro de a fronha que usava um espesso saco cheio de envelopes . Harry reconheceu de imediato a caligrafia certinha de Hermione , a escrita desordenada de Ron e até uns gatafunhos que pareciam ser de o guarda de os campos de Hogwarts , Hagrid . Dobby piscava ansiosamente os olhos . - Harry_Potter não deve ficar zangado ... Dobby esperava que ... se Harry_Potter pensasse que os amigos o tinham esquecido ... Harry_Potter talvez não quisesse voltar a a escola , senhor . Harry não o ouvia . Fez um gesto para agarrar as cartas , mas Dobby deu um salto , afastando se . - Harry_Potter terá as cartas , senhor , se der a Dobby a sua palavra de não voltar a Hogwarts . Ah , senhor , é um risco que não deve correr . Diga que não volta , senhor ! - Não - afirmou Harry zangado . - Dá me as cartas de os meus amigos ! - Em esse caso , Harry_Potter deixa Dobby sem escolha - disse o elfo tristemente . Antes que Harry pudesse fazer um movimento , Dobby tinha aberto a porta de o quarto e descido a correr por as escadas abaixo . Com a boca seca e um aperto em o estômago , Harry correu atrás de ele , tentando não fazer barulho . Saltou os últimos seis degraus , aterrando como um gato em a carpete de o * hall * , olhando em volta a a procura de Dobby . De a sala de jantar , ouviu a voz de o tio Vernon : - Conte a a Petúnia aquela história engraçadíssima de os funileiros americanos , ela tem estado louca por ouvi a , Mr._Mason . Harry correu de o * hall * para a cozinha e sentiu o estômago ficar pequenino . O pudim , que era a a obra-prima de a tia Petúnia , a montanha de creme batido coberto de violetas de açúcar flutuava junto de o tecto . Em cima de o guarda-louça de o canto , Dobby inclinava se servilmente . - Não - suplicou Harry . - Por favor , eles matam me . - Harry_Potter deve dizer que não vai voltar a a escola ... - Dobby , por favor . - Diga , senhor . - Não posso . Dobby lançou lhe um olhar trágico . - Então , Dobby deve fazê o , senhor , para o bem de Harry_Potter . O pudim foi direito a o chão em uma queda que parecia um coração a parar . O crome esguichou para as janelas e para as paredes , enquanto o prato se despedaçava . Com o ruído de uma chicotada , Dobby desapareceu . Ouviram se gritos em a casa de jantar e o tio Vernon irrompeu por a cozinha onde foi dar com Harry coberto , de a cabeça a os pés , por o pudim de a tia Petúnia . A princípio parecia que o tio Vernon ia conseguir arranjar uma desculpa para aquilo tudo . ( É só o nosso sobrinho , muito perturbado ; conhecer pessoas estranhas deixa o muito nervoso , por isso deixamos o lá em cima ... ) Conduziu_os_Mason , bastante chocados , para a sala de jantar , garantindo a Harry que o esfolava vivo quando os Mason se fossem embora e pôs lhe em as mãos um esfregão . A tia Petúnia descobriu um resto de gelado em o frigorífico e Harry , ainda a tremer , começou a limpar a cozinha . O tio Vernon poderia ainda ter feito o negócio , se não fosse a coruja . Estava a tia Petúnia a circular com uma caixa de After-Eight , quando uma enorme coruja de celeiro fez a sua entrada vertiginosa através de a janela de a casa de jantar , deixando cair uma carta em a cabeça de Mr._Mason e desaparecendo logo_a_seguir . Mrs._Mason gritava como uma carpideira e corria por a casa praguejando contra os lunáticos . Mr._Mason ficou o tempo estritamente necessário para dizer a os Dursleys que a mulher tinha um medo pânico de pássaros de todas_as formas e tamanhos e perguntar lhes se aquela era alguma brincadeira de mau gosto . Harry não saiu de a cozinha , agarrando o esfregão como defesa , enquanto o tio Vernon avançava para ele com um brilho demoníaco em os olhos pequeninos . - Lê isso - ordenou maldosamente . Harry pegou em a carta . Não era a desejar lhe um bom aniversário . * _ Caro_Mr._Potter , * _ Recebermos hoje informações de que um feitiço de suspensão em o ar foi efectuado em sua casa esta noite , a as nove_horas_e_doze_minutos . * _ Como sabe , os feiticeiros menores não estão autorizados a praticar magia fora de a escola e , se efectuar mais um trabalho mágico , será expulso de a nossa escola . ( Decreto_de_Restrições_Razoáveis_para_Feitiçaria_de_Menores , 1875 , parágrafo C. ) * _ Pedimos-lhe também que se lembre que qualquer actividade que possa ser notada por membros alheios a a nossa comunidade ( Muggles ) constitui uma ofensa grave , segundo a secção 13 de a Confederação_Internacional_do_Estatuto_da_Magia_Secreta . * _ Tenha umas boas férias . * Atenciosamente_Mafalda_Hopkirk_Gabinete_da_Utilização_Imprópria_da_Magia_Ministério_da_Magia * . Harry olhou para a carta e engoliu em seco . - Tu não nos contaste que estavas proibido de usar magia fora de a escola - disse o tio Vernon com um brilho maldoso a dançar lhe em os olhos . - Esqueceste te de o mencionar , passou te , não foi ? Tinha se aproximado de Harry como um grande * bulldog * , com todos os dentes a a mostra . - Tenho boas notícias para ti , rapaz , vou fechar te a a chave e , se tentares sair através_de magia , nunca mais voltas a aquela escola , eles expulsam te . E rindo como um louco , arrastou Harry até a o andar de cima . O tio Vernon era mau como as cobras . Em a manhã seguinte pagou a um homem para colocar grades em a janela de o quarto de Harry . Ele próprio abriu um pequeno buraco em a porta de o quarto para que a comida pudesse ser introduzida três vezes por dia . Deixavam o Harry sair para ir a a casa_de_banho de manhã e a o final de a tarde . O resto de o tempo estava fechado em o quarto , a a espera que o tempo passasse . Três dias mais tarde , os Dursleys não mostravam qualquer intenção de abrandar o castigo e Harry não sabia como sair de aquela situação . Estava deitado em a cama , vendo o sol brilhar por_entre as grades de a janela e perguntando se tristemente o que viria a acontecer lhe . Qual era a vantagem de sair de ali por artes mágicas , se Hogwarts o expulsaria em seguida ? Contudo , a vida em Privet_Drive tinha atingido o seu nível mais baixo . Agora_que os Dursleys tinham a certeza que não iam acordar transformados em morcegos , ele perdera a única arma que tinha . O Dobby podia tê o salvo de acontecimentos terríveis em Hogwarts , mas de a maneira que as coisas estavam , ele morreria muito provavelmente a a fome . A portinhola rangeu e a mão de a tia Petúnia apareceu empurrando uma tigela de sopa de pacote para dentro de o quarto . Harry , que estava cheio de fome , saltou de a cama e agarrou a . A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um único trago . A seguir , atravessou o quarto até a a gaiola de Hedwig e pôs os legumes ensopados dentro de o seu pratinho vazio . Ela agitou as penas e olhou o com profunda repugnância . - Não vale de nada virares lhe as costas . É tudo_o_que temos - disse Harry , de modo severo . Colocou a tigela vazia em o chão junto de a portinhola e voltou para_cima de a cama , de certo modo com mais fome do_que antes de ter comido a sopa . Admitindo que estaria ainda vivo dentro_de quatro semanas o que aconteceria se ele não se apresentasse em Hogwarts ? Será que mandariam alguém obrigar os Dursleys a deixá o ir ? O quarto começava a escurecer . Exausto e com o estômago a dar horas , o cérebro a as voltas com as mesmas questões sem resposta , Harry caiu em um sono intranquilo . Sonhou que fazia parte de um espectáculo de o jardim zoológico . Preso a a jaula onde se encontrava estava um cartaz onde podia ler se « feiticeiro menor de idade « . As pessoas olhavam o com olhos protuberantes , enquanto ele jazia fraco e esfomeado em um leito de palha . Viu a cara de o Dobby em o meio de a multidão e gritou lhe , pedindo ajuda , mas o Dobby respondeu : - Harry_Potter está em segurança aí , senhor - e desapareceu . Em seguida vieram os Dursleys e Dudley bateu em as grades de a jaula , rindo se de ele . - Pára com isso - murmurou Harry como_se aquele ruído martelasse em a sua cabeça dorida . - Deixa me em paz , pára com isso , estou a tentar dormir . Abriu os olhos . O luar brilhava através de as grades de a janela . E lá fora alguém olhava de olhos arregalados para ele : alguém de rosto sardento , cabelo ruivo e nariz grande . Ron_Weasley estava de o lado de_fora de a janela . III « A toca » Ron ! - exclamou Harry , arrastando se até a a janela e empurrando a para poderem falar através de as grades . - Ron , como é_que tu , foi o ... ? Harry ficou de boca aberta , espantado com o que viu . Ron estava debruçado de a janela de trás de um velho automóvel azul-turquesa que se encontrava estacionado em o ar . Em os lugares de a frente , rindo se para Harry , estavam os irmãos mais velhos , os gémeos Fred e George . - Tudo bem , Harry ? - O que é_que se tem passado ? - perguntou o Ron . - Porque não respondeste a as minhas cartas ? Convidei te para vires ter comigo umas doze vezes e um dia o pai chegou a casa e comunicou nos que tu tinhas recebido um aviso oficial por usares magia diante de os Muggles ... - Não fui eu . E como é_que ele soube ? - Ele trabalha em o Ministério - disse o Ron . - Tu sabes que nós não podemos fazer feitiços fora de a escola . - Bem , isso vindo de ti ... - exclamou Harry , olhando para o carro flutuante . - Oh , isto não conta - disse Ron . - Foi o meu pai que o emprestou . Não o fizemos aparecer por magia . Mas usar magia em a frente de esses Muggles com quem tu vives ... - Já te disse que não fui eu , mas vai demorar muito_tempo a explicar te isso agora . És capaz de avisar em Hogwarts que os Dursleys me fecharam a a chave e que não querem deixar me voltar e obviamente eu não posso sair de aqui magicamente senão o Ministério vai achar que é a segunda vez em três dias e ... - Pára com essa conversa tola - disse o Ron . - Viemos para te levar connosco . - Mas tu também não podes tirar me de aqui utilizando processos mágicos ... - Não precisamos de isso - afirmou Ron , fazendo um sinal de cabeça para os lugares de a frente . - Esqueces te de quem está aqui comigo . - Amarra isso em volta de as grades - disse o Fred , lançando a Harry a ponta de uma corda . - Se os Dursleys acordam estou feito - lamentou se Harry enquanto dava um nó bem apertado com a corda em uma de as grades e o Fred arrancava com o carro . - Não te preocupes e chega te para trás . Harry recuou para a sombra , para junto de Hedwig que parecia ter se apercebido de a importância de tudo aquilo , mantendo se quieta e em silêncio . O carro puxou mais e mais e , subitamente , com um ruído de ferro a ceder , as grades foram arrancadas de a janela , enquanto Fred conduzia com o céu como estrada . Harry correu de_novo para a janela para ver as grades a balouçarem a poucos metros de o chão . Ofegante , Ron içou as para dentro de o carro . Harry escutou ansiosamente mas não vinha qualquer som de o quarto de os Dursleys . Quando as grades estavam em segurança em os lugares de trás junto de Ron , Fred aproximou se o_máximo que lhe foi possível de a janela . - Anda de aí - disse . - Mas , todas_as minhas coisas de Hogwarts , a minha varinha , a minha vassoura ... - Onde estão ? - Fechadas em a despensa debaixo de as escadas e eu não posso sair de este quarto . . - Não há azar - disse o George . - Sai de a frente , Harry . Fred e George treparam cautelosamente e entraram por a janela em o quarto de Harry . Tinhas que ter aberto a boca , pensou Harry enquanto George tirava de o bolso um vulgar gancho de cabelo e começava a tentar abrir a fechadura . - Muitos feiticeiros acham que é uma perda de tempo aprender os truques de os Muggles - disse o Fred . - Mas nós pensamos que há habilidades que é sempre útil conhecer apesar_de serem um_pouco lentas . Ouviu se um pequeno clique e a porta abriu se . - Pronto , vamos buscar as tuas coisas . Tu vai dando a o Ron aquilo que precisas de aí de o teu quarto - murmurou George . - Cuidado com o degrau de cima que range - sussurrou Harry enquanto os gémeos desapareciam em o escuro . Harry deu a volta a o quarto , recolhendo as suas coisas e passando as por a janela a o Ron . Em seguida , foi ajudar o Fred e o George a trazerem o resto por as escadas acima . Ouviu o tio Vernon tossir . Por fim , de língua de_fora , chegaram a o quarto , junto de a janela aberta . Fred trepou para o carro para puxar os volumes com o Ron enquanto Harry e George os empurravam de dentro de o quarto . Centímetro a centímetro o malão foi passando por a janela . O tio Vernon tossiu de_novo . - Mais um_pouco - disse o Fred que estava a puxar de dentro de o carro . Um bom empurrão , vá . Harry e George encostaram os ombros contra a mala e ela escorregou para a parte de trás de o carro . - O. _ K. , vamos embora - murmurou o George . Mas quando Harry trepava para o parapeito de a janela ouviu se um forte pio atrás de ele , imediatamente seguido de o vociferar de o tio Vernon . - Aquela maldita coruja ! - Esqueci me de a Hedwig ! Harry precipitou se de_novo para o quarto , enquanto a luz de o patamar se acendia . Agarrou a gaiola de Hedwig , correu para a janela e passou a a o Ron . Estava a subir para_cima de a cómoda quando o tio Vernon bateu em a porta , que não estava fechada , e esta se abriu completamente . Por uma fracção de segundo , o tio Vernon ficou estático junto de a porta . Em seguida , soltou um mugido como um boi zangado e avançou para Harry , agarrando o por o tornozelo . Ron , Fred e George seguraram o por os braços e puxaram o com toda_a força . - Petúnia - rosnou o tio Vernon . - Ele está a fugir ! : __ ele está a __ fugir ! Os Weasleys deram um puxão gigantesco e a perna de o Harry escapou a as garras de o tio Vernon . Logo_que Harry entrou em o carro e a porta se fechou , Ron gritou : - Acelera Fred ! - E o carro partiu subitamente em direcção a a lua . Harry mal podia acreditar que estava livre . Esticou se a a janela , o ar de a noite a fustigar lhe os cabelos e olhou para baixo , para os telhados apertados de Privet_Drive . O tio Vernon , a tia Petúnia e o Dudley estavam todos debruçados com cara de parvos , a a janela de o quarto de ele . - Até a o próximo Verão - gritou . Os Weasleys riam se a as gargalhadas e Harry esticou se para trás em o assento e pediu a o ouvido de Ron : - Deixa sair a Hedwig . Ela pode voar atrás_de nós . Há séculos que não tem uma oportunidade de esticar as asas . George passou a o Ron o gancho de cabelo e , um momento depois , a Hedwig saíra feliz por a janela , planando atrás de eles como um fantasma . - Então , qual é a história ? - perguntou Ron , impaciente . - O que é_que tem estado a acontecer ? Harry contou lhes tudo sobre o Dobby , o aviso de este e o fracasso de o pudim de violetas . Houve um longo silêncio quando ele se calou . - Isso cheira me a esturro - disse , por fim , o Fred . - Definitivamente misterioso - concordou George . - Então ele nem te disse quem está supostamente por detrás dessa trama toda ? - Acho que não podia - explicou Harry . - Já te disse , de cada_vez que estava quase a deixar escapar qualquer coisa , começava a bater com a cabeça em a parede . Viu Fred e George olharem um para o outro . - O quê ? Acham que ele estava a mentir me ? - perguntou Harry . - Bem - começou o Fred -- , coloquemos as coisas de o seguinte modo , os elfos de casa têm poderes mágicos próprios , mas geralmente não podem usá os sem a autorização de os seus donos . Eu acho que o bom de o Dobby foi enviado para evitar que voltasses para Hogwarts . Uma ideia de um engraçadinho . Haverá alguém em a escola com má vontade contra ti ? - Sim - responderam Harry e Ron , precisamente ao_mesmo_tempo . - Draco_Malfoy - explicou Harry . - Ele detesta me . - Draco_Malfoy ? - perguntou George , voltando se para trás . - O filho de o Lucius_Malfoy ? - Deve ser . Não é um nome muito vulgar , pois não ? - disse Harry . - Mas porquê ? - Ouvi o pai falar acerca de ele - confidenciou George . - Ele era um grande apoiante de o « Quem nós sabemos » . - E quando o « Quem nós sabemos » desapareceu - continuou o Fred , voltando a cara para olhar para Harry - o Lucius_Malfoy voltou , dizendo que não foi por vontade própria que fez o que fez . Monte de lixo . O pai acha que ele fazia parte de um círculo de amigos íntimos de o « Quem nós sabemos » . Harry já tinha ouvido esses boatos sobre a família de Malfoy e não o surpreenderam em absoluto . Malfoy fizera Dudley_Dursley parecer um rapazinho simpático , amável e sensível . - Não sei se os Malfoy têm um elfo de casa ... - afirmou Harry . - Bem , quem quer que o possua é sem dúvida uma antiga família de feiticeiros e deve ser rica - explicou Fred . - Sim . A mãe está sempre a desejar que pudéssemos ter um elfo de casa para passar a roupa a ferro - disse o George . - Mas só temos um velho vampiro piolhoso em o sótão e gnomos espalhados por o jardim . Os elfos de casa pertencem a as grandes casas senhoriais , a os castelos e lugares assim , não encontrarias um em a nossa casa ... Harry estava calado . Considerando que Draco_Malfoy tinha sempre as melhores coisas , que a sua família nadava em ouro de feiticeiros , era fácil imaginá o passeando se por uma enorme casa senhorial . Mandar o servo de a família evitar que Harry voltasse para Hogwarts também parecia exactamente o tipo de coisa que Malfoy poderia fazer . Teria Harry sido estúpido a o tomar Dobby a sério ? - De qualquer modo , ainda_bem que viemos buscar te - declarou Ron . - Eu começava a ficar seriamente preocupado por não responderes a nenhuma de as minhas cartas . A princípio pensei que a culpa fosse de a Errol ... - Quem é a Errol ? - A nossa coruja . Já é velhota . Não seria a primeira vez que adoecia durante uma entrega . Por isso , tentei pedir a Hermes emprestada ... - Quem ? - A coruja que os meus pais compraram a o Percy quando ele foi nomeado prefeito - respondeu Fred . - Mas o Percy não me a emprestou . Disse que precisava de ela . - O Percy tem andado com atitudes muito estranhas este Verão - comentou George franzindo a testa . - E tem mandado imensas cartas e passado um tempo infinito fechado em o quarto ... enfim , pode limpar se e polir um distintivo de prefeito todas_as vezes que se quiser ... Estás a conduzir demasiado para ocidente , Fred - acrescentou apontando para uma bússola em o painel de o automóvel . Fred girou o volante . - Então , o vosso pai sabe que têm o carro ? - perguntou Harry , quase adivinhando a resposta . - Er ... não - disse o Ron . - Ele tinha trabalho esta noite . Felizmente vamos poder pô o de_novo em a garagem , sem a mãe perceber que andámos a voar nele . - A propósito , o que faz o vosso pai em o Ministério_da_Magia ? - Trabalha em o Departamento mais chato - respondeu Ron . - A Divisão de utilização incorrecta de artefactos de os Muggles . - O quê ? - Relaciona se com objectos de feitiçaria que foram feitos por os Muggles ; sabes como é , se forem parar de_novo a uma loja de os Muggles , ou a uma casa , como em o ano passado , quando morreu uma bruxa velha e o bule de ela foi vendido a uma loja de antiguidades . Uma mulher Muggle comprou o , tentou servir chá a os amigos . Foi um pesadelo , o pai teve de fazer horas extraordinárias durante semanas . - O que é_que aconteceu ? - O bule parecia louco , esguichou chá a ferver para todos os lados e um de os homens foi parar a o hospital com a pinça de o açúcar presa em o nariz . O pai ficou nervosíssimo . É só ele e o velho feiticeiro Perkings em o gabinete e tiveram de localizar e descobrir todo o tipo de encantamentos para resolver o assunto . - Mas o teu pai ... este carro ... Fred riu se . - Sim , o pai é louco por tudo_o_que tem que ver com os Muggles . A nossa arrecadação está cheia de coisas de os Muggles . Ele separa as , lança lhes feitiços e volta a pô as em o lugar . Se ele fizesse uma busca a nossa casa teria de se prender a si mesmo . A minha mãe fica louca com tudo aquilo . - É a estrada principal - gritou o George , apontando para baixo através de a janela . - Dentro_de poucos minutos estamos lá , mesmo a tempo , está a começar a clarear . Um leve brilho rosado tingia o horizonte para leste . Fred trouxe o carro para baixo e Harry pôde ver uma manta de retalhos de campos escuros e matas de arbustos . - Estamos um_pouco longe de a vila - disse George . - Em Ottery_St . Catchpole ... O carro voador foi descendo a os poucos . A luz avermelhada brilhava agora por_entre as árvores . - Terra - disse o Fred , em o momento em que tocaram em o chão com um ligeiro solavanco . Tinham aterrado perto_de uma garagem em ruínas em um pequeno pátio e Harry viu pela_primeira_vez a casa de o Ron . Parecia ter sido em tempos uma pocilga de pedra . Mas os quartos que posteriormente lhe tinham sido acrescentados haviam a tornado bastante mais alta e o seu aspecto era tão curvado que parecia ter sido construída por artes mágicas ( o que , pensou Harry , era , muito provavelmente , verdade ) . De o telhado vermelho saíam quatro ou cinco chaminés . Junto de a entrada , fixa em o chão , podia ver se uma inscrição assimétrica que dizia « A toca » . A o lado de a porta principal estava uma contusão de botas de * _ Wellington * e um caldeirão completamente enferrujado . Por o pátio passeavam se várias galinhas castanhas e gordas . - Não é grande coisa - desculpou se o Ron . - É óptima - exclamou Harry , feliz , pensando em Privet_Drive . Saíram de o carro . - Agora vamos lá para_cima sem fazer barulho - disse o Fred . - E esperamos que a mãe nos chame para o pequeno-almoço . Depois tu , Ron , desces a escada entusiasmadíssimo . - Mãe , olha quem apareceu cá durante a noite ! - E ela vai sentir se felicíssima quando vir o Harry . Assim ninguém fica a saber que levámos o carro voador . - Certo - disse o Ron . - Vamos , Harry , eu durmo em o ... Ron ganhou uma cor de um pálido esverdeado , os olhos fixos em a casa . Os outros três fizeram meia volta . Mrs._Weasley avançava por o pátio , afugentando as galinhas e , para uma mulher baixa , roliça e simpática , era fantástico como conseguia parecer se com um tigre dentes-de-sabre . - Ah ! - suspirou o Fred . - Oh , oh ! - exclamou o George . Mrs._Weasley parou em frente de eles . As mãos em as ancas , saltando de um olhar culpado para o outro . Usava um avental a as flores , com uma varinha a sair lhe de o bolso . - Com que então - disse . - Bom dia , mãe - arriscou o George com uma voz que tentou que fosse alegre e bem-disposta . - Vocês têm alguma ideia de como tenho estado preocupada ? - perguntou Mrs._Weasley em um murmúrio fraco . - Desculpe , mãe , mas sabe , nós tivemos que ... Os três filhos de Mrs._Weasley eram mais altos do_que ela , mas tremiam quando a fúria de a mãe se abatia sobre eles . - Camas vazias ! Nem um bilhete ! O carro desaparecido ... Podiam ter tido um acidente , estou fora de mim com tanta preocupação e vocês nem se importam ... nunca , enquanto eu for viva ... esperem só até o vosso pai chegar , nunca tivemos problemas de estes com o Bill , com o Charlie ou com o Percy ... - O perfeito Percy - resmungou Fred . - : __ tu não vales um dedo de a mão de o __ percy ! - gritou Mrs._Weasley , espetando um dedo em o queixo de o Fred . - Podias ter morrido , podias ter sido visto , podias ter feito com que o teu pai perdesse o emprego ... Parecia nunca mais acabar . Mrs._Weasley tinha gritado até ficar ronca , antes de se voltar para o Harry , que recuou . - Estou muito contente por te ver , Harry - disse . - Entra e vem tomar o pequeno-almoço . Ela voltou se e regressou a casa e Harry , depois de trocar um olhar nervoso com o Ron , que lhe acenou , encorajando o , seguiu a . A cozinha era pequena e bastante estreita . A meio havia uma enfezada mesa de madeira e cadeiras em volta e Harry sentou se a a beirinha de o assento , olhando em volta . Era a primeira vez que entrava em uma casa de feiticeiros . O relógio em a parede em frente de ele , tinha apenas um ponteiro e nenhum número . Em volta , estavam escritas frases como « Hora de fazer o chá » , « Hora de dar de comer a as galinhas « e « Estás atrasado » . Empilhados em o rebordo de a lareira estavam livros com títulos como * _ Encanta o teu próprio queijo , Encantamento em a cozedura de o pão e Banquetes em um minuto - é mágico * ! E , a menos que os ouvidos de Harry estivessem a traí o , o velho rádio próximo de o lava-loiças acabara de anunciar que a seguir vinha a Hora de enfeitiçar com a popular feiticeira-cantora Celestina_Warbeck . Mrs._Weasley fazia barulho com os talheres , preparando o pequeno-almoço um bocado a o acaso , lançando olhares furiosos a os filhos , enquanto lançava as salsichas em a frigideira . De vez em quando murmurava coisas como : « Não sei o que vos passou por a cabeça « ou « nunca devia ter confiado em vocês » . - Eu não te culpo , filho - tranquilizou Harry , pondo lhe sete ou oito salsichas em o prato . - Eu e o Arthur temos estado preocupados contigo . Ainda ontem a a noite estivemos a dizer que te iríamos buscar nós próprios se não respondesses a o Ron até sexta-feira . Mas , em a verdade ( estava agora a acrescentar três ovos estrelados a o prato de ele ) , atravessar metade de o país a voar em um carro ilegal , qualquer um vos poderia ter visto ... Agitou maquinalmente a varinha em a direcção de o lava-loiças , onde a loiça começou a lavar se sozinha , tinindo baixinho lá atrás . - Estava enevoado , mãe ! - exclamou o Fred . - Boca fechada enquanto comes ! - interrompeu Mrs._Weasley . - Eles estavam a fazê o passar fome , mãe ! - disse o George . - E tu também ! - disse Mrs._Weasley , mas já foi com uma expressão mais doce que começou a cortar o pão para Harry e a barrá o com manteiga . Em esse momento , as atenções voltaram se para um pequenino volto de cabelos ruivos , em uma camisa de dormir até a os pés , que surgiu em a cozinha , deu um grito agudo e desapareceu de_novo . - É a Ginny - disse Ron baixinho a o Harry -- , a minha irmã . Tem falado de ti todo o Verão . - Sim , ela vai querer o teu autógrafo , Harry - riu se o Fred , mas o seu olhar cruzou se com o de a mãe e inclinou se para o prato , não voltando a abrir a boca . Ninguém falou até os quatro pratos estarem limpos , o que sucedeu a uma velocidade surpreendente . - Bolas , estou cansado - bocejou Fred , pousando a faca e o garfo . Acho que me vou deitar e ... - Não vais , não senhor - interrompeu Mrs._Weasley . - A culpa é tua se ficaste toda_a noite acordado . Vais fazer a des-gnomização de o jardim . Eles estão outra_vez a exagerar . - Oh , mãe ... - E vocês os dois o mesmo - dirigiu se a o Ron e a o Fred . - Tu podes ir para a cama , filho - disse a Harry . - Não lhes pediste que guiassem aquele carro miserável . Mas Harry , que se sentia acordadíssimo , respondeu prontamente : - Eu ajudo o Ron , nunca vi uma des-gnomização ... - É muito simpático de a tua parte , querido , mas é um trabalho chato - explicou Mrs._Weasley . - Vejamos o que o Lockhart tem a dizer acerca disto . E puxou de o rebordo de a lareira um livro pesadíssimo . George resmungou : - Mãe , nós sabemos * des-gnomizar * o jardim . Harry olhou para a capa de o livro de Mrs._Weasley . Em grandes letras douradas , que ocupavam grande parte de a capa , podia ler se Guia_de_Gilderoy_Lockhart para pragas caseiras . Via se também a grande fotografia de um feiticeiro bem-parecido , de cabelos loiros ondulados e olhos azuis brilhantes . Como sempre , em o mundo de os feiticeiros , a fotografia mexia se . O feiticeiro , que Harry calculou ser Gilderoy_Lockhart , não parava de lhes piscar os olhos descaradamente . Mrs._Weasley sorriu lhe . - Oh , ele é fantástico - disse . - Conhece bem as pragas caseiras . É um livro maravilhoso . - A mãe adora o - disse Fred em um murmúrio bastante audível . - Não sejas ridículo , Fred - repreendeu Mrs._Weasley com as bochechas coradas . - É claro que se achas que sabes mais do_que o Lockhart , podes ir fazer o trabalho e ai de ti se houver um único gnomo em o jardim quando eu for fazer a inspecção . A bocejar e a resmungar , os Weasley arrastaram se lá para fora com Harry atrás de eles . O jardim era grande e , em a opinião de Harry , exactamente como deveria ser um jardim . Os Dursleys não teriam gostado . Havia uma enorme quantidade de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada , mas havia árvores nodosas em volta de as paredes , plantas que Harry nunca vira , tombando de todos os canteiros e um grande lago verde cheio de rãs . - Os Muggles também têm gnomos de jardim , sabes - disse o Harry a o Ron , enquanto atravessavam a relva . - Sim , já vi essas coisas que eles pensam que são gnomos - disse o Ron todo dobrado , com a cabeça em uma moita de peónias . - Como os Pais_Natais gordinhos com canas de pesca ... Houve um tumulto ruidoso , a moita de peónias estremeceu e Ron endireitou se . - Isto_é um gnomo - declarou com um ar sério . - Larga eu ! Larga eu ! - guinchou o gnomo . Não se parecia em absoluto com o Pai_Natal . Era pequenino e parecia de couro , com uma grande cabeça protuberante e calva , precisamente como uma batata . Ron agarrou o a a distância de um braço , enquanto ele dava pontapés em o ar com os seus pézinhos que pareciam chifres . Agarrou o por os tornozelos e voltou o de pernas para o ar . - Isto_é o que tens de fazer - disse . Levantou o gnomo acima de a cabeça ( Larga eu ! ) e começou a balouçá o em grandes círculos , como os vaqueiros fazem com os laços . A o ver a expressão chocada de Harry , Ron explicou : - Não os mágoa . Só tens de os deixar bem tontos para que consigam encontrar o caminho de regresso a os buracos de os gnomos . Largou os tornozelos de o gnomo . Ele voou seiscentos metros e aterrou com um ruído surdo em o campo a o lado de a sebe . - Deplorável - afirmou o Fred . - Aposto que consigo lançar o meu para_além de aquele tronco . Harry aprendeu rapidamente a não sentir muita pena de os gnomos . Decidira largar o primeiro que apanhou para_além de a sebe , mas o gnomo , sentindo fraqueza , enfiou os seus dentinhos , aguçados como laminas , em o dedo de o Harry e não foi fácil sacudi o para ele o largar , até que ... - Uau , Harry , esse deve ter sido seiscentos metros ... O ar estava subitamente cheio de gnomos voadores . - Vês , eles não são muito espertos - afirmou o George , agarrando cinco ou seis de uma_vez . - Em o momento em que se apercebem que começou a * des-gnomização * , aparecem todos para espreitar . Era de esperar que já tivessem aprendido a ficar quietinhos . Rapidamente a multidão de gnomos começou a ir se embora , atravessando os campos em uma fila ordenada , com os pequeninos ombros arqueados . - Eles voltam - disse o Ron enquanto os via desaparecer em a sebe de o outro lado de o campo . - Eles adoram estar aqui ... o pai é muito mole com eles , acha lhes piada . Em esse momento , a porta de a frente bateu . - Ele já voltou ! - exclamou o George . - O pai já está em casa ! Apressaram se a entrar . Mr._Weasley tinha se afundado em uma de as cadeiras de a cozinha , sem óculos e com os olhos fechados . Era um homem magro , quase calvo , mas o pouco cabelo que tinha era tão ruivo como o de os filhos . Vestia um longo manto verde cheio de pó e estava cansado de a viagem . - Que noite - murmurou , tacteando em busca de o bule , enquanto todos se sentavam a a volta de ele . - Nove assaltos , nove ! E o velho Mundungs_Fletcher tentou lançar me um feitiço quando eu estava de costas . Mr._Weasley tomou um bom gole de chá e suspirou . - Encontrou alguma coisa , pai ? - perguntou Fred ansiosamente . - Só encontrei algumas chaves encolhidas e uma chaleira que mordia - bocejou Mr._Weasley . - Havia um material bastante mauzinho , mas não era de o meu departamento . O Mortlake foi levado para ser interrogado sobre uns furões extremamente antigos , mas isso pertence a a Comissão_dos_Feitiços_Experimentais , graças_a Deus . - Por_que é_que alguém ia dar se a o trabalho de fazer encolher chaves ? - perguntou George . - Para chatear os Muggles - suspirou Mr._Weasley . - Vende se lhes uma chave que não pára de encolher , até que desaparece , de_modo_a que nunca a encontrem quando precisam ... É claro que é muito difícil condenar alguém , porque nenhum Muggle é capaz de admitir que a sua chave está a encolher , insistem em que estão sempre a perdê a . Benditos sejam , vão até onde for preciso para ignorar a magia , mesmo_que ela esteja em frente de os seus narizes ... mas vocês não acreditariam em as coisas que o nosso grupo tem levado para enfeitiçar ... - : __ como carros , por __ exemplo ? Mrs._Weasley tinha aparecido , segurando um grande atiçador que parecia uma espada . Os olhos de Mr._Weasley abriram se de repente , fitando a mulher com um ar culpado . - C-carros , Molly querida ? - Sim , Artur , carros - afirmou Mrs._Weasley , os olhos a faiscar . - Imagina um feiticeiro a comprar um carro velho e enferrujado e dizer a a mulher que a única coisa que queria fazer com ele era desmontá o para ver como ele funcionava , enquanto em a verdade estava a enfeitiçá o para o fazer voar . Mr._Weasley piscou os olhos . - Bem , querida , acho que poderás constatar que não é ilegal fazer isso , embora , er , talvez ele devesse ter contado a verdade a a mulher ... Existe uma forma de tornear a lei , já_que ela diz que ... desde_que não se tenha a * intenção * de voar em o carro , o facto de ele poder voar , não ... - Arthur_Weasley tu arranjaste essa forma de tornear a lei quando a escreveste ! - gritou Mrs._Weasley . - Para poderes continuar a remexer em todo aquele lixo de os Muggles que tens em a arrecadação ! E , para tua informação , o Harry chegou hoje_de_manhã em o carro que tu não pretendias pôr a voar ! - Harry ? - perguntou Mr._Weasley sem expressão . - Qual Harry ? Olhou em volta , viu Harry e deu um salto . - Santo_Deus , é Harry_Potter ? Muito prazer , o Ron falou nos tanto de si ... - * _ O teu filho conduziu aquele carro até a a casa de o Harry e de volta até aqui em a noite passada ! * - gritou Mrs._Weasley . - O que tens a dizer a esse respeito ? - A sério ! ? - exclamou Mr._Weasley com vivacidade . - Correu tudo bem , quero dizer ... - vacilou a o ver os olhos de Mrs._Weasley que faiscavam . - Er , fizeram mal , rapazes , muito mal , mesmo ... - Vamos deixá os a os dois - murmurou o Ron , enquanto Mrs._Weasley inchava como um sapo gigantesco . - Vamos , vou mostrar te o meu quarto . Esgueiraram se de a cozinha e desceram uma passagem estreita que dava para uma escada desnivelada que ziguezagueava a o longo de a casa . Em o terceiro andar , estava uma porta entreaberta . Harry só teve tempo de ver um par de olhos castanhos brilhantes que o olhavam fixamente , antes de a porta se fechar com um estalido . - A Ginny - disse o Ron . - Não imaginas como é estranho vês a tão tímida , ela que quase nunca se cala ... Subiram mais dois andares , até chegarem a uma porta com a tinta a descascar e uma pequena placa dizendo : « Quarto_do_Ronald » . Harry entrou . A cabeça quase tocava em o tecto inclinado . Piscou os olhos . Era como entrar dentro_de uma fornalha : quase tudo em o quarto de o Ron tinha um violento matiz alaranjado : a colcha de a cama , as paredes , até o tecto . Em seguida , apercebeu se de que o Ron tinha coberto cada centímetro de o velho papel de parede com * posters * de as mesmas sete feiticeiras e feiticeiros , todos vestidos com brilhantes mantos cor de laranja , transportando vassouras e acenando entusiasticamente . - A tua equipa de Quidditch ? - perguntou Harry . - Os Chudley_Cannons - disse Ron , apontando para a colcha cor de laranja que tinha um brasão com dois C's gigantes e uma bala de canhão a_toda_a velocidade . - Nono em a Liga . Os livros de estudo de feitiços de Ron estavam empilhados desordenadamente a um canto , junto de um monte de B. _ D. , todas elas relativas a as * _ Aventuras_de_Martin_Miggs , o Muggle louco * . A varinha mágica de o Ron estava em_cima_de um aquário cheio de ovos de rã sobre o peitoril de a janela , junto de o seu rato gordo e cinzento , Scabbers , que dormia uma soneca a o sol . Harry passou por_cima_de um baralho de cartas de jogar com vontade própria , que estava caído em o chão , e olhou para fora de a janelinha . Em o campo , não muito longe , podia ver um grupo de gnomos a esgueirarem se , um a um , de_novo para a sebe de os Weasley . Em seguida , voltou se para Ron que o observava nervoso , como_se esperasse a opinião de ele . - É um_pouco pequeno - declarou o Ron muito depressa . - Não se parece nada com o quarto que tu tinhas em casa de os Muggles . E estou mesmo debaixo de o vampiro de o sótão . Ele anda sempre a bater nos canos e a gemer ... Mas Harry , com um grande sorriso , disse lhe : - Esta é a melhor casa em que eu já estive . As orelhas de Ron ficaram cor-de-rosa . IV_Na_Flourish and Blotts_A vida em a Toca era o mais diferente que é possível de a vida em Privet_Drive . Os Dursleys gostavam de tudo limpo e arrumado , em casa de os Weasleys explodia o estranho e o inesperado . Harry teve um choque de a primeira vez que olhou para o espelho que estava sobre a lareira de a cozinha e ele gritou : - Mete para dentro a camisa , * desmazelado ! * - O vampiro de o sótão gemia e batia nos canos , sempre_que sentia as coisas demasiado calmas e as pequenas explosões em o quarto de o Fred e de o George , eram consideradas perfeitamente normais . Mas o que o Harry achou mais bizarro em a vida em casa de o Ron , não foi o espelho que falava , nem o vampiro barulhento , foi o facto de todos ali em casa parecerem gostar de ele . Mrs._Weasley preocupava se com o estado de as suas meias e tentava obrigá o a servir se quatro vezes a cada refeição . Mr._Weasley gostava que Harry se sentasse a o lado de ele a a mesa para poder bombardeá o com perguntas sobre a vida com os Muggles , pedindo que lhe explicasse como funcionavam coisas como as canalizações e o serviço de os correios . - Fascinante ! - exclamava , enquanto Harry lhe explicava a utilização de o telefone . - Engenhoso , de facto , todas_as maneiras que os Muggles encontraram para passar sem a magia . Harry teve notícias de Hogwarts em uma manhã de sol , cerca de uma semana depois de ter chegado a a Toca . Quando , ele e o Ron desceram para tomar o pequeno-almoço , encontraram Mr. e Mrs._Weasley e Ginny já sentados a a mesa . Em o momento em que viu o Harry , Ginny entornou a tigela de os cereais , que caiu a o chão com grande espalhafato . Ginny entornava facilmente coisas sempre_que o Harry estava em a sala . Mergulhou debaixo de a mesa para apanhar a tigela e emergiu com o rosto a brilhar como o sol poente . Fingindo não ter dado por nada , Harry sentou se e aceitou a torrada que Mrs._Weasley lhe ofereceu . - Cartas de a escola - disse Mr._Weasley , passando a o Harry e a o Ron envelopes idênticos de pergaminho amarelado , com a morada escrita a tinta verde . - O Dumbledore já sabe que estás aqui , Harry , não perde nada aquele homem . Vocês os dois também - acrescentou , enquanto Fred e George deambulavam em a casa , ainda em pijama . Fez se silêncio durante alguns momentos , enquanto liam as respectivas cartas . A de o Harry dizia para apanhar o Expresso_de_Hogwarts , como sempre em a Estação_de_King's_Cross , em o dia_1_de_Setembro . Havia ainda uma lista de os livros que precisaria para o próximo ano . Os alunos de o segundo ano deverão ter : * _ O_Livro_Padrão_de_Feitiços , Grau 2 , por Miranda_Goshawk . * _ Ensinamentos_de_Uma_Fada_Carpideira , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Férias com Bruxas , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Duendes , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Lobisomens , por Gilderoy_Lockhart . * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves , por Gilderoy_Lockhart * . Fred , que terminara a sua própria lista , espreitou para a de o Harry . - Também te mandam comprar os livros de o Lockhart - disse . - A professora de defesa contra as artes negras deve ser fanática . Aposto que é uma bruxa . Nessa_altura , Fred percebeu o olhar de a mãe e apressou se a comer o doce de laranja . - Esse conjunto não vai ficar barato - disse George , olhando rapidamente para os pais . - Os livros de o Lockhart são de os mais dispendiosos ... - Cá nos havemos de arranjar - declarou Mrs._Weasley , mas parecia preocupada . - Espero que pelo_menos para a Ginny possamos arranjar uma data de coisas em segunda mão . - Ah , vais entrar este ano para Hogwarts ? - perguntou lhe Harry . Ela fez um aceno , corando até a a raiz de os cabelos ruivos e meteu o cotovelo em o pires de a manteiga . Felizmente ninguém deu por nada , a não ser o Harry , porque em esse momento o irmão mais velho de Ron , o Percy , entrou . Já estava vestido , com a placa de prefeito aplicada a a sua camisola de malha . - Bom dia a todos - disse , cheio de vivacidade . - Está um dia lindo . Puxou a única cadeira livre , mas deu um salto quando ia sentar se e , debaixo de ele , saltou um espanador cinzento de penas , pelo_menos , foi o que o Harry pensou até ver que ele respirava . - Errol ! - exclamou Ron , afastando a coruja de o Percy e retirando lhe debaixo de a asa uma carta . - Até que enfim , a resposta de a Hermione . Escrevi lhe a contar que íamos tentar raptar te de casa de os Dursleys . Levou Errol para um poleiro que havia junto a a porta de as traseiras e tentou colocá a lá em cima , mas Errol caiu redonda e Ron teve de a pôr em a pia , murmurando : - Patético . - Em seguida , abriu a carta de a Hermione e leu a em voz alta . * _ Querido_Ron e Harry , se aí estiveres . Espero que tudo tenha corrido bem , que o Harry esteja O. _ K. e que não tenham feito nada ilegal para conseguir trazes o , porque isso podia criar lhe problemas também a ele . Tenho estado muito preocupada e , se o Harry estiver bem , por favor digam me qualquer coisa rapidamente , mas talvez seja melhor usarem uma nova coruja , porque acho que outra entrega pode acabar como esta . * _ Estou muito atarefada com trabalho de a escola , claro * . - Como é possível ? - perguntou Ron , horrorizado . - Estamos em férias ! - * _ E vamos para Londres em a próxima quarta-feira para comprar os meus livros novos . Porque não nos encontramos em a Diagon-al ? * _ Dêem-me notícias vossas o mais depressa possível . * _ Carinhosamente_Hermione * - Bem , parece uma boa solução , podemos ir todos comprar as vossas coisas - disse Mrs._Weasley , começando a limpar a mesa . - O que vão fazer hoje ? Harry , Ron , Fred e George tinham planeado ir a o cimo de o monte a um pequeno cercado de cavalos que os Weasleys possuíam . Estava rodeado de árvores que lhe tapavam a vista de a cidade cá em baixo , o que quer_dizer que podiam praticar Quidditch , desde_que não voassem muito alto . Não podiam usar as verdadeiras bolas de Quidditch pois seria muito difícil explicar se elas escapassem e voassem sobre a cidade . Em vez de elas , lançavam maçãs para os outros apanharem . Faziam turnos para montar a Nimbus dois_mil , que era de longe a melhor vassoura . A velha Shooting_Star_de_Ron fora muitas_vezes ultrapassada por as borboletas que passavam . Cinco minutos mais tarde estavam a marchar por o monte acima , de vassouras a o ombro . Tinham perguntado a o Percy se ele queria juntar se a eles , mas ele alegara muito trabalho . Até esse dia , Harry só tinha visto Percy a a hora de as refeições , ele ficava em silêncio em o quarto o resto de o tempo . - Gostava de saber o que ele anda a fazer - afirmou Fred , de testa franzida . - Não parece o mesmo . O resultado de os exames veio um dia antes de tu chegares : doze N_F_V e ele nem se manifestou satisfeito . - Níveis_de_Feitiçaria_Vulgares - explicou o George , vendo o olhar atarantado de Harry . - Se não temos cuidado , ainda nos calha outro Chefe_de_Turma em a família . Acho que não suportaria a vergonha . Bill era o mais velho de os irmãos Weasley . Ele e o irmão a seguir , Charlie , já tinham saído de Hogwarts . Harry não conhecia nenhum de os dois , mas sabia que o Charlie estava em a Roménia a estudar dragões e o Bill em o Egipto a trabalhar em o banco de os feiticeiros : Gringotts . - Não sei como o pai e a mãe vão arranjar dinheiro para nos pagar o material escolar este ano - disse o George , passado um bocado . - Cinco conjuntos de livros de o Lockhart ! E a Ginny precisa de mantos e de uma varinha e tudo_isso ... Harry não disse nada . Sentiu se um_pouco incomodado . Fechada em um cofre subterrâneo , em o banco de Gringotts_de_Londres , estava uma pequena fortuna que os pais lhe tinham deixado . É claro que só tinha esse dinheiro em o mundo de os feiticeiros , não se podem usar Galeões , Leões e Janotas em as lojas de os Muggles . Ele nunca fizera referência a a sua conta bancária em Gringotts a os Dursleys . Não lhe parecia que o horror que eles sentiam por tudo_o_que se relacionava com a feitiçaria se estendesse a uma enorme pilha de barras de ouro . Mrs._Weasley acordou os a todos bem cedo , em a quarta-feira seguinte . Depois de comerem umas doze sanduíches de * bacon * cada_um , enfiaram os casacos e Mrs._Weasley tirou um vaso de a prateleira de o fogão de a cozinha e espreitou lá para dentro . - Está a acabar se , Arthur - suspirou . - Temos de comprar mais hoje ... Bem , os hóspedes primeiro . Passa , Harry querido ! E ofereceu lhe o vaso de flores . Harry olhou espantado enquanto todos eles o observavam . - O q-que é_que eu devo fazer ? - gaguejou . - Ele nunca viajou com o pó de Floo - disse o Ron subitamente . - Desculpa , Harry , esqueci me . - Nunca ? - perguntou Mrs._Weasley . - Mas então como chegaste a a Diagon - _ Al em o ano passado para comprar as tuas coisas ? -- Fui por o subterrâneo . - A sério ? - disse Mr._Weasley , entusiasmado . - Havia fugitivos ? Como é_que ... - Agora não , Arthur - disse Mrs . Weasley . - O pó de Floo é muito mais rápido , querido , mas , valha me Deus , se ele nunca o usou ... - Vai correr bem , mãe - disse o Fred . - Harry observa nos primeiro . Tirou uma pitada de pó brilhante de dentro de o vaso , aproximou se de o lume e lançou o pó em as chamas . Com um rugido , o fogo ficou verde-esmeralda e elevou se a uma altura superior a a de o Fred que avançou , gritando Diagon - _ Al ! E desapareceu . - Tens de falar claramente , filho - disse Mrs._Weasley a o Harry , ao_mesmo_tempo que George metia a mão em o vaso de as flores . - E vê se sais em o fogão certo . - Em o quê ? - perguntou Harry , nervoso , enquanto o lume crepitava e fazia George desaparecer também . - Bem , há imensos fogos de feiticeiros , mas desde_que te tenhas expressado claramente ... - Ele vai conseguir , Molly , não te preocupes - disse Mr._Weasley , tirando também ele algum pó . - Mas querido se ele se perde como é_que vamos justificar nos perante o tio e a tia de ele ... -- Eles não se importariam - tranquilizou a Harry . - O Dudley ia achar imensa piada se eu me perdesse em uma chaminé , não se preocupe . - Bem , em esse caso ... tu vais a seguir a o Arthur - disse Mrs._Weasley . - Logo_que entres em o fogo diz para_onde queres ir . - E mantém os cotovelos dobrados - preveniu o Ron . - E os olhos fechados - disse Mrs._Weasley . - A fuligem . - Não te enerves - disse o Ron . - Senão podes ir parar a a lareira errada . - Não entres em pânico e não queiras sair cedo de mais . Espera até veres o Fred e o George . Fazendo um enorme esforço por reter toda aquela informação , Harry tirou uma pitada de pó de Floo e avançou para a beirinha de o fogo . Respirou fundo , espalhou o pó em as chamas e entrou . O fogo parecia uma brisa quente . Abriu a boca e engoliu , de imediato , uma grande quantidade de cinzas quentes . D-dia-gon-al - tossiu . Sentiu se como_se estivesse a ser sugado para um buraco gigantesco . Como_se girasse muito depressa ... o ruído era ensurdecedor . Tentou manter os olhos abertos mas o turbilhão de chamas verdes fê lo enjoar ... algo duro bateu lhe em o cotovelo e dobrou o de imediato . Continuava a rodar , a rodar ... sentia se agora como_se várias mãos frias estivessem a bater lhe em a cara ... Espreitando através de os óculos , viu uma torrente imprecisa de fogões e captou lampejos de as salas que estavam por detrás ... as sanduíches de * bacon * davam lhe a volta dentro de o estômago ... fechou os olhos desejando que tudo aquilo parasse e então caiu , de cara em o chão , em a pedra fria e sentiu os óculos partirem se a os bocados . Desorientado e ferido , coberto de fuligem , pôs se cautelosamente de pé , levando a os olhos os óculos partidos . Estava completamente só e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava . Tudo_o_que podia dizer era que a o seu lado via uma lareira que lhe parecia ser a de uma enorme e indistinta loja de feitiçaria . Mas nenhum de os artigos que ali se encontravam tinham aspecto de fazer parte de a lista de a escola de Hogwarts . Em uma caixa de vidro podia ver se uma mão atrofiada que repousava sobre uma almofada , um baralho de cartas ensanguentado e um olho de vidro que o olhava fixamente . Máscaras de expressão maldosa enchiam as paredes , olhando de esguelha , uma enorme quantidade de ossos humanos estendia se sobre o balcão e , de o tecto , pendiam instrumentos aguçados com pontas de ferro e pregos enferrujados . Mas o pior é_que a rua estreita e escura , que Harry conseguia avistar através de a janela poeirenta de a loja , não era de modo algum a Diagon-al . Quanto_mais depressa saísse de ali , melhor . O nariz ainda a doer lhe em o sítio onde batera em o chão a o aterrar , Harry avançou rápida e silenciosamente em direcção a a porta , mas antes de conseguir chegar a meio caminho , duas pessoas apareceram de o lado de_fora de o vidro , e uma de elas era a última pessoa que Harry desejaria encontrar em o momento em que se encontrava perdido , coberto de fuligem e com os óculos partidos , Draco_Malfoy . Harry olhou rapidamente em volta e apercebeu se de a existência de um grande armário escuro a a sua esquerda , saltou lá para dentro e fechou as portas , deixando uma gretazinha para poder espreitar . Segundos depois , uma campainha tocava e Malfoy entrava em a loja . O homem que o acompanhava só podia ser o pai . Tinha o mesmo rosto pálido de feições agudas e os mesmos olhos cinzentos de gelo . Mr._Malfoy atravessou a loja , olhando maquinalmente para os artigos expostos e tocou a campainha de o balcão , antes de se voltar para o filho , dizendo : - Não mexas em nada , Draco . Malfoy , que vira o olho de vidro , disse : - Pensei que ias oferecer me um presente . - Eu prometi que ia comprar te uma vassoura de corrida - declarou o pai , tamborilando com os dedos sobre o balcão . - Para que é_que me serve , se não estou em a equipa de Quidditch ? - perguntou Malfoy , carrancudo e de mau humor . - O Harry_Potter teve uma Nimbus dois_mil o ano passado , com a autorização especial de o Dumbledor é para jogar em os Gryffindor . Ele nem é assim tão bom , é só por ser * famoso * ... famoso por ter uma estúpida cicatriz em a testa . Malfoy baixou se para observar uma prateleira cheia de crânios . - Todos acham que ele é tão esperto , o Potter maravilha , com a sua cicatriz e a sua vassoura ... - Já me disseste isso doze vezes pelo_menos - comentou Mr._Malfoy , olhando repressivamente para o filho . - E devo lembrar te que não é prudente parecer menos do_que amigo de Harry_Potter , quando a maior parte de a nossa gente vê em ele um herói que fez desaparecer o Senhor_do_Mal . Ah , Mr._Borgin . Um homem curvado surgiu por detrás de o balcão , puxando o cabelo gorduroso para trás . - Mr._Malfoy , que prazer vês o de_novo - disse Mr._Borgin , em uma voz tão untuosa como o cabelo . - Encantado , e o nosso jovem Malfoy também , encantado . Em que posso servi os ? Tenho que vos mostrar o que chegou hoje , a um preço muito razoável ... - Hoje não venho comprar , Mr._Borgin , e sim vender - afirmou Mr._Malfoy . - Vender ? - O sorriso apagou se lentamente em o rosto de Mr._Borgin . - Certamente ouviu dizer que o Ministério está a levar a cabo mais buscas - explicou o Mr._Malfoy , retirando de o bolso um rolo de pergaminho e desembrulhando o para Mr._Borgin o ler . - Eu tenho alguns , ah , artigos em casa que poderiam criar me problemas se o Ministério me batesse a porta . Mr._Borgin colocou em o nariz um par de * pince-nez * e olhou para a lista . - O Ministério não se lembraria de o incomodar certamente ... O lábio de Mr._Malfoy dobrou se . - Ainda não me fizeram nenhuma visita . O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito , mas o Ministério está a ficar cada_vez_mais intrometido . Há boatos sobre um novo decreto de protecção de os Muggles , sem dúvida que aquele mordido de as pulgas , adorador de os Muggles , que é o Arthur_Weasley deve estar por detrás de isso . Harry sentiu crescer a raiva . - E , como pode ver , alguns de estes venenos podiam dar a ideia ... - Compreendo perfeitamente , claro - disse Mr._Borgin . - Deixe me ver ... - Posso ter aquilo ? - interrompeu Draco , apontando para a mão raquítica que estava sobre a almofada . - Ah , a mão de a glória ! - exclamou Mr._Borgin , abandonando a lista de Mr._Malfoy e apressando se a responder a Draco . - Põe se lhe uma vela e ela só dá luz a quem a transporta ! A melhor amiga de os gatunos e de os salteadores , o seu filho tem gosto , senhor . - Espero que o meu filho venha a ser mais do_que gatuno ou salteador , Borgin - disse Mr._Malfoy friamente e Mr._Borgin respondeu logo : - Sem ofensa , senhor , sem querer ofender . - Embora , se as notas de a escola não melhorarem - disse Mr._Malfoy ainda mais friamente - esse possa vir a ser o único caminho possível para ele . - Não tenho culpa - retorquiu Draco . - Todos os professores têm os seus preferidos , aquela Hermione_Granger ... - Eu , em o teu lugar , teria vergonha que uma rapariga que nem_sequer pertence a famílias de feiticeiros , me passasse a a frente em todos os exames - interrompeu Mr._Malfoy . Ah - fez Harry baixinho , radiante por ver Draco atrapalhado e furioso . - É o mesmo em todo o lado - comentou Mr._Borgin em a sua voz untuosa . - O sangue de os feiticeiros conta cada_vez menos ... - Não para mim - afirmou Mr._Malfoy , com as longas narinas dilatadas . - Não senhor , nem para mim - concordou Mr._Borgin , inclinando se em uma vénia . - Em esse caso , talvez possamos voltar a a minha lista - disse Mr._Malfoy secamente . - Estou com alguma pressa , Borgin , tenho ainda hoje assuntos importantes a tratar em outro lado . Começaram a discutir os preços . Harry via nervosamente o Draco aproximar se de o seu esconderijo enquanto observava os objectos a a venda . Parou para examinar um enorme rolo de corda de carrasco e para ver , com um sorriso afectado , o cartão preso com um aparatoso laço de opalas onde podia ler se : * _ Cautela , não tocar . Amaldiçoado - reclama as vidas de dezanove donos , todos eles Muggles * . Draco voltou se e viu o armário mesmo em frente . Avançou , estendeu a mão para o puxador ... - Feito - disse Mr._Malfoy , a o balcão . - Vamos , Draco . Harry limpou a testa a a manga quando Draco se afastou . - Muito bom dia , Mr._Borgin . Espero por si amanhã em a mansão para ir buscar a mercadoria . Em o momento em que a porta se fechou , Mr._Borgin abandonou os seus modos subservientes . « Bom dia para o senhor , Mr._Malfoy , e , se as histórias que contam são verdadeiras , não me vendeu nem metade do_que tem escondido em a sua mansão ... » Murmurando de forma taciturna , Mr._Borgin desapareceu em uma sala escura . Harry esperou um minuto não fosse ele voltar e , em seguida , o mais silenciosamente possível , escapou se de o armário , passou por as caixas de vidro e saiu de a loja . Encostando os óculos partidos a o rosto , olhou em volta . Saíra em uma rua estreita e sombria que parecia composta exclusivamente de lojas dedicadas a as artes negras . Aquela de onde acabava de sair parecia ser a maior , mas em frente estava uma montra tétrica de cabeças encolhidas e duas portas abaixo podia ver se uma enorme caixa viva cheia de gigantescas aranhas pretas . Dois feiticeiros com aspecto pobre observavam o de a sombra de uma porta , murmurando entre si . Sentindo se nervoso , Harry pôs se a caminho , tentando agarrar os óculos a direito e não desistindo de a esperança de encontrar maneira de sair de ali . Por um cartaz de madeira , pendurado em a rua , indicando uma loja de venda de velas envenenadas , ficou a saber que se encontrava em a Rua * _ Bativolta * , mas isso não o ajudou pois Harry nunca ouvira falar em tal lugar . Calculou que não tinha pronunciado bem as palavras com a boca cheia de cinzas em a lareira de os Weasley . Tentando manter a calma perguntou a si mesmo o que havia de fazer . - Não estás perdido , pois não , meu menino ? - perguntou uma voz , mesmo junto de o seu ouvido , que o fez dar um salto . Uma bruxa idosa estava em a sua frente , segurando um tabuleiro de uma coisa que se parecia horrivelmente com unhas humanas . A mulher olhou o maldosamente , mostrando os dentes esverdeados . Harry recuou . - Estou bem , obrigado - disse . - Estou só ... - HARRY ! O qu'é que pensas que estás a fazer aqui ? O coração de Harry deu um salto , assim_como o de a bruxa . Um monte de unhas caíram lhe sobre os pés e ela praguejou , enquanto o corpo enorme de Hagrid , o guarda de os campos de Hogwarts , se aproximava de eles a passos largos com os olhos castanhos-escuros a faiscarem sobre a longa barba eriçada . - Hagrid - gritou Harry , aliviado . - Eu estava perdido ... o pó de Floo ... Hagrid agarrou Harry por o cachaço e puxou o para longe de a bruxa , tirando lhe o tabuleiro de as mãos . Os guinchos agudos de a feiticeira seguiram nos até a o fundo de a ruela serpenteante que ia dar a um lagar onde brilhava o sol . Harry avistou a a distância um edifício de mármore branco como a neve que lhe era familiar : o banco de Gringotts . Hagrid conduzira o até a a Diagon - _ Al . - ` _ tás em um péssimo estado ! - disse Hagrid bruscamente , sacudindo lhe a fuligem com tanta força que Harry quase caiu em um barril de estrume de dragão que se encontrava a a porta de um boticário . - A fugir , em a Rua * _ Bativolta * , eu não conheço esse lugar finório , Harry , não quero que ninguém te veja aqui em baixo . - Já percebi - disse Harry , baixando se quando Hagrid fez menção de o escovar melhor . - Já te disse que estava perdido . E o que é_que tu fazes aqui ? - ` _ Tou a a procura d'um repelente para as lesmas comedoras de legumes - resmungou Hagrid . - ` _ tão a destruir as couves todas de a escola . Tu não estás sozinho ? - Estou em casa de os Weasley , mas separámo nos explicou Harry . - Tenho que os encontrar . Desceram juntos a rua . - Por_que é_que nunca respondeste a as minhas cartas ? - perguntou Hagrid , enquanto Harry corria para o acompanhar ( tinha de dar três passos por cada enorme passada de Hagrid ) . Harry explicou lhe tudo sobre Dobby e os Dursleys . - Malditos_Muggles - rugiu Hagrid . - S'eu tivesse sabido ... - Harry ! Harry ! Aqui ! Harry olhou para_cima e viu Hermione_Granger em o topo de a escadaria de Gringotts . Desceu para vir a o encontro de ele , o cabelo castanho de caracóis , a esvoaçar atrás de ela . - O que aconteceu a os teus óculos ? Olá_Hagrid ... Oh , é maravilhoso ver vos outra_vez . Vens a Gringotts , Harry ? - Logo_que encontre os Weasley - respondeu ele . - Não vais ter d'esperar muito - riu se Hagrid . Harry e Hermione olharam em volta . Subindo a rua , em o meio de a multidão , vinham Ron , Fred , George , Percy e Mr._Weasley . - Harry - chamou Mr._Weasley , ofegante . - Tínhamos esperança que só tivesses ido um fogão mais longe ... - passou um pano em a sua calva reluzente . - A Molly está nervosíssima , aí vem ela . - Onde é_que tu saíste ? - perguntou o Ron . - Em a Rua * _ Bativolta * - disse o Hagrid , com um ar sério . - Sensacional ! - exclamaram Fred e George ao_mesmo_tempo . - Nunca nos deram autorização para lá ir - disse o Ron com uma pontinha de inveja . - E fizeram muito bem - grunhiu Hagrid . Mrs._Weasley chegou em aquele momento a correr , a mala a balouçar em uma de as mãos e Ginny quase pendurada em a outra . - Oh Harry , oh meu querido , podias ter ido parar a qualquer lugar ... Tentando recuperar o fôlego , tirou de a mala uma grande escova de roupa e começou a retirar a fuligem que Hagrid não conseguira expulsar . Mr._Weasley pegou em os óculos de Harry , deu lhes um toque de varinha e entregou lhe os como novos . - Bem , tenho de m'ir embora - disse Hagrid cuja mão estava a ser esmagada por Mrs._Weasley ( -- Rua * _ Bativolta * ! Se não o tivesses encontrado , Hagrid ! ) . - Vemo nos em Hogwarts . - E afastou se , os ombros e a cabeça acima de a multidão que enchia completamente a rua . - Adivinham quem eu vi em o Borgin and Burkes ? - perguntou Harry_a_Ron e a Hermione enquanto subiam as escadarias de Gringotts . - Malfoy e o pai . - O Lucius_Malfoy comprou alguma coisa ? - perguntou interessado Mr._Weasley que estava atrás de eles . - Não , estava a vender . - Então está preocupado - comentou Mr._Weasley com visível satisfação . - Ah , eu adorava apanhar o Lucius_Malfoy em alguma . . - Tem cuidado , Arthur - interrompeu Mrs._Weasley enquanto o gnomo porteiro lhes dava reverentemente entrada em o banco . - Isso é um problema de família . Não queiras ter mais olhos que barriga . - Queres dizer com isso que achas que eu não chego para o Malfoy ? - perguntou Mr._Weasley , indignado , mas foi rapidamente afastado de aqueles sentimentos a o avistar os pais de Hermione que estavam de pé , nervosamente encostados a o balcão que acompanhava a grande parede de mármore , a a espera que Hermione os apresentasse . - Mas vocês são Muggles ! - disse Mr._Weasley , encantado . - Temos de tomar uma bebida . O que é isso aí ? Ah , estão a trocar dinheiro de Muggle . Molly , olha - apontou cheio de excitação para as notas de dez libras que Mr._Granger tinha em a mão . - Encontramo nos aqui - disse Ron_a_Hermione , enquanto os Weasley e Harry eram conduzidos a os seus cofres em o subterrâneo de Gringotts . Para chegar a os cofres havia que tomar umas carrinhas conduzidas por gnomos que se deslocavam ao_longo_de carris de comboio de pequenas dimensões através de os túneis subterrâneos de o banco . Harry gostou de a viagem acidentada até a o cofre de os Weasley , mas sentiu se bastante mal , pior do_que em a Rua * _ Bativolta * , quando o cobre foi aberto . Havia lá dentro um pequenino monte de Leões de prata e apenas um Galeão de ouro . Mrs._Weasley foi com a mão a a procura em os cantos antes de , com um gesto rápido , varrer tudo para dentro de o saco . Harry sentiu se ainda pior quando chegaram a o seu cofre . Tentou evitar que vissem o conteúdo enquanto empurrava apressadamente mãos cheias de moedas para dentro_de uma sacola de cabedal . Lá fora , em as escadarias de mármore , separaram se . Percy murmurou vagamente que precisava de uma nova pena de escrever . Fred e George tinham avistado um amigo de Hogwarts , Lee_Jordan . Mrs._Weasley e Ginny iam a uma loja de mantos em segunda mão , Mr._Weasley continuava a insistir em levar os Grangers a o Caldeirão_Escoante para lhes pagar uma bebida . - Encontrarmo nos todos em a Flourish and Blotts dentro_de uma hora para comprar os vossos livros de estudo - disse Mrs._Weasley , afastando se com Ginny . - E nem um passo em direcção a a Rua * _ Bativolta * - gritou a os gémeos que estavam de costas . Harry , Ron e Hermione deambularam por a rua empedrada e sinuosa . O ouro , prata e bronze que tilintavam alegremente em o saco que Harry tinha em o bolso pareciam exigir ser gastos , por isso ele comprou três enormes gelados de morango e manteiga de amendoim que eles devoraram felizes enquanto vagueavam sem destino por a rua fora , observando as montras fantásticas de as lojas . Ron olhou longamente para um conjunto completo de mantos de o Chudley_Cannon , em as montras de o « Equipamento_de_Quidditch_de_Qualidade » até Hermione o arrastar de ali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos . Em a « Jogos_de_Feitiçaria_de_Gambol and Japes » encontraram o Fred , o George e o Lee_Jordan que estavam presos em a fabulosa partida debaixo_de chuva e em os fogos-de-artifício de o Dr._Filibuster . E em uma pequenina loja de velharias cheia de varinhas partidas , balanças instáveis de latão e mantos velhos cobertos de nódoas de poções encontraram Percy profundamente concentrado em um pequenino livro , bastante chato , chamado * _ Prefeitos que conquistam o poder * . - * _ Um estudo sobre os prefeitos de Hogwarts e as suas posteriores carreiras * - leu alto o Ron em a contracapa . - Deve ser fascinante ... - Desaparece - gritou Percy . - Claro , ele é muito ambicioso , já tem tudo planeado . Quer ser ministro de a magia - disse o Ron baixinho a o Harry e a a Hermione , enquanto deixavam Percy entregue a o livro . Uma hora mais tarde dirigiram se a a Flourish and Blotts . Não eram de modo algum os únicos a encaminhar se para a livraria . À_medida_que se aproximavam viram com grande surpresa uma grande multidão a a porta , tentando entrar em a loja . O motivo de tal confusão estava anunciado em um cartaz que se estendia a o longo de a montra superior . GILDEROY_LOCKHART_Assinará exemplares de a sua autobiografia " eu , o mágico " Hoje 12.30 - 16.30 - Vamos poder conhecê o ! - gritou Hermione . - Quero dizer , ele escreveu quase todos os livros de a nossa lista ! A multidão parecia ser maioritariamente composta por bruxas de a idade de Mrs._Weasley . Um feiticeiro bem-parecido estava de pé junto de a porta , dizendo : - Calma , minhas senhoras , não empurrem , cuidado com os livros . Harry , Ron e Hermione conseguiram furar e entrar . Uma longa fila serpenteava para as traseiras de a loja onde Gilderoy_Lockhart estava a assinar os seus livros . Cada_um de eles pegou em um exemplar de * _ ensinamentos de Uma Fada_Carpideira * e escaparam se de a fila indo ter a o lugar onde se encontravam os outros com Mr. e Mrs._Granger . - Ah , aí estão vocês . _ óptimo - disse Mrs._Weasley que parecia estar com falta de ar e não parava de mexer em o cabelo . - Vamos poder vês o dentro_de um minuto . Gilderoy_Lockhart veio lentamente até um lugar onde era visível para todos , sentou se a uma mesa , rodeado de grandes fotografias de o próprio rosto , todo ele sorrisos , mostrando a a multidão o brilho cintilante de os seus dentes . Lockhart usava uma túnica azul-noite que condizia a as mil maravilhas com a cor de os olhos , o chapéu pontiagudo de feiticeiro colocado lateralmente sobre o cabelo ondulado . Um homenzinho pequenino e irritante andava a dançar de um lado para o outro , tirando fotografias com uma grande máquina preta que lançava baforadas de fumo arroxeado em cada * flash * . - Sai de o caminho , tu aí - disse rispidamente a o Ron , mudando de lugar para ter um angulo melhor . - Este é para o * _ Profeta_Diário * . - Grande coisa ! - exclamou o Ron , esfregando os pés em o lugar que o fotógrafo pisara . Gilderoy_Lockhart ouviu o . Olhou , viu o Ron e em seguida Harry . Voltou a olhar , desta_vez com mais atenção . Em seguida , pôs se de pé e gritou : - Não pode ser , o Harry_Potter ? A multidão dividiu se entre murmúrios de excitação . Lockhart aproximou se , agarrou Harry por um braço e levou o para a frente . A multidão rebentou em aplausos . A cara de Harry ardia quando Lockhart lhe apertou a mão para o fotógrafo que disparava como um louco , lançando fumo espesso para_cima de os Weasley . - Belo sorriso , Harry - disse Lockhart através de os seus dentes brilhantes . - Tu e eu juntos merecemos a primeira página . Quando por fim lhe largou a mão , Harry quase não sentia os dedos . Tentou recuar para junto de os Weasley , mas Lockhart lançou lhe um braço por os ombros e prendeu o a o seu lado . - Minhas senhoras e meus senhores - disse bem alto , fazendo sinal para que se acalmassem . - Que momento extraordinário este ! O momento perfeito para eu anunciar algo que tenho vindo a guardar comigo desde_há algum tempo . - Quando o jovem Harry entrou em a Flourish and Blotts hoje , ele queria apenas comprar a minha autobiografia , que tenho agora o maior prazer em oferecer lhe - a multidão aplaudiu de_novo . - Ele não tinha ideia - continuou Lockhart , dando a o Harry um pequeno encontrão que fez com que os óculos lhe escorregassem para a ponta de o nariz - de que ia conseguir em_breve muito mais do_que o meu livro Eu , o mágico . Ele e os seus colegas de a escola vão receber , de facto , o verdadeiro * _ Eu , o mágico * . Sim , minhas senhoras e meus senhores , tenho o maior prazer em anunciar que em o mês_de_Setembro assumirei o lugar de professor de Defesa contra as artes negras em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts ! A multidão aplaudiu e bateu palmas e Harry deu consigo a ser presenteado com a obra completa de Gilderoy_Lockhart . Cambaleando ligeiramente sob o peso de os livros conseguiu abrir caminho para longe de os projectores até a a porta de a sala onde estava Ginny com o seu novo caldeirão . - Podes ficar com estes - murmurou Harry , enfiando os livros em o caldeirão . - Eu vou comprar os meus . - Aposto que adoraste aquilo , não adoraste , Potter ? - disse uma voz que Harry não teve qualquer dificuldade em reconhecer . Endireitou se e deu consigo frente_a_frente com Draco_Malfoy que exibia o seu habitual sorriso escarninho . - O famoso Harry_Potter - disse Malfoy . - Nem_sequer pode entrar em uma livraria sem se tornar primeira página . - Deixa o em paz , ele não queria nada de isso - defendeu a Ginny . Era a primeira vez que falava em frente de Harry . Olhava para Malfoy com um ar feroz . - Potter , arranjaste uma namorada ! - disse arrastadamente Malfoy . Ginny ficou vermelha como um pimentão enquanto Ron e Hermione tentavam abrir caminho , ambos carregando montes de livros de Lockhart . -- Ah és tu ? - disse Ron , olhando para Malfoy como_se ele fosse algo desagradável colado a a sola de o sapato . - Aposto que te surpreendeu ver o Harry aqui ? - Não tanto como a ti em uma loja , Weasley - retorquiu Malfoy . - Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo . Ron ficou tão vermelho quanto Ginny . Deixou também cair os livros em o caldeirão e avançou para Malfoy , mas Harry e Hermione agarraram o por as costas de o casaco . - Ron - disse Mrs._Weasley , aproximando se com Fred e George . - O que estás a fazer ? Isto está uma loucura aqui dentro , vamos lá para fora . - Olha quem ele é , Arthur_Weasley . - Era_Mr._Malfoy . Estava de pé com a mão sobre o ombro de Draco , com o mesmo sorriso escarninho . -- Lucius - disse Mr._Weasley , acenando friamente . -- Muito trabalho em o ministério , segundo me consta - disse Mr._Malfoy . - Todas essas buscas ... espero que te estejam a pagar horas extraordinárias . Meteu a mão em o caldeirão de a Ginny e tirou de o meio de os livros de Lockhart um exemplar muito velho e muito gasto de o * _ Guia_de_Transfiguração_para_Principiantes * . - Parece que não - disse . - Que diabo , qual a vantagem de ser uma nódoa entre os feiticeiros se nem_sequer te pagam bem por isso ? Mr._Weasley corou mais ainda do_que Ron ou Ginny . - Nós temos uma opinião diferente sobre quem são as nódoas entre os feiticeiros - disse . - É claro que ... - disse Mr._Malfoy , os olhos mortiços passando para Mr. e Mrs._Granger apreensivamente . - As companhias com quem tu andas ... e eu que pensava que já não conseguias descer mais baixo ... Ouviu se um tilintar de metal quando o caldeirão de a Ginny foi por os ares . Mr._Weasley lançara se sobre Mr._Malfoy atirando o para dentro_de uma estante . Dezenas_de livros de feitiços saltaram lá de cima , caindo lhes sobre as cabeças . Houve um grito de - Chega lhe , pai ! - de o Fred e de o George . Mrs._Weasley soltava gritos agudos : - Não_Arthur , não . A multidão recuava deitando mais prateleiras a o chão . - Meus senhores , por favor - gritava o encarregado , e então , mais alto do_que todos : - Parem com isso , gente , parem com isso . Hagrid aproximava se através_de um mar de livros . Em um segundo afastou Mr._Weasley e Mr._Malfoy . Mr._Weasley tinha um lábio cortado e Mr._Malfoy fora agredido em um olho por uma * _ Enciclopédia_de_Cogumelos_Venenosos * . Tinha ainda em a mão o livro velho de a Ginny sobre transfiguração . Atirou lhe o , com os olhos a brilhar de malvadez . - Toma o teu livro , garota . É o melhor que o teu pai pode oferecer te . Libertando se de Hagrid , conduziu Draco para fora e abandonaram a livraria . - Devias tê o ignorado , Arthur - disse Hagrid quase a pegar em Mr._Weasley a o colo enquanto lhe endireitava o manto . - São podres até a a raiz , todos eles . Tod'à gente sabe . Nenhum Malfoy vale a pena ser ouvido . Não prestam , ' tá-lhes em o sangue . Vá lá , vamos sair de aqui . O encarregado parecia querer impedis os , mas , olhando bem para Hagrid , pensou melhor . Subiram a rua , os Grangers a tremer de medo e Mrs._Weasley fora de si . - Um belo exemplo para as crianças ... andar a a pancada em público . O que terá pensado Gilderoy_Lockhart ? - Ele gostou - disse o Fred . - Não o ouviram quando ia a sair ? Estava a perguntar a aquele tipo de o Profeta_Diário se conseguia incluir a briga em a reportagem , disse que era boa publicidade . Mas foi um grupo deprimido que regressou a a lareira de o Caldeirão_Escoante onde Harry , os Weasley e todas_as suas compras iriam viajar de volta até a a Toca , usando o pó de Floo . Despediram se de os Grangers que iam sair de o * pub * por a rua de os Muggles , de o outro lado . Mr._Weasley começou a perguntar lhes como funcionavam as paragens de autocarros , mas calou se rapidamente a o ver a expressão de Mrs._Weasley . Harry tirou os óculos e guardou os cautelosamente em o bolso antes de utilizar o pó de Floo . Definitivamente não era a sua forma ideal de viajar . V_O salgueiro zurzidor O fim de as férias de Verão chegou demasiado depressa para o gosto de Harry . Ele desejara muito regressar a Hogwarts , mas aquele mês em a Toca tinha sido o mais feliz de toda_a sua vida . Era difícil não invejar o Ron quando pensava em os Dursleys e em as boas-vindas que ia receber de a próxima vez que pusesse os pés em Privet_Drive . Em a última noite , Mrs._Weasley preparou um jantar magnífico , que incluía os pratos favoritos de Harry e terminava com um pudim de melaço de fazer crescer água em a boca . Fred e George alegraram a noite com uma exibição de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que saltaram de o tecto para as paredes , durante pelo_menos meia_hora . Depois , foi a altura de tomarem uma caneca de chocolate quente e irem para a cama . Em a manhã seguinte , demoraram muito_tempo a preparar se . Levantaram se com o cantar de o galo , mas parecia lhes que ainda tinham muito para fazer . Mrs._Weasley andava de um lado para o outro , mal-humorada , a a procura de meias e penas , chocavam uns com os outros em as escadas , meio vestidos , meio despidos , com pedaços de torrada em as mãos e Mr._Weasley quase partiu o nariz quando tropeçou em uma galinha a o atravessar o pátio , para meter em o carro a mala de Ginny . Harry não percebia lá muito bem_como é_que oito pessoas , seis grandes malas , duas corujas e um rato , iam caber em um pequeno * _ Ford_Anglia * , isso , claro , antes de as artes mágicas que Mr._Weasley acrescentara . - Nem uma palavra a a Molly - murmurou ele a o Harry , enquanto abria a bagageira e lhe mostrava como ela se expandira para que as malas coubessem facilmente . Quando , por fim , se acomodaram todos em o carro , Mrs._Weasley olhou para o banco de trás , onde Harry , Ron , Fred , George e Percy estavam confortavelmente sentados uns a o lado de os outros e disse : - Os Muggles têm mais conhecimentos do_que aqueles que nós lhes atribuímos , não achas ? - Ela e a Ginny entraram para o lugar de a frente , que fora esticado e parecia um banco de jardim . - Quer_dizer , de_fora ninguém diria que este carro era espaçoso , não acham ? Mr._Weasley pôs o motor a funcionar e saíram de o pátio , Harry voltando se para trás para ver por a última vez a casa . Mal teve tempo de se questionar se iria voltar alguma vez e já estavam de volta : George esquecera se de a caixa de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Cinco minutos mais tarde tiveram de interromper de_novo a viagem e voltar a o pátio para o Fred ir a correr buscar a vassoura . Estavam quase a chegar a a auto-estrada , quando Ginny guinchou que se esquecera de o diário . Mas estava a fazer se muito tarde e os ânimos começavam a exaltar se . Mr._Weasley olhou para o relógio e , em seguida , para a mulher . - Molly , querida ... - Não , Arthur . - Ninguém ia ver . Este botãozinho é um transformador de invisibilidade que eu instalei , levava nos por o ar , subíamos acima de as nuvens . Estaríamos lá em dez minutos e ninguém daria por nada ... - Eu disse que não , Arthur . Durante o dia , não . Chegaram a King's_Cross , faltava um quarto para as onze . Mr._Weasley precipitou se em busca de um carrinho de transporte para as malas e correram todos para a estação . Harry apanhara o Expresso_de_Hogwarts em o ano anterior . A parte mais difícil era entrar em a plataforma nove_e_três quartos , que não era visível a os olhos de os Muggles . Era preciso avançar para a barreira sólida que dividia as plataformas nove e dez . Não doía nada , mas tinha de ser feito com cuidado para que nenhum de os Muggles de esse , por o desaparecimento . - O Percy em primeiro lugar - declarou Mrs._Weasley , olhando nervosamente para o relógio lá em cima , que mostrava que tinham apenas cinco minutos para desaparecer através de a barreira . Percy avançou a passos largos e desapareceu . Mr._Weasley foi a seguir e depois de ele Fred e George . - Eu levo a Ginny e vocês vêm atrás_de nós - disse Mrs._Weasley a o Harry e a o Ron , agarrando Ginny pela mão e seguindo em frente . Em um abrir e fechar de olhos , tinham passado . - Vamos passar juntos , só temos um minuto - disse Ron a o Harry . Harry assegurou se de que a gaiola de a Hedwig estava bem fixa em cima de a sua mala e empurrou o carrinho de encontro a a barreira . Estava perfeitamente confiante , aquilo era muito mais fácil do_que usar o pó de Floo . Puseram os dois as mãos em o puxador de os carrinhos e avançaram direitos a a barreira , ganhando velocidade . A um metro e pouco , começaram a correr e ... CRASH . Os dois carros bateram em a barreira e foram impelidos para trás . A mala de o Ron caiu com um enorme estrépito . Harry desequilibrou se e a gaiola de a Hedwig foi parar a o chão brilhante , enquanto ela rolava guinchando , indignada . As pessoas em volta olhavam fixamente e um guarda que estava ali perto gritou : - Que diabo pensam vocês que estão a fazer ? - Perdemos o controlo de o carro de transporte - respondeu o Harry , respirando com dificuldade , agarrando se a as costelas , enquanto se punha de pé . Ron correu a agarrar a Hedwig , que estava a fazer uma cena tal , que já se ouviam murmúrios em a multidão sobre a crueldade para com os animais . - Porque é_que não conseguimos passar ? - perguntou Harry a o Ron em um sussurro . - Não sei . Ron olhou descontroladamente em volta . Uma_dúzia de curiosos estavam ainda a observá os . - Vamos perder o comboio - murmurou o Ron . - Não compreendo porque motivo a cancela se fechou . Harry olhou para o relógio gigantesco com um sentimento de náusea em a boca de o estômago . Dez segundos , nove segundos ... Dirigiu o carrinho de transporte para a frente com toda_a força . O metal manteve se sólido . Três segundos ... dois segundos ... um segundo ... - Partiu - afirmou o Ron , que parecia estonteado . - O comboio foi se embora . E se a mãe e o pai não conseguem voltar para aqui ? Tens algum dinheiro de Muggle ? Harry deu uma gargalhada . - Os Dursleys não me dão um tostão há mais de seis anos ! Ron encostou o ouvido a a barreira . - Não se ouve nada - disse , bastante tenso . - O que vamos nós fazer ? Não sei quanto tempo o pai e a mãe vão demorar . Olharam em volta . As pessoas ainda estavam a observá os , principalmente devido a os contínuos guinchos de a Hedwig . - Acho que o melhor é sairmos de aqui e esperamos por eles junto de o carro - disse Harry . - Aqui estamos a atrair demasiado as aten ... - Harry - disse o Ron , com os olhos a brilhar . - É isso , o carro . - O que é_que tem ? - Podemos voar nele até Hogwarts ! - Mas eu pensei ... - Estamos em apuros , certo ? E temos de chegar a a escola , ou não ? E mesmo os feiticeiros menores de idade estão autorizados a usar a magia em uma emergência real , parágrafo dezanove , ou não sei quê , de a Restrição de ... O sentimento de pânico de Harry transformou se em entusiasmo . - E tu sabes voar nele ? - Não há problema - disse o Ron , andando com o carrinho a a volta e dirigindo se para a saída . - Anda de aí . Se em os apressarmos , conseguiremos sair atrás de o Expresso_de_Hogwarts . E afastaram se de o grupo de Muggles curiosos , abandonando a estação e voltando a a rua , onde o velho * _ Ford_Anglia * se encontrava estacionado . Ron abriu a bagageira com uma série de toques de varinha . Meteram lá dentro as malas , puseram a Hedwig em o assento de trás e entraram para a frente . - Verifica se ninguém está a ver - disse o Ron , ligando a ignição com outro toque de varinha . Harry pôs a cabeça fora de a janela : o trânsito enchia a avenida principal , mas a rua de eles estava vazia . - O. _ K. - disse . Ron carregou em um pequeno botão de o painel . Os carros em volta desapareceram assim_como eles . Harry sentia o assento a vibrar debaixo_de si , ouvia o motor , sentia as mãos sobre os joelhos e os óculos em o nariz , mas , tanto quanto conseguia ver , tornara se um par de olhos redondos flutuando um metro e pouco acima de o chão em uma rua suja , cheia de carros estacionados . - Vamos - disse a voz de o Ron , vinda de o seu lado direito . O chão e os prédios escuros de ambos os lados desapareceram de o seu ângulo de visão , mal o carro se elevou . Em poucos segundos toda_a cidade de Londres , enevoada e resplandecente , estava por baixo de eles . Em seguida , ouviu se um ruído que parecia o saltar de uma rolha e o carro , Harry e Ron , reapareceram . - Oh , oh - disse Ron , batendo em o intensificador de invisibilidade . - Está avariado ... Começaram os dois a bater em o botão . O carro desapareceu . Depois surgiu de forma intermitente . - Aguenta aí - gritou o Ron e carregou com o pé em o acelerador . Saltaram direitinhos para o meio de as nuvens mais baixas e tudo ficou sujo e enevoado . - E agora ? - exclamou Harry , piscando os olhos a a sólida massa de nuvens que os comprimia de todos os lados . - Precisamos de avistar o comboio para sabermos qual a direcção a tomar - explicou o Ron . - Desce rapidamente ... Desceram por o meio de as nuvens e voltaram se em os lugares , espreitando . - Estou a vê o - gritou Harry . - Mesmo em frente , ali . O Expresso_de_Hogwarts deslocava se a grande velocidade lá em baixo , como uma serpente vermelha . - Para Norte - disse o Ron , verificando a bússola de o painel . - O. _ k . , basta que verifiquemos de meia em meia_hora . Aguenta aí ... - e arrancaram por o meio de as nuvens . Em o minuto seguinte , tinham chegado a a luz brilhante de o Sol . Era um mundo diferente . Os pneus de o carro deslizavam sobre o mar de nuvens macias , o céu era de um azul infinito sob a luz , capaz de cegar , que irradiava de o Sol . - Agora só temos de nos preocupar com os aviões - disse o Ron . Olharam um para o outro e desataram a rir . Durante muito_tempo não conseguiram parar . Era como_se tivessem mergulhado em um sonho fabuloso . Aquela , pensou Harry , era certamente a única maneira de viajar : passando por turbilhões e torres de nuvens cor de neve , em um carro cheio de calor , o sol radioso , com um grande pacote de rebuçados em o porta-luvas e antegozando o ar de inveja de o Fred e de o George quando aterrassem suavemente e de forma espectacular em o relvado macio em frente de o castelo de Hogwarts . Espreitaram várias vezes o comboio enquanto voavam cada_vez_mais para norte . Cada descida entre as nuvens dava lhes uma perspectiva diferente . Londres depressa ficou para trás , substituída por campos verdejantes que , por sua vez , deram lugar a grandes pântanos arroxeados , aldeias com pequenas igrejas de brinquedo e uma grande cidade , cheia de vida , com carros que pareciam formigas multicores . Várias horas mais tarde sem acontecer nada de_novo , Harry teve de admitir que uma parte de o entusiasmo se esgotara . Os rebuçados tinham nos deixado cheios de sede e não havia nada para beber . Ele e o Ron tinham tirado as camisolas , mas a * _ T-shirt * de o Harry estava colada a as costas de o assento e os óculos não paravam de lhe escorregar para a ponta de o nariz . Deixara de reparar em as fabulosas formas de as nuvens e pensava com saudade em o comboio , milhas abaixo de eles , onde se podia comprar sumo fresquinho de abóboras em um carro empurrado por uma bruxa gordinha . Porque não teriam conseguido entrar em a plataforma nove_e_três quartos ? - Não pode ser muito mais longe , pois não ? - resmungou o Ron , horas mais tarde quando o Sol começava a enfiar se em o seu chão de nuvens , pintando as de um rosa profundo . - Estás pronto para outra espreitadela a o comboio ? Ainda ia mesmo por baixo de eles , abrindo caminho por_entre uma montanha com o topo coberto de neve . Estava muito mais escuro entre o dossel de nuvens . Ron pôs o pé em o acelerador e levou os de_novo para_cima , mas em esse momento o motor começou a chiar . Harry e Ron trocaram entre si olhares nervosos . - Deve estar só cansado - disse o Ron . - Nunca tinha vindo tão longe ... - E fingiram ambos que não davam por o gemido que se ia tornando maior à_medida_que o céu serenamente escurecia . As estrelas desabrochavam em a escuridão , Harry voltou a enfiar a camisola de lã , tentando ignorar os limpa pára-brisas que acenavam debilmente como_que a protestar . - Não devemos estar longe - disse Ron , dirigindo se mais a o carro do_que a o amigo . - Já não devemos estar longe - deu umas palmadinhas nervosas em o * tablier * . Pouco depois , quando voltaram a voar em o meio de as nuvens , tiveram de olhar de lado em a escuridão , em busca de um ponto de referência que conhecessem . - Ali - gritou Harry , fazendo o Ron e a Hedwig darem um salto . - Mesmo em frente . Recortados em o horizonte negro , sobre o rochedo de o outro lado de o lago , erguiam se as torres e torreões de o castelo de Hogwarts . Mas o carro tinha começado a estremecer e perdia a os poucos velocidade . - Vá lá - disse o Ron , dando a o volante um pequeno abanão bajulador . - Estamos quase a chegar , vá lá ... O motor gemeu . Pequenos jactos de vapor de água brotaram de o capo . Harry deu consigo agarrado com toda_a força a os bordos de o assento enquanto voavam direitos a o lago . O carro deu um solavanco feio . Espreitando por a janela , Harry viu a superfície negra , macia e espelhada de a água cerca de uma milha abaixo de eles . Os dedos de o Ron agarrados a o volante tinham as articulações brancas . O carro deu um novo esticão . - Vá lá - murmurou o Ron . Estavam sobre o lago ... o castelo ficava mesmo em frente . Ron fez força com o pé . Houve um ruído surdo , uma crepitação e o motor morreu por completo . - Oh ! oh ! - gemeu Ron em o silêncio . O nariz de o carro voltou se para baixo . Estavam a cair , ganhando velocidade em direcção a os muros sólidos de o castelo . - Naaaaão ! - gritou o Ron , girando o volante . Escaparam a a muralha de pedra negra por centímetros , quando o carro fez um grande arco , planando primeiro sobre as estufas , depois sobre o rectângulo plantado com vegetais e , por fim , sobre os relvados , perdendo sempre velocidade . Ron largou o volante por completo e tirou a varinha de o bolso de trás . - __ pára ! __ pára ! - gritou , batendo em o * tablier * e em o pára-brisas , mas eles continuavam a mergulhar , o chão a voar em direcção a eles . - : __ cuidado com essa __ árvore ! ! ! - bramiu Harry , deitando a mão a o volante , mas ... tarde de mais ... CRUNCH . Com um ruído ensurdecedor de metal e madeira , bateram em o tronco espesso de a árvore e caíram em o chão com um forte solavanco . O vapor era um mar debaixo de o capo amachucado . A Hedwig tremia apavorada . Em a cabeça de Harry surgira um alto de o tamanho de uma bola de golfe , quando ele batera em o pára-brisas , tombando em seguida para a direita . Ron soltou um gemido longo e desesperado . - Estás O. _ K ? - perguntou Harry , aflito . - A minha varinha - disse o Ron em uma voz trémula . - Olha para a minha varinha . Tinha se partido praticamente em duas , a ponta balouçava mole , presa por meia_dúzia de esquírolas . Harry abriu a boca para dizer que em a escola com certeza conseguiriam consertá a , mas nem chegou a começar a frase . Em esse preciso momento , algo bateu em o seu lado de o carro , com a força de um touro , projectando o para_cima de o Ron , ao_mesmo_tempo que um golpe igualmente forte se sentiu em o capô . - O que está a acontec ... Ron arfou , olhando fixamente por o pára-brisas e Harry olhou em volta , mesmo a_tempo_de ver uma ramada espessa como uma píton vir contra o vidro . A árvore em que tinham batido estava a atacá os . O tronco dobrara se quase a meio e os seus galhos rugosos davam uma tareia a cada centímetro de o carro que conseguiam atingir . - Ah ! - praguejou o Ron , quando outra pernada retorcida esmurrou a sua porta , amolgando a . O pára-brisas tremia agora sob uma saraivada de golpes vindos de galhos que pareciam patas de animais e uma ramada espessa como um aríete esmagava furiosamente o capo , que parecia estar a ceder ... - Corre ! - gritou o Ron , lançando o seu peso contra a porta , mas , em o momento seguinte , tinha sido atirado para trás , para o colo de Harry por um soco maldoso , dado de baixo para_cima , por outro ramo . - Estamos feitos ! - resmungou , enquanto o tecto descaía . Mas , de repente , o chão de o carro estava a vibrar , o motor pegara . - Marcha atrás - gritou o Harry e o carro deu um salto para trás . A árvore tentava ainda agredis os , ouviam as raízes chiar , enquanto quase se partiam esticando se para os alcançar . - Escapámos por_pouco ! - exclamou o Ron . - Muito bem , carro . Mas o carro tinha atingido o limite de as suas forças . Com dois estalidos , as portas abriram se e Harry sentiu o seu assento inclinar se para o lado . Quando deu por si , estava estatelado em o chão húmido . Ruídos surdos avisaram o de que o carro estava a ejectar as malas de a bagageira . A gaiola de a Hedwig voou por os ares e abriu se . Ela saiu a voar com um pio furioso e dirigiu se a o castelo , sem sequer olhar para trás . Em seguida , o carro , amolgado , arranhado e a fumegar , arrancou em o escuro , com os faróis traseiros ardendo de fúria . - Volta aqui ! - gritou o Ron , brandindo a varinha partida . - O meu pai mata me . Mas o carro desapareceu a perder de vista , com um último estoiro de o tubo de escape . - Já viste bem o nosso azar ! ? - exclamou o Ron em o meio de a sua infelicidade , baixando se para apanhar o rato Scabbers . - De todas_as árvores em que podíamos ter batido , tínhamos de ir dar a uma que bate também . Olhou por cima de o ombro para a velha árvore que ainda agitava os ramos ameaçadoramente . - Vamos - disse Harry , fatigado . - É melhor irmos andando para a escola ... Não foi , de modo algum , a chegada triunfal que tinham imaginado . Constrangidos , cheios de frio e magoados , pegaram em as malas e começaram a arrastá as por o relvado acima , em direcção a as grandes portadas de carvalho . - Acho que o banquete já começou - disse o Ron , largando a mala em os degraus de a entrada e atravessando devagarinho para espreitar por uma janela iluminada . - Harry , anda ver , é a distribuição . Harry apressou se e os dois , ele e o Ron , espreitaram para o Salão_Nobre . Um número infindável de velas pairava em o ar , sobre quatro mesas enormes cheias de gente , fazendo brilhar os pratos dourados e as taças . Em cima , o tecto encantado que espelhava o céu lá de_fora , brilhava cheio de estrelas . Por_entre a floresta de chapéus pretos pontiagudos de Hogwarts , Harry viu uma longa fila de alunos de o primeiro ano com olhares assustados que enchia o vestíbulo . Ginny estava entre eles , facilmente reconhecível devido a o seu chamativo cabelo Weasley . Enquanto isso , a professora Mc_Gonagall , uma bruxa de óculos com cabelo castanho apanhado em um carrapito , colocava o famoso chapéu seleccionador em um banco que se encontrava em frente de os novos alunos . Todos os anos , aquele velho chapéu , remendado , puído e cheio de pó , seleccionava alunos para as quatro equipas de Hogwarts ( Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin ) . Harry lembrava se bem de o ter colocado em a cabeça , precisamente um ano antes , e ter esperado petrificado por a sua decisão , enquanto ele lhe murmurava a o ouvido . Durante alguns horríveis segundos receara que o chapéu o mandasse para os Slytherin , a equipa que produzia maior número de feiticeiros e feiticeiras de magia negra , mas acabara por ficar em os Gryffindor , juntamente com Ron e Hermione e o resto de os Weasley . Em o último período , Harry e Ron tinham ajudado os Gryffindor a vencer o campeonato de a equipa , batendo os Slytherin pela_primeira_vez em sete anos . Um rapazito baixinho com cabelo de rato acabava de ser chamado para pôr o chapéu em a cabeça . Os olhos de Harry saltavam de ele para o lugar onde o professor Dumbledore , o director , estava sentado , observando a selecção de a mesa de os professores , com a sua longa barba cor de prata e óculos de meia-lua que brilhavam a a luz de as velas . Alguns lugares a a frente , Harry viu Gilderoy_Lockhart com um manto verde-azulado . E lá bem a o fundo estava Hagrid , enorme e cabeludo , bebendo satisfeito de a sua taça . - Espera aí - murmurou a o Ron . - Há um lugar vazio em a mesa de os professores . Onde estará o Snape ? Severus_Snape era o professor de quem Harry menos gostava . Harry era também o seu aluno menos querido . Cruel , sarcástico e detestado por todos com excepção de os alunos de a sua própria equipa ( Slytherin ) , Snape tinha a seu cargo a cadeira de Poções . - Talvez esteja doente - sugeriu Ron , cheio de esperança . - Talvez se tenha ido embora - lembrou Harry . - Por não lhe terem dado outra_vez a Defesa contra as artes negras . - Ou talvez tenha sido corrido - propôs Ron com entusiasmo . - Afinal , toda_a_gente o detesta ... - Ou talvez - disse uma voz gelada atrás de eles - esteja a a espera que vocês lhe expliquem por_que motivo não vieram em o comboio de a escola . Harry deu uma volta . Em a sua frente , com o manto negro a ondular em uma brisa fria , estava Severus_Snape . O professor era um homem magro , de pele descorada , nariz adunco e um cabelo preto oleoso que lhe caía sobre os ombros . E em aquele momento sorria de um modo tal que Harry sentiu que tanto ele como Ron estavam em sérios apuros . - Sigam me - disse Snape . Sem ousarem sequer olhar um para o outro , Harry e Ron seguiram Snape por as escadas até a o amplo * hall * de entrada que estava iluminado por as chamas de os archotes . De o salão nobre vinha um cheirinho delicioso a comida , mas Snape levou os para longe de a luz e de o calor , em direcção a uma escada estreita de pedra que conduzia a os calabouços . - Entrem - ordenou , abrindo uma porta a meio de o corredor e apontando . Entraram a tremer em o escritório de Snape . As paredes sombrias estavam cobertas de prateleiras cheias de jarros de vidro grosso onde flutuavam as coisas mais diversas e repugnantes , cujo nome Harry não queria de momento conhecer . A lareira estava escura e vazia . Snape fechou a porta e voltou se de frente para eles . - Com que então - disse com falsa suavidade - o comboio não serve para o famoso Harry_Potter e o seu fiel companheiro Weasley . Queriam chegar em grande estilo , não era rapazes ? - Não senhor , foi a barreira em King's_Cross , ela ... - Silêncio - disse Snape friamente . -- _ o que fizeram a o carro ? Ron engoliu em seco . Aquela não era a primeira vez que Snape dava a Harry a impressão de ser capaz de ler pensamentos . Mas , pouco depois , compreendeu tudo quando Snape desenrolou o exemplar de o Profeta_Vespertino . - Vocês foram vistos - afirmou , mostrando lhes o cabeçalho : : __ ford anglia voador confunde __ muggles . Começou a ler alto a notícia . - Dois Muggles em Londres convenceram se de que tinham visto um carro velho a voar sobre a torre de os correios ... a a tardinha em Norfolk , Mrs._Hetty_Bayliss , enquanto pendurava a roupa ... Mr._Angus_Fleet_de_Peebles informou a polícia ... seis ou sete Muggles a o todo . Julgo que o teu pai trabalha em o departamento de mau uso dado a os objectos de os Muggles ? - disse olhando para Ron e sorrindo de uma forma ainda mais sarcástica . - Que peninha , o próprio filho ... Harry sentiu se como_se tivesse levado um soco em o estômago de uma de as maiores pernadas de a árvore louca . E se alguém descobrisse que Mr._Weasley tinha enfeitiçado o carro ? Ele ainda nem tinha pensado em isso . - Reparei durante a minha volta por o jardim que foi feito um estrago considerável em um salgueiro zurzidor extremamente valioso - continuou Snape . - Essa árvore fez nos pior a nós do_que nós ... - deixou escapar Ron . - Silêncio - interrompeu Snape , de_novo . - Infelizmente vocês não fazem parte de a minha equipa e a decisão de vos expulsar não está em as minhas mãos . Vou , por isso , buscar as pessoas que possuem essa feliz possibilidade . Esperem aqui . Harry e Ron olharam , pálidos , um para o outro . Harry perdera a fome . Sentia se agora extremamente agoniado . Tentava não olhar para uma coisa viscosa , suspensa em um líquido verde que estava em uma prateleira por detrás de a secretária de Snape . Se ele fora buscar a professora Mc_Gonagall , chefe de a equipa de os Gryffindor , não estavam muito melhor . Ela era mais justa do_que Snape , mas extremamente severa . Dez minutos mais tarde , Snape voltou e era , de facto , a professora Mc_Gonagall quem o acompanhava . Harry vira a professora Mc_Gonagall zangada , mas , ou se tinha esquecido de como a boca de ela ficava fina , ou nunca a vira tão zangada como em aquele dia . Levantou a varinha em o momento em que entrou . Harry e Ron estremeceram , mas ela limitou se a apontá a para a lareira onde as chamas se elevaram subitamente . - Sentem se - ordenou , e os dois recuaram para as cadeiras junto de o lume . - Expliquem se - disse com os óculos a brilhar de uma forma ameaçadora . Ron enveredou por a história começando por a barreira de a estação que se recusara a deixá os passar . - Por isso não tínhamos escolha , professora , não podíamos chegar a o comboio . - Porque não nos mandaram uma carta por a coruja ? Julgo que tens uma coruja ? - disse friamente a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a Harry . Harry olhou para ela sem saber o que dizer . - Parece me - continuou ela - que seria a coisa mais adequada . - Eu ... não pensei ... - Isso - disse a professora Mc_Gonagall - é bastante óbvio . Ouviu se bater a a porta de o escritório e Snape , que parecia agora mais feliz do_que nunca , foi abrir . Era o director , o professor Dumbledore . Harry ficou totalmente paralisado . Dumbledore tinha uma expressão grave . Olhou para eles de cima de o seu nariz adunco e Harry desejou estar ainda com Ron a levar uma sova de o salgueiro zurzidor . Fez se um longo silêncio . Em seguida , Dumbledore disse lhes : - Por favor , expliquem porque fizeram isto . Teria sido melhor se gritasse . Harry detestou sentir a decepção em a sua voz . Inexplicavelmente era incapaz de olhar Dumbledore em os olhos e falou em direcção a os seus joelhos . Disse lhe tudo excepto que o carro enfeitiçado pertencia a Mr._Weasley , dando a ideia de que ele e o Ron o tinham encontrado estacionado fora de a estação . Sabia que Dumbledore ia ver para_além de isso , mas o director não fez perguntas sobre o carro . Quando Harry terminou continuou a olhar para ele através de os seus óculos . - Nós vamos buscar as nossas coisas - disse Ron em um tom de voz sem esperança . - Que disparate é esse ? - rosnou a professora Mc_Gonagall . -- Então , vão expulsar nos , não vão ? - disse o Ron . Harry olhou rapidamente para Dumbledore . - Ainda não , Mr._Weasley - afirmou Dumbledore . - Mas vou assinalar a gravidade do_que vocês fizeram . Hoje a a noite escreverei a as vossas famílias . Estão também prevenidos que se voltarem a fazer uma coisa como esta não terei outro remédio senão expulsar vos . A expressão de Snape era como_se o Natal tivesse sido cancelado . Pigarreou e disse : - Professor_Dumbledore , estes rapazes infringiram o decreto para a restrição de a feitiçaria de os menores , causaram estragos consideráveis a uma árvore antiga e valiosa ... sem dúvida , actos de esta natureza ... - Cabe a a professora Mc_Gonagall decidir sobre os castigos de os rapazes , Severus - afirmou Dumbledore com toda_a calma . - Pertencem a a equipa de ela e são , portanto , de a sua responsabilidade . - Voltou se para a professora Mc_Gonagall . - Tenho de regressar a o banquete , Minerva , devo dar algumas informações . Venha Severus , há uma tarte de leite e ovos com um aspecto delicioso que quero mostrar lhe . Snape lançou um olhar de puro veneno a o Harry e a o Ron enquanto permitia que o afastassem de o seu escritório , deixando os a sós com a professora Mc_Gonagall que ainda os olhava como uma águia em fúria . - É melhor ires até a a ala hospitalar , Weasley , estás a sangrar . - Não é nada - disse Ron , limpando o corte com a manga para que ela o visse . - Professora , eu gostava de ver a minha irmã ser seleccionada . - A cerimónia de a selecção terminou - disse a professora Mc_Gonagall . - A tua irmã está também em os Gryffindor . - _ óptimo - exclamou Ron . - E por falar em os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall de forma cortante , mas Harry interrompeu a : - Professora , quando tirámos o carro , o ano escolar ainda não tinha começado , por isso os Gryffindor não deveriam perder pontos , pois não ? - terminou olhando a ansiosamente . A professora Mc_Gonagall lançou lhe um olhar penetrante , mas ele era capaz de jurar que ela quase tinha sorrido . Pelo_menos a boca não parecia tão fina . - Não vou tirar pontos a os Gryffindor - tranquilizou o . E o coração de Harry ficou mais leve . - Mas vocês os dois vão ter um castigo . Foi melhor do_que Harry imaginara . O facto de Dumbledore escrever a os Dursley não tinha a menor importância . Harry sabia perfeitamente que eles só lamentariam que o salgueiro zurzidor não o tivesse esmigalhado . A professora Mc_Gonagall ergueu a varinha de_novo apontou a a a secretária de Snape . Um grande prato de sanduíches , duas taças de prata e um jarro com sumo de abóbora gelado apareceram em menos_de um segundo . - Vocês vão comer aqui e , em seguida , vão direitinhos para o vosso dormitório - disse . - Eu também tenho de voltar para a festa . Mal a porta se fechou atrás de ela , Ron soltou baixinho um assobio . - Pensei que estávamos feitos - confessou , agarrando uma sanduíche . - Também eu - disse o Harry , orando também uma . - Mas já viste bem a nossa pouca sorte ? - insistiu o Ron com a boca cheia de frango e fiambre . - O Fred e o George voaram em aquele carro cinco ou seis vezes e nenhum Muggle os viu - engoliu outro pedaço enorme de a sanduíche . - Porque será que não conseguimos passar a barreira ? Harry encolheu os ombros . - Mas temos de ter muito cuidado a_partir_de agora - disse bebendo um grande trago de sumo de abóbora . - Que pena não termos podido ir a o banquete . - Ela não quis que nos exibíssemos - afirmou Ron com prudência . - Não vão as pessoas pensar que é uma boa chegar aqui de carro voador . Quando já tinham comido todas_as sanduíches que queriam ( o prato ia voltando a encher se sozinho ) , levantaram se e saíram de o escritório , seguindo o caminho que lhes era familiar , para a torre de os Gryffindor . O castelo estava em silêncio . Parecia que o banquete tinha acabado . Passaram por retratos murmurantes e armaduras que gemiam e subiram os degraus estreitos de pedra até que , por fim , chegaram a a passagem onde a entrada secreta para a torre de os Gryffindor se encontrava oculta por detrás de o quadro a óleo de uma dama gorda em um vestido cor-de-rosa . - A senha ? - perguntou ela mal os dois se aproximaram . - Er ... Eles ainda não tinham estado com o prefeito de os Gryffindor e por isso ainda não conheciam a senha para o novo ano , mas a ajuda não se fez esperar . Ouviram passos apressados atrás de eles e quando se voltaram viram Hermione que se aproximava . - Aí estão vocês . Onde é_que se meteram ? Correm os boatos mais ridículos , alguém disse que vocês tinham sido expulsos por espatifarem um carro voador . - Bem , expulsos não fomos - tranquilizou a Harry . - Não estás a dizer me que voaram até aqui ? - perguntou Hermione em um tom quase tão severo como a professora Mc_Gonagall . - Dispensa se o sermão - interrompeu Ron impacientemente . - E diz nos a nova senha de passagem . - É crista de pássaro - disse Hermione não contendo a impaciência . - Mas o mais importante não é isso ... Contudo as palavras de ela foram interrompidas ao_mesmo_tempo que o retrato de a dama gorda se abria e se ouvia uma tempestade de aplausos . A o que parecia a equipa de os Gryffindor estava ainda acordada , dentro de a sala comum em forma de círculo , junto de as mesas assimétricas e de os cadeirões moles a a espera que eles chegassem para , de braços estendidos através de o buraco de o retrato , puxarem Harry e Ron para dentro deixando Hermione para o fim . - Sensacional - gritou Lee_Jordan . - Inspirado ! Que entrada ! Voar em um carro e aterrar em o salgueiro zurzidor . Toda_a_gente vai falar de isto durante anos e anos . - Muito bem - disse um aluno de o quinto ano com quem Harry nunca tinha falado . Alguém dava lhe palmadas em as costas como_se ele acabasse de vencer a maratona . Fred e George abriram caminho por_entre a multidão e disseram ao_mesmo_tempo : - Por_que é_que não nos chamaram , hein ? - Ron estava vermelho como um pimentão , sorrindo envergonhado , mas Harry via perfeitamente uma pessoa que não estava nada contente . Percy elevava se acima de as cabeças de os excitados alunos de o primeiro ano e parecia estar a tentar aproximar se para os repreender . Harry deu uma cotovelada a o Ron e apontou em direcção a Percy . Ron percebeu de imediato . - Temos de ir para_cima , um_pouco cansados ! - explicou e os dois começaram a abrir caminho em direcção a a porta que ficava de o outro lado de a sala e que dava para a escada em espiral e para os dormitórios . - ` _ Noite - despediu se Harry_de_Hermione que tinha um ar tão carrancudo como Percy . Conseguiram chegar a o outro lado de a sala comum sempre a levarem palmadas em as costas e alcançaram o sossego de as escadas . Apressaram se a subir e , por fim , chegaram a a porta de o dormitório que tinha agora um letreiro a dizer « Segundos_Anos » . Entraram em o quarto circular , que conheciam tão bem , com as suas cinco camas de dossel adornadas de velado vermelho e as suas janelas altas e estreitas . As malas tinham sido trazidas para_cima e colocadas a os pés de as camas . Ron fez um sorriso culpado . - Sei que não devia ter gostado de aquilo , mas ... A porta de o dormitório abriu se e os outros rapazes de os Gryffindor entraram ; eram eles o Seamus_Finnigan , o Dean_Thomas e o Neville_Loogbottom . - Inacreditável - aplaudiu Seamus . - Incrível - aprovou o Dean . - Espantoso - exclamou o Neville , aterrado . Harry não pôde evitar também um sorriso . VI_Gilderoy_Lockhart_No dia seguinte , contudo , Harry não conseguiu sorrir . As coisas começaram a correr mal logo em o salão durante o pequeno-almoço . Debaixo de o tecto encantado ( em aquele dia triste e cinzento ) estavam as quatro grandes mesas de as equipas e sobre elas , terrinas de papa de aveia , pratos de arenque defumado , montanhas de torradas e pratadas de ovos com * bacon * . Harry e Ron sentaram se em a mesa de os Gryffindor , junto de Hermione que tinha o seu exemplar de * _ Viagens com Vampiros * totalmente aberto , encostado a um jarro de leite . Havia uma certa rigidez em a maneira como ela disse : - ` _ Dia - que mostrou a Harry que continuava a desaprovar o modo como tinham chegado a a escola . Por seu turno , Neville_Longbottom saudou os entusiasticamente . Neville era um rapazinho de cara redonda , muito dado a acidentes , com a pior memória que Harry tinha conhecido . - A entrega de correio deve estar a chegar , acho que a minha avó me vai mandar umas quantas coisas de que me esqueci ... Harry tinha começado a comer as papas de aveia , quando se ouviu um ruído tumultuoso em o ar e umas cem corujas entraram ao_mesmo_tempo , sobrevoando o salão e deixando cair cartas e pacotes em o meio de a multidão faladora . Um embrulho grande e rugoso caiu em a cabeça de Neville e , um segundo depois , uma coisa larga e cinzenta caiu em o jarro de a Hermione , enchendo os a todos de leite e penas . - Errol - gritou o Ron , puxando a coruja esfarrapada por as patas . Errol caíra inconsciente sobre a mesa com as pernas para o ar e um envelope vermelho húmido em o bico . - Oh , não ! - sobressaltou se Ron . - Ela está bem , ainda está viva - tranquilizou o Hermione , tocando suavemente em a Errol com a ponta de o dedo . - Não é isso , é ... aquilo . Ron apontava para o envelope vermelho . Parecera perfeitamente vulgar a Harry , mas Ron e Neville estavam ambos a observá o como_se esperassem que explodisse . - Qual é o problema ? - perguntou Harry . - Ela . Ela mandou me um * gritador * - disse Ron , quase sem voz . - É melhor abrires - aconselhou Neville em um murmúrio tímido - senão é pior . A minha avó uma_vez mandou me um que eu ignorei e ... - engoliu em seco - foi horrível . Harry olhava , ora para as suas caras , ora para o envelope vermelho . - O que é um * gritador * ? - perguntou . - Mas toda_a atenção de o Ron estava fixa em a carta que começara a fumegar por os cantos . - Abre a - intimou o Neville . - De aqui a poucos minutos já passou tudo . Ron estendeu uma mão trémula , retirou o envelope de o bico de a Errol e começou a abri o . Neville pôs os dedos em os ouvidos . Após uma fracção de segundo , Harry compreendeu porquê . Pensou em o primeiro momento que ela explodira . Um ruído ensurdecedor encheu o enorme salão , fazendo cair pó de o tecto . - ... : __ roubar o carro ! não me surpreendia nada se te expulsassem . espera só até te pôr as mãos em cima . será que não paraste para pensar em a nossa aflição quando vimos que o carro tinha __ desaparecido ... Os gritos de Mrs._Weasley , ampliados cem vezes em relação a o seu normal , fizeram os pratos e as colheres chocalhar em a mesa e ecoaram de forma ensurdecedora em as paredes de pedra . Vinha gente de todos os lados espreitar quem tinha recebido o * gritador * e Ron afundou se tanto em a cadeira que só se lhe via a testa carmesim . - ... : __ uma carta de o dumbledore ontem a a noite , o teu pai quase morria de vergonha . não foi esta a educação que te demos , tu e o harry podiam ter __ morrido ... Harry estava a ver quando é_que o seu nome viria a a baila . Tentou o melhor que pôde agir como_se não ouvisse a voz , mas aquilo estava a fazer com que os tímpanos lhe latejassem . - ... : __ profundamente decepcionada , o teu pai vai ter de se confrontar com um inquérito em o trabalho , tudo por tua culpa e , se pisas mais_uma_vez o risco , trago te para __ casa ! Seguiu se um silêncio ressonante . O envelope vermelho , que caíra de as mãos de o Ron , incendiou se e encaracolou se em cinzas . Harry e Ron estavam sentados de boca aberta , como_se uma onda gigante lhes tivesse passado por cima . Algumas pessoas riam e , a os poucos , o ruído de as conversas recomeçou . Hermione fechou o * _ Viagens com Vampiros * e olhou para o topo de a cabeça de Ron . - Bem , não sei o que esperavas , Ron , mas tu ... - Não me venhas dizer que mereci - interrompeu Ron . Harry afastou as papas de aveia . O estômago ardia lhe de culpa . Mr._Weasley tinha um inquérito em o trabalho , depois de tudo_o_que Mr. e Mrs._Weasley tinham feito por ele durante o Verão ... Mas não teve muito_tempo para se demorar em aqueles pensamentos . A professora Mc_Gonagall circulava em volta de as mesas de os Gryffindor distribuindo horários . Harry pegou em o seu e viu que começavam por ter Herbologia , juntamente com os Hufflepuff . Harry , Ron e Hermione saíram juntos de o castelo , atravessaram as hortas e chegaram a as estufas , onde estavam guardadas as plantas mágicas . O * gritador * tivera pelo_menos uma vantagem : Hermione parecia achar que já tinham sido suficientemente castigados e estava de_novo perfeitamente calorosa . Quando estavam a chegar a as estufas viram o resto de a classe de pé , cá fora , a a espera de a professora Sprout . Harry , Ron e Hermione tinham acabado de se lhes juntar quando a viram aproximar se a passos largos por o relvado , acompanhada de Gilderoy_Lockhart . A professora Sprout era uma bruxa pequenina e atarracada que usava um chapéu a os remendos sobre o cabelo solto . As roupas que vestia estavam sempre cheias de terra e as suas unhas fariam a tia Petúnia desmaiar . Gilderoy_Lockhart , pelo_contrário , tinha um ar imaculado em as suas vestes azul-turquesa , o cabelo doirado a brilhar debaixo_de um chapéu azul-turquesa , com uma fita dourada , perfeitamente posicionado sobre a cabeça . - Olá a todos ! - gritou Lockhart , dirigindo se a o grupo de estudantes . - Estive a mostrar a a professora Sprout a maneira correcta de tratar um salgueiro . Mas não quero que fiquem com a ideia de que sou melhor do_que ela em Herbologia . Acontece que encontrei várias de estas plantas exóticas , durante as minhas viagens .... - Estufa número três hoje , meninos ! - disse a professora Sprout que estava visivelmente descontente , bem diferente de a sua habitual natureza bem-disposta . Houve um murmúrio de interesse . Eles só tinham estado uma_vez em a terceira estufa , que era uma estufa que abrigava plantas bem mais interessantes e perigosas . A professora Sprout tirou uma enorme chave de o cinto e abriu a porta . Harry sentiu o bafo de a terra húmida com adubo misturado e o perfume forte de umas flores gigantescas , de o tamanho de guarda-chuvas , que estavam penduradas de o tecto . Ia seguir Ron e Hermione , quando a mão de o Lockhart o travou . -- Harry ! Tenho querido ter uma palavrinha contigo . Não se importa se ele chegar uns minutos atrasado , pois não , professora Sprout ? A julgar por a expressão carregada de a professora Sprout , importava se sim , mas Lockhart disse : - Então até já - e fechou a porta de a estufa em a cara de ela . - Harry ! - disse Lockhart , com os dentes brancos a brilharem a o sol , enquanto abanava a cabeça . - Harry , Harry , Harry ! Harry , totalmente perplexo , não disse uma palavra . - Quando ouvi dizer , bem , é claro que eu tive muita culpa , deviam castigar me também ... Harry não fazia ideia de que estava ele a falar , quando Lockhart prosseguiu : - Nunca me lembro de ficar tão chocado . Fazer voar um automóvel até Hogwarts ! Bem , é claro que eu percebi logo porque o fizeste . Foi um destaque em grande . Harry , Harry , Harry ! Era notável como ele conseguia mostrar todos aqueles dentes brilhantes , mesmo quando não estava a falar . - Criei te o gosto por a publicidade , não foi ? - perguntou Lockhart . - Passei te o bichinho . Apareceste comigo em a primeira página e não podias esperar para aparecer outra_vez ... - Oh , não , professor , sabe é_que ... - Harry , Harry , Harry - disse Lockhart aproximando se e tocando lhe em o ombro . - * _ Eu compreendo * . É natural querer um_pouco mais quando se lhe tomou o gosto , e eu culpo me por te ter dado esse conhecimento , porque era natural que te subisse a a cabeça , mas vê uma coisa , rapazinho , tu não podes começar a fazer voar carros para tentares ser notícia . Tens de acalmar , está bem ? Tens muito_tempo quando fores mais velho . Sim , sim , eu sei o que estás a pensar ! É fácil para ele falar assim , já é um feiticeiro internacionalmente famoso ! Mas quando eu tinha doze anos era tão zé-ninguém como tu és hoje . Em a verdade , era ainda mais . De ti , já meia_dúzia de pessoas ouviram falar , não é ? Toda aquela história com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . - Olhou para a cicatriz luminosa em a testa de Harry . - Eu sei , eu sei , não é o mesmo_que vencer o Prémio de o sorriso de o feiticeiro de a semana cinco vezes seguidas , como eu venci , mas é um começo , Harry , é um começo . Lançou lhe uma piscadela de olhos cordial e foi se embora . Harry ficou atarantado durante alguns segundos . Depois , lembrando se que deveria estar em a estufa , abriu a porta e esgueirou se lá para dentro . A professora Sprout estava de pé , por_detrás_de uma espécie de mesa em o meio de a estufa . Em cima de a mesa estavam cerca de vinte pares de abafo de ouvidos de diferentes cores . Quando Harry estava já em o seu lugar , entre Ron e Hermione , ela disse : - Hoje vamos transplantar Mandrágoras . Muito bem , quem sabe dizer me as propriedades de a Mandrágora ? Não foi surpresa para ninguém que a mão de a Hermione fosse a primeira em o ar . - A Mandrágora tem um efeito reparador muito poderoso - disse Hermione , com o ar mais normal de este mundo , como_se tivesse engolido o livro de texto . - É usada para fazer voltar as pessoas , que foram transfiguradas ou amaldiçoadas , a o seu estado original . - Excelente . Dez pontos para os Gryffindor ! - exclamou a professora Sprout . - A Mandrágora é parte integrante de a maior parte de os antídotos , mas também é perigosa . Quem sabe dizer me porquê ? A mão de Hermione por_pouco não bateu em os óculos de Harry , quando se ergueu de_novo . - O grito de a Mandrágora é fatal para quem o ouve - disse prontamente . - Precisamente . Dou lhe mais dez pontos - disse a professora Sprout . - Agora vejamos , as Mandrágoras que aqui temos são ainda muito jovens . Enquanto falava , apontou para uma fila de tabuleiros com uma certa profundidade e todos se chegaram a a frente para ver melhor . Cerca de uma centena de plantinhas tufosas de um verde arroxeado cresciam em filas . Pareceram perfeitamente vulgares a Harry , que não fazia a menor ideia do_que Hermione queria dizer com o * grito * de a Mandrágora . - Cada_um de vocês pode tirar um par de abafo de ouvidos - disse a professora Sprout . Houve uma competição renhida porque ninguém queria os cor-de-rosa , cheios de penugem . - Quando eu vos disser para os colocar , assegurem se de que os vossos ouvidos estão completamente tapados - disse a professora Sprout . - Logo_que seja seguro retirá os , eu levanto os dedos . Certo , pôr os abafos de os ouvido . Harry pôs imediatamente os abafos em os ouvidos . Eles fecharam completamente o som . A professora Sprout colocou também um par de abafos cor-de-rosa com penugem em os de ela , arregaçou as mangas de a túnica , agarrou uma de as plantas tufosas e puxou com toda_a força . Harry soltou um grito de surpresa que ninguém ouviu . Em_vez_de raízes , um bebé pequenino , enlameado e extremamente feio , saiu de a terra . As folhas cresciam lhe em o alto de a cabeça , tinha uma pele pintalgada de um pálido esverdeado e estava nitidamente a berrar a plenos pulmões . A professora Sprout tirou debaixo de a mesa um grande vaso de plantas e mergulhou lá dentro a Mandrágora , enterrando a em a mistura escura e húmida , até que só as folhas ficassem visíveis . Em seguida , limpou a terra de as mãos , levantou os dedos e todos eles retiraram os abafos de os ouvidos . - Como as nossas Mandrágoras são muito novas , os seus gritos ainda não matam - disse ela com grande calma , como_se tivesse feito algo tão normal como regar uma begónia . - Contudo , podem pôr vos a dormir durante várias horas e , como com certeza nenhum de vocês quer perder o primeiro dia de aulas , vejam se os abafos estão bem colocados enquanto trabalham . Eu chamarei vos a atenção quando for altura de os retirar . - Quatro em cada fila , há aqui uma grande quantidade de vasos , a mistura de terra está em os sacos ali a o fundo e tenham cuidado com a * _ Venomous_Tentacula * , estão a nascer lhe os dentes . Enquanto falava , deu uma pancada seca a uma planta vermelha escura cheia de pontas eriçadas , fazendo a encolher as longas antenas que tinham estado a avançar lenta e dissimuladamente sobre o seu ombro . A Harry , Ron e Hermione veio juntar se em a fila um rapaz de cabelo encaracolado de os Hufflepuff que Harry conhecia de vista , mas com quem nunca tinha falado . - Justin_Finch - _ Fletchey - disse ele com vivacidade , apertando a mão de o Harry . - Conheço te , claro , o famoso Harry_Potter ... e tu és a Hermione_Granger , sempre a primeira em tudo ( Hermione brilhou em um sorriso , como_se ele lhe tivesse apertado a mão ) e Ron_Weasley . Não era teu o carro voador ? Ron não sorriu . Não lhe saía de a cabeça o * gritador * . - Aquele Lockhart é o_máximo , não acham ? - disse Justin satisfeito , enquanto começavam a encher os vasos com composto de adubo de dragão . - Terrivelmente corajoso . Leram os livros de ele ? Eu teria morrido de medo se um lobisomem me tivesse encurralado em uma cabina telefónica , mas ele manteve se calmo e ... zap ... fantástico ! « Eu estava inscrito em Eton , sabem , não imaginam como estou feliz de ter vindo antes para aqui . É claro que a minha mãe ficou um_pouco desiludida , mas depois de lhe ter dado os livros de Lockhart a ler , tenho a impressão de que ela começou a ver a utilidade de ter um feiticeiro bem treinado em a família ... Depois de isso , não tiveram grandes oportunidades para conversar . Voltaram a pôr os abafos de ouvidos e era preciso concentrarem se em as Mandrágoras . A professora Sprout fizera as coisas parecerem extremamente simples , mas não eram . As Mandrágoras não gostavam de sair de a terra mas também não pareciam querer voltar para lá . Elas contorceram se , deram pontapés , agitaram as mãozinhas finas e rangeram os dentes . Harry levou dez minutos inteirinhos a tentar meter uma Mandrágora particularmente gorda dentro_de um vaso . Em o final de a aula , Harry , como todos os outros , estava a suar , cheio de dores e coberto de terra . Regressaram a o castelo a pé para um banho rápido e , em seguida , os Gryffindor apressaram se para assistir a a aula de transfiguração . As aulas de a professora Mc_Gonagall eram sempre complicadas , mas a de aquele dia era particularmente difícil . Tudo_o_que o Harry aprendera em o ano anterior parecia ter se lhe apagado de a memória durante o Verão . Ele deveria ser capaz de transformar uma barata em um botão , mas , tudo_o_que conseguiu foi fazer a barata praticar um imenso exercício , enquanto corria apressadamente por o tampo de a secretária evitando a varinha . Ron estava a debater se com problemas bastante piores . Tinha atado a varinha com uma fita mágica , mas parecia que não havia reparação possível . Não parava de crepitar e lançar faíscas em os momentos mais estranhos e , sempre_que Ron tentava transfigurar a barata , via se envolvido em um fumo cinzento espesso que cheirava a ovos podres . Incapaz de ver o que estava a fazer , o Ron esmagou , por engano , a barata com o cotovelo e teve de ir pedir que lhe dessem outra , o que deixou a professora Mc_Gonagall muito pouco satisfeita . Harry ficou aliviado quando ouviu tocar a campainha para o almoço . Sentia a cabeça como uma esponja espremida . Todos os alunos saíram em fila de a aula excepto ele e Ron que dava furiosas varadas em a secretária . - Coisa estúpida e inútil . - Escreve a os teus pais a pedir outra - sugeriu Harry , enquanto a varinha disparava com estrondo um foguete explosivo . - Ah pois , e receber outro * gritador * em a volta de o correio - respondeu Ron , metendo a varinha que já assobiava , dentro de o saco . - * _ A culpa é toda tua se a varinha está estragada * ... Desceram para o almoço e aí a disposição de o Ron não iria melhorar com Hermione a mostrar lhe uma mão-cheia de botões de casaco , perfeitinhos , que produzira em a transfiguração . - O que temos esta tarde ? - quis saber Harry , mudando rapidamente de assunto . - Defesa contra as artes negras - disse Hermione , sem perder tempo . - Porque é_que tu ... - perguntou Ron , pegando em o horário de ela - desenhaste corações em volta de as aulas de o Lockhart ? Hermione arrancou lhe o horário de as mãos , corando furiosa . Acabaram de almoçar e foram para o pátio carregado de nuvens . Hermione sentou se em um degrau de pedra e enfiou de_novo o nariz em as * _ Viagens com Vampiros * . Harry e Ron ficaram a falar de Quidditch durante alguns minutos antes de Harry se aperceber de que estava a ser observado de perto . Olhando para_cima viu o rapazinho pequenino com cabelo de rato que ele vira experimentar o chapéu seleccionador em a noite anterior , olhando para ele com uma expressão petrificada . Estava agarrado a o que parecia ser uma vulgar máquina fotográfica de os Muggles e , em o momento em que Harry olhou para ele , ficou todo vermelho . - Tudo bem , Harry ? Eu sou Colin_Creevey - disse , faltando lhe o ar e adiantando se a qualquer pergunta . - Estou em os Gryffindor também . Não te importavas que eu tirasse uma fotografia ? - perguntou , levantando a máquina cheio de expectativa . - Uma fotografia ? - repetiu Harry , inexpressivo . - Para eu provar que te conheci - disse Colin_Creevey cheio de ansiedade , continuando : - Eu sei tudo a teu respeito . Toda_a_gente me tem contado como sobreviveste quando O_Quem nós sabemos tentou matar te , como ele desapareceu depois de isso e como ficaste com a cicatriz em forma de relâmpago em a testa ( os seus olhos procuraram a linha de cabelo de Harry ) e um rapaz de o meu dormitório disse que se eu revelasse o filme em a posição certa ele mexia . - Colin respirou fundo , estremecendo de excitação e disse : - Isto_é fantástico , aqui , não achas ? Eu não sabia que todas_as coisas estranhas que fazia eram magia até a o dia em que recebi uma carta de Hogwarts . O meu pai é leiteiro . Também ele não queria acreditar . Por isso estou a tirar montes de fotografias para lhe mandar e era mesmo bom se tivesse uma tua - parecia implorar . - Talvez o teu amigo pudesse tirá a e assim eu ficava a o teu lado . E depois , podias assiná a ? - Assinar fotografias ? Estás a dar fotos autografadas , Potter ? Alta e mordaz , a voz de Draco_Malfoy ecoou em o pátio . Estava parado mesmo atrás_de Colin , ladeado , como sempre andava em Hogwarts , por os seus fortes guarda-costas Crabbe e Goyle . - Ei gente , façam bicha - gritou Malfoy a a multidão . - Harry_Potter está a dar fotos autografadas ! - Não estou coisa nenhuma - disse Harry , zangado , com os punhos em o ar . - Cala a boca , Malfoy . - Tu tens é inveja - começou a dizer Colin , cujo corpo era de o tamanho de o pescoço de Crabbe . - Inveja - repetiu Malfoy que não precisava de gritar mais , metade de o pátio estava a ouvi o . - De quê ? Não preciso de uma cicatriz em a cabeça , muito obrigado . Não acho que ter um corte em a testa torne alguém especial . Crabbe e Goyle riram estupidamente - Vai pastar caracóis , Malfoy - disse o Ron furioso . Crabbe parou de rir e começou a esfregar os nós de os dedos enormes de uma forma ameaçadora . - Tem cuidado , Weasley - escarneceu Malfoy . - Com certeza não queres começar uma rixa ou a tua mãezinha tem de vir cá para te tirar de a escola - e com uma voz aguda e penetrante : - * _ Se voltas a pisar o risco * ... Um grupo de alunos de o quinto ano de os Slytherin que estava ali perto , riu se bastante alto . - O Weasley gostaria de ter uma foto tua autografada , Potter - escarneceu de_novo Malfoy . - Era capaz de valer mais do_que a casa onde ele mora com a família . Ron sacou de a sua varinha amarrada com fita , mas Hermione fechou as * Viagens com Vampiros * com um estrondo e avisou : - Atenção . - O que é isto , o que é isto ? - Gilderoy_Lockhart aproximava se com o seu manto azul-turquesa girando em torvelinho atrás de ele . - Quem está a dar fotos autografadas ? Harry ia começar a explicar , mas foi interrompido quando Lockhart lhe pôs jovialmente o braço em cima de os ombros . - Mas que pergunta a minha ! Cá estamos nós de_novo , Harry ! Preso ao_lado_de Lockhart e a arder de humilhação , Harry viu Malfoy deslizar com o seu sorriso desdenhoso por o meio de a multidão . - Vamos lá então , Mr._Creevey - disse Lockhart , dirigindo se a Colin . - Uma foto dupla , já viu a sua sorte ? E assinamos a os dois para si . Colin ajustou a máquina e tirou a fotografia em o preciso momento em que a campainha tocava para as aulas de a tarde . - Está em a hora , todos para dentro - gritou Lockhart a a multidão e regressou a o castelo levando a o seu lado o Harry que só lamentava não conhecer um feitiço que o fizesse desaparecer . - Uma palavra só , Harry - disse Lockhart paternalmente , enquanto entravam em o edifício por uma porta lateral . - Eu ajudei te há bocado com o jovem Creevey porque se ele estivesse a fotografar me também a mim os teus colegas não reparariam tanto que estavas a exibir te ... Indiferente a a gaguez de Harry , Lockhart arrastou o para um corredor ladeado de alunos que os olhavam espantados e subiram uma escada . - Deixa me só dizer te uma coisa : dar fotografias autografadas em esta fase de a tua carreira , francamente , não é sensato , Harry , parece um_pouco megalómano . Pode ser que um dia mais tarde , tal_como eu , sejas obrigado a assinar para multidões onde quer que vás , mas - fez uma pequena pausa - não me parece que seja o caso , por enquanto . Tinham chegado a a aula de Lockhart e ele largou finalmente o Harry que sacudiu a túnica e foi sentar se em um lugar bem lá atrás onde começou por empilhar os livros de Lockhart a a sua frente para evitar olhar para a criatura . O resto de a aula entrou ruidosamente e Ron e Hermione foram sentar se um de cada lado de Harry . - Tu estavas vermelho como um pimentão - disse o Ron . - Reza para que o Creevey não se torne amigo de a Ginny senão bem podem criar o clube de * fans * de Harry_Potter . - Cala a boca - interrompeu Harry . A última coisa que desejava era que o Lockhart ouvisse a expressão « clube de * fans * de Harry_Potter « . Quando todos estavam em os seus lugares , Lockhart pigarreou alto e fez se silêncio . Ele inclinou se para a frente , pegou em o exemplar de Neville_Longbottom de * _ viagens com Duendes * e levantou o para mostrar a sua fotografia a piscar os olhos em a capa . - Eu - disse apontando para a fotografia e piscando também os olhos - Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , terceiro ano , membro honorário de a Liga_de_Defesa contra as artes negras e cinco vezes vencedor de o prémio de o * _ Feiticeiro de a semana * por o sorriso mais charmoso . Mas não vamos falar de isso , não venci a fada carpideira de Bandon a sorrir para ela ! Esperou que eles se rissem . Alguns alunos sorriram timidamente . - Já vi que todos vocês compraram a minha obra completa . Muito bem . Pensei começar hoje com um pequeno interrogatório escrito . Nada de complicado , só para perceber se leram bem os meus livros e o que apreenderam ... Depois de distribuir as folhas de teste voltou se para os alunos e disse : - Têm trinta minutos . Comecem já . Harry olhou para o papel e leu : *1 . Qual é a cor preferida de Gilderoy_Lockhart ? *2 . Qual é a ambição secreta de Gilderoy_Lockhart ? *3 . Qual é , em a sua opinião , a maior realização de Gilderoy_Lockhart até a o momento ? * E_por_aí adiante , ao_longo_de três páginas , terminando com : *54 . Qual é o dia de aniversário de Gilderoy_Lockhart e qual seria o seu presente preferido ? * Meia_hora mais tarde , Lockhart recolheu os pontos e folhou os rapidamente em frente de os alunos . - Tut , tut , quase ninguém se lembrou que a minha cor preferida é o lilás . Eu digo o em * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves * . Alguns precisam de voltar a ler com mais cuidado * Fim-de - _ Semana com Um Lobisomem * . Eu afirmo claramente em o décimo segundo capítulo que o meu presente de aniversário preferido seria a harmonia entre todos os seres , mágicos e não mágicos , embora não me importasse de receber uma garrafa grande de * whisky * velho de a Ogden's_Old_Firewhisky . Piscou lhes o olho de_novo . Ron olhava para Lockhart com uma expressão de incredulidade em o rosto . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas que estavam sentados a a frente tremiam de tanto conter o riso . Hermione , contudo , ouvia Lockhart com extrema atenção e deu um salto quando ouviu o seu nome . - Mas Miss_Hermione_Granger sabia que a minha ambição secreta era libertar o mundo de o mal e pôr a a venda a minha gama de poções de tratamento de o cabelo . Muito bem - voltou o papel . - Nota máxima ! Onde está Miss_Hermione_Granger ? Hermione ergueu uma mão trémula . - Excelente - bradou Lockhart , exultante . - Leva dez pontos para os Gryffindor . E vamos a o trabalho . Baixou se atrás de a secretária e pegou em uma grande gaiola coberta . - Ficam desde_já a saber , a minha função é preparar vos contra as criaturas mais malignas que a feitiçaria conhece . Vocês podem ter que enfrentar os maiores medos em esta sala . Saibam que nenhum mal vos sucederá comigo aqui . Só vos peço que se mantenham calmos . Ultrapassando os seus sentimentos , Harry espreitou através de a pilha de livros para ver melhor a gaiola . Lockhart colocou uma mão em a tampa . Dean e Seamus tinham deixado de se rir . Neville estava agachado em o seu lugar de a fila de a frente . - Vou pedir vos que não façam barulho - disse Lockhart em voz baixa . - Podem assustá os . Enquanto a aula inteira continha a respiração , Lockhart tirou a cobertura . - Sim - disse em um tom dramático . - Duendes_da_Cornualha recém-capturados . Seamus_Finnigan não conseguiu controlar se . Soltou uma gargalhada que nem Lockhart poderia confundir com um grito de terror . - Sim ? - sorriu a Seamus . - Bem , eles não são , não são perigosos , pois não ? - perguntou a rir . -- Não tenhas tanta certeza de isso - afirmou Lockhart , aborrecido , abanando um dedo , em direcção a Seamus . - Podem ser maçadores e muito traiçoeiros . Os duendes eram de um azul-eléctrico e tinham cerca de vinte centímetros de altura com feições angulosas e umas vozes tão estridentes que era como ouvir uma discussão entre araras . Logo_que o pano foi retirado , começaram a fazer uma enorme algazarra , a andar de um lado para o outro , batendo em as grades e fazendo caretas a as pessoas que estavam mais perto . - Muito bem - disse Lockhart em voz alta . - Vamos então ver o que vocês conseguem fazer de eles - e abriu a gaiola . Foi um pandemónio . Os duendes dispararam em todas_as direcções como foguetes . Dois de eles agarraram o Neville por as orelhas e levantaram o a o ar . Vários outros foram direitos a a janela , fazendo chover vidros partidos até a a fila de trás . Os restantes decidiram destruir a sala com maior eficácia do_que um rinoceronte em fúria . Agarraram em os tinteiros e salpicaram tudo em volta , rasgaram a os bocados livros e papéis , arrancaram os quadros de as paredes , levantaram a o ar a gaiola vazia , agarraram livros e sacos e lançaram nos por a janela de vidros estilhaçados . Em poucos minutos , metade de a aula estava abrigada debaixo de as secretárias e o Neville pendurado em o candelabro de o tecto . - Vamos lá , agarrem nos , agarrem nos , são apenas duendes ... - gritava Lockhart . Arregaçou as mangas , bramiu a varinha e pronunciou * Peshipiksi_Pesternomi ! * As palavras não tiveram o menor efeito . Um de os duendes pegou em a varinha de Lockhart e atirou a também por a janela fora . Lockhart engoliu em seco e mergulhou debaixo de a secretária , não sendo , por um triz , esmagado por o Neville que caiu um segundo depois , quando o candelabro cedeu . A campainha tocou e houve uma louca precipitação para a porta . Em a calma relativa que se seguiu , Lockhart endireitou se , olhou para Harry , Ron e Hermione que estavam quase a chegar a a porta e disse : - Bem , vou pedir vos a os três que prendam o resto de os duendes em a gaiola - passou por eles e fechou rapidamente a porta atrás_de si . - Isto dá para acreditar ? - resmungou o Ron , enquanto um de os duendes lhe mordia com toda_a força uma de as orelhas . - Ele só quer dar nos uma ajuda , permitindo nos ganhar experiência - justificou Hermione , imobilizando dois duendes de uma_vez com um encantamento de paralisação e metendo os de_novo em a gaiola . - Experiência ? - disse Harry , tentando agarrar um duende que dançava com a língua de_fora . - Hermione , ele não sabia nada do_que estava a fazer . - Disparate - retorquiu Hermione . - Leste os livros de ele . Vê só as coisas que ele já fez ! - Que diz que fez - resmungou o Ron . VII_Sangue de lama e murmúrios Harry passou imenso tempo , em os dias que se seguiram , a fugir sempre_que via Gilderoy_Lockhart aproximar se em o corredor . Mais difícil de evitar era Colin_Creevey que parecia ter decorado o horário de Harry . Parecia que nada o emocionava mais do_que dizer : - Tudo bem , Harry ? - seis ou sete vezes por dia e ouvir : - Olá , Colin - por mais exasperado que Harry estivesse quando lhe respondia . A Hedwig ainda estava zangada com Harry por causa de a desastrosa viagem de automóvel e a varinha de o Ron continuava a não funcionar , tendo ultrapassado tudo em a sexta-feira de manhã quando lhe saltou de as mãos em a aula de encantamentos e foi agredir o velho e baixinho professor Flitwick mesmo entre os olhos , deixando uma enorme bolha latejante em o sítio onde tinha batido . Por tudo_isso Harry via chegar , com satisfação , o fim_de_semana Planeava ir em o Sábado de anhã , com Ron e Hermione visitar o Hagrid . Mas foi acordado várias horas mais cedo do_que desejaria por Oliver ood , treinador de a equipa de Quidditch_dos_Gryffindor . - _ o que é_que se passa ? - perguntou Harry , enrolando as palavras . - Treino_de_Quidditch - disse Wood . - Vamos embora . Harry lançou um olhar de esguelha a a janela . Uma neblina fina pairava em o céu rosa e dourado . Agora_que estava acordado não percebia como pudera dormir com a algazarra que os pássaros faziam . - Oliver resmungou Harry . - É de madrugada . - Exacto - respondeu Wood . Era um rapaz alto e corpulento de o sexto ano e em aquele momento os olhos brilhavam lhe loucamente de entusiasmo . - Faz parte de o nosso novo programa de treinos . Anda lá , vai buscar a vassoura e vamos embora - insistiu Wood empenhado . - Nenhuma de as outras equipas começou ainda a treinar . Vamos ser os primeiros este ano ... A bocejar e a tremer um_pouco , Harry saltou de a cama e tentou descobrir as suas túnicas de Quidditch . - Bem , encontramo nos em o campo , dentro_de quinze minutos . Depois de descobrir a sua roupa escarlate de equipa e pôr o manto por cima para se aquecer , Harry escreveu a o Ron um bilhete a explicar onde tinha ido e desceu por a escada de espiral para a sala comum com a sua Nimbos dois inil a o ombro . Tinha acabado de chegar junto de o buraco de o retrato quando ouviu um barulho atrás_de si e viu Colin_Creevey descer a escada de espiral com a máquina fotográfica pendurada a o pescoço a balouçar como louca e uma coisa em a mão . - Ouvi alguém chamar o teu nome em as escadas , Harry olha o que tenho aqui . Revelei a e queria mostrar te . Harry olhou assombrado para a fotografia que Colin lhe espetava em frente de o nariz . Um Lockhart a preto e branco movia se , puxando com toda_a força um braço que Harry reconheceu como sendo o seu . Ficou satisfeito a o constatar que estava a resistir bastante bem , recusando se a ser trazido para a vista de todos . Enquanto Harry observava , Lockhart desistiu e desinteressou se de lutar contra a parte branca de a fotografia . - Assinas para mim ? - pediu Colin entusiasmado . - Não - respondeu secamente Harry , olhando em volta para verificar se o caminho estava livre . - Desculpa_Colin , mas estou cheio de pressa , treino de Quidditch . Passou por o buraco de o retrato . - Oh Uau ! Espera por mim . Eu nunca vi um jogo de Quidditch . Colin trepou por o buraco de o retrato atrás de ele . - Vai ser uma chatice para ti - disse Harry rapidamente , mas Colin ignorou o comentário . Todo o seu rosto brilhava de satisfação . - Tu foste o jogador mais novo de a equipa em cem anos , não foste Harry ? Não foste ? - perguntava Colin , trotando para o acompanhar . - Deve ser fantástico . Eu nunca voei . É fácil ? Essa vassoura é a tua ? É a melhor que há ? Harry não sabia como ver se livre de ele . Era como ter uma sombra que não se calava . - Eu não percebo nada de Quidditch - disse Colin , já sem fôlego . - É verdade que há quatro bolas ? E que duas anda n a voar , tentando fazer os jogadores caírem de as vassouras ? - Sim - disse Harry lentamente , resignado com o ter de lhe explicar as complicadas regras de o Quidditch . - São as * bludgers * . Há dois * beaters * em cada equipa que têm bastões para bater em as * bludgers * e lançá as para o outro lado . O Fred e o George_Weasley são os * beaters * de os Gryffindor . - E para que servem as outras bolas ? - perguntou Colin , saltando uma série de degraus porque ia a olhar para o Harry de boca aberta . - Bem , a * quaffle * , que é a vermelha grandalhona , é a que marca os golos . Três * chasers * em cada equipa lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam fazes a entrar em as balizas que ficam em o extremo de o campo onde há três grandes postes com argolas em as pontas . - E a quarta bola ? - A * snitch * dourada - explicou Harry . - É muito pequenina e veloz e extremamente difícil de agarrar . Mas é isso que o * seeker * tem de fazer , porque o jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * for agarrada . E o * seeker * que conseguir agarrá a ganha para a sua equipa mais cento_e_cinquenta pontos . - E tu és o * seeker * de os Gryffindor , não és ? - perguntou Colin respeitosamente . - Sim - disse Harry enquanto saíam de o castelo e começavam a atravessar o relvado . - E há também o * keeper * que toma conta de os postes . É isto . Mas Colin não parou de fazer perguntas desde os relvados macios até a o campo de Quidditch e Harry só se viu livre de ele quando chegaram a os vestiários . Colin gritou em uma voz aguda : - Eu vou arranjar um lugar , Harry - e apressou se em direcção a as bancadas . O resto de a equipa de os Gryffindor já se encontrava em os vestiários . Wood era o único que tinha aspecto de estar bem acordado . Fred e George_Weasley estavam sentados com olhos de sono e cabelos desgrenhados junto de Alicia_Spinnet de o quarto ano que parecia inclinar se contra a parede que tinha atrás_de si . Os seus companheiros * chasers * , Katie_Bell e Angelina_Johnson bocejavam em frente de ela . - Até que enfim , Harry , porque é_que demoraste tanto ? - perguntou Wood cheio de actividade . - Eu queria ter uma pequena conversa convosco antes de entrarmos propriamente em campo porque passei o Verão a conjecturar um novo programa de treinos que acredito vai estabelecer grandes mudanças . Wood tinha em as mãos um grande mapa de um campo de Quidditch onde estavam desenhadas muitas linhas , setas e cruzes a tinta de várias cores . Pegou em a varinha , bateu com ela em o quadro e as setas começaram a mover se em o mapa como tractores . Enquanto Wood se lançava em um discurso sobre as suas novas técnicas , a cabeça de Fred_Weasley caiu sobre o ombro de Alicia_Spinnet e ele começou a ressonar . O primeiro mapa levou quase vinte minutos a explicar , mas debaixo de esse havia outro e ainda um terceiro . Harry caiu em uma letargia enquanto Wood continuava indefinidamente . - Então - disse por fim o treinador , arrancando Harry de a avidez de uma fantasia sobre o que poderia estar a comer se se encontrasse em aquele momento em o castelo . - Ficou tudo claro ? Alguma pergunta ? - Eu tenho uma pergunta , Oliver - disse George que acordou estremunhado . - Porque não nos explicaste tudo_isso ontem , quando estávamos acordados ? Wood não ficou nada satisfeito . - Ouçam bem , vocês todos - disse , voltando se para eles mal-humorado . - Nós deveríamos ter ganho a taça de Quidditch o ano passado . Somos de longe a melhor equipa , mas , infelizmente , devido_a circunstancias que estão para_além de o nosso controlo ... Harry mudou de posição em a cadeira sentindo se culpado . Estivera inconsciente em o hospital durante o campeonato final de o ano anterior o que fez com que os Gryffindor com um jogador a menos tivessem sofrido a pior derrota de os últimos trezentos anos . Wood levou um momento a controlar se . Era evidente que a última derrota ainda o torturava . - Portanto , este ano vamos fazer um treino mais duro , como nunca se fez . O. _ K. , vamos lá pôr as teorias em prática - gritou , pegando em a vassoura e conduzindo os para fora de o vestiário . Com as pernas trôpegas e ainda a bocejar , a equipa seguiu o . Tinham estado tanto tempo lá dentro que o sol já tinha nascido e brilhava em o céu embora uma réstia de neblina pairasse ainda sobre o relvado de o campo . Quando Harry entrou em campo viu Ron e Hermione sentados em as bancadas . - Ainda não acabaram ? - perguntou Ron em um tom incrédulo . - Ainda nem começamos - explicou Harry , olhando cheio de inveja para a torrada com doce de laranja que Ron e Hermione tinham trazido de o salão . - O Wood tem estado a ensinar nos as jogadas . Subiu para a vassoura e deu um pontapé em o chão , elevando se em o ar . O ar fresco de a manhã bateu lhe em o rosto fazendo o acordar com mais eficácia do_que o longo discurso de Wood . Era maravilhoso voltar a estar em o campo de Quidditch . Voou em volta de o estádio a toda a a velocidade competindo com Fred e George . - Que barulhinho estranho é aquele ? - perguntou o Fred quando deram a volta . Harry olhou para as bancadas . Colin estava sentado em um de os lugares mais altos com a máquina fotográfica em o ar , tirando fotografia sobre fotografia , o som estranhamente ampliado em o estádio deserto . - Olha para ali , Harry , para ali - gritava de forma estridente . - Quem é aquele ? - perguntou Fred . - Não faço ideia - mentiu Harry , disparando a_toda_a velocidade e distanciando se o mais possível de Colin . - O que se passa aí ? - perguntou Wood , franzindo a testa enquanto corria por os ares atrás de eles . - Porque está aquele aluno de o primeiro ano a tirar fotografias ? Não me agrada . Pode ser um espião de os Slytherin a tentar descobrir o nosso novo programa de treinos . - Ele é de os Gryffindor - disse Harry rapidamente . - E os Slytherin não precisam de um espião , Oliver - completou George . - Porque dizes isso ? - perguntou Wood irritado . - Porque estão aqui em peso - disse George , apontando com o dedo . Vários indivíduos com túnicas verdes vinham em aquele momento a entrar em o campo de vassouras em a mão . - Não posso acreditar - reagiu Wood , sentindo se ultrajado . - Eu reservei o estádio para hoje . Já vamos ver como é_que isto fica ! Wood baixou direito a o chão sendo levado por a fúria a aterrar com mais força do_que pretendia e a cambalear um_pouco quando começou a andar seguido de o Harry e de o Ron . - Flint - bradou para o treinador de os Slytherin . - Este é o nosso tempo de treino . Levantámo nos de propósito . Vocês têm de sair de aqui . Marcus_Flint era ainda mais corpulento do_que Wood . Tinha em o rosto uma expressão de duende travesso quando respondeu : - Há espaço para todos , Wood . Angelina , Alicia e Katie tinham vindo também . Em a equipa de os Slytherin não havia raparigas que enfrentassem a o lado de os rapazes os Gryffindor . - Mas eu reservei o estádio - repetiu Wood de modo afirmativo , cuspindo de raiva . - Reservei o . - Ah ! - exclamou Flint . - Mas eu tenho aqui uma licença especial assinada por o professor Snape . * _ Eu , professor Snape , autorizo a equipa de os Slytherin a praticar hoje em o campo de Quidditch devido a a necessidade de treinar o seu novo seeker . * - Têm um novo * seeker * ? - perguntou Wood perturbado . - Onde ? E detrás de as seis figuras corpulentas que tinham em a frente , viram surgir uma sétima : um rapaz mais pequeno com um sorriso afectado espelhado em o rosto pálido e anguloso . Era_Draco_Malfoy . - Não és o filho de o Lucius_Malfoy ? - perguntou Fred , olhando para ele com antipatia . - Curioso que refiras o pai de o Draco - disse Flint enquanto toda_a equipa de os Slytherin sorria de modo grosseiro . - Deixem me mostrar vos a generosa oferta que ele fez a a equipa de os Slytherin . Os sete exibiram as suas vassouras . Sete cabos novos , polidos , com inscrições em letras douradas de as palavras « Nimbus dois_mil_e_um « brilharam a o sol de a manhã , em frente de o nariz de os Gryffindor . - O último modelo . Só chegou em o mês passado - disse Flint , displicentemente , sacudindo a poeira de o cabo de a sua vassoura . - Julgo que ultrapassam de longe as velhas séries de dois_mil . Quanto a as Cleansweeps - sorriu de forma mesquinha para Fred e George que tinham ambos Cleansweep_Fives - essas já só servem para varrer . Nenhum de os Gryffindor foi capaz de abrir a boca em aquele momento . Malfoy sorria tanto que os seus olhos de gelo estavam reduzidos a duas rachas . - Oh vejam - disse Flint . - Uma invasão de o campo . Ron e Hermione atravessavam o relvado para ver o que se passava . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron a o Harry . - Porque não estão a jogar e o que faz ele aqui ? Olhava para Malfoy em as suas vestes de Quidditch . - Sou o novo * seeker * de os Slytherin , Weasley - disse Malfoy com ar presumido . - Têm estado todos a admirar as vassouras que o meu pai comprou para a nossa equipa . Ron olhou de boca aberta para as sete vassouras que tinha em a frente . - São boas , não são ? - disse Malfoy untuosamente . - Mas talvez a equipa de os Gryffindor consiga levantar algum ouro e comprar também vassouras novas . Vocês podiam levar essas Cleansweep_Fives a leilão , talvez algum museu esteja interessado . A equipa de os Slytherin riu se a bandeiras despregadas . - Pelo_menos em os Gryffindor ninguém teve de comprar a sua entrada - disse secamente Hermione . - Entraram todos por mérito próprio . O ar presumido de Malfoy desapareceu . - Ninguém pediu a tua opinião , sangue de lama - cuspiu Malfoy . Harry apercebeu se , de imediato , que Malfoy dissera algo muito grave porque houve uma tremenda algazarra em o seguimento de as suas palavras . Flint teve que se pôr a a frente de o Malfoy para evitar que Fred e George se atirassem a ele . Alicia bradou : - Como te atreves ? - E Ron meteu a mão em as vestes e sacou de a varinha mágica , gritando : - Vais pagar por o que disseste , Malfoy ! - e apontou a , furioso , por debaixo de o braço de Flint , a o rosto de Malfoy . Um enorme estrondo , ecoou em o estádio e um jacto de luz verde saiu por a extremidade errada de a varinha de Ron , atingindo o em o estômago e projectando o para trás em direcção a o relvado . - Ron ! Ron ! Estás bem ? - gritou Hermione . Ron abriu a boca para falar , mas nenhuma palavra saiu . Em vez de isso , teve um vómito imenso e várias lesmas saíram lhe de a boca , indo cair lhe em o colo . A equipa de os Slytherin ficou paralisada de riso . Flint estava dobrado , agarrado a a vassoura nova . Malfoy , a quatro , batia com o punho em a chão . Os Gryffindor rodeavam o Ron , que continuava a vomitar lesmas enormes e reluzentes . Ninguém queria tocar lhe . - É melhor levá o para_casa de o Hagrid . É o mais perto - disse Harry_a_Hermione , que acenou afirmativamente , e os dois arrastaram o Ron por os braços . - O que aconteceu , Harry ? O que aconteceu ? Ele está doente ? Mas tu podes curá o , não podes ? - Colin descera a correr de o lugar onde estava sentado e dançaricava em frente de eles , enquanto abandonavam o campo . Ron teve um novo arremesso e mais lesmas saíram de a sua boca . - Oooh ! - exclamou Colin fascinado , levantando a máquina fotográfica . - Podes mantê o quieto , Harry ? - Sai de a minha frente , Colin - gritou Harry zangado . Ele e a Hermione conseguiram levar o Ron para fora de o estádio , atravessar os campos e chegar a a beira de a floresta . - Está quase , Ron - disse Hermione , mal avistaram o casebre de o guarda de os campos . - Vais ficar bem dentro_de um minuto ... está quase ... Estavam a sessenta metros de a casa de Hagrid , quando a porta de a frente se abriu . Mas não foi Hagrid quem saiu de lá , e sim Gilderoy_Lockhart , em uma túnica cor de malva . - Rápido , vamos esconder nos aqui - sussurrou Harry , arrastando Ron para trás de um arbusto que havia ali perto . Hermione acompanhou o , embora um_pouco relutante . -- É muito simples quando se sabe o que se está fazer ! - gritava Lockhart_para_Hagrid . - Se precisar de ajuda , sabe onde estou . Vou dar lhe um exemplar de o meu livro . Espanta me que ainda não o tenha . Logo a a noite autografo o e envio lhe o . Bem . até a a próxima ! - e afastou se em direcção a o castelo . Harry esperou que Lockhart desaparecesse , antes de puxar o Ron de trás de o arbusto até a a casa de o Hagrid . Bateram ansiosamente . Hagrid apareceu logo com um ar mal-humorado , que se dissipou quando viu quem era . - Já me tinha perguntado quand'é que vocês vinham ver me , entrem , entrem , pensei qu'era outra_vez o professor Lockhart . Harry e Hermione ajudaram Ron a subir o degrau que dava acesso a a cabana de uma divisão com uma cama enorme a um de os cantos e uma lareira a crepitar alegremente em o outro . Hagrid não pareceu perturbado com o problema de as lesmas de o Ron que Harry lhe explicou precipitadamente , logo_que sentou o Ron em uma cadeira . - Melhor saírem de o qu'entrarem - disse , em um tom bem-disposto , colocando uma grande bacia de cobre em frente de ele . - Deita as todas fora , Ron . - Acho que não há mais_nada a fazer , a não ser esperar que isto pare - disse Hermione ansiosamente , vendo Ron inclinar se para a bacia . - É uma maldição muitas_vezes difícil , mas com uma varinha partida ... Hagrid andava de um lado para o outro a preparar o chá . O cão de ele , Fang , babava se em cima de o Harry . - O que é_que o Lockhart queria de ti ? - perguntou o Harry , coçando as orelhas de o Fang . - Ensinar me a tirar espíritos aquáticos com forma de cavalos d'uma nascente d'água - resmungou Hagrid , retirando de a mesa pequena um galo meio depenado e colocando em o seu lugar o bule . - Como s'eu não soubesse . E contar me uma peta qualquer d'uma fada carpideira que ele venceu . Engulo essa chaleira , se uma palavra do_que ele disse for verdade . Não era hábito de Hagrid criticar um professor de Hogwarts e Harry olhou para ele com alguma surpresa . Mas Hermione disse em uma voz mais aguda do_que de costume : - Acho que estás a ser injusto . O professor Dumbledore obviamente achou que era o melhor homem para o lugar ... - Era o único - explicou Hagrid , oferecendo lhes um prato de bombons de melaço enquanto Ron tossia para a bacia . - E não havia mais ninguém . Não é fácil encontrar quem queira dar Artes de magia negra . As pessoas não gostam de essa matéria . Começam a pensar que está amaldiçoada , ninguém ficou muito_tempo a dá a . Mas digam me lá - continuou Hagrid , inclinando a cabeça para Ron - quem é qu'ele estava a tentar amaldiçoar ? - O Malfoy chamou qualquer coisa a a Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si . - Foi grave , sim - disse o Ron com voz rouca , emergindo a a superfície de a mesa , pálido e transpirado . - O Malfoy chamou lhe sangue de lama , Hagrid . - Ron desapareceu outra_vez quando uma nova onda de lesmas fez o seu aparecimento . Hagrid estava indignado . - Não posso crer - exclamou , dirigindo se a Hermione . - Chamou sim - disse ela . - Mas eu não sei o que significa . Percebi que era má educação , claro ... - É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar - explicou Ron novamente . - Sangue de lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles , sabes , filho de pais não mágicos . Há alguns feiticeiros , como a família de o Malfoy que acham que são melhores do_que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro . - Teve um pequeno vómito e uma lesma isolada caiu lhe em a mão aberta . Ele atirou a para a bacia e continuou . -- É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma . Olha_o_Neville_Longbottom , é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito . - E ainda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer - afirmou Hagrid , orgulhoso , fazendo Hermione corar em tons de magenta . - É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém - disse o Ron , limpando o suor de a testa com a mão trémula . - Sangue sujo , sangue vulgar , é um disparate . A maior parte de os feiticeiros hoje_em_dia têm sangue misturado . Se não tivéssemos casado com Muggles tinha sido o nosso fim . Fez um esforço para vomitar e baixou se mais_uma_vez . - Bem , não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá o , Ron - disse Hagrid bem alto enquanto montes de lesmas caíam em a bacia . - Mas , se_calhar , não foi mau de todo teres a varinha a trabalhar ao_contrário . Acho que Lucius_Malfoy teria vindo logo a correr a a escola se tivesses amaldiçoado o filho . Assim , pelo_menos , não estás metido em nenhum sarilho . Harry teria referido que o problema não podia ser pior do_que deitar lesmas por a boca , mas não pôde . Os bombons de melaço tinham lhe colado os maxilares um_ao_outro . - Harry - disse de repente Hagrid como_que movido por um pensamento súbito . - Tens de me explicar uma coisa . Ouvi dizer que tens andado a dar fotografias autografadas . Porque é qu'eu não tenho nenhuma ? A fúria de Harry foi tão grande que os maxilares se libertaram . - Eu não tenho dado fotografias autografadas - disse com vivacidade . Se o Lockhart andou a espalhar isso ... Mas em esse momento viu que Hagrid se estava a rir . - ´ _ tou a brincar - disse , dando uma palmadinha em as costas de Harry e fazendo lhe sinal para se sentar a a mesa . -- Eu sabia que não tinhas . Disse a o Lockhart que tu não precisavas de isso . Es mais famoso do_que ele sem sequer , tentares . - Aposto que ele não gostou de ouvir isso - comentou Harry , sentando se e esfregando o queixo . - Acho que não gostou mesmo - prosseguiu Hagrid com os olhinhos a brilhar . - E disse lhe também que nunca tinha lido nenhum de os livros de ele e ele foi se embora . Um bombom de melaço , Ron ? - perguntou a o vê o reaparecer . - Não , obrigado - disse o Ron com uma voz fraca . - É melhor não arriscar . - Venham ver o qu'eu tenho estado a criar - disse Hagrid quando Harry e Hermione acabaram de tomar o chá . Em a pequena horta atrás de a casa estava uma_dúzia de as maiores abóboras que Harry alguma vez vira . Pareciam enormes blocos de pedra . - Estão a dar se bem , não achas ? - disse Hagrid , feliz . São para a festa de o * _ Hallow'en * . Devem estar bem grandes quando chegar a altura . - O que é_que lhes tens dado como alimento ? - perguntou Harry . Hagrid olhou por cima de o ombro para confirmar se estavam sós . - Bem , tenho estado a dar lhes ... uma pequena ajuda . Harry reparou em o guarda-chuva cor-de-rosa a as florzinhas que estava encostado contra a parede de a cabana . Tivera em o ano anterior motivos para crer que aquele guarda-chuva não era o que parecia . De facto , acreditava que a antiga varinha de escola de Hagrid se encontrava oculta dentro de ele . Hagrid não tinha autorização para usar magia . Fora expulso de Hogwarts em o terceiro ano embora Harry nunca tivesse descoberto o motivo . Qualquer referência a esta questão fazia Hagrid pigarrear bem alto e ficar misteriosamente surdo até mudarem de assunto . -- Um encantamento de absorção , imagino ? - comentou Hermione entre a desaprovação e o divertimento . - Bem , se assim foi , fizeste um bom trabalho . - Foi o que disse a tua irmãzinha - respondeu Hagrid acenando em direcção a Ron . - Encontrei a ontem . - Hagrid olhou de lado para Harry , a barba a contorcer se . - Disse que andava só a ver os campos , mas eu acho qu'ela esperava encontrar alguém em a minha casa - piscou o olho a o Harry . - Se queres que te diga acho qu'ela não recusaria uma fotografia autogr ... - Cala te com isso - disse Harry . Ron desatou a rir e o chão ficou cheio de lesmas . - Cuidado - resmungou Hagrid , afastando Ron de as suas preciosas abóboras . Estava quase em a hora de o almoço e , como o Harry só tinha provado um bombom de melaço desde manhã cedo , estava ansioso por chegar a a escola para ir comer . Despediram se de o Hagrid e regressaram a o castelo . O Ron a vomitar de vez em quando , mas deitando só duas pequenas lesmas . Mal tinham pisado a entrada de o vestíbulo quando ouviram uma voz . - Aí estão vocês , Potter , Weasley . - A professora Mc_Gonagall vinha em direcção a eles com o seu ar severo . - Vocês os dois vão ter as punições hoje a a tarde . - O que é_que vamos fazer , professora ? - perguntou o Ron nervoso , deixando cair uma lesma . - Tu vais limpar as pratas em a sala de os troféus com Mr._Filch - disse a professora Mc_Gonagall . - E nada de mágicas , Weasley , trabalho com esforço . Ron engoliu em seco . Argus_Filch , o encarregado , era odiado por todos os alunos de a escola . - E tu , Potter , vais ajudar o professor Lockhart a responder a as cartas de as suas fãs - ordenou a professora Mc_Gonagall . - Oh , não ! Não posso ir também trabalhar em a sala de os troféus ? - pediu Harry em desespero de causa . - Nem pensar em isso - respondeu a professora Mc_Gonagall , erguendo as sobrancelhas . - O professor Lockhart requisitou te especialmente a ti . _ a as oito_em_ponto , os dois . Harry e Ron entraram em o salão em um estado de profundo desanimo com a Hermione atrás , ostentando uma expressão de * bem-voces-quebraram-as-regras-da-escola * . Harry não saboreou o empadão de carne como teria desejado . Tanto ele como o Ron achavam que tinham tido o pior de os castigos . -- O Filch vai reter me lá toda_a noite - disse Ron , desanimado . - Sem mágica ! Deve haver umas cem taças em aquela sala , eu não sei fazer limpeza de Muggles . - Eu trocava contigo de boa_vontade - confessou Harry em uma voz surda . - Tive montes de prática com os Dursleys . Responder a o correio de fãs de o Lockhart , que pesadelo ... A tarde de sábado pareceu derreter se . Pouco depois eram já cinco para as oito e Harry arrastava se até a o corredor de o segundo andar onde ficava o escritório de o Lockhart . Rangendo os dentes , bateu a a porta . A porta abriu se imediatamente e Lockhart dirigiu se lhe . - Ah , cá está o patifório ! - exclamou . - Entra , Harry , entra . Em as paredes , brilhando à_luz_de muitas velas , podia ver se uma infinidade de fotografias de Lockhart . Algumas de elas até assinadas . Sobre a secretária estava outro monte enorme . - Podes pôr as moradas em os envelopes - disse Lockhart_a_Harry , como_se fosse uma grande ameaça . - O primeiro é para Gladys_Gudgeon , abençoada seja , uma grande fã minha . Os minutos passavam lentos . De vez em quando , Harry ouvia a voz de Lockhart dizendo : - Mmm - e - certo - e - sim . - De vez em quando , apanhava uma frase como : - A fama é versátil , amigo Harry - ou - Só é célebre quem faz por isso , nunca te esqueças . As velas ardiam cada_vez com maior lentidão , fazendo a luz dançar sobre as muitas caras de Lockhart que o olhavam . Harry passava a mão , já dorida , sobre o que devia ser o centésimo envelope , escrevendo a morada de Verónica_Smethley . « Deve estar quase em a hora de me ir embora » , pensou , sentindo se profundamente infeliz , « por favor , faz com que esteja em a hora ... » E então ouviu algo , algo totalmente diferente de o crepitar de as velas e de os ditos de Lockhart sobre as suas fãs . Era uma voz , uma voz de arrepiar os ossos , de cortar a respiração , de veneno frio . - * _ Vem ... vem ter comigo ... deixa me rasgar te ... cortar te ... matar te * ... Harry deu um salto e uma enorme mancha lilás surgiu em a rua de Verónica_Smethley . - O quê ? - disse ele em voz alta . - Eu sei - exclamou Lockhart . - Seis meses inteirinhos em o topo de a lista de * bestsellers * , bati todos os recordes ! - Não - disse Harry nervosíssimo - aquela voz ! - Como ? - perguntou Lockhart , com um ar confuso . - Que voz ? - Aquela , aquela voz que disse ... não ouviu ? Lockhart olhava para Harry com o maior espanto . - De que é_que estás a falar , Harry ? Estás a ficar com sono ? Meu Deus , olha , só estamos aqui há quase quatro horas , quem diria ? O tempo passou a correr , não é verdade ? Harry não respondeu , estava a fazer um esforço para ouvir de_novo a voz , mas o único som que ouviu foi Lockhart a dizer lhe que não esperasse um tratamento igual de as próximas vezes que fosse castigado . Harry saiu , sentindo se atordoado . Era tão tarde que a sala comum de os Gryffindor estava quase vazia . Harry foi directamente para o dormitório . Ron ainda não tinha voltado . Vestiu o pijama , meteu se em a cama e esperou . Meia_hora mais tarde , chegou o Ron agarrado a o braço direito e inundando o quarto escuro de um forte cheiro a limpa-pratas . - Doem me todos os músculos - resmungou , metendo se em a cama . - Ele fez me polir catorze vezes aquela taça de Quidditch até estar satisfeito . E depois tive outro vómito em_cima_de um troféu de Reconhecimento por serviços prestados a a escola . Demorei séculos a limpar o muco de as lesmas . Como correram as coisas com o Lockhart ? Em voz baixa para não acordar o Neville , o Dean e o Seamus , Harry contou lhe , palavra por palavra , o que tinha ouvido . - E Lockhart disse que não ouviu nada ? - perguntou o Ron . Harry viu o franzir a testa , a a luz de o luar . - Achas que estava a mentir ? Mas , não percebo , mesmo um ser invisível teria aberto a porta . - Eu sei - disse Harry , encostando se a a cama e olhando para o dossel . - Também não compreendo . VIII_A festa de o dia de os mortos Outubro chegou , espalhando um frio húmido por os campos e por os cantos de o castelo . Madam_Pomfrey , a enfermeira-chefe , esteve bastante ocupada com uma onda de constipações que afectou professores e alunos . A sua poção de pimentão entrou imediatamente em acção apesar_de deixar quem a tomava com fumo em os ouvidos durante várias horas . Ginny_Weasley , que andava com ar adoentado , foi convencida a tomá a por o Percy . O fumo que saía por debaixo de o seu cabelo ruivo dava a impressão de que toda_a cabeça estava em fogo . Gotas de chuva de o tamanho de balas agrediram as janelas de o castelo durante dias a fio . O lago rosado e os canteiros de flores tornaram se regatos lamacentos e as abóboras de o Hagrid incharam ficando de o tamanho de alpendres de jardim . Contudo , o entusiasmo de Oliver_Wood por as sessões de treino regular não foi abalado , motivo por o qual Harry iria regressar a a torre de os Gryffindor , em um sábado a a tarde de temporal , alguns dias antes de o * _ Hallowe'en * , ensopado até a os ossos e todo enlameado . Além de a chuva e de o vento , não fora um treino feliz . Fred e George que tinham andado a espiar a equipa de os Slytherin tinham visto com os seus próprios olhos a velocidade alucinante de aquelas novas Nimbus dois_mil_e_um e comentaram que a equipa em o ar parecia composta por sete manchas esverdeadas que disparavam a_toda_a velocidade como aviões a jacto . Enquanto Harry chapinhava a o longo de o corredor deserto , cruzou se com alguém que parecia tão preocupado como ele : Nick quase sem cabeça , o fantasma de a torre de os Gryffindor que olhava taciturno , por a janela , murmurando baixinho : - Não preenche os requisitos , um centímetro e meio se ... - Olá , Nick - cumprimentou Harry . - Olá , olá - disse o Nick quase sem cabeça , começando a olhar em volta . Usava um arrebatado chapéu de plumas sobre a longa cabeleira encaracolada e uma túnica com gola de tufos que disfarçava o facto de ter o pescoço quase totalmente separado de o corpo . Era pálido como o fumo e Harry podia ver através de ele o céu negro e a chuva torrencial , lá fora . - Pareces preocupado , jovem Potter - disse Nick , dobrando uma carta transparente , enquanto falava e escondendo a dentro de a jaqueta . - Tu também - retorquiu Harry . - Ah ! - o Nick quase sem cabeça acenou com a mão de forma elegante . - Uma questão sem importância . Não é_que eu quisesse realmente participar apesar_de me ter inscrito , mas , a o que parece , não preencho os requisitos . - Apesar de o seu tom jovial havia em o seu rosto uma grande amargura . - Mas era de esperar , ou não era - exclamou subitamente , tirando a carta de o bolso - que ter levado quarenta_e_cinco golpes em a cabeça com um machado ferrugento me qualificaria para entrar em o grupo de os Sem - _ Cabeça ? - Sim , sim - respondeu Harry que obviamente o outro esperava que concordasse . - Isto_é , ninguém mais do_que eu desejaria que tudo tivesse sido rápido e perfeito , poupava me muitas dores e ridículo . Mas ... O Nick quase sem cabeça abriu , furioso , a carta e leu : * _ Só podemos aceitar em o grupo homens cuja cabeça tenha sido separada de o corpo . Compreenderá que de outro modo seria impossível a os nossos membros participarem em actividades como equitação de malabarismos com a cabeça e pólo de cabeça . Lamentamos profundamente informá o de que não preenche os requisitos . * _ Os nossos melhores cumprimentos , Sir_Patrick_Delaney - _ Podmore * Furioso , o Nick quase sem cabeça atirou fora a carta . - Um centímetro de pele e tendões a segurarem me a cabeça , Harry ! A maior parte de as pessoas acharia que era mais do_que o suficiente , mas não serve para o senhor correctamente decapitado Podmore . Nick quase sem cabeça respirou fundo várias vezes e , por fim , em um tom bastante mais calmo perguntou : - Então o que é_que te preocupa ? Alguma coisa que eu possa fazer por ti ? - Não - respondeu Harry . - A_não_ser_que saibas onde posso arranjar sete Nimbus dois_mil_e_um , de_graça , para o nosso campeonato contra os Sly ... - o resto de a frase foi afogada por um miado agudo vindo de perto de os seus tornozelos . Olhou para baixo e deu consigo a fitar um par de olhos que pareciam duas lâmpadas amarelas . Era_Mrs._Norris , a gata cinzenta e esquelética usada por o encarregado Argus_Filch como uma espécie de polícia em a sua infindável batalha contra os estudantes . - É melhor saíres de aqui , Harry - preveniu Nick com toda_a calma . - O Filch não está nada bem-disposto . Anda engripado e alguns alunos de o terceiro ano , por acidente , encheram o tecto de o calabouço cinco de miolos de rã . Ele tem andado toda_a manhã a limpar e se te vê a encher tudo de lama ... - Certo - disse Harry , recuando e afastando se de o olhar acusador de Mrs._Norris , mas ... tarde de mais . Conduzido até ali por o misterioso poder que parecia ligá o a a gata , Argus_Filch entrou subitamente por uma tapeçaria que se encontrava a a direita de Harry , com a sua respiração asmática , olhando vivamente em volta em busca de o infractor . Tinha um lenço grosso , de xadrez , a a volta de a cabeça e o nariz invulgarmente arroxeado . - Imundície - gritou com os maxilares a tremer e os olhos a saltarem lhe de as órbitas , enquanto apontava para a poça de lama que pingara de a túnica de Quidditch_de_Harry . - Desarrumação e imundície em todo o lado . Estou farto disto , segue me , Potter . Harry despediu se de o Nick quase sem cabeça com um tímido aceno e seguiu Filch até lá abaixo , duplicando o número de pegadas lamacentas em o chão . Nunca entrara em o gabinete de o Filch . Era um lugar que a maior parte de os estudantes evitava . A divisão era sombria e sem janelas , iluminada por uma única lamparina de óleo que pendia de o tecto . Sentia se um vago cheiro a peixe frito . As paredes estavam forradas por ficheiros de madeira . Por as etiquetas Harry percebeu que continham os dados de todos os alunos que Filch tinha punido . Fred e George_Weasley tinham uma gaveta só para eles . Atrás de a secretária estava pendurada uma colecção bem polida de correntes e algemas . Todos sabiam que ele estava sempre a pedir a Dumbledore que o deixasse pendurar os alunos em o tecto por os tornozelos . Filch pegou em uma pena que estava sobre a secretária e começou a procurar o pergaminho . - Bosta - murmurou , furioso . - Bosta de dragão , miolos de rã , intestinos de ratazana ... eu tinha aqui bastante , onde está o form ... sim ... Tirou um enorme rolo de pergaminho de a gaveta de a secretária e estendeu o em a frente , molhando a longa pena em o tinteiro . - Nome : Harry_Potter . Crime ... - Foi só um bocadinho de lama - disse Harry . - É só um bocadinho de lama para ti , rapaz , mas para mim é mais de uma hora a esfregar - gritou Filch com um pingo a tremer de modo desagradável em a extremidade de o nariz bolboso . - Crime : manchar o castelo . Sentença proposta ... Esfregando o nariz que continuava a pingar , Filch olhou com má cara para Harry que esperava com a respiração entrecortada para ouvir a sentença . Mas quando Filch pegou em a pena ouviu se um estrondo enorme em o tecto que fez a lamparina apagar se . - PEEVES - resmungou Filch , pousando a pena , cheio de raiva . - Desta_vez apanho te . Apanho te ! E sem olhar para trás , saiu a correr a_toda_a velocidade de o gabinete , seguido de a gata , Mrs._Norris . Peeves era o * poltergeist * de a escola , uma ameaça de risota esvoaçante que vivia para fazer estragos e criar aflição . Harry não gostava lá muito de ele , mas desta_vez , não podia deixar de lhe estar grato . Na_melhor_das_hipóteses o que Peeves tivesse feito ( e parecia que agora ele destruíra qualquer coisa em grande ) distrairia Filch_de_Harry . Pensando que o melhor seria esperar que ele voltasse , Harry deixou se cair em uma cadeira carcomida por o tempo que se encontrava junto de a secretária . Havia uma coisa sobre o tampo : um grande envelope roxo e lustroso com letras prateadas em a frente . Lançando um olhar rápido a a porta para confirmar que Filch não estava de volta , Harry pegou lhe e leu : __ feitiço __ rápido Um curso por correspondência De iniciação a a magia Cheio de curiosidade , abriu o envelope e retirou o rolo de pergaminho . Uma letra curvilínea e prateada dizia : Sente se pouco a a vontade em o mundo de a magia moderna ? Dá consigo a arranjar desculpas para não fazer feitiços simples ? Tem sido censurado por o deplorável trabalho com a varinha ? Eis a resposta ! Feitiço rápido e um curso totalmente novo , infalível , de resultados rápidos e rápida aprendizagem . Centenas de bruxas e feiticeiros têm beneficiado de o método feitiço rápido ! Madam_Z._Nettles_de_Topsham escreve nos : Eu não conseguia fixar os encantamentos e as minhas poções eram alvo de risota em a família . Agora , depois de o curso feitiço rápido , tornei me o centro de as atenções em todas_as festas e os meus amigos não param de pedir me a receita de a minha brilhante solução ! O mágico D.J._Prod , de Disbury , afirma : A minha mulher costumava rir se de os meus fracos encantamentos , mas bastou um mês com o vosso fabuloso curso feitiço rápido e consegui transformá a em um iaque . Obrigado , feitiço rápido ! Fascinado , Harry folheou o resto de o conteúdo de o envelope . Para que diabo quereria o Filch um curso de feitiço rápido ? Não seria ele um feiticeiro a sério ? Harry estava a ler a lição número um : Pegando em a varinha ( algumas dicas úteis ) quando umas passadas arrastadas , lá fora , o preveniram de que Filch estava de volta . Metendo rapidamente o pergaminho dentro de o envelope , lançou o para_cima de a secretária em o preciso momento em que a porta se abriu . Filch ostentava um ar triunfante . - Aquele armário que desapareceu era extremamente valioso - vinha ele a dizer a a gata , Mrs._Norris . - Desta_vez vamos correr com o Peeves , minha linda . Os seus olhos recaíram sobre Harry e logo_a_seguir sobre o envelope de o feitiço rápido que , Harry apercebeu se tarde de mais , estava meio metro distanciado de o seu lagar inicial . O rosto pálido de Filch tornou se vermelho escarlate . Harry preparou se para uma nova onda de fúria . Filch coxeou até a a secretária , arrebatou o envelope e meteu o em uma gaveta . -- Chegaste a ... lê o ? - perguntou atabalhoadamente . - Não - mentiu Harry , sem perder tempo . As mãos nodosas de o Filch contorciam se ao_mesmo_tempo . - Se eu soubesse que ias ler a minha correspondência priv ... não que seja minha ... é para um amigo ... mesmo_assim ... Harry olhava para ele espantado . Nunca vira o Filch tão louco . Os olhos pareciam querer saltar lhe de as órbitas , com um tique em as bochechas e aquele lenço axadrezado que não ajudava nada ... - Muito bem , vai e não abras a boca sobre isto ... não que ... mesmo_assim ... se tu não leste ... vai te embora , tenho de escrever o relatório sobre o Peeves , vai . Atordoado com a sua sorte , Harry saiu de ali e largou a correr por o corredor fora e por as escadas acima . Sair de o gabinete de o Filch sem um castigo devia ser um recorde em a escola . - Harry , Harry , deu resultado ? O Nick quase sem cabeça saiu a brilhar de uma sala de aula . Atrás de ele , Harry pôde ver os destroços de um grande armário preto e dourado que parecia ter sido atirado de uma grande altura . - Convenci o Peeves a parti o mesmo em cima de o gabinete de o Filch - disse Nick entusiasmado . - Pensei que talvez o distraísse . - Foste tu ? - exclamou Harry , agradecido . - Funcionou sim . Ele não me deu nenhum castigo . Obrigado , Nick . Atravessaram o corredor juntos . O Nick quase sem cabeça , reparou Harry , ainda tinha em a mão a carta de Sir_Patrick . - Gostaria de poder fazer qualquer coisa sobre o grupo de os Sem - _ Cabeça - disse Harry . O Nick quase sem cabeça parou de repente e Harry passou através de ele . Antes não tivesse passado , foi como atravessar um duche gelado . - Mas há uma coisa que tu podes fazer por mim - disse Nick muito agitado . - Harry , seria pedir te de mais ... mas não , tu não ias querer ... - O quê ? - Bem , este ano em o * _ Hallowe'en * vai ser o meu meio milénio de dia de os mortos - disse o Nick quase sem cabeça endireitando se e adquirindo uma postura de grande dignidade . - Oh - respondeu Harry sem saber se deveria lamentar ou dar lhe os parabéns . - Certo . - Vou dar uma festa em um de os calabouços mais amplos . Vêm amigos meus de todo o país . Seria uma honra muito grande se tu aparecesses . Mr._Weasley e Miss_Granger seriam também muito bem-vindos , claro . Mas tu deves preferir o banquete de a escola , não é verdade ? - Olhou para Harry , aflito . - Não - assegurou ele rapidamente . - Eu vou . - Oh rapaz , Harry_Potter em a minha festa de os mortos - hesitou no_meio_de toda aquela excitação . - Achas que poderias referir a Sir_Patrick como me achas assustador e como te impressiono ? - É claro que sim - assegurou Harry . O Nick quase sem cabeça iluminou se em um sorriso . - Uma festa de os mortos ? - exclamou Hermione , entusiasmada , quando Harry , depois de mudar de roupa , se juntou a ela e a o Ron em a sala comum . - Aposto que não há muitas pessoas que possam gabar se de ter estado em uma festa de essas . Vai ser fantástico ! - Por_que é_que alguém se lembraria de festejar o dia em que morreu ? - perguntou o Ron que estava a meio de o seu trabalho de casa de poções e bastante maldisposto . - Parece me bastante mórbido . A chuva continuava a lamber as janelas que apresentavam agora um negro que parecia tinta , mas , lá dentro , era tudo claro e alegre . O fogo em a lareira brilhava sobre as inúmeras cadeiras de braços onde as pessoas estavam sentadas a ler , a conversar , a fazer os trabalhos de casa ou , no_caso_de Fred e George_Weasley , a tentar descobrir o que aconteceria se alimentassem uma salamandra com fogo-de-artíficio de o Filibuster . O Fred tinha « resgatado . o lagarto cor de laranja brilhante , morador de o fogo , de uma aula de tratamento de seres mágicos e ele estava agora a arder em fogo lento sobre uma mesa , rodeado de um grupo de curiosos . Harry ia começar a contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre o Filch e o curso de feitiço rápido quando a salamandra disparou por os ares , lançando faíscas e estoiros . A visão de Percy a gritar com Fred e George até ficar ronco , a fantástica exibição de estrelas cor de tangerina que choviam de a boca de a salamandra e a sua fuga para o lume acompanhada de explosões , fizeram com que Harry se esquecesse , em aquele momento , de Filch e de o curso de feitiço rápido . Quando chegou o * _ Hallowe'en * , Harry já lamentava a sua promessa imprudente de ir a a festa de os mortos . Toda_a escola antecipava , feliz , a sua festa de * _ Hallowe'en * . O salão nobre fora enfeitado com os habituais morcegos , as enormes abóboras de Hagrid tinham sido esculpidas em forma de lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro_de cada uma , e havia boatos de que Dumbledore contratara um grupo de esqueletos bailarinos para animar a festa . - Uma promessa é uma promessa - lembrou Hermione_a_Harry com o seu autoritarismo habitual . - Tu disseste que ias a a festa de os mortos . Portanto , a as sete_da_tarde , Harry , Ron e Hermione saíram , passando por a porta de o salão nobre que brilhava de modo convidativo com pratos dourados e velas e dirigiram os seus passos para os calabouços . O corredor que conduzia a a festa de o Nick quase sem cabeça tinha sido também ladeado de velas , embora o efeito estivesse longe_de ser alegre : estas eram velas muito esguias e estreitas , negras de breu , ardendo em um azul brilhante e lançando uma luz indistinta e espectral também sobre as caras de as pessoas vivas . A temperatura diminuía a cada degrau que desciam . Harry tremia e cingia a túnica a o corpo quando ouviu qualquer coisa que parecia uma centena de unhas a rasparem um enorme quadro preto . - Será que isto_é a música ? - murmurou Ron . Viraram uma esquina e viram o Nick quase sem cabeça junto de uma porta , todo vestido de veludo negro . - Meus queridos amigos - disse com ar de luto . - Bem-vindos , bem-vindos , ainda_bem que puderam vir . Em um gesto largo tirou o chapéu de plumas e fez lhes sinal para que entrassem . Era uma visão incrível . O calabouço estava cheio com centenas de pessoas de um branco pálido e translúcido , a maior parte de as quais era arrastada em uma pista de dança cheia , valsando a o som de trinta serrotes musicais . Os serrotes que compunham a orquestra encontravam se sobre um estrado enfeitado com panos negros . Um lustre lá em cima resplandecia de um azul nocturno com mais um_milhar de velas negras . A respiração de os três subiu em o ar como uma neblina . Parecia que tinham entrado em um congelador . - Vamos dar uma volta - sugeriu Harry em uma tentativa de aquecer os pés . - Cuidado , não atravessem nenhum de eles - avisou o Ron nervosamente e colocaram se em volta de a pista de dança . Passaram por um grupo escuro de freiras , por um homem esfarrapado e cheio de correntes e por o frade gordo , o divertido fantasma de os Hufflepuff que estava a conversar com um cavaleiro com uma seta enfiada em a testa . Harry não ficou nada surpreendido a o ver que o Barão sangrento , o fantasma lúgubre e berrante de os Slytherin , coberto de nódoas de sangue ; estava a ser totalmente evitado por os outros fantasmas . - Oh ! Não -- exclamou Hermione , parando bruscamente . - Voltem se , voltem se , não quero ter de cumprimentar a Murta_Queixosa . - Quem ? - perguntou Harry enquanto davam rapidamente meia volta . - Ela assombra a casa_de_banho de as raparigas de o primeiro andar - explicou Hermione . - Assombra uma casa_de_banho ? - Sim . Está inoperativa durante todo o ano porque ela tem constantes acessos de choro e inunda tudo . Eu só lá fui quando não pode mesmo evitar . É horrível tentar ir a a sanita com ela a gritar connosco . - Olhem , comida - disse o Ron . De o outro lado de o calabouço estava uma mesa igualmente coberta de velado negro . Iam para se aproximar entusiasmados , mas pararam com uma expressão de horror . O cheiro era nauseabundo . Enormes peixes podres enchiam as bonitas travessas de prata , os bolos estorricados como carvões amontoavam se em as salvas , havia uma grande quantidade de miúdos de macaco , uma tábua de queijos cobertos de bolor e , em o lugar de honra , um enorme bolo cinzento em forma de lápide com letras que pareciam alcatrão formando as palavras , * _ Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington_Morto em 31_de_Outubro , 1492 * . Harry olhou espantado quando um fantasma de porte majestoso se aproximou de a mesa inclinando se e passando através de ela com a boca aberta enquanto atravessava um salmão malcheiroso . - Consegue prová o passando através de ele ? - perguntou lhe Harry . - Quase - disse tristemente o fantasma antes de se afastar . - Devem ter deixado apodrecer tudo_isto para ter um sabor mais forte - comentou Hermione com ar de quem está bem informada , tapando o nariz e aproximando se para ver melhor os pútridos miúdos de macaco . - Podemos sair de aqui , estou a sentir me agoniado - disse o Ron . Mas mal tinham dado meia volta quando um homenzinho pequenino saiu inesperadamente de debaixo de a mesa e fez uma paragem em o ar em frente de eles . - Olá , Peeves - disse Harry cautelosamente . Ao_contrário de os outros fantasmas que os rodeavam , Peeves , o * poltergeist * era o oposto de pálido e transparente . Usava um chapéu festivo cor de laranja , um laço rotativo a o pescoço e tinha um sorriso grosseiro de malvadez , em o rosto . - Querem petiscar ? - perguntou delicadamente , oferecendo lhes uma taça de amendoins cobertos de fungos . - Não , obrigada - disse Hermione . - Ouvi te falar sobre a pobre Murta - disse Peeves com os olhos a bailar . - Que insensível que tu foste para com a pobre Murta - respirou fundo e gritou : - Oh Murta . - Oh ! Não , Peeves , não lhe contes o que eu disse , ela vai ficar muito aborrecida - murmurou Hermione bastante nervosa . - Eu não queria dizer que ... eu não me importo que ela , er , olá , Murta . O espectro atarracado de uma rapariga deslizara . Tinha o rosto mais carrancudo que Harry alguma vez vira , meio escondido por o cabelo liso e por os óculos grossos cor de pérola . - O que é ? - perguntou mal-humorada . - Como estás Murta ? - perguntou Hermione , em uma voz falsamente alegre . - É bom ver te fora de a casa_de_banho . Murta fungou . - Miss_Granger estava justamente a falar de ti - disse lhe Peeves baixinho a o ouvido . - A dizer , a dizer ... como estás bonita esta noite -- terminou Hermione , olhando irritada para Peeves . A Murta olhou para Hermione desconfiada . - Estão a divertir se a a minha custa - disse , com lágrimas de prata a encherem lhe rapidamente os olhos pequeninos . - Não , a sério , eu não estava a dizer vos como a Murta estava bonita esta noite ? - disse Hermione , dando uma palmada em as costas de o Harry e de o Ron . - Sim , sim . - Ela ... - Não me venham com mentiras - protestou a Murta , as lágrimas agora a descerem lhe por o rosto , enquanto Peeves ria baixinho por cima de o ombro de ela . - Julgam que eu não sei o que as pessoas me chamam em as minhas costas ? A Murta gorda , a Murta feia , a Murta queixosa , a Murta deprimida ! - Esqueceste te de « a Murta ponto negro » - sussurrou lhe Peeves a o ouvido . A Murta_Queixosa irrompeu em soluços de angústia e fugiu de o calabouço . Peeves disparou atrás de ela , lançando lhe uma chuva de amendoins cheios de bolor e gritando : Ponto negro ! Ponto negro ! - Oh , coitada ! - exclamou Hermione com tristeza . O Nick quase sem cabeça abria agora caminho entre a multidão para se aproximar de eles . - Estão a divertir se ? - Sim , sim - mentiram . - Uma afluência nada má - disse orgulhoso o Nick quase sem cabeça . - A viúva chorosa veio de Kent ... está quase em a hora de o meu discurso . É melhor ir avisar a orquestra . Mas a orquestra parou de tocar em esse preciso momento . Eles , e todos os outros em o calabouço , ficaram em silêncio total , olhando em volta cheios de excitação quando se ouviu uma trompa de a caça . - Lá vêm eles - disse o Nick quase sem cabeça , com alguma amargura em a voz . Por o calabouço irromperam uma_dúzia de , cavalos fantasmas , cada_um montado por um cavaleiro sem cabeça . A assistência aplaudiu vivamente . Harry começou também a bater palmas , mas parou rapidamente quando viu a cara de o Nick . Os cavalos galoparam até a o meio de a pista de dança e pararam , empinando se , dando pequenos passos para a frente e para trás , sobre as patas traseiras . Um fantasma grande em a frente , cuja cabeça barbuda estava debaixo de o braço , soprando a trompa , desmontou , levantou a cabeça bem em o ar para poder ver toda_a assistência ( todos se riam ) e dirigiu se a o Nick quase sem cabeça , comprimindo a cabeça contra o pescoço . - Bem-vindo , Patrick - disse o Nick , mantendo a sua postura rígida . - Gente viva ! - exclamou o Sir_Patrick , avistando Harry , Ron e Hermione e dando um salto de falso espanto , de_tal_modo_que a cabeça lhe caiu de_novo ( a multidão ria a bom rir ) . - Muito engraçado - disse o Nick quase sem cabeça com um ar soturno . - Não ligues a o Nick - gritou a cabeça de Sir_Patrick de o chão . - Ainda está aborrecido por não o deixarmos juntar se a o grupo . Mas olhem bem para ele ... - Eu acho - disse apressadamente Harry , a seguir a um olhar de o Nick - que o Nick é muito assustador e ... eu ... - Bah ! - gritou a cabeça de Sir_Patrick . - Aposto que ele te pediu que dissesses isso . - Gostaria de ter a vossa atenção . Chegou a altura de fazer o meu discurso - disse o Nick quase sem cabeça bem alto , dirigindo se a o pódio , subindo e parando , iluminado por uma luz azul . - Os meus sentimentos , senhores e senhoras , é com profundo pesar ... Mas já ninguém estava a ouvi o . Sir_Patrick e o resto de o grupo de os Sem - _ Cabeça tinham iniciado um jogo de hóquei de cabeça e a multidão voltara se para os observar . Nick quase sem cabeça tentou em vão recuperar a audiência , mas acabou por desistir quando a cabeça de Sir_Patrick passou por ele a_toda_a velocidade gritando vivas . Harry estava cheio de frio para não falar de a fome . - Não aguento mais isto - murmurou Ron a bater o dente enquanto a orquestra voltava a entrar em acção e os fantasmas enchiam de_novo a pista de dança . - Vamos embora - concordou Harry . Recuaram até a a porta , acenando e sorrindo a todos os que olhavam para eles e um minuto depois passavam apressadamente por a entrada cheia de velas negras . - Talvez o pudim ainda não tenha acabado - disse o Ron cheio de esperança , abrindo caminho em direcção a os degraus de o vestíbulo de a entrada . E foi então que Harry ouviu aquilo . - ... * _ Arrancar ... rasgar ... matar * ... Era a mesma voz , a mesma voz fria e assassina que ouvira em o escritório de Lockhart . Parou , agarrando se a a parede de pedra em a expectativa de ouvir melhor , olhando em volta , espreitando para_cima e para baixo de a passagem mal iluminada . - Harry que estás tu a ... ? - E aquela voz outra_vez , calem se um bocadinho . -- ... * _ Tanta fome ... há tanto tempo * ... - Ouçam insistiu Harry e Ron e Hermione ficaram estáticos a olhar para ele . - * _ Matar ... hora de matar * ... A voz ia ficando mais débil . Harry tinha a certeza de que ela estava a afastar se , a subir . Um misto de medo e excitação tomou posse de ele enquanto olhava para o tecto escuro . Como poderia ele subir ? Seria um fantasma para quem os tectos de pedra não contavam ? - Por aqui - gritou , começando a correr por as éscadas acima até a a entrada de o * hall * . Não havia hipótese de ouvir fosse o que fosse ali , o barulho de vozes que vinha de o banquete de o * _ Hallowe'en * ecoava cá fora . Harry subiu a correr a escadaria de mármore até a o primeiro andar com Ron e Hermione ruidosamente atrás . - Harry o que é_que nós ... ? - Sch ... Harry apurou o ouvido . Ao_longe , em o andar de cima , e ainda a enfraquecer , mesmo_assim ouviu a voz : - ... * Cheira-me a sangue ... cheira me a sangue ! * O estômago deu lhe uma volta . - Ele vai matar alguém - gritou e ignorando as caras perplexas de Ron e Hermione , correu , subindo mais um lanço de escadas , a três_e_três , tentando ouvir através de o ruído de os seus próprios passos . Harry correu a_toda_a velocidade pelo segundo andar com Ron e Hermione atrás e só parou quando viraram uma esquina para o último corredor abandonado . - Harry , o que foi aquilo tudo ? - perguntou o Ron , limpando o suor de o rosto . - Eu não ouvi nada ... Mas Hermione , em um sobressalto , apontou para o fundo de o corredor . - Olhem ! Alguma coisa brilhava em a parede em frente . Aproximaram se devagarinho , tentando ver em a escuridão . Alguém escrevera em letras garrafais em a parede entre duas janelas . As palavras brilhavam a a chama fraca de as tochas . : __ a câmara de os segredos foi aberta . inimigos de o herdeiro , __ cuidado . - O que é aquilo pendurado por baixo de as letras ? - perguntou Ron com um tremor em a voz . Quando se aproximaram , Harry quase escorregou . Havia uma grande poça de água em o chão . Ron e Hermione agarraram o e avançaram cautelosamente até a a mensagem , os olhos fixos em uma sombra escura , em baixo . Aperceberam se os três de imediato do_que se tratava e deram um salto para trás , salpicando tudo de água . Mrs._Norris , a gata de o encarregado , estava pendurada por a cauda em o suporte de a tocha . Tinha o corpo rígido como uma tábua e os olhos abertos . Durante alguns segundos ninguém se mexeu . Depois o Ron disse : - Vamos sair de aqui . - Não devíamos tentar ajudar ? - propôs Harry , sem graça . - Acredita - assegurou o Ron . - É melhor que não nos encontrem aqui . Mas era tarde de mais . Um ruído surdo e prolongado , como um trovejar distante , avisou os de que o festim tinha terminado . De ambos os lados de o corredor onde eles estavam , veio o som de centenas de pés a subirem a escadaria e as vozes alegres de gente bem alimentada . Em o momento seguinte os alunos chegavam junto de eles de ambos os lados . O burburinho morreu subitamente mal as pessoas avistaram a gata pendurada . Harry , Ron e Hermione estavam de pé , sozinhos , em o meio de o corredor quando se fez silêncio em a multidão de estudantes que se empurravam para observar aquele quadro macabro . Então alguém gritou , quebrando o silêncio . - Inimigos de o herdeiro , cuidado . Vocês serão os próximos , sangue de lama ! Era_Draco_Malfoy . Estava a a frente de a multidão com os olhos frios a brilhar , a sua cara habitualmente pálida agora afogueada , sorrindo a a vista de a gata pendurada e imóvel . IX_As palavras em a parede -- O que é_que se passa aqui ? O que é_que se passa ? Sem dúvida , atraído por o grito de Malfoy , Argus_Filch apareceu a coxear em o meio de a multidão . Quando viu Mrs._Norris , caiu para trás agarrando o rosto com verdadeiro horror . - A minha gata ! A minha gata ! O que aconteceu a Mrs._Norris ? - gritou . E os seus olhos rápidos caíram sobre Harry . - Tu - guinchou ele . - Mataste a minha gata ! Mataste a , vou dar cabo de ti , eu ... - Argus . Dumbledore tinha chegado a o lugar , seguido de alguns professores . Em poucos segundos tinha passado a a frente de Harry , Ron e Hermione e desatado Mrs._Norris de o suporte de a tocha . - Vem comigo , Argus - disse ele a o Filch . - Vocês também , Mr._Potter , Mr._Weasley e Miss_Granger . Lockhart deu rapidamente um passo em frente . - O meu escritório é o que está mais perto , senhor director , é já aqui em cima , por favor fiquem a a vontade . - Obrigado , Gilderoy - disse Dumbledore . A multidão silenciosa dividiu se para os deixar passar . Lockhart sentindo se excitado e importante , seguia Dumbledore assim_como a professora Mc_Gonagall e o professor Snape . Quando entraram em o escritório escuro de Lockhart houve uma grande agitação em as paredes . Harry viu várias imagens de Lockhart a esconderem se cheias de rolos em o cabelo . O Lockhart em pessoa acendeu as velas e chegou se mais para trás . Dumbledore pôs Mrs._Norris em a superfície polida de a secretária e começou a examiná a . Harry , Ron e Hermione trocaram olhares tensos entre si e deixaram se cair em as cadeiras que se encontravam longe de a luz , a observar . A ponta de o nariz longo e adunco de Dumbledore estava a menos_de dois centímetros de o pêlo de Mrs._Norris . Ele olhava a de perto através de os óculos de meia-lua , os dedos longos a palpar e tactear suavemente . A professora Mc_Gonagall estava quase tão perto como ele , com os olhos contraídos . Snape surgia mais atrás , meio em a sombra , com uma expressão estranha em o rosto , como_se tentasse a_toda_a força sorrir . E Lockhart andava de um lado para o outro a dar sugestões . - Foi sem dúvida uma maldição que a matou , provavelmente a tortura de a metamorfose . Vi a muitas_vezes ser usada , mas infelizmente eu não estava lá quando isto aconteceu . Conheço o antídoto para essa maldição , o que a teria salvo . Os comentários de Lockhart foram interrompidos por os soluços secos e violentos de Filch . Estava afundado em uma cadeira junto de a secretária , incapaz de olhar para Mrs._Norris , com o rosto em as mãos . Por mais que detestasse Filch , Harry não pôde deixar de sentir pena de ele embora não tanta quanto_a que sentia por si próprio . Se Dumbledore acreditasse em o Filch ele seria certamente expulso . O director estava agora a sussurrar umas palavras estranhas e batendo em Mrs._Norris com a varinha , mas não aconteceu nada , ela continuou com o mesmo aspecto , como_se tivesse sido empalhada . - ... Lembro me de uma coisa semelhante que aconteceu em Ouagadogou - disse LockLart . - Uma série de ataques . Conto essa história em a minha autobiografia . Eu dei a a gente de a cidade vários amuletos que resolveram logo a situação ... As fotografias de Lockhart em as paredes iam acenando afirmativamente com a cabeça enquanto ele falava . Uma de elas esquecera se de tirar os rolos de o cabelo . Por fim , Dumbledore endireitou se . - Ela não está morta , Argus - disse suavemente . Lockhart interrompeu bruscamente a contagem de os crimes que conseguira evitar . - Não está morta ? - disse Filch em um sufoco , olhando através de os dedos para Mrs._Norris . - Mas , porque está ela rígida e gelada ? - Foi petrificada - disse Dumbledore ( Ah ! foi o que eu pensei ! - comentou Lockhart ) mas como , não posso afirmar . - Pergunte lhe - gritou Filch , voltando a cara cheia de furúnculos e lágrimas para Harry . - Nenhum aluno de o segundo ano poderia ter feito isto - explicou Dumbledore . - Era preciso um grande conhecimento de magia negra . - Foi ele , foi ele - disse encolerizado o encarregado com a cara a ficar roxa . - O senhor viu o que ele escreveu em a parede . Ele descobriu em o meu gabinete , ele sabe que eu sou um ... - O rosto de Filch estava horrível . - Ele sabe que eu sou um * _ busca-pé * - disse por fim . - Eu não toquei em a Mrs._Norris - gritou Harry com todos os olhares a recaírem sobre ele , incluindo o de todos os Lockharts de a parede . - E eu nem sei o que é um * busca-pé * . - Mentira ! - gritou Filch . - Ele viu a minha carta de o feitiço rápido . - Se me permite que dê a minha opinião , senhor director - disse Snape , saindo de a sombra , e a sensação de mau presságio de Harry aumentou bastante . Certamente nada do_que Snape tinha para de dizer iria ajudá o . - O Potter e os amigos podiam estar simplesmente em o lugar errado em a altura errada - afirmou com um leve sorriso a torcer lhe a boca como_se tivesse as suas dúvidas . - Mas , temos aqui um conjunto de circunstâncias curiosas . Porque estavam eles afinal em o corredor ? Porque não estiveram presentes em a festa de o * _ Hallowe'en * ? Harry , Ron e Hermione começaram uma longa explicação sobre a festa de o dia de os mortos . - Estavam lá centenas de fantasmas , eles poderão confirmar que lá estivemos ... - Mas porque não foram a seguir a o banquete ? - perguntou Snape com os olhos pretos a brilharem a a luz de as velas . - Porquê ir até a aquele corredor ? Ron e Hermione olharam para Harry . - Porque , porque ... - balbuciou Harry , com o coração a querer saltar lhe de o peito , mas algo lhe disse que ia parecer muito rebuscado se lhes contasse que tinha sido levado até ali por uma voz sem corpo que só ele conseguia ouvir . - Porque estávamos cansados e queríamos ir para a cama - disse . - Sem jantar ? - inquiriu Snape com um sorriso triunfante a bailar lhe em o rosto lúgubre . - Não sabia que os fantasmas ofereciam em as suas festas comida para gente viva . - Não estávamos com fome - disse o Ron bem alto , enquanto o estômago se queixava de forma audível . O sorriso mesquinho de a Snape ampliou se . - Acho , senhor director , que Potter não está a dizer toda_a verdade - afirmou . - Talvez fosse boa ideia retirar lhe alguns privilégios , até ele estar disposto a contar nos a história toda . Pessoalmente , sugiro que seja retirado de a equipa de os Gryffindor até decidir ser honesto . - Francamente , Severus - exclamou a professora Mc_Gonagall com uma voz cortante . - Não vejo porquê impedir o rapaz de jogar Quidditch . Esta gata não levou pauladas em a cabeça dadas por nenhum cabo de vassoura . E não há provas de que o Potter tenha feito algo de mal . Dumbledore observava Harry com um olhar perscrutador . A voz tremeluzente de os seus olhos azuis fez Harry sentir que estava a ser passado a raios X. - Inocente até se provar que é culpado , Severus - disse com segurança . Snape estava furioso , assim_como Filch . - A minha gata foi petrificada ! - berrou , com os olhos a saltarem de as órbitas . - Quero ver um castigo ! - Vamos poder curá a , Argus - explicou pacientemente Dumbledore . - Madam_Sprout conseguiu arranjar algumas Mandrágoras . Logo_que tenham atingido o tamanho adulto , terei uma poção de Mandrágoras que reanimará Mrs._Norris . - Eu posso fazê a - interrompeu Lockhart . - Devo ter feito isso uma centena de vezes . Preparo uma golada de Mandrágora reconstituinte de olhos fechados ... - Perdão - disse Snape friamente -- , mas julgo que o professor de poções de esta escola ainda sou eu . Houve um silêncio bastante incómodo . - Vocês podem ir se embora - disse Dumbledore a o Harry , Ron e a Hermione . Eles saíram o mais depressa que puderam , sem ir a correr . Quando chegaram a o andar acima de o escritório de Lockhart , entraram em uma sala de aulas vazia e fecharam a porta devagarinho . Harry lançou um olhar de esguelha a as caras carrancudas de os amigos . - Acham que eu lhes devia ter falado de a voz que ouvi ? - Não - respondeu Ron , sem a mínima hesitação . - Ouvir vozes que mais ninguém ouve , não é bom sinal , nem em o mundo de os feiticeiros . Algo em a voz de Ron levou Harry a fazer a pergunta : - Tu acreditas em mim , não acreditas ? - Claro que sim - respondeu o Ron de imediato . - Mas tens de concordar que é esquisito ... - Eu sei que é esquisito - confirmou Harry . - É tudo esquisito . O que era aquilo escrito em a parede ? * _ A_Câmara foi aberta * , o que é_que significa ? - Sabes , faz me lembrar qualquer coisa - disse Ron lentamente . - Acho que alguém me contou uma história sobre uma câmara secreta em Hogwarts , talvez tenha sido o Bill ... - E que diabos é um * busca-pé * ? - perguntou Harry . Para sua surpresa , Ron abafou o riso . - Bem , em a verdade não tem graça nenhuma , mas como é o Filch ... - disse . - Um * busca-pé * é alguém que nasceu de uma família de feiticeiros , mas não tem poderes mágicos . É uma espécie de o oposto de os que vêm de famílias de Muggles , mas são feiticeiros . Os * busca-pé * são muito raros . Se o Filch está a tentar aprender magia em um curso rápido , acho que ele deve ser mesmo um busca-pé . Isso explicaria tudo , por_exemplo , porque detesta tanto os estudantes . - Ron sorriu satisfeito . - Tem inveja . Um relógio deu as horas , algures . - Meia-noite - disse Harry . - É melhor irmo nos deitar , antes que o Snape apareça e tente acusar nos de qualquer coisa . Durante alguns dias não se falou de outra coisa em a escola a não ser de o ataque a a gata , Mrs._Norris . Filch manteve o sucedido bem fresco em a memória de todos , andando de um lado para o outro em o lugar onde ela fora atacada , como_se esperasse por o responsável . Harry vira o esfregar a mensagem de a parede com a « solução removedora de toda_a porcaria mágica Mrs._Skower » , mas sem qualquer resultado . As palavras continuavam a brilhar tanto como antes sobre a pedra . Quando Filch não estava a patrulhar a cena de o crime , vagueava , de olhos avermelhados , por os corredores , perseguindo alunos insuspeitos e tentando aplicar lhes castigos por coisas como « respirar muito alto » ou « estar alegre » . Ginny_Weasley parecia muito perturbada com o destino de Mrs._Norris . Segundo Ron ela era uma amante de gatos . - Mas tu nem chegaste a conhecer bem Mrs._Norris - disse lhe Ron para a animar . - Com toda_a franqueza , estamos muito melhor sem ela . - O lábio de Ginny tremeu . - Não é costume acontecerem coisas de estas em Hogwarts - tranquilizou a . - Eles vão descobrir o safado que fez aquilo e põem o de aqui para fora em três tempos . - Só espero que tenha tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso . Estou a brincar , claro - acrescentou o Ron apressadamente a o ver a Ginny a empalidecer . O ataque afectara também Hermione . Era costume de ela passar muito_tempo a ler , mas agora parecia não fazer mais_nada . Nem respondia a o Harry e a o Ron quando lhe perguntavam o que estava a fazer e só acabaram por descobrir em a quarta-feira seguinte . Harry tivera de ficar até mais tarde em a sala de poções onde Snape o mandara raspar restos de larvas de as secretárias . Depois de um almoço comido a a pressa , ele foi lá acima encontrar se com Ron em a biblioteca e viu Justin_Finch - _ Fletchley , o rapaz de os Hufflepuff de herbologia que vinha em direcção a ele . Harry tinha acabado de abrir a boca para dizer um « Olá » quando Justin o viu , voltando se bruscamente e mudando de direcção . Harry foi encontrar o Ron em as traseiras de a biblioteca , a medir o trabalho de casa de história de a magia . O professor Binns pedira uma composição sobre a Assembleia_Medieval_de_Feiticeiros_Europeus com 90cm . De extensão . - Não posso crer que ainda me faltem 16cm - disse o Ron furioso , largando o pergaminho que se enrolou em forma de tubo - e que a Hermione fez um metro e trinta em aquela letra pequenina e apertadinha . - Onde está ela ? - perguntou Harry , agarrando em a fita métrica e desembrulhando o seu trabalho de casa . - Algures por aí - disse o Ron , apontando para as estantes . - _ a a procura de outro livro . Acho que ela está a tentar ler a biblioteca toda antes de o Natal . Harry contou a Ron que Justin_Finch - _ Fletchley tinha evitado falar lhe . - Não sei porque te preocupas com isso . Eu achei o um idiota - disse o Ron , escrevinhando e fazendo a letra o maior possível . - Todo aquele disparate sobre o Lockhart ser tão grande ... Hermione surgiu de o meio de as estantes . Parecia irritada e disposta , por fim , a falar com eles . - Todos os exemplares de * _ Hogwarts : Uma História * foram requisitados - disse , sentando se ao_lado_de Harry e Ron . - E há uma lista de espera de duas semanas . Quem me dera não ter deixado o meu exemplar em casa , mas não consegui que coubesse em a mala com todos os livros de o Lockhart . - Para que o queres ? - perguntou Harry . - Pelo mesmo motivo que toda_a_gente o quer - disse Hermione . - Para ler a lenda de a Câmara_dos_Segredos . - O que é isso ? - Precisamente . Não me lembro - disse Hermione , mordendo o lábio . - E não encontro a História em lugar nenhum . - Hermione , deixa me ler o teu trabalho - pediu Ron desesperado , olhando para o relógio . - Não , não deixo - respondeu Hermione com um ar severo . - Tiveste dez dias para o fazer . - Só preciso de mais quatro centímetros , vá lá ... A campainha tocou . Ron e Hermione encaminharam se para a História_da_Magia , discutindo . A História_da_Magia era a matéria mais chata de o programa . O professor Binns , que dava a cadeira , era o único professor fantasma e a coisa mais excitante que aconteceu em as suas aulas foi o dia em que entrou por o quadro preto . Já velho e enrugado , muita gente afirmava a seu respeito que ele não dera por_que tinha morrido . Pura e simplesmente levantara se um dia para ir dar aulas , deixando o corpo atrás , em um cadeirão em frente de a lareira de a sala de os professores . Desde esse dia a sua rotina mantivera se igual . Era hoje tão chato como fora sempre . Abriu as notas e começou a ler em um tom monocórdico como um velho aspirador até quase todos os alunos estarem em um estado de profunda dormência , acordando de vez em quando , para tomar nota de um nome ou de uma data , e voltando a adormecer . Estava a falar havia meia_hora quando aconteceu algo que nunca tinha acontecido . Hermione pôs o braço em o ar . O professor Binns olhou de relance , em o meio de a chatíssima aula sobre a Convenção_Internacional_de_Feiticeiros de 1289 , verdadeiramente espantado . - Miss ... er ... ? - Granger , professor . Poderia dizer nos alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Hermione em uma voz bem audível . O Dean_Thomas , que tinha estado sentado de boca aberta olhando para fora de a janela , saiu de o seu transe com um salto . A cabeça de Lavender_Brown saiu de os braços e o cotovelo de o Neville_Longbottom escorregou para fora de a secretária . O professor Binns piscou os olhos . - A minha matéria é História_da_Magia - disse em a sua voz seca e asmática . - Eu trato de factos , Miss_Granger , não de mitos e lendas - pigarreou produzindo um ruído que parecia o giz sobre o quadro e continuou : - Em Setembro de esse ano , uma subcomissão de feiticeiros de a Sardenha ... Parou de repente . A mão de Hermione estava de_novo em o ar . - Sim , Miss_Grant ? - Por favor , professor , as lendas não têm sempre um facto como base ? O professor Binns olhava para ela com tal espanto que Harry teve a certeza de que ele nunca , em tempo algum , fora interrompido por um aluno . - Bem - disse lentamente o professor Binns . - Sim , é uma afirmação que pode fazer se . - Olhou para Hermione como_se fosse a primeira vez que olhasse a sério para um estudante . - Contudo , a lenda de que me fala é tão extraordinária , mesmo grotesca ... Mas a aula inteira estava agora atenta a as palavras de o professor , que olhou indistintamente para todos eles . Harry poderia assegurar que ele estava absolutamente abismado por uma tão grande demonstração de interesse . - Muito bem - disse lentamente . - Ora vejamos ... a Câmara_dos_Segredos . Todos vocês sabem com certeza que Hogwarts foi fundada há mais de um_milhar de anos , não se conhece ao_certo a data , por os quatro maiores feiticeiros e feiticeiras de a época : Godric_Gryffindor , Helga_Hufflepuff , Rowena_Ravenclaw e Salazar_Slytherin . Construíram juntos este castelo , longe de os olhares curiosos de os Muggles porque em aquele tempo a magia era temida por as pessoas comuns e as bruxas e feiticeiros sofriam terríveis perseguições . Fez uma pausa , olhou indeciso em volta e prosseguiu : - Durante alguns anos , os fundadores trabalharam juntos em harmonia procurando outros mais novos que mostrassem sinais de possuir dotes mágicos e trazendo os para o castelo para aqui serem ensinados . Mas os desentendimentos surgiram entre eles . Começou a notar se uma divisão entre Slytherin e os outros . Salazar_Slytherin queria ser mais selectivo em relação a os alunos a serem admitidos em Hogwarts . Achava que os ensinamentos de magia deviam ficar dentro de as famílias de feiticeiros . Não lhe agradava a entrada em a escola de alunos de famílias Muggles porque os achava pouco dignos de confiança . Depois de algum tempo houve uma séria discussão sobre esse assunto entre Slytherin e Gryffindor e Slytherin abandonou a escola . O professor Binns fez uma nova pausa , fazendo beicinho o que o fazia parecer uma tartaruga enrugada . - Fontes fidedignas referem nos isto - disse . - Mas estes factos foram obscurecidos por a fantasiosa lenda de a Câmara_dos_Segredos . Conta a história que Slytherin construíra uma câmara oculta dentro de o castelo cuja existência os outros fundadores ignoravam . De_acordo com a lenda , Slytherin selou a Câmara_dos_Segredos para que ninguém pudesse abri a até o seu verdadeiro herdeiro chegar a a escola . O herdeiro , e apenas ele , poderia abrir a Câmara_dos_Segredos , libertar o horror que lá se encontrava e utilizá o para expurgar a escola de todos aqueles que eram indignos de aprender magia . Houve um silêncio quando ele se calou que não era o habitual silêncio de sono de as aulas de o professor Binns . Havia um desassossego em o ar enquanto todos continuavam a olhá o a a espera de mais . O professor Binns estava ligeiramente aborrecido . - A história toda é um disparate , claro - disse ele . - A escola foi revistada por várias vezes em busca de provas de a existência de essa câmara , por os feiticeiros e bruxas mais conhecedores . Não existe nada . Uma lenda que serviu apenas para assustar os ingénuos . A mão de Hermione estava novamente em o ar . - Professor , o que quer_dizer , ao_certo com « o horror que estava dentro de a câmara » ? - Acredita se que seja uma espécie de monstro que só o herdeiro de Slytherin pode controlar - disse o professor Binns em a sua voz seca e débil . A aula trocou entre si olhares inquietos . - Como vos digo , a coisa não existe - afirmou o professor Binns , desordenando as suas notas . - Não há câmara e não há monstro . - Mas , professor - disse Seamus_Finnigan . - Se a câmara só podia ser aberta por o herdeiro de Slytherin ninguém mais poderia encontrá a . Não é ? - Um disparate pegado - disse o professor Binns , em um tom de voz exasperado . - Se uma longa sucessão de directores e directoras de Hogwarts não a encontraram ... - Mas , professor - começou a dizer Parvati_Patil . Se_calhar é preciso usar magia negra para a abrir ... - Lá porque um feiticeiro não usa magia negra não quer_dizer que não possa , Miss_Pennyfeather - interrompeu o professor Binns . - Repito , se os antecessores de Dumbledore ... - Mas talvez seja preciso fazer parte de os Slytherin , por isso Dumbledore não podia ... - começou Dean_Thomas , mas o professor Binns já estava farto . - Já chega - disse , de modo cortante . - É um mito . Não existe . Não há uma única prova de que Slytherin tenha construído nem mesmo uma despensa para vassouras . Lamento ter vos contado esta história tola . Vamos voltar , se fazem o favor , a a História , a os factos sólidos , verificáveis , credíveis . E em menos_de cinco minutos toda_a classe mergulhara em a sua sonolência habitual . - Eu sempre ouvi dizer que Salazar_Slytherin era um velho retorcido e meio pateta - disse Ron_a_Harry e Hermione enquanto abriam caminho por os corredores cheios , em o final de a aula , para ir arrumar as malas antes de o jantar . - Mas não sabia que ele tinha começado esta coisa de o sangue puro . Eu não ia para os Slytherin nem que me pagassem . Se o chapéu seleccionador me tivesse posto lá , pegava em as malas e ia me embora ... Hermione acenou vivamente , mas Harry não abriu a boca . O estômago parecia ter dado uma volta . Harry nunca contara a o Ron e a a Hermione que o chapéu seleccionador tinha considerado seriamente a possibilidade de o colocar em os Slytherin . Lembrava se como_se tivesse sido em a véspera do_que a vozinha lhe dissera a o ouvido quando pôs o chapéu em a cabeça , um ano antes . * _ Podias vir a ser grande , sabes ? Está tudo aqui em a tua cabeça e Slytherin ajudaria te em o caminho para a grandeza , sem a menor dúvida * ... Mas Harry , que já ouvira falar de a fama de o grupo de os Slytherin de formar magos negros , pensou desesperadamente . - Em os Slytherin , não ! - E o chapéu tinha dito . - Bem , se tens assim tanta certeza ... será melhor os Gryfffndor . Enquanto eram empurrados por a multidão , Colin_Creevey passou por eles . - Olá , Harry ! - Olá , Colin - disse Harry automaticamente . - Harry , Harry , um rapaz de a minha turma tem andado a dizer que tu és ... Mas Colin era tão baixinho que não conseguiu lutar contra a maré de gente que o arrastou até a o vestíbulo . Ouviram o despedir se : - Adeus , Harry - e desaparecer . - O que é_que o rapaz de a turma de ele disse de ti ? - quis saber Hermione . - Que eu sou o herdeiro de Slytherin , imagino - disse Harry , com o estômago ainda a as voltas e lembrou se de repente de o Justin_Finch - _ Fletchley a fugir para não lhe falar , a a hora de o almoço . - As pessoas aqui acreditam em tudo - disse o Ron com repugnância . A multidão diminuiu e conseguiram subir as escadas sem dificuldade . - Achas mesmo_que existe uma Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Ron_a_Hermione . - Não sei - respondeu ela , franzindo a testa . - Dumbledore não conseguiu curar Mrs._Norris e isso leva me a pensar que o que a atacou pode não ser ... humano . Enquanto falava , voltaram uma esquina e encontraram se em o fim de aquele mesmo corredor onde o ataque tinha ocorrido . Pararam para olhar . Estava tudo igual a aquela outra noite , com excepção de a gata Mrs._Norris e havia uma cadeira vazia encostada a a parede , onde podia ler se a mensagem « : __ a câmara foi __ aberta » . - Foi aqui que o Filch montou a guarda - murmurou Ron . Olharam uns para os outros . O corredor estava deserto . - Não deve fazer mal dar uma olhadela aqui - disse Harry , deixando cair a mala e pondo se de quatro para poder gatinhar em busca de pistas . - Marcas de queimadura - disse - aqui e aqui ... - Venham ver isto ! - chamou Hermione . - Que estranho ... Harry levantou se e foi até a a janela que ficava junto de a mensagem . Hermione apontava para o vidro mais alto , onde cerca de uma vintena de aranhas se debatiam em uma aparente luta por atravessar por uma pequena brecha de vidro . Um longo fio prateado balouçava como uma corda , como_se todas tivessem trepado , em a ânsia de chegar lá fora . - Alguma vez viram aranhas agir assim ? - perguntou Hermione , curiosa . - Não - respondeu Harry . - E tu , Ron ? Ron ? Olhou por cima de o ombro . Ron estava de costas , bem lá atrás e parecia lutar contra o impulso de se virar . - O que é_que se passa ? - perguntou Harry . - Eu não gosto de aranhas - disse Ron , de modo tenso . - Nunca me tinhas dito - comentou Hermione , olhando para ele com surpresa . - Estás farto de usar aranhas em as poções ... - Não me importo quando estão mortas - explicou Ron que olhava cautelosamente para todos os lados , menos para a janela . - Não gosto de a maneira como_se mexem . Hermione riu se baixinho . - Não tem graça nenhuma - disse o Ron , furioso . - Se queres saber , quando eu tinha três anos , o Fred transformou o meu ursinho de pelúcia em uma enorme aranha nojenta , por eu lhe ter partido a vassoura de brinquedo . Tu também não gostarias de aranhas se estivesses agarrada a o teu ursinho e , de repente , ele tivesse uma data de pernas e ... Começou a tremer ... Hermione ainda estava a tentar conter o riso . Sentindo que era melhor mudarem de assunto , Harry perguntou : - Lembram se de a água que havia aqui em o chão ? De onde terá vindo ? Alguém a limpou . - Era por aqui - disse o Ron , já recuperado , avançando alguns passos em direcção a a cadeira de o Filch e apontando . - Junto de esta porta . Estendeu a mão para o puxador de a porta , mas retirou a de imediato , como_se se tivesse queimado . - O que foi ? - perguntou Harry . - Não posso entrar aí - disse o Ron bruscamente . - É a casa_de_banho de as raparigas . - Oh , Ron , não está aí ninguém - sossegou o Hermione enquanto se aproximava . - É o lugar de a Murta_Queixosa . Anda , vamos dar uma espreitadela . E ignorando o grande letreiro que dizia « Fora de serviço » Hermione abriu a porta . Era a casa_de_banho mais sombria e deprimente em que Harry tinha posto os pés durante toda_a sua vida . Debaixo_de um grande espelho partido e sujo podia ver se uma fila de lavatórios de pedra , rachados . O chão estava húmido e reflectia a luz fraca de os pavios de algumas velas que ardiam baixinho em os suportes . As portas de madeira de os cubículos estavam todas lascadas e riscadas e uma de elas balouçava fora de as dobradiças . Hermione levou os dedos a os lábios e foi até a o último cubículo . Quando lá chegou disse : - Olá , Murta , como estás ? Harry e Ron foram ver . A Murta_Queixosa flutuava em a cisterna de a casa_de_banho , tirando um ponto negro de o queixo . - Esta é a casa_de_banho de as raparigas - disse a o ver o Ron e o Harry . - Eles não são raparigas . - Não - concordou Hermione . - Eu só queria mostrar lhes como esta casa_de_banho é ... er ... simpática . Ela fez um aceno vago a o velho espelho sujo e a o chão húmido . - Pergunta lhe se viu alguma coisa - sussurrou o Ron a a Hermione . - Porque estão a dizer segredinhos ? - perguntou a Murta , fitando o . - Não é nada - disse Harry rapidamente . - Queríamos perguntar ... - Gostava que as pessoas parassem de falar em as minhas costas ! - desabafou a Murta em uma voz abafada por as lágrimas . - Eu tenho sentimentos , sabem , apesar_de estar morta . - Murta , ninguém quis aborrecer te - explicou Hermione . - O Harry só ... - A minha vida foi uma infelicidade em este lugar e agora as pessoas vêm estragar a minha morte . - Nós queríamos perguntar te se tinhas visto alguma coisa estranha ultimamente - disse Hermione sem perder tempo . - Porque foi atacada uma gata mesmo aqui a a frente de a tua porta em a noite de o * _ Hallowe'en * . - Viste alguém aqui perto em essa noite ? - insistiu Harry . - Não estava a prestar atenção - disse a Murta com ar dramático . - O Peeves aborreceu me tanto que vim aqui para tentar matar me . Só então me lembrei de que estou ... de que estou ... - Já morta - ajudou o Ron . A Murta soluçou tragicamente , elevou se em o ar , voltou se e mergulhou de cabeça em a sanita , espalhando água por_cima_de todos eles e desaparecendo . Por o som de os seus soluços abafados fora certamente descansar algures em o cano em forma de V._Harry e Ron ficaram de boca aberta , mas Hermione encolheu os ombros de cansaço e disse : - Se querem saber , para a Murta isto até foi alegre ... vá , vamos embora . Harry tinha acabado de fechar a porta deixando atrás os soluços gorgolejantes de a Murta quando uma voz forte o fez dar um salto . - RON ! Percy_Weasley estava parado em o cimo de as escadas com o seu distintivo de prefeito a brilhar e uma expressão chocadíssima em o rosto . - Isso é a casa_de_banho de as raparigas ... o que é_que vocês ... ? - Estávamos só a dar uma vista de olhos - exclamou o Ron - a a procura de pistas ... Percy engoliu em seco , de uma maneira que fez Harry lembrar se de Mrs._Weasley . - Saiam imediatamente de aqui - disse , aproximando se de eles a passos largos e gesticulando agitadamente . - Não se preocupam com as aparências ? Voltar aqui enquanto toda_a_gente está a jantar ... - Porque não havíamos de estar aqui ? - perguntou cheio de vivacidade o Ron , parando de repente e olhando Percy em os olhos . - Ouve lá , nós não tocamos em aquela gata . - Isso foi o que eu tentei explicar a a Ginny - respondeu Percy furioso - mas ela parece continuar a pensar que vocês vão ser expulsos . Nunca a vi tão aflita . Não pára de chorar . Devias pensar em ela . Todos os alunos de o primeiro ano andam superexcitados com esta história . - Tu não estás nada preocupado com a Ginny - disse o Ron já com as orelhas vermelhas . - O que te assusta é_que eu possa estragar as tuas possibilidades de ser chefe de turma . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor ! - bradou Percy , apontando elegantemente para o distintivo de prefeito . - E espero que te sirva de lição . Acabou se o trabalho de detective ou escrevo a a mãe a contar lhe . E voltou lhes as costas , a nuca tão vermelha como as orelhas de o Ron . Harry , Ron e Hermione , em essa noite , sentaram se em a sala comum o mais longe possível de Percy . Ron estava ainda muito maldisposto e não parava de esborratar o trabalho de casa de os encantamentos . Quando pegou distraidamente em a varinha para tirar as manchas incendiou o pergaminho . A deitar quase tanto fumo como o seu trabalho de casa , fechou bruscamente o * _ Livro_Padrão_de_Encantamentos de o 2.o Grau * . Para grande surpresa de Harry , Hermione fez o mesmo . - Mas quem poderia ser - perguntou ela baixinho como_se continuasse uma conversa que tinham acabado de ter . - Quem quereria todos os * busca-pés * e filhos de Muggles fora de Hogwarts ? - Vamos pensar - disse o Ron em a brincadeira , fingindo estar confuso . - Quem poderemos nós conhecer que ache que os familiares de Muggles são escumalha ? Olhou para Hermione . Ela olhou para ele pouco convencida . - Se estás a pensar em o Malfoy ... - Claro que estou - disse o Ron . - Tu ouviste o dizer : - Vocês serão os próximos , sangues de lama ! - Aliás , basta olhar para aquela cara de renegado para saber que ele é ... - Malfoy , o herdeiro de Slytherin ? - repetiu Hermione cepticamente . - Olha para a família de ele - disse Harry , fechando também os livros . - Todos eles estiveram em os Slytherin . O Draco está sempre a vangloriar se de isso . Podiam bem ser descendentes de Slytherin . O pai de ele é suficientemente mau . - Podiam perfeitamente ter tido a chave de a Câmara_dos_Segredos durante séculos - disse Ron - , fazendo a passar de pai para filho . - Bem - acedeu Hermione cautelosamente . - Seria possível ... - Mas como prová o ? - perguntou Harry tristemente . - Talvez haja um meio - sugeriu Hermione lentamente , baixando ainda mais a voz e lançando um olhar , através de a sala , a Percy . - É claro que não é fácil . E é perigoso , muito perigoso . Suponho que iríamos infringir cerca de cinquenta regras de a escola . - Se de aqui a um mês ou dois te decidires a explicar , avisa , está bem ? - disse Ron , que começava a ficar irritado . - Está bem - concordou Hermione friamente . - O que precisaríamos de fazer para entrar em a sala comum de os Slytherin e fazer algumas perguntas a o Malfoy , sem ele perceber que éramos nós ? - Mas isso é impossível - declarou Harry , enquanto Ron se ria . - Não , não é - continuou Hermione . - Só precisamos de um_pouco de poção * polisuco * . - O que é isso ? - perguntaram ao_mesmo_tempo Ron e Harry . - O Snape falou de ela em uma aula , há poucas semanas atrás . - Achas que não temos mais o que fazer do_que ouvir o Snape ? - murmurou o Ron . - Transforma nos em outra pessoa . Pensem em isso : podíamos transformar nos em três de os Slytherin . Ninguém saberia que éramos nós . É provável que o Malfoy nos contasse alguma coisa . Aposto que ele está a gabar se , em este momento , em a sala de os Slytherin , se ao_menos pudéssemos ouvi o . - Essa coisa de o * polisuco * cheira me um bocado mal - disse o Ron , franzindo as sobrancelhas . - E se ficarmos com a forma de os três Slytherin para sempre ? - Desaparece a o fim de algum tempo - disse Hermione , gesticulando impacientemente com a mão - mas conseguir a receita é muito difícil . O Snape disse que vinha em um livro chamado * _ As_Mais_Potentes_Poções * e está com certeza em a parte de os reservados de a biblioteca . Só havia uma maneira de obter o livro de os reservados : era com uma autorização assinada por um professor . - Não estou a ver porque quereríamos o livro - disse o Ron . - Se não para tentar fabricar uma de as poções . - Eu acho - sugeriu Hermione - que se fizéssemos parecer que o nosso interesse era apenas teórico , talvez conseguíssemos ... - Estás a sonhar , nenhum professor ia cair em essa - afirmou o Ron . - Só se fosse muito burro . X_A * bludger * perigosa Depois de o desastroso incidente de os duendes , o professor Lockhart não voltou a levar seres vivos para as aulas . Em vez de isso , lia a os alunos passagens de os seus livros e , por vezes , voltava a desempenhar alguns de os episódios mais dramáticos . Costumava chamar Harry para o ajudar em essas reconstruções . Até ali Harry fora obrigado a desempenhar o papel de um camponês de a Transilvânia que Lockhart curara de uma maldição murmurada , o abominável homem de as neves com dores de cabeça e um vampiro que depois de ter conhecido Lockhart tinha ficado incapaz de comer outra coisa que não fosse alfaces . Harry foi chamado para a frente de a classe durante a aula de Defesa contra as artes negras que se seguiu . Desta_vez para desempenhar o papel de um lobisomem . Se não tivesse um bom motivo para querer ver o Lockhart bem-disposto , teria se recusado . - Um uivo bem alto , excelente , Harry , isso mesmo . E foi então que , acreditem ou não , eu o ataquei de repente , assim . Atirei o a o chão , agarrei o com uma mão e com a outra consegui meter lhe a varinha em a garganta . Então , com a força que me restava pus em prática o complicadíssimo encantamento * _ Homorphus * . Harry soltou um uivo tristíssimo . - Vá lá , Harry , mais alto . Bom ... o pêlo desapareceu , os dentes diminuíram de tamanho e ele transformou se em um homem . Simples , mas eficaz e mais uma cidade ficará a lembrar se de mim para sempre como o herói que os libertou de os ataques mensais de o lobisomem . A campainha tocou e Lockhart pôs se de pé . - Trabalho para_casa : escrever um poema sobre a minha vitória sobre o lobisomem Wagga_Wagga . Há um exemplar autografado de * _ Eu , o Mágico * para o autor de o melhor poema . Os alunos começaram a sair . Harry voltou para trás e foi juntar se a o Ron e a a Hermione que estavam a a espera de ele . - Prontos ? - perguntou . - Espera até saírem todos - disse Hermione bastante nervosa . - Pronto ... Aproximou se de a secretária de Lockhart , apertando em a mão uma folha de papel , com o Ron e o Harry atrás . - Er ... professor Lockhart - gaguejou Hermione . - Eu queria requisitar este livro em a biblioteca , como leitura de apoio - entregou lhe o papel , com a mão ligeiramente trémula . - Só que faz parte de a secção de os reservados , por isso preciso de a assinatura de um professor . Acho que o livro me vai ajudar a compreender o que o senhor diz em * _ Passeios com Vampiros * acerca de os venenos de acção lenta ... - Ah , * _ Passeando com Vampiros * - disse Lockhart , pegando em a folha de papel de Hermione e sorrindo lhe abertamente . - E provavelmente o meu livro preferido . Gostou ? - Oh , muito - disse Hermione avidamente . - Tão inteligente o modo como apanhou o último com o passador de o chá . - Bem , tenho a certeza que ninguém se importará que eu dê uma ajudazinha suplementar a a melhor aluna de o segundo ano - disse Lockhart calorosamente , sacando de uma enorme pena de pavão . - É bonita , não é ? - comentou , adivinhando uma expressão de repulsa em a cara de o Ron . - Costumo guardas a para as minhas assinaturas de autógrafos . Rabiscou uma enorme assinatura cheia de altos e baixos e entregou a a Hermione . - Então , Harry - disse Lockhart enquanto Hermione dobrava a folha e a guardava em o saco . - Amanhã é a primeira partida de Quidditch de este ano , não é ? Gryffindor contra Slytherin . Ouvi dizer que és um jogador indispensável . Eu também fui * seeker * . Convidaram me inclusivamente para fazer parte de a Equipa_Nacional , mas eu preferi dedicar a minha vida a a erradicação de as forças de o mal . Mesmo_assim , se alguma vez precisares de um treino particular , não hesites em falar comigo , estou sempre disponível para partilhar a minha perícia com os jogadores menos dotados do_que eu . Harry fez um som indistinto com a garganta e saiu atrás_de Ron e Hermione . - Não acredito - disse quando os três examinavam a assinatura de Lockhart . - Ele nem viu que livro nós queríamos . - É porque é um idiota sem miolos - explicou o Ron . - Mas , quem se rala , temos o que queríamos . - Ele não é um idiota sem miolos - gritou Hermione com voz esganiçada enquanto se aproximavam quase a correr de a biblioteca . - Só porque ele disse que eras a melhor aluna de o segundo ano ... Baixaram as vozes a o entrar em a quietude abafada de a biblioteca . Madam_Prince , a bibliotecária , era uma mulher magra e irritável que parecia um abutre mal nutrido . - * _ Moste_Potente_Potions * ? - repetiu intrigada , tentando ficar com a folha de papel que Hermione se recusava a entregar lhe . - Gostava de a guardar para mim - disse sem fôlego . - Vá lá - intercedeu Ron , arrancando lhe a de as mãos e entregando a a Madam_Prince . - Nós arranjamos te outro autógrafo . O Lockhart assina tudo se aqui ficar muito_tempo . Madam_Prince pegou em o papel e voltou o em a direcção de a luz , decidida a descobrir uma falsificação , mas a assinatura passou em o teste . Desapareceu entre as estantes e voltou alguns minutos mais tarde , transportando um livro grande e de aspecto antiquado . Hermione meteu o com todo o cuidado em o saco e saíram , tentando não andar depressa de mais nem aparentar um ar culpado . Cinco minutos depois , estavam de_novo barricados em a casa_de_banho fora de serviço de a Murta_Queixosa . Hermione destruíra as objecções de Ron argumentando que aquele era o último lugar onde alguém em o seu juízo perfeito se lembraria de ir e que poderia assegurar lhes alguma privacidade . A Murta_Queixosa chorava ruidosamente em o seu cubículo , mas eles conseguiram ignorá a assim_como ela a eles . Hermione abriu * _ Moste_Potente_Potions * com todo o cuidado e inclinaram se os três sobre as páginas manchadas de humidade . Era fácil de perceber , logo à_primeira_vista de olhos , porque pertencia a a secção de os reservados . Algumas de as poções tinham efeitos quase impensáveis de tão macabros e havia ilustrações bastante desagradáveis , como , por_exemplo , aquela em que um homem parecia ter sido virado de o avesso e a de a bruxa com vários pares de braços suplementares a nascerem lhe em a cabeça . - Aqui está - disse Hermione excitadíssima a o encontrar a página intitulada « A poção * polisuco * « . Estava ilustrada com imagens de pessoas a meio de o processo de se transformarem em outras pessoas e Harry desejou ardentemente que a expressão de dor intensa que se lhes espelhava em o rosto fosse apenas produto de a imaginação de o artista desenhador . - Esta é a poção mais complicada que vi até hoje - disse Hermione enquanto examinava a receita . - Moscas asas de renda , sanguessugas , fluxo de cizânias e verdezelha - murmurou , acompanhando com o dedo a lista de ingredientes . - Bem , esses são relativamente simples , há os em a despensa de material de os estudantes , podemos tirar a a nossa vontade . Oh ! Vê só , pó de chifre de bicórneo ... não sei onde vamos arranjar isto ... e , é claro , um pedacinho de a pessoa em quem queremos transformar nos . - Como ? - perguntou Ron de forma cortante . - O que é_que queres dizer com um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos ? Eu não bebo nada que tenha lá dentro as unhas de os pés de o Crabbe ... Hermione continuou como_se não o tivesse ouvido . - Mas não temos que nos preocupar com isso por enquanto . Fica para o fim . Ron voltou se sem palavras para o Harry que tinha uma preocupação de outro tipo . - Já viste bem tudo_o_que vamos ter que roubar , Hermione ? Algumas coisas , não estão de certeza em a despensa de material de os alunos . O que é_que vamos fazer , arrombar os armários pessoais de o Snape ? Não sei se será uma boa ideia ... Hermione fechou o livro com um estrondo . - Bem , se vocês os dois se vão acagaçar , então está lindo - disse ela . Tinha as bochechas rosadas e os olhos mais brilhantes do_que era habitual . - Eu não gosto de quebrar regras , vocês sabem , mas acho que ameaçar os filhos de os Muggles é muito pior do_que construir uma poção difícil . Mas se vocês não querem descobrir se é o Malfoy , eu posso voltar já a a biblioteca e entregar o livro a Madam_Prince ... - Nunca pensei que chegaria o dia em que serias tu a convencer nos a quebrar regras - disse o Ron . - Está bem , vamos em essa , mas sem unhas de os pés , O. _ K. ? - Quanto tempo vai isso demorar a fazer , afinal ? - perguntou Harry quando Hermione , já com um ar mais satisfeito , voltou a abrir o livro . - Bem , como o fluxo de cizânias tem de ser recolhido durante a lua cheia e as asas de renda têm de ser abafadas durante vinte_e_um dias ... eu diria que se conseguirmos arranjar todos os ingredientes estará pronta dentro_de um mês . - Um mês ? - exclamou o Ron . - Nessa_altura já o Malfoy terá atacado metade de os filhos de Muggles ! - mas os olhos de Hermione contraíram se de_novo assustadoramente e ele acrescentou rapidamente . - Mas é o melhor plano que temos , por isso é melhor não olharmos para trás . Apesar_de tudo , enquanto Hermione verificava que não havia ninguém em os corredores e podiam sair de a casa_de_banho , Ron murmurou a Harry : - Seria muito mais simples se conseguisses , amanhã , atirar o Malfoy de a vassoura abaixo . Harry acordou cedo em o sábado de manhã e ficou um bocado a pensar em a partida de Quidditch que vinha a seguir . Estava nervoso , principalmente pelo que Wood diria se os Gryffindor perdessem , mas também com a ideia de enfrentar uma equipa apetrechada com as vassouras mais velozes que existiam . Nunca desejara tanto vencer os Slytherin como em aquele dia . Depois de meia_hora deitado com a barriga a dar horas , resolveu levantar se , vestir se e descer para tomar o pequeno-almoço . Lá em baixo , encontrou o resto de a equipa de os Gryffindor amontoada a o longo de a mesa comprida e vazia , todos eles com ar preocupado e sem vontade de conversar . Como_se aproximavam as onze horas , todos os alunos de a escola começaram a dirigir se para o estádio de Quidditch . O dia estava quente e húmido , com uma ameaça de trovoada em o ar . Ron e Hermione vieram apressadamente desejar a Harry boa sorte mal ele entrou em os vestiários . A equipa de os Gryffindor pôs os seus mantos vermelhos e sentou se para ouvir o discurso que Wood lhes fazia sempre antes de o jogo . - Os Slytherin têm vassouras melhores do_que nós - começou . - Não há como negá o . Mas nós temos gente melhor em cima de as vassouras . Treinámos mais do_que eles , voamos com todas_as condições climatéricas ( É bem verdade - murmurou George_Weasley - desde Agosto que não sei o que é estar seco ) . - E vamos fazê os engolir o dia em que deixaram aquele nojento de o Malfoy comprar a entrada em a equipa de eles . Com o peito agitado por a comoção , Wood voltou se par Harry . -- Cabe te a ti , Harry , mostrar lhes que um * seeker * tem de ter mais do_que um pai rico . Agarra a * snitch * antes d Malfoy ou morre a tentar porque temos absolutamente que vencer , hoje , Harry , temos que vencer . - Sem ansiedade , Harry - disse o Fred , piscando lhe o olho . Quando saíram em direcção a o campo , foram saudado por uma grande ovação principalmente de a parte de os Ravenclaw e de os Hufflepuff que estavam ansiosos por ver os Slytherin serem derrotados , mas os Slytherin que estavam entre a multidão também fizeram ouvir as suas vaias e pateadas . Madam_Hooch , a professora de Quidditch , pediu a Flin e Wood que apertassem as mãos o que eles fizeram , lançando um_ao_outro olhares ameaçadores , cada_um apertando a mão de o outro com mais força do_que aquela que seria necessário . - Atenção a o apito - disse Madam_Hooch . - Três , dois , um ... Com um bramido de a multidão para que subissem rapidamente , os catorze jogadores elevaram se em o céu cor de chumbo . Harry , mais alto do_que qualquer de os outros olhando para todos os lados em busca de a * snitch * . - Tudo bem , testa de cicatriz ? - gritou Malfoy , disparando por baixo de ele para lhe mostrar a velocidade de a sua vassoura . Harry não teve tempo de responder . Em esse preciso momento uma * bludger * preta e bem pesada veio direitinha a ele . Evitou a tão por um triz que ainda sentiu em os cabelos o ar que ela deslocara . - Foi por_pouco , Harry ! - exclamou o George , passando com grande rapidez , de bastão em a mão , pronto para lançar a * bludger * contra um Slytherin . Harry viu o dar a a * bludger * uma fortíssima pancada em direcção a Adrian_Pucey , mas a bola mudou de rumo em o meio de o ar e dirigiu se de_novo a Harry . Harry desceu rapidamente para se esquivar e George conseguiu lançá a contra Malfoy . Mais_uma_vez a * bludger * actuou como um * boomerang * e apontou a a cabeça de Harry . Harry ganhou velocidade e disparou contra o outro extremo de o campo . Ouvia o assobio de a * bludger * que o perseguia . O que era aquilo ? As * bludgers * nunca se concentravam assim em um único jogador , a sua função era tentar desmontar o maior número possível de intervenientes . Fred_Weasley esperava por a * bludger * em o extremo oposto . Harry baixou se quando o viu balançar se em frente de ela com toda_a garra . A * bludger * foi lançada para_fora_de campo . - Pronto , já está tudo resolvido - gritou Fred satisfeito , mas estava bastante enganado . Como_se fosse magneticamente atraída para Harry , a * bludger * lançou se de_novo contra ele e Harry teve de voar a_toda_a velocidade . Começara a chover . Harry sentia as gotas pesadas caírem lhe em o rosto , turvando lhe as lentes de os óculos . Não fazia ideia do_que se passava em o resto de o jogo , até ouvir Lee_Jordan que fazia o comentário dizer : - Os Slytherin vão a a frente com seis contra zero . As vassouras de qualidade superior de os Slytherin estavam obviamente a cumprir a sua função e enquanto isso , a * bludger * maluca fazia todos os possíveis para deitar abaixo o Harry . Fred e George voavam agora tão perto de ele , um de cada lado , que Harry não via senão os seus braços a balouçar e , se não conseguia ver a * snitch * , muito menos agarrá a . - Alguém enfeitiçou esta * bludger * - resmungou Fred , preparando o bastão com toda_a força quando ela se lançava de_novo contra Harry . - Precisamos de tempo - disse George , tentando fazer sinal a Wood enquanto evitava que a bola partisse o nariz a o Harry . Wood captou obviamente a mensagem . O apito de Madam_Hooch fez se ouvir e Harry , Fred e George desceram , tentando ainda evitar a * bludger * maluca . - O que é_que se passa ? - perguntou Wood enquanto a equipa de os Gryffindor se amontoava desordenadamente e os Slytherin , em o meio de a multidão , lançavam piadas . - Estamos a ser esmagados . Fred , George , onde estavam vocês quando aquela * bludger * impediu a Angelina de marcar ? - Estávamos seis metros acima , evitando que a outra * bludger * matasse o Harry , Oliver - gritou George furioso . - Alguém preparou isto , a bola não deixa o Harry em paz , ainda não perseguiu mais ninguém desde_que o jogo começou . Os Slytherin fizeram aqui qualquer coisa . - Mas as * bludgers * têm estado fechadas em o escritório de Madam_Hooch desde o último treino , e nessa_altura estava tudo bem ... - disse Wood ansiosamente . Madam_Hooch aproximava se . Por cima de o ombro de ela , Harry pôde ver a equipa de os Slytherin a escarnecer e apontar em a sua direcção . - Ouçam - disse o Harry , enquanto ela se aproximava . - Com vocês os dois a voarem sempre colados a mim , só vou apanhar a * snitch * se ela voar até a a minha manga . Voltem se para o resto de a equipa e deixem a tratante comigo . - Não sejas bronco - disse o Fred . - Ela arranca te a cabeça . Os olhos de Wood saltavam de Harry_para_os_Weasley . - Oliver , isto_é uma loucura - disse Alicia_Spinet , zangada . - Não podes deixar o Harry sozinho entregue a aquela coisa . Vamos pedir uma investigação . - Se pararmos agora , teremos de dar a partida como perdida e não vamos deixar os Slytherin ganhar , só por_causa_de uma * bludger * maluca . Vá lá , Oliver , diz lhes que me deixem sozinho . - A culpa é toda tua . * _ Agarra a snitch ou morre a tentar * , se isso é lá coisa que se diga . Madam_Hooch tinha se lhes juntado . - Prontos para retomar a partida ? - perguntou a Wood . Wood olhou para o ar determinado de Harry . - Deixem o sozinho , ele é capaz de lidar com a * bludger * . A chuva era agora mais pesada . A o apito de Madam_Hooch , Harry elevou se em os ares e ouviu o barulhinho de a * bludger * atrás_de si . Subiu cada_vez_mais alto . Fez acrobacias em espiral , descidas rápidas , ziguezagueou e rolou . Apesar_de ligeiramente estonteado , não deixou nunca de ter os olhos bem abertos . A chuva salpicava lhe os óculos e entrava lhe por as narinas , quando ele se voltou de cabeça para baixo , evitando outra forte investida de a * bludger * . Ouviu os risos de a multidão . Sabia que devia parecer ridículo , mas a * bludger * maluca era pesada e não podia mudar de direcção tão rapidamente quanto ele . Iniciou uma corrida que parecia de feira de diversões em volta de os extremos de o estádio , olhando de soslaio , através de os lençóis prateados de chuva , para os postes de os Gryffindor , onde Adrian_Pucey tentava passar por Wood . Um assobio junto de os ouvidos disse a Harry que a * bludger * falhara uma_vez_mais . Voltou se e voou rapidamente em a direcção oposta . - Estás a ensaiar * ballet * , Potter - gritou Malfoy quando Harry foi obrigado a fazer uma reviravolta estúpida em o ar para se esquivar mais_uma_vez de a * bludger * . Lá foi ele , com a * bludger * atrás a alguns metros de distância . E foi então que , olhando para Malfoy , furioso , a viu , a * snitch * de ouro . Flutuava alguns centímetros acima de os ouvidos de Malfoy que , de tão preocupado a escarnecer de Harry , nem dera por ela . Durante um momento angustiante , Harry ficou quieto em o ar , não ousando dirigir se a Malfoy , não fosse ele olhar para_cima e ver a * snitch * . PUM ! Tinha ficado parado tempo de mais . A * bludger * batera lhe , por fim , apanhando lhe o cotovelo e Harry sentiu o braço a partir se . Debilmente , desorientado por a dor cauterizante em o braço , Harry deslizou para um de os lados em a sua vassoura encharcada , um joelho ainda dobrado , o braço direito a balouçar , inútil , a o seu lado . A * bludger * veio de_novo , preparada para mais um ataque , desta_vez apontada a o seu rosto . Harry desviou se com uma intenção : chegar a Malfoy . Através_de uma nuvem de chuva e dor desceu até a o rosto tremeluzente e trocista e viu os olhos de ele dilatarem se de medo : Malfoy pensou que Harry ia atacá o . - Que diabo ... - resmungou , afastando se de o caminho . Harry tirou a outra mão de a vassoura e fez uma tentativa para agarrar qualquer coisa . Sentiu os dedos fecharem se em volta de a * snitch * dourada , mas conduzia agora a vassoura apenas com as pernas e ouviu se um grito de a multidão cá em baixo , quando ele fez a descida , tentando não desmaiar . Com um ruído seco caiu em a terra enlameada e rolou para fora de a vassoura . O braço tinha um ângulo um_pouco estranho . Torcendo se com dores , ouviu a a distância os assobios e os gritos . Concentrou se em a * snitch * que tinha fechada em a outra mão . - Ai - disse vagamente . - Ganhámos o jogo . E desmaiou . Voltou a si com a chuva a cair lhe em o rosto , ainda deitado em o campo , com alguém inclinado sobre ele . Viu um brilho de dentes brancos . - Oh , não , você não - gemeu . - Não sabe o que diz - afirmou Lockhart bem alto a a ansiosa multidão de Gryffindor que o comprimiam . - Não te preocupes , Harry , eu vou tratar de o teu braço . - Não - gritou Harry . - Eu fico com ele assim , obrigado . Tentou sentar se , mas a dor era enorme . Ouviu um « clique » familiar . - Não quero fotografias de isto , Colin - disse em voz alta . - Deita te para trás , Harry - insistiu Lockhart com toda_a calma . - É um encantamento muito simples que eu fiz imensas vezes . - Porque não me levam só para a ala hospitalar ? - perguntou Harry entredentes . - Seria o melhor , professor - disse a voz rouca de o Wood que não conseguia deixar de sorrir , apesar_de o seu * seeker * estar ferido . - Grande captura , Harry , verdadeiramente espectacular , a tua melhor jogada , em a minha opinião . Em o meio de a floresta de pernas que o rodeava , Harry avistou Fred e George_Weasley , metendo a * budger * perigosa em uma caixa . Continuava a dar uma luta enorme . - Para trás - ordenou Lockhart , que tinha arregaçado as mangas verde jade . - Não , eu não ... - protestou debilmente Harry , mas Lockhart tinha a varinha em a mão e , um segundo depois , apontava a para o braço de Harry . Uma sensação estranha e desagradável começou em o ombro e espalhou se , chegando a as pontas de os dedos . Parecia que o braço inteiro tinha sido esvaziado . Não foi capaz de olhar para o que estava a suceder . Tinha fechado os olhos , voltado o rosto para o outro lado , mas os seus maiores receios concretizaram se quando as pessoas lá em cima se sobressaltaram e Colin_Creevey começou a tirar fotografias como um louco . O braço deixara de lhe doer , mas parecia tudo menos um braço . - Ah ! - disse Lockhart . - Sim , bem isto às_vezes acontece . Mas o importante é_que os ossos já não estão partidos . Isso é o mais importante . Portanto , Harry , vai até a a ala hospitalar ... ah ! Mr._Weasley , Miss_Granger , poderiam levá o lá ? E Madam_Pomfrey poderá ... er ... arranjar um_pouco isso . Quando Harry se pôs de pé sentiu se estranhamente desequilibrado . Depois de respirar fundo , olhou para o lado direito e o que viu quase o fez desmaiar de_novo . Pendurado em a extremidade de a sua túnica estava o que parecia ser uma espessa e colorida luva de borracha . Tentou mexer os dedos mas ... em vão . Lockhart não consertara os ossos de Harry . Retirara os . M. dam Pomfrey não ficou nada satisfeita . - Devias ter vindo logo ter comigo - ralhou , segurando os restos tristes e moles de aquilo que antes fora um braço activo . - Eu conserto ossos em um segundo , mas fazê os crescer de_novo ... - Vai conseguir , não vai ? - perguntou Harry desesperado . - Sim , com certeza , mas vai ser doloroso - disse Madam_Pomfrey de modo severo , entregando lhe um pijama . - Vais ter que ficar cá esta noite ... Hermione esperou de o lado de_fora de a cortina que rodeava outra cama enquanto Ron ajudava Harry a vestir se . Levou algum tempo a enfiar o braço que parecia borracha dentro_de uma manga de o pijama . - Como é_que podes continuar a defender o Lockhart depois disto , Hermione ? - perguntou Ron através de as cortinas , enquanto puxava os dedos moles de o Harry por uma manga . - Se o Harry quisesse ser desossado , teria pedido . - Todos podem enganar se - disse Hermione . - E deixou de doer , não deixou , Harry ? - Sim - disse ele - mas também ficou incapaz de fazer seja o que for . Quando se meteu em a cama , o braço agitou se despropositadamente . Hermione e Madam_Pomfrey entraram . Madam_Pomfrey segurava uma grande garrafa com o rótulo * Skele - _ Gro * . - Vais ter uma noite difícil - preveniu , enchendo um pequeno copo fumegante e dando lhe a beber . - Fazer crescer ossos é uma coisa difícil . Tomar o * _ Skele - _ Gro * também . Queimou a boca e a garganta de o Harry a o descer , fazendo o tossir e cuspir . Resmungando sobre os desportos perigosos e os professores incapazes , Madam_Pomfrey retirou se , deixando Ron e Hermione a ajudar Harry a engolir um_pouco de água . - Mas ganhámos o jogo - disse o Ron com um sorriso em o rosto . - A tua jogada foi em grande . A cara de o Malfoy ... parecia que queria matar alguém . - Eu vou descobrir como é_que enfeitiçaram aquela * bludger * - disse Hermione com ar sombrio . - Podemos juntar essa pergunta a a lista de todas_as que queremos fazer a o Malfoy quando tomarmos a poção * _ Polisuco * - disse Harry , afundando se de_novo em as almofadas . - Espero que tenha um sabor melhor do_que esta coisa ... - Com um bocado de os Slytherin lá dentro , deves estar a brincar - disse o Ron . A porta de a ala hospitalar abriu se em esse momento e , completamente encharcados , entraram os restantes membros de a equipa de os Gryffindor , para ver o Harry . - Um voo inacreditável - disse George . - Acabei de ver Marcus_Flint a gritar com o Malfoy . Qualquer coisa sobre ter a * snitch * mesmo em cima de a cabeça e não ter dado por nada . O Malfoy não parecia nem um_pouco satisfeito . Tinham trazido bolos , rebuçados e garrafas de sumo de abóbora . Juntaram se em volta de a cama de Harry e estavam a dar início a o que prometia ser uma grande festa quando Madam_Pomfrey entrou a vociferar : - Este rapaz precisa de repouso . Tem trinta_e_três ossos a crescer . Fora de aqui . FORA ! E Harry ficou sozinho , sem nada que o distraísse de as dores agudas em o seu braço mole . Muitas horas mais tarde , Harry acordou subitamente em a escuridão total e soltou um pequeno grito de dor : sentia agora o braço cheio de estilhaços . Durante alguns segundos pensou que tinha sido a dor a acordá o . Depois , com um arrepio de horror , apercebeu se de que alguém estava a passar lhe uma esponja em a testa . - Sai de aqui - gritou , e em seguida : - Dobby ! Os olhos de o tamanho de bolas de ténis de o elfo doméstico estavam a olhá o em o escuro , uma lágrima grossa rolava por o seu enorme nariz . - Harry_Potter voltou a a escola - murmurou , infeliz . - Dobby avisou e voltou a avisar Harry_Potter . Ah ! senhor , porque não deu ouvidos a Dobby ? Porque não voltou Harry_Potter para_casa quando perdeu o comboio ? Harry ergueu se um_pouco , encostando se a as almofadas e afastou a esponja de o elfo . - O que estás a fazer aqui ? - perguntou . - E como sabes que eu perdi o comboio ? O lábio de Dobby tremeu e Harry foi assaltado por uma dúvida . - Foste tu . Tu impediste que a barreira nos deixasse passar . - Em a verdade fui eu , senhor - disse Dobby , acenando com a cabeça e com as orelhas a abanar . - Dobby escondeu se , esperou por Harry_Potter e selou a barreira . A seguir , Dobby teve de pôr as mãos em o ferro de engomar - mostrou a o Harry dez dedos longos embrulhados em ligaduras . - Mas Dobby não se importou , senhor , porque pensou que Harry_Potter estava a salvo e nunca Dobby sonhou que mesmo_assim ele viria para a escola ! Balançava se para a frente e para trás , sacudindo a cabeça feia . - Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry_Potter tinha voltado a a escola que deixou queimar o jantar de os seus donos . Dobby nunca tivera um castigo tão grande , senhor . Harry afundou se de_novo em as almofadas . - Quase conseguiste que nos expulsassem , a mim e a o Ron - disse furioso . - É melhor desapareceres de aqui antes que os meus ossos voltem a estar bem , Dobby , ou ainda te estrangulo . O elfo sorriu . - Dobby está habituado a ameaças de morte , senhor . Dobby recebe as cinco vezes por dia em a casa onde mora . Encostou o nariz a um canto de a fronha que usava , ficando tão ridículo que Harry sentiu a raiva desvanecer se , apesar_de tudo . - Porque usas essa coisa , Dobby ? - perguntou com curiosidade . - Isto , senhor ? - disse Dobby apontando para a fronha de almofada . - É uma prova de escravatura de o elfo doméstico , senhor . Dobby só pode ser libertado se os donos lhe derem roupa , senhor . A família tem o cuidado de não dar a o Dobby nem uma peúga , senhor , porque ele poderia ficar livre e deixar a casa para sempre . Dobby limpou os olhos protuberantes e disse subitamente : - Harry_Potter deve ir para_casa . Dobby achou que a sua * bludger * seria o suficiente para o fazer ... - A tua * bludger * ? - disse Harry com a raiva a crescer novamente dentro de ele . - Que queres tu dizer com a tua bludger * ? Foste tu quem fez com que aquela bola tentasse matar me ? - Matar não , senhor . Matar , nunca ! - disse o elho chocado . - Dobby quer salvar a vida de Harry_Potter . É melhor ir para_casa ferido do_que ficar aqui , senhor . Dobby só queria Harry_Potter suficientemente ferido para voltar para_casa . - Só isso ? - disse Harry furioso . - Imagino que não vais dizer me porque querias mandar me para_casa a os bocados ? - Ah ! se Harry_Potter soubesse ! - gemeu Dobby , com mais lágrimas a escorrerem lhe por a fronha esfarrapada . - Se pudesse saber o que significa para nós , para os humildes , os escravizados , nós , a escória social de o mundo mágico ! Dobby lembra se de como eram as coisas quando Aquele cujo nome não deve ser pronunciado estava em o auge de o poder , senhor ! Nós , os elfos domésticos éramos tratados como animais , senhor ! É claro que Dobby ainda é tratado assim - admitiu , secando o rosto em a fronha de almofada . - Mas , em a sua maioria , a vida melhorou bastante para os de a minha espécie desde_que Harry_Potter triunfou sobre Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Harry_Potter sobreviveu e o poder de os senhores de o Mal foi quebrado e veio uma nova alvorada , senhor , e Harry_Potter brilhou como um farol de esperança para aqueles de entre nós que já pensavam que a longa noite nunca mais teria fim , senhor ... e agora em Hogwarts vão acontecer coisas terríveis , talvez já esteiam a acontecer e Dobby não pode deixar Harry_Potter ficar aqui , agora_que a história vai repetir se , agora_que a Câmara_dos_Segredos está de_novo aberta . Dobby calou se horrorizado . Em seguida agarrou em o jarro de a água que Harry tinha a a cabeceira e bateu com ele em a própria cabeça , deixando se cair . Um segundo mais tarde voltou até junto de a cama , repetindo : - Mau , Dobby , muito mau , Dobby . - Quer_dizer , então , que existe mesmo a Câmara_dos_Segredos ? - murmurou Harry . - E dizes tu que já antes foi aberta ? Conta me , Dobby . Agarrou o pulso ossudo de o elfo quando a mão de ele se estendia para o jarro de a água . - Mas eu não sou filho de Muggles . Como posso estar em perigo por causa de a Câmara_dos_Segredos ? - Ah ! senhor , não pergunte a o pobre Dobby - lamentou se o elfo com os olhos enormes a brilharem em o escuro . - As forças de as trevas estão projectadas em este lugar , mas Harry_Potter não deve estar aqui quando as coisas acontecerem . Vá para_casa , Harry_Potter , vá para_casa . Harry_Potter não deve envolver se em isto , senhor , é demasiado perigoso ... - Quem é , Dobby ? - perguntou Harry , continuando a agarrar lhe o pulso com forca , impedindo que batesse de_novo em si próprio com o jarro . - Quem abriu a amara ? Quem a abriu de a última vez ? - Dobby não pode , senhor . Dobby não pode . Dobby não deve dizer - guinchou o elfo . - Vá se embora , Harry_Potter , vá se embora ! - Eu não vou para lugar nenhum - disse Harry , furioso . - Uma de as minhas melhores amigas é filha de Muggles , está em perigo se a câmara foi , de facto , aberta ... - Harry_Potter arrisca a própria vida por os amigos - gemeu Dobby em uma espécie de êxtase infeliz . - Tão nobre , tão corajoso , mas deve salvar se , Harry_Potter não deve ... Dobby calou se de repente com as orelhas de morcego a estremecerem . Harry também ouviu os passos que vinham lá fora , de o corredor . - Dobby tem de ir - balbuciou o elfo apavorado . Ouviu se um ruído e o pulso de Harry ficou subitamente fechado em o ar . Meteu se de_novo para baixo , em a cama , com os olhos fixos em a porta escura que dava entrada em a ala hospitalar enquanto os passos se aproximavam . Em o momento seguinte , Dumbledore estava a entrar , de costas , em o dormitório , vestindo uma longa túnica de lã e uma capa de noite . Transportava um extremo de aquilo que parecia ser uma estátua . A professora Mc_Gonagall surgiu um segundo mais tarde , pegando lhe em os pés . Os dois colocaram a em uma cama . - Chame Madam_Pomfrey - murmurou Dumbledore e a professora Mc_Gonagall passou por a cama de Harry , apressadamente , e desapareceu . Harry deixou se ficar muito quieto como_se estivesse a dormir . Ouviu vozes ansiosas e por fim a professora Mc_Gonagall apareceu de_novo , seguida de Madam_Pomfrey que vestia um casaco curto de lã sobre a camisa de dormir . Ouviu uma inspiração aguda . - O que aconteceu ? - murmurou Madam_Pomfrey_a_Dumbledore , inclinando se sobre a estátua que estava em a cama . - Outro ataque - disse Dumbledore . - A Minerva encontrou o em as escadas . Havia um cacho de uvas junto de ele . Acho que estava a tentar esgueirar se até aqui para vir visitar o Potter . O estômago de Harry deu uma reviravolta . Lenta e cuidadosamente ergueu se alguns centímetros para poder ver a estátua que estava sobre a cama . Um raio de luar iluminou lhe o rosto estático . Era_Colin_Creevey . Tinha os olhos abertos , e as mãos , em frente de a cara , seguravam a máquina fotográfica . -- Petrificado ? - murmurou Madam_Pomfrey . - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - Mas estou tentada a acreditar que ... se Albus não tivesse vindo cá abaixo tomar um chocolate quente ... quem sabe o que teria ... Os três olharam para Colin . Dumbledore inclinou se e retirou lhe a máquina de as mãos rígidas . - Será que ele conseguiu tirar a fotografia de o agressor ? - perguntou ansiosa a professora Mc_Gonagall . Dumbledore não respondeu . Abriu a parte detrás de a máquina . - Cruzes canhoto - disse Madam_Pomfrey . Um jacto de vapor tinha feito fervilhar a máquina . Harry , a três metros de distância , sentiu o cheiro tóxico de o plástico queimado . - Derretido - disse Madam_Pomfrey com grande espanto . - Tudo derretido . - O que significa isto , Albus ? - perguntou cada_vez_mais nervosa a professora Mc_Gonagall . - Significa - disse Dumbledore - que a Câmara_dos_Segredos está mesmo aberta outra_vez . Madam_Pomfrey levou uma mão a a boca . A professora Mc_Gonagall olhou assustada para Dumbledore . - Mas , Albus ... com certeza ... quem ? - A questão não é quem - disse Dumbledore com os olhos fixos em Colin . - A questão é como ... E pelo que Harry conseguiu ver de o rosto indistinto de a professora Mc_Gonagall , ela não compreendeu muito mais do_que ele . XI_O clube de os duelos Quando_Harry acordou , em o domingo de manhã , a enfermaria estava iluminada por um resplandecente sol de inverno e o seu braço tinha de_novo todos os ossos , apesar_de o sentir muito rígido . Sentou se rapidamente e olhou para a cama de Colin , mas ela fora isolada com as cortinas atrás de as quais se despira em a véspera . Vendo que ele tinha acordado , Madam_Pomfrey apareceu com um tabuleiro de pequeno-almoço e a seguir começou a apalpar lhe o braço e os dedos . - Tudo em ordem - disse , enquanto ele , com a mão esquerda , comia avidamente as papas de aveia . - Quando acabares de comer podes ir te embora . Harry vestiu se o mais depressa que pôde e dirigiu se a a pressa para a torre de os Gryffindor , ansioso por contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre Colin e Dobby , mas não os encontrou lá . Foi a a procura de eles , perguntando a si próprio onde teriam ido e sentindo se um_pouco magoado por o pouco interesse que demonstravam em saber se ele tinha recuperado os ossos . Quando passou por a biblioteca , Percy_Weasley vinha a sair com bastante melhor cara do_que de a última vez que se tinham encontrado . - Olá , olá , Harry - disse . - Excelente voo o de ontem , verdadeiramente sensacional . Os Gryffindor estão a a frente para a taça de a equipa . Ganhaste cinquenta pontos . - Não viste o Ron e a Hermione por aí ? - perguntou Harry . - Não , não vi - disse Percy com o sorriso a desaparecer . - Espero que o Ron não esteja outra_vez em a casa_de_banho de as raparigas ... Harry forçou um sorriso , viu Percy desaparecer e a seguir foi direitinho até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Não via lá muito bem por_que motivo o Ron e a Hermione lá estariam de_novo , mas , depois de se assegurar de que nem Filch nem nenhum de os prefeitos estavam por perto , abriu a porta e ouviu as vozes de eles que vinham de um cubículo fechado . - Sou eu - disse , fechando a porta atrás_de si . Ouviu se dentro de o cubículo um estrondo , um chapinhar e um sobressalto e ele viu o olho de a Hermione a espreitar por o buraco de a fechadura . - Harry - disse ela . - Pregaste nos um susto de morte . Entra . Como está o teu braço ? - _ óptimo - respondeu , apertando se dentro de o cubículo . Em cima de a sanita estava encarrapitado um velho caldeirão , e um crepitar a a superfície de a água disse a Harry que eles tinham acendido um fogo lá em baixo . Fazer aparecer fogos portáteis a a prova de água era uma de as especialidades de Hermione . - _ íamos visitar te , mas resolvemos começar a preparar a poção * _ Polisuco * - explicou Ron enquanto Harry fechava outra_vez a porta de o cubículo com alguma dificuldade . - Achámos que este era o lugar mais seguro para a esconder . Harry começou a contar lhes de o Colin , mas Hermione interrompeu o . - Nós já sabemos , ouvimos a professora Mc_Gonagall contar a o professor Flitwick hoje_de_manhã . Por isso resolvemos começar a ... - Quanto_mais depressa arrancarmos uma confissão a o Malfoy , melhor - rosnou o Ron . - Sabem o que eu penso ? Ele estava tão mal-humorado depois de o jogo de Quidditch que se vingou em o Colin . - Há outra coisa - disse Harry , vendo Hermione cortar molhos de verdezelha e lançá os dentro de a poção . - O Dobby foi visitar me a meio de a noite . Ron e Hermione olharam o espantados . Harry contou lhes tudo_o_que Dobby lhe dissera ... ou não dissera . Ron e Hermione ouviram o de boca aberta . - A Câmara_dos_Segredos já tinha sido aberta antes ? - repetiu Hermione . - Encaixa perfeitamente - disse Ron , em uma voz triunfante . - O Lucius_Malfoy deve ter aberto a Câmara_dos_Segredos quando andava em a escola e agora ensinou a o querido filhinho Draco como abris a . É óbvio , que pena o Dobby não te ter dito que tipo de monstro lá se encontra . Gostava de saber como é_que ninguém o viu andar por ai em a escola . - Talvez tenha a capacidade de se tornar invisível - sugeriu Hermione , picando sanguessugas para dentro de o caldeirão . - Ou talvez se disfarce , passando por uma armadura ou outra coisa de o género . Eu li umas coisas sobre vampiros camaleões ... - Tu lês de mais , Hermione - disse o Ron , deitando moscas asas de renda mortas por cima de as sanguessugas . Amarrotou o saco vazio de as asas de renda e olhou para Harry . - Então foi o Dobby que nos impediu de apanhar o comboio e te partiu o braço ... - abanou a cabeça . - Sabes o que eu acho ? Se ele não parar de tentar salvar te a vida ainda acaba por te matar . A notícia de que Colin_Creevey tinha sido atacado e estava agora em a ala hospitalar , como morto , espalhou se por toda_a escola em a segunda-feira de manhã . O ar ficou pesado e cheio de boatos e suspeitas . Os alunos de o primeiro ano começavam a andar por a escola em pequenos grupos , receando ser atacados se se aventurassem a andar isoladamente por os corredores . Ginny_Weasley , que era colega de carteira de o Colin em os encantamentos , estava perturbadíssima , mas Harry achou que Fred e George estavam a tentar animá a de a maneira errada . Revezavam se , mascarados com peles de animais e apareciam lhe subitamente detrás de as estátuas . Só pararam quando Percy , apopléctico de raiva , lhes disse que ia escrever a Mrs._Weasley a contar lhe que a Ginny andava a ter pesadelos . Enquanto isso , às_escondidas de os professores , uma panóplia de talismãs , amuletos e outros objectos de protecção ia enchendo a escola . Neville_Longbottom comprou uma enorme cebola verde que cheirava mal , um cristal pontiagudo cor de púrpura e uma cauda de tritão apodrecida antes de os outros rapazes de os Gryffindor lhe explicarem que ele não corria perigo : era um sangue puro e , portanto , muito pouco passível de ser atacado . - Eles foram a o Filch em primeiro lugar - disse Neville com o medo estampado em a cara redonda . - E toda_a_gente sabe que eu sou quase um * busca-pé * . Em a segunda semana de Dezembro , a professora Mc_Gonagall veio , como de costume , recolher os nomes de os alunos que ficavam em a escola durante o Natal . Harry , Ron e Hermione assinaram a lista . Tinham ouvido dizer que Malfoy ficava , o que lhes parecera muito suspeito . As férias seriam a altura ideal para usar a poção * _ Polisuco * e tentar arrancar lhe uma confissão . Infelizmente a poção estava a meio . Precisavam ainda de o chifre de bicórneo e o único lugar onde podiam arranjá o era em os depósitos privados de Snape . Harry , pessoalmente , preferia enfrentar o lendário monstro de os Slytherin do_que ser apanhado por o Snape a assaltar lhe o escritório . - O que precisamos - disse Hermione cheia de vivacidade quando se aproximava a aula conjunta de poções de quinta-feira a a tarde - para podermos entrar a a vontade em o escritório de o Snape , é de uma diversão . Harry e Ron olharam para ela , nervosos . - Acho que o melhor é ser eu a praticar o roubo - prosseguiu ela , em um tom perfeitamente casual . - Vocês os dois podem ser expulsos se forem apanhados e eu tenho uma folha limpa . Portanto , a única coisa que têm de fazer é distrair o Snape durante cerca de cinco minutos . Harry esboçou um meio sorriso . Provocar deliberadamente um estrago em a aula de poções de o Snape era tão seguro como ferir em um olho um dragão adormecido . As aulas de poções tinham lugar em um de os mais amplos calabouços . A de quinta-feira a a tarde não foi diferente de as outras . Vinte caldeirões fumegavam entre as secretárias de madeira , sobre as quais podia ver se laminas de latão e jarras com ingredientes . Snape deambulava por o meio de os fumos , fazendo reparos petulantes a o trabalho de os Gryffindor , enquanto os Slytherin riam a a socapa . Draco_Malfoy , que era o aluno preferido de Snape , não parava de lançar olhos de carneiro mal morto a o Ron e a o Harry , que sabiam que se retaliassem teriam um castigo , antes de poderem abrir a boca para dizer : - É injusto ! A solução de inchar de o Harry estava demasiado líquida , mas ele estava preocupado com coisas mais importantes . Esperava por o sinal de Hermione e mal deu por Snape se calar para ir espreitar a sua poção aguada . Quando o professor se voltou e foi implicar com o Neville , Hermione trocou um olhar com Harry e fez um aceno . Harry baixou se discretamente por detrás de o seu caldeirão , tirou de o bolso de trás um de os paus de fogo-de-artíficio Filibuster e deu lhe um toque de varinha . O fogo-de-artíficio começou a sibilar e a crepitar . Sabendo que tinha apenas alguns segundos , Harry endireitou se , ganhou coragem e lançou o a o ar . Aterrou certeiro em o caldeirão de o Goyle . A poção de o Goyle explodiu , salpicando toda_a aula . As pessoas gritavam , à_medida_que eram vítimas de os salpicos . Malfoy foi apanhado em a cara e o nariz começou a inchar como um balão . O Goyle tropeçava a as cegas , com as mãos em os olhos , que tinham ficado de o tamanho de pratos de sopa , enquanto o Snape tentava repor a calma e tentar perceber o que sucedera . Em o meio de a confusão , Harry viu Hermione esgueirar se a a socapa por a porta . - Silêncio ! silêncio ! - vociferou Snape . - Todos os que foram salpicados cheguem aqui para uma drenagem . Quando eu descobrir quem fez isto ... Harry fez um enorme esforço para não se rir a o ver Malfoy chegar apressadamente lá a a frente , a cabeça a tombar com o peso de o nariz , que parecia um pequeno melão . Quando metade de a aula se amontoava junto de a secretária de o Snape , alguns alunos vergados por o peso de os braços que pareciam mocas , outros incapazes de falar devido a o gigantesco inchaço de os lábios , Harry viu Hermione reentrar em o calabouço , a túnica mostrando a barriga protuberante . Quando todos os alunos tinham já tomado um gole de o antídoto e os vários inchaços tinham desaparecido , Snape precipitou se para o caldeirão de o Goyle e pescou os restos retorcidos de o fogo-de-artíficio . Houve um súbito silêncio . - Se eu descubro quem lançou isto - murmurou Snape - garanto que é expulsão por a certa . Harry compôs uma expressão de espanto . Snape olhava directamente para ele e a campainha , que tocou dez minutos mais tarde , não podia ser mais bem-vinda . - Ele soube que fui eu - disse Harry_a_Ron e a a Hermione , enquanto se dirigiam apressadamente para a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Tenho a certeza . Hermione lançou o novo ingrediente em o caldeirão e começou a mexer furiosamente . - Isto vai estar pronto dentro_de quinze_dias - afirmou , satisfeita . - O Snape não pode provar que foste tu - assegurou Ron , tranquilizando Harry . - Que pode ele fazer ? - Conhecendo o Snape , qualquer coisa louca - respondeu Harry , enquanto a poção borbulhava e espumava . Uma semana mais tarde , Harry , Ron e Hermione passavam por o vestíbulo de entrada , quando viram um pequeno grupo de pessoas reunidas em volta de o jornal de parede a lerem um pedaço de pergaminho que tinha acabado de ser afixado . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas acenaram lhes , entusiasmados . - Vão lançar um clube de duelos ! - exclamou Seamus . - Hoje a a noite é a primeira reunião . Eu não me importaria nada de ter aulas de duelo , podem vir a ser úteis um dia de estes ... - Porquê ? Achas que o monstro de os Slytherin sabe esgrimir ? - perguntou o Ron , mas , também ele , leu a notícia com interesse . - Pode ser útil - disse a o Harry e a a Hermione , quando foram jantar . - Vamos lá ? Harry e Hermione acharam óptimo , por isso , a as oito_da_noite voltaram a o salão . As longas mesas de refeição tinham desaparecido e um estrado dourado surgira , encostado a a parede . Sobre ele flutuavam milhares de velas . O tecto era , mais_uma_vez , de veludo negro e parecia que quase todos os alunos de a escola se encontravam ali , com as suas varinhas em a mão e com um ar entusiasmado . - Quem será que vai ensinar nos ? - perguntou Hermione , enquanto se misturavam em a multidão barulhenta . - Ouvi dizer que o Filitwick foi campeão de duelo em a juventude , talvez seja ele . - Desde_que não seja ... - começou Harry , mas terminou em um gemido : Gilderoy_Lockhart estava a subir a o estrado , resplandecente em as suas vestes cor de ameixa , acompanhado , nem mais nem menos , do_que de Snape que trajava , como sempre , de negro . Lockhart levantou um braço , pedindo silêncio , bradando : - Aproximem se , aproximem se , conseguem todos ver me e ouvir me ? Excelente ! - O professor Dumbledore deu me autorização para iniciar este pequeno curso de duelo para vos treinar a todos , caso algum dia precisem de se defender , como eu tenho feito em inúmeras ocasiões ; para mais detalhes , leiam os livros que tenho publicados . - Permitam que vos apresente o meu assistente , o professor Snape - disse Lockhart , abrindo um sorriso de orelha a orelha . - Ele diz me que sabe alguma coisa sobre duelos e aceitou desportivamente ajudar me em uma exibição de demonstração , antes de começarmos . Atenção , não quero que os mais novos fiquem preocupados , vão continuar a ter o vosso professor de poções depois de eu o vencer . Não tenham medo . - Não era óptimo se se liquidassem um_ao_outro ? - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . O lábio inferior de Snape estava curvo . Harry interrogou se sobre o motivo por_que Lockhart continuava a sorrir . Se o Snape olhasse de aquela maneira para ele , Harry estaria a correr a_toda_a velocidade para o mais longe possível . Lockhart e Snape voltaram se um para o outro e fizeram uma vénia , pelo_menos Lockhart fê la com muitas reviravoltas de mãos , enquanto Snape acenava , irritado , com a cabeça . Em seguida , ergueram as varinhas , como_se fossem espadas , em a frente . - Como podem ver , estamos a pegar em as varinhas em a posição de aceitação de combate - explicou Lockhart a a multidão silenciosa . - Quando contarmos até três , lançaremos os primeiros feitiços . Nenhum de nós tentará matar o outro , claro . - Eu não poria as mãos em o fogo - murmurou Harry , observando como Snape cerrava os dentes . -- Um , dois , três ... Os dois balançaram as varinhas acima de os ombros . Snape gritou : * _ Expelliarmus * ! Houve um clarão ofuscante de luz escarlate e Lockhart voou para trás , caindo de o estrado batendo contra a parede , escorregando e indo estatelar se em o chão . Malfoy e alguns de os outros Slytherin aplaudiram . Hermione estava em bicos de os pés . - Acham que ele está bem ? - gritou entredentes . - Quem se rala ? - disseram ao_mesmo_tempo o Ron e o Harry . Lockhart estava a pôr se , hesitante , de pé . O chapéu caíra lhe e o cabelo ondulado estava em um desalinho . - Bem , cá está ! - disse , cambaleando até a o estrado . - Este foi um encantamento para desarmar . Como podem ver , perdi a minha varinha . Ah , obrigado Miss_Brown . Sim , foi uma excelente ideia mostrar lhes isto , professor Snape , mas , se me permite que lhe diga , foi muito óbvio o que ia fazer . Se eu tivesse querido impedis o , teria o feito com a maior de as facilidades . Mas achei que seria educativo deixá os ver ... Snape tinha um ar assassino . Provavelmente Lockhart deu por isso , porque declarou : - Chega de demonstrações . Eu vou passar agora por o meio de vocês e criar duplas . Professor_Snape , se quiser ajudar me ... Entraram por o meio de a multidão , agrupando alunos . Lockhart pôs o Neville com Justin_Finch - _ Fletchley , mas Snape chegou primeiro junto de Harry e de Ron . - Tempo de separar a dupla ideal , parece me - rosnou . - Weasley , tu podes ficar com o Finnigan . Potter ... Harry voltou se automaticamente para Hermione . - Não me parece - disse Snape com o seu sorriso frio . - Mr._Malfoy , venha até aqui . Vamos ver o que faz com o famoso Potter . E a menina , Miss_Granger , pode emparceirar com Miss_Bulstrode . Malfoy aproximou se com o seu passo empertigado e o seu sorriso escarninho . Atrás de ele vinha uma rapariga de os Slytherin , que lembrou a Harry uma imagem que tinha visto em as * _ Férias com Bruxas_Velhas * . Era corpulenta e quadrada e os maxilares avançavam agressivamente . Hermione esboçou um meio sorriso , que ela não retribuiu . - Voltem se para os vossos parceiros - gritou Lockhart - e façam a vénia . Harry e Malfoy mal inclinaram as cabeças , não afastando os olhos um de o outro . - Varinhas preparadas ! - gritou Lockhart . - Quando eu disser três preparem os feitiços para desarmar o vosso opositor . Um ... dois ... três ... Harry levantou a varinha acima de o ombro , mas Malfoy começara logo em o « dois » : o seu feitiço apanhou Harry com tanta força que ele se sentiu como_se tivesse levado com uma frigideira em a cabeça . Tropeçou , mas ainda não estava fora de combate e , sem perder tempo , Harry apontou a varinha a Malfoy e gritou : - * _ Rictusempra ! * Um jacto de luz prateada atingiu Malfoy em o estômago , obrigando o a dobrar se , arfando . - Eu disse desarmar ! - gritava Lockhart sobre as cabeças de a multidão em lata , enquanto Malfoy caía de joelhos . Harry atingira o com o feitiço de as cócegas e ele mal conseguia mexer se para se rir . Harry hesitou com o vago sentimento de que seria pouco desportivo enfeitiçar Malfoy enquanto ele estava caído em o chão , mas ... foi um erro . Tentando respirar , Malfoy apontou a varinha a os joelhos de Harry , balbuciando : « * _ Tarantallegra ! * » e , um segundo depois , as pernas de o Harry tinham começado a mexer se , sem que ele pudesse controlá as , executando uma espécie de dança frenética . - Parem , parem - gritava Lockhart , quando Snape resolveu tomar controlo de a situação . - * _ Finite_Incantatem ! * - bradou . Os pés de o Harry pararam de dançar , Malfoy parou de rir e puderam olhar para_cima . Uma onda de fumo esverdeado pairava sobre todos eles . Neville e Justin estavam caídos em o chão , a arfar . Ron tentava fazer parar um Seamus com cara cor de cinza , pedindo lhe mil desculpas por o que a sua varinha partida eventualmente tivesse feito . Mas Hermione e Millicent_Bulstrode ainda não tinham acabado . Millicent tinha feito a Hermione uma prisão de cabeça e Hermione gritava de dor . As duas varinhas jaziam esquecidas em o chão . Harry deu um salto em frente e afastou Millicent . Não foi fácil , ela era bastante maior do_que ele . - Oh , gente ! - exclamou Lockhart , arrastando se por o meio de a multidão e olhando para os resultados de os duelos . - Vamos pôr de pé , Mcmillan ... cuidado , Miss_Fawcett ... belisque com força que pára logo de sangrar ... - Acho que o melhor é ensinar vos como bloquear feitiços pouco amigáveis - afirmou Lockhart que estava nervosíssimo em o meio de o salão . Olhou para Snape , cujos olhos pretos brilhavam e desviou rapidamente o olhar . - Vamos arranjar um par de voluntários . Longbottom e Finch - _ Fletchley , que tal serem vocês ? - Uma má ideia , professor Lockhart - disse Snape , deslizando como um morcego enorme e cruel . - Longbottom provoca devastação com o feitiço mais simples . Ainda temos de mandar o que restar de o Finch - _ Fletchley para a ala hospitalar dentro_de uma caixa de fósforos . - A cara redonda e rosada de Neville ficou ainda mais rosada . - Que tal o Malfoy e o Potter ? - sugeriu Snape com um sorriso retorcido . - Excelente ideia - disse Lockhart , fazendo sinal a os dois para que se aproximassem de o meio de o salão , enquanto a multidão recuava para lhes dar passagem . - Ouve bem , Harry - disse Lockhart . - Quando o Draco te apontar a varinha , tu fazes assim . Levantou a sua varinha , executando uma tentativa complicada de malabarismo e deixou a cair . Snape sorriu pretensiosamente , enquanto Lockhart a apanhava de o chão , dizendo : - Ups , a minha varinha está demasiado excitada . Snape aproximou se de Malfoy , inclinou se e disse lhe qualquer coisa a o ouvido . Malfoy sorriu também de forma afectada . Harry olhou , nervoso , para Lockhart e pediu : - Professor , podia mostrar me outra_vez aquela coisa para bloquear ? - Estás com medo ? - murmurou Malfoy baixinho , para que Lockhart não pudesse ouvir . - Querias ! - exclamou Harry por o canto de a boca . Lockhart deu um soco em o ombro de o Harry , em a brincadeira . - Basta que faças como eu fiz ! - O quê , deixar cair a varinha ? Mas Lockhart não estava a ouvir - Três , dois , um , zero ! - gritou . Malfoy levantou rapidamente a varinha a o ar e gritou : - * _ Serpensortia ! * A extremidade de a varinha explodiu . Harry viu , horrorizado , uma enorme serpente negra sair de ela , cair pesadamente em o chão a meio de os dois e erguer se disposta a atacar . Ouviram se gritos , enquanto a multidão se afastava , deixando o chão vazio . - Não te mexas , Potter - disse Snape vagarosamente , divertindo se claramente a ver Harry , parado , a olhar em os olhos a serpente . - Eu trato de ela ... - Permita me -- gritou Lockhart . Bramiu a varinha em direcção a a serpente e ouviu se um estoiro . A cobra , em_vez_de desaparecer , voou três metros acima de eles e voltou a cair em o chão com um estrondo enorme . Enraivecida , a sibilar de fúria , rastejou em direcção a Finch - _ Fletchley e pôs se de pé com os dentes a a mostra , pronta a atacar . Harry não soube ao_certo o que o levou a fazer aquilo . Não se lembrava sequer de ter tomado aquela decisão . Só soube que as pernas o fizeram avançar como_se tivesse rodas e que gritou a a serpente : - Larga o ! - E , milagrosa e inexplicavelmente , a serpente voltou a o chão , dócil como uma grande mangueira de jardim , preta e grossa , os olhos agora fixos em os olhos de Harry . Harry sentiu o medo a escoar se . Sabia que a cobra não atacaria mais ninguém , embora não pudesse explicar como sabia . Olhou para Justin a sorrir , esperando vê o aliviado , espantado , ou mesmo agradecido , mas nunca zangado ou assustado . - Que brincadeira é essa ? - gritou o outro e , antes que Harry tivesse tempo de dizer fosse o que fosse , voltou as costas e saiu de o salão . Snape deu um passo em frente , fez um gesto com a varinha e a serpente desapareceu em uma onda de fumo preto . Também ele , Snape , olhava para Harry de uma forma inesperada . Era um olhar arguto e calculista , de que Harry não gostou . Apercebeu se também vagamente de um murmúrio ameaçador que vinha de as paredes em volta . Depois , sentiu um puxão em a túnica . - Vamos - disse a voz de o Ron em o seu ouvido . - Mexe te , vá lá ... Ron arrastou o para fora de o salão . Hermione acompanhava os em a passada rápida . Quando cruzaram a porta , as pessoas que a rodeavam afastaram se , como_se tivessem medo de ser contagiadas . Harry não fazia a mais pequena ideia do_que estava a passar se e , nem Ron , nem Hermione lhe deram qualquer explicação , antes de o terem levado até a a sala comum de os Gryffindor , que se encontrava vazia . Aí , Ron empurrou Harry para uma cadeira de braços e disse : - Tu és um * serpentês * . Porque não nos disseste ? - Eu sou um quê ? - perguntou Harry . - Um * serpentês * ! - exclamou o Ron . - Falas com as cobras . - Eu sei - declarou Harry . - Quer_dizer , esta foi a segunda vez que o fiz . A outra foi há muito_tempo em o jardim zoológico , quando soltei uma Boa_Constrictor a o meu primo Dudley . É uma longa história , mas ela estava a dizer me que nunca tinha estado em o Brasil e eu acho que a libertei sem querer . Foi antes de saber que era feiticeiro . . . - Uma Boa_Constrictor disse te que nunca tinha estado em o Brasil ? - repetiu Ron , quase sem voz . - E então ? - disse o Harry . - Aposto que montes de pessoas aqui fazem o mesmo . - Não fazem , não - afirmou Ron . - Não é um dom muito frequente . Harry , isso é mau . - O que é_que é mau ? - perguntou Harry , que começava a ficar chateado . - O que é_que se passa com todos os outros ? Ouve bem , se eu não tivesse dito a aquela cobra para não atacar o Justin ... - Ah , foi isso que tu disseste ? - Que queres dizer ? Tu estavas lá , ouviste perfeitamente o que eu disse . - Eu ouvi te falar em serpentês - disse o Ron . - Língua de cobra . Podias estar a dizer lhe qualquer coisa . Não admira que o Justin tivesse entrado em pânico . Parecia que estavas a incitar a serpente . Foi assustador , sabes ? Harry olhou para ele espantado . - Eu falei uma língua diferente ? Mas não me apercebi , como posso falar uma língua , sem saber que a conheço ? Ron abanou a cabeça . Tanto ele como Hermione tinham um ar fúnebre . Harry não percebia o que havia em aquilo de tão trágico . - Será que me querem explicar o que há de mal em ter impedido que uma serpente enorme arrancasse a cabeça a o Justin ? - perguntou . - Porque é tão importante como o fiz , se evitei que o Justin fosse juntar se a grupo de os SEM_CABEÇA ? - Importa - disse por fim Hermione , em uma voz abafada . - Porque falar com serpentes era a arte por a qual Salazar_Slytherin ficou famoso . Por isso , o símbolo de os Slytherin é uma serpente . Harry ficou de boca aberta . - Exacto - disse o Ron . - E agora todos em a escola vão pensar que tu és descendente de ele . - Mas não sou - contrapôs Harry com um pânico que não conseguia explicar . - Não vai ser fácil prová o - disse Hermione . - Ele viveu há quase mil anos . Pelo que vimos , podias ser . Em essa noite , Harry ficou acordado durante horas . Por uma fresta de os cortinados de a cama de dossel , olhou para a neve que começava a cair de o lado de_fora de a janela de a torre e perguntou se se poderia ser descendente de Salazar_Slytherin . Afinal , não sabia nada de a família de o pai , os Dursley tinham sempre proibido qualquer pergunta sobre os seus familiares feiticeiros . Calmamente , tentou dizer qualquer coisa em * serpentês * , mas as palavras não saíam . Parecia que era necessário estar frente_a_frente com uma cobra para poder fazê o . Mas eu sou um Gryffindor , pensou Harry , o chapéu seleccionador não me poria aqui se eu tivesse sangue de Slytherin ... - Ah ! - disse uma vozinha dentro de o seu cérebro . - Mas o chapéu seleccionador queria pôr te em os Slytherin , não te lembras ? Harry deu voltas e voltas a a cabeça . Em o dia seguinte , quando visse Justin em a aula de herbologia explicaria lhe que estava a afastar a serpente , não a atiçá a o que , aliás , pensou zangado , dando vários socos em a almofada , qualquer idiota teria percebido . Contudo , em a manhã seguinte , a neve que começara a cair durante a noite , transformara se em uma tempestade tão espessa que a última aula de herbologia de o período foi cancelada : a professora Sprout queria tapar as mandrágoras com peúgas e cachecóis , uma operação arriscada que ela não confiava a ninguém agora_que era tão importante que as mandrágoras crescessem depressa e reabilitassem Mrs._Norris e Colin_Creevey . Junto de a lareira de a sala comum de os Gryffindor , Harry matutava sobre o que se passara enquanto Ron e Hermione aproveitavam o foro para jogar xadrez de feitiçaria . - Com os diabos , Harry - disse Hermione exasperada quando um bispo derrubou um de os cavaleiros de o cavalo , arrastando o para fora de o tabuleiro . - Vai falar com o Justin , se isso é assim tão importante para ti . Harry levantou se e saiu por o buraco de o retrato , perguntando a si próprio onde poderia estar o Justin . O castelo estava mais escuro do_que era habitual durante o dia por causa de a neve espessa e cinzenta que cobria as janelas . A tremer , Harry passou por as salas onde estava a haver aulas , captando lampejos do_que sucedia lá dentro . A professora Mc_Gonagall gritava com alguém que , segundo lhe parecia por o som , transformara o parceiro em um texugo . Resistindo a a tentação de dar uma espreitadela , Harry afastou se pensando que Justin poderia estar a utilizar o tempo de o furo para fazer algum trabalho e resolveu , por isso , ir até a a biblioteca . Um grupo de alunos de os Hufflepuff , que deveriam ter estado em Herbologia , encontrava se , de facto , sentado em as traseiras de a biblioteca , mas não parecia estar a trabalhar . Entre as fileiras de as estantes altas , Harry pôde ver as suas cabeças muito juntas em aquilo que deveria ser uma conversa absorvente . Não conseguia perceber se Justin estaria em o meio de eles . Ia para se aproximar quando apanhou em o ar uma frase e parou para ouvir melhor , escondido em a secção de a invisibilidade . - Portanto - dizia um rapaz corpulento - eu disse a o Justin para se esconder em o nosso dormitório . Isto_é , se o Potter o escolheu como próxima vítima é melhor que ele tenha um * low profile * durante algum tempo . É claro que o Justin já estava a a espera que alguma coisa de o género acontecesse desde_que lhe escapou em uma conversa com o Potter que era filho de Muggles . O Justin disse lhe , inclusivamente , que tinha estado inscrito em Eton . Não é o tipo de coisa que se ande a dizer com o herdeiro de Slytherin a a solta por aí . - Achas mesmo_que é o Potter , Ernie ? - perguntou uma rapariga de tranças loiras , ansiosamente . - Hannah - disse com solenidade o rapaz corpulento . - Ele é um serpentês . Todos sabem que essa é a marca de um feiticeiro negro . Alguma vez ouviste falar de um feiticeiro decente que falasse com as cobras ? O Slytherin era conhecido por « Língua de serpente . . Houve alguns murmúrios antes de Ernie prosseguir : - Lembram se do_que estava escrito em a parede ? * _ Inimigos de o herdeiro , cuidado ! * . O Potter teve que ir a o gabinete de o Filch . E o que é_que acontece a seguir ? A gata de o Filch é atacada . O aluno de o primeiro ano , Creevey , estava a aborrecê o em a partida de Quidditch , a tirar lhe fotografias quando ele estava caído em a lama . E o que é_que acontece a seguir ? Creevey é atacado . - Mas ele parece sempre ser tão simpático - disse Hannah , cheia de dúvidas . - E , bem , foi ele que fez com que o Quem nós sabemos desaparecesse . Não pode ser assim tão mau , pois não ? Ernie baixou misteriosamente a voz . Os Hufflepuff inclinaram se mais uns para os outros e Harry aproximou se para conseguir apanhar as palavras de o Ernie . - Ninguém sabe como ele sobreviveu a aquele ataque de o Quem nós sabemos e , afinal , ainda era um bebé quando aquilo aconteceu . Era para ter explodido feito em estilhaços . Só um feiticeiro negro verdadeiramente poderoso teria sobrevivido a uma maldição de aquelas . - Baixou ainda mais a voz até esta ficar reduzida a um leve murmúrio e disse : - Talvez fosse por isso que o Quem nós sabemos o queria matar , para não ter outro feiticeiro negro a competir com ele . Gostava de saber que outros poderes ocultos terá o Potter . Harry não aguentou mais . Pigarreou alto e saiu detrás de as estantes . Se não estivesse tão zangado teria conseguido ver o lado cómico de a situação : cada_um de os Hufflepuff olhava para ele como_se tivesse sido petrificado , e a cor desaparecera de a cara de o Ernie . - Olá - disse Harry . - Estou a a procura de o Justin_Finch - _ Fletchley . Os piores receios de os Hufflepuff tinham se concretizado . Olharam apavorados para o Ernie . - O que queres de ele ? - perguntou Ernie em uma voz sumida . - Explicar lhe o que aconteceu com aquela cobra em o clube de os duelos - disse Harry . Ernie mordeu os lábios brancos e , em seguida , respirando fundo , respondeu : - Estávamos lá todos . Vimos o que aconteceu . - Então viram que depois de eu falar a serpente recuou - disse Harry . - O que eu vi - insistiu teimosamente Ernie , apesar_de tremer a cada palavra que proferia - foi tu a falares serpentês e a atiçares a cobra conta o Justin . - Eu não a aticei - gritou Harry enraivecido . - Ela nem lhe tocou . - Falhou por_pouco - disse Ernie . - E , para o caso de estares com ideias - acrescentou com má cara - posso dizer te que a minha família provem de nove gerações de bruxas e feiticeiros e que o meu sangue é tão puro como o de qualquer feiticeiro , portanto ... - Quero lá saber qual é o teu sangue - disse Harry furioso . - Porque iria eu atacar os filhos de os Muggles ? - Ouvi dizer que detestas os Muggles com quem vives - disse Ernie rapidamente . - Não é possível viver com os Dursley sem os detestar - explicou Harry . - Gostava de te ver lá em casa . Girou sobre os calcanhares e saiu furioso de a biblioteca sob o olhar reprovador de Madam_Prince que limpava a capa dourada de um enorme livro de encantamentos . Harry avançou a as cegas por os corredores , quase sem ver por_onde ia de tão furioso que estava . O resultado foi chocar com algo enorme e sólido que o fez recuar e cair a o chão . - Ah ! Olá , Hagrid - disse , olhando para_cima . Hagrid tinha o rosto completamente tapado com um lenço coberto de neve , mas não podia ser mais ninguém , enchendo assim o corredor dentro de o seu sobretudo de pele de toupeira . De uma de as enormes mãos enluvadas , pendia um galo morto . - Tudo bem , Harry ? - perguntou , afastando o lenço para poder falar . - Porque não estás em a aula ? - Foi cancelada - disse Harry , pondo se de pé . - O que estás a fazer aqui ? Hagrid mostrou lhe o galo inerte . - É o segundo qu'aparece morto este período - explicou . - Ou são raposas ou um vampiro chato e eu preciso d'autorização de o director p'ra fazer um feitiço em volta de a capoeira . Aproximou se e olhou mais de perto para o Harry , por debaixo de as suas sobrancelhas espessas e cheias de neve . - Tens a certeza que estás bem ? Pareces exaltado e preocupado . Harry não foi capaz de repetir o que Ernie e os outros Hufflepuff lhe tinham dito . - Não é nada , tenho de ir , Hagrid . A próxima aula é Transfiguração e preciso de ir buscar os meus livros . Afastou se , a cabeça cheia com tudo_o_que Ernie dissera a seu respeito . « * _ O_Justin já estava d espera que uma coisa de o género acontecesse desde_que deixou escapar , falando com o Potter , que era filho de Muggles * ... » Harry subiu as escadas a correr e entrou por um corredor que estava particularmente escuro . As tochas tinham sido apagadas por uma ventania gelada que entrava por uma janela de fecho estragado . Estava a meio de o corredor quando tropeçou em uma coisa que se encontrava em o chão . Olhou para ver o que era e sentiu como_se o estômago se tivesse dissolvido . Justin_Finch - _ Fletchley estava em o chão , rígido e frio com uma expressão de horror em o rosto e os olhos abertos voltados para o tecto . E não era tudo . Junto de ele estava mais alguém , a visão mais estranha que Harry tivera em toda_a sua vida . Era_o_Nick quase sem cabeça que não estava cor de pérola nem transparente e sim escuro como fumo . Flutuava imóvel , em a horizontal , 12 centímetros acima de o chão , a cabeça meio tombada e em o rosto uma expressão de choque idêntica a a de o Justin . Harry pôs se de pé com a respiração acelerada e o coração a bater como um tambor contra as costelas . Olhou desvairado para ambos os lados de o corredor deserto e viu uma fila de aranhas que corriam a_toda_a velocidade em a direcção oposta a a de os corpos . Os únicos sons eram as vozes abafadas de os professores em as aulas que decorriam de ambos os lados . Podia fugir e ninguém saberia que ali tinha estado , mas não era capaz de os abandonar assim . Tinha de ir procurar ajuda . Será que alguém acreditaria que ele não tivera nada que ver com aquilo ? Enquanto ali estava , em pânico , uma porta a o seu lado abriu se com grande estrondo . Peeves , o * poltergeist * , saiu a os gritos . - Oh ! É o Potter , olá , Potter - alardeou Peeves , lançando por o ar os óculos de o Harry quando passou por ele . - O que está o Potter a fazer ? Porque está o Potter escondido ? Peeves passou de cabeça para baixo , a meio de uma cambalhota em o ar , quando viu Justin e Nick quase sem cabeça . Com um movimento súbito endireitou se , encheu os pulmões de ar e , antes que Harry pudesse impedi o , gritou : __ ataque ! ataque ! outro ataque ! nenhum mortal ou fantasma está em segurança . corram , fujam , __ ataaaque ! Crac , Crac , Crac . Uma atrás de a outra , foram se abrindo todas_as portas a o longo de o corredor e as pessoas saíram para fora de as salas de aula . Durante alguns longos minutos houve uma tal confusão que Justin esteve em perigo de ser esmagado e as pessoas não paravam de chocar com o Nick quase sem cabeça . Harry deu por si colado a a parede enquanto os professores exigiam a os gritos que se fizesse silêncio . A professora Mc_Gonagall veio a correr , seguida por todos os alunos , um de os quais ainda trazia o cabelo a as riscas pretas e brancas . Usou a varinha para produzir um ruído que repôs o silêncio e mandou os alunos todos para dentro de as salas de aula . Mal lugar ficou desimpedido surgiu Ernie , o jovem Hufflepuff . - * _ Apanhado em flagrante ! * - gritou , com o rosto totalmente branco , apontando dramaticamente o dedo par Harry . - Basta_Mcmillan - disse , de forma cortante , a professora Mc_Gonagall . Peeves andava para_cima e para baixo , observando a cena com um sorriso maldoso . Sempre adorara o caos . Quando os professores se inclinaram sobre Justin e sobre o Nick quase sem cabeça para os examinar , iniciou uma cantilena : * _ Oh ! Potter , que fizeste , seu grande bandido * _ Tu matas os estudantes porque achas divertido . * - Basta , Peeves - rosnou a professora Mc_Gonagall e Peeves afastou se , deitando a língua de_fora a o Harry . Justin foi levado para a ala hospitalar por o professor Flitwick e por o professor Sinistra_do_Departamento_de_Astronomia , mas ninguém parecia saber o que fazer em relação a o Nick quase sem cabeça . Por fim , a professora Mc_Gonagall fez aparecer em o ar um enorme leque que entregou a Ernie com o encargo de conduzir , escadas acima , por os ares o Nick quase sem cabeça . Ernie assim fez , soprando Nick como_se fosse um aerodeslizador e deixando , de este modo , o Harry e a professora Mc_Gonagall a sós . - Por aqui , Potter - disse ela . - Professora , eu juro que não ... - Isso não é comigo , Potter - afirmou a professora Mc_Gonagall sinteticamente . Caminharam em silêncio até uma esquina e ela parou perante uma gárgula de pedra extremamente feia . - Refresco de limão - disse . Era obviamente uma senha porque a gárgula animou se subitamente e saltou para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes . Apesar_de estar apavorado com o que ia acontecer a seguir , Harry não conseguiu evitar um sentimento de fascínio . Por detrás de a parede estava uma escada em espiral que se movia lentamente para_cima como um elevador . E quando ele e a professora Mc_Gonagall puseram os pés em o primeiro degrau , Harry ouviu a parede fechar se atrás de eles . Subiram em círculos , cada_vez_mais alto até que , por fim , um_pouco tonto , Harry pôde ver uma porta de carvalho reluzente com um puxador de bronze em forma de abutre . Harry calculava onde estava a ser levado . Devia ser ali que morava Dumbledore . XII_A poção * polisuco * Saltaram de a escada de pedra lá mesmo em cima e a professora Mc_Gonagall bateu a a porta . Ela abriu se silenciosamente dando lhes entrada . A professora Mc_Gonagall disse lhe que esperasse e deixou o sozinho . Harry olhou em volta . Uma coisa era certa : de todos o escritórios de professores que conhecia , o de Dumbledor era , de longe , o mais interessante . Se não estivesse com um medo de morte de ser expulso teria adorado explorá o . Era uma sala grande e bonita em forma de círculo que estava cheia de barulhinhos estranhos . Havia um grande número de instrumentos prateados sobre várias mesas de pernas finas que zumbiam emitindo pequenas baforadas de fumo . As paredes estavam cobertas de fotografias de antigos directores e directoras , todos eles a dormir tranquilamente em as suas molduras . Havia ainda uma enorme secretária pés de garra . E , sobre uma prateleira atrás de ela , um chapéu de feiticeiro andrajoso e puído : * o chapéu seleccionador * . Harry hesitou . Lançou um olhar cauteloso a as bruxas e feiticeiros adormecidos a o longo de as paredes . Com certeza não fazia mal se lhe pegasse e o experimentasse só para ver ... só para ter a certeza de que ele o pusera em a equipa certa . Deu a volta a a secretária , retirou o chapéu de a prateleira e baixou o lentamente sobre a cabeça . Era demasiado grande e escorregou lhe para os olhos como de a outra_vez que o tinha posto . Harry olhou para o forro preto , enquanto esperava . Por fim , uma vozinha disse lhe a o ouvido : - Estás com macaquinhos em o sótão , Harry_Potter ? - Er ... sim - balbuciou Harry . - Er ... desculpa incomodar te , queria saber ... - Querias saber se te pus em a equipa certa - disse prontamente o chapéu . - Sim ... tu és particularmente difícil de seleccionar , mas eu mantenho o que disse antes . - O coração de Harry deu um salto . - Terias ficado bem em os Slytherin . Harry sentiu o estômago contorcer se . Agarrou o chapéu por a aba e tirou o de a cabeça . O chapéu seleccionador ficou pendurado em a mão de ele , inerte , desbotado e sujo . Harry voltou a pô o em a prateleira , sentindo se enjoado . - Estás enganado ! - disse em voz alta a o chapéu parado e silencioso , mas ele não se mexeu . Harry recuou para o observar melhor e foi então que ouviu um ruído estranho e grasnado atrás_de si que o fez dar uma volta . Não estava só , afinal_de_contas . Em um poleiro dourado atrás de a porta estava um pássaro de aspecto decrépito que parecia um peru meio depenado . Harry olhou para ele espantado e o pássaro olhou o também , grasnando de_novo . Harry achou que ele devia estar muito doente porque tinha os olhos parados e , enquanto olhava para ele , caíram lhe mais algumas penas de a cauda . Estava justamente a pensar que a única coisa que lhe faltava era que o pássaro de estimação de Dumbledore morresse quando ele estava ali sozinho com ele , em o escritório , quando a ave se incendiou . Harry gritou , em estado de choque , e recuou até a a secretária . Olhava nervosamente em volta , em busca de um jarro de água , mas não viu nenhum . O pássaro , entretanto , transformara se em uma bola de fogo , dera um guincho e , em seguida , desaparecera , deixando apenas um monte de cinzas em o chão . A porta de o escritório abriu se . Dumbledore entrou com ar taciturno . - Professor - gaguejou Harry . - O seu pássaro ... eu não pode fazer nada ... ele incendiou se . Para seu grande espanto , Dumbledore sorriu . - Já não era sem tempo . Estava com um aspecto horrível em os últimos dias . Fartei me de lhe dizer que fizesse qualquer coisa . Riu se entre dentes com a expressão em o rosto de Harry . - A Fawkes é uma fénix , Harry . As fénix ardem quando é altura de morrer e renascem de as cinzas , repara ... Harry olhou mesmo a_tempo_de ver um passarinho recém-nascido , todo enrugado , espetar a cabeça fora de as cinzas . Era quase tão feio como o antigo . - É uma pena que a tenhas conhecido em dia de arder - disse Dumbledore , passando para trás de a secretária . - É muito bonita a maior parte de o tempo , com uma plumagem vermelha e dourada . São criaturas fascinantes , as fénix . Podem transportar cargas pesadíssimas , as suas lágrimas têm propriedades curativas e são animais de estimação extremamente fiéis . Com o choque de a fénix a pegar fogo , Harry esquecera se de o motivo porque ali estava , mas tudo voltou rapidamente quando Dumbledore se instalou em a cadeira de espaldar alto e o fixou com os seus olhos azuis e penetrantes . Contudo , antes que ele tivesse tido tempo de falar , a porta de o escritório abriu se de par em par com um enorme estrondo e Hagrid entrou com um olhar tresloucado , o lenço todo torcido em volta de a cabeça hirsuta e o galo morto ainda pendurado em a mão . - Não foi Harry , professor Dumbledore - disse , aflito . - Eu tinha estado a falar com ele poucos segundos antes de o rapazinho ser encontrado , ele não teve tempo professor ... Dumbledore tentou dizer qualquer coisa , mas Hagrid continuou , abanando o galo em o meio de a sua agitação e espalhando penas por todo o lado . - Não pode ter sido ele . Eu juro em a frente de o ministro de a magia , se for preciso ... - Hagrid , eu ... -- Tem o rapaz errado , professor . Eu sei qu'o Harry nunca ... - Hagrid - disse Dumbledore , elevando a voz . - Eu não penso que o Harry tenha atacado aquelas pessoas . - Oh ! - disse Hagrid , com o galo pendendo inerte a o seu lado . - Certo , ' tão eu espero lá fora , director . E saiu com ar envergonhado . - O senhor não acha que tenha sido eu ? - repetiu Harry cheio de esperança , enquanto Dumbledore sacudia penas de galo de cima de a secretária . - Não , Harry , não acho - afirmou Dumbledore , apesar de a sua expressão ser de_novo sombria . - Mas mesmo_assim quero falar contigo . Harry esperou ansiosamente enquanto o director o observava com as pontas de os dedos longos unidas . - Tenho de saber uma coisa . Harry , há alguma pergunta que queiras fazer me , qualquer que ela seja ? Harry não soube o que dizer . Lembrou se de Malfoy a gritar * _ Vocês serão os próximos , sangues de lama * e de a poção * _ Polisuco * em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Depois pensou em a voz sem corpo que ouvira duas vezes e em o que o Ron dissera * _ Ouvir vozes que ninguém mais ouve não é bom sinal , nem mesmo em o mundo de a feitiçaria * . Pensou também em o que toda_a_gente dizia de ele e em o receio cada_vez maior de ter uma relação qualquer com Salazar_Slytherin ... - Não - disse por fim . - Não há nada , professor . O ataque duplo a Justin e a o Nick quase sem cabeça transformou o que até_então era nervosismo em verdadeiro pânico . Curiosamente fora o destino de o Nick quase sem cabeça o que mais preocupara as pessoas . Quem poderia ter feito aquilo a um fantasma ? - perguntavam uns a os outros . - Que poder terrível era aquele , capaz de afectar alguém que já tinha morrido ? Houve uma precipitação enorme em a marcação de os bilhetes em o Expresso_de_Hogwarts , pois todos os alunos quiseram ir passar o Natal a casa . - Por este caminho , vamos ser os únicos a ficar - disse o Ron a o Harry e a a Hermione . - Nós , o Malfoy , o Goyle e o Crabbe , que férias lindas que vão ser ! Crabbe e Goyle que faziam sempre o que Malfoy fazia , tinham se inscrito para ficar também durante as férias . Mas Harry estava contente por a maior parte se ir embora . Estava farto de ver gente a afastar se em os corredores como_se ele fosse mostrar os dentes ou cuspir veneno . Estava cansado de tantos segredinhos , de os ver apontar e segredar quando passava . O Fred e o George , esses achavam muito divertido . Vinham , de propósito , pôr se a a frente de ele e atravessavam os corredores a gritar : - Abram alas para o herdeiro de Slytherin , vai passar um feiticeiro verdadeiramente cruel . Percy discordava totalmente de este comportamento . - Não é um assunto para se brincar - dizia com frieza . - Sai mas é de o caminho , Percy - dizia o Fred . - O Harry está com pressa . - Sim , ele vai a a Câmara_dos_Segredos tomar uma chávena de chá com o seu servidor dentes de serpente - completava Fred com uma gargalhada . Ginny também não lhes achava graça . - Cala te - gritava ela sempre_que o Fred perguntava em voz alta a o Harry quem estava a pensar atacar a seguir , ou quando George fingia afastá o com um enorme dente de alho . Harry não se importava . Fazia o sentir se melhor o facto de constatar que , pelo_menos para o Fred e para o George , a ideia de ele ser o herdeiro de Slytherin era absolutamente ridícula . Mas as palhaçadas de eles pareciam ofender Draco_Malfoy que , de cada_vez que os via , ficava mais irritado . - É porque está ansioso por dizer que é mesmo ele - disse o Ron com ar conhecedor . - Sabes como ele detesta que alguém o ultrapasse e tu estás a receber todo o crédito por o seu trabalho sujo . - Não vai ser por muito_tempo - disse Hermione com uma voz satisfeita . - A poção * polisuco * está quase pronta . Um de estes dias arrancamos lhe a verdade . Finalmente , o período chegou a o seu termo e um silêncio profundo como a neve em os campos desceu sobre o castelo . Harry adorou a tranquilidade e apreciou o facto de ele , Hermione e os Weasley terem a torre de os Gryffindor por sua conta , poderem jogar a as explosões bem alto , sem incomodar ninguém e praticar duelos entre si . O Fred , o George e a Ginny tinham preferido ficar em a escola a ir com Mr. e Mrs._Weasley a o Egipto visitar o Bill . Percy que reprovava e considerava infantil a conduta de eles , não passava muito_tempo em a sala comum de os Gryffindor . Já lhes dissera pomposamente que só ficara ali em o Natal , por ser sua obrigação como prefeito apoiar os professores em aquela época agitada . A manhã de o dia de Natal clareou branca e fria . Harry e Ron , os únicos que estavam em o dormitório , foram acordados muito cedo por Hermione que entrou , toda vestida , transportando presentes para ambos . - Acordem - disse em voz alta , abrindo os cortinados . - Hermione , tu não devias estar aqui - exclamou o Ron , protegendo os olhos de a luz . - Feliz_Natal para ti também - disse Hermione , atirando lhe o presente que tinha para ele . - Estou acordada há quase uma hora , acrescentando mais asas de renda a a poção . Está pronta . Harry sentou se , subitamente acordado . - Tens a certeza ? - Absoluta - disse ela , afastando o rato Scrabbers para se sentar a os pés de a cama de dossel . - Se vamos mesmo tomá a , acho que devia ser logo a a noite . Em esse momentzo , a Hedwig entrou em o quarto , transportando em o bico um embrulho pequenino . - Olá - disse Harry , feliz a o vê a aterrar em a sua cama . - Já me falas outra_vez ? Ela mordiscou lhe a orelha de uma forma afectuosa que foi , de longe , um presente melhor do_que aquele que transportava e que era afinal de os Dursley . Tinham mandado a Harry um palito para os dentes com um cartão pedindo lhe que se informasse se não poderia ficar , também em o Verão , em Hogwarts . Os outros presentes que Harry recebeu foram bastante melhores . Hagrid mandara lhe uma lata grande de bombons de melaço que ele decidiu amolecer a o lume antes de comer , o Ron deu lhe um livro chamado * _ Voando com Canhões * , que narrava factos interessantes sobre a sua equipa favorita de Quidditch e Hermione trouxera lhe uma luxuosa pena de águia . Harry abriu o último presente onde vinha uma camisola novinha , feita a a mão por Mrs._Weasley e um grande bolo de passas . Pegou em o cartão com uma nova sensação de culpa , pensando em o carro de Mr._Weasley que não voltara a ser visto desde_que chocara contra o salgueiro zurzidor e em a quantidade de infracções que ele e o Ron tinham em mente . Ninguém , nem mesmo os que estavam cheios de medo por terem de tomar a poção * polisuco * a seguir , deixou de adorar o jantar de Natal em Hogwarts . O salão nobre estava magnífico . Não_só havia uma_dúzia de árvores de Natal , cobertas de geada e espessas serpentinas de azevinho e visco bravo cruzando se junto de o tecto como caia uma neve encantada quente e seca . Dumbledore conduziu os em uma de as suas canções de Natal preferidas enquanto Hagrid se agitava , falando cada_vez_mais alto , a cada gole de gemada que tomava . O Percy que não dera por_que Fred enfeitiçara o seu distintivo de prefeito , onde agora podia ler se « cabeça de alfinetes « , continuava a perguntar a todos para_onde estavam a olhar . Harry nem_sequer se importou com os comentários que Draco_Malfoy fazia bem alto , de a mesa de os Slytherin acerca de a sua camisola nova . Com alguma sorte , Malfoy iria ser desmascarado dentro_de algumas horas . Harry e Ron mal tinham acabado a terceira dose de pudim de Natal quando Hermione os fez sair de o salão a a pressa para acabarem de tratar de os planos para essa noite . - Ainda precisamos de um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos - disse com o ar mais natural de este mundo como_se estivesse a mandá os a o supermercado comprar detergente . - E , é claro que o ideal será conseguirmos alguma coisa de o Crabbe e de o Goyle , são os melhores amigos de o Malfoy , ele conta lhes tudo . E precisamos também de ter a certeza de que eles não vão entrar em a sala quando vocês estiverem a interrogar o Malfoy . - Eu tenho tudo pensado - prosseguiu ela , ignorando a expressão estupefacta de Harry e Ron . Pegou em dois apetitosos bolos de chocolate . - Pus lhes um encantamento de sono . Vocês só têm de fazer com que o Crabbe e o Goyle os encontrem . Sabem como eles são gulosos , vão logo comê os . Quando estiverem a dormir , tirem lhes alguns cabelos e escondam nos em uma despensa de vassouras . Harry e Ron olharam , incrédulos , um para o outro . -- Hermione , eu não creio que ... -- Isto pode correr muito mal ... Mas Hermione tinha um brilho inflexível em os olhos que não era muito diferente do_que costumavam ver em o olhar de a professora Mc_Gonagall . - A poção não nos serve de nada sem os cabelos de o Crabbe e de o Goyle - disse com firmeza . - Vocês querem mesmo descobrir coisas sobre o Malfoy , não querem ? - Pronto , está bem - disse Harry . - Mas , e tu , vais arranjar cabelos de quem ? - Eu já tenho esse assunto resolvido - disse Hermione sorridente , tirando um frasquinho de o bolso e mostrando lhes um cabelo que lá estava dentro . - Lembram se de a Millicent_Bulstrode que lutou comigo em o clube de os duelos ? Ela deixou isto em o meu manto quando tentava estrangular me . E foi passar o Natal a casa , portanto , basta me dizer a os Slytherins que decidi voltar . Quando Hermione saiu para verificar de_novo a poção polisuco , Ron voltou se para Harry com uma expressão lúgubre . - Alguma vez viste um plano onde tantas coisas pudessem correr mal ? Mas para grande espanto de ambos , a primeira fase de a operação decorreu tão naturalmente como Hermione previra . Eles esconderam se em o * hall * de entrada , depois de o lanche de Natal , a a espera de o Crabbe e de o Goyle que tinham ficado sozinhos a a mesa de os Slytherin , deitando abaixo a quarta dose de bolo inglês . Harry colocou os bolos de chocolate em o fim de o corrimão . Quando avistaram Crabbe e Goyle a sair de o salão , Harry e Ron esconderam se rapidamente atrás_de uma armadura que estava junto de a porta de entrada . - Como_se pode ser tão estúpido ? - murmurou Ron sem se mexer enquanto Crabbe apontava satisfeitíssimo , mostrando a Goyle os bolos e agarrando os . Com um riso estúpido , enfiaram nos inteiros em as bocas enormes . Durante um momento , ambos mastigaram avidamente com olhares vitoriosos em o rosto . Depois , sem que a expressão se alterasse , caíram para trás e estatelaram se em o chão . Mais difícil foi transportá os para a despensa de o outro lado de o * hall * . Uma_vez armazenados em o meio de os baldes e esfregões , Harry arrancou alguns de os pêlos que cobriam a cabeça de o Goyle e Ron tirou alguns cabelos a o Crabbe . Roubaram lhes também os sapatos porque os de eles eram demasiado pequenos para os enormes pés de o Crabbe e de o Goyle . Em seguida , ainda atordoados com o que tinham acabado de fazer , correram até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mal conseguiam ver com o fumo preto e espesso que saía de o cubículo onde Hermione mexia o caldeirão . Tapando o rosto com os mantos , Harry e Ron bateram a o de leve em a porta . - Hermione ? Ouviram o ruído de o trinco e Hermione apareceu com a cara lustrosa e um ar ansioso . Por trás de ela ouviam o gloop gloop de a poção espessa e gorgolejante . Em o banco de a casa_de_banho estavam três copos de vidro . - Conseguiram ? - perguntou Hermione quase sem fôlego . Harry mostrou lhe o cabelo de o Goyle . - _ óptimo . Eu tirei estes mantos suplementares de a lavandaria - disse ela , pegando em uma pequena saca . - Vocês vão precisar de tamanhos maiores se vão ser o Crabbe e o Goyle . Olharam os três para o caldeirão . Vista de perto , a poção parecia uma lama espessa e escura a borbulhar indolentemente . - Tenho a certeza que fiz tudo certo - disse Hermione nervosa , relendo a página manchada de * _ Moste_Potente_Potions * . - Tem o aspecto que o livro diz que deveria ter ... depois de a tomar temos precisamente uma hora antes de nos transformarmos de_novo em as pessoas que somos . - E agora ? - murmurou o Ron . - Separamos a em três copos e adicionamos os cabelos . Hermione encheu cada_um de os copos com uma concha de sopa . Em seguida , retirou com a mão a tremer o cabelo de Millicent_Bulstrode de dentro de o frasquinho e pô o em o primeiro copo . A poção chiou fortemente como uma chaleira a ferver e espumou como louca . Um segundo depois ganhara um tom de amarelo doentio . - Urgh ! Essência_de_Millicent_Bulstrode - disse Ron , olhando com repugnância . - Aposto que o sabor é nojento . - Deitem os vossos - disse Hermione . Harry deixou cair o cabelo de o Goyle em o copo de o meio e Ron lançou o de o Crabbe em o último . Ambos chiaram e espumaram : o de o Goyle ficou de um tom caqui , o de o Crabbe de um castanho-escuro algo tenebroso . - Esperem - pediu Harry quando Ron e Hermione pegaram em os copos . - Será melhor não os tomarmos aqui todos juntos em um cubículo ; quando em os transformarmos não vamos cá caber e Millicent_Bulstrode não é nenhum duende . - Bem pensado - admitiu o Ron , abrindo a porta . - Cada_um em seu cubículo . Com todo o cuidado , para não entornar nem uma gota de a poção polisuco , Harry esgueirou se para o cubículo de o meio . - Prontos ? - perguntou . - Prontos - responderam as vozes de o Ron e de a Hermione . - Um , dois , três . Tapando o nariz , Harry bebeu a poção em dois grandes tragos . Tinha o sabor de a couve demasiado cozida . Os seus interiores começaram imediatamente a contorcer se como_se tivesse engolido serpentes vivas . Dobrado , Harry perguntava a si próprio se iria vomitar . Depois , uma sensação de ardor espalhou se rapidamente de o estômago até a as pontas de os dedos de as mãos e de os pés . Em seguida , fazendo o sobressaltar se , sobreveio o sentimento horrível de estar a derreter enquanto a pele de todo o seu corpo borbulhava como cera quente e , perante os seus olhos , as mãos começaram a crescer , os dedos a engrossar , as unhas a alargar e as articulações a tornarem se protuberantes como ferrolhos . Os ombros retesaram se dolorosamente e uma comichão em a testa preveniu o de que o cabelo estava a rastejar em direcção a as sobrancelhas . As túnicas rasgaram se enquanto o tórax se expandia como um barril , rebentando com os seus anéis . Os pés estavam em grande sofrimento dentro_de sapatos quatro números abaixo . Tão depressa como começara , tudo parou . Harry estava caído em o chão de pedra fria , ouvindo a Murta_Queixosa gorgolejando taciturna em o cubículo de o fundo . Com alguma dificuldade tirou os sapatos e levantou se . Era então assim que o Goyle se sentia ! Com a mão enorme a tremer , despiu a sua túnica que lhe ficava 30 centímetros acima de os tornozelos , pegou em as túnicas suplementares e amarrou os atacadores de os sapatos abotinados de o Goyle . Quis escovar o cabelo para o afastar um_pouco de os olhos e deu apenas com os pêlos hirsutos que lhe cresciam em a testa . Apercebeu se então de que os óculos lhe toldavam a visão porque o Goyle , obviamente , não precisava de eles . Tirou os e gritou . - Vocês estão bem ? - De a sua boca saiu a voz baixa e grossa de o Goyle . - Sim - respondeu lhe o grunhido de o Crabbe , a a sua direita . Harry abriu a porta de o cubículo e dirigiu se a o espelho partido . O Goyle olhava o de o outro lado com os seus olhos parados . Harry coçou a orelha e Goyle fez o mesmo . A porta de o Ron abriu se . Olharam um para o outro . Harry estava pálido e chocado . O amigo não se distinguia de o Crabbe , desde o corte de cabelo em forma de tigela até a os longos braços de gorila . - É inacreditável - disse o Ron , aproximando se de o espelho e beliscando o nariz achatado de o Crabbe . - Inacreditável ! - É melhor irmos indo - disse Harry , alargando a pulseira de o relógio que lhe cortava o pulso . - Ainda temos de descobrir onde fica a sala comum de Slytherin . Só espero que encontremos alguém que vá para lá e que nós possamos seguir . Ron que tinha estado a olhar espantado para ele , comentou : - Não imaginas como é bizarro ver o Goyle a pensar - bateu em a porta de Hermione . - Vamos , temos que ir ... Respondeu lhe uma voz aguda : - Eu ... eu acho que afinal não vou . Vão vocês sem mim . - Hermione , nós sabemos que a Millicent_Bulstrode é feia , ninguém vai pensar que és tu . - Não , a sério , acho que não vou . Despachem se vocês os dois , estão a perder tempo . Harry olhou para Ron , baralhado . - Aquilo parece mais de o Goyle , é como ele fica sempre_que algum professor lhe faz uma pergunta . - Estás bem , Hermione ? - perguntou Harry , através de a porta . - _ óptima , estou óptima , vão se embora . Harry olhou para o relógio . Cinco preciosos minutos tinham já passado . - Encontramo nos aqui , está bem ? - disse . Os dois abriram a porta de a casa_de_banho com todo o cuidado , viram se o caminho estava livre e saíram . - Não balances assim os braços - disse o Harry a o Ron . - Hein ? - O Crabbe anda sempre com eles esticados . - Assim ? - Isso , assim está melhor . Desceram a escadaria de mármore . Só precisavam agora de um Slytherin que pudessem seguir até a a sala comum , mas não havia ninguém por perto . - Tens alguma ideia ? - perguntou Harry em um murmúrio . - Os Slytherin vêm sempre de ali para o pequeno-almoço - disse o Ron , apontando para a entrada de os calabouços . Mal tinha pronunciado estas palavras quando uma rapariga de cabelo comprido a os caracóis , apareceu . - Desculpa - disse o Ron , sem perder tempo . - Esquecemo nos de o caminho para a nossa sala comum . - Como ? - disse a rapariga com a maior frieza . - A * nossa * sala comum ? Eu sou uma Ravenclaw . Afastou se , olhando para eles , desconfiada . Harry e Ron desceram apressadamente os degraus de pedra até a a escuridão . Os passos ecoavam em o silêncio , à_medida_que os pés enormes de Crabbe e Goyle tocavam em o chão , fazendo os sentir que as coisas não iam ser tão fáceis como eles desejavam . Os corredores labirínticos estavam desertos . Andaram e tornaram a andar por os subterrâneos , olhando constantemente para os relógios para ver quanto tempo ainda lhes restava . Depois de um quarto de hora , quando começavam a ficar desesperados , ouviram um movimento súbito . - Olha - disse o Ron , agitadamente . - Agora é um de eles . A silhueta saía de uma sala , mas quando se aproximaram o coração de ambos esmoreceu . Não era um Slytherin , era Percy . - O que estás a fazer aqui em baixo ? - perguntou o Ron surpreendido . - Isso - disse ele friamente - não é de a tua conta . És o Crabbe , não és ? - Er ... sim , sim - respondeu o Ron . - Então vão para o vosso dormitório - ordenou Percy com firmeza . - Não é seguro andar a passear por os corredores escuros em os dias que correm . - Tu andas -- fez notar o Ron . - Eu - disse o Percy endireitando se - sou um prefeito . Nada vai atacar me . Ouviu se , de repente , uma voz por_detrás_de Harry e Ron . Era_Draco_Malfoy e , pela_primeira_vez em a vida , Harry ficou satisfeito a o vê o . - Aí estão vocês - disse de modo arrastado , olhando para eles . - Têm estado a chafurdar em o salão este tempo todo ? Tenho andado a a vossa procura , quero mostrar vos uma coisa muito divertida . Malfoy olhou misteriosamente para Percy . - E o que fazes tu aqui , Weasley ? - perguntou com ar de desprezo . Percy olhou , sentindo se ultrajado . - Fazes favor de mostrar um_pouco mais de respeito por um prefeito de a escola - disse . - Não gosto de o teu ar . Malfoy riu se e fez sinal a o Harry e a o Ron para que o seguissem . Harry quase ia pedindo desculpa a o Percy , mas deu se conta a tempo . Apressaram se a seguir o Malfoy que disse , mal viraram em o corredor seguinte : - Aquele Peter_Weasley ... - O Percy - corrigiu Ron automaticamente . - Ou isso - continuou Malfoy . - Ultimamente tenho o visto muitas_vezes a andar por aí sorrateiramente e aposto que sei o que ele quer . Pensa que vai apanhar o herdeiro de Slytherin sozinho . Deu uma pequena gargalhada ridícula . Harry e Ron trocaram olhares nervosos . Malfoy parou junto de uma parede de pedra húmida . - Qual é a senha ? - perguntou a o Harry . - Er ... - Ah ! sim , sangue puro - disse Malfoy sem ouvir e uma porta de pedra , oculta em a parede , abriu se . Malfoy entrou e Harry e Ron seguiram o . A sala comum de os Slytherin era uma ampla divisão subterrânea com espessas paredes de pedra e um tecto de o qual estavam pendurados por correntes vários candeeiros redondos que davam uma luz esverdeada . O fogo crepitava em uma lareira elaboradamente esculpida em frente de a qual se viam as silhuetas de vários Slytherins sentados em cadeiras igualmente esculpidas . - Esperem aí - disse Malfoy a o Harry e a o Ron , encaminhando os para um par de cadeiras vazias , longe de o lume . - Eu vou buscar o que o meu pai acaba de me mandar . Sem saber o que Malfoy iria mostrar lhes , Harry e Ron sentaram se , fazendo todos os possíveis por parecer a a vontade . Malfoy voltou um minuto depois , trazendo em a mão o que parecia ser um recorte de jornal . Pô o debaixo de o nariz de o Ron . - Vais te rir - disse . Harry viu os olhos de o Ron abrirem se como_se estivesse em estado de choque . Viu o ler o recorte rapidamente , dar uma gargalhada forçada e estender lhe o em seguida . Tinha sido retirado de o * _ Profeta_Diário * e dizia : inquérito em o ministério de a magia * _ Arthur_Weasley , chefe de o Gabinete_de_Mau_Uso_dos_Utensílios_dos_Muggles foi hoje multado em cinquenta galeões por ter enfeitiçado um carro de os Muggles . * _ O senhor Lucius_Malfoy , Membro_do_Conselho_Directivo_da_Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts , onde o carro enfeitiçado foi chocar em o princípio de este ano , exigiu hoje a demissão de Mr._Weasley . « * _ O_Weasley trouxe o descrédito a o Ministério « - declarou Mr._Malfoy a o nosso repórter . - « É claramente incompetente para fazer cumprir as leis e a sua protecção ridícula de os Muggles deveria ir imediatamente para a sucata . » * _ Mr._Weasley recusou se a fazer comentários , mas a sua mulher disse a os repórteres que desaparecessem de ali ou lançaria contra eles o vampiro de a família * . - Então - disse Malfoy impaciente quando Harry voltou a entregar lhe o recorte . - Não achas o_máximo ? - Ha , ha - fez Harry tristemente . - O Arthur_Weasley gosta tanto de os Muggles que era capaz de partir a sua varinha a o meio para se juntar a eles - disse Malfoy com desprezo . - Ninguém diria que os Weasley eram sangue puro a avaliar por o modo como_se comportam . A cara de o Ron , ou melhor , de o Crabbe , contorceu se de raiva . - O que é_que se passa ? - perguntou Malfoy . - Dores de estômago - gemeu o Ron . - Então vai a a ala hospitalar e dá a todos aqueles sangues de lama um pontapé de a minha parte - disse Malfoy com o seu riso escarninho . - Sabes que estou espantado por o * _ Profeta_Diário * ainda não se ter referido a todos estes ataques - continuou pensativamente . - Calculo que o Dumbledore deve estar a tentar abafar as coisas . Ele ainda é posto em a rua se isto não acaba depressa . O pai sempre disse que Dumbledore foi a pior coisa que aqui veio parar . Ele adora os filhos de os Muggles , um director decente nunca deixaria um lodo como o Creevey entrar em esta escola . Malfoy começou a fingir que tirava fotografias com uma máquina imaginária e fez uma imitação maldosa , mas bastante fiel de o Colin : - Potter , posso tirar te a fotografia ? Dás me um autógrafo ? Posso lamber te os sapatos , por favor , Potter ? Baixou as mãos e olhou para Harry e Ron . - O que é_que se passa com vocês os dois ? Um_pouco atrasados , Harry e Ron forçaram o riso e Malfoy pareceu satisfeito . Talvez Crabbe e Goyle fossem sempre de reacção lenta . - O santo Potter , amigo de os sangues de lama - disse Malfoy . - É outro que não tem os sentimentos de um feiticeiro a sério ou não andaria por aí com aquela empertigada sangue de lama Granger . E as pessoas a pensarem que ele é o herdeiro de Slytherin . Harry e Ron esperaram com a respiração entrecortada : o Malfoy ia certamente dizer lhes , dentro_de segundos , que era ele , mas então ... - Quem me dera saber quem ele é - disse o Malfoy , de forma petulante . - Podia ajudá o . O queixo de o Ron caiu de tal maneira que a cara de o Crabbe ficou ainda mais desajeitada do_que era habitual . Felizmente Malfoy não deu por nada e Harry , em um pensamento rápido , disse : - Deves ter alguma ideia de quem está por_detrás_de tudo ... - Sabes perfeitamente que não tenho , Goyle , quantas vezes é preciso dizer te ? - cortou Malfoy . - E o pai também não me diz nada sobre a última vez que a câmara foi aberta . É claro que foi há cinquenta anos , antes de ele cá andar , mas o pai sabe tudo a esse respeito e diz que as coisas foram mantidas em grande segredo e que pareceria suspeito se eu soubesse demasiado . Mas há uma coisa que eu sei : de a última vez que a câmara foi aberta , morreu um sangue de lama . Por isso , aposto que é uma questão de tempo até que um de eles seja morto . Só espero que seja a Granger - disse satisfeito . Ron fechara os punhos gigantescos de o Crabbe . Sentindo que deitaria tudo a perder se ele desse um soco a o Malfoy , Harry lançou lhe um olhar de aviso e disse : - Sabes se a pessoa que abriu a câmara de a última vez foi apanhada ? - Ah ! sim , essa pessoa foi expulsa - disse Malfoy . - Ainda deve estar em Azkaban . - Azkaban ? - repetiu Harry confuso . - Azkaban , a prisão de os feiticeiros , Goyle - disse Malfoy , olhando para ele incrédulo . - Francamente , se fosses mais lento andavas para trás . Esticou se intranquilo , em a cadeira e disse : - O pai diz para eu esfriar a cabeça e deixar que o herdeiro de Slytherin faça o seu trabalho . Acha que a escola precisa de se livrar de a escória de os sangues de lama , mas não quer que eu me envolva em nada . Claro que ele agora tem um prato cheio . Sabes que o Ministério de a magia fez uma busca a a nossa mansão em a semana passada ? Harry tentou forçar a cara de bronco de o Goyle a uma expressão preocupada . - Sim - continuou Malfoy . - É claro que não encontraram grande coisa . O pai guarda uns materiais de magia negra muito valiosos , mas , felizmente , temos a nossa câmara secreta debaixo de o soalho de a sala de visitas ... - Ah ! - disse o Ron . Malfoy olhou para ele . Harry também . Ron corou e até o cabelo começou a ficar vermelho . O nariz estava também a diminuir lentamente ... a hora tinha acabado . Ron estava a voltar a a sua forma habitual e por o olhar de horror que lançou a Harry certamente ele também estava . Puseram se rapidamente de pé . - Tenho de tomar o remédio para o estômago - grunhiu o Ron e sem mais explicações saíram ambos a correr de a sala comum de os Slytherin , precipitaram se para a parede de pedra e galgaram a passagem , pedindo a todos os santos que Malfoy não tivesse dado por nada . Harry sentia os pés a nadarem em os sapatos enormes de o Goyle e tinha de levantar o manto visto_que diminuíra de tamanho . Subiram os degraus a correr até a o * hall * escuro de entrada onde se ouvia um som abafado que vinha de a despensa onde tinham fechado o Crabbe e o Goyle . Deixando os sapatorros de os dois de o lado de_fora , subiram já com os respectivos sapatos a escadaria de mármore até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Bem , não foi uma total perda de tempo - disse o Ron ofegante , fechando atrás_de si a porta de a casa_de_banho . - É certo que ainda não descobrimos de quem vêm os ataques , mas vou escrever a o meu pai amanhã a dizer lhe que procure debaixo de o soalho de a sala de visitas de o Malfoy . Harry olhou para o espelho partido . Tinha voltado a o normal . Pôs os óculos enquanto Ron batia em a porta de o cubículo de Hermione . - Hermione , sai de aí , temos um monte de coisas para te contar ... - Vão se embora - guinchou Hermione . Harry e Ron olharam um para o outro . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron . - Tu já deves ter voltado a o normal como nós ... Mas a Murta_Queixosa saiu subitamente através de a porta de o cubículo com um ar divertido como nunca a tinham visto . - Oh ! Esperem até ver - disse ela . - É horrível ! Ouviram o trinco de a porta a abrir se e Hermione apareceu a soluçar , a túnica levantada a cobrir lhe o rosto . - O que foi ? - perguntou o Ron indistintamente . - Ainda tens o nariz de a Millicent ou alguma coisa assim ? Hermione deixou cair a roupa e Ron recuou rapidamente . O rosto de ela estava coberto de pêlo preto , os olhos tinham ganho uma cor amarela e as orelhas eram pontiagudas , saindo espetadas para fora de os cabelos . - Era um pêlo de g-gato - disse a chorar . - A Millicent_Bulstrode d-deve ter um gato e a poção não está preparada para transformação em animais . - Oh-oh - disse o Ron . - Vão te gozar horrivelmente - disse a Murta , felicíssima . - Não te preocupes , Hermione - tranquilizou a rapidamente o Harry . - Vamos levar te para a ala hospitalar , a Madam_Pomfrey nunca faz muitas perguntas ... Não foi fácil convencer Hermione a sair de a casa_de_banho . A Murta_Queixosa despediu se com uma gargalhadavigorosa e grosseira . - Espera até todos descobrirem que tens uma cauda ! XIII_O diário muito secreto Hermione ficou em a ala hospitalar durante várias semanas . Houve uma onda de boatos sobre o seu desaparecimento quando o resto de os alunos voltou de as férias de Natal porque , é claro , todos pensam que ela tinha sido atacada . Foram tantos os estudantes a rondar a ala hospitalar para espreitar a ver se a viam que Madam_Pomfrey desceu de_novo as cortinas de a cama de ela para a poupar a a vergonha de ser vista com pêlo em a cara . Harry e Ron iam visitá a todas_as tardes . Quando o segundo período começou passaram a levar lhe diariamente os trabalhos de casa . - Se eu tivesse o bigode a crescer , tinha uma folga de o trabalho - disse uma tarde o Ron enquanto colocava uma pilha de livros a a cabeceira de a cama de Hermione . - Não sejas parvo , Ron , eu tenho de me manter a par de as coisas - disse Hermione com vivacidade . O humor de ela melhorara bastante com o facto de lhe ter desaparecido todo o pêlo de o rosto e de os olhos estarem lentamente a retomar a cor castanha . - Calculo que não tenham novas pistas ? - disse em um murmúrio para evitar que Madam_Pomfrey os ouvisse . - Nada - disse Harry tristemente . - Eu tinha tanta certeza de que era o Malfoy - repetiu o Ron por a centésima vez . - O que é isso ? - perguntou Harry , apontando para uma coisa com brilho dourado que estava debaixo de a almofada de Hermione . - É só um cartão a desejar boas melhoras - disse ela precipitadamente , tentando escondê o , mas o Ron foi mais rápido . Pegou lhe , abriu o e leu em voz alta : * _ Para_Miss_Granger , desejando lhe uma rápida recuperação , com o interesse e estima de o professor Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , Terceiro grau , Membro_Honorário_da_Liga_de_Defesa contra as Artes_Negras e vencedor por cinco vezes de o prémio O sorriso mais charmoso de a semana de o Semanário_das_Bruxas * . Ron olhou desconsolado para Hermione . - Tu dormes com isto debaixo de a almofada ? Mas Hermione foi poupada a ter de responder por a entrada de Madam_Pomfrey que lhe trazia a dose de medicamento de a tarde . - Achas que o Lockhart é o tipo mais esperto que conheceste ? - perguntou o Ron a o Harry quando saíram de a enfermaria e começavam a subir as escadas para a torre de os Gryffindor . O Snape tinha lhes passado tanto trabalho para_casa que Harry pensou que ia chegar a o sexto ano antes de o ter acabado . Ron vinha a dizer que devia ter perguntado a a Hermione quantas caudas de rato deveria juntar se a uma poção para o crescimento de o cabelo quando um grito de raiva vindo de o andar de cima lhes chegou a os ouvidos . - É o Filch - murmurou Harry enquanto subiam apressadamente as escadas e paravam para ouvir melhor . - Terá mais alguém sido atacado ? - disse nervosamente o Ron . Ficaram parados com as cabeças inclinadas para a voz de o Filch que parecia quase histérica . -- ... * _ Ainda mais trabalho para mim . Toda_a noite a esfregar como_se não tivesse já trabalho de sobra . Não , isto foi a gota de água que fez transbordar o copo , vou falar com Dumbledore * ... Os passos afastaram se e ouviram uma porta fechar se com grande estrondo . Puseram as cabeças fora de a esquina . O Filch tinha obviamente estado a patrulhar o seu habitual posto de vigia : estavam novamente em o lugar onde Mrs._Norris fora atacada . Perceberam imediatamente qual o motivo de os gritos . Uma enorme poça de água enchia metade de o corredor e parecia escorrer de a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Agora_que o Filch se calara podiam ouvir os uivos de a Murta que faziam eco em as paredes de a casa_de_banho . - Mas o que se passará com ela ? - disse o Ron . - Vamos lá ver - sugeriu Harry e arregaçando as túnicas até a os tornozelos entraram , atravessando a enorme poça de água , em a casa_de_banho que tinha o letreiro a dizer « Fora de serviço » e que eles , como sempre , ignoraram . A Murta_Queixosa chorava , se possível , mais alto do_que nunca . Parecia estar escondida em o cubículo de o costume . Lá dentro estava escuro pois as velas tinham se apagado com a enchente de água que deixara as paredes e o chão ensopado . - O que se passa , Murta ? - quis saber o Harry . - Quem é ? - perguntou ela infelicíssima . - Vieste atirar me mais alguma coisa acima ? Harry caminhou com dificuldade por causa de a água até a o cubículo de ela e disse : - Porque te faríamos nós uma coisa de essas ? - Não me perguntem - gritou a Murta , emergindo em uma onda de água que molhou ainda mais o chão já ensopado . - Eu estou aqui metida em a minha morte e alguém acha muito engraçado atirar me com um caderno acima ... - Mas , não pode magoar te se alguém te atirar alguma coisa acima - disse Harry , tentando ser prático . - Isto_é , seja o que for passa através_de ti , não é assim ? Tinha dito a frase errada . A Murta encheu o peito de ar e gritou a plenos pulmões : - Vamos todos atirar cadernos a a Murta já_que ela não sente nada ! Dez pontos se lhe acertarem em o estômago , cinquenta se lhe atravessar a cabeça ! Hah hah hah , que jogo lindo , não acham ? - Quem te atirou um caderno , afinal ? - perguntou o Harry . - Não sei ... eu estava sentada em a sanita a pensar em a morte e caiu me em cima de a cabeça - disse a Murta , olhando para eles . - Está ali , ficou todo molhado . Harry e Ron olharam para o ponto que a Murta lhes apontava debaixo de o lavatório . Um caderno pequenino e fino estava caído em o chão . Tinha uma capa preta muito gasta e estava encharcado como tudo em aquela casa_de_banho . Harry deu um passo em frente para o apanhar , mas o Ron agarrou lhe precipitadamente o braço . - O que foi ? - perguntou Harry . - Estás doido - disse ele . - Pode ser perigoso . - Perigoso ? - riu se Harry . - Essa agora Ron , como é_que pode ser perigoso ? - Ficarias surpreendido ... - explicou ele , olhando com ar apreensivo para o caderno . - Entre os livros que o Ministério confiscou , contou me o meu pai , havia um que queimava os olhos a as pessoas . E todos os que leram os * _ Sonetos_de_Um_Feiticeiro * ficaram a falar em verso para o resto de a vida . Havia também uma bruxa em Bath que tinha um livro que quem o lesse nunca mais conseguia parar , tinha de andar por aí com o nariz enfiado em as folhas , a fazer todas_as coisas só com uma mão e ... - Já chega , já chega , já percebi a tua ideia - disse O_Harry . O caderninho continuava caído e ensopado . - Bem , nunca saberemos a_não_ser_que tenhamos a coragem de dar uma vista de olhos - disse e mergulhou apanhando o de o chão . Harry viu imediatamente que se tratava de um diário e a data meio apagada , em a capa , disse lhe que tinha cinquenta anos de idade . Abriu o ansiosamente . Em a primeira página podia ler se apenas o nome T._M._Riddle em tinta esborratada . - Espera aí - disse o Ron que se aproximara prudentemente e olhava por cima de o ombro de Harry . - Eu conheço esse nome ... T._M._Riddle recebeu um prémio por serviços especiais prestados a a escola há cinquenta anos atrás . - Como diabo sabes tu isso ? - perguntou Harry com grande espanto . - Porque o Filch mandou me limpar a taça de ele umas cinquenta vezes quando estive de castigo - disse o Ron ressentido . - Foi a taça em cima de a qual eu vomitei lesmas . Se tivesses tido que limpar o muco de um nome durante uma hora também te lembrarias . Harry separou umas de as outras as páginas molhadas . Estavam completamente em branco . Não havia o mais leve sinal de escrita em nenhuma , nem coisas como « Aniversário de a tia Mabel « ou « Dentista a as três_e_meia » . - Ele nunca escreveu nada aqui - disse Harry desapontado . - Porque quereria alguém atirá o fora ? - perguntou se o Ron com curiosidade . Harry voltou o caderno e viu , inscrito em a contra capa , o nome de uma tabacaria em Vauxhall_Road , Londres . - Ele devia ser filho de Muggle - disse Harry pensativo - para ter comprado um diário em Vauxhall_Road ... - Bem , não te serve de muito - Ron baixou a voz . - Cinquenta pontos se acertares em o nariz de a Murta . Harry , mesmo_assim , guardou o diário . Hermione saiu de a ala hospitalar desbigodada , sem cauda e sem pêlo em os primeiros dias de Fevereiro . Em a primeira noite em a torre de os Gryffindor , Harry mostrou lhe o diário de T._M._Riddle e contou lhe como o tinham encontrado . - Ooooh ! Deve ter poderes ocultos - disse ela entusiasticamente , pegando em o diário e examinando o de perto . - Se tem , esconde os muito bem - disse Ron . - Talvez fosse tímido . Não sei porque não deitas isso fora , Harry . - Gostava de perceber porque motivo alguém se quis livrar de ele - explicou Harry . - E também não me importava de saber como foi que o Riddle obteve esse prémio de serviços especiais prestados a Hogwarts . - Pode ter sido qualquer coisa - lançou o Ron . - Talvez tenha recebido 30 de nota final ou salvo um professor de a lula gigante . Se_calhar assassinou a Murta , isso teria sido um favor prestado a todos ... Mas Harry quase podia jurar , por o olhar suspenso em a cara de Hermione , que ela pensava o mesmo_que ele . - O que foi ? - perguntou Ron , olhando para um e para o outro . - Bem , a Câmara_dos_Segredos foi aberta há cinquenta anos , não foi isso que disse o Malfoy ? - Sim - respondeu Ron , lentamente . - E este diário tem cinquenta anos de idade - completou Hermione , dando lhe palmadinhas nervosas . - E de aí ? - Oh Ron , acorda - insistiu Hermione . - Sabemos que a pessoa que abriu a câmara de a outra_vez foi expulsa há cinquenta anos . E se o Riddle tivesse tido o prémio especial por apanhar o herdeiro de Slytherin ? O seu diário diria nos provavelmente tudo : onde é a Câmara_dos_Segredos , como abris a e que tipo de criatura vive lá . Achas que a pessoa que está por trás de os ataques desta_vez quereria o diário por aí ? - É uma teoria interessante , Hermione - disse o Ron . - Apenas com uma pequenina falha : o diário não tem nada Mas_Hermione já estava a tirar a varinha de o saco . - Pode ser tinta invisível - murmurou . Bateu três vezes em o diário e repetiu * _ Aparecium ! * Nada aconteceu . Intrépida , Hermione meteu a mão de_novo em o saco e tirou o que parecia ser uma borracha vermelha e brilhante . - É um * revelador * , comprei o em a Diagon - _ Al - disse . Apagou com força em 1_de_Janeiro . Não sucedeu nada . - Já vos disse , não há nada aí - repetiu o Ron . - O Riddle deve ter recebido um diário como prenda de Natal e nem se deu a o trabalho de escrever fosse o que fosse . Harry não conseguia explicar , nem a si próprio , porque motivo não deitara fora o diário de Riddle . A verdade é_que , mesmo depois de saber que ele estava em branco , continuou distraidamente a pegar lhe e a virar as páginas como_se quisesse chegar a o fim de uma história . E , apesar_de saber que nunca tinha ouvido o nome T._M._Riddle , continuava a ter a sensação de que lhe dizia alguma coisa , como_se Riddle fosse um amigo que ele tinha tido quando era muito pequeno e que estivesse meio esquecido . Mas era um absurdo . Nunca tivera amigos antes de Hogwarts , Dudley tivera esse cuidado . Ainda_assim , Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle , por isso em o dia seguinte foi até a a sala de os troféus para examinar a taça , acompanhado de Hermione que estava interessadíssima e de Ron que se mostrava profundamente incrédulo , dizendo que tinha ficado farto de aquela sala até a o fim de a vida . A taça dourada de Riddle estava arrecadada em um armário de canto . Não fornecia detalhes sobre o motivo por_que lhe fora dada ( felizmente , se fosse maior ainda hoje estava a limpá a , disse o Ron ) . Mas encontraram o nome de Riddle em uma antiga medalha de Mérito_Mágico e em uma lista de antigos chefes de turma . - Parece o Percy - comentou Ron , torcendo o nariz com aversão . - Prefeito , chefe de turma , provavelmente o melhor em todas_as disciplinas . - Dizes isso como_se fosse uma coisa má - fez lhe notar Hermione , em um tom de voz ressentido . Um sol fraco brilhava agora de_novo em Hogwarts . Dentro de o castelo , o ambiente estava bastante melhor . Não tinha havido novos ataques desde Justin e Nick quase sem cabeça e Madam_Pomfrey teve a satisfação de informar que as Mandrágoras começavam a ficar instáveis e dissimuladas , sinal de que estavam a abandonar rapidamente a infância . - Logo_que o acne desapareça estarão prontas para novo transplante - ouviu a Harry dizer amavelmente a o Filch . - E depois de isso , não demorará muito até podermos cortá as e estufá as . - Vai ter Mrs._Norris de volta , muito em_breve . Talvez o herdeiro ou herdeira de Slytherin tenha perdido a coragem , pensou Harry . Deve ser cada_vez_mais arriscado abrir a Câmara_dos_Segredos com a escola tão alerta e desconfiada . Talvez o monstro , qualquer_que_fosse , estivesse a preparar se para hibernar durante outros cinquenta anos . Ernie_Mcmillan_dos_Hufilepuff não aceitou esta visão optimista . Continuava convencido de que Harry era o culpado , que se tinha traído em o clube de os duelos . Peeves não ajudava nada : continuava a cantar por os corredores Potter , * seu bandido * ... agora acompanhado de um esquema de dança . Gilderoy_Lockhart parecia pensar que fora ele quem pusera fim a os ataques . Harry fartou se de o ouvir dizer isso a a professora Mc_Gonagall enquanto os Gryffindor formavam bicha para a aula de Transfiguração . - Não creio que volte a haver problemas , Minerva - disse , tocando em o nariz com ar conhecedor e piscando o olho . - Acho que desta_vez a câmara foi definitivamente selada . O culpado deve ter sabido que era uma questão de tempo até eu o apanhar e que era mais sensato parar agora antes que eu lhe tratasse de a saúde . Sabe , a escola está a precisar de um intensificador de animo para apagar as lembranças de o último período . Não vou dizer lhe mais_nada , por enquanto , mas julgo que sei o que ... Voltou a tocar em o nariz e afastou se a passos largos . A ideia de Lockhart de um intensificador de ânimo ficou bastante clara em o dia_14_de_Fevereiro , a o pequeno-almoço . Harry não dormira grande coisa devido a o treino de Quidditch em a noite anterior e chegou a o salão um_pouco atrasado . Pensou , por momentos , que se tinha enganado em a porta . As paredes estavam todas cobertas com enormes e medonhas flores cor-de-rosa . Pior ainda , * confettis * em forma de corações caíam de o tecto azul pálido . Harry dirigiu se a a mesa de os Gryffindor onde o Ron estava sentado com um ar enjoado junto de Hermione que parecia particularmente risonha . - O que se passa ? - perguntou lhes , sentando se e sacudindo os * confettis * de o seu bacon . Ron apontou para a mesa de os professores , com um ar demasiado repugnado para falar . Lockhart , em as suas vestes rosa vivo , a condizer com a decoração de o salão , fazia sinal para que se calassem . Os professores que o ladeavam tinham um ar estupefacto . De o seu lugar , Harry podia ver um músculo mover se em a bochecha de a professora Mc_Gonagall . Snape estava com ar de quem tomou uma imensa dose de xarope * skele-gro * . - Feliz dia de S._Valentim - gritou Lockhart . - E permitam me que agradeça a as quarenta_e_seis pessoas que até agora me enviaram cartões . Sim , fui eu quem tomou a liberdade de vos fazer esta pequena surpresa , e ela não acaba aqui ! Lockhart bateu as palmas e por as portas de o * hall * entraram a marchar cerca de uma_dúzia de duendes de aspecto carrancudo . Não eram uns duendes quaisquer , diga se de passagem . Lockhart fizera os usar asas douradas e transportar harpas . - Os meus amigos cupidos , portadores de os cartões ! gritou Lockhart . - Eles vão andar por a escola durante o dia de hoje , entregando os vossos cartões de S._Valentim . E o divertimento não acaba aqui . Tenho a certeza de que os meus colegas vão querer participar em este espírito de festa . Porque não pedir a o professor Snape que vos mostre como preparar rapidamente uma poção de amor . E , enquanto ele a prepara , está aqui o professor Flitwick que é de todos os feiticeiros que conheci aquele que mais sabe de encantamentos de sedução , o grande safado ! O professor Flitwick enterrou o rosto em as mãos . Snape olhava como_se quisesse dar veneno a a primeira pessoa que fosse pedir lhe a poção de o amor . - Por favor , Hermione , diz me que não foste uma de as quarenta_e_seis - pediu Ron quando saíram de o salão para a primeira aula . Mas Hermione ficou subitamente muito interessada em procurar o horário dentro de a mala e não lhe respondeu . Durante todo o dia os duendes não pararam de se intrometer em as aulas para entregar cartões , para grande aborrecimento de os professores e , ao_fim_da_tarde , quando os Gryffindor subiam as escadas para a aula de encantamentos , um de eles avistou o Harry . - Hei , tu , Harry_Potter ! - gritou um duende de aspecto particularmente lúgubre , dando cotoveladas a_toda_a gente para se aproximar de o Harry . Coradíssimo com a ideia de receber um cartão de S._Valentim diante_de uma fila de alunos de o primeiro ano que , por acaso , incluía Ginny_Weasley , Harry tentou escapar se . Mas o duende cortou lhe o caminho através de a multidão e agarrou o em três tempos . - Tenho uma mensagem musical para entregar a Harry_Potter em pessoa - disse , tangendo a harpa de forma ameaçadora . - Aqui não - disse baixinho o Harry , tentando escapar . - Fica quieto - grunhiu o duende , agarrando o saco de o Harry e puxando com força . - Larga me - disse ele rispidamente , dando um puxão . Com um ruído de tecido a rasgar se , o saco dividiu se em dois . Os livros de Harry , varinha , pergaminho e pena espalharam se por o chão enquanto o tinteiro se partia em cima de as outras coisas . Harry pôs se de gatas , tentando apanhar tudo antes que o duende começasse a cantar , provocando um engarrafamento em o corredor . - O que se passa aqui ? - perguntou a voz fria e afectada de Draco_Malfoy . Harry , nervosíssimo , começou a guardar tudo dentro de o saco rasgado , desesperado para sair de ali antes que Malfoy pudesse ouvir o seu S._Valentim musical . - Que confusão é esta ? - disse outra voz familiar . Percy_Weasley tinha chegado . De cabeça perdida , Harry tentou fugir , mas o duende agarrou o por os joelhos e fê lo cair a o chão . - Certo - disse , sentando se em os tornozelos de Harry . Eis o teu cartão musical : * _ Os olhos de ele são verdes como o sapo de o quintal * _ O seu cabelo é escuro como um temporal * _ É um desatino , oh ! ele é divino ! * _ O herói que venceu o Senhor_do_Mal * . Harry teria dado todo o ouro de Gringotts para se evaporar em aquele momento . Tentando corajosamente rir se com todos os outros , levantou se . Sentia os pés dormentes de o peso de o duende . Enquanto isso , Percy_Weasley fazia todos os possíveis por dispersar a multidão onde havia gente que chorava de hilaridade . - Vamos embora , vamos embora , a campainha tocou há cinco minutos para as aulas - dizia , enxotando alguns de os alunos mais novos . - E tu , Malfoy . Harry olhou e viu Malfoy inclinar se , apanhar qualquer coisa e com um olhar maldoso mostrá a a Crabbe e Goyle . Percebeu que era o diário de Riddle . - Dá cá isso - exigiu com toda_a calma . - O que será que o Potter escreveu aqui ? - disse Malfoy que obviamente não reparara em a data e pensou que tinha em as mãos o diário de o Harry . Houve uma agitação em os presentes . Ginny olhava apavorada para o diário e para Harry . - Dá lhe isso , Malfoy - disse Percy com firmeza . - Depois de dar uma vista de olhos - retorquiu Malfoy , acenando a Harry com o diário de forma provocatória . Percy disse : - Como Prefeito de a escola ... - mas Harry perdera a paciência . Pegou em a varinha e gritou * _ Expelliarmus * e assim_como Snape desarmara Lockhart , MalLoy viu o diário saltar lhe de as mãos e elevar se em o ar enquanto Ron o apanhava sorridente . - Harry - disse Percy levantando a voz . - Não quero magia em os corredores . Vou ter de participar isto , sabes perfeitamente . Mas Harry não se importou . Tinha ganho uma_vez a Malfoy e isso valia bem cinco pontos a menos para os Gryffindor . Malfoy estava furioso e quando a Ginny passou por ele a caminho de a sala de aula , gritou lhe com desprezo : - Não creio que o Potter tenha gostado lá muito de o teu cartão de S._Valentim . Ginny tapou a cara e correu para a aula . Aborrecido , Ron pegou também em a varinha , mas Harry afastou o . Era melhor que ele não passasse a aula de encantamentos a vomitar lesmas . Só quando entraram em a sala de aula de o professor Flitwick é_que Harry reparou em uma coisa bastante estranha em o diário de Riddle . Todos os outros livros estavam cheios de tinta vermelha , mas o diário mantinha se tão limpo como antes de o tinteiro se ter entornado em cima de ele . Tentou chamar a atenção de Ron para este facto , mas ele estava novamente a ter um problema com a varinha : de a extremidade saíam grandes bolhas roxas e ele não parecia interessado em mais_nada . Em essa noite , Harry foi deitar se antes de os outros companheiros de dormitório , em parte porque já não conseguia suportar o Fred e o George a cantarem * _ Os seus olhos são verdes como o sapo de o quintal * e em parte porque queria voltar a examinar o diário de Riddle e sabia que em a opinião de o Ron era uma pura perda de tempo . Sentou se em a cama de dossel e folheou as páginas em branco em as quais não se via uma única mancha de tinta escarlate . Tirou então outro tinteiro de o armário a o lado de a cama , molhou a pena e deixou cair um borrão em a primeira página de o diário . A tinta brilhou em o papel durante um segundo e , em seguida , como_se a página a tivesse sugado , desapareceu sem deixar rasto . Depois , finalmente , algo aconteceu . Deslizando sobre a página em a cor de a sua tinta , surgiram palavras que Harry não escrevera . - * _ Olá_Harry_Potter . O meu nome é Tom_Riddle . Como é_que encontraste o meu diário ? * Também estas palavras desapareceram , mas não sem que Harry tivesse respondido . - Alguém tentou lançá o em uma sanita . Esperou ansiosamente por a resposta de Riddle . - * _ Felizmente guardei as minhas memórias de uma forma mais duradoura do_que a tinta . Mas sempre soube que haveria quem não iria querer que o diário fosse lido . * - O que queres dizer com isso ? - escrevinhou Harry , borrando a página com o nervosismo . - * _ Quero dizer que este diário contém memórias de coisas terríveis . Coisas que foram abafadas . Coisas que aconteceram em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . * - É onde eu estou agora - escreveu Harry rapidamente . - Estou em Hogwarts e estão a acontecer coisas horríveis . Sabes alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? O coração parecia querer saltar lhe de o peito . A resposta de Riddle não se fez esperar , a letra tornara se mais desordenada como_se tivesse pressa em contar lhe tudo_o_que sabia . - * _ É claro que sei de a Câmara_dos_Segredos . Em o meu tempo diziam nos que era uma lenda , que não existia , mas era mentira . Quando eu estava em o quinto ano a Câmara_dos_Segredos foi aberta e o monstro atacou vários estudantes , acabando matar um . Eu apanhei a pessoa que abriu a câmara e ele foi expulso . Mas o director , o professor Dippet , envergonhado por uma coisa de aquelas ter acontecido em Hogwarts , proibiu me de contar a verdade . Foi divulgada uma história dizendo que a rapariga morrera de um acidente extravagante . Deram me um troféu brilhante com o meu nome gravado e avisaram me para ficar calado . Mas eu sabia que ia voltar a acontecer . O monstro sobreviveu e aquele que tinha o poder para o libertar não foi para a prisão . * Harry quase entornou o tinteiro em a pressa de responder . - Está a acontecer outra_vez . Houve três ataques e ninguém parece saber quem está por_detrás_de tudo_isto . Quem foi de a última vez ? - * _ Posso mostrar te , se quiseres * - foi a resposta de o Riddle . - * _ Não tens de acreditar só em a minha palavra . Posso levar te a o fundo de a minha memória de a noite em que o apanhei . * Harry hesitou com a pena em o ar sobre o diário . O que quereria ele dizer ? Como poderia entrar em a memória de outra pessoa ? Olhou inquieto para a porta de o dormitório que começava a ficar escuro . Quando pôs de_novo os olhos em o diário viu as palavras que se formavam . - * _ Deixa-me mostrar te . * Harry parou durante uma fracção de segundo e depois escreveu duas letras . - O. _ K._As páginas de o diário começaram a esvoaçar como_se tivessem sido apanhadas em uma ventania , parando a meio de o mês_de_Junho . Boquiaberto , Harry viu que o quadradinho de 13_de_Junho se transformara em um pequeno ecrã de televisão . Com as mãos ligeiramente trémulas levantou o livro para encostar os olhos a a janelinha e antes de perceber o que estava a passar se , deu consigo inclinado para a frente com a janela a abrir se . O corpo abandonava a cama e era lançado de cabeça , por a abertura de a página , em um turbilhão de cor e sombras . Sentiu os pés tocarem em terra firme e pôs se de pé a tremer enquanto as formas desfocadas se tornavam subitamente nítidas . Soube imediatamente onde estava . Aquela sala circular com os retratos adormecidos era o escritório de Dumbledore , mas não era Dumbledore quem estava atrás de a secretária . Um feiticeiro mirrado , de aspecto débil e quase careca lia uma carta a a luz de as velas . Harry nunca vira aquele homem antes . - Desculpe - disse com a voz a tremer . - Eu não queria intrometer me ... Mas o feiticeiro não olhou . Continuou a ler , franzindo levemente as sobrancelhas . Harry aproximou se de a secretária e gaguejou : - Er ... eu vou me embora , está bem ? E o feiticeiro continuou a ignorá o . Parecia nem_sequer ter ouvido . Pensando que talvez ele fosse surdo , Harry falou mais alto . - Desculpe tê o incomodado - disse quase a gritar . O feiticeiro dobrou a carta com um suspiro . Pôs se de pé , passou por Harry sem olhar para ele e foi abrir os cortinados de a janela . O céu , lá fora , estava vermelho-rubi . Devia ser o pôr de o Sol . O feiticeiro voltou para a secretária , sentou se e girou os polegares , olhando para a porta . Harry olhou em volta . Não viu Fawkes , a fénix , nem as engenhocas prateadas que sibilavam . Aquela Hogwarts era a que Riddle conhecera e , portanto , aquele feiticeiro desconhecido era o director de então , não Dumbledore e ele , Harry , era pouco mais que um fantasma , totalmente invisível a as pessoas de há cinquenta anos atrás . Alguém bateu a a porta . - Entre - disse o velho feiticeiro , em uma voz fraca . Um rapazinho de dezasseis anos entrou , tirando o chapéu pontiagudo . Em o seu peito brilhava um distintivo prateado de prefeito . Era muito mais alto do_que Harry , mas tinha , tal_como ele , cabelo preto asa de corvo . - Ah ! Riddle - disse o director . - Queria falar comigo , professor Dippet ? - perguntou ele com ar nervoso . - Senta te - disse Dippet . - Tenho estado a ler a carta que me mandaste . - Oh ! - exclamou Riddle , sentando se e apertando as mãos uma contra a outra . - Meu rapaz - disse Dippet amavelmente . - Eu não posso deixar te ficar em a escola durante o Verão . Com certeza queres ir para_casa em as férias ? - Não - respondeu Riddle , sem perder tempo . - Prefiro mil vezes ficar em Hogwarts a ter de voltar a aquela ... aquela ... - Tu vives em um orfanato de Muggles durante as férias , não é assim ? - perguntou Dippet com curiosidade . - Sim senhor - disse Riddle , corando um_pouco . - És filho de Muggles ? - Meio sangue , professor - explicou Riddle . - Pai_Muggle , mãe bruxa . - E o teu pai e a tua mãe ... - A minha mãe morreu pouco depois de eu nascer , professor , contaram me em o orfanato que só teve tempo de me dar o nome : Tom , como o meu pai , Marvolo como o meu avô . Dippet estalou a língua solidariamente . - O que acontece , Tom - suspirou - é_que ... podia ter se arranjado uma situação especial para ti , mas em as circunstâncias actuais ... - Refere se a os ataques , professor ? - perguntou Riddle e o coração de Harry deu um salto , aproximando se com medo de perder alguma coisa . - Precisamente - disse o director . - Meu rapaz , compreendes que seria uma imprudência de a minha parte deixar te ficar em o castelo quando o período acabar , principalmente a a luz de a recente tragédia ... a morte de aquela pobre moça ... estarás sem dúvida em maior segurança em o orfanato . Em a verdade , o ministro de a magia até fala em fechar a escola . Não estamos nada perto_de localizar ... er ... a fonte de toda esta história desagradável . Os olhos de Riddle tinham se aberto mais . - Professor , se essa pessoa fosse apanhada ... se tudo acabasse . . . - Que queres dizer com isso ? - perguntou Dippet com voz aguda , endireitando se em a cadeira . - Riddle , tu sabes alguma coisa sobre estes ataques ? - Não senhor - respondeu ele de imediato . Mas Harry sabia que era o mesmo tipo de « não » que ele dissera a Dumbledore . Dippet afundou se de_novo com um ar de profundo desapontamento . - Podes ir , Tom . Riddle esgueirou se de a cadeira e saiu de a sala . Harry seguiu o . Desceram por a escada em espiral , saindo junto de a gárgula em o corredor que escurecia . Riddle parou e Harry fez o mesmo , olhando para ele . Quase podia apostar que ele pensava seriamente em alguma coisa . Mordia o lábio e tinha as sobrancelhas franzidas . A certa altura , como_se tivesse acabado de tomar uma decisão , começou a andar mais depressa com Harry a segui o ruidosamente . Não viram mais ninguém , a não ser quando chegaram a o * hall * de entrada onde um feiticeiro alto de longos cabelos ruivos e barba chamou Riddle de a escadaria de mármore . - O que andas a fazer por aqui tão tarde , Tom ? Harry olhou para o feiticeiro . Não era outro senão Dumbledore com cinquenta anos a menos . - Tive de ir falar com o director - justificou se Riddle . - Bem , agora vai depressa para a cama - disse Dumbledore , olhando Riddle com aquele olhar penetrante que Harry conhecia tão bem . - É melhor não andar a passear por os corredores em os dias que correm , pelo_menos até ... Suspirou profundamente , deu as boas-noites a o Riddle e foi se embora . Riddle viu o desaparecer e , sem perder tempo , desceu os degraus de pedra até a os calabouços com Harry em a peugada . Mas para seu grande desconsolo , Riddle não o conduziu a nenhum corredor ou túnel secreto e sim a o calabouço onde ele costumava ter aulas de poções com o Snape . As tochas não tinham sido acesas e quando Riddle empurrou a porta quase fechada , Harry só conseguiu vê o a ele , de pé , quieto junto de a porta , olhando para o corredor . Pareceu a Harry que ficaram ali quase uma hora . Tudo_o_que via era a silhueta de Riddle junto de a porta , olhando fixamente através de a greta , a a espera . Como_se fosse uma estátua . E quando Harry tinha abandonado todas_as expectativas e começava a desejar voltar a o presente , ouviu alguma coisa que se movia atrás de a porta . Alguém avançava lentamente por o corredor . Ouviu a pessoa , quem quer que fosse , passar por o calabouço onde ele e Riddle estavam escondidos . Riddle , silencioso como uma sombra , esgueirou se por a porta e seguiu o com Harry em bicos de pés atrás de ele , esquecido de que podia fazer barulho a a vontade porque ninguém o ouvia . Durante cerca de cinco minutos seguiram lhe os passos até que Riddle parou repentinamente com a cabeça inclinada em a direcção de novos ruídos . Harry ouviu uma porta a abrir se e em seguida alguém falou em um murmúrio rouco . - Vá lá , temos que sair de aqui ... vá lá , dentro de a caixa ... Havia algo de familiar em aquela voz . Riddle deu subitamente uma volta e Harry seguiu o . Podia ver a silhueta escura de um rapaz enorme que estava inclinado em frente de a porta aberta , com uma grande caixa a o lado . - Boa noite , Rubeus - disse Riddle secamente . O rapaz fechou a porta e pôs se de pé . - O que estás a fazer aqui , Tom ? Riddle aproximou se . - Acabou se - disse . - Vou ter de entregar te , Rubeus . Falam em fechar Hogwarts se os ataques não terminarem . - O que é_que tu ... ? - Eu acho que tu não quiseste matar ninguém , mas os monstros não são os melhores animais domésticos . Tu só quiseste deixá o sair para andar um_pouco e ... - Ele não matou ninguém - disse o rapaz grande , recuando contra a porta fechada . Lá de dentro vinham uns estranhos roncos e rugidos . - Vamos , Rubeus - disse Riddle , aproximando se mais ainda . - Os pais de a rapariga que morreu estarão aqui amanhã . O mínimo que Hogwarts pode fazer é assegurar lhes que aquilo que matou a filha de eles foi abatido ... - Não foi ele - gemeu o rapaz cuja voz ecoou em o corredor escuro . - Ele não faria isso ... ele nunca ... - Afasta te - disse Riddle , pegando em a varinha . O encantamento iluminou o corredor com uma luz brilhante . A porta atrás de o rapaz grande abriu se de par em par com tanta força que o atirou contra a parede . E de lá de dentro saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito que ninguém mais ouviu a não ser ele próprio . Tinha um corpo imenso , magro e peludo e um emaranhado de pernas pretas , a cintilação de muitos olhos e um par de tenazes afiadas . Riddle levantou de_novo a varinha , mas era tarde de mais . A coisa deixara o atarantado e corria apressadamente , precipitando se por o corredor e desaparecendo . Riddle pôs se de pé , olhou a a procura de o monstro , levantou a varinha , mas o rapaz grande saltou sobre ele , tirou lhe a varinha de as mãos e lançou o a o chão , gritando : - Naaaaaão ! A cena rodopiou . A escuridão tornou se total . Harry sentiu se a cair e com um embate aterrou como uma águia de patas e asas abertas em a sua cama de dossel , em o dormitório de os Gryffindor , o diário de Riddle aberto sobre o estômago . Antes de ter tido tempo de normalizar a respiração , a porta de o dormitório abriu se e o Ron entrou . - Aí estás tu - disse . Harry sentou se . Transpirava e tremia . - O que se passa ? - perguntou Ron , olhando aflito para ele . - Foi o Hagrid , Ron . O Hagrid abriu a Câmara_dos_Segredos há cinquenta anos atrás . XIV_Cornelius_Fudge_Harry , Ron e Hermione sabiam há muito_tempo que Hagrid tinha uma triste predilecção por criaturas grandes e monstruosas . Em o primeiro ano que passaram em Hogwarts , ele tentara criar um dragão em a sua pequena cabana de madeira e levaram muito_tempo a esquecer o gigantesco cão de três cabeças que ele baptizara de « fofinho » . E se , em rapaz , Hagrid tinha ouvido dizer que havia um monstro escondido em o castelo , Harry tinha a certeza que ele teria feito os impossíveis por descobri o . Provavelmente achou que era uma injustiça o monstro estar fechado tanto tempo e pensou que ele merecia a oportunidade de esticar as suas muitas pernas . Harry imaginava perfeitamente o Hagrid a os treze anos a tentar pôr uma coleira e uma trela a o monstro . Mas tinha igualmente a certeza de que ele nunca teria querido matar ninguém . De certo modo , Harry desejava não ter descoberto como utilizar o diário de Riddle . Ron e Hermione fizeram o contar repetidas vezes o que vira até ele ficar farto de repetir o mesmo e farto de a conversa circular que se seguia . - O Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse , de essa vez , Hermione . - O monstro que atacava as pessoas podia ser outro .... - Quantos monstros achas tu que pode haver em este lugar ? - perguntou o Ron aborrecido . - Sempre soubemos que o Hagrid tinha sido expulso - disse Harry tristemente - E os ataques devem ter terminado quando ele foi expulso . Se não fosse assim , Riddle não teria recebido um prémio . Ron tentou um caminho diferente . - O Riddle parece o Percy , quem lhe pediu afinal que deitasse abaixo o Hagrid ? - Mas o monstro tinha morto uma pessoa , Ron - insistiu Hermione . - E o Riddle ia ter de voltar para um orfanato Muggle se Hogwarts fosse fechada - disse Harry . - Não posso culpá o por querer ficar aqui ... Ron mordeu o lábio e a seguir sugeriu : - Tu encontraste o Hagrid em a Rua * _ Bativolta * , não foi ? - Ele estava a comprar repelente para lesmas - disse Harry rapidamente . Ficaram os três em silêncio . Depois de uma longa pausa , Hermione , em uma voz hesitante , formulou a pergunta mais complicada de todas : - Não acham que devíamos ir ter com ele e perguntar lhe ? - Essa seria uma visita simpática - disse o Ron . - Olá , Hagrid , diz nos uma coisa , soltaste por acaso alguma coisa louca e peluda por o castelo em estes últimos tempos ? Por fim , decidiram não dizer nada a o Hagrid a_não_ser_que houvesse outro ataque e à_medida_que passava mais tempo sem murmúrios de a voz sem corpo começaram a acreditar , esperançosos , que nunca mais teriam de falar sobre o motivo por_que fora expulso . Tinham passado já quase quatro meses desde o dia em que o Justin e o Nick quase sem cabeça tinham sido petrificados e quase toda_a_gente parecia pensar que o atacante , quem quer que ele fosse , se retirara para sempre . Peeves fartara se de a sua canção * _ Oh_Potter , seu bandido * , Ernie_Mcmillan pediu educadamente a o Harry , em a aula de herbologia , que lhe passasse um balde de cogumelos saltitantes e , em Março , várias mandrágoras deram uma festa ruidosa e roufenha em a estufa número três . A professora Sprout estava muito satisfeita . - Mal elas comecem a tentar mover se para os vasos umas de as outras , saberemos que estão maduras - disse ela a o Harry . - Nessa_altura poderemos reanimar aquelas pobres criaturas que estão em a ala hospitalar . Os alunos de o segundo ano tinham agora uma coisa nova em que pensar durante as férias de a Páscoa . Chegara a altura de escolherem as matérias de o terceiro ano , um assunto que Hermione , pelo_menos , tomou muito a sério . - Pode afectar todo o nosso futuro - disse a o Harry e a o Ron a o vê os ler cuidadosamente as listas de as novas matérias e pôr um V em frente de cada uma . - Eu só quero ver me livre de as poções - disse Harry . - Não podemos - explicou Ron tristemente . - Mantemos todas_as matérias antigas ou eu teria me livrado de a Defesa contra as artes negras . - Mas é muito importante - disse Hermione chocada . - Não de a maneira como Lockhart a dá - insistiu Ron . - Não aprendi nada até agora a não ser a nunca mais libertar duendes . Neville_Longbottom recebera cartas de todas_as bruxas e feiticeiros de a família , cada_um dando um conselho diferente sobre o que ele deveria escolher . Confuso e preocupado , sentou se a ler a lista de matérias , dando estalinhos com a língua e perguntando a as pessoas se achavam que a aritmancia seria mais difícil do_que o estudo de as runas em a Antiguidade . Dean_Thomas que , tal_como Harry , fora criado com Muggles , acabou por fechar os olhos e atirar a varinha contra a lista , escolhendo as matérias onde ela aterrava . Hermione não pediu conselho a ninguém e inscreveu se em todas . Harry sorriu de si para consigo imaginando como seria uma conversa com o tio Vernon e com a tia Petúnia sobre a sua carreira em feitiçaria . Não que não tivesse tido orientação : Percy_Weasley estava ansioso por partilhar a sua experiência . - Tudo depende de o lugar para_onde queres ir , Harry - disse ele . - Nunca é cedo de mais para pensar em o futuro , por isso eu aconselho te a adivinhação . As pessoas dizem que os estudos de Muggles são uma opção leve mas eu , pessoalmente , acho que os feiticeiros deveriam ter uma compreensão profunda de a comunidade não mágica , muito especialmente se pensarem em trabalhar em íntimo contacto com eles . Vê o meu pai que tem de lidar com assuntos de os Muggles a_toda_a hora . O meu irmão Charles foi sempre mais um tipo de o exterior , por isso foi para o Centro_de_Cuidados com as Criaturas_Mágicas . Segue os teus sentimentos , Harry . Mas a única coisa em que Harry sentia que era mesmo bom era o Quidditch . Por fim , acabou por escolher as mesmas matérias que o Ron escolhera , pensando que se fosse péssimo em elas pelo_menos tinha alguém amigo para o ajudar . O próximo jogo de Quidditch_dos_Gryffindor era contra os Hufflepuff . Wood insistia em treinos de equipa todas_as noites depois de jantar , por isso Harry não tinha tempo para mais_nada a não ser para o Quidditch e para os trabalhos de casa . Mas as sessões de treino estavam a melhorar ou pelo_menos estavam mais secas e em a véspera de o jogo de sábado ele foi a o dormitório guardar a vassoura , sentindo que as hipóteses de os Gryffindor ganharem a taça de Quidditch nunca tinham sido tão boas . Mas a sua boa disposição não durou muito . Em o cimo de as escadas que levavam a o dormitório encontrou o Neville_Longbottom nervosíssimo . - Harry , não sei quem fez aquilo , eu fui encontrar ... Olhando receoso para Harry , Neville empurrou a porta . O conteúdo de a mala de Harry fora espalhado por toda_a divisão . O seu manto estava em o chão rasgado . A roupa de cama tinha sido puxada de a cama de dossel e a gaveta de o armário que se encontrava a a cabeceira de a cama fora arrancada , estando o seu conteúdo espalhado sobre o colchão . Harry aproximou se de a cama boquiaberto , pisando algumas páginas soltas de * _ Viagens com Duendes * . Quando ele e Neville estavam a puxar os cobertores para_cima , entraram o Ron e o Dean_Seamas . Dean praguejou alto . - O que é isto , Harry ? - Não faço ideia - disse ele . Mas o Ron estava a examinar as vestes de Harry e todos os bolsos estavam de o avesso . - Alguém andou a a procura de qualquer coisa - disse o Ron . - Dás por falta de alguma coisa ? Harry começou a apanhar o que estava caído , lançando tudo dentro de a mala . Só quando atirou o último livro de Lockhart é_que se apercebeu do_que faltava . - O diário de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a o Ron . - O quê ? Harry fez lhe sinal em direcção a a porta de o dormitório e apressaram se a chegar a a sala comum de os Gryffindor que estava quase vazia e onde foram encontrar Hermione sozinha a ler * _ As_Runas_Antigas a o Alcance_de_Todos * . Hermione ficou aterrada com as notícias . - Mas ... só um Gryffindor podia tê o roubado ... ninguém mais conhece a nossa senha ... - Exactamente - disse Harry . Acordaram em o dia seguinte com um sol brilhante e uma brisa agradável . - Condições ideais para o Quidditch ! - exclamou Wood , cheio de entusiasmo , a a mesa de os Gryffindor , enchendo os pratos de os elementos de a sua equipa de ovos mexidos . - Harry , anima te , precisas de um pequeno-almoço decente . Harry tinha estado a olhar para a mesa cheia de alunos de os Gryffindor , perguntando a si próprio se o novo dono de o diário de Riddle estaria ali mesmo em frente de os seus olhos . Hermione insistira para que ele participasse o roubo mas ele não gostou de a ideia . Teria de contar a um professor tudo sobre o diário , e quantas pessoas saberiam o motivo por_que Hagrid fora expulso há cinquenta anos ? Não queria ser ele a fazer com que relembrassem tudo aquilo . Quando saiu de o salão com o Ron e a Hermione para ir buscar o material de Quidditch , outra preocupação viera juntar se a a sua lista cada_vez maior . Tinha acabado de pisar os degraus de a escadaria de mármore quando ouviu de_novo a voz : - * _ Matar desta_vez ... deixem me rasgar ... romper * ... Deu um grito e Ron e Hermione saltaram alarmados . - A voz - disse Harry , olhando por cima de os ombros de eles . - Acabo de a ouvir de_novo , vocês não ouviram nada ? Ron abanou a cabeça de olhos muito abertos Mas_Hermione bateu com a mão em a testa . - Harry , acho que percebi uma coisa . Tenho que ir a a biblioteca . E disparou a correr por as escadas acima . - O que é_que ela percebeu ? - disse Harry distraidamente , ainda a olhar em volta , tentando determinar de onde vinha a voz . - Mas porque teve ela que ir a a biblioteca ? - Porque a Hermione é assim - disse o Ron , encolhendo os ombros - Quando tem uma dúvida , vai a a biblioteca . Harry manteve se hesitante , tentando captar novamente a voz mas as pessoas começavam a sair de o salão , falando alto , passando por a porta principal e encaminhando se para o estádio de Quidditch . - É melhor ires indo - aconselhou Ron . - São quase onze horas , olha o jogo . Harry deu uma corrida até a a torre de os Gryffindor , pegou em a sua Nimbus dois_mil e juntou se a a vasta multidão que enchia os campos , mas o seu pensamento estava ainda em o castelo , em aquela voz sem corpo e quando pôs as roupas vermelhas , o seu único conforto foi pensar que estavam todos lá fora para assistir a o jogo . As equipas entraram em campo a o som de um tumulto de aplausos . Oliver_Wood fez um voo de aquecimento em volta de os postes , Madam_Hooch soltou as bolas . Os Hufflepuff que tinham fatos amarelo-canário estavam reunidos em grupo em uma discussão de última hora sobre as tácticas . Harry subia para a vassoura quando a professora Mc_Gonagall atravessou o campo , meio a andar , meio a correr , transportando um enorme megafone roxo . O coração de Harry caiu lhe a os pés . - Este jogo foi cancelado - gritou por o megafone a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a o estádio apinhado . Ouviram se Uuuus e assobios . Oliver_Wood , com um ar infelicíssimo , aterrou e correu para a professora McGonagall sem sair de a vassoura . - Mas , professora - gritou - temos de jogar ... a taça ... os Gryffindor ... A professora Mc_Gonagall ignorou o e continuou a gritar por o megafone . - Pede se a os estudantes que regressem a as salas comuns de as respectivas equipas onde os chefes de equipa lhes darão mais informações . O mais depressa possível , se fazem favor ! Em seguida , baixou o megafone e fez sinal a o Harry para que se aproximasse . - Potter , é melhor vires comigo ... Perguntando a si próprio que suspeita poderia ela ter contra ele , desta_vez , Harry viu Ron desligar se de a multidão discordante e vir a correr juntar se lhes , enquanto eles se dirigiam para o castelo . Para sua grande surpresa Mc_Gonagall não pôs qualquer objecção . - Sim , talvez seja melhor vires também , Weasley . Alguns de os estudantes que os rodeavam reclamavam por o jogo ter sido cancelado , outros tinham um ar preocupado . Harry e Ron seguiram a professora Mc_Gonagall de volta a a escola e através de a escadaria de pedra . Mas desta_vez não foram levados a nenhum escritório . - Isto vai chocar vos um_pouco - disse a professora Mc_Gonagall em um tom de voz surpreendentemente suave quando estavam a aproximar se de a ala hospitalar . - Houve outro ataque ... outro ataque duplo . As vísceras de o Harry deram um salto mortal . A professora Mc_Gonagall abriu a porta e ele e Ron entraram . Madam_Pomfrey estava inclinada sobre uma rapariga de o quinto ano de cabelos longos a os caracóis que Harry reconheceu como sendo a colega de os Ravenclaw a quem , por engano , tinham perguntado o caminho para a sala comum de os Slytherin . E , em a cama a o lado de ela , estava ... - Hermione - gemeu o Ron . Hermione jazia totalmente quieta , os olhos abertos e vítreos . - Foram encontradas perto de a biblioteca - disse a professora Mc_Gonagall . - Calculo que nenhum de vocês possa explicar isto ? Estava em o chão , junto de ela . A professora tinha em as mãos um pequeno espelho redondo . Harry e Ron acenaram negativamente com as cabeças , ambos com os olhos fixos em Hermione . - Eu acompanho vos a a torre de os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall pesadamente . - De qualquer modo tenho de falar com os alunos . - Os alunos regressarão a as salas comuns de as respectivas equipas , todos_os_dias , a as seis_horas_da_tarde . Nenhum aluno deverá sair de os dormitórios depois de isso . Serão escoltados até a as aulas por um professor . Nenhum aluno deverá ir a a casa_de_banho sem um professor a acompanhá o . Todos os treinos e jogos de Quidditch estão suspensos a_partir_de agora . Não haverá mais actividades nocturnas . Os Gryffindor , que enchiam a sala comum , ouviram em silêncio a professora Mc_Gonagall . Ela enrolou o pergaminho que acabara de ler e disse em uma voz algo chocada : - Não é preciso acrescentar que nunca me senti tão desolada . É provável que a escola seja encerrada se não for apanhado o culpado de todos estes ataques . Quero pedir que se algum de vocês achar que sabe alguma coisa sobre eles venha imediatamente ter comigo . Mal ela subiu , de forma um_pouco desastrada , por o buraco de o retrato , os Gryffindor começaram logo a falar . - São dois Gryffindor a menos , sem contar com o fantasma de os Gryffindor , um Ravenclaw e um Hufflepuff - disse o amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , contando por os dedos . - Não terá nenhum de os professores reparado que os Slytherin estão a salvo ? Será que não é óbvio que tudo_isto vem de eles ? O herdeiro de Slytherin , o monstro de Slytherin , porque não expulsam todos os Slytherin ? - resmungou , recebendo acenos e aplausos de todos os lados . Percy_Weasley estava sentado em uma cadeira atrás_de Lee , mas por uma_vez não pareceu querer expor os seus pontos de vista . Estava pálido e aturdido . - O Percy está em estado de choque - disse o George baixinho a o Harry . - Aquela rapariga de os Ravenclaw , Penelope_Clearwater , é prefeita . Acho que ele nunca tinha pensado que o monstro pudesse atacar um prefeito . Mas Harry não estava a ouvi o com atenção . Não conseguia esquecer a imagem de Hermione deitada em a cama de o hospital , como_se estivesse esculpida em pedra . E se o culpado não fosse apanhado rapidamente tinha em a frente uma vida inteira com os Dursley . Tom_Riddle entregara o Hagrid porque fora confrontado com a possibilidade de um orfanato Muggle se a escola fechasse . Harry sabia exactamente o que ele sentira . - Que vamos nós fazer ? - disse lhe o Ron baixinho a o ouvido . - Achas que eles suspeitam de o Hagrid ? - Temos de falar com ele - disse Harry , tomando uma decisão . - Não acredito que tenha culpa desta_vez , mas se ele libertou o monstro há cinquenta anos , sabe com certeza como entrar em a Câmara_dos_Segredos , o que já é um princípio . - Mas a Gonagall disse que temos que ficar em a torre a_não_ser_que estejamos em as aulas ... - Eu acho - disse Harry ainda mais baixo - que chegou a altura de tirar outra_vez de a mala o manto de o meu pai . Harry herdara apenas uma coisa de o pai : o enorme manto prateado de a invisibilidade . Era a única maneira de poderem esgueirar se de a escola para fazer uma visita a o Hagrid , sem que ninguém de esse por isso . Deitaram se a a hora de o costume , esperaram que o Neville , o Dean e o Seamas adormecessem para se levantarem , vestirem se de_novo e taparem se com o manto . A viagem por os corredores de o castelo escuro e deserto não era nada agradável . Harry que vagueara por ali muitas_vezes durante a noite nunca vira tanta gente depois de o pôr de o Sol . Professores , prefeitos e fantasmas andavam por os corredores a os pares , olhando em volta , em busca de qualquer actividade fora de o habitual . O manto de a invisibilidade não impedia que fizessem barulho e houve um momento particularmente tenso em que o Ron deu uma topada a menos_de um metro de o lugar onde Snape se encontrava . Felizmente Snape espirrou em o preciso momento em que o Ron praguejava . Foi com grande alívio que chegaram a as portas de carvalho de a entrada principal . Estava uma noite clara e cheia de estrelas . Dirigiram se apressadamente para as janelas iluminadas de a casa de Hagrid e só tiraram o manto mesmo em frente de a porta . Poucos segundos depois de terem batido abriu se a porta . Ficaram frente_a_frente com Hagrid que lhes apontou uma besta enquanto Fang , o cão caçador de javalis , ladrava furiosamente atrás de ele . - Oh ! - disse , baixando a arma quando viu que eram eles . - O que estão vocês a fazer aqui ? - Para que é isso ? - perguntou Harry , apontando para a besta , enquanto entrava . - Nada , não é nada - murmurou Hagrid . - Tenho estado a a espera ... não tem importância , sentem se que eu vou fazer um chá . Dava a impressão de não saber o que fazia . Quase apagou a lareira , vertendo a água de a chaleira em o lume e em seguida esmagou o bule com um gesto de a sua mão maciça . - Estás bem , Hagrid ? - perguntou Harry . - Soubeste de a Hermione ? - Soube , sim - disse ele com um leve tremor em a voz . Continuava a olhar nervosamente para as janelas . Deu lhe os duas grandes canecas de água a ferver ( esquecera se de juntar o chá ) e estava a acabar de pôr em um prato uma fatia grossa de bolo de frutas quando alguém bateu energicamente a a porta . Hagrid deixou cair o bolo . Harry e Ron trocaram entre si olhares de pânico e , em seguida , cobriram se com o manto de a invisibilidade e esconderam se em um canto . Hagrid assegurou se de que eles estavam bem escondidos , pegou em a besta e abriu , mais_uma_vez , a porta . - Boa noite , Hagrid . Era_Dumbledore . Entrou com um ar muito sério , seguido de um homem bizarro . O estranho era um homenzinho pequenino , de porte majestoso com cabelos grisalhos desalinhados e uma expressão de ansiedade em o rosto . Usava uma inesperada mistura de roupas . Um fato a as riscas , uma gravata vermelho escarlate , um longo manto negro e umas botas roxas pontiagudas . Debaixo de o braço trazia um chapéu de coco verde lima . -- É o patrão de o meu pai - murmurou o Ron . Cornelius_Fudge , o ministro de a magia ! Harry deu lhe uma valente cotovelada para o fazer calar se . Hagrid tinha ficado suado e pálido . Deixou se cair em uma de as cadeiras e olhava de Dumbledore_para_Cornelius_Fudge . - Más notícias , Hagrid - disse Fudge em um tom bastante grave . - Muito más notícias . Tive de vir . Quatro ataques a filhos de Muggles , as coisas foram longe_de mais . O ministério tem que tomar uma atitude . - Eu nunca ... - disse Hagrid , parecendo implorar a Dumbledore . - O senhor sabe que eu nunca ... professor Dumbledore , o senhor ... - Quero que fique claro , Cornelius , que Hagrid tem a minha total confiança - afirmou Dumbledore , franzindo as sobrancelhas . - Olha , Albus - disse Fudge pouco a a vontade - a ficha de o Hagrid depõe contra ele . O ministério tem de fazer alguma coisa , o Conselho_Directivo de a escola tem se reunido ... - Mesmo_assim , Cornelius , devo dizer te mais_uma_vez que levar o Hagrid de aqui não vai ajudar em nada - afirmou Dumbledore com os olhos azuis com um fogo que Harry nunca vira antes . - Tenta compreender o meu ponto de vista - insistiu Fudge , brincando com o chapéu . - Estou a ser tremendamente pressionado , tenho de mostrar que faço alguma coisa . Se se provar que não foi o Hagrid , ele voltará e não se fala mais em o assunto . Mas tenho de levá o , tem de ser , não estaria a cumprir a minha obrigação se ... - Levar me ? - perguntou Hagrid a tremer . - Levar me para_onde ? - É uma pena curta - disse Fudge , sem o olhar em os olhos . - Não é um castigo , Hagrid , chamemos lhe antes uma precaução . Se mais alguém for apanhado , tu sais com todas_as nossas desculpas . - Não é para Azkaban ? - balbuciou Hagrid . Mas antes que Fudge tivesse tido tempo de responder , ouviu se bater mais_uma_vez a a porta . Dumbledore abriu . Foi a vez de Harry levar uma cotovelada em as costas : soltara um gemido audível . Mr._Lucius_Malfoy entrou em a cabana de o Hagrid embrulhado em uma longa capa preta de viagem , com um sorriso frio de satisfação . O Fang começou a rosnar . - Já está aqui , Fudge ? - disse de forma aprovadora . - Muito bem , muito bem ... - O que estás a fazer aqui ? - perguntou Hagrid furioso . - Sai imediatamente de a minha casa . - Meu bom homem , acredite que não tenho prazer nenhum em entrar em a sua ... er ... chamou lhe casa ? - disse Lucius_Malfoy , sorrindo sarcasticamente enquanto observava a pequena divisão . - Eu limitei me a ir a a escola e disseram me que o director estava aqui . - E o que queres de mim , Lucius ? - perguntou Dumbledore . O seu tom de voz era educado mas em os olhos azuis brilhava ainda o mesmo fogo . - Uma notícia horrível , Dumbledore - disse Mr._Malfoy de forma arrastada , pegando em um grande rolo de pergaminho . - Mas os membros de o conselho pensam que é altura de tu saíres . Isto_é uma ordem de suspensão , tens aí doze assinaturas . Lamento muito mas em a nossa opinião estás a perder a firmeza . Quantos ataques houve até agora ? Mais dois hoje a a tarde , não foi ? A este ritmo vão acabar todos os filhos de Muggles em Hogwarts e todos sabemos que seria uma terrível perda para a escola . - O que é isso , Lucius ? - protestou Fudge com ar alarmado . - O Dumbledore suspenso não ... não , seria a última coisa que desejaríamos em este momento ... - A nomeação ou suspensão , de o director é de a competência de os membros de o Conselho_Directivo , Fudge - disse suavemente Mr._Malfoy . - E como Dumbledore não foi capaz de pôr cobro a estes ataques ... - Oh ! Lucius , se Dumbledore não conseguiu - disse Fudge com o lábio superior a suar . - Quem irá conseguir ? - Isso está para se ver - disse Mr._Malfoy com um sorriso mesquinho . - Mas como os doze votamos ... Hagrid pôs se de pé em um salto , o cabelo preto hirsuto a roçar em o tecto . - E quantos tiveste de chantajar para concordarem contigo , Malfoy ? - Meu caro Hagrid , sabe que esse seu temperamento ainda acaba por lhe criar problemas um dia de estes - disse Mr._Malfoy . - Não o aconselho a gritar assim com os guardas de Azkaban . Eles não iriam gostar nada . - Não podes levar Dumbledore - gritou Hagrid , fazendo Fang , o cão caçador de javalis , agachar se e ganir em o seu cesto . - Sem ele , os filhos de os Muggles não têm qualquer hipótese . A seguir haverá mortes . - Acalma te , Hagrid - disse Dumbledore de forma cortante , olhando para Lucius_Malfoy . - Se os membros de o conselho querem substituir me , eu sairei , claro . - Mas - interrompeu Fudge . - Não - rosnou Hagrid . Dumbledore não tirara os seus olhos azuis brilhantes de os olhos cinzentos e frios de Lucius_Malfoy . - Contudo - disse , pronunciando cada palavra lenta e claramente para que nenhum de eles perdesse o seu sentido - verás que só deixarei verdadeiramente esta escola quando ninguém aqui me for leal . Descobrirás também que será sempre dada ajuda em Hogwarts a quem a pedir . Por um segundo , Harry teve quase a certeza de que os olhos de Dumbledore tremelaziram em direcção a o canto onde ele e Ron estavam escondidos . - Sentimentos admiráveis - disse Malfoy , fazendo uma vénia . - Todos nós vamos sentir a tua ... forma muito pessoal de fazer as coisas , Albus . Só espero que o teu sucessor consiga evitar qualquer ... crime . Dirigiu se a a porta de a cabana , abriu a e fez sinal a Dumbledore para que passasse a a sua frente . Fudge , mexendo nervosamente em o chapéu de coco , esperou que Hagrid fizesse o mesmo mas ele ficou quieto , respirou fundo e disse prudentemente : - Se alguém quiser descobrir alguma coisa , o que tem a fazer é seguir as aranhas . Elas indicarão o caminho , é tudo_o_que vos digo . Fudge olhou para ele espantado . - Está bem , eu vou - disse Hagrid , pegando em o seu sobretudo de pêlo de toupeira . Mas quando ia seguir o Fudge e sair por a porta , parou e disse em voz alta : - E alguém tem de dar de comer a o Fang enquanto eu não estiver cá . A porta fechou se ruidosamente e Ron tirou o manto de a invisibilidade . -- Estamos outra_vez em uma alhada - disse com voz rouca - Sem o Dumbledore podem fechar a escola já esta noite . Sem ele vai haver um ataque por dia . O Fang começou a ganir , arranhando a porta fechada . XV_Aragog_O_Verão insinuava se em os campos em volta de o castelo . O céu e o lago tinham se tornado de um azul-molusco e as flores , grandes como couves , começavam a florir em as estufas . Mas sem o Hagrid , que ele costumava avistar de o castelo , atravessando os campos com o Fang atrás , parecia a Harry que a paisagem não estava completa . Não era melhor dentro de o castelo onde tudo corria horrivelmente mal . O Harry e o Ron tinham tentado visitar a Hermione , mas as visitas a o hospital estavam proibidas . - Não vamos correr mais riscos - disse lhes Madam_Pomfrey com ar severo , através_de uma fresta de a porta de o hospital . Não , lamento , há muitas hipóteses de o atacante voltar para acabar de vez com estas pessoas ... Com Dumbledore longe , o medo espalhara se como nunca acontecera antes , de_tal_modo_que o sol que aquecia as paredes de o castelo por fora parecia parar junto de as janelas de pinázios . Não se via um único rosto em a escola que não andasse tenso e preocupado e qualquer gargalhada , em os corredores , se tornava incómoda e antinatural e era rapidamente abafada . Harry repetia constantemente , de si para consigo , as últimas palavras que ouvira a Dumbledore : - * _ Só terei verdadeiramente deixado esta escola quando ninguém me for leal ... será sempre dada ajuda , em Hogwarts , a quem a pedir * . Qual seria o significado exacto de aquelas palavras ? A quem deveria pedir ajuda quando todos estavam tão confusos assustados como ele ? A alusão de Hagrid a as aranhas era bastante mais fácil de entender . O problema era que parecia não ter restado uma única aranha em o castelo para eles a poderem seguir . Harry procurou por todo o lado com a ajuda relutante de o Ron . As coisas estavam dificultadas por o facto de não poderem andar sozinhos e terem de se deslocar em grupo dentro de o castelo , juntamente com outros Gryffindor . A maior parte de os alunos gostava de ser conduzida como carneiros de uma aula para a outra por os professores mas Harry achava horrível . Havia , contudo , uma pessoa que parecia apreciar aquela atmosfera de terror e suspeitas . Draco_Malfoy passeava empertigado por a escola como_se tivesse sido nomeado para chefe de turma . Harry só compreendeu o motivo de toda aquela boa disposição cerca de quinze_dias depois de Dumbledore e Hagrid se terem ido embora quando , em uma aula de poções , o ouviu falar com o Crabbe e o Goyle . - Sempre achei que seria o pai quem conseguiria livrar nos de o Dumbledore - disse sem a menor preocupação em baixar a voz . - Já vos disse , segundo ele , Dumbledore foi o pior director que a escola alguma vez teve . Talvez agora venha um director decente que não queira a Câmara_dos_Segredos fechada . A Mc_Gonagall não vai durar muito , está só a ... O Snape passou por Harry , sem fazer comentários a o caldeirão e a a cadeira vazia de Hermione . - Professor - disse Malfoy em voz alta . - Professor , porque não se candidata a o lugar de director ? - Ora , ora , Malfoy - respondeu Snape , sem conseguir esconder um meio sorriso . - O professor Dumbledore foi apenas suspenso por os membros de o conselho de direcção , certamente vai voltar um dia de estes . - Sim , claro - disse Malfoy com o seu sorriso escarninho . - Acho que se o professor quisesse candidatar se a o lugar teria o voto de o pai . Eu vou dizer lhe que o acho o melhor professor de a escola . Snape sorriu enquanto passeava de um lado para o outro em o calabouço , não tendo felizmente visto o Seamus_Finnigan que fingia vomitar para dentro de o caldeirão . - Estou espantado por ver que até agora os sangues de lama ainda não fizeram as malas e não desapareceram - prosseguiu Malfoy . - Aposto cinco galeões em como o próximo morre . Pena que não tenha sido a Granger ... A campainha tocou em esse momento o que foi uma sorte porque a o ouvir as últimas palavras de Malfoy , Ron deu um salto , mas em a barafunda de guardar os livros em os sacos , a sua tentativa de agarrar o Malfoy passou despercebida . - Deixem me - gritava o Ron enquanto o Harry e o Dean lhe agarravam os braços . - Não preciso de varinha , vou dar cabo de ele com as minhas mãos ... - Despachem se , tenho de conduzir vos a a aula de herbologia - praguejava o Snape acima de as cabeças de os alunos . E lá foram como cordeirinhos com Harry , Ron e Dean em a retaguarda , o Ron ainda a tentar libertar se . Só acharam seguro largá o quando Snape os deixou fora de o castelo e iniciaram o percurso por o meio de a horta em direcção a as estufas . A aula de herbologia estava reduzida . Tinha agora dois alunos a menos : Justin e Hermione . A professora Sprout pô os a trabalhar , podando as figueiras-da-abissínia . Harry foi despejar uma braçada de hastes secas em um monte de adubo e deu consigo cara a cara com Ernie_Mcmillan . Ernie respirou fundo . - Só quero dizer te , Harry que lamento ter suspeitado de ti . Sei que nunca atacarias a Hermione_Granger e peço te desculpa por todas_as coisas que disse . Estamos todos em o mesmo barco , agora e , bem ... Estendeu lhe uma mão rechonchuda que o Harry apertou . Ernie e a sua amiga Hannah foram trabalhar em a mesma figueira com o Harry e o Ron . - Aquele tipo , Draco_Malfoy - disse Ernie , partindo pequenos galhos - , parece muito satisfeito com isto tudo , não acham ? É bem possível que ele seja o herdeiro de Slytherin . - Uma observação inteligente de a tua parte - disse o Ron que parecia não ter desculpado Ernie tão facilmente como o Harry . - Acham que é ele ? - perguntou Ernie . - Não - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Hannah ficaram a olhar espantados . Um segundo depois , Harry avistou qualquer coisa que o levou a chamar a atenção de o Ron , batendo lhe em a mão com a tesoura de podar . - Au ... o que é_que tu ... ? Harry apontava para o chão , a poucos centímetros de distância . Várias aranhas grandes corriam precipitadamente por a terra fora . - Ah ! sim - disse o Ron , tentando , sem conseguir , mostrar se entusiasmado . - Mas não podemos seguis as agora ... Ernie e Hannah ouviam nos com curiosidade . Harry viu as aranhas desaparecerem . - Parecem ir em a direcção de a floresta proibida ... E o Ron ficou ainda mais infeliz a o ouvir aquilo . Em o final de a aula , o professor Snape acompanhou os alunos a a « Defesa contra as artes negras » . Harry e Ron foram atrás de os outros para poderem conversar sem serem ouvidos . - Temos de usar outra_vez o manto de a invisibilidade - disse Harry a o Ron . - Podemos levar connosco o Fang , ele está habituado a ir a a floresta com o Hagrid , pode ser uma boa ajuda . - Certo - disse o Ron , que fazia girar nervosamente a varinha em os dedos . - Er ... não costuma haver ... não costuma haver lobisomens em a floresta ? - acrescentou enquanto ocupavam os lugares de o costume em a aula de o Lockhart . Preferindo não responder a a pergunta , Harry disse : - Também há lá coisas boas . Os centauros são fixes e os unicórnios . Ron nunca estivera em a floresta proibida , Harry fora lá só uma_vez e desejara não ter de lá voltar . Lockhart deu um salto para dentro de a sala de aula e os alunos ficaram espantados a olhar para ele . Todos os outros professores andavam mais tristes do_que o habitual mas Lockhart parecia sentir se em as nuvens . - Então , então - exclamou , olhando em volta . - Porquê essas caras deprimidas ? Lançaram lhe olhares exasperados mas ninguém respondeu . - Não compreendem - disse , falando devagar como_se fossem todos um_pouco estúpidos - que o perigo já passou ? O culpado foi se embora . -- Quem disse ? - retorquiu Dean_Thomas em voz alta . -- Meu caro jovem , o ministro de a magia não teria levado Hagrid se não estivesse cem por_cento certo de que ele era o culpado - disse Lockhart como quem explica que um e um são dois . - Teria , sim - disse o Ron , em um tom de voz ainda mais alto do_que o de o Dean . - Eu julgo saber um_pouco mais sobre a prisão de o Hagrid do_que o senhor , Mr._Weasley - disse Lockhart com notória auto-satisfação . Ron começou a dizer que discordava mas foi interrompido por o Harry que lhe deu um forte pontapé por debaixo de a mesa . - Nós não estávamos lá , lembras te ? - murmurou . Mas a alegria revoltante de o Lockhart , as insinuações de que sempre tinha achado que o Hagrid não prestava , a sua certeza de que tudo aquilo estava a chegar a o fim , irritou Harry de tal maneira que teve vontade de lhe atirar as * _ Viagens com Vampiros * e de lhe acertar em aquela cara estúpida . Mas , em vez de isso , limitou se a escrevinhar um bilhete para o Ron : * _ Vamos lá hoje a a noite * . Ron leu a mensagem , engoliu em seco e olhou para o lugar onde Hermione costumava sentar se . A cadeira vazia pareceu ajudá o a decidir se e acenou afirmativamente . A sala comum de os Gryffindor estava agora sempre cheia porque , depois de as seis_da_tarde , os Gryffindor não tinham outro lugar para ir . Por outro lado , tinham imenso para conversar , por isso a sala comum mantinha se cheia de gente até depois de a meia-noite . Logo_a_seguir a o jantar , Harry foi buscar o manto de a invisibilidade a a mala onde estava guardado e passou todo o serão a a espera que a sala esvaziasse . O Fred e o George desafiaram o para alguns jogos de explosão e a Ginny sentou se , muito preocupada , a observá os , em a cadeira habitual de Hermione . Harry e Ron fartaram se de perder de propósito em uma tentativa de pôr rapidamente fim a os jogos mas , mesmo_assim , já passava bastante de a meia-noite quando o Fred , o George e a Ginny se foram , finalmente , deitar . Harry e Ron esperaram até ouvir as portas de os dois dormitórios fecharem se . Em seguida , pegaram em o manto , lançaram o sobre ambos e passaram por o buraco de o retrato . Era mais uma difícil travessia de o castelo , tendo de fintar todos os professores . Finalmente , chegaram a o * hall * de entrada , giraram o fecho de as portas de carvalho , esgueiraram se tentando não fazer barulho e aventuraram se nos campos iluminados por o luar . - É claro que - disse bruscamente o Ron , enquanto atravessavam os relvados negros - podemos perfeitamente chegar a a floresta e descobrir que não há nada para seguir . As aranhas podem não ter ido para lá . É certo que parecia que tomavam essa direcção , mas ... Felizmente a lengalenga não durou muito . Chegaram a a casa de o Hagrid que tinha um ar triste com as suas janelas vazias . Logo_que Harry empurrou a porta e a abriu , o Fang saltou , louco de alegria por os ver . Preocupados , não fosse ele acordar toda_a_gente em o castelo com o seu ladrar forte e agitado , deram lhe rapidamente a comer bombons de melaço que estavam em uma lata sobre a lareira e que lhe colaram os dentes de cima a os de baixo . Harry pousou o manto de a invisibilidade sobre a mesa de o Hagrid . Não iam precisar de ele em a floresta escura como breu . - Anda , Fang , vamos dar um passeio - disse Harry , batendo lhe a o de leve em a pata e Fang saiu feliz , a os saltos , atrás de eles . Precipitou se até a a orla de a floresta e levantou a perna contra uma enorme figueira-do-egipto . Harry pegou em a varinha , murmurou * _ Lumus * ! e uma pequenina luz surgiu em a ponta de a varinha , suficiente para lhes mostrar o caminho e ajudá os a descobrir a pista de as aranhas . - Bem pensado - disse o Ron . - Eu acendia também a minha mas , sabes como ela está , ainda estoirava ou qualquer coisa assim ... Harry tocou em o ombro de o Ron , apontando para as ervas . Duas aranhas solitárias fugiam de a luz de a varinha , aproximando se de a sombra de as árvores . - O. _ K. - disse o Ron , resignando se com o pior . - Estou pronto , vamos . Então , com o Fang a correr atrás de eles , cheirando as raízes de as árvores e as folhas , entraram em a floresta . Seguindo a luz de a varinha de o Harry seguiram a fila disciplinada de aranhas que se movia a o longo de o caminho . Andaram durante cerca de vinte minutos , sem falar , atentos a todos os ruídos que não fossem os de os ramos caídos e de as folhas secas . Então , quando as copas de as árvores se tinham tornado mais cerradas do_que nunca , de_tal_modo_que as estrelas em o céu já não eram visíveis e a varinha de o Harry brilhava isolada em um mar de escuridão , viram as aranhas que eles seguiam a abandonar o caminho . Harry parou , tentando ver para_onde iam mas tudo_o_que ficava longe de a sua pequenina luz era negro de breu . Ele nunca fora tão longe em a floresta . Lembrava se muito bem de Hagrid lhe ter dito , de a última vez que ali tinham estado , que nunca saísse de o caminho de a floresta . Mas Hagrid agora estava a muitos quilómetros de distância e ele também lhes dissera que seguissem as aranhas . Uma coisa húmida tocou em a mão de o Harry e ele deu um salto para trás , pisando o pé a o Ron . Mas afinal era apenas o focinho de o Fang . - O que é_que tu achas ? - perguntou ele a o Ron cujos olhos conseguia vislumbrar , reflectindo a luz de a varinha . - Já_que viemos até aqui - disse ele . Seguiram , portanto as sombras velozes de as aranhas em direcção a as árvores . Não podiam agora andar muito depressa . Tinham em a frente raízes de árvores e troncos cortados que mal se viam em aquela escuridão . Harry sentia o bafo quente de Fang em a mão . Por mais de uma_vez tiveram de parar para o Harry se baixar e descobrir as aranhas a a luz de a varinha . Andaram durante o que lhes pareceu ter sido pelo_menos meia_hora , com os mantos a roçarem em os ramos mais baixos e em as silvas . A o fim de algum tempo repararam que o chão parecia inclinar se para baixo embora as árvores continuassem cerradas . Foi então que o Fang soltou um latido que ecoou em volta , fazendo Harry e Ron darem um salto , ambos com os cabelos em pé . - O que foi ? - gritou o Ron , olhando em volta para a escuridão e agarrando Harry com força , por o cotovelo . - Há qualquer coisa ali a mexer se - murmurou Harry - Ouve ... parece ser grande . Ficaram a ouvir . Um_pouco para a direita algo de grandes dimensões partia os ramos enquanto abria caminho através de as árvores . - Oh ! não - disse o Ron . - Oh ! não , não ... - Cala te - insistiu o Harry , nervoso . - Seja o que for , vai acabar por te ouvir . - Ouvir me ? - disse o Ron , em um tom de voz muito pouco natural . - Já ouviu . Fang ! A escuridão parecia esmagar lhes os globos oculares enquanto ali ficaram apavorados , a a espera . Houve um estranho ruído , surdo e prolongado , e em seguida o silêncio . - O que estará a fazer ? - perguntou Harry . - Talvez esteja a preparar se para atacar - disse o Ron . Esperaram , a tremer , sem ousarem mexer se . - Achas que se foi embora ? - murmurou Harry . - Não sei . Em esse momento , de o lado direito veio um clarão de luz tão forte em o meio de o escuro que os dois levaram as mãos a a cara para proteger os olhos . O Fang ganiu e tentou fugir mas viu se envolvido em um emaranhado de espinhos e ganiu ainda mais alto . - Harry - gritou o Ron com grande alívio em a voz . - Harry , é o nosso carro . - O quê ? - Anda ver . Harry avançou a os tropeções atrás de o Ron , em direcção a a luz e em o momento seguinte estavam em uma clareira . O carro de Mr._Weasley ali estava , vazio , no_meio_de um círculo de árvores grossas , sob um telhado de ramos densos , os faróis de a frente resplandecentes . Quando Ron se aproximou de boca aberta , moveu se lentamente em direcção a ele como_se fosse um grande cão azul turquesa , cumprimentando o dono . - Tem estado aqui todo este tempo - disse o Ron satisfeitíssimo , aproximando se de o carro . - Olha para ele , a floresta tornou o selvagem ... O guarda-lamas estava riscado e cheio de lodo . Parecia que tinha andado a passear sozinho por a floresta . Fang não gostou lá muito de ele . Manteve se a o lado de o Harry que podia senti o a tremer . Com a respiração normalizada , Harry guardou a varinha em o manto . - E nós a pensarmos que ele nos ia atacar - disse o Ron , encostando se a o carro e dando lhe duas palmadinhas - As voltas que eu dei a a cabeça a pensar para_onde ele teria ido ! Harry olhava para todos os lados , em o chão iluminado , em busca de mais aranhas mas todas elas tinham fugido de o brilho de as luzes . - Perdemos as de vista - disse ele . - Anda , vamos procurá as . Ron não disse nada . Não se moveu . Tinha os olhos fixos em um ponto , três metros acima de o chão de a floresta , mesmo atrás de o Harry . O seu rosto estava lívido de terror . Harry nem teve tempo de se voltar . Ouviu se um ruído alto e seco e sentiu que alguma coisa longa e peluda o elevava em o ar com o rosto voltado para baixo . Debatendo se , apavorado , ouviu outro estalido e viu as pernas de o Ron serem também levantadas de o chão . Ouviu o Fang gemer e ganir e , em o momento seguinte , era levado para o meio de as árvores escuras . Com a cabeça a balouçar , Harry viu que a coisa que o transportava tinha seis enormes patas peludas e que as duas de a frente o agarravam com forca sob um par de tenazes pretas e brilhantes . Atrás_de si podia ouvir outra de aquelas criaturas que , sem dúvida , transportava o Ron . Encaminhavam se para o coração de a floresta . Harry ouvia o Fang a ladrar , tentando libertar se de um terceiro monstro mas Harry não podia gritar mesmo_que quisesse , parecia que tinha deixado a voz em a clareira , junto com o carro . Não soube quanto tempo esteve em as patas de a criatura , só se apercebeu que a escuridão se atenuara um_pouco , permitindo lhe ver que o chão coberto de folhas estava agora repleto de aranhas . Voltando a cabeça para o lado , deu se conta de que tinham chegado a a base de uma enorme cova , uma cova que fora limpa de árvores para que as estrelas iluminassem com o seu brilho a cena mais pavorosa que os seus olhos alguma vez tinham visto . Aranhas . Não aranhas pequeninas como aquelas que estavam sobre as folhas . Aranhas de o tamanho de enormes cavalos , com oito olhos , oito pernas pretas , peludas , gigantescas . O espécimen que transportava Harry desceu o terreno íngreme até uma teia brumosa em forma de cúpula que ficava mesmo em o meio de a cova , enquanto os companheiros se juntavam em volta , batendo excitadíssimos com as tenazes e olhando para o que eles traziam a as costas . Harry caiu em o chão de gatas quando a aranha o libertou . Ron e Fang foram cair perto de ele . O Fang já não gania . Estava agachado e muito quieto . Ron e Harry partilhavam o mesmo sentimento . O Ron tinha a boca aberta em uma espécie de grito silencioso e os olhos a saltarem lhe de as órbitas . Harry percebeu de repente que a aranha que o deitara a o chão estava a dizer qualquer coisa . Era difícil entender porque entre cada duas palavras , batia com as tenazes . - Aragog - chamou . - Aragog . E de o meio de a teia brumosa em forma de cúpula saiu muito lentamente uma aranha de o tamanho de um pequeno elefante . As costas e as pernas estavam cobertas de pêlo cinzento e , em a cabeça feia , munida de tenazes , estavam vários olhos , todos eles de um branco leitoso . Era cega . - O que foi ? - disse , batendo rapidamente com as tenazes uma em a outra . - Homens - respondeu a aranha que trouxera o Harry . - É o Hagrid ? - perguntou Aragog , aproximando se mais com os seus oito olhos leitosos a vaguear . - Estranhos - respondeu a aranha que trouxera o Ron . - Matem nos - disse Aragog , irritada . - Eu estava a dormir ... - Nós somos amigos de o Hagrid - gritou Harry . Parecia que o coração lhe saltava por a boca . Clic , clic , clic fizeram as tenazes de a aranha , em volta de a cova . Aragog parou . - O Hagrid nunca mandou homens a a nossa cova - disse lentamente . - O Hagrid está em perigo - explicou Harry , respirando muito depressa . - Foi por isso que eu vim . - Em perigo ? - repetiu a aranha idosa e pareceu a Harry sentir preocupação por detrás de as suas tenazes . - Mas porque vos mandou ele cá ? Harry pensou pôr se de pé mas achou melhor não arriscar . As pernas provavelmente não teriam força para o sustentar . Falou portanto de o chão , o mais calmamente que foi capaz . - Eles lá em a escola pensam que o Hagrid soltou qualquer coisa contra os estudantes . Mandaram o para Azkaban . Aragog bateu furiosamente com as tenazes e , em toda_a cova , o eco foi reproduzido por uma multidão de aranhas . Era uma espécie de aplauso com uma única diferença : os aplausos não costumavam fazer o Harry quase morrer de medo . - Mas isso foi há muitos anos - disse Aragog , maldisposta . - Há anos e anos . Lembro me muito bem . Foi por isso que o expulsaram de a escola . Eles pensaram que eu era o monstro que vive em aquilo a que eles chamam a Câmara_dos_Segredos . Pensaram que o Hagrid a tinha aberto para me libertar . - E tu ... não vieste de a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Harry que sentia a testa cheia de suores frios . - Eu - disse Aragog , batendo irritada com as tenazes - , eu não nasci em o castelo . Venho de uma terra distante . Um viajante ofereceu me a o Hagrid quando eu era ainda um ovo . Hagrid era um rapazinho mas tratou de mim , escondeu me em uma despensa dentro de o castelo e alimentava me com as migalhas que ficavam em as mesas . Hagrid é o meu bom amigo e um bom homem . Quando me encontraram e me culparam por a morte de uma rapariga , ele protegeu me . Desde_então , tenho vivido aqui em a floresta onde o Hagrid ainda vem visitar me . Ele até me arranjou uma esposa , Mosag , e estão a ver como a família cresceu , tudo graças a a bondade de o Hagrid ... Harry reuniu a coragem que lhe restava . - Então tu nunca atacaste ninguém ? - Nunca - resmungou a velha aranha . - Era esse o meu instinto , mas por respeito a Hagrid nunca fiz mal a nenhum humano . O corpo de a rapariga morta foi encontrado em uma casa_de_banho , ora eu nunca conheci mais do_que despensa de o castelo , onde cresci . Nós gostamos de o escuro de o silêncio . - Mas então ... sabes o que matou essa rapariga ? - perguntou Harry . - Porque seja o que for , está a atacar as pessoas outra_vez ... As suas palavras foram abafadas por uma audível explosão de tenazes a bater e por o ruge-ruge de muitas pernas longas , deslocando se iradas . Em volta de Harry começaram a mover se sombras escuras . - O que vive em o castelo - disse Aragog - é uma antiga criatura que nós , aranhas , tememos acima_de todas_as outras . Lembro me bem de o quanto insisti com Hagrid para que me deixasse sair de ali quando senti a criatura a andar por a escola . - O que é ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Mais tenazes a bater , mais pernas a moverem se . As aranhas pareciam estar a aproximar se . - Nós não falamos de isso - exclamou Aragog furiosa . - Não pronunciamos o seu nome . Eu nunca disse a o Hagrid o nome de a horrível criatura , apesar_de ele me ter perguntado vezes sem conta . Harry não quis insistir , principalmente com todas aquelas aranhas a aproximarem se de todos os lados . Aragog parecia ter se cansado de falar . Recuava lentamente para a teia em forma de cúpula , mas as companheiras continuavam a aproximar se ameaçadoramente de Harry e Ron . - Vamos embora , então - gritou Harry , desesperadamente a Aragog , enquanto ouvia as folhas secas a estalarem atrás_de si . - Embora ? - disse Aragog lentamente . - Não me parece ... - Mas , mas ... - Os meus filhos e filhas não fazem mal a o Hagrid por ordem minha . Mas não posso negar lhes carne fresca quando ela veio por vontade própria ter connosco . Adeus , amigo de o Hagrid . Harry deu meia volta . Poucos centímetros acima de ele , uma sólida parede de aranhas batia com as tenazes , os seus muitos olhos a brilharem em as horríveis caras pretas . Mesmo_que se servisse de a varinha , Harry sabia que não ia valer de nada . As aranhas eram demasiadas , mas quando tentava preparar se para morrer a lutar , ouviu se um som prolongado e um clarão de luz iluminou a cova . O carro de Mr._Weasley ribombava , descendo o declive , com os faróis acesos , a buzina a guinchar , afastando as aranhas . Muitas de elas ficaram voltadas ao_contrário com as várias pernas a agitar se em o ar . O carro buzinou com mais força em frente de Harry e Ron e as portas abriram se . - Agarra o Fang - gritou Harry , ajeitando se em o lugar de a frente . Ron agarrou o cão caçador de javalis e lançou o a ganir para o banco de trás . As portas fecharam se com estrondo . Ron não tocou em o acelerador mas o carro não precisou de isso . O motor fez se ouvir e levantaram voo , batendo em mais aranhas . Subiram o declive , saindo de a cova e pouco depois atravessavam a floresta , os ramos a baterem em os vidros enquanto o carro seguia habilmente através de os intervalos maiores , por um caminho que obviamente já conhecia . Harry olhou para o Ron , a o seu lado . Ele tinha ainda a boca aberta em o mesmo grito silencioso mas os olhos já não estavam salientes . - Estás bem ? Ron olhou em frente , incapaz de responder . Começavam a descer para terra firme com o Fang a soltar enormes ganidos em o banco de trás e Harry viu o espelho retrovisor saltar quando passaram rente a um enorme carvalho . Após dez minutos bastante ruidosos , as árvores começaram a ser mais finas e Harry pôde ver de_novo pedaços de o céu . O carro parou tão bruscamente que quase foram projectados por o vidro de a frente . Tinham chegado a a orla de a floresta . O Fang ia agitadíssimo a a janela e quando Harry abriu a porta , disparou a correr através de as árvores até a a casa de o Hagrid , de cauda entre as pernas . Harry saiu também e um minuto depois o Ron pareceu recuperar a força em os membros e seguiu o , ainda com um torcicolo e de olhos esbugalhados . Harry deu uma palmadinha de agradecimento a o carro antes de ele dar a volta e desaparecer em direcção a a floresta . Harry voltou a a cabana de o Hagrid para buscar o manto de a invisibilidade . O Fang tremia em o seu cesto , coberto por um cobertor . Quando saiu de_novo , viu o Ron a vomitar junto de as abóboras . - Sigam as aranhas - disse ele debilmente , limpando a boca a a manga . - Nunca vou perdoar a o Hagrid . É uma sorte ainda estarmos vivos . - Aposto que ele pensou que Aragog nunca faria mal a os seus amigos - justificou Harry . - Esse é justamente o problema de o Hagrid - interrompeu Ron , dando um soco em a parede de a cabana . - Ele acha sempre_que os monstros não são tão maus como os pintam e vê onde isso o levou , a uma cela em Azkaban - tremia agora descontroladamente . - Qual a ideia de ele a o mandar nos ali ? Gostava de saber o que é_que descobrimos . - Que o Hagrid nunca abriu a Câmara_dos_Segredos - disse Harry , lançando o manto sobre Ron e tocando lhe em o braço para o encorajar a andar . - Ele estava inocente . Ron resmungou em voz alta . Para ele , chocar Aragog em uma despensa não era propriamente estar inocente . Quando se aproximaram de o castelo , Harry esticou o manto para garantir que os pés de ambos ficavam cobertos . Em seguida , empurrou as portas de a frente que chiaram . Atravessaram com todo o cuidado o * hall * de entrada e subiram a escadaria de mármore , contendo a respiração em os corredores guardados por sentinelas atentos . Por fim , chegaram a a segurança de a sala de os Gryffindor onde o lume ardera até se transformar em brasas brilhantes . Tiraram o manto e subiram a escada serpenteante que os levava a o dormitório . Ron caiu em a cama sem sequer se despir mas Harry , apesar_de tudo , não tinha sono . Sentou se em a beirinha de a cama , pensando em todas_as coisas que Aragog dissera . A criatura que andava por o castelo , pensou , era uma espécie de monstro Voldemort , nem os outros monstros queriam pronunciar o seu nome . Mas ele e o Ron não estavam agora mais perto_de descobrir o que era nem como petrificava as suas vítimas . Se nem o Hagrid chegara a saber o que estava em a Câmara_dos_Segredos ... Harry balançou as pernas e atirou se para_cima de a cama . Encostado a as almofadas olhou a Lua que brilhava através de a janela de a torre . Não sabia que mais poderiam fazer . Só tinham encontrado portas fechadas . Riddle apanhara a pessoa errada . O herdeiro de Slytherin fugira e ninguém sabia se era a mesma pessoa ou uma outra que abrira , desta_vez , a Câmara_dos_Segredos . Não havia mais ninguém a quem fazer perguntas . Harry deitou se ainda a pensar em as palavras de Aragog . Estava a começar a ficar com sono quando aquilo que parecia ser uma última esperança lhe ocorreu , fazendo o sentar se muito direito em a cama . - Ron - sussurrou em o escuro . - Ron . Ron acordou com um ganido como os de o Fang . Olhou muito assustado em volta e viu o Harry . - Ron , a rapariga que morreu . Aragog contou nos que ela foi encontrada em uma casa_de_banho - disse , ignorando os roncos de o Neville em o outro canto de o quarto . - E se ela nunca tivesse saído de a casa_de_banho ? E se ainda lá estiver ? Ron esfregou os olhos , franzindo as sobrancelhas sob a luz de a Lua . E só então compreendeu . -- Não pensar que ... a Murta_Queixosa ? XVI_A_Câmara_dos_Segredos -- E estivemos nós tantas vezes em aquela casa_de_banho com ela apenas a três cubículos de distância - disse o Ron amargamente em o dia seguinte , a a mesa de o pequeno-almoço . - Podíamos ter lhe perguntado e agora ... Já fora bastante difícil procurar as aranhas . Escapar a os professores o tempo suficiente para ir até a a casa_de_banho de as raparigas , que ficava mesmo em frente de o lugar onde ocorrera o primeiro ataque , ia ser quase impossível . Mas alguma coisa aconteceu que fez com que a Câmara_dos_Segredos desaparecesse de os seus pensamentos pela_primeira_vez em várias semanas . A professora Mc_Gonagall comunicou lhes que os exames começariam a 1_de_Junho , uma semana depois . - Exames ? - gritou Seamus_Finnigan . - Nós mesmo_assim vamos ter exames ? Ouviu se um estrondo atrás de o Harry quando a varinha de o Neville_Longbottom lhe escapou de a mão , fazendo desaparecer uma de as pernas de a secretária . A professora Mc_Gonagall repô a com a sua varinha e voltou se com má cara para o Seamus . - Se temos a escola aberta em uma altura de estas é para vocês receberem instrução - disse com dureza . - Os exames terão lugar , portanto , como é costume e espero que todos vocês façam revisões até lá . Revisões . Não passara por a cabeça de o Harry que houvesse exames com o castelo em aquele estado . Houve uma série de murmúrios revoltados , o que fez com que a professora Mc_Gonagall ficasse ainda mais mal-humorada . - As instruções de o professor Dumbledore foram para manter a escola a funcionar o mais normalmente possível - disse . - E isso , não preciso de vos dizer , passa por uma avaliação de o quanto vocês aprenderam a o longo de este ano . Harry olhou para baixo , para o casal de coelhos brancos que ele deveria transformar em pantufas . Que tinha ele aprendido durante o ano ? Não era capaz de se lembrar de nada que fosse útil em um exame . Ron estava como_se tivessem acabado de lhe dizer que a partir de aquele momento tinha de ir viver para a floresta proibida . - Estás a ver me a ter exames com isto tudo ? - perguntou a o Harry enquanto pegava em a varinha que tinha começado a assobiar bastante alto . Três dias antes de o primeiro exame , a a hora de o pequeno almoço , a professora Mc_Gonagall fez outra comunicação . - Tenho boas notícias - disse , e o salão em_vez_de se calar , explodiu de contentamento . - Dumbledore vai regressar ! - gritaram várias pessoas cheias de alegria . - Apanharam o herdeiro de Slytherin - arriscou uma rapariga em a mesa de os Ravenclaw . - Temos outra_vez os jogos de Quidditch - bradou Wood , excitadíssimo . Quando a agitação passou , Mc_Gonagall disse : - A professora Sprout informou me que as mandrágoras estão finalmente prontas para serem cortadas . Hoje a a noite vamos poder reanimar as pessoas que foram petrificadas . Escusado será dizer que certamente uma de elas poderá revelar nos quem ou o que a atacou . Eu tenho esperança que este ano pavoroso acabe com a prisão de o culpado . Houve uma explosão de aplausos . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e não ficou nada surpreendido a o ver que Draco_Malfoy não aplaudia . O Ron , por outro lado , estava satisfeito como ninguém o via havia dias . - Não faz mal não termos perguntado a a Murta . A Hermione vai , com certeza , ter todas_as respostas quando acordarem . Vai também ficar fula quando souber que temos exames dentro_de três dias . Ela não pôde fazer revisões . Seria melhor deixarem a estar onde está até a o final de os exames . Nessa_altura , Ginny_Weasley veio sentar se junto de o Ron . Parecia nervosa e tensa e Harry reparou que torcia as mãos em o colo . - O que se passa ? - perguntou o Ron , servindo se de mais papa de aveia . Ginny não disse nada mas olhou para um lado e para o outro de a mesa de os Gryffindor , com um olhar assustado que lembrou a Harry alguém que não sabia bem quem era . - Vá lá , vomita - disse o Ron , olhando para ela . Harry percebeu subitamente quem a Ginny lhe lembrara . Ela balançava se ligeiramente para a frente e para trás em a cadeira , exactamente como o Dobby fazia quando estava hesitante , à_beira_de revelar uma informação proibida . - Tenho de te dizer uma coisa - balbuciou a Ginny receosa , sem olhar para Harry . - O que é ? - perguntou ele . Ginny parecia incapaz de encontrar as palavras certas . - O quê ? - insistiu Ron . Ginny abriu a boca mas não saiu nenhum som . Harry inclinou se para a frente e falou devagar para que só ela e Ron pudessem ouvi o . - É alguma coisa relacionada com a Câmara_dos_Segredos ? Viste alguma coisa ou alguém a agir de forma estranha ? Ginny respirou fundo e , em esse preciso momento , apareceu Percy_Weasley com um ar pálido e cansado . - Se já acabaste de comer eu fico com esse lugar , Ginny . Estou cheio de fome . Acabei agora o meu trabalho de patrulhamento . Ginny deu um salto como_se a cadeira tivesse acabado de ser electrificada , lançou a o Percy um olhar assustado e zarpou . Percy sentou se e tirou uma caneca de o meio de a mesa . -- Percy - disse o Ron aborrecido . - Ela ia agora mesmo contar nos uma coisa importante . A meio de um gole de chá , Percy estremeceu . - Que coisa ? - perguntou , tossindo . - Eu quis saber se ela tinha visto alguma coisa estranha e ela ia dizer ... - Ah ! isso ... não tem nada que ver com a Câmara_dos_Segredos - disse o Percy de imediato . - Como sabes ? - indagou o Ron , erguendo as sobrancelhas . - Bem ... er ... já_que perguntam , a Ginny ... er ... passou por mim em outro dia quando eu ... er ... não foi nada , o importante é_que ela viu me fazer uma coisa e eu ... um ... pedi lhe para não comentar com ninguém . Não pensei que ela cumprisse a palavra , verdade se diga . Não é nada importante , eu só ... Harry nunca vira o Percy tão pouco a a vontade . - O que estavas a fazer , Percy ? - riu se o Ron . - Vá lá , conta que nós não nos rimos . Percy ficou sério . - Passa me esses pãezinhos , Harry , estou cheio de fome . Harry sabia que todo o mistério poderia ser desvendado em o dia seguinte sem a ajuda de eles mas não ia deixar de falar com a Murta_Queixosa se a oportunidade surgisse . E , para sua grande satisfação , ela surgiu a meio de a manhã quando eram conduzidos a a aula de História_da_Magia_por_Gilderoy_Lockhart . Lockhart , que tantas vezes lhes assegurara que o perigo tinha passado , estava agora totalmente convencido de que acompanhar os alunos em os corredores era um trabalho inútil . O seu cabelo estava mais liso do_que de costume . Parecia ter passado toda_a noite acordado a vigiar o quarto andar . - Podem escrever o que eu digo - afirmou , acompanhando os até uma esquina . - As primeiras palavras que vão sair de a boca de aquelas pobres pessoas petrificadas serão - * _ Foi_o_Hagrid * . Francamente , estou espantado por a professora Mc_Gonagall considerar ainda necessárias estas medidas de segurança . - Concordo , professor - disse Harry , fazendo com que Ron , surpreendido , deixasse cair os livros a o chão . - Obrigado , Harry - disse Lockhart amavelmente , enquanto deixavam passar uma grande fila de Hufflepuffs . - verdade é_que os professores já têm bastante que fazer para andarem também a acompanhar os alunos a as aulas e a guardar os corredores a a noite ... - É verdade - disse o Ron , percebendo a ideia . - Porque não nos deixa aqui , professor , só falta mais um corredor . - Sabes , Weasley , sou mesmo capaz de fazer isso - disse Lockhart . - Preciso de preparar a minha próxima aula . E apressou se a seguir o seu caminho . - Preparar a aula - zombou o Ron . - Vai encaracolar o cabelo , é o mais certo . Deixaram os restantes Gryffindor passar lhes a a frente e por fim cortaram caminho em um corredor lateral e dirigiram se a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mas quando estavam a congratular se por o seu esquema brilhante ... - Potter , Weasley ! Que estão vocês a fazer aqui ? Era a professora Mc_Gonagall e a boca de ela estava mais fina do_que nunca . - Nós estávamos , estávamos - gaguejou o Ron . - Nós íamos ver , íamos ver ... - Hermione - completou Harry . A professora Mc_Gonagall e Ron olharam para ele . - Não a vemos há séculos , professora - prosseguiu Harry , pisando o pé a o Ron . - E pensamos ir espreitá a a a ala hospitalar e dizer lhe que as mandrágoras estão quase prontas , para ela não se preocupar . A professora Mc_Gonagall estava ainda a olhar para ele e , por um momento , Harry pensou que ela ia explodir mas , quando falou , fê lo em um tom de voz estranhamente rouco . - É claro - disse . E Harry , espantado , viu uma lágrima a brilhar lhe em o canto de um de os olhos . - É claro . Eu compreendo que tudo_isto tem sido muito duro para os amigos de aqueles que foram ... eu compreendo , sim , Potter . Podem ir visitar Miss_Granger . Eu mesma informarei o professor Binns de que vocês estão em o hospital . Digam a Madam_Pomfrey que vos dei autorização . Harry e Ron afastaram se , quase sem acreditar que tinham escapado a um castigo . Quando voltaram em uma esquina ouviram nitidamente a professora Mc_Gonagall a assoar se . - Esta - disse o Ron entusiasmado - foi a melhor história que tu alguma vez inventaste . Não tinham outro remédio senão ir a a ala hospitalar e dizer a Madam_Pomfrey que tinham autorização de a professora Mc_Gonagall para visitar Hermione . Madam_Pomfrey deixou os entrar com alguma relutância . - Não vale a pena falar com uma pessoa petrificada - disse , e ambos tiveram que admitir que ela tinha razão quando se sentaram junto de Hermione e constataram que ela não tinha a menor noção de estar acompanhada . Dizer lhe que não se preocupasse ou falar com o armário que estava a o lado de a cama era exactamente a mesma coisa . - Será que ela viu quem a atacou ? - perguntou o Ron , olhando com tristeza para o rosto rígido de Hermione . - Porque se a coisa saltou sobre eles , ficaremos todos sem saber de nada . Mas Harry não olhava para o rosto de Hermione . Estava mais interessado em a sua mão direita que se encontrava pousada sobre os cobertores e , inclinando se para ela , viu que tinha , fechado entre os dedos , um pedaço de papel . Assegurando se de que Madam_Pomfrey não dava por nada , fez sinal a o Ron . - Tenta tirá o - murmurou ele , colocando a cadeira de_modo_a que Madam_Pomfrey não pudesse ver o Harry . Não foi tarefa fácil . A mão de a Hermione estava fechada com uma força tal que Harry receou parti a . Enquanto Ron vigiava , ele forçou e torceu até que , por fim , depois de vários minutos bastante tensos , conseguiu tirar o papel . Era uma página retirada de um livro muito antigo de a biblioteca . Harry alisou a ansiosamente e Ron inclinou se para poder lês a também . * _ De todos os monstros assustadores que pairam a a face de a Terra , nenhum é tão curioso nem tão fatal como o Basilisk , também conhecido por o rei de as serpentes . Esta cobra que pode atingir proporções gigantescas e viver durante muitas centenas de anos nasce de um ovo de galinha que é chocado por um sapo . As suas formas de matar são pavorosas pois além de os dentes venenosos e mortais , o Basilisk tem um olhar criminoso e todos aqueles que ele fixa com os olhos tem morte instantânea . As aranhas fogem a sete pés de o Basilisk que é seu inimigo mortal , e o Basilisk foge apenas de o canto de o galo que para ele é fatal * . Por debaixo de isto uma única palavra fora escrita , em a letra que Harry reconheceu como sendo de Hermione : Canos . Foi como_se se tivesse acendido uma luz em o seu espírito . - Ron - murmurou - é isso . Está aqui a resposta . O monstro de a Câmara_dos_Segredos é um Basilisk , uma serpente gigante . Por isso , só eu tenho ouvido a sua voz em todos os lugares , porque eu compreendo * serpentês * ... Harry olhou para as camas em volta . - O Basilisk mata as pessoas fixando as com o olhar mas ninguém morreu , o que quer_dizer que ninguém o olhou directamente em os olhos . Colin viu o através de a lente de a máquina fotográfica e o Basilisk queimou o rolo que estava lá dentro mas o Colin ficou apenas petrificado . O Justin ... o Justin deve ter visto o Basilisk através de o Nick quase sem cabeça . O Nick é_que levou com o olhar mas não podia morrer outra_vez ... e perto de a Hermione e de a prefeita de os Ravenclaw foi encontrado um espelho . Hermione acabara de compreender que o monstro era um Basilisk . Aposto que preveniu a primeira pessoa que encontrou de que era melhor olhar por um espelho a o virar de cada esquina . E aquela rapariga puxou de o seu espelho e ... O Ron estava de queixo caído . - E Mrs._Norris ? - perguntou vivamente . Harry pensou um_pouco , tentando imaginar a cena em a noite de o Halloween . - A água . . . - disse lentamente . - A poça de água que saiu de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Aposto que Mrs._Norris só viu o reflexo de o monstro . Examinou a folha de papel que tinha em a mão . Quanto_mais olhava mais sentido faziam as coisas . - * _ O cantar de o galo é fatal para ele * - leu em voz alta . - Os galos de o Hagrid foram mortos . O herdeiro de Slytherin não queria um único galo perto de o castelo , com a câmara aberta . * _ As aranhas são as primeiras a fugir * . Tudo encaixa . - Mas , como tem o Basilisk andado por aí ? - disse o Ron . - Uma serpente horrível e enorme ... alguém a teria visto . Mas Harry apontou para a palavra que Hermione escrevinhara em o final de a página . - Canos - disse . - Canos ... Ron , ele tem usado a canalização . Eu ouvi sempre a voz dentro de as paredes ... Ron agarrou subitamente o braço de o Harry . - A entrada para a Câmara_dos_Segredos - disse em uma voz rouca . - E se for em uma casa_de_banho ? Se for em a ... - Em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa - completou Harry . Sentaram se , tomados de uma excitação enorme , mal querendo acreditar . - Isso significa que - disse o Harry - eu não posso ser o único em a escola a falar * serpentês * . Há também o herdeiro de Slytherin . É de esse modo que tem controlado o Basilisk . - O que vamos fazer ? - perguntou Ron com os olhos a faiscar . - Vamos falar com a Mc_Gonagall ? - Vamos até a a sala de os professores - disse Harry , dando um salto . - Ela estará lá dentro_de dez minutos , está quase em o intervalo . Desceram a escada a correr . Não querendo ser descobertos outra_vez a vaguear por os corredores foram directamente até a a sala de os professores que estava deserta . Era uma divisão ampla , toda forrada , com cadeiras de madeira escura . Harry e Ron passearam de um lado para o outro , demasiado nervosos para se sentarem . Mas a campainha anunciando o intervalo nunca mais tocava . Em vez de isso , ecoando em os corredores , ouviram a voz de a professora Mc_Gonagall incrivelmente ampliada . - * _ Todos os alunos devem regressar de imediato a os seus dormitórios . Todos os professores a a sala de professores . Imediatamente , por favor * . Harry deu meia volta e olhou para o Ron . - Não me digas que houve um novo ataque , não agora ! - Que vamos fazer ? - disse o Ron aterrado . - Voltar para o dormitório ? - Não - disse Harry , olhando e m volta . Havia uma espécie de armário a a sua esquerda cheio com os mantos de os professores . - Ali . Vamos ouvir o que se passa . A seguir poderemos contar lhes o que descobrimos . Esconderam se dentro de o armário , ouvindo a algazarra de centenas de pessoas e a porta de a sala de professores a abrir se . De o meio de a confusão de mantos bafientos , viram os professores encherem a sala . Alguns tinham um ar totalmente confuso , outros pareciam apavorados . Por fim , chegou a professora Mc_Gonagall . - Aconteceu - disse em o silêncio de a sala de professores . - O monstro levou uma aluna . Levou a mesmo para a câmara . O professor Flitwick soltou um grito agudo . A professora Sprout bateu com a mão em a boca . Snape agarrou com força as costas de uma cadeira e perguntou : - Como pode ter tanta certeza ? - O herdeiro de Slytherin - disse a professora Mc_Gonagall , muito pálida . - Deixou outra mensagem . Mesmo por baixo de a primeira : « * _ O esqueleto de ela ficará para sempre em a Câmara_dos_Segredos * . » O professor Flitwick desatou a chorar . - Quem é ela ? - quis saber Madam_Hooch que se afundara em uma cadeira . - Quem é a aluna ? - Ginny_Weasley - disse a professora Mc_Gonagall . Harry viu o Ron , a o seu lado , escorregar silenciosamente até a o chão de o armário . - Vamos ter que mandar todos os alunos embora amanhã - disse a professora Mc_Gonagall . Isto_é o fim de Hogwarts , Dumbledore sempre disse ... A porta de a sala de os professores voltou a abrir se . Por um breve momento , Harry pensou que fosse Dumbledore mas era Lockhart e vinha todo sorridente . - Peço desculpa , adormeci . Perdi alguma coisa ? Não pareceu reparar que os outros professores o olhavam com uma espécie de aversão . Snape deu um passo em frente . - O homem que faltava - disse . - O homem certo . O monstro raptou uma garota , Lockhart levou a para a Câmara_dos_Segredos . O seu momento chegou . - Isso mesmo , Lockhart - acrescentou a professora Sprout . - Não estavas a dizer ontem a a noite que sempre tinhas sabido onde era a entrada para a Câmara_dos_Segredos ? - Eu ... bem ... eu-disse atabalhoadamente Lockhart . - Sim , não me disseste que sabias exactamente o que estava lá dentro ? - disse com voz esganiçada o professor Flitwick . - Eu disse ? Não me lembro ... - Lembro me perfeitamente de o ouvir dizer que lamentava não ter feito uma tentativa com o monstro antes de o Hagrid ser preso - disse Snape . - Não disse que toda_a história tinha sido uma atrapalhação e que deveriam ter lhe dado carta branca desde o princípio ? Lockhart olhou em volta para a cara de espanto de os colegas . - Eu ... nunca ... eu de facto ... deve ter me compreendido mal . - Então vamos deixar te , Gilderoy - disse a professora Mc_Gonagall . - Esta noite será uma excelente oportunidade para actuares . Nós trataremos de assegurar que ninguém te atrapalha . Vais poder enfrentar o monstro sozinho . Finalmente tens carta branca . Lockhart olhou desesperado a a sua volta mas ninguém foi salvá o . Já não estava bem-parecido . O lábio tremia lhe e a ausência de o seu habitual sorriso de dentes brancos dava lhe um ar escanzelado . - M-muito bem - disse . - Vou até a o meu escritório para ... para me preparar . E saiu de a sala . - _ óptimo - exclamou a professora Mc_Gonagall com as narinas dilatadas . - Isto deve afastá o de o nosso caminho . Os chefes de casa devem ir agora comunicar a os respectivos alunos o que se passou e informá os de que o Expresso_de_Hogwarts os levará a casa amanhã de manhã . Os restantes certifiquem se , por favor , de que não há alunos fora de os dormitórios . Os professores levantaram se e saíram um a um . Foi talvez o dia pior de a vida de o Harry . Ele , Ron , Fred e George sentaram se juntos a um canto em a sala comum de os Gryffindor , incapazes de proferir uma palavra . Percy não estava lá . Tinha ido tratar de enviar uma coruja a Mr. e Mrs._Weasley e , em seguida , fechara se em o dormitório . Nunca uma tarde custara tanto a passar e nunca a torre de os Gryfffindor estivera tão cheia de gente e tão silenciosa . Fred e George foram para a cama quase a o pôr de o Sol , incapazes de ficar ali mais tempo . - Ela sabia qualquer coisa , Harry - disse o Ron , falando pela_primeira_vez desde_que tinham saído de o armário de a sala de os professores . - Por isso a levaram . Não era nenhuma parvoíce sobre o Percy , ela tinha descoberto qualquer coisa sobre a Câmara_dos_Segredos . Com certeza por isso é_que a ... - Ron esfregou os olhos , enervadíssimo . - Afinal ela era sangue puro , não pode haver outra explicação . Harry olhava para o sol que mergulhava de um vermelho cor de sangue em a linha de o horizonte . Era a pior coisa que lhe tinha acontecido . Se pelo_menos pudessem fazer alguma coisa . - Harry - disse o Ron . - Achas que há alguma possibilidade de ela não estar ... ? Sabes o que eu quero dizer . Harry não sabia que resposta dar . Não acreditava que a Ginny pudesse ainda estar viva . - Sabes uma coisa ? - disse o Ron . - Acho que devíamos ir ter com o Lockhart , contar lhe o que sabemos . Ele vai tentar entrar em a câmara , podemos dizer lhe onde achamos que fica a entrada e contar lhe que o monstro é um Basilisk . Como Harry não tinha nenhuma ideia melhor e como queria fazer alguma coisa , concordou . Os Gryffindor que os rodeavam estavam tão tristes e com tanta pena de os Weasley que ninguém tentou impedi os quando os viram levantar se , atravessar a sala e sair por o buraco de o retrato . A escuridão começava a instalar se quando chegaram a o escritório de Lockhart onde a actividade era muita . De o corredor ouvia se o ruído de coisas a serem deitadas fora , pancadas surdas e passos apressados . Harry bateu a a porta e houve um silêncio repentino . Em seguida abriu se uma fresta de a porta e viram um de os olhos de Lockhart a espreitar . - Oh ! ... Mr._Potter ... Mr._Weasley - disse entreabrindo a porta . - Estou um_pouco ocupado em este momento , se forem rápidos ... - Professor , nós temos informações para lhe dar - disse o Harry . - Acho que poderão ajudá o . - Er ... bem ... não é - o lado de a cara de Lockhart que conseguiam ver parecia muito pouco a a vontade . - Quer_dizer ... bem ... está bem . Abriu a porta e eles entraram . O escritório estava praticamente vazio . Em o chão estavam duas grandes malas abertas . Mantos verde-jade , lilás , azul-noite tinham sido apressadamente dobrados e guardados dentro_de uma de as malas . Os livros misturavam se todos dentro de a outra . As fotografias que antes cobriam as paredes estavam agora arrumadas em caixas , em cima de a secretária . - Vai a algum lado ? - perguntou Harry . - Er ... bem ... sim - disse Lockhart , arrancando de a porta um poster seu em tamanho natural , enquanto falava , e começando a enrolá o . - Uma chamada urgente ... inevitável ... tenho que ir . - E a minha irmã ? - perguntou o Ron bruscamente . - Bem , quanto_a isso foi uma pena - disse Lockhart , evitando olhá os em os olhos , abrindo uma gaveta e começando a despejar o seu conteúdo dentro_de um saco . - Ninguém lamenta mais do_que eu ... - O senhor é o professor de Defesa contra as artes negras - disse Harry . - Não pode ir se embora agora_que todas estas coisas de magia negra estão a acontecer aqui . - Bem , devo dizer te que ... quando aceitei o lugar ... - resmungou Lockhart , empilhando soquetes sobre os mantos - nada em a descrição de o meu trabalho fazia prever ... - Quer_dizer que vai fugir ? - perguntou Harry , incrédulo . - Depois de todas_as coisas que conta em os seus livros ? - Os livros podem ser enganadores - disse Lockhart delicadamente . - Mas foi o senhor que os escreveu - gritou Harry . - Meu rapaz - disse Lockhart , endireitando se e franzindo as sobrancelhas - usa o senso comum . Os meus livros não teriam vendido metade do_que venderam se as pessoas não acreditassem que eu tinha feito todas aquelas coisas . Ninguém está interessado em ler sobre um velho feiticeiro americano mesmo_que ele tenha salvo uma cidade inteira de os lobisomens , ficaria péssimo em a capa . E a bruxa que correu com a fada carpideira tinha um lábio leporino . Como vês . - Quer_dizer que ficou com os louros por tudo_o_que uma série de outras pessoas fizeram ? - perguntou Harry , sem querer acreditar . - Harry , Harry - disse Lockhart , abanando impacientemente a cabeça . - Não é tão simples assim . Envolveu muito trabalho . Tive de localizar todas essas pessoas , perguntar lhes em pormenor como tinham feito as coisas . Depois tive de lhes fazer um feitiço antimemória para que não voltassem a lembrar se do_que tinham feito . Se há uma coisa de que me orgulho é de os meus feitiços antimemória . Não , tive muito trabalho , Harry . Não foram só as sessões de autógrafos e as fotografias , sabes ? Quem quer ser famoso tem de estar preparado para um trabalho longo e fatigante . Fechou as malas a a chave . - Vejamos - disse . - Acho que está tudo . Sim , só falta uma coisa . - Empunhou a varinha e voltou se para eles . - Lamento muito , rapazes , mas vou ter de vos fazer um feitiço antimemória . Não posso deixar que vão por aí repetir os meus segredos . Não venderia nem mais um livro . Harry pegou em a varinha mesmo a tempo e Lockhart mal tinha levantado a de ele a o ar quando Harry gritou * _ Expelliarmus ! * Lockhart foi projectado de costas , indo cair em cima de a mala . A varinha voou por os ares . Ron agarrou a e atirou a por a janela aberta . - Não devia ter deixado o professor Snape ensinar nos esta - disse Harry furioso , dando um pontapé a uma de as malas . Lockhart olhava para ele , de_novo escanzelado . Harry apontava lhe a varinha . - O que queres que eu faça ? - perguntou debilmente . - Eu não sei onde fica a Câmara_dos_Segredos . Não posso fazer nada . - Está com sorte - disse Harry , forçando o com a varinha a pôr se de pé . - Nós julgamos saber onde é e o que está lá dentro . Vamos . Conduziram Lockhart para fora de o seu escritório , desceram com ele as escadas e seguiram por o corredor escuro em cuja parede brilhavam as mensagens , até a a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mandaram Lockhart a a frente . Harry gostou de ver que todo ele tremia . A Murta_Queixosa estava sentada em a cisterna de o cubículo de o fundo . - Ah ! são vocês - disse a o ver o Harry . - O que querem agora ? - Perguntar te como morreste - disse Harry . O aspecto de a Murta mudou por completo . Parecia que nunca lhe tinham feito uma pergunta tão lisonjeira . - Ooooh ! Foi horrível - disse satisfeita . - Aconteceu aqui mesmo . Morri em este cubículo . Lembro me tão bem . Estava escondida porque a Olive_Hornby andava a implicar comigo por causa de os meus óculos . A porta estava fechada e eu estava a chorar e , então , ouvi alguém entrar . Disseram qualquer coisa estranha em uma língua diferente , acho eu . Mas o que mais me espantou foi o ser um rapaz a falar . Por isso , abri a porta para lhe dizer que fosse a a casa_de_banho de eles e em esse momento - a Murta inchou com ar importante , o rosto a brilhar - morri . - Como ? - perguntou Harry . - Não faço ideia - disse a Murta em um tom de voz abafado . - Só me lembro de ver dois grandes olhos amarelos , de o meu corpo ficar preso e em seguida , sentir me a flutuar ... - olhou sonhadoramente para Harry . - E depois voltei . Estava disposta a vingar me de a Olive_Hornby , percebes ? Ela ia arrepender se de ter gozado com os meus óculos . - Onde foi exactamente que viste os tais olhos ? - perguntou Harry . - Algures por aí - disse a Murta , apontando vagamente para o lavatório em frente de o seu cubículo . Harry e Ron apressaram se . Lockhart estava de pé , mais atrás , com uma expressão de pavor em o rosto . O lavatório parecia perfeitamente vulgar . Examinaram o centímetro a centímetro , dentro e fora , incluindo os canos por baixo . E foi então que Harry reparou : de lado , rabiscada em uma de as torneiras de cobre , estava uma cobra pequenina . - Essa torneira nunca funcionou - disse vivamente a Murta enquanto ele tentava abri a . - Harry - sugeriu o Ron . - Diz qualquer coisa em * serpentês * . Mas , pensou Harry , as únicas vezes que conseguira falar * serpentês * tinham ocorrido quando confrontado com uma verdadeira serpente . Olhou , concentrado para a pequena cobra gravada em o cobre , tentando imaginá a como verdadeira . - Abre te - disse . Olhou para o Ron que abanou a cabeça . - Inglês - disse ele . Harry voltou a olhar para a cobra , forçando se a acreditar que estava viva . A luz de a vela fez parecer que se movia . - Abre te - repetiu . Mas desta_vez as palavras não foram o que ele ouviu . Um estranho sibilar escapou lhe de a boca e a torneira ganhou uma luz branca e brilhante e começou a rodar . Logo_a_seguir o lavatório mexeu se . Afastou se , melhor dizendo , saiu de o caminho , deixando um grande cano a a vista , um cano onde cabia um homem . Harry ouviu a respiração arquejante de o Ron e olhou de_novo para ele . Já decidira o que queria fazer . - Vou descer - disse . Não podia deixar de ir , agora_que acabavam de descobrir a entrada para a câmara , existindo uma possibilidade , por mais remota que fosse , de a Ginny ainda estar viva . - Eu também - disse o Ron . Houve uma pausa . - Bem , parece que não precisam mais de mim - apressou se Lockhart a dizer com uma réstia de sorriso . - Eu vou . . . Pôs a mão em o puxador de a porta mas Ron e Harry apontaram lhe ambos as varinhas . -- O senhor pode ir a a frente - disse rispidamente o Ron . Pálido e sem varinha , Lockhart aproximou se de a entrada . - Meus rapazes - disse em uma voz débil . - Meus rapazes , para quê tudo_isto ? Harry tocou lhe em as costas com a varinha e ele meteu as pernas em o cano . - Eu não me parece que ... - começou a dizer , mas o Ron deu lhe um empurrão e ele desapareceu por o cano abaixo . Harry foi rapidamente atrás . Introduziu se lentamente e deixou se cair . Era como escorregar em uma pista escura e interminável . Ele via outros canos , estendendo se em todas_as direcções mas nenhum tão largo como o de eles que se torcia e virava , inclinando se abruptamente . Harry sabia que estavam a chegar a um ponto muito abaixo de a escola e de os calabouços . Atrás_de si , ouvia o Ron gemendo em cada curva . E então , quando começava a preocupar se com o que iria acontecer quando tocassem em o chão , o cano tornou se horizontal e ele foi projectado com um ruído surdo , indo aterrar em o chão húmido de um túnel de pedra com altura suficiente para ele se pôr de pé . Lockhart estava a levantar se a alguma distancia , todo enlameado e pálido como um fantasma . Harry afastou se para deixar o Ron sair também de o cano . - Devemos estar quilómetros e quilómetros abaixo de a escola - disse o Harry cuja voz ecoou em o túnel negro . - Talvez até debaixo de o lago - arriscou o Ron , olhando em volta para as paredes escuras e viscosas . Voltaram se os três para olhar para a escuridão lá a o fundo . - * _ Lumus ! * - murmurou Harry a a varinha e ela voltou a acender se . - Vamos - disse a o Ron e a o Lockhart e avançaram , os passos a chapinharem ruidosamente em o chão molhado . O túnel era tão escuro que só conseguiam ver alguns centímetros a a frente . As suas sombras em as paredes molhadas pareciam monstruosas a a luz de a varinha . - Lembrem se - disse Harry baixinho enquanto caminhavam . - A o menor movimento fechem logo os olhos ... Mas o túnel era silencioso como um túmulo e o primeiro som inesperado que ouviram foi um grito de o Ron que escorregou em uma coisa que era afinal a cauda de um rato . Harry baixou a varinha para olhar para o chão e viu que estava cheio de pequenos ossos de animais . Fazendo um enorme esforço para evitar pensar em que estado iriam encontrar a Ginny , avançou até uma curva escura de o túnel . - Harry , está aqui qualquer coisa - disse o Ron com voz rouca , agarrando Harry por o ombro . Ficaram estáticos a olhar . Harry só conseguia ver a silhueta de algo enorme e curvo deitado em o túnel . Fosse o que fosse não se movia . - Talvez esteja a dormir - murmurou , olhando para os outros dois . Lockhart tapava os olhos com as mãos . Harry voltou se para olhar para a criatura com o coração a bater tanto que lhe doía em o peito . Lentamente , com os olhos quase fechados mas ainda conseguindo ver , Harry avançou com a varinha levantada . A luz deslizou sobre uma gigantesca pele de serpente , de um verde vivo e venenoso que estava vazia e enrolada em o chão de o túnel . A criatura que a abandonara devia ter , pelo_menos , seis metros e meio de comprimento . - Bolas - disse o Ron , perdendo as forças . Houve um movimento súbito atrás de eles . As pernas de Gilderoy_Lockhart cederam . - Levante se - disse o Ron de uma forma cortante , apontando lhe a varinha . Lockhart pôs se de pé . Em seguida empurrou o Ron , atirando o a o chão . Harry deu um salto , mas ... tarde de mais . Lockhart endireitava se com a varinha de o Ron em as mãos e um sorriso em o rosto . - A aventura acaba aqui , rapazes - disse . - Vou levar um bocado de esta pele de cobra para a escola , contar lhes que foi demasiado tarde para salvar a garota e que vocês os dois perderam tragicamente a memória com a visão de o seu corpinho mutilado . Digam adeus a as vossas recordações . Levantou a o ar a varinha avariada de o Ron e gritou * _ Obliviate ! * A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba . Harry pôs os braços sobre a cabeça e correu , escorregou em os anéis de a pele de cobra , afastando se de os grandes pedaços de tecto de o túnel que caíam em o chão com o ruído de trovões . Pouco depois estava sozinho , olhando para uma sólida parede de rocha partida . - Ron - gritou ele . - Estás bem , Ron ? - Estou aqui - respondeu a voz abafada de o Ron por detrás de a avalancha de rochas . - Eu estou bem mas este sujeito não . A varinha avariou o todo . Ouviu se um ruído surdo e um Oh ! gritado . Parecia que o Ron tinha acabado de dar a o Lockhart um pontapé em as canelas . - E agora ? - disse a voz de o Ron que parecia desesperada . - Não podemos passar , vai demorar séculos . Harry olhou para o tecto de o túnel onde tinham aparecido grandes fendas . Ele nunca tentara partir , através de a magia , nada tão grande como aquelas rochas e agora não lhe parecia ser o melhor momento para fazer experiências . E se o túnel abatesse ? Houve um ruído surdo e outro Oh ! atrás de as rochas . Estavam a perder tempo . A Ginny já estava havia duas horas em a Câmara_dos_Segredos . Harry sabia que só havia uma coisa a fazer . - Espera aqui - gritou a o Ron . - Fica com o Lockhart , eu vou lá . Se não voltar dentro_de uma hora ... Houve um silêncio cheio . - Eu vou ver se desloco um_pouco esta rocha - disse o Ron , tentando manter a voz firme . - Para tu poderes passar . E , Harry ... - Até já - disse o Harry , procurando injectar confiança em a sua voz trémula . E passou sozinho para lá de a imensa pele de serpente . Em_breve , o ruído de o Ron , tentando deslocar a rocha , deixou de se ouvir . O túnel virou uma e outra_vez . Os nervos de o corpo de o Harry tangiam de forma desagradável . Ele só queria que o túnel chegasse a o fim , fosse o que fosse que o aguardasse . E então , finalmente , quando atingiu a última curva , viu em a sua frente uma parede sólida que tinha gravadas duas serpentes enroladas uma em a outra , cujos olhos eram quatro esmeraldas , enormes e brilhantes . Harry aproximou se com a garganta seca . Não foi preciso imaginar que as serpentes eram autênticas . Os seus olhos pareciam estranhamente vivos . Foi fácil descobrir o que tinha de fazer . Pigarreou e os olhos de esmeraldas pareceram mexer se . - Abre te - disse Harry em um sibilar baixo . As serpentes desapareceram enquanto a parede se abria a o meio e , a tremer de os pés a a cabeça , Harry entrou . XVII_Herdeiro_de_Slytherin_Estava de pé em o fundo de uma divisão enorme , fracamente iluminada . Altíssimos pilares de pedra , cheios de serpentes gravadas que os enlaçavam , erguiam se , suportando um tecto que se perdia em a escuridão e que lançava sombras negras imensas através de a estranha luz esverdeada que enchia o local . Com o coração a bater descompassadamente , Harry ficou parado a ouvir aquele silêncio arrepiante . Estaria o Basilisk escondido em um canto cheio de sombras , atrás_de algum pilar ? E onde estaria Ginny ? Pegou em a varinha e avançou a o longo de as colunas serpenteantes . Cada_um de os seus passos provocava um enorme eco em as paredes sombrias . Harry tinha os olhos semicerrados e estava pronto para os fechar a o mais pequeno movimento . As órbitas de olhos fundos de as serpentes de pedra pareciam segui o . Por mais de uma_vez , com o estômago a dar um salto , Harry julgou vê os moverem se . Por fim , chegado a o nível de os dois últimos pilares , avistou uma estátua de a altura de a própria câmara que estava encostada a a parede de o fundo . Harry tinha de esticar o pescoço para olhar para_cima , para a cara de o gigante : era velho e com um ar simiesco , tinha uma barba enorme que lhe caía quase onde acabava a longa túnica de pedra . Os dois pés imensos e cinzentos pousavam em o chão de a câmara . E entre eles , voltada para baixo , estava uma figura pequenina vestida de preto com um cabelo flamejante . - Ginny - murmurou Harry , chegando perto de ela e ajoelhando se . - Ginny , por favor não estejas morta , não estejas morta ! Atirou a varinha para o lado , agarrou Ginny por os ombros e voltou a . O rosto de ela estava branco e frio como o mármore , contudo os olhos encontravam se fechados , portanto não estava petrificada . Mas então devia estar ... - Ginny , acorda por favor - repetiu Harry desesperado , sacudindo a . A cabeça de ela andava de um lado para o outro . - Ela não vai acordar - disse secamente uma voz . Harry deu um salto e girou sobre os joelhos . Um rapaz alto , de cabelo preto , estava encostado a o pilar mais próximo , a observá o . As sombras desfocavam o como_se Harry o visse através_de uma janela embaciada . Mas não havia como confundis o . - Tom , Tom_Riddle ? Riddle acenou , sem tirar os olhos de o rosto de Harry . - O que queres dizer com isso de ela não acordar ? - perguntou Harry desesperado . - Ela não está ... não está ? - Está viva - disse Riddle . - Mas , por um fio . Harry olhou fixamente para ele . Tom_Riddle estivera em Hogwarts há cinquenta anos atrás . Contudo , ali estava com uma luz estranha e desfocada a iluminá o , sem um dia a mais do_que os seus dezasseis anos . - És um fantasma ? - perguntou Harry . - Uma memória - disse Riddle . - Preservada em um diário durante cinquenta anos . Apontou para os pés de a estátua gigantesca . Ali , aberto em o chão , estava o pequeno diário de capa preta que Harry tinha encontrado em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Durante um segundo , Harry perguntou a si próprio como teria ido ali parar , mas havia coisas mais importantes a fazer . Preciso de a tua ajuda , Tom - disse Harry , levantando de_novo a cabeça de a Ginny . - Temos de sair de aqui . Há_um_Basilisk ... não sei onde está mas pode aparecer a qualquer momento . Por favor , ajuda me . Riddle não se mexeu . Harry , a transpirar , conseguiu levantar ligeiramente a Ginny de o solo e inclinou se para pegar em a varinha mas ela tinha desaparecido . - Viste a ... ? Olhou para_cima . Riddle continuava a olhá o , fazendo girar a varinha entre os dedos longos . - Obrigado - disse Harry , esticando o braço para a agarrar . Um sorriso surgiu então em os cantos de a boca de Riddle que continuou a olhar para ele , girando indolentemente a varinha . - Ouve , pá - disse Harry sem querer perder mais tempo , os joelhos a vergarem sob o peso morto de Ginny - temos de ir . Se o Basilisk aparece ... - Ele não vem enquanto não for chamado - disse Riddle com toda_a calma . Harry voltou a pousar Ginny em o chão , incapaz de a segurar por mais tempo . - Que queres dizer com isso ? - perguntou . - Dá me a minha varinha , posso precisar de ela . O sorriso de Riddle ampliou se . - Não vais precisar de ela - disse . Harry olhou o espantado . - O que queres dizer , não vou ? - Esperei muito_tempo por isto , Harry - disse Riddle . - Pela possibilidade de te ver , de falar contigo . - Olha , eu acho que tu não estás a perceber - disse Harry , perdendo a paciência . - Estamos em a Câmara_dos_Segredos , podemos conversar mais tarde . - Vamos conversar agora - disse Riddle , sorrindo de orelha a orelha e guardando a varinha de Harry em o bolso . Harry voltou a olhar para ele . Havia qualquer coisa de muito estranho em tudo aquilo . - Como é_que a Ginny ficou assim ? - perguntou pausadamente . - Bem , essa é uma pergunta interessante - disse Riddle , divertido . - E uma longa história , também . Julgo que o verdadeiro motivo que levou Ginny_Weasley a ficar assim foi o ter aberto o seu coração e revelado todos os seus segredos a um estranho ser invisível . - De quem estás a falar ? - perguntou Harry . - De o diário - disse Riddle . - De o meu diário . A Ginny escreve nele há meses e meses , contando me todas_as suas lamentáveis desgraças e atribulações : como os irmãos a arreliam , que teve de vir para a escola com manto , túnica e livros em segunda mão - os olhos de Riddle brilharam -- , que acha que o maravilhoso , o grande , o famoso Harry_Potter nunca vai gostar de ela ... Enquanto falava , nunca os olhos de Riddle se afastaram de a cara de o Harry . Havia em eles um olhar ávido . - É muito chato ter de ouvir as preocupações idiotas de uma garotinha de onze anos - prosseguiu . - Mas eu fui paciente . Respondi lhe , mostrei me simpático e amável . A Ginny pura e simplesmente adorou me . - * _ Nunca ninguém me compreendeu como tu , Tom ... estou tão feliz por ter este diário a quem me confiar ... é como ter um amigo que pode andar em o meu bolso * ... Riddle riu se . Um riso alto , frio , que não lhe ficava bem . Fez com que os cabelos de o pescoço de Harry se arrepiassem todos . - Verdade se diga que sempre consegui encantar as pessoas necessárias . Portanto a Ginny verteu em mim a sua alma e a alma de ela era precisamente o que eu queria . Fortaleceu me . Alimentei me de os seus medos mais profundos , de os seus mais obscuros segredos . Fui ficando cada_vez_mais forte e poderoso . Muito mais poderoso do_que a pequena Miss_Weasley até que comecei a transmitir lhe alguns de os meus segredos , a passar um_pouco de a minha alma para ela ... - O que queres dizer ? - perguntou Harry cuja boca ficara totalmente seca . - Ainda não descobriste , Harry_Potter ? - disse Riddle muito baixo . - Giony_Weasley abriu a Câmara_dos_Segredos , estrangulou os galos de a escola e escreveu mensagens assustadoras em as paredes . Atiçou a serpente de Slytherin contra quatro sangues de lama e contra o gato de o busca-pé . - Não - murmurou Harry . - Sim - disse calmamente Riddle . - É claro que a princípio não sabia o que estava a fazer . Era muito divertido . Gostava que visses as coisas que escreveu em o diário , começaram a ficar muito mais interessantes . * _ Querido_Tom * - recitou ele , olhando para a expressão horrorizada de o Harry . - * _ Acho que estou a perder a memória . Há penas de galo em todas_as minhas roupas e eu não sei como foram lá parar . Querido_Tom , não me lembro do_que fiz em a noite de o Hallowe'en mas foi atacada uma gata e eu estou cheia de tinta em a cara . Querido_Tom , o Percy não pára de me dizer que ando pálida e não pareço eu . Acho que ele suspeita de mim ... Houve outro ataque hoje e eu não sei onde estava . Tom , que vou eu fazer ? Acho que estou a ficar maluca ... acho que ando a atacar toda_a_gente , Tom ! * Harry tinha os punhos fechados , as unhas cravadas contra a palma de as mãos . - Levou muito_tempo até a pequenina estúpida deixar de confiar em o diário - disse Riddle . - Mas acabou por ficar desconfiada e tentou livrar se de ele . E é aí que tu entras , Harry . Tu encontraste o . E eu não poderia ter ficado mais satisfeito . De todas_as pessoas que poderiam ter ficado com ele , foste tu , aquele que eu ambicionava conhecer ... - E porque querias conhecer me ? - perguntou Harry . Começava a ser tomado por a raiva e fez um esforço para manter o tom de voz controlado . - Bem , a Ginny contou me tudo a teu respeito - disse Riddle . - A tua fascinante história . - Os seus olhos pousaram em a cicatriz em a testa de Harry e a sua expressão ganhou maior avidez . - Sabia que devia descobrir mais a teu respeito , falar te , encontrar me contigo se fosse possível . Por isso , para ganhar a tua confiança , resolvi mostrar te a famosa captura que fiz de aquele demente de o Hagrid . - O Hagrid é meu amigo - disse Harry já com a voz a tremer . - E tu tramaste o , não foi ? Pensei que tinha sido um engano , mas ... Ele riu se . O mesmo riso de antes . - Era a minha palavra contra a palavra de ele . Imagina a cara de o velho Armando_Dippet . De um lado Tom_Riddle , pobre mas brilhante , sem pais mas corajoso , prefeito de a escola , um modelo de aluno . De o outro lado , o Hagrid , grande e disparatado , arranjando problemas semana sim , semana não , tentando criar filhotes de lobisomens debaixo de a cama , escapando se para a floresta proibida para lutar com gigantes . Mas , devo admitir que até eu próprio fiquei admirado com os excelentes resultados de o meu plano . Pensei que alguém perceberia que o Hagrid nunca poderia ser o herdeiro de Slytherin . Demorei cinco anos inteirinhos até descobrir tudo_o_que me foi possível sobre a Câmara_dos_Segredos e a sua entrada secreta ... como_se o Hagrid tivesse cabeça ou poder ! - Só o professor de Transfiguração , Dumbledore , parecia achar que ele estava inocente . Convenceu Dippet a mantê o aqui e a treiná o como guarda de os campos . Sim , é natural que Dumbledore tenha adivinhado , nunca gostou de mim como os outros professores . - Aposto que Dumbledore viu através_de ti - disse Harry , de dentes cerrados . - Pelo_menos passou a vigiar me de perto , a partir de o momento em que o Hagrid foi expulso - disse Riddle descuidadamente . - Eu sabia que não era seguro voltar a abrir a câmara enquanto ainda estava em a escola mas não ia desperdiçar os longos anos que passara a pesquisar . Decidi , por isso , deixar um diário preservando em as suas páginas o meu ego de dezasseis anos para que um dia , com um_pouco de sorte , pudesse levar outro a seguir os meus passos e acabar o nobre trabalho de Salazar_Slytherin . - Bem , não o acabaste - disse Harry triunfante . - Ninguém morreu até agora , nem mesmo a gata . Dentro_de poucas horas a poção de mandrágoras estará pronta e todos os que foram petrificados voltarão de_novo a si . - Não acabei de te dizer que matar sangues de lama já não me interessa ? Há muitos meses que o meu alvo és tu . Harry olhou para ele . - Podes imaginar como fiquei furioso quando em outro dia o diário foi aberto e vi que era a Ginny quem estava a escrever e não tu . Ela viu te com o diário e entrou em pânico . E se tu descobrisses como trabalhar com ele e eu te repetisse todos os seus segredos ? Ainda pior , e se eu te contasse quem tinha andado a estrangular os galos ? Por isso , a grande palerma esperou que o teu dormitório estivesse deserto e foi lá roubá o . Mas eu sabia o que tinha de fazer . Estava muito claro para mim que a tua meta era o herdeiro de Slytherin . Por tudo_o_que a Ginny me contara a teu respeito , sabia que irias até onde fosse preciso para desvendar o mistério , principalmente se um de os teus melhores amigos tivesse sido atacado . E a Ginny disse me que a escola toda bichanava por tu falares * serpentês * ... Por isso , obriguei a Ginny a escrever a sua própria despedida em a parede , a vir até aqui e esperar . Ela debateu se e gritou e ficou muito chatinha . Mas , já não tem muita vida : pôs grande parte de ela em o diário , deu me a . O suficiente para eu abandonar , por fim , as suas páginas . Desde_que aqui cheguei que estou a a tua espera . Sabia que virias . Tenho muitas perguntas a fazer te , Harry_Potter . - Que perguntas ? - disse Harry com os punhos fechados . - Bem - prosseguiu Riddle , sorrindo de satisfação : - Como é_que um bebé sem especiais talentos de magia foi capaz de derrotar o maior feiticeiro de sempre ? Como conseguiste escapar só com uma cicatriz quando os poderes de Lord_Voldemort foram destruídos ? Havia agora em os seus olhos um brilho vermelho e irado . - O que é_que te interessa saber como eu escapei ? - disse Harry lentamente . - Voldemort veio depois de ti . - Voldemort - disse Riddle - é o meu passado , o meu presente e o meu futuro , Harry_Potter ... Tirou a varinha de o Harry de o bolso e começou a escrever em o ar três palavras brilhantes : TOM_MARVOLO_RIDDLE_Em seguida , fez um gesto com a varinha e as letras de o seu nome reagruparam se de outro modo . : __ eu sou lord __ voldemort ( I am Lord_Voldemort ) . - Vês ? - murmurou . - Era um nome que eu já usava em Hogwarts , para os meus amigos mais íntimos apenas , como é óbvio . Achas que ia usar para sempre o nome nojento de o meu pai Muggle ? Eu , em cujas veias , por o lado materno , corre o sangue de Salazar_Slytherin ? Eu , manter o nome de um Muggle tolo que me abandonou ainda antes de eu nascer só porque descobriu que a mulher com quem casara era uma bruxa ? Não , Harry , arranjei um novo nome , um nome que eu sabia que os feiticeiros de todo_o_mundo viriam um dia a ter medo de pronunciar , quando eu me tivesse tornado o maior feiticeiro de o mundo . A cabeça de Harry parecia bloqueada . Olhou como_que paralisado para Riddle , para o rapaz de o orfanato que depois de crescer iria matar os seus pais e tantos outros . Por fim , com algum esforço conseguiu falar . - Não és - disse em uma voz calma e cheia de ódio . - Não sou o quê ? - perguntou Riddle irritado . - Não és o maior feiticeiro de o mundo - disse Harry com a respiração acelerada . - Lamento desiludir te mas o maior feiticeiro de o mundo é Albus_Dumbledore . Toda_a_gente sabe . Mesmo tu , quando tinhas força , não ousavas tentar aproximar te de Hogwarts . Dumbledore viu através_de ti quando andavas em a escola e ainda agora te assusta onde quer que te escondas . O sorriso desaparecera de o rosto de Riddle , fora substituído por um olhar furioso . - Dumbledore foi afastado de este castelo por a minha simples memória - sibilou . - Ele não está tão longe como pensas - retorquiu Harry . Falava por falar , tentando assustar Riddle , desejando mais que assim fosse do_que acreditando em as suas palavras como uma verdade . Riddle abriu a boca mas não chegou a falar . Tinha começado a ouvir se uma música . Riddle deu uma volta , olhando para a câmara vazia . A música estava a ficar mais alta . Era misteriosa , arrepiante , sobrenatural . Fez_Harry ficar com os cabelos em pé e o coração aumentar lhe em o peito . Por fim , quando atingiu um ponto tão alto que Harry a sentiu vibrar dentro de as suas costelas , começaram a sair chamas de o topo de o pilar mais próximo . Uma ave carmesim de o tamanho de um cisne surgiu , assobiando a sua estranha melodia para o tecto em forma de abóbada . Tinha uma cauda dourada tão longa como a de um pavão e garras douradas e brilhantes que seguravam uma trouxa andrajosa . Segundos depois , a ave voava em direcção a Harry . Deixou cair a coisa andrajosa a os seus pés e pousou lhe pesadamente em o ombro . Quando abriu as enormes asas , Harry olhou para_cima e viu que tinha um longo bico afiado e olhos escuros pequenos e brilhantes . A ave parou de cantar . Ficou quieta junto de a cara de Harry , olhando fixamente para Riddle . - É uma fénix , disse Riddle , olhando sagazmente para ela . - Fawkes ? - murmurou Harry e sentiu as garras douradas apertarem lhe devagarinho o ombro . - E aquilo - disse Riddle , olhando para a coisa velha que Fawkes deixara em o chão - é o velho chapéu seleccionador , de a escola . Era , de facto . Amachucado , puído e sujo , o chapéu jazia imóvel a os pés de Harry . Riddle começou a rir . Riu se tanto que a câmara escura se lhe juntou em um eco tal que parecia que dez Riddles se riam ao_mesmo_tempo . - Eis o que Dumbledore envia a o seu defensor . Um pássaro que canta e um chapéu velho . Estás cheio de coragem , Harry_Potter ? Sentes te agora mais seguro ? Harry não respondeu . Podia não estar a ver a vantagem de a Fawkes ou de o chapéu seleccionador mas já não se sentia só , e esperou corajosamente que Riddle parasse de rir . - Vamos a o que importa , Harry - disse ele , ainda com um enorme sorriso . - Encontrámo nos duas vezes em o teu passado , em o meu futuro . E duas vezes falhei a o tentar matar te . Como foi que sobreviveste ? Conta me tudo . Quanto_mais falares , mais tempo tens de vida . Harry pensava rapidamente , medindo as suas possibilidades . Riddle tinha a varinha . Ele , Harry , tinha a Fawkes e o chapéu seleccionador que não lhe serviriam de muito em o combate . As coisas pareciam más , é certo . Mas quanto_mais tempo Riddle ali estivesse , mais vida retirava a a Ginny ... e , entretanto , Harry reparou que a silhueta de Riddle se tornava mais nítida , mais sólida . Se tinha de haver uma luta entre os dois , quanto_mais depressa melhor . - Ninguém sabe porque perdeste os poderes quando me atacaste - disse bruscamente . - Eu próprio não sei . Mas sei porque não conseguiste matar me . A minha mãe morreu para me salvar . A minha mãe , uma vulgar filha de Muggles - acrescentou , a tremer de raiva . - Ela impediu que tu me matasses . E eu vi te como tu és , em o ano passado . És um destroço , quase não existes . Foi onde o teu poder te levou . Estás sob um disfarce , és horrível e és louco . O rosto de Riddle contorceu se . Em seguida , forçou um sorriso pavoroso . - Quer_dizer , então , que a tua mãe morreu para te salvar . Sim , é um antifeitiço poderoso . Compreendo agora , afinal não há em ti nada de especial . Eu tinha curiosidade , sabes , porque há uma estranha semelhança entre nós , Harry_Potter . Até tu deves ter reparado . Somos ambos meio sangue , órfãos , educados com Muggles , provavelmente os dois únicos que falam * serpentês * desde o grande Slytherin , até nos parecemos um_pouco fisicamente ... mas afinal foi apenas uma questão de sorte que te salvou de mim . Era o que eu queria saber . Harry ficou parado , tenso , a a espera que Riddle levantasse a varinha mas o seu sorriso cínico ampliou se de_novo . - Agora , Harry , vou dar te uma pequena lição . Vamos confrontar os poderes de Lord_Voldemort , herdeiro de Salazar_Slytherin e de o famoso Harry_Potter , munido com as melhores armas que Dumbledore lhe deu . Lançou um olhar divertido a a Fawkes e a o chapéu seleccionador e , em seguida , afastou se . Harry com as pernas entorpecidas por o medo viu o parar entre dois pilares altos e olhar para a cara de pedra de Slytherin , lá em cima em a semi-obscuridade . Riddle abriu a boca e sibilou mas Harry compreendeu o que ele dizia . - * _ Responde-me , Slytherin , o maior de os quatro de Hogwarts * . Harry voltou se para olhar melhor para a estátua com Fawkes pousada em o ombro . A gigantesca cara de pedra de Slytherin movia se . Horrorizado , Harry viu a boca abrir se mais e mais até se transformar em um buraco negro . E algo se agitava dentro de a boca de a estátua . Algo se arrastava para fora de as suas entranhas . Harry recuou até a a parede escura de a câmara e enquanto fechava os olhos com força sentiu a asa de a Fawkes roçar lhe o rosto e levantar voo . Harry quis gritar : - Não me abandones ! - mas que possibilidades tinha uma fénix contra o rei de as serpentes ? Uma coisa enorme bateu em o chão de pedra que Harry sentiu estremecer . Sabia o que estava a acontecer , podia sentis o , quase podia ver a serpente gigantesca a sair de a boca de Slytherin . Foi então que ouviu a voz de Riddle sibilar : * _ Mata-o * . O Basilisk avançava em direcção a Harry . Ele ouvia o seu corpo enorme escorregar pesadamente por o chão cheio de pó . Com os olhos sempre fechados , Harry começou a correr para o lado , a as cegas , com as mãos abertas a tactear o caminho . Riddle ria se a as gargalhadas . Harry escorregou e caiu em o chão de pedra e a boca soube lhe a sangue . A serpente estava a poucos centímetros de ele . Podia ouvi a a aproximar se . Ouviu se um crepitar explosivo por cima de ele e alguma coisa pesada bateu lhe com tanta força que ele ficou encostado a a parede . Esperando que os dentes de a serpente lhe perfurassem o corpo , ouviu mais ruídos e qualquer coisa que se agitava com força contra os pilares . Não conseguiu evitar . Abriu bem os olhos para ver o que se passava . A enorme serpente , brilhante , de um verde veneno , espessa como o tronco de um carvalho , erguera se em o ar e a sua imensa cabeça agitava se de um lado para o outro , entre os dois pilares . Quando Harry , a tremer , se preparava para fechar de_novo os olhos , percebeu o que distraíra a cobra . Fawkes esvoaçava em volta de a sua cabeça e o Basilisk , furioso , tentava agarrá a com os dentes longos e afiados como sabres . Fawkes mergulhava . Harry deixou de ver o bico fino e dourado e uma brusca chuva de sangue escuro inundou o chão . A cauda de a serpente agitou se , não batendo em o Harry por_pouco e antes que ele pudesse fechar os olhos voltou se . Harry olhou lhe para a cara e viu que os seus olhos , os dois olhos amarelos e bolbosos tinham sido perfurados por a fénix . O sangue escorria por o chão e a serpente cuspia cheia de dores . - * _ Não * - Harry ouviu o grito de Riddle . - * _ Deixa a ave , deixa a ave , o rapaz está atrás_de ti , ainda podes cheirá o . Mata o ! * A serpente cega oscilou confusa , ainda em fúria . Fawkes andava a a volta de a cabeça de ela soprando a sua misteriosa cantilena , picando lhe aqui_e_ali o nariz cheio de escamas , enquanto o sangue jorrava de os seus olhos destruídos . - Ajudem me . Ajudem me - murmurava Harry aflito . - Alguém , ajude me . A cauda de a serpente chicoteou de_novo o chão . Harry baixou se . Algo macio tocou lhe em o rosto . O Basilisk lançara o chapéu seleccionador para os braços de o Harry que o agarrou . Era tudo_o_que tinha , a sua única esperança . Enfiou o em a cabeça e começou a ficar achatado contra o chão , enquanto a cauda de o Basilisk se lançava de_novo sobre ele . - Ajudem me , ajudem me - pensou Harry , os olhos comprimidos debaixo de o chapéu . - Por favor , ajudem me . Nenhuma voz lhe respondeu . Em vez de isso , o chapéu contraiu se como_se uma mão invisível o tivesse espalmado devagarinho . Alguma coisa muito dura e pesada caíra sobre a cabeça de Harry , conseguindo quase derrubá o . A ver estrelas em frente de os olhos , agarrou o chapéu para o puxar para baixo e sentiu lá dentro uma coisa longa e dura . Uma espada brilhante tinha surgido dentro de o chapéu . Tinha um cabo cravejado de rubis de o tamanho de pequenos ovos . - Mata o rapaz , deixa a ave . O rapaz está atrás_de ti . Cheira o ! Harry estava de pé , preparado . A cabeça de o Basilisk caía , o corpo serpenteava , batendo nos pilares quando se torcia para ficar de frente para ele . Harry podia ver as enormes órbitas ensanguentadas , a boca toda aberta , suficientemente grande para o engolir inteiro , munida de dentes tão longos como a sua espada , finos , brilhantes , venenosos ... Começou a atacar a as cegas . Harry baixou se e a serpente bateu em a parede de a câmara . Atacou de_novo e a sua língua bifurcada lambeu a parede ao_lado_de Harry que levantou a espada com ambas as mãos . O Basilisk investiu mais_uma_vez e agora a pontaria foi certa . Harry pôs todo o seu peso contra a espada e enterrou a até a os copos em o céu de a boca de a serpente . Mas quando o sangue quente lhe encheu os braços , sentiu uma dor aguda mesmo acima de o cotovelo . Um longo dente venenoso penetrava cada_vez_mais fundo em o seu braço , partindo se quando o Basilisk tombou para o lado , perdendo os sentidos . Harry escorregou a o longo de a parede , apertou com força o dente que estava a derramar veneno por todo o seu corpo e arrancou o de o braço . Mas sabia que era demasiado tarde . Uma dor quente emanava lenta e perseverantemente de a ferida . Quando deixou cair o dente e viu o seu próprio sangue manchando lhe as vestes , a vista começou a ficar turva e a câmara a diluir se em uma rotação ardente e colorida . Mas algo escarlate passou por ele e Harry ouviu a o seu lado um suave ruído de garras . - Fawkes - disse com a voz empastada . - Foste sensacional , Fawkes . - Sentiu o pássaro encostar a sua elegante cabeça a o sítio onde o dente de a serpente o tinha ferido . Ouviu passos ecoarem em o vazio e em seguida uma sombra escura moveu se em a sua frente . - Estás morto , Harry_Potter - disse a voz de Riddle , acima de ele . - Morto . Até o pássaro de Dumbledore sabe de isso . Vês o que ele está a fazer ? A chorar . Harry piscou os olhos . A cabeça de Fawkes ora estava focada , ora desfocada . Lágrimas grossas como pérolas escorriam de as suas penas . - Vou sentar me aqui a ver te morrer , Harry_Potter . Leva o teu tempo , eu não tenho pressa . Harry sentiu se sonolento . Tudo parecia girar a a sua volta . - E assim acaba o famoso Harry_Potter - disse a voz distante de Riddle . - Sozinho em a Câmara_dos_Segredos , esquecido por os amigos , finalmente derrotado por o Senhor de o mal que ele tão imprudentemente desafiou . Vais reunir te a a tua querida mãe sangue de lama , Harry ... Ela deu te doze anos de tempo emprestado ... Mas Lord_Voldemort apanhou te em o fim , como sabias que teria de acontecer . Se morrer é isto , pensou Harry , não é assim tão mau . Até a dor estava a desaparecer . Mas , estaria a morrer ? Em_vez_de ficar mais escura a câmara parecia voltar a estar nítida . Harry fez um pequeno gesto com a cabeça e viu a Fawkes ainda repousando a cabeça em o seu ombro . Uma fiada de pérolas brilhava em volta de a ferida , só que já não havia ferida . - Sai de aqui , pássaro - disse subitamente a voz de Riddle . - Afasta te de ele . Já te disse , sai de aqui ! Harry levantou a cabeça . Riddle apontava a sua varinha a Fawkes . Ouviu se um tiro que parecia de carabina e Fawkes levantou novamente voo em um rodopio de ouro e escarlate . - Lágrimas de fénix - disse Riddle em voz baixa , olhando para o braço de o Harry . - É claro ... poderes curativos ... esqueci me ... Olhou para a cara de Harry . - Mas não faz mal . Pensando bem , eu até prefiro assim . Tu e eu , Harry_Potter ... Tu e eu ... Levantou a varinha . Então , em um golpe de asa , Fawkes voou sobre as cabeças de ambos , deixando cair uma coisa em o colo de Harry : o diário . Durante uma fracção de segundo , tanto Harry como Riddle , ainda com a varinha levantada , ficaram a olhar para aquilo . Em seguida , sem pensar , sem ponderar , como_se pensasse fazê o desde o princípio , Harry agarrou o dente de o Basilisk que estava em o chão , junto de ele , e espetou o em o coração de o caderno . Ouviu se um grito longo e terrível . A tinta esguichou em torrentes de dentro de o diário , derramando se sobre as mãos de o Harry e inundando o chão . Riddle torcia se e contorcia se , agitando se a os gritos . E , por fim . Desapareceu . A varinha de Harry caiu a o chão com um ruído e fez se silêncio . Um silêncio apenas cortado por o ping ping de a tinta que ainda escorria de o diário . Com um leve crepitar , o veneno de o Basilisk abrira um buraco mesmo em o meio de o caderno . A tremer de os pés a a cabeça , Harry pôs se de pé . Sentia tudo a andar a a roda como_se tivesse viajado quilómetros e quilómetros com o pó de * _ Floo * . Lentamente apanhou a varinha e o chapéu seleccionador e com um grande estrondo retirou a espada de o céu de a boca de a serpente . Ouviu se então um gemido fraco a o fundo de a câmara . Ginny estava a mexer se . Quando Harry chegou junto de ela , sentou se . Os seus olhos abismados saltaram de o Basilisk morto para Harry em a sua roupa cheia de sangue e , em seguida , para o diário que ele tinha em as mãos . Soltou um enorme soluço e os seus olhos encheram se de lágrimas . - Harry , oh ! Harry , eu tentei dizer te a o pequeno-almoço mas não fui capaz em frente de o Percy . Era eu , Harry , mas eu ... eu ... juro que não queria ... o Riddle obrigou me , levou me e ... como é_que mataste esse bicho ? Onde está o Riddle ? A última coisa de que me lembro foi de o ver a sair de o diário ... - Está tudo bem - disse Harry , mostrando lhe o diário com o buraco de o dente . - O Riddle acabou , olha . Ele e o Basilisk . Anda , Ginny , vamos embora de aqui . - Vou com certeza ser expulsa - disse Ginny a chorar enquanto Harry a ajudava a pôr se de pé . - Desde_que o Bill veio para Hogwarts que eu sonhava vir também para cá e agora vou ter de me ir embora e ... O que vão a minha mãe e o meu pai dizer ? Fawkes esperava por eles , suspensa em o ar , a a entrada de a câmara . Harry fez a Ginny avançar , passaram sobre os anéis parados de o Basilisk , por a escuridão cheia de ecos e voltaram a o túnel . Harry ouviu as portas de pedra fecharem se atrás de eles com um leve sibilar . Depois de alguns minutos a caminhar por o túnel escuro , chegou a os ouvidos de Harry o som distante de o deslocar de uma rocha . - Ron - gritou ele , apressando se . - A Ginny está bem . Está aqui comigo ! Ouviu o Ron gritar de alegria e , voltando em a curva logo_a_seguir , viram a sua cara ansiosa a espreitar por a fresta que conseguira abrir durante a avalancha . - Ginny ! - Ron estendeu o braço por a fresta para a puxar primeiro . - Estás viva . Não posso acreditar . O que aconteceu ? Tentou abraçá a mas a Ginny afastou o , soluçando . - Mas estás bem , Ginny - disse o Ron , sorrindo para ela . - Já passou tudo ... De onde veio esse pássaro ? Fawkes passara por a abertura , atrás_de Ginny . - É de o Dumbledore - explicou Harry , espremendo se para caber também . - E como arranjaste uma espada ? - perguntou o Ron , olhando para a arma brilhante que Harry tinha em a mão . - Eu explico te tudo quando sairmos de aqui - disse Harry , lançando um olhar de esguelha a a Ginny . - Mas ... - Mais tarde - disse Harry rapidamente . Não lhe parecia uma boa ideia contar a o Ron quem tinha aberto a câmara , ali , em frente de a Ginny . - Onde está o Lockhart ? - Ali atrás - disse o Ron , a rir e a abanar a cabeça em direcção a o cano . - Está em muito mau estado . Anda ver . Conduzidos_pela_Fawkes , cujas grandes asas escarlates emitiam um suave dourado que brilhava em a escuridão , voltaram a o lugar onde o cano começava . Gilderoy_Lockhart estava sentado a falar sozinho . - Perdeu a memória - disse o Ron . - O feitiço de a memória fez ricochete . Não sabe quem é nem onde está , nem_sequer sabe quem nós somos . Eu disse lhe que viesse para aqui e esperasse . É um perigo para ele próprio . Lockhart olhou os bem-disposto . - Olá - disse . - Que lugar estranho , este . É aqui que vocês moram ? -- Não - respondeu o Ron , levantando as sobrancelhas para o Harry . Harry baixou se e observou o túnel escuro e longo . - Já pensaste como é_que vamos sair de aqui ? - perguntou a o Ron . O amigo abanou a cabeça mas Fawkes , a fénix , tinha passado por o Harry e estava agora em o ar , em frente de ele , os olhos como pérolas a brilharem em o escuro . Abanava as longas penas douradas de a cauda . Harry olhou para ela , inseguro . - Ela parece querer que a agarres - disse o Ron , perplexo . - Mas tu és muito pesado para um pássaro . - A Fawkes - disse Harry - não é um pássaro qualquer . Voltou se rapidamente para os companheiros . - Temos de nos agarrar uns a os outros . Ginny , agarra a mão de o Ron . O professor Lockhart ... - Ele está a falar consigo - disse o Ron secamente . - Agarre a outra mão de a Ginny . Harry guardou a espada e o chapéu seleccionador em o cinto . Ron deitou a mão a a roupa de Harry e Harry agarrou as penas de a cauda , estranhamente quentes , de a Fawkes . Sentiu uma extraordinária leveza apoderar se de todo o seu corpo e em seguida estavam todos a voar por o cano acima . Harry conseguia ouvir Lockhart , lá atrás , comentando : - Espantoso , isto parece mágico ! Ar frio batia em os cabelos de Harry e antes que ele deixasse de gostar de a viagem já ela acabara . Os quatro tinham chegado a o chão molhado de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa e , enquanto Lockhart endireitava o chapéu , o lavatório voltara a o seu lugar , tapando o cano . A Murta arregalou os olhos . - Vocês estão vivos - disse inexpressivamente a o Harry . - Não é preciso mostrares te tão desiludida - respondeu ele , muito sério , limpando as nódoas de sangue e lodo de os óculos . - Bem ... é_que eu pensei que se vocês morressem seriam bem-vindos a a minha casa_de_banho - disse a Murta com um rubor prateado . - Urgh ! - fez o Ron , quando saíram de ali para o corredor deserto . - Harry , acho que a Murta está a gostar de ti . Tens concorrência , Ginny ! A Ginny continuava a chorar silenciosamente . - Onde vamos agora ? - perguntou o Ron , olhando ansiosamente para ela . Harry apontou . Fawkes indicava o caminho , com o seu tom dourado que brilhava em o corredor . Seguiram a e pouco depois estavam em o escritório de a professora Mc_Gonagall . Harry bateu e empurrou a porta que estava encostada . XVIII_A recompensa de Dobby_Durante alguns momentos reinou o silêncio enquanto Harry , Ron , Ginny e Lockhart estavam em a entrada de a porta . Cobertos de pó e de lama e ( em o caso de o Harry ) sangue . Em seguida , ouviu se um grito . - Ginny ! Era_Mrs._Weasley que tinha estado a chorar , sentada em frente de o lume . Pôs se de pé em um salto , seguida de Mr._Weasley e precipitaram se ambos para a filha . Harry olhava para trás de eles . Dumbledore rejubilava junto de a lareira , a o lado de a professora Mc_Gonagall que , agarrada a o queixo , respirava com dificuldade . Fawkes rasou as orelhas de o Harry e foi instalar se em o ombro de Dumbledore , ao_mesmo_tempo que Harry dava por si em os braços de Mrs._Weasley . - Tu salvaste a ! Salvaste a ! : __ como foi que __ conseguiste ? - Acho que todos nós gostaríamos de saber - disse , sem energia , a professora Mc_Gonagall . Mrs._Weasley soltou o Harry , que hesitou um momento . Depois , foi até a a secretária e colocou sobre o tampo o chapéu seleccionador , a espada cravejada de rubis e o que restava de o diário de Riddle . Em seguida , contou lhes tudo . Falou durante quase um quarto de hora em o silêncio extasiado : contou lhes de a voz sem corpo que ouvia , como a Hermione acabara por descobrir que se tratava de um Basilisk que circulava em os canos , como ele e o Ron tinham seguido as aranhas até a a floresta , que Aragog lhes dissera que a última vítima de o Basilisk morrera , como tinham chegado a a conclusão que se tratava de a Murta_Queixosa e que a entrada para a Câmara_dos_Segredos devia ser em aquela casa_de_banho ... - Muito bem - elogiou a professora Mc_Gonagall quando ele se calou . - Então tu descobriste onde era a entrada , infringindo uma centena de regras de a escola por o caminho , devo dizer , mas como diabo saíram vocês vivos de lá de dentro ? Harry , com a voz já um_pouco rouca de falar tanto , contou lhes de a chegada de a Fawkes e de o chapéu seleccionador que lhe tinha dado a espada . Mas , chegando aí , hesitou . Até a o momento evitara referir se a o diário de Riddle ou a a Ginny . Ela tinha a cabeça encostada a o ombro de Mrs._Weasley e as lágrimas corriam lhe ainda por o rosto . E se a expulsassem ? - pensou Harry , tomado de pânico . O diário de Riddle já não funcionava ... quem poderia provar que fora ele que a obrigara a fazer tudo aquilo ? Olhou instintivamente para Dumbledore que sorria , o fogo iluminando lhe os óculos de meia-lua . - O que mais me interessa saber - disse Dumbledore amavelmente - é como conseguiu Lord_Voldemort enfeitiçar a Ginny quando as minhas fontes me dizem que ele se esconde habitualmente em as florestas de a Albânia . Um alívio , quente e glorioso percorreu Harry de a cabeça a os pés . - O quê ? - disse Mr._Weasley , em uma voz estupefacta . - O Quem nós sabemos enfeitiçou a Ginny ? Mas a Ginny não ... a Ginny não morr ... ? - Foi este diário - esclareceu Harry rapidamente . E mostrando o a Dumbledore . - O Riddle escreveu o quando tinha dezasseis anos . Dumbledore pegou em o diário e olhou atentamente por cima de o seu nariz longo e adunco para as páginas queimadas e húmidas . - Fantástico - disse em voz baixa . - É claro que ele deve ter sido o aluno mais brilhante que alguma vez passou por Hogwarts . - Olhou em volta para os Weasley que o observavam com um ar totalmente confuso . - Muito poucas pessoas sabem que Lord_Voldemort se chamou em tempos Tom_Riddle . Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos , em Hogwarts . Ele desapareceu depois de deixar a escola , viajou muito , mergulhou tão fundo em as artes de a magia negra , associado a os piores feiticeiros , realizou transformações mágicas tão perigosas que quando reapareceu como Lord_Voldemort estava totalmente irreconhecível . Ninguém o relacionou com o rapazinho inteligente e bonito que aqui foi , em tempos , chefe de turma . - Mas a Ginny - insistiu Mrs._Weasley . - O que tem a nossa Ginny que ver com ele ? - O diário - soluçou Ginny . - Eu andei todo o ano a escrever em o diário e ele respondia me ... - Ginny ! - repreendeu Mr._Weasley . - Não aprendeste nada do_que te ensinei ? Não me cansei de dizer te que nunca confiasses em nada que não pensasse por si próprio * se não conseguisses ver onde tinha o cérebro ? * Porque não me mostraste o diário , a mim ou a a tua mãe ? Um objecto suspeito como esse tinha de estar cheio de magia negra ! - Eu não sabia - soluçou Ginny . - Estava junto de os livros que a mãe me comprou . Pensei que alguém se tinha esquecido de ele ali . - É melhor Miss_Weasley ir imediatamente para a ala hospitalar - interrompeu Dumbledore com voz firme . - Foi sujeita a uma prova terrível . Não será castigada . Outros feiticeiros mais velhos do_que ela têm sido ludibriados por Lord_Voldemort . - Dirigiu se a a porta e abriu a . - Repouso , cama e talvez uma caneca de chocolate quente . A mim , anima me sempre - acrescentou , piscando lhe simpaticamente o olho . - Vais ver que Madam_Pomfrey ainda está acordada . Ela tem estado a dar o sumo de Mandrágora , julgo que as vítimas de o Basilisk estarão a acordar dentro_de momentos . de alegria . - Então a Hermione está bem ! - disse o Ron , cheio de alegria . - Não houve danos irreversíveis - disse Dumbledore . Mrs._Weasley saiu com a Ginny e Mr._Weasley seguiu as ainda bastante abalado . - Sabes , Minerva - disse pensativo o professor Dumbledore - acho que tudo_isto merece um banquete . Posso pedir te que previnas os cozinheiros ? - Certamente - disse animada a professora Mc_Gonagall , dirigindo se também a a porta . - Deixo te a tratar de as coisas com o Potter e o Weasley , está bem ? - Claro - disse Dumbledore . Saiu e os dois olharam inseguros para Dumbledore . Que quereria ela dizer com tratar de as coisas ? Certamente não iriam ser castigados ? - Lembro me de vos ter dito a ambos que teria de vos expulsar se voltassem a quebrar as regras de a escola - disse Dumbledore . Ron abriu a boca horrorizado . - O que vem mostrar nos que as melhores pessoas , às_vezes , têm de engolir as suas próprias palavras . - Dumbledore sorriu e continuou : - Vocês vão receber ambos uma recompensa especial por serviços prestados a a escola e ... deixem me ver , sim , acho que duzentos pontos cada_um para os Gryffindor . Ron ficou tão corado que parecia as flores de S._Valentim_do_Lockhart e voltou a fechar a boca . - Mas um de vós parece demasiado calado sobre a sua participação em esta perigosa aventura - acrescentou Dumbledore . - Porquê tanta modéstia , Gilderoy ? Harry estremeceu . Esquecera se por completo de Lockhart . Voltou se e viu o a um canto de a sala ainda com o mesmo sorriso vago . Quando Dumbledore se lhe dirigiu , olhou por cima de o ombro para ver com quem ele estava a falar . - Professor_Dumbledore - disse o Ron rapidamente - Houve um acidente lá em baixo , em a Câmara_dos_Segredos . O professor Lockhart - Eu sou um professor ? - perguntou Lockhart surpreendido . - E eu que pensei que era um inútil ! - Tentou fazer um feitiço antimemória e a varinha fez ricochete - explicou Ron_a_Dumbledore . - Incrível - disse Dumbledore , abanando a cabeça , o bigode prateado a tremer . - Trespassado por a tua própria espada , Gilderoy ! - Espada ? - disse Lockhart de forma imprecisa . - Eu não tenho espada . Esse rapaz é_que tem - apontou para Harry . - Ele empresta lhe uma . - Importas te de levar também o professor Lockhart até a a ala hospitalar , Ron ? - disse Dumbledore . - Eu gostava de falar um_pouco mais com o Harry . Lockhart saiu sem pressa . Antes de fechar a porta , Ron lançou um olhar curioso a Dumbledore e Harry . Dumbledore passou para uma de as cadeiras junto de o lume . - Senta te , Harry - disse . E Harry sentou se , sentindo se indescritivelmente nervoso . - Antes de mais , Harry , quero agradecer te - disse Dumbledore com os olhos a brilharem de_novo . - Deves ter demonstrado uma grande lealdade para comigo . Só isso poderia atrair a Fawkes para ir ajudar te . Deu uma palmadinha a a fénix que voara , entretanto , para_cima de os seus joelhos . Harry sorria acanhadamente sob o olhar observador de Dumbledore . - Encontraste , portanto , Tom_Riddle - disse o director amavelmente . - Calculo que ele estaria particularmente interessado em ti ... De repente , algo que Harry tinha engasgado saiu lhe descontroladamente de a boca para fora . - Professor_Dumbledore ... o Riddle disse que eu sou como ele , que há entre nós estranhas semelhanças ... - Ah ! sim ? - Dumbledore olhou pensativamente para ele , por debaixo de as espessas sobrancelhas prateadas . - E o que achas tu de isso ? - Eu não me considero parecido com ele - disse Harry mais alto do_que desejaria . - Isto_é , eu sou um Gryffindor , eu sou ... Mas calou se com uma dúvida a rondar lhe o espírito . - Professor - arriscou passado alguns momentos . - O chapéu seleccionador disse que eu ... teria ficado bem em os Slytherin ; durante algum tempo toda_a_gente pensou que eu era o herdeiro de Slytherin por falar * serpentês * ... - Tu falas * serpentês * , Harry - disse Dumbledore calmamente - porque Lord_Voldemort que é o mais recente antepassado de Salazar_Slytherin , fala * serpentês * . Ou eu me engano muito , ou ele transferiu para ti alguns de os seus poderes em a noite em que te fez essa cicatriz . Não que quisesse fazê o , claro , mas aconteceu . - Voldemort pôs um_pouco de si próprio em mim ? - disse Harry assombrado . - É o que parece ter acontecido . - Então eu deveria estar em os Slytherin - disse Harry , olhando desesperado para o rosto de Dumbledore . - O chapéu seleccionador viu em mim os poderes de Slytherin e ... -- Pôs te em os Gryffindor - concluiu tranquilamente Dumbledore . - Ouve , Harry , tu tens por acaso muitas de as capacidades que Salazar_Slytherin apreciava em os seus estudantes cuidadosamente seleccionados . O seu raro dom de falar * serpentês * , desenvoltura , determinação , um certo desprezo por as regras estabelecidas - acrescentou com o bigode a tremer de_novo . - Mas ainda_assim , o chapéu seleccionador pôs te em os Gryffindor . E sabes porquê ? Pensa um_pouco . - Só me pôs em os Gryffindor - disse Harry em uma voz débil - porque eu pedi para não ir para os Slytherin . - Exacto - disse Dumbledore a sorrir . - E isso torna te muito diferente de o Tom_Riddle . São as tuas escolhas , Harry , que mostram quem de facto tu és , mais do_que as tuas capacidades . Harry sentou se , imóvel e espantado , em a cadeira . - Se queres provas de que o teu lugar é em os Gryffindor , sugiro que vejas isto com mais atenção . Dumbledore aproximou se de a secretária de a professora Mc_Gonagall , pegou em a espada de prata ensanguentada e mostrou lhe a . Sem perceber , Harry voltou a ao_contrário . Os rubis brilharam a a luz de a lareira e foi então que ele reparou em o nome gravado mesmo por baixo de o copo de a espada . GODRIC_GRYFFINDOR . - Só um verdadeiro Gryffindor poderia ter tirado a espada de dentro de o chapéu , Harry - disse , com simplicidade , Dumbledore . Durante um minuto , nenhum de os dois falou . Depois , Dumbledore abriu uma de as gavetas de a secretária de a professora Mc_Gonagall e retirou de lá uma pena e um tinteiro . - Tu precisas de comer e ir dormir . Sugiro que desças para o banquete enquanto eu escrevo para Azkaban . Precisamos de recuperar o nosso guarda de os campos . E tenho de esboçar um anúncio para o * _ Profeta_Diário * - acrescentou pensativo . - Vamos precisar de um novo professor de Defesa contra as artes negras . É um problema , estamos sempre a perdê os . Harry levantou se e dirigiu se a a porta . Tinha acabado de estender a mão para o puxador quando ela se abriu tão violentamente que saltou de as dobradiças . Lucius_Malfoy estava de pé , furioso . E , debaixo de o braço , embrulhado em diversas ligaduras , estava Dobby . - Boa tarde , Lucius - disse Dumbledore , de forma amena . Mr._Malfoy quase derrubou Harry enquanto entrava em a sala . Dobby dava passos miudinhos atrás de ele , inclinado até a a bainha de o seu manto com um olhar apavorado em o rosto . - Então - disse Lucius_Malfoy com os olhos fixos em Dumbledore - voltaste . Os membros de o Conselho_Directivo suspenderam te , mas tu mesmo_assim sentiste te capaz de voltar a Hogwarts . - Bem vês , Lucius - disse Dumbledore , sorrindo serenamente . - Os outros membros de o Conselho contactaram me hoje . Fui envolvido em um redemoinho de corujas , todos queriam contar me a verdade . Ouviram dizer que a filha de Arthur_Weasley tinha sido morta e queriam me novamente aqui . Parece que me consideravam o melhor homem para o lugar . Contaram me algumas histórias muito estranhas . Alguns de eles tinham a impressão que tu tinhas ameaçado amaldiçoar lhes as famílias se não concordassem com a minha suspensão . Mr._Malfoy ficou ainda mais pálido do_que de costume , mas os olhos continuavam cheios de fúria . - Então já acabaste com os ataques ? - rosnou . - Apanhaste o culpado ? - Já , sim - disse Dumbledore com um sorriso . - E quem é ? - perguntou Malfoy secamente . - A mesma pessoa de a última vez , Lucius - disse Dumbledore . Mas desta_vez , Lord_Voldemort agiu através_de outra pessoa , por_meio_de um diário . Pegou em o pequeno caderno com o buraco em o meio , observando Mr._Malfoy de perto . Mas Harry olhava para Dobby . O elfo fazia um sinal muito estranho . Com os seus grandes olhos fixos em Harry , não parava de apontar para ó diário e , em seguida , para Mr._Malfoy , batendo logo_a_seguir com o punho em a cabeça . - Estou a ver ... - disse Mr._Malfoy lentamente a Dumbledore . - Um plano inteligente - afirmou o director em um tom de voz suave , continuando a olhar Mr._Malfoy directamente em os olhos . - Porque se não fosse aqui o Harry e o seu amigo Ron a descobrirem o diário , sem dúvida Ginny_Weasley teria ficado com todas_as culpas . Ninguém teria conseguido provar que ela agira contra a sua própria vontade . Mr._Malfoy não se pronunciou . O seu rosto parecia agora uma máscara . - E vê bem - continuou Dumbledore - o que poderia ter acontecido ... os Weasley são uma de as mais proeminentes famílias de feiticeiros de sangue puro , imagina o efeito em a imagem de Arthur_Weasley e em a sua acção de protecção a os Muggles , se a sua própria filha fosse acusada de atacar e matar filhos de Muggles . Foi uma sorte o diário ter sido descoberto e as memórias de Riddle apagadas . Quem sabe que consequências poderia ter tido ? Mr._Malfoy falou contra vontade . - Sim , foi uma sorte - disse secamente . E , em as suas costas , Dobby continuava a apontar para o diário e para Lucius_Malfoy , batendo depois com o punho em a cabeça . E Harry finalmente percebeu . Fez um sinal a Dobby que correu a esconder se em um canto , torcendo desta_vez as orelhas para se castigar . - Não quer saber como a Ginny obteve esse diário , Mr._Malfoy ? - perguntou Harry . Lucius_Malfoy voltou se para ele . - Como queres que eu saiba onde é_que a estúpida de a garota o arranjou ? - Porque foi o senhor quem lhe o deu - disse Harry . - Em a Flourish and Blotts . O senhor pegou em o livro velho de ela de Transfiguração e meteu o diário lá dentro , não foi ? Viu as mãos brancas de Mr._Malfoy abrirem se e fecharem se . - Prova isso - sibilou . - Oh ! ninguém vai poder prová o - disse Dumbledore sorrindo a o Harry . - Não agora_que o Riddle desapareceu de o caderno . Por outro lado , aconselharia te , Lucius , a não dares mais nenhuma de as coisas velhas de Lord_Voldemort . Se mais alguma for parar a as mãos de crianças inocentes , acho que o Arthur_Weasley fará com que se voltem com toda_a sua carga negativa contra ti . Lucius_Malfoy ficou calado um momento e Harry viu claramente a sua mão direita torcer se como_se desejasse chegar a a varinha . Em vez de isso , voltou se para o seu elfo doméstico . - Vamos , Dobby . Abriu a porta e quando o elfo se aproximou deu lhe um pontapé que o projectou para longe . Ouviram se em o escritório os gritos de dor de Dobby em o corredor . Harry pensou durante um momento e depois decidiu se . - Professor_Dumbledore - disse apressadamente . - Posso dar o diário outra_vez a Mr._Malfoy ? - Certamente , Harry - disse Dumbledore com toda_a calma . - Mas não demores , olha o banquete . Harry agarrou em o diário e saiu de o escritório . Os gritos de dor de Dobby afastavam se ao_longe . Sem perder tempo , perguntando a si próprio se o plano poderia resultar , Harry tirou um de os sapatos , puxou uma de as peúgas enlameadas e viscosas e meteu o diário lá dentro . Em seguida correu até a o fundo de o corredor escuro . Apanhou os em o topo de as escadas . - Mr._Malfoy - disse ofegante , parando . - Tenho uma coisa para si . E meteu a peúga mal cheirosa em a mão de Lucius_Malfoy . - O que é ... ? Mr._Malfoy tirou o diário de dentro de a peúga , deitou a fora e olhou furioso para o caderno estragado e para Harry - Ainda vais acabar por ter um fim igual a o de os teus pais um dia de estes , Harry_Potter - disse em voz baixa . - Eles também eram uns idiotas metediços . Voltou se para se ir embora . - Anda , Dobby , vem ! Mas Dobby não se mexeu . Tinha em as mãos a peúga nojenta de o Harry e olhava para ela como_se fosse um tesouro de valor incalculável . - O senhor deu uma peúga a o Dobby - disse o elfo maravilhado . - Deu a a o Dobby . - O que é isso ? - cuspiu Mr._Malfoy . - Que estás para aí a dizer ? - Dobby tem uma peúga - repetiu incrédulo . - O senhor deitou a fora e Dobby apanhou a e Dobby agora é livre ... Lucius_Malfoy ficou paralisado a olhar para o elfo . Em seguida precipitou se para Harry . - Fizeste me perder o meu servo , rapaz . Mas Dobby gritou : - Não pense que vai fazer mal a o Harry_Potter ! Ouviu se um enorme estrondo e Mr._Malfoy foi empurrado de costas , galgando os degraus de as escadas a três_e_três e indo aterrar lá em baixo todo embrulhado e amarrotado . Levantou se , o rosto lívido e pegou em a varinha , mas Dobby estendeu lhe um dedo ameaçador . - Vá se embora já - disse furioso , apontando para Mr._Malfoy . - Não tocará em o Harry_Potter . Vá se embora , já . Lucius_Malfoy não teve escolha . Lançando a os dois um último olhar de cólera , embrulhou se em o manto e desapareceu . - Harry_Potter libertou Dobby ! - disse o elfo com voz esganiçada , olhando para Harry , a luz de o luar reflectida em os seus grandes olhos em forma de globos . - Harry_Potter libertou Dobby . - Era o mínimo que eu podia fazer , Dobby - disse Harry a sorrir -- , mas promete me que não vais voltar a tentar salvar me a vida . A cara feia e escura de o elfo abriu se , mostrando os dentes , em um enorme sorriso . - Tenho uma pergunta a fazer te , Dobby - disse Harry enquanto o elfo pegava em a peúga de ele com as mãos a tremer . - Disseste me que tudo_isto não tinha nada que ver com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Lembras te ? - Era uma pista , senhor - disse Dobby com os olhos muito abertos como_se fosse absolutamente óbvio . - Dobby estava a dar lhe uma pista . Antes de o senhor de o mal mudar de nome , o seu nome podia ser pronunciado , está a ver ? - Certo - disse Harry sem grande convicção . - Bem , é melhor eu ir indo embora . Há um banquete e a minha amiga Hermione já deve ter acordado ... Dobby lançou os braços a a cintura de Harry e abraçou o . - Harry_Potter é muito maior do_que Dobby imaginava ! - soluçou . - Adeus , Harry_Potter . E com um estalido final , Dobby desapareceu . Harry assistira a diversos banquetes , mas nenhum que se parecesse com aquele . Estavam todos de pijama e a festa durou a noite inteira . Harry não sabia se o melhor tinha sido a Hermione a correr para ele e a gritar : - Tu conseguiste . Tu conseguiste ! , ou o Justin saindo disparado de a mesa de os Hufflepuff para lhe estender a mão , desfazendo se em desculpas por ter suspeitado de ele , ou o Hagrid que apareceu a as três_e_meia e que lhes deu palmadas com tanta força em os ombros que eles foram parar dentro de os pratos de bolo de creme , ou os quatrocentos pontos que ele e o Ron obtiveram para os Gryffindor , ganhando a taça de a equipa por a segunda vez consecutiva , ou a professora Mc_Gonagall de pé , a comunicar lhes que os exames tinham sido cancelados como medida de a escola ( Oh ! não ! exclamou Hermione ) , ou Dumbledore a anunciar que , infelizmente , o professor Lockhart não poderia voltar em o ano seguinte por ter de se ausentar a_fim_de recuperar a memória . Alguns de os professores juntaram se a os alunos que aplaudiram entusiasmados esta notícia . - Que pena - disse Ron , servindo se de um * dounut * de presunto . - E eu que começava a gostar de ele ... O resto de o período de Verão decorreu sob um sol escaldante . Hogwarts voltara a a normalidade , apenas com algumas pequenas diferenças : as aulas de Defesa contra as artes negras foram canceladas ( Mas nós tivemos imensa prática - disse o Ron vendo o descontentamento de Hermione ) e Lucius_Malfoy foi demitido de o Conselho_Directivo . Draco já não passeava por ali como_se fosse o dono de a escola . Pelo_contrário , tinha um ar melindrado e carrancudo . Por outro lado , Ginny_Weasley andava de_novo feliz de a vida . Em_breve chegou o dia de regressarem a casa em o Expresso_de_Hogwarts . Harry , Ron , Hermione , Fred , George e Ginny encheram um compartimento . Tiraram o_máximo partido de aquelas últimas horas em que lhes era permitido usar a magia antes de as férias . Brincaram a as explosões , gastaram o último fogo-de-artíficio Filibuster , de o Fred e de o George e treinaram o mútuo desarmamento através de a magia . Harry começava a ficar muito bom em aquilo . Já estavam perto de a estação de King's_Cross quando Harry se lembrou de uma coisa . - Ginny , o que foi que viste o Percy fazer que ele não queria que nos contasses ? - Ah ! isso - disse a Ginny a rir . - Bem , é_que o Percy tem uma namorada . Fred deixou cair uma pilha de livros em a cabeça de o George . - O quê ? - É aquela prefeita de os Ravenclaw ' Penelope_Clearwater - disse a Ginny . - Foi para ela que ele escreveu durante todo o Verão . Encontravam se em a escola em grande segredo . Eu apanhei os a beijarem se em uma sala de aula vazia e ele ficou tão aflito quando ela foi ... sabes ... atacada . Não vais aborrecê o , pois não ? - perguntou cheia de ansiedade . - Que ideia - respondeu Fred com uma tal satisfação em o rosto que parecia que o seu aniversário chegara mais cedo . - Claro que não - disse o George a rir se a a socapa . O Expresso_de_Hogwarts abrandou e finalmente parou . Harry tirou a pena e um_pouco de pergaminho e voltou se para Ron e Hermione . - Isto_é um número de telefone - disse ele a o Ron , escrevinhando o duas vezes , cortando o pergaminho a o meio e dando lhes os números . - Eu expliquei a o teu pai como usar um telefone em o Verão passado . Ele sabe fazer a chamada . Liga me para_casa de os Dursley , O. _ K. ? Não consigo suportar outros dois meses sem ter mais ninguém com quem falar ... - Mas a tua tia e o teu tio vão ficar orgulhosos de ti , não vão ? - perguntou Hermione quando saíram de o comboio e se misturaram em a multidão que se encontrava junto de a barreira encantada . - Quando souberem o que fizeste este ano . - Orgulhosos ? - disse Harry . - Estás doida ! Podendo eu ter morrido tantas vezes e tendo escapado ? Vão ficar é furiosos ... E juntos avançaram até a a entrada para o mundo de os Muggles . ----------------- J._K._Rowling_Harry_Potter e a Câmara_dos_Segredos_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Chamber of Secrets_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling 1998 Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 2000 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 2.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 Depósito legal : 143.569/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , a a Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Para_Séan_P._F._Harris , condutor imparável e um amigo de os diabos . I_O pior aniversário Não era a primeira vez que uma discussão estoirava a a mesa de o pequeno-almoço , em o número 4 de a Privet_Drive . Mr._Vernon_Dursley fora acordado de manhã cedo por o piar ruidoso que vinha de o quarto de o seu sobrinho Harry . - É a terceira vez esta semana ! - resmungou , a a mesa . - Se não consegues controlar essa coruja , ela não pode ficar aqui . Harry tentou , mais_uma_vez , explicar . - Ela está aborrecida . Estava habituada a voar livremente lá fora . Se eu pudesse , ao_menos , soltá a a a noite ... - Achas me com cara de idiota ? - perguntou rispidamente o tio Vernon , com um fio de ovo preso em o bigode farfalhudo . - Sei muito bem o que aconteceria se essa coruja fosse lá para fora . Trocou um olhar soturno com a mulher , a tia Petúnia . Harry tentou contra-argumentar , mas as suas palavras foram abafadas por um enorme arroto de o filho de os Dursleys , Dudley . - Quero mais bacon . - Há mais em a frigideira , fofinho - disse a tia Petúnia , lançando um olhar vago a o seu filho maciço . - Tens que te alimentar bem enquanto aqui estás , aquela comida de a tua escola não me cheira . - Disparate , Petúnia , eu nunca passei fome enquanto andei em Smeltings - afirmou com sinceridade o tio Vernon . - O Dudley tem que chegue . Não é verdade , filho ? Dudley , que era tão gordo que o rabo saía de os dois lados de a cadeira de a cozinha , sorriu laconicamente e voltou se para Harry . - Passa me a frigideira . -- Esqueceste te de a palavra mágica - disse Harry , irritado . O efeito que esta simples frase teve em o resto de a família foi inacreditável : Dudley começou a arfar e caiu de a cadeira com um estrondo que abalou a cozinha , Mrs._Dursley deu um gritinho e bateu com a mão em a boca , Mr._Dursley pôs se de pé com as veias de as têmporas dilatadas . - Eu queria dizer « por favor » - explicou Harry rapidamente . - Não me referia a ... - : __ o que é_que eu te __ disse - vociferou o tio , espalhando perdigotos sobre a mesa - : __ sobre pronunciar a palavra m . em esta __ casa ? - Mas eu ... - : __ como te atreves a ameaçar o __ dudley ! - rosnou o tio Vernon , batendo com o punho em a mesa . - Eu só ... - : __ estás avisado . não vou admitir referências a tua anormalidade debaixo de o tecto de a minha __ casa ! Harry olhou alternadamente para o rosto congestionado de o tio e para a palidez de a tia que tentava pôr o Dudley de pé . - Está bem - disse Harry . - Está bem ... O tio Vernon voltou a sentar se , respirando como um rinoceronte exausto e observando Harry de perto por o canto de os seus olhos pequeninos e penetrantes . Desde_que Harry regressara para as férias de Verão que o tio Vernon o tratava como_se ele fosse uma bomba , capaz de explodir a qualquer momento , porque Harry não era um rapazinho normal . Em a verdade , ele era o menos normal que é possível imaginar . Harry_Potter era um feiticeiro , um feiticeiro que acabara de concluir o primeiro ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts e a infelicidade que os Dursleys sentiam por ele estar lá em casa não era nada comparada com a de Harry . As saudades de Hogwarts eram tão intensas que se assemelhavam a uma constante dor em o estômago . Sentia a falta de o castelo com as suas passagens secretas e os seus fantasmas , de as aulas ( com excepção talvez de as de Snape , o professor de as poções ) , de o correio a chegar trazido por as corujas , de os banquetes em o salão nobre , de as noites em as camas de dossel em a camarata de a torre , de as visitas a Hagrid , o guarda de os campos em a sua casinha em o bosque , junto de a floresta proibida e , principalmente , sentia a falta de o Quidditch , o desporto mais popular de o mundo de os feiticeiros ( seis postes altos de golo , quatro bolas esvoaçantes e catorze jogadores em_cima_de vassoura ) . Todos os livros de feitiços de Harry , assim_como a varinha , os mantos , o caldeirão e a vassoura topo de gama Nimbus dois_mil tinham sido encerrados por o tio Vernon em a despensa que ficava debaixo de as escadas , em o momento em que Harry regressara a casa . O que é_que lhes interessava se ele perdia ou não o seu lugar em a equipa de Quidditch por não ter praticado durante todo o Verão ? Que importância tinha para eles que o Harry voltasse a a escola sem ter podido fazer os trabalhos de casa ? Os Dursleys eram aquilo que os feiticeiros chamam « Muggles » ( nem uma gota de sangue mágico em as veias ) e , para eles , ter um feiticeiro em a família era motivo de grande vergonha . O tio Vernon tinha , inclusivamente , fechado a cadeado a coruja de Harry , Hedwig , dentro de a gaiola , para evitar que ela transportasse mensagens para a gente de o mundo de a feitiçaria . Harry não se parecia em nada com o resto de a família . O tio Vernon era atarracado e sem pescoço , dotado de um enorme bigode preto ; a tia Petúnia tinha um rosto cavalar e era esquelética ; Dudley era loiro e rosado como um porquinho . Harry , pelo_contrário , era baixo e franzino , com os olhos verdes brilhantes e cabelo negro sempre desalinhado . Usava uns óculos redondos e tinha em a testa uma cicatriz em forma de relâmpago . Era essa cicatriz que o tornava tão invulgar , mesmo para um feiticeiro . Era a única alusão a o seu passado misterioso , a o motivo por o qual , onze anos antes , tinha sido deixado em o degrau de a porta de os Dursleys . Com um ano de idade , Harry sobrevivera a uma maldição de o maior feiticeiro negro de todos os tempos , Lord_Voldemort , cujo nome a maior parte de os feiticeiros e feiticeiras ainda receia pronunciar . Os pais de Harry tinham morrido em um ataque de Voldemort , mas ele escapara com a sua cicatriz em forma de relâmpago e estranhamente , ninguém compreendeu porquê , os poderes de Voldemort tinham sido destruídos em o momento em que não fora capaz de matar o Harry . Por isso , ele foi criado por a irmã de a sua falecida mãe e respectivo marido . Passou dez anos com os Dursleys , sem nunca compreender porque fazia com que acontecessem coisas estranhas , alheias a a sua vontade , acreditando em a história de os Dursleys de que aquela cicatriz fora resultado de um acidente de automóvel em que os pais tinham morrido . E um dia , precisamente um ano antes , Hogwarts escrevera lhe e fora então que tudo começara . Harry fora ocupar o seu lugar em a escola de feitiçaria , onde ele e a sua cicatriz eram famosas ... mas agora o ano escolar chegara a o fim e estava de_novo com os Dursleys . Durante o Verão , voltara a ser tratado como um cão malcheiroso . Os Dursleys nem se tinham lembrado que aquele era o dia de o seu décimo segundo aniversário . É claro que não tivera grandes expectativas : eles nunca lhe tinham dado um presente a sério , muito menos um bolo , mas ignorarem o por completo ... Em esse momento , o tio Vernon pigarreou com um ar importante e disse : - Como todos sabem , hoje é um dia muito importante . Harry olhou para ele , mal conseguindo acreditar . - Pode bem ser que eu faça hoje o maior negócio de toda_a minha vida - afirmou . Harry voltou novamente a atenção para a torrada . É claro , pensou amargamente , o tio Vernon referia se a a estúpida dinner-party . Havia quinze_dias que não falava de outra coisa . Um consultor qualquer cheio de massa e a mulher vinham jantar lá a casa e o tio Vernon tinha esperança de conseguir uma grande encomenda ( a empresa de o tio Vernon fabricava brocas ) . - Acho que devíamos recapitular mais_uma_vez - disse o tio Vernon . - Devemos estar todos a postos a as oito_horas_em_ponto . Petúnia , tu vais estar ... ? - Em o salão - respondeu a tia Petúnia prontamente - a a espera para lhes dar as boas-vindas a nossa casa . - Bom , bom . E o Dudley ? - Eu vou estar a a espera para abrir a porta . - Dudley esboçou um sorriso falso e afectado . - Dão me licença que vos guarde os casacos , Mr. e Mrs._Mason ? - Eles vão adorá o - exclamou arrebatadamente a tia Petúnia . - Excelente , Dudley - disse o tio Vernon . - A seguir voltou se para o Harry . - E tu ? - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - repetiu o Harry , de forma inexpressiva . - Exactamente - confirmou o tio Vernon , de um modo desagradável . - Eu conduzo os até a o salão , apresento te , Petúnia , e sirvo lhes as bebidas . _ a as oito_e_um_quarto . - Eu chamo para a mesa - disse a tia Petúnia . - E tu , Dudley , vais dizer ... - Dá me licença que lhe indique a casa de jantar , Mrs._Mason ? - repetiu o Dudley , oferecendo o seu braço gordo a uma mulher invisível . - O meu pequenino cavalheiro - fungou a tia Petúnia . - E tu ? - perguntou o tio Vernon a o Harry , em o mesmo tom desagradável . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho , fingindo que não estou lá - respondeu Harry aborrecido . - Isso mesmo . Agora , devíamos ter preparadas algumas frases amáveis para o jantar . Petúnia , alguma ideia ? - O Vernon disse me que o senhor é um excelente jogador de golfe , Mr._Mason ... Tem de me dizer onde comprou esse vestido , Mrs._Mason ... - Perfeito . Dudley ? - Que tal : Tivemos de fazer um trabalho para a escola sobre o nosso herói e eu escrevi sobre o senhor ... Foi de mais , tanto para a tia Petúnia como para o Harry . A tia debulhou se em lágrimas e abraçou o filho , enquanto Harry se esgueirava para debaixo de a mesa para ninguém o ver rir . - E tu , rapaz ? Harry fez um esforço para se mostrar inexpressivo quando emergiu . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - disse . - Vais sim senhor - afirmou o tio Vernon energicamente . - Os Mason não sabem nada a teu respeito e é assim que as coisas vão continuar . Quando o jantar terminar , tu trazes Mrs._Mason para o salão , onde vamos tomar café , Petúnia , e eu puxo o assunto de as brocas . Com um_pouco de sorte , tenho o contrato assinado antes de o noticiário de as dez . Amanhã por esta hora , vamos estar a fazer compras para umas férias em Maiorca . Harry não conseguia sentir o menor entusiasmo com aquilo . Não lhe parecia que os Dursleys gostassem mais de ele em Maiorca do_que em Privet_Drive . - Certo , eu vou a a cidade buscar os casacos para mim e para o Dudley . E tu - resmungou , apontando para Harry - não atrapalhes a tua tia enquanto ela estiver a limpar . Harry saiu por a porta de as traseiras . Estava um dia de sol lindo . Atravessou o relvado , deixou se cair em o banco de o jardim e cantarolou baixinho : - Parabéns para mim ... parabéns para mim ... Nem cartas nem presentes e tinha de passar a noite a fingir que não existia . Olhou infeliz para a sebe . Nunca se sentira tão só . Mais do_que tudo em o mundo , mais do_que de Hogwarts , mais até do_que de o jogo de Quidditch , Harry sentia a falta de os amigos Ron_Weasley e Hermione_Granger . Mas eles não pareciam sentir a falta de ele . Nenhum de os dois lhe escrevera durante todo o Verão apesar_de o Ron ter dito que ia convidá o para passar uns dias lá em casa . Inúmeras vezes Harry estivera quase a libertar magicamente Hedwig de a sua gaiola e mandá a levar uma carta a o Ron e a a Hermione mas não valia a pena correr o risco . Os feiticeiros menores de idade não tinham autorização para usar a magia fora de a escola . Harry não contara isto a os Dursleys . Ele sabia que era o medo de que ele os transformasse a todos em baratas que os impedia de o fecharem a a chave em a despensa debaixo de as escadas , juntamente com a varinha e a vassoura . Em as primeiras semanas Harry divertira se a murmurar baixinho palavras sem sentido e a ver o Dudley sair disparado de o quarto , tão rápido quanto as suas pernas gordas lhe permitiam . Mas o silêncio prolongado de Ron e Hermione tinham o feito sentir se tão longe de o mundo de a magia que até divertir se à_custa_de Dudley perdera o interesse . E agora o Ron e a Hermione tinham se esquecido de o seu aniversário . Quanto não daria ele por uma mensagem de Hogwarts ? De qualquer feiticeiro ou feiticeira ? Quase ficaria satisfeito com um sinal de o seu inimigo feroz , Draco_Malfoy , só para ter a certeza de que tudo aquilo não fora apenas um sonho ... Não que tudo durante o ano em Hogwarts tivesse sido divertido . Mesmo em o fim de o último período , Harry confrontara se nem mais nem menos do_que com o próprio Lord_Voldemort . Voldemort podia ter arruinado o seu ego inicial mas continuava a espalhar o terror , ainda astuto , ainda determinado a recuperar o poder . Harry escapara uma segunda vez a as suas garras mas fora por um triz e mesmo agora , algumas semanas decorridas , acordava de noite encharcado em suores frios , perguntando se onde estaria Voldemort , relembrando o seu rosto lívido , os seus olhos completamente loucos ... Harry sentou se subitamente , direito como um fuso , em o banco de o jardim . Tinha estado a olhar distraído para a sebe e a sebe estava a olhar para ele . Dois enormes olhos verdes surgiram por_entre a folhagem . Harry pôs se de pé ao_mesmo_tempo que uma voz sobrevoava a relva . - Eu sei que dia é hoje - cantarolava Dudley , bamboleando se enquanto se aproximava . Os olhos enormes piscaram e desapareceram . - O quê ? - perguntou Harry sem retirar os olhos de o lugar para_onde estava a olhar . - Eu sei que dia é hoje - repetiu , chegando junto de ele . - Ainda_bem - disse Harry . - Aprendeste finalmente os dias de a semana . - Hoje é o dia de os teus anos - troçou o Dudley . - Por_que é_que não recebeste nenhuma carta ? Não tens amigos em esse lugar esquisito ? - É melhor não deixares a tua mãe ouvir te falar de a minha escola - disse Harry calmamente . Dudley puxou para_cima as calças que estavam a escorregar lhe por o rabo gordo abaixo . - Porque estás a olhar para a sebe . ; - perguntou curioso . - Estou a pensar em as palavras que deverei pronunciar para lhe pegar fogo - disse Harry . Dudley recuou de imediato com um olhar de pânico em a cara rechonchuda . - Tu não p-p-odes , o pai disse que não podias fazer magia ou corria contigo aqui de casa e não tens mais nenhum lugar para_onde ir , não tens amigos que te convidem ... - * _ Jiggery pokery * ! - disse Harry com voz firme . - * _ Hocus pocus ... squiggly wiggly * ... - Maaaaaãe - gritou Dudley , tropeçando em os pés , enquanto se precipitava para dentro_de casa . Maaaãe , ele vai fazer aquela coisa ! Harry deu graças a os céus por aquele momento de gozo . Como não aconteceu nada de mal nem a o Dudley nem a a sebe , a tia Petúnia percebeu que ele não fizera magia nenhuma mas , mesmo_assim , Harry teve de se afastar quando ela lhe deu uma forte pancada em a cabeça com a frigideira cheia de detergente . A seguir distribuiu lhe trabalho e o castigo de só voltar a comer quando tivesse acabado tudo . Enquanto Dudley andava a flanar , olhando para o ar e comendo gelados , Harry limpou as janelas , lavou o carro , aparou a relva , adubou os canteiros , podou e regou as rosas e pintou de_novo o banco de o jardim . O sol ardia lá em cima , queimando lhe a parte de trás de o pescoço . Harry sabia que não devia ter provocado Dudley mas ele dissera precisamente aquilo que ele próprio pensava ... talvez não tivesse amigos em Hogwarts . Deviam ver agora o famoso Harry_Potter , pensou amargamente enquanto espalhava adubo em os canteiros , as costas a doerem lhe e o suor a escorrer lhe por o rosto . Eram sete_e_meia_da_tarde quando , por fim , exausto , ouviu a tia Petúnia a chamá o . - Anda para dentro e passa por cima de os jornais . Harry entrou satisfeito em a sombra de a cozinha que rebrilhava . Sobre o frigorífico estava o bolo de a noite : um enorme monte de crome batido coberto de violetas de açúcar . A carne de porco assava em o forno . - Come depressa , os Mason devem estar a chegar ! - exclamou bruscamente a tia Petúnia , apontando para duas fatias de pão e uma de queijo que estavam em cima de a mesa de a cozinha . Ela já tinha posto um vestido de * cocktail * cor de salmão . Harry lavou as mãos e comeu aquele triste jantar . Mal tinha terminado , a tia Petúnia tirou lhe o prato . - Lá para_cima , rápido ! A o passar por a porta de a sala , Harry vislumbrou o tio Vernon e Dudley de casaco e gravata . Tinha acabado de chegar a o cimo de as escadas quando a campainha de a porta tocou e a cara de o tio Vernon apareceu em o patamar . - Lembra te , rapaz , um ruído que seja ... Harry entrou em o quarto em bicos de pés , fechou a porta e preparou se para se meter em a cama . O problema é_que estava lá alguém sentado . II_O aviso de Dobby_Harry conseguiu não gritar , mas foi por_pouco . A pequena criatura que estava em a cama tinha umas orelhas grandes e largas e uns olhos verdes protuberantes de o tamanho de bolas de ténis . Harry percebeu imediatamente que fora para ele que tinha estado a olhar de manhã . Enquanto olhavam um para o outro , Harry ouviu a voz de Dudley em o * hall * . - Posso guardar os vossos casacos , Mr. e Mrs._Mason ? A criatura escorregou por a cama e curvou se tanto que a ponta de o seu enorme nariz tocou em o tapete . Harry reparou que ele tinha vestido uma espécie de fronha de almofada com buracos para os braços e pernas . - Er ... Olá - disse Harry , um_pouco nervoso . - Harry_Potter ! - exclamou a criatura em uma voz tão estridente que Harry calculou que poderia ouvir se lá em baixo . - Há tanto tempo que Dobby queria conhecê o , senhor . É uma enorme honra ... - Ob-obrigado - disse Harry , deslocando se a o longo de a parede e sentando se em a cadeira de a secretária , junto de Hedwig que dormia em a sua grande gaiola . Queria perguntar lhe « O que és tu ? » , mas pensou que seria má educação , por isso perguntou : - Quem és tu ? - Dobby , senhor . Apenas Dobby , o elfo de casa - afirmou a criatura . - Oh ! A sério ? - perguntou Harry . - Não quero ser mal-educado , mas esta não é a melhor altura para ter um elfo em o meu quarto . O riso falso de a tia Petúnia ouvia se em a sala de jantar . O elfo deixou cair a cabeça . - Não que eu não me sinta feliz por te conhecer - disse Harry rapidamente - mas , er ... estás aqui por algum motivo em especial ? - Oh , sim senhor - disse Dobby muito a sério . - Dobby veio dizer lhe que ... é difícil ... Dobby não sabe por_onde começar ... - Senta te - disse Harry educadamente , apontando lhe a cama . Para seu horror , o elfo debulhou se em lágrimas bastante ruidosas . -- S-senta-te ! - repetiu . - Nunca em toda_a minha vida ... Harry pareceu lhe ouvir as vozes lá em baixo vacilarem . - Desculpa - murmurou . - Eu não queria ofender te ... - Ofender Dobby ! - exclamou o elfo em um sufoco . - Nunca nenhum feiticeiro disse a o Dobby que se sentasse como um seu igual , senhor . Harry , tentando dizer lhe « Sch ... » e confortá o ao_mesmo_tempo , conduziu Dobby de_novo até a a cama onde ele se sentou a soluçar , parecendo uma grande boneca muito feia . Por fim , conseguiu controlar se e ficou quieto , com os seus grandes olhos fixos em Harry em uma expressão de absoluta adoração . - Não deves ter conhecido muitos feiticeiros sérios - disse lhe , tentando animá o . Dobby abanou a cabeça . Em seguida , sem qualquer aviso , saltou e começou a bater furiosamente com a cabeça em a janela , gritando : - Dobby é mau ! Dobby é mau ! - Pára , o que é_que estás a fazer ? - perguntou Harry em um murmúrio sibilante , dando um salto e puxando Dobby de_novo para a cama . Hedwig acordara com um pio particularmente agudo e batia agressivamente com as asas contra as grades de a gaiola . - Dobby tinha que se castigar , meu senhor - afirmou o elfo , que ficara ligeiramente estrábico . - Dobby quase falou mal de a família de ele ... - De a tua família ? - De a família de feiticeiros que Dobby serve , meu senhor ... O Dobby é um elfo de casa , obrigado a servir uma casa e uma família para sempre . - Eles sabem que estás aqui ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Dobby estremeceu . - Oh , não senhor , não ... Dobby vai ter que se castigar muito por ter vindo vê o . Dobby vai ter que entalar as orelhas em a porta de o forno por isto . Se eles soubessem , senhor ... - Mas achas que eles não vão reparar se tu entalares as orelhas em a porta de o forno ? - Dobby duvida , senhor . Dobby está sempre a ter de se castigar por qualquer coisa . Eles deixam que o Dobby se castigue . _ às_vezes até sugerem alguns castigos extra . - Mas por_que é_que não te vais embora , não foges ? - Um elfo de casa tem de ser libertado , senhor . E a família nunca libertará Dobby . Dobby servirá a família até morrer . Harry olhou para ele . - E eu que pensava que era infeliz por ter de ficar aqui mais quatro semanas - declarou . - Isto faz os Dursleys parecerem quase humanos . Será que ninguém te pode ajudar ? Poderei eu ? Em o mesmo momento , Harry desejou não ter aberto a boca . Dobby desfez se em ruidosos soluços de gratidão . - Por favor - murmurou Harry , inquieto . - Por favor , está calado . Se os Dursleys ouvem barulho , se eles sabem que estás aqui ... - Harry_Potter pergunta se pode ajudar Dobby . Dobby ouviu falar de a sua grandeza , mas de a sua bondade , Dobby nada sabia . Harry , que se sentia corar , disse : - Seja o que for que tenhas ouvido sobre a minha grandeza , é um disparate . Nem_sequer sou o melhor de o meu ano em Hogwarts . É a Hermione . Ela ... Mas calou se rapidamente porque pensar em Hermione era lhe doloroso . - Harry_Potter é humilde e modesto - disse Dobby reverentemente , com os seus olhos de globo avermelhados . - Harry_Potter não fala de a sua vitória sobre « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . - Voldemort ? - perguntou Harry . Dobby bateu com as mãos em as enormes orelhas e gemeu : - Ai não diga o nome , senhor . Não diga o nome ! - Desculpa - disse Harry muito depressa . - Eu sei que muita gente não gosta . O meu amigo Ron ... Calou se de_novo . Pensar em o Ron era igualmente doloroso . Dobby voltou para Harry os seus dois olhos grandes como candeeiros . - Dobby ouviu dizer - balbuciou com voz rouca - que Harry_Potter encontrou o Senhor_do_Mal uma segunda vez há poucas semanas atrás ... que Harry_Potter lhe escapou de_novo . Harry acenou e os olhos de Dobby encheram se de lágrimas . - Ah , senhor - disse em um sobressalto , limpando o rosto com a ponta de a fronha de almofada que tinha vestida . - Harry_Potter é valente e arrojado . Enfrentou tantos perigos ! Mas Dobby veio protegê o , avisar Harry_Potter , mesmo_que para isso tenha de entalar as orelhas em a porta de o forno , que Harry_Potter não deve voltar para Hogwarts . Houve um silêncio apenas quebrado por o ruído de os garfos e de as facas lá em baixo e por a voz distante de o tio Vernon . - O q-q-uê ? - gaguejou Harry . - Mas eu tenho de voltar , o ano começa em o dia um de Setembro . É a minha razão de viver . Tu não sabes como são as coisas aqui . Eu não pertenço a este lugar , o meu lugar é em Hogwarts . - Não , não , não - guinchou Dobby , sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas andavam de um lado para o outro . - Harry_Potter deve ficar aqui , onde se encontra a salvo . É demasiado grande , demasiado bom para se perder . Se Harry_Potter regressar a Hogwarts correrá perigo de vida . - Porquê ? - inquiriu Harry , surpreendido . - Há uma conspiração , Harry_Potter . Uma conspiração para fazer acontecer coisas terríveis este ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts - murmurou Dobby que começara a tremer de a cabeça a os pés . - Dobby sabe de isto há meses , senhor . Harry_Potter não deve expor se a o perigo . É demasiado importante . - Que coisas terríveis são essas ? - perguntou Harry sem perder tempo . - Quem está por detrás ? Dobby fez um ruído esquisito e começou a bater com a cabeça contra a parede como um louco . - Está bem - gritou Harry , agarrando o braço de o elfo para o fazer parar . - Não podes dizer , eu compreendo . Mas porque vieste avisar me ? - Um pensamento súbito e desagradável surgiu lhe . - Espera aí , isto tem alguma coisa que ver com o Vol , desculpa com o Quem nós sabemos ? Basta que faças sim ou não com a cabeça - acrescentou com vivacidade enquanto a cabeça de Dobby se inclinava de_novo a uma velocidade preocupante para a parede . Lentamente , Dobby abanou a cabeça . - Não , não é « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . Os olhos de Dobby estavam abertos como_se estivesse a tentar dar a Harry uma pista , mas Harry estava completamente a a nora . - Ele não tem nenhum irmão , ou tem ? Dobby abanou a cabeça , os olhos mais abertos do_que nunca . - Bem , em esse caso não estou a ver quem mais poderia ter a possibilidade de fazer acontecer coisas horríveis em Hogwarts - disse Harry . - Quero dizer , para já está lá o Dumbledore . Sabes quem é Dumbledore , não sabes ? Dobby baixou a cabeça . - Albus_Dumbledore é o melhor director que Hogwarts alguma vez teve . Dobby sabe , senhor . Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore rivalizam com os d'aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Mas , senhor - a voz de Dobby desceu a um urgente murmúrio - há poderes que Dumbledore não ... poderes que nenhum feiticeiro sério ... E antes que Harry conseguisse impedi o Dobby saltou de a cama , agarrou o candeeiro de secretária de Harry e começou a bater com a cabeça , dando uivos ensurdecedores . Fez se silêncio lá em baixo . Dois segundos mais tarde , Harry com o coração a bater como um louco , ouviu o tio Vernon chegar a o * hall * e dizer . - O Dudley deve ter deixado outra_vez a televisão ligada , o maroto ! - Depressa , para dentro de o guarda-fatos - gritou Harry , empurrando Dobby bem para o fundo , fechando a porta e metendo se a correr em a cama mesmo a_tempo_de ver a maçaneta de a porta a girar . - Que diabo estás tu a fazer ? - disse o tio Vernon entre dentes , o rosto assustadoramente próximo de o de Harry . - Acabas de estragar o ponto alto de a minha anedota de o golfista japonês . Eu que oiça mais um som e vais desejar nunca ter nascido , rapaz ! Abandonou o quarto com grandes passadas . A tremer , Harry deixou Dobby sair de o guarda-fatos . - Estás a ver como são as coisas por aqui ? - disse . - Vês porque tenho de voltar para Hogwarts ? É o único sítio onde eu tenho ... bem , onde eu acho que tenho amigos . - Amigos que nem_sequer escrevem a Harry_Potter ? - disse Dobby com ar manhoso . - Calculo que devem ter estado ... espera aí - disse Harry , franzindo a testa . - Como é_que tu sabes que os meus amigos não me têm escrito ? Dobby arrastou os pés . - Harry_Potter não deve zangar se com Dobby . Dobby fez o que achou melhor ... - Tu tens estado a interceptar me as cartas ? - Dobby tem as aqui , senhor - disse o elfo . Saltando para longe de o alcance de Harry , retirou de dentro de a fronha que usava um espesso saco cheio de envelopes . Harry reconheceu de imediato a caligrafia certinha de Hermione , a escrita desordenada de Ron e até uns gatafunhos que pareciam ser de o guarda de os campos de Hogwarts , Hagrid . Dobby piscava ansiosamente os olhos . - Harry_Potter não deve ficar zangado ... Dobby esperava que ... se Harry_Potter pensasse que os amigos o tinham esquecido ... Harry_Potter talvez não quisesse voltar a a escola , senhor . Harry não o ouvia . Fez um gesto para agarrar as cartas , mas Dobby deu um salto , afastando se . - Harry_Potter terá as cartas , senhor , se der a Dobby a sua palavra de não voltar a Hogwarts . Ah , senhor , é um risco que não deve correr . Diga que não volta , senhor ! - Não - afirmou Harry zangado . - Dá me as cartas de os meus amigos ! - Em esse caso , Harry_Potter deixa Dobby sem escolha - disse o elfo tristemente . Antes que Harry pudesse fazer um movimento , Dobby tinha aberto a porta de o quarto e descido a correr por as escadas abaixo . Com a boca seca e um aperto em o estômago , Harry correu atrás de ele , tentando não fazer barulho . Saltou os últimos seis degraus , aterrando como um gato em a carpete de o * hall * , olhando em volta a a procura de Dobby . De a sala de jantar , ouviu a voz de o tio Vernon : - Conte a a Petúnia aquela história engraçadíssima de os funileiros americanos , ela tem estado louca por ouvi a , Mr._Mason . Harry correu de o * hall * para a cozinha e sentiu o estômago ficar pequenino . O pudim , que era a a obra-prima de a tia Petúnia , a montanha de creme batido coberto de violetas de açúcar flutuava junto de o tecto . Em cima de o guarda-louça de o canto , Dobby inclinava se servilmente . - Não - suplicou Harry . - Por favor , eles matam me . - Harry_Potter deve dizer que não vai voltar a a escola ... - Dobby , por favor . - Diga , senhor . - Não posso . Dobby lançou lhe um olhar trágico . - Então , Dobby deve fazê o , senhor , para o bem de Harry_Potter . O pudim foi direito a o chão em uma queda que parecia um coração a parar . O crome esguichou para as janelas e para as paredes , enquanto o prato se despedaçava . Com o ruído de uma chicotada , Dobby desapareceu . Ouviram se gritos em a casa de jantar e o tio Vernon irrompeu por a cozinha onde foi dar com Harry coberto , de a cabeça a os pés , por o pudim de a tia Petúnia . A princípio parecia que o tio Vernon ia conseguir arranjar uma desculpa para aquilo tudo . ( É só o nosso sobrinho , muito perturbado ; conhecer pessoas estranhas deixa o muito nervoso , por isso deixamos o lá em cima ... ) Conduziu_os_Mason , bastante chocados , para a sala de jantar , garantindo a Harry que o esfolava vivo quando os Mason se fossem embora e pôs lhe em as mãos um esfregão . A tia Petúnia descobriu um resto de gelado em o frigorífico e Harry , ainda a tremer , começou a limpar a cozinha . O tio Vernon poderia ainda ter feito o negócio , se não fosse a coruja . Estava a tia Petúnia a circular com uma caixa de After-Eight , quando uma enorme coruja de celeiro fez a sua entrada vertiginosa através de a janela de a casa de jantar , deixando cair uma carta em a cabeça de Mr._Mason e desaparecendo logo_a_seguir . Mrs._Mason gritava como uma carpideira e corria por a casa praguejando contra os lunáticos . Mr._Mason ficou o tempo estritamente necessário para dizer a os Dursleys que a mulher tinha um medo pânico de pássaros de todas_as formas e tamanhos e perguntar lhes se aquela era alguma brincadeira de mau gosto . Harry não saiu de a cozinha , agarrando o esfregão como defesa , enquanto o tio Vernon avançava para ele com um brilho demoníaco em os olhos pequeninos . - Lê isso - ordenou maldosamente . Harry pegou em a carta . Não era a desejar lhe um bom aniversário . * _ Caro_Mr._Potter , * _ Recebermos hoje informações de que um feitiço de suspensão em o ar foi efectuado em sua casa esta noite , a as nove_horas_e_doze_minutos . * _ Como sabe , os feiticeiros menores não estão autorizados a praticar magia fora de a escola e , se efectuar mais um trabalho mágico , será expulso de a nossa escola . ( Decreto_de_Restrições_Razoáveis_para_Feitiçaria_de_Menores , 1875 , parágrafo C. ) * _ Pedimos-lhe também que se lembre que qualquer actividade que possa ser notada por membros alheios a a nossa comunidade ( Muggles ) constitui uma ofensa grave , segundo a secção 13 de a Confederação_Internacional_do_Estatuto_da_Magia_Secreta . * _ Tenha umas boas férias . * Atenciosamente_Mafalda_Hopkirk_Gabinete_da_Utilização_Imprópria_da_Magia_Ministério_da_Magia * . Harry olhou para a carta e engoliu em seco . - Tu não nos contaste que estavas proibido de usar magia fora de a escola - disse o tio Vernon com um brilho maldoso a dançar lhe em os olhos . - Esqueceste te de o mencionar , passou te , não foi ? Tinha se aproximado de Harry como um grande * bulldog * , com todos os dentes a a mostra . - Tenho boas notícias para ti , rapaz , vou fechar te a a chave e , se tentares sair através_de magia , nunca mais voltas a aquela escola , eles expulsam te . E rindo como um louco , arrastou Harry até a o andar de cima . O tio Vernon era mau como as cobras . Em a manhã seguinte pagou a um homem para colocar grades em a janela de o quarto de Harry . Ele próprio abriu um pequeno buraco em a porta de o quarto para que a comida pudesse ser introduzida três vezes por dia . Deixavam o Harry sair para ir a a casa_de_banho de manhã e a o final de a tarde . O resto de o tempo estava fechado em o quarto , a a espera que o tempo passasse . Três dias mais tarde , os Dursleys não mostravam qualquer intenção de abrandar o castigo e Harry não sabia como sair de aquela situação . Estava deitado em a cama , vendo o sol brilhar por_entre as grades de a janela e perguntando se tristemente o que viria a acontecer lhe . Qual era a vantagem de sair de ali por artes mágicas , se Hogwarts o expulsaria em seguida ? Contudo , a vida em Privet_Drive tinha atingido o seu nível mais baixo . Agora_que os Dursleys tinham a certeza que não iam acordar transformados em morcegos , ele perdera a única arma que tinha . O Dobby podia tê o salvo de acontecimentos terríveis em Hogwarts , mas de a maneira que as coisas estavam , ele morreria muito provavelmente a a fome . A portinhola rangeu e a mão de a tia Petúnia apareceu empurrando uma tigela de sopa de pacote para dentro de o quarto . Harry , que estava cheio de fome , saltou de a cama e agarrou a . A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um único trago . A seguir , atravessou o quarto até a a gaiola de Hedwig e pôs os legumes ensopados dentro de o seu pratinho vazio . Ela agitou as penas e olhou o com profunda repugnância . - Não vale de nada virares lhe as costas . É tudo_o_que temos - disse Harry , de modo severo . Colocou a tigela vazia em o chão junto de a portinhola e voltou para_cima de a cama , de certo modo com mais fome do_que antes de ter comido a sopa . Admitindo que estaria ainda vivo dentro_de quatro semanas o que aconteceria se ele não se apresentasse em Hogwarts ? Será que mandariam alguém obrigar os Dursleys a deixá o ir ? O quarto começava a escurecer . Exausto e com o estômago a dar horas , o cérebro a as voltas com as mesmas questões sem resposta , Harry caiu em um sono intranquilo . Sonhou que fazia parte de um espectáculo de o jardim zoológico . Preso a a jaula onde se encontrava estava um cartaz onde podia ler se « feiticeiro menor de idade « . As pessoas olhavam o com olhos protuberantes , enquanto ele jazia fraco e esfomeado em um leito de palha . Viu a cara de o Dobby em o meio de a multidão e gritou lhe , pedindo ajuda , mas o Dobby respondeu : - Harry_Potter está em segurança aí , senhor - e desapareceu . Em seguida vieram os Dursleys e Dudley bateu em as grades de a jaula , rindo se de ele . - Pára com isso - murmurou Harry como_se aquele ruído martelasse em a sua cabeça dorida . - Deixa me em paz , pára com isso , estou a tentar dormir . Abriu os olhos . O luar brilhava através de as grades de a janela . E lá fora alguém olhava de olhos arregalados para ele : alguém de rosto sardento , cabelo ruivo e nariz grande . Ron_Weasley estava de o lado de_fora de a janela . III « A toca » Ron ! - exclamou Harry , arrastando se até a a janela e empurrando a para poderem falar através de as grades . - Ron , como é_que tu , foi o ... ? Harry ficou de boca aberta , espantado com o que viu . Ron estava debruçado de a janela de trás de um velho automóvel azul-turquesa que se encontrava estacionado em o ar . Em os lugares de a frente , rindo se para Harry , estavam os irmãos mais velhos , os gémeos Fred e George . - Tudo bem , Harry ? - O que é_que se tem passado ? - perguntou o Ron . - Porque não respondeste a as minhas cartas ? Convidei te para vires ter comigo umas doze vezes e um dia o pai chegou a casa e comunicou nos que tu tinhas recebido um aviso oficial por usares magia diante de os Muggles ... - Não fui eu . E como é_que ele soube ? - Ele trabalha em o Ministério - disse o Ron . - Tu sabes que nós não podemos fazer feitiços fora de a escola . - Bem , isso vindo de ti ... - exclamou Harry , olhando para o carro flutuante . - Oh , isto não conta - disse Ron . - Foi o meu pai que o emprestou . Não o fizemos aparecer por magia . Mas usar magia em a frente de esses Muggles com quem tu vives ... - Já te disse que não fui eu , mas vai demorar muito_tempo a explicar te isso agora . És capaz de avisar em Hogwarts que os Dursleys me fecharam a a chave e que não querem deixar me voltar e obviamente eu não posso sair de aqui magicamente senão o Ministério vai achar que é a segunda vez em três dias e ... - Pára com essa conversa tola - disse o Ron . - Viemos para te levar connosco . - Mas tu também não podes tirar me de aqui utilizando processos mágicos ... - Não precisamos de isso - afirmou Ron , fazendo um sinal de cabeça para os lugares de a frente . - Esqueces te de quem está aqui comigo . - Amarra isso em volta de as grades - disse o Fred , lançando a Harry a ponta de uma corda . - Se os Dursleys acordam estou feito - lamentou se Harry enquanto dava um nó bem apertado com a corda em uma de as grades e o Fred arrancava com o carro . - Não te preocupes e chega te para trás . Harry recuou para a sombra , para junto de Hedwig que parecia ter se apercebido de a importância de tudo aquilo , mantendo se quieta e em silêncio . O carro puxou mais e mais e , subitamente , com um ruído de ferro a ceder , as grades foram arrancadas de a janela , enquanto Fred conduzia com o céu como estrada . Harry correu de_novo para a janela para ver as grades a balouçarem a poucos metros de o chão . Ofegante , Ron içou as para dentro de o carro . Harry escutou ansiosamente mas não vinha qualquer som de o quarto de os Dursleys . Quando as grades estavam em segurança em os lugares de trás junto de Ron , Fred aproximou se o_máximo que lhe foi possível de a janela . - Anda de aí - disse . - Mas , todas_as minhas coisas de Hogwarts , a minha varinha , a minha vassoura ... - Onde estão ? - Fechadas em a despensa debaixo de as escadas e eu não posso sair de este quarto . . - Não há azar - disse o George . - Sai de a frente , Harry . Fred e George treparam cautelosamente e entraram por a janela em o quarto de Harry . Tinhas que ter aberto a boca , pensou Harry enquanto George tirava de o bolso um vulgar gancho de cabelo e começava a tentar abrir a fechadura . - Muitos feiticeiros acham que é uma perda de tempo aprender os truques de os Muggles - disse o Fred . - Mas nós pensamos que há habilidades que é sempre útil conhecer apesar_de serem um_pouco lentas . Ouviu se um pequeno clique e a porta abriu se . - Pronto , vamos buscar as tuas coisas . Tu vai dando a o Ron aquilo que precisas de aí de o teu quarto - murmurou George . - Cuidado com o degrau de cima que range - sussurrou Harry enquanto os gémeos desapareciam em o escuro . Harry deu a volta a o quarto , recolhendo as suas coisas e passando as por a janela a o Ron . Em seguida , foi ajudar o Fred e o George a trazerem o resto por as escadas acima . Ouviu o tio Vernon tossir . Por fim , de língua de_fora , chegaram a o quarto , junto de a janela aberta . Fred trepou para o carro para puxar os volumes com o Ron enquanto Harry e George os empurravam de dentro de o quarto . Centímetro a centímetro o malão foi passando por a janela . O tio Vernon tossiu de_novo . - Mais um_pouco - disse o Fred que estava a puxar de dentro de o carro . Um bom empurrão , vá . Harry e George encostaram os ombros contra a mala e ela escorregou para a parte de trás de o carro . - O. _ K. , vamos embora - murmurou o George . Mas quando Harry trepava para o parapeito de a janela ouviu se um forte pio atrás de ele , imediatamente seguido de o vociferar de o tio Vernon . - Aquela maldita coruja ! - Esqueci me de a Hedwig ! Harry precipitou se de_novo para o quarto , enquanto a luz de o patamar se acendia . Agarrou a gaiola de Hedwig , correu para a janela e passou a a o Ron . Estava a subir para_cima de a cómoda quando o tio Vernon bateu em a porta , que não estava fechada , e esta se abriu completamente . Por uma fracção de segundo , o tio Vernon ficou estático junto de a porta . Em seguida , soltou um mugido como um boi zangado e avançou para Harry , agarrando o por o tornozelo . Ron , Fred e George seguraram o por os braços e puxaram o com toda_a força . - Petúnia - rosnou o tio Vernon . - Ele está a fugir ! : __ ele está a __ fugir ! Os Weasleys deram um puxão gigantesco e a perna de o Harry escapou a as garras de o tio Vernon . Logo_que Harry entrou em o carro e a porta se fechou , Ron gritou : - Acelera Fred ! - E o carro partiu subitamente em direcção a a lua . Harry mal podia acreditar que estava livre . Esticou se a a janela , o ar de a noite a fustigar lhe os cabelos e olhou para baixo , para os telhados apertados de Privet_Drive . O tio Vernon , a tia Petúnia e o Dudley estavam todos debruçados com cara de parvos , a a janela de o quarto de ele . - Até a o próximo Verão - gritou . Os Weasleys riam se a as gargalhadas e Harry esticou se para trás em o assento e pediu a o ouvido de Ron : - Deixa sair a Hedwig . Ela pode voar atrás_de nós . Há séculos que não tem uma oportunidade de esticar as asas . George passou a o Ron o gancho de cabelo e , um momento depois , a Hedwig saíra feliz por a janela , planando atrás de eles como um fantasma . - Então , qual é a história ? - perguntou Ron , impaciente . - O que é_que tem estado a acontecer ? Harry contou lhes tudo sobre o Dobby , o aviso de este e o fracasso de o pudim de violetas . Houve um longo silêncio quando ele se calou . - Isso cheira me a esturro - disse , por fim , o Fred . - Definitivamente misterioso - concordou George . - Então ele nem te disse quem está supostamente por detrás dessa trama toda ? - Acho que não podia - explicou Harry . - Já te disse , de cada_vez que estava quase a deixar escapar qualquer coisa , começava a bater com a cabeça em a parede . Viu Fred e George olharem um para o outro . - O quê ? Acham que ele estava a mentir me ? - perguntou Harry . - Bem - começou o Fred -- , coloquemos as coisas de o seguinte modo , os elfos de casa têm poderes mágicos próprios , mas geralmente não podem usá os sem a autorização de os seus donos . Eu acho que o bom de o Dobby foi enviado para evitar que voltasses para Hogwarts . Uma ideia de um engraçadinho . Haverá alguém em a escola com má vontade contra ti ? - Sim - responderam Harry e Ron , precisamente ao_mesmo_tempo . - Draco_Malfoy - explicou Harry . - Ele detesta me . - Draco_Malfoy ? - perguntou George , voltando se para trás . - O filho de o Lucius_Malfoy ? - Deve ser . Não é um nome muito vulgar , pois não ? - disse Harry . - Mas porquê ? - Ouvi o pai falar acerca de ele - confidenciou George . - Ele era um grande apoiante de o « Quem nós sabemos » . - E quando o « Quem nós sabemos » desapareceu - continuou o Fred , voltando a cara para olhar para Harry - o Lucius_Malfoy voltou , dizendo que não foi por vontade própria que fez o que fez . Monte de lixo . O pai acha que ele fazia parte de um círculo de amigos íntimos de o « Quem nós sabemos » . Harry já tinha ouvido esses boatos sobre a família de Malfoy e não o surpreenderam em absoluto . Malfoy fizera Dudley_Dursley parecer um rapazinho simpático , amável e sensível . - Não sei se os Malfoy têm um elfo de casa ... - afirmou Harry . - Bem , quem quer que o possua é sem dúvida uma antiga família de feiticeiros e deve ser rica - explicou Fred . - Sim . A mãe está sempre a desejar que pudéssemos ter um elfo de casa para passar a roupa a ferro - disse o George . - Mas só temos um velho vampiro piolhoso em o sótão e gnomos espalhados por o jardim . Os elfos de casa pertencem a as grandes casas senhoriais , a os castelos e lugares assim , não encontrarias um em a nossa casa ... Harry estava calado . Considerando que Draco_Malfoy tinha sempre as melhores coisas , que a sua família nadava em ouro de feiticeiros , era fácil imaginá o passeando se por uma enorme casa senhorial . Mandar o servo de a família evitar que Harry voltasse para Hogwarts também parecia exactamente o tipo de coisa que Malfoy poderia fazer . Teria Harry sido estúpido a o tomar Dobby a sério ? - De qualquer modo , ainda_bem que viemos buscar te - declarou Ron . - Eu começava a ficar seriamente preocupado por não responderes a nenhuma de as minhas cartas . A princípio pensei que a culpa fosse de a Errol ... - Quem é a Errol ? - A nossa coruja . Já é velhota . Não seria a primeira vez que adoecia durante uma entrega . Por isso , tentei pedir a Hermes emprestada ... - Quem ? - A coruja que os meus pais compraram a o Percy quando ele foi nomeado prefeito - respondeu Fred . - Mas o Percy não me a emprestou . Disse que precisava de ela . - O Percy tem andado com atitudes muito estranhas este Verão - comentou George franzindo a testa . - E tem mandado imensas cartas e passado um tempo infinito fechado em o quarto ... enfim , pode limpar se e polir um distintivo de prefeito todas_as vezes que se quiser ... Estás a conduzir demasiado para ocidente , Fred - acrescentou apontando para uma bússola em o painel de o automóvel . Fred girou o volante . - Então , o vosso pai sabe que têm o carro ? - perguntou Harry , quase adivinhando a resposta . - Er ... não - disse o Ron . - Ele tinha trabalho esta noite . Felizmente vamos poder pô o de_novo em a garagem , sem a mãe perceber que andámos a voar nele . - A propósito , o que faz o vosso pai em o Ministério_da_Magia ? - Trabalha em o Departamento mais chato - respondeu Ron . - A Divisão de utilização incorrecta de artefactos de os Muggles . - O quê ? - Relaciona se com objectos de feitiçaria que foram feitos por os Muggles ; sabes como é , se forem parar de_novo a uma loja de os Muggles , ou a uma casa , como em o ano passado , quando morreu uma bruxa velha e o bule de ela foi vendido a uma loja de antiguidades . Uma mulher Muggle comprou o , tentou servir chá a os amigos . Foi um pesadelo , o pai teve de fazer horas extraordinárias durante semanas . - O que é_que aconteceu ? - O bule parecia louco , esguichou chá a ferver para todos os lados e um de os homens foi parar a o hospital com a pinça de o açúcar presa em o nariz . O pai ficou nervosíssimo . É só ele e o velho feiticeiro Perkings em o gabinete e tiveram de localizar e descobrir todo o tipo de encantamentos para resolver o assunto . - Mas o teu pai ... este carro ... Fred riu se . - Sim , o pai é louco por tudo_o_que tem que ver com os Muggles . A nossa arrecadação está cheia de coisas de os Muggles . Ele separa as , lança lhes feitiços e volta a pô as em o lugar . Se ele fizesse uma busca a nossa casa teria de se prender a si mesmo . A minha mãe fica louca com tudo aquilo . - É a estrada principal - gritou o George , apontando para baixo através de a janela . - Dentro_de poucos minutos estamos lá , mesmo a tempo , está a começar a clarear . Um leve brilho rosado tingia o horizonte para leste . Fred trouxe o carro para baixo e Harry pôde ver uma manta de retalhos de campos escuros e matas de arbustos . - Estamos um_pouco longe de a vila - disse George . - Em Ottery_St . Catchpole ... O carro voador foi descendo a os poucos . A luz avermelhada brilhava agora por_entre as árvores . - Terra - disse o Fred , em o momento em que tocaram em o chão com um ligeiro solavanco . Tinham aterrado perto_de uma garagem em ruínas em um pequeno pátio e Harry viu pela_primeira_vez a casa de o Ron . Parecia ter sido em tempos uma pocilga de pedra . Mas os quartos que posteriormente lhe tinham sido acrescentados haviam a tornado bastante mais alta e o seu aspecto era tão curvado que parecia ter sido construída por artes mágicas ( o que , pensou Harry , era , muito provavelmente , verdade ) . De o telhado vermelho saíam quatro ou cinco chaminés . Junto de a entrada , fixa em o chão , podia ver se uma inscrição assimétrica que dizia « A toca » . A o lado de a porta principal estava uma contusão de botas de * _ Wellington * e um caldeirão completamente enferrujado . Por o pátio passeavam se várias galinhas castanhas e gordas . - Não é grande coisa - desculpou se o Ron . - É óptima - exclamou Harry , feliz , pensando em Privet_Drive . Saíram de o carro . - Agora vamos lá para_cima sem fazer barulho - disse o Fred . - E esperamos que a mãe nos chame para o pequeno-almoço . Depois tu , Ron , desces a escada entusiasmadíssimo . - Mãe , olha quem apareceu cá durante a noite ! - E ela vai sentir se felicíssima quando vir o Harry . Assim ninguém fica a saber que levámos o carro voador . - Certo - disse o Ron . - Vamos , Harry , eu durmo em o ... Ron ganhou uma cor de um pálido esverdeado , os olhos fixos em a casa . Os outros três fizeram meia volta . Mrs._Weasley avançava por o pátio , afugentando as galinhas e , para uma mulher baixa , roliça e simpática , era fantástico como conseguia parecer se com um tigre dentes-de-sabre . - Ah ! - suspirou o Fred . - Oh , oh ! - exclamou o George . Mrs._Weasley parou em frente de eles . As mãos em as ancas , saltando de um olhar culpado para o outro . Usava um avental a as flores , com uma varinha a sair lhe de o bolso . - Com que então - disse . - Bom dia , mãe - arriscou o George com uma voz que tentou que fosse alegre e bem-disposta . - Vocês têm alguma ideia de como tenho estado preocupada ? - perguntou Mrs._Weasley em um murmúrio fraco . - Desculpe , mãe , mas sabe , nós tivemos que ... Os três filhos de Mrs._Weasley eram mais altos do_que ela , mas tremiam quando a fúria de a mãe se abatia sobre eles . - Camas vazias ! Nem um bilhete ! O carro desaparecido ... Podiam ter tido um acidente , estou fora de mim com tanta preocupação e vocês nem se importam ... nunca , enquanto eu for viva ... esperem só até o vosso pai chegar , nunca tivemos problemas de estes com o Bill , com o Charlie ou com o Percy ... - O perfeito Percy - resmungou Fred . - : __ tu não vales um dedo de a mão de o __ percy ! - gritou Mrs._Weasley , espetando um dedo em o queixo de o Fred . - Podias ter morrido , podias ter sido visto , podias ter feito com que o teu pai perdesse o emprego ... Parecia nunca mais acabar . Mrs._Weasley tinha gritado até ficar ronca , antes de se voltar para o Harry , que recuou . - Estou muito contente por te ver , Harry - disse . - Entra e vem tomar o pequeno-almoço . Ela voltou se e regressou a casa e Harry , depois de trocar um olhar nervoso com o Ron , que lhe acenou , encorajando o , seguiu a . A cozinha era pequena e bastante estreita . A meio havia uma enfezada mesa de madeira e cadeiras em volta e Harry sentou se a a beirinha de o assento , olhando em volta . Era a primeira vez que entrava em uma casa de feiticeiros . O relógio em a parede em frente de ele , tinha apenas um ponteiro e nenhum número . Em volta , estavam escritas frases como « Hora de fazer o chá » , « Hora de dar de comer a as galinhas « e « Estás atrasado » . Empilhados em o rebordo de a lareira estavam livros com títulos como * _ Encanta o teu próprio queijo , Encantamento em a cozedura de o pão e Banquetes em um minuto - é mágico * ! E , a menos que os ouvidos de Harry estivessem a traí o , o velho rádio próximo de o lava-loiças acabara de anunciar que a seguir vinha a Hora de enfeitiçar com a popular feiticeira-cantora Celestina_Warbeck . Mrs._Weasley fazia barulho com os talheres , preparando o pequeno-almoço um bocado a o acaso , lançando olhares furiosos a os filhos , enquanto lançava as salsichas em a frigideira . De vez em quando murmurava coisas como : « Não sei o que vos passou por a cabeça « ou « nunca devia ter confiado em vocês » . - Eu não te culpo , filho - tranquilizou Harry , pondo lhe sete ou oito salsichas em o prato . - Eu e o Arthur temos estado preocupados contigo . Ainda ontem a a noite estivemos a dizer que te iríamos buscar nós próprios se não respondesses a o Ron até sexta-feira . Mas , em a verdade ( estava agora a acrescentar três ovos estrelados a o prato de ele ) , atravessar metade de o país a voar em um carro ilegal , qualquer um vos poderia ter visto ... Agitou maquinalmente a varinha em a direcção de o lava-loiças , onde a loiça começou a lavar se sozinha , tinindo baixinho lá atrás . - Estava enevoado , mãe ! - exclamou o Fred . - Boca fechada enquanto comes ! - interrompeu Mrs._Weasley . - Eles estavam a fazê o passar fome , mãe ! - disse o George . - E tu também ! - disse Mrs._Weasley , mas já foi com uma expressão mais doce que começou a cortar o pão para Harry e a barrá o com manteiga . Em esse momento , as atenções voltaram se para um pequenino volto de cabelos ruivos , em uma camisa de dormir até a os pés , que surgiu em a cozinha , deu um grito agudo e desapareceu de_novo . - É a Ginny - disse Ron baixinho a o Harry -- , a minha irmã . Tem falado de ti todo o Verão . - Sim , ela vai querer o teu autógrafo , Harry - riu se o Fred , mas o seu olhar cruzou se com o de a mãe e inclinou se para o prato , não voltando a abrir a boca . Ninguém falou até os quatro pratos estarem limpos , o que sucedeu a uma velocidade surpreendente . - Bolas , estou cansado - bocejou Fred , pousando a faca e o garfo . Acho que me vou deitar e ... - Não vais , não senhor - interrompeu Mrs._Weasley . - A culpa é tua se ficaste toda_a noite acordado . Vais fazer a des-gnomização de o jardim . Eles estão outra_vez a exagerar . - Oh , mãe ... - E vocês os dois o mesmo - dirigiu se a o Ron e a o Fred . - Tu podes ir para a cama , filho - disse a Harry . - Não lhes pediste que guiassem aquele carro miserável . Mas Harry , que se sentia acordadíssimo , respondeu prontamente : - Eu ajudo o Ron , nunca vi uma des-gnomização ... - É muito simpático de a tua parte , querido , mas é um trabalho chato - explicou Mrs._Weasley . - Vejamos o que o Lockhart tem a dizer acerca disto . E puxou de o rebordo de a lareira um livro pesadíssimo . George resmungou : - Mãe , nós sabemos * des-gnomizar * o jardim . Harry olhou para a capa de o livro de Mrs._Weasley . Em grandes letras douradas , que ocupavam grande parte de a capa , podia ler se Guia_de_Gilderoy_Lockhart para pragas caseiras . Via se também a grande fotografia de um feiticeiro bem-parecido , de cabelos loiros ondulados e olhos azuis brilhantes . Como sempre , em o mundo de os feiticeiros , a fotografia mexia se . O feiticeiro , que Harry calculou ser Gilderoy_Lockhart , não parava de lhes piscar os olhos descaradamente . Mrs._Weasley sorriu lhe . - Oh , ele é fantástico - disse . - Conhece bem as pragas caseiras . É um livro maravilhoso . - A mãe adora o - disse Fred em um murmúrio bastante audível . - Não sejas ridículo , Fred - repreendeu Mrs._Weasley com as bochechas coradas . - É claro que se achas que sabes mais do_que o Lockhart , podes ir fazer o trabalho e ai de ti se houver um único gnomo em o jardim quando eu for fazer a inspecção . A bocejar e a resmungar , os Weasley arrastaram se lá para fora com Harry atrás de eles . O jardim era grande e , em a opinião de Harry , exactamente como deveria ser um jardim . Os Dursleys não teriam gostado . Havia uma enorme quantidade de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada , mas havia árvores nodosas em volta de as paredes , plantas que Harry nunca vira , tombando de todos os canteiros e um grande lago verde cheio de rãs . - Os Muggles também têm gnomos de jardim , sabes - disse o Harry a o Ron , enquanto atravessavam a relva . - Sim , já vi essas coisas que eles pensam que são gnomos - disse o Ron todo dobrado , com a cabeça em uma moita de peónias . - Como os Pais_Natais gordinhos com canas de pesca ... Houve um tumulto ruidoso , a moita de peónias estremeceu e Ron endireitou se . - Isto_é um gnomo - declarou com um ar sério . - Larga eu ! Larga eu ! - guinchou o gnomo . Não se parecia em absoluto com o Pai_Natal . Era pequenino e parecia de couro , com uma grande cabeça protuberante e calva , precisamente como uma batata . Ron agarrou o a a distância de um braço , enquanto ele dava pontapés em o ar com os seus pézinhos que pareciam chifres . Agarrou o por os tornozelos e voltou o de pernas para o ar . - Isto_é o que tens de fazer - disse . Levantou o gnomo acima de a cabeça ( Larga eu ! ) e começou a balouçá o em grandes círculos , como os vaqueiros fazem com os laços . A o ver a expressão chocada de Harry , Ron explicou : - Não os mágoa . Só tens de os deixar bem tontos para que consigam encontrar o caminho de regresso a os buracos de os gnomos . Largou os tornozelos de o gnomo . Ele voou seiscentos metros e aterrou com um ruído surdo em o campo a o lado de a sebe . - Deplorável - afirmou o Fred . - Aposto que consigo lançar o meu para_além de aquele tronco . Harry aprendeu rapidamente a não sentir muita pena de os gnomos . Decidira largar o primeiro que apanhou para_além de a sebe , mas o gnomo , sentindo fraqueza , enfiou os seus dentinhos , aguçados como laminas , em o dedo de o Harry e não foi fácil sacudi o para ele o largar , até que ... - Uau , Harry , esse deve ter sido seiscentos metros ... O ar estava subitamente cheio de gnomos voadores . - Vês , eles não são muito espertos - afirmou o George , agarrando cinco ou seis de uma_vez . - Em o momento em que se apercebem que começou a * des-gnomização * , aparecem todos para espreitar . Era de esperar que já tivessem aprendido a ficar quietinhos . Rapidamente a multidão de gnomos começou a ir se embora , atravessando os campos em uma fila ordenada , com os pequeninos ombros arqueados . - Eles voltam - disse o Ron enquanto os via desaparecer em a sebe de o outro lado de o campo . - Eles adoram estar aqui ... o pai é muito mole com eles , acha lhes piada . Em esse momento , a porta de a frente bateu . - Ele já voltou ! - exclamou o George . - O pai já está em casa ! Apressaram se a entrar . Mr._Weasley tinha se afundado em uma de as cadeiras de a cozinha , sem óculos e com os olhos fechados . Era um homem magro , quase calvo , mas o pouco cabelo que tinha era tão ruivo como o de os filhos . Vestia um longo manto verde cheio de pó e estava cansado de a viagem . - Que noite - murmurou , tacteando em busca de o bule , enquanto todos se sentavam a a volta de ele . - Nove assaltos , nove ! E o velho Mundungs_Fletcher tentou lançar me um feitiço quando eu estava de costas . Mr._Weasley tomou um bom gole de chá e suspirou . - Encontrou alguma coisa , pai ? - perguntou Fred ansiosamente . - Só encontrei algumas chaves encolhidas e uma chaleira que mordia - bocejou Mr._Weasley . - Havia um material bastante mauzinho , mas não era de o meu departamento . O Mortlake foi levado para ser interrogado sobre uns furões extremamente antigos , mas isso pertence a a Comissão_dos_Feitiços_Experimentais , graças_a Deus . - Por_que é_que alguém ia dar se a o trabalho de fazer encolher chaves ? - perguntou George . - Para chatear os Muggles - suspirou Mr._Weasley . - Vende se lhes uma chave que não pára de encolher , até que desaparece , de_modo_a que nunca a encontrem quando precisam ... É claro que é muito difícil condenar alguém , porque nenhum Muggle é capaz de admitir que a sua chave está a encolher , insistem em que estão sempre a perdê a . Benditos sejam , vão até onde for preciso para ignorar a magia , mesmo_que ela esteja em frente de os seus narizes ... mas vocês não acreditariam em as coisas que o nosso grupo tem levado para enfeitiçar ... - : __ como carros , por __ exemplo ? Mrs._Weasley tinha aparecido , segurando um grande atiçador que parecia uma espada . Os olhos de Mr._Weasley abriram se de repente , fitando a mulher com um ar culpado . - C-carros , Molly querida ? - Sim , Artur , carros - afirmou Mrs._Weasley , os olhos a faiscar . - Imagina um feiticeiro a comprar um carro velho e enferrujado e dizer a a mulher que a única coisa que queria fazer com ele era desmontá o para ver como ele funcionava , enquanto em a verdade estava a enfeitiçá o para o fazer voar . Mr._Weasley piscou os olhos . - Bem , querida , acho que poderás constatar que não é ilegal fazer isso , embora , er , talvez ele devesse ter contado a verdade a a mulher ... Existe uma forma de tornear a lei , já_que ela diz que ... desde_que não se tenha a * intenção * de voar em o carro , o facto de ele poder voar , não ... - Arthur_Weasley tu arranjaste essa forma de tornear a lei quando a escreveste ! - gritou Mrs._Weasley . - Para poderes continuar a remexer em todo aquele lixo de os Muggles que tens em a arrecadação ! E , para tua informação , o Harry chegou hoje_de_manhã em o carro que tu não pretendias pôr a voar ! - Harry ? - perguntou Mr._Weasley sem expressão . - Qual Harry ? Olhou em volta , viu Harry e deu um salto . - Santo_Deus , é Harry_Potter ? Muito prazer , o Ron falou nos tanto de si ... - * _ O teu filho conduziu aquele carro até a a casa de o Harry e de volta até aqui em a noite passada ! * - gritou Mrs._Weasley . - O que tens a dizer a esse respeito ? - A sério ! ? - exclamou Mr._Weasley com vivacidade . - Correu tudo bem , quero dizer ... - vacilou a o ver os olhos de Mrs._Weasley que faiscavam . - Er , fizeram mal , rapazes , muito mal , mesmo ... - Vamos deixá os a os dois - murmurou o Ron , enquanto Mrs._Weasley inchava como um sapo gigantesco . - Vamos , vou mostrar te o meu quarto . Esgueiraram se de a cozinha e desceram uma passagem estreita que dava para uma escada desnivelada que ziguezagueava a o longo de a casa . Em o terceiro andar , estava uma porta entreaberta . Harry só teve tempo de ver um par de olhos castanhos brilhantes que o olhavam fixamente , antes de a porta se fechar com um estalido . - A Ginny - disse o Ron . - Não imaginas como é estranho vês a tão tímida , ela que quase nunca se cala ... Subiram mais dois andares , até chegarem a uma porta com a tinta a descascar e uma pequena placa dizendo : « Quarto_do_Ronald » . Harry entrou . A cabeça quase tocava em o tecto inclinado . Piscou os olhos . Era como entrar dentro_de uma fornalha : quase tudo em o quarto de o Ron tinha um violento matiz alaranjado : a colcha de a cama , as paredes , até o tecto . Em seguida , apercebeu se de que o Ron tinha coberto cada centímetro de o velho papel de parede com * posters * de as mesmas sete feiticeiras e feiticeiros , todos vestidos com brilhantes mantos cor de laranja , transportando vassouras e acenando entusiasticamente . - A tua equipa de Quidditch ? - perguntou Harry . - Os Chudley_Cannons - disse Ron , apontando para a colcha cor de laranja que tinha um brasão com dois C's gigantes e uma bala de canhão a_toda_a velocidade . - Nono em a Liga . Os livros de estudo de feitiços de Ron estavam empilhados desordenadamente a um canto , junto de um monte de B. _ D. , todas elas relativas a as * _ Aventuras_de_Martin_Miggs , o Muggle louco * . A varinha mágica de o Ron estava em_cima_de um aquário cheio de ovos de rã sobre o peitoril de a janela , junto de o seu rato gordo e cinzento , Scabbers , que dormia uma soneca a o sol . Harry passou por_cima_de um baralho de cartas de jogar com vontade própria , que estava caído em o chão , e olhou para fora de a janelinha . Em o campo , não muito longe , podia ver um grupo de gnomos a esgueirarem se , um a um , de_novo para a sebe de os Weasley . Em seguida , voltou se para Ron que o observava nervoso , como_se esperasse a opinião de ele . - É um_pouco pequeno - declarou o Ron muito depressa . - Não se parece nada com o quarto que tu tinhas em casa de os Muggles . E estou mesmo debaixo de o vampiro de o sótão . Ele anda sempre a bater nos canos e a gemer ... Mas Harry , com um grande sorriso , disse lhe : - Esta é a melhor casa em que eu já estive . As orelhas de Ron ficaram cor-de-rosa . IV_Na_Flourish and Blotts_A vida em a Toca era o mais diferente que é possível de a vida em Privet_Drive . Os Dursleys gostavam de tudo limpo e arrumado , em casa de os Weasleys explodia o estranho e o inesperado . Harry teve um choque de a primeira vez que olhou para o espelho que estava sobre a lareira de a cozinha e ele gritou : - Mete para dentro a camisa , * desmazelado ! * - O vampiro de o sótão gemia e batia nos canos , sempre_que sentia as coisas demasiado calmas e as pequenas explosões em o quarto de o Fred e de o George , eram consideradas perfeitamente normais . Mas o que o Harry achou mais bizarro em a vida em casa de o Ron , não foi o espelho que falava , nem o vampiro barulhento , foi o facto de todos ali em casa parecerem gostar de ele . Mrs._Weasley preocupava se com o estado de as suas meias e tentava obrigá o a servir se quatro vezes a cada refeição . Mr._Weasley gostava que Harry se sentasse a o lado de ele a a mesa para poder bombardeá o com perguntas sobre a vida com os Muggles , pedindo que lhe explicasse como funcionavam coisas como as canalizações e o serviço de os correios . - Fascinante ! - exclamava , enquanto Harry lhe explicava a utilização de o telefone . - Engenhoso , de facto , todas_as maneiras que os Muggles encontraram para passar sem a magia . Harry teve notícias de Hogwarts em uma manhã de sol , cerca de uma semana depois de ter chegado a a Toca . Quando , ele e o Ron desceram para tomar o pequeno-almoço , encontraram Mr. e Mrs._Weasley e Ginny já sentados a a mesa . Em o momento em que viu o Harry , Ginny entornou a tigela de os cereais , que caiu a o chão com grande espalhafato . Ginny entornava facilmente coisas sempre_que o Harry estava em a sala . Mergulhou debaixo de a mesa para apanhar a tigela e emergiu com o rosto a brilhar como o sol poente . Fingindo não ter dado por nada , Harry sentou se e aceitou a torrada que Mrs._Weasley lhe ofereceu . - Cartas de a escola - disse Mr._Weasley , passando a o Harry e a o Ron envelopes idênticos de pergaminho amarelado , com a morada escrita a tinta verde . - O Dumbledore já sabe que estás aqui , Harry , não perde nada aquele homem . Vocês os dois também - acrescentou , enquanto Fred e George deambulavam em a casa , ainda em pijama . Fez se silêncio durante alguns momentos , enquanto liam as respectivas cartas . A de o Harry dizia para apanhar o Expresso_de_Hogwarts , como sempre em a Estação_de_King's_Cross , em o dia_1_de_Setembro . Havia ainda uma lista de os livros que precisaria para o próximo ano . Os alunos de o segundo ano deverão ter : * _ O_Livro_Padrão_de_Feitiços , Grau 2 , por Miranda_Goshawk . * _ Ensinamentos_de_Uma_Fada_Carpideira , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Férias com Bruxas , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Duendes , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Lobisomens , por Gilderoy_Lockhart . * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves , por Gilderoy_Lockhart * . Fred , que terminara a sua própria lista , espreitou para a de o Harry . - Também te mandam comprar os livros de o Lockhart - disse . - A professora de defesa contra as artes negras deve ser fanática . Aposto que é uma bruxa . Nessa_altura , Fred percebeu o olhar de a mãe e apressou se a comer o doce de laranja . - Esse conjunto não vai ficar barato - disse George , olhando rapidamente para os pais . - Os livros de o Lockhart são de os mais dispendiosos ... - Cá nos havemos de arranjar - declarou Mrs._Weasley , mas parecia preocupada . - Espero que pelo_menos para a Ginny possamos arranjar uma data de coisas em segunda mão . - Ah , vais entrar este ano para Hogwarts ? - perguntou lhe Harry . Ela fez um aceno , corando até a a raiz de os cabelos ruivos e meteu o cotovelo em o pires de a manteiga . Felizmente ninguém deu por nada , a não ser o Harry , porque em esse momento o irmão mais velho de Ron , o Percy , entrou . Já estava vestido , com a placa de prefeito aplicada a a sua camisola de malha . - Bom dia a todos - disse , cheio de vivacidade . - Está um dia lindo . Puxou a única cadeira livre , mas deu um salto quando ia sentar se e , debaixo de ele , saltou um espanador cinzento de penas , pelo_menos , foi o que o Harry pensou até ver que ele respirava . - Errol ! - exclamou Ron , afastando a coruja de o Percy e retirando lhe debaixo de a asa uma carta . - Até que enfim , a resposta de a Hermione . Escrevi lhe a contar que íamos tentar raptar te de casa de os Dursleys . Levou Errol para um poleiro que havia junto a a porta de as traseiras e tentou colocá a lá em cima , mas Errol caiu redonda e Ron teve de a pôr em a pia , murmurando : - Patético . - Em seguida , abriu a carta de a Hermione e leu a em voz alta . * _ Querido_Ron e Harry , se aí estiveres . Espero que tudo tenha corrido bem , que o Harry esteja O. _ K. e que não tenham feito nada ilegal para conseguir trazes o , porque isso podia criar lhe problemas também a ele . Tenho estado muito preocupada e , se o Harry estiver bem , por favor digam me qualquer coisa rapidamente , mas talvez seja melhor usarem uma nova coruja , porque acho que outra entrega pode acabar como esta . * _ Estou muito atarefada com trabalho de a escola , claro * . - Como é possível ? - perguntou Ron , horrorizado . - Estamos em férias ! - * _ E vamos para Londres em a próxima quarta-feira para comprar os meus livros novos . Porque não nos encontramos em a Diagon-al ? * _ Dêem-me notícias vossas o mais depressa possível . * _ Carinhosamente_Hermione * - Bem , parece uma boa solução , podemos ir todos comprar as vossas coisas - disse Mrs._Weasley , começando a limpar a mesa . - O que vão fazer hoje ? Harry , Ron , Fred e George tinham planeado ir a o cimo de o monte a um pequeno cercado de cavalos que os Weasleys possuíam . Estava rodeado de árvores que lhe tapavam a vista de a cidade cá em baixo , o que quer_dizer que podiam praticar Quidditch , desde_que não voassem muito alto . Não podiam usar as verdadeiras bolas de Quidditch pois seria muito difícil explicar se elas escapassem e voassem sobre a cidade . Em vez de elas , lançavam maçãs para os outros apanharem . Faziam turnos para montar a Nimbus dois_mil , que era de longe a melhor vassoura . A velha Shooting_Star_de_Ron fora muitas_vezes ultrapassada por as borboletas que passavam . Cinco minutos mais tarde estavam a marchar por o monte acima , de vassouras a o ombro . Tinham perguntado a o Percy se ele queria juntar se a eles , mas ele alegara muito trabalho . Até esse dia , Harry só tinha visto Percy a a hora de as refeições , ele ficava em silêncio em o quarto o resto de o tempo . - Gostava de saber o que ele anda a fazer - afirmou Fred , de testa franzida . - Não parece o mesmo . O resultado de os exames veio um dia antes de tu chegares : doze N_F_V e ele nem se manifestou satisfeito . - Níveis_de_Feitiçaria_Vulgares - explicou o George , vendo o olhar atarantado de Harry . - Se não temos cuidado , ainda nos calha outro Chefe_de_Turma em a família . Acho que não suportaria a vergonha . Bill era o mais velho de os irmãos Weasley . Ele e o irmão a seguir , Charlie , já tinham saído de Hogwarts . Harry não conhecia nenhum de os dois , mas sabia que o Charlie estava em a Roménia a estudar dragões e o Bill em o Egipto a trabalhar em o banco de os feiticeiros : Gringotts . - Não sei como o pai e a mãe vão arranjar dinheiro para nos pagar o material escolar este ano - disse o George , passado um bocado . - Cinco conjuntos de livros de o Lockhart ! E a Ginny precisa de mantos e de uma varinha e tudo_isso ... Harry não disse nada . Sentiu se um_pouco incomodado . Fechada em um cofre subterrâneo , em o banco de Gringotts_de_Londres , estava uma pequena fortuna que os pais lhe tinham deixado . É claro que só tinha esse dinheiro em o mundo de os feiticeiros , não se podem usar Galeões , Leões e Janotas em as lojas de os Muggles . Ele nunca fizera referência a a sua conta bancária em Gringotts a os Dursleys . Não lhe parecia que o horror que eles sentiam por tudo_o_que se relacionava com a feitiçaria se estendesse a uma enorme pilha de barras de ouro . Mrs._Weasley acordou os a todos bem cedo , em a quarta-feira seguinte . Depois de comerem umas doze sanduíches de * bacon * cada_um , enfiaram os casacos e Mrs._Weasley tirou um vaso de a prateleira de o fogão de a cozinha e espreitou lá para dentro . - Está a acabar se , Arthur - suspirou . - Temos de comprar mais hoje ... Bem , os hóspedes primeiro . Passa , Harry querido ! E ofereceu lhe o vaso de flores . Harry olhou espantado enquanto todos eles o observavam . - O q-que é_que eu devo fazer ? - gaguejou . - Ele nunca viajou com o pó de Floo - disse o Ron subitamente . - Desculpa , Harry , esqueci me . - Nunca ? - perguntou Mrs._Weasley . - Mas então como chegaste a a Diagon - _ Al em o ano passado para comprar as tuas coisas ? -- Fui por o subterrâneo . - A sério ? - disse Mr._Weasley , entusiasmado . - Havia fugitivos ? Como é_que ... - Agora não , Arthur - disse Mrs . Weasley . - O pó de Floo é muito mais rápido , querido , mas , valha me Deus , se ele nunca o usou ... - Vai correr bem , mãe - disse o Fred . - Harry observa nos primeiro . Tirou uma pitada de pó brilhante de dentro de o vaso , aproximou se de o lume e lançou o pó em as chamas . Com um rugido , o fogo ficou verde-esmeralda e elevou se a uma altura superior a a de o Fred que avançou , gritando Diagon - _ Al ! E desapareceu . - Tens de falar claramente , filho - disse Mrs._Weasley a o Harry , ao_mesmo_tempo que George metia a mão em o vaso de as flores . - E vê se sais em o fogão certo . - Em o quê ? - perguntou Harry , nervoso , enquanto o lume crepitava e fazia George desaparecer também . - Bem , há imensos fogos de feiticeiros , mas desde_que te tenhas expressado claramente ... - Ele vai conseguir , Molly , não te preocupes - disse Mr._Weasley , tirando também ele algum pó . - Mas querido se ele se perde como é_que vamos justificar nos perante o tio e a tia de ele ... -- Eles não se importariam - tranquilizou a Harry . - O Dudley ia achar imensa piada se eu me perdesse em uma chaminé , não se preocupe . - Bem , em esse caso ... tu vais a seguir a o Arthur - disse Mrs._Weasley . - Logo_que entres em o fogo diz para_onde queres ir . - E mantém os cotovelos dobrados - preveniu o Ron . - E os olhos fechados - disse Mrs._Weasley . - A fuligem . - Não te enerves - disse o Ron . - Senão podes ir parar a a lareira errada . - Não entres em pânico e não queiras sair cedo de mais . Espera até veres o Fred e o George . Fazendo um enorme esforço por reter toda aquela informação , Harry tirou uma pitada de pó de Floo e avançou para a beirinha de o fogo . Respirou fundo , espalhou o pó em as chamas e entrou . O fogo parecia uma brisa quente . Abriu a boca e engoliu , de imediato , uma grande quantidade de cinzas quentes . D-dia-gon-al - tossiu . Sentiu se como_se estivesse a ser sugado para um buraco gigantesco . Como_se girasse muito depressa ... o ruído era ensurdecedor . Tentou manter os olhos abertos mas o turbilhão de chamas verdes fê lo enjoar ... algo duro bateu lhe em o cotovelo e dobrou o de imediato . Continuava a rodar , a rodar ... sentia se agora como_se várias mãos frias estivessem a bater lhe em a cara ... Espreitando através de os óculos , viu uma torrente imprecisa de fogões e captou lampejos de as salas que estavam por detrás ... as sanduíches de * bacon * davam lhe a volta dentro de o estômago ... fechou os olhos desejando que tudo aquilo parasse e então caiu , de cara em o chão , em a pedra fria e sentiu os óculos partirem se a os bocados . Desorientado e ferido , coberto de fuligem , pôs se cautelosamente de pé , levando a os olhos os óculos partidos . Estava completamente só e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava . Tudo_o_que podia dizer era que a o seu lado via uma lareira que lhe parecia ser a de uma enorme e indistinta loja de feitiçaria . Mas nenhum de os artigos que ali se encontravam tinham aspecto de fazer parte de a lista de a escola de Hogwarts . Em uma caixa de vidro podia ver se uma mão atrofiada que repousava sobre uma almofada , um baralho de cartas ensanguentado e um olho de vidro que o olhava fixamente . Máscaras de expressão maldosa enchiam as paredes , olhando de esguelha , uma enorme quantidade de ossos humanos estendia se sobre o balcão e , de o tecto , pendiam instrumentos aguçados com pontas de ferro e pregos enferrujados . Mas o pior é_que a rua estreita e escura , que Harry conseguia avistar através de a janela poeirenta de a loja , não era de modo algum a Diagon-al . Quanto_mais depressa saísse de ali , melhor . O nariz ainda a doer lhe em o sítio onde batera em o chão a o aterrar , Harry avançou rápida e silenciosamente em direcção a a porta , mas antes de conseguir chegar a meio caminho , duas pessoas apareceram de o lado de_fora de o vidro , e uma de elas era a última pessoa que Harry desejaria encontrar em o momento em que se encontrava perdido , coberto de fuligem e com os óculos partidos , Draco_Malfoy . Harry olhou rapidamente em volta e apercebeu se de a existência de um grande armário escuro a a sua esquerda , saltou lá para dentro e fechou as portas , deixando uma gretazinha para poder espreitar . Segundos depois , uma campainha tocava e Malfoy entrava em a loja . O homem que o acompanhava só podia ser o pai . Tinha o mesmo rosto pálido de feições agudas e os mesmos olhos cinzentos de gelo . Mr._Malfoy atravessou a loja , olhando maquinalmente para os artigos expostos e tocou a campainha de o balcão , antes de se voltar para o filho , dizendo : - Não mexas em nada , Draco . Malfoy , que vira o olho de vidro , disse : - Pensei que ias oferecer me um presente . - Eu prometi que ia comprar te uma vassoura de corrida - declarou o pai , tamborilando com os dedos sobre o balcão . - Para que é_que me serve , se não estou em a equipa de Quidditch ? - perguntou Malfoy , carrancudo e de mau humor . - O Harry_Potter teve uma Nimbus dois_mil o ano passado , com a autorização especial de o Dumbledor é para jogar em os Gryffindor . Ele nem é assim tão bom , é só por ser * famoso * ... famoso por ter uma estúpida cicatriz em a testa . Malfoy baixou se para observar uma prateleira cheia de crânios . - Todos acham que ele é tão esperto , o Potter maravilha , com a sua cicatriz e a sua vassoura ... - Já me disseste isso doze vezes pelo_menos - comentou Mr._Malfoy , olhando repressivamente para o filho . - E devo lembrar te que não é prudente parecer menos do_que amigo de Harry_Potter , quando a maior parte de a nossa gente vê em ele um herói que fez desaparecer o Senhor_do_Mal . Ah , Mr._Borgin . Um homem curvado surgiu por detrás de o balcão , puxando o cabelo gorduroso para trás . - Mr._Malfoy , que prazer vês o de_novo - disse Mr._Borgin , em uma voz tão untuosa como o cabelo . - Encantado , e o nosso jovem Malfoy também , encantado . Em que posso servi os ? Tenho que vos mostrar o que chegou hoje , a um preço muito razoável ... - Hoje não venho comprar , Mr._Borgin , e sim vender - afirmou Mr._Malfoy . - Vender ? - O sorriso apagou se lentamente em o rosto de Mr._Borgin . - Certamente ouviu dizer que o Ministério está a levar a cabo mais buscas - explicou o Mr._Malfoy , retirando de o bolso um rolo de pergaminho e desembrulhando o para Mr._Borgin o ler . - Eu tenho alguns , ah , artigos em casa que poderiam criar me problemas se o Ministério me batesse a porta . Mr._Borgin colocou em o nariz um par de * pince-nez * e olhou para a lista . - O Ministério não se lembraria de o incomodar certamente ... O lábio de Mr._Malfoy dobrou se . - Ainda não me fizeram nenhuma visita . O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito , mas o Ministério está a ficar cada_vez_mais intrometido . Há boatos sobre um novo decreto de protecção de os Muggles , sem dúvida que aquele mordido de as pulgas , adorador de os Muggles , que é o Arthur_Weasley deve estar por detrás de isso . Harry sentiu crescer a raiva . - E , como pode ver , alguns de estes venenos podiam dar a ideia ... - Compreendo perfeitamente , claro - disse Mr._Borgin . - Deixe me ver ... - Posso ter aquilo ? - interrompeu Draco , apontando para a mão raquítica que estava sobre a almofada . - Ah , a mão de a glória ! - exclamou Mr._Borgin , abandonando a lista de Mr._Malfoy e apressando se a responder a Draco . - Põe se lhe uma vela e ela só dá luz a quem a transporta ! A melhor amiga de os gatunos e de os salteadores , o seu filho tem gosto , senhor . - Espero que o meu filho venha a ser mais do_que gatuno ou salteador , Borgin - disse Mr._Malfoy friamente e Mr._Borgin respondeu logo : - Sem ofensa , senhor , sem querer ofender . - Embora , se as notas de a escola não melhorarem - disse Mr._Malfoy ainda mais friamente - esse possa vir a ser o único caminho possível para ele . - Não tenho culpa - retorquiu Draco . - Todos os professores têm os seus preferidos , aquela Hermione_Granger ... - Eu , em o teu lugar , teria vergonha que uma rapariga que nem_sequer pertence a famílias de feiticeiros , me passasse a a frente em todos os exames - interrompeu Mr._Malfoy . Ah - fez Harry baixinho , radiante por ver Draco atrapalhado e furioso . - É o mesmo em todo o lado - comentou Mr._Borgin em a sua voz untuosa . - O sangue de os feiticeiros conta cada_vez menos ... - Não para mim - afirmou Mr._Malfoy , com as longas narinas dilatadas . - Não senhor , nem para mim - concordou Mr._Borgin , inclinando se em uma vénia . - Em esse caso , talvez possamos voltar a a minha lista - disse Mr._Malfoy secamente . - Estou com alguma pressa , Borgin , tenho ainda hoje assuntos importantes a tratar em outro lado . Começaram a discutir os preços . Harry via nervosamente o Draco aproximar se de o seu esconderijo enquanto observava os objectos a a venda . Parou para examinar um enorme rolo de corda de carrasco e para ver , com um sorriso afectado , o cartão preso com um aparatoso laço de opalas onde podia ler se : * _ Cautela , não tocar . Amaldiçoado - reclama as vidas de dezanove donos , todos eles Muggles * . Draco voltou se e viu o armário mesmo em frente . Avançou , estendeu a mão para o puxador ... - Feito - disse Mr._Malfoy , a o balcão . - Vamos , Draco . Harry limpou a testa a a manga quando Draco se afastou . - Muito bom dia , Mr._Borgin . Espero por si amanhã em a mansão para ir buscar a mercadoria . Em o momento em que a porta se fechou , Mr._Borgin abandonou os seus modos subservientes . « Bom dia para o senhor , Mr._Malfoy , e , se as histórias que contam são verdadeiras , não me vendeu nem metade do_que tem escondido em a sua mansão ... » Murmurando de forma taciturna , Mr._Borgin desapareceu em uma sala escura . Harry esperou um minuto não fosse ele voltar e , em seguida , o mais silenciosamente possível , escapou se de o armário , passou por as caixas de vidro e saiu de a loja . Encostando os óculos partidos a o rosto , olhou em volta . Saíra em uma rua estreita e sombria que parecia composta exclusivamente de lojas dedicadas a as artes negras . Aquela de onde acabava de sair parecia ser a maior , mas em frente estava uma montra tétrica de cabeças encolhidas e duas portas abaixo podia ver se uma enorme caixa viva cheia de gigantescas aranhas pretas . Dois feiticeiros com aspecto pobre observavam o de a sombra de uma porta , murmurando entre si . Sentindo se nervoso , Harry pôs se a caminho , tentando agarrar os óculos a direito e não desistindo de a esperança de encontrar maneira de sair de ali . Por um cartaz de madeira , pendurado em a rua , indicando uma loja de venda de velas envenenadas , ficou a saber que se encontrava em a Rua * _ Bativolta * , mas isso não o ajudou pois Harry nunca ouvira falar em tal lugar . Calculou que não tinha pronunciado bem as palavras com a boca cheia de cinzas em a lareira de os Weasley . Tentando manter a calma perguntou a si mesmo o que havia de fazer . - Não estás perdido , pois não , meu menino ? - perguntou uma voz , mesmo junto de o seu ouvido , que o fez dar um salto . Uma bruxa idosa estava em a sua frente , segurando um tabuleiro de uma coisa que se parecia horrivelmente com unhas humanas . A mulher olhou o maldosamente , mostrando os dentes esverdeados . Harry recuou . - Estou bem , obrigado - disse . - Estou só ... - HARRY ! O qu'é que pensas que estás a fazer aqui ? O coração de Harry deu um salto , assim_como o de a bruxa . Um monte de unhas caíram lhe sobre os pés e ela praguejou , enquanto o corpo enorme de Hagrid , o guarda de os campos de Hogwarts , se aproximava de eles a passos largos com os olhos castanhos-escuros a faiscarem sobre a longa barba eriçada . - Hagrid - gritou Harry , aliviado . - Eu estava perdido ... o pó de Floo ... Hagrid agarrou Harry por o cachaço e puxou o para longe de a bruxa , tirando lhe o tabuleiro de as mãos . Os guinchos agudos de a feiticeira seguiram nos até a o fundo de a ruela serpenteante que ia dar a um lagar onde brilhava o sol . Harry avistou a a distância um edifício de mármore branco como a neve que lhe era familiar : o banco de Gringotts . Hagrid conduzira o até a a Diagon - _ Al . - ` _ tás em um péssimo estado ! - disse Hagrid bruscamente , sacudindo lhe a fuligem com tanta força que Harry quase caiu em um barril de estrume de dragão que se encontrava a a porta de um boticário . - A fugir , em a Rua * _ Bativolta * , eu não conheço esse lugar finório , Harry , não quero que ninguém te veja aqui em baixo . - Já percebi - disse Harry , baixando se quando Hagrid fez menção de o escovar melhor . - Já te disse que estava perdido . E o que é_que tu fazes aqui ? - ` _ Tou a a procura d'um repelente para as lesmas comedoras de legumes - resmungou Hagrid . - ` _ tão a destruir as couves todas de a escola . Tu não estás sozinho ? - Estou em casa de os Weasley , mas separámo nos explicou Harry . - Tenho que os encontrar . Desceram juntos a rua . - Por_que é_que nunca respondeste a as minhas cartas ? - perguntou Hagrid , enquanto Harry corria para o acompanhar ( tinha de dar três passos por cada enorme passada de Hagrid ) . Harry explicou lhe tudo sobre Dobby e os Dursleys . - Malditos_Muggles - rugiu Hagrid . - S'eu tivesse sabido ... - Harry ! Harry ! Aqui ! Harry olhou para_cima e viu Hermione_Granger em o topo de a escadaria de Gringotts . Desceu para vir a o encontro de ele , o cabelo castanho de caracóis , a esvoaçar atrás de ela . - O que aconteceu a os teus óculos ? Olá_Hagrid ... Oh , é maravilhoso ver vos outra_vez . Vens a Gringotts , Harry ? - Logo_que encontre os Weasley - respondeu ele . - Não vais ter d'esperar muito - riu se Hagrid . Harry e Hermione olharam em volta . Subindo a rua , em o meio de a multidão , vinham Ron , Fred , George , Percy e Mr._Weasley . - Harry - chamou Mr._Weasley , ofegante . - Tínhamos esperança que só tivesses ido um fogão mais longe ... - passou um pano em a sua calva reluzente . - A Molly está nervosíssima , aí vem ela . - Onde é_que tu saíste ? - perguntou o Ron . - Em a Rua * _ Bativolta * - disse o Hagrid , com um ar sério . - Sensacional ! - exclamaram Fred e George ao_mesmo_tempo . - Nunca nos deram autorização para lá ir - disse o Ron com uma pontinha de inveja . - E fizeram muito bem - grunhiu Hagrid . Mrs._Weasley chegou em aquele momento a correr , a mala a balouçar em uma de as mãos e Ginny quase pendurada em a outra . - Oh Harry , oh meu querido , podias ter ido parar a qualquer lugar ... Tentando recuperar o fôlego , tirou de a mala uma grande escova de roupa e começou a retirar a fuligem que Hagrid não conseguira expulsar . Mr._Weasley pegou em os óculos de Harry , deu lhes um toque de varinha e entregou lhe os como novos . - Bem , tenho de m'ir embora - disse Hagrid cuja mão estava a ser esmagada por Mrs._Weasley ( -- Rua * _ Bativolta * ! Se não o tivesses encontrado , Hagrid ! ) . - Vemo nos em Hogwarts . - E afastou se , os ombros e a cabeça acima de a multidão que enchia completamente a rua . - Adivinham quem eu vi em o Borgin and Burkes ? - perguntou Harry_a_Ron e a Hermione enquanto subiam as escadarias de Gringotts . - Malfoy e o pai . - O Lucius_Malfoy comprou alguma coisa ? - perguntou interessado Mr._Weasley que estava atrás de eles . - Não , estava a vender . - Então está preocupado - comentou Mr._Weasley com visível satisfação . - Ah , eu adorava apanhar o Lucius_Malfoy em alguma . . - Tem cuidado , Arthur - interrompeu Mrs._Weasley enquanto o gnomo porteiro lhes dava reverentemente entrada em o banco . - Isso é um problema de família . Não queiras ter mais olhos que barriga . - Queres dizer com isso que achas que eu não chego para o Malfoy ? - perguntou Mr._Weasley , indignado , mas foi rapidamente afastado de aqueles sentimentos a o avistar os pais de Hermione que estavam de pé , nervosamente encostados a o balcão que acompanhava a grande parede de mármore , a a espera que Hermione os apresentasse . - Mas vocês são Muggles ! - disse Mr._Weasley , encantado . - Temos de tomar uma bebida . O que é isso aí ? Ah , estão a trocar dinheiro de Muggle . Molly , olha - apontou cheio de excitação para as notas de dez libras que Mr._Granger tinha em a mão . - Encontramo nos aqui - disse Ron_a_Hermione , enquanto os Weasley e Harry eram conduzidos a os seus cofres em o subterrâneo de Gringotts . Para chegar a os cofres havia que tomar umas carrinhas conduzidas por gnomos que se deslocavam ao_longo_de carris de comboio de pequenas dimensões através de os túneis subterrâneos de o banco . Harry gostou de a viagem acidentada até a o cofre de os Weasley , mas sentiu se bastante mal , pior do_que em a Rua * _ Bativolta * , quando o cobre foi aberto . Havia lá dentro um pequenino monte de Leões de prata e apenas um Galeão de ouro . Mrs._Weasley foi com a mão a a procura em os cantos antes de , com um gesto rápido , varrer tudo para dentro de o saco . Harry sentiu se ainda pior quando chegaram a o seu cofre . Tentou evitar que vissem o conteúdo enquanto empurrava apressadamente mãos cheias de moedas para dentro_de uma sacola de cabedal . Lá fora , em as escadarias de mármore , separaram se . Percy murmurou vagamente que precisava de uma nova pena de escrever . Fred e George tinham avistado um amigo de Hogwarts , Lee_Jordan . Mrs._Weasley e Ginny iam a uma loja de mantos em segunda mão , Mr._Weasley continuava a insistir em levar os Grangers a o Caldeirão_Escoante para lhes pagar uma bebida . - Encontrarmo nos todos em a Flourish and Blotts dentro_de uma hora para comprar os vossos livros de estudo - disse Mrs._Weasley , afastando se com Ginny . - E nem um passo em direcção a a Rua * _ Bativolta * - gritou a os gémeos que estavam de costas . Harry , Ron e Hermione deambularam por a rua empedrada e sinuosa . O ouro , prata e bronze que tilintavam alegremente em o saco que Harry tinha em o bolso pareciam exigir ser gastos , por isso ele comprou três enormes gelados de morango e manteiga de amendoim que eles devoraram felizes enquanto vagueavam sem destino por a rua fora , observando as montras fantásticas de as lojas . Ron olhou longamente para um conjunto completo de mantos de o Chudley_Cannon , em as montras de o « Equipamento_de_Quidditch_de_Qualidade » até Hermione o arrastar de ali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos . Em a « Jogos_de_Feitiçaria_de_Gambol and Japes » encontraram o Fred , o George e o Lee_Jordan que estavam presos em a fabulosa partida debaixo_de chuva e em os fogos-de-artifício de o Dr._Filibuster . E em uma pequenina loja de velharias cheia de varinhas partidas , balanças instáveis de latão e mantos velhos cobertos de nódoas de poções encontraram Percy profundamente concentrado em um pequenino livro , bastante chato , chamado * _ Prefeitos que conquistam o poder * . - * _ Um estudo sobre os prefeitos de Hogwarts e as suas posteriores carreiras * - leu alto o Ron em a contracapa . - Deve ser fascinante ... - Desaparece - gritou Percy . - Claro , ele é muito ambicioso , já tem tudo planeado . Quer ser ministro de a magia - disse o Ron baixinho a o Harry e a a Hermione , enquanto deixavam Percy entregue a o livro . Uma hora mais tarde dirigiram se a a Flourish and Blotts . Não eram de modo algum os únicos a encaminhar se para a livraria . À_medida_que se aproximavam viram com grande surpresa uma grande multidão a a porta , tentando entrar em a loja . O motivo de tal confusão estava anunciado em um cartaz que se estendia a o longo de a montra superior . GILDEROY_LOCKHART_Assinará exemplares de a sua autobiografia " eu , o mágico " Hoje 12.30 - 16.30 - Vamos poder conhecê o ! - gritou Hermione . - Quero dizer , ele escreveu quase todos os livros de a nossa lista ! A multidão parecia ser maioritariamente composta por bruxas de a idade de Mrs._Weasley . Um feiticeiro bem-parecido estava de pé junto de a porta , dizendo : - Calma , minhas senhoras , não empurrem , cuidado com os livros . Harry , Ron e Hermione conseguiram furar e entrar . Uma longa fila serpenteava para as traseiras de a loja onde Gilderoy_Lockhart estava a assinar os seus livros . Cada_um de eles pegou em um exemplar de * _ ensinamentos de Uma Fada_Carpideira * e escaparam se de a fila indo ter a o lugar onde se encontravam os outros com Mr. e Mrs._Granger . - Ah , aí estão vocês . _ óptimo - disse Mrs._Weasley que parecia estar com falta de ar e não parava de mexer em o cabelo . - Vamos poder vês o dentro_de um minuto . Gilderoy_Lockhart veio lentamente até um lugar onde era visível para todos , sentou se a uma mesa , rodeado de grandes fotografias de o próprio rosto , todo ele sorrisos , mostrando a a multidão o brilho cintilante de os seus dentes . Lockhart usava uma túnica azul-noite que condizia a as mil maravilhas com a cor de os olhos , o chapéu pontiagudo de feiticeiro colocado lateralmente sobre o cabelo ondulado . Um homenzinho pequenino e irritante andava a dançar de um lado para o outro , tirando fotografias com uma grande máquina preta que lançava baforadas de fumo arroxeado em cada * flash * . - Sai de o caminho , tu aí - disse rispidamente a o Ron , mudando de lugar para ter um angulo melhor . - Este é para o * _ Profeta_Diário * . - Grande coisa ! - exclamou o Ron , esfregando os pés em o lugar que o fotógrafo pisara . Gilderoy_Lockhart ouviu o . Olhou , viu o Ron e em seguida Harry . Voltou a olhar , desta_vez com mais atenção . Em seguida , pôs se de pé e gritou : - Não pode ser , o Harry_Potter ? A multidão dividiu se entre murmúrios de excitação . Lockhart aproximou se , agarrou Harry por um braço e levou o para a frente . A multidão rebentou em aplausos . A cara de Harry ardia quando Lockhart lhe apertou a mão para o fotógrafo que disparava como um louco , lançando fumo espesso para_cima de os Weasley . - Belo sorriso , Harry - disse Lockhart através de os seus dentes brilhantes . - Tu e eu juntos merecemos a primeira página . Quando por fim lhe largou a mão , Harry quase não sentia os dedos . Tentou recuar para junto de os Weasley , mas Lockhart lançou lhe um braço por os ombros e prendeu o a o seu lado . - Minhas senhoras e meus senhores - disse bem alto , fazendo sinal para que se acalmassem . - Que momento extraordinário este ! O momento perfeito para eu anunciar algo que tenho vindo a guardar comigo desde_há algum tempo . - Quando o jovem Harry entrou em a Flourish and Blotts hoje , ele queria apenas comprar a minha autobiografia , que tenho agora o maior prazer em oferecer lhe - a multidão aplaudiu de_novo . - Ele não tinha ideia - continuou Lockhart , dando a o Harry um pequeno encontrão que fez com que os óculos lhe escorregassem para a ponta de o nariz - de que ia conseguir em_breve muito mais do_que o meu livro Eu , o mágico . Ele e os seus colegas de a escola vão receber , de facto , o verdadeiro * _ Eu , o mágico * . Sim , minhas senhoras e meus senhores , tenho o maior prazer em anunciar que em o mês_de_Setembro assumirei o lugar de professor de Defesa contra as artes negras em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts ! A multidão aplaudiu e bateu palmas e Harry deu consigo a ser presenteado com a obra completa de Gilderoy_Lockhart . Cambaleando ligeiramente sob o peso de os livros conseguiu abrir caminho para longe de os projectores até a a porta de a sala onde estava Ginny com o seu novo caldeirão . - Podes ficar com estes - murmurou Harry , enfiando os livros em o caldeirão . - Eu vou comprar os meus . - Aposto que adoraste aquilo , não adoraste , Potter ? - disse uma voz que Harry não teve qualquer dificuldade em reconhecer . Endireitou se e deu consigo frente_a_frente com Draco_Malfoy que exibia o seu habitual sorriso escarninho . - O famoso Harry_Potter - disse Malfoy . - Nem_sequer pode entrar em uma livraria sem se tornar primeira página . - Deixa o em paz , ele não queria nada de isso - defendeu a Ginny . Era a primeira vez que falava em frente de Harry . Olhava para Malfoy com um ar feroz . - Potter , arranjaste uma namorada ! - disse arrastadamente Malfoy . Ginny ficou vermelha como um pimentão enquanto Ron e Hermione tentavam abrir caminho , ambos carregando montes de livros de Lockhart . -- Ah és tu ? - disse Ron , olhando para Malfoy como_se ele fosse algo desagradável colado a a sola de o sapato . - Aposto que te surpreendeu ver o Harry aqui ? - Não tanto como a ti em uma loja , Weasley - retorquiu Malfoy . - Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo . Ron ficou tão vermelho quanto Ginny . Deixou também cair os livros em o caldeirão e avançou para Malfoy , mas Harry e Hermione agarraram o por as costas de o casaco . - Ron - disse Mrs._Weasley , aproximando se com Fred e George . - O que estás a fazer ? Isto está uma loucura aqui dentro , vamos lá para fora . - Olha quem ele é , Arthur_Weasley . - Era_Mr._Malfoy . Estava de pé com a mão sobre o ombro de Draco , com o mesmo sorriso escarninho . -- Lucius - disse Mr._Weasley , acenando friamente . -- Muito trabalho em o ministério , segundo me consta - disse Mr._Malfoy . - Todas essas buscas ... espero que te estejam a pagar horas extraordinárias . Meteu a mão em o caldeirão de a Ginny e tirou de o meio de os livros de Lockhart um exemplar muito velho e muito gasto de o * _ Guia_de_Transfiguração_para_Principiantes * . - Parece que não - disse . - Que diabo , qual a vantagem de ser uma nódoa entre os feiticeiros se nem_sequer te pagam bem por isso ? Mr._Weasley corou mais ainda do_que Ron ou Ginny . - Nós temos uma opinião diferente sobre quem são as nódoas entre os feiticeiros - disse . - É claro que ... - disse Mr._Malfoy , os olhos mortiços passando para Mr. e Mrs._Granger apreensivamente . - As companhias com quem tu andas ... e eu que pensava que já não conseguias descer mais baixo ... Ouviu se um tilintar de metal quando o caldeirão de a Ginny foi por os ares . Mr._Weasley lançara se sobre Mr._Malfoy atirando o para dentro_de uma estante . Dezenas_de livros de feitiços saltaram lá de cima , caindo lhes sobre as cabeças . Houve um grito de - Chega lhe , pai ! - de o Fred e de o George . Mrs._Weasley soltava gritos agudos : - Não_Arthur , não . A multidão recuava deitando mais prateleiras a o chão . - Meus senhores , por favor - gritava o encarregado , e então , mais alto do_que todos : - Parem com isso , gente , parem com isso . Hagrid aproximava se através_de um mar de livros . Em um segundo afastou Mr._Weasley e Mr._Malfoy . Mr._Weasley tinha um lábio cortado e Mr._Malfoy fora agredido em um olho por uma * _ Enciclopédia_de_Cogumelos_Venenosos * . Tinha ainda em a mão o livro velho de a Ginny sobre transfiguração . Atirou lhe o , com os olhos a brilhar de malvadez . - Toma o teu livro , garota . É o melhor que o teu pai pode oferecer te . Libertando se de Hagrid , conduziu Draco para fora e abandonaram a livraria . - Devias tê o ignorado , Arthur - disse Hagrid quase a pegar em Mr._Weasley a o colo enquanto lhe endireitava o manto . - São podres até a a raiz , todos eles . Tod'à gente sabe . Nenhum Malfoy vale a pena ser ouvido . Não prestam , ' tá-lhes em o sangue . Vá lá , vamos sair de aqui . O encarregado parecia querer impedis os , mas , olhando bem para Hagrid , pensou melhor . Subiram a rua , os Grangers a tremer de medo e Mrs._Weasley fora de si . - Um belo exemplo para as crianças ... andar a a pancada em público . O que terá pensado Gilderoy_Lockhart ? - Ele gostou - disse o Fred . - Não o ouviram quando ia a sair ? Estava a perguntar a aquele tipo de o Profeta_Diário se conseguia incluir a briga em a reportagem , disse que era boa publicidade . Mas foi um grupo deprimido que regressou a a lareira de o Caldeirão_Escoante onde Harry , os Weasley e todas_as suas compras iriam viajar de volta até a a Toca , usando o pó de Floo . Despediram se de os Grangers que iam sair de o * pub * por a rua de os Muggles , de o outro lado . Mr._Weasley começou a perguntar lhes como funcionavam as paragens de autocarros , mas calou se rapidamente a o ver a expressão de Mrs._Weasley . Harry tirou os óculos e guardou os cautelosamente em o bolso antes de utilizar o pó de Floo . Definitivamente não era a sua forma ideal de viajar . V_O salgueiro zurzidor O fim de as férias de Verão chegou demasiado depressa para o gosto de Harry . Ele desejara muito regressar a Hogwarts , mas aquele mês em a Toca tinha sido o mais feliz de toda_a sua vida . Era difícil não invejar o Ron quando pensava em os Dursleys e em as boas-vindas que ia receber de a próxima vez que pusesse os pés em Privet_Drive . Em a última noite , Mrs._Weasley preparou um jantar magnífico , que incluía os pratos favoritos de Harry e terminava com um pudim de melaço de fazer crescer água em a boca . Fred e George alegraram a noite com uma exibição de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que saltaram de o tecto para as paredes , durante pelo_menos meia_hora . Depois , foi a altura de tomarem uma caneca de chocolate quente e irem para a cama . Em a manhã seguinte , demoraram muito_tempo a preparar se . Levantaram se com o cantar de o galo , mas parecia lhes que ainda tinham muito para fazer . Mrs._Weasley andava de um lado para o outro , mal-humorada , a a procura de meias e penas , chocavam uns com os outros em as escadas , meio vestidos , meio despidos , com pedaços de torrada em as mãos e Mr._Weasley quase partiu o nariz quando tropeçou em uma galinha a o atravessar o pátio , para meter em o carro a mala de Ginny . Harry não percebia lá muito bem_como é_que oito pessoas , seis grandes malas , duas corujas e um rato , iam caber em um pequeno * _ Ford_Anglia * , isso , claro , antes de as artes mágicas que Mr._Weasley acrescentara . - Nem uma palavra a a Molly - murmurou ele a o Harry , enquanto abria a bagageira e lhe mostrava como ela se expandira para que as malas coubessem facilmente . Quando , por fim , se acomodaram todos em o carro , Mrs._Weasley olhou para o banco de trás , onde Harry , Ron , Fred , George e Percy estavam confortavelmente sentados uns a o lado de os outros e disse : - Os Muggles têm mais conhecimentos do_que aqueles que nós lhes atribuímos , não achas ? - Ela e a Ginny entraram para o lugar de a frente , que fora esticado e parecia um banco de jardim . - Quer_dizer , de_fora ninguém diria que este carro era espaçoso , não acham ? Mr._Weasley pôs o motor a funcionar e saíram de o pátio , Harry voltando se para trás para ver por a última vez a casa . Mal teve tempo de se questionar se iria voltar alguma vez e já estavam de volta : George esquecera se de a caixa de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Cinco minutos mais tarde tiveram de interromper de_novo a viagem e voltar a o pátio para o Fred ir a correr buscar a vassoura . Estavam quase a chegar a a auto-estrada , quando Ginny guinchou que se esquecera de o diário . Mas estava a fazer se muito tarde e os ânimos começavam a exaltar se . Mr._Weasley olhou para o relógio e , em seguida , para a mulher . - Molly , querida ... - Não , Arthur . - Ninguém ia ver . Este botãozinho é um transformador de invisibilidade que eu instalei , levava nos por o ar , subíamos acima de as nuvens . Estaríamos lá em dez minutos e ninguém daria por nada ... - Eu disse que não , Arthur . Durante o dia , não . Chegaram a King's_Cross , faltava um quarto para as onze . Mr._Weasley precipitou se em busca de um carrinho de transporte para as malas e correram todos para a estação . Harry apanhara o Expresso_de_Hogwarts em o ano anterior . A parte mais difícil era entrar em a plataforma nove_e_três quartos , que não era visível a os olhos de os Muggles . Era preciso avançar para a barreira sólida que dividia as plataformas nove e dez . Não doía nada , mas tinha de ser feito com cuidado para que nenhum de os Muggles de esse , por o desaparecimento . - O Percy em primeiro lugar - declarou Mrs._Weasley , olhando nervosamente para o relógio lá em cima , que mostrava que tinham apenas cinco minutos para desaparecer através de a barreira . Percy avançou a passos largos e desapareceu . Mr._Weasley foi a seguir e depois de ele Fred e George . - Eu levo a Ginny e vocês vêm atrás_de nós - disse Mrs._Weasley a o Harry e a o Ron , agarrando Ginny pela mão e seguindo em frente . Em um abrir e fechar de olhos , tinham passado . - Vamos passar juntos , só temos um minuto - disse Ron a o Harry . Harry assegurou se de que a gaiola de a Hedwig estava bem fixa em cima de a sua mala e empurrou o carrinho de encontro a a barreira . Estava perfeitamente confiante , aquilo era muito mais fácil do_que usar o pó de Floo . Puseram os dois as mãos em o puxador de os carrinhos e avançaram direitos a a barreira , ganhando velocidade . A um metro e pouco , começaram a correr e ... CRASH . Os dois carros bateram em a barreira e foram impelidos para trás . A mala de o Ron caiu com um enorme estrépito . Harry desequilibrou se e a gaiola de a Hedwig foi parar a o chão brilhante , enquanto ela rolava guinchando , indignada . As pessoas em volta olhavam fixamente e um guarda que estava ali perto gritou : - Que diabo pensam vocês que estão a fazer ? - Perdemos o controlo de o carro de transporte - respondeu o Harry , respirando com dificuldade , agarrando se a as costelas , enquanto se punha de pé . Ron correu a agarrar a Hedwig , que estava a fazer uma cena tal , que já se ouviam murmúrios em a multidão sobre a crueldade para com os animais . - Porque é_que não conseguimos passar ? - perguntou Harry a o Ron em um sussurro . - Não sei . Ron olhou descontroladamente em volta . Uma_dúzia de curiosos estavam ainda a observá os . - Vamos perder o comboio - murmurou o Ron . - Não compreendo porque motivo a cancela se fechou . Harry olhou para o relógio gigantesco com um sentimento de náusea em a boca de o estômago . Dez segundos , nove segundos ... Dirigiu o carrinho de transporte para a frente com toda_a força . O metal manteve se sólido . Três segundos ... dois segundos ... um segundo ... - Partiu - afirmou o Ron , que parecia estonteado . - O comboio foi se embora . E se a mãe e o pai não conseguem voltar para aqui ? Tens algum dinheiro de Muggle ? Harry deu uma gargalhada . - Os Dursleys não me dão um tostão há mais de seis anos ! Ron encostou o ouvido a a barreira . - Não se ouve nada - disse , bastante tenso . - O que vamos nós fazer ? Não sei quanto tempo o pai e a mãe vão demorar . Olharam em volta . As pessoas ainda estavam a observá os , principalmente devido a os contínuos guinchos de a Hedwig . - Acho que o melhor é sairmos de aqui e esperamos por eles junto de o carro - disse Harry . - Aqui estamos a atrair demasiado as aten ... - Harry - disse o Ron , com os olhos a brilhar . - É isso , o carro . - O que é_que tem ? - Podemos voar nele até Hogwarts ! - Mas eu pensei ... - Estamos em apuros , certo ? E temos de chegar a a escola , ou não ? E mesmo os feiticeiros menores de idade estão autorizados a usar a magia em uma emergência real , parágrafo dezanove , ou não sei quê , de a Restrição de ... O sentimento de pânico de Harry transformou se em entusiasmo . - E tu sabes voar nele ? - Não há problema - disse o Ron , andando com o carrinho a a volta e dirigindo se para a saída . - Anda de aí . Se em os apressarmos , conseguiremos sair atrás de o Expresso_de_Hogwarts . E afastaram se de o grupo de Muggles curiosos , abandonando a estação e voltando a a rua , onde o velho * _ Ford_Anglia * se encontrava estacionado . Ron abriu a bagageira com uma série de toques de varinha . Meteram lá dentro as malas , puseram a Hedwig em o assento de trás e entraram para a frente . - Verifica se ninguém está a ver - disse o Ron , ligando a ignição com outro toque de varinha . Harry pôs a cabeça fora de a janela : o trânsito enchia a avenida principal , mas a rua de eles estava vazia . - O. _ K. - disse . Ron carregou em um pequeno botão de o painel . Os carros em volta desapareceram assim_como eles . Harry sentia o assento a vibrar debaixo_de si , ouvia o motor , sentia as mãos sobre os joelhos e os óculos em o nariz , mas , tanto quanto conseguia ver , tornara se um par de olhos redondos flutuando um metro e pouco acima de o chão em uma rua suja , cheia de carros estacionados . - Vamos - disse a voz de o Ron , vinda de o seu lado direito . O chão e os prédios escuros de ambos os lados desapareceram de o seu ângulo de visão , mal o carro se elevou . Em poucos segundos toda_a cidade de Londres , enevoada e resplandecente , estava por baixo de eles . Em seguida , ouviu se um ruído que parecia o saltar de uma rolha e o carro , Harry e Ron , reapareceram . - Oh , oh - disse Ron , batendo em o intensificador de invisibilidade . - Está avariado ... Começaram os dois a bater em o botão . O carro desapareceu . Depois surgiu de forma intermitente . - Aguenta aí - gritou o Ron e carregou com o pé em o acelerador . Saltaram direitinhos para o meio de as nuvens mais baixas e tudo ficou sujo e enevoado . - E agora ? - exclamou Harry , piscando os olhos a a sólida massa de nuvens que os comprimia de todos os lados . - Precisamos de avistar o comboio para sabermos qual a direcção a tomar - explicou o Ron . - Desce rapidamente ... Desceram por o meio de as nuvens e voltaram se em os lugares , espreitando . - Estou a vê o - gritou Harry . - Mesmo em frente , ali . O Expresso_de_Hogwarts deslocava se a grande velocidade lá em baixo , como uma serpente vermelha . - Para Norte - disse o Ron , verificando a bússola de o painel . - O. _ k . , basta que verifiquemos de meia em meia_hora . Aguenta aí ... - e arrancaram por o meio de as nuvens . Em o minuto seguinte , tinham chegado a a luz brilhante de o Sol . Era um mundo diferente . Os pneus de o carro deslizavam sobre o mar de nuvens macias , o céu era de um azul infinito sob a luz , capaz de cegar , que irradiava de o Sol . - Agora só temos de nos preocupar com os aviões - disse o Ron . Olharam um para o outro e desataram a rir . Durante muito_tempo não conseguiram parar . Era como_se tivessem mergulhado em um sonho fabuloso . Aquela , pensou Harry , era certamente a única maneira de viajar : passando por turbilhões e torres de nuvens cor de neve , em um carro cheio de calor , o sol radioso , com um grande pacote de rebuçados em o porta-luvas e antegozando o ar de inveja de o Fred e de o George quando aterrassem suavemente e de forma espectacular em o relvado macio em frente de o castelo de Hogwarts . Espreitaram várias vezes o comboio enquanto voavam cada_vez_mais para norte . Cada descida entre as nuvens dava lhes uma perspectiva diferente . Londres depressa ficou para trás , substituída por campos verdejantes que , por sua vez , deram lugar a grandes pântanos arroxeados , aldeias com pequenas igrejas de brinquedo e uma grande cidade , cheia de vida , com carros que pareciam formigas multicores . Várias horas mais tarde sem acontecer nada de_novo , Harry teve de admitir que uma parte de o entusiasmo se esgotara . Os rebuçados tinham nos deixado cheios de sede e não havia nada para beber . Ele e o Ron tinham tirado as camisolas , mas a * _ T-shirt * de o Harry estava colada a as costas de o assento e os óculos não paravam de lhe escorregar para a ponta de o nariz . Deixara de reparar em as fabulosas formas de as nuvens e pensava com saudade em o comboio , milhas abaixo de eles , onde se podia comprar sumo fresquinho de abóboras em um carro empurrado por uma bruxa gordinha . Porque não teriam conseguido entrar em a plataforma nove_e_três quartos ? - Não pode ser muito mais longe , pois não ? - resmungou o Ron , horas mais tarde quando o Sol começava a enfiar se em o seu chão de nuvens , pintando as de um rosa profundo . - Estás pronto para outra espreitadela a o comboio ? Ainda ia mesmo por baixo de eles , abrindo caminho por_entre uma montanha com o topo coberto de neve . Estava muito mais escuro entre o dossel de nuvens . Ron pôs o pé em o acelerador e levou os de_novo para_cima , mas em esse momento o motor começou a chiar . Harry e Ron trocaram entre si olhares nervosos . - Deve estar só cansado - disse o Ron . - Nunca tinha vindo tão longe ... - E fingiram ambos que não davam por o gemido que se ia tornando maior à_medida_que o céu serenamente escurecia . As estrelas desabrochavam em a escuridão , Harry voltou a enfiar a camisola de lã , tentando ignorar os limpa pára-brisas que acenavam debilmente como_que a protestar . - Não devemos estar longe - disse Ron , dirigindo se mais a o carro do_que a o amigo . - Já não devemos estar longe - deu umas palmadinhas nervosas em o * tablier * . Pouco depois , quando voltaram a voar em o meio de as nuvens , tiveram de olhar de lado em a escuridão , em busca de um ponto de referência que conhecessem . - Ali - gritou Harry , fazendo o Ron e a Hedwig darem um salto . - Mesmo em frente . Recortados em o horizonte negro , sobre o rochedo de o outro lado de o lago , erguiam se as torres e torreões de o castelo de Hogwarts . Mas o carro tinha começado a estremecer e perdia a os poucos velocidade . - Vá lá - disse o Ron , dando a o volante um pequeno abanão bajulador . - Estamos quase a chegar , vá lá ... O motor gemeu . Pequenos jactos de vapor de água brotaram de o capo . Harry deu consigo agarrado com toda_a força a os bordos de o assento enquanto voavam direitos a o lago . O carro deu um solavanco feio . Espreitando por a janela , Harry viu a superfície negra , macia e espelhada de a água cerca de uma milha abaixo de eles . Os dedos de o Ron agarrados a o volante tinham as articulações brancas . O carro deu um novo esticão . - Vá lá - murmurou o Ron . Estavam sobre o lago ... o castelo ficava mesmo em frente . Ron fez força com o pé . Houve um ruído surdo , uma crepitação e o motor morreu por completo . - Oh ! oh ! - gemeu Ron em o silêncio . O nariz de o carro voltou se para baixo . Estavam a cair , ganhando velocidade em direcção a os muros sólidos de o castelo . - Naaaaão ! - gritou o Ron , girando o volante . Escaparam a a muralha de pedra negra por centímetros , quando o carro fez um grande arco , planando primeiro sobre as estufas , depois sobre o rectângulo plantado com vegetais e , por fim , sobre os relvados , perdendo sempre velocidade . Ron largou o volante por completo e tirou a varinha de o bolso de trás . - __ pára ! __ pára ! - gritou , batendo em o * tablier * e em o pára-brisas , mas eles continuavam a mergulhar , o chão a voar em direcção a eles . - : __ cuidado com essa __ árvore ! ! ! - bramiu Harry , deitando a mão a o volante , mas ... tarde de mais ... CRUNCH . Com um ruído ensurdecedor de metal e madeira , bateram em o tronco espesso de a árvore e caíram em o chão com um forte solavanco . O vapor era um mar debaixo de o capo amachucado . A Hedwig tremia apavorada . Em a cabeça de Harry surgira um alto de o tamanho de uma bola de golfe , quando ele batera em o pára-brisas , tombando em seguida para a direita . Ron soltou um gemido longo e desesperado . - Estás O. _ K ? - perguntou Harry , aflito . - A minha varinha - disse o Ron em uma voz trémula . - Olha para a minha varinha . Tinha se partido praticamente em duas , a ponta balouçava mole , presa por meia_dúzia de esquírolas . Harry abriu a boca para dizer que em a escola com certeza conseguiriam consertá a , mas nem chegou a começar a frase . Em esse preciso momento , algo bateu em o seu lado de o carro , com a força de um touro , projectando o para_cima de o Ron , ao_mesmo_tempo que um golpe igualmente forte se sentiu em o capô . - O que está a acontec ... Ron arfou , olhando fixamente por o pára-brisas e Harry olhou em volta , mesmo a_tempo_de ver uma ramada espessa como uma píton vir contra o vidro . A árvore em que tinham batido estava a atacá os . O tronco dobrara se quase a meio e os seus galhos rugosos davam uma tareia a cada centímetro de o carro que conseguiam atingir . - Ah ! - praguejou o Ron , quando outra pernada retorcida esmurrou a sua porta , amolgando a . O pára-brisas tremia agora sob uma saraivada de golpes vindos de galhos que pareciam patas de animais e uma ramada espessa como um aríete esmagava furiosamente o capo , que parecia estar a ceder ... - Corre ! - gritou o Ron , lançando o seu peso contra a porta , mas , em o momento seguinte , tinha sido atirado para trás , para o colo de Harry por um soco maldoso , dado de baixo para_cima , por outro ramo . - Estamos feitos ! - resmungou , enquanto o tecto descaía . Mas , de repente , o chão de o carro estava a vibrar , o motor pegara . - Marcha atrás - gritou o Harry e o carro deu um salto para trás . A árvore tentava ainda agredis os , ouviam as raízes chiar , enquanto quase se partiam esticando se para os alcançar . - Escapámos por_pouco ! - exclamou o Ron . - Muito bem , carro . Mas o carro tinha atingido o limite de as suas forças . Com dois estalidos , as portas abriram se e Harry sentiu o seu assento inclinar se para o lado . Quando deu por si , estava estatelado em o chão húmido . Ruídos surdos avisaram o de que o carro estava a ejectar as malas de a bagageira . A gaiola de a Hedwig voou por os ares e abriu se . Ela saiu a voar com um pio furioso e dirigiu se a o castelo , sem sequer olhar para trás . Em seguida , o carro , amolgado , arranhado e a fumegar , arrancou em o escuro , com os faróis traseiros ardendo de fúria . - Volta aqui ! - gritou o Ron , brandindo a varinha partida . - O meu pai mata me . Mas o carro desapareceu a perder de vista , com um último estoiro de o tubo de escape . - Já viste bem o nosso azar ! ? - exclamou o Ron em o meio de a sua infelicidade , baixando se para apanhar o rato Scabbers . - De todas_as árvores em que podíamos ter batido , tínhamos de ir dar a uma que bate também . Olhou por cima de o ombro para a velha árvore que ainda agitava os ramos ameaçadoramente . - Vamos - disse Harry , fatigado . - É melhor irmos andando para a escola ... Não foi , de modo algum , a chegada triunfal que tinham imaginado . Constrangidos , cheios de frio e magoados , pegaram em as malas e começaram a arrastá as por o relvado acima , em direcção a as grandes portadas de carvalho . - Acho que o banquete já começou - disse o Ron , largando a mala em os degraus de a entrada e atravessando devagarinho para espreitar por uma janela iluminada . - Harry , anda ver , é a distribuição . Harry apressou se e os dois , ele e o Ron , espreitaram para o Salão_Nobre . Um número infindável de velas pairava em o ar , sobre quatro mesas enormes cheias de gente , fazendo brilhar os pratos dourados e as taças . Em cima , o tecto encantado que espelhava o céu lá de_fora , brilhava cheio de estrelas . Por_entre a floresta de chapéus pretos pontiagudos de Hogwarts , Harry viu uma longa fila de alunos de o primeiro ano com olhares assustados que enchia o vestíbulo . Ginny estava entre eles , facilmente reconhecível devido a o seu chamativo cabelo Weasley . Enquanto isso , a professora Mc_Gonagall , uma bruxa de óculos com cabelo castanho apanhado em um carrapito , colocava o famoso chapéu seleccionador em um banco que se encontrava em frente de os novos alunos . Todos os anos , aquele velho chapéu , remendado , puído e cheio de pó , seleccionava alunos para as quatro equipas de Hogwarts ( Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin ) . Harry lembrava se bem de o ter colocado em a cabeça , precisamente um ano antes , e ter esperado petrificado por a sua decisão , enquanto ele lhe murmurava a o ouvido . Durante alguns horríveis segundos receara que o chapéu o mandasse para os Slytherin , a equipa que produzia maior número de feiticeiros e feiticeiras de magia negra , mas acabara por ficar em os Gryffindor , juntamente com Ron e Hermione e o resto de os Weasley . Em o último período , Harry e Ron tinham ajudado os Gryffindor a vencer o campeonato de a equipa , batendo os Slytherin pela_primeira_vez em sete anos . Um rapazito baixinho com cabelo de rato acabava de ser chamado para pôr o chapéu em a cabeça . Os olhos de Harry saltavam de ele para o lugar onde o professor Dumbledore , o director , estava sentado , observando a selecção de a mesa de os professores , com a sua longa barba cor de prata e óculos de meia-lua que brilhavam a a luz de as velas . Alguns lugares a a frente , Harry viu Gilderoy_Lockhart com um manto verde-azulado . E lá bem a o fundo estava Hagrid , enorme e cabeludo , bebendo satisfeito de a sua taça . - Espera aí - murmurou a o Ron . - Há um lugar vazio em a mesa de os professores . Onde estará o Snape ? Severus_Snape era o professor de quem Harry menos gostava . Harry era também o seu aluno menos querido . Cruel , sarcástico e detestado por todos com excepção de os alunos de a sua própria equipa ( Slytherin ) , Snape tinha a seu cargo a cadeira de Poções . - Talvez esteja doente - sugeriu Ron , cheio de esperança . - Talvez se tenha ido embora - lembrou Harry . - Por não lhe terem dado outra_vez a Defesa contra as artes negras . - Ou talvez tenha sido corrido - propôs Ron com entusiasmo . - Afinal , toda_a_gente o detesta ... - Ou talvez - disse uma voz gelada atrás de eles - esteja a a espera que vocês lhe expliquem por_que motivo não vieram em o comboio de a escola . Harry deu uma volta . Em a sua frente , com o manto negro a ondular em uma brisa fria , estava Severus_Snape . O professor era um homem magro , de pele descorada , nariz adunco e um cabelo preto oleoso que lhe caía sobre os ombros . E em aquele momento sorria de um modo tal que Harry sentiu que tanto ele como Ron estavam em sérios apuros . - Sigam me - disse Snape . Sem ousarem sequer olhar um para o outro , Harry e Ron seguiram Snape por as escadas até a o amplo * hall * de entrada que estava iluminado por as chamas de os archotes . De o salão nobre vinha um cheirinho delicioso a comida , mas Snape levou os para longe de a luz e de o calor , em direcção a uma escada estreita de pedra que conduzia a os calabouços . - Entrem - ordenou , abrindo uma porta a meio de o corredor e apontando . Entraram a tremer em o escritório de Snape . As paredes sombrias estavam cobertas de prateleiras cheias de jarros de vidro grosso onde flutuavam as coisas mais diversas e repugnantes , cujo nome Harry não queria de momento conhecer . A lareira estava escura e vazia . Snape fechou a porta e voltou se de frente para eles . - Com que então - disse com falsa suavidade - o comboio não serve para o famoso Harry_Potter e o seu fiel companheiro Weasley . Queriam chegar em grande estilo , não era rapazes ? - Não senhor , foi a barreira em King's_Cross , ela ... - Silêncio - disse Snape friamente . -- _ o que fizeram a o carro ? Ron engoliu em seco . Aquela não era a primeira vez que Snape dava a Harry a impressão de ser capaz de ler pensamentos . Mas , pouco depois , compreendeu tudo quando Snape desenrolou o exemplar de o Profeta_Vespertino . - Vocês foram vistos - afirmou , mostrando lhes o cabeçalho : : __ ford anglia voador confunde __ muggles . Começou a ler alto a notícia . - Dois Muggles em Londres convenceram se de que tinham visto um carro velho a voar sobre a torre de os correios ... a a tardinha em Norfolk , Mrs._Hetty_Bayliss , enquanto pendurava a roupa ... Mr._Angus_Fleet_de_Peebles informou a polícia ... seis ou sete Muggles a o todo . Julgo que o teu pai trabalha em o departamento de mau uso dado a os objectos de os Muggles ? - disse olhando para Ron e sorrindo de uma forma ainda mais sarcástica . - Que peninha , o próprio filho ... Harry sentiu se como_se tivesse levado um soco em o estômago de uma de as maiores pernadas de a árvore louca . E se alguém descobrisse que Mr._Weasley tinha enfeitiçado o carro ? Ele ainda nem tinha pensado em isso . - Reparei durante a minha volta por o jardim que foi feito um estrago considerável em um salgueiro zurzidor extremamente valioso - continuou Snape . - Essa árvore fez nos pior a nós do_que nós ... - deixou escapar Ron . - Silêncio - interrompeu Snape , de_novo . - Infelizmente vocês não fazem parte de a minha equipa e a decisão de vos expulsar não está em as minhas mãos . Vou , por isso , buscar as pessoas que possuem essa feliz possibilidade . Esperem aqui . Harry e Ron olharam , pálidos , um para o outro . Harry perdera a fome . Sentia se agora extremamente agoniado . Tentava não olhar para uma coisa viscosa , suspensa em um líquido verde que estava em uma prateleira por detrás de a secretária de Snape . Se ele fora buscar a professora Mc_Gonagall , chefe de a equipa de os Gryffindor , não estavam muito melhor . Ela era mais justa do_que Snape , mas extremamente severa . Dez minutos mais tarde , Snape voltou e era , de facto , a professora Mc_Gonagall quem o acompanhava . Harry vira a professora Mc_Gonagall zangada , mas , ou se tinha esquecido de como a boca de ela ficava fina , ou nunca a vira tão zangada como em aquele dia . Levantou a varinha em o momento em que entrou . Harry e Ron estremeceram , mas ela limitou se a apontá a para a lareira onde as chamas se elevaram subitamente . - Sentem se - ordenou , e os dois recuaram para as cadeiras junto de o lume . - Expliquem se - disse com os óculos a brilhar de uma forma ameaçadora . Ron enveredou por a história começando por a barreira de a estação que se recusara a deixá os passar . - Por isso não tínhamos escolha , professora , não podíamos chegar a o comboio . - Porque não nos mandaram uma carta por a coruja ? Julgo que tens uma coruja ? - disse friamente a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a Harry . Harry olhou para ela sem saber o que dizer . - Parece me - continuou ela - que seria a coisa mais adequada . - Eu ... não pensei ... - Isso - disse a professora Mc_Gonagall - é bastante óbvio . Ouviu se bater a a porta de o escritório e Snape , que parecia agora mais feliz do_que nunca , foi abrir . Era o director , o professor Dumbledore . Harry ficou totalmente paralisado . Dumbledore tinha uma expressão grave . Olhou para eles de cima de o seu nariz adunco e Harry desejou estar ainda com Ron a levar uma sova de o salgueiro zurzidor . Fez se um longo silêncio . Em seguida , Dumbledore disse lhes : - Por favor , expliquem porque fizeram isto . Teria sido melhor se gritasse . Harry detestou sentir a decepção em a sua voz . Inexplicavelmente era incapaz de olhar Dumbledore em os olhos e falou em direcção a os seus joelhos . Disse lhe tudo excepto que o carro enfeitiçado pertencia a Mr._Weasley , dando a ideia de que ele e o Ron o tinham encontrado estacionado fora de a estação . Sabia que Dumbledore ia ver para_além de isso , mas o director não fez perguntas sobre o carro . Quando Harry terminou continuou a olhar para ele através de os seus óculos . - Nós vamos buscar as nossas coisas - disse Ron em um tom de voz sem esperança . - Que disparate é esse ? - rosnou a professora Mc_Gonagall . -- Então , vão expulsar nos , não vão ? - disse o Ron . Harry olhou rapidamente para Dumbledore . - Ainda não , Mr._Weasley - afirmou Dumbledore . - Mas vou assinalar a gravidade do_que vocês fizeram . Hoje a a noite escreverei a as vossas famílias . Estão também prevenidos que se voltarem a fazer uma coisa como esta não terei outro remédio senão expulsar vos . A expressão de Snape era como_se o Natal tivesse sido cancelado . Pigarreou e disse : - Professor_Dumbledore , estes rapazes infringiram o decreto para a restrição de a feitiçaria de os menores , causaram estragos consideráveis a uma árvore antiga e valiosa ... sem dúvida , actos de esta natureza ... - Cabe a a professora Mc_Gonagall decidir sobre os castigos de os rapazes , Severus - afirmou Dumbledore com toda_a calma . - Pertencem a a equipa de ela e são , portanto , de a sua responsabilidade . - Voltou se para a professora Mc_Gonagall . - Tenho de regressar a o banquete , Minerva , devo dar algumas informações . Venha Severus , há uma tarte de leite e ovos com um aspecto delicioso que quero mostrar lhe . Snape lançou um olhar de puro veneno a o Harry e a o Ron enquanto permitia que o afastassem de o seu escritório , deixando os a sós com a professora Mc_Gonagall que ainda os olhava como uma águia em fúria . - É melhor ires até a a ala hospitalar , Weasley , estás a sangrar . - Não é nada - disse Ron , limpando o corte com a manga para que ela o visse . - Professora , eu gostava de ver a minha irmã ser seleccionada . - A cerimónia de a selecção terminou - disse a professora Mc_Gonagall . - A tua irmã está também em os Gryffindor . - _ óptimo - exclamou Ron . - E por falar em os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall de forma cortante , mas Harry interrompeu a : - Professora , quando tirámos o carro , o ano escolar ainda não tinha começado , por isso os Gryffindor não deveriam perder pontos , pois não ? - terminou olhando a ansiosamente . A professora Mc_Gonagall lançou lhe um olhar penetrante , mas ele era capaz de jurar que ela quase tinha sorrido . Pelo_menos a boca não parecia tão fina . - Não vou tirar pontos a os Gryffindor - tranquilizou o . E o coração de Harry ficou mais leve . - Mas vocês os dois vão ter um castigo . Foi melhor do_que Harry imaginara . O facto de Dumbledore escrever a os Dursley não tinha a menor importância . Harry sabia perfeitamente que eles só lamentariam que o salgueiro zurzidor não o tivesse esmigalhado . A professora Mc_Gonagall ergueu a varinha de_novo apontou a a a secretária de Snape . Um grande prato de sanduíches , duas taças de prata e um jarro com sumo de abóbora gelado apareceram em menos_de um segundo . - Vocês vão comer aqui e , em seguida , vão direitinhos para o vosso dormitório - disse . - Eu também tenho de voltar para a festa . Mal a porta se fechou atrás de ela , Ron soltou baixinho um assobio . - Pensei que estávamos feitos - confessou , agarrando uma sanduíche . - Também eu - disse o Harry , orando também uma . - Mas já viste bem a nossa pouca sorte ? - insistiu o Ron com a boca cheia de frango e fiambre . - O Fred e o George voaram em aquele carro cinco ou seis vezes e nenhum Muggle os viu - engoliu outro pedaço enorme de a sanduíche . - Porque será que não conseguimos passar a barreira ? Harry encolheu os ombros . - Mas temos de ter muito cuidado a_partir_de agora - disse bebendo um grande trago de sumo de abóbora . - Que pena não termos podido ir a o banquete . - Ela não quis que nos exibíssemos - afirmou Ron com prudência . - Não vão as pessoas pensar que é uma boa chegar aqui de carro voador . Quando já tinham comido todas_as sanduíches que queriam ( o prato ia voltando a encher se sozinho ) , levantaram se e saíram de o escritório , seguindo o caminho que lhes era familiar , para a torre de os Gryffindor . O castelo estava em silêncio . Parecia que o banquete tinha acabado . Passaram por retratos murmurantes e armaduras que gemiam e subiram os degraus estreitos de pedra até que , por fim , chegaram a a passagem onde a entrada secreta para a torre de os Gryffindor se encontrava oculta por detrás de o quadro a óleo de uma dama gorda em um vestido cor-de-rosa . - A senha ? - perguntou ela mal os dois se aproximaram . - Er ... Eles ainda não tinham estado com o prefeito de os Gryffindor e por isso ainda não conheciam a senha para o novo ano , mas a ajuda não se fez esperar . Ouviram passos apressados atrás de eles e quando se voltaram viram Hermione que se aproximava . - Aí estão vocês . Onde é_que se meteram ? Correm os boatos mais ridículos , alguém disse que vocês tinham sido expulsos por espatifarem um carro voador . - Bem , expulsos não fomos - tranquilizou a Harry . - Não estás a dizer me que voaram até aqui ? - perguntou Hermione em um tom quase tão severo como a professora Mc_Gonagall . - Dispensa se o sermão - interrompeu Ron impacientemente . - E diz nos a nova senha de passagem . - É crista de pássaro - disse Hermione não contendo a impaciência . - Mas o mais importante não é isso ... Contudo as palavras de ela foram interrompidas ao_mesmo_tempo que o retrato de a dama gorda se abria e se ouvia uma tempestade de aplausos . A o que parecia a equipa de os Gryffindor estava ainda acordada , dentro de a sala comum em forma de círculo , junto de as mesas assimétricas e de os cadeirões moles a a espera que eles chegassem para , de braços estendidos através de o buraco de o retrato , puxarem Harry e Ron para dentro deixando Hermione para o fim . - Sensacional - gritou Lee_Jordan . - Inspirado ! Que entrada ! Voar em um carro e aterrar em o salgueiro zurzidor . Toda_a_gente vai falar de isto durante anos e anos . - Muito bem - disse um aluno de o quinto ano com quem Harry nunca tinha falado . Alguém dava lhe palmadas em as costas como_se ele acabasse de vencer a maratona . Fred e George abriram caminho por_entre a multidão e disseram ao_mesmo_tempo : - Por_que é_que não nos chamaram , hein ? - Ron estava vermelho como um pimentão , sorrindo envergonhado , mas Harry via perfeitamente uma pessoa que não estava nada contente . Percy elevava se acima de as cabeças de os excitados alunos de o primeiro ano e parecia estar a tentar aproximar se para os repreender . Harry deu uma cotovelada a o Ron e apontou em direcção a Percy . Ron percebeu de imediato . - Temos de ir para_cima , um_pouco cansados ! - explicou e os dois começaram a abrir caminho em direcção a a porta que ficava de o outro lado de a sala e que dava para a escada em espiral e para os dormitórios . - ` _ Noite - despediu se Harry_de_Hermione que tinha um ar tão carrancudo como Percy . Conseguiram chegar a o outro lado de a sala comum sempre a levarem palmadas em as costas e alcançaram o sossego de as escadas . Apressaram se a subir e , por fim , chegaram a a porta de o dormitório que tinha agora um letreiro a dizer « Segundos_Anos » . Entraram em o quarto circular , que conheciam tão bem , com as suas cinco camas de dossel adornadas de velado vermelho e as suas janelas altas e estreitas . As malas tinham sido trazidas para_cima e colocadas a os pés de as camas . Ron fez um sorriso culpado . - Sei que não devia ter gostado de aquilo , mas ... A porta de o dormitório abriu se e os outros rapazes de os Gryffindor entraram ; eram eles o Seamus_Finnigan , o Dean_Thomas e o Neville_Loogbottom . - Inacreditável - aplaudiu Seamus . - Incrível - aprovou o Dean . - Espantoso - exclamou o Neville , aterrado . Harry não pôde evitar também um sorriso . VI_Gilderoy_Lockhart_No dia seguinte , contudo , Harry não conseguiu sorrir . As coisas começaram a correr mal logo em o salão durante o pequeno-almoço . Debaixo de o tecto encantado ( em aquele dia triste e cinzento ) estavam as quatro grandes mesas de as equipas e sobre elas , terrinas de papa de aveia , pratos de arenque defumado , montanhas de torradas e pratadas de ovos com * bacon * . Harry e Ron sentaram se em a mesa de os Gryffindor , junto de Hermione que tinha o seu exemplar de * _ Viagens com Vampiros * totalmente aberto , encostado a um jarro de leite . Havia uma certa rigidez em a maneira como ela disse : - ` _ Dia - que mostrou a Harry que continuava a desaprovar o modo como tinham chegado a a escola . Por seu turno , Neville_Longbottom saudou os entusiasticamente . Neville era um rapazinho de cara redonda , muito dado a acidentes , com a pior memória que Harry tinha conhecido . - A entrega de correio deve estar a chegar , acho que a minha avó me vai mandar umas quantas coisas de que me esqueci ... Harry tinha começado a comer as papas de aveia , quando se ouviu um ruído tumultuoso em o ar e umas cem corujas entraram ao_mesmo_tempo , sobrevoando o salão e deixando cair cartas e pacotes em o meio de a multidão faladora . Um embrulho grande e rugoso caiu em a cabeça de Neville e , um segundo depois , uma coisa larga e cinzenta caiu em o jarro de a Hermione , enchendo os a todos de leite e penas . - Errol - gritou o Ron , puxando a coruja esfarrapada por as patas . Errol caíra inconsciente sobre a mesa com as pernas para o ar e um envelope vermelho húmido em o bico . - Oh , não ! - sobressaltou se Ron . - Ela está bem , ainda está viva - tranquilizou o Hermione , tocando suavemente em a Errol com a ponta de o dedo . - Não é isso , é ... aquilo . Ron apontava para o envelope vermelho . Parecera perfeitamente vulgar a Harry , mas Ron e Neville estavam ambos a observá o como_se esperassem que explodisse . - Qual é o problema ? - perguntou Harry . - Ela . Ela mandou me um * gritador * - disse Ron , quase sem voz . - É melhor abrires - aconselhou Neville em um murmúrio tímido - senão é pior . A minha avó uma_vez mandou me um que eu ignorei e ... - engoliu em seco - foi horrível . Harry olhava , ora para as suas caras , ora para o envelope vermelho . - O que é um * gritador * ? - perguntou . - Mas toda_a atenção de o Ron estava fixa em a carta que começara a fumegar por os cantos . - Abre a - intimou o Neville . - De aqui a poucos minutos já passou tudo . Ron estendeu uma mão trémula , retirou o envelope de o bico de a Errol e começou a abri o . Neville pôs os dedos em os ouvidos . Após uma fracção de segundo , Harry compreendeu porquê . Pensou em o primeiro momento que ela explodira . Um ruído ensurdecedor encheu o enorme salão , fazendo cair pó de o tecto . - ... : __ roubar o carro ! não me surpreendia nada se te expulsassem . espera só até te pôr as mãos em cima . será que não paraste para pensar em a nossa aflição quando vimos que o carro tinha __ desaparecido ... Os gritos de Mrs._Weasley , ampliados cem vezes em relação a o seu normal , fizeram os pratos e as colheres chocalhar em a mesa e ecoaram de forma ensurdecedora em as paredes de pedra . Vinha gente de todos os lados espreitar quem tinha recebido o * gritador * e Ron afundou se tanto em a cadeira que só se lhe via a testa carmesim . - ... : __ uma carta de o dumbledore ontem a a noite , o teu pai quase morria de vergonha . não foi esta a educação que te demos , tu e o harry podiam ter __ morrido ... Harry estava a ver quando é_que o seu nome viria a a baila . Tentou o melhor que pôde agir como_se não ouvisse a voz , mas aquilo estava a fazer com que os tímpanos lhe latejassem . - ... : __ profundamente decepcionada , o teu pai vai ter de se confrontar com um inquérito em o trabalho , tudo por tua culpa e , se pisas mais_uma_vez o risco , trago te para __ casa ! Seguiu se um silêncio ressonante . O envelope vermelho , que caíra de as mãos de o Ron , incendiou se e encaracolou se em cinzas . Harry e Ron estavam sentados de boca aberta , como_se uma onda gigante lhes tivesse passado por cima . Algumas pessoas riam e , a os poucos , o ruído de as conversas recomeçou . Hermione fechou o * _ Viagens com Vampiros * e olhou para o topo de a cabeça de Ron . - Bem , não sei o que esperavas , Ron , mas tu ... - Não me venhas dizer que mereci - interrompeu Ron . Harry afastou as papas de aveia . O estômago ardia lhe de culpa . Mr._Weasley tinha um inquérito em o trabalho , depois de tudo_o_que Mr. e Mrs._Weasley tinham feito por ele durante o Verão ... Mas não teve muito_tempo para se demorar em aqueles pensamentos . A professora Mc_Gonagall circulava em volta de as mesas de os Gryffindor distribuindo horários . Harry pegou em o seu e viu que começavam por ter Herbologia , juntamente com os Hufflepuff . Harry , Ron e Hermione saíram juntos de o castelo , atravessaram as hortas e chegaram a as estufas , onde estavam guardadas as plantas mágicas . O * gritador * tivera pelo_menos uma vantagem : Hermione parecia achar que já tinham sido suficientemente castigados e estava de_novo perfeitamente calorosa . Quando estavam a chegar a as estufas viram o resto de a classe de pé , cá fora , a a espera de a professora Sprout . Harry , Ron e Hermione tinham acabado de se lhes juntar quando a viram aproximar se a passos largos por o relvado , acompanhada de Gilderoy_Lockhart . A professora Sprout era uma bruxa pequenina e atarracada que usava um chapéu a os remendos sobre o cabelo solto . As roupas que vestia estavam sempre cheias de terra e as suas unhas fariam a tia Petúnia desmaiar . Gilderoy_Lockhart , pelo_contrário , tinha um ar imaculado em as suas vestes azul-turquesa , o cabelo doirado a brilhar debaixo_de um chapéu azul-turquesa , com uma fita dourada , perfeitamente posicionado sobre a cabeça . - Olá a todos ! - gritou Lockhart , dirigindo se a o grupo de estudantes . - Estive a mostrar a a professora Sprout a maneira correcta de tratar um salgueiro . Mas não quero que fiquem com a ideia de que sou melhor do_que ela em Herbologia . Acontece que encontrei várias de estas plantas exóticas , durante as minhas viagens .... - Estufa número três hoje , meninos ! - disse a professora Sprout que estava visivelmente descontente , bem diferente de a sua habitual natureza bem-disposta . Houve um murmúrio de interesse . Eles só tinham estado uma_vez em a terceira estufa , que era uma estufa que abrigava plantas bem mais interessantes e perigosas . A professora Sprout tirou uma enorme chave de o cinto e abriu a porta . Harry sentiu o bafo de a terra húmida com adubo misturado e o perfume forte de umas flores gigantescas , de o tamanho de guarda-chuvas , que estavam penduradas de o tecto . Ia seguir Ron e Hermione , quando a mão de o Lockhart o travou . -- Harry ! Tenho querido ter uma palavrinha contigo . Não se importa se ele chegar uns minutos atrasado , pois não , professora Sprout ? A julgar por a expressão carregada de a professora Sprout , importava se sim , mas Lockhart disse : - Então até já - e fechou a porta de a estufa em a cara de ela . - Harry ! - disse Lockhart , com os dentes brancos a brilharem a o sol , enquanto abanava a cabeça . - Harry , Harry , Harry ! Harry , totalmente perplexo , não disse uma palavra . - Quando ouvi dizer , bem , é claro que eu tive muita culpa , deviam castigar me também ... Harry não fazia ideia de que estava ele a falar , quando Lockhart prosseguiu : - Nunca me lembro de ficar tão chocado . Fazer voar um automóvel até Hogwarts ! Bem , é claro que eu percebi logo porque o fizeste . Foi um destaque em grande . Harry , Harry , Harry ! Era notável como ele conseguia mostrar todos aqueles dentes brilhantes , mesmo quando não estava a falar . - Criei te o gosto por a publicidade , não foi ? - perguntou Lockhart . - Passei te o bichinho . Apareceste comigo em a primeira página e não podias esperar para aparecer outra_vez ... - Oh , não , professor , sabe é_que ... - Harry , Harry , Harry - disse Lockhart aproximando se e tocando lhe em o ombro . - * _ Eu compreendo * . É natural querer um_pouco mais quando se lhe tomou o gosto , e eu culpo me por te ter dado esse conhecimento , porque era natural que te subisse a a cabeça , mas vê uma coisa , rapazinho , tu não podes começar a fazer voar carros para tentares ser notícia . Tens de acalmar , está bem ? Tens muito_tempo quando fores mais velho . Sim , sim , eu sei o que estás a pensar ! É fácil para ele falar assim , já é um feiticeiro internacionalmente famoso ! Mas quando eu tinha doze anos era tão zé-ninguém como tu és hoje . Em a verdade , era ainda mais . De ti , já meia_dúzia de pessoas ouviram falar , não é ? Toda aquela história com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . - Olhou para a cicatriz luminosa em a testa de Harry . - Eu sei , eu sei , não é o mesmo_que vencer o Prémio de o sorriso de o feiticeiro de a semana cinco vezes seguidas , como eu venci , mas é um começo , Harry , é um começo . Lançou lhe uma piscadela de olhos cordial e foi se embora . Harry ficou atarantado durante alguns segundos . Depois , lembrando se que deveria estar em a estufa , abriu a porta e esgueirou se lá para dentro . A professora Sprout estava de pé , por_detrás_de uma espécie de mesa em o meio de a estufa . Em cima de a mesa estavam cerca de vinte pares de abafo de ouvidos de diferentes cores . Quando Harry estava já em o seu lugar , entre Ron e Hermione , ela disse : - Hoje vamos transplantar Mandrágoras . Muito bem , quem sabe dizer me as propriedades de a Mandrágora ? Não foi surpresa para ninguém que a mão de a Hermione fosse a primeira em o ar . - A Mandrágora tem um efeito reparador muito poderoso - disse Hermione , com o ar mais normal de este mundo , como_se tivesse engolido o livro de texto . - É usada para fazer voltar as pessoas , que foram transfiguradas ou amaldiçoadas , a o seu estado original . - Excelente . Dez pontos para os Gryffindor ! - exclamou a professora Sprout . - A Mandrágora é parte integrante de a maior parte de os antídotos , mas também é perigosa . Quem sabe dizer me porquê ? A mão de Hermione por_pouco não bateu em os óculos de Harry , quando se ergueu de_novo . - O grito de a Mandrágora é fatal para quem o ouve - disse prontamente . - Precisamente . Dou lhe mais dez pontos - disse a professora Sprout . - Agora vejamos , as Mandrágoras que aqui temos são ainda muito jovens . Enquanto falava , apontou para uma fila de tabuleiros com uma certa profundidade e todos se chegaram a a frente para ver melhor . Cerca de uma centena de plantinhas tufosas de um verde arroxeado cresciam em filas . Pareceram perfeitamente vulgares a Harry , que não fazia a menor ideia do_que Hermione queria dizer com o * grito * de a Mandrágora . - Cada_um de vocês pode tirar um par de abafo de ouvidos - disse a professora Sprout . Houve uma competição renhida porque ninguém queria os cor-de-rosa , cheios de penugem . - Quando eu vos disser para os colocar , assegurem se de que os vossos ouvidos estão completamente tapados - disse a professora Sprout . - Logo_que seja seguro retirá os , eu levanto os dedos . Certo , pôr os abafos de os ouvido . Harry pôs imediatamente os abafos em os ouvidos . Eles fecharam completamente o som . A professora Sprout colocou também um par de abafos cor-de-rosa com penugem em os de ela , arregaçou as mangas de a túnica , agarrou uma de as plantas tufosas e puxou com toda_a força . Harry soltou um grito de surpresa que ninguém ouviu . Em_vez_de raízes , um bebé pequenino , enlameado e extremamente feio , saiu de a terra . As folhas cresciam lhe em o alto de a cabeça , tinha uma pele pintalgada de um pálido esverdeado e estava nitidamente a berrar a plenos pulmões . A professora Sprout tirou debaixo de a mesa um grande vaso de plantas e mergulhou lá dentro a Mandrágora , enterrando a em a mistura escura e húmida , até que só as folhas ficassem visíveis . Em seguida , limpou a terra de as mãos , levantou os dedos e todos eles retiraram os abafos de os ouvidos . - Como as nossas Mandrágoras são muito novas , os seus gritos ainda não matam - disse ela com grande calma , como_se tivesse feito algo tão normal como regar uma begónia . - Contudo , podem pôr vos a dormir durante várias horas e , como com certeza nenhum de vocês quer perder o primeiro dia de aulas , vejam se os abafos estão bem colocados enquanto trabalham . Eu chamarei vos a atenção quando for altura de os retirar . - Quatro em cada fila , há aqui uma grande quantidade de vasos , a mistura de terra está em os sacos ali a o fundo e tenham cuidado com a * _ Venomous_Tentacula * , estão a nascer lhe os dentes . Enquanto falava , deu uma pancada seca a uma planta vermelha escura cheia de pontas eriçadas , fazendo a encolher as longas antenas que tinham estado a avançar lenta e dissimuladamente sobre o seu ombro . A Harry , Ron e Hermione veio juntar se em a fila um rapaz de cabelo encaracolado de os Hufflepuff que Harry conhecia de vista , mas com quem nunca tinha falado . - Justin_Finch - _ Fletchey - disse ele com vivacidade , apertando a mão de o Harry . - Conheço te , claro , o famoso Harry_Potter ... e tu és a Hermione_Granger , sempre a primeira em tudo ( Hermione brilhou em um sorriso , como_se ele lhe tivesse apertado a mão ) e Ron_Weasley . Não era teu o carro voador ? Ron não sorriu . Não lhe saía de a cabeça o * gritador * . - Aquele Lockhart é o_máximo , não acham ? - disse Justin satisfeito , enquanto começavam a encher os vasos com composto de adubo de dragão . - Terrivelmente corajoso . Leram os livros de ele ? Eu teria morrido de medo se um lobisomem me tivesse encurralado em uma cabina telefónica , mas ele manteve se calmo e ... zap ... fantástico ! « Eu estava inscrito em Eton , sabem , não imaginam como estou feliz de ter vindo antes para aqui . É claro que a minha mãe ficou um_pouco desiludida , mas depois de lhe ter dado os livros de Lockhart a ler , tenho a impressão de que ela começou a ver a utilidade de ter um feiticeiro bem treinado em a família ... Depois de isso , não tiveram grandes oportunidades para conversar . Voltaram a pôr os abafos de ouvidos e era preciso concentrarem se em as Mandrágoras . A professora Sprout fizera as coisas parecerem extremamente simples , mas não eram . As Mandrágoras não gostavam de sair de a terra mas também não pareciam querer voltar para lá . Elas contorceram se , deram pontapés , agitaram as mãozinhas finas e rangeram os dentes . Harry levou dez minutos inteirinhos a tentar meter uma Mandrágora particularmente gorda dentro_de um vaso . Em o final de a aula , Harry , como todos os outros , estava a suar , cheio de dores e coberto de terra . Regressaram a o castelo a pé para um banho rápido e , em seguida , os Gryffindor apressaram se para assistir a a aula de transfiguração . As aulas de a professora Mc_Gonagall eram sempre complicadas , mas a de aquele dia era particularmente difícil . Tudo_o_que o Harry aprendera em o ano anterior parecia ter se lhe apagado de a memória durante o Verão . Ele deveria ser capaz de transformar uma barata em um botão , mas , tudo_o_que conseguiu foi fazer a barata praticar um imenso exercício , enquanto corria apressadamente por o tampo de a secretária evitando a varinha . Ron estava a debater se com problemas bastante piores . Tinha atado a varinha com uma fita mágica , mas parecia que não havia reparação possível . Não parava de crepitar e lançar faíscas em os momentos mais estranhos e , sempre_que Ron tentava transfigurar a barata , via se envolvido em um fumo cinzento espesso que cheirava a ovos podres . Incapaz de ver o que estava a fazer , o Ron esmagou , por engano , a barata com o cotovelo e teve de ir pedir que lhe dessem outra , o que deixou a professora Mc_Gonagall muito pouco satisfeita . Harry ficou aliviado quando ouviu tocar a campainha para o almoço . Sentia a cabeça como uma esponja espremida . Todos os alunos saíram em fila de a aula excepto ele e Ron que dava furiosas varadas em a secretária . - Coisa estúpida e inútil . - Escreve a os teus pais a pedir outra - sugeriu Harry , enquanto a varinha disparava com estrondo um foguete explosivo . - Ah pois , e receber outro * gritador * em a volta de o correio - respondeu Ron , metendo a varinha que já assobiava , dentro de o saco . - * _ A culpa é toda tua se a varinha está estragada * ... Desceram para o almoço e aí a disposição de o Ron não iria melhorar com Hermione a mostrar lhe uma mão-cheia de botões de casaco , perfeitinhos , que produzira em a transfiguração . - O que temos esta tarde ? - quis saber Harry , mudando rapidamente de assunto . - Defesa contra as artes negras - disse Hermione , sem perder tempo . - Porque é_que tu ... - perguntou Ron , pegando em o horário de ela - desenhaste corações em volta de as aulas de o Lockhart ? Hermione arrancou lhe o horário de as mãos , corando furiosa . Acabaram de almoçar e foram para o pátio carregado de nuvens . Hermione sentou se em um degrau de pedra e enfiou de_novo o nariz em as * _ Viagens com Vampiros * . Harry e Ron ficaram a falar de Quidditch durante alguns minutos antes de Harry se aperceber de que estava a ser observado de perto . Olhando para_cima viu o rapazinho pequenino com cabelo de rato que ele vira experimentar o chapéu seleccionador em a noite anterior , olhando para ele com uma expressão petrificada . Estava agarrado a o que parecia ser uma vulgar máquina fotográfica de os Muggles e , em o momento em que Harry olhou para ele , ficou todo vermelho . - Tudo bem , Harry ? Eu sou Colin_Creevey - disse , faltando lhe o ar e adiantando se a qualquer pergunta . - Estou em os Gryffindor também . Não te importavas que eu tirasse uma fotografia ? - perguntou , levantando a máquina cheio de expectativa . - Uma fotografia ? - repetiu Harry , inexpressivo . - Para eu provar que te conheci - disse Colin_Creevey cheio de ansiedade , continuando : - Eu sei tudo a teu respeito . Toda_a_gente me tem contado como sobreviveste quando O_Quem nós sabemos tentou matar te , como ele desapareceu depois de isso e como ficaste com a cicatriz em forma de relâmpago em a testa ( os seus olhos procuraram a linha de cabelo de Harry ) e um rapaz de o meu dormitório disse que se eu revelasse o filme em a posição certa ele mexia . - Colin respirou fundo , estremecendo de excitação e disse : - Isto_é fantástico , aqui , não achas ? Eu não sabia que todas_as coisas estranhas que fazia eram magia até a o dia em que recebi uma carta de Hogwarts . O meu pai é leiteiro . Também ele não queria acreditar . Por isso estou a tirar montes de fotografias para lhe mandar e era mesmo bom se tivesse uma tua - parecia implorar . - Talvez o teu amigo pudesse tirá a e assim eu ficava a o teu lado . E depois , podias assiná a ? - Assinar fotografias ? Estás a dar fotos autografadas , Potter ? Alta e mordaz , a voz de Draco_Malfoy ecoou em o pátio . Estava parado mesmo atrás_de Colin , ladeado , como sempre andava em Hogwarts , por os seus fortes guarda-costas Crabbe e Goyle . - Ei gente , façam bicha - gritou Malfoy a a multidão . - Harry_Potter está a dar fotos autografadas ! - Não estou coisa nenhuma - disse Harry , zangado , com os punhos em o ar . - Cala a boca , Malfoy . - Tu tens é inveja - começou a dizer Colin , cujo corpo era de o tamanho de o pescoço de Crabbe . - Inveja - repetiu Malfoy que não precisava de gritar mais , metade de o pátio estava a ouvi o . - De quê ? Não preciso de uma cicatriz em a cabeça , muito obrigado . Não acho que ter um corte em a testa torne alguém especial . Crabbe e Goyle riram estupidamente - Vai pastar caracóis , Malfoy - disse o Ron furioso . Crabbe parou de rir e começou a esfregar os nós de os dedos enormes de uma forma ameaçadora . - Tem cuidado , Weasley - escarneceu Malfoy . - Com certeza não queres começar uma rixa ou a tua mãezinha tem de vir cá para te tirar de a escola - e com uma voz aguda e penetrante : - * _ Se voltas a pisar o risco * ... Um grupo de alunos de o quinto ano de os Slytherin que estava ali perto , riu se bastante alto . - O Weasley gostaria de ter uma foto tua autografada , Potter - escarneceu de_novo Malfoy . - Era capaz de valer mais do_que a casa onde ele mora com a família . Ron sacou de a sua varinha amarrada com fita , mas Hermione fechou as * Viagens com Vampiros * com um estrondo e avisou : - Atenção . - O que é isto , o que é isto ? - Gilderoy_Lockhart aproximava se com o seu manto azul-turquesa girando em torvelinho atrás de ele . - Quem está a dar fotos autografadas ? Harry ia começar a explicar , mas foi interrompido quando Lockhart lhe pôs jovialmente o braço em cima de os ombros . - Mas que pergunta a minha ! Cá estamos nós de_novo , Harry ! Preso ao_lado_de Lockhart e a arder de humilhação , Harry viu Malfoy deslizar com o seu sorriso desdenhoso por o meio de a multidão . - Vamos lá então , Mr._Creevey - disse Lockhart , dirigindo se a Colin . - Uma foto dupla , já viu a sua sorte ? E assinamos a os dois para si . Colin ajustou a máquina e tirou a fotografia em o preciso momento em que a campainha tocava para as aulas de a tarde . - Está em a hora , todos para dentro - gritou Lockhart a a multidão e regressou a o castelo levando a o seu lado o Harry que só lamentava não conhecer um feitiço que o fizesse desaparecer . - Uma palavra só , Harry - disse Lockhart paternalmente , enquanto entravam em o edifício por uma porta lateral . - Eu ajudei te há bocado com o jovem Creevey porque se ele estivesse a fotografar me também a mim os teus colegas não reparariam tanto que estavas a exibir te ... Indiferente a a gaguez de Harry , Lockhart arrastou o para um corredor ladeado de alunos que os olhavam espantados e subiram uma escada . - Deixa me só dizer te uma coisa : dar fotografias autografadas em esta fase de a tua carreira , francamente , não é sensato , Harry , parece um_pouco megalómano . Pode ser que um dia mais tarde , tal_como eu , sejas obrigado a assinar para multidões onde quer que vás , mas - fez uma pequena pausa - não me parece que seja o caso , por enquanto . Tinham chegado a a aula de Lockhart e ele largou finalmente o Harry que sacudiu a túnica e foi sentar se em um lugar bem lá atrás onde começou por empilhar os livros de Lockhart a a sua frente para evitar olhar para a criatura . O resto de a aula entrou ruidosamente e Ron e Hermione foram sentar se um de cada lado de Harry . - Tu estavas vermelho como um pimentão - disse o Ron . - Reza para que o Creevey não se torne amigo de a Ginny senão bem podem criar o clube de * fans * de Harry_Potter . - Cala a boca - interrompeu Harry . A última coisa que desejava era que o Lockhart ouvisse a expressão « clube de * fans * de Harry_Potter « . Quando todos estavam em os seus lugares , Lockhart pigarreou alto e fez se silêncio . Ele inclinou se para a frente , pegou em o exemplar de Neville_Longbottom de * _ viagens com Duendes * e levantou o para mostrar a sua fotografia a piscar os olhos em a capa . - Eu - disse apontando para a fotografia e piscando também os olhos - Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , terceiro ano , membro honorário de a Liga_de_Defesa contra as artes negras e cinco vezes vencedor de o prémio de o * _ Feiticeiro de a semana * por o sorriso mais charmoso . Mas não vamos falar de isso , não venci a fada carpideira de Bandon a sorrir para ela ! Esperou que eles se rissem . Alguns alunos sorriram timidamente . - Já vi que todos vocês compraram a minha obra completa . Muito bem . Pensei começar hoje com um pequeno interrogatório escrito . Nada de complicado , só para perceber se leram bem os meus livros e o que apreenderam ... Depois de distribuir as folhas de teste voltou se para os alunos e disse : - Têm trinta minutos . Comecem já . Harry olhou para o papel e leu : *1 . Qual é a cor preferida de Gilderoy_Lockhart ? *2 . Qual é a ambição secreta de Gilderoy_Lockhart ? *3 . Qual é , em a sua opinião , a maior realização de Gilderoy_Lockhart até a o momento ? * E_por_aí adiante , ao_longo_de três páginas , terminando com : *54 . Qual é o dia de aniversário de Gilderoy_Lockhart e qual seria o seu presente preferido ? * Meia_hora mais tarde , Lockhart recolheu os pontos e folhou os rapidamente em frente de os alunos . - Tut , tut , quase ninguém se lembrou que a minha cor preferida é o lilás . Eu digo o em * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves * . Alguns precisam de voltar a ler com mais cuidado * Fim-de - _ Semana com Um Lobisomem * . Eu afirmo claramente em o décimo segundo capítulo que o meu presente de aniversário preferido seria a harmonia entre todos os seres , mágicos e não mágicos , embora não me importasse de receber uma garrafa grande de * whisky * velho de a Ogden's_Old_Firewhisky . Piscou lhes o olho de_novo . Ron olhava para Lockhart com uma expressão de incredulidade em o rosto . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas que estavam sentados a a frente tremiam de tanto conter o riso . Hermione , contudo , ouvia Lockhart com extrema atenção e deu um salto quando ouviu o seu nome . - Mas Miss_Hermione_Granger sabia que a minha ambição secreta era libertar o mundo de o mal e pôr a a venda a minha gama de poções de tratamento de o cabelo . Muito bem - voltou o papel . - Nota máxima ! Onde está Miss_Hermione_Granger ? Hermione ergueu uma mão trémula . - Excelente - bradou Lockhart , exultante . - Leva dez pontos para os Gryffindor . E vamos a o trabalho . Baixou se atrás de a secretária e pegou em uma grande gaiola coberta . - Ficam desde_já a saber , a minha função é preparar vos contra as criaturas mais malignas que a feitiçaria conhece . Vocês podem ter que enfrentar os maiores medos em esta sala . Saibam que nenhum mal vos sucederá comigo aqui . Só vos peço que se mantenham calmos . Ultrapassando os seus sentimentos , Harry espreitou através de a pilha de livros para ver melhor a gaiola . Lockhart colocou uma mão em a tampa . Dean e Seamus tinham deixado de se rir . Neville estava agachado em o seu lugar de a fila de a frente . - Vou pedir vos que não façam barulho - disse Lockhart em voz baixa . - Podem assustá os . Enquanto a aula inteira continha a respiração , Lockhart tirou a cobertura . - Sim - disse em um tom dramático . - Duendes_da_Cornualha recém-capturados . Seamus_Finnigan não conseguiu controlar se . Soltou uma gargalhada que nem Lockhart poderia confundir com um grito de terror . - Sim ? - sorriu a Seamus . - Bem , eles não são , não são perigosos , pois não ? - perguntou a rir . -- Não tenhas tanta certeza de isso - afirmou Lockhart , aborrecido , abanando um dedo , em direcção a Seamus . - Podem ser maçadores e muito traiçoeiros . Os duendes eram de um azul-eléctrico e tinham cerca de vinte centímetros de altura com feições angulosas e umas vozes tão estridentes que era como ouvir uma discussão entre araras . Logo_que o pano foi retirado , começaram a fazer uma enorme algazarra , a andar de um lado para o outro , batendo em as grades e fazendo caretas a as pessoas que estavam mais perto . - Muito bem - disse Lockhart em voz alta . - Vamos então ver o que vocês conseguem fazer de eles - e abriu a gaiola . Foi um pandemónio . Os duendes dispararam em todas_as direcções como foguetes . Dois de eles agarraram o Neville por as orelhas e levantaram o a o ar . Vários outros foram direitos a a janela , fazendo chover vidros partidos até a a fila de trás . Os restantes decidiram destruir a sala com maior eficácia do_que um rinoceronte em fúria . Agarraram em os tinteiros e salpicaram tudo em volta , rasgaram a os bocados livros e papéis , arrancaram os quadros de as paredes , levantaram a o ar a gaiola vazia , agarraram livros e sacos e lançaram nos por a janela de vidros estilhaçados . Em poucos minutos , metade de a aula estava abrigada debaixo de as secretárias e o Neville pendurado em o candelabro de o tecto . - Vamos lá , agarrem nos , agarrem nos , são apenas duendes ... - gritava Lockhart . Arregaçou as mangas , bramiu a varinha e pronunciou * Peshipiksi_Pesternomi ! * As palavras não tiveram o menor efeito . Um de os duendes pegou em a varinha de Lockhart e atirou a também por a janela fora . Lockhart engoliu em seco e mergulhou debaixo de a secretária , não sendo , por um triz , esmagado por o Neville que caiu um segundo depois , quando o candelabro cedeu . A campainha tocou e houve uma louca precipitação para a porta . Em a calma relativa que se seguiu , Lockhart endireitou se , olhou para Harry , Ron e Hermione que estavam quase a chegar a a porta e disse : - Bem , vou pedir vos a os três que prendam o resto de os duendes em a gaiola - passou por eles e fechou rapidamente a porta atrás_de si . - Isto dá para acreditar ? - resmungou o Ron , enquanto um de os duendes lhe mordia com toda_a força uma de as orelhas . - Ele só quer dar nos uma ajuda , permitindo nos ganhar experiência - justificou Hermione , imobilizando dois duendes de uma_vez com um encantamento de paralisação e metendo os de_novo em a gaiola . - Experiência ? - disse Harry , tentando agarrar um duende que dançava com a língua de_fora . - Hermione , ele não sabia nada do_que estava a fazer . - Disparate - retorquiu Hermione . - Leste os livros de ele . Vê só as coisas que ele já fez ! - Que diz que fez - resmungou o Ron . VII_Sangue de lama e murmúrios Harry passou imenso tempo , em os dias que se seguiram , a fugir sempre_que via Gilderoy_Lockhart aproximar se em o corredor . Mais difícil de evitar era Colin_Creevey que parecia ter decorado o horário de Harry . Parecia que nada o emocionava mais do_que dizer : - Tudo bem , Harry ? - seis ou sete vezes por dia e ouvir : - Olá , Colin - por mais exasperado que Harry estivesse quando lhe respondia . A Hedwig ainda estava zangada com Harry por causa de a desastrosa viagem de automóvel e a varinha de o Ron continuava a não funcionar , tendo ultrapassado tudo em a sexta-feira de manhã quando lhe saltou de as mãos em a aula de encantamentos e foi agredir o velho e baixinho professor Flitwick mesmo entre os olhos , deixando uma enorme bolha latejante em o sítio onde tinha batido . Por tudo_isso Harry via chegar , com satisfação , o fim_de_semana Planeava ir em o Sábado de anhã , com Ron e Hermione visitar o Hagrid . Mas foi acordado várias horas mais cedo do_que desejaria por Oliver ood , treinador de a equipa de Quidditch_dos_Gryffindor . - _ o que é_que se passa ? - perguntou Harry , enrolando as palavras . - Treino_de_Quidditch - disse Wood . - Vamos embora . Harry lançou um olhar de esguelha a a janela . Uma neblina fina pairava em o céu rosa e dourado . Agora_que estava acordado não percebia como pudera dormir com a algazarra que os pássaros faziam . - Oliver resmungou Harry . - É de madrugada . - Exacto - respondeu Wood . Era um rapaz alto e corpulento de o sexto ano e em aquele momento os olhos brilhavam lhe loucamente de entusiasmo . - Faz parte de o nosso novo programa de treinos . Anda lá , vai buscar a vassoura e vamos embora - insistiu Wood empenhado . - Nenhuma de as outras equipas começou ainda a treinar . Vamos ser os primeiros este ano ... A bocejar e a tremer um_pouco , Harry saltou de a cama e tentou descobrir as suas túnicas de Quidditch . - Bem , encontramo nos em o campo , dentro_de quinze minutos . Depois de descobrir a sua roupa escarlate de equipa e pôr o manto por cima para se aquecer , Harry escreveu a o Ron um bilhete a explicar onde tinha ido e desceu por a escada de espiral para a sala comum com a sua Nimbos dois inil a o ombro . Tinha acabado de chegar junto de o buraco de o retrato quando ouviu um barulho atrás_de si e viu Colin_Creevey descer a escada de espiral com a máquina fotográfica pendurada a o pescoço a balouçar como louca e uma coisa em a mão . - Ouvi alguém chamar o teu nome em as escadas , Harry olha o que tenho aqui . Revelei a e queria mostrar te . Harry olhou assombrado para a fotografia que Colin lhe espetava em frente de o nariz . Um Lockhart a preto e branco movia se , puxando com toda_a força um braço que Harry reconheceu como sendo o seu . Ficou satisfeito a o constatar que estava a resistir bastante bem , recusando se a ser trazido para a vista de todos . Enquanto Harry observava , Lockhart desistiu e desinteressou se de lutar contra a parte branca de a fotografia . - Assinas para mim ? - pediu Colin entusiasmado . - Não - respondeu secamente Harry , olhando em volta para verificar se o caminho estava livre . - Desculpa_Colin , mas estou cheio de pressa , treino de Quidditch . Passou por o buraco de o retrato . - Oh Uau ! Espera por mim . Eu nunca vi um jogo de Quidditch . Colin trepou por o buraco de o retrato atrás de ele . - Vai ser uma chatice para ti - disse Harry rapidamente , mas Colin ignorou o comentário . Todo o seu rosto brilhava de satisfação . - Tu foste o jogador mais novo de a equipa em cem anos , não foste Harry ? Não foste ? - perguntava Colin , trotando para o acompanhar . - Deve ser fantástico . Eu nunca voei . É fácil ? Essa vassoura é a tua ? É a melhor que há ? Harry não sabia como ver se livre de ele . Era como ter uma sombra que não se calava . - Eu não percebo nada de Quidditch - disse Colin , já sem fôlego . - É verdade que há quatro bolas ? E que duas anda n a voar , tentando fazer os jogadores caírem de as vassouras ? - Sim - disse Harry lentamente , resignado com o ter de lhe explicar as complicadas regras de o Quidditch . - São as * bludgers * . Há dois * beaters * em cada equipa que têm bastões para bater em as * bludgers * e lançá as para o outro lado . O Fred e o George_Weasley são os * beaters * de os Gryffindor . - E para que servem as outras bolas ? - perguntou Colin , saltando uma série de degraus porque ia a olhar para o Harry de boca aberta . - Bem , a * quaffle * , que é a vermelha grandalhona , é a que marca os golos . Três * chasers * em cada equipa lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam fazes a entrar em as balizas que ficam em o extremo de o campo onde há três grandes postes com argolas em as pontas . - E a quarta bola ? - A * snitch * dourada - explicou Harry . - É muito pequenina e veloz e extremamente difícil de agarrar . Mas é isso que o * seeker * tem de fazer , porque o jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * for agarrada . E o * seeker * que conseguir agarrá a ganha para a sua equipa mais cento_e_cinquenta pontos . - E tu és o * seeker * de os Gryffindor , não és ? - perguntou Colin respeitosamente . - Sim - disse Harry enquanto saíam de o castelo e começavam a atravessar o relvado . - E há também o * keeper * que toma conta de os postes . É isto . Mas Colin não parou de fazer perguntas desde os relvados macios até a o campo de Quidditch e Harry só se viu livre de ele quando chegaram a os vestiários . Colin gritou em uma voz aguda : - Eu vou arranjar um lugar , Harry - e apressou se em direcção a as bancadas . O resto de a equipa de os Gryffindor já se encontrava em os vestiários . Wood era o único que tinha aspecto de estar bem acordado . Fred e George_Weasley estavam sentados com olhos de sono e cabelos desgrenhados junto de Alicia_Spinnet de o quarto ano que parecia inclinar se contra a parede que tinha atrás_de si . Os seus companheiros * chasers * , Katie_Bell e Angelina_Johnson bocejavam em frente de ela . - Até que enfim , Harry , porque é_que demoraste tanto ? - perguntou Wood cheio de actividade . - Eu queria ter uma pequena conversa convosco antes de entrarmos propriamente em campo porque passei o Verão a conjecturar um novo programa de treinos que acredito vai estabelecer grandes mudanças . Wood tinha em as mãos um grande mapa de um campo de Quidditch onde estavam desenhadas muitas linhas , setas e cruzes a tinta de várias cores . Pegou em a varinha , bateu com ela em o quadro e as setas começaram a mover se em o mapa como tractores . Enquanto Wood se lançava em um discurso sobre as suas novas técnicas , a cabeça de Fred_Weasley caiu sobre o ombro de Alicia_Spinnet e ele começou a ressonar . O primeiro mapa levou quase vinte minutos a explicar , mas debaixo de esse havia outro e ainda um terceiro . Harry caiu em uma letargia enquanto Wood continuava indefinidamente . - Então - disse por fim o treinador , arrancando Harry de a avidez de uma fantasia sobre o que poderia estar a comer se se encontrasse em aquele momento em o castelo . - Ficou tudo claro ? Alguma pergunta ? - Eu tenho uma pergunta , Oliver - disse George que acordou estremunhado . - Porque não nos explicaste tudo_isso ontem , quando estávamos acordados ? Wood não ficou nada satisfeito . - Ouçam bem , vocês todos - disse , voltando se para eles mal-humorado . - Nós deveríamos ter ganho a taça de Quidditch o ano passado . Somos de longe a melhor equipa , mas , infelizmente , devido_a circunstancias que estão para_além de o nosso controlo ... Harry mudou de posição em a cadeira sentindo se culpado . Estivera inconsciente em o hospital durante o campeonato final de o ano anterior o que fez com que os Gryffindor com um jogador a menos tivessem sofrido a pior derrota de os últimos trezentos anos . Wood levou um momento a controlar se . Era evidente que a última derrota ainda o torturava . - Portanto , este ano vamos fazer um treino mais duro , como nunca se fez . O. _ K. , vamos lá pôr as teorias em prática - gritou , pegando em a vassoura e conduzindo os para fora de o vestiário . Com as pernas trôpegas e ainda a bocejar , a equipa seguiu o . Tinham estado tanto tempo lá dentro que o sol já tinha nascido e brilhava em o céu embora uma réstia de neblina pairasse ainda sobre o relvado de o campo . Quando Harry entrou em campo viu Ron e Hermione sentados em as bancadas . - Ainda não acabaram ? - perguntou Ron em um tom incrédulo . - Ainda nem começamos - explicou Harry , olhando cheio de inveja para a torrada com doce de laranja que Ron e Hermione tinham trazido de o salão . - O Wood tem estado a ensinar nos as jogadas . Subiu para a vassoura e deu um pontapé em o chão , elevando se em o ar . O ar fresco de a manhã bateu lhe em o rosto fazendo o acordar com mais eficácia do_que o longo discurso de Wood . Era maravilhoso voltar a estar em o campo de Quidditch . Voou em volta de o estádio a toda a a velocidade competindo com Fred e George . - Que barulhinho estranho é aquele ? - perguntou o Fred quando deram a volta . Harry olhou para as bancadas . Colin estava sentado em um de os lugares mais altos com a máquina fotográfica em o ar , tirando fotografia sobre fotografia , o som estranhamente ampliado em o estádio deserto . - Olha para ali , Harry , para ali - gritava de forma estridente . - Quem é aquele ? - perguntou Fred . - Não faço ideia - mentiu Harry , disparando a_toda_a velocidade e distanciando se o mais possível de Colin . - O que se passa aí ? - perguntou Wood , franzindo a testa enquanto corria por os ares atrás de eles . - Porque está aquele aluno de o primeiro ano a tirar fotografias ? Não me agrada . Pode ser um espião de os Slytherin a tentar descobrir o nosso novo programa de treinos . - Ele é de os Gryffindor - disse Harry rapidamente . - E os Slytherin não precisam de um espião , Oliver - completou George . - Porque dizes isso ? - perguntou Wood irritado . - Porque estão aqui em peso - disse George , apontando com o dedo . Vários indivíduos com túnicas verdes vinham em aquele momento a entrar em o campo de vassouras em a mão . - Não posso acreditar - reagiu Wood , sentindo se ultrajado . - Eu reservei o estádio para hoje . Já vamos ver como é_que isto fica ! Wood baixou direito a o chão sendo levado por a fúria a aterrar com mais força do_que pretendia e a cambalear um_pouco quando começou a andar seguido de o Harry e de o Ron . - Flint - bradou para o treinador de os Slytherin . - Este é o nosso tempo de treino . Levantámo nos de propósito . Vocês têm de sair de aqui . Marcus_Flint era ainda mais corpulento do_que Wood . Tinha em o rosto uma expressão de duende travesso quando respondeu : - Há espaço para todos , Wood . Angelina , Alicia e Katie tinham vindo também . Em a equipa de os Slytherin não havia raparigas que enfrentassem a o lado de os rapazes os Gryffindor . - Mas eu reservei o estádio - repetiu Wood de modo afirmativo , cuspindo de raiva . - Reservei o . - Ah ! - exclamou Flint . - Mas eu tenho aqui uma licença especial assinada por o professor Snape . * _ Eu , professor Snape , autorizo a equipa de os Slytherin a praticar hoje em o campo de Quidditch devido a a necessidade de treinar o seu novo seeker . * - Têm um novo * seeker * ? - perguntou Wood perturbado . - Onde ? E detrás de as seis figuras corpulentas que tinham em a frente , viram surgir uma sétima : um rapaz mais pequeno com um sorriso afectado espelhado em o rosto pálido e anguloso . Era_Draco_Malfoy . - Não és o filho de o Lucius_Malfoy ? - perguntou Fred , olhando para ele com antipatia . - Curioso que refiras o pai de o Draco - disse Flint enquanto toda_a equipa de os Slytherin sorria de modo grosseiro . - Deixem me mostrar vos a generosa oferta que ele fez a a equipa de os Slytherin . Os sete exibiram as suas vassouras . Sete cabos novos , polidos , com inscrições em letras douradas de as palavras « Nimbus dois_mil_e_um « brilharam a o sol de a manhã , em frente de o nariz de os Gryffindor . - O último modelo . Só chegou em o mês passado - disse Flint , displicentemente , sacudindo a poeira de o cabo de a sua vassoura . - Julgo que ultrapassam de longe as velhas séries de dois_mil . Quanto a as Cleansweeps - sorriu de forma mesquinha para Fred e George que tinham ambos Cleansweep_Fives - essas já só servem para varrer . Nenhum de os Gryffindor foi capaz de abrir a boca em aquele momento . Malfoy sorria tanto que os seus olhos de gelo estavam reduzidos a duas rachas . - Oh vejam - disse Flint . - Uma invasão de o campo . Ron e Hermione atravessavam o relvado para ver o que se passava . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron a o Harry . - Porque não estão a jogar e o que faz ele aqui ? Olhava para Malfoy em as suas vestes de Quidditch . - Sou o novo * seeker * de os Slytherin , Weasley - disse Malfoy com ar presumido . - Têm estado todos a admirar as vassouras que o meu pai comprou para a nossa equipa . Ron olhou de boca aberta para as sete vassouras que tinha em a frente . - São boas , não são ? - disse Malfoy untuosamente . - Mas talvez a equipa de os Gryffindor consiga levantar algum ouro e comprar também vassouras novas . Vocês podiam levar essas Cleansweep_Fives a leilão , talvez algum museu esteja interessado . A equipa de os Slytherin riu se a bandeiras despregadas . - Pelo_menos em os Gryffindor ninguém teve de comprar a sua entrada - disse secamente Hermione . - Entraram todos por mérito próprio . O ar presumido de Malfoy desapareceu . - Ninguém pediu a tua opinião , sangue de lama - cuspiu Malfoy . Harry apercebeu se , de imediato , que Malfoy dissera algo muito grave porque houve uma tremenda algazarra em o seguimento de as suas palavras . Flint teve que se pôr a a frente de o Malfoy para evitar que Fred e George se atirassem a ele . Alicia bradou : - Como te atreves ? - E Ron meteu a mão em as vestes e sacou de a varinha mágica , gritando : - Vais pagar por o que disseste , Malfoy ! - e apontou a , furioso , por debaixo de o braço de Flint , a o rosto de Malfoy . Um enorme estrondo , ecoou em o estádio e um jacto de luz verde saiu por a extremidade errada de a varinha de Ron , atingindo o em o estômago e projectando o para trás em direcção a o relvado . - Ron ! Ron ! Estás bem ? - gritou Hermione . Ron abriu a boca para falar , mas nenhuma palavra saiu . Em vez de isso , teve um vómito imenso e várias lesmas saíram lhe de a boca , indo cair lhe em o colo . A equipa de os Slytherin ficou paralisada de riso . Flint estava dobrado , agarrado a a vassoura nova . Malfoy , a quatro , batia com o punho em a chão . Os Gryffindor rodeavam o Ron , que continuava a vomitar lesmas enormes e reluzentes . Ninguém queria tocar lhe . - É melhor levá o para_casa de o Hagrid . É o mais perto - disse Harry_a_Hermione , que acenou afirmativamente , e os dois arrastaram o Ron por os braços . - O que aconteceu , Harry ? O que aconteceu ? Ele está doente ? Mas tu podes curá o , não podes ? - Colin descera a correr de o lugar onde estava sentado e dançaricava em frente de eles , enquanto abandonavam o campo . Ron teve um novo arremesso e mais lesmas saíram de a sua boca . - Oooh ! - exclamou Colin fascinado , levantando a máquina fotográfica . - Podes mantê o quieto , Harry ? - Sai de a minha frente , Colin - gritou Harry zangado . Ele e a Hermione conseguiram levar o Ron para fora de o estádio , atravessar os campos e chegar a a beira de a floresta . - Está quase , Ron - disse Hermione , mal avistaram o casebre de o guarda de os campos . - Vais ficar bem dentro_de um minuto ... está quase ... Estavam a sessenta metros de a casa de Hagrid , quando a porta de a frente se abriu . Mas não foi Hagrid quem saiu de lá , e sim Gilderoy_Lockhart , em uma túnica cor de malva . - Rápido , vamos esconder nos aqui - sussurrou Harry , arrastando Ron para trás de um arbusto que havia ali perto . Hermione acompanhou o , embora um_pouco relutante . -- É muito simples quando se sabe o que se está fazer ! - gritava Lockhart_para_Hagrid . - Se precisar de ajuda , sabe onde estou . Vou dar lhe um exemplar de o meu livro . Espanta me que ainda não o tenha . Logo a a noite autografo o e envio lhe o . Bem . até a a próxima ! - e afastou se em direcção a o castelo . Harry esperou que Lockhart desaparecesse , antes de puxar o Ron de trás de o arbusto até a a casa de o Hagrid . Bateram ansiosamente . Hagrid apareceu logo com um ar mal-humorado , que se dissipou quando viu quem era . - Já me tinha perguntado quand'é que vocês vinham ver me , entrem , entrem , pensei qu'era outra_vez o professor Lockhart . Harry e Hermione ajudaram Ron a subir o degrau que dava acesso a a cabana de uma divisão com uma cama enorme a um de os cantos e uma lareira a crepitar alegremente em o outro . Hagrid não pareceu perturbado com o problema de as lesmas de o Ron que Harry lhe explicou precipitadamente , logo_que sentou o Ron em uma cadeira . - Melhor saírem de o qu'entrarem - disse , em um tom bem-disposto , colocando uma grande bacia de cobre em frente de ele . - Deita as todas fora , Ron . - Acho que não há mais_nada a fazer , a não ser esperar que isto pare - disse Hermione ansiosamente , vendo Ron inclinar se para a bacia . - É uma maldição muitas_vezes difícil , mas com uma varinha partida ... Hagrid andava de um lado para o outro a preparar o chá . O cão de ele , Fang , babava se em cima de o Harry . - O que é_que o Lockhart queria de ti ? - perguntou o Harry , coçando as orelhas de o Fang . - Ensinar me a tirar espíritos aquáticos com forma de cavalos d'uma nascente d'água - resmungou Hagrid , retirando de a mesa pequena um galo meio depenado e colocando em o seu lugar o bule . - Como s'eu não soubesse . E contar me uma peta qualquer d'uma fada carpideira que ele venceu . Engulo essa chaleira , se uma palavra do_que ele disse for verdade . Não era hábito de Hagrid criticar um professor de Hogwarts e Harry olhou para ele com alguma surpresa . Mas Hermione disse em uma voz mais aguda do_que de costume : - Acho que estás a ser injusto . O professor Dumbledore obviamente achou que era o melhor homem para o lugar ... - Era o único - explicou Hagrid , oferecendo lhes um prato de bombons de melaço enquanto Ron tossia para a bacia . - E não havia mais ninguém . Não é fácil encontrar quem queira dar Artes de magia negra . As pessoas não gostam de essa matéria . Começam a pensar que está amaldiçoada , ninguém ficou muito_tempo a dá a . Mas digam me lá - continuou Hagrid , inclinando a cabeça para Ron - quem é qu'ele estava a tentar amaldiçoar ? - O Malfoy chamou qualquer coisa a a Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si . - Foi grave , sim - disse o Ron com voz rouca , emergindo a a superfície de a mesa , pálido e transpirado . - O Malfoy chamou lhe sangue de lama , Hagrid . - Ron desapareceu outra_vez quando uma nova onda de lesmas fez o seu aparecimento . Hagrid estava indignado . - Não posso crer - exclamou , dirigindo se a Hermione . - Chamou sim - disse ela . - Mas eu não sei o que significa . Percebi que era má educação , claro ... - É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar - explicou Ron novamente . - Sangue de lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles , sabes , filho de pais não mágicos . Há alguns feiticeiros , como a família de o Malfoy que acham que são melhores do_que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro . - Teve um pequeno vómito e uma lesma isolada caiu lhe em a mão aberta . Ele atirou a para a bacia e continuou . -- É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma . Olha_o_Neville_Longbottom , é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito . - E ainda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer - afirmou Hagrid , orgulhoso , fazendo Hermione corar em tons de magenta . - É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém - disse o Ron , limpando o suor de a testa com a mão trémula . - Sangue sujo , sangue vulgar , é um disparate . A maior parte de os feiticeiros hoje_em_dia têm sangue misturado . Se não tivéssemos casado com Muggles tinha sido o nosso fim . Fez um esforço para vomitar e baixou se mais_uma_vez . - Bem , não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá o , Ron - disse Hagrid bem alto enquanto montes de lesmas caíam em a bacia . - Mas , se_calhar , não foi mau de todo teres a varinha a trabalhar ao_contrário . Acho que Lucius_Malfoy teria vindo logo a correr a a escola se tivesses amaldiçoado o filho . Assim , pelo_menos , não estás metido em nenhum sarilho . Harry teria referido que o problema não podia ser pior do_que deitar lesmas por a boca , mas não pôde . Os bombons de melaço tinham lhe colado os maxilares um_ao_outro . - Harry - disse de repente Hagrid como_que movido por um pensamento súbito . - Tens de me explicar uma coisa . Ouvi dizer que tens andado a dar fotografias autografadas . Porque é qu'eu não tenho nenhuma ? A fúria de Harry foi tão grande que os maxilares se libertaram . - Eu não tenho dado fotografias autografadas - disse com vivacidade . Se o Lockhart andou a espalhar isso ... Mas em esse momento viu que Hagrid se estava a rir . - ´ _ tou a brincar - disse , dando uma palmadinha em as costas de Harry e fazendo lhe sinal para se sentar a a mesa . -- Eu sabia que não tinhas . Disse a o Lockhart que tu não precisavas de isso . Es mais famoso do_que ele sem sequer , tentares . - Aposto que ele não gostou de ouvir isso - comentou Harry , sentando se e esfregando o queixo . - Acho que não gostou mesmo - prosseguiu Hagrid com os olhinhos a brilhar . - E disse lhe também que nunca tinha lido nenhum de os livros de ele e ele foi se embora . Um bombom de melaço , Ron ? - perguntou a o vê o reaparecer . - Não , obrigado - disse o Ron com uma voz fraca . - É melhor não arriscar . - Venham ver o qu'eu tenho estado a criar - disse Hagrid quando Harry e Hermione acabaram de tomar o chá . Em a pequena horta atrás de a casa estava uma_dúzia de as maiores abóboras que Harry alguma vez vira . Pareciam enormes blocos de pedra . - Estão a dar se bem , não achas ? - disse Hagrid , feliz . São para a festa de o * _ Hallow'en * . Devem estar bem grandes quando chegar a altura . - O que é_que lhes tens dado como alimento ? - perguntou Harry . Hagrid olhou por cima de o ombro para confirmar se estavam sós . - Bem , tenho estado a dar lhes ... uma pequena ajuda . Harry reparou em o guarda-chuva cor-de-rosa a as florzinhas que estava encostado contra a parede de a cabana . Tivera em o ano anterior motivos para crer que aquele guarda-chuva não era o que parecia . De facto , acreditava que a antiga varinha de escola de Hagrid se encontrava oculta dentro de ele . Hagrid não tinha autorização para usar magia . Fora expulso de Hogwarts em o terceiro ano embora Harry nunca tivesse descoberto o motivo . Qualquer referência a esta questão fazia Hagrid pigarrear bem alto e ficar misteriosamente surdo até mudarem de assunto . -- Um encantamento de absorção , imagino ? - comentou Hermione entre a desaprovação e o divertimento . - Bem , se assim foi , fizeste um bom trabalho . - Foi o que disse a tua irmãzinha - respondeu Hagrid acenando em direcção a Ron . - Encontrei a ontem . - Hagrid olhou de lado para Harry , a barba a contorcer se . - Disse que andava só a ver os campos , mas eu acho qu'ela esperava encontrar alguém em a minha casa - piscou o olho a o Harry . - Se queres que te diga acho qu'ela não recusaria uma fotografia autogr ... - Cala te com isso - disse Harry . Ron desatou a rir e o chão ficou cheio de lesmas . - Cuidado - resmungou Hagrid , afastando Ron de as suas preciosas abóboras . Estava quase em a hora de o almoço e , como o Harry só tinha provado um bombom de melaço desde manhã cedo , estava ansioso por chegar a a escola para ir comer . Despediram se de o Hagrid e regressaram a o castelo . O Ron a vomitar de vez em quando , mas deitando só duas pequenas lesmas . Mal tinham pisado a entrada de o vestíbulo quando ouviram uma voz . - Aí estão vocês , Potter , Weasley . - A professora Mc_Gonagall vinha em direcção a eles com o seu ar severo . - Vocês os dois vão ter as punições hoje a a tarde . - O que é_que vamos fazer , professora ? - perguntou o Ron nervoso , deixando cair uma lesma . - Tu vais limpar as pratas em a sala de os troféus com Mr._Filch - disse a professora Mc_Gonagall . - E nada de mágicas , Weasley , trabalho com esforço . Ron engoliu em seco . Argus_Filch , o encarregado , era odiado por todos os alunos de a escola . - E tu , Potter , vais ajudar o professor Lockhart a responder a as cartas de as suas fãs - ordenou a professora Mc_Gonagall . - Oh , não ! Não posso ir também trabalhar em a sala de os troféus ? - pediu Harry em desespero de causa . - Nem pensar em isso - respondeu a professora Mc_Gonagall , erguendo as sobrancelhas . - O professor Lockhart requisitou te especialmente a ti . _ a as oito_em_ponto , os dois . Harry e Ron entraram em o salão em um estado de profundo desanimo com a Hermione atrás , ostentando uma expressão de * bem-voces-quebraram-as-regras-da-escola * . Harry não saboreou o empadão de carne como teria desejado . Tanto ele como o Ron achavam que tinham tido o pior de os castigos . -- O Filch vai reter me lá toda_a noite - disse Ron , desanimado . - Sem mágica ! Deve haver umas cem taças em aquela sala , eu não sei fazer limpeza de Muggles . - Eu trocava contigo de boa_vontade - confessou Harry em uma voz surda . - Tive montes de prática com os Dursleys . Responder a o correio de fãs de o Lockhart , que pesadelo ... A tarde de sábado pareceu derreter se . Pouco depois eram já cinco para as oito e Harry arrastava se até a o corredor de o segundo andar onde ficava o escritório de o Lockhart . Rangendo os dentes , bateu a a porta . A porta abriu se imediatamente e Lockhart dirigiu se lhe . - Ah , cá está o patifório ! - exclamou . - Entra , Harry , entra . Em as paredes , brilhando à_luz_de muitas velas , podia ver se uma infinidade de fotografias de Lockhart . Algumas de elas até assinadas . Sobre a secretária estava outro monte enorme . - Podes pôr as moradas em os envelopes - disse Lockhart_a_Harry , como_se fosse uma grande ameaça . - O primeiro é para Gladys_Gudgeon , abençoada seja , uma grande fã minha . Os minutos passavam lentos . De vez em quando , Harry ouvia a voz de Lockhart dizendo : - Mmm - e - certo - e - sim . - De vez em quando , apanhava uma frase como : - A fama é versátil , amigo Harry - ou - Só é célebre quem faz por isso , nunca te esqueças . As velas ardiam cada_vez com maior lentidão , fazendo a luz dançar sobre as muitas caras de Lockhart que o olhavam . Harry passava a mão , já dorida , sobre o que devia ser o centésimo envelope , escrevendo a morada de Verónica_Smethley . « Deve estar quase em a hora de me ir embora » , pensou , sentindo se profundamente infeliz , « por favor , faz com que esteja em a hora ... » E então ouviu algo , algo totalmente diferente de o crepitar de as velas e de os ditos de Lockhart sobre as suas fãs . Era uma voz , uma voz de arrepiar os ossos , de cortar a respiração , de veneno frio . - * _ Vem ... vem ter comigo ... deixa me rasgar te ... cortar te ... matar te * ... Harry deu um salto e uma enorme mancha lilás surgiu em a rua de Verónica_Smethley . - O quê ? - disse ele em voz alta . - Eu sei - exclamou Lockhart . - Seis meses inteirinhos em o topo de a lista de * bestsellers * , bati todos os recordes ! - Não - disse Harry nervosíssimo - aquela voz ! - Como ? - perguntou Lockhart , com um ar confuso . - Que voz ? - Aquela , aquela voz que disse ... não ouviu ? Lockhart olhava para Harry com o maior espanto . - De que é_que estás a falar , Harry ? Estás a ficar com sono ? Meu Deus , olha , só estamos aqui há quase quatro horas , quem diria ? O tempo passou a correr , não é verdade ? Harry não respondeu , estava a fazer um esforço para ouvir de_novo a voz , mas o único som que ouviu foi Lockhart a dizer lhe que não esperasse um tratamento igual de as próximas vezes que fosse castigado . Harry saiu , sentindo se atordoado . Era tão tarde que a sala comum de os Gryffindor estava quase vazia . Harry foi directamente para o dormitório . Ron ainda não tinha voltado . Vestiu o pijama , meteu se em a cama e esperou . Meia_hora mais tarde , chegou o Ron agarrado a o braço direito e inundando o quarto escuro de um forte cheiro a limpa-pratas . - Doem me todos os músculos - resmungou , metendo se em a cama . - Ele fez me polir catorze vezes aquela taça de Quidditch até estar satisfeito . E depois tive outro vómito em_cima_de um troféu de Reconhecimento por serviços prestados a a escola . Demorei séculos a limpar o muco de as lesmas . Como correram as coisas com o Lockhart ? Em voz baixa para não acordar o Neville , o Dean e o Seamus , Harry contou lhe , palavra por palavra , o que tinha ouvido . - E Lockhart disse que não ouviu nada ? - perguntou o Ron . Harry viu o franzir a testa , a a luz de o luar . - Achas que estava a mentir ? Mas , não percebo , mesmo um ser invisível teria aberto a porta . - Eu sei - disse Harry , encostando se a a cama e olhando para o dossel . - Também não compreendo . VIII_A festa de o dia de os mortos Outubro chegou , espalhando um frio húmido por os campos e por os cantos de o castelo . Madam_Pomfrey , a enfermeira-chefe , esteve bastante ocupada com uma onda de constipações que afectou professores e alunos . A sua poção de pimentão entrou imediatamente em acção apesar_de deixar quem a tomava com fumo em os ouvidos durante várias horas . Ginny_Weasley , que andava com ar adoentado , foi convencida a tomá a por o Percy . O fumo que saía por debaixo de o seu cabelo ruivo dava a impressão de que toda_a cabeça estava em fogo . Gotas de chuva de o tamanho de balas agrediram as janelas de o castelo durante dias a fio . O lago rosado e os canteiros de flores tornaram se regatos lamacentos e as abóboras de o Hagrid incharam ficando de o tamanho de alpendres de jardim . Contudo , o entusiasmo de Oliver_Wood por as sessões de treino regular não foi abalado , motivo por o qual Harry iria regressar a a torre de os Gryffindor , em um sábado a a tarde de temporal , alguns dias antes de o * _ Hallowe'en * , ensopado até a os ossos e todo enlameado . Além de a chuva e de o vento , não fora um treino feliz . Fred e George que tinham andado a espiar a equipa de os Slytherin tinham visto com os seus próprios olhos a velocidade alucinante de aquelas novas Nimbus dois_mil_e_um e comentaram que a equipa em o ar parecia composta por sete manchas esverdeadas que disparavam a_toda_a velocidade como aviões a jacto . Enquanto Harry chapinhava a o longo de o corredor deserto , cruzou se com alguém que parecia tão preocupado como ele : Nick quase sem cabeça , o fantasma de a torre de os Gryffindor que olhava taciturno , por a janela , murmurando baixinho : - Não preenche os requisitos , um centímetro e meio se ... - Olá , Nick - cumprimentou Harry . - Olá , olá - disse o Nick quase sem cabeça , começando a olhar em volta . Usava um arrebatado chapéu de plumas sobre a longa cabeleira encaracolada e uma túnica com gola de tufos que disfarçava o facto de ter o pescoço quase totalmente separado de o corpo . Era pálido como o fumo e Harry podia ver através de ele o céu negro e a chuva torrencial , lá fora . - Pareces preocupado , jovem Potter - disse Nick , dobrando uma carta transparente , enquanto falava e escondendo a dentro de a jaqueta . - Tu também - retorquiu Harry . - Ah ! - o Nick quase sem cabeça acenou com a mão de forma elegante . - Uma questão sem importância . Não é_que eu quisesse realmente participar apesar_de me ter inscrito , mas , a o que parece , não preencho os requisitos . - Apesar de o seu tom jovial havia em o seu rosto uma grande amargura . - Mas era de esperar , ou não era - exclamou subitamente , tirando a carta de o bolso - que ter levado quarenta_e_cinco golpes em a cabeça com um machado ferrugento me qualificaria para entrar em o grupo de os Sem - _ Cabeça ? - Sim , sim - respondeu Harry que obviamente o outro esperava que concordasse . - Isto_é , ninguém mais do_que eu desejaria que tudo tivesse sido rápido e perfeito , poupava me muitas dores e ridículo . Mas ... O Nick quase sem cabeça abriu , furioso , a carta e leu : * _ Só podemos aceitar em o grupo homens cuja cabeça tenha sido separada de o corpo . Compreenderá que de outro modo seria impossível a os nossos membros participarem em actividades como equitação de malabarismos com a cabeça e pólo de cabeça . Lamentamos profundamente informá o de que não preenche os requisitos . * _ Os nossos melhores cumprimentos , Sir_Patrick_Delaney - _ Podmore * Furioso , o Nick quase sem cabeça atirou fora a carta . - Um centímetro de pele e tendões a segurarem me a cabeça , Harry ! A maior parte de as pessoas acharia que era mais do_que o suficiente , mas não serve para o senhor correctamente decapitado Podmore . Nick quase sem cabeça respirou fundo várias vezes e , por fim , em um tom bastante mais calmo perguntou : - Então o que é_que te preocupa ? Alguma coisa que eu possa fazer por ti ? - Não - respondeu Harry . - A_não_ser_que saibas onde posso arranjar sete Nimbus dois_mil_e_um , de_graça , para o nosso campeonato contra os Sly ... - o resto de a frase foi afogada por um miado agudo vindo de perto de os seus tornozelos . Olhou para baixo e deu consigo a fitar um par de olhos que pareciam duas lâmpadas amarelas . Era_Mrs._Norris , a gata cinzenta e esquelética usada por o encarregado Argus_Filch como uma espécie de polícia em a sua infindável batalha contra os estudantes . - É melhor saíres de aqui , Harry - preveniu Nick com toda_a calma . - O Filch não está nada bem-disposto . Anda engripado e alguns alunos de o terceiro ano , por acidente , encheram o tecto de o calabouço cinco de miolos de rã . Ele tem andado toda_a manhã a limpar e se te vê a encher tudo de lama ... - Certo - disse Harry , recuando e afastando se de o olhar acusador de Mrs._Norris , mas ... tarde de mais . Conduzido até ali por o misterioso poder que parecia ligá o a a gata , Argus_Filch entrou subitamente por uma tapeçaria que se encontrava a a direita de Harry , com a sua respiração asmática , olhando vivamente em volta em busca de o infractor . Tinha um lenço grosso , de xadrez , a a volta de a cabeça e o nariz invulgarmente arroxeado . - Imundície - gritou com os maxilares a tremer e os olhos a saltarem lhe de as órbitas , enquanto apontava para a poça de lama que pingara de a túnica de Quidditch_de_Harry . - Desarrumação e imundície em todo o lado . Estou farto disto , segue me , Potter . Harry despediu se de o Nick quase sem cabeça com um tímido aceno e seguiu Filch até lá abaixo , duplicando o número de pegadas lamacentas em o chão . Nunca entrara em o gabinete de o Filch . Era um lugar que a maior parte de os estudantes evitava . A divisão era sombria e sem janelas , iluminada por uma única lamparina de óleo que pendia de o tecto . Sentia se um vago cheiro a peixe frito . As paredes estavam forradas por ficheiros de madeira . Por as etiquetas Harry percebeu que continham os dados de todos os alunos que Filch tinha punido . Fred e George_Weasley tinham uma gaveta só para eles . Atrás de a secretária estava pendurada uma colecção bem polida de correntes e algemas . Todos sabiam que ele estava sempre a pedir a Dumbledore que o deixasse pendurar os alunos em o tecto por os tornozelos . Filch pegou em uma pena que estava sobre a secretária e começou a procurar o pergaminho . - Bosta - murmurou , furioso . - Bosta de dragão , miolos de rã , intestinos de ratazana ... eu tinha aqui bastante , onde está o form ... sim ... Tirou um enorme rolo de pergaminho de a gaveta de a secretária e estendeu o em a frente , molhando a longa pena em o tinteiro . - Nome : Harry_Potter . Crime ... - Foi só um bocadinho de lama - disse Harry . - É só um bocadinho de lama para ti , rapaz , mas para mim é mais de uma hora a esfregar - gritou Filch com um pingo a tremer de modo desagradável em a extremidade de o nariz bolboso . - Crime : manchar o castelo . Sentença proposta ... Esfregando o nariz que continuava a pingar , Filch olhou com má cara para Harry que esperava com a respiração entrecortada para ouvir a sentença . Mas quando Filch pegou em a pena ouviu se um estrondo enorme em o tecto que fez a lamparina apagar se . - PEEVES - resmungou Filch , pousando a pena , cheio de raiva . - Desta_vez apanho te . Apanho te ! E sem olhar para trás , saiu a correr a_toda_a velocidade de o gabinete , seguido de a gata , Mrs._Norris . Peeves era o * poltergeist * de a escola , uma ameaça de risota esvoaçante que vivia para fazer estragos e criar aflição . Harry não gostava lá muito de ele , mas desta_vez , não podia deixar de lhe estar grato . Na_melhor_das_hipóteses o que Peeves tivesse feito ( e parecia que agora ele destruíra qualquer coisa em grande ) distrairia Filch_de_Harry . Pensando que o melhor seria esperar que ele voltasse , Harry deixou se cair em uma cadeira carcomida por o tempo que se encontrava junto de a secretária . Havia uma coisa sobre o tampo : um grande envelope roxo e lustroso com letras prateadas em a frente . Lançando um olhar rápido a a porta para confirmar que Filch não estava de volta , Harry pegou lhe e leu : __ feitiço __ rápido Um curso por correspondência De iniciação a a magia Cheio de curiosidade , abriu o envelope e retirou o rolo de pergaminho . Uma letra curvilínea e prateada dizia : Sente se pouco a a vontade em o mundo de a magia moderna ? Dá consigo a arranjar desculpas para não fazer feitiços simples ? Tem sido censurado por o deplorável trabalho com a varinha ? Eis a resposta ! Feitiço rápido e um curso totalmente novo , infalível , de resultados rápidos e rápida aprendizagem . Centenas de bruxas e feiticeiros têm beneficiado de o método feitiço rápido ! Madam_Z._Nettles_de_Topsham escreve nos : Eu não conseguia fixar os encantamentos e as minhas poções eram alvo de risota em a família . Agora , depois de o curso feitiço rápido , tornei me o centro de as atenções em todas_as festas e os meus amigos não param de pedir me a receita de a minha brilhante solução ! O mágico D.J._Prod , de Disbury , afirma : A minha mulher costumava rir se de os meus fracos encantamentos , mas bastou um mês com o vosso fabuloso curso feitiço rápido e consegui transformá a em um iaque . Obrigado , feitiço rápido ! Fascinado , Harry folheou o resto de o conteúdo de o envelope . Para que diabo quereria o Filch um curso de feitiço rápido ? Não seria ele um feiticeiro a sério ? Harry estava a ler a lição número um : Pegando em a varinha ( algumas dicas úteis ) quando umas passadas arrastadas , lá fora , o preveniram de que Filch estava de volta . Metendo rapidamente o pergaminho dentro de o envelope , lançou o para_cima de a secretária em o preciso momento em que a porta se abriu . Filch ostentava um ar triunfante . - Aquele armário que desapareceu era extremamente valioso - vinha ele a dizer a a gata , Mrs._Norris . - Desta_vez vamos correr com o Peeves , minha linda . Os seus olhos recaíram sobre Harry e logo_a_seguir sobre o envelope de o feitiço rápido que , Harry apercebeu se tarde de mais , estava meio metro distanciado de o seu lagar inicial . O rosto pálido de Filch tornou se vermelho escarlate . Harry preparou se para uma nova onda de fúria . Filch coxeou até a a secretária , arrebatou o envelope e meteu o em uma gaveta . -- Chegaste a ... lê o ? - perguntou atabalhoadamente . - Não - mentiu Harry , sem perder tempo . As mãos nodosas de o Filch contorciam se ao_mesmo_tempo . - Se eu soubesse que ias ler a minha correspondência priv ... não que seja minha ... é para um amigo ... mesmo_assim ... Harry olhava para ele espantado . Nunca vira o Filch tão louco . Os olhos pareciam querer saltar lhe de as órbitas , com um tique em as bochechas e aquele lenço axadrezado que não ajudava nada ... - Muito bem , vai e não abras a boca sobre isto ... não que ... mesmo_assim ... se tu não leste ... vai te embora , tenho de escrever o relatório sobre o Peeves , vai . Atordoado com a sua sorte , Harry saiu de ali e largou a correr por o corredor fora e por as escadas acima . Sair de o gabinete de o Filch sem um castigo devia ser um recorde em a escola . - Harry , Harry , deu resultado ? O Nick quase sem cabeça saiu a brilhar de uma sala de aula . Atrás de ele , Harry pôde ver os destroços de um grande armário preto e dourado que parecia ter sido atirado de uma grande altura . - Convenci o Peeves a parti o mesmo em cima de o gabinete de o Filch - disse Nick entusiasmado . - Pensei que talvez o distraísse . - Foste tu ? - exclamou Harry , agradecido . - Funcionou sim . Ele não me deu nenhum castigo . Obrigado , Nick . Atravessaram o corredor juntos . O Nick quase sem cabeça , reparou Harry , ainda tinha em a mão a carta de Sir_Patrick . - Gostaria de poder fazer qualquer coisa sobre o grupo de os Sem - _ Cabeça - disse Harry . O Nick quase sem cabeça parou de repente e Harry passou através de ele . Antes não tivesse passado , foi como atravessar um duche gelado . - Mas há uma coisa que tu podes fazer por mim - disse Nick muito agitado . - Harry , seria pedir te de mais ... mas não , tu não ias querer ... - O quê ? - Bem , este ano em o * _ Hallowe'en * vai ser o meu meio milénio de dia de os mortos - disse o Nick quase sem cabeça endireitando se e adquirindo uma postura de grande dignidade . - Oh - respondeu Harry sem saber se deveria lamentar ou dar lhe os parabéns . - Certo . - Vou dar uma festa em um de os calabouços mais amplos . Vêm amigos meus de todo o país . Seria uma honra muito grande se tu aparecesses . Mr._Weasley e Miss_Granger seriam também muito bem-vindos , claro . Mas tu deves preferir o banquete de a escola , não é verdade ? - Olhou para Harry , aflito . - Não - assegurou ele rapidamente . - Eu vou . - Oh rapaz , Harry_Potter em a minha festa de os mortos - hesitou no_meio_de toda aquela excitação . - Achas que poderias referir a Sir_Patrick como me achas assustador e como te impressiono ? - É claro que sim - assegurou Harry . O Nick quase sem cabeça iluminou se em um sorriso . - Uma festa de os mortos ? - exclamou Hermione , entusiasmada , quando Harry , depois de mudar de roupa , se juntou a ela e a o Ron em a sala comum . - Aposto que não há muitas pessoas que possam gabar se de ter estado em uma festa de essas . Vai ser fantástico ! - Por_que é_que alguém se lembraria de festejar o dia em que morreu ? - perguntou o Ron que estava a meio de o seu trabalho de casa de poções e bastante maldisposto . - Parece me bastante mórbido . A chuva continuava a lamber as janelas que apresentavam agora um negro que parecia tinta , mas , lá dentro , era tudo claro e alegre . O fogo em a lareira brilhava sobre as inúmeras cadeiras de braços onde as pessoas estavam sentadas a ler , a conversar , a fazer os trabalhos de casa ou , no_caso_de Fred e George_Weasley , a tentar descobrir o que aconteceria se alimentassem uma salamandra com fogo-de-artíficio de o Filibuster . O Fred tinha « resgatado . o lagarto cor de laranja brilhante , morador de o fogo , de uma aula de tratamento de seres mágicos e ele estava agora a arder em fogo lento sobre uma mesa , rodeado de um grupo de curiosos . Harry ia começar a contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre o Filch e o curso de feitiço rápido quando a salamandra disparou por os ares , lançando faíscas e estoiros . A visão de Percy a gritar com Fred e George até ficar ronco , a fantástica exibição de estrelas cor de tangerina que choviam de a boca de a salamandra e a sua fuga para o lume acompanhada de explosões , fizeram com que Harry se esquecesse , em aquele momento , de Filch e de o curso de feitiço rápido . Quando chegou o * _ Hallowe'en * , Harry já lamentava a sua promessa imprudente de ir a a festa de os mortos . Toda_a escola antecipava , feliz , a sua festa de * _ Hallowe'en * . O salão nobre fora enfeitado com os habituais morcegos , as enormes abóboras de Hagrid tinham sido esculpidas em forma de lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro_de cada uma , e havia boatos de que Dumbledore contratara um grupo de esqueletos bailarinos para animar a festa . - Uma promessa é uma promessa - lembrou Hermione_a_Harry com o seu autoritarismo habitual . - Tu disseste que ias a a festa de os mortos . Portanto , a as sete_da_tarde , Harry , Ron e Hermione saíram , passando por a porta de o salão nobre que brilhava de modo convidativo com pratos dourados e velas e dirigiram os seus passos para os calabouços . O corredor que conduzia a a festa de o Nick quase sem cabeça tinha sido também ladeado de velas , embora o efeito estivesse longe_de ser alegre : estas eram velas muito esguias e estreitas , negras de breu , ardendo em um azul brilhante e lançando uma luz indistinta e espectral também sobre as caras de as pessoas vivas . A temperatura diminuía a cada degrau que desciam . Harry tremia e cingia a túnica a o corpo quando ouviu qualquer coisa que parecia uma centena de unhas a rasparem um enorme quadro preto . - Será que isto_é a música ? - murmurou Ron . Viraram uma esquina e viram o Nick quase sem cabeça junto de uma porta , todo vestido de veludo negro . - Meus queridos amigos - disse com ar de luto . - Bem-vindos , bem-vindos , ainda_bem que puderam vir . Em um gesto largo tirou o chapéu de plumas e fez lhes sinal para que entrassem . Era uma visão incrível . O calabouço estava cheio com centenas de pessoas de um branco pálido e translúcido , a maior parte de as quais era arrastada em uma pista de dança cheia , valsando a o som de trinta serrotes musicais . Os serrotes que compunham a orquestra encontravam se sobre um estrado enfeitado com panos negros . Um lustre lá em cima resplandecia de um azul nocturno com mais um_milhar de velas negras . A respiração de os três subiu em o ar como uma neblina . Parecia que tinham entrado em um congelador . - Vamos dar uma volta - sugeriu Harry em uma tentativa de aquecer os pés . - Cuidado , não atravessem nenhum de eles - avisou o Ron nervosamente e colocaram se em volta de a pista de dança . Passaram por um grupo escuro de freiras , por um homem esfarrapado e cheio de correntes e por o frade gordo , o divertido fantasma de os Hufflepuff que estava a conversar com um cavaleiro com uma seta enfiada em a testa . Harry não ficou nada surpreendido a o ver que o Barão sangrento , o fantasma lúgubre e berrante de os Slytherin , coberto de nódoas de sangue ; estava a ser totalmente evitado por os outros fantasmas . - Oh ! Não -- exclamou Hermione , parando bruscamente . - Voltem se , voltem se , não quero ter de cumprimentar a Murta_Queixosa . - Quem ? - perguntou Harry enquanto davam rapidamente meia volta . - Ela assombra a casa_de_banho de as raparigas de o primeiro andar - explicou Hermione . - Assombra uma casa_de_banho ? - Sim . Está inoperativa durante todo o ano porque ela tem constantes acessos de choro e inunda tudo . Eu só lá fui quando não pode mesmo evitar . É horrível tentar ir a a sanita com ela a gritar connosco . - Olhem , comida - disse o Ron . De o outro lado de o calabouço estava uma mesa igualmente coberta de velado negro . Iam para se aproximar entusiasmados , mas pararam com uma expressão de horror . O cheiro era nauseabundo . Enormes peixes podres enchiam as bonitas travessas de prata , os bolos estorricados como carvões amontoavam se em as salvas , havia uma grande quantidade de miúdos de macaco , uma tábua de queijos cobertos de bolor e , em o lugar de honra , um enorme bolo cinzento em forma de lápide com letras que pareciam alcatrão formando as palavras , * _ Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington_Morto em 31_de_Outubro , 1492 * . Harry olhou espantado quando um fantasma de porte majestoso se aproximou de a mesa inclinando se e passando através de ela com a boca aberta enquanto atravessava um salmão malcheiroso . - Consegue prová o passando através de ele ? - perguntou lhe Harry . - Quase - disse tristemente o fantasma antes de se afastar . - Devem ter deixado apodrecer tudo_isto para ter um sabor mais forte - comentou Hermione com ar de quem está bem informada , tapando o nariz e aproximando se para ver melhor os pútridos miúdos de macaco . - Podemos sair de aqui , estou a sentir me agoniado - disse o Ron . Mas mal tinham dado meia volta quando um homenzinho pequenino saiu inesperadamente de debaixo de a mesa e fez uma paragem em o ar em frente de eles . - Olá , Peeves - disse Harry cautelosamente . Ao_contrário de os outros fantasmas que os rodeavam , Peeves , o * poltergeist * era o oposto de pálido e transparente . Usava um chapéu festivo cor de laranja , um laço rotativo a o pescoço e tinha um sorriso grosseiro de malvadez , em o rosto . - Querem petiscar ? - perguntou delicadamente , oferecendo lhes uma taça de amendoins cobertos de fungos . - Não , obrigada - disse Hermione . - Ouvi te falar sobre a pobre Murta - disse Peeves com os olhos a bailar . - Que insensível que tu foste para com a pobre Murta - respirou fundo e gritou : - Oh Murta . - Oh ! Não , Peeves , não lhe contes o que eu disse , ela vai ficar muito aborrecida - murmurou Hermione bastante nervosa . - Eu não queria dizer que ... eu não me importo que ela , er , olá , Murta . O espectro atarracado de uma rapariga deslizara . Tinha o rosto mais carrancudo que Harry alguma vez vira , meio escondido por o cabelo liso e por os óculos grossos cor de pérola . - O que é ? - perguntou mal-humorada . - Como estás Murta ? - perguntou Hermione , em uma voz falsamente alegre . - É bom ver te fora de a casa_de_banho . Murta fungou . - Miss_Granger estava justamente a falar de ti - disse lhe Peeves baixinho a o ouvido . - A dizer , a dizer ... como estás bonita esta noite -- terminou Hermione , olhando irritada para Peeves . A Murta olhou para Hermione desconfiada . - Estão a divertir se a a minha custa - disse , com lágrimas de prata a encherem lhe rapidamente os olhos pequeninos . - Não , a sério , eu não estava a dizer vos como a Murta estava bonita esta noite ? - disse Hermione , dando uma palmada em as costas de o Harry e de o Ron . - Sim , sim . - Ela ... - Não me venham com mentiras - protestou a Murta , as lágrimas agora a descerem lhe por o rosto , enquanto Peeves ria baixinho por cima de o ombro de ela . - Julgam que eu não sei o que as pessoas me chamam em as minhas costas ? A Murta gorda , a Murta feia , a Murta queixosa , a Murta deprimida ! - Esqueceste te de « a Murta ponto negro » - sussurrou lhe Peeves a o ouvido . A Murta_Queixosa irrompeu em soluços de angústia e fugiu de o calabouço . Peeves disparou atrás de ela , lançando lhe uma chuva de amendoins cheios de bolor e gritando : Ponto negro ! Ponto negro ! - Oh , coitada ! - exclamou Hermione com tristeza . O Nick quase sem cabeça abria agora caminho entre a multidão para se aproximar de eles . - Estão a divertir se ? - Sim , sim - mentiram . - Uma afluência nada má - disse orgulhoso o Nick quase sem cabeça . - A viúva chorosa veio de Kent ... está quase em a hora de o meu discurso . É melhor ir avisar a orquestra . Mas a orquestra parou de tocar em esse preciso momento . Eles , e todos os outros em o calabouço , ficaram em silêncio total , olhando em volta cheios de excitação quando se ouviu uma trompa de a caça . - Lá vêm eles - disse o Nick quase sem cabeça , com alguma amargura em a voz . Por o calabouço irromperam uma_dúzia de , cavalos fantasmas , cada_um montado por um cavaleiro sem cabeça . A assistência aplaudiu vivamente . Harry começou também a bater palmas , mas parou rapidamente quando viu a cara de o Nick . Os cavalos galoparam até a o meio de a pista de dança e pararam , empinando se , dando pequenos passos para a frente e para trás , sobre as patas traseiras . Um fantasma grande em a frente , cuja cabeça barbuda estava debaixo de o braço , soprando a trompa , desmontou , levantou a cabeça bem em o ar para poder ver toda_a assistência ( todos se riam ) e dirigiu se a o Nick quase sem cabeça , comprimindo a cabeça contra o pescoço . - Bem-vindo , Patrick - disse o Nick , mantendo a sua postura rígida . - Gente viva ! - exclamou o Sir_Patrick , avistando Harry , Ron e Hermione e dando um salto de falso espanto , de_tal_modo_que a cabeça lhe caiu de_novo ( a multidão ria a bom rir ) . - Muito engraçado - disse o Nick quase sem cabeça com um ar soturno . - Não ligues a o Nick - gritou a cabeça de Sir_Patrick de o chão . - Ainda está aborrecido por não o deixarmos juntar se a o grupo . Mas olhem bem para ele ... - Eu acho - disse apressadamente Harry , a seguir a um olhar de o Nick - que o Nick é muito assustador e ... eu ... - Bah ! - gritou a cabeça de Sir_Patrick . - Aposto que ele te pediu que dissesses isso . - Gostaria de ter a vossa atenção . Chegou a altura de fazer o meu discurso - disse o Nick quase sem cabeça bem alto , dirigindo se a o pódio , subindo e parando , iluminado por uma luz azul . - Os meus sentimentos , senhores e senhoras , é com profundo pesar ... Mas já ninguém estava a ouvi o . Sir_Patrick e o resto de o grupo de os Sem - _ Cabeça tinham iniciado um jogo de hóquei de cabeça e a multidão voltara se para os observar . Nick quase sem cabeça tentou em vão recuperar a audiência , mas acabou por desistir quando a cabeça de Sir_Patrick passou por ele a_toda_a velocidade gritando vivas . Harry estava cheio de frio para não falar de a fome . - Não aguento mais isto - murmurou Ron a bater o dente enquanto a orquestra voltava a entrar em acção e os fantasmas enchiam de_novo a pista de dança . - Vamos embora - concordou Harry . Recuaram até a a porta , acenando e sorrindo a todos os que olhavam para eles e um minuto depois passavam apressadamente por a entrada cheia de velas negras . - Talvez o pudim ainda não tenha acabado - disse o Ron cheio de esperança , abrindo caminho em direcção a os degraus de o vestíbulo de a entrada . E foi então que Harry ouviu aquilo . - ... * _ Arrancar ... rasgar ... matar * ... Era a mesma voz , a mesma voz fria e assassina que ouvira em o escritório de Lockhart . Parou , agarrando se a a parede de pedra em a expectativa de ouvir melhor , olhando em volta , espreitando para_cima e para baixo de a passagem mal iluminada . - Harry que estás tu a ... ? - E aquela voz outra_vez , calem se um bocadinho . -- ... * _ Tanta fome ... há tanto tempo * ... - Ouçam insistiu Harry e Ron e Hermione ficaram estáticos a olhar para ele . - * _ Matar ... hora de matar * ... A voz ia ficando mais débil . Harry tinha a certeza de que ela estava a afastar se , a subir . Um misto de medo e excitação tomou posse de ele enquanto olhava para o tecto escuro . Como poderia ele subir ? Seria um fantasma para quem os tectos de pedra não contavam ? - Por aqui - gritou , começando a correr por as éscadas acima até a a entrada de o * hall * . Não havia hipótese de ouvir fosse o que fosse ali , o barulho de vozes que vinha de o banquete de o * _ Hallowe'en * ecoava cá fora . Harry subiu a correr a escadaria de mármore até a o primeiro andar com Ron e Hermione ruidosamente atrás . - Harry o que é_que nós ... ? - Sch ... Harry apurou o ouvido . Ao_longe , em o andar de cima , e ainda a enfraquecer , mesmo_assim ouviu a voz : - ... * Cheira-me a sangue ... cheira me a sangue ! * O estômago deu lhe uma volta . - Ele vai matar alguém - gritou e ignorando as caras perplexas de Ron e Hermione , correu , subindo mais um lanço de escadas , a três_e_três , tentando ouvir através de o ruído de os seus próprios passos . Harry correu a_toda_a velocidade pelo segundo andar com Ron e Hermione atrás e só parou quando viraram uma esquina para o último corredor abandonado . - Harry , o que foi aquilo tudo ? - perguntou o Ron , limpando o suor de o rosto . - Eu não ouvi nada ... Mas Hermione , em um sobressalto , apontou para o fundo de o corredor . - Olhem ! Alguma coisa brilhava em a parede em frente . Aproximaram se devagarinho , tentando ver em a escuridão . Alguém escrevera em letras garrafais em a parede entre duas janelas . As palavras brilhavam a a chama fraca de as tochas . : __ a câmara de os segredos foi aberta . inimigos de o herdeiro , __ cuidado . - O que é aquilo pendurado por baixo de as letras ? - perguntou Ron com um tremor em a voz . Quando se aproximaram , Harry quase escorregou . Havia uma grande poça de água em o chão . Ron e Hermione agarraram o e avançaram cautelosamente até a a mensagem , os olhos fixos em uma sombra escura , em baixo . Aperceberam se os três de imediato do_que se tratava e deram um salto para trás , salpicando tudo de água . Mrs._Norris , a gata de o encarregado , estava pendurada por a cauda em o suporte de a tocha . Tinha o corpo rígido como uma tábua e os olhos abertos . Durante alguns segundos ninguém se mexeu . Depois o Ron disse : - Vamos sair de aqui . - Não devíamos tentar ajudar ? - propôs Harry , sem graça . - Acredita - assegurou o Ron . - É melhor que não nos encontrem aqui . Mas era tarde de mais . Um ruído surdo e prolongado , como um trovejar distante , avisou os de que o festim tinha terminado . De ambos os lados de o corredor onde eles estavam , veio o som de centenas de pés a subirem a escadaria e as vozes alegres de gente bem alimentada . Em o momento seguinte os alunos chegavam junto de eles de ambos os lados . O burburinho morreu subitamente mal as pessoas avistaram a gata pendurada . Harry , Ron e Hermione estavam de pé , sozinhos , em o meio de o corredor quando se fez silêncio em a multidão de estudantes que se empurravam para observar aquele quadro macabro . Então alguém gritou , quebrando o silêncio . - Inimigos de o herdeiro , cuidado . Vocês serão os próximos , sangue de lama ! Era_Draco_Malfoy . Estava a a frente de a multidão com os olhos frios a brilhar , a sua cara habitualmente pálida agora afogueada , sorrindo a a vista de a gata pendurada e imóvel . IX_As palavras em a parede -- O que é_que se passa aqui ? O que é_que se passa ? Sem dúvida , atraído por o grito de Malfoy , Argus_Filch apareceu a coxear em o meio de a multidão . Quando viu Mrs._Norris , caiu para trás agarrando o rosto com verdadeiro horror . - A minha gata ! A minha gata ! O que aconteceu a Mrs._Norris ? - gritou . E os seus olhos rápidos caíram sobre Harry . - Tu - guinchou ele . - Mataste a minha gata ! Mataste a , vou dar cabo de ti , eu ... - Argus . Dumbledore tinha chegado a o lugar , seguido de alguns professores . Em poucos segundos tinha passado a a frente de Harry , Ron e Hermione e desatado Mrs._Norris de o suporte de a tocha . - Vem comigo , Argus - disse ele a o Filch . - Vocês também , Mr._Potter , Mr._Weasley e Miss_Granger . Lockhart deu rapidamente um passo em frente . - O meu escritório é o que está mais perto , senhor director , é já aqui em cima , por favor fiquem a a vontade . - Obrigado , Gilderoy - disse Dumbledore . A multidão silenciosa dividiu se para os deixar passar . Lockhart sentindo se excitado e importante , seguia Dumbledore assim_como a professora Mc_Gonagall e o professor Snape . Quando entraram em o escritório escuro de Lockhart houve uma grande agitação em as paredes . Harry viu várias imagens de Lockhart a esconderem se cheias de rolos em o cabelo . O Lockhart em pessoa acendeu as velas e chegou se mais para trás . Dumbledore pôs Mrs._Norris em a superfície polida de a secretária e começou a examiná a . Harry , Ron e Hermione trocaram olhares tensos entre si e deixaram se cair em as cadeiras que se encontravam longe de a luz , a observar . A ponta de o nariz longo e adunco de Dumbledore estava a menos_de dois centímetros de o pêlo de Mrs._Norris . Ele olhava a de perto através de os óculos de meia-lua , os dedos longos a palpar e tactear suavemente . A professora Mc_Gonagall estava quase tão perto como ele , com os olhos contraídos . Snape surgia mais atrás , meio em a sombra , com uma expressão estranha em o rosto , como_se tentasse a_toda_a força sorrir . E Lockhart andava de um lado para o outro a dar sugestões . - Foi sem dúvida uma maldição que a matou , provavelmente a tortura de a metamorfose . Vi a muitas_vezes ser usada , mas infelizmente eu não estava lá quando isto aconteceu . Conheço o antídoto para essa maldição , o que a teria salvo . Os comentários de Lockhart foram interrompidos por os soluços secos e violentos de Filch . Estava afundado em uma cadeira junto de a secretária , incapaz de olhar para Mrs._Norris , com o rosto em as mãos . Por mais que detestasse Filch , Harry não pôde deixar de sentir pena de ele embora não tanta quanto_a que sentia por si próprio . Se Dumbledore acreditasse em o Filch ele seria certamente expulso . O director estava agora a sussurrar umas palavras estranhas e batendo em Mrs._Norris com a varinha , mas não aconteceu nada , ela continuou com o mesmo aspecto , como_se tivesse sido empalhada . - ... Lembro me de uma coisa semelhante que aconteceu em Ouagadogou - disse LockLart . - Uma série de ataques . Conto essa história em a minha autobiografia . Eu dei a a gente de a cidade vários amuletos que resolveram logo a situação ... As fotografias de Lockhart em as paredes iam acenando afirmativamente com a cabeça enquanto ele falava . Uma de elas esquecera se de tirar os rolos de o cabelo . Por fim , Dumbledore endireitou se . - Ela não está morta , Argus - disse suavemente . Lockhart interrompeu bruscamente a contagem de os crimes que conseguira evitar . - Não está morta ? - disse Filch em um sufoco , olhando através de os dedos para Mrs._Norris . - Mas , porque está ela rígida e gelada ? - Foi petrificada - disse Dumbledore ( Ah ! foi o que eu pensei ! - comentou Lockhart ) mas como , não posso afirmar . - Pergunte lhe - gritou Filch , voltando a cara cheia de furúnculos e lágrimas para Harry . - Nenhum aluno de o segundo ano poderia ter feito isto - explicou Dumbledore . - Era preciso um grande conhecimento de magia negra . - Foi ele , foi ele - disse encolerizado o encarregado com a cara a ficar roxa . - O senhor viu o que ele escreveu em a parede . Ele descobriu em o meu gabinete , ele sabe que eu sou um ... - O rosto de Filch estava horrível . - Ele sabe que eu sou um * _ busca-pé * - disse por fim . - Eu não toquei em a Mrs._Norris - gritou Harry com todos os olhares a recaírem sobre ele , incluindo o de todos os Lockharts de a parede . - E eu nem sei o que é um * busca-pé * . - Mentira ! - gritou Filch . - Ele viu a minha carta de o feitiço rápido . - Se me permite que dê a minha opinião , senhor director - disse Snape , saindo de a sombra , e a sensação de mau presságio de Harry aumentou bastante . Certamente nada do_que Snape tinha para de dizer iria ajudá o . - O Potter e os amigos podiam estar simplesmente em o lugar errado em a altura errada - afirmou com um leve sorriso a torcer lhe a boca como_se tivesse as suas dúvidas . - Mas , temos aqui um conjunto de circunstâncias curiosas . Porque estavam eles afinal em o corredor ? Porque não estiveram presentes em a festa de o * _ Hallowe'en * ? Harry , Ron e Hermione começaram uma longa explicação sobre a festa de o dia de os mortos . - Estavam lá centenas de fantasmas , eles poderão confirmar que lá estivemos ... - Mas porque não foram a seguir a o banquete ? - perguntou Snape com os olhos pretos a brilharem a a luz de as velas . - Porquê ir até a aquele corredor ? Ron e Hermione olharam para Harry . - Porque , porque ... - balbuciou Harry , com o coração a querer saltar lhe de o peito , mas algo lhe disse que ia parecer muito rebuscado se lhes contasse que tinha sido levado até ali por uma voz sem corpo que só ele conseguia ouvir . - Porque estávamos cansados e queríamos ir para a cama - disse . - Sem jantar ? - inquiriu Snape com um sorriso triunfante a bailar lhe em o rosto lúgubre . - Não sabia que os fantasmas ofereciam em as suas festas comida para gente viva . - Não estávamos com fome - disse o Ron bem alto , enquanto o estômago se queixava de forma audível . O sorriso mesquinho de a Snape ampliou se . - Acho , senhor director , que Potter não está a dizer toda_a verdade - afirmou . - Talvez fosse boa ideia retirar lhe alguns privilégios , até ele estar disposto a contar nos a história toda . Pessoalmente , sugiro que seja retirado de a equipa de os Gryffindor até decidir ser honesto . - Francamente , Severus - exclamou a professora Mc_Gonagall com uma voz cortante . - Não vejo porquê impedir o rapaz de jogar Quidditch . Esta gata não levou pauladas em a cabeça dadas por nenhum cabo de vassoura . E não há provas de que o Potter tenha feito algo de mal . Dumbledore observava Harry com um olhar perscrutador . A voz tremeluzente de os seus olhos azuis fez Harry sentir que estava a ser passado a raios X. - Inocente até se provar que é culpado , Severus - disse com segurança . Snape estava furioso , assim_como Filch . - A minha gata foi petrificada ! - berrou , com os olhos a saltarem de as órbitas . - Quero ver um castigo ! - Vamos poder curá a , Argus - explicou pacientemente Dumbledore . - Madam_Sprout conseguiu arranjar algumas Mandrágoras . Logo_que tenham atingido o tamanho adulto , terei uma poção de Mandrágoras que reanimará Mrs._Norris . - Eu posso fazê a - interrompeu Lockhart . - Devo ter feito isso uma centena de vezes . Preparo uma golada de Mandrágora reconstituinte de olhos fechados ... - Perdão - disse Snape friamente -- , mas julgo que o professor de poções de esta escola ainda sou eu . Houve um silêncio bastante incómodo . - Vocês podem ir se embora - disse Dumbledore a o Harry , Ron e a Hermione . Eles saíram o mais depressa que puderam , sem ir a correr . Quando chegaram a o andar acima de o escritório de Lockhart , entraram em uma sala de aulas vazia e fecharam a porta devagarinho . Harry lançou um olhar de esguelha a as caras carrancudas de os amigos . - Acham que eu lhes devia ter falado de a voz que ouvi ? - Não - respondeu Ron , sem a mínima hesitação . - Ouvir vozes que mais ninguém ouve , não é bom sinal , nem em o mundo de os feiticeiros . Algo em a voz de Ron levou Harry a fazer a pergunta : - Tu acreditas em mim , não acreditas ? - Claro que sim - respondeu o Ron de imediato . - Mas tens de concordar que é esquisito ... - Eu sei que é esquisito - confirmou Harry . - É tudo esquisito . O que era aquilo escrito em a parede ? * _ A_Câmara foi aberta * , o que é_que significa ? - Sabes , faz me lembrar qualquer coisa - disse Ron lentamente . - Acho que alguém me contou uma história sobre uma câmara secreta em Hogwarts , talvez tenha sido o Bill ... - E que diabos é um * busca-pé * ? - perguntou Harry . Para sua surpresa , Ron abafou o riso . - Bem , em a verdade não tem graça nenhuma , mas como é o Filch ... - disse . - Um * busca-pé * é alguém que nasceu de uma família de feiticeiros , mas não tem poderes mágicos . É uma espécie de o oposto de os que vêm de famílias de Muggles , mas são feiticeiros . Os * busca-pé * são muito raros . Se o Filch está a tentar aprender magia em um curso rápido , acho que ele deve ser mesmo um busca-pé . Isso explicaria tudo , por_exemplo , porque detesta tanto os estudantes . - Ron sorriu satisfeito . - Tem inveja . Um relógio deu as horas , algures . - Meia-noite - disse Harry . - É melhor irmo nos deitar , antes que o Snape apareça e tente acusar nos de qualquer coisa . Durante alguns dias não se falou de outra coisa em a escola a não ser de o ataque a a gata , Mrs._Norris . Filch manteve o sucedido bem fresco em a memória de todos , andando de um lado para o outro em o lugar onde ela fora atacada , como_se esperasse por o responsável . Harry vira o esfregar a mensagem de a parede com a « solução removedora de toda_a porcaria mágica Mrs._Skower » , mas sem qualquer resultado . As palavras continuavam a brilhar tanto como antes sobre a pedra . Quando Filch não estava a patrulhar a cena de o crime , vagueava , de olhos avermelhados , por os corredores , perseguindo alunos insuspeitos e tentando aplicar lhes castigos por coisas como « respirar muito alto » ou « estar alegre » . Ginny_Weasley parecia muito perturbada com o destino de Mrs._Norris . Segundo Ron ela era uma amante de gatos . - Mas tu nem chegaste a conhecer bem Mrs._Norris - disse lhe Ron para a animar . - Com toda_a franqueza , estamos muito melhor sem ela . - O lábio de Ginny tremeu . - Não é costume acontecerem coisas de estas em Hogwarts - tranquilizou a . - Eles vão descobrir o safado que fez aquilo e põem o de aqui para fora em três tempos . - Só espero que tenha tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso . Estou a brincar , claro - acrescentou o Ron apressadamente a o ver a Ginny a empalidecer . O ataque afectara também Hermione . Era costume de ela passar muito_tempo a ler , mas agora parecia não fazer mais_nada . Nem respondia a o Harry e a o Ron quando lhe perguntavam o que estava a fazer e só acabaram por descobrir em a quarta-feira seguinte . Harry tivera de ficar até mais tarde em a sala de poções onde Snape o mandara raspar restos de larvas de as secretárias . Depois de um almoço comido a a pressa , ele foi lá acima encontrar se com Ron em a biblioteca e viu Justin_Finch - _ Fletchley , o rapaz de os Hufflepuff de herbologia que vinha em direcção a ele . Harry tinha acabado de abrir a boca para dizer um « Olá » quando Justin o viu , voltando se bruscamente e mudando de direcção . Harry foi encontrar o Ron em as traseiras de a biblioteca , a medir o trabalho de casa de história de a magia . O professor Binns pedira uma composição sobre a Assembleia_Medieval_de_Feiticeiros_Europeus com 90cm . De extensão . - Não posso crer que ainda me faltem 16cm - disse o Ron furioso , largando o pergaminho que se enrolou em forma de tubo - e que a Hermione fez um metro e trinta em aquela letra pequenina e apertadinha . - Onde está ela ? - perguntou Harry , agarrando em a fita métrica e desembrulhando o seu trabalho de casa . - Algures por aí - disse o Ron , apontando para as estantes . - _ a a procura de outro livro . Acho que ela está a tentar ler a biblioteca toda antes de o Natal . Harry contou a Ron que Justin_Finch - _ Fletchley tinha evitado falar lhe . - Não sei porque te preocupas com isso . Eu achei o um idiota - disse o Ron , escrevinhando e fazendo a letra o maior possível . - Todo aquele disparate sobre o Lockhart ser tão grande ... Hermione surgiu de o meio de as estantes . Parecia irritada e disposta , por fim , a falar com eles . - Todos os exemplares de * _ Hogwarts : Uma História * foram requisitados - disse , sentando se ao_lado_de Harry e Ron . - E há uma lista de espera de duas semanas . Quem me dera não ter deixado o meu exemplar em casa , mas não consegui que coubesse em a mala com todos os livros de o Lockhart . - Para que o queres ? - perguntou Harry . - Pelo mesmo motivo que toda_a_gente o quer - disse Hermione . - Para ler a lenda de a Câmara_dos_Segredos . - O que é isso ? - Precisamente . Não me lembro - disse Hermione , mordendo o lábio . - E não encontro a História em lugar nenhum . - Hermione , deixa me ler o teu trabalho - pediu Ron desesperado , olhando para o relógio . - Não , não deixo - respondeu Hermione com um ar severo . - Tiveste dez dias para o fazer . - Só preciso de mais quatro centímetros , vá lá ... A campainha tocou . Ron e Hermione encaminharam se para a História_da_Magia , discutindo . A História_da_Magia era a matéria mais chata de o programa . O professor Binns , que dava a cadeira , era o único professor fantasma e a coisa mais excitante que aconteceu em as suas aulas foi o dia em que entrou por o quadro preto . Já velho e enrugado , muita gente afirmava a seu respeito que ele não dera por_que tinha morrido . Pura e simplesmente levantara se um dia para ir dar aulas , deixando o corpo atrás , em um cadeirão em frente de a lareira de a sala de os professores . Desde esse dia a sua rotina mantivera se igual . Era hoje tão chato como fora sempre . Abriu as notas e começou a ler em um tom monocórdico como um velho aspirador até quase todos os alunos estarem em um estado de profunda dormência , acordando de vez em quando , para tomar nota de um nome ou de uma data , e voltando a adormecer . Estava a falar havia meia_hora quando aconteceu algo que nunca tinha acontecido . Hermione pôs o braço em o ar . O professor Binns olhou de relance , em o meio de a chatíssima aula sobre a Convenção_Internacional_de_Feiticeiros de 1289 , verdadeiramente espantado . - Miss ... er ... ? - Granger , professor . Poderia dizer nos alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Hermione em uma voz bem audível . O Dean_Thomas , que tinha estado sentado de boca aberta olhando para fora de a janela , saiu de o seu transe com um salto . A cabeça de Lavender_Brown saiu de os braços e o cotovelo de o Neville_Longbottom escorregou para fora de a secretária . O professor Binns piscou os olhos . - A minha matéria é História_da_Magia - disse em a sua voz seca e asmática . - Eu trato de factos , Miss_Granger , não de mitos e lendas - pigarreou produzindo um ruído que parecia o giz sobre o quadro e continuou : - Em Setembro de esse ano , uma subcomissão de feiticeiros de a Sardenha ... Parou de repente . A mão de Hermione estava de_novo em o ar . - Sim , Miss_Grant ? - Por favor , professor , as lendas não têm sempre um facto como base ? O professor Binns olhava para ela com tal espanto que Harry teve a certeza de que ele nunca , em tempo algum , fora interrompido por um aluno . - Bem - disse lentamente o professor Binns . - Sim , é uma afirmação que pode fazer se . - Olhou para Hermione como_se fosse a primeira vez que olhasse a sério para um estudante . - Contudo , a lenda de que me fala é tão extraordinária , mesmo grotesca ... Mas a aula inteira estava agora atenta a as palavras de o professor , que olhou indistintamente para todos eles . Harry poderia assegurar que ele estava absolutamente abismado por uma tão grande demonstração de interesse . - Muito bem - disse lentamente . - Ora vejamos ... a Câmara_dos_Segredos . Todos vocês sabem com certeza que Hogwarts foi fundada há mais de um_milhar de anos , não se conhece ao_certo a data , por os quatro maiores feiticeiros e feiticeiras de a época : Godric_Gryffindor , Helga_Hufflepuff , Rowena_Ravenclaw e Salazar_Slytherin . Construíram juntos este castelo , longe de os olhares curiosos de os Muggles porque em aquele tempo a magia era temida por as pessoas comuns e as bruxas e feiticeiros sofriam terríveis perseguições . Fez uma pausa , olhou indeciso em volta e prosseguiu : - Durante alguns anos , os fundadores trabalharam juntos em harmonia procurando outros mais novos que mostrassem sinais de possuir dotes mágicos e trazendo os para o castelo para aqui serem ensinados . Mas os desentendimentos surgiram entre eles . Começou a notar se uma divisão entre Slytherin e os outros . Salazar_Slytherin queria ser mais selectivo em relação a os alunos a serem admitidos em Hogwarts . Achava que os ensinamentos de magia deviam ficar dentro de as famílias de feiticeiros . Não lhe agradava a entrada em a escola de alunos de famílias Muggles porque os achava pouco dignos de confiança . Depois de algum tempo houve uma séria discussão sobre esse assunto entre Slytherin e Gryffindor e Slytherin abandonou a escola . O professor Binns fez uma nova pausa , fazendo beicinho o que o fazia parecer uma tartaruga enrugada . - Fontes fidedignas referem nos isto - disse . - Mas estes factos foram obscurecidos por a fantasiosa lenda de a Câmara_dos_Segredos . Conta a história que Slytherin construíra uma câmara oculta dentro de o castelo cuja existência os outros fundadores ignoravam . De_acordo com a lenda , Slytherin selou a Câmara_dos_Segredos para que ninguém pudesse abri a até o seu verdadeiro herdeiro chegar a a escola . O herdeiro , e apenas ele , poderia abrir a Câmara_dos_Segredos , libertar o horror que lá se encontrava e utilizá o para expurgar a escola de todos aqueles que eram indignos de aprender magia . Houve um silêncio quando ele se calou que não era o habitual silêncio de sono de as aulas de o professor Binns . Havia um desassossego em o ar enquanto todos continuavam a olhá o a a espera de mais . O professor Binns estava ligeiramente aborrecido . - A história toda é um disparate , claro - disse ele . - A escola foi revistada por várias vezes em busca de provas de a existência de essa câmara , por os feiticeiros e bruxas mais conhecedores . Não existe nada . Uma lenda que serviu apenas para assustar os ingénuos . A mão de Hermione estava novamente em o ar . - Professor , o que quer_dizer , ao_certo com « o horror que estava dentro de a câmara » ? - Acredita se que seja uma espécie de monstro que só o herdeiro de Slytherin pode controlar - disse o professor Binns em a sua voz seca e débil . A aula trocou entre si olhares inquietos . - Como vos digo , a coisa não existe - afirmou o professor Binns , desordenando as suas notas . - Não há câmara e não há monstro . - Mas , professor - disse Seamus_Finnigan . - Se a câmara só podia ser aberta por o herdeiro de Slytherin ninguém mais poderia encontrá a . Não é ? - Um disparate pegado - disse o professor Binns , em um tom de voz exasperado . - Se uma longa sucessão de directores e directoras de Hogwarts não a encontraram ... - Mas , professor - começou a dizer Parvati_Patil . Se_calhar é preciso usar magia negra para a abrir ... - Lá porque um feiticeiro não usa magia negra não quer_dizer que não possa , Miss_Pennyfeather - interrompeu o professor Binns . - Repito , se os antecessores de Dumbledore ... - Mas talvez seja preciso fazer parte de os Slytherin , por isso Dumbledore não podia ... - começou Dean_Thomas , mas o professor Binns já estava farto . - Já chega - disse , de modo cortante . - É um mito . Não existe . Não há uma única prova de que Slytherin tenha construído nem mesmo uma despensa para vassouras . Lamento ter vos contado esta história tola . Vamos voltar , se fazem o favor , a a História , a os factos sólidos , verificáveis , credíveis . E em menos_de cinco minutos toda_a classe mergulhara em a sua sonolência habitual . - Eu sempre ouvi dizer que Salazar_Slytherin era um velho retorcido e meio pateta - disse Ron_a_Harry e Hermione enquanto abriam caminho por os corredores cheios , em o final de a aula , para ir arrumar as malas antes de o jantar . - Mas não sabia que ele tinha começado esta coisa de o sangue puro . Eu não ia para os Slytherin nem que me pagassem . Se o chapéu seleccionador me tivesse posto lá , pegava em as malas e ia me embora ... Hermione acenou vivamente , mas Harry não abriu a boca . O estômago parecia ter dado uma volta . Harry nunca contara a o Ron e a a Hermione que o chapéu seleccionador tinha considerado seriamente a possibilidade de o colocar em os Slytherin . Lembrava se como_se tivesse sido em a véspera do_que a vozinha lhe dissera a o ouvido quando pôs o chapéu em a cabeça , um ano antes . * _ Podias vir a ser grande , sabes ? Está tudo aqui em a tua cabeça e Slytherin ajudaria te em o caminho para a grandeza , sem a menor dúvida * ... Mas Harry , que já ouvira falar de a fama de o grupo de os Slytherin de formar magos negros , pensou desesperadamente . - Em os Slytherin , não ! - E o chapéu tinha dito . - Bem , se tens assim tanta certeza ... será melhor os Gryfffndor . Enquanto eram empurrados por a multidão , Colin_Creevey passou por eles . - Olá , Harry ! - Olá , Colin - disse Harry automaticamente . - Harry , Harry , um rapaz de a minha turma tem andado a dizer que tu és ... Mas Colin era tão baixinho que não conseguiu lutar contra a maré de gente que o arrastou até a o vestíbulo . Ouviram o despedir se : - Adeus , Harry - e desaparecer . - O que é_que o rapaz de a turma de ele disse de ti ? - quis saber Hermione . - Que eu sou o herdeiro de Slytherin , imagino - disse Harry , com o estômago ainda a as voltas e lembrou se de repente de o Justin_Finch - _ Fletchley a fugir para não lhe falar , a a hora de o almoço . - As pessoas aqui acreditam em tudo - disse o Ron com repugnância . A multidão diminuiu e conseguiram subir as escadas sem dificuldade . - Achas mesmo_que existe uma Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Ron_a_Hermione . - Não sei - respondeu ela , franzindo a testa . - Dumbledore não conseguiu curar Mrs._Norris e isso leva me a pensar que o que a atacou pode não ser ... humano . Enquanto falava , voltaram uma esquina e encontraram se em o fim de aquele mesmo corredor onde o ataque tinha ocorrido . Pararam para olhar . Estava tudo igual a aquela outra noite , com excepção de a gata Mrs._Norris e havia uma cadeira vazia encostada a a parede , onde podia ler se a mensagem « : __ a câmara foi __ aberta » . - Foi aqui que o Filch montou a guarda - murmurou Ron . Olharam uns para os outros . O corredor estava deserto . - Não deve fazer mal dar uma olhadela aqui - disse Harry , deixando cair a mala e pondo se de quatro para poder gatinhar em busca de pistas . - Marcas de queimadura - disse - aqui e aqui ... - Venham ver isto ! - chamou Hermione . - Que estranho ... Harry levantou se e foi até a a janela que ficava junto de a mensagem . Hermione apontava para o vidro mais alto , onde cerca de uma vintena de aranhas se debatiam em uma aparente luta por atravessar por uma pequena brecha de vidro . Um longo fio prateado balouçava como uma corda , como_se todas tivessem trepado , em a ânsia de chegar lá fora . - Alguma vez viram aranhas agir assim ? - perguntou Hermione , curiosa . - Não - respondeu Harry . - E tu , Ron ? Ron ? Olhou por cima de o ombro . Ron estava de costas , bem lá atrás e parecia lutar contra o impulso de se virar . - O que é_que se passa ? - perguntou Harry . - Eu não gosto de aranhas - disse Ron , de modo tenso . - Nunca me tinhas dito - comentou Hermione , olhando para ele com surpresa . - Estás farto de usar aranhas em as poções ... - Não me importo quando estão mortas - explicou Ron que olhava cautelosamente para todos os lados , menos para a janela . - Não gosto de a maneira como_se mexem . Hermione riu se baixinho . - Não tem graça nenhuma - disse o Ron , furioso . - Se queres saber , quando eu tinha três anos , o Fred transformou o meu ursinho de pelúcia em uma enorme aranha nojenta , por eu lhe ter partido a vassoura de brinquedo . Tu também não gostarias de aranhas se estivesses agarrada a o teu ursinho e , de repente , ele tivesse uma data de pernas e ... Começou a tremer ... Hermione ainda estava a tentar conter o riso . Sentindo que era melhor mudarem de assunto , Harry perguntou : - Lembram se de a água que havia aqui em o chão ? De onde terá vindo ? Alguém a limpou . - Era por aqui - disse o Ron , já recuperado , avançando alguns passos em direcção a a cadeira de o Filch e apontando . - Junto de esta porta . Estendeu a mão para o puxador de a porta , mas retirou a de imediato , como_se se tivesse queimado . - O que foi ? - perguntou Harry . - Não posso entrar aí - disse o Ron bruscamente . - É a casa_de_banho de as raparigas . - Oh , Ron , não está aí ninguém - sossegou o Hermione enquanto se aproximava . - É o lugar de a Murta_Queixosa . Anda , vamos dar uma espreitadela . E ignorando o grande letreiro que dizia « Fora de serviço » Hermione abriu a porta . Era a casa_de_banho mais sombria e deprimente em que Harry tinha posto os pés durante toda_a sua vida . Debaixo_de um grande espelho partido e sujo podia ver se uma fila de lavatórios de pedra , rachados . O chão estava húmido e reflectia a luz fraca de os pavios de algumas velas que ardiam baixinho em os suportes . As portas de madeira de os cubículos estavam todas lascadas e riscadas e uma de elas balouçava fora de as dobradiças . Hermione levou os dedos a os lábios e foi até a o último cubículo . Quando lá chegou disse : - Olá , Murta , como estás ? Harry e Ron foram ver . A Murta_Queixosa flutuava em a cisterna de a casa_de_banho , tirando um ponto negro de o queixo . - Esta é a casa_de_banho de as raparigas - disse a o ver o Ron e o Harry . - Eles não são raparigas . - Não - concordou Hermione . - Eu só queria mostrar lhes como esta casa_de_banho é ... er ... simpática . Ela fez um aceno vago a o velho espelho sujo e a o chão húmido . - Pergunta lhe se viu alguma coisa - sussurrou o Ron a a Hermione . - Porque estão a dizer segredinhos ? - perguntou a Murta , fitando o . - Não é nada - disse Harry rapidamente . - Queríamos perguntar ... - Gostava que as pessoas parassem de falar em as minhas costas ! - desabafou a Murta em uma voz abafada por as lágrimas . - Eu tenho sentimentos , sabem , apesar_de estar morta . - Murta , ninguém quis aborrecer te - explicou Hermione . - O Harry só ... - A minha vida foi uma infelicidade em este lugar e agora as pessoas vêm estragar a minha morte . - Nós queríamos perguntar te se tinhas visto alguma coisa estranha ultimamente - disse Hermione sem perder tempo . - Porque foi atacada uma gata mesmo aqui a a frente de a tua porta em a noite de o * _ Hallowe'en * . - Viste alguém aqui perto em essa noite ? - insistiu Harry . - Não estava a prestar atenção - disse a Murta com ar dramático . - O Peeves aborreceu me tanto que vim aqui para tentar matar me . Só então me lembrei de que estou ... de que estou ... - Já morta - ajudou o Ron . A Murta soluçou tragicamente , elevou se em o ar , voltou se e mergulhou de cabeça em a sanita , espalhando água por_cima_de todos eles e desaparecendo . Por o som de os seus soluços abafados fora certamente descansar algures em o cano em forma de V._Harry e Ron ficaram de boca aberta , mas Hermione encolheu os ombros de cansaço e disse : - Se querem saber , para a Murta isto até foi alegre ... vá , vamos embora . Harry tinha acabado de fechar a porta deixando atrás os soluços gorgolejantes de a Murta quando uma voz forte o fez dar um salto . - RON ! Percy_Weasley estava parado em o cimo de as escadas com o seu distintivo de prefeito a brilhar e uma expressão chocadíssima em o rosto . - Isso é a casa_de_banho de as raparigas ... o que é_que vocês ... ? - Estávamos só a dar uma vista de olhos - exclamou o Ron - a a procura de pistas ... Percy engoliu em seco , de uma maneira que fez Harry lembrar se de Mrs._Weasley . - Saiam imediatamente de aqui - disse , aproximando se de eles a passos largos e gesticulando agitadamente . - Não se preocupam com as aparências ? Voltar aqui enquanto toda_a_gente está a jantar ... - Porque não havíamos de estar aqui ? - perguntou cheio de vivacidade o Ron , parando de repente e olhando Percy em os olhos . - Ouve lá , nós não tocamos em aquela gata . - Isso foi o que eu tentei explicar a a Ginny - respondeu Percy furioso - mas ela parece continuar a pensar que vocês vão ser expulsos . Nunca a vi tão aflita . Não pára de chorar . Devias pensar em ela . Todos os alunos de o primeiro ano andam superexcitados com esta história . - Tu não estás nada preocupado com a Ginny - disse o Ron já com as orelhas vermelhas . - O que te assusta é_que eu possa estragar as tuas possibilidades de ser chefe de turma . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor ! - bradou Percy , apontando elegantemente para o distintivo de prefeito . - E espero que te sirva de lição . Acabou se o trabalho de detective ou escrevo a a mãe a contar lhe . E voltou lhes as costas , a nuca tão vermelha como as orelhas de o Ron . Harry , Ron e Hermione , em essa noite , sentaram se em a sala comum o mais longe possível de Percy . Ron estava ainda muito maldisposto e não parava de esborratar o trabalho de casa de os encantamentos . Quando pegou distraidamente em a varinha para tirar as manchas incendiou o pergaminho . A deitar quase tanto fumo como o seu trabalho de casa , fechou bruscamente o * _ Livro_Padrão_de_Encantamentos de o 2.o Grau * . Para grande surpresa de Harry , Hermione fez o mesmo . - Mas quem poderia ser - perguntou ela baixinho como_se continuasse uma conversa que tinham acabado de ter . - Quem quereria todos os * busca-pés * e filhos de Muggles fora de Hogwarts ? - Vamos pensar - disse o Ron em a brincadeira , fingindo estar confuso . - Quem poderemos nós conhecer que ache que os familiares de Muggles são escumalha ? Olhou para Hermione . Ela olhou para ele pouco convencida . - Se estás a pensar em o Malfoy ... - Claro que estou - disse o Ron . - Tu ouviste o dizer : - Vocês serão os próximos , sangues de lama ! - Aliás , basta olhar para aquela cara de renegado para saber que ele é ... - Malfoy , o herdeiro de Slytherin ? - repetiu Hermione cepticamente . - Olha para a família de ele - disse Harry , fechando também os livros . - Todos eles estiveram em os Slytherin . O Draco está sempre a vangloriar se de isso . Podiam bem ser descendentes de Slytherin . O pai de ele é suficientemente mau . - Podiam perfeitamente ter tido a chave de a Câmara_dos_Segredos durante séculos - disse Ron - , fazendo a passar de pai para filho . - Bem - acedeu Hermione cautelosamente . - Seria possível ... - Mas como prová o ? - perguntou Harry tristemente . - Talvez haja um meio - sugeriu Hermione lentamente , baixando ainda mais a voz e lançando um olhar , através de a sala , a Percy . - É claro que não é fácil . E é perigoso , muito perigoso . Suponho que iríamos infringir cerca de cinquenta regras de a escola . - Se de aqui a um mês ou dois te decidires a explicar , avisa , está bem ? - disse Ron , que começava a ficar irritado . - Está bem - concordou Hermione friamente . - O que precisaríamos de fazer para entrar em a sala comum de os Slytherin e fazer algumas perguntas a o Malfoy , sem ele perceber que éramos nós ? - Mas isso é impossível - declarou Harry , enquanto Ron se ria . - Não , não é - continuou Hermione . - Só precisamos de um_pouco de poção * polisuco * . - O que é isso ? - perguntaram ao_mesmo_tempo Ron e Harry . - O Snape falou de ela em uma aula , há poucas semanas atrás . - Achas que não temos mais o que fazer do_que ouvir o Snape ? - murmurou o Ron . - Transforma nos em outra pessoa . Pensem em isso : podíamos transformar nos em três de os Slytherin . Ninguém saberia que éramos nós . É provável que o Malfoy nos contasse alguma coisa . Aposto que ele está a gabar se , em este momento , em a sala de os Slytherin , se ao_menos pudéssemos ouvi o . - Essa coisa de o * polisuco * cheira me um bocado mal - disse o Ron , franzindo as sobrancelhas . - E se ficarmos com a forma de os três Slytherin para sempre ? - Desaparece a o fim de algum tempo - disse Hermione , gesticulando impacientemente com a mão - mas conseguir a receita é muito difícil . O Snape disse que vinha em um livro chamado * _ As_Mais_Potentes_Poções * e está com certeza em a parte de os reservados de a biblioteca . Só havia uma maneira de obter o livro de os reservados : era com uma autorização assinada por um professor . - Não estou a ver porque quereríamos o livro - disse o Ron . - Se não para tentar fabricar uma de as poções . - Eu acho - sugeriu Hermione - que se fizéssemos parecer que o nosso interesse era apenas teórico , talvez conseguíssemos ... - Estás a sonhar , nenhum professor ia cair em essa - afirmou o Ron . - Só se fosse muito burro . X_A * bludger * perigosa Depois de o desastroso incidente de os duendes , o professor Lockhart não voltou a levar seres vivos para as aulas . Em vez de isso , lia a os alunos passagens de os seus livros e , por vezes , voltava a desempenhar alguns de os episódios mais dramáticos . Costumava chamar Harry para o ajudar em essas reconstruções . Até ali Harry fora obrigado a desempenhar o papel de um camponês de a Transilvânia que Lockhart curara de uma maldição murmurada , o abominável homem de as neves com dores de cabeça e um vampiro que depois de ter conhecido Lockhart tinha ficado incapaz de comer outra coisa que não fosse alfaces . Harry foi chamado para a frente de a classe durante a aula de Defesa contra as artes negras que se seguiu . Desta_vez para desempenhar o papel de um lobisomem . Se não tivesse um bom motivo para querer ver o Lockhart bem-disposto , teria se recusado . - Um uivo bem alto , excelente , Harry , isso mesmo . E foi então que , acreditem ou não , eu o ataquei de repente , assim . Atirei o a o chão , agarrei o com uma mão e com a outra consegui meter lhe a varinha em a garganta . Então , com a força que me restava pus em prática o complicadíssimo encantamento * _ Homorphus * . Harry soltou um uivo tristíssimo . - Vá lá , Harry , mais alto . Bom ... o pêlo desapareceu , os dentes diminuíram de tamanho e ele transformou se em um homem . Simples , mas eficaz e mais uma cidade ficará a lembrar se de mim para sempre como o herói que os libertou de os ataques mensais de o lobisomem . A campainha tocou e Lockhart pôs se de pé . - Trabalho para_casa : escrever um poema sobre a minha vitória sobre o lobisomem Wagga_Wagga . Há um exemplar autografado de * _ Eu , o Mágico * para o autor de o melhor poema . Os alunos começaram a sair . Harry voltou para trás e foi juntar se a o Ron e a a Hermione que estavam a a espera de ele . - Prontos ? - perguntou . - Espera até saírem todos - disse Hermione bastante nervosa . - Pronto ... Aproximou se de a secretária de Lockhart , apertando em a mão uma folha de papel , com o Ron e o Harry atrás . - Er ... professor Lockhart - gaguejou Hermione . - Eu queria requisitar este livro em a biblioteca , como leitura de apoio - entregou lhe o papel , com a mão ligeiramente trémula . - Só que faz parte de a secção de os reservados , por isso preciso de a assinatura de um professor . Acho que o livro me vai ajudar a compreender o que o senhor diz em * _ Passeios com Vampiros * acerca de os venenos de acção lenta ... - Ah , * _ Passeando com Vampiros * - disse Lockhart , pegando em a folha de papel de Hermione e sorrindo lhe abertamente . - E provavelmente o meu livro preferido . Gostou ? - Oh , muito - disse Hermione avidamente . - Tão inteligente o modo como apanhou o último com o passador de o chá . - Bem , tenho a certeza que ninguém se importará que eu dê uma ajudazinha suplementar a a melhor aluna de o segundo ano - disse Lockhart calorosamente , sacando de uma enorme pena de pavão . - É bonita , não é ? - comentou , adivinhando uma expressão de repulsa em a cara de o Ron . - Costumo guardas a para as minhas assinaturas de autógrafos . Rabiscou uma enorme assinatura cheia de altos e baixos e entregou a a Hermione . - Então , Harry - disse Lockhart enquanto Hermione dobrava a folha e a guardava em o saco . - Amanhã é a primeira partida de Quidditch de este ano , não é ? Gryffindor contra Slytherin . Ouvi dizer que és um jogador indispensável . Eu também fui * seeker * . Convidaram me inclusivamente para fazer parte de a Equipa_Nacional , mas eu preferi dedicar a minha vida a a erradicação de as forças de o mal . Mesmo_assim , se alguma vez precisares de um treino particular , não hesites em falar comigo , estou sempre disponível para partilhar a minha perícia com os jogadores menos dotados do_que eu . Harry fez um som indistinto com a garganta e saiu atrás_de Ron e Hermione . - Não acredito - disse quando os três examinavam a assinatura de Lockhart . - Ele nem viu que livro nós queríamos . - É porque é um idiota sem miolos - explicou o Ron . - Mas , quem se rala , temos o que queríamos . - Ele não é um idiota sem miolos - gritou Hermione com voz esganiçada enquanto se aproximavam quase a correr de a biblioteca . - Só porque ele disse que eras a melhor aluna de o segundo ano ... Baixaram as vozes a o entrar em a quietude abafada de a biblioteca . Madam_Prince , a bibliotecária , era uma mulher magra e irritável que parecia um abutre mal nutrido . - * _ Moste_Potente_Potions * ? - repetiu intrigada , tentando ficar com a folha de papel que Hermione se recusava a entregar lhe . - Gostava de a guardar para mim - disse sem fôlego . - Vá lá - intercedeu Ron , arrancando lhe a de as mãos e entregando a a Madam_Prince . - Nós arranjamos te outro autógrafo . O Lockhart assina tudo se aqui ficar muito_tempo . Madam_Prince pegou em o papel e voltou o em a direcção de a luz , decidida a descobrir uma falsificação , mas a assinatura passou em o teste . Desapareceu entre as estantes e voltou alguns minutos mais tarde , transportando um livro grande e de aspecto antiquado . Hermione meteu o com todo o cuidado em o saco e saíram , tentando não andar depressa de mais nem aparentar um ar culpado . Cinco minutos depois , estavam de_novo barricados em a casa_de_banho fora de serviço de a Murta_Queixosa . Hermione destruíra as objecções de Ron argumentando que aquele era o último lugar onde alguém em o seu juízo perfeito se lembraria de ir e que poderia assegurar lhes alguma privacidade . A Murta_Queixosa chorava ruidosamente em o seu cubículo , mas eles conseguiram ignorá a assim_como ela a eles . Hermione abriu * _ Moste_Potente_Potions * com todo o cuidado e inclinaram se os três sobre as páginas manchadas de humidade . Era fácil de perceber , logo à_primeira_vista de olhos , porque pertencia a a secção de os reservados . Algumas de as poções tinham efeitos quase impensáveis de tão macabros e havia ilustrações bastante desagradáveis , como , por_exemplo , aquela em que um homem parecia ter sido virado de o avesso e a de a bruxa com vários pares de braços suplementares a nascerem lhe em a cabeça . - Aqui está - disse Hermione excitadíssima a o encontrar a página intitulada « A poção * polisuco * « . Estava ilustrada com imagens de pessoas a meio de o processo de se transformarem em outras pessoas e Harry desejou ardentemente que a expressão de dor intensa que se lhes espelhava em o rosto fosse apenas produto de a imaginação de o artista desenhador . - Esta é a poção mais complicada que vi até hoje - disse Hermione enquanto examinava a receita . - Moscas asas de renda , sanguessugas , fluxo de cizânias e verdezelha - murmurou , acompanhando com o dedo a lista de ingredientes . - Bem , esses são relativamente simples , há os em a despensa de material de os estudantes , podemos tirar a a nossa vontade . Oh ! Vê só , pó de chifre de bicórneo ... não sei onde vamos arranjar isto ... e , é claro , um pedacinho de a pessoa em quem queremos transformar nos . - Como ? - perguntou Ron de forma cortante . - O que é_que queres dizer com um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos ? Eu não bebo nada que tenha lá dentro as unhas de os pés de o Crabbe ... Hermione continuou como_se não o tivesse ouvido . - Mas não temos que nos preocupar com isso por enquanto . Fica para o fim . Ron voltou se sem palavras para o Harry que tinha uma preocupação de outro tipo . - Já viste bem tudo_o_que vamos ter que roubar , Hermione ? Algumas coisas , não estão de certeza em a despensa de material de os alunos . O que é_que vamos fazer , arrombar os armários pessoais de o Snape ? Não sei se será uma boa ideia ... Hermione fechou o livro com um estrondo . - Bem , se vocês os dois se vão acagaçar , então está lindo - disse ela . Tinha as bochechas rosadas e os olhos mais brilhantes do_que era habitual . - Eu não gosto de quebrar regras , vocês sabem , mas acho que ameaçar os filhos de os Muggles é muito pior do_que construir uma poção difícil . Mas se vocês não querem descobrir se é o Malfoy , eu posso voltar já a a biblioteca e entregar o livro a Madam_Prince ... - Nunca pensei que chegaria o dia em que serias tu a convencer nos a quebrar regras - disse o Ron . - Está bem , vamos em essa , mas sem unhas de os pés , O. _ K. ? - Quanto tempo vai isso demorar a fazer , afinal ? - perguntou Harry quando Hermione , já com um ar mais satisfeito , voltou a abrir o livro . - Bem , como o fluxo de cizânias tem de ser recolhido durante a lua cheia e as asas de renda têm de ser abafadas durante vinte_e_um dias ... eu diria que se conseguirmos arranjar todos os ingredientes estará pronta dentro_de um mês . - Um mês ? - exclamou o Ron . - Nessa_altura já o Malfoy terá atacado metade de os filhos de Muggles ! - mas os olhos de Hermione contraíram se de_novo assustadoramente e ele acrescentou rapidamente . - Mas é o melhor plano que temos , por isso é melhor não olharmos para trás . Apesar_de tudo , enquanto Hermione verificava que não havia ninguém em os corredores e podiam sair de a casa_de_banho , Ron murmurou a Harry : - Seria muito mais simples se conseguisses , amanhã , atirar o Malfoy de a vassoura abaixo . Harry acordou cedo em o sábado de manhã e ficou um bocado a pensar em a partida de Quidditch que vinha a seguir . Estava nervoso , principalmente pelo que Wood diria se os Gryffindor perdessem , mas também com a ideia de enfrentar uma equipa apetrechada com as vassouras mais velozes que existiam . Nunca desejara tanto vencer os Slytherin como em aquele dia . Depois de meia_hora deitado com a barriga a dar horas , resolveu levantar se , vestir se e descer para tomar o pequeno-almoço . Lá em baixo , encontrou o resto de a equipa de os Gryffindor amontoada a o longo de a mesa comprida e vazia , todos eles com ar preocupado e sem vontade de conversar . Como_se aproximavam as onze horas , todos os alunos de a escola começaram a dirigir se para o estádio de Quidditch . O dia estava quente e húmido , com uma ameaça de trovoada em o ar . Ron e Hermione vieram apressadamente desejar a Harry boa sorte mal ele entrou em os vestiários . A equipa de os Gryffindor pôs os seus mantos vermelhos e sentou se para ouvir o discurso que Wood lhes fazia sempre antes de o jogo . - Os Slytherin têm vassouras melhores do_que nós - começou . - Não há como negá o . Mas nós temos gente melhor em cima de as vassouras . Treinámos mais do_que eles , voamos com todas_as condições climatéricas ( É bem verdade - murmurou George_Weasley - desde Agosto que não sei o que é estar seco ) . - E vamos fazê os engolir o dia em que deixaram aquele nojento de o Malfoy comprar a entrada em a equipa de eles . Com o peito agitado por a comoção , Wood voltou se par Harry . -- Cabe te a ti , Harry , mostrar lhes que um * seeker * tem de ter mais do_que um pai rico . Agarra a * snitch * antes d Malfoy ou morre a tentar porque temos absolutamente que vencer , hoje , Harry , temos que vencer . - Sem ansiedade , Harry - disse o Fred , piscando lhe o olho . Quando saíram em direcção a o campo , foram saudado por uma grande ovação principalmente de a parte de os Ravenclaw e de os Hufflepuff que estavam ansiosos por ver os Slytherin serem derrotados , mas os Slytherin que estavam entre a multidão também fizeram ouvir as suas vaias e pateadas . Madam_Hooch , a professora de Quidditch , pediu a Flin e Wood que apertassem as mãos o que eles fizeram , lançando um_ao_outro olhares ameaçadores , cada_um apertando a mão de o outro com mais força do_que aquela que seria necessário . - Atenção a o apito - disse Madam_Hooch . - Três , dois , um ... Com um bramido de a multidão para que subissem rapidamente , os catorze jogadores elevaram se em o céu cor de chumbo . Harry , mais alto do_que qualquer de os outros olhando para todos os lados em busca de a * snitch * . - Tudo bem , testa de cicatriz ? - gritou Malfoy , disparando por baixo de ele para lhe mostrar a velocidade de a sua vassoura . Harry não teve tempo de responder . Em esse preciso momento uma * bludger * preta e bem pesada veio direitinha a ele . Evitou a tão por um triz que ainda sentiu em os cabelos o ar que ela deslocara . - Foi por_pouco , Harry ! - exclamou o George , passando com grande rapidez , de bastão em a mão , pronto para lançar a * bludger * contra um Slytherin . Harry viu o dar a a * bludger * uma fortíssima pancada em direcção a Adrian_Pucey , mas a bola mudou de rumo em o meio de o ar e dirigiu se de_novo a Harry . Harry desceu rapidamente para se esquivar e George conseguiu lançá a contra Malfoy . Mais_uma_vez a * bludger * actuou como um * boomerang * e apontou a a cabeça de Harry . Harry ganhou velocidade e disparou contra o outro extremo de o campo . Ouvia o assobio de a * bludger * que o perseguia . O que era aquilo ? As * bludgers * nunca se concentravam assim em um único jogador , a sua função era tentar desmontar o maior número possível de intervenientes . Fred_Weasley esperava por a * bludger * em o extremo oposto . Harry baixou se quando o viu balançar se em frente de ela com toda_a garra . A * bludger * foi lançada para_fora_de campo . - Pronto , já está tudo resolvido - gritou Fred satisfeito , mas estava bastante enganado . Como_se fosse magneticamente atraída para Harry , a * bludger * lançou se de_novo contra ele e Harry teve de voar a_toda_a velocidade . Começara a chover . Harry sentia as gotas pesadas caírem lhe em o rosto , turvando lhe as lentes de os óculos . Não fazia ideia do_que se passava em o resto de o jogo , até ouvir Lee_Jordan que fazia o comentário dizer : - Os Slytherin vão a a frente com seis contra zero . As vassouras de qualidade superior de os Slytherin estavam obviamente a cumprir a sua função e enquanto isso , a * bludger * maluca fazia todos os possíveis para deitar abaixo o Harry . Fred e George voavam agora tão perto de ele , um de cada lado , que Harry não via senão os seus braços a balouçar e , se não conseguia ver a * snitch * , muito menos agarrá a . - Alguém enfeitiçou esta * bludger * - resmungou Fred , preparando o bastão com toda_a força quando ela se lançava de_novo contra Harry . - Precisamos de tempo - disse George , tentando fazer sinal a Wood enquanto evitava que a bola partisse o nariz a o Harry . Wood captou obviamente a mensagem . O apito de Madam_Hooch fez se ouvir e Harry , Fred e George desceram , tentando ainda evitar a * bludger * maluca . - O que é_que se passa ? - perguntou Wood enquanto a equipa de os Gryffindor se amontoava desordenadamente e os Slytherin , em o meio de a multidão , lançavam piadas . - Estamos a ser esmagados . Fred , George , onde estavam vocês quando aquela * bludger * impediu a Angelina de marcar ? - Estávamos seis metros acima , evitando que a outra * bludger * matasse o Harry , Oliver - gritou George furioso . - Alguém preparou isto , a bola não deixa o Harry em paz , ainda não perseguiu mais ninguém desde_que o jogo começou . Os Slytherin fizeram aqui qualquer coisa . - Mas as * bludgers * têm estado fechadas em o escritório de Madam_Hooch desde o último treino , e nessa_altura estava tudo bem ... - disse Wood ansiosamente . Madam_Hooch aproximava se . Por cima de o ombro de ela , Harry pôde ver a equipa de os Slytherin a escarnecer e apontar em a sua direcção . - Ouçam - disse o Harry , enquanto ela se aproximava . - Com vocês os dois a voarem sempre colados a mim , só vou apanhar a * snitch * se ela voar até a a minha manga . Voltem se para o resto de a equipa e deixem a tratante comigo . - Não sejas bronco - disse o Fred . - Ela arranca te a cabeça . Os olhos de Wood saltavam de Harry_para_os_Weasley . - Oliver , isto_é uma loucura - disse Alicia_Spinet , zangada . - Não podes deixar o Harry sozinho entregue a aquela coisa . Vamos pedir uma investigação . - Se pararmos agora , teremos de dar a partida como perdida e não vamos deixar os Slytherin ganhar , só por_causa_de uma * bludger * maluca . Vá lá , Oliver , diz lhes que me deixem sozinho . - A culpa é toda tua . * _ Agarra a snitch ou morre a tentar * , se isso é lá coisa que se diga . Madam_Hooch tinha se lhes juntado . - Prontos para retomar a partida ? - perguntou a Wood . Wood olhou para o ar determinado de Harry . - Deixem o sozinho , ele é capaz de lidar com a * bludger * . A chuva era agora mais pesada . A o apito de Madam_Hooch , Harry elevou se em os ares e ouviu o barulhinho de a * bludger * atrás_de si . Subiu cada_vez_mais alto . Fez acrobacias em espiral , descidas rápidas , ziguezagueou e rolou . Apesar_de ligeiramente estonteado , não deixou nunca de ter os olhos bem abertos . A chuva salpicava lhe os óculos e entrava lhe por as narinas , quando ele se voltou de cabeça para baixo , evitando outra forte investida de a * bludger * . Ouviu os risos de a multidão . Sabia que devia parecer ridículo , mas a * bludger * maluca era pesada e não podia mudar de direcção tão rapidamente quanto ele . Iniciou uma corrida que parecia de feira de diversões em volta de os extremos de o estádio , olhando de soslaio , através de os lençóis prateados de chuva , para os postes de os Gryffindor , onde Adrian_Pucey tentava passar por Wood . Um assobio junto de os ouvidos disse a Harry que a * bludger * falhara uma_vez_mais . Voltou se e voou rapidamente em a direcção oposta . - Estás a ensaiar * ballet * , Potter - gritou Malfoy quando Harry foi obrigado a fazer uma reviravolta estúpida em o ar para se esquivar mais_uma_vez de a * bludger * . Lá foi ele , com a * bludger * atrás a alguns metros de distância . E foi então que , olhando para Malfoy , furioso , a viu , a * snitch * de ouro . Flutuava alguns centímetros acima de os ouvidos de Malfoy que , de tão preocupado a escarnecer de Harry , nem dera por ela . Durante um momento angustiante , Harry ficou quieto em o ar , não ousando dirigir se a Malfoy , não fosse ele olhar para_cima e ver a * snitch * . PUM ! Tinha ficado parado tempo de mais . A * bludger * batera lhe , por fim , apanhando lhe o cotovelo e Harry sentiu o braço a partir se . Debilmente , desorientado por a dor cauterizante em o braço , Harry deslizou para um de os lados em a sua vassoura encharcada , um joelho ainda dobrado , o braço direito a balouçar , inútil , a o seu lado . A * bludger * veio de_novo , preparada para mais um ataque , desta_vez apontada a o seu rosto . Harry desviou se com uma intenção : chegar a Malfoy . Através_de uma nuvem de chuva e dor desceu até a o rosto tremeluzente e trocista e viu os olhos de ele dilatarem se de medo : Malfoy pensou que Harry ia atacá o . - Que diabo ... - resmungou , afastando se de o caminho . Harry tirou a outra mão de a vassoura e fez uma tentativa para agarrar qualquer coisa . Sentiu os dedos fecharem se em volta de a * snitch * dourada , mas conduzia agora a vassoura apenas com as pernas e ouviu se um grito de a multidão cá em baixo , quando ele fez a descida , tentando não desmaiar . Com um ruído seco caiu em a terra enlameada e rolou para fora de a vassoura . O braço tinha um ângulo um_pouco estranho . Torcendo se com dores , ouviu a a distância os assobios e os gritos . Concentrou se em a * snitch * que tinha fechada em a outra mão . - Ai - disse vagamente . - Ganhámos o jogo . E desmaiou . Voltou a si com a chuva a cair lhe em o rosto , ainda deitado em o campo , com alguém inclinado sobre ele . Viu um brilho de dentes brancos . - Oh , não , você não - gemeu . - Não sabe o que diz - afirmou Lockhart bem alto a a ansiosa multidão de Gryffindor que o comprimiam . - Não te preocupes , Harry , eu vou tratar de o teu braço . - Não - gritou Harry . - Eu fico com ele assim , obrigado . Tentou sentar se , mas a dor era enorme . Ouviu um « clique » familiar . - Não quero fotografias de isto , Colin - disse em voz alta . - Deita te para trás , Harry - insistiu Lockhart com toda_a calma . - É um encantamento muito simples que eu fiz imensas vezes . - Porque não me levam só para a ala hospitalar ? - perguntou Harry entredentes . - Seria o melhor , professor - disse a voz rouca de o Wood que não conseguia deixar de sorrir , apesar_de o seu * seeker * estar ferido . - Grande captura , Harry , verdadeiramente espectacular , a tua melhor jogada , em a minha opinião . Em o meio de a floresta de pernas que o rodeava , Harry avistou Fred e George_Weasley , metendo a * budger * perigosa em uma caixa . Continuava a dar uma luta enorme . - Para trás - ordenou Lockhart , que tinha arregaçado as mangas verde jade . - Não , eu não ... - protestou debilmente Harry , mas Lockhart tinha a varinha em a mão e , um segundo depois , apontava a para o braço de Harry . Uma sensação estranha e desagradável começou em o ombro e espalhou se , chegando a as pontas de os dedos . Parecia que o braço inteiro tinha sido esvaziado . Não foi capaz de olhar para o que estava a suceder . Tinha fechado os olhos , voltado o rosto para o outro lado , mas os seus maiores receios concretizaram se quando as pessoas lá em cima se sobressaltaram e Colin_Creevey começou a tirar fotografias como um louco . O braço deixara de lhe doer , mas parecia tudo menos um braço . - Ah ! - disse Lockhart . - Sim , bem isto às_vezes acontece . Mas o importante é_que os ossos já não estão partidos . Isso é o mais importante . Portanto , Harry , vai até a a ala hospitalar ... ah ! Mr._Weasley , Miss_Granger , poderiam levá o lá ? E Madam_Pomfrey poderá ... er ... arranjar um_pouco isso . Quando Harry se pôs de pé sentiu se estranhamente desequilibrado . Depois de respirar fundo , olhou para o lado direito e o que viu quase o fez desmaiar de_novo . Pendurado em a extremidade de a sua túnica estava o que parecia ser uma espessa e colorida luva de borracha . Tentou mexer os dedos mas ... em vão . Lockhart não consertara os ossos de Harry . Retirara os . M. dam Pomfrey não ficou nada satisfeita . - Devias ter vindo logo ter comigo - ralhou , segurando os restos tristes e moles de aquilo que antes fora um braço activo . - Eu conserto ossos em um segundo , mas fazê os crescer de_novo ... - Vai conseguir , não vai ? - perguntou Harry desesperado . - Sim , com certeza , mas vai ser doloroso - disse Madam_Pomfrey de modo severo , entregando lhe um pijama . - Vais ter que ficar cá esta noite ... Hermione esperou de o lado de_fora de a cortina que rodeava outra cama enquanto Ron ajudava Harry a vestir se . Levou algum tempo a enfiar o braço que parecia borracha dentro_de uma manga de o pijama . - Como é_que podes continuar a defender o Lockhart depois disto , Hermione ? - perguntou Ron através de as cortinas , enquanto puxava os dedos moles de o Harry por uma manga . - Se o Harry quisesse ser desossado , teria pedido . - Todos podem enganar se - disse Hermione . - E deixou de doer , não deixou , Harry ? - Sim - disse ele - mas também ficou incapaz de fazer seja o que for . Quando se meteu em a cama , o braço agitou se despropositadamente . Hermione e Madam_Pomfrey entraram . Madam_Pomfrey segurava uma grande garrafa com o rótulo * Skele - _ Gro * . - Vais ter uma noite difícil - preveniu , enchendo um pequeno copo fumegante e dando lhe a beber . - Fazer crescer ossos é uma coisa difícil . Tomar o * _ Skele - _ Gro * também . Queimou a boca e a garganta de o Harry a o descer , fazendo o tossir e cuspir . Resmungando sobre os desportos perigosos e os professores incapazes , Madam_Pomfrey retirou se , deixando Ron e Hermione a ajudar Harry a engolir um_pouco de água . - Mas ganhámos o jogo - disse o Ron com um sorriso em o rosto . - A tua jogada foi em grande . A cara de o Malfoy ... parecia que queria matar alguém . - Eu vou descobrir como é_que enfeitiçaram aquela * bludger * - disse Hermione com ar sombrio . - Podemos juntar essa pergunta a a lista de todas_as que queremos fazer a o Malfoy quando tomarmos a poção * _ Polisuco * - disse Harry , afundando se de_novo em as almofadas . - Espero que tenha um sabor melhor do_que esta coisa ... - Com um bocado de os Slytherin lá dentro , deves estar a brincar - disse o Ron . A porta de a ala hospitalar abriu se em esse momento e , completamente encharcados , entraram os restantes membros de a equipa de os Gryffindor , para ver o Harry . - Um voo inacreditável - disse George . - Acabei de ver Marcus_Flint a gritar com o Malfoy . Qualquer coisa sobre ter a * snitch * mesmo em cima de a cabeça e não ter dado por nada . O Malfoy não parecia nem um_pouco satisfeito . Tinham trazido bolos , rebuçados e garrafas de sumo de abóbora . Juntaram se em volta de a cama de Harry e estavam a dar início a o que prometia ser uma grande festa quando Madam_Pomfrey entrou a vociferar : - Este rapaz precisa de repouso . Tem trinta_e_três ossos a crescer . Fora de aqui . FORA ! E Harry ficou sozinho , sem nada que o distraísse de as dores agudas em o seu braço mole . Muitas horas mais tarde , Harry acordou subitamente em a escuridão total e soltou um pequeno grito de dor : sentia agora o braço cheio de estilhaços . Durante alguns segundos pensou que tinha sido a dor a acordá o . Depois , com um arrepio de horror , apercebeu se de que alguém estava a passar lhe uma esponja em a testa . - Sai de aqui - gritou , e em seguida : - Dobby ! Os olhos de o tamanho de bolas de ténis de o elfo doméstico estavam a olhá o em o escuro , uma lágrima grossa rolava por o seu enorme nariz . - Harry_Potter voltou a a escola - murmurou , infeliz . - Dobby avisou e voltou a avisar Harry_Potter . Ah ! senhor , porque não deu ouvidos a Dobby ? Porque não voltou Harry_Potter para_casa quando perdeu o comboio ? Harry ergueu se um_pouco , encostando se a as almofadas e afastou a esponja de o elfo . - O que estás a fazer aqui ? - perguntou . - E como sabes que eu perdi o comboio ? O lábio de Dobby tremeu e Harry foi assaltado por uma dúvida . - Foste tu . Tu impediste que a barreira nos deixasse passar . - Em a verdade fui eu , senhor - disse Dobby , acenando com a cabeça e com as orelhas a abanar . - Dobby escondeu se , esperou por Harry_Potter e selou a barreira . A seguir , Dobby teve de pôr as mãos em o ferro de engomar - mostrou a o Harry dez dedos longos embrulhados em ligaduras . - Mas Dobby não se importou , senhor , porque pensou que Harry_Potter estava a salvo e nunca Dobby sonhou que mesmo_assim ele viria para a escola ! Balançava se para a frente e para trás , sacudindo a cabeça feia . - Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry_Potter tinha voltado a a escola que deixou queimar o jantar de os seus donos . Dobby nunca tivera um castigo tão grande , senhor . Harry afundou se de_novo em as almofadas . - Quase conseguiste que nos expulsassem , a mim e a o Ron - disse furioso . - É melhor desapareceres de aqui antes que os meus ossos voltem a estar bem , Dobby , ou ainda te estrangulo . O elfo sorriu . - Dobby está habituado a ameaças de morte , senhor . Dobby recebe as cinco vezes por dia em a casa onde mora . Encostou o nariz a um canto de a fronha que usava , ficando tão ridículo que Harry sentiu a raiva desvanecer se , apesar_de tudo . - Porque usas essa coisa , Dobby ? - perguntou com curiosidade . - Isto , senhor ? - disse Dobby apontando para a fronha de almofada . - É uma prova de escravatura de o elfo doméstico , senhor . Dobby só pode ser libertado se os donos lhe derem roupa , senhor . A família tem o cuidado de não dar a o Dobby nem uma peúga , senhor , porque ele poderia ficar livre e deixar a casa para sempre . Dobby limpou os olhos protuberantes e disse subitamente : - Harry_Potter deve ir para_casa . Dobby achou que a sua * bludger * seria o suficiente para o fazer ... - A tua * bludger * ? - disse Harry com a raiva a crescer novamente dentro de ele . - Que queres tu dizer com a tua bludger * ? Foste tu quem fez com que aquela bola tentasse matar me ? - Matar não , senhor . Matar , nunca ! - disse o elho chocado . - Dobby quer salvar a vida de Harry_Potter . É melhor ir para_casa ferido do_que ficar aqui , senhor . Dobby só queria Harry_Potter suficientemente ferido para voltar para_casa . - Só isso ? - disse Harry furioso . - Imagino que não vais dizer me porque querias mandar me para_casa a os bocados ? - Ah ! se Harry_Potter soubesse ! - gemeu Dobby , com mais lágrimas a escorrerem lhe por a fronha esfarrapada . - Se pudesse saber o que significa para nós , para os humildes , os escravizados , nós , a escória social de o mundo mágico ! Dobby lembra se de como eram as coisas quando Aquele cujo nome não deve ser pronunciado estava em o auge de o poder , senhor ! Nós , os elfos domésticos éramos tratados como animais , senhor ! É claro que Dobby ainda é tratado assim - admitiu , secando o rosto em a fronha de almofada . - Mas , em a sua maioria , a vida melhorou bastante para os de a minha espécie desde_que Harry_Potter triunfou sobre Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Harry_Potter sobreviveu e o poder de os senhores de o Mal foi quebrado e veio uma nova alvorada , senhor , e Harry_Potter brilhou como um farol de esperança para aqueles de entre nós que já pensavam que a longa noite nunca mais teria fim , senhor ... e agora em Hogwarts vão acontecer coisas terríveis , talvez já esteiam a acontecer e Dobby não pode deixar Harry_Potter ficar aqui , agora_que a história vai repetir se , agora_que a Câmara_dos_Segredos está de_novo aberta . Dobby calou se horrorizado . Em seguida agarrou em o jarro de a água que Harry tinha a a cabeceira e bateu com ele em a própria cabeça , deixando se cair . Um segundo mais tarde voltou até junto de a cama , repetindo : - Mau , Dobby , muito mau , Dobby . - Quer_dizer , então , que existe mesmo a Câmara_dos_Segredos ? - murmurou Harry . - E dizes tu que já antes foi aberta ? Conta me , Dobby . Agarrou o pulso ossudo de o elfo quando a mão de ele se estendia para o jarro de a água . - Mas eu não sou filho de Muggles . Como posso estar em perigo por causa de a Câmara_dos_Segredos ? - Ah ! senhor , não pergunte a o pobre Dobby - lamentou se o elfo com os olhos enormes a brilharem em o escuro . - As forças de as trevas estão projectadas em este lugar , mas Harry_Potter não deve estar aqui quando as coisas acontecerem . Vá para_casa , Harry_Potter , vá para_casa . Harry_Potter não deve envolver se em isto , senhor , é demasiado perigoso ... - Quem é , Dobby ? - perguntou Harry , continuando a agarrar lhe o pulso com forca , impedindo que batesse de_novo em si próprio com o jarro . - Quem abriu a amara ? Quem a abriu de a última vez ? - Dobby não pode , senhor . Dobby não pode . Dobby não deve dizer - guinchou o elfo . - Vá se embora , Harry_Potter , vá se embora ! - Eu não vou para lugar nenhum - disse Harry , furioso . - Uma de as minhas melhores amigas é filha de Muggles , está em perigo se a câmara foi , de facto , aberta ... - Harry_Potter arrisca a própria vida por os amigos - gemeu Dobby em uma espécie de êxtase infeliz . - Tão nobre , tão corajoso , mas deve salvar se , Harry_Potter não deve ... Dobby calou se de repente com as orelhas de morcego a estremecerem . Harry também ouviu os passos que vinham lá fora , de o corredor . - Dobby tem de ir - balbuciou o elfo apavorado . Ouviu se um ruído e o pulso de Harry ficou subitamente fechado em o ar . Meteu se de_novo para baixo , em a cama , com os olhos fixos em a porta escura que dava entrada em a ala hospitalar enquanto os passos se aproximavam . Em o momento seguinte , Dumbledore estava a entrar , de costas , em o dormitório , vestindo uma longa túnica de lã e uma capa de noite . Transportava um extremo de aquilo que parecia ser uma estátua . A professora Mc_Gonagall surgiu um segundo mais tarde , pegando lhe em os pés . Os dois colocaram a em uma cama . - Chame Madam_Pomfrey - murmurou Dumbledore e a professora Mc_Gonagall passou por a cama de Harry , apressadamente , e desapareceu . Harry deixou se ficar muito quieto como_se estivesse a dormir . Ouviu vozes ansiosas e por fim a professora Mc_Gonagall apareceu de_novo , seguida de Madam_Pomfrey que vestia um casaco curto de lã sobre a camisa de dormir . Ouviu uma inspiração aguda . - O que aconteceu ? - murmurou Madam_Pomfrey_a_Dumbledore , inclinando se sobre a estátua que estava em a cama . - Outro ataque - disse Dumbledore . - A Minerva encontrou o em as escadas . Havia um cacho de uvas junto de ele . Acho que estava a tentar esgueirar se até aqui para vir visitar o Potter . O estômago de Harry deu uma reviravolta . Lenta e cuidadosamente ergueu se alguns centímetros para poder ver a estátua que estava sobre a cama . Um raio de luar iluminou lhe o rosto estático . Era_Colin_Creevey . Tinha os olhos abertos , e as mãos , em frente de a cara , seguravam a máquina fotográfica . -- Petrificado ? - murmurou Madam_Pomfrey . - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - Mas estou tentada a acreditar que ... se Albus não tivesse vindo cá abaixo tomar um chocolate quente ... quem sabe o que teria ... Os três olharam para Colin . Dumbledore inclinou se e retirou lhe a máquina de as mãos rígidas . - Será que ele conseguiu tirar a fotografia de o agressor ? - perguntou ansiosa a professora Mc_Gonagall . Dumbledore não respondeu . Abriu a parte detrás de a máquina . - Cruzes canhoto - disse Madam_Pomfrey . Um jacto de vapor tinha feito fervilhar a máquina . Harry , a três metros de distância , sentiu o cheiro tóxico de o plástico queimado . - Derretido - disse Madam_Pomfrey com grande espanto . - Tudo derretido . - O que significa isto , Albus ? - perguntou cada_vez_mais nervosa a professora Mc_Gonagall . - Significa - disse Dumbledore - que a Câmara_dos_Segredos está mesmo aberta outra_vez . Madam_Pomfrey levou uma mão a a boca . A professora Mc_Gonagall olhou assustada para Dumbledore . - Mas , Albus ... com certeza ... quem ? - A questão não é quem - disse Dumbledore com os olhos fixos em Colin . - A questão é como ... E pelo que Harry conseguiu ver de o rosto indistinto de a professora Mc_Gonagall , ela não compreendeu muito mais do_que ele . XI_O clube de os duelos Quando_Harry acordou , em o domingo de manhã , a enfermaria estava iluminada por um resplandecente sol de inverno e o seu braço tinha de_novo todos os ossos , apesar_de o sentir muito rígido . Sentou se rapidamente e olhou para a cama de Colin , mas ela fora isolada com as cortinas atrás de as quais se despira em a véspera . Vendo que ele tinha acordado , Madam_Pomfrey apareceu com um tabuleiro de pequeno-almoço e a seguir começou a apalpar lhe o braço e os dedos . - Tudo em ordem - disse , enquanto ele , com a mão esquerda , comia avidamente as papas de aveia . - Quando acabares de comer podes ir te embora . Harry vestiu se o mais depressa que pôde e dirigiu se a a pressa para a torre de os Gryffindor , ansioso por contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre Colin e Dobby , mas não os encontrou lá . Foi a a procura de eles , perguntando a si próprio onde teriam ido e sentindo se um_pouco magoado por o pouco interesse que demonstravam em saber se ele tinha recuperado os ossos . Quando passou por a biblioteca , Percy_Weasley vinha a sair com bastante melhor cara do_que de a última vez que se tinham encontrado . - Olá , olá , Harry - disse . - Excelente voo o de ontem , verdadeiramente sensacional . Os Gryffindor estão a a frente para a taça de a equipa . Ganhaste cinquenta pontos . - Não viste o Ron e a Hermione por aí ? - perguntou Harry . - Não , não vi - disse Percy com o sorriso a desaparecer . - Espero que o Ron não esteja outra_vez em a casa_de_banho de as raparigas ... Harry forçou um sorriso , viu Percy desaparecer e a seguir foi direitinho até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Não via lá muito bem por_que motivo o Ron e a Hermione lá estariam de_novo , mas , depois de se assegurar de que nem Filch nem nenhum de os prefeitos estavam por perto , abriu a porta e ouviu as vozes de eles que vinham de um cubículo fechado . - Sou eu - disse , fechando a porta atrás_de si . Ouviu se dentro de o cubículo um estrondo , um chapinhar e um sobressalto e ele viu o olho de a Hermione a espreitar por o buraco de a fechadura . - Harry - disse ela . - Pregaste nos um susto de morte . Entra . Como está o teu braço ? - _ óptimo - respondeu , apertando se dentro de o cubículo . Em cima de a sanita estava encarrapitado um velho caldeirão , e um crepitar a a superfície de a água disse a Harry que eles tinham acendido um fogo lá em baixo . Fazer aparecer fogos portáteis a a prova de água era uma de as especialidades de Hermione . - _ íamos visitar te , mas resolvemos começar a preparar a poção * _ Polisuco * - explicou Ron enquanto Harry fechava outra_vez a porta de o cubículo com alguma dificuldade . - Achámos que este era o lugar mais seguro para a esconder . Harry começou a contar lhes de o Colin , mas Hermione interrompeu o . - Nós já sabemos , ouvimos a professora Mc_Gonagall contar a o professor Flitwick hoje_de_manhã . Por isso resolvemos começar a ... - Quanto_mais depressa arrancarmos uma confissão a o Malfoy , melhor - rosnou o Ron . - Sabem o que eu penso ? Ele estava tão mal-humorado depois de o jogo de Quidditch que se vingou em o Colin . - Há outra coisa - disse Harry , vendo Hermione cortar molhos de verdezelha e lançá os dentro de a poção . - O Dobby foi visitar me a meio de a noite . Ron e Hermione olharam o espantados . Harry contou lhes tudo_o_que Dobby lhe dissera ... ou não dissera . Ron e Hermione ouviram o de boca aberta . - A Câmara_dos_Segredos já tinha sido aberta antes ? - repetiu Hermione . - Encaixa perfeitamente - disse Ron , em uma voz triunfante . - O Lucius_Malfoy deve ter aberto a Câmara_dos_Segredos quando andava em a escola e agora ensinou a o querido filhinho Draco como abris a . É óbvio , que pena o Dobby não te ter dito que tipo de monstro lá se encontra . Gostava de saber como é_que ninguém o viu andar por ai em a escola . - Talvez tenha a capacidade de se tornar invisível - sugeriu Hermione , picando sanguessugas para dentro de o caldeirão . - Ou talvez se disfarce , passando por uma armadura ou outra coisa de o género . Eu li umas coisas sobre vampiros camaleões ... - Tu lês de mais , Hermione - disse o Ron , deitando moscas asas de renda mortas por cima de as sanguessugas . Amarrotou o saco vazio de as asas de renda e olhou para Harry . - Então foi o Dobby que nos impediu de apanhar o comboio e te partiu o braço ... - abanou a cabeça . - Sabes o que eu acho ? Se ele não parar de tentar salvar te a vida ainda acaba por te matar . A notícia de que Colin_Creevey tinha sido atacado e estava agora em a ala hospitalar , como morto , espalhou se por toda_a escola em a segunda-feira de manhã . O ar ficou pesado e cheio de boatos e suspeitas . Os alunos de o primeiro ano começavam a andar por a escola em pequenos grupos , receando ser atacados se se aventurassem a andar isoladamente por os corredores . Ginny_Weasley , que era colega de carteira de o Colin em os encantamentos , estava perturbadíssima , mas Harry achou que Fred e George estavam a tentar animá a de a maneira errada . Revezavam se , mascarados com peles de animais e apareciam lhe subitamente detrás de as estátuas . Só pararam quando Percy , apopléctico de raiva , lhes disse que ia escrever a Mrs._Weasley a contar lhe que a Ginny andava a ter pesadelos . Enquanto isso , às_escondidas de os professores , uma panóplia de talismãs , amuletos e outros objectos de protecção ia enchendo a escola . Neville_Longbottom comprou uma enorme cebola verde que cheirava mal , um cristal pontiagudo cor de púrpura e uma cauda de tritão apodrecida antes de os outros rapazes de os Gryffindor lhe explicarem que ele não corria perigo : era um sangue puro e , portanto , muito pouco passível de ser atacado . - Eles foram a o Filch em primeiro lugar - disse Neville com o medo estampado em a cara redonda . - E toda_a_gente sabe que eu sou quase um * busca-pé * . Em a segunda semana de Dezembro , a professora Mc_Gonagall veio , como de costume , recolher os nomes de os alunos que ficavam em a escola durante o Natal . Harry , Ron e Hermione assinaram a lista . Tinham ouvido dizer que Malfoy ficava , o que lhes parecera muito suspeito . As férias seriam a altura ideal para usar a poção * _ Polisuco * e tentar arrancar lhe uma confissão . Infelizmente a poção estava a meio . Precisavam ainda de o chifre de bicórneo e o único lugar onde podiam arranjá o era em os depósitos privados de Snape . Harry , pessoalmente , preferia enfrentar o lendário monstro de os Slytherin do_que ser apanhado por o Snape a assaltar lhe o escritório . - O que precisamos - disse Hermione cheia de vivacidade quando se aproximava a aula conjunta de poções de quinta-feira a a tarde - para podermos entrar a a vontade em o escritório de o Snape , é de uma diversão . Harry e Ron olharam para ela , nervosos . - Acho que o melhor é ser eu a praticar o roubo - prosseguiu ela , em um tom perfeitamente casual . - Vocês os dois podem ser expulsos se forem apanhados e eu tenho uma folha limpa . Portanto , a única coisa que têm de fazer é distrair o Snape durante cerca de cinco minutos . Harry esboçou um meio sorriso . Provocar deliberadamente um estrago em a aula de poções de o Snape era tão seguro como ferir em um olho um dragão adormecido . As aulas de poções tinham lugar em um de os mais amplos calabouços . A de quinta-feira a a tarde não foi diferente de as outras . Vinte caldeirões fumegavam entre as secretárias de madeira , sobre as quais podia ver se laminas de latão e jarras com ingredientes . Snape deambulava por o meio de os fumos , fazendo reparos petulantes a o trabalho de os Gryffindor , enquanto os Slytherin riam a a socapa . Draco_Malfoy , que era o aluno preferido de Snape , não parava de lançar olhos de carneiro mal morto a o Ron e a o Harry , que sabiam que se retaliassem teriam um castigo , antes de poderem abrir a boca para dizer : - É injusto ! A solução de inchar de o Harry estava demasiado líquida , mas ele estava preocupado com coisas mais importantes . Esperava por o sinal de Hermione e mal deu por Snape se calar para ir espreitar a sua poção aguada . Quando o professor se voltou e foi implicar com o Neville , Hermione trocou um olhar com Harry e fez um aceno . Harry baixou se discretamente por detrás de o seu caldeirão , tirou de o bolso de trás um de os paus de fogo-de-artíficio Filibuster e deu lhe um toque de varinha . O fogo-de-artíficio começou a sibilar e a crepitar . Sabendo que tinha apenas alguns segundos , Harry endireitou se , ganhou coragem e lançou o a o ar . Aterrou certeiro em o caldeirão de o Goyle . A poção de o Goyle explodiu , salpicando toda_a aula . As pessoas gritavam , à_medida_que eram vítimas de os salpicos . Malfoy foi apanhado em a cara e o nariz começou a inchar como um balão . O Goyle tropeçava a as cegas , com as mãos em os olhos , que tinham ficado de o tamanho de pratos de sopa , enquanto o Snape tentava repor a calma e tentar perceber o que sucedera . Em o meio de a confusão , Harry viu Hermione esgueirar se a a socapa por a porta . - Silêncio ! silêncio ! - vociferou Snape . - Todos os que foram salpicados cheguem aqui para uma drenagem . Quando eu descobrir quem fez isto ... Harry fez um enorme esforço para não se rir a o ver Malfoy chegar apressadamente lá a a frente , a cabeça a tombar com o peso de o nariz , que parecia um pequeno melão . Quando metade de a aula se amontoava junto de a secretária de o Snape , alguns alunos vergados por o peso de os braços que pareciam mocas , outros incapazes de falar devido a o gigantesco inchaço de os lábios , Harry viu Hermione reentrar em o calabouço , a túnica mostrando a barriga protuberante . Quando todos os alunos tinham já tomado um gole de o antídoto e os vários inchaços tinham desaparecido , Snape precipitou se para o caldeirão de o Goyle e pescou os restos retorcidos de o fogo-de-artíficio . Houve um súbito silêncio . - Se eu descubro quem lançou isto - murmurou Snape - garanto que é expulsão por a certa . Harry compôs uma expressão de espanto . Snape olhava directamente para ele e a campainha , que tocou dez minutos mais tarde , não podia ser mais bem-vinda . - Ele soube que fui eu - disse Harry_a_Ron e a a Hermione , enquanto se dirigiam apressadamente para a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Tenho a certeza . Hermione lançou o novo ingrediente em o caldeirão e começou a mexer furiosamente . - Isto vai estar pronto dentro_de quinze_dias - afirmou , satisfeita . - O Snape não pode provar que foste tu - assegurou Ron , tranquilizando Harry . - Que pode ele fazer ? - Conhecendo o Snape , qualquer coisa louca - respondeu Harry , enquanto a poção borbulhava e espumava . Uma semana mais tarde , Harry , Ron e Hermione passavam por o vestíbulo de entrada , quando viram um pequeno grupo de pessoas reunidas em volta de o jornal de parede a lerem um pedaço de pergaminho que tinha acabado de ser afixado . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas acenaram lhes , entusiasmados . - Vão lançar um clube de duelos ! - exclamou Seamus . - Hoje a a noite é a primeira reunião . Eu não me importaria nada de ter aulas de duelo , podem vir a ser úteis um dia de estes ... - Porquê ? Achas que o monstro de os Slytherin sabe esgrimir ? - perguntou o Ron , mas , também ele , leu a notícia com interesse . - Pode ser útil - disse a o Harry e a a Hermione , quando foram jantar . - Vamos lá ? Harry e Hermione acharam óptimo , por isso , a as oito_da_noite voltaram a o salão . As longas mesas de refeição tinham desaparecido e um estrado dourado surgira , encostado a a parede . Sobre ele flutuavam milhares de velas . O tecto era , mais_uma_vez , de veludo negro e parecia que quase todos os alunos de a escola se encontravam ali , com as suas varinhas em a mão e com um ar entusiasmado . - Quem será que vai ensinar nos ? - perguntou Hermione , enquanto se misturavam em a multidão barulhenta . - Ouvi dizer que o Filitwick foi campeão de duelo em a juventude , talvez seja ele . - Desde_que não seja ... - começou Harry , mas terminou em um gemido : Gilderoy_Lockhart estava a subir a o estrado , resplandecente em as suas vestes cor de ameixa , acompanhado , nem mais nem menos , do_que de Snape que trajava , como sempre , de negro . Lockhart levantou um braço , pedindo silêncio , bradando : - Aproximem se , aproximem se , conseguem todos ver me e ouvir me ? Excelente ! - O professor Dumbledore deu me autorização para iniciar este pequeno curso de duelo para vos treinar a todos , caso algum dia precisem de se defender , como eu tenho feito em inúmeras ocasiões ; para mais detalhes , leiam os livros que tenho publicados . - Permitam que vos apresente o meu assistente , o professor Snape - disse Lockhart , abrindo um sorriso de orelha a orelha . - Ele diz me que sabe alguma coisa sobre duelos e aceitou desportivamente ajudar me em uma exibição de demonstração , antes de começarmos . Atenção , não quero que os mais novos fiquem preocupados , vão continuar a ter o vosso professor de poções depois de eu o vencer . Não tenham medo . - Não era óptimo se se liquidassem um_ao_outro ? - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . O lábio inferior de Snape estava curvo . Harry interrogou se sobre o motivo por_que Lockhart continuava a sorrir . Se o Snape olhasse de aquela maneira para ele , Harry estaria a correr a_toda_a velocidade para o mais longe possível . Lockhart e Snape voltaram se um para o outro e fizeram uma vénia , pelo_menos Lockhart fê la com muitas reviravoltas de mãos , enquanto Snape acenava , irritado , com a cabeça . Em seguida , ergueram as varinhas , como_se fossem espadas , em a frente . - Como podem ver , estamos a pegar em as varinhas em a posição de aceitação de combate - explicou Lockhart a a multidão silenciosa . - Quando contarmos até três , lançaremos os primeiros feitiços . Nenhum de nós tentará matar o outro , claro . - Eu não poria as mãos em o fogo - murmurou Harry , observando como Snape cerrava os dentes . -- Um , dois , três ... Os dois balançaram as varinhas acima de os ombros . Snape gritou : * _ Expelliarmus * ! Houve um clarão ofuscante de luz escarlate e Lockhart voou para trás , caindo de o estrado batendo contra a parede , escorregando e indo estatelar se em o chão . Malfoy e alguns de os outros Slytherin aplaudiram . Hermione estava em bicos de os pés . - Acham que ele está bem ? - gritou entredentes . - Quem se rala ? - disseram ao_mesmo_tempo o Ron e o Harry . Lockhart estava a pôr se , hesitante , de pé . O chapéu caíra lhe e o cabelo ondulado estava em um desalinho . - Bem , cá está ! - disse , cambaleando até a o estrado . - Este foi um encantamento para desarmar . Como podem ver , perdi a minha varinha . Ah , obrigado Miss_Brown . Sim , foi uma excelente ideia mostrar lhes isto , professor Snape , mas , se me permite que lhe diga , foi muito óbvio o que ia fazer . Se eu tivesse querido impedis o , teria o feito com a maior de as facilidades . Mas achei que seria educativo deixá os ver ... Snape tinha um ar assassino . Provavelmente Lockhart deu por isso , porque declarou : - Chega de demonstrações . Eu vou passar agora por o meio de vocês e criar duplas . Professor_Snape , se quiser ajudar me ... Entraram por o meio de a multidão , agrupando alunos . Lockhart pôs o Neville com Justin_Finch - _ Fletchley , mas Snape chegou primeiro junto de Harry e de Ron . - Tempo de separar a dupla ideal , parece me - rosnou . - Weasley , tu podes ficar com o Finnigan . Potter ... Harry voltou se automaticamente para Hermione . - Não me parece - disse Snape com o seu sorriso frio . - Mr._Malfoy , venha até aqui . Vamos ver o que faz com o famoso Potter . E a menina , Miss_Granger , pode emparceirar com Miss_Bulstrode . Malfoy aproximou se com o seu passo empertigado e o seu sorriso escarninho . Atrás de ele vinha uma rapariga de os Slytherin , que lembrou a Harry uma imagem que tinha visto em as * _ Férias com Bruxas_Velhas * . Era corpulenta e quadrada e os maxilares avançavam agressivamente . Hermione esboçou um meio sorriso , que ela não retribuiu . - Voltem se para os vossos parceiros - gritou Lockhart - e façam a vénia . Harry e Malfoy mal inclinaram as cabeças , não afastando os olhos um de o outro . - Varinhas preparadas ! - gritou Lockhart . - Quando eu disser três preparem os feitiços para desarmar o vosso opositor . Um ... dois ... três ... Harry levantou a varinha acima de o ombro , mas Malfoy começara logo em o « dois » : o seu feitiço apanhou Harry com tanta força que ele se sentiu como_se tivesse levado com uma frigideira em a cabeça . Tropeçou , mas ainda não estava fora de combate e , sem perder tempo , Harry apontou a varinha a Malfoy e gritou : - * _ Rictusempra ! * Um jacto de luz prateada atingiu Malfoy em o estômago , obrigando o a dobrar se , arfando . - Eu disse desarmar ! - gritava Lockhart sobre as cabeças de a multidão em lata , enquanto Malfoy caía de joelhos . Harry atingira o com o feitiço de as cócegas e ele mal conseguia mexer se para se rir . Harry hesitou com o vago sentimento de que seria pouco desportivo enfeitiçar Malfoy enquanto ele estava caído em o chão , mas ... foi um erro . Tentando respirar , Malfoy apontou a varinha a os joelhos de Harry , balbuciando : « * _ Tarantallegra ! * » e , um segundo depois , as pernas de o Harry tinham começado a mexer se , sem que ele pudesse controlá as , executando uma espécie de dança frenética . - Parem , parem - gritava Lockhart , quando Snape resolveu tomar controlo de a situação . - * _ Finite_Incantatem ! * - bradou . Os pés de o Harry pararam de dançar , Malfoy parou de rir e puderam olhar para_cima . Uma onda de fumo esverdeado pairava sobre todos eles . Neville e Justin estavam caídos em o chão , a arfar . Ron tentava fazer parar um Seamus com cara cor de cinza , pedindo lhe mil desculpas por o que a sua varinha partida eventualmente tivesse feito . Mas Hermione e Millicent_Bulstrode ainda não tinham acabado . Millicent tinha feito a Hermione uma prisão de cabeça e Hermione gritava de dor . As duas varinhas jaziam esquecidas em o chão . Harry deu um salto em frente e afastou Millicent . Não foi fácil , ela era bastante maior do_que ele . - Oh , gente ! - exclamou Lockhart , arrastando se por o meio de a multidão e olhando para os resultados de os duelos . - Vamos pôr de pé , Mcmillan ... cuidado , Miss_Fawcett ... belisque com força que pára logo de sangrar ... - Acho que o melhor é ensinar vos como bloquear feitiços pouco amigáveis - afirmou Lockhart que estava nervosíssimo em o meio de o salão . Olhou para Snape , cujos olhos pretos brilhavam e desviou rapidamente o olhar . - Vamos arranjar um par de voluntários . Longbottom e Finch - _ Fletchley , que tal serem vocês ? - Uma má ideia , professor Lockhart - disse Snape , deslizando como um morcego enorme e cruel . - Longbottom provoca devastação com o feitiço mais simples . Ainda temos de mandar o que restar de o Finch - _ Fletchley para a ala hospitalar dentro_de uma caixa de fósforos . - A cara redonda e rosada de Neville ficou ainda mais rosada . - Que tal o Malfoy e o Potter ? - sugeriu Snape com um sorriso retorcido . - Excelente ideia - disse Lockhart , fazendo sinal a os dois para que se aproximassem de o meio de o salão , enquanto a multidão recuava para lhes dar passagem . - Ouve bem , Harry - disse Lockhart . - Quando o Draco te apontar a varinha , tu fazes assim . Levantou a sua varinha , executando uma tentativa complicada de malabarismo e deixou a cair . Snape sorriu pretensiosamente , enquanto Lockhart a apanhava de o chão , dizendo : - Ups , a minha varinha está demasiado excitada . Snape aproximou se de Malfoy , inclinou se e disse lhe qualquer coisa a o ouvido . Malfoy sorriu também de forma afectada . Harry olhou , nervoso , para Lockhart e pediu : - Professor , podia mostrar me outra_vez aquela coisa para bloquear ? - Estás com medo ? - murmurou Malfoy baixinho , para que Lockhart não pudesse ouvir . - Querias ! - exclamou Harry por o canto de a boca . Lockhart deu um soco em o ombro de o Harry , em a brincadeira . - Basta que faças como eu fiz ! - O quê , deixar cair a varinha ? Mas Lockhart não estava a ouvir - Três , dois , um , zero ! - gritou . Malfoy levantou rapidamente a varinha a o ar e gritou : - * _ Serpensortia ! * A extremidade de a varinha explodiu . Harry viu , horrorizado , uma enorme serpente negra sair de ela , cair pesadamente em o chão a meio de os dois e erguer se disposta a atacar . Ouviram se gritos , enquanto a multidão se afastava , deixando o chão vazio . - Não te mexas , Potter - disse Snape vagarosamente , divertindo se claramente a ver Harry , parado , a olhar em os olhos a serpente . - Eu trato de ela ... - Permita me -- gritou Lockhart . Bramiu a varinha em direcção a a serpente e ouviu se um estoiro . A cobra , em_vez_de desaparecer , voou três metros acima de eles e voltou a cair em o chão com um estrondo enorme . Enraivecida , a sibilar de fúria , rastejou em direcção a Finch - _ Fletchley e pôs se de pé com os dentes a a mostra , pronta a atacar . Harry não soube ao_certo o que o levou a fazer aquilo . Não se lembrava sequer de ter tomado aquela decisão . Só soube que as pernas o fizeram avançar como_se tivesse rodas e que gritou a a serpente : - Larga o ! - E , milagrosa e inexplicavelmente , a serpente voltou a o chão , dócil como uma grande mangueira de jardim , preta e grossa , os olhos agora fixos em os olhos de Harry . Harry sentiu o medo a escoar se . Sabia que a cobra não atacaria mais ninguém , embora não pudesse explicar como sabia . Olhou para Justin a sorrir , esperando vê o aliviado , espantado , ou mesmo agradecido , mas nunca zangado ou assustado . - Que brincadeira é essa ? - gritou o outro e , antes que Harry tivesse tempo de dizer fosse o que fosse , voltou as costas e saiu de o salão . Snape deu um passo em frente , fez um gesto com a varinha e a serpente desapareceu em uma onda de fumo preto . Também ele , Snape , olhava para Harry de uma forma inesperada . Era um olhar arguto e calculista , de que Harry não gostou . Apercebeu se também vagamente de um murmúrio ameaçador que vinha de as paredes em volta . Depois , sentiu um puxão em a túnica . - Vamos - disse a voz de o Ron em o seu ouvido . - Mexe te , vá lá ... Ron arrastou o para fora de o salão . Hermione acompanhava os em a passada rápida . Quando cruzaram a porta , as pessoas que a rodeavam afastaram se , como_se tivessem medo de ser contagiadas . Harry não fazia a mais pequena ideia do_que estava a passar se e , nem Ron , nem Hermione lhe deram qualquer explicação , antes de o terem levado até a a sala comum de os Gryffindor , que se encontrava vazia . Aí , Ron empurrou Harry para uma cadeira de braços e disse : - Tu és um * serpentês * . Porque não nos disseste ? - Eu sou um quê ? - perguntou Harry . - Um * serpentês * ! - exclamou o Ron . - Falas com as cobras . - Eu sei - declarou Harry . - Quer_dizer , esta foi a segunda vez que o fiz . A outra foi há muito_tempo em o jardim zoológico , quando soltei uma Boa_Constrictor a o meu primo Dudley . É uma longa história , mas ela estava a dizer me que nunca tinha estado em o Brasil e eu acho que a libertei sem querer . Foi antes de saber que era feiticeiro . . . - Uma Boa_Constrictor disse te que nunca tinha estado em o Brasil ? - repetiu Ron , quase sem voz . - E então ? - disse o Harry . - Aposto que montes de pessoas aqui fazem o mesmo . - Não fazem , não - afirmou Ron . - Não é um dom muito frequente . Harry , isso é mau . - O que é_que é mau ? - perguntou Harry , que começava a ficar chateado . - O que é_que se passa com todos os outros ? Ouve bem , se eu não tivesse dito a aquela cobra para não atacar o Justin ... - Ah , foi isso que tu disseste ? - Que queres dizer ? Tu estavas lá , ouviste perfeitamente o que eu disse . - Eu ouvi te falar em serpentês - disse o Ron . - Língua de cobra . Podias estar a dizer lhe qualquer coisa . Não admira que o Justin tivesse entrado em pânico . Parecia que estavas a incitar a serpente . Foi assustador , sabes ? Harry olhou para ele espantado . - Eu falei uma língua diferente ? Mas não me apercebi , como posso falar uma língua , sem saber que a conheço ? Ron abanou a cabeça . Tanto ele como Hermione tinham um ar fúnebre . Harry não percebia o que havia em aquilo de tão trágico . - Será que me querem explicar o que há de mal em ter impedido que uma serpente enorme arrancasse a cabeça a o Justin ? - perguntou . - Porque é tão importante como o fiz , se evitei que o Justin fosse juntar se a grupo de os SEM_CABEÇA ? - Importa - disse por fim Hermione , em uma voz abafada . - Porque falar com serpentes era a arte por a qual Salazar_Slytherin ficou famoso . Por isso , o símbolo de os Slytherin é uma serpente . Harry ficou de boca aberta . - Exacto - disse o Ron . - E agora todos em a escola vão pensar que tu és descendente de ele . - Mas não sou - contrapôs Harry com um pânico que não conseguia explicar . - Não vai ser fácil prová o - disse Hermione . - Ele viveu há quase mil anos . Pelo que vimos , podias ser . Em essa noite , Harry ficou acordado durante horas . Por uma fresta de os cortinados de a cama de dossel , olhou para a neve que começava a cair de o lado de_fora de a janela de a torre e perguntou se se poderia ser descendente de Salazar_Slytherin . Afinal , não sabia nada de a família de o pai , os Dursley tinham sempre proibido qualquer pergunta sobre os seus familiares feiticeiros . Calmamente , tentou dizer qualquer coisa em * serpentês * , mas as palavras não saíam . Parecia que era necessário estar frente_a_frente com uma cobra para poder fazê o . Mas eu sou um Gryffindor , pensou Harry , o chapéu seleccionador não me poria aqui se eu tivesse sangue de Slytherin ... - Ah ! - disse uma vozinha dentro de o seu cérebro . - Mas o chapéu seleccionador queria pôr te em os Slytherin , não te lembras ? Harry deu voltas e voltas a a cabeça . Em o dia seguinte , quando visse Justin em a aula de herbologia explicaria lhe que estava a afastar a serpente , não a atiçá a o que , aliás , pensou zangado , dando vários socos em a almofada , qualquer idiota teria percebido . Contudo , em a manhã seguinte , a neve que começara a cair durante a noite , transformara se em uma tempestade tão espessa que a última aula de herbologia de o período foi cancelada : a professora Sprout queria tapar as mandrágoras com peúgas e cachecóis , uma operação arriscada que ela não confiava a ninguém agora_que era tão importante que as mandrágoras crescessem depressa e reabilitassem Mrs._Norris e Colin_Creevey . Junto de a lareira de a sala comum de os Gryffindor , Harry matutava sobre o que se passara enquanto Ron e Hermione aproveitavam o foro para jogar xadrez de feitiçaria . - Com os diabos , Harry - disse Hermione exasperada quando um bispo derrubou um de os cavaleiros de o cavalo , arrastando o para fora de o tabuleiro . - Vai falar com o Justin , se isso é assim tão importante para ti . Harry levantou se e saiu por o buraco de o retrato , perguntando a si próprio onde poderia estar o Justin . O castelo estava mais escuro do_que era habitual durante o dia por causa de a neve espessa e cinzenta que cobria as janelas . A tremer , Harry passou por as salas onde estava a haver aulas , captando lampejos do_que sucedia lá dentro . A professora Mc_Gonagall gritava com alguém que , segundo lhe parecia por o som , transformara o parceiro em um texugo . Resistindo a a tentação de dar uma espreitadela , Harry afastou se pensando que Justin poderia estar a utilizar o tempo de o furo para fazer algum trabalho e resolveu , por isso , ir até a a biblioteca . Um grupo de alunos de os Hufflepuff , que deveriam ter estado em Herbologia , encontrava se , de facto , sentado em as traseiras de a biblioteca , mas não parecia estar a trabalhar . Entre as fileiras de as estantes altas , Harry pôde ver as suas cabeças muito juntas em aquilo que deveria ser uma conversa absorvente . Não conseguia perceber se Justin estaria em o meio de eles . Ia para se aproximar quando apanhou em o ar uma frase e parou para ouvir melhor , escondido em a secção de a invisibilidade . - Portanto - dizia um rapaz corpulento - eu disse a o Justin para se esconder em o nosso dormitório . Isto_é , se o Potter o escolheu como próxima vítima é melhor que ele tenha um * low profile * durante algum tempo . É claro que o Justin já estava a a espera que alguma coisa de o género acontecesse desde_que lhe escapou em uma conversa com o Potter que era filho de Muggles . O Justin disse lhe , inclusivamente , que tinha estado inscrito em Eton . Não é o tipo de coisa que se ande a dizer com o herdeiro de Slytherin a a solta por aí . - Achas mesmo_que é o Potter , Ernie ? - perguntou uma rapariga de tranças loiras , ansiosamente . - Hannah - disse com solenidade o rapaz corpulento . - Ele é um serpentês . Todos sabem que essa é a marca de um feiticeiro negro . Alguma vez ouviste falar de um feiticeiro decente que falasse com as cobras ? O Slytherin era conhecido por « Língua de serpente . . Houve alguns murmúrios antes de Ernie prosseguir : - Lembram se do_que estava escrito em a parede ? * _ Inimigos de o herdeiro , cuidado ! * . O Potter teve que ir a o gabinete de o Filch . E o que é_que acontece a seguir ? A gata de o Filch é atacada . O aluno de o primeiro ano , Creevey , estava a aborrecê o em a partida de Quidditch , a tirar lhe fotografias quando ele estava caído em a lama . E o que é_que acontece a seguir ? Creevey é atacado . - Mas ele parece sempre ser tão simpático - disse Hannah , cheia de dúvidas . - E , bem , foi ele que fez com que o Quem nós sabemos desaparecesse . Não pode ser assim tão mau , pois não ? Ernie baixou misteriosamente a voz . Os Hufflepuff inclinaram se mais uns para os outros e Harry aproximou se para conseguir apanhar as palavras de o Ernie . - Ninguém sabe como ele sobreviveu a aquele ataque de o Quem nós sabemos e , afinal , ainda era um bebé quando aquilo aconteceu . Era para ter explodido feito em estilhaços . Só um feiticeiro negro verdadeiramente poderoso teria sobrevivido a uma maldição de aquelas . - Baixou ainda mais a voz até esta ficar reduzida a um leve murmúrio e disse : - Talvez fosse por isso que o Quem nós sabemos o queria matar , para não ter outro feiticeiro negro a competir com ele . Gostava de saber que outros poderes ocultos terá o Potter . Harry não aguentou mais . Pigarreou alto e saiu detrás de as estantes . Se não estivesse tão zangado teria conseguido ver o lado cómico de a situação : cada_um de os Hufflepuff olhava para ele como_se tivesse sido petrificado , e a cor desaparecera de a cara de o Ernie . - Olá - disse Harry . - Estou a a procura de o Justin_Finch - _ Fletchley . Os piores receios de os Hufflepuff tinham se concretizado . Olharam apavorados para o Ernie . - O que queres de ele ? - perguntou Ernie em uma voz sumida . - Explicar lhe o que aconteceu com aquela cobra em o clube de os duelos - disse Harry . Ernie mordeu os lábios brancos e , em seguida , respirando fundo , respondeu : - Estávamos lá todos . Vimos o que aconteceu . - Então viram que depois de eu falar a serpente recuou - disse Harry . - O que eu vi - insistiu teimosamente Ernie , apesar_de tremer a cada palavra que proferia - foi tu a falares serpentês e a atiçares a cobra conta o Justin . - Eu não a aticei - gritou Harry enraivecido . - Ela nem lhe tocou . - Falhou por_pouco - disse Ernie . - E , para o caso de estares com ideias - acrescentou com má cara - posso dizer te que a minha família provem de nove gerações de bruxas e feiticeiros e que o meu sangue é tão puro como o de qualquer feiticeiro , portanto ... - Quero lá saber qual é o teu sangue - disse Harry furioso . - Porque iria eu atacar os filhos de os Muggles ? - Ouvi dizer que detestas os Muggles com quem vives - disse Ernie rapidamente . - Não é possível viver com os Dursley sem os detestar - explicou Harry . - Gostava de te ver lá em casa . Girou sobre os calcanhares e saiu furioso de a biblioteca sob o olhar reprovador de Madam_Prince que limpava a capa dourada de um enorme livro de encantamentos . Harry avançou a as cegas por os corredores , quase sem ver por_onde ia de tão furioso que estava . O resultado foi chocar com algo enorme e sólido que o fez recuar e cair a o chão . - Ah ! Olá , Hagrid - disse , olhando para_cima . Hagrid tinha o rosto completamente tapado com um lenço coberto de neve , mas não podia ser mais ninguém , enchendo assim o corredor dentro de o seu sobretudo de pele de toupeira . De uma de as enormes mãos enluvadas , pendia um galo morto . - Tudo bem , Harry ? - perguntou , afastando o lenço para poder falar . - Porque não estás em a aula ? - Foi cancelada - disse Harry , pondo se de pé . - O que estás a fazer aqui ? Hagrid mostrou lhe o galo inerte . - É o segundo qu'aparece morto este período - explicou . - Ou são raposas ou um vampiro chato e eu preciso d'autorização de o director p'ra fazer um feitiço em volta de a capoeira . Aproximou se e olhou mais de perto para o Harry , por debaixo de as suas sobrancelhas espessas e cheias de neve . - Tens a certeza que estás bem ? Pareces exaltado e preocupado . Harry não foi capaz de repetir o que Ernie e os outros Hufflepuff lhe tinham dito . - Não é nada , tenho de ir , Hagrid . A próxima aula é Transfiguração e preciso de ir buscar os meus livros . Afastou se , a cabeça cheia com tudo_o_que Ernie dissera a seu respeito . « * _ O_Justin já estava d espera que uma coisa de o género acontecesse desde_que deixou escapar , falando com o Potter , que era filho de Muggles * ... » Harry subiu as escadas a correr e entrou por um corredor que estava particularmente escuro . As tochas tinham sido apagadas por uma ventania gelada que entrava por uma janela de fecho estragado . Estava a meio de o corredor quando tropeçou em uma coisa que se encontrava em o chão . Olhou para ver o que era e sentiu como_se o estômago se tivesse dissolvido . Justin_Finch - _ Fletchley estava em o chão , rígido e frio com uma expressão de horror em o rosto e os olhos abertos voltados para o tecto . E não era tudo . Junto de ele estava mais alguém , a visão mais estranha que Harry tivera em toda_a sua vida . Era_o_Nick quase sem cabeça que não estava cor de pérola nem transparente e sim escuro como fumo . Flutuava imóvel , em a horizontal , 12 centímetros acima de o chão , a cabeça meio tombada e em o rosto uma expressão de choque idêntica a a de o Justin . Harry pôs se de pé com a respiração acelerada e o coração a bater como um tambor contra as costelas . Olhou desvairado para ambos os lados de o corredor deserto e viu uma fila de aranhas que corriam a_toda_a velocidade em a direcção oposta a a de os corpos . Os únicos sons eram as vozes abafadas de os professores em as aulas que decorriam de ambos os lados . Podia fugir e ninguém saberia que ali tinha estado , mas não era capaz de os abandonar assim . Tinha de ir procurar ajuda . Será que alguém acreditaria que ele não tivera nada que ver com aquilo ? Enquanto ali estava , em pânico , uma porta a o seu lado abriu se com grande estrondo . Peeves , o * poltergeist * , saiu a os gritos . - Oh ! É o Potter , olá , Potter - alardeou Peeves , lançando por o ar os óculos de o Harry quando passou por ele . - O que está o Potter a fazer ? Porque está o Potter escondido ? Peeves passou de cabeça para baixo , a meio de uma cambalhota em o ar , quando viu Justin e Nick quase sem cabeça . Com um movimento súbito endireitou se , encheu os pulmões de ar e , antes que Harry pudesse impedi o , gritou : __ ataque ! ataque ! outro ataque ! nenhum mortal ou fantasma está em segurança . corram , fujam , __ ataaaque ! Crac , Crac , Crac . Uma atrás de a outra , foram se abrindo todas_as portas a o longo de o corredor e as pessoas saíram para fora de as salas de aula . Durante alguns longos minutos houve uma tal confusão que Justin esteve em perigo de ser esmagado e as pessoas não paravam de chocar com o Nick quase sem cabeça . Harry deu por si colado a a parede enquanto os professores exigiam a os gritos que se fizesse silêncio . A professora Mc_Gonagall veio a correr , seguida por todos os alunos , um de os quais ainda trazia o cabelo a as riscas pretas e brancas . Usou a varinha para produzir um ruído que repôs o silêncio e mandou os alunos todos para dentro de as salas de aula . Mal lugar ficou desimpedido surgiu Ernie , o jovem Hufflepuff . - * _ Apanhado em flagrante ! * - gritou , com o rosto totalmente branco , apontando dramaticamente o dedo par Harry . - Basta_Mcmillan - disse , de forma cortante , a professora Mc_Gonagall . Peeves andava para_cima e para baixo , observando a cena com um sorriso maldoso . Sempre adorara o caos . Quando os professores se inclinaram sobre Justin e sobre o Nick quase sem cabeça para os examinar , iniciou uma cantilena : * _ Oh ! Potter , que fizeste , seu grande bandido * _ Tu matas os estudantes porque achas divertido . * - Basta , Peeves - rosnou a professora Mc_Gonagall e Peeves afastou se , deitando a língua de_fora a o Harry . Justin foi levado para a ala hospitalar por o professor Flitwick e por o professor Sinistra_do_Departamento_de_Astronomia , mas ninguém parecia saber o que fazer em relação a o Nick quase sem cabeça . Por fim , a professora Mc_Gonagall fez aparecer em o ar um enorme leque que entregou a Ernie com o encargo de conduzir , escadas acima , por os ares o Nick quase sem cabeça . Ernie assim fez , soprando Nick como_se fosse um aerodeslizador e deixando , de este modo , o Harry e a professora Mc_Gonagall a sós . - Por aqui , Potter - disse ela . - Professora , eu juro que não ... - Isso não é comigo , Potter - afirmou a professora Mc_Gonagall sinteticamente . Caminharam em silêncio até uma esquina e ela parou perante uma gárgula de pedra extremamente feia . - Refresco de limão - disse . Era obviamente uma senha porque a gárgula animou se subitamente e saltou para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes . Apesar_de estar apavorado com o que ia acontecer a seguir , Harry não conseguiu evitar um sentimento de fascínio . Por detrás de a parede estava uma escada em espiral que se movia lentamente para_cima como um elevador . E quando ele e a professora Mc_Gonagall puseram os pés em o primeiro degrau , Harry ouviu a parede fechar se atrás de eles . Subiram em círculos , cada_vez_mais alto até que , por fim , um_pouco tonto , Harry pôde ver uma porta de carvalho reluzente com um puxador de bronze em forma de abutre . Harry calculava onde estava a ser levado . Devia ser ali que morava Dumbledore . XII_A poção * polisuco * Saltaram de a escada de pedra lá mesmo em cima e a professora Mc_Gonagall bateu a a porta . Ela abriu se silenciosamente dando lhes entrada . A professora Mc_Gonagall disse lhe que esperasse e deixou o sozinho . Harry olhou em volta . Uma coisa era certa : de todos o escritórios de professores que conhecia , o de Dumbledor era , de longe , o mais interessante . Se não estivesse com um medo de morte de ser expulso teria adorado explorá o . Era uma sala grande e bonita em forma de círculo que estava cheia de barulhinhos estranhos . Havia um grande número de instrumentos prateados sobre várias mesas de pernas finas que zumbiam emitindo pequenas baforadas de fumo . As paredes estavam cobertas de fotografias de antigos directores e directoras , todos eles a dormir tranquilamente em as suas molduras . Havia ainda uma enorme secretária pés de garra . E , sobre uma prateleira atrás de ela , um chapéu de feiticeiro andrajoso e puído : * o chapéu seleccionador * . Harry hesitou . Lançou um olhar cauteloso a as bruxas e feiticeiros adormecidos a o longo de as paredes . Com certeza não fazia mal se lhe pegasse e o experimentasse só para ver ... só para ter a certeza de que ele o pusera em a equipa certa . Deu a volta a a secretária , retirou o chapéu de a prateleira e baixou o lentamente sobre a cabeça . Era demasiado grande e escorregou lhe para os olhos como de a outra_vez que o tinha posto . Harry olhou para o forro preto , enquanto esperava . Por fim , uma vozinha disse lhe a o ouvido : - Estás com macaquinhos em o sótão , Harry_Potter ? - Er ... sim - balbuciou Harry . - Er ... desculpa incomodar te , queria saber ... - Querias saber se te pus em a equipa certa - disse prontamente o chapéu . - Sim ... tu és particularmente difícil de seleccionar , mas eu mantenho o que disse antes . - O coração de Harry deu um salto . - Terias ficado bem em os Slytherin . Harry sentiu o estômago contorcer se . Agarrou o chapéu por a aba e tirou o de a cabeça . O chapéu seleccionador ficou pendurado em a mão de ele , inerte , desbotado e sujo . Harry voltou a pô o em a prateleira , sentindo se enjoado . - Estás enganado ! - disse em voz alta a o chapéu parado e silencioso , mas ele não se mexeu . Harry recuou para o observar melhor e foi então que ouviu um ruído estranho e grasnado atrás_de si que o fez dar uma volta . Não estava só , afinal_de_contas . Em um poleiro dourado atrás de a porta estava um pássaro de aspecto decrépito que parecia um peru meio depenado . Harry olhou para ele espantado e o pássaro olhou o também , grasnando de_novo . Harry achou que ele devia estar muito doente porque tinha os olhos parados e , enquanto olhava para ele , caíram lhe mais algumas penas de a cauda . Estava justamente a pensar que a única coisa que lhe faltava era que o pássaro de estimação de Dumbledore morresse quando ele estava ali sozinho com ele , em o escritório , quando a ave se incendiou . Harry gritou , em estado de choque , e recuou até a a secretária . Olhava nervosamente em volta , em busca de um jarro de água , mas não viu nenhum . O pássaro , entretanto , transformara se em uma bola de fogo , dera um guincho e , em seguida , desaparecera , deixando apenas um monte de cinzas em o chão . A porta de o escritório abriu se . Dumbledore entrou com ar taciturno . - Professor - gaguejou Harry . - O seu pássaro ... eu não pode fazer nada ... ele incendiou se . Para seu grande espanto , Dumbledore sorriu . - Já não era sem tempo . Estava com um aspecto horrível em os últimos dias . Fartei me de lhe dizer que fizesse qualquer coisa . Riu se entre dentes com a expressão em o rosto de Harry . - A Fawkes é uma fénix , Harry . As fénix ardem quando é altura de morrer e renascem de as cinzas , repara ... Harry olhou mesmo a_tempo_de ver um passarinho recém-nascido , todo enrugado , espetar a cabeça fora de as cinzas . Era quase tão feio como o antigo . - É uma pena que a tenhas conhecido em dia de arder - disse Dumbledore , passando para trás de a secretária . - É muito bonita a maior parte de o tempo , com uma plumagem vermelha e dourada . São criaturas fascinantes , as fénix . Podem transportar cargas pesadíssimas , as suas lágrimas têm propriedades curativas e são animais de estimação extremamente fiéis . Com o choque de a fénix a pegar fogo , Harry esquecera se de o motivo porque ali estava , mas tudo voltou rapidamente quando Dumbledore se instalou em a cadeira de espaldar alto e o fixou com os seus olhos azuis e penetrantes . Contudo , antes que ele tivesse tido tempo de falar , a porta de o escritório abriu se de par em par com um enorme estrondo e Hagrid entrou com um olhar tresloucado , o lenço todo torcido em volta de a cabeça hirsuta e o galo morto ainda pendurado em a mão . - Não foi Harry , professor Dumbledore - disse , aflito . - Eu tinha estado a falar com ele poucos segundos antes de o rapazinho ser encontrado , ele não teve tempo professor ... Dumbledore tentou dizer qualquer coisa , mas Hagrid continuou , abanando o galo em o meio de a sua agitação e espalhando penas por todo o lado . - Não pode ter sido ele . Eu juro em a frente de o ministro de a magia , se for preciso ... - Hagrid , eu ... -- Tem o rapaz errado , professor . Eu sei qu'o Harry nunca ... - Hagrid - disse Dumbledore , elevando a voz . - Eu não penso que o Harry tenha atacado aquelas pessoas . - Oh ! - disse Hagrid , com o galo pendendo inerte a o seu lado . - Certo , ' tão eu espero lá fora , director . E saiu com ar envergonhado . - O senhor não acha que tenha sido eu ? - repetiu Harry cheio de esperança , enquanto Dumbledore sacudia penas de galo de cima de a secretária . - Não , Harry , não acho - afirmou Dumbledore , apesar de a sua expressão ser de_novo sombria . - Mas mesmo_assim quero falar contigo . Harry esperou ansiosamente enquanto o director o observava com as pontas de os dedos longos unidas . - Tenho de saber uma coisa . Harry , há alguma pergunta que queiras fazer me , qualquer que ela seja ? Harry não soube o que dizer . Lembrou se de Malfoy a gritar * _ Vocês serão os próximos , sangues de lama * e de a poção * _ Polisuco * em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Depois pensou em a voz sem corpo que ouvira duas vezes e em o que o Ron dissera * _ Ouvir vozes que ninguém mais ouve não é bom sinal , nem mesmo em o mundo de a feitiçaria * . Pensou também em o que toda_a_gente dizia de ele e em o receio cada_vez maior de ter uma relação qualquer com Salazar_Slytherin ... - Não - disse por fim . - Não há nada , professor . O ataque duplo a Justin e a o Nick quase sem cabeça transformou o que até_então era nervosismo em verdadeiro pânico . Curiosamente fora o destino de o Nick quase sem cabeça o que mais preocupara as pessoas . Quem poderia ter feito aquilo a um fantasma ? - perguntavam uns a os outros . - Que poder terrível era aquele , capaz de afectar alguém que já tinha morrido ? Houve uma precipitação enorme em a marcação de os bilhetes em o Expresso_de_Hogwarts , pois todos os alunos quiseram ir passar o Natal a casa . - Por este caminho , vamos ser os únicos a ficar - disse o Ron a o Harry e a a Hermione . - Nós , o Malfoy , o Goyle e o Crabbe , que férias lindas que vão ser ! Crabbe e Goyle que faziam sempre o que Malfoy fazia , tinham se inscrito para ficar também durante as férias . Mas Harry estava contente por a maior parte se ir embora . Estava farto de ver gente a afastar se em os corredores como_se ele fosse mostrar os dentes ou cuspir veneno . Estava cansado de tantos segredinhos , de os ver apontar e segredar quando passava . O Fred e o George , esses achavam muito divertido . Vinham , de propósito , pôr se a a frente de ele e atravessavam os corredores a gritar : - Abram alas para o herdeiro de Slytherin , vai passar um feiticeiro verdadeiramente cruel . Percy discordava totalmente de este comportamento . - Não é um assunto para se brincar - dizia com frieza . - Sai mas é de o caminho , Percy - dizia o Fred . - O Harry está com pressa . - Sim , ele vai a a Câmara_dos_Segredos tomar uma chávena de chá com o seu servidor dentes de serpente - completava Fred com uma gargalhada . Ginny também não lhes achava graça . - Cala te - gritava ela sempre_que o Fred perguntava em voz alta a o Harry quem estava a pensar atacar a seguir , ou quando George fingia afastá o com um enorme dente de alho . Harry não se importava . Fazia o sentir se melhor o facto de constatar que , pelo_menos para o Fred e para o George , a ideia de ele ser o herdeiro de Slytherin era absolutamente ridícula . Mas as palhaçadas de eles pareciam ofender Draco_Malfoy que , de cada_vez que os via , ficava mais irritado . - É porque está ansioso por dizer que é mesmo ele - disse o Ron com ar conhecedor . - Sabes como ele detesta que alguém o ultrapasse e tu estás a receber todo o crédito por o seu trabalho sujo . - Não vai ser por muito_tempo - disse Hermione com uma voz satisfeita . - A poção * polisuco * está quase pronta . Um de estes dias arrancamos lhe a verdade . Finalmente , o período chegou a o seu termo e um silêncio profundo como a neve em os campos desceu sobre o castelo . Harry adorou a tranquilidade e apreciou o facto de ele , Hermione e os Weasley terem a torre de os Gryffindor por sua conta , poderem jogar a as explosões bem alto , sem incomodar ninguém e praticar duelos entre si . O Fred , o George e a Ginny tinham preferido ficar em a escola a ir com Mr. e Mrs._Weasley a o Egipto visitar o Bill . Percy que reprovava e considerava infantil a conduta de eles , não passava muito_tempo em a sala comum de os Gryffindor . Já lhes dissera pomposamente que só ficara ali em o Natal , por ser sua obrigação como prefeito apoiar os professores em aquela época agitada . A manhã de o dia de Natal clareou branca e fria . Harry e Ron , os únicos que estavam em o dormitório , foram acordados muito cedo por Hermione que entrou , toda vestida , transportando presentes para ambos . - Acordem - disse em voz alta , abrindo os cortinados . - Hermione , tu não devias estar aqui - exclamou o Ron , protegendo os olhos de a luz . - Feliz_Natal para ti também - disse Hermione , atirando lhe o presente que tinha para ele . - Estou acordada há quase uma hora , acrescentando mais asas de renda a a poção . Está pronta . Harry sentou se , subitamente acordado . - Tens a certeza ? - Absoluta - disse ela , afastando o rato Scrabbers para se sentar a os pés de a cama de dossel . - Se vamos mesmo tomá a , acho que devia ser logo a a noite . Em esse momentzo , a Hedwig entrou em o quarto , transportando em o bico um embrulho pequenino . - Olá - disse Harry , feliz a o vê a aterrar em a sua cama . - Já me falas outra_vez ? Ela mordiscou lhe a orelha de uma forma afectuosa que foi , de longe , um presente melhor do_que aquele que transportava e que era afinal de os Dursley . Tinham mandado a Harry um palito para os dentes com um cartão pedindo lhe que se informasse se não poderia ficar , também em o Verão , em Hogwarts . Os outros presentes que Harry recebeu foram bastante melhores . Hagrid mandara lhe uma lata grande de bombons de melaço que ele decidiu amolecer a o lume antes de comer , o Ron deu lhe um livro chamado * _ Voando com Canhões * , que narrava factos interessantes sobre a sua equipa favorita de Quidditch e Hermione trouxera lhe uma luxuosa pena de águia . Harry abriu o último presente onde vinha uma camisola novinha , feita a a mão por Mrs._Weasley e um grande bolo de passas . Pegou em o cartão com uma nova sensação de culpa , pensando em o carro de Mr._Weasley que não voltara a ser visto desde_que chocara contra o salgueiro zurzidor e em a quantidade de infracções que ele e o Ron tinham em mente . Ninguém , nem mesmo os que estavam cheios de medo por terem de tomar a poção * polisuco * a seguir , deixou de adorar o jantar de Natal em Hogwarts . O salão nobre estava magnífico . Não_só havia uma_dúzia de árvores de Natal , cobertas de geada e espessas serpentinas de azevinho e visco bravo cruzando se junto de o tecto como caia uma neve encantada quente e seca . Dumbledore conduziu os em uma de as suas canções de Natal preferidas enquanto Hagrid se agitava , falando cada_vez_mais alto , a cada gole de gemada que tomava . O Percy que não dera por_que Fred enfeitiçara o seu distintivo de prefeito , onde agora podia ler se « cabeça de alfinetes « , continuava a perguntar a todos para_onde estavam a olhar . Harry nem_sequer se importou com os comentários que Draco_Malfoy fazia bem alto , de a mesa de os Slytherin acerca de a sua camisola nova . Com alguma sorte , Malfoy iria ser desmascarado dentro_de algumas horas . Harry e Ron mal tinham acabado a terceira dose de pudim de Natal quando Hermione os fez sair de o salão a a pressa para acabarem de tratar de os planos para essa noite . - Ainda precisamos de um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos - disse com o ar mais natural de este mundo como_se estivesse a mandá os a o supermercado comprar detergente . - E , é claro que o ideal será conseguirmos alguma coisa de o Crabbe e de o Goyle , são os melhores amigos de o Malfoy , ele conta lhes tudo . E precisamos também de ter a certeza de que eles não vão entrar em a sala quando vocês estiverem a interrogar o Malfoy . - Eu tenho tudo pensado - prosseguiu ela , ignorando a expressão estupefacta de Harry e Ron . Pegou em dois apetitosos bolos de chocolate . - Pus lhes um encantamento de sono . Vocês só têm de fazer com que o Crabbe e o Goyle os encontrem . Sabem como eles são gulosos , vão logo comê os . Quando estiverem a dormir , tirem lhes alguns cabelos e escondam nos em uma despensa de vassouras . Harry e Ron olharam , incrédulos , um para o outro . -- Hermione , eu não creio que ... -- Isto pode correr muito mal ... Mas Hermione tinha um brilho inflexível em os olhos que não era muito diferente do_que costumavam ver em o olhar de a professora Mc_Gonagall . - A poção não nos serve de nada sem os cabelos de o Crabbe e de o Goyle - disse com firmeza . - Vocês querem mesmo descobrir coisas sobre o Malfoy , não querem ? - Pronto , está bem - disse Harry . - Mas , e tu , vais arranjar cabelos de quem ? - Eu já tenho esse assunto resolvido - disse Hermione sorridente , tirando um frasquinho de o bolso e mostrando lhes um cabelo que lá estava dentro . - Lembram se de a Millicent_Bulstrode que lutou comigo em o clube de os duelos ? Ela deixou isto em o meu manto quando tentava estrangular me . E foi passar o Natal a casa , portanto , basta me dizer a os Slytherins que decidi voltar . Quando Hermione saiu para verificar de_novo a poção polisuco , Ron voltou se para Harry com uma expressão lúgubre . - Alguma vez viste um plano onde tantas coisas pudessem correr mal ? Mas para grande espanto de ambos , a primeira fase de a operação decorreu tão naturalmente como Hermione previra . Eles esconderam se em o * hall * de entrada , depois de o lanche de Natal , a a espera de o Crabbe e de o Goyle que tinham ficado sozinhos a a mesa de os Slytherin , deitando abaixo a quarta dose de bolo inglês . Harry colocou os bolos de chocolate em o fim de o corrimão . Quando avistaram Crabbe e Goyle a sair de o salão , Harry e Ron esconderam se rapidamente atrás_de uma armadura que estava junto de a porta de entrada . - Como_se pode ser tão estúpido ? - murmurou Ron sem se mexer enquanto Crabbe apontava satisfeitíssimo , mostrando a Goyle os bolos e agarrando os . Com um riso estúpido , enfiaram nos inteiros em as bocas enormes . Durante um momento , ambos mastigaram avidamente com olhares vitoriosos em o rosto . Depois , sem que a expressão se alterasse , caíram para trás e estatelaram se em o chão . Mais difícil foi transportá os para a despensa de o outro lado de o * hall * . Uma_vez armazenados em o meio de os baldes e esfregões , Harry arrancou alguns de os pêlos que cobriam a cabeça de o Goyle e Ron tirou alguns cabelos a o Crabbe . Roubaram lhes também os sapatos porque os de eles eram demasiado pequenos para os enormes pés de o Crabbe e de o Goyle . Em seguida , ainda atordoados com o que tinham acabado de fazer , correram até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mal conseguiam ver com o fumo preto e espesso que saía de o cubículo onde Hermione mexia o caldeirão . Tapando o rosto com os mantos , Harry e Ron bateram a o de leve em a porta . - Hermione ? Ouviram o ruído de o trinco e Hermione apareceu com a cara lustrosa e um ar ansioso . Por trás de ela ouviam o gloop gloop de a poção espessa e gorgolejante . Em o banco de a casa_de_banho estavam três copos de vidro . - Conseguiram ? - perguntou Hermione quase sem fôlego . Harry mostrou lhe o cabelo de o Goyle . - _ óptimo . Eu tirei estes mantos suplementares de a lavandaria - disse ela , pegando em uma pequena saca . - Vocês vão precisar de tamanhos maiores se vão ser o Crabbe e o Goyle . Olharam os três para o caldeirão . Vista de perto , a poção parecia uma lama espessa e escura a borbulhar indolentemente . - Tenho a certeza que fiz tudo certo - disse Hermione nervosa , relendo a página manchada de * _ Moste_Potente_Potions * . - Tem o aspecto que o livro diz que deveria ter ... depois de a tomar temos precisamente uma hora antes de nos transformarmos de_novo em as pessoas que somos . - E agora ? - murmurou o Ron . - Separamos a em três copos e adicionamos os cabelos . Hermione encheu cada_um de os copos com uma concha de sopa . Em seguida , retirou com a mão a tremer o cabelo de Millicent_Bulstrode de dentro de o frasquinho e pô o em o primeiro copo . A poção chiou fortemente como uma chaleira a ferver e espumou como louca . Um segundo depois ganhara um tom de amarelo doentio . - Urgh ! Essência_de_Millicent_Bulstrode - disse Ron , olhando com repugnância . - Aposto que o sabor é nojento . - Deitem os vossos - disse Hermione . Harry deixou cair o cabelo de o Goyle em o copo de o meio e Ron lançou o de o Crabbe em o último . Ambos chiaram e espumaram : o de o Goyle ficou de um tom caqui , o de o Crabbe de um castanho-escuro algo tenebroso . - Esperem - pediu Harry quando Ron e Hermione pegaram em os copos . - Será melhor não os tomarmos aqui todos juntos em um cubículo ; quando em os transformarmos não vamos cá caber e Millicent_Bulstrode não é nenhum duende . - Bem pensado - admitiu o Ron , abrindo a porta . - Cada_um em seu cubículo . Com todo o cuidado , para não entornar nem uma gota de a poção polisuco , Harry esgueirou se para o cubículo de o meio . - Prontos ? - perguntou . - Prontos - responderam as vozes de o Ron e de a Hermione . - Um , dois , três . Tapando o nariz , Harry bebeu a poção em dois grandes tragos . Tinha o sabor de a couve demasiado cozida . Os seus interiores começaram imediatamente a contorcer se como_se tivesse engolido serpentes vivas . Dobrado , Harry perguntava a si próprio se iria vomitar . Depois , uma sensação de ardor espalhou se rapidamente de o estômago até a as pontas de os dedos de as mãos e de os pés . Em seguida , fazendo o sobressaltar se , sobreveio o sentimento horrível de estar a derreter enquanto a pele de todo o seu corpo borbulhava como cera quente e , perante os seus olhos , as mãos começaram a crescer , os dedos a engrossar , as unhas a alargar e as articulações a tornarem se protuberantes como ferrolhos . Os ombros retesaram se dolorosamente e uma comichão em a testa preveniu o de que o cabelo estava a rastejar em direcção a as sobrancelhas . As túnicas rasgaram se enquanto o tórax se expandia como um barril , rebentando com os seus anéis . Os pés estavam em grande sofrimento dentro_de sapatos quatro números abaixo . Tão depressa como começara , tudo parou . Harry estava caído em o chão de pedra fria , ouvindo a Murta_Queixosa gorgolejando taciturna em o cubículo de o fundo . Com alguma dificuldade tirou os sapatos e levantou se . Era então assim que o Goyle se sentia ! Com a mão enorme a tremer , despiu a sua túnica que lhe ficava 30 centímetros acima de os tornozelos , pegou em as túnicas suplementares e amarrou os atacadores de os sapatos abotinados de o Goyle . Quis escovar o cabelo para o afastar um_pouco de os olhos e deu apenas com os pêlos hirsutos que lhe cresciam em a testa . Apercebeu se então de que os óculos lhe toldavam a visão porque o Goyle , obviamente , não precisava de eles . Tirou os e gritou . - Vocês estão bem ? - De a sua boca saiu a voz baixa e grossa de o Goyle . - Sim - respondeu lhe o grunhido de o Crabbe , a a sua direita . Harry abriu a porta de o cubículo e dirigiu se a o espelho partido . O Goyle olhava o de o outro lado com os seus olhos parados . Harry coçou a orelha e Goyle fez o mesmo . A porta de o Ron abriu se . Olharam um para o outro . Harry estava pálido e chocado . O amigo não se distinguia de o Crabbe , desde o corte de cabelo em forma de tigela até a os longos braços de gorila . - É inacreditável - disse o Ron , aproximando se de o espelho e beliscando o nariz achatado de o Crabbe . - Inacreditável ! - É melhor irmos indo - disse Harry , alargando a pulseira de o relógio que lhe cortava o pulso . - Ainda temos de descobrir onde fica a sala comum de Slytherin . Só espero que encontremos alguém que vá para lá e que nós possamos seguir . Ron que tinha estado a olhar espantado para ele , comentou : - Não imaginas como é bizarro ver o Goyle a pensar - bateu em a porta de Hermione . - Vamos , temos que ir ... Respondeu lhe uma voz aguda : - Eu ... eu acho que afinal não vou . Vão vocês sem mim . - Hermione , nós sabemos que a Millicent_Bulstrode é feia , ninguém vai pensar que és tu . - Não , a sério , acho que não vou . Despachem se vocês os dois , estão a perder tempo . Harry olhou para Ron , baralhado . - Aquilo parece mais de o Goyle , é como ele fica sempre_que algum professor lhe faz uma pergunta . - Estás bem , Hermione ? - perguntou Harry , através de a porta . - _ óptima , estou óptima , vão se embora . Harry olhou para o relógio . Cinco preciosos minutos tinham já passado . - Encontramo nos aqui , está bem ? - disse . Os dois abriram a porta de a casa_de_banho com todo o cuidado , viram se o caminho estava livre e saíram . - Não balances assim os braços - disse o Harry a o Ron . - Hein ? - O Crabbe anda sempre com eles esticados . - Assim ? - Isso , assim está melhor . Desceram a escadaria de mármore . Só precisavam agora de um Slytherin que pudessem seguir até a a sala comum , mas não havia ninguém por perto . - Tens alguma ideia ? - perguntou Harry em um murmúrio . - Os Slytherin vêm sempre de ali para o pequeno-almoço - disse o Ron , apontando para a entrada de os calabouços . Mal tinha pronunciado estas palavras quando uma rapariga de cabelo comprido a os caracóis , apareceu . - Desculpa - disse o Ron , sem perder tempo . - Esquecemo nos de o caminho para a nossa sala comum . - Como ? - disse a rapariga com a maior frieza . - A * nossa * sala comum ? Eu sou uma Ravenclaw . Afastou se , olhando para eles , desconfiada . Harry e Ron desceram apressadamente os degraus de pedra até a a escuridão . Os passos ecoavam em o silêncio , à_medida_que os pés enormes de Crabbe e Goyle tocavam em o chão , fazendo os sentir que as coisas não iam ser tão fáceis como eles desejavam . Os corredores labirínticos estavam desertos . Andaram e tornaram a andar por os subterrâneos , olhando constantemente para os relógios para ver quanto tempo ainda lhes restava . Depois de um quarto de hora , quando começavam a ficar desesperados , ouviram um movimento súbito . - Olha - disse o Ron , agitadamente . - Agora é um de eles . A silhueta saía de uma sala , mas quando se aproximaram o coração de ambos esmoreceu . Não era um Slytherin , era Percy . - O que estás a fazer aqui em baixo ? - perguntou o Ron surpreendido . - Isso - disse ele friamente - não é de a tua conta . És o Crabbe , não és ? - Er ... sim , sim - respondeu o Ron . - Então vão para o vosso dormitório - ordenou Percy com firmeza . - Não é seguro andar a passear por os corredores escuros em os dias que correm . - Tu andas -- fez notar o Ron . - Eu - disse o Percy endireitando se - sou um prefeito . Nada vai atacar me . Ouviu se , de repente , uma voz por_detrás_de Harry e Ron . Era_Draco_Malfoy e , pela_primeira_vez em a vida , Harry ficou satisfeito a o vê o . - Aí estão vocês - disse de modo arrastado , olhando para eles . - Têm estado a chafurdar em o salão este tempo todo ? Tenho andado a a vossa procura , quero mostrar vos uma coisa muito divertida . Malfoy olhou misteriosamente para Percy . - E o que fazes tu aqui , Weasley ? - perguntou com ar de desprezo . Percy olhou , sentindo se ultrajado . - Fazes favor de mostrar um_pouco mais de respeito por um prefeito de a escola - disse . - Não gosto de o teu ar . Malfoy riu se e fez sinal a o Harry e a o Ron para que o seguissem . Harry quase ia pedindo desculpa a o Percy , mas deu se conta a tempo . Apressaram se a seguir o Malfoy que disse , mal viraram em o corredor seguinte : - Aquele Peter_Weasley ... - O Percy - corrigiu Ron automaticamente . - Ou isso - continuou Malfoy . - Ultimamente tenho o visto muitas_vezes a andar por aí sorrateiramente e aposto que sei o que ele quer . Pensa que vai apanhar o herdeiro de Slytherin sozinho . Deu uma pequena gargalhada ridícula . Harry e Ron trocaram olhares nervosos . Malfoy parou junto de uma parede de pedra húmida . - Qual é a senha ? - perguntou a o Harry . - Er ... - Ah ! sim , sangue puro - disse Malfoy sem ouvir e uma porta de pedra , oculta em a parede , abriu se . Malfoy entrou e Harry e Ron seguiram o . A sala comum de os Slytherin era uma ampla divisão subterrânea com espessas paredes de pedra e um tecto de o qual estavam pendurados por correntes vários candeeiros redondos que davam uma luz esverdeada . O fogo crepitava em uma lareira elaboradamente esculpida em frente de a qual se viam as silhuetas de vários Slytherins sentados em cadeiras igualmente esculpidas . - Esperem aí - disse Malfoy a o Harry e a o Ron , encaminhando os para um par de cadeiras vazias , longe de o lume . - Eu vou buscar o que o meu pai acaba de me mandar . Sem saber o que Malfoy iria mostrar lhes , Harry e Ron sentaram se , fazendo todos os possíveis por parecer a a vontade . Malfoy voltou um minuto depois , trazendo em a mão o que parecia ser um recorte de jornal . Pô o debaixo de o nariz de o Ron . - Vais te rir - disse . Harry viu os olhos de o Ron abrirem se como_se estivesse em estado de choque . Viu o ler o recorte rapidamente , dar uma gargalhada forçada e estender lhe o em seguida . Tinha sido retirado de o * _ Profeta_Diário * e dizia : inquérito em o ministério de a magia * _ Arthur_Weasley , chefe de o Gabinete_de_Mau_Uso_dos_Utensílios_dos_Muggles foi hoje multado em cinquenta galeões por ter enfeitiçado um carro de os Muggles . * _ O senhor Lucius_Malfoy , Membro_do_Conselho_Directivo_da_Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts , onde o carro enfeitiçado foi chocar em o princípio de este ano , exigiu hoje a demissão de Mr._Weasley . « * _ O_Weasley trouxe o descrédito a o Ministério « - declarou Mr._Malfoy a o nosso repórter . - « É claramente incompetente para fazer cumprir as leis e a sua protecção ridícula de os Muggles deveria ir imediatamente para a sucata . » * _ Mr._Weasley recusou se a fazer comentários , mas a sua mulher disse a os repórteres que desaparecessem de ali ou lançaria contra eles o vampiro de a família * . - Então - disse Malfoy impaciente quando Harry voltou a entregar lhe o recorte . - Não achas o_máximo ? - Ha , ha - fez Harry tristemente . - O Arthur_Weasley gosta tanto de os Muggles que era capaz de partir a sua varinha a o meio para se juntar a eles - disse Malfoy com desprezo . - Ninguém diria que os Weasley eram sangue puro a avaliar por o modo como_se comportam . A cara de o Ron , ou melhor , de o Crabbe , contorceu se de raiva . - O que é_que se passa ? - perguntou Malfoy . - Dores de estômago - gemeu o Ron . - Então vai a a ala hospitalar e dá a todos aqueles sangues de lama um pontapé de a minha parte - disse Malfoy com o seu riso escarninho . - Sabes que estou espantado por o * _ Profeta_Diário * ainda não se ter referido a todos estes ataques - continuou pensativamente . - Calculo que o Dumbledore deve estar a tentar abafar as coisas . Ele ainda é posto em a rua se isto não acaba depressa . O pai sempre disse que Dumbledore foi a pior coisa que aqui veio parar . Ele adora os filhos de os Muggles , um director decente nunca deixaria um lodo como o Creevey entrar em esta escola . Malfoy começou a fingir que tirava fotografias com uma máquina imaginária e fez uma imitação maldosa , mas bastante fiel de o Colin : - Potter , posso tirar te a fotografia ? Dás me um autógrafo ? Posso lamber te os sapatos , por favor , Potter ? Baixou as mãos e olhou para Harry e Ron . - O que é_que se passa com vocês os dois ? Um_pouco atrasados , Harry e Ron forçaram o riso e Malfoy pareceu satisfeito . Talvez Crabbe e Goyle fossem sempre de reacção lenta . - O santo Potter , amigo de os sangues de lama - disse Malfoy . - É outro que não tem os sentimentos de um feiticeiro a sério ou não andaria por aí com aquela empertigada sangue de lama Granger . E as pessoas a pensarem que ele é o herdeiro de Slytherin . Harry e Ron esperaram com a respiração entrecortada : o Malfoy ia certamente dizer lhes , dentro_de segundos , que era ele , mas então ... - Quem me dera saber quem ele é - disse o Malfoy , de forma petulante . - Podia ajudá o . O queixo de o Ron caiu de tal maneira que a cara de o Crabbe ficou ainda mais desajeitada do_que era habitual . Felizmente Malfoy não deu por nada e Harry , em um pensamento rápido , disse : - Deves ter alguma ideia de quem está por_detrás_de tudo ... - Sabes perfeitamente que não tenho , Goyle , quantas vezes é preciso dizer te ? - cortou Malfoy . - E o pai também não me diz nada sobre a última vez que a câmara foi aberta . É claro que foi há cinquenta anos , antes de ele cá andar , mas o pai sabe tudo a esse respeito e diz que as coisas foram mantidas em grande segredo e que pareceria suspeito se eu soubesse demasiado . Mas há uma coisa que eu sei : de a última vez que a câmara foi aberta , morreu um sangue de lama . Por isso , aposto que é uma questão de tempo até que um de eles seja morto . Só espero que seja a Granger - disse satisfeito . Ron fechara os punhos gigantescos de o Crabbe . Sentindo que deitaria tudo a perder se ele desse um soco a o Malfoy , Harry lançou lhe um olhar de aviso e disse : - Sabes se a pessoa que abriu a câmara de a última vez foi apanhada ? - Ah ! sim , essa pessoa foi expulsa - disse Malfoy . - Ainda deve estar em Azkaban . - Azkaban ? - repetiu Harry confuso . - Azkaban , a prisão de os feiticeiros , Goyle - disse Malfoy , olhando para ele incrédulo . - Francamente , se fosses mais lento andavas para trás . Esticou se intranquilo , em a cadeira e disse : - O pai diz para eu esfriar a cabeça e deixar que o herdeiro de Slytherin faça o seu trabalho . Acha que a escola precisa de se livrar de a escória de os sangues de lama , mas não quer que eu me envolva em nada . Claro que ele agora tem um prato cheio . Sabes que o Ministério de a magia fez uma busca a a nossa mansão em a semana passada ? Harry tentou forçar a cara de bronco de o Goyle a uma expressão preocupada . - Sim - continuou Malfoy . - É claro que não encontraram grande coisa . O pai guarda uns materiais de magia negra muito valiosos , mas , felizmente , temos a nossa câmara secreta debaixo de o soalho de a sala de visitas ... - Ah ! - disse o Ron . Malfoy olhou para ele . Harry também . Ron corou e até o cabelo começou a ficar vermelho . O nariz estava também a diminuir lentamente ... a hora tinha acabado . Ron estava a voltar a a sua forma habitual e por o olhar de horror que lançou a Harry certamente ele também estava . Puseram se rapidamente de pé . - Tenho de tomar o remédio para o estômago - grunhiu o Ron e sem mais explicações saíram ambos a correr de a sala comum de os Slytherin , precipitaram se para a parede de pedra e galgaram a passagem , pedindo a todos os santos que Malfoy não tivesse dado por nada . Harry sentia os pés a nadarem em os sapatos enormes de o Goyle e tinha de levantar o manto visto_que diminuíra de tamanho . Subiram os degraus a correr até a o * hall * escuro de entrada onde se ouvia um som abafado que vinha de a despensa onde tinham fechado o Crabbe e o Goyle . Deixando os sapatorros de os dois de o lado de_fora , subiram já com os respectivos sapatos a escadaria de mármore até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Bem , não foi uma total perda de tempo - disse o Ron ofegante , fechando atrás_de si a porta de a casa_de_banho . - É certo que ainda não descobrimos de quem vêm os ataques , mas vou escrever a o meu pai amanhã a dizer lhe que procure debaixo de o soalho de a sala de visitas de o Malfoy . Harry olhou para o espelho partido . Tinha voltado a o normal . Pôs os óculos enquanto Ron batia em a porta de o cubículo de Hermione . - Hermione , sai de aí , temos um monte de coisas para te contar ... - Vão se embora - guinchou Hermione . Harry e Ron olharam um para o outro . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron . - Tu já deves ter voltado a o normal como nós ... Mas a Murta_Queixosa saiu subitamente através de a porta de o cubículo com um ar divertido como nunca a tinham visto . - Oh ! Esperem até ver - disse ela . - É horrível ! Ouviram o trinco de a porta a abrir se e Hermione apareceu a soluçar , a túnica levantada a cobrir lhe o rosto . - O que foi ? - perguntou o Ron indistintamente . - Ainda tens o nariz de a Millicent ou alguma coisa assim ? Hermione deixou cair a roupa e Ron recuou rapidamente . O rosto de ela estava coberto de pêlo preto , os olhos tinham ganho uma cor amarela e as orelhas eram pontiagudas , saindo espetadas para fora de os cabelos . - Era um pêlo de g-gato - disse a chorar . - A Millicent_Bulstrode d-deve ter um gato e a poção não está preparada para transformação em animais . - Oh-oh - disse o Ron . - Vão te gozar horrivelmente - disse a Murta , felicíssima . - Não te preocupes , Hermione - tranquilizou a rapidamente o Harry . - Vamos levar te para a ala hospitalar , a Madam_Pomfrey nunca faz muitas perguntas ... Não foi fácil convencer Hermione a sair de a casa_de_banho . A Murta_Queixosa despediu se com uma gargalhadavigorosa e grosseira . - Espera até todos descobrirem que tens uma cauda ! XIII_O diário muito secreto Hermione ficou em a ala hospitalar durante várias semanas . Houve uma onda de boatos sobre o seu desaparecimento quando o resto de os alunos voltou de as férias de Natal porque , é claro , todos pensam que ela tinha sido atacada . Foram tantos os estudantes a rondar a ala hospitalar para espreitar a ver se a viam que Madam_Pomfrey desceu de_novo as cortinas de a cama de ela para a poupar a a vergonha de ser vista com pêlo em a cara . Harry e Ron iam visitá a todas_as tardes . Quando o segundo período começou passaram a levar lhe diariamente os trabalhos de casa . - Se eu tivesse o bigode a crescer , tinha uma folga de o trabalho - disse uma tarde o Ron enquanto colocava uma pilha de livros a a cabeceira de a cama de Hermione . - Não sejas parvo , Ron , eu tenho de me manter a par de as coisas - disse Hermione com vivacidade . O humor de ela melhorara bastante com o facto de lhe ter desaparecido todo o pêlo de o rosto e de os olhos estarem lentamente a retomar a cor castanha . - Calculo que não tenham novas pistas ? - disse em um murmúrio para evitar que Madam_Pomfrey os ouvisse . - Nada - disse Harry tristemente . - Eu tinha tanta certeza de que era o Malfoy - repetiu o Ron por a centésima vez . - O que é isso ? - perguntou Harry , apontando para uma coisa com brilho dourado que estava debaixo de a almofada de Hermione . - É só um cartão a desejar boas melhoras - disse ela precipitadamente , tentando escondê o , mas o Ron foi mais rápido . Pegou lhe , abriu o e leu em voz alta : * _ Para_Miss_Granger , desejando lhe uma rápida recuperação , com o interesse e estima de o professor Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , Terceiro grau , Membro_Honorário_da_Liga_de_Defesa contra as Artes_Negras e vencedor por cinco vezes de o prémio O sorriso mais charmoso de a semana de o Semanário_das_Bruxas * . Ron olhou desconsolado para Hermione . - Tu dormes com isto debaixo de a almofada ? Mas Hermione foi poupada a ter de responder por a entrada de Madam_Pomfrey que lhe trazia a dose de medicamento de a tarde . - Achas que o Lockhart é o tipo mais esperto que conheceste ? - perguntou o Ron a o Harry quando saíram de a enfermaria e começavam a subir as escadas para a torre de os Gryffindor . O Snape tinha lhes passado tanto trabalho para_casa que Harry pensou que ia chegar a o sexto ano antes de o ter acabado . Ron vinha a dizer que devia ter perguntado a a Hermione quantas caudas de rato deveria juntar se a uma poção para o crescimento de o cabelo quando um grito de raiva vindo de o andar de cima lhes chegou a os ouvidos . - É o Filch - murmurou Harry enquanto subiam apressadamente as escadas e paravam para ouvir melhor . - Terá mais alguém sido atacado ? - disse nervosamente o Ron . Ficaram parados com as cabeças inclinadas para a voz de o Filch que parecia quase histérica . -- ... * _ Ainda mais trabalho para mim . Toda_a noite a esfregar como_se não tivesse já trabalho de sobra . Não , isto foi a gota de água que fez transbordar o copo , vou falar com Dumbledore * ... Os passos afastaram se e ouviram uma porta fechar se com grande estrondo . Puseram as cabeças fora de a esquina . O Filch tinha obviamente estado a patrulhar o seu habitual posto de vigia : estavam novamente em o lugar onde Mrs._Norris fora atacada . Perceberam imediatamente qual o motivo de os gritos . Uma enorme poça de água enchia metade de o corredor e parecia escorrer de a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Agora_que o Filch se calara podiam ouvir os uivos de a Murta que faziam eco em as paredes de a casa_de_banho . - Mas o que se passará com ela ? - disse o Ron . - Vamos lá ver - sugeriu Harry e arregaçando as túnicas até a os tornozelos entraram , atravessando a enorme poça de água , em a casa_de_banho que tinha o letreiro a dizer « Fora de serviço » e que eles , como sempre , ignoraram . A Murta_Queixosa chorava , se possível , mais alto do_que nunca . Parecia estar escondida em o cubículo de o costume . Lá dentro estava escuro pois as velas tinham se apagado com a enchente de água que deixara as paredes e o chão ensopado . - O que se passa , Murta ? - quis saber o Harry . - Quem é ? - perguntou ela infelicíssima . - Vieste atirar me mais alguma coisa acima ? Harry caminhou com dificuldade por causa de a água até a o cubículo de ela e disse : - Porque te faríamos nós uma coisa de essas ? - Não me perguntem - gritou a Murta , emergindo em uma onda de água que molhou ainda mais o chão já ensopado . - Eu estou aqui metida em a minha morte e alguém acha muito engraçado atirar me com um caderno acima ... - Mas , não pode magoar te se alguém te atirar alguma coisa acima - disse Harry , tentando ser prático . - Isto_é , seja o que for passa através_de ti , não é assim ? Tinha dito a frase errada . A Murta encheu o peito de ar e gritou a plenos pulmões : - Vamos todos atirar cadernos a a Murta já_que ela não sente nada ! Dez pontos se lhe acertarem em o estômago , cinquenta se lhe atravessar a cabeça ! Hah hah hah , que jogo lindo , não acham ? - Quem te atirou um caderno , afinal ? - perguntou o Harry . - Não sei ... eu estava sentada em a sanita a pensar em a morte e caiu me em cima de a cabeça - disse a Murta , olhando para eles . - Está ali , ficou todo molhado . Harry e Ron olharam para o ponto que a Murta lhes apontava debaixo de o lavatório . Um caderno pequenino e fino estava caído em o chão . Tinha uma capa preta muito gasta e estava encharcado como tudo em aquela casa_de_banho . Harry deu um passo em frente para o apanhar , mas o Ron agarrou lhe precipitadamente o braço . - O que foi ? - perguntou Harry . - Estás doido - disse ele . - Pode ser perigoso . - Perigoso ? - riu se Harry . - Essa agora Ron , como é_que pode ser perigoso ? - Ficarias surpreendido ... - explicou ele , olhando com ar apreensivo para o caderno . - Entre os livros que o Ministério confiscou , contou me o meu pai , havia um que queimava os olhos a as pessoas . E todos os que leram os * _ Sonetos_de_Um_Feiticeiro * ficaram a falar em verso para o resto de a vida . Havia também uma bruxa em Bath que tinha um livro que quem o lesse nunca mais conseguia parar , tinha de andar por aí com o nariz enfiado em as folhas , a fazer todas_as coisas só com uma mão e ... - Já chega , já chega , já percebi a tua ideia - disse O_Harry . O caderninho continuava caído e ensopado . - Bem , nunca saberemos a_não_ser_que tenhamos a coragem de dar uma vista de olhos - disse e mergulhou apanhando o de o chão . Harry viu imediatamente que se tratava de um diário e a data meio apagada , em a capa , disse lhe que tinha cinquenta anos de idade . Abriu o ansiosamente . Em a primeira página podia ler se apenas o nome T._M._Riddle em tinta esborratada . - Espera aí - disse o Ron que se aproximara prudentemente e olhava por cima de o ombro de Harry . - Eu conheço esse nome ... T._M._Riddle recebeu um prémio por serviços especiais prestados a a escola há cinquenta anos atrás . - Como diabo sabes tu isso ? - perguntou Harry com grande espanto . - Porque o Filch mandou me limpar a taça de ele umas cinquenta vezes quando estive de castigo - disse o Ron ressentido . - Foi a taça em cima de a qual eu vomitei lesmas . Se tivesses tido que limpar o muco de um nome durante uma hora também te lembrarias . Harry separou umas de as outras as páginas molhadas . Estavam completamente em branco . Não havia o mais leve sinal de escrita em nenhuma , nem coisas como « Aniversário de a tia Mabel « ou « Dentista a as três_e_meia » . - Ele nunca escreveu nada aqui - disse Harry desapontado . - Porque quereria alguém atirá o fora ? - perguntou se o Ron com curiosidade . Harry voltou o caderno e viu , inscrito em a contra capa , o nome de uma tabacaria em Vauxhall_Road , Londres . - Ele devia ser filho de Muggle - disse Harry pensativo - para ter comprado um diário em Vauxhall_Road ... - Bem , não te serve de muito - Ron baixou a voz . - Cinquenta pontos se acertares em o nariz de a Murta . Harry , mesmo_assim , guardou o diário . Hermione saiu de a ala hospitalar desbigodada , sem cauda e sem pêlo em os primeiros dias de Fevereiro . Em a primeira noite em a torre de os Gryffindor , Harry mostrou lhe o diário de T._M._Riddle e contou lhe como o tinham encontrado . - Ooooh ! Deve ter poderes ocultos - disse ela entusiasticamente , pegando em o diário e examinando o de perto . - Se tem , esconde os muito bem - disse Ron . - Talvez fosse tímido . Não sei porque não deitas isso fora , Harry . - Gostava de perceber porque motivo alguém se quis livrar de ele - explicou Harry . - E também não me importava de saber como foi que o Riddle obteve esse prémio de serviços especiais prestados a Hogwarts . - Pode ter sido qualquer coisa - lançou o Ron . - Talvez tenha recebido 30 de nota final ou salvo um professor de a lula gigante . Se_calhar assassinou a Murta , isso teria sido um favor prestado a todos ... Mas Harry quase podia jurar , por o olhar suspenso em a cara de Hermione , que ela pensava o mesmo_que ele . - O que foi ? - perguntou Ron , olhando para um e para o outro . - Bem , a Câmara_dos_Segredos foi aberta há cinquenta anos , não foi isso que disse o Malfoy ? - Sim - respondeu Ron , lentamente . - E este diário tem cinquenta anos de idade - completou Hermione , dando lhe palmadinhas nervosas . - E de aí ? - Oh Ron , acorda - insistiu Hermione . - Sabemos que a pessoa que abriu a câmara de a outra_vez foi expulsa há cinquenta anos . E se o Riddle tivesse tido o prémio especial por apanhar o herdeiro de Slytherin ? O seu diário diria nos provavelmente tudo : onde é a Câmara_dos_Segredos , como abris a e que tipo de criatura vive lá . Achas que a pessoa que está por trás de os ataques desta_vez quereria o diário por aí ? - É uma teoria interessante , Hermione - disse o Ron . - Apenas com uma pequenina falha : o diário não tem nada Mas_Hermione já estava a tirar a varinha de o saco . - Pode ser tinta invisível - murmurou . Bateu três vezes em o diário e repetiu * _ Aparecium ! * Nada aconteceu . Intrépida , Hermione meteu a mão de_novo em o saco e tirou o que parecia ser uma borracha vermelha e brilhante . - É um * revelador * , comprei o em a Diagon - _ Al - disse . Apagou com força em 1_de_Janeiro . Não sucedeu nada . - Já vos disse , não há nada aí - repetiu o Ron . - O Riddle deve ter recebido um diário como prenda de Natal e nem se deu a o trabalho de escrever fosse o que fosse . Harry não conseguia explicar , nem a si próprio , porque motivo não deitara fora o diário de Riddle . A verdade é_que , mesmo depois de saber que ele estava em branco , continuou distraidamente a pegar lhe e a virar as páginas como_se quisesse chegar a o fim de uma história . E , apesar_de saber que nunca tinha ouvido o nome T._M._Riddle , continuava a ter a sensação de que lhe dizia alguma coisa , como_se Riddle fosse um amigo que ele tinha tido quando era muito pequeno e que estivesse meio esquecido . Mas era um absurdo . Nunca tivera amigos antes de Hogwarts , Dudley tivera esse cuidado . Ainda_assim , Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle , por isso em o dia seguinte foi até a a sala de os troféus para examinar a taça , acompanhado de Hermione que estava interessadíssima e de Ron que se mostrava profundamente incrédulo , dizendo que tinha ficado farto de aquela sala até a o fim de a vida . A taça dourada de Riddle estava arrecadada em um armário de canto . Não fornecia detalhes sobre o motivo por_que lhe fora dada ( felizmente , se fosse maior ainda hoje estava a limpá a , disse o Ron ) . Mas encontraram o nome de Riddle em uma antiga medalha de Mérito_Mágico e em uma lista de antigos chefes de turma . - Parece o Percy - comentou Ron , torcendo o nariz com aversão . - Prefeito , chefe de turma , provavelmente o melhor em todas_as disciplinas . - Dizes isso como_se fosse uma coisa má - fez lhe notar Hermione , em um tom de voz ressentido . Um sol fraco brilhava agora de_novo em Hogwarts . Dentro de o castelo , o ambiente estava bastante melhor . Não tinha havido novos ataques desde Justin e Nick quase sem cabeça e Madam_Pomfrey teve a satisfação de informar que as Mandrágoras começavam a ficar instáveis e dissimuladas , sinal de que estavam a abandonar rapidamente a infância . - Logo_que o acne desapareça estarão prontas para novo transplante - ouviu a Harry dizer amavelmente a o Filch . - E depois de isso , não demorará muito até podermos cortá as e estufá as . - Vai ter Mrs._Norris de volta , muito em_breve . Talvez o herdeiro ou herdeira de Slytherin tenha perdido a coragem , pensou Harry . Deve ser cada_vez_mais arriscado abrir a Câmara_dos_Segredos com a escola tão alerta e desconfiada . Talvez o monstro , qualquer_que_fosse , estivesse a preparar se para hibernar durante outros cinquenta anos . Ernie_Mcmillan_dos_Hufilepuff não aceitou esta visão optimista . Continuava convencido de que Harry era o culpado , que se tinha traído em o clube de os duelos . Peeves não ajudava nada : continuava a cantar por os corredores Potter , * seu bandido * ... agora acompanhado de um esquema de dança . Gilderoy_Lockhart parecia pensar que fora ele quem pusera fim a os ataques . Harry fartou se de o ouvir dizer isso a a professora Mc_Gonagall enquanto os Gryffindor formavam bicha para a aula de Transfiguração . - Não creio que volte a haver problemas , Minerva - disse , tocando em o nariz com ar conhecedor e piscando o olho . - Acho que desta_vez a câmara foi definitivamente selada . O culpado deve ter sabido que era uma questão de tempo até eu o apanhar e que era mais sensato parar agora antes que eu lhe tratasse de a saúde . Sabe , a escola está a precisar de um intensificador de animo para apagar as lembranças de o último período . Não vou dizer lhe mais_nada , por enquanto , mas julgo que sei o que ... Voltou a tocar em o nariz e afastou se a passos largos . A ideia de Lockhart de um intensificador de ânimo ficou bastante clara em o dia_14_de_Fevereiro , a o pequeno-almoço . Harry não dormira grande coisa devido a o treino de Quidditch em a noite anterior e chegou a o salão um_pouco atrasado . Pensou , por momentos , que se tinha enganado em a porta . As paredes estavam todas cobertas com enormes e medonhas flores cor-de-rosa . Pior ainda , * confettis * em forma de corações caíam de o tecto azul pálido . Harry dirigiu se a a mesa de os Gryffindor onde o Ron estava sentado com um ar enjoado junto de Hermione que parecia particularmente risonha . - O que se passa ? - perguntou lhes , sentando se e sacudindo os * confettis * de o seu bacon . Ron apontou para a mesa de os professores , com um ar demasiado repugnado para falar . Lockhart , em as suas vestes rosa vivo , a condizer com a decoração de o salão , fazia sinal para que se calassem . Os professores que o ladeavam tinham um ar estupefacto . De o seu lugar , Harry podia ver um músculo mover se em a bochecha de a professora Mc_Gonagall . Snape estava com ar de quem tomou uma imensa dose de xarope * skele-gro * . - Feliz dia de S._Valentim - gritou Lockhart . - E permitam me que agradeça a as quarenta_e_seis pessoas que até agora me enviaram cartões . Sim , fui eu quem tomou a liberdade de vos fazer esta pequena surpresa , e ela não acaba aqui ! Lockhart bateu as palmas e por as portas de o * hall * entraram a marchar cerca de uma_dúzia de duendes de aspecto carrancudo . Não eram uns duendes quaisquer , diga se de passagem . Lockhart fizera os usar asas douradas e transportar harpas . - Os meus amigos cupidos , portadores de os cartões ! gritou Lockhart . - Eles vão andar por a escola durante o dia de hoje , entregando os vossos cartões de S._Valentim . E o divertimento não acaba aqui . Tenho a certeza de que os meus colegas vão querer participar em este espírito de festa . Porque não pedir a o professor Snape que vos mostre como preparar rapidamente uma poção de amor . E , enquanto ele a prepara , está aqui o professor Flitwick que é de todos os feiticeiros que conheci aquele que mais sabe de encantamentos de sedução , o grande safado ! O professor Flitwick enterrou o rosto em as mãos . Snape olhava como_se quisesse dar veneno a a primeira pessoa que fosse pedir lhe a poção de o amor . - Por favor , Hermione , diz me que não foste uma de as quarenta_e_seis - pediu Ron quando saíram de o salão para a primeira aula . Mas Hermione ficou subitamente muito interessada em procurar o horário dentro de a mala e não lhe respondeu . Durante todo o dia os duendes não pararam de se intrometer em as aulas para entregar cartões , para grande aborrecimento de os professores e , ao_fim_da_tarde , quando os Gryffindor subiam as escadas para a aula de encantamentos , um de eles avistou o Harry . - Hei , tu , Harry_Potter ! - gritou um duende de aspecto particularmente lúgubre , dando cotoveladas a_toda_a gente para se aproximar de o Harry . Coradíssimo com a ideia de receber um cartão de S._Valentim diante_de uma fila de alunos de o primeiro ano que , por acaso , incluía Ginny_Weasley , Harry tentou escapar se . Mas o duende cortou lhe o caminho através de a multidão e agarrou o em três tempos . - Tenho uma mensagem musical para entregar a Harry_Potter em pessoa - disse , tangendo a harpa de forma ameaçadora . - Aqui não - disse baixinho o Harry , tentando escapar . - Fica quieto - grunhiu o duende , agarrando o saco de o Harry e puxando com força . - Larga me - disse ele rispidamente , dando um puxão . Com um ruído de tecido a rasgar se , o saco dividiu se em dois . Os livros de Harry , varinha , pergaminho e pena espalharam se por o chão enquanto o tinteiro se partia em cima de as outras coisas . Harry pôs se de gatas , tentando apanhar tudo antes que o duende começasse a cantar , provocando um engarrafamento em o corredor . - O que se passa aqui ? - perguntou a voz fria e afectada de Draco_Malfoy . Harry , nervosíssimo , começou a guardar tudo dentro de o saco rasgado , desesperado para sair de ali antes que Malfoy pudesse ouvir o seu S._Valentim musical . - Que confusão é esta ? - disse outra voz familiar . Percy_Weasley tinha chegado . De cabeça perdida , Harry tentou fugir , mas o duende agarrou o por os joelhos e fê lo cair a o chão . - Certo - disse , sentando se em os tornozelos de Harry . Eis o teu cartão musical : * _ Os olhos de ele são verdes como o sapo de o quintal * _ O seu cabelo é escuro como um temporal * _ É um desatino , oh ! ele é divino ! * _ O herói que venceu o Senhor_do_Mal * . Harry teria dado todo o ouro de Gringotts para se evaporar em aquele momento . Tentando corajosamente rir se com todos os outros , levantou se . Sentia os pés dormentes de o peso de o duende . Enquanto isso , Percy_Weasley fazia todos os possíveis por dispersar a multidão onde havia gente que chorava de hilaridade . - Vamos embora , vamos embora , a campainha tocou há cinco minutos para as aulas - dizia , enxotando alguns de os alunos mais novos . - E tu , Malfoy . Harry olhou e viu Malfoy inclinar se , apanhar qualquer coisa e com um olhar maldoso mostrá a a Crabbe e Goyle . Percebeu que era o diário de Riddle . - Dá cá isso - exigiu com toda_a calma . - O que será que o Potter escreveu aqui ? - disse Malfoy que obviamente não reparara em a data e pensou que tinha em as mãos o diário de o Harry . Houve uma agitação em os presentes . Ginny olhava apavorada para o diário e para Harry . - Dá lhe isso , Malfoy - disse Percy com firmeza . - Depois de dar uma vista de olhos - retorquiu Malfoy , acenando a Harry com o diário de forma provocatória . Percy disse : - Como Prefeito de a escola ... - mas Harry perdera a paciência . Pegou em a varinha e gritou * _ Expelliarmus * e assim_como Snape desarmara Lockhart , MalLoy viu o diário saltar lhe de as mãos e elevar se em o ar enquanto Ron o apanhava sorridente . - Harry - disse Percy levantando a voz . - Não quero magia em os corredores . Vou ter de participar isto , sabes perfeitamente . Mas Harry não se importou . Tinha ganho uma_vez a Malfoy e isso valia bem cinco pontos a menos para os Gryffindor . Malfoy estava furioso e quando a Ginny passou por ele a caminho de a sala de aula , gritou lhe com desprezo : - Não creio que o Potter tenha gostado lá muito de o teu cartão de S._Valentim . Ginny tapou a cara e correu para a aula . Aborrecido , Ron pegou também em a varinha , mas Harry afastou o . Era melhor que ele não passasse a aula de encantamentos a vomitar lesmas . Só quando entraram em a sala de aula de o professor Flitwick é_que Harry reparou em uma coisa bastante estranha em o diário de Riddle . Todos os outros livros estavam cheios de tinta vermelha , mas o diário mantinha se tão limpo como antes de o tinteiro se ter entornado em cima de ele . Tentou chamar a atenção de Ron para este facto , mas ele estava novamente a ter um problema com a varinha : de a extremidade saíam grandes bolhas roxas e ele não parecia interessado em mais_nada . Em essa noite , Harry foi deitar se antes de os outros companheiros de dormitório , em parte porque já não conseguia suportar o Fred e o George a cantarem * _ Os seus olhos são verdes como o sapo de o quintal * e em parte porque queria voltar a examinar o diário de Riddle e sabia que em a opinião de o Ron era uma pura perda de tempo . Sentou se em a cama de dossel e folheou as páginas em branco em as quais não se via uma única mancha de tinta escarlate . Tirou então outro tinteiro de o armário a o lado de a cama , molhou a pena e deixou cair um borrão em a primeira página de o diário . A tinta brilhou em o papel durante um segundo e , em seguida , como_se a página a tivesse sugado , desapareceu sem deixar rasto . Depois , finalmente , algo aconteceu . Deslizando sobre a página em a cor de a sua tinta , surgiram palavras que Harry não escrevera . - * _ Olá_Harry_Potter . O meu nome é Tom_Riddle . Como é_que encontraste o meu diário ? * Também estas palavras desapareceram , mas não sem que Harry tivesse respondido . - Alguém tentou lançá o em uma sanita . Esperou ansiosamente por a resposta de Riddle . - * _ Felizmente guardei as minhas memórias de uma forma mais duradoura do_que a tinta . Mas sempre soube que haveria quem não iria querer que o diário fosse lido . * - O que queres dizer com isso ? - escrevinhou Harry , borrando a página com o nervosismo . - * _ Quero dizer que este diário contém memórias de coisas terríveis . Coisas que foram abafadas . Coisas que aconteceram em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . * - É onde eu estou agora - escreveu Harry rapidamente . - Estou em Hogwarts e estão a acontecer coisas horríveis . Sabes alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? O coração parecia querer saltar lhe de o peito . A resposta de Riddle não se fez esperar , a letra tornara se mais desordenada como_se tivesse pressa em contar lhe tudo_o_que sabia . - * _ É claro que sei de a Câmara_dos_Segredos . Em o meu tempo diziam nos que era uma lenda , que não existia , mas era mentira . Quando eu estava em o quinto ano a Câmara_dos_Segredos foi aberta e o monstro atacou vários estudantes , acabando matar um . Eu apanhei a pessoa que abriu a câmara e ele foi expulso . Mas o director , o professor Dippet , envergonhado por uma coisa de aquelas ter acontecido em Hogwarts , proibiu me de contar a verdade . Foi divulgada uma história dizendo que a rapariga morrera de um acidente extravagante . Deram me um troféu brilhante com o meu nome gravado e avisaram me para ficar calado . Mas eu sabia que ia voltar a acontecer . O monstro sobreviveu e aquele que tinha o poder para o libertar não foi para a prisão . * Harry quase entornou o tinteiro em a pressa de responder . - Está a acontecer outra_vez . Houve três ataques e ninguém parece saber quem está por_detrás_de tudo_isto . Quem foi de a última vez ? - * _ Posso mostrar te , se quiseres * - foi a resposta de o Riddle . - * _ Não tens de acreditar só em a minha palavra . Posso levar te a o fundo de a minha memória de a noite em que o apanhei . * Harry hesitou com a pena em o ar sobre o diário . O que quereria ele dizer ? Como poderia entrar em a memória de outra pessoa ? Olhou inquieto para a porta de o dormitório que começava a ficar escuro . Quando pôs de_novo os olhos em o diário viu as palavras que se formavam . - * _ Deixa-me mostrar te . * Harry parou durante uma fracção de segundo e depois escreveu duas letras . - O. _ K._As páginas de o diário começaram a esvoaçar como_se tivessem sido apanhadas em uma ventania , parando a meio de o mês_de_Junho . Boquiaberto , Harry viu que o quadradinho de 13_de_Junho se transformara em um pequeno ecrã de televisão . Com as mãos ligeiramente trémulas levantou o livro para encostar os olhos a a janelinha e antes de perceber o que estava a passar se , deu consigo inclinado para a frente com a janela a abrir se . O corpo abandonava a cama e era lançado de cabeça , por a abertura de a página , em um turbilhão de cor e sombras . Sentiu os pés tocarem em terra firme e pôs se de pé a tremer enquanto as formas desfocadas se tornavam subitamente nítidas . Soube imediatamente onde estava . Aquela sala circular com os retratos adormecidos era o escritório de Dumbledore , mas não era Dumbledore quem estava atrás de a secretária . Um feiticeiro mirrado , de aspecto débil e quase careca lia uma carta a a luz de as velas . Harry nunca vira aquele homem antes . - Desculpe - disse com a voz a tremer . - Eu não queria intrometer me ... Mas o feiticeiro não olhou . Continuou a ler , franzindo levemente as sobrancelhas . Harry aproximou se de a secretária e gaguejou : - Er ... eu vou me embora , está bem ? E o feiticeiro continuou a ignorá o . Parecia nem_sequer ter ouvido . Pensando que talvez ele fosse surdo , Harry falou mais alto . - Desculpe tê o incomodado - disse quase a gritar . O feiticeiro dobrou a carta com um suspiro . Pôs se de pé , passou por Harry sem olhar para ele e foi abrir os cortinados de a janela . O céu , lá fora , estava vermelho-rubi . Devia ser o pôr de o Sol . O feiticeiro voltou para a secretária , sentou se e girou os polegares , olhando para a porta . Harry olhou em volta . Não viu Fawkes , a fénix , nem as engenhocas prateadas que sibilavam . Aquela Hogwarts era a que Riddle conhecera e , portanto , aquele feiticeiro desconhecido era o director de então , não Dumbledore e ele , Harry , era pouco mais que um fantasma , totalmente invisível a as pessoas de há cinquenta anos atrás . Alguém bateu a a porta . - Entre - disse o velho feiticeiro , em uma voz fraca . Um rapazinho de dezasseis anos entrou , tirando o chapéu pontiagudo . Em o seu peito brilhava um distintivo prateado de prefeito . Era muito mais alto do_que Harry , mas tinha , tal_como ele , cabelo preto asa de corvo . - Ah ! Riddle - disse o director . - Queria falar comigo , professor Dippet ? - perguntou ele com ar nervoso . - Senta te - disse Dippet . - Tenho estado a ler a carta que me mandaste . - Oh ! - exclamou Riddle , sentando se e apertando as mãos uma contra a outra . - Meu rapaz - disse Dippet amavelmente . - Eu não posso deixar te ficar em a escola durante o Verão . Com certeza queres ir para_casa em as férias ? - Não - respondeu Riddle , sem perder tempo . - Prefiro mil vezes ficar em Hogwarts a ter de voltar a aquela ... aquela ... - Tu vives em um orfanato de Muggles durante as férias , não é assim ? - perguntou Dippet com curiosidade . - Sim senhor - disse Riddle , corando um_pouco . - És filho de Muggles ? - Meio sangue , professor - explicou Riddle . - Pai_Muggle , mãe bruxa . - E o teu pai e a tua mãe ... - A minha mãe morreu pouco depois de eu nascer , professor , contaram me em o orfanato que só teve tempo de me dar o nome : Tom , como o meu pai , Marvolo como o meu avô . Dippet estalou a língua solidariamente . - O que acontece , Tom - suspirou - é_que ... podia ter se arranjado uma situação especial para ti , mas em as circunstâncias actuais ... - Refere se a os ataques , professor ? - perguntou Riddle e o coração de Harry deu um salto , aproximando se com medo de perder alguma coisa . - Precisamente - disse o director . - Meu rapaz , compreendes que seria uma imprudência de a minha parte deixar te ficar em o castelo quando o período acabar , principalmente a a luz de a recente tragédia ... a morte de aquela pobre moça ... estarás sem dúvida em maior segurança em o orfanato . Em a verdade , o ministro de a magia até fala em fechar a escola . Não estamos nada perto_de localizar ... er ... a fonte de toda esta história desagradável . Os olhos de Riddle tinham se aberto mais . - Professor , se essa pessoa fosse apanhada ... se tudo acabasse . . . - Que queres dizer com isso ? - perguntou Dippet com voz aguda , endireitando se em a cadeira . - Riddle , tu sabes alguma coisa sobre estes ataques ? - Não senhor - respondeu ele de imediato . Mas Harry sabia que era o mesmo tipo de « não » que ele dissera a Dumbledore . Dippet afundou se de_novo com um ar de profundo desapontamento . - Podes ir , Tom . Riddle esgueirou se de a cadeira e saiu de a sala . Harry seguiu o . Desceram por a escada em espiral , saindo junto de a gárgula em o corredor que escurecia . Riddle parou e Harry fez o mesmo , olhando para ele . Quase podia apostar que ele pensava seriamente em alguma coisa . Mordia o lábio e tinha as sobrancelhas franzidas . A certa altura , como_se tivesse acabado de tomar uma decisão , começou a andar mais depressa com Harry a segui o ruidosamente . Não viram mais ninguém , a não ser quando chegaram a o * hall * de entrada onde um feiticeiro alto de longos cabelos ruivos e barba chamou Riddle de a escadaria de mármore . - O que andas a fazer por aqui tão tarde , Tom ? Harry olhou para o feiticeiro . Não era outro senão Dumbledore com cinquenta anos a menos . - Tive de ir falar com o director - justificou se Riddle . - Bem , agora vai depressa para a cama - disse Dumbledore , olhando Riddle com aquele olhar penetrante que Harry conhecia tão bem . - É melhor não andar a passear por os corredores em os dias que correm , pelo_menos até ... Suspirou profundamente , deu as boas-noites a o Riddle e foi se embora . Riddle viu o desaparecer e , sem perder tempo , desceu os degraus de pedra até a os calabouços com Harry em a peugada . Mas para seu grande desconsolo , Riddle não o conduziu a nenhum corredor ou túnel secreto e sim a o calabouço onde ele costumava ter aulas de poções com o Snape . As tochas não tinham sido acesas e quando Riddle empurrou a porta quase fechada , Harry só conseguiu vê o a ele , de pé , quieto junto de a porta , olhando para o corredor . Pareceu a Harry que ficaram ali quase uma hora . Tudo_o_que via era a silhueta de Riddle junto de a porta , olhando fixamente através de a greta , a a espera . Como_se fosse uma estátua . E quando Harry tinha abandonado todas_as expectativas e começava a desejar voltar a o presente , ouviu alguma coisa que se movia atrás de a porta . Alguém avançava lentamente por o corredor . Ouviu a pessoa , quem quer que fosse , passar por o calabouço onde ele e Riddle estavam escondidos . Riddle , silencioso como uma sombra , esgueirou se por a porta e seguiu o com Harry em bicos de pés atrás de ele , esquecido de que podia fazer barulho a a vontade porque ninguém o ouvia . Durante cerca de cinco minutos seguiram lhe os passos até que Riddle parou repentinamente com a cabeça inclinada em a direcção de novos ruídos . Harry ouviu uma porta a abrir se e em seguida alguém falou em um murmúrio rouco . - Vá lá , temos que sair de aqui ... vá lá , dentro de a caixa ... Havia algo de familiar em aquela voz . Riddle deu subitamente uma volta e Harry seguiu o . Podia ver a silhueta escura de um rapaz enorme que estava inclinado em frente de a porta aberta , com uma grande caixa a o lado . - Boa noite , Rubeus - disse Riddle secamente . O rapaz fechou a porta e pôs se de pé . - O que estás a fazer aqui , Tom ? Riddle aproximou se . - Acabou se - disse . - Vou ter de entregar te , Rubeus . Falam em fechar Hogwarts se os ataques não terminarem . - O que é_que tu ... ? - Eu acho que tu não quiseste matar ninguém , mas os monstros não são os melhores animais domésticos . Tu só quiseste deixá o sair para andar um_pouco e ... - Ele não matou ninguém - disse o rapaz grande , recuando contra a porta fechada . Lá de dentro vinham uns estranhos roncos e rugidos . - Vamos , Rubeus - disse Riddle , aproximando se mais ainda . - Os pais de a rapariga que morreu estarão aqui amanhã . O mínimo que Hogwarts pode fazer é assegurar lhes que aquilo que matou a filha de eles foi abatido ... - Não foi ele - gemeu o rapaz cuja voz ecoou em o corredor escuro . - Ele não faria isso ... ele nunca ... - Afasta te - disse Riddle , pegando em a varinha . O encantamento iluminou o corredor com uma luz brilhante . A porta atrás de o rapaz grande abriu se de par em par com tanta força que o atirou contra a parede . E de lá de dentro saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito que ninguém mais ouviu a não ser ele próprio . Tinha um corpo imenso , magro e peludo e um emaranhado de pernas pretas , a cintilação de muitos olhos e um par de tenazes afiadas . Riddle levantou de_novo a varinha , mas era tarde de mais . A coisa deixara o atarantado e corria apressadamente , precipitando se por o corredor e desaparecendo . Riddle pôs se de pé , olhou a a procura de o monstro , levantou a varinha , mas o rapaz grande saltou sobre ele , tirou lhe a varinha de as mãos e lançou o a o chão , gritando : - Naaaaaão ! A cena rodopiou . A escuridão tornou se total . Harry sentiu se a cair e com um embate aterrou como uma águia de patas e asas abertas em a sua cama de dossel , em o dormitório de os Gryffindor , o diário de Riddle aberto sobre o estômago . Antes de ter tido tempo de normalizar a respiração , a porta de o dormitório abriu se e o Ron entrou . - Aí estás tu - disse . Harry sentou se . Transpirava e tremia . - O que se passa ? - perguntou Ron , olhando aflito para ele . - Foi o Hagrid , Ron . O Hagrid abriu a Câmara_dos_Segredos há cinquenta anos atrás . XIV_Cornelius_Fudge_Harry , Ron e Hermione sabiam há muito_tempo que Hagrid tinha uma triste predilecção por criaturas grandes e monstruosas . Em o primeiro ano que passaram em Hogwarts , ele tentara criar um dragão em a sua pequena cabana de madeira e levaram muito_tempo a esquecer o gigantesco cão de três cabeças que ele baptizara de « fofinho » . E se , em rapaz , Hagrid tinha ouvido dizer que havia um monstro escondido em o castelo , Harry tinha a certeza que ele teria feito os impossíveis por descobri o . Provavelmente achou que era uma injustiça o monstro estar fechado tanto tempo e pensou que ele merecia a oportunidade de esticar as suas muitas pernas . Harry imaginava perfeitamente o Hagrid a os treze anos a tentar pôr uma coleira e uma trela a o monstro . Mas tinha igualmente a certeza de que ele nunca teria querido matar ninguém . De certo modo , Harry desejava não ter descoberto como utilizar o diário de Riddle . Ron e Hermione fizeram o contar repetidas vezes o que vira até ele ficar farto de repetir o mesmo e farto de a conversa circular que se seguia . - O Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse , de essa vez , Hermione . - O monstro que atacava as pessoas podia ser outro .... - Quantos monstros achas tu que pode haver em este lugar ? - perguntou o Ron aborrecido . - Sempre soubemos que o Hagrid tinha sido expulso - disse Harry tristemente - E os ataques devem ter terminado quando ele foi expulso . Se não fosse assim , Riddle não teria recebido um prémio . Ron tentou um caminho diferente . - O Riddle parece o Percy , quem lhe pediu afinal que deitasse abaixo o Hagrid ? - Mas o monstro tinha morto uma pessoa , Ron - insistiu Hermione . - E o Riddle ia ter de voltar para um orfanato Muggle se Hogwarts fosse fechada - disse Harry . - Não posso culpá o por querer ficar aqui ... Ron mordeu o lábio e a seguir sugeriu : - Tu encontraste o Hagrid em a Rua * _ Bativolta * , não foi ? - Ele estava a comprar repelente para lesmas - disse Harry rapidamente . Ficaram os três em silêncio . Depois de uma longa pausa , Hermione , em uma voz hesitante , formulou a pergunta mais complicada de todas : - Não acham que devíamos ir ter com ele e perguntar lhe ? - Essa seria uma visita simpática - disse o Ron . - Olá , Hagrid , diz nos uma coisa , soltaste por acaso alguma coisa louca e peluda por o castelo em estes últimos tempos ? Por fim , decidiram não dizer nada a o Hagrid a_não_ser_que houvesse outro ataque e à_medida_que passava mais tempo sem murmúrios de a voz sem corpo começaram a acreditar , esperançosos , que nunca mais teriam de falar sobre o motivo por_que fora expulso . Tinham passado já quase quatro meses desde o dia em que o Justin e o Nick quase sem cabeça tinham sido petrificados e quase toda_a_gente parecia pensar que o atacante , quem quer que ele fosse , se retirara para sempre . Peeves fartara se de a sua canção * _ Oh_Potter , seu bandido * , Ernie_Mcmillan pediu educadamente a o Harry , em a aula de herbologia , que lhe passasse um balde de cogumelos saltitantes e , em Março , várias mandrágoras deram uma festa ruidosa e roufenha em a estufa número três . A professora Sprout estava muito satisfeita . - Mal elas comecem a tentar mover se para os vasos umas de as outras , saberemos que estão maduras - disse ela a o Harry . - Nessa_altura poderemos reanimar aquelas pobres criaturas que estão em a ala hospitalar . Os alunos de o segundo ano tinham agora uma coisa nova em que pensar durante as férias de a Páscoa . Chegara a altura de escolherem as matérias de o terceiro ano , um assunto que Hermione , pelo_menos , tomou muito a sério . - Pode afectar todo o nosso futuro - disse a o Harry e a o Ron a o vê os ler cuidadosamente as listas de as novas matérias e pôr um V em frente de cada uma . - Eu só quero ver me livre de as poções - disse Harry . - Não podemos - explicou Ron tristemente . - Mantemos todas_as matérias antigas ou eu teria me livrado de a Defesa contra as artes negras . - Mas é muito importante - disse Hermione chocada . - Não de a maneira como Lockhart a dá - insistiu Ron . - Não aprendi nada até agora a não ser a nunca mais libertar duendes . Neville_Longbottom recebera cartas de todas_as bruxas e feiticeiros de a família , cada_um dando um conselho diferente sobre o que ele deveria escolher . Confuso e preocupado , sentou se a ler a lista de matérias , dando estalinhos com a língua e perguntando a as pessoas se achavam que a aritmancia seria mais difícil do_que o estudo de as runas em a Antiguidade . Dean_Thomas que , tal_como Harry , fora criado com Muggles , acabou por fechar os olhos e atirar a varinha contra a lista , escolhendo as matérias onde ela aterrava . Hermione não pediu conselho a ninguém e inscreveu se em todas . Harry sorriu de si para consigo imaginando como seria uma conversa com o tio Vernon e com a tia Petúnia sobre a sua carreira em feitiçaria . Não que não tivesse tido orientação : Percy_Weasley estava ansioso por partilhar a sua experiência . - Tudo depende de o lugar para_onde queres ir , Harry - disse ele . - Nunca é cedo de mais para pensar em o futuro , por isso eu aconselho te a adivinhação . As pessoas dizem que os estudos de Muggles são uma opção leve mas eu , pessoalmente , acho que os feiticeiros deveriam ter uma compreensão profunda de a comunidade não mágica , muito especialmente se pensarem em trabalhar em íntimo contacto com eles . Vê o meu pai que tem de lidar com assuntos de os Muggles a_toda_a hora . O meu irmão Charles foi sempre mais um tipo de o exterior , por isso foi para o Centro_de_Cuidados com as Criaturas_Mágicas . Segue os teus sentimentos , Harry . Mas a única coisa em que Harry sentia que era mesmo bom era o Quidditch . Por fim , acabou por escolher as mesmas matérias que o Ron escolhera , pensando que se fosse péssimo em elas pelo_menos tinha alguém amigo para o ajudar . O próximo jogo de Quidditch_dos_Gryffindor era contra os Hufflepuff . Wood insistia em treinos de equipa todas_as noites depois de jantar , por isso Harry não tinha tempo para mais_nada a não ser para o Quidditch e para os trabalhos de casa . Mas as sessões de treino estavam a melhorar ou pelo_menos estavam mais secas e em a véspera de o jogo de sábado ele foi a o dormitório guardar a vassoura , sentindo que as hipóteses de os Gryffindor ganharem a taça de Quidditch nunca tinham sido tão boas . Mas a sua boa disposição não durou muito . Em o cimo de as escadas que levavam a o dormitório encontrou o Neville_Longbottom nervosíssimo . - Harry , não sei quem fez aquilo , eu fui encontrar ... Olhando receoso para Harry , Neville empurrou a porta . O conteúdo de a mala de Harry fora espalhado por toda_a divisão . O seu manto estava em o chão rasgado . A roupa de cama tinha sido puxada de a cama de dossel e a gaveta de o armário que se encontrava a a cabeceira de a cama fora arrancada , estando o seu conteúdo espalhado sobre o colchão . Harry aproximou se de a cama boquiaberto , pisando algumas páginas soltas de * _ Viagens com Duendes * . Quando ele e Neville estavam a puxar os cobertores para_cima , entraram o Ron e o Dean_Seamas . Dean praguejou alto . - O que é isto , Harry ? - Não faço ideia - disse ele . Mas o Ron estava a examinar as vestes de Harry e todos os bolsos estavam de o avesso . - Alguém andou a a procura de qualquer coisa - disse o Ron . - Dás por falta de alguma coisa ? Harry começou a apanhar o que estava caído , lançando tudo dentro de a mala . Só quando atirou o último livro de Lockhart é_que se apercebeu do_que faltava . - O diário de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a o Ron . - O quê ? Harry fez lhe sinal em direcção a a porta de o dormitório e apressaram se a chegar a a sala comum de os Gryffindor que estava quase vazia e onde foram encontrar Hermione sozinha a ler * _ As_Runas_Antigas a o Alcance_de_Todos * . Hermione ficou aterrada com as notícias . - Mas ... só um Gryffindor podia tê o roubado ... ninguém mais conhece a nossa senha ... - Exactamente - disse Harry . Acordaram em o dia seguinte com um sol brilhante e uma brisa agradável . - Condições ideais para o Quidditch ! - exclamou Wood , cheio de entusiasmo , a a mesa de os Gryffindor , enchendo os pratos de os elementos de a sua equipa de ovos mexidos . - Harry , anima te , precisas de um pequeno-almoço decente . Harry tinha estado a olhar para a mesa cheia de alunos de os Gryffindor , perguntando a si próprio se o novo dono de o diário de Riddle estaria ali mesmo em frente de os seus olhos . Hermione insistira para que ele participasse o roubo mas ele não gostou de a ideia . Teria de contar a um professor tudo sobre o diário , e quantas pessoas saberiam o motivo por_que Hagrid fora expulso há cinquenta anos ? Não queria ser ele a fazer com que relembrassem tudo aquilo . Quando saiu de o salão com o Ron e a Hermione para ir buscar o material de Quidditch , outra preocupação viera juntar se a a sua lista cada_vez maior . Tinha acabado de pisar os degraus de a escadaria de mármore quando ouviu de_novo a voz : - * _ Matar desta_vez ... deixem me rasgar ... romper * ... Deu um grito e Ron e Hermione saltaram alarmados . - A voz - disse Harry , olhando por cima de os ombros de eles . - Acabo de a ouvir de_novo , vocês não ouviram nada ? Ron abanou a cabeça de olhos muito abertos Mas_Hermione bateu com a mão em a testa . - Harry , acho que percebi uma coisa . Tenho que ir a a biblioteca . E disparou a correr por as escadas acima . - O que é_que ela percebeu ? - disse Harry distraidamente , ainda a olhar em volta , tentando determinar de onde vinha a voz . - Mas porque teve ela que ir a a biblioteca ? - Porque a Hermione é assim - disse o Ron , encolhendo os ombros - Quando tem uma dúvida , vai a a biblioteca . Harry manteve se hesitante , tentando captar novamente a voz mas as pessoas começavam a sair de o salão , falando alto , passando por a porta principal e encaminhando se para o estádio de Quidditch . - É melhor ires indo - aconselhou Ron . - São quase onze horas , olha o jogo . Harry deu uma corrida até a a torre de os Gryffindor , pegou em a sua Nimbus dois_mil e juntou se a a vasta multidão que enchia os campos , mas o seu pensamento estava ainda em o castelo , em aquela voz sem corpo e quando pôs as roupas vermelhas , o seu único conforto foi pensar que estavam todos lá fora para assistir a o jogo . As equipas entraram em campo a o som de um tumulto de aplausos . Oliver_Wood fez um voo de aquecimento em volta de os postes , Madam_Hooch soltou as bolas . Os Hufflepuff que tinham fatos amarelo-canário estavam reunidos em grupo em uma discussão de última hora sobre as tácticas . Harry subia para a vassoura quando a professora Mc_Gonagall atravessou o campo , meio a andar , meio a correr , transportando um enorme megafone roxo . O coração de Harry caiu lhe a os pés . - Este jogo foi cancelado - gritou por o megafone a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a o estádio apinhado . Ouviram se Uuuus e assobios . Oliver_Wood , com um ar infelicíssimo , aterrou e correu para a professora McGonagall sem sair de a vassoura . - Mas , professora - gritou - temos de jogar ... a taça ... os Gryffindor ... A professora Mc_Gonagall ignorou o e continuou a gritar por o megafone . - Pede se a os estudantes que regressem a as salas comuns de as respectivas equipas onde os chefes de equipa lhes darão mais informações . O mais depressa possível , se fazem favor ! Em seguida , baixou o megafone e fez sinal a o Harry para que se aproximasse . - Potter , é melhor vires comigo ... Perguntando a si próprio que suspeita poderia ela ter contra ele , desta_vez , Harry viu Ron desligar se de a multidão discordante e vir a correr juntar se lhes , enquanto eles se dirigiam para o castelo . Para sua grande surpresa Mc_Gonagall não pôs qualquer objecção . - Sim , talvez seja melhor vires também , Weasley . Alguns de os estudantes que os rodeavam reclamavam por o jogo ter sido cancelado , outros tinham um ar preocupado . Harry e Ron seguiram a professora Mc_Gonagall de volta a a escola e através de a escadaria de pedra . Mas desta_vez não foram levados a nenhum escritório . - Isto vai chocar vos um_pouco - disse a professora Mc_Gonagall em um tom de voz surpreendentemente suave quando estavam a aproximar se de a ala hospitalar . - Houve outro ataque ... outro ataque duplo . As vísceras de o Harry deram um salto mortal . A professora Mc_Gonagall abriu a porta e ele e Ron entraram . Madam_Pomfrey estava inclinada sobre uma rapariga de o quinto ano de cabelos longos a os caracóis que Harry reconheceu como sendo a colega de os Ravenclaw a quem , por engano , tinham perguntado o caminho para a sala comum de os Slytherin . E , em a cama a o lado de ela , estava ... - Hermione - gemeu o Ron . Hermione jazia totalmente quieta , os olhos abertos e vítreos . - Foram encontradas perto de a biblioteca - disse a professora Mc_Gonagall . - Calculo que nenhum de vocês possa explicar isto ? Estava em o chão , junto de ela . A professora tinha em as mãos um pequeno espelho redondo . Harry e Ron acenaram negativamente com as cabeças , ambos com os olhos fixos em Hermione . - Eu acompanho vos a a torre de os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall pesadamente . - De qualquer modo tenho de falar com os alunos . - Os alunos regressarão a as salas comuns de as respectivas equipas , todos_os_dias , a as seis_horas_da_tarde . Nenhum aluno deverá sair de os dormitórios depois de isso . Serão escoltados até a as aulas por um professor . Nenhum aluno deverá ir a a casa_de_banho sem um professor a acompanhá o . Todos os treinos e jogos de Quidditch estão suspensos a_partir_de agora . Não haverá mais actividades nocturnas . Os Gryffindor , que enchiam a sala comum , ouviram em silêncio a professora Mc_Gonagall . Ela enrolou o pergaminho que acabara de ler e disse em uma voz algo chocada : - Não é preciso acrescentar que nunca me senti tão desolada . É provável que a escola seja encerrada se não for apanhado o culpado de todos estes ataques . Quero pedir que se algum de vocês achar que sabe alguma coisa sobre eles venha imediatamente ter comigo . Mal ela subiu , de forma um_pouco desastrada , por o buraco de o retrato , os Gryffindor começaram logo a falar . - São dois Gryffindor a menos , sem contar com o fantasma de os Gryffindor , um Ravenclaw e um Hufflepuff - disse o amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , contando por os dedos . - Não terá nenhum de os professores reparado que os Slytherin estão a salvo ? Será que não é óbvio que tudo_isto vem de eles ? O herdeiro de Slytherin , o monstro de Slytherin , porque não expulsam todos os Slytherin ? - resmungou , recebendo acenos e aplausos de todos os lados . Percy_Weasley estava sentado em uma cadeira atrás_de Lee , mas por uma_vez não pareceu querer expor os seus pontos de vista . Estava pálido e aturdido . - O Percy está em estado de choque - disse o George baixinho a o Harry . - Aquela rapariga de os Ravenclaw , Penelope_Clearwater , é prefeita . Acho que ele nunca tinha pensado que o monstro pudesse atacar um prefeito . Mas Harry não estava a ouvi o com atenção . Não conseguia esquecer a imagem de Hermione deitada em a cama de o hospital , como_se estivesse esculpida em pedra . E se o culpado não fosse apanhado rapidamente tinha em a frente uma vida inteira com os Dursley . Tom_Riddle entregara o Hagrid porque fora confrontado com a possibilidade de um orfanato Muggle se a escola fechasse . Harry sabia exactamente o que ele sentira . - Que vamos nós fazer ? - disse lhe o Ron baixinho a o ouvido . - Achas que eles suspeitam de o Hagrid ? - Temos de falar com ele - disse Harry , tomando uma decisão . - Não acredito que tenha culpa desta_vez , mas se ele libertou o monstro há cinquenta anos , sabe com certeza como entrar em a Câmara_dos_Segredos , o que já é um princípio . - Mas a Gonagall disse que temos que ficar em a torre a_não_ser_que estejamos em as aulas ... - Eu acho - disse Harry ainda mais baixo - que chegou a altura de tirar outra_vez de a mala o manto de o meu pai . Harry herdara apenas uma coisa de o pai : o enorme manto prateado de a invisibilidade . Era a única maneira de poderem esgueirar se de a escola para fazer uma visita a o Hagrid , sem que ninguém de esse por isso . Deitaram se a a hora de o costume , esperaram que o Neville , o Dean e o Seamas adormecessem para se levantarem , vestirem se de_novo e taparem se com o manto . A viagem por os corredores de o castelo escuro e deserto não era nada agradável . Harry que vagueara por ali muitas_vezes durante a noite nunca vira tanta gente depois de o pôr de o Sol . Professores , prefeitos e fantasmas andavam por os corredores a os pares , olhando em volta , em busca de qualquer actividade fora de o habitual . O manto de a invisibilidade não impedia que fizessem barulho e houve um momento particularmente tenso em que o Ron deu uma topada a menos_de um metro de o lugar onde Snape se encontrava . Felizmente Snape espirrou em o preciso momento em que o Ron praguejava . Foi com grande alívio que chegaram a as portas de carvalho de a entrada principal . Estava uma noite clara e cheia de estrelas . Dirigiram se apressadamente para as janelas iluminadas de a casa de Hagrid e só tiraram o manto mesmo em frente de a porta . Poucos segundos depois de terem batido abriu se a porta . Ficaram frente_a_frente com Hagrid que lhes apontou uma besta enquanto Fang , o cão caçador de javalis , ladrava furiosamente atrás de ele . - Oh ! - disse , baixando a arma quando viu que eram eles . - O que estão vocês a fazer aqui ? - Para que é isso ? - perguntou Harry , apontando para a besta , enquanto entrava . - Nada , não é nada - murmurou Hagrid . - Tenho estado a a espera ... não tem importância , sentem se que eu vou fazer um chá . Dava a impressão de não saber o que fazia . Quase apagou a lareira , vertendo a água de a chaleira em o lume e em seguida esmagou o bule com um gesto de a sua mão maciça . - Estás bem , Hagrid ? - perguntou Harry . - Soubeste de a Hermione ? - Soube , sim - disse ele com um leve tremor em a voz . Continuava a olhar nervosamente para as janelas . Deu lhe os duas grandes canecas de água a ferver ( esquecera se de juntar o chá ) e estava a acabar de pôr em um prato uma fatia grossa de bolo de frutas quando alguém bateu energicamente a a porta . Hagrid deixou cair o bolo . Harry e Ron trocaram entre si olhares de pânico e , em seguida , cobriram se com o manto de a invisibilidade e esconderam se em um canto . Hagrid assegurou se de que eles estavam bem escondidos , pegou em a besta e abriu , mais_uma_vez , a porta . - Boa noite , Hagrid . Era_Dumbledore . Entrou com um ar muito sério , seguido de um homem bizarro . O estranho era um homenzinho pequenino , de porte majestoso com cabelos grisalhos desalinhados e uma expressão de ansiedade em o rosto . Usava uma inesperada mistura de roupas . Um fato a as riscas , uma gravata vermelho escarlate , um longo manto negro e umas botas roxas pontiagudas . Debaixo de o braço trazia um chapéu de coco verde lima . -- É o patrão de o meu pai - murmurou o Ron . Cornelius_Fudge , o ministro de a magia ! Harry deu lhe uma valente cotovelada para o fazer calar se . Hagrid tinha ficado suado e pálido . Deixou se cair em uma de as cadeiras e olhava de Dumbledore_para_Cornelius_Fudge . - Más notícias , Hagrid - disse Fudge em um tom bastante grave . - Muito más notícias . Tive de vir . Quatro ataques a filhos de Muggles , as coisas foram longe_de mais . O ministério tem que tomar uma atitude . - Eu nunca ... - disse Hagrid , parecendo implorar a Dumbledore . - O senhor sabe que eu nunca ... professor Dumbledore , o senhor ... - Quero que fique claro , Cornelius , que Hagrid tem a minha total confiança - afirmou Dumbledore , franzindo as sobrancelhas . - Olha , Albus - disse Fudge pouco a a vontade - a ficha de o Hagrid depõe contra ele . O ministério tem de fazer alguma coisa , o Conselho_Directivo de a escola tem se reunido ... - Mesmo_assim , Cornelius , devo dizer te mais_uma_vez que levar o Hagrid de aqui não vai ajudar em nada - afirmou Dumbledore com os olhos azuis com um fogo que Harry nunca vira antes . - Tenta compreender o meu ponto de vista - insistiu Fudge , brincando com o chapéu . - Estou a ser tremendamente pressionado , tenho de mostrar que faço alguma coisa . Se se provar que não foi o Hagrid , ele voltará e não se fala mais em o assunto . Mas tenho de levá o , tem de ser , não estaria a cumprir a minha obrigação se ... - Levar me ? - perguntou Hagrid a tremer . - Levar me para_onde ? - É uma pena curta - disse Fudge , sem o olhar em os olhos . - Não é um castigo , Hagrid , chamemos lhe antes uma precaução . Se mais alguém for apanhado , tu sais com todas_as nossas desculpas . - Não é para Azkaban ? - balbuciou Hagrid . Mas antes que Fudge tivesse tido tempo de responder , ouviu se bater mais_uma_vez a a porta . Dumbledore abriu . Foi a vez de Harry levar uma cotovelada em as costas : soltara um gemido audível . Mr._Lucius_Malfoy entrou em a cabana de o Hagrid embrulhado em uma longa capa preta de viagem , com um sorriso frio de satisfação . O Fang começou a rosnar . - Já está aqui , Fudge ? - disse de forma aprovadora . - Muito bem , muito bem ... - O que estás a fazer aqui ? - perguntou Hagrid furioso . - Sai imediatamente de a minha casa . - Meu bom homem , acredite que não tenho prazer nenhum em entrar em a sua ... er ... chamou lhe casa ? - disse Lucius_Malfoy , sorrindo sarcasticamente enquanto observava a pequena divisão . - Eu limitei me a ir a a escola e disseram me que o director estava aqui . - E o que queres de mim , Lucius ? - perguntou Dumbledore . O seu tom de voz era educado mas em os olhos azuis brilhava ainda o mesmo fogo . - Uma notícia horrível , Dumbledore - disse Mr._Malfoy de forma arrastada , pegando em um grande rolo de pergaminho . - Mas os membros de o conselho pensam que é altura de tu saíres . Isto_é uma ordem de suspensão , tens aí doze assinaturas . Lamento muito mas em a nossa opinião estás a perder a firmeza . Quantos ataques houve até agora ? Mais dois hoje a a tarde , não foi ? A este ritmo vão acabar todos os filhos de Muggles em Hogwarts e todos sabemos que seria uma terrível perda para a escola . - O que é isso , Lucius ? - protestou Fudge com ar alarmado . - O Dumbledore suspenso não ... não , seria a última coisa que desejaríamos em este momento ... - A nomeação ou suspensão , de o director é de a competência de os membros de o Conselho_Directivo , Fudge - disse suavemente Mr._Malfoy . - E como Dumbledore não foi capaz de pôr cobro a estes ataques ... - Oh ! Lucius , se Dumbledore não conseguiu - disse Fudge com o lábio superior a suar . - Quem irá conseguir ? - Isso está para se ver - disse Mr._Malfoy com um sorriso mesquinho . - Mas como os doze votamos ... Hagrid pôs se de pé em um salto , o cabelo preto hirsuto a roçar em o tecto . - E quantos tiveste de chantajar para concordarem contigo , Malfoy ? - Meu caro Hagrid , sabe que esse seu temperamento ainda acaba por lhe criar problemas um dia de estes - disse Mr._Malfoy . - Não o aconselho a gritar assim com os guardas de Azkaban . Eles não iriam gostar nada . - Não podes levar Dumbledore - gritou Hagrid , fazendo Fang , o cão caçador de javalis , agachar se e ganir em o seu cesto . - Sem ele , os filhos de os Muggles não têm qualquer hipótese . A seguir haverá mortes . - Acalma te , Hagrid - disse Dumbledore de forma cortante , olhando para Lucius_Malfoy . - Se os membros de o conselho querem substituir me , eu sairei , claro . - Mas - interrompeu Fudge . - Não - rosnou Hagrid . Dumbledore não tirara os seus olhos azuis brilhantes de os olhos cinzentos e frios de Lucius_Malfoy . - Contudo - disse , pronunciando cada palavra lenta e claramente para que nenhum de eles perdesse o seu sentido - verás que só deixarei verdadeiramente esta escola quando ninguém aqui me for leal . Descobrirás também que será sempre dada ajuda em Hogwarts a quem a pedir . Por um segundo , Harry teve quase a certeza de que os olhos de Dumbledore tremelaziram em direcção a o canto onde ele e Ron estavam escondidos . - Sentimentos admiráveis - disse Malfoy , fazendo uma vénia . - Todos nós vamos sentir a tua ... forma muito pessoal de fazer as coisas , Albus . Só espero que o teu sucessor consiga evitar qualquer ... crime . Dirigiu se a a porta de a cabana , abriu a e fez sinal a Dumbledore para que passasse a a sua frente . Fudge , mexendo nervosamente em o chapéu de coco , esperou que Hagrid fizesse o mesmo mas ele ficou quieto , respirou fundo e disse prudentemente : - Se alguém quiser descobrir alguma coisa , o que tem a fazer é seguir as aranhas . Elas indicarão o caminho , é tudo_o_que vos digo . Fudge olhou para ele espantado . - Está bem , eu vou - disse Hagrid , pegando em o seu sobretudo de pêlo de toupeira . Mas quando ia seguir o Fudge e sair por a porta , parou e disse em voz alta : - E alguém tem de dar de comer a o Fang enquanto eu não estiver cá . A porta fechou se ruidosamente e Ron tirou o manto de a invisibilidade . -- Estamos outra_vez em uma alhada - disse com voz rouca - Sem o Dumbledore podem fechar a escola já esta noite . Sem ele vai haver um ataque por dia . O Fang começou a ganir , arranhando a porta fechada . XV_Aragog_O_Verão insinuava se em os campos em volta de o castelo . O céu e o lago tinham se tornado de um azul-molusco e as flores , grandes como couves , começavam a florir em as estufas . Mas sem o Hagrid , que ele costumava avistar de o castelo , atravessando os campos com o Fang atrás , parecia a Harry que a paisagem não estava completa . Não era melhor dentro de o castelo onde tudo corria horrivelmente mal . O Harry e o Ron tinham tentado visitar a Hermione , mas as visitas a o hospital estavam proibidas . - Não vamos correr mais riscos - disse lhes Madam_Pomfrey com ar severo , através_de uma fresta de a porta de o hospital . Não , lamento , há muitas hipóteses de o atacante voltar para acabar de vez com estas pessoas ... Com Dumbledore longe , o medo espalhara se como nunca acontecera antes , de_tal_modo_que o sol que aquecia as paredes de o castelo por fora parecia parar junto de as janelas de pinázios . Não se via um único rosto em a escola que não andasse tenso e preocupado e qualquer gargalhada , em os corredores , se tornava incómoda e antinatural e era rapidamente abafada . Harry repetia constantemente , de si para consigo , as últimas palavras que ouvira a Dumbledore : - * _ Só terei verdadeiramente deixado esta escola quando ninguém me for leal ... será sempre dada ajuda , em Hogwarts , a quem a pedir * . Qual seria o significado exacto de aquelas palavras ? A quem deveria pedir ajuda quando todos estavam tão confusos assustados como ele ? A alusão de Hagrid a as aranhas era bastante mais fácil de entender . O problema era que parecia não ter restado uma única aranha em o castelo para eles a poderem seguir . Harry procurou por todo o lado com a ajuda relutante de o Ron . As coisas estavam dificultadas por o facto de não poderem andar sozinhos e terem de se deslocar em grupo dentro de o castelo , juntamente com outros Gryffindor . A maior parte de os alunos gostava de ser conduzida como carneiros de uma aula para a outra por os professores mas Harry achava horrível . Havia , contudo , uma pessoa que parecia apreciar aquela atmosfera de terror e suspeitas . Draco_Malfoy passeava empertigado por a escola como_se tivesse sido nomeado para chefe de turma . Harry só compreendeu o motivo de toda aquela boa disposição cerca de quinze_dias depois de Dumbledore e Hagrid se terem ido embora quando , em uma aula de poções , o ouviu falar com o Crabbe e o Goyle . - Sempre achei que seria o pai quem conseguiria livrar nos de o Dumbledore - disse sem a menor preocupação em baixar a voz . - Já vos disse , segundo ele , Dumbledore foi o pior director que a escola alguma vez teve . Talvez agora venha um director decente que não queira a Câmara_dos_Segredos fechada . A Mc_Gonagall não vai durar muito , está só a ... O Snape passou por Harry , sem fazer comentários a o caldeirão e a a cadeira vazia de Hermione . - Professor - disse Malfoy em voz alta . - Professor , porque não se candidata a o lugar de director ? - Ora , ora , Malfoy - respondeu Snape , sem conseguir esconder um meio sorriso . - O professor Dumbledore foi apenas suspenso por os membros de o conselho de direcção , certamente vai voltar um dia de estes . - Sim , claro - disse Malfoy com o seu sorriso escarninho . - Acho que se o professor quisesse candidatar se a o lugar teria o voto de o pai . Eu vou dizer lhe que o acho o melhor professor de a escola . Snape sorriu enquanto passeava de um lado para o outro em o calabouço , não tendo felizmente visto o Seamus_Finnigan que fingia vomitar para dentro de o caldeirão . - Estou espantado por ver que até agora os sangues de lama ainda não fizeram as malas e não desapareceram - prosseguiu Malfoy . - Aposto cinco galeões em como o próximo morre . Pena que não tenha sido a Granger ... A campainha tocou em esse momento o que foi uma sorte porque a o ouvir as últimas palavras de Malfoy , Ron deu um salto , mas em a barafunda de guardar os livros em os sacos , a sua tentativa de agarrar o Malfoy passou despercebida . - Deixem me - gritava o Ron enquanto o Harry e o Dean lhe agarravam os braços . - Não preciso de varinha , vou dar cabo de ele com as minhas mãos ... - Despachem se , tenho de conduzir vos a a aula de herbologia - praguejava o Snape acima de as cabeças de os alunos . E lá foram como cordeirinhos com Harry , Ron e Dean em a retaguarda , o Ron ainda a tentar libertar se . Só acharam seguro largá o quando Snape os deixou fora de o castelo e iniciaram o percurso por o meio de a horta em direcção a as estufas . A aula de herbologia estava reduzida . Tinha agora dois alunos a menos : Justin e Hermione . A professora Sprout pô os a trabalhar , podando as figueiras-da-abissínia . Harry foi despejar uma braçada de hastes secas em um monte de adubo e deu consigo cara a cara com Ernie_Mcmillan . Ernie respirou fundo . - Só quero dizer te , Harry que lamento ter suspeitado de ti . Sei que nunca atacarias a Hermione_Granger e peço te desculpa por todas_as coisas que disse . Estamos todos em o mesmo barco , agora e , bem ... Estendeu lhe uma mão rechonchuda que o Harry apertou . Ernie e a sua amiga Hannah foram trabalhar em a mesma figueira com o Harry e o Ron . - Aquele tipo , Draco_Malfoy - disse Ernie , partindo pequenos galhos - , parece muito satisfeito com isto tudo , não acham ? É bem possível que ele seja o herdeiro de Slytherin . - Uma observação inteligente de a tua parte - disse o Ron que parecia não ter desculpado Ernie tão facilmente como o Harry . - Acham que é ele ? - perguntou Ernie . - Não - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Hannah ficaram a olhar espantados . Um segundo depois , Harry avistou qualquer coisa que o levou a chamar a atenção de o Ron , batendo lhe em a mão com a tesoura de podar . - Au ... o que é_que tu ... ? Harry apontava para o chão , a poucos centímetros de distância . Várias aranhas grandes corriam precipitadamente por a terra fora . - Ah ! sim - disse o Ron , tentando , sem conseguir , mostrar se entusiasmado . - Mas não podemos seguis as agora ... Ernie e Hannah ouviam nos com curiosidade . Harry viu as aranhas desaparecerem . - Parecem ir em a direcção de a floresta proibida ... E o Ron ficou ainda mais infeliz a o ouvir aquilo . Em o final de a aula , o professor Snape acompanhou os alunos a a « Defesa contra as artes negras » . Harry e Ron foram atrás de os outros para poderem conversar sem serem ouvidos . - Temos de usar outra_vez o manto de a invisibilidade - disse Harry a o Ron . - Podemos levar connosco o Fang , ele está habituado a ir a a floresta com o Hagrid , pode ser uma boa ajuda . - Certo - disse o Ron , que fazia girar nervosamente a varinha em os dedos . - Er ... não costuma haver ... não costuma haver lobisomens em a floresta ? - acrescentou enquanto ocupavam os lugares de o costume em a aula de o Lockhart . Preferindo não responder a a pergunta , Harry disse : - Também há lá coisas boas . Os centauros são fixes e os unicórnios . Ron nunca estivera em a floresta proibida , Harry fora lá só uma_vez e desejara não ter de lá voltar . Lockhart deu um salto para dentro de a sala de aula e os alunos ficaram espantados a olhar para ele . Todos os outros professores andavam mais tristes do_que o habitual mas Lockhart parecia sentir se em as nuvens . - Então , então - exclamou , olhando em volta . - Porquê essas caras deprimidas ? Lançaram lhe olhares exasperados mas ninguém respondeu . - Não compreendem - disse , falando devagar como_se fossem todos um_pouco estúpidos - que o perigo já passou ? O culpado foi se embora . -- Quem disse ? - retorquiu Dean_Thomas em voz alta . -- Meu caro jovem , o ministro de a magia não teria levado Hagrid se não estivesse cem por_cento certo de que ele era o culpado - disse Lockhart como quem explica que um e um são dois . - Teria , sim - disse o Ron , em um tom de voz ainda mais alto do_que o de o Dean . - Eu julgo saber um_pouco mais sobre a prisão de o Hagrid do_que o senhor , Mr._Weasley - disse Lockhart com notória auto-satisfação . Ron começou a dizer que discordava mas foi interrompido por o Harry que lhe deu um forte pontapé por debaixo de a mesa . - Nós não estávamos lá , lembras te ? - murmurou . Mas a alegria revoltante de o Lockhart , as insinuações de que sempre tinha achado que o Hagrid não prestava , a sua certeza de que tudo aquilo estava a chegar a o fim , irritou Harry de tal maneira que teve vontade de lhe atirar as * _ Viagens com Vampiros * e de lhe acertar em aquela cara estúpida . Mas , em vez de isso , limitou se a escrevinhar um bilhete para o Ron : * _ Vamos lá hoje a a noite * . Ron leu a mensagem , engoliu em seco e olhou para o lugar onde Hermione costumava sentar se . A cadeira vazia pareceu ajudá o a decidir se e acenou afirmativamente . A sala comum de os Gryffindor estava agora sempre cheia porque , depois de as seis_da_tarde , os Gryffindor não tinham outro lugar para ir . Por outro lado , tinham imenso para conversar , por isso a sala comum mantinha se cheia de gente até depois de a meia-noite . Logo_a_seguir a o jantar , Harry foi buscar o manto de a invisibilidade a a mala onde estava guardado e passou todo o serão a a espera que a sala esvaziasse . O Fred e o George desafiaram o para alguns jogos de explosão e a Ginny sentou se , muito preocupada , a observá os , em a cadeira habitual de Hermione . Harry e Ron fartaram se de perder de propósito em uma tentativa de pôr rapidamente fim a os jogos mas , mesmo_assim , já passava bastante de a meia-noite quando o Fred , o George e a Ginny se foram , finalmente , deitar . Harry e Ron esperaram até ouvir as portas de os dois dormitórios fecharem se . Em seguida , pegaram em o manto , lançaram o sobre ambos e passaram por o buraco de o retrato . Era mais uma difícil travessia de o castelo , tendo de fintar todos os professores . Finalmente , chegaram a o * hall * de entrada , giraram o fecho de as portas de carvalho , esgueiraram se tentando não fazer barulho e aventuraram se nos campos iluminados por o luar . - É claro que - disse bruscamente o Ron , enquanto atravessavam os relvados negros - podemos perfeitamente chegar a a floresta e descobrir que não há nada para seguir . As aranhas podem não ter ido para lá . É certo que parecia que tomavam essa direcção , mas ... Felizmente a lengalenga não durou muito . Chegaram a a casa de o Hagrid que tinha um ar triste com as suas janelas vazias . Logo_que Harry empurrou a porta e a abriu , o Fang saltou , louco de alegria por os ver . Preocupados , não fosse ele acordar toda_a_gente em o castelo com o seu ladrar forte e agitado , deram lhe rapidamente a comer bombons de melaço que estavam em uma lata sobre a lareira e que lhe colaram os dentes de cima a os de baixo . Harry pousou o manto de a invisibilidade sobre a mesa de o Hagrid . Não iam precisar de ele em a floresta escura como breu . - Anda , Fang , vamos dar um passeio - disse Harry , batendo lhe a o de leve em a pata e Fang saiu feliz , a os saltos , atrás de eles . Precipitou se até a a orla de a floresta e levantou a perna contra uma enorme figueira-do-egipto . Harry pegou em a varinha , murmurou * _ Lumus * ! e uma pequenina luz surgiu em a ponta de a varinha , suficiente para lhes mostrar o caminho e ajudá os a descobrir a pista de as aranhas . - Bem pensado - disse o Ron . - Eu acendia também a minha mas , sabes como ela está , ainda estoirava ou qualquer coisa assim ... Harry tocou em o ombro de o Ron , apontando para as ervas . Duas aranhas solitárias fugiam de a luz de a varinha , aproximando se de a sombra de as árvores . - O. _ K. - disse o Ron , resignando se com o pior . - Estou pronto , vamos . Então , com o Fang a correr atrás de eles , cheirando as raízes de as árvores e as folhas , entraram em a floresta . Seguindo a luz de a varinha de o Harry seguiram a fila disciplinada de aranhas que se movia a o longo de o caminho . Andaram durante cerca de vinte minutos , sem falar , atentos a todos os ruídos que não fossem os de os ramos caídos e de as folhas secas . Então , quando as copas de as árvores se tinham tornado mais cerradas do_que nunca , de_tal_modo_que as estrelas em o céu já não eram visíveis e a varinha de o Harry brilhava isolada em um mar de escuridão , viram as aranhas que eles seguiam a abandonar o caminho . Harry parou , tentando ver para_onde iam mas tudo_o_que ficava longe de a sua pequenina luz era negro de breu . Ele nunca fora tão longe em a floresta . Lembrava se muito bem de Hagrid lhe ter dito , de a última vez que ali tinham estado , que nunca saísse de o caminho de a floresta . Mas Hagrid agora estava a muitos quilómetros de distância e ele também lhes dissera que seguissem as aranhas . Uma coisa húmida tocou em a mão de o Harry e ele deu um salto para trás , pisando o pé a o Ron . Mas afinal era apenas o focinho de o Fang . - O que é_que tu achas ? - perguntou ele a o Ron cujos olhos conseguia vislumbrar , reflectindo a luz de a varinha . - Já_que viemos até aqui - disse ele . Seguiram , portanto as sombras velozes de as aranhas em direcção a as árvores . Não podiam agora andar muito depressa . Tinham em a frente raízes de árvores e troncos cortados que mal se viam em aquela escuridão . Harry sentia o bafo quente de Fang em a mão . Por mais de uma_vez tiveram de parar para o Harry se baixar e descobrir as aranhas a a luz de a varinha . Andaram durante o que lhes pareceu ter sido pelo_menos meia_hora , com os mantos a roçarem em os ramos mais baixos e em as silvas . A o fim de algum tempo repararam que o chão parecia inclinar se para baixo embora as árvores continuassem cerradas . Foi então que o Fang soltou um latido que ecoou em volta , fazendo Harry e Ron darem um salto , ambos com os cabelos em pé . - O que foi ? - gritou o Ron , olhando em volta para a escuridão e agarrando Harry com força , por o cotovelo . - Há qualquer coisa ali a mexer se - murmurou Harry - Ouve ... parece ser grande . Ficaram a ouvir . Um_pouco para a direita algo de grandes dimensões partia os ramos enquanto abria caminho através de as árvores . - Oh ! não - disse o Ron . - Oh ! não , não ... - Cala te - insistiu o Harry , nervoso . - Seja o que for , vai acabar por te ouvir . - Ouvir me ? - disse o Ron , em um tom de voz muito pouco natural . - Já ouviu . Fang ! A escuridão parecia esmagar lhes os globos oculares enquanto ali ficaram apavorados , a a espera . Houve um estranho ruído , surdo e prolongado , e em seguida o silêncio . - O que estará a fazer ? - perguntou Harry . - Talvez esteja a preparar se para atacar - disse o Ron . Esperaram , a tremer , sem ousarem mexer se . - Achas que se foi embora ? - murmurou Harry . - Não sei . Em esse momento , de o lado direito veio um clarão de luz tão forte em o meio de o escuro que os dois levaram as mãos a a cara para proteger os olhos . O Fang ganiu e tentou fugir mas viu se envolvido em um emaranhado de espinhos e ganiu ainda mais alto . - Harry - gritou o Ron com grande alívio em a voz . - Harry , é o nosso carro . - O quê ? - Anda ver . Harry avançou a os tropeções atrás de o Ron , em direcção a a luz e em o momento seguinte estavam em uma clareira . O carro de Mr._Weasley ali estava , vazio , no_meio_de um círculo de árvores grossas , sob um telhado de ramos densos , os faróis de a frente resplandecentes . Quando Ron se aproximou de boca aberta , moveu se lentamente em direcção a ele como_se fosse um grande cão azul turquesa , cumprimentando o dono . - Tem estado aqui todo este tempo - disse o Ron satisfeitíssimo , aproximando se de o carro . - Olha para ele , a floresta tornou o selvagem ... O guarda-lamas estava riscado e cheio de lodo . Parecia que tinha andado a passear sozinho por a floresta . Fang não gostou lá muito de ele . Manteve se a o lado de o Harry que podia senti o a tremer . Com a respiração normalizada , Harry guardou a varinha em o manto . - E nós a pensarmos que ele nos ia atacar - disse o Ron , encostando se a o carro e dando lhe duas palmadinhas - As voltas que eu dei a a cabeça a pensar para_onde ele teria ido ! Harry olhava para todos os lados , em o chão iluminado , em busca de mais aranhas mas todas elas tinham fugido de o brilho de as luzes . - Perdemos as de vista - disse ele . - Anda , vamos procurá as . Ron não disse nada . Não se moveu . Tinha os olhos fixos em um ponto , três metros acima de o chão de a floresta , mesmo atrás de o Harry . O seu rosto estava lívido de terror . Harry nem teve tempo de se voltar . Ouviu se um ruído alto e seco e sentiu que alguma coisa longa e peluda o elevava em o ar com o rosto voltado para baixo . Debatendo se , apavorado , ouviu outro estalido e viu as pernas de o Ron serem também levantadas de o chão . Ouviu o Fang gemer e ganir e , em o momento seguinte , era levado para o meio de as árvores escuras . Com a cabeça a balouçar , Harry viu que a coisa que o transportava tinha seis enormes patas peludas e que as duas de a frente o agarravam com forca sob um par de tenazes pretas e brilhantes . Atrás_de si podia ouvir outra de aquelas criaturas que , sem dúvida , transportava o Ron . Encaminhavam se para o coração de a floresta . Harry ouvia o Fang a ladrar , tentando libertar se de um terceiro monstro mas Harry não podia gritar mesmo_que quisesse , parecia que tinha deixado a voz em a clareira , junto com o carro . Não soube quanto tempo esteve em as patas de a criatura , só se apercebeu que a escuridão se atenuara um_pouco , permitindo lhe ver que o chão coberto de folhas estava agora repleto de aranhas . Voltando a cabeça para o lado , deu se conta de que tinham chegado a a base de uma enorme cova , uma cova que fora limpa de árvores para que as estrelas iluminassem com o seu brilho a cena mais pavorosa que os seus olhos alguma vez tinham visto . Aranhas . Não aranhas pequeninas como aquelas que estavam sobre as folhas . Aranhas de o tamanho de enormes cavalos , com oito olhos , oito pernas pretas , peludas , gigantescas . O espécimen que transportava Harry desceu o terreno íngreme até uma teia brumosa em forma de cúpula que ficava mesmo em o meio de a cova , enquanto os companheiros se juntavam em volta , batendo excitadíssimos com as tenazes e olhando para o que eles traziam a as costas . Harry caiu em o chão de gatas quando a aranha o libertou . Ron e Fang foram cair perto de ele . O Fang já não gania . Estava agachado e muito quieto . Ron e Harry partilhavam o mesmo sentimento . O Ron tinha a boca aberta em uma espécie de grito silencioso e os olhos a saltarem lhe de as órbitas . Harry percebeu de repente que a aranha que o deitara a o chão estava a dizer qualquer coisa . Era difícil entender porque entre cada duas palavras , batia com as tenazes . - Aragog - chamou . - Aragog . E de o meio de a teia brumosa em forma de cúpula saiu muito lentamente uma aranha de o tamanho de um pequeno elefante . As costas e as pernas estavam cobertas de pêlo cinzento e , em a cabeça feia , munida de tenazes , estavam vários olhos , todos eles de um branco leitoso . Era cega . - O que foi ? - disse , batendo rapidamente com as tenazes uma em a outra . - Homens - respondeu a aranha que trouxera o Harry . - É o Hagrid ? - perguntou Aragog , aproximando se mais com os seus oito olhos leitosos a vaguear . - Estranhos - respondeu a aranha que trouxera o Ron . - Matem nos - disse Aragog , irritada . - Eu estava a dormir ... - Nós somos amigos de o Hagrid - gritou Harry . Parecia que o coração lhe saltava por a boca . Clic , clic , clic fizeram as tenazes de a aranha , em volta de a cova . Aragog parou . - O Hagrid nunca mandou homens a a nossa cova - disse lentamente . - O Hagrid está em perigo - explicou Harry , respirando muito depressa . - Foi por isso que eu vim . - Em perigo ? - repetiu a aranha idosa e pareceu a Harry sentir preocupação por detrás de as suas tenazes . - Mas porque vos mandou ele cá ? Harry pensou pôr se de pé mas achou melhor não arriscar . As pernas provavelmente não teriam força para o sustentar . Falou portanto de o chão , o mais calmamente que foi capaz . - Eles lá em a escola pensam que o Hagrid soltou qualquer coisa contra os estudantes . Mandaram o para Azkaban . Aragog bateu furiosamente com as tenazes e , em toda_a cova , o eco foi reproduzido por uma multidão de aranhas . Era uma espécie de aplauso com uma única diferença : os aplausos não costumavam fazer o Harry quase morrer de medo . - Mas isso foi há muitos anos - disse Aragog , maldisposta . - Há anos e anos . Lembro me muito bem . Foi por isso que o expulsaram de a escola . Eles pensaram que eu era o monstro que vive em aquilo a que eles chamam a Câmara_dos_Segredos . Pensaram que o Hagrid a tinha aberto para me libertar . - E tu ... não vieste de a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Harry que sentia a testa cheia de suores frios . - Eu - disse Aragog , batendo irritada com as tenazes - , eu não nasci em o castelo . Venho de uma terra distante . Um viajante ofereceu me a o Hagrid quando eu era ainda um ovo . Hagrid era um rapazinho mas tratou de mim , escondeu me em uma despensa dentro de o castelo e alimentava me com as migalhas que ficavam em as mesas . Hagrid é o meu bom amigo e um bom homem . Quando me encontraram e me culparam por a morte de uma rapariga , ele protegeu me . Desde_então , tenho vivido aqui em a floresta onde o Hagrid ainda vem visitar me . Ele até me arranjou uma esposa , Mosag , e estão a ver como a família cresceu , tudo graças a a bondade de o Hagrid ... Harry reuniu a coragem que lhe restava . - Então tu nunca atacaste ninguém ? - Nunca - resmungou a velha aranha . - Era esse o meu instinto , mas por respeito a Hagrid nunca fiz mal a nenhum humano . O corpo de a rapariga morta foi encontrado em uma casa_de_banho , ora eu nunca conheci mais do_que despensa de o castelo , onde cresci . Nós gostamos de o escuro de o silêncio . - Mas então ... sabes o que matou essa rapariga ? - perguntou Harry . - Porque seja o que for , está a atacar as pessoas outra_vez ... As suas palavras foram abafadas por uma audível explosão de tenazes a bater e por o ruge-ruge de muitas pernas longas , deslocando se iradas . Em volta de Harry começaram a mover se sombras escuras . - O que vive em o castelo - disse Aragog - é uma antiga criatura que nós , aranhas , tememos acima_de todas_as outras . Lembro me bem de o quanto insisti com Hagrid para que me deixasse sair de ali quando senti a criatura a andar por a escola . - O que é ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Mais tenazes a bater , mais pernas a moverem se . As aranhas pareciam estar a aproximar se . - Nós não falamos de isso - exclamou Aragog furiosa . - Não pronunciamos o seu nome . Eu nunca disse a o Hagrid o nome de a horrível criatura , apesar_de ele me ter perguntado vezes sem conta . Harry não quis insistir , principalmente com todas aquelas aranhas a aproximarem se de todos os lados . Aragog parecia ter se cansado de falar . Recuava lentamente para a teia em forma de cúpula , mas as companheiras continuavam a aproximar se ameaçadoramente de Harry e Ron . - Vamos embora , então - gritou Harry , desesperadamente a Aragog , enquanto ouvia as folhas secas a estalarem atrás_de si . - Embora ? - disse Aragog lentamente . - Não me parece ... - Mas , mas ... - Os meus filhos e filhas não fazem mal a o Hagrid por ordem minha . Mas não posso negar lhes carne fresca quando ela veio por vontade própria ter connosco . Adeus , amigo de o Hagrid . Harry deu meia volta . Poucos centímetros acima de ele , uma sólida parede de aranhas batia com as tenazes , os seus muitos olhos a brilharem em as horríveis caras pretas . Mesmo_que se servisse de a varinha , Harry sabia que não ia valer de nada . As aranhas eram demasiadas , mas quando tentava preparar se para morrer a lutar , ouviu se um som prolongado e um clarão de luz iluminou a cova . O carro de Mr._Weasley ribombava , descendo o declive , com os faróis acesos , a buzina a guinchar , afastando as aranhas . Muitas de elas ficaram voltadas ao_contrário com as várias pernas a agitar se em o ar . O carro buzinou com mais força em frente de Harry e Ron e as portas abriram se . - Agarra o Fang - gritou Harry , ajeitando se em o lugar de a frente . Ron agarrou o cão caçador de javalis e lançou o a ganir para o banco de trás . As portas fecharam se com estrondo . Ron não tocou em o acelerador mas o carro não precisou de isso . O motor fez se ouvir e levantaram voo , batendo em mais aranhas . Subiram o declive , saindo de a cova e pouco depois atravessavam a floresta , os ramos a baterem em os vidros enquanto o carro seguia habilmente através de os intervalos maiores , por um caminho que obviamente já conhecia . Harry olhou para o Ron , a o seu lado . Ele tinha ainda a boca aberta em o mesmo grito silencioso mas os olhos já não estavam salientes . - Estás bem ? Ron olhou em frente , incapaz de responder . Começavam a descer para terra firme com o Fang a soltar enormes ganidos em o banco de trás e Harry viu o espelho retrovisor saltar quando passaram rente a um enorme carvalho . Após dez minutos bastante ruidosos , as árvores começaram a ser mais finas e Harry pôde ver de_novo pedaços de o céu . O carro parou tão bruscamente que quase foram projectados por o vidro de a frente . Tinham chegado a a orla de a floresta . O Fang ia agitadíssimo a a janela e quando Harry abriu a porta , disparou a correr através de as árvores até a a casa de o Hagrid , de cauda entre as pernas . Harry saiu também e um minuto depois o Ron pareceu recuperar a força em os membros e seguiu o , ainda com um torcicolo e de olhos esbugalhados . Harry deu uma palmadinha de agradecimento a o carro antes de ele dar a volta e desaparecer em direcção a a floresta . Harry voltou a a cabana de o Hagrid para buscar o manto de a invisibilidade . O Fang tremia em o seu cesto , coberto por um cobertor . Quando saiu de_novo , viu o Ron a vomitar junto de as abóboras . - Sigam as aranhas - disse ele debilmente , limpando a boca a a manga . - Nunca vou perdoar a o Hagrid . É uma sorte ainda estarmos vivos . - Aposto que ele pensou que Aragog nunca faria mal a os seus amigos - justificou Harry . - Esse é justamente o problema de o Hagrid - interrompeu Ron , dando um soco em a parede de a cabana . - Ele acha sempre_que os monstros não são tão maus como os pintam e vê onde isso o levou , a uma cela em Azkaban - tremia agora descontroladamente . - Qual a ideia de ele a o mandar nos ali ? Gostava de saber o que é_que descobrimos . - Que o Hagrid nunca abriu a Câmara_dos_Segredos - disse Harry , lançando o manto sobre Ron e tocando lhe em o braço para o encorajar a andar . - Ele estava inocente . Ron resmungou em voz alta . Para ele , chocar Aragog em uma despensa não era propriamente estar inocente . Quando se aproximaram de o castelo , Harry esticou o manto para garantir que os pés de ambos ficavam cobertos . Em seguida , empurrou as portas de a frente que chiaram . Atravessaram com todo o cuidado o * hall * de entrada e subiram a escadaria de mármore , contendo a respiração em os corredores guardados por sentinelas atentos . Por fim , chegaram a a segurança de a sala de os Gryffindor onde o lume ardera até se transformar em brasas brilhantes . Tiraram o manto e subiram a escada serpenteante que os levava a o dormitório . Ron caiu em a cama sem sequer se despir mas Harry , apesar_de tudo , não tinha sono . Sentou se em a beirinha de a cama , pensando em todas_as coisas que Aragog dissera . A criatura que andava por o castelo , pensou , era uma espécie de monstro Voldemort , nem os outros monstros queriam pronunciar o seu nome . Mas ele e o Ron não estavam agora mais perto_de descobrir o que era nem como petrificava as suas vítimas . Se nem o Hagrid chegara a saber o que estava em a Câmara_dos_Segredos ... Harry balançou as pernas e atirou se para_cima de a cama . Encostado a as almofadas olhou a Lua que brilhava através de a janela de a torre . Não sabia que mais poderiam fazer . Só tinham encontrado portas fechadas . Riddle apanhara a pessoa errada . O herdeiro de Slytherin fugira e ninguém sabia se era a mesma pessoa ou uma outra que abrira , desta_vez , a Câmara_dos_Segredos . Não havia mais ninguém a quem fazer perguntas . Harry deitou se ainda a pensar em as palavras de Aragog . Estava a começar a ficar com sono quando aquilo que parecia ser uma última esperança lhe ocorreu , fazendo o sentar se muito direito em a cama . - Ron - sussurrou em o escuro . - Ron . Ron acordou com um ganido como os de o Fang . Olhou muito assustado em volta e viu o Harry . - Ron , a rapariga que morreu . Aragog contou nos que ela foi encontrada em uma casa_de_banho - disse , ignorando os roncos de o Neville em o outro canto de o quarto . - E se ela nunca tivesse saído de a casa_de_banho ? E se ainda lá estiver ? Ron esfregou os olhos , franzindo as sobrancelhas sob a luz de a Lua . E só então compreendeu . -- Não pensar que ... a Murta_Queixosa ? XVI_A_Câmara_dos_Segredos -- E estivemos nós tantas vezes em aquela casa_de_banho com ela apenas a três cubículos de distância - disse o Ron amargamente em o dia seguinte , a a mesa de o pequeno-almoço . - Podíamos ter lhe perguntado e agora ... Já fora bastante difícil procurar as aranhas . Escapar a os professores o tempo suficiente para ir até a a casa_de_banho de as raparigas , que ficava mesmo em frente de o lugar onde ocorrera o primeiro ataque , ia ser quase impossível . Mas alguma coisa aconteceu que fez com que a Câmara_dos_Segredos desaparecesse de os seus pensamentos pela_primeira_vez em várias semanas . A professora Mc_Gonagall comunicou lhes que os exames começariam a 1_de_Junho , uma semana depois . - Exames ? - gritou Seamus_Finnigan . - Nós mesmo_assim vamos ter exames ? Ouviu se um estrondo atrás de o Harry quando a varinha de o Neville_Longbottom lhe escapou de a mão , fazendo desaparecer uma de as pernas de a secretária . A professora Mc_Gonagall repô a com a sua varinha e voltou se com má cara para o Seamus . - Se temos a escola aberta em uma altura de estas é para vocês receberem instrução - disse com dureza . - Os exames terão lugar , portanto , como é costume e espero que todos vocês façam revisões até lá . Revisões . Não passara por a cabeça de o Harry que houvesse exames com o castelo em aquele estado . Houve uma série de murmúrios revoltados , o que fez com que a professora Mc_Gonagall ficasse ainda mais mal-humorada . - As instruções de o professor Dumbledore foram para manter a escola a funcionar o mais normalmente possível - disse . - E isso , não preciso de vos dizer , passa por uma avaliação de o quanto vocês aprenderam a o longo de este ano . Harry olhou para baixo , para o casal de coelhos brancos que ele deveria transformar em pantufas . Que tinha ele aprendido durante o ano ? Não era capaz de se lembrar de nada que fosse útil em um exame . Ron estava como_se tivessem acabado de lhe dizer que a partir de aquele momento tinha de ir viver para a floresta proibida . - Estás a ver me a ter exames com isto tudo ? - perguntou a o Harry enquanto pegava em a varinha que tinha começado a assobiar bastante alto . Três dias antes de o primeiro exame , a a hora de o pequeno almoço , a professora Mc_Gonagall fez outra comunicação . - Tenho boas notícias - disse , e o salão em_vez_de se calar , explodiu de contentamento . - Dumbledore vai regressar ! - gritaram várias pessoas cheias de alegria . - Apanharam o herdeiro de Slytherin - arriscou uma rapariga em a mesa de os Ravenclaw . - Temos outra_vez os jogos de Quidditch - bradou Wood , excitadíssimo . Quando a agitação passou , Mc_Gonagall disse : - A professora Sprout informou me que as mandrágoras estão finalmente prontas para serem cortadas . Hoje a a noite vamos poder reanimar as pessoas que foram petrificadas . Escusado será dizer que certamente uma de elas poderá revelar nos quem ou o que a atacou . Eu tenho esperança que este ano pavoroso acabe com a prisão de o culpado . Houve uma explosão de aplausos . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e não ficou nada surpreendido a o ver que Draco_Malfoy não aplaudia . O Ron , por outro lado , estava satisfeito como ninguém o via havia dias . - Não faz mal não termos perguntado a a Murta . A Hermione vai , com certeza , ter todas_as respostas quando acordarem . Vai também ficar fula quando souber que temos exames dentro_de três dias . Ela não pôde fazer revisões . Seria melhor deixarem a estar onde está até a o final de os exames . Nessa_altura , Ginny_Weasley veio sentar se junto de o Ron . Parecia nervosa e tensa e Harry reparou que torcia as mãos em o colo . - O que se passa ? - perguntou o Ron , servindo se de mais papa de aveia . Ginny não disse nada mas olhou para um lado e para o outro de a mesa de os Gryffindor , com um olhar assustado que lembrou a Harry alguém que não sabia bem quem era . - Vá lá , vomita - disse o Ron , olhando para ela . Harry percebeu subitamente quem a Ginny lhe lembrara . Ela balançava se ligeiramente para a frente e para trás em a cadeira , exactamente como o Dobby fazia quando estava hesitante , à_beira_de revelar uma informação proibida . - Tenho de te dizer uma coisa - balbuciou a Ginny receosa , sem olhar para Harry . - O que é ? - perguntou ele . Ginny parecia incapaz de encontrar as palavras certas . - O quê ? - insistiu Ron . Ginny abriu a boca mas não saiu nenhum som . Harry inclinou se para a frente e falou devagar para que só ela e Ron pudessem ouvi o . - É alguma coisa relacionada com a Câmara_dos_Segredos ? Viste alguma coisa ou alguém a agir de forma estranha ? Ginny respirou fundo e , em esse preciso momento , apareceu Percy_Weasley com um ar pálido e cansado . - Se já acabaste de comer eu fico com esse lugar , Ginny . Estou cheio de fome . Acabei agora o meu trabalho de patrulhamento . Ginny deu um salto como_se a cadeira tivesse acabado de ser electrificada , lançou a o Percy um olhar assustado e zarpou . Percy sentou se e tirou uma caneca de o meio de a mesa . -- Percy - disse o Ron aborrecido . - Ela ia agora mesmo contar nos uma coisa importante . A meio de um gole de chá , Percy estremeceu . - Que coisa ? - perguntou , tossindo . - Eu quis saber se ela tinha visto alguma coisa estranha e ela ia dizer ... - Ah ! isso ... não tem nada que ver com a Câmara_dos_Segredos - disse o Percy de imediato . - Como sabes ? - indagou o Ron , erguendo as sobrancelhas . - Bem ... er ... já_que perguntam , a Ginny ... er ... passou por mim em outro dia quando eu ... er ... não foi nada , o importante é_que ela viu me fazer uma coisa e eu ... um ... pedi lhe para não comentar com ninguém . Não pensei que ela cumprisse a palavra , verdade se diga . Não é nada importante , eu só ... Harry nunca vira o Percy tão pouco a a vontade . - O que estavas a fazer , Percy ? - riu se o Ron . - Vá lá , conta que nós não nos rimos . Percy ficou sério . - Passa me esses pãezinhos , Harry , estou cheio de fome . Harry sabia que todo o mistério poderia ser desvendado em o dia seguinte sem a ajuda de eles mas não ia deixar de falar com a Murta_Queixosa se a oportunidade surgisse . E , para sua grande satisfação , ela surgiu a meio de a manhã quando eram conduzidos a a aula de História_da_Magia_por_Gilderoy_Lockhart . Lockhart , que tantas vezes lhes assegurara que o perigo tinha passado , estava agora totalmente convencido de que acompanhar os alunos em os corredores era um trabalho inútil . O seu cabelo estava mais liso do_que de costume . Parecia ter passado toda_a noite acordado a vigiar o quarto andar . - Podem escrever o que eu digo - afirmou , acompanhando os até uma esquina . - As primeiras palavras que vão sair de a boca de aquelas pobres pessoas petrificadas serão - * _ Foi_o_Hagrid * . Francamente , estou espantado por a professora Mc_Gonagall considerar ainda necessárias estas medidas de segurança . - Concordo , professor - disse Harry , fazendo com que Ron , surpreendido , deixasse cair os livros a o chão . - Obrigado , Harry - disse Lockhart amavelmente , enquanto deixavam passar uma grande fila de Hufflepuffs . - verdade é_que os professores já têm bastante que fazer para andarem também a acompanhar os alunos a as aulas e a guardar os corredores a a noite ... - É verdade - disse o Ron , percebendo a ideia . - Porque não nos deixa aqui , professor , só falta mais um corredor . - Sabes , Weasley , sou mesmo capaz de fazer isso - disse Lockhart . - Preciso de preparar a minha próxima aula . E apressou se a seguir o seu caminho . - Preparar a aula - zombou o Ron . - Vai encaracolar o cabelo , é o mais certo . Deixaram os restantes Gryffindor passar lhes a a frente e por fim cortaram caminho em um corredor lateral e dirigiram se a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mas quando estavam a congratular se por o seu esquema brilhante ... - Potter , Weasley ! Que estão vocês a fazer aqui ? Era a professora Mc_Gonagall e a boca de ela estava mais fina do_que nunca . - Nós estávamos , estávamos - gaguejou o Ron . - Nós íamos ver , íamos ver ... - Hermione - completou Harry . A professora Mc_Gonagall e Ron olharam para ele . - Não a vemos há séculos , professora - prosseguiu Harry , pisando o pé a o Ron . - E pensamos ir espreitá a a a ala hospitalar e dizer lhe que as mandrágoras estão quase prontas , para ela não se preocupar . A professora Mc_Gonagall estava ainda a olhar para ele e , por um momento , Harry pensou que ela ia explodir mas , quando falou , fê lo em um tom de voz estranhamente rouco . - É claro - disse . E Harry , espantado , viu uma lágrima a brilhar lhe em o canto de um de os olhos . - É claro . Eu compreendo que tudo_isto tem sido muito duro para os amigos de aqueles que foram ... eu compreendo , sim , Potter . Podem ir visitar Miss_Granger . Eu mesma informarei o professor Binns de que vocês estão em o hospital . Digam a Madam_Pomfrey que vos dei autorização . Harry e Ron afastaram se , quase sem acreditar que tinham escapado a um castigo . Quando voltaram em uma esquina ouviram nitidamente a professora Mc_Gonagall a assoar se . - Esta - disse o Ron entusiasmado - foi a melhor história que tu alguma vez inventaste . Não tinham outro remédio senão ir a a ala hospitalar e dizer a Madam_Pomfrey que tinham autorização de a professora Mc_Gonagall para visitar Hermione . Madam_Pomfrey deixou os entrar com alguma relutância . - Não vale a pena falar com uma pessoa petrificada - disse , e ambos tiveram que admitir que ela tinha razão quando se sentaram junto de Hermione e constataram que ela não tinha a menor noção de estar acompanhada . Dizer lhe que não se preocupasse ou falar com o armário que estava a o lado de a cama era exactamente a mesma coisa . - Será que ela viu quem a atacou ? - perguntou o Ron , olhando com tristeza para o rosto rígido de Hermione . - Porque se a coisa saltou sobre eles , ficaremos todos sem saber de nada . Mas Harry não olhava para o rosto de Hermione . Estava mais interessado em a sua mão direita que se encontrava pousada sobre os cobertores e , inclinando se para ela , viu que tinha , fechado entre os dedos , um pedaço de papel . Assegurando se de que Madam_Pomfrey não dava por nada , fez sinal a o Ron . - Tenta tirá o - murmurou ele , colocando a cadeira de_modo_a que Madam_Pomfrey não pudesse ver o Harry . Não foi tarefa fácil . A mão de a Hermione estava fechada com uma força tal que Harry receou parti a . Enquanto Ron vigiava , ele forçou e torceu até que , por fim , depois de vários minutos bastante tensos , conseguiu tirar o papel . Era uma página retirada de um livro muito antigo de a biblioteca . Harry alisou a ansiosamente e Ron inclinou se para poder lês a também . * _ De todos os monstros assustadores que pairam a a face de a Terra , nenhum é tão curioso nem tão fatal como o Basilisk , também conhecido por o rei de as serpentes . Esta cobra que pode atingir proporções gigantescas e viver durante muitas centenas de anos nasce de um ovo de galinha que é chocado por um sapo . As suas formas de matar são pavorosas pois além de os dentes venenosos e mortais , o Basilisk tem um olhar criminoso e todos aqueles que ele fixa com os olhos tem morte instantânea . As aranhas fogem a sete pés de o Basilisk que é seu inimigo mortal , e o Basilisk foge apenas de o canto de o galo que para ele é fatal * . Por debaixo de isto uma única palavra fora escrita , em a letra que Harry reconheceu como sendo de Hermione : Canos . Foi como_se se tivesse acendido uma luz em o seu espírito . - Ron - murmurou - é isso . Está aqui a resposta . O monstro de a Câmara_dos_Segredos é um Basilisk , uma serpente gigante . Por isso , só eu tenho ouvido a sua voz em todos os lugares , porque eu compreendo * serpentês * ... Harry olhou para as camas em volta . - O Basilisk mata as pessoas fixando as com o olhar mas ninguém morreu , o que quer_dizer que ninguém o olhou directamente em os olhos . Colin viu o através de a lente de a máquina fotográfica e o Basilisk queimou o rolo que estava lá dentro mas o Colin ficou apenas petrificado . O Justin ... o Justin deve ter visto o Basilisk através de o Nick quase sem cabeça . O Nick é_que levou com o olhar mas não podia morrer outra_vez ... e perto de a Hermione e de a prefeita de os Ravenclaw foi encontrado um espelho . Hermione acabara de compreender que o monstro era um Basilisk . Aposto que preveniu a primeira pessoa que encontrou de que era melhor olhar por um espelho a o virar de cada esquina . E aquela rapariga puxou de o seu espelho e ... O Ron estava de queixo caído . - E Mrs._Norris ? - perguntou vivamente . Harry pensou um_pouco , tentando imaginar a cena em a noite de o Halloween . - A água . . . - disse lentamente . - A poça de água que saiu de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Aposto que Mrs._Norris só viu o reflexo de o monstro . Examinou a folha de papel que tinha em a mão . Quanto_mais olhava mais sentido faziam as coisas . - * _ O cantar de o galo é fatal para ele * - leu em voz alta . - Os galos de o Hagrid foram mortos . O herdeiro de Slytherin não queria um único galo perto de o castelo , com a câmara aberta . * _ As aranhas são as primeiras a fugir * . Tudo encaixa . - Mas , como tem o Basilisk andado por aí ? - disse o Ron . - Uma serpente horrível e enorme ... alguém a teria visto . Mas Harry apontou para a palavra que Hermione escrevinhara em o final de a página . - Canos - disse . - Canos ... Ron , ele tem usado a canalização . Eu ouvi sempre a voz dentro de as paredes ... Ron agarrou subitamente o braço de o Harry . - A entrada para a Câmara_dos_Segredos - disse em uma voz rouca . - E se for em uma casa_de_banho ? Se for em a ... - Em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa - completou Harry . Sentaram se , tomados de uma excitação enorme , mal querendo acreditar . - Isso significa que - disse o Harry - eu não posso ser o único em a escola a falar * serpentês * . Há também o herdeiro de Slytherin . É de esse modo que tem controlado o Basilisk . - O que vamos fazer ? - perguntou Ron com os olhos a faiscar . - Vamos falar com a Mc_Gonagall ? - Vamos até a a sala de os professores - disse Harry , dando um salto . - Ela estará lá dentro_de dez minutos , está quase em o intervalo . Desceram a escada a correr . Não querendo ser descobertos outra_vez a vaguear por os corredores foram directamente até a a sala de os professores que estava deserta . Era uma divisão ampla , toda forrada , com cadeiras de madeira escura . Harry e Ron passearam de um lado para o outro , demasiado nervosos para se sentarem . Mas a campainha anunciando o intervalo nunca mais tocava . Em vez de isso , ecoando em os corredores , ouviram a voz de a professora Mc_Gonagall incrivelmente ampliada . - * _ Todos os alunos devem regressar de imediato a os seus dormitórios . Todos os professores a a sala de professores . Imediatamente , por favor * . Harry deu meia volta e olhou para o Ron . - Não me digas que houve um novo ataque , não agora ! - Que vamos fazer ? - disse o Ron aterrado . - Voltar para o dormitório ? - Não - disse Harry , olhando e m volta . Havia uma espécie de armário a a sua esquerda cheio com os mantos de os professores . - Ali . Vamos ouvir o que se passa . A seguir poderemos contar lhes o que descobrimos . Esconderam se dentro de o armário , ouvindo a algazarra de centenas de pessoas e a porta de a sala de professores a abrir se . De o meio de a confusão de mantos bafientos , viram os professores encherem a sala . Alguns tinham um ar totalmente confuso , outros pareciam apavorados . Por fim , chegou a professora Mc_Gonagall . - Aconteceu - disse em o silêncio de a sala de professores . - O monstro levou uma aluna . Levou a mesmo para a câmara . O professor Flitwick soltou um grito agudo . A professora Sprout bateu com a mão em a boca . Snape agarrou com força as costas de uma cadeira e perguntou : - Como pode ter tanta certeza ? - O herdeiro de Slytherin - disse a professora Mc_Gonagall , muito pálida . - Deixou outra mensagem . Mesmo por baixo de a primeira : « * _ O esqueleto de ela ficará para sempre em a Câmara_dos_Segredos * . » O professor Flitwick desatou a chorar . - Quem é ela ? - quis saber Madam_Hooch que se afundara em uma cadeira . - Quem é a aluna ? - Ginny_Weasley - disse a professora Mc_Gonagall . Harry viu o Ron , a o seu lado , escorregar silenciosamente até a o chão de o armário . - Vamos ter que mandar todos os alunos embora amanhã - disse a professora Mc_Gonagall . Isto_é o fim de Hogwarts , Dumbledore sempre disse ... A porta de a sala de os professores voltou a abrir se . Por um breve momento , Harry pensou que fosse Dumbledore mas era Lockhart e vinha todo sorridente . - Peço desculpa , adormeci . Perdi alguma coisa ? Não pareceu reparar que os outros professores o olhavam com uma espécie de aversão . Snape deu um passo em frente . - O homem que faltava - disse . - O homem certo . O monstro raptou uma garota , Lockhart levou a para a Câmara_dos_Segredos . O seu momento chegou . - Isso mesmo , Lockhart - acrescentou a professora Sprout . - Não estavas a dizer ontem a a noite que sempre tinhas sabido onde era a entrada para a Câmara_dos_Segredos ? - Eu ... bem ... eu-disse atabalhoadamente Lockhart . - Sim , não me disseste que sabias exactamente o que estava lá dentro ? - disse com voz esganiçada o professor Flitwick . - Eu disse ? Não me lembro ... - Lembro me perfeitamente de o ouvir dizer que lamentava não ter feito uma tentativa com o monstro antes de o Hagrid ser preso - disse Snape . - Não disse que toda_a história tinha sido uma atrapalhação e que deveriam ter lhe dado carta branca desde o princípio ? Lockhart olhou em volta para a cara de espanto de os colegas . - Eu ... nunca ... eu de facto ... deve ter me compreendido mal . - Então vamos deixar te , Gilderoy - disse a professora Mc_Gonagall . - Esta noite será uma excelente oportunidade para actuares . Nós trataremos de assegurar que ninguém te atrapalha . Vais poder enfrentar o monstro sozinho . Finalmente tens carta branca . Lockhart olhou desesperado a a sua volta mas ninguém foi salvá o . Já não estava bem-parecido . O lábio tremia lhe e a ausência de o seu habitual sorriso de dentes brancos dava lhe um ar escanzelado . - M-muito bem - disse . - Vou até a o meu escritório para ... para me preparar . E saiu de a sala . - _ óptimo - exclamou a professora Mc_Gonagall com as narinas dilatadas . - Isto deve afastá o de o nosso caminho . Os chefes de casa devem ir agora comunicar a os respectivos alunos o que se passou e informá os de que o Expresso_de_Hogwarts os levará a casa amanhã de manhã . Os restantes certifiquem se , por favor , de que não há alunos fora de os dormitórios . Os professores levantaram se e saíram um a um . Foi talvez o dia pior de a vida de o Harry . Ele , Ron , Fred e George sentaram se juntos a um canto em a sala comum de os Gryffindor , incapazes de proferir uma palavra . Percy não estava lá . Tinha ido tratar de enviar uma coruja a Mr. e Mrs._Weasley e , em seguida , fechara se em o dormitório . Nunca uma tarde custara tanto a passar e nunca a torre de os Gryfffindor estivera tão cheia de gente e tão silenciosa . Fred e George foram para a cama quase a o pôr de o Sol , incapazes de ficar ali mais tempo . - Ela sabia qualquer coisa , Harry - disse o Ron , falando pela_primeira_vez desde_que tinham saído de o armário de a sala de os professores . - Por isso a levaram . Não era nenhuma parvoíce sobre o Percy , ela tinha descoberto qualquer coisa sobre a Câmara_dos_Segredos . Com certeza por isso é_que a ... - Ron esfregou os olhos , enervadíssimo . - Afinal ela era sangue puro , não pode haver outra explicação . Harry olhava para o sol que mergulhava de um vermelho cor de sangue em a linha de o horizonte . Era a pior coisa que lhe tinha acontecido . Se pelo_menos pudessem fazer alguma coisa . - Harry - disse o Ron . - Achas que há alguma possibilidade de ela não estar ... ? Sabes o que eu quero dizer . Harry não sabia que resposta dar . Não acreditava que a Ginny pudesse ainda estar viva . - Sabes uma coisa ? - disse o Ron . - Acho que devíamos ir ter com o Lockhart , contar lhe o que sabemos . Ele vai tentar entrar em a câmara , podemos dizer lhe onde achamos que fica a entrada e contar lhe que o monstro é um Basilisk . Como Harry não tinha nenhuma ideia melhor e como queria fazer alguma coisa , concordou . Os Gryffindor que os rodeavam estavam tão tristes e com tanta pena de os Weasley que ninguém tentou impedi os quando os viram levantar se , atravessar a sala e sair por o buraco de o retrato . A escuridão começava a instalar se quando chegaram a o escritório de Lockhart onde a actividade era muita . De o corredor ouvia se o ruído de coisas a serem deitadas fora , pancadas surdas e passos apressados . Harry bateu a a porta e houve um silêncio repentino . Em seguida abriu se uma fresta de a porta e viram um de os olhos de Lockhart a espreitar . - Oh ! ... Mr._Potter ... Mr._Weasley - disse entreabrindo a porta . - Estou um_pouco ocupado em este momento , se forem rápidos ... - Professor , nós temos informações para lhe dar - disse o Harry . - Acho que poderão ajudá o . - Er ... bem ... não é - o lado de a cara de Lockhart que conseguiam ver parecia muito pouco a a vontade . - Quer_dizer ... bem ... está bem . Abriu a porta e eles entraram . O escritório estava praticamente vazio . Em o chão estavam duas grandes malas abertas . Mantos verde-jade , lilás , azul-noite tinham sido apressadamente dobrados e guardados dentro_de uma de as malas . Os livros misturavam se todos dentro de a outra . As fotografias que antes cobriam as paredes estavam agora arrumadas em caixas , em cima de a secretária . - Vai a algum lado ? - perguntou Harry . - Er ... bem ... sim - disse Lockhart , arrancando de a porta um poster seu em tamanho natural , enquanto falava , e começando a enrolá o . - Uma chamada urgente ... inevitável ... tenho que ir . - E a minha irmã ? - perguntou o Ron bruscamente . - Bem , quanto_a isso foi uma pena - disse Lockhart , evitando olhá os em os olhos , abrindo uma gaveta e começando a despejar o seu conteúdo dentro_de um saco . - Ninguém lamenta mais do_que eu ... - O senhor é o professor de Defesa contra as artes negras - disse Harry . - Não pode ir se embora agora_que todas estas coisas de magia negra estão a acontecer aqui . - Bem , devo dizer te que ... quando aceitei o lugar ... - resmungou Lockhart , empilhando soquetes sobre os mantos - nada em a descrição de o meu trabalho fazia prever ... - Quer_dizer que vai fugir ? - perguntou Harry , incrédulo . - Depois de todas_as coisas que conta em os seus livros ? - Os livros podem ser enganadores - disse Lockhart delicadamente . - Mas foi o senhor que os escreveu - gritou Harry . - Meu rapaz - disse Lockhart , endireitando se e franzindo as sobrancelhas - usa o senso comum . Os meus livros não teriam vendido metade do_que venderam se as pessoas não acreditassem que eu tinha feito todas aquelas coisas . Ninguém está interessado em ler sobre um velho feiticeiro americano mesmo_que ele tenha salvo uma cidade inteira de os lobisomens , ficaria péssimo em a capa . E a bruxa que correu com a fada carpideira tinha um lábio leporino . Como vês . - Quer_dizer que ficou com os louros por tudo_o_que uma série de outras pessoas fizeram ? - perguntou Harry , sem querer acreditar . - Harry , Harry - disse Lockhart , abanando impacientemente a cabeça . - Não é tão simples assim . Envolveu muito trabalho . Tive de localizar todas essas pessoas , perguntar lhes em pormenor como tinham feito as coisas . Depois tive de lhes fazer um feitiço antimemória para que não voltassem a lembrar se do_que tinham feito . Se há uma coisa de que me orgulho é de os meus feitiços antimemória . Não , tive muito trabalho , Harry . Não foram só as sessões de autógrafos e as fotografias , sabes ? Quem quer ser famoso tem de estar preparado para um trabalho longo e fatigante . Fechou as malas a a chave . - Vejamos - disse . - Acho que está tudo . Sim , só falta uma coisa . - Empunhou a varinha e voltou se para eles . - Lamento muito , rapazes , mas vou ter de vos fazer um feitiço antimemória . Não posso deixar que vão por aí repetir os meus segredos . Não venderia nem mais um livro . Harry pegou em a varinha mesmo a tempo e Lockhart mal tinha levantado a de ele a o ar quando Harry gritou * _ Expelliarmus ! * Lockhart foi projectado de costas , indo cair em cima de a mala . A varinha voou por os ares . Ron agarrou a e atirou a por a janela aberta . - Não devia ter deixado o professor Snape ensinar nos esta - disse Harry furioso , dando um pontapé a uma de as malas . Lockhart olhava para ele , de_novo escanzelado . Harry apontava lhe a varinha . - O que queres que eu faça ? - perguntou debilmente . - Eu não sei onde fica a Câmara_dos_Segredos . Não posso fazer nada . - Está com sorte - disse Harry , forçando o com a varinha a pôr se de pé . - Nós julgamos saber onde é e o que está lá dentro . Vamos . Conduziram Lockhart para fora de o seu escritório , desceram com ele as escadas e seguiram por o corredor escuro em cuja parede brilhavam as mensagens , até a a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mandaram Lockhart a a frente . Harry gostou de ver que todo ele tremia . A Murta_Queixosa estava sentada em a cisterna de o cubículo de o fundo . - Ah ! são vocês - disse a o ver o Harry . - O que querem agora ? - Perguntar te como morreste - disse Harry . O aspecto de a Murta mudou por completo . Parecia que nunca lhe tinham feito uma pergunta tão lisonjeira . - Ooooh ! Foi horrível - disse satisfeita . - Aconteceu aqui mesmo . Morri em este cubículo . Lembro me tão bem . Estava escondida porque a Olive_Hornby andava a implicar comigo por causa de os meus óculos . A porta estava fechada e eu estava a chorar e , então , ouvi alguém entrar . Disseram qualquer coisa estranha em uma língua diferente , acho eu . Mas o que mais me espantou foi o ser um rapaz a falar . Por isso , abri a porta para lhe dizer que fosse a a casa_de_banho de eles e em esse momento - a Murta inchou com ar importante , o rosto a brilhar - morri . - Como ? - perguntou Harry . - Não faço ideia - disse a Murta em um tom de voz abafado . - Só me lembro de ver dois grandes olhos amarelos , de o meu corpo ficar preso e em seguida , sentir me a flutuar ... - olhou sonhadoramente para Harry . - E depois voltei . Estava disposta a vingar me de a Olive_Hornby , percebes ? Ela ia arrepender se de ter gozado com os meus óculos . - Onde foi exactamente que viste os tais olhos ? - perguntou Harry . - Algures por aí - disse a Murta , apontando vagamente para o lavatório em frente de o seu cubículo . Harry e Ron apressaram se . Lockhart estava de pé , mais atrás , com uma expressão de pavor em o rosto . O lavatório parecia perfeitamente vulgar . Examinaram o centímetro a centímetro , dentro e fora , incluindo os canos por baixo . E foi então que Harry reparou : de lado , rabiscada em uma de as torneiras de cobre , estava uma cobra pequenina . - Essa torneira nunca funcionou - disse vivamente a Murta enquanto ele tentava abri a . - Harry - sugeriu o Ron . - Diz qualquer coisa em * serpentês * . Mas , pensou Harry , as únicas vezes que conseguira falar * serpentês * tinham ocorrido quando confrontado com uma verdadeira serpente . Olhou , concentrado para a pequena cobra gravada em o cobre , tentando imaginá a como verdadeira . - Abre te - disse . Olhou para o Ron que abanou a cabeça . - Inglês - disse ele . Harry voltou a olhar para a cobra , forçando se a acreditar que estava viva . A luz de a vela fez parecer que se movia . - Abre te - repetiu . Mas desta_vez as palavras não foram o que ele ouviu . Um estranho sibilar escapou lhe de a boca e a torneira ganhou uma luz branca e brilhante e começou a rodar . Logo_a_seguir o lavatório mexeu se . Afastou se , melhor dizendo , saiu de o caminho , deixando um grande cano a a vista , um cano onde cabia um homem . Harry ouviu a respiração arquejante de o Ron e olhou de_novo para ele . Já decidira o que queria fazer . - Vou descer - disse . Não podia deixar de ir , agora_que acabavam de descobrir a entrada para a câmara , existindo uma possibilidade , por mais remota que fosse , de a Ginny ainda estar viva . - Eu também - disse o Ron . Houve uma pausa . - Bem , parece que não precisam mais de mim - apressou se Lockhart a dizer com uma réstia de sorriso . - Eu vou . . . Pôs a mão em o puxador de a porta mas Ron e Harry apontaram lhe ambos as varinhas . -- O senhor pode ir a a frente - disse rispidamente o Ron . Pálido e sem varinha , Lockhart aproximou se de a entrada . - Meus rapazes - disse em uma voz débil . - Meus rapazes , para quê tudo_isto ? Harry tocou lhe em as costas com a varinha e ele meteu as pernas em o cano . - Eu não me parece que ... - começou a dizer , mas o Ron deu lhe um empurrão e ele desapareceu por o cano abaixo . Harry foi rapidamente atrás . Introduziu se lentamente e deixou se cair . Era como escorregar em uma pista escura e interminável . Ele via outros canos , estendendo se em todas_as direcções mas nenhum tão largo como o de eles que se torcia e virava , inclinando se abruptamente . Harry sabia que estavam a chegar a um ponto muito abaixo de a escola e de os calabouços . Atrás_de si , ouvia o Ron gemendo em cada curva . E então , quando começava a preocupar se com o que iria acontecer quando tocassem em o chão , o cano tornou se horizontal e ele foi projectado com um ruído surdo , indo aterrar em o chão húmido de um túnel de pedra com altura suficiente para ele se pôr de pé . Lockhart estava a levantar se a alguma distancia , todo enlameado e pálido como um fantasma . Harry afastou se para deixar o Ron sair também de o cano . - Devemos estar quilómetros e quilómetros abaixo de a escola - disse o Harry cuja voz ecoou em o túnel negro . - Talvez até debaixo de o lago - arriscou o Ron , olhando em volta para as paredes escuras e viscosas . Voltaram se os três para olhar para a escuridão lá a o fundo . - * _ Lumus ! * - murmurou Harry a a varinha e ela voltou a acender se . - Vamos - disse a o Ron e a o Lockhart e avançaram , os passos a chapinharem ruidosamente em o chão molhado . O túnel era tão escuro que só conseguiam ver alguns centímetros a a frente . As suas sombras em as paredes molhadas pareciam monstruosas a a luz de a varinha . - Lembrem se - disse Harry baixinho enquanto caminhavam . - A o menor movimento fechem logo os olhos ... Mas o túnel era silencioso como um túmulo e o primeiro som inesperado que ouviram foi um grito de o Ron que escorregou em uma coisa que era afinal a cauda de um rato . Harry baixou a varinha para olhar para o chão e viu que estava cheio de pequenos ossos de animais . Fazendo um enorme esforço para evitar pensar em que estado iriam encontrar a Ginny , avançou até uma curva escura de o túnel . - Harry , está aqui qualquer coisa - disse o Ron com voz rouca , agarrando Harry por o ombro . Ficaram estáticos a olhar . Harry só conseguia ver a silhueta de algo enorme e curvo deitado em o túnel . Fosse o que fosse não se movia . - Talvez esteja a dormir - murmurou , olhando para os outros dois . Lockhart tapava os olhos com as mãos . Harry voltou se para olhar para a criatura com o coração a bater tanto que lhe doía em o peito . Lentamente , com os olhos quase fechados mas ainda conseguindo ver , Harry avançou com a varinha levantada . A luz deslizou sobre uma gigantesca pele de serpente , de um verde vivo e venenoso que estava vazia e enrolada em o chão de o túnel . A criatura que a abandonara devia ter , pelo_menos , seis metros e meio de comprimento . - Bolas - disse o Ron , perdendo as forças . Houve um movimento súbito atrás de eles . As pernas de Gilderoy_Lockhart cederam . - Levante se - disse o Ron de uma forma cortante , apontando lhe a varinha . Lockhart pôs se de pé . Em seguida empurrou o Ron , atirando o a o chão . Harry deu um salto , mas ... tarde de mais . Lockhart endireitava se com a varinha de o Ron em as mãos e um sorriso em o rosto . - A aventura acaba aqui , rapazes - disse . - Vou levar um bocado de esta pele de cobra para a escola , contar lhes que foi demasiado tarde para salvar a garota e que vocês os dois perderam tragicamente a memória com a visão de o seu corpinho mutilado . Digam adeus a as vossas recordações . Levantou a o ar a varinha avariada de o Ron e gritou * _ Obliviate ! * A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba . Harry pôs os braços sobre a cabeça e correu , escorregou em os anéis de a pele de cobra , afastando se de os grandes pedaços de tecto de o túnel que caíam em o chão com o ruído de trovões . Pouco depois estava sozinho , olhando para uma sólida parede de rocha partida . - Ron - gritou ele . - Estás bem , Ron ? - Estou aqui - respondeu a voz abafada de o Ron por detrás de a avalancha de rochas . - Eu estou bem mas este sujeito não . A varinha avariou o todo . Ouviu se um ruído surdo e um Oh ! gritado . Parecia que o Ron tinha acabado de dar a o Lockhart um pontapé em as canelas . - E agora ? - disse a voz de o Ron que parecia desesperada . - Não podemos passar , vai demorar séculos . Harry olhou para o tecto de o túnel onde tinham aparecido grandes fendas . Ele nunca tentara partir , através de a magia , nada tão grande como aquelas rochas e agora não lhe parecia ser o melhor momento para fazer experiências . E se o túnel abatesse ? Houve um ruído surdo e outro Oh ! atrás de as rochas . Estavam a perder tempo . A Ginny já estava havia duas horas em a Câmara_dos_Segredos . Harry sabia que só havia uma coisa a fazer . - Espera aqui - gritou a o Ron . - Fica com o Lockhart , eu vou lá . Se não voltar dentro_de uma hora ... Houve um silêncio cheio . - Eu vou ver se desloco um_pouco esta rocha - disse o Ron , tentando manter a voz firme . - Para tu poderes passar . E , Harry ... - Até já - disse o Harry , procurando injectar confiança em a sua voz trémula . E passou sozinho para lá de a imensa pele de serpente . Em_breve , o ruído de o Ron , tentando deslocar a rocha , deixou de se ouvir . O túnel virou uma e outra_vez . Os nervos de o corpo de o Harry tangiam de forma desagradável . Ele só queria que o túnel chegasse a o fim , fosse o que fosse que o aguardasse . E então , finalmente , quando atingiu a última curva , viu em a sua frente uma parede sólida que tinha gravadas duas serpentes enroladas uma em a outra , cujos olhos eram quatro esmeraldas , enormes e brilhantes . Harry aproximou se com a garganta seca . Não foi preciso imaginar que as serpentes eram autênticas . Os seus olhos pareciam estranhamente vivos . Foi fácil descobrir o que tinha de fazer . Pigarreou e os olhos de esmeraldas pareceram mexer se . - Abre te - disse Harry em um sibilar baixo . As serpentes desapareceram enquanto a parede se abria a o meio e , a tremer de os pés a a cabeça , Harry entrou . XVII_Herdeiro_de_Slytherin_Estava de pé em o fundo de uma divisão enorme , fracamente iluminada . Altíssimos pilares de pedra , cheios de serpentes gravadas que os enlaçavam , erguiam se , suportando um tecto que se perdia em a escuridão e que lançava sombras negras imensas através de a estranha luz esverdeada que enchia o local . Com o coração a bater descompassadamente , Harry ficou parado a ouvir aquele silêncio arrepiante . Estaria o Basilisk escondido em um canto cheio de sombras , atrás_de algum pilar ? E onde estaria Ginny ? Pegou em a varinha e avançou a o longo de as colunas serpenteantes . Cada_um de os seus passos provocava um enorme eco em as paredes sombrias . Harry tinha os olhos semicerrados e estava pronto para os fechar a o mais pequeno movimento . As órbitas de olhos fundos de as serpentes de pedra pareciam segui o . Por mais de uma_vez , com o estômago a dar um salto , Harry julgou vê os moverem se . Por fim , chegado a o nível de os dois últimos pilares , avistou uma estátua de a altura de a própria câmara que estava encostada a a parede de o fundo . Harry tinha de esticar o pescoço para olhar para_cima , para a cara de o gigante : era velho e com um ar simiesco , tinha uma barba enorme que lhe caía quase onde acabava a longa túnica de pedra . Os dois pés imensos e cinzentos pousavam em o chão de a câmara . E entre eles , voltada para baixo , estava uma figura pequenina vestida de preto com um cabelo flamejante . - Ginny - murmurou Harry , chegando perto de ela e ajoelhando se . - Ginny , por favor não estejas morta , não estejas morta ! Atirou a varinha para o lado , agarrou Ginny por os ombros e voltou a . O rosto de ela estava branco e frio como o mármore , contudo os olhos encontravam se fechados , portanto não estava petrificada . Mas então devia estar ... - Ginny , acorda por favor - repetiu Harry desesperado , sacudindo a . A cabeça de ela andava de um lado para o outro . - Ela não vai acordar - disse secamente uma voz . Harry deu um salto e girou sobre os joelhos . Um rapaz alto , de cabelo preto , estava encostado a o pilar mais próximo , a observá o . As sombras desfocavam o como_se Harry o visse através_de uma janela embaciada . Mas não havia como confundis o . - Tom , Tom_Riddle ? Riddle acenou , sem tirar os olhos de o rosto de Harry . - O que queres dizer com isso de ela não acordar ? - perguntou Harry desesperado . - Ela não está ... não está ? - Está viva - disse Riddle . - Mas , por um fio . Harry olhou fixamente para ele . Tom_Riddle estivera em Hogwarts há cinquenta anos atrás . Contudo , ali estava com uma luz estranha e desfocada a iluminá o , sem um dia a mais do_que os seus dezasseis anos . - És um fantasma ? - perguntou Harry . - Uma memória - disse Riddle . - Preservada em um diário durante cinquenta anos . Apontou para os pés de a estátua gigantesca . Ali , aberto em o chão , estava o pequeno diário de capa preta que Harry tinha encontrado em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Durante um segundo , Harry perguntou a si próprio como teria ido ali parar , mas havia coisas mais importantes a fazer . Preciso de a tua ajuda , Tom - disse Harry , levantando de_novo a cabeça de a Ginny . - Temos de sair de aqui . Há_um_Basilisk ... não sei onde está mas pode aparecer a qualquer momento . Por favor , ajuda me . Riddle não se mexeu . Harry , a transpirar , conseguiu levantar ligeiramente a Ginny de o solo e inclinou se para pegar em a varinha mas ela tinha desaparecido . - Viste a ... ? Olhou para_cima . Riddle continuava a olhá o , fazendo girar a varinha entre os dedos longos . - Obrigado - disse Harry , esticando o braço para a agarrar . Um sorriso surgiu então em os cantos de a boca de Riddle que continuou a olhar para ele , girando indolentemente a varinha . - Ouve , pá - disse Harry sem querer perder mais tempo , os joelhos a vergarem sob o peso morto de Ginny - temos de ir . Se o Basilisk aparece ... - Ele não vem enquanto não for chamado - disse Riddle com toda_a calma . Harry voltou a pousar Ginny em o chão , incapaz de a segurar por mais tempo . - Que queres dizer com isso ? - perguntou . - Dá me a minha varinha , posso precisar de ela . O sorriso de Riddle ampliou se . - Não vais precisar de ela - disse . Harry olhou o espantado . - O que queres dizer , não vou ? - Esperei muito_tempo por isto , Harry - disse Riddle . - Pela possibilidade de te ver , de falar contigo . - Olha , eu acho que tu não estás a perceber - disse Harry , perdendo a paciência . - Estamos em a Câmara_dos_Segredos , podemos conversar mais tarde . - Vamos conversar agora - disse Riddle , sorrindo de orelha a orelha e guardando a varinha de Harry em o bolso . Harry voltou a olhar para ele . Havia qualquer coisa de muito estranho em tudo aquilo . - Como é_que a Ginny ficou assim ? - perguntou pausadamente . - Bem , essa é uma pergunta interessante - disse Riddle , divertido . - E uma longa história , também . Julgo que o verdadeiro motivo que levou Ginny_Weasley a ficar assim foi o ter aberto o seu coração e revelado todos os seus segredos a um estranho ser invisível . - De quem estás a falar ? - perguntou Harry . - De o diário - disse Riddle . - De o meu diário . A Ginny escreve nele há meses e meses , contando me todas_as suas lamentáveis desgraças e atribulações : como os irmãos a arreliam , que teve de vir para a escola com manto , túnica e livros em segunda mão - os olhos de Riddle brilharam -- , que acha que o maravilhoso , o grande , o famoso Harry_Potter nunca vai gostar de ela ... Enquanto falava , nunca os olhos de Riddle se afastaram de a cara de o Harry . Havia em eles um olhar ávido . - É muito chato ter de ouvir as preocupações idiotas de uma garotinha de onze anos - prosseguiu . - Mas eu fui paciente . Respondi lhe , mostrei me simpático e amável . A Ginny pura e simplesmente adorou me . - * _ Nunca ninguém me compreendeu como tu , Tom ... estou tão feliz por ter este diário a quem me confiar ... é como ter um amigo que pode andar em o meu bolso * ... Riddle riu se . Um riso alto , frio , que não lhe ficava bem . Fez com que os cabelos de o pescoço de Harry se arrepiassem todos . - Verdade se diga que sempre consegui encantar as pessoas necessárias . Portanto a Ginny verteu em mim a sua alma e a alma de ela era precisamente o que eu queria . Fortaleceu me . Alimentei me de os seus medos mais profundos , de os seus mais obscuros segredos . Fui ficando cada_vez_mais forte e poderoso . Muito mais poderoso do_que a pequena Miss_Weasley até que comecei a transmitir lhe alguns de os meus segredos , a passar um_pouco de a minha alma para ela ... - O que queres dizer ? - perguntou Harry cuja boca ficara totalmente seca . - Ainda não descobriste , Harry_Potter ? - disse Riddle muito baixo . - Giony_Weasley abriu a Câmara_dos_Segredos , estrangulou os galos de a escola e escreveu mensagens assustadoras em as paredes . Atiçou a serpente de Slytherin contra quatro sangues de lama e contra o gato de o busca-pé . - Não - murmurou Harry . - Sim - disse calmamente Riddle . - É claro que a princípio não sabia o que estava a fazer . Era muito divertido . Gostava que visses as coisas que escreveu em o diário , começaram a ficar muito mais interessantes . * _ Querido_Tom * - recitou ele , olhando para a expressão horrorizada de o Harry . - * _ Acho que estou a perder a memória . Há penas de galo em todas_as minhas roupas e eu não sei como foram lá parar . Querido_Tom , não me lembro do_que fiz em a noite de o Hallowe'en mas foi atacada uma gata e eu estou cheia de tinta em a cara . Querido_Tom , o Percy não pára de me dizer que ando pálida e não pareço eu . Acho que ele suspeita de mim ... Houve outro ataque hoje e eu não sei onde estava . Tom , que vou eu fazer ? Acho que estou a ficar maluca ... acho que ando a atacar toda_a_gente , Tom ! * Harry tinha os punhos fechados , as unhas cravadas contra a palma de as mãos . - Levou muito_tempo até a pequenina estúpida deixar de confiar em o diário - disse Riddle . - Mas acabou por ficar desconfiada e tentou livrar se de ele . E é aí que tu entras , Harry . Tu encontraste o . E eu não poderia ter ficado mais satisfeito . De todas_as pessoas que poderiam ter ficado com ele , foste tu , aquele que eu ambicionava conhecer ... - E porque querias conhecer me ? - perguntou Harry . Começava a ser tomado por a raiva e fez um esforço para manter o tom de voz controlado . - Bem , a Ginny contou me tudo a teu respeito - disse Riddle . - A tua fascinante história . - Os seus olhos pousaram em a cicatriz em a testa de Harry e a sua expressão ganhou maior avidez . - Sabia que devia descobrir mais a teu respeito , falar te , encontrar me contigo se fosse possível . Por isso , para ganhar a tua confiança , resolvi mostrar te a famosa captura que fiz de aquele demente de o Hagrid . - O Hagrid é meu amigo - disse Harry já com a voz a tremer . - E tu tramaste o , não foi ? Pensei que tinha sido um engano , mas ... Ele riu se . O mesmo riso de antes . - Era a minha palavra contra a palavra de ele . Imagina a cara de o velho Armando_Dippet . De um lado Tom_Riddle , pobre mas brilhante , sem pais mas corajoso , prefeito de a escola , um modelo de aluno . De o outro lado , o Hagrid , grande e disparatado , arranjando problemas semana sim , semana não , tentando criar filhotes de lobisomens debaixo de a cama , escapando se para a floresta proibida para lutar com gigantes . Mas , devo admitir que até eu próprio fiquei admirado com os excelentes resultados de o meu plano . Pensei que alguém perceberia que o Hagrid nunca poderia ser o herdeiro de Slytherin . Demorei cinco anos inteirinhos até descobrir tudo_o_que me foi possível sobre a Câmara_dos_Segredos e a sua entrada secreta ... como_se o Hagrid tivesse cabeça ou poder ! - Só o professor de Transfiguração , Dumbledore , parecia achar que ele estava inocente . Convenceu Dippet a mantê o aqui e a treiná o como guarda de os campos . Sim , é natural que Dumbledore tenha adivinhado , nunca gostou de mim como os outros professores . - Aposto que Dumbledore viu através_de ti - disse Harry , de dentes cerrados . - Pelo_menos passou a vigiar me de perto , a partir de o momento em que o Hagrid foi expulso - disse Riddle descuidadamente . - Eu sabia que não era seguro voltar a abrir a câmara enquanto ainda estava em a escola mas não ia desperdiçar os longos anos que passara a pesquisar . Decidi , por isso , deixar um diário preservando em as suas páginas o meu ego de dezasseis anos para que um dia , com um_pouco de sorte , pudesse levar outro a seguir os meus passos e acabar o nobre trabalho de Salazar_Slytherin . - Bem , não o acabaste - disse Harry triunfante . - Ninguém morreu até agora , nem mesmo a gata . Dentro_de poucas horas a poção de mandrágoras estará pronta e todos os que foram petrificados voltarão de_novo a si . - Não acabei de te dizer que matar sangues de lama já não me interessa ? Há muitos meses que o meu alvo és tu . Harry olhou para ele . - Podes imaginar como fiquei furioso quando em outro dia o diário foi aberto e vi que era a Ginny quem estava a escrever e não tu . Ela viu te com o diário e entrou em pânico . E se tu descobrisses como trabalhar com ele e eu te repetisse todos os seus segredos ? Ainda pior , e se eu te contasse quem tinha andado a estrangular os galos ? Por isso , a grande palerma esperou que o teu dormitório estivesse deserto e foi lá roubá o . Mas eu sabia o que tinha de fazer . Estava muito claro para mim que a tua meta era o herdeiro de Slytherin . Por tudo_o_que a Ginny me contara a teu respeito , sabia que irias até onde fosse preciso para desvendar o mistério , principalmente se um de os teus melhores amigos tivesse sido atacado . E a Ginny disse me que a escola toda bichanava por tu falares * serpentês * ... Por isso , obriguei a Ginny a escrever a sua própria despedida em a parede , a vir até aqui e esperar . Ela debateu se e gritou e ficou muito chatinha . Mas , já não tem muita vida : pôs grande parte de ela em o diário , deu me a . O suficiente para eu abandonar , por fim , as suas páginas . Desde_que aqui cheguei que estou a a tua espera . Sabia que virias . Tenho muitas perguntas a fazer te , Harry_Potter . - Que perguntas ? - disse Harry com os punhos fechados . - Bem - prosseguiu Riddle , sorrindo de satisfação : - Como é_que um bebé sem especiais talentos de magia foi capaz de derrotar o maior feiticeiro de sempre ? Como conseguiste escapar só com uma cicatriz quando os poderes de Lord_Voldemort foram destruídos ? Havia agora em os seus olhos um brilho vermelho e irado . - O que é_que te interessa saber como eu escapei ? - disse Harry lentamente . - Voldemort veio depois de ti . - Voldemort - disse Riddle - é o meu passado , o meu presente e o meu futuro , Harry_Potter ... Tirou a varinha de o Harry de o bolso e começou a escrever em o ar três palavras brilhantes : TOM_MARVOLO_RIDDLE_Em seguida , fez um gesto com a varinha e as letras de o seu nome reagruparam se de outro modo . : __ eu sou lord __ voldemort ( I am Lord_Voldemort ) . - Vês ? - murmurou . - Era um nome que eu já usava em Hogwarts , para os meus amigos mais íntimos apenas , como é óbvio . Achas que ia usar para sempre o nome nojento de o meu pai Muggle ? Eu , em cujas veias , por o lado materno , corre o sangue de Salazar_Slytherin ? Eu , manter o nome de um Muggle tolo que me abandonou ainda antes de eu nascer só porque descobriu que a mulher com quem casara era uma bruxa ? Não , Harry , arranjei um novo nome , um nome que eu sabia que os feiticeiros de todo_o_mundo viriam um dia a ter medo de pronunciar , quando eu me tivesse tornado o maior feiticeiro de o mundo . A cabeça de Harry parecia bloqueada . Olhou como_que paralisado para Riddle , para o rapaz de o orfanato que depois de crescer iria matar os seus pais e tantos outros . Por fim , com algum esforço conseguiu falar . - Não és - disse em uma voz calma e cheia de ódio . - Não sou o quê ? - perguntou Riddle irritado . - Não és o maior feiticeiro de o mundo - disse Harry com a respiração acelerada . - Lamento desiludir te mas o maior feiticeiro de o mundo é Albus_Dumbledore . Toda_a_gente sabe . Mesmo tu , quando tinhas força , não ousavas tentar aproximar te de Hogwarts . Dumbledore viu através_de ti quando andavas em a escola e ainda agora te assusta onde quer que te escondas . O sorriso desaparecera de o rosto de Riddle , fora substituído por um olhar furioso . - Dumbledore foi afastado de este castelo por a minha simples memória - sibilou . - Ele não está tão longe como pensas - retorquiu Harry . Falava por falar , tentando assustar Riddle , desejando mais que assim fosse do_que acreditando em as suas palavras como uma verdade . Riddle abriu a boca mas não chegou a falar . Tinha começado a ouvir se uma música . Riddle deu uma volta , olhando para a câmara vazia . A música estava a ficar mais alta . Era misteriosa , arrepiante , sobrenatural . Fez_Harry ficar com os cabelos em pé e o coração aumentar lhe em o peito . Por fim , quando atingiu um ponto tão alto que Harry a sentiu vibrar dentro de as suas costelas , começaram a sair chamas de o topo de o pilar mais próximo . Uma ave carmesim de o tamanho de um cisne surgiu , assobiando a sua estranha melodia para o tecto em forma de abóbada . Tinha uma cauda dourada tão longa como a de um pavão e garras douradas e brilhantes que seguravam uma trouxa andrajosa . Segundos depois , a ave voava em direcção a Harry . Deixou cair a coisa andrajosa a os seus pés e pousou lhe pesadamente em o ombro . Quando abriu as enormes asas , Harry olhou para_cima e viu que tinha um longo bico afiado e olhos escuros pequenos e brilhantes . A ave parou de cantar . Ficou quieta junto de a cara de Harry , olhando fixamente para Riddle . - É uma fénix , disse Riddle , olhando sagazmente para ela . - Fawkes ? - murmurou Harry e sentiu as garras douradas apertarem lhe devagarinho o ombro . - E aquilo - disse Riddle , olhando para a coisa velha que Fawkes deixara em o chão - é o velho chapéu seleccionador , de a escola . Era , de facto . Amachucado , puído e sujo , o chapéu jazia imóvel a os pés de Harry . Riddle começou a rir . Riu se tanto que a câmara escura se lhe juntou em um eco tal que parecia que dez Riddles se riam ao_mesmo_tempo . - Eis o que Dumbledore envia a o seu defensor . Um pássaro que canta e um chapéu velho . Estás cheio de coragem , Harry_Potter ? Sentes te agora mais seguro ? Harry não respondeu . Podia não estar a ver a vantagem de a Fawkes ou de o chapéu seleccionador mas já não se sentia só , e esperou corajosamente que Riddle parasse de rir . - Vamos a o que importa , Harry - disse ele , ainda com um enorme sorriso . - Encontrámo nos duas vezes em o teu passado , em o meu futuro . E duas vezes falhei a o tentar matar te . Como foi que sobreviveste ? Conta me tudo . Quanto_mais falares , mais tempo tens de vida . Harry pensava rapidamente , medindo as suas possibilidades . Riddle tinha a varinha . Ele , Harry , tinha a Fawkes e o chapéu seleccionador que não lhe serviriam de muito em o combate . As coisas pareciam más , é certo . Mas quanto_mais tempo Riddle ali estivesse , mais vida retirava a a Ginny ... e , entretanto , Harry reparou que a silhueta de Riddle se tornava mais nítida , mais sólida . Se tinha de haver uma luta entre os dois , quanto_mais depressa melhor . - Ninguém sabe porque perdeste os poderes quando me atacaste - disse bruscamente . - Eu próprio não sei . Mas sei porque não conseguiste matar me . A minha mãe morreu para me salvar . A minha mãe , uma vulgar filha de Muggles - acrescentou , a tremer de raiva . - Ela impediu que tu me matasses . E eu vi te como tu és , em o ano passado . És um destroço , quase não existes . Foi onde o teu poder te levou . Estás sob um disfarce , és horrível e és louco . O rosto de Riddle contorceu se . Em seguida , forçou um sorriso pavoroso . - Quer_dizer , então , que a tua mãe morreu para te salvar . Sim , é um antifeitiço poderoso . Compreendo agora , afinal não há em ti nada de especial . Eu tinha curiosidade , sabes , porque há uma estranha semelhança entre nós , Harry_Potter . Até tu deves ter reparado . Somos ambos meio sangue , órfãos , educados com Muggles , provavelmente os dois únicos que falam * serpentês * desde o grande Slytherin , até nos parecemos um_pouco fisicamente ... mas afinal foi apenas uma questão de sorte que te salvou de mim . Era o que eu queria saber . Harry ficou parado , tenso , a a espera que Riddle levantasse a varinha mas o seu sorriso cínico ampliou se de_novo . - Agora , Harry , vou dar te uma pequena lição . Vamos confrontar os poderes de Lord_Voldemort , herdeiro de Salazar_Slytherin e de o famoso Harry_Potter , munido com as melhores armas que Dumbledore lhe deu . Lançou um olhar divertido a a Fawkes e a o chapéu seleccionador e , em seguida , afastou se . Harry com as pernas entorpecidas por o medo viu o parar entre dois pilares altos e olhar para a cara de pedra de Slytherin , lá em cima em a semi-obscuridade . Riddle abriu a boca e sibilou mas Harry compreendeu o que ele dizia . - * _ Responde-me , Slytherin , o maior de os quatro de Hogwarts * . Harry voltou se para olhar melhor para a estátua com Fawkes pousada em o ombro . A gigantesca cara de pedra de Slytherin movia se . Horrorizado , Harry viu a boca abrir se mais e mais até se transformar em um buraco negro . E algo se agitava dentro de a boca de a estátua . Algo se arrastava para fora de as suas entranhas . Harry recuou até a a parede escura de a câmara e enquanto fechava os olhos com força sentiu a asa de a Fawkes roçar lhe o rosto e levantar voo . Harry quis gritar : - Não me abandones ! - mas que possibilidades tinha uma fénix contra o rei de as serpentes ? Uma coisa enorme bateu em o chão de pedra que Harry sentiu estremecer . Sabia o que estava a acontecer , podia sentis o , quase podia ver a serpente gigantesca a sair de a boca de Slytherin . Foi então que ouviu a voz de Riddle sibilar : * _ Mata-o * . O Basilisk avançava em direcção a Harry . Ele ouvia o seu corpo enorme escorregar pesadamente por o chão cheio de pó . Com os olhos sempre fechados , Harry começou a correr para o lado , a as cegas , com as mãos abertas a tactear o caminho . Riddle ria se a as gargalhadas . Harry escorregou e caiu em o chão de pedra e a boca soube lhe a sangue . A serpente estava a poucos centímetros de ele . Podia ouvi a a aproximar se . Ouviu se um crepitar explosivo por cima de ele e alguma coisa pesada bateu lhe com tanta força que ele ficou encostado a a parede . Esperando que os dentes de a serpente lhe perfurassem o corpo , ouviu mais ruídos e qualquer coisa que se agitava com força contra os pilares . Não conseguiu evitar . Abriu bem os olhos para ver o que se passava . A enorme serpente , brilhante , de um verde veneno , espessa como o tronco de um carvalho , erguera se em o ar e a sua imensa cabeça agitava se de um lado para o outro , entre os dois pilares . Quando Harry , a tremer , se preparava para fechar de_novo os olhos , percebeu o que distraíra a cobra . Fawkes esvoaçava em volta de a sua cabeça e o Basilisk , furioso , tentava agarrá a com os dentes longos e afiados como sabres . Fawkes mergulhava . Harry deixou de ver o bico fino e dourado e uma brusca chuva de sangue escuro inundou o chão . A cauda de a serpente agitou se , não batendo em o Harry por_pouco e antes que ele pudesse fechar os olhos voltou se . Harry olhou lhe para a cara e viu que os seus olhos , os dois olhos amarelos e bolbosos tinham sido perfurados por a fénix . O sangue escorria por o chão e a serpente cuspia cheia de dores . - * _ Não * - Harry ouviu o grito de Riddle . - * _ Deixa a ave , deixa a ave , o rapaz está atrás_de ti , ainda podes cheirá o . Mata o ! * A serpente cega oscilou confusa , ainda em fúria . Fawkes andava a a volta de a cabeça de ela soprando a sua misteriosa cantilena , picando lhe aqui_e_ali o nariz cheio de escamas , enquanto o sangue jorrava de os seus olhos destruídos . - Ajudem me . Ajudem me - murmurava Harry aflito . - Alguém , ajude me . A cauda de a serpente chicoteou de_novo o chão . Harry baixou se . Algo macio tocou lhe em o rosto . O Basilisk lançara o chapéu seleccionador para os braços de o Harry que o agarrou . Era tudo_o_que tinha , a sua única esperança . Enfiou o em a cabeça e começou a ficar achatado contra o chão , enquanto a cauda de o Basilisk se lançava de_novo sobre ele . - Ajudem me , ajudem me - pensou Harry , os olhos comprimidos debaixo de o chapéu . - Por favor , ajudem me . Nenhuma voz lhe respondeu . Em vez de isso , o chapéu contraiu se como_se uma mão invisível o tivesse espalmado devagarinho . Alguma coisa muito dura e pesada caíra sobre a cabeça de Harry , conseguindo quase derrubá o . A ver estrelas em frente de os olhos , agarrou o chapéu para o puxar para baixo e sentiu lá dentro uma coisa longa e dura . Uma espada brilhante tinha surgido dentro de o chapéu . Tinha um cabo cravejado de rubis de o tamanho de pequenos ovos . - Mata o rapaz , deixa a ave . O rapaz está atrás_de ti . Cheira o ! Harry estava de pé , preparado . A cabeça de o Basilisk caía , o corpo serpenteava , batendo nos pilares quando se torcia para ficar de frente para ele . Harry podia ver as enormes órbitas ensanguentadas , a boca toda aberta , suficientemente grande para o engolir inteiro , munida de dentes tão longos como a sua espada , finos , brilhantes , venenosos ... Começou a atacar a as cegas . Harry baixou se e a serpente bateu em a parede de a câmara . Atacou de_novo e a sua língua bifurcada lambeu a parede ao_lado_de Harry que levantou a espada com ambas as mãos . O Basilisk investiu mais_uma_vez e agora a pontaria foi certa . Harry pôs todo o seu peso contra a espada e enterrou a até a os copos em o céu de a boca de a serpente . Mas quando o sangue quente lhe encheu os braços , sentiu uma dor aguda mesmo acima de o cotovelo . Um longo dente venenoso penetrava cada_vez_mais fundo em o seu braço , partindo se quando o Basilisk tombou para o lado , perdendo os sentidos . Harry escorregou a o longo de a parede , apertou com força o dente que estava a derramar veneno por todo o seu corpo e arrancou o de o braço . Mas sabia que era demasiado tarde . Uma dor quente emanava lenta e perseverantemente de a ferida . Quando deixou cair o dente e viu o seu próprio sangue manchando lhe as vestes , a vista começou a ficar turva e a câmara a diluir se em uma rotação ardente e colorida . Mas algo escarlate passou por ele e Harry ouviu a o seu lado um suave ruído de garras . - Fawkes - disse com a voz empastada . - Foste sensacional , Fawkes . - Sentiu o pássaro encostar a sua elegante cabeça a o sítio onde o dente de a serpente o tinha ferido . Ouviu passos ecoarem em o vazio e em seguida uma sombra escura moveu se em a sua frente . - Estás morto , Harry_Potter - disse a voz de Riddle , acima de ele . - Morto . Até o pássaro de Dumbledore sabe de isso . Vês o que ele está a fazer ? A chorar . Harry piscou os olhos . A cabeça de Fawkes ora estava focada , ora desfocada . Lágrimas grossas como pérolas escorriam de as suas penas . - Vou sentar me aqui a ver te morrer , Harry_Potter . Leva o teu tempo , eu não tenho pressa . Harry sentiu se sonolento . Tudo parecia girar a a sua volta . - E assim acaba o famoso Harry_Potter - disse a voz distante de Riddle . - Sozinho em a Câmara_dos_Segredos , esquecido por os amigos , finalmente derrotado por o Senhor de o mal que ele tão imprudentemente desafiou . Vais reunir te a a tua querida mãe sangue de lama , Harry ... Ela deu te doze anos de tempo emprestado ... Mas Lord_Voldemort apanhou te em o fim , como sabias que teria de acontecer . Se morrer é isto , pensou Harry , não é assim tão mau . Até a dor estava a desaparecer . Mas , estaria a morrer ? Em_vez_de ficar mais escura a câmara parecia voltar a estar nítida . Harry fez um pequeno gesto com a cabeça e viu a Fawkes ainda repousando a cabeça em o seu ombro . Uma fiada de pérolas brilhava em volta de a ferida , só que já não havia ferida . - Sai de aqui , pássaro - disse subitamente a voz de Riddle . - Afasta te de ele . Já te disse , sai de aqui ! Harry levantou a cabeça . Riddle apontava a sua varinha a Fawkes . Ouviu se um tiro que parecia de carabina e Fawkes levantou novamente voo em um rodopio de ouro e escarlate . - Lágrimas de fénix - disse Riddle em voz baixa , olhando para o braço de o Harry . - É claro ... poderes curativos ... esqueci me ... Olhou para a cara de Harry . - Mas não faz mal . Pensando bem , eu até prefiro assim . Tu e eu , Harry_Potter ... Tu e eu ... Levantou a varinha . Então , em um golpe de asa , Fawkes voou sobre as cabeças de ambos , deixando cair uma coisa em o colo de Harry : o diário . Durante uma fracção de segundo , tanto Harry como Riddle , ainda com a varinha levantada , ficaram a olhar para aquilo . Em seguida , sem pensar , sem ponderar , como_se pensasse fazê o desde o princípio , Harry agarrou o dente de o Basilisk que estava em o chão , junto de ele , e espetou o em o coração de o caderno . Ouviu se um grito longo e terrível . A tinta esguichou em torrentes de dentro de o diário , derramando se sobre as mãos de o Harry e inundando o chão . Riddle torcia se e contorcia se , agitando se a os gritos . E , por fim . Desapareceu . A varinha de Harry caiu a o chão com um ruído e fez se silêncio . Um silêncio apenas cortado por o ping ping de a tinta que ainda escorria de o diário . Com um leve crepitar , o veneno de o Basilisk abrira um buraco mesmo em o meio de o caderno . A tremer de os pés a a cabeça , Harry pôs se de pé . Sentia tudo a andar a a roda como_se tivesse viajado quilómetros e quilómetros com o pó de * _ Floo * . Lentamente apanhou a varinha e o chapéu seleccionador e com um grande estrondo retirou a espada de o céu de a boca de a serpente . Ouviu se então um gemido fraco a o fundo de a câmara . Ginny estava a mexer se . Quando Harry chegou junto de ela , sentou se . Os seus olhos abismados saltaram de o Basilisk morto para Harry em a sua roupa cheia de sangue e , em seguida , para o diário que ele tinha em as mãos . Soltou um enorme soluço e os seus olhos encheram se de lágrimas . - Harry , oh ! Harry , eu tentei dizer te a o pequeno-almoço mas não fui capaz em frente de o Percy . Era eu , Harry , mas eu ... eu ... juro que não queria ... o Riddle obrigou me , levou me e ... como é_que mataste esse bicho ? Onde está o Riddle ? A última coisa de que me lembro foi de o ver a sair de o diário ... - Está tudo bem - disse Harry , mostrando lhe o diário com o buraco de o dente . - O Riddle acabou , olha . Ele e o Basilisk . Anda , Ginny , vamos embora de aqui . - Vou com certeza ser expulsa - disse Ginny a chorar enquanto Harry a ajudava a pôr se de pé . - Desde_que o Bill veio para Hogwarts que eu sonhava vir também para cá e agora vou ter de me ir embora e ... O que vão a minha mãe e o meu pai dizer ? Fawkes esperava por eles , suspensa em o ar , a a entrada de a câmara . Harry fez a Ginny avançar , passaram sobre os anéis parados de o Basilisk , por a escuridão cheia de ecos e voltaram a o túnel . Harry ouviu as portas de pedra fecharem se atrás de eles com um leve sibilar . Depois de alguns minutos a caminhar por o túnel escuro , chegou a os ouvidos de Harry o som distante de o deslocar de uma rocha . - Ron - gritou ele , apressando se . - A Ginny está bem . Está aqui comigo ! Ouviu o Ron gritar de alegria e , voltando em a curva logo_a_seguir , viram a sua cara ansiosa a espreitar por a fresta que conseguira abrir durante a avalancha . - Ginny ! - Ron estendeu o braço por a fresta para a puxar primeiro . - Estás viva . Não posso acreditar . O que aconteceu ? Tentou abraçá a mas a Ginny afastou o , soluçando . - Mas estás bem , Ginny - disse o Ron , sorrindo para ela . - Já passou tudo ... De onde veio esse pássaro ? Fawkes passara por a abertura , atrás_de Ginny . - É de o Dumbledore - explicou Harry , espremendo se para caber também . - E como arranjaste uma espada ? - perguntou o Ron , olhando para a arma brilhante que Harry tinha em a mão . - Eu explico te tudo quando sairmos de aqui - disse Harry , lançando um olhar de esguelha a a Ginny . - Mas ... - Mais tarde - disse Harry rapidamente . Não lhe parecia uma boa ideia contar a o Ron quem tinha aberto a câmara , ali , em frente de a Ginny . - Onde está o Lockhart ? - Ali atrás - disse o Ron , a rir e a abanar a cabeça em direcção a o cano . - Está em muito mau estado . Anda ver . Conduzidos_pela_Fawkes , cujas grandes asas escarlates emitiam um suave dourado que brilhava em a escuridão , voltaram a o lugar onde o cano começava . Gilderoy_Lockhart estava sentado a falar sozinho . - Perdeu a memória - disse o Ron . - O feitiço de a memória fez ricochete . Não sabe quem é nem onde está , nem_sequer sabe quem nós somos . Eu disse lhe que viesse para aqui e esperasse . É um perigo para ele próprio . Lockhart olhou os bem-disposto . - Olá - disse . - Que lugar estranho , este . É aqui que vocês moram ? -- Não - respondeu o Ron , levantando as sobrancelhas para o Harry . Harry baixou se e observou o túnel escuro e longo . - Já pensaste como é_que vamos sair de aqui ? - perguntou a o Ron . O amigo abanou a cabeça mas Fawkes , a fénix , tinha passado por o Harry e estava agora em o ar , em frente de ele , os olhos como pérolas a brilharem em o escuro . Abanava as longas penas douradas de a cauda . Harry olhou para ela , inseguro . - Ela parece querer que a agarres - disse o Ron , perplexo . - Mas tu és muito pesado para um pássaro . - A Fawkes - disse Harry - não é um pássaro qualquer . Voltou se rapidamente para os companheiros . - Temos de nos agarrar uns a os outros . Ginny , agarra a mão de o Ron . O professor Lockhart ... - Ele está a falar consigo - disse o Ron secamente . - Agarre a outra mão de a Ginny . Harry guardou a espada e o chapéu seleccionador em o cinto . Ron deitou a mão a a roupa de Harry e Harry agarrou as penas de a cauda , estranhamente quentes , de a Fawkes . Sentiu uma extraordinária leveza apoderar se de todo o seu corpo e em seguida estavam todos a voar por o cano acima . Harry conseguia ouvir Lockhart , lá atrás , comentando : - Espantoso , isto parece mágico ! Ar frio batia em os cabelos de Harry e antes que ele deixasse de gostar de a viagem já ela acabara . Os quatro tinham chegado a o chão molhado de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa e , enquanto Lockhart endireitava o chapéu , o lavatório voltara a o seu lugar , tapando o cano . A Murta arregalou os olhos . - Vocês estão vivos - disse inexpressivamente a o Harry . - Não é preciso mostrares te tão desiludida - respondeu ele , muito sério , limpando as nódoas de sangue e lodo de os óculos . - Bem ... é_que eu pensei que se vocês morressem seriam bem-vindos a a minha casa_de_banho - disse a Murta com um rubor prateado . - Urgh ! - fez o Ron , quando saíram de ali para o corredor deserto . - Harry , acho que a Murta está a gostar de ti . Tens concorrência , Ginny ! A Ginny continuava a chorar silenciosamente . - Onde vamos agora ? - perguntou o Ron , olhando ansiosamente para ela . Harry apontou . Fawkes indicava o caminho , com o seu tom dourado que brilhava em o corredor . Seguiram a e pouco depois estavam em o escritório de a professora Mc_Gonagall . Harry bateu e empurrou a porta que estava encostada . XVIII_A recompensa de Dobby_Durante alguns momentos reinou o silêncio enquanto Harry , Ron , Ginny e Lockhart estavam em a entrada de a porta . Cobertos de pó e de lama e ( em o caso de o Harry ) sangue . Em seguida , ouviu se um grito . - Ginny ! Era_Mrs._Weasley que tinha estado a chorar , sentada em frente de o lume . Pôs se de pé em um salto , seguida de Mr._Weasley e precipitaram se ambos para a filha . Harry olhava para trás de eles . Dumbledore rejubilava junto de a lareira , a o lado de a professora Mc_Gonagall que , agarrada a o queixo , respirava com dificuldade . Fawkes rasou as orelhas de o Harry e foi instalar se em o ombro de Dumbledore , ao_mesmo_tempo que Harry dava por si em os braços de Mrs._Weasley . - Tu salvaste a ! Salvaste a ! : __ como foi que __ conseguiste ? - Acho que todos nós gostaríamos de saber - disse , sem energia , a professora Mc_Gonagall . Mrs._Weasley soltou o Harry , que hesitou um momento . Depois , foi até a a secretária e colocou sobre o tampo o chapéu seleccionador , a espada cravejada de rubis e o que restava de o diário de Riddle . Em seguida , contou lhes tudo . Falou durante quase um quarto de hora em o silêncio extasiado : contou lhes de a voz sem corpo que ouvia , como a Hermione acabara por descobrir que se tratava de um Basilisk que circulava em os canos , como ele e o Ron tinham seguido as aranhas até a a floresta , que Aragog lhes dissera que a última vítima de o Basilisk morrera , como tinham chegado a a conclusão que se tratava de a Murta_Queixosa e que a entrada para a Câmara_dos_Segredos devia ser em aquela casa_de_banho ... - Muito bem - elogiou a professora Mc_Gonagall quando ele se calou . - Então tu descobriste onde era a entrada , infringindo uma centena de regras de a escola por o caminho , devo dizer , mas como diabo saíram vocês vivos de lá de dentro ? Harry , com a voz já um_pouco rouca de falar tanto , contou lhes de a chegada de a Fawkes e de o chapéu seleccionador que lhe tinha dado a espada . Mas , chegando aí , hesitou . Até a o momento evitara referir se a o diário de Riddle ou a a Ginny . Ela tinha a cabeça encostada a o ombro de Mrs._Weasley e as lágrimas corriam lhe ainda por o rosto . E se a expulsassem ? - pensou Harry , tomado de pânico . O diário de Riddle já não funcionava ... quem poderia provar que fora ele que a obrigara a fazer tudo aquilo ? Olhou instintivamente para Dumbledore que sorria , o fogo iluminando lhe os óculos de meia-lua . - O que mais me interessa saber - disse Dumbledore amavelmente - é como conseguiu Lord_Voldemort enfeitiçar a Ginny quando as minhas fontes me dizem que ele se esconde habitualmente em as florestas de a Albânia . Um alívio , quente e glorioso percorreu Harry de a cabeça a os pés . - O quê ? - disse Mr._Weasley , em uma voz estupefacta . - O Quem nós sabemos enfeitiçou a Ginny ? Mas a Ginny não ... a Ginny não morr ... ? - Foi este diário - esclareceu Harry rapidamente . E mostrando o a Dumbledore . - O Riddle escreveu o quando tinha dezasseis anos . Dumbledore pegou em o diário e olhou atentamente por cima de o seu nariz longo e adunco para as páginas queimadas e húmidas . - Fantástico - disse em voz baixa . - É claro que ele deve ter sido o aluno mais brilhante que alguma vez passou por Hogwarts . - Olhou em volta para os Weasley que o observavam com um ar totalmente confuso . - Muito poucas pessoas sabem que Lord_Voldemort se chamou em tempos Tom_Riddle . Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos , em Hogwarts . Ele desapareceu depois de deixar a escola , viajou muito , mergulhou tão fundo em as artes de a magia negra , associado a os piores feiticeiros , realizou transformações mágicas tão perigosas que quando reapareceu como Lord_Voldemort estava totalmente irreconhecível . Ninguém o relacionou com o rapazinho inteligente e bonito que aqui foi , em tempos , chefe de turma . - Mas a Ginny - insistiu Mrs._Weasley . - O que tem a nossa Ginny que ver com ele ? - O diário - soluçou Ginny . - Eu andei todo o ano a escrever em o diário e ele respondia me ... - Ginny ! - repreendeu Mr._Weasley . - Não aprendeste nada do_que te ensinei ? Não me cansei de dizer te que nunca confiasses em nada que não pensasse por si próprio * se não conseguisses ver onde tinha o cérebro ? * Porque não me mostraste o diário , a mim ou a a tua mãe ? Um objecto suspeito como esse tinha de estar cheio de magia negra ! - Eu não sabia - soluçou Ginny . - Estava junto de os livros que a mãe me comprou . Pensei que alguém se tinha esquecido de ele ali . - É melhor Miss_Weasley ir imediatamente para a ala hospitalar - interrompeu Dumbledore com voz firme . - Foi sujeita a uma prova terrível . Não será castigada . Outros feiticeiros mais velhos do_que ela têm sido ludibriados por Lord_Voldemort . - Dirigiu se a a porta e abriu a . - Repouso , cama e talvez uma caneca de chocolate quente . A mim , anima me sempre - acrescentou , piscando lhe simpaticamente o olho . - Vais ver que Madam_Pomfrey ainda está acordada . Ela tem estado a dar o sumo de Mandrágora , julgo que as vítimas de o Basilisk estarão a acordar dentro_de momentos . de alegria . - Então a Hermione está bem ! - disse o Ron , cheio de alegria . - Não houve danos irreversíveis - disse Dumbledore . Mrs._Weasley saiu com a Ginny e Mr._Weasley seguiu as ainda bastante abalado . - Sabes , Minerva - disse pensativo o professor Dumbledore - acho que tudo_isto merece um banquete . Posso pedir te que previnas os cozinheiros ? - Certamente - disse animada a professora Mc_Gonagall , dirigindo se também a a porta . - Deixo te a tratar de as coisas com o Potter e o Weasley , está bem ? - Claro - disse Dumbledore . Saiu e os dois olharam inseguros para Dumbledore . Que quereria ela dizer com tratar de as coisas ? Certamente não iriam ser castigados ? - Lembro me de vos ter dito a ambos que teria de vos expulsar se voltassem a quebrar as regras de a escola - disse Dumbledore . Ron abriu a boca horrorizado . - O que vem mostrar nos que as melhores pessoas , às_vezes , têm de engolir as suas próprias palavras . - Dumbledore sorriu e continuou : - Vocês vão receber ambos uma recompensa especial por serviços prestados a a escola e ... deixem me ver , sim , acho que duzentos pontos cada_um para os Gryffindor . Ron ficou tão corado que parecia as flores de S._Valentim_do_Lockhart e voltou a fechar a boca . - Mas um de vós parece demasiado calado sobre a sua participação em esta perigosa aventura - acrescentou Dumbledore . - Porquê tanta modéstia , Gilderoy ? Harry estremeceu . Esquecera se por completo de Lockhart . Voltou se e viu o a um canto de a sala ainda com o mesmo sorriso vago . Quando Dumbledore se lhe dirigiu , olhou por cima de o ombro para ver com quem ele estava a falar . - Professor_Dumbledore - disse o Ron rapidamente - Houve um acidente lá em baixo , em a Câmara_dos_Segredos . O professor Lockhart - Eu sou um professor ? - perguntou Lockhart surpreendido . - E eu que pensei que era um inútil ! - Tentou fazer um feitiço antimemória e a varinha fez ricochete - explicou Ron_a_Dumbledore . - Incrível - disse Dumbledore , abanando a cabeça , o bigode prateado a tremer . - Trespassado por a tua própria espada , Gilderoy ! - Espada ? - disse Lockhart de forma imprecisa . - Eu não tenho espada . Esse rapaz é_que tem - apontou para Harry . - Ele empresta lhe uma . - Importas te de levar também o professor Lockhart até a a ala hospitalar , Ron ? - disse Dumbledore . - Eu gostava de falar um_pouco mais com o Harry . Lockhart saiu sem pressa . Antes de fechar a porta , Ron lançou um olhar curioso a Dumbledore e Harry . Dumbledore passou para uma de as cadeiras junto de o lume . - Senta te , Harry - disse . E Harry sentou se , sentindo se indescritivelmente nervoso . - Antes de mais , Harry , quero agradecer te - disse Dumbledore com os olhos a brilharem de_novo . - Deves ter demonstrado uma grande lealdade para comigo . Só isso poderia atrair a Fawkes para ir ajudar te . Deu uma palmadinha a a fénix que voara , entretanto , para_cima de os seus joelhos . Harry sorria acanhadamente sob o olhar observador de Dumbledore . - Encontraste , portanto , Tom_Riddle - disse o director amavelmente . - Calculo que ele estaria particularmente interessado em ti ... De repente , algo que Harry tinha engasgado saiu lhe descontroladamente de a boca para fora . - Professor_Dumbledore ... o Riddle disse que eu sou como ele , que há entre nós estranhas semelhanças ... - Ah ! sim ? - Dumbledore olhou pensativamente para ele , por debaixo de as espessas sobrancelhas prateadas . - E o que achas tu de isso ? - Eu não me considero parecido com ele - disse Harry mais alto do_que desejaria . - Isto_é , eu sou um Gryffindor , eu sou ... Mas calou se com uma dúvida a rondar lhe o espírito . - Professor - arriscou passado alguns momentos . - O chapéu seleccionador disse que eu ... teria ficado bem em os Slytherin ; durante algum tempo toda_a_gente pensou que eu era o herdeiro de Slytherin por falar * serpentês * ... - Tu falas * serpentês * , Harry - disse Dumbledore calmamente - porque Lord_Voldemort que é o mais recente antepassado de Salazar_Slytherin , fala * serpentês * . Ou eu me engano muito , ou ele transferiu para ti alguns de os seus poderes em a noite em que te fez essa cicatriz . Não que quisesse fazê o , claro , mas aconteceu . - Voldemort pôs um_pouco de si próprio em mim ? - disse Harry assombrado . - É o que parece ter acontecido . - Então eu deveria estar em os Slytherin - disse Harry , olhando desesperado para o rosto de Dumbledore . - O chapéu seleccionador viu em mim os poderes de Slytherin e ... -- Pôs te em os Gryffindor - concluiu tranquilamente Dumbledore . - Ouve , Harry , tu tens por acaso muitas de as capacidades que Salazar_Slytherin apreciava em os seus estudantes cuidadosamente seleccionados . O seu raro dom de falar * serpentês * , desenvoltura , determinação , um certo desprezo por as regras estabelecidas - acrescentou com o bigode a tremer de_novo . - Mas ainda_assim , o chapéu seleccionador pôs te em os Gryffindor . E sabes porquê ? Pensa um_pouco . - Só me pôs em os Gryffindor - disse Harry em uma voz débil - porque eu pedi para não ir para os Slytherin . - Exacto - disse Dumbledore a sorrir . - E isso torna te muito diferente de o Tom_Riddle . São as tuas escolhas , Harry , que mostram quem de facto tu és , mais do_que as tuas capacidades . Harry sentou se , imóvel e espantado , em a cadeira . - Se queres provas de que o teu lugar é em os Gryffindor , sugiro que vejas isto com mais atenção . Dumbledore aproximou se de a secretária de a professora Mc_Gonagall , pegou em a espada de prata ensanguentada e mostrou lhe a . Sem perceber , Harry voltou a ao_contrário . Os rubis brilharam a a luz de a lareira e foi então que ele reparou em o nome gravado mesmo por baixo de o copo de a espada . GODRIC_GRYFFINDOR . - Só um verdadeiro Gryffindor poderia ter tirado a espada de dentro de o chapéu , Harry - disse , com simplicidade , Dumbledore . Durante um minuto , nenhum de os dois falou . Depois , Dumbledore abriu uma de as gavetas de a secretária de a professora Mc_Gonagall e retirou de lá uma pena e um tinteiro . - Tu precisas de comer e ir dormir . Sugiro que desças para o banquete enquanto eu escrevo para Azkaban . Precisamos de recuperar o nosso guarda de os campos . E tenho de esboçar um anúncio para o * _ Profeta_Diário * - acrescentou pensativo . - Vamos precisar de um novo professor de Defesa contra as artes negras . É um problema , estamos sempre a perdê os . Harry levantou se e dirigiu se a a porta . Tinha acabado de estender a mão para o puxador quando ela se abriu tão violentamente que saltou de as dobradiças . Lucius_Malfoy estava de pé , furioso . E , debaixo de o braço , embrulhado em diversas ligaduras , estava Dobby . - Boa tarde , Lucius - disse Dumbledore , de forma amena . Mr._Malfoy quase derrubou Harry enquanto entrava em a sala . Dobby dava passos miudinhos atrás de ele , inclinado até a a bainha de o seu manto com um olhar apavorado em o rosto . - Então - disse Lucius_Malfoy com os olhos fixos em Dumbledore - voltaste . Os membros de o Conselho_Directivo suspenderam te , mas tu mesmo_assim sentiste te capaz de voltar a Hogwarts . - Bem vês , Lucius - disse Dumbledore , sorrindo serenamente . - Os outros membros de o Conselho contactaram me hoje . Fui envolvido em um redemoinho de corujas , todos queriam contar me a verdade . Ouviram dizer que a filha de Arthur_Weasley tinha sido morta e queriam me novamente aqui . Parece que me consideravam o melhor homem para o lugar . Contaram me algumas histórias muito estranhas . Alguns de eles tinham a impressão que tu tinhas ameaçado amaldiçoar lhes as famílias se não concordassem com a minha suspensão . Mr._Malfoy ficou ainda mais pálido do_que de costume , mas os olhos continuavam cheios de fúria . - Então já acabaste com os ataques ? - rosnou . - Apanhaste o culpado ? - Já , sim - disse Dumbledore com um sorriso . - E quem é ? - perguntou Malfoy secamente . - A mesma pessoa de a última vez , Lucius - disse Dumbledore . Mas desta_vez , Lord_Voldemort agiu através_de outra pessoa , por_meio_de um diário . Pegou em o pequeno caderno com o buraco em o meio , observando Mr._Malfoy de perto . Mas Harry olhava para Dobby . O elfo fazia um sinal muito estranho . Com os seus grandes olhos fixos em Harry , não parava de apontar para ó diário e , em seguida , para Mr._Malfoy , batendo logo_a_seguir com o punho em a cabeça . - Estou a ver ... - disse Mr._Malfoy lentamente a Dumbledore . - Um plano inteligente - afirmou o director em um tom de voz suave , continuando a olhar Mr._Malfoy directamente em os olhos . - Porque se não fosse aqui o Harry e o seu amigo Ron a descobrirem o diário , sem dúvida Ginny_Weasley teria ficado com todas_as culpas . Ninguém teria conseguido provar que ela agira contra a sua própria vontade . Mr._Malfoy não se pronunciou . O seu rosto parecia agora uma máscara . - E vê bem - continuou Dumbledore - o que poderia ter acontecido ... os Weasley são uma de as mais proeminentes famílias de feiticeiros de sangue puro , imagina o efeito em a imagem de Arthur_Weasley e em a sua acção de protecção a os Muggles , se a sua própria filha fosse acusada de atacar e matar filhos de Muggles . Foi uma sorte o diário ter sido descoberto e as memórias de Riddle apagadas . Quem sabe que consequências poderia ter tido ? Mr._Malfoy falou contra vontade . - Sim , foi uma sorte - disse secamente . E , em as suas costas , Dobby continuava a apontar para o diário e para Lucius_Malfoy , batendo depois com o punho em a cabeça . E Harry finalmente percebeu . Fez um sinal a Dobby que correu a esconder se em um canto , torcendo desta_vez as orelhas para se castigar . - Não quer saber como a Ginny obteve esse diário , Mr._Malfoy ? - perguntou Harry . Lucius_Malfoy voltou se para ele . - Como queres que eu saiba onde é_que a estúpida de a garota o arranjou ? - Porque foi o senhor quem lhe o deu - disse Harry . - Em a Flourish and Blotts . O senhor pegou em o livro velho de ela de Transfiguração e meteu o diário lá dentro , não foi ? Viu as mãos brancas de Mr._Malfoy abrirem se e fecharem se . - Prova isso - sibilou . - Oh ! ninguém vai poder prová o - disse Dumbledore sorrindo a o Harry . - Não agora_que o Riddle desapareceu de o caderno . Por outro lado , aconselharia te , Lucius , a não dares mais nenhuma de as coisas velhas de Lord_Voldemort . Se mais alguma for parar a as mãos de crianças inocentes , acho que o Arthur_Weasley fará com que se voltem com toda_a sua carga negativa contra ti . Lucius_Malfoy ficou calado um momento e Harry viu claramente a sua mão direita torcer se como_se desejasse chegar a a varinha . Em vez de isso , voltou se para o seu elfo doméstico . - Vamos , Dobby . Abriu a porta e quando o elfo se aproximou deu lhe um pontapé que o projectou para longe . Ouviram se em o escritório os gritos de dor de Dobby em o corredor . Harry pensou durante um momento e depois decidiu se . - Professor_Dumbledore - disse apressadamente . - Posso dar o diário outra_vez a Mr._Malfoy ? - Certamente , Harry - disse Dumbledore com toda_a calma . - Mas não demores , olha o banquete . Harry agarrou em o diário e saiu de o escritório . Os gritos de dor de Dobby afastavam se ao_longe . Sem perder tempo , perguntando a si próprio se o plano poderia resultar , Harry tirou um de os sapatos , puxou uma de as peúgas enlameadas e viscosas e meteu o diário lá dentro . Em seguida correu até a o fundo de o corredor escuro . Apanhou os em o topo de as escadas . - Mr._Malfoy - disse ofegante , parando . - Tenho uma coisa para si . E meteu a peúga mal cheirosa em a mão de Lucius_Malfoy . - O que é ... ? Mr._Malfoy tirou o diário de dentro de a peúga , deitou a fora e olhou furioso para o caderno estragado e para Harry - Ainda vais acabar por ter um fim igual a o de os teus pais um dia de estes , Harry_Potter - disse em voz baixa . - Eles também eram uns idiotas metediços . Voltou se para se ir embora . - Anda , Dobby , vem ! Mas Dobby não se mexeu . Tinha em as mãos a peúga nojenta de o Harry e olhava para ela como_se fosse um tesouro de valor incalculável . - O senhor deu uma peúga a o Dobby - disse o elfo maravilhado . - Deu a a o Dobby . - O que é isso ? - cuspiu Mr._Malfoy . - Que estás para aí a dizer ? - Dobby tem uma peúga - repetiu incrédulo . - O senhor deitou a fora e Dobby apanhou a e Dobby agora é livre ... Lucius_Malfoy ficou paralisado a olhar para o elfo . Em seguida precipitou se para Harry . - Fizeste me perder o meu servo , rapaz . Mas Dobby gritou : - Não pense que vai fazer mal a o Harry_Potter ! Ouviu se um enorme estrondo e Mr._Malfoy foi empurrado de costas , galgando os degraus de as escadas a três_e_três e indo aterrar lá em baixo todo embrulhado e amarrotado . Levantou se , o rosto lívido e pegou em a varinha , mas Dobby estendeu lhe um dedo ameaçador . - Vá se embora já - disse furioso , apontando para Mr._Malfoy . - Não tocará em o Harry_Potter . Vá se embora , já . Lucius_Malfoy não teve escolha . Lançando a os dois um último olhar de cólera , embrulhou se em o manto e desapareceu . - Harry_Potter libertou Dobby ! - disse o elfo com voz esganiçada , olhando para Harry , a luz de o luar reflectida em os seus grandes olhos em forma de globos . - Harry_Potter libertou Dobby . - Era o mínimo que eu podia fazer , Dobby - disse Harry a sorrir -- , mas promete me que não vais voltar a tentar salvar me a vida . A cara feia e escura de o elfo abriu se , mostrando os dentes , em um enorme sorriso . - Tenho uma pergunta a fazer te , Dobby - disse Harry enquanto o elfo pegava em a peúga de ele com as mãos a tremer . - Disseste me que tudo_isto não tinha nada que ver com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Lembras te ? - Era uma pista , senhor - disse Dobby com os olhos muito abertos como_se fosse absolutamente óbvio . - Dobby estava a dar lhe uma pista . Antes de o senhor de o mal mudar de nome , o seu nome podia ser pronunciado , está a ver ? - Certo - disse Harry sem grande convicção . - Bem , é melhor eu ir indo embora . Há um banquete e a minha amiga Hermione já deve ter acordado ... Dobby lançou os braços a a cintura de Harry e abraçou o . - Harry_Potter é muito maior do_que Dobby imaginava ! - soluçou . - Adeus , Harry_Potter . E com um estalido final , Dobby desapareceu . Harry assistira a diversos banquetes , mas nenhum que se parecesse com aquele . Estavam todos de pijama e a festa durou a noite inteira . Harry não sabia se o melhor tinha sido a Hermione a correr para ele e a gritar : - Tu conseguiste . Tu conseguiste ! , ou o Justin saindo disparado de a mesa de os Hufflepuff para lhe estender a mão , desfazendo se em desculpas por ter suspeitado de ele , ou o Hagrid que apareceu a as três_e_meia e que lhes deu palmadas com tanta força em os ombros que eles foram parar dentro de os pratos de bolo de creme , ou os quatrocentos pontos que ele e o Ron obtiveram para os Gryffindor , ganhando a taça de a equipa por a segunda vez consecutiva , ou a professora Mc_Gonagall de pé , a comunicar lhes que os exames tinham sido cancelados como medida de a escola ( Oh ! não ! exclamou Hermione ) , ou Dumbledore a anunciar que , infelizmente , o professor Lockhart não poderia voltar em o ano seguinte por ter de se ausentar a_fim_de recuperar a memória . Alguns de os professores juntaram se a os alunos que aplaudiram entusiasmados esta notícia . - Que pena - disse Ron , servindo se de um * dounut * de presunto . - E eu que começava a gostar de ele ... O resto de o período de Verão decorreu sob um sol escaldante . Hogwarts voltara a a normalidade , apenas com algumas pequenas diferenças : as aulas de Defesa contra as artes negras foram canceladas ( Mas nós tivemos imensa prática - disse o Ron vendo o descontentamento de Hermione ) e Lucius_Malfoy foi demitido de o Conselho_Directivo . Draco já não passeava por ali como_se fosse o dono de a escola . Pelo_contrário , tinha um ar melindrado e carrancudo . Por outro lado , Ginny_Weasley andava de_novo feliz de a vida . Em_breve chegou o dia de regressarem a casa em o Expresso_de_Hogwarts . Harry , Ron , Hermione , Fred , George e Ginny encheram um compartimento . Tiraram o_máximo partido de aquelas últimas horas em que lhes era permitido usar a magia antes de as férias . Brincaram a as explosões , gastaram o último fogo-de-artíficio Filibuster , de o Fred e de o George e treinaram o mútuo desarmamento através de a magia . Harry começava a ficar muito bom em aquilo . Já estavam perto de a estação de King's_Cross quando Harry se lembrou de uma coisa . - Ginny , o que foi que viste o Percy fazer que ele não queria que nos contasses ? - Ah ! isso - disse a Ginny a rir . - Bem , é_que o Percy tem uma namorada . Fred deixou cair uma pilha de livros em a cabeça de o George . - O quê ? - É aquela prefeita de os Ravenclaw ' Penelope_Clearwater - disse a Ginny . - Foi para ela que ele escreveu durante todo o Verão . Encontravam se em a escola em grande segredo . Eu apanhei os a beijarem se em uma sala de aula vazia e ele ficou tão aflito quando ela foi ... sabes ... atacada . Não vais aborrecê o , pois não ? - perguntou cheia de ansiedade . - Que ideia - respondeu Fred com uma tal satisfação em o rosto que parecia que o seu aniversário chegara mais cedo . - Claro que não - disse o George a rir se a a socapa . O Expresso_de_Hogwarts abrandou e finalmente parou . Harry tirou a pena e um_pouco de pergaminho e voltou se para Ron e Hermione . - Isto_é um número de telefone - disse ele a o Ron , escrevinhando o duas vezes , cortando o pergaminho a o meio e dando lhes os números . - Eu expliquei a o teu pai como usar um telefone em o Verão passado . Ele sabe fazer a chamada . Liga me para_casa de os Dursley , O. _ K. ? Não consigo suportar outros dois meses sem ter mais ninguém com quem falar ... - Mas a tua tia e o teu tio vão ficar orgulhosos de ti , não vão ? - perguntou Hermione quando saíram de o comboio e se misturaram em a multidão que se encontrava junto de a barreira encantada . - Quando souberem o que fizeste este ano . - Orgulhosos ? - disse Harry . - Estás doida ! Podendo eu ter morrido tantas vezes e tendo escapado ? Vão ficar é furiosos ... E juntos avançaram até a a entrada para o mundo de os Muggles . ----------------- J._K._Rowling_Harry_Potter e a Câmara_dos_Segredos_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Chamber of Secrets_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling 1998 Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 2000 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 2.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 Depósito legal : 143.569/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , a a Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Para_Séan_P._F._Harris , condutor imparável e um amigo de os diabos . I_O pior aniversário Não era a primeira vez que uma discussão estoirava a a mesa de o pequeno-almoço , em o número 4 de a Privet_Drive . Mr._Vernon_Dursley fora acordado de manhã cedo por o piar ruidoso que vinha de o quarto de o seu sobrinho Harry . - É a terceira vez esta semana ! - resmungou , a a mesa . - Se não consegues controlar essa coruja , ela não pode ficar aqui . Harry tentou , mais_uma_vez , explicar . - Ela está aborrecida . Estava habituada a voar livremente lá fora . Se eu pudesse , ao_menos , soltá a a a noite ... - Achas me com cara de idiota ? - perguntou rispidamente o tio Vernon , com um fio de ovo preso em o bigode farfalhudo . - Sei muito bem o que aconteceria se essa coruja fosse lá para fora . Trocou um olhar soturno com a mulher , a tia Petúnia . Harry tentou contra-argumentar , mas as suas palavras foram abafadas por um enorme arroto de o filho de os Dursleys , Dudley . - Quero mais bacon . - Há mais em a frigideira , fofinho - disse a tia Petúnia , lançando um olhar vago a o seu filho maciço . - Tens que te alimentar bem enquanto aqui estás , aquela comida de a tua escola não me cheira . - Disparate , Petúnia , eu nunca passei fome enquanto andei em Smeltings - afirmou com sinceridade o tio Vernon . - O Dudley tem que chegue . Não é verdade , filho ? Dudley , que era tão gordo que o rabo saía de os dois lados de a cadeira de a cozinha , sorriu laconicamente e voltou se para Harry . - Passa me a frigideira . -- Esqueceste te de a palavra mágica - disse Harry , irritado . O efeito que esta simples frase teve em o resto de a família foi inacreditável : Dudley começou a arfar e caiu de a cadeira com um estrondo que abalou a cozinha , Mrs._Dursley deu um gritinho e bateu com a mão em a boca , Mr._Dursley pôs se de pé com as veias de as têmporas dilatadas . - Eu queria dizer « por favor » - explicou Harry rapidamente . - Não me referia a ... - : __ o que é_que eu te __ disse - vociferou o tio , espalhando perdigotos sobre a mesa - : __ sobre pronunciar a palavra m . em esta __ casa ? - Mas eu ... - : __ como te atreves a ameaçar o __ dudley ! - rosnou o tio Vernon , batendo com o punho em a mesa . - Eu só ... - : __ estás avisado . não vou admitir referências a tua anormalidade debaixo de o tecto de a minha __ casa ! Harry olhou alternadamente para o rosto congestionado de o tio e para a palidez de a tia que tentava pôr o Dudley de pé . - Está bem - disse Harry . - Está bem ... O tio Vernon voltou a sentar se , respirando como um rinoceronte exausto e observando Harry de perto por o canto de os seus olhos pequeninos e penetrantes . Desde_que Harry regressara para as férias de Verão que o tio Vernon o tratava como_se ele fosse uma bomba , capaz de explodir a qualquer momento , porque Harry não era um rapazinho normal . Em a verdade , ele era o menos normal que é possível imaginar . Harry_Potter era um feiticeiro , um feiticeiro que acabara de concluir o primeiro ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts e a infelicidade que os Dursleys sentiam por ele estar lá em casa não era nada comparada com a de Harry . As saudades de Hogwarts eram tão intensas que se assemelhavam a uma constante dor em o estômago . Sentia a falta de o castelo com as suas passagens secretas e os seus fantasmas , de as aulas ( com excepção talvez de as de Snape , o professor de as poções ) , de o correio a chegar trazido por as corujas , de os banquetes em o salão nobre , de as noites em as camas de dossel em a camarata de a torre , de as visitas a Hagrid , o guarda de os campos em a sua casinha em o bosque , junto de a floresta proibida e , principalmente , sentia a falta de o Quidditch , o desporto mais popular de o mundo de os feiticeiros ( seis postes altos de golo , quatro bolas esvoaçantes e catorze jogadores em_cima_de vassoura ) . Todos os livros de feitiços de Harry , assim_como a varinha , os mantos , o caldeirão e a vassoura topo de gama Nimbus dois_mil tinham sido encerrados por o tio Vernon em a despensa que ficava debaixo de as escadas , em o momento em que Harry regressara a casa . O que é_que lhes interessava se ele perdia ou não o seu lugar em a equipa de Quidditch por não ter praticado durante todo o Verão ? Que importância tinha para eles que o Harry voltasse a a escola sem ter podido fazer os trabalhos de casa ? Os Dursleys eram aquilo que os feiticeiros chamam « Muggles » ( nem uma gota de sangue mágico em as veias ) e , para eles , ter um feiticeiro em a família era motivo de grande vergonha . O tio Vernon tinha , inclusivamente , fechado a cadeado a coruja de Harry , Hedwig , dentro de a gaiola , para evitar que ela transportasse mensagens para a gente de o mundo de a feitiçaria . Harry não se parecia em nada com o resto de a família . O tio Vernon era atarracado e sem pescoço , dotado de um enorme bigode preto ; a tia Petúnia tinha um rosto cavalar e era esquelética ; Dudley era loiro e rosado como um porquinho . Harry , pelo_contrário , era baixo e franzino , com os olhos verdes brilhantes e cabelo negro sempre desalinhado . Usava uns óculos redondos e tinha em a testa uma cicatriz em forma de relâmpago . Era essa cicatriz que o tornava tão invulgar , mesmo para um feiticeiro . Era a única alusão a o seu passado misterioso , a o motivo por o qual , onze anos antes , tinha sido deixado em o degrau de a porta de os Dursleys . Com um ano de idade , Harry sobrevivera a uma maldição de o maior feiticeiro negro de todos os tempos , Lord_Voldemort , cujo nome a maior parte de os feiticeiros e feiticeiras ainda receia pronunciar . Os pais de Harry tinham morrido em um ataque de Voldemort , mas ele escapara com a sua cicatriz em forma de relâmpago e estranhamente , ninguém compreendeu porquê , os poderes de Voldemort tinham sido destruídos em o momento em que não fora capaz de matar o Harry . Por isso , ele foi criado por a irmã de a sua falecida mãe e respectivo marido . Passou dez anos com os Dursleys , sem nunca compreender porque fazia com que acontecessem coisas estranhas , alheias a a sua vontade , acreditando em a história de os Dursleys de que aquela cicatriz fora resultado de um acidente de automóvel em que os pais tinham morrido . E um dia , precisamente um ano antes , Hogwarts escrevera lhe e fora então que tudo começara . Harry fora ocupar o seu lugar em a escola de feitiçaria , onde ele e a sua cicatriz eram famosas ... mas agora o ano escolar chegara a o fim e estava de_novo com os Dursleys . Durante o Verão , voltara a ser tratado como um cão malcheiroso . Os Dursleys nem se tinham lembrado que aquele era o dia de o seu décimo segundo aniversário . É claro que não tivera grandes expectativas : eles nunca lhe tinham dado um presente a sério , muito menos um bolo , mas ignorarem o por completo ... Em esse momento , o tio Vernon pigarreou com um ar importante e disse : - Como todos sabem , hoje é um dia muito importante . Harry olhou para ele , mal conseguindo acreditar . - Pode bem ser que eu faça hoje o maior negócio de toda_a minha vida - afirmou . Harry voltou novamente a atenção para a torrada . É claro , pensou amargamente , o tio Vernon referia se a a estúpida dinner-party . Havia quinze_dias que não falava de outra coisa . Um consultor qualquer cheio de massa e a mulher vinham jantar lá a casa e o tio Vernon tinha esperança de conseguir uma grande encomenda ( a empresa de o tio Vernon fabricava brocas ) . - Acho que devíamos recapitular mais_uma_vez - disse o tio Vernon . - Devemos estar todos a postos a as oito_horas_em_ponto . Petúnia , tu vais estar ... ? - Em o salão - respondeu a tia Petúnia prontamente - a a espera para lhes dar as boas-vindas a nossa casa . - Bom , bom . E o Dudley ? - Eu vou estar a a espera para abrir a porta . - Dudley esboçou um sorriso falso e afectado . - Dão me licença que vos guarde os casacos , Mr. e Mrs._Mason ? - Eles vão adorá o - exclamou arrebatadamente a tia Petúnia . - Excelente , Dudley - disse o tio Vernon . - A seguir voltou se para o Harry . - E tu ? - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - repetiu o Harry , de forma inexpressiva . - Exactamente - confirmou o tio Vernon , de um modo desagradável . - Eu conduzo os até a o salão , apresento te , Petúnia , e sirvo lhes as bebidas . _ a as oito_e_um_quarto . - Eu chamo para a mesa - disse a tia Petúnia . - E tu , Dudley , vais dizer ... - Dá me licença que lhe indique a casa de jantar , Mrs._Mason ? - repetiu o Dudley , oferecendo o seu braço gordo a uma mulher invisível . - O meu pequenino cavalheiro - fungou a tia Petúnia . - E tu ? - perguntou o tio Vernon a o Harry , em o mesmo tom desagradável . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho , fingindo que não estou lá - respondeu Harry aborrecido . - Isso mesmo . Agora , devíamos ter preparadas algumas frases amáveis para o jantar . Petúnia , alguma ideia ? - O Vernon disse me que o senhor é um excelente jogador de golfe , Mr._Mason ... Tem de me dizer onde comprou esse vestido , Mrs._Mason ... - Perfeito . Dudley ? - Que tal : Tivemos de fazer um trabalho para a escola sobre o nosso herói e eu escrevi sobre o senhor ... Foi de mais , tanto para a tia Petúnia como para o Harry . A tia debulhou se em lágrimas e abraçou o filho , enquanto Harry se esgueirava para debaixo de a mesa para ninguém o ver rir . - E tu , rapaz ? Harry fez um esforço para se mostrar inexpressivo quando emergiu . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - disse . - Vais sim senhor - afirmou o tio Vernon energicamente . - Os Mason não sabem nada a teu respeito e é assim que as coisas vão continuar . Quando o jantar terminar , tu trazes Mrs._Mason para o salão , onde vamos tomar café , Petúnia , e eu puxo o assunto de as brocas . Com um_pouco de sorte , tenho o contrato assinado antes de o noticiário de as dez . Amanhã por esta hora , vamos estar a fazer compras para umas férias em Maiorca . Harry não conseguia sentir o menor entusiasmo com aquilo . Não lhe parecia que os Dursleys gostassem mais de ele em Maiorca do_que em Privet_Drive . - Certo , eu vou a a cidade buscar os casacos para mim e para o Dudley . E tu - resmungou , apontando para Harry - não atrapalhes a tua tia enquanto ela estiver a limpar . Harry saiu por a porta de as traseiras . Estava um dia de sol lindo . Atravessou o relvado , deixou se cair em o banco de o jardim e cantarolou baixinho : - Parabéns para mim ... parabéns para mim ... Nem cartas nem presentes e tinha de passar a noite a fingir que não existia . Olhou infeliz para a sebe . Nunca se sentira tão só . Mais do_que tudo em o mundo , mais do_que de Hogwarts , mais até do_que de o jogo de Quidditch , Harry sentia a falta de os amigos Ron_Weasley e Hermione_Granger . Mas eles não pareciam sentir a falta de ele . Nenhum de os dois lhe escrevera durante todo o Verão apesar_de o Ron ter dito que ia convidá o para passar uns dias lá em casa . Inúmeras vezes Harry estivera quase a libertar magicamente Hedwig de a sua gaiola e mandá a levar uma carta a o Ron e a a Hermione mas não valia a pena correr o risco . Os feiticeiros menores de idade não tinham autorização para usar a magia fora de a escola . Harry não contara isto a os Dursleys . Ele sabia que era o medo de que ele os transformasse a todos em baratas que os impedia de o fecharem a a chave em a despensa debaixo de as escadas , juntamente com a varinha e a vassoura . Em as primeiras semanas Harry divertira se a murmurar baixinho palavras sem sentido e a ver o Dudley sair disparado de o quarto , tão rápido quanto as suas pernas gordas lhe permitiam . Mas o silêncio prolongado de Ron e Hermione tinham o feito sentir se tão longe de o mundo de a magia que até divertir se à_custa_de Dudley perdera o interesse . E agora o Ron e a Hermione tinham se esquecido de o seu aniversário . Quanto não daria ele por uma mensagem de Hogwarts ? De qualquer feiticeiro ou feiticeira ? Quase ficaria satisfeito com um sinal de o seu inimigo feroz , Draco_Malfoy , só para ter a certeza de que tudo aquilo não fora apenas um sonho ... Não que tudo durante o ano em Hogwarts tivesse sido divertido . Mesmo em o fim de o último período , Harry confrontara se nem mais nem menos do_que com o próprio Lord_Voldemort . Voldemort podia ter arruinado o seu ego inicial mas continuava a espalhar o terror , ainda astuto , ainda determinado a recuperar o poder . Harry escapara uma segunda vez a as suas garras mas fora por um triz e mesmo agora , algumas semanas decorridas , acordava de noite encharcado em suores frios , perguntando se onde estaria Voldemort , relembrando o seu rosto lívido , os seus olhos completamente loucos ... Harry sentou se subitamente , direito como um fuso , em o banco de o jardim . Tinha estado a olhar distraído para a sebe e a sebe estava a olhar para ele . Dois enormes olhos verdes surgiram por_entre a folhagem . Harry pôs se de pé ao_mesmo_tempo que uma voz sobrevoava a relva . - Eu sei que dia é hoje - cantarolava Dudley , bamboleando se enquanto se aproximava . Os olhos enormes piscaram e desapareceram . - O quê ? - perguntou Harry sem retirar os olhos de o lugar para_onde estava a olhar . - Eu sei que dia é hoje - repetiu , chegando junto de ele . - Ainda_bem - disse Harry . - Aprendeste finalmente os dias de a semana . - Hoje é o dia de os teus anos - troçou o Dudley . - Por_que é_que não recebeste nenhuma carta ? Não tens amigos em esse lugar esquisito ? - É melhor não deixares a tua mãe ouvir te falar de a minha escola - disse Harry calmamente . Dudley puxou para_cima as calças que estavam a escorregar lhe por o rabo gordo abaixo . - Porque estás a olhar para a sebe . ; - perguntou curioso . - Estou a pensar em as palavras que deverei pronunciar para lhe pegar fogo - disse Harry . Dudley recuou de imediato com um olhar de pânico em a cara rechonchuda . - Tu não p-p-odes , o pai disse que não podias fazer magia ou corria contigo aqui de casa e não tens mais nenhum lugar para_onde ir , não tens amigos que te convidem ... - * _ Jiggery pokery * ! - disse Harry com voz firme . - * _ Hocus pocus ... squiggly wiggly * ... - Maaaaaãe - gritou Dudley , tropeçando em os pés , enquanto se precipitava para dentro_de casa . Maaaãe , ele vai fazer aquela coisa ! Harry deu graças a os céus por aquele momento de gozo . Como não aconteceu nada de mal nem a o Dudley nem a a sebe , a tia Petúnia percebeu que ele não fizera magia nenhuma mas , mesmo_assim , Harry teve de se afastar quando ela lhe deu uma forte pancada em a cabeça com a frigideira cheia de detergente . A seguir distribuiu lhe trabalho e o castigo de só voltar a comer quando tivesse acabado tudo . Enquanto Dudley andava a flanar , olhando para o ar e comendo gelados , Harry limpou as janelas , lavou o carro , aparou a relva , adubou os canteiros , podou e regou as rosas e pintou de_novo o banco de o jardim . O sol ardia lá em cima , queimando lhe a parte de trás de o pescoço . Harry sabia que não devia ter provocado Dudley mas ele dissera precisamente aquilo que ele próprio pensava ... talvez não tivesse amigos em Hogwarts . Deviam ver agora o famoso Harry_Potter , pensou amargamente enquanto espalhava adubo em os canteiros , as costas a doerem lhe e o suor a escorrer lhe por o rosto . Eram sete_e_meia_da_tarde quando , por fim , exausto , ouviu a tia Petúnia a chamá o . - Anda para dentro e passa por cima de os jornais . Harry entrou satisfeito em a sombra de a cozinha que rebrilhava . Sobre o frigorífico estava o bolo de a noite : um enorme monte de crome batido coberto de violetas de açúcar . A carne de porco assava em o forno . - Come depressa , os Mason devem estar a chegar ! - exclamou bruscamente a tia Petúnia , apontando para duas fatias de pão e uma de queijo que estavam em cima de a mesa de a cozinha . Ela já tinha posto um vestido de * cocktail * cor de salmão . Harry lavou as mãos e comeu aquele triste jantar . Mal tinha terminado , a tia Petúnia tirou lhe o prato . - Lá para_cima , rápido ! A o passar por a porta de a sala , Harry vislumbrou o tio Vernon e Dudley de casaco e gravata . Tinha acabado de chegar a o cimo de as escadas quando a campainha de a porta tocou e a cara de o tio Vernon apareceu em o patamar . - Lembra te , rapaz , um ruído que seja ... Harry entrou em o quarto em bicos de pés , fechou a porta e preparou se para se meter em a cama . O problema é_que estava lá alguém sentado . II_O aviso de Dobby_Harry conseguiu não gritar , mas foi por_pouco . A pequena criatura que estava em a cama tinha umas orelhas grandes e largas e uns olhos verdes protuberantes de o tamanho de bolas de ténis . Harry percebeu imediatamente que fora para ele que tinha estado a olhar de manhã . Enquanto olhavam um para o outro , Harry ouviu a voz de Dudley em o * hall * . - Posso guardar os vossos casacos , Mr. e Mrs._Mason ? A criatura escorregou por a cama e curvou se tanto que a ponta de o seu enorme nariz tocou em o tapete . Harry reparou que ele tinha vestido uma espécie de fronha de almofada com buracos para os braços e pernas . - Er ... Olá - disse Harry , um_pouco nervoso . - Harry_Potter ! - exclamou a criatura em uma voz tão estridente que Harry calculou que poderia ouvir se lá em baixo . - Há tanto tempo que Dobby queria conhecê o , senhor . É uma enorme honra ... - Ob-obrigado - disse Harry , deslocando se a o longo de a parede e sentando se em a cadeira de a secretária , junto de Hedwig que dormia em a sua grande gaiola . Queria perguntar lhe « O que és tu ? » , mas pensou que seria má educação , por isso perguntou : - Quem és tu ? - Dobby , senhor . Apenas Dobby , o elfo de casa - afirmou a criatura . - Oh ! A sério ? - perguntou Harry . - Não quero ser mal-educado , mas esta não é a melhor altura para ter um elfo em o meu quarto . O riso falso de a tia Petúnia ouvia se em a sala de jantar . O elfo deixou cair a cabeça . - Não que eu não me sinta feliz por te conhecer - disse Harry rapidamente - mas , er ... estás aqui por algum motivo em especial ? - Oh , sim senhor - disse Dobby muito a sério . - Dobby veio dizer lhe que ... é difícil ... Dobby não sabe por_onde começar ... - Senta te - disse Harry educadamente , apontando lhe a cama . Para seu horror , o elfo debulhou se em lágrimas bastante ruidosas . -- S-senta-te ! - repetiu . - Nunca em toda_a minha vida ... Harry pareceu lhe ouvir as vozes lá em baixo vacilarem . - Desculpa - murmurou . - Eu não queria ofender te ... - Ofender Dobby ! - exclamou o elfo em um sufoco . - Nunca nenhum feiticeiro disse a o Dobby que se sentasse como um seu igual , senhor . Harry , tentando dizer lhe « Sch ... » e confortá o ao_mesmo_tempo , conduziu Dobby de_novo até a a cama onde ele se sentou a soluçar , parecendo uma grande boneca muito feia . Por fim , conseguiu controlar se e ficou quieto , com os seus grandes olhos fixos em Harry em uma expressão de absoluta adoração . - Não deves ter conhecido muitos feiticeiros sérios - disse lhe , tentando animá o . Dobby abanou a cabeça . Em seguida , sem qualquer aviso , saltou e começou a bater furiosamente com a cabeça em a janela , gritando : - Dobby é mau ! Dobby é mau ! - Pára , o que é_que estás a fazer ? - perguntou Harry em um murmúrio sibilante , dando um salto e puxando Dobby de_novo para a cama . Hedwig acordara com um pio particularmente agudo e batia agressivamente com as asas contra as grades de a gaiola . - Dobby tinha que se castigar , meu senhor - afirmou o elfo , que ficara ligeiramente estrábico . - Dobby quase falou mal de a família de ele ... - De a tua família ? - De a família de feiticeiros que Dobby serve , meu senhor ... O Dobby é um elfo de casa , obrigado a servir uma casa e uma família para sempre . - Eles sabem que estás aqui ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Dobby estremeceu . - Oh , não senhor , não ... Dobby vai ter que se castigar muito por ter vindo vê o . Dobby vai ter que entalar as orelhas em a porta de o forno por isto . Se eles soubessem , senhor ... - Mas achas que eles não vão reparar se tu entalares as orelhas em a porta de o forno ? - Dobby duvida , senhor . Dobby está sempre a ter de se castigar por qualquer coisa . Eles deixam que o Dobby se castigue . _ às_vezes até sugerem alguns castigos extra . - Mas por_que é_que não te vais embora , não foges ? - Um elfo de casa tem de ser libertado , senhor . E a família nunca libertará Dobby . Dobby servirá a família até morrer . Harry olhou para ele . - E eu que pensava que era infeliz por ter de ficar aqui mais quatro semanas - declarou . - Isto faz os Dursleys parecerem quase humanos . Será que ninguém te pode ajudar ? Poderei eu ? Em o mesmo momento , Harry desejou não ter aberto a boca . Dobby desfez se em ruidosos soluços de gratidão . - Por favor - murmurou Harry , inquieto . - Por favor , está calado . Se os Dursleys ouvem barulho , se eles sabem que estás aqui ... - Harry_Potter pergunta se pode ajudar Dobby . Dobby ouviu falar de a sua grandeza , mas de a sua bondade , Dobby nada sabia . Harry , que se sentia corar , disse : - Seja o que for que tenhas ouvido sobre a minha grandeza , é um disparate . Nem_sequer sou o melhor de o meu ano em Hogwarts . É a Hermione . Ela ... Mas calou se rapidamente porque pensar em Hermione era lhe doloroso . - Harry_Potter é humilde e modesto - disse Dobby reverentemente , com os seus olhos de globo avermelhados . - Harry_Potter não fala de a sua vitória sobre « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . - Voldemort ? - perguntou Harry . Dobby bateu com as mãos em as enormes orelhas e gemeu : - Ai não diga o nome , senhor . Não diga o nome ! - Desculpa - disse Harry muito depressa . - Eu sei que muita gente não gosta . O meu amigo Ron ... Calou se de_novo . Pensar em o Ron era igualmente doloroso . Dobby voltou para Harry os seus dois olhos grandes como candeeiros . - Dobby ouviu dizer - balbuciou com voz rouca - que Harry_Potter encontrou o Senhor_do_Mal uma segunda vez há poucas semanas atrás ... que Harry_Potter lhe escapou de_novo . Harry acenou e os olhos de Dobby encheram se de lágrimas . - Ah , senhor - disse em um sobressalto , limpando o rosto com a ponta de a fronha de almofada que tinha vestida . - Harry_Potter é valente e arrojado . Enfrentou tantos perigos ! Mas Dobby veio protegê o , avisar Harry_Potter , mesmo_que para isso tenha de entalar as orelhas em a porta de o forno , que Harry_Potter não deve voltar para Hogwarts . Houve um silêncio apenas quebrado por o ruído de os garfos e de as facas lá em baixo e por a voz distante de o tio Vernon . - O q-q-uê ? - gaguejou Harry . - Mas eu tenho de voltar , o ano começa em o dia um de Setembro . É a minha razão de viver . Tu não sabes como são as coisas aqui . Eu não pertenço a este lugar , o meu lugar é em Hogwarts . - Não , não , não - guinchou Dobby , sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas andavam de um lado para o outro . - Harry_Potter deve ficar aqui , onde se encontra a salvo . É demasiado grande , demasiado bom para se perder . Se Harry_Potter regressar a Hogwarts correrá perigo de vida . - Porquê ? - inquiriu Harry , surpreendido . - Há uma conspiração , Harry_Potter . Uma conspiração para fazer acontecer coisas terríveis este ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts - murmurou Dobby que começara a tremer de a cabeça a os pés . - Dobby sabe de isto há meses , senhor . Harry_Potter não deve expor se a o perigo . É demasiado importante . - Que coisas terríveis são essas ? - perguntou Harry sem perder tempo . - Quem está por detrás ? Dobby fez um ruído esquisito e começou a bater com a cabeça contra a parede como um louco . - Está bem - gritou Harry , agarrando o braço de o elfo para o fazer parar . - Não podes dizer , eu compreendo . Mas porque vieste avisar me ? - Um pensamento súbito e desagradável surgiu lhe . - Espera aí , isto tem alguma coisa que ver com o Vol , desculpa com o Quem nós sabemos ? Basta que faças sim ou não com a cabeça - acrescentou com vivacidade enquanto a cabeça de Dobby se inclinava de_novo a uma velocidade preocupante para a parede . Lentamente , Dobby abanou a cabeça . - Não , não é « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . Os olhos de Dobby estavam abertos como_se estivesse a tentar dar a Harry uma pista , mas Harry estava completamente a a nora . - Ele não tem nenhum irmão , ou tem ? Dobby abanou a cabeça , os olhos mais abertos do_que nunca . - Bem , em esse caso não estou a ver quem mais poderia ter a possibilidade de fazer acontecer coisas horríveis em Hogwarts - disse Harry . - Quero dizer , para já está lá o Dumbledore . Sabes quem é Dumbledore , não sabes ? Dobby baixou a cabeça . - Albus_Dumbledore é o melhor director que Hogwarts alguma vez teve . Dobby sabe , senhor . Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore rivalizam com os d'aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Mas , senhor - a voz de Dobby desceu a um urgente murmúrio - há poderes que Dumbledore não ... poderes que nenhum feiticeiro sério ... E antes que Harry conseguisse impedi o Dobby saltou de a cama , agarrou o candeeiro de secretária de Harry e começou a bater com a cabeça , dando uivos ensurdecedores . Fez se silêncio lá em baixo . Dois segundos mais tarde , Harry com o coração a bater como um louco , ouviu o tio Vernon chegar a o * hall * e dizer . - O Dudley deve ter deixado outra_vez a televisão ligada , o maroto ! - Depressa , para dentro de o guarda-fatos - gritou Harry , empurrando Dobby bem para o fundo , fechando a porta e metendo se a correr em a cama mesmo a_tempo_de ver a maçaneta de a porta a girar . - Que diabo estás tu a fazer ? - disse o tio Vernon entre dentes , o rosto assustadoramente próximo de o de Harry . - Acabas de estragar o ponto alto de a minha anedota de o golfista japonês . Eu que oiça mais um som e vais desejar nunca ter nascido , rapaz ! Abandonou o quarto com grandes passadas . A tremer , Harry deixou Dobby sair de o guarda-fatos . - Estás a ver como são as coisas por aqui ? - disse . - Vês porque tenho de voltar para Hogwarts ? É o único sítio onde eu tenho ... bem , onde eu acho que tenho amigos . - Amigos que nem_sequer escrevem a Harry_Potter ? - disse Dobby com ar manhoso . - Calculo que devem ter estado ... espera aí - disse Harry , franzindo a testa . - Como é_que tu sabes que os meus amigos não me têm escrito ? Dobby arrastou os pés . - Harry_Potter não deve zangar se com Dobby . Dobby fez o que achou melhor ... - Tu tens estado a interceptar me as cartas ? - Dobby tem as aqui , senhor - disse o elfo . Saltando para longe de o alcance de Harry , retirou de dentro de a fronha que usava um espesso saco cheio de envelopes . Harry reconheceu de imediato a caligrafia certinha de Hermione , a escrita desordenada de Ron e até uns gatafunhos que pareciam ser de o guarda de os campos de Hogwarts , Hagrid . Dobby piscava ansiosamente os olhos . - Harry_Potter não deve ficar zangado ... Dobby esperava que ... se Harry_Potter pensasse que os amigos o tinham esquecido ... Harry_Potter talvez não quisesse voltar a a escola , senhor . Harry não o ouvia . Fez um gesto para agarrar as cartas , mas Dobby deu um salto , afastando se . - Harry_Potter terá as cartas , senhor , se der a Dobby a sua palavra de não voltar a Hogwarts . Ah , senhor , é um risco que não deve correr . Diga que não volta , senhor ! - Não - afirmou Harry zangado . - Dá me as cartas de os meus amigos ! - Em esse caso , Harry_Potter deixa Dobby sem escolha - disse o elfo tristemente . Antes que Harry pudesse fazer um movimento , Dobby tinha aberto a porta de o quarto e descido a correr por as escadas abaixo . Com a boca seca e um aperto em o estômago , Harry correu atrás de ele , tentando não fazer barulho . Saltou os últimos seis degraus , aterrando como um gato em a carpete de o * hall * , olhando em volta a a procura de Dobby . De a sala de jantar , ouviu a voz de o tio Vernon : - Conte a a Petúnia aquela história engraçadíssima de os funileiros americanos , ela tem estado louca por ouvi a , Mr._Mason . Harry correu de o * hall * para a cozinha e sentiu o estômago ficar pequenino . O pudim , que era a a obra-prima de a tia Petúnia , a montanha de creme batido coberto de violetas de açúcar flutuava junto de o tecto . Em cima de o guarda-louça de o canto , Dobby inclinava se servilmente . - Não - suplicou Harry . - Por favor , eles matam me . - Harry_Potter deve dizer que não vai voltar a a escola ... - Dobby , por favor . - Diga , senhor . - Não posso . Dobby lançou lhe um olhar trágico . - Então , Dobby deve fazê o , senhor , para o bem de Harry_Potter . O pudim foi direito a o chão em uma queda que parecia um coração a parar . O crome esguichou para as janelas e para as paredes , enquanto o prato se despedaçava . Com o ruído de uma chicotada , Dobby desapareceu . Ouviram se gritos em a casa de jantar e o tio Vernon irrompeu por a cozinha onde foi dar com Harry coberto , de a cabeça a os pés , por o pudim de a tia Petúnia . A princípio parecia que o tio Vernon ia conseguir arranjar uma desculpa para aquilo tudo . ( É só o nosso sobrinho , muito perturbado ; conhecer pessoas estranhas deixa o muito nervoso , por isso deixamos o lá em cima ... ) Conduziu_os_Mason , bastante chocados , para a sala de jantar , garantindo a Harry que o esfolava vivo quando os Mason se fossem embora e pôs lhe em as mãos um esfregão . A tia Petúnia descobriu um resto de gelado em o frigorífico e Harry , ainda a tremer , começou a limpar a cozinha . O tio Vernon poderia ainda ter feito o negócio , se não fosse a coruja . Estava a tia Petúnia a circular com uma caixa de After-Eight , quando uma enorme coruja de celeiro fez a sua entrada vertiginosa através de a janela de a casa de jantar , deixando cair uma carta em a cabeça de Mr._Mason e desaparecendo logo_a_seguir . Mrs._Mason gritava como uma carpideira e corria por a casa praguejando contra os lunáticos . Mr._Mason ficou o tempo estritamente necessário para dizer a os Dursleys que a mulher tinha um medo pânico de pássaros de todas_as formas e tamanhos e perguntar lhes se aquela era alguma brincadeira de mau gosto . Harry não saiu de a cozinha , agarrando o esfregão como defesa , enquanto o tio Vernon avançava para ele com um brilho demoníaco em os olhos pequeninos . - Lê isso - ordenou maldosamente . Harry pegou em a carta . Não era a desejar lhe um bom aniversário . * _ Caro_Mr._Potter , * _ Recebermos hoje informações de que um feitiço de suspensão em o ar foi efectuado em sua casa esta noite , a as nove_horas_e_doze_minutos . * _ Como sabe , os feiticeiros menores não estão autorizados a praticar magia fora de a escola e , se efectuar mais um trabalho mágico , será expulso de a nossa escola . ( Decreto_de_Restrições_Razoáveis_para_Feitiçaria_de_Menores , 1875 , parágrafo C. ) * _ Pedimos-lhe também que se lembre que qualquer actividade que possa ser notada por membros alheios a a nossa comunidade ( Muggles ) constitui uma ofensa grave , segundo a secção 13 de a Confederação_Internacional_do_Estatuto_da_Magia_Secreta . * _ Tenha umas boas férias . * Atenciosamente_Mafalda_Hopkirk_Gabinete_da_Utilização_Imprópria_da_Magia_Ministério_da_Magia * . Harry olhou para a carta e engoliu em seco . - Tu não nos contaste que estavas proibido de usar magia fora de a escola - disse o tio Vernon com um brilho maldoso a dançar lhe em os olhos . - Esqueceste te de o mencionar , passou te , não foi ? Tinha se aproximado de Harry como um grande * bulldog * , com todos os dentes a a mostra . - Tenho boas notícias para ti , rapaz , vou fechar te a a chave e , se tentares sair através_de magia , nunca mais voltas a aquela escola , eles expulsam te . E rindo como um louco , arrastou Harry até a o andar de cima . O tio Vernon era mau como as cobras . Em a manhã seguinte pagou a um homem para colocar grades em a janela de o quarto de Harry . Ele próprio abriu um pequeno buraco em a porta de o quarto para que a comida pudesse ser introduzida três vezes por dia . Deixavam o Harry sair para ir a a casa_de_banho de manhã e a o final de a tarde . O resto de o tempo estava fechado em o quarto , a a espera que o tempo passasse . Três dias mais tarde , os Dursleys não mostravam qualquer intenção de abrandar o castigo e Harry não sabia como sair de aquela situação . Estava deitado em a cama , vendo o sol brilhar por_entre as grades de a janela e perguntando se tristemente o que viria a acontecer lhe . Qual era a vantagem de sair de ali por artes mágicas , se Hogwarts o expulsaria em seguida ? Contudo , a vida em Privet_Drive tinha atingido o seu nível mais baixo . Agora_que os Dursleys tinham a certeza que não iam acordar transformados em morcegos , ele perdera a única arma que tinha . O Dobby podia tê o salvo de acontecimentos terríveis em Hogwarts , mas de a maneira que as coisas estavam , ele morreria muito provavelmente a a fome . A portinhola rangeu e a mão de a tia Petúnia apareceu empurrando uma tigela de sopa de pacote para dentro de o quarto . Harry , que estava cheio de fome , saltou de a cama e agarrou a . A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um único trago . A seguir , atravessou o quarto até a a gaiola de Hedwig e pôs os legumes ensopados dentro de o seu pratinho vazio . Ela agitou as penas e olhou o com profunda repugnância . - Não vale de nada virares lhe as costas . É tudo_o_que temos - disse Harry , de modo severo . Colocou a tigela vazia em o chão junto de a portinhola e voltou para_cima de a cama , de certo modo com mais fome do_que antes de ter comido a sopa . Admitindo que estaria ainda vivo dentro_de quatro semanas o que aconteceria se ele não se apresentasse em Hogwarts ? Será que mandariam alguém obrigar os Dursleys a deixá o ir ? O quarto começava a escurecer . Exausto e com o estômago a dar horas , o cérebro a as voltas com as mesmas questões sem resposta , Harry caiu em um sono intranquilo . Sonhou que fazia parte de um espectáculo de o jardim zoológico . Preso a a jaula onde se encontrava estava um cartaz onde podia ler se « feiticeiro menor de idade « . As pessoas olhavam o com olhos protuberantes , enquanto ele jazia fraco e esfomeado em um leito de palha . Viu a cara de o Dobby em o meio de a multidão e gritou lhe , pedindo ajuda , mas o Dobby respondeu : - Harry_Potter está em segurança aí , senhor - e desapareceu . Em seguida vieram os Dursleys e Dudley bateu em as grades de a jaula , rindo se de ele . - Pára com isso - murmurou Harry como_se aquele ruído martelasse em a sua cabeça dorida . - Deixa me em paz , pára com isso , estou a tentar dormir . Abriu os olhos . O luar brilhava através de as grades de a janela . E lá fora alguém olhava de olhos arregalados para ele : alguém de rosto sardento , cabelo ruivo e nariz grande . Ron_Weasley estava de o lado de_fora de a janela . III « A toca » Ron ! - exclamou Harry , arrastando se até a a janela e empurrando a para poderem falar através de as grades . - Ron , como é_que tu , foi o ... ? Harry ficou de boca aberta , espantado com o que viu . Ron estava debruçado de a janela de trás de um velho automóvel azul-turquesa que se encontrava estacionado em o ar . Em os lugares de a frente , rindo se para Harry , estavam os irmãos mais velhos , os gémeos Fred e George . - Tudo bem , Harry ? - O que é_que se tem passado ? - perguntou o Ron . - Porque não respondeste a as minhas cartas ? Convidei te para vires ter comigo umas doze vezes e um dia o pai chegou a casa e comunicou nos que tu tinhas recebido um aviso oficial por usares magia diante de os Muggles ... - Não fui eu . E como é_que ele soube ? - Ele trabalha em o Ministério - disse o Ron . - Tu sabes que nós não podemos fazer feitiços fora de a escola . - Bem , isso vindo de ti ... - exclamou Harry , olhando para o carro flutuante . - Oh , isto não conta - disse Ron . - Foi o meu pai que o emprestou . Não o fizemos aparecer por magia . Mas usar magia em a frente de esses Muggles com quem tu vives ... - Já te disse que não fui eu , mas vai demorar muito_tempo a explicar te isso agora . És capaz de avisar em Hogwarts que os Dursleys me fecharam a a chave e que não querem deixar me voltar e obviamente eu não posso sair de aqui magicamente senão o Ministério vai achar que é a segunda vez em três dias e ... - Pára com essa conversa tola - disse o Ron . - Viemos para te levar connosco . - Mas tu também não podes tirar me de aqui utilizando processos mágicos ... - Não precisamos de isso - afirmou Ron , fazendo um sinal de cabeça para os lugares de a frente . - Esqueces te de quem está aqui comigo . - Amarra isso em volta de as grades - disse o Fred , lançando a Harry a ponta de uma corda . - Se os Dursleys acordam estou feito - lamentou se Harry enquanto dava um nó bem apertado com a corda em uma de as grades e o Fred arrancava com o carro . - Não te preocupes e chega te para trás . Harry recuou para a sombra , para junto de Hedwig que parecia ter se apercebido de a importância de tudo aquilo , mantendo se quieta e em silêncio . O carro puxou mais e mais e , subitamente , com um ruído de ferro a ceder , as grades foram arrancadas de a janela , enquanto Fred conduzia com o céu como estrada . Harry correu de_novo para a janela para ver as grades a balouçarem a poucos metros de o chão . Ofegante , Ron içou as para dentro de o carro . Harry escutou ansiosamente mas não vinha qualquer som de o quarto de os Dursleys . Quando as grades estavam em segurança em os lugares de trás junto de Ron , Fred aproximou se o_máximo que lhe foi possível de a janela . - Anda de aí - disse . - Mas , todas_as minhas coisas de Hogwarts , a minha varinha , a minha vassoura ... - Onde estão ? - Fechadas em a despensa debaixo de as escadas e eu não posso sair de este quarto . . - Não há azar - disse o George . - Sai de a frente , Harry . Fred e George treparam cautelosamente e entraram por a janela em o quarto de Harry . Tinhas que ter aberto a boca , pensou Harry enquanto George tirava de o bolso um vulgar gancho de cabelo e começava a tentar abrir a fechadura . - Muitos feiticeiros acham que é uma perda de tempo aprender os truques de os Muggles - disse o Fred . - Mas nós pensamos que há habilidades que é sempre útil conhecer apesar_de serem um_pouco lentas . Ouviu se um pequeno clique e a porta abriu se . - Pronto , vamos buscar as tuas coisas . Tu vai dando a o Ron aquilo que precisas de aí de o teu quarto - murmurou George . - Cuidado com o degrau de cima que range - sussurrou Harry enquanto os gémeos desapareciam em o escuro . Harry deu a volta a o quarto , recolhendo as suas coisas e passando as por a janela a o Ron . Em seguida , foi ajudar o Fred e o George a trazerem o resto por as escadas acima . Ouviu o tio Vernon tossir . Por fim , de língua de_fora , chegaram a o quarto , junto de a janela aberta . Fred trepou para o carro para puxar os volumes com o Ron enquanto Harry e George os empurravam de dentro de o quarto . Centímetro a centímetro o malão foi passando por a janela . O tio Vernon tossiu de_novo . - Mais um_pouco - disse o Fred que estava a puxar de dentro de o carro . Um bom empurrão , vá . Harry e George encostaram os ombros contra a mala e ela escorregou para a parte de trás de o carro . - O. _ K. , vamos embora - murmurou o George . Mas quando Harry trepava para o parapeito de a janela ouviu se um forte pio atrás de ele , imediatamente seguido de o vociferar de o tio Vernon . - Aquela maldita coruja ! - Esqueci me de a Hedwig ! Harry precipitou se de_novo para o quarto , enquanto a luz de o patamar se acendia . Agarrou a gaiola de Hedwig , correu para a janela e passou a a o Ron . Estava a subir para_cima de a cómoda quando o tio Vernon bateu em a porta , que não estava fechada , e esta se abriu completamente . Por uma fracção de segundo , o tio Vernon ficou estático junto de a porta . Em seguida , soltou um mugido como um boi zangado e avançou para Harry , agarrando o por o tornozelo . Ron , Fred e George seguraram o por os braços e puxaram o com toda_a força . - Petúnia - rosnou o tio Vernon . - Ele está a fugir ! : __ ele está a __ fugir ! Os Weasleys deram um puxão gigantesco e a perna de o Harry escapou a as garras de o tio Vernon . Logo_que Harry entrou em o carro e a porta se fechou , Ron gritou : - Acelera Fred ! - E o carro partiu subitamente em direcção a a lua . Harry mal podia acreditar que estava livre . Esticou se a a janela , o ar de a noite a fustigar lhe os cabelos e olhou para baixo , para os telhados apertados de Privet_Drive . O tio Vernon , a tia Petúnia e o Dudley estavam todos debruçados com cara de parvos , a a janela de o quarto de ele . - Até a o próximo Verão - gritou . Os Weasleys riam se a as gargalhadas e Harry esticou se para trás em o assento e pediu a o ouvido de Ron : - Deixa sair a Hedwig . Ela pode voar atrás_de nós . Há séculos que não tem uma oportunidade de esticar as asas . George passou a o Ron o gancho de cabelo e , um momento depois , a Hedwig saíra feliz por a janela , planando atrás de eles como um fantasma . - Então , qual é a história ? - perguntou Ron , impaciente . - O que é_que tem estado a acontecer ? Harry contou lhes tudo sobre o Dobby , o aviso de este e o fracasso de o pudim de violetas . Houve um longo silêncio quando ele se calou . - Isso cheira me a esturro - disse , por fim , o Fred . - Definitivamente misterioso - concordou George . - Então ele nem te disse quem está supostamente por detrás dessa trama toda ? - Acho que não podia - explicou Harry . - Já te disse , de cada_vez que estava quase a deixar escapar qualquer coisa , começava a bater com a cabeça em a parede . Viu Fred e George olharem um para o outro . - O quê ? Acham que ele estava a mentir me ? - perguntou Harry . - Bem - começou o Fred -- , coloquemos as coisas de o seguinte modo , os elfos de casa têm poderes mágicos próprios , mas geralmente não podem usá os sem a autorização de os seus donos . Eu acho que o bom de o Dobby foi enviado para evitar que voltasses para Hogwarts . Uma ideia de um engraçadinho . Haverá alguém em a escola com má vontade contra ti ? - Sim - responderam Harry e Ron , precisamente ao_mesmo_tempo . - Draco_Malfoy - explicou Harry . - Ele detesta me . - Draco_Malfoy ? - perguntou George , voltando se para trás . - O filho de o Lucius_Malfoy ? - Deve ser . Não é um nome muito vulgar , pois não ? - disse Harry . - Mas porquê ? - Ouvi o pai falar acerca de ele - confidenciou George . - Ele era um grande apoiante de o « Quem nós sabemos » . - E quando o « Quem nós sabemos » desapareceu - continuou o Fred , voltando a cara para olhar para Harry - o Lucius_Malfoy voltou , dizendo que não foi por vontade própria que fez o que fez . Monte de lixo . O pai acha que ele fazia parte de um círculo de amigos íntimos de o « Quem nós sabemos » . Harry já tinha ouvido esses boatos sobre a família de Malfoy e não o surpreenderam em absoluto . Malfoy fizera Dudley_Dursley parecer um rapazinho simpático , amável e sensível . - Não sei se os Malfoy têm um elfo de casa ... - afirmou Harry . - Bem , quem quer que o possua é sem dúvida uma antiga família de feiticeiros e deve ser rica - explicou Fred . - Sim . A mãe está sempre a desejar que pudéssemos ter um elfo de casa para passar a roupa a ferro - disse o George . - Mas só temos um velho vampiro piolhoso em o sótão e gnomos espalhados por o jardim . Os elfos de casa pertencem a as grandes casas senhoriais , a os castelos e lugares assim , não encontrarias um em a nossa casa ... Harry estava calado . Considerando que Draco_Malfoy tinha sempre as melhores coisas , que a sua família nadava em ouro de feiticeiros , era fácil imaginá o passeando se por uma enorme casa senhorial . Mandar o servo de a família evitar que Harry voltasse para Hogwarts também parecia exactamente o tipo de coisa que Malfoy poderia fazer . Teria Harry sido estúpido a o tomar Dobby a sério ? - De qualquer modo , ainda_bem que viemos buscar te - declarou Ron . - Eu começava a ficar seriamente preocupado por não responderes a nenhuma de as minhas cartas . A princípio pensei que a culpa fosse de a Errol ... - Quem é a Errol ? - A nossa coruja . Já é velhota . Não seria a primeira vez que adoecia durante uma entrega . Por isso , tentei pedir a Hermes emprestada ... - Quem ? - A coruja que os meus pais compraram a o Percy quando ele foi nomeado prefeito - respondeu Fred . - Mas o Percy não me a emprestou . Disse que precisava de ela . - O Percy tem andado com atitudes muito estranhas este Verão - comentou George franzindo a testa . - E tem mandado imensas cartas e passado um tempo infinito fechado em o quarto ... enfim , pode limpar se e polir um distintivo de prefeito todas_as vezes que se quiser ... Estás a conduzir demasiado para ocidente , Fred - acrescentou apontando para uma bússola em o painel de o automóvel . Fred girou o volante . - Então , o vosso pai sabe que têm o carro ? - perguntou Harry , quase adivinhando a resposta . - Er ... não - disse o Ron . - Ele tinha trabalho esta noite . Felizmente vamos poder pô o de_novo em a garagem , sem a mãe perceber que andámos a voar nele . - A propósito , o que faz o vosso pai em o Ministério_da_Magia ? - Trabalha em o Departamento mais chato - respondeu Ron . - A Divisão de utilização incorrecta de artefactos de os Muggles . - O quê ? - Relaciona se com objectos de feitiçaria que foram feitos por os Muggles ; sabes como é , se forem parar de_novo a uma loja de os Muggles , ou a uma casa , como em o ano passado , quando morreu uma bruxa velha e o bule de ela foi vendido a uma loja de antiguidades . Uma mulher Muggle comprou o , tentou servir chá a os amigos . Foi um pesadelo , o pai teve de fazer horas extraordinárias durante semanas . - O que é_que aconteceu ? - O bule parecia louco , esguichou chá a ferver para todos os lados e um de os homens foi parar a o hospital com a pinça de o açúcar presa em o nariz . O pai ficou nervosíssimo . É só ele e o velho feiticeiro Perkings em o gabinete e tiveram de localizar e descobrir todo o tipo de encantamentos para resolver o assunto . - Mas o teu pai ... este carro ... Fred riu se . - Sim , o pai é louco por tudo_o_que tem que ver com os Muggles . A nossa arrecadação está cheia de coisas de os Muggles . Ele separa as , lança lhes feitiços e volta a pô as em o lugar . Se ele fizesse uma busca a nossa casa teria de se prender a si mesmo . A minha mãe fica louca com tudo aquilo . - É a estrada principal - gritou o George , apontando para baixo através de a janela . - Dentro_de poucos minutos estamos lá , mesmo a tempo , está a começar a clarear . Um leve brilho rosado tingia o horizonte para leste . Fred trouxe o carro para baixo e Harry pôde ver uma manta de retalhos de campos escuros e matas de arbustos . - Estamos um_pouco longe de a vila - disse George . - Em Ottery_St . Catchpole ... O carro voador foi descendo a os poucos . A luz avermelhada brilhava agora por_entre as árvores . - Terra - disse o Fred , em o momento em que tocaram em o chão com um ligeiro solavanco . Tinham aterrado perto_de uma garagem em ruínas em um pequeno pátio e Harry viu pela_primeira_vez a casa de o Ron . Parecia ter sido em tempos uma pocilga de pedra . Mas os quartos que posteriormente lhe tinham sido acrescentados haviam a tornado bastante mais alta e o seu aspecto era tão curvado que parecia ter sido construída por artes mágicas ( o que , pensou Harry , era , muito provavelmente , verdade ) . De o telhado vermelho saíam quatro ou cinco chaminés . Junto de a entrada , fixa em o chão , podia ver se uma inscrição assimétrica que dizia « A toca » . A o lado de a porta principal estava uma contusão de botas de * _ Wellington * e um caldeirão completamente enferrujado . Por o pátio passeavam se várias galinhas castanhas e gordas . - Não é grande coisa - desculpou se o Ron . - É óptima - exclamou Harry , feliz , pensando em Privet_Drive . Saíram de o carro . - Agora vamos lá para_cima sem fazer barulho - disse o Fred . - E esperamos que a mãe nos chame para o pequeno-almoço . Depois tu , Ron , desces a escada entusiasmadíssimo . - Mãe , olha quem apareceu cá durante a noite ! - E ela vai sentir se felicíssima quando vir o Harry . Assim ninguém fica a saber que levámos o carro voador . - Certo - disse o Ron . - Vamos , Harry , eu durmo em o ... Ron ganhou uma cor de um pálido esverdeado , os olhos fixos em a casa . Os outros três fizeram meia volta . Mrs._Weasley avançava por o pátio , afugentando as galinhas e , para uma mulher baixa , roliça e simpática , era fantástico como conseguia parecer se com um tigre dentes-de-sabre . - Ah ! - suspirou o Fred . - Oh , oh ! - exclamou o George . Mrs._Weasley parou em frente de eles . As mãos em as ancas , saltando de um olhar culpado para o outro . Usava um avental a as flores , com uma varinha a sair lhe de o bolso . - Com que então - disse . - Bom dia , mãe - arriscou o George com uma voz que tentou que fosse alegre e bem-disposta . - Vocês têm alguma ideia de como tenho estado preocupada ? - perguntou Mrs._Weasley em um murmúrio fraco . - Desculpe , mãe , mas sabe , nós tivemos que ... Os três filhos de Mrs._Weasley eram mais altos do_que ela , mas tremiam quando a fúria de a mãe se abatia sobre eles . - Camas vazias ! Nem um bilhete ! O carro desaparecido ... Podiam ter tido um acidente , estou fora de mim com tanta preocupação e vocês nem se importam ... nunca , enquanto eu for viva ... esperem só até o vosso pai chegar , nunca tivemos problemas de estes com o Bill , com o Charlie ou com o Percy ... - O perfeito Percy - resmungou Fred . - : __ tu não vales um dedo de a mão de o __ percy ! - gritou Mrs._Weasley , espetando um dedo em o queixo de o Fred . - Podias ter morrido , podias ter sido visto , podias ter feito com que o teu pai perdesse o emprego ... Parecia nunca mais acabar . Mrs._Weasley tinha gritado até ficar ronca , antes de se voltar para o Harry , que recuou . - Estou muito contente por te ver , Harry - disse . - Entra e vem tomar o pequeno-almoço . Ela voltou se e regressou a casa e Harry , depois de trocar um olhar nervoso com o Ron , que lhe acenou , encorajando o , seguiu a . A cozinha era pequena e bastante estreita . A meio havia uma enfezada mesa de madeira e cadeiras em volta e Harry sentou se a a beirinha de o assento , olhando em volta . Era a primeira vez que entrava em uma casa de feiticeiros . O relógio em a parede em frente de ele , tinha apenas um ponteiro e nenhum número . Em volta , estavam escritas frases como « Hora de fazer o chá » , « Hora de dar de comer a as galinhas « e « Estás atrasado » . Empilhados em o rebordo de a lareira estavam livros com títulos como * _ Encanta o teu próprio queijo , Encantamento em a cozedura de o pão e Banquetes em um minuto - é mágico * ! E , a menos que os ouvidos de Harry estivessem a traí o , o velho rádio próximo de o lava-loiças acabara de anunciar que a seguir vinha a Hora de enfeitiçar com a popular feiticeira-cantora Celestina_Warbeck . Mrs._Weasley fazia barulho com os talheres , preparando o pequeno-almoço um bocado a o acaso , lançando olhares furiosos a os filhos , enquanto lançava as salsichas em a frigideira . De vez em quando murmurava coisas como : « Não sei o que vos passou por a cabeça « ou « nunca devia ter confiado em vocês » . - Eu não te culpo , filho - tranquilizou Harry , pondo lhe sete ou oito salsichas em o prato . - Eu e o Arthur temos estado preocupados contigo . Ainda ontem a a noite estivemos a dizer que te iríamos buscar nós próprios se não respondesses a o Ron até sexta-feira . Mas , em a verdade ( estava agora a acrescentar três ovos estrelados a o prato de ele ) , atravessar metade de o país a voar em um carro ilegal , qualquer um vos poderia ter visto ... Agitou maquinalmente a varinha em a direcção de o lava-loiças , onde a loiça começou a lavar se sozinha , tinindo baixinho lá atrás . - Estava enevoado , mãe ! - exclamou o Fred . - Boca fechada enquanto comes ! - interrompeu Mrs._Weasley . - Eles estavam a fazê o passar fome , mãe ! - disse o George . - E tu também ! - disse Mrs._Weasley , mas já foi com uma expressão mais doce que começou a cortar o pão para Harry e a barrá o com manteiga . Em esse momento , as atenções voltaram se para um pequenino volto de cabelos ruivos , em uma camisa de dormir até a os pés , que surgiu em a cozinha , deu um grito agudo e desapareceu de_novo . - É a Ginny - disse Ron baixinho a o Harry -- , a minha irmã . Tem falado de ti todo o Verão . - Sim , ela vai querer o teu autógrafo , Harry - riu se o Fred , mas o seu olhar cruzou se com o de a mãe e inclinou se para o prato , não voltando a abrir a boca . Ninguém falou até os quatro pratos estarem limpos , o que sucedeu a uma velocidade surpreendente . - Bolas , estou cansado - bocejou Fred , pousando a faca e o garfo . Acho que me vou deitar e ... - Não vais , não senhor - interrompeu Mrs._Weasley . - A culpa é tua se ficaste toda_a noite acordado . Vais fazer a des-gnomização de o jardim . Eles estão outra_vez a exagerar . - Oh , mãe ... - E vocês os dois o mesmo - dirigiu se a o Ron e a o Fred . - Tu podes ir para a cama , filho - disse a Harry . - Não lhes pediste que guiassem aquele carro miserável . Mas Harry , que se sentia acordadíssimo , respondeu prontamente : - Eu ajudo o Ron , nunca vi uma des-gnomização ... - É muito simpático de a tua parte , querido , mas é um trabalho chato - explicou Mrs._Weasley . - Vejamos o que o Lockhart tem a dizer acerca disto . E puxou de o rebordo de a lareira um livro pesadíssimo . George resmungou : - Mãe , nós sabemos * des-gnomizar * o jardim . Harry olhou para a capa de o livro de Mrs._Weasley . Em grandes letras douradas , que ocupavam grande parte de a capa , podia ler se Guia_de_Gilderoy_Lockhart para pragas caseiras . Via se também a grande fotografia de um feiticeiro bem-parecido , de cabelos loiros ondulados e olhos azuis brilhantes . Como sempre , em o mundo de os feiticeiros , a fotografia mexia se . O feiticeiro , que Harry calculou ser Gilderoy_Lockhart , não parava de lhes piscar os olhos descaradamente . Mrs._Weasley sorriu lhe . - Oh , ele é fantástico - disse . - Conhece bem as pragas caseiras . É um livro maravilhoso . - A mãe adora o - disse Fred em um murmúrio bastante audível . - Não sejas ridículo , Fred - repreendeu Mrs._Weasley com as bochechas coradas . - É claro que se achas que sabes mais do_que o Lockhart , podes ir fazer o trabalho e ai de ti se houver um único gnomo em o jardim quando eu for fazer a inspecção . A bocejar e a resmungar , os Weasley arrastaram se lá para fora com Harry atrás de eles . O jardim era grande e , em a opinião de Harry , exactamente como deveria ser um jardim . Os Dursleys não teriam gostado . Havia uma enorme quantidade de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada , mas havia árvores nodosas em volta de as paredes , plantas que Harry nunca vira , tombando de todos os canteiros e um grande lago verde cheio de rãs . - Os Muggles também têm gnomos de jardim , sabes - disse o Harry a o Ron , enquanto atravessavam a relva . - Sim , já vi essas coisas que eles pensam que são gnomos - disse o Ron todo dobrado , com a cabeça em uma moita de peónias . - Como os Pais_Natais gordinhos com canas de pesca ... Houve um tumulto ruidoso , a moita de peónias estremeceu e Ron endireitou se . - Isto_é um gnomo - declarou com um ar sério . - Larga eu ! Larga eu ! - guinchou o gnomo . Não se parecia em absoluto com o Pai_Natal . Era pequenino e parecia de couro , com uma grande cabeça protuberante e calva , precisamente como uma batata . Ron agarrou o a a distância de um braço , enquanto ele dava pontapés em o ar com os seus pézinhos que pareciam chifres . Agarrou o por os tornozelos e voltou o de pernas para o ar . - Isto_é o que tens de fazer - disse . Levantou o gnomo acima de a cabeça ( Larga eu ! ) e começou a balouçá o em grandes círculos , como os vaqueiros fazem com os laços . A o ver a expressão chocada de Harry , Ron explicou : - Não os mágoa . Só tens de os deixar bem tontos para que consigam encontrar o caminho de regresso a os buracos de os gnomos . Largou os tornozelos de o gnomo . Ele voou seiscentos metros e aterrou com um ruído surdo em o campo a o lado de a sebe . - Deplorável - afirmou o Fred . - Aposto que consigo lançar o meu para_além de aquele tronco . Harry aprendeu rapidamente a não sentir muita pena de os gnomos . Decidira largar o primeiro que apanhou para_além de a sebe , mas o gnomo , sentindo fraqueza , enfiou os seus dentinhos , aguçados como laminas , em o dedo de o Harry e não foi fácil sacudi o para ele o largar , até que ... - Uau , Harry , esse deve ter sido seiscentos metros ... O ar estava subitamente cheio de gnomos voadores . - Vês , eles não são muito espertos - afirmou o George , agarrando cinco ou seis de uma_vez . - Em o momento em que se apercebem que começou a * des-gnomização * , aparecem todos para espreitar . Era de esperar que já tivessem aprendido a ficar quietinhos . Rapidamente a multidão de gnomos começou a ir se embora , atravessando os campos em uma fila ordenada , com os pequeninos ombros arqueados . - Eles voltam - disse o Ron enquanto os via desaparecer em a sebe de o outro lado de o campo . - Eles adoram estar aqui ... o pai é muito mole com eles , acha lhes piada . Em esse momento , a porta de a frente bateu . - Ele já voltou ! - exclamou o George . - O pai já está em casa ! Apressaram se a entrar . Mr._Weasley tinha se afundado em uma de as cadeiras de a cozinha , sem óculos e com os olhos fechados . Era um homem magro , quase calvo , mas o pouco cabelo que tinha era tão ruivo como o de os filhos . Vestia um longo manto verde cheio de pó e estava cansado de a viagem . - Que noite - murmurou , tacteando em busca de o bule , enquanto todos se sentavam a a volta de ele . - Nove assaltos , nove ! E o velho Mundungs_Fletcher tentou lançar me um feitiço quando eu estava de costas . Mr._Weasley tomou um bom gole de chá e suspirou . - Encontrou alguma coisa , pai ? - perguntou Fred ansiosamente . - Só encontrei algumas chaves encolhidas e uma chaleira que mordia - bocejou Mr._Weasley . - Havia um material bastante mauzinho , mas não era de o meu departamento . O Mortlake foi levado para ser interrogado sobre uns furões extremamente antigos , mas isso pertence a a Comissão_dos_Feitiços_Experimentais , graças_a Deus . - Por_que é_que alguém ia dar se a o trabalho de fazer encolher chaves ? - perguntou George . - Para chatear os Muggles - suspirou Mr._Weasley . - Vende se lhes uma chave que não pára de encolher , até que desaparece , de_modo_a que nunca a encontrem quando precisam ... É claro que é muito difícil condenar alguém , porque nenhum Muggle é capaz de admitir que a sua chave está a encolher , insistem em que estão sempre a perdê a . Benditos sejam , vão até onde for preciso para ignorar a magia , mesmo_que ela esteja em frente de os seus narizes ... mas vocês não acreditariam em as coisas que o nosso grupo tem levado para enfeitiçar ... - : __ como carros , por __ exemplo ? Mrs._Weasley tinha aparecido , segurando um grande atiçador que parecia uma espada . Os olhos de Mr._Weasley abriram se de repente , fitando a mulher com um ar culpado . - C-carros , Molly querida ? - Sim , Artur , carros - afirmou Mrs._Weasley , os olhos a faiscar . - Imagina um feiticeiro a comprar um carro velho e enferrujado e dizer a a mulher que a única coisa que queria fazer com ele era desmontá o para ver como ele funcionava , enquanto em a verdade estava a enfeitiçá o para o fazer voar . Mr._Weasley piscou os olhos . - Bem , querida , acho que poderás constatar que não é ilegal fazer isso , embora , er , talvez ele devesse ter contado a verdade a a mulher ... Existe uma forma de tornear a lei , já_que ela diz que ... desde_que não se tenha a * intenção * de voar em o carro , o facto de ele poder voar , não ... - Arthur_Weasley tu arranjaste essa forma de tornear a lei quando a escreveste ! - gritou Mrs._Weasley . - Para poderes continuar a remexer em todo aquele lixo de os Muggles que tens em a arrecadação ! E , para tua informação , o Harry chegou hoje_de_manhã em o carro que tu não pretendias pôr a voar ! - Harry ? - perguntou Mr._Weasley sem expressão . - Qual Harry ? Olhou em volta , viu Harry e deu um salto . - Santo_Deus , é Harry_Potter ? Muito prazer , o Ron falou nos tanto de si ... - * _ O teu filho conduziu aquele carro até a a casa de o Harry e de volta até aqui em a noite passada ! * - gritou Mrs._Weasley . - O que tens a dizer a esse respeito ? - A sério ! ? - exclamou Mr._Weasley com vivacidade . - Correu tudo bem , quero dizer ... - vacilou a o ver os olhos de Mrs._Weasley que faiscavam . - Er , fizeram mal , rapazes , muito mal , mesmo ... - Vamos deixá os a os dois - murmurou o Ron , enquanto Mrs._Weasley inchava como um sapo gigantesco . - Vamos , vou mostrar te o meu quarto . Esgueiraram se de a cozinha e desceram uma passagem estreita que dava para uma escada desnivelada que ziguezagueava a o longo de a casa . Em o terceiro andar , estava uma porta entreaberta . Harry só teve tempo de ver um par de olhos castanhos brilhantes que o olhavam fixamente , antes de a porta se fechar com um estalido . - A Ginny - disse o Ron . - Não imaginas como é estranho vês a tão tímida , ela que quase nunca se cala ... Subiram mais dois andares , até chegarem a uma porta com a tinta a descascar e uma pequena placa dizendo : « Quarto_do_Ronald » . Harry entrou . A cabeça quase tocava em o tecto inclinado . Piscou os olhos . Era como entrar dentro_de uma fornalha : quase tudo em o quarto de o Ron tinha um violento matiz alaranjado : a colcha de a cama , as paredes , até o tecto . Em seguida , apercebeu se de que o Ron tinha coberto cada centímetro de o velho papel de parede com * posters * de as mesmas sete feiticeiras e feiticeiros , todos vestidos com brilhantes mantos cor de laranja , transportando vassouras e acenando entusiasticamente . - A tua equipa de Quidditch ? - perguntou Harry . - Os Chudley_Cannons - disse Ron , apontando para a colcha cor de laranja que tinha um brasão com dois C's gigantes e uma bala de canhão a_toda_a velocidade . - Nono em a Liga . Os livros de estudo de feitiços de Ron estavam empilhados desordenadamente a um canto , junto de um monte de B. _ D. , todas elas relativas a as * _ Aventuras_de_Martin_Miggs , o Muggle louco * . A varinha mágica de o Ron estava em_cima_de um aquário cheio de ovos de rã sobre o peitoril de a janela , junto de o seu rato gordo e cinzento , Scabbers , que dormia uma soneca a o sol . Harry passou por_cima_de um baralho de cartas de jogar com vontade própria , que estava caído em o chão , e olhou para fora de a janelinha . Em o campo , não muito longe , podia ver um grupo de gnomos a esgueirarem se , um a um , de_novo para a sebe de os Weasley . Em seguida , voltou se para Ron que o observava nervoso , como_se esperasse a opinião de ele . - É um_pouco pequeno - declarou o Ron muito depressa . - Não se parece nada com o quarto que tu tinhas em casa de os Muggles . E estou mesmo debaixo de o vampiro de o sótão . Ele anda sempre a bater nos canos e a gemer ... Mas Harry , com um grande sorriso , disse lhe : - Esta é a melhor casa em que eu já estive . As orelhas de Ron ficaram cor-de-rosa . IV_Na_Flourish and Blotts_A vida em a Toca era o mais diferente que é possível de a vida em Privet_Drive . Os Dursleys gostavam de tudo limpo e arrumado , em casa de os Weasleys explodia o estranho e o inesperado . Harry teve um choque de a primeira vez que olhou para o espelho que estava sobre a lareira de a cozinha e ele gritou : - Mete para dentro a camisa , * desmazelado ! * - O vampiro de o sótão gemia e batia nos canos , sempre_que sentia as coisas demasiado calmas e as pequenas explosões em o quarto de o Fred e de o George , eram consideradas perfeitamente normais . Mas o que o Harry achou mais bizarro em a vida em casa de o Ron , não foi o espelho que falava , nem o vampiro barulhento , foi o facto de todos ali em casa parecerem gostar de ele . Mrs._Weasley preocupava se com o estado de as suas meias e tentava obrigá o a servir se quatro vezes a cada refeição . Mr._Weasley gostava que Harry se sentasse a o lado de ele a a mesa para poder bombardeá o com perguntas sobre a vida com os Muggles , pedindo que lhe explicasse como funcionavam coisas como as canalizações e o serviço de os correios . - Fascinante ! - exclamava , enquanto Harry lhe explicava a utilização de o telefone . - Engenhoso , de facto , todas_as maneiras que os Muggles encontraram para passar sem a magia . Harry teve notícias de Hogwarts em uma manhã de sol , cerca de uma semana depois de ter chegado a a Toca . Quando , ele e o Ron desceram para tomar o pequeno-almoço , encontraram Mr. e Mrs._Weasley e Ginny já sentados a a mesa . Em o momento em que viu o Harry , Ginny entornou a tigela de os cereais , que caiu a o chão com grande espalhafato . Ginny entornava facilmente coisas sempre_que o Harry estava em a sala . Mergulhou debaixo de a mesa para apanhar a tigela e emergiu com o rosto a brilhar como o sol poente . Fingindo não ter dado por nada , Harry sentou se e aceitou a torrada que Mrs._Weasley lhe ofereceu . - Cartas de a escola - disse Mr._Weasley , passando a o Harry e a o Ron envelopes idênticos de pergaminho amarelado , com a morada escrita a tinta verde . - O Dumbledore já sabe que estás aqui , Harry , não perde nada aquele homem . Vocês os dois também - acrescentou , enquanto Fred e George deambulavam em a casa , ainda em pijama . Fez se silêncio durante alguns momentos , enquanto liam as respectivas cartas . A de o Harry dizia para apanhar o Expresso_de_Hogwarts , como sempre em a Estação_de_King's_Cross , em o dia_1_de_Setembro . Havia ainda uma lista de os livros que precisaria para o próximo ano . Os alunos de o segundo ano deverão ter : * _ O_Livro_Padrão_de_Feitiços , Grau 2 , por Miranda_Goshawk . * _ Ensinamentos_de_Uma_Fada_Carpideira , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Férias com Bruxas , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Duendes , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Lobisomens , por Gilderoy_Lockhart . * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves , por Gilderoy_Lockhart * . Fred , que terminara a sua própria lista , espreitou para a de o Harry . - Também te mandam comprar os livros de o Lockhart - disse . - A professora de defesa contra as artes negras deve ser fanática . Aposto que é uma bruxa . Nessa_altura , Fred percebeu o olhar de a mãe e apressou se a comer o doce de laranja . - Esse conjunto não vai ficar barato - disse George , olhando rapidamente para os pais . - Os livros de o Lockhart são de os mais dispendiosos ... - Cá nos havemos de arranjar - declarou Mrs._Weasley , mas parecia preocupada . - Espero que pelo_menos para a Ginny possamos arranjar uma data de coisas em segunda mão . - Ah , vais entrar este ano para Hogwarts ? - perguntou lhe Harry . Ela fez um aceno , corando até a a raiz de os cabelos ruivos e meteu o cotovelo em o pires de a manteiga . Felizmente ninguém deu por nada , a não ser o Harry , porque em esse momento o irmão mais velho de Ron , o Percy , entrou . Já estava vestido , com a placa de prefeito aplicada a a sua camisola de malha . - Bom dia a todos - disse , cheio de vivacidade . - Está um dia lindo . Puxou a única cadeira livre , mas deu um salto quando ia sentar se e , debaixo de ele , saltou um espanador cinzento de penas , pelo_menos , foi o que o Harry pensou até ver que ele respirava . - Errol ! - exclamou Ron , afastando a coruja de o Percy e retirando lhe debaixo de a asa uma carta . - Até que enfim , a resposta de a Hermione . Escrevi lhe a contar que íamos tentar raptar te de casa de os Dursleys . Levou Errol para um poleiro que havia junto a a porta de as traseiras e tentou colocá a lá em cima , mas Errol caiu redonda e Ron teve de a pôr em a pia , murmurando : - Patético . - Em seguida , abriu a carta de a Hermione e leu a em voz alta . * _ Querido_Ron e Harry , se aí estiveres . Espero que tudo tenha corrido bem , que o Harry esteja O. _ K. e que não tenham feito nada ilegal para conseguir trazes o , porque isso podia criar lhe problemas também a ele . Tenho estado muito preocupada e , se o Harry estiver bem , por favor digam me qualquer coisa rapidamente , mas talvez seja melhor usarem uma nova coruja , porque acho que outra entrega pode acabar como esta . * _ Estou muito atarefada com trabalho de a escola , claro * . - Como é possível ? - perguntou Ron , horrorizado . - Estamos em férias ! - * _ E vamos para Londres em a próxima quarta-feira para comprar os meus livros novos . Porque não nos encontramos em a Diagon-al ? * _ Dêem-me notícias vossas o mais depressa possível . * _ Carinhosamente_Hermione * - Bem , parece uma boa solução , podemos ir todos comprar as vossas coisas - disse Mrs._Weasley , começando a limpar a mesa . - O que vão fazer hoje ? Harry , Ron , Fred e George tinham planeado ir a o cimo de o monte a um pequeno cercado de cavalos que os Weasleys possuíam . Estava rodeado de árvores que lhe tapavam a vista de a cidade cá em baixo , o que quer_dizer que podiam praticar Quidditch , desde_que não voassem muito alto . Não podiam usar as verdadeiras bolas de Quidditch pois seria muito difícil explicar se elas escapassem e voassem sobre a cidade . Em vez de elas , lançavam maçãs para os outros apanharem . Faziam turnos para montar a Nimbus dois_mil , que era de longe a melhor vassoura . A velha Shooting_Star_de_Ron fora muitas_vezes ultrapassada por as borboletas que passavam . Cinco minutos mais tarde estavam a marchar por o monte acima , de vassouras a o ombro . Tinham perguntado a o Percy se ele queria juntar se a eles , mas ele alegara muito trabalho . Até esse dia , Harry só tinha visto Percy a a hora de as refeições , ele ficava em silêncio em o quarto o resto de o tempo . - Gostava de saber o que ele anda a fazer - afirmou Fred , de testa franzida . - Não parece o mesmo . O resultado de os exames veio um dia antes de tu chegares : doze N_F_V e ele nem se manifestou satisfeito . - Níveis_de_Feitiçaria_Vulgares - explicou o George , vendo o olhar atarantado de Harry . - Se não temos cuidado , ainda nos calha outro Chefe_de_Turma em a família . Acho que não suportaria a vergonha . Bill era o mais velho de os irmãos Weasley . Ele e o irmão a seguir , Charlie , já tinham saído de Hogwarts . Harry não conhecia nenhum de os dois , mas sabia que o Charlie estava em a Roménia a estudar dragões e o Bill em o Egipto a trabalhar em o banco de os feiticeiros : Gringotts . - Não sei como o pai e a mãe vão arranjar dinheiro para nos pagar o material escolar este ano - disse o George , passado um bocado . - Cinco conjuntos de livros de o Lockhart ! E a Ginny precisa de mantos e de uma varinha e tudo_isso ... Harry não disse nada . Sentiu se um_pouco incomodado . Fechada em um cofre subterrâneo , em o banco de Gringotts_de_Londres , estava uma pequena fortuna que os pais lhe tinham deixado . É claro que só tinha esse dinheiro em o mundo de os feiticeiros , não se podem usar Galeões , Leões e Janotas em as lojas de os Muggles . Ele nunca fizera referência a a sua conta bancária em Gringotts a os Dursleys . Não lhe parecia que o horror que eles sentiam por tudo_o_que se relacionava com a feitiçaria se estendesse a uma enorme pilha de barras de ouro . Mrs._Weasley acordou os a todos bem cedo , em a quarta-feira seguinte . Depois de comerem umas doze sanduíches de * bacon * cada_um , enfiaram os casacos e Mrs._Weasley tirou um vaso de a prateleira de o fogão de a cozinha e espreitou lá para dentro . - Está a acabar se , Arthur - suspirou . - Temos de comprar mais hoje ... Bem , os hóspedes primeiro . Passa , Harry querido ! E ofereceu lhe o vaso de flores . Harry olhou espantado enquanto todos eles o observavam . - O q-que é_que eu devo fazer ? - gaguejou . - Ele nunca viajou com o pó de Floo - disse o Ron subitamente . - Desculpa , Harry , esqueci me . - Nunca ? - perguntou Mrs._Weasley . - Mas então como chegaste a a Diagon - _ Al em o ano passado para comprar as tuas coisas ? -- Fui por o subterrâneo . - A sério ? - disse Mr._Weasley , entusiasmado . - Havia fugitivos ? Como é_que ... - Agora não , Arthur - disse Mrs . Weasley . - O pó de Floo é muito mais rápido , querido , mas , valha me Deus , se ele nunca o usou ... - Vai correr bem , mãe - disse o Fred . - Harry observa nos primeiro . Tirou uma pitada de pó brilhante de dentro de o vaso , aproximou se de o lume e lançou o pó em as chamas . Com um rugido , o fogo ficou verde-esmeralda e elevou se a uma altura superior a a de o Fred que avançou , gritando Diagon - _ Al ! E desapareceu . - Tens de falar claramente , filho - disse Mrs._Weasley a o Harry , ao_mesmo_tempo que George metia a mão em o vaso de as flores . - E vê se sais em o fogão certo . - Em o quê ? - perguntou Harry , nervoso , enquanto o lume crepitava e fazia George desaparecer também . - Bem , há imensos fogos de feiticeiros , mas desde_que te tenhas expressado claramente ... - Ele vai conseguir , Molly , não te preocupes - disse Mr._Weasley , tirando também ele algum pó . - Mas querido se ele se perde como é_que vamos justificar nos perante o tio e a tia de ele ... -- Eles não se importariam - tranquilizou a Harry . - O Dudley ia achar imensa piada se eu me perdesse em uma chaminé , não se preocupe . - Bem , em esse caso ... tu vais a seguir a o Arthur - disse Mrs._Weasley . - Logo_que entres em o fogo diz para_onde queres ir . - E mantém os cotovelos dobrados - preveniu o Ron . - E os olhos fechados - disse Mrs._Weasley . - A fuligem . - Não te enerves - disse o Ron . - Senão podes ir parar a a lareira errada . - Não entres em pânico e não queiras sair cedo de mais . Espera até veres o Fred e o George . Fazendo um enorme esforço por reter toda aquela informação , Harry tirou uma pitada de pó de Floo e avançou para a beirinha de o fogo . Respirou fundo , espalhou o pó em as chamas e entrou . O fogo parecia uma brisa quente . Abriu a boca e engoliu , de imediato , uma grande quantidade de cinzas quentes . D-dia-gon-al - tossiu . Sentiu se como_se estivesse a ser sugado para um buraco gigantesco . Como_se girasse muito depressa ... o ruído era ensurdecedor . Tentou manter os olhos abertos mas o turbilhão de chamas verdes fê lo enjoar ... algo duro bateu lhe em o cotovelo e dobrou o de imediato . Continuava a rodar , a rodar ... sentia se agora como_se várias mãos frias estivessem a bater lhe em a cara ... Espreitando através de os óculos , viu uma torrente imprecisa de fogões e captou lampejos de as salas que estavam por detrás ... as sanduíches de * bacon * davam lhe a volta dentro de o estômago ... fechou os olhos desejando que tudo aquilo parasse e então caiu , de cara em o chão , em a pedra fria e sentiu os óculos partirem se a os bocados . Desorientado e ferido , coberto de fuligem , pôs se cautelosamente de pé , levando a os olhos os óculos partidos . Estava completamente só e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava . Tudo_o_que podia dizer era que a o seu lado via uma lareira que lhe parecia ser a de uma enorme e indistinta loja de feitiçaria . Mas nenhum de os artigos que ali se encontravam tinham aspecto de fazer parte de a lista de a escola de Hogwarts . Em uma caixa de vidro podia ver se uma mão atrofiada que repousava sobre uma almofada , um baralho de cartas ensanguentado e um olho de vidro que o olhava fixamente . Máscaras de expressão maldosa enchiam as paredes , olhando de esguelha , uma enorme quantidade de ossos humanos estendia se sobre o balcão e , de o tecto , pendiam instrumentos aguçados com pontas de ferro e pregos enferrujados . Mas o pior é_que a rua estreita e escura , que Harry conseguia avistar através de a janela poeirenta de a loja , não era de modo algum a Diagon-al . Quanto_mais depressa saísse de ali , melhor . O nariz ainda a doer lhe em o sítio onde batera em o chão a o aterrar , Harry avançou rápida e silenciosamente em direcção a a porta , mas antes de conseguir chegar a meio caminho , duas pessoas apareceram de o lado de_fora de o vidro , e uma de elas era a última pessoa que Harry desejaria encontrar em o momento em que se encontrava perdido , coberto de fuligem e com os óculos partidos , Draco_Malfoy . Harry olhou rapidamente em volta e apercebeu se de a existência de um grande armário escuro a a sua esquerda , saltou lá para dentro e fechou as portas , deixando uma gretazinha para poder espreitar . Segundos depois , uma campainha tocava e Malfoy entrava em a loja . O homem que o acompanhava só podia ser o pai . Tinha o mesmo rosto pálido de feições agudas e os mesmos olhos cinzentos de gelo . Mr._Malfoy atravessou a loja , olhando maquinalmente para os artigos expostos e tocou a campainha de o balcão , antes de se voltar para o filho , dizendo : - Não mexas em nada , Draco . Malfoy , que vira o olho de vidro , disse : - Pensei que ias oferecer me um presente . - Eu prometi que ia comprar te uma vassoura de corrida - declarou o pai , tamborilando com os dedos sobre o balcão . - Para que é_que me serve , se não estou em a equipa de Quidditch ? - perguntou Malfoy , carrancudo e de mau humor . - O Harry_Potter teve uma Nimbus dois_mil o ano passado , com a autorização especial de o Dumbledor é para jogar em os Gryffindor . Ele nem é assim tão bom , é só por ser * famoso * ... famoso por ter uma estúpida cicatriz em a testa . Malfoy baixou se para observar uma prateleira cheia de crânios . - Todos acham que ele é tão esperto , o Potter maravilha , com a sua cicatriz e a sua vassoura ... - Já me disseste isso doze vezes pelo_menos - comentou Mr._Malfoy , olhando repressivamente para o filho . - E devo lembrar te que não é prudente parecer menos do_que amigo de Harry_Potter , quando a maior parte de a nossa gente vê em ele um herói que fez desaparecer o Senhor_do_Mal . Ah , Mr._Borgin . Um homem curvado surgiu por detrás de o balcão , puxando o cabelo gorduroso para trás . - Mr._Malfoy , que prazer vês o de_novo - disse Mr._Borgin , em uma voz tão untuosa como o cabelo . - Encantado , e o nosso jovem Malfoy também , encantado . Em que posso servi os ? Tenho que vos mostrar o que chegou hoje , a um preço muito razoável ... - Hoje não venho comprar , Mr._Borgin , e sim vender - afirmou Mr._Malfoy . - Vender ? - O sorriso apagou se lentamente em o rosto de Mr._Borgin . - Certamente ouviu dizer que o Ministério está a levar a cabo mais buscas - explicou o Mr._Malfoy , retirando de o bolso um rolo de pergaminho e desembrulhando o para Mr._Borgin o ler . - Eu tenho alguns , ah , artigos em casa que poderiam criar me problemas se o Ministério me batesse a porta . Mr._Borgin colocou em o nariz um par de * pince-nez * e olhou para a lista . - O Ministério não se lembraria de o incomodar certamente ... O lábio de Mr._Malfoy dobrou se . - Ainda não me fizeram nenhuma visita . O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito , mas o Ministério está a ficar cada_vez_mais intrometido . Há boatos sobre um novo decreto de protecção de os Muggles , sem dúvida que aquele mordido de as pulgas , adorador de os Muggles , que é o Arthur_Weasley deve estar por detrás de isso . Harry sentiu crescer a raiva . - E , como pode ver , alguns de estes venenos podiam dar a ideia ... - Compreendo perfeitamente , claro - disse Mr._Borgin . - Deixe me ver ... - Posso ter aquilo ? - interrompeu Draco , apontando para a mão raquítica que estava sobre a almofada . - Ah , a mão de a glória ! - exclamou Mr._Borgin , abandonando a lista de Mr._Malfoy e apressando se a responder a Draco . - Põe se lhe uma vela e ela só dá luz a quem a transporta ! A melhor amiga de os gatunos e de os salteadores , o seu filho tem gosto , senhor . - Espero que o meu filho venha a ser mais do_que gatuno ou salteador , Borgin - disse Mr._Malfoy friamente e Mr._Borgin respondeu logo : - Sem ofensa , senhor , sem querer ofender . - Embora , se as notas de a escola não melhorarem - disse Mr._Malfoy ainda mais friamente - esse possa vir a ser o único caminho possível para ele . - Não tenho culpa - retorquiu Draco . - Todos os professores têm os seus preferidos , aquela Hermione_Granger ... - Eu , em o teu lugar , teria vergonha que uma rapariga que nem_sequer pertence a famílias de feiticeiros , me passasse a a frente em todos os exames - interrompeu Mr._Malfoy . Ah - fez Harry baixinho , radiante por ver Draco atrapalhado e furioso . - É o mesmo em todo o lado - comentou Mr._Borgin em a sua voz untuosa . - O sangue de os feiticeiros conta cada_vez menos ... - Não para mim - afirmou Mr._Malfoy , com as longas narinas dilatadas . - Não senhor , nem para mim - concordou Mr._Borgin , inclinando se em uma vénia . - Em esse caso , talvez possamos voltar a a minha lista - disse Mr._Malfoy secamente . - Estou com alguma pressa , Borgin , tenho ainda hoje assuntos importantes a tratar em outro lado . Começaram a discutir os preços . Harry via nervosamente o Draco aproximar se de o seu esconderijo enquanto observava os objectos a a venda . Parou para examinar um enorme rolo de corda de carrasco e para ver , com um sorriso afectado , o cartão preso com um aparatoso laço de opalas onde podia ler se : * _ Cautela , não tocar . Amaldiçoado - reclama as vidas de dezanove donos , todos eles Muggles * . Draco voltou se e viu o armário mesmo em frente . Avançou , estendeu a mão para o puxador ... - Feito - disse Mr._Malfoy , a o balcão . - Vamos , Draco . Harry limpou a testa a a manga quando Draco se afastou . - Muito bom dia , Mr._Borgin . Espero por si amanhã em a mansão para ir buscar a mercadoria . Em o momento em que a porta se fechou , Mr._Borgin abandonou os seus modos subservientes . « Bom dia para o senhor , Mr._Malfoy , e , se as histórias que contam são verdadeiras , não me vendeu nem metade do_que tem escondido em a sua mansão ... » Murmurando de forma taciturna , Mr._Borgin desapareceu em uma sala escura . Harry esperou um minuto não fosse ele voltar e , em seguida , o mais silenciosamente possível , escapou se de o armário , passou por as caixas de vidro e saiu de a loja . Encostando os óculos partidos a o rosto , olhou em volta . Saíra em uma rua estreita e sombria que parecia composta exclusivamente de lojas dedicadas a as artes negras . Aquela de onde acabava de sair parecia ser a maior , mas em frente estava uma montra tétrica de cabeças encolhidas e duas portas abaixo podia ver se uma enorme caixa viva cheia de gigantescas aranhas pretas . Dois feiticeiros com aspecto pobre observavam o de a sombra de uma porta , murmurando entre si . Sentindo se nervoso , Harry pôs se a caminho , tentando agarrar os óculos a direito e não desistindo de a esperança de encontrar maneira de sair de ali . Por um cartaz de madeira , pendurado em a rua , indicando uma loja de venda de velas envenenadas , ficou a saber que se encontrava em a Rua * _ Bativolta * , mas isso não o ajudou pois Harry nunca ouvira falar em tal lugar . Calculou que não tinha pronunciado bem as palavras com a boca cheia de cinzas em a lareira de os Weasley . Tentando manter a calma perguntou a si mesmo o que havia de fazer . - Não estás perdido , pois não , meu menino ? - perguntou uma voz , mesmo junto de o seu ouvido , que o fez dar um salto . Uma bruxa idosa estava em a sua frente , segurando um tabuleiro de uma coisa que se parecia horrivelmente com unhas humanas . A mulher olhou o maldosamente , mostrando os dentes esverdeados . Harry recuou . - Estou bem , obrigado - disse . - Estou só ... - HARRY ! O qu'é que pensas que estás a fazer aqui ? O coração de Harry deu um salto , assim_como o de a bruxa . Um monte de unhas caíram lhe sobre os pés e ela praguejou , enquanto o corpo enorme de Hagrid , o guarda de os campos de Hogwarts , se aproximava de eles a passos largos com os olhos castanhos-escuros a faiscarem sobre a longa barba eriçada . - Hagrid - gritou Harry , aliviado . - Eu estava perdido ... o pó de Floo ... Hagrid agarrou Harry por o cachaço e puxou o para longe de a bruxa , tirando lhe o tabuleiro de as mãos . Os guinchos agudos de a feiticeira seguiram nos até a o fundo de a ruela serpenteante que ia dar a um lagar onde brilhava o sol . Harry avistou a a distância um edifício de mármore branco como a neve que lhe era familiar : o banco de Gringotts . Hagrid conduzira o até a a Diagon - _ Al . - ` _ tás em um péssimo estado ! - disse Hagrid bruscamente , sacudindo lhe a fuligem com tanta força que Harry quase caiu em um barril de estrume de dragão que se encontrava a a porta de um boticário . - A fugir , em a Rua * _ Bativolta * , eu não conheço esse lugar finório , Harry , não quero que ninguém te veja aqui em baixo . - Já percebi - disse Harry , baixando se quando Hagrid fez menção de o escovar melhor . - Já te disse que estava perdido . E o que é_que tu fazes aqui ? - ` _ Tou a a procura d'um repelente para as lesmas comedoras de legumes - resmungou Hagrid . - ` _ tão a destruir as couves todas de a escola . Tu não estás sozinho ? - Estou em casa de os Weasley , mas separámo nos explicou Harry . - Tenho que os encontrar . Desceram juntos a rua . - Por_que é_que nunca respondeste a as minhas cartas ? - perguntou Hagrid , enquanto Harry corria para o acompanhar ( tinha de dar três passos por cada enorme passada de Hagrid ) . Harry explicou lhe tudo sobre Dobby e os Dursleys . - Malditos_Muggles - rugiu Hagrid . - S'eu tivesse sabido ... - Harry ! Harry ! Aqui ! Harry olhou para_cima e viu Hermione_Granger em o topo de a escadaria de Gringotts . Desceu para vir a o encontro de ele , o cabelo castanho de caracóis , a esvoaçar atrás de ela . - O que aconteceu a os teus óculos ? Olá_Hagrid ... Oh , é maravilhoso ver vos outra_vez . Vens a Gringotts , Harry ? - Logo_que encontre os Weasley - respondeu ele . - Não vais ter d'esperar muito - riu se Hagrid . Harry e Hermione olharam em volta . Subindo a rua , em o meio de a multidão , vinham Ron , Fred , George , Percy e Mr._Weasley . - Harry - chamou Mr._Weasley , ofegante . - Tínhamos esperança que só tivesses ido um fogão mais longe ... - passou um pano em a sua calva reluzente . - A Molly está nervosíssima , aí vem ela . - Onde é_que tu saíste ? - perguntou o Ron . - Em a Rua * _ Bativolta * - disse o Hagrid , com um ar sério . - Sensacional ! - exclamaram Fred e George ao_mesmo_tempo . - Nunca nos deram autorização para lá ir - disse o Ron com uma pontinha de inveja . - E fizeram muito bem - grunhiu Hagrid . Mrs._Weasley chegou em aquele momento a correr , a mala a balouçar em uma de as mãos e Ginny quase pendurada em a outra . - Oh Harry , oh meu querido , podias ter ido parar a qualquer lugar ... Tentando recuperar o fôlego , tirou de a mala uma grande escova de roupa e começou a retirar a fuligem que Hagrid não conseguira expulsar . Mr._Weasley pegou em os óculos de Harry , deu lhes um toque de varinha e entregou lhe os como novos . - Bem , tenho de m'ir embora - disse Hagrid cuja mão estava a ser esmagada por Mrs._Weasley ( -- Rua * _ Bativolta * ! Se não o tivesses encontrado , Hagrid ! ) . - Vemo nos em Hogwarts . - E afastou se , os ombros e a cabeça acima de a multidão que enchia completamente a rua . - Adivinham quem eu vi em o Borgin and Burkes ? - perguntou Harry_a_Ron e a Hermione enquanto subiam as escadarias de Gringotts . - Malfoy e o pai . - O Lucius_Malfoy comprou alguma coisa ? - perguntou interessado Mr._Weasley que estava atrás de eles . - Não , estava a vender . - Então está preocupado - comentou Mr._Weasley com visível satisfação . - Ah , eu adorava apanhar o Lucius_Malfoy em alguma . . - Tem cuidado , Arthur - interrompeu Mrs._Weasley enquanto o gnomo porteiro lhes dava reverentemente entrada em o banco . - Isso é um problema de família . Não queiras ter mais olhos que barriga . - Queres dizer com isso que achas que eu não chego para o Malfoy ? - perguntou Mr._Weasley , indignado , mas foi rapidamente afastado de aqueles sentimentos a o avistar os pais de Hermione que estavam de pé , nervosamente encostados a o balcão que acompanhava a grande parede de mármore , a a espera que Hermione os apresentasse . - Mas vocês são Muggles ! - disse Mr._Weasley , encantado . - Temos de tomar uma bebida . O que é isso aí ? Ah , estão a trocar dinheiro de Muggle . Molly , olha - apontou cheio de excitação para as notas de dez libras que Mr._Granger tinha em a mão . - Encontramo nos aqui - disse Ron_a_Hermione , enquanto os Weasley e Harry eram conduzidos a os seus cofres em o subterrâneo de Gringotts . Para chegar a os cofres havia que tomar umas carrinhas conduzidas por gnomos que se deslocavam ao_longo_de carris de comboio de pequenas dimensões através de os túneis subterrâneos de o banco . Harry gostou de a viagem acidentada até a o cofre de os Weasley , mas sentiu se bastante mal , pior do_que em a Rua * _ Bativolta * , quando o cobre foi aberto . Havia lá dentro um pequenino monte de Leões de prata e apenas um Galeão de ouro . Mrs._Weasley foi com a mão a a procura em os cantos antes de , com um gesto rápido , varrer tudo para dentro de o saco . Harry sentiu se ainda pior quando chegaram a o seu cofre . Tentou evitar que vissem o conteúdo enquanto empurrava apressadamente mãos cheias de moedas para dentro_de uma sacola de cabedal . Lá fora , em as escadarias de mármore , separaram se . Percy murmurou vagamente que precisava de uma nova pena de escrever . Fred e George tinham avistado um amigo de Hogwarts , Lee_Jordan . Mrs._Weasley e Ginny iam a uma loja de mantos em segunda mão , Mr._Weasley continuava a insistir em levar os Grangers a o Caldeirão_Escoante para lhes pagar uma bebida . - Encontrarmo nos todos em a Flourish and Blotts dentro_de uma hora para comprar os vossos livros de estudo - disse Mrs._Weasley , afastando se com Ginny . - E nem um passo em direcção a a Rua * _ Bativolta * - gritou a os gémeos que estavam de costas . Harry , Ron e Hermione deambularam por a rua empedrada e sinuosa . O ouro , prata e bronze que tilintavam alegremente em o saco que Harry tinha em o bolso pareciam exigir ser gastos , por isso ele comprou três enormes gelados de morango e manteiga de amendoim que eles devoraram felizes enquanto vagueavam sem destino por a rua fora , observando as montras fantásticas de as lojas . Ron olhou longamente para um conjunto completo de mantos de o Chudley_Cannon , em as montras de o « Equipamento_de_Quidditch_de_Qualidade » até Hermione o arrastar de ali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos . Em a « Jogos_de_Feitiçaria_de_Gambol and Japes » encontraram o Fred , o George e o Lee_Jordan que estavam presos em a fabulosa partida debaixo_de chuva e em os fogos-de-artifício de o Dr._Filibuster . E em uma pequenina loja de velharias cheia de varinhas partidas , balanças instáveis de latão e mantos velhos cobertos de nódoas de poções encontraram Percy profundamente concentrado em um pequenino livro , bastante chato , chamado * _ Prefeitos que conquistam o poder * . - * _ Um estudo sobre os prefeitos de Hogwarts e as suas posteriores carreiras * - leu alto o Ron em a contracapa . - Deve ser fascinante ... - Desaparece - gritou Percy . - Claro , ele é muito ambicioso , já tem tudo planeado . Quer ser ministro de a magia - disse o Ron baixinho a o Harry e a a Hermione , enquanto deixavam Percy entregue a o livro . Uma hora mais tarde dirigiram se a a Flourish and Blotts . Não eram de modo algum os únicos a encaminhar se para a livraria . À_medida_que se aproximavam viram com grande surpresa uma grande multidão a a porta , tentando entrar em a loja . O motivo de tal confusão estava anunciado em um cartaz que se estendia a o longo de a montra superior . GILDEROY_LOCKHART_Assinará exemplares de a sua autobiografia " eu , o mágico " Hoje 12.30 - 16.30 - Vamos poder conhecê o ! - gritou Hermione . - Quero dizer , ele escreveu quase todos os livros de a nossa lista ! A multidão parecia ser maioritariamente composta por bruxas de a idade de Mrs._Weasley . Um feiticeiro bem-parecido estava de pé junto de a porta , dizendo : - Calma , minhas senhoras , não empurrem , cuidado com os livros . Harry , Ron e Hermione conseguiram furar e entrar . Uma longa fila serpenteava para as traseiras de a loja onde Gilderoy_Lockhart estava a assinar os seus livros . Cada_um de eles pegou em um exemplar de * _ ensinamentos de Uma Fada_Carpideira * e escaparam se de a fila indo ter a o lugar onde se encontravam os outros com Mr. e Mrs._Granger . - Ah , aí estão vocês . _ óptimo - disse Mrs._Weasley que parecia estar com falta de ar e não parava de mexer em o cabelo . - Vamos poder vês o dentro_de um minuto . Gilderoy_Lockhart veio lentamente até um lugar onde era visível para todos , sentou se a uma mesa , rodeado de grandes fotografias de o próprio rosto , todo ele sorrisos , mostrando a a multidão o brilho cintilante de os seus dentes . Lockhart usava uma túnica azul-noite que condizia a as mil maravilhas com a cor de os olhos , o chapéu pontiagudo de feiticeiro colocado lateralmente sobre o cabelo ondulado . Um homenzinho pequenino e irritante andava a dançar de um lado para o outro , tirando fotografias com uma grande máquina preta que lançava baforadas de fumo arroxeado em cada * flash * . - Sai de o caminho , tu aí - disse rispidamente a o Ron , mudando de lugar para ter um angulo melhor . - Este é para o * _ Profeta_Diário * . - Grande coisa ! - exclamou o Ron , esfregando os pés em o lugar que o fotógrafo pisara . Gilderoy_Lockhart ouviu o . Olhou , viu o Ron e em seguida Harry . Voltou a olhar , desta_vez com mais atenção . Em seguida , pôs se de pé e gritou : - Não pode ser , o Harry_Potter ? A multidão dividiu se entre murmúrios de excitação . Lockhart aproximou se , agarrou Harry por um braço e levou o para a frente . A multidão rebentou em aplausos . A cara de Harry ardia quando Lockhart lhe apertou a mão para o fotógrafo que disparava como um louco , lançando fumo espesso para_cima de os Weasley . - Belo sorriso , Harry - disse Lockhart através de os seus dentes brilhantes . - Tu e eu juntos merecemos a primeira página . Quando por fim lhe largou a mão , Harry quase não sentia os dedos . Tentou recuar para junto de os Weasley , mas Lockhart lançou lhe um braço por os ombros e prendeu o a o seu lado . - Minhas senhoras e meus senhores - disse bem alto , fazendo sinal para que se acalmassem . - Que momento extraordinário este ! O momento perfeito para eu anunciar algo que tenho vindo a guardar comigo desde_há algum tempo . - Quando o jovem Harry entrou em a Flourish and Blotts hoje , ele queria apenas comprar a minha autobiografia , que tenho agora o maior prazer em oferecer lhe - a multidão aplaudiu de_novo . - Ele não tinha ideia - continuou Lockhart , dando a o Harry um pequeno encontrão que fez com que os óculos lhe escorregassem para a ponta de o nariz - de que ia conseguir em_breve muito mais do_que o meu livro Eu , o mágico . Ele e os seus colegas de a escola vão receber , de facto , o verdadeiro * _ Eu , o mágico * . Sim , minhas senhoras e meus senhores , tenho o maior prazer em anunciar que em o mês_de_Setembro assumirei o lugar de professor de Defesa contra as artes negras em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts ! A multidão aplaudiu e bateu palmas e Harry deu consigo a ser presenteado com a obra completa de Gilderoy_Lockhart . Cambaleando ligeiramente sob o peso de os livros conseguiu abrir caminho para longe de os projectores até a a porta de a sala onde estava Ginny com o seu novo caldeirão . - Podes ficar com estes - murmurou Harry , enfiando os livros em o caldeirão . - Eu vou comprar os meus . - Aposto que adoraste aquilo , não adoraste , Potter ? - disse uma voz que Harry não teve qualquer dificuldade em reconhecer . Endireitou se e deu consigo frente_a_frente com Draco_Malfoy que exibia o seu habitual sorriso escarninho . - O famoso Harry_Potter - disse Malfoy . - Nem_sequer pode entrar em uma livraria sem se tornar primeira página . - Deixa o em paz , ele não queria nada de isso - defendeu a Ginny . Era a primeira vez que falava em frente de Harry . Olhava para Malfoy com um ar feroz . - Potter , arranjaste uma namorada ! - disse arrastadamente Malfoy . Ginny ficou vermelha como um pimentão enquanto Ron e Hermione tentavam abrir caminho , ambos carregando montes de livros de Lockhart . -- Ah és tu ? - disse Ron , olhando para Malfoy como_se ele fosse algo desagradável colado a a sola de o sapato . - Aposto que te surpreendeu ver o Harry aqui ? - Não tanto como a ti em uma loja , Weasley - retorquiu Malfoy . - Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo . Ron ficou tão vermelho quanto Ginny . Deixou também cair os livros em o caldeirão e avançou para Malfoy , mas Harry e Hermione agarraram o por as costas de o casaco . - Ron - disse Mrs._Weasley , aproximando se com Fred e George . - O que estás a fazer ? Isto está uma loucura aqui dentro , vamos lá para fora . - Olha quem ele é , Arthur_Weasley . - Era_Mr._Malfoy . Estava de pé com a mão sobre o ombro de Draco , com o mesmo sorriso escarninho . -- Lucius - disse Mr._Weasley , acenando friamente . -- Muito trabalho em o ministério , segundo me consta - disse Mr._Malfoy . - Todas essas buscas ... espero que te estejam a pagar horas extraordinárias . Meteu a mão em o caldeirão de a Ginny e tirou de o meio de os livros de Lockhart um exemplar muito velho e muito gasto de o * _ Guia_de_Transfiguração_para_Principiantes * . - Parece que não - disse . - Que diabo , qual a vantagem de ser uma nódoa entre os feiticeiros se nem_sequer te pagam bem por isso ? Mr._Weasley corou mais ainda do_que Ron ou Ginny . - Nós temos uma opinião diferente sobre quem são as nódoas entre os feiticeiros - disse . - É claro que ... - disse Mr._Malfoy , os olhos mortiços passando para Mr. e Mrs._Granger apreensivamente . - As companhias com quem tu andas ... e eu que pensava que já não conseguias descer mais baixo ... Ouviu se um tilintar de metal quando o caldeirão de a Ginny foi por os ares . Mr._Weasley lançara se sobre Mr._Malfoy atirando o para dentro_de uma estante . Dezenas_de livros de feitiços saltaram lá de cima , caindo lhes sobre as cabeças . Houve um grito de - Chega lhe , pai ! - de o Fred e de o George . Mrs._Weasley soltava gritos agudos : - Não_Arthur , não . A multidão recuava deitando mais prateleiras a o chão . - Meus senhores , por favor - gritava o encarregado , e então , mais alto do_que todos : - Parem com isso , gente , parem com isso . Hagrid aproximava se através_de um mar de livros . Em um segundo afastou Mr._Weasley e Mr._Malfoy . Mr._Weasley tinha um lábio cortado e Mr._Malfoy fora agredido em um olho por uma * _ Enciclopédia_de_Cogumelos_Venenosos * . Tinha ainda em a mão o livro velho de a Ginny sobre transfiguração . Atirou lhe o , com os olhos a brilhar de malvadez . - Toma o teu livro , garota . É o melhor que o teu pai pode oferecer te . Libertando se de Hagrid , conduziu Draco para fora e abandonaram a livraria . - Devias tê o ignorado , Arthur - disse Hagrid quase a pegar em Mr._Weasley a o colo enquanto lhe endireitava o manto . - São podres até a a raiz , todos eles . Tod'à gente sabe . Nenhum Malfoy vale a pena ser ouvido . Não prestam , ' tá-lhes em o sangue . Vá lá , vamos sair de aqui . O encarregado parecia querer impedis os , mas , olhando bem para Hagrid , pensou melhor . Subiram a rua , os Grangers a tremer de medo e Mrs._Weasley fora de si . - Um belo exemplo para as crianças ... andar a a pancada em público . O que terá pensado Gilderoy_Lockhart ? - Ele gostou - disse o Fred . - Não o ouviram quando ia a sair ? Estava a perguntar a aquele tipo de o Profeta_Diário se conseguia incluir a briga em a reportagem , disse que era boa publicidade . Mas foi um grupo deprimido que regressou a a lareira de o Caldeirão_Escoante onde Harry , os Weasley e todas_as suas compras iriam viajar de volta até a a Toca , usando o pó de Floo . Despediram se de os Grangers que iam sair de o * pub * por a rua de os Muggles , de o outro lado . Mr._Weasley começou a perguntar lhes como funcionavam as paragens de autocarros , mas calou se rapidamente a o ver a expressão de Mrs._Weasley . Harry tirou os óculos e guardou os cautelosamente em o bolso antes de utilizar o pó de Floo . Definitivamente não era a sua forma ideal de viajar . V_O salgueiro zurzidor O fim de as férias de Verão chegou demasiado depressa para o gosto de Harry . Ele desejara muito regressar a Hogwarts , mas aquele mês em a Toca tinha sido o mais feliz de toda_a sua vida . Era difícil não invejar o Ron quando pensava em os Dursleys e em as boas-vindas que ia receber de a próxima vez que pusesse os pés em Privet_Drive . Em a última noite , Mrs._Weasley preparou um jantar magnífico , que incluía os pratos favoritos de Harry e terminava com um pudim de melaço de fazer crescer água em a boca . Fred e George alegraram a noite com uma exibição de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que saltaram de o tecto para as paredes , durante pelo_menos meia_hora . Depois , foi a altura de tomarem uma caneca de chocolate quente e irem para a cama . Em a manhã seguinte , demoraram muito_tempo a preparar se . Levantaram se com o cantar de o galo , mas parecia lhes que ainda tinham muito para fazer . Mrs._Weasley andava de um lado para o outro , mal-humorada , a a procura de meias e penas , chocavam uns com os outros em as escadas , meio vestidos , meio despidos , com pedaços de torrada em as mãos e Mr._Weasley quase partiu o nariz quando tropeçou em uma galinha a o atravessar o pátio , para meter em o carro a mala de Ginny . Harry não percebia lá muito bem_como é_que oito pessoas , seis grandes malas , duas corujas e um rato , iam caber em um pequeno * _ Ford_Anglia * , isso , claro , antes de as artes mágicas que Mr._Weasley acrescentara . - Nem uma palavra a a Molly - murmurou ele a o Harry , enquanto abria a bagageira e lhe mostrava como ela se expandira para que as malas coubessem facilmente . Quando , por fim , se acomodaram todos em o carro , Mrs._Weasley olhou para o banco de trás , onde Harry , Ron , Fred , George e Percy estavam confortavelmente sentados uns a o lado de os outros e disse : - Os Muggles têm mais conhecimentos do_que aqueles que nós lhes atribuímos , não achas ? - Ela e a Ginny entraram para o lugar de a frente , que fora esticado e parecia um banco de jardim . - Quer_dizer , de_fora ninguém diria que este carro era espaçoso , não acham ? Mr._Weasley pôs o motor a funcionar e saíram de o pátio , Harry voltando se para trás para ver por a última vez a casa . Mal teve tempo de se questionar se iria voltar alguma vez e já estavam de volta : George esquecera se de a caixa de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Cinco minutos mais tarde tiveram de interromper de_novo a viagem e voltar a o pátio para o Fred ir a correr buscar a vassoura . Estavam quase a chegar a a auto-estrada , quando Ginny guinchou que se esquecera de o diário . Mas estava a fazer se muito tarde e os ânimos começavam a exaltar se . Mr._Weasley olhou para o relógio e , em seguida , para a mulher . - Molly , querida ... - Não , Arthur . - Ninguém ia ver . Este botãozinho é um transformador de invisibilidade que eu instalei , levava nos por o ar , subíamos acima de as nuvens . Estaríamos lá em dez minutos e ninguém daria por nada ... - Eu disse que não , Arthur . Durante o dia , não . Chegaram a King's_Cross , faltava um quarto para as onze . Mr._Weasley precipitou se em busca de um carrinho de transporte para as malas e correram todos para a estação . Harry apanhara o Expresso_de_Hogwarts em o ano anterior . A parte mais difícil era entrar em a plataforma nove_e_três quartos , que não era visível a os olhos de os Muggles . Era preciso avançar para a barreira sólida que dividia as plataformas nove e dez . Não doía nada , mas tinha de ser feito com cuidado para que nenhum de os Muggles de esse , por o desaparecimento . - O Percy em primeiro lugar - declarou Mrs._Weasley , olhando nervosamente para o relógio lá em cima , que mostrava que tinham apenas cinco minutos para desaparecer através de a barreira . Percy avançou a passos largos e desapareceu . Mr._Weasley foi a seguir e depois de ele Fred e George . - Eu levo a Ginny e vocês vêm atrás_de nós - disse Mrs._Weasley a o Harry e a o Ron , agarrando Ginny pela mão e seguindo em frente . Em um abrir e fechar de olhos , tinham passado . - Vamos passar juntos , só temos um minuto - disse Ron a o Harry . Harry assegurou se de que a gaiola de a Hedwig estava bem fixa em cima de a sua mala e empurrou o carrinho de encontro a a barreira . Estava perfeitamente confiante , aquilo era muito mais fácil do_que usar o pó de Floo . Puseram os dois as mãos em o puxador de os carrinhos e avançaram direitos a a barreira , ganhando velocidade . A um metro e pouco , começaram a correr e ... CRASH . Os dois carros bateram em a barreira e foram impelidos para trás . A mala de o Ron caiu com um enorme estrépito . Harry desequilibrou se e a gaiola de a Hedwig foi parar a o chão brilhante , enquanto ela rolava guinchando , indignada . As pessoas em volta olhavam fixamente e um guarda que estava ali perto gritou : - Que diabo pensam vocês que estão a fazer ? - Perdemos o controlo de o carro de transporte - respondeu o Harry , respirando com dificuldade , agarrando se a as costelas , enquanto se punha de pé . Ron correu a agarrar a Hedwig , que estava a fazer uma cena tal , que já se ouviam murmúrios em a multidão sobre a crueldade para com os animais . - Porque é_que não conseguimos passar ? - perguntou Harry a o Ron em um sussurro . - Não sei . Ron olhou descontroladamente em volta . Uma_dúzia de curiosos estavam ainda a observá os . - Vamos perder o comboio - murmurou o Ron . - Não compreendo porque motivo a cancela se fechou . Harry olhou para o relógio gigantesco com um sentimento de náusea em a boca de o estômago . Dez segundos , nove segundos ... Dirigiu o carrinho de transporte para a frente com toda_a força . O metal manteve se sólido . Três segundos ... dois segundos ... um segundo ... - Partiu - afirmou o Ron , que parecia estonteado . - O comboio foi se embora . E se a mãe e o pai não conseguem voltar para aqui ? Tens algum dinheiro de Muggle ? Harry deu uma gargalhada . - Os Dursleys não me dão um tostão há mais de seis anos ! Ron encostou o ouvido a a barreira . - Não se ouve nada - disse , bastante tenso . - O que vamos nós fazer ? Não sei quanto tempo o pai e a mãe vão demorar . Olharam em volta . As pessoas ainda estavam a observá os , principalmente devido a os contínuos guinchos de a Hedwig . - Acho que o melhor é sairmos de aqui e esperamos por eles junto de o carro - disse Harry . - Aqui estamos a atrair demasiado as aten ... - Harry - disse o Ron , com os olhos a brilhar . - É isso , o carro . - O que é_que tem ? - Podemos voar nele até Hogwarts ! - Mas eu pensei ... - Estamos em apuros , certo ? E temos de chegar a a escola , ou não ? E mesmo os feiticeiros menores de idade estão autorizados a usar a magia em uma emergência real , parágrafo dezanove , ou não sei quê , de a Restrição de ... O sentimento de pânico de Harry transformou se em entusiasmo . - E tu sabes voar nele ? - Não há problema - disse o Ron , andando com o carrinho a a volta e dirigindo se para a saída . - Anda de aí . Se em os apressarmos , conseguiremos sair atrás de o Expresso_de_Hogwarts . E afastaram se de o grupo de Muggles curiosos , abandonando a estação e voltando a a rua , onde o velho * _ Ford_Anglia * se encontrava estacionado . Ron abriu a bagageira com uma série de toques de varinha . Meteram lá dentro as malas , puseram a Hedwig em o assento de trás e entraram para a frente . - Verifica se ninguém está a ver - disse o Ron , ligando a ignição com outro toque de varinha . Harry pôs a cabeça fora de a janela : o trânsito enchia a avenida principal , mas a rua de eles estava vazia . - O. _ K. - disse . Ron carregou em um pequeno botão de o painel . Os carros em volta desapareceram assim_como eles . Harry sentia o assento a vibrar debaixo_de si , ouvia o motor , sentia as mãos sobre os joelhos e os óculos em o nariz , mas , tanto quanto conseguia ver , tornara se um par de olhos redondos flutuando um metro e pouco acima de o chão em uma rua suja , cheia de carros estacionados . - Vamos - disse a voz de o Ron , vinda de o seu lado direito . O chão e os prédios escuros de ambos os lados desapareceram de o seu ângulo de visão , mal o carro se elevou . Em poucos segundos toda_a cidade de Londres , enevoada e resplandecente , estava por baixo de eles . Em seguida , ouviu se um ruído que parecia o saltar de uma rolha e o carro , Harry e Ron , reapareceram . - Oh , oh - disse Ron , batendo em o intensificador de invisibilidade . - Está avariado ... Começaram os dois a bater em o botão . O carro desapareceu . Depois surgiu de forma intermitente . - Aguenta aí - gritou o Ron e carregou com o pé em o acelerador . Saltaram direitinhos para o meio de as nuvens mais baixas e tudo ficou sujo e enevoado . - E agora ? - exclamou Harry , piscando os olhos a a sólida massa de nuvens que os comprimia de todos os lados . - Precisamos de avistar o comboio para sabermos qual a direcção a tomar - explicou o Ron . - Desce rapidamente ... Desceram por o meio de as nuvens e voltaram se em os lugares , espreitando . - Estou a vê o - gritou Harry . - Mesmo em frente , ali . O Expresso_de_Hogwarts deslocava se a grande velocidade lá em baixo , como uma serpente vermelha . - Para Norte - disse o Ron , verificando a bússola de o painel . - O. _ k . , basta que verifiquemos de meia em meia_hora . Aguenta aí ... - e arrancaram por o meio de as nuvens . Em o minuto seguinte , tinham chegado a a luz brilhante de o Sol . Era um mundo diferente . Os pneus de o carro deslizavam sobre o mar de nuvens macias , o céu era de um azul infinito sob a luz , capaz de cegar , que irradiava de o Sol . - Agora só temos de nos preocupar com os aviões - disse o Ron . Olharam um para o outro e desataram a rir . Durante muito_tempo não conseguiram parar . Era como_se tivessem mergulhado em um sonho fabuloso . Aquela , pensou Harry , era certamente a única maneira de viajar : passando por turbilhões e torres de nuvens cor de neve , em um carro cheio de calor , o sol radioso , com um grande pacote de rebuçados em o porta-luvas e antegozando o ar de inveja de o Fred e de o George quando aterrassem suavemente e de forma espectacular em o relvado macio em frente de o castelo de Hogwarts . Espreitaram várias vezes o comboio enquanto voavam cada_vez_mais para norte . Cada descida entre as nuvens dava lhes uma perspectiva diferente . Londres depressa ficou para trás , substituída por campos verdejantes que , por sua vez , deram lugar a grandes pântanos arroxeados , aldeias com pequenas igrejas de brinquedo e uma grande cidade , cheia de vida , com carros que pareciam formigas multicores . Várias horas mais tarde sem acontecer nada de_novo , Harry teve de admitir que uma parte de o entusiasmo se esgotara . Os rebuçados tinham nos deixado cheios de sede e não havia nada para beber . Ele e o Ron tinham tirado as camisolas , mas a * _ T-shirt * de o Harry estava colada a as costas de o assento e os óculos não paravam de lhe escorregar para a ponta de o nariz . Deixara de reparar em as fabulosas formas de as nuvens e pensava com saudade em o comboio , milhas abaixo de eles , onde se podia comprar sumo fresquinho de abóboras em um carro empurrado por uma bruxa gordinha . Porque não teriam conseguido entrar em a plataforma nove_e_três quartos ? - Não pode ser muito mais longe , pois não ? - resmungou o Ron , horas mais tarde quando o Sol começava a enfiar se em o seu chão de nuvens , pintando as de um rosa profundo . - Estás pronto para outra espreitadela a o comboio ? Ainda ia mesmo por baixo de eles , abrindo caminho por_entre uma montanha com o topo coberto de neve . Estava muito mais escuro entre o dossel de nuvens . Ron pôs o pé em o acelerador e levou os de_novo para_cima , mas em esse momento o motor começou a chiar . Harry e Ron trocaram entre si olhares nervosos . - Deve estar só cansado - disse o Ron . - Nunca tinha vindo tão longe ... - E fingiram ambos que não davam por o gemido que se ia tornando maior à_medida_que o céu serenamente escurecia . As estrelas desabrochavam em a escuridão , Harry voltou a enfiar a camisola de lã , tentando ignorar os limpa pára-brisas que acenavam debilmente como_que a protestar . - Não devemos estar longe - disse Ron , dirigindo se mais a o carro do_que a o amigo . - Já não devemos estar longe - deu umas palmadinhas nervosas em o * tablier * . Pouco depois , quando voltaram a voar em o meio de as nuvens , tiveram de olhar de lado em a escuridão , em busca de um ponto de referência que conhecessem . - Ali - gritou Harry , fazendo o Ron e a Hedwig darem um salto . - Mesmo em frente . Recortados em o horizonte negro , sobre o rochedo de o outro lado de o lago , erguiam se as torres e torreões de o castelo de Hogwarts . Mas o carro tinha começado a estremecer e perdia a os poucos velocidade . - Vá lá - disse o Ron , dando a o volante um pequeno abanão bajulador . - Estamos quase a chegar , vá lá ... O motor gemeu . Pequenos jactos de vapor de água brotaram de o capo . Harry deu consigo agarrado com toda_a força a os bordos de o assento enquanto voavam direitos a o lago . O carro deu um solavanco feio . Espreitando por a janela , Harry viu a superfície negra , macia e espelhada de a água cerca de uma milha abaixo de eles . Os dedos de o Ron agarrados a o volante tinham as articulações brancas . O carro deu um novo esticão . - Vá lá - murmurou o Ron . Estavam sobre o lago ... o castelo ficava mesmo em frente . Ron fez força com o pé . Houve um ruído surdo , uma crepitação e o motor morreu por completo . - Oh ! oh ! - gemeu Ron em o silêncio . O nariz de o carro voltou se para baixo . Estavam a cair , ganhando velocidade em direcção a os muros sólidos de o castelo . - Naaaaão ! - gritou o Ron , girando o volante . Escaparam a a muralha de pedra negra por centímetros , quando o carro fez um grande arco , planando primeiro sobre as estufas , depois sobre o rectângulo plantado com vegetais e , por fim , sobre os relvados , perdendo sempre velocidade . Ron largou o volante por completo e tirou a varinha de o bolso de trás . - __ pára ! __ pára ! - gritou , batendo em o * tablier * e em o pára-brisas , mas eles continuavam a mergulhar , o chão a voar em direcção a eles . - : __ cuidado com essa __ árvore ! ! ! - bramiu Harry , deitando a mão a o volante , mas ... tarde de mais ... CRUNCH . Com um ruído ensurdecedor de metal e madeira , bateram em o tronco espesso de a árvore e caíram em o chão com um forte solavanco . O vapor era um mar debaixo de o capo amachucado . A Hedwig tremia apavorada . Em a cabeça de Harry surgira um alto de o tamanho de uma bola de golfe , quando ele batera em o pára-brisas , tombando em seguida para a direita . Ron soltou um gemido longo e desesperado . - Estás O. _ K ? - perguntou Harry , aflito . - A minha varinha - disse o Ron em uma voz trémula . - Olha para a minha varinha . Tinha se partido praticamente em duas , a ponta balouçava mole , presa por meia_dúzia de esquírolas . Harry abriu a boca para dizer que em a escola com certeza conseguiriam consertá a , mas nem chegou a começar a frase . Em esse preciso momento , algo bateu em o seu lado de o carro , com a força de um touro , projectando o para_cima de o Ron , ao_mesmo_tempo que um golpe igualmente forte se sentiu em o capô . - O que está a acontec ... Ron arfou , olhando fixamente por o pára-brisas e Harry olhou em volta , mesmo a_tempo_de ver uma ramada espessa como uma píton vir contra o vidro . A árvore em que tinham batido estava a atacá os . O tronco dobrara se quase a meio e os seus galhos rugosos davam uma tareia a cada centímetro de o carro que conseguiam atingir . - Ah ! - praguejou o Ron , quando outra pernada retorcida esmurrou a sua porta , amolgando a . O pára-brisas tremia agora sob uma saraivada de golpes vindos de galhos que pareciam patas de animais e uma ramada espessa como um aríete esmagava furiosamente o capo , que parecia estar a ceder ... - Corre ! - gritou o Ron , lançando o seu peso contra a porta , mas , em o momento seguinte , tinha sido atirado para trás , para o colo de Harry por um soco maldoso , dado de baixo para_cima , por outro ramo . - Estamos feitos ! - resmungou , enquanto o tecto descaía . Mas , de repente , o chão de o carro estava a vibrar , o motor pegara . - Marcha atrás - gritou o Harry e o carro deu um salto para trás . A árvore tentava ainda agredis os , ouviam as raízes chiar , enquanto quase se partiam esticando se para os alcançar . - Escapámos por_pouco ! - exclamou o Ron . - Muito bem , carro . Mas o carro tinha atingido o limite de as suas forças . Com dois estalidos , as portas abriram se e Harry sentiu o seu assento inclinar se para o lado . Quando deu por si , estava estatelado em o chão húmido . Ruídos surdos avisaram o de que o carro estava a ejectar as malas de a bagageira . A gaiola de a Hedwig voou por os ares e abriu se . Ela saiu a voar com um pio furioso e dirigiu se a o castelo , sem sequer olhar para trás . Em seguida , o carro , amolgado , arranhado e a fumegar , arrancou em o escuro , com os faróis traseiros ardendo de fúria . - Volta aqui ! - gritou o Ron , brandindo a varinha partida . - O meu pai mata me . Mas o carro desapareceu a perder de vista , com um último estoiro de o tubo de escape . - Já viste bem o nosso azar ! ? - exclamou o Ron em o meio de a sua infelicidade , baixando se para apanhar o rato Scabbers . - De todas_as árvores em que podíamos ter batido , tínhamos de ir dar a uma que bate também . Olhou por cima de o ombro para a velha árvore que ainda agitava os ramos ameaçadoramente . - Vamos - disse Harry , fatigado . - É melhor irmos andando para a escola ... Não foi , de modo algum , a chegada triunfal que tinham imaginado . Constrangidos , cheios de frio e magoados , pegaram em as malas e começaram a arrastá as por o relvado acima , em direcção a as grandes portadas de carvalho . - Acho que o banquete já começou - disse o Ron , largando a mala em os degraus de a entrada e atravessando devagarinho para espreitar por uma janela iluminada . - Harry , anda ver , é a distribuição . Harry apressou se e os dois , ele e o Ron , espreitaram para o Salão_Nobre . Um número infindável de velas pairava em o ar , sobre quatro mesas enormes cheias de gente , fazendo brilhar os pratos dourados e as taças . Em cima , o tecto encantado que espelhava o céu lá de_fora , brilhava cheio de estrelas . Por_entre a floresta de chapéus pretos pontiagudos de Hogwarts , Harry viu uma longa fila de alunos de o primeiro ano com olhares assustados que enchia o vestíbulo . Ginny estava entre eles , facilmente reconhecível devido a o seu chamativo cabelo Weasley . Enquanto isso , a professora Mc_Gonagall , uma bruxa de óculos com cabelo castanho apanhado em um carrapito , colocava o famoso chapéu seleccionador em um banco que se encontrava em frente de os novos alunos . Todos os anos , aquele velho chapéu , remendado , puído e cheio de pó , seleccionava alunos para as quatro equipas de Hogwarts ( Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin ) . Harry lembrava se bem de o ter colocado em a cabeça , precisamente um ano antes , e ter esperado petrificado por a sua decisão , enquanto ele lhe murmurava a o ouvido . Durante alguns horríveis segundos receara que o chapéu o mandasse para os Slytherin , a equipa que produzia maior número de feiticeiros e feiticeiras de magia negra , mas acabara por ficar em os Gryffindor , juntamente com Ron e Hermione e o resto de os Weasley . Em o último período , Harry e Ron tinham ajudado os Gryffindor a vencer o campeonato de a equipa , batendo os Slytherin pela_primeira_vez em sete anos . Um rapazito baixinho com cabelo de rato acabava de ser chamado para pôr o chapéu em a cabeça . Os olhos de Harry saltavam de ele para o lugar onde o professor Dumbledore , o director , estava sentado , observando a selecção de a mesa de os professores , com a sua longa barba cor de prata e óculos de meia-lua que brilhavam a a luz de as velas . Alguns lugares a a frente , Harry viu Gilderoy_Lockhart com um manto verde-azulado . E lá bem a o fundo estava Hagrid , enorme e cabeludo , bebendo satisfeito de a sua taça . - Espera aí - murmurou a o Ron . - Há um lugar vazio em a mesa de os professores . Onde estará o Snape ? Severus_Snape era o professor de quem Harry menos gostava . Harry era também o seu aluno menos querido . Cruel , sarcástico e detestado por todos com excepção de os alunos de a sua própria equipa ( Slytherin ) , Snape tinha a seu cargo a cadeira de Poções . - Talvez esteja doente - sugeriu Ron , cheio de esperança . - Talvez se tenha ido embora - lembrou Harry . - Por não lhe terem dado outra_vez a Defesa contra as artes negras . - Ou talvez tenha sido corrido - propôs Ron com entusiasmo . - Afinal , toda_a_gente o detesta ... - Ou talvez - disse uma voz gelada atrás de eles - esteja a a espera que vocês lhe expliquem por_que motivo não vieram em o comboio de a escola . Harry deu uma volta . Em a sua frente , com o manto negro a ondular em uma brisa fria , estava Severus_Snape . O professor era um homem magro , de pele descorada , nariz adunco e um cabelo preto oleoso que lhe caía sobre os ombros . E em aquele momento sorria de um modo tal que Harry sentiu que tanto ele como Ron estavam em sérios apuros . - Sigam me - disse Snape . Sem ousarem sequer olhar um para o outro , Harry e Ron seguiram Snape por as escadas até a o amplo * hall * de entrada que estava iluminado por as chamas de os archotes . De o salão nobre vinha um cheirinho delicioso a comida , mas Snape levou os para longe de a luz e de o calor , em direcção a uma escada estreita de pedra que conduzia a os calabouços . - Entrem - ordenou , abrindo uma porta a meio de o corredor e apontando . Entraram a tremer em o escritório de Snape . As paredes sombrias estavam cobertas de prateleiras cheias de jarros de vidro grosso onde flutuavam as coisas mais diversas e repugnantes , cujo nome Harry não queria de momento conhecer . A lareira estava escura e vazia . Snape fechou a porta e voltou se de frente para eles . - Com que então - disse com falsa suavidade - o comboio não serve para o famoso Harry_Potter e o seu fiel companheiro Weasley . Queriam chegar em grande estilo , não era rapazes ? - Não senhor , foi a barreira em King's_Cross , ela ... - Silêncio - disse Snape friamente . -- _ o que fizeram a o carro ? Ron engoliu em seco . Aquela não era a primeira vez que Snape dava a Harry a impressão de ser capaz de ler pensamentos . Mas , pouco depois , compreendeu tudo quando Snape desenrolou o exemplar de o Profeta_Vespertino . - Vocês foram vistos - afirmou , mostrando lhes o cabeçalho : : __ ford anglia voador confunde __ muggles . Começou a ler alto a notícia . - Dois Muggles em Londres convenceram se de que tinham visto um carro velho a voar sobre a torre de os correios ... a a tardinha em Norfolk , Mrs._Hetty_Bayliss , enquanto pendurava a roupa ... Mr._Angus_Fleet_de_Peebles informou a polícia ... seis ou sete Muggles a o todo . Julgo que o teu pai trabalha em o departamento de mau uso dado a os objectos de os Muggles ? - disse olhando para Ron e sorrindo de uma forma ainda mais sarcástica . - Que peninha , o próprio filho ... Harry sentiu se como_se tivesse levado um soco em o estômago de uma de as maiores pernadas de a árvore louca . E se alguém descobrisse que Mr._Weasley tinha enfeitiçado o carro ? Ele ainda nem tinha pensado em isso . - Reparei durante a minha volta por o jardim que foi feito um estrago considerável em um salgueiro zurzidor extremamente valioso - continuou Snape . - Essa árvore fez nos pior a nós do_que nós ... - deixou escapar Ron . - Silêncio - interrompeu Snape , de_novo . - Infelizmente vocês não fazem parte de a minha equipa e a decisão de vos expulsar não está em as minhas mãos . Vou , por isso , buscar as pessoas que possuem essa feliz possibilidade . Esperem aqui . Harry e Ron olharam , pálidos , um para o outro . Harry perdera a fome . Sentia se agora extremamente agoniado . Tentava não olhar para uma coisa viscosa , suspensa em um líquido verde que estava em uma prateleira por detrás de a secretária de Snape . Se ele fora buscar a professora Mc_Gonagall , chefe de a equipa de os Gryffindor , não estavam muito melhor . Ela era mais justa do_que Snape , mas extremamente severa . Dez minutos mais tarde , Snape voltou e era , de facto , a professora Mc_Gonagall quem o acompanhava . Harry vira a professora Mc_Gonagall zangada , mas , ou se tinha esquecido de como a boca de ela ficava fina , ou nunca a vira tão zangada como em aquele dia . Levantou a varinha em o momento em que entrou . Harry e Ron estremeceram , mas ela limitou se a apontá a para a lareira onde as chamas se elevaram subitamente . - Sentem se - ordenou , e os dois recuaram para as cadeiras junto de o lume . - Expliquem se - disse com os óculos a brilhar de uma forma ameaçadora . Ron enveredou por a história começando por a barreira de a estação que se recusara a deixá os passar . - Por isso não tínhamos escolha , professora , não podíamos chegar a o comboio . - Porque não nos mandaram uma carta por a coruja ? Julgo que tens uma coruja ? - disse friamente a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a Harry . Harry olhou para ela sem saber o que dizer . - Parece me - continuou ela - que seria a coisa mais adequada . - Eu ... não pensei ... - Isso - disse a professora Mc_Gonagall - é bastante óbvio . Ouviu se bater a a porta de o escritório e Snape , que parecia agora mais feliz do_que nunca , foi abrir . Era o director , o professor Dumbledore . Harry ficou totalmente paralisado . Dumbledore tinha uma expressão grave . Olhou para eles de cima de o seu nariz adunco e Harry desejou estar ainda com Ron a levar uma sova de o salgueiro zurzidor . Fez se um longo silêncio . Em seguida , Dumbledore disse lhes : - Por favor , expliquem porque fizeram isto . Teria sido melhor se gritasse . Harry detestou sentir a decepção em a sua voz . Inexplicavelmente era incapaz de olhar Dumbledore em os olhos e falou em direcção a os seus joelhos . Disse lhe tudo excepto que o carro enfeitiçado pertencia a Mr._Weasley , dando a ideia de que ele e o Ron o tinham encontrado estacionado fora de a estação . Sabia que Dumbledore ia ver para_além de isso , mas o director não fez perguntas sobre o carro . Quando Harry terminou continuou a olhar para ele através de os seus óculos . - Nós vamos buscar as nossas coisas - disse Ron em um tom de voz sem esperança . - Que disparate é esse ? - rosnou a professora Mc_Gonagall . -- Então , vão expulsar nos , não vão ? - disse o Ron . Harry olhou rapidamente para Dumbledore . - Ainda não , Mr._Weasley - afirmou Dumbledore . - Mas vou assinalar a gravidade do_que vocês fizeram . Hoje a a noite escreverei a as vossas famílias . Estão também prevenidos que se voltarem a fazer uma coisa como esta não terei outro remédio senão expulsar vos . A expressão de Snape era como_se o Natal tivesse sido cancelado . Pigarreou e disse : - Professor_Dumbledore , estes rapazes infringiram o decreto para a restrição de a feitiçaria de os menores , causaram estragos consideráveis a uma árvore antiga e valiosa ... sem dúvida , actos de esta natureza ... - Cabe a a professora Mc_Gonagall decidir sobre os castigos de os rapazes , Severus - afirmou Dumbledore com toda_a calma . - Pertencem a a equipa de ela e são , portanto , de a sua responsabilidade . - Voltou se para a professora Mc_Gonagall . - Tenho de regressar a o banquete , Minerva , devo dar algumas informações . Venha Severus , há uma tarte de leite e ovos com um aspecto delicioso que quero mostrar lhe . Snape lançou um olhar de puro veneno a o Harry e a o Ron enquanto permitia que o afastassem de o seu escritório , deixando os a sós com a professora Mc_Gonagall que ainda os olhava como uma águia em fúria . - É melhor ires até a a ala hospitalar , Weasley , estás a sangrar . - Não é nada - disse Ron , limpando o corte com a manga para que ela o visse . - Professora , eu gostava de ver a minha irmã ser seleccionada . - A cerimónia de a selecção terminou - disse a professora Mc_Gonagall . - A tua irmã está também em os Gryffindor . - _ óptimo - exclamou Ron . - E por falar em os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall de forma cortante , mas Harry interrompeu a : - Professora , quando tirámos o carro , o ano escolar ainda não tinha começado , por isso os Gryffindor não deveriam perder pontos , pois não ? - terminou olhando a ansiosamente . A professora Mc_Gonagall lançou lhe um olhar penetrante , mas ele era capaz de jurar que ela quase tinha sorrido . Pelo_menos a boca não parecia tão fina . - Não vou tirar pontos a os Gryffindor - tranquilizou o . E o coração de Harry ficou mais leve . - Mas vocês os dois vão ter um castigo . Foi melhor do_que Harry imaginara . O facto de Dumbledore escrever a os Dursley não tinha a menor importância . Harry sabia perfeitamente que eles só lamentariam que o salgueiro zurzidor não o tivesse esmigalhado . A professora Mc_Gonagall ergueu a varinha de_novo apontou a a a secretária de Snape . Um grande prato de sanduíches , duas taças de prata e um jarro com sumo de abóbora gelado apareceram em menos_de um segundo . - Vocês vão comer aqui e , em seguida , vão direitinhos para o vosso dormitório - disse . - Eu também tenho de voltar para a festa . Mal a porta se fechou atrás de ela , Ron soltou baixinho um assobio . - Pensei que estávamos feitos - confessou , agarrando uma sanduíche . - Também eu - disse o Harry , orando também uma . - Mas já viste bem a nossa pouca sorte ? - insistiu o Ron com a boca cheia de frango e fiambre . - O Fred e o George voaram em aquele carro cinco ou seis vezes e nenhum Muggle os viu - engoliu outro pedaço enorme de a sanduíche . - Porque será que não conseguimos passar a barreira ? Harry encolheu os ombros . - Mas temos de ter muito cuidado a_partir_de agora - disse bebendo um grande trago de sumo de abóbora . - Que pena não termos podido ir a o banquete . - Ela não quis que nos exibíssemos - afirmou Ron com prudência . - Não vão as pessoas pensar que é uma boa chegar aqui de carro voador . Quando já tinham comido todas_as sanduíches que queriam ( o prato ia voltando a encher se sozinho ) , levantaram se e saíram de o escritório , seguindo o caminho que lhes era familiar , para a torre de os Gryffindor . O castelo estava em silêncio . Parecia que o banquete tinha acabado . Passaram por retratos murmurantes e armaduras que gemiam e subiram os degraus estreitos de pedra até que , por fim , chegaram a a passagem onde a entrada secreta para a torre de os Gryffindor se encontrava oculta por detrás de o quadro a óleo de uma dama gorda em um vestido cor-de-rosa . - A senha ? - perguntou ela mal os dois se aproximaram . - Er ... Eles ainda não tinham estado com o prefeito de os Gryffindor e por isso ainda não conheciam a senha para o novo ano , mas a ajuda não se fez esperar . Ouviram passos apressados atrás de eles e quando se voltaram viram Hermione que se aproximava . - Aí estão vocês . Onde é_que se meteram ? Correm os boatos mais ridículos , alguém disse que vocês tinham sido expulsos por espatifarem um carro voador . - Bem , expulsos não fomos - tranquilizou a Harry . - Não estás a dizer me que voaram até aqui ? - perguntou Hermione em um tom quase tão severo como a professora Mc_Gonagall . - Dispensa se o sermão - interrompeu Ron impacientemente . - E diz nos a nova senha de passagem . - É crista de pássaro - disse Hermione não contendo a impaciência . - Mas o mais importante não é isso ... Contudo as palavras de ela foram interrompidas ao_mesmo_tempo que o retrato de a dama gorda se abria e se ouvia uma tempestade de aplausos . A o que parecia a equipa de os Gryffindor estava ainda acordada , dentro de a sala comum em forma de círculo , junto de as mesas assimétricas e de os cadeirões moles a a espera que eles chegassem para , de braços estendidos através de o buraco de o retrato , puxarem Harry e Ron para dentro deixando Hermione para o fim . - Sensacional - gritou Lee_Jordan . - Inspirado ! Que entrada ! Voar em um carro e aterrar em o salgueiro zurzidor . Toda_a_gente vai falar de isto durante anos e anos . - Muito bem - disse um aluno de o quinto ano com quem Harry nunca tinha falado . Alguém dava lhe palmadas em as costas como_se ele acabasse de vencer a maratona . Fred e George abriram caminho por_entre a multidão e disseram ao_mesmo_tempo : - Por_que é_que não nos chamaram , hein ? - Ron estava vermelho como um pimentão , sorrindo envergonhado , mas Harry via perfeitamente uma pessoa que não estava nada contente . Percy elevava se acima de as cabeças de os excitados alunos de o primeiro ano e parecia estar a tentar aproximar se para os repreender . Harry deu uma cotovelada a o Ron e apontou em direcção a Percy . Ron percebeu de imediato . - Temos de ir para_cima , um_pouco cansados ! - explicou e os dois começaram a abrir caminho em direcção a a porta que ficava de o outro lado de a sala e que dava para a escada em espiral e para os dormitórios . - ` _ Noite - despediu se Harry_de_Hermione que tinha um ar tão carrancudo como Percy . Conseguiram chegar a o outro lado de a sala comum sempre a levarem palmadas em as costas e alcançaram o sossego de as escadas . Apressaram se a subir e , por fim , chegaram a a porta de o dormitório que tinha agora um letreiro a dizer « Segundos_Anos » . Entraram em o quarto circular , que conheciam tão bem , com as suas cinco camas de dossel adornadas de velado vermelho e as suas janelas altas e estreitas . As malas tinham sido trazidas para_cima e colocadas a os pés de as camas . Ron fez um sorriso culpado . - Sei que não devia ter gostado de aquilo , mas ... A porta de o dormitório abriu se e os outros rapazes de os Gryffindor entraram ; eram eles o Seamus_Finnigan , o Dean_Thomas e o Neville_Loogbottom . - Inacreditável - aplaudiu Seamus . - Incrível - aprovou o Dean . - Espantoso - exclamou o Neville , aterrado . Harry não pôde evitar também um sorriso . VI_Gilderoy_Lockhart_No dia seguinte , contudo , Harry não conseguiu sorrir . As coisas começaram a correr mal logo em o salão durante o pequeno-almoço . Debaixo de o tecto encantado ( em aquele dia triste e cinzento ) estavam as quatro grandes mesas de as equipas e sobre elas , terrinas de papa de aveia , pratos de arenque defumado , montanhas de torradas e pratadas de ovos com * bacon * . Harry e Ron sentaram se em a mesa de os Gryffindor , junto de Hermione que tinha o seu exemplar de * _ Viagens com Vampiros * totalmente aberto , encostado a um jarro de leite . Havia uma certa rigidez em a maneira como ela disse : - ` _ Dia - que mostrou a Harry que continuava a desaprovar o modo como tinham chegado a a escola . Por seu turno , Neville_Longbottom saudou os entusiasticamente . Neville era um rapazinho de cara redonda , muito dado a acidentes , com a pior memória que Harry tinha conhecido . - A entrega de correio deve estar a chegar , acho que a minha avó me vai mandar umas quantas coisas de que me esqueci ... Harry tinha começado a comer as papas de aveia , quando se ouviu um ruído tumultuoso em o ar e umas cem corujas entraram ao_mesmo_tempo , sobrevoando o salão e deixando cair cartas e pacotes em o meio de a multidão faladora . Um embrulho grande e rugoso caiu em a cabeça de Neville e , um segundo depois , uma coisa larga e cinzenta caiu em o jarro de a Hermione , enchendo os a todos de leite e penas . - Errol - gritou o Ron , puxando a coruja esfarrapada por as patas . Errol caíra inconsciente sobre a mesa com as pernas para o ar e um envelope vermelho húmido em o bico . - Oh , não ! - sobressaltou se Ron . - Ela está bem , ainda está viva - tranquilizou o Hermione , tocando suavemente em a Errol com a ponta de o dedo . - Não é isso , é ... aquilo . Ron apontava para o envelope vermelho . Parecera perfeitamente vulgar a Harry , mas Ron e Neville estavam ambos a observá o como_se esperassem que explodisse . - Qual é o problema ? - perguntou Harry . - Ela . Ela mandou me um * gritador * - disse Ron , quase sem voz . - É melhor abrires - aconselhou Neville em um murmúrio tímido - senão é pior . A minha avó uma_vez mandou me um que eu ignorei e ... - engoliu em seco - foi horrível . Harry olhava , ora para as suas caras , ora para o envelope vermelho . - O que é um * gritador * ? - perguntou . - Mas toda_a atenção de o Ron estava fixa em a carta que começara a fumegar por os cantos . - Abre a - intimou o Neville . - De aqui a poucos minutos já passou tudo . Ron estendeu uma mão trémula , retirou o envelope de o bico de a Errol e começou a abri o . Neville pôs os dedos em os ouvidos . Após uma fracção de segundo , Harry compreendeu porquê . Pensou em o primeiro momento que ela explodira . Um ruído ensurdecedor encheu o enorme salão , fazendo cair pó de o tecto . - ... : __ roubar o carro ! não me surpreendia nada se te expulsassem . espera só até te pôr as mãos em cima . será que não paraste para pensar em a nossa aflição quando vimos que o carro tinha __ desaparecido ... Os gritos de Mrs._Weasley , ampliados cem vezes em relação a o seu normal , fizeram os pratos e as colheres chocalhar em a mesa e ecoaram de forma ensurdecedora em as paredes de pedra . Vinha gente de todos os lados espreitar quem tinha recebido o * gritador * e Ron afundou se tanto em a cadeira que só se lhe via a testa carmesim . - ... : __ uma carta de o dumbledore ontem a a noite , o teu pai quase morria de vergonha . não foi esta a educação que te demos , tu e o harry podiam ter __ morrido ... Harry estava a ver quando é_que o seu nome viria a a baila . Tentou o melhor que pôde agir como_se não ouvisse a voz , mas aquilo estava a fazer com que os tímpanos lhe latejassem . - ... : __ profundamente decepcionada , o teu pai vai ter de se confrontar com um inquérito em o trabalho , tudo por tua culpa e , se pisas mais_uma_vez o risco , trago te para __ casa ! Seguiu se um silêncio ressonante . O envelope vermelho , que caíra de as mãos de o Ron , incendiou se e encaracolou se em cinzas . Harry e Ron estavam sentados de boca aberta , como_se uma onda gigante lhes tivesse passado por cima . Algumas pessoas riam e , a os poucos , o ruído de as conversas recomeçou . Hermione fechou o * _ Viagens com Vampiros * e olhou para o topo de a cabeça de Ron . - Bem , não sei o que esperavas , Ron , mas tu ... - Não me venhas dizer que mereci - interrompeu Ron . Harry afastou as papas de aveia . O estômago ardia lhe de culpa . Mr._Weasley tinha um inquérito em o trabalho , depois de tudo_o_que Mr. e Mrs._Weasley tinham feito por ele durante o Verão ... Mas não teve muito_tempo para se demorar em aqueles pensamentos . A professora Mc_Gonagall circulava em volta de as mesas de os Gryffindor distribuindo horários . Harry pegou em o seu e viu que começavam por ter Herbologia , juntamente com os Hufflepuff . Harry , Ron e Hermione saíram juntos de o castelo , atravessaram as hortas e chegaram a as estufas , onde estavam guardadas as plantas mágicas . O * gritador * tivera pelo_menos uma vantagem : Hermione parecia achar que já tinham sido suficientemente castigados e estava de_novo perfeitamente calorosa . Quando estavam a chegar a as estufas viram o resto de a classe de pé , cá fora , a a espera de a professora Sprout . Harry , Ron e Hermione tinham acabado de se lhes juntar quando a viram aproximar se a passos largos por o relvado , acompanhada de Gilderoy_Lockhart . A professora Sprout era uma bruxa pequenina e atarracada que usava um chapéu a os remendos sobre o cabelo solto . As roupas que vestia estavam sempre cheias de terra e as suas unhas fariam a tia Petúnia desmaiar . Gilderoy_Lockhart , pelo_contrário , tinha um ar imaculado em as suas vestes azul-turquesa , o cabelo doirado a brilhar debaixo_de um chapéu azul-turquesa , com uma fita dourada , perfeitamente posicionado sobre a cabeça . - Olá a todos ! - gritou Lockhart , dirigindo se a o grupo de estudantes . - Estive a mostrar a a professora Sprout a maneira correcta de tratar um salgueiro . Mas não quero que fiquem com a ideia de que sou melhor do_que ela em Herbologia . Acontece que encontrei várias de estas plantas exóticas , durante as minhas viagens .... - Estufa número três hoje , meninos ! - disse a professora Sprout que estava visivelmente descontente , bem diferente de a sua habitual natureza bem-disposta . Houve um murmúrio de interesse . Eles só tinham estado uma_vez em a terceira estufa , que era uma estufa que abrigava plantas bem mais interessantes e perigosas . A professora Sprout tirou uma enorme chave de o cinto e abriu a porta . Harry sentiu o bafo de a terra húmida com adubo misturado e o perfume forte de umas flores gigantescas , de o tamanho de guarda-chuvas , que estavam penduradas de o tecto . Ia seguir Ron e Hermione , quando a mão de o Lockhart o travou . -- Harry ! Tenho querido ter uma palavrinha contigo . Não se importa se ele chegar uns minutos atrasado , pois não , professora Sprout ? A julgar por a expressão carregada de a professora Sprout , importava se sim , mas Lockhart disse : - Então até já - e fechou a porta de a estufa em a cara de ela . - Harry ! - disse Lockhart , com os dentes brancos a brilharem a o sol , enquanto abanava a cabeça . - Harry , Harry , Harry ! Harry , totalmente perplexo , não disse uma palavra . - Quando ouvi dizer , bem , é claro que eu tive muita culpa , deviam castigar me também ... Harry não fazia ideia de que estava ele a falar , quando Lockhart prosseguiu : - Nunca me lembro de ficar tão chocado . Fazer voar um automóvel até Hogwarts ! Bem , é claro que eu percebi logo porque o fizeste . Foi um destaque em grande . Harry , Harry , Harry ! Era notável como ele conseguia mostrar todos aqueles dentes brilhantes , mesmo quando não estava a falar . - Criei te o gosto por a publicidade , não foi ? - perguntou Lockhart . - Passei te o bichinho . Apareceste comigo em a primeira página e não podias esperar para aparecer outra_vez ... - Oh , não , professor , sabe é_que ... - Harry , Harry , Harry - disse Lockhart aproximando se e tocando lhe em o ombro . - * _ Eu compreendo * . É natural querer um_pouco mais quando se lhe tomou o gosto , e eu culpo me por te ter dado esse conhecimento , porque era natural que te subisse a a cabeça , mas vê uma coisa , rapazinho , tu não podes começar a fazer voar carros para tentares ser notícia . Tens de acalmar , está bem ? Tens muito_tempo quando fores mais velho . Sim , sim , eu sei o que estás a pensar ! É fácil para ele falar assim , já é um feiticeiro internacionalmente famoso ! Mas quando eu tinha doze anos era tão zé-ninguém como tu és hoje . Em a verdade , era ainda mais . De ti , já meia_dúzia de pessoas ouviram falar , não é ? Toda aquela história com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . - Olhou para a cicatriz luminosa em a testa de Harry . - Eu sei , eu sei , não é o mesmo_que vencer o Prémio de o sorriso de o feiticeiro de a semana cinco vezes seguidas , como eu venci , mas é um começo , Harry , é um começo . Lançou lhe uma piscadela de olhos cordial e foi se embora . Harry ficou atarantado durante alguns segundos . Depois , lembrando se que deveria estar em a estufa , abriu a porta e esgueirou se lá para dentro . A professora Sprout estava de pé , por_detrás_de uma espécie de mesa em o meio de a estufa . Em cima de a mesa estavam cerca de vinte pares de abafo de ouvidos de diferentes cores . Quando Harry estava já em o seu lugar , entre Ron e Hermione , ela disse : - Hoje vamos transplantar Mandrágoras . Muito bem , quem sabe dizer me as propriedades de a Mandrágora ? Não foi surpresa para ninguém que a mão de a Hermione fosse a primeira em o ar . - A Mandrágora tem um efeito reparador muito poderoso - disse Hermione , com o ar mais normal de este mundo , como_se tivesse engolido o livro de texto . - É usada para fazer voltar as pessoas , que foram transfiguradas ou amaldiçoadas , a o seu estado original . - Excelente . Dez pontos para os Gryffindor ! - exclamou a professora Sprout . - A Mandrágora é parte integrante de a maior parte de os antídotos , mas também é perigosa . Quem sabe dizer me porquê ? A mão de Hermione por_pouco não bateu em os óculos de Harry , quando se ergueu de_novo . - O grito de a Mandrágora é fatal para quem o ouve - disse prontamente . - Precisamente . Dou lhe mais dez pontos - disse a professora Sprout . - Agora vejamos , as Mandrágoras que aqui temos são ainda muito jovens . Enquanto falava , apontou para uma fila de tabuleiros com uma certa profundidade e todos se chegaram a a frente para ver melhor . Cerca de uma centena de plantinhas tufosas de um verde arroxeado cresciam em filas . Pareceram perfeitamente vulgares a Harry , que não fazia a menor ideia do_que Hermione queria dizer com o * grito * de a Mandrágora . - Cada_um de vocês pode tirar um par de abafo de ouvidos - disse a professora Sprout . Houve uma competição renhida porque ninguém queria os cor-de-rosa , cheios de penugem . - Quando eu vos disser para os colocar , assegurem se de que os vossos ouvidos estão completamente tapados - disse a professora Sprout . - Logo_que seja seguro retirá os , eu levanto os dedos . Certo , pôr os abafos de os ouvido . Harry pôs imediatamente os abafos em os ouvidos . Eles fecharam completamente o som . A professora Sprout colocou também um par de abafos cor-de-rosa com penugem em os de ela , arregaçou as mangas de a túnica , agarrou uma de as plantas tufosas e puxou com toda_a força . Harry soltou um grito de surpresa que ninguém ouviu . Em_vez_de raízes , um bebé pequenino , enlameado e extremamente feio , saiu de a terra . As folhas cresciam lhe em o alto de a cabeça , tinha uma pele pintalgada de um pálido esverdeado e estava nitidamente a berrar a plenos pulmões . A professora Sprout tirou debaixo de a mesa um grande vaso de plantas e mergulhou lá dentro a Mandrágora , enterrando a em a mistura escura e húmida , até que só as folhas ficassem visíveis . Em seguida , limpou a terra de as mãos , levantou os dedos e todos eles retiraram os abafos de os ouvidos . - Como as nossas Mandrágoras são muito novas , os seus gritos ainda não matam - disse ela com grande calma , como_se tivesse feito algo tão normal como regar uma begónia . - Contudo , podem pôr vos a dormir durante várias horas e , como com certeza nenhum de vocês quer perder o primeiro dia de aulas , vejam se os abafos estão bem colocados enquanto trabalham . Eu chamarei vos a atenção quando for altura de os retirar . - Quatro em cada fila , há aqui uma grande quantidade de vasos , a mistura de terra está em os sacos ali a o fundo e tenham cuidado com a * _ Venomous_Tentacula * , estão a nascer lhe os dentes . Enquanto falava , deu uma pancada seca a uma planta vermelha escura cheia de pontas eriçadas , fazendo a encolher as longas antenas que tinham estado a avançar lenta e dissimuladamente sobre o seu ombro . A Harry , Ron e Hermione veio juntar se em a fila um rapaz de cabelo encaracolado de os Hufflepuff que Harry conhecia de vista , mas com quem nunca tinha falado . - Justin_Finch - _ Fletchey - disse ele com vivacidade , apertando a mão de o Harry . - Conheço te , claro , o famoso Harry_Potter ... e tu és a Hermione_Granger , sempre a primeira em tudo ( Hermione brilhou em um sorriso , como_se ele lhe tivesse apertado a mão ) e Ron_Weasley . Não era teu o carro voador ? Ron não sorriu . Não lhe saía de a cabeça o * gritador * . - Aquele Lockhart é o_máximo , não acham ? - disse Justin satisfeito , enquanto começavam a encher os vasos com composto de adubo de dragão . - Terrivelmente corajoso . Leram os livros de ele ? Eu teria morrido de medo se um lobisomem me tivesse encurralado em uma cabina telefónica , mas ele manteve se calmo e ... zap ... fantástico ! « Eu estava inscrito em Eton , sabem , não imaginam como estou feliz de ter vindo antes para aqui . É claro que a minha mãe ficou um_pouco desiludida , mas depois de lhe ter dado os livros de Lockhart a ler , tenho a impressão de que ela começou a ver a utilidade de ter um feiticeiro bem treinado em a família ... Depois de isso , não tiveram grandes oportunidades para conversar . Voltaram a pôr os abafos de ouvidos e era preciso concentrarem se em as Mandrágoras . A professora Sprout fizera as coisas parecerem extremamente simples , mas não eram . As Mandrágoras não gostavam de sair de a terra mas também não pareciam querer voltar para lá . Elas contorceram se , deram pontapés , agitaram as mãozinhas finas e rangeram os dentes . Harry levou dez minutos inteirinhos a tentar meter uma Mandrágora particularmente gorda dentro_de um vaso . Em o final de a aula , Harry , como todos os outros , estava a suar , cheio de dores e coberto de terra . Regressaram a o castelo a pé para um banho rápido e , em seguida , os Gryffindor apressaram se para assistir a a aula de transfiguração . As aulas de a professora Mc_Gonagall eram sempre complicadas , mas a de aquele dia era particularmente difícil . Tudo_o_que o Harry aprendera em o ano anterior parecia ter se lhe apagado de a memória durante o Verão . Ele deveria ser capaz de transformar uma barata em um botão , mas , tudo_o_que conseguiu foi fazer a barata praticar um imenso exercício , enquanto corria apressadamente por o tampo de a secretária evitando a varinha . Ron estava a debater se com problemas bastante piores . Tinha atado a varinha com uma fita mágica , mas parecia que não havia reparação possível . Não parava de crepitar e lançar faíscas em os momentos mais estranhos e , sempre_que Ron tentava transfigurar a barata , via se envolvido em um fumo cinzento espesso que cheirava a ovos podres . Incapaz de ver o que estava a fazer , o Ron esmagou , por engano , a barata com o cotovelo e teve de ir pedir que lhe dessem outra , o que deixou a professora Mc_Gonagall muito pouco satisfeita . Harry ficou aliviado quando ouviu tocar a campainha para o almoço . Sentia a cabeça como uma esponja espremida . Todos os alunos saíram em fila de a aula excepto ele e Ron que dava furiosas varadas em a secretária . - Coisa estúpida e inútil . - Escreve a os teus pais a pedir outra - sugeriu Harry , enquanto a varinha disparava com estrondo um foguete explosivo . - Ah pois , e receber outro * gritador * em a volta de o correio - respondeu Ron , metendo a varinha que já assobiava , dentro de o saco . - * _ A culpa é toda tua se a varinha está estragada * ... Desceram para o almoço e aí a disposição de o Ron não iria melhorar com Hermione a mostrar lhe uma mão-cheia de botões de casaco , perfeitinhos , que produzira em a transfiguração . - O que temos esta tarde ? - quis saber Harry , mudando rapidamente de assunto . - Defesa contra as artes negras - disse Hermione , sem perder tempo . - Porque é_que tu ... - perguntou Ron , pegando em o horário de ela - desenhaste corações em volta de as aulas de o Lockhart ? Hermione arrancou lhe o horário de as mãos , corando furiosa . Acabaram de almoçar e foram para o pátio carregado de nuvens . Hermione sentou se em um degrau de pedra e enfiou de_novo o nariz em as * _ Viagens com Vampiros * . Harry e Ron ficaram a falar de Quidditch durante alguns minutos antes de Harry se aperceber de que estava a ser observado de perto . Olhando para_cima viu o rapazinho pequenino com cabelo de rato que ele vira experimentar o chapéu seleccionador em a noite anterior , olhando para ele com uma expressão petrificada . Estava agarrado a o que parecia ser uma vulgar máquina fotográfica de os Muggles e , em o momento em que Harry olhou para ele , ficou todo vermelho . - Tudo bem , Harry ? Eu sou Colin_Creevey - disse , faltando lhe o ar e adiantando se a qualquer pergunta . - Estou em os Gryffindor também . Não te importavas que eu tirasse uma fotografia ? - perguntou , levantando a máquina cheio de expectativa . - Uma fotografia ? - repetiu Harry , inexpressivo . - Para eu provar que te conheci - disse Colin_Creevey cheio de ansiedade , continuando : - Eu sei tudo a teu respeito . Toda_a_gente me tem contado como sobreviveste quando O_Quem nós sabemos tentou matar te , como ele desapareceu depois de isso e como ficaste com a cicatriz em forma de relâmpago em a testa ( os seus olhos procuraram a linha de cabelo de Harry ) e um rapaz de o meu dormitório disse que se eu revelasse o filme em a posição certa ele mexia . - Colin respirou fundo , estremecendo de excitação e disse : - Isto_é fantástico , aqui , não achas ? Eu não sabia que todas_as coisas estranhas que fazia eram magia até a o dia em que recebi uma carta de Hogwarts . O meu pai é leiteiro . Também ele não queria acreditar . Por isso estou a tirar montes de fotografias para lhe mandar e era mesmo bom se tivesse uma tua - parecia implorar . - Talvez o teu amigo pudesse tirá a e assim eu ficava a o teu lado . E depois , podias assiná a ? - Assinar fotografias ? Estás a dar fotos autografadas , Potter ? Alta e mordaz , a voz de Draco_Malfoy ecoou em o pátio . Estava parado mesmo atrás_de Colin , ladeado , como sempre andava em Hogwarts , por os seus fortes guarda-costas Crabbe e Goyle . - Ei gente , façam bicha - gritou Malfoy a a multidão . - Harry_Potter está a dar fotos autografadas ! - Não estou coisa nenhuma - disse Harry , zangado , com os punhos em o ar . - Cala a boca , Malfoy . - Tu tens é inveja - começou a dizer Colin , cujo corpo era de o tamanho de o pescoço de Crabbe . - Inveja - repetiu Malfoy que não precisava de gritar mais , metade de o pátio estava a ouvi o . - De quê ? Não preciso de uma cicatriz em a cabeça , muito obrigado . Não acho que ter um corte em a testa torne alguém especial . Crabbe e Goyle riram estupidamente - Vai pastar caracóis , Malfoy - disse o Ron furioso . Crabbe parou de rir e começou a esfregar os nós de os dedos enormes de uma forma ameaçadora . - Tem cuidado , Weasley - escarneceu Malfoy . - Com certeza não queres começar uma rixa ou a tua mãezinha tem de vir cá para te tirar de a escola - e com uma voz aguda e penetrante : - * _ Se voltas a pisar o risco * ... Um grupo de alunos de o quinto ano de os Slytherin que estava ali perto , riu se bastante alto . - O Weasley gostaria de ter uma foto tua autografada , Potter - escarneceu de_novo Malfoy . - Era capaz de valer mais do_que a casa onde ele mora com a família . Ron sacou de a sua varinha amarrada com fita , mas Hermione fechou as * Viagens com Vampiros * com um estrondo e avisou : - Atenção . - O que é isto , o que é isto ? - Gilderoy_Lockhart aproximava se com o seu manto azul-turquesa girando em torvelinho atrás de ele . - Quem está a dar fotos autografadas ? Harry ia começar a explicar , mas foi interrompido quando Lockhart lhe pôs jovialmente o braço em cima de os ombros . - Mas que pergunta a minha ! Cá estamos nós de_novo , Harry ! Preso ao_lado_de Lockhart e a arder de humilhação , Harry viu Malfoy deslizar com o seu sorriso desdenhoso por o meio de a multidão . - Vamos lá então , Mr._Creevey - disse Lockhart , dirigindo se a Colin . - Uma foto dupla , já viu a sua sorte ? E assinamos a os dois para si . Colin ajustou a máquina e tirou a fotografia em o preciso momento em que a campainha tocava para as aulas de a tarde . - Está em a hora , todos para dentro - gritou Lockhart a a multidão e regressou a o castelo levando a o seu lado o Harry que só lamentava não conhecer um feitiço que o fizesse desaparecer . - Uma palavra só , Harry - disse Lockhart paternalmente , enquanto entravam em o edifício por uma porta lateral . - Eu ajudei te há bocado com o jovem Creevey porque se ele estivesse a fotografar me também a mim os teus colegas não reparariam tanto que estavas a exibir te ... Indiferente a a gaguez de Harry , Lockhart arrastou o para um corredor ladeado de alunos que os olhavam espantados e subiram uma escada . - Deixa me só dizer te uma coisa : dar fotografias autografadas em esta fase de a tua carreira , francamente , não é sensato , Harry , parece um_pouco megalómano . Pode ser que um dia mais tarde , tal_como eu , sejas obrigado a assinar para multidões onde quer que vás , mas - fez uma pequena pausa - não me parece que seja o caso , por enquanto . Tinham chegado a a aula de Lockhart e ele largou finalmente o Harry que sacudiu a túnica e foi sentar se em um lugar bem lá atrás onde começou por empilhar os livros de Lockhart a a sua frente para evitar olhar para a criatura . O resto de a aula entrou ruidosamente e Ron e Hermione foram sentar se um de cada lado de Harry . - Tu estavas vermelho como um pimentão - disse o Ron . - Reza para que o Creevey não se torne amigo de a Ginny senão bem podem criar o clube de * fans * de Harry_Potter . - Cala a boca - interrompeu Harry . A última coisa que desejava era que o Lockhart ouvisse a expressão « clube de * fans * de Harry_Potter « . Quando todos estavam em os seus lugares , Lockhart pigarreou alto e fez se silêncio . Ele inclinou se para a frente , pegou em o exemplar de Neville_Longbottom de * _ viagens com Duendes * e levantou o para mostrar a sua fotografia a piscar os olhos em a capa . - Eu - disse apontando para a fotografia e piscando também os olhos - Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , terceiro ano , membro honorário de a Liga_de_Defesa contra as artes negras e cinco vezes vencedor de o prémio de o * _ Feiticeiro de a semana * por o sorriso mais charmoso . Mas não vamos falar de isso , não venci a fada carpideira de Bandon a sorrir para ela ! Esperou que eles se rissem . Alguns alunos sorriram timidamente . - Já vi que todos vocês compraram a minha obra completa . Muito bem . Pensei começar hoje com um pequeno interrogatório escrito . Nada de complicado , só para perceber se leram bem os meus livros e o que apreenderam ... Depois de distribuir as folhas de teste voltou se para os alunos e disse : - Têm trinta minutos . Comecem já . Harry olhou para o papel e leu : *1 . Qual é a cor preferida de Gilderoy_Lockhart ? *2 . Qual é a ambição secreta de Gilderoy_Lockhart ? *3 . Qual é , em a sua opinião , a maior realização de Gilderoy_Lockhart até a o momento ? * E_por_aí adiante , ao_longo_de três páginas , terminando com : *54 . Qual é o dia de aniversário de Gilderoy_Lockhart e qual seria o seu presente preferido ? * Meia_hora mais tarde , Lockhart recolheu os pontos e folhou os rapidamente em frente de os alunos . - Tut , tut , quase ninguém se lembrou que a minha cor preferida é o lilás . Eu digo o em * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves * . Alguns precisam de voltar a ler com mais cuidado * Fim-de - _ Semana com Um Lobisomem * . Eu afirmo claramente em o décimo segundo capítulo que o meu presente de aniversário preferido seria a harmonia entre todos os seres , mágicos e não mágicos , embora não me importasse de receber uma garrafa grande de * whisky * velho de a Ogden's_Old_Firewhisky . Piscou lhes o olho de_novo . Ron olhava para Lockhart com uma expressão de incredulidade em o rosto . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas que estavam sentados a a frente tremiam de tanto conter o riso . Hermione , contudo , ouvia Lockhart com extrema atenção e deu um salto quando ouviu o seu nome . - Mas Miss_Hermione_Granger sabia que a minha ambição secreta era libertar o mundo de o mal e pôr a a venda a minha gama de poções de tratamento de o cabelo . Muito bem - voltou o papel . - Nota máxima ! Onde está Miss_Hermione_Granger ? Hermione ergueu uma mão trémula . - Excelente - bradou Lockhart , exultante . - Leva dez pontos para os Gryffindor . E vamos a o trabalho . Baixou se atrás de a secretária e pegou em uma grande gaiola coberta . - Ficam desde_já a saber , a minha função é preparar vos contra as criaturas mais malignas que a feitiçaria conhece . Vocês podem ter que enfrentar os maiores medos em esta sala . Saibam que nenhum mal vos sucederá comigo aqui . Só vos peço que se mantenham calmos . Ultrapassando os seus sentimentos , Harry espreitou através de a pilha de livros para ver melhor a gaiola . Lockhart colocou uma mão em a tampa . Dean e Seamus tinham deixado de se rir . Neville estava agachado em o seu lugar de a fila de a frente . - Vou pedir vos que não façam barulho - disse Lockhart em voz baixa . - Podem assustá os . Enquanto a aula inteira continha a respiração , Lockhart tirou a cobertura . - Sim - disse em um tom dramático . - Duendes_da_Cornualha recém-capturados . Seamus_Finnigan não conseguiu controlar se . Soltou uma gargalhada que nem Lockhart poderia confundir com um grito de terror . - Sim ? - sorriu a Seamus . - Bem , eles não são , não são perigosos , pois não ? - perguntou a rir . -- Não tenhas tanta certeza de isso - afirmou Lockhart , aborrecido , abanando um dedo , em direcção a Seamus . - Podem ser maçadores e muito traiçoeiros . Os duendes eram de um azul-eléctrico e tinham cerca de vinte centímetros de altura com feições angulosas e umas vozes tão estridentes que era como ouvir uma discussão entre araras . Logo_que o pano foi retirado , começaram a fazer uma enorme algazarra , a andar de um lado para o outro , batendo em as grades e fazendo caretas a as pessoas que estavam mais perto . - Muito bem - disse Lockhart em voz alta . - Vamos então ver o que vocês conseguem fazer de eles - e abriu a gaiola . Foi um pandemónio . Os duendes dispararam em todas_as direcções como foguetes . Dois de eles agarraram o Neville por as orelhas e levantaram o a o ar . Vários outros foram direitos a a janela , fazendo chover vidros partidos até a a fila de trás . Os restantes decidiram destruir a sala com maior eficácia do_que um rinoceronte em fúria . Agarraram em os tinteiros e salpicaram tudo em volta , rasgaram a os bocados livros e papéis , arrancaram os quadros de as paredes , levantaram a o ar a gaiola vazia , agarraram livros e sacos e lançaram nos por a janela de vidros estilhaçados . Em poucos minutos , metade de a aula estava abrigada debaixo de as secretárias e o Neville pendurado em o candelabro de o tecto . - Vamos lá , agarrem nos , agarrem nos , são apenas duendes ... - gritava Lockhart . Arregaçou as mangas , bramiu a varinha e pronunciou * Peshipiksi_Pesternomi ! * As palavras não tiveram o menor efeito . Um de os duendes pegou em a varinha de Lockhart e atirou a também por a janela fora . Lockhart engoliu em seco e mergulhou debaixo de a secretária , não sendo , por um triz , esmagado por o Neville que caiu um segundo depois , quando o candelabro cedeu . A campainha tocou e houve uma louca precipitação para a porta . Em a calma relativa que se seguiu , Lockhart endireitou se , olhou para Harry , Ron e Hermione que estavam quase a chegar a a porta e disse : - Bem , vou pedir vos a os três que prendam o resto de os duendes em a gaiola - passou por eles e fechou rapidamente a porta atrás_de si . - Isto dá para acreditar ? - resmungou o Ron , enquanto um de os duendes lhe mordia com toda_a força uma de as orelhas . - Ele só quer dar nos uma ajuda , permitindo nos ganhar experiência - justificou Hermione , imobilizando dois duendes de uma_vez com um encantamento de paralisação e metendo os de_novo em a gaiola . - Experiência ? - disse Harry , tentando agarrar um duende que dançava com a língua de_fora . - Hermione , ele não sabia nada do_que estava a fazer . - Disparate - retorquiu Hermione . - Leste os livros de ele . Vê só as coisas que ele já fez ! - Que diz que fez - resmungou o Ron . VII_Sangue de lama e murmúrios Harry passou imenso tempo , em os dias que se seguiram , a fugir sempre_que via Gilderoy_Lockhart aproximar se em o corredor . Mais difícil de evitar era Colin_Creevey que parecia ter decorado o horário de Harry . Parecia que nada o emocionava mais do_que dizer : - Tudo bem , Harry ? - seis ou sete vezes por dia e ouvir : - Olá , Colin - por mais exasperado que Harry estivesse quando lhe respondia . A Hedwig ainda estava zangada com Harry por causa de a desastrosa viagem de automóvel e a varinha de o Ron continuava a não funcionar , tendo ultrapassado tudo em a sexta-feira de manhã quando lhe saltou de as mãos em a aula de encantamentos e foi agredir o velho e baixinho professor Flitwick mesmo entre os olhos , deixando uma enorme bolha latejante em o sítio onde tinha batido . Por tudo_isso Harry via chegar , com satisfação , o fim_de_semana Planeava ir em o Sábado de anhã , com Ron e Hermione visitar o Hagrid . Mas foi acordado várias horas mais cedo do_que desejaria por Oliver ood , treinador de a equipa de Quidditch_dos_Gryffindor . - _ o que é_que se passa ? - perguntou Harry , enrolando as palavras . - Treino_de_Quidditch - disse Wood . - Vamos embora . Harry lançou um olhar de esguelha a a janela . Uma neblina fina pairava em o céu rosa e dourado . Agora_que estava acordado não percebia como pudera dormir com a algazarra que os pássaros faziam . - Oliver resmungou Harry . - É de madrugada . - Exacto - respondeu Wood . Era um rapaz alto e corpulento de o sexto ano e em aquele momento os olhos brilhavam lhe loucamente de entusiasmo . - Faz parte de o nosso novo programa de treinos . Anda lá , vai buscar a vassoura e vamos embora - insistiu Wood empenhado . - Nenhuma de as outras equipas começou ainda a treinar . Vamos ser os primeiros este ano ... A bocejar e a tremer um_pouco , Harry saltou de a cama e tentou descobrir as suas túnicas de Quidditch . - Bem , encontramo nos em o campo , dentro_de quinze minutos . Depois de descobrir a sua roupa escarlate de equipa e pôr o manto por cima para se aquecer , Harry escreveu a o Ron um bilhete a explicar onde tinha ido e desceu por a escada de espiral para a sala comum com a sua Nimbos dois inil a o ombro . Tinha acabado de chegar junto de o buraco de o retrato quando ouviu um barulho atrás_de si e viu Colin_Creevey descer a escada de espiral com a máquina fotográfica pendurada a o pescoço a balouçar como louca e uma coisa em a mão . - Ouvi alguém chamar o teu nome em as escadas , Harry olha o que tenho aqui . Revelei a e queria mostrar te . Harry olhou assombrado para a fotografia que Colin lhe espetava em frente de o nariz . Um Lockhart a preto e branco movia se , puxando com toda_a força um braço que Harry reconheceu como sendo o seu . Ficou satisfeito a o constatar que estava a resistir bastante bem , recusando se a ser trazido para a vista de todos . Enquanto Harry observava , Lockhart desistiu e desinteressou se de lutar contra a parte branca de a fotografia . - Assinas para mim ? - pediu Colin entusiasmado . - Não - respondeu secamente Harry , olhando em volta para verificar se o caminho estava livre . - Desculpa_Colin , mas estou cheio de pressa , treino de Quidditch . Passou por o buraco de o retrato . - Oh Uau ! Espera por mim . Eu nunca vi um jogo de Quidditch . Colin trepou por o buraco de o retrato atrás de ele . - Vai ser uma chatice para ti - disse Harry rapidamente , mas Colin ignorou o comentário . Todo o seu rosto brilhava de satisfação . - Tu foste o jogador mais novo de a equipa em cem anos , não foste Harry ? Não foste ? - perguntava Colin , trotando para o acompanhar . - Deve ser fantástico . Eu nunca voei . É fácil ? Essa vassoura é a tua ? É a melhor que há ? Harry não sabia como ver se livre de ele . Era como ter uma sombra que não se calava . - Eu não percebo nada de Quidditch - disse Colin , já sem fôlego . - É verdade que há quatro bolas ? E que duas anda n a voar , tentando fazer os jogadores caírem de as vassouras ? - Sim - disse Harry lentamente , resignado com o ter de lhe explicar as complicadas regras de o Quidditch . - São as * bludgers * . Há dois * beaters * em cada equipa que têm bastões para bater em as * bludgers * e lançá as para o outro lado . O Fred e o George_Weasley são os * beaters * de os Gryffindor . - E para que servem as outras bolas ? - perguntou Colin , saltando uma série de degraus porque ia a olhar para o Harry de boca aberta . - Bem , a * quaffle * , que é a vermelha grandalhona , é a que marca os golos . Três * chasers * em cada equipa lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam fazes a entrar em as balizas que ficam em o extremo de o campo onde há três grandes postes com argolas em as pontas . - E a quarta bola ? - A * snitch * dourada - explicou Harry . - É muito pequenina e veloz e extremamente difícil de agarrar . Mas é isso que o * seeker * tem de fazer , porque o jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * for agarrada . E o * seeker * que conseguir agarrá a ganha para a sua equipa mais cento_e_cinquenta pontos . - E tu és o * seeker * de os Gryffindor , não és ? - perguntou Colin respeitosamente . - Sim - disse Harry enquanto saíam de o castelo e começavam a atravessar o relvado . - E há também o * keeper * que toma conta de os postes . É isto . Mas Colin não parou de fazer perguntas desde os relvados macios até a o campo de Quidditch e Harry só se viu livre de ele quando chegaram a os vestiários . Colin gritou em uma voz aguda : - Eu vou arranjar um lugar , Harry - e apressou se em direcção a as bancadas . O resto de a equipa de os Gryffindor já se encontrava em os vestiários . Wood era o único que tinha aspecto de estar bem acordado . Fred e George_Weasley estavam sentados com olhos de sono e cabelos desgrenhados junto de Alicia_Spinnet de o quarto ano que parecia inclinar se contra a parede que tinha atrás_de si . Os seus companheiros * chasers * , Katie_Bell e Angelina_Johnson bocejavam em frente de ela . - Até que enfim , Harry , porque é_que demoraste tanto ? - perguntou Wood cheio de actividade . - Eu queria ter uma pequena conversa convosco antes de entrarmos propriamente em campo porque passei o Verão a conjecturar um novo programa de treinos que acredito vai estabelecer grandes mudanças . Wood tinha em as mãos um grande mapa de um campo de Quidditch onde estavam desenhadas muitas linhas , setas e cruzes a tinta de várias cores . Pegou em a varinha , bateu com ela em o quadro e as setas começaram a mover se em o mapa como tractores . Enquanto Wood se lançava em um discurso sobre as suas novas técnicas , a cabeça de Fred_Weasley caiu sobre o ombro de Alicia_Spinnet e ele começou a ressonar . O primeiro mapa levou quase vinte minutos a explicar , mas debaixo de esse havia outro e ainda um terceiro . Harry caiu em uma letargia enquanto Wood continuava indefinidamente . - Então - disse por fim o treinador , arrancando Harry de a avidez de uma fantasia sobre o que poderia estar a comer se se encontrasse em aquele momento em o castelo . - Ficou tudo claro ? Alguma pergunta ? - Eu tenho uma pergunta , Oliver - disse George que acordou estremunhado . - Porque não nos explicaste tudo_isso ontem , quando estávamos acordados ? Wood não ficou nada satisfeito . - Ouçam bem , vocês todos - disse , voltando se para eles mal-humorado . - Nós deveríamos ter ganho a taça de Quidditch o ano passado . Somos de longe a melhor equipa , mas , infelizmente , devido_a circunstancias que estão para_além de o nosso controlo ... Harry mudou de posição em a cadeira sentindo se culpado . Estivera inconsciente em o hospital durante o campeonato final de o ano anterior o que fez com que os Gryffindor com um jogador a menos tivessem sofrido a pior derrota de os últimos trezentos anos . Wood levou um momento a controlar se . Era evidente que a última derrota ainda o torturava . - Portanto , este ano vamos fazer um treino mais duro , como nunca se fez . O. _ K. , vamos lá pôr as teorias em prática - gritou , pegando em a vassoura e conduzindo os para fora de o vestiário . Com as pernas trôpegas e ainda a bocejar , a equipa seguiu o . Tinham estado tanto tempo lá dentro que o sol já tinha nascido e brilhava em o céu embora uma réstia de neblina pairasse ainda sobre o relvado de o campo . Quando Harry entrou em campo viu Ron e Hermione sentados em as bancadas . - Ainda não acabaram ? - perguntou Ron em um tom incrédulo . - Ainda nem começamos - explicou Harry , olhando cheio de inveja para a torrada com doce de laranja que Ron e Hermione tinham trazido de o salão . - O Wood tem estado a ensinar nos as jogadas . Subiu para a vassoura e deu um pontapé em o chão , elevando se em o ar . O ar fresco de a manhã bateu lhe em o rosto fazendo o acordar com mais eficácia do_que o longo discurso de Wood . Era maravilhoso voltar a estar em o campo de Quidditch . Voou em volta de o estádio a toda a a velocidade competindo com Fred e George . - Que barulhinho estranho é aquele ? - perguntou o Fred quando deram a volta . Harry olhou para as bancadas . Colin estava sentado em um de os lugares mais altos com a máquina fotográfica em o ar , tirando fotografia sobre fotografia , o som estranhamente ampliado em o estádio deserto . - Olha para ali , Harry , para ali - gritava de forma estridente . - Quem é aquele ? - perguntou Fred . - Não faço ideia - mentiu Harry , disparando a_toda_a velocidade e distanciando se o mais possível de Colin . - O que se passa aí ? - perguntou Wood , franzindo a testa enquanto corria por os ares atrás de eles . - Porque está aquele aluno de o primeiro ano a tirar fotografias ? Não me agrada . Pode ser um espião de os Slytherin a tentar descobrir o nosso novo programa de treinos . - Ele é de os Gryffindor - disse Harry rapidamente . - E os Slytherin não precisam de um espião , Oliver - completou George . - Porque dizes isso ? - perguntou Wood irritado . - Porque estão aqui em peso - disse George , apontando com o dedo . Vários indivíduos com túnicas verdes vinham em aquele momento a entrar em o campo de vassouras em a mão . - Não posso acreditar - reagiu Wood , sentindo se ultrajado . - Eu reservei o estádio para hoje . Já vamos ver como é_que isto fica ! Wood baixou direito a o chão sendo levado por a fúria a aterrar com mais força do_que pretendia e a cambalear um_pouco quando começou a andar seguido de o Harry e de o Ron . - Flint - bradou para o treinador de os Slytherin . - Este é o nosso tempo de treino . Levantámo nos de propósito . Vocês têm de sair de aqui . Marcus_Flint era ainda mais corpulento do_que Wood . Tinha em o rosto uma expressão de duende travesso quando respondeu : - Há espaço para todos , Wood . Angelina , Alicia e Katie tinham vindo também . Em a equipa de os Slytherin não havia raparigas que enfrentassem a o lado de os rapazes os Gryffindor . - Mas eu reservei o estádio - repetiu Wood de modo afirmativo , cuspindo de raiva . - Reservei o . - Ah ! - exclamou Flint . - Mas eu tenho aqui uma licença especial assinada por o professor Snape . * _ Eu , professor Snape , autorizo a equipa de os Slytherin a praticar hoje em o campo de Quidditch devido a a necessidade de treinar o seu novo seeker . * - Têm um novo * seeker * ? - perguntou Wood perturbado . - Onde ? E detrás de as seis figuras corpulentas que tinham em a frente , viram surgir uma sétima : um rapaz mais pequeno com um sorriso afectado espelhado em o rosto pálido e anguloso . Era_Draco_Malfoy . - Não és o filho de o Lucius_Malfoy ? - perguntou Fred , olhando para ele com antipatia . - Curioso que refiras o pai de o Draco - disse Flint enquanto toda_a equipa de os Slytherin sorria de modo grosseiro . - Deixem me mostrar vos a generosa oferta que ele fez a a equipa de os Slytherin . Os sete exibiram as suas vassouras . Sete cabos novos , polidos , com inscrições em letras douradas de as palavras « Nimbus dois_mil_e_um « brilharam a o sol de a manhã , em frente de o nariz de os Gryffindor . - O último modelo . Só chegou em o mês passado - disse Flint , displicentemente , sacudindo a poeira de o cabo de a sua vassoura . - Julgo que ultrapassam de longe as velhas séries de dois_mil . Quanto a as Cleansweeps - sorriu de forma mesquinha para Fred e George que tinham ambos Cleansweep_Fives - essas já só servem para varrer . Nenhum de os Gryffindor foi capaz de abrir a boca em aquele momento . Malfoy sorria tanto que os seus olhos de gelo estavam reduzidos a duas rachas . - Oh vejam - disse Flint . - Uma invasão de o campo . Ron e Hermione atravessavam o relvado para ver o que se passava . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron a o Harry . - Porque não estão a jogar e o que faz ele aqui ? Olhava para Malfoy em as suas vestes de Quidditch . - Sou o novo * seeker * de os Slytherin , Weasley - disse Malfoy com ar presumido . - Têm estado todos a admirar as vassouras que o meu pai comprou para a nossa equipa . Ron olhou de boca aberta para as sete vassouras que tinha em a frente . - São boas , não são ? - disse Malfoy untuosamente . - Mas talvez a equipa de os Gryffindor consiga levantar algum ouro e comprar também vassouras novas . Vocês podiam levar essas Cleansweep_Fives a leilão , talvez algum museu esteja interessado . A equipa de os Slytherin riu se a bandeiras despregadas . - Pelo_menos em os Gryffindor ninguém teve de comprar a sua entrada - disse secamente Hermione . - Entraram todos por mérito próprio . O ar presumido de Malfoy desapareceu . - Ninguém pediu a tua opinião , sangue de lama - cuspiu Malfoy . Harry apercebeu se , de imediato , que Malfoy dissera algo muito grave porque houve uma tremenda algazarra em o seguimento de as suas palavras . Flint teve que se pôr a a frente de o Malfoy para evitar que Fred e George se atirassem a ele . Alicia bradou : - Como te atreves ? - E Ron meteu a mão em as vestes e sacou de a varinha mágica , gritando : - Vais pagar por o que disseste , Malfoy ! - e apontou a , furioso , por debaixo de o braço de Flint , a o rosto de Malfoy . Um enorme estrondo , ecoou em o estádio e um jacto de luz verde saiu por a extremidade errada de a varinha de Ron , atingindo o em o estômago e projectando o para trás em direcção a o relvado . - Ron ! Ron ! Estás bem ? - gritou Hermione . Ron abriu a boca para falar , mas nenhuma palavra saiu . Em vez de isso , teve um vómito imenso e várias lesmas saíram lhe de a boca , indo cair lhe em o colo . A equipa de os Slytherin ficou paralisada de riso . Flint estava dobrado , agarrado a a vassoura nova . Malfoy , a quatro , batia com o punho em a chão . Os Gryffindor rodeavam o Ron , que continuava a vomitar lesmas enormes e reluzentes . Ninguém queria tocar lhe . - É melhor levá o para_casa de o Hagrid . É o mais perto - disse Harry_a_Hermione , que acenou afirmativamente , e os dois arrastaram o Ron por os braços . - O que aconteceu , Harry ? O que aconteceu ? Ele está doente ? Mas tu podes curá o , não podes ? - Colin descera a correr de o lugar onde estava sentado e dançaricava em frente de eles , enquanto abandonavam o campo . Ron teve um novo arremesso e mais lesmas saíram de a sua boca . - Oooh ! - exclamou Colin fascinado , levantando a máquina fotográfica . - Podes mantê o quieto , Harry ? - Sai de a minha frente , Colin - gritou Harry zangado . Ele e a Hermione conseguiram levar o Ron para fora de o estádio , atravessar os campos e chegar a a beira de a floresta . - Está quase , Ron - disse Hermione , mal avistaram o casebre de o guarda de os campos . - Vais ficar bem dentro_de um minuto ... está quase ... Estavam a sessenta metros de a casa de Hagrid , quando a porta de a frente se abriu . Mas não foi Hagrid quem saiu de lá , e sim Gilderoy_Lockhart , em uma túnica cor de malva . - Rápido , vamos esconder nos aqui - sussurrou Harry , arrastando Ron para trás de um arbusto que havia ali perto . Hermione acompanhou o , embora um_pouco relutante . -- É muito simples quando se sabe o que se está fazer ! - gritava Lockhart_para_Hagrid . - Se precisar de ajuda , sabe onde estou . Vou dar lhe um exemplar de o meu livro . Espanta me que ainda não o tenha . Logo a a noite autografo o e envio lhe o . Bem . até a a próxima ! - e afastou se em direcção a o castelo . Harry esperou que Lockhart desaparecesse , antes de puxar o Ron de trás de o arbusto até a a casa de o Hagrid . Bateram ansiosamente . Hagrid apareceu logo com um ar mal-humorado , que se dissipou quando viu quem era . - Já me tinha perguntado quand'é que vocês vinham ver me , entrem , entrem , pensei qu'era outra_vez o professor Lockhart . Harry e Hermione ajudaram Ron a subir o degrau que dava acesso a a cabana de uma divisão com uma cama enorme a um de os cantos e uma lareira a crepitar alegremente em o outro . Hagrid não pareceu perturbado com o problema de as lesmas de o Ron que Harry lhe explicou precipitadamente , logo_que sentou o Ron em uma cadeira . - Melhor saírem de o qu'entrarem - disse , em um tom bem-disposto , colocando uma grande bacia de cobre em frente de ele . - Deita as todas fora , Ron . - Acho que não há mais_nada a fazer , a não ser esperar que isto pare - disse Hermione ansiosamente , vendo Ron inclinar se para a bacia . - É uma maldição muitas_vezes difícil , mas com uma varinha partida ... Hagrid andava de um lado para o outro a preparar o chá . O cão de ele , Fang , babava se em cima de o Harry . - O que é_que o Lockhart queria de ti ? - perguntou o Harry , coçando as orelhas de o Fang . - Ensinar me a tirar espíritos aquáticos com forma de cavalos d'uma nascente d'água - resmungou Hagrid , retirando de a mesa pequena um galo meio depenado e colocando em o seu lugar o bule . - Como s'eu não soubesse . E contar me uma peta qualquer d'uma fada carpideira que ele venceu . Engulo essa chaleira , se uma palavra do_que ele disse for verdade . Não era hábito de Hagrid criticar um professor de Hogwarts e Harry olhou para ele com alguma surpresa . Mas Hermione disse em uma voz mais aguda do_que de costume : - Acho que estás a ser injusto . O professor Dumbledore obviamente achou que era o melhor homem para o lugar ... - Era o único - explicou Hagrid , oferecendo lhes um prato de bombons de melaço enquanto Ron tossia para a bacia . - E não havia mais ninguém . Não é fácil encontrar quem queira dar Artes de magia negra . As pessoas não gostam de essa matéria . Começam a pensar que está amaldiçoada , ninguém ficou muito_tempo a dá a . Mas digam me lá - continuou Hagrid , inclinando a cabeça para Ron - quem é qu'ele estava a tentar amaldiçoar ? - O Malfoy chamou qualquer coisa a a Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si . - Foi grave , sim - disse o Ron com voz rouca , emergindo a a superfície de a mesa , pálido e transpirado . - O Malfoy chamou lhe sangue de lama , Hagrid . - Ron desapareceu outra_vez quando uma nova onda de lesmas fez o seu aparecimento . Hagrid estava indignado . - Não posso crer - exclamou , dirigindo se a Hermione . - Chamou sim - disse ela . - Mas eu não sei o que significa . Percebi que era má educação , claro ... - É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar - explicou Ron novamente . - Sangue de lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles , sabes , filho de pais não mágicos . Há alguns feiticeiros , como a família de o Malfoy que acham que são melhores do_que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro . - Teve um pequeno vómito e uma lesma isolada caiu lhe em a mão aberta . Ele atirou a para a bacia e continuou . -- É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma . Olha_o_Neville_Longbottom , é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito . - E ainda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer - afirmou Hagrid , orgulhoso , fazendo Hermione corar em tons de magenta . - É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém - disse o Ron , limpando o suor de a testa com a mão trémula . - Sangue sujo , sangue vulgar , é um disparate . A maior parte de os feiticeiros hoje_em_dia têm sangue misturado . Se não tivéssemos casado com Muggles tinha sido o nosso fim . Fez um esforço para vomitar e baixou se mais_uma_vez . - Bem , não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá o , Ron - disse Hagrid bem alto enquanto montes de lesmas caíam em a bacia . - Mas , se_calhar , não foi mau de todo teres a varinha a trabalhar ao_contrário . Acho que Lucius_Malfoy teria vindo logo a correr a a escola se tivesses amaldiçoado o filho . Assim , pelo_menos , não estás metido em nenhum sarilho . Harry teria referido que o problema não podia ser pior do_que deitar lesmas por a boca , mas não pôde . Os bombons de melaço tinham lhe colado os maxilares um_ao_outro . - Harry - disse de repente Hagrid como_que movido por um pensamento súbito . - Tens de me explicar uma coisa . Ouvi dizer que tens andado a dar fotografias autografadas . Porque é qu'eu não tenho nenhuma ? A fúria de Harry foi tão grande que os maxilares se libertaram . - Eu não tenho dado fotografias autografadas - disse com vivacidade . Se o Lockhart andou a espalhar isso ... Mas em esse momento viu que Hagrid se estava a rir . - ´ _ tou a brincar - disse , dando uma palmadinha em as costas de Harry e fazendo lhe sinal para se sentar a a mesa . -- Eu sabia que não tinhas . Disse a o Lockhart que tu não precisavas de isso . Es mais famoso do_que ele sem sequer , tentares . - Aposto que ele não gostou de ouvir isso - comentou Harry , sentando se e esfregando o queixo . - Acho que não gostou mesmo - prosseguiu Hagrid com os olhinhos a brilhar . - E disse lhe também que nunca tinha lido nenhum de os livros de ele e ele foi se embora . Um bombom de melaço , Ron ? - perguntou a o vê o reaparecer . - Não , obrigado - disse o Ron com uma voz fraca . - É melhor não arriscar . - Venham ver o qu'eu tenho estado a criar - disse Hagrid quando Harry e Hermione acabaram de tomar o chá . Em a pequena horta atrás de a casa estava uma_dúzia de as maiores abóboras que Harry alguma vez vira . Pareciam enormes blocos de pedra . - Estão a dar se bem , não achas ? - disse Hagrid , feliz . São para a festa de o * _ Hallow'en * . Devem estar bem grandes quando chegar a altura . - O que é_que lhes tens dado como alimento ? - perguntou Harry . Hagrid olhou por cima de o ombro para confirmar se estavam sós . - Bem , tenho estado a dar lhes ... uma pequena ajuda . Harry reparou em o guarda-chuva cor-de-rosa a as florzinhas que estava encostado contra a parede de a cabana . Tivera em o ano anterior motivos para crer que aquele guarda-chuva não era o que parecia . De facto , acreditava que a antiga varinha de escola de Hagrid se encontrava oculta dentro de ele . Hagrid não tinha autorização para usar magia . Fora expulso de Hogwarts em o terceiro ano embora Harry nunca tivesse descoberto o motivo . Qualquer referência a esta questão fazia Hagrid pigarrear bem alto e ficar misteriosamente surdo até mudarem de assunto . -- Um encantamento de absorção , imagino ? - comentou Hermione entre a desaprovação e o divertimento . - Bem , se assim foi , fizeste um bom trabalho . - Foi o que disse a tua irmãzinha - respondeu Hagrid acenando em direcção a Ron . - Encontrei a ontem . - Hagrid olhou de lado para Harry , a barba a contorcer se . - Disse que andava só a ver os campos , mas eu acho qu'ela esperava encontrar alguém em a minha casa - piscou o olho a o Harry . - Se queres que te diga acho qu'ela não recusaria uma fotografia autogr ... - Cala te com isso - disse Harry . Ron desatou a rir e o chão ficou cheio de lesmas . - Cuidado - resmungou Hagrid , afastando Ron de as suas preciosas abóboras . Estava quase em a hora de o almoço e , como o Harry só tinha provado um bombom de melaço desde manhã cedo , estava ansioso por chegar a a escola para ir comer . Despediram se de o Hagrid e regressaram a o castelo . O Ron a vomitar de vez em quando , mas deitando só duas pequenas lesmas . Mal tinham pisado a entrada de o vestíbulo quando ouviram uma voz . - Aí estão vocês , Potter , Weasley . - A professora Mc_Gonagall vinha em direcção a eles com o seu ar severo . - Vocês os dois vão ter as punições hoje a a tarde . - O que é_que vamos fazer , professora ? - perguntou o Ron nervoso , deixando cair uma lesma . - Tu vais limpar as pratas em a sala de os troféus com Mr._Filch - disse a professora Mc_Gonagall . - E nada de mágicas , Weasley , trabalho com esforço . Ron engoliu em seco . Argus_Filch , o encarregado , era odiado por todos os alunos de a escola . - E tu , Potter , vais ajudar o professor Lockhart a responder a as cartas de as suas fãs - ordenou a professora Mc_Gonagall . - Oh , não ! Não posso ir também trabalhar em a sala de os troféus ? - pediu Harry em desespero de causa . - Nem pensar em isso - respondeu a professora Mc_Gonagall , erguendo as sobrancelhas . - O professor Lockhart requisitou te especialmente a ti . _ a as oito_em_ponto , os dois . Harry e Ron entraram em o salão em um estado de profundo desanimo com a Hermione atrás , ostentando uma expressão de * bem-voces-quebraram-as-regras-da-escola * . Harry não saboreou o empadão de carne como teria desejado . Tanto ele como o Ron achavam que tinham tido o pior de os castigos . -- O Filch vai reter me lá toda_a noite - disse Ron , desanimado . - Sem mágica ! Deve haver umas cem taças em aquela sala , eu não sei fazer limpeza de Muggles . - Eu trocava contigo de boa_vontade - confessou Harry em uma voz surda . - Tive montes de prática com os Dursleys . Responder a o correio de fãs de o Lockhart , que pesadelo ... A tarde de sábado pareceu derreter se . Pouco depois eram já cinco para as oito e Harry arrastava se até a o corredor de o segundo andar onde ficava o escritório de o Lockhart . Rangendo os dentes , bateu a a porta . A porta abriu se imediatamente e Lockhart dirigiu se lhe . - Ah , cá está o patifório ! - exclamou . - Entra , Harry , entra . Em as paredes , brilhando à_luz_de muitas velas , podia ver se uma infinidade de fotografias de Lockhart . Algumas de elas até assinadas . Sobre a secretária estava outro monte enorme . - Podes pôr as moradas em os envelopes - disse Lockhart_a_Harry , como_se fosse uma grande ameaça . - O primeiro é para Gladys_Gudgeon , abençoada seja , uma grande fã minha . Os minutos passavam lentos . De vez em quando , Harry ouvia a voz de Lockhart dizendo : - Mmm - e - certo - e - sim . - De vez em quando , apanhava uma frase como : - A fama é versátil , amigo Harry - ou - Só é célebre quem faz por isso , nunca te esqueças . As velas ardiam cada_vez com maior lentidão , fazendo a luz dançar sobre as muitas caras de Lockhart que o olhavam . Harry passava a mão , já dorida , sobre o que devia ser o centésimo envelope , escrevendo a morada de Verónica_Smethley . « Deve estar quase em a hora de me ir embora » , pensou , sentindo se profundamente infeliz , « por favor , faz com que esteja em a hora ... » E então ouviu algo , algo totalmente diferente de o crepitar de as velas e de os ditos de Lockhart sobre as suas fãs . Era uma voz , uma voz de arrepiar os ossos , de cortar a respiração , de veneno frio . - * _ Vem ... vem ter comigo ... deixa me rasgar te ... cortar te ... matar te * ... Harry deu um salto e uma enorme mancha lilás surgiu em a rua de Verónica_Smethley . - O quê ? - disse ele em voz alta . - Eu sei - exclamou Lockhart . - Seis meses inteirinhos em o topo de a lista de * bestsellers * , bati todos os recordes ! - Não - disse Harry nervosíssimo - aquela voz ! - Como ? - perguntou Lockhart , com um ar confuso . - Que voz ? - Aquela , aquela voz que disse ... não ouviu ? Lockhart olhava para Harry com o maior espanto . - De que é_que estás a falar , Harry ? Estás a ficar com sono ? Meu Deus , olha , só estamos aqui há quase quatro horas , quem diria ? O tempo passou a correr , não é verdade ? Harry não respondeu , estava a fazer um esforço para ouvir de_novo a voz , mas o único som que ouviu foi Lockhart a dizer lhe que não esperasse um tratamento igual de as próximas vezes que fosse castigado . Harry saiu , sentindo se atordoado . Era tão tarde que a sala comum de os Gryffindor estava quase vazia . Harry foi directamente para o dormitório . Ron ainda não tinha voltado . Vestiu o pijama , meteu se em a cama e esperou . Meia_hora mais tarde , chegou o Ron agarrado a o braço direito e inundando o quarto escuro de um forte cheiro a limpa-pratas . - Doem me todos os músculos - resmungou , metendo se em a cama . - Ele fez me polir catorze vezes aquela taça de Quidditch até estar satisfeito . E depois tive outro vómito em_cima_de um troféu de Reconhecimento por serviços prestados a a escola . Demorei séculos a limpar o muco de as lesmas . Como correram as coisas com o Lockhart ? Em voz baixa para não acordar o Neville , o Dean e o Seamus , Harry contou lhe , palavra por palavra , o que tinha ouvido . - E Lockhart disse que não ouviu nada ? - perguntou o Ron . Harry viu o franzir a testa , a a luz de o luar . - Achas que estava a mentir ? Mas , não percebo , mesmo um ser invisível teria aberto a porta . - Eu sei - disse Harry , encostando se a a cama e olhando para o dossel . - Também não compreendo . VIII_A festa de o dia de os mortos Outubro chegou , espalhando um frio húmido por os campos e por os cantos de o castelo . Madam_Pomfrey , a enfermeira-chefe , esteve bastante ocupada com uma onda de constipações que afectou professores e alunos . A sua poção de pimentão entrou imediatamente em acção apesar_de deixar quem a tomava com fumo em os ouvidos durante várias horas . Ginny_Weasley , que andava com ar adoentado , foi convencida a tomá a por o Percy . O fumo que saía por debaixo de o seu cabelo ruivo dava a impressão de que toda_a cabeça estava em fogo . Gotas de chuva de o tamanho de balas agrediram as janelas de o castelo durante dias a fio . O lago rosado e os canteiros de flores tornaram se regatos lamacentos e as abóboras de o Hagrid incharam ficando de o tamanho de alpendres de jardim . Contudo , o entusiasmo de Oliver_Wood por as sessões de treino regular não foi abalado , motivo por o qual Harry iria regressar a a torre de os Gryffindor , em um sábado a a tarde de temporal , alguns dias antes de o * _ Hallowe'en * , ensopado até a os ossos e todo enlameado . Além de a chuva e de o vento , não fora um treino feliz . Fred e George que tinham andado a espiar a equipa de os Slytherin tinham visto com os seus próprios olhos a velocidade alucinante de aquelas novas Nimbus dois_mil_e_um e comentaram que a equipa em o ar parecia composta por sete manchas esverdeadas que disparavam a_toda_a velocidade como aviões a jacto . Enquanto Harry chapinhava a o longo de o corredor deserto , cruzou se com alguém que parecia tão preocupado como ele : Nick quase sem cabeça , o fantasma de a torre de os Gryffindor que olhava taciturno , por a janela , murmurando baixinho : - Não preenche os requisitos , um centímetro e meio se ... - Olá , Nick - cumprimentou Harry . - Olá , olá - disse o Nick quase sem cabeça , começando a olhar em volta . Usava um arrebatado chapéu de plumas sobre a longa cabeleira encaracolada e uma túnica com gola de tufos que disfarçava o facto de ter o pescoço quase totalmente separado de o corpo . Era pálido como o fumo e Harry podia ver através de ele o céu negro e a chuva torrencial , lá fora . - Pareces preocupado , jovem Potter - disse Nick , dobrando uma carta transparente , enquanto falava e escondendo a dentro de a jaqueta . - Tu também - retorquiu Harry . - Ah ! - o Nick quase sem cabeça acenou com a mão de forma elegante . - Uma questão sem importância . Não é_que eu quisesse realmente participar apesar_de me ter inscrito , mas , a o que parece , não preencho os requisitos . - Apesar de o seu tom jovial havia em o seu rosto uma grande amargura . - Mas era de esperar , ou não era - exclamou subitamente , tirando a carta de o bolso - que ter levado quarenta_e_cinco golpes em a cabeça com um machado ferrugento me qualificaria para entrar em o grupo de os Sem - _ Cabeça ? - Sim , sim - respondeu Harry que obviamente o outro esperava que concordasse . - Isto_é , ninguém mais do_que eu desejaria que tudo tivesse sido rápido e perfeito , poupava me muitas dores e ridículo . Mas ... O Nick quase sem cabeça abriu , furioso , a carta e leu : * _ Só podemos aceitar em o grupo homens cuja cabeça tenha sido separada de o corpo . Compreenderá que de outro modo seria impossível a os nossos membros participarem em actividades como equitação de malabarismos com a cabeça e pólo de cabeça . Lamentamos profundamente informá o de que não preenche os requisitos . * _ Os nossos melhores cumprimentos , Sir_Patrick_Delaney - _ Podmore * Furioso , o Nick quase sem cabeça atirou fora a carta . - Um centímetro de pele e tendões a segurarem me a cabeça , Harry ! A maior parte de as pessoas acharia que era mais do_que o suficiente , mas não serve para o senhor correctamente decapitado Podmore . Nick quase sem cabeça respirou fundo várias vezes e , por fim , em um tom bastante mais calmo perguntou : - Então o que é_que te preocupa ? Alguma coisa que eu possa fazer por ti ? - Não - respondeu Harry . - A_não_ser_que saibas onde posso arranjar sete Nimbus dois_mil_e_um , de_graça , para o nosso campeonato contra os Sly ... - o resto de a frase foi afogada por um miado agudo vindo de perto de os seus tornozelos . Olhou para baixo e deu consigo a fitar um par de olhos que pareciam duas lâmpadas amarelas . Era_Mrs._Norris , a gata cinzenta e esquelética usada por o encarregado Argus_Filch como uma espécie de polícia em a sua infindável batalha contra os estudantes . - É melhor saíres de aqui , Harry - preveniu Nick com toda_a calma . - O Filch não está nada bem-disposto . Anda engripado e alguns alunos de o terceiro ano , por acidente , encheram o tecto de o calabouço cinco de miolos de rã . Ele tem andado toda_a manhã a limpar e se te vê a encher tudo de lama ... - Certo - disse Harry , recuando e afastando se de o olhar acusador de Mrs._Norris , mas ... tarde de mais . Conduzido até ali por o misterioso poder que parecia ligá o a a gata , Argus_Filch entrou subitamente por uma tapeçaria que se encontrava a a direita de Harry , com a sua respiração asmática , olhando vivamente em volta em busca de o infractor . Tinha um lenço grosso , de xadrez , a a volta de a cabeça e o nariz invulgarmente arroxeado . - Imundície - gritou com os maxilares a tremer e os olhos a saltarem lhe de as órbitas , enquanto apontava para a poça de lama que pingara de a túnica de Quidditch_de_Harry . - Desarrumação e imundície em todo o lado . Estou farto disto , segue me , Potter . Harry despediu se de o Nick quase sem cabeça com um tímido aceno e seguiu Filch até lá abaixo , duplicando o número de pegadas lamacentas em o chão . Nunca entrara em o gabinete de o Filch . Era um lugar que a maior parte de os estudantes evitava . A divisão era sombria e sem janelas , iluminada por uma única lamparina de óleo que pendia de o tecto . Sentia se um vago cheiro a peixe frito . As paredes estavam forradas por ficheiros de madeira . Por as etiquetas Harry percebeu que continham os dados de todos os alunos que Filch tinha punido . Fred e George_Weasley tinham uma gaveta só para eles . Atrás de a secretária estava pendurada uma colecção bem polida de correntes e algemas . Todos sabiam que ele estava sempre a pedir a Dumbledore que o deixasse pendurar os alunos em o tecto por os tornozelos . Filch pegou em uma pena que estava sobre a secretária e começou a procurar o pergaminho . - Bosta - murmurou , furioso . - Bosta de dragão , miolos de rã , intestinos de ratazana ... eu tinha aqui bastante , onde está o form ... sim ... Tirou um enorme rolo de pergaminho de a gaveta de a secretária e estendeu o em a frente , molhando a longa pena em o tinteiro . - Nome : Harry_Potter . Crime ... - Foi só um bocadinho de lama - disse Harry . - É só um bocadinho de lama para ti , rapaz , mas para mim é mais de uma hora a esfregar - gritou Filch com um pingo a tremer de modo desagradável em a extremidade de o nariz bolboso . - Crime : manchar o castelo . Sentença proposta ... Esfregando o nariz que continuava a pingar , Filch olhou com má cara para Harry que esperava com a respiração entrecortada para ouvir a sentença . Mas quando Filch pegou em a pena ouviu se um estrondo enorme em o tecto que fez a lamparina apagar se . - PEEVES - resmungou Filch , pousando a pena , cheio de raiva . - Desta_vez apanho te . Apanho te ! E sem olhar para trás , saiu a correr a_toda_a velocidade de o gabinete , seguido de a gata , Mrs._Norris . Peeves era o * poltergeist * de a escola , uma ameaça de risota esvoaçante que vivia para fazer estragos e criar aflição . Harry não gostava lá muito de ele , mas desta_vez , não podia deixar de lhe estar grato . Na_melhor_das_hipóteses o que Peeves tivesse feito ( e parecia que agora ele destruíra qualquer coisa em grande ) distrairia Filch_de_Harry . Pensando que o melhor seria esperar que ele voltasse , Harry deixou se cair em uma cadeira carcomida por o tempo que se encontrava junto de a secretária . Havia uma coisa sobre o tampo : um grande envelope roxo e lustroso com letras prateadas em a frente . Lançando um olhar rápido a a porta para confirmar que Filch não estava de volta , Harry pegou lhe e leu : __ feitiço __ rápido Um curso por correspondência De iniciação a a magia Cheio de curiosidade , abriu o envelope e retirou o rolo de pergaminho . Uma letra curvilínea e prateada dizia : Sente se pouco a a vontade em o mundo de a magia moderna ? Dá consigo a arranjar desculpas para não fazer feitiços simples ? Tem sido censurado por o deplorável trabalho com a varinha ? Eis a resposta ! Feitiço rápido e um curso totalmente novo , infalível , de resultados rápidos e rápida aprendizagem . Centenas de bruxas e feiticeiros têm beneficiado de o método feitiço rápido ! Madam_Z._Nettles_de_Topsham escreve nos : Eu não conseguia fixar os encantamentos e as minhas poções eram alvo de risota em a família . Agora , depois de o curso feitiço rápido , tornei me o centro de as atenções em todas_as festas e os meus amigos não param de pedir me a receita de a minha brilhante solução ! O mágico D.J._Prod , de Disbury , afirma : A minha mulher costumava rir se de os meus fracos encantamentos , mas bastou um mês com o vosso fabuloso curso feitiço rápido e consegui transformá a em um iaque . Obrigado , feitiço rápido ! Fascinado , Harry folheou o resto de o conteúdo de o envelope . Para que diabo quereria o Filch um curso de feitiço rápido ? Não seria ele um feiticeiro a sério ? Harry estava a ler a lição número um : Pegando em a varinha ( algumas dicas úteis ) quando umas passadas arrastadas , lá fora , o preveniram de que Filch estava de volta . Metendo rapidamente o pergaminho dentro de o envelope , lançou o para_cima de a secretária em o preciso momento em que a porta se abriu . Filch ostentava um ar triunfante . - Aquele armário que desapareceu era extremamente valioso - vinha ele a dizer a a gata , Mrs._Norris . - Desta_vez vamos correr com o Peeves , minha linda . Os seus olhos recaíram sobre Harry e logo_a_seguir sobre o envelope de o feitiço rápido que , Harry apercebeu se tarde de mais , estava meio metro distanciado de o seu lagar inicial . O rosto pálido de Filch tornou se vermelho escarlate . Harry preparou se para uma nova onda de fúria . Filch coxeou até a a secretária , arrebatou o envelope e meteu o em uma gaveta . -- Chegaste a ... lê o ? - perguntou atabalhoadamente . - Não - mentiu Harry , sem perder tempo . As mãos nodosas de o Filch contorciam se ao_mesmo_tempo . - Se eu soubesse que ias ler a minha correspondência priv ... não que seja minha ... é para um amigo ... mesmo_assim ... Harry olhava para ele espantado . Nunca vira o Filch tão louco . Os olhos pareciam querer saltar lhe de as órbitas , com um tique em as bochechas e aquele lenço axadrezado que não ajudava nada ... - Muito bem , vai e não abras a boca sobre isto ... não que ... mesmo_assim ... se tu não leste ... vai te embora , tenho de escrever o relatório sobre o Peeves , vai . Atordoado com a sua sorte , Harry saiu de ali e largou a correr por o corredor fora e por as escadas acima . Sair de o gabinete de o Filch sem um castigo devia ser um recorde em a escola . - Harry , Harry , deu resultado ? O Nick quase sem cabeça saiu a brilhar de uma sala de aula . Atrás de ele , Harry pôde ver os destroços de um grande armário preto e dourado que parecia ter sido atirado de uma grande altura . - Convenci o Peeves a parti o mesmo em cima de o gabinete de o Filch - disse Nick entusiasmado . - Pensei que talvez o distraísse . - Foste tu ? - exclamou Harry , agradecido . - Funcionou sim . Ele não me deu nenhum castigo . Obrigado , Nick . Atravessaram o corredor juntos . O Nick quase sem cabeça , reparou Harry , ainda tinha em a mão a carta de Sir_Patrick . - Gostaria de poder fazer qualquer coisa sobre o grupo de os Sem - _ Cabeça - disse Harry . O Nick quase sem cabeça parou de repente e Harry passou através de ele . Antes não tivesse passado , foi como atravessar um duche gelado . - Mas há uma coisa que tu podes fazer por mim - disse Nick muito agitado . - Harry , seria pedir te de mais ... mas não , tu não ias querer ... - O quê ? - Bem , este ano em o * _ Hallowe'en * vai ser o meu meio milénio de dia de os mortos - disse o Nick quase sem cabeça endireitando se e adquirindo uma postura de grande dignidade . - Oh - respondeu Harry sem saber se deveria lamentar ou dar lhe os parabéns . - Certo . - Vou dar uma festa em um de os calabouços mais amplos . Vêm amigos meus de todo o país . Seria uma honra muito grande se tu aparecesses . Mr._Weasley e Miss_Granger seriam também muito bem-vindos , claro . Mas tu deves preferir o banquete de a escola , não é verdade ? - Olhou para Harry , aflito . - Não - assegurou ele rapidamente . - Eu vou . - Oh rapaz , Harry_Potter em a minha festa de os mortos - hesitou no_meio_de toda aquela excitação . - Achas que poderias referir a Sir_Patrick como me achas assustador e como te impressiono ? - É claro que sim - assegurou Harry . O Nick quase sem cabeça iluminou se em um sorriso . - Uma festa de os mortos ? - exclamou Hermione , entusiasmada , quando Harry , depois de mudar de roupa , se juntou a ela e a o Ron em a sala comum . - Aposto que não há muitas pessoas que possam gabar se de ter estado em uma festa de essas . Vai ser fantástico ! - Por_que é_que alguém se lembraria de festejar o dia em que morreu ? - perguntou o Ron que estava a meio de o seu trabalho de casa de poções e bastante maldisposto . - Parece me bastante mórbido . A chuva continuava a lamber as janelas que apresentavam agora um negro que parecia tinta , mas , lá dentro , era tudo claro e alegre . O fogo em a lareira brilhava sobre as inúmeras cadeiras de braços onde as pessoas estavam sentadas a ler , a conversar , a fazer os trabalhos de casa ou , no_caso_de Fred e George_Weasley , a tentar descobrir o que aconteceria se alimentassem uma salamandra com fogo-de-artíficio de o Filibuster . O Fred tinha « resgatado . o lagarto cor de laranja brilhante , morador de o fogo , de uma aula de tratamento de seres mágicos e ele estava agora a arder em fogo lento sobre uma mesa , rodeado de um grupo de curiosos . Harry ia começar a contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre o Filch e o curso de feitiço rápido quando a salamandra disparou por os ares , lançando faíscas e estoiros . A visão de Percy a gritar com Fred e George até ficar ronco , a fantástica exibição de estrelas cor de tangerina que choviam de a boca de a salamandra e a sua fuga para o lume acompanhada de explosões , fizeram com que Harry se esquecesse , em aquele momento , de Filch e de o curso de feitiço rápido . Quando chegou o * _ Hallowe'en * , Harry já lamentava a sua promessa imprudente de ir a a festa de os mortos . Toda_a escola antecipava , feliz , a sua festa de * _ Hallowe'en * . O salão nobre fora enfeitado com os habituais morcegos , as enormes abóboras de Hagrid tinham sido esculpidas em forma de lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro_de cada uma , e havia boatos de que Dumbledore contratara um grupo de esqueletos bailarinos para animar a festa . - Uma promessa é uma promessa - lembrou Hermione_a_Harry com o seu autoritarismo habitual . - Tu disseste que ias a a festa de os mortos . Portanto , a as sete_da_tarde , Harry , Ron e Hermione saíram , passando por a porta de o salão nobre que brilhava de modo convidativo com pratos dourados e velas e dirigiram os seus passos para os calabouços . O corredor que conduzia a a festa de o Nick quase sem cabeça tinha sido também ladeado de velas , embora o efeito estivesse longe_de ser alegre : estas eram velas muito esguias e estreitas , negras de breu , ardendo em um azul brilhante e lançando uma luz indistinta e espectral também sobre as caras de as pessoas vivas . A temperatura diminuía a cada degrau que desciam . Harry tremia e cingia a túnica a o corpo quando ouviu qualquer coisa que parecia uma centena de unhas a rasparem um enorme quadro preto . - Será que isto_é a música ? - murmurou Ron . Viraram uma esquina e viram o Nick quase sem cabeça junto de uma porta , todo vestido de veludo negro . - Meus queridos amigos - disse com ar de luto . - Bem-vindos , bem-vindos , ainda_bem que puderam vir . Em um gesto largo tirou o chapéu de plumas e fez lhes sinal para que entrassem . Era uma visão incrível . O calabouço estava cheio com centenas de pessoas de um branco pálido e translúcido , a maior parte de as quais era arrastada em uma pista de dança cheia , valsando a o som de trinta serrotes musicais . Os serrotes que compunham a orquestra encontravam se sobre um estrado enfeitado com panos negros . Um lustre lá em cima resplandecia de um azul nocturno com mais um_milhar de velas negras . A respiração de os três subiu em o ar como uma neblina . Parecia que tinham entrado em um congelador . - Vamos dar uma volta - sugeriu Harry em uma tentativa de aquecer os pés . - Cuidado , não atravessem nenhum de eles - avisou o Ron nervosamente e colocaram se em volta de a pista de dança . Passaram por um grupo escuro de freiras , por um homem esfarrapado e cheio de correntes e por o frade gordo , o divertido fantasma de os Hufflepuff que estava a conversar com um cavaleiro com uma seta enfiada em a testa . Harry não ficou nada surpreendido a o ver que o Barão sangrento , o fantasma lúgubre e berrante de os Slytherin , coberto de nódoas de sangue ; estava a ser totalmente evitado por os outros fantasmas . - Oh ! Não -- exclamou Hermione , parando bruscamente . - Voltem se , voltem se , não quero ter de cumprimentar a Murta_Queixosa . - Quem ? - perguntou Harry enquanto davam rapidamente meia volta . - Ela assombra a casa_de_banho de as raparigas de o primeiro andar - explicou Hermione . - Assombra uma casa_de_banho ? - Sim . Está inoperativa durante todo o ano porque ela tem constantes acessos de choro e inunda tudo . Eu só lá fui quando não pode mesmo evitar . É horrível tentar ir a a sanita com ela a gritar connosco . - Olhem , comida - disse o Ron . De o outro lado de o calabouço estava uma mesa igualmente coberta de velado negro . Iam para se aproximar entusiasmados , mas pararam com uma expressão de horror . O cheiro era nauseabundo . Enormes peixes podres enchiam as bonitas travessas de prata , os bolos estorricados como carvões amontoavam se em as salvas , havia uma grande quantidade de miúdos de macaco , uma tábua de queijos cobertos de bolor e , em o lugar de honra , um enorme bolo cinzento em forma de lápide com letras que pareciam alcatrão formando as palavras , * _ Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington_Morto em 31_de_Outubro , 1492 * . Harry olhou espantado quando um fantasma de porte majestoso se aproximou de a mesa inclinando se e passando através de ela com a boca aberta enquanto atravessava um salmão malcheiroso . - Consegue prová o passando através de ele ? - perguntou lhe Harry . - Quase - disse tristemente o fantasma antes de se afastar . - Devem ter deixado apodrecer tudo_isto para ter um sabor mais forte - comentou Hermione com ar de quem está bem informada , tapando o nariz e aproximando se para ver melhor os pútridos miúdos de macaco . - Podemos sair de aqui , estou a sentir me agoniado - disse o Ron . Mas mal tinham dado meia volta quando um homenzinho pequenino saiu inesperadamente de debaixo de a mesa e fez uma paragem em o ar em frente de eles . - Olá , Peeves - disse Harry cautelosamente . Ao_contrário de os outros fantasmas que os rodeavam , Peeves , o * poltergeist * era o oposto de pálido e transparente . Usava um chapéu festivo cor de laranja , um laço rotativo a o pescoço e tinha um sorriso grosseiro de malvadez , em o rosto . - Querem petiscar ? - perguntou delicadamente , oferecendo lhes uma taça de amendoins cobertos de fungos . - Não , obrigada - disse Hermione . - Ouvi te falar sobre a pobre Murta - disse Peeves com os olhos a bailar . - Que insensível que tu foste para com a pobre Murta - respirou fundo e gritou : - Oh Murta . - Oh ! Não , Peeves , não lhe contes o que eu disse , ela vai ficar muito aborrecida - murmurou Hermione bastante nervosa . - Eu não queria dizer que ... eu não me importo que ela , er , olá , Murta . O espectro atarracado de uma rapariga deslizara . Tinha o rosto mais carrancudo que Harry alguma vez vira , meio escondido por o cabelo liso e por os óculos grossos cor de pérola . - O que é ? - perguntou mal-humorada . - Como estás Murta ? - perguntou Hermione , em uma voz falsamente alegre . - É bom ver te fora de a casa_de_banho . Murta fungou . - Miss_Granger estava justamente a falar de ti - disse lhe Peeves baixinho a o ouvido . - A dizer , a dizer ... como estás bonita esta noite -- terminou Hermione , olhando irritada para Peeves . A Murta olhou para Hermione desconfiada . - Estão a divertir se a a minha custa - disse , com lágrimas de prata a encherem lhe rapidamente os olhos pequeninos . - Não , a sério , eu não estava a dizer vos como a Murta estava bonita esta noite ? - disse Hermione , dando uma palmada em as costas de o Harry e de o Ron . - Sim , sim . - Ela ... - Não me venham com mentiras - protestou a Murta , as lágrimas agora a descerem lhe por o rosto , enquanto Peeves ria baixinho por cima de o ombro de ela . - Julgam que eu não sei o que as pessoas me chamam em as minhas costas ? A Murta gorda , a Murta feia , a Murta queixosa , a Murta deprimida ! - Esqueceste te de « a Murta ponto negro » - sussurrou lhe Peeves a o ouvido . A Murta_Queixosa irrompeu em soluços de angústia e fugiu de o calabouço . Peeves disparou atrás de ela , lançando lhe uma chuva de amendoins cheios de bolor e gritando : Ponto negro ! Ponto negro ! - Oh , coitada ! - exclamou Hermione com tristeza . O Nick quase sem cabeça abria agora caminho entre a multidão para se aproximar de eles . - Estão a divertir se ? - Sim , sim - mentiram . - Uma afluência nada má - disse orgulhoso o Nick quase sem cabeça . - A viúva chorosa veio de Kent ... está quase em a hora de o meu discurso . É melhor ir avisar a orquestra . Mas a orquestra parou de tocar em esse preciso momento . Eles , e todos os outros em o calabouço , ficaram em silêncio total , olhando em volta cheios de excitação quando se ouviu uma trompa de a caça . - Lá vêm eles - disse o Nick quase sem cabeça , com alguma amargura em a voz . Por o calabouço irromperam uma_dúzia de , cavalos fantasmas , cada_um montado por um cavaleiro sem cabeça . A assistência aplaudiu vivamente . Harry começou também a bater palmas , mas parou rapidamente quando viu a cara de o Nick . Os cavalos galoparam até a o meio de a pista de dança e pararam , empinando se , dando pequenos passos para a frente e para trás , sobre as patas traseiras . Um fantasma grande em a frente , cuja cabeça barbuda estava debaixo de o braço , soprando a trompa , desmontou , levantou a cabeça bem em o ar para poder ver toda_a assistência ( todos se riam ) e dirigiu se a o Nick quase sem cabeça , comprimindo a cabeça contra o pescoço . - Bem-vindo , Patrick - disse o Nick , mantendo a sua postura rígida . - Gente viva ! - exclamou o Sir_Patrick , avistando Harry , Ron e Hermione e dando um salto de falso espanto , de_tal_modo_que a cabeça lhe caiu de_novo ( a multidão ria a bom rir ) . - Muito engraçado - disse o Nick quase sem cabeça com um ar soturno . - Não ligues a o Nick - gritou a cabeça de Sir_Patrick de o chão . - Ainda está aborrecido por não o deixarmos juntar se a o grupo . Mas olhem bem para ele ... - Eu acho - disse apressadamente Harry , a seguir a um olhar de o Nick - que o Nick é muito assustador e ... eu ... - Bah ! - gritou a cabeça de Sir_Patrick . - Aposto que ele te pediu que dissesses isso . - Gostaria de ter a vossa atenção . Chegou a altura de fazer o meu discurso - disse o Nick quase sem cabeça bem alto , dirigindo se a o pódio , subindo e parando , iluminado por uma luz azul . - Os meus sentimentos , senhores e senhoras , é com profundo pesar ... Mas já ninguém estava a ouvi o . Sir_Patrick e o resto de o grupo de os Sem - _ Cabeça tinham iniciado um jogo de hóquei de cabeça e a multidão voltara se para os observar . Nick quase sem cabeça tentou em vão recuperar a audiência , mas acabou por desistir quando a cabeça de Sir_Patrick passou por ele a_toda_a velocidade gritando vivas . Harry estava cheio de frio para não falar de a fome . - Não aguento mais isto - murmurou Ron a bater o dente enquanto a orquestra voltava a entrar em acção e os fantasmas enchiam de_novo a pista de dança . - Vamos embora - concordou Harry . Recuaram até a a porta , acenando e sorrindo a todos os que olhavam para eles e um minuto depois passavam apressadamente por a entrada cheia de velas negras . - Talvez o pudim ainda não tenha acabado - disse o Ron cheio de esperança , abrindo caminho em direcção a os degraus de o vestíbulo de a entrada . E foi então que Harry ouviu aquilo . - ... * _ Arrancar ... rasgar ... matar * ... Era a mesma voz , a mesma voz fria e assassina que ouvira em o escritório de Lockhart . Parou , agarrando se a a parede de pedra em a expectativa de ouvir melhor , olhando em volta , espreitando para_cima e para baixo de a passagem mal iluminada . - Harry que estás tu a ... ? - E aquela voz outra_vez , calem se um bocadinho . -- ... * _ Tanta fome ... há tanto tempo * ... - Ouçam insistiu Harry e Ron e Hermione ficaram estáticos a olhar para ele . - * _ Matar ... hora de matar * ... A voz ia ficando mais débil . Harry tinha a certeza de que ela estava a afastar se , a subir . Um misto de medo e excitação tomou posse de ele enquanto olhava para o tecto escuro . Como poderia ele subir ? Seria um fantasma para quem os tectos de pedra não contavam ? - Por aqui - gritou , começando a correr por as éscadas acima até a a entrada de o * hall * . Não havia hipótese de ouvir fosse o que fosse ali , o barulho de vozes que vinha de o banquete de o * _ Hallowe'en * ecoava cá fora . Harry subiu a correr a escadaria de mármore até a o primeiro andar com Ron e Hermione ruidosamente atrás . - Harry o que é_que nós ... ? - Sch ... Harry apurou o ouvido . Ao_longe , em o andar de cima , e ainda a enfraquecer , mesmo_assim ouviu a voz : - ... * Cheira-me a sangue ... cheira me a sangue ! * O estômago deu lhe uma volta . - Ele vai matar alguém - gritou e ignorando as caras perplexas de Ron e Hermione , correu , subindo mais um lanço de escadas , a três_e_três , tentando ouvir através de o ruído de os seus próprios passos . Harry correu a_toda_a velocidade pelo segundo andar com Ron e Hermione atrás e só parou quando viraram uma esquina para o último corredor abandonado . - Harry , o que foi aquilo tudo ? - perguntou o Ron , limpando o suor de o rosto . - Eu não ouvi nada ... Mas Hermione , em um sobressalto , apontou para o fundo de o corredor . - Olhem ! Alguma coisa brilhava em a parede em frente . Aproximaram se devagarinho , tentando ver em a escuridão . Alguém escrevera em letras garrafais em a parede entre duas janelas . As palavras brilhavam a a chama fraca de as tochas . : __ a câmara de os segredos foi aberta . inimigos de o herdeiro , __ cuidado . - O que é aquilo pendurado por baixo de as letras ? - perguntou Ron com um tremor em a voz . Quando se aproximaram , Harry quase escorregou . Havia uma grande poça de água em o chão . Ron e Hermione agarraram o e avançaram cautelosamente até a a mensagem , os olhos fixos em uma sombra escura , em baixo . Aperceberam se os três de imediato do_que se tratava e deram um salto para trás , salpicando tudo de água . Mrs._Norris , a gata de o encarregado , estava pendurada por a cauda em o suporte de a tocha . Tinha o corpo rígido como uma tábua e os olhos abertos . Durante alguns segundos ninguém se mexeu . Depois o Ron disse : - Vamos sair de aqui . - Não devíamos tentar ajudar ? - propôs Harry , sem graça . - Acredita - assegurou o Ron . - É melhor que não nos encontrem aqui . Mas era tarde de mais . Um ruído surdo e prolongado , como um trovejar distante , avisou os de que o festim tinha terminado . De ambos os lados de o corredor onde eles estavam , veio o som de centenas de pés a subirem a escadaria e as vozes alegres de gente bem alimentada . Em o momento seguinte os alunos chegavam junto de eles de ambos os lados . O burburinho morreu subitamente mal as pessoas avistaram a gata pendurada . Harry , Ron e Hermione estavam de pé , sozinhos , em o meio de o corredor quando se fez silêncio em a multidão de estudantes que se empurravam para observar aquele quadro macabro . Então alguém gritou , quebrando o silêncio . - Inimigos de o herdeiro , cuidado . Vocês serão os próximos , sangue de lama ! Era_Draco_Malfoy . Estava a a frente de a multidão com os olhos frios a brilhar , a sua cara habitualmente pálida agora afogueada , sorrindo a a vista de a gata pendurada e imóvel . IX_As palavras em a parede -- O que é_que se passa aqui ? O que é_que se passa ? Sem dúvida , atraído por o grito de Malfoy , Argus_Filch apareceu a coxear em o meio de a multidão . Quando viu Mrs._Norris , caiu para trás agarrando o rosto com verdadeiro horror . - A minha gata ! A minha gata ! O que aconteceu a Mrs._Norris ? - gritou . E os seus olhos rápidos caíram sobre Harry . - Tu - guinchou ele . - Mataste a minha gata ! Mataste a , vou dar cabo de ti , eu ... - Argus . Dumbledore tinha chegado a o lugar , seguido de alguns professores . Em poucos segundos tinha passado a a frente de Harry , Ron e Hermione e desatado Mrs._Norris de o suporte de a tocha . - Vem comigo , Argus - disse ele a o Filch . - Vocês também , Mr._Potter , Mr._Weasley e Miss_Granger . Lockhart deu rapidamente um passo em frente . - O meu escritório é o que está mais perto , senhor director , é já aqui em cima , por favor fiquem a a vontade . - Obrigado , Gilderoy - disse Dumbledore . A multidão silenciosa dividiu se para os deixar passar . Lockhart sentindo se excitado e importante , seguia Dumbledore assim_como a professora Mc_Gonagall e o professor Snape . Quando entraram em o escritório escuro de Lockhart houve uma grande agitação em as paredes . Harry viu várias imagens de Lockhart a esconderem se cheias de rolos em o cabelo . O Lockhart em pessoa acendeu as velas e chegou se mais para trás . Dumbledore pôs Mrs._Norris em a superfície polida de a secretária e começou a examiná a . Harry , Ron e Hermione trocaram olhares tensos entre si e deixaram se cair em as cadeiras que se encontravam longe de a luz , a observar . A ponta de o nariz longo e adunco de Dumbledore estava a menos_de dois centímetros de o pêlo de Mrs._Norris . Ele olhava a de perto através de os óculos de meia-lua , os dedos longos a palpar e tactear suavemente . A professora Mc_Gonagall estava quase tão perto como ele , com os olhos contraídos . Snape surgia mais atrás , meio em a sombra , com uma expressão estranha em o rosto , como_se tentasse a_toda_a força sorrir . E Lockhart andava de um lado para o outro a dar sugestões . - Foi sem dúvida uma maldição que a matou , provavelmente a tortura de a metamorfose . Vi a muitas_vezes ser usada , mas infelizmente eu não estava lá quando isto aconteceu . Conheço o antídoto para essa maldição , o que a teria salvo . Os comentários de Lockhart foram interrompidos por os soluços secos e violentos de Filch . Estava afundado em uma cadeira junto de a secretária , incapaz de olhar para Mrs._Norris , com o rosto em as mãos . Por mais que detestasse Filch , Harry não pôde deixar de sentir pena de ele embora não tanta quanto_a que sentia por si próprio . Se Dumbledore acreditasse em o Filch ele seria certamente expulso . O director estava agora a sussurrar umas palavras estranhas e batendo em Mrs._Norris com a varinha , mas não aconteceu nada , ela continuou com o mesmo aspecto , como_se tivesse sido empalhada . - ... Lembro me de uma coisa semelhante que aconteceu em Ouagadogou - disse LockLart . - Uma série de ataques . Conto essa história em a minha autobiografia . Eu dei a a gente de a cidade vários amuletos que resolveram logo a situação ... As fotografias de Lockhart em as paredes iam acenando afirmativamente com a cabeça enquanto ele falava . Uma de elas esquecera se de tirar os rolos de o cabelo . Por fim , Dumbledore endireitou se . - Ela não está morta , Argus - disse suavemente . Lockhart interrompeu bruscamente a contagem de os crimes que conseguira evitar . - Não está morta ? - disse Filch em um sufoco , olhando através de os dedos para Mrs._Norris . - Mas , porque está ela rígida e gelada ? - Foi petrificada - disse Dumbledore ( Ah ! foi o que eu pensei ! - comentou Lockhart ) mas como , não posso afirmar . - Pergunte lhe - gritou Filch , voltando a cara cheia de furúnculos e lágrimas para Harry . - Nenhum aluno de o segundo ano poderia ter feito isto - explicou Dumbledore . - Era preciso um grande conhecimento de magia negra . - Foi ele , foi ele - disse encolerizado o encarregado com a cara a ficar roxa . - O senhor viu o que ele escreveu em a parede . Ele descobriu em o meu gabinete , ele sabe que eu sou um ... - O rosto de Filch estava horrível . - Ele sabe que eu sou um * _ busca-pé * - disse por fim . - Eu não toquei em a Mrs._Norris - gritou Harry com todos os olhares a recaírem sobre ele , incluindo o de todos os Lockharts de a parede . - E eu nem sei o que é um * busca-pé * . - Mentira ! - gritou Filch . - Ele viu a minha carta de o feitiço rápido . - Se me permite que dê a minha opinião , senhor director - disse Snape , saindo de a sombra , e a sensação de mau presságio de Harry aumentou bastante . Certamente nada do_que Snape tinha para de dizer iria ajudá o . - O Potter e os amigos podiam estar simplesmente em o lugar errado em a altura errada - afirmou com um leve sorriso a torcer lhe a boca como_se tivesse as suas dúvidas . - Mas , temos aqui um conjunto de circunstâncias curiosas . Porque estavam eles afinal em o corredor ? Porque não estiveram presentes em a festa de o * _ Hallowe'en * ? Harry , Ron e Hermione começaram uma longa explicação sobre a festa de o dia de os mortos . - Estavam lá centenas de fantasmas , eles poderão confirmar que lá estivemos ... - Mas porque não foram a seguir a o banquete ? - perguntou Snape com os olhos pretos a brilharem a a luz de as velas . - Porquê ir até a aquele corredor ? Ron e Hermione olharam para Harry . - Porque , porque ... - balbuciou Harry , com o coração a querer saltar lhe de o peito , mas algo lhe disse que ia parecer muito rebuscado se lhes contasse que tinha sido levado até ali por uma voz sem corpo que só ele conseguia ouvir . - Porque estávamos cansados e queríamos ir para a cama - disse . - Sem jantar ? - inquiriu Snape com um sorriso triunfante a bailar lhe em o rosto lúgubre . - Não sabia que os fantasmas ofereciam em as suas festas comida para gente viva . - Não estávamos com fome - disse o Ron bem alto , enquanto o estômago se queixava de forma audível . O sorriso mesquinho de a Snape ampliou se . - Acho , senhor director , que Potter não está a dizer toda_a verdade - afirmou . - Talvez fosse boa ideia retirar lhe alguns privilégios , até ele estar disposto a contar nos a história toda . Pessoalmente , sugiro que seja retirado de a equipa de os Gryffindor até decidir ser honesto . - Francamente , Severus - exclamou a professora Mc_Gonagall com uma voz cortante . - Não vejo porquê impedir o rapaz de jogar Quidditch . Esta gata não levou pauladas em a cabeça dadas por nenhum cabo de vassoura . E não há provas de que o Potter tenha feito algo de mal . Dumbledore observava Harry com um olhar perscrutador . A voz tremeluzente de os seus olhos azuis fez Harry sentir que estava a ser passado a raios X. - Inocente até se provar que é culpado , Severus - disse com segurança . Snape estava furioso , assim_como Filch . - A minha gata foi petrificada ! - berrou , com os olhos a saltarem de as órbitas . - Quero ver um castigo ! - Vamos poder curá a , Argus - explicou pacientemente Dumbledore . - Madam_Sprout conseguiu arranjar algumas Mandrágoras . Logo_que tenham atingido o tamanho adulto , terei uma poção de Mandrágoras que reanimará Mrs._Norris . - Eu posso fazê a - interrompeu Lockhart . - Devo ter feito isso uma centena de vezes . Preparo uma golada de Mandrágora reconstituinte de olhos fechados ... - Perdão - disse Snape friamente -- , mas julgo que o professor de poções de esta escola ainda sou eu . Houve um silêncio bastante incómodo . - Vocês podem ir se embora - disse Dumbledore a o Harry , Ron e a Hermione . Eles saíram o mais depressa que puderam , sem ir a correr . Quando chegaram a o andar acima de o escritório de Lockhart , entraram em uma sala de aulas vazia e fecharam a porta devagarinho . Harry lançou um olhar de esguelha a as caras carrancudas de os amigos . - Acham que eu lhes devia ter falado de a voz que ouvi ? - Não - respondeu Ron , sem a mínima hesitação . - Ouvir vozes que mais ninguém ouve , não é bom sinal , nem em o mundo de os feiticeiros . Algo em a voz de Ron levou Harry a fazer a pergunta : - Tu acreditas em mim , não acreditas ? - Claro que sim - respondeu o Ron de imediato . - Mas tens de concordar que é esquisito ... - Eu sei que é esquisito - confirmou Harry . - É tudo esquisito . O que era aquilo escrito em a parede ? * _ A_Câmara foi aberta * , o que é_que significa ? - Sabes , faz me lembrar qualquer coisa - disse Ron lentamente . - Acho que alguém me contou uma história sobre uma câmara secreta em Hogwarts , talvez tenha sido o Bill ... - E que diabos é um * busca-pé * ? - perguntou Harry . Para sua surpresa , Ron abafou o riso . - Bem , em a verdade não tem graça nenhuma , mas como é o Filch ... - disse . - Um * busca-pé * é alguém que nasceu de uma família de feiticeiros , mas não tem poderes mágicos . É uma espécie de o oposto de os que vêm de famílias de Muggles , mas são feiticeiros . Os * busca-pé * são muito raros . Se o Filch está a tentar aprender magia em um curso rápido , acho que ele deve ser mesmo um busca-pé . Isso explicaria tudo , por_exemplo , porque detesta tanto os estudantes . - Ron sorriu satisfeito . - Tem inveja . Um relógio deu as horas , algures . - Meia-noite - disse Harry . - É melhor irmo nos deitar , antes que o Snape apareça e tente acusar nos de qualquer coisa . Durante alguns dias não se falou de outra coisa em a escola a não ser de o ataque a a gata , Mrs._Norris . Filch manteve o sucedido bem fresco em a memória de todos , andando de um lado para o outro em o lugar onde ela fora atacada , como_se esperasse por o responsável . Harry vira o esfregar a mensagem de a parede com a « solução removedora de toda_a porcaria mágica Mrs._Skower » , mas sem qualquer resultado . As palavras continuavam a brilhar tanto como antes sobre a pedra . Quando Filch não estava a patrulhar a cena de o crime , vagueava , de olhos avermelhados , por os corredores , perseguindo alunos insuspeitos e tentando aplicar lhes castigos por coisas como « respirar muito alto » ou « estar alegre » . Ginny_Weasley parecia muito perturbada com o destino de Mrs._Norris . Segundo Ron ela era uma amante de gatos . - Mas tu nem chegaste a conhecer bem Mrs._Norris - disse lhe Ron para a animar . - Com toda_a franqueza , estamos muito melhor sem ela . - O lábio de Ginny tremeu . - Não é costume acontecerem coisas de estas em Hogwarts - tranquilizou a . - Eles vão descobrir o safado que fez aquilo e põem o de aqui para fora em três tempos . - Só espero que tenha tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso . Estou a brincar , claro - acrescentou o Ron apressadamente a o ver a Ginny a empalidecer . O ataque afectara também Hermione . Era costume de ela passar muito_tempo a ler , mas agora parecia não fazer mais_nada . Nem respondia a o Harry e a o Ron quando lhe perguntavam o que estava a fazer e só acabaram por descobrir em a quarta-feira seguinte . Harry tivera de ficar até mais tarde em a sala de poções onde Snape o mandara raspar restos de larvas de as secretárias . Depois de um almoço comido a a pressa , ele foi lá acima encontrar se com Ron em a biblioteca e viu Justin_Finch - _ Fletchley , o rapaz de os Hufflepuff de herbologia que vinha em direcção a ele . Harry tinha acabado de abrir a boca para dizer um « Olá » quando Justin o viu , voltando se bruscamente e mudando de direcção . Harry foi encontrar o Ron em as traseiras de a biblioteca , a medir o trabalho de casa de história de a magia . O professor Binns pedira uma composição sobre a Assembleia_Medieval_de_Feiticeiros_Europeus com 90cm . De extensão . - Não posso crer que ainda me faltem 16cm - disse o Ron furioso , largando o pergaminho que se enrolou em forma de tubo - e que a Hermione fez um metro e trinta em aquela letra pequenina e apertadinha . - Onde está ela ? - perguntou Harry , agarrando em a fita métrica e desembrulhando o seu trabalho de casa . - Algures por aí - disse o Ron , apontando para as estantes . - _ a a procura de outro livro . Acho que ela está a tentar ler a biblioteca toda antes de o Natal . Harry contou a Ron que Justin_Finch - _ Fletchley tinha evitado falar lhe . - Não sei porque te preocupas com isso . Eu achei o um idiota - disse o Ron , escrevinhando e fazendo a letra o maior possível . - Todo aquele disparate sobre o Lockhart ser tão grande ... Hermione surgiu de o meio de as estantes . Parecia irritada e disposta , por fim , a falar com eles . - Todos os exemplares de * _ Hogwarts : Uma História * foram requisitados - disse , sentando se ao_lado_de Harry e Ron . - E há uma lista de espera de duas semanas . Quem me dera não ter deixado o meu exemplar em casa , mas não consegui que coubesse em a mala com todos os livros de o Lockhart . - Para que o queres ? - perguntou Harry . - Pelo mesmo motivo que toda_a_gente o quer - disse Hermione . - Para ler a lenda de a Câmara_dos_Segredos . - O que é isso ? - Precisamente . Não me lembro - disse Hermione , mordendo o lábio . - E não encontro a História em lugar nenhum . - Hermione , deixa me ler o teu trabalho - pediu Ron desesperado , olhando para o relógio . - Não , não deixo - respondeu Hermione com um ar severo . - Tiveste dez dias para o fazer . - Só preciso de mais quatro centímetros , vá lá ... A campainha tocou . Ron e Hermione encaminharam se para a História_da_Magia , discutindo . A História_da_Magia era a matéria mais chata de o programa . O professor Binns , que dava a cadeira , era o único professor fantasma e a coisa mais excitante que aconteceu em as suas aulas foi o dia em que entrou por o quadro preto . Já velho e enrugado , muita gente afirmava a seu respeito que ele não dera por_que tinha morrido . Pura e simplesmente levantara se um dia para ir dar aulas , deixando o corpo atrás , em um cadeirão em frente de a lareira de a sala de os professores . Desde esse dia a sua rotina mantivera se igual . Era hoje tão chato como fora sempre . Abriu as notas e começou a ler em um tom monocórdico como um velho aspirador até quase todos os alunos estarem em um estado de profunda dormência , acordando de vez em quando , para tomar nota de um nome ou de uma data , e voltando a adormecer . Estava a falar havia meia_hora quando aconteceu algo que nunca tinha acontecido . Hermione pôs o braço em o ar . O professor Binns olhou de relance , em o meio de a chatíssima aula sobre a Convenção_Internacional_de_Feiticeiros de 1289 , verdadeiramente espantado . - Miss ... er ... ? - Granger , professor . Poderia dizer nos alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Hermione em uma voz bem audível . O Dean_Thomas , que tinha estado sentado de boca aberta olhando para fora de a janela , saiu de o seu transe com um salto . A cabeça de Lavender_Brown saiu de os braços e o cotovelo de o Neville_Longbottom escorregou para fora de a secretária . O professor Binns piscou os olhos . - A minha matéria é História_da_Magia - disse em a sua voz seca e asmática . - Eu trato de factos , Miss_Granger , não de mitos e lendas - pigarreou produzindo um ruído que parecia o giz sobre o quadro e continuou : - Em Setembro de esse ano , uma subcomissão de feiticeiros de a Sardenha ... Parou de repente . A mão de Hermione estava de_novo em o ar . - Sim , Miss_Grant ? - Por favor , professor , as lendas não têm sempre um facto como base ? O professor Binns olhava para ela com tal espanto que Harry teve a certeza de que ele nunca , em tempo algum , fora interrompido por um aluno . - Bem - disse lentamente o professor Binns . - Sim , é uma afirmação que pode fazer se . - Olhou para Hermione como_se fosse a primeira vez que olhasse a sério para um estudante . - Contudo , a lenda de que me fala é tão extraordinária , mesmo grotesca ... Mas a aula inteira estava agora atenta a as palavras de o professor , que olhou indistintamente para todos eles . Harry poderia assegurar que ele estava absolutamente abismado por uma tão grande demonstração de interesse . - Muito bem - disse lentamente . - Ora vejamos ... a Câmara_dos_Segredos . Todos vocês sabem com certeza que Hogwarts foi fundada há mais de um_milhar de anos , não se conhece ao_certo a data , por os quatro maiores feiticeiros e feiticeiras de a época : Godric_Gryffindor , Helga_Hufflepuff , Rowena_Ravenclaw e Salazar_Slytherin . Construíram juntos este castelo , longe de os olhares curiosos de os Muggles porque em aquele tempo a magia era temida por as pessoas comuns e as bruxas e feiticeiros sofriam terríveis perseguições . Fez uma pausa , olhou indeciso em volta e prosseguiu : - Durante alguns anos , os fundadores trabalharam juntos em harmonia procurando outros mais novos que mostrassem sinais de possuir dotes mágicos e trazendo os para o castelo para aqui serem ensinados . Mas os desentendimentos surgiram entre eles . Começou a notar se uma divisão entre Slytherin e os outros . Salazar_Slytherin queria ser mais selectivo em relação a os alunos a serem admitidos em Hogwarts . Achava que os ensinamentos de magia deviam ficar dentro de as famílias de feiticeiros . Não lhe agradava a entrada em a escola de alunos de famílias Muggles porque os achava pouco dignos de confiança . Depois de algum tempo houve uma séria discussão sobre esse assunto entre Slytherin e Gryffindor e Slytherin abandonou a escola . O professor Binns fez uma nova pausa , fazendo beicinho o que o fazia parecer uma tartaruga enrugada . - Fontes fidedignas referem nos isto - disse . - Mas estes factos foram obscurecidos por a fantasiosa lenda de a Câmara_dos_Segredos . Conta a história que Slytherin construíra uma câmara oculta dentro de o castelo cuja existência os outros fundadores ignoravam . De_acordo com a lenda , Slytherin selou a Câmara_dos_Segredos para que ninguém pudesse abri a até o seu verdadeiro herdeiro chegar a a escola . O herdeiro , e apenas ele , poderia abrir a Câmara_dos_Segredos , libertar o horror que lá se encontrava e utilizá o para expurgar a escola de todos aqueles que eram indignos de aprender magia . Houve um silêncio quando ele se calou que não era o habitual silêncio de sono de as aulas de o professor Binns . Havia um desassossego em o ar enquanto todos continuavam a olhá o a a espera de mais . O professor Binns estava ligeiramente aborrecido . - A história toda é um disparate , claro - disse ele . - A escola foi revistada por várias vezes em busca de provas de a existência de essa câmara , por os feiticeiros e bruxas mais conhecedores . Não existe nada . Uma lenda que serviu apenas para assustar os ingénuos . A mão de Hermione estava novamente em o ar . - Professor , o que quer_dizer , ao_certo com « o horror que estava dentro de a câmara » ? - Acredita se que seja uma espécie de monstro que só o herdeiro de Slytherin pode controlar - disse o professor Binns em a sua voz seca e débil . A aula trocou entre si olhares inquietos . - Como vos digo , a coisa não existe - afirmou o professor Binns , desordenando as suas notas . - Não há câmara e não há monstro . - Mas , professor - disse Seamus_Finnigan . - Se a câmara só podia ser aberta por o herdeiro de Slytherin ninguém mais poderia encontrá a . Não é ? - Um disparate pegado - disse o professor Binns , em um tom de voz exasperado . - Se uma longa sucessão de directores e directoras de Hogwarts não a encontraram ... - Mas , professor - começou a dizer Parvati_Patil . Se_calhar é preciso usar magia negra para a abrir ... - Lá porque um feiticeiro não usa magia negra não quer_dizer que não possa , Miss_Pennyfeather - interrompeu o professor Binns . - Repito , se os antecessores de Dumbledore ... - Mas talvez seja preciso fazer parte de os Slytherin , por isso Dumbledore não podia ... - começou Dean_Thomas , mas o professor Binns já estava farto . - Já chega - disse , de modo cortante . - É um mito . Não existe . Não há uma única prova de que Slytherin tenha construído nem mesmo uma despensa para vassouras . Lamento ter vos contado esta história tola . Vamos voltar , se fazem o favor , a a História , a os factos sólidos , verificáveis , credíveis . E em menos_de cinco minutos toda_a classe mergulhara em a sua sonolência habitual . - Eu sempre ouvi dizer que Salazar_Slytherin era um velho retorcido e meio pateta - disse Ron_a_Harry e Hermione enquanto abriam caminho por os corredores cheios , em o final de a aula , para ir arrumar as malas antes de o jantar . - Mas não sabia que ele tinha começado esta coisa de o sangue puro . Eu não ia para os Slytherin nem que me pagassem . Se o chapéu seleccionador me tivesse posto lá , pegava em as malas e ia me embora ... Hermione acenou vivamente , mas Harry não abriu a boca . O estômago parecia ter dado uma volta . Harry nunca contara a o Ron e a a Hermione que o chapéu seleccionador tinha considerado seriamente a possibilidade de o colocar em os Slytherin . Lembrava se como_se tivesse sido em a véspera do_que a vozinha lhe dissera a o ouvido quando pôs o chapéu em a cabeça , um ano antes . * _ Podias vir a ser grande , sabes ? Está tudo aqui em a tua cabeça e Slytherin ajudaria te em o caminho para a grandeza , sem a menor dúvida * ... Mas Harry , que já ouvira falar de a fama de o grupo de os Slytherin de formar magos negros , pensou desesperadamente . - Em os Slytherin , não ! - E o chapéu tinha dito . - Bem , se tens assim tanta certeza ... será melhor os Gryfffndor . Enquanto eram empurrados por a multidão , Colin_Creevey passou por eles . - Olá , Harry ! - Olá , Colin - disse Harry automaticamente . - Harry , Harry , um rapaz de a minha turma tem andado a dizer que tu és ... Mas Colin era tão baixinho que não conseguiu lutar contra a maré de gente que o arrastou até a o vestíbulo . Ouviram o despedir se : - Adeus , Harry - e desaparecer . - O que é_que o rapaz de a turma de ele disse de ti ? - quis saber Hermione . - Que eu sou o herdeiro de Slytherin , imagino - disse Harry , com o estômago ainda a as voltas e lembrou se de repente de o Justin_Finch - _ Fletchley a fugir para não lhe falar , a a hora de o almoço . - As pessoas aqui acreditam em tudo - disse o Ron com repugnância . A multidão diminuiu e conseguiram subir as escadas sem dificuldade . - Achas mesmo_que existe uma Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Ron_a_Hermione . - Não sei - respondeu ela , franzindo a testa . - Dumbledore não conseguiu curar Mrs._Norris e isso leva me a pensar que o que a atacou pode não ser ... humano . Enquanto falava , voltaram uma esquina e encontraram se em o fim de aquele mesmo corredor onde o ataque tinha ocorrido . Pararam para olhar . Estava tudo igual a aquela outra noite , com excepção de a gata Mrs._Norris e havia uma cadeira vazia encostada a a parede , onde podia ler se a mensagem « : __ a câmara foi __ aberta » . - Foi aqui que o Filch montou a guarda - murmurou Ron . Olharam uns para os outros . O corredor estava deserto . - Não deve fazer mal dar uma olhadela aqui - disse Harry , deixando cair a mala e pondo se de quatro para poder gatinhar em busca de pistas . - Marcas de queimadura - disse - aqui e aqui ... - Venham ver isto ! - chamou Hermione . - Que estranho ... Harry levantou se e foi até a a janela que ficava junto de a mensagem . Hermione apontava para o vidro mais alto , onde cerca de uma vintena de aranhas se debatiam em uma aparente luta por atravessar por uma pequena brecha de vidro . Um longo fio prateado balouçava como uma corda , como_se todas tivessem trepado , em a ânsia de chegar lá fora . - Alguma vez viram aranhas agir assim ? - perguntou Hermione , curiosa . - Não - respondeu Harry . - E tu , Ron ? Ron ? Olhou por cima de o ombro . Ron estava de costas , bem lá atrás e parecia lutar contra o impulso de se virar . - O que é_que se passa ? - perguntou Harry . - Eu não gosto de aranhas - disse Ron , de modo tenso . - Nunca me tinhas dito - comentou Hermione , olhando para ele com surpresa . - Estás farto de usar aranhas em as poções ... - Não me importo quando estão mortas - explicou Ron que olhava cautelosamente para todos os lados , menos para a janela . - Não gosto de a maneira como_se mexem . Hermione riu se baixinho . - Não tem graça nenhuma - disse o Ron , furioso . - Se queres saber , quando eu tinha três anos , o Fred transformou o meu ursinho de pelúcia em uma enorme aranha nojenta , por eu lhe ter partido a vassoura de brinquedo . Tu também não gostarias de aranhas se estivesses agarrada a o teu ursinho e , de repente , ele tivesse uma data de pernas e ... Começou a tremer ... Hermione ainda estava a tentar conter o riso . Sentindo que era melhor mudarem de assunto , Harry perguntou : - Lembram se de a água que havia aqui em o chão ? De onde terá vindo ? Alguém a limpou . - Era por aqui - disse o Ron , já recuperado , avançando alguns passos em direcção a a cadeira de o Filch e apontando . - Junto de esta porta . Estendeu a mão para o puxador de a porta , mas retirou a de imediato , como_se se tivesse queimado . - O que foi ? - perguntou Harry . - Não posso entrar aí - disse o Ron bruscamente . - É a casa_de_banho de as raparigas . - Oh , Ron , não está aí ninguém - sossegou o Hermione enquanto se aproximava . - É o lugar de a Murta_Queixosa . Anda , vamos dar uma espreitadela . E ignorando o grande letreiro que dizia « Fora de serviço » Hermione abriu a porta . Era a casa_de_banho mais sombria e deprimente em que Harry tinha posto os pés durante toda_a sua vida . Debaixo_de um grande espelho partido e sujo podia ver se uma fila de lavatórios de pedra , rachados . O chão estava húmido e reflectia a luz fraca de os pavios de algumas velas que ardiam baixinho em os suportes . As portas de madeira de os cubículos estavam todas lascadas e riscadas e uma de elas balouçava fora de as dobradiças . Hermione levou os dedos a os lábios e foi até a o último cubículo . Quando lá chegou disse : - Olá , Murta , como estás ? Harry e Ron foram ver . A Murta_Queixosa flutuava em a cisterna de a casa_de_banho , tirando um ponto negro de o queixo . - Esta é a casa_de_banho de as raparigas - disse a o ver o Ron e o Harry . - Eles não são raparigas . - Não - concordou Hermione . - Eu só queria mostrar lhes como esta casa_de_banho é ... er ... simpática . Ela fez um aceno vago a o velho espelho sujo e a o chão húmido . - Pergunta lhe se viu alguma coisa - sussurrou o Ron a a Hermione . - Porque estão a dizer segredinhos ? - perguntou a Murta , fitando o . - Não é nada - disse Harry rapidamente . - Queríamos perguntar ... - Gostava que as pessoas parassem de falar em as minhas costas ! - desabafou a Murta em uma voz abafada por as lágrimas . - Eu tenho sentimentos , sabem , apesar_de estar morta . - Murta , ninguém quis aborrecer te - explicou Hermione . - O Harry só ... - A minha vida foi uma infelicidade em este lugar e agora as pessoas vêm estragar a minha morte . - Nós queríamos perguntar te se tinhas visto alguma coisa estranha ultimamente - disse Hermione sem perder tempo . - Porque foi atacada uma gata mesmo aqui a a frente de a tua porta em a noite de o * _ Hallowe'en * . - Viste alguém aqui perto em essa noite ? - insistiu Harry . - Não estava a prestar atenção - disse a Murta com ar dramático . - O Peeves aborreceu me tanto que vim aqui para tentar matar me . Só então me lembrei de que estou ... de que estou ... - Já morta - ajudou o Ron . A Murta soluçou tragicamente , elevou se em o ar , voltou se e mergulhou de cabeça em a sanita , espalhando água por_cima_de todos eles e desaparecendo . Por o som de os seus soluços abafados fora certamente descansar algures em o cano em forma de V._Harry e Ron ficaram de boca aberta , mas Hermione encolheu os ombros de cansaço e disse : - Se querem saber , para a Murta isto até foi alegre ... vá , vamos embora . Harry tinha acabado de fechar a porta deixando atrás os soluços gorgolejantes de a Murta quando uma voz forte o fez dar um salto . - RON ! Percy_Weasley estava parado em o cimo de as escadas com o seu distintivo de prefeito a brilhar e uma expressão chocadíssima em o rosto . - Isso é a casa_de_banho de as raparigas ... o que é_que vocês ... ? - Estávamos só a dar uma vista de olhos - exclamou o Ron - a a procura de pistas ... Percy engoliu em seco , de uma maneira que fez Harry lembrar se de Mrs._Weasley . - Saiam imediatamente de aqui - disse , aproximando se de eles a passos largos e gesticulando agitadamente . - Não se preocupam com as aparências ? Voltar aqui enquanto toda_a_gente está a jantar ... - Porque não havíamos de estar aqui ? - perguntou cheio de vivacidade o Ron , parando de repente e olhando Percy em os olhos . - Ouve lá , nós não tocamos em aquela gata . - Isso foi o que eu tentei explicar a a Ginny - respondeu Percy furioso - mas ela parece continuar a pensar que vocês vão ser expulsos . Nunca a vi tão aflita . Não pára de chorar . Devias pensar em ela . Todos os alunos de o primeiro ano andam superexcitados com esta história . - Tu não estás nada preocupado com a Ginny - disse o Ron já com as orelhas vermelhas . - O que te assusta é_que eu possa estragar as tuas possibilidades de ser chefe de turma . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor ! - bradou Percy , apontando elegantemente para o distintivo de prefeito . - E espero que te sirva de lição . Acabou se o trabalho de detective ou escrevo a a mãe a contar lhe . E voltou lhes as costas , a nuca tão vermelha como as orelhas de o Ron . Harry , Ron e Hermione , em essa noite , sentaram se em a sala comum o mais longe possível de Percy . Ron estava ainda muito maldisposto e não parava de esborratar o trabalho de casa de os encantamentos . Quando pegou distraidamente em a varinha para tirar as manchas incendiou o pergaminho . A deitar quase tanto fumo como o seu trabalho de casa , fechou bruscamente o * _ Livro_Padrão_de_Encantamentos de o 2.o Grau * . Para grande surpresa de Harry , Hermione fez o mesmo . - Mas quem poderia ser - perguntou ela baixinho como_se continuasse uma conversa que tinham acabado de ter . - Quem quereria todos os * busca-pés * e filhos de Muggles fora de Hogwarts ? - Vamos pensar - disse o Ron em a brincadeira , fingindo estar confuso . - Quem poderemos nós conhecer que ache que os familiares de Muggles são escumalha ? Olhou para Hermione . Ela olhou para ele pouco convencida . - Se estás a pensar em o Malfoy ... - Claro que estou - disse o Ron . - Tu ouviste o dizer : - Vocês serão os próximos , sangues de lama ! - Aliás , basta olhar para aquela cara de renegado para saber que ele é ... - Malfoy , o herdeiro de Slytherin ? - repetiu Hermione cepticamente . - Olha para a família de ele - disse Harry , fechando também os livros . - Todos eles estiveram em os Slytherin . O Draco está sempre a vangloriar se de isso . Podiam bem ser descendentes de Slytherin . O pai de ele é suficientemente mau . - Podiam perfeitamente ter tido a chave de a Câmara_dos_Segredos durante séculos - disse Ron - , fazendo a passar de pai para filho . - Bem - acedeu Hermione cautelosamente . - Seria possível ... - Mas como prová o ? - perguntou Harry tristemente . - Talvez haja um meio - sugeriu Hermione lentamente , baixando ainda mais a voz e lançando um olhar , através de a sala , a Percy . - É claro que não é fácil . E é perigoso , muito perigoso . Suponho que iríamos infringir cerca de cinquenta regras de a escola . - Se de aqui a um mês ou dois te decidires a explicar , avisa , está bem ? - disse Ron , que começava a ficar irritado . - Está bem - concordou Hermione friamente . - O que precisaríamos de fazer para entrar em a sala comum de os Slytherin e fazer algumas perguntas a o Malfoy , sem ele perceber que éramos nós ? - Mas isso é impossível - declarou Harry , enquanto Ron se ria . - Não , não é - continuou Hermione . - Só precisamos de um_pouco de poção * polisuco * . - O que é isso ? - perguntaram ao_mesmo_tempo Ron e Harry . - O Snape falou de ela em uma aula , há poucas semanas atrás . - Achas que não temos mais o que fazer do_que ouvir o Snape ? - murmurou o Ron . - Transforma nos em outra pessoa . Pensem em isso : podíamos transformar nos em três de os Slytherin . Ninguém saberia que éramos nós . É provável que o Malfoy nos contasse alguma coisa . Aposto que ele está a gabar se , em este momento , em a sala de os Slytherin , se ao_menos pudéssemos ouvi o . - Essa coisa de o * polisuco * cheira me um bocado mal - disse o Ron , franzindo as sobrancelhas . - E se ficarmos com a forma de os três Slytherin para sempre ? - Desaparece a o fim de algum tempo - disse Hermione , gesticulando impacientemente com a mão - mas conseguir a receita é muito difícil . O Snape disse que vinha em um livro chamado * _ As_Mais_Potentes_Poções * e está com certeza em a parte de os reservados de a biblioteca . Só havia uma maneira de obter o livro de os reservados : era com uma autorização assinada por um professor . - Não estou a ver porque quereríamos o livro - disse o Ron . - Se não para tentar fabricar uma de as poções . - Eu acho - sugeriu Hermione - que se fizéssemos parecer que o nosso interesse era apenas teórico , talvez conseguíssemos ... - Estás a sonhar , nenhum professor ia cair em essa - afirmou o Ron . - Só se fosse muito burro . X_A * bludger * perigosa Depois de o desastroso incidente de os duendes , o professor Lockhart não voltou a levar seres vivos para as aulas . Em vez de isso , lia a os alunos passagens de os seus livros e , por vezes , voltava a desempenhar alguns de os episódios mais dramáticos . Costumava chamar Harry para o ajudar em essas reconstruções . Até ali Harry fora obrigado a desempenhar o papel de um camponês de a Transilvânia que Lockhart curara de uma maldição murmurada , o abominável homem de as neves com dores de cabeça e um vampiro que depois de ter conhecido Lockhart tinha ficado incapaz de comer outra coisa que não fosse alfaces . Harry foi chamado para a frente de a classe durante a aula de Defesa contra as artes negras que se seguiu . Desta_vez para desempenhar o papel de um lobisomem . Se não tivesse um bom motivo para querer ver o Lockhart bem-disposto , teria se recusado . - Um uivo bem alto , excelente , Harry , isso mesmo . E foi então que , acreditem ou não , eu o ataquei de repente , assim . Atirei o a o chão , agarrei o com uma mão e com a outra consegui meter lhe a varinha em a garganta . Então , com a força que me restava pus em prática o complicadíssimo encantamento * _ Homorphus * . Harry soltou um uivo tristíssimo . - Vá lá , Harry , mais alto . Bom ... o pêlo desapareceu , os dentes diminuíram de tamanho e ele transformou se em um homem . Simples , mas eficaz e mais uma cidade ficará a lembrar se de mim para sempre como o herói que os libertou de os ataques mensais de o lobisomem . A campainha tocou e Lockhart pôs se de pé . - Trabalho para_casa : escrever um poema sobre a minha vitória sobre o lobisomem Wagga_Wagga . Há um exemplar autografado de * _ Eu , o Mágico * para o autor de o melhor poema . Os alunos começaram a sair . Harry voltou para trás e foi juntar se a o Ron e a a Hermione que estavam a a espera de ele . - Prontos ? - perguntou . - Espera até saírem todos - disse Hermione bastante nervosa . - Pronto ... Aproximou se de a secretária de Lockhart , apertando em a mão uma folha de papel , com o Ron e o Harry atrás . - Er ... professor Lockhart - gaguejou Hermione . - Eu queria requisitar este livro em a biblioteca , como leitura de apoio - entregou lhe o papel , com a mão ligeiramente trémula . - Só que faz parte de a secção de os reservados , por isso preciso de a assinatura de um professor . Acho que o livro me vai ajudar a compreender o que o senhor diz em * _ Passeios com Vampiros * acerca de os venenos de acção lenta ... - Ah , * _ Passeando com Vampiros * - disse Lockhart , pegando em a folha de papel de Hermione e sorrindo lhe abertamente . - E provavelmente o meu livro preferido . Gostou ? - Oh , muito - disse Hermione avidamente . - Tão inteligente o modo como apanhou o último com o passador de o chá . - Bem , tenho a certeza que ninguém se importará que eu dê uma ajudazinha suplementar a a melhor aluna de o segundo ano - disse Lockhart calorosamente , sacando de uma enorme pena de pavão . - É bonita , não é ? - comentou , adivinhando uma expressão de repulsa em a cara de o Ron . - Costumo guardas a para as minhas assinaturas de autógrafos . Rabiscou uma enorme assinatura cheia de altos e baixos e entregou a a Hermione . - Então , Harry - disse Lockhart enquanto Hermione dobrava a folha e a guardava em o saco . - Amanhã é a primeira partida de Quidditch de este ano , não é ? Gryffindor contra Slytherin . Ouvi dizer que és um jogador indispensável . Eu também fui * seeker * . Convidaram me inclusivamente para fazer parte de a Equipa_Nacional , mas eu preferi dedicar a minha vida a a erradicação de as forças de o mal . Mesmo_assim , se alguma vez precisares de um treino particular , não hesites em falar comigo , estou sempre disponível para partilhar a minha perícia com os jogadores menos dotados do_que eu . Harry fez um som indistinto com a garganta e saiu atrás_de Ron e Hermione . - Não acredito - disse quando os três examinavam a assinatura de Lockhart . - Ele nem viu que livro nós queríamos . - É porque é um idiota sem miolos - explicou o Ron . - Mas , quem se rala , temos o que queríamos . - Ele não é um idiota sem miolos - gritou Hermione com voz esganiçada enquanto se aproximavam quase a correr de a biblioteca . - Só porque ele disse que eras a melhor aluna de o segundo ano ... Baixaram as vozes a o entrar em a quietude abafada de a biblioteca . Madam_Prince , a bibliotecária , era uma mulher magra e irritável que parecia um abutre mal nutrido . - * _ Moste_Potente_Potions * ? - repetiu intrigada , tentando ficar com a folha de papel que Hermione se recusava a entregar lhe . - Gostava de a guardar para mim - disse sem fôlego . - Vá lá - intercedeu Ron , arrancando lhe a de as mãos e entregando a a Madam_Prince . - Nós arranjamos te outro autógrafo . O Lockhart assina tudo se aqui ficar muito_tempo . Madam_Prince pegou em o papel e voltou o em a direcção de a luz , decidida a descobrir uma falsificação , mas a assinatura passou em o teste . Desapareceu entre as estantes e voltou alguns minutos mais tarde , transportando um livro grande e de aspecto antiquado . Hermione meteu o com todo o cuidado em o saco e saíram , tentando não andar depressa de mais nem aparentar um ar culpado . Cinco minutos depois , estavam de_novo barricados em a casa_de_banho fora de serviço de a Murta_Queixosa . Hermione destruíra as objecções de Ron argumentando que aquele era o último lugar onde alguém em o seu juízo perfeito se lembraria de ir e que poderia assegurar lhes alguma privacidade . A Murta_Queixosa chorava ruidosamente em o seu cubículo , mas eles conseguiram ignorá a assim_como ela a eles . Hermione abriu * _ Moste_Potente_Potions * com todo o cuidado e inclinaram se os três sobre as páginas manchadas de humidade . Era fácil de perceber , logo à_primeira_vista de olhos , porque pertencia a a secção de os reservados . Algumas de as poções tinham efeitos quase impensáveis de tão macabros e havia ilustrações bastante desagradáveis , como , por_exemplo , aquela em que um homem parecia ter sido virado de o avesso e a de a bruxa com vários pares de braços suplementares a nascerem lhe em a cabeça . - Aqui está - disse Hermione excitadíssima a o encontrar a página intitulada « A poção * polisuco * « . Estava ilustrada com imagens de pessoas a meio de o processo de se transformarem em outras pessoas e Harry desejou ardentemente que a expressão de dor intensa que se lhes espelhava em o rosto fosse apenas produto de a imaginação de o artista desenhador . - Esta é a poção mais complicada que vi até hoje - disse Hermione enquanto examinava a receita . - Moscas asas de renda , sanguessugas , fluxo de cizânias e verdezelha - murmurou , acompanhando com o dedo a lista de ingredientes . - Bem , esses são relativamente simples , há os em a despensa de material de os estudantes , podemos tirar a a nossa vontade . Oh ! Vê só , pó de chifre de bicórneo ... não sei onde vamos arranjar isto ... e , é claro , um pedacinho de a pessoa em quem queremos transformar nos . - Como ? - perguntou Ron de forma cortante . - O que é_que queres dizer com um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos ? Eu não bebo nada que tenha lá dentro as unhas de os pés de o Crabbe ... Hermione continuou como_se não o tivesse ouvido . - Mas não temos que nos preocupar com isso por enquanto . Fica para o fim . Ron voltou se sem palavras para o Harry que tinha uma preocupação de outro tipo . - Já viste bem tudo_o_que vamos ter que roubar , Hermione ? Algumas coisas , não estão de certeza em a despensa de material de os alunos . O que é_que vamos fazer , arrombar os armários pessoais de o Snape ? Não sei se será uma boa ideia ... Hermione fechou o livro com um estrondo . - Bem , se vocês os dois se vão acagaçar , então está lindo - disse ela . Tinha as bochechas rosadas e os olhos mais brilhantes do_que era habitual . - Eu não gosto de quebrar regras , vocês sabem , mas acho que ameaçar os filhos de os Muggles é muito pior do_que construir uma poção difícil . Mas se vocês não querem descobrir se é o Malfoy , eu posso voltar já a a biblioteca e entregar o livro a Madam_Prince ... - Nunca pensei que chegaria o dia em que serias tu a convencer nos a quebrar regras - disse o Ron . - Está bem , vamos em essa , mas sem unhas de os pés , O. _ K. ? - Quanto tempo vai isso demorar a fazer , afinal ? - perguntou Harry quando Hermione , já com um ar mais satisfeito , voltou a abrir o livro . - Bem , como o fluxo de cizânias tem de ser recolhido durante a lua cheia e as asas de renda têm de ser abafadas durante vinte_e_um dias ... eu diria que se conseguirmos arranjar todos os ingredientes estará pronta dentro_de um mês . - Um mês ? - exclamou o Ron . - Nessa_altura já o Malfoy terá atacado metade de os filhos de Muggles ! - mas os olhos de Hermione contraíram se de_novo assustadoramente e ele acrescentou rapidamente . - Mas é o melhor plano que temos , por isso é melhor não olharmos para trás . Apesar_de tudo , enquanto Hermione verificava que não havia ninguém em os corredores e podiam sair de a casa_de_banho , Ron murmurou a Harry : - Seria muito mais simples se conseguisses , amanhã , atirar o Malfoy de a vassoura abaixo . Harry acordou cedo em o sábado de manhã e ficou um bocado a pensar em a partida de Quidditch que vinha a seguir . Estava nervoso , principalmente pelo que Wood diria se os Gryffindor perdessem , mas também com a ideia de enfrentar uma equipa apetrechada com as vassouras mais velozes que existiam . Nunca desejara tanto vencer os Slytherin como em aquele dia . Depois de meia_hora deitado com a barriga a dar horas , resolveu levantar se , vestir se e descer para tomar o pequeno-almoço . Lá em baixo , encontrou o resto de a equipa de os Gryffindor amontoada a o longo de a mesa comprida e vazia , todos eles com ar preocupado e sem vontade de conversar . Como_se aproximavam as onze horas , todos os alunos de a escola começaram a dirigir se para o estádio de Quidditch . O dia estava quente e húmido , com uma ameaça de trovoada em o ar . Ron e Hermione vieram apressadamente desejar a Harry boa sorte mal ele entrou em os vestiários . A equipa de os Gryffindor pôs os seus mantos vermelhos e sentou se para ouvir o discurso que Wood lhes fazia sempre antes de o jogo . - Os Slytherin têm vassouras melhores do_que nós - começou . - Não há como negá o . Mas nós temos gente melhor em cima de as vassouras . Treinámos mais do_que eles , voamos com todas_as condições climatéricas ( É bem verdade - murmurou George_Weasley - desde Agosto que não sei o que é estar seco ) . - E vamos fazê os engolir o dia em que deixaram aquele nojento de o Malfoy comprar a entrada em a equipa de eles . Com o peito agitado por a comoção , Wood voltou se par Harry . -- Cabe te a ti , Harry , mostrar lhes que um * seeker * tem de ter mais do_que um pai rico . Agarra a * snitch * antes d Malfoy ou morre a tentar porque temos absolutamente que vencer , hoje , Harry , temos que vencer . - Sem ansiedade , Harry - disse o Fred , piscando lhe o olho . Quando saíram em direcção a o campo , foram saudado por uma grande ovação principalmente de a parte de os Ravenclaw e de os Hufflepuff que estavam ansiosos por ver os Slytherin serem derrotados , mas os Slytherin que estavam entre a multidão também fizeram ouvir as suas vaias e pateadas . Madam_Hooch , a professora de Quidditch , pediu a Flin e Wood que apertassem as mãos o que eles fizeram , lançando um_ao_outro olhares ameaçadores , cada_um apertando a mão de o outro com mais força do_que aquela que seria necessário . - Atenção a o apito - disse Madam_Hooch . - Três , dois , um ... Com um bramido de a multidão para que subissem rapidamente , os catorze jogadores elevaram se em o céu cor de chumbo . Harry , mais alto do_que qualquer de os outros olhando para todos os lados em busca de a * snitch * . - Tudo bem , testa de cicatriz ? - gritou Malfoy , disparando por baixo de ele para lhe mostrar a velocidade de a sua vassoura . Harry não teve tempo de responder . Em esse preciso momento uma * bludger * preta e bem pesada veio direitinha a ele . Evitou a tão por um triz que ainda sentiu em os cabelos o ar que ela deslocara . - Foi por_pouco , Harry ! - exclamou o George , passando com grande rapidez , de bastão em a mão , pronto para lançar a * bludger * contra um Slytherin . Harry viu o dar a a * bludger * uma fortíssima pancada em direcção a Adrian_Pucey , mas a bola mudou de rumo em o meio de o ar e dirigiu se de_novo a Harry . Harry desceu rapidamente para se esquivar e George conseguiu lançá a contra Malfoy . Mais_uma_vez a * bludger * actuou como um * boomerang * e apontou a a cabeça de Harry . Harry ganhou velocidade e disparou contra o outro extremo de o campo . Ouvia o assobio de a * bludger * que o perseguia . O que era aquilo ? As * bludgers * nunca se concentravam assim em um único jogador , a sua função era tentar desmontar o maior número possível de intervenientes . Fred_Weasley esperava por a * bludger * em o extremo oposto . Harry baixou se quando o viu balançar se em frente de ela com toda_a garra . A * bludger * foi lançada para_fora_de campo . - Pronto , já está tudo resolvido - gritou Fred satisfeito , mas estava bastante enganado . Como_se fosse magneticamente atraída para Harry , a * bludger * lançou se de_novo contra ele e Harry teve de voar a_toda_a velocidade . Começara a chover . Harry sentia as gotas pesadas caírem lhe em o rosto , turvando lhe as lentes de os óculos . Não fazia ideia do_que se passava em o resto de o jogo , até ouvir Lee_Jordan que fazia o comentário dizer : - Os Slytherin vão a a frente com seis contra zero . As vassouras de qualidade superior de os Slytherin estavam obviamente a cumprir a sua função e enquanto isso , a * bludger * maluca fazia todos os possíveis para deitar abaixo o Harry . Fred e George voavam agora tão perto de ele , um de cada lado , que Harry não via senão os seus braços a balouçar e , se não conseguia ver a * snitch * , muito menos agarrá a . - Alguém enfeitiçou esta * bludger * - resmungou Fred , preparando o bastão com toda_a força quando ela se lançava de_novo contra Harry . - Precisamos de tempo - disse George , tentando fazer sinal a Wood enquanto evitava que a bola partisse o nariz a o Harry . Wood captou obviamente a mensagem . O apito de Madam_Hooch fez se ouvir e Harry , Fred e George desceram , tentando ainda evitar a * bludger * maluca . - O que é_que se passa ? - perguntou Wood enquanto a equipa de os Gryffindor se amontoava desordenadamente e os Slytherin , em o meio de a multidão , lançavam piadas . - Estamos a ser esmagados . Fred , George , onde estavam vocês quando aquela * bludger * impediu a Angelina de marcar ? - Estávamos seis metros acima , evitando que a outra * bludger * matasse o Harry , Oliver - gritou George furioso . - Alguém preparou isto , a bola não deixa o Harry em paz , ainda não perseguiu mais ninguém desde_que o jogo começou . Os Slytherin fizeram aqui qualquer coisa . - Mas as * bludgers * têm estado fechadas em o escritório de Madam_Hooch desde o último treino , e nessa_altura estava tudo bem ... - disse Wood ansiosamente . Madam_Hooch aproximava se . Por cima de o ombro de ela , Harry pôde ver a equipa de os Slytherin a escarnecer e apontar em a sua direcção . - Ouçam - disse o Harry , enquanto ela se aproximava . - Com vocês os dois a voarem sempre colados a mim , só vou apanhar a * snitch * se ela voar até a a minha manga . Voltem se para o resto de a equipa e deixem a tratante comigo . - Não sejas bronco - disse o Fred . - Ela arranca te a cabeça . Os olhos de Wood saltavam de Harry_para_os_Weasley . - Oliver , isto_é uma loucura - disse Alicia_Spinet , zangada . - Não podes deixar o Harry sozinho entregue a aquela coisa . Vamos pedir uma investigação . - Se pararmos agora , teremos de dar a partida como perdida e não vamos deixar os Slytherin ganhar , só por_causa_de uma * bludger * maluca . Vá lá , Oliver , diz lhes que me deixem sozinho . - A culpa é toda tua . * _ Agarra a snitch ou morre a tentar * , se isso é lá coisa que se diga . Madam_Hooch tinha se lhes juntado . - Prontos para retomar a partida ? - perguntou a Wood . Wood olhou para o ar determinado de Harry . - Deixem o sozinho , ele é capaz de lidar com a * bludger * . A chuva era agora mais pesada . A o apito de Madam_Hooch , Harry elevou se em os ares e ouviu o barulhinho de a * bludger * atrás_de si . Subiu cada_vez_mais alto . Fez acrobacias em espiral , descidas rápidas , ziguezagueou e rolou . Apesar_de ligeiramente estonteado , não deixou nunca de ter os olhos bem abertos . A chuva salpicava lhe os óculos e entrava lhe por as narinas , quando ele se voltou de cabeça para baixo , evitando outra forte investida de a * bludger * . Ouviu os risos de a multidão . Sabia que devia parecer ridículo , mas a * bludger * maluca era pesada e não podia mudar de direcção tão rapidamente quanto ele . Iniciou uma corrida que parecia de feira de diversões em volta de os extremos de o estádio , olhando de soslaio , através de os lençóis prateados de chuva , para os postes de os Gryffindor , onde Adrian_Pucey tentava passar por Wood . Um assobio junto de os ouvidos disse a Harry que a * bludger * falhara uma_vez_mais . Voltou se e voou rapidamente em a direcção oposta . - Estás a ensaiar * ballet * , Potter - gritou Malfoy quando Harry foi obrigado a fazer uma reviravolta estúpida em o ar para se esquivar mais_uma_vez de a * bludger * . Lá foi ele , com a * bludger * atrás a alguns metros de distância . E foi então que , olhando para Malfoy , furioso , a viu , a * snitch * de ouro . Flutuava alguns centímetros acima de os ouvidos de Malfoy que , de tão preocupado a escarnecer de Harry , nem dera por ela . Durante um momento angustiante , Harry ficou quieto em o ar , não ousando dirigir se a Malfoy , não fosse ele olhar para_cima e ver a * snitch * . PUM ! Tinha ficado parado tempo de mais . A * bludger * batera lhe , por fim , apanhando lhe o cotovelo e Harry sentiu o braço a partir se . Debilmente , desorientado por a dor cauterizante em o braço , Harry deslizou para um de os lados em a sua vassoura encharcada , um joelho ainda dobrado , o braço direito a balouçar , inútil , a o seu lado . A * bludger * veio de_novo , preparada para mais um ataque , desta_vez apontada a o seu rosto . Harry desviou se com uma intenção : chegar a Malfoy . Através_de uma nuvem de chuva e dor desceu até a o rosto tremeluzente e trocista e viu os olhos de ele dilatarem se de medo : Malfoy pensou que Harry ia atacá o . - Que diabo ... - resmungou , afastando se de o caminho . Harry tirou a outra mão de a vassoura e fez uma tentativa para agarrar qualquer coisa . Sentiu os dedos fecharem se em volta de a * snitch * dourada , mas conduzia agora a vassoura apenas com as pernas e ouviu se um grito de a multidão cá em baixo , quando ele fez a descida , tentando não desmaiar . Com um ruído seco caiu em a terra enlameada e rolou para fora de a vassoura . O braço tinha um ângulo um_pouco estranho . Torcendo se com dores , ouviu a a distância os assobios e os gritos . Concentrou se em a * snitch * que tinha fechada em a outra mão . - Ai - disse vagamente . - Ganhámos o jogo . E desmaiou . Voltou a si com a chuva a cair lhe em o rosto , ainda deitado em o campo , com alguém inclinado sobre ele . Viu um brilho de dentes brancos . - Oh , não , você não - gemeu . - Não sabe o que diz - afirmou Lockhart bem alto a a ansiosa multidão de Gryffindor que o comprimiam . - Não te preocupes , Harry , eu vou tratar de o teu braço . - Não - gritou Harry . - Eu fico com ele assim , obrigado . Tentou sentar se , mas a dor era enorme . Ouviu um « clique » familiar . - Não quero fotografias de isto , Colin - disse em voz alta . - Deita te para trás , Harry - insistiu Lockhart com toda_a calma . - É um encantamento muito simples que eu fiz imensas vezes . - Porque não me levam só para a ala hospitalar ? - perguntou Harry entredentes . - Seria o melhor , professor - disse a voz rouca de o Wood que não conseguia deixar de sorrir , apesar_de o seu * seeker * estar ferido . - Grande captura , Harry , verdadeiramente espectacular , a tua melhor jogada , em a minha opinião . Em o meio de a floresta de pernas que o rodeava , Harry avistou Fred e George_Weasley , metendo a * budger * perigosa em uma caixa . Continuava a dar uma luta enorme . - Para trás - ordenou Lockhart , que tinha arregaçado as mangas verde jade . - Não , eu não ... - protestou debilmente Harry , mas Lockhart tinha a varinha em a mão e , um segundo depois , apontava a para o braço de Harry . Uma sensação estranha e desagradável começou em o ombro e espalhou se , chegando a as pontas de os dedos . Parecia que o braço inteiro tinha sido esvaziado . Não foi capaz de olhar para o que estava a suceder . Tinha fechado os olhos , voltado o rosto para o outro lado , mas os seus maiores receios concretizaram se quando as pessoas lá em cima se sobressaltaram e Colin_Creevey começou a tirar fotografias como um louco . O braço deixara de lhe doer , mas parecia tudo menos um braço . - Ah ! - disse Lockhart . - Sim , bem isto às_vezes acontece . Mas o importante é_que os ossos já não estão partidos . Isso é o mais importante . Portanto , Harry , vai até a a ala hospitalar ... ah ! Mr._Weasley , Miss_Granger , poderiam levá o lá ? E Madam_Pomfrey poderá ... er ... arranjar um_pouco isso . Quando Harry se pôs de pé sentiu se estranhamente desequilibrado . Depois de respirar fundo , olhou para o lado direito e o que viu quase o fez desmaiar de_novo . Pendurado em a extremidade de a sua túnica estava o que parecia ser uma espessa e colorida luva de borracha . Tentou mexer os dedos mas ... em vão . Lockhart não consertara os ossos de Harry . Retirara os . M. dam Pomfrey não ficou nada satisfeita . - Devias ter vindo logo ter comigo - ralhou , segurando os restos tristes e moles de aquilo que antes fora um braço activo . - Eu conserto ossos em um segundo , mas fazê os crescer de_novo ... - Vai conseguir , não vai ? - perguntou Harry desesperado . - Sim , com certeza , mas vai ser doloroso - disse Madam_Pomfrey de modo severo , entregando lhe um pijama . - Vais ter que ficar cá esta noite ... Hermione esperou de o lado de_fora de a cortina que rodeava outra cama enquanto Ron ajudava Harry a vestir se . Levou algum tempo a enfiar o braço que parecia borracha dentro_de uma manga de o pijama . - Como é_que podes continuar a defender o Lockhart depois disto , Hermione ? - perguntou Ron através de as cortinas , enquanto puxava os dedos moles de o Harry por uma manga . - Se o Harry quisesse ser desossado , teria pedido . - Todos podem enganar se - disse Hermione . - E deixou de doer , não deixou , Harry ? - Sim - disse ele - mas também ficou incapaz de fazer seja o que for . Quando se meteu em a cama , o braço agitou se despropositadamente . Hermione e Madam_Pomfrey entraram . Madam_Pomfrey segurava uma grande garrafa com o rótulo * Skele - _ Gro * . - Vais ter uma noite difícil - preveniu , enchendo um pequeno copo fumegante e dando lhe a beber . - Fazer crescer ossos é uma coisa difícil . Tomar o * _ Skele - _ Gro * também . Queimou a boca e a garganta de o Harry a o descer , fazendo o tossir e cuspir . Resmungando sobre os desportos perigosos e os professores incapazes , Madam_Pomfrey retirou se , deixando Ron e Hermione a ajudar Harry a engolir um_pouco de água . - Mas ganhámos o jogo - disse o Ron com um sorriso em o rosto . - A tua jogada foi em grande . A cara de o Malfoy ... parecia que queria matar alguém . - Eu vou descobrir como é_que enfeitiçaram aquela * bludger * - disse Hermione com ar sombrio . - Podemos juntar essa pergunta a a lista de todas_as que queremos fazer a o Malfoy quando tomarmos a poção * _ Polisuco * - disse Harry , afundando se de_novo em as almofadas . - Espero que tenha um sabor melhor do_que esta coisa ... - Com um bocado de os Slytherin lá dentro , deves estar a brincar - disse o Ron . A porta de a ala hospitalar abriu se em esse momento e , completamente encharcados , entraram os restantes membros de a equipa de os Gryffindor , para ver o Harry . - Um voo inacreditável - disse George . - Acabei de ver Marcus_Flint a gritar com o Malfoy . Qualquer coisa sobre ter a * snitch * mesmo em cima de a cabeça e não ter dado por nada . O Malfoy não parecia nem um_pouco satisfeito . Tinham trazido bolos , rebuçados e garrafas de sumo de abóbora . Juntaram se em volta de a cama de Harry e estavam a dar início a o que prometia ser uma grande festa quando Madam_Pomfrey entrou a vociferar : - Este rapaz precisa de repouso . Tem trinta_e_três ossos a crescer . Fora de aqui . FORA ! E Harry ficou sozinho , sem nada que o distraísse de as dores agudas em o seu braço mole . Muitas horas mais tarde , Harry acordou subitamente em a escuridão total e soltou um pequeno grito de dor : sentia agora o braço cheio de estilhaços . Durante alguns segundos pensou que tinha sido a dor a acordá o . Depois , com um arrepio de horror , apercebeu se de que alguém estava a passar lhe uma esponja em a testa . - Sai de aqui - gritou , e em seguida : - Dobby ! Os olhos de o tamanho de bolas de ténis de o elfo doméstico estavam a olhá o em o escuro , uma lágrima grossa rolava por o seu enorme nariz . - Harry_Potter voltou a a escola - murmurou , infeliz . - Dobby avisou e voltou a avisar Harry_Potter . Ah ! senhor , porque não deu ouvidos a Dobby ? Porque não voltou Harry_Potter para_casa quando perdeu o comboio ? Harry ergueu se um_pouco , encostando se a as almofadas e afastou a esponja de o elfo . - O que estás a fazer aqui ? - perguntou . - E como sabes que eu perdi o comboio ? O lábio de Dobby tremeu e Harry foi assaltado por uma dúvida . - Foste tu . Tu impediste que a barreira nos deixasse passar . - Em a verdade fui eu , senhor - disse Dobby , acenando com a cabeça e com as orelhas a abanar . - Dobby escondeu se , esperou por Harry_Potter e selou a barreira . A seguir , Dobby teve de pôr as mãos em o ferro de engomar - mostrou a o Harry dez dedos longos embrulhados em ligaduras . - Mas Dobby não se importou , senhor , porque pensou que Harry_Potter estava a salvo e nunca Dobby sonhou que mesmo_assim ele viria para a escola ! Balançava se para a frente e para trás , sacudindo a cabeça feia . - Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry_Potter tinha voltado a a escola que deixou queimar o jantar de os seus donos . Dobby nunca tivera um castigo tão grande , senhor . Harry afundou se de_novo em as almofadas . - Quase conseguiste que nos expulsassem , a mim e a o Ron - disse furioso . - É melhor desapareceres de aqui antes que os meus ossos voltem a estar bem , Dobby , ou ainda te estrangulo . O elfo sorriu . - Dobby está habituado a ameaças de morte , senhor . Dobby recebe as cinco vezes por dia em a casa onde mora . Encostou o nariz a um canto de a fronha que usava , ficando tão ridículo que Harry sentiu a raiva desvanecer se , apesar_de tudo . - Porque usas essa coisa , Dobby ? - perguntou com curiosidade . - Isto , senhor ? - disse Dobby apontando para a fronha de almofada . - É uma prova de escravatura de o elfo doméstico , senhor . Dobby só pode ser libertado se os donos lhe derem roupa , senhor . A família tem o cuidado de não dar a o Dobby nem uma peúga , senhor , porque ele poderia ficar livre e deixar a casa para sempre . Dobby limpou os olhos protuberantes e disse subitamente : - Harry_Potter deve ir para_casa . Dobby achou que a sua * bludger * seria o suficiente para o fazer ... - A tua * bludger * ? - disse Harry com a raiva a crescer novamente dentro de ele . - Que queres tu dizer com a tua bludger * ? Foste tu quem fez com que aquela bola tentasse matar me ? - Matar não , senhor . Matar , nunca ! - disse o elho chocado . - Dobby quer salvar a vida de Harry_Potter . É melhor ir para_casa ferido do_que ficar aqui , senhor . Dobby só queria Harry_Potter suficientemente ferido para voltar para_casa . - Só isso ? - disse Harry furioso . - Imagino que não vais dizer me porque querias mandar me para_casa a os bocados ? - Ah ! se Harry_Potter soubesse ! - gemeu Dobby , com mais lágrimas a escorrerem lhe por a fronha esfarrapada . - Se pudesse saber o que significa para nós , para os humildes , os escravizados , nós , a escória social de o mundo mágico ! Dobby lembra se de como eram as coisas quando Aquele cujo nome não deve ser pronunciado estava em o auge de o poder , senhor ! Nós , os elfos domésticos éramos tratados como animais , senhor ! É claro que Dobby ainda é tratado assim - admitiu , secando o rosto em a fronha de almofada . - Mas , em a sua maioria , a vida melhorou bastante para os de a minha espécie desde_que Harry_Potter triunfou sobre Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Harry_Potter sobreviveu e o poder de os senhores de o Mal foi quebrado e veio uma nova alvorada , senhor , e Harry_Potter brilhou como um farol de esperança para aqueles de entre nós que já pensavam que a longa noite nunca mais teria fim , senhor ... e agora em Hogwarts vão acontecer coisas terríveis , talvez já esteiam a acontecer e Dobby não pode deixar Harry_Potter ficar aqui , agora_que a história vai repetir se , agora_que a Câmara_dos_Segredos está de_novo aberta . Dobby calou se horrorizado . Em seguida agarrou em o jarro de a água que Harry tinha a a cabeceira e bateu com ele em a própria cabeça , deixando se cair . Um segundo mais tarde voltou até junto de a cama , repetindo : - Mau , Dobby , muito mau , Dobby . - Quer_dizer , então , que existe mesmo a Câmara_dos_Segredos ? - murmurou Harry . - E dizes tu que já antes foi aberta ? Conta me , Dobby . Agarrou o pulso ossudo de o elfo quando a mão de ele se estendia para o jarro de a água . - Mas eu não sou filho de Muggles . Como posso estar em perigo por causa de a Câmara_dos_Segredos ? - Ah ! senhor , não pergunte a o pobre Dobby - lamentou se o elfo com os olhos enormes a brilharem em o escuro . - As forças de as trevas estão projectadas em este lugar , mas Harry_Potter não deve estar aqui quando as coisas acontecerem . Vá para_casa , Harry_Potter , vá para_casa . Harry_Potter não deve envolver se em isto , senhor , é demasiado perigoso ... - Quem é , Dobby ? - perguntou Harry , continuando a agarrar lhe o pulso com forca , impedindo que batesse de_novo em si próprio com o jarro . - Quem abriu a amara ? Quem a abriu de a última vez ? - Dobby não pode , senhor . Dobby não pode . Dobby não deve dizer - guinchou o elfo . - Vá se embora , Harry_Potter , vá se embora ! - Eu não vou para lugar nenhum - disse Harry , furioso . - Uma de as minhas melhores amigas é filha de Muggles , está em perigo se a câmara foi , de facto , aberta ... - Harry_Potter arrisca a própria vida por os amigos - gemeu Dobby em uma espécie de êxtase infeliz . - Tão nobre , tão corajoso , mas deve salvar se , Harry_Potter não deve ... Dobby calou se de repente com as orelhas de morcego a estremecerem . Harry também ouviu os passos que vinham lá fora , de o corredor . - Dobby tem de ir - balbuciou o elfo apavorado . Ouviu se um ruído e o pulso de Harry ficou subitamente fechado em o ar . Meteu se de_novo para baixo , em a cama , com os olhos fixos em a porta escura que dava entrada em a ala hospitalar enquanto os passos se aproximavam . Em o momento seguinte , Dumbledore estava a entrar , de costas , em o dormitório , vestindo uma longa túnica de lã e uma capa de noite . Transportava um extremo de aquilo que parecia ser uma estátua . A professora Mc_Gonagall surgiu um segundo mais tarde , pegando lhe em os pés . Os dois colocaram a em uma cama . - Chame Madam_Pomfrey - murmurou Dumbledore e a professora Mc_Gonagall passou por a cama de Harry , apressadamente , e desapareceu . Harry deixou se ficar muito quieto como_se estivesse a dormir . Ouviu vozes ansiosas e por fim a professora Mc_Gonagall apareceu de_novo , seguida de Madam_Pomfrey que vestia um casaco curto de lã sobre a camisa de dormir . Ouviu uma inspiração aguda . - O que aconteceu ? - murmurou Madam_Pomfrey_a_Dumbledore , inclinando se sobre a estátua que estava em a cama . - Outro ataque - disse Dumbledore . - A Minerva encontrou o em as escadas . Havia um cacho de uvas junto de ele . Acho que estava a tentar esgueirar se até aqui para vir visitar o Potter . O estômago de Harry deu uma reviravolta . Lenta e cuidadosamente ergueu se alguns centímetros para poder ver a estátua que estava sobre a cama . Um raio de luar iluminou lhe o rosto estático . Era_Colin_Creevey . Tinha os olhos abertos , e as mãos , em frente de a cara , seguravam a máquina fotográfica . -- Petrificado ? - murmurou Madam_Pomfrey . - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - Mas estou tentada a acreditar que ... se Albus não tivesse vindo cá abaixo tomar um chocolate quente ... quem sabe o que teria ... Os três olharam para Colin . Dumbledore inclinou se e retirou lhe a máquina de as mãos rígidas . - Será que ele conseguiu tirar a fotografia de o agressor ? - perguntou ansiosa a professora Mc_Gonagall . Dumbledore não respondeu . Abriu a parte detrás de a máquina . - Cruzes canhoto - disse Madam_Pomfrey . Um jacto de vapor tinha feito fervilhar a máquina . Harry , a três metros de distância , sentiu o cheiro tóxico de o plástico queimado . - Derretido - disse Madam_Pomfrey com grande espanto . - Tudo derretido . - O que significa isto , Albus ? - perguntou cada_vez_mais nervosa a professora Mc_Gonagall . - Significa - disse Dumbledore - que a Câmara_dos_Segredos está mesmo aberta outra_vez . Madam_Pomfrey levou uma mão a a boca . A professora Mc_Gonagall olhou assustada para Dumbledore . - Mas , Albus ... com certeza ... quem ? - A questão não é quem - disse Dumbledore com os olhos fixos em Colin . - A questão é como ... E pelo que Harry conseguiu ver de o rosto indistinto de a professora Mc_Gonagall , ela não compreendeu muito mais do_que ele . XI_O clube de os duelos Quando_Harry acordou , em o domingo de manhã , a enfermaria estava iluminada por um resplandecente sol de inverno e o seu braço tinha de_novo todos os ossos , apesar_de o sentir muito rígido . Sentou se rapidamente e olhou para a cama de Colin , mas ela fora isolada com as cortinas atrás de as quais se despira em a véspera . Vendo que ele tinha acordado , Madam_Pomfrey apareceu com um tabuleiro de pequeno-almoço e a seguir começou a apalpar lhe o braço e os dedos . - Tudo em ordem - disse , enquanto ele , com a mão esquerda , comia avidamente as papas de aveia . - Quando acabares de comer podes ir te embora . Harry vestiu se o mais depressa que pôde e dirigiu se a a pressa para a torre de os Gryffindor , ansioso por contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre Colin e Dobby , mas não os encontrou lá . Foi a a procura de eles , perguntando a si próprio onde teriam ido e sentindo se um_pouco magoado por o pouco interesse que demonstravam em saber se ele tinha recuperado os ossos . Quando passou por a biblioteca , Percy_Weasley vinha a sair com bastante melhor cara do_que de a última vez que se tinham encontrado . - Olá , olá , Harry - disse . - Excelente voo o de ontem , verdadeiramente sensacional . Os Gryffindor estão a a frente para a taça de a equipa . Ganhaste cinquenta pontos . - Não viste o Ron e a Hermione por aí ? - perguntou Harry . - Não , não vi - disse Percy com o sorriso a desaparecer . - Espero que o Ron não esteja outra_vez em a casa_de_banho de as raparigas ... Harry forçou um sorriso , viu Percy desaparecer e a seguir foi direitinho até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Não via lá muito bem por_que motivo o Ron e a Hermione lá estariam de_novo , mas , depois de se assegurar de que nem Filch nem nenhum de os prefeitos estavam por perto , abriu a porta e ouviu as vozes de eles que vinham de um cubículo fechado . - Sou eu - disse , fechando a porta atrás_de si . Ouviu se dentro de o cubículo um estrondo , um chapinhar e um sobressalto e ele viu o olho de a Hermione a espreitar por o buraco de a fechadura . - Harry - disse ela . - Pregaste nos um susto de morte . Entra . Como está o teu braço ? - _ óptimo - respondeu , apertando se dentro de o cubículo . Em cima de a sanita estava encarrapitado um velho caldeirão , e um crepitar a a superfície de a água disse a Harry que eles tinham acendido um fogo lá em baixo . Fazer aparecer fogos portáteis a a prova de água era uma de as especialidades de Hermione . - _ íamos visitar te , mas resolvemos começar a preparar a poção * _ Polisuco * - explicou Ron enquanto Harry fechava outra_vez a porta de o cubículo com alguma dificuldade . - Achámos que este era o lugar mais seguro para a esconder . Harry começou a contar lhes de o Colin , mas Hermione interrompeu o . - Nós já sabemos , ouvimos a professora Mc_Gonagall contar a o professor Flitwick hoje_de_manhã . Por isso resolvemos começar a ... - Quanto_mais depressa arrancarmos uma confissão a o Malfoy , melhor - rosnou o Ron . - Sabem o que eu penso ? Ele estava tão mal-humorado depois de o jogo de Quidditch que se vingou em o Colin . - Há outra coisa - disse Harry , vendo Hermione cortar molhos de verdezelha e lançá os dentro de a poção . - O Dobby foi visitar me a meio de a noite . Ron e Hermione olharam o espantados . Harry contou lhes tudo_o_que Dobby lhe dissera ... ou não dissera . Ron e Hermione ouviram o de boca aberta . - A Câmara_dos_Segredos já tinha sido aberta antes ? - repetiu Hermione . - Encaixa perfeitamente - disse Ron , em uma voz triunfante . - O Lucius_Malfoy deve ter aberto a Câmara_dos_Segredos quando andava em a escola e agora ensinou a o querido filhinho Draco como abris a . É óbvio , que pena o Dobby não te ter dito que tipo de monstro lá se encontra . Gostava de saber como é_que ninguém o viu andar por ai em a escola . - Talvez tenha a capacidade de se tornar invisível - sugeriu Hermione , picando sanguessugas para dentro de o caldeirão . - Ou talvez se disfarce , passando por uma armadura ou outra coisa de o género . Eu li umas coisas sobre vampiros camaleões ... - Tu lês de mais , Hermione - disse o Ron , deitando moscas asas de renda mortas por cima de as sanguessugas . Amarrotou o saco vazio de as asas de renda e olhou para Harry . - Então foi o Dobby que nos impediu de apanhar o comboio e te partiu o braço ... - abanou a cabeça . - Sabes o que eu acho ? Se ele não parar de tentar salvar te a vida ainda acaba por te matar . A notícia de que Colin_Creevey tinha sido atacado e estava agora em a ala hospitalar , como morto , espalhou se por toda_a escola em a segunda-feira de manhã . O ar ficou pesado e cheio de boatos e suspeitas . Os alunos de o primeiro ano começavam a andar por a escola em pequenos grupos , receando ser atacados se se aventurassem a andar isoladamente por os corredores . Ginny_Weasley , que era colega de carteira de o Colin em os encantamentos , estava perturbadíssima , mas Harry achou que Fred e George estavam a tentar animá a de a maneira errada . Revezavam se , mascarados com peles de animais e apareciam lhe subitamente detrás de as estátuas . Só pararam quando Percy , apopléctico de raiva , lhes disse que ia escrever a Mrs._Weasley a contar lhe que a Ginny andava a ter pesadelos . Enquanto isso , às_escondidas de os professores , uma panóplia de talismãs , amuletos e outros objectos de protecção ia enchendo a escola . Neville_Longbottom comprou uma enorme cebola verde que cheirava mal , um cristal pontiagudo cor de púrpura e uma cauda de tritão apodrecida antes de os outros rapazes de os Gryffindor lhe explicarem que ele não corria perigo : era um sangue puro e , portanto , muito pouco passível de ser atacado . - Eles foram a o Filch em primeiro lugar - disse Neville com o medo estampado em a cara redonda . - E toda_a_gente sabe que eu sou quase um * busca-pé * . Em a segunda semana de Dezembro , a professora Mc_Gonagall veio , como de costume , recolher os nomes de os alunos que ficavam em a escola durante o Natal . Harry , Ron e Hermione assinaram a lista . Tinham ouvido dizer que Malfoy ficava , o que lhes parecera muito suspeito . As férias seriam a altura ideal para usar a poção * _ Polisuco * e tentar arrancar lhe uma confissão . Infelizmente a poção estava a meio . Precisavam ainda de o chifre de bicórneo e o único lugar onde podiam arranjá o era em os depósitos privados de Snape . Harry , pessoalmente , preferia enfrentar o lendário monstro de os Slytherin do_que ser apanhado por o Snape a assaltar lhe o escritório . - O que precisamos - disse Hermione cheia de vivacidade quando se aproximava a aula conjunta de poções de quinta-feira a a tarde - para podermos entrar a a vontade em o escritório de o Snape , é de uma diversão . Harry e Ron olharam para ela , nervosos . - Acho que o melhor é ser eu a praticar o roubo - prosseguiu ela , em um tom perfeitamente casual . - Vocês os dois podem ser expulsos se forem apanhados e eu tenho uma folha limpa . Portanto , a única coisa que têm de fazer é distrair o Snape durante cerca de cinco minutos . Harry esboçou um meio sorriso . Provocar deliberadamente um estrago em a aula de poções de o Snape era tão seguro como ferir em um olho um dragão adormecido . As aulas de poções tinham lugar em um de os mais amplos calabouços . A de quinta-feira a a tarde não foi diferente de as outras . Vinte caldeirões fumegavam entre as secretárias de madeira , sobre as quais podia ver se laminas de latão e jarras com ingredientes . Snape deambulava por o meio de os fumos , fazendo reparos petulantes a o trabalho de os Gryffindor , enquanto os Slytherin riam a a socapa . Draco_Malfoy , que era o aluno preferido de Snape , não parava de lançar olhos de carneiro mal morto a o Ron e a o Harry , que sabiam que se retaliassem teriam um castigo , antes de poderem abrir a boca para dizer : - É injusto ! A solução de inchar de o Harry estava demasiado líquida , mas ele estava preocupado com coisas mais importantes . Esperava por o sinal de Hermione e mal deu por Snape se calar para ir espreitar a sua poção aguada . Quando o professor se voltou e foi implicar com o Neville , Hermione trocou um olhar com Harry e fez um aceno . Harry baixou se discretamente por detrás de o seu caldeirão , tirou de o bolso de trás um de os paus de fogo-de-artíficio Filibuster e deu lhe um toque de varinha . O fogo-de-artíficio começou a sibilar e a crepitar . Sabendo que tinha apenas alguns segundos , Harry endireitou se , ganhou coragem e lançou o a o ar . Aterrou certeiro em o caldeirão de o Goyle . A poção de o Goyle explodiu , salpicando toda_a aula . As pessoas gritavam , à_medida_que eram vítimas de os salpicos . Malfoy foi apanhado em a cara e o nariz começou a inchar como um balão . O Goyle tropeçava a as cegas , com as mãos em os olhos , que tinham ficado de o tamanho de pratos de sopa , enquanto o Snape tentava repor a calma e tentar perceber o que sucedera . Em o meio de a confusão , Harry viu Hermione esgueirar se a a socapa por a porta . - Silêncio ! silêncio ! - vociferou Snape . - Todos os que foram salpicados cheguem aqui para uma drenagem . Quando eu descobrir quem fez isto ... Harry fez um enorme esforço para não se rir a o ver Malfoy chegar apressadamente lá a a frente , a cabeça a tombar com o peso de o nariz , que parecia um pequeno melão . Quando metade de a aula se amontoava junto de a secretária de o Snape , alguns alunos vergados por o peso de os braços que pareciam mocas , outros incapazes de falar devido a o gigantesco inchaço de os lábios , Harry viu Hermione reentrar em o calabouço , a túnica mostrando a barriga protuberante . Quando todos os alunos tinham já tomado um gole de o antídoto e os vários inchaços tinham desaparecido , Snape precipitou se para o caldeirão de o Goyle e pescou os restos retorcidos de o fogo-de-artíficio . Houve um súbito silêncio . - Se eu descubro quem lançou isto - murmurou Snape - garanto que é expulsão por a certa . Harry compôs uma expressão de espanto . Snape olhava directamente para ele e a campainha , que tocou dez minutos mais tarde , não podia ser mais bem-vinda . - Ele soube que fui eu - disse Harry_a_Ron e a a Hermione , enquanto se dirigiam apressadamente para a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Tenho a certeza . Hermione lançou o novo ingrediente em o caldeirão e começou a mexer furiosamente . - Isto vai estar pronto dentro_de quinze_dias - afirmou , satisfeita . - O Snape não pode provar que foste tu - assegurou Ron , tranquilizando Harry . - Que pode ele fazer ? - Conhecendo o Snape , qualquer coisa louca - respondeu Harry , enquanto a poção borbulhava e espumava . Uma semana mais tarde , Harry , Ron e Hermione passavam por o vestíbulo de entrada , quando viram um pequeno grupo de pessoas reunidas em volta de o jornal de parede a lerem um pedaço de pergaminho que tinha acabado de ser afixado . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas acenaram lhes , entusiasmados . - Vão lançar um clube de duelos ! - exclamou Seamus . - Hoje a a noite é a primeira reunião . Eu não me importaria nada de ter aulas de duelo , podem vir a ser úteis um dia de estes ... - Porquê ? Achas que o monstro de os Slytherin sabe esgrimir ? - perguntou o Ron , mas , também ele , leu a notícia com interesse . - Pode ser útil - disse a o Harry e a a Hermione , quando foram jantar . - Vamos lá ? Harry e Hermione acharam óptimo , por isso , a as oito_da_noite voltaram a o salão . As longas mesas de refeição tinham desaparecido e um estrado dourado surgira , encostado a a parede . Sobre ele flutuavam milhares de velas . O tecto era , mais_uma_vez , de veludo negro e parecia que quase todos os alunos de a escola se encontravam ali , com as suas varinhas em a mão e com um ar entusiasmado . - Quem será que vai ensinar nos ? - perguntou Hermione , enquanto se misturavam em a multidão barulhenta . - Ouvi dizer que o Filitwick foi campeão de duelo em a juventude , talvez seja ele . - Desde_que não seja ... - começou Harry , mas terminou em um gemido : Gilderoy_Lockhart estava a subir a o estrado , resplandecente em as suas vestes cor de ameixa , acompanhado , nem mais nem menos , do_que de Snape que trajava , como sempre , de negro . Lockhart levantou um braço , pedindo silêncio , bradando : - Aproximem se , aproximem se , conseguem todos ver me e ouvir me ? Excelente ! - O professor Dumbledore deu me autorização para iniciar este pequeno curso de duelo para vos treinar a todos , caso algum dia precisem de se defender , como eu tenho feito em inúmeras ocasiões ; para mais detalhes , leiam os livros que tenho publicados . - Permitam que vos apresente o meu assistente , o professor Snape - disse Lockhart , abrindo um sorriso de orelha a orelha . - Ele diz me que sabe alguma coisa sobre duelos e aceitou desportivamente ajudar me em uma exibição de demonstração , antes de começarmos . Atenção , não quero que os mais novos fiquem preocupados , vão continuar a ter o vosso professor de poções depois de eu o vencer . Não tenham medo . - Não era óptimo se se liquidassem um_ao_outro ? - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . O lábio inferior de Snape estava curvo . Harry interrogou se sobre o motivo por_que Lockhart continuava a sorrir . Se o Snape olhasse de aquela maneira para ele , Harry estaria a correr a_toda_a velocidade para o mais longe possível . Lockhart e Snape voltaram se um para o outro e fizeram uma vénia , pelo_menos Lockhart fê la com muitas reviravoltas de mãos , enquanto Snape acenava , irritado , com a cabeça . Em seguida , ergueram as varinhas , como_se fossem espadas , em a frente . - Como podem ver , estamos a pegar em as varinhas em a posição de aceitação de combate - explicou Lockhart a a multidão silenciosa . - Quando contarmos até três , lançaremos os primeiros feitiços . Nenhum de nós tentará matar o outro , claro . - Eu não poria as mãos em o fogo - murmurou Harry , observando como Snape cerrava os dentes . -- Um , dois , três ... Os dois balançaram as varinhas acima de os ombros . Snape gritou : * _ Expelliarmus * ! Houve um clarão ofuscante de luz escarlate e Lockhart voou para trás , caindo de o estrado batendo contra a parede , escorregando e indo estatelar se em o chão . Malfoy e alguns de os outros Slytherin aplaudiram . Hermione estava em bicos de os pés . - Acham que ele está bem ? - gritou entredentes . - Quem se rala ? - disseram ao_mesmo_tempo o Ron e o Harry . Lockhart estava a pôr se , hesitante , de pé . O chapéu caíra lhe e o cabelo ondulado estava em um desalinho . - Bem , cá está ! - disse , cambaleando até a o estrado . - Este foi um encantamento para desarmar . Como podem ver , perdi a minha varinha . Ah , obrigado Miss_Brown . Sim , foi uma excelente ideia mostrar lhes isto , professor Snape , mas , se me permite que lhe diga , foi muito óbvio o que ia fazer . Se eu tivesse querido impedis o , teria o feito com a maior de as facilidades . Mas achei que seria educativo deixá os ver ... Snape tinha um ar assassino . Provavelmente Lockhart deu por isso , porque declarou : - Chega de demonstrações . Eu vou passar agora por o meio de vocês e criar duplas . Professor_Snape , se quiser ajudar me ... Entraram por o meio de a multidão , agrupando alunos . Lockhart pôs o Neville com Justin_Finch - _ Fletchley , mas Snape chegou primeiro junto de Harry e de Ron . - Tempo de separar a dupla ideal , parece me - rosnou . - Weasley , tu podes ficar com o Finnigan . Potter ... Harry voltou se automaticamente para Hermione . - Não me parece - disse Snape com o seu sorriso frio . - Mr._Malfoy , venha até aqui . Vamos ver o que faz com o famoso Potter . E a menina , Miss_Granger , pode emparceirar com Miss_Bulstrode . Malfoy aproximou se com o seu passo empertigado e o seu sorriso escarninho . Atrás de ele vinha uma rapariga de os Slytherin , que lembrou a Harry uma imagem que tinha visto em as * _ Férias com Bruxas_Velhas * . Era corpulenta e quadrada e os maxilares avançavam agressivamente . Hermione esboçou um meio sorriso , que ela não retribuiu . - Voltem se para os vossos parceiros - gritou Lockhart - e façam a vénia . Harry e Malfoy mal inclinaram as cabeças , não afastando os olhos um de o outro . - Varinhas preparadas ! - gritou Lockhart . - Quando eu disser três preparem os feitiços para desarmar o vosso opositor . Um ... dois ... três ... Harry levantou a varinha acima de o ombro , mas Malfoy começara logo em o « dois » : o seu feitiço apanhou Harry com tanta força que ele se sentiu como_se tivesse levado com uma frigideira em a cabeça . Tropeçou , mas ainda não estava fora de combate e , sem perder tempo , Harry apontou a varinha a Malfoy e gritou : - * _ Rictusempra ! * Um jacto de luz prateada atingiu Malfoy em o estômago , obrigando o a dobrar se , arfando . - Eu disse desarmar ! - gritava Lockhart sobre as cabeças de a multidão em lata , enquanto Malfoy caía de joelhos . Harry atingira o com o feitiço de as cócegas e ele mal conseguia mexer se para se rir . Harry hesitou com o vago sentimento de que seria pouco desportivo enfeitiçar Malfoy enquanto ele estava caído em o chão , mas ... foi um erro . Tentando respirar , Malfoy apontou a varinha a os joelhos de Harry , balbuciando : « * _ Tarantallegra ! * » e , um segundo depois , as pernas de o Harry tinham começado a mexer se , sem que ele pudesse controlá as , executando uma espécie de dança frenética . - Parem , parem - gritava Lockhart , quando Snape resolveu tomar controlo de a situação . - * _ Finite_Incantatem ! * - bradou . Os pés de o Harry pararam de dançar , Malfoy parou de rir e puderam olhar para_cima . Uma onda de fumo esverdeado pairava sobre todos eles . Neville e Justin estavam caídos em o chão , a arfar . Ron tentava fazer parar um Seamus com cara cor de cinza , pedindo lhe mil desculpas por o que a sua varinha partida eventualmente tivesse feito . Mas Hermione e Millicent_Bulstrode ainda não tinham acabado . Millicent tinha feito a Hermione uma prisão de cabeça e Hermione gritava de dor . As duas varinhas jaziam esquecidas em o chão . Harry deu um salto em frente e afastou Millicent . Não foi fácil , ela era bastante maior do_que ele . - Oh , gente ! - exclamou Lockhart , arrastando se por o meio de a multidão e olhando para os resultados de os duelos . - Vamos pôr de pé , Mcmillan ... cuidado , Miss_Fawcett ... belisque com força que pára logo de sangrar ... - Acho que o melhor é ensinar vos como bloquear feitiços pouco amigáveis - afirmou Lockhart que estava nervosíssimo em o meio de o salão . Olhou para Snape , cujos olhos pretos brilhavam e desviou rapidamente o olhar . - Vamos arranjar um par de voluntários . Longbottom e Finch - _ Fletchley , que tal serem vocês ? - Uma má ideia , professor Lockhart - disse Snape , deslizando como um morcego enorme e cruel . - Longbottom provoca devastação com o feitiço mais simples . Ainda temos de mandar o que restar de o Finch - _ Fletchley para a ala hospitalar dentro_de uma caixa de fósforos . - A cara redonda e rosada de Neville ficou ainda mais rosada . - Que tal o Malfoy e o Potter ? - sugeriu Snape com um sorriso retorcido . - Excelente ideia - disse Lockhart , fazendo sinal a os dois para que se aproximassem de o meio de o salão , enquanto a multidão recuava para lhes dar passagem . - Ouve bem , Harry - disse Lockhart . - Quando o Draco te apontar a varinha , tu fazes assim . Levantou a sua varinha , executando uma tentativa complicada de malabarismo e deixou a cair . Snape sorriu pretensiosamente , enquanto Lockhart a apanhava de o chão , dizendo : - Ups , a minha varinha está demasiado excitada . Snape aproximou se de Malfoy , inclinou se e disse lhe qualquer coisa a o ouvido . Malfoy sorriu também de forma afectada . Harry olhou , nervoso , para Lockhart e pediu : - Professor , podia mostrar me outra_vez aquela coisa para bloquear ? - Estás com medo ? - murmurou Malfoy baixinho , para que Lockhart não pudesse ouvir . - Querias ! - exclamou Harry por o canto de a boca . Lockhart deu um soco em o ombro de o Harry , em a brincadeira . - Basta que faças como eu fiz ! - O quê , deixar cair a varinha ? Mas Lockhart não estava a ouvir - Três , dois , um , zero ! - gritou . Malfoy levantou rapidamente a varinha a o ar e gritou : - * _ Serpensortia ! * A extremidade de a varinha explodiu . Harry viu , horrorizado , uma enorme serpente negra sair de ela , cair pesadamente em o chão a meio de os dois e erguer se disposta a atacar . Ouviram se gritos , enquanto a multidão se afastava , deixando o chão vazio . - Não te mexas , Potter - disse Snape vagarosamente , divertindo se claramente a ver Harry , parado , a olhar em os olhos a serpente . - Eu trato de ela ... - Permita me -- gritou Lockhart . Bramiu a varinha em direcção a a serpente e ouviu se um estoiro . A cobra , em_vez_de desaparecer , voou três metros acima de eles e voltou a cair em o chão com um estrondo enorme . Enraivecida , a sibilar de fúria , rastejou em direcção a Finch - _ Fletchley e pôs se de pé com os dentes a a mostra , pronta a atacar . Harry não soube ao_certo o que o levou a fazer aquilo . Não se lembrava sequer de ter tomado aquela decisão . Só soube que as pernas o fizeram avançar como_se tivesse rodas e que gritou a a serpente : - Larga o ! - E , milagrosa e inexplicavelmente , a serpente voltou a o chão , dócil como uma grande mangueira de jardim , preta e grossa , os olhos agora fixos em os olhos de Harry . Harry sentiu o medo a escoar se . Sabia que a cobra não atacaria mais ninguém , embora não pudesse explicar como sabia . Olhou para Justin a sorrir , esperando vê o aliviado , espantado , ou mesmo agradecido , mas nunca zangado ou assustado . - Que brincadeira é essa ? - gritou o outro e , antes que Harry tivesse tempo de dizer fosse o que fosse , voltou as costas e saiu de o salão . Snape deu um passo em frente , fez um gesto com a varinha e a serpente desapareceu em uma onda de fumo preto . Também ele , Snape , olhava para Harry de uma forma inesperada . Era um olhar arguto e calculista , de que Harry não gostou . Apercebeu se também vagamente de um murmúrio ameaçador que vinha de as paredes em volta . Depois , sentiu um puxão em a túnica . - Vamos - disse a voz de o Ron em o seu ouvido . - Mexe te , vá lá ... Ron arrastou o para fora de o salão . Hermione acompanhava os em a passada rápida . Quando cruzaram a porta , as pessoas que a rodeavam afastaram se , como_se tivessem medo de ser contagiadas . Harry não fazia a mais pequena ideia do_que estava a passar se e , nem Ron , nem Hermione lhe deram qualquer explicação , antes de o terem levado até a a sala comum de os Gryffindor , que se encontrava vazia . Aí , Ron empurrou Harry para uma cadeira de braços e disse : - Tu és um * serpentês * . Porque não nos disseste ? - Eu sou um quê ? - perguntou Harry . - Um * serpentês * ! - exclamou o Ron . - Falas com as cobras . - Eu sei - declarou Harry . - Quer_dizer , esta foi a segunda vez que o fiz . A outra foi há muito_tempo em o jardim zoológico , quando soltei uma Boa_Constrictor a o meu primo Dudley . É uma longa história , mas ela estava a dizer me que nunca tinha estado em o Brasil e eu acho que a libertei sem querer . Foi antes de saber que era feiticeiro . . . - Uma Boa_Constrictor disse te que nunca tinha estado em o Brasil ? - repetiu Ron , quase sem voz . - E então ? - disse o Harry . - Aposto que montes de pessoas aqui fazem o mesmo . - Não fazem , não - afirmou Ron . - Não é um dom muito frequente . Harry , isso é mau . - O que é_que é mau ? - perguntou Harry , que começava a ficar chateado . - O que é_que se passa com todos os outros ? Ouve bem , se eu não tivesse dito a aquela cobra para não atacar o Justin ... - Ah , foi isso que tu disseste ? - Que queres dizer ? Tu estavas lá , ouviste perfeitamente o que eu disse . - Eu ouvi te falar em serpentês - disse o Ron . - Língua de cobra . Podias estar a dizer lhe qualquer coisa . Não admira que o Justin tivesse entrado em pânico . Parecia que estavas a incitar a serpente . Foi assustador , sabes ? Harry olhou para ele espantado . - Eu falei uma língua diferente ? Mas não me apercebi , como posso falar uma língua , sem saber que a conheço ? Ron abanou a cabeça . Tanto ele como Hermione tinham um ar fúnebre . Harry não percebia o que havia em aquilo de tão trágico . - Será que me querem explicar o que há de mal em ter impedido que uma serpente enorme arrancasse a cabeça a o Justin ? - perguntou . - Porque é tão importante como o fiz , se evitei que o Justin fosse juntar se a grupo de os SEM_CABEÇA ? - Importa - disse por fim Hermione , em uma voz abafada . - Porque falar com serpentes era a arte por a qual Salazar_Slytherin ficou famoso . Por isso , o símbolo de os Slytherin é uma serpente . Harry ficou de boca aberta . - Exacto - disse o Ron . - E agora todos em a escola vão pensar que tu és descendente de ele . - Mas não sou - contrapôs Harry com um pânico que não conseguia explicar . - Não vai ser fácil prová o - disse Hermione . - Ele viveu há quase mil anos . Pelo que vimos , podias ser . Em essa noite , Harry ficou acordado durante horas . Por uma fresta de os cortinados de a cama de dossel , olhou para a neve que começava a cair de o lado de_fora de a janela de a torre e perguntou se se poderia ser descendente de Salazar_Slytherin . Afinal , não sabia nada de a família de o pai , os Dursley tinham sempre proibido qualquer pergunta sobre os seus familiares feiticeiros . Calmamente , tentou dizer qualquer coisa em * serpentês * , mas as palavras não saíam . Parecia que era necessário estar frente_a_frente com uma cobra para poder fazê o . Mas eu sou um Gryffindor , pensou Harry , o chapéu seleccionador não me poria aqui se eu tivesse sangue de Slytherin ... - Ah ! - disse uma vozinha dentro de o seu cérebro . - Mas o chapéu seleccionador queria pôr te em os Slytherin , não te lembras ? Harry deu voltas e voltas a a cabeça . Em o dia seguinte , quando visse Justin em a aula de herbologia explicaria lhe que estava a afastar a serpente , não a atiçá a o que , aliás , pensou zangado , dando vários socos em a almofada , qualquer idiota teria percebido . Contudo , em a manhã seguinte , a neve que começara a cair durante a noite , transformara se em uma tempestade tão espessa que a última aula de herbologia de o período foi cancelada : a professora Sprout queria tapar as mandrágoras com peúgas e cachecóis , uma operação arriscada que ela não confiava a ninguém agora_que era tão importante que as mandrágoras crescessem depressa e reabilitassem Mrs._Norris e Colin_Creevey . Junto de a lareira de a sala comum de os Gryffindor , Harry matutava sobre o que se passara enquanto Ron e Hermione aproveitavam o foro para jogar xadrez de feitiçaria . - Com os diabos , Harry - disse Hermione exasperada quando um bispo derrubou um de os cavaleiros de o cavalo , arrastando o para fora de o tabuleiro . - Vai falar com o Justin , se isso é assim tão importante para ti . Harry levantou se e saiu por o buraco de o retrato , perguntando a si próprio onde poderia estar o Justin . O castelo estava mais escuro do_que era habitual durante o dia por causa de a neve espessa e cinzenta que cobria as janelas . A tremer , Harry passou por as salas onde estava a haver aulas , captando lampejos do_que sucedia lá dentro . A professora Mc_Gonagall gritava com alguém que , segundo lhe parecia por o som , transformara o parceiro em um texugo . Resistindo a a tentação de dar uma espreitadela , Harry afastou se pensando que Justin poderia estar a utilizar o tempo de o furo para fazer algum trabalho e resolveu , por isso , ir até a a biblioteca . Um grupo de alunos de os Hufflepuff , que deveriam ter estado em Herbologia , encontrava se , de facto , sentado em as traseiras de a biblioteca , mas não parecia estar a trabalhar . Entre as fileiras de as estantes altas , Harry pôde ver as suas cabeças muito juntas em aquilo que deveria ser uma conversa absorvente . Não conseguia perceber se Justin estaria em o meio de eles . Ia para se aproximar quando apanhou em o ar uma frase e parou para ouvir melhor , escondido em a secção de a invisibilidade . - Portanto - dizia um rapaz corpulento - eu disse a o Justin para se esconder em o nosso dormitório . Isto_é , se o Potter o escolheu como próxima vítima é melhor que ele tenha um * low profile * durante algum tempo . É claro que o Justin já estava a a espera que alguma coisa de o género acontecesse desde_que lhe escapou em uma conversa com o Potter que era filho de Muggles . O Justin disse lhe , inclusivamente , que tinha estado inscrito em Eton . Não é o tipo de coisa que se ande a dizer com o herdeiro de Slytherin a a solta por aí . - Achas mesmo_que é o Potter , Ernie ? - perguntou uma rapariga de tranças loiras , ansiosamente . - Hannah - disse com solenidade o rapaz corpulento . - Ele é um serpentês . Todos sabem que essa é a marca de um feiticeiro negro . Alguma vez ouviste falar de um feiticeiro decente que falasse com as cobras ? O Slytherin era conhecido por « Língua de serpente . . Houve alguns murmúrios antes de Ernie prosseguir : - Lembram se do_que estava escrito em a parede ? * _ Inimigos de o herdeiro , cuidado ! * . O Potter teve que ir a o gabinete de o Filch . E o que é_que acontece a seguir ? A gata de o Filch é atacada . O aluno de o primeiro ano , Creevey , estava a aborrecê o em a partida de Quidditch , a tirar lhe fotografias quando ele estava caído em a lama . E o que é_que acontece a seguir ? Creevey é atacado . - Mas ele parece sempre ser tão simpático - disse Hannah , cheia de dúvidas . - E , bem , foi ele que fez com que o Quem nós sabemos desaparecesse . Não pode ser assim tão mau , pois não ? Ernie baixou misteriosamente a voz . Os Hufflepuff inclinaram se mais uns para os outros e Harry aproximou se para conseguir apanhar as palavras de o Ernie . - Ninguém sabe como ele sobreviveu a aquele ataque de o Quem nós sabemos e , afinal , ainda era um bebé quando aquilo aconteceu . Era para ter explodido feito em estilhaços . Só um feiticeiro negro verdadeiramente poderoso teria sobrevivido a uma maldição de aquelas . - Baixou ainda mais a voz até esta ficar reduzida a um leve murmúrio e disse : - Talvez fosse por isso que o Quem nós sabemos o queria matar , para não ter outro feiticeiro negro a competir com ele . Gostava de saber que outros poderes ocultos terá o Potter . Harry não aguentou mais . Pigarreou alto e saiu detrás de as estantes . Se não estivesse tão zangado teria conseguido ver o lado cómico de a situação : cada_um de os Hufflepuff olhava para ele como_se tivesse sido petrificado , e a cor desaparecera de a cara de o Ernie . - Olá - disse Harry . - Estou a a procura de o Justin_Finch - _ Fletchley . Os piores receios de os Hufflepuff tinham se concretizado . Olharam apavorados para o Ernie . - O que queres de ele ? - perguntou Ernie em uma voz sumida . - Explicar lhe o que aconteceu com aquela cobra em o clube de os duelos - disse Harry . Ernie mordeu os lábios brancos e , em seguida , respirando fundo , respondeu : - Estávamos lá todos . Vimos o que aconteceu . - Então viram que depois de eu falar a serpente recuou - disse Harry . - O que eu vi - insistiu teimosamente Ernie , apesar_de tremer a cada palavra que proferia - foi tu a falares serpentês e a atiçares a cobra conta o Justin . - Eu não a aticei - gritou Harry enraivecido . - Ela nem lhe tocou . - Falhou por_pouco - disse Ernie . - E , para o caso de estares com ideias - acrescentou com má cara - posso dizer te que a minha família provem de nove gerações de bruxas e feiticeiros e que o meu sangue é tão puro como o de qualquer feiticeiro , portanto ... - Quero lá saber qual é o teu sangue - disse Harry furioso . - Porque iria eu atacar os filhos de os Muggles ? - Ouvi dizer que detestas os Muggles com quem vives - disse Ernie rapidamente . - Não é possível viver com os Dursley sem os detestar - explicou Harry . - Gostava de te ver lá em casa . Girou sobre os calcanhares e saiu furioso de a biblioteca sob o olhar reprovador de Madam_Prince que limpava a capa dourada de um enorme livro de encantamentos . Harry avançou a as cegas por os corredores , quase sem ver por_onde ia de tão furioso que estava . O resultado foi chocar com algo enorme e sólido que o fez recuar e cair a o chão . - Ah ! Olá , Hagrid - disse , olhando para_cima . Hagrid tinha o rosto completamente tapado com um lenço coberto de neve , mas não podia ser mais ninguém , enchendo assim o corredor dentro de o seu sobretudo de pele de toupeira . De uma de as enormes mãos enluvadas , pendia um galo morto . - Tudo bem , Harry ? - perguntou , afastando o lenço para poder falar . - Porque não estás em a aula ? - Foi cancelada - disse Harry , pondo se de pé . - O que estás a fazer aqui ? Hagrid mostrou lhe o galo inerte . - É o segundo qu'aparece morto este período - explicou . - Ou são raposas ou um vampiro chato e eu preciso d'autorização de o director p'ra fazer um feitiço em volta de a capoeira . Aproximou se e olhou mais de perto para o Harry , por debaixo de as suas sobrancelhas espessas e cheias de neve . - Tens a certeza que estás bem ? Pareces exaltado e preocupado . Harry não foi capaz de repetir o que Ernie e os outros Hufflepuff lhe tinham dito . - Não é nada , tenho de ir , Hagrid . A próxima aula é Transfiguração e preciso de ir buscar os meus livros . Afastou se , a cabeça cheia com tudo_o_que Ernie dissera a seu respeito . « * _ O_Justin já estava d espera que uma coisa de o género acontecesse desde_que deixou escapar , falando com o Potter , que era filho de Muggles * ... » Harry subiu as escadas a correr e entrou por um corredor que estava particularmente escuro . As tochas tinham sido apagadas por uma ventania gelada que entrava por uma janela de fecho estragado . Estava a meio de o corredor quando tropeçou em uma coisa que se encontrava em o chão . Olhou para ver o que era e sentiu como_se o estômago se tivesse dissolvido . Justin_Finch - _ Fletchley estava em o chão , rígido e frio com uma expressão de horror em o rosto e os olhos abertos voltados para o tecto . E não era tudo . Junto de ele estava mais alguém , a visão mais estranha que Harry tivera em toda_a sua vida . Era_o_Nick quase sem cabeça que não estava cor de pérola nem transparente e sim escuro como fumo . Flutuava imóvel , em a horizontal , 12 centímetros acima de o chão , a cabeça meio tombada e em o rosto uma expressão de choque idêntica a a de o Justin . Harry pôs se de pé com a respiração acelerada e o coração a bater como um tambor contra as costelas . Olhou desvairado para ambos os lados de o corredor deserto e viu uma fila de aranhas que corriam a_toda_a velocidade em a direcção oposta a a de os corpos . Os únicos sons eram as vozes abafadas de os professores em as aulas que decorriam de ambos os lados . Podia fugir e ninguém saberia que ali tinha estado , mas não era capaz de os abandonar assim . Tinha de ir procurar ajuda . Será que alguém acreditaria que ele não tivera nada que ver com aquilo ? Enquanto ali estava , em pânico , uma porta a o seu lado abriu se com grande estrondo . Peeves , o * poltergeist * , saiu a os gritos . - Oh ! É o Potter , olá , Potter - alardeou Peeves , lançando por o ar os óculos de o Harry quando passou por ele . - O que está o Potter a fazer ? Porque está o Potter escondido ? Peeves passou de cabeça para baixo , a meio de uma cambalhota em o ar , quando viu Justin e Nick quase sem cabeça . Com um movimento súbito endireitou se , encheu os pulmões de ar e , antes que Harry pudesse impedi o , gritou : __ ataque ! ataque ! outro ataque ! nenhum mortal ou fantasma está em segurança . corram , fujam , __ ataaaque ! Crac , Crac , Crac . Uma atrás de a outra , foram se abrindo todas_as portas a o longo de o corredor e as pessoas saíram para fora de as salas de aula . Durante alguns longos minutos houve uma tal confusão que Justin esteve em perigo de ser esmagado e as pessoas não paravam de chocar com o Nick quase sem cabeça . Harry deu por si colado a a parede enquanto os professores exigiam a os gritos que se fizesse silêncio . A professora Mc_Gonagall veio a correr , seguida por todos os alunos , um de os quais ainda trazia o cabelo a as riscas pretas e brancas . Usou a varinha para produzir um ruído que repôs o silêncio e mandou os alunos todos para dentro de as salas de aula . Mal lugar ficou desimpedido surgiu Ernie , o jovem Hufflepuff . - * _ Apanhado em flagrante ! * - gritou , com o rosto totalmente branco , apontando dramaticamente o dedo par Harry . - Basta_Mcmillan - disse , de forma cortante , a professora Mc_Gonagall . Peeves andava para_cima e para baixo , observando a cena com um sorriso maldoso . Sempre adorara o caos . Quando os professores se inclinaram sobre Justin e sobre o Nick quase sem cabeça para os examinar , iniciou uma cantilena : * _ Oh ! Potter , que fizeste , seu grande bandido * _ Tu matas os estudantes porque achas divertido . * - Basta , Peeves - rosnou a professora Mc_Gonagall e Peeves afastou se , deitando a língua de_fora a o Harry . Justin foi levado para a ala hospitalar por o professor Flitwick e por o professor Sinistra_do_Departamento_de_Astronomia , mas ninguém parecia saber o que fazer em relação a o Nick quase sem cabeça . Por fim , a professora Mc_Gonagall fez aparecer em o ar um enorme leque que entregou a Ernie com o encargo de conduzir , escadas acima , por os ares o Nick quase sem cabeça . Ernie assim fez , soprando Nick como_se fosse um aerodeslizador e deixando , de este modo , o Harry e a professora Mc_Gonagall a sós . - Por aqui , Potter - disse ela . - Professora , eu juro que não ... - Isso não é comigo , Potter - afirmou a professora Mc_Gonagall sinteticamente . Caminharam em silêncio até uma esquina e ela parou perante uma gárgula de pedra extremamente feia . - Refresco de limão - disse . Era obviamente uma senha porque a gárgula animou se subitamente e saltou para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes . Apesar_de estar apavorado com o que ia acontecer a seguir , Harry não conseguiu evitar um sentimento de fascínio . Por detrás de a parede estava uma escada em espiral que se movia lentamente para_cima como um elevador . E quando ele e a professora Mc_Gonagall puseram os pés em o primeiro degrau , Harry ouviu a parede fechar se atrás de eles . Subiram em círculos , cada_vez_mais alto até que , por fim , um_pouco tonto , Harry pôde ver uma porta de carvalho reluzente com um puxador de bronze em forma de abutre . Harry calculava onde estava a ser levado . Devia ser ali que morava Dumbledore . XII_A poção * polisuco * Saltaram de a escada de pedra lá mesmo em cima e a professora Mc_Gonagall bateu a a porta . Ela abriu se silenciosamente dando lhes entrada . A professora Mc_Gonagall disse lhe que esperasse e deixou o sozinho . Harry olhou em volta . Uma coisa era certa : de todos o escritórios de professores que conhecia , o de Dumbledor era , de longe , o mais interessante . Se não estivesse com um medo de morte de ser expulso teria adorado explorá o . Era uma sala grande e bonita em forma de círculo que estava cheia de barulhinhos estranhos . Havia um grande número de instrumentos prateados sobre várias mesas de pernas finas que zumbiam emitindo pequenas baforadas de fumo . As paredes estavam cobertas de fotografias de antigos directores e directoras , todos eles a dormir tranquilamente em as suas molduras . Havia ainda uma enorme secretária pés de garra . E , sobre uma prateleira atrás de ela , um chapéu de feiticeiro andrajoso e puído : * o chapéu seleccionador * . Harry hesitou . Lançou um olhar cauteloso a as bruxas e feiticeiros adormecidos a o longo de as paredes . Com certeza não fazia mal se lhe pegasse e o experimentasse só para ver ... só para ter a certeza de que ele o pusera em a equipa certa . Deu a volta a a secretária , retirou o chapéu de a prateleira e baixou o lentamente sobre a cabeça . Era demasiado grande e escorregou lhe para os olhos como de a outra_vez que o tinha posto . Harry olhou para o forro preto , enquanto esperava . Por fim , uma vozinha disse lhe a o ouvido : - Estás com macaquinhos em o sótão , Harry_Potter ? - Er ... sim - balbuciou Harry . - Er ... desculpa incomodar te , queria saber ... - Querias saber se te pus em a equipa certa - disse prontamente o chapéu . - Sim ... tu és particularmente difícil de seleccionar , mas eu mantenho o que disse antes . - O coração de Harry deu um salto . - Terias ficado bem em os Slytherin . Harry sentiu o estômago contorcer se . Agarrou o chapéu por a aba e tirou o de a cabeça . O chapéu seleccionador ficou pendurado em a mão de ele , inerte , desbotado e sujo . Harry voltou a pô o em a prateleira , sentindo se enjoado . - Estás enganado ! - disse em voz alta a o chapéu parado e silencioso , mas ele não se mexeu . Harry recuou para o observar melhor e foi então que ouviu um ruído estranho e grasnado atrás_de si que o fez dar uma volta . Não estava só , afinal_de_contas . Em um poleiro dourado atrás de a porta estava um pássaro de aspecto decrépito que parecia um peru meio depenado . Harry olhou para ele espantado e o pássaro olhou o também , grasnando de_novo . Harry achou que ele devia estar muito doente porque tinha os olhos parados e , enquanto olhava para ele , caíram lhe mais algumas penas de a cauda . Estava justamente a pensar que a única coisa que lhe faltava era que o pássaro de estimação de Dumbledore morresse quando ele estava ali sozinho com ele , em o escritório , quando a ave se incendiou . Harry gritou , em estado de choque , e recuou até a a secretária . Olhava nervosamente em volta , em busca de um jarro de água , mas não viu nenhum . O pássaro , entretanto , transformara se em uma bola de fogo , dera um guincho e , em seguida , desaparecera , deixando apenas um monte de cinzas em o chão . A porta de o escritório abriu se . Dumbledore entrou com ar taciturno . - Professor - gaguejou Harry . - O seu pássaro ... eu não pode fazer nada ... ele incendiou se . Para seu grande espanto , Dumbledore sorriu . - Já não era sem tempo . Estava com um aspecto horrível em os últimos dias . Fartei me de lhe dizer que fizesse qualquer coisa . Riu se entre dentes com a expressão em o rosto de Harry . - A Fawkes é uma fénix , Harry . As fénix ardem quando é altura de morrer e renascem de as cinzas , repara ... Harry olhou mesmo a_tempo_de ver um passarinho recém-nascido , todo enrugado , espetar a cabeça fora de as cinzas . Era quase tão feio como o antigo . - É uma pena que a tenhas conhecido em dia de arder - disse Dumbledore , passando para trás de a secretária . - É muito bonita a maior parte de o tempo , com uma plumagem vermelha e dourada . São criaturas fascinantes , as fénix . Podem transportar cargas pesadíssimas , as suas lágrimas têm propriedades curativas e são animais de estimação extremamente fiéis . Com o choque de a fénix a pegar fogo , Harry esquecera se de o motivo porque ali estava , mas tudo voltou rapidamente quando Dumbledore se instalou em a cadeira de espaldar alto e o fixou com os seus olhos azuis e penetrantes . Contudo , antes que ele tivesse tido tempo de falar , a porta de o escritório abriu se de par em par com um enorme estrondo e Hagrid entrou com um olhar tresloucado , o lenço todo torcido em volta de a cabeça hirsuta e o galo morto ainda pendurado em a mão . - Não foi Harry , professor Dumbledore - disse , aflito . - Eu tinha estado a falar com ele poucos segundos antes de o rapazinho ser encontrado , ele não teve tempo professor ... Dumbledore tentou dizer qualquer coisa , mas Hagrid continuou , abanando o galo em o meio de a sua agitação e espalhando penas por todo o lado . - Não pode ter sido ele . Eu juro em a frente de o ministro de a magia , se for preciso ... - Hagrid , eu ... -- Tem o rapaz errado , professor . Eu sei qu'o Harry nunca ... - Hagrid - disse Dumbledore , elevando a voz . - Eu não penso que o Harry tenha atacado aquelas pessoas . - Oh ! - disse Hagrid , com o galo pendendo inerte a o seu lado . - Certo , ' tão eu espero lá fora , director . E saiu com ar envergonhado . - O senhor não acha que tenha sido eu ? - repetiu Harry cheio de esperança , enquanto Dumbledore sacudia penas de galo de cima de a secretária . - Não , Harry , não acho - afirmou Dumbledore , apesar de a sua expressão ser de_novo sombria . - Mas mesmo_assim quero falar contigo . Harry esperou ansiosamente enquanto o director o observava com as pontas de os dedos longos unidas . - Tenho de saber uma coisa . Harry , há alguma pergunta que queiras fazer me , qualquer que ela seja ? Harry não soube o que dizer . Lembrou se de Malfoy a gritar * _ Vocês serão os próximos , sangues de lama * e de a poção * _ Polisuco * em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Depois pensou em a voz sem corpo que ouvira duas vezes e em o que o Ron dissera * _ Ouvir vozes que ninguém mais ouve não é bom sinal , nem mesmo em o mundo de a feitiçaria * . Pensou também em o que toda_a_gente dizia de ele e em o receio cada_vez maior de ter uma relação qualquer com Salazar_Slytherin ... - Não - disse por fim . - Não há nada , professor . O ataque duplo a Justin e a o Nick quase sem cabeça transformou o que até_então era nervosismo em verdadeiro pânico . Curiosamente fora o destino de o Nick quase sem cabeça o que mais preocupara as pessoas . Quem poderia ter feito aquilo a um fantasma ? - perguntavam uns a os outros . - Que poder terrível era aquele , capaz de afectar alguém que já tinha morrido ? Houve uma precipitação enorme em a marcação de os bilhetes em o Expresso_de_Hogwarts , pois todos os alunos quiseram ir passar o Natal a casa . - Por este caminho , vamos ser os únicos a ficar - disse o Ron a o Harry e a a Hermione . - Nós , o Malfoy , o Goyle e o Crabbe , que férias lindas que vão ser ! Crabbe e Goyle que faziam sempre o que Malfoy fazia , tinham se inscrito para ficar também durante as férias . Mas Harry estava contente por a maior parte se ir embora . Estava farto de ver gente a afastar se em os corredores como_se ele fosse mostrar os dentes ou cuspir veneno . Estava cansado de tantos segredinhos , de os ver apontar e segredar quando passava . O Fred e o George , esses achavam muito divertido . Vinham , de propósito , pôr se a a frente de ele e atravessavam os corredores a gritar : - Abram alas para o herdeiro de Slytherin , vai passar um feiticeiro verdadeiramente cruel . Percy discordava totalmente de este comportamento . - Não é um assunto para se brincar - dizia com frieza . - Sai mas é de o caminho , Percy - dizia o Fred . - O Harry está com pressa . - Sim , ele vai a a Câmara_dos_Segredos tomar uma chávena de chá com o seu servidor dentes de serpente - completava Fred com uma gargalhada . Ginny também não lhes achava graça . - Cala te - gritava ela sempre_que o Fred perguntava em voz alta a o Harry quem estava a pensar atacar a seguir , ou quando George fingia afastá o com um enorme dente de alho . Harry não se importava . Fazia o sentir se melhor o facto de constatar que , pelo_menos para o Fred e para o George , a ideia de ele ser o herdeiro de Slytherin era absolutamente ridícula . Mas as palhaçadas de eles pareciam ofender Draco_Malfoy que , de cada_vez que os via , ficava mais irritado . - É porque está ansioso por dizer que é mesmo ele - disse o Ron com ar conhecedor . - Sabes como ele detesta que alguém o ultrapasse e tu estás a receber todo o crédito por o seu trabalho sujo . - Não vai ser por muito_tempo - disse Hermione com uma voz satisfeita . - A poção * polisuco * está quase pronta . Um de estes dias arrancamos lhe a verdade . Finalmente , o período chegou a o seu termo e um silêncio profundo como a neve em os campos desceu sobre o castelo . Harry adorou a tranquilidade e apreciou o facto de ele , Hermione e os Weasley terem a torre de os Gryffindor por sua conta , poderem jogar a as explosões bem alto , sem incomodar ninguém e praticar duelos entre si . O Fred , o George e a Ginny tinham preferido ficar em a escola a ir com Mr. e Mrs._Weasley a o Egipto visitar o Bill . Percy que reprovava e considerava infantil a conduta de eles , não passava muito_tempo em a sala comum de os Gryffindor . Já lhes dissera pomposamente que só ficara ali em o Natal , por ser sua obrigação como prefeito apoiar os professores em aquela época agitada . A manhã de o dia de Natal clareou branca e fria . Harry e Ron , os únicos que estavam em o dormitório , foram acordados muito cedo por Hermione que entrou , toda vestida , transportando presentes para ambos . - Acordem - disse em voz alta , abrindo os cortinados . - Hermione , tu não devias estar aqui - exclamou o Ron , protegendo os olhos de a luz . - Feliz_Natal para ti também - disse Hermione , atirando lhe o presente que tinha para ele . - Estou acordada há quase uma hora , acrescentando mais asas de renda a a poção . Está pronta . Harry sentou se , subitamente acordado . - Tens a certeza ? - Absoluta - disse ela , afastando o rato Scrabbers para se sentar a os pés de a cama de dossel . - Se vamos mesmo tomá a , acho que devia ser logo a a noite . Em esse momentzo , a Hedwig entrou em o quarto , transportando em o bico um embrulho pequenino . - Olá - disse Harry , feliz a o vê a aterrar em a sua cama . - Já me falas outra_vez ? Ela mordiscou lhe a orelha de uma forma afectuosa que foi , de longe , um presente melhor do_que aquele que transportava e que era afinal de os Dursley . Tinham mandado a Harry um palito para os dentes com um cartão pedindo lhe que se informasse se não poderia ficar , também em o Verão , em Hogwarts . Os outros presentes que Harry recebeu foram bastante melhores . Hagrid mandara lhe uma lata grande de bombons de melaço que ele decidiu amolecer a o lume antes de comer , o Ron deu lhe um livro chamado * _ Voando com Canhões * , que narrava factos interessantes sobre a sua equipa favorita de Quidditch e Hermione trouxera lhe uma luxuosa pena de águia . Harry abriu o último presente onde vinha uma camisola novinha , feita a a mão por Mrs._Weasley e um grande bolo de passas . Pegou em o cartão com uma nova sensação de culpa , pensando em o carro de Mr._Weasley que não voltara a ser visto desde_que chocara contra o salgueiro zurzidor e em a quantidade de infracções que ele e o Ron tinham em mente . Ninguém , nem mesmo os que estavam cheios de medo por terem de tomar a poção * polisuco * a seguir , deixou de adorar o jantar de Natal em Hogwarts . O salão nobre estava magnífico . Não_só havia uma_dúzia de árvores de Natal , cobertas de geada e espessas serpentinas de azevinho e visco bravo cruzando se junto de o tecto como caia uma neve encantada quente e seca . Dumbledore conduziu os em uma de as suas canções de Natal preferidas enquanto Hagrid se agitava , falando cada_vez_mais alto , a cada gole de gemada que tomava . O Percy que não dera por_que Fred enfeitiçara o seu distintivo de prefeito , onde agora podia ler se « cabeça de alfinetes « , continuava a perguntar a todos para_onde estavam a olhar . Harry nem_sequer se importou com os comentários que Draco_Malfoy fazia bem alto , de a mesa de os Slytherin acerca de a sua camisola nova . Com alguma sorte , Malfoy iria ser desmascarado dentro_de algumas horas . Harry e Ron mal tinham acabado a terceira dose de pudim de Natal quando Hermione os fez sair de o salão a a pressa para acabarem de tratar de os planos para essa noite . - Ainda precisamos de um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos - disse com o ar mais natural de este mundo como_se estivesse a mandá os a o supermercado comprar detergente . - E , é claro que o ideal será conseguirmos alguma coisa de o Crabbe e de o Goyle , são os melhores amigos de o Malfoy , ele conta lhes tudo . E precisamos também de ter a certeza de que eles não vão entrar em a sala quando vocês estiverem a interrogar o Malfoy . - Eu tenho tudo pensado - prosseguiu ela , ignorando a expressão estupefacta de Harry e Ron . Pegou em dois apetitosos bolos de chocolate . - Pus lhes um encantamento de sono . Vocês só têm de fazer com que o Crabbe e o Goyle os encontrem . Sabem como eles são gulosos , vão logo comê os . Quando estiverem a dormir , tirem lhes alguns cabelos e escondam nos em uma despensa de vassouras . Harry e Ron olharam , incrédulos , um para o outro . -- Hermione , eu não creio que ... -- Isto pode correr muito mal ... Mas Hermione tinha um brilho inflexível em os olhos que não era muito diferente do_que costumavam ver em o olhar de a professora Mc_Gonagall . - A poção não nos serve de nada sem os cabelos de o Crabbe e de o Goyle - disse com firmeza . - Vocês querem mesmo descobrir coisas sobre o Malfoy , não querem ? - Pronto , está bem - disse Harry . - Mas , e tu , vais arranjar cabelos de quem ? - Eu já tenho esse assunto resolvido - disse Hermione sorridente , tirando um frasquinho de o bolso e mostrando lhes um cabelo que lá estava dentro . - Lembram se de a Millicent_Bulstrode que lutou comigo em o clube de os duelos ? Ela deixou isto em o meu manto quando tentava estrangular me . E foi passar o Natal a casa , portanto , basta me dizer a os Slytherins que decidi voltar . Quando Hermione saiu para verificar de_novo a poção polisuco , Ron voltou se para Harry com uma expressão lúgubre . - Alguma vez viste um plano onde tantas coisas pudessem correr mal ? Mas para grande espanto de ambos , a primeira fase de a operação decorreu tão naturalmente como Hermione previra . Eles esconderam se em o * hall * de entrada , depois de o lanche de Natal , a a espera de o Crabbe e de o Goyle que tinham ficado sozinhos a a mesa de os Slytherin , deitando abaixo a quarta dose de bolo inglês . Harry colocou os bolos de chocolate em o fim de o corrimão . Quando avistaram Crabbe e Goyle a sair de o salão , Harry e Ron esconderam se rapidamente atrás_de uma armadura que estava junto de a porta de entrada . - Como_se pode ser tão estúpido ? - murmurou Ron sem se mexer enquanto Crabbe apontava satisfeitíssimo , mostrando a Goyle os bolos e agarrando os . Com um riso estúpido , enfiaram nos inteiros em as bocas enormes . Durante um momento , ambos mastigaram avidamente com olhares vitoriosos em o rosto . Depois , sem que a expressão se alterasse , caíram para trás e estatelaram se em o chão . Mais difícil foi transportá os para a despensa de o outro lado de o * hall * . Uma_vez armazenados em o meio de os baldes e esfregões , Harry arrancou alguns de os pêlos que cobriam a cabeça de o Goyle e Ron tirou alguns cabelos a o Crabbe . Roubaram lhes também os sapatos porque os de eles eram demasiado pequenos para os enormes pés de o Crabbe e de o Goyle . Em seguida , ainda atordoados com o que tinham acabado de fazer , correram até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mal conseguiam ver com o fumo preto e espesso que saía de o cubículo onde Hermione mexia o caldeirão . Tapando o rosto com os mantos , Harry e Ron bateram a o de leve em a porta . - Hermione ? Ouviram o ruído de o trinco e Hermione apareceu com a cara lustrosa e um ar ansioso . Por trás de ela ouviam o gloop gloop de a poção espessa e gorgolejante . Em o banco de a casa_de_banho estavam três copos de vidro . - Conseguiram ? - perguntou Hermione quase sem fôlego . Harry mostrou lhe o cabelo de o Goyle . - _ óptimo . Eu tirei estes mantos suplementares de a lavandaria - disse ela , pegando em uma pequena saca . - Vocês vão precisar de tamanhos maiores se vão ser o Crabbe e o Goyle . Olharam os três para o caldeirão . Vista de perto , a poção parecia uma lama espessa e escura a borbulhar indolentemente . - Tenho a certeza que fiz tudo certo - disse Hermione nervosa , relendo a página manchada de * _ Moste_Potente_Potions * . - Tem o aspecto que o livro diz que deveria ter ... depois de a tomar temos precisamente uma hora antes de nos transformarmos de_novo em as pessoas que somos . - E agora ? - murmurou o Ron . - Separamos a em três copos e adicionamos os cabelos . Hermione encheu cada_um de os copos com uma concha de sopa . Em seguida , retirou com a mão a tremer o cabelo de Millicent_Bulstrode de dentro de o frasquinho e pô o em o primeiro copo . A poção chiou fortemente como uma chaleira a ferver e espumou como louca . Um segundo depois ganhara um tom de amarelo doentio . - Urgh ! Essência_de_Millicent_Bulstrode - disse Ron , olhando com repugnância . - Aposto que o sabor é nojento . - Deitem os vossos - disse Hermione . Harry deixou cair o cabelo de o Goyle em o copo de o meio e Ron lançou o de o Crabbe em o último . Ambos chiaram e espumaram : o de o Goyle ficou de um tom caqui , o de o Crabbe de um castanho-escuro algo tenebroso . - Esperem - pediu Harry quando Ron e Hermione pegaram em os copos . - Será melhor não os tomarmos aqui todos juntos em um cubículo ; quando em os transformarmos não vamos cá caber e Millicent_Bulstrode não é nenhum duende . - Bem pensado - admitiu o Ron , abrindo a porta . - Cada_um em seu cubículo . Com todo o cuidado , para não entornar nem uma gota de a poção polisuco , Harry esgueirou se para o cubículo de o meio . - Prontos ? - perguntou . - Prontos - responderam as vozes de o Ron e de a Hermione . - Um , dois , três . Tapando o nariz , Harry bebeu a poção em dois grandes tragos . Tinha o sabor de a couve demasiado cozida . Os seus interiores começaram imediatamente a contorcer se como_se tivesse engolido serpentes vivas . Dobrado , Harry perguntava a si próprio se iria vomitar . Depois , uma sensação de ardor espalhou se rapidamente de o estômago até a as pontas de os dedos de as mãos e de os pés . Em seguida , fazendo o sobressaltar se , sobreveio o sentimento horrível de estar a derreter enquanto a pele de todo o seu corpo borbulhava como cera quente e , perante os seus olhos , as mãos começaram a crescer , os dedos a engrossar , as unhas a alargar e as articulações a tornarem se protuberantes como ferrolhos . Os ombros retesaram se dolorosamente e uma comichão em a testa preveniu o de que o cabelo estava a rastejar em direcção a as sobrancelhas . As túnicas rasgaram se enquanto o tórax se expandia como um barril , rebentando com os seus anéis . Os pés estavam em grande sofrimento dentro_de sapatos quatro números abaixo . Tão depressa como começara , tudo parou . Harry estava caído em o chão de pedra fria , ouvindo a Murta_Queixosa gorgolejando taciturna em o cubículo de o fundo . Com alguma dificuldade tirou os sapatos e levantou se . Era então assim que o Goyle se sentia ! Com a mão enorme a tremer , despiu a sua túnica que lhe ficava 30 centímetros acima de os tornozelos , pegou em as túnicas suplementares e amarrou os atacadores de os sapatos abotinados de o Goyle . Quis escovar o cabelo para o afastar um_pouco de os olhos e deu apenas com os pêlos hirsutos que lhe cresciam em a testa . Apercebeu se então de que os óculos lhe toldavam a visão porque o Goyle , obviamente , não precisava de eles . Tirou os e gritou . - Vocês estão bem ? - De a sua boca saiu a voz baixa e grossa de o Goyle . - Sim - respondeu lhe o grunhido de o Crabbe , a a sua direita . Harry abriu a porta de o cubículo e dirigiu se a o espelho partido . O Goyle olhava o de o outro lado com os seus olhos parados . Harry coçou a orelha e Goyle fez o mesmo . A porta de o Ron abriu se . Olharam um para o outro . Harry estava pálido e chocado . O amigo não se distinguia de o Crabbe , desde o corte de cabelo em forma de tigela até a os longos braços de gorila . - É inacreditável - disse o Ron , aproximando se de o espelho e beliscando o nariz achatado de o Crabbe . - Inacreditável ! - É melhor irmos indo - disse Harry , alargando a pulseira de o relógio que lhe cortava o pulso . - Ainda temos de descobrir onde fica a sala comum de Slytherin . Só espero que encontremos alguém que vá para lá e que nós possamos seguir . Ron que tinha estado a olhar espantado para ele , comentou : - Não imaginas como é bizarro ver o Goyle a pensar - bateu em a porta de Hermione . - Vamos , temos que ir ... Respondeu lhe uma voz aguda : - Eu ... eu acho que afinal não vou . Vão vocês sem mim . - Hermione , nós sabemos que a Millicent_Bulstrode é feia , ninguém vai pensar que és tu . - Não , a sério , acho que não vou . Despachem se vocês os dois , estão a perder tempo . Harry olhou para Ron , baralhado . - Aquilo parece mais de o Goyle , é como ele fica sempre_que algum professor lhe faz uma pergunta . - Estás bem , Hermione ? - perguntou Harry , através de a porta . - _ óptima , estou óptima , vão se embora . Harry olhou para o relógio . Cinco preciosos minutos tinham já passado . - Encontramo nos aqui , está bem ? - disse . Os dois abriram a porta de a casa_de_banho com todo o cuidado , viram se o caminho estava livre e saíram . - Não balances assim os braços - disse o Harry a o Ron . - Hein ? - O Crabbe anda sempre com eles esticados . - Assim ? - Isso , assim está melhor . Desceram a escadaria de mármore . Só precisavam agora de um Slytherin que pudessem seguir até a a sala comum , mas não havia ninguém por perto . - Tens alguma ideia ? - perguntou Harry em um murmúrio . - Os Slytherin vêm sempre de ali para o pequeno-almoço - disse o Ron , apontando para a entrada de os calabouços . Mal tinha pronunciado estas palavras quando uma rapariga de cabelo comprido a os caracóis , apareceu . - Desculpa - disse o Ron , sem perder tempo . - Esquecemo nos de o caminho para a nossa sala comum . - Como ? - disse a rapariga com a maior frieza . - A * nossa * sala comum ? Eu sou uma Ravenclaw . Afastou se , olhando para eles , desconfiada . Harry e Ron desceram apressadamente os degraus de pedra até a a escuridão . Os passos ecoavam em o silêncio , à_medida_que os pés enormes de Crabbe e Goyle tocavam em o chão , fazendo os sentir que as coisas não iam ser tão fáceis como eles desejavam . Os corredores labirínticos estavam desertos . Andaram e tornaram a andar por os subterrâneos , olhando constantemente para os relógios para ver quanto tempo ainda lhes restava . Depois de um quarto de hora , quando começavam a ficar desesperados , ouviram um movimento súbito . - Olha - disse o Ron , agitadamente . - Agora é um de eles . A silhueta saía de uma sala , mas quando se aproximaram o coração de ambos esmoreceu . Não era um Slytherin , era Percy . - O que estás a fazer aqui em baixo ? - perguntou o Ron surpreendido . - Isso - disse ele friamente - não é de a tua conta . És o Crabbe , não és ? - Er ... sim , sim - respondeu o Ron . - Então vão para o vosso dormitório - ordenou Percy com firmeza . - Não é seguro andar a passear por os corredores escuros em os dias que correm . - Tu andas -- fez notar o Ron . - Eu - disse o Percy endireitando se - sou um prefeito . Nada vai atacar me . Ouviu se , de repente , uma voz por_detrás_de Harry e Ron . Era_Draco_Malfoy e , pela_primeira_vez em a vida , Harry ficou satisfeito a o vê o . - Aí estão vocês - disse de modo arrastado , olhando para eles . - Têm estado a chafurdar em o salão este tempo todo ? Tenho andado a a vossa procura , quero mostrar vos uma coisa muito divertida . Malfoy olhou misteriosamente para Percy . - E o que fazes tu aqui , Weasley ? - perguntou com ar de desprezo . Percy olhou , sentindo se ultrajado . - Fazes favor de mostrar um_pouco mais de respeito por um prefeito de a escola - disse . - Não gosto de o teu ar . Malfoy riu se e fez sinal a o Harry e a o Ron para que o seguissem . Harry quase ia pedindo desculpa a o Percy , mas deu se conta a tempo . Apressaram se a seguir o Malfoy que disse , mal viraram em o corredor seguinte : - Aquele Peter_Weasley ... - O Percy - corrigiu Ron automaticamente . - Ou isso - continuou Malfoy . - Ultimamente tenho o visto muitas_vezes a andar por aí sorrateiramente e aposto que sei o que ele quer . Pensa que vai apanhar o herdeiro de Slytherin sozinho . Deu uma pequena gargalhada ridícula . Harry e Ron trocaram olhares nervosos . Malfoy parou junto de uma parede de pedra húmida . - Qual é a senha ? - perguntou a o Harry . - Er ... - Ah ! sim , sangue puro - disse Malfoy sem ouvir e uma porta de pedra , oculta em a parede , abriu se . Malfoy entrou e Harry e Ron seguiram o . A sala comum de os Slytherin era uma ampla divisão subterrânea com espessas paredes de pedra e um tecto de o qual estavam pendurados por correntes vários candeeiros redondos que davam uma luz esverdeada . O fogo crepitava em uma lareira elaboradamente esculpida em frente de a qual se viam as silhuetas de vários Slytherins sentados em cadeiras igualmente esculpidas . - Esperem aí - disse Malfoy a o Harry e a o Ron , encaminhando os para um par de cadeiras vazias , longe de o lume . - Eu vou buscar o que o meu pai acaba de me mandar . Sem saber o que Malfoy iria mostrar lhes , Harry e Ron sentaram se , fazendo todos os possíveis por parecer a a vontade . Malfoy voltou um minuto depois , trazendo em a mão o que parecia ser um recorte de jornal . Pô o debaixo de o nariz de o Ron . - Vais te rir - disse . Harry viu os olhos de o Ron abrirem se como_se estivesse em estado de choque . Viu o ler o recorte rapidamente , dar uma gargalhada forçada e estender lhe o em seguida . Tinha sido retirado de o * _ Profeta_Diário * e dizia : inquérito em o ministério de a magia * _ Arthur_Weasley , chefe de o Gabinete_de_Mau_Uso_dos_Utensílios_dos_Muggles foi hoje multado em cinquenta galeões por ter enfeitiçado um carro de os Muggles . * _ O senhor Lucius_Malfoy , Membro_do_Conselho_Directivo_da_Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts , onde o carro enfeitiçado foi chocar em o princípio de este ano , exigiu hoje a demissão de Mr._Weasley . « * _ O_Weasley trouxe o descrédito a o Ministério « - declarou Mr._Malfoy a o nosso repórter . - « É claramente incompetente para fazer cumprir as leis e a sua protecção ridícula de os Muggles deveria ir imediatamente para a sucata . » * _ Mr._Weasley recusou se a fazer comentários , mas a sua mulher disse a os repórteres que desaparecessem de ali ou lançaria contra eles o vampiro de a família * . - Então - disse Malfoy impaciente quando Harry voltou a entregar lhe o recorte . - Não achas o_máximo ? - Ha , ha - fez Harry tristemente . - O Arthur_Weasley gosta tanto de os Muggles que era capaz de partir a sua varinha a o meio para se juntar a eles - disse Malfoy com desprezo . - Ninguém diria que os Weasley eram sangue puro a avaliar por o modo como_se comportam . A cara de o Ron , ou melhor , de o Crabbe , contorceu se de raiva . - O que é_que se passa ? - perguntou Malfoy . - Dores de estômago - gemeu o Ron . - Então vai a a ala hospitalar e dá a todos aqueles sangues de lama um pontapé de a minha parte - disse Malfoy com o seu riso escarninho . - Sabes que estou espantado por o * _ Profeta_Diário * ainda não se ter referido a todos estes ataques - continuou pensativamente . - Calculo que o Dumbledore deve estar a tentar abafar as coisas . Ele ainda é posto em a rua se isto não acaba depressa . O pai sempre disse que Dumbledore foi a pior coisa que aqui veio parar . Ele adora os filhos de os Muggles , um director decente nunca deixaria um lodo como o Creevey entrar em esta escola . Malfoy começou a fingir que tirava fotografias com uma máquina imaginária e fez uma imitação maldosa , mas bastante fiel de o Colin : - Potter , posso tirar te a fotografia ? Dás me um autógrafo ? Posso lamber te os sapatos , por favor , Potter ? Baixou as mãos e olhou para Harry e Ron . - O que é_que se passa com vocês os dois ? Um_pouco atrasados , Harry e Ron forçaram o riso e Malfoy pareceu satisfeito . Talvez Crabbe e Goyle fossem sempre de reacção lenta . - O santo Potter , amigo de os sangues de lama - disse Malfoy . - É outro que não tem os sentimentos de um feiticeiro a sério ou não andaria por aí com aquela empertigada sangue de lama Granger . E as pessoas a pensarem que ele é o herdeiro de Slytherin . Harry e Ron esperaram com a respiração entrecortada : o Malfoy ia certamente dizer lhes , dentro_de segundos , que era ele , mas então ... - Quem me dera saber quem ele é - disse o Malfoy , de forma petulante . - Podia ajudá o . O queixo de o Ron caiu de tal maneira que a cara de o Crabbe ficou ainda mais desajeitada do_que era habitual . Felizmente Malfoy não deu por nada e Harry , em um pensamento rápido , disse : - Deves ter alguma ideia de quem está por_detrás_de tudo ... - Sabes perfeitamente que não tenho , Goyle , quantas vezes é preciso dizer te ? - cortou Malfoy . - E o pai também não me diz nada sobre a última vez que a câmara foi aberta . É claro que foi há cinquenta anos , antes de ele cá andar , mas o pai sabe tudo a esse respeito e diz que as coisas foram mantidas em grande segredo e que pareceria suspeito se eu soubesse demasiado . Mas há uma coisa que eu sei : de a última vez que a câmara foi aberta , morreu um sangue de lama . Por isso , aposto que é uma questão de tempo até que um de eles seja morto . Só espero que seja a Granger - disse satisfeito . Ron fechara os punhos gigantescos de o Crabbe . Sentindo que deitaria tudo a perder se ele desse um soco a o Malfoy , Harry lançou lhe um olhar de aviso e disse : - Sabes se a pessoa que abriu a câmara de a última vez foi apanhada ? - Ah ! sim , essa pessoa foi expulsa - disse Malfoy . - Ainda deve estar em Azkaban . - Azkaban ? - repetiu Harry confuso . - Azkaban , a prisão de os feiticeiros , Goyle - disse Malfoy , olhando para ele incrédulo . - Francamente , se fosses mais lento andavas para trás . Esticou se intranquilo , em a cadeira e disse : - O pai diz para eu esfriar a cabeça e deixar que o herdeiro de Slytherin faça o seu trabalho . Acha que a escola precisa de se livrar de a escória de os sangues de lama , mas não quer que eu me envolva em nada . Claro que ele agora tem um prato cheio . Sabes que o Ministério de a magia fez uma busca a a nossa mansão em a semana passada ? Harry tentou forçar a cara de bronco de o Goyle a uma expressão preocupada . - Sim - continuou Malfoy . - É claro que não encontraram grande coisa . O pai guarda uns materiais de magia negra muito valiosos , mas , felizmente , temos a nossa câmara secreta debaixo de o soalho de a sala de visitas ... - Ah ! - disse o Ron . Malfoy olhou para ele . Harry também . Ron corou e até o cabelo começou a ficar vermelho . O nariz estava também a diminuir lentamente ... a hora tinha acabado . Ron estava a voltar a a sua forma habitual e por o olhar de horror que lançou a Harry certamente ele também estava . Puseram se rapidamente de pé . - Tenho de tomar o remédio para o estômago - grunhiu o Ron e sem mais explicações saíram ambos a correr de a sala comum de os Slytherin , precipitaram se para a parede de pedra e galgaram a passagem , pedindo a todos os santos que Malfoy não tivesse dado por nada . Harry sentia os pés a nadarem em os sapatos enormes de o Goyle e tinha de levantar o manto visto_que diminuíra de tamanho . Subiram os degraus a correr até a o * hall * escuro de entrada onde se ouvia um som abafado que vinha de a despensa onde tinham fechado o Crabbe e o Goyle . Deixando os sapatorros de os dois de o lado de_fora , subiram já com os respectivos sapatos a escadaria de mármore até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Bem , não foi uma total perda de tempo - disse o Ron ofegante , fechando atrás_de si a porta de a casa_de_banho . - É certo que ainda não descobrimos de quem vêm os ataques , mas vou escrever a o meu pai amanhã a dizer lhe que procure debaixo de o soalho de a sala de visitas de o Malfoy . Harry olhou para o espelho partido . Tinha voltado a o normal . Pôs os óculos enquanto Ron batia em a porta de o cubículo de Hermione . - Hermione , sai de aí , temos um monte de coisas para te contar ... - Vão se embora - guinchou Hermione . Harry e Ron olharam um para o outro . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron . - Tu já deves ter voltado a o normal como nós ... Mas a Murta_Queixosa saiu subitamente através de a porta de o cubículo com um ar divertido como nunca a tinham visto . - Oh ! Esperem até ver - disse ela . - É horrível ! Ouviram o trinco de a porta a abrir se e Hermione apareceu a soluçar , a túnica levantada a cobrir lhe o rosto . - O que foi ? - perguntou o Ron indistintamente . - Ainda tens o nariz de a Millicent ou alguma coisa assim ? Hermione deixou cair a roupa e Ron recuou rapidamente . O rosto de ela estava coberto de pêlo preto , os olhos tinham ganho uma cor amarela e as orelhas eram pontiagudas , saindo espetadas para fora de os cabelos . - Era um pêlo de g-gato - disse a chorar . - A Millicent_Bulstrode d-deve ter um gato e a poção não está preparada para transformação em animais . - Oh-oh - disse o Ron . - Vão te gozar horrivelmente - disse a Murta , felicíssima . - Não te preocupes , Hermione - tranquilizou a rapidamente o Harry . - Vamos levar te para a ala hospitalar , a Madam_Pomfrey nunca faz muitas perguntas ... Não foi fácil convencer Hermione a sair de a casa_de_banho . A Murta_Queixosa despediu se com uma gargalhadavigorosa e grosseira . - Espera até todos descobrirem que tens uma cauda ! XIII_O diário muito secreto Hermione ficou em a ala hospitalar durante várias semanas . Houve uma onda de boatos sobre o seu desaparecimento quando o resto de os alunos voltou de as férias de Natal porque , é claro , todos pensam que ela tinha sido atacada . Foram tantos os estudantes a rondar a ala hospitalar para espreitar a ver se a viam que Madam_Pomfrey desceu de_novo as cortinas de a cama de ela para a poupar a a vergonha de ser vista com pêlo em a cara . Harry e Ron iam visitá a todas_as tardes . Quando o segundo período começou passaram a levar lhe diariamente os trabalhos de casa . - Se eu tivesse o bigode a crescer , tinha uma folga de o trabalho - disse uma tarde o Ron enquanto colocava uma pilha de livros a a cabeceira de a cama de Hermione . - Não sejas parvo , Ron , eu tenho de me manter a par de as coisas - disse Hermione com vivacidade . O humor de ela melhorara bastante com o facto de lhe ter desaparecido todo o pêlo de o rosto e de os olhos estarem lentamente a retomar a cor castanha . - Calculo que não tenham novas pistas ? - disse em um murmúrio para evitar que Madam_Pomfrey os ouvisse . - Nada - disse Harry tristemente . - Eu tinha tanta certeza de que era o Malfoy - repetiu o Ron por a centésima vez . - O que é isso ? - perguntou Harry , apontando para uma coisa com brilho dourado que estava debaixo de a almofada de Hermione . - É só um cartão a desejar boas melhoras - disse ela precipitadamente , tentando escondê o , mas o Ron foi mais rápido . Pegou lhe , abriu o e leu em voz alta : * _ Para_Miss_Granger , desejando lhe uma rápida recuperação , com o interesse e estima de o professor Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , Terceiro grau , Membro_Honorário_da_Liga_de_Defesa contra as Artes_Negras e vencedor por cinco vezes de o prémio O sorriso mais charmoso de a semana de o Semanário_das_Bruxas * . Ron olhou desconsolado para Hermione . - Tu dormes com isto debaixo de a almofada ? Mas Hermione foi poupada a ter de responder por a entrada de Madam_Pomfrey que lhe trazia a dose de medicamento de a tarde . - Achas que o Lockhart é o tipo mais esperto que conheceste ? - perguntou o Ron a o Harry quando saíram de a enfermaria e começavam a subir as escadas para a torre de os Gryffindor . O Snape tinha lhes passado tanto trabalho para_casa que Harry pensou que ia chegar a o sexto ano antes de o ter acabado . Ron vinha a dizer que devia ter perguntado a a Hermione quantas caudas de rato deveria juntar se a uma poção para o crescimento de o cabelo quando um grito de raiva vindo de o andar de cima lhes chegou a os ouvidos . - É o Filch - murmurou Harry enquanto subiam apressadamente as escadas e paravam para ouvir melhor . - Terá mais alguém sido atacado ? - disse nervosamente o Ron . Ficaram parados com as cabeças inclinadas para a voz de o Filch que parecia quase histérica . -- ... * _ Ainda mais trabalho para mim . Toda_a noite a esfregar como_se não tivesse já trabalho de sobra . Não , isto foi a gota de água que fez transbordar o copo , vou falar com Dumbledore * ... Os passos afastaram se e ouviram uma porta fechar se com grande estrondo . Puseram as cabeças fora de a esquina . O Filch tinha obviamente estado a patrulhar o seu habitual posto de vigia : estavam novamente em o lugar onde Mrs._Norris fora atacada . Perceberam imediatamente qual o motivo de os gritos . Uma enorme poça de água enchia metade de o corredor e parecia escorrer de a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Agora_que o Filch se calara podiam ouvir os uivos de a Murta que faziam eco em as paredes de a casa_de_banho . - Mas o que se passará com ela ? - disse o Ron . - Vamos lá ver - sugeriu Harry e arregaçando as túnicas até a os tornozelos entraram , atravessando a enorme poça de água , em a casa_de_banho que tinha o letreiro a dizer « Fora de serviço » e que eles , como sempre , ignoraram . A Murta_Queixosa chorava , se possível , mais alto do_que nunca . Parecia estar escondida em o cubículo de o costume . Lá dentro estava escuro pois as velas tinham se apagado com a enchente de água que deixara as paredes e o chão ensopado . - O que se passa , Murta ? - quis saber o Harry . - Quem é ? - perguntou ela infelicíssima . - Vieste atirar me mais alguma coisa acima ? Harry caminhou com dificuldade por causa de a água até a o cubículo de ela e disse : - Porque te faríamos nós uma coisa de essas ? - Não me perguntem - gritou a Murta , emergindo em uma onda de água que molhou ainda mais o chão já ensopado . - Eu estou aqui metida em a minha morte e alguém acha muito engraçado atirar me com um caderno acima ... - Mas , não pode magoar te se alguém te atirar alguma coisa acima - disse Harry , tentando ser prático . - Isto_é , seja o que for passa através_de ti , não é assim ? Tinha dito a frase errada . A Murta encheu o peito de ar e gritou a plenos pulmões : - Vamos todos atirar cadernos a a Murta já_que ela não sente nada ! Dez pontos se lhe acertarem em o estômago , cinquenta se lhe atravessar a cabeça ! Hah hah hah , que jogo lindo , não acham ? - Quem te atirou um caderno , afinal ? - perguntou o Harry . - Não sei ... eu estava sentada em a sanita a pensar em a morte e caiu me em cima de a cabeça - disse a Murta , olhando para eles . - Está ali , ficou todo molhado . Harry e Ron olharam para o ponto que a Murta lhes apontava debaixo de o lavatório . Um caderno pequenino e fino estava caído em o chão . Tinha uma capa preta muito gasta e estava encharcado como tudo em aquela casa_de_banho . Harry deu um passo em frente para o apanhar , mas o Ron agarrou lhe precipitadamente o braço . - O que foi ? - perguntou Harry . - Estás doido - disse ele . - Pode ser perigoso . - Perigoso ? - riu se Harry . - Essa agora Ron , como é_que pode ser perigoso ? - Ficarias surpreendido ... - explicou ele , olhando com ar apreensivo para o caderno . - Entre os livros que o Ministério confiscou , contou me o meu pai , havia um que queimava os olhos a as pessoas . E todos os que leram os * _ Sonetos_de_Um_Feiticeiro * ficaram a falar em verso para o resto de a vida . Havia também uma bruxa em Bath que tinha um livro que quem o lesse nunca mais conseguia parar , tinha de andar por aí com o nariz enfiado em as folhas , a fazer todas_as coisas só com uma mão e ... - Já chega , já chega , já percebi a tua ideia - disse O_Harry . O caderninho continuava caído e ensopado . - Bem , nunca saberemos a_não_ser_que tenhamos a coragem de dar uma vista de olhos - disse e mergulhou apanhando o de o chão . Harry viu imediatamente que se tratava de um diário e a data meio apagada , em a capa , disse lhe que tinha cinquenta anos de idade . Abriu o ansiosamente . Em a primeira página podia ler se apenas o nome T._M._Riddle em tinta esborratada . - Espera aí - disse o Ron que se aproximara prudentemente e olhava por cima de o ombro de Harry . - Eu conheço esse nome ... T._M._Riddle recebeu um prémio por serviços especiais prestados a a escola há cinquenta anos atrás . - Como diabo sabes tu isso ? - perguntou Harry com grande espanto . - Porque o Filch mandou me limpar a taça de ele umas cinquenta vezes quando estive de castigo - disse o Ron ressentido . - Foi a taça em cima de a qual eu vomitei lesmas . Se tivesses tido que limpar o muco de um nome durante uma hora também te lembrarias . Harry separou umas de as outras as páginas molhadas . Estavam completamente em branco . Não havia o mais leve sinal de escrita em nenhuma , nem coisas como « Aniversário de a tia Mabel « ou « Dentista a as três_e_meia » . - Ele nunca escreveu nada aqui - disse Harry desapontado . - Porque quereria alguém atirá o fora ? - perguntou se o Ron com curiosidade . Harry voltou o caderno e viu , inscrito em a contra capa , o nome de uma tabacaria em Vauxhall_Road , Londres . - Ele devia ser filho de Muggle - disse Harry pensativo - para ter comprado um diário em Vauxhall_Road ... - Bem , não te serve de muito - Ron baixou a voz . - Cinquenta pontos se acertares em o nariz de a Murta . Harry , mesmo_assim , guardou o diário . Hermione saiu de a ala hospitalar desbigodada , sem cauda e sem pêlo em os primeiros dias de Fevereiro . Em a primeira noite em a torre de os Gryffindor , Harry mostrou lhe o diário de T._M._Riddle e contou lhe como o tinham encontrado . - Ooooh ! Deve ter poderes ocultos - disse ela entusiasticamente , pegando em o diário e examinando o de perto . - Se tem , esconde os muito bem - disse Ron . - Talvez fosse tímido . Não sei porque não deitas isso fora , Harry . - Gostava de perceber porque motivo alguém se quis livrar de ele - explicou Harry . - E também não me importava de saber como foi que o Riddle obteve esse prémio de serviços especiais prestados a Hogwarts . - Pode ter sido qualquer coisa - lançou o Ron . - Talvez tenha recebido 30 de nota final ou salvo um professor de a lula gigante . Se_calhar assassinou a Murta , isso teria sido um favor prestado a todos ... Mas Harry quase podia jurar , por o olhar suspenso em a cara de Hermione , que ela pensava o mesmo_que ele . - O que foi ? - perguntou Ron , olhando para um e para o outro . - Bem , a Câmara_dos_Segredos foi aberta há cinquenta anos , não foi isso que disse o Malfoy ? - Sim - respondeu Ron , lentamente . - E este diário tem cinquenta anos de idade - completou Hermione , dando lhe palmadinhas nervosas . - E de aí ? - Oh Ron , acorda - insistiu Hermione . - Sabemos que a pessoa que abriu a câmara de a outra_vez foi expulsa há cinquenta anos . E se o Riddle tivesse tido o prémio especial por apanhar o herdeiro de Slytherin ? O seu diário diria nos provavelmente tudo : onde é a Câmara_dos_Segredos , como abris a e que tipo de criatura vive lá . Achas que a pessoa que está por trás de os ataques desta_vez quereria o diário por aí ? - É uma teoria interessante , Hermione - disse o Ron . - Apenas com uma pequenina falha : o diário não tem nada Mas_Hermione já estava a tirar a varinha de o saco . - Pode ser tinta invisível - murmurou . Bateu três vezes em o diário e repetiu * _ Aparecium ! * Nada aconteceu . Intrépida , Hermione meteu a mão de_novo em o saco e tirou o que parecia ser uma borracha vermelha e brilhante . - É um * revelador * , comprei o em a Diagon - _ Al - disse . Apagou com força em 1_de_Janeiro . Não sucedeu nada . - Já vos disse , não há nada aí - repetiu o Ron . - O Riddle deve ter recebido um diário como prenda de Natal e nem se deu a o trabalho de escrever fosse o que fosse . Harry não conseguia explicar , nem a si próprio , porque motivo não deitara fora o diário de Riddle . A verdade é_que , mesmo depois de saber que ele estava em branco , continuou distraidamente a pegar lhe e a virar as páginas como_se quisesse chegar a o fim de uma história . E , apesar_de saber que nunca tinha ouvido o nome T._M._Riddle , continuava a ter a sensação de que lhe dizia alguma coisa , como_se Riddle fosse um amigo que ele tinha tido quando era muito pequeno e que estivesse meio esquecido . Mas era um absurdo . Nunca tivera amigos antes de Hogwarts , Dudley tivera esse cuidado . Ainda_assim , Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle , por isso em o dia seguinte foi até a a sala de os troféus para examinar a taça , acompanhado de Hermione que estava interessadíssima e de Ron que se mostrava profundamente incrédulo , dizendo que tinha ficado farto de aquela sala até a o fim de a vida . A taça dourada de Riddle estava arrecadada em um armário de canto . Não fornecia detalhes sobre o motivo por_que lhe fora dada ( felizmente , se fosse maior ainda hoje estava a limpá a , disse o Ron ) . Mas encontraram o nome de Riddle em uma antiga medalha de Mérito_Mágico e em uma lista de antigos chefes de turma . - Parece o Percy - comentou Ron , torcendo o nariz com aversão . - Prefeito , chefe de turma , provavelmente o melhor em todas_as disciplinas . - Dizes isso como_se fosse uma coisa má - fez lhe notar Hermione , em um tom de voz ressentido . Um sol fraco brilhava agora de_novo em Hogwarts . Dentro de o castelo , o ambiente estava bastante melhor . Não tinha havido novos ataques desde Justin e Nick quase sem cabeça e Madam_Pomfrey teve a satisfação de informar que as Mandrágoras começavam a ficar instáveis e dissimuladas , sinal de que estavam a abandonar rapidamente a infância . - Logo_que o acne desapareça estarão prontas para novo transplante - ouviu a Harry dizer amavelmente a o Filch . - E depois de isso , não demorará muito até podermos cortá as e estufá as . - Vai ter Mrs._Norris de volta , muito em_breve . Talvez o herdeiro ou herdeira de Slytherin tenha perdido a coragem , pensou Harry . Deve ser cada_vez_mais arriscado abrir a Câmara_dos_Segredos com a escola tão alerta e desconfiada . Talvez o monstro , qualquer_que_fosse , estivesse a preparar se para hibernar durante outros cinquenta anos . Ernie_Mcmillan_dos_Hufilepuff não aceitou esta visão optimista . Continuava convencido de que Harry era o culpado , que se tinha traído em o clube de os duelos . Peeves não ajudava nada : continuava a cantar por os corredores Potter , * seu bandido * ... agora acompanhado de um esquema de dança . Gilderoy_Lockhart parecia pensar que fora ele quem pusera fim a os ataques . Harry fartou se de o ouvir dizer isso a a professora Mc_Gonagall enquanto os Gryffindor formavam bicha para a aula de Transfiguração . - Não creio que volte a haver problemas , Minerva - disse , tocando em o nariz com ar conhecedor e piscando o olho . - Acho que desta_vez a câmara foi definitivamente selada . O culpado deve ter sabido que era uma questão de tempo até eu o apanhar e que era mais sensato parar agora antes que eu lhe tratasse de a saúde . Sabe , a escola está a precisar de um intensificador de animo para apagar as lembranças de o último período . Não vou dizer lhe mais_nada , por enquanto , mas julgo que sei o que ... Voltou a tocar em o nariz e afastou se a passos largos . A ideia de Lockhart de um intensificador de ânimo ficou bastante clara em o dia_14_de_Fevereiro , a o pequeno-almoço . Harry não dormira grande coisa devido a o treino de Quidditch em a noite anterior e chegou a o salão um_pouco atrasado . Pensou , por momentos , que se tinha enganado em a porta . As paredes estavam todas cobertas com enormes e medonhas flores cor-de-rosa . Pior ainda , * confettis * em forma de corações caíam de o tecto azul pálido . Harry dirigiu se a a mesa de os Gryffindor onde o Ron estava sentado com um ar enjoado junto de Hermione que parecia particularmente risonha . - O que se passa ? - perguntou lhes , sentando se e sacudindo os * confettis * de o seu bacon . Ron apontou para a mesa de os professores , com um ar demasiado repugnado para falar . Lockhart , em as suas vestes rosa vivo , a condizer com a decoração de o salão , fazia sinal para que se calassem . Os professores que o ladeavam tinham um ar estupefacto . De o seu lugar , Harry podia ver um músculo mover se em a bochecha de a professora Mc_Gonagall . Snape estava com ar de quem tomou uma imensa dose de xarope * skele-gro * . - Feliz dia de S._Valentim - gritou Lockhart . - E permitam me que agradeça a as quarenta_e_seis pessoas que até agora me enviaram cartões . Sim , fui eu quem tomou a liberdade de vos fazer esta pequena surpresa , e ela não acaba aqui ! Lockhart bateu as palmas e por as portas de o * hall * entraram a marchar cerca de uma_dúzia de duendes de aspecto carrancudo . Não eram uns duendes quaisquer , diga se de passagem . Lockhart fizera os usar asas douradas e transportar harpas . - Os meus amigos cupidos , portadores de os cartões ! gritou Lockhart . - Eles vão andar por a escola durante o dia de hoje , entregando os vossos cartões de S._Valentim . E o divertimento não acaba aqui . Tenho a certeza de que os meus colegas vão querer participar em este espírito de festa . Porque não pedir a o professor Snape que vos mostre como preparar rapidamente uma poção de amor . E , enquanto ele a prepara , está aqui o professor Flitwick que é de todos os feiticeiros que conheci aquele que mais sabe de encantamentos de sedução , o grande safado ! O professor Flitwick enterrou o rosto em as mãos . Snape olhava como_se quisesse dar veneno a a primeira pessoa que fosse pedir lhe a poção de o amor . - Por favor , Hermione , diz me que não foste uma de as quarenta_e_seis - pediu Ron quando saíram de o salão para a primeira aula . Mas Hermione ficou subitamente muito interessada em procurar o horário dentro de a mala e não lhe respondeu . Durante todo o dia os duendes não pararam de se intrometer em as aulas para entregar cartões , para grande aborrecimento de os professores e , ao_fim_da_tarde , quando os Gryffindor subiam as escadas para a aula de encantamentos , um de eles avistou o Harry . - Hei , tu , Harry_Potter ! - gritou um duende de aspecto particularmente lúgubre , dando cotoveladas a_toda_a gente para se aproximar de o Harry . Coradíssimo com a ideia de receber um cartão de S._Valentim diante_de uma fila de alunos de o primeiro ano que , por acaso , incluía Ginny_Weasley , Harry tentou escapar se . Mas o duende cortou lhe o caminho através de a multidão e agarrou o em três tempos . - Tenho uma mensagem musical para entregar a Harry_Potter em pessoa - disse , tangendo a harpa de forma ameaçadora . - Aqui não - disse baixinho o Harry , tentando escapar . - Fica quieto - grunhiu o duende , agarrando o saco de o Harry e puxando com força . - Larga me - disse ele rispidamente , dando um puxão . Com um ruído de tecido a rasgar se , o saco dividiu se em dois . Os livros de Harry , varinha , pergaminho e pena espalharam se por o chão enquanto o tinteiro se partia em cima de as outras coisas . Harry pôs se de gatas , tentando apanhar tudo antes que o duende começasse a cantar , provocando um engarrafamento em o corredor . - O que se passa aqui ? - perguntou a voz fria e afectada de Draco_Malfoy . Harry , nervosíssimo , começou a guardar tudo dentro de o saco rasgado , desesperado para sair de ali antes que Malfoy pudesse ouvir o seu S._Valentim musical . - Que confusão é esta ? - disse outra voz familiar . Percy_Weasley tinha chegado . De cabeça perdida , Harry tentou fugir , mas o duende agarrou o por os joelhos e fê lo cair a o chão . - Certo - disse , sentando se em os tornozelos de Harry . Eis o teu cartão musical : * _ Os olhos de ele são verdes como o sapo de o quintal * _ O seu cabelo é escuro como um temporal * _ É um desatino , oh ! ele é divino ! * _ O herói que venceu o Senhor_do_Mal * . Harry teria dado todo o ouro de Gringotts para se evaporar em aquele momento . Tentando corajosamente rir se com todos os outros , levantou se . Sentia os pés dormentes de o peso de o duende . Enquanto isso , Percy_Weasley fazia todos os possíveis por dispersar a multidão onde havia gente que chorava de hilaridade . - Vamos embora , vamos embora , a campainha tocou há cinco minutos para as aulas - dizia , enxotando alguns de os alunos mais novos . - E tu , Malfoy . Harry olhou e viu Malfoy inclinar se , apanhar qualquer coisa e com um olhar maldoso mostrá a a Crabbe e Goyle . Percebeu que era o diário de Riddle . - Dá cá isso - exigiu com toda_a calma . - O que será que o Potter escreveu aqui ? - disse Malfoy que obviamente não reparara em a data e pensou que tinha em as mãos o diário de o Harry . Houve uma agitação em os presentes . Ginny olhava apavorada para o diário e para Harry . - Dá lhe isso , Malfoy - disse Percy com firmeza . - Depois de dar uma vista de olhos - retorquiu Malfoy , acenando a Harry com o diário de forma provocatória . Percy disse : - Como Prefeito de a escola ... - mas Harry perdera a paciência . Pegou em a varinha e gritou * _ Expelliarmus * e assim_como Snape desarmara Lockhart , MalLoy viu o diário saltar lhe de as mãos e elevar se em o ar enquanto Ron o apanhava sorridente . - Harry - disse Percy levantando a voz . - Não quero magia em os corredores . Vou ter de participar isto , sabes perfeitamente . Mas Harry não se importou . Tinha ganho uma_vez a Malfoy e isso valia bem cinco pontos a menos para os Gryffindor . Malfoy estava furioso e quando a Ginny passou por ele a caminho de a sala de aula , gritou lhe com desprezo : - Não creio que o Potter tenha gostado lá muito de o teu cartão de S._Valentim . Ginny tapou a cara e correu para a aula . Aborrecido , Ron pegou também em a varinha , mas Harry afastou o . Era melhor que ele não passasse a aula de encantamentos a vomitar lesmas . Só quando entraram em a sala de aula de o professor Flitwick é_que Harry reparou em uma coisa bastante estranha em o diário de Riddle . Todos os outros livros estavam cheios de tinta vermelha , mas o diário mantinha se tão limpo como antes de o tinteiro se ter entornado em cima de ele . Tentou chamar a atenção de Ron para este facto , mas ele estava novamente a ter um problema com a varinha : de a extremidade saíam grandes bolhas roxas e ele não parecia interessado em mais_nada . Em essa noite , Harry foi deitar se antes de os outros companheiros de dormitório , em parte porque já não conseguia suportar o Fred e o George a cantarem * _ Os seus olhos são verdes como o sapo de o quintal * e em parte porque queria voltar a examinar o diário de Riddle e sabia que em a opinião de o Ron era uma pura perda de tempo . Sentou se em a cama de dossel e folheou as páginas em branco em as quais não se via uma única mancha de tinta escarlate . Tirou então outro tinteiro de o armário a o lado de a cama , molhou a pena e deixou cair um borrão em a primeira página de o diário . A tinta brilhou em o papel durante um segundo e , em seguida , como_se a página a tivesse sugado , desapareceu sem deixar rasto . Depois , finalmente , algo aconteceu . Deslizando sobre a página em a cor de a sua tinta , surgiram palavras que Harry não escrevera . - * _ Olá_Harry_Potter . O meu nome é Tom_Riddle . Como é_que encontraste o meu diário ? * Também estas palavras desapareceram , mas não sem que Harry tivesse respondido . - Alguém tentou lançá o em uma sanita . Esperou ansiosamente por a resposta de Riddle . - * _ Felizmente guardei as minhas memórias de uma forma mais duradoura do_que a tinta . Mas sempre soube que haveria quem não iria querer que o diário fosse lido . * - O que queres dizer com isso ? - escrevinhou Harry , borrando a página com o nervosismo . - * _ Quero dizer que este diário contém memórias de coisas terríveis . Coisas que foram abafadas . Coisas que aconteceram em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . * - É onde eu estou agora - escreveu Harry rapidamente . - Estou em Hogwarts e estão a acontecer coisas horríveis . Sabes alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? O coração parecia querer saltar lhe de o peito . A resposta de Riddle não se fez esperar , a letra tornara se mais desordenada como_se tivesse pressa em contar lhe tudo_o_que sabia . - * _ É claro que sei de a Câmara_dos_Segredos . Em o meu tempo diziam nos que era uma lenda , que não existia , mas era mentira . Quando eu estava em o quinto ano a Câmara_dos_Segredos foi aberta e o monstro atacou vários estudantes , acabando matar um . Eu apanhei a pessoa que abriu a câmara e ele foi expulso . Mas o director , o professor Dippet , envergonhado por uma coisa de aquelas ter acontecido em Hogwarts , proibiu me de contar a verdade . Foi divulgada uma história dizendo que a rapariga morrera de um acidente extravagante . Deram me um troféu brilhante com o meu nome gravado e avisaram me para ficar calado . Mas eu sabia que ia voltar a acontecer . O monstro sobreviveu e aquele que tinha o poder para o libertar não foi para a prisão . * Harry quase entornou o tinteiro em a pressa de responder . - Está a acontecer outra_vez . Houve três ataques e ninguém parece saber quem está por_detrás_de tudo_isto . Quem foi de a última vez ? - * _ Posso mostrar te , se quiseres * - foi a resposta de o Riddle . - * _ Não tens de acreditar só em a minha palavra . Posso levar te a o fundo de a minha memória de a noite em que o apanhei . * Harry hesitou com a pena em o ar sobre o diário . O que quereria ele dizer ? Como poderia entrar em a memória de outra pessoa ? Olhou inquieto para a porta de o dormitório que começava a ficar escuro . Quando pôs de_novo os olhos em o diário viu as palavras que se formavam . - * _ Deixa-me mostrar te . * Harry parou durante uma fracção de segundo e depois escreveu duas letras . - O. _ K._As páginas de o diário começaram a esvoaçar como_se tivessem sido apanhadas em uma ventania , parando a meio de o mês_de_Junho . Boquiaberto , Harry viu que o quadradinho de 13_de_Junho se transformara em um pequeno ecrã de televisão . Com as mãos ligeiramente trémulas levantou o livro para encostar os olhos a a janelinha e antes de perceber o que estava a passar se , deu consigo inclinado para a frente com a janela a abrir se . O corpo abandonava a cama e era lançado de cabeça , por a abertura de a página , em um turbilhão de cor e sombras . Sentiu os pés tocarem em terra firme e pôs se de pé a tremer enquanto as formas desfocadas se tornavam subitamente nítidas . Soube imediatamente onde estava . Aquela sala circular com os retratos adormecidos era o escritório de Dumbledore , mas não era Dumbledore quem estava atrás de a secretária . Um feiticeiro mirrado , de aspecto débil e quase careca lia uma carta a a luz de as velas . Harry nunca vira aquele homem antes . - Desculpe - disse com a voz a tremer . - Eu não queria intrometer me ... Mas o feiticeiro não olhou . Continuou a ler , franzindo levemente as sobrancelhas . Harry aproximou se de a secretária e gaguejou : - Er ... eu vou me embora , está bem ? E o feiticeiro continuou a ignorá o . Parecia nem_sequer ter ouvido . Pensando que talvez ele fosse surdo , Harry falou mais alto . - Desculpe tê o incomodado - disse quase a gritar . O feiticeiro dobrou a carta com um suspiro . Pôs se de pé , passou por Harry sem olhar para ele e foi abrir os cortinados de a janela . O céu , lá fora , estava vermelho-rubi . Devia ser o pôr de o Sol . O feiticeiro voltou para a secretária , sentou se e girou os polegares , olhando para a porta . Harry olhou em volta . Não viu Fawkes , a fénix , nem as engenhocas prateadas que sibilavam . Aquela Hogwarts era a que Riddle conhecera e , portanto , aquele feiticeiro desconhecido era o director de então , não Dumbledore e ele , Harry , era pouco mais que um fantasma , totalmente invisível a as pessoas de há cinquenta anos atrás . Alguém bateu a a porta . - Entre - disse o velho feiticeiro , em uma voz fraca . Um rapazinho de dezasseis anos entrou , tirando o chapéu pontiagudo . Em o seu peito brilhava um distintivo prateado de prefeito . Era muito mais alto do_que Harry , mas tinha , tal_como ele , cabelo preto asa de corvo . - Ah ! Riddle - disse o director . - Queria falar comigo , professor Dippet ? - perguntou ele com ar nervoso . - Senta te - disse Dippet . - Tenho estado a ler a carta que me mandaste . - Oh ! - exclamou Riddle , sentando se e apertando as mãos uma contra a outra . - Meu rapaz - disse Dippet amavelmente . - Eu não posso deixar te ficar em a escola durante o Verão . Com certeza queres ir para_casa em as férias ? - Não - respondeu Riddle , sem perder tempo . - Prefiro mil vezes ficar em Hogwarts a ter de voltar a aquela ... aquela ... - Tu vives em um orfanato de Muggles durante as férias , não é assim ? - perguntou Dippet com curiosidade . - Sim senhor - disse Riddle , corando um_pouco . - És filho de Muggles ? - Meio sangue , professor - explicou Riddle . - Pai_Muggle , mãe bruxa . - E o teu pai e a tua mãe ... - A minha mãe morreu pouco depois de eu nascer , professor , contaram me em o orfanato que só teve tempo de me dar o nome : Tom , como o meu pai , Marvolo como o meu avô . Dippet estalou a língua solidariamente . - O que acontece , Tom - suspirou - é_que ... podia ter se arranjado uma situação especial para ti , mas em as circunstâncias actuais ... - Refere se a os ataques , professor ? - perguntou Riddle e o coração de Harry deu um salto , aproximando se com medo de perder alguma coisa . - Precisamente - disse o director . - Meu rapaz , compreendes que seria uma imprudência de a minha parte deixar te ficar em o castelo quando o período acabar , principalmente a a luz de a recente tragédia ... a morte de aquela pobre moça ... estarás sem dúvida em maior segurança em o orfanato . Em a verdade , o ministro de a magia até fala em fechar a escola . Não estamos nada perto_de localizar ... er ... a fonte de toda esta história desagradável . Os olhos de Riddle tinham se aberto mais . - Professor , se essa pessoa fosse apanhada ... se tudo acabasse . . . - Que queres dizer com isso ? - perguntou Dippet com voz aguda , endireitando se em a cadeira . - Riddle , tu sabes alguma coisa sobre estes ataques ? - Não senhor - respondeu ele de imediato . Mas Harry sabia que era o mesmo tipo de « não » que ele dissera a Dumbledore . Dippet afundou se de_novo com um ar de profundo desapontamento . - Podes ir , Tom . Riddle esgueirou se de a cadeira e saiu de a sala . Harry seguiu o . Desceram por a escada em espiral , saindo junto de a gárgula em o corredor que escurecia . Riddle parou e Harry fez o mesmo , olhando para ele . Quase podia apostar que ele pensava seriamente em alguma coisa . Mordia o lábio e tinha as sobrancelhas franzidas . A certa altura , como_se tivesse acabado de tomar uma decisão , começou a andar mais depressa com Harry a segui o ruidosamente . Não viram mais ninguém , a não ser quando chegaram a o * hall * de entrada onde um feiticeiro alto de longos cabelos ruivos e barba chamou Riddle de a escadaria de mármore . - O que andas a fazer por aqui tão tarde , Tom ? Harry olhou para o feiticeiro . Não era outro senão Dumbledore com cinquenta anos a menos . - Tive de ir falar com o director - justificou se Riddle . - Bem , agora vai depressa para a cama - disse Dumbledore , olhando Riddle com aquele olhar penetrante que Harry conhecia tão bem . - É melhor não andar a passear por os corredores em os dias que correm , pelo_menos até ... Suspirou profundamente , deu as boas-noites a o Riddle e foi se embora . Riddle viu o desaparecer e , sem perder tempo , desceu os degraus de pedra até a os calabouços com Harry em a peugada . Mas para seu grande desconsolo , Riddle não o conduziu a nenhum corredor ou túnel secreto e sim a o calabouço onde ele costumava ter aulas de poções com o Snape . As tochas não tinham sido acesas e quando Riddle empurrou a porta quase fechada , Harry só conseguiu vê o a ele , de pé , quieto junto de a porta , olhando para o corredor . Pareceu a Harry que ficaram ali quase uma hora . Tudo_o_que via era a silhueta de Riddle junto de a porta , olhando fixamente através de a greta , a a espera . Como_se fosse uma estátua . E quando Harry tinha abandonado todas_as expectativas e começava a desejar voltar a o presente , ouviu alguma coisa que se movia atrás de a porta . Alguém avançava lentamente por o corredor . Ouviu a pessoa , quem quer que fosse , passar por o calabouço onde ele e Riddle estavam escondidos . Riddle , silencioso como uma sombra , esgueirou se por a porta e seguiu o com Harry em bicos de pés atrás de ele , esquecido de que podia fazer barulho a a vontade porque ninguém o ouvia . Durante cerca de cinco minutos seguiram lhe os passos até que Riddle parou repentinamente com a cabeça inclinada em a direcção de novos ruídos . Harry ouviu uma porta a abrir se e em seguida alguém falou em um murmúrio rouco . - Vá lá , temos que sair de aqui ... vá lá , dentro de a caixa ... Havia algo de familiar em aquela voz . Riddle deu subitamente uma volta e Harry seguiu o . Podia ver a silhueta escura de um rapaz enorme que estava inclinado em frente de a porta aberta , com uma grande caixa a o lado . - Boa noite , Rubeus - disse Riddle secamente . O rapaz fechou a porta e pôs se de pé . - O que estás a fazer aqui , Tom ? Riddle aproximou se . - Acabou se - disse . - Vou ter de entregar te , Rubeus . Falam em fechar Hogwarts se os ataques não terminarem . - O que é_que tu ... ? - Eu acho que tu não quiseste matar ninguém , mas os monstros não são os melhores animais domésticos . Tu só quiseste deixá o sair para andar um_pouco e ... - Ele não matou ninguém - disse o rapaz grande , recuando contra a porta fechada . Lá de dentro vinham uns estranhos roncos e rugidos . - Vamos , Rubeus - disse Riddle , aproximando se mais ainda . - Os pais de a rapariga que morreu estarão aqui amanhã . O mínimo que Hogwarts pode fazer é assegurar lhes que aquilo que matou a filha de eles foi abatido ... - Não foi ele - gemeu o rapaz cuja voz ecoou em o corredor escuro . - Ele não faria isso ... ele nunca ... - Afasta te - disse Riddle , pegando em a varinha . O encantamento iluminou o corredor com uma luz brilhante . A porta atrás de o rapaz grande abriu se de par em par com tanta força que o atirou contra a parede . E de lá de dentro saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito que ninguém mais ouviu a não ser ele próprio . Tinha um corpo imenso , magro e peludo e um emaranhado de pernas pretas , a cintilação de muitos olhos e um par de tenazes afiadas . Riddle levantou de_novo a varinha , mas era tarde de mais . A coisa deixara o atarantado e corria apressadamente , precipitando se por o corredor e desaparecendo . Riddle pôs se de pé , olhou a a procura de o monstro , levantou a varinha , mas o rapaz grande saltou sobre ele , tirou lhe a varinha de as mãos e lançou o a o chão , gritando : - Naaaaaão ! A cena rodopiou . A escuridão tornou se total . Harry sentiu se a cair e com um embate aterrou como uma águia de patas e asas abertas em a sua cama de dossel , em o dormitório de os Gryffindor , o diário de Riddle aberto sobre o estômago . Antes de ter tido tempo de normalizar a respiração , a porta de o dormitório abriu se e o Ron entrou . - Aí estás tu - disse . Harry sentou se . Transpirava e tremia . - O que se passa ? - perguntou Ron , olhando aflito para ele . - Foi o Hagrid , Ron . O Hagrid abriu a Câmara_dos_Segredos há cinquenta anos atrás . XIV_Cornelius_Fudge_Harry , Ron e Hermione sabiam há muito_tempo que Hagrid tinha uma triste predilecção por criaturas grandes e monstruosas . Em o primeiro ano que passaram em Hogwarts , ele tentara criar um dragão em a sua pequena cabana de madeira e levaram muito_tempo a esquecer o gigantesco cão de três cabeças que ele baptizara de « fofinho » . E se , em rapaz , Hagrid tinha ouvido dizer que havia um monstro escondido em o castelo , Harry tinha a certeza que ele teria feito os impossíveis por descobri o . Provavelmente achou que era uma injustiça o monstro estar fechado tanto tempo e pensou que ele merecia a oportunidade de esticar as suas muitas pernas . Harry imaginava perfeitamente o Hagrid a os treze anos a tentar pôr uma coleira e uma trela a o monstro . Mas tinha igualmente a certeza de que ele nunca teria querido matar ninguém . De certo modo , Harry desejava não ter descoberto como utilizar o diário de Riddle . Ron e Hermione fizeram o contar repetidas vezes o que vira até ele ficar farto de repetir o mesmo e farto de a conversa circular que se seguia . - O Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse , de essa vez , Hermione . - O monstro que atacava as pessoas podia ser outro .... - Quantos monstros achas tu que pode haver em este lugar ? - perguntou o Ron aborrecido . - Sempre soubemos que o Hagrid tinha sido expulso - disse Harry tristemente - E os ataques devem ter terminado quando ele foi expulso . Se não fosse assim , Riddle não teria recebido um prémio . Ron tentou um caminho diferente . - O Riddle parece o Percy , quem lhe pediu afinal que deitasse abaixo o Hagrid ? - Mas o monstro tinha morto uma pessoa , Ron - insistiu Hermione . - E o Riddle ia ter de voltar para um orfanato Muggle se Hogwarts fosse fechada - disse Harry . - Não posso culpá o por querer ficar aqui ... Ron mordeu o lábio e a seguir sugeriu : - Tu encontraste o Hagrid em a Rua * _ Bativolta * , não foi ? - Ele estava a comprar repelente para lesmas - disse Harry rapidamente . Ficaram os três em silêncio . Depois de uma longa pausa , Hermione , em uma voz hesitante , formulou a pergunta mais complicada de todas : - Não acham que devíamos ir ter com ele e perguntar lhe ? - Essa seria uma visita simpática - disse o Ron . - Olá , Hagrid , diz nos uma coisa , soltaste por acaso alguma coisa louca e peluda por o castelo em estes últimos tempos ? Por fim , decidiram não dizer nada a o Hagrid a_não_ser_que houvesse outro ataque e à_medida_que passava mais tempo sem murmúrios de a voz sem corpo começaram a acreditar , esperançosos , que nunca mais teriam de falar sobre o motivo por_que fora expulso . Tinham passado já quase quatro meses desde o dia em que o Justin e o Nick quase sem cabeça tinham sido petrificados e quase toda_a_gente parecia pensar que o atacante , quem quer que ele fosse , se retirara para sempre . Peeves fartara se de a sua canção * _ Oh_Potter , seu bandido * , Ernie_Mcmillan pediu educadamente a o Harry , em a aula de herbologia , que lhe passasse um balde de cogumelos saltitantes e , em Março , várias mandrágoras deram uma festa ruidosa e roufenha em a estufa número três . A professora Sprout estava muito satisfeita . - Mal elas comecem a tentar mover se para os vasos umas de as outras , saberemos que estão maduras - disse ela a o Harry . - Nessa_altura poderemos reanimar aquelas pobres criaturas que estão em a ala hospitalar . Os alunos de o segundo ano tinham agora uma coisa nova em que pensar durante as férias de a Páscoa . Chegara a altura de escolherem as matérias de o terceiro ano , um assunto que Hermione , pelo_menos , tomou muito a sério . - Pode afectar todo o nosso futuro - disse a o Harry e a o Ron a o vê os ler cuidadosamente as listas de as novas matérias e pôr um V em frente de cada uma . - Eu só quero ver me livre de as poções - disse Harry . - Não podemos - explicou Ron tristemente . - Mantemos todas_as matérias antigas ou eu teria me livrado de a Defesa contra as artes negras . - Mas é muito importante - disse Hermione chocada . - Não de a maneira como Lockhart a dá - insistiu Ron . - Não aprendi nada até agora a não ser a nunca mais libertar duendes . Neville_Longbottom recebera cartas de todas_as bruxas e feiticeiros de a família , cada_um dando um conselho diferente sobre o que ele deveria escolher . Confuso e preocupado , sentou se a ler a lista de matérias , dando estalinhos com a língua e perguntando a as pessoas se achavam que a aritmancia seria mais difícil do_que o estudo de as runas em a Antiguidade . Dean_Thomas que , tal_como Harry , fora criado com Muggles , acabou por fechar os olhos e atirar a varinha contra a lista , escolhendo as matérias onde ela aterrava . Hermione não pediu conselho a ninguém e inscreveu se em todas . Harry sorriu de si para consigo imaginando como seria uma conversa com o tio Vernon e com a tia Petúnia sobre a sua carreira em feitiçaria . Não que não tivesse tido orientação : Percy_Weasley estava ansioso por partilhar a sua experiência . - Tudo depende de o lugar para_onde queres ir , Harry - disse ele . - Nunca é cedo de mais para pensar em o futuro , por isso eu aconselho te a adivinhação . As pessoas dizem que os estudos de Muggles são uma opção leve mas eu , pessoalmente , acho que os feiticeiros deveriam ter uma compreensão profunda de a comunidade não mágica , muito especialmente se pensarem em trabalhar em íntimo contacto com eles . Vê o meu pai que tem de lidar com assuntos de os Muggles a_toda_a hora . O meu irmão Charles foi sempre mais um tipo de o exterior , por isso foi para o Centro_de_Cuidados com as Criaturas_Mágicas . Segue os teus sentimentos , Harry . Mas a única coisa em que Harry sentia que era mesmo bom era o Quidditch . Por fim , acabou por escolher as mesmas matérias que o Ron escolhera , pensando que se fosse péssimo em elas pelo_menos tinha alguém amigo para o ajudar . O próximo jogo de Quidditch_dos_Gryffindor era contra os Hufflepuff . Wood insistia em treinos de equipa todas_as noites depois de jantar , por isso Harry não tinha tempo para mais_nada a não ser para o Quidditch e para os trabalhos de casa . Mas as sessões de treino estavam a melhorar ou pelo_menos estavam mais secas e em a véspera de o jogo de sábado ele foi a o dormitório guardar a vassoura , sentindo que as hipóteses de os Gryffindor ganharem a taça de Quidditch nunca tinham sido tão boas . Mas a sua boa disposição não durou muito . Em o cimo de as escadas que levavam a o dormitório encontrou o Neville_Longbottom nervosíssimo . - Harry , não sei quem fez aquilo , eu fui encontrar ... Olhando receoso para Harry , Neville empurrou a porta . O conteúdo de a mala de Harry fora espalhado por toda_a divisão . O seu manto estava em o chão rasgado . A roupa de cama tinha sido puxada de a cama de dossel e a gaveta de o armário que se encontrava a a cabeceira de a cama fora arrancada , estando o seu conteúdo espalhado sobre o colchão . Harry aproximou se de a cama boquiaberto , pisando algumas páginas soltas de * _ Viagens com Duendes * . Quando ele e Neville estavam a puxar os cobertores para_cima , entraram o Ron e o Dean_Seamas . Dean praguejou alto . - O que é isto , Harry ? - Não faço ideia - disse ele . Mas o Ron estava a examinar as vestes de Harry e todos os bolsos estavam de o avesso . - Alguém andou a a procura de qualquer coisa - disse o Ron . - Dás por falta de alguma coisa ? Harry começou a apanhar o que estava caído , lançando tudo dentro de a mala . Só quando atirou o último livro de Lockhart é_que se apercebeu do_que faltava . - O diário de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a o Ron . - O quê ? Harry fez lhe sinal em direcção a a porta de o dormitório e apressaram se a chegar a a sala comum de os Gryffindor que estava quase vazia e onde foram encontrar Hermione sozinha a ler * _ As_Runas_Antigas a o Alcance_de_Todos * . Hermione ficou aterrada com as notícias . - Mas ... só um Gryffindor podia tê o roubado ... ninguém mais conhece a nossa senha ... - Exactamente - disse Harry . Acordaram em o dia seguinte com um sol brilhante e uma brisa agradável . - Condições ideais para o Quidditch ! - exclamou Wood , cheio de entusiasmo , a a mesa de os Gryffindor , enchendo os pratos de os elementos de a sua equipa de ovos mexidos . - Harry , anima te , precisas de um pequeno-almoço decente . Harry tinha estado a olhar para a mesa cheia de alunos de os Gryffindor , perguntando a si próprio se o novo dono de o diário de Riddle estaria ali mesmo em frente de os seus olhos . Hermione insistira para que ele participasse o roubo mas ele não gostou de a ideia . Teria de contar a um professor tudo sobre o diário , e quantas pessoas saberiam o motivo por_que Hagrid fora expulso há cinquenta anos ? Não queria ser ele a fazer com que relembrassem tudo aquilo . Quando saiu de o salão com o Ron e a Hermione para ir buscar o material de Quidditch , outra preocupação viera juntar se a a sua lista cada_vez maior . Tinha acabado de pisar os degraus de a escadaria de mármore quando ouviu de_novo a voz : - * _ Matar desta_vez ... deixem me rasgar ... romper * ... Deu um grito e Ron e Hermione saltaram alarmados . - A voz - disse Harry , olhando por cima de os ombros de eles . - Acabo de a ouvir de_novo , vocês não ouviram nada ? Ron abanou a cabeça de olhos muito abertos Mas_Hermione bateu com a mão em a testa . - Harry , acho que percebi uma coisa . Tenho que ir a a biblioteca . E disparou a correr por as escadas acima . - O que é_que ela percebeu ? - disse Harry distraidamente , ainda a olhar em volta , tentando determinar de onde vinha a voz . - Mas porque teve ela que ir a a biblioteca ? - Porque a Hermione é assim - disse o Ron , encolhendo os ombros - Quando tem uma dúvida , vai a a biblioteca . Harry manteve se hesitante , tentando captar novamente a voz mas as pessoas começavam a sair de o salão , falando alto , passando por a porta principal e encaminhando se para o estádio de Quidditch . - É melhor ires indo - aconselhou Ron . - São quase onze horas , olha o jogo . Harry deu uma corrida até a a torre de os Gryffindor , pegou em a sua Nimbus dois_mil e juntou se a a vasta multidão que enchia os campos , mas o seu pensamento estava ainda em o castelo , em aquela voz sem corpo e quando pôs as roupas vermelhas , o seu único conforto foi pensar que estavam todos lá fora para assistir a o jogo . As equipas entraram em campo a o som de um tumulto de aplausos . Oliver_Wood fez um voo de aquecimento em volta de os postes , Madam_Hooch soltou as bolas . Os Hufflepuff que tinham fatos amarelo-canário estavam reunidos em grupo em uma discussão de última hora sobre as tácticas . Harry subia para a vassoura quando a professora Mc_Gonagall atravessou o campo , meio a andar , meio a correr , transportando um enorme megafone roxo . O coração de Harry caiu lhe a os pés . - Este jogo foi cancelado - gritou por o megafone a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a o estádio apinhado . Ouviram se Uuuus e assobios . Oliver_Wood , com um ar infelicíssimo , aterrou e correu para a professora McGonagall sem sair de a vassoura . - Mas , professora - gritou - temos de jogar ... a taça ... os Gryffindor ... A professora Mc_Gonagall ignorou o e continuou a gritar por o megafone . - Pede se a os estudantes que regressem a as salas comuns de as respectivas equipas onde os chefes de equipa lhes darão mais informações . O mais depressa possível , se fazem favor ! Em seguida , baixou o megafone e fez sinal a o Harry para que se aproximasse . - Potter , é melhor vires comigo ... Perguntando a si próprio que suspeita poderia ela ter contra ele , desta_vez , Harry viu Ron desligar se de a multidão discordante e vir a correr juntar se lhes , enquanto eles se dirigiam para o castelo . Para sua grande surpresa Mc_Gonagall não pôs qualquer objecção . - Sim , talvez seja melhor vires também , Weasley . Alguns de os estudantes que os rodeavam reclamavam por o jogo ter sido cancelado , outros tinham um ar preocupado . Harry e Ron seguiram a professora Mc_Gonagall de volta a a escola e através de a escadaria de pedra . Mas desta_vez não foram levados a nenhum escritório . - Isto vai chocar vos um_pouco - disse a professora Mc_Gonagall em um tom de voz surpreendentemente suave quando estavam a aproximar se de a ala hospitalar . - Houve outro ataque ... outro ataque duplo . As vísceras de o Harry deram um salto mortal . A professora Mc_Gonagall abriu a porta e ele e Ron entraram . Madam_Pomfrey estava inclinada sobre uma rapariga de o quinto ano de cabelos longos a os caracóis que Harry reconheceu como sendo a colega de os Ravenclaw a quem , por engano , tinham perguntado o caminho para a sala comum de os Slytherin . E , em a cama a o lado de ela , estava ... - Hermione - gemeu o Ron . Hermione jazia totalmente quieta , os olhos abertos e vítreos . - Foram encontradas perto de a biblioteca - disse a professora Mc_Gonagall . - Calculo que nenhum de vocês possa explicar isto ? Estava em o chão , junto de ela . A professora tinha em as mãos um pequeno espelho redondo . Harry e Ron acenaram negativamente com as cabeças , ambos com os olhos fixos em Hermione . - Eu acompanho vos a a torre de os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall pesadamente . - De qualquer modo tenho de falar com os alunos . - Os alunos regressarão a as salas comuns de as respectivas equipas , todos_os_dias , a as seis_horas_da_tarde . Nenhum aluno deverá sair de os dormitórios depois de isso . Serão escoltados até a as aulas por um professor . Nenhum aluno deverá ir a a casa_de_banho sem um professor a acompanhá o . Todos os treinos e jogos de Quidditch estão suspensos a_partir_de agora . Não haverá mais actividades nocturnas . Os Gryffindor , que enchiam a sala comum , ouviram em silêncio a professora Mc_Gonagall . Ela enrolou o pergaminho que acabara de ler e disse em uma voz algo chocada : - Não é preciso acrescentar que nunca me senti tão desolada . É provável que a escola seja encerrada se não for apanhado o culpado de todos estes ataques . Quero pedir que se algum de vocês achar que sabe alguma coisa sobre eles venha imediatamente ter comigo . Mal ela subiu , de forma um_pouco desastrada , por o buraco de o retrato , os Gryffindor começaram logo a falar . - São dois Gryffindor a menos , sem contar com o fantasma de os Gryffindor , um Ravenclaw e um Hufflepuff - disse o amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , contando por os dedos . - Não terá nenhum de os professores reparado que os Slytherin estão a salvo ? Será que não é óbvio que tudo_isto vem de eles ? O herdeiro de Slytherin , o monstro de Slytherin , porque não expulsam todos os Slytherin ? - resmungou , recebendo acenos e aplausos de todos os lados . Percy_Weasley estava sentado em uma cadeira atrás_de Lee , mas por uma_vez não pareceu querer expor os seus pontos de vista . Estava pálido e aturdido . - O Percy está em estado de choque - disse o George baixinho a o Harry . - Aquela rapariga de os Ravenclaw , Penelope_Clearwater , é prefeita . Acho que ele nunca tinha pensado que o monstro pudesse atacar um prefeito . Mas Harry não estava a ouvi o com atenção . Não conseguia esquecer a imagem de Hermione deitada em a cama de o hospital , como_se estivesse esculpida em pedra . E se o culpado não fosse apanhado rapidamente tinha em a frente uma vida inteira com os Dursley . Tom_Riddle entregara o Hagrid porque fora confrontado com a possibilidade de um orfanato Muggle se a escola fechasse . Harry sabia exactamente o que ele sentira . - Que vamos nós fazer ? - disse lhe o Ron baixinho a o ouvido . - Achas que eles suspeitam de o Hagrid ? - Temos de falar com ele - disse Harry , tomando uma decisão . - Não acredito que tenha culpa desta_vez , mas se ele libertou o monstro há cinquenta anos , sabe com certeza como entrar em a Câmara_dos_Segredos , o que já é um princípio . - Mas a Gonagall disse que temos que ficar em a torre a_não_ser_que estejamos em as aulas ... - Eu acho - disse Harry ainda mais baixo - que chegou a altura de tirar outra_vez de a mala o manto de o meu pai . Harry herdara apenas uma coisa de o pai : o enorme manto prateado de a invisibilidade . Era a única maneira de poderem esgueirar se de a escola para fazer uma visita a o Hagrid , sem que ninguém de esse por isso . Deitaram se a a hora de o costume , esperaram que o Neville , o Dean e o Seamas adormecessem para se levantarem , vestirem se de_novo e taparem se com o manto . A viagem por os corredores de o castelo escuro e deserto não era nada agradável . Harry que vagueara por ali muitas_vezes durante a noite nunca vira tanta gente depois de o pôr de o Sol . Professores , prefeitos e fantasmas andavam por os corredores a os pares , olhando em volta , em busca de qualquer actividade fora de o habitual . O manto de a invisibilidade não impedia que fizessem barulho e houve um momento particularmente tenso em que o Ron deu uma topada a menos_de um metro de o lugar onde Snape se encontrava . Felizmente Snape espirrou em o preciso momento em que o Ron praguejava . Foi com grande alívio que chegaram a as portas de carvalho de a entrada principal . Estava uma noite clara e cheia de estrelas . Dirigiram se apressadamente para as janelas iluminadas de a casa de Hagrid e só tiraram o manto mesmo em frente de a porta . Poucos segundos depois de terem batido abriu se a porta . Ficaram frente_a_frente com Hagrid que lhes apontou uma besta enquanto Fang , o cão caçador de javalis , ladrava furiosamente atrás de ele . - Oh ! - disse , baixando a arma quando viu que eram eles . - O que estão vocês a fazer aqui ? - Para que é isso ? - perguntou Harry , apontando para a besta , enquanto entrava . - Nada , não é nada - murmurou Hagrid . - Tenho estado a a espera ... não tem importância , sentem se que eu vou fazer um chá . Dava a impressão de não saber o que fazia . Quase apagou a lareira , vertendo a água de a chaleira em o lume e em seguida esmagou o bule com um gesto de a sua mão maciça . - Estás bem , Hagrid ? - perguntou Harry . - Soubeste de a Hermione ? - Soube , sim - disse ele com um leve tremor em a voz . Continuava a olhar nervosamente para as janelas . Deu lhe os duas grandes canecas de água a ferver ( esquecera se de juntar o chá ) e estava a acabar de pôr em um prato uma fatia grossa de bolo de frutas quando alguém bateu energicamente a a porta . Hagrid deixou cair o bolo . Harry e Ron trocaram entre si olhares de pânico e , em seguida , cobriram se com o manto de a invisibilidade e esconderam se em um canto . Hagrid assegurou se de que eles estavam bem escondidos , pegou em a besta e abriu , mais_uma_vez , a porta . - Boa noite , Hagrid . Era_Dumbledore . Entrou com um ar muito sério , seguido de um homem bizarro . O estranho era um homenzinho pequenino , de porte majestoso com cabelos grisalhos desalinhados e uma expressão de ansiedade em o rosto . Usava uma inesperada mistura de roupas . Um fato a as riscas , uma gravata vermelho escarlate , um longo manto negro e umas botas roxas pontiagudas . Debaixo de o braço trazia um chapéu de coco verde lima . -- É o patrão de o meu pai - murmurou o Ron . Cornelius_Fudge , o ministro de a magia ! Harry deu lhe uma valente cotovelada para o fazer calar se . Hagrid tinha ficado suado e pálido . Deixou se cair em uma de as cadeiras e olhava de Dumbledore_para_Cornelius_Fudge . - Más notícias , Hagrid - disse Fudge em um tom bastante grave . - Muito más notícias . Tive de vir . Quatro ataques a filhos de Muggles , as coisas foram longe_de mais . O ministério tem que tomar uma atitude . - Eu nunca ... - disse Hagrid , parecendo implorar a Dumbledore . - O senhor sabe que eu nunca ... professor Dumbledore , o senhor ... - Quero que fique claro , Cornelius , que Hagrid tem a minha total confiança - afirmou Dumbledore , franzindo as sobrancelhas . - Olha , Albus - disse Fudge pouco a a vontade - a ficha de o Hagrid depõe contra ele . O ministério tem de fazer alguma coisa , o Conselho_Directivo de a escola tem se reunido ... - Mesmo_assim , Cornelius , devo dizer te mais_uma_vez que levar o Hagrid de aqui não vai ajudar em nada - afirmou Dumbledore com os olhos azuis com um fogo que Harry nunca vira antes . - Tenta compreender o meu ponto de vista - insistiu Fudge , brincando com o chapéu . - Estou a ser tremendamente pressionado , tenho de mostrar que faço alguma coisa . Se se provar que não foi o Hagrid , ele voltará e não se fala mais em o assunto . Mas tenho de levá o , tem de ser , não estaria a cumprir a minha obrigação se ... - Levar me ? - perguntou Hagrid a tremer . - Levar me para_onde ? - É uma pena curta - disse Fudge , sem o olhar em os olhos . - Não é um castigo , Hagrid , chamemos lhe antes uma precaução . Se mais alguém for apanhado , tu sais com todas_as nossas desculpas . - Não é para Azkaban ? - balbuciou Hagrid . Mas antes que Fudge tivesse tido tempo de responder , ouviu se bater mais_uma_vez a a porta . Dumbledore abriu . Foi a vez de Harry levar uma cotovelada em as costas : soltara um gemido audível . Mr._Lucius_Malfoy entrou em a cabana de o Hagrid embrulhado em uma longa capa preta de viagem , com um sorriso frio de satisfação . O Fang começou a rosnar . - Já está aqui , Fudge ? - disse de forma aprovadora . - Muito bem , muito bem ... - O que estás a fazer aqui ? - perguntou Hagrid furioso . - Sai imediatamente de a minha casa . - Meu bom homem , acredite que não tenho prazer nenhum em entrar em a sua ... er ... chamou lhe casa ? - disse Lucius_Malfoy , sorrindo sarcasticamente enquanto observava a pequena divisão . - Eu limitei me a ir a a escola e disseram me que o director estava aqui . - E o que queres de mim , Lucius ? - perguntou Dumbledore . O seu tom de voz era educado mas em os olhos azuis brilhava ainda o mesmo fogo . - Uma notícia horrível , Dumbledore - disse Mr._Malfoy de forma arrastada , pegando em um grande rolo de pergaminho . - Mas os membros de o conselho pensam que é altura de tu saíres . Isto_é uma ordem de suspensão , tens aí doze assinaturas . Lamento muito mas em a nossa opinião estás a perder a firmeza . Quantos ataques houve até agora ? Mais dois hoje a a tarde , não foi ? A este ritmo vão acabar todos os filhos de Muggles em Hogwarts e todos sabemos que seria uma terrível perda para a escola . - O que é isso , Lucius ? - protestou Fudge com ar alarmado . - O Dumbledore suspenso não ... não , seria a última coisa que desejaríamos em este momento ... - A nomeação ou suspensão , de o director é de a competência de os membros de o Conselho_Directivo , Fudge - disse suavemente Mr._Malfoy . - E como Dumbledore não foi capaz de pôr cobro a estes ataques ... - Oh ! Lucius , se Dumbledore não conseguiu - disse Fudge com o lábio superior a suar . - Quem irá conseguir ? - Isso está para se ver - disse Mr._Malfoy com um sorriso mesquinho . - Mas como os doze votamos ... Hagrid pôs se de pé em um salto , o cabelo preto hirsuto a roçar em o tecto . - E quantos tiveste de chantajar para concordarem contigo , Malfoy ? - Meu caro Hagrid , sabe que esse seu temperamento ainda acaba por lhe criar problemas um dia de estes - disse Mr._Malfoy . - Não o aconselho a gritar assim com os guardas de Azkaban . Eles não iriam gostar nada . - Não podes levar Dumbledore - gritou Hagrid , fazendo Fang , o cão caçador de javalis , agachar se e ganir em o seu cesto . - Sem ele , os filhos de os Muggles não têm qualquer hipótese . A seguir haverá mortes . - Acalma te , Hagrid - disse Dumbledore de forma cortante , olhando para Lucius_Malfoy . - Se os membros de o conselho querem substituir me , eu sairei , claro . - Mas - interrompeu Fudge . - Não - rosnou Hagrid . Dumbledore não tirara os seus olhos azuis brilhantes de os olhos cinzentos e frios de Lucius_Malfoy . - Contudo - disse , pronunciando cada palavra lenta e claramente para que nenhum de eles perdesse o seu sentido - verás que só deixarei verdadeiramente esta escola quando ninguém aqui me for leal . Descobrirás também que será sempre dada ajuda em Hogwarts a quem a pedir . Por um segundo , Harry teve quase a certeza de que os olhos de Dumbledore tremelaziram em direcção a o canto onde ele e Ron estavam escondidos . - Sentimentos admiráveis - disse Malfoy , fazendo uma vénia . - Todos nós vamos sentir a tua ... forma muito pessoal de fazer as coisas , Albus . Só espero que o teu sucessor consiga evitar qualquer ... crime . Dirigiu se a a porta de a cabana , abriu a e fez sinal a Dumbledore para que passasse a a sua frente . Fudge , mexendo nervosamente em o chapéu de coco , esperou que Hagrid fizesse o mesmo mas ele ficou quieto , respirou fundo e disse prudentemente : - Se alguém quiser descobrir alguma coisa , o que tem a fazer é seguir as aranhas . Elas indicarão o caminho , é tudo_o_que vos digo . Fudge olhou para ele espantado . - Está bem , eu vou - disse Hagrid , pegando em o seu sobretudo de pêlo de toupeira . Mas quando ia seguir o Fudge e sair por a porta , parou e disse em voz alta : - E alguém tem de dar de comer a o Fang enquanto eu não estiver cá . A porta fechou se ruidosamente e Ron tirou o manto de a invisibilidade . -- Estamos outra_vez em uma alhada - disse com voz rouca - Sem o Dumbledore podem fechar a escola já esta noite . Sem ele vai haver um ataque por dia . O Fang começou a ganir , arranhando a porta fechada . XV_Aragog_O_Verão insinuava se em os campos em volta de o castelo . O céu e o lago tinham se tornado de um azul-molusco e as flores , grandes como couves , começavam a florir em as estufas . Mas sem o Hagrid , que ele costumava avistar de o castelo , atravessando os campos com o Fang atrás , parecia a Harry que a paisagem não estava completa . Não era melhor dentro de o castelo onde tudo corria horrivelmente mal . O Harry e o Ron tinham tentado visitar a Hermione , mas as visitas a o hospital estavam proibidas . - Não vamos correr mais riscos - disse lhes Madam_Pomfrey com ar severo , através_de uma fresta de a porta de o hospital . Não , lamento , há muitas hipóteses de o atacante voltar para acabar de vez com estas pessoas ... Com Dumbledore longe , o medo espalhara se como nunca acontecera antes , de_tal_modo_que o sol que aquecia as paredes de o castelo por fora parecia parar junto de as janelas de pinázios . Não se via um único rosto em a escola que não andasse tenso e preocupado e qualquer gargalhada , em os corredores , se tornava incómoda e antinatural e era rapidamente abafada . Harry repetia constantemente , de si para consigo , as últimas palavras que ouvira a Dumbledore : - * _ Só terei verdadeiramente deixado esta escola quando ninguém me for leal ... será sempre dada ajuda , em Hogwarts , a quem a pedir * . Qual seria o significado exacto de aquelas palavras ? A quem deveria pedir ajuda quando todos estavam tão confusos assustados como ele ? A alusão de Hagrid a as aranhas era bastante mais fácil de entender . O problema era que parecia não ter restado uma única aranha em o castelo para eles a poderem seguir . Harry procurou por todo o lado com a ajuda relutante de o Ron . As coisas estavam dificultadas por o facto de não poderem andar sozinhos e terem de se deslocar em grupo dentro de o castelo , juntamente com outros Gryffindor . A maior parte de os alunos gostava de ser conduzida como carneiros de uma aula para a outra por os professores mas Harry achava horrível . Havia , contudo , uma pessoa que parecia apreciar aquela atmosfera de terror e suspeitas . Draco_Malfoy passeava empertigado por a escola como_se tivesse sido nomeado para chefe de turma . Harry só compreendeu o motivo de toda aquela boa disposição cerca de quinze_dias depois de Dumbledore e Hagrid se terem ido embora quando , em uma aula de poções , o ouviu falar com o Crabbe e o Goyle . - Sempre achei que seria o pai quem conseguiria livrar nos de o Dumbledore - disse sem a menor preocupação em baixar a voz . - Já vos disse , segundo ele , Dumbledore foi o pior director que a escola alguma vez teve . Talvez agora venha um director decente que não queira a Câmara_dos_Segredos fechada . A Mc_Gonagall não vai durar muito , está só a ... O Snape passou por Harry , sem fazer comentários a o caldeirão e a a cadeira vazia de Hermione . - Professor - disse Malfoy em voz alta . - Professor , porque não se candidata a o lugar de director ? - Ora , ora , Malfoy - respondeu Snape , sem conseguir esconder um meio sorriso . - O professor Dumbledore foi apenas suspenso por os membros de o conselho de direcção , certamente vai voltar um dia de estes . - Sim , claro - disse Malfoy com o seu sorriso escarninho . - Acho que se o professor quisesse candidatar se a o lugar teria o voto de o pai . Eu vou dizer lhe que o acho o melhor professor de a escola . Snape sorriu enquanto passeava de um lado para o outro em o calabouço , não tendo felizmente visto o Seamus_Finnigan que fingia vomitar para dentro de o caldeirão . - Estou espantado por ver que até agora os sangues de lama ainda não fizeram as malas e não desapareceram - prosseguiu Malfoy . - Aposto cinco galeões em como o próximo morre . Pena que não tenha sido a Granger ... A campainha tocou em esse momento o que foi uma sorte porque a o ouvir as últimas palavras de Malfoy , Ron deu um salto , mas em a barafunda de guardar os livros em os sacos , a sua tentativa de agarrar o Malfoy passou despercebida . - Deixem me - gritava o Ron enquanto o Harry e o Dean lhe agarravam os braços . - Não preciso de varinha , vou dar cabo de ele com as minhas mãos ... - Despachem se , tenho de conduzir vos a a aula de herbologia - praguejava o Snape acima de as cabeças de os alunos . E lá foram como cordeirinhos com Harry , Ron e Dean em a retaguarda , o Ron ainda a tentar libertar se . Só acharam seguro largá o quando Snape os deixou fora de o castelo e iniciaram o percurso por o meio de a horta em direcção a as estufas . A aula de herbologia estava reduzida . Tinha agora dois alunos a menos : Justin e Hermione . A professora Sprout pô os a trabalhar , podando as figueiras-da-abissínia . Harry foi despejar uma braçada de hastes secas em um monte de adubo e deu consigo cara a cara com Ernie_Mcmillan . Ernie respirou fundo . - Só quero dizer te , Harry que lamento ter suspeitado de ti . Sei que nunca atacarias a Hermione_Granger e peço te desculpa por todas_as coisas que disse . Estamos todos em o mesmo barco , agora e , bem ... Estendeu lhe uma mão rechonchuda que o Harry apertou . Ernie e a sua amiga Hannah foram trabalhar em a mesma figueira com o Harry e o Ron . - Aquele tipo , Draco_Malfoy - disse Ernie , partindo pequenos galhos - , parece muito satisfeito com isto tudo , não acham ? É bem possível que ele seja o herdeiro de Slytherin . - Uma observação inteligente de a tua parte - disse o Ron que parecia não ter desculpado Ernie tão facilmente como o Harry . - Acham que é ele ? - perguntou Ernie . - Não - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Hannah ficaram a olhar espantados . Um segundo depois , Harry avistou qualquer coisa que o levou a chamar a atenção de o Ron , batendo lhe em a mão com a tesoura de podar . - Au ... o que é_que tu ... ? Harry apontava para o chão , a poucos centímetros de distância . Várias aranhas grandes corriam precipitadamente por a terra fora . - Ah ! sim - disse o Ron , tentando , sem conseguir , mostrar se entusiasmado . - Mas não podemos seguis as agora ... Ernie e Hannah ouviam nos com curiosidade . Harry viu as aranhas desaparecerem . - Parecem ir em a direcção de a floresta proibida ... E o Ron ficou ainda mais infeliz a o ouvir aquilo . Em o final de a aula , o professor Snape acompanhou os alunos a a « Defesa contra as artes negras » . Harry e Ron foram atrás de os outros para poderem conversar sem serem ouvidos . - Temos de usar outra_vez o manto de a invisibilidade - disse Harry a o Ron . - Podemos levar connosco o Fang , ele está habituado a ir a a floresta com o Hagrid , pode ser uma boa ajuda . - Certo - disse o Ron , que fazia girar nervosamente a varinha em os dedos . - Er ... não costuma haver ... não costuma haver lobisomens em a floresta ? - acrescentou enquanto ocupavam os lugares de o costume em a aula de o Lockhart . Preferindo não responder a a pergunta , Harry disse : - Também há lá coisas boas . Os centauros são fixes e os unicórnios . Ron nunca estivera em a floresta proibida , Harry fora lá só uma_vez e desejara não ter de lá voltar . Lockhart deu um salto para dentro de a sala de aula e os alunos ficaram espantados a olhar para ele . Todos os outros professores andavam mais tristes do_que o habitual mas Lockhart parecia sentir se em as nuvens . - Então , então - exclamou , olhando em volta . - Porquê essas caras deprimidas ? Lançaram lhe olhares exasperados mas ninguém respondeu . - Não compreendem - disse , falando devagar como_se fossem todos um_pouco estúpidos - que o perigo já passou ? O culpado foi se embora . -- Quem disse ? - retorquiu Dean_Thomas em voz alta . -- Meu caro jovem , o ministro de a magia não teria levado Hagrid se não estivesse cem por_cento certo de que ele era o culpado - disse Lockhart como quem explica que um e um são dois . - Teria , sim - disse o Ron , em um tom de voz ainda mais alto do_que o de o Dean . - Eu julgo saber um_pouco mais sobre a prisão de o Hagrid do_que o senhor , Mr._Weasley - disse Lockhart com notória auto-satisfação . Ron começou a dizer que discordava mas foi interrompido por o Harry que lhe deu um forte pontapé por debaixo de a mesa . - Nós não estávamos lá , lembras te ? - murmurou . Mas a alegria revoltante de o Lockhart , as insinuações de que sempre tinha achado que o Hagrid não prestava , a sua certeza de que tudo aquilo estava a chegar a o fim , irritou Harry de tal maneira que teve vontade de lhe atirar as * _ Viagens com Vampiros * e de lhe acertar em aquela cara estúpida . Mas , em vez de isso , limitou se a escrevinhar um bilhete para o Ron : * _ Vamos lá hoje a a noite * . Ron leu a mensagem , engoliu em seco e olhou para o lugar onde Hermione costumava sentar se . A cadeira vazia pareceu ajudá o a decidir se e acenou afirmativamente . A sala comum de os Gryffindor estava agora sempre cheia porque , depois de as seis_da_tarde , os Gryffindor não tinham outro lugar para ir . Por outro lado , tinham imenso para conversar , por isso a sala comum mantinha se cheia de gente até depois de a meia-noite . Logo_a_seguir a o jantar , Harry foi buscar o manto de a invisibilidade a a mala onde estava guardado e passou todo o serão a a espera que a sala esvaziasse . O Fred e o George desafiaram o para alguns jogos de explosão e a Ginny sentou se , muito preocupada , a observá os , em a cadeira habitual de Hermione . Harry e Ron fartaram se de perder de propósito em uma tentativa de pôr rapidamente fim a os jogos mas , mesmo_assim , já passava bastante de a meia-noite quando o Fred , o George e a Ginny se foram , finalmente , deitar . Harry e Ron esperaram até ouvir as portas de os dois dormitórios fecharem se . Em seguida , pegaram em o manto , lançaram o sobre ambos e passaram por o buraco de o retrato . Era mais uma difícil travessia de o castelo , tendo de fintar todos os professores . Finalmente , chegaram a o * hall * de entrada , giraram o fecho de as portas de carvalho , esgueiraram se tentando não fazer barulho e aventuraram se nos campos iluminados por o luar . - É claro que - disse bruscamente o Ron , enquanto atravessavam os relvados negros - podemos perfeitamente chegar a a floresta e descobrir que não há nada para seguir . As aranhas podem não ter ido para lá . É certo que parecia que tomavam essa direcção , mas ... Felizmente a lengalenga não durou muito . Chegaram a a casa de o Hagrid que tinha um ar triste com as suas janelas vazias . Logo_que Harry empurrou a porta e a abriu , o Fang saltou , louco de alegria por os ver . Preocupados , não fosse ele acordar toda_a_gente em o castelo com o seu ladrar forte e agitado , deram lhe rapidamente a comer bombons de melaço que estavam em uma lata sobre a lareira e que lhe colaram os dentes de cima a os de baixo . Harry pousou o manto de a invisibilidade sobre a mesa de o Hagrid . Não iam precisar de ele em a floresta escura como breu . - Anda , Fang , vamos dar um passeio - disse Harry , batendo lhe a o de leve em a pata e Fang saiu feliz , a os saltos , atrás de eles . Precipitou se até a a orla de a floresta e levantou a perna contra uma enorme figueira-do-egipto . Harry pegou em a varinha , murmurou * _ Lumus * ! e uma pequenina luz surgiu em a ponta de a varinha , suficiente para lhes mostrar o caminho e ajudá os a descobrir a pista de as aranhas . - Bem pensado - disse o Ron . - Eu acendia também a minha mas , sabes como ela está , ainda estoirava ou qualquer coisa assim ... Harry tocou em o ombro de o Ron , apontando para as ervas . Duas aranhas solitárias fugiam de a luz de a varinha , aproximando se de a sombra de as árvores . - O. _ K. - disse o Ron , resignando se com o pior . - Estou pronto , vamos . Então , com o Fang a correr atrás de eles , cheirando as raízes de as árvores e as folhas , entraram em a floresta . Seguindo a luz de a varinha de o Harry seguiram a fila disciplinada de aranhas que se movia a o longo de o caminho . Andaram durante cerca de vinte minutos , sem falar , atentos a todos os ruídos que não fossem os de os ramos caídos e de as folhas secas . Então , quando as copas de as árvores se tinham tornado mais cerradas do_que nunca , de_tal_modo_que as estrelas em o céu já não eram visíveis e a varinha de o Harry brilhava isolada em um mar de escuridão , viram as aranhas que eles seguiam a abandonar o caminho . Harry parou , tentando ver para_onde iam mas tudo_o_que ficava longe de a sua pequenina luz era negro de breu . Ele nunca fora tão longe em a floresta . Lembrava se muito bem de Hagrid lhe ter dito , de a última vez que ali tinham estado , que nunca saísse de o caminho de a floresta . Mas Hagrid agora estava a muitos quilómetros de distância e ele também lhes dissera que seguissem as aranhas . Uma coisa húmida tocou em a mão de o Harry e ele deu um salto para trás , pisando o pé a o Ron . Mas afinal era apenas o focinho de o Fang . - O que é_que tu achas ? - perguntou ele a o Ron cujos olhos conseguia vislumbrar , reflectindo a luz de a varinha . - Já_que viemos até aqui - disse ele . Seguiram , portanto as sombras velozes de as aranhas em direcção a as árvores . Não podiam agora andar muito depressa . Tinham em a frente raízes de árvores e troncos cortados que mal se viam em aquela escuridão . Harry sentia o bafo quente de Fang em a mão . Por mais de uma_vez tiveram de parar para o Harry se baixar e descobrir as aranhas a a luz de a varinha . Andaram durante o que lhes pareceu ter sido pelo_menos meia_hora , com os mantos a roçarem em os ramos mais baixos e em as silvas . A o fim de algum tempo repararam que o chão parecia inclinar se para baixo embora as árvores continuassem cerradas . Foi então que o Fang soltou um latido que ecoou em volta , fazendo Harry e Ron darem um salto , ambos com os cabelos em pé . - O que foi ? - gritou o Ron , olhando em volta para a escuridão e agarrando Harry com força , por o cotovelo . - Há qualquer coisa ali a mexer se - murmurou Harry - Ouve ... parece ser grande . Ficaram a ouvir . Um_pouco para a direita algo de grandes dimensões partia os ramos enquanto abria caminho através de as árvores . - Oh ! não - disse o Ron . - Oh ! não , não ... - Cala te - insistiu o Harry , nervoso . - Seja o que for , vai acabar por te ouvir . - Ouvir me ? - disse o Ron , em um tom de voz muito pouco natural . - Já ouviu . Fang ! A escuridão parecia esmagar lhes os globos oculares enquanto ali ficaram apavorados , a a espera . Houve um estranho ruído , surdo e prolongado , e em seguida o silêncio . - O que estará a fazer ? - perguntou Harry . - Talvez esteja a preparar se para atacar - disse o Ron . Esperaram , a tremer , sem ousarem mexer se . - Achas que se foi embora ? - murmurou Harry . - Não sei . Em esse momento , de o lado direito veio um clarão de luz tão forte em o meio de o escuro que os dois levaram as mãos a a cara para proteger os olhos . O Fang ganiu e tentou fugir mas viu se envolvido em um emaranhado de espinhos e ganiu ainda mais alto . - Harry - gritou o Ron com grande alívio em a voz . - Harry , é o nosso carro . - O quê ? - Anda ver . Harry avançou a os tropeções atrás de o Ron , em direcção a a luz e em o momento seguinte estavam em uma clareira . O carro de Mr._Weasley ali estava , vazio , no_meio_de um círculo de árvores grossas , sob um telhado de ramos densos , os faróis de a frente resplandecentes . Quando Ron se aproximou de boca aberta , moveu se lentamente em direcção a ele como_se fosse um grande cão azul turquesa , cumprimentando o dono . - Tem estado aqui todo este tempo - disse o Ron satisfeitíssimo , aproximando se de o carro . - Olha para ele , a floresta tornou o selvagem ... O guarda-lamas estava riscado e cheio de lodo . Parecia que tinha andado a passear sozinho por a floresta . Fang não gostou lá muito de ele . Manteve se a o lado de o Harry que podia senti o a tremer . Com a respiração normalizada , Harry guardou a varinha em o manto . - E nós a pensarmos que ele nos ia atacar - disse o Ron , encostando se a o carro e dando lhe duas palmadinhas - As voltas que eu dei a a cabeça a pensar para_onde ele teria ido ! Harry olhava para todos os lados , em o chão iluminado , em busca de mais aranhas mas todas elas tinham fugido de o brilho de as luzes . - Perdemos as de vista - disse ele . - Anda , vamos procurá as . Ron não disse nada . Não se moveu . Tinha os olhos fixos em um ponto , três metros acima de o chão de a floresta , mesmo atrás de o Harry . O seu rosto estava lívido de terror . Harry nem teve tempo de se voltar . Ouviu se um ruído alto e seco e sentiu que alguma coisa longa e peluda o elevava em o ar com o rosto voltado para baixo . Debatendo se , apavorado , ouviu outro estalido e viu as pernas de o Ron serem também levantadas de o chão . Ouviu o Fang gemer e ganir e , em o momento seguinte , era levado para o meio de as árvores escuras . Com a cabeça a balouçar , Harry viu que a coisa que o transportava tinha seis enormes patas peludas e que as duas de a frente o agarravam com forca sob um par de tenazes pretas e brilhantes . Atrás_de si podia ouvir outra de aquelas criaturas que , sem dúvida , transportava o Ron . Encaminhavam se para o coração de a floresta . Harry ouvia o Fang a ladrar , tentando libertar se de um terceiro monstro mas Harry não podia gritar mesmo_que quisesse , parecia que tinha deixado a voz em a clareira , junto com o carro . Não soube quanto tempo esteve em as patas de a criatura , só se apercebeu que a escuridão se atenuara um_pouco , permitindo lhe ver que o chão coberto de folhas estava agora repleto de aranhas . Voltando a cabeça para o lado , deu se conta de que tinham chegado a a base de uma enorme cova , uma cova que fora limpa de árvores para que as estrelas iluminassem com o seu brilho a cena mais pavorosa que os seus olhos alguma vez tinham visto . Aranhas . Não aranhas pequeninas como aquelas que estavam sobre as folhas . Aranhas de o tamanho de enormes cavalos , com oito olhos , oito pernas pretas , peludas , gigantescas . O espécimen que transportava Harry desceu o terreno íngreme até uma teia brumosa em forma de cúpula que ficava mesmo em o meio de a cova , enquanto os companheiros se juntavam em volta , batendo excitadíssimos com as tenazes e olhando para o que eles traziam a as costas . Harry caiu em o chão de gatas quando a aranha o libertou . Ron e Fang foram cair perto de ele . O Fang já não gania . Estava agachado e muito quieto . Ron e Harry partilhavam o mesmo sentimento . O Ron tinha a boca aberta em uma espécie de grito silencioso e os olhos a saltarem lhe de as órbitas . Harry percebeu de repente que a aranha que o deitara a o chão estava a dizer qualquer coisa . Era difícil entender porque entre cada duas palavras , batia com as tenazes . - Aragog - chamou . - Aragog . E de o meio de a teia brumosa em forma de cúpula saiu muito lentamente uma aranha de o tamanho de um pequeno elefante . As costas e as pernas estavam cobertas de pêlo cinzento e , em a cabeça feia , munida de tenazes , estavam vários olhos , todos eles de um branco leitoso . Era cega . - O que foi ? - disse , batendo rapidamente com as tenazes uma em a outra . - Homens - respondeu a aranha que trouxera o Harry . - É o Hagrid ? - perguntou Aragog , aproximando se mais com os seus oito olhos leitosos a vaguear . - Estranhos - respondeu a aranha que trouxera o Ron . - Matem nos - disse Aragog , irritada . - Eu estava a dormir ... - Nós somos amigos de o Hagrid - gritou Harry . Parecia que o coração lhe saltava por a boca . Clic , clic , clic fizeram as tenazes de a aranha , em volta de a cova . Aragog parou . - O Hagrid nunca mandou homens a a nossa cova - disse lentamente . - O Hagrid está em perigo - explicou Harry , respirando muito depressa . - Foi por isso que eu vim . - Em perigo ? - repetiu a aranha idosa e pareceu a Harry sentir preocupação por detrás de as suas tenazes . - Mas porque vos mandou ele cá ? Harry pensou pôr se de pé mas achou melhor não arriscar . As pernas provavelmente não teriam força para o sustentar . Falou portanto de o chão , o mais calmamente que foi capaz . - Eles lá em a escola pensam que o Hagrid soltou qualquer coisa contra os estudantes . Mandaram o para Azkaban . Aragog bateu furiosamente com as tenazes e , em toda_a cova , o eco foi reproduzido por uma multidão de aranhas . Era uma espécie de aplauso com uma única diferença : os aplausos não costumavam fazer o Harry quase morrer de medo . - Mas isso foi há muitos anos - disse Aragog , maldisposta . - Há anos e anos . Lembro me muito bem . Foi por isso que o expulsaram de a escola . Eles pensaram que eu era o monstro que vive em aquilo a que eles chamam a Câmara_dos_Segredos . Pensaram que o Hagrid a tinha aberto para me libertar . - E tu ... não vieste de a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Harry que sentia a testa cheia de suores frios . - Eu - disse Aragog , batendo irritada com as tenazes - , eu não nasci em o castelo . Venho de uma terra distante . Um viajante ofereceu me a o Hagrid quando eu era ainda um ovo . Hagrid era um rapazinho mas tratou de mim , escondeu me em uma despensa dentro de o castelo e alimentava me com as migalhas que ficavam em as mesas . Hagrid é o meu bom amigo e um bom homem . Quando me encontraram e me culparam por a morte de uma rapariga , ele protegeu me . Desde_então , tenho vivido aqui em a floresta onde o Hagrid ainda vem visitar me . Ele até me arranjou uma esposa , Mosag , e estão a ver como a família cresceu , tudo graças a a bondade de o Hagrid ... Harry reuniu a coragem que lhe restava . - Então tu nunca atacaste ninguém ? - Nunca - resmungou a velha aranha . - Era esse o meu instinto , mas por respeito a Hagrid nunca fiz mal a nenhum humano . O corpo de a rapariga morta foi encontrado em uma casa_de_banho , ora eu nunca conheci mais do_que despensa de o castelo , onde cresci . Nós gostamos de o escuro de o silêncio . - Mas então ... sabes o que matou essa rapariga ? - perguntou Harry . - Porque seja o que for , está a atacar as pessoas outra_vez ... As suas palavras foram abafadas por uma audível explosão de tenazes a bater e por o ruge-ruge de muitas pernas longas , deslocando se iradas . Em volta de Harry começaram a mover se sombras escuras . - O que vive em o castelo - disse Aragog - é uma antiga criatura que nós , aranhas , tememos acima_de todas_as outras . Lembro me bem de o quanto insisti com Hagrid para que me deixasse sair de ali quando senti a criatura a andar por a escola . - O que é ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Mais tenazes a bater , mais pernas a moverem se . As aranhas pareciam estar a aproximar se . - Nós não falamos de isso - exclamou Aragog furiosa . - Não pronunciamos o seu nome . Eu nunca disse a o Hagrid o nome de a horrível criatura , apesar_de ele me ter perguntado vezes sem conta . Harry não quis insistir , principalmente com todas aquelas aranhas a aproximarem se de todos os lados . Aragog parecia ter se cansado de falar . Recuava lentamente para a teia em forma de cúpula , mas as companheiras continuavam a aproximar se ameaçadoramente de Harry e Ron . - Vamos embora , então - gritou Harry , desesperadamente a Aragog , enquanto ouvia as folhas secas a estalarem atrás_de si . - Embora ? - disse Aragog lentamente . - Não me parece ... - Mas , mas ... - Os meus filhos e filhas não fazem mal a o Hagrid por ordem minha . Mas não posso negar lhes carne fresca quando ela veio por vontade própria ter connosco . Adeus , amigo de o Hagrid . Harry deu meia volta . Poucos centímetros acima de ele , uma sólida parede de aranhas batia com as tenazes , os seus muitos olhos a brilharem em as horríveis caras pretas . Mesmo_que se servisse de a varinha , Harry sabia que não ia valer de nada . As aranhas eram demasiadas , mas quando tentava preparar se para morrer a lutar , ouviu se um som prolongado e um clarão de luz iluminou a cova . O carro de Mr._Weasley ribombava , descendo o declive , com os faróis acesos , a buzina a guinchar , afastando as aranhas . Muitas de elas ficaram voltadas ao_contrário com as várias pernas a agitar se em o ar . O carro buzinou com mais força em frente de Harry e Ron e as portas abriram se . - Agarra o Fang - gritou Harry , ajeitando se em o lugar de a frente . Ron agarrou o cão caçador de javalis e lançou o a ganir para o banco de trás . As portas fecharam se com estrondo . Ron não tocou em o acelerador mas o carro não precisou de isso . O motor fez se ouvir e levantaram voo , batendo em mais aranhas . Subiram o declive , saindo de a cova e pouco depois atravessavam a floresta , os ramos a baterem em os vidros enquanto o carro seguia habilmente através de os intervalos maiores , por um caminho que obviamente já conhecia . Harry olhou para o Ron , a o seu lado . Ele tinha ainda a boca aberta em o mesmo grito silencioso mas os olhos já não estavam salientes . - Estás bem ? Ron olhou em frente , incapaz de responder . Começavam a descer para terra firme com o Fang a soltar enormes ganidos em o banco de trás e Harry viu o espelho retrovisor saltar quando passaram rente a um enorme carvalho . Após dez minutos bastante ruidosos , as árvores começaram a ser mais finas e Harry pôde ver de_novo pedaços de o céu . O carro parou tão bruscamente que quase foram projectados por o vidro de a frente . Tinham chegado a a orla de a floresta . O Fang ia agitadíssimo a a janela e quando Harry abriu a porta , disparou a correr através de as árvores até a a casa de o Hagrid , de cauda entre as pernas . Harry saiu também e um minuto depois o Ron pareceu recuperar a força em os membros e seguiu o , ainda com um torcicolo e de olhos esbugalhados . Harry deu uma palmadinha de agradecimento a o carro antes de ele dar a volta e desaparecer em direcção a a floresta . Harry voltou a a cabana de o Hagrid para buscar o manto de a invisibilidade . O Fang tremia em o seu cesto , coberto por um cobertor . Quando saiu de_novo , viu o Ron a vomitar junto de as abóboras . - Sigam as aranhas - disse ele debilmente , limpando a boca a a manga . - Nunca vou perdoar a o Hagrid . É uma sorte ainda estarmos vivos . - Aposto que ele pensou que Aragog nunca faria mal a os seus amigos - justificou Harry . - Esse é justamente o problema de o Hagrid - interrompeu Ron , dando um soco em a parede de a cabana . - Ele acha sempre_que os monstros não são tão maus como os pintam e vê onde isso o levou , a uma cela em Azkaban - tremia agora descontroladamente . - Qual a ideia de ele a o mandar nos ali ? Gostava de saber o que é_que descobrimos . - Que o Hagrid nunca abriu a Câmara_dos_Segredos - disse Harry , lançando o manto sobre Ron e tocando lhe em o braço para o encorajar a andar . - Ele estava inocente . Ron resmungou em voz alta . Para ele , chocar Aragog em uma despensa não era propriamente estar inocente . Quando se aproximaram de o castelo , Harry esticou o manto para garantir que os pés de ambos ficavam cobertos . Em seguida , empurrou as portas de a frente que chiaram . Atravessaram com todo o cuidado o * hall * de entrada e subiram a escadaria de mármore , contendo a respiração em os corredores guardados por sentinelas atentos . Por fim , chegaram a a segurança de a sala de os Gryffindor onde o lume ardera até se transformar em brasas brilhantes . Tiraram o manto e subiram a escada serpenteante que os levava a o dormitório . Ron caiu em a cama sem sequer se despir mas Harry , apesar_de tudo , não tinha sono . Sentou se em a beirinha de a cama , pensando em todas_as coisas que Aragog dissera . A criatura que andava por o castelo , pensou , era uma espécie de monstro Voldemort , nem os outros monstros queriam pronunciar o seu nome . Mas ele e o Ron não estavam agora mais perto_de descobrir o que era nem como petrificava as suas vítimas . Se nem o Hagrid chegara a saber o que estava em a Câmara_dos_Segredos ... Harry balançou as pernas e atirou se para_cima de a cama . Encostado a as almofadas olhou a Lua que brilhava através de a janela de a torre . Não sabia que mais poderiam fazer . Só tinham encontrado portas fechadas . Riddle apanhara a pessoa errada . O herdeiro de Slytherin fugira e ninguém sabia se era a mesma pessoa ou uma outra que abrira , desta_vez , a Câmara_dos_Segredos . Não havia mais ninguém a quem fazer perguntas . Harry deitou se ainda a pensar em as palavras de Aragog . Estava a começar a ficar com sono quando aquilo que parecia ser uma última esperança lhe ocorreu , fazendo o sentar se muito direito em a cama . - Ron - sussurrou em o escuro . - Ron . Ron acordou com um ganido como os de o Fang . Olhou muito assustado em volta e viu o Harry . - Ron , a rapariga que morreu . Aragog contou nos que ela foi encontrada em uma casa_de_banho - disse , ignorando os roncos de o Neville em o outro canto de o quarto . - E se ela nunca tivesse saído de a casa_de_banho ? E se ainda lá estiver ? Ron esfregou os olhos , franzindo as sobrancelhas sob a luz de a Lua . E só então compreendeu . -- Não pensar que ... a Murta_Queixosa ? XVI_A_Câmara_dos_Segredos -- E estivemos nós tantas vezes em aquela casa_de_banho com ela apenas a três cubículos de distância - disse o Ron amargamente em o dia seguinte , a a mesa de o pequeno-almoço . - Podíamos ter lhe perguntado e agora ... Já fora bastante difícil procurar as aranhas . Escapar a os professores o tempo suficiente para ir até a a casa_de_banho de as raparigas , que ficava mesmo em frente de o lugar onde ocorrera o primeiro ataque , ia ser quase impossível . Mas alguma coisa aconteceu que fez com que a Câmara_dos_Segredos desaparecesse de os seus pensamentos pela_primeira_vez em várias semanas . A professora Mc_Gonagall comunicou lhes que os exames começariam a 1_de_Junho , uma semana depois . - Exames ? - gritou Seamus_Finnigan . - Nós mesmo_assim vamos ter exames ? Ouviu se um estrondo atrás de o Harry quando a varinha de o Neville_Longbottom lhe escapou de a mão , fazendo desaparecer uma de as pernas de a secretária . A professora Mc_Gonagall repô a com a sua varinha e voltou se com má cara para o Seamus . - Se temos a escola aberta em uma altura de estas é para vocês receberem instrução - disse com dureza . - Os exames terão lugar , portanto , como é costume e espero que todos vocês façam revisões até lá . Revisões . Não passara por a cabeça de o Harry que houvesse exames com o castelo em aquele estado . Houve uma série de murmúrios revoltados , o que fez com que a professora Mc_Gonagall ficasse ainda mais mal-humorada . - As instruções de o professor Dumbledore foram para manter a escola a funcionar o mais normalmente possível - disse . - E isso , não preciso de vos dizer , passa por uma avaliação de o quanto vocês aprenderam a o longo de este ano . Harry olhou para baixo , para o casal de coelhos brancos que ele deveria transformar em pantufas . Que tinha ele aprendido durante o ano ? Não era capaz de se lembrar de nada que fosse útil em um exame . Ron estava como_se tivessem acabado de lhe dizer que a partir de aquele momento tinha de ir viver para a floresta proibida . - Estás a ver me a ter exames com isto tudo ? - perguntou a o Harry enquanto pegava em a varinha que tinha começado a assobiar bastante alto . Três dias antes de o primeiro exame , a a hora de o pequeno almoço , a professora Mc_Gonagall fez outra comunicação . - Tenho boas notícias - disse , e o salão em_vez_de se calar , explodiu de contentamento . - Dumbledore vai regressar ! - gritaram várias pessoas cheias de alegria . - Apanharam o herdeiro de Slytherin - arriscou uma rapariga em a mesa de os Ravenclaw . - Temos outra_vez os jogos de Quidditch - bradou Wood , excitadíssimo . Quando a agitação passou , Mc_Gonagall disse : - A professora Sprout informou me que as mandrágoras estão finalmente prontas para serem cortadas . Hoje a a noite vamos poder reanimar as pessoas que foram petrificadas . Escusado será dizer que certamente uma de elas poderá revelar nos quem ou o que a atacou . Eu tenho esperança que este ano pavoroso acabe com a prisão de o culpado . Houve uma explosão de aplausos . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e não ficou nada surpreendido a o ver que Draco_Malfoy não aplaudia . O Ron , por outro lado , estava satisfeito como ninguém o via havia dias . - Não faz mal não termos perguntado a a Murta . A Hermione vai , com certeza , ter todas_as respostas quando acordarem . Vai também ficar fula quando souber que temos exames dentro_de três dias . Ela não pôde fazer revisões . Seria melhor deixarem a estar onde está até a o final de os exames . Nessa_altura , Ginny_Weasley veio sentar se junto de o Ron . Parecia nervosa e tensa e Harry reparou que torcia as mãos em o colo . - O que se passa ? - perguntou o Ron , servindo se de mais papa de aveia . Ginny não disse nada mas olhou para um lado e para o outro de a mesa de os Gryffindor , com um olhar assustado que lembrou a Harry alguém que não sabia bem quem era . - Vá lá , vomita - disse o Ron , olhando para ela . Harry percebeu subitamente quem a Ginny lhe lembrara . Ela balançava se ligeiramente para a frente e para trás em a cadeira , exactamente como o Dobby fazia quando estava hesitante , à_beira_de revelar uma informação proibida . - Tenho de te dizer uma coisa - balbuciou a Ginny receosa , sem olhar para Harry . - O que é ? - perguntou ele . Ginny parecia incapaz de encontrar as palavras certas . - O quê ? - insistiu Ron . Ginny abriu a boca mas não saiu nenhum som . Harry inclinou se para a frente e falou devagar para que só ela e Ron pudessem ouvi o . - É alguma coisa relacionada com a Câmara_dos_Segredos ? Viste alguma coisa ou alguém a agir de forma estranha ? Ginny respirou fundo e , em esse preciso momento , apareceu Percy_Weasley com um ar pálido e cansado . - Se já acabaste de comer eu fico com esse lugar , Ginny . Estou cheio de fome . Acabei agora o meu trabalho de patrulhamento . Ginny deu um salto como_se a cadeira tivesse acabado de ser electrificada , lançou a o Percy um olhar assustado e zarpou . Percy sentou se e tirou uma caneca de o meio de a mesa . -- Percy - disse o Ron aborrecido . - Ela ia agora mesmo contar nos uma coisa importante . A meio de um gole de chá , Percy estremeceu . - Que coisa ? - perguntou , tossindo . - Eu quis saber se ela tinha visto alguma coisa estranha e ela ia dizer ... - Ah ! isso ... não tem nada que ver com a Câmara_dos_Segredos - disse o Percy de imediato . - Como sabes ? - indagou o Ron , erguendo as sobrancelhas . - Bem ... er ... já_que perguntam , a Ginny ... er ... passou por mim em outro dia quando eu ... er ... não foi nada , o importante é_que ela viu me fazer uma coisa e eu ... um ... pedi lhe para não comentar com ninguém . Não pensei que ela cumprisse a palavra , verdade se diga . Não é nada importante , eu só ... Harry nunca vira o Percy tão pouco a a vontade . - O que estavas a fazer , Percy ? - riu se o Ron . - Vá lá , conta que nós não nos rimos . Percy ficou sério . - Passa me esses pãezinhos , Harry , estou cheio de fome . Harry sabia que todo o mistério poderia ser desvendado em o dia seguinte sem a ajuda de eles mas não ia deixar de falar com a Murta_Queixosa se a oportunidade surgisse . E , para sua grande satisfação , ela surgiu a meio de a manhã quando eram conduzidos a a aula de História_da_Magia_por_Gilderoy_Lockhart . Lockhart , que tantas vezes lhes assegurara que o perigo tinha passado , estava agora totalmente convencido de que acompanhar os alunos em os corredores era um trabalho inútil . O seu cabelo estava mais liso do_que de costume . Parecia ter passado toda_a noite acordado a vigiar o quarto andar . - Podem escrever o que eu digo - afirmou , acompanhando os até uma esquina . - As primeiras palavras que vão sair de a boca de aquelas pobres pessoas petrificadas serão - * _ Foi_o_Hagrid * . Francamente , estou espantado por a professora Mc_Gonagall considerar ainda necessárias estas medidas de segurança . - Concordo , professor - disse Harry , fazendo com que Ron , surpreendido , deixasse cair os livros a o chão . - Obrigado , Harry - disse Lockhart amavelmente , enquanto deixavam passar uma grande fila de Hufflepuffs . - verdade é_que os professores já têm bastante que fazer para andarem também a acompanhar os alunos a as aulas e a guardar os corredores a a noite ... - É verdade - disse o Ron , percebendo a ideia . - Porque não nos deixa aqui , professor , só falta mais um corredor . - Sabes , Weasley , sou mesmo capaz de fazer isso - disse Lockhart . - Preciso de preparar a minha próxima aula . E apressou se a seguir o seu caminho . - Preparar a aula - zombou o Ron . - Vai encaracolar o cabelo , é o mais certo . Deixaram os restantes Gryffindor passar lhes a a frente e por fim cortaram caminho em um corredor lateral e dirigiram se a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mas quando estavam a congratular se por o seu esquema brilhante ... - Potter , Weasley ! Que estão vocês a fazer aqui ? Era a professora Mc_Gonagall e a boca de ela estava mais fina do_que nunca . - Nós estávamos , estávamos - gaguejou o Ron . - Nós íamos ver , íamos ver ... - Hermione - completou Harry . A professora Mc_Gonagall e Ron olharam para ele . - Não a vemos há séculos , professora - prosseguiu Harry , pisando o pé a o Ron . - E pensamos ir espreitá a a a ala hospitalar e dizer lhe que as mandrágoras estão quase prontas , para ela não se preocupar . A professora Mc_Gonagall estava ainda a olhar para ele e , por um momento , Harry pensou que ela ia explodir mas , quando falou , fê lo em um tom de voz estranhamente rouco . - É claro - disse . E Harry , espantado , viu uma lágrima a brilhar lhe em o canto de um de os olhos . - É claro . Eu compreendo que tudo_isto tem sido muito duro para os amigos de aqueles que foram ... eu compreendo , sim , Potter . Podem ir visitar Miss_Granger . Eu mesma informarei o professor Binns de que vocês estão em o hospital . Digam a Madam_Pomfrey que vos dei autorização . Harry e Ron afastaram se , quase sem acreditar que tinham escapado a um castigo . Quando voltaram em uma esquina ouviram nitidamente a professora Mc_Gonagall a assoar se . - Esta - disse o Ron entusiasmado - foi a melhor história que tu alguma vez inventaste . Não tinham outro remédio senão ir a a ala hospitalar e dizer a Madam_Pomfrey que tinham autorização de a professora Mc_Gonagall para visitar Hermione . Madam_Pomfrey deixou os entrar com alguma relutância . - Não vale a pena falar com uma pessoa petrificada - disse , e ambos tiveram que admitir que ela tinha razão quando se sentaram junto de Hermione e constataram que ela não tinha a menor noção de estar acompanhada . Dizer lhe que não se preocupasse ou falar com o armário que estava a o lado de a cama era exactamente a mesma coisa . - Será que ela viu quem a atacou ? - perguntou o Ron , olhando com tristeza para o rosto rígido de Hermione . - Porque se a coisa saltou sobre eles , ficaremos todos sem saber de nada . Mas Harry não olhava para o rosto de Hermione . Estava mais interessado em a sua mão direita que se encontrava pousada sobre os cobertores e , inclinando se para ela , viu que tinha , fechado entre os dedos , um pedaço de papel . Assegurando se de que Madam_Pomfrey não dava por nada , fez sinal a o Ron . - Tenta tirá o - murmurou ele , colocando a cadeira de_modo_a que Madam_Pomfrey não pudesse ver o Harry . Não foi tarefa fácil . A mão de a Hermione estava fechada com uma força tal que Harry receou parti a . Enquanto Ron vigiava , ele forçou e torceu até que , por fim , depois de vários minutos bastante tensos , conseguiu tirar o papel . Era uma página retirada de um livro muito antigo de a biblioteca . Harry alisou a ansiosamente e Ron inclinou se para poder lês a também . * _ De todos os monstros assustadores que pairam a a face de a Terra , nenhum é tão curioso nem tão fatal como o Basilisk , também conhecido por o rei de as serpentes . Esta cobra que pode atingir proporções gigantescas e viver durante muitas centenas de anos nasce de um ovo de galinha que é chocado por um sapo . As suas formas de matar são pavorosas pois além de os dentes venenosos e mortais , o Basilisk tem um olhar criminoso e todos aqueles que ele fixa com os olhos tem morte instantânea . As aranhas fogem a sete pés de o Basilisk que é seu inimigo mortal , e o Basilisk foge apenas de o canto de o galo que para ele é fatal * . Por debaixo de isto uma única palavra fora escrita , em a letra que Harry reconheceu como sendo de Hermione : Canos . Foi como_se se tivesse acendido uma luz em o seu espírito . - Ron - murmurou - é isso . Está aqui a resposta . O monstro de a Câmara_dos_Segredos é um Basilisk , uma serpente gigante . Por isso , só eu tenho ouvido a sua voz em todos os lugares , porque eu compreendo * serpentês * ... Harry olhou para as camas em volta . - O Basilisk mata as pessoas fixando as com o olhar mas ninguém morreu , o que quer_dizer que ninguém o olhou directamente em os olhos . Colin viu o através de a lente de a máquina fotográfica e o Basilisk queimou o rolo que estava lá dentro mas o Colin ficou apenas petrificado . O Justin ... o Justin deve ter visto o Basilisk através de o Nick quase sem cabeça . O Nick é_que levou com o olhar mas não podia morrer outra_vez ... e perto de a Hermione e de a prefeita de os Ravenclaw foi encontrado um espelho . Hermione acabara de compreender que o monstro era um Basilisk . Aposto que preveniu a primeira pessoa que encontrou de que era melhor olhar por um espelho a o virar de cada esquina . E aquela rapariga puxou de o seu espelho e ... O Ron estava de queixo caído . - E Mrs._Norris ? - perguntou vivamente . Harry pensou um_pouco , tentando imaginar a cena em a noite de o Halloween . - A água . . . - disse lentamente . - A poça de água que saiu de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Aposto que Mrs._Norris só viu o reflexo de o monstro . Examinou a folha de papel que tinha em a mão . Quanto_mais olhava mais sentido faziam as coisas . - * _ O cantar de o galo é fatal para ele * - leu em voz alta . - Os galos de o Hagrid foram mortos . O herdeiro de Slytherin não queria um único galo perto de o castelo , com a câmara aberta . * _ As aranhas são as primeiras a fugir * . Tudo encaixa . - Mas , como tem o Basilisk andado por aí ? - disse o Ron . - Uma serpente horrível e enorme ... alguém a teria visto . Mas Harry apontou para a palavra que Hermione escrevinhara em o final de a página . - Canos - disse . - Canos ... Ron , ele tem usado a canalização . Eu ouvi sempre a voz dentro de as paredes ... Ron agarrou subitamente o braço de o Harry . - A entrada para a Câmara_dos_Segredos - disse em uma voz rouca . - E se for em uma casa_de_banho ? Se for em a ... - Em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa - completou Harry . Sentaram se , tomados de uma excitação enorme , mal querendo acreditar . - Isso significa que - disse o Harry - eu não posso ser o único em a escola a falar * serpentês * . Há também o herdeiro de Slytherin . É de esse modo que tem controlado o Basilisk . - O que vamos fazer ? - perguntou Ron com os olhos a faiscar . - Vamos falar com a Mc_Gonagall ? - Vamos até a a sala de os professores - disse Harry , dando um salto . - Ela estará lá dentro_de dez minutos , está quase em o intervalo . Desceram a escada a correr . Não querendo ser descobertos outra_vez a vaguear por os corredores foram directamente até a a sala de os professores que estava deserta . Era uma divisão ampla , toda forrada , com cadeiras de madeira escura . Harry e Ron passearam de um lado para o outro , demasiado nervosos para se sentarem . Mas a campainha anunciando o intervalo nunca mais tocava . Em vez de isso , ecoando em os corredores , ouviram a voz de a professora Mc_Gonagall incrivelmente ampliada . - * _ Todos os alunos devem regressar de imediato a os seus dormitórios . Todos os professores a a sala de professores . Imediatamente , por favor * . Harry deu meia volta e olhou para o Ron . - Não me digas que houve um novo ataque , não agora ! - Que vamos fazer ? - disse o Ron aterrado . - Voltar para o dormitório ? - Não - disse Harry , olhando e m volta . Havia uma espécie de armário a a sua esquerda cheio com os mantos de os professores . - Ali . Vamos ouvir o que se passa . A seguir poderemos contar lhes o que descobrimos . Esconderam se dentro de o armário , ouvindo a algazarra de centenas de pessoas e a porta de a sala de professores a abrir se . De o meio de a confusão de mantos bafientos , viram os professores encherem a sala . Alguns tinham um ar totalmente confuso , outros pareciam apavorados . Por fim , chegou a professora Mc_Gonagall . - Aconteceu - disse em o silêncio de a sala de professores . - O monstro levou uma aluna . Levou a mesmo para a câmara . O professor Flitwick soltou um grito agudo . A professora Sprout bateu com a mão em a boca . Snape agarrou com força as costas de uma cadeira e perguntou : - Como pode ter tanta certeza ? - O herdeiro de Slytherin - disse a professora Mc_Gonagall , muito pálida . - Deixou outra mensagem . Mesmo por baixo de a primeira : « * _ O esqueleto de ela ficará para sempre em a Câmara_dos_Segredos * . » O professor Flitwick desatou a chorar . - Quem é ela ? - quis saber Madam_Hooch que se afundara em uma cadeira . - Quem é a aluna ? - Ginny_Weasley - disse a professora Mc_Gonagall . Harry viu o Ron , a o seu lado , escorregar silenciosamente até a o chão de o armário . - Vamos ter que mandar todos os alunos embora amanhã - disse a professora Mc_Gonagall . Isto_é o fim de Hogwarts , Dumbledore sempre disse ... A porta de a sala de os professores voltou a abrir se . Por um breve momento , Harry pensou que fosse Dumbledore mas era Lockhart e vinha todo sorridente . - Peço desculpa , adormeci . Perdi alguma coisa ? Não pareceu reparar que os outros professores o olhavam com uma espécie de aversão . Snape deu um passo em frente . - O homem que faltava - disse . - O homem certo . O monstro raptou uma garota , Lockhart levou a para a Câmara_dos_Segredos . O seu momento chegou . - Isso mesmo , Lockhart - acrescentou a professora Sprout . - Não estavas a dizer ontem a a noite que sempre tinhas sabido onde era a entrada para a Câmara_dos_Segredos ? - Eu ... bem ... eu-disse atabalhoadamente Lockhart . - Sim , não me disseste que sabias exactamente o que estava lá dentro ? - disse com voz esganiçada o professor Flitwick . - Eu disse ? Não me lembro ... - Lembro me perfeitamente de o ouvir dizer que lamentava não ter feito uma tentativa com o monstro antes de o Hagrid ser preso - disse Snape . - Não disse que toda_a história tinha sido uma atrapalhação e que deveriam ter lhe dado carta branca desde o princípio ? Lockhart olhou em volta para a cara de espanto de os colegas . - Eu ... nunca ... eu de facto ... deve ter me compreendido mal . - Então vamos deixar te , Gilderoy - disse a professora Mc_Gonagall . - Esta noite será uma excelente oportunidade para actuares . Nós trataremos de assegurar que ninguém te atrapalha . Vais poder enfrentar o monstro sozinho . Finalmente tens carta branca . Lockhart olhou desesperado a a sua volta mas ninguém foi salvá o . Já não estava bem-parecido . O lábio tremia lhe e a ausência de o seu habitual sorriso de dentes brancos dava lhe um ar escanzelado . - M-muito bem - disse . - Vou até a o meu escritório para ... para me preparar . E saiu de a sala . - _ óptimo - exclamou a professora Mc_Gonagall com as narinas dilatadas . - Isto deve afastá o de o nosso caminho . Os chefes de casa devem ir agora comunicar a os respectivos alunos o que se passou e informá os de que o Expresso_de_Hogwarts os levará a casa amanhã de manhã . Os restantes certifiquem se , por favor , de que não há alunos fora de os dormitórios . Os professores levantaram se e saíram um a um . Foi talvez o dia pior de a vida de o Harry . Ele , Ron , Fred e George sentaram se juntos a um canto em a sala comum de os Gryffindor , incapazes de proferir uma palavra . Percy não estava lá . Tinha ido tratar de enviar uma coruja a Mr. e Mrs._Weasley e , em seguida , fechara se em o dormitório . Nunca uma tarde custara tanto a passar e nunca a torre de os Gryfffindor estivera tão cheia de gente e tão silenciosa . Fred e George foram para a cama quase a o pôr de o Sol , incapazes de ficar ali mais tempo . - Ela sabia qualquer coisa , Harry - disse o Ron , falando pela_primeira_vez desde_que tinham saído de o armário de a sala de os professores . - Por isso a levaram . Não era nenhuma parvoíce sobre o Percy , ela tinha descoberto qualquer coisa sobre a Câmara_dos_Segredos . Com certeza por isso é_que a ... - Ron esfregou os olhos , enervadíssimo . - Afinal ela era sangue puro , não pode haver outra explicação . Harry olhava para o sol que mergulhava de um vermelho cor de sangue em a linha de o horizonte . Era a pior coisa que lhe tinha acontecido . Se pelo_menos pudessem fazer alguma coisa . - Harry - disse o Ron . - Achas que há alguma possibilidade de ela não estar ... ? Sabes o que eu quero dizer . Harry não sabia que resposta dar . Não acreditava que a Ginny pudesse ainda estar viva . - Sabes uma coisa ? - disse o Ron . - Acho que devíamos ir ter com o Lockhart , contar lhe o que sabemos . Ele vai tentar entrar em a câmara , podemos dizer lhe onde achamos que fica a entrada e contar lhe que o monstro é um Basilisk . Como Harry não tinha nenhuma ideia melhor e como queria fazer alguma coisa , concordou . Os Gryffindor que os rodeavam estavam tão tristes e com tanta pena de os Weasley que ninguém tentou impedi os quando os viram levantar se , atravessar a sala e sair por o buraco de o retrato . A escuridão começava a instalar se quando chegaram a o escritório de Lockhart onde a actividade era muita . De o corredor ouvia se o ruído de coisas a serem deitadas fora , pancadas surdas e passos apressados . Harry bateu a a porta e houve um silêncio repentino . Em seguida abriu se uma fresta de a porta e viram um de os olhos de Lockhart a espreitar . - Oh ! ... Mr._Potter ... Mr._Weasley - disse entreabrindo a porta . - Estou um_pouco ocupado em este momento , se forem rápidos ... - Professor , nós temos informações para lhe dar - disse o Harry . - Acho que poderão ajudá o . - Er ... bem ... não é - o lado de a cara de Lockhart que conseguiam ver parecia muito pouco a a vontade . - Quer_dizer ... bem ... está bem . Abriu a porta e eles entraram . O escritório estava praticamente vazio . Em o chão estavam duas grandes malas abertas . Mantos verde-jade , lilás , azul-noite tinham sido apressadamente dobrados e guardados dentro_de uma de as malas . Os livros misturavam se todos dentro de a outra . As fotografias que antes cobriam as paredes estavam agora arrumadas em caixas , em cima de a secretária . - Vai a algum lado ? - perguntou Harry . - Er ... bem ... sim - disse Lockhart , arrancando de a porta um poster seu em tamanho natural , enquanto falava , e começando a enrolá o . - Uma chamada urgente ... inevitável ... tenho que ir . - E a minha irmã ? - perguntou o Ron bruscamente . - Bem , quanto_a isso foi uma pena - disse Lockhart , evitando olhá os em os olhos , abrindo uma gaveta e começando a despejar o seu conteúdo dentro_de um saco . - Ninguém lamenta mais do_que eu ... - O senhor é o professor de Defesa contra as artes negras - disse Harry . - Não pode ir se embora agora_que todas estas coisas de magia negra estão a acontecer aqui . - Bem , devo dizer te que ... quando aceitei o lugar ... - resmungou Lockhart , empilhando soquetes sobre os mantos - nada em a descrição de o meu trabalho fazia prever ... - Quer_dizer que vai fugir ? - perguntou Harry , incrédulo . - Depois de todas_as coisas que conta em os seus livros ? - Os livros podem ser enganadores - disse Lockhart delicadamente . - Mas foi o senhor que os escreveu - gritou Harry . - Meu rapaz - disse Lockhart , endireitando se e franzindo as sobrancelhas - usa o senso comum . Os meus livros não teriam vendido metade do_que venderam se as pessoas não acreditassem que eu tinha feito todas aquelas coisas . Ninguém está interessado em ler sobre um velho feiticeiro americano mesmo_que ele tenha salvo uma cidade inteira de os lobisomens , ficaria péssimo em a capa . E a bruxa que correu com a fada carpideira tinha um lábio leporino . Como vês . - Quer_dizer que ficou com os louros por tudo_o_que uma série de outras pessoas fizeram ? - perguntou Harry , sem querer acreditar . - Harry , Harry - disse Lockhart , abanando impacientemente a cabeça . - Não é tão simples assim . Envolveu muito trabalho . Tive de localizar todas essas pessoas , perguntar lhes em pormenor como tinham feito as coisas . Depois tive de lhes fazer um feitiço antimemória para que não voltassem a lembrar se do_que tinham feito . Se há uma coisa de que me orgulho é de os meus feitiços antimemória . Não , tive muito trabalho , Harry . Não foram só as sessões de autógrafos e as fotografias , sabes ? Quem quer ser famoso tem de estar preparado para um trabalho longo e fatigante . Fechou as malas a a chave . - Vejamos - disse . - Acho que está tudo . Sim , só falta uma coisa . - Empunhou a varinha e voltou se para eles . - Lamento muito , rapazes , mas vou ter de vos fazer um feitiço antimemória . Não posso deixar que vão por aí repetir os meus segredos . Não venderia nem mais um livro . Harry pegou em a varinha mesmo a tempo e Lockhart mal tinha levantado a de ele a o ar quando Harry gritou * _ Expelliarmus ! * Lockhart foi projectado de costas , indo cair em cima de a mala . A varinha voou por os ares . Ron agarrou a e atirou a por a janela aberta . - Não devia ter deixado o professor Snape ensinar nos esta - disse Harry furioso , dando um pontapé a uma de as malas . Lockhart olhava para ele , de_novo escanzelado . Harry apontava lhe a varinha . - O que queres que eu faça ? - perguntou debilmente . - Eu não sei onde fica a Câmara_dos_Segredos . Não posso fazer nada . - Está com sorte - disse Harry , forçando o com a varinha a pôr se de pé . - Nós julgamos saber onde é e o que está lá dentro . Vamos . Conduziram Lockhart para fora de o seu escritório , desceram com ele as escadas e seguiram por o corredor escuro em cuja parede brilhavam as mensagens , até a a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mandaram Lockhart a a frente . Harry gostou de ver que todo ele tremia . A Murta_Queixosa estava sentada em a cisterna de o cubículo de o fundo . - Ah ! são vocês - disse a o ver o Harry . - O que querem agora ? - Perguntar te como morreste - disse Harry . O aspecto de a Murta mudou por completo . Parecia que nunca lhe tinham feito uma pergunta tão lisonjeira . - Ooooh ! Foi horrível - disse satisfeita . - Aconteceu aqui mesmo . Morri em este cubículo . Lembro me tão bem . Estava escondida porque a Olive_Hornby andava a implicar comigo por causa de os meus óculos . A porta estava fechada e eu estava a chorar e , então , ouvi alguém entrar . Disseram qualquer coisa estranha em uma língua diferente , acho eu . Mas o que mais me espantou foi o ser um rapaz a falar . Por isso , abri a porta para lhe dizer que fosse a a casa_de_banho de eles e em esse momento - a Murta inchou com ar importante , o rosto a brilhar - morri . - Como ? - perguntou Harry . - Não faço ideia - disse a Murta em um tom de voz abafado . - Só me lembro de ver dois grandes olhos amarelos , de o meu corpo ficar preso e em seguida , sentir me a flutuar ... - olhou sonhadoramente para Harry . - E depois voltei . Estava disposta a vingar me de a Olive_Hornby , percebes ? Ela ia arrepender se de ter gozado com os meus óculos . - Onde foi exactamente que viste os tais olhos ? - perguntou Harry . - Algures por aí - disse a Murta , apontando vagamente para o lavatório em frente de o seu cubículo . Harry e Ron apressaram se . Lockhart estava de pé , mais atrás , com uma expressão de pavor em o rosto . O lavatório parecia perfeitamente vulgar . Examinaram o centímetro a centímetro , dentro e fora , incluindo os canos por baixo . E foi então que Harry reparou : de lado , rabiscada em uma de as torneiras de cobre , estava uma cobra pequenina . - Essa torneira nunca funcionou - disse vivamente a Murta enquanto ele tentava abri a . - Harry - sugeriu o Ron . - Diz qualquer coisa em * serpentês * . Mas , pensou Harry , as únicas vezes que conseguira falar * serpentês * tinham ocorrido quando confrontado com uma verdadeira serpente . Olhou , concentrado para a pequena cobra gravada em o cobre , tentando imaginá a como verdadeira . - Abre te - disse . Olhou para o Ron que abanou a cabeça . - Inglês - disse ele . Harry voltou a olhar para a cobra , forçando se a acreditar que estava viva . A luz de a vela fez parecer que se movia . - Abre te - repetiu . Mas desta_vez as palavras não foram o que ele ouviu . Um estranho sibilar escapou lhe de a boca e a torneira ganhou uma luz branca e brilhante e começou a rodar . Logo_a_seguir o lavatório mexeu se . Afastou se , melhor dizendo , saiu de o caminho , deixando um grande cano a a vista , um cano onde cabia um homem . Harry ouviu a respiração arquejante de o Ron e olhou de_novo para ele . Já decidira o que queria fazer . - Vou descer - disse . Não podia deixar de ir , agora_que acabavam de descobrir a entrada para a câmara , existindo uma possibilidade , por mais remota que fosse , de a Ginny ainda estar viva . - Eu também - disse o Ron . Houve uma pausa . - Bem , parece que não precisam mais de mim - apressou se Lockhart a dizer com uma réstia de sorriso . - Eu vou . . . Pôs a mão em o puxador de a porta mas Ron e Harry apontaram lhe ambos as varinhas . -- O senhor pode ir a a frente - disse rispidamente o Ron . Pálido e sem varinha , Lockhart aproximou se de a entrada . - Meus rapazes - disse em uma voz débil . - Meus rapazes , para quê tudo_isto ? Harry tocou lhe em as costas com a varinha e ele meteu as pernas em o cano . - Eu não me parece que ... - começou a dizer , mas o Ron deu lhe um empurrão e ele desapareceu por o cano abaixo . Harry foi rapidamente atrás . Introduziu se lentamente e deixou se cair . Era como escorregar em uma pista escura e interminável . Ele via outros canos , estendendo se em todas_as direcções mas nenhum tão largo como o de eles que se torcia e virava , inclinando se abruptamente . Harry sabia que estavam a chegar a um ponto muito abaixo de a escola e de os calabouços . Atrás_de si , ouvia o Ron gemendo em cada curva . E então , quando começava a preocupar se com o que iria acontecer quando tocassem em o chão , o cano tornou se horizontal e ele foi projectado com um ruído surdo , indo aterrar em o chão húmido de um túnel de pedra com altura suficiente para ele se pôr de pé . Lockhart estava a levantar se a alguma distancia , todo enlameado e pálido como um fantasma . Harry afastou se para deixar o Ron sair também de o cano . - Devemos estar quilómetros e quilómetros abaixo de a escola - disse o Harry cuja voz ecoou em o túnel negro . - Talvez até debaixo de o lago - arriscou o Ron , olhando em volta para as paredes escuras e viscosas . Voltaram se os três para olhar para a escuridão lá a o fundo . - * _ Lumus ! * - murmurou Harry a a varinha e ela voltou a acender se . - Vamos - disse a o Ron e a o Lockhart e avançaram , os passos a chapinharem ruidosamente em o chão molhado . O túnel era tão escuro que só conseguiam ver alguns centímetros a a frente . As suas sombras em as paredes molhadas pareciam monstruosas a a luz de a varinha . - Lembrem se - disse Harry baixinho enquanto caminhavam . - A o menor movimento fechem logo os olhos ... Mas o túnel era silencioso como um túmulo e o primeiro som inesperado que ouviram foi um grito de o Ron que escorregou em uma coisa que era afinal a cauda de um rato . Harry baixou a varinha para olhar para o chão e viu que estava cheio de pequenos ossos de animais . Fazendo um enorme esforço para evitar pensar em que estado iriam encontrar a Ginny , avançou até uma curva escura de o túnel . - Harry , está aqui qualquer coisa - disse o Ron com voz rouca , agarrando Harry por o ombro . Ficaram estáticos a olhar . Harry só conseguia ver a silhueta de algo enorme e curvo deitado em o túnel . Fosse o que fosse não se movia . - Talvez esteja a dormir - murmurou , olhando para os outros dois . Lockhart tapava os olhos com as mãos . Harry voltou se para olhar para a criatura com o coração a bater tanto que lhe doía em o peito . Lentamente , com os olhos quase fechados mas ainda conseguindo ver , Harry avançou com a varinha levantada . A luz deslizou sobre uma gigantesca pele de serpente , de um verde vivo e venenoso que estava vazia e enrolada em o chão de o túnel . A criatura que a abandonara devia ter , pelo_menos , seis metros e meio de comprimento . - Bolas - disse o Ron , perdendo as forças . Houve um movimento súbito atrás de eles . As pernas de Gilderoy_Lockhart cederam . - Levante se - disse o Ron de uma forma cortante , apontando lhe a varinha . Lockhart pôs se de pé . Em seguida empurrou o Ron , atirando o a o chão . Harry deu um salto , mas ... tarde de mais . Lockhart endireitava se com a varinha de o Ron em as mãos e um sorriso em o rosto . - A aventura acaba aqui , rapazes - disse . - Vou levar um bocado de esta pele de cobra para a escola , contar lhes que foi demasiado tarde para salvar a garota e que vocês os dois perderam tragicamente a memória com a visão de o seu corpinho mutilado . Digam adeus a as vossas recordações . Levantou a o ar a varinha avariada de o Ron e gritou * _ Obliviate ! * A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba . Harry pôs os braços sobre a cabeça e correu , escorregou em os anéis de a pele de cobra , afastando se de os grandes pedaços de tecto de o túnel que caíam em o chão com o ruído de trovões . Pouco depois estava sozinho , olhando para uma sólida parede de rocha partida . - Ron - gritou ele . - Estás bem , Ron ? - Estou aqui - respondeu a voz abafada de o Ron por detrás de a avalancha de rochas . - Eu estou bem mas este sujeito não . A varinha avariou o todo . Ouviu se um ruído surdo e um Oh ! gritado . Parecia que o Ron tinha acabado de dar a o Lockhart um pontapé em as canelas . - E agora ? - disse a voz de o Ron que parecia desesperada . - Não podemos passar , vai demorar séculos . Harry olhou para o tecto de o túnel onde tinham aparecido grandes fendas . Ele nunca tentara partir , através de a magia , nada tão grande como aquelas rochas e agora não lhe parecia ser o melhor momento para fazer experiências . E se o túnel abatesse ? Houve um ruído surdo e outro Oh ! atrás de as rochas . Estavam a perder tempo . A Ginny já estava havia duas horas em a Câmara_dos_Segredos . Harry sabia que só havia uma coisa a fazer . - Espera aqui - gritou a o Ron . - Fica com o Lockhart , eu vou lá . Se não voltar dentro_de uma hora ... Houve um silêncio cheio . - Eu vou ver se desloco um_pouco esta rocha - disse o Ron , tentando manter a voz firme . - Para tu poderes passar . E , Harry ... - Até já - disse o Harry , procurando injectar confiança em a sua voz trémula . E passou sozinho para lá de a imensa pele de serpente . Em_breve , o ruído de o Ron , tentando deslocar a rocha , deixou de se ouvir . O túnel virou uma e outra_vez . Os nervos de o corpo de o Harry tangiam de forma desagradável . Ele só queria que o túnel chegasse a o fim , fosse o que fosse que o aguardasse . E então , finalmente , quando atingiu a última curva , viu em a sua frente uma parede sólida que tinha gravadas duas serpentes enroladas uma em a outra , cujos olhos eram quatro esmeraldas , enormes e brilhantes . Harry aproximou se com a garganta seca . Não foi preciso imaginar que as serpentes eram autênticas . Os seus olhos pareciam estranhamente vivos . Foi fácil descobrir o que tinha de fazer . Pigarreou e os olhos de esmeraldas pareceram mexer se . - Abre te - disse Harry em um sibilar baixo . As serpentes desapareceram enquanto a parede se abria a o meio e , a tremer de os pés a a cabeça , Harry entrou . XVII_Herdeiro_de_Slytherin_Estava de pé em o fundo de uma divisão enorme , fracamente iluminada . Altíssimos pilares de pedra , cheios de serpentes gravadas que os enlaçavam , erguiam se , suportando um tecto que se perdia em a escuridão e que lançava sombras negras imensas através de a estranha luz esverdeada que enchia o local . Com o coração a bater descompassadamente , Harry ficou parado a ouvir aquele silêncio arrepiante . Estaria o Basilisk escondido em um canto cheio de sombras , atrás_de algum pilar ? E onde estaria Ginny ? Pegou em a varinha e avançou a o longo de as colunas serpenteantes . Cada_um de os seus passos provocava um enorme eco em as paredes sombrias . Harry tinha os olhos semicerrados e estava pronto para os fechar a o mais pequeno movimento . As órbitas de olhos fundos de as serpentes de pedra pareciam segui o . Por mais de uma_vez , com o estômago a dar um salto , Harry julgou vê os moverem se . Por fim , chegado a o nível de os dois últimos pilares , avistou uma estátua de a altura de a própria câmara que estava encostada a a parede de o fundo . Harry tinha de esticar o pescoço para olhar para_cima , para a cara de o gigante : era velho e com um ar simiesco , tinha uma barba enorme que lhe caía quase onde acabava a longa túnica de pedra . Os dois pés imensos e cinzentos pousavam em o chão de a câmara . E entre eles , voltada para baixo , estava uma figura pequenina vestida de preto com um cabelo flamejante . - Ginny - murmurou Harry , chegando perto de ela e ajoelhando se . - Ginny , por favor não estejas morta , não estejas morta ! Atirou a varinha para o lado , agarrou Ginny por os ombros e voltou a . O rosto de ela estava branco e frio como o mármore , contudo os olhos encontravam se fechados , portanto não estava petrificada . Mas então devia estar ... - Ginny , acorda por favor - repetiu Harry desesperado , sacudindo a . A cabeça de ela andava de um lado para o outro . - Ela não vai acordar - disse secamente uma voz . Harry deu um salto e girou sobre os joelhos . Um rapaz alto , de cabelo preto , estava encostado a o pilar mais próximo , a observá o . As sombras desfocavam o como_se Harry o visse através_de uma janela embaciada . Mas não havia como confundis o . - Tom , Tom_Riddle ? Riddle acenou , sem tirar os olhos de o rosto de Harry . - O que queres dizer com isso de ela não acordar ? - perguntou Harry desesperado . - Ela não está ... não está ? - Está viva - disse Riddle . - Mas , por um fio . Harry olhou fixamente para ele . Tom_Riddle estivera em Hogwarts há cinquenta anos atrás . Contudo , ali estava com uma luz estranha e desfocada a iluminá o , sem um dia a mais do_que os seus dezasseis anos . - És um fantasma ? - perguntou Harry . - Uma memória - disse Riddle . - Preservada em um diário durante cinquenta anos . Apontou para os pés de a estátua gigantesca . Ali , aberto em o chão , estava o pequeno diário de capa preta que Harry tinha encontrado em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Durante um segundo , Harry perguntou a si próprio como teria ido ali parar , mas havia coisas mais importantes a fazer . Preciso de a tua ajuda , Tom - disse Harry , levantando de_novo a cabeça de a Ginny . - Temos de sair de aqui . Há_um_Basilisk ... não sei onde está mas pode aparecer a qualquer momento . Por favor , ajuda me . Riddle não se mexeu . Harry , a transpirar , conseguiu levantar ligeiramente a Ginny de o solo e inclinou se para pegar em a varinha mas ela tinha desaparecido . - Viste a ... ? Olhou para_cima . Riddle continuava a olhá o , fazendo girar a varinha entre os dedos longos . - Obrigado - disse Harry , esticando o braço para a agarrar . Um sorriso surgiu então em os cantos de a boca de Riddle que continuou a olhar para ele , girando indolentemente a varinha . - Ouve , pá - disse Harry sem querer perder mais tempo , os joelhos a vergarem sob o peso morto de Ginny - temos de ir . Se o Basilisk aparece ... - Ele não vem enquanto não for chamado - disse Riddle com toda_a calma . Harry voltou a pousar Ginny em o chão , incapaz de a segurar por mais tempo . - Que queres dizer com isso ? - perguntou . - Dá me a minha varinha , posso precisar de ela . O sorriso de Riddle ampliou se . - Não vais precisar de ela - disse . Harry olhou o espantado . - O que queres dizer , não vou ? - Esperei muito_tempo por isto , Harry - disse Riddle . - Pela possibilidade de te ver , de falar contigo . - Olha , eu acho que tu não estás a perceber - disse Harry , perdendo a paciência . - Estamos em a Câmara_dos_Segredos , podemos conversar mais tarde . - Vamos conversar agora - disse Riddle , sorrindo de orelha a orelha e guardando a varinha de Harry em o bolso . Harry voltou a olhar para ele . Havia qualquer coisa de muito estranho em tudo aquilo . - Como é_que a Ginny ficou assim ? - perguntou pausadamente . - Bem , essa é uma pergunta interessante - disse Riddle , divertido . - E uma longa história , também . Julgo que o verdadeiro motivo que levou Ginny_Weasley a ficar assim foi o ter aberto o seu coração e revelado todos os seus segredos a um estranho ser invisível . - De quem estás a falar ? - perguntou Harry . - De o diário - disse Riddle . - De o meu diário . A Ginny escreve nele há meses e meses , contando me todas_as suas lamentáveis desgraças e atribulações : como os irmãos a arreliam , que teve de vir para a escola com manto , túnica e livros em segunda mão - os olhos de Riddle brilharam -- , que acha que o maravilhoso , o grande , o famoso Harry_Potter nunca vai gostar de ela ... Enquanto falava , nunca os olhos de Riddle se afastaram de a cara de o Harry . Havia em eles um olhar ávido . - É muito chato ter de ouvir as preocupações idiotas de uma garotinha de onze anos - prosseguiu . - Mas eu fui paciente . Respondi lhe , mostrei me simpático e amável . A Ginny pura e simplesmente adorou me . - * _ Nunca ninguém me compreendeu como tu , Tom ... estou tão feliz por ter este diário a quem me confiar ... é como ter um amigo que pode andar em o meu bolso * ... Riddle riu se . Um riso alto , frio , que não lhe ficava bem . Fez com que os cabelos de o pescoço de Harry se arrepiassem todos . - Verdade se diga que sempre consegui encantar as pessoas necessárias . Portanto a Ginny verteu em mim a sua alma e a alma de ela era precisamente o que eu queria . Fortaleceu me . Alimentei me de os seus medos mais profundos , de os seus mais obscuros segredos . Fui ficando cada_vez_mais forte e poderoso . Muito mais poderoso do_que a pequena Miss_Weasley até que comecei a transmitir lhe alguns de os meus segredos , a passar um_pouco de a minha alma para ela ... - O que queres dizer ? - perguntou Harry cuja boca ficara totalmente seca . - Ainda não descobriste , Harry_Potter ? - disse Riddle muito baixo . - Giony_Weasley abriu a Câmara_dos_Segredos , estrangulou os galos de a escola e escreveu mensagens assustadoras em as paredes . Atiçou a serpente de Slytherin contra quatro sangues de lama e contra o gato de o busca-pé . - Não - murmurou Harry . - Sim - disse calmamente Riddle . - É claro que a princípio não sabia o que estava a fazer . Era muito divertido . Gostava que visses as coisas que escreveu em o diário , começaram a ficar muito mais interessantes . * _ Querido_Tom * - recitou ele , olhando para a expressão horrorizada de o Harry . - * _ Acho que estou a perder a memória . Há penas de galo em todas_as minhas roupas e eu não sei como foram lá parar . Querido_Tom , não me lembro do_que fiz em a noite de o Hallowe'en mas foi atacada uma gata e eu estou cheia de tinta em a cara . Querido_Tom , o Percy não pára de me dizer que ando pálida e não pareço eu . Acho que ele suspeita de mim ... Houve outro ataque hoje e eu não sei onde estava . Tom , que vou eu fazer ? Acho que estou a ficar maluca ... acho que ando a atacar toda_a_gente , Tom ! * Harry tinha os punhos fechados , as unhas cravadas contra a palma de as mãos . - Levou muito_tempo até a pequenina estúpida deixar de confiar em o diário - disse Riddle . - Mas acabou por ficar desconfiada e tentou livrar se de ele . E é aí que tu entras , Harry . Tu encontraste o . E eu não poderia ter ficado mais satisfeito . De todas_as pessoas que poderiam ter ficado com ele , foste tu , aquele que eu ambicionava conhecer ... - E porque querias conhecer me ? - perguntou Harry . Começava a ser tomado por a raiva e fez um esforço para manter o tom de voz controlado . - Bem , a Ginny contou me tudo a teu respeito - disse Riddle . - A tua fascinante história . - Os seus olhos pousaram em a cicatriz em a testa de Harry e a sua expressão ganhou maior avidez . - Sabia que devia descobrir mais a teu respeito , falar te , encontrar me contigo se fosse possível . Por isso , para ganhar a tua confiança , resolvi mostrar te a famosa captura que fiz de aquele demente de o Hagrid . - O Hagrid é meu amigo - disse Harry já com a voz a tremer . - E tu tramaste o , não foi ? Pensei que tinha sido um engano , mas ... Ele riu se . O mesmo riso de antes . - Era a minha palavra contra a palavra de ele . Imagina a cara de o velho Armando_Dippet . De um lado Tom_Riddle , pobre mas brilhante , sem pais mas corajoso , prefeito de a escola , um modelo de aluno . De o outro lado , o Hagrid , grande e disparatado , arranjando problemas semana sim , semana não , tentando criar filhotes de lobisomens debaixo de a cama , escapando se para a floresta proibida para lutar com gigantes . Mas , devo admitir que até eu próprio fiquei admirado com os excelentes resultados de o meu plano . Pensei que alguém perceberia que o Hagrid nunca poderia ser o herdeiro de Slytherin . Demorei cinco anos inteirinhos até descobrir tudo_o_que me foi possível sobre a Câmara_dos_Segredos e a sua entrada secreta ... como_se o Hagrid tivesse cabeça ou poder ! - Só o professor de Transfiguração , Dumbledore , parecia achar que ele estava inocente . Convenceu Dippet a mantê o aqui e a treiná o como guarda de os campos . Sim , é natural que Dumbledore tenha adivinhado , nunca gostou de mim como os outros professores . - Aposto que Dumbledore viu através_de ti - disse Harry , de dentes cerrados . - Pelo_menos passou a vigiar me de perto , a partir de o momento em que o Hagrid foi expulso - disse Riddle descuidadamente . - Eu sabia que não era seguro voltar a abrir a câmara enquanto ainda estava em a escola mas não ia desperdiçar os longos anos que passara a pesquisar . Decidi , por isso , deixar um diário preservando em as suas páginas o meu ego de dezasseis anos para que um dia , com um_pouco de sorte , pudesse levar outro a seguir os meus passos e acabar o nobre trabalho de Salazar_Slytherin . - Bem , não o acabaste - disse Harry triunfante . - Ninguém morreu até agora , nem mesmo a gata . Dentro_de poucas horas a poção de mandrágoras estará pronta e todos os que foram petrificados voltarão de_novo a si . - Não acabei de te dizer que matar sangues de lama já não me interessa ? Há muitos meses que o meu alvo és tu . Harry olhou para ele . - Podes imaginar como fiquei furioso quando em outro dia o diário foi aberto e vi que era a Ginny quem estava a escrever e não tu . Ela viu te com o diário e entrou em pânico . E se tu descobrisses como trabalhar com ele e eu te repetisse todos os seus segredos ? Ainda pior , e se eu te contasse quem tinha andado a estrangular os galos ? Por isso , a grande palerma esperou que o teu dormitório estivesse deserto e foi lá roubá o . Mas eu sabia o que tinha de fazer . Estava muito claro para mim que a tua meta era o herdeiro de Slytherin . Por tudo_o_que a Ginny me contara a teu respeito , sabia que irias até onde fosse preciso para desvendar o mistério , principalmente se um de os teus melhores amigos tivesse sido atacado . E a Ginny disse me que a escola toda bichanava por tu falares * serpentês * ... Por isso , obriguei a Ginny a escrever a sua própria despedida em a parede , a vir até aqui e esperar . Ela debateu se e gritou e ficou muito chatinha . Mas , já não tem muita vida : pôs grande parte de ela em o diário , deu me a . O suficiente para eu abandonar , por fim , as suas páginas . Desde_que aqui cheguei que estou a a tua espera . Sabia que virias . Tenho muitas perguntas a fazer te , Harry_Potter . - Que perguntas ? - disse Harry com os punhos fechados . - Bem - prosseguiu Riddle , sorrindo de satisfação : - Como é_que um bebé sem especiais talentos de magia foi capaz de derrotar o maior feiticeiro de sempre ? Como conseguiste escapar só com uma cicatriz quando os poderes de Lord_Voldemort foram destruídos ? Havia agora em os seus olhos um brilho vermelho e irado . - O que é_que te interessa saber como eu escapei ? - disse Harry lentamente . - Voldemort veio depois de ti . - Voldemort - disse Riddle - é o meu passado , o meu presente e o meu futuro , Harry_Potter ... Tirou a varinha de o Harry de o bolso e começou a escrever em o ar três palavras brilhantes : TOM_MARVOLO_RIDDLE_Em seguida , fez um gesto com a varinha e as letras de o seu nome reagruparam se de outro modo . : __ eu sou lord __ voldemort ( I am Lord_Voldemort ) . - Vês ? - murmurou . - Era um nome que eu já usava em Hogwarts , para os meus amigos mais íntimos apenas , como é óbvio . Achas que ia usar para sempre o nome nojento de o meu pai Muggle ? Eu , em cujas veias , por o lado materno , corre o sangue de Salazar_Slytherin ? Eu , manter o nome de um Muggle tolo que me abandonou ainda antes de eu nascer só porque descobriu que a mulher com quem casara era uma bruxa ? Não , Harry , arranjei um novo nome , um nome que eu sabia que os feiticeiros de todo_o_mundo viriam um dia a ter medo de pronunciar , quando eu me tivesse tornado o maior feiticeiro de o mundo . A cabeça de Harry parecia bloqueada . Olhou como_que paralisado para Riddle , para o rapaz de o orfanato que depois de crescer iria matar os seus pais e tantos outros . Por fim , com algum esforço conseguiu falar . - Não és - disse em uma voz calma e cheia de ódio . - Não sou o quê ? - perguntou Riddle irritado . - Não és o maior feiticeiro de o mundo - disse Harry com a respiração acelerada . - Lamento desiludir te mas o maior feiticeiro de o mundo é Albus_Dumbledore . Toda_a_gente sabe . Mesmo tu , quando tinhas força , não ousavas tentar aproximar te de Hogwarts . Dumbledore viu através_de ti quando andavas em a escola e ainda agora te assusta onde quer que te escondas . O sorriso desaparecera de o rosto de Riddle , fora substituído por um olhar furioso . - Dumbledore foi afastado de este castelo por a minha simples memória - sibilou . - Ele não está tão longe como pensas - retorquiu Harry . Falava por falar , tentando assustar Riddle , desejando mais que assim fosse do_que acreditando em as suas palavras como uma verdade . Riddle abriu a boca mas não chegou a falar . Tinha começado a ouvir se uma música . Riddle deu uma volta , olhando para a câmara vazia . A música estava a ficar mais alta . Era misteriosa , arrepiante , sobrenatural . Fez_Harry ficar com os cabelos em pé e o coração aumentar lhe em o peito . Por fim , quando atingiu um ponto tão alto que Harry a sentiu vibrar dentro de as suas costelas , começaram a sair chamas de o topo de o pilar mais próximo . Uma ave carmesim de o tamanho de um cisne surgiu , assobiando a sua estranha melodia para o tecto em forma de abóbada . Tinha uma cauda dourada tão longa como a de um pavão e garras douradas e brilhantes que seguravam uma trouxa andrajosa . Segundos depois , a ave voava em direcção a Harry . Deixou cair a coisa andrajosa a os seus pés e pousou lhe pesadamente em o ombro . Quando abriu as enormes asas , Harry olhou para_cima e viu que tinha um longo bico afiado e olhos escuros pequenos e brilhantes . A ave parou de cantar . Ficou quieta junto de a cara de Harry , olhando fixamente para Riddle . - É uma fénix , disse Riddle , olhando sagazmente para ela . - Fawkes ? - murmurou Harry e sentiu as garras douradas apertarem lhe devagarinho o ombro . - E aquilo - disse Riddle , olhando para a coisa velha que Fawkes deixara em o chão - é o velho chapéu seleccionador , de a escola . Era , de facto . Amachucado , puído e sujo , o chapéu jazia imóvel a os pés de Harry . Riddle começou a rir . Riu se tanto que a câmara escura se lhe juntou em um eco tal que parecia que dez Riddles se riam ao_mesmo_tempo . - Eis o que Dumbledore envia a o seu defensor . Um pássaro que canta e um chapéu velho . Estás cheio de coragem , Harry_Potter ? Sentes te agora mais seguro ? Harry não respondeu . Podia não estar a ver a vantagem de a Fawkes ou de o chapéu seleccionador mas já não se sentia só , e esperou corajosamente que Riddle parasse de rir . - Vamos a o que importa , Harry - disse ele , ainda com um enorme sorriso . - Encontrámo nos duas vezes em o teu passado , em o meu futuro . E duas vezes falhei a o tentar matar te . Como foi que sobreviveste ? Conta me tudo . Quanto_mais falares , mais tempo tens de vida . Harry pensava rapidamente , medindo as suas possibilidades . Riddle tinha a varinha . Ele , Harry , tinha a Fawkes e o chapéu seleccionador que não lhe serviriam de muito em o combate . As coisas pareciam más , é certo . Mas quanto_mais tempo Riddle ali estivesse , mais vida retirava a a Ginny ... e , entretanto , Harry reparou que a silhueta de Riddle se tornava mais nítida , mais sólida . Se tinha de haver uma luta entre os dois , quanto_mais depressa melhor . - Ninguém sabe porque perdeste os poderes quando me atacaste - disse bruscamente . - Eu próprio não sei . Mas sei porque não conseguiste matar me . A minha mãe morreu para me salvar . A minha mãe , uma vulgar filha de Muggles - acrescentou , a tremer de raiva . - Ela impediu que tu me matasses . E eu vi te como tu és , em o ano passado . És um destroço , quase não existes . Foi onde o teu poder te levou . Estás sob um disfarce , és horrível e és louco . O rosto de Riddle contorceu se . Em seguida , forçou um sorriso pavoroso . - Quer_dizer , então , que a tua mãe morreu para te salvar . Sim , é um antifeitiço poderoso . Compreendo agora , afinal não há em ti nada de especial . Eu tinha curiosidade , sabes , porque há uma estranha semelhança entre nós , Harry_Potter . Até tu deves ter reparado . Somos ambos meio sangue , órfãos , educados com Muggles , provavelmente os dois únicos que falam * serpentês * desde o grande Slytherin , até nos parecemos um_pouco fisicamente ... mas afinal foi apenas uma questão de sorte que te salvou de mim . Era o que eu queria saber . Harry ficou parado , tenso , a a espera que Riddle levantasse a varinha mas o seu sorriso cínico ampliou se de_novo . - Agora , Harry , vou dar te uma pequena lição . Vamos confrontar os poderes de Lord_Voldemort , herdeiro de Salazar_Slytherin e de o famoso Harry_Potter , munido com as melhores armas que Dumbledore lhe deu . Lançou um olhar divertido a a Fawkes e a o chapéu seleccionador e , em seguida , afastou se . Harry com as pernas entorpecidas por o medo viu o parar entre dois pilares altos e olhar para a cara de pedra de Slytherin , lá em cima em a semi-obscuridade . Riddle abriu a boca e sibilou mas Harry compreendeu o que ele dizia . - * _ Responde-me , Slytherin , o maior de os quatro de Hogwarts * . Harry voltou se para olhar melhor para a estátua com Fawkes pousada em o ombro . A gigantesca cara de pedra de Slytherin movia se . Horrorizado , Harry viu a boca abrir se mais e mais até se transformar em um buraco negro . E algo se agitava dentro de a boca de a estátua . Algo se arrastava para fora de as suas entranhas . Harry recuou até a a parede escura de a câmara e enquanto fechava os olhos com força sentiu a asa de a Fawkes roçar lhe o rosto e levantar voo . Harry quis gritar : - Não me abandones ! - mas que possibilidades tinha uma fénix contra o rei de as serpentes ? Uma coisa enorme bateu em o chão de pedra que Harry sentiu estremecer . Sabia o que estava a acontecer , podia sentis o , quase podia ver a serpente gigantesca a sair de a boca de Slytherin . Foi então que ouviu a voz de Riddle sibilar : * _ Mata-o * . O Basilisk avançava em direcção a Harry . Ele ouvia o seu corpo enorme escorregar pesadamente por o chão cheio de pó . Com os olhos sempre fechados , Harry começou a correr para o lado , a as cegas , com as mãos abertas a tactear o caminho . Riddle ria se a as gargalhadas . Harry escorregou e caiu em o chão de pedra e a boca soube lhe a sangue . A serpente estava a poucos centímetros de ele . Podia ouvi a a aproximar se . Ouviu se um crepitar explosivo por cima de ele e alguma coisa pesada bateu lhe com tanta força que ele ficou encostado a a parede . Esperando que os dentes de a serpente lhe perfurassem o corpo , ouviu mais ruídos e qualquer coisa que se agitava com força contra os pilares . Não conseguiu evitar . Abriu bem os olhos para ver o que se passava . A enorme serpente , brilhante , de um verde veneno , espessa como o tronco de um carvalho , erguera se em o ar e a sua imensa cabeça agitava se de um lado para o outro , entre os dois pilares . Quando Harry , a tremer , se preparava para fechar de_novo os olhos , percebeu o que distraíra a cobra . Fawkes esvoaçava em volta de a sua cabeça e o Basilisk , furioso , tentava agarrá a com os dentes longos e afiados como sabres . Fawkes mergulhava . Harry deixou de ver o bico fino e dourado e uma brusca chuva de sangue escuro inundou o chão . A cauda de a serpente agitou se , não batendo em o Harry por_pouco e antes que ele pudesse fechar os olhos voltou se . Harry olhou lhe para a cara e viu que os seus olhos , os dois olhos amarelos e bolbosos tinham sido perfurados por a fénix . O sangue escorria por o chão e a serpente cuspia cheia de dores . - * _ Não * - Harry ouviu o grito de Riddle . - * _ Deixa a ave , deixa a ave , o rapaz está atrás_de ti , ainda podes cheirá o . Mata o ! * A serpente cega oscilou confusa , ainda em fúria . Fawkes andava a a volta de a cabeça de ela soprando a sua misteriosa cantilena , picando lhe aqui_e_ali o nariz cheio de escamas , enquanto o sangue jorrava de os seus olhos destruídos . - Ajudem me . Ajudem me - murmurava Harry aflito . - Alguém , ajude me . A cauda de a serpente chicoteou de_novo o chão . Harry baixou se . Algo macio tocou lhe em o rosto . O Basilisk lançara o chapéu seleccionador para os braços de o Harry que o agarrou . Era tudo_o_que tinha , a sua única esperança . Enfiou o em a cabeça e começou a ficar achatado contra o chão , enquanto a cauda de o Basilisk se lançava de_novo sobre ele . - Ajudem me , ajudem me - pensou Harry , os olhos comprimidos debaixo de o chapéu . - Por favor , ajudem me . Nenhuma voz lhe respondeu . Em vez de isso , o chapéu contraiu se como_se uma mão invisível o tivesse espalmado devagarinho . Alguma coisa muito dura e pesada caíra sobre a cabeça de Harry , conseguindo quase derrubá o . A ver estrelas em frente de os olhos , agarrou o chapéu para o puxar para baixo e sentiu lá dentro uma coisa longa e dura . Uma espada brilhante tinha surgido dentro de o chapéu . Tinha um cabo cravejado de rubis de o tamanho de pequenos ovos . - Mata o rapaz , deixa a ave . O rapaz está atrás_de ti . Cheira o ! Harry estava de pé , preparado . A cabeça de o Basilisk caía , o corpo serpenteava , batendo nos pilares quando se torcia para ficar de frente para ele . Harry podia ver as enormes órbitas ensanguentadas , a boca toda aberta , suficientemente grande para o engolir inteiro , munida de dentes tão longos como a sua espada , finos , brilhantes , venenosos ... Começou a atacar a as cegas . Harry baixou se e a serpente bateu em a parede de a câmara . Atacou de_novo e a sua língua bifurcada lambeu a parede ao_lado_de Harry que levantou a espada com ambas as mãos . O Basilisk investiu mais_uma_vez e agora a pontaria foi certa . Harry pôs todo o seu peso contra a espada e enterrou a até a os copos em o céu de a boca de a serpente . Mas quando o sangue quente lhe encheu os braços , sentiu uma dor aguda mesmo acima de o cotovelo . Um longo dente venenoso penetrava cada_vez_mais fundo em o seu braço , partindo se quando o Basilisk tombou para o lado , perdendo os sentidos . Harry escorregou a o longo de a parede , apertou com força o dente que estava a derramar veneno por todo o seu corpo e arrancou o de o braço . Mas sabia que era demasiado tarde . Uma dor quente emanava lenta e perseverantemente de a ferida . Quando deixou cair o dente e viu o seu próprio sangue manchando lhe as vestes , a vista começou a ficar turva e a câmara a diluir se em uma rotação ardente e colorida . Mas algo escarlate passou por ele e Harry ouviu a o seu lado um suave ruído de garras . - Fawkes - disse com a voz empastada . - Foste sensacional , Fawkes . - Sentiu o pássaro encostar a sua elegante cabeça a o sítio onde o dente de a serpente o tinha ferido . Ouviu passos ecoarem em o vazio e em seguida uma sombra escura moveu se em a sua frente . - Estás morto , Harry_Potter - disse a voz de Riddle , acima de ele . - Morto . Até o pássaro de Dumbledore sabe de isso . Vês o que ele está a fazer ? A chorar . Harry piscou os olhos . A cabeça de Fawkes ora estava focada , ora desfocada . Lágrimas grossas como pérolas escorriam de as suas penas . - Vou sentar me aqui a ver te morrer , Harry_Potter . Leva o teu tempo , eu não tenho pressa . Harry sentiu se sonolento . Tudo parecia girar a a sua volta . - E assim acaba o famoso Harry_Potter - disse a voz distante de Riddle . - Sozinho em a Câmara_dos_Segredos , esquecido por os amigos , finalmente derrotado por o Senhor de o mal que ele tão imprudentemente desafiou . Vais reunir te a a tua querida mãe sangue de lama , Harry ... Ela deu te doze anos de tempo emprestado ... Mas Lord_Voldemort apanhou te em o fim , como sabias que teria de acontecer . Se morrer é isto , pensou Harry , não é assim tão mau . Até a dor estava a desaparecer . Mas , estaria a morrer ? Em_vez_de ficar mais escura a câmara parecia voltar a estar nítida . Harry fez um pequeno gesto com a cabeça e viu a Fawkes ainda repousando a cabeça em o seu ombro . Uma fiada de pérolas brilhava em volta de a ferida , só que já não havia ferida . - Sai de aqui , pássaro - disse subitamente a voz de Riddle . - Afasta te de ele . Já te disse , sai de aqui ! Harry levantou a cabeça . Riddle apontava a sua varinha a Fawkes . Ouviu se um tiro que parecia de carabina e Fawkes levantou novamente voo em um rodopio de ouro e escarlate . - Lágrimas de fénix - disse Riddle em voz baixa , olhando para o braço de o Harry . - É claro ... poderes curativos ... esqueci me ... Olhou para a cara de Harry . - Mas não faz mal . Pensando bem , eu até prefiro assim . Tu e eu , Harry_Potter ... Tu e eu ... Levantou a varinha . Então , em um golpe de asa , Fawkes voou sobre as cabeças de ambos , deixando cair uma coisa em o colo de Harry : o diário . Durante uma fracção de segundo , tanto Harry como Riddle , ainda com a varinha levantada , ficaram a olhar para aquilo . Em seguida , sem pensar , sem ponderar , como_se pensasse fazê o desde o princípio , Harry agarrou o dente de o Basilisk que estava em o chão , junto de ele , e espetou o em o coração de o caderno . Ouviu se um grito longo e terrível . A tinta esguichou em torrentes de dentro de o diário , derramando se sobre as mãos de o Harry e inundando o chão . Riddle torcia se e contorcia se , agitando se a os gritos . E , por fim . Desapareceu . A varinha de Harry caiu a o chão com um ruído e fez se silêncio . Um silêncio apenas cortado por o ping ping de a tinta que ainda escorria de o diário . Com um leve crepitar , o veneno de o Basilisk abrira um buraco mesmo em o meio de o caderno . A tremer de os pés a a cabeça , Harry pôs se de pé . Sentia tudo a andar a a roda como_se tivesse viajado quilómetros e quilómetros com o pó de * _ Floo * . Lentamente apanhou a varinha e o chapéu seleccionador e com um grande estrondo retirou a espada de o céu de a boca de a serpente . Ouviu se então um gemido fraco a o fundo de a câmara . Ginny estava a mexer se . Quando Harry chegou junto de ela , sentou se . Os seus olhos abismados saltaram de o Basilisk morto para Harry em a sua roupa cheia de sangue e , em seguida , para o diário que ele tinha em as mãos . Soltou um enorme soluço e os seus olhos encheram se de lágrimas . - Harry , oh ! Harry , eu tentei dizer te a o pequeno-almoço mas não fui capaz em frente de o Percy . Era eu , Harry , mas eu ... eu ... juro que não queria ... o Riddle obrigou me , levou me e ... como é_que mataste esse bicho ? Onde está o Riddle ? A última coisa de que me lembro foi de o ver a sair de o diário ... - Está tudo bem - disse Harry , mostrando lhe o diário com o buraco de o dente . - O Riddle acabou , olha . Ele e o Basilisk . Anda , Ginny , vamos embora de aqui . - Vou com certeza ser expulsa - disse Ginny a chorar enquanto Harry a ajudava a pôr se de pé . - Desde_que o Bill veio para Hogwarts que eu sonhava vir também para cá e agora vou ter de me ir embora e ... O que vão a minha mãe e o meu pai dizer ? Fawkes esperava por eles , suspensa em o ar , a a entrada de a câmara . Harry fez a Ginny avançar , passaram sobre os anéis parados de o Basilisk , por a escuridão cheia de ecos e voltaram a o túnel . Harry ouviu as portas de pedra fecharem se atrás de eles com um leve sibilar . Depois de alguns minutos a caminhar por o túnel escuro , chegou a os ouvidos de Harry o som distante de o deslocar de uma rocha . - Ron - gritou ele , apressando se . - A Ginny está bem . Está aqui comigo ! Ouviu o Ron gritar de alegria e , voltando em a curva logo_a_seguir , viram a sua cara ansiosa a espreitar por a fresta que conseguira abrir durante a avalancha . - Ginny ! - Ron estendeu o braço por a fresta para a puxar primeiro . - Estás viva . Não posso acreditar . O que aconteceu ? Tentou abraçá a mas a Ginny afastou o , soluçando . - Mas estás bem , Ginny - disse o Ron , sorrindo para ela . - Já passou tudo ... De onde veio esse pássaro ? Fawkes passara por a abertura , atrás_de Ginny . - É de o Dumbledore - explicou Harry , espremendo se para caber também . - E como arranjaste uma espada ? - perguntou o Ron , olhando para a arma brilhante que Harry tinha em a mão . - Eu explico te tudo quando sairmos de aqui - disse Harry , lançando um olhar de esguelha a a Ginny . - Mas ... - Mais tarde - disse Harry rapidamente . Não lhe parecia uma boa ideia contar a o Ron quem tinha aberto a câmara , ali , em frente de a Ginny . - Onde está o Lockhart ? - Ali atrás - disse o Ron , a rir e a abanar a cabeça em direcção a o cano . - Está em muito mau estado . Anda ver . Conduzidos_pela_Fawkes , cujas grandes asas escarlates emitiam um suave dourado que brilhava em a escuridão , voltaram a o lugar onde o cano começava . Gilderoy_Lockhart estava sentado a falar sozinho . - Perdeu a memória - disse o Ron . - O feitiço de a memória fez ricochete . Não sabe quem é nem onde está , nem_sequer sabe quem nós somos . Eu disse lhe que viesse para aqui e esperasse . É um perigo para ele próprio . Lockhart olhou os bem-disposto . - Olá - disse . - Que lugar estranho , este . É aqui que vocês moram ? -- Não - respondeu o Ron , levantando as sobrancelhas para o Harry . Harry baixou se e observou o túnel escuro e longo . - Já pensaste como é_que vamos sair de aqui ? - perguntou a o Ron . O amigo abanou a cabeça mas Fawkes , a fénix , tinha passado por o Harry e estava agora em o ar , em frente de ele , os olhos como pérolas a brilharem em o escuro . Abanava as longas penas douradas de a cauda . Harry olhou para ela , inseguro . - Ela parece querer que a agarres - disse o Ron , perplexo . - Mas tu és muito pesado para um pássaro . - A Fawkes - disse Harry - não é um pássaro qualquer . Voltou se rapidamente para os companheiros . - Temos de nos agarrar uns a os outros . Ginny , agarra a mão de o Ron . O professor Lockhart ... - Ele está a falar consigo - disse o Ron secamente . - Agarre a outra mão de a Ginny . Harry guardou a espada e o chapéu seleccionador em o cinto . Ron deitou a mão a a roupa de Harry e Harry agarrou as penas de a cauda , estranhamente quentes , de a Fawkes . Sentiu uma extraordinária leveza apoderar se de todo o seu corpo e em seguida estavam todos a voar por o cano acima . Harry conseguia ouvir Lockhart , lá atrás , comentando : - Espantoso , isto parece mágico ! Ar frio batia em os cabelos de Harry e antes que ele deixasse de gostar de a viagem já ela acabara . Os quatro tinham chegado a o chão molhado de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa e , enquanto Lockhart endireitava o chapéu , o lavatório voltara a o seu lugar , tapando o cano . A Murta arregalou os olhos . - Vocês estão vivos - disse inexpressivamente a o Harry . - Não é preciso mostrares te tão desiludida - respondeu ele , muito sério , limpando as nódoas de sangue e lodo de os óculos . - Bem ... é_que eu pensei que se vocês morressem seriam bem-vindos a a minha casa_de_banho - disse a Murta com um rubor prateado . - Urgh ! - fez o Ron , quando saíram de ali para o corredor deserto . - Harry , acho que a Murta está a gostar de ti . Tens concorrência , Ginny ! A Ginny continuava a chorar silenciosamente . - Onde vamos agora ? - perguntou o Ron , olhando ansiosamente para ela . Harry apontou . Fawkes indicava o caminho , com o seu tom dourado que brilhava em o corredor . Seguiram a e pouco depois estavam em o escritório de a professora Mc_Gonagall . Harry bateu e empurrou a porta que estava encostada . XVIII_A recompensa de Dobby_Durante alguns momentos reinou o silêncio enquanto Harry , Ron , Ginny e Lockhart estavam em a entrada de a porta . Cobertos de pó e de lama e ( em o caso de o Harry ) sangue . Em seguida , ouviu se um grito . - Ginny ! Era_Mrs._Weasley que tinha estado a chorar , sentada em frente de o lume . Pôs se de pé em um salto , seguida de Mr._Weasley e precipitaram se ambos para a filha . Harry olhava para trás de eles . Dumbledore rejubilava junto de a lareira , a o lado de a professora Mc_Gonagall que , agarrada a o queixo , respirava com dificuldade . Fawkes rasou as orelhas de o Harry e foi instalar se em o ombro de Dumbledore , ao_mesmo_tempo que Harry dava por si em os braços de Mrs._Weasley . - Tu salvaste a ! Salvaste a ! : __ como foi que __ conseguiste ? - Acho que todos nós gostaríamos de saber - disse , sem energia , a professora Mc_Gonagall . Mrs._Weasley soltou o Harry , que hesitou um momento . Depois , foi até a a secretária e colocou sobre o tampo o chapéu seleccionador , a espada cravejada de rubis e o que restava de o diário de Riddle . Em seguida , contou lhes tudo . Falou durante quase um quarto de hora em o silêncio extasiado : contou lhes de a voz sem corpo que ouvia , como a Hermione acabara por descobrir que se tratava de um Basilisk que circulava em os canos , como ele e o Ron tinham seguido as aranhas até a a floresta , que Aragog lhes dissera que a última vítima de o Basilisk morrera , como tinham chegado a a conclusão que se tratava de a Murta_Queixosa e que a entrada para a Câmara_dos_Segredos devia ser em aquela casa_de_banho ... - Muito bem - elogiou a professora Mc_Gonagall quando ele se calou . - Então tu descobriste onde era a entrada , infringindo uma centena de regras de a escola por o caminho , devo dizer , mas como diabo saíram vocês vivos de lá de dentro ? Harry , com a voz já um_pouco rouca de falar tanto , contou lhes de a chegada de a Fawkes e de o chapéu seleccionador que lhe tinha dado a espada . Mas , chegando aí , hesitou . Até a o momento evitara referir se a o diário de Riddle ou a a Ginny . Ela tinha a cabeça encostada a o ombro de Mrs._Weasley e as lágrimas corriam lhe ainda por o rosto . E se a expulsassem ? - pensou Harry , tomado de pânico . O diário de Riddle já não funcionava ... quem poderia provar que fora ele que a obrigara a fazer tudo aquilo ? Olhou instintivamente para Dumbledore que sorria , o fogo iluminando lhe os óculos de meia-lua . - O que mais me interessa saber - disse Dumbledore amavelmente - é como conseguiu Lord_Voldemort enfeitiçar a Ginny quando as minhas fontes me dizem que ele se esconde habitualmente em as florestas de a Albânia . Um alívio , quente e glorioso percorreu Harry de a cabeça a os pés . - O quê ? - disse Mr._Weasley , em uma voz estupefacta . - O Quem nós sabemos enfeitiçou a Ginny ? Mas a Ginny não ... a Ginny não morr ... ? - Foi este diário - esclareceu Harry rapidamente . E mostrando o a Dumbledore . - O Riddle escreveu o quando tinha dezasseis anos . Dumbledore pegou em o diário e olhou atentamente por cima de o seu nariz longo e adunco para as páginas queimadas e húmidas . - Fantástico - disse em voz baixa . - É claro que ele deve ter sido o aluno mais brilhante que alguma vez passou por Hogwarts . - Olhou em volta para os Weasley que o observavam com um ar totalmente confuso . - Muito poucas pessoas sabem que Lord_Voldemort se chamou em tempos Tom_Riddle . Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos , em Hogwarts . Ele desapareceu depois de deixar a escola , viajou muito , mergulhou tão fundo em as artes de a magia negra , associado a os piores feiticeiros , realizou transformações mágicas tão perigosas que quando reapareceu como Lord_Voldemort estava totalmente irreconhecível . Ninguém o relacionou com o rapazinho inteligente e bonito que aqui foi , em tempos , chefe de turma . - Mas a Ginny - insistiu Mrs._Weasley . - O que tem a nossa Ginny que ver com ele ? - O diário - soluçou Ginny . - Eu andei todo o ano a escrever em o diário e ele respondia me ... - Ginny ! - repreendeu Mr._Weasley . - Não aprendeste nada do_que te ensinei ? Não me cansei de dizer te que nunca confiasses em nada que não pensasse por si próprio * se não conseguisses ver onde tinha o cérebro ? * Porque não me mostraste o diário , a mim ou a a tua mãe ? Um objecto suspeito como esse tinha de estar cheio de magia negra ! - Eu não sabia - soluçou Ginny . - Estava junto de os livros que a mãe me comprou . Pensei que alguém se tinha esquecido de ele ali . - É melhor Miss_Weasley ir imediatamente para a ala hospitalar - interrompeu Dumbledore com voz firme . - Foi sujeita a uma prova terrível . Não será castigada . Outros feiticeiros mais velhos do_que ela têm sido ludibriados por Lord_Voldemort . - Dirigiu se a a porta e abriu a . - Repouso , cama e talvez uma caneca de chocolate quente . A mim , anima me sempre - acrescentou , piscando lhe simpaticamente o olho . - Vais ver que Madam_Pomfrey ainda está acordada . Ela tem estado a dar o sumo de Mandrágora , julgo que as vítimas de o Basilisk estarão a acordar dentro_de momentos . de alegria . - Então a Hermione está bem ! - disse o Ron , cheio de alegria . - Não houve danos irreversíveis - disse Dumbledore . Mrs._Weasley saiu com a Ginny e Mr._Weasley seguiu as ainda bastante abalado . - Sabes , Minerva - disse pensativo o professor Dumbledore - acho que tudo_isto merece um banquete . Posso pedir te que previnas os cozinheiros ? - Certamente - disse animada a professora Mc_Gonagall , dirigindo se também a a porta . - Deixo te a tratar de as coisas com o Potter e o Weasley , está bem ? - Claro - disse Dumbledore . Saiu e os dois olharam inseguros para Dumbledore . Que quereria ela dizer com tratar de as coisas ? Certamente não iriam ser castigados ? - Lembro me de vos ter dito a ambos que teria de vos expulsar se voltassem a quebrar as regras de a escola - disse Dumbledore . Ron abriu a boca horrorizado . - O que vem mostrar nos que as melhores pessoas , às_vezes , têm de engolir as suas próprias palavras . - Dumbledore sorriu e continuou : - Vocês vão receber ambos uma recompensa especial por serviços prestados a a escola e ... deixem me ver , sim , acho que duzentos pontos cada_um para os Gryffindor . Ron ficou tão corado que parecia as flores de S._Valentim_do_Lockhart e voltou a fechar a boca . - Mas um de vós parece demasiado calado sobre a sua participação em esta perigosa aventura - acrescentou Dumbledore . - Porquê tanta modéstia , Gilderoy ? Harry estremeceu . Esquecera se por completo de Lockhart . Voltou se e viu o a um canto de a sala ainda com o mesmo sorriso vago . Quando Dumbledore se lhe dirigiu , olhou por cima de o ombro para ver com quem ele estava a falar . - Professor_Dumbledore - disse o Ron rapidamente - Houve um acidente lá em baixo , em a Câmara_dos_Segredos . O professor Lockhart - Eu sou um professor ? - perguntou Lockhart surpreendido . - E eu que pensei que era um inútil ! - Tentou fazer um feitiço antimemória e a varinha fez ricochete - explicou Ron_a_Dumbledore . - Incrível - disse Dumbledore , abanando a cabeça , o bigode prateado a tremer . - Trespassado por a tua própria espada , Gilderoy ! - Espada ? - disse Lockhart de forma imprecisa . - Eu não tenho espada . Esse rapaz é_que tem - apontou para Harry . - Ele empresta lhe uma . - Importas te de levar também o professor Lockhart até a a ala hospitalar , Ron ? - disse Dumbledore . - Eu gostava de falar um_pouco mais com o Harry . Lockhart saiu sem pressa . Antes de fechar a porta , Ron lançou um olhar curioso a Dumbledore e Harry . Dumbledore passou para uma de as cadeiras junto de o lume . - Senta te , Harry - disse . E Harry sentou se , sentindo se indescritivelmente nervoso . - Antes de mais , Harry , quero agradecer te - disse Dumbledore com os olhos a brilharem de_novo . - Deves ter demonstrado uma grande lealdade para comigo . Só isso poderia atrair a Fawkes para ir ajudar te . Deu uma palmadinha a a fénix que voara , entretanto , para_cima de os seus joelhos . Harry sorria acanhadamente sob o olhar observador de Dumbledore . - Encontraste , portanto , Tom_Riddle - disse o director amavelmente . - Calculo que ele estaria particularmente interessado em ti ... De repente , algo que Harry tinha engasgado saiu lhe descontroladamente de a boca para fora . - Professor_Dumbledore ... o Riddle disse que eu sou como ele , que há entre nós estranhas semelhanças ... - Ah ! sim ? - Dumbledore olhou pensativamente para ele , por debaixo de as espessas sobrancelhas prateadas . - E o que achas tu de isso ? - Eu não me considero parecido com ele - disse Harry mais alto do_que desejaria . - Isto_é , eu sou um Gryffindor , eu sou ... Mas calou se com uma dúvida a rondar lhe o espírito . - Professor - arriscou passado alguns momentos . - O chapéu seleccionador disse que eu ... teria ficado bem em os Slytherin ; durante algum tempo toda_a_gente pensou que eu era o herdeiro de Slytherin por falar * serpentês * ... - Tu falas * serpentês * , Harry - disse Dumbledore calmamente - porque Lord_Voldemort que é o mais recente antepassado de Salazar_Slytherin , fala * serpentês * . Ou eu me engano muito , ou ele transferiu para ti alguns de os seus poderes em a noite em que te fez essa cicatriz . Não que quisesse fazê o , claro , mas aconteceu . - Voldemort pôs um_pouco de si próprio em mim ? - disse Harry assombrado . - É o que parece ter acontecido . - Então eu deveria estar em os Slytherin - disse Harry , olhando desesperado para o rosto de Dumbledore . - O chapéu seleccionador viu em mim os poderes de Slytherin e ... -- Pôs te em os Gryffindor - concluiu tranquilamente Dumbledore . - Ouve , Harry , tu tens por acaso muitas de as capacidades que Salazar_Slytherin apreciava em os seus estudantes cuidadosamente seleccionados . O seu raro dom de falar * serpentês * , desenvoltura , determinação , um certo desprezo por as regras estabelecidas - acrescentou com o bigode a tremer de_novo . - Mas ainda_assim , o chapéu seleccionador pôs te em os Gryffindor . E sabes porquê ? Pensa um_pouco . - Só me pôs em os Gryffindor - disse Harry em uma voz débil - porque eu pedi para não ir para os Slytherin . - Exacto - disse Dumbledore a sorrir . - E isso torna te muito diferente de o Tom_Riddle . São as tuas escolhas , Harry , que mostram quem de facto tu és , mais do_que as tuas capacidades . Harry sentou se , imóvel e espantado , em a cadeira . - Se queres provas de que o teu lugar é em os Gryffindor , sugiro que vejas isto com mais atenção . Dumbledore aproximou se de a secretária de a professora Mc_Gonagall , pegou em a espada de prata ensanguentada e mostrou lhe a . Sem perceber , Harry voltou a ao_contrário . Os rubis brilharam a a luz de a lareira e foi então que ele reparou em o nome gravado mesmo por baixo de o copo de a espada . GODRIC_GRYFFINDOR . - Só um verdadeiro Gryffindor poderia ter tirado a espada de dentro de o chapéu , Harry - disse , com simplicidade , Dumbledore . Durante um minuto , nenhum de os dois falou . Depois , Dumbledore abriu uma de as gavetas de a secretária de a professora Mc_Gonagall e retirou de lá uma pena e um tinteiro . - Tu precisas de comer e ir dormir . Sugiro que desças para o banquete enquanto eu escrevo para Azkaban . Precisamos de recuperar o nosso guarda de os campos . E tenho de esboçar um anúncio para o * _ Profeta_Diário * - acrescentou pensativo . - Vamos precisar de um novo professor de Defesa contra as artes negras . É um problema , estamos sempre a perdê os . Harry levantou se e dirigiu se a a porta . Tinha acabado de estender a mão para o puxador quando ela se abriu tão violentamente que saltou de as dobradiças . Lucius_Malfoy estava de pé , furioso . E , debaixo de o braço , embrulhado em diversas ligaduras , estava Dobby . - Boa tarde , Lucius - disse Dumbledore , de forma amena . Mr._Malfoy quase derrubou Harry enquanto entrava em a sala . Dobby dava passos miudinhos atrás de ele , inclinado até a a bainha de o seu manto com um olhar apavorado em o rosto . - Então - disse Lucius_Malfoy com os olhos fixos em Dumbledore - voltaste . Os membros de o Conselho_Directivo suspenderam te , mas tu mesmo_assim sentiste te capaz de voltar a Hogwarts . - Bem vês , Lucius - disse Dumbledore , sorrindo serenamente . - Os outros membros de o Conselho contactaram me hoje . Fui envolvido em um redemoinho de corujas , todos queriam contar me a verdade . Ouviram dizer que a filha de Arthur_Weasley tinha sido morta e queriam me novamente aqui . Parece que me consideravam o melhor homem para o lugar . Contaram me algumas histórias muito estranhas . Alguns de eles tinham a impressão que tu tinhas ameaçado amaldiçoar lhes as famílias se não concordassem com a minha suspensão . Mr._Malfoy ficou ainda mais pálido do_que de costume , mas os olhos continuavam cheios de fúria . - Então já acabaste com os ataques ? - rosnou . - Apanhaste o culpado ? - Já , sim - disse Dumbledore com um sorriso . - E quem é ? - perguntou Malfoy secamente . - A mesma pessoa de a última vez , Lucius - disse Dumbledore . Mas desta_vez , Lord_Voldemort agiu através_de outra pessoa , por_meio_de um diário . Pegou em o pequeno caderno com o buraco em o meio , observando Mr._Malfoy de perto . Mas Harry olhava para Dobby . O elfo fazia um sinal muito estranho . Com os seus grandes olhos fixos em Harry , não parava de apontar para ó diário e , em seguida , para Mr._Malfoy , batendo logo_a_seguir com o punho em a cabeça . - Estou a ver ... - disse Mr._Malfoy lentamente a Dumbledore . - Um plano inteligente - afirmou o director em um tom de voz suave , continuando a olhar Mr._Malfoy directamente em os olhos . - Porque se não fosse aqui o Harry e o seu amigo Ron a descobrirem o diário , sem dúvida Ginny_Weasley teria ficado com todas_as culpas . Ninguém teria conseguido provar que ela agira contra a sua própria vontade . Mr._Malfoy não se pronunciou . O seu rosto parecia agora uma máscara . - E vê bem - continuou Dumbledore - o que poderia ter acontecido ... os Weasley são uma de as mais proeminentes famílias de feiticeiros de sangue puro , imagina o efeito em a imagem de Arthur_Weasley e em a sua acção de protecção a os Muggles , se a sua própria filha fosse acusada de atacar e matar filhos de Muggles . Foi uma sorte o diário ter sido descoberto e as memórias de Riddle apagadas . Quem sabe que consequências poderia ter tido ? Mr._Malfoy falou contra vontade . - Sim , foi uma sorte - disse secamente . E , em as suas costas , Dobby continuava a apontar para o diário e para Lucius_Malfoy , batendo depois com o punho em a cabeça . E Harry finalmente percebeu . Fez um sinal a Dobby que correu a esconder se em um canto , torcendo desta_vez as orelhas para se castigar . - Não quer saber como a Ginny obteve esse diário , Mr._Malfoy ? - perguntou Harry . Lucius_Malfoy voltou se para ele . - Como queres que eu saiba onde é_que a estúpida de a garota o arranjou ? - Porque foi o senhor quem lhe o deu - disse Harry . - Em a Flourish and Blotts . O senhor pegou em o livro velho de ela de Transfiguração e meteu o diário lá dentro , não foi ? Viu as mãos brancas de Mr._Malfoy abrirem se e fecharem se . - Prova isso - sibilou . - Oh ! ninguém vai poder prová o - disse Dumbledore sorrindo a o Harry . - Não agora_que o Riddle desapareceu de o caderno . Por outro lado , aconselharia te , Lucius , a não dares mais nenhuma de as coisas velhas de Lord_Voldemort . Se mais alguma for parar a as mãos de crianças inocentes , acho que o Arthur_Weasley fará com que se voltem com toda_a sua carga negativa contra ti . Lucius_Malfoy ficou calado um momento e Harry viu claramente a sua mão direita torcer se como_se desejasse chegar a a varinha . Em vez de isso , voltou se para o seu elfo doméstico . - Vamos , Dobby . Abriu a porta e quando o elfo se aproximou deu lhe um pontapé que o projectou para longe . Ouviram se em o escritório os gritos de dor de Dobby em o corredor . Harry pensou durante um momento e depois decidiu se . - Professor_Dumbledore - disse apressadamente . - Posso dar o diário outra_vez a Mr._Malfoy ? - Certamente , Harry - disse Dumbledore com toda_a calma . - Mas não demores , olha o banquete . Harry agarrou em o diário e saiu de o escritório . Os gritos de dor de Dobby afastavam se ao_longe . Sem perder tempo , perguntando a si próprio se o plano poderia resultar , Harry tirou um de os sapatos , puxou uma de as peúgas enlameadas e viscosas e meteu o diário lá dentro . Em seguida correu até a o fundo de o corredor escuro . Apanhou os em o topo de as escadas . - Mr._Malfoy - disse ofegante , parando . - Tenho uma coisa para si . E meteu a peúga mal cheirosa em a mão de Lucius_Malfoy . - O que é ... ? Mr._Malfoy tirou o diário de dentro de a peúga , deitou a fora e olhou furioso para o caderno estragado e para Harry - Ainda vais acabar por ter um fim igual a o de os teus pais um dia de estes , Harry_Potter - disse em voz baixa . - Eles também eram uns idiotas metediços . Voltou se para se ir embora . - Anda , Dobby , vem ! Mas Dobby não se mexeu . Tinha em as mãos a peúga nojenta de o Harry e olhava para ela como_se fosse um tesouro de valor incalculável . - O senhor deu uma peúga a o Dobby - disse o elfo maravilhado . - Deu a a o Dobby . - O que é isso ? - cuspiu Mr._Malfoy . - Que estás para aí a dizer ? - Dobby tem uma peúga - repetiu incrédulo . - O senhor deitou a fora e Dobby apanhou a e Dobby agora é livre ... Lucius_Malfoy ficou paralisado a olhar para o elfo . Em seguida precipitou se para Harry . - Fizeste me perder o meu servo , rapaz . Mas Dobby gritou : - Não pense que vai fazer mal a o Harry_Potter ! Ouviu se um enorme estrondo e Mr._Malfoy foi empurrado de costas , galgando os degraus de as escadas a três_e_três e indo aterrar lá em baixo todo embrulhado e amarrotado . Levantou se , o rosto lívido e pegou em a varinha , mas Dobby estendeu lhe um dedo ameaçador . - Vá se embora já - disse furioso , apontando para Mr._Malfoy . - Não tocará em o Harry_Potter . Vá se embora , já . Lucius_Malfoy não teve escolha . Lançando a os dois um último olhar de cólera , embrulhou se em o manto e desapareceu . - Harry_Potter libertou Dobby ! - disse o elfo com voz esganiçada , olhando para Harry , a luz de o luar reflectida em os seus grandes olhos em forma de globos . - Harry_Potter libertou Dobby . - Era o mínimo que eu podia fazer , Dobby - disse Harry a sorrir -- , mas promete me que não vais voltar a tentar salvar me a vida . A cara feia e escura de o elfo abriu se , mostrando os dentes , em um enorme sorriso . - Tenho uma pergunta a fazer te , Dobby - disse Harry enquanto o elfo pegava em a peúga de ele com as mãos a tremer . - Disseste me que tudo_isto não tinha nada que ver com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Lembras te ? - Era uma pista , senhor - disse Dobby com os olhos muito abertos como_se fosse absolutamente óbvio . - Dobby estava a dar lhe uma pista . Antes de o senhor de o mal mudar de nome , o seu nome podia ser pronunciado , está a ver ? - Certo - disse Harry sem grande convicção . - Bem , é melhor eu ir indo embora . Há um banquete e a minha amiga Hermione já deve ter acordado ... Dobby lançou os braços a a cintura de Harry e abraçou o . - Harry_Potter é muito maior do_que Dobby imaginava ! - soluçou . - Adeus , Harry_Potter . E com um estalido final , Dobby desapareceu . Harry assistira a diversos banquetes , mas nenhum que se parecesse com aquele . Estavam todos de pijama e a festa durou a noite inteira . Harry não sabia se o melhor tinha sido a Hermione a correr para ele e a gritar : - Tu conseguiste . Tu conseguiste ! , ou o Justin saindo disparado de a mesa de os Hufflepuff para lhe estender a mão , desfazendo se em desculpas por ter suspeitado de ele , ou o Hagrid que apareceu a as três_e_meia e que lhes deu palmadas com tanta força em os ombros que eles foram parar dentro de os pratos de bolo de creme , ou os quatrocentos pontos que ele e o Ron obtiveram para os Gryffindor , ganhando a taça de a equipa por a segunda vez consecutiva , ou a professora Mc_Gonagall de pé , a comunicar lhes que os exames tinham sido cancelados como medida de a escola ( Oh ! não ! exclamou Hermione ) , ou Dumbledore a anunciar que , infelizmente , o professor Lockhart não poderia voltar em o ano seguinte por ter de se ausentar a_fim_de recuperar a memória . Alguns de os professores juntaram se a os alunos que aplaudiram entusiasmados esta notícia . - Que pena - disse Ron , servindo se de um * dounut * de presunto . - E eu que começava a gostar de ele ... O resto de o período de Verão decorreu sob um sol escaldante . Hogwarts voltara a a normalidade , apenas com algumas pequenas diferenças : as aulas de Defesa contra as artes negras foram canceladas ( Mas nós tivemos imensa prática - disse o Ron vendo o descontentamento de Hermione ) e Lucius_Malfoy foi demitido de o Conselho_Directivo . Draco já não passeava por ali como_se fosse o dono de a escola . Pelo_contrário , tinha um ar melindrado e carrancudo . Por outro lado , Ginny_Weasley andava de_novo feliz de a vida . Em_breve chegou o dia de regressarem a casa em o Expresso_de_Hogwarts . Harry , Ron , Hermione , Fred , George e Ginny encheram um compartimento . Tiraram o_máximo partido de aquelas últimas horas em que lhes era permitido usar a magia antes de as férias . Brincaram a as explosões , gastaram o último fogo-de-artíficio Filibuster , de o Fred e de o George e treinaram o mútuo desarmamento através de a magia . Harry começava a ficar muito bom em aquilo . Já estavam perto de a estação de King's_Cross quando Harry se lembrou de uma coisa . - Ginny , o que foi que viste o Percy fazer que ele não queria que nos contasses ? - Ah ! isso - disse a Ginny a rir . - Bem , é_que o Percy tem uma namorada . Fred deixou cair uma pilha de livros em a cabeça de o George . - O quê ? - É aquela prefeita de os Ravenclaw ' Penelope_Clearwater - disse a Ginny . - Foi para ela que ele escreveu durante todo o Verão . Encontravam se em a escola em grande segredo . Eu apanhei os a beijarem se em uma sala de aula vazia e ele ficou tão aflito quando ela foi ... sabes ... atacada . Não vais aborrecê o , pois não ? - perguntou cheia de ansiedade . - Que ideia - respondeu Fred com uma tal satisfação em o rosto que parecia que o seu aniversário chegara mais cedo . - Claro que não - disse o George a rir se a a socapa . O Expresso_de_Hogwarts abrandou e finalmente parou . Harry tirou a pena e um_pouco de pergaminho e voltou se para Ron e Hermione . - Isto_é um número de telefone - disse ele a o Ron , escrevinhando o duas vezes , cortando o pergaminho a o meio e dando lhes os números . - Eu expliquei a o teu pai como usar um telefone em o Verão passado . Ele sabe fazer a chamada . Liga me para_casa de os Dursley , O. _ K. ? Não consigo suportar outros dois meses sem ter mais ninguém com quem falar ... - Mas a tua tia e o teu tio vão ficar orgulhosos de ti , não vão ? - perguntou Hermione quando saíram de o comboio e se misturaram em a multidão que se encontrava junto de a barreira encantada . - Quando souberem o que fizeste este ano . - Orgulhosos ? - disse Harry . - Estás doida ! Podendo eu ter morrido tantas vezes e tendo escapado ? Vão ficar é furiosos ... E juntos avançaram até a a entrada para o mundo de os Muggles . ----------------- J._K._Rowling_Harry_Potter e a Câmara_dos_Segredos_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Chamber of Secrets_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling 1998 Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 2000 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 2.a edição , Lisboa , Janeiro , 2000 Depósito legal : 143.569/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , a a Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Para_Séan_P._F._Harris , condutor imparável e um amigo de os diabos . I_O pior aniversário Não era a primeira vez que uma discussão estoirava a a mesa de o pequeno-almoço , em o número 4 de a Privet_Drive . Mr._Vernon_Dursley fora acordado de manhã cedo por o piar ruidoso que vinha de o quarto de o seu sobrinho Harry . - É a terceira vez esta semana ! - resmungou , a a mesa . - Se não consegues controlar essa coruja , ela não pode ficar aqui . Harry tentou , mais_uma_vez , explicar . - Ela está aborrecida . Estava habituada a voar livremente lá fora . Se eu pudesse , ao_menos , soltá a a a noite ... - Achas me com cara de idiota ? - perguntou rispidamente o tio Vernon , com um fio de ovo preso em o bigode farfalhudo . - Sei muito bem o que aconteceria se essa coruja fosse lá para fora . Trocou um olhar soturno com a mulher , a tia Petúnia . Harry tentou contra-argumentar , mas as suas palavras foram abafadas por um enorme arroto de o filho de os Dursleys , Dudley . - Quero mais bacon . - Há mais em a frigideira , fofinho - disse a tia Petúnia , lançando um olhar vago a o seu filho maciço . - Tens que te alimentar bem enquanto aqui estás , aquela comida de a tua escola não me cheira . - Disparate , Petúnia , eu nunca passei fome enquanto andei em Smeltings - afirmou com sinceridade o tio Vernon . - O Dudley tem que chegue . Não é verdade , filho ? Dudley , que era tão gordo que o rabo saía de os dois lados de a cadeira de a cozinha , sorriu laconicamente e voltou se para Harry . - Passa me a frigideira . -- Esqueceste te de a palavra mágica - disse Harry , irritado . O efeito que esta simples frase teve em o resto de a família foi inacreditável : Dudley começou a arfar e caiu de a cadeira com um estrondo que abalou a cozinha , Mrs._Dursley deu um gritinho e bateu com a mão em a boca , Mr._Dursley pôs se de pé com as veias de as têmporas dilatadas . - Eu queria dizer « por favor » - explicou Harry rapidamente . - Não me referia a ... - : __ o que é_que eu te __ disse - vociferou o tio , espalhando perdigotos sobre a mesa - : __ sobre pronunciar a palavra m . em esta __ casa ? - Mas eu ... - : __ como te atreves a ameaçar o __ dudley ! - rosnou o tio Vernon , batendo com o punho em a mesa . - Eu só ... - : __ estás avisado . não vou admitir referências a tua anormalidade debaixo de o tecto de a minha __ casa ! Harry olhou alternadamente para o rosto congestionado de o tio e para a palidez de a tia que tentava pôr o Dudley de pé . - Está bem - disse Harry . - Está bem ... O tio Vernon voltou a sentar se , respirando como um rinoceronte exausto e observando Harry de perto por o canto de os seus olhos pequeninos e penetrantes . Desde_que Harry regressara para as férias de Verão que o tio Vernon o tratava como_se ele fosse uma bomba , capaz de explodir a qualquer momento , porque Harry não era um rapazinho normal . Em a verdade , ele era o menos normal que é possível imaginar . Harry_Potter era um feiticeiro , um feiticeiro que acabara de concluir o primeiro ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts e a infelicidade que os Dursleys sentiam por ele estar lá em casa não era nada comparada com a de Harry . As saudades de Hogwarts eram tão intensas que se assemelhavam a uma constante dor em o estômago . Sentia a falta de o castelo com as suas passagens secretas e os seus fantasmas , de as aulas ( com excepção talvez de as de Snape , o professor de as poções ) , de o correio a chegar trazido por as corujas , de os banquetes em o salão nobre , de as noites em as camas de dossel em a camarata de a torre , de as visitas a Hagrid , o guarda de os campos em a sua casinha em o bosque , junto de a floresta proibida e , principalmente , sentia a falta de o Quidditch , o desporto mais popular de o mundo de os feiticeiros ( seis postes altos de golo , quatro bolas esvoaçantes e catorze jogadores em_cima_de vassoura ) . Todos os livros de feitiços de Harry , assim_como a varinha , os mantos , o caldeirão e a vassoura topo de gama Nimbus dois_mil tinham sido encerrados por o tio Vernon em a despensa que ficava debaixo de as escadas , em o momento em que Harry regressara a casa . O que é_que lhes interessava se ele perdia ou não o seu lugar em a equipa de Quidditch por não ter praticado durante todo o Verão ? Que importância tinha para eles que o Harry voltasse a a escola sem ter podido fazer os trabalhos de casa ? Os Dursleys eram aquilo que os feiticeiros chamam « Muggles » ( nem uma gota de sangue mágico em as veias ) e , para eles , ter um feiticeiro em a família era motivo de grande vergonha . O tio Vernon tinha , inclusivamente , fechado a cadeado a coruja de Harry , Hedwig , dentro de a gaiola , para evitar que ela transportasse mensagens para a gente de o mundo de a feitiçaria . Harry não se parecia em nada com o resto de a família . O tio Vernon era atarracado e sem pescoço , dotado de um enorme bigode preto ; a tia Petúnia tinha um rosto cavalar e era esquelética ; Dudley era loiro e rosado como um porquinho . Harry , pelo_contrário , era baixo e franzino , com os olhos verdes brilhantes e cabelo negro sempre desalinhado . Usava uns óculos redondos e tinha em a testa uma cicatriz em forma de relâmpago . Era essa cicatriz que o tornava tão invulgar , mesmo para um feiticeiro . Era a única alusão a o seu passado misterioso , a o motivo por o qual , onze anos antes , tinha sido deixado em o degrau de a porta de os Dursleys . Com um ano de idade , Harry sobrevivera a uma maldição de o maior feiticeiro negro de todos os tempos , Lord_Voldemort , cujo nome a maior parte de os feiticeiros e feiticeiras ainda receia pronunciar . Os pais de Harry tinham morrido em um ataque de Voldemort , mas ele escapara com a sua cicatriz em forma de relâmpago e estranhamente , ninguém compreendeu porquê , os poderes de Voldemort tinham sido destruídos em o momento em que não fora capaz de matar o Harry . Por isso , ele foi criado por a irmã de a sua falecida mãe e respectivo marido . Passou dez anos com os Dursleys , sem nunca compreender porque fazia com que acontecessem coisas estranhas , alheias a a sua vontade , acreditando em a história de os Dursleys de que aquela cicatriz fora resultado de um acidente de automóvel em que os pais tinham morrido . E um dia , precisamente um ano antes , Hogwarts escrevera lhe e fora então que tudo começara . Harry fora ocupar o seu lugar em a escola de feitiçaria , onde ele e a sua cicatriz eram famosas ... mas agora o ano escolar chegara a o fim e estava de_novo com os Dursleys . Durante o Verão , voltara a ser tratado como um cão malcheiroso . Os Dursleys nem se tinham lembrado que aquele era o dia de o seu décimo segundo aniversário . É claro que não tivera grandes expectativas : eles nunca lhe tinham dado um presente a sério , muito menos um bolo , mas ignorarem o por completo ... Em esse momento , o tio Vernon pigarreou com um ar importante e disse : - Como todos sabem , hoje é um dia muito importante . Harry olhou para ele , mal conseguindo acreditar . - Pode bem ser que eu faça hoje o maior negócio de toda_a minha vida - afirmou . Harry voltou novamente a atenção para a torrada . É claro , pensou amargamente , o tio Vernon referia se a a estúpida dinner-party . Havia quinze_dias que não falava de outra coisa . Um consultor qualquer cheio de massa e a mulher vinham jantar lá a casa e o tio Vernon tinha esperança de conseguir uma grande encomenda ( a empresa de o tio Vernon fabricava brocas ) . - Acho que devíamos recapitular mais_uma_vez - disse o tio Vernon . - Devemos estar todos a postos a as oito_horas_em_ponto . Petúnia , tu vais estar ... ? - Em o salão - respondeu a tia Petúnia prontamente - a a espera para lhes dar as boas-vindas a nossa casa . - Bom , bom . E o Dudley ? - Eu vou estar a a espera para abrir a porta . - Dudley esboçou um sorriso falso e afectado . - Dão me licença que vos guarde os casacos , Mr. e Mrs._Mason ? - Eles vão adorá o - exclamou arrebatadamente a tia Petúnia . - Excelente , Dudley - disse o tio Vernon . - A seguir voltou se para o Harry . - E tu ? - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - repetiu o Harry , de forma inexpressiva . - Exactamente - confirmou o tio Vernon , de um modo desagradável . - Eu conduzo os até a o salão , apresento te , Petúnia , e sirvo lhes as bebidas . _ a as oito_e_um_quarto . - Eu chamo para a mesa - disse a tia Petúnia . - E tu , Dudley , vais dizer ... - Dá me licença que lhe indique a casa de jantar , Mrs._Mason ? - repetiu o Dudley , oferecendo o seu braço gordo a uma mulher invisível . - O meu pequenino cavalheiro - fungou a tia Petúnia . - E tu ? - perguntou o tio Vernon a o Harry , em o mesmo tom desagradável . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho , fingindo que não estou lá - respondeu Harry aborrecido . - Isso mesmo . Agora , devíamos ter preparadas algumas frases amáveis para o jantar . Petúnia , alguma ideia ? - O Vernon disse me que o senhor é um excelente jogador de golfe , Mr._Mason ... Tem de me dizer onde comprou esse vestido , Mrs._Mason ... - Perfeito . Dudley ? - Que tal : Tivemos de fazer um trabalho para a escola sobre o nosso herói e eu escrevi sobre o senhor ... Foi de mais , tanto para a tia Petúnia como para o Harry . A tia debulhou se em lágrimas e abraçou o filho , enquanto Harry se esgueirava para debaixo de a mesa para ninguém o ver rir . - E tu , rapaz ? Harry fez um esforço para se mostrar inexpressivo quando emergiu . - Eu vou ficar em o meu quarto , sem fazer barulho e fingindo que não estou lá - disse . - Vais sim senhor - afirmou o tio Vernon energicamente . - Os Mason não sabem nada a teu respeito e é assim que as coisas vão continuar . Quando o jantar terminar , tu trazes Mrs._Mason para o salão , onde vamos tomar café , Petúnia , e eu puxo o assunto de as brocas . Com um_pouco de sorte , tenho o contrato assinado antes de o noticiário de as dez . Amanhã por esta hora , vamos estar a fazer compras para umas férias em Maiorca . Harry não conseguia sentir o menor entusiasmo com aquilo . Não lhe parecia que os Dursleys gostassem mais de ele em Maiorca do_que em Privet_Drive . - Certo , eu vou a a cidade buscar os casacos para mim e para o Dudley . E tu - resmungou , apontando para Harry - não atrapalhes a tua tia enquanto ela estiver a limpar . Harry saiu por a porta de as traseiras . Estava um dia de sol lindo . Atravessou o relvado , deixou se cair em o banco de o jardim e cantarolou baixinho : - Parabéns para mim ... parabéns para mim ... Nem cartas nem presentes e tinha de passar a noite a fingir que não existia . Olhou infeliz para a sebe . Nunca se sentira tão só . Mais do_que tudo em o mundo , mais do_que de Hogwarts , mais até do_que de o jogo de Quidditch , Harry sentia a falta de os amigos Ron_Weasley e Hermione_Granger . Mas eles não pareciam sentir a falta de ele . Nenhum de os dois lhe escrevera durante todo o Verão apesar_de o Ron ter dito que ia convidá o para passar uns dias lá em casa . Inúmeras vezes Harry estivera quase a libertar magicamente Hedwig de a sua gaiola e mandá a levar uma carta a o Ron e a a Hermione mas não valia a pena correr o risco . Os feiticeiros menores de idade não tinham autorização para usar a magia fora de a escola . Harry não contara isto a os Dursleys . Ele sabia que era o medo de que ele os transformasse a todos em baratas que os impedia de o fecharem a a chave em a despensa debaixo de as escadas , juntamente com a varinha e a vassoura . Em as primeiras semanas Harry divertira se a murmurar baixinho palavras sem sentido e a ver o Dudley sair disparado de o quarto , tão rápido quanto as suas pernas gordas lhe permitiam . Mas o silêncio prolongado de Ron e Hermione tinham o feito sentir se tão longe de o mundo de a magia que até divertir se à_custa_de Dudley perdera o interesse . E agora o Ron e a Hermione tinham se esquecido de o seu aniversário . Quanto não daria ele por uma mensagem de Hogwarts ? De qualquer feiticeiro ou feiticeira ? Quase ficaria satisfeito com um sinal de o seu inimigo feroz , Draco_Malfoy , só para ter a certeza de que tudo aquilo não fora apenas um sonho ... Não que tudo durante o ano em Hogwarts tivesse sido divertido . Mesmo em o fim de o último período , Harry confrontara se nem mais nem menos do_que com o próprio Lord_Voldemort . Voldemort podia ter arruinado o seu ego inicial mas continuava a espalhar o terror , ainda astuto , ainda determinado a recuperar o poder . Harry escapara uma segunda vez a as suas garras mas fora por um triz e mesmo agora , algumas semanas decorridas , acordava de noite encharcado em suores frios , perguntando se onde estaria Voldemort , relembrando o seu rosto lívido , os seus olhos completamente loucos ... Harry sentou se subitamente , direito como um fuso , em o banco de o jardim . Tinha estado a olhar distraído para a sebe e a sebe estava a olhar para ele . Dois enormes olhos verdes surgiram por_entre a folhagem . Harry pôs se de pé ao_mesmo_tempo que uma voz sobrevoava a relva . - Eu sei que dia é hoje - cantarolava Dudley , bamboleando se enquanto se aproximava . Os olhos enormes piscaram e desapareceram . - O quê ? - perguntou Harry sem retirar os olhos de o lugar para_onde estava a olhar . - Eu sei que dia é hoje - repetiu , chegando junto de ele . - Ainda_bem - disse Harry . - Aprendeste finalmente os dias de a semana . - Hoje é o dia de os teus anos - troçou o Dudley . - Por_que é_que não recebeste nenhuma carta ? Não tens amigos em esse lugar esquisito ? - É melhor não deixares a tua mãe ouvir te falar de a minha escola - disse Harry calmamente . Dudley puxou para_cima as calças que estavam a escorregar lhe por o rabo gordo abaixo . - Porque estás a olhar para a sebe . ; - perguntou curioso . - Estou a pensar em as palavras que deverei pronunciar para lhe pegar fogo - disse Harry . Dudley recuou de imediato com um olhar de pânico em a cara rechonchuda . - Tu não p-p-odes , o pai disse que não podias fazer magia ou corria contigo aqui de casa e não tens mais nenhum lugar para_onde ir , não tens amigos que te convidem ... - * _ Jiggery pokery * ! - disse Harry com voz firme . - * _ Hocus pocus ... squiggly wiggly * ... - Maaaaaãe - gritou Dudley , tropeçando em os pés , enquanto se precipitava para dentro_de casa . Maaaãe , ele vai fazer aquela coisa ! Harry deu graças a os céus por aquele momento de gozo . Como não aconteceu nada de mal nem a o Dudley nem a a sebe , a tia Petúnia percebeu que ele não fizera magia nenhuma mas , mesmo_assim , Harry teve de se afastar quando ela lhe deu uma forte pancada em a cabeça com a frigideira cheia de detergente . A seguir distribuiu lhe trabalho e o castigo de só voltar a comer quando tivesse acabado tudo . Enquanto Dudley andava a flanar , olhando para o ar e comendo gelados , Harry limpou as janelas , lavou o carro , aparou a relva , adubou os canteiros , podou e regou as rosas e pintou de_novo o banco de o jardim . O sol ardia lá em cima , queimando lhe a parte de trás de o pescoço . Harry sabia que não devia ter provocado Dudley mas ele dissera precisamente aquilo que ele próprio pensava ... talvez não tivesse amigos em Hogwarts . Deviam ver agora o famoso Harry_Potter , pensou amargamente enquanto espalhava adubo em os canteiros , as costas a doerem lhe e o suor a escorrer lhe por o rosto . Eram sete_e_meia_da_tarde quando , por fim , exausto , ouviu a tia Petúnia a chamá o . - Anda para dentro e passa por cima de os jornais . Harry entrou satisfeito em a sombra de a cozinha que rebrilhava . Sobre o frigorífico estava o bolo de a noite : um enorme monte de crome batido coberto de violetas de açúcar . A carne de porco assava em o forno . - Come depressa , os Mason devem estar a chegar ! - exclamou bruscamente a tia Petúnia , apontando para duas fatias de pão e uma de queijo que estavam em cima de a mesa de a cozinha . Ela já tinha posto um vestido de * cocktail * cor de salmão . Harry lavou as mãos e comeu aquele triste jantar . Mal tinha terminado , a tia Petúnia tirou lhe o prato . - Lá para_cima , rápido ! A o passar por a porta de a sala , Harry vislumbrou o tio Vernon e Dudley de casaco e gravata . Tinha acabado de chegar a o cimo de as escadas quando a campainha de a porta tocou e a cara de o tio Vernon apareceu em o patamar . - Lembra te , rapaz , um ruído que seja ... Harry entrou em o quarto em bicos de pés , fechou a porta e preparou se para se meter em a cama . O problema é_que estava lá alguém sentado . II_O aviso de Dobby_Harry conseguiu não gritar , mas foi por_pouco . A pequena criatura que estava em a cama tinha umas orelhas grandes e largas e uns olhos verdes protuberantes de o tamanho de bolas de ténis . Harry percebeu imediatamente que fora para ele que tinha estado a olhar de manhã . Enquanto olhavam um para o outro , Harry ouviu a voz de Dudley em o * hall * . - Posso guardar os vossos casacos , Mr. e Mrs._Mason ? A criatura escorregou por a cama e curvou se tanto que a ponta de o seu enorme nariz tocou em o tapete . Harry reparou que ele tinha vestido uma espécie de fronha de almofada com buracos para os braços e pernas . - Er ... Olá - disse Harry , um_pouco nervoso . - Harry_Potter ! - exclamou a criatura em uma voz tão estridente que Harry calculou que poderia ouvir se lá em baixo . - Há tanto tempo que Dobby queria conhecê o , senhor . É uma enorme honra ... - Ob-obrigado - disse Harry , deslocando se a o longo de a parede e sentando se em a cadeira de a secretária , junto de Hedwig que dormia em a sua grande gaiola . Queria perguntar lhe « O que és tu ? » , mas pensou que seria má educação , por isso perguntou : - Quem és tu ? - Dobby , senhor . Apenas Dobby , o elfo de casa - afirmou a criatura . - Oh ! A sério ? - perguntou Harry . - Não quero ser mal-educado , mas esta não é a melhor altura para ter um elfo em o meu quarto . O riso falso de a tia Petúnia ouvia se em a sala de jantar . O elfo deixou cair a cabeça . - Não que eu não me sinta feliz por te conhecer - disse Harry rapidamente - mas , er ... estás aqui por algum motivo em especial ? - Oh , sim senhor - disse Dobby muito a sério . - Dobby veio dizer lhe que ... é difícil ... Dobby não sabe por_onde começar ... - Senta te - disse Harry educadamente , apontando lhe a cama . Para seu horror , o elfo debulhou se em lágrimas bastante ruidosas . -- S-senta-te ! - repetiu . - Nunca em toda_a minha vida ... Harry pareceu lhe ouvir as vozes lá em baixo vacilarem . - Desculpa - murmurou . - Eu não queria ofender te ... - Ofender Dobby ! - exclamou o elfo em um sufoco . - Nunca nenhum feiticeiro disse a o Dobby que se sentasse como um seu igual , senhor . Harry , tentando dizer lhe « Sch ... » e confortá o ao_mesmo_tempo , conduziu Dobby de_novo até a a cama onde ele se sentou a soluçar , parecendo uma grande boneca muito feia . Por fim , conseguiu controlar se e ficou quieto , com os seus grandes olhos fixos em Harry em uma expressão de absoluta adoração . - Não deves ter conhecido muitos feiticeiros sérios - disse lhe , tentando animá o . Dobby abanou a cabeça . Em seguida , sem qualquer aviso , saltou e começou a bater furiosamente com a cabeça em a janela , gritando : - Dobby é mau ! Dobby é mau ! - Pára , o que é_que estás a fazer ? - perguntou Harry em um murmúrio sibilante , dando um salto e puxando Dobby de_novo para a cama . Hedwig acordara com um pio particularmente agudo e batia agressivamente com as asas contra as grades de a gaiola . - Dobby tinha que se castigar , meu senhor - afirmou o elfo , que ficara ligeiramente estrábico . - Dobby quase falou mal de a família de ele ... - De a tua família ? - De a família de feiticeiros que Dobby serve , meu senhor ... O Dobby é um elfo de casa , obrigado a servir uma casa e uma família para sempre . - Eles sabem que estás aqui ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Dobby estremeceu . - Oh , não senhor , não ... Dobby vai ter que se castigar muito por ter vindo vê o . Dobby vai ter que entalar as orelhas em a porta de o forno por isto . Se eles soubessem , senhor ... - Mas achas que eles não vão reparar se tu entalares as orelhas em a porta de o forno ? - Dobby duvida , senhor . Dobby está sempre a ter de se castigar por qualquer coisa . Eles deixam que o Dobby se castigue . _ às_vezes até sugerem alguns castigos extra . - Mas por_que é_que não te vais embora , não foges ? - Um elfo de casa tem de ser libertado , senhor . E a família nunca libertará Dobby . Dobby servirá a família até morrer . Harry olhou para ele . - E eu que pensava que era infeliz por ter de ficar aqui mais quatro semanas - declarou . - Isto faz os Dursleys parecerem quase humanos . Será que ninguém te pode ajudar ? Poderei eu ? Em o mesmo momento , Harry desejou não ter aberto a boca . Dobby desfez se em ruidosos soluços de gratidão . - Por favor - murmurou Harry , inquieto . - Por favor , está calado . Se os Dursleys ouvem barulho , se eles sabem que estás aqui ... - Harry_Potter pergunta se pode ajudar Dobby . Dobby ouviu falar de a sua grandeza , mas de a sua bondade , Dobby nada sabia . Harry , que se sentia corar , disse : - Seja o que for que tenhas ouvido sobre a minha grandeza , é um disparate . Nem_sequer sou o melhor de o meu ano em Hogwarts . É a Hermione . Ela ... Mas calou se rapidamente porque pensar em Hermione era lhe doloroso . - Harry_Potter é humilde e modesto - disse Dobby reverentemente , com os seus olhos de globo avermelhados . - Harry_Potter não fala de a sua vitória sobre « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . - Voldemort ? - perguntou Harry . Dobby bateu com as mãos em as enormes orelhas e gemeu : - Ai não diga o nome , senhor . Não diga o nome ! - Desculpa - disse Harry muito depressa . - Eu sei que muita gente não gosta . O meu amigo Ron ... Calou se de_novo . Pensar em o Ron era igualmente doloroso . Dobby voltou para Harry os seus dois olhos grandes como candeeiros . - Dobby ouviu dizer - balbuciou com voz rouca - que Harry_Potter encontrou o Senhor_do_Mal uma segunda vez há poucas semanas atrás ... que Harry_Potter lhe escapou de_novo . Harry acenou e os olhos de Dobby encheram se de lágrimas . - Ah , senhor - disse em um sobressalto , limpando o rosto com a ponta de a fronha de almofada que tinha vestida . - Harry_Potter é valente e arrojado . Enfrentou tantos perigos ! Mas Dobby veio protegê o , avisar Harry_Potter , mesmo_que para isso tenha de entalar as orelhas em a porta de o forno , que Harry_Potter não deve voltar para Hogwarts . Houve um silêncio apenas quebrado por o ruído de os garfos e de as facas lá em baixo e por a voz distante de o tio Vernon . - O q-q-uê ? - gaguejou Harry . - Mas eu tenho de voltar , o ano começa em o dia um de Setembro . É a minha razão de viver . Tu não sabes como são as coisas aqui . Eu não pertenço a este lugar , o meu lugar é em Hogwarts . - Não , não , não - guinchou Dobby , sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas andavam de um lado para o outro . - Harry_Potter deve ficar aqui , onde se encontra a salvo . É demasiado grande , demasiado bom para se perder . Se Harry_Potter regressar a Hogwarts correrá perigo de vida . - Porquê ? - inquiriu Harry , surpreendido . - Há uma conspiração , Harry_Potter . Uma conspiração para fazer acontecer coisas terríveis este ano em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts - murmurou Dobby que começara a tremer de a cabeça a os pés . - Dobby sabe de isto há meses , senhor . Harry_Potter não deve expor se a o perigo . É demasiado importante . - Que coisas terríveis são essas ? - perguntou Harry sem perder tempo . - Quem está por detrás ? Dobby fez um ruído esquisito e começou a bater com a cabeça contra a parede como um louco . - Está bem - gritou Harry , agarrando o braço de o elfo para o fazer parar . - Não podes dizer , eu compreendo . Mas porque vieste avisar me ? - Um pensamento súbito e desagradável surgiu lhe . - Espera aí , isto tem alguma coisa que ver com o Vol , desculpa com o Quem nós sabemos ? Basta que faças sim ou não com a cabeça - acrescentou com vivacidade enquanto a cabeça de Dobby se inclinava de_novo a uma velocidade preocupante para a parede . Lentamente , Dobby abanou a cabeça . - Não , não é « Aquele cujo nome não deve ser pronunciado » . Os olhos de Dobby estavam abertos como_se estivesse a tentar dar a Harry uma pista , mas Harry estava completamente a a nora . - Ele não tem nenhum irmão , ou tem ? Dobby abanou a cabeça , os olhos mais abertos do_que nunca . - Bem , em esse caso não estou a ver quem mais poderia ter a possibilidade de fazer acontecer coisas horríveis em Hogwarts - disse Harry . - Quero dizer , para já está lá o Dumbledore . Sabes quem é Dumbledore , não sabes ? Dobby baixou a cabeça . - Albus_Dumbledore é o melhor director que Hogwarts alguma vez teve . Dobby sabe , senhor . Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore rivalizam com os d'aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Mas , senhor - a voz de Dobby desceu a um urgente murmúrio - há poderes que Dumbledore não ... poderes que nenhum feiticeiro sério ... E antes que Harry conseguisse impedi o Dobby saltou de a cama , agarrou o candeeiro de secretária de Harry e começou a bater com a cabeça , dando uivos ensurdecedores . Fez se silêncio lá em baixo . Dois segundos mais tarde , Harry com o coração a bater como um louco , ouviu o tio Vernon chegar a o * hall * e dizer . - O Dudley deve ter deixado outra_vez a televisão ligada , o maroto ! - Depressa , para dentro de o guarda-fatos - gritou Harry , empurrando Dobby bem para o fundo , fechando a porta e metendo se a correr em a cama mesmo a_tempo_de ver a maçaneta de a porta a girar . - Que diabo estás tu a fazer ? - disse o tio Vernon entre dentes , o rosto assustadoramente próximo de o de Harry . - Acabas de estragar o ponto alto de a minha anedota de o golfista japonês . Eu que oiça mais um som e vais desejar nunca ter nascido , rapaz ! Abandonou o quarto com grandes passadas . A tremer , Harry deixou Dobby sair de o guarda-fatos . - Estás a ver como são as coisas por aqui ? - disse . - Vês porque tenho de voltar para Hogwarts ? É o único sítio onde eu tenho ... bem , onde eu acho que tenho amigos . - Amigos que nem_sequer escrevem a Harry_Potter ? - disse Dobby com ar manhoso . - Calculo que devem ter estado ... espera aí - disse Harry , franzindo a testa . - Como é_que tu sabes que os meus amigos não me têm escrito ? Dobby arrastou os pés . - Harry_Potter não deve zangar se com Dobby . Dobby fez o que achou melhor ... - Tu tens estado a interceptar me as cartas ? - Dobby tem as aqui , senhor - disse o elfo . Saltando para longe de o alcance de Harry , retirou de dentro de a fronha que usava um espesso saco cheio de envelopes . Harry reconheceu de imediato a caligrafia certinha de Hermione , a escrita desordenada de Ron e até uns gatafunhos que pareciam ser de o guarda de os campos de Hogwarts , Hagrid . Dobby piscava ansiosamente os olhos . - Harry_Potter não deve ficar zangado ... Dobby esperava que ... se Harry_Potter pensasse que os amigos o tinham esquecido ... Harry_Potter talvez não quisesse voltar a a escola , senhor . Harry não o ouvia . Fez um gesto para agarrar as cartas , mas Dobby deu um salto , afastando se . - Harry_Potter terá as cartas , senhor , se der a Dobby a sua palavra de não voltar a Hogwarts . Ah , senhor , é um risco que não deve correr . Diga que não volta , senhor ! - Não - afirmou Harry zangado . - Dá me as cartas de os meus amigos ! - Em esse caso , Harry_Potter deixa Dobby sem escolha - disse o elfo tristemente . Antes que Harry pudesse fazer um movimento , Dobby tinha aberto a porta de o quarto e descido a correr por as escadas abaixo . Com a boca seca e um aperto em o estômago , Harry correu atrás de ele , tentando não fazer barulho . Saltou os últimos seis degraus , aterrando como um gato em a carpete de o * hall * , olhando em volta a a procura de Dobby . De a sala de jantar , ouviu a voz de o tio Vernon : - Conte a a Petúnia aquela história engraçadíssima de os funileiros americanos , ela tem estado louca por ouvi a , Mr._Mason . Harry correu de o * hall * para a cozinha e sentiu o estômago ficar pequenino . O pudim , que era a a obra-prima de a tia Petúnia , a montanha de creme batido coberto de violetas de açúcar flutuava junto de o tecto . Em cima de o guarda-louça de o canto , Dobby inclinava se servilmente . - Não - suplicou Harry . - Por favor , eles matam me . - Harry_Potter deve dizer que não vai voltar a a escola ... - Dobby , por favor . - Diga , senhor . - Não posso . Dobby lançou lhe um olhar trágico . - Então , Dobby deve fazê o , senhor , para o bem de Harry_Potter . O pudim foi direito a o chão em uma queda que parecia um coração a parar . O crome esguichou para as janelas e para as paredes , enquanto o prato se despedaçava . Com o ruído de uma chicotada , Dobby desapareceu . Ouviram se gritos em a casa de jantar e o tio Vernon irrompeu por a cozinha onde foi dar com Harry coberto , de a cabeça a os pés , por o pudim de a tia Petúnia . A princípio parecia que o tio Vernon ia conseguir arranjar uma desculpa para aquilo tudo . ( É só o nosso sobrinho , muito perturbado ; conhecer pessoas estranhas deixa o muito nervoso , por isso deixamos o lá em cima ... ) Conduziu_os_Mason , bastante chocados , para a sala de jantar , garantindo a Harry que o esfolava vivo quando os Mason se fossem embora e pôs lhe em as mãos um esfregão . A tia Petúnia descobriu um resto de gelado em o frigorífico e Harry , ainda a tremer , começou a limpar a cozinha . O tio Vernon poderia ainda ter feito o negócio , se não fosse a coruja . Estava a tia Petúnia a circular com uma caixa de After-Eight , quando uma enorme coruja de celeiro fez a sua entrada vertiginosa através de a janela de a casa de jantar , deixando cair uma carta em a cabeça de Mr._Mason e desaparecendo logo_a_seguir . Mrs._Mason gritava como uma carpideira e corria por a casa praguejando contra os lunáticos . Mr._Mason ficou o tempo estritamente necessário para dizer a os Dursleys que a mulher tinha um medo pânico de pássaros de todas_as formas e tamanhos e perguntar lhes se aquela era alguma brincadeira de mau gosto . Harry não saiu de a cozinha , agarrando o esfregão como defesa , enquanto o tio Vernon avançava para ele com um brilho demoníaco em os olhos pequeninos . - Lê isso - ordenou maldosamente . Harry pegou em a carta . Não era a desejar lhe um bom aniversário . * _ Caro_Mr._Potter , * _ Recebermos hoje informações de que um feitiço de suspensão em o ar foi efectuado em sua casa esta noite , a as nove_horas_e_doze_minutos . * _ Como sabe , os feiticeiros menores não estão autorizados a praticar magia fora de a escola e , se efectuar mais um trabalho mágico , será expulso de a nossa escola . ( Decreto_de_Restrições_Razoáveis_para_Feitiçaria_de_Menores , 1875 , parágrafo C. ) * _ Pedimos-lhe também que se lembre que qualquer actividade que possa ser notada por membros alheios a a nossa comunidade ( Muggles ) constitui uma ofensa grave , segundo a secção 13 de a Confederação_Internacional_do_Estatuto_da_Magia_Secreta . * _ Tenha umas boas férias . * Atenciosamente_Mafalda_Hopkirk_Gabinete_da_Utilização_Imprópria_da_Magia_Ministério_da_Magia * . Harry olhou para a carta e engoliu em seco . - Tu não nos contaste que estavas proibido de usar magia fora de a escola - disse o tio Vernon com um brilho maldoso a dançar lhe em os olhos . - Esqueceste te de o mencionar , passou te , não foi ? Tinha se aproximado de Harry como um grande * bulldog * , com todos os dentes a a mostra . - Tenho boas notícias para ti , rapaz , vou fechar te a a chave e , se tentares sair através_de magia , nunca mais voltas a aquela escola , eles expulsam te . E rindo como um louco , arrastou Harry até a o andar de cima . O tio Vernon era mau como as cobras . Em a manhã seguinte pagou a um homem para colocar grades em a janela de o quarto de Harry . Ele próprio abriu um pequeno buraco em a porta de o quarto para que a comida pudesse ser introduzida três vezes por dia . Deixavam o Harry sair para ir a a casa_de_banho de manhã e a o final de a tarde . O resto de o tempo estava fechado em o quarto , a a espera que o tempo passasse . Três dias mais tarde , os Dursleys não mostravam qualquer intenção de abrandar o castigo e Harry não sabia como sair de aquela situação . Estava deitado em a cama , vendo o sol brilhar por_entre as grades de a janela e perguntando se tristemente o que viria a acontecer lhe . Qual era a vantagem de sair de ali por artes mágicas , se Hogwarts o expulsaria em seguida ? Contudo , a vida em Privet_Drive tinha atingido o seu nível mais baixo . Agora_que os Dursleys tinham a certeza que não iam acordar transformados em morcegos , ele perdera a única arma que tinha . O Dobby podia tê o salvo de acontecimentos terríveis em Hogwarts , mas de a maneira que as coisas estavam , ele morreria muito provavelmente a a fome . A portinhola rangeu e a mão de a tia Petúnia apareceu empurrando uma tigela de sopa de pacote para dentro de o quarto . Harry , que estava cheio de fome , saltou de a cama e agarrou a . A sopa estava gelada mas ele bebeu metade de um único trago . A seguir , atravessou o quarto até a a gaiola de Hedwig e pôs os legumes ensopados dentro de o seu pratinho vazio . Ela agitou as penas e olhou o com profunda repugnância . - Não vale de nada virares lhe as costas . É tudo_o_que temos - disse Harry , de modo severo . Colocou a tigela vazia em o chão junto de a portinhola e voltou para_cima de a cama , de certo modo com mais fome do_que antes de ter comido a sopa . Admitindo que estaria ainda vivo dentro_de quatro semanas o que aconteceria se ele não se apresentasse em Hogwarts ? Será que mandariam alguém obrigar os Dursleys a deixá o ir ? O quarto começava a escurecer . Exausto e com o estômago a dar horas , o cérebro a as voltas com as mesmas questões sem resposta , Harry caiu em um sono intranquilo . Sonhou que fazia parte de um espectáculo de o jardim zoológico . Preso a a jaula onde se encontrava estava um cartaz onde podia ler se « feiticeiro menor de idade « . As pessoas olhavam o com olhos protuberantes , enquanto ele jazia fraco e esfomeado em um leito de palha . Viu a cara de o Dobby em o meio de a multidão e gritou lhe , pedindo ajuda , mas o Dobby respondeu : - Harry_Potter está em segurança aí , senhor - e desapareceu . Em seguida vieram os Dursleys e Dudley bateu em as grades de a jaula , rindo se de ele . - Pára com isso - murmurou Harry como_se aquele ruído martelasse em a sua cabeça dorida . - Deixa me em paz , pára com isso , estou a tentar dormir . Abriu os olhos . O luar brilhava através de as grades de a janela . E lá fora alguém olhava de olhos arregalados para ele : alguém de rosto sardento , cabelo ruivo e nariz grande . Ron_Weasley estava de o lado de_fora de a janela . III « A toca » Ron ! - exclamou Harry , arrastando se até a a janela e empurrando a para poderem falar através de as grades . - Ron , como é_que tu , foi o ... ? Harry ficou de boca aberta , espantado com o que viu . Ron estava debruçado de a janela de trás de um velho automóvel azul-turquesa que se encontrava estacionado em o ar . Em os lugares de a frente , rindo se para Harry , estavam os irmãos mais velhos , os gémeos Fred e George . - Tudo bem , Harry ? - O que é_que se tem passado ? - perguntou o Ron . - Porque não respondeste a as minhas cartas ? Convidei te para vires ter comigo umas doze vezes e um dia o pai chegou a casa e comunicou nos que tu tinhas recebido um aviso oficial por usares magia diante de os Muggles ... - Não fui eu . E como é_que ele soube ? - Ele trabalha em o Ministério - disse o Ron . - Tu sabes que nós não podemos fazer feitiços fora de a escola . - Bem , isso vindo de ti ... - exclamou Harry , olhando para o carro flutuante . - Oh , isto não conta - disse Ron . - Foi o meu pai que o emprestou . Não o fizemos aparecer por magia . Mas usar magia em a frente de esses Muggles com quem tu vives ... - Já te disse que não fui eu , mas vai demorar muito_tempo a explicar te isso agora . És capaz de avisar em Hogwarts que os Dursleys me fecharam a a chave e que não querem deixar me voltar e obviamente eu não posso sair de aqui magicamente senão o Ministério vai achar que é a segunda vez em três dias e ... - Pára com essa conversa tola - disse o Ron . - Viemos para te levar connosco . - Mas tu também não podes tirar me de aqui utilizando processos mágicos ... - Não precisamos de isso - afirmou Ron , fazendo um sinal de cabeça para os lugares de a frente . - Esqueces te de quem está aqui comigo . - Amarra isso em volta de as grades - disse o Fred , lançando a Harry a ponta de uma corda . - Se os Dursleys acordam estou feito - lamentou se Harry enquanto dava um nó bem apertado com a corda em uma de as grades e o Fred arrancava com o carro . - Não te preocupes e chega te para trás . Harry recuou para a sombra , para junto de Hedwig que parecia ter se apercebido de a importância de tudo aquilo , mantendo se quieta e em silêncio . O carro puxou mais e mais e , subitamente , com um ruído de ferro a ceder , as grades foram arrancadas de a janela , enquanto Fred conduzia com o céu como estrada . Harry correu de_novo para a janela para ver as grades a balouçarem a poucos metros de o chão . Ofegante , Ron içou as para dentro de o carro . Harry escutou ansiosamente mas não vinha qualquer som de o quarto de os Dursleys . Quando as grades estavam em segurança em os lugares de trás junto de Ron , Fred aproximou se o_máximo que lhe foi possível de a janela . - Anda de aí - disse . - Mas , todas_as minhas coisas de Hogwarts , a minha varinha , a minha vassoura ... - Onde estão ? - Fechadas em a despensa debaixo de as escadas e eu não posso sair de este quarto . . - Não há azar - disse o George . - Sai de a frente , Harry . Fred e George treparam cautelosamente e entraram por a janela em o quarto de Harry . Tinhas que ter aberto a boca , pensou Harry enquanto George tirava de o bolso um vulgar gancho de cabelo e começava a tentar abrir a fechadura . - Muitos feiticeiros acham que é uma perda de tempo aprender os truques de os Muggles - disse o Fred . - Mas nós pensamos que há habilidades que é sempre útil conhecer apesar_de serem um_pouco lentas . Ouviu se um pequeno clique e a porta abriu se . - Pronto , vamos buscar as tuas coisas . Tu vai dando a o Ron aquilo que precisas de aí de o teu quarto - murmurou George . - Cuidado com o degrau de cima que range - sussurrou Harry enquanto os gémeos desapareciam em o escuro . Harry deu a volta a o quarto , recolhendo as suas coisas e passando as por a janela a o Ron . Em seguida , foi ajudar o Fred e o George a trazerem o resto por as escadas acima . Ouviu o tio Vernon tossir . Por fim , de língua de_fora , chegaram a o quarto , junto de a janela aberta . Fred trepou para o carro para puxar os volumes com o Ron enquanto Harry e George os empurravam de dentro de o quarto . Centímetro a centímetro o malão foi passando por a janela . O tio Vernon tossiu de_novo . - Mais um_pouco - disse o Fred que estava a puxar de dentro de o carro . Um bom empurrão , vá . Harry e George encostaram os ombros contra a mala e ela escorregou para a parte de trás de o carro . - O. _ K. , vamos embora - murmurou o George . Mas quando Harry trepava para o parapeito de a janela ouviu se um forte pio atrás de ele , imediatamente seguido de o vociferar de o tio Vernon . - Aquela maldita coruja ! - Esqueci me de a Hedwig ! Harry precipitou se de_novo para o quarto , enquanto a luz de o patamar se acendia . Agarrou a gaiola de Hedwig , correu para a janela e passou a a o Ron . Estava a subir para_cima de a cómoda quando o tio Vernon bateu em a porta , que não estava fechada , e esta se abriu completamente . Por uma fracção de segundo , o tio Vernon ficou estático junto de a porta . Em seguida , soltou um mugido como um boi zangado e avançou para Harry , agarrando o por o tornozelo . Ron , Fred e George seguraram o por os braços e puxaram o com toda_a força . - Petúnia - rosnou o tio Vernon . - Ele está a fugir ! : __ ele está a __ fugir ! Os Weasleys deram um puxão gigantesco e a perna de o Harry escapou a as garras de o tio Vernon . Logo_que Harry entrou em o carro e a porta se fechou , Ron gritou : - Acelera Fred ! - E o carro partiu subitamente em direcção a a lua . Harry mal podia acreditar que estava livre . Esticou se a a janela , o ar de a noite a fustigar lhe os cabelos e olhou para baixo , para os telhados apertados de Privet_Drive . O tio Vernon , a tia Petúnia e o Dudley estavam todos debruçados com cara de parvos , a a janela de o quarto de ele . - Até a o próximo Verão - gritou . Os Weasleys riam se a as gargalhadas e Harry esticou se para trás em o assento e pediu a o ouvido de Ron : - Deixa sair a Hedwig . Ela pode voar atrás_de nós . Há séculos que não tem uma oportunidade de esticar as asas . George passou a o Ron o gancho de cabelo e , um momento depois , a Hedwig saíra feliz por a janela , planando atrás de eles como um fantasma . - Então , qual é a história ? - perguntou Ron , impaciente . - O que é_que tem estado a acontecer ? Harry contou lhes tudo sobre o Dobby , o aviso de este e o fracasso de o pudim de violetas . Houve um longo silêncio quando ele se calou . - Isso cheira me a esturro - disse , por fim , o Fred . - Definitivamente misterioso - concordou George . - Então ele nem te disse quem está supostamente por detrás dessa trama toda ? - Acho que não podia - explicou Harry . - Já te disse , de cada_vez que estava quase a deixar escapar qualquer coisa , começava a bater com a cabeça em a parede . Viu Fred e George olharem um para o outro . - O quê ? Acham que ele estava a mentir me ? - perguntou Harry . - Bem - começou o Fred -- , coloquemos as coisas de o seguinte modo , os elfos de casa têm poderes mágicos próprios , mas geralmente não podem usá os sem a autorização de os seus donos . Eu acho que o bom de o Dobby foi enviado para evitar que voltasses para Hogwarts . Uma ideia de um engraçadinho . Haverá alguém em a escola com má vontade contra ti ? - Sim - responderam Harry e Ron , precisamente ao_mesmo_tempo . - Draco_Malfoy - explicou Harry . - Ele detesta me . - Draco_Malfoy ? - perguntou George , voltando se para trás . - O filho de o Lucius_Malfoy ? - Deve ser . Não é um nome muito vulgar , pois não ? - disse Harry . - Mas porquê ? - Ouvi o pai falar acerca de ele - confidenciou George . - Ele era um grande apoiante de o « Quem nós sabemos » . - E quando o « Quem nós sabemos » desapareceu - continuou o Fred , voltando a cara para olhar para Harry - o Lucius_Malfoy voltou , dizendo que não foi por vontade própria que fez o que fez . Monte de lixo . O pai acha que ele fazia parte de um círculo de amigos íntimos de o « Quem nós sabemos » . Harry já tinha ouvido esses boatos sobre a família de Malfoy e não o surpreenderam em absoluto . Malfoy fizera Dudley_Dursley parecer um rapazinho simpático , amável e sensível . - Não sei se os Malfoy têm um elfo de casa ... - afirmou Harry . - Bem , quem quer que o possua é sem dúvida uma antiga família de feiticeiros e deve ser rica - explicou Fred . - Sim . A mãe está sempre a desejar que pudéssemos ter um elfo de casa para passar a roupa a ferro - disse o George . - Mas só temos um velho vampiro piolhoso em o sótão e gnomos espalhados por o jardim . Os elfos de casa pertencem a as grandes casas senhoriais , a os castelos e lugares assim , não encontrarias um em a nossa casa ... Harry estava calado . Considerando que Draco_Malfoy tinha sempre as melhores coisas , que a sua família nadava em ouro de feiticeiros , era fácil imaginá o passeando se por uma enorme casa senhorial . Mandar o servo de a família evitar que Harry voltasse para Hogwarts também parecia exactamente o tipo de coisa que Malfoy poderia fazer . Teria Harry sido estúpido a o tomar Dobby a sério ? - De qualquer modo , ainda_bem que viemos buscar te - declarou Ron . - Eu começava a ficar seriamente preocupado por não responderes a nenhuma de as minhas cartas . A princípio pensei que a culpa fosse de a Errol ... - Quem é a Errol ? - A nossa coruja . Já é velhota . Não seria a primeira vez que adoecia durante uma entrega . Por isso , tentei pedir a Hermes emprestada ... - Quem ? - A coruja que os meus pais compraram a o Percy quando ele foi nomeado prefeito - respondeu Fred . - Mas o Percy não me a emprestou . Disse que precisava de ela . - O Percy tem andado com atitudes muito estranhas este Verão - comentou George franzindo a testa . - E tem mandado imensas cartas e passado um tempo infinito fechado em o quarto ... enfim , pode limpar se e polir um distintivo de prefeito todas_as vezes que se quiser ... Estás a conduzir demasiado para ocidente , Fred - acrescentou apontando para uma bússola em o painel de o automóvel . Fred girou o volante . - Então , o vosso pai sabe que têm o carro ? - perguntou Harry , quase adivinhando a resposta . - Er ... não - disse o Ron . - Ele tinha trabalho esta noite . Felizmente vamos poder pô o de_novo em a garagem , sem a mãe perceber que andámos a voar nele . - A propósito , o que faz o vosso pai em o Ministério_da_Magia ? - Trabalha em o Departamento mais chato - respondeu Ron . - A Divisão de utilização incorrecta de artefactos de os Muggles . - O quê ? - Relaciona se com objectos de feitiçaria que foram feitos por os Muggles ; sabes como é , se forem parar de_novo a uma loja de os Muggles , ou a uma casa , como em o ano passado , quando morreu uma bruxa velha e o bule de ela foi vendido a uma loja de antiguidades . Uma mulher Muggle comprou o , tentou servir chá a os amigos . Foi um pesadelo , o pai teve de fazer horas extraordinárias durante semanas . - O que é_que aconteceu ? - O bule parecia louco , esguichou chá a ferver para todos os lados e um de os homens foi parar a o hospital com a pinça de o açúcar presa em o nariz . O pai ficou nervosíssimo . É só ele e o velho feiticeiro Perkings em o gabinete e tiveram de localizar e descobrir todo o tipo de encantamentos para resolver o assunto . - Mas o teu pai ... este carro ... Fred riu se . - Sim , o pai é louco por tudo_o_que tem que ver com os Muggles . A nossa arrecadação está cheia de coisas de os Muggles . Ele separa as , lança lhes feitiços e volta a pô as em o lugar . Se ele fizesse uma busca a nossa casa teria de se prender a si mesmo . A minha mãe fica louca com tudo aquilo . - É a estrada principal - gritou o George , apontando para baixo através de a janela . - Dentro_de poucos minutos estamos lá , mesmo a tempo , está a começar a clarear . Um leve brilho rosado tingia o horizonte para leste . Fred trouxe o carro para baixo e Harry pôde ver uma manta de retalhos de campos escuros e matas de arbustos . - Estamos um_pouco longe de a vila - disse George . - Em Ottery_St . Catchpole ... O carro voador foi descendo a os poucos . A luz avermelhada brilhava agora por_entre as árvores . - Terra - disse o Fred , em o momento em que tocaram em o chão com um ligeiro solavanco . Tinham aterrado perto_de uma garagem em ruínas em um pequeno pátio e Harry viu pela_primeira_vez a casa de o Ron . Parecia ter sido em tempos uma pocilga de pedra . Mas os quartos que posteriormente lhe tinham sido acrescentados haviam a tornado bastante mais alta e o seu aspecto era tão curvado que parecia ter sido construída por artes mágicas ( o que , pensou Harry , era , muito provavelmente , verdade ) . De o telhado vermelho saíam quatro ou cinco chaminés . Junto de a entrada , fixa em o chão , podia ver se uma inscrição assimétrica que dizia « A toca » . A o lado de a porta principal estava uma contusão de botas de * _ Wellington * e um caldeirão completamente enferrujado . Por o pátio passeavam se várias galinhas castanhas e gordas . - Não é grande coisa - desculpou se o Ron . - É óptima - exclamou Harry , feliz , pensando em Privet_Drive . Saíram de o carro . - Agora vamos lá para_cima sem fazer barulho - disse o Fred . - E esperamos que a mãe nos chame para o pequeno-almoço . Depois tu , Ron , desces a escada entusiasmadíssimo . - Mãe , olha quem apareceu cá durante a noite ! - E ela vai sentir se felicíssima quando vir o Harry . Assim ninguém fica a saber que levámos o carro voador . - Certo - disse o Ron . - Vamos , Harry , eu durmo em o ... Ron ganhou uma cor de um pálido esverdeado , os olhos fixos em a casa . Os outros três fizeram meia volta . Mrs._Weasley avançava por o pátio , afugentando as galinhas e , para uma mulher baixa , roliça e simpática , era fantástico como conseguia parecer se com um tigre dentes-de-sabre . - Ah ! - suspirou o Fred . - Oh , oh ! - exclamou o George . Mrs._Weasley parou em frente de eles . As mãos em as ancas , saltando de um olhar culpado para o outro . Usava um avental a as flores , com uma varinha a sair lhe de o bolso . - Com que então - disse . - Bom dia , mãe - arriscou o George com uma voz que tentou que fosse alegre e bem-disposta . - Vocês têm alguma ideia de como tenho estado preocupada ? - perguntou Mrs._Weasley em um murmúrio fraco . - Desculpe , mãe , mas sabe , nós tivemos que ... Os três filhos de Mrs._Weasley eram mais altos do_que ela , mas tremiam quando a fúria de a mãe se abatia sobre eles . - Camas vazias ! Nem um bilhete ! O carro desaparecido ... Podiam ter tido um acidente , estou fora de mim com tanta preocupação e vocês nem se importam ... nunca , enquanto eu for viva ... esperem só até o vosso pai chegar , nunca tivemos problemas de estes com o Bill , com o Charlie ou com o Percy ... - O perfeito Percy - resmungou Fred . - : __ tu não vales um dedo de a mão de o __ percy ! - gritou Mrs._Weasley , espetando um dedo em o queixo de o Fred . - Podias ter morrido , podias ter sido visto , podias ter feito com que o teu pai perdesse o emprego ... Parecia nunca mais acabar . Mrs._Weasley tinha gritado até ficar ronca , antes de se voltar para o Harry , que recuou . - Estou muito contente por te ver , Harry - disse . - Entra e vem tomar o pequeno-almoço . Ela voltou se e regressou a casa e Harry , depois de trocar um olhar nervoso com o Ron , que lhe acenou , encorajando o , seguiu a . A cozinha era pequena e bastante estreita . A meio havia uma enfezada mesa de madeira e cadeiras em volta e Harry sentou se a a beirinha de o assento , olhando em volta . Era a primeira vez que entrava em uma casa de feiticeiros . O relógio em a parede em frente de ele , tinha apenas um ponteiro e nenhum número . Em volta , estavam escritas frases como « Hora de fazer o chá » , « Hora de dar de comer a as galinhas « e « Estás atrasado » . Empilhados em o rebordo de a lareira estavam livros com títulos como * _ Encanta o teu próprio queijo , Encantamento em a cozedura de o pão e Banquetes em um minuto - é mágico * ! E , a menos que os ouvidos de Harry estivessem a traí o , o velho rádio próximo de o lava-loiças acabara de anunciar que a seguir vinha a Hora de enfeitiçar com a popular feiticeira-cantora Celestina_Warbeck . Mrs._Weasley fazia barulho com os talheres , preparando o pequeno-almoço um bocado a o acaso , lançando olhares furiosos a os filhos , enquanto lançava as salsichas em a frigideira . De vez em quando murmurava coisas como : « Não sei o que vos passou por a cabeça « ou « nunca devia ter confiado em vocês » . - Eu não te culpo , filho - tranquilizou Harry , pondo lhe sete ou oito salsichas em o prato . - Eu e o Arthur temos estado preocupados contigo . Ainda ontem a a noite estivemos a dizer que te iríamos buscar nós próprios se não respondesses a o Ron até sexta-feira . Mas , em a verdade ( estava agora a acrescentar três ovos estrelados a o prato de ele ) , atravessar metade de o país a voar em um carro ilegal , qualquer um vos poderia ter visto ... Agitou maquinalmente a varinha em a direcção de o lava-loiças , onde a loiça começou a lavar se sozinha , tinindo baixinho lá atrás . - Estava enevoado , mãe ! - exclamou o Fred . - Boca fechada enquanto comes ! - interrompeu Mrs._Weasley . - Eles estavam a fazê o passar fome , mãe ! - disse o George . - E tu também ! - disse Mrs._Weasley , mas já foi com uma expressão mais doce que começou a cortar o pão para Harry e a barrá o com manteiga . Em esse momento , as atenções voltaram se para um pequenino volto de cabelos ruivos , em uma camisa de dormir até a os pés , que surgiu em a cozinha , deu um grito agudo e desapareceu de_novo . - É a Ginny - disse Ron baixinho a o Harry -- , a minha irmã . Tem falado de ti todo o Verão . - Sim , ela vai querer o teu autógrafo , Harry - riu se o Fred , mas o seu olhar cruzou se com o de a mãe e inclinou se para o prato , não voltando a abrir a boca . Ninguém falou até os quatro pratos estarem limpos , o que sucedeu a uma velocidade surpreendente . - Bolas , estou cansado - bocejou Fred , pousando a faca e o garfo . Acho que me vou deitar e ... - Não vais , não senhor - interrompeu Mrs._Weasley . - A culpa é tua se ficaste toda_a noite acordado . Vais fazer a des-gnomização de o jardim . Eles estão outra_vez a exagerar . - Oh , mãe ... - E vocês os dois o mesmo - dirigiu se a o Ron e a o Fred . - Tu podes ir para a cama , filho - disse a Harry . - Não lhes pediste que guiassem aquele carro miserável . Mas Harry , que se sentia acordadíssimo , respondeu prontamente : - Eu ajudo o Ron , nunca vi uma des-gnomização ... - É muito simpático de a tua parte , querido , mas é um trabalho chato - explicou Mrs._Weasley . - Vejamos o que o Lockhart tem a dizer acerca disto . E puxou de o rebordo de a lareira um livro pesadíssimo . George resmungou : - Mãe , nós sabemos * des-gnomizar * o jardim . Harry olhou para a capa de o livro de Mrs._Weasley . Em grandes letras douradas , que ocupavam grande parte de a capa , podia ler se Guia_de_Gilderoy_Lockhart para pragas caseiras . Via se também a grande fotografia de um feiticeiro bem-parecido , de cabelos loiros ondulados e olhos azuis brilhantes . Como sempre , em o mundo de os feiticeiros , a fotografia mexia se . O feiticeiro , que Harry calculou ser Gilderoy_Lockhart , não parava de lhes piscar os olhos descaradamente . Mrs._Weasley sorriu lhe . - Oh , ele é fantástico - disse . - Conhece bem as pragas caseiras . É um livro maravilhoso . - A mãe adora o - disse Fred em um murmúrio bastante audível . - Não sejas ridículo , Fred - repreendeu Mrs._Weasley com as bochechas coradas . - É claro que se achas que sabes mais do_que o Lockhart , podes ir fazer o trabalho e ai de ti se houver um único gnomo em o jardim quando eu for fazer a inspecção . A bocejar e a resmungar , os Weasley arrastaram se lá para fora com Harry atrás de eles . O jardim era grande e , em a opinião de Harry , exactamente como deveria ser um jardim . Os Dursleys não teriam gostado . Havia uma enorme quantidade de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada , mas havia árvores nodosas em volta de as paredes , plantas que Harry nunca vira , tombando de todos os canteiros e um grande lago verde cheio de rãs . - Os Muggles também têm gnomos de jardim , sabes - disse o Harry a o Ron , enquanto atravessavam a relva . - Sim , já vi essas coisas que eles pensam que são gnomos - disse o Ron todo dobrado , com a cabeça em uma moita de peónias . - Como os Pais_Natais gordinhos com canas de pesca ... Houve um tumulto ruidoso , a moita de peónias estremeceu e Ron endireitou se . - Isto_é um gnomo - declarou com um ar sério . - Larga eu ! Larga eu ! - guinchou o gnomo . Não se parecia em absoluto com o Pai_Natal . Era pequenino e parecia de couro , com uma grande cabeça protuberante e calva , precisamente como uma batata . Ron agarrou o a a distância de um braço , enquanto ele dava pontapés em o ar com os seus pézinhos que pareciam chifres . Agarrou o por os tornozelos e voltou o de pernas para o ar . - Isto_é o que tens de fazer - disse . Levantou o gnomo acima de a cabeça ( Larga eu ! ) e começou a balouçá o em grandes círculos , como os vaqueiros fazem com os laços . A o ver a expressão chocada de Harry , Ron explicou : - Não os mágoa . Só tens de os deixar bem tontos para que consigam encontrar o caminho de regresso a os buracos de os gnomos . Largou os tornozelos de o gnomo . Ele voou seiscentos metros e aterrou com um ruído surdo em o campo a o lado de a sebe . - Deplorável - afirmou o Fred . - Aposto que consigo lançar o meu para_além de aquele tronco . Harry aprendeu rapidamente a não sentir muita pena de os gnomos . Decidira largar o primeiro que apanhou para_além de a sebe , mas o gnomo , sentindo fraqueza , enfiou os seus dentinhos , aguçados como laminas , em o dedo de o Harry e não foi fácil sacudi o para ele o largar , até que ... - Uau , Harry , esse deve ter sido seiscentos metros ... O ar estava subitamente cheio de gnomos voadores . - Vês , eles não são muito espertos - afirmou o George , agarrando cinco ou seis de uma_vez . - Em o momento em que se apercebem que começou a * des-gnomização * , aparecem todos para espreitar . Era de esperar que já tivessem aprendido a ficar quietinhos . Rapidamente a multidão de gnomos começou a ir se embora , atravessando os campos em uma fila ordenada , com os pequeninos ombros arqueados . - Eles voltam - disse o Ron enquanto os via desaparecer em a sebe de o outro lado de o campo . - Eles adoram estar aqui ... o pai é muito mole com eles , acha lhes piada . Em esse momento , a porta de a frente bateu . - Ele já voltou ! - exclamou o George . - O pai já está em casa ! Apressaram se a entrar . Mr._Weasley tinha se afundado em uma de as cadeiras de a cozinha , sem óculos e com os olhos fechados . Era um homem magro , quase calvo , mas o pouco cabelo que tinha era tão ruivo como o de os filhos . Vestia um longo manto verde cheio de pó e estava cansado de a viagem . - Que noite - murmurou , tacteando em busca de o bule , enquanto todos se sentavam a a volta de ele . - Nove assaltos , nove ! E o velho Mundungs_Fletcher tentou lançar me um feitiço quando eu estava de costas . Mr._Weasley tomou um bom gole de chá e suspirou . - Encontrou alguma coisa , pai ? - perguntou Fred ansiosamente . - Só encontrei algumas chaves encolhidas e uma chaleira que mordia - bocejou Mr._Weasley . - Havia um material bastante mauzinho , mas não era de o meu departamento . O Mortlake foi levado para ser interrogado sobre uns furões extremamente antigos , mas isso pertence a a Comissão_dos_Feitiços_Experimentais , graças_a Deus . - Por_que é_que alguém ia dar se a o trabalho de fazer encolher chaves ? - perguntou George . - Para chatear os Muggles - suspirou Mr._Weasley . - Vende se lhes uma chave que não pára de encolher , até que desaparece , de_modo_a que nunca a encontrem quando precisam ... É claro que é muito difícil condenar alguém , porque nenhum Muggle é capaz de admitir que a sua chave está a encolher , insistem em que estão sempre a perdê a . Benditos sejam , vão até onde for preciso para ignorar a magia , mesmo_que ela esteja em frente de os seus narizes ... mas vocês não acreditariam em as coisas que o nosso grupo tem levado para enfeitiçar ... - : __ como carros , por __ exemplo ? Mrs._Weasley tinha aparecido , segurando um grande atiçador que parecia uma espada . Os olhos de Mr._Weasley abriram se de repente , fitando a mulher com um ar culpado . - C-carros , Molly querida ? - Sim , Artur , carros - afirmou Mrs._Weasley , os olhos a faiscar . - Imagina um feiticeiro a comprar um carro velho e enferrujado e dizer a a mulher que a única coisa que queria fazer com ele era desmontá o para ver como ele funcionava , enquanto em a verdade estava a enfeitiçá o para o fazer voar . Mr._Weasley piscou os olhos . - Bem , querida , acho que poderás constatar que não é ilegal fazer isso , embora , er , talvez ele devesse ter contado a verdade a a mulher ... Existe uma forma de tornear a lei , já_que ela diz que ... desde_que não se tenha a * intenção * de voar em o carro , o facto de ele poder voar , não ... - Arthur_Weasley tu arranjaste essa forma de tornear a lei quando a escreveste ! - gritou Mrs._Weasley . - Para poderes continuar a remexer em todo aquele lixo de os Muggles que tens em a arrecadação ! E , para tua informação , o Harry chegou hoje_de_manhã em o carro que tu não pretendias pôr a voar ! - Harry ? - perguntou Mr._Weasley sem expressão . - Qual Harry ? Olhou em volta , viu Harry e deu um salto . - Santo_Deus , é Harry_Potter ? Muito prazer , o Ron falou nos tanto de si ... - * _ O teu filho conduziu aquele carro até a a casa de o Harry e de volta até aqui em a noite passada ! * - gritou Mrs._Weasley . - O que tens a dizer a esse respeito ? - A sério ! ? - exclamou Mr._Weasley com vivacidade . - Correu tudo bem , quero dizer ... - vacilou a o ver os olhos de Mrs._Weasley que faiscavam . - Er , fizeram mal , rapazes , muito mal , mesmo ... - Vamos deixá os a os dois - murmurou o Ron , enquanto Mrs._Weasley inchava como um sapo gigantesco . - Vamos , vou mostrar te o meu quarto . Esgueiraram se de a cozinha e desceram uma passagem estreita que dava para uma escada desnivelada que ziguezagueava a o longo de a casa . Em o terceiro andar , estava uma porta entreaberta . Harry só teve tempo de ver um par de olhos castanhos brilhantes que o olhavam fixamente , antes de a porta se fechar com um estalido . - A Ginny - disse o Ron . - Não imaginas como é estranho vês a tão tímida , ela que quase nunca se cala ... Subiram mais dois andares , até chegarem a uma porta com a tinta a descascar e uma pequena placa dizendo : « Quarto_do_Ronald » . Harry entrou . A cabeça quase tocava em o tecto inclinado . Piscou os olhos . Era como entrar dentro_de uma fornalha : quase tudo em o quarto de o Ron tinha um violento matiz alaranjado : a colcha de a cama , as paredes , até o tecto . Em seguida , apercebeu se de que o Ron tinha coberto cada centímetro de o velho papel de parede com * posters * de as mesmas sete feiticeiras e feiticeiros , todos vestidos com brilhantes mantos cor de laranja , transportando vassouras e acenando entusiasticamente . - A tua equipa de Quidditch ? - perguntou Harry . - Os Chudley_Cannons - disse Ron , apontando para a colcha cor de laranja que tinha um brasão com dois C's gigantes e uma bala de canhão a_toda_a velocidade . - Nono em a Liga . Os livros de estudo de feitiços de Ron estavam empilhados desordenadamente a um canto , junto de um monte de B. _ D. , todas elas relativas a as * _ Aventuras_de_Martin_Miggs , o Muggle louco * . A varinha mágica de o Ron estava em_cima_de um aquário cheio de ovos de rã sobre o peitoril de a janela , junto de o seu rato gordo e cinzento , Scabbers , que dormia uma soneca a o sol . Harry passou por_cima_de um baralho de cartas de jogar com vontade própria , que estava caído em o chão , e olhou para fora de a janelinha . Em o campo , não muito longe , podia ver um grupo de gnomos a esgueirarem se , um a um , de_novo para a sebe de os Weasley . Em seguida , voltou se para Ron que o observava nervoso , como_se esperasse a opinião de ele . - É um_pouco pequeno - declarou o Ron muito depressa . - Não se parece nada com o quarto que tu tinhas em casa de os Muggles . E estou mesmo debaixo de o vampiro de o sótão . Ele anda sempre a bater nos canos e a gemer ... Mas Harry , com um grande sorriso , disse lhe : - Esta é a melhor casa em que eu já estive . As orelhas de Ron ficaram cor-de-rosa . IV_Na_Flourish and Blotts_A vida em a Toca era o mais diferente que é possível de a vida em Privet_Drive . Os Dursleys gostavam de tudo limpo e arrumado , em casa de os Weasleys explodia o estranho e o inesperado . Harry teve um choque de a primeira vez que olhou para o espelho que estava sobre a lareira de a cozinha e ele gritou : - Mete para dentro a camisa , * desmazelado ! * - O vampiro de o sótão gemia e batia nos canos , sempre_que sentia as coisas demasiado calmas e as pequenas explosões em o quarto de o Fred e de o George , eram consideradas perfeitamente normais . Mas o que o Harry achou mais bizarro em a vida em casa de o Ron , não foi o espelho que falava , nem o vampiro barulhento , foi o facto de todos ali em casa parecerem gostar de ele . Mrs._Weasley preocupava se com o estado de as suas meias e tentava obrigá o a servir se quatro vezes a cada refeição . Mr._Weasley gostava que Harry se sentasse a o lado de ele a a mesa para poder bombardeá o com perguntas sobre a vida com os Muggles , pedindo que lhe explicasse como funcionavam coisas como as canalizações e o serviço de os correios . - Fascinante ! - exclamava , enquanto Harry lhe explicava a utilização de o telefone . - Engenhoso , de facto , todas_as maneiras que os Muggles encontraram para passar sem a magia . Harry teve notícias de Hogwarts em uma manhã de sol , cerca de uma semana depois de ter chegado a a Toca . Quando , ele e o Ron desceram para tomar o pequeno-almoço , encontraram Mr. e Mrs._Weasley e Ginny já sentados a a mesa . Em o momento em que viu o Harry , Ginny entornou a tigela de os cereais , que caiu a o chão com grande espalhafato . Ginny entornava facilmente coisas sempre_que o Harry estava em a sala . Mergulhou debaixo de a mesa para apanhar a tigela e emergiu com o rosto a brilhar como o sol poente . Fingindo não ter dado por nada , Harry sentou se e aceitou a torrada que Mrs._Weasley lhe ofereceu . - Cartas de a escola - disse Mr._Weasley , passando a o Harry e a o Ron envelopes idênticos de pergaminho amarelado , com a morada escrita a tinta verde . - O Dumbledore já sabe que estás aqui , Harry , não perde nada aquele homem . Vocês os dois também - acrescentou , enquanto Fred e George deambulavam em a casa , ainda em pijama . Fez se silêncio durante alguns momentos , enquanto liam as respectivas cartas . A de o Harry dizia para apanhar o Expresso_de_Hogwarts , como sempre em a Estação_de_King's_Cross , em o dia_1_de_Setembro . Havia ainda uma lista de os livros que precisaria para o próximo ano . Os alunos de o segundo ano deverão ter : * _ O_Livro_Padrão_de_Feitiços , Grau 2 , por Miranda_Goshawk . * _ Ensinamentos_de_Uma_Fada_Carpideira , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Férias com Bruxas , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Duendes , por Gilderoy_Lockhart . * _ Viagens com Vampiros , por Gilderoy_Lockhart . * _ Vagueando com Lobisomens , por Gilderoy_Lockhart . * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves , por Gilderoy_Lockhart * . Fred , que terminara a sua própria lista , espreitou para a de o Harry . - Também te mandam comprar os livros de o Lockhart - disse . - A professora de defesa contra as artes negras deve ser fanática . Aposto que é uma bruxa . Nessa_altura , Fred percebeu o olhar de a mãe e apressou se a comer o doce de laranja . - Esse conjunto não vai ficar barato - disse George , olhando rapidamente para os pais . - Os livros de o Lockhart são de os mais dispendiosos ... - Cá nos havemos de arranjar - declarou Mrs._Weasley , mas parecia preocupada . - Espero que pelo_menos para a Ginny possamos arranjar uma data de coisas em segunda mão . - Ah , vais entrar este ano para Hogwarts ? - perguntou lhe Harry . Ela fez um aceno , corando até a a raiz de os cabelos ruivos e meteu o cotovelo em o pires de a manteiga . Felizmente ninguém deu por nada , a não ser o Harry , porque em esse momento o irmão mais velho de Ron , o Percy , entrou . Já estava vestido , com a placa de prefeito aplicada a a sua camisola de malha . - Bom dia a todos - disse , cheio de vivacidade . - Está um dia lindo . Puxou a única cadeira livre , mas deu um salto quando ia sentar se e , debaixo de ele , saltou um espanador cinzento de penas , pelo_menos , foi o que o Harry pensou até ver que ele respirava . - Errol ! - exclamou Ron , afastando a coruja de o Percy e retirando lhe debaixo de a asa uma carta . - Até que enfim , a resposta de a Hermione . Escrevi lhe a contar que íamos tentar raptar te de casa de os Dursleys . Levou Errol para um poleiro que havia junto a a porta de as traseiras e tentou colocá a lá em cima , mas Errol caiu redonda e Ron teve de a pôr em a pia , murmurando : - Patético . - Em seguida , abriu a carta de a Hermione e leu a em voz alta . * _ Querido_Ron e Harry , se aí estiveres . Espero que tudo tenha corrido bem , que o Harry esteja O. _ K. e que não tenham feito nada ilegal para conseguir trazes o , porque isso podia criar lhe problemas também a ele . Tenho estado muito preocupada e , se o Harry estiver bem , por favor digam me qualquer coisa rapidamente , mas talvez seja melhor usarem uma nova coruja , porque acho que outra entrega pode acabar como esta . * _ Estou muito atarefada com trabalho de a escola , claro * . - Como é possível ? - perguntou Ron , horrorizado . - Estamos em férias ! - * _ E vamos para Londres em a próxima quarta-feira para comprar os meus livros novos . Porque não nos encontramos em a Diagon-al ? * _ Dêem-me notícias vossas o mais depressa possível . * _ Carinhosamente_Hermione * - Bem , parece uma boa solução , podemos ir todos comprar as vossas coisas - disse Mrs._Weasley , começando a limpar a mesa . - O que vão fazer hoje ? Harry , Ron , Fred e George tinham planeado ir a o cimo de o monte a um pequeno cercado de cavalos que os Weasleys possuíam . Estava rodeado de árvores que lhe tapavam a vista de a cidade cá em baixo , o que quer_dizer que podiam praticar Quidditch , desde_que não voassem muito alto . Não podiam usar as verdadeiras bolas de Quidditch pois seria muito difícil explicar se elas escapassem e voassem sobre a cidade . Em vez de elas , lançavam maçãs para os outros apanharem . Faziam turnos para montar a Nimbus dois_mil , que era de longe a melhor vassoura . A velha Shooting_Star_de_Ron fora muitas_vezes ultrapassada por as borboletas que passavam . Cinco minutos mais tarde estavam a marchar por o monte acima , de vassouras a o ombro . Tinham perguntado a o Percy se ele queria juntar se a eles , mas ele alegara muito trabalho . Até esse dia , Harry só tinha visto Percy a a hora de as refeições , ele ficava em silêncio em o quarto o resto de o tempo . - Gostava de saber o que ele anda a fazer - afirmou Fred , de testa franzida . - Não parece o mesmo . O resultado de os exames veio um dia antes de tu chegares : doze N_F_V e ele nem se manifestou satisfeito . - Níveis_de_Feitiçaria_Vulgares - explicou o George , vendo o olhar atarantado de Harry . - Se não temos cuidado , ainda nos calha outro Chefe_de_Turma em a família . Acho que não suportaria a vergonha . Bill era o mais velho de os irmãos Weasley . Ele e o irmão a seguir , Charlie , já tinham saído de Hogwarts . Harry não conhecia nenhum de os dois , mas sabia que o Charlie estava em a Roménia a estudar dragões e o Bill em o Egipto a trabalhar em o banco de os feiticeiros : Gringotts . - Não sei como o pai e a mãe vão arranjar dinheiro para nos pagar o material escolar este ano - disse o George , passado um bocado . - Cinco conjuntos de livros de o Lockhart ! E a Ginny precisa de mantos e de uma varinha e tudo_isso ... Harry não disse nada . Sentiu se um_pouco incomodado . Fechada em um cofre subterrâneo , em o banco de Gringotts_de_Londres , estava uma pequena fortuna que os pais lhe tinham deixado . É claro que só tinha esse dinheiro em o mundo de os feiticeiros , não se podem usar Galeões , Leões e Janotas em as lojas de os Muggles . Ele nunca fizera referência a a sua conta bancária em Gringotts a os Dursleys . Não lhe parecia que o horror que eles sentiam por tudo_o_que se relacionava com a feitiçaria se estendesse a uma enorme pilha de barras de ouro . Mrs._Weasley acordou os a todos bem cedo , em a quarta-feira seguinte . Depois de comerem umas doze sanduíches de * bacon * cada_um , enfiaram os casacos e Mrs._Weasley tirou um vaso de a prateleira de o fogão de a cozinha e espreitou lá para dentro . - Está a acabar se , Arthur - suspirou . - Temos de comprar mais hoje ... Bem , os hóspedes primeiro . Passa , Harry querido ! E ofereceu lhe o vaso de flores . Harry olhou espantado enquanto todos eles o observavam . - O q-que é_que eu devo fazer ? - gaguejou . - Ele nunca viajou com o pó de Floo - disse o Ron subitamente . - Desculpa , Harry , esqueci me . - Nunca ? - perguntou Mrs._Weasley . - Mas então como chegaste a a Diagon - _ Al em o ano passado para comprar as tuas coisas ? -- Fui por o subterrâneo . - A sério ? - disse Mr._Weasley , entusiasmado . - Havia fugitivos ? Como é_que ... - Agora não , Arthur - disse Mrs . Weasley . - O pó de Floo é muito mais rápido , querido , mas , valha me Deus , se ele nunca o usou ... - Vai correr bem , mãe - disse o Fred . - Harry observa nos primeiro . Tirou uma pitada de pó brilhante de dentro de o vaso , aproximou se de o lume e lançou o pó em as chamas . Com um rugido , o fogo ficou verde-esmeralda e elevou se a uma altura superior a a de o Fred que avançou , gritando Diagon - _ Al ! E desapareceu . - Tens de falar claramente , filho - disse Mrs._Weasley a o Harry , ao_mesmo_tempo que George metia a mão em o vaso de as flores . - E vê se sais em o fogão certo . - Em o quê ? - perguntou Harry , nervoso , enquanto o lume crepitava e fazia George desaparecer também . - Bem , há imensos fogos de feiticeiros , mas desde_que te tenhas expressado claramente ... - Ele vai conseguir , Molly , não te preocupes - disse Mr._Weasley , tirando também ele algum pó . - Mas querido se ele se perde como é_que vamos justificar nos perante o tio e a tia de ele ... -- Eles não se importariam - tranquilizou a Harry . - O Dudley ia achar imensa piada se eu me perdesse em uma chaminé , não se preocupe . - Bem , em esse caso ... tu vais a seguir a o Arthur - disse Mrs._Weasley . - Logo_que entres em o fogo diz para_onde queres ir . - E mantém os cotovelos dobrados - preveniu o Ron . - E os olhos fechados - disse Mrs._Weasley . - A fuligem . - Não te enerves - disse o Ron . - Senão podes ir parar a a lareira errada . - Não entres em pânico e não queiras sair cedo de mais . Espera até veres o Fred e o George . Fazendo um enorme esforço por reter toda aquela informação , Harry tirou uma pitada de pó de Floo e avançou para a beirinha de o fogo . Respirou fundo , espalhou o pó em as chamas e entrou . O fogo parecia uma brisa quente . Abriu a boca e engoliu , de imediato , uma grande quantidade de cinzas quentes . D-dia-gon-al - tossiu . Sentiu se como_se estivesse a ser sugado para um buraco gigantesco . Como_se girasse muito depressa ... o ruído era ensurdecedor . Tentou manter os olhos abertos mas o turbilhão de chamas verdes fê lo enjoar ... algo duro bateu lhe em o cotovelo e dobrou o de imediato . Continuava a rodar , a rodar ... sentia se agora como_se várias mãos frias estivessem a bater lhe em a cara ... Espreitando através de os óculos , viu uma torrente imprecisa de fogões e captou lampejos de as salas que estavam por detrás ... as sanduíches de * bacon * davam lhe a volta dentro de o estômago ... fechou os olhos desejando que tudo aquilo parasse e então caiu , de cara em o chão , em a pedra fria e sentiu os óculos partirem se a os bocados . Desorientado e ferido , coberto de fuligem , pôs se cautelosamente de pé , levando a os olhos os óculos partidos . Estava completamente só e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava . Tudo_o_que podia dizer era que a o seu lado via uma lareira que lhe parecia ser a de uma enorme e indistinta loja de feitiçaria . Mas nenhum de os artigos que ali se encontravam tinham aspecto de fazer parte de a lista de a escola de Hogwarts . Em uma caixa de vidro podia ver se uma mão atrofiada que repousava sobre uma almofada , um baralho de cartas ensanguentado e um olho de vidro que o olhava fixamente . Máscaras de expressão maldosa enchiam as paredes , olhando de esguelha , uma enorme quantidade de ossos humanos estendia se sobre o balcão e , de o tecto , pendiam instrumentos aguçados com pontas de ferro e pregos enferrujados . Mas o pior é_que a rua estreita e escura , que Harry conseguia avistar através de a janela poeirenta de a loja , não era de modo algum a Diagon-al . Quanto_mais depressa saísse de ali , melhor . O nariz ainda a doer lhe em o sítio onde batera em o chão a o aterrar , Harry avançou rápida e silenciosamente em direcção a a porta , mas antes de conseguir chegar a meio caminho , duas pessoas apareceram de o lado de_fora de o vidro , e uma de elas era a última pessoa que Harry desejaria encontrar em o momento em que se encontrava perdido , coberto de fuligem e com os óculos partidos , Draco_Malfoy . Harry olhou rapidamente em volta e apercebeu se de a existência de um grande armário escuro a a sua esquerda , saltou lá para dentro e fechou as portas , deixando uma gretazinha para poder espreitar . Segundos depois , uma campainha tocava e Malfoy entrava em a loja . O homem que o acompanhava só podia ser o pai . Tinha o mesmo rosto pálido de feições agudas e os mesmos olhos cinzentos de gelo . Mr._Malfoy atravessou a loja , olhando maquinalmente para os artigos expostos e tocou a campainha de o balcão , antes de se voltar para o filho , dizendo : - Não mexas em nada , Draco . Malfoy , que vira o olho de vidro , disse : - Pensei que ias oferecer me um presente . - Eu prometi que ia comprar te uma vassoura de corrida - declarou o pai , tamborilando com os dedos sobre o balcão . - Para que é_que me serve , se não estou em a equipa de Quidditch ? - perguntou Malfoy , carrancudo e de mau humor . - O Harry_Potter teve uma Nimbus dois_mil o ano passado , com a autorização especial de o Dumbledor é para jogar em os Gryffindor . Ele nem é assim tão bom , é só por ser * famoso * ... famoso por ter uma estúpida cicatriz em a testa . Malfoy baixou se para observar uma prateleira cheia de crânios . - Todos acham que ele é tão esperto , o Potter maravilha , com a sua cicatriz e a sua vassoura ... - Já me disseste isso doze vezes pelo_menos - comentou Mr._Malfoy , olhando repressivamente para o filho . - E devo lembrar te que não é prudente parecer menos do_que amigo de Harry_Potter , quando a maior parte de a nossa gente vê em ele um herói que fez desaparecer o Senhor_do_Mal . Ah , Mr._Borgin . Um homem curvado surgiu por detrás de o balcão , puxando o cabelo gorduroso para trás . - Mr._Malfoy , que prazer vês o de_novo - disse Mr._Borgin , em uma voz tão untuosa como o cabelo . - Encantado , e o nosso jovem Malfoy também , encantado . Em que posso servi os ? Tenho que vos mostrar o que chegou hoje , a um preço muito razoável ... - Hoje não venho comprar , Mr._Borgin , e sim vender - afirmou Mr._Malfoy . - Vender ? - O sorriso apagou se lentamente em o rosto de Mr._Borgin . - Certamente ouviu dizer que o Ministério está a levar a cabo mais buscas - explicou o Mr._Malfoy , retirando de o bolso um rolo de pergaminho e desembrulhando o para Mr._Borgin o ler . - Eu tenho alguns , ah , artigos em casa que poderiam criar me problemas se o Ministério me batesse a porta . Mr._Borgin colocou em o nariz um par de * pince-nez * e olhou para a lista . - O Ministério não se lembraria de o incomodar certamente ... O lábio de Mr._Malfoy dobrou se . - Ainda não me fizeram nenhuma visita . O nome Malfoy ainda impõe um certo respeito , mas o Ministério está a ficar cada_vez_mais intrometido . Há boatos sobre um novo decreto de protecção de os Muggles , sem dúvida que aquele mordido de as pulgas , adorador de os Muggles , que é o Arthur_Weasley deve estar por detrás de isso . Harry sentiu crescer a raiva . - E , como pode ver , alguns de estes venenos podiam dar a ideia ... - Compreendo perfeitamente , claro - disse Mr._Borgin . - Deixe me ver ... - Posso ter aquilo ? - interrompeu Draco , apontando para a mão raquítica que estava sobre a almofada . - Ah , a mão de a glória ! - exclamou Mr._Borgin , abandonando a lista de Mr._Malfoy e apressando se a responder a Draco . - Põe se lhe uma vela e ela só dá luz a quem a transporta ! A melhor amiga de os gatunos e de os salteadores , o seu filho tem gosto , senhor . - Espero que o meu filho venha a ser mais do_que gatuno ou salteador , Borgin - disse Mr._Malfoy friamente e Mr._Borgin respondeu logo : - Sem ofensa , senhor , sem querer ofender . - Embora , se as notas de a escola não melhorarem - disse Mr._Malfoy ainda mais friamente - esse possa vir a ser o único caminho possível para ele . - Não tenho culpa - retorquiu Draco . - Todos os professores têm os seus preferidos , aquela Hermione_Granger ... - Eu , em o teu lugar , teria vergonha que uma rapariga que nem_sequer pertence a famílias de feiticeiros , me passasse a a frente em todos os exames - interrompeu Mr._Malfoy . Ah - fez Harry baixinho , radiante por ver Draco atrapalhado e furioso . - É o mesmo em todo o lado - comentou Mr._Borgin em a sua voz untuosa . - O sangue de os feiticeiros conta cada_vez menos ... - Não para mim - afirmou Mr._Malfoy , com as longas narinas dilatadas . - Não senhor , nem para mim - concordou Mr._Borgin , inclinando se em uma vénia . - Em esse caso , talvez possamos voltar a a minha lista - disse Mr._Malfoy secamente . - Estou com alguma pressa , Borgin , tenho ainda hoje assuntos importantes a tratar em outro lado . Começaram a discutir os preços . Harry via nervosamente o Draco aproximar se de o seu esconderijo enquanto observava os objectos a a venda . Parou para examinar um enorme rolo de corda de carrasco e para ver , com um sorriso afectado , o cartão preso com um aparatoso laço de opalas onde podia ler se : * _ Cautela , não tocar . Amaldiçoado - reclama as vidas de dezanove donos , todos eles Muggles * . Draco voltou se e viu o armário mesmo em frente . Avançou , estendeu a mão para o puxador ... - Feito - disse Mr._Malfoy , a o balcão . - Vamos , Draco . Harry limpou a testa a a manga quando Draco se afastou . - Muito bom dia , Mr._Borgin . Espero por si amanhã em a mansão para ir buscar a mercadoria . Em o momento em que a porta se fechou , Mr._Borgin abandonou os seus modos subservientes . « Bom dia para o senhor , Mr._Malfoy , e , se as histórias que contam são verdadeiras , não me vendeu nem metade do_que tem escondido em a sua mansão ... » Murmurando de forma taciturna , Mr._Borgin desapareceu em uma sala escura . Harry esperou um minuto não fosse ele voltar e , em seguida , o mais silenciosamente possível , escapou se de o armário , passou por as caixas de vidro e saiu de a loja . Encostando os óculos partidos a o rosto , olhou em volta . Saíra em uma rua estreita e sombria que parecia composta exclusivamente de lojas dedicadas a as artes negras . Aquela de onde acabava de sair parecia ser a maior , mas em frente estava uma montra tétrica de cabeças encolhidas e duas portas abaixo podia ver se uma enorme caixa viva cheia de gigantescas aranhas pretas . Dois feiticeiros com aspecto pobre observavam o de a sombra de uma porta , murmurando entre si . Sentindo se nervoso , Harry pôs se a caminho , tentando agarrar os óculos a direito e não desistindo de a esperança de encontrar maneira de sair de ali . Por um cartaz de madeira , pendurado em a rua , indicando uma loja de venda de velas envenenadas , ficou a saber que se encontrava em a Rua * _ Bativolta * , mas isso não o ajudou pois Harry nunca ouvira falar em tal lugar . Calculou que não tinha pronunciado bem as palavras com a boca cheia de cinzas em a lareira de os Weasley . Tentando manter a calma perguntou a si mesmo o que havia de fazer . - Não estás perdido , pois não , meu menino ? - perguntou uma voz , mesmo junto de o seu ouvido , que o fez dar um salto . Uma bruxa idosa estava em a sua frente , segurando um tabuleiro de uma coisa que se parecia horrivelmente com unhas humanas . A mulher olhou o maldosamente , mostrando os dentes esverdeados . Harry recuou . - Estou bem , obrigado - disse . - Estou só ... - HARRY ! O qu'é que pensas que estás a fazer aqui ? O coração de Harry deu um salto , assim_como o de a bruxa . Um monte de unhas caíram lhe sobre os pés e ela praguejou , enquanto o corpo enorme de Hagrid , o guarda de os campos de Hogwarts , se aproximava de eles a passos largos com os olhos castanhos-escuros a faiscarem sobre a longa barba eriçada . - Hagrid - gritou Harry , aliviado . - Eu estava perdido ... o pó de Floo ... Hagrid agarrou Harry por o cachaço e puxou o para longe de a bruxa , tirando lhe o tabuleiro de as mãos . Os guinchos agudos de a feiticeira seguiram nos até a o fundo de a ruela serpenteante que ia dar a um lagar onde brilhava o sol . Harry avistou a a distância um edifício de mármore branco como a neve que lhe era familiar : o banco de Gringotts . Hagrid conduzira o até a a Diagon - _ Al . - ` _ tás em um péssimo estado ! - disse Hagrid bruscamente , sacudindo lhe a fuligem com tanta força que Harry quase caiu em um barril de estrume de dragão que se encontrava a a porta de um boticário . - A fugir , em a Rua * _ Bativolta * , eu não conheço esse lugar finório , Harry , não quero que ninguém te veja aqui em baixo . - Já percebi - disse Harry , baixando se quando Hagrid fez menção de o escovar melhor . - Já te disse que estava perdido . E o que é_que tu fazes aqui ? - ` _ Tou a a procura d'um repelente para as lesmas comedoras de legumes - resmungou Hagrid . - ` _ tão a destruir as couves todas de a escola . Tu não estás sozinho ? - Estou em casa de os Weasley , mas separámo nos explicou Harry . - Tenho que os encontrar . Desceram juntos a rua . - Por_que é_que nunca respondeste a as minhas cartas ? - perguntou Hagrid , enquanto Harry corria para o acompanhar ( tinha de dar três passos por cada enorme passada de Hagrid ) . Harry explicou lhe tudo sobre Dobby e os Dursleys . - Malditos_Muggles - rugiu Hagrid . - S'eu tivesse sabido ... - Harry ! Harry ! Aqui ! Harry olhou para_cima e viu Hermione_Granger em o topo de a escadaria de Gringotts . Desceu para vir a o encontro de ele , o cabelo castanho de caracóis , a esvoaçar atrás de ela . - O que aconteceu a os teus óculos ? Olá_Hagrid ... Oh , é maravilhoso ver vos outra_vez . Vens a Gringotts , Harry ? - Logo_que encontre os Weasley - respondeu ele . - Não vais ter d'esperar muito - riu se Hagrid . Harry e Hermione olharam em volta . Subindo a rua , em o meio de a multidão , vinham Ron , Fred , George , Percy e Mr._Weasley . - Harry - chamou Mr._Weasley , ofegante . - Tínhamos esperança que só tivesses ido um fogão mais longe ... - passou um pano em a sua calva reluzente . - A Molly está nervosíssima , aí vem ela . - Onde é_que tu saíste ? - perguntou o Ron . - Em a Rua * _ Bativolta * - disse o Hagrid , com um ar sério . - Sensacional ! - exclamaram Fred e George ao_mesmo_tempo . - Nunca nos deram autorização para lá ir - disse o Ron com uma pontinha de inveja . - E fizeram muito bem - grunhiu Hagrid . Mrs._Weasley chegou em aquele momento a correr , a mala a balouçar em uma de as mãos e Ginny quase pendurada em a outra . - Oh Harry , oh meu querido , podias ter ido parar a qualquer lugar ... Tentando recuperar o fôlego , tirou de a mala uma grande escova de roupa e começou a retirar a fuligem que Hagrid não conseguira expulsar . Mr._Weasley pegou em os óculos de Harry , deu lhes um toque de varinha e entregou lhe os como novos . - Bem , tenho de m'ir embora - disse Hagrid cuja mão estava a ser esmagada por Mrs._Weasley ( -- Rua * _ Bativolta * ! Se não o tivesses encontrado , Hagrid ! ) . - Vemo nos em Hogwarts . - E afastou se , os ombros e a cabeça acima de a multidão que enchia completamente a rua . - Adivinham quem eu vi em o Borgin and Burkes ? - perguntou Harry_a_Ron e a Hermione enquanto subiam as escadarias de Gringotts . - Malfoy e o pai . - O Lucius_Malfoy comprou alguma coisa ? - perguntou interessado Mr._Weasley que estava atrás de eles . - Não , estava a vender . - Então está preocupado - comentou Mr._Weasley com visível satisfação . - Ah , eu adorava apanhar o Lucius_Malfoy em alguma . . - Tem cuidado , Arthur - interrompeu Mrs._Weasley enquanto o gnomo porteiro lhes dava reverentemente entrada em o banco . - Isso é um problema de família . Não queiras ter mais olhos que barriga . - Queres dizer com isso que achas que eu não chego para o Malfoy ? - perguntou Mr._Weasley , indignado , mas foi rapidamente afastado de aqueles sentimentos a o avistar os pais de Hermione que estavam de pé , nervosamente encostados a o balcão que acompanhava a grande parede de mármore , a a espera que Hermione os apresentasse . - Mas vocês são Muggles ! - disse Mr._Weasley , encantado . - Temos de tomar uma bebida . O que é isso aí ? Ah , estão a trocar dinheiro de Muggle . Molly , olha - apontou cheio de excitação para as notas de dez libras que Mr._Granger tinha em a mão . - Encontramo nos aqui - disse Ron_a_Hermione , enquanto os Weasley e Harry eram conduzidos a os seus cofres em o subterrâneo de Gringotts . Para chegar a os cofres havia que tomar umas carrinhas conduzidas por gnomos que se deslocavam ao_longo_de carris de comboio de pequenas dimensões através de os túneis subterrâneos de o banco . Harry gostou de a viagem acidentada até a o cofre de os Weasley , mas sentiu se bastante mal , pior do_que em a Rua * _ Bativolta * , quando o cobre foi aberto . Havia lá dentro um pequenino monte de Leões de prata e apenas um Galeão de ouro . Mrs._Weasley foi com a mão a a procura em os cantos antes de , com um gesto rápido , varrer tudo para dentro de o saco . Harry sentiu se ainda pior quando chegaram a o seu cofre . Tentou evitar que vissem o conteúdo enquanto empurrava apressadamente mãos cheias de moedas para dentro_de uma sacola de cabedal . Lá fora , em as escadarias de mármore , separaram se . Percy murmurou vagamente que precisava de uma nova pena de escrever . Fred e George tinham avistado um amigo de Hogwarts , Lee_Jordan . Mrs._Weasley e Ginny iam a uma loja de mantos em segunda mão , Mr._Weasley continuava a insistir em levar os Grangers a o Caldeirão_Escoante para lhes pagar uma bebida . - Encontrarmo nos todos em a Flourish and Blotts dentro_de uma hora para comprar os vossos livros de estudo - disse Mrs._Weasley , afastando se com Ginny . - E nem um passo em direcção a a Rua * _ Bativolta * - gritou a os gémeos que estavam de costas . Harry , Ron e Hermione deambularam por a rua empedrada e sinuosa . O ouro , prata e bronze que tilintavam alegremente em o saco que Harry tinha em o bolso pareciam exigir ser gastos , por isso ele comprou três enormes gelados de morango e manteiga de amendoim que eles devoraram felizes enquanto vagueavam sem destino por a rua fora , observando as montras fantásticas de as lojas . Ron olhou longamente para um conjunto completo de mantos de o Chudley_Cannon , em as montras de o « Equipamento_de_Quidditch_de_Qualidade » até Hermione o arrastar de ali para a porta a seguir para comprarem tinta e pergaminhos . Em a « Jogos_de_Feitiçaria_de_Gambol and Japes » encontraram o Fred , o George e o Lee_Jordan que estavam presos em a fabulosa partida debaixo_de chuva e em os fogos-de-artifício de o Dr._Filibuster . E em uma pequenina loja de velharias cheia de varinhas partidas , balanças instáveis de latão e mantos velhos cobertos de nódoas de poções encontraram Percy profundamente concentrado em um pequenino livro , bastante chato , chamado * _ Prefeitos que conquistam o poder * . - * _ Um estudo sobre os prefeitos de Hogwarts e as suas posteriores carreiras * - leu alto o Ron em a contracapa . - Deve ser fascinante ... - Desaparece - gritou Percy . - Claro , ele é muito ambicioso , já tem tudo planeado . Quer ser ministro de a magia - disse o Ron baixinho a o Harry e a a Hermione , enquanto deixavam Percy entregue a o livro . Uma hora mais tarde dirigiram se a a Flourish and Blotts . Não eram de modo algum os únicos a encaminhar se para a livraria . À_medida_que se aproximavam viram com grande surpresa uma grande multidão a a porta , tentando entrar em a loja . O motivo de tal confusão estava anunciado em um cartaz que se estendia a o longo de a montra superior . GILDEROY_LOCKHART_Assinará exemplares de a sua autobiografia " eu , o mágico " Hoje 12.30 - 16.30 - Vamos poder conhecê o ! - gritou Hermione . - Quero dizer , ele escreveu quase todos os livros de a nossa lista ! A multidão parecia ser maioritariamente composta por bruxas de a idade de Mrs._Weasley . Um feiticeiro bem-parecido estava de pé junto de a porta , dizendo : - Calma , minhas senhoras , não empurrem , cuidado com os livros . Harry , Ron e Hermione conseguiram furar e entrar . Uma longa fila serpenteava para as traseiras de a loja onde Gilderoy_Lockhart estava a assinar os seus livros . Cada_um de eles pegou em um exemplar de * _ ensinamentos de Uma Fada_Carpideira * e escaparam se de a fila indo ter a o lugar onde se encontravam os outros com Mr. e Mrs._Granger . - Ah , aí estão vocês . _ óptimo - disse Mrs._Weasley que parecia estar com falta de ar e não parava de mexer em o cabelo . - Vamos poder vês o dentro_de um minuto . Gilderoy_Lockhart veio lentamente até um lugar onde era visível para todos , sentou se a uma mesa , rodeado de grandes fotografias de o próprio rosto , todo ele sorrisos , mostrando a a multidão o brilho cintilante de os seus dentes . Lockhart usava uma túnica azul-noite que condizia a as mil maravilhas com a cor de os olhos , o chapéu pontiagudo de feiticeiro colocado lateralmente sobre o cabelo ondulado . Um homenzinho pequenino e irritante andava a dançar de um lado para o outro , tirando fotografias com uma grande máquina preta que lançava baforadas de fumo arroxeado em cada * flash * . - Sai de o caminho , tu aí - disse rispidamente a o Ron , mudando de lugar para ter um angulo melhor . - Este é para o * _ Profeta_Diário * . - Grande coisa ! - exclamou o Ron , esfregando os pés em o lugar que o fotógrafo pisara . Gilderoy_Lockhart ouviu o . Olhou , viu o Ron e em seguida Harry . Voltou a olhar , desta_vez com mais atenção . Em seguida , pôs se de pé e gritou : - Não pode ser , o Harry_Potter ? A multidão dividiu se entre murmúrios de excitação . Lockhart aproximou se , agarrou Harry por um braço e levou o para a frente . A multidão rebentou em aplausos . A cara de Harry ardia quando Lockhart lhe apertou a mão para o fotógrafo que disparava como um louco , lançando fumo espesso para_cima de os Weasley . - Belo sorriso , Harry - disse Lockhart através de os seus dentes brilhantes . - Tu e eu juntos merecemos a primeira página . Quando por fim lhe largou a mão , Harry quase não sentia os dedos . Tentou recuar para junto de os Weasley , mas Lockhart lançou lhe um braço por os ombros e prendeu o a o seu lado . - Minhas senhoras e meus senhores - disse bem alto , fazendo sinal para que se acalmassem . - Que momento extraordinário este ! O momento perfeito para eu anunciar algo que tenho vindo a guardar comigo desde_há algum tempo . - Quando o jovem Harry entrou em a Flourish and Blotts hoje , ele queria apenas comprar a minha autobiografia , que tenho agora o maior prazer em oferecer lhe - a multidão aplaudiu de_novo . - Ele não tinha ideia - continuou Lockhart , dando a o Harry um pequeno encontrão que fez com que os óculos lhe escorregassem para a ponta de o nariz - de que ia conseguir em_breve muito mais do_que o meu livro Eu , o mágico . Ele e os seus colegas de a escola vão receber , de facto , o verdadeiro * _ Eu , o mágico * . Sim , minhas senhoras e meus senhores , tenho o maior prazer em anunciar que em o mês_de_Setembro assumirei o lugar de professor de Defesa contra as artes negras em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts ! A multidão aplaudiu e bateu palmas e Harry deu consigo a ser presenteado com a obra completa de Gilderoy_Lockhart . Cambaleando ligeiramente sob o peso de os livros conseguiu abrir caminho para longe de os projectores até a a porta de a sala onde estava Ginny com o seu novo caldeirão . - Podes ficar com estes - murmurou Harry , enfiando os livros em o caldeirão . - Eu vou comprar os meus . - Aposto que adoraste aquilo , não adoraste , Potter ? - disse uma voz que Harry não teve qualquer dificuldade em reconhecer . Endireitou se e deu consigo frente_a_frente com Draco_Malfoy que exibia o seu habitual sorriso escarninho . - O famoso Harry_Potter - disse Malfoy . - Nem_sequer pode entrar em uma livraria sem se tornar primeira página . - Deixa o em paz , ele não queria nada de isso - defendeu a Ginny . Era a primeira vez que falava em frente de Harry . Olhava para Malfoy com um ar feroz . - Potter , arranjaste uma namorada ! - disse arrastadamente Malfoy . Ginny ficou vermelha como um pimentão enquanto Ron e Hermione tentavam abrir caminho , ambos carregando montes de livros de Lockhart . -- Ah és tu ? - disse Ron , olhando para Malfoy como_se ele fosse algo desagradável colado a a sola de o sapato . - Aposto que te surpreendeu ver o Harry aqui ? - Não tanto como a ti em uma loja , Weasley - retorquiu Malfoy . - Imagino que os teus pais tenham de passar fome durante um mês para pagar isso tudo . Ron ficou tão vermelho quanto Ginny . Deixou também cair os livros em o caldeirão e avançou para Malfoy , mas Harry e Hermione agarraram o por as costas de o casaco . - Ron - disse Mrs._Weasley , aproximando se com Fred e George . - O que estás a fazer ? Isto está uma loucura aqui dentro , vamos lá para fora . - Olha quem ele é , Arthur_Weasley . - Era_Mr._Malfoy . Estava de pé com a mão sobre o ombro de Draco , com o mesmo sorriso escarninho . -- Lucius - disse Mr._Weasley , acenando friamente . -- Muito trabalho em o ministério , segundo me consta - disse Mr._Malfoy . - Todas essas buscas ... espero que te estejam a pagar horas extraordinárias . Meteu a mão em o caldeirão de a Ginny e tirou de o meio de os livros de Lockhart um exemplar muito velho e muito gasto de o * _ Guia_de_Transfiguração_para_Principiantes * . - Parece que não - disse . - Que diabo , qual a vantagem de ser uma nódoa entre os feiticeiros se nem_sequer te pagam bem por isso ? Mr._Weasley corou mais ainda do_que Ron ou Ginny . - Nós temos uma opinião diferente sobre quem são as nódoas entre os feiticeiros - disse . - É claro que ... - disse Mr._Malfoy , os olhos mortiços passando para Mr. e Mrs._Granger apreensivamente . - As companhias com quem tu andas ... e eu que pensava que já não conseguias descer mais baixo ... Ouviu se um tilintar de metal quando o caldeirão de a Ginny foi por os ares . Mr._Weasley lançara se sobre Mr._Malfoy atirando o para dentro_de uma estante . Dezenas_de livros de feitiços saltaram lá de cima , caindo lhes sobre as cabeças . Houve um grito de - Chega lhe , pai ! - de o Fred e de o George . Mrs._Weasley soltava gritos agudos : - Não_Arthur , não . A multidão recuava deitando mais prateleiras a o chão . - Meus senhores , por favor - gritava o encarregado , e então , mais alto do_que todos : - Parem com isso , gente , parem com isso . Hagrid aproximava se através_de um mar de livros . Em um segundo afastou Mr._Weasley e Mr._Malfoy . Mr._Weasley tinha um lábio cortado e Mr._Malfoy fora agredido em um olho por uma * _ Enciclopédia_de_Cogumelos_Venenosos * . Tinha ainda em a mão o livro velho de a Ginny sobre transfiguração . Atirou lhe o , com os olhos a brilhar de malvadez . - Toma o teu livro , garota . É o melhor que o teu pai pode oferecer te . Libertando se de Hagrid , conduziu Draco para fora e abandonaram a livraria . - Devias tê o ignorado , Arthur - disse Hagrid quase a pegar em Mr._Weasley a o colo enquanto lhe endireitava o manto . - São podres até a a raiz , todos eles . Tod'à gente sabe . Nenhum Malfoy vale a pena ser ouvido . Não prestam , ' tá-lhes em o sangue . Vá lá , vamos sair de aqui . O encarregado parecia querer impedis os , mas , olhando bem para Hagrid , pensou melhor . Subiram a rua , os Grangers a tremer de medo e Mrs._Weasley fora de si . - Um belo exemplo para as crianças ... andar a a pancada em público . O que terá pensado Gilderoy_Lockhart ? - Ele gostou - disse o Fred . - Não o ouviram quando ia a sair ? Estava a perguntar a aquele tipo de o Profeta_Diário se conseguia incluir a briga em a reportagem , disse que era boa publicidade . Mas foi um grupo deprimido que regressou a a lareira de o Caldeirão_Escoante onde Harry , os Weasley e todas_as suas compras iriam viajar de volta até a a Toca , usando o pó de Floo . Despediram se de os Grangers que iam sair de o * pub * por a rua de os Muggles , de o outro lado . Mr._Weasley começou a perguntar lhes como funcionavam as paragens de autocarros , mas calou se rapidamente a o ver a expressão de Mrs._Weasley . Harry tirou os óculos e guardou os cautelosamente em o bolso antes de utilizar o pó de Floo . Definitivamente não era a sua forma ideal de viajar . V_O salgueiro zurzidor O fim de as férias de Verão chegou demasiado depressa para o gosto de Harry . Ele desejara muito regressar a Hogwarts , mas aquele mês em a Toca tinha sido o mais feliz de toda_a sua vida . Era difícil não invejar o Ron quando pensava em os Dursleys e em as boas-vindas que ia receber de a próxima vez que pusesse os pés em Privet_Drive . Em a última noite , Mrs._Weasley preparou um jantar magnífico , que incluía os pratos favoritos de Harry e terminava com um pudim de melaço de fazer crescer água em a boca . Fred e George alegraram a noite com uma exibição de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Encheram a cozinha de estrelas vermelhas e azuis que saltaram de o tecto para as paredes , durante pelo_menos meia_hora . Depois , foi a altura de tomarem uma caneca de chocolate quente e irem para a cama . Em a manhã seguinte , demoraram muito_tempo a preparar se . Levantaram se com o cantar de o galo , mas parecia lhes que ainda tinham muito para fazer . Mrs._Weasley andava de um lado para o outro , mal-humorada , a a procura de meias e penas , chocavam uns com os outros em as escadas , meio vestidos , meio despidos , com pedaços de torrada em as mãos e Mr._Weasley quase partiu o nariz quando tropeçou em uma galinha a o atravessar o pátio , para meter em o carro a mala de Ginny . Harry não percebia lá muito bem_como é_que oito pessoas , seis grandes malas , duas corujas e um rato , iam caber em um pequeno * _ Ford_Anglia * , isso , claro , antes de as artes mágicas que Mr._Weasley acrescentara . - Nem uma palavra a a Molly - murmurou ele a o Harry , enquanto abria a bagageira e lhe mostrava como ela se expandira para que as malas coubessem facilmente . Quando , por fim , se acomodaram todos em o carro , Mrs._Weasley olhou para o banco de trás , onde Harry , Ron , Fred , George e Percy estavam confortavelmente sentados uns a o lado de os outros e disse : - Os Muggles têm mais conhecimentos do_que aqueles que nós lhes atribuímos , não achas ? - Ela e a Ginny entraram para o lugar de a frente , que fora esticado e parecia um banco de jardim . - Quer_dizer , de_fora ninguém diria que este carro era espaçoso , não acham ? Mr._Weasley pôs o motor a funcionar e saíram de o pátio , Harry voltando se para trás para ver por a última vez a casa . Mal teve tempo de se questionar se iria voltar alguma vez e já estavam de volta : George esquecera se de a caixa de fogo-de-artíficio de o Filibuster . Cinco minutos mais tarde tiveram de interromper de_novo a viagem e voltar a o pátio para o Fred ir a correr buscar a vassoura . Estavam quase a chegar a a auto-estrada , quando Ginny guinchou que se esquecera de o diário . Mas estava a fazer se muito tarde e os ânimos começavam a exaltar se . Mr._Weasley olhou para o relógio e , em seguida , para a mulher . - Molly , querida ... - Não , Arthur . - Ninguém ia ver . Este botãozinho é um transformador de invisibilidade que eu instalei , levava nos por o ar , subíamos acima de as nuvens . Estaríamos lá em dez minutos e ninguém daria por nada ... - Eu disse que não , Arthur . Durante o dia , não . Chegaram a King's_Cross , faltava um quarto para as onze . Mr._Weasley precipitou se em busca de um carrinho de transporte para as malas e correram todos para a estação . Harry apanhara o Expresso_de_Hogwarts em o ano anterior . A parte mais difícil era entrar em a plataforma nove_e_três quartos , que não era visível a os olhos de os Muggles . Era preciso avançar para a barreira sólida que dividia as plataformas nove e dez . Não doía nada , mas tinha de ser feito com cuidado para que nenhum de os Muggles de esse , por o desaparecimento . - O Percy em primeiro lugar - declarou Mrs._Weasley , olhando nervosamente para o relógio lá em cima , que mostrava que tinham apenas cinco minutos para desaparecer através de a barreira . Percy avançou a passos largos e desapareceu . Mr._Weasley foi a seguir e depois de ele Fred e George . - Eu levo a Ginny e vocês vêm atrás_de nós - disse Mrs._Weasley a o Harry e a o Ron , agarrando Ginny pela mão e seguindo em frente . Em um abrir e fechar de olhos , tinham passado . - Vamos passar juntos , só temos um minuto - disse Ron a o Harry . Harry assegurou se de que a gaiola de a Hedwig estava bem fixa em cima de a sua mala e empurrou o carrinho de encontro a a barreira . Estava perfeitamente confiante , aquilo era muito mais fácil do_que usar o pó de Floo . Puseram os dois as mãos em o puxador de os carrinhos e avançaram direitos a a barreira , ganhando velocidade . A um metro e pouco , começaram a correr e ... CRASH . Os dois carros bateram em a barreira e foram impelidos para trás . A mala de o Ron caiu com um enorme estrépito . Harry desequilibrou se e a gaiola de a Hedwig foi parar a o chão brilhante , enquanto ela rolava guinchando , indignada . As pessoas em volta olhavam fixamente e um guarda que estava ali perto gritou : - Que diabo pensam vocês que estão a fazer ? - Perdemos o controlo de o carro de transporte - respondeu o Harry , respirando com dificuldade , agarrando se a as costelas , enquanto se punha de pé . Ron correu a agarrar a Hedwig , que estava a fazer uma cena tal , que já se ouviam murmúrios em a multidão sobre a crueldade para com os animais . - Porque é_que não conseguimos passar ? - perguntou Harry a o Ron em um sussurro . - Não sei . Ron olhou descontroladamente em volta . Uma_dúzia de curiosos estavam ainda a observá os . - Vamos perder o comboio - murmurou o Ron . - Não compreendo porque motivo a cancela se fechou . Harry olhou para o relógio gigantesco com um sentimento de náusea em a boca de o estômago . Dez segundos , nove segundos ... Dirigiu o carrinho de transporte para a frente com toda_a força . O metal manteve se sólido . Três segundos ... dois segundos ... um segundo ... - Partiu - afirmou o Ron , que parecia estonteado . - O comboio foi se embora . E se a mãe e o pai não conseguem voltar para aqui ? Tens algum dinheiro de Muggle ? Harry deu uma gargalhada . - Os Dursleys não me dão um tostão há mais de seis anos ! Ron encostou o ouvido a a barreira . - Não se ouve nada - disse , bastante tenso . - O que vamos nós fazer ? Não sei quanto tempo o pai e a mãe vão demorar . Olharam em volta . As pessoas ainda estavam a observá os , principalmente devido a os contínuos guinchos de a Hedwig . - Acho que o melhor é sairmos de aqui e esperamos por eles junto de o carro - disse Harry . - Aqui estamos a atrair demasiado as aten ... - Harry - disse o Ron , com os olhos a brilhar . - É isso , o carro . - O que é_que tem ? - Podemos voar nele até Hogwarts ! - Mas eu pensei ... - Estamos em apuros , certo ? E temos de chegar a a escola , ou não ? E mesmo os feiticeiros menores de idade estão autorizados a usar a magia em uma emergência real , parágrafo dezanove , ou não sei quê , de a Restrição de ... O sentimento de pânico de Harry transformou se em entusiasmo . - E tu sabes voar nele ? - Não há problema - disse o Ron , andando com o carrinho a a volta e dirigindo se para a saída . - Anda de aí . Se em os apressarmos , conseguiremos sair atrás de o Expresso_de_Hogwarts . E afastaram se de o grupo de Muggles curiosos , abandonando a estação e voltando a a rua , onde o velho * _ Ford_Anglia * se encontrava estacionado . Ron abriu a bagageira com uma série de toques de varinha . Meteram lá dentro as malas , puseram a Hedwig em o assento de trás e entraram para a frente . - Verifica se ninguém está a ver - disse o Ron , ligando a ignição com outro toque de varinha . Harry pôs a cabeça fora de a janela : o trânsito enchia a avenida principal , mas a rua de eles estava vazia . - O. _ K. - disse . Ron carregou em um pequeno botão de o painel . Os carros em volta desapareceram assim_como eles . Harry sentia o assento a vibrar debaixo_de si , ouvia o motor , sentia as mãos sobre os joelhos e os óculos em o nariz , mas , tanto quanto conseguia ver , tornara se um par de olhos redondos flutuando um metro e pouco acima de o chão em uma rua suja , cheia de carros estacionados . - Vamos - disse a voz de o Ron , vinda de o seu lado direito . O chão e os prédios escuros de ambos os lados desapareceram de o seu ângulo de visão , mal o carro se elevou . Em poucos segundos toda_a cidade de Londres , enevoada e resplandecente , estava por baixo de eles . Em seguida , ouviu se um ruído que parecia o saltar de uma rolha e o carro , Harry e Ron , reapareceram . - Oh , oh - disse Ron , batendo em o intensificador de invisibilidade . - Está avariado ... Começaram os dois a bater em o botão . O carro desapareceu . Depois surgiu de forma intermitente . - Aguenta aí - gritou o Ron e carregou com o pé em o acelerador . Saltaram direitinhos para o meio de as nuvens mais baixas e tudo ficou sujo e enevoado . - E agora ? - exclamou Harry , piscando os olhos a a sólida massa de nuvens que os comprimia de todos os lados . - Precisamos de avistar o comboio para sabermos qual a direcção a tomar - explicou o Ron . - Desce rapidamente ... Desceram por o meio de as nuvens e voltaram se em os lugares , espreitando . - Estou a vê o - gritou Harry . - Mesmo em frente , ali . O Expresso_de_Hogwarts deslocava se a grande velocidade lá em baixo , como uma serpente vermelha . - Para Norte - disse o Ron , verificando a bússola de o painel . - O. _ k . , basta que verifiquemos de meia em meia_hora . Aguenta aí ... - e arrancaram por o meio de as nuvens . Em o minuto seguinte , tinham chegado a a luz brilhante de o Sol . Era um mundo diferente . Os pneus de o carro deslizavam sobre o mar de nuvens macias , o céu era de um azul infinito sob a luz , capaz de cegar , que irradiava de o Sol . - Agora só temos de nos preocupar com os aviões - disse o Ron . Olharam um para o outro e desataram a rir . Durante muito_tempo não conseguiram parar . Era como_se tivessem mergulhado em um sonho fabuloso . Aquela , pensou Harry , era certamente a única maneira de viajar : passando por turbilhões e torres de nuvens cor de neve , em um carro cheio de calor , o sol radioso , com um grande pacote de rebuçados em o porta-luvas e antegozando o ar de inveja de o Fred e de o George quando aterrassem suavemente e de forma espectacular em o relvado macio em frente de o castelo de Hogwarts . Espreitaram várias vezes o comboio enquanto voavam cada_vez_mais para norte . Cada descida entre as nuvens dava lhes uma perspectiva diferente . Londres depressa ficou para trás , substituída por campos verdejantes que , por sua vez , deram lugar a grandes pântanos arroxeados , aldeias com pequenas igrejas de brinquedo e uma grande cidade , cheia de vida , com carros que pareciam formigas multicores . Várias horas mais tarde sem acontecer nada de_novo , Harry teve de admitir que uma parte de o entusiasmo se esgotara . Os rebuçados tinham nos deixado cheios de sede e não havia nada para beber . Ele e o Ron tinham tirado as camisolas , mas a * _ T-shirt * de o Harry estava colada a as costas de o assento e os óculos não paravam de lhe escorregar para a ponta de o nariz . Deixara de reparar em as fabulosas formas de as nuvens e pensava com saudade em o comboio , milhas abaixo de eles , onde se podia comprar sumo fresquinho de abóboras em um carro empurrado por uma bruxa gordinha . Porque não teriam conseguido entrar em a plataforma nove_e_três quartos ? - Não pode ser muito mais longe , pois não ? - resmungou o Ron , horas mais tarde quando o Sol começava a enfiar se em o seu chão de nuvens , pintando as de um rosa profundo . - Estás pronto para outra espreitadela a o comboio ? Ainda ia mesmo por baixo de eles , abrindo caminho por_entre uma montanha com o topo coberto de neve . Estava muito mais escuro entre o dossel de nuvens . Ron pôs o pé em o acelerador e levou os de_novo para_cima , mas em esse momento o motor começou a chiar . Harry e Ron trocaram entre si olhares nervosos . - Deve estar só cansado - disse o Ron . - Nunca tinha vindo tão longe ... - E fingiram ambos que não davam por o gemido que se ia tornando maior à_medida_que o céu serenamente escurecia . As estrelas desabrochavam em a escuridão , Harry voltou a enfiar a camisola de lã , tentando ignorar os limpa pára-brisas que acenavam debilmente como_que a protestar . - Não devemos estar longe - disse Ron , dirigindo se mais a o carro do_que a o amigo . - Já não devemos estar longe - deu umas palmadinhas nervosas em o * tablier * . Pouco depois , quando voltaram a voar em o meio de as nuvens , tiveram de olhar de lado em a escuridão , em busca de um ponto de referência que conhecessem . - Ali - gritou Harry , fazendo o Ron e a Hedwig darem um salto . - Mesmo em frente . Recortados em o horizonte negro , sobre o rochedo de o outro lado de o lago , erguiam se as torres e torreões de o castelo de Hogwarts . Mas o carro tinha começado a estremecer e perdia a os poucos velocidade . - Vá lá - disse o Ron , dando a o volante um pequeno abanão bajulador . - Estamos quase a chegar , vá lá ... O motor gemeu . Pequenos jactos de vapor de água brotaram de o capo . Harry deu consigo agarrado com toda_a força a os bordos de o assento enquanto voavam direitos a o lago . O carro deu um solavanco feio . Espreitando por a janela , Harry viu a superfície negra , macia e espelhada de a água cerca de uma milha abaixo de eles . Os dedos de o Ron agarrados a o volante tinham as articulações brancas . O carro deu um novo esticão . - Vá lá - murmurou o Ron . Estavam sobre o lago ... o castelo ficava mesmo em frente . Ron fez força com o pé . Houve um ruído surdo , uma crepitação e o motor morreu por completo . - Oh ! oh ! - gemeu Ron em o silêncio . O nariz de o carro voltou se para baixo . Estavam a cair , ganhando velocidade em direcção a os muros sólidos de o castelo . - Naaaaão ! - gritou o Ron , girando o volante . Escaparam a a muralha de pedra negra por centímetros , quando o carro fez um grande arco , planando primeiro sobre as estufas , depois sobre o rectângulo plantado com vegetais e , por fim , sobre os relvados , perdendo sempre velocidade . Ron largou o volante por completo e tirou a varinha de o bolso de trás . - __ pára ! __ pára ! - gritou , batendo em o * tablier * e em o pára-brisas , mas eles continuavam a mergulhar , o chão a voar em direcção a eles . - : __ cuidado com essa __ árvore ! ! ! - bramiu Harry , deitando a mão a o volante , mas ... tarde de mais ... CRUNCH . Com um ruído ensurdecedor de metal e madeira , bateram em o tronco espesso de a árvore e caíram em o chão com um forte solavanco . O vapor era um mar debaixo de o capo amachucado . A Hedwig tremia apavorada . Em a cabeça de Harry surgira um alto de o tamanho de uma bola de golfe , quando ele batera em o pára-brisas , tombando em seguida para a direita . Ron soltou um gemido longo e desesperado . - Estás O. _ K ? - perguntou Harry , aflito . - A minha varinha - disse o Ron em uma voz trémula . - Olha para a minha varinha . Tinha se partido praticamente em duas , a ponta balouçava mole , presa por meia_dúzia de esquírolas . Harry abriu a boca para dizer que em a escola com certeza conseguiriam consertá a , mas nem chegou a começar a frase . Em esse preciso momento , algo bateu em o seu lado de o carro , com a força de um touro , projectando o para_cima de o Ron , ao_mesmo_tempo que um golpe igualmente forte se sentiu em o capô . - O que está a acontec ... Ron arfou , olhando fixamente por o pára-brisas e Harry olhou em volta , mesmo a_tempo_de ver uma ramada espessa como uma píton vir contra o vidro . A árvore em que tinham batido estava a atacá os . O tronco dobrara se quase a meio e os seus galhos rugosos davam uma tareia a cada centímetro de o carro que conseguiam atingir . - Ah ! - praguejou o Ron , quando outra pernada retorcida esmurrou a sua porta , amolgando a . O pára-brisas tremia agora sob uma saraivada de golpes vindos de galhos que pareciam patas de animais e uma ramada espessa como um aríete esmagava furiosamente o capo , que parecia estar a ceder ... - Corre ! - gritou o Ron , lançando o seu peso contra a porta , mas , em o momento seguinte , tinha sido atirado para trás , para o colo de Harry por um soco maldoso , dado de baixo para_cima , por outro ramo . - Estamos feitos ! - resmungou , enquanto o tecto descaía . Mas , de repente , o chão de o carro estava a vibrar , o motor pegara . - Marcha atrás - gritou o Harry e o carro deu um salto para trás . A árvore tentava ainda agredis os , ouviam as raízes chiar , enquanto quase se partiam esticando se para os alcançar . - Escapámos por_pouco ! - exclamou o Ron . - Muito bem , carro . Mas o carro tinha atingido o limite de as suas forças . Com dois estalidos , as portas abriram se e Harry sentiu o seu assento inclinar se para o lado . Quando deu por si , estava estatelado em o chão húmido . Ruídos surdos avisaram o de que o carro estava a ejectar as malas de a bagageira . A gaiola de a Hedwig voou por os ares e abriu se . Ela saiu a voar com um pio furioso e dirigiu se a o castelo , sem sequer olhar para trás . Em seguida , o carro , amolgado , arranhado e a fumegar , arrancou em o escuro , com os faróis traseiros ardendo de fúria . - Volta aqui ! - gritou o Ron , brandindo a varinha partida . - O meu pai mata me . Mas o carro desapareceu a perder de vista , com um último estoiro de o tubo de escape . - Já viste bem o nosso azar ! ? - exclamou o Ron em o meio de a sua infelicidade , baixando se para apanhar o rato Scabbers . - De todas_as árvores em que podíamos ter batido , tínhamos de ir dar a uma que bate também . Olhou por cima de o ombro para a velha árvore que ainda agitava os ramos ameaçadoramente . - Vamos - disse Harry , fatigado . - É melhor irmos andando para a escola ... Não foi , de modo algum , a chegada triunfal que tinham imaginado . Constrangidos , cheios de frio e magoados , pegaram em as malas e começaram a arrastá as por o relvado acima , em direcção a as grandes portadas de carvalho . - Acho que o banquete já começou - disse o Ron , largando a mala em os degraus de a entrada e atravessando devagarinho para espreitar por uma janela iluminada . - Harry , anda ver , é a distribuição . Harry apressou se e os dois , ele e o Ron , espreitaram para o Salão_Nobre . Um número infindável de velas pairava em o ar , sobre quatro mesas enormes cheias de gente , fazendo brilhar os pratos dourados e as taças . Em cima , o tecto encantado que espelhava o céu lá de_fora , brilhava cheio de estrelas . Por_entre a floresta de chapéus pretos pontiagudos de Hogwarts , Harry viu uma longa fila de alunos de o primeiro ano com olhares assustados que enchia o vestíbulo . Ginny estava entre eles , facilmente reconhecível devido a o seu chamativo cabelo Weasley . Enquanto isso , a professora Mc_Gonagall , uma bruxa de óculos com cabelo castanho apanhado em um carrapito , colocava o famoso chapéu seleccionador em um banco que se encontrava em frente de os novos alunos . Todos os anos , aquele velho chapéu , remendado , puído e cheio de pó , seleccionava alunos para as quatro equipas de Hogwarts ( Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin ) . Harry lembrava se bem de o ter colocado em a cabeça , precisamente um ano antes , e ter esperado petrificado por a sua decisão , enquanto ele lhe murmurava a o ouvido . Durante alguns horríveis segundos receara que o chapéu o mandasse para os Slytherin , a equipa que produzia maior número de feiticeiros e feiticeiras de magia negra , mas acabara por ficar em os Gryffindor , juntamente com Ron e Hermione e o resto de os Weasley . Em o último período , Harry e Ron tinham ajudado os Gryffindor a vencer o campeonato de a equipa , batendo os Slytherin pela_primeira_vez em sete anos . Um rapazito baixinho com cabelo de rato acabava de ser chamado para pôr o chapéu em a cabeça . Os olhos de Harry saltavam de ele para o lugar onde o professor Dumbledore , o director , estava sentado , observando a selecção de a mesa de os professores , com a sua longa barba cor de prata e óculos de meia-lua que brilhavam a a luz de as velas . Alguns lugares a a frente , Harry viu Gilderoy_Lockhart com um manto verde-azulado . E lá bem a o fundo estava Hagrid , enorme e cabeludo , bebendo satisfeito de a sua taça . - Espera aí - murmurou a o Ron . - Há um lugar vazio em a mesa de os professores . Onde estará o Snape ? Severus_Snape era o professor de quem Harry menos gostava . Harry era também o seu aluno menos querido . Cruel , sarcástico e detestado por todos com excepção de os alunos de a sua própria equipa ( Slytherin ) , Snape tinha a seu cargo a cadeira de Poções . - Talvez esteja doente - sugeriu Ron , cheio de esperança . - Talvez se tenha ido embora - lembrou Harry . - Por não lhe terem dado outra_vez a Defesa contra as artes negras . - Ou talvez tenha sido corrido - propôs Ron com entusiasmo . - Afinal , toda_a_gente o detesta ... - Ou talvez - disse uma voz gelada atrás de eles - esteja a a espera que vocês lhe expliquem por_que motivo não vieram em o comboio de a escola . Harry deu uma volta . Em a sua frente , com o manto negro a ondular em uma brisa fria , estava Severus_Snape . O professor era um homem magro , de pele descorada , nariz adunco e um cabelo preto oleoso que lhe caía sobre os ombros . E em aquele momento sorria de um modo tal que Harry sentiu que tanto ele como Ron estavam em sérios apuros . - Sigam me - disse Snape . Sem ousarem sequer olhar um para o outro , Harry e Ron seguiram Snape por as escadas até a o amplo * hall * de entrada que estava iluminado por as chamas de os archotes . De o salão nobre vinha um cheirinho delicioso a comida , mas Snape levou os para longe de a luz e de o calor , em direcção a uma escada estreita de pedra que conduzia a os calabouços . - Entrem - ordenou , abrindo uma porta a meio de o corredor e apontando . Entraram a tremer em o escritório de Snape . As paredes sombrias estavam cobertas de prateleiras cheias de jarros de vidro grosso onde flutuavam as coisas mais diversas e repugnantes , cujo nome Harry não queria de momento conhecer . A lareira estava escura e vazia . Snape fechou a porta e voltou se de frente para eles . - Com que então - disse com falsa suavidade - o comboio não serve para o famoso Harry_Potter e o seu fiel companheiro Weasley . Queriam chegar em grande estilo , não era rapazes ? - Não senhor , foi a barreira em King's_Cross , ela ... - Silêncio - disse Snape friamente . -- _ o que fizeram a o carro ? Ron engoliu em seco . Aquela não era a primeira vez que Snape dava a Harry a impressão de ser capaz de ler pensamentos . Mas , pouco depois , compreendeu tudo quando Snape desenrolou o exemplar de o Profeta_Vespertino . - Vocês foram vistos - afirmou , mostrando lhes o cabeçalho : : __ ford anglia voador confunde __ muggles . Começou a ler alto a notícia . - Dois Muggles em Londres convenceram se de que tinham visto um carro velho a voar sobre a torre de os correios ... a a tardinha em Norfolk , Mrs._Hetty_Bayliss , enquanto pendurava a roupa ... Mr._Angus_Fleet_de_Peebles informou a polícia ... seis ou sete Muggles a o todo . Julgo que o teu pai trabalha em o departamento de mau uso dado a os objectos de os Muggles ? - disse olhando para Ron e sorrindo de uma forma ainda mais sarcástica . - Que peninha , o próprio filho ... Harry sentiu se como_se tivesse levado um soco em o estômago de uma de as maiores pernadas de a árvore louca . E se alguém descobrisse que Mr._Weasley tinha enfeitiçado o carro ? Ele ainda nem tinha pensado em isso . - Reparei durante a minha volta por o jardim que foi feito um estrago considerável em um salgueiro zurzidor extremamente valioso - continuou Snape . - Essa árvore fez nos pior a nós do_que nós ... - deixou escapar Ron . - Silêncio - interrompeu Snape , de_novo . - Infelizmente vocês não fazem parte de a minha equipa e a decisão de vos expulsar não está em as minhas mãos . Vou , por isso , buscar as pessoas que possuem essa feliz possibilidade . Esperem aqui . Harry e Ron olharam , pálidos , um para o outro . Harry perdera a fome . Sentia se agora extremamente agoniado . Tentava não olhar para uma coisa viscosa , suspensa em um líquido verde que estava em uma prateleira por detrás de a secretária de Snape . Se ele fora buscar a professora Mc_Gonagall , chefe de a equipa de os Gryffindor , não estavam muito melhor . Ela era mais justa do_que Snape , mas extremamente severa . Dez minutos mais tarde , Snape voltou e era , de facto , a professora Mc_Gonagall quem o acompanhava . Harry vira a professora Mc_Gonagall zangada , mas , ou se tinha esquecido de como a boca de ela ficava fina , ou nunca a vira tão zangada como em aquele dia . Levantou a varinha em o momento em que entrou . Harry e Ron estremeceram , mas ela limitou se a apontá a para a lareira onde as chamas se elevaram subitamente . - Sentem se - ordenou , e os dois recuaram para as cadeiras junto de o lume . - Expliquem se - disse com os óculos a brilhar de uma forma ameaçadora . Ron enveredou por a história começando por a barreira de a estação que se recusara a deixá os passar . - Por isso não tínhamos escolha , professora , não podíamos chegar a o comboio . - Porque não nos mandaram uma carta por a coruja ? Julgo que tens uma coruja ? - disse friamente a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a Harry . Harry olhou para ela sem saber o que dizer . - Parece me - continuou ela - que seria a coisa mais adequada . - Eu ... não pensei ... - Isso - disse a professora Mc_Gonagall - é bastante óbvio . Ouviu se bater a a porta de o escritório e Snape , que parecia agora mais feliz do_que nunca , foi abrir . Era o director , o professor Dumbledore . Harry ficou totalmente paralisado . Dumbledore tinha uma expressão grave . Olhou para eles de cima de o seu nariz adunco e Harry desejou estar ainda com Ron a levar uma sova de o salgueiro zurzidor . Fez se um longo silêncio . Em seguida , Dumbledore disse lhes : - Por favor , expliquem porque fizeram isto . Teria sido melhor se gritasse . Harry detestou sentir a decepção em a sua voz . Inexplicavelmente era incapaz de olhar Dumbledore em os olhos e falou em direcção a os seus joelhos . Disse lhe tudo excepto que o carro enfeitiçado pertencia a Mr._Weasley , dando a ideia de que ele e o Ron o tinham encontrado estacionado fora de a estação . Sabia que Dumbledore ia ver para_além de isso , mas o director não fez perguntas sobre o carro . Quando Harry terminou continuou a olhar para ele através de os seus óculos . - Nós vamos buscar as nossas coisas - disse Ron em um tom de voz sem esperança . - Que disparate é esse ? - rosnou a professora Mc_Gonagall . -- Então , vão expulsar nos , não vão ? - disse o Ron . Harry olhou rapidamente para Dumbledore . - Ainda não , Mr._Weasley - afirmou Dumbledore . - Mas vou assinalar a gravidade do_que vocês fizeram . Hoje a a noite escreverei a as vossas famílias . Estão também prevenidos que se voltarem a fazer uma coisa como esta não terei outro remédio senão expulsar vos . A expressão de Snape era como_se o Natal tivesse sido cancelado . Pigarreou e disse : - Professor_Dumbledore , estes rapazes infringiram o decreto para a restrição de a feitiçaria de os menores , causaram estragos consideráveis a uma árvore antiga e valiosa ... sem dúvida , actos de esta natureza ... - Cabe a a professora Mc_Gonagall decidir sobre os castigos de os rapazes , Severus - afirmou Dumbledore com toda_a calma . - Pertencem a a equipa de ela e são , portanto , de a sua responsabilidade . - Voltou se para a professora Mc_Gonagall . - Tenho de regressar a o banquete , Minerva , devo dar algumas informações . Venha Severus , há uma tarte de leite e ovos com um aspecto delicioso que quero mostrar lhe . Snape lançou um olhar de puro veneno a o Harry e a o Ron enquanto permitia que o afastassem de o seu escritório , deixando os a sós com a professora Mc_Gonagall que ainda os olhava como uma águia em fúria . - É melhor ires até a a ala hospitalar , Weasley , estás a sangrar . - Não é nada - disse Ron , limpando o corte com a manga para que ela o visse . - Professora , eu gostava de ver a minha irmã ser seleccionada . - A cerimónia de a selecção terminou - disse a professora Mc_Gonagall . - A tua irmã está também em os Gryffindor . - _ óptimo - exclamou Ron . - E por falar em os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall de forma cortante , mas Harry interrompeu a : - Professora , quando tirámos o carro , o ano escolar ainda não tinha começado , por isso os Gryffindor não deveriam perder pontos , pois não ? - terminou olhando a ansiosamente . A professora Mc_Gonagall lançou lhe um olhar penetrante , mas ele era capaz de jurar que ela quase tinha sorrido . Pelo_menos a boca não parecia tão fina . - Não vou tirar pontos a os Gryffindor - tranquilizou o . E o coração de Harry ficou mais leve . - Mas vocês os dois vão ter um castigo . Foi melhor do_que Harry imaginara . O facto de Dumbledore escrever a os Dursley não tinha a menor importância . Harry sabia perfeitamente que eles só lamentariam que o salgueiro zurzidor não o tivesse esmigalhado . A professora Mc_Gonagall ergueu a varinha de_novo apontou a a a secretária de Snape . Um grande prato de sanduíches , duas taças de prata e um jarro com sumo de abóbora gelado apareceram em menos_de um segundo . - Vocês vão comer aqui e , em seguida , vão direitinhos para o vosso dormitório - disse . - Eu também tenho de voltar para a festa . Mal a porta se fechou atrás de ela , Ron soltou baixinho um assobio . - Pensei que estávamos feitos - confessou , agarrando uma sanduíche . - Também eu - disse o Harry , orando também uma . - Mas já viste bem a nossa pouca sorte ? - insistiu o Ron com a boca cheia de frango e fiambre . - O Fred e o George voaram em aquele carro cinco ou seis vezes e nenhum Muggle os viu - engoliu outro pedaço enorme de a sanduíche . - Porque será que não conseguimos passar a barreira ? Harry encolheu os ombros . - Mas temos de ter muito cuidado a_partir_de agora - disse bebendo um grande trago de sumo de abóbora . - Que pena não termos podido ir a o banquete . - Ela não quis que nos exibíssemos - afirmou Ron com prudência . - Não vão as pessoas pensar que é uma boa chegar aqui de carro voador . Quando já tinham comido todas_as sanduíches que queriam ( o prato ia voltando a encher se sozinho ) , levantaram se e saíram de o escritório , seguindo o caminho que lhes era familiar , para a torre de os Gryffindor . O castelo estava em silêncio . Parecia que o banquete tinha acabado . Passaram por retratos murmurantes e armaduras que gemiam e subiram os degraus estreitos de pedra até que , por fim , chegaram a a passagem onde a entrada secreta para a torre de os Gryffindor se encontrava oculta por detrás de o quadro a óleo de uma dama gorda em um vestido cor-de-rosa . - A senha ? - perguntou ela mal os dois se aproximaram . - Er ... Eles ainda não tinham estado com o prefeito de os Gryffindor e por isso ainda não conheciam a senha para o novo ano , mas a ajuda não se fez esperar . Ouviram passos apressados atrás de eles e quando se voltaram viram Hermione que se aproximava . - Aí estão vocês . Onde é_que se meteram ? Correm os boatos mais ridículos , alguém disse que vocês tinham sido expulsos por espatifarem um carro voador . - Bem , expulsos não fomos - tranquilizou a Harry . - Não estás a dizer me que voaram até aqui ? - perguntou Hermione em um tom quase tão severo como a professora Mc_Gonagall . - Dispensa se o sermão - interrompeu Ron impacientemente . - E diz nos a nova senha de passagem . - É crista de pássaro - disse Hermione não contendo a impaciência . - Mas o mais importante não é isso ... Contudo as palavras de ela foram interrompidas ao_mesmo_tempo que o retrato de a dama gorda se abria e se ouvia uma tempestade de aplausos . A o que parecia a equipa de os Gryffindor estava ainda acordada , dentro de a sala comum em forma de círculo , junto de as mesas assimétricas e de os cadeirões moles a a espera que eles chegassem para , de braços estendidos através de o buraco de o retrato , puxarem Harry e Ron para dentro deixando Hermione para o fim . - Sensacional - gritou Lee_Jordan . - Inspirado ! Que entrada ! Voar em um carro e aterrar em o salgueiro zurzidor . Toda_a_gente vai falar de isto durante anos e anos . - Muito bem - disse um aluno de o quinto ano com quem Harry nunca tinha falado . Alguém dava lhe palmadas em as costas como_se ele acabasse de vencer a maratona . Fred e George abriram caminho por_entre a multidão e disseram ao_mesmo_tempo : - Por_que é_que não nos chamaram , hein ? - Ron estava vermelho como um pimentão , sorrindo envergonhado , mas Harry via perfeitamente uma pessoa que não estava nada contente . Percy elevava se acima de as cabeças de os excitados alunos de o primeiro ano e parecia estar a tentar aproximar se para os repreender . Harry deu uma cotovelada a o Ron e apontou em direcção a Percy . Ron percebeu de imediato . - Temos de ir para_cima , um_pouco cansados ! - explicou e os dois começaram a abrir caminho em direcção a a porta que ficava de o outro lado de a sala e que dava para a escada em espiral e para os dormitórios . - ` _ Noite - despediu se Harry_de_Hermione que tinha um ar tão carrancudo como Percy . Conseguiram chegar a o outro lado de a sala comum sempre a levarem palmadas em as costas e alcançaram o sossego de as escadas . Apressaram se a subir e , por fim , chegaram a a porta de o dormitório que tinha agora um letreiro a dizer « Segundos_Anos » . Entraram em o quarto circular , que conheciam tão bem , com as suas cinco camas de dossel adornadas de velado vermelho e as suas janelas altas e estreitas . As malas tinham sido trazidas para_cima e colocadas a os pés de as camas . Ron fez um sorriso culpado . - Sei que não devia ter gostado de aquilo , mas ... A porta de o dormitório abriu se e os outros rapazes de os Gryffindor entraram ; eram eles o Seamus_Finnigan , o Dean_Thomas e o Neville_Loogbottom . - Inacreditável - aplaudiu Seamus . - Incrível - aprovou o Dean . - Espantoso - exclamou o Neville , aterrado . Harry não pôde evitar também um sorriso . VI_Gilderoy_Lockhart_No dia seguinte , contudo , Harry não conseguiu sorrir . As coisas começaram a correr mal logo em o salão durante o pequeno-almoço . Debaixo de o tecto encantado ( em aquele dia triste e cinzento ) estavam as quatro grandes mesas de as equipas e sobre elas , terrinas de papa de aveia , pratos de arenque defumado , montanhas de torradas e pratadas de ovos com * bacon * . Harry e Ron sentaram se em a mesa de os Gryffindor , junto de Hermione que tinha o seu exemplar de * _ Viagens com Vampiros * totalmente aberto , encostado a um jarro de leite . Havia uma certa rigidez em a maneira como ela disse : - ` _ Dia - que mostrou a Harry que continuava a desaprovar o modo como tinham chegado a a escola . Por seu turno , Neville_Longbottom saudou os entusiasticamente . Neville era um rapazinho de cara redonda , muito dado a acidentes , com a pior memória que Harry tinha conhecido . - A entrega de correio deve estar a chegar , acho que a minha avó me vai mandar umas quantas coisas de que me esqueci ... Harry tinha começado a comer as papas de aveia , quando se ouviu um ruído tumultuoso em o ar e umas cem corujas entraram ao_mesmo_tempo , sobrevoando o salão e deixando cair cartas e pacotes em o meio de a multidão faladora . Um embrulho grande e rugoso caiu em a cabeça de Neville e , um segundo depois , uma coisa larga e cinzenta caiu em o jarro de a Hermione , enchendo os a todos de leite e penas . - Errol - gritou o Ron , puxando a coruja esfarrapada por as patas . Errol caíra inconsciente sobre a mesa com as pernas para o ar e um envelope vermelho húmido em o bico . - Oh , não ! - sobressaltou se Ron . - Ela está bem , ainda está viva - tranquilizou o Hermione , tocando suavemente em a Errol com a ponta de o dedo . - Não é isso , é ... aquilo . Ron apontava para o envelope vermelho . Parecera perfeitamente vulgar a Harry , mas Ron e Neville estavam ambos a observá o como_se esperassem que explodisse . - Qual é o problema ? - perguntou Harry . - Ela . Ela mandou me um * gritador * - disse Ron , quase sem voz . - É melhor abrires - aconselhou Neville em um murmúrio tímido - senão é pior . A minha avó uma_vez mandou me um que eu ignorei e ... - engoliu em seco - foi horrível . Harry olhava , ora para as suas caras , ora para o envelope vermelho . - O que é um * gritador * ? - perguntou . - Mas toda_a atenção de o Ron estava fixa em a carta que começara a fumegar por os cantos . - Abre a - intimou o Neville . - De aqui a poucos minutos já passou tudo . Ron estendeu uma mão trémula , retirou o envelope de o bico de a Errol e começou a abri o . Neville pôs os dedos em os ouvidos . Após uma fracção de segundo , Harry compreendeu porquê . Pensou em o primeiro momento que ela explodira . Um ruído ensurdecedor encheu o enorme salão , fazendo cair pó de o tecto . - ... : __ roubar o carro ! não me surpreendia nada se te expulsassem . espera só até te pôr as mãos em cima . será que não paraste para pensar em a nossa aflição quando vimos que o carro tinha __ desaparecido ... Os gritos de Mrs._Weasley , ampliados cem vezes em relação a o seu normal , fizeram os pratos e as colheres chocalhar em a mesa e ecoaram de forma ensurdecedora em as paredes de pedra . Vinha gente de todos os lados espreitar quem tinha recebido o * gritador * e Ron afundou se tanto em a cadeira que só se lhe via a testa carmesim . - ... : __ uma carta de o dumbledore ontem a a noite , o teu pai quase morria de vergonha . não foi esta a educação que te demos , tu e o harry podiam ter __ morrido ... Harry estava a ver quando é_que o seu nome viria a a baila . Tentou o melhor que pôde agir como_se não ouvisse a voz , mas aquilo estava a fazer com que os tímpanos lhe latejassem . - ... : __ profundamente decepcionada , o teu pai vai ter de se confrontar com um inquérito em o trabalho , tudo por tua culpa e , se pisas mais_uma_vez o risco , trago te para __ casa ! Seguiu se um silêncio ressonante . O envelope vermelho , que caíra de as mãos de o Ron , incendiou se e encaracolou se em cinzas . Harry e Ron estavam sentados de boca aberta , como_se uma onda gigante lhes tivesse passado por cima . Algumas pessoas riam e , a os poucos , o ruído de as conversas recomeçou . Hermione fechou o * _ Viagens com Vampiros * e olhou para o topo de a cabeça de Ron . - Bem , não sei o que esperavas , Ron , mas tu ... - Não me venhas dizer que mereci - interrompeu Ron . Harry afastou as papas de aveia . O estômago ardia lhe de culpa . Mr._Weasley tinha um inquérito em o trabalho , depois de tudo_o_que Mr. e Mrs._Weasley tinham feito por ele durante o Verão ... Mas não teve muito_tempo para se demorar em aqueles pensamentos . A professora Mc_Gonagall circulava em volta de as mesas de os Gryffindor distribuindo horários . Harry pegou em o seu e viu que começavam por ter Herbologia , juntamente com os Hufflepuff . Harry , Ron e Hermione saíram juntos de o castelo , atravessaram as hortas e chegaram a as estufas , onde estavam guardadas as plantas mágicas . O * gritador * tivera pelo_menos uma vantagem : Hermione parecia achar que já tinham sido suficientemente castigados e estava de_novo perfeitamente calorosa . Quando estavam a chegar a as estufas viram o resto de a classe de pé , cá fora , a a espera de a professora Sprout . Harry , Ron e Hermione tinham acabado de se lhes juntar quando a viram aproximar se a passos largos por o relvado , acompanhada de Gilderoy_Lockhart . A professora Sprout era uma bruxa pequenina e atarracada que usava um chapéu a os remendos sobre o cabelo solto . As roupas que vestia estavam sempre cheias de terra e as suas unhas fariam a tia Petúnia desmaiar . Gilderoy_Lockhart , pelo_contrário , tinha um ar imaculado em as suas vestes azul-turquesa , o cabelo doirado a brilhar debaixo_de um chapéu azul-turquesa , com uma fita dourada , perfeitamente posicionado sobre a cabeça . - Olá a todos ! - gritou Lockhart , dirigindo se a o grupo de estudantes . - Estive a mostrar a a professora Sprout a maneira correcta de tratar um salgueiro . Mas não quero que fiquem com a ideia de que sou melhor do_que ela em Herbologia . Acontece que encontrei várias de estas plantas exóticas , durante as minhas viagens .... - Estufa número três hoje , meninos ! - disse a professora Sprout que estava visivelmente descontente , bem diferente de a sua habitual natureza bem-disposta . Houve um murmúrio de interesse . Eles só tinham estado uma_vez em a terceira estufa , que era uma estufa que abrigava plantas bem mais interessantes e perigosas . A professora Sprout tirou uma enorme chave de o cinto e abriu a porta . Harry sentiu o bafo de a terra húmida com adubo misturado e o perfume forte de umas flores gigantescas , de o tamanho de guarda-chuvas , que estavam penduradas de o tecto . Ia seguir Ron e Hermione , quando a mão de o Lockhart o travou . -- Harry ! Tenho querido ter uma palavrinha contigo . Não se importa se ele chegar uns minutos atrasado , pois não , professora Sprout ? A julgar por a expressão carregada de a professora Sprout , importava se sim , mas Lockhart disse : - Então até já - e fechou a porta de a estufa em a cara de ela . - Harry ! - disse Lockhart , com os dentes brancos a brilharem a o sol , enquanto abanava a cabeça . - Harry , Harry , Harry ! Harry , totalmente perplexo , não disse uma palavra . - Quando ouvi dizer , bem , é claro que eu tive muita culpa , deviam castigar me também ... Harry não fazia ideia de que estava ele a falar , quando Lockhart prosseguiu : - Nunca me lembro de ficar tão chocado . Fazer voar um automóvel até Hogwarts ! Bem , é claro que eu percebi logo porque o fizeste . Foi um destaque em grande . Harry , Harry , Harry ! Era notável como ele conseguia mostrar todos aqueles dentes brilhantes , mesmo quando não estava a falar . - Criei te o gosto por a publicidade , não foi ? - perguntou Lockhart . - Passei te o bichinho . Apareceste comigo em a primeira página e não podias esperar para aparecer outra_vez ... - Oh , não , professor , sabe é_que ... - Harry , Harry , Harry - disse Lockhart aproximando se e tocando lhe em o ombro . - * _ Eu compreendo * . É natural querer um_pouco mais quando se lhe tomou o gosto , e eu culpo me por te ter dado esse conhecimento , porque era natural que te subisse a a cabeça , mas vê uma coisa , rapazinho , tu não podes começar a fazer voar carros para tentares ser notícia . Tens de acalmar , está bem ? Tens muito_tempo quando fores mais velho . Sim , sim , eu sei o que estás a pensar ! É fácil para ele falar assim , já é um feiticeiro internacionalmente famoso ! Mas quando eu tinha doze anos era tão zé-ninguém como tu és hoje . Em a verdade , era ainda mais . De ti , já meia_dúzia de pessoas ouviram falar , não é ? Toda aquela história com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . - Olhou para a cicatriz luminosa em a testa de Harry . - Eu sei , eu sei , não é o mesmo_que vencer o Prémio de o sorriso de o feiticeiro de a semana cinco vezes seguidas , como eu venci , mas é um começo , Harry , é um começo . Lançou lhe uma piscadela de olhos cordial e foi se embora . Harry ficou atarantado durante alguns segundos . Depois , lembrando se que deveria estar em a estufa , abriu a porta e esgueirou se lá para dentro . A professora Sprout estava de pé , por_detrás_de uma espécie de mesa em o meio de a estufa . Em cima de a mesa estavam cerca de vinte pares de abafo de ouvidos de diferentes cores . Quando Harry estava já em o seu lugar , entre Ron e Hermione , ela disse : - Hoje vamos transplantar Mandrágoras . Muito bem , quem sabe dizer me as propriedades de a Mandrágora ? Não foi surpresa para ninguém que a mão de a Hermione fosse a primeira em o ar . - A Mandrágora tem um efeito reparador muito poderoso - disse Hermione , com o ar mais normal de este mundo , como_se tivesse engolido o livro de texto . - É usada para fazer voltar as pessoas , que foram transfiguradas ou amaldiçoadas , a o seu estado original . - Excelente . Dez pontos para os Gryffindor ! - exclamou a professora Sprout . - A Mandrágora é parte integrante de a maior parte de os antídotos , mas também é perigosa . Quem sabe dizer me porquê ? A mão de Hermione por_pouco não bateu em os óculos de Harry , quando se ergueu de_novo . - O grito de a Mandrágora é fatal para quem o ouve - disse prontamente . - Precisamente . Dou lhe mais dez pontos - disse a professora Sprout . - Agora vejamos , as Mandrágoras que aqui temos são ainda muito jovens . Enquanto falava , apontou para uma fila de tabuleiros com uma certa profundidade e todos se chegaram a a frente para ver melhor . Cerca de uma centena de plantinhas tufosas de um verde arroxeado cresciam em filas . Pareceram perfeitamente vulgares a Harry , que não fazia a menor ideia do_que Hermione queria dizer com o * grito * de a Mandrágora . - Cada_um de vocês pode tirar um par de abafo de ouvidos - disse a professora Sprout . Houve uma competição renhida porque ninguém queria os cor-de-rosa , cheios de penugem . - Quando eu vos disser para os colocar , assegurem se de que os vossos ouvidos estão completamente tapados - disse a professora Sprout . - Logo_que seja seguro retirá os , eu levanto os dedos . Certo , pôr os abafos de os ouvido . Harry pôs imediatamente os abafos em os ouvidos . Eles fecharam completamente o som . A professora Sprout colocou também um par de abafos cor-de-rosa com penugem em os de ela , arregaçou as mangas de a túnica , agarrou uma de as plantas tufosas e puxou com toda_a força . Harry soltou um grito de surpresa que ninguém ouviu . Em_vez_de raízes , um bebé pequenino , enlameado e extremamente feio , saiu de a terra . As folhas cresciam lhe em o alto de a cabeça , tinha uma pele pintalgada de um pálido esverdeado e estava nitidamente a berrar a plenos pulmões . A professora Sprout tirou debaixo de a mesa um grande vaso de plantas e mergulhou lá dentro a Mandrágora , enterrando a em a mistura escura e húmida , até que só as folhas ficassem visíveis . Em seguida , limpou a terra de as mãos , levantou os dedos e todos eles retiraram os abafos de os ouvidos . - Como as nossas Mandrágoras são muito novas , os seus gritos ainda não matam - disse ela com grande calma , como_se tivesse feito algo tão normal como regar uma begónia . - Contudo , podem pôr vos a dormir durante várias horas e , como com certeza nenhum de vocês quer perder o primeiro dia de aulas , vejam se os abafos estão bem colocados enquanto trabalham . Eu chamarei vos a atenção quando for altura de os retirar . - Quatro em cada fila , há aqui uma grande quantidade de vasos , a mistura de terra está em os sacos ali a o fundo e tenham cuidado com a * _ Venomous_Tentacula * , estão a nascer lhe os dentes . Enquanto falava , deu uma pancada seca a uma planta vermelha escura cheia de pontas eriçadas , fazendo a encolher as longas antenas que tinham estado a avançar lenta e dissimuladamente sobre o seu ombro . A Harry , Ron e Hermione veio juntar se em a fila um rapaz de cabelo encaracolado de os Hufflepuff que Harry conhecia de vista , mas com quem nunca tinha falado . - Justin_Finch - _ Fletchey - disse ele com vivacidade , apertando a mão de o Harry . - Conheço te , claro , o famoso Harry_Potter ... e tu és a Hermione_Granger , sempre a primeira em tudo ( Hermione brilhou em um sorriso , como_se ele lhe tivesse apertado a mão ) e Ron_Weasley . Não era teu o carro voador ? Ron não sorriu . Não lhe saía de a cabeça o * gritador * . - Aquele Lockhart é o_máximo , não acham ? - disse Justin satisfeito , enquanto começavam a encher os vasos com composto de adubo de dragão . - Terrivelmente corajoso . Leram os livros de ele ? Eu teria morrido de medo se um lobisomem me tivesse encurralado em uma cabina telefónica , mas ele manteve se calmo e ... zap ... fantástico ! « Eu estava inscrito em Eton , sabem , não imaginam como estou feliz de ter vindo antes para aqui . É claro que a minha mãe ficou um_pouco desiludida , mas depois de lhe ter dado os livros de Lockhart a ler , tenho a impressão de que ela começou a ver a utilidade de ter um feiticeiro bem treinado em a família ... Depois de isso , não tiveram grandes oportunidades para conversar . Voltaram a pôr os abafos de ouvidos e era preciso concentrarem se em as Mandrágoras . A professora Sprout fizera as coisas parecerem extremamente simples , mas não eram . As Mandrágoras não gostavam de sair de a terra mas também não pareciam querer voltar para lá . Elas contorceram se , deram pontapés , agitaram as mãozinhas finas e rangeram os dentes . Harry levou dez minutos inteirinhos a tentar meter uma Mandrágora particularmente gorda dentro_de um vaso . Em o final de a aula , Harry , como todos os outros , estava a suar , cheio de dores e coberto de terra . Regressaram a o castelo a pé para um banho rápido e , em seguida , os Gryffindor apressaram se para assistir a a aula de transfiguração . As aulas de a professora Mc_Gonagall eram sempre complicadas , mas a de aquele dia era particularmente difícil . Tudo_o_que o Harry aprendera em o ano anterior parecia ter se lhe apagado de a memória durante o Verão . Ele deveria ser capaz de transformar uma barata em um botão , mas , tudo_o_que conseguiu foi fazer a barata praticar um imenso exercício , enquanto corria apressadamente por o tampo de a secretária evitando a varinha . Ron estava a debater se com problemas bastante piores . Tinha atado a varinha com uma fita mágica , mas parecia que não havia reparação possível . Não parava de crepitar e lançar faíscas em os momentos mais estranhos e , sempre_que Ron tentava transfigurar a barata , via se envolvido em um fumo cinzento espesso que cheirava a ovos podres . Incapaz de ver o que estava a fazer , o Ron esmagou , por engano , a barata com o cotovelo e teve de ir pedir que lhe dessem outra , o que deixou a professora Mc_Gonagall muito pouco satisfeita . Harry ficou aliviado quando ouviu tocar a campainha para o almoço . Sentia a cabeça como uma esponja espremida . Todos os alunos saíram em fila de a aula excepto ele e Ron que dava furiosas varadas em a secretária . - Coisa estúpida e inútil . - Escreve a os teus pais a pedir outra - sugeriu Harry , enquanto a varinha disparava com estrondo um foguete explosivo . - Ah pois , e receber outro * gritador * em a volta de o correio - respondeu Ron , metendo a varinha que já assobiava , dentro de o saco . - * _ A culpa é toda tua se a varinha está estragada * ... Desceram para o almoço e aí a disposição de o Ron não iria melhorar com Hermione a mostrar lhe uma mão-cheia de botões de casaco , perfeitinhos , que produzira em a transfiguração . - O que temos esta tarde ? - quis saber Harry , mudando rapidamente de assunto . - Defesa contra as artes negras - disse Hermione , sem perder tempo . - Porque é_que tu ... - perguntou Ron , pegando em o horário de ela - desenhaste corações em volta de as aulas de o Lockhart ? Hermione arrancou lhe o horário de as mãos , corando furiosa . Acabaram de almoçar e foram para o pátio carregado de nuvens . Hermione sentou se em um degrau de pedra e enfiou de_novo o nariz em as * _ Viagens com Vampiros * . Harry e Ron ficaram a falar de Quidditch durante alguns minutos antes de Harry se aperceber de que estava a ser observado de perto . Olhando para_cima viu o rapazinho pequenino com cabelo de rato que ele vira experimentar o chapéu seleccionador em a noite anterior , olhando para ele com uma expressão petrificada . Estava agarrado a o que parecia ser uma vulgar máquina fotográfica de os Muggles e , em o momento em que Harry olhou para ele , ficou todo vermelho . - Tudo bem , Harry ? Eu sou Colin_Creevey - disse , faltando lhe o ar e adiantando se a qualquer pergunta . - Estou em os Gryffindor também . Não te importavas que eu tirasse uma fotografia ? - perguntou , levantando a máquina cheio de expectativa . - Uma fotografia ? - repetiu Harry , inexpressivo . - Para eu provar que te conheci - disse Colin_Creevey cheio de ansiedade , continuando : - Eu sei tudo a teu respeito . Toda_a_gente me tem contado como sobreviveste quando O_Quem nós sabemos tentou matar te , como ele desapareceu depois de isso e como ficaste com a cicatriz em forma de relâmpago em a testa ( os seus olhos procuraram a linha de cabelo de Harry ) e um rapaz de o meu dormitório disse que se eu revelasse o filme em a posição certa ele mexia . - Colin respirou fundo , estremecendo de excitação e disse : - Isto_é fantástico , aqui , não achas ? Eu não sabia que todas_as coisas estranhas que fazia eram magia até a o dia em que recebi uma carta de Hogwarts . O meu pai é leiteiro . Também ele não queria acreditar . Por isso estou a tirar montes de fotografias para lhe mandar e era mesmo bom se tivesse uma tua - parecia implorar . - Talvez o teu amigo pudesse tirá a e assim eu ficava a o teu lado . E depois , podias assiná a ? - Assinar fotografias ? Estás a dar fotos autografadas , Potter ? Alta e mordaz , a voz de Draco_Malfoy ecoou em o pátio . Estava parado mesmo atrás_de Colin , ladeado , como sempre andava em Hogwarts , por os seus fortes guarda-costas Crabbe e Goyle . - Ei gente , façam bicha - gritou Malfoy a a multidão . - Harry_Potter está a dar fotos autografadas ! - Não estou coisa nenhuma - disse Harry , zangado , com os punhos em o ar . - Cala a boca , Malfoy . - Tu tens é inveja - começou a dizer Colin , cujo corpo era de o tamanho de o pescoço de Crabbe . - Inveja - repetiu Malfoy que não precisava de gritar mais , metade de o pátio estava a ouvi o . - De quê ? Não preciso de uma cicatriz em a cabeça , muito obrigado . Não acho que ter um corte em a testa torne alguém especial . Crabbe e Goyle riram estupidamente - Vai pastar caracóis , Malfoy - disse o Ron furioso . Crabbe parou de rir e começou a esfregar os nós de os dedos enormes de uma forma ameaçadora . - Tem cuidado , Weasley - escarneceu Malfoy . - Com certeza não queres começar uma rixa ou a tua mãezinha tem de vir cá para te tirar de a escola - e com uma voz aguda e penetrante : - * _ Se voltas a pisar o risco * ... Um grupo de alunos de o quinto ano de os Slytherin que estava ali perto , riu se bastante alto . - O Weasley gostaria de ter uma foto tua autografada , Potter - escarneceu de_novo Malfoy . - Era capaz de valer mais do_que a casa onde ele mora com a família . Ron sacou de a sua varinha amarrada com fita , mas Hermione fechou as * Viagens com Vampiros * com um estrondo e avisou : - Atenção . - O que é isto , o que é isto ? - Gilderoy_Lockhart aproximava se com o seu manto azul-turquesa girando em torvelinho atrás de ele . - Quem está a dar fotos autografadas ? Harry ia começar a explicar , mas foi interrompido quando Lockhart lhe pôs jovialmente o braço em cima de os ombros . - Mas que pergunta a minha ! Cá estamos nós de_novo , Harry ! Preso ao_lado_de Lockhart e a arder de humilhação , Harry viu Malfoy deslizar com o seu sorriso desdenhoso por o meio de a multidão . - Vamos lá então , Mr._Creevey - disse Lockhart , dirigindo se a Colin . - Uma foto dupla , já viu a sua sorte ? E assinamos a os dois para si . Colin ajustou a máquina e tirou a fotografia em o preciso momento em que a campainha tocava para as aulas de a tarde . - Está em a hora , todos para dentro - gritou Lockhart a a multidão e regressou a o castelo levando a o seu lado o Harry que só lamentava não conhecer um feitiço que o fizesse desaparecer . - Uma palavra só , Harry - disse Lockhart paternalmente , enquanto entravam em o edifício por uma porta lateral . - Eu ajudei te há bocado com o jovem Creevey porque se ele estivesse a fotografar me também a mim os teus colegas não reparariam tanto que estavas a exibir te ... Indiferente a a gaguez de Harry , Lockhart arrastou o para um corredor ladeado de alunos que os olhavam espantados e subiram uma escada . - Deixa me só dizer te uma coisa : dar fotografias autografadas em esta fase de a tua carreira , francamente , não é sensato , Harry , parece um_pouco megalómano . Pode ser que um dia mais tarde , tal_como eu , sejas obrigado a assinar para multidões onde quer que vás , mas - fez uma pequena pausa - não me parece que seja o caso , por enquanto . Tinham chegado a a aula de Lockhart e ele largou finalmente o Harry que sacudiu a túnica e foi sentar se em um lugar bem lá atrás onde começou por empilhar os livros de Lockhart a a sua frente para evitar olhar para a criatura . O resto de a aula entrou ruidosamente e Ron e Hermione foram sentar se um de cada lado de Harry . - Tu estavas vermelho como um pimentão - disse o Ron . - Reza para que o Creevey não se torne amigo de a Ginny senão bem podem criar o clube de * fans * de Harry_Potter . - Cala a boca - interrompeu Harry . A última coisa que desejava era que o Lockhart ouvisse a expressão « clube de * fans * de Harry_Potter « . Quando todos estavam em os seus lugares , Lockhart pigarreou alto e fez se silêncio . Ele inclinou se para a frente , pegou em o exemplar de Neville_Longbottom de * _ viagens com Duendes * e levantou o para mostrar a sua fotografia a piscar os olhos em a capa . - Eu - disse apontando para a fotografia e piscando também os olhos - Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , terceiro ano , membro honorário de a Liga_de_Defesa contra as artes negras e cinco vezes vencedor de o prémio de o * _ Feiticeiro de a semana * por o sorriso mais charmoso . Mas não vamos falar de isso , não venci a fada carpideira de Bandon a sorrir para ela ! Esperou que eles se rissem . Alguns alunos sorriram timidamente . - Já vi que todos vocês compraram a minha obra completa . Muito bem . Pensei começar hoje com um pequeno interrogatório escrito . Nada de complicado , só para perceber se leram bem os meus livros e o que apreenderam ... Depois de distribuir as folhas de teste voltou se para os alunos e disse : - Têm trinta minutos . Comecem já . Harry olhou para o papel e leu : *1 . Qual é a cor preferida de Gilderoy_Lockhart ? *2 . Qual é a ambição secreta de Gilderoy_Lockhart ? *3 . Qual é , em a sua opinião , a maior realização de Gilderoy_Lockhart até a o momento ? * E_por_aí adiante , ao_longo_de três páginas , terminando com : *54 . Qual é o dia de aniversário de Gilderoy_Lockhart e qual seria o seu presente preferido ? * Meia_hora mais tarde , Lockhart recolheu os pontos e folhou os rapidamente em frente de os alunos . - Tut , tut , quase ninguém se lembrou que a minha cor preferida é o lilás . Eu digo o em * _ Um Ano com o Abominável_Homem_das_Neves * . Alguns precisam de voltar a ler com mais cuidado * Fim-de - _ Semana com Um Lobisomem * . Eu afirmo claramente em o décimo segundo capítulo que o meu presente de aniversário preferido seria a harmonia entre todos os seres , mágicos e não mágicos , embora não me importasse de receber uma garrafa grande de * whisky * velho de a Ogden's_Old_Firewhisky . Piscou lhes o olho de_novo . Ron olhava para Lockhart com uma expressão de incredulidade em o rosto . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas que estavam sentados a a frente tremiam de tanto conter o riso . Hermione , contudo , ouvia Lockhart com extrema atenção e deu um salto quando ouviu o seu nome . - Mas Miss_Hermione_Granger sabia que a minha ambição secreta era libertar o mundo de o mal e pôr a a venda a minha gama de poções de tratamento de o cabelo . Muito bem - voltou o papel . - Nota máxima ! Onde está Miss_Hermione_Granger ? Hermione ergueu uma mão trémula . - Excelente - bradou Lockhart , exultante . - Leva dez pontos para os Gryffindor . E vamos a o trabalho . Baixou se atrás de a secretária e pegou em uma grande gaiola coberta . - Ficam desde_já a saber , a minha função é preparar vos contra as criaturas mais malignas que a feitiçaria conhece . Vocês podem ter que enfrentar os maiores medos em esta sala . Saibam que nenhum mal vos sucederá comigo aqui . Só vos peço que se mantenham calmos . Ultrapassando os seus sentimentos , Harry espreitou através de a pilha de livros para ver melhor a gaiola . Lockhart colocou uma mão em a tampa . Dean e Seamus tinham deixado de se rir . Neville estava agachado em o seu lugar de a fila de a frente . - Vou pedir vos que não façam barulho - disse Lockhart em voz baixa . - Podem assustá os . Enquanto a aula inteira continha a respiração , Lockhart tirou a cobertura . - Sim - disse em um tom dramático . - Duendes_da_Cornualha recém-capturados . Seamus_Finnigan não conseguiu controlar se . Soltou uma gargalhada que nem Lockhart poderia confundir com um grito de terror . - Sim ? - sorriu a Seamus . - Bem , eles não são , não são perigosos , pois não ? - perguntou a rir . -- Não tenhas tanta certeza de isso - afirmou Lockhart , aborrecido , abanando um dedo , em direcção a Seamus . - Podem ser maçadores e muito traiçoeiros . Os duendes eram de um azul-eléctrico e tinham cerca de vinte centímetros de altura com feições angulosas e umas vozes tão estridentes que era como ouvir uma discussão entre araras . Logo_que o pano foi retirado , começaram a fazer uma enorme algazarra , a andar de um lado para o outro , batendo em as grades e fazendo caretas a as pessoas que estavam mais perto . - Muito bem - disse Lockhart em voz alta . - Vamos então ver o que vocês conseguem fazer de eles - e abriu a gaiola . Foi um pandemónio . Os duendes dispararam em todas_as direcções como foguetes . Dois de eles agarraram o Neville por as orelhas e levantaram o a o ar . Vários outros foram direitos a a janela , fazendo chover vidros partidos até a a fila de trás . Os restantes decidiram destruir a sala com maior eficácia do_que um rinoceronte em fúria . Agarraram em os tinteiros e salpicaram tudo em volta , rasgaram a os bocados livros e papéis , arrancaram os quadros de as paredes , levantaram a o ar a gaiola vazia , agarraram livros e sacos e lançaram nos por a janela de vidros estilhaçados . Em poucos minutos , metade de a aula estava abrigada debaixo de as secretárias e o Neville pendurado em o candelabro de o tecto . - Vamos lá , agarrem nos , agarrem nos , são apenas duendes ... - gritava Lockhart . Arregaçou as mangas , bramiu a varinha e pronunciou * Peshipiksi_Pesternomi ! * As palavras não tiveram o menor efeito . Um de os duendes pegou em a varinha de Lockhart e atirou a também por a janela fora . Lockhart engoliu em seco e mergulhou debaixo de a secretária , não sendo , por um triz , esmagado por o Neville que caiu um segundo depois , quando o candelabro cedeu . A campainha tocou e houve uma louca precipitação para a porta . Em a calma relativa que se seguiu , Lockhart endireitou se , olhou para Harry , Ron e Hermione que estavam quase a chegar a a porta e disse : - Bem , vou pedir vos a os três que prendam o resto de os duendes em a gaiola - passou por eles e fechou rapidamente a porta atrás_de si . - Isto dá para acreditar ? - resmungou o Ron , enquanto um de os duendes lhe mordia com toda_a força uma de as orelhas . - Ele só quer dar nos uma ajuda , permitindo nos ganhar experiência - justificou Hermione , imobilizando dois duendes de uma_vez com um encantamento de paralisação e metendo os de_novo em a gaiola . - Experiência ? - disse Harry , tentando agarrar um duende que dançava com a língua de_fora . - Hermione , ele não sabia nada do_que estava a fazer . - Disparate - retorquiu Hermione . - Leste os livros de ele . Vê só as coisas que ele já fez ! - Que diz que fez - resmungou o Ron . VII_Sangue de lama e murmúrios Harry passou imenso tempo , em os dias que se seguiram , a fugir sempre_que via Gilderoy_Lockhart aproximar se em o corredor . Mais difícil de evitar era Colin_Creevey que parecia ter decorado o horário de Harry . Parecia que nada o emocionava mais do_que dizer : - Tudo bem , Harry ? - seis ou sete vezes por dia e ouvir : - Olá , Colin - por mais exasperado que Harry estivesse quando lhe respondia . A Hedwig ainda estava zangada com Harry por causa de a desastrosa viagem de automóvel e a varinha de o Ron continuava a não funcionar , tendo ultrapassado tudo em a sexta-feira de manhã quando lhe saltou de as mãos em a aula de encantamentos e foi agredir o velho e baixinho professor Flitwick mesmo entre os olhos , deixando uma enorme bolha latejante em o sítio onde tinha batido . Por tudo_isso Harry via chegar , com satisfação , o fim_de_semana Planeava ir em o Sábado de anhã , com Ron e Hermione visitar o Hagrid . Mas foi acordado várias horas mais cedo do_que desejaria por Oliver ood , treinador de a equipa de Quidditch_dos_Gryffindor . - _ o que é_que se passa ? - perguntou Harry , enrolando as palavras . - Treino_de_Quidditch - disse Wood . - Vamos embora . Harry lançou um olhar de esguelha a a janela . Uma neblina fina pairava em o céu rosa e dourado . Agora_que estava acordado não percebia como pudera dormir com a algazarra que os pássaros faziam . - Oliver resmungou Harry . - É de madrugada . - Exacto - respondeu Wood . Era um rapaz alto e corpulento de o sexto ano e em aquele momento os olhos brilhavam lhe loucamente de entusiasmo . - Faz parte de o nosso novo programa de treinos . Anda lá , vai buscar a vassoura e vamos embora - insistiu Wood empenhado . - Nenhuma de as outras equipas começou ainda a treinar . Vamos ser os primeiros este ano ... A bocejar e a tremer um_pouco , Harry saltou de a cama e tentou descobrir as suas túnicas de Quidditch . - Bem , encontramo nos em o campo , dentro_de quinze minutos . Depois de descobrir a sua roupa escarlate de equipa e pôr o manto por cima para se aquecer , Harry escreveu a o Ron um bilhete a explicar onde tinha ido e desceu por a escada de espiral para a sala comum com a sua Nimbos dois inil a o ombro . Tinha acabado de chegar junto de o buraco de o retrato quando ouviu um barulho atrás_de si e viu Colin_Creevey descer a escada de espiral com a máquina fotográfica pendurada a o pescoço a balouçar como louca e uma coisa em a mão . - Ouvi alguém chamar o teu nome em as escadas , Harry olha o que tenho aqui . Revelei a e queria mostrar te . Harry olhou assombrado para a fotografia que Colin lhe espetava em frente de o nariz . Um Lockhart a preto e branco movia se , puxando com toda_a força um braço que Harry reconheceu como sendo o seu . Ficou satisfeito a o constatar que estava a resistir bastante bem , recusando se a ser trazido para a vista de todos . Enquanto Harry observava , Lockhart desistiu e desinteressou se de lutar contra a parte branca de a fotografia . - Assinas para mim ? - pediu Colin entusiasmado . - Não - respondeu secamente Harry , olhando em volta para verificar se o caminho estava livre . - Desculpa_Colin , mas estou cheio de pressa , treino de Quidditch . Passou por o buraco de o retrato . - Oh Uau ! Espera por mim . Eu nunca vi um jogo de Quidditch . Colin trepou por o buraco de o retrato atrás de ele . - Vai ser uma chatice para ti - disse Harry rapidamente , mas Colin ignorou o comentário . Todo o seu rosto brilhava de satisfação . - Tu foste o jogador mais novo de a equipa em cem anos , não foste Harry ? Não foste ? - perguntava Colin , trotando para o acompanhar . - Deve ser fantástico . Eu nunca voei . É fácil ? Essa vassoura é a tua ? É a melhor que há ? Harry não sabia como ver se livre de ele . Era como ter uma sombra que não se calava . - Eu não percebo nada de Quidditch - disse Colin , já sem fôlego . - É verdade que há quatro bolas ? E que duas anda n a voar , tentando fazer os jogadores caírem de as vassouras ? - Sim - disse Harry lentamente , resignado com o ter de lhe explicar as complicadas regras de o Quidditch . - São as * bludgers * . Há dois * beaters * em cada equipa que têm bastões para bater em as * bludgers * e lançá as para o outro lado . O Fred e o George_Weasley são os * beaters * de os Gryffindor . - E para que servem as outras bolas ? - perguntou Colin , saltando uma série de degraus porque ia a olhar para o Harry de boca aberta . - Bem , a * quaffle * , que é a vermelha grandalhona , é a que marca os golos . Três * chasers * em cada equipa lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam fazes a entrar em as balizas que ficam em o extremo de o campo onde há três grandes postes com argolas em as pontas . - E a quarta bola ? - A * snitch * dourada - explicou Harry . - É muito pequenina e veloz e extremamente difícil de agarrar . Mas é isso que o * seeker * tem de fazer , porque o jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * for agarrada . E o * seeker * que conseguir agarrá a ganha para a sua equipa mais cento_e_cinquenta pontos . - E tu és o * seeker * de os Gryffindor , não és ? - perguntou Colin respeitosamente . - Sim - disse Harry enquanto saíam de o castelo e começavam a atravessar o relvado . - E há também o * keeper * que toma conta de os postes . É isto . Mas Colin não parou de fazer perguntas desde os relvados macios até a o campo de Quidditch e Harry só se viu livre de ele quando chegaram a os vestiários . Colin gritou em uma voz aguda : - Eu vou arranjar um lugar , Harry - e apressou se em direcção a as bancadas . O resto de a equipa de os Gryffindor já se encontrava em os vestiários . Wood era o único que tinha aspecto de estar bem acordado . Fred e George_Weasley estavam sentados com olhos de sono e cabelos desgrenhados junto de Alicia_Spinnet de o quarto ano que parecia inclinar se contra a parede que tinha atrás_de si . Os seus companheiros * chasers * , Katie_Bell e Angelina_Johnson bocejavam em frente de ela . - Até que enfim , Harry , porque é_que demoraste tanto ? - perguntou Wood cheio de actividade . - Eu queria ter uma pequena conversa convosco antes de entrarmos propriamente em campo porque passei o Verão a conjecturar um novo programa de treinos que acredito vai estabelecer grandes mudanças . Wood tinha em as mãos um grande mapa de um campo de Quidditch onde estavam desenhadas muitas linhas , setas e cruzes a tinta de várias cores . Pegou em a varinha , bateu com ela em o quadro e as setas começaram a mover se em o mapa como tractores . Enquanto Wood se lançava em um discurso sobre as suas novas técnicas , a cabeça de Fred_Weasley caiu sobre o ombro de Alicia_Spinnet e ele começou a ressonar . O primeiro mapa levou quase vinte minutos a explicar , mas debaixo de esse havia outro e ainda um terceiro . Harry caiu em uma letargia enquanto Wood continuava indefinidamente . - Então - disse por fim o treinador , arrancando Harry de a avidez de uma fantasia sobre o que poderia estar a comer se se encontrasse em aquele momento em o castelo . - Ficou tudo claro ? Alguma pergunta ? - Eu tenho uma pergunta , Oliver - disse George que acordou estremunhado . - Porque não nos explicaste tudo_isso ontem , quando estávamos acordados ? Wood não ficou nada satisfeito . - Ouçam bem , vocês todos - disse , voltando se para eles mal-humorado . - Nós deveríamos ter ganho a taça de Quidditch o ano passado . Somos de longe a melhor equipa , mas , infelizmente , devido_a circunstancias que estão para_além de o nosso controlo ... Harry mudou de posição em a cadeira sentindo se culpado . Estivera inconsciente em o hospital durante o campeonato final de o ano anterior o que fez com que os Gryffindor com um jogador a menos tivessem sofrido a pior derrota de os últimos trezentos anos . Wood levou um momento a controlar se . Era evidente que a última derrota ainda o torturava . - Portanto , este ano vamos fazer um treino mais duro , como nunca se fez . O. _ K. , vamos lá pôr as teorias em prática - gritou , pegando em a vassoura e conduzindo os para fora de o vestiário . Com as pernas trôpegas e ainda a bocejar , a equipa seguiu o . Tinham estado tanto tempo lá dentro que o sol já tinha nascido e brilhava em o céu embora uma réstia de neblina pairasse ainda sobre o relvado de o campo . Quando Harry entrou em campo viu Ron e Hermione sentados em as bancadas . - Ainda não acabaram ? - perguntou Ron em um tom incrédulo . - Ainda nem começamos - explicou Harry , olhando cheio de inveja para a torrada com doce de laranja que Ron e Hermione tinham trazido de o salão . - O Wood tem estado a ensinar nos as jogadas . Subiu para a vassoura e deu um pontapé em o chão , elevando se em o ar . O ar fresco de a manhã bateu lhe em o rosto fazendo o acordar com mais eficácia do_que o longo discurso de Wood . Era maravilhoso voltar a estar em o campo de Quidditch . Voou em volta de o estádio a toda a a velocidade competindo com Fred e George . - Que barulhinho estranho é aquele ? - perguntou o Fred quando deram a volta . Harry olhou para as bancadas . Colin estava sentado em um de os lugares mais altos com a máquina fotográfica em o ar , tirando fotografia sobre fotografia , o som estranhamente ampliado em o estádio deserto . - Olha para ali , Harry , para ali - gritava de forma estridente . - Quem é aquele ? - perguntou Fred . - Não faço ideia - mentiu Harry , disparando a_toda_a velocidade e distanciando se o mais possível de Colin . - O que se passa aí ? - perguntou Wood , franzindo a testa enquanto corria por os ares atrás de eles . - Porque está aquele aluno de o primeiro ano a tirar fotografias ? Não me agrada . Pode ser um espião de os Slytherin a tentar descobrir o nosso novo programa de treinos . - Ele é de os Gryffindor - disse Harry rapidamente . - E os Slytherin não precisam de um espião , Oliver - completou George . - Porque dizes isso ? - perguntou Wood irritado . - Porque estão aqui em peso - disse George , apontando com o dedo . Vários indivíduos com túnicas verdes vinham em aquele momento a entrar em o campo de vassouras em a mão . - Não posso acreditar - reagiu Wood , sentindo se ultrajado . - Eu reservei o estádio para hoje . Já vamos ver como é_que isto fica ! Wood baixou direito a o chão sendo levado por a fúria a aterrar com mais força do_que pretendia e a cambalear um_pouco quando começou a andar seguido de o Harry e de o Ron . - Flint - bradou para o treinador de os Slytherin . - Este é o nosso tempo de treino . Levantámo nos de propósito . Vocês têm de sair de aqui . Marcus_Flint era ainda mais corpulento do_que Wood . Tinha em o rosto uma expressão de duende travesso quando respondeu : - Há espaço para todos , Wood . Angelina , Alicia e Katie tinham vindo também . Em a equipa de os Slytherin não havia raparigas que enfrentassem a o lado de os rapazes os Gryffindor . - Mas eu reservei o estádio - repetiu Wood de modo afirmativo , cuspindo de raiva . - Reservei o . - Ah ! - exclamou Flint . - Mas eu tenho aqui uma licença especial assinada por o professor Snape . * _ Eu , professor Snape , autorizo a equipa de os Slytherin a praticar hoje em o campo de Quidditch devido a a necessidade de treinar o seu novo seeker . * - Têm um novo * seeker * ? - perguntou Wood perturbado . - Onde ? E detrás de as seis figuras corpulentas que tinham em a frente , viram surgir uma sétima : um rapaz mais pequeno com um sorriso afectado espelhado em o rosto pálido e anguloso . Era_Draco_Malfoy . - Não és o filho de o Lucius_Malfoy ? - perguntou Fred , olhando para ele com antipatia . - Curioso que refiras o pai de o Draco - disse Flint enquanto toda_a equipa de os Slytherin sorria de modo grosseiro . - Deixem me mostrar vos a generosa oferta que ele fez a a equipa de os Slytherin . Os sete exibiram as suas vassouras . Sete cabos novos , polidos , com inscrições em letras douradas de as palavras « Nimbus dois_mil_e_um « brilharam a o sol de a manhã , em frente de o nariz de os Gryffindor . - O último modelo . Só chegou em o mês passado - disse Flint , displicentemente , sacudindo a poeira de o cabo de a sua vassoura . - Julgo que ultrapassam de longe as velhas séries de dois_mil . Quanto a as Cleansweeps - sorriu de forma mesquinha para Fred e George que tinham ambos Cleansweep_Fives - essas já só servem para varrer . Nenhum de os Gryffindor foi capaz de abrir a boca em aquele momento . Malfoy sorria tanto que os seus olhos de gelo estavam reduzidos a duas rachas . - Oh vejam - disse Flint . - Uma invasão de o campo . Ron e Hermione atravessavam o relvado para ver o que se passava . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron a o Harry . - Porque não estão a jogar e o que faz ele aqui ? Olhava para Malfoy em as suas vestes de Quidditch . - Sou o novo * seeker * de os Slytherin , Weasley - disse Malfoy com ar presumido . - Têm estado todos a admirar as vassouras que o meu pai comprou para a nossa equipa . Ron olhou de boca aberta para as sete vassouras que tinha em a frente . - São boas , não são ? - disse Malfoy untuosamente . - Mas talvez a equipa de os Gryffindor consiga levantar algum ouro e comprar também vassouras novas . Vocês podiam levar essas Cleansweep_Fives a leilão , talvez algum museu esteja interessado . A equipa de os Slytherin riu se a bandeiras despregadas . - Pelo_menos em os Gryffindor ninguém teve de comprar a sua entrada - disse secamente Hermione . - Entraram todos por mérito próprio . O ar presumido de Malfoy desapareceu . - Ninguém pediu a tua opinião , sangue de lama - cuspiu Malfoy . Harry apercebeu se , de imediato , que Malfoy dissera algo muito grave porque houve uma tremenda algazarra em o seguimento de as suas palavras . Flint teve que se pôr a a frente de o Malfoy para evitar que Fred e George se atirassem a ele . Alicia bradou : - Como te atreves ? - E Ron meteu a mão em as vestes e sacou de a varinha mágica , gritando : - Vais pagar por o que disseste , Malfoy ! - e apontou a , furioso , por debaixo de o braço de Flint , a o rosto de Malfoy . Um enorme estrondo , ecoou em o estádio e um jacto de luz verde saiu por a extremidade errada de a varinha de Ron , atingindo o em o estômago e projectando o para trás em direcção a o relvado . - Ron ! Ron ! Estás bem ? - gritou Hermione . Ron abriu a boca para falar , mas nenhuma palavra saiu . Em vez de isso , teve um vómito imenso e várias lesmas saíram lhe de a boca , indo cair lhe em o colo . A equipa de os Slytherin ficou paralisada de riso . Flint estava dobrado , agarrado a a vassoura nova . Malfoy , a quatro , batia com o punho em a chão . Os Gryffindor rodeavam o Ron , que continuava a vomitar lesmas enormes e reluzentes . Ninguém queria tocar lhe . - É melhor levá o para_casa de o Hagrid . É o mais perto - disse Harry_a_Hermione , que acenou afirmativamente , e os dois arrastaram o Ron por os braços . - O que aconteceu , Harry ? O que aconteceu ? Ele está doente ? Mas tu podes curá o , não podes ? - Colin descera a correr de o lugar onde estava sentado e dançaricava em frente de eles , enquanto abandonavam o campo . Ron teve um novo arremesso e mais lesmas saíram de a sua boca . - Oooh ! - exclamou Colin fascinado , levantando a máquina fotográfica . - Podes mantê o quieto , Harry ? - Sai de a minha frente , Colin - gritou Harry zangado . Ele e a Hermione conseguiram levar o Ron para fora de o estádio , atravessar os campos e chegar a a beira de a floresta . - Está quase , Ron - disse Hermione , mal avistaram o casebre de o guarda de os campos . - Vais ficar bem dentro_de um minuto ... está quase ... Estavam a sessenta metros de a casa de Hagrid , quando a porta de a frente se abriu . Mas não foi Hagrid quem saiu de lá , e sim Gilderoy_Lockhart , em uma túnica cor de malva . - Rápido , vamos esconder nos aqui - sussurrou Harry , arrastando Ron para trás de um arbusto que havia ali perto . Hermione acompanhou o , embora um_pouco relutante . -- É muito simples quando se sabe o que se está fazer ! - gritava Lockhart_para_Hagrid . - Se precisar de ajuda , sabe onde estou . Vou dar lhe um exemplar de o meu livro . Espanta me que ainda não o tenha . Logo a a noite autografo o e envio lhe o . Bem . até a a próxima ! - e afastou se em direcção a o castelo . Harry esperou que Lockhart desaparecesse , antes de puxar o Ron de trás de o arbusto até a a casa de o Hagrid . Bateram ansiosamente . Hagrid apareceu logo com um ar mal-humorado , que se dissipou quando viu quem era . - Já me tinha perguntado quand'é que vocês vinham ver me , entrem , entrem , pensei qu'era outra_vez o professor Lockhart . Harry e Hermione ajudaram Ron a subir o degrau que dava acesso a a cabana de uma divisão com uma cama enorme a um de os cantos e uma lareira a crepitar alegremente em o outro . Hagrid não pareceu perturbado com o problema de as lesmas de o Ron que Harry lhe explicou precipitadamente , logo_que sentou o Ron em uma cadeira . - Melhor saírem de o qu'entrarem - disse , em um tom bem-disposto , colocando uma grande bacia de cobre em frente de ele . - Deita as todas fora , Ron . - Acho que não há mais_nada a fazer , a não ser esperar que isto pare - disse Hermione ansiosamente , vendo Ron inclinar se para a bacia . - É uma maldição muitas_vezes difícil , mas com uma varinha partida ... Hagrid andava de um lado para o outro a preparar o chá . O cão de ele , Fang , babava se em cima de o Harry . - O que é_que o Lockhart queria de ti ? - perguntou o Harry , coçando as orelhas de o Fang . - Ensinar me a tirar espíritos aquáticos com forma de cavalos d'uma nascente d'água - resmungou Hagrid , retirando de a mesa pequena um galo meio depenado e colocando em o seu lugar o bule . - Como s'eu não soubesse . E contar me uma peta qualquer d'uma fada carpideira que ele venceu . Engulo essa chaleira , se uma palavra do_que ele disse for verdade . Não era hábito de Hagrid criticar um professor de Hogwarts e Harry olhou para ele com alguma surpresa . Mas Hermione disse em uma voz mais aguda do_que de costume : - Acho que estás a ser injusto . O professor Dumbledore obviamente achou que era o melhor homem para o lugar ... - Era o único - explicou Hagrid , oferecendo lhes um prato de bombons de melaço enquanto Ron tossia para a bacia . - E não havia mais ninguém . Não é fácil encontrar quem queira dar Artes de magia negra . As pessoas não gostam de essa matéria . Começam a pensar que está amaldiçoada , ninguém ficou muito_tempo a dá a . Mas digam me lá - continuou Hagrid , inclinando a cabeça para Ron - quem é qu'ele estava a tentar amaldiçoar ? - O Malfoy chamou qualquer coisa a a Hermione que deve ter sido muito grave porque ficaram todos fora de si . - Foi grave , sim - disse o Ron com voz rouca , emergindo a a superfície de a mesa , pálido e transpirado . - O Malfoy chamou lhe sangue de lama , Hagrid . - Ron desapareceu outra_vez quando uma nova onda de lesmas fez o seu aparecimento . Hagrid estava indignado . - Não posso crer - exclamou , dirigindo se a Hermione . - Chamou sim - disse ela . - Mas eu não sei o que significa . Percebi que era má educação , claro ... - É talvez o maior insulto que ele poderia encontrar - explicou Ron novamente . - Sangue de lama é o nome que se dá a alguém que nasceu entre os Muggles , sabes , filho de pais não mágicos . Há alguns feiticeiros , como a família de o Malfoy que acham que são melhores do_que os outros porque têm aquilo a que as pessoas chamam sangue puro . - Teve um pequeno vómito e uma lesma isolada caiu lhe em a mão aberta . Ele atirou a para a bacia e continuou . -- É claro que todos nós sabemos que não há diferença nenhuma . Olha_o_Neville_Longbottom , é sangue puro e mal consegue manter um caldeirão direito . - E ainda não inventaram um encantamento qu'a nossa Hermione não consiga fazer - afirmou Hagrid , orgulhoso , fazendo Hermione corar em tons de magenta . - É a coisa mais nojenta que se pode chamar a alguém - disse o Ron , limpando o suor de a testa com a mão trémula . - Sangue sujo , sangue vulgar , é um disparate . A maior parte de os feiticeiros hoje_em_dia têm sangue misturado . Se não tivéssemos casado com Muggles tinha sido o nosso fim . Fez um esforço para vomitar e baixou se mais_uma_vez . - Bem , não te posso culpar por teres tentado amaldiçoá o , Ron - disse Hagrid bem alto enquanto montes de lesmas caíam em a bacia . - Mas , se_calhar , não foi mau de todo teres a varinha a trabalhar ao_contrário . Acho que Lucius_Malfoy teria vindo logo a correr a a escola se tivesses amaldiçoado o filho . Assim , pelo_menos , não estás metido em nenhum sarilho . Harry teria referido que o problema não podia ser pior do_que deitar lesmas por a boca , mas não pôde . Os bombons de melaço tinham lhe colado os maxilares um_ao_outro . - Harry - disse de repente Hagrid como_que movido por um pensamento súbito . - Tens de me explicar uma coisa . Ouvi dizer que tens andado a dar fotografias autografadas . Porque é qu'eu não tenho nenhuma ? A fúria de Harry foi tão grande que os maxilares se libertaram . - Eu não tenho dado fotografias autografadas - disse com vivacidade . Se o Lockhart andou a espalhar isso ... Mas em esse momento viu que Hagrid se estava a rir . - ´ _ tou a brincar - disse , dando uma palmadinha em as costas de Harry e fazendo lhe sinal para se sentar a a mesa . -- Eu sabia que não tinhas . Disse a o Lockhart que tu não precisavas de isso . Es mais famoso do_que ele sem sequer , tentares . - Aposto que ele não gostou de ouvir isso - comentou Harry , sentando se e esfregando o queixo . - Acho que não gostou mesmo - prosseguiu Hagrid com os olhinhos a brilhar . - E disse lhe também que nunca tinha lido nenhum de os livros de ele e ele foi se embora . Um bombom de melaço , Ron ? - perguntou a o vê o reaparecer . - Não , obrigado - disse o Ron com uma voz fraca . - É melhor não arriscar . - Venham ver o qu'eu tenho estado a criar - disse Hagrid quando Harry e Hermione acabaram de tomar o chá . Em a pequena horta atrás de a casa estava uma_dúzia de as maiores abóboras que Harry alguma vez vira . Pareciam enormes blocos de pedra . - Estão a dar se bem , não achas ? - disse Hagrid , feliz . São para a festa de o * _ Hallow'en * . Devem estar bem grandes quando chegar a altura . - O que é_que lhes tens dado como alimento ? - perguntou Harry . Hagrid olhou por cima de o ombro para confirmar se estavam sós . - Bem , tenho estado a dar lhes ... uma pequena ajuda . Harry reparou em o guarda-chuva cor-de-rosa a as florzinhas que estava encostado contra a parede de a cabana . Tivera em o ano anterior motivos para crer que aquele guarda-chuva não era o que parecia . De facto , acreditava que a antiga varinha de escola de Hagrid se encontrava oculta dentro de ele . Hagrid não tinha autorização para usar magia . Fora expulso de Hogwarts em o terceiro ano embora Harry nunca tivesse descoberto o motivo . Qualquer referência a esta questão fazia Hagrid pigarrear bem alto e ficar misteriosamente surdo até mudarem de assunto . -- Um encantamento de absorção , imagino ? - comentou Hermione entre a desaprovação e o divertimento . - Bem , se assim foi , fizeste um bom trabalho . - Foi o que disse a tua irmãzinha - respondeu Hagrid acenando em direcção a Ron . - Encontrei a ontem . - Hagrid olhou de lado para Harry , a barba a contorcer se . - Disse que andava só a ver os campos , mas eu acho qu'ela esperava encontrar alguém em a minha casa - piscou o olho a o Harry . - Se queres que te diga acho qu'ela não recusaria uma fotografia autogr ... - Cala te com isso - disse Harry . Ron desatou a rir e o chão ficou cheio de lesmas . - Cuidado - resmungou Hagrid , afastando Ron de as suas preciosas abóboras . Estava quase em a hora de o almoço e , como o Harry só tinha provado um bombom de melaço desde manhã cedo , estava ansioso por chegar a a escola para ir comer . Despediram se de o Hagrid e regressaram a o castelo . O Ron a vomitar de vez em quando , mas deitando só duas pequenas lesmas . Mal tinham pisado a entrada de o vestíbulo quando ouviram uma voz . - Aí estão vocês , Potter , Weasley . - A professora Mc_Gonagall vinha em direcção a eles com o seu ar severo . - Vocês os dois vão ter as punições hoje a a tarde . - O que é_que vamos fazer , professora ? - perguntou o Ron nervoso , deixando cair uma lesma . - Tu vais limpar as pratas em a sala de os troféus com Mr._Filch - disse a professora Mc_Gonagall . - E nada de mágicas , Weasley , trabalho com esforço . Ron engoliu em seco . Argus_Filch , o encarregado , era odiado por todos os alunos de a escola . - E tu , Potter , vais ajudar o professor Lockhart a responder a as cartas de as suas fãs - ordenou a professora Mc_Gonagall . - Oh , não ! Não posso ir também trabalhar em a sala de os troféus ? - pediu Harry em desespero de causa . - Nem pensar em isso - respondeu a professora Mc_Gonagall , erguendo as sobrancelhas . - O professor Lockhart requisitou te especialmente a ti . _ a as oito_em_ponto , os dois . Harry e Ron entraram em o salão em um estado de profundo desanimo com a Hermione atrás , ostentando uma expressão de * bem-voces-quebraram-as-regras-da-escola * . Harry não saboreou o empadão de carne como teria desejado . Tanto ele como o Ron achavam que tinham tido o pior de os castigos . -- O Filch vai reter me lá toda_a noite - disse Ron , desanimado . - Sem mágica ! Deve haver umas cem taças em aquela sala , eu não sei fazer limpeza de Muggles . - Eu trocava contigo de boa_vontade - confessou Harry em uma voz surda . - Tive montes de prática com os Dursleys . Responder a o correio de fãs de o Lockhart , que pesadelo ... A tarde de sábado pareceu derreter se . Pouco depois eram já cinco para as oito e Harry arrastava se até a o corredor de o segundo andar onde ficava o escritório de o Lockhart . Rangendo os dentes , bateu a a porta . A porta abriu se imediatamente e Lockhart dirigiu se lhe . - Ah , cá está o patifório ! - exclamou . - Entra , Harry , entra . Em as paredes , brilhando à_luz_de muitas velas , podia ver se uma infinidade de fotografias de Lockhart . Algumas de elas até assinadas . Sobre a secretária estava outro monte enorme . - Podes pôr as moradas em os envelopes - disse Lockhart_a_Harry , como_se fosse uma grande ameaça . - O primeiro é para Gladys_Gudgeon , abençoada seja , uma grande fã minha . Os minutos passavam lentos . De vez em quando , Harry ouvia a voz de Lockhart dizendo : - Mmm - e - certo - e - sim . - De vez em quando , apanhava uma frase como : - A fama é versátil , amigo Harry - ou - Só é célebre quem faz por isso , nunca te esqueças . As velas ardiam cada_vez com maior lentidão , fazendo a luz dançar sobre as muitas caras de Lockhart que o olhavam . Harry passava a mão , já dorida , sobre o que devia ser o centésimo envelope , escrevendo a morada de Verónica_Smethley . « Deve estar quase em a hora de me ir embora » , pensou , sentindo se profundamente infeliz , « por favor , faz com que esteja em a hora ... » E então ouviu algo , algo totalmente diferente de o crepitar de as velas e de os ditos de Lockhart sobre as suas fãs . Era uma voz , uma voz de arrepiar os ossos , de cortar a respiração , de veneno frio . - * _ Vem ... vem ter comigo ... deixa me rasgar te ... cortar te ... matar te * ... Harry deu um salto e uma enorme mancha lilás surgiu em a rua de Verónica_Smethley . - O quê ? - disse ele em voz alta . - Eu sei - exclamou Lockhart . - Seis meses inteirinhos em o topo de a lista de * bestsellers * , bati todos os recordes ! - Não - disse Harry nervosíssimo - aquela voz ! - Como ? - perguntou Lockhart , com um ar confuso . - Que voz ? - Aquela , aquela voz que disse ... não ouviu ? Lockhart olhava para Harry com o maior espanto . - De que é_que estás a falar , Harry ? Estás a ficar com sono ? Meu Deus , olha , só estamos aqui há quase quatro horas , quem diria ? O tempo passou a correr , não é verdade ? Harry não respondeu , estava a fazer um esforço para ouvir de_novo a voz , mas o único som que ouviu foi Lockhart a dizer lhe que não esperasse um tratamento igual de as próximas vezes que fosse castigado . Harry saiu , sentindo se atordoado . Era tão tarde que a sala comum de os Gryffindor estava quase vazia . Harry foi directamente para o dormitório . Ron ainda não tinha voltado . Vestiu o pijama , meteu se em a cama e esperou . Meia_hora mais tarde , chegou o Ron agarrado a o braço direito e inundando o quarto escuro de um forte cheiro a limpa-pratas . - Doem me todos os músculos - resmungou , metendo se em a cama . - Ele fez me polir catorze vezes aquela taça de Quidditch até estar satisfeito . E depois tive outro vómito em_cima_de um troféu de Reconhecimento por serviços prestados a a escola . Demorei séculos a limpar o muco de as lesmas . Como correram as coisas com o Lockhart ? Em voz baixa para não acordar o Neville , o Dean e o Seamus , Harry contou lhe , palavra por palavra , o que tinha ouvido . - E Lockhart disse que não ouviu nada ? - perguntou o Ron . Harry viu o franzir a testa , a a luz de o luar . - Achas que estava a mentir ? Mas , não percebo , mesmo um ser invisível teria aberto a porta . - Eu sei - disse Harry , encostando se a a cama e olhando para o dossel . - Também não compreendo . VIII_A festa de o dia de os mortos Outubro chegou , espalhando um frio húmido por os campos e por os cantos de o castelo . Madam_Pomfrey , a enfermeira-chefe , esteve bastante ocupada com uma onda de constipações que afectou professores e alunos . A sua poção de pimentão entrou imediatamente em acção apesar_de deixar quem a tomava com fumo em os ouvidos durante várias horas . Ginny_Weasley , que andava com ar adoentado , foi convencida a tomá a por o Percy . O fumo que saía por debaixo de o seu cabelo ruivo dava a impressão de que toda_a cabeça estava em fogo . Gotas de chuva de o tamanho de balas agrediram as janelas de o castelo durante dias a fio . O lago rosado e os canteiros de flores tornaram se regatos lamacentos e as abóboras de o Hagrid incharam ficando de o tamanho de alpendres de jardim . Contudo , o entusiasmo de Oliver_Wood por as sessões de treino regular não foi abalado , motivo por o qual Harry iria regressar a a torre de os Gryffindor , em um sábado a a tarde de temporal , alguns dias antes de o * _ Hallowe'en * , ensopado até a os ossos e todo enlameado . Além de a chuva e de o vento , não fora um treino feliz . Fred e George que tinham andado a espiar a equipa de os Slytherin tinham visto com os seus próprios olhos a velocidade alucinante de aquelas novas Nimbus dois_mil_e_um e comentaram que a equipa em o ar parecia composta por sete manchas esverdeadas que disparavam a_toda_a velocidade como aviões a jacto . Enquanto Harry chapinhava a o longo de o corredor deserto , cruzou se com alguém que parecia tão preocupado como ele : Nick quase sem cabeça , o fantasma de a torre de os Gryffindor que olhava taciturno , por a janela , murmurando baixinho : - Não preenche os requisitos , um centímetro e meio se ... - Olá , Nick - cumprimentou Harry . - Olá , olá - disse o Nick quase sem cabeça , começando a olhar em volta . Usava um arrebatado chapéu de plumas sobre a longa cabeleira encaracolada e uma túnica com gola de tufos que disfarçava o facto de ter o pescoço quase totalmente separado de o corpo . Era pálido como o fumo e Harry podia ver através de ele o céu negro e a chuva torrencial , lá fora . - Pareces preocupado , jovem Potter - disse Nick , dobrando uma carta transparente , enquanto falava e escondendo a dentro de a jaqueta . - Tu também - retorquiu Harry . - Ah ! - o Nick quase sem cabeça acenou com a mão de forma elegante . - Uma questão sem importância . Não é_que eu quisesse realmente participar apesar_de me ter inscrito , mas , a o que parece , não preencho os requisitos . - Apesar de o seu tom jovial havia em o seu rosto uma grande amargura . - Mas era de esperar , ou não era - exclamou subitamente , tirando a carta de o bolso - que ter levado quarenta_e_cinco golpes em a cabeça com um machado ferrugento me qualificaria para entrar em o grupo de os Sem - _ Cabeça ? - Sim , sim - respondeu Harry que obviamente o outro esperava que concordasse . - Isto_é , ninguém mais do_que eu desejaria que tudo tivesse sido rápido e perfeito , poupava me muitas dores e ridículo . Mas ... O Nick quase sem cabeça abriu , furioso , a carta e leu : * _ Só podemos aceitar em o grupo homens cuja cabeça tenha sido separada de o corpo . Compreenderá que de outro modo seria impossível a os nossos membros participarem em actividades como equitação de malabarismos com a cabeça e pólo de cabeça . Lamentamos profundamente informá o de que não preenche os requisitos . * _ Os nossos melhores cumprimentos , Sir_Patrick_Delaney - _ Podmore * Furioso , o Nick quase sem cabeça atirou fora a carta . - Um centímetro de pele e tendões a segurarem me a cabeça , Harry ! A maior parte de as pessoas acharia que era mais do_que o suficiente , mas não serve para o senhor correctamente decapitado Podmore . Nick quase sem cabeça respirou fundo várias vezes e , por fim , em um tom bastante mais calmo perguntou : - Então o que é_que te preocupa ? Alguma coisa que eu possa fazer por ti ? - Não - respondeu Harry . - A_não_ser_que saibas onde posso arranjar sete Nimbus dois_mil_e_um , de_graça , para o nosso campeonato contra os Sly ... - o resto de a frase foi afogada por um miado agudo vindo de perto de os seus tornozelos . Olhou para baixo e deu consigo a fitar um par de olhos que pareciam duas lâmpadas amarelas . Era_Mrs._Norris , a gata cinzenta e esquelética usada por o encarregado Argus_Filch como uma espécie de polícia em a sua infindável batalha contra os estudantes . - É melhor saíres de aqui , Harry - preveniu Nick com toda_a calma . - O Filch não está nada bem-disposto . Anda engripado e alguns alunos de o terceiro ano , por acidente , encheram o tecto de o calabouço cinco de miolos de rã . Ele tem andado toda_a manhã a limpar e se te vê a encher tudo de lama ... - Certo - disse Harry , recuando e afastando se de o olhar acusador de Mrs._Norris , mas ... tarde de mais . Conduzido até ali por o misterioso poder que parecia ligá o a a gata , Argus_Filch entrou subitamente por uma tapeçaria que se encontrava a a direita de Harry , com a sua respiração asmática , olhando vivamente em volta em busca de o infractor . Tinha um lenço grosso , de xadrez , a a volta de a cabeça e o nariz invulgarmente arroxeado . - Imundície - gritou com os maxilares a tremer e os olhos a saltarem lhe de as órbitas , enquanto apontava para a poça de lama que pingara de a túnica de Quidditch_de_Harry . - Desarrumação e imundície em todo o lado . Estou farto disto , segue me , Potter . Harry despediu se de o Nick quase sem cabeça com um tímido aceno e seguiu Filch até lá abaixo , duplicando o número de pegadas lamacentas em o chão . Nunca entrara em o gabinete de o Filch . Era um lugar que a maior parte de os estudantes evitava . A divisão era sombria e sem janelas , iluminada por uma única lamparina de óleo que pendia de o tecto . Sentia se um vago cheiro a peixe frito . As paredes estavam forradas por ficheiros de madeira . Por as etiquetas Harry percebeu que continham os dados de todos os alunos que Filch tinha punido . Fred e George_Weasley tinham uma gaveta só para eles . Atrás de a secretária estava pendurada uma colecção bem polida de correntes e algemas . Todos sabiam que ele estava sempre a pedir a Dumbledore que o deixasse pendurar os alunos em o tecto por os tornozelos . Filch pegou em uma pena que estava sobre a secretária e começou a procurar o pergaminho . - Bosta - murmurou , furioso . - Bosta de dragão , miolos de rã , intestinos de ratazana ... eu tinha aqui bastante , onde está o form ... sim ... Tirou um enorme rolo de pergaminho de a gaveta de a secretária e estendeu o em a frente , molhando a longa pena em o tinteiro . - Nome : Harry_Potter . Crime ... - Foi só um bocadinho de lama - disse Harry . - É só um bocadinho de lama para ti , rapaz , mas para mim é mais de uma hora a esfregar - gritou Filch com um pingo a tremer de modo desagradável em a extremidade de o nariz bolboso . - Crime : manchar o castelo . Sentença proposta ... Esfregando o nariz que continuava a pingar , Filch olhou com má cara para Harry que esperava com a respiração entrecortada para ouvir a sentença . Mas quando Filch pegou em a pena ouviu se um estrondo enorme em o tecto que fez a lamparina apagar se . - PEEVES - resmungou Filch , pousando a pena , cheio de raiva . - Desta_vez apanho te . Apanho te ! E sem olhar para trás , saiu a correr a_toda_a velocidade de o gabinete , seguido de a gata , Mrs._Norris . Peeves era o * poltergeist * de a escola , uma ameaça de risota esvoaçante que vivia para fazer estragos e criar aflição . Harry não gostava lá muito de ele , mas desta_vez , não podia deixar de lhe estar grato . Na_melhor_das_hipóteses o que Peeves tivesse feito ( e parecia que agora ele destruíra qualquer coisa em grande ) distrairia Filch_de_Harry . Pensando que o melhor seria esperar que ele voltasse , Harry deixou se cair em uma cadeira carcomida por o tempo que se encontrava junto de a secretária . Havia uma coisa sobre o tampo : um grande envelope roxo e lustroso com letras prateadas em a frente . Lançando um olhar rápido a a porta para confirmar que Filch não estava de volta , Harry pegou lhe e leu : __ feitiço __ rápido Um curso por correspondência De iniciação a a magia Cheio de curiosidade , abriu o envelope e retirou o rolo de pergaminho . Uma letra curvilínea e prateada dizia : Sente se pouco a a vontade em o mundo de a magia moderna ? Dá consigo a arranjar desculpas para não fazer feitiços simples ? Tem sido censurado por o deplorável trabalho com a varinha ? Eis a resposta ! Feitiço rápido e um curso totalmente novo , infalível , de resultados rápidos e rápida aprendizagem . Centenas de bruxas e feiticeiros têm beneficiado de o método feitiço rápido ! Madam_Z._Nettles_de_Topsham escreve nos : Eu não conseguia fixar os encantamentos e as minhas poções eram alvo de risota em a família . Agora , depois de o curso feitiço rápido , tornei me o centro de as atenções em todas_as festas e os meus amigos não param de pedir me a receita de a minha brilhante solução ! O mágico D.J._Prod , de Disbury , afirma : A minha mulher costumava rir se de os meus fracos encantamentos , mas bastou um mês com o vosso fabuloso curso feitiço rápido e consegui transformá a em um iaque . Obrigado , feitiço rápido ! Fascinado , Harry folheou o resto de o conteúdo de o envelope . Para que diabo quereria o Filch um curso de feitiço rápido ? Não seria ele um feiticeiro a sério ? Harry estava a ler a lição número um : Pegando em a varinha ( algumas dicas úteis ) quando umas passadas arrastadas , lá fora , o preveniram de que Filch estava de volta . Metendo rapidamente o pergaminho dentro de o envelope , lançou o para_cima de a secretária em o preciso momento em que a porta se abriu . Filch ostentava um ar triunfante . - Aquele armário que desapareceu era extremamente valioso - vinha ele a dizer a a gata , Mrs._Norris . - Desta_vez vamos correr com o Peeves , minha linda . Os seus olhos recaíram sobre Harry e logo_a_seguir sobre o envelope de o feitiço rápido que , Harry apercebeu se tarde de mais , estava meio metro distanciado de o seu lagar inicial . O rosto pálido de Filch tornou se vermelho escarlate . Harry preparou se para uma nova onda de fúria . Filch coxeou até a a secretária , arrebatou o envelope e meteu o em uma gaveta . -- Chegaste a ... lê o ? - perguntou atabalhoadamente . - Não - mentiu Harry , sem perder tempo . As mãos nodosas de o Filch contorciam se ao_mesmo_tempo . - Se eu soubesse que ias ler a minha correspondência priv ... não que seja minha ... é para um amigo ... mesmo_assim ... Harry olhava para ele espantado . Nunca vira o Filch tão louco . Os olhos pareciam querer saltar lhe de as órbitas , com um tique em as bochechas e aquele lenço axadrezado que não ajudava nada ... - Muito bem , vai e não abras a boca sobre isto ... não que ... mesmo_assim ... se tu não leste ... vai te embora , tenho de escrever o relatório sobre o Peeves , vai . Atordoado com a sua sorte , Harry saiu de ali e largou a correr por o corredor fora e por as escadas acima . Sair de o gabinete de o Filch sem um castigo devia ser um recorde em a escola . - Harry , Harry , deu resultado ? O Nick quase sem cabeça saiu a brilhar de uma sala de aula . Atrás de ele , Harry pôde ver os destroços de um grande armário preto e dourado que parecia ter sido atirado de uma grande altura . - Convenci o Peeves a parti o mesmo em cima de o gabinete de o Filch - disse Nick entusiasmado . - Pensei que talvez o distraísse . - Foste tu ? - exclamou Harry , agradecido . - Funcionou sim . Ele não me deu nenhum castigo . Obrigado , Nick . Atravessaram o corredor juntos . O Nick quase sem cabeça , reparou Harry , ainda tinha em a mão a carta de Sir_Patrick . - Gostaria de poder fazer qualquer coisa sobre o grupo de os Sem - _ Cabeça - disse Harry . O Nick quase sem cabeça parou de repente e Harry passou através de ele . Antes não tivesse passado , foi como atravessar um duche gelado . - Mas há uma coisa que tu podes fazer por mim - disse Nick muito agitado . - Harry , seria pedir te de mais ... mas não , tu não ias querer ... - O quê ? - Bem , este ano em o * _ Hallowe'en * vai ser o meu meio milénio de dia de os mortos - disse o Nick quase sem cabeça endireitando se e adquirindo uma postura de grande dignidade . - Oh - respondeu Harry sem saber se deveria lamentar ou dar lhe os parabéns . - Certo . - Vou dar uma festa em um de os calabouços mais amplos . Vêm amigos meus de todo o país . Seria uma honra muito grande se tu aparecesses . Mr._Weasley e Miss_Granger seriam também muito bem-vindos , claro . Mas tu deves preferir o banquete de a escola , não é verdade ? - Olhou para Harry , aflito . - Não - assegurou ele rapidamente . - Eu vou . - Oh rapaz , Harry_Potter em a minha festa de os mortos - hesitou no_meio_de toda aquela excitação . - Achas que poderias referir a Sir_Patrick como me achas assustador e como te impressiono ? - É claro que sim - assegurou Harry . O Nick quase sem cabeça iluminou se em um sorriso . - Uma festa de os mortos ? - exclamou Hermione , entusiasmada , quando Harry , depois de mudar de roupa , se juntou a ela e a o Ron em a sala comum . - Aposto que não há muitas pessoas que possam gabar se de ter estado em uma festa de essas . Vai ser fantástico ! - Por_que é_que alguém se lembraria de festejar o dia em que morreu ? - perguntou o Ron que estava a meio de o seu trabalho de casa de poções e bastante maldisposto . - Parece me bastante mórbido . A chuva continuava a lamber as janelas que apresentavam agora um negro que parecia tinta , mas , lá dentro , era tudo claro e alegre . O fogo em a lareira brilhava sobre as inúmeras cadeiras de braços onde as pessoas estavam sentadas a ler , a conversar , a fazer os trabalhos de casa ou , no_caso_de Fred e George_Weasley , a tentar descobrir o que aconteceria se alimentassem uma salamandra com fogo-de-artíficio de o Filibuster . O Fred tinha « resgatado . o lagarto cor de laranja brilhante , morador de o fogo , de uma aula de tratamento de seres mágicos e ele estava agora a arder em fogo lento sobre uma mesa , rodeado de um grupo de curiosos . Harry ia começar a contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre o Filch e o curso de feitiço rápido quando a salamandra disparou por os ares , lançando faíscas e estoiros . A visão de Percy a gritar com Fred e George até ficar ronco , a fantástica exibição de estrelas cor de tangerina que choviam de a boca de a salamandra e a sua fuga para o lume acompanhada de explosões , fizeram com que Harry se esquecesse , em aquele momento , de Filch e de o curso de feitiço rápido . Quando chegou o * _ Hallowe'en * , Harry já lamentava a sua promessa imprudente de ir a a festa de os mortos . Toda_a escola antecipava , feliz , a sua festa de * _ Hallowe'en * . O salão nobre fora enfeitado com os habituais morcegos , as enormes abóboras de Hagrid tinham sido esculpidas em forma de lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro_de cada uma , e havia boatos de que Dumbledore contratara um grupo de esqueletos bailarinos para animar a festa . - Uma promessa é uma promessa - lembrou Hermione_a_Harry com o seu autoritarismo habitual . - Tu disseste que ias a a festa de os mortos . Portanto , a as sete_da_tarde , Harry , Ron e Hermione saíram , passando por a porta de o salão nobre que brilhava de modo convidativo com pratos dourados e velas e dirigiram os seus passos para os calabouços . O corredor que conduzia a a festa de o Nick quase sem cabeça tinha sido também ladeado de velas , embora o efeito estivesse longe_de ser alegre : estas eram velas muito esguias e estreitas , negras de breu , ardendo em um azul brilhante e lançando uma luz indistinta e espectral também sobre as caras de as pessoas vivas . A temperatura diminuía a cada degrau que desciam . Harry tremia e cingia a túnica a o corpo quando ouviu qualquer coisa que parecia uma centena de unhas a rasparem um enorme quadro preto . - Será que isto_é a música ? - murmurou Ron . Viraram uma esquina e viram o Nick quase sem cabeça junto de uma porta , todo vestido de veludo negro . - Meus queridos amigos - disse com ar de luto . - Bem-vindos , bem-vindos , ainda_bem que puderam vir . Em um gesto largo tirou o chapéu de plumas e fez lhes sinal para que entrassem . Era uma visão incrível . O calabouço estava cheio com centenas de pessoas de um branco pálido e translúcido , a maior parte de as quais era arrastada em uma pista de dança cheia , valsando a o som de trinta serrotes musicais . Os serrotes que compunham a orquestra encontravam se sobre um estrado enfeitado com panos negros . Um lustre lá em cima resplandecia de um azul nocturno com mais um_milhar de velas negras . A respiração de os três subiu em o ar como uma neblina . Parecia que tinham entrado em um congelador . - Vamos dar uma volta - sugeriu Harry em uma tentativa de aquecer os pés . - Cuidado , não atravessem nenhum de eles - avisou o Ron nervosamente e colocaram se em volta de a pista de dança . Passaram por um grupo escuro de freiras , por um homem esfarrapado e cheio de correntes e por o frade gordo , o divertido fantasma de os Hufflepuff que estava a conversar com um cavaleiro com uma seta enfiada em a testa . Harry não ficou nada surpreendido a o ver que o Barão sangrento , o fantasma lúgubre e berrante de os Slytherin , coberto de nódoas de sangue ; estava a ser totalmente evitado por os outros fantasmas . - Oh ! Não -- exclamou Hermione , parando bruscamente . - Voltem se , voltem se , não quero ter de cumprimentar a Murta_Queixosa . - Quem ? - perguntou Harry enquanto davam rapidamente meia volta . - Ela assombra a casa_de_banho de as raparigas de o primeiro andar - explicou Hermione . - Assombra uma casa_de_banho ? - Sim . Está inoperativa durante todo o ano porque ela tem constantes acessos de choro e inunda tudo . Eu só lá fui quando não pode mesmo evitar . É horrível tentar ir a a sanita com ela a gritar connosco . - Olhem , comida - disse o Ron . De o outro lado de o calabouço estava uma mesa igualmente coberta de velado negro . Iam para se aproximar entusiasmados , mas pararam com uma expressão de horror . O cheiro era nauseabundo . Enormes peixes podres enchiam as bonitas travessas de prata , os bolos estorricados como carvões amontoavam se em as salvas , havia uma grande quantidade de miúdos de macaco , uma tábua de queijos cobertos de bolor e , em o lugar de honra , um enorme bolo cinzento em forma de lápide com letras que pareciam alcatrão formando as palavras , * _ Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington_Morto em 31_de_Outubro , 1492 * . Harry olhou espantado quando um fantasma de porte majestoso se aproximou de a mesa inclinando se e passando através de ela com a boca aberta enquanto atravessava um salmão malcheiroso . - Consegue prová o passando através de ele ? - perguntou lhe Harry . - Quase - disse tristemente o fantasma antes de se afastar . - Devem ter deixado apodrecer tudo_isto para ter um sabor mais forte - comentou Hermione com ar de quem está bem informada , tapando o nariz e aproximando se para ver melhor os pútridos miúdos de macaco . - Podemos sair de aqui , estou a sentir me agoniado - disse o Ron . Mas mal tinham dado meia volta quando um homenzinho pequenino saiu inesperadamente de debaixo de a mesa e fez uma paragem em o ar em frente de eles . - Olá , Peeves - disse Harry cautelosamente . Ao_contrário de os outros fantasmas que os rodeavam , Peeves , o * poltergeist * era o oposto de pálido e transparente . Usava um chapéu festivo cor de laranja , um laço rotativo a o pescoço e tinha um sorriso grosseiro de malvadez , em o rosto . - Querem petiscar ? - perguntou delicadamente , oferecendo lhes uma taça de amendoins cobertos de fungos . - Não , obrigada - disse Hermione . - Ouvi te falar sobre a pobre Murta - disse Peeves com os olhos a bailar . - Que insensível que tu foste para com a pobre Murta - respirou fundo e gritou : - Oh Murta . - Oh ! Não , Peeves , não lhe contes o que eu disse , ela vai ficar muito aborrecida - murmurou Hermione bastante nervosa . - Eu não queria dizer que ... eu não me importo que ela , er , olá , Murta . O espectro atarracado de uma rapariga deslizara . Tinha o rosto mais carrancudo que Harry alguma vez vira , meio escondido por o cabelo liso e por os óculos grossos cor de pérola . - O que é ? - perguntou mal-humorada . - Como estás Murta ? - perguntou Hermione , em uma voz falsamente alegre . - É bom ver te fora de a casa_de_banho . Murta fungou . - Miss_Granger estava justamente a falar de ti - disse lhe Peeves baixinho a o ouvido . - A dizer , a dizer ... como estás bonita esta noite -- terminou Hermione , olhando irritada para Peeves . A Murta olhou para Hermione desconfiada . - Estão a divertir se a a minha custa - disse , com lágrimas de prata a encherem lhe rapidamente os olhos pequeninos . - Não , a sério , eu não estava a dizer vos como a Murta estava bonita esta noite ? - disse Hermione , dando uma palmada em as costas de o Harry e de o Ron . - Sim , sim . - Ela ... - Não me venham com mentiras - protestou a Murta , as lágrimas agora a descerem lhe por o rosto , enquanto Peeves ria baixinho por cima de o ombro de ela . - Julgam que eu não sei o que as pessoas me chamam em as minhas costas ? A Murta gorda , a Murta feia , a Murta queixosa , a Murta deprimida ! - Esqueceste te de « a Murta ponto negro » - sussurrou lhe Peeves a o ouvido . A Murta_Queixosa irrompeu em soluços de angústia e fugiu de o calabouço . Peeves disparou atrás de ela , lançando lhe uma chuva de amendoins cheios de bolor e gritando : Ponto negro ! Ponto negro ! - Oh , coitada ! - exclamou Hermione com tristeza . O Nick quase sem cabeça abria agora caminho entre a multidão para se aproximar de eles . - Estão a divertir se ? - Sim , sim - mentiram . - Uma afluência nada má - disse orgulhoso o Nick quase sem cabeça . - A viúva chorosa veio de Kent ... está quase em a hora de o meu discurso . É melhor ir avisar a orquestra . Mas a orquestra parou de tocar em esse preciso momento . Eles , e todos os outros em o calabouço , ficaram em silêncio total , olhando em volta cheios de excitação quando se ouviu uma trompa de a caça . - Lá vêm eles - disse o Nick quase sem cabeça , com alguma amargura em a voz . Por o calabouço irromperam uma_dúzia de , cavalos fantasmas , cada_um montado por um cavaleiro sem cabeça . A assistência aplaudiu vivamente . Harry começou também a bater palmas , mas parou rapidamente quando viu a cara de o Nick . Os cavalos galoparam até a o meio de a pista de dança e pararam , empinando se , dando pequenos passos para a frente e para trás , sobre as patas traseiras . Um fantasma grande em a frente , cuja cabeça barbuda estava debaixo de o braço , soprando a trompa , desmontou , levantou a cabeça bem em o ar para poder ver toda_a assistência ( todos se riam ) e dirigiu se a o Nick quase sem cabeça , comprimindo a cabeça contra o pescoço . - Bem-vindo , Patrick - disse o Nick , mantendo a sua postura rígida . - Gente viva ! - exclamou o Sir_Patrick , avistando Harry , Ron e Hermione e dando um salto de falso espanto , de_tal_modo_que a cabeça lhe caiu de_novo ( a multidão ria a bom rir ) . - Muito engraçado - disse o Nick quase sem cabeça com um ar soturno . - Não ligues a o Nick - gritou a cabeça de Sir_Patrick de o chão . - Ainda está aborrecido por não o deixarmos juntar se a o grupo . Mas olhem bem para ele ... - Eu acho - disse apressadamente Harry , a seguir a um olhar de o Nick - que o Nick é muito assustador e ... eu ... - Bah ! - gritou a cabeça de Sir_Patrick . - Aposto que ele te pediu que dissesses isso . - Gostaria de ter a vossa atenção . Chegou a altura de fazer o meu discurso - disse o Nick quase sem cabeça bem alto , dirigindo se a o pódio , subindo e parando , iluminado por uma luz azul . - Os meus sentimentos , senhores e senhoras , é com profundo pesar ... Mas já ninguém estava a ouvi o . Sir_Patrick e o resto de o grupo de os Sem - _ Cabeça tinham iniciado um jogo de hóquei de cabeça e a multidão voltara se para os observar . Nick quase sem cabeça tentou em vão recuperar a audiência , mas acabou por desistir quando a cabeça de Sir_Patrick passou por ele a_toda_a velocidade gritando vivas . Harry estava cheio de frio para não falar de a fome . - Não aguento mais isto - murmurou Ron a bater o dente enquanto a orquestra voltava a entrar em acção e os fantasmas enchiam de_novo a pista de dança . - Vamos embora - concordou Harry . Recuaram até a a porta , acenando e sorrindo a todos os que olhavam para eles e um minuto depois passavam apressadamente por a entrada cheia de velas negras . - Talvez o pudim ainda não tenha acabado - disse o Ron cheio de esperança , abrindo caminho em direcção a os degraus de o vestíbulo de a entrada . E foi então que Harry ouviu aquilo . - ... * _ Arrancar ... rasgar ... matar * ... Era a mesma voz , a mesma voz fria e assassina que ouvira em o escritório de Lockhart . Parou , agarrando se a a parede de pedra em a expectativa de ouvir melhor , olhando em volta , espreitando para_cima e para baixo de a passagem mal iluminada . - Harry que estás tu a ... ? - E aquela voz outra_vez , calem se um bocadinho . -- ... * _ Tanta fome ... há tanto tempo * ... - Ouçam insistiu Harry e Ron e Hermione ficaram estáticos a olhar para ele . - * _ Matar ... hora de matar * ... A voz ia ficando mais débil . Harry tinha a certeza de que ela estava a afastar se , a subir . Um misto de medo e excitação tomou posse de ele enquanto olhava para o tecto escuro . Como poderia ele subir ? Seria um fantasma para quem os tectos de pedra não contavam ? - Por aqui - gritou , começando a correr por as éscadas acima até a a entrada de o * hall * . Não havia hipótese de ouvir fosse o que fosse ali , o barulho de vozes que vinha de o banquete de o * _ Hallowe'en * ecoava cá fora . Harry subiu a correr a escadaria de mármore até a o primeiro andar com Ron e Hermione ruidosamente atrás . - Harry o que é_que nós ... ? - Sch ... Harry apurou o ouvido . Ao_longe , em o andar de cima , e ainda a enfraquecer , mesmo_assim ouviu a voz : - ... * Cheira-me a sangue ... cheira me a sangue ! * O estômago deu lhe uma volta . - Ele vai matar alguém - gritou e ignorando as caras perplexas de Ron e Hermione , correu , subindo mais um lanço de escadas , a três_e_três , tentando ouvir através de o ruído de os seus próprios passos . Harry correu a_toda_a velocidade pelo segundo andar com Ron e Hermione atrás e só parou quando viraram uma esquina para o último corredor abandonado . - Harry , o que foi aquilo tudo ? - perguntou o Ron , limpando o suor de o rosto . - Eu não ouvi nada ... Mas Hermione , em um sobressalto , apontou para o fundo de o corredor . - Olhem ! Alguma coisa brilhava em a parede em frente . Aproximaram se devagarinho , tentando ver em a escuridão . Alguém escrevera em letras garrafais em a parede entre duas janelas . As palavras brilhavam a a chama fraca de as tochas . : __ a câmara de os segredos foi aberta . inimigos de o herdeiro , __ cuidado . - O que é aquilo pendurado por baixo de as letras ? - perguntou Ron com um tremor em a voz . Quando se aproximaram , Harry quase escorregou . Havia uma grande poça de água em o chão . Ron e Hermione agarraram o e avançaram cautelosamente até a a mensagem , os olhos fixos em uma sombra escura , em baixo . Aperceberam se os três de imediato do_que se tratava e deram um salto para trás , salpicando tudo de água . Mrs._Norris , a gata de o encarregado , estava pendurada por a cauda em o suporte de a tocha . Tinha o corpo rígido como uma tábua e os olhos abertos . Durante alguns segundos ninguém se mexeu . Depois o Ron disse : - Vamos sair de aqui . - Não devíamos tentar ajudar ? - propôs Harry , sem graça . - Acredita - assegurou o Ron . - É melhor que não nos encontrem aqui . Mas era tarde de mais . Um ruído surdo e prolongado , como um trovejar distante , avisou os de que o festim tinha terminado . De ambos os lados de o corredor onde eles estavam , veio o som de centenas de pés a subirem a escadaria e as vozes alegres de gente bem alimentada . Em o momento seguinte os alunos chegavam junto de eles de ambos os lados . O burburinho morreu subitamente mal as pessoas avistaram a gata pendurada . Harry , Ron e Hermione estavam de pé , sozinhos , em o meio de o corredor quando se fez silêncio em a multidão de estudantes que se empurravam para observar aquele quadro macabro . Então alguém gritou , quebrando o silêncio . - Inimigos de o herdeiro , cuidado . Vocês serão os próximos , sangue de lama ! Era_Draco_Malfoy . Estava a a frente de a multidão com os olhos frios a brilhar , a sua cara habitualmente pálida agora afogueada , sorrindo a a vista de a gata pendurada e imóvel . IX_As palavras em a parede -- O que é_que se passa aqui ? O que é_que se passa ? Sem dúvida , atraído por o grito de Malfoy , Argus_Filch apareceu a coxear em o meio de a multidão . Quando viu Mrs._Norris , caiu para trás agarrando o rosto com verdadeiro horror . - A minha gata ! A minha gata ! O que aconteceu a Mrs._Norris ? - gritou . E os seus olhos rápidos caíram sobre Harry . - Tu - guinchou ele . - Mataste a minha gata ! Mataste a , vou dar cabo de ti , eu ... - Argus . Dumbledore tinha chegado a o lugar , seguido de alguns professores . Em poucos segundos tinha passado a a frente de Harry , Ron e Hermione e desatado Mrs._Norris de o suporte de a tocha . - Vem comigo , Argus - disse ele a o Filch . - Vocês também , Mr._Potter , Mr._Weasley e Miss_Granger . Lockhart deu rapidamente um passo em frente . - O meu escritório é o que está mais perto , senhor director , é já aqui em cima , por favor fiquem a a vontade . - Obrigado , Gilderoy - disse Dumbledore . A multidão silenciosa dividiu se para os deixar passar . Lockhart sentindo se excitado e importante , seguia Dumbledore assim_como a professora Mc_Gonagall e o professor Snape . Quando entraram em o escritório escuro de Lockhart houve uma grande agitação em as paredes . Harry viu várias imagens de Lockhart a esconderem se cheias de rolos em o cabelo . O Lockhart em pessoa acendeu as velas e chegou se mais para trás . Dumbledore pôs Mrs._Norris em a superfície polida de a secretária e começou a examiná a . Harry , Ron e Hermione trocaram olhares tensos entre si e deixaram se cair em as cadeiras que se encontravam longe de a luz , a observar . A ponta de o nariz longo e adunco de Dumbledore estava a menos_de dois centímetros de o pêlo de Mrs._Norris . Ele olhava a de perto através de os óculos de meia-lua , os dedos longos a palpar e tactear suavemente . A professora Mc_Gonagall estava quase tão perto como ele , com os olhos contraídos . Snape surgia mais atrás , meio em a sombra , com uma expressão estranha em o rosto , como_se tentasse a_toda_a força sorrir . E Lockhart andava de um lado para o outro a dar sugestões . - Foi sem dúvida uma maldição que a matou , provavelmente a tortura de a metamorfose . Vi a muitas_vezes ser usada , mas infelizmente eu não estava lá quando isto aconteceu . Conheço o antídoto para essa maldição , o que a teria salvo . Os comentários de Lockhart foram interrompidos por os soluços secos e violentos de Filch . Estava afundado em uma cadeira junto de a secretária , incapaz de olhar para Mrs._Norris , com o rosto em as mãos . Por mais que detestasse Filch , Harry não pôde deixar de sentir pena de ele embora não tanta quanto_a que sentia por si próprio . Se Dumbledore acreditasse em o Filch ele seria certamente expulso . O director estava agora a sussurrar umas palavras estranhas e batendo em Mrs._Norris com a varinha , mas não aconteceu nada , ela continuou com o mesmo aspecto , como_se tivesse sido empalhada . - ... Lembro me de uma coisa semelhante que aconteceu em Ouagadogou - disse LockLart . - Uma série de ataques . Conto essa história em a minha autobiografia . Eu dei a a gente de a cidade vários amuletos que resolveram logo a situação ... As fotografias de Lockhart em as paredes iam acenando afirmativamente com a cabeça enquanto ele falava . Uma de elas esquecera se de tirar os rolos de o cabelo . Por fim , Dumbledore endireitou se . - Ela não está morta , Argus - disse suavemente . Lockhart interrompeu bruscamente a contagem de os crimes que conseguira evitar . - Não está morta ? - disse Filch em um sufoco , olhando através de os dedos para Mrs._Norris . - Mas , porque está ela rígida e gelada ? - Foi petrificada - disse Dumbledore ( Ah ! foi o que eu pensei ! - comentou Lockhart ) mas como , não posso afirmar . - Pergunte lhe - gritou Filch , voltando a cara cheia de furúnculos e lágrimas para Harry . - Nenhum aluno de o segundo ano poderia ter feito isto - explicou Dumbledore . - Era preciso um grande conhecimento de magia negra . - Foi ele , foi ele - disse encolerizado o encarregado com a cara a ficar roxa . - O senhor viu o que ele escreveu em a parede . Ele descobriu em o meu gabinete , ele sabe que eu sou um ... - O rosto de Filch estava horrível . - Ele sabe que eu sou um * _ busca-pé * - disse por fim . - Eu não toquei em a Mrs._Norris - gritou Harry com todos os olhares a recaírem sobre ele , incluindo o de todos os Lockharts de a parede . - E eu nem sei o que é um * busca-pé * . - Mentira ! - gritou Filch . - Ele viu a minha carta de o feitiço rápido . - Se me permite que dê a minha opinião , senhor director - disse Snape , saindo de a sombra , e a sensação de mau presságio de Harry aumentou bastante . Certamente nada do_que Snape tinha para de dizer iria ajudá o . - O Potter e os amigos podiam estar simplesmente em o lugar errado em a altura errada - afirmou com um leve sorriso a torcer lhe a boca como_se tivesse as suas dúvidas . - Mas , temos aqui um conjunto de circunstâncias curiosas . Porque estavam eles afinal em o corredor ? Porque não estiveram presentes em a festa de o * _ Hallowe'en * ? Harry , Ron e Hermione começaram uma longa explicação sobre a festa de o dia de os mortos . - Estavam lá centenas de fantasmas , eles poderão confirmar que lá estivemos ... - Mas porque não foram a seguir a o banquete ? - perguntou Snape com os olhos pretos a brilharem a a luz de as velas . - Porquê ir até a aquele corredor ? Ron e Hermione olharam para Harry . - Porque , porque ... - balbuciou Harry , com o coração a querer saltar lhe de o peito , mas algo lhe disse que ia parecer muito rebuscado se lhes contasse que tinha sido levado até ali por uma voz sem corpo que só ele conseguia ouvir . - Porque estávamos cansados e queríamos ir para a cama - disse . - Sem jantar ? - inquiriu Snape com um sorriso triunfante a bailar lhe em o rosto lúgubre . - Não sabia que os fantasmas ofereciam em as suas festas comida para gente viva . - Não estávamos com fome - disse o Ron bem alto , enquanto o estômago se queixava de forma audível . O sorriso mesquinho de a Snape ampliou se . - Acho , senhor director , que Potter não está a dizer toda_a verdade - afirmou . - Talvez fosse boa ideia retirar lhe alguns privilégios , até ele estar disposto a contar nos a história toda . Pessoalmente , sugiro que seja retirado de a equipa de os Gryffindor até decidir ser honesto . - Francamente , Severus - exclamou a professora Mc_Gonagall com uma voz cortante . - Não vejo porquê impedir o rapaz de jogar Quidditch . Esta gata não levou pauladas em a cabeça dadas por nenhum cabo de vassoura . E não há provas de que o Potter tenha feito algo de mal . Dumbledore observava Harry com um olhar perscrutador . A voz tremeluzente de os seus olhos azuis fez Harry sentir que estava a ser passado a raios X. - Inocente até se provar que é culpado , Severus - disse com segurança . Snape estava furioso , assim_como Filch . - A minha gata foi petrificada ! - berrou , com os olhos a saltarem de as órbitas . - Quero ver um castigo ! - Vamos poder curá a , Argus - explicou pacientemente Dumbledore . - Madam_Sprout conseguiu arranjar algumas Mandrágoras . Logo_que tenham atingido o tamanho adulto , terei uma poção de Mandrágoras que reanimará Mrs._Norris . - Eu posso fazê a - interrompeu Lockhart . - Devo ter feito isso uma centena de vezes . Preparo uma golada de Mandrágora reconstituinte de olhos fechados ... - Perdão - disse Snape friamente -- , mas julgo que o professor de poções de esta escola ainda sou eu . Houve um silêncio bastante incómodo . - Vocês podem ir se embora - disse Dumbledore a o Harry , Ron e a Hermione . Eles saíram o mais depressa que puderam , sem ir a correr . Quando chegaram a o andar acima de o escritório de Lockhart , entraram em uma sala de aulas vazia e fecharam a porta devagarinho . Harry lançou um olhar de esguelha a as caras carrancudas de os amigos . - Acham que eu lhes devia ter falado de a voz que ouvi ? - Não - respondeu Ron , sem a mínima hesitação . - Ouvir vozes que mais ninguém ouve , não é bom sinal , nem em o mundo de os feiticeiros . Algo em a voz de Ron levou Harry a fazer a pergunta : - Tu acreditas em mim , não acreditas ? - Claro que sim - respondeu o Ron de imediato . - Mas tens de concordar que é esquisito ... - Eu sei que é esquisito - confirmou Harry . - É tudo esquisito . O que era aquilo escrito em a parede ? * _ A_Câmara foi aberta * , o que é_que significa ? - Sabes , faz me lembrar qualquer coisa - disse Ron lentamente . - Acho que alguém me contou uma história sobre uma câmara secreta em Hogwarts , talvez tenha sido o Bill ... - E que diabos é um * busca-pé * ? - perguntou Harry . Para sua surpresa , Ron abafou o riso . - Bem , em a verdade não tem graça nenhuma , mas como é o Filch ... - disse . - Um * busca-pé * é alguém que nasceu de uma família de feiticeiros , mas não tem poderes mágicos . É uma espécie de o oposto de os que vêm de famílias de Muggles , mas são feiticeiros . Os * busca-pé * são muito raros . Se o Filch está a tentar aprender magia em um curso rápido , acho que ele deve ser mesmo um busca-pé . Isso explicaria tudo , por_exemplo , porque detesta tanto os estudantes . - Ron sorriu satisfeito . - Tem inveja . Um relógio deu as horas , algures . - Meia-noite - disse Harry . - É melhor irmo nos deitar , antes que o Snape apareça e tente acusar nos de qualquer coisa . Durante alguns dias não se falou de outra coisa em a escola a não ser de o ataque a a gata , Mrs._Norris . Filch manteve o sucedido bem fresco em a memória de todos , andando de um lado para o outro em o lugar onde ela fora atacada , como_se esperasse por o responsável . Harry vira o esfregar a mensagem de a parede com a « solução removedora de toda_a porcaria mágica Mrs._Skower » , mas sem qualquer resultado . As palavras continuavam a brilhar tanto como antes sobre a pedra . Quando Filch não estava a patrulhar a cena de o crime , vagueava , de olhos avermelhados , por os corredores , perseguindo alunos insuspeitos e tentando aplicar lhes castigos por coisas como « respirar muito alto » ou « estar alegre » . Ginny_Weasley parecia muito perturbada com o destino de Mrs._Norris . Segundo Ron ela era uma amante de gatos . - Mas tu nem chegaste a conhecer bem Mrs._Norris - disse lhe Ron para a animar . - Com toda_a franqueza , estamos muito melhor sem ela . - O lábio de Ginny tremeu . - Não é costume acontecerem coisas de estas em Hogwarts - tranquilizou a . - Eles vão descobrir o safado que fez aquilo e põem o de aqui para fora em três tempos . - Só espero que tenha tempo de petrificar o Filch antes de ser expulso . Estou a brincar , claro - acrescentou o Ron apressadamente a o ver a Ginny a empalidecer . O ataque afectara também Hermione . Era costume de ela passar muito_tempo a ler , mas agora parecia não fazer mais_nada . Nem respondia a o Harry e a o Ron quando lhe perguntavam o que estava a fazer e só acabaram por descobrir em a quarta-feira seguinte . Harry tivera de ficar até mais tarde em a sala de poções onde Snape o mandara raspar restos de larvas de as secretárias . Depois de um almoço comido a a pressa , ele foi lá acima encontrar se com Ron em a biblioteca e viu Justin_Finch - _ Fletchley , o rapaz de os Hufflepuff de herbologia que vinha em direcção a ele . Harry tinha acabado de abrir a boca para dizer um « Olá » quando Justin o viu , voltando se bruscamente e mudando de direcção . Harry foi encontrar o Ron em as traseiras de a biblioteca , a medir o trabalho de casa de história de a magia . O professor Binns pedira uma composição sobre a Assembleia_Medieval_de_Feiticeiros_Europeus com 90cm . De extensão . - Não posso crer que ainda me faltem 16cm - disse o Ron furioso , largando o pergaminho que se enrolou em forma de tubo - e que a Hermione fez um metro e trinta em aquela letra pequenina e apertadinha . - Onde está ela ? - perguntou Harry , agarrando em a fita métrica e desembrulhando o seu trabalho de casa . - Algures por aí - disse o Ron , apontando para as estantes . - _ a a procura de outro livro . Acho que ela está a tentar ler a biblioteca toda antes de o Natal . Harry contou a Ron que Justin_Finch - _ Fletchley tinha evitado falar lhe . - Não sei porque te preocupas com isso . Eu achei o um idiota - disse o Ron , escrevinhando e fazendo a letra o maior possível . - Todo aquele disparate sobre o Lockhart ser tão grande ... Hermione surgiu de o meio de as estantes . Parecia irritada e disposta , por fim , a falar com eles . - Todos os exemplares de * _ Hogwarts : Uma História * foram requisitados - disse , sentando se ao_lado_de Harry e Ron . - E há uma lista de espera de duas semanas . Quem me dera não ter deixado o meu exemplar em casa , mas não consegui que coubesse em a mala com todos os livros de o Lockhart . - Para que o queres ? - perguntou Harry . - Pelo mesmo motivo que toda_a_gente o quer - disse Hermione . - Para ler a lenda de a Câmara_dos_Segredos . - O que é isso ? - Precisamente . Não me lembro - disse Hermione , mordendo o lábio . - E não encontro a História em lugar nenhum . - Hermione , deixa me ler o teu trabalho - pediu Ron desesperado , olhando para o relógio . - Não , não deixo - respondeu Hermione com um ar severo . - Tiveste dez dias para o fazer . - Só preciso de mais quatro centímetros , vá lá ... A campainha tocou . Ron e Hermione encaminharam se para a História_da_Magia , discutindo . A História_da_Magia era a matéria mais chata de o programa . O professor Binns , que dava a cadeira , era o único professor fantasma e a coisa mais excitante que aconteceu em as suas aulas foi o dia em que entrou por o quadro preto . Já velho e enrugado , muita gente afirmava a seu respeito que ele não dera por_que tinha morrido . Pura e simplesmente levantara se um dia para ir dar aulas , deixando o corpo atrás , em um cadeirão em frente de a lareira de a sala de os professores . Desde esse dia a sua rotina mantivera se igual . Era hoje tão chato como fora sempre . Abriu as notas e começou a ler em um tom monocórdico como um velho aspirador até quase todos os alunos estarem em um estado de profunda dormência , acordando de vez em quando , para tomar nota de um nome ou de uma data , e voltando a adormecer . Estava a falar havia meia_hora quando aconteceu algo que nunca tinha acontecido . Hermione pôs o braço em o ar . O professor Binns olhou de relance , em o meio de a chatíssima aula sobre a Convenção_Internacional_de_Feiticeiros de 1289 , verdadeiramente espantado . - Miss ... er ... ? - Granger , professor . Poderia dizer nos alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Hermione em uma voz bem audível . O Dean_Thomas , que tinha estado sentado de boca aberta olhando para fora de a janela , saiu de o seu transe com um salto . A cabeça de Lavender_Brown saiu de os braços e o cotovelo de o Neville_Longbottom escorregou para fora de a secretária . O professor Binns piscou os olhos . - A minha matéria é História_da_Magia - disse em a sua voz seca e asmática . - Eu trato de factos , Miss_Granger , não de mitos e lendas - pigarreou produzindo um ruído que parecia o giz sobre o quadro e continuou : - Em Setembro de esse ano , uma subcomissão de feiticeiros de a Sardenha ... Parou de repente . A mão de Hermione estava de_novo em o ar . - Sim , Miss_Grant ? - Por favor , professor , as lendas não têm sempre um facto como base ? O professor Binns olhava para ela com tal espanto que Harry teve a certeza de que ele nunca , em tempo algum , fora interrompido por um aluno . - Bem - disse lentamente o professor Binns . - Sim , é uma afirmação que pode fazer se . - Olhou para Hermione como_se fosse a primeira vez que olhasse a sério para um estudante . - Contudo , a lenda de que me fala é tão extraordinária , mesmo grotesca ... Mas a aula inteira estava agora atenta a as palavras de o professor , que olhou indistintamente para todos eles . Harry poderia assegurar que ele estava absolutamente abismado por uma tão grande demonstração de interesse . - Muito bem - disse lentamente . - Ora vejamos ... a Câmara_dos_Segredos . Todos vocês sabem com certeza que Hogwarts foi fundada há mais de um_milhar de anos , não se conhece ao_certo a data , por os quatro maiores feiticeiros e feiticeiras de a época : Godric_Gryffindor , Helga_Hufflepuff , Rowena_Ravenclaw e Salazar_Slytherin . Construíram juntos este castelo , longe de os olhares curiosos de os Muggles porque em aquele tempo a magia era temida por as pessoas comuns e as bruxas e feiticeiros sofriam terríveis perseguições . Fez uma pausa , olhou indeciso em volta e prosseguiu : - Durante alguns anos , os fundadores trabalharam juntos em harmonia procurando outros mais novos que mostrassem sinais de possuir dotes mágicos e trazendo os para o castelo para aqui serem ensinados . Mas os desentendimentos surgiram entre eles . Começou a notar se uma divisão entre Slytherin e os outros . Salazar_Slytherin queria ser mais selectivo em relação a os alunos a serem admitidos em Hogwarts . Achava que os ensinamentos de magia deviam ficar dentro de as famílias de feiticeiros . Não lhe agradava a entrada em a escola de alunos de famílias Muggles porque os achava pouco dignos de confiança . Depois de algum tempo houve uma séria discussão sobre esse assunto entre Slytherin e Gryffindor e Slytherin abandonou a escola . O professor Binns fez uma nova pausa , fazendo beicinho o que o fazia parecer uma tartaruga enrugada . - Fontes fidedignas referem nos isto - disse . - Mas estes factos foram obscurecidos por a fantasiosa lenda de a Câmara_dos_Segredos . Conta a história que Slytherin construíra uma câmara oculta dentro de o castelo cuja existência os outros fundadores ignoravam . De_acordo com a lenda , Slytherin selou a Câmara_dos_Segredos para que ninguém pudesse abri a até o seu verdadeiro herdeiro chegar a a escola . O herdeiro , e apenas ele , poderia abrir a Câmara_dos_Segredos , libertar o horror que lá se encontrava e utilizá o para expurgar a escola de todos aqueles que eram indignos de aprender magia . Houve um silêncio quando ele se calou que não era o habitual silêncio de sono de as aulas de o professor Binns . Havia um desassossego em o ar enquanto todos continuavam a olhá o a a espera de mais . O professor Binns estava ligeiramente aborrecido . - A história toda é um disparate , claro - disse ele . - A escola foi revistada por várias vezes em busca de provas de a existência de essa câmara , por os feiticeiros e bruxas mais conhecedores . Não existe nada . Uma lenda que serviu apenas para assustar os ingénuos . A mão de Hermione estava novamente em o ar . - Professor , o que quer_dizer , ao_certo com « o horror que estava dentro de a câmara » ? - Acredita se que seja uma espécie de monstro que só o herdeiro de Slytherin pode controlar - disse o professor Binns em a sua voz seca e débil . A aula trocou entre si olhares inquietos . - Como vos digo , a coisa não existe - afirmou o professor Binns , desordenando as suas notas . - Não há câmara e não há monstro . - Mas , professor - disse Seamus_Finnigan . - Se a câmara só podia ser aberta por o herdeiro de Slytherin ninguém mais poderia encontrá a . Não é ? - Um disparate pegado - disse o professor Binns , em um tom de voz exasperado . - Se uma longa sucessão de directores e directoras de Hogwarts não a encontraram ... - Mas , professor - começou a dizer Parvati_Patil . Se_calhar é preciso usar magia negra para a abrir ... - Lá porque um feiticeiro não usa magia negra não quer_dizer que não possa , Miss_Pennyfeather - interrompeu o professor Binns . - Repito , se os antecessores de Dumbledore ... - Mas talvez seja preciso fazer parte de os Slytherin , por isso Dumbledore não podia ... - começou Dean_Thomas , mas o professor Binns já estava farto . - Já chega - disse , de modo cortante . - É um mito . Não existe . Não há uma única prova de que Slytherin tenha construído nem mesmo uma despensa para vassouras . Lamento ter vos contado esta história tola . Vamos voltar , se fazem o favor , a a História , a os factos sólidos , verificáveis , credíveis . E em menos_de cinco minutos toda_a classe mergulhara em a sua sonolência habitual . - Eu sempre ouvi dizer que Salazar_Slytherin era um velho retorcido e meio pateta - disse Ron_a_Harry e Hermione enquanto abriam caminho por os corredores cheios , em o final de a aula , para ir arrumar as malas antes de o jantar . - Mas não sabia que ele tinha começado esta coisa de o sangue puro . Eu não ia para os Slytherin nem que me pagassem . Se o chapéu seleccionador me tivesse posto lá , pegava em as malas e ia me embora ... Hermione acenou vivamente , mas Harry não abriu a boca . O estômago parecia ter dado uma volta . Harry nunca contara a o Ron e a a Hermione que o chapéu seleccionador tinha considerado seriamente a possibilidade de o colocar em os Slytherin . Lembrava se como_se tivesse sido em a véspera do_que a vozinha lhe dissera a o ouvido quando pôs o chapéu em a cabeça , um ano antes . * _ Podias vir a ser grande , sabes ? Está tudo aqui em a tua cabeça e Slytherin ajudaria te em o caminho para a grandeza , sem a menor dúvida * ... Mas Harry , que já ouvira falar de a fama de o grupo de os Slytherin de formar magos negros , pensou desesperadamente . - Em os Slytherin , não ! - E o chapéu tinha dito . - Bem , se tens assim tanta certeza ... será melhor os Gryfffndor . Enquanto eram empurrados por a multidão , Colin_Creevey passou por eles . - Olá , Harry ! - Olá , Colin - disse Harry automaticamente . - Harry , Harry , um rapaz de a minha turma tem andado a dizer que tu és ... Mas Colin era tão baixinho que não conseguiu lutar contra a maré de gente que o arrastou até a o vestíbulo . Ouviram o despedir se : - Adeus , Harry - e desaparecer . - O que é_que o rapaz de a turma de ele disse de ti ? - quis saber Hermione . - Que eu sou o herdeiro de Slytherin , imagino - disse Harry , com o estômago ainda a as voltas e lembrou se de repente de o Justin_Finch - _ Fletchley a fugir para não lhe falar , a a hora de o almoço . - As pessoas aqui acreditam em tudo - disse o Ron com repugnância . A multidão diminuiu e conseguiram subir as escadas sem dificuldade . - Achas mesmo_que existe uma Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Ron_a_Hermione . - Não sei - respondeu ela , franzindo a testa . - Dumbledore não conseguiu curar Mrs._Norris e isso leva me a pensar que o que a atacou pode não ser ... humano . Enquanto falava , voltaram uma esquina e encontraram se em o fim de aquele mesmo corredor onde o ataque tinha ocorrido . Pararam para olhar . Estava tudo igual a aquela outra noite , com excepção de a gata Mrs._Norris e havia uma cadeira vazia encostada a a parede , onde podia ler se a mensagem « : __ a câmara foi __ aberta » . - Foi aqui que o Filch montou a guarda - murmurou Ron . Olharam uns para os outros . O corredor estava deserto . - Não deve fazer mal dar uma olhadela aqui - disse Harry , deixando cair a mala e pondo se de quatro para poder gatinhar em busca de pistas . - Marcas de queimadura - disse - aqui e aqui ... - Venham ver isto ! - chamou Hermione . - Que estranho ... Harry levantou se e foi até a a janela que ficava junto de a mensagem . Hermione apontava para o vidro mais alto , onde cerca de uma vintena de aranhas se debatiam em uma aparente luta por atravessar por uma pequena brecha de vidro . Um longo fio prateado balouçava como uma corda , como_se todas tivessem trepado , em a ânsia de chegar lá fora . - Alguma vez viram aranhas agir assim ? - perguntou Hermione , curiosa . - Não - respondeu Harry . - E tu , Ron ? Ron ? Olhou por cima de o ombro . Ron estava de costas , bem lá atrás e parecia lutar contra o impulso de se virar . - O que é_que se passa ? - perguntou Harry . - Eu não gosto de aranhas - disse Ron , de modo tenso . - Nunca me tinhas dito - comentou Hermione , olhando para ele com surpresa . - Estás farto de usar aranhas em as poções ... - Não me importo quando estão mortas - explicou Ron que olhava cautelosamente para todos os lados , menos para a janela . - Não gosto de a maneira como_se mexem . Hermione riu se baixinho . - Não tem graça nenhuma - disse o Ron , furioso . - Se queres saber , quando eu tinha três anos , o Fred transformou o meu ursinho de pelúcia em uma enorme aranha nojenta , por eu lhe ter partido a vassoura de brinquedo . Tu também não gostarias de aranhas se estivesses agarrada a o teu ursinho e , de repente , ele tivesse uma data de pernas e ... Começou a tremer ... Hermione ainda estava a tentar conter o riso . Sentindo que era melhor mudarem de assunto , Harry perguntou : - Lembram se de a água que havia aqui em o chão ? De onde terá vindo ? Alguém a limpou . - Era por aqui - disse o Ron , já recuperado , avançando alguns passos em direcção a a cadeira de o Filch e apontando . - Junto de esta porta . Estendeu a mão para o puxador de a porta , mas retirou a de imediato , como_se se tivesse queimado . - O que foi ? - perguntou Harry . - Não posso entrar aí - disse o Ron bruscamente . - É a casa_de_banho de as raparigas . - Oh , Ron , não está aí ninguém - sossegou o Hermione enquanto se aproximava . - É o lugar de a Murta_Queixosa . Anda , vamos dar uma espreitadela . E ignorando o grande letreiro que dizia « Fora de serviço » Hermione abriu a porta . Era a casa_de_banho mais sombria e deprimente em que Harry tinha posto os pés durante toda_a sua vida . Debaixo_de um grande espelho partido e sujo podia ver se uma fila de lavatórios de pedra , rachados . O chão estava húmido e reflectia a luz fraca de os pavios de algumas velas que ardiam baixinho em os suportes . As portas de madeira de os cubículos estavam todas lascadas e riscadas e uma de elas balouçava fora de as dobradiças . Hermione levou os dedos a os lábios e foi até a o último cubículo . Quando lá chegou disse : - Olá , Murta , como estás ? Harry e Ron foram ver . A Murta_Queixosa flutuava em a cisterna de a casa_de_banho , tirando um ponto negro de o queixo . - Esta é a casa_de_banho de as raparigas - disse a o ver o Ron e o Harry . - Eles não são raparigas . - Não - concordou Hermione . - Eu só queria mostrar lhes como esta casa_de_banho é ... er ... simpática . Ela fez um aceno vago a o velho espelho sujo e a o chão húmido . - Pergunta lhe se viu alguma coisa - sussurrou o Ron a a Hermione . - Porque estão a dizer segredinhos ? - perguntou a Murta , fitando o . - Não é nada - disse Harry rapidamente . - Queríamos perguntar ... - Gostava que as pessoas parassem de falar em as minhas costas ! - desabafou a Murta em uma voz abafada por as lágrimas . - Eu tenho sentimentos , sabem , apesar_de estar morta . - Murta , ninguém quis aborrecer te - explicou Hermione . - O Harry só ... - A minha vida foi uma infelicidade em este lugar e agora as pessoas vêm estragar a minha morte . - Nós queríamos perguntar te se tinhas visto alguma coisa estranha ultimamente - disse Hermione sem perder tempo . - Porque foi atacada uma gata mesmo aqui a a frente de a tua porta em a noite de o * _ Hallowe'en * . - Viste alguém aqui perto em essa noite ? - insistiu Harry . - Não estava a prestar atenção - disse a Murta com ar dramático . - O Peeves aborreceu me tanto que vim aqui para tentar matar me . Só então me lembrei de que estou ... de que estou ... - Já morta - ajudou o Ron . A Murta soluçou tragicamente , elevou se em o ar , voltou se e mergulhou de cabeça em a sanita , espalhando água por_cima_de todos eles e desaparecendo . Por o som de os seus soluços abafados fora certamente descansar algures em o cano em forma de V._Harry e Ron ficaram de boca aberta , mas Hermione encolheu os ombros de cansaço e disse : - Se querem saber , para a Murta isto até foi alegre ... vá , vamos embora . Harry tinha acabado de fechar a porta deixando atrás os soluços gorgolejantes de a Murta quando uma voz forte o fez dar um salto . - RON ! Percy_Weasley estava parado em o cimo de as escadas com o seu distintivo de prefeito a brilhar e uma expressão chocadíssima em o rosto . - Isso é a casa_de_banho de as raparigas ... o que é_que vocês ... ? - Estávamos só a dar uma vista de olhos - exclamou o Ron - a a procura de pistas ... Percy engoliu em seco , de uma maneira que fez Harry lembrar se de Mrs._Weasley . - Saiam imediatamente de aqui - disse , aproximando se de eles a passos largos e gesticulando agitadamente . - Não se preocupam com as aparências ? Voltar aqui enquanto toda_a_gente está a jantar ... - Porque não havíamos de estar aqui ? - perguntou cheio de vivacidade o Ron , parando de repente e olhando Percy em os olhos . - Ouve lá , nós não tocamos em aquela gata . - Isso foi o que eu tentei explicar a a Ginny - respondeu Percy furioso - mas ela parece continuar a pensar que vocês vão ser expulsos . Nunca a vi tão aflita . Não pára de chorar . Devias pensar em ela . Todos os alunos de o primeiro ano andam superexcitados com esta história . - Tu não estás nada preocupado com a Ginny - disse o Ron já com as orelhas vermelhas . - O que te assusta é_que eu possa estragar as tuas possibilidades de ser chefe de turma . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor ! - bradou Percy , apontando elegantemente para o distintivo de prefeito . - E espero que te sirva de lição . Acabou se o trabalho de detective ou escrevo a a mãe a contar lhe . E voltou lhes as costas , a nuca tão vermelha como as orelhas de o Ron . Harry , Ron e Hermione , em essa noite , sentaram se em a sala comum o mais longe possível de Percy . Ron estava ainda muito maldisposto e não parava de esborratar o trabalho de casa de os encantamentos . Quando pegou distraidamente em a varinha para tirar as manchas incendiou o pergaminho . A deitar quase tanto fumo como o seu trabalho de casa , fechou bruscamente o * _ Livro_Padrão_de_Encantamentos de o 2.o Grau * . Para grande surpresa de Harry , Hermione fez o mesmo . - Mas quem poderia ser - perguntou ela baixinho como_se continuasse uma conversa que tinham acabado de ter . - Quem quereria todos os * busca-pés * e filhos de Muggles fora de Hogwarts ? - Vamos pensar - disse o Ron em a brincadeira , fingindo estar confuso . - Quem poderemos nós conhecer que ache que os familiares de Muggles são escumalha ? Olhou para Hermione . Ela olhou para ele pouco convencida . - Se estás a pensar em o Malfoy ... - Claro que estou - disse o Ron . - Tu ouviste o dizer : - Vocês serão os próximos , sangues de lama ! - Aliás , basta olhar para aquela cara de renegado para saber que ele é ... - Malfoy , o herdeiro de Slytherin ? - repetiu Hermione cepticamente . - Olha para a família de ele - disse Harry , fechando também os livros . - Todos eles estiveram em os Slytherin . O Draco está sempre a vangloriar se de isso . Podiam bem ser descendentes de Slytherin . O pai de ele é suficientemente mau . - Podiam perfeitamente ter tido a chave de a Câmara_dos_Segredos durante séculos - disse Ron - , fazendo a passar de pai para filho . - Bem - acedeu Hermione cautelosamente . - Seria possível ... - Mas como prová o ? - perguntou Harry tristemente . - Talvez haja um meio - sugeriu Hermione lentamente , baixando ainda mais a voz e lançando um olhar , através de a sala , a Percy . - É claro que não é fácil . E é perigoso , muito perigoso . Suponho que iríamos infringir cerca de cinquenta regras de a escola . - Se de aqui a um mês ou dois te decidires a explicar , avisa , está bem ? - disse Ron , que começava a ficar irritado . - Está bem - concordou Hermione friamente . - O que precisaríamos de fazer para entrar em a sala comum de os Slytherin e fazer algumas perguntas a o Malfoy , sem ele perceber que éramos nós ? - Mas isso é impossível - declarou Harry , enquanto Ron se ria . - Não , não é - continuou Hermione . - Só precisamos de um_pouco de poção * polisuco * . - O que é isso ? - perguntaram ao_mesmo_tempo Ron e Harry . - O Snape falou de ela em uma aula , há poucas semanas atrás . - Achas que não temos mais o que fazer do_que ouvir o Snape ? - murmurou o Ron . - Transforma nos em outra pessoa . Pensem em isso : podíamos transformar nos em três de os Slytherin . Ninguém saberia que éramos nós . É provável que o Malfoy nos contasse alguma coisa . Aposto que ele está a gabar se , em este momento , em a sala de os Slytherin , se ao_menos pudéssemos ouvi o . - Essa coisa de o * polisuco * cheira me um bocado mal - disse o Ron , franzindo as sobrancelhas . - E se ficarmos com a forma de os três Slytherin para sempre ? - Desaparece a o fim de algum tempo - disse Hermione , gesticulando impacientemente com a mão - mas conseguir a receita é muito difícil . O Snape disse que vinha em um livro chamado * _ As_Mais_Potentes_Poções * e está com certeza em a parte de os reservados de a biblioteca . Só havia uma maneira de obter o livro de os reservados : era com uma autorização assinada por um professor . - Não estou a ver porque quereríamos o livro - disse o Ron . - Se não para tentar fabricar uma de as poções . - Eu acho - sugeriu Hermione - que se fizéssemos parecer que o nosso interesse era apenas teórico , talvez conseguíssemos ... - Estás a sonhar , nenhum professor ia cair em essa - afirmou o Ron . - Só se fosse muito burro . X_A * bludger * perigosa Depois de o desastroso incidente de os duendes , o professor Lockhart não voltou a levar seres vivos para as aulas . Em vez de isso , lia a os alunos passagens de os seus livros e , por vezes , voltava a desempenhar alguns de os episódios mais dramáticos . Costumava chamar Harry para o ajudar em essas reconstruções . Até ali Harry fora obrigado a desempenhar o papel de um camponês de a Transilvânia que Lockhart curara de uma maldição murmurada , o abominável homem de as neves com dores de cabeça e um vampiro que depois de ter conhecido Lockhart tinha ficado incapaz de comer outra coisa que não fosse alfaces . Harry foi chamado para a frente de a classe durante a aula de Defesa contra as artes negras que se seguiu . Desta_vez para desempenhar o papel de um lobisomem . Se não tivesse um bom motivo para querer ver o Lockhart bem-disposto , teria se recusado . - Um uivo bem alto , excelente , Harry , isso mesmo . E foi então que , acreditem ou não , eu o ataquei de repente , assim . Atirei o a o chão , agarrei o com uma mão e com a outra consegui meter lhe a varinha em a garganta . Então , com a força que me restava pus em prática o complicadíssimo encantamento * _ Homorphus * . Harry soltou um uivo tristíssimo . - Vá lá , Harry , mais alto . Bom ... o pêlo desapareceu , os dentes diminuíram de tamanho e ele transformou se em um homem . Simples , mas eficaz e mais uma cidade ficará a lembrar se de mim para sempre como o herói que os libertou de os ataques mensais de o lobisomem . A campainha tocou e Lockhart pôs se de pé . - Trabalho para_casa : escrever um poema sobre a minha vitória sobre o lobisomem Wagga_Wagga . Há um exemplar autografado de * _ Eu , o Mágico * para o autor de o melhor poema . Os alunos começaram a sair . Harry voltou para trás e foi juntar se a o Ron e a a Hermione que estavam a a espera de ele . - Prontos ? - perguntou . - Espera até saírem todos - disse Hermione bastante nervosa . - Pronto ... Aproximou se de a secretária de Lockhart , apertando em a mão uma folha de papel , com o Ron e o Harry atrás . - Er ... professor Lockhart - gaguejou Hermione . - Eu queria requisitar este livro em a biblioteca , como leitura de apoio - entregou lhe o papel , com a mão ligeiramente trémula . - Só que faz parte de a secção de os reservados , por isso preciso de a assinatura de um professor . Acho que o livro me vai ajudar a compreender o que o senhor diz em * _ Passeios com Vampiros * acerca de os venenos de acção lenta ... - Ah , * _ Passeando com Vampiros * - disse Lockhart , pegando em a folha de papel de Hermione e sorrindo lhe abertamente . - E provavelmente o meu livro preferido . Gostou ? - Oh , muito - disse Hermione avidamente . - Tão inteligente o modo como apanhou o último com o passador de o chá . - Bem , tenho a certeza que ninguém se importará que eu dê uma ajudazinha suplementar a a melhor aluna de o segundo ano - disse Lockhart calorosamente , sacando de uma enorme pena de pavão . - É bonita , não é ? - comentou , adivinhando uma expressão de repulsa em a cara de o Ron . - Costumo guardas a para as minhas assinaturas de autógrafos . Rabiscou uma enorme assinatura cheia de altos e baixos e entregou a a Hermione . - Então , Harry - disse Lockhart enquanto Hermione dobrava a folha e a guardava em o saco . - Amanhã é a primeira partida de Quidditch de este ano , não é ? Gryffindor contra Slytherin . Ouvi dizer que és um jogador indispensável . Eu também fui * seeker * . Convidaram me inclusivamente para fazer parte de a Equipa_Nacional , mas eu preferi dedicar a minha vida a a erradicação de as forças de o mal . Mesmo_assim , se alguma vez precisares de um treino particular , não hesites em falar comigo , estou sempre disponível para partilhar a minha perícia com os jogadores menos dotados do_que eu . Harry fez um som indistinto com a garganta e saiu atrás_de Ron e Hermione . - Não acredito - disse quando os três examinavam a assinatura de Lockhart . - Ele nem viu que livro nós queríamos . - É porque é um idiota sem miolos - explicou o Ron . - Mas , quem se rala , temos o que queríamos . - Ele não é um idiota sem miolos - gritou Hermione com voz esganiçada enquanto se aproximavam quase a correr de a biblioteca . - Só porque ele disse que eras a melhor aluna de o segundo ano ... Baixaram as vozes a o entrar em a quietude abafada de a biblioteca . Madam_Prince , a bibliotecária , era uma mulher magra e irritável que parecia um abutre mal nutrido . - * _ Moste_Potente_Potions * ? - repetiu intrigada , tentando ficar com a folha de papel que Hermione se recusava a entregar lhe . - Gostava de a guardar para mim - disse sem fôlego . - Vá lá - intercedeu Ron , arrancando lhe a de as mãos e entregando a a Madam_Prince . - Nós arranjamos te outro autógrafo . O Lockhart assina tudo se aqui ficar muito_tempo . Madam_Prince pegou em o papel e voltou o em a direcção de a luz , decidida a descobrir uma falsificação , mas a assinatura passou em o teste . Desapareceu entre as estantes e voltou alguns minutos mais tarde , transportando um livro grande e de aspecto antiquado . Hermione meteu o com todo o cuidado em o saco e saíram , tentando não andar depressa de mais nem aparentar um ar culpado . Cinco minutos depois , estavam de_novo barricados em a casa_de_banho fora de serviço de a Murta_Queixosa . Hermione destruíra as objecções de Ron argumentando que aquele era o último lugar onde alguém em o seu juízo perfeito se lembraria de ir e que poderia assegurar lhes alguma privacidade . A Murta_Queixosa chorava ruidosamente em o seu cubículo , mas eles conseguiram ignorá a assim_como ela a eles . Hermione abriu * _ Moste_Potente_Potions * com todo o cuidado e inclinaram se os três sobre as páginas manchadas de humidade . Era fácil de perceber , logo à_primeira_vista de olhos , porque pertencia a a secção de os reservados . Algumas de as poções tinham efeitos quase impensáveis de tão macabros e havia ilustrações bastante desagradáveis , como , por_exemplo , aquela em que um homem parecia ter sido virado de o avesso e a de a bruxa com vários pares de braços suplementares a nascerem lhe em a cabeça . - Aqui está - disse Hermione excitadíssima a o encontrar a página intitulada « A poção * polisuco * « . Estava ilustrada com imagens de pessoas a meio de o processo de se transformarem em outras pessoas e Harry desejou ardentemente que a expressão de dor intensa que se lhes espelhava em o rosto fosse apenas produto de a imaginação de o artista desenhador . - Esta é a poção mais complicada que vi até hoje - disse Hermione enquanto examinava a receita . - Moscas asas de renda , sanguessugas , fluxo de cizânias e verdezelha - murmurou , acompanhando com o dedo a lista de ingredientes . - Bem , esses são relativamente simples , há os em a despensa de material de os estudantes , podemos tirar a a nossa vontade . Oh ! Vê só , pó de chifre de bicórneo ... não sei onde vamos arranjar isto ... e , é claro , um pedacinho de a pessoa em quem queremos transformar nos . - Como ? - perguntou Ron de forma cortante . - O que é_que queres dizer com um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos ? Eu não bebo nada que tenha lá dentro as unhas de os pés de o Crabbe ... Hermione continuou como_se não o tivesse ouvido . - Mas não temos que nos preocupar com isso por enquanto . Fica para o fim . Ron voltou se sem palavras para o Harry que tinha uma preocupação de outro tipo . - Já viste bem tudo_o_que vamos ter que roubar , Hermione ? Algumas coisas , não estão de certeza em a despensa de material de os alunos . O que é_que vamos fazer , arrombar os armários pessoais de o Snape ? Não sei se será uma boa ideia ... Hermione fechou o livro com um estrondo . - Bem , se vocês os dois se vão acagaçar , então está lindo - disse ela . Tinha as bochechas rosadas e os olhos mais brilhantes do_que era habitual . - Eu não gosto de quebrar regras , vocês sabem , mas acho que ameaçar os filhos de os Muggles é muito pior do_que construir uma poção difícil . Mas se vocês não querem descobrir se é o Malfoy , eu posso voltar já a a biblioteca e entregar o livro a Madam_Prince ... - Nunca pensei que chegaria o dia em que serias tu a convencer nos a quebrar regras - disse o Ron . - Está bem , vamos em essa , mas sem unhas de os pés , O. _ K. ? - Quanto tempo vai isso demorar a fazer , afinal ? - perguntou Harry quando Hermione , já com um ar mais satisfeito , voltou a abrir o livro . - Bem , como o fluxo de cizânias tem de ser recolhido durante a lua cheia e as asas de renda têm de ser abafadas durante vinte_e_um dias ... eu diria que se conseguirmos arranjar todos os ingredientes estará pronta dentro_de um mês . - Um mês ? - exclamou o Ron . - Nessa_altura já o Malfoy terá atacado metade de os filhos de Muggles ! - mas os olhos de Hermione contraíram se de_novo assustadoramente e ele acrescentou rapidamente . - Mas é o melhor plano que temos , por isso é melhor não olharmos para trás . Apesar_de tudo , enquanto Hermione verificava que não havia ninguém em os corredores e podiam sair de a casa_de_banho , Ron murmurou a Harry : - Seria muito mais simples se conseguisses , amanhã , atirar o Malfoy de a vassoura abaixo . Harry acordou cedo em o sábado de manhã e ficou um bocado a pensar em a partida de Quidditch que vinha a seguir . Estava nervoso , principalmente pelo que Wood diria se os Gryffindor perdessem , mas também com a ideia de enfrentar uma equipa apetrechada com as vassouras mais velozes que existiam . Nunca desejara tanto vencer os Slytherin como em aquele dia . Depois de meia_hora deitado com a barriga a dar horas , resolveu levantar se , vestir se e descer para tomar o pequeno-almoço . Lá em baixo , encontrou o resto de a equipa de os Gryffindor amontoada a o longo de a mesa comprida e vazia , todos eles com ar preocupado e sem vontade de conversar . Como_se aproximavam as onze horas , todos os alunos de a escola começaram a dirigir se para o estádio de Quidditch . O dia estava quente e húmido , com uma ameaça de trovoada em o ar . Ron e Hermione vieram apressadamente desejar a Harry boa sorte mal ele entrou em os vestiários . A equipa de os Gryffindor pôs os seus mantos vermelhos e sentou se para ouvir o discurso que Wood lhes fazia sempre antes de o jogo . - Os Slytherin têm vassouras melhores do_que nós - começou . - Não há como negá o . Mas nós temos gente melhor em cima de as vassouras . Treinámos mais do_que eles , voamos com todas_as condições climatéricas ( É bem verdade - murmurou George_Weasley - desde Agosto que não sei o que é estar seco ) . - E vamos fazê os engolir o dia em que deixaram aquele nojento de o Malfoy comprar a entrada em a equipa de eles . Com o peito agitado por a comoção , Wood voltou se par Harry . -- Cabe te a ti , Harry , mostrar lhes que um * seeker * tem de ter mais do_que um pai rico . Agarra a * snitch * antes d Malfoy ou morre a tentar porque temos absolutamente que vencer , hoje , Harry , temos que vencer . - Sem ansiedade , Harry - disse o Fred , piscando lhe o olho . Quando saíram em direcção a o campo , foram saudado por uma grande ovação principalmente de a parte de os Ravenclaw e de os Hufflepuff que estavam ansiosos por ver os Slytherin serem derrotados , mas os Slytherin que estavam entre a multidão também fizeram ouvir as suas vaias e pateadas . Madam_Hooch , a professora de Quidditch , pediu a Flin e Wood que apertassem as mãos o que eles fizeram , lançando um_ao_outro olhares ameaçadores , cada_um apertando a mão de o outro com mais força do_que aquela que seria necessário . - Atenção a o apito - disse Madam_Hooch . - Três , dois , um ... Com um bramido de a multidão para que subissem rapidamente , os catorze jogadores elevaram se em o céu cor de chumbo . Harry , mais alto do_que qualquer de os outros olhando para todos os lados em busca de a * snitch * . - Tudo bem , testa de cicatriz ? - gritou Malfoy , disparando por baixo de ele para lhe mostrar a velocidade de a sua vassoura . Harry não teve tempo de responder . Em esse preciso momento uma * bludger * preta e bem pesada veio direitinha a ele . Evitou a tão por um triz que ainda sentiu em os cabelos o ar que ela deslocara . - Foi por_pouco , Harry ! - exclamou o George , passando com grande rapidez , de bastão em a mão , pronto para lançar a * bludger * contra um Slytherin . Harry viu o dar a a * bludger * uma fortíssima pancada em direcção a Adrian_Pucey , mas a bola mudou de rumo em o meio de o ar e dirigiu se de_novo a Harry . Harry desceu rapidamente para se esquivar e George conseguiu lançá a contra Malfoy . Mais_uma_vez a * bludger * actuou como um * boomerang * e apontou a a cabeça de Harry . Harry ganhou velocidade e disparou contra o outro extremo de o campo . Ouvia o assobio de a * bludger * que o perseguia . O que era aquilo ? As * bludgers * nunca se concentravam assim em um único jogador , a sua função era tentar desmontar o maior número possível de intervenientes . Fred_Weasley esperava por a * bludger * em o extremo oposto . Harry baixou se quando o viu balançar se em frente de ela com toda_a garra . A * bludger * foi lançada para_fora_de campo . - Pronto , já está tudo resolvido - gritou Fred satisfeito , mas estava bastante enganado . Como_se fosse magneticamente atraída para Harry , a * bludger * lançou se de_novo contra ele e Harry teve de voar a_toda_a velocidade . Começara a chover . Harry sentia as gotas pesadas caírem lhe em o rosto , turvando lhe as lentes de os óculos . Não fazia ideia do_que se passava em o resto de o jogo , até ouvir Lee_Jordan que fazia o comentário dizer : - Os Slytherin vão a a frente com seis contra zero . As vassouras de qualidade superior de os Slytherin estavam obviamente a cumprir a sua função e enquanto isso , a * bludger * maluca fazia todos os possíveis para deitar abaixo o Harry . Fred e George voavam agora tão perto de ele , um de cada lado , que Harry não via senão os seus braços a balouçar e , se não conseguia ver a * snitch * , muito menos agarrá a . - Alguém enfeitiçou esta * bludger * - resmungou Fred , preparando o bastão com toda_a força quando ela se lançava de_novo contra Harry . - Precisamos de tempo - disse George , tentando fazer sinal a Wood enquanto evitava que a bola partisse o nariz a o Harry . Wood captou obviamente a mensagem . O apito de Madam_Hooch fez se ouvir e Harry , Fred e George desceram , tentando ainda evitar a * bludger * maluca . - O que é_que se passa ? - perguntou Wood enquanto a equipa de os Gryffindor se amontoava desordenadamente e os Slytherin , em o meio de a multidão , lançavam piadas . - Estamos a ser esmagados . Fred , George , onde estavam vocês quando aquela * bludger * impediu a Angelina de marcar ? - Estávamos seis metros acima , evitando que a outra * bludger * matasse o Harry , Oliver - gritou George furioso . - Alguém preparou isto , a bola não deixa o Harry em paz , ainda não perseguiu mais ninguém desde_que o jogo começou . Os Slytherin fizeram aqui qualquer coisa . - Mas as * bludgers * têm estado fechadas em o escritório de Madam_Hooch desde o último treino , e nessa_altura estava tudo bem ... - disse Wood ansiosamente . Madam_Hooch aproximava se . Por cima de o ombro de ela , Harry pôde ver a equipa de os Slytherin a escarnecer e apontar em a sua direcção . - Ouçam - disse o Harry , enquanto ela se aproximava . - Com vocês os dois a voarem sempre colados a mim , só vou apanhar a * snitch * se ela voar até a a minha manga . Voltem se para o resto de a equipa e deixem a tratante comigo . - Não sejas bronco - disse o Fred . - Ela arranca te a cabeça . Os olhos de Wood saltavam de Harry_para_os_Weasley . - Oliver , isto_é uma loucura - disse Alicia_Spinet , zangada . - Não podes deixar o Harry sozinho entregue a aquela coisa . Vamos pedir uma investigação . - Se pararmos agora , teremos de dar a partida como perdida e não vamos deixar os Slytherin ganhar , só por_causa_de uma * bludger * maluca . Vá lá , Oliver , diz lhes que me deixem sozinho . - A culpa é toda tua . * _ Agarra a snitch ou morre a tentar * , se isso é lá coisa que se diga . Madam_Hooch tinha se lhes juntado . - Prontos para retomar a partida ? - perguntou a Wood . Wood olhou para o ar determinado de Harry . - Deixem o sozinho , ele é capaz de lidar com a * bludger * . A chuva era agora mais pesada . A o apito de Madam_Hooch , Harry elevou se em os ares e ouviu o barulhinho de a * bludger * atrás_de si . Subiu cada_vez_mais alto . Fez acrobacias em espiral , descidas rápidas , ziguezagueou e rolou . Apesar_de ligeiramente estonteado , não deixou nunca de ter os olhos bem abertos . A chuva salpicava lhe os óculos e entrava lhe por as narinas , quando ele se voltou de cabeça para baixo , evitando outra forte investida de a * bludger * . Ouviu os risos de a multidão . Sabia que devia parecer ridículo , mas a * bludger * maluca era pesada e não podia mudar de direcção tão rapidamente quanto ele . Iniciou uma corrida que parecia de feira de diversões em volta de os extremos de o estádio , olhando de soslaio , através de os lençóis prateados de chuva , para os postes de os Gryffindor , onde Adrian_Pucey tentava passar por Wood . Um assobio junto de os ouvidos disse a Harry que a * bludger * falhara uma_vez_mais . Voltou se e voou rapidamente em a direcção oposta . - Estás a ensaiar * ballet * , Potter - gritou Malfoy quando Harry foi obrigado a fazer uma reviravolta estúpida em o ar para se esquivar mais_uma_vez de a * bludger * . Lá foi ele , com a * bludger * atrás a alguns metros de distância . E foi então que , olhando para Malfoy , furioso , a viu , a * snitch * de ouro . Flutuava alguns centímetros acima de os ouvidos de Malfoy que , de tão preocupado a escarnecer de Harry , nem dera por ela . Durante um momento angustiante , Harry ficou quieto em o ar , não ousando dirigir se a Malfoy , não fosse ele olhar para_cima e ver a * snitch * . PUM ! Tinha ficado parado tempo de mais . A * bludger * batera lhe , por fim , apanhando lhe o cotovelo e Harry sentiu o braço a partir se . Debilmente , desorientado por a dor cauterizante em o braço , Harry deslizou para um de os lados em a sua vassoura encharcada , um joelho ainda dobrado , o braço direito a balouçar , inútil , a o seu lado . A * bludger * veio de_novo , preparada para mais um ataque , desta_vez apontada a o seu rosto . Harry desviou se com uma intenção : chegar a Malfoy . Através_de uma nuvem de chuva e dor desceu até a o rosto tremeluzente e trocista e viu os olhos de ele dilatarem se de medo : Malfoy pensou que Harry ia atacá o . - Que diabo ... - resmungou , afastando se de o caminho . Harry tirou a outra mão de a vassoura e fez uma tentativa para agarrar qualquer coisa . Sentiu os dedos fecharem se em volta de a * snitch * dourada , mas conduzia agora a vassoura apenas com as pernas e ouviu se um grito de a multidão cá em baixo , quando ele fez a descida , tentando não desmaiar . Com um ruído seco caiu em a terra enlameada e rolou para fora de a vassoura . O braço tinha um ângulo um_pouco estranho . Torcendo se com dores , ouviu a a distância os assobios e os gritos . Concentrou se em a * snitch * que tinha fechada em a outra mão . - Ai - disse vagamente . - Ganhámos o jogo . E desmaiou . Voltou a si com a chuva a cair lhe em o rosto , ainda deitado em o campo , com alguém inclinado sobre ele . Viu um brilho de dentes brancos . - Oh , não , você não - gemeu . - Não sabe o que diz - afirmou Lockhart bem alto a a ansiosa multidão de Gryffindor que o comprimiam . - Não te preocupes , Harry , eu vou tratar de o teu braço . - Não - gritou Harry . - Eu fico com ele assim , obrigado . Tentou sentar se , mas a dor era enorme . Ouviu um « clique » familiar . - Não quero fotografias de isto , Colin - disse em voz alta . - Deita te para trás , Harry - insistiu Lockhart com toda_a calma . - É um encantamento muito simples que eu fiz imensas vezes . - Porque não me levam só para a ala hospitalar ? - perguntou Harry entredentes . - Seria o melhor , professor - disse a voz rouca de o Wood que não conseguia deixar de sorrir , apesar_de o seu * seeker * estar ferido . - Grande captura , Harry , verdadeiramente espectacular , a tua melhor jogada , em a minha opinião . Em o meio de a floresta de pernas que o rodeava , Harry avistou Fred e George_Weasley , metendo a * budger * perigosa em uma caixa . Continuava a dar uma luta enorme . - Para trás - ordenou Lockhart , que tinha arregaçado as mangas verde jade . - Não , eu não ... - protestou debilmente Harry , mas Lockhart tinha a varinha em a mão e , um segundo depois , apontava a para o braço de Harry . Uma sensação estranha e desagradável começou em o ombro e espalhou se , chegando a as pontas de os dedos . Parecia que o braço inteiro tinha sido esvaziado . Não foi capaz de olhar para o que estava a suceder . Tinha fechado os olhos , voltado o rosto para o outro lado , mas os seus maiores receios concretizaram se quando as pessoas lá em cima se sobressaltaram e Colin_Creevey começou a tirar fotografias como um louco . O braço deixara de lhe doer , mas parecia tudo menos um braço . - Ah ! - disse Lockhart . - Sim , bem isto às_vezes acontece . Mas o importante é_que os ossos já não estão partidos . Isso é o mais importante . Portanto , Harry , vai até a a ala hospitalar ... ah ! Mr._Weasley , Miss_Granger , poderiam levá o lá ? E Madam_Pomfrey poderá ... er ... arranjar um_pouco isso . Quando Harry se pôs de pé sentiu se estranhamente desequilibrado . Depois de respirar fundo , olhou para o lado direito e o que viu quase o fez desmaiar de_novo . Pendurado em a extremidade de a sua túnica estava o que parecia ser uma espessa e colorida luva de borracha . Tentou mexer os dedos mas ... em vão . Lockhart não consertara os ossos de Harry . Retirara os . M. dam Pomfrey não ficou nada satisfeita . - Devias ter vindo logo ter comigo - ralhou , segurando os restos tristes e moles de aquilo que antes fora um braço activo . - Eu conserto ossos em um segundo , mas fazê os crescer de_novo ... - Vai conseguir , não vai ? - perguntou Harry desesperado . - Sim , com certeza , mas vai ser doloroso - disse Madam_Pomfrey de modo severo , entregando lhe um pijama . - Vais ter que ficar cá esta noite ... Hermione esperou de o lado de_fora de a cortina que rodeava outra cama enquanto Ron ajudava Harry a vestir se . Levou algum tempo a enfiar o braço que parecia borracha dentro_de uma manga de o pijama . - Como é_que podes continuar a defender o Lockhart depois disto , Hermione ? - perguntou Ron através de as cortinas , enquanto puxava os dedos moles de o Harry por uma manga . - Se o Harry quisesse ser desossado , teria pedido . - Todos podem enganar se - disse Hermione . - E deixou de doer , não deixou , Harry ? - Sim - disse ele - mas também ficou incapaz de fazer seja o que for . Quando se meteu em a cama , o braço agitou se despropositadamente . Hermione e Madam_Pomfrey entraram . Madam_Pomfrey segurava uma grande garrafa com o rótulo * Skele - _ Gro * . - Vais ter uma noite difícil - preveniu , enchendo um pequeno copo fumegante e dando lhe a beber . - Fazer crescer ossos é uma coisa difícil . Tomar o * _ Skele - _ Gro * também . Queimou a boca e a garganta de o Harry a o descer , fazendo o tossir e cuspir . Resmungando sobre os desportos perigosos e os professores incapazes , Madam_Pomfrey retirou se , deixando Ron e Hermione a ajudar Harry a engolir um_pouco de água . - Mas ganhámos o jogo - disse o Ron com um sorriso em o rosto . - A tua jogada foi em grande . A cara de o Malfoy ... parecia que queria matar alguém . - Eu vou descobrir como é_que enfeitiçaram aquela * bludger * - disse Hermione com ar sombrio . - Podemos juntar essa pergunta a a lista de todas_as que queremos fazer a o Malfoy quando tomarmos a poção * _ Polisuco * - disse Harry , afundando se de_novo em as almofadas . - Espero que tenha um sabor melhor do_que esta coisa ... - Com um bocado de os Slytherin lá dentro , deves estar a brincar - disse o Ron . A porta de a ala hospitalar abriu se em esse momento e , completamente encharcados , entraram os restantes membros de a equipa de os Gryffindor , para ver o Harry . - Um voo inacreditável - disse George . - Acabei de ver Marcus_Flint a gritar com o Malfoy . Qualquer coisa sobre ter a * snitch * mesmo em cima de a cabeça e não ter dado por nada . O Malfoy não parecia nem um_pouco satisfeito . Tinham trazido bolos , rebuçados e garrafas de sumo de abóbora . Juntaram se em volta de a cama de Harry e estavam a dar início a o que prometia ser uma grande festa quando Madam_Pomfrey entrou a vociferar : - Este rapaz precisa de repouso . Tem trinta_e_três ossos a crescer . Fora de aqui . FORA ! E Harry ficou sozinho , sem nada que o distraísse de as dores agudas em o seu braço mole . Muitas horas mais tarde , Harry acordou subitamente em a escuridão total e soltou um pequeno grito de dor : sentia agora o braço cheio de estilhaços . Durante alguns segundos pensou que tinha sido a dor a acordá o . Depois , com um arrepio de horror , apercebeu se de que alguém estava a passar lhe uma esponja em a testa . - Sai de aqui - gritou , e em seguida : - Dobby ! Os olhos de o tamanho de bolas de ténis de o elfo doméstico estavam a olhá o em o escuro , uma lágrima grossa rolava por o seu enorme nariz . - Harry_Potter voltou a a escola - murmurou , infeliz . - Dobby avisou e voltou a avisar Harry_Potter . Ah ! senhor , porque não deu ouvidos a Dobby ? Porque não voltou Harry_Potter para_casa quando perdeu o comboio ? Harry ergueu se um_pouco , encostando se a as almofadas e afastou a esponja de o elfo . - O que estás a fazer aqui ? - perguntou . - E como sabes que eu perdi o comboio ? O lábio de Dobby tremeu e Harry foi assaltado por uma dúvida . - Foste tu . Tu impediste que a barreira nos deixasse passar . - Em a verdade fui eu , senhor - disse Dobby , acenando com a cabeça e com as orelhas a abanar . - Dobby escondeu se , esperou por Harry_Potter e selou a barreira . A seguir , Dobby teve de pôr as mãos em o ferro de engomar - mostrou a o Harry dez dedos longos embrulhados em ligaduras . - Mas Dobby não se importou , senhor , porque pensou que Harry_Potter estava a salvo e nunca Dobby sonhou que mesmo_assim ele viria para a escola ! Balançava se para a frente e para trás , sacudindo a cabeça feia . - Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry_Potter tinha voltado a a escola que deixou queimar o jantar de os seus donos . Dobby nunca tivera um castigo tão grande , senhor . Harry afundou se de_novo em as almofadas . - Quase conseguiste que nos expulsassem , a mim e a o Ron - disse furioso . - É melhor desapareceres de aqui antes que os meus ossos voltem a estar bem , Dobby , ou ainda te estrangulo . O elfo sorriu . - Dobby está habituado a ameaças de morte , senhor . Dobby recebe as cinco vezes por dia em a casa onde mora . Encostou o nariz a um canto de a fronha que usava , ficando tão ridículo que Harry sentiu a raiva desvanecer se , apesar_de tudo . - Porque usas essa coisa , Dobby ? - perguntou com curiosidade . - Isto , senhor ? - disse Dobby apontando para a fronha de almofada . - É uma prova de escravatura de o elfo doméstico , senhor . Dobby só pode ser libertado se os donos lhe derem roupa , senhor . A família tem o cuidado de não dar a o Dobby nem uma peúga , senhor , porque ele poderia ficar livre e deixar a casa para sempre . Dobby limpou os olhos protuberantes e disse subitamente : - Harry_Potter deve ir para_casa . Dobby achou que a sua * bludger * seria o suficiente para o fazer ... - A tua * bludger * ? - disse Harry com a raiva a crescer novamente dentro de ele . - Que queres tu dizer com a tua bludger * ? Foste tu quem fez com que aquela bola tentasse matar me ? - Matar não , senhor . Matar , nunca ! - disse o elho chocado . - Dobby quer salvar a vida de Harry_Potter . É melhor ir para_casa ferido do_que ficar aqui , senhor . Dobby só queria Harry_Potter suficientemente ferido para voltar para_casa . - Só isso ? - disse Harry furioso . - Imagino que não vais dizer me porque querias mandar me para_casa a os bocados ? - Ah ! se Harry_Potter soubesse ! - gemeu Dobby , com mais lágrimas a escorrerem lhe por a fronha esfarrapada . - Se pudesse saber o que significa para nós , para os humildes , os escravizados , nós , a escória social de o mundo mágico ! Dobby lembra se de como eram as coisas quando Aquele cujo nome não deve ser pronunciado estava em o auge de o poder , senhor ! Nós , os elfos domésticos éramos tratados como animais , senhor ! É claro que Dobby ainda é tratado assim - admitiu , secando o rosto em a fronha de almofada . - Mas , em a sua maioria , a vida melhorou bastante para os de a minha espécie desde_que Harry_Potter triunfou sobre Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Harry_Potter sobreviveu e o poder de os senhores de o Mal foi quebrado e veio uma nova alvorada , senhor , e Harry_Potter brilhou como um farol de esperança para aqueles de entre nós que já pensavam que a longa noite nunca mais teria fim , senhor ... e agora em Hogwarts vão acontecer coisas terríveis , talvez já esteiam a acontecer e Dobby não pode deixar Harry_Potter ficar aqui , agora_que a história vai repetir se , agora_que a Câmara_dos_Segredos está de_novo aberta . Dobby calou se horrorizado . Em seguida agarrou em o jarro de a água que Harry tinha a a cabeceira e bateu com ele em a própria cabeça , deixando se cair . Um segundo mais tarde voltou até junto de a cama , repetindo : - Mau , Dobby , muito mau , Dobby . - Quer_dizer , então , que existe mesmo a Câmara_dos_Segredos ? - murmurou Harry . - E dizes tu que já antes foi aberta ? Conta me , Dobby . Agarrou o pulso ossudo de o elfo quando a mão de ele se estendia para o jarro de a água . - Mas eu não sou filho de Muggles . Como posso estar em perigo por causa de a Câmara_dos_Segredos ? - Ah ! senhor , não pergunte a o pobre Dobby - lamentou se o elfo com os olhos enormes a brilharem em o escuro . - As forças de as trevas estão projectadas em este lugar , mas Harry_Potter não deve estar aqui quando as coisas acontecerem . Vá para_casa , Harry_Potter , vá para_casa . Harry_Potter não deve envolver se em isto , senhor , é demasiado perigoso ... - Quem é , Dobby ? - perguntou Harry , continuando a agarrar lhe o pulso com forca , impedindo que batesse de_novo em si próprio com o jarro . - Quem abriu a amara ? Quem a abriu de a última vez ? - Dobby não pode , senhor . Dobby não pode . Dobby não deve dizer - guinchou o elfo . - Vá se embora , Harry_Potter , vá se embora ! - Eu não vou para lugar nenhum - disse Harry , furioso . - Uma de as minhas melhores amigas é filha de Muggles , está em perigo se a câmara foi , de facto , aberta ... - Harry_Potter arrisca a própria vida por os amigos - gemeu Dobby em uma espécie de êxtase infeliz . - Tão nobre , tão corajoso , mas deve salvar se , Harry_Potter não deve ... Dobby calou se de repente com as orelhas de morcego a estremecerem . Harry também ouviu os passos que vinham lá fora , de o corredor . - Dobby tem de ir - balbuciou o elfo apavorado . Ouviu se um ruído e o pulso de Harry ficou subitamente fechado em o ar . Meteu se de_novo para baixo , em a cama , com os olhos fixos em a porta escura que dava entrada em a ala hospitalar enquanto os passos se aproximavam . Em o momento seguinte , Dumbledore estava a entrar , de costas , em o dormitório , vestindo uma longa túnica de lã e uma capa de noite . Transportava um extremo de aquilo que parecia ser uma estátua . A professora Mc_Gonagall surgiu um segundo mais tarde , pegando lhe em os pés . Os dois colocaram a em uma cama . - Chame Madam_Pomfrey - murmurou Dumbledore e a professora Mc_Gonagall passou por a cama de Harry , apressadamente , e desapareceu . Harry deixou se ficar muito quieto como_se estivesse a dormir . Ouviu vozes ansiosas e por fim a professora Mc_Gonagall apareceu de_novo , seguida de Madam_Pomfrey que vestia um casaco curto de lã sobre a camisa de dormir . Ouviu uma inspiração aguda . - O que aconteceu ? - murmurou Madam_Pomfrey_a_Dumbledore , inclinando se sobre a estátua que estava em a cama . - Outro ataque - disse Dumbledore . - A Minerva encontrou o em as escadas . Havia um cacho de uvas junto de ele . Acho que estava a tentar esgueirar se até aqui para vir visitar o Potter . O estômago de Harry deu uma reviravolta . Lenta e cuidadosamente ergueu se alguns centímetros para poder ver a estátua que estava sobre a cama . Um raio de luar iluminou lhe o rosto estático . Era_Colin_Creevey . Tinha os olhos abertos , e as mãos , em frente de a cara , seguravam a máquina fotográfica . -- Petrificado ? - murmurou Madam_Pomfrey . - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - Mas estou tentada a acreditar que ... se Albus não tivesse vindo cá abaixo tomar um chocolate quente ... quem sabe o que teria ... Os três olharam para Colin . Dumbledore inclinou se e retirou lhe a máquina de as mãos rígidas . - Será que ele conseguiu tirar a fotografia de o agressor ? - perguntou ansiosa a professora Mc_Gonagall . Dumbledore não respondeu . Abriu a parte detrás de a máquina . - Cruzes canhoto - disse Madam_Pomfrey . Um jacto de vapor tinha feito fervilhar a máquina . Harry , a três metros de distância , sentiu o cheiro tóxico de o plástico queimado . - Derretido - disse Madam_Pomfrey com grande espanto . - Tudo derretido . - O que significa isto , Albus ? - perguntou cada_vez_mais nervosa a professora Mc_Gonagall . - Significa - disse Dumbledore - que a Câmara_dos_Segredos está mesmo aberta outra_vez . Madam_Pomfrey levou uma mão a a boca . A professora Mc_Gonagall olhou assustada para Dumbledore . - Mas , Albus ... com certeza ... quem ? - A questão não é quem - disse Dumbledore com os olhos fixos em Colin . - A questão é como ... E pelo que Harry conseguiu ver de o rosto indistinto de a professora Mc_Gonagall , ela não compreendeu muito mais do_que ele . XI_O clube de os duelos Quando_Harry acordou , em o domingo de manhã , a enfermaria estava iluminada por um resplandecente sol de inverno e o seu braço tinha de_novo todos os ossos , apesar_de o sentir muito rígido . Sentou se rapidamente e olhou para a cama de Colin , mas ela fora isolada com as cortinas atrás de as quais se despira em a véspera . Vendo que ele tinha acordado , Madam_Pomfrey apareceu com um tabuleiro de pequeno-almoço e a seguir começou a apalpar lhe o braço e os dedos . - Tudo em ordem - disse , enquanto ele , com a mão esquerda , comia avidamente as papas de aveia . - Quando acabares de comer podes ir te embora . Harry vestiu se o mais depressa que pôde e dirigiu se a a pressa para a torre de os Gryffindor , ansioso por contar a o Ron e a a Hermione tudo sobre Colin e Dobby , mas não os encontrou lá . Foi a a procura de eles , perguntando a si próprio onde teriam ido e sentindo se um_pouco magoado por o pouco interesse que demonstravam em saber se ele tinha recuperado os ossos . Quando passou por a biblioteca , Percy_Weasley vinha a sair com bastante melhor cara do_que de a última vez que se tinham encontrado . - Olá , olá , Harry - disse . - Excelente voo o de ontem , verdadeiramente sensacional . Os Gryffindor estão a a frente para a taça de a equipa . Ganhaste cinquenta pontos . - Não viste o Ron e a Hermione por aí ? - perguntou Harry . - Não , não vi - disse Percy com o sorriso a desaparecer . - Espero que o Ron não esteja outra_vez em a casa_de_banho de as raparigas ... Harry forçou um sorriso , viu Percy desaparecer e a seguir foi direitinho até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Não via lá muito bem por_que motivo o Ron e a Hermione lá estariam de_novo , mas , depois de se assegurar de que nem Filch nem nenhum de os prefeitos estavam por perto , abriu a porta e ouviu as vozes de eles que vinham de um cubículo fechado . - Sou eu - disse , fechando a porta atrás_de si . Ouviu se dentro de o cubículo um estrondo , um chapinhar e um sobressalto e ele viu o olho de a Hermione a espreitar por o buraco de a fechadura . - Harry - disse ela . - Pregaste nos um susto de morte . Entra . Como está o teu braço ? - _ óptimo - respondeu , apertando se dentro de o cubículo . Em cima de a sanita estava encarrapitado um velho caldeirão , e um crepitar a a superfície de a água disse a Harry que eles tinham acendido um fogo lá em baixo . Fazer aparecer fogos portáteis a a prova de água era uma de as especialidades de Hermione . - _ íamos visitar te , mas resolvemos começar a preparar a poção * _ Polisuco * - explicou Ron enquanto Harry fechava outra_vez a porta de o cubículo com alguma dificuldade . - Achámos que este era o lugar mais seguro para a esconder . Harry começou a contar lhes de o Colin , mas Hermione interrompeu o . - Nós já sabemos , ouvimos a professora Mc_Gonagall contar a o professor Flitwick hoje_de_manhã . Por isso resolvemos começar a ... - Quanto_mais depressa arrancarmos uma confissão a o Malfoy , melhor - rosnou o Ron . - Sabem o que eu penso ? Ele estava tão mal-humorado depois de o jogo de Quidditch que se vingou em o Colin . - Há outra coisa - disse Harry , vendo Hermione cortar molhos de verdezelha e lançá os dentro de a poção . - O Dobby foi visitar me a meio de a noite . Ron e Hermione olharam o espantados . Harry contou lhes tudo_o_que Dobby lhe dissera ... ou não dissera . Ron e Hermione ouviram o de boca aberta . - A Câmara_dos_Segredos já tinha sido aberta antes ? - repetiu Hermione . - Encaixa perfeitamente - disse Ron , em uma voz triunfante . - O Lucius_Malfoy deve ter aberto a Câmara_dos_Segredos quando andava em a escola e agora ensinou a o querido filhinho Draco como abris a . É óbvio , que pena o Dobby não te ter dito que tipo de monstro lá se encontra . Gostava de saber como é_que ninguém o viu andar por ai em a escola . - Talvez tenha a capacidade de se tornar invisível - sugeriu Hermione , picando sanguessugas para dentro de o caldeirão . - Ou talvez se disfarce , passando por uma armadura ou outra coisa de o género . Eu li umas coisas sobre vampiros camaleões ... - Tu lês de mais , Hermione - disse o Ron , deitando moscas asas de renda mortas por cima de as sanguessugas . Amarrotou o saco vazio de as asas de renda e olhou para Harry . - Então foi o Dobby que nos impediu de apanhar o comboio e te partiu o braço ... - abanou a cabeça . - Sabes o que eu acho ? Se ele não parar de tentar salvar te a vida ainda acaba por te matar . A notícia de que Colin_Creevey tinha sido atacado e estava agora em a ala hospitalar , como morto , espalhou se por toda_a escola em a segunda-feira de manhã . O ar ficou pesado e cheio de boatos e suspeitas . Os alunos de o primeiro ano começavam a andar por a escola em pequenos grupos , receando ser atacados se se aventurassem a andar isoladamente por os corredores . Ginny_Weasley , que era colega de carteira de o Colin em os encantamentos , estava perturbadíssima , mas Harry achou que Fred e George estavam a tentar animá a de a maneira errada . Revezavam se , mascarados com peles de animais e apareciam lhe subitamente detrás de as estátuas . Só pararam quando Percy , apopléctico de raiva , lhes disse que ia escrever a Mrs._Weasley a contar lhe que a Ginny andava a ter pesadelos . Enquanto isso , às_escondidas de os professores , uma panóplia de talismãs , amuletos e outros objectos de protecção ia enchendo a escola . Neville_Longbottom comprou uma enorme cebola verde que cheirava mal , um cristal pontiagudo cor de púrpura e uma cauda de tritão apodrecida antes de os outros rapazes de os Gryffindor lhe explicarem que ele não corria perigo : era um sangue puro e , portanto , muito pouco passível de ser atacado . - Eles foram a o Filch em primeiro lugar - disse Neville com o medo estampado em a cara redonda . - E toda_a_gente sabe que eu sou quase um * busca-pé * . Em a segunda semana de Dezembro , a professora Mc_Gonagall veio , como de costume , recolher os nomes de os alunos que ficavam em a escola durante o Natal . Harry , Ron e Hermione assinaram a lista . Tinham ouvido dizer que Malfoy ficava , o que lhes parecera muito suspeito . As férias seriam a altura ideal para usar a poção * _ Polisuco * e tentar arrancar lhe uma confissão . Infelizmente a poção estava a meio . Precisavam ainda de o chifre de bicórneo e o único lugar onde podiam arranjá o era em os depósitos privados de Snape . Harry , pessoalmente , preferia enfrentar o lendário monstro de os Slytherin do_que ser apanhado por o Snape a assaltar lhe o escritório . - O que precisamos - disse Hermione cheia de vivacidade quando se aproximava a aula conjunta de poções de quinta-feira a a tarde - para podermos entrar a a vontade em o escritório de o Snape , é de uma diversão . Harry e Ron olharam para ela , nervosos . - Acho que o melhor é ser eu a praticar o roubo - prosseguiu ela , em um tom perfeitamente casual . - Vocês os dois podem ser expulsos se forem apanhados e eu tenho uma folha limpa . Portanto , a única coisa que têm de fazer é distrair o Snape durante cerca de cinco minutos . Harry esboçou um meio sorriso . Provocar deliberadamente um estrago em a aula de poções de o Snape era tão seguro como ferir em um olho um dragão adormecido . As aulas de poções tinham lugar em um de os mais amplos calabouços . A de quinta-feira a a tarde não foi diferente de as outras . Vinte caldeirões fumegavam entre as secretárias de madeira , sobre as quais podia ver se laminas de latão e jarras com ingredientes . Snape deambulava por o meio de os fumos , fazendo reparos petulantes a o trabalho de os Gryffindor , enquanto os Slytherin riam a a socapa . Draco_Malfoy , que era o aluno preferido de Snape , não parava de lançar olhos de carneiro mal morto a o Ron e a o Harry , que sabiam que se retaliassem teriam um castigo , antes de poderem abrir a boca para dizer : - É injusto ! A solução de inchar de o Harry estava demasiado líquida , mas ele estava preocupado com coisas mais importantes . Esperava por o sinal de Hermione e mal deu por Snape se calar para ir espreitar a sua poção aguada . Quando o professor se voltou e foi implicar com o Neville , Hermione trocou um olhar com Harry e fez um aceno . Harry baixou se discretamente por detrás de o seu caldeirão , tirou de o bolso de trás um de os paus de fogo-de-artíficio Filibuster e deu lhe um toque de varinha . O fogo-de-artíficio começou a sibilar e a crepitar . Sabendo que tinha apenas alguns segundos , Harry endireitou se , ganhou coragem e lançou o a o ar . Aterrou certeiro em o caldeirão de o Goyle . A poção de o Goyle explodiu , salpicando toda_a aula . As pessoas gritavam , à_medida_que eram vítimas de os salpicos . Malfoy foi apanhado em a cara e o nariz começou a inchar como um balão . O Goyle tropeçava a as cegas , com as mãos em os olhos , que tinham ficado de o tamanho de pratos de sopa , enquanto o Snape tentava repor a calma e tentar perceber o que sucedera . Em o meio de a confusão , Harry viu Hermione esgueirar se a a socapa por a porta . - Silêncio ! silêncio ! - vociferou Snape . - Todos os que foram salpicados cheguem aqui para uma drenagem . Quando eu descobrir quem fez isto ... Harry fez um enorme esforço para não se rir a o ver Malfoy chegar apressadamente lá a a frente , a cabeça a tombar com o peso de o nariz , que parecia um pequeno melão . Quando metade de a aula se amontoava junto de a secretária de o Snape , alguns alunos vergados por o peso de os braços que pareciam mocas , outros incapazes de falar devido a o gigantesco inchaço de os lábios , Harry viu Hermione reentrar em o calabouço , a túnica mostrando a barriga protuberante . Quando todos os alunos tinham já tomado um gole de o antídoto e os vários inchaços tinham desaparecido , Snape precipitou se para o caldeirão de o Goyle e pescou os restos retorcidos de o fogo-de-artíficio . Houve um súbito silêncio . - Se eu descubro quem lançou isto - murmurou Snape - garanto que é expulsão por a certa . Harry compôs uma expressão de espanto . Snape olhava directamente para ele e a campainha , que tocou dez minutos mais tarde , não podia ser mais bem-vinda . - Ele soube que fui eu - disse Harry_a_Ron e a a Hermione , enquanto se dirigiam apressadamente para a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Tenho a certeza . Hermione lançou o novo ingrediente em o caldeirão e começou a mexer furiosamente . - Isto vai estar pronto dentro_de quinze_dias - afirmou , satisfeita . - O Snape não pode provar que foste tu - assegurou Ron , tranquilizando Harry . - Que pode ele fazer ? - Conhecendo o Snape , qualquer coisa louca - respondeu Harry , enquanto a poção borbulhava e espumava . Uma semana mais tarde , Harry , Ron e Hermione passavam por o vestíbulo de entrada , quando viram um pequeno grupo de pessoas reunidas em volta de o jornal de parede a lerem um pedaço de pergaminho que tinha acabado de ser afixado . Seamus_Finnigan e Dean_Thomas acenaram lhes , entusiasmados . - Vão lançar um clube de duelos ! - exclamou Seamus . - Hoje a a noite é a primeira reunião . Eu não me importaria nada de ter aulas de duelo , podem vir a ser úteis um dia de estes ... - Porquê ? Achas que o monstro de os Slytherin sabe esgrimir ? - perguntou o Ron , mas , também ele , leu a notícia com interesse . - Pode ser útil - disse a o Harry e a a Hermione , quando foram jantar . - Vamos lá ? Harry e Hermione acharam óptimo , por isso , a as oito_da_noite voltaram a o salão . As longas mesas de refeição tinham desaparecido e um estrado dourado surgira , encostado a a parede . Sobre ele flutuavam milhares de velas . O tecto era , mais_uma_vez , de veludo negro e parecia que quase todos os alunos de a escola se encontravam ali , com as suas varinhas em a mão e com um ar entusiasmado . - Quem será que vai ensinar nos ? - perguntou Hermione , enquanto se misturavam em a multidão barulhenta . - Ouvi dizer que o Filitwick foi campeão de duelo em a juventude , talvez seja ele . - Desde_que não seja ... - começou Harry , mas terminou em um gemido : Gilderoy_Lockhart estava a subir a o estrado , resplandecente em as suas vestes cor de ameixa , acompanhado , nem mais nem menos , do_que de Snape que trajava , como sempre , de negro . Lockhart levantou um braço , pedindo silêncio , bradando : - Aproximem se , aproximem se , conseguem todos ver me e ouvir me ? Excelente ! - O professor Dumbledore deu me autorização para iniciar este pequeno curso de duelo para vos treinar a todos , caso algum dia precisem de se defender , como eu tenho feito em inúmeras ocasiões ; para mais detalhes , leiam os livros que tenho publicados . - Permitam que vos apresente o meu assistente , o professor Snape - disse Lockhart , abrindo um sorriso de orelha a orelha . - Ele diz me que sabe alguma coisa sobre duelos e aceitou desportivamente ajudar me em uma exibição de demonstração , antes de começarmos . Atenção , não quero que os mais novos fiquem preocupados , vão continuar a ter o vosso professor de poções depois de eu o vencer . Não tenham medo . - Não era óptimo se se liquidassem um_ao_outro ? - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . O lábio inferior de Snape estava curvo . Harry interrogou se sobre o motivo por_que Lockhart continuava a sorrir . Se o Snape olhasse de aquela maneira para ele , Harry estaria a correr a_toda_a velocidade para o mais longe possível . Lockhart e Snape voltaram se um para o outro e fizeram uma vénia , pelo_menos Lockhart fê la com muitas reviravoltas de mãos , enquanto Snape acenava , irritado , com a cabeça . Em seguida , ergueram as varinhas , como_se fossem espadas , em a frente . - Como podem ver , estamos a pegar em as varinhas em a posição de aceitação de combate - explicou Lockhart a a multidão silenciosa . - Quando contarmos até três , lançaremos os primeiros feitiços . Nenhum de nós tentará matar o outro , claro . - Eu não poria as mãos em o fogo - murmurou Harry , observando como Snape cerrava os dentes . -- Um , dois , três ... Os dois balançaram as varinhas acima de os ombros . Snape gritou : * _ Expelliarmus * ! Houve um clarão ofuscante de luz escarlate e Lockhart voou para trás , caindo de o estrado batendo contra a parede , escorregando e indo estatelar se em o chão . Malfoy e alguns de os outros Slytherin aplaudiram . Hermione estava em bicos de os pés . - Acham que ele está bem ? - gritou entredentes . - Quem se rala ? - disseram ao_mesmo_tempo o Ron e o Harry . Lockhart estava a pôr se , hesitante , de pé . O chapéu caíra lhe e o cabelo ondulado estava em um desalinho . - Bem , cá está ! - disse , cambaleando até a o estrado . - Este foi um encantamento para desarmar . Como podem ver , perdi a minha varinha . Ah , obrigado Miss_Brown . Sim , foi uma excelente ideia mostrar lhes isto , professor Snape , mas , se me permite que lhe diga , foi muito óbvio o que ia fazer . Se eu tivesse querido impedis o , teria o feito com a maior de as facilidades . Mas achei que seria educativo deixá os ver ... Snape tinha um ar assassino . Provavelmente Lockhart deu por isso , porque declarou : - Chega de demonstrações . Eu vou passar agora por o meio de vocês e criar duplas . Professor_Snape , se quiser ajudar me ... Entraram por o meio de a multidão , agrupando alunos . Lockhart pôs o Neville com Justin_Finch - _ Fletchley , mas Snape chegou primeiro junto de Harry e de Ron . - Tempo de separar a dupla ideal , parece me - rosnou . - Weasley , tu podes ficar com o Finnigan . Potter ... Harry voltou se automaticamente para Hermione . - Não me parece - disse Snape com o seu sorriso frio . - Mr._Malfoy , venha até aqui . Vamos ver o que faz com o famoso Potter . E a menina , Miss_Granger , pode emparceirar com Miss_Bulstrode . Malfoy aproximou se com o seu passo empertigado e o seu sorriso escarninho . Atrás de ele vinha uma rapariga de os Slytherin , que lembrou a Harry uma imagem que tinha visto em as * _ Férias com Bruxas_Velhas * . Era corpulenta e quadrada e os maxilares avançavam agressivamente . Hermione esboçou um meio sorriso , que ela não retribuiu . - Voltem se para os vossos parceiros - gritou Lockhart - e façam a vénia . Harry e Malfoy mal inclinaram as cabeças , não afastando os olhos um de o outro . - Varinhas preparadas ! - gritou Lockhart . - Quando eu disser três preparem os feitiços para desarmar o vosso opositor . Um ... dois ... três ... Harry levantou a varinha acima de o ombro , mas Malfoy começara logo em o « dois » : o seu feitiço apanhou Harry com tanta força que ele se sentiu como_se tivesse levado com uma frigideira em a cabeça . Tropeçou , mas ainda não estava fora de combate e , sem perder tempo , Harry apontou a varinha a Malfoy e gritou : - * _ Rictusempra ! * Um jacto de luz prateada atingiu Malfoy em o estômago , obrigando o a dobrar se , arfando . - Eu disse desarmar ! - gritava Lockhart sobre as cabeças de a multidão em lata , enquanto Malfoy caía de joelhos . Harry atingira o com o feitiço de as cócegas e ele mal conseguia mexer se para se rir . Harry hesitou com o vago sentimento de que seria pouco desportivo enfeitiçar Malfoy enquanto ele estava caído em o chão , mas ... foi um erro . Tentando respirar , Malfoy apontou a varinha a os joelhos de Harry , balbuciando : « * _ Tarantallegra ! * » e , um segundo depois , as pernas de o Harry tinham começado a mexer se , sem que ele pudesse controlá as , executando uma espécie de dança frenética . - Parem , parem - gritava Lockhart , quando Snape resolveu tomar controlo de a situação . - * _ Finite_Incantatem ! * - bradou . Os pés de o Harry pararam de dançar , Malfoy parou de rir e puderam olhar para_cima . Uma onda de fumo esverdeado pairava sobre todos eles . Neville e Justin estavam caídos em o chão , a arfar . Ron tentava fazer parar um Seamus com cara cor de cinza , pedindo lhe mil desculpas por o que a sua varinha partida eventualmente tivesse feito . Mas Hermione e Millicent_Bulstrode ainda não tinham acabado . Millicent tinha feito a Hermione uma prisão de cabeça e Hermione gritava de dor . As duas varinhas jaziam esquecidas em o chão . Harry deu um salto em frente e afastou Millicent . Não foi fácil , ela era bastante maior do_que ele . - Oh , gente ! - exclamou Lockhart , arrastando se por o meio de a multidão e olhando para os resultados de os duelos . - Vamos pôr de pé , Mcmillan ... cuidado , Miss_Fawcett ... belisque com força que pára logo de sangrar ... - Acho que o melhor é ensinar vos como bloquear feitiços pouco amigáveis - afirmou Lockhart que estava nervosíssimo em o meio de o salão . Olhou para Snape , cujos olhos pretos brilhavam e desviou rapidamente o olhar . - Vamos arranjar um par de voluntários . Longbottom e Finch - _ Fletchley , que tal serem vocês ? - Uma má ideia , professor Lockhart - disse Snape , deslizando como um morcego enorme e cruel . - Longbottom provoca devastação com o feitiço mais simples . Ainda temos de mandar o que restar de o Finch - _ Fletchley para a ala hospitalar dentro_de uma caixa de fósforos . - A cara redonda e rosada de Neville ficou ainda mais rosada . - Que tal o Malfoy e o Potter ? - sugeriu Snape com um sorriso retorcido . - Excelente ideia - disse Lockhart , fazendo sinal a os dois para que se aproximassem de o meio de o salão , enquanto a multidão recuava para lhes dar passagem . - Ouve bem , Harry - disse Lockhart . - Quando o Draco te apontar a varinha , tu fazes assim . Levantou a sua varinha , executando uma tentativa complicada de malabarismo e deixou a cair . Snape sorriu pretensiosamente , enquanto Lockhart a apanhava de o chão , dizendo : - Ups , a minha varinha está demasiado excitada . Snape aproximou se de Malfoy , inclinou se e disse lhe qualquer coisa a o ouvido . Malfoy sorriu também de forma afectada . Harry olhou , nervoso , para Lockhart e pediu : - Professor , podia mostrar me outra_vez aquela coisa para bloquear ? - Estás com medo ? - murmurou Malfoy baixinho , para que Lockhart não pudesse ouvir . - Querias ! - exclamou Harry por o canto de a boca . Lockhart deu um soco em o ombro de o Harry , em a brincadeira . - Basta que faças como eu fiz ! - O quê , deixar cair a varinha ? Mas Lockhart não estava a ouvir - Três , dois , um , zero ! - gritou . Malfoy levantou rapidamente a varinha a o ar e gritou : - * _ Serpensortia ! * A extremidade de a varinha explodiu . Harry viu , horrorizado , uma enorme serpente negra sair de ela , cair pesadamente em o chão a meio de os dois e erguer se disposta a atacar . Ouviram se gritos , enquanto a multidão se afastava , deixando o chão vazio . - Não te mexas , Potter - disse Snape vagarosamente , divertindo se claramente a ver Harry , parado , a olhar em os olhos a serpente . - Eu trato de ela ... - Permita me -- gritou Lockhart . Bramiu a varinha em direcção a a serpente e ouviu se um estoiro . A cobra , em_vez_de desaparecer , voou três metros acima de eles e voltou a cair em o chão com um estrondo enorme . Enraivecida , a sibilar de fúria , rastejou em direcção a Finch - _ Fletchley e pôs se de pé com os dentes a a mostra , pronta a atacar . Harry não soube ao_certo o que o levou a fazer aquilo . Não se lembrava sequer de ter tomado aquela decisão . Só soube que as pernas o fizeram avançar como_se tivesse rodas e que gritou a a serpente : - Larga o ! - E , milagrosa e inexplicavelmente , a serpente voltou a o chão , dócil como uma grande mangueira de jardim , preta e grossa , os olhos agora fixos em os olhos de Harry . Harry sentiu o medo a escoar se . Sabia que a cobra não atacaria mais ninguém , embora não pudesse explicar como sabia . Olhou para Justin a sorrir , esperando vê o aliviado , espantado , ou mesmo agradecido , mas nunca zangado ou assustado . - Que brincadeira é essa ? - gritou o outro e , antes que Harry tivesse tempo de dizer fosse o que fosse , voltou as costas e saiu de o salão . Snape deu um passo em frente , fez um gesto com a varinha e a serpente desapareceu em uma onda de fumo preto . Também ele , Snape , olhava para Harry de uma forma inesperada . Era um olhar arguto e calculista , de que Harry não gostou . Apercebeu se também vagamente de um murmúrio ameaçador que vinha de as paredes em volta . Depois , sentiu um puxão em a túnica . - Vamos - disse a voz de o Ron em o seu ouvido . - Mexe te , vá lá ... Ron arrastou o para fora de o salão . Hermione acompanhava os em a passada rápida . Quando cruzaram a porta , as pessoas que a rodeavam afastaram se , como_se tivessem medo de ser contagiadas . Harry não fazia a mais pequena ideia do_que estava a passar se e , nem Ron , nem Hermione lhe deram qualquer explicação , antes de o terem levado até a a sala comum de os Gryffindor , que se encontrava vazia . Aí , Ron empurrou Harry para uma cadeira de braços e disse : - Tu és um * serpentês * . Porque não nos disseste ? - Eu sou um quê ? - perguntou Harry . - Um * serpentês * ! - exclamou o Ron . - Falas com as cobras . - Eu sei - declarou Harry . - Quer_dizer , esta foi a segunda vez que o fiz . A outra foi há muito_tempo em o jardim zoológico , quando soltei uma Boa_Constrictor a o meu primo Dudley . É uma longa história , mas ela estava a dizer me que nunca tinha estado em o Brasil e eu acho que a libertei sem querer . Foi antes de saber que era feiticeiro . . . - Uma Boa_Constrictor disse te que nunca tinha estado em o Brasil ? - repetiu Ron , quase sem voz . - E então ? - disse o Harry . - Aposto que montes de pessoas aqui fazem o mesmo . - Não fazem , não - afirmou Ron . - Não é um dom muito frequente . Harry , isso é mau . - O que é_que é mau ? - perguntou Harry , que começava a ficar chateado . - O que é_que se passa com todos os outros ? Ouve bem , se eu não tivesse dito a aquela cobra para não atacar o Justin ... - Ah , foi isso que tu disseste ? - Que queres dizer ? Tu estavas lá , ouviste perfeitamente o que eu disse . - Eu ouvi te falar em serpentês - disse o Ron . - Língua de cobra . Podias estar a dizer lhe qualquer coisa . Não admira que o Justin tivesse entrado em pânico . Parecia que estavas a incitar a serpente . Foi assustador , sabes ? Harry olhou para ele espantado . - Eu falei uma língua diferente ? Mas não me apercebi , como posso falar uma língua , sem saber que a conheço ? Ron abanou a cabeça . Tanto ele como Hermione tinham um ar fúnebre . Harry não percebia o que havia em aquilo de tão trágico . - Será que me querem explicar o que há de mal em ter impedido que uma serpente enorme arrancasse a cabeça a o Justin ? - perguntou . - Porque é tão importante como o fiz , se evitei que o Justin fosse juntar se a grupo de os SEM_CABEÇA ? - Importa - disse por fim Hermione , em uma voz abafada . - Porque falar com serpentes era a arte por a qual Salazar_Slytherin ficou famoso . Por isso , o símbolo de os Slytherin é uma serpente . Harry ficou de boca aberta . - Exacto - disse o Ron . - E agora todos em a escola vão pensar que tu és descendente de ele . - Mas não sou - contrapôs Harry com um pânico que não conseguia explicar . - Não vai ser fácil prová o - disse Hermione . - Ele viveu há quase mil anos . Pelo que vimos , podias ser . Em essa noite , Harry ficou acordado durante horas . Por uma fresta de os cortinados de a cama de dossel , olhou para a neve que começava a cair de o lado de_fora de a janela de a torre e perguntou se se poderia ser descendente de Salazar_Slytherin . Afinal , não sabia nada de a família de o pai , os Dursley tinham sempre proibido qualquer pergunta sobre os seus familiares feiticeiros . Calmamente , tentou dizer qualquer coisa em * serpentês * , mas as palavras não saíam . Parecia que era necessário estar frente_a_frente com uma cobra para poder fazê o . Mas eu sou um Gryffindor , pensou Harry , o chapéu seleccionador não me poria aqui se eu tivesse sangue de Slytherin ... - Ah ! - disse uma vozinha dentro de o seu cérebro . - Mas o chapéu seleccionador queria pôr te em os Slytherin , não te lembras ? Harry deu voltas e voltas a a cabeça . Em o dia seguinte , quando visse Justin em a aula de herbologia explicaria lhe que estava a afastar a serpente , não a atiçá a o que , aliás , pensou zangado , dando vários socos em a almofada , qualquer idiota teria percebido . Contudo , em a manhã seguinte , a neve que começara a cair durante a noite , transformara se em uma tempestade tão espessa que a última aula de herbologia de o período foi cancelada : a professora Sprout queria tapar as mandrágoras com peúgas e cachecóis , uma operação arriscada que ela não confiava a ninguém agora_que era tão importante que as mandrágoras crescessem depressa e reabilitassem Mrs._Norris e Colin_Creevey . Junto de a lareira de a sala comum de os Gryffindor , Harry matutava sobre o que se passara enquanto Ron e Hermione aproveitavam o foro para jogar xadrez de feitiçaria . - Com os diabos , Harry - disse Hermione exasperada quando um bispo derrubou um de os cavaleiros de o cavalo , arrastando o para fora de o tabuleiro . - Vai falar com o Justin , se isso é assim tão importante para ti . Harry levantou se e saiu por o buraco de o retrato , perguntando a si próprio onde poderia estar o Justin . O castelo estava mais escuro do_que era habitual durante o dia por causa de a neve espessa e cinzenta que cobria as janelas . A tremer , Harry passou por as salas onde estava a haver aulas , captando lampejos do_que sucedia lá dentro . A professora Mc_Gonagall gritava com alguém que , segundo lhe parecia por o som , transformara o parceiro em um texugo . Resistindo a a tentação de dar uma espreitadela , Harry afastou se pensando que Justin poderia estar a utilizar o tempo de o furo para fazer algum trabalho e resolveu , por isso , ir até a a biblioteca . Um grupo de alunos de os Hufflepuff , que deveriam ter estado em Herbologia , encontrava se , de facto , sentado em as traseiras de a biblioteca , mas não parecia estar a trabalhar . Entre as fileiras de as estantes altas , Harry pôde ver as suas cabeças muito juntas em aquilo que deveria ser uma conversa absorvente . Não conseguia perceber se Justin estaria em o meio de eles . Ia para se aproximar quando apanhou em o ar uma frase e parou para ouvir melhor , escondido em a secção de a invisibilidade . - Portanto - dizia um rapaz corpulento - eu disse a o Justin para se esconder em o nosso dormitório . Isto_é , se o Potter o escolheu como próxima vítima é melhor que ele tenha um * low profile * durante algum tempo . É claro que o Justin já estava a a espera que alguma coisa de o género acontecesse desde_que lhe escapou em uma conversa com o Potter que era filho de Muggles . O Justin disse lhe , inclusivamente , que tinha estado inscrito em Eton . Não é o tipo de coisa que se ande a dizer com o herdeiro de Slytherin a a solta por aí . - Achas mesmo_que é o Potter , Ernie ? - perguntou uma rapariga de tranças loiras , ansiosamente . - Hannah - disse com solenidade o rapaz corpulento . - Ele é um serpentês . Todos sabem que essa é a marca de um feiticeiro negro . Alguma vez ouviste falar de um feiticeiro decente que falasse com as cobras ? O Slytherin era conhecido por « Língua de serpente . . Houve alguns murmúrios antes de Ernie prosseguir : - Lembram se do_que estava escrito em a parede ? * _ Inimigos de o herdeiro , cuidado ! * . O Potter teve que ir a o gabinete de o Filch . E o que é_que acontece a seguir ? A gata de o Filch é atacada . O aluno de o primeiro ano , Creevey , estava a aborrecê o em a partida de Quidditch , a tirar lhe fotografias quando ele estava caído em a lama . E o que é_que acontece a seguir ? Creevey é atacado . - Mas ele parece sempre ser tão simpático - disse Hannah , cheia de dúvidas . - E , bem , foi ele que fez com que o Quem nós sabemos desaparecesse . Não pode ser assim tão mau , pois não ? Ernie baixou misteriosamente a voz . Os Hufflepuff inclinaram se mais uns para os outros e Harry aproximou se para conseguir apanhar as palavras de o Ernie . - Ninguém sabe como ele sobreviveu a aquele ataque de o Quem nós sabemos e , afinal , ainda era um bebé quando aquilo aconteceu . Era para ter explodido feito em estilhaços . Só um feiticeiro negro verdadeiramente poderoso teria sobrevivido a uma maldição de aquelas . - Baixou ainda mais a voz até esta ficar reduzida a um leve murmúrio e disse : - Talvez fosse por isso que o Quem nós sabemos o queria matar , para não ter outro feiticeiro negro a competir com ele . Gostava de saber que outros poderes ocultos terá o Potter . Harry não aguentou mais . Pigarreou alto e saiu detrás de as estantes . Se não estivesse tão zangado teria conseguido ver o lado cómico de a situação : cada_um de os Hufflepuff olhava para ele como_se tivesse sido petrificado , e a cor desaparecera de a cara de o Ernie . - Olá - disse Harry . - Estou a a procura de o Justin_Finch - _ Fletchley . Os piores receios de os Hufflepuff tinham se concretizado . Olharam apavorados para o Ernie . - O que queres de ele ? - perguntou Ernie em uma voz sumida . - Explicar lhe o que aconteceu com aquela cobra em o clube de os duelos - disse Harry . Ernie mordeu os lábios brancos e , em seguida , respirando fundo , respondeu : - Estávamos lá todos . Vimos o que aconteceu . - Então viram que depois de eu falar a serpente recuou - disse Harry . - O que eu vi - insistiu teimosamente Ernie , apesar_de tremer a cada palavra que proferia - foi tu a falares serpentês e a atiçares a cobra conta o Justin . - Eu não a aticei - gritou Harry enraivecido . - Ela nem lhe tocou . - Falhou por_pouco - disse Ernie . - E , para o caso de estares com ideias - acrescentou com má cara - posso dizer te que a minha família provem de nove gerações de bruxas e feiticeiros e que o meu sangue é tão puro como o de qualquer feiticeiro , portanto ... - Quero lá saber qual é o teu sangue - disse Harry furioso . - Porque iria eu atacar os filhos de os Muggles ? - Ouvi dizer que detestas os Muggles com quem vives - disse Ernie rapidamente . - Não é possível viver com os Dursley sem os detestar - explicou Harry . - Gostava de te ver lá em casa . Girou sobre os calcanhares e saiu furioso de a biblioteca sob o olhar reprovador de Madam_Prince que limpava a capa dourada de um enorme livro de encantamentos . Harry avançou a as cegas por os corredores , quase sem ver por_onde ia de tão furioso que estava . O resultado foi chocar com algo enorme e sólido que o fez recuar e cair a o chão . - Ah ! Olá , Hagrid - disse , olhando para_cima . Hagrid tinha o rosto completamente tapado com um lenço coberto de neve , mas não podia ser mais ninguém , enchendo assim o corredor dentro de o seu sobretudo de pele de toupeira . De uma de as enormes mãos enluvadas , pendia um galo morto . - Tudo bem , Harry ? - perguntou , afastando o lenço para poder falar . - Porque não estás em a aula ? - Foi cancelada - disse Harry , pondo se de pé . - O que estás a fazer aqui ? Hagrid mostrou lhe o galo inerte . - É o segundo qu'aparece morto este período - explicou . - Ou são raposas ou um vampiro chato e eu preciso d'autorização de o director p'ra fazer um feitiço em volta de a capoeira . Aproximou se e olhou mais de perto para o Harry , por debaixo de as suas sobrancelhas espessas e cheias de neve . - Tens a certeza que estás bem ? Pareces exaltado e preocupado . Harry não foi capaz de repetir o que Ernie e os outros Hufflepuff lhe tinham dito . - Não é nada , tenho de ir , Hagrid . A próxima aula é Transfiguração e preciso de ir buscar os meus livros . Afastou se , a cabeça cheia com tudo_o_que Ernie dissera a seu respeito . « * _ O_Justin já estava d espera que uma coisa de o género acontecesse desde_que deixou escapar , falando com o Potter , que era filho de Muggles * ... » Harry subiu as escadas a correr e entrou por um corredor que estava particularmente escuro . As tochas tinham sido apagadas por uma ventania gelada que entrava por uma janela de fecho estragado . Estava a meio de o corredor quando tropeçou em uma coisa que se encontrava em o chão . Olhou para ver o que era e sentiu como_se o estômago se tivesse dissolvido . Justin_Finch - _ Fletchley estava em o chão , rígido e frio com uma expressão de horror em o rosto e os olhos abertos voltados para o tecto . E não era tudo . Junto de ele estava mais alguém , a visão mais estranha que Harry tivera em toda_a sua vida . Era_o_Nick quase sem cabeça que não estava cor de pérola nem transparente e sim escuro como fumo . Flutuava imóvel , em a horizontal , 12 centímetros acima de o chão , a cabeça meio tombada e em o rosto uma expressão de choque idêntica a a de o Justin . Harry pôs se de pé com a respiração acelerada e o coração a bater como um tambor contra as costelas . Olhou desvairado para ambos os lados de o corredor deserto e viu uma fila de aranhas que corriam a_toda_a velocidade em a direcção oposta a a de os corpos . Os únicos sons eram as vozes abafadas de os professores em as aulas que decorriam de ambos os lados . Podia fugir e ninguém saberia que ali tinha estado , mas não era capaz de os abandonar assim . Tinha de ir procurar ajuda . Será que alguém acreditaria que ele não tivera nada que ver com aquilo ? Enquanto ali estava , em pânico , uma porta a o seu lado abriu se com grande estrondo . Peeves , o * poltergeist * , saiu a os gritos . - Oh ! É o Potter , olá , Potter - alardeou Peeves , lançando por o ar os óculos de o Harry quando passou por ele . - O que está o Potter a fazer ? Porque está o Potter escondido ? Peeves passou de cabeça para baixo , a meio de uma cambalhota em o ar , quando viu Justin e Nick quase sem cabeça . Com um movimento súbito endireitou se , encheu os pulmões de ar e , antes que Harry pudesse impedi o , gritou : __ ataque ! ataque ! outro ataque ! nenhum mortal ou fantasma está em segurança . corram , fujam , __ ataaaque ! Crac , Crac , Crac . Uma atrás de a outra , foram se abrindo todas_as portas a o longo de o corredor e as pessoas saíram para fora de as salas de aula . Durante alguns longos minutos houve uma tal confusão que Justin esteve em perigo de ser esmagado e as pessoas não paravam de chocar com o Nick quase sem cabeça . Harry deu por si colado a a parede enquanto os professores exigiam a os gritos que se fizesse silêncio . A professora Mc_Gonagall veio a correr , seguida por todos os alunos , um de os quais ainda trazia o cabelo a as riscas pretas e brancas . Usou a varinha para produzir um ruído que repôs o silêncio e mandou os alunos todos para dentro de as salas de aula . Mal lugar ficou desimpedido surgiu Ernie , o jovem Hufflepuff . - * _ Apanhado em flagrante ! * - gritou , com o rosto totalmente branco , apontando dramaticamente o dedo par Harry . - Basta_Mcmillan - disse , de forma cortante , a professora Mc_Gonagall . Peeves andava para_cima e para baixo , observando a cena com um sorriso maldoso . Sempre adorara o caos . Quando os professores se inclinaram sobre Justin e sobre o Nick quase sem cabeça para os examinar , iniciou uma cantilena : * _ Oh ! Potter , que fizeste , seu grande bandido * _ Tu matas os estudantes porque achas divertido . * - Basta , Peeves - rosnou a professora Mc_Gonagall e Peeves afastou se , deitando a língua de_fora a o Harry . Justin foi levado para a ala hospitalar por o professor Flitwick e por o professor Sinistra_do_Departamento_de_Astronomia , mas ninguém parecia saber o que fazer em relação a o Nick quase sem cabeça . Por fim , a professora Mc_Gonagall fez aparecer em o ar um enorme leque que entregou a Ernie com o encargo de conduzir , escadas acima , por os ares o Nick quase sem cabeça . Ernie assim fez , soprando Nick como_se fosse um aerodeslizador e deixando , de este modo , o Harry e a professora Mc_Gonagall a sós . - Por aqui , Potter - disse ela . - Professora , eu juro que não ... - Isso não é comigo , Potter - afirmou a professora Mc_Gonagall sinteticamente . Caminharam em silêncio até uma esquina e ela parou perante uma gárgula de pedra extremamente feia . - Refresco de limão - disse . Era obviamente uma senha porque a gárgula animou se subitamente e saltou para o lado enquanto a parede se dividia em duas partes . Apesar_de estar apavorado com o que ia acontecer a seguir , Harry não conseguiu evitar um sentimento de fascínio . Por detrás de a parede estava uma escada em espiral que se movia lentamente para_cima como um elevador . E quando ele e a professora Mc_Gonagall puseram os pés em o primeiro degrau , Harry ouviu a parede fechar se atrás de eles . Subiram em círculos , cada_vez_mais alto até que , por fim , um_pouco tonto , Harry pôde ver uma porta de carvalho reluzente com um puxador de bronze em forma de abutre . Harry calculava onde estava a ser levado . Devia ser ali que morava Dumbledore . XII_A poção * polisuco * Saltaram de a escada de pedra lá mesmo em cima e a professora Mc_Gonagall bateu a a porta . Ela abriu se silenciosamente dando lhes entrada . A professora Mc_Gonagall disse lhe que esperasse e deixou o sozinho . Harry olhou em volta . Uma coisa era certa : de todos o escritórios de professores que conhecia , o de Dumbledor era , de longe , o mais interessante . Se não estivesse com um medo de morte de ser expulso teria adorado explorá o . Era uma sala grande e bonita em forma de círculo que estava cheia de barulhinhos estranhos . Havia um grande número de instrumentos prateados sobre várias mesas de pernas finas que zumbiam emitindo pequenas baforadas de fumo . As paredes estavam cobertas de fotografias de antigos directores e directoras , todos eles a dormir tranquilamente em as suas molduras . Havia ainda uma enorme secretária pés de garra . E , sobre uma prateleira atrás de ela , um chapéu de feiticeiro andrajoso e puído : * o chapéu seleccionador * . Harry hesitou . Lançou um olhar cauteloso a as bruxas e feiticeiros adormecidos a o longo de as paredes . Com certeza não fazia mal se lhe pegasse e o experimentasse só para ver ... só para ter a certeza de que ele o pusera em a equipa certa . Deu a volta a a secretária , retirou o chapéu de a prateleira e baixou o lentamente sobre a cabeça . Era demasiado grande e escorregou lhe para os olhos como de a outra_vez que o tinha posto . Harry olhou para o forro preto , enquanto esperava . Por fim , uma vozinha disse lhe a o ouvido : - Estás com macaquinhos em o sótão , Harry_Potter ? - Er ... sim - balbuciou Harry . - Er ... desculpa incomodar te , queria saber ... - Querias saber se te pus em a equipa certa - disse prontamente o chapéu . - Sim ... tu és particularmente difícil de seleccionar , mas eu mantenho o que disse antes . - O coração de Harry deu um salto . - Terias ficado bem em os Slytherin . Harry sentiu o estômago contorcer se . Agarrou o chapéu por a aba e tirou o de a cabeça . O chapéu seleccionador ficou pendurado em a mão de ele , inerte , desbotado e sujo . Harry voltou a pô o em a prateleira , sentindo se enjoado . - Estás enganado ! - disse em voz alta a o chapéu parado e silencioso , mas ele não se mexeu . Harry recuou para o observar melhor e foi então que ouviu um ruído estranho e grasnado atrás_de si que o fez dar uma volta . Não estava só , afinal_de_contas . Em um poleiro dourado atrás de a porta estava um pássaro de aspecto decrépito que parecia um peru meio depenado . Harry olhou para ele espantado e o pássaro olhou o também , grasnando de_novo . Harry achou que ele devia estar muito doente porque tinha os olhos parados e , enquanto olhava para ele , caíram lhe mais algumas penas de a cauda . Estava justamente a pensar que a única coisa que lhe faltava era que o pássaro de estimação de Dumbledore morresse quando ele estava ali sozinho com ele , em o escritório , quando a ave se incendiou . Harry gritou , em estado de choque , e recuou até a a secretária . Olhava nervosamente em volta , em busca de um jarro de água , mas não viu nenhum . O pássaro , entretanto , transformara se em uma bola de fogo , dera um guincho e , em seguida , desaparecera , deixando apenas um monte de cinzas em o chão . A porta de o escritório abriu se . Dumbledore entrou com ar taciturno . - Professor - gaguejou Harry . - O seu pássaro ... eu não pode fazer nada ... ele incendiou se . Para seu grande espanto , Dumbledore sorriu . - Já não era sem tempo . Estava com um aspecto horrível em os últimos dias . Fartei me de lhe dizer que fizesse qualquer coisa . Riu se entre dentes com a expressão em o rosto de Harry . - A Fawkes é uma fénix , Harry . As fénix ardem quando é altura de morrer e renascem de as cinzas , repara ... Harry olhou mesmo a_tempo_de ver um passarinho recém-nascido , todo enrugado , espetar a cabeça fora de as cinzas . Era quase tão feio como o antigo . - É uma pena que a tenhas conhecido em dia de arder - disse Dumbledore , passando para trás de a secretária . - É muito bonita a maior parte de o tempo , com uma plumagem vermelha e dourada . São criaturas fascinantes , as fénix . Podem transportar cargas pesadíssimas , as suas lágrimas têm propriedades curativas e são animais de estimação extremamente fiéis . Com o choque de a fénix a pegar fogo , Harry esquecera se de o motivo porque ali estava , mas tudo voltou rapidamente quando Dumbledore se instalou em a cadeira de espaldar alto e o fixou com os seus olhos azuis e penetrantes . Contudo , antes que ele tivesse tido tempo de falar , a porta de o escritório abriu se de par em par com um enorme estrondo e Hagrid entrou com um olhar tresloucado , o lenço todo torcido em volta de a cabeça hirsuta e o galo morto ainda pendurado em a mão . - Não foi Harry , professor Dumbledore - disse , aflito . - Eu tinha estado a falar com ele poucos segundos antes de o rapazinho ser encontrado , ele não teve tempo professor ... Dumbledore tentou dizer qualquer coisa , mas Hagrid continuou , abanando o galo em o meio de a sua agitação e espalhando penas por todo o lado . - Não pode ter sido ele . Eu juro em a frente de o ministro de a magia , se for preciso ... - Hagrid , eu ... -- Tem o rapaz errado , professor . Eu sei qu'o Harry nunca ... - Hagrid - disse Dumbledore , elevando a voz . - Eu não penso que o Harry tenha atacado aquelas pessoas . - Oh ! - disse Hagrid , com o galo pendendo inerte a o seu lado . - Certo , ' tão eu espero lá fora , director . E saiu com ar envergonhado . - O senhor não acha que tenha sido eu ? - repetiu Harry cheio de esperança , enquanto Dumbledore sacudia penas de galo de cima de a secretária . - Não , Harry , não acho - afirmou Dumbledore , apesar de a sua expressão ser de_novo sombria . - Mas mesmo_assim quero falar contigo . Harry esperou ansiosamente enquanto o director o observava com as pontas de os dedos longos unidas . - Tenho de saber uma coisa . Harry , há alguma pergunta que queiras fazer me , qualquer que ela seja ? Harry não soube o que dizer . Lembrou se de Malfoy a gritar * _ Vocês serão os próximos , sangues de lama * e de a poção * _ Polisuco * em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Depois pensou em a voz sem corpo que ouvira duas vezes e em o que o Ron dissera * _ Ouvir vozes que ninguém mais ouve não é bom sinal , nem mesmo em o mundo de a feitiçaria * . Pensou também em o que toda_a_gente dizia de ele e em o receio cada_vez maior de ter uma relação qualquer com Salazar_Slytherin ... - Não - disse por fim . - Não há nada , professor . O ataque duplo a Justin e a o Nick quase sem cabeça transformou o que até_então era nervosismo em verdadeiro pânico . Curiosamente fora o destino de o Nick quase sem cabeça o que mais preocupara as pessoas . Quem poderia ter feito aquilo a um fantasma ? - perguntavam uns a os outros . - Que poder terrível era aquele , capaz de afectar alguém que já tinha morrido ? Houve uma precipitação enorme em a marcação de os bilhetes em o Expresso_de_Hogwarts , pois todos os alunos quiseram ir passar o Natal a casa . - Por este caminho , vamos ser os únicos a ficar - disse o Ron a o Harry e a a Hermione . - Nós , o Malfoy , o Goyle e o Crabbe , que férias lindas que vão ser ! Crabbe e Goyle que faziam sempre o que Malfoy fazia , tinham se inscrito para ficar também durante as férias . Mas Harry estava contente por a maior parte se ir embora . Estava farto de ver gente a afastar se em os corredores como_se ele fosse mostrar os dentes ou cuspir veneno . Estava cansado de tantos segredinhos , de os ver apontar e segredar quando passava . O Fred e o George , esses achavam muito divertido . Vinham , de propósito , pôr se a a frente de ele e atravessavam os corredores a gritar : - Abram alas para o herdeiro de Slytherin , vai passar um feiticeiro verdadeiramente cruel . Percy discordava totalmente de este comportamento . - Não é um assunto para se brincar - dizia com frieza . - Sai mas é de o caminho , Percy - dizia o Fred . - O Harry está com pressa . - Sim , ele vai a a Câmara_dos_Segredos tomar uma chávena de chá com o seu servidor dentes de serpente - completava Fred com uma gargalhada . Ginny também não lhes achava graça . - Cala te - gritava ela sempre_que o Fred perguntava em voz alta a o Harry quem estava a pensar atacar a seguir , ou quando George fingia afastá o com um enorme dente de alho . Harry não se importava . Fazia o sentir se melhor o facto de constatar que , pelo_menos para o Fred e para o George , a ideia de ele ser o herdeiro de Slytherin era absolutamente ridícula . Mas as palhaçadas de eles pareciam ofender Draco_Malfoy que , de cada_vez que os via , ficava mais irritado . - É porque está ansioso por dizer que é mesmo ele - disse o Ron com ar conhecedor . - Sabes como ele detesta que alguém o ultrapasse e tu estás a receber todo o crédito por o seu trabalho sujo . - Não vai ser por muito_tempo - disse Hermione com uma voz satisfeita . - A poção * polisuco * está quase pronta . Um de estes dias arrancamos lhe a verdade . Finalmente , o período chegou a o seu termo e um silêncio profundo como a neve em os campos desceu sobre o castelo . Harry adorou a tranquilidade e apreciou o facto de ele , Hermione e os Weasley terem a torre de os Gryffindor por sua conta , poderem jogar a as explosões bem alto , sem incomodar ninguém e praticar duelos entre si . O Fred , o George e a Ginny tinham preferido ficar em a escola a ir com Mr. e Mrs._Weasley a o Egipto visitar o Bill . Percy que reprovava e considerava infantil a conduta de eles , não passava muito_tempo em a sala comum de os Gryffindor . Já lhes dissera pomposamente que só ficara ali em o Natal , por ser sua obrigação como prefeito apoiar os professores em aquela época agitada . A manhã de o dia de Natal clareou branca e fria . Harry e Ron , os únicos que estavam em o dormitório , foram acordados muito cedo por Hermione que entrou , toda vestida , transportando presentes para ambos . - Acordem - disse em voz alta , abrindo os cortinados . - Hermione , tu não devias estar aqui - exclamou o Ron , protegendo os olhos de a luz . - Feliz_Natal para ti também - disse Hermione , atirando lhe o presente que tinha para ele . - Estou acordada há quase uma hora , acrescentando mais asas de renda a a poção . Está pronta . Harry sentou se , subitamente acordado . - Tens a certeza ? - Absoluta - disse ela , afastando o rato Scrabbers para se sentar a os pés de a cama de dossel . - Se vamos mesmo tomá a , acho que devia ser logo a a noite . Em esse momentzo , a Hedwig entrou em o quarto , transportando em o bico um embrulho pequenino . - Olá - disse Harry , feliz a o vê a aterrar em a sua cama . - Já me falas outra_vez ? Ela mordiscou lhe a orelha de uma forma afectuosa que foi , de longe , um presente melhor do_que aquele que transportava e que era afinal de os Dursley . Tinham mandado a Harry um palito para os dentes com um cartão pedindo lhe que se informasse se não poderia ficar , também em o Verão , em Hogwarts . Os outros presentes que Harry recebeu foram bastante melhores . Hagrid mandara lhe uma lata grande de bombons de melaço que ele decidiu amolecer a o lume antes de comer , o Ron deu lhe um livro chamado * _ Voando com Canhões * , que narrava factos interessantes sobre a sua equipa favorita de Quidditch e Hermione trouxera lhe uma luxuosa pena de águia . Harry abriu o último presente onde vinha uma camisola novinha , feita a a mão por Mrs._Weasley e um grande bolo de passas . Pegou em o cartão com uma nova sensação de culpa , pensando em o carro de Mr._Weasley que não voltara a ser visto desde_que chocara contra o salgueiro zurzidor e em a quantidade de infracções que ele e o Ron tinham em mente . Ninguém , nem mesmo os que estavam cheios de medo por terem de tomar a poção * polisuco * a seguir , deixou de adorar o jantar de Natal em Hogwarts . O salão nobre estava magnífico . Não_só havia uma_dúzia de árvores de Natal , cobertas de geada e espessas serpentinas de azevinho e visco bravo cruzando se junto de o tecto como caia uma neve encantada quente e seca . Dumbledore conduziu os em uma de as suas canções de Natal preferidas enquanto Hagrid se agitava , falando cada_vez_mais alto , a cada gole de gemada que tomava . O Percy que não dera por_que Fred enfeitiçara o seu distintivo de prefeito , onde agora podia ler se « cabeça de alfinetes « , continuava a perguntar a todos para_onde estavam a olhar . Harry nem_sequer se importou com os comentários que Draco_Malfoy fazia bem alto , de a mesa de os Slytherin acerca de a sua camisola nova . Com alguma sorte , Malfoy iria ser desmascarado dentro_de algumas horas . Harry e Ron mal tinham acabado a terceira dose de pudim de Natal quando Hermione os fez sair de o salão a a pressa para acabarem de tratar de os planos para essa noite . - Ainda precisamos de um bocadinho de a pessoa em quem queremos transformar nos - disse com o ar mais natural de este mundo como_se estivesse a mandá os a o supermercado comprar detergente . - E , é claro que o ideal será conseguirmos alguma coisa de o Crabbe e de o Goyle , são os melhores amigos de o Malfoy , ele conta lhes tudo . E precisamos também de ter a certeza de que eles não vão entrar em a sala quando vocês estiverem a interrogar o Malfoy . - Eu tenho tudo pensado - prosseguiu ela , ignorando a expressão estupefacta de Harry e Ron . Pegou em dois apetitosos bolos de chocolate . - Pus lhes um encantamento de sono . Vocês só têm de fazer com que o Crabbe e o Goyle os encontrem . Sabem como eles são gulosos , vão logo comê os . Quando estiverem a dormir , tirem lhes alguns cabelos e escondam nos em uma despensa de vassouras . Harry e Ron olharam , incrédulos , um para o outro . -- Hermione , eu não creio que ... -- Isto pode correr muito mal ... Mas Hermione tinha um brilho inflexível em os olhos que não era muito diferente do_que costumavam ver em o olhar de a professora Mc_Gonagall . - A poção não nos serve de nada sem os cabelos de o Crabbe e de o Goyle - disse com firmeza . - Vocês querem mesmo descobrir coisas sobre o Malfoy , não querem ? - Pronto , está bem - disse Harry . - Mas , e tu , vais arranjar cabelos de quem ? - Eu já tenho esse assunto resolvido - disse Hermione sorridente , tirando um frasquinho de o bolso e mostrando lhes um cabelo que lá estava dentro . - Lembram se de a Millicent_Bulstrode que lutou comigo em o clube de os duelos ? Ela deixou isto em o meu manto quando tentava estrangular me . E foi passar o Natal a casa , portanto , basta me dizer a os Slytherins que decidi voltar . Quando Hermione saiu para verificar de_novo a poção polisuco , Ron voltou se para Harry com uma expressão lúgubre . - Alguma vez viste um plano onde tantas coisas pudessem correr mal ? Mas para grande espanto de ambos , a primeira fase de a operação decorreu tão naturalmente como Hermione previra . Eles esconderam se em o * hall * de entrada , depois de o lanche de Natal , a a espera de o Crabbe e de o Goyle que tinham ficado sozinhos a a mesa de os Slytherin , deitando abaixo a quarta dose de bolo inglês . Harry colocou os bolos de chocolate em o fim de o corrimão . Quando avistaram Crabbe e Goyle a sair de o salão , Harry e Ron esconderam se rapidamente atrás_de uma armadura que estava junto de a porta de entrada . - Como_se pode ser tão estúpido ? - murmurou Ron sem se mexer enquanto Crabbe apontava satisfeitíssimo , mostrando a Goyle os bolos e agarrando os . Com um riso estúpido , enfiaram nos inteiros em as bocas enormes . Durante um momento , ambos mastigaram avidamente com olhares vitoriosos em o rosto . Depois , sem que a expressão se alterasse , caíram para trás e estatelaram se em o chão . Mais difícil foi transportá os para a despensa de o outro lado de o * hall * . Uma_vez armazenados em o meio de os baldes e esfregões , Harry arrancou alguns de os pêlos que cobriam a cabeça de o Goyle e Ron tirou alguns cabelos a o Crabbe . Roubaram lhes também os sapatos porque os de eles eram demasiado pequenos para os enormes pés de o Crabbe e de o Goyle . Em seguida , ainda atordoados com o que tinham acabado de fazer , correram até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mal conseguiam ver com o fumo preto e espesso que saía de o cubículo onde Hermione mexia o caldeirão . Tapando o rosto com os mantos , Harry e Ron bateram a o de leve em a porta . - Hermione ? Ouviram o ruído de o trinco e Hermione apareceu com a cara lustrosa e um ar ansioso . Por trás de ela ouviam o gloop gloop de a poção espessa e gorgolejante . Em o banco de a casa_de_banho estavam três copos de vidro . - Conseguiram ? - perguntou Hermione quase sem fôlego . Harry mostrou lhe o cabelo de o Goyle . - _ óptimo . Eu tirei estes mantos suplementares de a lavandaria - disse ela , pegando em uma pequena saca . - Vocês vão precisar de tamanhos maiores se vão ser o Crabbe e o Goyle . Olharam os três para o caldeirão . Vista de perto , a poção parecia uma lama espessa e escura a borbulhar indolentemente . - Tenho a certeza que fiz tudo certo - disse Hermione nervosa , relendo a página manchada de * _ Moste_Potente_Potions * . - Tem o aspecto que o livro diz que deveria ter ... depois de a tomar temos precisamente uma hora antes de nos transformarmos de_novo em as pessoas que somos . - E agora ? - murmurou o Ron . - Separamos a em três copos e adicionamos os cabelos . Hermione encheu cada_um de os copos com uma concha de sopa . Em seguida , retirou com a mão a tremer o cabelo de Millicent_Bulstrode de dentro de o frasquinho e pô o em o primeiro copo . A poção chiou fortemente como uma chaleira a ferver e espumou como louca . Um segundo depois ganhara um tom de amarelo doentio . - Urgh ! Essência_de_Millicent_Bulstrode - disse Ron , olhando com repugnância . - Aposto que o sabor é nojento . - Deitem os vossos - disse Hermione . Harry deixou cair o cabelo de o Goyle em o copo de o meio e Ron lançou o de o Crabbe em o último . Ambos chiaram e espumaram : o de o Goyle ficou de um tom caqui , o de o Crabbe de um castanho-escuro algo tenebroso . - Esperem - pediu Harry quando Ron e Hermione pegaram em os copos . - Será melhor não os tomarmos aqui todos juntos em um cubículo ; quando em os transformarmos não vamos cá caber e Millicent_Bulstrode não é nenhum duende . - Bem pensado - admitiu o Ron , abrindo a porta . - Cada_um em seu cubículo . Com todo o cuidado , para não entornar nem uma gota de a poção polisuco , Harry esgueirou se para o cubículo de o meio . - Prontos ? - perguntou . - Prontos - responderam as vozes de o Ron e de a Hermione . - Um , dois , três . Tapando o nariz , Harry bebeu a poção em dois grandes tragos . Tinha o sabor de a couve demasiado cozida . Os seus interiores começaram imediatamente a contorcer se como_se tivesse engolido serpentes vivas . Dobrado , Harry perguntava a si próprio se iria vomitar . Depois , uma sensação de ardor espalhou se rapidamente de o estômago até a as pontas de os dedos de as mãos e de os pés . Em seguida , fazendo o sobressaltar se , sobreveio o sentimento horrível de estar a derreter enquanto a pele de todo o seu corpo borbulhava como cera quente e , perante os seus olhos , as mãos começaram a crescer , os dedos a engrossar , as unhas a alargar e as articulações a tornarem se protuberantes como ferrolhos . Os ombros retesaram se dolorosamente e uma comichão em a testa preveniu o de que o cabelo estava a rastejar em direcção a as sobrancelhas . As túnicas rasgaram se enquanto o tórax se expandia como um barril , rebentando com os seus anéis . Os pés estavam em grande sofrimento dentro_de sapatos quatro números abaixo . Tão depressa como começara , tudo parou . Harry estava caído em o chão de pedra fria , ouvindo a Murta_Queixosa gorgolejando taciturna em o cubículo de o fundo . Com alguma dificuldade tirou os sapatos e levantou se . Era então assim que o Goyle se sentia ! Com a mão enorme a tremer , despiu a sua túnica que lhe ficava 30 centímetros acima de os tornozelos , pegou em as túnicas suplementares e amarrou os atacadores de os sapatos abotinados de o Goyle . Quis escovar o cabelo para o afastar um_pouco de os olhos e deu apenas com os pêlos hirsutos que lhe cresciam em a testa . Apercebeu se então de que os óculos lhe toldavam a visão porque o Goyle , obviamente , não precisava de eles . Tirou os e gritou . - Vocês estão bem ? - De a sua boca saiu a voz baixa e grossa de o Goyle . - Sim - respondeu lhe o grunhido de o Crabbe , a a sua direita . Harry abriu a porta de o cubículo e dirigiu se a o espelho partido . O Goyle olhava o de o outro lado com os seus olhos parados . Harry coçou a orelha e Goyle fez o mesmo . A porta de o Ron abriu se . Olharam um para o outro . Harry estava pálido e chocado . O amigo não se distinguia de o Crabbe , desde o corte de cabelo em forma de tigela até a os longos braços de gorila . - É inacreditável - disse o Ron , aproximando se de o espelho e beliscando o nariz achatado de o Crabbe . - Inacreditável ! - É melhor irmos indo - disse Harry , alargando a pulseira de o relógio que lhe cortava o pulso . - Ainda temos de descobrir onde fica a sala comum de Slytherin . Só espero que encontremos alguém que vá para lá e que nós possamos seguir . Ron que tinha estado a olhar espantado para ele , comentou : - Não imaginas como é bizarro ver o Goyle a pensar - bateu em a porta de Hermione . - Vamos , temos que ir ... Respondeu lhe uma voz aguda : - Eu ... eu acho que afinal não vou . Vão vocês sem mim . - Hermione , nós sabemos que a Millicent_Bulstrode é feia , ninguém vai pensar que és tu . - Não , a sério , acho que não vou . Despachem se vocês os dois , estão a perder tempo . Harry olhou para Ron , baralhado . - Aquilo parece mais de o Goyle , é como ele fica sempre_que algum professor lhe faz uma pergunta . - Estás bem , Hermione ? - perguntou Harry , através de a porta . - _ óptima , estou óptima , vão se embora . Harry olhou para o relógio . Cinco preciosos minutos tinham já passado . - Encontramo nos aqui , está bem ? - disse . Os dois abriram a porta de a casa_de_banho com todo o cuidado , viram se o caminho estava livre e saíram . - Não balances assim os braços - disse o Harry a o Ron . - Hein ? - O Crabbe anda sempre com eles esticados . - Assim ? - Isso , assim está melhor . Desceram a escadaria de mármore . Só precisavam agora de um Slytherin que pudessem seguir até a a sala comum , mas não havia ninguém por perto . - Tens alguma ideia ? - perguntou Harry em um murmúrio . - Os Slytherin vêm sempre de ali para o pequeno-almoço - disse o Ron , apontando para a entrada de os calabouços . Mal tinha pronunciado estas palavras quando uma rapariga de cabelo comprido a os caracóis , apareceu . - Desculpa - disse o Ron , sem perder tempo . - Esquecemo nos de o caminho para a nossa sala comum . - Como ? - disse a rapariga com a maior frieza . - A * nossa * sala comum ? Eu sou uma Ravenclaw . Afastou se , olhando para eles , desconfiada . Harry e Ron desceram apressadamente os degraus de pedra até a a escuridão . Os passos ecoavam em o silêncio , à_medida_que os pés enormes de Crabbe e Goyle tocavam em o chão , fazendo os sentir que as coisas não iam ser tão fáceis como eles desejavam . Os corredores labirínticos estavam desertos . Andaram e tornaram a andar por os subterrâneos , olhando constantemente para os relógios para ver quanto tempo ainda lhes restava . Depois de um quarto de hora , quando começavam a ficar desesperados , ouviram um movimento súbito . - Olha - disse o Ron , agitadamente . - Agora é um de eles . A silhueta saía de uma sala , mas quando se aproximaram o coração de ambos esmoreceu . Não era um Slytherin , era Percy . - O que estás a fazer aqui em baixo ? - perguntou o Ron surpreendido . - Isso - disse ele friamente - não é de a tua conta . És o Crabbe , não és ? - Er ... sim , sim - respondeu o Ron . - Então vão para o vosso dormitório - ordenou Percy com firmeza . - Não é seguro andar a passear por os corredores escuros em os dias que correm . - Tu andas -- fez notar o Ron . - Eu - disse o Percy endireitando se - sou um prefeito . Nada vai atacar me . Ouviu se , de repente , uma voz por_detrás_de Harry e Ron . Era_Draco_Malfoy e , pela_primeira_vez em a vida , Harry ficou satisfeito a o vê o . - Aí estão vocês - disse de modo arrastado , olhando para eles . - Têm estado a chafurdar em o salão este tempo todo ? Tenho andado a a vossa procura , quero mostrar vos uma coisa muito divertida . Malfoy olhou misteriosamente para Percy . - E o que fazes tu aqui , Weasley ? - perguntou com ar de desprezo . Percy olhou , sentindo se ultrajado . - Fazes favor de mostrar um_pouco mais de respeito por um prefeito de a escola - disse . - Não gosto de o teu ar . Malfoy riu se e fez sinal a o Harry e a o Ron para que o seguissem . Harry quase ia pedindo desculpa a o Percy , mas deu se conta a tempo . Apressaram se a seguir o Malfoy que disse , mal viraram em o corredor seguinte : - Aquele Peter_Weasley ... - O Percy - corrigiu Ron automaticamente . - Ou isso - continuou Malfoy . - Ultimamente tenho o visto muitas_vezes a andar por aí sorrateiramente e aposto que sei o que ele quer . Pensa que vai apanhar o herdeiro de Slytherin sozinho . Deu uma pequena gargalhada ridícula . Harry e Ron trocaram olhares nervosos . Malfoy parou junto de uma parede de pedra húmida . - Qual é a senha ? - perguntou a o Harry . - Er ... - Ah ! sim , sangue puro - disse Malfoy sem ouvir e uma porta de pedra , oculta em a parede , abriu se . Malfoy entrou e Harry e Ron seguiram o . A sala comum de os Slytherin era uma ampla divisão subterrânea com espessas paredes de pedra e um tecto de o qual estavam pendurados por correntes vários candeeiros redondos que davam uma luz esverdeada . O fogo crepitava em uma lareira elaboradamente esculpida em frente de a qual se viam as silhuetas de vários Slytherins sentados em cadeiras igualmente esculpidas . - Esperem aí - disse Malfoy a o Harry e a o Ron , encaminhando os para um par de cadeiras vazias , longe de o lume . - Eu vou buscar o que o meu pai acaba de me mandar . Sem saber o que Malfoy iria mostrar lhes , Harry e Ron sentaram se , fazendo todos os possíveis por parecer a a vontade . Malfoy voltou um minuto depois , trazendo em a mão o que parecia ser um recorte de jornal . Pô o debaixo de o nariz de o Ron . - Vais te rir - disse . Harry viu os olhos de o Ron abrirem se como_se estivesse em estado de choque . Viu o ler o recorte rapidamente , dar uma gargalhada forçada e estender lhe o em seguida . Tinha sido retirado de o * _ Profeta_Diário * e dizia : inquérito em o ministério de a magia * _ Arthur_Weasley , chefe de o Gabinete_de_Mau_Uso_dos_Utensílios_dos_Muggles foi hoje multado em cinquenta galeões por ter enfeitiçado um carro de os Muggles . * _ O senhor Lucius_Malfoy , Membro_do_Conselho_Directivo_da_Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts , onde o carro enfeitiçado foi chocar em o princípio de este ano , exigiu hoje a demissão de Mr._Weasley . « * _ O_Weasley trouxe o descrédito a o Ministério « - declarou Mr._Malfoy a o nosso repórter . - « É claramente incompetente para fazer cumprir as leis e a sua protecção ridícula de os Muggles deveria ir imediatamente para a sucata . » * _ Mr._Weasley recusou se a fazer comentários , mas a sua mulher disse a os repórteres que desaparecessem de ali ou lançaria contra eles o vampiro de a família * . - Então - disse Malfoy impaciente quando Harry voltou a entregar lhe o recorte . - Não achas o_máximo ? - Ha , ha - fez Harry tristemente . - O Arthur_Weasley gosta tanto de os Muggles que era capaz de partir a sua varinha a o meio para se juntar a eles - disse Malfoy com desprezo . - Ninguém diria que os Weasley eram sangue puro a avaliar por o modo como_se comportam . A cara de o Ron , ou melhor , de o Crabbe , contorceu se de raiva . - O que é_que se passa ? - perguntou Malfoy . - Dores de estômago - gemeu o Ron . - Então vai a a ala hospitalar e dá a todos aqueles sangues de lama um pontapé de a minha parte - disse Malfoy com o seu riso escarninho . - Sabes que estou espantado por o * _ Profeta_Diário * ainda não se ter referido a todos estes ataques - continuou pensativamente . - Calculo que o Dumbledore deve estar a tentar abafar as coisas . Ele ainda é posto em a rua se isto não acaba depressa . O pai sempre disse que Dumbledore foi a pior coisa que aqui veio parar . Ele adora os filhos de os Muggles , um director decente nunca deixaria um lodo como o Creevey entrar em esta escola . Malfoy começou a fingir que tirava fotografias com uma máquina imaginária e fez uma imitação maldosa , mas bastante fiel de o Colin : - Potter , posso tirar te a fotografia ? Dás me um autógrafo ? Posso lamber te os sapatos , por favor , Potter ? Baixou as mãos e olhou para Harry e Ron . - O que é_que se passa com vocês os dois ? Um_pouco atrasados , Harry e Ron forçaram o riso e Malfoy pareceu satisfeito . Talvez Crabbe e Goyle fossem sempre de reacção lenta . - O santo Potter , amigo de os sangues de lama - disse Malfoy . - É outro que não tem os sentimentos de um feiticeiro a sério ou não andaria por aí com aquela empertigada sangue de lama Granger . E as pessoas a pensarem que ele é o herdeiro de Slytherin . Harry e Ron esperaram com a respiração entrecortada : o Malfoy ia certamente dizer lhes , dentro_de segundos , que era ele , mas então ... - Quem me dera saber quem ele é - disse o Malfoy , de forma petulante . - Podia ajudá o . O queixo de o Ron caiu de tal maneira que a cara de o Crabbe ficou ainda mais desajeitada do_que era habitual . Felizmente Malfoy não deu por nada e Harry , em um pensamento rápido , disse : - Deves ter alguma ideia de quem está por_detrás_de tudo ... - Sabes perfeitamente que não tenho , Goyle , quantas vezes é preciso dizer te ? - cortou Malfoy . - E o pai também não me diz nada sobre a última vez que a câmara foi aberta . É claro que foi há cinquenta anos , antes de ele cá andar , mas o pai sabe tudo a esse respeito e diz que as coisas foram mantidas em grande segredo e que pareceria suspeito se eu soubesse demasiado . Mas há uma coisa que eu sei : de a última vez que a câmara foi aberta , morreu um sangue de lama . Por isso , aposto que é uma questão de tempo até que um de eles seja morto . Só espero que seja a Granger - disse satisfeito . Ron fechara os punhos gigantescos de o Crabbe . Sentindo que deitaria tudo a perder se ele desse um soco a o Malfoy , Harry lançou lhe um olhar de aviso e disse : - Sabes se a pessoa que abriu a câmara de a última vez foi apanhada ? - Ah ! sim , essa pessoa foi expulsa - disse Malfoy . - Ainda deve estar em Azkaban . - Azkaban ? - repetiu Harry confuso . - Azkaban , a prisão de os feiticeiros , Goyle - disse Malfoy , olhando para ele incrédulo . - Francamente , se fosses mais lento andavas para trás . Esticou se intranquilo , em a cadeira e disse : - O pai diz para eu esfriar a cabeça e deixar que o herdeiro de Slytherin faça o seu trabalho . Acha que a escola precisa de se livrar de a escória de os sangues de lama , mas não quer que eu me envolva em nada . Claro que ele agora tem um prato cheio . Sabes que o Ministério de a magia fez uma busca a a nossa mansão em a semana passada ? Harry tentou forçar a cara de bronco de o Goyle a uma expressão preocupada . - Sim - continuou Malfoy . - É claro que não encontraram grande coisa . O pai guarda uns materiais de magia negra muito valiosos , mas , felizmente , temos a nossa câmara secreta debaixo de o soalho de a sala de visitas ... - Ah ! - disse o Ron . Malfoy olhou para ele . Harry também . Ron corou e até o cabelo começou a ficar vermelho . O nariz estava também a diminuir lentamente ... a hora tinha acabado . Ron estava a voltar a a sua forma habitual e por o olhar de horror que lançou a Harry certamente ele também estava . Puseram se rapidamente de pé . - Tenho de tomar o remédio para o estômago - grunhiu o Ron e sem mais explicações saíram ambos a correr de a sala comum de os Slytherin , precipitaram se para a parede de pedra e galgaram a passagem , pedindo a todos os santos que Malfoy não tivesse dado por nada . Harry sentia os pés a nadarem em os sapatos enormes de o Goyle e tinha de levantar o manto visto_que diminuíra de tamanho . Subiram os degraus a correr até a o * hall * escuro de entrada onde se ouvia um som abafado que vinha de a despensa onde tinham fechado o Crabbe e o Goyle . Deixando os sapatorros de os dois de o lado de_fora , subiram já com os respectivos sapatos a escadaria de mármore até a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . - Bem , não foi uma total perda de tempo - disse o Ron ofegante , fechando atrás_de si a porta de a casa_de_banho . - É certo que ainda não descobrimos de quem vêm os ataques , mas vou escrever a o meu pai amanhã a dizer lhe que procure debaixo de o soalho de a sala de visitas de o Malfoy . Harry olhou para o espelho partido . Tinha voltado a o normal . Pôs os óculos enquanto Ron batia em a porta de o cubículo de Hermione . - Hermione , sai de aí , temos um monte de coisas para te contar ... - Vão se embora - guinchou Hermione . Harry e Ron olharam um para o outro . - O que é_que se passa ? - perguntou o Ron . - Tu já deves ter voltado a o normal como nós ... Mas a Murta_Queixosa saiu subitamente através de a porta de o cubículo com um ar divertido como nunca a tinham visto . - Oh ! Esperem até ver - disse ela . - É horrível ! Ouviram o trinco de a porta a abrir se e Hermione apareceu a soluçar , a túnica levantada a cobrir lhe o rosto . - O que foi ? - perguntou o Ron indistintamente . - Ainda tens o nariz de a Millicent ou alguma coisa assim ? Hermione deixou cair a roupa e Ron recuou rapidamente . O rosto de ela estava coberto de pêlo preto , os olhos tinham ganho uma cor amarela e as orelhas eram pontiagudas , saindo espetadas para fora de os cabelos . - Era um pêlo de g-gato - disse a chorar . - A Millicent_Bulstrode d-deve ter um gato e a poção não está preparada para transformação em animais . - Oh-oh - disse o Ron . - Vão te gozar horrivelmente - disse a Murta , felicíssima . - Não te preocupes , Hermione - tranquilizou a rapidamente o Harry . - Vamos levar te para a ala hospitalar , a Madam_Pomfrey nunca faz muitas perguntas ... Não foi fácil convencer Hermione a sair de a casa_de_banho . A Murta_Queixosa despediu se com uma gargalhadavigorosa e grosseira . - Espera até todos descobrirem que tens uma cauda ! XIII_O diário muito secreto Hermione ficou em a ala hospitalar durante várias semanas . Houve uma onda de boatos sobre o seu desaparecimento quando o resto de os alunos voltou de as férias de Natal porque , é claro , todos pensam que ela tinha sido atacada . Foram tantos os estudantes a rondar a ala hospitalar para espreitar a ver se a viam que Madam_Pomfrey desceu de_novo as cortinas de a cama de ela para a poupar a a vergonha de ser vista com pêlo em a cara . Harry e Ron iam visitá a todas_as tardes . Quando o segundo período começou passaram a levar lhe diariamente os trabalhos de casa . - Se eu tivesse o bigode a crescer , tinha uma folga de o trabalho - disse uma tarde o Ron enquanto colocava uma pilha de livros a a cabeceira de a cama de Hermione . - Não sejas parvo , Ron , eu tenho de me manter a par de as coisas - disse Hermione com vivacidade . O humor de ela melhorara bastante com o facto de lhe ter desaparecido todo o pêlo de o rosto e de os olhos estarem lentamente a retomar a cor castanha . - Calculo que não tenham novas pistas ? - disse em um murmúrio para evitar que Madam_Pomfrey os ouvisse . - Nada - disse Harry tristemente . - Eu tinha tanta certeza de que era o Malfoy - repetiu o Ron por a centésima vez . - O que é isso ? - perguntou Harry , apontando para uma coisa com brilho dourado que estava debaixo de a almofada de Hermione . - É só um cartão a desejar boas melhoras - disse ela precipitadamente , tentando escondê o , mas o Ron foi mais rápido . Pegou lhe , abriu o e leu em voz alta : * _ Para_Miss_Granger , desejando lhe uma rápida recuperação , com o interesse e estima de o professor Gilderoy_Lockhart , Ordem_de_Merlim , Terceiro grau , Membro_Honorário_da_Liga_de_Defesa contra as Artes_Negras e vencedor por cinco vezes de o prémio O sorriso mais charmoso de a semana de o Semanário_das_Bruxas * . Ron olhou desconsolado para Hermione . - Tu dormes com isto debaixo de a almofada ? Mas Hermione foi poupada a ter de responder por a entrada de Madam_Pomfrey que lhe trazia a dose de medicamento de a tarde . - Achas que o Lockhart é o tipo mais esperto que conheceste ? - perguntou o Ron a o Harry quando saíram de a enfermaria e começavam a subir as escadas para a torre de os Gryffindor . O Snape tinha lhes passado tanto trabalho para_casa que Harry pensou que ia chegar a o sexto ano antes de o ter acabado . Ron vinha a dizer que devia ter perguntado a a Hermione quantas caudas de rato deveria juntar se a uma poção para o crescimento de o cabelo quando um grito de raiva vindo de o andar de cima lhes chegou a os ouvidos . - É o Filch - murmurou Harry enquanto subiam apressadamente as escadas e paravam para ouvir melhor . - Terá mais alguém sido atacado ? - disse nervosamente o Ron . Ficaram parados com as cabeças inclinadas para a voz de o Filch que parecia quase histérica . -- ... * _ Ainda mais trabalho para mim . Toda_a noite a esfregar como_se não tivesse já trabalho de sobra . Não , isto foi a gota de água que fez transbordar o copo , vou falar com Dumbledore * ... Os passos afastaram se e ouviram uma porta fechar se com grande estrondo . Puseram as cabeças fora de a esquina . O Filch tinha obviamente estado a patrulhar o seu habitual posto de vigia : estavam novamente em o lugar onde Mrs._Norris fora atacada . Perceberam imediatamente qual o motivo de os gritos . Uma enorme poça de água enchia metade de o corredor e parecia escorrer de a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Agora_que o Filch se calara podiam ouvir os uivos de a Murta que faziam eco em as paredes de a casa_de_banho . - Mas o que se passará com ela ? - disse o Ron . - Vamos lá ver - sugeriu Harry e arregaçando as túnicas até a os tornozelos entraram , atravessando a enorme poça de água , em a casa_de_banho que tinha o letreiro a dizer « Fora de serviço » e que eles , como sempre , ignoraram . A Murta_Queixosa chorava , se possível , mais alto do_que nunca . Parecia estar escondida em o cubículo de o costume . Lá dentro estava escuro pois as velas tinham se apagado com a enchente de água que deixara as paredes e o chão ensopado . - O que se passa , Murta ? - quis saber o Harry . - Quem é ? - perguntou ela infelicíssima . - Vieste atirar me mais alguma coisa acima ? Harry caminhou com dificuldade por causa de a água até a o cubículo de ela e disse : - Porque te faríamos nós uma coisa de essas ? - Não me perguntem - gritou a Murta , emergindo em uma onda de água que molhou ainda mais o chão já ensopado . - Eu estou aqui metida em a minha morte e alguém acha muito engraçado atirar me com um caderno acima ... - Mas , não pode magoar te se alguém te atirar alguma coisa acima - disse Harry , tentando ser prático . - Isto_é , seja o que for passa através_de ti , não é assim ? Tinha dito a frase errada . A Murta encheu o peito de ar e gritou a plenos pulmões : - Vamos todos atirar cadernos a a Murta já_que ela não sente nada ! Dez pontos se lhe acertarem em o estômago , cinquenta se lhe atravessar a cabeça ! Hah hah hah , que jogo lindo , não acham ? - Quem te atirou um caderno , afinal ? - perguntou o Harry . - Não sei ... eu estava sentada em a sanita a pensar em a morte e caiu me em cima de a cabeça - disse a Murta , olhando para eles . - Está ali , ficou todo molhado . Harry e Ron olharam para o ponto que a Murta lhes apontava debaixo de o lavatório . Um caderno pequenino e fino estava caído em o chão . Tinha uma capa preta muito gasta e estava encharcado como tudo em aquela casa_de_banho . Harry deu um passo em frente para o apanhar , mas o Ron agarrou lhe precipitadamente o braço . - O que foi ? - perguntou Harry . - Estás doido - disse ele . - Pode ser perigoso . - Perigoso ? - riu se Harry . - Essa agora Ron , como é_que pode ser perigoso ? - Ficarias surpreendido ... - explicou ele , olhando com ar apreensivo para o caderno . - Entre os livros que o Ministério confiscou , contou me o meu pai , havia um que queimava os olhos a as pessoas . E todos os que leram os * _ Sonetos_de_Um_Feiticeiro * ficaram a falar em verso para o resto de a vida . Havia também uma bruxa em Bath que tinha um livro que quem o lesse nunca mais conseguia parar , tinha de andar por aí com o nariz enfiado em as folhas , a fazer todas_as coisas só com uma mão e ... - Já chega , já chega , já percebi a tua ideia - disse O_Harry . O caderninho continuava caído e ensopado . - Bem , nunca saberemos a_não_ser_que tenhamos a coragem de dar uma vista de olhos - disse e mergulhou apanhando o de o chão . Harry viu imediatamente que se tratava de um diário e a data meio apagada , em a capa , disse lhe que tinha cinquenta anos de idade . Abriu o ansiosamente . Em a primeira página podia ler se apenas o nome T._M._Riddle em tinta esborratada . - Espera aí - disse o Ron que se aproximara prudentemente e olhava por cima de o ombro de Harry . - Eu conheço esse nome ... T._M._Riddle recebeu um prémio por serviços especiais prestados a a escola há cinquenta anos atrás . - Como diabo sabes tu isso ? - perguntou Harry com grande espanto . - Porque o Filch mandou me limpar a taça de ele umas cinquenta vezes quando estive de castigo - disse o Ron ressentido . - Foi a taça em cima de a qual eu vomitei lesmas . Se tivesses tido que limpar o muco de um nome durante uma hora também te lembrarias . Harry separou umas de as outras as páginas molhadas . Estavam completamente em branco . Não havia o mais leve sinal de escrita em nenhuma , nem coisas como « Aniversário de a tia Mabel « ou « Dentista a as três_e_meia » . - Ele nunca escreveu nada aqui - disse Harry desapontado . - Porque quereria alguém atirá o fora ? - perguntou se o Ron com curiosidade . Harry voltou o caderno e viu , inscrito em a contra capa , o nome de uma tabacaria em Vauxhall_Road , Londres . - Ele devia ser filho de Muggle - disse Harry pensativo - para ter comprado um diário em Vauxhall_Road ... - Bem , não te serve de muito - Ron baixou a voz . - Cinquenta pontos se acertares em o nariz de a Murta . Harry , mesmo_assim , guardou o diário . Hermione saiu de a ala hospitalar desbigodada , sem cauda e sem pêlo em os primeiros dias de Fevereiro . Em a primeira noite em a torre de os Gryffindor , Harry mostrou lhe o diário de T._M._Riddle e contou lhe como o tinham encontrado . - Ooooh ! Deve ter poderes ocultos - disse ela entusiasticamente , pegando em o diário e examinando o de perto . - Se tem , esconde os muito bem - disse Ron . - Talvez fosse tímido . Não sei porque não deitas isso fora , Harry . - Gostava de perceber porque motivo alguém se quis livrar de ele - explicou Harry . - E também não me importava de saber como foi que o Riddle obteve esse prémio de serviços especiais prestados a Hogwarts . - Pode ter sido qualquer coisa - lançou o Ron . - Talvez tenha recebido 30 de nota final ou salvo um professor de a lula gigante . Se_calhar assassinou a Murta , isso teria sido um favor prestado a todos ... Mas Harry quase podia jurar , por o olhar suspenso em a cara de Hermione , que ela pensava o mesmo_que ele . - O que foi ? - perguntou Ron , olhando para um e para o outro . - Bem , a Câmara_dos_Segredos foi aberta há cinquenta anos , não foi isso que disse o Malfoy ? - Sim - respondeu Ron , lentamente . - E este diário tem cinquenta anos de idade - completou Hermione , dando lhe palmadinhas nervosas . - E de aí ? - Oh Ron , acorda - insistiu Hermione . - Sabemos que a pessoa que abriu a câmara de a outra_vez foi expulsa há cinquenta anos . E se o Riddle tivesse tido o prémio especial por apanhar o herdeiro de Slytherin ? O seu diário diria nos provavelmente tudo : onde é a Câmara_dos_Segredos , como abris a e que tipo de criatura vive lá . Achas que a pessoa que está por trás de os ataques desta_vez quereria o diário por aí ? - É uma teoria interessante , Hermione - disse o Ron . - Apenas com uma pequenina falha : o diário não tem nada Mas_Hermione já estava a tirar a varinha de o saco . - Pode ser tinta invisível - murmurou . Bateu três vezes em o diário e repetiu * _ Aparecium ! * Nada aconteceu . Intrépida , Hermione meteu a mão de_novo em o saco e tirou o que parecia ser uma borracha vermelha e brilhante . - É um * revelador * , comprei o em a Diagon - _ Al - disse . Apagou com força em 1_de_Janeiro . Não sucedeu nada . - Já vos disse , não há nada aí - repetiu o Ron . - O Riddle deve ter recebido um diário como prenda de Natal e nem se deu a o trabalho de escrever fosse o que fosse . Harry não conseguia explicar , nem a si próprio , porque motivo não deitara fora o diário de Riddle . A verdade é_que , mesmo depois de saber que ele estava em branco , continuou distraidamente a pegar lhe e a virar as páginas como_se quisesse chegar a o fim de uma história . E , apesar_de saber que nunca tinha ouvido o nome T._M._Riddle , continuava a ter a sensação de que lhe dizia alguma coisa , como_se Riddle fosse um amigo que ele tinha tido quando era muito pequeno e que estivesse meio esquecido . Mas era um absurdo . Nunca tivera amigos antes de Hogwarts , Dudley tivera esse cuidado . Ainda_assim , Harry estava decidido a descobrir mais sobre Riddle , por isso em o dia seguinte foi até a a sala de os troféus para examinar a taça , acompanhado de Hermione que estava interessadíssima e de Ron que se mostrava profundamente incrédulo , dizendo que tinha ficado farto de aquela sala até a o fim de a vida . A taça dourada de Riddle estava arrecadada em um armário de canto . Não fornecia detalhes sobre o motivo por_que lhe fora dada ( felizmente , se fosse maior ainda hoje estava a limpá a , disse o Ron ) . Mas encontraram o nome de Riddle em uma antiga medalha de Mérito_Mágico e em uma lista de antigos chefes de turma . - Parece o Percy - comentou Ron , torcendo o nariz com aversão . - Prefeito , chefe de turma , provavelmente o melhor em todas_as disciplinas . - Dizes isso como_se fosse uma coisa má - fez lhe notar Hermione , em um tom de voz ressentido . Um sol fraco brilhava agora de_novo em Hogwarts . Dentro de o castelo , o ambiente estava bastante melhor . Não tinha havido novos ataques desde Justin e Nick quase sem cabeça e Madam_Pomfrey teve a satisfação de informar que as Mandrágoras começavam a ficar instáveis e dissimuladas , sinal de que estavam a abandonar rapidamente a infância . - Logo_que o acne desapareça estarão prontas para novo transplante - ouviu a Harry dizer amavelmente a o Filch . - E depois de isso , não demorará muito até podermos cortá as e estufá as . - Vai ter Mrs._Norris de volta , muito em_breve . Talvez o herdeiro ou herdeira de Slytherin tenha perdido a coragem , pensou Harry . Deve ser cada_vez_mais arriscado abrir a Câmara_dos_Segredos com a escola tão alerta e desconfiada . Talvez o monstro , qualquer_que_fosse , estivesse a preparar se para hibernar durante outros cinquenta anos . Ernie_Mcmillan_dos_Hufilepuff não aceitou esta visão optimista . Continuava convencido de que Harry era o culpado , que se tinha traído em o clube de os duelos . Peeves não ajudava nada : continuava a cantar por os corredores Potter , * seu bandido * ... agora acompanhado de um esquema de dança . Gilderoy_Lockhart parecia pensar que fora ele quem pusera fim a os ataques . Harry fartou se de o ouvir dizer isso a a professora Mc_Gonagall enquanto os Gryffindor formavam bicha para a aula de Transfiguração . - Não creio que volte a haver problemas , Minerva - disse , tocando em o nariz com ar conhecedor e piscando o olho . - Acho que desta_vez a câmara foi definitivamente selada . O culpado deve ter sabido que era uma questão de tempo até eu o apanhar e que era mais sensato parar agora antes que eu lhe tratasse de a saúde . Sabe , a escola está a precisar de um intensificador de animo para apagar as lembranças de o último período . Não vou dizer lhe mais_nada , por enquanto , mas julgo que sei o que ... Voltou a tocar em o nariz e afastou se a passos largos . A ideia de Lockhart de um intensificador de ânimo ficou bastante clara em o dia_14_de_Fevereiro , a o pequeno-almoço . Harry não dormira grande coisa devido a o treino de Quidditch em a noite anterior e chegou a o salão um_pouco atrasado . Pensou , por momentos , que se tinha enganado em a porta . As paredes estavam todas cobertas com enormes e medonhas flores cor-de-rosa . Pior ainda , * confettis * em forma de corações caíam de o tecto azul pálido . Harry dirigiu se a a mesa de os Gryffindor onde o Ron estava sentado com um ar enjoado junto de Hermione que parecia particularmente risonha . - O que se passa ? - perguntou lhes , sentando se e sacudindo os * confettis * de o seu bacon . Ron apontou para a mesa de os professores , com um ar demasiado repugnado para falar . Lockhart , em as suas vestes rosa vivo , a condizer com a decoração de o salão , fazia sinal para que se calassem . Os professores que o ladeavam tinham um ar estupefacto . De o seu lugar , Harry podia ver um músculo mover se em a bochecha de a professora Mc_Gonagall . Snape estava com ar de quem tomou uma imensa dose de xarope * skele-gro * . - Feliz dia de S._Valentim - gritou Lockhart . - E permitam me que agradeça a as quarenta_e_seis pessoas que até agora me enviaram cartões . Sim , fui eu quem tomou a liberdade de vos fazer esta pequena surpresa , e ela não acaba aqui ! Lockhart bateu as palmas e por as portas de o * hall * entraram a marchar cerca de uma_dúzia de duendes de aspecto carrancudo . Não eram uns duendes quaisquer , diga se de passagem . Lockhart fizera os usar asas douradas e transportar harpas . - Os meus amigos cupidos , portadores de os cartões ! gritou Lockhart . - Eles vão andar por a escola durante o dia de hoje , entregando os vossos cartões de S._Valentim . E o divertimento não acaba aqui . Tenho a certeza de que os meus colegas vão querer participar em este espírito de festa . Porque não pedir a o professor Snape que vos mostre como preparar rapidamente uma poção de amor . E , enquanto ele a prepara , está aqui o professor Flitwick que é de todos os feiticeiros que conheci aquele que mais sabe de encantamentos de sedução , o grande safado ! O professor Flitwick enterrou o rosto em as mãos . Snape olhava como_se quisesse dar veneno a a primeira pessoa que fosse pedir lhe a poção de o amor . - Por favor , Hermione , diz me que não foste uma de as quarenta_e_seis - pediu Ron quando saíram de o salão para a primeira aula . Mas Hermione ficou subitamente muito interessada em procurar o horário dentro de a mala e não lhe respondeu . Durante todo o dia os duendes não pararam de se intrometer em as aulas para entregar cartões , para grande aborrecimento de os professores e , ao_fim_da_tarde , quando os Gryffindor subiam as escadas para a aula de encantamentos , um de eles avistou o Harry . - Hei , tu , Harry_Potter ! - gritou um duende de aspecto particularmente lúgubre , dando cotoveladas a_toda_a gente para se aproximar de o Harry . Coradíssimo com a ideia de receber um cartão de S._Valentim diante_de uma fila de alunos de o primeiro ano que , por acaso , incluía Ginny_Weasley , Harry tentou escapar se . Mas o duende cortou lhe o caminho através de a multidão e agarrou o em três tempos . - Tenho uma mensagem musical para entregar a Harry_Potter em pessoa - disse , tangendo a harpa de forma ameaçadora . - Aqui não - disse baixinho o Harry , tentando escapar . - Fica quieto - grunhiu o duende , agarrando o saco de o Harry e puxando com força . - Larga me - disse ele rispidamente , dando um puxão . Com um ruído de tecido a rasgar se , o saco dividiu se em dois . Os livros de Harry , varinha , pergaminho e pena espalharam se por o chão enquanto o tinteiro se partia em cima de as outras coisas . Harry pôs se de gatas , tentando apanhar tudo antes que o duende começasse a cantar , provocando um engarrafamento em o corredor . - O que se passa aqui ? - perguntou a voz fria e afectada de Draco_Malfoy . Harry , nervosíssimo , começou a guardar tudo dentro de o saco rasgado , desesperado para sair de ali antes que Malfoy pudesse ouvir o seu S._Valentim musical . - Que confusão é esta ? - disse outra voz familiar . Percy_Weasley tinha chegado . De cabeça perdida , Harry tentou fugir , mas o duende agarrou o por os joelhos e fê lo cair a o chão . - Certo - disse , sentando se em os tornozelos de Harry . Eis o teu cartão musical : * _ Os olhos de ele são verdes como o sapo de o quintal * _ O seu cabelo é escuro como um temporal * _ É um desatino , oh ! ele é divino ! * _ O herói que venceu o Senhor_do_Mal * . Harry teria dado todo o ouro de Gringotts para se evaporar em aquele momento . Tentando corajosamente rir se com todos os outros , levantou se . Sentia os pés dormentes de o peso de o duende . Enquanto isso , Percy_Weasley fazia todos os possíveis por dispersar a multidão onde havia gente que chorava de hilaridade . - Vamos embora , vamos embora , a campainha tocou há cinco minutos para as aulas - dizia , enxotando alguns de os alunos mais novos . - E tu , Malfoy . Harry olhou e viu Malfoy inclinar se , apanhar qualquer coisa e com um olhar maldoso mostrá a a Crabbe e Goyle . Percebeu que era o diário de Riddle . - Dá cá isso - exigiu com toda_a calma . - O que será que o Potter escreveu aqui ? - disse Malfoy que obviamente não reparara em a data e pensou que tinha em as mãos o diário de o Harry . Houve uma agitação em os presentes . Ginny olhava apavorada para o diário e para Harry . - Dá lhe isso , Malfoy - disse Percy com firmeza . - Depois de dar uma vista de olhos - retorquiu Malfoy , acenando a Harry com o diário de forma provocatória . Percy disse : - Como Prefeito de a escola ... - mas Harry perdera a paciência . Pegou em a varinha e gritou * _ Expelliarmus * e assim_como Snape desarmara Lockhart , MalLoy viu o diário saltar lhe de as mãos e elevar se em o ar enquanto Ron o apanhava sorridente . - Harry - disse Percy levantando a voz . - Não quero magia em os corredores . Vou ter de participar isto , sabes perfeitamente . Mas Harry não se importou . Tinha ganho uma_vez a Malfoy e isso valia bem cinco pontos a menos para os Gryffindor . Malfoy estava furioso e quando a Ginny passou por ele a caminho de a sala de aula , gritou lhe com desprezo : - Não creio que o Potter tenha gostado lá muito de o teu cartão de S._Valentim . Ginny tapou a cara e correu para a aula . Aborrecido , Ron pegou também em a varinha , mas Harry afastou o . Era melhor que ele não passasse a aula de encantamentos a vomitar lesmas . Só quando entraram em a sala de aula de o professor Flitwick é_que Harry reparou em uma coisa bastante estranha em o diário de Riddle . Todos os outros livros estavam cheios de tinta vermelha , mas o diário mantinha se tão limpo como antes de o tinteiro se ter entornado em cima de ele . Tentou chamar a atenção de Ron para este facto , mas ele estava novamente a ter um problema com a varinha : de a extremidade saíam grandes bolhas roxas e ele não parecia interessado em mais_nada . Em essa noite , Harry foi deitar se antes de os outros companheiros de dormitório , em parte porque já não conseguia suportar o Fred e o George a cantarem * _ Os seus olhos são verdes como o sapo de o quintal * e em parte porque queria voltar a examinar o diário de Riddle e sabia que em a opinião de o Ron era uma pura perda de tempo . Sentou se em a cama de dossel e folheou as páginas em branco em as quais não se via uma única mancha de tinta escarlate . Tirou então outro tinteiro de o armário a o lado de a cama , molhou a pena e deixou cair um borrão em a primeira página de o diário . A tinta brilhou em o papel durante um segundo e , em seguida , como_se a página a tivesse sugado , desapareceu sem deixar rasto . Depois , finalmente , algo aconteceu . Deslizando sobre a página em a cor de a sua tinta , surgiram palavras que Harry não escrevera . - * _ Olá_Harry_Potter . O meu nome é Tom_Riddle . Como é_que encontraste o meu diário ? * Também estas palavras desapareceram , mas não sem que Harry tivesse respondido . - Alguém tentou lançá o em uma sanita . Esperou ansiosamente por a resposta de Riddle . - * _ Felizmente guardei as minhas memórias de uma forma mais duradoura do_que a tinta . Mas sempre soube que haveria quem não iria querer que o diário fosse lido . * - O que queres dizer com isso ? - escrevinhou Harry , borrando a página com o nervosismo . - * _ Quero dizer que este diário contém memórias de coisas terríveis . Coisas que foram abafadas . Coisas que aconteceram em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . * - É onde eu estou agora - escreveu Harry rapidamente . - Estou em Hogwarts e estão a acontecer coisas horríveis . Sabes alguma coisa sobre a Câmara_dos_Segredos ? O coração parecia querer saltar lhe de o peito . A resposta de Riddle não se fez esperar , a letra tornara se mais desordenada como_se tivesse pressa em contar lhe tudo_o_que sabia . - * _ É claro que sei de a Câmara_dos_Segredos . Em o meu tempo diziam nos que era uma lenda , que não existia , mas era mentira . Quando eu estava em o quinto ano a Câmara_dos_Segredos foi aberta e o monstro atacou vários estudantes , acabando matar um . Eu apanhei a pessoa que abriu a câmara e ele foi expulso . Mas o director , o professor Dippet , envergonhado por uma coisa de aquelas ter acontecido em Hogwarts , proibiu me de contar a verdade . Foi divulgada uma história dizendo que a rapariga morrera de um acidente extravagante . Deram me um troféu brilhante com o meu nome gravado e avisaram me para ficar calado . Mas eu sabia que ia voltar a acontecer . O monstro sobreviveu e aquele que tinha o poder para o libertar não foi para a prisão . * Harry quase entornou o tinteiro em a pressa de responder . - Está a acontecer outra_vez . Houve três ataques e ninguém parece saber quem está por_detrás_de tudo_isto . Quem foi de a última vez ? - * _ Posso mostrar te , se quiseres * - foi a resposta de o Riddle . - * _ Não tens de acreditar só em a minha palavra . Posso levar te a o fundo de a minha memória de a noite em que o apanhei . * Harry hesitou com a pena em o ar sobre o diário . O que quereria ele dizer ? Como poderia entrar em a memória de outra pessoa ? Olhou inquieto para a porta de o dormitório que começava a ficar escuro . Quando pôs de_novo os olhos em o diário viu as palavras que se formavam . - * _ Deixa-me mostrar te . * Harry parou durante uma fracção de segundo e depois escreveu duas letras . - O. _ K._As páginas de o diário começaram a esvoaçar como_se tivessem sido apanhadas em uma ventania , parando a meio de o mês_de_Junho . Boquiaberto , Harry viu que o quadradinho de 13_de_Junho se transformara em um pequeno ecrã de televisão . Com as mãos ligeiramente trémulas levantou o livro para encostar os olhos a a janelinha e antes de perceber o que estava a passar se , deu consigo inclinado para a frente com a janela a abrir se . O corpo abandonava a cama e era lançado de cabeça , por a abertura de a página , em um turbilhão de cor e sombras . Sentiu os pés tocarem em terra firme e pôs se de pé a tremer enquanto as formas desfocadas se tornavam subitamente nítidas . Soube imediatamente onde estava . Aquela sala circular com os retratos adormecidos era o escritório de Dumbledore , mas não era Dumbledore quem estava atrás de a secretária . Um feiticeiro mirrado , de aspecto débil e quase careca lia uma carta a a luz de as velas . Harry nunca vira aquele homem antes . - Desculpe - disse com a voz a tremer . - Eu não queria intrometer me ... Mas o feiticeiro não olhou . Continuou a ler , franzindo levemente as sobrancelhas . Harry aproximou se de a secretária e gaguejou : - Er ... eu vou me embora , está bem ? E o feiticeiro continuou a ignorá o . Parecia nem_sequer ter ouvido . Pensando que talvez ele fosse surdo , Harry falou mais alto . - Desculpe tê o incomodado - disse quase a gritar . O feiticeiro dobrou a carta com um suspiro . Pôs se de pé , passou por Harry sem olhar para ele e foi abrir os cortinados de a janela . O céu , lá fora , estava vermelho-rubi . Devia ser o pôr de o Sol . O feiticeiro voltou para a secretária , sentou se e girou os polegares , olhando para a porta . Harry olhou em volta . Não viu Fawkes , a fénix , nem as engenhocas prateadas que sibilavam . Aquela Hogwarts era a que Riddle conhecera e , portanto , aquele feiticeiro desconhecido era o director de então , não Dumbledore e ele , Harry , era pouco mais que um fantasma , totalmente invisível a as pessoas de há cinquenta anos atrás . Alguém bateu a a porta . - Entre - disse o velho feiticeiro , em uma voz fraca . Um rapazinho de dezasseis anos entrou , tirando o chapéu pontiagudo . Em o seu peito brilhava um distintivo prateado de prefeito . Era muito mais alto do_que Harry , mas tinha , tal_como ele , cabelo preto asa de corvo . - Ah ! Riddle - disse o director . - Queria falar comigo , professor Dippet ? - perguntou ele com ar nervoso . - Senta te - disse Dippet . - Tenho estado a ler a carta que me mandaste . - Oh ! - exclamou Riddle , sentando se e apertando as mãos uma contra a outra . - Meu rapaz - disse Dippet amavelmente . - Eu não posso deixar te ficar em a escola durante o Verão . Com certeza queres ir para_casa em as férias ? - Não - respondeu Riddle , sem perder tempo . - Prefiro mil vezes ficar em Hogwarts a ter de voltar a aquela ... aquela ... - Tu vives em um orfanato de Muggles durante as férias , não é assim ? - perguntou Dippet com curiosidade . - Sim senhor - disse Riddle , corando um_pouco . - És filho de Muggles ? - Meio sangue , professor - explicou Riddle . - Pai_Muggle , mãe bruxa . - E o teu pai e a tua mãe ... - A minha mãe morreu pouco depois de eu nascer , professor , contaram me em o orfanato que só teve tempo de me dar o nome : Tom , como o meu pai , Marvolo como o meu avô . Dippet estalou a língua solidariamente . - O que acontece , Tom - suspirou - é_que ... podia ter se arranjado uma situação especial para ti , mas em as circunstâncias actuais ... - Refere se a os ataques , professor ? - perguntou Riddle e o coração de Harry deu um salto , aproximando se com medo de perder alguma coisa . - Precisamente - disse o director . - Meu rapaz , compreendes que seria uma imprudência de a minha parte deixar te ficar em o castelo quando o período acabar , principalmente a a luz de a recente tragédia ... a morte de aquela pobre moça ... estarás sem dúvida em maior segurança em o orfanato . Em a verdade , o ministro de a magia até fala em fechar a escola . Não estamos nada perto_de localizar ... er ... a fonte de toda esta história desagradável . Os olhos de Riddle tinham se aberto mais . - Professor , se essa pessoa fosse apanhada ... se tudo acabasse . . . - Que queres dizer com isso ? - perguntou Dippet com voz aguda , endireitando se em a cadeira . - Riddle , tu sabes alguma coisa sobre estes ataques ? - Não senhor - respondeu ele de imediato . Mas Harry sabia que era o mesmo tipo de « não » que ele dissera a Dumbledore . Dippet afundou se de_novo com um ar de profundo desapontamento . - Podes ir , Tom . Riddle esgueirou se de a cadeira e saiu de a sala . Harry seguiu o . Desceram por a escada em espiral , saindo junto de a gárgula em o corredor que escurecia . Riddle parou e Harry fez o mesmo , olhando para ele . Quase podia apostar que ele pensava seriamente em alguma coisa . Mordia o lábio e tinha as sobrancelhas franzidas . A certa altura , como_se tivesse acabado de tomar uma decisão , começou a andar mais depressa com Harry a segui o ruidosamente . Não viram mais ninguém , a não ser quando chegaram a o * hall * de entrada onde um feiticeiro alto de longos cabelos ruivos e barba chamou Riddle de a escadaria de mármore . - O que andas a fazer por aqui tão tarde , Tom ? Harry olhou para o feiticeiro . Não era outro senão Dumbledore com cinquenta anos a menos . - Tive de ir falar com o director - justificou se Riddle . - Bem , agora vai depressa para a cama - disse Dumbledore , olhando Riddle com aquele olhar penetrante que Harry conhecia tão bem . - É melhor não andar a passear por os corredores em os dias que correm , pelo_menos até ... Suspirou profundamente , deu as boas-noites a o Riddle e foi se embora . Riddle viu o desaparecer e , sem perder tempo , desceu os degraus de pedra até a os calabouços com Harry em a peugada . Mas para seu grande desconsolo , Riddle não o conduziu a nenhum corredor ou túnel secreto e sim a o calabouço onde ele costumava ter aulas de poções com o Snape . As tochas não tinham sido acesas e quando Riddle empurrou a porta quase fechada , Harry só conseguiu vê o a ele , de pé , quieto junto de a porta , olhando para o corredor . Pareceu a Harry que ficaram ali quase uma hora . Tudo_o_que via era a silhueta de Riddle junto de a porta , olhando fixamente através de a greta , a a espera . Como_se fosse uma estátua . E quando Harry tinha abandonado todas_as expectativas e começava a desejar voltar a o presente , ouviu alguma coisa que se movia atrás de a porta . Alguém avançava lentamente por o corredor . Ouviu a pessoa , quem quer que fosse , passar por o calabouço onde ele e Riddle estavam escondidos . Riddle , silencioso como uma sombra , esgueirou se por a porta e seguiu o com Harry em bicos de pés atrás de ele , esquecido de que podia fazer barulho a a vontade porque ninguém o ouvia . Durante cerca de cinco minutos seguiram lhe os passos até que Riddle parou repentinamente com a cabeça inclinada em a direcção de novos ruídos . Harry ouviu uma porta a abrir se e em seguida alguém falou em um murmúrio rouco . - Vá lá , temos que sair de aqui ... vá lá , dentro de a caixa ... Havia algo de familiar em aquela voz . Riddle deu subitamente uma volta e Harry seguiu o . Podia ver a silhueta escura de um rapaz enorme que estava inclinado em frente de a porta aberta , com uma grande caixa a o lado . - Boa noite , Rubeus - disse Riddle secamente . O rapaz fechou a porta e pôs se de pé . - O que estás a fazer aqui , Tom ? Riddle aproximou se . - Acabou se - disse . - Vou ter de entregar te , Rubeus . Falam em fechar Hogwarts se os ataques não terminarem . - O que é_que tu ... ? - Eu acho que tu não quiseste matar ninguém , mas os monstros não são os melhores animais domésticos . Tu só quiseste deixá o sair para andar um_pouco e ... - Ele não matou ninguém - disse o rapaz grande , recuando contra a porta fechada . Lá de dentro vinham uns estranhos roncos e rugidos . - Vamos , Rubeus - disse Riddle , aproximando se mais ainda . - Os pais de a rapariga que morreu estarão aqui amanhã . O mínimo que Hogwarts pode fazer é assegurar lhes que aquilo que matou a filha de eles foi abatido ... - Não foi ele - gemeu o rapaz cuja voz ecoou em o corredor escuro . - Ele não faria isso ... ele nunca ... - Afasta te - disse Riddle , pegando em a varinha . O encantamento iluminou o corredor com uma luz brilhante . A porta atrás de o rapaz grande abriu se de par em par com tanta força que o atirou contra a parede . E de lá de dentro saiu uma coisa que fez Harry soltar um grito que ninguém mais ouviu a não ser ele próprio . Tinha um corpo imenso , magro e peludo e um emaranhado de pernas pretas , a cintilação de muitos olhos e um par de tenazes afiadas . Riddle levantou de_novo a varinha , mas era tarde de mais . A coisa deixara o atarantado e corria apressadamente , precipitando se por o corredor e desaparecendo . Riddle pôs se de pé , olhou a a procura de o monstro , levantou a varinha , mas o rapaz grande saltou sobre ele , tirou lhe a varinha de as mãos e lançou o a o chão , gritando : - Naaaaaão ! A cena rodopiou . A escuridão tornou se total . Harry sentiu se a cair e com um embate aterrou como uma águia de patas e asas abertas em a sua cama de dossel , em o dormitório de os Gryffindor , o diário de Riddle aberto sobre o estômago . Antes de ter tido tempo de normalizar a respiração , a porta de o dormitório abriu se e o Ron entrou . - Aí estás tu - disse . Harry sentou se . Transpirava e tremia . - O que se passa ? - perguntou Ron , olhando aflito para ele . - Foi o Hagrid , Ron . O Hagrid abriu a Câmara_dos_Segredos há cinquenta anos atrás . XIV_Cornelius_Fudge_Harry , Ron e Hermione sabiam há muito_tempo que Hagrid tinha uma triste predilecção por criaturas grandes e monstruosas . Em o primeiro ano que passaram em Hogwarts , ele tentara criar um dragão em a sua pequena cabana de madeira e levaram muito_tempo a esquecer o gigantesco cão de três cabeças que ele baptizara de « fofinho » . E se , em rapaz , Hagrid tinha ouvido dizer que havia um monstro escondido em o castelo , Harry tinha a certeza que ele teria feito os impossíveis por descobri o . Provavelmente achou que era uma injustiça o monstro estar fechado tanto tempo e pensou que ele merecia a oportunidade de esticar as suas muitas pernas . Harry imaginava perfeitamente o Hagrid a os treze anos a tentar pôr uma coleira e uma trela a o monstro . Mas tinha igualmente a certeza de que ele nunca teria querido matar ninguém . De certo modo , Harry desejava não ter descoberto como utilizar o diário de Riddle . Ron e Hermione fizeram o contar repetidas vezes o que vira até ele ficar farto de repetir o mesmo e farto de a conversa circular que se seguia . - O Riddle pode ter apanhado a pessoa errada - disse , de essa vez , Hermione . - O monstro que atacava as pessoas podia ser outro .... - Quantos monstros achas tu que pode haver em este lugar ? - perguntou o Ron aborrecido . - Sempre soubemos que o Hagrid tinha sido expulso - disse Harry tristemente - E os ataques devem ter terminado quando ele foi expulso . Se não fosse assim , Riddle não teria recebido um prémio . Ron tentou um caminho diferente . - O Riddle parece o Percy , quem lhe pediu afinal que deitasse abaixo o Hagrid ? - Mas o monstro tinha morto uma pessoa , Ron - insistiu Hermione . - E o Riddle ia ter de voltar para um orfanato Muggle se Hogwarts fosse fechada - disse Harry . - Não posso culpá o por querer ficar aqui ... Ron mordeu o lábio e a seguir sugeriu : - Tu encontraste o Hagrid em a Rua * _ Bativolta * , não foi ? - Ele estava a comprar repelente para lesmas - disse Harry rapidamente . Ficaram os três em silêncio . Depois de uma longa pausa , Hermione , em uma voz hesitante , formulou a pergunta mais complicada de todas : - Não acham que devíamos ir ter com ele e perguntar lhe ? - Essa seria uma visita simpática - disse o Ron . - Olá , Hagrid , diz nos uma coisa , soltaste por acaso alguma coisa louca e peluda por o castelo em estes últimos tempos ? Por fim , decidiram não dizer nada a o Hagrid a_não_ser_que houvesse outro ataque e à_medida_que passava mais tempo sem murmúrios de a voz sem corpo começaram a acreditar , esperançosos , que nunca mais teriam de falar sobre o motivo por_que fora expulso . Tinham passado já quase quatro meses desde o dia em que o Justin e o Nick quase sem cabeça tinham sido petrificados e quase toda_a_gente parecia pensar que o atacante , quem quer que ele fosse , se retirara para sempre . Peeves fartara se de a sua canção * _ Oh_Potter , seu bandido * , Ernie_Mcmillan pediu educadamente a o Harry , em a aula de herbologia , que lhe passasse um balde de cogumelos saltitantes e , em Março , várias mandrágoras deram uma festa ruidosa e roufenha em a estufa número três . A professora Sprout estava muito satisfeita . - Mal elas comecem a tentar mover se para os vasos umas de as outras , saberemos que estão maduras - disse ela a o Harry . - Nessa_altura poderemos reanimar aquelas pobres criaturas que estão em a ala hospitalar . Os alunos de o segundo ano tinham agora uma coisa nova em que pensar durante as férias de a Páscoa . Chegara a altura de escolherem as matérias de o terceiro ano , um assunto que Hermione , pelo_menos , tomou muito a sério . - Pode afectar todo o nosso futuro - disse a o Harry e a o Ron a o vê os ler cuidadosamente as listas de as novas matérias e pôr um V em frente de cada uma . - Eu só quero ver me livre de as poções - disse Harry . - Não podemos - explicou Ron tristemente . - Mantemos todas_as matérias antigas ou eu teria me livrado de a Defesa contra as artes negras . - Mas é muito importante - disse Hermione chocada . - Não de a maneira como Lockhart a dá - insistiu Ron . - Não aprendi nada até agora a não ser a nunca mais libertar duendes . Neville_Longbottom recebera cartas de todas_as bruxas e feiticeiros de a família , cada_um dando um conselho diferente sobre o que ele deveria escolher . Confuso e preocupado , sentou se a ler a lista de matérias , dando estalinhos com a língua e perguntando a as pessoas se achavam que a aritmancia seria mais difícil do_que o estudo de as runas em a Antiguidade . Dean_Thomas que , tal_como Harry , fora criado com Muggles , acabou por fechar os olhos e atirar a varinha contra a lista , escolhendo as matérias onde ela aterrava . Hermione não pediu conselho a ninguém e inscreveu se em todas . Harry sorriu de si para consigo imaginando como seria uma conversa com o tio Vernon e com a tia Petúnia sobre a sua carreira em feitiçaria . Não que não tivesse tido orientação : Percy_Weasley estava ansioso por partilhar a sua experiência . - Tudo depende de o lugar para_onde queres ir , Harry - disse ele . - Nunca é cedo de mais para pensar em o futuro , por isso eu aconselho te a adivinhação . As pessoas dizem que os estudos de Muggles são uma opção leve mas eu , pessoalmente , acho que os feiticeiros deveriam ter uma compreensão profunda de a comunidade não mágica , muito especialmente se pensarem em trabalhar em íntimo contacto com eles . Vê o meu pai que tem de lidar com assuntos de os Muggles a_toda_a hora . O meu irmão Charles foi sempre mais um tipo de o exterior , por isso foi para o Centro_de_Cuidados com as Criaturas_Mágicas . Segue os teus sentimentos , Harry . Mas a única coisa em que Harry sentia que era mesmo bom era o Quidditch . Por fim , acabou por escolher as mesmas matérias que o Ron escolhera , pensando que se fosse péssimo em elas pelo_menos tinha alguém amigo para o ajudar . O próximo jogo de Quidditch_dos_Gryffindor era contra os Hufflepuff . Wood insistia em treinos de equipa todas_as noites depois de jantar , por isso Harry não tinha tempo para mais_nada a não ser para o Quidditch e para os trabalhos de casa . Mas as sessões de treino estavam a melhorar ou pelo_menos estavam mais secas e em a véspera de o jogo de sábado ele foi a o dormitório guardar a vassoura , sentindo que as hipóteses de os Gryffindor ganharem a taça de Quidditch nunca tinham sido tão boas . Mas a sua boa disposição não durou muito . Em o cimo de as escadas que levavam a o dormitório encontrou o Neville_Longbottom nervosíssimo . - Harry , não sei quem fez aquilo , eu fui encontrar ... Olhando receoso para Harry , Neville empurrou a porta . O conteúdo de a mala de Harry fora espalhado por toda_a divisão . O seu manto estava em o chão rasgado . A roupa de cama tinha sido puxada de a cama de dossel e a gaveta de o armário que se encontrava a a cabeceira de a cama fora arrancada , estando o seu conteúdo espalhado sobre o colchão . Harry aproximou se de a cama boquiaberto , pisando algumas páginas soltas de * _ Viagens com Duendes * . Quando ele e Neville estavam a puxar os cobertores para_cima , entraram o Ron e o Dean_Seamas . Dean praguejou alto . - O que é isto , Harry ? - Não faço ideia - disse ele . Mas o Ron estava a examinar as vestes de Harry e todos os bolsos estavam de o avesso . - Alguém andou a a procura de qualquer coisa - disse o Ron . - Dás por falta de alguma coisa ? Harry começou a apanhar o que estava caído , lançando tudo dentro de a mala . Só quando atirou o último livro de Lockhart é_que se apercebeu do_que faltava . - O diário de Riddle desapareceu - disse em voz baixa a o Ron . - O quê ? Harry fez lhe sinal em direcção a a porta de o dormitório e apressaram se a chegar a a sala comum de os Gryffindor que estava quase vazia e onde foram encontrar Hermione sozinha a ler * _ As_Runas_Antigas a o Alcance_de_Todos * . Hermione ficou aterrada com as notícias . - Mas ... só um Gryffindor podia tê o roubado ... ninguém mais conhece a nossa senha ... - Exactamente - disse Harry . Acordaram em o dia seguinte com um sol brilhante e uma brisa agradável . - Condições ideais para o Quidditch ! - exclamou Wood , cheio de entusiasmo , a a mesa de os Gryffindor , enchendo os pratos de os elementos de a sua equipa de ovos mexidos . - Harry , anima te , precisas de um pequeno-almoço decente . Harry tinha estado a olhar para a mesa cheia de alunos de os Gryffindor , perguntando a si próprio se o novo dono de o diário de Riddle estaria ali mesmo em frente de os seus olhos . Hermione insistira para que ele participasse o roubo mas ele não gostou de a ideia . Teria de contar a um professor tudo sobre o diário , e quantas pessoas saberiam o motivo por_que Hagrid fora expulso há cinquenta anos ? Não queria ser ele a fazer com que relembrassem tudo aquilo . Quando saiu de o salão com o Ron e a Hermione para ir buscar o material de Quidditch , outra preocupação viera juntar se a a sua lista cada_vez maior . Tinha acabado de pisar os degraus de a escadaria de mármore quando ouviu de_novo a voz : - * _ Matar desta_vez ... deixem me rasgar ... romper * ... Deu um grito e Ron e Hermione saltaram alarmados . - A voz - disse Harry , olhando por cima de os ombros de eles . - Acabo de a ouvir de_novo , vocês não ouviram nada ? Ron abanou a cabeça de olhos muito abertos Mas_Hermione bateu com a mão em a testa . - Harry , acho que percebi uma coisa . Tenho que ir a a biblioteca . E disparou a correr por as escadas acima . - O que é_que ela percebeu ? - disse Harry distraidamente , ainda a olhar em volta , tentando determinar de onde vinha a voz . - Mas porque teve ela que ir a a biblioteca ? - Porque a Hermione é assim - disse o Ron , encolhendo os ombros - Quando tem uma dúvida , vai a a biblioteca . Harry manteve se hesitante , tentando captar novamente a voz mas as pessoas começavam a sair de o salão , falando alto , passando por a porta principal e encaminhando se para o estádio de Quidditch . - É melhor ires indo - aconselhou Ron . - São quase onze horas , olha o jogo . Harry deu uma corrida até a a torre de os Gryffindor , pegou em a sua Nimbus dois_mil e juntou se a a vasta multidão que enchia os campos , mas o seu pensamento estava ainda em o castelo , em aquela voz sem corpo e quando pôs as roupas vermelhas , o seu único conforto foi pensar que estavam todos lá fora para assistir a o jogo . As equipas entraram em campo a o som de um tumulto de aplausos . Oliver_Wood fez um voo de aquecimento em volta de os postes , Madam_Hooch soltou as bolas . Os Hufflepuff que tinham fatos amarelo-canário estavam reunidos em grupo em uma discussão de última hora sobre as tácticas . Harry subia para a vassoura quando a professora Mc_Gonagall atravessou o campo , meio a andar , meio a correr , transportando um enorme megafone roxo . O coração de Harry caiu lhe a os pés . - Este jogo foi cancelado - gritou por o megafone a professora Mc_Gonagall , dirigindo se a o estádio apinhado . Ouviram se Uuuus e assobios . Oliver_Wood , com um ar infelicíssimo , aterrou e correu para a professora McGonagall sem sair de a vassoura . - Mas , professora - gritou - temos de jogar ... a taça ... os Gryffindor ... A professora Mc_Gonagall ignorou o e continuou a gritar por o megafone . - Pede se a os estudantes que regressem a as salas comuns de as respectivas equipas onde os chefes de equipa lhes darão mais informações . O mais depressa possível , se fazem favor ! Em seguida , baixou o megafone e fez sinal a o Harry para que se aproximasse . - Potter , é melhor vires comigo ... Perguntando a si próprio que suspeita poderia ela ter contra ele , desta_vez , Harry viu Ron desligar se de a multidão discordante e vir a correr juntar se lhes , enquanto eles se dirigiam para o castelo . Para sua grande surpresa Mc_Gonagall não pôs qualquer objecção . - Sim , talvez seja melhor vires também , Weasley . Alguns de os estudantes que os rodeavam reclamavam por o jogo ter sido cancelado , outros tinham um ar preocupado . Harry e Ron seguiram a professora Mc_Gonagall de volta a a escola e através de a escadaria de pedra . Mas desta_vez não foram levados a nenhum escritório . - Isto vai chocar vos um_pouco - disse a professora Mc_Gonagall em um tom de voz surpreendentemente suave quando estavam a aproximar se de a ala hospitalar . - Houve outro ataque ... outro ataque duplo . As vísceras de o Harry deram um salto mortal . A professora Mc_Gonagall abriu a porta e ele e Ron entraram . Madam_Pomfrey estava inclinada sobre uma rapariga de o quinto ano de cabelos longos a os caracóis que Harry reconheceu como sendo a colega de os Ravenclaw a quem , por engano , tinham perguntado o caminho para a sala comum de os Slytherin . E , em a cama a o lado de ela , estava ... - Hermione - gemeu o Ron . Hermione jazia totalmente quieta , os olhos abertos e vítreos . - Foram encontradas perto de a biblioteca - disse a professora Mc_Gonagall . - Calculo que nenhum de vocês possa explicar isto ? Estava em o chão , junto de ela . A professora tinha em as mãos um pequeno espelho redondo . Harry e Ron acenaram negativamente com as cabeças , ambos com os olhos fixos em Hermione . - Eu acompanho vos a a torre de os Gryffindor - disse a professora Mc_Gonagall pesadamente . - De qualquer modo tenho de falar com os alunos . - Os alunos regressarão a as salas comuns de as respectivas equipas , todos_os_dias , a as seis_horas_da_tarde . Nenhum aluno deverá sair de os dormitórios depois de isso . Serão escoltados até a as aulas por um professor . Nenhum aluno deverá ir a a casa_de_banho sem um professor a acompanhá o . Todos os treinos e jogos de Quidditch estão suspensos a_partir_de agora . Não haverá mais actividades nocturnas . Os Gryffindor , que enchiam a sala comum , ouviram em silêncio a professora Mc_Gonagall . Ela enrolou o pergaminho que acabara de ler e disse em uma voz algo chocada : - Não é preciso acrescentar que nunca me senti tão desolada . É provável que a escola seja encerrada se não for apanhado o culpado de todos estes ataques . Quero pedir que se algum de vocês achar que sabe alguma coisa sobre eles venha imediatamente ter comigo . Mal ela subiu , de forma um_pouco desastrada , por o buraco de o retrato , os Gryffindor começaram logo a falar . - São dois Gryffindor a menos , sem contar com o fantasma de os Gryffindor , um Ravenclaw e um Hufflepuff - disse o amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , contando por os dedos . - Não terá nenhum de os professores reparado que os Slytherin estão a salvo ? Será que não é óbvio que tudo_isto vem de eles ? O herdeiro de Slytherin , o monstro de Slytherin , porque não expulsam todos os Slytherin ? - resmungou , recebendo acenos e aplausos de todos os lados . Percy_Weasley estava sentado em uma cadeira atrás_de Lee , mas por uma_vez não pareceu querer expor os seus pontos de vista . Estava pálido e aturdido . - O Percy está em estado de choque - disse o George baixinho a o Harry . - Aquela rapariga de os Ravenclaw , Penelope_Clearwater , é prefeita . Acho que ele nunca tinha pensado que o monstro pudesse atacar um prefeito . Mas Harry não estava a ouvi o com atenção . Não conseguia esquecer a imagem de Hermione deitada em a cama de o hospital , como_se estivesse esculpida em pedra . E se o culpado não fosse apanhado rapidamente tinha em a frente uma vida inteira com os Dursley . Tom_Riddle entregara o Hagrid porque fora confrontado com a possibilidade de um orfanato Muggle se a escola fechasse . Harry sabia exactamente o que ele sentira . - Que vamos nós fazer ? - disse lhe o Ron baixinho a o ouvido . - Achas que eles suspeitam de o Hagrid ? - Temos de falar com ele - disse Harry , tomando uma decisão . - Não acredito que tenha culpa desta_vez , mas se ele libertou o monstro há cinquenta anos , sabe com certeza como entrar em a Câmara_dos_Segredos , o que já é um princípio . - Mas a Gonagall disse que temos que ficar em a torre a_não_ser_que estejamos em as aulas ... - Eu acho - disse Harry ainda mais baixo - que chegou a altura de tirar outra_vez de a mala o manto de o meu pai . Harry herdara apenas uma coisa de o pai : o enorme manto prateado de a invisibilidade . Era a única maneira de poderem esgueirar se de a escola para fazer uma visita a o Hagrid , sem que ninguém de esse por isso . Deitaram se a a hora de o costume , esperaram que o Neville , o Dean e o Seamas adormecessem para se levantarem , vestirem se de_novo e taparem se com o manto . A viagem por os corredores de o castelo escuro e deserto não era nada agradável . Harry que vagueara por ali muitas_vezes durante a noite nunca vira tanta gente depois de o pôr de o Sol . Professores , prefeitos e fantasmas andavam por os corredores a os pares , olhando em volta , em busca de qualquer actividade fora de o habitual . O manto de a invisibilidade não impedia que fizessem barulho e houve um momento particularmente tenso em que o Ron deu uma topada a menos_de um metro de o lugar onde Snape se encontrava . Felizmente Snape espirrou em o preciso momento em que o Ron praguejava . Foi com grande alívio que chegaram a as portas de carvalho de a entrada principal . Estava uma noite clara e cheia de estrelas . Dirigiram se apressadamente para as janelas iluminadas de a casa de Hagrid e só tiraram o manto mesmo em frente de a porta . Poucos segundos depois de terem batido abriu se a porta . Ficaram frente_a_frente com Hagrid que lhes apontou uma besta enquanto Fang , o cão caçador de javalis , ladrava furiosamente atrás de ele . - Oh ! - disse , baixando a arma quando viu que eram eles . - O que estão vocês a fazer aqui ? - Para que é isso ? - perguntou Harry , apontando para a besta , enquanto entrava . - Nada , não é nada - murmurou Hagrid . - Tenho estado a a espera ... não tem importância , sentem se que eu vou fazer um chá . Dava a impressão de não saber o que fazia . Quase apagou a lareira , vertendo a água de a chaleira em o lume e em seguida esmagou o bule com um gesto de a sua mão maciça . - Estás bem , Hagrid ? - perguntou Harry . - Soubeste de a Hermione ? - Soube , sim - disse ele com um leve tremor em a voz . Continuava a olhar nervosamente para as janelas . Deu lhe os duas grandes canecas de água a ferver ( esquecera se de juntar o chá ) e estava a acabar de pôr em um prato uma fatia grossa de bolo de frutas quando alguém bateu energicamente a a porta . Hagrid deixou cair o bolo . Harry e Ron trocaram entre si olhares de pânico e , em seguida , cobriram se com o manto de a invisibilidade e esconderam se em um canto . Hagrid assegurou se de que eles estavam bem escondidos , pegou em a besta e abriu , mais_uma_vez , a porta . - Boa noite , Hagrid . Era_Dumbledore . Entrou com um ar muito sério , seguido de um homem bizarro . O estranho era um homenzinho pequenino , de porte majestoso com cabelos grisalhos desalinhados e uma expressão de ansiedade em o rosto . Usava uma inesperada mistura de roupas . Um fato a as riscas , uma gravata vermelho escarlate , um longo manto negro e umas botas roxas pontiagudas . Debaixo de o braço trazia um chapéu de coco verde lima . -- É o patrão de o meu pai - murmurou o Ron . Cornelius_Fudge , o ministro de a magia ! Harry deu lhe uma valente cotovelada para o fazer calar se . Hagrid tinha ficado suado e pálido . Deixou se cair em uma de as cadeiras e olhava de Dumbledore_para_Cornelius_Fudge . - Más notícias , Hagrid - disse Fudge em um tom bastante grave . - Muito más notícias . Tive de vir . Quatro ataques a filhos de Muggles , as coisas foram longe_de mais . O ministério tem que tomar uma atitude . - Eu nunca ... - disse Hagrid , parecendo implorar a Dumbledore . - O senhor sabe que eu nunca ... professor Dumbledore , o senhor ... - Quero que fique claro , Cornelius , que Hagrid tem a minha total confiança - afirmou Dumbledore , franzindo as sobrancelhas . - Olha , Albus - disse Fudge pouco a a vontade - a ficha de o Hagrid depõe contra ele . O ministério tem de fazer alguma coisa , o Conselho_Directivo de a escola tem se reunido ... - Mesmo_assim , Cornelius , devo dizer te mais_uma_vez que levar o Hagrid de aqui não vai ajudar em nada - afirmou Dumbledore com os olhos azuis com um fogo que Harry nunca vira antes . - Tenta compreender o meu ponto de vista - insistiu Fudge , brincando com o chapéu . - Estou a ser tremendamente pressionado , tenho de mostrar que faço alguma coisa . Se se provar que não foi o Hagrid , ele voltará e não se fala mais em o assunto . Mas tenho de levá o , tem de ser , não estaria a cumprir a minha obrigação se ... - Levar me ? - perguntou Hagrid a tremer . - Levar me para_onde ? - É uma pena curta - disse Fudge , sem o olhar em os olhos . - Não é um castigo , Hagrid , chamemos lhe antes uma precaução . Se mais alguém for apanhado , tu sais com todas_as nossas desculpas . - Não é para Azkaban ? - balbuciou Hagrid . Mas antes que Fudge tivesse tido tempo de responder , ouviu se bater mais_uma_vez a a porta . Dumbledore abriu . Foi a vez de Harry levar uma cotovelada em as costas : soltara um gemido audível . Mr._Lucius_Malfoy entrou em a cabana de o Hagrid embrulhado em uma longa capa preta de viagem , com um sorriso frio de satisfação . O Fang começou a rosnar . - Já está aqui , Fudge ? - disse de forma aprovadora . - Muito bem , muito bem ... - O que estás a fazer aqui ? - perguntou Hagrid furioso . - Sai imediatamente de a minha casa . - Meu bom homem , acredite que não tenho prazer nenhum em entrar em a sua ... er ... chamou lhe casa ? - disse Lucius_Malfoy , sorrindo sarcasticamente enquanto observava a pequena divisão . - Eu limitei me a ir a a escola e disseram me que o director estava aqui . - E o que queres de mim , Lucius ? - perguntou Dumbledore . O seu tom de voz era educado mas em os olhos azuis brilhava ainda o mesmo fogo . - Uma notícia horrível , Dumbledore - disse Mr._Malfoy de forma arrastada , pegando em um grande rolo de pergaminho . - Mas os membros de o conselho pensam que é altura de tu saíres . Isto_é uma ordem de suspensão , tens aí doze assinaturas . Lamento muito mas em a nossa opinião estás a perder a firmeza . Quantos ataques houve até agora ? Mais dois hoje a a tarde , não foi ? A este ritmo vão acabar todos os filhos de Muggles em Hogwarts e todos sabemos que seria uma terrível perda para a escola . - O que é isso , Lucius ? - protestou Fudge com ar alarmado . - O Dumbledore suspenso não ... não , seria a última coisa que desejaríamos em este momento ... - A nomeação ou suspensão , de o director é de a competência de os membros de o Conselho_Directivo , Fudge - disse suavemente Mr._Malfoy . - E como Dumbledore não foi capaz de pôr cobro a estes ataques ... - Oh ! Lucius , se Dumbledore não conseguiu - disse Fudge com o lábio superior a suar . - Quem irá conseguir ? - Isso está para se ver - disse Mr._Malfoy com um sorriso mesquinho . - Mas como os doze votamos ... Hagrid pôs se de pé em um salto , o cabelo preto hirsuto a roçar em o tecto . - E quantos tiveste de chantajar para concordarem contigo , Malfoy ? - Meu caro Hagrid , sabe que esse seu temperamento ainda acaba por lhe criar problemas um dia de estes - disse Mr._Malfoy . - Não o aconselho a gritar assim com os guardas de Azkaban . Eles não iriam gostar nada . - Não podes levar Dumbledore - gritou Hagrid , fazendo Fang , o cão caçador de javalis , agachar se e ganir em o seu cesto . - Sem ele , os filhos de os Muggles não têm qualquer hipótese . A seguir haverá mortes . - Acalma te , Hagrid - disse Dumbledore de forma cortante , olhando para Lucius_Malfoy . - Se os membros de o conselho querem substituir me , eu sairei , claro . - Mas - interrompeu Fudge . - Não - rosnou Hagrid . Dumbledore não tirara os seus olhos azuis brilhantes de os olhos cinzentos e frios de Lucius_Malfoy . - Contudo - disse , pronunciando cada palavra lenta e claramente para que nenhum de eles perdesse o seu sentido - verás que só deixarei verdadeiramente esta escola quando ninguém aqui me for leal . Descobrirás também que será sempre dada ajuda em Hogwarts a quem a pedir . Por um segundo , Harry teve quase a certeza de que os olhos de Dumbledore tremelaziram em direcção a o canto onde ele e Ron estavam escondidos . - Sentimentos admiráveis - disse Malfoy , fazendo uma vénia . - Todos nós vamos sentir a tua ... forma muito pessoal de fazer as coisas , Albus . Só espero que o teu sucessor consiga evitar qualquer ... crime . Dirigiu se a a porta de a cabana , abriu a e fez sinal a Dumbledore para que passasse a a sua frente . Fudge , mexendo nervosamente em o chapéu de coco , esperou que Hagrid fizesse o mesmo mas ele ficou quieto , respirou fundo e disse prudentemente : - Se alguém quiser descobrir alguma coisa , o que tem a fazer é seguir as aranhas . Elas indicarão o caminho , é tudo_o_que vos digo . Fudge olhou para ele espantado . - Está bem , eu vou - disse Hagrid , pegando em o seu sobretudo de pêlo de toupeira . Mas quando ia seguir o Fudge e sair por a porta , parou e disse em voz alta : - E alguém tem de dar de comer a o Fang enquanto eu não estiver cá . A porta fechou se ruidosamente e Ron tirou o manto de a invisibilidade . -- Estamos outra_vez em uma alhada - disse com voz rouca - Sem o Dumbledore podem fechar a escola já esta noite . Sem ele vai haver um ataque por dia . O Fang começou a ganir , arranhando a porta fechada . XV_Aragog_O_Verão insinuava se em os campos em volta de o castelo . O céu e o lago tinham se tornado de um azul-molusco e as flores , grandes como couves , começavam a florir em as estufas . Mas sem o Hagrid , que ele costumava avistar de o castelo , atravessando os campos com o Fang atrás , parecia a Harry que a paisagem não estava completa . Não era melhor dentro de o castelo onde tudo corria horrivelmente mal . O Harry e o Ron tinham tentado visitar a Hermione , mas as visitas a o hospital estavam proibidas . - Não vamos correr mais riscos - disse lhes Madam_Pomfrey com ar severo , através_de uma fresta de a porta de o hospital . Não , lamento , há muitas hipóteses de o atacante voltar para acabar de vez com estas pessoas ... Com Dumbledore longe , o medo espalhara se como nunca acontecera antes , de_tal_modo_que o sol que aquecia as paredes de o castelo por fora parecia parar junto de as janelas de pinázios . Não se via um único rosto em a escola que não andasse tenso e preocupado e qualquer gargalhada , em os corredores , se tornava incómoda e antinatural e era rapidamente abafada . Harry repetia constantemente , de si para consigo , as últimas palavras que ouvira a Dumbledore : - * _ Só terei verdadeiramente deixado esta escola quando ninguém me for leal ... será sempre dada ajuda , em Hogwarts , a quem a pedir * . Qual seria o significado exacto de aquelas palavras ? A quem deveria pedir ajuda quando todos estavam tão confusos assustados como ele ? A alusão de Hagrid a as aranhas era bastante mais fácil de entender . O problema era que parecia não ter restado uma única aranha em o castelo para eles a poderem seguir . Harry procurou por todo o lado com a ajuda relutante de o Ron . As coisas estavam dificultadas por o facto de não poderem andar sozinhos e terem de se deslocar em grupo dentro de o castelo , juntamente com outros Gryffindor . A maior parte de os alunos gostava de ser conduzida como carneiros de uma aula para a outra por os professores mas Harry achava horrível . Havia , contudo , uma pessoa que parecia apreciar aquela atmosfera de terror e suspeitas . Draco_Malfoy passeava empertigado por a escola como_se tivesse sido nomeado para chefe de turma . Harry só compreendeu o motivo de toda aquela boa disposição cerca de quinze_dias depois de Dumbledore e Hagrid se terem ido embora quando , em uma aula de poções , o ouviu falar com o Crabbe e o Goyle . - Sempre achei que seria o pai quem conseguiria livrar nos de o Dumbledore - disse sem a menor preocupação em baixar a voz . - Já vos disse , segundo ele , Dumbledore foi o pior director que a escola alguma vez teve . Talvez agora venha um director decente que não queira a Câmara_dos_Segredos fechada . A Mc_Gonagall não vai durar muito , está só a ... O Snape passou por Harry , sem fazer comentários a o caldeirão e a a cadeira vazia de Hermione . - Professor - disse Malfoy em voz alta . - Professor , porque não se candidata a o lugar de director ? - Ora , ora , Malfoy - respondeu Snape , sem conseguir esconder um meio sorriso . - O professor Dumbledore foi apenas suspenso por os membros de o conselho de direcção , certamente vai voltar um dia de estes . - Sim , claro - disse Malfoy com o seu sorriso escarninho . - Acho que se o professor quisesse candidatar se a o lugar teria o voto de o pai . Eu vou dizer lhe que o acho o melhor professor de a escola . Snape sorriu enquanto passeava de um lado para o outro em o calabouço , não tendo felizmente visto o Seamus_Finnigan que fingia vomitar para dentro de o caldeirão . - Estou espantado por ver que até agora os sangues de lama ainda não fizeram as malas e não desapareceram - prosseguiu Malfoy . - Aposto cinco galeões em como o próximo morre . Pena que não tenha sido a Granger ... A campainha tocou em esse momento o que foi uma sorte porque a o ouvir as últimas palavras de Malfoy , Ron deu um salto , mas em a barafunda de guardar os livros em os sacos , a sua tentativa de agarrar o Malfoy passou despercebida . - Deixem me - gritava o Ron enquanto o Harry e o Dean lhe agarravam os braços . - Não preciso de varinha , vou dar cabo de ele com as minhas mãos ... - Despachem se , tenho de conduzir vos a a aula de herbologia - praguejava o Snape acima de as cabeças de os alunos . E lá foram como cordeirinhos com Harry , Ron e Dean em a retaguarda , o Ron ainda a tentar libertar se . Só acharam seguro largá o quando Snape os deixou fora de o castelo e iniciaram o percurso por o meio de a horta em direcção a as estufas . A aula de herbologia estava reduzida . Tinha agora dois alunos a menos : Justin e Hermione . A professora Sprout pô os a trabalhar , podando as figueiras-da-abissínia . Harry foi despejar uma braçada de hastes secas em um monte de adubo e deu consigo cara a cara com Ernie_Mcmillan . Ernie respirou fundo . - Só quero dizer te , Harry que lamento ter suspeitado de ti . Sei que nunca atacarias a Hermione_Granger e peço te desculpa por todas_as coisas que disse . Estamos todos em o mesmo barco , agora e , bem ... Estendeu lhe uma mão rechonchuda que o Harry apertou . Ernie e a sua amiga Hannah foram trabalhar em a mesma figueira com o Harry e o Ron . - Aquele tipo , Draco_Malfoy - disse Ernie , partindo pequenos galhos - , parece muito satisfeito com isto tudo , não acham ? É bem possível que ele seja o herdeiro de Slytherin . - Uma observação inteligente de a tua parte - disse o Ron que parecia não ter desculpado Ernie tão facilmente como o Harry . - Acham que é ele ? - perguntou Ernie . - Não - respondeu Harry com tanta firmeza que Ernie e Hannah ficaram a olhar espantados . Um segundo depois , Harry avistou qualquer coisa que o levou a chamar a atenção de o Ron , batendo lhe em a mão com a tesoura de podar . - Au ... o que é_que tu ... ? Harry apontava para o chão , a poucos centímetros de distância . Várias aranhas grandes corriam precipitadamente por a terra fora . - Ah ! sim - disse o Ron , tentando , sem conseguir , mostrar se entusiasmado . - Mas não podemos seguis as agora ... Ernie e Hannah ouviam nos com curiosidade . Harry viu as aranhas desaparecerem . - Parecem ir em a direcção de a floresta proibida ... E o Ron ficou ainda mais infeliz a o ouvir aquilo . Em o final de a aula , o professor Snape acompanhou os alunos a a « Defesa contra as artes negras » . Harry e Ron foram atrás de os outros para poderem conversar sem serem ouvidos . - Temos de usar outra_vez o manto de a invisibilidade - disse Harry a o Ron . - Podemos levar connosco o Fang , ele está habituado a ir a a floresta com o Hagrid , pode ser uma boa ajuda . - Certo - disse o Ron , que fazia girar nervosamente a varinha em os dedos . - Er ... não costuma haver ... não costuma haver lobisomens em a floresta ? - acrescentou enquanto ocupavam os lugares de o costume em a aula de o Lockhart . Preferindo não responder a a pergunta , Harry disse : - Também há lá coisas boas . Os centauros são fixes e os unicórnios . Ron nunca estivera em a floresta proibida , Harry fora lá só uma_vez e desejara não ter de lá voltar . Lockhart deu um salto para dentro de a sala de aula e os alunos ficaram espantados a olhar para ele . Todos os outros professores andavam mais tristes do_que o habitual mas Lockhart parecia sentir se em as nuvens . - Então , então - exclamou , olhando em volta . - Porquê essas caras deprimidas ? Lançaram lhe olhares exasperados mas ninguém respondeu . - Não compreendem - disse , falando devagar como_se fossem todos um_pouco estúpidos - que o perigo já passou ? O culpado foi se embora . -- Quem disse ? - retorquiu Dean_Thomas em voz alta . -- Meu caro jovem , o ministro de a magia não teria levado Hagrid se não estivesse cem por_cento certo de que ele era o culpado - disse Lockhart como quem explica que um e um são dois . - Teria , sim - disse o Ron , em um tom de voz ainda mais alto do_que o de o Dean . - Eu julgo saber um_pouco mais sobre a prisão de o Hagrid do_que o senhor , Mr._Weasley - disse Lockhart com notória auto-satisfação . Ron começou a dizer que discordava mas foi interrompido por o Harry que lhe deu um forte pontapé por debaixo de a mesa . - Nós não estávamos lá , lembras te ? - murmurou . Mas a alegria revoltante de o Lockhart , as insinuações de que sempre tinha achado que o Hagrid não prestava , a sua certeza de que tudo aquilo estava a chegar a o fim , irritou Harry de tal maneira que teve vontade de lhe atirar as * _ Viagens com Vampiros * e de lhe acertar em aquela cara estúpida . Mas , em vez de isso , limitou se a escrevinhar um bilhete para o Ron : * _ Vamos lá hoje a a noite * . Ron leu a mensagem , engoliu em seco e olhou para o lugar onde Hermione costumava sentar se . A cadeira vazia pareceu ajudá o a decidir se e acenou afirmativamente . A sala comum de os Gryffindor estava agora sempre cheia porque , depois de as seis_da_tarde , os Gryffindor não tinham outro lugar para ir . Por outro lado , tinham imenso para conversar , por isso a sala comum mantinha se cheia de gente até depois de a meia-noite . Logo_a_seguir a o jantar , Harry foi buscar o manto de a invisibilidade a a mala onde estava guardado e passou todo o serão a a espera que a sala esvaziasse . O Fred e o George desafiaram o para alguns jogos de explosão e a Ginny sentou se , muito preocupada , a observá os , em a cadeira habitual de Hermione . Harry e Ron fartaram se de perder de propósito em uma tentativa de pôr rapidamente fim a os jogos mas , mesmo_assim , já passava bastante de a meia-noite quando o Fred , o George e a Ginny se foram , finalmente , deitar . Harry e Ron esperaram até ouvir as portas de os dois dormitórios fecharem se . Em seguida , pegaram em o manto , lançaram o sobre ambos e passaram por o buraco de o retrato . Era mais uma difícil travessia de o castelo , tendo de fintar todos os professores . Finalmente , chegaram a o * hall * de entrada , giraram o fecho de as portas de carvalho , esgueiraram se tentando não fazer barulho e aventuraram se nos campos iluminados por o luar . - É claro que - disse bruscamente o Ron , enquanto atravessavam os relvados negros - podemos perfeitamente chegar a a floresta e descobrir que não há nada para seguir . As aranhas podem não ter ido para lá . É certo que parecia que tomavam essa direcção , mas ... Felizmente a lengalenga não durou muito . Chegaram a a casa de o Hagrid que tinha um ar triste com as suas janelas vazias . Logo_que Harry empurrou a porta e a abriu , o Fang saltou , louco de alegria por os ver . Preocupados , não fosse ele acordar toda_a_gente em o castelo com o seu ladrar forte e agitado , deram lhe rapidamente a comer bombons de melaço que estavam em uma lata sobre a lareira e que lhe colaram os dentes de cima a os de baixo . Harry pousou o manto de a invisibilidade sobre a mesa de o Hagrid . Não iam precisar de ele em a floresta escura como breu . - Anda , Fang , vamos dar um passeio - disse Harry , batendo lhe a o de leve em a pata e Fang saiu feliz , a os saltos , atrás de eles . Precipitou se até a a orla de a floresta e levantou a perna contra uma enorme figueira-do-egipto . Harry pegou em a varinha , murmurou * _ Lumus * ! e uma pequenina luz surgiu em a ponta de a varinha , suficiente para lhes mostrar o caminho e ajudá os a descobrir a pista de as aranhas . - Bem pensado - disse o Ron . - Eu acendia também a minha mas , sabes como ela está , ainda estoirava ou qualquer coisa assim ... Harry tocou em o ombro de o Ron , apontando para as ervas . Duas aranhas solitárias fugiam de a luz de a varinha , aproximando se de a sombra de as árvores . - O. _ K. - disse o Ron , resignando se com o pior . - Estou pronto , vamos . Então , com o Fang a correr atrás de eles , cheirando as raízes de as árvores e as folhas , entraram em a floresta . Seguindo a luz de a varinha de o Harry seguiram a fila disciplinada de aranhas que se movia a o longo de o caminho . Andaram durante cerca de vinte minutos , sem falar , atentos a todos os ruídos que não fossem os de os ramos caídos e de as folhas secas . Então , quando as copas de as árvores se tinham tornado mais cerradas do_que nunca , de_tal_modo_que as estrelas em o céu já não eram visíveis e a varinha de o Harry brilhava isolada em um mar de escuridão , viram as aranhas que eles seguiam a abandonar o caminho . Harry parou , tentando ver para_onde iam mas tudo_o_que ficava longe de a sua pequenina luz era negro de breu . Ele nunca fora tão longe em a floresta . Lembrava se muito bem de Hagrid lhe ter dito , de a última vez que ali tinham estado , que nunca saísse de o caminho de a floresta . Mas Hagrid agora estava a muitos quilómetros de distância e ele também lhes dissera que seguissem as aranhas . Uma coisa húmida tocou em a mão de o Harry e ele deu um salto para trás , pisando o pé a o Ron . Mas afinal era apenas o focinho de o Fang . - O que é_que tu achas ? - perguntou ele a o Ron cujos olhos conseguia vislumbrar , reflectindo a luz de a varinha . - Já_que viemos até aqui - disse ele . Seguiram , portanto as sombras velozes de as aranhas em direcção a as árvores . Não podiam agora andar muito depressa . Tinham em a frente raízes de árvores e troncos cortados que mal se viam em aquela escuridão . Harry sentia o bafo quente de Fang em a mão . Por mais de uma_vez tiveram de parar para o Harry se baixar e descobrir as aranhas a a luz de a varinha . Andaram durante o que lhes pareceu ter sido pelo_menos meia_hora , com os mantos a roçarem em os ramos mais baixos e em as silvas . A o fim de algum tempo repararam que o chão parecia inclinar se para baixo embora as árvores continuassem cerradas . Foi então que o Fang soltou um latido que ecoou em volta , fazendo Harry e Ron darem um salto , ambos com os cabelos em pé . - O que foi ? - gritou o Ron , olhando em volta para a escuridão e agarrando Harry com força , por o cotovelo . - Há qualquer coisa ali a mexer se - murmurou Harry - Ouve ... parece ser grande . Ficaram a ouvir . Um_pouco para a direita algo de grandes dimensões partia os ramos enquanto abria caminho através de as árvores . - Oh ! não - disse o Ron . - Oh ! não , não ... - Cala te - insistiu o Harry , nervoso . - Seja o que for , vai acabar por te ouvir . - Ouvir me ? - disse o Ron , em um tom de voz muito pouco natural . - Já ouviu . Fang ! A escuridão parecia esmagar lhes os globos oculares enquanto ali ficaram apavorados , a a espera . Houve um estranho ruído , surdo e prolongado , e em seguida o silêncio . - O que estará a fazer ? - perguntou Harry . - Talvez esteja a preparar se para atacar - disse o Ron . Esperaram , a tremer , sem ousarem mexer se . - Achas que se foi embora ? - murmurou Harry . - Não sei . Em esse momento , de o lado direito veio um clarão de luz tão forte em o meio de o escuro que os dois levaram as mãos a a cara para proteger os olhos . O Fang ganiu e tentou fugir mas viu se envolvido em um emaranhado de espinhos e ganiu ainda mais alto . - Harry - gritou o Ron com grande alívio em a voz . - Harry , é o nosso carro . - O quê ? - Anda ver . Harry avançou a os tropeções atrás de o Ron , em direcção a a luz e em o momento seguinte estavam em uma clareira . O carro de Mr._Weasley ali estava , vazio , no_meio_de um círculo de árvores grossas , sob um telhado de ramos densos , os faróis de a frente resplandecentes . Quando Ron se aproximou de boca aberta , moveu se lentamente em direcção a ele como_se fosse um grande cão azul turquesa , cumprimentando o dono . - Tem estado aqui todo este tempo - disse o Ron satisfeitíssimo , aproximando se de o carro . - Olha para ele , a floresta tornou o selvagem ... O guarda-lamas estava riscado e cheio de lodo . Parecia que tinha andado a passear sozinho por a floresta . Fang não gostou lá muito de ele . Manteve se a o lado de o Harry que podia senti o a tremer . Com a respiração normalizada , Harry guardou a varinha em o manto . - E nós a pensarmos que ele nos ia atacar - disse o Ron , encostando se a o carro e dando lhe duas palmadinhas - As voltas que eu dei a a cabeça a pensar para_onde ele teria ido ! Harry olhava para todos os lados , em o chão iluminado , em busca de mais aranhas mas todas elas tinham fugido de o brilho de as luzes . - Perdemos as de vista - disse ele . - Anda , vamos procurá as . Ron não disse nada . Não se moveu . Tinha os olhos fixos em um ponto , três metros acima de o chão de a floresta , mesmo atrás de o Harry . O seu rosto estava lívido de terror . Harry nem teve tempo de se voltar . Ouviu se um ruído alto e seco e sentiu que alguma coisa longa e peluda o elevava em o ar com o rosto voltado para baixo . Debatendo se , apavorado , ouviu outro estalido e viu as pernas de o Ron serem também levantadas de o chão . Ouviu o Fang gemer e ganir e , em o momento seguinte , era levado para o meio de as árvores escuras . Com a cabeça a balouçar , Harry viu que a coisa que o transportava tinha seis enormes patas peludas e que as duas de a frente o agarravam com forca sob um par de tenazes pretas e brilhantes . Atrás_de si podia ouvir outra de aquelas criaturas que , sem dúvida , transportava o Ron . Encaminhavam se para o coração de a floresta . Harry ouvia o Fang a ladrar , tentando libertar se de um terceiro monstro mas Harry não podia gritar mesmo_que quisesse , parecia que tinha deixado a voz em a clareira , junto com o carro . Não soube quanto tempo esteve em as patas de a criatura , só se apercebeu que a escuridão se atenuara um_pouco , permitindo lhe ver que o chão coberto de folhas estava agora repleto de aranhas . Voltando a cabeça para o lado , deu se conta de que tinham chegado a a base de uma enorme cova , uma cova que fora limpa de árvores para que as estrelas iluminassem com o seu brilho a cena mais pavorosa que os seus olhos alguma vez tinham visto . Aranhas . Não aranhas pequeninas como aquelas que estavam sobre as folhas . Aranhas de o tamanho de enormes cavalos , com oito olhos , oito pernas pretas , peludas , gigantescas . O espécimen que transportava Harry desceu o terreno íngreme até uma teia brumosa em forma de cúpula que ficava mesmo em o meio de a cova , enquanto os companheiros se juntavam em volta , batendo excitadíssimos com as tenazes e olhando para o que eles traziam a as costas . Harry caiu em o chão de gatas quando a aranha o libertou . Ron e Fang foram cair perto de ele . O Fang já não gania . Estava agachado e muito quieto . Ron e Harry partilhavam o mesmo sentimento . O Ron tinha a boca aberta em uma espécie de grito silencioso e os olhos a saltarem lhe de as órbitas . Harry percebeu de repente que a aranha que o deitara a o chão estava a dizer qualquer coisa . Era difícil entender porque entre cada duas palavras , batia com as tenazes . - Aragog - chamou . - Aragog . E de o meio de a teia brumosa em forma de cúpula saiu muito lentamente uma aranha de o tamanho de um pequeno elefante . As costas e as pernas estavam cobertas de pêlo cinzento e , em a cabeça feia , munida de tenazes , estavam vários olhos , todos eles de um branco leitoso . Era cega . - O que foi ? - disse , batendo rapidamente com as tenazes uma em a outra . - Homens - respondeu a aranha que trouxera o Harry . - É o Hagrid ? - perguntou Aragog , aproximando se mais com os seus oito olhos leitosos a vaguear . - Estranhos - respondeu a aranha que trouxera o Ron . - Matem nos - disse Aragog , irritada . - Eu estava a dormir ... - Nós somos amigos de o Hagrid - gritou Harry . Parecia que o coração lhe saltava por a boca . Clic , clic , clic fizeram as tenazes de a aranha , em volta de a cova . Aragog parou . - O Hagrid nunca mandou homens a a nossa cova - disse lentamente . - O Hagrid está em perigo - explicou Harry , respirando muito depressa . - Foi por isso que eu vim . - Em perigo ? - repetiu a aranha idosa e pareceu a Harry sentir preocupação por detrás de as suas tenazes . - Mas porque vos mandou ele cá ? Harry pensou pôr se de pé mas achou melhor não arriscar . As pernas provavelmente não teriam força para o sustentar . Falou portanto de o chão , o mais calmamente que foi capaz . - Eles lá em a escola pensam que o Hagrid soltou qualquer coisa contra os estudantes . Mandaram o para Azkaban . Aragog bateu furiosamente com as tenazes e , em toda_a cova , o eco foi reproduzido por uma multidão de aranhas . Era uma espécie de aplauso com uma única diferença : os aplausos não costumavam fazer o Harry quase morrer de medo . - Mas isso foi há muitos anos - disse Aragog , maldisposta . - Há anos e anos . Lembro me muito bem . Foi por isso que o expulsaram de a escola . Eles pensaram que eu era o monstro que vive em aquilo a que eles chamam a Câmara_dos_Segredos . Pensaram que o Hagrid a tinha aberto para me libertar . - E tu ... não vieste de a Câmara_dos_Segredos ? - perguntou Harry que sentia a testa cheia de suores frios . - Eu - disse Aragog , batendo irritada com as tenazes - , eu não nasci em o castelo . Venho de uma terra distante . Um viajante ofereceu me a o Hagrid quando eu era ainda um ovo . Hagrid era um rapazinho mas tratou de mim , escondeu me em uma despensa dentro de o castelo e alimentava me com as migalhas que ficavam em as mesas . Hagrid é o meu bom amigo e um bom homem . Quando me encontraram e me culparam por a morte de uma rapariga , ele protegeu me . Desde_então , tenho vivido aqui em a floresta onde o Hagrid ainda vem visitar me . Ele até me arranjou uma esposa , Mosag , e estão a ver como a família cresceu , tudo graças a a bondade de o Hagrid ... Harry reuniu a coragem que lhe restava . - Então tu nunca atacaste ninguém ? - Nunca - resmungou a velha aranha . - Era esse o meu instinto , mas por respeito a Hagrid nunca fiz mal a nenhum humano . O corpo de a rapariga morta foi encontrado em uma casa_de_banho , ora eu nunca conheci mais do_que despensa de o castelo , onde cresci . Nós gostamos de o escuro de o silêncio . - Mas então ... sabes o que matou essa rapariga ? - perguntou Harry . - Porque seja o que for , está a atacar as pessoas outra_vez ... As suas palavras foram abafadas por uma audível explosão de tenazes a bater e por o ruge-ruge de muitas pernas longas , deslocando se iradas . Em volta de Harry começaram a mover se sombras escuras . - O que vive em o castelo - disse Aragog - é uma antiga criatura que nós , aranhas , tememos acima_de todas_as outras . Lembro me bem de o quanto insisti com Hagrid para que me deixasse sair de ali quando senti a criatura a andar por a escola . - O que é ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . Mais tenazes a bater , mais pernas a moverem se . As aranhas pareciam estar a aproximar se . - Nós não falamos de isso - exclamou Aragog furiosa . - Não pronunciamos o seu nome . Eu nunca disse a o Hagrid o nome de a horrível criatura , apesar_de ele me ter perguntado vezes sem conta . Harry não quis insistir , principalmente com todas aquelas aranhas a aproximarem se de todos os lados . Aragog parecia ter se cansado de falar . Recuava lentamente para a teia em forma de cúpula , mas as companheiras continuavam a aproximar se ameaçadoramente de Harry e Ron . - Vamos embora , então - gritou Harry , desesperadamente a Aragog , enquanto ouvia as folhas secas a estalarem atrás_de si . - Embora ? - disse Aragog lentamente . - Não me parece ... - Mas , mas ... - Os meus filhos e filhas não fazem mal a o Hagrid por ordem minha . Mas não posso negar lhes carne fresca quando ela veio por vontade própria ter connosco . Adeus , amigo de o Hagrid . Harry deu meia volta . Poucos centímetros acima de ele , uma sólida parede de aranhas batia com as tenazes , os seus muitos olhos a brilharem em as horríveis caras pretas . Mesmo_que se servisse de a varinha , Harry sabia que não ia valer de nada . As aranhas eram demasiadas , mas quando tentava preparar se para morrer a lutar , ouviu se um som prolongado e um clarão de luz iluminou a cova . O carro de Mr._Weasley ribombava , descendo o declive , com os faróis acesos , a buzina a guinchar , afastando as aranhas . Muitas de elas ficaram voltadas ao_contrário com as várias pernas a agitar se em o ar . O carro buzinou com mais força em frente de Harry e Ron e as portas abriram se . - Agarra o Fang - gritou Harry , ajeitando se em o lugar de a frente . Ron agarrou o cão caçador de javalis e lançou o a ganir para o banco de trás . As portas fecharam se com estrondo . Ron não tocou em o acelerador mas o carro não precisou de isso . O motor fez se ouvir e levantaram voo , batendo em mais aranhas . Subiram o declive , saindo de a cova e pouco depois atravessavam a floresta , os ramos a baterem em os vidros enquanto o carro seguia habilmente através de os intervalos maiores , por um caminho que obviamente já conhecia . Harry olhou para o Ron , a o seu lado . Ele tinha ainda a boca aberta em o mesmo grito silencioso mas os olhos já não estavam salientes . - Estás bem ? Ron olhou em frente , incapaz de responder . Começavam a descer para terra firme com o Fang a soltar enormes ganidos em o banco de trás e Harry viu o espelho retrovisor saltar quando passaram rente a um enorme carvalho . Após dez minutos bastante ruidosos , as árvores começaram a ser mais finas e Harry pôde ver de_novo pedaços de o céu . O carro parou tão bruscamente que quase foram projectados por o vidro de a frente . Tinham chegado a a orla de a floresta . O Fang ia agitadíssimo a a janela e quando Harry abriu a porta , disparou a correr através de as árvores até a a casa de o Hagrid , de cauda entre as pernas . Harry saiu também e um minuto depois o Ron pareceu recuperar a força em os membros e seguiu o , ainda com um torcicolo e de olhos esbugalhados . Harry deu uma palmadinha de agradecimento a o carro antes de ele dar a volta e desaparecer em direcção a a floresta . Harry voltou a a cabana de o Hagrid para buscar o manto de a invisibilidade . O Fang tremia em o seu cesto , coberto por um cobertor . Quando saiu de_novo , viu o Ron a vomitar junto de as abóboras . - Sigam as aranhas - disse ele debilmente , limpando a boca a a manga . - Nunca vou perdoar a o Hagrid . É uma sorte ainda estarmos vivos . - Aposto que ele pensou que Aragog nunca faria mal a os seus amigos - justificou Harry . - Esse é justamente o problema de o Hagrid - interrompeu Ron , dando um soco em a parede de a cabana . - Ele acha sempre_que os monstros não são tão maus como os pintam e vê onde isso o levou , a uma cela em Azkaban - tremia agora descontroladamente . - Qual a ideia de ele a o mandar nos ali ? Gostava de saber o que é_que descobrimos . - Que o Hagrid nunca abriu a Câmara_dos_Segredos - disse Harry , lançando o manto sobre Ron e tocando lhe em o braço para o encorajar a andar . - Ele estava inocente . Ron resmungou em voz alta . Para ele , chocar Aragog em uma despensa não era propriamente estar inocente . Quando se aproximaram de o castelo , Harry esticou o manto para garantir que os pés de ambos ficavam cobertos . Em seguida , empurrou as portas de a frente que chiaram . Atravessaram com todo o cuidado o * hall * de entrada e subiram a escadaria de mármore , contendo a respiração em os corredores guardados por sentinelas atentos . Por fim , chegaram a a segurança de a sala de os Gryffindor onde o lume ardera até se transformar em brasas brilhantes . Tiraram o manto e subiram a escada serpenteante que os levava a o dormitório . Ron caiu em a cama sem sequer se despir mas Harry , apesar_de tudo , não tinha sono . Sentou se em a beirinha de a cama , pensando em todas_as coisas que Aragog dissera . A criatura que andava por o castelo , pensou , era uma espécie de monstro Voldemort , nem os outros monstros queriam pronunciar o seu nome . Mas ele e o Ron não estavam agora mais perto_de descobrir o que era nem como petrificava as suas vítimas . Se nem o Hagrid chegara a saber o que estava em a Câmara_dos_Segredos ... Harry balançou as pernas e atirou se para_cima de a cama . Encostado a as almofadas olhou a Lua que brilhava através de a janela de a torre . Não sabia que mais poderiam fazer . Só tinham encontrado portas fechadas . Riddle apanhara a pessoa errada . O herdeiro de Slytherin fugira e ninguém sabia se era a mesma pessoa ou uma outra que abrira , desta_vez , a Câmara_dos_Segredos . Não havia mais ninguém a quem fazer perguntas . Harry deitou se ainda a pensar em as palavras de Aragog . Estava a começar a ficar com sono quando aquilo que parecia ser uma última esperança lhe ocorreu , fazendo o sentar se muito direito em a cama . - Ron - sussurrou em o escuro . - Ron . Ron acordou com um ganido como os de o Fang . Olhou muito assustado em volta e viu o Harry . - Ron , a rapariga que morreu . Aragog contou nos que ela foi encontrada em uma casa_de_banho - disse , ignorando os roncos de o Neville em o outro canto de o quarto . - E se ela nunca tivesse saído de a casa_de_banho ? E se ainda lá estiver ? Ron esfregou os olhos , franzindo as sobrancelhas sob a luz de a Lua . E só então compreendeu . -- Não pensar que ... a Murta_Queixosa ? XVI_A_Câmara_dos_Segredos -- E estivemos nós tantas vezes em aquela casa_de_banho com ela apenas a três cubículos de distância - disse o Ron amargamente em o dia seguinte , a a mesa de o pequeno-almoço . - Podíamos ter lhe perguntado e agora ... Já fora bastante difícil procurar as aranhas . Escapar a os professores o tempo suficiente para ir até a a casa_de_banho de as raparigas , que ficava mesmo em frente de o lugar onde ocorrera o primeiro ataque , ia ser quase impossível . Mas alguma coisa aconteceu que fez com que a Câmara_dos_Segredos desaparecesse de os seus pensamentos pela_primeira_vez em várias semanas . A professora Mc_Gonagall comunicou lhes que os exames começariam a 1_de_Junho , uma semana depois . - Exames ? - gritou Seamus_Finnigan . - Nós mesmo_assim vamos ter exames ? Ouviu se um estrondo atrás de o Harry quando a varinha de o Neville_Longbottom lhe escapou de a mão , fazendo desaparecer uma de as pernas de a secretária . A professora Mc_Gonagall repô a com a sua varinha e voltou se com má cara para o Seamus . - Se temos a escola aberta em uma altura de estas é para vocês receberem instrução - disse com dureza . - Os exames terão lugar , portanto , como é costume e espero que todos vocês façam revisões até lá . Revisões . Não passara por a cabeça de o Harry que houvesse exames com o castelo em aquele estado . Houve uma série de murmúrios revoltados , o que fez com que a professora Mc_Gonagall ficasse ainda mais mal-humorada . - As instruções de o professor Dumbledore foram para manter a escola a funcionar o mais normalmente possível - disse . - E isso , não preciso de vos dizer , passa por uma avaliação de o quanto vocês aprenderam a o longo de este ano . Harry olhou para baixo , para o casal de coelhos brancos que ele deveria transformar em pantufas . Que tinha ele aprendido durante o ano ? Não era capaz de se lembrar de nada que fosse útil em um exame . Ron estava como_se tivessem acabado de lhe dizer que a partir de aquele momento tinha de ir viver para a floresta proibida . - Estás a ver me a ter exames com isto tudo ? - perguntou a o Harry enquanto pegava em a varinha que tinha começado a assobiar bastante alto . Três dias antes de o primeiro exame , a a hora de o pequeno almoço , a professora Mc_Gonagall fez outra comunicação . - Tenho boas notícias - disse , e o salão em_vez_de se calar , explodiu de contentamento . - Dumbledore vai regressar ! - gritaram várias pessoas cheias de alegria . - Apanharam o herdeiro de Slytherin - arriscou uma rapariga em a mesa de os Ravenclaw . - Temos outra_vez os jogos de Quidditch - bradou Wood , excitadíssimo . Quando a agitação passou , Mc_Gonagall disse : - A professora Sprout informou me que as mandrágoras estão finalmente prontas para serem cortadas . Hoje a a noite vamos poder reanimar as pessoas que foram petrificadas . Escusado será dizer que certamente uma de elas poderá revelar nos quem ou o que a atacou . Eu tenho esperança que este ano pavoroso acabe com a prisão de o culpado . Houve uma explosão de aplausos . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e não ficou nada surpreendido a o ver que Draco_Malfoy não aplaudia . O Ron , por outro lado , estava satisfeito como ninguém o via havia dias . - Não faz mal não termos perguntado a a Murta . A Hermione vai , com certeza , ter todas_as respostas quando acordarem . Vai também ficar fula quando souber que temos exames dentro_de três dias . Ela não pôde fazer revisões . Seria melhor deixarem a estar onde está até a o final de os exames . Nessa_altura , Ginny_Weasley veio sentar se junto de o Ron . Parecia nervosa e tensa e Harry reparou que torcia as mãos em o colo . - O que se passa ? - perguntou o Ron , servindo se de mais papa de aveia . Ginny não disse nada mas olhou para um lado e para o outro de a mesa de os Gryffindor , com um olhar assustado que lembrou a Harry alguém que não sabia bem quem era . - Vá lá , vomita - disse o Ron , olhando para ela . Harry percebeu subitamente quem a Ginny lhe lembrara . Ela balançava se ligeiramente para a frente e para trás em a cadeira , exactamente como o Dobby fazia quando estava hesitante , à_beira_de revelar uma informação proibida . - Tenho de te dizer uma coisa - balbuciou a Ginny receosa , sem olhar para Harry . - O que é ? - perguntou ele . Ginny parecia incapaz de encontrar as palavras certas . - O quê ? - insistiu Ron . Ginny abriu a boca mas não saiu nenhum som . Harry inclinou se para a frente e falou devagar para que só ela e Ron pudessem ouvi o . - É alguma coisa relacionada com a Câmara_dos_Segredos ? Viste alguma coisa ou alguém a agir de forma estranha ? Ginny respirou fundo e , em esse preciso momento , apareceu Percy_Weasley com um ar pálido e cansado . - Se já acabaste de comer eu fico com esse lugar , Ginny . Estou cheio de fome . Acabei agora o meu trabalho de patrulhamento . Ginny deu um salto como_se a cadeira tivesse acabado de ser electrificada , lançou a o Percy um olhar assustado e zarpou . Percy sentou se e tirou uma caneca de o meio de a mesa . -- Percy - disse o Ron aborrecido . - Ela ia agora mesmo contar nos uma coisa importante . A meio de um gole de chá , Percy estremeceu . - Que coisa ? - perguntou , tossindo . - Eu quis saber se ela tinha visto alguma coisa estranha e ela ia dizer ... - Ah ! isso ... não tem nada que ver com a Câmara_dos_Segredos - disse o Percy de imediato . - Como sabes ? - indagou o Ron , erguendo as sobrancelhas . - Bem ... er ... já_que perguntam , a Ginny ... er ... passou por mim em outro dia quando eu ... er ... não foi nada , o importante é_que ela viu me fazer uma coisa e eu ... um ... pedi lhe para não comentar com ninguém . Não pensei que ela cumprisse a palavra , verdade se diga . Não é nada importante , eu só ... Harry nunca vira o Percy tão pouco a a vontade . - O que estavas a fazer , Percy ? - riu se o Ron . - Vá lá , conta que nós não nos rimos . Percy ficou sério . - Passa me esses pãezinhos , Harry , estou cheio de fome . Harry sabia que todo o mistério poderia ser desvendado em o dia seguinte sem a ajuda de eles mas não ia deixar de falar com a Murta_Queixosa se a oportunidade surgisse . E , para sua grande satisfação , ela surgiu a meio de a manhã quando eram conduzidos a a aula de História_da_Magia_por_Gilderoy_Lockhart . Lockhart , que tantas vezes lhes assegurara que o perigo tinha passado , estava agora totalmente convencido de que acompanhar os alunos em os corredores era um trabalho inútil . O seu cabelo estava mais liso do_que de costume . Parecia ter passado toda_a noite acordado a vigiar o quarto andar . - Podem escrever o que eu digo - afirmou , acompanhando os até uma esquina . - As primeiras palavras que vão sair de a boca de aquelas pobres pessoas petrificadas serão - * _ Foi_o_Hagrid * . Francamente , estou espantado por a professora Mc_Gonagall considerar ainda necessárias estas medidas de segurança . - Concordo , professor - disse Harry , fazendo com que Ron , surpreendido , deixasse cair os livros a o chão . - Obrigado , Harry - disse Lockhart amavelmente , enquanto deixavam passar uma grande fila de Hufflepuffs . - verdade é_que os professores já têm bastante que fazer para andarem também a acompanhar os alunos a as aulas e a guardar os corredores a a noite ... - É verdade - disse o Ron , percebendo a ideia . - Porque não nos deixa aqui , professor , só falta mais um corredor . - Sabes , Weasley , sou mesmo capaz de fazer isso - disse Lockhart . - Preciso de preparar a minha próxima aula . E apressou se a seguir o seu caminho . - Preparar a aula - zombou o Ron . - Vai encaracolar o cabelo , é o mais certo . Deixaram os restantes Gryffindor passar lhes a a frente e por fim cortaram caminho em um corredor lateral e dirigiram se a a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mas quando estavam a congratular se por o seu esquema brilhante ... - Potter , Weasley ! Que estão vocês a fazer aqui ? Era a professora Mc_Gonagall e a boca de ela estava mais fina do_que nunca . - Nós estávamos , estávamos - gaguejou o Ron . - Nós íamos ver , íamos ver ... - Hermione - completou Harry . A professora Mc_Gonagall e Ron olharam para ele . - Não a vemos há séculos , professora - prosseguiu Harry , pisando o pé a o Ron . - E pensamos ir espreitá a a a ala hospitalar e dizer lhe que as mandrágoras estão quase prontas , para ela não se preocupar . A professora Mc_Gonagall estava ainda a olhar para ele e , por um momento , Harry pensou que ela ia explodir mas , quando falou , fê lo em um tom de voz estranhamente rouco . - É claro - disse . E Harry , espantado , viu uma lágrima a brilhar lhe em o canto de um de os olhos . - É claro . Eu compreendo que tudo_isto tem sido muito duro para os amigos de aqueles que foram ... eu compreendo , sim , Potter . Podem ir visitar Miss_Granger . Eu mesma informarei o professor Binns de que vocês estão em o hospital . Digam a Madam_Pomfrey que vos dei autorização . Harry e Ron afastaram se , quase sem acreditar que tinham escapado a um castigo . Quando voltaram em uma esquina ouviram nitidamente a professora Mc_Gonagall a assoar se . - Esta - disse o Ron entusiasmado - foi a melhor história que tu alguma vez inventaste . Não tinham outro remédio senão ir a a ala hospitalar e dizer a Madam_Pomfrey que tinham autorização de a professora Mc_Gonagall para visitar Hermione . Madam_Pomfrey deixou os entrar com alguma relutância . - Não vale a pena falar com uma pessoa petrificada - disse , e ambos tiveram que admitir que ela tinha razão quando se sentaram junto de Hermione e constataram que ela não tinha a menor noção de estar acompanhada . Dizer lhe que não se preocupasse ou falar com o armário que estava a o lado de a cama era exactamente a mesma coisa . - Será que ela viu quem a atacou ? - perguntou o Ron , olhando com tristeza para o rosto rígido de Hermione . - Porque se a coisa saltou sobre eles , ficaremos todos sem saber de nada . Mas Harry não olhava para o rosto de Hermione . Estava mais interessado em a sua mão direita que se encontrava pousada sobre os cobertores e , inclinando se para ela , viu que tinha , fechado entre os dedos , um pedaço de papel . Assegurando se de que Madam_Pomfrey não dava por nada , fez sinal a o Ron . - Tenta tirá o - murmurou ele , colocando a cadeira de_modo_a que Madam_Pomfrey não pudesse ver o Harry . Não foi tarefa fácil . A mão de a Hermione estava fechada com uma força tal que Harry receou parti a . Enquanto Ron vigiava , ele forçou e torceu até que , por fim , depois de vários minutos bastante tensos , conseguiu tirar o papel . Era uma página retirada de um livro muito antigo de a biblioteca . Harry alisou a ansiosamente e Ron inclinou se para poder lês a também . * _ De todos os monstros assustadores que pairam a a face de a Terra , nenhum é tão curioso nem tão fatal como o Basilisk , também conhecido por o rei de as serpentes . Esta cobra que pode atingir proporções gigantescas e viver durante muitas centenas de anos nasce de um ovo de galinha que é chocado por um sapo . As suas formas de matar são pavorosas pois além de os dentes venenosos e mortais , o Basilisk tem um olhar criminoso e todos aqueles que ele fixa com os olhos tem morte instantânea . As aranhas fogem a sete pés de o Basilisk que é seu inimigo mortal , e o Basilisk foge apenas de o canto de o galo que para ele é fatal * . Por debaixo de isto uma única palavra fora escrita , em a letra que Harry reconheceu como sendo de Hermione : Canos . Foi como_se se tivesse acendido uma luz em o seu espírito . - Ron - murmurou - é isso . Está aqui a resposta . O monstro de a Câmara_dos_Segredos é um Basilisk , uma serpente gigante . Por isso , só eu tenho ouvido a sua voz em todos os lugares , porque eu compreendo * serpentês * ... Harry olhou para as camas em volta . - O Basilisk mata as pessoas fixando as com o olhar mas ninguém morreu , o que quer_dizer que ninguém o olhou directamente em os olhos . Colin viu o através de a lente de a máquina fotográfica e o Basilisk queimou o rolo que estava lá dentro mas o Colin ficou apenas petrificado . O Justin ... o Justin deve ter visto o Basilisk através de o Nick quase sem cabeça . O Nick é_que levou com o olhar mas não podia morrer outra_vez ... e perto de a Hermione e de a prefeita de os Ravenclaw foi encontrado um espelho . Hermione acabara de compreender que o monstro era um Basilisk . Aposto que preveniu a primeira pessoa que encontrou de que era melhor olhar por um espelho a o virar de cada esquina . E aquela rapariga puxou de o seu espelho e ... O Ron estava de queixo caído . - E Mrs._Norris ? - perguntou vivamente . Harry pensou um_pouco , tentando imaginar a cena em a noite de o Halloween . - A água . . . - disse lentamente . - A poça de água que saiu de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Aposto que Mrs._Norris só viu o reflexo de o monstro . Examinou a folha de papel que tinha em a mão . Quanto_mais olhava mais sentido faziam as coisas . - * _ O cantar de o galo é fatal para ele * - leu em voz alta . - Os galos de o Hagrid foram mortos . O herdeiro de Slytherin não queria um único galo perto de o castelo , com a câmara aberta . * _ As aranhas são as primeiras a fugir * . Tudo encaixa . - Mas , como tem o Basilisk andado por aí ? - disse o Ron . - Uma serpente horrível e enorme ... alguém a teria visto . Mas Harry apontou para a palavra que Hermione escrevinhara em o final de a página . - Canos - disse . - Canos ... Ron , ele tem usado a canalização . Eu ouvi sempre a voz dentro de as paredes ... Ron agarrou subitamente o braço de o Harry . - A entrada para a Câmara_dos_Segredos - disse em uma voz rouca . - E se for em uma casa_de_banho ? Se for em a ... - Em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa - completou Harry . Sentaram se , tomados de uma excitação enorme , mal querendo acreditar . - Isso significa que - disse o Harry - eu não posso ser o único em a escola a falar * serpentês * . Há também o herdeiro de Slytherin . É de esse modo que tem controlado o Basilisk . - O que vamos fazer ? - perguntou Ron com os olhos a faiscar . - Vamos falar com a Mc_Gonagall ? - Vamos até a a sala de os professores - disse Harry , dando um salto . - Ela estará lá dentro_de dez minutos , está quase em o intervalo . Desceram a escada a correr . Não querendo ser descobertos outra_vez a vaguear por os corredores foram directamente até a a sala de os professores que estava deserta . Era uma divisão ampla , toda forrada , com cadeiras de madeira escura . Harry e Ron passearam de um lado para o outro , demasiado nervosos para se sentarem . Mas a campainha anunciando o intervalo nunca mais tocava . Em vez de isso , ecoando em os corredores , ouviram a voz de a professora Mc_Gonagall incrivelmente ampliada . - * _ Todos os alunos devem regressar de imediato a os seus dormitórios . Todos os professores a a sala de professores . Imediatamente , por favor * . Harry deu meia volta e olhou para o Ron . - Não me digas que houve um novo ataque , não agora ! - Que vamos fazer ? - disse o Ron aterrado . - Voltar para o dormitório ? - Não - disse Harry , olhando e m volta . Havia uma espécie de armário a a sua esquerda cheio com os mantos de os professores . - Ali . Vamos ouvir o que se passa . A seguir poderemos contar lhes o que descobrimos . Esconderam se dentro de o armário , ouvindo a algazarra de centenas de pessoas e a porta de a sala de professores a abrir se . De o meio de a confusão de mantos bafientos , viram os professores encherem a sala . Alguns tinham um ar totalmente confuso , outros pareciam apavorados . Por fim , chegou a professora Mc_Gonagall . - Aconteceu - disse em o silêncio de a sala de professores . - O monstro levou uma aluna . Levou a mesmo para a câmara . O professor Flitwick soltou um grito agudo . A professora Sprout bateu com a mão em a boca . Snape agarrou com força as costas de uma cadeira e perguntou : - Como pode ter tanta certeza ? - O herdeiro de Slytherin - disse a professora Mc_Gonagall , muito pálida . - Deixou outra mensagem . Mesmo por baixo de a primeira : « * _ O esqueleto de ela ficará para sempre em a Câmara_dos_Segredos * . » O professor Flitwick desatou a chorar . - Quem é ela ? - quis saber Madam_Hooch que se afundara em uma cadeira . - Quem é a aluna ? - Ginny_Weasley - disse a professora Mc_Gonagall . Harry viu o Ron , a o seu lado , escorregar silenciosamente até a o chão de o armário . - Vamos ter que mandar todos os alunos embora amanhã - disse a professora Mc_Gonagall . Isto_é o fim de Hogwarts , Dumbledore sempre disse ... A porta de a sala de os professores voltou a abrir se . Por um breve momento , Harry pensou que fosse Dumbledore mas era Lockhart e vinha todo sorridente . - Peço desculpa , adormeci . Perdi alguma coisa ? Não pareceu reparar que os outros professores o olhavam com uma espécie de aversão . Snape deu um passo em frente . - O homem que faltava - disse . - O homem certo . O monstro raptou uma garota , Lockhart levou a para a Câmara_dos_Segredos . O seu momento chegou . - Isso mesmo , Lockhart - acrescentou a professora Sprout . - Não estavas a dizer ontem a a noite que sempre tinhas sabido onde era a entrada para a Câmara_dos_Segredos ? - Eu ... bem ... eu-disse atabalhoadamente Lockhart . - Sim , não me disseste que sabias exactamente o que estava lá dentro ? - disse com voz esganiçada o professor Flitwick . - Eu disse ? Não me lembro ... - Lembro me perfeitamente de o ouvir dizer que lamentava não ter feito uma tentativa com o monstro antes de o Hagrid ser preso - disse Snape . - Não disse que toda_a história tinha sido uma atrapalhação e que deveriam ter lhe dado carta branca desde o princípio ? Lockhart olhou em volta para a cara de espanto de os colegas . - Eu ... nunca ... eu de facto ... deve ter me compreendido mal . - Então vamos deixar te , Gilderoy - disse a professora Mc_Gonagall . - Esta noite será uma excelente oportunidade para actuares . Nós trataremos de assegurar que ninguém te atrapalha . Vais poder enfrentar o monstro sozinho . Finalmente tens carta branca . Lockhart olhou desesperado a a sua volta mas ninguém foi salvá o . Já não estava bem-parecido . O lábio tremia lhe e a ausência de o seu habitual sorriso de dentes brancos dava lhe um ar escanzelado . - M-muito bem - disse . - Vou até a o meu escritório para ... para me preparar . E saiu de a sala . - _ óptimo - exclamou a professora Mc_Gonagall com as narinas dilatadas . - Isto deve afastá o de o nosso caminho . Os chefes de casa devem ir agora comunicar a os respectivos alunos o que se passou e informá os de que o Expresso_de_Hogwarts os levará a casa amanhã de manhã . Os restantes certifiquem se , por favor , de que não há alunos fora de os dormitórios . Os professores levantaram se e saíram um a um . Foi talvez o dia pior de a vida de o Harry . Ele , Ron , Fred e George sentaram se juntos a um canto em a sala comum de os Gryffindor , incapazes de proferir uma palavra . Percy não estava lá . Tinha ido tratar de enviar uma coruja a Mr. e Mrs._Weasley e , em seguida , fechara se em o dormitório . Nunca uma tarde custara tanto a passar e nunca a torre de os Gryfffindor estivera tão cheia de gente e tão silenciosa . Fred e George foram para a cama quase a o pôr de o Sol , incapazes de ficar ali mais tempo . - Ela sabia qualquer coisa , Harry - disse o Ron , falando pela_primeira_vez desde_que tinham saído de o armário de a sala de os professores . - Por isso a levaram . Não era nenhuma parvoíce sobre o Percy , ela tinha descoberto qualquer coisa sobre a Câmara_dos_Segredos . Com certeza por isso é_que a ... - Ron esfregou os olhos , enervadíssimo . - Afinal ela era sangue puro , não pode haver outra explicação . Harry olhava para o sol que mergulhava de um vermelho cor de sangue em a linha de o horizonte . Era a pior coisa que lhe tinha acontecido . Se pelo_menos pudessem fazer alguma coisa . - Harry - disse o Ron . - Achas que há alguma possibilidade de ela não estar ... ? Sabes o que eu quero dizer . Harry não sabia que resposta dar . Não acreditava que a Ginny pudesse ainda estar viva . - Sabes uma coisa ? - disse o Ron . - Acho que devíamos ir ter com o Lockhart , contar lhe o que sabemos . Ele vai tentar entrar em a câmara , podemos dizer lhe onde achamos que fica a entrada e contar lhe que o monstro é um Basilisk . Como Harry não tinha nenhuma ideia melhor e como queria fazer alguma coisa , concordou . Os Gryffindor que os rodeavam estavam tão tristes e com tanta pena de os Weasley que ninguém tentou impedi os quando os viram levantar se , atravessar a sala e sair por o buraco de o retrato . A escuridão começava a instalar se quando chegaram a o escritório de Lockhart onde a actividade era muita . De o corredor ouvia se o ruído de coisas a serem deitadas fora , pancadas surdas e passos apressados . Harry bateu a a porta e houve um silêncio repentino . Em seguida abriu se uma fresta de a porta e viram um de os olhos de Lockhart a espreitar . - Oh ! ... Mr._Potter ... Mr._Weasley - disse entreabrindo a porta . - Estou um_pouco ocupado em este momento , se forem rápidos ... - Professor , nós temos informações para lhe dar - disse o Harry . - Acho que poderão ajudá o . - Er ... bem ... não é - o lado de a cara de Lockhart que conseguiam ver parecia muito pouco a a vontade . - Quer_dizer ... bem ... está bem . Abriu a porta e eles entraram . O escritório estava praticamente vazio . Em o chão estavam duas grandes malas abertas . Mantos verde-jade , lilás , azul-noite tinham sido apressadamente dobrados e guardados dentro_de uma de as malas . Os livros misturavam se todos dentro de a outra . As fotografias que antes cobriam as paredes estavam agora arrumadas em caixas , em cima de a secretária . - Vai a algum lado ? - perguntou Harry . - Er ... bem ... sim - disse Lockhart , arrancando de a porta um poster seu em tamanho natural , enquanto falava , e começando a enrolá o . - Uma chamada urgente ... inevitável ... tenho que ir . - E a minha irmã ? - perguntou o Ron bruscamente . - Bem , quanto_a isso foi uma pena - disse Lockhart , evitando olhá os em os olhos , abrindo uma gaveta e começando a despejar o seu conteúdo dentro_de um saco . - Ninguém lamenta mais do_que eu ... - O senhor é o professor de Defesa contra as artes negras - disse Harry . - Não pode ir se embora agora_que todas estas coisas de magia negra estão a acontecer aqui . - Bem , devo dizer te que ... quando aceitei o lugar ... - resmungou Lockhart , empilhando soquetes sobre os mantos - nada em a descrição de o meu trabalho fazia prever ... - Quer_dizer que vai fugir ? - perguntou Harry , incrédulo . - Depois de todas_as coisas que conta em os seus livros ? - Os livros podem ser enganadores - disse Lockhart delicadamente . - Mas foi o senhor que os escreveu - gritou Harry . - Meu rapaz - disse Lockhart , endireitando se e franzindo as sobrancelhas - usa o senso comum . Os meus livros não teriam vendido metade do_que venderam se as pessoas não acreditassem que eu tinha feito todas aquelas coisas . Ninguém está interessado em ler sobre um velho feiticeiro americano mesmo_que ele tenha salvo uma cidade inteira de os lobisomens , ficaria péssimo em a capa . E a bruxa que correu com a fada carpideira tinha um lábio leporino . Como vês . - Quer_dizer que ficou com os louros por tudo_o_que uma série de outras pessoas fizeram ? - perguntou Harry , sem querer acreditar . - Harry , Harry - disse Lockhart , abanando impacientemente a cabeça . - Não é tão simples assim . Envolveu muito trabalho . Tive de localizar todas essas pessoas , perguntar lhes em pormenor como tinham feito as coisas . Depois tive de lhes fazer um feitiço antimemória para que não voltassem a lembrar se do_que tinham feito . Se há uma coisa de que me orgulho é de os meus feitiços antimemória . Não , tive muito trabalho , Harry . Não foram só as sessões de autógrafos e as fotografias , sabes ? Quem quer ser famoso tem de estar preparado para um trabalho longo e fatigante . Fechou as malas a a chave . - Vejamos - disse . - Acho que está tudo . Sim , só falta uma coisa . - Empunhou a varinha e voltou se para eles . - Lamento muito , rapazes , mas vou ter de vos fazer um feitiço antimemória . Não posso deixar que vão por aí repetir os meus segredos . Não venderia nem mais um livro . Harry pegou em a varinha mesmo a tempo e Lockhart mal tinha levantado a de ele a o ar quando Harry gritou * _ Expelliarmus ! * Lockhart foi projectado de costas , indo cair em cima de a mala . A varinha voou por os ares . Ron agarrou a e atirou a por a janela aberta . - Não devia ter deixado o professor Snape ensinar nos esta - disse Harry furioso , dando um pontapé a uma de as malas . Lockhart olhava para ele , de_novo escanzelado . Harry apontava lhe a varinha . - O que queres que eu faça ? - perguntou debilmente . - Eu não sei onde fica a Câmara_dos_Segredos . Não posso fazer nada . - Está com sorte - disse Harry , forçando o com a varinha a pôr se de pé . - Nós julgamos saber onde é e o que está lá dentro . Vamos . Conduziram Lockhart para fora de o seu escritório , desceram com ele as escadas e seguiram por o corredor escuro em cuja parede brilhavam as mensagens , até a a porta de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Mandaram Lockhart a a frente . Harry gostou de ver que todo ele tremia . A Murta_Queixosa estava sentada em a cisterna de o cubículo de o fundo . - Ah ! são vocês - disse a o ver o Harry . - O que querem agora ? - Perguntar te como morreste - disse Harry . O aspecto de a Murta mudou por completo . Parecia que nunca lhe tinham feito uma pergunta tão lisonjeira . - Ooooh ! Foi horrível - disse satisfeita . - Aconteceu aqui mesmo . Morri em este cubículo . Lembro me tão bem . Estava escondida porque a Olive_Hornby andava a implicar comigo por causa de os meus óculos . A porta estava fechada e eu estava a chorar e , então , ouvi alguém entrar . Disseram qualquer coisa estranha em uma língua diferente , acho eu . Mas o que mais me espantou foi o ser um rapaz a falar . Por isso , abri a porta para lhe dizer que fosse a a casa_de_banho de eles e em esse momento - a Murta inchou com ar importante , o rosto a brilhar - morri . - Como ? - perguntou Harry . - Não faço ideia - disse a Murta em um tom de voz abafado . - Só me lembro de ver dois grandes olhos amarelos , de o meu corpo ficar preso e em seguida , sentir me a flutuar ... - olhou sonhadoramente para Harry . - E depois voltei . Estava disposta a vingar me de a Olive_Hornby , percebes ? Ela ia arrepender se de ter gozado com os meus óculos . - Onde foi exactamente que viste os tais olhos ? - perguntou Harry . - Algures por aí - disse a Murta , apontando vagamente para o lavatório em frente de o seu cubículo . Harry e Ron apressaram se . Lockhart estava de pé , mais atrás , com uma expressão de pavor em o rosto . O lavatório parecia perfeitamente vulgar . Examinaram o centímetro a centímetro , dentro e fora , incluindo os canos por baixo . E foi então que Harry reparou : de lado , rabiscada em uma de as torneiras de cobre , estava uma cobra pequenina . - Essa torneira nunca funcionou - disse vivamente a Murta enquanto ele tentava abri a . - Harry - sugeriu o Ron . - Diz qualquer coisa em * serpentês * . Mas , pensou Harry , as únicas vezes que conseguira falar * serpentês * tinham ocorrido quando confrontado com uma verdadeira serpente . Olhou , concentrado para a pequena cobra gravada em o cobre , tentando imaginá a como verdadeira . - Abre te - disse . Olhou para o Ron que abanou a cabeça . - Inglês - disse ele . Harry voltou a olhar para a cobra , forçando se a acreditar que estava viva . A luz de a vela fez parecer que se movia . - Abre te - repetiu . Mas desta_vez as palavras não foram o que ele ouviu . Um estranho sibilar escapou lhe de a boca e a torneira ganhou uma luz branca e brilhante e começou a rodar . Logo_a_seguir o lavatório mexeu se . Afastou se , melhor dizendo , saiu de o caminho , deixando um grande cano a a vista , um cano onde cabia um homem . Harry ouviu a respiração arquejante de o Ron e olhou de_novo para ele . Já decidira o que queria fazer . - Vou descer - disse . Não podia deixar de ir , agora_que acabavam de descobrir a entrada para a câmara , existindo uma possibilidade , por mais remota que fosse , de a Ginny ainda estar viva . - Eu também - disse o Ron . Houve uma pausa . - Bem , parece que não precisam mais de mim - apressou se Lockhart a dizer com uma réstia de sorriso . - Eu vou . . . Pôs a mão em o puxador de a porta mas Ron e Harry apontaram lhe ambos as varinhas . -- O senhor pode ir a a frente - disse rispidamente o Ron . Pálido e sem varinha , Lockhart aproximou se de a entrada . - Meus rapazes - disse em uma voz débil . - Meus rapazes , para quê tudo_isto ? Harry tocou lhe em as costas com a varinha e ele meteu as pernas em o cano . - Eu não me parece que ... - começou a dizer , mas o Ron deu lhe um empurrão e ele desapareceu por o cano abaixo . Harry foi rapidamente atrás . Introduziu se lentamente e deixou se cair . Era como escorregar em uma pista escura e interminável . Ele via outros canos , estendendo se em todas_as direcções mas nenhum tão largo como o de eles que se torcia e virava , inclinando se abruptamente . Harry sabia que estavam a chegar a um ponto muito abaixo de a escola e de os calabouços . Atrás_de si , ouvia o Ron gemendo em cada curva . E então , quando começava a preocupar se com o que iria acontecer quando tocassem em o chão , o cano tornou se horizontal e ele foi projectado com um ruído surdo , indo aterrar em o chão húmido de um túnel de pedra com altura suficiente para ele se pôr de pé . Lockhart estava a levantar se a alguma distancia , todo enlameado e pálido como um fantasma . Harry afastou se para deixar o Ron sair também de o cano . - Devemos estar quilómetros e quilómetros abaixo de a escola - disse o Harry cuja voz ecoou em o túnel negro . - Talvez até debaixo de o lago - arriscou o Ron , olhando em volta para as paredes escuras e viscosas . Voltaram se os três para olhar para a escuridão lá a o fundo . - * _ Lumus ! * - murmurou Harry a a varinha e ela voltou a acender se . - Vamos - disse a o Ron e a o Lockhart e avançaram , os passos a chapinharem ruidosamente em o chão molhado . O túnel era tão escuro que só conseguiam ver alguns centímetros a a frente . As suas sombras em as paredes molhadas pareciam monstruosas a a luz de a varinha . - Lembrem se - disse Harry baixinho enquanto caminhavam . - A o menor movimento fechem logo os olhos ... Mas o túnel era silencioso como um túmulo e o primeiro som inesperado que ouviram foi um grito de o Ron que escorregou em uma coisa que era afinal a cauda de um rato . Harry baixou a varinha para olhar para o chão e viu que estava cheio de pequenos ossos de animais . Fazendo um enorme esforço para evitar pensar em que estado iriam encontrar a Ginny , avançou até uma curva escura de o túnel . - Harry , está aqui qualquer coisa - disse o Ron com voz rouca , agarrando Harry por o ombro . Ficaram estáticos a olhar . Harry só conseguia ver a silhueta de algo enorme e curvo deitado em o túnel . Fosse o que fosse não se movia . - Talvez esteja a dormir - murmurou , olhando para os outros dois . Lockhart tapava os olhos com as mãos . Harry voltou se para olhar para a criatura com o coração a bater tanto que lhe doía em o peito . Lentamente , com os olhos quase fechados mas ainda conseguindo ver , Harry avançou com a varinha levantada . A luz deslizou sobre uma gigantesca pele de serpente , de um verde vivo e venenoso que estava vazia e enrolada em o chão de o túnel . A criatura que a abandonara devia ter , pelo_menos , seis metros e meio de comprimento . - Bolas - disse o Ron , perdendo as forças . Houve um movimento súbito atrás de eles . As pernas de Gilderoy_Lockhart cederam . - Levante se - disse o Ron de uma forma cortante , apontando lhe a varinha . Lockhart pôs se de pé . Em seguida empurrou o Ron , atirando o a o chão . Harry deu um salto , mas ... tarde de mais . Lockhart endireitava se com a varinha de o Ron em as mãos e um sorriso em o rosto . - A aventura acaba aqui , rapazes - disse . - Vou levar um bocado de esta pele de cobra para a escola , contar lhes que foi demasiado tarde para salvar a garota e que vocês os dois perderam tragicamente a memória com a visão de o seu corpinho mutilado . Digam adeus a as vossas recordações . Levantou a o ar a varinha avariada de o Ron e gritou * _ Obliviate ! * A varinha explodiu com a força de uma pequena bomba . Harry pôs os braços sobre a cabeça e correu , escorregou em os anéis de a pele de cobra , afastando se de os grandes pedaços de tecto de o túnel que caíam em o chão com o ruído de trovões . Pouco depois estava sozinho , olhando para uma sólida parede de rocha partida . - Ron - gritou ele . - Estás bem , Ron ? - Estou aqui - respondeu a voz abafada de o Ron por detrás de a avalancha de rochas . - Eu estou bem mas este sujeito não . A varinha avariou o todo . Ouviu se um ruído surdo e um Oh ! gritado . Parecia que o Ron tinha acabado de dar a o Lockhart um pontapé em as canelas . - E agora ? - disse a voz de o Ron que parecia desesperada . - Não podemos passar , vai demorar séculos . Harry olhou para o tecto de o túnel onde tinham aparecido grandes fendas . Ele nunca tentara partir , através de a magia , nada tão grande como aquelas rochas e agora não lhe parecia ser o melhor momento para fazer experiências . E se o túnel abatesse ? Houve um ruído surdo e outro Oh ! atrás de as rochas . Estavam a perder tempo . A Ginny já estava havia duas horas em a Câmara_dos_Segredos . Harry sabia que só havia uma coisa a fazer . - Espera aqui - gritou a o Ron . - Fica com o Lockhart , eu vou lá . Se não voltar dentro_de uma hora ... Houve um silêncio cheio . - Eu vou ver se desloco um_pouco esta rocha - disse o Ron , tentando manter a voz firme . - Para tu poderes passar . E , Harry ... - Até já - disse o Harry , procurando injectar confiança em a sua voz trémula . E passou sozinho para lá de a imensa pele de serpente . Em_breve , o ruído de o Ron , tentando deslocar a rocha , deixou de se ouvir . O túnel virou uma e outra_vez . Os nervos de o corpo de o Harry tangiam de forma desagradável . Ele só queria que o túnel chegasse a o fim , fosse o que fosse que o aguardasse . E então , finalmente , quando atingiu a última curva , viu em a sua frente uma parede sólida que tinha gravadas duas serpentes enroladas uma em a outra , cujos olhos eram quatro esmeraldas , enormes e brilhantes . Harry aproximou se com a garganta seca . Não foi preciso imaginar que as serpentes eram autênticas . Os seus olhos pareciam estranhamente vivos . Foi fácil descobrir o que tinha de fazer . Pigarreou e os olhos de esmeraldas pareceram mexer se . - Abre te - disse Harry em um sibilar baixo . As serpentes desapareceram enquanto a parede se abria a o meio e , a tremer de os pés a a cabeça , Harry entrou . XVII_Herdeiro_de_Slytherin_Estava de pé em o fundo de uma divisão enorme , fracamente iluminada . Altíssimos pilares de pedra , cheios de serpentes gravadas que os enlaçavam , erguiam se , suportando um tecto que se perdia em a escuridão e que lançava sombras negras imensas através de a estranha luz esverdeada que enchia o local . Com o coração a bater descompassadamente , Harry ficou parado a ouvir aquele silêncio arrepiante . Estaria o Basilisk escondido em um canto cheio de sombras , atrás_de algum pilar ? E onde estaria Ginny ? Pegou em a varinha e avançou a o longo de as colunas serpenteantes . Cada_um de os seus passos provocava um enorme eco em as paredes sombrias . Harry tinha os olhos semicerrados e estava pronto para os fechar a o mais pequeno movimento . As órbitas de olhos fundos de as serpentes de pedra pareciam segui o . Por mais de uma_vez , com o estômago a dar um salto , Harry julgou vê os moverem se . Por fim , chegado a o nível de os dois últimos pilares , avistou uma estátua de a altura de a própria câmara que estava encostada a a parede de o fundo . Harry tinha de esticar o pescoço para olhar para_cima , para a cara de o gigante : era velho e com um ar simiesco , tinha uma barba enorme que lhe caía quase onde acabava a longa túnica de pedra . Os dois pés imensos e cinzentos pousavam em o chão de a câmara . E entre eles , voltada para baixo , estava uma figura pequenina vestida de preto com um cabelo flamejante . - Ginny - murmurou Harry , chegando perto de ela e ajoelhando se . - Ginny , por favor não estejas morta , não estejas morta ! Atirou a varinha para o lado , agarrou Ginny por os ombros e voltou a . O rosto de ela estava branco e frio como o mármore , contudo os olhos encontravam se fechados , portanto não estava petrificada . Mas então devia estar ... - Ginny , acorda por favor - repetiu Harry desesperado , sacudindo a . A cabeça de ela andava de um lado para o outro . - Ela não vai acordar - disse secamente uma voz . Harry deu um salto e girou sobre os joelhos . Um rapaz alto , de cabelo preto , estava encostado a o pilar mais próximo , a observá o . As sombras desfocavam o como_se Harry o visse através_de uma janela embaciada . Mas não havia como confundis o . - Tom , Tom_Riddle ? Riddle acenou , sem tirar os olhos de o rosto de Harry . - O que queres dizer com isso de ela não acordar ? - perguntou Harry desesperado . - Ela não está ... não está ? - Está viva - disse Riddle . - Mas , por um fio . Harry olhou fixamente para ele . Tom_Riddle estivera em Hogwarts há cinquenta anos atrás . Contudo , ali estava com uma luz estranha e desfocada a iluminá o , sem um dia a mais do_que os seus dezasseis anos . - És um fantasma ? - perguntou Harry . - Uma memória - disse Riddle . - Preservada em um diário durante cinquenta anos . Apontou para os pés de a estátua gigantesca . Ali , aberto em o chão , estava o pequeno diário de capa preta que Harry tinha encontrado em a casa_de_banho de a Murta_Queixosa . Durante um segundo , Harry perguntou a si próprio como teria ido ali parar , mas havia coisas mais importantes a fazer . Preciso de a tua ajuda , Tom - disse Harry , levantando de_novo a cabeça de a Ginny . - Temos de sair de aqui . Há_um_Basilisk ... não sei onde está mas pode aparecer a qualquer momento . Por favor , ajuda me . Riddle não se mexeu . Harry , a transpirar , conseguiu levantar ligeiramente a Ginny de o solo e inclinou se para pegar em a varinha mas ela tinha desaparecido . - Viste a ... ? Olhou para_cima . Riddle continuava a olhá o , fazendo girar a varinha entre os dedos longos . - Obrigado - disse Harry , esticando o braço para a agarrar . Um sorriso surgiu então em os cantos de a boca de Riddle que continuou a olhar para ele , girando indolentemente a varinha . - Ouve , pá - disse Harry sem querer perder mais tempo , os joelhos a vergarem sob o peso morto de Ginny - temos de ir . Se o Basilisk aparece ... - Ele não vem enquanto não for chamado - disse Riddle com toda_a calma . Harry voltou a pousar Ginny em o chão , incapaz de a segurar por mais tempo . - Que queres dizer com isso ? - perguntou . - Dá me a minha varinha , posso precisar de ela . O sorriso de Riddle ampliou se . - Não vais precisar de ela - disse . Harry olhou o espantado . - O que queres dizer , não vou ? - Esperei muito_tempo por isto , Harry - disse Riddle . - Pela possibilidade de te ver , de falar contigo . - Olha , eu acho que tu não estás a perceber - disse Harry , perdendo a paciência . - Estamos em a Câmara_dos_Segredos , podemos conversar mais tarde . - Vamos conversar agora - disse Riddle , sorrindo de orelha a orelha e guardando a varinha de Harry em o bolso . Harry voltou a olhar para ele . Havia qualquer coisa de muito estranho em tudo aquilo . - Como é_que a Ginny ficou assim ? - perguntou pausadamente . - Bem , essa é uma pergunta interessante - disse Riddle , divertido . - E uma longa história , também . Julgo que o verdadeiro motivo que levou Ginny_Weasley a ficar assim foi o ter aberto o seu coração e revelado todos os seus segredos a um estranho ser invisível . - De quem estás a falar ? - perguntou Harry . - De o diário - disse Riddle . - De o meu diário . A Ginny escreve nele há meses e meses , contando me todas_as suas lamentáveis desgraças e atribulações : como os irmãos a arreliam , que teve de vir para a escola com manto , túnica e livros em segunda mão - os olhos de Riddle brilharam -- , que acha que o maravilhoso , o grande , o famoso Harry_Potter nunca vai gostar de ela ... Enquanto falava , nunca os olhos de Riddle se afastaram de a cara de o Harry . Havia em eles um olhar ávido . - É muito chato ter de ouvir as preocupações idiotas de uma garotinha de onze anos - prosseguiu . - Mas eu fui paciente . Respondi lhe , mostrei me simpático e amável . A Ginny pura e simplesmente adorou me . - * _ Nunca ninguém me compreendeu como tu , Tom ... estou tão feliz por ter este diário a quem me confiar ... é como ter um amigo que pode andar em o meu bolso * ... Riddle riu se . Um riso alto , frio , que não lhe ficava bem . Fez com que os cabelos de o pescoço de Harry se arrepiassem todos . - Verdade se diga que sempre consegui encantar as pessoas necessárias . Portanto a Ginny verteu em mim a sua alma e a alma de ela era precisamente o que eu queria . Fortaleceu me . Alimentei me de os seus medos mais profundos , de os seus mais obscuros segredos . Fui ficando cada_vez_mais forte e poderoso . Muito mais poderoso do_que a pequena Miss_Weasley até que comecei a transmitir lhe alguns de os meus segredos , a passar um_pouco de a minha alma para ela ... - O que queres dizer ? - perguntou Harry cuja boca ficara totalmente seca . - Ainda não descobriste , Harry_Potter ? - disse Riddle muito baixo . - Giony_Weasley abriu a Câmara_dos_Segredos , estrangulou os galos de a escola e escreveu mensagens assustadoras em as paredes . Atiçou a serpente de Slytherin contra quatro sangues de lama e contra o gato de o busca-pé . - Não - murmurou Harry . - Sim - disse calmamente Riddle . - É claro que a princípio não sabia o que estava a fazer . Era muito divertido . Gostava que visses as coisas que escreveu em o diário , começaram a ficar muito mais interessantes . * _ Querido_Tom * - recitou ele , olhando para a expressão horrorizada de o Harry . - * _ Acho que estou a perder a memória . Há penas de galo em todas_as minhas roupas e eu não sei como foram lá parar . Querido_Tom , não me lembro do_que fiz em a noite de o Hallowe'en mas foi atacada uma gata e eu estou cheia de tinta em a cara . Querido_Tom , o Percy não pára de me dizer que ando pálida e não pareço eu . Acho que ele suspeita de mim ... Houve outro ataque hoje e eu não sei onde estava . Tom , que vou eu fazer ? Acho que estou a ficar maluca ... acho que ando a atacar toda_a_gente , Tom ! * Harry tinha os punhos fechados , as unhas cravadas contra a palma de as mãos . - Levou muito_tempo até a pequenina estúpida deixar de confiar em o diário - disse Riddle . - Mas acabou por ficar desconfiada e tentou livrar se de ele . E é aí que tu entras , Harry . Tu encontraste o . E eu não poderia ter ficado mais satisfeito . De todas_as pessoas que poderiam ter ficado com ele , foste tu , aquele que eu ambicionava conhecer ... - E porque querias conhecer me ? - perguntou Harry . Começava a ser tomado por a raiva e fez um esforço para manter o tom de voz controlado . - Bem , a Ginny contou me tudo a teu respeito - disse Riddle . - A tua fascinante história . - Os seus olhos pousaram em a cicatriz em a testa de Harry e a sua expressão ganhou maior avidez . - Sabia que devia descobrir mais a teu respeito , falar te , encontrar me contigo se fosse possível . Por isso , para ganhar a tua confiança , resolvi mostrar te a famosa captura que fiz de aquele demente de o Hagrid . - O Hagrid é meu amigo - disse Harry já com a voz a tremer . - E tu tramaste o , não foi ? Pensei que tinha sido um engano , mas ... Ele riu se . O mesmo riso de antes . - Era a minha palavra contra a palavra de ele . Imagina a cara de o velho Armando_Dippet . De um lado Tom_Riddle , pobre mas brilhante , sem pais mas corajoso , prefeito de a escola , um modelo de aluno . De o outro lado , o Hagrid , grande e disparatado , arranjando problemas semana sim , semana não , tentando criar filhotes de lobisomens debaixo de a cama , escapando se para a floresta proibida para lutar com gigantes . Mas , devo admitir que até eu próprio fiquei admirado com os excelentes resultados de o meu plano . Pensei que alguém perceberia que o Hagrid nunca poderia ser o herdeiro de Slytherin . Demorei cinco anos inteirinhos até descobrir tudo_o_que me foi possível sobre a Câmara_dos_Segredos e a sua entrada secreta ... como_se o Hagrid tivesse cabeça ou poder ! - Só o professor de Transfiguração , Dumbledore , parecia achar que ele estava inocente . Convenceu Dippet a mantê o aqui e a treiná o como guarda de os campos . Sim , é natural que Dumbledore tenha adivinhado , nunca gostou de mim como os outros professores . - Aposto que Dumbledore viu através_de ti - disse Harry , de dentes cerrados . - Pelo_menos passou a vigiar me de perto , a partir de o momento em que o Hagrid foi expulso - disse Riddle descuidadamente . - Eu sabia que não era seguro voltar a abrir a câmara enquanto ainda estava em a escola mas não ia desperdiçar os longos anos que passara a pesquisar . Decidi , por isso , deixar um diário preservando em as suas páginas o meu ego de dezasseis anos para que um dia , com um_pouco de sorte , pudesse levar outro a seguir os meus passos e acabar o nobre trabalho de Salazar_Slytherin . - Bem , não o acabaste - disse Harry triunfante . - Ninguém morreu até agora , nem mesmo a gata . Dentro_de poucas horas a poção de mandrágoras estará pronta e todos os que foram petrificados voltarão de_novo a si . - Não acabei de te dizer que matar sangues de lama já não me interessa ? Há muitos meses que o meu alvo és tu . Harry olhou para ele . - Podes imaginar como fiquei furioso quando em outro dia o diário foi aberto e vi que era a Ginny quem estava a escrever e não tu . Ela viu te com o diário e entrou em pânico . E se tu descobrisses como trabalhar com ele e eu te repetisse todos os seus segredos ? Ainda pior , e se eu te contasse quem tinha andado a estrangular os galos ? Por isso , a grande palerma esperou que o teu dormitório estivesse deserto e foi lá roubá o . Mas eu sabia o que tinha de fazer . Estava muito claro para mim que a tua meta era o herdeiro de Slytherin . Por tudo_o_que a Ginny me contara a teu respeito , sabia que irias até onde fosse preciso para desvendar o mistério , principalmente se um de os teus melhores amigos tivesse sido atacado . E a Ginny disse me que a escola toda bichanava por tu falares * serpentês * ... Por isso , obriguei a Ginny a escrever a sua própria despedida em a parede , a vir até aqui e esperar . Ela debateu se e gritou e ficou muito chatinha . Mas , já não tem muita vida : pôs grande parte de ela em o diário , deu me a . O suficiente para eu abandonar , por fim , as suas páginas . Desde_que aqui cheguei que estou a a tua espera . Sabia que virias . Tenho muitas perguntas a fazer te , Harry_Potter . - Que perguntas ? - disse Harry com os punhos fechados . - Bem - prosseguiu Riddle , sorrindo de satisfação : - Como é_que um bebé sem especiais talentos de magia foi capaz de derrotar o maior feiticeiro de sempre ? Como conseguiste escapar só com uma cicatriz quando os poderes de Lord_Voldemort foram destruídos ? Havia agora em os seus olhos um brilho vermelho e irado . - O que é_que te interessa saber como eu escapei ? - disse Harry lentamente . - Voldemort veio depois de ti . - Voldemort - disse Riddle - é o meu passado , o meu presente e o meu futuro , Harry_Potter ... Tirou a varinha de o Harry de o bolso e começou a escrever em o ar três palavras brilhantes : TOM_MARVOLO_RIDDLE_Em seguida , fez um gesto com a varinha e as letras de o seu nome reagruparam se de outro modo . : __ eu sou lord __ voldemort ( I am Lord_Voldemort ) . - Vês ? - murmurou . - Era um nome que eu já usava em Hogwarts , para os meus amigos mais íntimos apenas , como é óbvio . Achas que ia usar para sempre o nome nojento de o meu pai Muggle ? Eu , em cujas veias , por o lado materno , corre o sangue de Salazar_Slytherin ? Eu , manter o nome de um Muggle tolo que me abandonou ainda antes de eu nascer só porque descobriu que a mulher com quem casara era uma bruxa ? Não , Harry , arranjei um novo nome , um nome que eu sabia que os feiticeiros de todo_o_mundo viriam um dia a ter medo de pronunciar , quando eu me tivesse tornado o maior feiticeiro de o mundo . A cabeça de Harry parecia bloqueada . Olhou como_que paralisado para Riddle , para o rapaz de o orfanato que depois de crescer iria matar os seus pais e tantos outros . Por fim , com algum esforço conseguiu falar . - Não és - disse em uma voz calma e cheia de ódio . - Não sou o quê ? - perguntou Riddle irritado . - Não és o maior feiticeiro de o mundo - disse Harry com a respiração acelerada . - Lamento desiludir te mas o maior feiticeiro de o mundo é Albus_Dumbledore . Toda_a_gente sabe . Mesmo tu , quando tinhas força , não ousavas tentar aproximar te de Hogwarts . Dumbledore viu através_de ti quando andavas em a escola e ainda agora te assusta onde quer que te escondas . O sorriso desaparecera de o rosto de Riddle , fora substituído por um olhar furioso . - Dumbledore foi afastado de este castelo por a minha simples memória - sibilou . - Ele não está tão longe como pensas - retorquiu Harry . Falava por falar , tentando assustar Riddle , desejando mais que assim fosse do_que acreditando em as suas palavras como uma verdade . Riddle abriu a boca mas não chegou a falar . Tinha começado a ouvir se uma música . Riddle deu uma volta , olhando para a câmara vazia . A música estava a ficar mais alta . Era misteriosa , arrepiante , sobrenatural . Fez_Harry ficar com os cabelos em pé e o coração aumentar lhe em o peito . Por fim , quando atingiu um ponto tão alto que Harry a sentiu vibrar dentro de as suas costelas , começaram a sair chamas de o topo de o pilar mais próximo . Uma ave carmesim de o tamanho de um cisne surgiu , assobiando a sua estranha melodia para o tecto em forma de abóbada . Tinha uma cauda dourada tão longa como a de um pavão e garras douradas e brilhantes que seguravam uma trouxa andrajosa . Segundos depois , a ave voava em direcção a Harry . Deixou cair a coisa andrajosa a os seus pés e pousou lhe pesadamente em o ombro . Quando abriu as enormes asas , Harry olhou para_cima e viu que tinha um longo bico afiado e olhos escuros pequenos e brilhantes . A ave parou de cantar . Ficou quieta junto de a cara de Harry , olhando fixamente para Riddle . - É uma fénix , disse Riddle , olhando sagazmente para ela . - Fawkes ? - murmurou Harry e sentiu as garras douradas apertarem lhe devagarinho o ombro . - E aquilo - disse Riddle , olhando para a coisa velha que Fawkes deixara em o chão - é o velho chapéu seleccionador , de a escola . Era , de facto . Amachucado , puído e sujo , o chapéu jazia imóvel a os pés de Harry . Riddle começou a rir . Riu se tanto que a câmara escura se lhe juntou em um eco tal que parecia que dez Riddles se riam ao_mesmo_tempo . - Eis o que Dumbledore envia a o seu defensor . Um pássaro que canta e um chapéu velho . Estás cheio de coragem , Harry_Potter ? Sentes te agora mais seguro ? Harry não respondeu . Podia não estar a ver a vantagem de a Fawkes ou de o chapéu seleccionador mas já não se sentia só , e esperou corajosamente que Riddle parasse de rir . - Vamos a o que importa , Harry - disse ele , ainda com um enorme sorriso . - Encontrámo nos duas vezes em o teu passado , em o meu futuro . E duas vezes falhei a o tentar matar te . Como foi que sobreviveste ? Conta me tudo . Quanto_mais falares , mais tempo tens de vida . Harry pensava rapidamente , medindo as suas possibilidades . Riddle tinha a varinha . Ele , Harry , tinha a Fawkes e o chapéu seleccionador que não lhe serviriam de muito em o combate . As coisas pareciam más , é certo . Mas quanto_mais tempo Riddle ali estivesse , mais vida retirava a a Ginny ... e , entretanto , Harry reparou que a silhueta de Riddle se tornava mais nítida , mais sólida . Se tinha de haver uma luta entre os dois , quanto_mais depressa melhor . - Ninguém sabe porque perdeste os poderes quando me atacaste - disse bruscamente . - Eu próprio não sei . Mas sei porque não conseguiste matar me . A minha mãe morreu para me salvar . A minha mãe , uma vulgar filha de Muggles - acrescentou , a tremer de raiva . - Ela impediu que tu me matasses . E eu vi te como tu és , em o ano passado . És um destroço , quase não existes . Foi onde o teu poder te levou . Estás sob um disfarce , és horrível e és louco . O rosto de Riddle contorceu se . Em seguida , forçou um sorriso pavoroso . - Quer_dizer , então , que a tua mãe morreu para te salvar . Sim , é um antifeitiço poderoso . Compreendo agora , afinal não há em ti nada de especial . Eu tinha curiosidade , sabes , porque há uma estranha semelhança entre nós , Harry_Potter . Até tu deves ter reparado . Somos ambos meio sangue , órfãos , educados com Muggles , provavelmente os dois únicos que falam * serpentês * desde o grande Slytherin , até nos parecemos um_pouco fisicamente ... mas afinal foi apenas uma questão de sorte que te salvou de mim . Era o que eu queria saber . Harry ficou parado , tenso , a a espera que Riddle levantasse a varinha mas o seu sorriso cínico ampliou se de_novo . - Agora , Harry , vou dar te uma pequena lição . Vamos confrontar os poderes de Lord_Voldemort , herdeiro de Salazar_Slytherin e de o famoso Harry_Potter , munido com as melhores armas que Dumbledore lhe deu . Lançou um olhar divertido a a Fawkes e a o chapéu seleccionador e , em seguida , afastou se . Harry com as pernas entorpecidas por o medo viu o parar entre dois pilares altos e olhar para a cara de pedra de Slytherin , lá em cima em a semi-obscuridade . Riddle abriu a boca e sibilou mas Harry compreendeu o que ele dizia . - * _ Responde-me , Slytherin , o maior de os quatro de Hogwarts * . Harry voltou se para olhar melhor para a estátua com Fawkes pousada em o ombro . A gigantesca cara de pedra de Slytherin movia se . Horrorizado , Harry viu a boca abrir se mais e mais até se transformar em um buraco negro . E algo se agitava dentro de a boca de a estátua . Algo se arrastava para fora de as suas entranhas . Harry recuou até a a parede escura de a câmara e enquanto fechava os olhos com força sentiu a asa de a Fawkes roçar lhe o rosto e levantar voo . Harry quis gritar : - Não me abandones ! - mas que possibilidades tinha uma fénix contra o rei de as serpentes ? Uma coisa enorme bateu em o chão de pedra que Harry sentiu estremecer . Sabia o que estava a acontecer , podia sentis o , quase podia ver a serpente gigantesca a sair de a boca de Slytherin . Foi então que ouviu a voz de Riddle sibilar : * _ Mata-o * . O Basilisk avançava em direcção a Harry . Ele ouvia o seu corpo enorme escorregar pesadamente por o chão cheio de pó . Com os olhos sempre fechados , Harry começou a correr para o lado , a as cegas , com as mãos abertas a tactear o caminho . Riddle ria se a as gargalhadas . Harry escorregou e caiu em o chão de pedra e a boca soube lhe a sangue . A serpente estava a poucos centímetros de ele . Podia ouvi a a aproximar se . Ouviu se um crepitar explosivo por cima de ele e alguma coisa pesada bateu lhe com tanta força que ele ficou encostado a a parede . Esperando que os dentes de a serpente lhe perfurassem o corpo , ouviu mais ruídos e qualquer coisa que se agitava com força contra os pilares . Não conseguiu evitar . Abriu bem os olhos para ver o que se passava . A enorme serpente , brilhante , de um verde veneno , espessa como o tronco de um carvalho , erguera se em o ar e a sua imensa cabeça agitava se de um lado para o outro , entre os dois pilares . Quando Harry , a tremer , se preparava para fechar de_novo os olhos , percebeu o que distraíra a cobra . Fawkes esvoaçava em volta de a sua cabeça e o Basilisk , furioso , tentava agarrá a com os dentes longos e afiados como sabres . Fawkes mergulhava . Harry deixou de ver o bico fino e dourado e uma brusca chuva de sangue escuro inundou o chão . A cauda de a serpente agitou se , não batendo em o Harry por_pouco e antes que ele pudesse fechar os olhos voltou se . Harry olhou lhe para a cara e viu que os seus olhos , os dois olhos amarelos e bolbosos tinham sido perfurados por a fénix . O sangue escorria por o chão e a serpente cuspia cheia de dores . - * _ Não * - Harry ouviu o grito de Riddle . - * _ Deixa a ave , deixa a ave , o rapaz está atrás_de ti , ainda podes cheirá o . Mata o ! * A serpente cega oscilou confusa , ainda em fúria . Fawkes andava a a volta de a cabeça de ela soprando a sua misteriosa cantilena , picando lhe aqui_e_ali o nariz cheio de escamas , enquanto o sangue jorrava de os seus olhos destruídos . - Ajudem me . Ajudem me - murmurava Harry aflito . - Alguém , ajude me . A cauda de a serpente chicoteou de_novo o chão . Harry baixou se . Algo macio tocou lhe em o rosto . O Basilisk lançara o chapéu seleccionador para os braços de o Harry que o agarrou . Era tudo_o_que tinha , a sua única esperança . Enfiou o em a cabeça e começou a ficar achatado contra o chão , enquanto a cauda de o Basilisk se lançava de_novo sobre ele . - Ajudem me , ajudem me - pensou Harry , os olhos comprimidos debaixo de o chapéu . - Por favor , ajudem me . Nenhuma voz lhe respondeu . Em vez de isso , o chapéu contraiu se como_se uma mão invisível o tivesse espalmado devagarinho . Alguma coisa muito dura e pesada caíra sobre a cabeça de Harry , conseguindo quase derrubá o . A ver estrelas em frente de os olhos , agarrou o chapéu para o puxar para baixo e sentiu lá dentro uma coisa longa e dura . Uma espada brilhante tinha surgido dentro de o chapéu . Tinha um cabo cravejado de rubis de o tamanho de pequenos ovos . - Mata o rapaz , deixa a ave . O rapaz está atrás_de ti . Cheira o ! Harry estava de pé , preparado . A cabeça de o Basilisk caía , o corpo serpenteava , batendo nos pilares quando se torcia para ficar de frente para ele . Harry podia ver as enormes órbitas ensanguentadas , a boca toda aberta , suficientemente grande para o engolir inteiro , munida de dentes tão longos como a sua espada , finos , brilhantes , venenosos ... Começou a atacar a as cegas . Harry baixou se e a serpente bateu em a parede de a câmara . Atacou de_novo e a sua língua bifurcada lambeu a parede ao_lado_de Harry que levantou a espada com ambas as mãos . O Basilisk investiu mais_uma_vez e agora a pontaria foi certa . Harry pôs todo o seu peso contra a espada e enterrou a até a os copos em o céu de a boca de a serpente . Mas quando o sangue quente lhe encheu os braços , sentiu uma dor aguda mesmo acima de o cotovelo . Um longo dente venenoso penetrava cada_vez_mais fundo em o seu braço , partindo se quando o Basilisk tombou para o lado , perdendo os sentidos . Harry escorregou a o longo de a parede , apertou com força o dente que estava a derramar veneno por todo o seu corpo e arrancou o de o braço . Mas sabia que era demasiado tarde . Uma dor quente emanava lenta e perseverantemente de a ferida . Quando deixou cair o dente e viu o seu próprio sangue manchando lhe as vestes , a vista começou a ficar turva e a câmara a diluir se em uma rotação ardente e colorida . Mas algo escarlate passou por ele e Harry ouviu a o seu lado um suave ruído de garras . - Fawkes - disse com a voz empastada . - Foste sensacional , Fawkes . - Sentiu o pássaro encostar a sua elegante cabeça a o sítio onde o dente de a serpente o tinha ferido . Ouviu passos ecoarem em o vazio e em seguida uma sombra escura moveu se em a sua frente . - Estás morto , Harry_Potter - disse a voz de Riddle , acima de ele . - Morto . Até o pássaro de Dumbledore sabe de isso . Vês o que ele está a fazer ? A chorar . Harry piscou os olhos . A cabeça de Fawkes ora estava focada , ora desfocada . Lágrimas grossas como pérolas escorriam de as suas penas . - Vou sentar me aqui a ver te morrer , Harry_Potter . Leva o teu tempo , eu não tenho pressa . Harry sentiu se sonolento . Tudo parecia girar a a sua volta . - E assim acaba o famoso Harry_Potter - disse a voz distante de Riddle . - Sozinho em a Câmara_dos_Segredos , esquecido por os amigos , finalmente derrotado por o Senhor de o mal que ele tão imprudentemente desafiou . Vais reunir te a a tua querida mãe sangue de lama , Harry ... Ela deu te doze anos de tempo emprestado ... Mas Lord_Voldemort apanhou te em o fim , como sabias que teria de acontecer . Se morrer é isto , pensou Harry , não é assim tão mau . Até a dor estava a desaparecer . Mas , estaria a morrer ? Em_vez_de ficar mais escura a câmara parecia voltar a estar nítida . Harry fez um pequeno gesto com a cabeça e viu a Fawkes ainda repousando a cabeça em o seu ombro . Uma fiada de pérolas brilhava em volta de a ferida , só que já não havia ferida . - Sai de aqui , pássaro - disse subitamente a voz de Riddle . - Afasta te de ele . Já te disse , sai de aqui ! Harry levantou a cabeça . Riddle apontava a sua varinha a Fawkes . Ouviu se um tiro que parecia de carabina e Fawkes levantou novamente voo em um rodopio de ouro e escarlate . - Lágrimas de fénix - disse Riddle em voz baixa , olhando para o braço de o Harry . - É claro ... poderes curativos ... esqueci me ... Olhou para a cara de Harry . - Mas não faz mal . Pensando bem , eu até prefiro assim . Tu e eu , Harry_Potter ... Tu e eu ... Levantou a varinha . Então , em um golpe de asa , Fawkes voou sobre as cabeças de ambos , deixando cair uma coisa em o colo de Harry : o diário . Durante uma fracção de segundo , tanto Harry como Riddle , ainda com a varinha levantada , ficaram a olhar para aquilo . Em seguida , sem pensar , sem ponderar , como_se pensasse fazê o desde o princípio , Harry agarrou o dente de o Basilisk que estava em o chão , junto de ele , e espetou o em o coração de o caderno . Ouviu se um grito longo e terrível . A tinta esguichou em torrentes de dentro de o diário , derramando se sobre as mãos de o Harry e inundando o chão . Riddle torcia se e contorcia se , agitando se a os gritos . E , por fim . Desapareceu . A varinha de Harry caiu a o chão com um ruído e fez se silêncio . Um silêncio apenas cortado por o ping ping de a tinta que ainda escorria de o diário . Com um leve crepitar , o veneno de o Basilisk abrira um buraco mesmo em o meio de o caderno . A tremer de os pés a a cabeça , Harry pôs se de pé . Sentia tudo a andar a a roda como_se tivesse viajado quilómetros e quilómetros com o pó de * _ Floo * . Lentamente apanhou a varinha e o chapéu seleccionador e com um grande estrondo retirou a espada de o céu de a boca de a serpente . Ouviu se então um gemido fraco a o fundo de a câmara . Ginny estava a mexer se . Quando Harry chegou junto de ela , sentou se . Os seus olhos abismados saltaram de o Basilisk morto para Harry em a sua roupa cheia de sangue e , em seguida , para o diário que ele tinha em as mãos . Soltou um enorme soluço e os seus olhos encheram se de lágrimas . - Harry , oh ! Harry , eu tentei dizer te a o pequeno-almoço mas não fui capaz em frente de o Percy . Era eu , Harry , mas eu ... eu ... juro que não queria ... o Riddle obrigou me , levou me e ... como é_que mataste esse bicho ? Onde está o Riddle ? A última coisa de que me lembro foi de o ver a sair de o diário ... - Está tudo bem - disse Harry , mostrando lhe o diário com o buraco de o dente . - O Riddle acabou , olha . Ele e o Basilisk . Anda , Ginny , vamos embora de aqui . - Vou com certeza ser expulsa - disse Ginny a chorar enquanto Harry a ajudava a pôr se de pé . - Desde_que o Bill veio para Hogwarts que eu sonhava vir também para cá e agora vou ter de me ir embora e ... O que vão a minha mãe e o meu pai dizer ? Fawkes esperava por eles , suspensa em o ar , a a entrada de a câmara . Harry fez a Ginny avançar , passaram sobre os anéis parados de o Basilisk , por a escuridão cheia de ecos e voltaram a o túnel . Harry ouviu as portas de pedra fecharem se atrás de eles com um leve sibilar . Depois de alguns minutos a caminhar por o túnel escuro , chegou a os ouvidos de Harry o som distante de o deslocar de uma rocha . - Ron - gritou ele , apressando se . - A Ginny está bem . Está aqui comigo ! Ouviu o Ron gritar de alegria e , voltando em a curva logo_a_seguir , viram a sua cara ansiosa a espreitar por a fresta que conseguira abrir durante a avalancha . - Ginny ! - Ron estendeu o braço por a fresta para a puxar primeiro . - Estás viva . Não posso acreditar . O que aconteceu ? Tentou abraçá a mas a Ginny afastou o , soluçando . - Mas estás bem , Ginny - disse o Ron , sorrindo para ela . - Já passou tudo ... De onde veio esse pássaro ? Fawkes passara por a abertura , atrás_de Ginny . - É de o Dumbledore - explicou Harry , espremendo se para caber também . - E como arranjaste uma espada ? - perguntou o Ron , olhando para a arma brilhante que Harry tinha em a mão . - Eu explico te tudo quando sairmos de aqui - disse Harry , lançando um olhar de esguelha a a Ginny . - Mas ... - Mais tarde - disse Harry rapidamente . Não lhe parecia uma boa ideia contar a o Ron quem tinha aberto a câmara , ali , em frente de a Ginny . - Onde está o Lockhart ? - Ali atrás - disse o Ron , a rir e a abanar a cabeça em direcção a o cano . - Está em muito mau estado . Anda ver . Conduzidos_pela_Fawkes , cujas grandes asas escarlates emitiam um suave dourado que brilhava em a escuridão , voltaram a o lugar onde o cano começava . Gilderoy_Lockhart estava sentado a falar sozinho . - Perdeu a memória - disse o Ron . - O feitiço de a memória fez ricochete . Não sabe quem é nem onde está , nem_sequer sabe quem nós somos . Eu disse lhe que viesse para aqui e esperasse . É um perigo para ele próprio . Lockhart olhou os bem-disposto . - Olá - disse . - Que lugar estranho , este . É aqui que vocês moram ? -- Não - respondeu o Ron , levantando as sobrancelhas para o Harry . Harry baixou se e observou o túnel escuro e longo . - Já pensaste como é_que vamos sair de aqui ? - perguntou a o Ron . O amigo abanou a cabeça mas Fawkes , a fénix , tinha passado por o Harry e estava agora em o ar , em frente de ele , os olhos como pérolas a brilharem em o escuro . Abanava as longas penas douradas de a cauda . Harry olhou para ela , inseguro . - Ela parece querer que a agarres - disse o Ron , perplexo . - Mas tu és muito pesado para um pássaro . - A Fawkes - disse Harry - não é um pássaro qualquer . Voltou se rapidamente para os companheiros . - Temos de nos agarrar uns a os outros . Ginny , agarra a mão de o Ron . O professor Lockhart ... - Ele está a falar consigo - disse o Ron secamente . - Agarre a outra mão de a Ginny . Harry guardou a espada e o chapéu seleccionador em o cinto . Ron deitou a mão a a roupa de Harry e Harry agarrou as penas de a cauda , estranhamente quentes , de a Fawkes . Sentiu uma extraordinária leveza apoderar se de todo o seu corpo e em seguida estavam todos a voar por o cano acima . Harry conseguia ouvir Lockhart , lá atrás , comentando : - Espantoso , isto parece mágico ! Ar frio batia em os cabelos de Harry e antes que ele deixasse de gostar de a viagem já ela acabara . Os quatro tinham chegado a o chão molhado de a casa_de_banho de a Murta_Queixosa e , enquanto Lockhart endireitava o chapéu , o lavatório voltara a o seu lugar , tapando o cano . A Murta arregalou os olhos . - Vocês estão vivos - disse inexpressivamente a o Harry . - Não é preciso mostrares te tão desiludida - respondeu ele , muito sério , limpando as nódoas de sangue e lodo de os óculos . - Bem ... é_que eu pensei que se vocês morressem seriam bem-vindos a a minha casa_de_banho - disse a Murta com um rubor prateado . - Urgh ! - fez o Ron , quando saíram de ali para o corredor deserto . - Harry , acho que a Murta está a gostar de ti . Tens concorrência , Ginny ! A Ginny continuava a chorar silenciosamente . - Onde vamos agora ? - perguntou o Ron , olhando ansiosamente para ela . Harry apontou . Fawkes indicava o caminho , com o seu tom dourado que brilhava em o corredor . Seguiram a e pouco depois estavam em o escritório de a professora Mc_Gonagall . Harry bateu e empurrou a porta que estava encostada . XVIII_A recompensa de Dobby_Durante alguns momentos reinou o silêncio enquanto Harry , Ron , Ginny e Lockhart estavam em a entrada de a porta . Cobertos de pó e de lama e ( em o caso de o Harry ) sangue . Em seguida , ouviu se um grito . - Ginny ! Era_Mrs._Weasley que tinha estado a chorar , sentada em frente de o lume . Pôs se de pé em um salto , seguida de Mr._Weasley e precipitaram se ambos para a filha . Harry olhava para trás de eles . Dumbledore rejubilava junto de a lareira , a o lado de a professora Mc_Gonagall que , agarrada a o queixo , respirava com dificuldade . Fawkes rasou as orelhas de o Harry e foi instalar se em o ombro de Dumbledore , ao_mesmo_tempo que Harry dava por si em os braços de Mrs._Weasley . - Tu salvaste a ! Salvaste a ! : __ como foi que __ conseguiste ? - Acho que todos nós gostaríamos de saber - disse , sem energia , a professora Mc_Gonagall . Mrs._Weasley soltou o Harry , que hesitou um momento . Depois , foi até a a secretária e colocou sobre o tampo o chapéu seleccionador , a espada cravejada de rubis e o que restava de o diário de Riddle . Em seguida , contou lhes tudo . Falou durante quase um quarto de hora em o silêncio extasiado : contou lhes de a voz sem corpo que ouvia , como a Hermione acabara por descobrir que se tratava de um Basilisk que circulava em os canos , como ele e o Ron tinham seguido as aranhas até a a floresta , que Aragog lhes dissera que a última vítima de o Basilisk morrera , como tinham chegado a a conclusão que se tratava de a Murta_Queixosa e que a entrada para a Câmara_dos_Segredos devia ser em aquela casa_de_banho ... - Muito bem - elogiou a professora Mc_Gonagall quando ele se calou . - Então tu descobriste onde era a entrada , infringindo uma centena de regras de a escola por o caminho , devo dizer , mas como diabo saíram vocês vivos de lá de dentro ? Harry , com a voz já um_pouco rouca de falar tanto , contou lhes de a chegada de a Fawkes e de o chapéu seleccionador que lhe tinha dado a espada . Mas , chegando aí , hesitou . Até a o momento evitara referir se a o diário de Riddle ou a a Ginny . Ela tinha a cabeça encostada a o ombro de Mrs._Weasley e as lágrimas corriam lhe ainda por o rosto . E se a expulsassem ? - pensou Harry , tomado de pânico . O diário de Riddle já não funcionava ... quem poderia provar que fora ele que a obrigara a fazer tudo aquilo ? Olhou instintivamente para Dumbledore que sorria , o fogo iluminando lhe os óculos de meia-lua . - O que mais me interessa saber - disse Dumbledore amavelmente - é como conseguiu Lord_Voldemort enfeitiçar a Ginny quando as minhas fontes me dizem que ele se esconde habitualmente em as florestas de a Albânia . Um alívio , quente e glorioso percorreu Harry de a cabeça a os pés . - O quê ? - disse Mr._Weasley , em uma voz estupefacta . - O Quem nós sabemos enfeitiçou a Ginny ? Mas a Ginny não ... a Ginny não morr ... ? - Foi este diário - esclareceu Harry rapidamente . E mostrando o a Dumbledore . - O Riddle escreveu o quando tinha dezasseis anos . Dumbledore pegou em o diário e olhou atentamente por cima de o seu nariz longo e adunco para as páginas queimadas e húmidas . - Fantástico - disse em voz baixa . - É claro que ele deve ter sido o aluno mais brilhante que alguma vez passou por Hogwarts . - Olhou em volta para os Weasley que o observavam com um ar totalmente confuso . - Muito poucas pessoas sabem que Lord_Voldemort se chamou em tempos Tom_Riddle . Fui eu quem lhe sugeri a mudança há cinquenta anos , em Hogwarts . Ele desapareceu depois de deixar a escola , viajou muito , mergulhou tão fundo em as artes de a magia negra , associado a os piores feiticeiros , realizou transformações mágicas tão perigosas que quando reapareceu como Lord_Voldemort estava totalmente irreconhecível . Ninguém o relacionou com o rapazinho inteligente e bonito que aqui foi , em tempos , chefe de turma . - Mas a Ginny - insistiu Mrs._Weasley . - O que tem a nossa Ginny que ver com ele ? - O diário - soluçou Ginny . - Eu andei todo o ano a escrever em o diário e ele respondia me ... - Ginny ! - repreendeu Mr._Weasley . - Não aprendeste nada do_que te ensinei ? Não me cansei de dizer te que nunca confiasses em nada que não pensasse por si próprio * se não conseguisses ver onde tinha o cérebro ? * Porque não me mostraste o diário , a mim ou a a tua mãe ? Um objecto suspeito como esse tinha de estar cheio de magia negra ! - Eu não sabia - soluçou Ginny . - Estava junto de os livros que a mãe me comprou . Pensei que alguém se tinha esquecido de ele ali . - É melhor Miss_Weasley ir imediatamente para a ala hospitalar - interrompeu Dumbledore com voz firme . - Foi sujeita a uma prova terrível . Não será castigada . Outros feiticeiros mais velhos do_que ela têm sido ludibriados por Lord_Voldemort . - Dirigiu se a a porta e abriu a . - Repouso , cama e talvez uma caneca de chocolate quente . A mim , anima me sempre - acrescentou , piscando lhe simpaticamente o olho . - Vais ver que Madam_Pomfrey ainda está acordada . Ela tem estado a dar o sumo de Mandrágora , julgo que as vítimas de o Basilisk estarão a acordar dentro_de momentos . de alegria . - Então a Hermione está bem ! - disse o Ron , cheio de alegria . - Não houve danos irreversíveis - disse Dumbledore . Mrs._Weasley saiu com a Ginny e Mr._Weasley seguiu as ainda bastante abalado . - Sabes , Minerva - disse pensativo o professor Dumbledore - acho que tudo_isto merece um banquete . Posso pedir te que previnas os cozinheiros ? - Certamente - disse animada a professora Mc_Gonagall , dirigindo se também a a porta . - Deixo te a tratar de as coisas com o Potter e o Weasley , está bem ? - Claro - disse Dumbledore . Saiu e os dois olharam inseguros para Dumbledore . Que quereria ela dizer com tratar de as coisas ? Certamente não iriam ser castigados ? - Lembro me de vos ter dito a ambos que teria de vos expulsar se voltassem a quebrar as regras de a escola - disse Dumbledore . Ron abriu a boca horrorizado . - O que vem mostrar nos que as melhores pessoas , às_vezes , têm de engolir as suas próprias palavras . - Dumbledore sorriu e continuou : - Vocês vão receber ambos uma recompensa especial por serviços prestados a a escola e ... deixem me ver , sim , acho que duzentos pontos cada_um para os Gryffindor . Ron ficou tão corado que parecia as flores de S._Valentim_do_Lockhart e voltou a fechar a boca . - Mas um de vós parece demasiado calado sobre a sua participação em esta perigosa aventura - acrescentou Dumbledore . - Porquê tanta modéstia , Gilderoy ? Harry estremeceu . Esquecera se por completo de Lockhart . Voltou se e viu o a um canto de a sala ainda com o mesmo sorriso vago . Quando Dumbledore se lhe dirigiu , olhou por cima de o ombro para ver com quem ele estava a falar . - Professor_Dumbledore - disse o Ron rapidamente - Houve um acidente lá em baixo , em a Câmara_dos_Segredos . O professor Lockhart - Eu sou um professor ? - perguntou Lockhart surpreendido . - E eu que pensei que era um inútil ! - Tentou fazer um feitiço antimemória e a varinha fez ricochete - explicou Ron_a_Dumbledore . - Incrível - disse Dumbledore , abanando a cabeça , o bigode prateado a tremer . - Trespassado por a tua própria espada , Gilderoy ! - Espada ? - disse Lockhart de forma imprecisa . - Eu não tenho espada . Esse rapaz é_que tem - apontou para Harry . - Ele empresta lhe uma . - Importas te de levar também o professor Lockhart até a a ala hospitalar , Ron ? - disse Dumbledore . - Eu gostava de falar um_pouco mais com o Harry . Lockhart saiu sem pressa . Antes de fechar a porta , Ron lançou um olhar curioso a Dumbledore e Harry . Dumbledore passou para uma de as cadeiras junto de o lume . - Senta te , Harry - disse . E Harry sentou se , sentindo se indescritivelmente nervoso . - Antes de mais , Harry , quero agradecer te - disse Dumbledore com os olhos a brilharem de_novo . - Deves ter demonstrado uma grande lealdade para comigo . Só isso poderia atrair a Fawkes para ir ajudar te . Deu uma palmadinha a a fénix que voara , entretanto , para_cima de os seus joelhos . Harry sorria acanhadamente sob o olhar observador de Dumbledore . - Encontraste , portanto , Tom_Riddle - disse o director amavelmente . - Calculo que ele estaria particularmente interessado em ti ... De repente , algo que Harry tinha engasgado saiu lhe descontroladamente de a boca para fora . - Professor_Dumbledore ... o Riddle disse que eu sou como ele , que há entre nós estranhas semelhanças ... - Ah ! sim ? - Dumbledore olhou pensativamente para ele , por debaixo de as espessas sobrancelhas prateadas . - E o que achas tu de isso ? - Eu não me considero parecido com ele - disse Harry mais alto do_que desejaria . - Isto_é , eu sou um Gryffindor , eu sou ... Mas calou se com uma dúvida a rondar lhe o espírito . - Professor - arriscou passado alguns momentos . - O chapéu seleccionador disse que eu ... teria ficado bem em os Slytherin ; durante algum tempo toda_a_gente pensou que eu era o herdeiro de Slytherin por falar * serpentês * ... - Tu falas * serpentês * , Harry - disse Dumbledore calmamente - porque Lord_Voldemort que é o mais recente antepassado de Salazar_Slytherin , fala * serpentês * . Ou eu me engano muito , ou ele transferiu para ti alguns de os seus poderes em a noite em que te fez essa cicatriz . Não que quisesse fazê o , claro , mas aconteceu . - Voldemort pôs um_pouco de si próprio em mim ? - disse Harry assombrado . - É o que parece ter acontecido . - Então eu deveria estar em os Slytherin - disse Harry , olhando desesperado para o rosto de Dumbledore . - O chapéu seleccionador viu em mim os poderes de Slytherin e ... -- Pôs te em os Gryffindor - concluiu tranquilamente Dumbledore . - Ouve , Harry , tu tens por acaso muitas de as capacidades que Salazar_Slytherin apreciava em os seus estudantes cuidadosamente seleccionados . O seu raro dom de falar * serpentês * , desenvoltura , determinação , um certo desprezo por as regras estabelecidas - acrescentou com o bigode a tremer de_novo . - Mas ainda_assim , o chapéu seleccionador pôs te em os Gryffindor . E sabes porquê ? Pensa um_pouco . - Só me pôs em os Gryffindor - disse Harry em uma voz débil - porque eu pedi para não ir para os Slytherin . - Exacto - disse Dumbledore a sorrir . - E isso torna te muito diferente de o Tom_Riddle . São as tuas escolhas , Harry , que mostram quem de facto tu és , mais do_que as tuas capacidades . Harry sentou se , imóvel e espantado , em a cadeira . - Se queres provas de que o teu lugar é em os Gryffindor , sugiro que vejas isto com mais atenção . Dumbledore aproximou se de a secretária de a professora Mc_Gonagall , pegou em a espada de prata ensanguentada e mostrou lhe a . Sem perceber , Harry voltou a ao_contrário . Os rubis brilharam a a luz de a lareira e foi então que ele reparou em o nome gravado mesmo por baixo de o copo de a espada . GODRIC_GRYFFINDOR . - Só um verdadeiro Gryffindor poderia ter tirado a espada de dentro de o chapéu , Harry - disse , com simplicidade , Dumbledore . Durante um minuto , nenhum de os dois falou . Depois , Dumbledore abriu uma de as gavetas de a secretária de a professora Mc_Gonagall e retirou de lá uma pena e um tinteiro . - Tu precisas de comer e ir dormir . Sugiro que desças para o banquete enquanto eu escrevo para Azkaban . Precisamos de recuperar o nosso guarda de os campos . E tenho de esboçar um anúncio para o * _ Profeta_Diário * - acrescentou pensativo . - Vamos precisar de um novo professor de Defesa contra as artes negras . É um problema , estamos sempre a perdê os . Harry levantou se e dirigiu se a a porta . Tinha acabado de estender a mão para o puxador quando ela se abriu tão violentamente que saltou de as dobradiças . Lucius_Malfoy estava de pé , furioso . E , debaixo de o braço , embrulhado em diversas ligaduras , estava Dobby . - Boa tarde , Lucius - disse Dumbledore , de forma amena . Mr._Malfoy quase derrubou Harry enquanto entrava em a sala . Dobby dava passos miudinhos atrás de ele , inclinado até a a bainha de o seu manto com um olhar apavorado em o rosto . - Então - disse Lucius_Malfoy com os olhos fixos em Dumbledore - voltaste . Os membros de o Conselho_Directivo suspenderam te , mas tu mesmo_assim sentiste te capaz de voltar a Hogwarts . - Bem vês , Lucius - disse Dumbledore , sorrindo serenamente . - Os outros membros de o Conselho contactaram me hoje . Fui envolvido em um redemoinho de corujas , todos queriam contar me a verdade . Ouviram dizer que a filha de Arthur_Weasley tinha sido morta e queriam me novamente aqui . Parece que me consideravam o melhor homem para o lugar . Contaram me algumas histórias muito estranhas . Alguns de eles tinham a impressão que tu tinhas ameaçado amaldiçoar lhes as famílias se não concordassem com a minha suspensão . Mr._Malfoy ficou ainda mais pálido do_que de costume , mas os olhos continuavam cheios de fúria . - Então já acabaste com os ataques ? - rosnou . - Apanhaste o culpado ? - Já , sim - disse Dumbledore com um sorriso . - E quem é ? - perguntou Malfoy secamente . - A mesma pessoa de a última vez , Lucius - disse Dumbledore . Mas desta_vez , Lord_Voldemort agiu através_de outra pessoa , por_meio_de um diário . Pegou em o pequeno caderno com o buraco em o meio , observando Mr._Malfoy de perto . Mas Harry olhava para Dobby . O elfo fazia um sinal muito estranho . Com os seus grandes olhos fixos em Harry , não parava de apontar para ó diário e , em seguida , para Mr._Malfoy , batendo logo_a_seguir com o punho em a cabeça . - Estou a ver ... - disse Mr._Malfoy lentamente a Dumbledore . - Um plano inteligente - afirmou o director em um tom de voz suave , continuando a olhar Mr._Malfoy directamente em os olhos . - Porque se não fosse aqui o Harry e o seu amigo Ron a descobrirem o diário , sem dúvida Ginny_Weasley teria ficado com todas_as culpas . Ninguém teria conseguido provar que ela agira contra a sua própria vontade . Mr._Malfoy não se pronunciou . O seu rosto parecia agora uma máscara . - E vê bem - continuou Dumbledore - o que poderia ter acontecido ... os Weasley são uma de as mais proeminentes famílias de feiticeiros de sangue puro , imagina o efeito em a imagem de Arthur_Weasley e em a sua acção de protecção a os Muggles , se a sua própria filha fosse acusada de atacar e matar filhos de Muggles . Foi uma sorte o diário ter sido descoberto e as memórias de Riddle apagadas . Quem sabe que consequências poderia ter tido ? Mr._Malfoy falou contra vontade . - Sim , foi uma sorte - disse secamente . E , em as suas costas , Dobby continuava a apontar para o diário e para Lucius_Malfoy , batendo depois com o punho em a cabeça . E Harry finalmente percebeu . Fez um sinal a Dobby que correu a esconder se em um canto , torcendo desta_vez as orelhas para se castigar . - Não quer saber como a Ginny obteve esse diário , Mr._Malfoy ? - perguntou Harry . Lucius_Malfoy voltou se para ele . - Como queres que eu saiba onde é_que a estúpida de a garota o arranjou ? - Porque foi o senhor quem lhe o deu - disse Harry . - Em a Flourish and Blotts . O senhor pegou em o livro velho de ela de Transfiguração e meteu o diário lá dentro , não foi ? Viu as mãos brancas de Mr._Malfoy abrirem se e fecharem se . - Prova isso - sibilou . - Oh ! ninguém vai poder prová o - disse Dumbledore sorrindo a o Harry . - Não agora_que o Riddle desapareceu de o caderno . Por outro lado , aconselharia te , Lucius , a não dares mais nenhuma de as coisas velhas de Lord_Voldemort . Se mais alguma for parar a as mãos de crianças inocentes , acho que o Arthur_Weasley fará com que se voltem com toda_a sua carga negativa contra ti . Lucius_Malfoy ficou calado um momento e Harry viu claramente a sua mão direita torcer se como_se desejasse chegar a a varinha . Em vez de isso , voltou se para o seu elfo doméstico . - Vamos , Dobby . Abriu a porta e quando o elfo se aproximou deu lhe um pontapé que o projectou para longe . Ouviram se em o escritório os gritos de dor de Dobby em o corredor . Harry pensou durante um momento e depois decidiu se . - Professor_Dumbledore - disse apressadamente . - Posso dar o diário outra_vez a Mr._Malfoy ? - Certamente , Harry - disse Dumbledore com toda_a calma . - Mas não demores , olha o banquete . Harry agarrou em o diário e saiu de o escritório . Os gritos de dor de Dobby afastavam se ao_longe . Sem perder tempo , perguntando a si próprio se o plano poderia resultar , Harry tirou um de os sapatos , puxou uma de as peúgas enlameadas e viscosas e meteu o diário lá dentro . Em seguida correu até a o fundo de o corredor escuro . Apanhou os em o topo de as escadas . - Mr._Malfoy - disse ofegante , parando . - Tenho uma coisa para si . E meteu a peúga mal cheirosa em a mão de Lucius_Malfoy . - O que é ... ? Mr._Malfoy tirou o diário de dentro de a peúga , deitou a fora e olhou furioso para o caderno estragado e para Harry - Ainda vais acabar por ter um fim igual a o de os teus pais um dia de estes , Harry_Potter - disse em voz baixa . - Eles também eram uns idiotas metediços . Voltou se para se ir embora . - Anda , Dobby , vem ! Mas Dobby não se mexeu . Tinha em as mãos a peúga nojenta de o Harry e olhava para ela como_se fosse um tesouro de valor incalculável . - O senhor deu uma peúga a o Dobby - disse o elfo maravilhado . - Deu a a o Dobby . - O que é isso ? - cuspiu Mr._Malfoy . - Que estás para aí a dizer ? - Dobby tem uma peúga - repetiu incrédulo . - O senhor deitou a fora e Dobby apanhou a e Dobby agora é livre ... Lucius_Malfoy ficou paralisado a olhar para o elfo . Em seguida precipitou se para Harry . - Fizeste me perder o meu servo , rapaz . Mas Dobby gritou : - Não pense que vai fazer mal a o Harry_Potter ! Ouviu se um enorme estrondo e Mr._Malfoy foi empurrado de costas , galgando os degraus de as escadas a três_e_três e indo aterrar lá em baixo todo embrulhado e amarrotado . Levantou se , o rosto lívido e pegou em a varinha , mas Dobby estendeu lhe um dedo ameaçador . - Vá se embora já - disse furioso , apontando para Mr._Malfoy . - Não tocará em o Harry_Potter . Vá se embora , já . Lucius_Malfoy não teve escolha . Lançando a os dois um último olhar de cólera , embrulhou se em o manto e desapareceu . - Harry_Potter libertou Dobby ! - disse o elfo com voz esganiçada , olhando para Harry , a luz de o luar reflectida em os seus grandes olhos em forma de globos . - Harry_Potter libertou Dobby . - Era o mínimo que eu podia fazer , Dobby - disse Harry a sorrir -- , mas promete me que não vais voltar a tentar salvar me a vida . A cara feia e escura de o elfo abriu se , mostrando os dentes , em um enorme sorriso . - Tenho uma pergunta a fazer te , Dobby - disse Harry enquanto o elfo pegava em a peúga de ele com as mãos a tremer . - Disseste me que tudo_isto não tinha nada que ver com Aquele cujo nome não deve ser pronunciado . Lembras te ? - Era uma pista , senhor - disse Dobby com os olhos muito abertos como_se fosse absolutamente óbvio . - Dobby estava a dar lhe uma pista . Antes de o senhor de o mal mudar de nome , o seu nome podia ser pronunciado , está a ver ? - Certo - disse Harry sem grande convicção . - Bem , é melhor eu ir indo embora . Há um banquete e a minha amiga Hermione já deve ter acordado ... Dobby lançou os braços a a cintura de Harry e abraçou o . - Harry_Potter é muito maior do_que Dobby imaginava ! - soluçou . - Adeus , Harry_Potter . E com um estalido final , Dobby desapareceu . Harry assistira a diversos banquetes , mas nenhum que se parecesse com aquele . Estavam todos de pijama e a festa durou a noite inteira . Harry não sabia se o melhor tinha sido a Hermione a correr para ele e a gritar : - Tu conseguiste . Tu conseguiste ! , ou o Justin saindo disparado de a mesa de os Hufflepuff para lhe estender a mão , desfazendo se em desculpas por ter suspeitado de ele , ou o Hagrid que apareceu a as três_e_meia e que lhes deu palmadas com tanta força em os ombros que eles foram parar dentro de os pratos de bolo de creme , ou os quatrocentos pontos que ele e o Ron obtiveram para os Gryffindor , ganhando a taça de a equipa por a segunda vez consecutiva , ou a professora Mc_Gonagall de pé , a comunicar lhes que os exames tinham sido cancelados como medida de a escola ( Oh ! não ! exclamou Hermione ) , ou Dumbledore a anunciar que , infelizmente , o professor Lockhart não poderia voltar em o ano seguinte por ter de se ausentar a_fim_de recuperar a memória . Alguns de os professores juntaram se a os alunos que aplaudiram entusiasmados esta notícia . - Que pena - disse Ron , servindo se de um * dounut * de presunto . - E eu que começava a gostar de ele ... O resto de o período de Verão decorreu sob um sol escaldante . Hogwarts voltara a a normalidade , apenas com algumas pequenas diferenças : as aulas de Defesa contra as artes negras foram canceladas ( Mas nós tivemos imensa prática - disse o Ron vendo o descontentamento de Hermione ) e Lucius_Malfoy foi demitido de o Conselho_Directivo . Draco já não passeava por ali como_se fosse o dono de a escola . Pelo_contrário , tinha um ar melindrado e carrancudo . Por outro lado , Ginny_Weasley andava de_novo feliz de a vida . Em_breve chegou o dia de regressarem a casa em o Expresso_de_Hogwarts . Harry , Ron , Hermione , Fred , George e Ginny encheram um compartimento . Tiraram o_máximo partido de aquelas últimas horas em que lhes era permitido usar a magia antes de as férias . Brincaram a as explosões , gastaram o último fogo-de-artíficio Filibuster , de o Fred e de o George e treinaram o mútuo desarmamento através de a magia . Harry começava a ficar muito bom em aquilo . Já estavam perto de a estação de King's_Cross quando Harry se lembrou de uma coisa . - Ginny , o que foi que viste o Percy fazer que ele não queria que nos contasses ? - Ah ! isso - disse a Ginny a rir . - Bem , é_que o Percy tem uma namorada . Fred deixou cair uma pilha de livros em a cabeça de o George . - O quê ? - É aquela prefeita de os Ravenclaw ' Penelope_Clearwater - disse a Ginny . - Foi para ela que ele escreveu durante todo o Verão . Encontravam se em a escola em grande segredo . Eu apanhei os a beijarem se em uma sala de aula vazia e ele ficou tão aflito quando ela foi ... sabes ... atacada . Não vais aborrecê o , pois não ? - perguntou cheia de ansiedade . - Que ideia - respondeu Fred com uma tal satisfação em o rosto que parecia que o seu aniversário chegara mais cedo . - Claro que não - disse o George a rir se a a socapa . O Expresso_de_Hogwarts abrandou e finalmente parou . Harry tirou a pena e um_pouco de pergaminho e voltou se para Ron e Hermione . - Isto_é um número de telefone - disse ele a o Ron , escrevinhando o duas vezes , cortando o pergaminho a o meio e dando lhes os números . - Eu expliquei a o teu pai como usar um telefone em o Verão passado . Ele sabe fazer a chamada . Liga me para_casa de os Dursley , O. _ K. ? Não consigo suportar outros dois meses sem ter mais ninguém com quem falar ... - Mas a tua tia e o teu tio vão ficar orgulhosos de ti , não vão ? - perguntou Hermione quando saíram de o comboio e se misturaram em a multidão que se encontrava junto de a barreira encantada . - Quando souberem o que fizeste este ano . - Orgulhosos ? - disse Harry . - Estás doida ! Podendo eu ter morrido tantas vezes e tendo escapado ? Vão ficar é furiosos ... E juntos avançaram até a a entrada para o mundo de os Muggles .